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Notas em Teoria da Concorrência Imperfeita

Pedro Rafael Lopes Fernandes∗
28 de julho de 2014

1 Introdução
A teoria da concorrência imperfeita é um caminho que há muito vem sendo construído e aperfeiçoado pelos economistas como uma tentativa de melhor compreender como se constitui a tomada de
decisão dos agentes em ambientes mais realistas e por isso mais complexos do que o descrito pela teoria
da concorrência perfeita. Como diria o sábio Professor Simonsen,Com efeito, o mundo retratado pela

teoria do equilíbrio em concorrência perfeita é tão requintado do ponto de vista formal quanto simples do
ponto de vista psicológico , em termos práticos a idéia descrita pela teoria da concorrência perfeita pode
ser sintetizada na seguinte frase, Se cada um cuidar apenas de si, sem se deixar inuenciar pelos outros,

teremos uma sociedade que, se não for feliz, pelo menos será eciente no sentido de Pareto. (Simonsen,
1969).
Para se adequar um pouco melhor ao mundo real, a análise econômica tem procurado responder
a duas questões fundamentais que foram contornadas no modelo sob a hipótese de concorrência perfeita.
Conforme Simonsen (1969); a primeira é como se comportam os indivíduos diante da incerteza, a segunda
é como se comportam os agentes econômicos que se sentem bastante inuentes no mercado. É fácil ver
que a incerteza é a fonte da maioria das diculdades psicológicas dos agentes econômicos, mas essas
diculdades costumam ser mais complexas e profundas para àqueles que se sentem capazes de afetar, por
sua ação individual os parâmetros básicos do mercado.
O objetivo destas notas é introduzir os leitores ao mundo básico do pensamento econômico em
concorrência imperfeita, para tanto trataremos de alguns modelos simples com a intenção de desenvolver
a intuição e o raciocínio econômico, isto é, contribuir com o poder de análise dos estudantes, para quando
estes se depararem com imperfeições relativas ao modelo geral do equilíbrio em concorrência perfeita,
estarem mais aptos a elaborar políticas e a alcançarem seus mais variados objetivos, que se espalham em
uma linha cuja em uma das extremidades estará à esfera publica e a outra competirá aos interesses dos
agentes privados, leiam-se famílias, e rmas.
No sentido de obter um maior efeito didático, essas notas estão organizadas de modo a oferecer
ao leitor uma maior praticidade para estudo dos modelos mais conhecidos de oligopólios, haja vista que a
seção seguinte aborda os conceitos primários de como modelar uma situação de concorrência imperfeita,
aqui, leia-se oligopólio. Em seguida, antes de adentrarmos no arcabouço teórico de Cornout, oferecemos
uma breve seção sobre jogos simultâneos, uma vez que os modelo de Cournot e de Bertrand ocorrem neste
ambiente. Logo em seguida, antes de adentrarmos em modelos de oligopólios com movimentos dinâmicos,
oferecemos uma seção com um breve resumo de como proceder a análise em jogos dinâmicos. Por m,
resta uma pequena síntese de tudo o que foi tratado neste texto na seção de considerações nais.
∗ Aluno

do 4o semestre do Mestrado em Teoria Econômica no CAEN/UFC

2

2 Oligopólios
A denição de oligopólio atribui-se a uma indústria cuja produção se concentra num número relativamente pequeno de rmas, todas elas sucientemente grandes para afetar com suas decisões, os preços
de mercado(por exemplo, a indústria automobilística, o setor de telecomunicações, etc.).
pode ser puro ou diferenciado.

O oligopólio

No oligopólio puro, os concorrentes oferecem exatamente o mesmo

produto homogêneo, obviamente a um único preço de mercado.

No entanto, o oligopólio diferenciado

caracteriza-se pelo fato das empresas fabricarem produtos com diferentes características qualitativas, embora todos eles sejam substitutos próximos uns dos outros, essas diferenças qualitativas permitem que,
dentro de certas margens, as empresas cobrem preços distintos.
Analiticamente não há sentido em se falar em curva de demanda para cada empresa, no caso
do oligopólio puro; pode-se pensar numa curva de demanda conjunta:x1
a indústria, onde

p,designa

o preço de mercado, e

x1 + x2 + . . . xn ,

+ x2 + . . . xn = g(p),

para toda

denotam as quantidades vendidas

por unidade de tempo pelas diversas empresas. A procura pelo produto de cada uma das empresas se
considera função não apenas de seus preços, mas também dos preços cobrados pelos concorrentes:

X1

= g1 (p1 , p2 . . . pn )

X2

= g2 (p1 , p2 . . . pn )

.
.
.

Xn

= gn (p1 , p2 . . . pn )

De um modo geral, a demanda pelo produto de cada empresa será função decrescente de seu preço, e
crescente do preço dos produtos das outras empresas.
Nestas notas, vamos considerar os modelos cujo principal objetivo das rmas é maximizar lucro,
estes constituem por assim dizer a teoria ortodoxa do oligopólio(Simonsen, 1969). Esses modelos admitem
que os oligopolistas desejam maximizar seus lucros, e que todos eles possuem pleno conhecimento tanto
das curvas de demanda como das curvas de custo envolvidas no problema. A maior parte desses modelos
parte de dois conceitos fundamentais, o de variável estratégica e o de função de reação.
Admite-se que cada oligopolista tenha o comando sobre uma e somente uma das variáveis de
mercado, e que será intitulada variável estratégica da empresa, esta será ou a quantidade ou o preço tanto
nos casos de oligopólio puro como diferenciado. Designemos por

x1 , x2 , . . . xn

as variáveis estratégicas de

cada um dos oligopolistas. Por hipótese elas denem o resultado do problema, e assim sendo, o lucro de
cada oligopolista pode exprimir-se em função de
da

e

i sima

x1 , x2 , . . . xn .

Indicaremos por

Li (x1 , x2 , . . . xn ),

o lucro 

rma.

Denidas as variáveis estratégicas, o modelo de oligopólio deve estabelecer as funções de reação
de cada empresa. Tais funções devem indicar as regras por meio das quais cada empresa escolhe o valor
de sua variável estratégica a partir dos valores das variáveis estratégicas de seus concorrentes. O modelo
deve pois especicar n funções de reação:


x1 = g1 (x1 , x2 . . . xn )




 x2 = g2 (x1 , x2 . . . xn )




.
.
.

xn = gn (x1 , x2 . . . xn )

Uma solução do modelo é, por denição, um conjunto valores
mente as

n

equações de reação.












(x¯1 , x¯2 , . . . x¯n )

que satisfaça simultanea-

. se faz necessário uma breve introdução aos conceitos básicos da teoria dos jogos que aqui serão usados.3 3 Uma breve introdução a Teoria dos Jogos  Jogos Simultâneos1 Necessariamente e até por denição as rmas em uma indústria que se adéqua a denição de oligopólio estão em um ambiente estratégico. . e Ui = f (A1 × A2 × . As ações de todos os jogadores determinam conjuntamente o resultado do jogo. a∗−i ) é um equilíbrio de Nash e se a estratégia de cada jogador é uma melhor resposta para as ações conjuntas de todos os outros jogadores. distintamente do modelo competitivo. a−i ). a−i . an ) em R que especica as estratégias função em R. n. Assim a−i a = (ai . Diante disso. isto é. . Conforme de La Fuente (2000). as rmas vão considerar um conjunto de restrições dados pela demanda dos consumidores. comportando-se de acordo com certas regras. desconhecendo a escolha das outras rmas. . . a ∈ A) a∗ = (a∗i . . mas também das ações dos outros agentes. particionamos um perl estratégico em dois componentes: onde a−i = (a1 . no entanto. • Denição  um jogo na forma normal é uma n − upla da forma: Γ = {(Ui . a rma faz sua escolha considerando o fato de que as escolhas alheias vão afetar seu próprio resultado. an ).e. Ou seja. 1 Baseada em La Fuente (2000) . ×An é o espaço ação ou estratégia do jogo. 2. . a partir do qual esses derivam algum tipo ganho (payo ). . . ai−1 . não unilateralmente do perl de equilíbrio. não dependerá apenas de suas ações. n−1 empresas estabelecidas Ou seja. e há incentivo para o i simo jogador desviar Isto é. ao tomar suas decisões. Ai )}. no trabalho de Cournot não foi utilizado o conceito de equilíbrio de Nash. Basicamente. dada a quantidade total produzida no mercado. dados que os outros agentes jogam a∗i ∈ arg max Ui (a∗i . . conhecido como espaço ação ou espaço estratégia para o jogador i. an ). escolhem isoladamente a quantidade a se produzir. ele é denido com base na demanda agregada do setor. . Segue então que o modelo de Cournot diz respeito a um jogo estático onde as rmas escolhem simultaneamente o quanto produzir. . ×An ). Por conveniência. prover uma forma compacta para representar as ações de todos os demais jogadores. Originalmente. Para descrever um jogo precisamos especicar as ações ou estratégias disponíveis para cada participante e suas preferências com respeito ao resultado do jogo. Já o produto cartesiano A = A1 ×A2 ×. por restrições tecnológicas e por restrições de competição dadas pelo número e pelas características dos seus competidores (Hamdan e Ornelas. as rmas envolvidas. ai+1 . • Denição  Equilíbrio de Nash  um perl de estratégias se ele é factível (i. As ações dos jogadores conjuntamente determinam o resultado do jogo. . Onde conjunto não vazio. 4 Modelo de Oligopólio de Cournot O modelo de Cournot é um dos mais tradicionais modelos de oligopólio existentes na literatura. . . a palavra jogo lembra uma situação em que um número de jogadores engajam em algum tipo de competição. Outra hipótese é que os produtos das rmas não são diferenciados pelos consumidores. . . A hipótese básica do modelo é que os jogadores. . Ai é um Ui é uma tal que: escolhidas por diferentes jogadores. a−i ) ∀ i = 1. . logo o payo de cada agente. é um vetor a = (a1 . denotada por função payo para o agente i. 2006). a abordagem é necessariamente de teoria dos jogos. O preço de mercado torna-se endógeno. Foi desenvolvido em seu Recherches sur lês príncipes mathématiques de La théorie dês Richesses. Ui (a) = Ui (a1 . Um elemento “a” mn de A é denotado perl estratégico. a escolha de um valor para a variável estratégica pela rma i altera a escolha dos valores dessas variáveis para as outras nesse ambiente.

4 Vamos considerar um modelo Simples retirado de Gibbons (1992). vemos que este é dado pela intersecção q2 (q1 ) em q1 (q2 ). concluimos que a ≥ c. Como podemos ver. 1] G = {A1 . é a oferta da indústria. indústria é:Q = q1 + q2 = 3 3 3 3 das melhores repostas. como esperado. 1 a − c − q2 2 pode dar para toda conjectura a respeito da produção da Esta expressão é a função reação da rma 1. .O que nos mostra que a melhor reação que a rma 1 pode tomar com respeito a variações na oferta da rma 2 é seguir a direção contrária. Como qi ∈ [0. A2 . O seu problema é: max π1 = P (Q)q1 − cq1 π1 = (a − Q)q1 − cq1 π1 = (a − (q1 + q2 ))q1 − cq1 De modo que as condições de primeira ordem nos mostram que: dπ1 = a − 2q1 − q2 − c = 0 dq1 Tal que resolvendo. e que o custo marginal é constante e idêntico para as empresas. { Podemos então representar um jogo } C1 (q1 ) = cq1 C2 (q2 ) = cq2 onde c ∈ (0. Uma outra observação importante diz respeito à dq1 (q2 ) inclinação da função de reação. a função payo caracteriza o elemento de comportamento estratégico. Uma vez que temos as melhores respostas de maneira análoga para a rma 2. A1 U1 e e tal que temos: A2 . U2 } • Os jogadores: as rmas 1 e 2. Por denição. decorre que: q2 = 2 das rmas. Tomemos o caso da rma 1. no modelo de Cournot o problema das rmas é escolher quantidades simultaneamente. A oferta da 3 3 2(a−c) 2(a−c) . • Os espaços estratégias dos jogadores. q¯i ]. onde duas rmas. Procedendo a−c−q1 . é fácil vericar que: q1 = a−c 3 . • A função de ganho dos jogadores. Vamos considerar que para ambas as rmas o custo xo é nulo. U2 . π1 (q1 . O preço de mercado é P (Q) = a − Q = a − = 3a−2a+2c = (a+2c) . Observe que: dq2 = − 12 < 0. é simples encontrar o equilíbrio de Nash. No caso das rmas. q2 ) = P (Q)q1 − cq1 π2 (q1 . encontramos: q1 = O que nos dá a melhor resposta que a rma rma 2. dada pela soma do produto das rmas que a compõe. q2 ) = P (Q)q2 − cq2 Note que. essas funções de ganhos são exatamente a função lucro de cada um deles. P (Q) = a − Q produzem um bem cuja demanda é dada por: onde a>0 e Q = q1 + q2 1 e 2. procurando maximizar seus respectivos lucros. q2 ) = . aplicando De modo que o lucro da rma 1 seria: π1 = P (Q)q1 − cq1 = q1 (P (Q) − c) [ ][ ] 1 1 1 1 = (a − c) (a + 2c) − c = {[(a − c)] [(a + 2c) − 3c]} = (a − c)2 = π2 3 3 3 3 . U1 . De modo que o equilíbrio [ a−c a−c ] ∗ ∗ de Nash desse jogo é dado por:(q1 .

poder de mercado. quanto do ponto de vista das questões psicológicas enfrentadas pelos jogadores quando em processo de tomada de decisão. A m de dotar o leitor de uma experiência mais consistente dentro da teoria dos oligopólios vamos desenvolver um modelo de Counort mais detalhado teoricamente. entre outras simplicações assumimos que não há custos xos. inserindo algumas complicações necessárias a um melhor entendimento do raciocínio econômico para tais questões. não consideramos as preferências dos consumidores. e excesso de entrada em um modelo de Cournot2 • Considere uma economia povoada por L indivíduos idênticos.1) • Tomemos o bem • Os agentes são dotados com uma unidade de tempo de trabalho cada. descritas por uma função de utilidade da forma: U (x. nenhum deles tem qualquer incentivo pra se desviar e jogar outra estratégia fora do equilíbrio. o que signica que. • Montemos a função Lagrange do problema: L = α ln x + (1 − α) ln y + λ(I − px − y) As Condições de primeira ordem deste problema estabelecem que: dL α = − λp = 0 (a) dx x dL 1−α = − λ = 0 (b) dy y dL = I − px − y = 0 (c) dλ De (a) obtemos: pλ = 2 Baseado em La Fuente (2000) α α ⇒λ= (d) x px . 5 Custos xos. (5. rmas. e o p o preço do bem x. uma vez que os jogadores tenham identicado o equilíbrio de Nash do jogo. e possuem participação nas y como o numerário e normalizemos seus preço para 1. a partir deste modelo é possível vislumbrar um insight de como se comportam rmas em uma indústria oligopolizada. com preferências sobre dois bens de consumo. Este modelo de Cournot é a versão mais simplória tanto do ponto de vista formal.2) É fácil mostrar que a participação nas despesas totais do consumo dos dois bens é constante. No entanto. e que isto se deve ao formato da função utilidade. • Eles maximizam (1) sujeitos a restrição orçamentária: px + y = I Onde I denota a renda total.5 É interessante observar que o equilíbrio de Nash é um resultado estrategicamente estável. y) = α ln x + (1 − α) ln y (5.

maximiza lucros: πi = p(xi )xi − xi − c = αQxi − xi − c nx−i + xi • Tomando como dado salário • A C.5) o de um competidor arbitrário. prova-se que as participações dos gastos no consumo dos dois bens é constante.O para o problema do produtor representativo no setor (w = 1). e c é um custo xo. é: dπi αQ(nx−i + xi ) − αQxi = −1=0 dxi (nx−i + xi )2 (5. e o produto dos x n competidores (xi ). mas o bem x é produzido a um custo médio decrescente. e assumindo que há αQ p n+1 produtores i neste setor. Agregando a demanda dos consumidores. Invertendo esta função. podemos escrever a demanda inversa percebida por um produtor representativo forma: p(xi ) = Onde • xi denota seu próprio nível de produto.6) . • Considere um equilíbrio de livre entrada no qual o setor y é competitivo. Então vamos atentar para o mercado de x e caracterizar o equilíbrio simétrico de Cournot. • Assuma que o trabalho é único fator de produção e que as tecnologias de produção para x e y são da forma: Lx = x + c Onde Lx e y = Ly (4) (5. obtemos a demanda total por • Onde Q = LI x como:X = é a renda agregada. os custos marginais são constantes e iguais para os dois bens.3) Portanto.4) denota a quantidade de trabalho requerida para produzir x unidades do bem x.P. que nós normalizamos para 1 (πy = py − y = 0 ⇒ p = 1 = w). Lucro zero no setor competitivo implica que os salários serão iguais ao preço de • y. e O produtor i αQ nx−i + xi x−i na (5. (d)=(e): 1−α (e) y 1−α α xp y α y = ⇒ = ⇒x= (f ) y px α 1−α 1−αp Substituindo (f ) em (c) chegamos a: ( ) α y p +y =I 1−αp ) ( ( ) 1 α +1 y =I ⇒ y = I ⇒ y = (1 − α)I (g) 1−α 1−α Substituindo (g) em (f ) obtemos: x= αI α (1 − α)I ⇒x= p 1−α p Então px = αI e y = (1 − α)I (5. renda agregada Q. Portanto.6 De (b): λ= Logo. e os produtores de x competem à la Counort.

8) de competidores. podemos denir xi = x−i = x e resolver (6) explicitamente para o nível de equilíbrio do produto como função da renda agregada e o número de rmas no setor: αQnx αQn =1⇒x= 2 2 (n + 1) x (n + 1)2 • Não surpreendentemente. os lucros são zero.11) Isto é. segue que a renda agregada agora é dada por: Q = Lw = L Usando esta ultima expressão e denindo x π=0 (5. todas as rmas vão escolher o mesmo nível de produto. x (5. √ n 1 = = p n+1 αL c − αL c 1 √ =1− p= • 1− c αL 1 √ (5.13) Os custos xos totais são dados por. (11). αL e Usando (10). √ (1 + n)c = √ αL c = αLc c (5. lembre que num equilíbrio simétrico.10) em (9).12) c αL Note mais uma vez que quanto maior o tamanho do mercado medido por αL . • O produto total da indústria do bem x. o preço decresce com o número n+1 lim p = = 1.7) é uma função decrescente do número de rmas no setor. o preço aproxima-se do seu n→∞ n Note ainda que ainda que αQ n+1 αQ = = αQn (n + 1)x n (n + 1) (n+1) 2 dp dn (5. (7) e (8). medido por uma função decrescente do custo xo c. portanto. X = (n + 1)x = (n + 1) • √ ( ) αLn αQn c = = αL 1 − (n + 1)2 n+1 αL (5. o número de equilíbrio dos produtores de é dado por: αL (n + 1) = ⇒n+1= c √ 2 αL c (5.14) . obtemos o preço de equilíbrio: p(x) = = − n12 . Substituindo (7) dentro da função demanda da indústria (5). Portanto.9) Agora neste mesmo modelo. Observe nível competitivo (=custo marginal). Lembre que num equilíbrio de livre entrada. podemos calcular o preço de equilíbrio. Isto é. mais próximo o preço estara do custo marginal. vamos vericar quais impactos sobre o mercado se supormos livre entrada.7 Agora. usando (7) e (8). o número de rmas é uma função crescente do tamanho do mercado. vemos que os lucros das rmas são dados por: ( π = (p − 1)x − c = ) n+1 1 αQn αQ −1 x−c= −c= −c 2 n n (n + 1) (n + 1)2 (5.Finalmente. quando o número de rmas torna-se grande.

observe a questão psicológica dos agentes quanto à denição do preço da rma. o produto total de y é dado por. então elas dividem o mercado igualmente. tal decisão foge do axioma de racionalidade dos agentes. 2. o lucro nunca será negativo. a derivação das restrito. preços. • A curva de demanda é linear no produto total: • As rmas declaram simultaneamente os preços e se dispõe a ofertar o que for demandado àqueles Q = a − p. mas. trata-se de um jogo de escolha simultânea e de informação completa. • Se ambas as rmas declaram o mesmo preço. Devido à descontinuidade da função lucro não podemos mostrar este resultado pelos argumentos padrões. c > 0. isto é. Como a situação é a mesma para rma preços tais que:pi ≥ c para i = 1. 1 e 2. e apenas a metade se for igual. • Os consumidores compram da rma que cobra um menor preço: segue que a rma que anuncia o menor preço detém todo o mercado. Segue que cada rma tem um incentivo para anunciar um preço menor do que o da rival. No entanto. Y = Q − pX = L − αL = (1 − α)L (5. As Hipóteses são: • Duas rmas. ele será tanto maior se o seu preço for menor do que o da rival. mas também é afetado pela escolha da rival. 2. onde a diferença entre o preço e o custo marginal diminui apenas na medida em que o número de rmas no mercado aumenta. cada uma com uma metade. O lucro de cada rma. onde cessam esses incentivos. aqui as rmas competem entre si via escolha de preço. na pior da hipóteses.P.Logo neste modelo de Bertrand com produto homogêneo.O de um problema de otimização No entanto. seu lucro será:      Além disso.Dito isto.15) 6 Modelo de Oligopólio de Bertrand3 Como em Cournot.8 • Finalmente. depende não apenas da sua própria escolha. 3 Modelo retirado das notas de Hamdan e Ornelas (2006) . distingui-se do resultado exibido por uma indústria modelada via Cournot. tal resultado é o mesmo alcançado por um mercado descrito pelo arcabouço teórico da concorrência perfeita. • Custo xo é nulo e o custo marginal é constante e idêntico para ambas as rmas. o preço será igual ao custo marginal. a variável estratégica deste modelo é o preço. isto é. Tome o caso da rma    (p1 − c)(a − p1 ) se c < p1 < p2 1 π1 (p1 . entretanto. que produzem um bem homogêneo. Em ultima instância isso direcionará o preço de equilíbrio para baixo até o custo marginal. como de habito. dado que o preço menor que o custo marginal levaria a empresa a prejuízo. Onde p é o preço de mercado. lembre que a rma com o menor preço detém todo o mercado. C. p2 ) = 2 (p1 − c)(a − p1 ) se c < p1 = p2   0 caso p2 < p1 Note que o lucro de 1 é positivo se p1 > c. enquanto a outra ca fora do mercado. 1. na medida que cada rma tem a prerrogativa de cobrar um preço igual ao custo marginal e assegurar lucro zero. vamos restringir nossa atenção para pode-se perguntar qual o equilíbrio de Nash desse mercado? O único equilíbrio de Nash será ambas as rmas cobrarem um preço igual ao custo marginal e assim ambas auferirem lucro zero.

p2 (p1 ) = 2 Estas são as funções reação de cada rma.9 7 Modelo de Bertrand com bens diferenciados4 Agora trataremos novamente de um duopólio. no mínimo as rmas cobram um preço igual ao custo marginal. quanto maior for b. maior o grau de substitutibilidade entre os bens. no modelo de Bertrand as funções reações possuem inclinação positiva. p2 ) = a − p2 + bp1 Onde. vamos assumir que não há custo xo. pi ∈ [c. nito. Observe que diferentemente do modelo de Cournot.isto é. Como o equilíbrio de Nash é a intersecção das melhores respostas. se a rival subir seu preço. e no máximo o preço arbitrariamente alto. Agora vamos montar o jogo na forma normal e encontrar o equilíbrio de Nash. i = 1. 2. p¯] i = 1. p2 )(p1 − c) (a − p1 + bp2 )(p1 − c) • Tal que as condições de primeira ordem nos mostram que: De forma a − 2p1 + bp2 + c = 0 a + bp2 + c então. 2. • O espaço estratégia de cada rma. e que o custo marginal é constante e igual 0 < c < a. que em Bertrand é dado pelo conjunto no qual as rmas podem estabelecer seu preço. • O problema da rma 1 por exemplo é: max π1 = q1 (p1 . é fácil ver que: p1 = p2 = 4 Baseado em Gibbons (1992) a−c 2−b . Como no modelo anterior. para assim o espaço estratégia atender as condições requeridas para a existência do equilíbrio de Nash. p1 (p2 ) = 2 a + bp1 + c análoga. ou seja. que são as rmas 1 e 2. assim temos: • Os jogadores. no entanto. o que caracteriza a interação estratégica entre as partes na medida em que os payos de cada jogador são afetados pelas escolhas alheias. a. ou seja. por denição dão as melhores respostas de cada rma para as estratégias de suas rivais. todavia. no caso as rmas é dada pela função lucro. é melhor para rma 1 também elevar o seu. πi (p1 . a melhor estratégia para uma rma na denição de seus próprios preços é acompanhar as alterações nos preços das rivais. agora as rmas 1 e 2 produzem bens diferenciados. p2 ) = a − p1 + bp2 q2 (p1 . onde a demanda por cada um dos bens é dada por: q1 (p1 . b > 0. o caso contrário também é válido. p2 ). b > 0 reete o grau em que o produto de uma das rmas é substituto do produto da outra. isto é. • A função payo de cada jogador.

será vericado como uma transação deste tipo pode alterar as escolhas de produção das demais rmas a partir de um exemplo num ambiente Cournot com produtos homogêneos e rmas heterogêneas. (2010). se a rma i espera que o produto total das outras rmas cresça. Somando as funções melhores respostas para as ( na − n ∑ ci − b i=1 n ∑ i=1 n ∑ ) q−i (8. i=1 n rmas.3) A expressão (8.4) i=1 q−i = (n − 1)q . Suponha ainda que as funções custo são lineares: Ci (qi ) = ci qi . no equilíbrio. q−i é igual a soma da produção de todas as outras rmas menos a quantidade Dessa forma a função de demanda inversa pode ser reescrita como: P (qi . Fazendo n ∑ ci = C . O produto agregado é q = q1 + . obtêm-se: n ∑ 1 qi = 2b i=1 Por denição. com 0 ≤ ci ≤ a ∀ i = 1. (8. informando que a melhor resposta da rma i para um incremento na produto agregado das rivais é reduzir a própria produção. a rma i considera que as outras rmas não irão alterar suas escolhas não importa o que ela própria decida produzir Belleamme e Peitz. Claramente.5) bqi∗ = a − b(qi∗ + ..1) Neste ambiente é válida a conjectura de Cournot.n. pode-se reescrever a i=1 equação (8.. No equilíbrio. A rma escolhe qi para maximizar seus lucros πi = (a − b(qi + q−i ))qi − ci qi .10 8 Oligopólio de Cournot com Firmas heterogêneas5 Para entender melhor os efeitos unilaterais de uma fusão entre duas rmas sobre suas rivais. A condição de primeira deste problema de maximização de lucro pode ser expressada como: a − ci − 2bqi − bq−i = o Resolvendo para qi : qi (q−i ) = (8. isto é. + qn . Note que. Considere um mercado com n i rmas. a função melhor resposta num modelo de Cournot é negativamente inclinada. ⇔ qi∗ = a − (n + 1)ci + C a − nci + C−i ⇔ qi∗ = b(n + 1) b(n + 1) Note que. n ∑ qi = q .4) como: q= Introduzindo i q∗ na − C 1 (na − C − b(n − 1)q) ⇔ q ∗ = 2b b(n + 1) dentro da função melhor resposta para produz no equilíbrio de Cournot onde qi∗ = 1 2b ( ( a − ci − b C−i = na − C − qi∗ b(n + 1) )) ∑ qi podemos encontrar a quantidade que a rma j̸=i cj . produzida pela rma i. tem-se que a equação acima é satisfeita para cada uma das n rmas. O preço de mercado é dado pela função de demanda inversa linear P (q) = a − bq (com a. Note que. isto é. Denote q−i ≡ q − qi .3) fornece a função melhor resposta da rma i. q−i ) = (a − bq−i ) − bqi ≡ di (q−i ) (8.. no qual a rma dene qi . ela irá se defrontar com uma demanda residual menor. a condição de primeira ordem pode ser reescrita como 5 Com base em Belleamme e Peitz (2010). A função di (q−i ) pode ser entendida como uma demanda residual com a qual a rma i se depara..2) 1 (a − ci − bq−i ) 2b (8. b > 0).

todos os movimentos anteriores são observados antes de os próximos movimentos serem escolhidos. uma fusão entre duas rmas as rmas rivais i. dπi = dn dπi = dn dπi dC−i −2ci (a−nci +C−i )2−1 b(n+1)2 −2b(n+1)(a−nci +C−i )2 (b(n+1))2 −2ci b[(n+1)2 (a−nci +C−i )+2b(n+1)(n−nci +C−i )2 ] (b(n+1)2 )2 <0 (8. C−i sobre o lucro pode-se ver em (8. é preciso encontrar e dπi dn . Primeiro. o que por si.7) A partir do cálculo em (8. em termos algébricos tal resultado é assegurado ci ≤ (1/n)(a + C−i ). o lucro da rma i i. Mais precisamente. pela restrição qi∗ ≥ 0 ∀i. Isto é. quanto maior for o nível de eciência das demais rmas (quanto menor for C−i ). Como vericado no modelo de Cournot. tem-se que ela diminui os lucros da rma i via redução do termo C−i . o lucro da rma i. redução nos custos marginais.8) percebe-se que no modelo de Cournot. menor o lucro da rma i. assim como é preciso conhecer o sinal do impacto de alterações no número de rmas no mercado sobre o lucro da rma i. quando os custos das rmas concorrentes mudam. πi é negativamente relacionado ao número de rmas no mercado. −i muda na mesma direção. Então. . j ̸= i é benéca inclusive para Segundo. é necessário vericar o impacto de uma mudança nos custos marginais das rivais sobre o lucro da rma i. o nível de lucro da rma πi . As principais características de um jogo dinâmico de completa e perfeita informação são: os movimentos ocorrem em seqüência. uma fusão causa dois efeitos de sinais distintos em suas rivais. Para entender quais efeitos uma fusão gera num mercado como o de Cournot. Neste sentido. ou seja. Quanto ao impacto de da rma i.6) Suponha ainda que o equilíbrio é interior no sentido de que todas as rmas concluiram que é ótimo permanecerem ativas no equilíbrio. se a fusão proporcionar para as merging rm ganhos de eciência. isto é. é necessário encontrar os sinais de algumas derivadas. está negativamente relacionado com o número de rmas.11 ∗ q−i ) − ci = P (q ∗ ) − ci . indução para trás. com esta objetivamos apenas familiarizar o leitor com alguns conceitos chave para a análise e resolução desse tipo de interação estratégica. isto é.8) Agora sabe-se que o nível de lucro da i-ésima rma está relacionado positivamente com o nível de custos das demais rmas. isto é. O raciocínio empregado para analisar esse tipo de jogo é conhecido por backward induction. Ou seja. Isto é. Os payos dos jogadores a partir de cada combinação possível de ações são de conhecimento comum. 9 Uma breve introdução a Teoria dos Jogos  Jogos dinâmicos de informação completa Para melhor introduzir modelos de oligopólios com aspectos dinâmicos é necessário uma breve introdução à teoria dos jogos seqüenciais. uma fusão diminui o número de rmas. O trabalho do regulador é mensurar estes dois efeitos e assim denir o efeito líquido da fusão sobre o mercado. tudo o mais constante. os lucros no equilíbrio são calculados como: πi∗ = (P (q ∗ ) − ci )qi∗ = b(qi∗ )2 = (a − nci + C−i )2 b(n + 1)2 (8.9) que este é positivo. dπi i +C−i ) = 2 (a−nc >0 b(n+1)2 dC−i (8. concorre para atenuar a competição no mercado.

então 1 pode tomar. ele deve ter estratégias que são ótimas a partir dai. a2 ) a2 ∈A2 Assumindo que para cada por R2 (a1 ). o jogo pode ser representado na forma extensiva como segue: Seguindo o backward induction. deve antecipar a reação à cada ação a1 1 que ele no primeiro estagio corresponde a: max U1 (a1 . Observe que o resultado backwardsAssumindo que este problema de otimização para 1 induction não envolve ameaças não criveis: que ele pode escolher. dada a ação escolhida por 2 1 se move primeiro. ele está diante 1.Vamos ∗ ∗ chamar (a1 . depois o jogador 2 se move na segunda etapa do jogo. • Os dois grupos possuem duas opções: adotar o padrão (WMA) ou o padrão aberto Speex. Supondo que os desenvolvedores do Vivavoz tomarão uma decisão apenas depois dos desenvolvedores do Skype terem decidido sua estratégia. estão decidindo o padrão para a codicação de voz a ser implementado pelo aplicativo. a1 em A1 . o problema do jogador 1 2 2 tem uma solução única. e assim induzir qual o melhor plano estratégico para cada jogador. Em jogos de movimentos seqüenciais. 1 antecipa que 2 vai responder otimamente qualquer ação não dá nenhuma credibilidade às ameaças de 2 a1 de não jogar em seu próprio interesse quando a segunda etapa chegar. Note que. R2 (a1 )) de resultado backwards-induction deste jogo. dadas as estratégias e possíveis escolhas 6 : Suponhamos que os grupos de desenvolvimento da Skype dos outros jogadores. agora eles têm de trabalhar com estratégias que sejam sequencialmente racionais. jogando R2 (a1 ). onde o jogador e realiza sua jogada. R2 (a1 )) a1 ∈A1 1 tem uma única solução. denotada para a ação do jogador 1. Se antes os jogadores consideravam estratégias que fossem racionalizáveis. Quando do seguinte problema. podemos ver que a melhor estratégia para a Vivavoz é escolher o padrão que o Skype adotar. denotada por a∗1 . max U2 (a1 . Assim. assuma um jogo com dois jogadores denotados como Jogador observa a jogada de 1 1 e jogador 2. Por exemplo.12 esta nomenclatura se deve ao fato de começarmos a análise de jogos dos tipos seqüenciais pelo m. uma estratégia deve ser vista como um plano completo de ação. este obtém o payo de . Vejamos um exemplo e do Vivavoz. Ou seja. se Skype adota 6 Extraido de Silva e Figuereido (2007) W e Vivavoz o segue. caso o jogador esteja em um determinado ponto na arvore de decisão. a reação (ou melhor resposta) do jogador pode resolver o problema de 2 como 2 o resolve. Lembre que. deve especicar para o jogador em questão as suas possibilidades de ação contingentes a todas as ações dos jogadores que jogarem antes dele. o problema de otimização de isto é. É importante frisar que a noção de estratégia em jogos dinâmicos é diferente daquela discutida em jogos simultâneos (Hamdan e Ornelas (2006).

• Onde a>0 e Q = q1 + q2 . Por isso vamos chamar 1 de rma líder e 2 de rma seguidora. é. o problema da seguidora. P (Q) = é a oferta da indústria. Como esta reação é de conhecimento comum. se Skype adota diante. no entanto. quando 2 escolhe sua estratégia. estavamos no ambiente simultâneo. O custo xo é nulo e o custo marginal é constante e idêntico para as empresas. 2 • Na forma extensiva temos. 10 Modelo de oligopólio de Stackelberg7 O modelo de Stackelberg utiliza assim como Cournot a quantidade produzida como variável estratégica. 1 e 2.P. portanto. Skype sabe antecipadamente que o melhor que o Vivavoz tem a fazer é seguir o padrão adotado por ele. a escolha dá quantidade a produzir se dá num ambiente dinâmico (sequêncial). Skype adotará o padrão que lhe dá o maior payo possível que é o padrão W e Vivavoz o seguirá. W e Vivavoz S. Assim sendo. Isto é. 2 observa e então joga. max π2 = P (Q)q2 − cq2 = (a − q1 − q2 )q2 − cq2 Da C. q¯i ] • para i=1.13 2 e Skype de 5. A função payo para caso das rmas é exatamente sua função lucro: { • π1 (q1 . a escolha de 1 é de conhecimento comum. Ci = cqi para i = 1. produzem um bem homogêneo cuja demanda é: a − Q. enquanto em Cournot. posto que o modelo de Stackelberg trata-se de um jogo de informação completa e perfeita. vamos a hipóteses: • Tome um modelo onde duas rmas. 2. este aufere um payo de 1 e Skype de 3 e assim por No entanto.2 Ordenação: 1 joga. S1 e S2 .O obtemos: dπ2 = a − 2q2 − q1 − c = 0 dq2 a − q1 − c q2 (q1 ) = (Função 2 • de Reação da Firma 2) Já o problema da líder é determinar o quanto produzir de forma a induzir na seguidora uma reação que seja ótima sob seu ponto de vista. tais que: Si = [0. q2 ) = P (Q)q2 − cq2 } Solução: Por indução retroativa. o problema da líder 7 Retirado de Gibbons (1992) . • Os jogadores: as rmas 1 e 2 • Os espaços estratégia dos jogadores. q2 ) = P (Q)q1 − cq1 π2 (q1 .

O obtemos: • dπ1 a−c a−c − q1 = 0 ⇒ q1∗ = = dq1 2 2 Substituindo o resultado acima na função de reação da rma 2. q2 (q1 )) = P (Q)q1 − cq1 = (a − q1 − q2 (q1 ))q1 − cq1 ( ( )) a − q1 − c = a − q1 − q1 − cq1 2 Da C.14 é: max π1 (q1 . Para vericar esta hipótese vamos precisar de um modelo necessariamente dinâmico. posto que custos irrecuperáveis são por denição um 8 Baseado em Tirole (1988) 9 Conforme Dixit e Pindick (1993) despesas de investimento são irrecuperáveis quando são especicas de uma indústria ou rma. iram freqüentemente oferecer um preço menor do que seu verdadeiro valor. Deterred. 11 Accomodated. Dessa forma podemos conjecturar que a compra de um equipamento se observada por um de seus rivais poderá ter efeitos estratégicos. pois seu lucro é maior do que o da rival. como poderíamos esperar a rma líder leva vantagem sobre a seguidora. and Blockaded Entry8 Existe um tipo de custo que é de interesse peculiar para os economistas que estudam ambientes em concorrência imperfeita.P. [ P (Q)q2 − cq2 = q2 (P (Q) − c) = (a − c) 4 ][ ] (a + 3c) (a − c)2 −c = 4 16 Note que. obtemos: q2∗ = • A oferta da indústria então será: q1∗ + q2∗ = • a−c 4 a−c a−c 3(a − c) + = 2 4 4 O preço de mercado. p(Q) = a − Q = • (a + 3c) 4 O lucro da lider. As empresas rivais podem interpretar a compra de um equipamento como uma noticia ruim sobre a lucratividade do mercado e assim diminuir sua escala de entrada ou simplesmente não entrar. Tal vantagem vem simplesmente da líder ser a primeira escolher o nível de produção. .Conforme Tirole (1988) uma rma que compra um equipa- mento hoje sinalizará amanhã se não puder vendê-lo . π1 = p(Q)q1 − cq1 = q1 (P (Q) − c) [ ][ ] a − c a + 3c (a − c)2 −c = 2 4 8 • O lucro da seguidora. Mesmo investimentos que não são especícos de uma rma ou indústria são parcialmente irrecuperáveis porque dado que os compradores nos mercados de máquinas são incapazes de avaliar o valor do item(devido à assimetria de informação). no modelo a seguir captaremos os efeitos da presença de custos irrecuperáveis 9 sobre o ambiente competitivo (sunk costs ) .

• Pensemos em capital apenas como equipamentos e máquinas. K2 ) = K1 (1 − K1 − K2 ) π2 (K1 . A maximização de lucro da rma 2 requer que: dπ2 = 0 ⇒ 1 − K1 − 2K2 = 0 dK2 1 − K1 K2 = R2 (K1 ) = (1) 2 • Onde R2 é a função de reação da rma 2. e então escolhe seu nível de capital K2 . Considere as seguintes hipóteses: • Firma 1 (A rma existente) escolhe um nível de capital • Firma 2 ( A entrante em potencial) observa K1 K1 . suponhamos que algumas rmas vão entrar antes no mercado. • Assuma que os lucros das duas rmas são especicados por. que também é xo. a rma 1 maximiza. K2 ) = K2 (1 − K1 − K2 ) • Note que estas funções têm duas propriedades necessárias para a generalização dos resultados para funções lucros mais gerais: • Primeiro cada rma tem aversão à acumulação de capital pela outra rma. 1 dπ1 = 0 ⇒ K1∗ = (3) K1 2 (3) → (1) : 1 4 1 π1 = 8 K2∗ = então e π2 = 1 16 . por indução retroativa. os níveis de capital são estrategicamente substitutos.O exige que. que até então é xo. π1 (K1 . )) ( ( 1 − K1 1 − K1 − 2 2 K − K1 π1 = K1 − K12 + 1 2 K1 K12 π1 = − (2) 2 2 π1 = K1 = • A C. assuma que não existe custo xo de entrada. Isto é. Heinch Von Stackelberg (1934) desenvolveu um modelo contendo estas características para uma indústria em duopólio.15 fenômeno de mais de um período. isto é. • Segundo. • O jogo entre as duas rmas é de dois períodos. a rma 1 deve antecipar a reação da rma 2 ao nível de capital • K1 . • Por hora. como também de assimetria temporal. portanto. o valor marginal do capital de cada rma decresce com o nível de capital da outra.P.

isto é. Se depois da escolha Contudo 2 em antecipação a esta resposta Neste sentido. in that it takes entry for granted and simply tries to aect rm 2's subsequent behavior . a rma 1 acomoda a entrada. o que acaba por beneciar a rma 1. é K1 = 3/8 < 1/2. Neste modelo 1 . cada uma K2 = R2( K1 ) e 1 9 . Isto é. 1 reduz o lucro marginal do investimento para a rma 2. ela toma a entrada como certa e simplesmente tenta afetar o comportamento subseqüente da rma 2. quando a revenda envolve grandes perdas. equilíbrio perfeito de Nash.16 • Apesar das funções lucros das rmas serem idênticas. • Conseqüentemente. assim 2 investe menos. • É interessante salientar o papel da irreversibilidade dos níveis de capital. sua melhor reação para K2 = 1/4 de K2. o fato de que não se poderá reduzir seu nível no futuro. por aumentar K1 . a rma 1 perde sendo exível. isto é. denotaremos isto como uma barreira a mobilidade(barrier to mobility ). • Concluí-se que a assimetria temporal(um empresa entra no mercado antes da outra) permitiu a rma 1 limitar o nível de capital da rma 2. Este é conhecido na literatura como efeito comprometimento (the commitment eect). escolheria K2 > 1/4. a rma 1 esta em posição para obter mais lucro que a rma 2. que o conceito de equilíbrio é o mesmo em ambos os casos. Para entrar em conformidade com o uso comum. porém. pela limitação do tamanho da entrada da rma 2. provendo um incentivo para que esta acumule menos capital. reagiria otimamente. a rma 1 puder reduzir K1. Seguindo Caves e Porter (1977) apud Tirole (1988). observe que se as rmas escolhessem seus níveis de capital simultaneamente. Isto ilustra a vantagem que o primeiro a se mover possui. S e N são usados para denotar os resultados de equilíbrio em jogos seqüenciais e dinâmicos. a curva isolucro da rma 1 é horizontal quando cruza curva isolucro da rma 2 é vertical quando cruza • K1 = R1 (K2 ). Isto é. e ele torna-se mais perceptível quanto mais vagarosamente o capital se deprecia e quanto mais especico ele é para rma. R1 e a R2 . ela acumulou mais que capital do que acumularia num caso de equilíbrio simultâneo. ela assim fará. Conforme Tirole (1988) We Will also say that rm 1 accommodates entry. de modo que: K1 = K2 = • 1 3 e π1 = π2 = usando a simetria. • Agora. a lucratividade do investimento marginal para a 2 é diminuída. O equilíbrio acima demonstra como a empresa estabelecida pode reduzir a escala de entrada da rma 2. a rma 1 não permanecerá na sua curva de reação ex post. teríamos: Por denição das curvas de reação. Gracamente. Assumindo reversibilidade. Note. respectivamente. O fato do custo de investimento ser afundado (irreversível) é uma barreira a saída e permite a empresa já estabelecida comprometer um alto nível de capital. Para fazer isto.

Contudo. o lucro da rma 1 é: √ [ √ ] π1 = (1 − 2 f ) 1 − (1 − 2 f ) = √ √ = 2 f (1 − 2 f ) (10) Conforme Tirole (1988). uma situação onde a empresa estabelecida detém a oportunidade de desestimular um potencial entrante. como lucro de (1/16˘f ) > 0. somente Em termos econômicos. mesmo em uma pequena escala. Para ilustrar ao leitor a possibilidade de entry deterrence. se 1obtém lucros positivos. o que renderia lucros negativos para 1.17 não pode deter a entrada de 2. ele é dado por: • Do problema de otimização da rma entrante obtemos: max[K2 (1 − K1b − K2 ) − f ] = 0 π2max = K2 (1 − K1b ) − K22 − f = 0 (4) dπ2max = 0 ⇒ (1 − K1b ) − 2K2 = 0 (5) dK2 K1b = 1 − 2K2 (6) de (5) : 2K2 = 1 − K1b (7) (7) → (4) : K2 (2K2 ) − K22 = f √ K22 = f ⇒ K2 = f (8) √ (8) → (6) : K1b = 1 − 2 f (9) • Quando a entrada é dissuadida. a curva de reação da rma 2 torna-se descontinua neste modelo: • Agora suponha que K2 = 1/4 e faz um f < 1/16. isto signica que é sempre melhor para a rma 2 entrar. a rma 2 escolhe pode não ser ótima para a rma 1. o equilíbrio para f um pouco menor que 1/16 . isto é. esta escolha de K1 antes. A rma 2 declinaria a entrar se seria possível se K1 ≥ 1. 2 pode escolher um pequeno nível de capital que dicilmente afetaria o preço de mercado e lucraria também. na terminologia de Bain's. que pode estar apta a elevar seu lucro pelo impedimento completo da entrada da rma 2. Se a rma 1 escolhe K1 = 1/2. o nível de capital adotado por 1 que desencoraja a entrada de 2. Denotemos K1b . vamos introduzir um custo xo • f de entrada em nosso modelo. isto. (K2 = R2 (K1 ) = 0). Assuma que a rma 2 tenha a seguinte função lucro: { K2 (1 − K1 − K2 ) − f 0 se K2 = 0 se K2 > 0 } • Do ponto de vista gráco.

vamos desenvolver uma versão do modelo de competição monopolística Dixit-Stiglitz-Either. = 1/2 f = 0. um bem de consumo homogêneo e uma medida continua de bens intermediários O bem nal Y x(s) onde 0 ≤ s ≤ n.1). para ver isto.1) 0 Os componentes diferenciados são produzidos por rmas em competição monopolística. ou. reunindo insumos intermediários através de uma tecnologia CES.2) xs unidades de qualquer bem intermediário. é de uma a rma 1 bloqueia a entrada simplesmente escolhendo o nível m de capital de monopólio. tomando como dado os preços 10 Baseado em La Fuente (2000) P = {p(s).K1 12 Increasing Returnes to Specialization in a Dixit-Stiglitz Model10 Os economistas têm argumentado há muito tempo que um aumento no grau de especialização pode elevar o grau de eciência. é produzido numa indústria competitiva. f pequeno. no qual há custos xos de instalação na produção de bens intermediários diferenciados. Agora resta determinar o número de variedades dos componentes de equilíbrio. no qual vamos tomar como dados o número de variedades de componentes (n) e o total da variável trabalho (Lx ). se a elasticidade de substituição entre os componentes é baixa o suciente. usando trabalho (L) como insumo e uma tecnologia de produção que envolve custos marginais constantes e custos médios decrescentes devido aos custos xos de instalação (c). em particular. para investir em pesquisa e desenvolvimento. Ls = xs + c onde Ls é quantidade de trabalho requerida para produzir (12. dada por x = Lx /n. Dessa forma. pelo fato de todos os bens intermediários entrarem simetricamente na função de produção para bens nais e eles próprios serem produzidos usando a mesma tecnologia. o produto nal será produzido usando a mesma quantidade de cada insumo.18 é de uma entrada dissuadida. é conveniente iniciar pela caracterização de um pseudo equilíbrio. em um contexto mais dinâmico. se α ≤ 1 . . deixe Lx ser a quantidade total da variável trabalho empregada na produção de componentes. Embora o tamanho da rma seja indeterminado com retornos constantes e competição perfeita. o produto nal é dado por: (∫ n xα s ds Y = ) α1 = n( α )−1 Lx 1 (12. Com o intuito de formalizar esta idéia. Observe que a especicação acima da tecnologia capta a idéia de Smith que existe retornos crescentes para a especialização. enquanto para entrada acomodada. Considere primeiro o comportamento dos produtores de bens nais.3) 0 Portanto. 0 ≤ s ≤ n} dos insumos x(s). Considere uma economia na qual existem dois tipos de bens. Com f > 1/16. ou de maneira mais geral. os níveis de lucro e taxas de salários em tal situação nos darão uma indicação do incentivo para investir diretamente na instalação de um novo componente de produção. (∫ n xα s ds Y = ) α1 Onde 0 ≤ α ≤ 1 (12. cada rma ainda irá minimizar o custo em nível desejado de produção y. am ilustrar o problema de uma forma mais didática. o produto será uma função com retornos crescentes ao número de variedades de componentes para uma dada quantidade do insumo trabalho. Substituindo esta expressão dentro de (11. Contudo.

def ina ϵ = ps 1−α ( )ϵ λα xs = (a) ps xs = • Substituindo (a) dentro da restrição de produção podemos resolver para o multiplicador. ∫ ∫ n α xα s ds y = 0 n ( = 0 ∫ n y α = (αλ)αϵ λα ps )αϵ ds (ps )−αϵ ds 0 −α 1 = = −αϵ −ϵ=1− 1−α 1−α ∫ n y α = (αλ)αϵ (ps )1−ϵ Note que1 0 αϵ (αλ) yα = ∫n (ps )1−ϵ ds 0 elevando ambos os lados a (αλ)ϵ = (∫ n 0 • em (a) temos αϵϵ p−ϵ s .t.n] 0 ) α1 0 Para resolver este problema de otimização. obtemos: dL =0 = ps − λαxα−1 s dxs ps = λαxα−1 ⇒ x1−α = s s ( λα ps ) 1 1 λα 1−α .19 Cada rma resolve: ∫ (∫ n min n xα s ds ps xs ds s. y = xs ∈[0. e resolver através da aplicação do método Lagrange nas próprias funções. y (ps )1/α )1−ϵ ds 1 α (b) aplicando (b) em (a) obtemos: xs = (∫ n 0 yp−ϵ s )1/α (c) (ps )1−ϵ ds . podemos desconsiderar as integrais num primeiro momento. • A função Lagrange do problema de uma rma é: • Diferenciando com respeito a xs L = ps xs + λ(y α − xα s ).

6) em (11. e os preços denidos pelos competidores como dado e supondo adicionalmente um equilíbrio simétrico onde todas as rmas produzem o mesmo produto.4) 0 • Agregando os produtores de bens nais. que são denidos por: − wp−ϵ πs = ps xs − wxs = φ(p1−ϵ s ) s • Diferenciando πs com respeito a ps .5).20 • Substituindo (c) dentro da função objetivo de cada rma. y) = o ps (∫ n 0 (ps )1−ϵ )1/α ds ) ] 1−ϵ (p ) ds s C(p. dπs −ϵ−1 =0 = φ(1 − ϵ)p−ϵ s + φϵwps dps −ϵ−1 (ϵ − 1)p−ϵ s = ϵwϵps −1 (ϵ − 1) = wϵp−1 s ⇒ ps = note que • ϵ−1 = α logo. ϵ W Ps∗ = α ϵ−1 ϵw (12. (12.6) Aplicando (11.7) ) ( ) ( ) 1 1−α 1−α − 1 wxs = wxs = φαϵ w1−ϵ α α α (12.8) Agora observe que num equilíbrio simétrico. a rma emprega lx = Lx /n )1/α 1 xα ds = n1/α x = n1/α lx = n α −1 Lx s trabalhadores. a taxa de salários (w). y) = y (∫ n0 )1/α (ps )1−ϵ ds 0 α−1 1 1 − 1/α = = logo. cada produtor de componente(o bem intermediário) maximiza seus lucros operacionais. todos os produtores de componentes denem o mesmo preço p e produzem o mesmo produto assim: (∫ Y = 0 n x. α 1−ϵ (∫ n )1/1−α 1−ϵ C(p.5) Agora tomando como dado o perl da demanda de mercado. y) = y (ps ) ds = C(p)y [ (∫ n Note que yp−ϵ s n ps xs ds = 0 é dado por: (12. a condição de primeira ordem para este problema de otimização rende uma regra de Mark-up constante. a demanda de mercado pelos componentes é dada por: Xs = φPs−ϵ onde φ = (∫ n 0 • Y ) p1−ϵ s ds (12.9) . Portanto. o custo mínimo de produzir y ∫ ∫ n C(p. podemos computar o produto ótimo: ϵ −ϵ x∗s = φp−ϵ s = φα w • Os lucros operacionais da rma: ( ∗ π = (ps − w)xs = • (12.

21 • Onde 1 α − 1 > 1. portanto. Se normalizarmos o preço do produto nal para 1. usando (11.11) em (11. 1 1 pn 1−ϵ = 1 ⇒ p = n ϵ−1 • E. Ou seja. o produto nal é uma função crescente do número de variedades de componentes. ou seja. isto é. Usando esta condição em conjunto com os resultados anteriores vamos mostrar que as formas gerais dos salários e lucros são dados por: π= • (1 − α)Y n αY nlx w= e onde lx = Lx /n Com a igualdade dos preços dos componentes.6) e (11.11) em (11.6) e (11. a demanda total de trabalho por uma rma representativa é lx + c. dada a quantidade total da variável emprego. para um dado preço de componente.12) chegamos a: φ = (∫ n Y )1/α p1−ϵ 0 s • (12.10) 0 • • Note que como ϵ > 1. temos que seu custo marginal também deve ser igual a 1.7) descobrimos que: ( )−ϵ 1 1 x∗ = φαϵ w−ϵ = αϵ αn ϵ−1 Y ⇒ x∗ = n− α Y • Usando (11.11) = Y 1/α (np1−ϵ ) = Y 1/α (nn−1 ) =Y Usando (11. isto é. que normalizamos para 1. especialização melhora a eciência global. obtemos: w = αp = αn ϵ−1 = αn α −1 = α 1 • Usando (11.14) Note que pelo fato da produção de uma variedade de componente exigir c unidades de trabalho para sua instalação.9). As rmas vão entrar até os lucros se tornarem zero. Portanto. .11) em (11. o custo unitário do produto nal decresce com o número de variedades de componentes. o custo unitário do produto nal pode ser escrito: (∫ n p1−ϵ s ds c(p) = 1 ) 1−ϵ ( ) 1 1 = np1−ϵ 1−ϵ = pn 1−ϵ (12. perfeitamente competitivo.8): π∗ = • (12. o preço do produto nal. o equilíbrio de mercado requer que: n(lx + c) = L • Onde L (12.15) é a força de trabalho agregada. logo. o que por denição assegurará lucros zero. estamos num mercado perfeitamente competitivo.6) e (11.5) 1 Y Lx (12. Agora suponhamos livre entrada no mercado de bens nais.13) ( 1−α α ) ( φαϵ w1−ϵ = 1−α α ) ( )−ϵ 1 (1 − α) Y αϵ αn ϵ−1 Y = π∗ = n (12. • Livre entrada assegurará lucro zero no setor de bens nais. isto é. deve ser igual ao seu custo unitário.

20) por L para obter: )1/α−1 αL1/α−1 Isto é.16) αc 1−α (12. pertencente ao escopo da análise econômica no ambiente da disciplina de organização industrial que se tornou possível a inclusão das idéias como insumo numa função de produção num modelo de crescimento econômico elaborado por Paul Romer em 1986. Observemos que este modelo demonstra como surgem os incentivos ao investimento em pesquisa e desenvolvimento.19) Substituindo (11.12) α 1−α ) =L ⇒ n= 1−α L c (12. o produto nal pode ser escrito como uma função da oferta agregada de trabalho e do custo de entrada. para ver isto divida Y Q= = L • ( (1 − α)Y c (11. Usando (12.18) Portanto. . a produtividade média. aumenta com o crescimento do mercado.21) α < 1. ou por trabalhador aumenta com L se (12.18) em (11. Lembremos também que foi a partir deste modelo simples. ou seja.22 até os lucros operacionais serem iguais aos custos de entrada.14). (12. o produto per capita. ( Y =n • 1/α−1 Lx = (1 − α)L c )1/α−1 ( αL ⇒ Y = (1 − α)Y c )1/α−1 αL1/α Note que esta função exibe retornos crescentes de escala no trabalho. Isto é. o número de equilíbrio de rmas é dado por: ( nc 1 + • (11.17) em (11. medido por L. o número de variedades de componentes aumenta proporcionalmente com o tamanho do mercado. este modelo é um exemplo do efeito transbordamento tão estudado pela teoria do crescimento econômico.19) e (11. o tamanho do mercado limita o grau de especialização. isto é.20) Lembre também que se existem custos xos de entrada. portanto. como diria Smith o grau de especialização traduzido neste modelo pelo número de variedades de componentes de um determinado produto. o tamanho de equilíbrio da rma é dada por: lx = • e (1 − α) cαY Y = n nlx π = cw ⇒ • (11.17) Substituindo (11. sempre que α < 1. e. Resolvendo (16) para lx . ele evidência os ganhos advindos do investimento em tecnologia retratado nesta estrutura matemática pelos retornos crescentes a escala advindos da elevação do número da variedade de componentes utilizado na produção.15). • O total de trabalho empregado na produção é: Lx = Ln c = L − (1 − α)L = αL • (12.3).

Edição. Notas em Teoria dos Jogos e Informação 2006. . A realidade oculta: Universos Paralelos e as Leis Profundas do Cosmo 1 a Edição. 2012. a arte da física teórica consiste em simplicar o que é horrivelmente complexo. que ora modelam situações de informação imperfeita como é o caso do Cornout. Daniel. no entanto. • a Teoria Microeconômica vol: 4 teoria da concorrência imperfeita. Emanuel. 2010. 1969. Jean. Brian. que como diria o professor Simonsen é muito simples. Game Theory For Applied Economists 1992.23 13 Considerações Finais Ao longo de todo o texto descrevemos uma pequena variedade de modelos de oligopólio. Guilherme. Avinash K. respondeu a uma pergunta semelhante em seu campo de atuação deste modo. logo precisamos saber ignorar aspectos que embora presentes nos fenômenos econômicos tenham pouco impacto sobre seu desenrolar. Robert S. Nesse sentido. Angel de La. Ornelas. Talvez algum leitor atento questione. PEITZ. como diria Greene é  o dom de saber o que se deve ignorar. .. casos onde existe uma empresa estabelecida e uma potencial entrante (por exemplo. mas sim da necessidade técnica. Pindyck. 2012). o Stackelberg). simplicidade derivada não da realidade. mas. os aspectos físicos essenciais e tornando praticável a análise teórica (Greene. preservando ao mesmo tempo. • Greene. podemos armar também que a realidade econômica é deverás complexa. Mathematical Methods and Models For Economists 2000. 14 Referências Bibliográcas • BELLEFLAMME. isto é.Industrial Organization: Markets ans Strategies. • Dixit. Paul. ora analisam situações onde existe uma assimetria temporal entre ações tomadas pelas empresas. Edmundo. Uma Breve Introdução a Teoria dos Jogos com Aplicações a Redes de Computadores 2007. • Hamdan. Ratton Figueiredo. 1 Tirole. produzem bens diferenciados e por causa disto exercem algum nível de poder de monopólio sobre os consumidores. Mário Henrique. Industrial Organization 1988. não existe um modelo geral de oligopólio? a resposta é não.. posto que para se generalizar a análise já temos a estrutura da concorrência perfeita. • Fuente. Investment under uncertainty 1993 • De Souza e Silva. é preciso sempre analisar as características intrínsecas de cada mercado e só então propor um modelo que melhor se adéqüe a elas. Robert. • Gibbons. • Simonsen. poderia então insistir e perguntar qual seria este modelo? Outro leitor Brian Greene. não há utilidade em um mapa de escala 1:1. como também tratamos de um caso onde as rmas competem entre si num mesmo mercado. embora físico. no entanto. É por isso que para se tratar dos mais variados tipos e graus de imperfeições. Martin .