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A experiência de Adão de Jesus Oliveira

Resumo:
A Agrovila Nova Esperança está localizada no Sertão do Araripe Pernambucano, sua
origem se da em um contexto de luta pela terra, depois das propriedades das fam
ílias serem inudadas pela águas de uma grande barragem construída na região. O q
ue conferiu aos seus moradores uma consciência política, organizativa e de convi
vência com o semiárido. Hoje a comunidade não utiliza agrotóxico em seus roçados
, o lixo é recolhido e destinado a um único local. Quase todas as famílias têm c
isterna de placas, com água para consumo familiar. A escola da comunidade trabal
ha dentro de uma pedagogia de Educação Contextualizada, herdada da Escola Rural
de Ouricuri - ERO, primeira escola da região a trabalhar com essa lógica da educ
ação contextualizada. Adão de Jesus Oliveira, jovem morador da Agrovila, ex-alun
o da ERO, casada e pai de dois filhos, forjado na luta comunitária pelo desenvol
vimento da agricultura familiar agroecologica e pela convivência digna com o sem
iárido, desenvolve uma lógica produtiva que alia preservação ambiental e produçã
o de alimento saudáveis para família e também para o mercado. Nos 8,5 hectares d
e terra em que trabalha com sua família cria caprinos e galinhas, planta milho,
feijão, sorgo, hortaliças e mais uma variedade de alimentos para a família, dese
nvolveu uma lógica de estocagem de sementes, água, alimentos e forragem para os
animais. E preocupado com a devastação da caatinga na região, resolveu ha 3 anos
atrás cultivar seus produtos em um sistema que não derruba e não queima toda a
caatinga, implantou em pleno semiárido uma agrofloresta, e assim tem multiplicad
o a vida e os cuidados com a natureza.
Descrição e Analise:
Com 14 anos de idade, Adão de Jesus oliveira começou a conhecer novas técnicas d
e tratar a terra e as plantas, ainda como estudante da Escola Rural de Ouricuri.
Hoje com 32 anos, ele trabalha com agricultura familiar agroflorestal, apicultu
ra, criação de animais, cultivos agroecológicos em vazante. Mora na comunidade d
a Agrovila Nova Esperança, em Ouricuri, Pernambuco, com sua esposa Fabiana (24 a
nos) e seus dois filhos, Fernando de 5 anos e Fernanda de 3 anos.
Adão desenvolveu uma estratégia de convivência com o semiárido, que tem como bas
e os princípios agroecológicos. As atividades desenvolvidas apresentam relações
estreitas de trocas de energia e ciclagem de nutrientes. Assim o esterco dos ani
mais é utilizado na adubação dos roçados, os alimentos produzidos nesses, são ut
ilizados para alimentar a família e também os animais. As abelhas se integram no
ecossistema polinizando as plantas e produzindo alimento para família. Esses sã
o apenas exemplos das múltiplas relações existentes no agroecosistema manejado p
ela família.
Dentro dessa lógica de observação da natureza a família percebeu que para conviv
er com o semiárido é preciso estocar, já que em uma época do ano no período chuv
oso, se tem bastante forragem, água e alimentos. Dessa forma Adão faz silo de mi
lho e sorgo, e feno da palha do feijão, palha do milho, de capins nativos e cult
ivados. Guarda ainda o milho e o sorgo em grãos, que durante a seca será tritura
do e fornecido aos animais, junto com o silo e o feno. Essa pratica permitiu que
a família aumentasse o seu criatório e diminui as perdas com mortalidades, “bem
alimentados os animais adoecem menos” afirma Adão. Mesmo assim quando algum ani
mal é acometido de alguma enfermidade o tratamento é feito utilizando plantas da
própria caatinga. Além de forragem a família estoca as sementes nativas que ser
ão utilizadas no plantio seguinte, os grãos que serão usados na alimentação da f
amília e a água que fica guardada em uma cisterna de 16 mil litros que é utiliza
da para beber e cozinhar e em outra de 52 mil litros conseguida através do P1+2
para irrigação das fruteiras e hortaliças da agrofloresta.
O cuidado com o solo e com a vegetação da caatinga também é outra prática adotad
a, os plantios são feito em níveis, não se usa mais queimada e a roça é bastante
diversificada com milho, feijão, guandu, palma, fruteiras e hortaliças. Percebe
ndo que poderia ir além, há três anos, Adão resolveu implantar uma área de agrof
loresta, experiência que conheceu através das visitas de intercâmbio, e em pleno
semiárido está mostrando que é possível produzir mais e melhor, preservando a n
atureza. “...resolvi implantar uma agrofloresta porque a vegetação região já est
á bastante prejudicada, então posso mostrar que é possível produzir conservando
a caatinga.” Adão e sua família são conscientes do importante papel que exercem
na preservação do meio ambiente, e na conscientização de outras famílias.
Além de cuidar do meio ambiente, Adão afirma que a alimentação e a renda da famí
lia melhoraram depois que ele passou a adotar essas técnicas de convivência. “..
.quem vive nesta região tem que buscar uma alternativa. Com a agroecologia agent
e produz mais tranqüilo.” Ele atribui os bons resultados alcançados a Associação
de Apicultores e ao CAATINGA, que deu apoio e assistência técnica, construindo
juntos novas alternativas para a produção.
Resultados:
Adão e sua família adotaram a agroecologia como uma proposta de combate a desert
ificação e convivência com o semiárido, e as vantagens dessa opção são visíveis,
pois conseguem assim diminuir o custo de vida, um bujão de gás, por exemplo, ab
astece a família por quase um ano inteiro, cozinham utilizando a lenha provenien
te das podas da agrofloresta. A autonomia com relação ao mercado é outra fortale
za, cerca de 90% dos alimentos consumidos pela família é proveniente do sistema
produtivo. Conseguem em uma mesma área produzir uma diversidade de alimentos tan
to para a família como para os animais, esse fator também diminui a necessidade
de mão de obra, evita fazer intervenção em outras áreas da propriedade, conserva
ndo assim ambientes importantes para o equilíbrio do sistema produtivo.
O excedente produzido apresenta uma certa facilidade ao serem comercializados, p
rimeiro por que se trata de alimentos limpos e saudáveis, e depois porque são al
imentos diversos. Os moradores das comunidades vizinhas apresentam um grande int
eresse em adquirir esses tipos de produtos. A família ainda faz parte da Associa
ção de produtores agroecologicos do Araripe – COPAGRO, que mantém um local de ve
ndas dos produtos agroecologicos na cidade de Ouricuri. Portanto a comercializaç
ão justo do excedente produzido, a baixa necessidade de aquisição de produtos in
dustrializados, confere a família uma renda básica suficiente a atender as demai
s necessidades.
A agrofloresta tem apresentado uma crescente na produção de alimentos diversific
ados conforme mostra a tabela abaixo.
Tabela 1: produção no sistema agroflorestal

Construção do conhecimento a respeito de uma forma diferente de fazer agricultur


a, esse certamente é um resultado que merece destaque, pois tanto Adão, sua famí
lia, a comunidade e as entidades que tem acompanhado esse processo de perto têm
aprendido muito, e esse conhecimento tem sido socializado das diversas formas po
ssíveis, seja nas visitas de intercâmbios que a família recebe e participa, seja
nos espaços definidores de políticas com conselhos de desenvolvimento rurais, s
eminários, fóruns, etc.
Mostrar como estar sendo conduzidos os experimentos, refletir coletivamente, tir
ar as conclusões e ver como pode ser colocado em pratica, também tem sido uma at
ividade da família, incorporada assim como a prática de criar e plantar, uma pro
va que o conhecimento agroecológico extrapola a fronteira do produzir e consumir
alimentos, desenvolve no seio familiar um sentimento de solidariedade, amor a n
atureza e ao próximo.