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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS 1

António Filipe Garcez José

? !!! Laissez faire,


laissez passer !!!!

DIREITO COMERCIAL
Universidade Autónoma de Lisboa
Ano lectivo 2005/2006

Aulas teóricas: …........................................Dra. Ana Roque


Aulas práticas: .......................................Dra. Nídia Antunes

INTRODUÇÃO
Vou começar esta exposição por fazer uma pequeníssima
revisão sobre certos conceitos já estudados no 1°
semestre, tais como a noção de comerciante, noção de
empresa e noção de estabelecimento, pois estas figuras
estão omnipresentes no âmbito do estudo das sociedades
comerciais.

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António Filipe Garcez José

OS COMERCIANTES

Qual a importância de saber quem é comerciante face à


lei portuguesa?

- É importante, ....

Primeiro, porque os actos de comércio subjectivos são


actos dos comerciantes, ...

ou seja, ...

são actos cuja comercialidade resulta do facto de terem


sido praticados por um comerciante.

Em segundo lugar, é importante saber quem é


comerciante porque, .como já estudámos, os comerciantes
têm direitos e obrigações próprias

CATEGORIAS DE COMERCIANTES

O artigo 13° do Código Comercial ...


distingue duas categorias de comerciantes:

1ª- são as pessoas, que, tendo capacidade para praticar


actos de comércio, fazem deste profissão

2ª- As sociedades comerciais.

Por outro lado, o artigo 230° do Código Comercial, diz que


haver-se-ão por comerciais as empresas, singulares ou
colectivas, que se dedicam às actividades ali mencionadas.

Aqui, tenho de fazer uma chamada de atenção ...


para o facto de que ...

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a “empresa”, não constitui uma terceira categoria de comerciante


!!!
As empresas são equiparadas aos comerciantes,
integrando-se em qualquer das categorias referidas no
artigo 13° do Código Comercial, ...

consoante se trate de ...

- empresas singulares (é o caso dos comerciantes em


nome individual)

ou de ...

- empresas colectivas (é o caso das sociedades


comerciais)

mas,... as empresas não são verdadeiros comerciantes.

Estudámos uma outra figura, o ...

Estabelecimento Individual de Responsabilidade


Limitada, criado pelo Decreto-Lei n° 248°/86, de 25 de
Agosto, que constitui apenas mais uma forma de
organização do comerciante em nome individual, que lhe
permite devido a uma separação de patrimónios para
efeitos de responsabilidade limitar a sua responsabilidade
de modo que apenas os valores afectos à exploração da
sua actividade comercial respondem pelas suas dívidas
comerciais.

AS EMPRESAS

NOÇÃO DE EMPRESA

Por empresa devemos entender o organismo económico


que tem por objectivo explorar, de modo regular e
permanente, determinado ramo de negócio

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• Repetindo-me, alerto para o facto da empresa não


constituir uma nova categoria de comerciante.
As empresas, ...

• se forem singulares ... integram-se no n°1 do artigo


13° do Código Comercial

e ...

• se forem colectivas ... integram-se no n°2 deste


mesmo artigo

Continua portanto a haver apenas duas categorias de


comerciantes :

- as pessoas singulares
e...
- as sociedades comerciais

A empresa é um simples complemento do artigo 13° do


Código Comercial

Por tudo o que acabo de dizer resulta que ...

o facto decisivo para a aquisição da qualidade de


comerciante é, tanto para os comerciantes singulares,
como para as sociedades comerciais, a prática de actos
de comércio.

No entanto ... Esta regra sofre uma importante excepção


no que diz respeito às empresas, pois independentemente
de praticarem ou não actos de comércio, a lei atribui a
algumas delas a qualidade de comerciante. Como o Direito
Comercial não se circunscreve à actividade comercial em
sentido estrito, ou seja à intermediação entre produtores e
consumidores com fim lucrativo, o Direito Comercial

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compreende também outras actividades económicas que


têm analogia com o comércio.

O artigo 230° do Código Comercial equipara aos


comerciantes certas empresas. ...

Empresas....

- Transformadoras, de fornecimento, de agenciamento,


de espectáculos, empresas editoras e livreiras, de
construção civil e empresas transportadoras

• a pessoa que dirige a empresa chama-se empresário

o empresário pode ser ...

uma pessoa singular ... (empresa singular)

ou ...

uma pessoa colectiva ... (empresa colectiva)

Estabelecimento comercial
Estabelecimento
É a empresa comercial, enquanto acervo patrimonial do
comerciante, seja ele pessoa singular ou colectiva

• A actividade do comerciante pressupõe que este se


apoie em bens, organizados para esse efeito.

• Abstraindo da figura do vendedor ambulante, todo o


comerciante tem como indispensável instrumento da
sua actividade uma estrutura de bens;

• é nesta estrutura de bens que surge a problemática do


estabelecimento comercial

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• Não se deve confundir o estabelecimento com a loja,


nem com a fábrica (que aliás, também é um
estabelecimento),

• Não se deve confundir o estabelecimento com o


escritório da empresa de representações e com a
própria empresa.

• O local não é elemento indispensável ao


estabelecimento comercial (também o circo
ambulante é um estabelecimento comercial)

No entanto....

Para certas empresas, a lei exige um local ...

a empresa que agenciar negócios ou leilões por conta de


outrém, com salário estipulado, deve ter escritório aberto
ao público (art. 230°/3 do Código Comercial)

O estabelecimento tem vários elementos:

- Tem um titular

- É um património afecto a uma dada finalidade

- pode englobar a actividade de várias pessoas

- e sustenta uma actividade que se quer lucrativa

O estabelecimento é uma unidade económica, ...

mas ...

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Pode dividir-se em ...

- elementos corpóreos
o Imóvel onde funciona o estabelecimento, as
mercadorias, a maquinaria, o dinheiro ...
e ...

- elementos incorpóreos
os direitos inerentes, a clientela e o aviamento

O estabelecimento é uma universalidade de facto

• o artigo 206°/1 do Código Civil define a universalidade


de facto como sendo “ a pluralidade de coisas móveis
que, pertencendo à mesma pessoa, têm um destino
unitário”.

• Negocialmente, ... as universalidades de facto tanto


podem ser encaradas ... como conjunto ... ou ... como
pluralidade de elementos singulares, ... é o que resulta
do artigo 206°/2 do código Civil, que dispõe que ...

... as coisas singulares que compõem a universalidade


podem ser objecto de relações jurídicas próprias.

O Dr. Ferrer Correia, defende que ...

estabelecimento é um bem imaterial que, todavia,


necessita de ser encarnado num outro, material ou
corpóreo.

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DAS SOCIEDADES EM GERAL

Sociedade enquanto acto jurídico e enquanto entidade

• O vocábulo “sociedade” é utilizado na linguagem


jurídica para designar actos jurídicos e entidades.

• Por exemplo o artigo 980° do Código Civil, primeiro


artigo de um capítulo epigrafado “Sociedade”,
oferece-nos uma noção de contrato de sociedade.

• Já no Código das Sociedades Comerciais aparece


a sociedade primária e dominantemente como
entidade

• O professor Coutinho de Abreu prefere falar de


sociedade-acto jurídico (em vez de contrato ou negócio),

porquanto ...

- existem actos constitutivos de sociedades sem


natureza contratual (é o caso dos negócios unilaterais
constituintes de sociedades unipessoais) ...

- e existem actos constitutivos de sociedades sem


natureza negocial (por exemplo o decreto – lei constituinte
de sociedade anónima de capitais públicos)

• O professor Coutinho de Abreu prefere dizer


sociedade-entidade (em vez de sociedade-colectividade,
sociedade-pessoa jurídica ou sociedade-instituíção) dada a
existência de sociedades unipessoais e de sociedades
sem personalidade jurídica.

• Por tudo isto é legítimo falar de sociedade-acto


jurídico e de sociedade-entidade.

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• Entre o acto jurídico constituinte e a entidade


societária há uma íntima ligação:

- o acto jurídico faz nascer a entidade,


e...
- a entidade societária assenta genéticamente nesse
acto jurídico e por ele é em boa medida disciplinada.

• O nosso estudo sobre as sociedades comerciais é


feito principalmente na perspectiva da
sociedade-entidade, perspectiva essa que é também
a do Código das Sociedades Comerciais

NOÇÃO GENÉRICA DE SOCIEDADE

Elementos estruturais

• A lei comercial não define o contrato de sociedade.

• O Código das Sociedades Comerciais, sendo o


diploma regulador das sociedades comerciais e das
sociedades civis de tipo ou forma comercial, ...

diz-nos...

- quando é comercial uma sociedade (art. 1°/2 CSC),

mas não nos diz ...

- o que é uma sociedade;

logo ...

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O Código das Sociedades Comerciais, pressupõe


uma noção genérica de sociedade, de que a
sociedade comercial é espécie.

• Para encontrar a noção genérica de sociedade de


que a sociedade comercial é espécie, temos primeiro
que ir buscar ao artigo 980° do Código Civil, que
constitui direito privado comum e subsidiário, nos
termos do art. 2° do Código das Sociedades
Comerciais.

O artigo 980° do Código Civil define o contrato de


sociedade, nos seguintes termos:

“contrato de sociedade é aquele em que duas ou mais


pessoas se obrigam a contribuir com bens ou serviços para
o exercício comum de certa actividade económica que não
seja de mera fruição a fim de repartirem os lucros
resultantes dessa actividade”.

Deste conceito resulta que a noção genérica de sociedade,


tem os seguintes elementos estruturais :

elemento pessoal (Pluralidade de pessoas)

Regra geral a sociedade começa por ser uma entidade


composta por duas ou mais pessoas, sejam elas singulares
ou colectivas (esta regra, não só, está prevista no artigo 980° do
Código Civil, mas também, no artigo 7° do Código das Sociedades
Comerciais)

elemento patrimonial (Contribuição com bens e/ou


serviços)

- Qualquer sociedade exige um património próprio.

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- Todo o sócio é obrigado a entrar com bens para a


sociedade (ver arts. 980°e 983°/1 do C. Civil e 20° do CSC)

- Todo o membro de uma sociedade deve entrar para esta


ou só com bens, ou só com serviços, ou com bens e
serviços .

!!! Chamo a vossa atenção para o facto de que só são


admitidos sócios de mera indústria, isto é, sócios que só
entram com serviços, nas sociedades (comerciais) em nome
colectivo e nas sociedades em comandita)

Objecto (Exercício comum de uma actividade económica


que não seja de mera fruição)

- O objecto social é a actividade económica de não mera


fruição que o sócio ou os sócios se propõem exercer
através da sociedade, ou propõem que a sociedade
exerça.

- A sociedade civil deve dedicar-se ao exercício de uma


actividade económica.

- As actividades económicas são, antes de mais,...

as actividades comerciais, mas também as actividades


industriais (extractivas, transformadoras e de transporte),
as profissões liberais , etc.

Fim (repartição de lucro pelos sócios)


De acordo com o art. 980° do C. Civil o fim ou o escopo da
sociedade é a obtenção de lucros, através do exercício da
actividade-objecto social, e a sua repartição pelos sócios.

- Sendo o intuito lucrativo o fim das sociedades, estas


distinguem-se, tanto, das associações (contrapostas às

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sociedades pluripessoais), como das fundações


(contrapostas às sociedades unipessoais de regime geral).

Noção genérica de sociedade


Sociedade é a entidade que, composta por um ou mais
sócios, tem um património autónomo para o exercício de
actividade económica que não é de mera fruição, a fim de,
em regra, obter lucros e atribuí-los ao sócio ou sócios,
ficando este ou estes, todavia, sujeitos a perdas.
SOCIEDADES COMERCIAIS
Estivemos a falar da noção genérica de sociedade, da
sociedade civil, mas como sabemos nem todas as
sociedades civis são comerciais.

Só serão comerciais as sociedades que, nos termos do


art. 1°/2 do CSC ...

tenham por ...

objecto
a prática de actos de comércio, ou seja, as actividades que
os sócios se propõem desenvolver no âmbito da
sociedade, devem consistir naquela prática

e adoptem um dos ...

tipos (forma)
de sociedade comercial ali previstos ( o chamado princípio
da tipicidade das sociedades comerciais) e que são :

1° - Sociedade em nome colectivo


2° - Sociedade por quotas
3° - Sociedade anónima
4° - Sociedade em comandita (simples ou por acções)

Estas são chamadas ... sociedades comerciais regulares

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No entanto, existem também sociedades comerciais


irregulares, sociedades civis sob forma comercial, bem
como as já referidas sociedades meramente civis.

A distinção entre as sociedades civis e as


sociedades comerciais faz-se através do
objecto e através da forma comercial adoptada

Elementos da sociedade comercial


São os quatro elementos que estão presentes em todas as
sociedade civis e mais dois:

- o elemento tipo
e...
- o elemento organizacional.

Elemento Tipo
Uma sociedade comercial, para o ser, tem de adoptar um
dos quatro tipos previstos no art. 1°/2 CSC
A sociedade civil pode fazê-lo mas a isso não obrigada.
O art.º 13º do C. Comercial demonstra que as sociedades
comerciais são comerciantes natas, pois não necessitam
de praticar actos de comércio para serem comerciais.
Basta que no seu objecto esteja escrita a prática de actos
comerciais.

Principio da tipicidade
As sociedades comerciais só podem adoptar um dos quatro
tipos de sociedade previstos no art. 1°/ 2 CSC. Não há
hipóteses de adoptar outros que não um destes quatro. !!!

• O principio da tipicidade das sociedades comerciais tem em


vista a certeza jurídica. Qualquer pessoa em contacto com a
designação da sociedade (S.A, L.da, etc.), com os seus
preceitos, fica a saber a forma organizativa da sociedade com a

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qual irá lidar, qual a forma que a sociedade se obriga, se tem
administração, etc., etc.

• Este principio da tipicidade (art.º/2 do CSC) não conflitua com


o principio da liberdade de contratar do art.º 405º do C. Civil,
porque o contrato de sociedade tem um conteúdo obrigatório
– art.º 9º (S.A) e 272º (S. Quotas), do CSC., e a partir daí há uma
liberdade enorme de inserir cláusulas.

Elemento organizacional
Toda a empresa pressupõe uma organização dos factores de
produção – pessoas e bens – com vista ao exercício de uma
actividade económica. Esta organização deverá ter um padrão
hierárquico e uma certa estabilidade temporal, isto é não se pode
esgotar num acto. A clientela é atraída pela organização e não
concretamente pela pessoa que presta o serviço.

o art.º 980º do C. Civil já está em conflito com a realidade do art.º 5º


do CSC. As sociedades comerciais já podem ser constituídas por
fusão, transformação, cisão, diploma legal, nos termos do art.º 488º
e 270º-A do CSC.

Elemento pessoal (Pluralidade de pessoas)


Regra geral a sociedade começa por ser uma entidade
composta por duas ou mais pessoas, sejam elas singulares
ou colectivas (esta regra, não só, está prevista no artigo 980° do
Código Civil, mas também, no artigo 7° do Código das Sociedades
Comerciais)

• “Os casos em que a lei exija um número superior”.


- È o que sucede na sociedade anónima, em que o número mínimo
de sócios é de cinco (art.273°/1 CSC) e na sociedade em comandita
por acções, a qual não pode constituir-se com menos de cinco
sócios comanditários (art. 479° CSC) Quando por período superior
a um ano, o número de sócios for inferior ao mínimo exigido por lei,
pode ser requerida a dissolução judicial da sociedade (art. 142°
CSC) . Exceptua-se o caso de um sócio ser o Estado ou a entidade
a ele equiparada para este efeito (art. 142°/1/a)).

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• “Os casos em que a lei permita que a sociedade seja
constituída por uma só pessoa”.
- É o caso do art. 488°/1 que permite que uma sociedade constitua,
mediante escritura por ela outorgada, uma sociedade anónima de
cujas acções ela seja inicialmente a única titular.

- É o caso da sociedade unipessoal por quotas (arts. 270°-A a


270°-E CSC, introduzidos através do DL n° 257°/96, de 31 do 12). A
sua característica fundamental consiste em terem um único sócio ,
que poderá ser uma pessoa singular ou colectiva.

elemento patrimonial (Contribuição com bens e/ou


serviços)

- A sociedade deve ser dotada de um certo acervo


material, que assenta no capital social.

- O capital social é a soma das entradas de todos os


sócios e constitui um dos elementos essenciais do
contrato de sociedade, conforme resulta do disposto no
art. 9°/1/f) CSC.

- O capital social é um todo que está sujeito ao princípio


da intangibilidade.

Princípio da intangibilidade
A conservação do capital social é prioritária, não podendo
haver distribuição de valores pelos sócios se o balanço
mostrar que o património líquido é inferior à soma do
capital social com o património.

- Todo o sócio é obrigado a entrar com bens para a


sociedade (ver arts. 980°e 983°/1 do C. Civil e 20° do
CSC). O que é indispensável é que tais bens sejam
descritos de forma que caracterize a sua natureza e
tenham um valor pecuniário apurado (art. 9°/1/g)/h) CSC),
logo que tais bens sejam susceptíveis de penhora.

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- Todo o membro de uma sociedade deve entrar para esta


ou só com bens, ou só com serviços, ou com bens e
serviços
.

Elemento finalístico ou objecto (Exercício comum de


uma actividade económica que não seja de mera fruição)

• O fim imediato da sociedade é a prossecução do seu


objecto, ou seja, o desenvolvimento pleno da
actividade a que a sociedade se dedica, de acordo
com o contrato de sociedade (arts. 11° e 9°/1/d) CSC)

- O objecto social é a actividade económica de não


mera fruição que o sócio ou os sócios se propõem
exercer através da sociedade, ou propõem que a
sociedade exerça.

- O objecto social deve indicar, de forma clara e


precisa, a actividade ou actividades concretas que os
sócios propõem que a sociedade venha a exercer.

no art.º 11º/2 fala-se em dois tipos de objecto:

o objecto contratual,
ou seja, o que está inscrito no contrato de sociedade;

o objecto de exercício,
ou seja, é o que resulta da actividade da sociedade.

O objecto contratual pode ser mais lato que o objecto de exercício.

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• O objecto da sociedade limita os poderes e deveres


dos órgão sociais e fixa a respectiva responsabilidade
(arts. 192°/2, 260°, 409° CSC)

Elemento teleológico ou Fim (repartição de lucro pelos


sócios)
De acordo com o art. 980° do C. Civil o fim ou o escopo da
sociedade é a obtenção de lucros, através do exercício da
actividade-objecto social, e a sua repartição pelos sócios.

NOÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL


Adaptação da redacção do art.º 980º do C. Civil:

A sociedade é (pode ser constituída por) um negócio


jurídico excepcionalmente unilateral pelo qual uma ou
mais pessoas se obrigam a contribuir com bens ou
serviços para o exercício de certa actividade económica
que não seja de mera fruição e tenha por objecto a
prática de actos de comércio com o fim de obter lucros a
atribuir aos seus sócios e adopte um dos tipos de
sociedade previsto na lei (art.º 1º/2 do CSC)

CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES

As sociedades podem classificar-se com base em


diferentes critérios:

Quanto ao tipo

Sociedades comerciais regulares


São as sociedades que têm objecto e forma comercial

Sociedades irregulares

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São as sociedades que têm objecto comercial, mas não se


enquadram num dos tipos de sociedade comercial previsto
no art. 1°/2 do CSC, ou seja não têm forma comercial

Todos quantos contratam em nome deste tipo de


sociedades comerciais respondem solidária e
ilimitadamente pelas obrigações por ela contraídas.

• Integram a categoria das sociedades irregulares as


sociedades comerciais antes do respectivo registo
(arts. 37° a 57° do CSC)

Sociedades civis sob forma comercial


Estas sociedades são como que o inverso das sociedades
irregulares.

São as sociedades que se apresentam sob forma


comercial, isto é, revestem uma das formas previstas no
art. 1°/2 do CSC, mas não têm objecto comercial, ou seja,
não se dedicam à prática de actos de comércio.

As sociedades civis sob forma comercial estão sujeitas ao


regime jurídico das sociedades comerciais, no entanto não
são consideradas comerciantes, pelo que não se integram
no art. 13° do Código Comercial.

Isto significa que não se lhe aplicam as normas da


legislação mercantil que regulam as sociedades comerciais
na qualidade de comerciantes (exemplo : as normas relativas
aos deveres especiais dos comerciantes) mas somente as
normas que as regulam como sociedade.

Sociedades civis
São aquelas que têm por objecto o exercício de uma
actividade não comercial.

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As sociedades civis regem-se pela legislação civil, antes de


mais pelos artigos 980° e seguintes do Código Civil

Quanto à natureza do seu capital

Sociedades fechadas ou de capital fixo


Neste tipo de sociedade o aumento ou redução do capital
está condicionado pelo cumprimento de determinadas
formalidades

Sociedades abertas ou de capital variável


Opõem-se às anteriores. O aumento ou redução do capital
não está condicionado ao cumprimento de formalidades
especiais.
Quanto ao tipo de relações dos associados

Sociedades de pessoas
Trata-se de sociedades compostas por poucas pessoas
que, por isso, são conhecidas do meio comercial, onde
existe uma relação de confiança recíproca e em que todos
os sócios intervêm na administração.

Claro que todas as sociedades são de pessoas, já que não


pode haver sociedade sem pessoas, no entanto aqui
pretende-se salientar o elemento preponderante (pessoas ou
capitais) na constituição dos vários tipos de sociedades.

Exemplo: são consideradas sociedades de pessoas , as


sociedades em nome colectivo.

Sociedades de capitais
São aquelas sociedades que se caracterizam por terem um
elevado número de sócios, geralmente desconhecidos e
sem intervenção directa na administração da sociedade, e
em que, em contrapartida, normalmente existe um elevado
património.

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Exemplo : as sociedades anónimas são geralmente


consideradas sociedades de capitais.

Sociedades mistas
São aquelas que se aproximam quer das sociedades de
pessoas, quer das sociedades de capitais

Exemplo : as sociedades por quotas e as sociedades em


comandita são em regra consideradas sociedades mistas

Quanto à responsabilidade dos sócios

Quanto à responsabilidade dos sócios, as sociedades


comerciais podem classificar-se em:

Sociedades de responsabilidade solidária e ilimmitada


Exemplo: são as sociedades em nome colectivo

Sociedades de responsabilidade limitada


Exemplo : são as sociedades anónimas e as sociedades
por quotas

Sociedades de responsabilidade mista


Exemplo: são as sociedades em comandita simples e por
acções

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