Vous êtes sur la page 1sur 2

SAUDAÇÃO

25 de Abril - Centenário da
Republica
Os 36 anos da revolução de Abril celebram-se no mesmo ano em que a implantação
da República, no nosso país, comemora o seu primeiro centenário.
O espírito que inspirou os revolucionários do 5 de Outubro, transportava-se, já, de
uma linha libertadora que, nas últimas décadas do sec xix, ganhava corpo e
densidade na consciência urbana da sociedade portuguesa. O período constitucional
de 1820, a revolta de 31 de Janeiro de 1891, o clima de tensão política, a miséria dos
trabalhadores e das populações, levaram as massas carbonárias a empurrar os
republicanos para o assalto, indomável ao poder, derrubando, em Outubro de 1910, o
regime caduco e anacrónico da monarquia portuguesa.

A jovem República não teve tempo de resolver as suas fragilidades, nem de aprender
a democracia, pois, poucos a seguir, vê instalada a repressão militar e a ditadura
política e social, que permaneceu, ensombrando meio século da nossa história.

Abril de 1974 é, de novo, um marco de viragem profunda na sociedade portuguesa. O


25 de Abril veio derrubar, militarmente e com um vastíssimo apoio popular, o regime
de ditadura do Estado Novo.
O ideário de Abril - era a hipótese mais redentora, da nossa história mais recente!
Porque aí se construiu o paradigma do Homem novo. Porque aí nasceram e
renasceram todas as esperanças de um mundo mais justo, onde o sol brilharia para
todos. Porque essas míticas “esperanças mil” resgatariam um passado de pobreza,
fome, analfabetismo. Porque Portugal era um país esquecido na noite negra da sua
história.
Na verdade, o sol renasceu. Saudamo-lo, mas sabemos, hoje, que não renasceu para
todos.

Estamos em 2010. Gostaríamos que as comemorações ultrapassassem a nostalgia e


que o 25 de Abril anunciasse, para além da Festa, uma profunda e responsável
reflexão, no seio da sociedade portuguesa.
Apesar das importantes transformações que se verificaram em todos os domínios da
sociedade, o estado tem vindo a perder, ao longo das últimas décadas e, para além
do enquadramento internacional, muito da sua identidade republicana e democrática.
O povo parece cada vez mais longe da República e das expectativas criadas com o 25
de Abril.
O nosso povo tem dado grandes sinais de desencanto, nomeadamente, nos índices de
abstenção nos actos eleitoras, o que não tem merecido o devido respeito por parte
dos sucessivos governos do país.
As populações estão sendo vítimas de uma política que as reduz a vidas mais
precárias e infelizes. O crescimento veloz do desemprego é arrasador para a vida das
famílias e dos jovens…
Tão longe estamos de Abril!
Portugal precisa de reafirmar a identidade da República de Abril, desenvolvendo
políticas de emprego, combatendo a precariedade, fazendo crescer os salários mais
baixos e combatendo as desigualdades e a exclusão social. O estado tem de garantir
a prestação de serviços públicos de qualidade, na educação, na saúde e na justiça.
Os representantes autárquicos têm a responsabilidade de promover a participação
efectiva, individual e colectiva dos cidadãos, combatendo a inércia e o desânimo
instalados.
A Assembleia de Freguesia saúda, no âmbito do centenário da República, o “bairro”
de Alcântara, cuja população foi, entre os séculos xix e xx, um esteio essencial nas
lutas republicanas e que, décadas mais tarde ,- em Abril de 1974 - esteve na primeira
linha do combate pela defesa do regime democrático, apelando para que mantenham
viva a capacidade criativa de continuarem a lutar pela construção de um País mais
fraterno, justo e solidário.

Vitor sarmento – Bloco de Esquerda

Esta moção deve ser difundida através do site e afixada nos placards informativos.