Vous êtes sur la page 1sur 6

1

História de África dos Primórdios até ao século XVIII
Objectivos e considerações sobre a História de África.
Objectivos do estudo da História de África
 Discutir as várias teorias ou correntes difundidas sobre a História de África;
 Reflectir em torno das novas abordagens da História de África;
 Demonstrar que a História de África existiu desde os primórdios da humanidade;
 Contribuir na reescrita da História de África;
 Contribuir na preservação das fontes da História de África.

Quem é africano?
Esta questão não é tão simples de responder mas isso não impede a colocação das nossas ideias.
Na perspectiva de Mussa (2006), Africano não pode ser concebido como apenas aquele que nasceu
em África. Mas sim, todo aquele que vive conforme o africano seja na maneira de pensar ou agir.
Aliás, nos diversos historiadores não há consenso sobre a definição do que é africano; pois, toda
humanidade é africana, dado o surgimento dos primeiros restos fósseis nas escavações em África.
 Faça uma leitura crítica dos extractos que se seguem:

1. “A África não é um continente histórico, ela não demonstra nem mudança nem
desenvolvimento. Os povos negros são incapazes de se desenvolverem e de receberem uma
educação” (J. D. Fage).

2. “Pode ser que no futuro haja uma História de África para ser ensinada. No presente,
porém, ela não existe; o que existe é uma História dos europeus em África. O resto são
trevas…e as trevas não constituem tema de História…” (Hegel)!

Correntes sobre a Historiografia africana na visão de J. D. Fage e P. Curtin

os historiadores do período colocavam a África como vítima das acções externas. iii) Africanista. perdendo novamente seu papel de agente histórico. como a desculpa para invadir e explorar as terras africanas e asiáticas e transformá-las em celeiro de mão-de-obra e de matéria-prima. É uma corrente que desafia as posturas europeístas. Invertia-se o pólo da discussão e agora. valorizando o valor da história de África. não se pode conceber que um país que não tenha registado o seu passado através da escrita tenha história.defende que a Europa é que é um continente histórico. Ki-Zerbo. África nunca teve história. Indianas. ii) Afrocentrista . Esta procura conciliar as correntes Eurocentrista e Afrocentrista. pois passou maior parte do tempo na barbárie. . Árabes e chinesas. os povos africanos subsaarianos encontravam-se imersos em um estado de quase absoluta imobilidade. Os vestígios materiais do passado foram usados para evidenciar as qualidades do continente.2 A ajuda da UNESCO e dos Historiadores como: Walter Rodney. Para os defensores desta corrente o centro do estudo da História é a Europa. Além disso. Extremo do não. . donde saíram oito volumes. seriam sociedades sem história. asiáticos e americanos como “seres inferiores” e sem o brilho natural de civilização que somente os europeus possuíam. Por isso. Para se fazer a Historiografia africana levou-se dura batalha até que se passou de três correntes historiográficas: i) Eurocêntrica ou Europeísta. Albert Adu Boahen. No caso.existe sim uma História de África que usa fontes europeias. entre outros fez com que se unisse esforços a partir de 1965 para a construção da História Geral de África. Persas. Jan Vansina. tínhamos uma história afrocêntrica e que cometia os mesmos erros daquela primeira: a supervalorização de um continente sobre o outro. A África tem História e não precisa de se apoiar aos europeus. é preciso que se frise que esse é um século “recheado” das ideias racistas propagadas ainda no século XVIII e que consideram africanos. sem escrita. Basil Davidson. também é bom lembrar que estávamos no século do Imperialismo e que interessava aos europeus divulgar a ideologia do “Fardo do Homem Branco”. Tiófilo.Procura dar peso e objectividade à História de África. Progressista ou original . Extremo do sim. Nessa sede de supervalorização.toma África como sendo o centro de pesquisa e elaboração da História. ao invés de uma história eurocêntrica. Segundo os pensadores do século XIX. além de um rico mercado consumidor de produtos industriais europeus.

com produções de valor. 3. o comércio árabe na costa oriental de África.: Sobre a Soberania: reconhece que por mais pequeno que o estado fosse. . A História de África tem ligações com a História da Europa. a colonização destruiua. etc.Não se pode fazer história de África comparando-a com a da Europa. Sobre a cultura: reconhece que ela existiu e que vale por si própria. É parte da história geral porque há um grande esforço científico dos africanos. Ásia e América. 4. com identidade própria. etc). embora tivesse contribuído bastante para a humanidade. História de África como parte da História geral Curtin e Terence O. É parte da História geral porque levanta a questão da cultura defendendo que não se pode fazer história sem cultura e os africanos têm cultura. pode-se vê-la como parte da História geral e argumentam: 1. 2. os dois africanistas concluem que se for excluída do grupo é porque foi negligenciada a participação do africano nela. Assim. economia. religião e culturas africanas. A História de África é uma contribuição para a História geral porque tem temas próprios que não são apêndices de outros factos. existiu de facto e que foi violentado pela colonização europeia. Sobre a religião: reconhece que as cerimónias locais são equiparadas às religiões do livro (a bíblia. isto é. Estas histórias não podem ser vistas sem tomar em consideração a África. Conclusões: a História de África não é uma História de consensos.Explora temas negligenciados como soberania. Ela deve ser vista de forma particular. o alcorão. Sobre a economia: reconhece que por mais que fosse de carácter familiar. Ex. Exemplo: o tráfico de escravos. Ranger afirmam que olhando para a História de África com objectividade e sem comparações. Isto leva-nos a perceber que África participou na economia mundo. .3 .

a arqueologia e a tradição oral. Durante muito tempo. passavam por sociedade que não podiam ter história. Os quatros grandes princípios 1. autencidade e a conscietização. Três fontes principais constituem os pilares do conhecimento histórico: os documentos escritos. Deve evitar ser uma história factual.  Criticar as fontes para apurar a veracidade dos factos.4 Fontes e técnicas específicas da História de África: escritas orais. Os historiadores africanos devem:  Valorizar as fontes disponíveis: tradições orais. é importante resgatar a visão do interior da África. é a história de uma tomada de consciência. a história da África deve ser reescrita. desfigurada. História dos povos africanos em seu conjunto 4. mitos e preconceitos de toda espécie esconderam do mundo a real história da África. História vista do interior Porquê a História de África deve ser vista a partir do interior? Após tantas visões do exterior que têm modelado a marca registada da África a partir de interesses externos. que permitem matizar e aprofundar a interpretação dos dados. a sua identidade. Essas três fontes são apoiadas pela linguística e pela antropologia. arqueologia e datação. arqueológicas e as poucas escritas existentes. ela foi mascarada. E isso porque. 3.  Resgatar as origens dos africanos e transmiti-los as novas gerações. Nesse sentido. mutilada. A história da África. A interdisciplinaridade 2. onde as sociedades africanas. linguística histórica. camuflada. Dificuldades e fontes a utilizar . como a de toda a humanidade. o continente africano quase nunca era considerado como uma entidade histórica. até o presente momento.

Portanto.5 Tipo de Fonte Características Dificuldades É a principal fonte para a reconstituição do passado de África apoiando-se na Oral linguística (que faz o estudo comparativo das línguas) e na antropologia (que faz o estudo da cultura das civilizações). Recorre-se as escavações arqueológicas e o seu uso Sofrem mutações devido a Arqueológica deve-se escassez da fonte erosão que acaba escrita. mas também abunda nesta fonte o esquecimento. mesmas. parte deles estão escritos em Árabes e aparecem carregados de interesses: vários Políticos. Usa-se a técnica de dificultando as escavações carbono 14 para datar as e interpretação. Sociais. Não são fiáveis. são fracos em termos cronológico. pois estes documentos estão mal distribuídos quer em regiões e épocas. Religiosos distorcendo o sentido real da história de África não é colocado numa perspectiva científica. Económicos. A mais Recorrer aos documentos Escrita escritos encontramos em no Árabe Egipto. Núbia e Etiópia. a morte deste possuidor de conhecimento é uma biblioteca perdida é uma informação difícil de recuperar São raros. .

p. Joseph. J (Org): História da África. D.D.6 Referências bibliográficas CURTIN. In: Ki-Zerbo. Maputo: UP. 1982.2006. In: KI-ZERBO. P. Tendências recentes das pesquisas históricas africanas e contribuição à história geral. História Geral da África: metodologia e pré-História da África. Vol. FAGE. 1982. A Problemática da Historiografia Africana. Vol I. Metodologia e pré-história da África. São Paulo: Editora Ática/Paris: UNESCO.73-89. A evolução da historiografia da África.).I. Carlos.4359. MUSSA. (edr. p. . J. São Paulo: Editora Ática/Paris: UNESCO.