Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

®

Literário, sem frescuras!
ISSN 1664-5243

Ano 6 - Novembro de 2015—Edição no. 38
www.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

EDIÇÃO DE @NIVERSÁRIO
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Lit_r[tur[ [té vo]ê!

www.varaldobrasil.com

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LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, outono/inverno de 2015
No. 38

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

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do autor, por gentileza escreva para o e-mail
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prazer em enviar para você. Boa leitura!

Brasil do Amazonas ao Rio Grande do
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NO. 38 - Genebra - CH - ISSN 1664-5243

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

VARAL ESTENDIDO!
Chegamos com mais uma edição comemorativa de nossa revista: festejamos os seis anos
do Varal do Brasil! Seis anos presentes na
literatura de Língua Portuguesa no Brasil e no
exterior, criando, inovando, levando os autores brasileiros, portugueses, angolanos, caboverdianos e de outras nacionalidades, bem
além das fronteiras do nosso amado Português!
Durante estes seis anos de vida, foram mais
de cinquenta edições de nossa revista,
distribuídas em formato PDF por e-mail, redes
sociais, blogs e sites alcançando assim os
cinco continentes.
Foram cinco coletâneas VARAL ANTOLÓGICO, compilando textos de raro valor de
autores que se destacaram com sucesso dentro de nossa literatura! Além destas coletâneas, veio também a antologia dos trabalhos
realizados no Grupo do Varal do Brasil no Facebook, o livro VOANDO EM BANDO que reúne as oficinas literárias do Grupo feitas até
início de 2014.
Foram três edições do Prêmio Varal do Brasil
de Literatura, premiando o talento de nossos
escritores em categorias como Contos,
Poemas, Crônicas e Textos Infantis.

Moscovich, Marcelino Freire e Ronaldo
Correia de Brito.
Fomos nestes seis anos pioneiros em tantas
ações literárias aqui no exterior! Nos orgulhamos de ver muitas organizações e associações seguirem nossos passos em muitos países, participando de Salões de Livro, realizando antologias e outras ações culturais que engrandecem a nossa literatura. A todos desejamos sempre muito sucesso e que levem cada
vez mais longe a literatura de Língua Portuguesa como nós o fazemos há seis anos!
Para 2016 já estamos com as inscrições
abertas para o renomado evento literário suíço, o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra que estará vivendo sua
trigésima edição. Será um evento memorável
e já nos alegramos com o fato de recebermos
autores, músicos e artistas plásticos que mostrarão o melhor de nossa cultura.
Será nosso quinto ano consecutivo no Salão
de Genebra! Venha fazer parte desta edição
histórica! Inscreva-se também!
Obrigada a você que nestes seis anos de
vida fez parte de nossa história de forma presente e viva! Sem você, nós não existiríamos!

Nesta edição, inclusive, trazemos o resultado
completo do último concurso.
Foram quatro participações no Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra,
maior evento literário da Suíça e um dos mais
prestigiados eventos culturais da Europa. Durante estes quatros anos apresentamos mais
de trezentos títulos e trouxemos mais de sessenta autores presentes para autógrafos, entre eles Luiz Ruffato, Alice Ruiz, Cintia
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Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe
Varal do Brasil

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ADINA WORCMAN

GILSON LIMA

AGLAÉ TORRES

HAZEL SÃO FRANCISCO

ALEX MARCHI

HEBE C. BOA-VIAGEM A. COSTA

ANA ROSENROT

HELOISA CRESPO

ANDREA MASCARENHAS

HUGO FEDERICO AZALRAQUI

ANTONIO MARCOS BANDEIRA

IVANE PEROTTI

BASILINA DIVINA PEREIRA

IVONE VEBBER

BLENDA BORTOLINI

IZABELLA PAVESI

CARLA DE SÁ MORAIS

JACQUELINE AISENMAN

CARMEN LÚCIA HUSSEIN

JAIME CORREA

CERES MARYLISE REBOUÇAS

JANA LAUXEN

CHAJA FREIDA FINKELSZTEIN

JANIA SOUZA

CLARA MACHADO

JEREMIAS FRANCIS TORRES

CLÁUDIA CARVALHO

JOSE CARLOS PAIVA BRUNO

DANIEL DE CULLÁ

JOSE CARLOS SIBILA

DIULINDA GARCIA

JOSÉ HILTON ROSA

ELOÍSA ANTUNES MACIEL

JULIA CRUZ

ELOÍSA MENEZES PEREIRA

JULIA REGO

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

KAIQUE MACHADINHO

EMÉRITA ANDRADE

LENIVAL NUNES ANDRADE

FELIPE CATTAPAN

LIRIA PORTO

FELIPE LUIZ PROIETE DE SOUZA

LÚCIA HELENA DOS SANTOS

FERNANDO SORRENTINO

LUIZ MANOEL F. MAIA

GAIÔ (M. APARECIDA GAIOFATTO)

LY SABAS

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MARCIA MARIA RIBEIRO BRABO

ROSSANA AICARDI CAPRIO

M. APARECIDA FELICORI (VÓ FIA)

ROZELENE FURTADO DE LIMA

MARIA DELBONI

SIMONE PESSOA

MARIA EMILIA ALGEBAILE

SONIA NOGUEIRA

MARIA JOSÉ VITAL JUSTINIANO

SILVIO PARISE

MARIA LÚCIA DE GODOY PEREIRA

SONIA CINTRA

MARIA LUÍZA VARGAS RAMOS

TEREZINHA GUIMARÃES

MARIA MOREIRA

VIVIAN DE MORAES BRAGAGNOLO

MARIA SOCORRO DE SOUSA

WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS

MARIANE EGGERT DE FIGUEIREDO

YARA DARIN

MARILU F. QUEIRÓZ

MÁRIO REZENDE

MAURÍCIO DUARTE

MAURICIO LIMA

NELCI BACK OLIVEIRA

NILZA AMARAL

OLIVEIRA CARUSO

RAFAEL REYES

RAPHAEL MIGUEL

RENATA CARONE SBORGIA

ROB LIMA

ROGÉRIO ARAÚJO (ROFA)

RONNIE LEITE

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Deus Tá in Tudo que é
Canto

Que dento do seu coração
Tenha o Sinhô Jesuis
Cumo seu Sinhô e Luz

Por Antônio Marcos Bandeira

O seu Deus da salvação!

Deus tá in tudo que é canto
No canto dos passarim
No canto duma criança
Nos canto pelos camim
Deus tá na muié buxuda
Insperano os bruguelim
Deus tá no canto dos óio
Dos cegos que rê além
Deus tá no canto dos mudo
Que mudo cantam tumém
Deus tá nos que num escuta
Mair sabe dizê amém!
Deus tá nas forma das letra
Dos cego que eles nos trais
Deus tá no canto dos pasro
Nos canto de vida e pais
Deus tá na rida das rida
Que ELE muda demais
Deus tá in tudo que é canto
Nos canto da natureza
Deus tá no canto dos home
Que cantum cum tanta beleza
Deus tá na rida dos jove
Na casa que num é fortaleza
Deus tá in tudo que é canto
No canto das prantação
Deus tá in quorqué pessoa

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pedra-sabão
Por Líria Porto
escrevo no peito o vento que passa
o sol a vidraça a chuva a neblina
escrevo no peito o doce a cachaça
o queijo a coalhada o mapa de minas
escrevo no peito as ruas estradas
as flores a praça o laço de fita
escrevo no peito a tarde a alvorada
a lua as estrelas as caturritas
escrevo no peito a terra um jazigo
o chão a florada a serra o jardim
escrevo no peito opalas sem fim
os pais os irmãos as filhas o amigo
o cheiro os costumes a bruma a brisa
depois eu me abraço e fecho a camisa

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O Salão Internacional do Livro e da Imprensa
de Genebra é o maior evento literário da Suíça e um dos encontros culturais mais populares e prestigiados da Europa entre autores,
editores e visitantes que se unem em torno
do livro e da imprensa. Ele acolhe milhares
de visitantes vindos não apenas da Suíça,
mas de vários outros países.
Evento de grandes proporções, sofisticado, o
Salão Internacional do Livro e da Imprensa
de Genebra não é somente um evento literário, mas cultural em si. Apresenta todos os
anos um país como convidado de honra. Em
2016 o país convidado será a Tunísia.
São também realizadas exposições artísticas
durante o evento e acontecem simultaneamente ao Salão do Livro, o Salão do Estudante e da Formação e o Salão Africano de
Literatura e Cultura. Desde 2014, o Salão recebe também o Espaço da Cultura Árabe,
que traz a literatura e a cultura dos países
árabes.
O Salão do Livro acontecerá de 27 de abril a
1º de maio de 2016 em Genebra.
O estande do Varal do Brasil levará ao Salão
do Livro de Genebra autores de Língua Portuguesa e Espanhola. Livros em outros idiomas também podem ser aceitos. Em sua
quinta participação, o Varal do Brasil renovará o sucesso obtido nos quatro anos anteriores, tendo levado nestes quatro anos mais de
cem autores para autógrafos e bem mais de

trezentos títulos para exposição, divulgação
e venda durante os eventos. Para visualizar
fotos e vídeos dos anos anteriores, visitar o
site www.varaldobrasil.com
De nossas participações plenas de sucesso
outros estandes brasileiros têm surgido em
outros países, abrindo assim cada vez mais
as portas para os autores/editores que desejam ver seus livros divulgados no exterior.
Participando com o Varal do Brasil deste
grande evento literário suíço, você terá mais
oportunidade de se lançar também nos demais países.
O Varal do Brasil é pioneiro na divulgação de
autores de língua Portuguesa com livros em
Português no exterior e possui o maior estande brasileiro privado da Europa.
O autor que participa autografando e/ou expondo seus livros conosco, visa a divulgação
de seu trabalho e de si mesmo. Toda promoção e publicidade fornecida pelo Varal do
Brasil vai muito além da venda de livros durante a exposição, pois a network literária
oferecida é primordial para abertura de novos
caminhos.
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MEU PREFÁCIO PARA ROMANCE

sinais e acentos. Existem palavras diferentes

DE CABO VERDE

e palavras com sentidos diferentes. Mas isso
é discussão para outra vez. O que queremos
discutir, agora, é a obra deste bom escritor de

Recebi, há uns dois anos, do meu amigo Nuno Rebocho, escritor e editor de Cabo Verde,
os originais do seu livro “A segunda Vida de
Djon de Nhá Bia”. (Recentemente, recebi convite para o lançamento do livro, publicado por
editora portuguesa, e fico sabendo que o prefácio do livro é esta apreciação.)

Cabo Verde, Nuno Rebocho.
A história evidencia o alto grau de criatividade
do escritor, beirando o fantástico-maravilhoso.
Mas com a segurança de um grande ficcionista, denunciando, com situações localizadas
além da nossa realidade comum, as mazelas
do nosso mundo atual.

Não pude ler o romance imediatamente após
recebê-lo, mas quando comecei não consegui
parar até terminá-lo. Não só pela história, que
é original e singular, mas pelo discurso narrativo do autor, dinâmico, objetivo, elegante e
claro. Um estilo cativante, que prende e leitor,
ávido por saber o que vai acontecer no próximo capítulo.

O título do romance dá uma dica sutil do enredo: “As duas vidas de Djon de Nhá Bia”. É a
história de Djon depois de sua morte, de situações bizarras e ao mesmo tempo divertidas
de um morto-vivo às voltas com outros mortos
-vivos, com o Diabo, com o amor, com o fanatismo do povo, com a vida. Uma fábula bem
urdida, interessante e bem contada.

Encontrei palavras que não são usadas no
nosso português do Brasil, mas isso colaborou para tornar a leitura ainda mais interessante e não prejudicou em nada a compreensão. Algumas palavras me chamaram mais a
atenção, no entanto, por não conseguir descobrir-lhes o significado, apesar do contexto.
E me fizeram lembrar o Acordo Ortográfico,
pois as diferenças do português do Brasil, de

A linguagem e o estilo se conciliam e se completam, dando ao romance total fluidez, dando prazer ao leitor ao longo do desenvolvimento da trama, a cada página.
Recomendo a leitura deste ótimo romance do
escritor de Cabo Verde aos leitores de qualquer país que tenha como língua oficial o português, pelo talento do autor e pela qualidade
da obra.

Portugal, de Cabo Verde e outros países que
falam português não se reduzem a apenas

*Leia mais da coluna na próxima página

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LEITURA E ESCRITA
Leio a pesquisa dos alunos do Curso de Letras da Faculdade do norte catarinense, sobre a análise de desempenho em práticas
sociais de leitura e escrita, por alunos em fase de conclusão do Ensino Médio do Centro
de Educação de Jovens e Adultos e percebo
a importância de se avaliar e mensurar a eficiência da educação que estamos oferecendo aos nossos estudantes, desde a idade
mais tenra até a preparação para o Vestibular. A pesquisa é um estudo sério e consciente, com perguntas simples dirigidas aos estudantes, para que se possa determinar o nível
de "letramento" do jovem e do adulto de uma
cidade que poderia, por amostragem, espelhar uma tendência brasileira. Vale esclarecer
"nível de letramento", conforme mencionado
na pesquisa: se o estudante está apenas alfabetizado ou se ele sabe utilizar a leitura na
vida prática, decodificando e interpretando de
maneira correta o que lê, sabendo comunicar
-se efetivamente.
Apesar dos conteúdos programáticos das escolas privilegiarem um equilíbrio pelo menos
teórico do ensino da língua com a prática da
escrita e da leitura, a pesquisa mostra que os
estudantes, um índice significativo deles, já
no nível médio, ainda têm dificuldades com
interpretação de textos e, paralelamente,
com o registro de ideias.
Parte dos alunos entrevistados da mostra
aleatória declararam ler livros, revistas e jornais, mas as respostas se conflitaram, pairando dúvidas sobre se realmente liam o que
foi afirmado. Cai em evidência, mais uma
vez, aquilo que suspeitamos cada vez que
falamos de leitura: a escola, de um ponto de
vista global, não está incentivando a formação de leitores. Falamos já em outras oportunidades, da prática contraproducente de obrigar os alunos a lerem determinados livros,
por parte de professores de língua e literatura, o que causa prevenção ao invés de propiciar a criação do hábito e gosto pela leitura.
E a pesquisa nos mostra que não é só isso.
Os estudantes não sabem ler documentos
simples,
A escola precisa ensinar o aluno a ler e precisa incentivá-lo a “tornar-se um leitor compe-

tente e autônomo dos vários gêneros de discurso, do cotidiano ou não, que fazem parte
da cultura letrada contemporânea”. Assim, os
leitores em formação, incentivados desde o
início do primeiro grau, tornar-se-ão leitores
efetivos. A escola precisa trabalhar o letramento do estudante com mais dedicação, para que tenhamos mais leitores eficientes e
efetivos e que dominem uma escrita mais
clara, objetiva e correta. E quando digo
“escola”, quero dizer que os mantenedores
da escola precisam pagar melhor os professores, para que eles sejam melhor qualificados e tenham motivação para fazer um bom
trabalho. A “cultura presentes no cotidiano de
pessoas comuns, como formulários, mensagens, avisos, etc. Outro fato importante levantado pela pesquisa, que corrobora o que
se constatou a respeito da falta de habilidade
de leitura dos alunos, incompatível com suas
idades, é que a escola privilegia o ensino da
escrita, relegando a leitura a segundo plano.
oficial” precisa planejar e estruturar melhor a
educação neste país, melhorar o conteúdo
programático da nossa escola, dar muito
mais atenção à educação, para que tenhamos cidadãos que saibam interpretar um texto, escrever um texto e comunicar as suas
ideias.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor,
Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com
35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras.
h p://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

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RITUAIS
Por Basilina Pereira

I
A manhã se desfaz em rotinas,
mesmo com todo rebuliço que envolve o despertar
e cada minuto parece evaporar rente as paredes.
É ali que as tarefas miúdas se processam,
enquanto os compromissos mais sólidos
são atrelados às horas futuras.
II
A tarde desabrocha com os pássaros,
apesar da indiferença das nuvens.
O sol cumpre sua trajetória de luz,
enquanto as formigas se multiplicam,
riscando o solo com seu laborioso passo.
O vento quebra o silêncio das folhas
em ritmos irregulares como os pensamentos
que se recusam a vestir os moldes da vez.
III
Assim que a noite chega,
pede logo um poema para saudar a lua
que se exibe inteira em seu trono de prata.
Quando ela surge majestosa e plena,
todos os ruídos se tornam leves,
e o silêncio ganha asas para ir mais longe
consolar as estrelas por esse momento de oclusão.

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OUTONO
Por Carla de Sá Morais
O Outono é a estação da sabedoria!
A Natureza contempla-nos com um dos seus mais belos espetáculos!
As florestas inflamam-se em cores majestosas antes da queda das suas
folhas.
É um momento de rendição, um momento de aceitação do que está para
vir, sem resistências nem comparações de força...somente um bailado de
sons e fragrâncias...
Saber afastar-se em silêncio, depois de ter conhecido a glória para dar
lugar à próxima estação, a Natureza, dá-nos uma bela lição de
humildade!

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A NOITE...”
Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

(...) “Descobri que minha arma é o que a memória guarda.” (...)
(Milton Nascimento e Fernando Brant, “Saudades dos Aviões da Panair”)
A noite te persegue?
Apenas fechas os olhos.
Morcegos? Corujas?
“Produza algo edificante”, exige um Juiz.
“Não escreves poemas: no máximo, prosa poética”, define outro Magistrado (um
deus?).
“És sempre monotemático: falas obsessivamente no Tempo e numa Ilha que acabou
há muito tempo”, reitera uma Voz Interior.
“Por favor: sê mais otimista” – reivindica outro crítico.
Aspiras a desconexão com real, o império da paz – talvez o esquecimento.
A memória está sempre aqui, ali, sempre – ela é o núcleo das tuas narrativas..
Virá o pó, mas não agora – esquece.
E todos os sonhos de tantas vidas?
Exorcizarás os males – acreditas.
Irão embora os Espíritos de Obsessão.
Irão?
Será a noite uma ânsia sem nome?
Do caos seria feita a luz.
Aspiramos Arcanjos. Sombras somos?
Também claridade.
“Desejo-te mil anjos” – escrevo para um destinatário desconhecido – mas que amo
(pois só ele, o amor, poderá nos salvar).
Que eles te cubram sempre, te blindem, te protejam contra o Mal.
Engana-se a voz Interior (lembrada acima): a Ilha Mítica estará sempre no teu
coração (ela é que importa).

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Mera sugestã o
Por Fernando Sorrentino
Dizem meus amigos que sou muito sugestionável. Acho que têm razão.
E para confirmar, usam como argumento um pequeno episódio que me aconteceu na quinta-feira passada.
Naquela manhã eu estava lendo um romance de terror e, embora ainda
fosse pleno dia, fiquei apreensivo. A leitura me incutiu a ideia de que na cozinha havia um feroz assassino; e esse feroz assassino, esgrimindo um enorme
punhal, aguardava que eu entrasse na cozinha para lançar-se sobre mim e cravar a lâmina nas minhas costas. Apesar de eu estar sentado de frente para a
porta da cozinha de tal maneira que ninguém poderia ter entrado sem que eu
tivesse visto, e de não haver outro acesso senão aquela porta, apesar de tudo
isso, eu estava inteiramente convencido de que o assassino espreitava por trás
da porta fechada.
Sugestionado como estava, não me atrevia a entrar na cozinha.
Foi então que tocaram a campainha.
— Entre! — gritei sem me levantar —. Está destrancada.
Entrou o porteiro do edifício, com duas ou três cartas.
— Minha perna está dormente — eu disse — . Pode ir até a cozinha e
me trazer um copo de água?
O porteiro disse “Pois não”, abriu a porta da cozinha e entrou. Ouvi um
grito de dor e o ruído de um corpo que, ao cair, arrastava consigo pratos ou
garrafas. Pulei da cadeira e corri até a cozinha. O porteiro, com a metade do
corpo sobre a mesa e um enorme punhal cravado nas costas, jazia morto. Então, já tranquilizado, pude constatar que, evidentemente, não havia nenhum assassino na cozinha.
Tratava-se, logicamente, de um caso de mera sugestão.

Tradução de Ana Flores
[De El mejor de los mundos posibles, Editorial Plus Ultra, Buenos
Aires, 1976]

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HISTÓRIA DO BRASIL SOB A
ÓTICA FEMININA
Hebe C. Boa-Viagem A. Costa

poderá exercer uma profissão se o

BRASIL-REPÚBLICA

marido autorizar.

AS MULHERES RESGATANDO SEUS
DIREITOS

1918 - Desencantadas as mulheres resolveram agir não mais isoladamente. Estrangei-

Eis um rápido esboço:
1891 - A primeira Constituição da República
do Brasil decepcionou as mulheres. Apesar
de assegurar que todos são iguais perante
as leis, mantiveram a mulher na condição de
menoridade com todas as limitações inerentes a essa situação.

ras que aqui viviam e brasileiras que conheceram outras terras adotaram estratégia
existente em

diversos países. Bertha Lutz,

que vivera na Europa, se dispôs a criar uma
organização sufragista . De inicio, mulheres
da elite se associaram e depois, o movimento
se estendeu às trabalhadoras orientando-as

1897 – Fundada a Academia Brasileira de Le-

na criação de sindicatos.

tras com um estatuto que impedia que as mulheres a ela pertencessem. Foram barradas

Década de Vinte

Julia Lopes de Almeida e Amélia Bevilacqua.

1905 – Embora as mulheres pudessem fre-

Em1922 Bertha Lutz criou a Federação

Brasileira para Progresso Feminino .

quentar cursos superiores desde 1879. só
em 1905, graças a advogada Mirthes Campos, a OAB, então IAB , permitiu que elas se

Foi uma década de muitas tentativas da

Federação para conseguir o direito de voto.
As associadas frequentavam assiduamente a

filiassem.

Câmara e o Senado para que um projeto
1916 – O Código Civil trouxe as seguintes
“preciosidades”:

que tratava do assunto fosse votado mas ele
acabou sendo engavetado. Todavia as mulhe-

A chefia da sociedade conjugal cabe ao

res se faziam notar.

homem competindo o direito de fixar
ou de mudar de domicilio; de conceder
ou retirar a autorização para que a mulher exerça profissão;

Na Semana da Arte Moderna Tarsila

Amaral, Anita Mafatti, Guiomar Novaes e tantas outras mostraram, com sucesso, suas especialidades. (Segue)

À mulher cabe a função de auxiliar e só
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No Rio, é fundada a Escola de Enfermagem

Ana Nery que alarga, e muito, o espaço das

21.076) concedendo o direito de voto a mu-

mulheres. Elas viajaram para o exterior onde

lher. Entretanto esse direito ainda sofria res-

se aperfeiçoariam para dar continuidade a

trições: as casadas; para poderem votar, pre-

difusão do sistema de enfermagem Nightin-

cisavam do consentimento do marido (!!! As

gale no Brasil Entre outras, Edith Magalhães

solteiras e viúvas, só podiam ser eleitoras se

Fraenkel, Rachel Haddock Lobo, Lais Netto

comprovassem ter renda.(!!!) Embora não

Reys...

fosse a reposta desejada, grande parte das

É publicado o Código Eleitoral ( decreto

mulheres poderiam votar e ser votadas.

Nesse mesmo ano deu-se o Manifesto

pela Educação Nova redigido por Fernando
de Azevedo. Ao lado de homens três mulheres foram signatárias desse documento:
Noemy da Silveira Rudolfer, Cecilia Meireles
e Armanda Alvaro

Na Revolução de 32 as mulheres mostra-

ram ter coragem, criatividade, capacidade de
trabalho em equipe e solidariedade . Foram
exemplos Carlota Pereira de Queiroz, Perola
Byington, Olivia Guedes Penteado e tantas
outras
Em 1934 Carlota Pereira de Queiroz foi eleita
a primeira deputada federal do Brasil.e foi a
Anesia Pinheiro Machado e Theresa de Marzo tornam-se pioneiras na aviação. Essa atividade era olhada com certa reserva até
mesmo pelos homens. Mais tarde Ada Rogato completaria esse trio ousado.

única mulher a assinar a Constituição de
1934 (Segue)

Década de Trinta

O Segundo Congresso Internacional Fe-

minista contou com uma representante do
governo brasileiro, Bertha Lutz As conclusões desse encontro foram encaminhadas
ao Presidente Getulio Vargas.

Maria Lenk foi a primeira mulher sul-

americana a disputar uma Olimpíada – Los
Angeles, USA 1932
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

.É fundada a Universidade de São Paulo

Mudanças ocorridas no âmbito internacio-

e foram convidados muitos professores es-

nal passaram a influenciar o dia a dia brasi-

trangeiros que viam como natural e necessá-

leiro, especialmente as aspirações femininas.

ria a emancipação da mulher. Mesmo nessa

A ONU desde sua criação se consagrou ple-

conjuntura a mulher continuava a ser definida

namente ao principio de igualdade entre o ho-

como relativamente incapaz!

mem e a mulher: Carta das Nações Unidas

1936 – Bertha Lutz assumiu o cargo de

deputada federal com a morte de Candido

(1945) e Declaração dos Direitos Humanos
(1946)

legislação ao trabalho da mulher e dos meno-

Com o fim da Era Vargas o Novo Código
Eleitoral devolveu à mulher o direito do voto
sem as restrições anteriores.

res de idade.. Propôs a igualdade salarial, a

Década de cinquenta

Pereira e passou a defender mudanças na

licença de três meses para as gestantes e a
redução da jornada de trabalho. Seu trabalho
foi interrompido com o Golpe getulista do Es-

Em 1950 a advogada Romy Martins Me-

deiros apresentou um anteprojeto para alterar a posição da mulher casada perante a lei

tado Novo (1937).

vigente. Todavia ele permaneceu engavetado
Na Era Vargas uma nova Constituição foi outorgada e nela não mais consta “ sem distinção de sexo” Novamente a mulher se sente
espoliada.

nada menos do que 12 anos!
A expansão das redes de ensino em diversos
níveis mostrou a necessidade de aumentar o
número de professores devidamente habilitados e as mulheres acorreram às Universidades.
Década de sessenta
Inauguração da nova capital da República
com a promessa de “crescer 50 anos em cinco”. O Brasil levando o progresso para o interior deixava de só “arranhar a costa brasileira”.

Década de quarenta

Quando da entrada do Brasil na II Guerra

Mundial as nossas Forças Armadas não tinham um corpo de enfermagem e precisaram contar com a Cruz Vermelha e com a Escola de Enfermagem Ana Nery que formara
um pessoal altamente especializado, entre
elas Izaura Barbosa Lima.

1962 – O anteprojeto de Romy M. Medeiros
serviude base para o Estatuto da Mulher Casada (Lei 4121/62) Foi retirado do Código
Civil a ” incapacidade relativa da mulher” e
deu-lhe a função de colaboradora do marido
na chefiada sociedade conjugal, de partilhar
do direito de fixar ou mudar o domicilio da família ( ressalvando a possibilidade de recorrer
ao juiz no caso de deliberação que a prejudique); garantir o direito de exercer profissão’
sem necessitar da autorização marital ou ser
surpreendida com a cassação arbitraria desse direito. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

1967 – A ONU na Assembleia Geral adotou
a “Declaração sobre a Eliminação de Discriminação contra as Mulheres”
Década de setenta

Diversas vezes a ONU se pronunciou a

respeito da importância da “contribuição da

versos estados brasileiros.
Com a criação de Universidades muitas mulheres passaram a fazer parte do corpo docente. E tornam-se especialistas em diversas
áreas.
Década de Noventa

mulher para que se alcancem as metas e os
objetivos fundamentais das Nações Unidas, a
saber, a manutenção da paz e a melhoria
das condições de vida para todos”

gos de relevância. O célebre “teto de vidro”
que impedia as mulheres galgarem postos
mais altos parece estar menos frequente. Há,

Em 1975 a Academia Brasileira de Letras

admitiu a primeira “imortal”, Rachel de Quei-

ainda, certa discrepância entre os salários
dos homens e das mulheres.

roz!

As mulheres cada vez mais ocupam car-

As mulheres brasileiras, em 1975, criaram

um Movimento Feminino pela Anistia e participaram de campanhas que clamavam pelo re-

Depois de 107 anos a Escola Politécnica

da USP tem uma mulher como professora
titular, Maria Cândida Reginato Facciotti

combativos e participaram do movimento Di-

Nelida Piñon foi eleita presidente da Academia Brasileira de Letras no ano que se comemorava o centenário dessa entidade.

retas já.

Terceiro Milenio

Esther Figueiredo Ferraz é a primeira mulher
brasileira a ocupar um Ministério no governo
federal

Finalmente o Novo Código Civil (2003) proclama a igualdade total entre o homem e a
mulher:

torno do pais à democracia Fundaram jornais

Art.1511 – O casamento estabelece

Década de oitenta

comunhão plena de vida, com base

Foi cheia de novidades. O Brasil volta a

na igualdade de direitos e deveres

ser democracia. As mulheres alargaram seu

dos cônjuges.

espaço candidatando-se a cargos eletivos

Art. 1565 - Pelo casamento, homem e

municipais, estaduais e federais. Pressionam

mulher assumem mutuamente a

o governo a criar o Conselho Nacional dos

condição de consortes, companhei-

Direitos da Mulher que em 1987 lançou a

ros e responsáveis pelos encargos

campanha: “A Constituinte para valer tem que

da família.

ter a palavra da mulher”. E foi o que aconte-

Art. 1567 – A direção da sociedade

ceu!

conjugal será exercida , em colaborsção, pelo marido e pela mulher,

Em São Paulo surgiu o movimento SOS

sempre no interesse do casal e dos

Mulher com o objetivo de combater a violên-

filhos.

cia contra a mulher. Foram criadas as primeiras Delegacias Especializadas no Atendimento de Mulheres Vitimas de Violência. Em di-

Pela primeira vez uma mulher assume a presidência do Supremo Tribunal Federal, Ellen
Graice Northfleet (2006/2008) (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Lei Maria da Penha (11.340/2006) diz na

sua Introdução;
Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a
mulher, nos termos do art. 226 da
Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas
as Formas de Discriminação contra
as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código
Penal e a Lei de Execução Penal; e
dá outras providências.
Pela primeira vez o Brasil tem uma mulher na
presidência.

Ao longo do século XX a mulher ganhou
espaço na luta por seus direitos. Não foram
dádivas e sim conquistas. Elas provaram que
podiam. Todavia, entre a teoria e a prática há
uma considerável distancia. Com hábitos tão
arraigados não se incorpora facilmente as
mudanças que a lei determina. Até entre os
juízes há os que questionam a lei Maria da
Penha. E a violência contra a mulher ainda
continua.. A luta, portanto, deve continuar
até que toda e qualquer discriminação deixe
de existir!

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Separação de Sílabas
Por Felipe Cattapan

-

pi

de

-

sem canto

nem preposição
resta a proporção
geométrica
(no centro da mensagem)

sobrevivendo à separação
que lapida a linguagem
numa imagem em decomposição

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

LUPA CULTURAL
Por Rogério Araújo
(Rofa)
“Eu fui... Bienal do Rio de Janeiro

com livros que comprou ou o maior troféu de
toso, com o autor preferido numa selfie.

2015”
É uma grata satisfação para um escritor e jornalista como eu poder visitar uma feira onde o “prato principal” é o livro. Ainda
mais quando pode ser observado a alegria
dos participantes num amplo lugar com inúmeros livros.
A 17ª Bienal Internacional do Livro do
Rio de Janeiro que aconteceu de 3 a 13 de
setembro de 2015 despertou principalmente
o público mais jovem, contrariando diversas
previsões de que “a juventude é avessa à leitura e só pensa na tecnologia”.
Pude visualizar diversos exemplos da
faixa etária jovial batendo selfies e mais selfies com toda vontade para mostrar a todos

É simplesmente incrível ver a juventu-

que “Fui à Bienal”. E essa atitude mostra se-

de que só vive no Face, no WhatsApp, e

melhança aos mesmos jovens que também

sempre no “virtual”, lotar um evento que está

tem prazer em comparecer a diversos even-

em sua 17ª edição e com grande sucesso de

tos famosos como o Rock in Rio, que por

público e de vendagem de livros físicos, e

coincidência acontece no mesmo mês e na

não somente os e-boks livros em leitores que

mesma cidade.

também são comercializados na mesma Bie-

Falando nesse evento, na época da
primeira edição, em 1985, todos faziam ques-

nal, via Amazon e outras editoras e empresas.

tão de “vestir a camisa” para dizer: “Rock in
Rio – Eu fui!”. No caso da Bienal, esse “vestir

(Segue)

a camisa” é uma foto com logos da Bienal,
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

para qual motivo. E choram, gritam, esperneam... e alguns pais até carrinhos de bebê empurram no meio da multidão. Um pouco sem
noção certas atitudes, mas pelo menos apresentam os pequenos à grande preciosidade é
a literatura.
O país homenageado em 2015 foi a Argentina, nosso vizinho. É sempre bom conhecer outras culturas, mesmo dentro do Brasil,
para quem não tem condições de ir pessoalmente lá fora, na terra de los hermanos.
Muito hilário, para não dizer tragicômico, ver filas para tudo num lugar desses: para
comprar livros, para lanchar e até para tirar
Adolescentes indo ao delírio ao encontrar seus autores de livros que simplesmente
devoram na hora, mesmo com várias páginas.
É maravilhoso ver essa cena, que enaltece a
literatura e consequentemente algo ainda mai-

fotos em cenários interessantes. Quem vai
perder uma foto para marcar sua presença
num evento desse porte? Ninguém vai se atrever, né? Ainda mais os facemaníacos e os
zapmaníacos...

or: a leitura.

Que venham bienais e mais bienais pa-

Quando a pessoa lê, viaja. Viaja para
longe, sem limites. Delira, emociona, ri, vibra...
são histórias e mais estórias, seja de ficção ou
baseadas em fatos reais. Ou até mesmo levanta uma polêmica, discutindo-a para melhor

ra que a chama da leitura e o prazer de ler,
folhear páginas, pensar, cresçam cada vez
mais.
(Veja matéria sobre a Bienal nas próximas páginas)

orientação.
A leitura faz qualquer pessoa crescer.
Basta que ela deixe sua mente se apropriar

Um forte abraço do Rofa!

* Escritor, jornalista, autor do lançamento infan l

das preciosas palavras ali existentes. E ver “Rofinha e os amigos de oito patas” (Garcia, 2015), do
isso justamente numa faixa de idade conside- livro-duplo infan l “O super-herói do Natal/Presentão
rada perdida, é muito mais gratificante.
Escolas visitam a Bienal aos “bandos”
que fazem aquela algazarra de costume. Coisas da idade que alegram a quem vê, mesmo
que alguns o discriminem ou reprovem por
não terem muito respeito por um lugar público.

do Natal” (Garcia Edizioni, 2014), de “Crônicas, poesias
e contos que u te conto...” (Literarte, 2014), lançado na
23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2014
e de “Mídia, bênção ou maldição?” (Quár ca Premium,
2011); colunista do “Jornal Sem Fronteiras”, da “Revista
Varal do Brasil” e do site “Divulga Escritor”; par cipações em diversas antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios literários e culturais; membro de várias
academias literárias brasileiras e mundiais.

E engraçado que os adultos, muitas ve- O que achou da coluna “Lupa Cultural” e deste texto?
zes, levam até crianças o local desses e essas Contato por e-mail: rofa.escritor@gmail.com ou pela
parecem nem saber onde estão, muito menos

fanpage Escritor Rofa.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

COBERTURA – BIENAL DO
LIVRO DO RIO DE JANEIRO

de idade no evento, tendo uma exposição especial com 190 metros quadrados. Os visitantes acompanharam uma retrospectiva com a
evolução dos desenhos de seus principais
personagens.

Bienal carioca com destaque na
participação do público jovem
Por Rogério Araújo (Rofa)
Considerado um dos maiores eventos
literários do Brasil, quiçá o maior do país e
até do mundo, e a Bienal Internacional do Livro do Rio 2015 terminou no domingo, 13 de
setembro, no Riocentro, na cidade do Rio de
Janeiro, batendo recorde de público e também de vendagem de livros em relação a última de 2013. A 17ª edição aconteceu entre os
dias 03 a 13 de setembro.
O evento foi uma oportunidade do público conhecer novas obras e nomes, além de
aproximar os autores do público. O local que
sempre acontece o evento, o Riocentro, sedia
grandes eventos internacionais e nacionais. A
estrutura conta com espaços para o público
infantil e uma ampla área com 7 mil vagas de
estacionamento.
O público pode conferir batepapos, debates, muita literatura e lançamentos. Entre alguns dos autores internacionais
que estiveram presentes estavam David Nicholls, Sophie Kinsella, Colleen Houck, Joseph Delaney, Anna Todd e Sophie Kinsella.
Na edição de 2015, o país homenageado foi a Argentina. Uma oportunidade
de poder conhecer um pouco da cultura de
los Hermanos, para quem não pode ir pessoalmente no país vizinho.
Foram mais de 3 milhões de títulos
vendidos e público e mais 680 mil visitantes. A arrecadação foi de R$ 83 milhões, superando em R$ 12 milhões a arrecadação da
última Bienal do Livro, 2013. Segundo dados
divulgados pelos organizadores, 8% a mais
de livros vendidos. Na última exposição foram
3,5 milhões de livros e 660 mil visitantes.
Os organizadores do evento destacaram que a participação do público jovem foi
o destaque deste ano. Os adolescentes e jovens adultos, com idades entre 15 e 29 anos,
foram a maioria participante da Bienal, representando uma parcela de 56% do público,
contra 51% na edição de 2013.
A Bienal do Rio também homenageou o autor Maurício de Sousa, criador da
Turma da Mônica, que comemorou 80 anos

Alguns temas e palestras da Bienal:
- CAFÉ LITERÁRIO
O Café Literário é uma das extensões
já bem conhecida e implementada n Bienal
do Livro do Rio de Janeiro. Nele, os participantes puderam debater abertamente e discutir vários temas com os palestrantes. Literatura, política, conceitos, artes, música, quadrinhos, educação, entre outros, são alguns dos
destaques do Café Literário. Jornalistas, músicos e escritores como Italo Moriconi, Will
Gompertz, Zuenir Ventura.
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Outro palestrante do Café Literário foi
o ex-Legião Urbana, Dado Villa Lobos. A palestra teve o tema principal “Como expressar
em palavras o sentimento que a música desperta?”.
Juntamente com Mauro Gaspar,
Charles Gavin e Arthur Dapieve, Dado Villa
Lobos debateu essa e várias outras questões
em que a música e as letras conversam entre
si. O ex Legião marcou presença na Bienal
do Rio 2015 no dia 13 de setembro.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que abriu a Bienal com uma solenidade no dia 27 de agosto, também esteve
no Café Literário 2015. O tema discutido foi
“A Olimpíada Carioca: Planos para a cidade”.
A palestra abordou os preparativos em andamento para os Jogos Olímpicos do Rio 2016.
- CUBOVOXES, CONEXÃO JOVEM E
SARALL
Além do Café Literário, a Bienal do Livro contou com o Cubovoxes, Conexão Jovem e Sarall – setores designados a debates,
palestras. Discussões de livros, poesias, quadrinhos e vários outros, também foram características importantes destas vertentes, que
teve o intuito de divertir ainda mais o público.
Essas questões tiveram como base despertar
o interesse dos jovens pela cultura e incentivar – cada vez mais – a leitura.
Portanto, a 17ª Bienal do Rio de
Janeiro foi uma grata surpresa para todos os
públicos, principalmente o mais jovem que
esteve respirando cultura nos dias do evento,
com todo o interesse em ler e viver o mundo
real, fantasioso ou mesmo romântico, de todos os gêneros literários, bem como usufruindo de diversas novidades tecnológicas que
surgiram para incentivar o hábito da leitura.
E, em 2016, será a vez da 24º Bienal
de São Paulo, e a 17ª Bienal do Livro do Rio
de Janeiro acontecerá em 2017. Aguarde!!!
(Mais fotos na próxima página)
* Repórter da “Revista Varal do Brasil” na cobertura da
17ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro; escritor, jornalista, autor dos livros infantis “Rofinha e os amigos de
oito patas” e “O super-herói do Natal/Presentão de
Natal” e dos livros “Crônicas, poesias e contos que eu
te conto...” e “Mídia, bênção ou maldição?”, e diversas
antologias nacionais e internacionais; colunista na Revista Varal do Brasil, da coluna “Lupa Cultural”, do Jornal Sem Fronteiras e do site Dilvulga Escritor. Site:
www.rofa.com.br; Fanpage: Escritor Rofa; E-mail: rofa.escritor@gmail.com
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Rolinhos primavera de banana
Modo de Preparo

Corte a massa de pastel em quadrados de 10 cm X 10 cm. Com um garfo, amasse bem
as bananas, misture o açúcar e a canela. Sobre cada quadrado, coloque uma porção de
recheio, dobre as laterais umedecidas com água e enrole. Frite no óleo não muito quente
até dourar. Polvilhe a mistura de açúcar e canela e sirva em seguida.

Ingredientes






250g de massa para pastel
. 8 bananas nanicas maduras
. 2 colheres (sopa) de açúcar
. 1 colher (sobremesa) de canela em pó
. Óleo para fritas
Mistura de açúcar com canela para polvilhar

Fonte: http://www.receitassupreme.net/

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RELAXANDO NA POESIA

Comece o relaxamento
pela raiz do cabelo.

Por Heloisa Crespo

Relaxe a testa, os olhos,
mesmo estando sem vê-los.
Agora os dentes e a língua.

Acomode-se em silêncio
de maneira confortável.
Feche os olhos e só pense
em algo admirável.
Fique tranquilo, sereno,
de um jeito bem agradável.
Assim de olhos fechados,
atento ao seu respirar:
O ar que entra, que sai,
continue a observar.
Relaxe todo o seu corpo.
Você deve relaxar.
Fique tranquilo e observe
a sua respiração.
Respire profundamente
e relaxe bem, então.
Respire mais uma vez
sem qualquer preocupação.
Apenas vá escutando
o som do nosso ambiente.
Perceba que há barulho
de coisas bem diferentes,
mas preste atenção na voz
que comanda a sua mente.
Respire profundamente.

Relaxe, faço um apelo.
Não tente pensar em nada,
apenas escute o som.
Agora solte o seu queixo,
usufrua do que é bom.
Solte a nuca nesse instante.
Tudo isso é de bom tom.
Sinta os músculos da nuca
bem soltos e relaxados.
Vá direto ao pescoço
que deve estar desarmado,
totalmente sem tensão.
Ele está sendo cuidado.
Deixe os ombros bem soltinhos.
Relaxe os braços, as mãos,
os dedos das mãos, as costas.
Deixe o peito sem pressão.
Libere o quadril e a coxa
não esquecendo a canção!
Relaxe bem os joelhos,
as pernas e os seus pés.
Continue ouvindo a música.
Relaxe os dedos dos pés.
Relaxe toda a coluna,
com todos os seus anéis.

Respire agora outra vez
e, ao expirar, relaxe.
Respire a terceira vez

(Segue)

e, ao exalar, relaxe
mais ainda do que fez.
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Observe todo o corpo

vivendo o seu momento,

e veja se ainda tem

ficando energizado.

algum lugarzinho tenso.
Solte-o logo, deixe-o zen.
Escute somente a música

Relaxe. Relaxe bem.

e o instrumento também.

Observe este lugar:
os sons, odores e cores.

Será que ainda existe

Veja tudo o que tem lá

algum ponto de tensão?

com calma, sem pressa alguma.

Observe todo o corpo,

Você tem que observar.

não deixe prendendo não,
apenas comigo agora,

Demore observando

use a imaginação.

tudo, cuidadosamente,
e desfrute do lugar,

Mantenha os olhos fechados

vivendo intensamente.

e descubra um lugar

É o seu ponto de energia.

onde só exista paz,

Não deve ficar ausente.

uma energia sem par.
Local que você frequenta

Veja nele o porquê

ou que nunca mais foi lá.

de tanto bem lhe fazer.
Quando você vai pra lá,

Pense bem um pouco mais

Sente um enorme prazer.

no seu lugar de energia.

Sai leve, energizado,

Pode ser na sua casa,

com força para viver.

no clube ou academia,
na montanha ou na praia,

Lutar para ser feliz,

na praça ou na galeria.

ter paz, criatividade.
Ter saúde, alegria,

Se esse lugar for longe,

coragem, prosperidade,

difícil de lá voltar,

sucesso, sabedoria.

vá lá, sempre, mentalmente.

Ter poder, serenidade.

Se der pra ir, sempre vá,
todo ano ou mensalmente.

Agora vamos voltando

Não deixe de ir pra lá.

lentamente, devagar,
abrindo os olhos aos pouquinhos,

Localizou o lugar?

pra realidade voltar,

Mantendo os olhos fechados,

desfrutando neste instante

transporte-se para lá,

de um grande bem-estar!

desfrutando sossegado,
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CULTíssimo
Por @n[ Ros_nrot

O que um atleta mundialmente famoso,
partidário do nazismo, egoísta e mesquinho e
um menino oriental magro, ingênuo, líder religioso, considerado uma divindade da paz e
da compaixão, tem em comum? Um encontro
que mudará seus destinos para sempre.
Esse encontro aconteceu entre paisagens alucinantes, uma guerra mundial e também pessoal,; unindo dois mundos completamente diferentes e duas pessoas que tinham
muito a aprender e a ensinar. Quando uma
história real e inspiradora como essa acontece, ela precisa ser contada e esses sete anos
de sofrimentos, descobertas, provações, morte e renascimento são contadas de forma belíssima no filme “Sete Anos no Tibet" adaptado do livro autobiográfico homônimo de
Heinrich Harrer que narra suas aventuras como explorador e alpinista e o tempo em que
passou na companhia do líder budista Dalai
Lama, na época somente um menino, tornando-se seu confidente.

tor Jean-Jacques Annaud nos brinda com 20
minutos de cenas reais do Tibet gravadas
com câmera escondida) e diálogos profundos
“Sete Anos no Tibet” é um filme inesquecível,
trazendo Brad Pitt (que está proibido de entrar na China desde 1997 por causa do filme)
em uma de suas melhores atuações no papel
de Heinrich e David Thewlis como Peter
Aufschnaiter outro alpinista, que se tornam
os únicos estrangeiros na sagrada cidade de
Lhasa e tem suas vidas mudadas radicalmente.
Um filme maravilhoso, realista, impressionante, uma verdadeira aula de humanismo; aproveite e faça também essa viagem de
autoconhecimento. Obrigada e na próxima
tem mais!
(Segue)

O filme, dirigido por Jean-Jaques Annaud
(diretor de clássicos como “O Nome da Rosa”) não fica preso na trajetória de Heinrich,
fala sobre as várias formas de amor, da perda, da capacidade do ser humano de ser cruel, mas também de ser capaz de evoluir, encontrar-se, aprender a valorizar a vida (de
qualquer ser) como o bem mais precioso e a
apreciar as pequenas coisas, eliminar de nossas almas o orgulho, a vaidade, a intolerância, o medo e o egoismo. Trata também da
importante questão Tibetana, da invasão
“libertadora” da China, que expulsou, matou e
oprimiu um povo pacífico, destruiu seus templos, suas casas, exilando toda uma nação,
que até hoje resiste num governo de exílio na
Índia.
Com uma fotografia maravilhosa (o direwww.varaldobrasil.com

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Sete Anos no Tibet (Seven Years in Tibet, Reino
Unido, E.U.A, 1988) Heinrich Harrer (Brad Pitt),
o mais famoso alpinista austríaco, tentou algo
quase impossível: escalar o Nanga Parbat, o 9º
pico mais alto do mundo. Egocêntrico e, visando
somente a glória pessoal, Heinrich viajou para o
outro lado do mundo deixando sua mulher grávida e um casamento em crise. Ele não conseguiu o feito, mas quando a Inglaterra declarou
guerra à Alemanha ele foi considerado inimigo,
por estar em domínio inglês. Feito prisioneiro de
guerra, ele fugiu após várias tentativas junto
com Peter Aufschnaiter (David Thewlis), outro
alpinista, se tornando os únicos estrangeiros na
sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá a vida de
Heinrich mudaria radicalmente, pois no tempo
em que passou no Tibet se tornou um pessoa
generosa além de se tornar confidente do Dalai
Lama.

Para contato e/ou sugestões:
anarosenrot@yahoo.com.br
https://www.facebook.com/
cultissimoanarosenrot

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ESPIRITUAL
Por Hugo Federico Alazraqui
há algo de mágico
e de enigmático
naqueles teus jeitos
e nos pensamentos
também de mistério
quando és só silencio
em teus sentimentos
desejos secretos,
todos teus inventos
amores e gostos
nesse seu apaixonar
e depois desnudar
mais é tão serena
essa tua atração
que nem é terrena
e tens uma afeição
como a da alma em pena
pelo corpo que é órfão

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DÚVIDAS
Por Jaime Correia

Sim!
Aceito Jesus, meu guia, meu salvador.
Encontrei a luz, a verdade e a vida.
Parei de beber, jogar, dançar, adulterar,
Ludibriar, prostituir, prostituir-me...
Estou salvo!
Também estou ficando calvo,
Vou para o céu, lamentando
Por aqueles que não se salvaram...
É nisto que devo acreditar
E fazer que outros acreditem nisto.
Basta levantar a mão e dizer:
“Sim, eu aceito Jesus Cristo!”
E se salvará.
Esta filosofia, amigo, é muito linda!
Mas pastor, irmão, irmã...
Como estará salvo amanhã
Quem hoje encontrou Cristo
E não se encontrou ainda?

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Determinação
Por Clara Machado

Hoje vou falar sobre os 6 anos do aniversario do Varal do Brasil e sobre a determinação de uma brasileira nascida em Santa Catarina que quando criança
tinha um pai determinado que trabalhava com um mini gráfica caseira no fundo de sua casa para ajudar centenas de brasileiros ficarem informados sobre
a situação Politica do nosso Pais na época.
E hoje essa mulher guerreira determinada que supera todas as dores físicas e
emocionais vivendo em um Pais distante tem na sua alma a determinação de
seus antepassados e honra a vida de centenas de Brasileiros com o seu trabalho de amor, coragem e determinação trazendo para a Suiça pessoas que
sonham estar aqui e pessoas que talvez nunca imaginasse que pudesse estar
aqui com suas obras literárias e como todos os nossos livros são nossos filhos
que vão ao mundo para fazer sua caminhada solitária de casa em casa de estantes em estantes e de livrarias em livrarias podemos dizer que graças a Determinação de Jacqueline podemos nós escritores estarmos juntos com ela
celebrando o numero 6 que na numerologia representa a" parceria "e o" Todos
Somos Um."
E quanto mais aumentar nossa consciência que todos somos um e que podemos transformar nosso mundo para melhor com essa verdade eu parabenizo
os 6 anos do Varal do Brasil e digo a Você Jacqueline mulher determinada,
guerreira, parceira e amorosa que junta os Escritores Brasileiros nesse Pais
tão lindo envolto pelos Alpes Suíços.
Parabéns Varal do Brasil, Parabéns Jacqueline Aisenman. Te amo.

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Teu nome, meu livro
Por Filipe Luiz Proiete de Souza
título
subtítulo
inspiração de prefácios
Meus índices, sequelas
de tuas bibliografias;
as aspas, justificam;
frases imperfeitas
Seja bem vinda!
Não encontrarás
plágios nem citações...
nossos versos;
sem definições
Drummond,
Pessoa;
Amado;
rasguei;
digeri
(mal)
Sem provas
nada mais
nas curvas refratadas
dos teus originais.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Sopro da Primavera
Por Jania Souza
Outra vez é primavera. Não vejo.
O desengano fez-me fechar a porta
do jardim que habita em mim.
Mas teimosas magnólias, acácias, camélias
escalam as muralhas da minha agonizante nau
só para me lembrar o sol a sorrir-me, feliz.
Ao tentar ignorá-lo, percebo...
por entre véus de colibris, minha alma irrequieta
bolindo voluptuosa em meu centro esférico.
Sou casa dos fantasmas viventes de outras eras.
Meu fogo suplanta inquestionável
todos meus entes perdidos.
Implacável, o relógio, na marcação
do seu monótono e incansável passo
não desculpa qualquer atraso.
As pétalas nas asas do orvalho
farejam o cheiro sutil do orgasmo
que se apodera de todos os recantos da terra.
Sinto a meiguice traiçoeira furtar inadvertidamente
a rosa vermelha ardente do meu sedutor peito
a espraiar-se desnuda, voraz, no silvo arquejante da areia
envolvendo-me num cio embriagador de mil suspiros.
Sou Carmem, sou sereia, sou libélula esfomeada de amor
em gozo na vela do destino - carrasco indomável
insaciável, dos meus pecaminosos desejos adormecidos
que, inexplicavelmente, perpetuam a vida.
Ah! Realmente, outra vez é primavera
e o seu morno sopro varre as terras altas e os baixios do hemisfério
e num gorjeio-sacro-santo amantes ciciam poesias
entre as urbanas flores campesinas.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Herói esquecido
Por Júlia Cruz

Seu Barão favor venha Cá,
Tenho algo pra comentar,
Faz seis meses que to na lida
Minha mão criou ferida.
De Tanta seringa sangra.
Diz-me o que fazer
Se tenho que aprender é pras seringa ficar.
Hoje vivo nessa lama por causa de uma morena que no teatro Foi
cantar.
Não estou em evidencia veja só a consciência um dia para
lembrar.
Seringueiro é cidadão Plantou e construiu Sempre com os pés no
chão.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Sou
Por Kaique Barros Moraes

Sou quem sou
Ou deveria ser para você que finge
Não me ver morrer
Nesses pedaços velhos de
Palha com as quais tento contemplar uma morada
Sem goteiras
E com energia,
Que finge estar ligando para a minha situação
Pela qual sozinha no mundo tento lutar
Para conquistar,
Ao menos
[...]
Um pão para saciar a fome
Sem que eu necessite,
Por obrigação revirar às latas de lixo,
Pedir às pessoas que só pelo fato de ser morador
de rua,
Incriminam-me a suspeita que tenham
[...]
Vivo sem vida
Rastejando-me em suas areias movediças.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Dia Feio
Por Mauricio Lima

Dia feio, ar decrépito, céu nublado
Cheiro estranho carrega este ar mutante
A dissonância no mundo hoje é berrante
neste dia feio, podre, sujo, estagnado

O vento frio sopra como um cutelo,
corta-me um sorriso vermelho no rosto
Pois neste dia feio não há desgosto
que estrague esta merda de dia tão belo

Sentado à calçada um fedido mendigo
“Tem um trocado tio?” “Não”, eu digo
Indignado, começa a me xingar

Que dia! Exatamente como eu quero!
Ele vai embora, puto, eu sento e espero
a guria linda que vem me visitar

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Saudades do mar
Por Jacqueline Aisenman

Alcanço o mar, tão longe o mar
alcanço com meu coração
que os braços não poderiam alcançar...
Saudades das vagas altas
das ondas batendo na areia
de todas eu sinto tanta falta...
Sou nascida e criada na beira do mar.
Minha alma é de água e sal.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

[rar’efeito]
braseiro
Por Andréa Mascarenhas
lua chorosa de abril
meninas olham pelas janelas a madrugada
lençóis feito neve abandonados

ar
anjos rodeiam minha noite sufocada
angústias se escondem em minha sombra
não há palco suficiente para encenar tantas dores
escorrego sobre notas de vilania
encontro espelhos que retorcem qualquer
realidade
minhas mãos congelam sem sentimentos
amanhã não chega pra esse hoje
no encalço do vazio vislumbro tempestades
um sonho de cobras que se autoreproduzem me
desperta em suspenso

estalos de viv'alma espantada
martírios postos ao leito de um rio quase seco
ecos de nós soltos no estradeiro

trago a chave velha da memória
e uma garça solitária me enternece de passagem
ao lado da estrada chafurdam a lama outros de
nós

percorro a via de revés
elaboro meu pensamento mais contagiante
existo no vácuo desse nosso encontro

ramificar

pelo caos vejo-me de longe
devagar quando tudo corre
penso no lamento e caminho, simplesmente

(des)acelerar e pela contramão, porque essa
redundância não me é demais
fim de tarde me oferece luz em flor
com esse brilho atinando meus sentidos visto
flores para o pensamento

quero me espalhar, sobretudo por tuas
idiossincrasias
posso acompanhar o fluxo de tua memória
exteriorizada
faltam apenas mais uns dias para mergulhar em
teus mistérios editados

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Aquarela de Marilu F. Queiróz

Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

AS CORES DA VIDA
Por Marilu RF Queiroz

A vida nos dá cores...
Sabores, sensações interiores!
O sol, de luz,
Banha a natureza...
O céu, de azul, a emoção.
Ar, água, luz, cor são sintomas...
Aromas que percorrem,
Escorrem pelo ar,
Pela água, que atrevida corre,
E desliza sobre o branco papel.
Que seria da água,
Sem a existência da luz...
De doce transparência
Ilude, realça, eterniza
O atraente brilho da cor.
Nessa suavidade diáfana...
É a luz, sutil elemento,
Que contrasta, se arrasta
Como sombra escassa...
Por entre as demais.
Luz, brilho, água;
Sinônimos puros da cor!

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Mousse de banana com limão
Preparo
• Em uma tigela amasse bem as bananas, misture o suco de limão e o açúcar.
Leve ao fogo, mexendo sempre, até formar uma pasta homogênea, aproximadamente 15 minutos. Desligue o fogo, crescente o rum e misture o creme de leite.
Deixe esfriar. Misture a gelatina, hidratada e dissolvida de acordo com as instruções da embalagem. Bata as claras em neve e incorpore a mousse. Coloque em
uma fôrma de 20cm de diâmetro untada com óleo e polvilhada açúcar. Leve a
geladeira até firmar. Desenforme na hora de servir.

Dica

Decore a mousse com rodelas de banana caramelizadas.

Ingredientes

• 6 bananas nanicas maduras
• .suco de 2 limões
• .1/3 de xícara (chá) de açúcar
• .2 colheres (sopa) de rum
• .1 lata de creme de leite sem soro
• .1 colher (sopa) de gelatina em pó incolor
.3 claras
Fonte: http://www.receitassupreme.net/

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

entre a vigília e fases entrecortadas da ma-

A CONEXÃO...

dorna e sonho. Logo pesco uma piaba maior
no grande rio do sono. Vejo, já no estado onírico, uma cena de rara beleza:

Por Raphael Reys

Um jardim suspenso onde um hierofante apaÉ três da madrugada, a hora mais escura de

rece para me receber...

uma noite suarenta de agosto. Penduco o

No interregno que ocorre entre as fases de

equilíbrio com o pescoço, balançando o corpo

vigília, modorra e o chamado estado interme-

cansado da viagem a buscar um mergulho

diário de consciência, oriundos da memória

nos braços de Morfeu, o deus do sono.

consciente e inconsciente.

Estou deitado em uma poltrona aquecida na

Arquivos, flashes de estudos doutrinários, filo-

sala do apartamento de minha tia Marieta

sóficos, iniciáticos e imagens arquetípicas vin-

Reis, em Belo Horizonte, na Rua Tomé de

das do inconsciente coletivo.

Souza, onde estou hospedado. Fundos do

Possivelmente elas se me apresentam como

magnífico prédio estilo rococó austríaco do

revelações místicas provenientes de uma fa-

Palácio da Liberdade.

se onírica ou provável projeção astral. Tomo

A minha insônia é fruto da tensão pré-

nota de tudo aproveitando o lusco-fusco dos

operatória agravada pelo calor que faz no am-

estados que se alternam.

biente, pois a sala e o móvel onde tento dor-

As informações fluem na tela da mente, pro-

mir, exalando, agora devolvem o calor do sol

vavelmente oriundas de um curto-circuito da

acumulado que entrou pelo janelão aberto o

memória. Um misto de experiência extracor-

dia inteiro.

pórea, déjá-vu, mesmo derivados de uma dis-

Para citar Saramago: Fica-se a assar sob a

função cerebral. Ou o cérebro buscando na

inclemente chapa do astro rei...

memória conteúdos já observados.

Na manhã seguinte, farei uma ablação do nó

...O hierofante informa que é um Monitor de

átrio ventricular no Incor Minas.

Mistérios e que aquele é o Jardim das Rosas

Minha consciência trafega em ziguezague,

das Almas. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Veio de mundos súperos para instruir-me so-

Logo, instruiu-me a fechar os olhos do sonhar

bre conexão que liga a Realidade Divina à

e pensar em Pentecostes. –

Atualidade produzida pelas almas dos seres

Ouça agora o que lhe revelarei, neste mergu-

encarnados nesse mundo de manifestações.

lho ontológico! Com o advento de Pentecos-

Comigo irá comentar segredos que são trata-

tes, Deus passou a buscar o homem, estabe-

dos nos Oráculos das Estâncias de Diziam,

lecendo assim uma ponte, religando o infinito

lugar onde foi escrito o tratado antológico da

ao finito.

Mecânica da Criação. Descreverá, também, o

_Todos os espíritos provêm do Pai, e ele é o

Nicho de Nodin, instância profunda, localiza-

Uno - As religiões buscam o aniquilamento do

da entre o Manifesto e o Imanifesto.

homem pelo medo, pela passividade e pelo

Uma oficina de manipulações, onde Deus-

pensamento seletivo - Jesus, o filho dileto do

Pai, o Grande Artesão, cria as Centelhas, ou

Pai, nos ensinou a obediência espiritual; e a

os chamados Espíritos.

maestria, que só se conseguirá pelo uso do

Os lança em uma Sansara, gerando a grande

seu código doutrinário - Ao agir, lembre-se de

roda de manifestações da vida consciente,
que dura, segundo relato do Monitor, por um

que o amor é sábio e a equidade é um atributo divino.

período equivalente a várias centenas de bi-

Amanhecia no horizonte do grande vale e vis-

lhões de anos, na nossa contagem terrestre.

lumbrava-se um esplendor de luzes.
_ Como este amanhecer, outras mortes suce-

Antes de iniciar o relato e seus segredos, o
cultor lê em um pequeno livro que traz à mão
o capítulo 2 do versículo 14 da Carta de Pau-

derão na sua jornada, serão dispostas para a
evolução. Prosseguiu: _ Como este fulgor
que o extasia, Deus não se oculta jamais aos
seus filhos; contenha-se em obedecer e con-

lo aos Coríntios:

temple - Lembre-se de que tudo o que se maOra, o homem comum não compreende as
nifesta por formas é uma ilusão, e a solidez é
coisas do espírito de Deus, que lhe parecem
uma charada - Cada alma vive segundo o
loucuras, visto não poder entendê-las, pois
momento e as circunstâncias - (Segue)
elas se divergem espiritualmente.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

A perfeição é insustentável e, por sua com-

ração é o maior exercício de elevação do es-

preensão e benevolência, a divindade tam-

pírito. Ao orar, peça a Deus apenas respos-

bém participa da imperfeição.

tas.

_ Os erros são resultantes do pesado fardo

_ O Pai criou a individualidade, e a imortalida-

que suportamos; não confunda os seus dese-

de é patrimônio do homem; você só a sentirá

jos com a realidade divina - Os homens foram

ao iniciar a busca ao Criador - A casualidade

criados para que possam voltar à fonte donde

é um princípio do Altíssimo - E a paixão é um

foram emanados; são centelhas que se desli-

desvio do calor divino, da chama.

garam do Todo e mergulharam em missão,

_ É um atributo divino a vontade que o ho-

numa jornada de ir e vir - Um dia e uma noite

mem usa para escolher - E o maior segredo

de Deus, num tempo equivalente a 320 bi-

do Pai é o de educar os seres por ele criados,

lhões de anos na contagem do seu plano.

para que possam alcançá-lo formando um só

_ Ao avaliar-se, faça-o em silêncio, lembre-se

corpo - A sabedoria advém da busca das pro-

de que Deus é benevolente e inútil é tentar

vas suportadas e a finalidade do ser criado é

compreender a obra do Criador - Escute ago-

voltar à luz.

ra o grande segredo.

_ Agora lhe falarei sobre a alma - Ela é um

_ As criaturas humanas serão chamadas a

instrumento artificial e vibratório - Para que

povoar os céus para criar no Imanifesto, esta

você possa compreendê-la pela consciência

é a vontade do Pai.

objetiva, saiba que ela é composta de três

Continuou o relato: A morada do Criador é

partes: razão, cólera e desejo - Os caracteres

uma realidade física, composta do Absoluto.
Deus foi revelado ao homem na sua Infinitu-

que a permeiam são: O filosófico, o ambicioso
e o interesseiro, sendo, assim, mais felizes os
homens que se deixam governar pela razão.

de.
_ Ele mora em sua Busca. O homem, ao usar
a dúvida, põe fim ao poder de escolha - A caminhada da busca de Deus é uma aventura e
um mistério - Não há medo na apreciação do
divino e, sim, uma sincera adoração - A ado-

_ A alma é mais real do que o corpo físico e
as suas partes só são felizes e harmoniosas,
quando tocadas pela razão - Entenda que, no
jogo, a parte divina é sempre escrava da parte brutal, animal. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

_ Para que a alma viesse a este mundo em

PARTICIPE!

missão, apagou-se da sua memória a lembrança da herança transcendental, adquirida
em sua jornada, vida após vida, em espírito -

Participe da edição de janeiro!

O registro, entretanto, permanece gravado no

Envie seu texto até 25 de novembro
com tema livre para o e-mail

recôndito da mente.

varaldobrasil@gmail.com

_ A parte animal, feroz, sempre é excitada
pela alimentação e pela bebida, sobrepondo,
às vezes, a razão, que fica entorpecida pela
divagação e pelo sono - É durante o sono que
a alma se liberta da peia da razão e sai do
corpo pelo sonho ou pela projeção astral,
exercendo assim a sua tirania.
_ Tendo a alma três caracteres, três também
são os prazeres que lhe são análogos e o
mais suave de todos é o que experimenta o
conhecimento - A dor é contrária ao prazer e
o estado intermediário é aquele no qual avaliamos a saúde, após termos estado doentes.
_ Todo prazer está mesclado de dor, ele é um

_____________
Participe de nossa edição de março
com o tema MULHER!
Envie seu texto até 25 de janeiro
para o e-mail
varaldobrasil@gmail.com com seu
texto falando sobre Natal e/ou Ano
Novo!

fantasma que tem calor, mas não tem brilho,
sendo que os seus aspectos induzem a alma
à paixão - Procure racionalizar a parte animal,
para que o lado brutal se expresse de forma
suave, podendo a alma, assim, fazer distinção entre a ação honesta e a torpe.

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Deus é a sua bandeira?
Por Rogério Araújo (Rofa)
“Salve lindo pendão da esperança...” – Quem nunca cantou o Hino à
Bandeira Nacional ao comemorar no dia 19 de novembro o Dia da Bandeira? Ter um ideal, um lema de vida é necessário a todos.
A maioria das pessoas tem um time, partido, religião e faz disso sua
“bandeira”. Isso é correto, mas que não se extrapole suas funções e tenha
seus excessos.
E para com Deus como fica essa história? Falar “Se Deus quiser...” pura e simplesmente sem deixá-lo agir não adianta, bem como falar “Deus te
abençoe!” sem crer em suas bênçãos.
“E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É MINHA
BANDEIRA”, diz a Bíblia em Êxodo 17:15, ao sair o povo de Deus do Egito.
Será que estamos colocando o Senhor como a “bandeira de nossa vida”? Ou o ignorando a cada dia, nem ligando para ele e seu poder de agir
em nosso viver?
A melhor solução é ter FÉ em quem do céu pode resolver as situações
que nos afligem, colocando-o em lugar em destaque em nossa vida, deixando “flamulando” e abençoando nosso dia a dia!
Deixe o Senhor ser a “bandeira de sua vida” e creia nele sempre!

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O que a Internet tem feito com nossa mente???
Por Renata Carone Sborgia

Já “curtiu” um post hoje??? Já compartilhou uma foto com os amigos naquela Rede
Social??? Já verificou o bate-papo no seu Smartphone???
Os verbos curtir, compartilhar, publicar são mais próximos de nós do que o nosso vizinho!!! Incontestável o rápido processo de evolução dos meios de comunicação, mudando os hábitos da sociedade e junto com ela modificaram-se os comportamentos humanos, e acima de tudo, nossa forma de reter e compartilhar informações e conhecimento.
Sabemos diferenciar informação e conhecimento???
Conhecimento requer reflexão, questionamento, esforço mental, atividade intelectual,
apregoam vários autores. Por outro lado, as informações são mera exposição, são superficiais, conteúdos triviais, conforme ditam outros autores.
Existem várias teses em linhas paralelas, criticando os efeitos da tecnologia no nosso
cérebro como o fato de perdemos a capacidade de sermos pensadores atentos. A Internet fornece à possibilidade de realização de várias atividades de forma simultânea, porém sem o questionamento das mesmas estarem sendo eficientes ou,por outro ponto,
permitindo novas descobertas e desenvolvendo novas formas de pensar.
Anos atrás, saber endereços, telefones e datas de aniversário na tal decoreba era uma
necessidade e não uma opção ,ou melhor, temos o Facebook para nos informar os aniversários, as agendas eletrônicas nos celulares para nos lembrar, o GPS para nos direcionar aquela rua, chegando a conclusão que temos praticidade e nossa mente delega
á aquisição desses dados à tecnologia, porém estamos, por outro lado, ampliando a capacidade de conhecimento e criatividade??? Podemos chamar de cultura digital???
Temos contrastantes pontos de vistas de estudiosos para definições de inteligência, informação, conhecimento, capacidade do cérebro. Por fim, precisamos ,em primeira instância, nos questionar como estamos retendo informações, absorvendo conhecimento,
utilizando e reagindo a tantos estímulos tecnológicos.
Assim, o que a tecnologia tem feito com nossa mente não é um assunto para um
“clique”.

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UM MOMENTO COM O FOTÓGRAFO
RONNIE LEITE
Varal do Brasil: Como você se
envolveu com a fotografia?
Ronnie Leite: Por indicação médica,
como terapia
.
Varal do Brasil: Você está totalmente inserido no universo social. Qual
a origem disso?
Ronnie Leite: pela ausência do estado e dos administradores locais,
são todos sem exceção demasiadamente preocupados com o interesses próprios, deixando uma grande
lacuna em todas as áreas,, principalmente na saúde e assistência
social, simplesmente não existem...
Varal do Brasil: Onde acontece a
maioria das fotos?
Ronnie Leite: acontecem principalmente em Vila Bela Vista, município
de Dom Eliseu PA, um distrito de
20.000 habitantes em total abandono, infelizmente...
Varal do Brasil: Existe uma invisibilidade muito grande dos trabalhos
nas carvoarias. O que te levou a
enxergar e retratar essas pessoas?
Ronnie Leite: Era a única forma dos
moradores da comunidade sobreviverem, se submetendo há tais
"trabalhos" e isso aqui esta situação
não era tão invisível quanto ao resto do mundo...
(Segue)
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Varal do Brasil: O que sempre choca você de
2003 até hoje dentro do trabalho social que
você desenvolve?
Ronnie Leite: A falta de sensibilidade de
quem pode ajudar, não temos ambulâncias,
médicos são esporádicos, não temos apoio
financeiro, e por fim se torna uma via crucis
conseguir diagnosticar e encaminhar alguém
para um tratamento adequado...
Varal do Brasil: O que mais te motiva a
fotografar?
Ronnie Leite: Paixão... Paixão pelo que é real, paixão pelo que é belo e esperança de
levar estas situações para alguém que realmente se importe...
Varal do Brasil: Qual foto, clicada por você,
tem um significado marcante? Por quê?
Ronnie Leite: Bem... São algumas fotografias, algumas de pessoas, especialmente idosos que encontro praticamente morrendo a
míngua... Solitários que que passo a cuidar
até a recuperação completa ou morte...
Varal do Brasil: Como você faz para se distanciar, ao mesmo tempo que, retratar com
sensibilidade uma realidade dura?
Ronnie Leite: simplesmente não consigo...
Não consigo separar nem resguardar meu
psicológico, não tem como me distanciar
desta situação que assola meu arredor
Varal do Brasil: Para finalizar, Ronnie, que
tipo de apoio por parte das autoridades poderia suavizar a vida dessas pessoas que
você retrata/acompanha através do projeto
social?
Ronnie Leite: Sonho com o dia que simplesmente as autoridades simplesmente cumpram com o seu papel, (o que está muito distante) em adquirir uma ambulância, para não
ter de fazer uma guerra na hora que se precisa de uma na comunidade, é essencial...
Varal do Brasil: Para conhecer melhor o
trabalho, acessar:

Facebook h ps://www.facebook.com/profile.php?
id=100006222604496&fref=ts
Instagram h ps://instagram.com/ronnie_leite/

(Veja mais fotos nas próximas páginas)
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Ronnie Leite
Fotógrafo

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Búzios: Os desaparecidos

do como Jonatas, havia desaparecido, ele era
filho de uma funcionária da copa, estavam todos desorientados e preocupados com ela.

Por Rob Lima

Bom, eu lamentei o fato, mas não conhecia a
pessoa, resolvi voltar para meu quarto.
No café da manhã, peguei um copo de

Em dezembro de 2014, resolvi tirar mi-

suco, coloquei torradas com requeijão e um

nhas férias em Búzios, reservei uma pousada

iogurte com granola, era o suficiente. Fui fa-

pra 15 dias, deixei minhas malas arrumadas,

zer uma aula de treino na academia próxima,

coloquei poucas peças de roupa, só o sufici-

estava distante da minha, resolvi pagar umas

ente pra sobreviver na cidade praiana, e mi-

diárias pra não perder o ritmo. Cheguei à aca-

nha agenda de bolso pra anotar algo que pre-

demia, e quem encontro lá? Ele, o Rodrigo,

cisasse...

todo desajeitado, parecia um peixe fora d’á-

Cheguei ao Hotel Marine no dia 03 de de-

gua. Apesar disso, ele já estava num maior
papo com uma menina, pelo menos se entur-

zembro.
_Sr. Adriam, aqui estão suas chaves, seu
quarto é o 33, segundo andar. Falou o recep-

mou. Depois da malhação, fui pro hotel, tomei
uma chuveirada e fui pra praia.
Levei um guarda sol, e fiquei lá olhando

cionista.
Estranho, quando eu estava chegando, esbarrei com um cara meio desastrado, logo no
saguão, ele se desculpou e se apresentou como Rodrigo. Vestia camisa colorida de botão
e short surfista estampado, que combinação!

aquilo que é bom rs, muita novidade. Você
pode até não dar um mergulho, mas a visão
já vale à pena. Quando volto pro hotel, vou
direto pro restaurante, é tanta comida diferente, que não sei nem o que comer. Sentei numa mesa afastada, pois não queria ser inco-

Até que o quarto que fiquei era melhor

modado, e percebi um falatório na mesa ao

pessoalmente, porque nas fotos do site não

lado, ouvi que uma menina havia desapareci-

parecia tão bom assim, uau! que visão, da sa-

do logo após ter saído da academia Corpus.

cada podia ver toda praia.

Pensei, é a academia que malhei. Noutro dia

Lá pras 19h resolvi dar uma volta, conhecer um pouco a cidade, e não é que nova-

resolvi indagar o professor da Corpus o que
tinha acontecido.

mente topei com o tal cara, o Rodrigo. Levan-

_Fala Adriam, tudo bem? _Tudo bem,

tei a mão acenando, mas acho que ele não

fala aí! Me diz uma coisa, que menina é essa

viu, doidão o cara, passou batido.

que desapareceu aqui na academia?

Já são

22h, eu resolvi me deitar, nisso que estava
me arrumando, ouso um burburinho lá embaixo, desci pra ver o que estava acontecendo.

(Segue)

O recepcionista disse que um jovem conheciwww.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

_Cara, é a Juliana, ontem ela saiu com rapaz

comigo, ele respondeu algo que não pude

meio desajeitado, os dois compraram um

entender, nãos sei se era gago ou fanho,

açaí e depois disso, ela não foi mais vista, a

mas vi que tinha problemas na fala. Ele saiu

cidade toda está em alerta _que brabo hem

meio desorientado, e desapareceu.

professor! _ vim só passar umas férias, vou

Nossa! Que dia, não agüentava nem an-

voltar cheio de histórias pra contar _ rsrs ver-

dar direito, o estômago tava como? Daquele

dade Adriam, agora vai malhar que sua hora

jeito.

ta passando.
Deitei na cama, fiquei olhando aquela
Durante a semana tentei conhecer o máximo da cidade, diziam que na praia tinha um

visão maravilhosa, um ventinho bom salgado... Adormeci.

passeio coletivo de escuna, resolvi da uma
Despertei do sono praiano...

espiada pra ver se era bom.
_ Ae! quanto ta o passeio? _ trinta conto! _
faz um desconto ai, sou novo aqui, não vai
querer perder o freguês rs _ ta bom, deixo
por vinte cinco _ agora já melhorou rs.
Coloquei o colete salva vidas, sou meio
desconfiado, fiz uma varredura com os olhos
em toda embarcação, hoje em dia acontece

_Que isso rapaz! Que foi? Quem deixou
você entrar aqui?!
Acordei com o Rodrigo olhando pra
mim, eu gritei com ele, saiu porta afora e não
consegui alcançá-lo. Desci no saguão do hotel, falei com gerente o ocorrido. Ele disse
não tinha nenhum hospede com as características do Rodrigo hospedado ali. Falou-me

muito acidente, não dá pra vacilar.

que ninguém poderia entrar no meu quarto,
Foi um dos melhores passeios que eu fiz,

porque só eu tinhas o cartão magnético que

visitamos algumas ilhas, troquei idéia com o

abria a porta, o sistema de segurança não

povo local, umas histórias bem legais, adoro

era falho. Pedi que mostrasse a filmagem na

ouvir histórias.

câmera do horário ocorrido, mas ele disse

Voltei pro hotel com uma fome! Fui de
bicho na comida, coloquei no prato uma mis-

que depois de um tempo, ela não guardava
mais as imagens.

tura das galáxias, arroz carreteiro, panqueca

Então por conta própria resolvi investi-

recheada com camarão com cream cheese e

gar o que estava acontecendo. Noutro dia na

empadão rs.

academia, não encontrei o Rodrigo. Pergun-

Então me sentei à mesa que sempre fico

tei ao professor, ele disse que o rapaz tran-

comendo e observando tudo a minha volta.

cou as aulas. De onde será que ele apare-

Nisso, ouso barulho, é comida e bandeja pra

ceu? Achei que era hospede do mesmo hotel

todo lado. Levantei assustado, é o carinha, o

que eu, desde o primeiro dia.

tal do Rodrigo, eita! cara ruim de roda. Fique

Faltavam três dias pra eu ir embora, a

com pena, abaixei e tentei ajudá-lo a pegar

vontade de ficar era grande, mas... Tudo que

as coisas. Eu perguntei a ele se queria sentar

é bom, dura pouco. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Fui até o centro da cidade comprar

eu não consegui alcançá-lo. Alguma coisa

umas lembranças pra família e os amigos,

estranha tinha, resolvi ir à delegacia, apesar

enfim, não dá pra viajar e voltar de mãos aba-

dele não ter me feito nada, mas o comporta-

nando, sempre acaba rolando uns presenti-

mento tinha sido abusivo, e registrei o ocorri-

nhos pra turma.

do.

Tô vendo a polícia parada em frente ao

Horas mais tarde a polícia estava no ho-

mercadão, muita gente, pensei ter sido um

tel, com uma intimação de busca, entrou em

acidente, o povo adora esses eventos. Eu co-

todos os quartos para averiguar, principal-

mo todo mortal, fui me enfiando no meio pra

mente nos cômodos anexo a ele. O que Ro-

ouvir o acontecido. Era mais um desapareci-

drigo não contava, é que a polícia estava cer-

do, faltando dois dias pra eu ir, e mais uma

cando o hotel em trajes a paisano. Nessa ho-

novidade, isso aqui ta virando bagunça.

ra Rodrigo pula o muro, é pego pelos polici-

O rapaz de aproximadamente vinte e
cinco anos de nome Marcos, havia desaparecido depois de sair da boate Estilo’ss.

ais. O rapaz ficou muito nervoso e não conseguia soletrar uma palavra pela sua gagueira.
O delegado acompanhado da escolta entrou na casa que havia nos fundos, e pra surpresa de todos, encontrou acorrentados os

Voltei para o hotel abarrotado de coisas, querendo economizar levando lembrancinhas,
não achei nada disso, acabei levando cangas, sandálias... E tudo com logotipo de Búzios, o cartão de crédito no final do mês óh!
Já eram 18:30 minutos, resolvi ir no sa-

três desaparecidos, Juliana, Jonatas e Marcos. Estavam como animais, no meio de sujeira e pratos de comida, apenas uns lençóis
sujos pra deitar. Descobriram que o pai de
Rodrigo era o gerente do hotel, e sua mãe
trabalhava na cozinha.

lão de jogos, já estava muito queimado, nada
de praia hoje. Comprei umas fichas e fui jogar, adoro jogo de corrida de carros. Fiquei
até cansar, e subi pra dormir.

Quem podia imaginar toda essa trama, o próprio gerente do hotel. Aí que tudo se
revelou, Rodrigo desde pequeno tinha o problema na fala, a gagueira. Ele sofreu buling

Enquanto estava colocando o short, e

durante um bom tempo, o garoto ficou com

fazendo minha exposição da figura na sacada

problemas psicológicos, e isso afetou tam-

rs, olho no pátio, e quem eu vejo, o retardado

bém aos seus pais. Ele cresceu sem amigos

do Rodrigo.

e trancado em casa, vendo o mundo pela TV.

Desci correndo as escadas, fui pra fora,
dei a volta pelo pátio, ele me viu e correu.
_Para ai cara! Quero falar com você!
Ele correu, entrou pela janela que dava
acesso ao hotel, num cômodo lá nos fundos,

Então seus pais afetados também pela doença estimularam o garoto a trazer outros jovens pra sua casa, na intenção de fazer novos amigos, e com isso os mantiveram presos, pra que o garoto não se sentisse sozinho. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Era uma família de criminosos? Ou doentes? Não sei. Eles foram presos, e o Rodrigo foi levado para uma clínica de psiquiatria.
Que noite! Vou dormir tranqüilo.
Dia 17 de dezembro, tô saindo, deixei meu cartão na recepção, ô mala pesada!,
Ah! Búzios, que saudades, agora vai começar tudo de novo, e até ano que vem.
No ônibus, olho a paisagem salgada, areia branquinha e o vento com gosto de mar, deixo
pra trás umas férias emocionantes, já estou sentindo o cheiro do asfalto.
_Tô chegandooo!!! E até um dia.

BANANA À MILANESA
Ingredientes
6 bananas-nanicas
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de farinha de rosca
2 ovos
1/2 l de óleo de canola
Modo de Preparo
1. Coloque o óleo numa panela grande e leve ao fogo para aquecer.
2. Quebre os ovos num prato fundo e bata ligeiramente com um garfo.
3. Coloque a farinha de trigo num prato raso e a farinha de rosca em outro. Descasque
as bananas.
4. Coloque as bananas no prato com a farinha de trigo. Elas devem ficar totalmente envoltas por farinha. Bata ligeiramente as bananas contra as mãos, retirando o excesso de
farinha.
5. Retire as bananas do prato de farinha de trigo e coloque-as (uma por uma) no prato
com o ovo batido. Mergulhe-as bem no ovo.
6. Escorra bem o excesso de ovo e transfira uma banana por vez para o prato com a farinha de rosca. Envolva muito bem todas as bananas com essa farinha.
7. Quando o óleo estiver bem quente, coloque duas bananas por vez para fritar. deixe
fritar até que fiquem douradas. Em seguida, retire-as do óleo com uma escumadeira e
coloque sobre um prato forrado com papel-toalha. Sirva bem quente.
Fonte: http://panelinha.ig.com.br/

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

TOP
DO
POP
Raphael Miguel

O REALISMO E AS FICÇÕES

Se a cobrança por um mundo ficcional
mais realista se tornar uma regra, deixará

Existe uma latente diferença entre o que é

de existir a ficção. É uma conta simples.

realidade e o que é ficção. Contudo, uma

Nós precisamos assistir a uma série, por

pode se espelhar na outra. Muitas inven-

exemplo, e sabermos que ali veremos coi-

ções que existiam apenas na ficção se tor-

sas impossíveis de acontecer na vida real.

naram realidade e muitas obras de ficções

Devemos ler uma HQ com a absoluta cer-

bebem de fontes reais para darem o tom

teza de que seremos apresentados a se-

em eventos e personagens existentes ape-

res com poderes extraordinários e irreais.

nas em um mundo abstrato.

Mesmo produtos vendidos com o selo do

Podemos dizer que a realidade e a ficção

realismo, por vezes, apresentam um ou

são como aquelas irmãs parecidas que vi-

outro segmento inacreditável. É algo ruim?

vem tentando copiar uma à outra. Embora

Não. Isso é exatamente o que chamamos

tentem se parecer ao máximo, sempre se-

de entretenimento.

rão diferentes. Não é prudente confundilas. Neste ponto surge uma questão: é
justo cobrarmos que a ficção seja sempre
parecida com a realidade? Vou além: é

Qual a graça de nos divertirmos apenas
com obras realistas? Para isso existem os
telejornais.

justo que o tom realista esteja presente em

Queremos nos entreter com coisas impos-

todas obras de ficção?

síveis. Temos o direito de nos maravilhar-

Atualmente, mais do que nunca, existe
muita cobrança aos meios de entreteni-

mos com seres fantásticos e situações improváveis.

mento para que apresentem conteúdos

O realismo nas ficções não pode ser a re-

cada vez mais parecidos com a realidade,

gra.

com a vida real. O consumidor de cultura
pop quer se ver inserido naquele filme, naquela série, naquele livro.

Leia mais um artigo da coluna na próxima
página!

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O PODER DE UM ÍCONE
A cultura pop vive de bons personagens, de
grandes ídolos, heróis e vilões, mocinhos e
bandidos. Sim, mais do que necessários,
grandes personagens são imprescindíveis à
trama e servem ao enredo como grandes catalisadores do público. Entretanto, os ícones
são maiores que os próprios grandes personagens.
Poucos se interessam por livros que não contém personagens marcantes. Uma série sem
um protagonista (ou antagonista) carismático
está fadada a um cancelamento breve e até

Um filme frenético, forte, feroz (como o pró-

mesmo automático após breves temporadas.

prio nome sugere). O enredo é incrível, os

Salas de cinema não se lotarão se o filme não

efeitos visuais fantásticos, a trilha sonora alu-

apresentar um elenco com qualidades cati-

cinante, a ambientação perfeita. Porém, ape-

vantes.

sar de todos esses pontos, o que mais chama

Talvez, os personagens sejam tão importan-

atenção neste grande Blockbuster?
(Segue)

tes quanto a trama em si.
Pense bem. Permita fazer o seguinte exercício: Pense no último grande filme que assistiu. Qual o último grande livro que leu? O último quadrinho marcante que folheou?
Pronto? Muito bem. Agora, me diga: além da
trama, o que mais ficou marcado em sua
mente? Arrisco afirmar que você pensou em
um ou outro grande personagem que fez parte do enredo. E nem precisa ser o caso de um
protagonista ou de um antagonista, como afirmei acima. Um personagem forte transcende
a figura dos principais.
Veja um exemplo prático. MADMAX: A ESTRADA DA FÚRIA. Em minha opinião, o
grande filme de 2015 (discordem ou concordem à vontade).
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Respondo: os personagens. Mas, vou além.
O filme como um todo é recheado de personagens incríveis. Max e toda sua loucura; Joe
e sua insanidade; Nex e suas motivações;
Porém, quem rouba a atenção e estapeia o
espectador é a Imperatriz Furiosa
(interpretada de forma magnânima por Charlize Theron).
Mesmo em um enredo recheado de grandes
personagens, Furiosa se destaca. Isso, meus
caros, a torna superior a um personagem
marcante. Isso a torna um personagem icônico.
Este é o ponto em que queria chegar.
Como disse acima, grandes personagens são
imprescindíveis. A cultura pop, como um todo, se alimenta de personagens marcantes.
Entretanto, são os ícones quem resistem à
ação do tempo. São os ícones quem são lembrados e associados a algo gigantesco.
De quem você lembra quando mencionam a
obra derradeira de Mario Puzo? Um ou outro
se lembrará de Michael Corleone, mas o inegável ícone de O Poderoso Chefão é Don
Vito Corleone. Se alguém citar a enigmática
Rua Elm e o assustador sucesso de A Hora
do Pesadelo, o grande ícone que nos vêm a
mente é Freddy Krueger e sua face carcomida pelo fogo.
O poder do ícone é este mesmo: ser uma espécie de rosto da obra, um cartão de visita
que nos vem à mente instantaneamente
quando pensamos em uma trama.
Grandes personagens, personagens marcantes são essenciais e imprescindíveis, mas
ícones... ícones são realmente únicos.
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DICAS DE PORTUGUÊS
com
Renata Carone Sborgia
“Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram
maquiagens e comprimem estômagos.”
Fernanda Mello
O bolo de fubá não é “ difícil de se “ fazer!!!
Com a escrita incorreta... será dificílimo!!!
O correto é: O bolo de fubá não é difícil
de fazer!!! ( sem o se)
Regra fácil: Quando o verbo estiver no
infinitivo ( no exemplo: fazer) e não for
pronominal, não haverá “se”.
OBS.: A construção da frase já tem
sentido passivo:
“ bolo difícil de fazer” = bolo difícil de
ser feito
Outro exemplo correto: Osso duro de roer=
Osso duro de ser roído( sentido passivo)
Maria está “afim” de ir ao cinema.
Com a expressão incorreta...não conseguirá assistir ao filme!!!
O correto é: A Fim ( escrita separada)
Regra Fácil: AFIM ( escrita junta): significa semelhante, parente, ou ainda, alguém
com quem se tem afinidade. Ex.: Maria é minha afim, assim como Ana.
A FIM ( escrita separada): significa “para”, com a ideia de finalidade. Ex.:
Maria está a fim de viajar.
OBS.: correta a expressão nesta frase:
Estou “ a fim “ de você!!!

Maria está com dor na “costa”.

Com a escrita incorreta...a dor não melhorará!!!
O correto é: nas costas ( plural: costas)
Regra fácil: a expressão costas : que se refere a parte detrás do tronco humano ou a parte
detrás de animais e de objetos: só é usada no
plural.
OBS.: Todas as palavras que se ligam a
essa expressão ( costas é substantivo), como artigos, adjetivos, pronomes adjetivos, numerais adjetivos e
particípios devem concordar com ela
(costas) em gênero e número.
Ex.: O ladrão levou três tiros nas costas.
Suas costas estão sujas de barro!!!
Mantenha as costas eretas contra o
assento do carro.
OBS.: costa (singular) é a área próxima
ao mar; litoral.
Ex.: Tempestade avança rumo à
costa daquele local.

PARA VOCÊ PENSAR:
"A vida não está ai apenas para ser suportada
ou vivida, mas elaborada.
Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada.
Não é preciso realizar nada de espetacular.
Mas que no mínimo seja o máximo que a gente
conseguiu fazer consigo mesmo." Fernanda
Mello

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

CUCA DE BANANA
Ingredientes
4 unidade(s) de ovo
2 xícara(s) (chá) de açúcar
3 colher(es) (sopa) de manteiga
2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo
1 xícara(s) (chá) de amido de milho
1 colher(es) (sopa) de fermento químico
em pó
180 ml de leite
1 cálice(s) de conhaque
quanto baste de sal
5 unidade(s) de banana nanica
Cobertura
6 colher(es) (sopa) de açúcar
8 colher(es) (sopa) de farinha de trigo
3 colher(es) (sopa) de manteiga
quanto baste de canela-da-china em pó

Como fazer
Pré-aqueça o forno em temperatura média (180 º C).
Bate bem as gemas com o açúcar.
Junte a manteiga e torne a bater.
Adicione a farinha de trigo, o amido de milho e o fermento, bate sempre e regue a massa
com o leite e o conhaque.
À parte, bate as claras em neve junto com o sal.
Acrescente-as à massa, mexe delicadamente , sem bater.
Despeje a massa numa assadeira untada.
Descasque as bananas e corte-as ao meio, no sentido do comprimento.
Arrume-as sobre a massa.
Cobertura
Misture bem todos os ingredientes da cobertura e espalhe sobre a banana.
Leve a assadeira ao forno e asse por cerca de 30 minutos, ou até que a cuca esteja seca.
Fonte: http://www.cybercook.com.br/

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O REDENTOR DO INFERNO

deixavam entorpecido. Este era um desses
momentos. O líder da Ordem tinha a intenção de escrever seu nome para sempre na

Por Raphael Miguel

história com um feito audacioso. O tratado
A ira estava estampada no rosto de
Frowler Rhawks. Assim que o destemido líder da Ordem dos Dragões de Agat adentrou
aos portões da sede, todos estremeceram de
medo. Frowler estava visivelmente alterado e
seus trejeitos indicavam que algo havia dado
errado durante a visita a Dracolan, Terra dos

entre os Reinos de Agat e Dracolan era simples: o soberano de Dracolan, Rei dos Dragões, doaria algumas de suas feras para que
Agat pudesse suprir o plantel do grupo de
guerreiros conhecidos como Ordem dos Dragões, de Draconite do Norte. Como Comandante, cumpria a Frowler diligenciar até Dracolan na busca por novas feras, mas isso so-

Dragões.
O Comandante esbravejou com os criados que lhe receberam, entrou nas depen-

mente quando fosse estritamente necessário.
Porém, o líder de cabelos negro-

dências da sede e encontrou a sala de jantar, onde se serviu de uma jarra de vinho
azul e bebericou, dando ordens para que ninguém o interrompesse. Estava absorto em
seus pensamentos, raivoso e sozinho. Com
ódio, arremessou o caneco em que se servia
contra as paredes enegrecidas do recinto e
praguejou ferrenhamente contra o Rei dos

azulados não estava satisfeito com o atual
plantel de sete feras em sua Ordem. O cavaleiro queria mais, necessitava de mais. E sua
pretensão não era modesta. Almejava trazer
mais de trinta novos dragões de Dracolan,
assim conseguiria povoar o norte agatiano
com as bestas e expandir seu poderio. Foi
com esta intenção que partiu tempos atrás

Dragões.
O ato de ira foi interrompido pela entrada de um velho conhecido. Frowler queria

para Dracolan. A recente explosão de fúria
indicava que o plano falhara miseravelmente.
Nada do que Frowler confessou sur-

a solidão e nem mesmo a presença de Tuan
era bem-vinda. Mas o feiticeiro ignorou toda
a fúria do Comandante e não se permitiu
despedir sem ao menos tentar umas palavras. Conhecendo bem ao amigo, Tuan

preendeu Tuan. O bruxo havia advertido ao
estimado amigo sobre a provável falha na
missão. Dificilmente o Rei dos Dragões disporia de tantas crias de forma tão banal.
Contudo, diante da negativa, Frowler

aguardou até que Frowler se tranquilizasse

havia atingido um grau de insanidade inacre-

após extravasar um pouco.
O mago sequer precisou fazer perguntas, logo o amigo estava lhe confessando o
que teria gerado toda aquela explosão de ira.
Sir Frowler era um dos mais obstina-

ditável. O cavaleiro confessou ao feiticeiro
que tinha um novo plano em mente: iria decretar guerra contra Dracolan e conquistar
aquela terra em nome de Agat.

dos e presunçosos Comandantes da Ordem
dos Dragões. A arrogância e a ganância o
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(Segue)
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Os planos eram loucos, mas eram sé-

dos Dragões financiou os aprofundamentos

rios. O Comandante adiantou as ansiedades

do amigo nas artes místicas e, em troca, teria

e no mesmo dia que pôs os pés de volta em

um importante conselheiro e aliado.

solo agatiano, tratou de enviar um mensagei-

Era com esta propriedade que Tuan

ro para cientificar ao seu Rei sobre as preten-

reagiu de forma enérgica às revelações do

sões de guerra.

amigo. Frowler estava louco e cumpria ao

Qualquer pessoa de inteligência medi-

bruxo incutir algum juízo em sua cabeça dura

ana entenderia os riscos e as implicâncias

e orgulhosa. Mas o Rhawks estava decidido:

que aquela guerra absurda acarretaria, mas

iria destruir Dracolan e comandar centenas

Frowler estava cego de ambição. Por déca-

de dragões.

das e séculos, a Casa Rhawks se manteve

Com o tempo, Tuan pensava que o

firme no maior objetivo que era comandar e

amigo desistiria da ideia absurda, mas não

controlar a Ordem dos Dragões, inclusive tra-

foi o que ocorreu. Nas asas de seu dragão,

tando com Dracolan quando necessário. A

Sir Frowler Rhawks executava exercícios de

ambição de Sir Frowler Rhawks ruiria anos

preparo para a guerra. Algo precisava ser fei-

de boas relações e colocaria um fim a Or-

to antes que a tragédia anunciada se concre-

dem, Tuan sabia disso.

tizasse. A chave para vencer Frowler era a

Feiticeiros nunca foram vistos com

ganância. Para que o Comandante abando-

bons olhos entre os demais, principalmente

nasse aquelas intenções estúpidas, Taun sa-

entre os nobres, mas Frowler tinha um cari-

bia que teria de lhe oferecer algo ainda mais

nho especial por Tuan. Uma amizade que

tentador do que a dominação de Dracolan.

começou na infância e que perduraria por

Durante tanto tempo que permaneceram juntos, o mago nunca havia contado

anos mais.
Tuan era um menino pobre e órfão

aquela história ao cavaleiro, mas havia che-

que vivia em uma das pequenas aldeias ao

gado o momento. Mais cedo ou mais tarde,

redor de Draconite. Foi adotado pelo pai de

Frowler iria conhecer aquela lenda e se tor-

Frowler e levado para conviver entre a nobre-

naria obcecado pela promessa de tamanho

za. Quando jovem, Tuan partiu em uma jor-

poder. Para poupar o amigo de um plano am-

nada em busca de autoconhecimento e se

bicioso e equivocado, Tauan apresentou uma

tornou membro da Ordem dos Segredos,

ambição ainda mais promissora e perigosa-

uma organização da região Central do Reino

mente incerta. Sem delongas, contou ao Co-

famosa por formar pensadores e eruditos.

mandante a lenda do Redentor do Inferno.

Expulso da Ordem por ter sido descoberto

Uma lenda antiga e proibida datada de

participando de um ritual de magia praticado

antes mesmo do Reino de Agat se consoli-

por um famoso bruxo, Tuan voltou para Dra-

dar. Uma história contada apenas no dialeto

conite, onde foi recebido de braços abertos

falado antigamente, antes mesmo do Antigo

por Frowler. Sem se preocupar com as opini-

Idioma existir. (Segue)

ões de terceiros, o Comandante da Ordem
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Aquilo que se conhece como o Norte

Alucinado com a possibilidade de al-

de Agat sempre foi povoado por dragões e os

cançar um poder supremo, começou a pes-

povos que ali viviam tinham uma interessante

quisar as histórias contadas pelos antigos ha-

teoria sobre os lagartos alados. Estes seres

bitantes. Segundo se contava, o Submundo

não provinham do Mundo Conhecido e vi-

era um lugar situado abaixo da superfície,

nham de outro lugar, um lugar onde somente

quilômetros abaixo da terra. Reunindo relatos

existia fogo e enxofre, um lugar de dor e la-

antigos, Frowler se convenceu de que havia

mento, onde somente os perversos residem,

descoberto a localização exata do portal para

um lugar chamado de Submundo, ou Inferno.

o Inferno. Contratou milhares de homens que

Os povos acreditavam que os dragões transi-

trabalhavam e se revezavam noite e dia na

tavam entre os dois mundos, trazendo a des-

abertura do túnel que uniria o Mundo Conhe-

truição e o caos ao Mundo Conhecido. Estes

cido e o Submundo. O próprio Sir ajudava

seres eram comandados e subjugados por

nas escavações vez ou outra.

uma espécie de entidade que governava o

Um ano após, as escavações não en-

Submundo. Segundo a lenda, haveria de nas-

contraram nada mais que terra e rocha.

cer entre os homens, um com a alma de dra-

Frowler culpou Tuan pelo insucesso da em-

gão e este poderia alcançar o Submundo e

preitada e o ameaçou de morte. Mas o bruxo

desafiar a entidade pelo comando do inferno

nada temeu. Enquanto o Comandante utilizou

e de seus milhões de dragões.

da força bruta para encontrar o Submundo,

A revelação da lenda não surtiu o efei-

Tuan estudou. Estudou pelo mesmo tempo

to desejado ao Comandante da Ordem dos

que duraram as obras de Rhawks e concluiu

Dragões. Assim que terminou de ouvir a his-

que o Inferno não ficava no mesmo plano do

tória, Frowler bocejou e caminhou até seu

Mundo Conhecido, eram mundos distantes e

aposento, sem mostrar emoções. Mas Tuan

separados por duas realidades alternativas e

sabia que naquela noite havia plantado uma

conflitantes.
Irado, Frowler quase matou o amigo

semente.
Meses depois, Sir Frowler Rhawks

com um golpe de espada, mas o feiticeiro

conferenciou com o Rei de Agat e pediu per-

conseguiu desviar do golpe e revelar que en-

dão por cogitar um ataque à Dracolan. O bom

contrara um modo de chegar ao Submundo.

senso amadureceu na cabeça do Comandan-

O cavaleiro ficou empolgado com a hipótese

te. Mas ao voltar para Draconite, o líder reve-

e logo faria o “ritual de transição”. Utilizando

lou ter novas ambições. Confessou a seu

sua armadura de aço negro completa, arma-

amigo bruxo que por meses matutou sobre a

do com uma espada e protegido por um escu-

antiga lenda do redentor do inferno e disse ter

do, Frowler Rhawks iniciou o ritual macabro

certeza ser o “homem com alma de dragão”

que o consolidaria como o Redentor do Infer-

da história. Estava decidido a descer ao Sub-

no. O que se sucedeu nos aposentos de

mundo e desafiar o Rei do Inferno pelo domí-

Taun naquela noite foi algo inacreditável.
(Segue)

nio do lugar e das bestas.
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Irado, Frowler quase matou o amigo com um golpe de espada, mas o feiticeiro conseguiu desviar do golpe e revelar que encontrara um modo de chegar ao Submundo. O cavaleiro
ficou empolgado com a hipótese e logo faria o “ritual de transição”. Utilizando sua armadura
de aço negro completa, armado com uma espada e protegido por um escudo, Frowler Rhawks
iniciou o ritual macabro que o consolidaria como o Redentor do Inferno. O que se sucedeu nos
aposentos de Taun naquela noite foi algo inacreditável.

TORTA DE BANANA DE PADARIA FÁCIL
Ingrediente:
Massa podre:
• 300 g de manteiga
2 ovos inteiros mais 1 gema
• 1 colher de sopa de leite
1 colher de sobremesa de fermento Royal
• 600 g de farinha de trigo
• 1/4 de xícara de açúcar
Recheio:

2 claras em neve
2 pitadas de canela
• 10 bananas
• 2 xícaras de açúcar
Modo de Preparo

1. Misturar todos os ingredientes sem amassar, a massa deverá ficar mais mole que as
comuns
2. Forre o fundo e laterais de uma forma de fundo removível
3. Separe um pouco da massa para fazer um quadriculado por cima do recheio
4. Misturar o açúcar com a banana cortada em rodelas grossas, salpique a canela
5. Adicione e misture lentamente as claras em neve
6. Coloque na forma sobre a massa, polvilhe com canela em pó
Faça um quadriculado de massa por cima e leve a torta de banana de padaria para assar
por 35 a 40 minutos, depende do forno

Fonte: http://perfecta.itwfeg.com.br/

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Poema para a Arte
Por Adina Worcman
O que é a Arte senão vocação?
Não é um trabalho , é pura emoção!
Não há fronteira, é universal,
Não há limite para sua exploração!
Faz parte de sonhos, curiosidade e indagação
É rica em mensagens e muita emoção!
É infinita e torna-se imortal
A obra fica e o artista se vai.
Mente ocupada, mãos em movimento
Formas surgindo, cores fluindo
Damos vida a nossa imaginação!
Inspiração, dúvidas, anseios
Tudo desperta
No processo de criação!
Olhar aguçado, nada se perde
Transformar, criar
Como é bom!
Transpirar liberdade, às vezes intranquilidade
Mas, acima de tudo
Dar asas à imaginação!

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69

Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

SONHOS
Por Alex Marchi
Sonhos perdidos
Esquecidos na multidão
Desejos sinceros guardados do mundo
Perdidos em seus pensamentos
Entretido nos afazeres
Assim é a vida
Corrida e tão dura
Ficamos sem tempo firmes na luta
Virando a pagina vida nova inicia
Nas paginas de um livro sem começo ou fim
Nas mudanças ele percebe a novidade
Navegando nos mares da felicidade
Então num instante de um novo porvir
A vida recomeça antes da ultima cena.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

DESENCANTO
Por Carla de Sá Morais

A ALMA PURA E SONHADORA NÃO VÊ O INSIDIOSO
AQUELE QUE DESFILA E TRAFICA A CONFIANÇA DADA
DEMOLINDO TUDO NUM SIMPLES ACTO ULTRAJOSO
A ALMA PURA E SONHADORA ACREDITA ACORDADA
NA DIGNIDADE DOS SERES
NA SUA REMISSÃO CONSOLIDADA
A ALMA PURA E SONHADORA SÃO PUDERES
NA ENCOSTA MALFADADA
INVADIDA POR MULHERES DE NÃO QUERERES

Imagem: Pure soul by Red-Roose
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Outrora
Por Carmen Lúcia Hussein
Eu havia perdido você
O tempo passou
Mas ainda a quero
Como no passado
Mas ainda a amo
De você quero tudo
A perfeição
A beleza
O amor
E a realização do sonho
Ainda a quero
Como outrora
Quando a conheci.

Imagem: by_saher4ever

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72

Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Pressa

Por Diulinda Garcia
Ponho os olhos na distância
dos meus sonhos viajantes
e vou andando sempre apressada
como se quisesse fugir
do percurso do tempo
do caminho das quietudes...
mas é preciso esperar
que as violetas azulem
e encontrem o meu olhar inquieto
em direção a um horizonte distante.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

TEXTO E CONTEXTO...
ILAÇÕES DECORRENTES DE
DISCUSSÕES INFORMAIS

POR ELOISA ANTUNES MACIEL
Texto e contexto... Expressão que
inclui dois termos parcialmente “afins” - ao
menos por comportar a inclusão de dois elementos temáticos bastante expressivos, incluindo a palavra “texto”, sendo que este elemento subentende algo peculiar que estaria a
designar uma “totalidade singular” – ou sui
generis – considerada a sua acepção particular, embora possa assumir conotações diversas – como referências às diferentes modalidades de textos escritos, entre outras facetas
– comportando outras conotações.
Já o termo contexto de sentido
mais amplo, inclusivo e multifacetário, estaria
a subentender uma situação, um ambiente
peculiar, conjunto de condições e/ou condicionamentos em que se insere – ou se configura – determinado fenômeno, processo ou sucessão de fatos, configurando-se em uma
conjuntura de fatores que podem constituir-se
em “determinantes causais” (embora temporários...) desses fenômenos ou processos...
Nessa acepção, subentende-se que um contexto – qualquer que seja a sua conotação –
pode moldar - ou determinar circunstancialmente tanto fatos ditos permanentes, como
os processos educativos, fenômenos sociais,
históricos, políticos...

“maravilhas” de um determinado, estado, região ou “lugares privilegiados”... Sua subjetividade provavelmente poderá ocasionar uma
determinada filtragem afetiva, e esta estaria
fomentando inúmeras decepções em leitores
que venham a comprovar o contrário dessas
percepções seletivas, fato que tenderia a fomentar uma generalizada decepção na maioria de seus leitores... (Lembro - me de minha
primeira decepção nesse sentido, quando
ainda muito jovem... E minha marcante decepção teve por “cenário” improvisado a observação de velhos bondes e outros tarecos
em uma cidade alardeada como sendo a
“primeira maravilha do mundo”...).
Contudo, a ótica da filtragem afetiva não se aplica, obviamente, a produções
escritas que se enquadrem na denominada
“literatura fantástica”, uma vez que esse tipo
de produção tem suas características peculiares. No entanto, essa mesma ótica tende a
aplicar-se apropriadamente aos planos da
Educação (escolar e profissional, de um modo peculiar), às Ciências Sociais e outros
segmentos da Construção Cultural da Humanidade. Estes depreendem - se do contexto
em que o processo/fenômeno está inserido...
Sob essa ótica, finalmente, talvez
devam ser evitadas “cantilenas” tão em voga
como a que tem sido abusivamente propalada em diversos meios educacionais:
“Temos que seguir o modelo XY... que deu certo no século passado”...

Portanto, há que se atentar para
uma análise realista entre textos e contextos,
presumindo-se que os primeiros, à revelia de
sua singularidade, podem desconsiderar as
interferências (condicionantes) do contexto –
ou, talvez, de contextos interagentes... Poderia ser esta a situação de escritores, jornalistas, bem como a de comunicadores que representam diferentes segmentos da Cultura,
Ciência, Religião ou outro estamento – e que
estejam a produzir textos sobre as

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O ENSINO DE POESIA NA
ESCOLA PÚBLICA MUNICIPAL
MANOEL DE OLIVEIRA NO
ANO DE 2013

Ar t e . Li te r a tur a . Le i tu r a de P oe s i a .

1. Introdução
O ensino de poesia dentro da educação tem fundamental importância na formação de indivíduos críticos e sensíveis a realidade circundante, para tanto é necessária à
elaboração de métodos e condições para
que tal formação se concretize. Pensando
nisso, foi feita uma pesquisa no ano de
2013, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel de Oliveira, localizada na zona rural, no PA Panelinha, a 150 km de distância da sede administrativa, o município
de Itupiranga, situado no Estado do Pará.

Com o objetivo de descobrir como estava
sendo ministrado o ensino de poesia.
Para tanto foi levado em consideração às dez turmas do ensino fundamental II,
duas do 6º ano, três do 7º ano, três do 8º
ano e duas do 9° ano. Nos períodos diurnos
e noturnos. Não considerando como dados
de pesquisa o número de alunos de cada
turma, nem de agentes públicos que trabalhavam na escola. Visto que o trabalho foi
feito pelo método da Observação e Análises
Bibliográficas de outras pesquisas publicadas na mesma área de conhecimento estudada. Por isso, foram desconsiderados os
dados quantitativos. E o estudo focou na observação por um período de oito meses em
sala de aula.
Dividido em três dias por semana para as aulas de Língua Portuguesa e Arte.
Mais dois dias para as demais disciplinas.
Registrando tudo que ocorria na sala de aula
de forma que os diretores nem os professores sabiam qual era o objeto estudado. Pensando os mesmos que era apenas um estágio do pesquisador que ali se encontrava.
Também foram levados em consideração
outros artigos cujas referências se encontram no final deste trabalho. Chegando-se a
conclusão que a Escola Manoel de Oliveira
não difere de outras instituições públicas de
ensino quando o assunto é o ensino de poesia.
Os alunos apresentaram dificuldades
ao fazerem leitura de poesia, tais problemáticas estavam baseadas em diversos fatores. Entre eles a falta de professores com
formação específica na área do conhecimento estudada assim como no espaço físico da escola, na falta de disponibilidade de
materiais didáticos, na duração mínima das
aulas, na metodologia aplicada e na excessiva quantidade de alunos. O ensino de poesia também encontrava resistência por parte
do Projeto Político Pedagógico da instituição
e na preferência pelo ensino de prosa e gramática dentro do ensino de Literatura.

2. Ensino Fundamental
Nos últimos anos o ensino fundamental passou por um processo de alteração ampliando para nove anos a duração do ensino sendo obrigatório com inicio aos seis anos de
idade da criança.
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Mas, mesmo com a modificação dos
anos letivos ainda predomina algumas reflexões: Será que mais tempo escolar é suficiente para melhorar a qualidade da educação? Ou será que o sistema brasileiro de
educação está cheio de problemas por causa
do planejamento mal elaborado por parte das
entidades de ensino públicas? Ou porque a
instituição de ensino pública tem um bom planejamento, mas, os estados e os municípios
não têm políticas públicas capazes de tornar
o mesmo uma realidade?
Ao analisarmos a situação olhando para a Lei n 9.394 de 20/12/1996, a famosa
LDB, encontramos:

“chutadas” para os alunos. De acordo com a
LDB, Art. 26º:
Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base
nacional comum, a ser complementada,
em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada exigida pelas características regionais
e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
1. Os currículos a que se refere o caput
devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e
natural e da realidade social e política,
especialmente do Brasil.

Art. 12º. Os estabelecimentos de ensino,
respeitadas as normas comuns e as do
seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

2. O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos
alunos.

I. elaborar e executar sua proposta pedagógica

3. A educação física, integrada a proposta
pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se
as faixas etárias e as condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos.

II. administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros
III. assegurar o cumprimento dos dias
letivos e horas-aula estabelecidas
IV. velar pelo cumprimento do plano de
trabalho de cada docente

4. O ensino da Historia do Brasil levará
em contas as contribuições das diferentes
culturas e etnias para a formação do povo
brasileiro, especialmente das matrizes
indígena, africana e europeia.

V. prover meios para a recuperação dos
alunos de menor rendimento
VI. articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração
da sociedade com a escola

5. Na parte diversificada do currículo será
incluído, obrigatoriamente, a partir da
quinta série, o ensino de pelo menos uma
língua estrangeira moderna, cuja escolha
ficará a cargo da comunidade escolar,
dentro das possibilidades da instituição.

VII. informar os pais e responsáveis sobre
a frequência e o rendimento dos alunos,
bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica.

O inciso II do Art. 12º é um dos principais problemas dentro das instituições de ensino público atuais. Pois, do que adianta elaborar e não executar uma proposta pedagógica de qualidade numa escola pública por falta
de recursos financeiros? Como garantir e assegurar o cumprimento dos anos letivos e horas-aula estabelecidas? Se os professores,
guerreiros por lutar por uma educação de
mais qualidade fazem greve por melhores
condições de trabalho? Essas são apenas
algumas indagações entre tantas outras que
poderiam ser levantadas. O que tem que ser
percebido é que nesse meio complicado entre a escola apresentar a sua proposta pedagógica e a falta de políticas públicas coerentes com a situação, estão às disciplinas do
Ensino Fundamental II que vão sendo

Se orientando pelo artigo 26° da LDB,
podemos perceber como obrigatório não só o
estudo da Língua Portuguesa, da Matemática, da Ciência, da Geografia, da História, como também o ensino da Arte. Mas, apesar do
artigo da LDB classificar como obrigatório,
dentro da escola a realidade é outra. A começar pela formação do profissional que leciona
Arte, que às vezes tem graduação em outra
área do conhecimento e nenhuma afinidade
com assuntos artísticos. Leciona somente
para complementar carga horária. Por outro
lado, quando o professor tem conhecimento
do que está fazendo e deseja desenvolver
um bom trabalho se depara com a falta de
condição adequada para realizar o almejado.
Isso
têm recursos financeiros para arcar
com a despesa (Segue)

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A escolha de dado gênero literário
permite ao escritor passar uma certa visão
de mundo (trágica, cômica, exaltativa,
sentimental, satírica) a partir de uma forma específica (tragédia, comédia, epopeia, poema, paródia, etc. Há escritores
que somente se comunicam pela forma
contista, outros pela tragédia e ainda outros pelo poema, visto que os gêneros
literários se constituem, essencialmente,
em formas fundamentais de o escritor se
colocar diante da vida. Dalton Trevisan se
expressa através do conto; Nelson Rodrigues prefere o drama; João Cabral de
Melo Neto, o poema e Guimarães Rosa, a
narrativa longo.

de materiais artísticos que serão utilizados
em sala de aula. E porque não dizer, o desenvolvimento de um laboratório especificamente para trabalhos artísticos com os alunos. Ao ler os (PCN de Arte, 1998, p. 31) encontramos:
Assim, é papel da escola estabelecer os
vínculos entre os conhecimentos escolares sobre a arte e os modos de produção
e aplicação desses conhecimentos na
sociedade. Por isso um ensino e aprendizagem de arte que se processe criadoramente poderá contribuir para que conhecer seja também maravilhar-se, divertirse, brincar com o desconhecido, arriscar
hipóteses ousadas, trabalhar muito, esforçar-se e alegra-se com descobertas. Porque o aluno desfruta na sua própria vida
as aprendizagens que realiza.

2.1. O Ensino de Literatura
O ensino de Literatura dentro do Ensino Fundamental II acontece em maior escala
através do professor de Língua Portuguesa e
o docente de Arte. Porém, o que é Literatura?
Existem diversas definições para a pergunta
anterior. De acordo com a (UNIVERSIDADE
TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
apud COUTINHO, 2010, p. 05):
A literatura é um fenômeno estético. É
uma arte da palavra. Não visa a informar,
ensinar, doutrinar, pregar, documentar.
Acidentalmente, secundariamente, ela
pode fazer isso, pode conter história, filosofia, ciência, religião. O literário e o estético inclui precisamente o social, o histórico, o religioso, etc., porém transformando
esse material em estético.

Podemos notar nas palavras de Coutinho que existe um elo entre Literatura e realidade social. Todo escritor escreveu ou escreve a sua obra de acordo com o seu tempo,
sua filosofia, sua religião, enfim, de acordo
com suas ideias de valores. E é nesse contexto que o ensino de Literatura se justifica.
Pois, fazer com que os alunos se deparem
com diferentes mundos abre a mente para
reflexão e a desperta para o senso crítico da
leitura. Mas, a questão é quais elementos fazem parte do ensino de Literatura? Aqui podemos introduzir a ideia de gêneros literários.
Que são as varias maneiras que os autores
têm para se expressar. Como por exemplo: o
conto, a crônica, o poema, a narrativa longa,
o romance, a paródia, etc. De acordo com a
(UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL
DO PARANÁ, 2010, p. 07):

Percebe-se que os gêneros literários a
serem repassados para os alunos através do
ensino de Literatura são diversos. Para que
os objetivos sejam alcançados é necessário
um bom planejamento do docente e apoio da
escola onde o mesmo atua. Pois, cabe ao
professor selecionar e desenvolver o senso
crítico de cada aluno diante dos textos literários propostos para leitura. Conforme (JESUS
e CALIARI, 2014, p. 03):
O texto literário deve ser utilizado
como meio de educar os cidadãos para a
leitura, a partir da interferência crítica do
professor, que exerce um papel fundamental para a ampliação da competência
leitora dos alunos, a partir do contato com
textos culturalmente significativos e o entendimento do que os torna significativos.

2.2. O Ensino de Poesia
Descrever o ensino de poesia é complexo. Pois, ele se divide em diversas formas.
Porém, o gênero poético é destacado pelas
múltiplas possibilidades que oferece, por se
diferenciar dos outros gêneros e por trabalhar
a subjetividade. Olhando por esse ponto de
vista podemos analisar o ensino de poesia
como

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[...] A essência da linguagem da
poesia está na palavra, na imaginação
criadora, e no seu isolamento da linguagem falada. O mundo nem percebe o valor da poesia que encanta e que somente
é encontrada no ato da leitura. Assim, a
poesia é uma criação sublime, e antes de
toda criação literária. Ela está antes do
homem porque está na essência da criação e depois do seu fim porque a poesia
não morre. O poeta cria o mundo e os
seus significados, ouve vozes secretas e
faz o encanto invadir os pensamentos dos
leitores e transporta-los ao paraíso dos
sonhos e do inexplicável, suas palavras
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015
são magicas, puras e nos leva ao além,
nos fazendo descobrir os segredos do
mundo. (LIMA, 2012, p. 38).

Através das palavras do autor, compreende-se que o ensino de poesia se realiza
por meio da palavra escrita para que se possa compreender a imaginação criadora do
autor da obra literária utilizada para leitura
pelos alunos. Mas, não se restringe só a isso.
Visa também resgatar valores, ensinar que a
ideia do poeta nunca morre, serve de fuga
para os mundos paralelos que existem em
cada obra poética. Então, por isso a poesia
deve ser ensinada? Respondendo a pergunta
não só por isso. É dever para o professor ajudar os alunos a compreender a poesia e os
seus muitos significados estimulando a criação de obras poéticas em sala de aula. Segundo (SILVA e JESUS, 2011, p. 26):
A poesia está para além da linguagem
poética, está na linguagem da vida. A importância de trabalhar este tema decorre
de ser ele pouco difundido entre as séries
subsequentes que continuam sem ver a
poesia na sala de aula, e resumindo a
literatura, na maioria das vezes quando
trabalhada, a textos prosódicos, ficando
assim a poesia à margem do que e ensinado nas escolas.

As pessoas que tem o perfil para mudar a realidade atual do ensino de poesia nas
escolas públicas brasileiras são os docentes.
São eles que deverão lutar por uma nova realidade deste os anos iniciais de estudo das
crianças até futuramente uma dificultosa,
mas, possível mudança na grade curricular
da Educação Básica em Língua Portuguesa e
Arte para o Ensino Fundamental. Podendo
incluir também parcela de contribuição através das outras áreas do conhecimento e do
saber humano.

mesmo poderia causar tanto na vida dos alunos como na sociedade de maneira geral. O
Projeto Político Pedagógico da escola não
valoriza o ensino de poesia. Por outro lado a
escola também não usufruía de recursos financeiros capazes de adquirir materiais didáticos e artísticos.
Quando a disciplina Arte era lecionada, o profissional que a exercia era de área
completamente diferente. E a transformava
num simples cortar papel para festas juninas
e enfeitar corredor da escola. O docente da
matéria de Língua Portuguesa estava mais
interessado em ensinar gramática e prosa. E
assim, a poesia ia sendo esquecida pelos outros professores que diziam não ser a área e
nem função deles. Nem sequer uma programação de declamação de poemas aparecia
no calendário letivo da instituição. Muitas vezes o professor de Língua Portuguesa dizia
ser mais importante o ensino de prosa e gramática. Pois, é o que é cobrado nas provas
de concurso público. Trabalhando assim com
a educação mais tecnicista e esquecendo-se
da função despertar o lado crítico de cada
aluno. E o docente de Arte dizia ser papel dele, ensinar desenho artístico, teatro e outras
coisas que estivessem diretamente ligadas as
Artes Visuais. Esquecendo-se que a escrita
literária é também arte visual. Uma vez perguntado a algumas turmas sobre o ensino de
poesia, as mesmas responderam em palavras diferentes, porém com um mesmo objetivo: “Queríamos estudar muito mais poesia,
aprender a interpretar e a escrever. Gostamos de poesia”.

3.1. Como motivar os alunos da escola Manoel de Oliveira a desenvolver a leitura e a escrita poética

3. Um descaso ao ensino de poesia:
A começar pelas oficinas de Literatura
uma análise da escola pública muni- e Artes, o espaço para a declamação de poecipal Manoel de Oliveira no ano de sia deve ser oportunizado. Aprofundar a
questão da cultura não restringindo apenas
2013
De maneira geral observou-se durante oito
meses na Escola Pública Municipal Manoel
de Oliveira o descaso em relação ao ensino
de poesia. Não existia um planejamento de
relevância que mostrasse aos educadores ou
os treinassem a estarem atentos à importância do ensino de poesia e o impacto que o

as disciplinas citadas anteriormente como
responsáveis absolutas por tal motivação. Afinal, poesia é reflexão, porque então não utilizar esse método em outras áreas do conhecimento. Ajudando a passar a ideia de que leitura quando boa muda o comportamento dos
educandos.
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

É necessário incentivar a leitura e a
escrita poética para acabar com a história de
que a poesia está virando mito nas aulas.
Para isso, o Planejamento Político Pedagógico da escola tem que incluir no calendário letivo os dias dedicados ao ensino de
poesia ou incluir que o mesmo seja ensinado
ficando a critério do planejamento dos professores. A instituição de ensino também precisa
lutar por materiais didáticos e por uma estrutura melhor. Principalmente por uma biblioteca. Os alunos não tem nenhum material extra
para leitura. Se contendo somente com que
os professores escrevem no quadro. O que
significa baixíssima leitura e “nenhum” conhecimento com o mundo poético.
O ideal seria a construção de um laboratório de Informática mais extenso para atender a demanda escolar. Já que o que existe
só dispõe de três ou quatro computadores em
um espaço curto e apertado. Os alunos os
dividem para estudar curso de Informática e
não fazerem nenhuma pesquisa. Pois, outro
problema grave e a falta de Internet. Os alunos não usufruem desse benéfico para enriquecerem seus trabalhos escolares, exercitarem mais a leitura. E olhando por um lado
mais crítico da situação, o laboratório da escola não tem nem impressora para os alunos
imprimirem seus trabalhos escolares.
Entretanto, independente de todos os
problemas, a responsabilidade maior pelo ensino de poesia na escola Manoel de Oliveira
como também em qualquer outra instituição
de ensino, é do professor. Ele é o responsável por transformar os alunos em bons leitores. Bons leitores significa que os educandos
deverão saber diferenciar o que é “leitura saúde” e “leitura doença”. O educador é o principal guia nesta missão. Indicar uma “leitura
saúde” de poesia é encontrar a paz em livros
de amor, amizade, bondade, autoestima... Ou
seja, incentiva os alunos a praticarem constantemente o bem. Enquanto uma “leitura doença” é voltada para o lado do terror, da violência, da desobediência, da ignorância...
Uma leitura deste tipo: que proporciona o incentivo a pratica do mal só pode gerar cidadãos inconscientes de deveres e obrigações,
sem falar possivelmente em futuros marginais.
Apesar de todas as dificuldades e resistências quanto à leitura e a escrita de poética, a responsabilidade maior de quebrar as
barreiras será sempre do professor. Ele é o
profissional mais adequado para identificar as
lacunas, traçar metas e apontar possíveis soluções. Mas, se ele não é um leitor de poesia,

dificilmente haverá de procurar soluções para
o ensino da mesma. Eliminando completamente a leitura e o incentivo a escrita poética
das suas aulas. Então, o principal método de
incentivo à leitura e a escrita poética tem que
começar por cursos de aperfeiçoamento e
campanhas de conscientização. Conscientizar de que se ensinando poesia e resgatando
seu valor histórico-literário podemos mudar
muitas formas tortas de se pensar através da
sensibilidade despertada pela poesia, construindo um mundo melhor.

3.2. A importância do ensino de poesia na escola Manoel de Oliveira
Pode-se até exagerar um pouco e dizer que a poesia é o jornal diário que nunca
deveria faltar na vida dos alunos. Um jornal
capaz de mudar formas de pensamento, complementar, renovar as energias, apontar soluções, confrontar sentimentos... Triste em pensar que a Escola Manoel de Oliveira, como
muitas outras públicas espalhadas pelo Brasil
não faz tiragem desse jornal. Não produzam
editores, escritores e bons leitores. Não valoriza a sensibilidade, nem tão pouco conhece
a realidade de um mundo que poderia ser
bem melhor se a poesia fosse ensinada despertando nos alunos o gosto pela leitura.
A principal importância do ensino de
poesia na escola Manoel de oliveira seria
despertar o lado sensível de cada aluno. Ajudando a compreender que no mundo existem
diversas formas de pensamento que podem
se antagonizar na maneira de ver as coisas.
Despertando a compreensão por meio crítico
através da leitura que nós podemos mudar e
até ver as coisas por outro ângulo também.
Além de ser uma forte ferramenta no combate
à descriminação, preconceito, falta de respeito, gíria, entre tantas outras coisas na vida do
aluno que precisa de ajustes.

4. Considerações finais
Sabemos que a literatura possibilita o
encontro do aluno com a cultura e se tratando
do leitor do ensino fundamental II, com a imaginação, a criatividade e com o meio social
que o cerca. Além de torna-lo um ser capaz
de fazer uma leitura ampla e crítica dos valores sociais existentes na sociedade, contribuindo para a formação de um sujeito-leitor, crítico-reflexivo e muito mais ativo em suas decisões sociais enquanto participante da sociedade. (Segue)

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Para tanto, é preciso e necessário repensar a
formação e o papel do professor em sala de
aula, tornando isto uma das questões fundamentais para uma prática pedagógica eficiente.
A importância da poesia na escola está
na sua ação formadora, pois ela representa
uma forma que ajudará a ampliar o domínio
da linguagem e capacitar o leitor na construção do conhecimento. Assim, o texto poético
possibilita ao indivíduo conhecer a si mesmo
e ao outro e ainda o mundo que está a sua
volta. Leva à recriação e à busca de novos
sentidos que um texto pode oferecer. Desta
forma, é relevante que a escola propicie ao
aluno momentos de contato com os textos
poéticos. Sentindo e apreciando a poesia, o
aluno se sensibiliza ante o mundo e usufrui
dela como um meio de comunicação inclusive
consigo mesmo. Portanto, a função da escola
não é prioritariamente formar poetas e sim
tornar os discentes sensíveis à poesia.

Referências
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9.394 – 24 de dez. 1996. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf> Acesso em: 17
de junho de 2015.
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arte. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/
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NEVES, C. A. B. Poesia na sala de aula: um exercício
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Disponível
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www.bibliotecadigital.puccampinas.edu.br/
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QUADROS, T. R. A poesia no Ensino Médio: um desafio da escola e da universidade. Disponível em:
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D3MFrnki8iEKaST0BQ4Uo5jXnNQ&sig2=_5w8qQpRgI
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JESUS, A. S; CALIARI. E. A. S. Leitura de literatura no
ensino fundamental II: Uma experiência possível a
partir do circuito de leituras. Disponível em: <http://
www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/
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VIDA NOVA
Por Ivone Vebber
Busco uma vida mais
humana
sem dramas
e ilusões...
Uma vida racional,
cheia de luz pura,
união e doçura...
A janela está aberta,
só falta dar o mergulho
no espaço...

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#ControleDigitalGovernoGlobal
Por José Carlos Paiva Bruno
Taxistas protestam contra Uber no Rio, divulgação gratuita de primeira página para os digitais em manchetes dos melhores jornais. Desespero analógico em serviços convencionais
mundiais, dos táxis a rede de hotéis. Internet ditando nova organização global, dos aplicativos aos clubes de compra celulares. Fato é que estou adequando inclusive meus títulos
hashtag aos novos lares.
Sabemos historicamente que emplacar nova filosofia significa convencionar, qual seja: torná-la aprovada em nichos usuários! Quais rebeldes saindo dos armários... Preparem-se
brevemente para moeda mundial digital, que já existe, só não emplacou ainda. Parece-me
a última fronteira, onde pergunto das garantias além da convenção popular? Quando vítimas dos rompimentos convencionais buscarem socorro civilizado ortodoxo, buscarão quais
Tribunais? Talvez como mulher divorciada, vivendo a liberdade nova; desejando anteriores
garantias sociais? Bom, talvez os maridos de aluguel digitais, estejam resolvendo as trocas
de lâmpadas, torneiras pingando, carros sem bateria, aqui nesta manhã fria... Talvez estejamos às portas d’anarquia!
Mundo digital realmente democratiza informação e acessibilidade. Pergunto a que preço?
Quais definições de censura protetora aos valores – se é que importante – familiares?
Questões tributárias? Questões judiciais? Questões administrativas organizacionais? Até
então, essenciais à convenção de Estado Pátria...
Em tempo, por aqui o estado está menos sólido e mais pra gasoso, com o dólar batendo
ontem – em cotação mercado livre – os tais R$ 3,74 emplacando mais retração dos investidores. Como moeda, tudo tem dois lados, e o lado da exportação fica realmente favorecido, ao preço da inflação importada e juros altos do Real doméstico. Velha regra de que certamente os lucros não ficarão por aqui. Onde não existam favoráveis cenários, permanecem somente otários... Enquanto isso; prendem os donos das maiores construtoras do
mundo (brasileiras, que obviamente serão substituídas por outras, como o jogo de bicho no
Rio rendeu-se ao tráfico, pós-prisão dos velhos caciques simultaneamente em 1993/1994,
aplausos dos EUA), não que não tenham culpa. Aliás, carecemos talvez de nova definição
“culpa” para os aliciados desta nova era, afinal “quem tem culpa, tem medo”.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

DE 27 DE ABRIL A 1o DE MAIO
DE 2016 EM GENEBRA!
ESPERAMOS POR VOCÊ!
Contatos:
varaldobrasil@gmail.com

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

CONVITE
Venha conhecer o site de Jacqueline Aisenman, escritora,
editora da revista VARAL DO BRASIL!
Poemas, crônicas, contos, pensamentos...
Seja bem-vindo (a)!
www.coracional.com
CORACIONAL, coisas que vêm de dentro!

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O PORQUÊ DA MINHA REBELDIA
Por Lenival de Andrade
“ Eu sou rebelde
Porque o mundo quis assim
Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim”
Muitas vezes agi com rebeldia
Mesmo vindo do seio da burguesia
Nada digo que seja algo novo
Apenas assim como o saudoso poeta Cazuza
Estou do lado do povo
Mesmo tendo muito o que falar
E para dizer a verdade o rádio querer e precisar
usar
Quase nunca fui convidado
Mesmo estando credenciado e capacitado
Ai eu me calei e chorei
E nada falei
Como diria o bom paraibano Zé Ramalho
Da querida cidade de Brejo do Cruz
“Se eu calei foi de tristeza”
Por não poder a verdade falar
“Você cala por calar”
Mas mesmo assim tudo a DEUS quero entregar

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A arte e o artista
Por Luiz M F Maia

De repente a vontade de compor os pensamentos esparsos e expressá-los
em qualquer forma, parece-nos mania que vem não sabemos de onde. Do
mesmo modo o desejo de escrever aninha-se na cabeça sem dar sossego,
cutucando, pedindo soltura, insistindo, rogando para livrar-se de cadeias,
liberdade para voar pelo mundo das letras, das palavras, da ideação em frases a riscar no espaço vazio da brancura virgem os percursos dos sentimentos, frutos de olhares inquietos, de escutas atentas aos vocativos, às
interrogações pedintes ou às ardentes exclamações do mundo que nos cerca.
Em qualquer lugar deste planeta, desta nossa joia em seu caminho no espaço, vivemos nós, todo mundo, até os ditos insensíveis, também – mesmo
que não admitam – cada um em seu orbe pessoal de quimeras. Todos anseiam expressar sua parte criativa no palco da vida. Cada qual com sua arte
e ela em si não se define simples ou complexa, porque jorra de única fonte
que rega um infindável labirinto de sentimentos e criações.
Somos cultores de todas as artes, todos nós que trazemos à luz o impulsivo
desejo de poetar, de contar, de declamar, de cantar, de representar ou
transformar em melodia os sons que nos rodeiam. Abrem-se os portais das
percepções e a arte impele o artista a mostrar em obras o prodigioso talento
humano. Todos os dons e todas as habilidades manifestam-se na criatura
por Deus escolhida, despojada de gênero e adjetivo.
Conforme nossa crença, oremos em agradecimento e glória a Deus pelos
irmãos agraciados com dons pacíficos invulgares. Fraternidade de seres
nascidos para mostrar ao mundo a beleza em supremacia aos feitos dissonantes da criatura humana.

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MUFFIN DE BANANA
Ingredientes
- 100 gramas de margarina.
- 1/2 colher de adoçante em pó.
- 1 colher (chá) de gengibre.
- 1 xícara (chá) de farinha.
- 2 xícaras (chá) de aveia.
- 2 ovos inteiros.
- 3 bananas maduras e cortadas em rodelas.
Modo de preparo
Bata as claras de dois ovos. E em um outro recipiente, mistures todos os demais ingredientes. Após isso, junte todos no mesmo recipiente.
A massa você pode pôr em uma assadeira para muffins ou até
mesmo, em forminhas de papel. Pré-aqueça o forno em temperatura média e deixe os muffins assando nessa mesma temperatura.
A dica, para saber se a massa está no ponto, é espetar um garfo no
muffin. Caso o garfo saia totalmente limpo, sem nenhuma massa
grudada, o seu muffin está pronto!
Fonte: http://www.copaecia.com.br/blog

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Embaraço
Por Márcia Brabo
Caminho pelas curvas
Do teu corpo devasso
Tal como as ruas e praças
Por onde passo!
E, como a chuva lava
As estradas importantes da tua figura errante,
Lavo a minha alma inconstante
Nas veredas limpas e verdejantes!
Mas, como és nova
E necessitas de espaço,
Compreendo esse sentimento escasso
E contento-me com um simples abraço!
Assim, esqueço-me do cansaço
E deixo-me prender nesse embaraço,
Mas, mesmo que me acuses com estardalhaço
Fico encolhido no meu fracasso!
Procuro, no entanto, reaver esse frio laço,
A ficar nesse seu compasso
De espera, que até ameaço
Viver só, à beira de um colapso!

Imagem: Reason And Passion by Barry Novis
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É AGORA...OU NUNCA

Morta não quero choro e nem flores.
Reze por mim ou comigo

Por Maria Aparecida Felicori (Vó Fia)

Enquanto estou nesse lugar
Uma oração bonita de um amigo
Fale comigo agora que estou aqui

Nesse momento porque morta não vou
precisar.

Me diga uma boa ou má palavra
Porque estou aqui e não ali

Agora é a hora se quiser me agradar

Na sepultura na terra brava.

Porque a vida começa e acaba a cada dia
Hoje estou aqui amanhã não sei se vou estar

Venha me ver enquanto estou aqui

Por isso minha gente é melhor aproveitar.

Ficarei feliz em ser lembrada
Depois de morta não estou nem ai
Defunto não precisa de mais nada.
Cante uma canção para eu ouvir
Que seja pequena e suave
Porque no caixão não vou sentir
Mesmo que seja uma batucada na nave.
Me dê uma modesta florzinha
Uma pequena violeta ou um jasmim
Quero agora pois estou vivinha
Morta não preciso nem de um grande jardim.
Que tal um bombom ou um docinho?
Que vou comer com alegria
Falecida não preciso nem de um pedacinho
Mesmo que seja da melhor iguaria.
Se for a uma festa me leve junto
Pois gosto de cantar e dançar
Estou viva e sei me divertir muito
Mas depois de morta vou ter de parar.

Imagem by Mel Marcelo
Mel's Artwork

Escute com paciência quando eu me queixar
Estou viva e por isso tenho dores
As vezes me canso e quero desabafar

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ENCONTROS
Por Maria José Vital Justiniano
Perto de ti
observo como tu és,
olho devagarinho em teus olhos,
não há brilho,
nem há amor,
nossos encontros são pesados
mesmo assim, nos encontramos
Ninguém sabe por quê
Há busca recíproca,
um silêncio sentido a dois,
Ninguém fala
só ficamos juntos,
talvez, tenha sobrado carinho
Será verdade?
É apenas mistério a dois...

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ETIQUETA
Por Maria Socorro de Sousa
Entre o rótulo insano a luz atiça
A estrela da alva se estilhaça
Desdenha afinco indizível zelo
Envolto a transposição em selo
Estivas concedem mil encantos
Embaraços: chamas sem espantos
Enternecido chora coração mutilado
Saudoso disfarça o amor alado
Cala-se a alma. Espelho cego
Quieto sussurra. Manhã, castigo
Detém um osculo apenas abrasado
Porventura sou ao vazio condenado?
Desvanece. Lamenta etiqueta em primícias
Despindo-me em agonias a tua ausência

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Flores
Por Silvio Parise
Amo realmente profundamente
toda essa magnífica natureza
mas, quando verdadeiramente faço
uma minuciosa análise
desses universos que
amavelmente nos cercam
dando-nos fulgor, perfume e saber
então, obviamente tenho que dizer
que as flores, devido o seu colorido
e incríveis perfumes,
por ser franco, como costume,
é uma criação que definitivamente
foi criada para nos fortalecer.
Portanto, francamente amo
de fato todas as flores
pois, quando cautelosamente
vos analiso, verdadeiramente sinto
que são seres totalmente dotadas
de inteligência e poder.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Fluência
Por Walnélia Corrêa Pederneiras
Quando tento
mudar o tema
Escravizo
meu poema.
Poetar
é trilhar
nos pensamentos
sem interferi-los.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

SEIS ANOS DE VARAL DO
BRASIL,
EM CORDEL!

SEIS ANOS JÁ SE PASSARAM?!
SEIS ANOS DE MUITA FESTA
PROJETOS QUE EM NÓS DEIXARAM
SEIS ANOS DE FELICIDADE
SEIS ANOS QUE NOS MARCARAM

POR ANTONIO MARCOS BANDEIRA

SEIS ANOS DE VARAL DO BRASIL
SEIS ANOS ABENÇOADOS!!!
SEIS ANOS DE DISCUSSÕES

SEIS ANOS DE MUITO ESFORÇO

SEIS ANOS BEM PLANEJADOS

DE SONHOS DE ESPERANÇA

SEIS ANOS DE ATIVIDADES

SEIS ANOS DE MUITAS LUTAS

SEIS ANOS BEM EXECUTADOS.

SEIS ANOS COM CONFIANÇA
SEIS ANOS DE MUITA HISTÓRIA

PARA O VARAL DO BRASIL

SEIS ANOS DE MUITA LEMBRANÇA

DESEJAMOS SEIS MIL ANOS
SEIS SÉCULOS DE PUBLICAÇÕES

SÃO SEIS ANOS DE VARAL

CONTINUEM COM ESTES PLANOS

SEIS ANOS DE PUBLICAÇÕES

DE PÔR A LITERATURA

SEIS ANOS DE LITERATURA

NO ÁPICE DA CULTURA

SEIS ANOS DE MOTIVAÇÕES

É QUE NÓS ALMEJAMOS

SEIS ANOS DE ALEGRIA
DE CORRERIA E AÇÕES
SÃO SEIS ANOS INTENSA
VIDA DE LITERATURA
SEIS ANOS DE ORGANIZAÇÃO
SEIS ANOS DE AVENTURA
SEIS ANOS DE MUITOS POEMAS
DE VERSOS E DE LEITURA

SEIS ANOS DE MUITAS HORAS
SÃO SEIS ANOS DE ESCRITA
SEIS ANOS NO COMPUTADOR
SEIS ANOS DE MUITA REVISTA
ESPALHADA MUNDO Á FORA
SEIS NOS DE REESCRITA
SEIS ANOS DE PRODUÇÕES
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Andarilhos do tempo
Por Eloísa Menezes Pereira

Os tempos persistem
Transformando as atitudes
As idades resistem
Manipulando as virtudes

Idosos ocupam os espaços
Modificando a História
Propagam embaraços
Atraindo a vitória

Olhares de inovação
Transitam pela memória
Acumulando no coração
Saudades em sua trajetória !

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Mar Salgado Mar
Por Hazel São Francisco
As margens do deserto
Entre as Mesetas ao Leste e Oeste
Esta um grande Lago
Onde em tempos passados fora mar.
Alimentado pelas águas doces do Rio Sagrado
E pequenos cursos d’água
Que perecem no caminho
Sobre o solo inclemente
Nas margens do deserto.
O Rio Sagrado segue irrigando
As culturas da região.
As águas continuam seu caminho
Sofrendo a evaporação.
Ao chegar ao grande Lago
Que no passado foi mar
Pouca doçura lhe resta
Tornou-se viscosa onde nada sobrevive
Apenas corpos conseguem flutuar
Segundo lenda da Região
No leito profundo do Lago
Que no passado foi mar
Repousam Cidades mortas.

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DO CORPO E DA ALMA

Quatro dias de viagem até a capital, com outros tantos para voltar, mais os dez que lá
ficou, somaram dezoito na matemática do
esposo. Mas só na matemática, pois que na
solidão e na saudade os dezoito pularam pa-

Por José Carlos Sibila

ra a eternidade.
Honório Junqueira era o nome dele. Todo
mundo conhecia Seu Honório naquela cidadezinha. Mais afazeres não tinha, vivia de
uma considerável herança de família e como

Mas o dia da volta havia chegado. Seu Honório fez exceção ao seu recato e chamou
até uma bandinha para tocar na porta de entrada do casarão.

a sorte não chega pouco, ainda ganhava um

Os músicos, que eram todos das redonde-

bom dinheiro com o leite da fazenda que era

zas vinham chegando, cada um carregando

vendido em toda a região. O leite vinha da

seu instrumento. A tuba foi a primeira e foi

vaca, que engordava com o capim que vinha

logo se afinando. Sem mais tardar o surdo

da terra. Tudo assim, de mão beijada. Mas

respondeu. A flauta logo ajuntou e o violino

não era pessoa de grande ostentação. Vivia

não se fez de rogado. Os pratos estalaram e

recluso em seu casarão. O povo dizia que

as notas começaram a animar a entrada do

dentro daquela casa velha, que de idade já

edifício.

ia para mais de cem, tinha pelo menos umas

Lá dentro só mesmo Seu Honório, aprecian-

trinta pessoas, mas ele jurava que ali só vi-

do alegremente o burburinho, tentando acal-

via ele e sua esposa, Dona Cota, como era

mar sua ansiedade pela chegada da esposa.

conhecida por todos. O sobrenome dela, antes de ser Junqueira, ninguém sabia. E ela
nem fazia questão de informar. Dizem que
nem ela mesma sabia. - Pra que mais nome

Tudo corria como o certo estabelecido até
que se ouviu uma voz:
- Não estou gostando dessa gentarada

- dizia ela - se os dois que tenho são mais

aqui não.

que suficientes .

Seu Honório quase caiu da cadeira de ba-

Mas o fato é que Dona Cota tinha viajado

lanço, que insistia em enxergar a estrada no

até a capital para fazer um tratamento de

horizonte.

saúde. Era a maldita asma, que piorava com

- Quem falou isso? Resmungou com

a mudança do tempo e a insistência da poei-

raiva pela insolência do intruso e medo da-

ra que cobria a cidadezinha de meia dúzia

quela voz que lhe soou familiar.

de ruas de terra batida. Nos dias que a boiada passava ou que a jardineira 1929 vinha

-Fui eu.

trazer comerciantes, então é que a asma da

-Mas eu quem homem de Deus?

esposa do Seu Honório ia mesmo ficar ruim.

-Eu, Honório. (Segue)

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-Mas Honório sou eu. E não me lem-

não vejo.

bro de ter mais alguém com esse no-

- E eu estou esperando a minha, que

me aqui na cidade.

há muito tempo também não vejo.

- Vai me desculpar - acrescentou a voz
- mas eu sou Honório.

- Não vai me dizer que ela viajou para
tratamento médico?

- Honório do que? - Perguntou Seu Ho-

- Asma.

nório.
- Mas quem foi tratar da asma foi a mi-Honório Junqueira.

nha- esbravejou Seu Honório de tal

-Mas o que está acontecendo? Você

forma que na rua não ficou mais nin-

entrou aqui sem ser convidado, fica

guém e a boataria pegou carona no

escondido que eu não te vejo com os

vento e subiu cidade afora.

olhos, usa meu nome e ainda quer o

- A asma é democrática, não pertence

nome da minha família?

a uma pessoa só. respondeu a voz

- Tudo isso que você falou é meu, não

mantendo a serenidade.

seu- respondeu o outro Honório.

- Mas aqui nessa casa só uma pessoa

-Olha aqui seu atrevido. Cai fora logo

tem asma e é uma mulher e essa mu-

que eu estou esperando minha esposa

lher é minha.

e não quero ninguém para estragar

- Mas se a casa é minha por que sua

minha satisfação.

mulher viria ter asma na minha casa?

Do lado de fora, os músicos e os mais chega-

-Olha aqui - falou Seu Honório tentan-

dos viam apenas o Seu Honório falar sozi-

do se acalmar - A asma é da minha

nho, gesticulando e esbravejando sabe-se lá

mulher, a mulher é minha, a casa é

com quem. O certo é que já começavam a

minha e faça-me um favor, ou você vai

ficar com medo, pois na cidade não havia um

embora ou me arranja uma idéia que

único vivo que não achava que na casa tinha

me explique o que está acontecendo.

uns que eram mortos.
- Só pode ser uma coisa.
- Você que vá esperar em outra para-

Os dois falaram juntos:

da, pois aqui é o meu lugar de espera
e a recepção hoje quem vai fazer sou

-Estamos falando da mesma mulher.

eu. - falou aquela voz que parecia tão

- O nome da minha é Cota.

doméstica.

-O sobrenome da minha é Junqueira.

- Quem você está esperando?- questionou Seu Honório -.

- Mas esse é o sobrenome da minha
Cota.

- E você, a quem está esperando?

(Segue)

- Minha esposa, que há muito tempo
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

- E Cota é o primeiro nome da minha Jun-

-Se tivesse você sob meus olhos já

queira.

tinha te matado- Respondeu Seu Honório-.

- Então nós dois estamos casados
com a mesma mulher há mais de trinta anos?

- Mas eu estou te vendo.
- Isso só pode ser uma coisa.

-É desajuizado. Se fosse uma amante
ainda vá lá. Mas ela viveu comigo co-

-Exatamente, então eu devo ser sua
alma.

mo esposa.
-E eu o seu corpo. Bem, isso resolve o
- E comigo também.

nosso problema.

- Mas como pode, enganar a dois ho-

- A Cotinha não me traiu. Ela é minha.

mens durante mais de trinta anos?
- De jeito nenhum. É a alma que man- E embaixo do mesmo teto?

da no corpo, portanto a Cotinha é mi-

Seu Honório fez uma longa pausa e de súbito resolveu olhar pela janela. Virou-se para
os dois lados da rua e não viu mais ninguém,
nem mesmo os músicos. Como se tivesse

nha.
- Eu sou corpo, é minha.
-Ela é da alma.

achado o acontecido voltou-se para o seu
interlocutor invisível:

Os dois continuaram naquela discussão e

-Descoberto. Você é um fantasma.

nem perceberam que Dona Cota Junqueira

Não sobrou ninguém na rua, nada, só

havia chegado e ao ver que seu marido grita-

as moscas e uma cadela vira-lata. En-

va com alguém que ela não podia ver e dava

tão só pode ser isso, Fantasma. Você

socos no ar tentando atingir o invisível, saiu

é um fantasma.

correndo e foi se juntar aos outros habitantes

-Fantasma eu não sou, pois ainda não
morri. Vai lá no cemitério e procura o

que estavam todos na igreja rezando pelas
almas.

túmulo de Honório Junqueira.
- Eu sei que com esse nome eu não
vou encontrar.
- Claro, e é porque eu ainda não morri.
-Não, não é por isso. É porque Honório
Junqueira sou eu.
-Como pode ser você se sou eu?
-Espera- falou o invisível- Você pode
me ver?
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Anemias no hospital

Ateia

Apeando da besta
Apoiando o corpo

Por José Hilton Rosa

Azeite na salada
Avisando o atraso
Apito no transito

Apeando do lombo

Autos velozes

Aliviando o peso

Autoridade na voz

Altas horas
Amigo do tempo

Alheio ao amor

A luz de uma rua deserta
Ancião pelo tempo

Atroz é o veneno

Aflito para o amor

Aviso de mãe

Áurea feliz
Azul é a cor

Aleluia enfim

Atraso na viagem
Álibi de choro

Alvejando a lavagem da roupa

Alvéolos em chamas

Aleijando o português

Aliviados após o sono
Antenados na corte
Afilhados de batismos
Amebas abatidas
Aveias no alimento
Atinados na hora
Anciões pela religião
Ametistas no canto
Avenidas tomadas
Anistia aos veteranos
Avencas plantadas
Amenidades faladas
Ameixa no sorvete
Aviltados na sorte

Arte by kumi-yamashita

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

BOLO DE BANANA
Ingredientes
2 xícaras de farinha de trigo
1 1/2 xícara de açúcar
1 colher de (sopa) cheia de fermento em pó
1/2 xícara de óleo
1 colher de sopa de creme vegetal
3/4 xícara de leite de soja
4 bananas picadas em pedaços pequenos
1 colher (sopa) de canela em pó
Modo de Preparo
Misture a farinha, o açúcar e o fermento com o auxílio de um batedor
de mão. Acrescente o óleo, o creme vegetal, o leite de soja e a canela,
misture até formar uma massa e adicione as bananas picadas. Unte
uma forma com furo no meio – para assar melhor todo ele – e leve para
assar em forno pré-aquecido em temperatura média por cerca de 40 minutos.
Fonte: https://reinovegetal.wordpress.com/

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

A enchente
Por Mariane Eggert de Figueiredo

O rio encheu tanto
Que aos prantos sorveu toda a localidade
Bicho, casa, gente
A enchente, sem piedade
com bruta voracidade o mundo engoliu
Depois, como se o rio
Num fastio ou indigestão
Deixou rastro, arrepio, destruição.
Mas... que sorte: sem morte!

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

SONETO À MULHER À ESPERA DE UM POETA

Por Mário Rezende

Um poeta vai te encontrar, é certo,
para descrever teus belos traços.
Para te olhar bem de perto
e para te aconchegar nos seus braços
Um poeta vai te encontrar, enfim,
para sublimar as tuas linhas.
Um amante tão bom assim
também nessa arte, além das letrinhas.
Do poeta fantasiado de homem bonito
vais guardar como uma bela recordação
o que sobre sua amada deixar escrito.
Não demora ele vai chegar,
e da maneira que tu estás desejando
ele vai para sempre te amar.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Magia de amor
Por Maurício Duarte

Por tanto amor ter,
acabei me envolvendo
no manto do querer.
Mas nos trouxe separação,
nada, assim, resolvendo...

Portanto, amor ter
disso, de estar junto,
todo amor deve ter,
mas não venha dizer
que isso é ir fundo...

Por tanto amor ter
colocado naquele nosso;
esqueci de entardecer
por nós e deixar para ti,
um amanhecer colosso...

Portanto amor, ter
querer não é garantia
de continuar a ser,
nem de estar amando.
E menos ainda de magia...

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Mar de Gude
Por Oliveira Caruso

Fito a Baía de Guanabara e, em meu trajeto, vem-me uma lembrança ditosa dos já distantes tempos de infância. O jogo de bolas de gude no chão jamais me
atiçou a sede de vitórias ou a vontade de participar da emoção despertada em meus
também jovens colegas.
Preferia colecioná-las e, não raro, procurava olhar através das mesmas, na
esperança de enxergar o outro lado exterior a seu colorido. A água, tal qual o cristal,
pode oferecer transparência ou translucidez. Isto depende de fatores diversos, como
sua limpidez. Então, lembrando-me de quando mirava os olhos contra a parte cristalina da bola azul, tenho agora a impressão de que a Baía parece uma delas.
É como se a paisagem exótica daquela linda bolinha tivesse ganho vida.
Águas passam a pegar carona nas rasas brisas e nuvens, nas altas; embarcações e
naves penetram no cenário; uma ponte gigante espreguiça-se, de forma a dar passagem a automóveis. Teria minha bola azul, num de meus lançamentos, se afastado e
ganho realmente vida após tanto quicar? Teria, com a força do arremesso, colidido
contra o chão e como numa explosão, liberado tal cenário dentre seus cacos? Não,
sou ínfima criatura tentando seguir a serviço do criador.
Ademais, bolas azuis de gude – como várias de outras cores – normalmente também se dotam de uma parte branca, a lembrar espessas nuvens que
“escondem” o sol em dias nublados. Aliás, o próprio céu se recobre sempre de um
azul em tonalidade mais clara. Desta forma, juntando-se a imaginação descrita, podese segurar uma bola azul de gude com os dedos polegar e indicador, de modo a manter-se o azul escuro da mesma para baixo e o branco no topo. Assim feito, aptos estão os que, tipo eu, consideram-se amantes do clima nublado, a sonhar com o controle da natureza de um modo mais puro, diferente do que o homem já faz há muito.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

REVISTA VARAL DO BRASIL
Por Silvio Parise
Realmente reconheço
Esse ser um excelente canal devido a
Visão que tem, tornando-a verdadeiramente
Imortal. Por isso,
Satisfeito estou e
Também, realmente agradecido
Aliás, poucas são as revistas que
Verdadeiramente oferecem
Assuntos que às vezes
Realmente me entusiasmam
Assim como me deixam
Livre para escrever
Demonstrando ser democrática e,
Obviamente sem frescura, é claro.
Brava, sábia e competente, daí,
Rapidamente estar crescendo
Apesar da grande concorrência que,
Sinceramente, sei que não lhe assusta, por seres
Independente em todos os sentidos... E,
Livre! Por isso estás agora celebrando seis anos de muita luta.
Parabéns Varal do Brasil e obrigado.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O Canto do Sabiá
Por Sonia Nogueira
Todos os dias, um sabiá se posta na antena, no telhado da minha casa, e
canta. Às vezes, ele canta só, um canto triste, como se chamasse sua parceira para
acompanhá-lo no trinar da alvorada. Acorda as pessoas para apreciar as belezas da
vida, a natureza respirando o ar, mesmo poluído, agradecer por mais uma noite,
que se finge de quieta, e um dia disfarçado de felicidade. Outras veze,s seu cantar é
vibrante, sua parceira responde da outra antena com uma voz de paixão, com certeza, pela companhia do aconchego do ninho sobre a testemunha do luar.
É como se eles estivessem me chamando. Acorda poetisa o dia já rompeu as
trevas, respira fundo, espreguiça-te longamente para soltar as articulações. Olha a
claridade com outro olhar, não o de ontem, mas o de hoje, com toda a intensidade,
pois ele passa rápido e amanhã, já é outro dia, e nunca sabemos dos seus segredos. Faz um poema para mim, para que o dia siga encoberto de paz e os sonhos
permaneçam de pé, a esperança não acabe ao dobrar a esquina.
Bom dia sabiá amado
Teu canto me acordou
És meu ídolo esperado
Com teu canto de amor.
Pudera eu ser alado
Voar neste espaço céu
Gritar ao mundo um fado
De amor real, sem o véu,
Que cobre a face triste
Do que sem teto vive
No respingo o despiste
Como tu que voa livre.
Seu canto é música mil
Ao lado doutro cantar
Esta dupla faz do Brasil
Terra de música, o sambar.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O que sei sobre mim?
Por Terezinha Guimarães
Eu durmo, acordo, canto, choro, sorrio, cozinho, limpo, lavo, passo, estudo,
ensino... coisas rotineiras que soam tão fáceis. Para as pessoas que não
compreendem as dimensões do cuidado de uma casa e de uma a família,
parece básico demais, e olha que eu nem falei das obrigações: ser filha, esposa e mãe, ainda tem as contribuições sociais e religiosa. Ah, já estava
esquecendo, trabalho em uma empresa oito horas por dia, gasto trinta minutos para chegar ao trabalho e mais trinta para voltar. Mas, tudo isso parece simples demais. Nesta manhã de sábado após as compras na feira, abri
a geladeira e vi que precisava de uma limpeza geral e aproveitei para guardar os alimentos. Andando de um lado para outro, em um certo momento
parei em frente da televisão para assistir o noticiário, algo que me chamou
atenção, o apresentador falava dos índices da economia do país e acabei
atrasando o almoço. Meu companheiro muito simpático, reclamou, disse
que não sabia o que eu estava fazendo, e porque as coisas não andavam
em ritmo mais acelerado, a organização da casa, servir o café da manhã as
sete horas, almoço as doze..., que eu era muito lenta e desinteressada por
aquilo que era comum e importante para nós, o Bem Estar da família, era
preciso ser mais audaciosa e determinada, fazer com que as coisas andassem mais rápido, pois qualquer atraso prejudicaria sua rotina diária. Por razões óbvias, justificava meu amado, a paixão pelo futebol, torcedor fervoroso, o jogo acontecerá logo mais tarde. Olhei para ele e pensei. É fácil ser
mulher para quem não sabe o que é uma mulher e continuei varrendo a casa. O meu interior queria matá-lo. Mas, nada falei, porque ainda é muito
pouco o que eu sei sobre mim.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Uma dor me morde os dentes
Dedico os desassossego aos mortos dentre
As pedras de elástico da
Construção precária
Dói-me o povo que passa
Dói-me a ditadura do bom-senso
Sinto durar plástico dentro da minha boca
: goma de mascar que
É máscara

Por Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo

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Pescador
Por Alessandro Borges
Para ele, o rio possui segredos e vontades.
Suprem forças emissoras das centelhas da vida
O sustento e alento para todas as suas necessidades
A esperança se renovando a cada partida.

Tudo em seu redor é solene incentivo
As suas águas são essência viva e ardente,
da substância divina alimentando a beleza dos campos
Recordando os recantos mais harmoniosos e escolhidos
Imbuídos de cores, perfumes e encantos.

Por entre hinos de alegria e doçura
Nasce, renasce, esmorece num canto impoluto.
A verde alma da terra suavemente se mistura
Sob o vento veloz ao pulso bruto.

Abrindo-se em mil braços ao clarão da aurora
Sereno, calmo, e frio, em fases diferentes...
Entrega-se plácido e repetente
Aquele que às suas águas, reverente explora.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Caminhante
Por Nana Abud

Nos enfeites do firmamento,
meus olhos param,
por um momento,
e cerram-se, sem ver nada,
pois minh'alma
e meus pensamentos,
são cativos do pó da estrada.

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PRIMEIROS LUGARES
CONTOS - ROSSANA AICARDI CAPRIO
CRÔNICAS - MARIA LUÍZA VARGAS RAMOS
POESIAS - SONIA CINTRA
TEXTOS INFANTIS - MARIA LUÍZA VARGAS RAMOS

MENÇÕES HONROSAS

MARIA DELBONI

(Sem classificação por gênero

JEREMIAS FRANCIS TORRES

literário e

MARIA EMILIA ALGEBAILE

sem ordem alfabética)

NILZA AMARAL

YARA DARIN

ROGÉRIO ARAÚJO (ROFA)

AGLÉ TORRES

NELCI BACK OLIVEIRA

BLENDA BORTOLINI

SIMONE PESSOA

MARIA LÚCIA DE G. PEREIRA

DIULINDA GARCIA

ROZELENE FURTADO DE LIMA

EMÉRITA ANDRADE

CLÁUDIA CARVALHO

LÚCIA HELENA DOS SANTOS

IZABELLA PAVESI

SILVIO PARISE

MARILU F. QUEIRÓZ

CARMEN LÚCIA HUSSEIN

CHAJA FREIDA FINKELSZTAIN

DEBORA PETRIN

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PELO CORREDOR DA PALAVRA

Não me arrependia de ter entregue a minha
criança ao mundo. Eu e a antiga vivência esquecidos. Superados. Ela vivia!
A solidão triste da estátua-menino, viva,
arranca o grito:

Por Aglaé Torres

- Vem! Vem!

Eu fui incumbido de dar-lhe vida. Arrancar da Casa-Mente.
Pelo corredor-palavra lançar à RuaMundo. Uma criança. Pálida, franzina, de
pernas longas e calças curtas. Um menino de
olhos tristes-grandes e cabelos negros cobrindo de leve a testa. Criando-a, amei-a. E
de tanto amar precisava, sofrendo, desarraigá-la de mim, obrigando-a à vida. Não a devia poupar, eximindo-a deste conhecimentoexperiência. Parte de mim. Inseparável. Ostra assustava-me à ameaça do grão de areia
que, com certeza sabia, originaria a pérola.
Era preciso arrancar a pérola de sua concha
acomodada e aconchegante. Desvendá-la ao
mundo.
Eu, criador, imperceptível no momento
exato em que a empurrasse pelo corredor.
Observava-a. Tateava no corredor tentando
tocar. Presença pré-sentida. A porta da Casa
-Mente fechada. Sem volta. Atrás dela... Nãoespaço. Não-tempo. Sonho. Fantasia. Agora
Intransponível.
Diante da resistência desesperante ansiando captar a sombra salvadora, pergunto:
“Vale a pena forçá-la à vida?”
Um empurrão violento. Ao fim do corredor, o portão abre-se. Rua-Mundo.

Carregado pelo vento, transpõe a rua
movimentada. Sinais insistentes. Porta escancarada. Uma Mulher... Os pés descalços
atravessam a rua que trepida no mesmo ritmo do coração. Acelerado. Avança pela porta. Os braços alvos cruzam-se nas suas costas, abraçando-o. Um calor estranho, nunca
experimentado, percorre todo o corpo. Extasiado tem a percepção do sentir. Sensibilidade nova. Olhando, alcança os pés descalços.
Vergonha. Desprende-se do corpo envolvente. Mãos mornas acolhem dedos frios e trêmulos e conduzem o menino ao quarto que
há tanto o esperava.
Foi-se amoldando. Aprendera a Sorrir.
Cantar. Falar. A descobrir o prazer. O tempo
alcança rápido a maioridade. A vontade de
atravessar aquela Rua enorme, de volta,
apossa-se dele. Não dá mais para retornar!
Precisa partir. De novo. Obriga-se a percorrer
a Rua sem fim à frente. Da esquerda para a
direita. Sempre pela calçada do tempo. Caminhando a vida.
Perdi o controle sobre o menino que criei. Ele não mais me pertence. Entreguei-o ao
mundo. Pela palavra.

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

Imóvel, não ousa dar um passo. Desconhecido. Iluminação ofuscante. Carros, muitos carros. Luzes. Som. Vozes gritantes.
Atordoa-se. Assusta-se. Ensaia um olhar.
Tenta. A vida amedronta, convida, paralisa,
impele. O frio interior e o exterior fundem-se.
Impossível! O olhar percorre a rua sem fim,
da esquerda para a direita. Em pé, na calçada do tempo. Uma casa distrai o medo. Festa. Um dia especial. Uma senhora, sorrindo,
dentre as pessoas na varanda. Seu olhar
transpõe a janela: “Figura estranha! A criança
à beira da rua. Estrangeira?” Neo-chegada.
A imagem do criador diluiu-se no desconhecido. Precipitada ao esquecimento.
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Amor Com as Entranhas

nos, uma estranha qualidade, um refinamento, muito distante dos animais, muito distante

Por Cláudia Carvalho

dos Neandertais”.
Queria vivenciar o amor profundo,

Lento, devagar, lento, devagar.
Mais um suspiro, mais um estremecimento na pele e me desvencilhei de
seus braços, joguei todo meu corpo na cama. Senti que ele também jazia inerte, respiração alterada, olhos fixos no teto, molhado
de suor. Virei minha cabeça para o lado e

relevante, para poder escrevê-lo com propriedade. Mas naquele momento eu não deveria pensar, não deveria falar, apenas o silencio manteria os significados e conteria aquela força. Porém, os pensamentos traem e as
palavras teimam em entrar onde não deveriam! Não caberiam! Estragariam!

nos olhamos ao mesmo tempo, nos demos
as mãos.

Acredito que ele tenha pensado a
mesma coisa porque nos olhamos mais uma

Logo a janela de treliça á frente
nos chamou atenção. Era um belo final de
tarde e, de onde estávamos, no segundo andar do chalé de madeira as arvores agitavam

vez ao mesmo tempo, ele apertou a minha
mão. Foi o único gesto possível diante daquele mundo que já não era mais o mesmo,
diante da experiência que transforma.

-se autônomas. Eram grandes cajueiros e
farfalhavam diferentes. Talvez a musica do
Philip Glass que ele colocara especialmente

Eu era o amor, ele era o amor, o
corpo continuava inerte, a alma continuava
exultante.

para tocar, um piano transcendental, os fizessem diferentes, nos fazia diferentes.
Eu gostaria de guardar aquele ins-

Havia a música, havia a brisa que
refresca, e que naturalmente leva tudo consigo.

tante nunca vivido antes: um amor feito com

Havia o medo da dor à espreita...

as entranhas, místico, espiritual, um estado

OS HOMENS QUANDO PARTEM

alterado de consciência onde o corpo tam-

DEIXAM SUAS MÚSICAS

bém participava por inteiro.
Pensei: “Assim fazem amor os humanos. Humanos fazendo amor como huma-

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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O rufar das entranhas da
Terra
Por Izabella Pavesi

Um tamborete soava inquieto na tarde
de sábado nalgum lugar das redondezas. No
horizonte um prenúncio de tempestade. Fevereiro, proximidades do carnaval.
O dia escureceu. Um horizonte assustador. O ronco dos trovões cortando os céus
enegrecidos pontuava a cadência. O compassado rufar das entranhas da Terra, mesclavase aos acordes do tamborete no movimento
das mãos do sambista. O som se agitava... e
diminuía num ritmo estimulante. Um belo contraste!... Foi-se achegando um vapor quente,
escaldante!... penetrando poros e frestas.
Que verão tórrido! Eu suava em bicas,
empapada minha roupa grudava na pele. O
calor chegara aos 40 graus pelo meio-dia e foi
se infiltrando pela atmosfera, esquentando a
crosta terrestre e se aglutinando nas nuvens
formadas no firmamento. Imaginem... nuvens
prateleiras na abóbada acima de nossas casas. Esses graus acima da média iam derretendo cremes, mantimentos, folhagens,... como se as partículas se soltassem de uma chapa quente. Lembrei das enchentes que assolaram muitas vezes a casa dos meus pais em
Blumenau, vinham arrastando tudo.

jorro d’água descendo da calha do telhado
gorgolejava jocoso. Aí ouviu-se: crrreeeccrcrcrcc... e a calha cedeu... caiu pelo chão
retorcida. Nossa!... um desmesurado caos!
O sono veio acalentar-me. Apaguei as
velas (solidárias!) e aconcheguei-me às almofadas. A energia elétrica nos postes e nas
casas só retornou pela madrugada, após idas
e vindas dos técnicos de plantão.
Os desmandos dos seres humanos,
que não estão dispostos a cuidar desse planeta, está vindo à tona a cada dia que passa. Os
habitantes desse lindo lugar ainda não se deram conta dos descalabros que agridem nosso planeta, da efervescente ebulição que se
esconde no interior da Terra. É hora de nos
conscientizarmos de que está em nossas
mãos a solução pra esses desvarios!... O contorno dos lagos se modifica a cada dia, perdendo seu precioso líquido pra uma multidão
desperdiçante. Baleias estão morrendo com a
ingestão de porcarias depositadas no mar pelos homens. Incidentes dramáticos repetitivos
acabarão impedindo a nossa vida no Planeta
Terra! Salvemos nossas vidas!... Ainda é tempo!

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

Os raios em ebulição entre o norte e o
sul do firmamento explodiram!... Atingiram
uma árvore lá longe, e depois de seguidas
descargas, um deles golpeou estrondoso o
transformador nas redondezas da minha
rua,... e buum!... aniquilou a energia elétrica
da praia do Sonho. Nosso bairro ficou às escuras... cãozinhos choramingavam assustados.
Acendi umas velas. As chamas acesas
projetavam labaredas pela sala escura. E aí
ele voltou... o som do tamborete suave cadenciado num harmonioso repicar, seu toque enternecedor contrastando com o negrume das
prateleiras em penca no firmamento, que iniciaram a cair numa grossa chuva... ameaçadora!... Desceu, então, a borrasca! Quanta água,
quanta chuva!... Os raios continuavam a explodir. A terra agonizante mostrava enraivecida todo o seu furor. Nos fundos da casa, um
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AMOR ATEMPORAL
Por Maria Luíza Vargas Ramos
Era uma vez uma menina que queria ser bailarina, como no poema da Cecília
Meirelles. Queria ser artista de circo também,
provavelmente contorcionista. Ah, e ter um
cavalo, andar de gôndola, conhecer o mundo,
encontrar um príncipe encantado, desde que
não fosse preciso beijar o sapo antes.
Casa cheia de espelhos, logo descobriu que aquela beleza toda que lhe atribuíam aparecia só nos olhos (certamente cansados) da avó e na bondade da mãe. Outrossim, sua inquietude e curiosidade constantes
faziam com que tivesse pernas fortes, que as
sapatilhas ajudavam a tornear. Não era, portanto, um caso perdido; nem seria impossível
conquistar o coração de um príncipe de módico reino, desde que fosse bonito de doer, porque disso ela não abria mão.
Assim como no conto do Patinho
Feio, eis que, num repente, nossa patinha
quase feia se descobre de fina estampa,
cheia de assovios pelas ruas, rebolando o
que a mãe África lhe enviara através de algum escravo safado, lá no tempo das suas
bisavós.
E barbarizou, é claro! Fez striptease, top less, tudo quanto era proibido e desaconselhável para moçoilas casadoiras. Nas
boates se exibia diante dos espelhos de dar
inveja às profissionais da coisa. Nas praias
fazia caras e bocas, empinando o bumbum e
enlouquecendo seu eventual acompanhante,
que já se dispunha a andar armado por conta
da namorada. Nos motéis chegava a esquecer do parceiro de tanto se admirar no espelho do teto. Tava bonita a frangota!
Como diria o bom Nelson
(Rodrigues, é claro), era a legítima “namorada
lésbica de si mesma”.
Ninguém sobrevive de se olhar no
espelho, portanto, ela foi à luta e se transformou numa mulher dinâmica, vaidosa, antenada, que forçava os olhos para ler sem óculos
a fim de desfrutar da liberdade dos olhos nus.
Deu conta de tudo o que a vida lhe
ofereceu e lhe cobrou direitinho, numa eficiência até para ela própria desconhecida. Chegou a ter três empregos ao mesmo tempo,
sem deixar de dançar e de se olhar no espelho.
Um dia, sem aviso prévio, chegou a

aposentadoria e a menopausa. Pacote duplo,
completo, com tudo o que cada um deles significa e traz embutido. E o tempo sobrou.
Tempo para pensar e fazer balanços difíceis,
com direito a alguns arrependimentos, porque
só os inconsequentes erram e dizem que fariam tudo igual. E isso ela não era.
Trocou os espelhos pelos livros,
que sempre estiveram quase empatados, promovendo uma verdadeira fuga através da leitura, agora com o auxílio de óculos bem graduados.
Num desses momentos, o livro que
lia “criou barriga”, ficou chato e ela, ainda de
óculos, inicia um auto-exame ali mesmo, estendida no sofá da sala de estar. Primeiro dos
pés (como enfearam!), depois das pernas (de
onde surgiram esses vasinhos azuis?), das
mãos, que sempre foram lindas, elogiadas e
agora com a pele sem viço, encrespada e
com manchas de sol.
Num ímpeto, levanta do sofá e corre para se ver no espelho do banheiro, desesperando-se com a pele esquisita, de poros
dilatados, tão diferente daquela que normalmente o espelho lhe devolve, maquilada e
sem óculos.
Conclui, com uma ponta grande de
tristeza, que a natureza é sábia e que nos diminui a visão na medida em que aumenta a
decrepitude do corpo.
- Hora de cuidar do interior! diz para
si mesma. Revigorar os valores, abandonar
os vícios, aumentar a religiosidade, fazer trabalhos voluntários, crescer como pessoa.
De repente, eis que surge um sorriso brejeiro no espelho, que a ilumina e acende o brilho no olhar. Ainda bem!
Corre ao telefone:
- Nelson? É, sou eu. Não morri não
e estou louca pra te ver! No mesmo lugar?
Ele também envelhecera. E muito.
Mas, quando sorria, mostrava aquele outro,
antigo, escondido dentro dele.
- Tira os óculos! Aqui não vamos
precisar deles. Deixa que nossos sentidos
aflorem, sem serem ofuscados por uma visão
artificial.
E ela voltou a dançar, rindo alto,
abraçada a seu príncipe encantado.

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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O GATO GERALDO
Por Marilu F Queiroz
Minha família, o gato Geraldo e eu morávamos no bairro da Bela Vista, na cidade
de São Paulo. Vizinho de casa havia o açougue do Seu Matias, português simpático, forte e muito sorridente que gostava de cantar
Fígaro ao som das batidas das enormes peças de carne no balcão de madeira ensanguentado. Terças e quintas era um desfile de
quartos bovinos pelo açougue adentro. Três
homens de branco transportavam sobre os
ombros sujos de um vermelho encardido,
aquilo que para o gato Geraldo era a maravilha de seus dias felinos. Como num ritual ele
se punha no peitoral da janela da sala a espreitar aquele espetáculo.
Altivo como ele só, mais parecia um bichinho de lã. Seus pelos com rajas brancas e
amarelas terminavam com um arremate negro nas extremidades, orelhas, patas e rabo.
Sua cara sempre limpinha e fofa com pelos
amarelados em toda a volta pareciam querer
proteger seus grandes e brilhantes olhos rodeados de pelos pretos que mais lembravam
uma máscara.
De olhos arregalados, a língua lambendo os beiços de quando em quando, seu
miado ressoava mais apagado por causa da
saliva que teimava em encher-lhe a boca,
pregando a cada lambida. Que sofrimento
para esse pobre gato. Seu estômago roncava
tão alto que se confundia com a voz de Seu
Matias cantando ópera, enquanto cortava as
carnes fazendo uma orquestra com os mais
variados sons vindos da rua. O que se passava na cabeça de Geraldo, ninguém sabia,
tal era a vontade de abocanhar aquela iguaria.
Tudo caminhava igual até que num
sábado tivemos de viajar para a casa de minha avó e não pudemos levar o gato deixando-o com ração de almoço e jantar. Era tarde
da noite quando retornamos para casa e não
encontramos Geraldo em canto algum. Por
certo ele estaria namorando nas proximidades, então não nos preocupamos pois ele
sempre ia se encontrar com uma gatinha que
morava na vizinhança. No dia seguinte de
manhã, Geraldo não veio tomar o seu leite
nem mesmo na hora do almoço. Muito estranho tudo isso. A preocupação foi tomando
conta da gente. Estranhos pensamentos me
passavam pela cabeça. A sensação que eu

tinha era de que Geraldo conseguira entrar
no açougue e fizera a festa. Mas se fosse isso com certeza Seu Matias já teria vindo reclamar. Mais estranho ainda foi o fato do
açougue não abrir as portas de manhã, como
sempre.
Na segunda feira ao ver o açougue
fechado ficamos sabendo do acontecido. A
tarde quando tivemos notícias, todos falavam
da coragem do nosso amiguinho e de suas
façanhas. Seu Matias não abrira o açougue
porque estava com Geraldo na clínica veterinária. Assustada corri até o local e vi o gato
deitado na mesa de cirurgia sendo atendido.
Então soube da história toda. Geraldo como
sempre ouviu a cantoria do açougueiro e estranhou quando Seu Matias não cantou o Fígaro todo. Ao perceber que alguma coisa
quebrara a rotina de tanto tempo, curioso como só um gato pode ser, resolveu espreitar o
que achara tão diferente de todos os dias.
Silencioso como se flutuasse no ar, tomou
ares de detetive e assustado percebeu que
haviam ladrões armados no recinto. Seus pelos arrepiaram-se costa abaixo numa reação
ao perigo, suas pupilas mais brilhantes pareciam dois faróis iluminando a escuridão que
tomara conta do local. O gato bravamente
defendera o açougue no verdadeiro sentido
da frase “com unhas e dentes”.
De modo algum ele deixaria o paraíso
dos seus sonhos diários ser assaltado, ora
essa! Corajoso como ele só, afugentou os
ladrões que correram apavorados e todo arranhados, sem saber direito o que acontecera. Esse ato de coragem quase lhe custou a
vida ou mais especificamente uma de suas
sete vidas. Ficou ali deitado sem conseguir
se levantar, tamanha fraqueza e indisposição, até que o dono do açougue foi socorrêlo. Seu Matias ao encontrar Geraldo desacordado e ferido percebeu que o pobre gato impedira bravamente o assalto. Bondoso como
era e agradecido pegou o gato e levou-o ao
veterinário.
Depois de alguns dias Geraldo estava
recuperado e cheio de si. Seus hábitos não
mudaram, ficava na janela esperando o desfile dos homens de branco com as carnes que
adentravam o açougue. Só que com uma diferença: agora depois do maravilhoso espetáculo e da cantoria toda do Seu Matias, ele
sabia que ganharia um prato cheinho de suculentos pedaços de carne bem macia e
cheirosa, como só ele gostava.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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PRIMEIRO LUGAR
Categoria CONTOS
III PRÊMIO VARAL
DO BRASIL DE
LITERATURA
Melodia de Fadas
Por Rossana Aicardi Caprio
Foi uma festa tão bonita, Papai. Obrigada!
Levanta-te para que eu te dê um abraço.
Aquilo das fadas foi algo magnífico. O pó luminoso, a lua enorme, as estrelinhas caindo
sobre o lago, e tu cantando aquela melodia
que parecia chegar desde um remotíssimo
passado.
É tão formosa esta canção com que me ninavas quando era pequena, se parece muito
aos salmos entoados nas igrejas; às vezes
até acredito que é uma espécie de canto gregoriano, quase tão antigo quanto o tempo.
És muito sábio, sabes? Os anos nunca te afetaram, pelo contrário, firmaram teu conhecimento. E é tanto o que sabes! Como fizeste
para aprender tanto assim, se não existia internet? Como podes cantar desta maneira se
não assistias ao Youtube? Não és da época
dos hebreus e cristãos, és meu pai, não foste
a um convento de monges, não aprendeste
canto, que mistério tua sapiência. Mamãe
sempre dizia que eras alguém muito especial.
Claro, as enciclopédias herdadas de geração
em geração faziam sua parte, não é verdade?
E o costume de aproximar-se de uma estante
de livros e ler, ler muito. Aproveitavam-se os
aniversários para obsequiar um bom livro, a
família se juntava para comprar atlas ilustrados, completos, que serviam por toda a vida!
Guardavam-se os livros do liceu, os quais
eram sempre consultados, além de serem
emprestados aos que nos precediam. E eles
(sem dúvida era outra época) os devolviam
ao finalizar o ano.
Como tudo mudou em tão pouco tempo, não?

Porém, voltando ao melhor da festa, te digo
que jamais esquecerei o presente que, escondido entre as glicínias do parque, esperava que eu o descobrisse sozinha. Aquele cavalo de balanço era tão formoso, imenso, enquanto que eu era tão pequena. Recordo os
alforjes vermelhos que se destacavam sobre
o pelo marrom brilhante; sentia-me tão importante quando subia nele. Desde esse dia, me
balançava todo o tempo e me custava crer
que tinha tanta sorte em ter tão maravilhoso
presente. De minhas amigas, eu era a única,
e apesar de quanto eu o queria e cuidava,
sempre que brincávamos, eu o emprestava
sem problema. Elas me emprestavam suas
bonecas e eu me divertia; uma delas até dava
alguns passos sozinha.
Nunca fiquei sabendo como conseguiste que
o pó que a brisa trouxe, iluminasse aquela
noite mágica. Certamente te fizeste cúmplice
da lua, que nesse dia brilhava como nunca no
céu límpido e cheio de estrelas.
Quanto trabalhaste para me fazer essa surpresa.
Mamãe e suas irmãs passeando entre as árvores ao longe, descalças, com seus vestidos
longos e de cauda, seus diademas de flores e
os cabelos trançados. Eram Fadas! Somente
depois de grande me dei conta que haviam
sido elas.
As velas diminutas dentro das lanternas de
cristal, que desde o outro lado do lago refletiam-se na água quieta como espelho, fizeram
parecer realmente, que caiam estrelinhas do
céu.
Que idade eu tinha? Quatro, cinco anos, não
chegara ainda aos seis, e sempre me recordo
do quanto estava feliz. Obrigada, Papai! Levanta-te para que eu te dê um abraço.
Já se escutam os gonzos do velho portão, a
tarde cai apressada, estão fechando e devo
ir-me.
Com certeza as Fadas da noite estão chegando.
Amanhã eu volto. Dá-me um abraço! As rosas, de tão frescas ainda estão fechadas, e
exalam tanto e tão bem, que perfumam todo
o recinto.
Não quero que fiques às escuras, hoje não há
lua.
A vela da lanterna de cristal, na noite mágica
do lago, te lembras?
Eu já a acendi.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Desse Cabra Eu Me Orgulho

Logo vieram os filhos, no total cinco. Bernardo, já instalado em seu próprio negócio, como

Por Yara Darin

fabricante de sapatos, vendia para toda a Alta
Paulista. Comunicava-se bem e vivia pronto

Ele veio lá do interior das Alagoas. Cabra ma-

para ajudar qualquer necessitado que encon-

cho, sim senhor! E era mesmo. Andava sem-

trava pelo caminho. Daí para entrar na política

pre com uma peixeira na cintura. “Se mexer

foi um pulo.

comigo leva!", dizia. Felizmente, nunca che-

Candidatou-se e ganhou seu primeiro manda-

gou a precisar dessa violência, mas acho que

to como vereador. Era eloquente e arrojado

matou muita cobra! Adorava pescar e andar

na defesa dos mais necessitados. Essa era a

pelos matos!

sua luta, a sua vida e a ela se dedicou de cor-

Tinha seu chapéu de couro, sim, sempre pen-

po e alma. Fez vários projetos beneficiando

durado atrás da porta da sala, com aquele or-

grande parte da população mariliense. Um

gulho de todo bom nordestino. Bernardo saiu

salto para conquistar seu segundo mandato.

da sua cidade natal, Viçosa, para “tentar a

Assim como cativou a amizade e o prestígio

sorte” no interior de São Paulo, montado nu-

de muitos, também ganhou inimigos. Mas na-

ma carroceria de caminhão, depois de viagem

da disso impediu que Bernardo ganhasse, nos

de navio até Santos. Foram longos e sofridos

idos de 1960, o título de “melhor vereador do

dias até São Paulo e, depois, Marília.

Estado de São Paulo”, em iniciativa do jornal

As notícias à época diziam que a cidade de

Correio Paulistano. O prêmio foi recebido com

Marília prosperava em terras ricas de café e

honras e aplausos das mãos do presidente da

algodão. E foi nesta cidade que Bernardo se

Câmara e demais vereadores, mas Bernardo

instalou a convite do irmão Odilon que, im-

fez questão de dividi-lo com a população, que

pressionado com o progresso, mandou chamá

o chamava de “Vereador do Povo”.

-lo.

Sentindo sua ascendência e a necessidade de

Tinha como ofício sapateiro, não sabia fazer

mais dedicação ao trabalho, candidatou-se a

outra coisa. E assim começou sua vida por lá.

prefeito de Marília. Mas o tempo já não mais

Seu primeiro e único emprego foi numa sapa-

favorecia seus ideais e Bernardo foi cassado

taria. Seu patrão, um homem bom e amável

pela ditadura em março de 1964. Adeus, al-

que o acolheu, deu-lhe emprego, alimentação

mejado cargo de prefeito. "O primeiro homem

e moradia - que ficava nos fundos da própria

cassado pela ditadura no Brasil", ele fazia

sapataria, até que Bernardo conseguisse arru-

questão de dizer.

mar um lugar e levar sua vida sozinho.

Preso, ficou incomunicável por vários meses

O tempo foi generoso com Bernardo, que

no Presídio do Hipódromo, em São Paulo. Pa-

prosperava a cada dia em seu trabalho. Pas-

ra não morrer de frio ou pneumonia, no cárce-

sado algum tempo, ele conheceu uma mimo-

re dormia de costas para os amigos. Lá den-

sa menina de apenas 15 anos, Julieta, filha de

tro, arrumou "costas quentes" e, do carcereiro,

italianos. Paixão fulminante. Não demorou pa-

(Segue)

ra se casarem.
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

ficou amigo. O algoz emprestava as chaves da cela para Bernardo e seus companheiros
irem ao banheiro, tomar sol, café... Onde mais veremos um preso cuidando das celas e cadeados? Assim era Bernardo. E, se dessa maneira terminava sua carreira política, seus ideais não morreriam jamais. Muito menos o sonho de ver a democracia reinstalada no país - e
por ela continuar lutando.
Abalado pelo constrangimento que o impossibilitou de reeleger-se, resolveu mudar com a
família para a capital paulista, onde iniciou outra atividade até aposentar-se. Voltou ao interior, instalando-se em Ourinhos com sua Julieta - onde veio a falecer aos 81 anos de idade. Morreu feliz vendo a democracia instalada no país. Ele sabia: sua luta não havia sido inglória!
Bernardo será sempre lembrado pelo seu idealismo democrático, sua garra e luta férrea para
conseguir dar ao povo menos favorecido as mesmas condições socioeconômicas do resto
do país. Julieta, que amava Bernardo, que amava Julieta, com ela viveu 52 anos.
Seu corpo foi sepultado em Marília. A cidade escolhida por ele também o acolheu como filho,
dando-lhe honras e alegrias. Lá, Bernardo hoje é agraciado com uma imensa e arborizada
praça de nome "Praça Bernardo Severiano da Silva".
Ah, já ia esquecendo: ainda moço, Bernardo aposentou a peixeira e passou a resolver tudo
com uma boa conversa. Dizia: “Marília me civilizou".
Se eu tenho orgulho desse homem cabra macho? Tenho e muito! Ele é meu eterno e inesquecível ídolo, ele é meu pai!
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

TROPEÇOS
Por Chaja Freida Finkelstain
Naquela manhã um suspiro leve
a fez sentir que seria um dia diferente dos demais, um sintoma, um breve anúncio que a
vida existe e é... Um telefonema sem muita
fala denunciou a vontade de se encontrarem.
Não tardou o retorno... marcaram e se viram.
Havia tempos que ansiavam pelo momento, o
relógio anunciava que os minutos eram preciosos e não poderiam desperdiçá-los, só os
que amam podem perceber em sentido lato,
a precisão de tais segundos... E o tempo correu... deixou-os no ar, sem chão e sem paredes. Amar na expressão maior da palavra,
amar e sorrir. O sorriso doce dos amantes
realizados, amparados pelo prazer.
Na despedida uma promessa
por parte dele, que precisariam abreviar a
distância, deixou para ela tal responsabilidade. Sua agenda seria organizada providenciando o detalhe. Apressadamente ele vestiuse, pois precisava trabalhar... ela também fez
o mesmo após um chuveiro. Pena que tais
momentos necessitem de um sorvimento
maior. Deixar a água correr simplesmente
sobre o corpo, sobre a alma, deleitar o prazer.
O dia foi belo para ambos, viriam beleza em tudo, estavam inebriados, nada poderia interferir... exceto o “day after”.
Aliás, à noite que antecede o dia, já traz consigo a dose de carga necessária para o questionamento... a situação não era cômoda,
nem para ele e muito menos para ela. Que
fazer? Conciliar seria a saída, mas, diga-se
de passagem, impossível. Tomar uma decisão... quando o que se mais quer é protelar...
Céus vocês conspiram e deixam aos que
amam uma lição comprida com desfecho infeliz... é a regra... sem via... sem aceno e
sem olhar para os lados.
Assim sobra muito pouco, um
exercício de sobrevivência, escolha jamais
afetiva, decisão puramente racional onde o
personagem central aposta nos demais que o
rodeiam. E sai perdendo... perdido e sem
identidade. Quem sou eu? O que quero? O
que farei? A resposta vem agregada na consciência maldita que nada farás, porque sua
vontade depende diretamente e indiretamente daqueles a quem você cuida e vive cercada.

Bela ditadura, que inverte o seu
discurso de vida escrito, falado e pensado.
Ah! Melhor seria sumir, pois a saída almejada
jamais encontrará... e na tentativa de repassar os sonhos eles conversaram na noite seguinte, mas ele já estava diferente. Um discurso cruel e agressivo, à medida que ouvia
as ponderações dela, uma fala simples e real,
onde expunha suas dúvidas, seu desnorteio e
confirmava seus sentimentos. Envolvida até a
alma, era como se encontrava, nada sobrava... precisava de cumplicidade, de uma mão
amiga, de um sinalizar concomitante que não
naufragaria sozinha. Um assentimento que a
faca possuía dois gumes... um dizer “estou
contigo” apenas isso.
O que ouviu... seus ouvidos doeram, a razão balançou e dos olhos uma lágrima pesada rolou. Anunciando o rompimento brusco e necessário... a estrutura estava
errada, o começo com tropeços, e os sentimentos tomando conta de ambos. Certeza do
que o outro sente? Jamais ela teria... e seu
comunicado foi contundente, como um espectador sem compromisso algum com o filme visto. Apenas investindo seu ingresso na
entrada... o mais que poderia amargar era tão
mínimo frente ao que ela passava.
Pobre menina, mulheres tem
mais facilidade para dizer o que sentem, para
chorar, para olharem dentro de si e declarar a
dor infinita... foi o que ela fez... e ele exatamente ao contrário.
Retirou-se do cenário, batendo
o telefone, pedindo que ela o apagasse de
sua memória com uma simples borrachinha,
e foi fundo em sua ironia, não levaria muito
tempo para tal, que não se preocupasse afinal ambos tinham famílias para se dedicarem
e a quem dariam prioridade a partir de então.
Tudo estava claro, tudo estava
entendido, assim ficariam as coisas... o palco
o deixaremos para trás com o cenário+personagens, deixaremos que fique coberto de pó, até que jamais saibam o que ali
se passou. Um romance a mais... que diferença faz?
O que ela precisa saber, o que
ela precisa encontrar é um meio de cobrir a
ferida aberta e não expô-la, guardá-la num
livro cujas memórias só a ela pertencerão...
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

QUANTAS MENTIRAS ESCRITAS ensinou!
EM UM TÃO PEQUENO ESPAÇO!
E tem mais, pelo menos para mim,
Por Jeremias Francis Torres
A única coisa verdadeira é a fotografia terrível, horripilante!
Todo o resto, não passa de hipocrisia barata!
Assim, apesar de tantas leis, tudo
isso que está escrito em um maço (carteira
de cigarro) é propaganda enganosa de um
modo menos prejudicial de viver e é claro, de
morrer! Com efeito, vide a bula: “ingredientes
básicos, mistura de fumos, açúcar e papel de
cigarro!”
Quando na verdade, deveria existir
na tal de “misturas de fumos, o que contem
nessa tal mistura, a quantidade de veículos
cancerígenos, gases tóxicos, malefícios a saúde ao meio ambiente, as grávidas, as crianças, etc.!
Continua: “alcatrão 0,8 mg; Nicotina 0,7 mg e Monóxido de Carbono 7 mg...”
E mais adiante: “este produto contem
mais 4.700 substâncias tóxicas” (precisa-se
enumerá-las uma a uma, ora, crie-se uma
espécie de bula).
E mais a frente o principal disparate: “causa dependência física ou psíquica!”
Não, não causa dependência física
“OU” psíquica não!

não há que se falar que aprender fumar fora
fácil, foi muito difícil: tontura, ânsia de vômito,
dor de cabeça... até que finalmente, “através
de muito persistência”, eis “ele” instalado!
Depois, para ser eliminado, o
“vício” de fumar da trabalho demais!
No entanto, a indústria de tabaco e
outros, inteligentemente, preferem massificar
a propaganda em cima do efeito, do que investir em mecanismo para combater a causa,
por exemplo: “não comece, senão nunca
mais vai conseguir parar!”
Ou: “cuidado, esse pode ser seu
primeiro e último trago, não inicie essa guerra
contra você mesmo!”
O sofrimento reservado àqueles que iniciam fumando e sonham em parar reclamando não tem fim!
Somente a falta de visão (e perdoem a franqueza), a total falta de amor a si
próprio e ao semelhante, pode conduzir um
homem ou uma mulher a um caminho tão
inóspito.
Portanto, essas “frases de efeito”,
montadas a partir de um acordo entre partes,
não produzem nenhum efeito prático, aos
apaixonados pelo tabaco, aos provadores do
fumo!
“Fumar , pode causar dano ao seu
pulmão!” E daí?

Causa dependência física “E” psíquica”!
Ou seja, atua diretamente no físico, no mental e na psique, a qual tem tudo a
ver com a essência mais sutil do indivíduo,
sua alma!

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

Mas, a verdade é uma só, o viciado, não vai perder tempo para detectar os
níveis de contaminação a qual é submetido,
com uso continuado do veneno, chamado cigarro! É tudo de caso pensado!
Mais chocante que essa fotografia
de um indivíduo com gangrena é difícil haver
outra, mesmo a impotência sexual, não é tão
desestimulante para o fumante, na verdade,
o sujeito, após dominado, pouco importa o
que vai acontecer, desde que trague mais
uma baforada de fumaça! A experiência me
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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

PRIMEIRO LUGAR
Categoria CRÔNICAS
III PRÊMIO VARAL
DO BRASIL DE
LITERATURA

NAMORADOS
Por Maria Luíza Vargas Ramos

Perdoem-me os casais mais velhos, juntos
há tanto tempo; os casais casados, engolidos
pela rotina e os casais que nem são casais
de verdade, apenas fazem “pose”.
Hoje quero falar para os namorados de verdade, aqueles que nem precisariam de um
dia especial para se beijar mais e pouco estão ligando para a data, ou para fazer programas mirabolantes, ou trocar presentes caros
inventados e sugeridos pelo comércio e pela
mídia.
O verdadeiro namoro tem a duração da paixão, é embalado pelos hormônios e apimentado pelos cinco sentidos. Depois disso, assume nomes vários, se transfigura em sentimentos outros, mais serenos, mais cúmplices, mais duradouros, no entanto, já não é
namoro, é outra coisa.

Amar para viver e viver para amar, cafona
como letra de bolero, mas a essência de um
verdadeiro casal de namorados.
O tempo que voa quando juntos e se arrasta,
indolente e sádico, quando estão separados.
A magia da chuva, do sol, do tudo e do nada
emoldurando um sentimento e um encontro
que resume a essência da vida.
Namorar é bom demais! Quem nunca experimentou essa entrega, essa alienação do
mundo e das suas pequenezes, quem nunca
se entregou a um amor assim, permitido, ou
proibido, quem nunca estremeceu só de lembrar, suou frio e quente, mordeu os lábios,
encheu folhas e folhas com um só nome, perdeu o sono, a hora e as estribeiras... não sabe de nada! Vai passar pela vida achando
que aquela coisa morna e conveniente é o
máximo que poderia viver.
Quem namorou de verdade, mesmo que passem mil anos, vai guardar o sabor, vai sorrir
ao lembrar, vai arrepiar a alma com as recordações e se sentirá muito mais apto para viver os demais sentimentos inerentes à condição humana. Todos ótimos, todos necessários, mas nenhum tão forte, tão intenso e
inesquecível quanto aqueles do tempo do
namoro.
Parabéns aos namorados no seu dia!
Aproveitem!
Incendeiem!
Não importa se vai durar, desde que cada
segundo se eternize!
E não economizem nos beijos, esses beijos
devoradores do namoro, porque sentirão falta
deles pela vida afora!

O namoro requer contato físico e espiritual,
beijos constantes, toques, arrepios, mãos entrelaçadas, corações disparados, olhares,
sorrisos, lágrimas, abraços de polvo, vontade
de apagar o mundo e viver dentro daquele
abraço.
No namoro a fome vai embora, a sede acaba, o eixo é perdido para sempre. Vive-se um
redemoinho de sensações, completamente
fortes e prazerosas e tudo o mais fica em segundo plano.
Cartas choradas, bilhetes incendiários, músicas compartilhadas, lembranças, sabor constante de “quero mais”.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Tomando decisões
Por Maria Dalboni
A vida lá fora parecia que seguia igual, da
janela onde se encontrava, Sabrina podia ver
quase toda a vila, sua casa se encontrava
quase no fim da rua, e era uma das menores.
As luzes nas casas, a ornamentação dos jardins, uma pessoa que caminhava devagar,
um cão latindo, tudo parecia igual, normal,
nada poderia denunciar o drama que ela estava vivendo. Enquanto olhava seu filho que
dormia Sabrina começou a repassar na memória, sua vida:
Ter um bebê fora opção, era uma escolha de
vida, feita há muitos anos. Ainda adolescente
Sabrina acalentara o sonho de um bebê, parte de uma família numerosa ela não concebia
a vida sozinha, ter o ventre seco, morrer sem
dar frutos seria um castigo. Os namorados
vieram, e um após outro apresentaram um
defeito, uma característica que os excluíam
da tarefa de paternidade, pelo menos para o
seu filho – tão sonhado. A ambição de Sabrina não era grande, não era nada especial:
um marido, de quem ela gostasse, não precisava ser bonito, mas ser homem honesto,
trabalhador, de boa índole e boa saúde. A
saúde não era fator raro, mas o trabalho e o
caráter estes foram excludentes – e o marido
não aparecia. O tempo passava e o relógio
biológico de Sabrina começava a dar sinais
do fim de vida útil de seus ovários e das
condições de ter uma gestação saudável –
ela precisava de uma atitude. Ela tinha duas
escolhas, o banco de sêmem ou decidir por
alguém conhecido para ser o pai biológico
de seu filho, sem compromisso afetivo, e ter
assim uma produção independente. O banco
de sêmem não fornecia os dados comportamentais, apenas os físicos, e ela fazia questão de conhecer o caráter do pai de seu filho,
pois tinha certeza do poder da genética.
Convidou um amigo para jantar em sua casa. Providenciou entradas, massas e vinho.
Pensando, na quantidade ideal de bebida
que o amigo deveria ingerir para se dispor,
sem perceber, a ser seu parceiro sexual, Sabrina começou e se mostrar sensual, a se
acercar, como por distração, a brincar de tocar, incentivando que ele a tocasse – tudo
por brincadeira. E o amigo sem se dar conta
entrou no jogo, e acordou na manhã seguinte

na cama de Sabrina. Contornando a situação
Sabrina disse que eles haviam bebido muito,
e que era melhor esquecer o que havia acontecido, que ela em verdade já nem se lembrava direito do que eles haviam feito, sim, o
melhor era fazer de conta de que não havia
acontecido nada. E nove meses depois nasceu Daniel. Nasceu e crescia isolado – Sabrina pensara que o melhor seria evitar transtornos, fugir das explicações de quem era o
pai, ou pior – da possibilidade de o pai requisitar o direito de paternidade. Mudou-se para
o interior. O único contato era o telefone de
seus pais. Mas um fantasma rondava sua vida – Daniel tinha uma saúde debilitada. E naquela manhã, véspera de seu aniversario, ele
amanhecera febril. Sabrina o levou ao hospital. Depois de consultarem os exames anteriores e de refazer alguns, veio a suspeita de
uma coisa séria, assombrador – Leucemia.
Era preciso levá-lo a Belo Horizonte e com
certeza operá-lo, encontrar sangue e medula
compatível – a mãe, o pai, irmãos, o médico
adiantara, não podiam perder tempo. Irmãos
não havia, a mãe não possuía sangue compatível – ela já sabia, só restava apelar para
o pai. E onde estava o pai agora? E como
dizer a ele do filho, e de sua necessidade de
salvar a vida deste filho, do qual ele nem sabia da existência? Olhava para seu filho relutando, mas já sabia que decisão tomar, era a
vida de seu filho e ela precisava de suas forças e determinação – iria convencer o pai.
Pegou o telefone e ligou para alguns números. Pronto! Aí estava o telefone dele, relutou.
Ligou. Era madrugada, fim de semana, e ele
estava meio bêbado, não entendia o que ela
falava e repetia – Bom saber de você, felicidades – um filho? Parabéns, abraços para
ele. Sabrina começou a se desesperar – desligou. Ligou para uma amiga, e contou toda
sua história, pedindo que fosse atrás do pai
de Daniel e lhe contasse do filho e de sua doença. Em poucas horas parecia que o silencio de anos havia se transformado em trovoadas, o telefone não parava de tocar, todos
queriam noticias e antes que a noite terminasse sua sala estava cheia de gente, e lá
estava o pai. Parecia uma festa. Meu Deus,
pensou, que o amanhã seja realmente uma
festa, a nossa festa, um lindo aniversário –
um novo nascimento para Daniel.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

vidro, o ar, a água ou as minhas pobres reti-

UMA LUZ

nas fatigadas. Mas se a luz sair do vácuo e

Por Maria Emilia Algebaile

percorrer um outro tipo de material, diminuindo sua velocidade, ao retornar ao vácuo, ela

Uma luz tímida teima em chegar aos meus
olhos bem devagar, bem devagar, contrariando as leis da física que, soberbamente, classificam sua velocidade em 299.792.458 metros por segundo. Aquela luz, lá no fim do túnel, que eu tanto esperei para ver, chega se
arrastando, com muito boa vontade de minha
parte, diga-se de passagem. E agora vem o
Google a me dizer que a luz possui uma velocidade, como diria Caetano Veloso, “uma velocidade estonteante”, simbolizada pela letra
C, do latin “celeritas,” que significa velocidade
ou rapidez! E o que é que eu faço com a minha percepção? E o que é que eu faço com
meus olhos e minha cabeça, que teima em
não funcionar no compasso do meu coração?
Corto fora? Como uma descoberta puxa a
outra, hoje sei, por exemplo, que esta tal velocidade pode ser modificada, dependendo
do meio material por onde ela deverá passar.
Não é o máximo? Isso talvez explicasse o

reassumirá sua velocidade C. Então, o que é
que eu faço com esses pensamentos recorrentes que teimam em viajar por outras bandas mas que, invariavelmente, retornam ao
vácuo que se tornou a vida? E tome de luz! É
luz papo-reto! Em meios homogêneos e
transparentes, a luz se propaga em linha reta. Por este princípio, estaria explicado, então, por que minha sombra, às vezes, me assombra e, outras, se adianta à minha passagem, como uma nuvem que, por fim, vai interferir na minha trajetória, como se o passado viesse adiante? Essa linha reta da luz entra numa montanha russa quando me encontra e sai quicando feito pedrinha na lagoa até
afundar na água. Isso explicaria o motivo pelo qual vejo tudo embaçado, nebuloso? Qual
será a verdade a que devo me apegar para
admitir que vejo sim uma luz tímida que teima
em chegar aos meus olhos bem devagar,
bem devagar????

arrastar-se de minha razão na busca por respostas tendo um fio tênue de lua minguante a
clarear minhas ideias. Assim, a celeridade da

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

luz será maior ou menor se ela atravessar um
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A CASA AMARELA

cia, fervilhava de más intenções, a população
transmutava, exigia direitos sociais, O casarão resistente, mas decadente, de um azul
naval, reminiscências da era farta, encarnava

Por Nilza Amaral

os herdeiros dos tempos idos, marcando a
casa grande com a cor de seu brasão. A
Não fora sempre amarela. Houve tempos de

pensão central era cômoda para os estudan-

janelas azuis e paredes brancas, Brasil colo-

tes que vinham de fora, trabalhavam meio

nial, tempos de café com leite, grandes jar-

período no centro, noitinha, dirigindo-se para

dins, luz da lua refletindo no lago dos marre-

o pressuposto lar, e logo saindo apressados

cos.

à cata do bonde circular, cadernos sob os

Então os latifundiários discutiam o preço do

sovacos em busca dos bancos escolares.

leite a alta do café, os leilões se sucediam

Tempos de alfabetização de adultos, cidade

entre as paredes do salão nobre, o nelore

crescendo, centro da cidade deteriorando,

desfilava com garbo, as mulheres se apre-

bairros enriquecendo, periferias pobres domi-

sentavam com a imponência dos poderosos,

nando as circunferências da cidade. Outros

e tudo transcorria regado a champanhe fran-

tempos, outras casas, tempos de apartamen-

cês e risadas estridentes. O tempo passando

tos. Grandes construtoras, árvores sendo de-

sem grandes transformações a não ser a da-

cepadas, palmeiras imperiais saindo de mo-

ta dos leilões.

da, mas a casa resiste. Há herdeiros vivos,

Entretanto, o tempo desbotou o azul das ja-

porém senis. O único que sobrou lembra-se

nelas, o dinheiro migrou para outras fontes, o

apenas de que o sol era quente e amarelo. A

branco das paredes encardiu, as risadas de-

casa amarela, lar de idosos entre arranha-

sapareceram deixando um eco no tempo. Os

céus, prevalece. À noite ao som dos motores

migrantes achavam um bom lugar para se

dos carros, os idosos sentam-se nos jardins

acomodar. Perto da rodoviária, poucos pas-

da casa grande e apreciam a sombra da lua

sos para arrastar o peso da mudança, enfim

entre as nesgas dos prédios.

um lar semi destruído pelo tempo, canos en-

Uma árvore de Natal cria luzes na varanda

ferrujados, e sombra da lua entre as nesgas

machucada.

das palmeiras imperiais já não tão imponentes. Cada um pintava seu pedaço do colorido
que mais agradava, e o casarão dos tempos
áureos transformava-se na colcha de retalhos remendada de todas as cores. Os desfi-

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

les já não eram tão elegantes e o odor da cachaça se espalhava pelos longos corredores
fazendo eco às risadas dos fantasmas e ao
choro das crianças com fome. A cidade creswww.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

As flores no meio do
caminho...

alegria, desânimo em força e mau humor
em sorriso.
Ah, se todos notassem mais a vida e
prestassem atenção nas flores pelo cami-

Por Rogério Araújo (ROFA)
nho... tudo seria diferente para bem melhor!
Na vida, como diria um famoso ditado

Vamos viver mais o que a vida nos

popular, “Nem tudo são flores...”. E, infeliz-

reserva de bom e parar de perceber apenas

mente, é a mais pura verdade.

o ruim. E as flores irão embelezar nossa vi-

Vivemos num mundo onde encontramos ao invés de muitas flores, muitos espi-

da assim como traz alegria para quem as
recebe com um buquê.

nhos pelo caminho. Espinhos que machu-

Mesmo que tudo pareça um deserto

cam, perfuram a pele e até mesmo a carne

árido e sem vida alguma, sempre há uma

mais profunda, sangrando e deixando cica-

semente a brotar, um pequeno botão que

trizes.

vira uma grandiosa e deslumbrante flor que
Percebemos o quanto a trajetória se

torna sinuosa ao passar pela vida como se

a vida nos oferece, com a permissão de
Deus que a criou e a regou.

fosse uma trilha de aventureiros. Um desafio

Viva as flores em nosso caminho!

em tanto que, muitas vezes, mais parece
não ter saída de onde está.
E, onde estão as flores no meio de
nosso caminho, parafraseando o grande poeta com suas “pedras”, Carlos Drummond
de Andrade? Que elas existem, existem...
As flores precisam ser notadas, com
a beleza e cores mais diversas que embelezam uma senda tão tortuosa.
Flores que exalam seu perfume que
contagia a alma e transforma tristeza em

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Eternidade
Por Carmen Lúcia Hussein
Os que se amam
Não se separam
Estão ligados pelo amor
Pela afinidade da alma
Pelo pensamento
Pelos interesses
E pelo respeito às diferenças na forma de ser
Os que se amam
Não se separam
Estão ligados pelo amor
Na vida
Mesmo com a distância
No espaço e no tempo
Estão entrelaçadas suas almas
Os que se amam
Não se separam
Estão ligados pelo amor
Não é só o corpo
Que está próximo e unido
No espaço e no tempo
Estão ligados pelo amor
Os que se amam
Não se separam
Estão ligados pelo amor
Não há passado, nem presente nem futuro
É a eternidade no tempo
Estão ligados pelo amor
Infinito e eterno.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de
Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Flores
Por Débora Petrin

Mesmo com sua ausência, a alegria incessante se faz nas chamas das luzes
Girando, rodando, homenageando, a personagem mais ilustre que conheci
Sem ser de livros, sua figura grandiosa se tornou célebre
Em trajes elegantes, dançando ritmos, e todos ao fervor de amor
Explodiu a generosidade gratuita, com encanto de uma Santa
Nos resta o campo florido com aromas mil
Flores que ofertou de seu coração, durante 73 anos, circundam nossas vidas
Celebremos a honra de compartilha-las, macias, perfumadas, e sem espinhos.
Beijando nossa tristeza, e acariciando a esperança, em nascer novas florezinhas
De
PAZ.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

ICEBERG
Por Diulinda Garcia
Ser feliz um iceberg
para muitos inalcançável
embora desejável...
Se enquadrar
tal qual manda o figurino
numa vida feijão com arroz
seguindo regras
contratos...
Trabalhar, casar
ter filhos morrer e ir pro céu
sem ousar tirar o véu
pisar na porta do inferno
rasgar o script...
Subir no palco
mesmo sem texto
dizer-se...
A loucura amordaçada
saber-se.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de
Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

GRATIDÃO
Por Lúcia Helena dos Santos

Poder celestial que se tem em mãos

Nascente de um rio fluente,

Para agradecer os momentos de pura emoção,

Por todo o ser que um dia presente,

E nas horas de aflição,

Estendeu a mão com precisão,

Que é recebida pela Interdição,

Sem medir a extensão,

Ouvida com muita atenção,

do infortúnio que passou em vão,

Asserena a alma com profusão,

que causou profunda comoção,

Banha com unção,

paralisando a uma reflexão,

A oração que é feita de coração.

Com ênfase ao ponto de partida,

Estação do verão permanente

para uma nova redenção.

De quem nunca se esquece,
Dos pais que deram a vida
E a educação,
O peito de alimentação,
Os primeiros passos para a condução
De boa instrução,
O bê-á-bá como formação,
Ajuda para levantar do chão,
Para não caminhar na contramão,
E seguir em frente,

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

A receita da vida com exatidão.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

As orquídeas
Por Nelci Back Oliveira

Como são belas as orquídeas!
É a natureza em flor.
As árvores se encolhem de frio.
As orquídeas se vestem de cor.

Como são belas as orquídeas!
Flores de todas as cores
e de todas as formas.
As orquídeas revelam amores.

Como são belas as orquídeas!
Nas árvores, nos potes,
no altar da igreja
e na bota da vovó.

Como são belas as orquídeas!
Enfeitam o jardim.
Também enfeitam o poema
do início até o fim.

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Literatura
Por Sílvio Parise
Aprecio imensamente a Literatura
juntamente com os seus criadores
porque, amo as letras onde os valores
realmente se encontram presente,
ensinando assim toda gente,
principalmente aqueles
que, verdadeiramente têm sede
de aprender, para então, repassar
a Literatura que sempre está
pronta para nos ensinar.
Por isso à fundo sigo
a Literatura que tem sentido
pois, infelizmente sei,
que nela também encontramos lixo.
Daí preferir a Literatura
que realmente não fere,
portanto não descrimina.
Porque quero ser como os vultos
que até hoje são lembrados,
revelando um quadro que muito me anima.

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

PRIMEIRO LUGAR
Categoria POESIA
III PRÊMIO VARAL
DO BRASIL DE
LITERATURA

SEMÁFORO
Por Sonia Cintra
Sentadinha na pedra
nariz escorrendo
vestido apertado
sapato florido
de barro
olha a menina
o rio que passa
debaixo da ponte
olha a menina
o céu que basta
por cima de seus
cachinhos melados
num intervalo
curtinho
entre o vermelho
e o verde
do sinal amarelo

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

A Conversa dos Livros
Por Blenda Bortolini
Sempre há em toda biblioteca um livro
de capa dura, sem desenho e muito grosso.
Raramente uma criança o lê. Também existem os livros clássicos de contos infantis,
muito antigos, e a maioria das crianças já os
leram.
Os livros de drama e um livro de romances não são muito apreciados ainda na
infância, e nas estantes ficam sempre pertos.
Eu estava sentada lendo um livro, quando
pude ouvir a conversa dos outros livros, que
estavam reclamando. Sempre gostei de ouvir
as lições que cada livro nos ensinam. Mas
dessa vez, o que eu ouvi era muito diferente.
E muito interessante.
─ “Alguém já o leu hoje?”, perguntou o
Livro de Capa Dura e Sem Gravuras.
─ “Ainda não... E você?” , respondeu
o Livro de Contos.
─ “Leram algumas páginas, mas me
deixaram em cima da mesa. Acho que não
tenho graça para as crianças. Não tenho desenho, nem figuras”, falou o Livro da Capa
Dura Sem Gravuras.
─ “Não é diferente comigo! Já sabem.
Afinal, não querem me ler de novo”, falou o
Livro de Contos.

rando. Acho que alguém amassou uma folha
ou fizeram nele uma orelha enorme”, observou muito bem o Livro de Capa Dura.
─ “Eu detesto ter orelha e ficar amassado. Tem gente que pensa que perdemos o
nosso valor”, falou o livro de anotações.
─ “É verdade! As pessoas acham que
só por estarmos amassados ou manchados,
perdemos o conteúdo. Somos retirados e lançados fora e não serviremos pra ninguém”
disse o Livro de Drama.
─ “Olhem só para o Livro de Anotações! Ele é o livro mais lido por aqui”, comentou o Livro Romântico.
─ “Que graça tem em ficar lendo anotações? Prefiro os livros de contos...”
─ “Deixe de ser invejoso! As crianças
gostam muito de você. Não precisa reclamar”, observou bem um livro de leis.
─ “São tantos livros! Alguns ficam
cheios de poeira e teia de aranha. Não acho
justo!”, reforçou seu comentário o Livro de
Contos.
─ “Você viu os livros de leis? Até hoje
nenhuma criança o leu. Ha ha ha!”, comentava e gargalhava o Livro de Piadas. Ele deve
estar se achando muito injustiçado..
─ “Engraçadinho! Acho isso muito triste. Snif, snif!” começou a chorar o Livro de
Drama.
(segue)

─ “Eu não suporto essa a poeira. Atchim!!”, espirrou o Livro de Capa Dura.
─ “Por que as crianças não nos leem?”, perguntou o livro de drama para o livro de contos antigos.
─ “Leem, sim!”, disse o livro de contos.
─ “Se elas soubessem que nós, os livros de drama, as levamos a tantos lugares,
nos leria todos os dias. Viajamos afora, além
das fronteiras, e tocamos nos sonhos.
─ “Ah, que coisa linda! Acho que você
tem ficado muito junto do livro de romance”,
comentou o Livro de Capa Dura.
─ “Olhe aquela revista. Parece tão desiludida!”, estava o Livro de Conto contando
a vida de todos da biblioteca. “Acho que foi
rasgada uma das suas páginas.”
─ “Ontem eu vi um livro de drama chowww.varaldobrasil.com

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BOLO DE BANANA SALGADO
ingredientes:

01 kg de banana da terra

500g de carne moída

02 caixinhas (200g) de creme de leite Camponesa

50g de queijo coalho

1⁄2 pimentão verde

02 tomates sem pele e sem semente

01 cebola pequena

02 dentes de alho

Azeite para refogar

02 pitadas de curry

150g de bacon magro

Sal a gosto

• 15g de farinha de trigo
30g de manteiga Camponesa

Modo de Preparo:
Frite o bacon até ficar bem crocante, tire o excesso de
óleo. Reserve.
Parta as bananas ao meio e coloque-as em uma panela,
cubra de água e deixe cozinhar até ficarem bem macias.
Retire da água e amasse bem, acrescente o creme de
leite e envolva bem formando uma massa homogênea.
Misture o bacon picado à banana amassada.
Pique as cebolas bem pequenas, o pimentão e o alho.
Aqueça uma panela, acrescente o azeite e refogue a cebola, o alho e o pimentão. Coloque a carne e frite até ficar sequinha, ponha o curry e envolva bem. Antes de
desligar coloque os tomates picados em pedaços pequenos. Acrescente o creme de leite à carne e reserve.
Pegue um refratário, unte com manteiga e a farinha e disponha a massa de banana no fundo e nas laterais. Coloque a carne e cubra com a massa da banana. Ponha o
queijo coalho ralado e leve ao forno médio até dourar.
Retire e sirva quente.
Fonte: http://www.embare.com.br/
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─ “Vocês não sabem, mas os livros de ação fazem o maior sucesso entre as crianças”,
interrompeu o Livro de Suspense.
─ “Não me diga?!”, falou o Livro de Anotações. “Eu preciso anotar isso!”
─ “Sim! Em vez de ler algo mais interessante”, reclamou o velho Livro de Contos de
novo.
─ “Eu ainda acho que você está com inveja deles. Mas por que isso? Você é tão querido!”, defendia o Livro de Leis.
─ “O Livro de Romance é tão sensível e nem sempre as crianças o lê”, suspirou o Livro de Drama.
─ “Ah, não! Você também. Chega, Drama”, reclamou o Livro de Capa Dura.
─ “Olhe, uma criança entrou! Vamos gritar para que ela nos vejam? Tem livro para todos! Somos diferentes, mas somos legais!”, gritava o Livro de Leis.
─ “Oi criança! Estamos aqui, aqui.” “Acho que elas não nos ouviu!”, falou o Livro de Drama.
─ “Xiii! Acho que ela não nos ouviu mesmo”, respondeu o livro de capa dura.
─ “Não acredito que elas preferem ficar no computador!”, falou o velho Livro de Contos, indignado.
─ “Por que elas não vêm todos os dias por aqui?! Assim, todos nós seriamos lidos”,
falou o Livro de Capa Dura.
─ “Quem mandou ser um livro grosso?”, falou o Livro de Contos.
─ “E você? Cheio de estórias...”, retrucou o livro duro.
─ “Epa! Sem violência. Vocês não são livros disso! Vamos continuar esperando por
uma criança”, defendia o Livro de Leis.
─ “Por favor, alguém me leia!”, terminou a conversa com um clamor o Livro de Drama.
Os livros da biblioteca parecem que querem muito serem lidos. Então, crianças, leiam
um pouco de tudo. Assim, eles não ficarão reclamando o tempo todo.
* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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UM CANTO DE PAZ

Por Emérita Andrade

Um navio de guerra
Vai cruzando o mar
E os golfinhos seguem
Fazendo mesuras para o comandante
Pedindo-lhe paz.

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do Brasil de Literatura

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PRIMEIRO LUGAR
Categoria TEXTOS
INFANTIS
III PRÊMIO VARAL
DO BRASIL DE
LITERATURA
A CONCHINHA BAILARINA
Por Maria Luíza Vargas Ramos
Pirueta era uma linda conchinha
cor de rosa que vivia numa praia cheia de peixes, conchinhas e estrelas do mar.
Sua mãe tinha sido uma grande
bailarina e ela também adorava dançar!
Como conseguia respirar dentro e
fora da água, Pirueta dançava na areia e também em cima das ondas.
Só tinha um probleminha que a entristecia... ela nascera com três perninhas ao
invés de duas e, por essa razão, não encontrava sapatilhas de balé para todos os seus
pezinhos.
Quando queria dançar bem na
pontinha dos pés precisava ficar trocando a
sapatilha de um pé para o outro, uma vez que
só encontrava sapatilhas aos pares, de duas
em duas.
Seus amigos a consolavam dizendo que o importante era ela saber dançar,
mas a conchinha ficava triste ao ver um de
seus pezinhos de fora.
Mamãe concha recomendava que
Pirueta nunca mergulhasse muito fundo, pois
lá vivam os tubarões, os grandes peixes e os
polvos assustadores.

Num belo dia, quando a conchinha
dançava e brincava com seus melhores amigos, que eram o peixinho Lineo e a estrela do
mar Lalinha, Pirueta foi mergulhando, mergulhando para brincar de esconde-esconde, até
que se perdeu.
Nadou entre os corais, perguntou
para vários peixinhos e nada de encontrar
seus amigos, ou o caminho de volta para sua
casa.
Começou a ficar com medo e a
lembrar de tudo o que mamãe concha dizia
existir no fundo do mar. Para não se afastar
ainda mais, sentou-se numa pedra e ficou ali
quietinha, rezando para alguém aparecer e
ajudá-la.
De repente, a água do mar se agitou e formou um redemoinho bem na sua
frente. Pirueta se encolheu de pavor, pois não
sabia o que ia acontecer.
Então, daquelas ondas enormes
saiu uma linda fada em forma de sereia, com
longos cabelos vermelhos e uma varinha de
condão igualzinha a uma estrela.
A fada aproximou-se da conchinha
e falou:
- Pirueta, você vai voltar para a
praia agora mesmo e não vai mais desobedecer a sua mamãe! Quando chegar lá, terá
uma surpresa lhe esperando. Vá! É por ali!
Não demore!
As águas se afastaram e formaram
um túnel para a conchinha passar. Rapidinho
ela chegou à praia e pôde abraçar sua mãe e
seus amigos.
Em cima de uma grande pedra surgiu um pacotinho brilhante, com seu nome
escrito em letras douradas: PIRUETA.
A conchinha correu para abri-lo e
encontrou três lindas sapatilhas cor-de-rosa,
iguaizinhas, do tamanho dos seus pés. Ficou
muito feliz! Colocou logo as sapatilhas e saiu
a dançar. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Seus amigos formaram uma orquestra para acompanhá-la.
O tubarão martelo tocava bateria, o lobo marinho marcava o compasso com o pé, a
estrela do mar tocava piano, o peixinho Lineo era bom na flauta, mamãe concha tocava violino
e as conchinhas todas cantavam.
Pirueta rodopiava com suas três sapatilhas, dentro e fora da água, sentindo o sabor
do sal e do vento. Estava muito feliz!
Refletida na água, junto à luz dourada do sol, apareceu uma cabeleira vermelha
acenando para ela e aplaudindo sua alegria e sua dança.
A conchinha então fez um arabesque caprichado, dobrou os joelhos, num agradecimento gracioso para a sua fada madrinha e voltou a dançar!

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Sofia e a bolsinha de renda

separava os bons dos maus pensamentos.
Juntava aos maus uma colher de arrependimento; uma xícara de honestidade; uma xí-

Por Nelci Back Oliveira
cara de amor e aos tristes uma pitada de
alegria. Deixando-os expostos durante a
Vivia há muito tempo, no sítio da vovó,
noite a observar as estrelas no céu.
uma família de ursos. O urso Janjão, a ursa
De manhã, Sofia passava o dedo no
Mafalda e a ursinha Sofia, muito conhecida
pote de mel de jataí que a mamãe deixava
por sempre carregar sua bolsinha de renda.
na mesa antes de ir para o trabalho, “Hum,
O que será que ela carrega nela?
que delícia!” e voltava a brincar no jardim.
Janjão, um urso grande, imponente,
Mas antes, misturava muito bem todos os
de olhos arregalados e sempre pronto para
pensamentos e colocava-os em sua bolsidefender sua amada família, mas no peito
nha de renda. Assim todos os animais que
tem um coração de manteiga. Mafalda, um
por ali passavam, inclusive as pessoas do
doce de mãe, sempre carinhosa com todos.
sítio, se enchiam de bons e alegres pensaSofia, muito fofa e tagarela, sua presença
mentos que escapavam pelos finos furinhos
cura qualquer tristeza.
da bolsinha de renda da Sofia.
Enquanto Janjão e Mafalda trabalhavam, Sofia no Jardim brincava. Todos os
dias, ela levantava bem cedo e ia para o

* Menção honrosa no III Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

jardim. Ali brincava de esconde-esconde
com as borboletas. Quando se escondia da
borboleta Zélia, trocava ideia com o caramujo, com a formiga, com a cigarra, o zangão, o besouro e muitos outros pensadores.
No final do dia, ao chegar em casa,
despejava todos os pensamentos catados
grandes, pequenos, médios em cima de
uma toalha branca estendida. Peneirados

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Rofinha e os amigos de
oito patas
Por Rogério Araújo ROFA
Rofinha estava passeando com seu
cachorrinho Bingo Bin pela rua como sempre
fazia nos fins de semana.
Bin adorava sair e brincar por onde
passava. E também fazer um xixi em algumas plantinhas e postes que ninguém é de
ferro.
De repente, Rofinha viu um carro que
parou um pouco à sua frente. Saiu um cara
feio de dentro e puxou um cãozinho preto e
branco, assustado, e o pegou e amarrou no
poste e foi embora, deixando-o ali sozinho.
O menino olhou para um lado e para o
outro e viu que o cara mau não voltou mais
para buscar o pobre do cachorrinho.
Rofinha e Bin se aproximaram para
ver como estava o bichinho abandonado. Logo que chegaram, ele estava assustado e
todo triste, magro e com pelo arrepiado.
Bin começou a cheirar o coleguinha
preso na rua que levantou as orelhas, gostando da atenção.
O menino ficou com pena de ver o
cãozinho ali, sozinho, e resolvendo levar para
sua casa e cuidar dele. Logo imaginou como
seria ter dois amigos para brincar e passear...
Assim, foi andando com os dois cachorrinhos, um de lado e outro de outro, puxando pelo corrente.
Ao chegar em casa, sua mãe levou
um susto e disse:
- Que isso, menino! Sai de casa com um cachorro e volta com dois?
Rofinha explicou tudo que tinha acontecido e o motivo de ter trazido o novo cachorrinho para casa.
A sua mãe, ficou encantada com a atitude do filho:
- Meu filho, que gesto bonito! chuchuquinha
da mamãe! Como tem pessoas más nesse
mundo que pegam um cachorro e depois
abandonam na rua. Ninguém deve fazer isso,
porque é um ser criado por Deus e devemos
amar e tratar bem.
Rofinha, passando a mão na cabeça
do cachorrinho que achou, pensa logo num
nome para dar:

- Boaaaaa ideia que você me deu, mamãe!
Como já vi que na verdade é uma cachorrinha, vou dar o nome de Chuca...
A mãe, com um sorriso foi logo providenciando um prato de comida e uma vasilha
de água para a nova moradora da casa: Chuca.
A cachorrinha parecia que não via comida nem agua há muito tempo e ficou toda
animada e balançando o rabinho.
Enquanto isso, Bin estava pelos cantos, triste, achando que toda a atenção era para
Chuca.
Rofinha percebeu isso no seu amigo e
foi logo fazendo carinho nele e dizendo:
- Que isso, Bin! Fica assim não porque você
é meu amigão. Agora eu tenho dois amigos
de oito patas!
Bin ficou todo feliz e até sorriu. E a
Chuca veio e lambeu sua orelha, demonstrando carinho por ele também.
E os três amigos foram passear, juntos, como Rofinha tinha imaginado.
Porque abandonar um animalzinho indefeso é coisa de gente malvada e ninguém
deve fazer isso na vida que Papai do Céu
não gosta...

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do Brasil de Literatura

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A MENINA E O
CACHORRINHO
Por Simone Pessoa
Imagine uma menina. Imagine um
dia em que chega em sua casa um cachorrinho branquinho, bem pequenininho. Uma bolinha de pelo felpuda e macia. E a menina,
por graça, o chama de Hércules - um nome
forte para alguém tão frágil!
Imagine que Hércules começa a
correr e a brincar. Entre as pernas da menina,
ele passa correndo, carregando as meias do
pai e as chinelas da mãe da menina. Imagine
que toda a família da menina fica encantada
pelo cachorrinho, principalmente ela. As gracinhas do pequeno, os pulinhos dele, seu andar saltitante, seu pelo macio, a barriguinha
rosada, tudo nele conquista o coração da menina.
Um dia a menina leva o cachorrinho para um passeio. Meu Deus, quanta alegria! Sentindo os cheiros do mundo, o pequeno Hércules fica deslumbrado e o rabinho não
para de balançar. E, na alegria dele, a menina se alegra também.
Seguindo-o pelas calçadas e ruas,
ela tem momentos de rara felicidade. O mundo parece mais encantador ao lado do cachorrinho. As papoulas coloridas e os jasmins
perfumados dos jardins parecem mais exuberantes. Os bem-te-vis, os sabiás e as rolinhas
cantam em coro. As pessoas sorriem e desejam: - Bom dia!
E a menina quer passear com o
amiguinho todos os dias. É bom para ele. É
maravilhoso para ela!
E os anos vão passando... Tantas
calçadas, tantas ruas, tantos jardins percorridos... Tantos cantos e cheiros do mundo...
Tantas brincadeiras entre as pernas... Tantas
balançadas do rabinho felpudo...
Imagine que Hércules cresceu um
pouquinho. Não muito, afinal ele é um cãozinho de raça pequena. Agora ele não carrega
mais as chinelas da mãe, nem as meias do
pai da menina. Está ficando adulto, o pequeno. Mas ainda assim, todos os dias quando a
menina chega em casa, é uma festa! Ele quer

brincar e correr. Ah! E toda manhã ele quer
passear. Ainda bem! Porque a menina também quer passear com ele.
Imagine que o tempo foi passando
mais ainda. Hércules tornou-se um senhorzinho com jeito de menino. Devido ao tamanho
do pequeno, ao pelo branco e sedoso e ao
andar saltitante, as pessoas gostavam de o
chamar de ovelhinha. Já parado, ele era todo
um ursinho de pelúcia.
Mas a verdade é que Hércules estava envelhecendo... E velhinho, o coraçãozinho dele já não aguentava as correrias e as
brincadeiras. Mas como ele não entendia a
situação, continuava a brincar e a correr. E
quando isso acontecia, ele não conseguia
respirar direito. A veterinária passou remédios, que ele não gostava de tomar. Mas junto com um pedaço de manga ou banana, ele
comia e ainda lambia o focinho.
Um dia o coraçãozinho não aguentou mais. Já não conseguia segurar a respiração do bichinho. Coitado! Foi levado às pressas para o hospital, mas não houve jeito...
Numa tarde em que o sol se despedia, se despediu também do mundo o cachorrinho branco, o melhor amigo da menina.
E agora? Imagine quando a menina voltou para casa sem o cãozinho para recebê-la! Imagine a saudade dela sem a companhia da criaturinha para as caminhadas
matinais!
Mas, nada como o tempo e a imaginação para ajudar a resolver as coisas...
Apesar da ausência do amiguinho,
ela resolveu que não se sentiria nunca só!
Guardaria com carinho as melhores lembranças do cachorrinho. E sorrindo, decidiu que
poderia se encontrar com ele toda hora que
quisesse! Em sua imaginação, o pequeno
Hércules estaria sempre por perto. Ah! E, claro, com o rabinho balançando e convidando
para um passeio longo e maravilhoso.

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A PRÁTICA DA FELICIDADE :
A FELICIDADE PRÁTICA

Por Ivane Perotti

- em águas rasas afoga-se a ética e as garças criam barbatanas "Houve um momento de estupor: o
homem nadou de costas..."
Ivane

curo enquanto as garças de barbatanas crescidas aprendem a usar o bico para atravessar as bolhas de sabão - neutro!. Com graça,
elas, sempre elas - súcubos da agilidade humana ( succubus alimentam-se do que se
lhes ofereça em prato de prata nobre... ou
não! vale a deixa para quem gosta de sonhar ,sonhar, sonhar e permanecer no mundo onírico da fantástica fábrica de tradições
culturais, fundamento basilar na criação dos
medos e dos mitos.) - fazem troça dos pedidos que vão e vêm. Justificam-se? Não!
Não se justificam: desenvolvem barbatanas!

Quando a praia secou-se em láA que altura do mar aberto a felicigrimas de sal, alguns peixes pediram água;
outros, pediram boias e, ainda outros, afo- dade mergulhou à cata de outras praias? As
garças não contam, a ética não garante e o
garam-se na areia quente.
ser humano debrua as costas em contínuo Pedidos áqueos costumam ale ininterrupto - processo de estupor funciocançar alta ressonância: reverberam em onnal! Pudessem os peixes e os homens vivedas de filtrada urgência; mas, os "peixes"
rem de surpresa em surpresa sem o susto e
desta cena jaculatória - em latim ambíguo e
o culto ao medo oculto- oculto culto, inculpropositalmente movediço, que não se faça
to pânico que não surpreende, apenas adoa combinação semântica com /e/ece.
jaculatória, uma vez que esta nos faz naveNão se admira que as boias não
gar ao desamparo pelas condições genéticas
de possibilidades ejaculatórias, pelos recipi- cheguem a tempo, que não se perceba a oraentes ejaculatórios e pelas pessoais incapa- ção beijar o calor da areia, pois sentir e sacidades de examinarmo-nos "potentes" - ber conjugam-se em espaços e modos difecambiaram limites de fervorosas solicita- renciados pela água que costeia a consciênções e êxtase místico. Vozes, vezes e inten- cia. E esta, a água, carrega NaCl em soluções que se desdobram em fórmulas /in/
ções interpelaram possíveis acessos à estadescritíveis : light é o mar de perspectivas
bilização da felicidade : entre aqueles que
que a vida oferece em cenas de jaculatórias
acreditaram precisar de água, secou-se a boconstantes! Haja areia!
ca; entre os que solicitaram boias, justificou
-se a inaptidão ao nado; entre os que se afogaram, claro!, nada se fazia ouvir! Fenecidos, sucumbidos súplices faziam-se morrer
pela vontade infértil de viver... sem estilo,
descumpriam o antiético desejo de superar
o lapso entre a felicidade e a felicidade!
Requerentes pragmáticos, os peixes sedentos tornam a vida um soluço obswww.varaldobrasil.com

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Só para te falar
Por Maria Moreira

Vim rápido só para te falar
Vim voando para não demorar
Volto logo sem te avisar
Vou ser breve com o retornar

Vento leva toda folha solta
Verso e frente da folha em branco
Vim de longe para versejar e com a
Ventania posso regressar

Velocidade é meu primeiro nome
Verdadeira obra da correria
Você pode até me atrasar
Volta e meia vou recuperar

Vontade não me falta de poder parar
Vagas lembranças de como frear
Volta sempre a me questionar
Vivo agitado e não sei calar

Viro e reviro este espaço meu.
Vibrante escalo todos os degraus
velhos retalhos soltos no sofá
Vida bandida sempre a reclamar.

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Sentimentos simples
Por Ly Sabas
Sentimentos simples
Coisas pequenas
Cheiro de mato
Respingos de cachoeira
Risada de amiga
Pedras que correm soltas
Falseando a pisada
Picada na mata
Teia rendada
Mãos que se estendem
E afastam o medo
Coisas pequenas
Tão importantes
No amor pela vida
Que segue plena

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Duque de Caxias e a Revolução
Farroupilha: Batalhas, Lições de
Vida e de Amor
Por Tayson Ribeiro Teles
Eram 13 de março de 1835 na singela Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, localidade do extremo sul do robusto Império do
Brasil, quando sua plácida comunidade acreditava ser aquele dia apenas mais um espectro de calmaria frente à perene e pacata vida
dos que diariamente auscultavam os cantos
do céu anunciando um entardecer com relva
verde e luz solar clarificante ao máximo nos
olhos dos cidadãos de bem. Todavia, à espreita daquele clima inerte, movimentavam-se
rebeldes apaixonados pela possibilidade de
existir no grande Império uma República, por
meio da qual seria factível existir maior participação popular, eleições, liberdade de expressão e outros desejos humanos prescindíveis
aos que não amam a vida e sua mais bela característica: a sua não repetição em ulteriores
futuros. Rebeldes estes que, malgrado liderados por pessoas com concepções cerebrinas
de elevado nível e discernimento, quedavamse apaixonados pela ideia de obliterar pela
força de espadas os ditames do grande Império do Brasil na região da nova Europa, o sul
do país filho da África. Tal paixão eliciou a
grande Revolta daquela noite, daquele mês,
daquele ano; uma guerra civil generalizada,
em que os apaixonados pela República - laboradores braçais, possuidores de indumentárias de muita idade, roupas velhas, verdadeiros “farrapos”, erguiam suas espadas e armas
ainda arcaicas em oposição aos soldados de
sua Majestade, o Príncipe do grande Império
do Brasil, Dom Pedro II. Eram os
“farroupilhas” e havia exsurgido a Revolução
dos Farrapos ou Revolução Farroupilha. Os
insurgentes eram muitos, cerca de um sexto
de centésimo percentual da população da
Província de São Pedro do Rio Grande do Sul
e os soldados de sua Majestade residentes
naquele frio território eram poucos, apenas os

necessários para guarnecer os bens do grande Império do Brasil lá existentes. Necessário
foi que o Príncipe Regente do grande Império
pátrio, Dom Pedro II, interviesse na batalha.
Pelos 14 dias de combate o Príncipe nomeou
Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias - militar de carreira do glorioso Exército
Brasileiro, naquele ano promovido a Coronel,
muito conhecido por sua excelente forma de
combater, por meio de liderança admirável, na
qual incentivava os soldados, mostrando-lhes
serem estes os pilares do Império - para atuar
como Comandante de Armas da Província de
São Pedro do Rio Grande do Sul, devendo,
com tal cargo, acabar com a Revolta Farroupilha. Caxias era homem de fibra e força militares incomparáveis. Havia exterminado outras
revoltas e movimentos contrários ao Império.
Lutou na independência do país; na Cisplatina; na Abdicação; na Balaiada; nas Revoltas
Liberais e muitas outras exíguas Revoluções.
Caxias não fora escolhido à toa pelo Príncipe
para comandar os contra-ataques imperiais
em face dos “farrapos”. Desde a infância do
Imperador, Caxias foi o militar responsável
pelos treinamentos de guerra por que passava o filho de Dom Pedro I e futuro Imperador
do Brasil. Caxias foi homem de confiança de
Dom Pedro II por muitos anos; ensinou ao
Príncipe esgrima, hipismo, manuseio de armas e outros diversos mecanismos de guerra.
Tornou-se amigo fiel do Imperador, sendo
cognominado em todo o território do Império
como o “Soldado de sua Majestade”. Por sua
servidão incondicional ao Príncipe, era de fato
um Oficial com alma de soldado. Demonstração disto foi o fato de que após ser nomeado
para liderar o contra combate no sul da nação
amarelada pela refluência do sol do equador,
propalou à sua Majestade que “acabaria com
aquela revolta como acabara com todas as
outras de que fora comandante”, bem como,
ao arrumar suas pertenças para deslocar-se à
região do Grande Rio do Sul, retirara de suas
vestes militares todas as suas insígnias de
Coronel. Decidira que aquela batalha seria
diferente, nela seria apenas mais um soldado;
o “Soldado de sua Majestade”. (Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Deslocou-se para o combate. Tinha singelos
32 anos. Consigo levou apenas o poeta Gonçalves de Magalhães, o Visconde do Araguaia
– para servir-lhe como Secretário Geral e escrivão das memórias do combate - uma garrucha de pequenez elevada, sua espada de corte duplo que ganhara de seu pai, Francisco
de Lima e Silva, o Barão de Barra Grande,
também militar de carreira, uma trouxa de
roupas, munições e o singelo arremate de 8
mil homens do Império. Apenas. Destinado
estava a atuar como um simplório soldado. Ir
para o fronte era o que queria. Estava deveras com ódio dos que aviltavam o grande Império e em seu lugar queriam a República.
Em seu sangue havia volição por servidão
eterna a Dom Pedro II. Foram 18 dias de viagem do litoral de São Vicente ao lócus sulista
pátrio. Enfim chegou ao local da sangria. Loco
na entrada da Província em revolta enfrentou
o levante de cerca de 1 mil “farrapos” que
guarneciam os portões de acesso ao grande
Rio do Sul brasileiro. Em dizimação jamais
vista noutras batalhas, matou todos aqueles
homens – sonhadores com anseio de liberdade – com golpes flageladores das espadas de
seus 8 mil comandados. De fato a entrada daquele povoado fora purgada pelo sangue dos
primeiros “farrapos”. Caxias incursionou-se
pelo território e a cada trecho de um quarto de
léguas do total daquela área guerreou contra
homens de poucas armas. Seus 8 mil soldados eram mortíferos e invencivelmente imbatíveis. Entretanto, ao chegar ao povoado de
São Camilo, na região leste da Província, encontrou uma resistência diferenciada. Cerca
de 500 mães e filhos pequenos de mãos dadas estavam fechando a entrada do pequeno
vilarejo. Juntos, cantavam em som alto: “Não
nos matem, apenas queremos República!”.
Caxias quedou-se impactado ao vislumbre
daquela cena. Imediatamente pôs-se a exalar
um introito “Não atirem!”. Após, em lapso rapidíssimo, mas de lentidão inexpressível na
mente de Caxias, uma das crianças que seguravam as mãos de suas mães naquele paredão de clamor correu em direção a Caxias,
abraçou-se à sua perna esquerda e lhe disse

“Senhor, não mate minha mãe, nem minha
avó que está em nossa casa, ela está doente!”. Atordoado, mas sempre se lembrando de
sua honra de servir ao grande Império do Brasil acima de qualquer coisa em sua vida, Caxias disse ao infante de nome Matheus que
não mataria ninguém ali, apenas queria prosseguir pela estrada, a fim de chegar ao próximo vilarejo. O menino retrocedeu à posição
de sua mãe; as Senhoras todas soltaram suas mãos e franquearam a passagem de Caxias e seus 8 mil soldados. Naquele vilarejo Caxias não encontrou “farrapos” ou outras formas de resistência ao Império. Prosseguiu
para o próximo povoado conhecido por Vale
do São João. Seus homens eram velozes.
Um trecho de aproximadamente 78 léguas
fora percorrido pelos 8 mil soldados de Caxias, dois terços destes montados a cavalos,
em apenas 4 horas. No território de São João
Caixas e seus homens foram surpreendidos
logo no primeiro terço de terra daquela área
por um contingente de cerca de 6 mil
“farrapos”. Era uma armadilha. Todos os
“farrapos” da região, que já haviam destruído
os soldados do Império lotados em seus respectivos vilarejos e tomado o poder político de
suas localidades, aglomeraram-se no centro
do Vale do São João, o qual tinha saída ao
mar apenas para leste. Os soldados de Caxias estavam cansados e fadigados, tanto da
viagem quanto das outras batalhas que travaram contra vários “farrapos” e os singelos 1
mil homens que guarneciam os portões de
acesso ao grande Rio do Sul brasileiro. A batalha fora intensa. Os “farrapos” eram em menor quantitativo, mas estavam descansados.
Caxias enxergando as dificuldades de seus
soldados também sacou sua espada de corte
duplo que ganhara do pai e ingressou à luta.
Lutou. Lutou. Lutou. Exterminou inúmeros
“farrapos”, que nem sabiam contra quem lutavam, porquanto Caxias havia retirado de suas
vestes todas as suas insígnias e honras miliares de Coronel. Ali decidira apenas ser um
soldado.
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O “Soldado de sua Majestade”. Caxias lutou
bravamente até que, abruptamente, surgira
em sua frente mais um “farrapo”. Entretanto,
Caxias surpreendeu-se ao ver que do chapéu
daquele guerrilheiro soltara-se um longo cabelo. Não era um homem. Era uma mulher;
tratava-se de Maria Tavares, a líder de todos
os 6 mil “farrapos”, que também, assim como
Caxias , embora líder, lutava como simples
soldado. Ao ver a face feminina daquele rival,
Caxias perpetuou a lutar contra “ele”, sabia
que se parasse para pensar ou se impressionasse pela ideia de não machucar uma mulher, Maria Tavares o acertaria mortalmente.
Todavia, não foi preciso que Caxias pensasse em parar o confronto, Maria Tavares o fez.
A “farrapa” cessou sua espada e, deixando
implícito olhar apaixonado para Caxias, montou em seu cavalo e partiu para um mata daquela região. Caxias, ainda atônito, mesclando impacto por ter encontrado uma mulher
em combate e sensação de admiração e desejo por aquele ser, também montou em seu
cavalo e perseguiu Maria Tavares pela trilha
que esta percorria pela mata. Logo Caxias
alcançou Maria, mas esta era rápida, pois,
dominava a arte da montaria, e novamente
tomou lugar à frente de Caxias na pequena
estradinha. Porém, ao olhar para trás, no desejo de verificar se tinha despistado o inimigo
e também no anseio de novamente admirar
aquele soldado com quem lutara a poucos
segundos e não conseguira prosseguir no
embate, fascinada por sua beleza conciliada
com ternura, Maria Tavares bateu a cabeça
em um galho suspenso de uma grande árvore e caiu ao solo desfalecida. Caxias, em desespero confuso, sem nem saber por que havia seguido aquela mulher, mas movido por
um desejo inexplicável de próximo a ela estar
e conhecê-la, freou seu cavalo e prostrou-se
a socorrer Maria. Não sabia ele que se tratava da líder de todos aqueles “farrapos”, nem
sabia ela que aquele simplório soldado era o
homem de confiança do Príncipe de todo o
grande Império do Brasil, Dom Pedro II. Caxias acolheu Tavares em seus braços e acostou-se em um pequeno morro na raiz de uma

árvore. Naquele momento, após verificar que
a combatente estava com seus sinais vitais
em harmonia, Caxias fixou-se em estancar o
sangramento da cabeça de Maria. Após, não
conseguiu para de admirar o corpo daquela
guerreira. Tavares, adormecida pelo impacto,
mostrava aos olhos de Caxias um corpo denso de força; repleto de equipamentos de combate; vestido com botas de couro; mas, também com acessórios que denotavam humanidade e feminilidade – Tavares carregava em
seus bolsos um medalhão com a imagem de
nossa senhora da conceição e uma fotografia
de seus pais, os trabalhadores rurais Elias e
Dona Buzuga, e de sua filha de 3 anos de
idade, Maria Ágape (Maria Tavares era viúva). Aquele corpo era análogo ao ideal de
República buscado pelos “farrapos”: firme,
forte, frágil, doce, intensa, com defeitos, apaixonante, delirante e, principalmente, perfeita
para qualquer homem e nação. Todavia, Caxias não tirava de sua mente a honra que tinha de servir ao glorioso Império do Brasil e a
Dom Pedro II, que o considerava um verdadeiro amigo. Caxias olhava Maria desmaiada
e em seu cérebro mil dúvidas passavam: por
que aquelas batalhas? Seria a República algo
ideal para o Brasil? Aquela mulher estaria lutando, deixando seus pais e sua possível filha
– a menina da foto – para ir a um fronte de
revolução por nada? Não estaria ele Caxias
do lado errado? Tavares adormecida começou a acordar. Acordou com o olhar de Caxias. Sem saber que ele não era apenas um
soldado o olhou fixamente em silêncio. Caxias, movido por um desígnio desconhecido e
externo ao seu corpo, beijou Maria, que fraternamente aceitou o beijo, que a partir dali
convolou-se em outros vários beijos. A dupla
de combatentes entregou-se àquele amor
sem motivos e explicações. Fizeram amor.
Retiraram suas vestes de soldados e nus, no
interior daquela mata, penetraram no interior
dos desejos um do outro. A batalha, a 2 léguas dali, ainda ocorria. Caxias e Maria Tavares já haviam esquecido do combate.
(Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O poeta Gonçalves de Magalhães, Secretário
Geral de Caxias, na região do combate procurava Caxias e não o encontrava de forma
alguma - ninguém o vira entrar na mata a
oeste de São João em busca de Maria Tavares. Horas depois, após nascer o fim do amor
de Caxias e Maria, exsurgiu o também fim da
batalha entre os 6 mil “farrapos” e os 8 mil
soldados de Dom Pedro II. Os “farrapos” destruíram os milicianos do grande Império pátrio. Sobreviveram cerca de 2 mil farrapos e
apenas 900 soldados do comando de Caxias. Caxias e Maria, após findarem a tarde de
amor, retornaram, cada um em seu cavalo,
para a região do combate. No interim nada
conversaram. Nem no fazer do amor dialogaram. Apenas sentiram o corpo e as essências
dos sentimentos uns do outro. Ao retornar ao
local da revolta, Caxias imediatamente percebeu que praticamente todos os seus homens
estavam mortos. Maria de outro lado lacrimejou ao perceber que seus comandados venceram 8 mil homens do Império e que aquele
ato de alguma forma influenciaria no despertar de outros movimentos rumo à República.
Caxias, acabrunhado, ordenou que seus homens vivos recuassem, arrumassem suas
pertenças e para a sede do grande Império
retrocedessem. Ao partir, olhou para Maria
Tavares, com olhar mesclando admiração,
desejo, saudade, raiva, ódio, temor, respeito,
e disse-lhe: “Adeus Republicana! declaro-a
vencedora deste combate. Tu és a força que
Eu - o Império, não tive!” Caxias seguiu seu
caminho de volta ao Palácio do Príncipe, no
Vale do Ipiranga, e a todo momento pensava
ter tido naquele combate um amplexo de lições que lhe mudaria para sempre. Lembrava-se do menino Matheus que o pedira, em
medo do suplício, no vilarejo de São Vicente,
para não ser morto. Lembrava-se da injustiça
que cometera ao destruir os 1 mil “farrapos”
com vultosos 8 mil soldados ainda na entrada do Rio Grande do Sul brasileiro. Lembrava-se de que embora com 8 mil homens perdera, pela primeira vez, um combate para 6
mil homens. Refletiu sobre tudo. Percebeu
que um quantitativo elevado de soldados é
nada quando não se tem estratégia. Perce-

beu que em uma guerra não existem apenas
bandidos e malversadores da vida. Existem
crianças com medo. Mulheres com desejos.
Percebeu que o Império de Dom Pedro II não
era tudo o que existia no Universo. Percebeu, ainda, que nunca tinha amado alguém
antes de Maria Tavares. Jamais tinha sentido
o que sentira horas atrás. Sabia que aquilo
não era apenas um conjunto de desejos corporais. Era amor. Caxias estava apaixonado
por Maria. Estava apaixonado pela República. Todavia, era um soldado; o “Soldado de
sua Majestade”. Não podia abandonar seu
Príncipe e seu Império. Retornou ao Ipiranga
e ao Regente da pátria pediu desculpas pela
derrota. Dom Pedro o perdoou. O Príncipe
enviou outros 20 mil soldados para São João, agora sob o comando do Tenentecoronel Teles Loyola, e ordenou-lhes que
matassem todos os “farrapos” do Grande Rio
do Sul brasileiro. Estes, assim o fizeram e
deram fim à Guerra dos Farrapos. Caxias foi
promovido, por antiguidade, a General e dias
após, ao saber da morte de todos os
“farrapos”, pensou: “morrera minha República
- aquela a quem nunca quis, que nunca busquei,
mas
que
um
dia
desejei.
Sigamos a vida, viva ao Império, via ao grande Brasil!”. Caxias, anos depois, anos 61
anos, morreu em sua casa vítima de um enfarto fulminante. Antes de morrer, viveu por
20 anos se perguntando se teria sido interessante “viver com aquela República”.

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Brasil Africano
Por Tayson Ribeiro Teles
Brasil e África.
Dois Continentes?
Um filho do outro?
Parentes?
Outrora,
negros africanos serviram de vitrola.
Escravizados foram,
do Brasil à América Espanhola.
Tudo venceram, pela força,
pela garra.
Nunca empinaram o nariz.
Até hoje nos mostram,
que na África todos têm raiz.
Continente de terra seca,
mas povo firme.
África do mundo.
Raiz de tudo o que há, no fundo.
África bela.
Mãe do Brasil,
do brasileiro.
Desse que vos fala,
mais um guerreiro.

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Ler para Pensar, e Pensar para
Sair do Lugar

o leitor possa elaborar sua própria opinião –
inclusive discordando do autor.
Eis por que motivo o título da obra não

Por Jana Lauxen

poderia ser mais adequado: Antonio Luiz
Pontes é um entusiasta do pensamento próprio. Acredita que somente através do raciocí-

Foi por acaso que a obra Pensar para

nio poderemos atingir nossa independência

Sair do Lugar: Crescimento Pessoal e Pro-

intelectual. Enquanto integrantes de uma so-

fissional caiu em minhas mãos. No entan-

ciedade que parece ter desaprendido a pen-

to, certamente não foi por acaso que o tercei-

sar, não há outra maneira de atingir nossos

ro livro do escritor Antonio Luiz Pontes fisgou

objetivos – sejam pessoais, sejam profissio-

minha atenção e meu interesse já nas primei-

nais – senão por meio do raciocínio, da refle-

ras linhas.

xão, da percepção. O que, na visão de Anto-

A obra, lançada em 2014 pela Editora
Expressão & Arte, reúne 27 ensaios abordan-

nio, e também na minha visão, é algo particular e intransferível.

do temas comuns a todos nós, como a vaida-

Afinal, pensar é sinônimo de liberdade,

de, a sorte, a inspiração, a resistência, os ró-

como o autor deixa claro em diferentes mo-

tulos sociais, a autovalorização, a paciência,

mentos de sua obra. Assim, não é difícil con-

a credibilidade, a produtividade, entre muitos

cluir que, atualmente, vivemos em uma socie-

outros. Logo, é impossível não haver uma

dade basicamente aprisionada; aprisionada

identificação imediata entre leitor e literatura.

intelectualmente, aprisionada culturalmente e,

Antonio Luiz Pontes conseguiu a proeza

principalmente, aprisionada socialmente.

de abordar o corriqueiro de forma totalmente
imprevisível e surpreendente. Fica claro, já
nas páginas iniciais do livro, que o autor passou por um profundo e complexo processo de
reflexão antes de colocar suas ideias no papel. Algo raro em dias atuais, onde a velocidade e a quantidade parecem mais importantes que a concentração e a qualidade.
No entanto, Antonio Luiz Pontes não coloca sua visão sobre a vida como a verdade
absoluta. Diferentemente de muitos livros
com proposta similar, os ensaios contidos na
obra Pensar para Sair do Lugar não se encerram em si; em cada texto há uma porta aberta
para que, a partir das opiniões apresentadas,
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Antonio Luiz Pontes busca justamente quebrar esta espiral perigosa na qual nos envolvemos, seja enquanto indivíduo, seja enquanto nação, levando seu leitor ao raciocínio, ao
questionamento, ao movimento. Uma obra que faz jus ao principal objetivo da literatura: tirar o
leitor do lugar onde ele confortavelmente está, instigando-o e interrogando-o em suas próprias certezas. Porque nossa capacidade de pensar e de raciocinar está diretamente ligada à
nossa capacidade de agir, e de sair do lugar.
Por estas, e por muitas outras razões, recomendo fortemente a leitura da obra Pensar
para Sair do Lugar: Crescimento Pessoal e Profissional. Para todos os leitores, cidadãos e profissionais que sabem que o nosso mundo precisa de pensamento e movimento para se emancipar do engessamento intelectual e social no qual nos encontramos, e que nos
impedem de viver a vida de modo mais pleno, mais livre, mais independente e, consequentemente, mais feliz.

Saiba mais sobre o autor do livro e sua obra acessando seu site (www.alppalestras.com.br),
seu blog (www.alpontes.blogspot.com.br), e sua pá gina no Facebook

(www.facebook.com/antonioluizpontesescritor).

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OCASIÃO ESPECIAL
Por Gaiô

Fizemos do dia,
a vivência do inventado,
criativo, intuído na alegria...
Expectado...inusitada magia...
Foi assim que os encontrei...
Noite ansiada de ontem,
foi como à volta do fogo,
celebrada,
na dimensão do sagrado.
Presenças secretas,
Quem sou eu?
Quem é você?
Presenças concretas,
se anunciavam num todo
em mágicas horas de espera.
Iniciático!!!
O encontro no abraço farto,
marcado em risos e gestos,
no olhar, no toque que envolve,
obra, nascente criatura,
envolvida em aura com seu criador.
Resplandece em energia!
Ilumina de almas que acercam
essência que a tudo provê,
recriam a vida, transcendem
os sonhos,
transformam o ser...
Foi como plantar poemas,
...dentro...
no sítio do bem querer.

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FIM DE TARDE
Por Aglaé Torres

A Lua quase cheia, esbranquiçada ainda, a pedir: dê-me sonhos, fantasias, desejos
para que eu me complete. Voe até mim com a imaginação e sopre!
Uma ampla janela envidraçada oferece visão única de casas, prédios, torres ao longe e um céu de nuvens esgarçadas, brancas em traços imprecisos. As árvores acarinhadas
pelo vento livre devolvem com balanços imperceptíveis o agrado.
Fim de tarde. A Lua pouco a pouco se ilumina aguardando a noite alcançá-la.

PRIMAVERA EM FESTA
Aquieto o pensamento. Um vento leve, quase imperceptível, desassossega as árvores do parque. O Sol desenha em sombras a alma (delas). O Vento ajuda as folhas na ânsia de voar imitando as borboletas que passeiam em cores diversas, algumas poucas folhas impulsionadas pelo vento tentam o voo e confundem o olhar em momentos fugidios
com borboletas verdes e empurra varrendo as folhas abandonadas pelo chão. Ao moverem
-se soltam um lamento de saudade. As árvores floridas em roxo e rosa desviam o olhar.
Uma chuva de pétalas espalha-se em mim.
Na saída do parque a água cascateante sussurra um até-breve. Sons diversos cantarolantes preenchendo o Parque.
Primavera em festa.

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VARAL DO BRASIL
Por Carla de Sá Morais
Todos nós somos Varal
De alma azul-anil
Em prosa, poema ou catedral
Num coração que é o Brasil
O tempo passa e com ele
Contamos os anos, seis
Dos motivos que nos impele
A utilizar tela e pincéis
Sentimentos, emoções e orações
Inspirações sem fim
Daqueles cujas nações
Sāo narradas em folhetim
Fazes das letras e das palavras
Tu, Varal do Brasil
Produto das tuas lavras
O estandarte mercantil

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TUAS CORES
Por Ceres Marylise Rebouças
Volta e meia, venho olhar as tuas obras
mas não posso simplesmente dizer sim:
ou pincelas com excesso em tuas telas
ou falta ou sobra alguma coisa por ali.
Nada entendo de pinturas abstratas,
mas as tuas, admiro e as sinto assim:
são tua alma, são teu tempo, são só tuas,
são teus próprios sentimentos, isso sim!
E aliados dos teus medos, tão humanos,
que mais então eu poderia definir?
Só sei dizer que foi olhando tua arte
que em tuas cores para sempre me perdi.

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A Garota do Rio
Por Heloisa Crespo
Ao Rio de Janeiro – 450 anos
permanece enfeitando
a paisagem carioca,
cotidianamente,
chova ou faça sol,
na terra de Tom Jobim
e Vinicius de Moraes,
deitada ‘eternamente em
berço esplêndido’,
num ponto estratégico em
que é vista
como pano de fundo de
Ipanema.
De fato, ela por direito
é a ‘Garota de Ipanema’,
esculpida no olhar
de quem a vê bem distante
num belo encontro de
imagens
entre dois formosos montes.
Seus olhos contemplam o céu
em incessante oração
pela cidade onde mora.
Os seios seduzem o mundo,
não só o Rio e o Brasil.
Os turistas sequiosos
desejam vê-la de perto.
É um espetáculo mágico!

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É APENAS

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

PARA AS DOUTORAS ALICE E LUCIANA

“É apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada”
(Walter Benjamin)
Tanta madrugada.
Venha sol: como ontem.
Os olhos não descansaram nesta noite.
E pensas – internalizas fundamente:
“É apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada.
O que fazer?
Deste mundo estilhaçado – só fragmentos e carnificinas.
E repetições.
Vem sol – como ontem – reitero.
Canta um pássaro – não, não escutei nenhum galo.
E anunciam que a matança continua – , guerras, refugiados, narcotraficantes.
Terá o Teu Sacrifício Sido em Vão? Não.
Nenhuma declaração de amor–amor (autêntico) é inútil.
“Senhor, Tu sabes que eu Te amo” (São Pedro – pedra).
E – sim – é apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada.
(Se poucos os que escutam: é preciso repetir, pregando no deserto – fecundo.)
Não te esqueças de todos que perambulam pelo planeta.
E com perdão pelo lugar-comum: suplico pelos “pequenos”, anônimos, tão sós, tão sem voz,
sem nome, sem nada.
E se sobrar alguma dádiva, peço um pouquinho também por mim – pequeno grão de areia na
imensa praia global.

Toda palavra parece inútil (mas o sol chegou).

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ARAÑA BLANCA, ARAÑA NEGRA
(Araña blanca, cartera sin dinero
Araña negra, cartera con dinero)
Por Daniel de Cullá
Mientras la emperadora de Alemania a todos desprecia
A unos por pequeños, a otros por la barba
Un día de gran calor de diadas y marchas blancas
Se ha asomado a una europea y estrellada ventana
Viendo y alabando el “Azor” ladrón importante
Haciendo balbilipén, riqueza, erario y fortuna
En bajamano señalando un objeto, un dios, algo
Mientras que con la otra roba la cartera al pueblo
Bocado de banqueros arbolados y peristas amancebados
Que, a lo lejos, con hoces y dediles arriscados
Cual gavilleros, manadas y surcos, carne de verdugo
Gritan contra la corrupción apandillada, flor de la fullería
Para éstos araña blanca, para ellos, araña negra
Decretando, como es costumbre en ellos:
“Para el pueblo “la astilla del chiva”. Nada
Escuchando a la emperadora alemana:
-Azor, azor bandolero
¿Quieres segar mi cebada?
-Esa cebada señora, donde la tenéis sembrada
Es la misma que sostiene de las naciones
El As de oros del cuerpo y alma.

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JÚLIA REGO

REFLEXÕES
CONTEMPORÂNEAS
Nosso mundo padronizado
de cada dia
Vivemos em um mundo padronizado. Padroniza-se a roupa. Padroniza-se o corpo. Padronizam-se as ideias.
Observa-se na contemporaneidade uma forte
tendência à imposição de padrões que terminam por eliminar a identidade do indivíduo
naturalmente pensante quando se disseminam, aleatoriamente, conceitos, muitas vezes, forjados, a partir, apenas, de uma visão
individual.
Seguimos freneticamente esse rastro alienante, seja na moda, no culto ao corpo, ou
nas ideias impostas dia a dia, de forma subliminar, sem nem mesmo nos questionar se
estamos satisfeitos em sermos nós mesmos
e felizes com nossas escolhas.
Temos que ser magros, temos que malhar
incessantemente, não para ficarmos saudáveis, mas para ficarmos musculosos e belos,
temos que usar a cor da moda, mesmo sem
ser a preferida, temos que ser politicamente
corretos e não tocarmos em assuntos polêmicos, temos que adotar animais, ainda que
não tenhamos disponibilidade para cuidar deles, temos que ouvir o cantor ou cantora da
hora, ainda que saibamos da péssima qualidade musical deles, temos, temos, temos!
É certo que a vida é uma mera encenação de
papéis sociais que vamos construindo ao longo do tempo num esforço estupendo para

sermos aplaudidos no final de cada espetáculo, entretanto recebemos o script sem sequer questionar se aquele papel se encaixa
no nosso personagem. Isso ocorre de forma
tão automática, que vamos de teatro em teatro de sorriso aberto e lágrimas escondidas.
A sociedade contemporânea tem nos deixado
um legado muito triste. Vivemos a grande
contradição de agradar aos outros para não
sermos rejeitados nem excluídos dos grupos
a que pertencemos, ou escondermo-nos
atrás das cortinas padronizadas, numa grande incoerência com aquilo em que acreditamos.
Assumir posturas que, muitas vezes, vão de
encontro ao que a maioria prega é algo extremamente desafiador. Opiniões e comportamentos diferentes dos padrões impostos são
considerados estranhos e logo rechaçados
como algo fora do contexto em que se vive.
Quem ousar dar a cara à tapa é visto como
sujeito esquisito e criador de casos.
Estamos inseridos nesse padrão de comportamento de tal forma que preferimos nos
manter na zona de conforto da concordância
a nos expressarmos com autenticidade e
sem medos da discriminação. E assim somos
levados como uma onda que, ao invés de
provocar transformações, reproduz modelos
opressores da individualidade humana.
É preciso respeitar as idiossincrasias intrínsecas a cada ser. É preciso estar atento aos
sinais de alienação. Muitas vezes, é preciso
desviar o caminho e se tornar a ovelha desgarrada do rebanho.

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Água Líquida
Por Yara Darin
A morte e a vida
são como forma
física da chuva.
Água líquida
penetra no solo
corre para os riachos
encontra oceanos.
Sou chuva deslizando
na correnteza do rio
busco seu sorriso
por vezes ansiosa
na inspiração calma da natureza.
Levo emoções reprimidas
do visível ao invisível
querendo desabar o meu mundo
numa certa manhã enevoada
na suavidade de uma falsa alegria.

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USO DE MEIO E MEIA
No Brasil, é muito comum a expressão “em
tempos de vacas gordas”, para dizer que a
situação está muito boa. No momento nós
brasileiros, precisaríamos criar uma expressão para retratar o descontrole político que
estamos vivendo – é uma crise . Sería de
vacas magras? Assim teríamos as vacas inteiras, magras, mas inteiras. Gosto de pensar na palavra” inteira”, o seu significado me
faz pensar em “meia”. Esta sim e´ uma palavrinha que merece atenção. Não posso dizer:
– a situação está meia complicada. Se meia
é a metade do inteiro, a situação não pode
ficar meia complicada, Não é a metade da
situação que está complicada. É ela toda.
Não posso dizer que a política no momento
está meia confusa. Não tenho como dividir a
política para que uma metade fique confusa e
a outra não. Mas posso dizer que todos eles,
políticos querem uma meia laranja – a metade da laranja. Perfeito. Posso dizer ainda que
todos eles dizem uma meia verdade – não a
verdade toda, só a metade? – ou pode ser
só um pouco do verdadeiro. E aí está a chave da questão: vou usar “meia” sempre que
o significado for “metade” e “meio” sempre
que o significado for um pouco. Não quero
estar meia confusa, uma metade confusa e a
outra não. Mas posso estar meio confusa,
isto é um pouco confusa. Gramaticalmente
correto. “Meio” é um advérbio que ficará muito bem modificando os adjetivos, como: meio

complicada; meio confusa; meio alegre; meio
triste e sempre significando “um pouco”. Meia
por sua vez, irá muito bem quando significar
metade: meia laranja; meia tonelada etc.
Posso ainda usá-la como substantivo “meia”
para calçar os pés.
Muito fácil, mas pode-se complicar – posso
também usar “meio” quando escrevo o numeral fracionário ½ e digo “quero meio litro de
leite” ; “ quero meio pão” . Note-se que aqui
“meio” modifica o substantivo, portanto deixa
de ser advérbio e se torna adjetivo, pois o
que modifica substantivo é adjetivo. Ainda se
ressalta que, o que houve em verdade foi
uma concordância de gênero. Era na escrita,
1/2 litro de leite, e 1/2 pão, como estas duas
palavras são masculinas deve-se fazer a concordância e usar “meio”, na fala: “meio litro
de leite e meio pão”
Descomplicando, vamos aceitar “meia” no pé
e quando se referir à “metade” diante de
palavras femininas, e “meio” sempre diante
de adjetivos, ou quando indicar ½ diante de
palavras masculinas. Português às vezes é
meio complicado. Só meio.

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

O caso da mala
Por Júlia Rego

Estava meio sonolenta, mas tive a impressão
de ter ouvido batidas fortes na porta.
Levantei meio chateada, já que teria que interromper o sono que já vinha se anunciando
há alguns minutos.
Cheguei junto à porta, olhei pelo olho mágico
e não vi ninguém. Perguntei quem era e não
obtive resposta. Voltei para cama.
Após algum tempo, entre dormindo e acordada, o telefone toca. Entre a vontade de continuar dormindo e a dúvida sobre de quem se
tratava, resolvi levantar, afinal poderia ter relação com a batida na porta.
Não tinha. Era uma amiga da família.
Em meio à conversa que já se prolongava
além do eu pretendera ao atender a ligação,
ouço batidas bem fortes na porta, confirmando-me que, realmente, eu não estava sonhando, alguém batera mesmo anteriormente.
Pedi licença a minha amiga e fui ver quem
era.
Novamente, silêncio e invisibilidade totais.
Voltei para a ligação, mas confesso que fiquei apreensiva. Comentei o acontecido com
a pessoa do outro lado, a qual, numa atitude
paranoica, começou a desfiar um bombardeio de possibilidades tão esdrúxulas que
me deixaram quase que aterrorizada.
Ficamos um bom tempo conversando, mas o
assunto não era outro senão o mistério das
batidas na porta. Ela insistindo para que eu
tomasse alguma providência urgente, como
ligar para o 190, gritar da varanda, trancarme no quarto, enfim, sumir para o raio que
me partisse, o que seria melhor do que ficar
à espera do ser misterioso que deveria estar
a me espreitar através da porta, e pronto para me decapitar, segundo essa insana moça.
Passados alguns longos minutos no telefone,
disse-lhe iria olhar pela porta da cozinha,

pois lá teria uma visão melhor do hall do meu
andar.
Desliguei o telefone, até porque já estava ficando confusa com a profusão de conselhos
e soluções dados por ela, e fui para a cozinha. De fato, olhando por essa porta, pude
ver o lado de fora por outro ângulo, no entanto não tinha viv’alma como se dizia antigamente. De repente, apurando melhor a visão,
consegui perceber algo de cor preta encostado na parte de baixo da porta da frente.
Olhei, olhei de novo, e mais uma vez, porém
não consegui identificar do que se tratava.
De uma coisa eu estava certa, não era uma
pessoa!
O telefone tocava incessantemente. Minha
amiga não conseguia nem conter a curiosidade, nem controlar seu medo. Quando contei lhe da minha descoberta, ela quase tem
um ataque de pânico. As possibilidades se
ampliaram tanto que quase chamo o esquadrão antibomba para examinar o misterioso
achado.
A essa altura eu já nem conseguia raciocinar
mais, tanto pela insistência dela para que eu
me decidisse em ligar para algum parente,
tanto pelo medo do desconhecido que já dava sinais de se instalar dentro de mim.
Dei um ponto final nos telefonemas com a
desculpa de que meu irmão estava chegando e, assim que tivesse uma certeza, avisaria para ela.
E fui para o meu quarto, claro que não para
dormir. Fechei a porta e fiquei lá pensando
no que poderia ser aquilo na minha porta e
em quem teria deixado lá.
Seria um saco de lixo, um bebê abandonado,
pedaços de um corpo esquartejado?
Minha imaginação já estava altamente aflorada. Dormi.
9Segue)

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Varal do Brasil - Edição no 38 - Novembro de 2015

Lá pelas tantas da madrugada, acordei com a voz do meu irmão, chamando-me baixinho.
Ainda meio sonolenta, e aturdida com os pesadelos que tive por causa do recente episódio,
abri a porta e, para meu espanto, deparei-me com ele carregando uma grande mala preta.
Perguntei-lhe se iria viajar e ele, estranhando minha pergunta, já que há poucos dias chegara a minha casa para passar uma temporada, respondeu, simplesmente, que achara aquele
objeto na porta do meu apartamento.
Então era uma mala! Estaria vazia? O mano olhava-me, desconfiado da minha sanidade,
sem nada entender. Claro que tive de lhe contar tudo, antes que tivesse a ideia de me internar em um manicômio.
O mistério estava resolvido.
Eu disse resolvido? Mas quem batera tão fortemente em minha porta, quem colocara aquela
mala preta ali, àquela hora, e para que?
Oh, céus! Seria mais fácil procurar o Sherlock Holmes para investigar tal mistério.
E assim encerramos a noite.
No outro dia, ao conversar com minha filha sobre os acontecimentos da noite passada, ela
desatou a rir e, com a calma que lhe é peculiar, disse-me, que há alguns dias entregou uma
mala preta ao sapateiro que se instala embaixo do meu prédio para que a costurasse, concluindo que só poderia ter sido ele a devolvê-la daquela forma nada comum.
Elementar, meu caro Watson!
Maldito sapateiro!

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BANANA EMPANADA
Bananas nanicas maduras e bem firmes (a quantidade que desejar)
Ovos batidos
Farinha de trigo
Farinha de rosca
Óleo de milho para fritar

Modo de Preparo
Descasque as bananas e tire os fios
Corte-as ao meio
Passe na farinha de trigo e tire o excesso
Passe nos ovos levemente batidos, escorra e tire o excesso
Em seguida, passe na farinha de rosca
Frite em óleo não muito quente
Retire com um garfo e escorra em papel toalha
Fica macia por dentro, crocante por fora e muito saborosa
Fonte: http://acritica.uol.com.br/

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SÃO SEIS @NOS DE V@R@L
DO BR@SIL!
E VOCÊ F@Z P@RTE DESTE C@MINHO P@R@BÉNS!

TODAS AS REVISTAS ESTÃO DISPONÍVEIS PARA
DOWNLOAD GRATUITO EM NOSSO SITE:
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PROTEJA OS ANIMAIS!
Não só de adoção e doações em
dinheiro os refúgios e protetores
necessitam!
Doe seu tempo, eduque seus
filhos para amar os animais!
Ajude na castração de cães e
gatos!
Informe-se sobre como você
pode ajudar.

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BANANA CARAMELIZADA ORIENTAL

a farinha de trigo, a maisena, o sal, o fermento,
as 2 colheres de óleo e a clara de ovo

6. Aos poucos, coloque a água, misturando com
uma colher de pau, vigorosamente para não empelotar

7. Mergulhe cada pedaço de banana na massa, deixando – os completamente envolvidos

8. O óleo já deve estar bem quente
9. Coloque dois pedaços de banana por vez para
fritar

Ingredientes

10. Com a ajuda de uma escumadeira, vire os peda-

Para a massa:

ços até que fiquem dourados

2 bananas, nanicas grandes

2 xícaras (chá) de água fria

1 clara, de ovo

12. Frite todos os pedaços de banana

1 ½ xícara (chá) de farinha de trigo

13. Reserve

2 xícaras (chá) de maisena

Caramelo:

2 colheres (sopa) de óleo

1. Unte uma assadeira com óleo

3 colheres (sopa) de fermento em pó

2. Reserve

1 l de óleo

3. Coloque a água e o açúcar numa panela

1 colher (café) de sal

4. Leve ao fogo e misture até o açúcar dissolver

Papel toalha, o quanto baste

5. Pare de mexer

11. Retire e coloque sobre um prato com papel toalha
para tirar o excesso de óleo

Para o caramelo:

6. Quando ferver, conte aproximadamente 10 minu-

3 xícaras (chá) de açúcar

1 1/2 xícara (chá) de água

7. Retire do fogo

2 colheres (sopa) de óleo

8. A partir deste momento deve – se trabalhar rapi-

tos, ou até ficar marrom (caramelizar)

Modo de preparo

damente, pois o caramelo vai esfriando e ficando

Massa:

duro

1. Separe todos os ingredientes pedidos na receita
2. Descasque as bananas e corte cada uma em dois

9. Coloque cada pedaço de banana empanada dentro do caramelo, e com a ajuda de um garfo, envolva – os com esta calda

pedaços

3. Coloque o óleo numa panela funda (isso é importante, pois a banana deve flutuar no óleo sem

10. Retire – os da calda delicadamente e coloque
imediatamente na assadeira untada, deixando um
espaço entre eles
Sirva imediatamente

encostar no fundo da panela)

4. Leve ao fogo médio para esquentar
5. Enquanto o óleo esquenta, misture, numa tigela,

Fonte: http://www.saborereceitas.com.br/

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Revista Varal do Brasil
A revista Varal do Brasil é uma revista
independente, realizada por Jacqueline
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Todos os textos publicados no Varal do
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