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>>Investigação Qualitativa em Educação//Investigación Cualitativa en Educación//Volume 2

Observação na Pesquisa Qualitativa

Constribuições e dificuldades em estudo de caso

Observation in Qualitative Research

Contribuitions and difficulties in case study method

Rosana Maria Luvezute Kripka

Universidade de Passo Fundo (UPF), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Passo Fundo, RS, Brasil rkripka@upf.br

Danusa de Lara Bonotto

Universidade Federal da Fronteira Sul, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Cerro Largo, RS, Brasil danusabonotto@hotmail.com

Luciana Richter

Universidade Federal de Santa Maria, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Palmeira das Missões, RS, Brasil lurichter@gmail.com

ResumoEsse trabalho visa apresentar o estudo de um caso, envolvendo o processo de observação na pesquisa qualitativa. Para tal, foi realizado um estudo teórico a fim de reconhecer os aspectos importantes a serem considerados durante o processo de observação. O caso considerado foi observado no laboratório de Geoprocessamento de uma Universidade do Rio Grande do Sul e as observadoras tinham como objetivo compreender a dinâmica de trabalho das pessoas que participavam das atividades neste laboratório. Dessa forma, a observação contemplou aspectos descritivos em relação aos sujeitos, locais, reconstrução de diálogos e comportamentos observados. Foi possível perceber, nas narrativas das observadoras, uma pluralidade de idéias que nem sempre são convergentes, evidenciando a necessidade de triangulação das informações obtidas e da utilização de outro instrumento para constituição dos dados.

Palavras Chave Observação; Constituição de dados; Estudo de Caso

AbstractThispaper presentsthe study of acaseinvolvingthe observation processin qualitative research. A theoretical study to recognize the important aspects to be considered during the process ofobservationwas carried out. The case considered was observed in the Geoprocessing laboratory of a University of Rio Grande do Sul and the observers were aimed at understanding the dynamics of work of the people who participated in activities in this lab. Thus, the observation included descriptive aspects in relation to the subjects, places, reconstruction of dialogues and observed behaviors. It could be observed, in the narratives ofobserversa plurality ofideas that arenot always convergent, suggesting the need fortriangulation ofinformation obtained andthe use of anotherinstrumentfor data analyses.

KeywordsObservation; Data Collection; Case Study Method.

I.

INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo, apresentar o estudo de um caso referente ao processo de observação na pesquisa qualitativa. O trabalho foi proposto em uma disciplina de um programa de pós-graduação de uma Universidade do Rio Grande do Sul e tinha como objetivo proporcionar aos pós- graduandos vivenciar a observação, como um instrumento para a constituição de dados na pesquisa qualitativa. Para tal, criou-se o estudo de um caso envolvendo a observação de um ambiente e sua dinâmica de funcionamento. O ambiente escolhido, para a realização da observação, foi o laboratório de Geoprocessamento de uma Universidade do RS. A escolha desse espaço se deu, devido ao fato de que, neste laboratório acontecem concomitantemente diferentes atividades envolvendo alunos da graduação e pós-graduação. Os estudantes da graduação são bolsistas e desenvolvem seus trabalhos de pesquisa neste laboratório e os estudantes da pós- graduação participam de aulas referentes às disciplinas do programa. Dessa forma, a intenção da observação foi compreender a dinâmica de trabalho das pessoas que participavam das atividades neste laboratório. Durante a realização da observação estavam presentes estudantes bolsistas e estudantes pós-graduandos. Os observadores não interagiram com o grupo observado e não revelaram a sua identidade e nem o objetivo pelo qual estavam no laboratório. O tempo da observação foi de aproximadamente duas horas e trinta minutos. O texto está organizado apresentando

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inicialmente aspectos teóricos sobre a observação na pesquisa qualitativa, suas potencialidades e fragilidades. Na sequência é apresentado o processo de observação vivenciado e as considerações sobre o trabalho desenvolvido.

II.

ASPECTOS TEÓRICOS SOBRE OBSERVAÇÃO

A observação perpassa todas as etapas da pesquisa científica, no entanto, é no momento da constituição de dados que seu papel se torna mais evidente. Pode ser usada como único instrumento de coleta de dados ou associada a outros instrumentos, permitindo o contato do pesquisador com o fenômeno estudado.Muitos dos pesquisadores qualitativos preferem usar dados de observação que podem ser vistos, ouvidos ou sentidos diretamenteao invés de outros tipos [1].

Pode ser realizada de duas maneiras, sendo chamada de:

natural quando o observador faz parte do grupo que vai investigar e artificial, quando o investigador não pertence ao grupo ser investigado, mas se integra à ele com esta finalidade. Lakatos e Marconi [2] chamam de observação direta intensiva aquela que visa examinar fatos ou fenômenos, que se pretende investigar, por meio dos sentidos do observador, para captação de aspectos da realidade. Segundo eles, não consiste

apenas no ouvir e ver, mas sim na interpretação dos fatos por meio dos sentidos. Para Lüdke e Andre [3] para que a observação seja um instrumento de investigação, precisa ser, antes de tudo,

controlada e sistemática, isto é, definir com antecedência “ o quê” e “o como” observar.

Em relação aos papéis do observador, encontramos na literatura pesquisada diferentes aspectos que podem ser mencionados. Bogdan e Biklen [4] destacam dois extremos referentes ao papel do observador. Em um extremo encontra- se o observador completo, aquele que não participa em nenhuma das atividades do local onde realiza o estudo. No extremo oposto, situa-se o pesquisador que se envolve com a instituição de modo que existe umapequena diferença entre os seus comportamentos e os do sujeito. Ainda, para BufordJunker (1971, apud [3]), o pesquisador pode ter o papel de: 1) participante total, quandoo pesquisador não revela ao grupo sua identidade de pesquisador e nem o propósito do estudo; 2) participante como observador, sendo aquele que revela ao grupo observado apenas parte do que pretende estudar; 3) observador como participante, revela ao grupo a sua identidade e os objetivos do estudoe 4) observador total é aquele em que o pesquisador não interage com o grupo observado.

Denzin

([p.

183],

apud

[3,

p.

28])

traz

a

ideia

de

observação participante sendo considerada como:

uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise documental, a entrevista de respondentes e informantes, a participação e a observação direta e a introspecção.

Para Gil [5] a observação participante consiste na participação real do conhecimento na vida da comunidade, de modo que o observador assume-se como um membro do grupo. Essa observação pode assumir duas formas distintas: 1) natural, quando o observador pertence ao grupo que investiga

e 2) artificial, quando o observador integra-se ao grupo investigado. No caso considerado, os observadores podem ser classificados como do tipo “observador total, pois não houve interação com o grupo observado.

III.

POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES

Alguns autores apresentam potencialidades e fragilidades durante o processo de observação, conforme apresentado nos quadros I e II.

QUADRO I POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES [3]

 

Potencialidades

 

Fragilidades

 

Possibilita o contato do pesquisador

-

Pode provocar

com o fenômeno pesquisado; -O investigador recorre aos

alterações no ambiente ou

comportamento

 

das

conhecimentos e experiências pessoais

pessoas;

 

-Por

sebasear

na

para auxiliar a compreensão e interpretação do fenômeno estudado;

-

Permite que o pesquisador chegue

mais perto da perspectiva dos sujeitos,

o que possibilita compreender o significado que eles atribuem à

-Permite descobrir aspectos novos de

-

Permite coletar dados em situações

interpretação

pode

levara

pessoal,

uma

visão

parcial e tendenciosa do fenômeno;

-

O

envolvimento

do

realidade que os cerca;

observador pode levar a

uma

visão

distorcida

do

um problema;

fenômenoou

a

uma

em que é impossível outras formas de comunicação.

representação

realidade.

parcial da

QUADRO III POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES [5]

 

Potencialidades

Fragilidades

Facilita o rápido acesso a dados sobre situações habituais em que os membros

-

 

das comunidades se encontram

envolvidos;

-

Possibilita o acesso a dados que a

Refere-se às fragilidades

comunidade ou grupo considera de

domínio privado;

-

Possibilita captar as palavras de

determinadas

pelas

amostras da população

pesquisada.

esclarecimento que acompanham o comportamento. (Kluckhon, 1946 apud [5], p. 104)

Já a proposta de Reis [6] apresenta a observação das aulas como uma potencialidade para avaliação do desempenho docente. Baseia-se nos seguintes pressupostos:

o

A qualidade da ação educativa tem um impacto positivo nas aprendizagens dos alunos;

o

A observação e a discussão de aulas constituem factores decisivos na promoção da reflexão sobre a prática, no desenvolvimento profissional dos professores e, consequentemente, na melhoria da acção educativa; e

o

Tanto professores observados como observadores beneficiam da observação e da discussão de aulas. (p. 7)

Destaca-se

ainda

que

os

dados obtidos durante a

observação podem ser melhorados, combinando metodologias diversificadas e instrumentos focados em aspectos específicos Em relação ao tempo da observação e ao registro da

mesma, Bogdan e Biklen [4] destacam que o observador “não deve ficar no local mais tempo do que aquilo que sua memória

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lhe permite ou do que o tempo de que dispõe para redigir as notas após a sessão([4], p. 133)e que as escolhas referentes à duração, aos sujeitos e à forma de participação tendem a surgir à medida que o trabalho se desenvolve e que esse processo depende da delimitação do objeto de estudo e dos objetivos da pesquisa.

O

registro

das

observações

pode

ser

consideradocomonotas de campo que se constituem no relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiência e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo. Estes registros podem ser descritivos preocupando em descrever os sujeitos, o espaço físico, reconstruir os diálogos, relatar acontecimentos particulares e descrever comportamentos e também reflexivos onde estão manifestos os sentimentos, ideias, palpites e impressões do pesquisador. A descrição funciona bem como método de recolha de dados, quando não se pretende perder nenhum detalhe [4].

Sobre processo de coleta de dados Bogdan e Biklen [4] comentam que ainda que sejam selecionadas questões prévias, o objetivo não consiste em respondê-las, ou até mesmo em verificar hipóteses, mas que a abordagem qualitativa visa a compreensão e interpretação dos fatos observados a partir das perspectivas pessoais dos sujeitos envolvidos na pesquisa realizada.

Flick [7] afirma que apesar da observação na pesquisa qualitativa possibilitar perceber como algo realmente funciona ou ocorre, têm a limitação de ser uma abordagem que parte da perspectiva externa, quando não é participante. Também sugere que quando não é realizada em ambientes públicos ou é realizada com um número pequeno de indivíduos, em locais limitados, pode ser que os fatos não ocorram naturalmente, não sendo possível observar a realidade natural dos fatos.

Assim, no contexto da coleta de dados por meio da observação cabe ressaltar que, no que diz respeito a coerência interna das pesquisas qualitativas, é necessário que sejam realizadas revisões nos dados, de modo a possibilitar a verificação da validade e coerência das interpretações, o que seria uma necessidade para este tipo de tratamento de dados. Considerando o paradigma interpretativo das pesquisas qualitativas, deve se ter o cuidado em considerar evidências relativistas, evitando interpretá-las sob o enfoque positivista.

[1]

Na

IV.

ASPECTOS ADOTADOS

elaboração

do

relato escrito das observações

procuramos seguir algumas das orientações sobre observação livre, apresentadas por Triviños [8].

O autor também afirma que após a identificação geral da observação devem constar o registro das observações livres e comentários críticos, considerados como interpretações temporárias relativas às “reflexões do observador”, os quais já seriam indicativos de significados e de possíveis explicações dos fenômenos observados. Além disso, sugere que ao término da observação também seja feita a análise, pois no processo da pesquisa qualitativa a coleta e interpretação de dados não aparecem em etapas separadas [8].

Considerando as orientações teóricas, antes de iniciarmos o processo de observação, conversamos sobre alguns aspectos que seriam adotados e concluímos que a observação deveria contemplar:

-

Aspectos

descritivos:

descrição

dos

sujeitos;

reconstrução dos diálogos; descrição de locais; descrição de eventos especiais; descrição das atividades e os comportamentos dos observados.

-

Descrição

densa:

ambiente

ou

sala;

metodologia

utilizada e comportamento de alunos e professores.

 

Dessa foram, optamos por observar uma aula de um curso de pós-graduação de uma universidade do RS, desenvolvida em um laboratório de Geoprocessamento. A escolha deste ambiente se deu, considerando que diferentes atividades acontecem no laboratório de forma concomitante: estudo de estudantes da graduação que são bolsistas em suas pesquisas e aulas da pós-graduação. Dessa forma, nosso interesse foi compreender a dinâmica de trabalho no laboratório, as interações entre os professores e os estudantes, bem como o envolvimento destes nas atividades propostas.

Ainda para realizar a observação, delineamos alguns aspectos que pudessem melhor conduzir o processo. Assim, procuramos observar: Qual o método de ensino utilizado?Quais recursos tecnológicos utilizados? Por quem foram utilizados os recursos tecnológicos? Os recursos ajudaram, atrapalharam ou não fizeram diferença?Qual o envolvimento dos alunos na aula? Qual a participação dos professores na aula?

A seguir apresentamos o procedimento adotado para coleta de dados, nas quais se buscou considerar as orientações citadas, bem como considerações sobre a análise inicial realizada.

A.

Coleta de dados para descrição do Ambiente Natural

Antes

da

atividade

 

de

observação,

resolvemos ir ao

Laboratório, vinte

minutos

antes

do

início

da

aula para

coletarmos dados para a descrição do local e dos sujeitos que

lá trabalham. O objetivo foi compreender melhor a dinâmica de trabalho do laboratório, visando favorecer as observações e interpretações a serem realizadas. No local estavam trabalhando o professor coordenador do Laboratório, um técnico e três bolsistas de projetos. Perguntamos se poderíamos obter algumas informações sobre o laboratório. O professor, ao nos receber, orientou-nos a conversar com o técnico responsável pelo laboratório. Assim foram feitas as seguintes perguntas ao técnico:

-

Além do trabalho que realizavam e de aulas, também

ocorre alguma outra atividade no local? Ele disse que ocorrem

esporadicamente (anualmente) oficinas para apresentação de potencialidades das tecnologias para o ensino de geografia para alunos de escolas de ensino fundamental e médio.

-

Quem

eram

as

pessoas

que

trabalhavam

ali?

Ele

informou

que

seriam

o

coordenador

do

laboratório

(que

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também é um dos professores da disciplina da qual faríamos a observação) e alunos do curso de Geografia, sendo um técnico, uma estagiária e oito bolsistas dos projetos de pesquisa, que realizam suas atividades em turnos alternados.

- Que tipos de aulas ocorrem ali? Em que momento há coincidência de aula com o trabalho de bolsistas? Disse que as aulas do curso de geografia no Laboratório ocorrem somente no período da noite e que há pouca coincidência de aula com trabalho de bolsistas, sendo apenas em aulas dos cursos de pós-graduação.

- coordenador respondeu que se destinava ao ensino, pesquisa e

Qual

o

uso

o laboratório? Neste caso, o professor

extensão.

-Quais os recursos tecnológicos disponíveis no laboratório? O técnico e o professor informaram que seriam: bússolas, trenas, máquinas fotográficas, quadro branco, 25 computadores, projetor multimídia, GPS, treina a laser, softwares de Geoprocessamento.

Entendendo que estas informações seriam suficientes para descrição inicial do ambiente natural, finalizamos a coleta de dados e passamos para a observação livre.

  • B. Coleta de dados realizada

A coleta de dados relativa à observação foi realizada no primeiro semestre de 2014, durante uma aula da disciplina que abordava o tema do uso de tecnologias no ensino de ciências e de matemática e teve duração de aproximadamente duas horas e trinta minutos. Logo após as observações foram realizadas análises críticas, por meio da leitura em grupo, que possibilitassem a triangulação de dados.

  • C. Análise dos relatos das observações

Nas considerações em relaçào à comparação crítica das análises de nossas observações, foi possível perceber que existiram diferentes perspectivas para a narrativa da observação do ambiente, onde as atividades do laboratório ocorriam concomitantemente com a aula, ministrada por um dos alunos do programa, o qual apresentava um trabalho sobre potencialidades e dificuldades do uso das tecnologias no Ensino à distância.

Também observamos que um dos relatos apresentou anotações pessoais sobre impressões de fatos ocorridos, que julgamos importantes para a análise crítica posterior ao relato

da observação, tais como: “Neste momento, todos os alunos da disciplina já haviam chegado. Assim, o técnico e os bolsistas ficaram todos sentados na fileira da esquerda, enquanto que os alunos da disciplina todos estavam sentados na fileira da direita. Acredito que o técnico e os bolsistas sejam orientados para se sentarem na fileira da esquerda justamente para liberar os computadores da fileira da direita para os alunos da pós-graduação.” ou, ainda, “Os bolsistas que estavam trabalhando, desde que cheguei, aparentemente continuaram trabalhando no decorrer da aula. Como estavam do outro lado, não era possível ver a tela do computador para verem o que estavam fazendo realmente. Às vezes conversavam baixinho e penso que seria para resolver problemas que encontravam nas suas atividades.Uma bolsista, que estava

sentada sozinha no corredor central da sala, aparentemente estava concentrada trabalhando em suas pesquisas. Neste momento outra bolsista saiu da sala.O que achei interessante deste ambiente de ensino e de pesquisa é que as atividades desenvolvidas ocorrem em harmonia e me parece que não interferem umas nas outras..

Já, em outro relato, a observadora anotou o seguinte

comentário:

“(

...

)

enquanto

ela

registrava

as

imagens

eu

olhava o ambiente ao redor. Me senti um pouco nervosa, pois

não conhecia os professores que permitiram que nós

realizássemos a observação. Estava curiosa para ver como

seria a aula. (

...

)”.

E ainda, “(

....

)

não consegui perceber sobre

o que os estudantes conversavam, parecia sobre um texto. Parece que são bolsistas dos projetos de pesquisa que são

desenvolvidos no laboratório, mas não tenho certeza.”

Os relatos dos fatos observados nos auxiliaram a compreender alguns aspectos como a interação dos sujeitos, a dinâmica concomitante de atividades no ambiente, bem como o tipo de atividades que ocorrem no laboratório.

  • V. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Comparando as observações realizadas e triangulando os dados percebemos que, para os mesmos acontecimentos, ora os pesquisadores valorizaram mais a descrição do ambiente e dos fatos e ora descreveram comportamentos das pessoas ou suas impressões dos fatos. Acreditamos que essa pluralidade em relação aos focos dos pesquisadores, envolvidos no processo, enriquece a análise por meio da triangulação.

No entanto, uma dificuldade que encontramos neste estudo de caso é que ao lermos nossos relatos de observações visando a análise comparativa, foi possível constatar que a estrutura da nossa observação, com as perguntas que havíamos feito inicialmente não poderiam ser totalmente respondidas apenas com o uso deste instrumento da pesquisa qualitativa. Dessa forma, destacamos que são muitos os métodos utilizados para a constituição de dados em pesquisas qualitativas e a utilização de outros instrumentos é indicada, pois permite reforçar os aspectos observados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]

R. E. Stake. Pesquisa Qualitativa: estudando como as coisas funcionam. Trad. Karla reis. Revisão Nilda Jacks. Porto Alegre: Penso, 2011

[2]

E. M. Lakatos andM. A. Marconi.“Fundamentos da Metodologia Científica”. 6ª ed. 5 reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.

[3]

M. Lüdke.; M

.. qualitativas”. São Paulo: EPU, 1986.

E. D, André. “A pesquisa em educação: abordagens

[4]

R.C., Bogdan; S. K Biklen. Investigação Qualitativa em Educação. Trad. Maria J. Alvarez, Sara B. dos Santos, Telmo M. Baptista. Lisboa:

Porto Editora, 1994

[5]

A. C. Gil, “Métodos e Técnicas de Pesquisa Social.” 6. ed., 3 reimpr., São Paulo: Atlas, 2010.

[6]

P. Reis.”Observação de aulas e avaliação do desempenho docente.” Lisboa: Ministério da Educação Conselho Científico para a Avaliação de Professores, 2011. Cadernos do CCAP-2.

[7]

U. Flick. “Introdução à pesquisa qualitativa”. Trad. Joice Elias Costa. 2ª ed.- Porto Alegre: Artmed, 2004.

[8]

A. N. S. Triviños. “Introdução a Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

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