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O Movimento Associativo Africano

em Moçambique. Tradição e Luta (1926-1962)
Olga Maria Lopes Serrão
Iglésias Neves
Professora de História
da ULHT e Membro
da Linha
de Africanologia
e Lusofonia

RESUMO
O movimento associativo africano na Colónia de Moçambique desempenhou um papel significante e activo na transformação
de um proto-nacionalismo numa consciência nacionalista interventiva. Pela sua importância, eis o título do presente artigo: “O movimento associativo africano em Moçambique”. As fontes orais, escritas e
iconográficas recolhidas, interpretadas e analisadas criticamente
permitem-nos demonstrar a tese da existência de uma ponte entre as
primeiras iniciativas da sociedade civil, no dealbar do século XX e os
movimentos independentistas, no início da década de sessenta, pelo
que foram definidas como balizas cronológicas, 1926 a 1962, espaço
temporal em que a causa africana se transformou em causa nacional.
Em primeiro lugar, contextualizou-se a Colónia de Moçambique no quadro do império colonial português, analisando a estrutura
económica, social e política para numa segunda parte, se caracterizar as associações africanas, pela sua actuação, a sua voz reprimida
e silenciada na imprensa e na sociedade e se verificar que cresceram,
como uma onda de contestação que se agigantou até atingirem o
ponto mais alto, com a unidade de acção contra o regime colonial. O
subtítulo do texto: “Tradição e luta” implicou conhecer as Mulheres e
os Homens, os actores sociais que animaram esse movimento, demonstrando a sua pertença à elite defensora da “causa africana”, motivação que ainda hoje inspira cientistas, escritores e estudiosos dos
Povos que constroem Moçambique e aspiram a um mundo melhor.
Como palavras-chave, indica-se fundamentalmente três: Colonialismo português – Causa Africana – Associativismo.

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Este artigo é uma parte do capítulo IV da tese de doutoramento, orientada por Fernando Rosas e Jill
Dias, defendida na FCSH/UNL em Abril de 2009

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Africanologia - Revista Lusófona de Estudos Africanos

ABSTRACT
The African associative movement in the former Mozambique
Portuguese colony played a significant and active role in the transformation of a proto-nationalism on a more interventive national conscience. Its importance justifies the title of the present article: “The African associative movement in Mozambique”. The collection, interpretation and analysis of the verbal, written and iconographic sources,
allow us to demonstrate the existence of a bridge between the first initiatives of the civil society in the beginning of the 20th century and the
emergence of the independent movements in the earlier sixties. In
conclusion, 1926 and 1962 can be defined as milestones, the chronological time which separates the African cause from a truly national
conscience.
On a first approach, Mozambique Colony is placed in the greater picture of the Portuguese overseas territories, analyzing its economic, social and political structure. Secondly, this thesis produce a
characterization of the African associations, remarking its actions,
press censorship and social constraints, and, finally, putting in evidence the real growth of the movement, as a wave of plea that got bigger
and bigger until reaching its highest point with the unified action
against the colonial regime.
The sub-heading of the text: “Tradition and fight”, concerns to
the Women and Men who livened up that movement, at the core of the
“African cause” elite, with such a motivation that, till today, inspires
scientists, writers and scholars who embrace the study of all the
groups who build Mozambique as a sole nation and believe in a better
world.
As key-words, three are indicated: Portuguese Colonialism – African Cause – Associativism.

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Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves

As Associações Africanas
“Canção Fraterna”
“Irmão negro de voz quente
o olhar magoado
diz-me:
Que séculos de escravidão
geraram tua voz doente?
Quem pôs o mistério e a dor
em cada palavra tua?
E a humilde resignação
na sua triste canção?
E o pranto de melancolia
no fundo do teu olhar?
Foi a vida? o desespero? o medo?
Diz-me aqui, em segredo,
irmão negro
Porque a tua canção e sofrimento
e a tua voz, sentimento
e magia.
Há nela a nostalgia
de liberdade perdida,
a morte de emoções proibidas,
a saudade de tudo o que foi teu
e já não é...”
Noémia de Sousa
Em Moçambique são as cidades os viveiros de onde brotam
as primeiras manifestações nacionalistas, tanto no campo da literatura (poesia e jornalismo), como ao nível dos movimentos associativos.
Segundo Eduardo Mondlane, primeiro Presidente da FRELIMO:2 “O
nacionalismo moçambicano, como praticamente todo o nacionalismo
africano, foi fruto directo do colonialismo europeu. A base mais característica da unidade nacional moçambicana é a experiência comum
(em sofrer) do povo durante os últimos cem anos do controlo colonial
português”. O porquê deste sofrimento está omnipresente em “Canção Fraterna” de Noémia de Sousa, escrita em 19483.
2

3

Declaração feita por Eduardo Mondlane em Dar-se-Salaam a 3 de Dezembro de 1964. In Présence
Africaine, L III, 1º. trim., 1965.
In AAVV, História de Moçambique, 3º. vol., p. 226.

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por António Sopa. no AHM.. In RIBEIRO. em 1988. fruto da iniciativa dos homens de então. W.. 1. Ao estu4 dar a documentação existente no Arquivo Histórico de Moçambique e no Arquivo Histórico Ultramarino5. em Maputo encontra-se dispersa pelos Fundo do Governo-Geral (GG). o ambiente urbano da Colónia de Moçambique. decorrendo da memória de protagonistas da história urbana que ajudaram a detalhar a situação política e social de Lourenço Marques. Tipologia O fenómeno associativo teve como espaço próprio. Lourenço Marques. 1940. Anuário da Província de Moçambique.. em que respondemos à pergunta: que tipo de associações existiram em Lourenço Marques? Iremos exemplificar. apareceu-nos uma primeira classificação. Imprensa Nacional. A. sentimos a necessidade de criar um quadro classificativo. Bayly & Cª. como o Grémio Africano/ Associação Africana da Colónia de Moçambique. Porto.Revista Lusófona de Estudos Africanos Depois de uma caracterização sumária do movimento associativo. 1908-1947. isto é.Africanologia . feitas por Mário de Andrade.. M. a Direcção dos Serviços dos Negócios Indígenas (DSNI). em 1991. 1989. O aspecto mais importante parece-nos que é verificar em que questões e com que resultados foi feita a contestação ao regime colonial português para avaliar o impacto das ideias nacionalistas. em 1985.. em particular. HONWANA.. no caso do Instituto Negrófilo/Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique e as atípicas. Ed. Ver Bibliografia Entrevistas a João Mendes. Memórias. Do ponto de vista metodológico queremos realçar a importância de termos cruzado a informação escrita com a informação or6 al . quer da Província de Moçambique8. tendo-se concentrado em Lourenço Marques. cf. Asa. R. Lourenço Marques. B. por Olga Neves. Sousa. as que consideramos como típicas. claro e operativo que nos ajudasse a construir uma amostra interpretativa da trajectória seguida pelo movimento associativo em geral e pelas associações africanas. 182 . quanto à natureza das associações africanas: de classe. Asso- 4 5 6 7 8 A documentação relativa às associações. In Anuário de Lourenço Marques. sendo fundamental para o estudo das associações africanas. no âmbito das associações africanas. da Direcção dos Serviços de Administração Civil (DSAC). 7 Pesquisando os Anuários quer de Lourenço Marques .

12. sobre os clubes como então eram conhecidos. a classificação de associações típicas. mais tarde Associação Africana da Colónia de Moçambique. (1965-69). 3 490. E é justamente pelo tipo de convívio que propiciaram decorrente dos membros. DSNI. DSAC. Lourenço Marques. 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Ref. p. 17. mais tarde Associação Africana da Colónia de Moçambique15. Ver AHM. teve os seus estatutos aprovados por PP. cx. da Direcção dos Serviços de Administração Civil. In AHM. Ref. beneficência. Alterados os estatutos por PP. 8. à Mutualidade de Moçambique. p.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves 9 10 ciação dos Enfermeiros . o Grémio Africano de Lourenço Marques. à Caixa de Auxílio dos Pobres. 884. que nos leva a propor como hipótese de trabalho. de previdência. que vai incidir a nossa análise. onde predominou um convívio segregado e associações atípicas. 3 591. etc. à Associação de Enfermeiros. 1. 27/414.1934. donde nasceu o Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique. proc. Ver Informação nº. Ref. p.08. 4. Extinto o Centro por PP.01. 1 617.1965. a Associação dos Barbeiros11.07. p. In AHM. Ver AHM.06. p. 10. A. assistência. 27. 16 17 bem como o Congresso Nacional Africano e o Instituto Negrófilo . do espaço e da acção desenvolvida. onde houve experiências de um convívio aberto e tolerante. por exemplo: a Caixa de Auxílio dos Pobres13 e a Mutualidade de Moçambique14. Ref. o Instituto Negrófilo que deu origem ao Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique e do segundo.51. O Instituto Negrófilo com estatutos aprovados por PP. Ref. como por exemplo o Grémio Africano de Lourenço Marques.1932. a Associação dos Lavadores12. O Grémio Africano de Lourenço Marques teve os seus estatutos aprovados por Alvará do Governo a 07. nº. a Associação dos Engraxadores . DSNI. É sobre este último grupo. Deu lugar ao Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique que. 4.1938. 567. sem estatutos aprovados.. 2 166. instrução e recreio.03. sec.07. à Associação dos Lavadores. 22. 18 802. passando a chamar-se Associação Africana da Colónia de Moçambique por PP.1920. Descoberta a documentação no AHM pela autora. à Associação dos Engraxadores e Polidores de Lourenço Marques. pelo impacto da sua acção na sociedade colonial. Ref. DSAC. O Congresso Nacional Africano nascido de divergências no seio do Grémio em 1920.53. 251. 134. 31.11. p. cx. São exemplos do primeiro caso. cx. e de defesa. 09. 132. 356. à Associação dos Barbeiros. cx. 183 . sem estatutos aprovados.1938. sem estatutos aprovados.

de justiça. fraternidade e de igualdade. Uma segunda fase. de 1926 a 1962. Nas entrelinhas do dis19 curso transparece uma onda de entusiasmo pelos ideais republicanos. Vejamos. pp. 1898-1927. O tempo e o espaço Como foi o percurso do movimento associativo? Podemos distinguir três períodos. um período de trinta e nove anos. portanto de trinta e sete anos delimitados desde Agosto de 1898. a saber: Em primeiro lugar uma fase. imposta a todas as colectividades pelo regime. quem? Onde? E. ano em que as Lojas Maçónicas são perseguidas. Cf. do protesto à acção armada contra o colonialismo. que lentamente esmorece em descrença pelo regime de promessas vãs. de reorganização. E. como se afirmaram os construtores da Nação Moçambicana. em fase de mudança (1ª. Lisbonne. de que se diziam digníssimos representantes. quando? Vamos seguir. Livros do Brasil. apontam-se indícios de outros caminhos. O movimento operário em Lourenço Marques. Há quem trilhe e simpatize com a ideologia socialista. Ed. Adriano. Ilídio. José. passando portanto para uma fase de clandestinidade. Angola. pois a trajectória do próprio movimento associativo. de 1935 a 1974.Africanologia . 18 2. consideradas oficialmente ilegais. Ver OBA. 184 . os problemas que afectavam a população. CAPELA. 1956.Revista Lusófona de Estudos Africanos O estudo comparativo permitiu-nos concluir que a elite africana equacionou de forma diferente e alternativa. 1983. no período que nos propusemos estudar. Afrontamento. Porto. Ed. República – Ditadura Militar – Estado Novo). 268-269. em que foi criada a Associação dos Funcionários do Comércio e Indústria de Lourenço Marques20 até 1935. então. Moçambique)". como há quem se deixe absorver pelo salazarismo. ROCHA. Na crise do pósguerra. "Les élites dans les territoires portugais sous le régime d' indigénat (Guinée. O espaço temporal estudado permite-nos aperceber das alterações da táctica desses grupos. 120123 epp. subdividida numa faixa inicial. Lisboa. A Imprensa em Moçambique. 2000. In Bulletin International des Sciences Sociales. mesmo antes dos alicerces do Projecto terem sido preparados no terreno do Estado colonial. a maioria da população em Moçambique. nos moldes do corporativismo e sob influência da legisla- 18 19 20 O conceito de elite africana in MOREIRA. que vai de 1898 até 1935.

67. Universidade Eduardo Mondlane. N. como José Craveirinha e Noémia de Sousa pensavam no levantamento da raça negra. pp. 8º. independentista e democrático. o plural dado que. de 21 transição. Justiça e Trabalho. o tipo de documentação de que dispomos. de 1962 a 1974. S. Se para 23 o estudo do Grémio Africano/ Associação Africana .. não é homogéneo. quanto às associações de classe. 185 . para um mesmo problema houve diferentes maneiras de o equacionar. o Grémio Africano de Lourenço Marques equacionou três zonas de pressão: Educação. Por exemplo. "A History of African Labour in Lourenço Marques. extremamente significativa pelo que representou na história de Moçambique. Jeanne Marie. 110-264. nas primeiras décadas do século XX. pressionar também com diferente intensidade e lutar pela sua resolução. cit. o caminho para a independência. Centro de Estudos Africanos. C. 1982.. cuja evolução iremos analisar em termos da sua resposta ao regime colonial. antes de abordarmos em geral as principais questões constitutivas da chamada “causa africana”22. numa faixa intermédia. Alfredo. utilizando portanto. Olga. Boston University Graduate School. o eclodir do movimento de libertação. Boston. ROCHA.. vol. podemo-nos 21 22 23 ANDRADE. -U. importa chamar a atenção para os seguintes condicionalismos: Em primeiro lugar. O Grémio Africano de Lourenço Marques (1908-1938)". cit. cuja identificação pelo movimento associativo foi evoluindo de acordo com o processo histórico.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves ção de Setembro de 33. MARGARIDO. Mário e REIS. op. op. da independência e pós-independência.. Todavia. onde cresce a contestação ao regime colonial e. em que a sociedade civil ganha espaço para se afirmar. A nossa tese privilegiou a primeira e a segunda fase por conterem o ambiente que propiciou o nascimento e os ritmos de crescimento até 1962. 1991. nas décadas de 6070. "Associativismo e Nativismo em Moçambique. Para o estudo de Grémio Africano / Associação Africana. UNESCO. L. cf. Ed. mais correcto falarmos de respostas. Aurélio. numa faixa significativa. constituída por estes últimos anos. H. Neste quadro geral se inserem as associações africanas. 1877 to 1950". de 1945 a 1962. F. ver PENVENNE. a elite africana nos movimentos nacionalistas lutava pela independência nacional. Mozambique. 152-340. AAVV. p. História Geral de África. ver NEVES. E uma terceira fase. pp. baliza cronológica que nos parece ser. Maputo. Ver Glossário final. O modo de contestação ao regime colonial Há pouco falámos da resposta da elite africana. "Ideologias de Libertação Nacional". É parece-nos. a FRELIMO. Lisboa. 3. frente que uniu e lutou por um projecto nacional. Por causa africana entende-se a defesa dos interesses da população africana. Mª. Tecnos. do Céu. 1985. de 1974 aos nossos dias. nas décadas de 40-50. cf. 1987. os intelectuais da Associação Africana.

Ver Actas do Instituto Negrófilo/ Centro Associativo dos Negros. O que é possível. comparar? Parece-nos ser possível. saber da intensidade dos conflitos e dos seus resultados revela-se-nos tarefa quase impossível pela exiguidade da informação escrita. Exemplo de prosa jornalística acutilante. História de Moçambique. Do confronto das datas é possível descortinar um ambiente de intriga. Porto. Isabel Maria. as razões que levaram à existência do Congresso Nacional Africano. identificar as questões que parecem ter sido as mais relevantes para as associações africanas. República. que aí estava integrado. pelo recurso à história oral procurou-se colmatar as lacunas existentes. 1998. Universidade Eduardo Mondlane. Departamento de História. o Congresso Nacional Africano constitui ainda uma zona-sombra a investigar. no seu livro Memórias. ver CASIMIRO. Ed. pp. é preciso ter em conta a situação política na cidade de Lourenço Marques no momento em que surgem as associações. 24 25 26 27 28 29 Para o estudo do Instituto Negrófilo / Centro Associativo dos Negros. vol. NESAM e AAM". Asa.Revista Lusófona de Estudos Africanos socorrer de muito poucas Actas. desconfiança e descriminação racial. Por exemplo. Ver OBA.O Africano e O Brado Africano. 3º. já para o estudo do Instituto Negrófilo/Centro Associativo dos Negros24. dentro dos condicionalismos que atrás apresentámos. É possível pois. o Instituto Negrófilo foi um produto do Estado Novo. 25 quer do Núcleo de Estudantes. Por outro lado. já na 1ª. mas estas persistem em manter-se como sombras29 no nosso conhecimento. 61-82. 26 Enquanto a prosa jornalística é mais acutilante . 1979. Claro que. o texto da correspondência oficial27 aparece mais suave.Africanologia . Ver o testemunho de Raul Bernardo Honwana. então. "O Movimento Associativo como Foco do Nacionalismo. p. Para o estudo do NESAM. Ver o Fundo documental da Direcção dos Serviços dos Negócios Indígenas. Maputo. mas. apesar de ter descoberto no Arquivo Histórico de Moçambique a primeira documentação relativa a este grupo.. o NESAM . condicionado pelo tempo da censura e de repressão. mais precisamente de 1932 a 1962 a actuação das principais associações africanas. 186 . em tons de solicitude e 28 nunca de irreverência. ver AAVV. há alguma correspondência e Actas. Movimento Estudantil. quer do Centro. alguma correspondência mas há a vantagem de se poder contar com os jornais . Se o Grémio Africano foi favorecido pelo ambiente republicano contestatário que se viveu no estertor da Monarquia e ganha fôlego para crescer. no início da década de 20. Portanto. em Lourenço Marques. comparar no período do Estado Novo. 74.

7ª. defendendo o seu poder económico.09. 59-102.Africana de Moçambique. Matteo. sendo em 1947. . a sua luta tenaz pelo fim do trabalho forçado. que foi comum a ambas. sobretudo pela educação da mulher “indígena”. 6ª . 187 . com o governo” com um plano 33 cujo objectivo seria de “civilizar e educar” . como dizia o poeta Craveirinha. nº. Universidade Eduardo Mondlane.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves Ao nível da estratégia. parece-nos que foram comuns as questões centrais de que se ocuparam e. pp. 06. 3 815. reivindicou fundamentalmente: . 1ª. "A figura e a obra do jornalista José Júlio Roldão (1900-1979) – Contribuição para a história da imprensa em Moçambique". vivendo e defendendo os problemas da maioria da população na colónia de Moçambique. que interpenetradas. 347. com a vantagem de serem intermediários entre a administração colonial e os “indígenas”. o Grémio sobre política indígena propõe ser chamado a “cooperar nesta área. DSAC. com estatutos aprovados por PP. através de um triângulo. nº. Proc. em que em cada um dos lados poderíamos inscrever – a educação. Contudo. na sociedade colonial. Núcleo Negrófilo de Manica e Sofala. reclamando como finalidade a representatividade da população africana de que se diziam legítimos defensores. através de incentivos financeiros aos pequenos agricultores. In OBA. cx. a justiça e o trabalho – três zonas de pressão. ver o estudo de ANGIUS. ver AHM. já ao nível da táctica. encontrámos uma ocupação do território a nível de toda a colónia.O papel dos filhos da terra. da descriminação racial. para além do cargo no funcionalismo público possuía terrenos. da expropriação das terras. p. p. que poderíamos simbolicamente representar.1939. ao Grémio Negrófilo em 1935. que no caso do Grémio evoluíram para associações no terreno. pela educação e.1926. como cidadãos.02. Assim. constituíam justamente o que se entendia por “causa africana”. o Grémio Africano 31 de Manica e Sofala e o Grémio Luso Africano da Ilha de Moçambi32 que . entre os dois mundos. Pelas posições que assume. 298. Ref.A posse da terra.1. as posições parecem ser diferentes. Recordemo-nos que um núcleo importante no Grémio. 30 31 32 33 Ref. Como tal. sec. poderemos considerá-lo um grupo de pressão. 19. como o Grémio Africano de Quelimane30. Ref. ao Grémio Luso-Africano da Ilha de Moçambique. col. (1939-1973). que originou a Liga Luso . 06. 1997. A.. Maputo. Ainda ao nível da estratégia. ao Grémio Africano de Quelimane / Associação Africana da Zambézia. 27/54. através de delegações.

onde foram distribuídas bandeiras pequenas com os seguintes dizeres:34 “Contribuir para a melhoria das condições sociais dos nativos e engrandecer o Império Português”. 188 . associando personali34 Ver o livro de Actas do Instituto Negrófilo. pelo imposto de palhota. .Africanologia . nos finais da década de 40. já que se consideravam conhecedores da situação do “indígena” e se identificavam com as preocupações da maioria da população. In AHM. ainda que crítico. a formas muito moderadas.O acesso a lugares “compatíveis”. chamando a atenção para a necessidade de serem criadas escolas nos meios rurais. fazendo petições aos governantes sobre a situação dos enfermeiros indígenas. Mas. um papel decisivo no desabrochar da consciência nacionalista. surge o Grémio Africano de Lourenço Marques. como iremos ver mais à frente. mas reduzindo a sua actuação.no funcionalismo e no exército. Se o Grémio/Associação Africana protagonizou o papel de um grupo de pressão.1. que iria desempenhar. Exemplo da colaboração. da colónia de Moçambique que. em 1908. sobre o agravamento do nível de vida. é o de um peditório levado a cabo pelo Instituto. foi justamente no moderado (Instituto Negrófilo)/Centro Associativo dos Negros. curiosa na intenção. Organização do grupo Numa cidade. Do Grémio Africano à Associação Africana 4. Eduardo Mondlane fundou com um grupo de estudantes. no quadro do sistema burocrático (documentos e petições).Revista Lusófona de Estudos Africanos .o NESAM. 4. indo contra o trabalho forçado. onde se convivia separadamente. mais precisamente em 1949.O acesso ao Conselho Legislativo. cursos nocturnos na cidade. o Núcleo de Estudantes Secundários Africanos de Moçambique . códices 116260-116263. o Instituto Negrófilo / Centro Associativo dos Negros desempenhou um papel colaborante. tal como os portugueses da Metrópole. na administração .

defendemos a hipótese de ser entendido como um grupo de pressão. referenciado já na época em que actuou. O Brado Africano. inicialmente sob o pivot de uma ideia fundamental – a educação dos “indígenas”. a maioria da população.07. referências essas. por outro lado.. com as características que sempre teve. outras mais se juntaram. Os Membros A partir da sistematização das referências à participação nas actividades do Grémio Africano/Associação Africana.2. dos sócios e dos membros eleitos para preencher os corpos gerentes. mais tarde Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique. negros e brancos. E. Parece ser um grupo não homogéneo. 03. onde emerge uma intelectualidade jovem.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves dades e toda uma elite de mestiços. expressas no jornal. CAPELA. o Grémio existiu até 1938.1923. percorrido por várias correntes de opinião. a “Acção Cultural”37 e. de 1908 a 1918. atomizando um conjunto a que deram o nome de “causa africana”35. como de uma onda se tratasse. de sociedade mista de defesa e beneficência. com o triunfo da República. seu porta-voz.01. Idem. que aliás deram origem a novos grupos. tais como o Conselho Nacional Africano e o Instituto Negrófilo. porventura o ensaio de um Partido Nati38 vista . da população negra. p. 274. a essa nobre ideia do direito à educação. mantendo-se até à independência de Moçambique. colhidas nos jornais. em alcance Pan-africano. 1898-1927. leva-nos a procurar os factores de divisão interna. J. O apelo. a partir dessa data. Terá sido apenas. 189 . 20. de recreio para uma faixa da pequena burguesia local.1926. do ponto de vista político. Do ponto de vista legal. a questão racial? 4. social e cultural. O Africano e. Ref. sobretudo mestiça. em 1975. O Brado Africano. 36 como um importante clube nativo . O Africano e O Brado Africano e confirma- 35 36 37 38 Trata-se da defesa. Pelos resultados da acção conseguida. de uma camada abrangente de trabalhadores moçambicanos e. O movimento operário em Lourenço Marques. insistentemente lançado à unidade. data em que passa a ser designado por Associação Africana.

Os dados recolhidos quanto aos sócios e aos membros da direcção sugerem-nos um envolvimento social intenso na vida política de Lourenço Marques. os empregados comerciais. na sociedade colonial? Ver NEVES. que designaremos de “biscateiro”. de um certo grau de instrução. Importa destacar que. dedicando-se alguns à venda de terrenos. 136-144. Renegando o papel de “assimilados” que as autoridades coloniais lhes tentaram impor. as Obras Públicas e a Curadoria dos Indígenas Portugueses na União Sul-Africana. a maioria do corpo directivo era constituído por funcionários públicos. os Tribunais. os pequenos comerciantes. como se pode constatar nos anúncios do jornal O Brado Africano e nos registos do Anuário de Lourenço Marques. o que nos permitirá compreender os seguintes pontos. Todavia. aparece por vezes um tipo social. indivíduo que lança a mão a qualquer possibilidade de negócio. os “filhos da terra” empenharam-se na defesa da Causa Africana. cit. os Correios. os tipógrafos.. focalizando o plano ideológico. Aí estão os burocratas. por detrás da designação sonante de “proprietário”. O Programa Analisemos a trajectória colectiva do Grémio Africano/Associação Africana.. segundo o Grupo afectavam os africanos. a Fazenda. a Alfândega. sendo os sectores do aparelho de Estado. de relações de compadrio ou mesmo.Africanologia . membros serem proprietários. o Serviço dos Negócios Indígenas. a Imprensa Nacional. 190 . com mais elementos – os Caminhos-de-Ferro e o Porto de Lourenço Marques. op. valendo-se dos seus conhecimentos sociais. Característica interessante a apontar à elite directiva do Grémio é o facto de funcionários públicos.3. representando a população dita activa. pp. que parecem ser fundamentais: • 39 Como eram equacionados os principais problemas que. O.Revista Lusófona de Estudos Africanos 39 das nos Anuários apercebemo-nos em primeiro lugar do mosaico representativo da sociedade urbana de Lourenço Marques. 4.

O Africano e O Brado Africano.12. como Associação Africana – portanto. pp. sobre a ideologia que o Grémio/Associação Africana irá construindo. de confrontação. parece-nos ser da autoria de João Albasini. focando com especial atenção. com outros grupos e partidos políticos. partir da definição do conjunto de princípios que. manifestações e moções conjuntas e as polémicas célebres entre a autoridade colonial e o Grémio/Associação. de um mundo complexo. E. em comícios. fundando para tal. intitulado “Ano Novo – Era Nova”40. 191 .Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves • • • Que instrumentos de acção possuía para pressionar o regime? Em que áreas intervinha? Com que resultados? Isto significa. manifestando em artigo de fundo. que se fundamentavam não só na experiência do grupo. Debrucemo-nos então. enquanto Grémio e de 1938 a 1962. A reconstrução de uma trajectória colectiva em balizas cronológicas – de 1908 a 1938. a intenção de desenvolver a instrução e educação da raça negra. obtida a partir da selecção de texto nos jornais. em 1908. O primeiro programa legitimador do grupo foi publicado no jornal O Africano. a participação. finalmente. para o Grémio/Associação constituíam a sua linha de actuação política. como na experiência de outros grupos e. A identificação dos temas principais da prosa jornalística. a propaganda eleitoral. verificar como era constituída essa linha. 1-2. no quotidiano social. Apesar deste brilhante artigo não estar assinado. O registo da variação do tratamento desses mesmos temas. no “Número de Propaganda a Favor da Instrução”. intervindo directamente. a personalidade à volta da 40 O Africano. como uma força viva. as conferências. uma escola onde fosse ensinada a língua portuguesa. 25. o registo das actividades desenvolvidas.1908. a partir de textos seleccionados. num espaço temporal de cinquenta e quatro anos exigiu: - Uma boa colecção de dados. sobretudo da “Acção Africana” e do “Núcleo Cultural dos Novos”.

nem oficinas. deve ser compreendida. de imediato. porta-voz do Grémio Africano. A frequência do tema específico (fte) foi calculada através de uma regra de três simples. Era Nova”. de “propaganda a favor da instrução”. explica as razões de tão vasto “programa”. 41 42 Ver NEVES. O. de reacção contra abusos e nada mais”. concretizador do Grupo. de um crítico social por excelência. pelo conteúdo da intervenção. já que a uma fase de “submissão. uma personalidade de excepção. O Manifesto transcrito.. a campanha de angariação de fundos para o projecto da escola – a quotização de “500 réis mensais”. a geração vindoura. de “protesto à orientação seguida” pela Monarquia. realizado no âmbito do mestrado. 192 . decorrentes da estratégia do Grémio Africano. a educação. então nascido . nem escolas”. Claro está que não fica excluída a possibilidade de elementos beneméritos contribuírem “para fim tão moralizador como é a Escola”. de defesa da raça negra. na sociedade de Lourenço Marques. Seguindo a amostra42 dos temas desenvolvidos pela imprensa. cristã. em oposição aos “dialectos cafres”. “Ano Novo. nem fontes. Na construção da amostra temática (at) figuram artigos que desenvolvem um tema específico (te). trabalho prático. apercebemo-nos da intensidade com que são tratados os problemas relativos à educação e à justiça. Pela negativa é abordada a situação de não-desenvolvimento da colónia – “nem estradas. quantia a ser paga pelos sócios do Grémio. que deixa transparecer todo o ambiente de esperança pelo regime de futuro – a República. entendida num sentido moderno de formação “dos homens d'amanhã”. segue-se uma nova fase. marcadamente humana. "João Albasini.Africanologia . em contrapartida. pelo combate ao alcoolismo (porque faz perecer a raça) e tem por finalidade. na nossa opinião. no âmbito do ataque às missões religiosas estrangeiras. (1876-1922)". Veja-se ainda no texto. parece-nos que representa um tempo de viragem. propondo-se a intervir.Revista Lusófona de Estudos Africanos 41 qual gira o grupo. Eis. ligadas à Igreja Católica. o grito de vida de um grupo que nascia. O projecto da escola. como instrumento de civilização e. pelo estilo irónico e acutilante. numa vertente basilar – a educação das crianças. A defesa da língua portuguesa. onde jorra o vinho branco para pretos – abordagem que sugere uma perspectiva de desenvolvimento que passa. movido por personalidades influentes no grupo. multiplicam-se as cantinas. orientado pelo Professor Doutor Joel Serrão.

. desloca-se para a questão do direito à cidadania. pugnando 44 pela Justiça. 193 . retribuir ao gigantesco esforço que a meia dúzia de nativos faz para sair da chata rotina. 1. decorrente da promulgação da portaria provincial nº. Igualdade” . 12. com um memorando – “Deus e o Meu Direito”.. dirigido ao Governador da Província.1912. Verdade..09. apresentam a razão que os leva a sentirem a sua dignidade social ferida.É assimilado aquele que for eleitor. Pronto!” Qual foi a posição assumida pelos Delegados do Grémio? “.. em 1908. de 18 de Janeiro de 1919. bradam os dirigentes do Grémio no “Memorial”.1919. naturalmente para ao selvagem inculto.041. O pivot do discurso. prossegue O Brado Africano. Ex. 24. mas sobretudo. na “mesma senda que encetamos ao fundar O Africano. nem têm subvenção quem não estiver nos termos prescritos.. é uma flagrante injustiça. nos seus interesses. Massano de Amorim. O Brado Africano. ser aplicada outra legislação. 18. “protestamos contra a leis de excepção”.” E.. em Janeiro de 45 1919.1918. Por detrás do discurso. O Africano expõe os objectivos fundamentais do jornal: “tratar dos indígenas. Não se nomeiam funcionários. pelos que mais sentem essa concorrência – os trabalhadores negros cultos: “É agradecer pouco. assinada por Álvaro de Castro. respondem os Delegados do Grémio. educação e 43 administração da Justiça. apercebemo-nos que a “questão dos assimilados”.. criticando a célebre portaria “dos assimilados” . em que começando por recordar a memória de Sidónio Pais. o direito ao trabalho. Não é só o direito de ser cidadão..Era preciso distinguir o indígena comum da sua raça daquele que pela sua ilustração e costumes está fora daquele meio. Sr. E eleitor aquele que estiver em condições exigidas pela lei.” 43 44 45 O Africano. 01. que é reivindicado. cujo fluxo migratório aumentou. À descriminação racial legalizada..12. transporta no seu âmago uma forte concorrência laboral entre trabalhadores negros e imigrantes brancos metropolitanos.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves Com toda a claridade. segundo as estatísticas disponíveis. O Brado Africano.

Vejamos como é aflorada. Snr.. humilha e discrimina quem pretenda ser um cidadão. colaborando para se alcançar esse objectivo..Revista Lusófona de Estudos Africanos Concordam pois. O Brado Africano. em estabelecer um código específico para o “indígena” e. onde em 1925 se realizou um congresso Pan-Africanista. • “Criação de escolas de artes e ofícios. em edifícios próprios onde as regras de higiene fossem observadas com escrúpulo. por culpa sua ou dos pais ou do Estado. de se distinguir uns determinados cidadãos para serem marcados. tirar alvarás aviltantes para mostrar a padeiros analfabetos que são brancos. 2º. indecoroso e aviltante. em todas as capitais dos distritos da província e conseguir que a educação elementar seja organizada conforme o sistema moderno. estabelecendo uma forte propaganda no sentido de desviar a emigração da América para as nossas colónias tanto quanto possível”. como deputado por Moçambique. o tal alvará. 29. Atacam.. p..05. 639. César.” 46 Um programa de acção do Grémio é exposto em 1920 . Veja-se que o Grémio Africano integrou a Liga Africana (1920) e o Partido Nacional Africano (1921) em Lisboa. 194 . em que “os problemas que mais o haveriam de ocupar” seriam: 46 • “Educação do indígena e nacionalização das colónias. OLIVEIRA. vol. não lêem o papel e seguem adiante tocando no burro!.Africanologia . pela primeira vez. Cf. in Dicionário de História do Estado Novo. propõem-se mesmo a dar a sua contribuição. a conflituosidade racial e classista: “Porque o lado melindroso desta abominável portaria está justamente no facto. constituindo nelas a obrigatoriedade da educação física em campos próprios”. “Movimentos de Libertação das Colónias Portuguesas”. andar com alvarás. a medida legislada que atenta.. para andarem munidos de um papel. com toda a violência discursiva.1920. defendendo a candidatura de João Albasini. Não é preciso Exmo. • “Intensificação dos trabalhos de agricultura. nesse ponto com a intenção do legislador. mas que broncos como são. tornando-se obrigatória a criação de granjas em todas as edilidades tendo anexas escolas práticas de agricultura e criação de gado”.

a posição de defesa do “indígena” desenvolve-se num tom 47 O Brado Africano. Esta leitura não elimina a preocupação que transparece dos problemas da maioria da população africana – realçados no ponto relativo à mão-de-obra e à emigração. em pé de igualdade com os “europeus”. Eugénio da Silva Júnior e Francisco de Haan).” Estes mesmos pontos voltaram a ser expressos. visando o desenvolvimento de Moçambique. Estácio Dias.1922. a direcção do Grémio Africano apre47 senta em 1922 . por indivíduos de nacionalidade estrangeira e a proibição de venda dos mesmos pelos nacionais a estrangeiros sem expressa autorização do Governo. um extenso plano de medidas. na sua globalidade.. querendo assegurar a sua própria base material. “traduzindo unicamente o desejo de ver esta Colónia em pleno desenvolvimento das suas riquezas.. que coloque em linha ascendente o sen(u) comércio. • “Trabalhar para que se estabeleçam as vias de comunicação com o interior. de disposições que tornassem dificultoso o açambarcamento de terrenos. a sua língua. • “Proporia também a introdução nas leis sobre a concessão de terrenos. acesso possível através de oportunidades dadas pela educação e garantidas pelo trabalho. 195 . por meio de boas estradas e linhas férreas”. enfileirando-se ao par de outras colónias florescento(e)s pelo esforço nacional. as suas indústrias. pelo acesso a lugares compatíveis no funcionalismo e no exército. em concorrência com aqueles que se encontram empregando também as suas faculdades produtivas e os seus elementos assimiladores”. Todavia. os seus costumes. (documento com data de 4 de Agosto e assinado pela direcção. com a sua situação económica desafogada. parecem representar a perspectiva da pequena-burguesia africana. quando convidada a pronunciar-se sobre “o estudo de problemas que convém aos interesses da Província”.08. 11. José Albasini. o que passa pela detenção de terras. As medidas propostas.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves • “A eliminação das leis de excepção e codificação das leis respeitantes a indígenas em bases compatíveis com os bons costumes”. Joaquim Swart.

procurando conciliar interesses. a situação global de Moçambique. Ao focar as actividades do grupo. à medida que este grupo penetra não só na “high-life” de Lourenço Marques. Instrumentos de acção Vejamos agora. parecem ser objecto de acção do Grémio. 4. que analisassem.do colono e do indígena. Gravura nº.4. Filipe Samuel Magaia. 1 .Uma das primeiras sedes do Grémio Africano de Lourenço Marques. que afirma defender. como iremos ver mais adiante. Sem dúvida que o jornal foi o meio mais eficaz de propaganda. apelidada com toda a solenidade de “Causa Africana”. que vão sendo organizados. Questões pontuais. quais foram os instrumentos de acção que o Grémio Africano dispunha para intervir na sociedade de Lourenço Marques. como no seio dos “indígenas”.Revista Lusófona de Estudos Africanos conciliatório. que nos parecem irreconciliáveis . mantendo-se contudo. sita na Av.Africanologia . subjacente uma visão de conjunto. denúncia e crítica de problemas do quotidiano. apercebemo-nos de vários instrumentos de acção. de onde partiam as far- 196 . Infelizmente não encontrámos documentos posteriores. de uma forma tão completa. Fotografia da colecção da autora.

“é preciso não tolher a crítica. tem “tido uma oposição sistemática servindo-se de perseguições odiosas e de força brutal que não honra. antes faz retro gradar por animalidade e indigna a sociedade que se tem na conta de culta”. a continuação de desmandos e falcatruas”.. “paladino” dessa luta. director e editor do jornal A Terra. 1ª.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves pas aguçadas da crítica que o grupo lançava “aos mandões”.. p. Ho Chi Min.) é sagrada” . 2 .07. Todavia. (ref. na opinião do Grémio. a liberdade de dizer francamente o que se sente acerca de qualquer assunto que interesse à terra ou à sua comunidade”. (Antiga 5 de Outubro).1921. a autoridade colonial. uma escola feminina. col. denunciando situações obscuras. sita na Av. 48 O Brado Africano. Porque.. periódico que se publicava na Índia). à repressão da imprensa na pessoa de Libério Pereira. formando a opinião pública..Antiga sede do Grémio Africano/Associação Africana em Lourenço Marques na década de trinta. Numa atitude construtiva e de grande alcance. 197 . muitos esforços foram canalizados para a educação e formação das novas gerações. Gravura nº. pelo que funcionava na sede do Grémio. 6ª. “por parte daqueles a quem convém. honrando o nome de João Albasini. 23. consciente 48 de que “a missão da Imprensa (. tendo sido dado lugar de destaque à mulher africana.

quando era menino. O Brado Africano. Que fosse criada a escola agrícola do Umbeluzi . três zonas de pressão. daí o apelo. Se quisermos representar simbolicamente estas áreas.. 30. onde o boxe e a dança são ensaiados e o salão deslumbrante. até 1922: “Conseguiu que fosse revogada a lei dos assimilados.Revista Lusófona de Estudos Africanos A sede parece ter sido. Ferreira da Rocha. constituem justamente.. ginásio. para a maioridade política. o Grémio Africano apresentou os resultados atingidos. Áreas de intervenção Na comemoração festiva do segundo aniversário dos seus 50 estatutos . (ver discurso de Francisco de Haan).) como recorda o poeta Craveirinha. focando as zonas privilegiadas de acção. pela civilização dos indígenas. 1.1922. rodopiando airosamente no salão. 198 . sec. decre51 52 tasse a Lei 7.)pugnar pela causa dos nativos. o que o Grémio entende por defesa da “Cau53 sa Africana”. D. das trevas. para a luz. com os seus sectores próprios de administração. SNI.) que o ilustre Ministro das Colónias...12. Ref. “este brado a todos os africanos. Isto significava na linguagem do Brado: “(. (. Levantem-se da apatia em que se conservam. consultório médico.5.1927. Caminhem para o trabalho.329 O Brado Africano. da atitude desconfiada perante os povos civilizados. 24. Que fosse criada a escola indígena deste Grémio.. que interpenetradas. redacção do jornal. espiava as belas damas. sala de aulas.. criança. pelo direito dos fracos e oprimidos”.151 .” 49 50 51 52 53 Recordações de Craveirinha.. da ignorância. para a instrução. nos dias de baile (. para a posse dos seus destinos. cx.12.. finalmente que os nossos direitos como cidadãos livres não fossem postos de parte”. levantem-se e caminhem. à lei que anulou a portaria dos assimilados.Africanologia . das suas aventuras quando ainda muito “moleque”.49 4. teremos um triângulo constituído na base pela Educação e nos dois lados: Justiça e Trabalho. In AHM. por intermédio da Liga Africana. um palco importante na vida da organização. O termo moleque ou mufana significa menino. Ver processo 1914-1922.

argumentando primorosamente a necessidade do apoio governamental para prosseguir a sua “missão”. Qual foi. tendo como principais fins. funcionou na Escola Paiva Manso que. que visava “incutir no espírito dos indígenas o amor que devem consagrar a Portugal. solicitando a concessão de um subsídio para a conclusão da 54 sede da Associação . As prelecções dos agentes dessa “Missão Patriótica” exerceram uma extraordinária influência no ânimo dos seus ouvintes. cx. auxílio e assistência”. sec.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves Num requerimento ao Governador-Geral. há poucos anos. 54 Ver requerimento de 29. a direcção enumera a obra feita em jeito de balanço. com superior aprovação do Governo.2. por se reconhecer que a população nativa espalhada pelos subúrbios desta cidade e impossibilitada de frequentar as escolas das Missões Religiosas. Foi também a pedido do Grémio Africano que o curso do ensino primário elementar. hoje praticamente extinta. perigo reconhecidamente grave e que muito contribuiu para a sua desnacionalização. recreativa e beneficente. a 29 de Novembro de 1945. na sua quase totalidade. Os resultados são optimizados. tais como a criação da Escola Agrícola do Umbeluzi. como convém. iniciou e teve a seu cargo a “MISSÃO DE PROPAGANDA PATRIÓTICA”.11.45. 199 . DSNI. foram em tempos atendidas algumas das maiores aspirações desta agremiação. In AHM. medidas altamente patrióticas e que em muito beneficiaram o nativo. assinado pela direcção da Associação Africana. ora. Não esmoreceu a actividade desta agremiação e assim. e da Escola profissional para o sexo feminino “João Albasini”. como “associação instrutiva. então o balanço apresentado? “Assim e no que respeita à instrução. A. com resultados práticos que animavam e convenciam da necessidade e oportunidade da protecção que o Governo nunca deixou de prestar a essa grandiosa obra nacionalizadora”. às suas terras. desviada para as escolas das Missões estrangeiras. dispensando-lhes protecção. defender os direitos e interesses que de justiça e por lei pertencem aos africanos desta Colónia. e o respeito que devem ter pelo espírito das leis cumprindo-as tal como se determina”. passou a destinar-se especialmente a indígenas com mais de 14 anos.

até ao seu aperfeiçoamento pelo emprego das charruas e a pouco e pouco vai afastando as suas mulheres dos serviços da pesada agricultura. de procura do “Harlem”. há que considerar o facto de ser uma sociedade em constante movimento. onde pudesse ficar a escola. b) . mondas e outros mais ligeiros trabalhos de agricultura. esses afro-portugueses “filhos da terra” solicitavam uma sede. In OBA. In OBA. enfim um “lar colectivo” para a família africana. à agricultura e já reconhece também que o amanho das terras deve obedecer a novos processos. à colheita. e a Liga da Mocidade Africana . a oficina do jornal. nos subúrbios da capital? Cremos que sim..04.Aumentando o seu gado.” Como homens bons. membro influente do Grémio/Associação Africana.Dedica-se. quando requisitados para o serviço militar. 200 . sachas. 18. a julgar pela intensidade da vida nocturna. A componente cultural e desportiva fez aproximar a Associação Africana de outras associações com fins idênticos e.1926.Com decência vai trajando a moda europeia. afim de serem cobertas por touros de raça. e) . restringindo o serviço delas. 03. o ginásio e o salão de convívio. presidida por Marciano Nicanor da Silva. ele vai seleccionando para o que envia as suas vacas para os postos do Governo.Está o indígena reconhecido e vê a conveniência de aprender a língua portuguesa e de mandar os seus filhos para as escolas oficiais. onde o convívio privilegiou a juventude intelectual africana. a biblioteca.Africanologia . tais como a Associação dos Naturais.10. presentemente. o palco da orquestra de jazz. c) . a 55 56 Associação Académica . d) .Com precisão e limite das suas possibilidades vai satisfazendo os impostos ao Governo e. Porquê essa aproximação? O ambiente quente de boémia. (p) a «p» resenta-se sem receio nas Administrações.Revista Lusófona de Estudos Africanos “Na verdade: a) . de comerciantes e de minorias desenraizadas. com um forte fluxo migratório. de vai e vem de mineiros.1930.. Vivia-se 55 56 Associação Académica. Mas.

“Poema do futuro cidadão”. em Maputo. 26. 201 . Patrick. 376. anunciava Craveirinha. 1997. Literatura e Nacionalidade. “a partir de uma determinada altura eu tive uma consciência política. 1988. Como factores essenciais da construção da Nação defendemos o papel da língua portuguesa. a caracterização do ambiente político desenhado por partidos políticos.. cf. 1951 o mais tardar. Referência ao poema "Grito" de José Craveirinha. na busca de um projecto de construção da Nação Moçambicana. à africana e nos fenómenos da resistência e clandestinidade. Para alcançar essa finalidade traçámos como rumo. À partida formulámos a hipótese da existência de uma ponte entre as associações africanas e os movimentos nacionalistas. 98. eu estou a optar por África”. Lisboa. já foi escrito na década de 40 e o 59 “Tambor” até 1950. "As origens da arte moderna moçambicana". no quadro do império colonial português. 7.”. como espaço de união e a cultura crioula moçambicana.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves em Lourenço Marques tempos de jazz. “Eu sou carvão. uma consciência do país. Seguindo a sua trajectória./ mas para sempre.. Quando opto por Moçambique. Paulo. grupos de pressão e associações africanas. da identidade moçambicana. explicava o poeta. O “Grito”. as primeiras tê-la-iam sonhado enquanto que os segundos por ela lutaram. Vozes Moçambicanas. CRAVEIRINHA. 1994. como iremos ver no capítulo seguinte. SOPA. Maputo. intervenção no Vº. cidadão moçambicano . in Voz de Moçambique. sobretudo no âmbito político e social. Maputo. E uma opção. personalidade colectiva e libertado57 58 59 60 Ver entrevista ao poeta José Craveirinha. nº. p. procurando caracterizar as suas especificidades. no estudo da censura à imprensa. sobretudo. José.. a contextualização física e económica da Colónia que mostrasse a importância de Moçambique. Nem a forte repressão política foi capaz de travar a contestação e de calar o grito.57 que a censura tentava calar.. “Bom”. Conclusões No universo estudado das iniciativas africanas. não”58.72. investigámos o movimento associativo moçambicano para uma história do nacionalismo em Moçambique. e SOARES. Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. uma consciência de África. Ver CHABAL. detivemo-nos nesse percurso. Ano XIII.12. p. como expressão 60 do “eu”. A. Vega. de tertúlias literárias e artísticas. do protesto à acção armada.

testemunhando a capacidade organizadora dos homens de então. Expandiu-se com o crescimento das cidades ao longo da Colónia de Moçambique durante o Estado Novo e. Em breve. Por outro. o movimento associativo concentrou-se no espaço urbano de Lourenço Marques. no seio da maioria da população. a “inteligentia” dos “filhos da terra”.Revista Lusófona de Estudos Africanos ra. pressão que foi exercida sobre o regime colonial por grupos africanos. Por um lado. que queria inicialmente fundar uma escola. Apesar da investigação inacabada. A terceira conclusão centra-se na defesa da “causa africana”. A síntese conseguida. Como pudemos observar. chegou às vilas nos finais dos anos cinquenta. de elevação da “Raça Negra”. as iniciativas africanas. constatámos a existência de uma actividade organizada.Africanologia . acompanhando a atracção económica de certas zonas. norteia a actuação crítica. ecoando as aspirações do Pan-africanismo. A segunda conclusão é a de que. os “indígenas”. levada a cabo por essa elite intelectual. Igualdade e Fraternidade” e. analisando as vicissitudes por que passaram homens de cor. em defesa da língua portuguesa. acutilante. desde os finais do século XIX. A primeira conclusão a que chegamos foi que o movimento associativo foi um fenómeno urbano. pequeno-burguesa. de “Justiça. sendo o mais relevante a manutenção de um órgão de imprensa semanal: O Africano e O Brado Africano. verificámos a sua criatividade literária e artística em anseios de afirmação. é possível sistematizar algumas ideias e apresentar novas pistas para trabalhos futuros. ao projecto da escola. de denúncia dos des- 202 . Estudámos o percurso de trinta e seis anos (1926-1962). no quadro do movimento associativo foram conduzidas por uma elite. pois pretendemos continuá-la na senda dos partidos políticos e grupos de pressão de Moçambique. outros se seguiram. de associações africanas. na época imediata à implantação da República. da história política e social. no embrião de um novo ideário – o Nativismo. mas longamente preparado. na área por nós privilegiada. porta-voz dos ideais difundidos pelos republicanos. que se manifestou num jornalismo de opinião. Manica e Moatize (Tete). como o Chókwe (Gaza). que reagiu ao regime colonial.

A denúncia de casos de injustiça. beleza e tradição) e o africano português. Estudámos a fundo. e José Craveirinha. por Nativismo. no tempo do Estado Novo). na fase do Grémio Africano constatou-se a permanência de dois elementos básicos do Proto-Nacionalismo – o negro. (a ele associada a imagem da raça. do que a destruí-lo. pode parecer contraditório e forçado. de divisão e absorção. crítico dos “dialectos cafres”! Importa. bem como os interesses dos seus agentes – “os filhos da terra”. À primeira leitura. mais preocupada em preservar as migalhas do poder. e procurar apercebermo-nos da subtileza das afirmações. os seus mais ilustres criadores de opinião pública – João Albasini. Rui de Noronha. (mercê de uma acção lenta e subtil. de uma oposição moderada. que em assimilados se irão transformar. na década seguinte. socorrendo-nos do estudo da mentalidade de quem as produziu. bem com os magníficos editoriais do jornal O Brado Africano. representativo do Grémio Africano na década de 10-20. O debate mais caloroso centrou-se na questão dos assimilados. com toda a sua força. uma determinada imagem-opinião da colonização portuguesa. (associado à ideia de civilização e de cidadão. parece ser uma das vertentes mais sólidas da actuação e. Nos casos mais gravosos. A atomização destes dois elementos numa reacção ao regime. contudo desmontar tal discurso. que pretende mais corrigir do que anular o regime colonial. conhecida na época. como grupos de pressão. a que permite visualizar a sua estratégia. sob soberania portuguesa). Compreendendo a natureza e a razão de ser das pressões exercidas. prende-se com o facto de o movimento associativo africano da Colónia de Moçambique se inserir num qua- 203 . veiculando assim. A quarta conclusão. A análise de texto. há indícios de uma revolta não despoletada. em que a pena do desterro foi aplicada não deixaram de fazer ouvir a sua voz.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves mandos a que são submetidos os “naturais do ultramar”. onde o sujeito colectivo da acção se auto-define como “negro. fica assim desmistificada a tão propagada defesa da “causa africana”. um dos novos da geração de cinquenta. africano português”. ilustre poeta. dará a categoria. parece-nos que. Por detrás do discurso de um nativismo romântico. defensor da língua portuguesa. que queiramos encontrar vestígios de nacionalismo num discurso jornalístico.

mais tarde em Lourenço Marques. enfermeira reformada. médico inicialmente em Xinavane e. FONTES E BIBLIOGRAFIA Fontes Orais Entrevistas informais e programadas com personalidades que participaram ou informaram sobre os participantes no movimento associativo. membro da direcção do Grémio Africano. poetisa moçambicana. Inês Albasini. de 1951. quando era uma jovem que convivia na Associação Africana. membro da Maçonaria. da Liga Africana (1919) e do Partido Nacional Africano (1921) em Lisboa. de seu nome completo Carolina Noémia Abranches de Sousa. membro de comissões organizadoras de encontros culturais. filha de Manuel dos Santos Malta.Revista Lusófona de Estudos Africanos dro mais global de defesa das populações africanas a nível do império português inicialmente lutando contra as leis de excepção. Depositária do seu es- 204 . nomeadamente O Brado Africano. Itinerário e Notícias. que escapa ao discurso escrito. privou com a juventude que deu vida ao Grémio. Todavia. tem uma colectânea intitulada: Sangue Negro. casada com o Doutor António Pacheco. membro da Sociedade de Estudos e do Núcleo de Arte. evoluindo da causa africana para a causa nacional. Foram: Amélia Rua Malta de Matos Pacheco. no Grémio/Associação Africana. a que não foi estranho o ambiente republicano e. Noémia de Sousa. Elsa de Noronha. aluna da Escola 1º. nas primeiras décadas do Século XX. procurando o detalhe do quotidiano. As suas poesias foram inseridas em jornais moçambicanos. sem livros publicados. nasceu em Maputo/Lourenço Marques em 1926. de Janeiro.Africanologia . filha do poeta e activista social Rui de Noronha. integrando-se nas iniciativas da Junta de Defesa dos Direitos d' África (1912). amanuense da Emigração de Ressano Garcia. a sua obra poética foi escrita entre 1948 e 1951. conhecidos por “tea-meetings” ou “timites”.

candidatar-se à presidência da República. Dirigente da Associação Africana. Conquistada a independência foi primeiro. filho de Firmino dos Santos. Contacto e Outras Crónicas. nasceu em Inhambane. Não aceitou fazer parte do elenco governativo. Cela 1. onde actuou desde jovem. Karingana ua Karingana. Autor de Chigubo. em Lourenço Marques e faleceu na África do Sul em 2003. contabilista dos Caminhos-de-Ferro de Lourenço Marques. membro da CEI e militante no MUD Juvenil. 205 . tendo se exilado em Portugal. depois ministro residente na Beira. Domingos Arouca. Peniche e Caxias (de 1965 a 1973). com outros elementos que dinamizaram a vida cultural da Associação Africana. Na FRELIMO foi eleito Secretário para as Relações Externas. 1999. Voltou a Moçambique na década de 90 para liderar um partido de oposição. com responsabilidades na administração do jornal O Brado Africano. mais tarde Presidente da Assembleia Nacional Popular. onde chegou em 1947. Em 1961 aderiu à UDEN AMO. como governador da Província de Sofala e.Olga Maria Lopes Serrão Iglésias Neves pólio literário prepara actualmente a organização de uma “Fundação Rui de Noronha”. Nasceu em 1922. Eleito Secretário-Geral da CONCP. mais tarde advogado. Ministro do Plano. Cântico a um rio de Catrame. um ferroviário activista no Grémio/ Associação Africana. Activista político em Lisboa. 1988. 1974. FU MO (Frente Unida de Moçambique) e. Marcelino dos Santos nasceu no Lumbo (Nampula) em 1929. Foi deputado à Assembleia Nacional. chegando a ser consultor jurídico do BNU. Refugiado em Paris na década de 50 e mais tarde na Bélgica. Esteve preso durante oito anos. Foi primeiro enfermeiro e. José João Craveirinha. nomeadamente Presidente do Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique e director do jornal O Brado Africano. activista na década de 50. poeta moçambicano. em 1962. advogado. Maria. Cassiano Caldas. Activista social nas associações africanas. 1966. nas cadeias da Machava. de profissão jornalista-repórter. no período de transição para a independência. desenvolveu intenso trabalho na unificação dos três movimentos nacionalistas que deram origem à FRELIMO. em 1928. 1981. 1964.

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