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Neurociência e Direito: desafios de uma tensa relação.

Resumo
Trata-se de pensar as relações entre o direito e as neurociências, sobretudo no contexto do debate acerca da
liberdade. Desde muito tempo, o direito tem sido desafiado pelos avanços no campo das neurociências e,
historicamente, reagiu de diversas maneiras, seja rejeitando qualquer interação entre o jurídico e as novas
descobertas científicas, seja assumindo uma postura de valorização destes avanços para uma melhor
compreensão do próprio direito. De maneira geral, trata-se aqui de traçar um quadro sintético acerca das diversas
provocações lançadas ao direito por parte das chamadas neurociências.

Neurociencia y Derecho: desafíos de una relación.
Resumen
Se intenta pensar la relación entre el derecho y la neurociencia, en particular en el contexto del debate sobre la
libertad. Durante mucho tiempo, el derecho ha sido cuestionado por los avances en el campo de las neurociencias
y, desde la historia, ha reaccionado de varias maneras, ya sea rechazando cualquier interacción entre lo juridico y
los nuevos descubrimientos científicos, ya sea asumiendo una apreciación positiva de estos avances, hacia una
mejor comprensión del derecho mismo. En general, se trata de hacer un dibujo sintético de las provocaciones
lanzadas al derecho por las neurociencias.
José Carlos Henriques1

1. Contextualizando...
Sendo o direito uma ciência social, tem participado da sorte histórica comum às
ciências do espírito em geral e, como tal, a ciência do direito tem se mostrado avessa a
aproximações com as demais ciências de outra ordem, incluindo as ditas ciências naturais.
Contudo, nos últimos decênios, há consideráveis avanços no encontro entre a
neurociência e o direito, mas estamos ainda muito afastados de uma relação interdisciplinar
que, superando a indiferença e a resistência, ou a mera justaposição de conteúdos, possa
apontar rumos novos para a ciência do direito. O que se vê, ainda, é resistência, indiferença
e/ou aversão, em grande medida.
Mas, reconhecidos os limites, algumas tentativas têm sido feitas, no sentido da
aproximação entre os avanços da neurociência e o direito. Em texto de 2008, Atahualpa
Fernandez e Marly Fernandez nos apresentam um quadro geral, existente à época, do encontro
entre “neuroética, direito e neurociência”, título de obra publicada, naquele ano, por estes
autores.

1

Doutorando em Direito pela UFMG, Mestre em Direito, Mestre em Filosofia, Especialista em Direito Civil e
Processo Civil, Professor e Coordenador do Curso de Direito da Unipac-Itabirito/Faculdade Alis.

a ordenação das cidades tem a ver com os cérebros dos homens que as constituem. Panorama e resultados do encontro entre neurociência e direito: entre a indiferença e a interdisciplinaridade. da sociedade ou do direito? A relação entre neurociência e direito apresenta relevância significativa referindo-se “especificamente à . 2. surgem. segundo parece. Neste sentido. as reflexões ganham por descrever um quadro das nascentes relações entre direito e neurociência. nas últimas décadas.2 O que aqui se apresenta é. a compreensão da ordenação social não pode desprezar o conhecimento sobre a natureza dos associados. normais e anormais. sobretudo como o desenvolvimento da neurociência. suas estruturas e funcionamento. a partir de parâmetros mensuráveis e objetivos do funcionamento do cérebro. com os avanços das tecnologias. daí que o encontro neurociência e direito não somente é possível. diante do amálgama de seres humanos. Certo que. neste campo. os atuais avanços. Ou seja. são endêmicos à organização social. já de início. por se tratar de um texto de 2008. mas perdem em atualidade. a violência e a criminalidade que nelas são geradas. Evidentemente. e como os avanços da neurociência já em muito se complexificaram desde então. uma síntese de algumas ideias contidas na obra acima mencionada. no âmbito da neurociência. Quanto ao conhecimento da natureza humana. de se reconhecerem avanços. contudo. Estes fenômenos. o funcionamento cerebral abrange um arco amplo e variado: abarca o que se toma por “normal” (sem conseguir delimitar). da política. podem ajudar na tarefa de buscar redefinir o que se deve entender por “normal”. mas desejável e necessário. que impulsionam um aperfeiçoamento do conhecimento sobre o cérebro. até as mais diversas patologias. interrogações. Também. em grande medida. eis porque importam para o direito seus resultados. A organização social das cidades humanas tem a ver com a agressão. Exemplificativamente: Como operar. lembrando que. que violam e desumanizam o humano? Quais circuitos de nosso cérebro elaboram as condutas anti-sociais? Se conhecidos tais circuitos. ainda. do cérebro pouco conhecemos. não contemplando exemplos mais recentes de uma possível interação. como poderiam ser modificadas as condutas anti-sociais? Os avanços das neurociências deveriam produzir inovação também no mundo da medicina. jurídica e socialmente. Por exemplo.

investiga o pensamento. Marly. 2008. Exemplo de argumentação que. uma convicção tem comparecido. iluminando a realização prático-concreta do direito. O direito julga a conduta humana. e as consequências. Atahualpa. de maneira adequada. 2008.3 relação entre os mecanismos que geram a conduta humana. em torno dos 25 a 27 anos. tal formação se aperfeiçoaria. Ora. em sociedade. mesmo que apresentem diferentes objetivos e interesses. perscrutando a intencionalidade. ainda não se teria completado vez que. as emoções. Enfim. muito embora se reconheçam estas diferenças. ou seja. em geral. De fato. evitando decidir. Curitiba: Juruá Editora. se dá lentamente e. Fala-se de objetivos e interesses diferentes porque a neurociência busca entender a conduta humana. Então. Neuroética. como se tem feito. é sabido que o córtex pré-frontal é a área cerebral que gerencia o controle das emoções e dos processos cognitivos. na concreta realização do direito. da psicanálise ou de compreensões socioeconômicas. como atribuir mesmo peso e/ou valor a condutas praticadas por um adolescente e àquelas praticadas por um adulto? Não estaríamos a exigir o impossível de um adolescente? 2 FERNANDEZ. 60-61. podem prestar ajuda mútua. FERNANDEZ. pp. poderia ser um apoio seguro para uma mais adequada formação de juízos. . cumprindo importante papel na inibição de impulsos e na capacidade de auto-controle e disciplina. a culpabilidade. pode ser encontrado nas discussões sobre os estágios de desenvolvimento do cérebro e a aplicação da responsabilidade penal aos adolescentes considerados normais. certamente.. o cérebro. Mas. assim avaliados de um ponto de vista do direito. 3 De acordo com a neurociência. morais e sociais. Marly. 3 A respeito. p. da psiquiatria. Atahualpa. iluminaria o julgamento jurídico de condutas. apenas na idade adulta. 60.. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. sobretudo quando estes praticam atos de gravidade. nas últimas décadas: neurociência e direito. conferir: FERNANDEZ. Curitiba: Juruá Editora. no que diz respeito à formação completa do córtex pré-frontal. com base apenas em argumentos provindos da psicologia.. dessa conduta”.2 Apesar de hesitações.. seria adequado levar em conta os conhecimentos já alcançados sobre como se desenvolve e funciona o cérebro humano. na adolescência. a maturação do cérebro. FERNANDEZ. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. considerando os avanços da neurociência. Neuroética. é fato que uma melhor compreensão da conduta humana. como já se afirmou. as condutas a que o direito empresta atenção. conhecer a natureza humana é passo decisivo para que se julguem.

fazendo comparações entre grupos de sujeitos”. estaria o direito exigindo de certos sujeitos o impossível. 5 FERNANDEZ. ainda. As expressões anteriormente destacadas comparecem. Curitiba: Juruá Editora. As resistências permanecem. vez que abarcam conceitos que apontam para a atuação com alguma “capacidade diminuída”. há uma perturbação que pode indiciar a presença de um ‘rastro de memória’.4 Se suas ações. no sentido de que favorecem uma correta classificação clínica de. por formação cerebral. Mesmo que não seja possível. no Brasil. quanto ao fato. pelo menos indicando que. por exemplo. FERNANDEZ. desenvolvimento incompleto e/ou deficitário das estruturas cerebrais deve(m) induzir a convicção de que certas exigências não podem ser feitas pelo direito a quem deles padeça. desde então outras tantas técnicas já se incorporaram às práticas dos cientistas. A técnica. “ao menos. Mas há casos de avanços na confluência do direito com as neurociências. para a prática de condutas sociais. em suma. de natureza neurobiológica. p.4 Isto é. um amplo subconjunto dos sujeitos examinados”. as teorias tradicionais do direito penal estão seguras de que. lembrando que o texto aparece. não há sistemas jurídicos que tomem a psicopatia como atenuante. tais estudos não são suficientemente precisos para um diagnóstico individual.5 4 FERNANDEZ. 2008. não deve ser excusável a atividade criminosa dos psicopatas. uma leitura completa de individualidades. Portanto. Do contrário. de um mesmo modo. Ou seja. 61. Curitiba: Juruá Editora. entre as . conhecida como onda P300. à percepção de que há limitações objetivas. Neuroética. mas já permitem aproximações. em 2008. Atahualpa. quanto se conhece. estudos de neuroimagem “são capazes de mostrar os correlatos neuronais de certas enfermidades ou de certos processos associados a determinadas tarefas. o que não se concebe. na mesma obra. 2008. Estes os exemplos trazidos pelos autores. como imputá-las. cada vez mais. ao se evocar o que se pretende ocultar. Deste modo. têm sido identificados progressos no uso de técnicas advindas da neurociência com a “finalidade de identificar o engano intencionado”. todas. “que se acha presente quando. Nos EUA. pelo que as atuais teorias seriam já suficientes para a responsabilização de condutas por ele praticadas. p. se reconhece um determinado objeto”. a sujeitos tão diversos? O conhecimento da organização e funcionamento do cérebro tem conduzido. não são percebidas da mesma maneira que o são por um adulto. FERNANDEZ. Marly. Certo que. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. Atahualpa. Marly. Neuroética. Tudo isto não pode ser desconsiderado pelo direito. pretende identificar uma variação de voltagem. técnica conhecida no mundo do direito como ‘a marca digital do cérebro’. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. 63. mesmo com futuros progressos da neurociência.

com o fito de salvaguardar a sociedade. 65. é mais provável que esteja envolvido. Quem age (sujeito moral) deve ter a capacidade de raciocinar e atuar livremente. no sentido de identificar as direções de uma investigação. influenciar a decisão de jurados. 7 Ver: FERNANDEZ. no sentido de apresentar uma leitura final das causas de uma conduta. valor que. Neuroética. aquele que apresentar um vestígio de memória. Ou seja. para Morse. em relação determinadas circunstâncias do fato sob investigação. permanecem desafiadoras muitas questões: poderia a neurociência medir a periculosidade a ponto definir futuras ações violentas? Poderiam. 2. não sendo possível tomar os expedientes técnicos como provas exatas. Portanto. que não apresente alterações de voltagem. estas e outras indagações persistem. entre outras páginas 60 e 70. entre investigados. o conhecimento do funcionamento do cérebro pode auxiliar na decisão sobre a responsabilidade. tem valor a neurociência para a compreensão do direito. segundo Morse: 1. Neuroética. Marly. Três critérios devem ser contemplados. os pensamentos. no âmbito do direito. para se pensar a responsabilidade. Permanecem ainda problemas. 2008. por exemplo. apesar dos avanços. hoje pode ser afirmado. Marly. FERNANDEZ. . dotadas de objetividade absoluta. em circunstâncias. 63 e passim. sobretudo porque “a verdade é que a evidência neurocientífica atual está ainda muito longe de alcançar esses objetivos. vez que contribui para que sejam definidos estes critérios. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. 6 Conferir: FERNANDEZ. em sua prática do que outro investigado. Mas não restam dúvidas de que os avanços da neurociência possam vir a emprestar. Curitiba: Juruá Editora. Curitiba: Juruá Editora. da noção de responsabilidade. vantagens para a definição.. mensurável pela variação da onda P300. para Morse. no âmbito do direito. Atahualpa. Deve haver uma ação. diante dos mesmos testes. no julgamento de criminosos convictos? Poderiam seus resultados ensejar detenções preventivas. sempre mais. a organização cerebral: como se processam as emoções. em boa medida. 2008.. em relação aos sujeitos propensos à violência? 7 Enfim. porque já nos encontramos em condições de entender. mas já se apresentam como auxílios importantes. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. praticada por pessoa. Atahualpa. p. Deve haver um estado mental culpável que acompanhe a ação. Mas. com o que lhes seria conferida exagerada aparência de exatidão. 3. o controle cognitivo.5 Não que os resultados sejam definitivos.6 Por isto. de algum modo. p. FERNANDEZ.

a influenciar decisões nos tribunais. 10 FERNANDEZ. detector de mentiras. Atahualpa. hoje e mais fortemente no futuro. quando então se esperam amplos progressos. pelos tribunais.10 Por exemplo. inviabilizaria as reais contribuições que as provas técnico-científicas poderiam emprestar às decisões no direito. a desconfiança dos juízes em relação a tais provas se liga às próprias discussões entre os cientistas sobre o valor dos expedientes e técnicas de obtenção. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. Tais tecnologias. uma combinação de ‘normalidade’ e circunstâncias do meio ambiente e social”. edifício. Curitiba: Juruá Editora. Fatos que poderiam iluminar certas circunstâncias.8 Se é verdade que as novas tecnologias. por seguro. 2008. Possível saber. mesmo que esta não o expresse. certamente. dar a conhecer um número elevado e valioso de informações. como já implicam. p. Esta perfeição. 65. conheceria uma verdadeira reviravolta.6 coisas porque a violência pode ser. saber o que pensa uma pessoa. Neuroética. podem evidentemente se chocar com a proteção que o direito confere à privacidade e intimidade. podem. . “uma conclusão mais próxima da justiça concreta”. 2008. com isto colaborando para que se alcance. Mas. muitas vezes. p. FERNANDEZ. implicarão ainda mais. ainda. já estão trazendo um grande número de informações sobre as alterações cerebrais em indivíduos que praticam condutas anti-sociais. em 1922 e mais recentemente o exame de DNA). de aceitação. de forma absoluta. que se deve conhecer no exercício do ato de julgar. em seguida. 66. não é menos verdade que os avanços da neurociência.. Atahualpa. não se prestam a exculpar alguém em juízo. Como já salientado. FERNANDEZ. em situações concretas. por certo. Não seria adequado esperar um consenso estrito entre cientistas para.. 66. os conhecimentos trazidos pela neurociência não se prestam. em alguma medida. então. de provas científicas (aparecimento do raio X. Curitiba: Juruá Editora. a chamada “leitura cerebral” já permite. p. Curitiba: Juruá Editora. Marly. tem conhecido uma acidentada história de rejeição e. se o objeto de se ocupa o penamento de alguém é uma pessoa. Atahualpa. Neuroética. casa. com isto. em cada caso. validar um expediente técnico. a partir da leitura da atividade cerebral. salvo em casos de claras lesões cerebrais ou psicopatia. Neuroética. mormente os estudos de neuroimagem. Em geral. Marly.9 A aceitação. 9 FERNANDEZ. Por tudo é certo que os avanços da neurociência não devem ser ignorados pelo direito que. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. discussões de caráter ético e jurídico. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. 8 FERNANDEZ. Marly.. se move uma ou outra parte do corpo. em 1896. etc. a partir de registros da atividade do cérebro. FERNANDEZ. Daí que também estes avanços. 2008.

se a neurociência poderia exercer alguma influência de relevo. se podendo ser utilizada. O direito. no que diz respeito a uma teoria da decisão. se formar um adequado juízo em matéria penal ou mesmo para.12 A simples possibilidade técnico-científica de alguns expedientes não implica numa absoluta possibilidade ética de sua utilização. em boa medida ainda arredios a argumentos fundados em técnicas científicas. Atahualpa. p. pergunta-se. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. em seu campo próprio de atuação. Atahualpa. e.11 Por tudo. e muito especialmente. o direito e o sistema judicial. p. entre nós. o futuro deixa entrever que os debates em torno do direito. devendo envolver até mesmo os mais conservadores. FERNANDEZ.13 A resposta parece apontar na seguinte direção: por mais resistentes que sejam. a utilização da leitura cerebral poderá nos conduzir a discussões que indiquem. tal técnica não redundaria. Marly. o uso das próprias tecnologias em apreciação. deverá enfrentar a disciplina ética do uso das possibilidades tecnológicas. em seu inovador encontro com os avanços da neurociência. a necessidade de se decidir sobre quando utilizá-la e em que medida. FERNANDEZ. inclusive considerando-se que. que precisam ser mensurados com cuidado. em autoincriminação. Neuroética. aos benefícios provenientes da revolução neurocientífica (p. resguarda-se o direito ao silêncio por parte dos acusados. seguramente.7 Assim. Curitiba: Juruá Editora. p. Marly. em tornar possível. é assunto “que dominará todo o sistema judicial”. Uma primeira necessidade estará.. verificar “onde termina a cognição e onde começa a emoção no processo de realização do direito levado a cabo pelos juízes”. em muitos casos. ainda. hoje. Neuroética. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. perdurável. 2008. no direito ou no sistema judicial. Atahualpa. de evitar que alguns (ou muitos) possam sair enormemente prejudicados por um particular uso e aplicação desses novos avanços. por exemplo. Curitiba: Juruá Editora. desde já. Marly. necessário que se desenhe um modelo normativo e institucional que. FERNANDEZ. 11 FERNANDEZ. Apesar de tudo. trate não somente de viabilizar o acesso de todos. 2008. a juridicidade. 72. por primeiro. 72. 71. o conhecimento dos estados mentais se apresenta de grande valia para. num futuro não tão distante. Mas apesar da existência de riscos. com equidade. em ‘leitura cerebral’) como. Por exemplo. 12 FERNANDEZ. Neuroética. torna-se. . Curitiba: Juruá Editora. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. por igual. 13 FERNANDEZ. 2008. a partir da neurociência.

p. ou seja. 2008. e é o órgão necessário e suficiente para desenvolver a mente. colocam-se as seguintes questões: estão determinados também os pensamentos que surgem da mente? O livre-arbítrio que acreditamos ter é somente uma ilusão? E. 2008. se ocupa do estudo da relação entre alterações cerebrais e alterações na mente. sujeita a todas as regras do mundo físico. Neuroética. FERNANDEZ. Considerando-se a distinção entre cérebro. Neuroética. concordar com Atahualpa quando caracteriza o encontro do direito com a neurociência como uma ‘reviravolta no direito’. que desafiaram os filósofos ao longo do séculos. 15 FERNANDEZ. Marly. se é uma ilusão. muito do velho direito há de se modificar. . de modo que o cérebro também o está. 73. 16 FERNANDEZ. Apesar de discussões. FERNANDEZ. da sempre maior atenção do direito à neurociência. sobretudo. então. p. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. hodiernamente: a lógica é a seguinte: o cérebro determina a mente e é um entidade física. Atahualpa aponta algumas ocorrências científicas de si suficientes. 73. como acima já mencionamos. FERNANDEZ. também se mostram relevantes os resultados da neurociência cognitiva que. o papel dos sistemas neuronais na percepção do entorno e a relevância da experiência como princípio de orientação nas ações futuras”. ganham novo impulso com as novas perspectivas trazidas pela neurociência. mente e 14 FERNANDEZ. não é possível crer que a conduta de toda pessoa normal seja determinada. os correlatos neuronais responsáveis por nossos juízos morais e ético-jurídicos. que insistem em permanecer. Atahualpa. Curitiba: Juruá Editora. Atahualpa. p. Se o cérebro está determinado. Neuroética. de forma significativa. Curitiba: Juruá Editora.14 Nesta mesma direção. Atahualpa. Curitiba: Juruá Editora. dentre outros os seguintes avanços. em curso de aprofundamento pela neurociência: exploração dos “mecanismos cerebrais que nos ajudam a entender a função dos genes na configuração do cérebro. Marly. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. 2008. O mundo físico está determinado.15 Antigas questões. as questões do livre-arbítrio e da responsabilidade pessoal. para tornar central para o sistema judicial a atenção às novas tecnologias. já no presente. Não parece exagero.8 Como indicações presentes desta direção. devemos revisar os conceitos relativos à responsabilidade pessoal nas ações? 16 Este espectro de questões traça um panorama que. Marly. como se sabe. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. muito interessa ao direito responder e. a depender das respostas alcançadas. 73. Vale transcrever a apresentação que faz Atahualpa para estas velhas e sempre novas questões. Podem ser enumeradas.

os resultados que impulsionam uma ação. possível crer que “as pessoas são livres e. p. Neuroética. a responsabilidade pessoal está para além de uma determinação física. Neste contexto. para organismos complexos. FERNANDEZ. é social. portanto. 74. que são contingentes. Atahualpa. na forma de uma decisão livre. p. Atahualpa. Marly. também elas.18 Ou seja. Neuroética. responsáveis por suas ações. FERNANDEZ. Neuroética. Curitiba: Juruá Editora. mas isto não significa que a decisão de atuar de certo modo esteja em si mesma determinada geneticamente. 2008. com a faculdade de criar e recriar os seus mundos. . dentre outros enganos. 18 FERNANDEZ. depois de sopesar as opções. FERNANDEZ. é preciso sanar um engano. firmando a liberdade de ação.19 Por isto mesmo. 73. Curitiba: Juruá Editora. particulares. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. que avalia custos e benefícios. 2008. talhadas na sociedade. Atahualpa. decorrem de eleição entre alternativas que serão mais ou menos proveitosas para um certo indivíduo particular em circunstâncias. a capacidade de poder tomar a decisão de comportar-se de uma determinada maneira pode ser genética. comum entre críticos contemporâneos da neurociência: pensar as explicações evolutivas e neurocientíficas como explicações expressas em termos de determinação genética do comportamento. o cérebro) que permite que o organismo avalie os custos e os benefícios de comportamentos alternativos e a que faz possível a eleição. embora sob determinadas circunstâncias e condições que não são de sua escolha”. enquanto os indivíduos são agentes com responsabilidade pessoal por seus atos. Marly.9 personalidade. É a capacidade (enquanto intenções. Atahualpa. Então. Curitiba: Juruá Editora. é preciso agir com observância de regras. os cérebros não são responsáveis”. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. no mundo humano. 75. seguindo Gazzaniga. é porque socialmente nos relacionamos que podemos dizer que. Atahualpa diz poder seguir acreditando no axioma segundo o qual: “os cérebros são mecanismos automáticos. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. 2008. ou seja. o sentido da responsabilidade pessoal se evidencia em um contexto de interrelação social. exemplarmente. Marly. Segundo Atahualpa. regulados. é preciso evitar a confusão entre as questões relativas à função (porque sucede algo. determinados.17 De fato. Eis porque. para sua organização e manutenção. objetivos. livres para tomar suas próprias decisões – isto é. fruto de um processo decisório. o propósito a que serve na vida do indivíduo) com a ontogenia (como se produz o efeito durante o processo de desenvolvimento). p. registra: 17 FERNANDEZ. dependem das circunstâncias concretas. 19 FERNANDEZ.

Curitiba: Juruá Editora. devemos nos investigar em três níveis. o psicológico e o sociocultural. 2008. Marly. Este o desafio da integração das disciplinas humanísticas. Para nos compreendermos. o físico. não somos produzidos. Atahualpa. Podemos pensá-lo como um problema metafísico (liberdade interna) ou social (liberdade externa). Um desafio: a liberdade como pressuposto do atuar moral do homem Sob várias perspectivas pode ser pensado o problema da liberdade. tudo limita nosso espaço de manobra.. ao decidirmos. Frise-se que o lugar de discussão em torno da relevante questão da responsabilidade deve se ampliar. sob nova perspectiva. FERNANDEZ. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. p. Daí ser também variada a tipologia da liberdade: 20 FERNANDEZ. Se você fosse a única pessoa da Terra. permanecemos entre as regras engendradas na e pela societas. 2008. que implica algum poder de escolha. humanos e sociais que somos. Existe dentro de um grupo. FERNANDEZ. 3. a gente (mais que um ser humano) se rege por um sistema de regras quando (con-) vive com outras pessoas. Daí que nenhuma determinação física seria capaz de explicar a noção de responsabilidade.10 a responsabilidade pessoal é um conceito público. como autonomia do indivíduo. nos produzimos socialmente. tão comuns na história do pensamento. Neuroética. Atahualpa. nota n. 21 Neste sentido. já que “somos radicalmente indeterminados no que se refere a nossa liberdade”. Curitiba: Juruá Editora. como ausência de coerção ou positivamente. mas as alternativas persistem. Não é porque somos capazes de ser de certo modo que devemos sêlo: a resposta pela responsabilidade. 21 FERNANDEZ. dessa interação surge o conceito de liberdade de ação. existente no mundo social. 27. 75. p. . 20 Conclui-se que a responsabilidade é uma construção humana. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. A responsabilidade é um conceito que cada um forma em torno de ações próprias e alheias. Neuroética. não no contexto de um indivíduo. Os cérebros estão determinados. Conferir aí. 75. uma regra que gerencia a convivência humana. aliado ao ambiente que nos toca. sem isolamentos e incoerências. muito embora tenhamos que lidar com algo trágico: o que somos de um ponto de vista neuroquímico.. não seria pertinente o conceito de responsabilidade pessoal. parece. Somente uma visão multidisciplinar e integrada das várias ciências que contemplam estes vários níveis do humano pode nos instruir sobre o que hoje somos e a sociedade na qual podemos viver no futuro. negativamente. Marly. é social: eticamente nos produzimos no encontro com os outros e.

Marly.25 Diversamente do humano. é o homem que sabe o que quer e por que o quer. 2008. 2008. Curitiba: Juruá Editora. 2008. não se dando de forma definitiva e completa. FERNANDEZ. e que age em conformidade com as razões que aprova”. repetindo uma forma de se comportar que segue. mas sim por seus próprios e determinantes motivos. constituintes de seu comportamento moral. racionalidade jurídica. FERNANDEZ. vez que estamos sempre nos construindo. se decide após uma reflexão. cria para si uma segunda natureza. 78. é conquista. assim. Chega-se. por atos e hábitos. Um dos fundamentais sentidos da afirmação da liberdade é aquele que atribui ao homem seu agir como algo de próprio.1 Liberdade humana e moral O homem. p. age-se livremente quando se atua sabendo o que se faz e por que se faz. 3. 24 FERNANDEZ. de algum modo. na atualidade. racionalidade jurídica.22 Liberdade psicológica: não se sentir o indivíduo constrangido a atuar “por instância de uma motivação mais forte”. Curitiba: Juruá Editora. ao agir. Marly. deve se verificar que a liberdade. Curitiba: Juruá Editora. como autopossessão. tanto agindo bem como agindo mal. a 22 FERNANDEZ. Neuroética. “alude à autonomia de que goza o indivíduo frente à sociedade e se refere à liberdade política ou civil. 77. racionalidade jurídica. 78. fruto de uma sua eleição. p. em tudo. 79. Marly. 24 Neste sentido. quando escolhemos. Curitiba: Juruá Editora. o faz liberando-se das alienações e determinações. Neuroética. sem submeter-se aos impulsos e inclinações sensíveis. FERNANDEZ. à seguinte compreensão da liberdade: “a liberdade é o estado do homem que. a liberdade pode ser compreendida como autopossessão. racionalidade jurídica. Neste sentido. Atahualpa. vez que se comporta de forma unívoca em relação ao ambiente. garantida pelos direitos e liberdades que amparam o cidadão nas sociedades democráticas”. Neuroética.11 Liberdade sociológica: na Antiguidade. FERNANDEZ. característica do indivíduo que. 23 FERNANDEZ. Neuroética. equivalia não se encontrar o indivíduo na condição de escravo. Atahualpa. o animal carece de liberdade. Atahualpa. p. isto porque “a atividade moral lhe vem exigida por sua própria e peculiar estrutura bio-psicológica”. com conhecimento de causa. p. atuando “sob o único peso de suas opções pessoais e meditadas”. Liberdade moral: ser o homem capaz de determinar-se e atuar racionalmente. Marly. direito e neurociência – conduta humana e direito e neurociência – conduta humana e direito e neurociência – conduta humana e direito e neurociência – conduta humana e .23 Ademais. 25 FERNANDEZ. 2008. Atahualpa.

mas espera que outros. em uma rede de vínculos e interações. Eis porque. é resultado de um complexo processo. A existência da responsabilidade moral se funda no pressuposto da liberdade. ademais de ter que desenvolver sua autocriação moral em meio a uma acentuada desigualdade de oportunidades. dá vazão a sua alta predisposição para seguir regras. o homem tenha se agregado. conduzindo-se como homem que con-vive em sociedade. aberto ao entorno. Estas se referem às concretas possibilidades de agir. Neuroética. reage a eventuais descuprimentos. Assim. 81. A saída mais segura para o homem. É assim que ele não somente cumpre as regras vigentes. Seja porque é ser físico e sujeito a programas de seu organismo. ainda. 2008. seu agir não é mero funcionamento de seus mecanismos instintivos. O animal não elege comportamentos. ser moral. ordena as solicitações que lhe são interiores e/ou exteriores. quando age. Atahualpa. sendo a-moral: é incapaz de vida ética. em um entorno social que limita suas possibilidades.26 Desde que. isto porque. se cria. age eticamente. do mesmo modo. 26 FERNANDEZ. o homem. Por tudo. enquanto ser moral. outras não.12 herança da espécie. Marly. no âmbito de suas possibilidades de ação. o homem é um ser moral: resulta “não somente de uma mescla complicadíssima de genes e de neurônios. ou seja.2 A liberdade e as liberdades Comum a distinção entre liberdade e liberdades. é seguir as regras vigentes na sociedade em que se encontra. passou a comportar-se de acordo com as regras próprias à coletividade. Por sua vez. seja porque. o homem. somos responsáveis pelas ações que estiverem sob o comando de nosso controle volitivo. Ele. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. primitivamente. 3. p. FERNANDEZ. há ações livres. elegendo valores. em meio a possibilidades contingentes. . Aquela nos remeteria à ideia de uma ação imune a qualquer coação. valores. Curitiba: Juruá Editora. aprendizagens e influências procedentes de uma vida essencialmente sócio-cultural”. Quanto a estas não podemos nos responsabilizar. já se encontra. senão também de experiências. também as cumpram e. A via ética é o espaço de construção homem como ser autodeterminado que.

uma vez que o indivíduo. a responsabilidade moral não pode ser pensada a partir do indivíduo. FERNANDEZ. 2008. dentro de um quadro finito de possibilidades. Curitiba: Juruá Editora. puníveis. como ser relacional. segue o modo de ser do homen no mundo que “é intrinsecamente um modo de ser interpessoal”. Atahualpa. Curitiba: Juruá Editora. isto porque. opta entre elas. Enquanto a liberdade supõe definirmos a natureza humana (saber se é ou não possível o controle de ações). Marly. na hipótese contrária. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. que permite reconhecê-las com certa objetividade e expressá-las em forma discursiva”. mas sim a partir de sua peculiar situação de convivência ético-social. A raiz da liberdade se encontra “na neuronal subjetividade do homem”. exculpa ações havidas na falta de uma racional capacidade de decidir. Atahualpa. Neuroética. se evitáveis. a liberdade humana. 27 FERNANDEZ. como tais. Neuroética. p. Marly. 79. 3. “a capacidade de comportamento livre depende da integridade funcional dos lobos frontais. não existe apenas como razão. No entanto. o homem realiza opções. 83. o que não sucederia. . 28 FERNANDEZ. concretamente. Lado outro. como pessoa. uma e outra devem ser pensadas em conjunto. proclamados como a sede definitiva da moralidade”. Se presente o controle volitivo. Atahualpa lembra os ensinamentos de Goldberg. Em contrário. p. para firmar que a neurociência pode auxiliar na tarefa de verificação do controle volitivo. FERNANDEZ. Daí que a liberdade se exerça na interação com os outros. atriuindo-lhes valores.27 A lei pressupõe uma capacidade geral para a eleição racional de condutas. guiando-se de acordo com eleições que faz.28 A pessoa não se confunde com as coisas. já que o homem reconhece o sentido e valor das coisas. ao menos em medida. da ausência de controle volitivo ou quando verificada uma causa externa compulsiva determinante. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. Enfim.13 As consequências jurídicas e morais das ações pressupõem o livre controle volitivo do indivíduo ao agir. 2008. as ações decorrentes serão atribuíveis aos agentes e. mas também como “lumen naturale: distância das coisas. ou seja.3 A raiz da liberdade pessoal A liberdade é própria do agir humano.

pois. a concepção levinasiana da ética. É que ele se sente ainda com seus companheiros e ainda engajado numa luta comum. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. eis porque a liberdade se exerce concretamente. o homem é ser relacional. Tais motivações não anulam a liberdade. o mundo já está constituído e somos solicitados por ele. o que ele sempre pensou e disse sobre a liberdade. Curitiba: Juruá Editora.29 Ou seja.14 Atahualpa invoca. porém. Ele não é uma consciência nua que resiste à dor. direito e neurociência – conduta humana e racionalidade jurídica. nosso cérebro e nossas mentes não estão desenhados para viver em ausência de outros. Neuroética. Isto sem esquecer que a história é o lugar da resposta pelo reconhecimento. Marly. nascer do mundo e nascer para o mundo. sobretudo. é impossível delimitar a “parte que cabe à situação” e a “parte que cabe à liberdade”. no encontro com o outro. 30 FERNANDEZ. Sob o segundo aspecto. degradando-se. e se vê afetada por. 84. um modo de estar com os outros… Escolhemos nosso mundo e nosso mundo nos escolhe… Concretamente tomada. reconhece-o como tal e a ele responde. os demais seres humanos”. a raiz da liberdade se colhe no ser mesmo do homem. Isto porque o homem se mostra como ser interpessoal que. FERNANDEZ. porque tenho possibilidades próximas e distantes… 29 FERNANDEZ. se pode aproximar esta concepção de liberdade daquela pensada por Merleau-Ponty. Atahualpa. quando este escreve: Nascer é. neste contexto. Marly. 2008. Creio que.30 Portanto. o mundo não está inteiramente constituído e estamos abertos a uma infinidade de possíveis. a consciência orgulhosamente solitária que é. desde há meses ou anos. em meio às exigências do tempo no qual se age. mencionado aí mesmo na nota n. FERNANDEZ. Atahualpa invoca as conclusões de De Waal. mas lhe dão ancoradouro no ser. jamais sou como uma coisa e jamais sou uma pura consciência… A situação vem em socorro da decisão e. historicamente mediado. Atahualpa. uma vez que “nossos corpos. p. isto faz parte de sua constituição mais própria. simultaneamente. que se resolve na e pela presença dos outros. revelando as raízes éticas de toda e qualquer concepção da liberdade. Sob o primeiro aspecto. tem enfrentado essa provocação em pensamento e nela apostara toda sua vida. com o que se conclui que “a dimensão ética é a quintessência da liberdade”. 84. mas o prisioneiro com seus companheiros. ou. no intercâmbio entre a situação e aquele que a assume. a este propósito. da liberdade como resposta à presença e chamado do outro. enfim. ou. Neste particular. ultrapassando-a. a atividade psicológica e neuronal humana não ocorre de forma isolada. . Tortura-se um homem para fazê-lo falar. enfim. como filosofia primeira e. Existimos. p. é porque ele quer provar. não é por sua decisão solitária e sem apoios no mundo. sob os dois aspectos ao mesmo tempo. 2008. ou com aqueles que ama e sob cujo olhar ele vive. ainda. Se ele recusa dar nomes e endereços que lhe querem arrancar. Não há. a liberdade é sempre o encontro de nosso interior com o exterior. Curitiba: Juruá Editora. necessidade absoluta nem escolha absoluta. ou é porque. ao menos em alguma medida. 31. senão que está intimamente conectada a. sem nunca tornar-se nula. Há um campo de liberdade e uma “liberdade condicionada”. à medida que diminui a tolerância dos dados corporais e institucionais de nossa vida. a partir do conceito de situação. Neuroética.

Atahualpa. precisa ser pensado levando em consideração a ciência de nosso tempo. neuroscience changes nothing and everything. mas o faz deslizando sobre este sentido. p. no que diz respeito ao tratamento da liberdade.15 A escolha de vida que fazemos tem sempre lugar sobre a base de situações dadas e possibilidades abertas. Rocco: Rio de Janeiro. Maurice. Joshua. Merleau-Ponty é aquele que. Enfim. Jonathan. 31 MERLEAU-PONTY. . não raras vezes. 3a ed. mas por meio delas. São Paulo: Martins Fontes. 26. In: The Royal Society. 2001. Todas as minhas ações e meus pensamentos estão em relação com essa estrutura. Fenomenologia da Percepção. segundo nos parece. seu destino em termos de finitas possibilidades. com o mundo e com minha liberdade. mais tenha se aproximado de uma adequada resposta ao problema da liberdade. FERNANDEZ. dentre os fenomenólogos. Neuroética. Curitiba: Juruá. Em seguida. hoje. 2011. COHEN. 4. 1775-1785. No entanto. For the Law. e não por uma criação absoluta… Sou uma estrutura psicológica e histórica. David. deve conhecer criticamente seu fim. um estilo de existência. já tem provocado ou deveriam provocar. opôs filosofia e ciência. 31 Por tudo. talvez. GREENE. os primeiros passos já foram dados. FERNANDEZ. sou livre. v. Nov. fundando-a em uma concepção do homem. situado concretamente em meio à história. trataremos de alguns aspectos da neurociência que. Recebi uma maneira de existir. Referências bibliográficas EAGLEMAN. 2004. A era da segmentação que. o problema da liberdade segue sendo desafio ao pensamento e agora. esposando-o inicialmente para depois afastar-se dele. 371. 2008. Marly. pp. Direito e Neurociência. ao menos em parte. Incógnito – as vidas secretas do cérebro. E. não apesar disto ou aquém dessas motivações. são elas que me fazem comunicar com minha vida. enquanto ser natural e social. mudanças de direção na tradicional teoria do direito. Minha liberdade pode desviar minha vida do sentido espontâneo que teria.