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TEMPO PASCAL. SEGUNDA SEMANA.

SÁBADO

60. PERMANECERÁ ATÉ O FIM DOS TEMPOS


– Indefectibilidade da Igreja, apesar das perseguições, heresias e infidelidades.

– Os ataques à Igreja devem levar-nos a amá-la mais e a desagravar.

– Na nossa vida, também não faltarão momentos de escuridão, de tribulação e de prova.


Segurança ao lado do Senhor. Ajuda da Virgem.

I. LOGO DEPOIS da multiplicação dos pães e dos peixes, quando a


multidão já se havia saciado, o próprio Jesus a despediu e a seguir ordenou
aos seus discípulos que embarcassem. Estavam já no final da tarde.

O Evangelho da Missa1 narra que os Apóstolos se dirigiram à outra


margem, em direcção a Cafarnaum. Já tinha escurecido e Jesus não estava
com eles. Pelo Evangelho de São Mateus, sabemos que se despediu deles
também e subiu a um monte para orar2. O mar estava agitado devido ao forte
vento que soprava3, e a barca era sacudida pelas ondas, pois o vento lhe era
contrário4.

A tradição viu nesta barca a imagem da Igreja no meio do mundo5,


sacudida ao longo dos séculos pelas ondas das perseguições, das heresias e
das infidelidades. “Esse vento – comenta São Tomás – é figura das tentações
e das perseguições que a Igreja sofrerá em consequência da falta de amor.
Porque, como diz Santo Agostinho, quando o amor esfria, aumentam as
ondas... No entanto, o vento, a tempestade, as ondas e as trevas não
conseguirão que a nave se afaste do seu rumo e soçobre”6.

A Igreja sempre teve que enfrentar oposições de dentro e de fora. Mal tinha
nascido, começaram a persegui-la. E, nos nossos dias, continua a sofrer
essas investidas. “Não é nada de novo. Desde que Jesus Cristo Nosso
Senhor fundou a Santa Igreja, esta nossa Mãe tem sofrido uma perseguição
constante. Talvez em outras épocas as agressões se organizassem
abertamente; hoje, em muitos casos, trata-se de uma perseguição disfarçada.
Hoje como ontem, continua-se combatendo a Igreja [...].

“Quando ouvimos vozes de heresia [...], quando observamos que se ataca


impunemente a santidade do matrimónio e a do sacerdócio, a concepção
imaculada de Nossa Mãe Santa Maria e a sua virgindade perpétua – com
todos os outros privilégios e excelências com que Deus a adornou –, o
milagre perene da presença real de Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, o
primado de Pedro, a própria Ressurreição de Nosso Senhor, como não
havemos de sentir a alma cheia de tristeza? Mas tende confiança: a Santa
Igreja é incorruptível”7.

Os ataques à Igreja fazem-nos sofrer, mas, ao mesmo tempo, o sabermos


que Cristo está dentro da barca nos dá uma imensa segurança e uma grande
paz; Ele vive para sempre na Igreja, e por isso as portas do inferno não
prevalecerão contra ela8. Tudo o que é humano passará, mas a Igreja
permanecerá até o fim dos tempos tal como Cristo a quis. O Senhor está
presente nela, e a barca não se afundará, ainda que se veja jogada de um
lado para outro. Esta assistência divina é o fundamento da nossa fé
inquebrantável: a Igreja permanecerá sempre fiel a Cristo no meio de todas as
tempestades, e será o sacramento universal de salvação. A sua história é um
milagre moral permanente.

Já nos tempos de Santo Agostinho os pagãos afirmavam: “A Igreja vai


perecer, os cristãos já tiveram a sua época”. Ao que o bispo de Hipona
respondia: “No entanto, são eles que morrem todos os dias e a Igreja continua
de pé, anunciando o poder de Deus às gerações que se sucedem”9.

Que pouca fé a nossa se se insinua a dúvida porque se intensificou a


tempestade contra Ela, contra as suas instituições ou contra o Sumo
Pontífice! Não nos deixemos impressionar pelas circunstâncias adversas,
porque perderíamos a serenidade, a paz e o espírito de fé. Cristo está sempre
bem junto de nós e pede-nos confiança. Não devemos temer nada. O que
temos de fazer é rezar mais pela Igreja, ser mais fiéis à nossa própria
vocação, ser mais apostólicos no trato com os nossos amigos, desagravar
mais.

II. A INDEFECTIBILIDADE DA IGREJA significa que ela tem um carácter


imperecível, quer dizer, que durará até o fim do mundo, e que também não
sofrerá nenhuma mudança substancial na sua doutrina, na sua constituição
ou no seu culto. O Concílio Vaticano I diz que a Igreja possui “uma
estabilidade invicta” e que, “edificada sobre rocha, subsistirá firmemente até o
fim dos tempos”10.

A Igreja dá provas da sua fortaleza resistindo, inabalável, a todos os


choques das perseguições e das heresias. O próprio Senhor cuida dela, “quer
quando ilumina e fortalece os sagrados pastores para que fiel e
frutuosamente desempenhem os seus ofícios, quer quando – em
circunstâncias particularmente graves – faz surgir no seio da Igreja homens e
mulheres de santidade insigne, que sirvam de exemplo aos outros fiéis, para
incremento do seu Corpo Místico. Acresce ainda que Cristo, do Céu, vela
sempre com particular amor por sua Esposa imaculada, que labuta neste
terrestre exílio, e, quando a vê em perigo, então, ou por si mesmo, ou pelos
seus anjos, ou por Aquela que invocamos como Auxílio dos cristãos e pelos
outros celestes protectores, salva-a das ondas tempestuosas e, uma vez
serenado e abonançado o mar, consola-a com aquela paz «que excede toda
a inteligência» (Fil 4, 7)”11. A fé nos dá testemunho de que esta firmeza na
sua constituição e na sua doutrina durará para sempre, até que Ele venha12.

“Em certos ambientes, sobretudo nos da esfera intelectual, percebe-se e


apalpa-se como que uma palavra de ordem de seitas, servida às vezes até
por católicos, que – com cínica perseverança – mantém e propaga a calúnia,
para lançar sombras sobre a Igreja ou sobre pessoas e entidades, contra toda
a verdade e toda a lógica.

“Reza diariamente, com fé: Ut inimicos Sanctae Ecclesiae – inimigos


porque são eles que se proclamam assim – humiliare digneris, te rogamus
audi nos! Confunde, Senhor, os que te perseguem, com a claridade da tua
luz, que estamos decididos a propagar”13.

Os ataques à Igreja, os maus exemplos e os escândalos devem levar-nos a


amá-la mais, a rezar pelas pessoas que os causam e a desagravar.
Permaneçamos sempre em comunhão com Ela, fiéis à sua doutrina, unidos
aos seus sacramentos, dóceis à Hierarquia.

III. QUANDO OS APÓSTOLOS já haviam remado umas três milhas, Jesus


chegou inesperadamente caminhando sobre as águas, para robustecer-lhes a
fé e dar-lhes ânimos no meio da tempestade. Aproximou-se e disse-lhes: Sou
eu, não temais. Eles quiseram recebê-lo na barca, e pouco depois a barca
chegou ao seu destino14.

Na nossa vida pessoal, talvez não faltem tempestades – momentos de


escuridão, de perturbação interior, de incompreensões... – e, com maior ou
menor frequência, situações em que deveremos rectificar o rumo por nos
termos desviado. Procuremos então ver o Senhor que vem sempre ao nosso
encontro no meio da tormenta dos sofrimentos, e saibamos aceitar as
contrariedades com fé, como bênçãos do céu para nos purificarmos e nos
aproximarmos mais de Deus.

Sou eu, não temais. Quem reconhece a voz tranquilizadora de Cristo no


meio dos seus dissabores sente imediatamente a segurança de quem chegou
a terra firme: Eles quiseram recebê-lo na barca, e pouco depois a barca
chegou ao seu destino, ao lugar para onde iam, para onde o Senhor queria
que fossem. Basta estar na sua companhia para nos sentirmos seguros
sempre. A insegurança aparece quando a nossa fé se debilita, quando não
recorremos ao Senhor por parecer-nos que não nos ouve ou que não se
preocupa connosco. Ele sabe muito bem o que nos acontece, e quer que o
procuremos em busca de ajuda. Nunca nos deixará em dificuldades. As suas
palavras, referidas na antífona da Comunhão, devem dar-nos muita
confiança: Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me
deste...15

Pode haver tempos mais ou menos longos em que pareça que Cristo se
ausentou e nos deixou sós ou não escuta a nossa oração. Mas Ele nunca nos
abandona. Eis os olhos do Senhor – escutamos no salmo responsorial –
pousados sobre os que o temem, a fim de livrar-lhes a alma da morte16.

Se permanecermos junto do Senhor, mediante a oração pessoal e os


sacramentos, não haverá nada que não possamos conseguir. Com Ele, as
tempestades, interiores e exteriores, tornam-se ocasiões de crescer na fé, na
esperança, na caridade, na fortaleza... Com o decorrer do tempo, talvez
venhamos a compreender o sentido dessas dificuldades.

De todas as provas, tentações e tribulações que possamos experimentar,


de todas elas sairemos mais humildes, mais purificados, com mais amor de
Deus, se estivermos com Cristo. E sempre contaremos com a ajuda da nossa
Mãe do Céu. “Não estás só. – Aceita com alegria a tribulação. – Não sentes
na tua mão, pobre criança, a mão da tua Mãe: é verdade. – Mas... não tens
visto as mães da terra, de braços estendidos, seguirem os seus meninos
quando se aventuram, temerosos, a dar os primeiros passos sem ajuda de
ninguém? – Não estás só; Maria está junto de ti”17. Ela está ao nosso lado em
todos os instantes, mas especialmente quando, por uma razão ou por outra,
passamos por um mau momento. Não deixemos de implorar-lhe que nos
ajude.

(1) Cfr. Jo 6, 16-21; (2) cfr. Mt 14, 23; (3) cfr. Jo 6, 18; (4) cfr. Mt 14, 24; (5) cfr. Tertuliano, De
Batismo, 12; (6) São Tomás, Coment. sobre São João; (7) São Josemaría Escrivá, El fin
sobrenatural de la Iglesia, Palabra, Madrid, 1980; (8) Mt 16, 18; (9) citado por G. Chevrot,
Simão Pedro, págs. 71-72; (10) Dz 1824; (11) Pio XII, Enc. Mystici Corporis, 29-VI-1943; (12)
cfr. 1 Cor 11; (13) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 936; (14) Jo 6, 20-21; (15) Jo 17, 24; (16)
Sl 32; (17) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 900.

(Fonte: Website de Francisco Fernández Carvajal AQUI)