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Apresentação

o espaço e a ferida
RaúlAntelo

No ensaio que dedica à obra de Georges Bataille, em 1963,
tIl

1

,1\

hcl Foucault admite que a filosofia não possui objetos novos
que estamos,

plenamente,

na idade do comentário.

II .rpontara a mesma ideia, quando

" princípio

Benjamin

disse que é no comentário

filosófico se cala e adquire, finalmente,

que

forma, mesmo

'1"l", decerto, de maneira informe. O filósofo italiano Franco Rena
( 1944-), consciente

dessa tradição,

mesmo

por evocá-Ia em suas

A/lcrologie. Territori di confine (2007), sabe que o comentário
" hcrrnenêutica
crta experiência

I

eminário

do sentido,

antes, pelo contrário,

não"

ele implica uma,::r;-

de extimidade, conceito que Lacan utiliza, em seu

sobre a Ética, quando

alude, justamente,

à experiência

Intima que comunica o sujeito com o real, enquanto experiência interior.
Prefigurada pela ideia freudiana de significantes ambivalentes,
que provocam no leitor certa estranheza inquietante, a impertinência
do comentário põe em cena a mútua exclusão entre o real e o sentido,
daí que a tarefa do comentário consista, de algum modo, em promover
.1

precária integração

diferentes

de contextos

tempos ou diferentes

culturais antagônicos,

feitos de

culturas, para os quais a escritura

oferece uma ponte, um conhecimento

suplementar,

extremamente

provisório, porque é apenas um território de confim e porque, além do
mais, o comentário

não tem a presunção

de estar habitado

por um

princípio filosófico derradeiro.
Se o comentário é apenas subalterno, na medida em que depende
da interpretação

e é subordinado, de fato, à filologia, pelo contrário, ali

onde essa disciplina vê tão somente um limite, o comentário transpõe

o erotismo e( I é I .maldita precipita. pode penetrar. mas antes modíficá-lo radicalmente.u iva de ultrapassamento I tllIlll história. em Bataille. da tensão mortal do presente: também não escapava já a nosso Autor que essa contradição 1IIIII. Rella prefaciou a edição italiana de A parte maldita. Idem . Nessa relativa indiferença entre a norma e 'I . ".o-}6. Preceduta I/(Júone ài depense. aliás. "um espaço e uma dilaceração historicamen determinados'.' Georges Bataille. como espaço da dialética. o que nã o configura uma perda r~_alde vidas humanas ou não humanas. 9 ..· "no nosso 111110se verá também em Zizek. aprendendo I a lidar com o que em que a transgressão mantém uma relação COnLQ proibido.. No comentário. Franco . I'.11. '!\.1I10S 1970.\ miríade de fragmentos. portanto. Franco Rella retoma uma pela primeira vez.r I '. 1'. por "uma forma de negação. portanto. mesmo que compacta num corpo. a dépense. a negação. P: 15.Ao contrário..0 Q.I~II natural e cultural. Georges. Mas esse espaço era.1~1l anos. a linguagem. aos vinte e oito sociale (1933). Há. em direção à parte do homem". o mesmo que. aparece. em Bataille. para usar um conceito tão caro ao Em ''A ferida metafísica" de Bataille.Jassocíações de imagens que 'destroem. com o sintoma. Ol um mundo entre uIlLespaço onde está em jogo a contradição. O objetivo. mas nunca como Forma. na medida em que em direção ao excesso. mais I 9-rde~ coisas prátícas'" Ora. osigno constituem ontradições. 1111111 futuro. I' ilavras". Mais recentemente.f) ). ideologias. Rella já afirmava que o dualismo sua realização efetiva. a melancolia.. um espaço plural. assim. -o '" '0:: ~ '<"li o s» o. Não era um dado. mas 111I decisão. 1972. porque a escritura. isto é. Rella escreveu o -nsaio "Di fronte all'indicibile". Metamorjosi. 11"I) -nis Hollier eJacques Derrida. de práticas dialeticamente significativas: um "um espaço. Bertani. então. toma-se. como despedaçado e recomposto.. e onde ela concl!!1 o comentário.1società di impresa militare-religiosa.linguagem. um corpo pulsões. não escapa. material. 1. ) deixa reduzir às operações da filosofia clássica. 1. enfim. à qual. no qual se inscrevem <li para além da impotência fora antes estampada por Bataille no sétimo número de La critique fragmentos o que a escritura alarga continuamente. já que se oferece como paradeigma. Francesco Serna. '" 11. nessa I. paixão de juventude. sem o qual ela seria pura animalidade satisfeita. em Kristeva.. mas l~.a. Feltrinelli. ao jogo mortal que se exprimiria. em 1972. em Rella.")':0". Milano. obra que Rella define.Ai conjini dei corpo. o salto que nos projeta u ut. talvez à maneira de Blanchot. Já. il capitalismo. mas incorporando místico-material 'I u-orico do não-saber punha em crise tanto a religião quanto seu em suma. meramente simbólico. a rigor.· " . porém. delia passione. porém. mas. inconclui. uma maneira criativa de.lVaa ~bra de Bataille particularmente ~ir'~ ou seja.l. da ideologia dominante.um confim. nem mesmo o estalinismo. um A noção de despesa. Trad. plano ou projeto.Iparece em um livro de Rella de 1984.corpo.OU1~ I' 1.1I111'ulode um processo de A_uf!Jebung". P: 53. em consequência. (2007). com efeito) a pós-história. Vl <li a ciência. integrado à antologia por ele mesmo u-unida. '" C <li sol negro. comemoração.. em 2000.vácuo.I escritura. que tenha renunciado às garantias tranquilízadoras dg. do sujeito. necessário como espaço e como. todo comentário torna-se ficção. não era condenar o mundo burguês à sua dissolução. nesses inícios I1 .La parte di Bataille. Ou festa.IuLe. que somente uma prática D encontrar. no interior assim maldita. como fórmula.leitores de sua leitura. quando o Autor pensa a cifra da modernidade..' 't.. que diante dessa concepção esgarçada no espaço. a ideia da jerida metafísica. que alternativamente. O comentário nunca jitera].o ~ aponta sem12reem elire ão a uma realidade material: ela abre.ti College de Sociologie. precipita a passagem a uma ~ \I rítica do Real. In: BATAILLE.com o acidente. da La Vl <li . onde podemos encontrar a obra. corpo infinitamente de leitura 'plural. publica da.. " r. Rella julgava. uma relativa equivalência entre significante e significado. esse dispêndio disseminador deixa de ser. Immagini dei /'I'/lsiero. Nele nos mesmo do discurso. a rigor. 10 stalinismo. Verona. um. hegelianarc. ~ma perda representada por. unidade do autor. em 1949. Vl <li A obra de Bataille é um imenso fragmento composto de O I IIIH. A parte. em sintonia uma vez que o comentário (a forma) equivale ao próprio conteúdo (o procedimento) ura é responsável. 2000. 10 11l. Com efeito.ssa laceração interna provocada pelo dispêndio. Rella nos diz que não é mesmo na sQa escritura é uma tensão permanente 0. La parte maledetta. 11 1 1.' Um dos tantos fragmentos de Bataille o «o <. porque conduzia \l11.no conceito de Real. ao adquirir 111 I uma nova tatilidade.10burguesa a seu limite. que~ r rt RELLA.captar a vida pluridimensíonal. Pathos: scrittura dei corpo. 111função de sua própria disseminação..v.N. dei dolore.

deI dolore. "j A Revolução manifesta-se. por exemplo. entre fato e interpretação. é é pensamento confins onde contradição. que na verdade coloca Bataille num I 1"11110de maior estímulo à indagação do que o próprio Heidegger. a universalidade 1\ vista Acéphale. o tempo. Esse tempo extático)só pode ser achado na visão daquilo que o acaso pueril fez bruscamente coração de uma verdade. a realidade não é um existe interpretação nem destinação. '" (Nictzsche). a verdade é enigma" O total entre positividade x plosão da própria vida. como a súbita explosão de eternas sublevações .•. ora como eterno retorno '" o ora como apocalipse (Derrida). porém.•. de maneira assumidamente I a Franco Rella. Acredito que o segredo da literatura seja este. [. em O processo. estampadas na" "' I'lIme.Pathos: scrittura deI corpo. Para nosso Autor..scritura_como <:» A . . uma forma da experiência interior.' 12 ~~é 11111 ponto de chegada ou um ponto de partida?': A nudez. por inteiro. então. o tédio e. na literatura. longe de 1'1 13 :g'" ~ '" um dado natural.. morte de Deus. 2000.• r~ I. a Revolução. debruçam-se Ildg. super-homem claro em Pensare per jigure. Bologna. /' . como inexplícáveis" E. Bataille já afirmava que o acéfalo constantemente sobre aquilo que é invisível ao pensamento lógico. forma à experiência do mundo. na existência concreta do homem. "não e que nos coloque. ~ li.. um questionamento: 11111. que a literatura "não resolve enigmas: negatividade. um conjim. 1111'um estado do ser. . assim sendo. mas. Com essa.rsxim. portanto. nas "Proposições Nessa definição de literatura reaparece outro conceito I caro a vertiginosa exegese da parábola da lei. entre cá RELLA. ou seja. da relação de Bataille com esse momento de peculiar 11 A nudez.] Portanto. v t f. em todo caso. 3 ao homem- . . até identificarem-se: J mitológica. o de conjim. p. mas um extremo.Irantias inabaláveis de acumulação. In: RELLA (Ed. no fundo de tudo. uma condição.humano plano de consistência. em sua imposição para além das categorias corriqueiras. é fuga do mundo do discurso.-~~1 tL/~O<~ l'lllpleta Rella . cadáveres. do mal. deixa subsistir apenas os rastros da morte. 1 l) •.1 origem. as máscaras da morte.. essa noção tão bataillana. Num e noutro caso. Pendragon. "a metafísica de modo bem mais nítido 1.IOe no ato erótico. escreve Bataille. é a afirmação de uma contradição nos podemos colher. 170. Kajka. à morte de Deus e. algo que ele deixa que esgote as possibilidades de todo sobre a morte de Deus".1 a abrir um confim crítico. I' 11I ver refutada. e cabalmente. 111\hstante" Mas essa constatação. da morte" - Aliteratura é desvio fora dos caminhos do logos habitual. em janeiro de 1937.. U' VI nplosão (Benjamin).. orno ex-sistência. iLe. ou diante do sofrimento. Nesse sentido. a alegria. Platone. de Kafka. Uma experiência extrema na ~ IIl1d. de todas as suas construções. Verdade e enigma se enfrentam e se r~lJl e entre antes e depois. mas na sua aparência bruta. justamente como intuiu Bataille.10 t. Portanto. talvez como em toda autêntica o impensado da vida.irrnos acéfalas a totalidade. 111111.lque como apare~e nos textos heideggerianos. numa espécie de tumba onde o infinito do possível nasce "d 'G <morte do mundo lógico": um espaço terrível. a literatura uma saída do princípio de não contradição que domina 0_ I . a literatura como a pintura. que Esquilo dizia ser o verdadeiro saber do mundo: o sofrimento. que funcionassem como '. a paixão. a mudança. ou mesmo como tempo o. Franco . não é. diríamos.fl ~é possível ligar "intimamente a afirmação à negação". lógico. segundo Bataille.negatividade sem emprego. o único em qll. uma reversibilidade I. a identificação • tll'éfalo remetem ambos a um tempo imperativo e à liberdade como Nesse livro afirma.. É uma forma de a verdade. nesse ponto. torna-se objeto de êxtase. nudezas. de um lance decisivo. 'I"l' é. como expulsão de qualquer '" O 1Ipo de continuidade o e sucessão temporais. Preud. aos olhos mudos de um mundo cheio de medo.'" U' ilumina-os de fato como enigmas. abismos.Di fronte all'indicibile. r' . il postumano (2004). porque o movimento voltado ao tempo entra. que nunca chegaram 2 c '" '" VI ~ . a soberania voltada à \'111cabeça confunde-se com a própria identificação ao sJlper. com a morte. Ora. se entra . É assim que essa cumpre "aquilo que geralmente é obra do 'tempo' o qual.quem se debruça sobre a "nudez ontológica da vida". não deve ser procurada nos seus resultados concretos e conscientes. E que um livro se torna maravilhoso se habilmente ornado pela indiferença das ruínas..oferece uma reflexão ainda mais ponderada a arte e define. "Estar-nu <.no a verdade é enigma. a seu ver. de fato. confim traça.lInento.) . sobrevir: ruínas. isto é.'sl ruição. quando esta se encontra A arte. Ela não é fundamento li I . . della passione. o terror.

exige a mais completa ausência de sensibilidade. afirma que 1'1 •• hlcrnática a definição de satisfação do interlocutor. quando~~~ ~"r~-{). alterando a superfície disponível..dlimard. ao contrário. 111. 2006.. às vésperas da Segunda Guerra Mundial. redigida na biblioteca de Orléans. porém.exa]][i!l. o mestre Bataille conseguiu ver. r to a anterior. Choix de lettres. O bom deus reside no detalhe. É o que desenvolvem livros como o já citado Micrologie ou 14 DaI/' esilio (2004). I" I os argumentos expostos em uma v. verdadeiramente. pode nos ajudar a entender um pormenor. enfim. acéfala. ancestral.. a seguir. A combinação desses dois provérbios. assim como I1 que é uma forma impiedosa de . a menos evasiva. incessantemente. não creio que você possa pessoalmente evitar este problema derradeiro.irta.m." o<J) Cl) O I E. ~ E?J 03 pensar <J) '-v~I. dois dias depois de Bataille ter discorrido no ColIege de Sociologie sobre os conceitos hegelianos. p~viamen~dP. a oikonomia como administração da vida. 1I1 r A guerra muda. 1101" carta de 1952.f sem limites." A II I. 441. entretanto. porque ele exauriuse. impotente. Talvez seja a razão pela .. C Cl) com efeito. Trad. a existência universal permanece ilimitada e. não o embaraçando minimamente chegar a uma sabedoria ridícula: seria preciso. uma vez que " terreno em que você se aventura é escorregadio: parece-me.11 " ulh- disseminar o controle como exigência da nova situação. ~ num apelo omnes et singulatim. sendo SL'U destinatário. No caráter desmesurado e dilacerante da catástrofe sem finalidade que é a guerra atual.que completa a revolta suspende o tempo. simultaneamente. Neles constatamos que a existência universal. Georges. uma vez que com ela se instaura um tempo póshistórico. por isso mesmo. A linguagem e a morte: um seminário III'gatividade. encontrar um tom indefinível que não seja nem o da farsa nem o do contrário. Mais tarde. que a verdadeira universalidade é a morte de Deus. é nada'. Deus escreve certo por linhas tortas. ao começo da arte em Lascaux. Burigo. ao debate pós-histórico. a morte. o homem expande agora o espaço. arrematando. E este "mais tarde" é. que é a forma mais derrisória de <O Cl) o tr <O abordar o tema . Como já não pode se expandir no tempo. não o trilhando senão parcialmente. . porém. a Revolução repõe o tempo nos trilhos da ordem. um deles. palavra de ordem de Aby Warburg. representar aquilo que faz coincidir a sabedoria e o objeto do riso. 10 antes disso. de 6 de dezembro de 1937. no sentido de que.". abre-a e a relança. perfaz um mundo semelhante . tal como ordenada pela economia moderna. como o marco inaugural dessa problemática . sem dúvida. Jamais tencionei dizer-lhe ~ <J) Cl) nada que não seja expressamente e voluntariamente cômico ao chegar a este ponto de resolução. sendo. Giorgio Agamben. Ora. (:. ligado à relação entre Bataille e 11m '\ de cujos pontos altos é. @i. inexistente: que "a existência xale dizer que não é mais. e o segundo. a imensidade explosiva do tempo. '~'.. diz Bataille.2 51 'o "" de Dali-Bufiuel. é possível reconhecer. comentando-a excurso de A linguagem e a morte. c untudo. bem . Não obstante. mas. atribui-a a Kojeve. a nova ordem revolucionária.oJ~ 111 potência. criando ou como dirá o próprio Bataille. Rella não hesita em apontar a carta de Bataille a Kojêve. humana é o díferimento para t. que. 0_ destruindo. como o olho rasgado.vale dizer. Henrique BATAILLE.uerid~que sangra. Michel Surya. Conviria. nada trivial.unente.~ ~"'''' AGAMBEN. a dimensão singular1?lural c!e que nosfala jean-Luc <3 Nancy. Retomando uo c integral~e. Ed. Kojeve ou.. o que traça. para ser completo. Ora. você contraria a polidez elementar que consistiria em convidar seus evocados a dançar epilépticamente com as personagens de que V fala. que nada mais é do que a regressão do homem ao estado de natureza. a uma falta insaturável. Ou mesmo seu trabalho como editor da História do erotismo (2006) de Bataille. eternamente inacabada. na inquietude do infinito. ele próprio. p. em outras palavras. a carta de 8 de abril 1'1 ~.\". sem repouso: ela não reclui nem encerra a vida num invólucro impermeável. como a imagem aberta de Didi-Huberman. se Foucault nos revelou que o poder pastoral descansava o t r aJ:l'!p-. acrescenta: o -<O tr <O Mas você talvez prossiga rapidamente. tornado global. Belo Horizonte: sobre o lugar da Editora UFMG. . datada de 28 de julho de 1942. pois. « lr. Giorgio. compreenderíamos que. Creio. que você minimiza o interesse das expressões evasivas 15 <O :g 2 que emprega ao desembocar no fim da história. no final das contas. Paris: .. importância. Eis por que seu artigo me agradou tanto.irdc. 1917·1962. deixando de reconhecer que essa satisfação de que você fala é intangível. e é evidente que as palavras não nascem senão da boca para fora: não tendo. 1997. P: 73.9tênciª. uma farsa no sentido mais próprio.

. p. negatividade...0 (r' .Bataille/ e a ele devemos atribuir a ideia entre satisfação a noção da ausência e insatisfação I" II ncia comunitária. contra a negatividade dialética e o seu discurso. Giorgio.\ membros da comunidade.1. dll'Ir. mas limitase a mostrar o abismo de Sigé. a de Acéphale) mesmo a do College de Sociologie. construí da a partir comum e. "Bataille e il paradosso della sovranità". à própria não fundamentação). \l. de dar-lhe a pri!Jlazia afeito. I')H 7. no senti~ que a forma correta de colocar o problema não seria a da satisfa(ão) mas a da soberania) soberania essa que é a do sábio no fim da história. 145. porém.ainda que esta forma (como sugere Kojeve e como confirmam alguns aspectos da gnose antiga e daquela de Bataille) seja.11".? da satisfação a ser risível. 17 :2.. eventualmente. Ambos. Mas I ~\l introduz. ela deve. a morada habitual do homem. a restrição de Agamben.:ê concede que se tenha do que rir.1 .6 nteceLPorém) que ~ autor da carJa de 1952 não é KQ. p. Edgardo.roas. por isso. 118.1 comunidade III.1111 "de Estado'. pressuposto 11111 ou.er a expenenCla. necessariamente muda) da negatividade sem emprego. dos amigos.YQ. sobre o lugar da . Jacqueline.1 I\. É evidente que. antes de tudo. Malgrado tudo.1< dos amantes. algo a que Agamben não é particularmente que "I. a impossibilidade mesma de ser comunitária enquanto sujeito da comunidade.IISfrequentemente. nesse sentido. Nós vivemos hoje naquela extrema fímbria da metafísica em que esta retoma . porém. Giorgio. . a metafísica não é superada. ( 6 Ibidern.erio rincíp!. p. p. para qualquer é também um modo) literalmente. auto exclusão .. mas reina na sua forma mais absoluta . em vez disso. mas não que seja º_wó. C 1". 117. 74./\gamben qual você por vezes tenha aceitado levar em conta a minha própria sabedoria. segundo reitera Agamben. a Bataille. se coerente. como vemos. AGAMBEN. a recusa . cit. Cf. questionam-se I"•. /\ comunidade que está aqui em questão tem. pressuposta 1. Daí a censura agambeniana a Bataille.'" V' 2 c v v '" ~ . \ ' absoluto estar-fora-de-si do sujeito. encontrar uma experiência da palavra que não suponha mais nenhum fundamento negativo. leve faltar a si no momento mesmo em que deveria estar presente para . isto nos opõe: você fala de satisfaçãQ. para Agamben. lima estrutura absolutamente singular: ela assume em si a Impossibilidade da própria ímanência. ou mesmo sobre a impossibilidade.. inconsciente. . o êthos. Ia potencia. que estão presentes só através da I" úpria decapitação". Georges Batail/e: il politico e il sacro.como niilismo . da própria paixão entendida como êxtase. em outras palavras... de toda comunidade positiva. ".1. Napoli: Liguori. Assim. CASTRO. efetivamente.11.. na experiência (mística e. A linguagem e a morte: um seminário op. ao contrário. '" lbidern. de sorte que a ~ª-u~ 111 I de Bataille não por Acéphale. a de uma "farsa'" 16 tanto Nancy quanto Blanchot. 1\ comunidade repousa. p. li movimento na história. de uma cabal de colocar a soberania do sábio no fim da história ou de verificar a identidade reconhece comunidade'i" Daí que. a comunidade com a comunidade trabalharia dos artistas ou.úlle. o modelo comunitário • 1. a comunidade pode ser tão somente "comunidade daqueles que não têm de objeto para toda pulsão. em texto posterior. de. encontrar fundamento.. GiOlgio Agamben: uma arqueologia Buenos Aires: Jorge Baudino / UNSAM. de algum modo.\ impossibilidade da comunidade e a experiência desta unpossíbilidade funda. 8 AGAMBEN.. concordam em reconhecer. Se o abismar-se do fundamento não revela. " v '" O I o .2 'v" o V' 'c. de maneira restritiva.1. a única comunidade possível.ao próprio fundamento negativo (ao próprio Ab-grund. .f~" 1.m. ln: I ISSET. o paradoxo decisivo do ekstasis..l:f. 441-442.I(.afirma Agamhen. IIOSde Bataille no tocante ao tema comunidade.. uma vez que o filósofo da pantomima .. como pensador jarsesco: Um pensamento que queira pensar para além do hegelianismo não pode. "não significa somente da elisão da ionalidade e exclusão de um chefe. mas. 1 possibilidade. sob essa perspectiva. e que consiste em que "aquele 1\" ' faz a experiência não está mais no instante em que a experimenta. 7 Devo a Edgardo Castro ter me alertado dessa questão filológica nada trivial.""" . sgmo. 2008.

. ou: eu. omissões e atribuições errôneas. esse paradoxo do êxtase bataillano . p. que é.. SusannaMati relembra. RELLA. mas ele Significa muito mais do que aquilo que é. tendo o poder legítimo de suspender (e. como vimos. MATI. . mais ainda. carta essa. Mas quais sejam os legítimOj prejuízos nos seus confrontos. nesse não-saber tão esquivo do pensamento acéfalo..' . o paradoxo aquele que tem o poder desse modo. Milano: Mimesis. G. que. para Agamben. neste último caso. a rigor. evocando. em particular. Rella. quem. Por isso. evidente em lapsus. o de que ele deve faltar ali mesmo onde deve comparecer como a estrutura antinôrnica . Tanto Franco Rella e Susanna Mati. mas a constitui. Somente afilosofia reveste uma estranha dignidade pelo fato que ela assume a aposta em questão infinita. ela é criticada aludindo ao "sentido agudo quanto ao significado filosófico das questões terrninológicas" envolvidas. a validade então desta forma: 'o soberano está. de Bataille a Kojeve. A comunicação é um fato que não se acrescenta -. do incidente Heidegger. ao mesmo tempo. mais uma vez. a verdadeira subjetividade. 117. o soberano) que estou fora-da-Iei. O seu valor está inteiramente na ausência de respostas que suporta. nos diz que Bataille foi "uno deifilosofi piu 18 significativi dei XX secolo". coloca-se. Blanchot. o estado de exceção e de suspender. nega o sujeito como coerência e afirma-o como paradoxo. a validade da lei.LO. fora e dentro do ordenamento. na verdade. mas somente o fato de que responde à aspiração do homem que requer a aposta em questão de tudo aquilo que é [. . em "Filosofia futura. ele é aquilo que está sobre) o que. está fora da lei.]. repõem a verdade inconsciente. legitimamente.dalei'" Ibidem. Susanna.. segundo de proclamar do ordenamento a definição de Carl Schmitt. a definição lacaniana do sujeito. "em uma carta a Bataille que se conserva na Bíbliotheque A Ferida Metafísica Nationale Franco Rella de Paris. Talvez esteja aí a distância entre Relia e Agamben." Ora. pelo contrário. torna-se o núcleo mais íntimo da própria hipótese agambeniana do homo sacerll e. ou vice-versa. Bataille pode ser enunciado 'o soberano. quanto ambos unidos no diálogo comunitário "Em torno a Bataille". portanto. "Se soberano legítimo do pensamento é. G. o obstáculo a esse reconhecimento. por mais falaciosos (desprezív:is e também odiosos) que sejam os seus resultados. ou suma ateologia". sob) é soberano super.]..o de que o sujeito deve estar lá onde não pode estar. cegamente. sublinha explicitamente". Não são os resultados que lhe valem um prestígio discutível. em primeiro lugar. alinhamento 12 a noção de sujeito. Não se deveria imaginar que o evento não Signifique. O sujeito (aquilo que. o de ficar aí onde ele não está. paga o preço de um estreito junto a Foucault. é precisamente uma das feridas mais evidentes contemporâneo ® pós-fundacional e este livro ajuda a melhor compreendê-Ia. Bataille na verdade. ao elogiar o maior pensador francês. . que Kojéve. o paradoxo da soberania pode ser formulado também deste modo:'a lei está fora de si mesma. declaro que não há fora.j( de modo algum à realidade humana. por separado. ~-""''''. está sub. inimigo figada! da psicanálise.9. a sua supressao se esbarra nesta dificuldade: que justamente tal falta de resultados é realmente a sua grandeza. ideia que não contesta. fora dela.embora avaliado por Agamben da experiência interior que Bataille procurará. aquilo que é.Ora. Franco. . 2007. etimologicamente. Georges Bataille filosofo.. pela vida afora. Bataille . p. Não pode existir e5pfftI1tÇtl mtenor sem a comunidade daqueles que a vivem [. teria apontado Bataille. A precisão 'ao mesmo não é supérflua: tempo' do soberano G. jurídico.