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H Defensor

Órgão de Informação Geral do Estado-Maior General das Forças Armadas
Periodicidade: Mensal - CP nº10 Bissau - Amura - República da Guiné-Bissau - Nº 22 - Quarta-Feira, 30 de Dezembro de 2015

«As Forças Armadas da Guiné-Bissau têm agora a visão de
encontrar a solução dos seus problemas, por isso, a única possível, para nós, é criar alternativas próprias, se não, ficaremos inúteis camaradas.
Mas, afirmo-vos que as Forças Armadas da Guiné-Bissau
não são inúteis, visto que ninguém nos doou a independência
que foi conquistada por nós mesmos, graças às nossas
capacidades e valentia. Portanto merecemo-la» -Tenente-General Biagué Na N’Tan Chefe de Estado-Maior General das
Forças Armadas.

Ministra da Defesa Nacional na celebração
do 51º Aniversário das FARP

Fundado em 1994 - Director: Major Ussumane Conaté - Ano XXI - Preço 500 Fcfa

Saúde
FARP empenhadas na
luta contra VIH/Sida
carecem de meios
materiais e financeiros

«Aqueles que defendem
a segurança nacional e
a integridade territorial
do país, precisam
ser tratados
condignamente»

Nas bolanhas de Fa-Mandinga e Bricama
Forças Armadas projetam colheita
de 150 toneladas de arroz este ano

Esquecer o passado e fazer as correcções dos avanços
e recuos registados no percurso histórico das FARP
- Apela Tenente-General Biagué Na N’Tan CEMGFA

2 O Defensor | 30-12-2015

Hospital Militar Principal Sino-Guineense

HOSPITAL MILITAR PRINCIPAL AMIZADE SINO-GUINEENSE

Convite
aos leitores

Ficha Técnica
Director

Major Ussumane Conaté

O Jornal O Defensor, foi fundado em 1990,
como órgão de informação geral do EMGFA,
com o objetivo de informar não só os militares
mas também promover a aproximação com os
civis com o objetivo de promover a paz, reconciliação e a unidade nacional.
Por outro lado, este jornal visa divulgar as
ações de educação cívica e social dos militares
através das competentes estruturas, e formar os
militares enquanto cidadãos nacionais.
A partir do ano 2016, pretende-se diversificar
os temas e as abordagens dos assuntos tratados
neste jornal, abarcando todas as unidades e
especialidades militares e para-militares.
Assim, para diversificar as suas publicações,
“O Defensor”, órgão de Informação Geral do
Estado-Maior General das Forças Armadas
Revolucionarias do Povo (FARP), convida
todos os especialistas militares, dos diferentes
ramos a participarem activamente na sua produção escrevendo textos, se possível, acompanhados de imagens ilustrativas do tema
retratado.

O Defensor
Redação

Tenente Felismina G. da Silva
Alferes Adão Quadé
Bacar Camará
Augusto Francisco Gomes

Fotografia

#

#

Gastroenterologia

Anesteseologia

Furriel Joaquim F. da Costa
Soldado Luís Mané

Colaboradores

Engº. Maj. Manuel da Costa
Aissatu Só
Alexandra Naquiem (Estagiária)
Fadel Gomes
Irina Adão Pereira (Estagiária)

Edição Eletronica

Gazeta de Notícias

Conselho Técnico

Gazeta de Notícias

Tiragem: 500 exemplares
Impressão: INACEP

Produção

O Defensor | 20-10-2015 3

Nas bolanhas de Fa-Mandinga e Bricama

Forças Armadas projetam colheita de 150
toneladas de arroz este ano

As Forças Armadas projetam uma colheita de 150
toneladas de arroz, na campanha agrícola 2015-2016,
nos 98 hectares das bolanhas de Fá-Mandinga e Bricama (no leste do país).

termos de importação de arroz
para o país.

“Por falta de materiais, sofremos

perdas na plantação no campo

N

a cerimônia que marcou o início da colheita de arroz nos campos
agrícolas das Forças Armadas,
na localidade de Fá-Mandinga,
o chefe de gabinete do Secretário de Estado do Plano e Integração Regional disse que as
150 toneladas de arroz que sairão do espaço cultivado diminuirá
o volume do investimento do
governo na alimentação dos
militares.
Augusto Gomes reconheceu os
esforços e a iniciativa do Chefe
de Estado-Maior General das
Forças Armadas, Biaguê Na
N’Tan, ao corresponder com a
vontade política das autoridades
do país através dos trabalhos
realizados nos campos agrícolas.
Este representante do ministério
da Economia e Finanças revelou
que, no início deste projecto,
previa-se um investimento de 43
milhões de francos cfa, mas,
devido às dificuldades que o
país vem enfrentando só foram
desbloqueados seis milhões de
francos cfa dois meses depois do
início dos trabalhos.
Augusto Gomes anunciou que o

Bidinga Na Nhassé, que mais

espaço tem, devido ao aumento da água nas bolanhas”, lamen-

tou.

Por sua vez o Director-Geral
de Modernização da Produção

das Forças Armadas contou que

durante os trabalhos só tiveram
duas máquinas de cultivo à disposição do projecto.

O Engenheiro Manuel da Costa
pediu ao governo para que finan-

cie o projecto “Batalha de

A colheita do arroz foi iniciada. Na foto oficiais participam na cerimónia inaugural da colheita de
arroz

governo tem um apoio de cerca
de três milhões de francos cfa,
no quadro da conclusão dos trabalhos, que serão aplicados em
duas fases, nomeadamente, na
colheita e no descasque de arroz.
Este responsável revelou que o
governo está disposto a levar a
cabo programas ligados à produção de autossuficiência nos
campos militares de cultivo de
arroz.
“No Orçamento Geral de Esta-

do para 2016 será contemplado
este aspecto financeiro ao projecto de campo de produção
militar com vista a garantir um
ambiente de paz e harmonia
nos quarteis”, garantiu o representante do governo na cerimônia.
Para o Chefe da Divisão de Produção Militar, este trabalho de
agricultura militar corrresponde
à expectativa do Presidente da
República que lançou um desa-

fio a todos os guineenses no
sentido de trabalharem para a
autossuficiência alimentar no
país através do projecto “Mon na
Lama”.

O Brigadeiro General Lassana
Indami solicitou o apoio do
governo no sentido de colocar
mais materiais de cultivo à disposição dos militares durante
os trabalhos para que possam aliviar as despesas do Estado em

Komo”, através do qual será
possível sanear todos os pro-

blemas de produção nas Forças Armadas.

No entanto, disse que dos nove
milhões e quatrocentos mil investidos ao longo do projecto, seis

milhões cobriram os trabalhos da

lavoura e os restantes 3 milhões

e quatrocentos garantirão a
colheita e debulha do arroz.

O fim dos trabalhos de colheita de arroz nos campos agríco-

las está previsto para o mês de
março do ano 2016.

A realização atempada dos tra-

balhos nos respectivos campos
agrícolas só foi possível gra-

ças a iniciativa do Chefe de
Estado-Maior General das For-

ças Armadas que solicitou apoio
do representante da Agência de

Desenvolvimento do Timor
Leste na Guiné-Bissau, Alber-

to Carlos Xavier com o qual
visitaram, no passado dia 6 de
outubro, o campo Agropecuário

de Fá Mandinga, na Região de
Augusto Gomes, chefe de gabinete do Secretário de Estado do Plano
e Integração Regional
General Lassana Indami, falando à imprensa

Bafatá.

Fadel Gomes

4 O Defensor | 30-12-2015

Cooperação

Doação portuguesa

FARP beneficiam de botes para fiscalização marítima

As Forças Armadas beneficiaram, no dia 19 Novembro
de 2015, da parte do Governo português, através da
Cooperação Técnico-Militar
(CTM), de dois botes pneumáticos de 40 cavalos cada e
a capacidade de transportar, cada um, seis fuzileiros.

O

donativo cuja entrega
formal foi feita à ministra de Defesa Nacional,
Maria Adiato Djalo Nandigna,
teve lugar nas instalações da
CTM em Bissau, pelo embai-

xador de Portugal no país.
A cerimónia na qual estiveram
presentes o Chefe do EstadoMaior General das FARP, Tenente-General Biaguê Na N´Tan,
o Vice-CEMGFA e o InspetorGeral, contou também com a
presença dos Chefes de EstadoMaior dos três Ramos e do Diretor Geral da Política de Defesa
Nacional.
Na ocasião a ministra disse que
este apoio, no âmbito do Programa Provisório de Cooperação
Técnico-Militar Luso-Guineense,
para além da dimensão material

irmão, terá maior motivação
em prosseguir com gestos do
gênero”, disse a Ministra.de
Defesa.
Por sua vez o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Rocha, disse que a oferta, na
prática, já tinha sido feita pelo
Governo Português, anteriormente, no quadro do Programa
Provisório de Cooperação Técnico-Militar. Adiantou que por
vários motivos de ordem de
agenda entre outros motivos,
foi adiada a referida entrega e que
“só agora reunimos todas as
condições para organizar essa
cerimônia”.
Assegurou que os botes já tinham
sido oferecidos e na prática pertencem ao Governo da GuinéBissau, concretamente às suas
Forças Armadas. No entanto,
afirmou ser importantíssimo a
decisão de aguardar uma boa
oportunidade pela relevância
da cooperação bilateral ao nível
da defesa e das Forças Armadas
existente entre os dois países.

Considerou a presença da Ministra e do Chefe do Estado-Maior
General das Forças Armadas
guineenses, nas instalações da
Cooperação Técnico-Militar
Portuguesa, na ocasião, como um
“ato que destaca a cooperação
bilateral portuguesa e guineense a este nível”. Garantiu que o
Programa Provisório vai seguir
com outras ações no seu quadro,
mais amplo do que previsto,
obedecendo à prioridade do
momento e ao programa quadro
abrangente incluindo a sua plurianualidade com objetivos previstos.
Após a formalidade da entrega
do donativo as Forças Armadas, o embaixador, disse que
os dois botes serão de uma
importância capital para o país
e disse que “Lisboa será ainda
mais ativo na cooperação bilateral com Bissau, neste e noutros
domínios”.
Irina Adão Pereira

Serviços de Saúde realizam testes de diabetes
aos militares

Os Serviços de Saúde das Forças
Armadas Revolucionarias do Povo,
que procuram reforçar as actividades visando controlar o estado
sanitário das tropas efectuaram, no
dia 1 de Dezembro 2015, na
Fortaleza d’Amura, em colaboração com uma equipa ligada ao
Projecto Fundação Ricardo Sanhá,
testes voluntários de despistagem
de diabetes aos militares do EstadoMaior General das FARP.

O

que representa, constitui um
sinal forte do empenho do Governo Português em reforçar as
capacidades das instituições do
país encarregadas de vigiar o
território nacional, particularmente, a área marítima.
“Portugal tem estado ao lado
da Guiné-Bissau, particularmente, nos momentos mais difíceis. Por isso, a nossa gratificação
em relação ao Estado, Governo
e povo português é incomensurável”, sublinhou.
A ministra afirmou a necessidade
do país continuar a progredir
no domínio da cooperação com
Portugal, para que, em conjunto, possam materializar os objetivos do desenvolvimento sustentável e inclusivo em que os
dois países estão amplamente
engajados.
“Aos técnicos nacionais que
vão ser confiados a responsabilidade de uso desses materiais, esperamos que vão saber
fazer o seu bom uso, pois só
assim é que o nosso parceiro,

s trabalhos que coincidiram
com o Dia Mundial de Luta
Contra VIH/Sida, alteraram o
calendário de palestras alusivas a data
que acabaram por não terem lugar
nesta unidade, decorreram no maior
civismo e com uma aderência massiva.
Nesta ocasião, “O Defensor” falou
com a responsável da equipa, a
Médica Gina Santos a quem incitou a
explicar em que quadro se insere esse
importante trabalho de despistagem de
diabetes e qual é o seu objectivo. A
este respeito, a médica Santos disse
que se trata de um projecto que constituído por uma equipa multidisciplinar
que inclui um nutricionista, três
pediátricos, um endocrinologista de
adultos e uma enfermeira que trabalha

directamente ligada a diabetes.
“Este é um projecto que elaboramos
no sentido de perceber melhor qual é a
prevalência de diabetes na GuinéBissau. Assim sendo, nós aproveitamos o Dia Mundial de Diabetes, 14 de
Novembro, este ano, para iniciar as
nossas actividades com uma marcha
simbólica que começou no Aeroporto
Internacional Osvaldo Vieira e terminou na Praça dos Heróis Nacionais.
Neste dia fizemos um rastreio à população. No dia 16 de Novembro passado realizamos uma formação ao pessoal de saúde no INASA (Instituto
Nacional da Saúde), durante a qual
foram debatidos temas sobre a diabetes.”
No mesmo contexto, a equipa visitou a
Pediatria do Hospital Nacional Simão
Mendes, o Hospital de Cumura, o
Hospital Casa Emanuel, onde entregaram donativos compostos de insulina e materiais de tratamento de diabetes às respectivas instituições.
“Então, neste âmbito, achamos que os
militares ficam sempre fora de certas
actividades de rastreio; assim, resolvemos incluir os militares nesse rastreio
começando com unidades da Base
Aérea, Para-Comandos (no dia 30 de
Novembro) e um outro rastreio no

Batalhão de Mansõa onde formos
muito bem tratados. Hoje, estamos nas

instalações do Estado-Maior General
das Forças Armadas com a mesma
finalidade, tentar saber qual é a
prevalência de diabetes aqui.”
Segundo a médica, Gina Santos, o projecto começa a apoiar em termos de
medicamentos e, de acordo com os
meios disponíveis, depois de ter conhecimento da prevalência de diabéticos no seio dos militares. Mas, não
obstante tudo, promete deixar aos
enfermeiros do hospital da Base
Aérea, alguns materiais que permitirão
a continuidade das actividades de rastreio, e seguir o tratamento dos militares detectados com diabete pelo projecto.
Falando da colaboração com as instituições da saúde militar para o tratamento dos diabéticos já identificados,

Santos disse que existe no país uma
associação de diabéticos com sede em
Bissau, que possui medicamentos mas
em comprimidos como por exemplo
metformina utilizado no tratamento de
diabetes do tipo 2. Essa associação
possui medicamentos com preços
acessíveis e tem endocrinologista, a
Médica Nena Na Forna. Adiantou que
o projecto vai continuar, no próximo
ano, as suas actividades envolvendo as
FARP que estarão também no terreno,
isso tendo em conta a dinâmica
demonstrada.
Referindo-se aos dados estatísticos,
Gina Santos disse que os resultados
exactos serão conhecidos no fim dos
trabalhos, mas contudo, entre as
unidades onde decorreram testes, o
número de pacientes diagnosticados
com diabetes varia entre cinco e seis
militares.
Recorde-se que o projecto conta com a
colaboração da Fundação Ricardo
Sanhá e vários laboratórios que deram
apoios materiais e medicamentos que a
equipa ofereceu a alguns hospitais do
país.

Maj. Ussumane Conaté

Efeméride 5

O Defensor |30-12-2015

Ministra da Defesa Nacional na celebração do 51º Aniversário das FARP

«Aqueles que defendem a segurança nacional e a
integridade territorial do país, precisam ser
tratados condignamente»

A cerimônia de celebração teve
lugar nas instalações do EstadoMaior General das Forças
Armadas, na Fortaleza d’Amura
onde o ato solene foi presidido pela
Ministra da Defesa Nacional na
presença do Chefe de Estado-Maior
General das FARP, oficiais superiores, subalternos e praças.

potável, estradas, entre outras, e,
sobretudo, para que possamos ter
orgulho da nossa Guiné Bissau”, sublinhou a ministra.

Esse mérito deve-se aos Combatentes
da Liberdade da Patria que aceitaram
sacrificar-se e dar as suas proprias
vidas para que tivessemos hoje, uma

Para Adiato Nandigna o acto “representa não só uma simples comemoração, mas também o reconhecimento
do brilhante trabalho que as forças
armadas têm feito no percurso histórico da Luta de Libertação Nacional e na
construção do nosso Estado”.
“De 1964 a 2015, são 51 anos de longa
e dura caminhada, de um percurso
espinhoso de sacrifícios de luta e de
muita abnegação que resultou na conquista da independência e da soberania
do nosso Estado.
A Guiné-Bissau, ao contrario da sua
dimensão geográfica, teve um passado
singular diferentes de qualquer outro
Estado africano; conquistou a sua independência por iniciativa própria, assumindo os seus custos quando muitos,
não acreditavam na independência por
essa via”.
“Esta distinção deve-se não só a coragem das nossas gloriosas Forcas
Armadas mas particularmente a sua
convicção e determinação, naquilo que
julgam ser o caminho ideal e certo para
a conquista da sua independência, ou
seja, o direito de pensar e de agir por
si. O sacrifício que caracteriza a
existência das nossas gloriosas Forcas
Armadas deve nos orgulhar, porque é
graças a ele que conseguimos não só,
libertar o nosso país mas de termos
ajudado os outros países irmãos, a conquistar as suas independências e
soberania dos seus Estados. Próspero.

bandeira, um hino nacional e um territorio, o nosso Estado”.
A titular da defesa, disse que “uns
caíram no campo e outros sobreviveram; pois aos que caíram temos a obrigação de rendê-los a eterna homenagem e aos que sobreviveram devemos reconhecê-los e dignificá-los pelo
papel que desempenharam na edificação da nossa Pátria livre e independente e apelar a toda a sociedade para
que nunca se esqueça dos sacrifícios
por eles consentidos.
“Se olharmos pelo passado recente do
nosso país, pelas constantes instabilidades políticas e governativas que o
nosso país conheceu nas duas últimas
décadas, podemos perceber que a tarefa da reorganização das Forcas
Armadas é difícil árdua e custosa.
Contudo seremos nós a prestar a conta
de desempenho das Forças Armadas,
mas a tarefa da sua organização
incumbe-se a cada um de nos, lá onde
estiver e de acordo com as responsabilidades que lhe forem confiadas.
Por isso devemos agir de forma coordenada e concertada, pois assim poderemos corrigir os erros do passado e
contribuir para que cada um possa
cumprir com êxito as suas missões.
Os ganhos alcançados até aqui com a
transformação estrutural levada a cabo
a nível do Ministério da Defesa
Nacional e, particularmente, do
Estado-Maior General das Forças

O

Congresso de Cassaca realizado de 13 a 17 de Fevereiro de
1964 na aldeia do mesmo
nome, sul do país foi catalizador da
tomada de medidas e decisões para a
criação de várias estruturas com vista à
dinamização e progresso da Luta
Armada para a libertação do país do
jugo colonial portugues. Na base do
cumprimento destas ideias, o PAIGC
criou em 16 de Novembro de 1964, em
Boké, o seu braço armado denominado
Forças Armadas Rvolucionárias do
Povo (FARP).
A criação da estrutura foi feita para
superar as dificuldades e reforçar as
diferentes frentes de luta pela libertação da Guiné contra o colonialismo
português. Esta estrutura foi constituída por seis membros que posteriormente passou para sete.
Na ocasião que marcou a comemoração de 51 anos da existencia das
FARP, a Ministra da Defesa Nacional
antes de profirir o discurso perante as
chefias militares e os convidados,
pediu a observação de um minuto de
silêncio em memória dos Combatentes
da Liberdade da Pátria que tombaram
durante a Luta de Libertação Nacional,
e, dos dois malogrados no trágico acidente de viação ocorrido em 3 de
Novembro no troço BambadincaBafata, quando da sua primeira visita
às unidades militares do interior.
A oportunidade permitiu a ministra,
reiterar a sua “satisfação e enorme
gratidão” por estar no ato solene de
comemoração dos 51 anos da criação
das gloriosas FARP, e, “endereçar
votos de felicidades e palavras de
encorajamento às nossas forças de
defesa, mas sobretudo palavras de
esperança”.
“Esperança de que este país, cuja independência foi conquistada pelas nossas
gloriosas Forcas Armadas, vai viver na
estabilidade, vai ter paz e desenvolvimento que nos permitam ter escolas
para as nossas crianças, hospitais para
as nossas mulheres, energia, água

Armadas devem ser prosseguidos e
consolidados.
Vamos continuar a trabalhar na reestruturação das Forças Armadas tal como
estamos a trabalhar de forma árdua na
revisão do quadro legal nas definições
do currículo, na formação, na construção e na reabilitação das infraestruturas”.
No capitulo de reforma no sector defesa e segurança, a ministra disse que ela
encontra-se numa fase muito avançada
e a um ritmo acelerado, razão pela qual
fixamos como um dos nossos grandes
objetivos neste domínio, a desmobilização dos 500 efetivos das forcas de
defesa e segurança ate 31 de Dezembro
do corrente ano.
Este objetivo ao concretizar-se será
não só o inicio do culminar de um percurso de, mais de nove anos, mas particularmente a materialização dum dos
componentes indispensáveis do
processo da reforma do sector de defesa e segurança e justiça.
Estou convicto que com o apoio dos
nossos parceiros, vamos poder desmobilizar de forma digna, honrada e
responsável, o primeiro grupo a ser
desmobilizado no âmbito desta reforma.
A recente visita efetuada a algumas
unidades militares do país e que foi
interrompida com o trágico acidente
que vitimou dois dos nossos irmãos,
permitiu-nos constatar na realidade as
dificuldades com que os nossos irmãos
estão confrontados nas casernas”.
A este respeito, Adiato Djalo Nandigna
disse querer assegurar que este governo liderado pelo Eng.º Carlos Correia,
trabalhará de forma mais árdua possível para inverter esta situação e criar
melhores condições de vida e de habitabilidade nas casernas.
Reconheceu que o país tem as suas
limitações, mas que não vão também
ignorar que aqueles que defendem a
segurança nacional e a integridade territorial do nosso país, precisam ser
tratados condignamente.
“Vamos continuar a exigir às nossas
Forcas Armadas o respeito ao poder
político e a limitar-se as competências
que a Constituição da Republica lhes
confere, mas não vamos deixar de trabalhar”.

Soldado Paula Cristina Gomacha

6

Efeméride

O Defensor | 30-12-2015

Esquecer o passado e fazer as correcções dos avanços
e recuos registados no percurso histórico das FARP
- Apela Tenente-General Biagué Na N’Tan CEMGFA
O Chefe do Estado-Maior
General das Forças
Armadas, Tenetnte-General
Biagué Na N’Tan, proferiu
um discurso no ato solene
da comemoração do 51º
aniversário da criação das
FARP presidido pela Ministra da Defesa Nacional na
presença das chefias militares dos Ramos, oficiais
superiores, subalternos e
praças.
Eis na íntegra o seu discurso:

se Forças Armadas republicanas,
com capacidade de competir
com as congéneres da sub-região
oeste-africana e fazer parte do
mundo da globalização.

mento do país e da classe castrense. Também digo que chegou
o momento de mudar a página
da vida das Forças Armadas da
Guiné-Bissau; chegou o momento de esquecermos o passado e
fazermos as correcções dos
avanços e recuos registados no
nosso percurso histórico.
Para tal, vamos somar os avanços
e recuos registados até agora e,
tomar o ano 2001como ponto de
partida para a construção do
bem-estar e do desenvolvimento
geral. Esta é a única forma capaz
de ajudar as Forças Armadas
sair do lugar onde estão e tornar-

Por outro lado, apelo a todos
os oficiais superiores e subalternos, no sentido de pensarmos preparar colectâneas militares com vista a responder as
expectativas castrenses. Chegou
a hora de pararmos de ir buscar
pessoas que venham produzir
documentos e livros para a formação dos nossos quadros. O que
queremos agora, é a criação de
escolas militares de capacitação
em Cumeré e de formação dos
oficiais subalternos em S.
Vicente. Vamos organizar seminários que poderão ajudar-nos
muito no domínio do conhecimento da matéria que amanha
permitirão, em conjuntos com os
peritos estrangeiros, a elaboração de manuais e documentos
de formação nas nossas escolas
militares.
Gostaria que a criação das referidas escolas de formação seja
uma iniciativa nossa, submetida ao Governo. Recordo que
durante o mandato do General
António Indjai havia uma comissão militar para a elaboração
do plano estratégico da escola de
S. Vicente, comissão essa que eu
tive o privilégio de dirigir, que
foi entregue ao Governo.

Entretanto, o programa de limpeza elaborado pela Divisão de
Educação Cívica e Relações
Públicas das FARP, que está a ser
cumprido, com grande vontade
e abnegação, prosseguiu no dia
19 do mês corrente, nos outros
mercados da capital e no Hos-

pital de Cumura.
Os trabalhos em curso visam, por
um lado, reforçar os laços de
aproximação entre os militares
e a população civil, e, por outro
lado, lutar contra as doenças
diarreicas, tais como cólera e
ébola, envolveram mais de 600
militares.
Em gesto de solidariedade, a
empresa Água Pura ofereceu
aos participantes dez caixas de
água enquanto a Direcção do
Hospital Nacional Simão Mendes contribuiu com combustível
para abastecer os veículos que
evacuaram o lixo daquela instituição.
Segundo o Chefe da Divisão
da Educação Cívica do Estado-Maior General das Forças

«H

oje, as FARP que
outrora sacrificaram-se pela
causa da independência da
Guiné-Bissau completaram 51
anos de vida. Quero nesta ocasião
solene, aproveitar para felicitar todos os nossos militares
que ontem, se uniram lado a
lado, sem distinção de étnica
nem de raça, para conquistar a
liberdade nacional. Felicito particularmente todos os combatentes da liberdade da Pátria aqui
presentes, assim como aqueles
que não estão, e, também homenageio os que tombaram nos
campos de batalha.
As minhas principais preocupações hoje, concentram-se na
melhoria das condições das
Forças Armadas e dos jovens militares mas, asseguro-vos que
devemos sempre agir, em con-

junto, na procura de soluções dos
assuntos que nos dizem respeito,
para termos uma saída honrosa
Camaradas, 51 anos de vida
não são 51 dias nem 51 semanas.
Uma pessoa que nasceu em
1964 (data da criação das FARP)
é hoje um adulto, maior. Por
isso, quero aproveitar esta ocasião
para lançar um apelo aos colegas Generais, Coronéis, Tenentescoronéis, Majores e oficiais subalternos, no sentido de, em
conjunto, pensarmos na criação
de condições sociais nas Forças
Armadas, procurarmos marcar
uma diferença no desenvolvi-

As Forças Armadas da GuinéBissau têm agora a visão de
encontrar a solução dos seus
problemas por isso, a única possível, para nos, é criar alternativas próprias, se não, ficaremos inúteis camaradas. Mas,
afirmo-vos que as Forças
Armadas da Guiné-Bissau não
são inúteis, visto que ninguém
nos doou a independência que foi
conquistada por nós mesmos,
graças às nossas capacidades e
valentia. Portanto merecemola.

Aproveitamos a oportunidade
para informar a Ministra da
Defesa Nacional de que as Forças
Armadas republicanas precisam
de ter um uniforme nacional.
Nesta senda, apelo os camaradas para pararem de pedir
esmolas para fardar os efetivos;
menciono a necessidade de criar
medalhas para a condecoração
dos camaradas pelos seus méritos. Sublinho que temos a necessidade de criar nas Forças
Armadas, um instituto de línguas
estrangeiras (francês, inglês e português).
Recordo, por outro lado, ter
solicitado às NU a integração das
nossas forças armadas em missões de paz. Neste sentido devemos, no país, formar uma
unidade militar de manutenção
de paz.”

FARP estreitam laços com população civil

A aproximação entre as
Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) e a
população civil guineense
está a tornar-se, cada vez
mais, um facto tangível,
através da realização periódica de actividades conjuntas de carácter social.

N

esse quadro, o EstadoMaior General, através
das Divisões da Educação Cívica Assuntos Sociais
e Relações Públicas e da Operação e Treino, efetuaram, no dia
12 de Dezembro de 2015, uma
jornada de limpeza em lugares
públicos tais como mercados e
hospitais.
As actividades de limpeza que,

em Bissau, iniciaram no Hospital
Nacional Simão Mendes, estendendo-se aos mercados de Bandim, Caracol, Quelele e ao Hospital Militar Principal, decorreram
simultaneamente em todas as
cidades do país, onde existe
aquartelamento.

Armadas, Coronel Albertinho
António Cuma, os trabalhos de
limpeza nos lugares públicos
do país são feitos no quadro do
cumprimento das atividades
cívicas, que visam o reforço
dos laços de aproximação entre
as FARP e a população. Além do
mais, o Chefe do Estado-Maior
General, recomendou aos militares a realizar atividades sociais,
em colaboração com civis, com
vista a demonstrar que “somos
um povo armado, integrado nas
forças armadas para servir e
defender o povo. Porque, depois
do serviço militar, voltaremos
para o povo”.

Major Ussumane Conaté

Cooperação

Governo vai mobilizar fundos para obras de
reabilitação do Centro de Processamento Agrícola
de Fá-Mandinga

O Defensor | 30-12-2015 7

O chefe de gabinete da Secretaria de
Estado de Plano e Integração
Regional anunciou que o governo
está disposto a mobilizar fundos
junto, dos seus parceiros, no sentido
de apoiar as obras de reabilitação
do Centro de Processamento de Produtos Agrícolas de Fá-Mandinga
(leste do país).

A

ugusto Gomes que falava, no
passado dia 19 de Dezembro, à
margem da cerimônia de início
da colheita de arroz nos campos agrícolas das Forças Armadas na localidade de

Milho produzido no campo agrícola

Fá-Mandinga, disse que o governo está
interessado em acompanhar esta e outras iniciativas de formação e autossustentabilidade nas casernas.
“Vamos trabalhar com os parceiros internacionais no sentido de acompanhar o
Estado-Maior General das Forças Armadas
nesta iniciativa, para torná-lo produtivo
na contribuição à paz e desenvolvimento do país”, prometeu.

Por sua vez o chefe da Divisão da Logística do Estado-Maior General das Forças
Armadas (CEMGFA), Coronel Mamadú
Saliu Baldé disse que a obra em causa
carece de financiamentos para a sua
conclusão.
“A República de Timor-Leste, através do
seu representante no país, durante a sua
visita a esta localidade em companhia do
Chefe de Estado-Maior General das
Forças Armadas doou uma soma de
cinco milhões de francos cfa para o início dos trabalhos de reabilitação desta
infraestrutura, mas não foi suficiente”, disse
o Coronel.
O chefe da Divisão de Logística do Estado-Maior General das Forças Armadas
afirmou que, durante a execução das
obras de reabilitação do referido Centro,

As obras de reabilitação do Centro de Processamento de Produtos Agrícolas de FáMandinga

Tenente-coronel Mamadu Saliu Baldé

Cerimônia de entrega de donativo

o EMGFA contraiu dívidas com os
operários civis que realizaram os trabalhos de restauração daquela infraestrutura militar de produção agrícola.
O Coronel Mamadú Saliu Baldé garantiu que o centro terá como objetivo melhorar a vida dos militares nas casernas
através de formação de novos quadros nas
áreas da medicina, agricultura, construção civil, entre outras. No entanto, exortou o Governo no sentido de apoiar,
financeiramente, a conclusão das obras
de reparação daquele edifício construído desde a época colonial.

Fadel Gomes

Estado-Maior General das FARP oferece batata
aos hospitais

A Divisão de Serviço de
Prdução do Estado-Maior
General das Forcas Armadas procedeu no dia 27 de
Novembro 2015, a entrega
de um donativo constituído
de 450 (quatrocentos e cinquenta) quilos de batatadoce às instituiçoes sanitárias do Estado entre as quais
o Hospital Nacional Simão
Mendes e o Hospital Militar
Principal.

A

cerimônia de entrega
do donativo que decorreu sucessivamente nos
dois hospitais já referidos, foi feita
pelo Coronel Martinho Djata,
Chefe Adjunto da Divisão de
Produão na presença do Secretario de Estado de Gestão Hospitalar. Coube ao Hospital Nacional Simão Mendes cinco sacos
de 50 kg e ao Hospital Militar

Principal quatro sacos (200 quilos).
O Coronel Martinho Djata, em
representação do Estado-Maior
General disse durante o acto da
entrega, que o gesto das FARP
reforça os anteriores realizados
com o objectivo de variar a dieta
alimentar dos pacientes internados, minimizar algumas dificuldades com que se deparam as
instituiçoes beneficiárias assim
como, tambem, contribuir, a
medida do possivel, no desen-

volvimento do país.
“As FARP estão e estarão sempre ao lado do povo garantindolhe proteção, segurança, paz e
estabilidade. As FARP têm a
responsabilidade de ajudar quando é possivel fazê-lo e esperamos
que este donativo mudar em
alguns dias, a alimentação pacientes nos dois hospitais”, disse o
oficial.
O Coronel agradeceu ao Estado
pelos esforços feitos que, pela primeira vez, concedeu às FARP um

orçamento no valor de 43 milhões
de Fcfa para a produção agrícola.
Explicou que devido às dificuldades que vivem as nossas finanças públicas, conseguiram levantar apenas 9.900.000 FCFA
(nove milhões novecentos mil
francos cfa) dos quais foram
utilizados 6.000.000 FCFA (seis
milhoes) na campanha agrícola
2014-2015.
“Portanto, peço outras entidades
que quiserem ajudar, em materiais, que o façam, porque temos
falta de máquinas para melhorar
a nossa colheita que, embora
com dificuldades, se tornou possível. Desta forma, queremos
dizer que hoje apostamos no
trabalho para desenvolver a
nossa agricultura e melhorar a
dieta alimentar da classe castrense. Apostamos neste momento na agricultura e trabalho árduo
para o desenvolvimento das nos-

sas Forças Armadas. Não queremos mais guerra mas sim trabalhar e trabalhar para o bemestar”, defendeu o Coronel.
Por sua vez, o Secretário de
Estado de Gestão Hospitalar
agradeceu o gesto dos militares
que demonstram dessa forma o
trabalho feito nas suas bolanhas. Disse estar satisfeito com
a decisão do Estado-Maior General das FARP de doar alimentos
aos doentes internados. Desejou
que atos do género se repitam
mais vezes.
Por seu turno Margarida Alfredo Gomes, Diretora-Geral do
Hospital Nacional Simão Mendes, agradeceu o gesto dos militares e apelou outras instituições a seguirem o mesmo
exemplo.

Soldado Paula Cristina Gomacha

8 O Defensor | 30-12-2015

VIH/Sida
FARP empenhadas na luta contra VIH/Sida
carecem de meios materiais e financeiros

Capitã Vitória Sanca falando ao O DEFENSOR

A frente comum de luta contra VIH/Sida organizada há
décadas pela comunidade
internacional com a participação activa das Nações
Unidas, Estados, ONG´s e os
meios de comunicação social
não exclui as forcas de defesa e segurança do mundo.
As FARP, que são uma
parte integrante da sociedade nesta luta, tendo um
ponto focal no Ministério da
Defesa Nacional, realizaram
no dia 1 de Dezembro do
corrente, nas diferentes unidades militares, palestras
alusivas ao Dia Mundial de
Luta Contra VIH/Sida.
Com o interesse de ter
conhecimentos sobre a
situação real do VIH/Sida, a
nível da classe castrense, O
Defensor entrevistou o
ponto focal de luta contra
VIH/Sida das Forças Armadas Revolucionarias do
Povo (FARP) no Ministério
da Defesa Nacional, Capitã
Vitória Sanca.

O

Defensor (OD) –
Quando é que as
FARP aderiram ao
processo de luta contra
VIH/Sida?

Capitã Vitória Sanca (CVS) –
De acordo com os parceiros das
Forças Armadas Revolucionarias
do Povo (FARP) no combate
contra VIH/Sida, a classe castrense aderiu legalmente no processo em 2005 quando foi criado um comité militar de luta
contra VIH/Sida, do qual faz
parte o ponto focal. Na altura,
segundo o Secretariado Nacional de Luta Contra Sida, foram
criados sete pontos focais entre
os quais um das Forças Armadas Revolucionarias do Povo.

OD – Agradecíamos que fizesse um breve historial das actividades desenvolvidas pelo
Comité militar na luta contra sida, desde a sua adesão oficial ao processo.
CVS – Houve muitas coisas
positivas feitas graças ao empenho dos nossos camaradas integrados no programa de luta contra VIH/Sida. O Comité Militar
de luta contra esta doença do qual
faz parte o ponto focal que sou
é formado por um presidente
que é a Ministra da Defesa
Nacional, Vice-presidente, Chefe
do Estado Maior General das
FARP, um Ponto focal, um Assistente administrativo e um Director do Centro de Tratamento

Ambulatório.
Este Centro de Tratamento
Ambulatório (CTA) instalado
no Hospital Militar Principal
atende para além de militares,
recebe pacientes civis que constituem o maior número de atendimento. Recordo que CTA,
que joga hoje um grande um
papel no tratamento dos pacientes infectados pelo vírus foi
criado em 2007, na altura em que
o hospital militar ainda funcionava nas instalações da Base
Aérea de Bissalanca. Na sua
direcção sucederam-se vários
directores entre os quais, a medica, Tenente-coronel Cadi Seidi
actual Ministra da Saúde Pública, como ponto focal, Capitão
Issufo Cissé assistente administrativo e o Médico, Tenentecoronel João Wagna, Director do
CTA.
Na fase actual, como já disse,
temos como Presidente do Comité Militar de Luta contra
VIH/Sida, a Ministra de Defesa Nacional, como Vice-Presidente, o CEMGFA, Ponto focal
sou eu Capitã Vitória Sanca,
como Director do CTA, médico,
Paulino Nan Cabi e como Assistente administrativo, Major Issufo Cissé. Portanto, apesar das inúmeras dificuldades, aliás sempre

presentes, conseguimos desde a
criação do comité, realizar várias
actividades, entre as quais tratamentos de pessoas infectadas
pelo VIH/Sida, a sensibilização nas diferentes unidades,
educação sanitária na formatura matinal e distribuição de preservativos.
Em 2010 realizamos uma campanha de sensibilização e despistagem voluntária de VIH/Sida,
a formação dos educadores sanitários para as unidades e que
neste momento não posso pessoalmente confirmar se estão
ou não a desempenhar plenamente o seu papel. Mas o que
posso dizer, é que, aqueles que
se encontram nos quartéis estão
a trabalhar a cem por cento, só
que, estão agora em número
muito reduzido e isso tem a ver
com a movimentação (transferência) do pessoal. Entre os
educadores sanitários formados, alguns foram, em conformidade com a natureza do serviço, transferidos para outras
unidades, uns já são velhos e
outros faleceram.
Por isso, tendo em consideração
esses três factores, decidimos
introduzir no plano de actividades
deste ano vários programas
como a reciclagem dos educadores sanitários e, também, a
formação do pessoal. No quadro
deste programa, nós propomos
a realização de campanha de
despistagem novamente com o
objectivo de termos um controlo fiável dos camaradas infectados pelo VIH/Sida.
Falando dos progressos alcançados na luta contra sida, asseguro-vos que hoje, quando
alguém chega numa unidade
militar e pergunta: o que é sida?
Quais são as vias de transmissão
e como evitá-lo? Certamente
haverá poucos militares que não
saberão responder essas perguntas. Isso já é um passo positivo dado graças a realização

Entrevista

de campanhas de sensibilização e educação sanitária.
Então, no dia 1 de Dezembro
2015, realizamos palestras sobre
VIH/Sida em quase todas as
unidades militares do país. Confirmo que o ambiente foi muito
animado e houve a participação massiva dos camaradas que,
sem dúvida, deram valiosas contribuições. Deram respostas certas às perguntas colocadas,
depois fizeram comentários
extraordinários sobre o assunto.
Isso deixa entender, que os militares conhecem muito bem o
que é sida e as suas consequências. Os sucessos alcançados devem-se aos enormes trabalhos desenvolvidos no terreno
pelos nossos elementos. E, com
estes resultados, pode-se dizer
que há vontade da nossa parte,
agora, falta-nos ver a vontade dos
governantes.
Este ano, as palestras promovidas são um exercício de reflexão
que permitira os militares compreender porque eles são considerados como grupo alvo do
VIH/Sida e o que devemos fazer
para deixarmos de pertencer
este grupo alvo.
Somos considerados grupo-alvo
desta doença devido à natureza
do serviço militar (cumprimento
de missões militares, situações
de conflitos armados), que muitas vezes levam os soldados a
envolverem-se com parceiras
estranhas esquecendo as medidas de prevenção. Este tipo de
comportamento constitui o principal factor de uma maior incidência de prevalência de
VIH/Sida na classe castrense
em relação a população civil.
Mas, a transmissão do VIH/Sida
acontece também com a presença de forças de paz num
país, como é hoje o caso da
Guiné-Bissau onde passaram
as forças angolanas e agora
estão as da ECOMIB. Isso constitui motivo de situação de vul-

Entrevista
nerabilidade, porque os elementos dessas forças têm poder financeiro, que
certeza induzem as meninas e mulheres
de famílias pobres a envolverem-se sem
precauções com elementos dessas forças.
Também, em situação de conflitos armados, muitas mulheres e raparigas são
violadas pelos militares, que por outro lado,
se envolvem com as profissionais de
sexo sem preservativos. São estes tipos
de comportamentos que levam-nos a
estarmos no centro dos grupos-alvos.
Portanto, apelo aos nossos militares a preservarem a vida pensando no seu futuro, suas famílias, sua nação, enquanto
defensores da integridade territorial, da
segurança e da soberania nacional. Porque, o exército de um país não pode ser
constituído por doentes, incapazes de
combater em caso de uma agressão inimiga. Por esta razão, apelamos as instituições da Defesa (MDN e EMGFA) a
darem apoios financeiros e logísticos
porque, de facto, a prevalência do
VIH/Sida é preocupante.
Assim, pedimos o engajamento do Governo, no sentido de conceder meios financeiros e materiais para podermos realizar campanhas de prevenção na saúde
militar e sobretudo VIH/Sida.
OD – Gostaríamos que falasse dos
apoios financeiros e logísticos que
beneficiaram da parte do MDN e do
EMGFA, desde a criação do Comité
Militar de luta contra sida.
CVS -A nível do Ministério da Defesa
Nacional, não sei se o ponto focal anterior, na pessoa da Dra. Tenente-coronel Cadi Seidi, chegou de alguma vez de
receber apoios ou não. Infelizmente,
não lhe solicitei essas informações. Mas,
a nível do Secretariado Nacional de Luta
Contra Sida (SNLS), que é a instituição,
o pulmão, pelo funcionamento até então
do nosso comité militar de luta contra
VIH/Sida, abastece-nos de preservativos,
meios de comunicação (cartões de recarga) que nos permitem manter contactos
com os nossos pacientes e outros e fazer
formações.
O D – Neste momento quem é o
vosso parceiro?
C V S – O nosso parceiro hoje é o
Secretariado Nacional de Luta Contra
Sida.
O D – Falou das dificuldades no exercício laboral. Pode especificá-las?
C V S – Elas são muitas, sobretudo no
domínio financeiro e material. Imaginem
um ponto focal que trabalha sem transporte. Em 2015, não conseguimos fazer

O Defensor | 30-12-2015 9

nem sequer uma supervisão nas unidades de Bissau e do interior. Nesse caso,
recorremos ao telemóvel para inteirarmos
do andamento dos trabalhos através os
nossos activistas. Mas, eu nunca consegui lá chegar e inteirar in loco dos trabalhos
feitos e como foram feitos. Por isso,
defendo que há necessidade de realizar
supervisão.
Temos aqui os preservativos desde muito
tempo, destinados às unidades mas que
não conseguimos distribuir devido à
falta de transportes. Neste contesto, apenas os batalhões que têm carro vieram
levantar os seus preservativos.
O nosso dever é estar sempre ao lado dos
pacientes infectados para sensibilizar e
motivá-los para que não se sintam isolados. Imagine, a última campanha de despistagem de sida ocorreu em 2010 durante a qual detectamos alguns pacientes com
VIH/Sida que merecem ser tratados mas
que não voltamos a visitar por falta de
transporte. Portanto, a única coisa que fizemos, foi aconselha-los a seguiram os
seus tratamentos nos CTA dos hospitais públicos das regiões e sectores.
Assim, como posso saber e ter a certeza que os pacientes são tratados ou não?
Como?
Nos últimos tempos, para remediar um
pouco a situação, estabelecemos correspondência com colegas médicos dos

cos suecos do projecto, também sueco,
cujos estudos abrangeram os militares e
paramilitares. Mas ali somente a estatística
da classe castrense é que nos interessa
apresentar.
Recordo-me que em 2011, tínhamos no
país, a presença de tropas angolanas,
em 2009/2010, as nossas forças estavam na fronteira norte e agora temos as
forças da ECOMIB. Nesta base, imaginem qual poderá ser a taxa de prevalência
agora, se tiver em conta os factores de
pobreza, monetários, e dos comportamentos ora referidos. Os estudos de
1992/1995 e 2005 revelaram um aumento de infecção de VIH entre os quais
1592 indivíduos em 1992/1995 e 725 indivíduos em 2005. A prevalência total do
VIH-1, VIH-2 e VIH-1+2 (dupla infecção) foi de 3,2%, 7,3% e 0,7% respectivamente.
Contudo, os estudos mais recentes apontam significantes alterações de prevalência
do VIH-1 e VIH-2 entre 1992/1995 e
2005. A prevalência geral do VIH em
1992/1995 foi de 9,5%, sendo 1,1% do
VIH-1, 8,4% do VIH-2 e 0,1% da dupla
infecção VIH 1+2. Em 2005, constatou-se que a prevalência subiu em vez de
9,5% passou para 14,0% e esta percentagem foi constante até 2005.
É de salientar que nas despistagens que

nas forças armadas, considero de lamen-

tável a situação, sobretudo, quando não

temos os camaradas no controlo. Foi

por esta razão que apelamos sempre a os

nossos dirigentes a fazerem diligências
para travar a doença.

OD – Tendo em conta as dificuldades

que vivem neste momento, pode dizer

quais são, neste caso, as vossas perspectivas?

CVS – Não obstante as dificuldades

vigentes, há perspectivas. Por isso esta-

mos a bater portas com vista a encontrar
meios indispensáveis (meios materiais e

financeiros) para a luta contra VIH/Sida.

Queremos em 2016 implementar os planos de actividades de 2015 que não con-

seguimos devido a falta de meios finan-

ceiros. Queremos realizar campanha de

despistagem em todas as unidades mili-

tares do país, a fim de podermos conhe-

cer qual é o número de infectados que

temos no seio das FARP, para assim

podermos definir as nossas necessidades
reais para depois solicitar os apoios correspondentes. Não queremos que o nosso

CTA seja totalmente dependente do
SNLS que nos fornece medicamentos
enquanto aqui nós temos aparelhos.

Temos apenas um aparelho de bioquímica

para alguns exames de controlo de
pacientes com VIH/Sida (aparelho CD4). É muito importante tê-lo.

Gostaria que o CTA não funcionasse

apenas no Hospital Militar Principal
A Capitã, falando da estatística do HIV/Sida

hospitais civis das regiões que nos fornecem resultados e informações sobre
pacientes que recorreram aos seus centros porque os pacientes têm a liberdade de escolher hospitais para tratar-se.

OD - Existem ou não estatísticas sobre
a prevalência de VIH/Sida?
CVS - Temos as estatísticas dos últimos
estudos feitos em 2010, mas há também outros estudos anteriores, feitos
entre 1992/1995 pelo Medico, Coronel
António Biagué, com um grupo de médi-

fizemos em 2010 tínhamos mais ou
menos a ideia das unidades militares
com mais elementos infectados. Como
já disse entre 2005/2010, a prevalência
foi de 14% sendo 7,7% do VIH-1, 5,1%
do VIH-2 e 1,9% da dupla infecção.
Enquanto a prevalência a nível da população em geral da Guiné-Bissau, segundo os dados de SNLS é de 3,25% no ano
2015.
Enquanto ponto focal do Ministério da
Defesa Nacional na luta contra VIH/Sida

mas sim, em todos os postos sanitários
das unidades. Sobre o assunto prevemos falar com SNLS no sentido alargar

a formação de tratamento anti-retroviral
e também colocar CTA nas unidades

sobretudo com maior prevalência de
VIH/sida. Pensamos realizar formações
não só dos médicos e enfermeiros ao nível
do programa mas também queremos

fazer a reciclagem dos educadores e tratamentos.

Maj. Ussumane Conaté

História da Luta Armada da Libertação Nacional

10 O Defensor | 30-12-2015

Bigene 1972
Grupo de guerrilheiros neutraliza artilharia colonial

O crescimento constante, no
seio dos combatentes, de
novos quadros militares formados nos países amigos e o
surgimento de novos corpos
do exército regular nas fileiras da guerrilha que luta
pela independência da
Guiné e Cabo Verde, revolucionou a capacidade táctica
e combativa dos nacionalistas. As premissas de mudar
a forma de luta para derrotar o inimigo e expulsá-lo
fora dos territórios ocupados, estão agora criadas;
intensificaram-se as operações contra os quartéis e
contra as colonas militares
coloniais que, como sabem,
os jeitos de manobras são
cada vez mais reduzidos.
Graças a esta evolução positiva da guerra, os guerrilheiros do PAIGC decidiram
assim criar corredores livres
e seguras para facilitar as
suas movimentações ao
longo da linha da fronteira
norte, sobretudo nas zonas
situadas entre Farim e
Barro.

P

ara tornar esta ideia
realidade, a Direcção
Superior do Partido,
PAIGC, decidiu na base das
orientações do Secretário-Geral,
Eng.º Amílcar Lopes Cabral,
criar entre Farim e Barro para lá
da fronteira com Senegal, corredores livres para facilitar a
movimentação dos guerrilheiros
ao longo daquele espaço norte”,
explica Coronel Albertinho António Cuma, chefe de Divisão da
Educação Cívica Assuntos
Sociais e Relações Públicas do
Estado-Maior General das Forças Armadas.
Tudo tornou-se possível a partir do momento em que se mudou
a estratégia, e o sistema de combate, marcada com a chegada na
fileira dos guerrilheiros de novos
quadros militares formados nos
países amigos do nosso partido.
Nesta óptica, um grupo de guerrilheiros da Frente Norte recebeu
ordem superior do Partido para
neutralizar por completo o quartel colonial de Bigene, nomeadamente, as duas peças de artilharia terrestre (canhões de
130mm) que impediam as movimentações dos combatentes”.
É bom sublinhar que a tabanca

Coronel Albertinho António Cuma, chefe de Divisão da Educação
Cívica Assuntos Sociais e Relações Públicas do Estado-Maior
General das Forças Armadas

de Bigene que se encontra situada a cerca de 16 km da fronteira com Senegal, tinha um quartel fortificado, equipado com
dois canhões 130 que não davam
tréguas.
Deste modo, a Direcção superior
do Partido tomou a iniciativa
de destacar um grupo de guerrilheiros corajosos, bem treinados e preparados moralmente, que
tinham como missão fundamental assaltar em plena luz do
dia, o quartel de Bigene e destruir os dois canhões 130. A
missão tão perigosa e complexa
dirigida pelo valente Comandante, Joaquim Mantam Biagué foi cumprida com êxito, e,
no período indicado por Amílcar Cabral. Não houve perda
humana nem material do lado da
guerrilha.
A guerrilha conseguiu penetrar
no interior do quartel colonial português e destruir as duas peças
de canhão, destruir o arsenal,
inclusive as munições, incendiar o depósito de combustível
e dar a população a oportunidade

de saquear algumas lojas.
O assalto que ocorreu na época
de chuva, no mês de Agosto de
1972, surpreendeu toda a força
colonial que não conseguiu disparar nem um tiro. Entretanto, o
pouco número das tropas que no
momento se encontravam no
quartel não tinham outra solução
senão procurar salvar a sua pele.
No entretanto, para realizar com
êxito a missão, a guerrilha aproveitou o momento em que o
grosso da força colonial saiu
para uma patrulha na estrada
que liga Bigene-Barro.

O Coronel Albertinho António
Cuma, explica que operação foi
preparada e planeada a partir
de Conakry pelos dirigentes do
Partido e depois comunicada
ao comando da Frente Norte
em Sambuia, a qual enviou,
mais tarde, um lote de fardamento camuflado português,
inclusive armas, lança roquetes, AKM novas, cintilas cubanas e mantimentos para os
homens alinhados para a missão.

Na Frente Norte, foram destacados um total de 25 guerrilheiros, sendo 19 na barraca de
Hermão Kono e 6 na barraca
de Cumbanghor. Depois da distribuição dos equipamentos militares, os guerrilheiros receberam,
durante três dias, as instruções
sobre a realização da missão
incumbida pelos órgãos superiores do Partido.
Quando terminou o período de
instrução, os 25 guerrilheiros,
bem equipados, deixaram Hermão Kono de carro para a barraca de Fayar e depois para
Cumbanghor onde permaneceram durante 5 (cinco) dias antes
de passar para o local a partir do
qual devia ser lançada a operação. Para o efeito, foi escolhida
como base central (para realizar
a operação), as barracas de Sindina e Pabedja.
“Tínhamos como guião, os camaradas Ansu Bercko, comandante de uma das barracas da área,
Issufo Bodjam e Adjal Manga”,
explica o Combatente da Liberdade da Pátria.
As barracas de Sindina e de
Pabedjal estão situadas entre 9
e 12 quilómetros da tabanca de
Bigene. Foi, precisamente, neste
área que o nosso destacamento
se encontrava vigiando as movimentações das tropas coloniais
e procurando buracos (oportunidade) para realizar em plena luz
do dia, o assalto relâmpago contra o quartel e destruir as duas
peças de canhões 130.
“Para se ocupar das nossas refeições diárias, o comando da missão nos afectou dois rapazes;
tínhamos igualmente connosco
alguns bolos tradicionais, preparados a base da farinha de
milho preto pelas mulheres da
aldeia de Sambumacunda
Kolda”, explica Coronel Albertinho António Cuma, chefe de
Divisão da Educação Cívica
Assuntos Sociais e Relações
Públicas do Estado-Maior General das Forças Armadas.
O Combatente da Liberdade da
Pátria continua: “Qual era o
objectivo da nossa presença
nesse mato? Era permanecer
naquele mato e estudar as possibilidades de chegar Bigene
entrar na tabanca e dar um golpe
duro ao quartel. Tínhamos como
Comandante da missao Joaquim
Mantam Biagué; no grupo estavam igualmente os camaradas

Gabriel Iabna Kundock, Alupa
Manga, Adjal Manga, Almó e eu
Albertinho António Cuma
enquanto chefe do grupo de atiradores de bazuka. Desta maneira, tínhamos que ficar no mato,
fazendo pequenas incursões
secretas até perto dos lugares
de mancarra, o espaço livre permitia-nos ver o quartel e depois
voltar ao nosso esconderijo. Os
espaços cultivados pela população
ajudava-nos de facto na observação dos movimentos dos tugas
e segui-los atentamente.”
O que sempre nos interessava,
não obstante os riscos, era procurar uma posição favorável
para realizar o assalto planeado
contra o quartel, o que devia
acontecer somente no momento em que chovia porque era o
único período propício que se
podia aproveitar para avançar até
ao quartel atravessando os vastos campos lavrados, sem ser
visto ou sem que ninguém desse
conta. Era a altura em que os
lavradores ficavam mais ocupados nas suas actividades e as
tropas coloniais também iam à
patrulha.
“Era o momento favorável para
avançarmos sem despertar a
atenção da população porque
nós vestíamos uniformes camuflados do tipo usado pelas tropas
coloniais. Tudo o que fizemos,
eram instruções que foram dadas
pelo Secretário-Geral do partido, camarada Amílcar Cabral”,
conta o coronel Cuma.
Nesta circunstância o grupo
ficou no mato nos arredores de
Bigene vigiando a movimentação das tropas portuguesas e,
também, aguardar a queda oportuna da chuva para poder atravessar os grandes espaços de
mancarra antes de penetrar no
quartel. Por esta razão, foram
obrigados a permanecer no mato,
nos arredores de Bigene, durante uma semana fazendo constantes vai-vem entre a barraca e
as proximidades do quartel.
Todos os dias deixavam a barraca
de manhã e voltavam a noite. Era
preciso ter paciência persistência e espírito de patriotismo.
(Continua no próximo número)
Maj. Ussumane Conaté

Saúde

O Defensor | 30-12-2015 11

Cooperação técnico-militar Marrocos/Guiné-Bissau progride

Equipa médica marroquina despede-se do CEMGFA

A equipa médica militar das forças
armadas marroquinas que esteve no
país entre Maio e Agosto de 2015,
em missão humanitária de consultas
médicas e tratamentos gratuitos aos
cidadãos guineenses no âmbito das
relações de cooperação bilateral
entre a Guiné-Bissau e o Marrocos,
ofereceu no fim da sua estada um
lote de medicamentos ao EstadoMaior General das Forças Armadas
Revolucionárias do Povo.

N´Tan agradeceu, em nome das FARP e
em seu nome próprio, a equipa médica
militar marroquina e as Forças Armadas

constituir uma grande falta para os militares, paramilitares e a população civil em
geral”.

do Marrocos em geral pelo importante trabalho de assistência médica e medicamentosos gratuitos prestados aos militares
guineenses e paramilitares, e, à população civil. Assegurou ao chefe da equipa
médica que as FARP estão sempre ao lado
das suas congéneres do Reino de Marrocos
com as quais se procura firmar relações
de cooperação técnico-militar. Adiantou que a visita do Rei Mohammed VI ao
país “é um acontecimento histórico cujo
fruto permitiu salvar vidas de muitos
guineenses. Portanto, o vosso regresso vai

O General Biaguê realçou o valor das consultas e tratamentos gratuitos prestados
aos guineenses que nunca tinham sido vistos na história recente do país. Por esta
razão, agradeceu imensamente a equipa
médica militar, ao povo marroquino em
geral e as FAR (Forças Armadas Reais).
No domínio da saúde militar guineense,
o General não escondeu a verdade sobre
as dificuldades crónicas que este sector
enfrenta, até se tornar incapaz de garantir uma assistência médica e medicamentosa aos efectivos nas diferentes

A

equipa médica militar que ao
longo de quatro meses ocupou
uma parte das instalações da
Escola Attadamun em Bissau, foi muito
procurada por milhares de populares da
capital assim como do interior do país,
que afluíam durante todo o dia ao hospital de campanha militar marroquino.
Com o fim da missão humanitária, uma
delegação da equipa encabeçada pelo
médico-chefe, Coronel Hicham Paraqui e chefe da missão médica, foi recebida pelo Chefe do Estado-Maior General das FARP a quem apresentou os
cumprimentos de despedida. O evento,
ocorreu na Sala de Reuniões do EstadoMaior General, na presença do ViceChefe de Estado-Maior General, do Inspetor-geral e das Chefias militares.
Na ocasião, o Tenente General Biaguê Na

unidades militares. Hoje, apenas o Hospital Militar Principal tem capacidade de
atender pacientes militares e civis, em
diversas especialidades. Para minimizar as carências vigentes no sector sanitário, o General solicitou apoio das Forças Armadas do Reino de Marrocos.
O Coronel, Hicham Paraqui, Chefe da
equipa médica militar marroquina, sublinhou que estiveram no país em missão
humanitária autorizada pelo reino e considerou-a de positiva. “Conseguimos
prestar apoio ao povo guineense que é
muito acolhedor”. Realçou igualmente a
cooperação e a boa colaboração mantidas com o Estado-Maior General das
FARP.
No entretanto, entre Maio e Agosto
2015, a equipa médica militar marroquina
conseguiu consultar 17.863 pacientes, 30
mil prestações sanitárias, 6.710 receitas,
262 intervenções cirúrgicas e 672 internamentos. Os resultados realizados
incluem ambos os sexos e diferentes
faixas etárias.
O Reino concedeu ainda este ano, no quadro das relações de cooperação técnicomilitar entre as duas forças armadas, 15
(quinze) bolsas de peregrinação à cidade Santa de Meca.
Major Ussumane Conaté

Militares participam na marcha contra VIH/Sida

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP),
que a partir da década de 80
mantêm uma estreita colaboração com o Ministério da
Saúde Publica e as ONG
vocacionadas, participaram
no dia 28 de Novembro de
2015, em Bissau, na marcha
alusiva ao 30º aniversário da
criação do Secretariado
Nacional de Luta contra
VIH/Sida.

A

marcha organizada pelo
Secretariado Nacional de
Luta contra VIH/Sida
começou na rotunda do Aeroporto Internacional Osvaldo
Vieira e terminou na Praça dos
Heróis Nacionais depois de ter
percorrido 7 km.
Além dos civis, militares das
unidades de Bissau, paramilitares
e o contingente da CEDEAO
(ECOMIB) no país, participaram
a ministra da Defesa Nacional,
Maria Adiato Djalo Nandigna,
o Ponto focal das FARP na luta
contra VIH/Sida no Ministério
da Defesa, médicos e técnicos da

saúde militar.
A participação massiva das tropas guineenses e da ECOMIB no
evento, demonstra o nível de
conhecimento e a consciência que
as Forças da Defesa e da Segurança têm sobre as consequências desta pandemia, que há
décadas ceifa milhares de vidas
humanas no planeta, fazendo
surgir de um lado, lares de órfãos
e do outro, reduz os rendimentos económicos das famílias.

A titular da pasta de defesa
nacional cuja presença testemunhou o interesse que o Governo tem em combater VIH/Sida
no país e nas FARP, disse que
estava “muito satisfeita” por
participar na marcha de “vida
activa e saudável” em comemoração do 30º aniversário da
criação do Secretariado Nacional de Luta Contra Sida na
Guiné-Bissau.
“Estamos mais satisfeitos porque
hoje, as nossas FA acabam de
mostrar que nós também somos
uma força activa na vida social
da República de Guiné-Bissau;

o que significa que, o que os
civis fazem, nós igualmente
podemos fazê-lo. Demonstramos mais uma vez que somos
filhos do povo, somos do povo
e estamos com o povo. Quero
convidar-vos a partir de hoje a
tomar parte ativa na luta contra
Sida, porque a nossa instituição é uma instituição que trabalha
com homens saudáveis”, disse
a ministra.
Assim, solicitou a colaboração
de todos na sensibilização popular porque “a nossa camada é
uma sociedade mais vulnerável tendo em conta a natureza da
nossa missão”. “Portanto temos
que mudar o nosso comportamento; sensibilizar as pessoas e
aceitarmos que, Sida existe de
facto. No entretanto, para termos
a certeza da sua existência, seria
melhor aderir ao processo e
fazer o teste de sida para conhecer o estado de saúde”, disse
Nandigna. Adiantou ainda que,
“hoje há pessoas contaminadas
com sida mas que quando se
descobre que estão infectadas e
fazem tratamento atempado con-

seguem viver”.
A Ministra apelou à mudança de
comportamento para evitar novas
infecções, porque esta doença
ainda não tem cura. Na mesma
senda, recomendou a “não discriminar os viventes com
VIH/sida”, que são “nossos
irmãos” e que devemos “acarinhar e encoraja-los”. Segundo ela,
os militares devem ser agentes
de difusão e propagação da mensagem sobre sida junto às populações das localidades onde se
encontram ou poderão estar em
missão.
“Portanto, se ontem lutamos
contra a dominação colonial e
conseguimos vencer e proclamar
a independência, penso que hoje,
na qualidade de combatentes,

iremos transformar-nos em combatentes e lutar contra sida.
Acreditamos que iremos vencer
o VIH/Sida na Guiné-Bissau,
porque lutamos para vencer e não
para ser vencidos”, garantiu a
ministra da Defesa Nacional.
Maria Adiato Djaló Nandigna
agradeceu os organizadores do
evento e os participantes inclusive a força da ECOMIB, no
país envolvidas na marcha. Sublinhou estar muito satisfeita por
participar na “marcha de vida
activa e saudável” alusiva a
comemoração do 30º aniversário de criação de Secretariado
Nacional de Luta Contra Sida na
Guiné-Bissau
Maj. Ussumane Conaté

Saúde

O Defensor | 30-12-2015 12

Campanha de vacinação gratuita

Ministério da Saúde Pública lança campanha
de vacinação contra sarampo

O Ministério da Saúde Pública, com
o apoio técnico e financeiro da Unicef, OMS e outros parceiros, fez o
lançamento no dia 4 de Dezembro
2015, no bairro de Hafia, nos arredores de Bissau, da campanha
nacional integrada de vacinação
contra Sarampo, suplementação em
vitamina A e a desparasitaçao com
Mebendazol, às crianças dos 6 aos
59 meses de idade.

T

ratou-se da segunda dose anual de
suplemento da vitamina A bem
como a desparasitacão com mebentazol das crianças a partir do primeiro ano
de vida..

A campanha de vacinação gratuita que
teve lugar de 4 a 9 de Dezembro, em todo

o territorio nacional, que visou abranger
cerca de 300 mil crianças, enquadra-se
nos esforços globais da erradicação do
sarampo no mundo. A ação do Governo
da Guiné-Bissau que contou com o apoio
da UNICEF e da OMS enquadra-se nos
esforços globais da erradicação do sarampo no mundo até 2020.

A Ministra da saúde Cadi Seide, disse que
esta doença “é altamente contagiosa
constituindo uma ameaça séria, pois
pode propagar-se muito rapidamente
em situações de superlotação e falta de
condições sanitárias susceptíveis de vitimar os mais fracos, nomeadamente, as
crianças”.
Na Guiné-Bissau o sarampo é a quarta
maior causa da mortalidade infanto-

juvenil a seguir ao paludismo, as doenças diarréicas e a pneumonia. A vacina
contra o sarampo imuniza a criança e reduz
consideravelmente o número de mortes por ela causada.

A Ministra agradeceu, em nome do
Governo, aos parceiros de cooperação pelo
apoio inestimável prestado, para tornar
uma realidade essa operação de assistência
preventiva junto das crianças guineenses.
Disse que urge apelar a todas as familias
em particular os líderes tradicionais e religiosos, medias e cidadãos singulares e indiferentes à cusa da criança, a mobilizarem
esforços para fazerem vacinar as suas
crianças. Prometeu que o Ministerio da
Saúde Pública continuará a tudo fazer para
que os objectivos visados pela realização
da campanha sejam plenamente atingidos.
Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD)

A Representante residente do PNUD,
Maria do Valle Ribeiro, para demonstrar
a gravidade desta doença, disse que no
ano passado foram registrados 114,9
mil óbitos por sarampo em todo mundo,
ou seja em cada hora, 13 pessoas morrem de sarampo sendo a maioria crianças menores de 5 anos de idade. Uma
criança que sofre de carência de vitamina
A tem 25 por cento de maior probabilidade de morrer de sarampo, paludismo
ou diarréia.

Convem recordar que no primeiro trimestre de 2015 as autoridades sanitarias
nacionais identificaram uma epidemia de
sarampo com 147 casos suspeitos em 9

regiões sanitárias, sendo confirmados
20 casos e 2 óbitos, referiu Ribeiro.
É uma triste estatística que pode ser
invertida facilmente, já que desde 1963,
existe vacina. Entretanto ainda deparamos com esta doença, porque muitos
não tomam vacina e impedem que as suas
crianças beneficiem da imunização.
A Representante residente do PNUD
aproveitou a ocasiao para, em nome do
sistema das Nações Unidas, agradecer o
compromisso do governo na erradicação
do sarampo reiterando o apoio da organização .
É importante referir que as equipas da
UNICEF e da OMS prestaram a sua
colaboração técnica aos especialistas
do Ministério da Saúde Pública na preparação da campanha que decorreu de 4
a 9 de Dezembro 2015 e que foi orçada
em 215 milhões de francos cfa facultados pela UNICEF para custear a operação da dose necessária das vacinas,
assim como todo o material (seringas,
diluidores) e na formação de 508 vacinadores, 320 voluntários, 105 supervisores
e mais de 100 sensibilizadores com o intuito de cobrir todo o território guineense,
para reduzir a mortalidade.
A cerimônia de lançamento da campanha
que decorreu no bairro de Hafia, em
Bissau contou com a presença da Ministra de Saúde Pública, da Representante residente do PNUD, Maria do Valle
Ribeiro, da UNICEF Abubacar Sultan,
representanes da comunidade e da população de Hafia.

Soldado Paula Cristina Gomacha

Reportagem

13 O Defensor | 30-12-2015

Ministra da Defesa Nacional visita quartéis
de Bissau e do interior

A Ministra da Defesa Nacional,
Maria Adiato Djalo Nandigna, visitou de 20 a 28 de Outubro de 2015,
em companhia do Chefe de EstadoMaior General das Forças
Armadas, Tenente-General Biaguê
Na N’Tan e dos Chefes dos três
Ramos das Forças Armadas, todos
os quartéis do sector Autônomo de
Bissau.

O

cumprimento da agenda, a
visita aos quartéis, começou
pelos estabelecimentos de
Bissau, nomeadamente, o EstadoMaior de Exército, o Batalhão da
Engenharia e Serviço Material,
Estado-Maior da Força Aérea, Defesa
Antiaérea, Regimento de Artilharia
Terrestre, Para-comandos, Brigada
Mecanizada 14 de Novembro, Zona
Militar Centro, Tribunal Militar e
Estado Maior da Armada.

No final da visita às unidades militares
de Bissau, a ministra disse que a sua
primeira visita, enquanto responsável
da Defesa Nacional, foi feita no sentido de “fazer um levantamento exaustivo e ver em que condições se encontram as nossas forças de defesa”.
“Conseguimos visitar os quartéis do
Sector Autônomo de Bissau e vimos as
casernas, os lugares onde dormem os
nossos militares. Visitamos as cozinhas, as salas de aulas e, também, os
postos médicos que dão assistência
medica e medicamentosa aos nossos
homens e mulheres”, revelou ela para a
seguir reconhecer que, “realmente
algumas coisas foram feitas no sentido
de melhorar o estado dos quartéis do

país, mas ainda falta muita coisa para
se fazer”.
No entanto, a ministra pediu a solidariedade, empenho e dedicação de
todos aqueles que fazem parte dessa
instituição da Defesa Nacional porque
“só trabalhando com rigor e disciplina
é que os objetivos serão alcançados”.
Maria Adiato Djaló Nandigna disse ter
a “noção das prioridades” no momento
mas adiantou que tem que se selecionar as mais prioritárias com vista a
minimizar o sofrimento dos militares
guineenses.
Visita as unidades de zonas militares
Sul, Leste e Norte

No quadro das visitas às unidades militares do interior, a comitiva ministerial da Defesa Nacional prosseguiu a sua
visita, desta vez nas zonas militares
sul, leste e norte do país, começando
pelo Comando da Zona Militar Sul,
Batalhões de Buba e Quebo.
Nos discursos proferidos nas unidades
militares visitadas Adiato Djaló
Nandigna, disse que o objetivo do seu
périplo era “inteirar-se da situação dos
aquartelamentos e vermos, em conjunto, as possibilidades de trabalhar em
equipa a fim de encontrar soluções
para as dificuldades que se verificam
no seio das Forças Armadas, através da
implementação de reformas no sector
da Defesa e Segurança”.
“Como podemos preparar para o
desafio que a constituição da
República nos imputa? Como
podemos garantir a soberania nacional,
paz, estabilidade e tranquilidade ao

A ministra visita instalções da carpintaria

povo guineense?, questionou a ministra para mais a fente reconhecer que “é
um desafio de todos nós. Sozinha não
posso fazer tudo”, reconheceu”.
A ministra da Defesa Nacional sublinhou, que é preciso, neste contexto, “a
contribuição de cada um dos atores do
sector nas suas respectivas unidades
cumprindo a missão que lhe foi
incumbida e executá-la a tempo e
horas”.
Mais a frente defendeu que “só assim é
que se pode mudar a situação do país
porque o atual estado em que vive hoje
o país é consequência dos trabalhos
realizados no passado.
“Portanto, para mudarmos esta realidade precisamos de trabalhar, na base
de solidariedade, confiança e respeito
mútuos, entre os camaradas, para
podermos, em conjunto, construir uma
Guiné-Bissau melhor no futuro”, afirmou.
A governante considerou “urgente
melhorar alguns comportamentos no

seio dos militares, para poderem ter as
condições indispensáveis para o
cumprimento das respectivas obrigações, dignas das Forças Armadas
Revolucionárias do povo”.
“Em tempo de paz temos outra missão.
Qual é a nossa missão? Na qualidade
de uma força viva da nação, a nossa
missão é ajudar a combater a pobreza,
que está instalada e enraizada no seio
do povo da Guiné-Bissau. Este é mais
um desafio. Uma obrigação que temos
perante o nosso povo e aqueles que
deixamos para trás; que realmente conseguiram justificar os valores da
Independência”, disse a ministra que,
prosseguindo, agradeceu a presença da
ECOMIB força da CEDEAO para
apoio a manutenção da estabilidade no
país.
Irina Adão Pereira

EMGFA

O Defensor | 30-12-2015 14

Estado-Maior General oferece lanche aos filhos dos funcionários

P

ara a celebração da festa natalícia, que marca o nascimento de Jesus Cristo,
o Estado-Maior General das Forças Revolucionarias do Povo organizou no
passado 23 de Dezombro 2015, na Fortaleza d’Amura, um lanche para os filhos dos funcionarios afetos a esta instiutição. O gesto que constitui o primeiro na
história recente das FARP tem como objetivo fundamental, fortalecer o espírito de
unidade entre os civis e militares.
Segudo o Tenente-general Mamadú Turé, as crianças que presentes no evento, assim
como as outras em casa, “são os nossos herdeiros e nossa maior riqueza. Durante
a Luta Armada de Libertação Nacional, Amilcar Lopes Cabral, disse: “As crianças
são as flores da nossa lua, a razão da nosso combate”.
O CEMGFA, Biaguê Na N´Tan, aproveitou a ocassiao para felicitar o pessoal dizen-

do que “todos os funcionários do Estado-Maior General, começando por mim, Biaguê
Na Ntan até a última categoria, estão de parabéns!Devemos saber que as crianças
são os nossos sucessores, no seio delas poderão sair futuros generais, presidentes,
professores enfim, garndes dirigentes deste país. Por isso empenharmo-nos a
educá-las, ensiná-las a boa cultura, a pensar no futuro.
“Desejo a todas essas crianças um santo natal e um Novo Ano 2016 cheio de saúde,
paz, amor e prosperidade ao lado das suas famílias.”
O General Biaguê Na N´Tan recordou que a organização do às crianças foi uma iniciativa geral do pessoal de Estado-Maior General. “O meu desejo é continuar
com esse evento não só dentro do Estado-Maior General, mas tambem nos Ramos
e nas zonas militares, como forma de respeitar os princípios do funcionalismo.

Acidente de viação provoca dois mortos e oito feridos

Dois mortos e oito feridos,
entre os quais um em estado
grave, foi o balanço do acidente ocorrido no dia 3 de
Novembro passado, no troço
que liga Bambadinca –
Bafatá aquando da visita da
Ministra
da
Defesa
Nacional, Maria Adiato
Djaló Nandigna, às unidades
militares do interior do país.

O

acidene envolveu a viatura da Policia Militar
(PM), que garantia a
segurança da comitiva ministerial da qual fazia parte o Chefe
do Estado-Maior General das
FARP, Tenente-General Biagué
Na N’Tan e outras chefias militares.
O trágico acidente que, consequentemente, interrompeu a

visita da titular da pasta da Defesa Nacional, foi provocado pelo
rebentamento de um dos pneus
da frente da viatura, que andava em grande velocidade. A viatura que descapotou foi embaterse contra uma árvore a uma
distância de sete metros do local
onde rebentou a roda originando a morte do 2º Sargento
Armando Djedjo Djata de 42
anos de idade, natural de S.
Domingos, casado e pai de sete
filhos, e do Soldado, Jucoof
Quintino Gomes Fernandes, de
25 anos de idade, natural de
Bissau e pai de dois filhos.
Entre os feridos graves figura
Domingos
Fernando
Nancobo, que sofreu uma fratura na perna direita e foi evacuado no dia 8 de Novembro/
para Senegal para receber tra-

tamentos medicos adequados.
A origem do acidente

Sobre o acidente, O Defensor
falou com o Tenente-coronel
de Infantaria dos Comandos,
Orlando Pungana Nan Cabna,
Coordenador da Unidade da
Policia Militar que disse que a
viatura em que seguiam os
acidentados no momento do
acidente andava em velocidade normal porque, sempre tem
advertido aos motoristas em
missão que andem em velocidade moderada.
Segundo o Tenente-coronel o
acidente foi devido a um “erro

técnico” isso porque a viatura
quando chegou em Amura
estava já com problemas que
foram logo detectados pelo
Comandante de Companhia
da Policia Militar, Major
Fidel. Nesta optica, as viaturas
foram levadas ao Serviço
Material para efeitos de manutenção. Ali os mecanicos
detectaram que algumas peças
estavam ressecadas. Para
ultrapassar essses problemas,
na altura, efectuaram as devidas manutençoes.

Explicou que o acidente tinha
sido provocado pela explosão
do pneu da frente na altura em

que a viatura estava numa descida, facto que fez com que o
motorista não conseguisse
controlar a mesma. Mas, se
fosse numa subida o acidente
teria sido menos grave. Disse
que, nem o motorista sabe
explicar exatamente o que
aconteceu no momento.
“A viatura, como levou uma
pancada muito forte acabou
por ejectar os oito homens que
se encontravam na parte traseira, tendo de seguinda capotado em cima deles o que originou a morte dos dois camaradas,” explicou o Tenentecoronel Orlando.

Breve biografia dos malogrados

Armando Djedjo Djata ingressou nas FARP
durante o conflito político-militar de 1998. No
fim do conflito, Djata se formou na Artilharia Terrestre na zona militar sul, no batalhão de Nhala.
Foi Chefe da 3ª Secção de GP-1, da Bateria de
Nan Deme Indjai.
Em 2004 Djata, fez o juramento à Bandeira no
Centro de Instrução Militar de Cumeré; em 2009
o malogrado foi transferido para o batalhão de Mansão exercendo as funções de Chefe de secção de
GP-1.
O Soldado, Joucoof Quintino G. Fernandes,
ingressou nas FARP em 15 de junho 2013 e fez
o juramento à bandeira no Centro de Instrução
Militar de Cumeré no dia 27 de Outubro do
mesmo ano.
Concluiu a 11ªclasse na Unidade Escolar 23 de
Janeiro. O primeiro posto de serviço ocupado por

Jucoof nas FARP foi no Batalhão de Asseguramento na companhia da Defesa Antiaérea do Estado-Maior General. Em 14 de Setembro de 2014
Jucoof, foi transferido para a companhia da
Policia Militar (PM) onde trabalhou até a data da
sua morte.
O malogrado ingressou nas fileiras das Forças
Armadas da Guiné-Bissau, em 15 de junho 2013
e fez o seu juramento para defender a pátria no
centro de formação e instrução Militar de Cumeré no dia 27 de Outubro do mesmo ano.
O primeiro posto ocupado por Jucoof nas Forçar Armada foi no Batalhão de Asseguramento
na Companhia da Defesa Antiaérea de EstadoMaior General das Forças Armadas.
Em 14 de setembro de 2014 Jucoof, foi transferido para companhia da Policia Militar onde
exerceu até a data da sua morte.

Irina A. Pereira

Luto

O Defensor | 30-12-2015 15

FARP de luto:
Faleceram dois oficiais, Combatentes da Liberdade
da Pátria

As FARP estão de luto. Faleceram dois oficiais, ambos valorosos Combatentes da Liberdade da Pátria, que cumpriram o seu dever, integralmente, em obediência às leis superiores
da Pátria.
O Brigadeiro-General, Lúcio Tombom, faleceu em Bissau
no dia 8 de Novembro de 2015, no Hospital Militar Principal
vítima de doença.
O 1º Tenente da Marinha de Guerra Nacional, Fernando da
Silva Gomes, faleceu no dia 09 de Dezembrode 2015, vítima
de doença.
Os protagonistas da Luta Armada de Libertação Nacional, Combatentes da Liberdade da Pátria, arquitetos do Estado guineense,
verdadeiros museus e bibliotecas, verdadeiras fontes da história recente da Guiné-Bissau desaparecem dia após dia,
como é da natureza humana.

Brigadeiro-General Lúcio Tombom usando da palavra num seminário

Assim, para que fique registado, nesta edição é publicada a
biografia do Brigadeiro-General Lúcio Tombom com a promessa de, no próximo número, publicar o registo biográfico
do 1º Tenente Fernando da Silva Gomes.

Registo Biográfico do Brigadeiro-General Lúcio Tombom

Filho de Tombom N’Chamena e de Maria Quadé, casado, segundo uso de custumo, pai de onze filhos, nasceu no dia 16 de Abril
de 1945 em Biambe, Secção de Encheia, Sector de Bissorã, Região
de Oio.
Em 1956, iniciou os seus estudos na Escola Primária de Santo António de Biambe, onde concluiu a 4ª Classe em 1963.
Em 1962, ingressou nas fileiras do PAIGC como militante, tendo
em 1963, com o começo da Luta Armada de Libertação Nacional,
integrado a Base do Sector de Biambe sob o comando do camarada Julião Lopes.
Em 1966, Lúcio Tombom foi nomeado Comandante e Chefe de 25
homens, tendo sido transferido dois meses depois juntamente com
o grupo para a Base de Encherte, onde permaneceram durante cinco
meses para depois voltarem novamente à Base de Biambe com a
mesma função. Em 1967 foi nomeado Comandante do 1º BiGrupo do Corpo do Exército de Choque no Sector de Naga (Naga
Biambe). Em 20 de Julho de 1967 foi transferido para o Corpo do Comando da Frente Norte, sob o Comando do camarada Irénio Nascimento Lopes (falecido). Em
20 de Maio de 1968, Lúcio Tombom foi selecionado para ir frequentar o curso de
Comandante de Destacamento na ex-URSS, com a duração de 12 meses. Em 1969,
após seu regresso da formação, foi nomeado Comissário Político do Sector de Bula,
funções que exerceu durante 2 anos e meio, sob o Comando do camarada Braima
Bangura (falecido).
Em 12 de Abril de 1971 foi transferido para o Corpo do Exército 199-D-70 Frente Bula-Canchungo, como Comandante-Adjunto onde, um mês depois, foi nomeado Comissário Político do mesmo Corpo, comandado pelo camarada José Sanhá
que, dois anos depois, foi substituído por José João Nancassa, função que desempenhou até ao fim da Luta de Libertação Nacional em 1974.
Em 1975 Tombom foi novamente nomeado Comissário Político do batalhão de Canchungo, tendo como Comandante, o camarada Braima Bangura. No dia 4 de
Abril de 1975, foi nomeado Chefe de Estado-Maior do referido Batalhão.
No dia 26 de Julho de 1976, foi destacado para frequentar o Curso de Tropa Geral
em Cuba, com a duração de dois anos e meio. Em 1978 foi transferido para o Batalhão de Infantaria de Gabú como Comandante onde, um ano depois, passou a desempenhar as funções de Chefe de Estado-Maior, tendo como o Comandante Mário
Sousa Delgado.
Em Agosto de 1980, foi transferido para o Batalhão de Infantaria de Mansoa como
Chefe do Estado-Maior. No dia 8 de Dezembro de 1981, na sequência da movimentação de Batalhões, a referida unidade foi igualmente transferida para Gabú.
Tombom manteve-se nas nas mesmas funções.

Em 7 de Janeiro 1984, Lúcio Tombom foi transferido para o Estado-Maior General das Forças Armadas Revolucionárias do Povo onde
posteriormente foi destacado para um estágio na ex-URSS com a
duração de cinco meses. No dia 25 de Agosto de 1985, foi nomeado Chefe Adjunto do Departamento de Recrutamento e Mobilização do Estado-Maior General das Forças Armadas Revolucionárias
do Povo. A 19 de Novembro de 1985 foi transferido para o Batalhão
de Infantaria de Quebo (ao sul) como Comandante.
Em 22 de Fevereiro de 1986, foi transferido de Quebo para o Estado-Maior General das Forças Armadas Revolucionárias do Povo.
No dia 8 de Março de 1988, foi transferido para a Brigada Mecanizada 14 de Novembro como Comandante de Batalhão Mecanizado.
Em 16 de Novembro de 1992, foi promovido ao posto de TenenteCoronel do Exército. No dia 12 de Setembro de 1998, com a eclosão do conflito político-militar, integrou a Junta Militar (Base
Aérea), sendo no mesmo ano, transferido para o Batalhão de Bafatá como Comandante.
Em de Dezembro de 1998, voltou ao Comando Supremo da Junta Militar no estado de reserva. No dia 10 de Agosto de 2000, o camarada Lúcio Tombo integrou
a Comissão de Reajuste de Patentes nas Forças Armadas e Paramilitares, tendo sido
promovido ao posto de Coronel.
Neste percurso militar, Lúcio Tombom foi nomeado no dia 1 de Janeiro de 2007,
Coordenador da Secção Fúnebre do Estado-Maior General das Forças Armadas.
Em 22 de Março de 2008, foi nomeado Chefe da Divisão de Recrutamento,
Mobilização e Desmobilização do Estado-Maior General das Forças Armadas. No
mesmo ano, passou à reserva do Estado-Maior General das Forças Armadas
(Adido ao Quadro). Em 4 de Agosto de 2010, foi nomeado Chefe da Comissão de
Pagamento dos Combatentes da Liberdade da Pátria no Norte, concretamente nas
Regiões de Oio e Cacheu durante 1 (um) ano.
Em 3 de Novembro de 2013, por Decreto Presidencial nº15/2013, Lúcio Tombom
foi promovido à Brigadeiro-General, passando a exercer as funções de Conselheiro
Principal do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Revolucionárias do Povo, até a data da sua morte.
As últimas homenagens ao malogrado foram rendidas nas instalações do EstadoMaior General das Forças Armadas em Amura na presença da Ministra da Defesa Nacional, do Representante do Secretário de Estado dos Combatentes da
Liberdade da Pátria, Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas e seu Staff,
oficiais superiores, subalternos sargentos, familiares e conhecidos.
O malogrado foi sepultado no Cemitério Municipal de Bissau com honras militares.

O Defensor

Órgão de Informação Geral do Estado-Maior General das Forças Armadas

Periodicidade: Mensal -Ano XII - Preço: 500 Fcfa - Amura
Telm: (+245) 550 9977 / 661 6047 - email: odefensorgb@gmail.com

Fundado em 1994 - Director: Major Ussumane Conaté

H

Formados formadores em matéria de liderança
servidora, cidadania e resolução de conflitos

No âmbito de capacitação,
dos militares e paramilitares, no domínio da resolução de conflitos, teve lugar
no dia 8 de Dezembro de
2015 no Clube das Forças
Armadas Revolucionárias
do Povo (FARP), a cerimónia de encerramento e
entrega de certificados de
freqüência aos jovens que
durante 15 dias receberam
a formação de formadores
em matéria de liderança
servidora, cidadania e resolução de conflitos.

O

Coronel
Sarafim
Embaló, que presidiu
a cerimónia de encerramento, recomendou aos formandos o bom desempenho
dos conhecimentos adquiridos
na resolução de conflitos em
função de Bem Servir como
diz o próprio nome. Pediu
igualmente às chefias militares e para-militares para avalizarem o projeto para que
tenha “pernas para andar”.
Reiterou a necessidade de
continuar a formação dos mais
jovens.
Da sua parte o Coronel,
Arafam Mané asegurou que
“o futuro deste país está nas
mãos dos jovens fardados”
pelo que, devem apostar na
formação e no trabalho para
que sejam amanhã bons líderes desta terra.
“É claro que, com esta formação vocês devem pôr em prática tudo aquilo que vos for

incumbido e formar os outros
colegas ausentes aqui, para
melhor servir e saber transformar os conflitos em dialogo.
Esta é a melhor forma de atingir os objectivos na transformação do homem” sublinhou
o oficial.
Para o Coronel “hoje, nós
estamos aqui e amanha vamos
à reforma”. Recordou mais a
frente que “Amilcar Cabral
ensinou nos que devemos preparar o homem de amanhã que
respeite, os princípios demo-

cráticos e dê continuidade aos
ideais deste”.
O Coordenador do Ubuntu, o
Tenente Abu Cadri Indjai
começou por gradecer as instituições que disponibilizaram e
envidaram todos os esforço
para que esse projecto fosse
realidade. Recomendou a
todos os formandos a porem
em prática os conhecimentos
adquiridos, e que façam bom
uso dos mesmos em prol do
desenvolvimento da nossa
querida Pátria. Apelou os

Chefes da Divisão e Educação
Cívica Assuntos Sociais e
Relaçoes Públicas do EstadoMaior General assim como do
Ministério do Interior no sentido de prestarem atenção
especial ao projecto.
UBUNTU

O Projecto BEM SERVIR
nasceu da iniciativa de três
jovens,
formados
na
Academia UBUNTU, um projecto que veio à Guiné-Bissau
com o objetivo de criar dinamismo e capacitar os jovens
guineenses em matéria de
liderança
servidora
e
empreendedorismo social.
A estratégia da academia
UBUNTU serviu de ponte de
partida a outros projetos para
um desafio de saber projetar e
bem servir. Estavam divididos
em três e com metodologias
deferentes. Mas, com o tempo
acabaram por unir formando
uma só frente com o nome de
Projeto para Defesa e
Segurança, que deu origem ao
Projeto Bem Servir com o

lema “servir as nossas forças
de defesa e segurança”. Este
foi escolhido em benefício das
forças armadas e da população. O Projecto teve vários
outros nomes na sua fase inicial e teve igualmente quatro
sessões.
Em Setembro teve lugar a primeira atividade de formação
dos membros do projeto e não
parou por aí. Neste momento
50 elementos finalizam a sua
formação e aguarda-es com
expectativa a assinatura de um
memorando ou acordo de parceria com o Estado-Maior
General e o Ministério do
Interior para “dar pernas” ao
projeto.
O Tenente Inácio Nhaga,
quando usava da palavra no
acto solene de encerramento,
convidou todos os jovens
militares e para-militares a
aderirem ao Projecto Bem
Servir para que estejam livres
e tenham a capacidade de
resolução de conflitos.

Soldado Paula Cristina
Gomacha