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A Filosofia e a sociedade contemporânea

(*) Adeildo Vila Nova

A Filosofia, através de seus ilustres pensadores nos fornece meios e mecanismos para
pensarmos no que somos, como vivemos e como devemos nos comportar para vivermos em
sociedade. O que foi pensado há séculos nos dá subsídios para pensarmos sobre o nosso papel
e função social, como devemos agir para conseguirmos alcançar determinados objetivos, seja
ele para o bem ou para o mal, de acordo com as suas convicções e concepções sobre o bem e
o mal. Serve-nos também para que possamos escolher entre este ou aquele modelo de
sociedade, se devemos repetir alguns erros cometidos pela sociedade há séculos ou se
devemos inovar, criar novas formas de relações sociais, e isto surge a partir do momento em
que comparamos os modelos anteriores com os da contemporaneidade que, em alguns casos,
continua a mesma coisa, porém com uma nova roupagem, uma nova nomenclatura. Mas não
podemos deixar de destacar que, esta mesma sociedade, através de diversos processos
transformações culturais, políticos e sociais contribuiu para uma nova forma de viver em
sociedade com respeito, liberdade individual e todos os ônus e bônus que esta liberdade nos
proporciona.

Na atualidade, seria inconcebível apoiar o modelo de governo sugerido por Maquiavel,


o qual entende que este deve ser conquistado pela imposição, pelo crime, pelo
descumprimento das regras. Estas experiências trouxeram muita dor às diversas gerações,
tanto no Brasil como em boa parte da América Latina, marcada por div ersos golpes militares e
governos ditatoriais além, é claro, dos processos de colonização, dos governos absolutistas
exercidos durante muitos anos no nosso país. É claro que não existe uma receita pronta para
uma sociedade justa e igualitária, mas existem diversas formas de minimizar estas diferenças.
Isso a Filosofia nos ensina, mas não basta somente aprendermos as teorias, o que importa
mesmo é o que fazemos com este aprendizado, este conhecimento. Podemos usá-lo para isto
ou aquilo de acordo com o que penso ou construo para o mundo das futuras gerações, são
estes conhecimentos que irão direcionar nossas ações ao longo da nossa existência e que
definirão o modelo societário em que viveremos ou que deixaremos para os nossos filhos.

Discussões e reflexões propostas por Platão no livro A República sobre justiça e


realidade faz com que pensemos na importância de termos consciência daquilo que
pretendemos fazer e como devemos agir. Saber, ou pelo menos tentar saber o que é justo ou
menos injusto é primordial para que não cometamos erros irreparáveis. Para isso é preciso
termos a noção da realidade, mas esta realidade nem sempre é tão evidente como pensamos
que é. Muitas vezes construímos uma situação baseada em fatores meramente informais e
subjetivos e isso nem sempre corresponde à realidade. Por isso, para que sejamos justos,
devemos nos aproximar ao máximo possível da verdade, da realidade.

Já o modelo de Estado e de Sociedade defendido por Thomas Hobbes nos coloca numa
posição de subalternos e, ao mesmo tempo, em constante disputa e conflito com o próximo.
Na sociedade atual, o modelo de Estado absoluto seria um retrocesso e um desrespeito ás
diversas vítimas e pessoas que tanto lutaram para a conquista de alguns direitos, entre eles a
democracia, o direito de escolher o seu representante. É claro que o modelo democrático não
resolve todas as mazelas da sociedade brasileira, inclusive dos representantes escolhidos. O
mais importante nisso tudo é o fato de sabermos que escolhemos o nosso representante e se
este não corresponder aos nossos anseios, podemos nos mobilizar e destituí-lo do poder, do
posto de representação.

Atualmente vivemos em uma democracia direta, uma conquista muito cara para
milhares de pessoas que saíram às ruas reivindicando o direito de legar os nossos
representantes através do voto direto. Esta ação estabelece a formação de um pacto social
onde o cidadão abre mão do seu direito individual e o transfere para o Estado para que haja
em nome dos interesses coletivos. O problema maior é quando este pacto é quebrado pelo
Estado e o mesmo não consegue dar respostas às necessidades básicas dos cidadãos. A partir
daí, inicia-se uma série de eventos que faz com que a sociedade responda a esta omissão do
Estado na providência do atendimento destas necessidades básicas dos indivíduos como
segurança, saúde, educação, alimentação, entre outros, com manifestações para o
cumprimento das suas responsabilidades. Além da falta de credibilidade que acaba sendo
posta em evidência.

Não acreditamos que o modelo deste ou daquele filósofo seja o melhor, mas
podemos, através da Filosofia e da História, verificar quais modelos não devemos implantar na
sociedade contemporânea. Até por que, a sociedade em que viveram estes filósofos não pode
ser comparada com a atual. A Filosofia nos mostra os modelos que deram certo e os que
deram errado. E isso serve como parâmetro para entendermos a realidade atual e tentarmos
traça caminhos para novas relações sociais futuras. Só não podemos ignorar ou desconsiderar
as conquistas e a realidade de cada grupo ou segmento. Precisamos entender a sociedade
como um corpo formado por diversas denominações religiosas, convicções ideológicas,
manifestações culturais e procedência racial e étnica que estão em processo contínuo de
transformação e de desenvolvimento. Todas estas diferenças e especificidades devem ser
priorizadas se quisermos construir um projeto de sociedade com respeito e dignidade para
todos os seus integrantes e que estas diferenças e especificidades é que os tornam únicos e
especiais. Talvez não seja possível um modelo de sociedade ideal, mas precisamos perseguir
este objetivo sempre.

Diante de novos e antigos desafios impostos à sociedade como a luta pela terra, pelo
teto, pela igualdade entre os homens, pela efetiva democracia, pelo respeito e dignidade à
pessoa humana, entre tantos outros, precisamos nos reportar aos estudos destes grandes
filósofos da antiguidade, mas, sem esquecer dos contemporâneos, pois é neste movimento
entre o antigo e o novo que poderemos estabelecer uma nova teoria que nos permita a
construção desta sociedade tão sonhada. Sabemos que é uma tarefa muito difícil para nós,
simples mortais, mas não é impossível. Como diz Hobbes, precisamos ter ação política, ou seja,
não basta pensar, ter vontade, agir é f undamental. Só assim construiremos uma sociedade que
contemple e agregue todas as pessoas, todas as formas de relações sociais e o mais
importante, com respeito mútuo entre todos.

(*)Adeildo Vila Nova é diretor da Associação Cultural dos Afro-Descendentes da Baixada Santista –
AFROSAN e aluno do curso de Serviço Social do Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE