DO DECRESCIMENTO SERENO
Serge Latouclhe
Serge Latouche
PEQUEN O TRATADO D O
DECRESCI M ENTO SEREN O
Tradução
Claudia
IKt Jiiioi'
I BS
w m f m a r t in s f o n t e s
S ÃO PAULO 2009
br httj>://wxim.i v r o. 2 ftlR 'I ituk» orig in al: Petit tw ite d e Ia dciroi-ssanc«. S erge lV í|u en n tra ta d o tio d ecrescim en to se re n o / S erge Lato iid ie . C optfri^itl (<J 21W.br . tiépar íent cM t ie l a h br ai r i r A i l i i hu e I at /t m i 2007.• • Sào P a u lo : B ditora W MF M artin s Fontes. LiiUorti Siio I' rtulo..8150 Vax (TI) 3W U 042 ' -mail: inftM wnifuuirthitfonleç. tra d u ç ã o C laudia lierlinor. D e sen v o lv im en to su ste n tável 3. 1? ed i ção 200' 1 Timíução OAUniA HL'RltNKH A co m p an h am en t o ed i t or i al ÍJlCMtMVi'H R ev isõ es g ráfica s M ar i a l er t i am i u A lw t res ÍA‘l íán fki i i i n Pr od u ção g r áf i ca GeraU lo A hv s Pag i n ação/ Fot ol i t os Sl m i i o D ad os I n t er n aci on ai s d e Catal ogação l. D ecrescim ento s u s te n tá v e l: licononiia 338. I A D l k' l H H SSÀ N í T.coni.wmfnit!rlirififonle$xoiu. líconom ia a m b ien tal l.<iitoritif da Pu bl i cação (CI P) (Câm ar a Br asi l ei r a «Io I .Ebltt ohi v foi i mN ii thhi or i ^ it ni hn ai l v ei u f r an ee* m u <> U tufo PL T I T r t i A H t D l . (W-1017^ C D IK M Índico?» p ar a cat ál o g o si st em át i co : J.. SP. 33W 07325-000 Süo Ptutb SR Brafiil Trf. Rim Conselheiro Rasuuiiio.1J27 Toilos os direitos tlesta edição resenmdoa à Editora WMV Martins Fontes Ltda. Br asi l ) L atouetie. ISfSN 978-ÍÍ5-7827-201 -2 l. Í77) 3293. pr ev en i r edi ção. Par i* Cvi>tfri$hl (ò M iU e t‘i u n e m ot a. Titulo. D ecrescim ento su ste n táv e l 2. par u VVA -t/ ' n M arine foul rs Ihla. Ü l A i U N E por U br u ir i r A r l hhn e fai / an f.’ sereino HiWiog rafia.
.....................Preâmbulo............................................................1 O que e o decrescim ento?........ O território do decrescimento......... 16 A alga verde e o caraco l.. 12 A adição ao crescim ento................... 7 As duas fontes do decrescim ento.................... 4 A batalha das palavras c das ideias............... 30 A corrupção política do crescim ento..................................... VII XI I ... 27 Urna falsa solução: reduzir a população..... O decrescimento: uma utopia concreta ...... 1 Um ovni 110 m icrocosm o p o litiq u eiro.. 39 A revolução do decrescim ento........... I ntr odução........ 23 U m a pegada ecológica insustentável............................................................... 30 I I ... 39 .........
...... O decrescimento: uin programa político.............................. Trabalho para todos num a sociedade de decrescim ento... 78 O decrescim ento é reform ista ou revolucionário?...... O decrescim ento é assimilável no capitalism o?................................................................... O decrescim ento e de direita ou de e sq u erd a ?................................................. ........... 153 ...............58 Reduzir significa reg red ir?.. 96 108 115 126 132 135 Conclusão O decrescim ento é um hum anism o?........... ........................... 95 Um program a eleitoral....71 O desafio do decrescim ento para o S u l...........................91 I I I ................................42 O decrescim ento com o projeto lo cal....O círculo virtuoso do decrescim ento s e re n o ................ Sair da sociedade trabalhista pelo decrescim ento............... Precisamos de um partido do decrescim ento?................................................ 139 Bibliografia..............................................
” B e r n a r d C h a r im >n n i . porque no livro o pro jeto de um a sociedade de decrescim ento estava apenas esboçado a título de conclusão da obra e. É um juízo um tanto abusivo p o r dois motivos: por um lado. Da descolonização do imagi nário econôm ico à construção de um a sociedade alternativa]. I* Monde diplomatique. foi qualificado de “breviário do de crescim ento”3. Paris. 3. m eu opúsculo anterior.a u 1 N um a simpática resenha no M onde diplomati que. porque ainda não tinha sido produzida a análise detalhada de que aquele projeto seria o 1. 2004.“S e o in te g ris m o d o c r e s c im e n to <[ue h o je re g e o m u n d o c o n tin u a r p o r esse c a m in h o . tam bém. . 108. jan e iro d e 2005. Une seconde natuw. 1981. De la décolonisation de l ’i maginaire économique à la construction d ’une société alternative1 [Sobreviver ao desenvolvimento. 1’au. l’o r Nicolas T ruong. Mille et un e nuits. e le ju s tif ic a r á u m in te g ris m o n a tu r a lis ta q u e c o n s id e r e a in d ú s tr ia c o m o o M al. p. 2. Survivre au déoehppement.
Um projeto mais elabo rado de sociedade alternativa já existe com Le Pari de la décroissancer’ TA aposta 110 descrescim entoj. Por outro lado. redistribuir. em particular aqueles produ•1.. L'Ecologiste. a ideia de produzir um texto curto. convivial e sustentável: reavaliar. . que fosse um com pêndio do corp us das análises já disponíveis sobre o decrescim ento. Fayard. e a reconceituação foi acrescentada. reestruturar. Além disso. í. precisam ente. reciclar. rolocalizar.compêndio. sendo a outra o “localismo”. foi introduzido e integrado nesse círculo na form a da ^localização. que o leitor desejoso de saber mais está convidado a consul lar. R ecordem os esses oi 10 objetivos in terd ep en d en tes capazes <le iniciar um círculo virtuoso de decrescim ento sereno. continuou pre valecendo. reconceituar. *i. reduzir. Paris. 2006. reutilizar. aquele prim eiro esboço não p ro p u n h a nen h u m a reflexão sobre a transição política possível para realizar a utopia do decrescim ento no Norte ao m esm o tem po que o Sul era m antido à parte. O localismo. setertibro-novem ljro d e 2006. o decres cim ento era um a das duas vias propostas. {jne a revista L ’Ecologiste tam bém qualificou do “bí blia” d o decrescimento8. C ontudo. Ele integra os novos desenvolvimentos da re flexão sobre o tema. Em Simiivre au développement. 5. II" 20. o círculo virtuo so do decrescim ento convivial com preendia ape nas seis “erres” contra os oito de hoje'1.. Apesar de retom ar de m aneira sintética as principais conclusões do Par i de la dénvissance. este opúsculo tem sua originalidade pró pria.e Pari de la décroissance.
mas um a ferram enta de trabalho útil para todo participante de movimentos sociais ou político engajado. novem bro d e 200(>. Nele. não é tanto “Tudo o que você queria saber sobre o tem a e nunca teve coragem de p erg u n tar”. em particular no plano local ou regional. “Décroissance d politique". . Lyon. abril de 2007. 7. Portanto.zidos nos debates realizados pela revista Entropia7. a preocupação com as aplicações concretas em diferentes níveis é claram ente levada inais adiante. “Travail el décroissance**. Parangon.
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2007. a terceira ques tão é a mais im portante.1 H á perguntas demais neste m undo aqui de bai xo. a n te s q u e s e ja m o s o b r ig a d o s a fazê-lo p o r n e c e s s id a d e . cirrose do fígado. Sessenta p o r cento da população dos Estados U nidos.. 1979. gordura dem ais.]. p. Consumimos carne demais. Correm os o risco de sofrer de diabetes. Esquecemos as duas outras perguntas que. colesterol e obesidade2. os em panzinados do hiperconsum o. . d e s e jo s in c e r a m e n te q u e n o s c o n te n te m o s e m fic a r o n d e e sta m o s n a s c o n d iç õ e s atuais. nos diz Woody Allen: de onde viemos? para onde vamos? e o que vamos com er hoje à noite? Se. sal demais. 138). para nós. O que nos as som bra é antes o sobrepeso. e n tã o . Avant qu'il ne soit tmp tard. Fayard. do N orte. menos 1. pp. 30% da E u ro p a e 20% cias crianças na Fi ança (fonte: D om inique Belp om ine. p e lo b e m d a p o s te r id a d e . açúcar demais. 748-51.i .“Se a te r r a tiv e r d e p e r d e r a m a io r p a r te d c su a b e le z a p e lo s d a n o s p r o v o c a d o s p o r u m c re s c im e n to ilim ita d o d a riq u e z a c d a p o p u la ç ã o [. Turim.. 2." J o h n S tu a r t M i i . ela não é um a preocupação. Paris. Utet. Estaríamos m elhor se fizéssemos dieta. Principi di economia política. para dois terços da hum anidade.
Lem bre mos que os objetivos que a “com unidade” interna cional propôs na aurora tio terceiro milênio para 2015 visam a saúde para todos e a erradicação da po breza. de Rachel Carson (1962). Desde Sil/ml Spring [prim avera silenciosa). confirmam esse diagnóstico de bom senso. Todos os dias ou quase todos os dias. e isso bem anles da luta contra as poluições. 4. C) C’. nos preveniu que a busca indefi nida do crescim ento era incompatível com os “fun dam entos” do p lan eta1. d e n u n cian d o os perigos dos p rodutos químicos. Para onde vamos? De cara contra o m uro. que vai se arreb en tar contra os limites do planeta. 1992. Na verdade. depois da declaração de W ingspread (1991) ‘. “Os limites do cresci m en to ” (1972). ten d o sem pre Dennis Meadows <01110 organizador: “Bcyond lhe I. Assim. D eclaração internacional. e “Limits to Growth: thc 30-year U pdatc". são contudo mais importantes. lançada p o r instigação do p ro fessor B elpom m c. prove nientes dos mais diversos horizontes.imits lo Growth an U pdatc". estamos totalm ente a par da situa ção. O famoso re latório do Clube de Roma.urgentes.luhe de Roma produziu em seguida. Esta mos a b ordo de um bólido sem piloto. m esm o editor. Boston Glielsea O reen. D eclaração d c vinle e dois biólogos. novos relatórios aterradores. do M illennium Assessment 3. um núm ero suficiente de vozes autorizadas se fizeram ouvir para que não possamos alegar que não sabíamos. do Cham ado de Paris de (2003)r>. . 2004. a m aioria deles am eri canos. 5. sem m ar cha a ré e sem freio. p ara alertar sobre os perigos sanitários provo cados p elo crescim ento econôm ico.
W orldwatch Institute etc. não querem os escutar nada. M illennium Assessment R eport. de um a sociedade fagocitada por um a econom ia cuja úni ca finalidade é o crescim ento pelo crescim ento.on seja.. m illennium assessnienl. da Fundação Bilderberg. .org). qu e dem onstra que a atividade h u m an a abusa das capacidades d e regeneração dos ecossistemas a p o nto de com prom eter os objetivos econôm icos. com a nossa refeição desta noite garanti da. Friends o f the Earth [Amigos d a Ter ra]. Ocultamos.hange ( IPCC) (N. foram redigidos os do G rupo Intergover n m e n ta l de Especialistas sobre a Evolução do ('li ma (GIEC*). outros.Report". em ]»articular. os das ONG especializadas (WWF.). "Living Beyond Our Means: Natural Assets and Human Well-Being (http://w ww. Mas. passando pelo ex-vice-prcsidente am ericano Al Gore. a questão de saber de onde viemos: de um a sociedade de crescim ento . sem issecretos. sociais e sanitá rios fixados pela com unidade internacional para 2015. publicado em T ó q u io em 30 d e m arço de 2005.). mas tam bém os relatórios. Trata-se do um relatório das Nações Unidas basea do nos trabalhos de 1300 especialistas de 95 países. E significativa a ausência de um a verdadeira crítica d a sociedade de crescim ento na m aioria dos dis cursos ambientalistas. da T . mais confidenciais. o re latório de Nicolas Stern para o governo britânico etc. que só fazem enrolar nas suas colocações sinuosas sobre o desenvolvimento sus 6.. G reenpeace. do P entágono. * Inlergmiemvumtal Panel on Climate ('.. sem falar dos cham ados lançados pelo presi d en te Chirac cm Johanesburgo ou por Nicolas IIulot na cam panha presidencial de 2007.
Calm annI.évy. Denunciar o “frenesi das atividades hum a nas” ou o desgoverno do m otor do progresso não supre a ausência de análise da m egam áquina tecnoeconôm ica capitalista e m ercantil. a necessidade de um a 7. e que a lógica do crescim ento sistemático e irrestrito (cujo núcleo é a com pulsão e a adição ao crescim ento do capital financeiro) deve portanto ser questionada.tentável7. bem como nosso m odo de vida. xrv . Dizer que um cres cim ento infinito é incompatível com um m undo finito e que tanto nossas produções como nossos consum os não podem ultrapassar as capacidades de regeneração da biosfera são evidências facil m ente compartilháveis. Paris. Em co m p en sação . mas com certeza não as molas propulsoras. são mui to m enos bem-aceitas as conseqüências incontes táveis de que essas mesmas produções e esses mes mos consum os devem ser reduzidos (em cerca de dois terços no caso da França). E urna esquizofrenia que coloca o teórico diante de um a situação paradoxal: ele tem simulta neam ente a impressão de chover no m olhado e a sensação de pregar no deserto. Esse sistema baseado na desm edida nos conduz ao im passe. 2000. ela parece francam en te blasfematória. Pour un pacle écologjujue. Em bora a torrente esteja saindo de seu leito e am eaçando devastar tudo. da qual tal vez sejamos de fato as engrenagens cúmplices. Q uanto à designação dos principais responsáveis. Ver Nicolas IluloL.
por fim. avaliar seu al cance (I). pega mal. . portanto. a própria icleia de decresci m ento. sua aceitação c indis pensável se quisermos sair do torpor que nos im pede de agir. Convém. p ropor uma alternativa para o delírio da sociedade de crescim ento. C ontudo.decrescença. ou seja. e. especificar os meios <le sua realização (III). a utopia concreta do decrescim ento (II).
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soja. será ela correta? Q uando o m ercado está saturado e a produção con tinua. abril de 2004. no seio da C onfederação Cam ponesa3 (o que não surpreen de m uito). 2001 (nora edição 2006. !ht tléveloppemenl à la dérroissancr. Paris. o lema do decrescimento con quistou 1. ou . Vert conlaci. 2. em 1* MaUii.” Paul I Iazakii. Campagnes solidam.*.a conta. 66). uma imensa dúvida começa a atorm entar os espíritos.' 182. Le M ahme amérirain' U m ovni no microcosmo politiqueiro Em poucos meses. ou do cham ado movimento antigloba1. co n tudo. n'. Uma hora. Por m uito tem po tabu. a casa.’ 709.se amérirain (1931). ü e la nécrssité de .sortir de Innpasse xukidm tr dit capitalüme. n'. A ideia fie que se deva superproduzir para que se supereom pre.“Eutão. será preciso pagai. citado p o r Je a n -P ierrc Ic rn a is. os sapatos. a geladeira. jornal mensal cia C onfederação cam ponesa.1111 espaço político e midiático notável. p. fevereiro dc 2004. 3. 20. o sobretudo. claro que entre os Verdes2. Paul Ilazard . Será que a convencerão a com prar três? Compram-sc a prazo o carro. p. . a ideia que dom ina a vida econôm ica de todo o país. Ver “La décroissance pourquoi?”. “O bjectil décroissance: la croissance e n question”. Lditions du M onde l ibertaire. transformou-se em objeto de debate. o que acontecerá? Fizeram um a cam panha publicitária para que cada família com pre dois car ros: uni só não basta.
2006.centrais térm icas a car vão. co n tra o MOSE na lagoa d e Veneza. co n tra a m egaponte sobre o estreito de Messina.lização1. motivo de atritos en tre Rifondazione e os outros partidos da coalizão anli-Berlusconi.a I>etrrsnía Jvlke. O decrescim ento se fez presente na cam panha elei toral nacional italiana nas eleições de 20063 e de pois no debate político francês11em 2007. dos “grandes projetos”. contra o TGV Lyon-Turim e seu tú n el m onstruoso. Ediloii Riuuiti. La Quanlilà delia Vila non dipende dal IVL (Roma. p ro jeto Ite r (In tern atio n al th erm o n u clear ex p erim en tal reaclo r). Maui izio Pallante. Ver 1‘nlitis tio 11 de dezem bro de 2003. (i. cada vez mais vivas regional e localm ente. e até en tre uni público betn mais amplo. a resistência aos “g ran d es” projetos . Kle tam bém está no cen tro das contestações. multiplicam-se as re sistências: 110 vale de Susa. é conselheiro d o novo m inistro verde do Meio Am biente. a u to r d o m anifesto l. . fi. Trazido m ais explicitam ente p o r Yvcs C ochet dos Verdes e um p ouco m enos p o r José Bovc. 2005). Na Itália. Assum ido pelos “Verdi". contra os incineradores (em T rento e alhures). contra a central elétrica a car vão de Civitavecchia etc. Paolo Gacciari foi eleito d ep u tad o d e Veneza na lista d e Rifonclazione. Na França. dossiê sobre o de crescim ento. Mas todos os candidatos à presi dência foram interpelados sobre a questão. l ’emare Ia drcrescita.tem mais dificuldade de se c o o rd e n a r e se desenvolver devido à cen traliza 4. Sostenibililà ed equilà. grandes infraesti aturas de transportes . O antieri C arla/edizioni Intni M oenia. depois da publicação d e um docum ento ein defesa do decrescim ento.
Résister à la croissance des grandes infrasbruclvres de Iransport (n o prelo) c J e a n Monestier (liitlmpia. assim com o o jo rn a l La Décrmssatue. 8. Jornais. 2007. p o r o u tro lado. abril-m aio ile 2007. . n” 14. isto é. Hervé-René M ailin. cit. “ovnis” 110 m icrocosm o politi qu eiro . Atclier da C houette. 11? 2) c “La G rande Illusion des aéroports regionaux”. A postura “decrescente” inspira. seu hom ólogo italiano. os adeptos da sim plicidade voluntária8 etc. Carta.ção e ao p o d er adm inistrativo. Citem os Politis. F lam m arion. pp. os GAS (G rupo de com pradores solidários) na Itália. que p rete n d e pro m o ver um “orçam ento justo” [“Bilanci di giustizia”]. Decresáta e a re vista Eníropia yÁ m encionada. O surgim ento des ses m ovim entos. na F rança e n a Ilália. Ver Sim on C h atbonneau.vince. liloge de la simplkité vohmtaire. as AMAP (Associações para a m anutenção de um a agricul tura cam ponesa) na França. mas está com e çan d o 7. e faz pou co tem p o n a Bélgica e na Espanha. com portam entos individuais e coletivos. pôs os meios de com unicação em ebuli ção. I'il du Conflenl. op. Paris. Aqui e acolá.300 fa mílias apenas em V êneto). Prades. um a pegada ecológica equitativa (1. organizando m archas e criando redes. grupos pródecrescim ento vêm se constituindo esp o n tan ea m ente. m uitos se colocaram a favor ou co n tra sem q u eb rar m uito a cabeça e geralm ente 7. 9.. rádios e até televisões trataram do assunto. Se alguns deles fizeram um sério esforço de inform ação9. Citemos o m ovim ento Cam biaresti. 101-11. Le Monde diplomatique. Le Pari de la décmu. as ecovilas. Ver tam bém Serge L ntouche.
A palavra de o rdem “decrescim en to ” tem com o principal m ela enfatizar fortem ente o aban d o n o do objeti vo do crescim ento ilimitado. N ão só a sociedade fica co n d en ad a a não ser mais que o instrum ento ou o m eio da m e cânica produtiva. que visa acabar com o jarg ão politicam ente correto dos drogados do produtivism o10. considerando bem . O que há p o r trás desse “novo conceito” de decresci m ento? Ele é assimilável ao desenvolvimento sus tentável? De onde ele provém? Por que ele seria necessário? São essas as indagações q ue aparecem com mais frequência.. não o seria nem mais nem m enos do que p re gar o crescim ento pelo crescim ento. .d efo rm an d o as raras análises disponíveis. mas o próprio hom em tende a 10. o que seria absurdo. com conseqüências desas trosas para o m eio am biente e portanto para a h u m anidade. objetivo cujo m olor não é outro senão a busca do lucro p o r [»arte dos d eten to res do capital. (iolias. O que é o decrescimento? O decrescimento é um slogan político com impli cações teóricas.yon. Paul Aviès. co n tu do. I. Oécroistance ou bmbarie. 2005.. não se trata de preconizar o decrescim ento pelo decrescim ento. um a "palavra-obus” com o diz Paul Ariès. Ao con trário de um a icleia perversa que não produz ne cessariam ente um a ideia virtuosa.
Isso significaria ao pé cia letra: “avançar recuando". . Trata-se. Sabe-se que a m era dim inuição da velocidade de cresci m ento m ergulha nossas sociedades na incerteza. do que de (fccrescimento. sanitários. Por todas essas ra zões. o decrescimento só pode ser considerado nu ma “sociedade de decrescim ento”. Paris. culturais e am bientais que garantem o m ínim o in dispensável de qualidade de vida. 11. au m en ta as taxas de desem prego e acelera o aban d o n o dos programas sociais. ou seja. François 1'lahaut. Cdpttalisme et soaélé. Por tanto. 16. 12. Essa regressão social c civilizacional é precisam ente o que nos espreita se não m udarm os de trajetória. a alternativa é efetivam ente: decrescim ento ou barbárie! Para sermos rigorosos. “A ideia de que o crescim ento econôm ico constitui um fim em si implica que a sociedade seja u m m eio". Mille et u n e nuits. p. com o se fala de dHteísmo. em termos teóricos con viria mais falar de “«-crescimento”. não há nada pior que uma sociedade de crescim ento n a qual não há crescim ento.sc transform ar no refugo d e um sistema qu e visa a torná-lo inútil c a prescindir d ele". Para nós. educativos. o decrescim ento não é o crescim ento negativo. 2005. oxirnoro absurdo que traduz bem a dom i nação do im aginário do crescim ento12. aliás. /> Paradnxe de Robmson. no âm bito de um sistema baseado em outra lógica. Pode-se imagi n ar a catástrofe que um a taxa de crescim ento ne gativa provocaria! Assim com o não existe nada pior q u e um a sociedade trabalhista sem trabalho.
E um a proposta necessária para que volte a se abrir o espaço d a inventividade e d a criatividade do im aginário bloqueado pelo totali tarism o econom icista. n? 14. écologie. 14. 15. . 13. o decrescim ento é sim plesm ente um a bandeira sob a qual reúnem -se aqueles qu e procederam a um a crítica radical do desenvolvim ento13 e querem desenhar os contor nos de um projeto alternativo para um a política d o após-desenvolvimento1'. PUF. Não pode haver m o dernização ecológica sem resuição da dinâm ica da acumulação ca pitalista e sem redução do consum o p o r autolim itação. d e rejeitar o culto irracional e quase idólatra do crescim ento pelo crescim ento. Les Nouveaux Cahiers de l'IUJÙl). I x Mon/le diplovuUúpte. 1991. socialisme. Isso corresponde beui ao qu e A ndré Gorz designava outrant pclo lonno (não m uito léliz. “O sen tido da racionalização ecológica pode sei resum ido na divisa 'm enos mas m elhor’. Ver “B rouillons p o u r l'avenir: contributions au déb at sur les alternatives”. m aio de 2001. A princípio. Ver nosso artigo “En finir un e lois p o u r toutes avec: le dé veloppem ent". do progresso e d o desenvolvimen to. Galilée. ou sega. a d a econom ia. Paris-Genebra. CapUaUxme. As exigên cias da m odernização ecológica coincidem com as de um a relação Norle-Sul transform ada e com o projeto originário do socialismo". p. Paris. ao encolhim ento da esfera regida pela racionalidade econôm ica no sentido m oderno. 93.de conseguir abandonar unia le ou um a religião. 2003. portanto.) de “racionalização ecológica”. Sua m eta é um a socie dade em que se viverá m elhor trabalhando e con sum indo m enos15. desenvolvimentista c p ro gressista. A m odernização ecológica exige que o investimento deixe d e eslar a serviço d o crescim ento c passe a servir ao decresci m ento d a econom ia.
seu avô e seus filhos forem consum ido res fiéis da Nestlé.e Nouvel liconmniste. Além dis so. citado p o r Christian Jacquiau. tanto no m u n d o em presarial com o em q u alq u er debate da sociedade. o conceito está na m oda. usa-se e abusase tan to dele que.A batalha das palavras e das ideias Sem dúvida para neutralizar seu potencial sub versivo. Paris. 26 d e m ar ço d c 2004.. os co m ercian tes souberam com o rec u p e rar os bons slogans” 11) . P eter Brabeck-Lcunathc. en tre tantas. é com um tentarem fazer o decrescim en to e n tra r n o cam po do desenvolvim ento sustentá vel. apesar de o term o ter se im posto para sair da im postura e d e confusões criadas p o r essa expres são “balaio de gatos” qu e encontram os impressa até nos pacotes do café Lavazza. então nós trabalham os de for ma sustentável. diretor-geral da Nestle no fórum dc Davos de 2003. O utras provas da m istificação do desenvolvim ento sustentável são. Mille e t un e imils. 151.. 2006. é verdade.quiau. p. todo o m undo pode reivindicá-lo. com o o diretor-geral cla Nestlé (“O de senvolvimento sustentável é fácil de definir: se o seu bisavô. p. M ichel-Édouard I-eclerc. of>. E é o q ue acontece com mais de 5 bilhões cle pessoas no m undo”16) . . 17. citado p o r Christian Jac. E daí? Em todos os tem pos. as declarações de grandes em presários. ou ainda com o M ichel-Édouard Leclerc (“O term o [desenvolvi m en to sustentável] é tão am plo. 16. a exem plo do se n h o r Jourdain. dL. t. i-es (Umlisses du com merce equitable. 281.
os celulares. O desenvolvimento é um a palavra tóxica. que de certo m odo rem ete ao princípio de res ponsabilidade do filósofo Flans jo n as e ao prin cípio de precaução. Evaluation. 19. Paraquat). trata-se ao m esm o tem po de um pleonasm o n a definição e de um oxim oro 110 conteúdo. A uthorisalion an d R cslriction o f Chemicals). os pesticidas (Gaúcho. é longa a lista dos terrenos em que ele não se aplica. aliás. quais sejam. p orque o d esen volvim ento já é um self-sustaining growth (“cresci m en to sustentável p o r si m esm o”) para Rostow. segundo o WWF (relatório de 2006). p o rq u e o desenvolvim ento não é nem d u ra d o u ro nem sustentável*18. som ente \>m país p reen ch e os critérios do desenvolvim en to sustentável. o relatório Stem ostenta um otimismo de fachada (com o. alegrem ente violado pelos atores do desenvolvimento: a energia nuclear. qualquer que seja o adjetivo * Em francês. a expressão para '‘desenvolvim ento sustentável” é dévelnppemml dnrable. sem rem o n tar ao caso em blem ático d o am ianto. . Sejamos claros: o problem a não concerne tan to ao “duradouro” ou ao “sustentável” ( susiamabk). tam bém Nicolas Iíulot): “W eam begreen andgtow" ("Podem os ser ‘verdes’ c con tin u ar a crescer”). um p atam ar d e desenvolvim ento lium ano elevado o urna pegada ecológica sustentável: Cuba! A despei to disso e em contradição com os dados fornecidos.Estam os e n ten d id o s. o regulam ento RE ACM1'1.) 18. O acrônim o RliACII co rresp o n d e a: registro. Pleonasm o. os organismos geneticam ente modificados (OGM). É interessante n o tar que. da T. (N. O xim oro. avaliação. autorização e restrição de substâncias quím icas (em inglcs: Registration.
Caso se (jueira en co n trar um novo m odelo. A ex pressão ‘novo m odelo de desenvolvim ento' carece d c sentido. Editori Riuniti. por ex em pl o.« Viol de Vimaginaire. 2002. A batalha das palavras causa estragos.. mesmo q uando se trata apenas de im por nuanças semânti cas que podem parecer mínimas. As inegáveis e desejá veis perform ances da técnica não questionam a lógica suicida do desenvolvimento. /. Paris.. A m inata 'lrao ré. parece que o 20. in Cercare ancora. Até um econom ista tão convencional com o C láudio Napoleoni escreveu n o fim d e sua vida: “Já não podem os nos c o n ten tar com im aginai um ‘novo m odelo dc desenvolvim ento'. A luta de classes e os em bates políticos tam bém se d ão na arena das palavras.com q u e o vistam20. o desenvolvimento sustentável agora en controu seu instrum ento privilegiado: os “m eca nismos limpos de desenvolvimento”.. Leltera xutta laicità e ultimi scriíti. Actes S u d / Kayard. Assim. p. expressão que designa tecnologias poupadoras de energia ou de carbono.. . C ontinua mos na diplom acia verbal. sob o m anto d a ecoeficiência. se impôs pela sedução. Sabemos que o de senvolvimento. Para realizar a q u ad ratu ra do círculo. Continua-se a m udar o penso em vez de pensar a m udança. 92. consti tuindo um a verdadeira “violação d o im aginário” (conform e a bela expressão de Am inata Traoré21) . 21. conceito etnocêntrico e etnocidário. com binada com a vio lência da colonização e do im perialismo. já não será um m ode lo dc desenvolvim ento [. Não creio que se possa resolver simul taneam ente o problem a de um crescim ento mais forte e de um a m u d an ç a qualitativa do desenvolvim ento". J. 1990. Rom a. por volta do final dos anos 1970.
Paris. Fa lar de um “o u tro ” desenvolvimento. 1tervé Kempf. para memorizar. p. Cosmopolilùjuts. 2006. Le . precisa Hervé Kempf. Lem brem os. Por trás dessas querelas. que usurpava a palavra ‘desenvolvim en to’". sob a pressão do lobby industrial americano e graças à in tervenção pessoal de Henry Kissinger. extraindo corajosam ente as lições do prim ei ro relatório do Clube de Roma.Seuil.” .mslainabk develofmumt prevaleceu sobre a expressão mais neiilra écodétwlnfrfmmnl jecodesenvolvimento] adotada em 1972 na Conferência dc Estocolmo. o presidente da Comissão Européia. que quam lo. traduz ou um a gran de ingenuidade. invo cado de form a encantatória em todos os progra mas políticos. n? 13. declara Alain Ijpielz. lile acrescenta: “Mas são os lucros e os hábitos que nos im pedem d e n iu d a r de rum o. “tem com o única função”. “H oje tam bém luto contra a palavra ‘decrescim ento’”. Comment les riches détruisent la planète. 117. Apogée. O m ovim ento alternativo não escapa disso. in “Pcut-on faire l’économ ie de l’environne m ent?”. com o se fala de um “o u tro ” crescim ento. ou um a grande duplicidade. percebem-se clara m ente divergências de opinião. “Briguei contra a palavra ‘crescim ento’. 23. em 1972. o comissário francês Ray m ond Barre exprim iu publicam ente seu desacor 22. quis iníleclir as políticas de Bruxelas no sentido de um questiona m ento d o crescimento. Sicco Mans holt. “conservar os lucros e evitar a m u dança de hábitos quase sem alterar o rum o”19. 2007. dc concepção de m undo e de interesses (e não apenas de conheci m entos)22. O “desenvolvimento sustentável”.
E intencionalm ente m antida pela ideologia dom inante. se g u n d o B ernard Saincy. Naquela época. p. para que o outro m undo em que de positam os nossas esperanças não se pareça demais 2 i. o secrctário-geral do Partido Com unista Francês (PCF) d en u n cio u o “program a m onstruoso” dos dirigen tes da Com unidade Econôm ica E uropéia (CEE). Acabaram concluindo que era preciso tornai o crescim ento mais hum ano c mais equilibrado.) e que podem ser (ou não ser) em inentem en te desejáveis. . Entrevista com liern ard Saincy c tab ric e Flipo: “CGT et Ainis d e Ia Tenor q u d s com proinis possibles?" in Cosmopoliliques. Felizmente. a q uantidade de resíduos. “Em 2006”. dl.. <>(>. C ontudo. responsável pela C onfede ração Geral do Trabalho (CGT). H oje. camaradas! É certo que se deve distinguir “desenvolvimen to” e “crescim ento” (com m inúscula).do. n? 13. as coisas evoluíram. de Desenvolvimento e Crescim ento (com m aiúscula). A confusão entre ambos não é res ponsabilidade nossa. com o conceitos abstratos que designam o dinam ism o econôm ico que é um fim cm si mesmo. “atingim os um a nova etapa ao fazer do desenvolvimento sustentá vel um a verdadeira orientação d o sindicato com a expressão ‘d ar um novo conteúdo ao crescim en to ”’.2'1Um esforcinho mais. Sabemos no que deu.. com o fenô m enos de evolução que se aplicam a um a realida de precisa (a população.. a produção de batotas. a toxicidade das águas etc. 176.
Desde os seus prim órdios. co nhecido pelas suas deslniívões d e m áquinas (têxteis). está na hora de descolonizarm os nossos imaginários. o homo oe.conomicus. p o rtan to. As duas fontes do decrescimento Em bora o term o “decrescim ento” seja. de uso m uito recente nos debates econômicos. Não é certo que ainda tenham os trinta anos pela frente. foram pouco criticadas alé um período recente. M ovim ento operário britânico dos anos 1811-1812. Ver Serjje [. O projeto de um a sociedade autônom a e econô 25. N ed l. Albin Michel. 2U0D. IJSnxienlion )!<• lecotumie. pela a n tro pologia de Karl Polanyi e Marshall Sahlins. A base teórica e sua aplicação prática (a sociedade m oderna) são questionadas pela sociologia de Emile D urkheim e de Mareei Mauss. a origem das ideias que ele vei cula tem um a história mais antiga. o funda m ento antropológico da econom ia com o teoria e como prática. ligada à crítica cultumlüUi d a econom ia p o r um lado e à sua críti ca ecologista por outro. baliza do a partir d o n o in e d e seu líder. . a sociedade “term oindustrial” gerou tanto sofri m ento e tantas injustiças que não parecia desejá vel para m uitas pessoas. foi denunciado com o rechitor p o r todas as ciências humanas*5. 26.ud<l. pela psicanálise de Erich From in ou Gregory Bateson. políticos e sociais. Paris. excetuando a fase d o luddism o25.com este em que vivemos.atouche. Se a industrialização e a técnica.
m ica abarcado pelo slogan do decrescim ento não é d e ontem . p o r A ndré Clorz. nem à tradição anarquista renovada pelo situacionismo. Sem rem ontar a algum as utopias do prim eiro socialismo27. discípulo de H eury David T horeau. E m bola algumas delas. Paris. como ela não é sustentável! A intuição dos limites físicos do crescim ento econôm ico rem onta sem dúvida a Malthus (17661834). com o bem lem bra T h ien y Paijuot. Jo h n Dewey. B ernard C harbonneau. Jacques Ellul. ele foi form ulado. Paris. 2007. don et éd u ca tio n chez Jo h n Ocwey”. sejam autênticos precursores do decrescim ento. François Partant. Essa crítica resultou na pesquisa cie um “após-desenvolvimento”. a ciência e a técnica. Vlujnesfl ttlofnsles. Ver T hicrry Pai|iiot. in tievu* du MAOSS. Ver a análise d e Philippe Chanial. a (ornada de consciência da crise do meio ambiente trouxe uma nova dimensão: não só a sociedade de crescim en to não é desejável. nV 28. mas sobre tudo p o r Cornelius Castoriadis e Ivan Illich28. Talvez devêssemos m encionar tam bém o g rande filósofo am ericano. O fracasso do desenvolvimento no Sul e a perda cias referências no Norte levaram esses pensadores a questionar a sociedade de consum o e suas bases imaginárias: o progresso. l. mas só encontrará seu fundam ento cientí fico com Sadi Carnol e sua segunda lei d a term o dinâm ica (1824). 33. Com efeito. o fato de as trans form ações da energia em suas diferentes formas 27. p. Ao mesmo tempo. La D écouverle. desde o fim dos anos 1960 e de um a form a próxi m a da nossa. 28. . “U ne foi com m unc: dérnocralie.a Découverte. segundo sem estre de 2006.
Para a p eq u en a história do decrescim ento. Norbert. n? 1.e de toparm os com o fenôm eno da e n tro p ia . j á pressentidas nos anos 1940-1950 p o r Alfred Lotka. Erwin Schrödinger. Assim. nota N icholas G eorgescu-Roegen. W iener ou L éon B rillouin30. No en tan to . pensa d o r de um a econom ia energética. o u tu b ro de 200(5. Ao ad o tar o m odelo da m ecânica clássica new toniana. aristocrata ucraniano exilado na Franca.) não serem totalm ente reversíveis .(calor. q ue soube p erceb er as im plicações biocconôm icas d a lei da en tro p ia. resultan do so b retu d o d o trab alh o d o g ran d e cientista e econom ista rom eno Nicholas Georgescu-Roegen. 30. que p ro cu ro u conciliar socialismo e ecologia29. ou seja. a não reversibilidade das transfor m ações da en erg ia e da m atéria. apesar d e serem p ro d u to s da atividade econôm ica. ignora a en tropia. Por isso. ver Jacques Grinevald. lintrojria. Scrguci Podolinsky (1850-1891). os resí duos e a poluição. E n tre os pioneiros da aplicação das leis d a term odinâm ica à econom ia. m ovim ento etc. a econom ia exclui a irrcversibilidacle do tem po. 29. que tentou sem sucesso sensibilizar Marx p ara a crítica ecológica. foi apenas nos anos 1970 qu e a questão d a ecologia no seio da econom ia foi desenvolvida. não entram nas funções pa drão de produção. Sur l ’origine tle l’em ploi d u m ot décroissance”. .não pode d eix ar d e ter co n seq ü ên cias sobre um a econom ia fu n d ad a nessas trans form ações. “H istoire d ’un m ot. convém des tacar cm p articu lar Scrgueï Podolinsky.
sobretudo as da term odinâm ica”31.. 147. p. parece não estar co n fro n tad a com n enhum limite ecológico. carros ou aviões a reação 'm elh o res e m aio res’ sem produzir tam bém resíduos ‘m elhores e m aiores”’. ele se desenrola num a biosfera que funciona num tem po m arcado pela flecha do tem p o 33. Disso decorre. por volta de 1880. de natureza enlrápica. p. escreve ainda N icholas Georgescu-Kocgen. não é um processo puram ente m ecânico e reversível. “N ão podem os”.Yves Cochet. I. 2005. diferentem ente do m odelo leórico.a Décroissance. “produzir geladeiras. p. apresentação e tradução para o lrancês de Ja a ju e s ( irinevatd e Ivo Rens. Paris. a produção econôm i ca. ibid. Para Yves Gochet. 63. Conseqüência? O des perdício inconsciente dos recursos escassos dispo níveis e a subulilização cio fluxo abundante de energia solar. para Nicholas Georgescu-Roegen. . o processo econôm i co real.Q uando. Sang de la terre. Pétmk apoatlypsr. a terra foi elim ina da dessas funções. 32. Em suma. Paris. tal com o concebida pela m aioria dos teóricos ueoclássicos. 33. Jayard. “U m a pepita de o uro p u ro contem mais energia livre <lo qu e o m esm o núm ero de átom os de o u ro diluídos um a um na água d o m ar". 1994. Tendo desaparecido toda referência a um substrato biofísico qualquer. da quím ica e da física. “a teoria econô m ica neoclássica co n tem p o rân ea m ascara sob um a elegância m atem ática sua indiferença às leis fundam entais da biologia. a impossibilidade de um crescimento in finito num m undo finito e a necessidade de subs tituir a ciência econôm ica tradicional por um a bio31. Ela c um dis parate ecológico32. rompeu-se o último elo com a na tureza. 153.
p . La Décroissance. em que a maximização d o consum o se apoia na predação e na pilhagem dos recursos naturais. K enneth Boulcling foi um dos raríssimos eco nom istas que extraiu as conseqüências disso. “para a qual a Terra se to rn o u um a nave espacial única. n'. Q uem acredita que um crescim ento infinito é possível em um m undo finito. seja para nela verter seus poluentes"35. à econom ia do cosm onauta. volum e 2: L a ('Aga tes. Citado p o r D enis Clerc. A adição ao crescimento “T o d a a a tiv id a d e d o s c o m e r c ia n te s e d o s p u b lic itá rio s c o n s is te e m c r ia r n e c e s s id a d e s n u m m u n d o q u e d e s m o r o n a s o b as p r o d u ç õ e s . seja para dela extrair. dl.. conclui ele. Bréal. ou é louco ou e econo mista. p. cit. op. opôs a econom ia de cowboy. desprovida de reservas ilimitadas.” B e rn a rd Ma r ís :íu 34. l’avis. Por isso é que o term o “decrescim ento” foi em pregado em francês para intitular um a de suas coletâneas de ensaios31. 36. 35. pensar a econom ia no seio da bioslera. B ernard Maris. 17. Anlimanuel d ’économie. of>. 49.’ 13. (iosmopolitiqws. .econom ia. 2006. Num artigo de 1973. ou seja. Isso e x ig e u m a ta x a d e ro ta tiv id a d e e d e c o n s u m o d o s p r o d u to s c a d a vez m a is r á p id a e p o r t a n t o u m a f a b ric a ç ã o d e re s íd u o s c a d a vez m a is in te n s a e u m a a tiv id a d e d e t r a t a m e n to d o s r e s íd u o s c a d a vez m a io r.
acom panhado nisso p o r muitos ativis tas da antiglobalização3'7. p. Três ingredientes são necessários para que a sociedade de consum o possa prosseguir na sua ro n d a diabólica: a publicidade.resc. o crédito. justiça.. Pcrrin. cit.. Esse sistema está condenado ao crescim ento.Nossa sociedade am arrou seu destino a urna organização baseada na acumulação ilimitada. <>)>. No fim. 102. 38.. O em prego. “declinólogo” próxim o de Sarkozy. cultura. Em La trance qui tombe. 2003. Paris.ila. previdência. Reencontram os o “Acum u lem! acumulem ! Pois essa é a lei e os profetas!” do velho Marx. transitan do da fábrica para o hiperm ercado e do hiperm er cado para a fábrica”38. Tal necessidade faz do crescim ento urna “camisa de força”. Q uando há desaceleração ou parada do crescim ento. que cria o desejo de consum ir. m artela Nicolas Baverez. que fornece os meios. Ptnsare la dec. . transpor tes. saúde etc. o círculo virtuoso se transform a num círculo infernal. vem a crisc ou até o pânico. P aolo C acciari. A vida do trabalhador geralm ente se reduz à vida de um “biodigestor que m etaboliza o salário com as m er cadorias e as m ercadorias com o salário. o pagam ento dos aposentados. Sostenibilüà ed equilà. e a obsolescência acelerada e program ada dos produíí"7.) supõem o aum ento constante do p ro d u to interno bruto (PIB). a renovação dos gastos públicos (educação. “O único antídoto para o desem prego p erm anente é o crescim ento”.
tos, que renova a necessidade deles. Essas três mo
las propulsoras da sociedade de crescim ento são
verdadeiras “incitações-ao-crime”.
A publicidade nos faz desejar o que não leinos
e desprezar aquilo de que já desfrutam os. Ela cria
e recria a insatisfação e a tensão d o desejo frustra
do. Conforme um a pesquisa realizada entre os pre
sidentes das m aiores em presas am ericanas, 90%
deles reconhecem que seria impossível vender um
p ro d u to novo sem cam panha publicitária; 85%
declaram que a publicidade persuade “frequente
m ente” as pessoas a com prar coisas de que elas não
precisam; e 51% dizem que a publicidade persua
de as pessoas a com prar coisas que elas não dese
jam de fato39. Esquecidos os bens de prim eira ne
cessidade, cada vez mais a dem anda já não incide
sobre bens degrande. utilidade, e sim sobre hens dê al i a
fut ilidade10. Elem ento essencial do círculo vicioso
e suicida do crescim ento sem limites, a publici
dade, que constitui o segundo m aior orçam ento
m undial depois da indústria de arm am entos, é in
crivelm ente voraz: 103 bilhões de euros nos Esta
dos Unidos em 2003, 15 bilhões na França. Em
2004, as em presas francesas investiram 31,2 bi
lhões de euros em com unicação (ou seja, 2% do
PTB e três vezes o déficit, da Previdência Social fran
cesa!). No total, considerando o conjunto d o glo39. A ndré (íorz, (jipitalisme, soáalisme, écologie, Paris, Galilée,
1991, p. 170.
40. Paolo Gacciari, o/j. cil, p. 29.
l>(), mais de 500 bilhões de despesas anuais. Moninnte colossal de poluição material, visual, auditiva,
m ental e espiritual! O sistema publicitário “apos
sa-se d a rua, invade o espaço coletivo - desfigurando-o apropria-se de tudo o que tem vocação pú
blica, as estradas, as cidades, os meios de transpor
te, as estações de trem , os estádios, as praias, as
lestas”11. São program as televisivos entrccortados
pelas inserções publicitárias, crianças m anipula
das e perturbadas (pois as mais frágeis são as mais
visadas), florestas destruídas (40 kg de papel por
ano nas nossas caixas de correio). E, no fim, os
consum idores pagam a conta, qual seja, 500 euros
por ano c por pessoa.
Por o u tro lado, o uso d o d in h eiro e do crédi
to, necessário para que aqueles cujos rendim entos
não são suficientes possam consum ir e para que
os em presários possam investir sem dispor do ca
pital necessário, é um potente “d itad o r” de cresci41.
Jean-Paul Besset, Comment nephts kreprogm m k... sa m <Urue~
nir réactionnatK, 1'aris, 1'ayard, 2005, p. 251. R o a u to r acrescenta:
"Kle in u n d a a noile assim com o sc apossa do dia, ele canibali/.a a
in te rn et, coloniza os jornais, im pondo sua dependência financei
ra e levando alguns deles a ficar reduzidos a tristes suportes. Com
a televisão, ele possui sua arm a d e destruição de massa, in stau
ran d o a ditadura d o ibopc sobre o principal v etor cultural da épo
ca. Mas isso não basta. A. publicidade, tam bém tom a d e assalto o
universo privado, as caixas de correio, as m ensagens eletrônicas,
os telefones, os videogames, os rádios dos banheiros. E agora ela
q u e r tom ar conta do boca a boca [...]. A agressão se dá em iodas
as direções, a perseguição e p erm anente. Poluição m ental, polui
ção visual, poluição sonora."
m ento n o N orte, mas tam bém , de m odo mais des
trutivo e mais trágico, no Sul'K. Essa lógica “diabó
lica” do dinheiro que precisa sem pre de mais di
nheiro nada mais é do que a lógica do capital. Es
tamos diante daquilo a que Giorgio RuíTolo dá o
belo nom e de “terrorism o do interesse com pos
to”'13. Seja com que nom e o vistam para legitimá-lo,
retorno sobre o patrim ônio líquido (relurn on equiiy), valor para o acionista, seja qual for o m eio de
obtê-lo, com prim indo im piedosam ente os custos
( cost killing, downsizing), exto rq u in d o um a legis
lação abusiva sobre a p ro p ried ad e (patentes de
seres vivos) ou construindo um m onopólio (Mi
crosoft), trata-se sem pre do hiero, m otor da eco
nom ia dc m ercado e do capitalismo nas suas di
versas m utações. Essa busca do lucro a qualquer
preço se dá graças à expansão da proclução-c.onsum o e à com pressão dos custos. Os novos heróis de
nosso tem po são os cosi killers, esses executivos que
as firmas transnacionais roubam umas das outras
a preço de ouro, oferecendo-lhes um m ontão dc
sfocli-oplions e indenizações vultosas em caso de
rescisão de contrato. Form ados geralm ente nas
busimss sdmds, que seria mais correto cham ar de
“escolas da guerra econôm ica”, esses estrategistas
em penham -se com ardor para terceirizar ao máxi42. Segundo o Federal Bank, o endividam ento dos lares am e
ricanos atingiu em 2007 a som a astronôm ica de 28.198 bilhões de
dólares, ou seja, 2'18% do PIB.
43. G iorgio RufTolo, Crcscita e sxnlufijm: critica e frrospetlive,
co n ara/M acerata, 8-9 de novem bro de 2006.
Se con seguíssemos p ô r a mão na ave rara. que se tornou siim ilianeam cute fornecedora de recursos e lixo. Já em 1950. sobre gerações futuras. sobre a natureza. um analista de m er cado am ericano. a sociedade de crescim ento possui a arm a absoluta do consumismo. im ensam ente pro dutiva. Ele escreveu: “Nossa economia. sobre seus clientes.. Precisamos que nossos objetos se consum am . sobre os países do Sul. 80.a. a la d o p o r Piero Bevilacqua. das lâmpadas elétricas aos pares de óculos. Luter/. entram em pane devido à falha inten cional de um elem ento. sobretudo. Impossível encontrar uma peça de reposição ou alguém que conserte. La terra èfinita. Victor Lebow. sobre Estados e nobre serviços públicos. todo financista. 2003. mas tam bém todo /mino oeconomicus (e todos nós o somos). os apareibos c equipam entos. liari. 2000). 1* tléfi de 1'éthique tliuis une economia mondialisée. tende a se lo m ar um “crim inoso” com um mais ou m enos i umplice da banalidade econôm ica do m al". custaria mais caro consertá-la do que com prar um a nova (sen 44. Fayard. mas. Ver nossas análises em Justice sons limites..”1"’ ( :<)in a obsolescência program ada. . Paris. 45. se queim em e sejam substituídos e jo gados fora num a taxa continuam ente crescente.State ofthe World.ido <>s custos a fim de que sou peso recaia sobre «eus em pregados. sobre os terceirizados. 2006. entendeu a lógica consumista. lodo capitalista. Breve storia tidl'ambiente. exige que façamos do consum o nosso esti lo de vida [.J. Em prazos cada vez mais curtos. p. Relatório do WorldwaUh ínslitute (.
Assim é que m ontanhas de com putadores sc ju n tam a televiso res. O hiperconsum o do indivíduo contem p o rân eo “turbo-consum idor” redunda num a feli cidade ferida ou paradoxal17. A bulim ia consum ista dos fissurados em superm ercados e lojas de departam entos cor responde o worhaholismo. se gundo pesquisas inglesas. cádm io. 2006. alim entado. apesar de conte rem metais pesados e tóxicos (m ercúrio. Paris. geladeiras. Gilles IÃpovclsky. Alain Gras. o vício em trabalho dos executivos. nV 35. ! m Décroissance. níquel. leitores de DVD e tele fones celulares abarrotando lixos e locais de des carte com diversos riscos de poluição: 150 milhões de com putadores são transportados todos os anos para depósitos de sucata do Terceiro M undo (500 navios p o r tnês para a Nigéria!). conform e o caso. assim. G allim ard. Ela é polim orfa. pelo consum o de cocaí na para os escalões superiores que querem “estar à altura”. em “toxicodependentes” do crescim entos. lava-louças. arsênico e chum bo)'1“. “Internet. Transformamo-nos. Os hom ens nunca alcançaram tam anho grau de derrelição. d em ande de la sueur". . p o r um consum o excessivo de anlidepressivos e até.do esta hoje fabricada a preço de banana pelo tra balho escravo do sudeste asiático). 47. a toxicodependência d o crescim ento não é apenas um a m etáfora. d ezem bro d e 2006. Le Bonheur paradoxal. essai sur la société d'hyperconsonmcdion. A indús tria dos “bens de consolação” tenta cm vão rem e 46. Aliás.
Ver ticales.’Economie verte expliquée à ceux qui n ’y croient pas. 50. 211. 1998. Paris.e m uito felizm ente . Ver B ertrand I-ccInir. op. resta-nos apenas assinar em baixo do diagnóstico d o professor Belpomme: “O crescim ento tornou-se o câncer d a hum a n id ad e. No en tan to.”50 A alga verde e o caracol H averá realm ente quem acredite que um cres cim ento infinito é possível num planeta finito? Por certo . as catástrofes ecológicas potencialm ente desencadea das pela própria atividade hum ana. há economistas que afirmam: “E nquanto o Sol brilhar. D om inique Belpom m e. ainda que esta fosse considera velm ente mais bem utilizada. 110. 41 m ilhões de caixas de anlidepressivos19. Paris. p.” E que daí ti48. france ses. fjlnctiistrie de la consolation. nós.nossa Terra não é um sistema fechado. Pascal Canfin. cit. . Avant qu’il ne soit lmp tard. naturalm ente. Nesse terren o . Les Petits Matins. •19. Sem en trar iros detalhes dessas “do en ças criadas pelo hom em ”. em 2005. C ontudo.. Ela recebe a indispensável ener gia solar. rrão haverá limite ‘científico’ inconlornável para o desenvolvimento da atividade econôm i ca sobre a Terra. I. a quantidade recebi d a é lim itada e cm nada m uda a superfície dispo nível ou o estoque de matérias-primas. excetuando-se. 2000. somos detentores de uin triste recorde: com pram os.d iar essa situação48. p.
Calniuim-I . Traiam os essa fantasia fu n d am en tad a »o iinaterial do jei to que ela m erece em /.evy. 1998).”51 Em certa m edida. som ente 3% da extensão do lago estava colonizada! Com e çaram com certeza a se preo cu p ar quando ela co lonizou a m etade da superfície. Guillaum e l)uval (de AUmia&ves économiques). estim ulada pelo uso excessivo d e adu bo quím ico p o r agricultores ribeirinhos. Cosnutpolili(ju<<s. sob o efeito d o “terrorism o dos inte resses com postos”. Um dia.. no vigésimo quarto ano. in "LMmpasse cio ia décroissanee”.. . op. pp.13. a superfície d o lago estará coberta cm trinta anos. 53.ram a conseqüência: “Nossa única chance d e con seguir corrigir a tem po [os disfuncionam culosj é progredir ainda mais rapidam ente na com preen são e no controle de nosso meio. Variante do paradoxo do n enúfar de Albert Jacquart (Albert Jacquart.« Pari de la décroissance. op. cií. n° . E o que se poderia cham ar dc teorem a da alga verde53. Com efeito. 38 e 41. Paris. cü. gerando. 46-53. 1. som ente o crescim ento perm itirá oferecer-se o luxo do decrescim ento!52 A ubris. ninguém se preocupou. O delírio quantitativo nos co n dena a cair 110 in sustentável. segundo um a progressão geom étrica de razão 2. tornou o lugar da antiga sabedoria de um a inserção num m eio explorado de m odo racional. Portanto. a partir 51. Apesar de seu crescim ento anual ser rápido.’Kijualion du nenuphar. um a pe quena alga veio se im plantar num lago m uito gran de. se a duplica ção é anual. a desm edida d o sen h o r e d o n o d a na tureza. acen tuar ainda mais a artilicialização do m undo. pp. 52.
Com um a alta do Produto Nacional Bruto (PNB) per capita de 3. 19(>8. Ele nos ensina não só a neces54. multiplica-se o PIB por 20 num século. Du dévdoppmenl. C ontudo.de então. Chegam os precisam ente a esse m om ento em que a alga verde colonizou a m etade de nosso lago. 55... por 8 mil em três séculos!55 Se o crescim ento produzisse m ecanicam ente o bem-estar.. o que nos am eaça é bem mais o inferno.5% ao ano (progressão m édia para a França en tre 1949 e 1959). o que nos espera em breve é a m orte por asfixia.. cil. Sedeis... deveríamos viver hoje num verdadeiro paraíso. Jcan-P icrrc Tcrlrais. um ano seria suficiente para provocar a m orte irrem e diável do ecossistema lacustre. Arauto. Em bora ela tivesse le vado várias décadas para chegar a esse ponto. de aslixia da vida subaquática. urna am eaça do eutrofização. op. desde os tempos. Essms s w k mieux-xmm. por 100 em dois séculos. Nessas condições. Pa ri». Rertntrttl d e jo u v e n el. 14. que é atualm en te a da China. Abraçando a razão geom étrica que preside ao crescim ento econôm ico. p. o hom em oci dental renunciou a qualquer m edida. chega-se a um a multiplicação de 31 num século e de 961 em dois séculos! Com um a taxa de crescim ento de 10%. obtém-se um a m ultiplicação por ’736 num século!51 A uma taxa de crescim ento de 3%. . isto é. é urgente redescobrir a sa bedoria do caracol. Se não agirmos m uito rápido e m uito en er gicam ente.
Eviden tem ente.sária lentidão. 2005. '‘Um decrescim ento d e 1% ao an o faz eco n o m izar 25% (da produção) em 29 anos e 50% cm 69 anos. Ao invés de con tribuir para o bem-estar d o animal. na m elhor das hipóteses. os problem as do excesso de cresci m ento multiplicam-se em progressão geom étrica.. que ele também abra çara por um tem po. esse raciocínio tem um valor sobretudo teórico p ara re futar nossos adversários. um a após a outra. nos explica Ivan lllich. 64% em 50 anos e 87% em 100anos" (Paul Ariòs. se pos sível sereno e convivial57. seguir um a progressão aritm ética. p. A partir de então. p. in OEuvres completes. op. ela o sobrecar regaria. Fayard. “O caracol”. Passado o ponto-lim ite de alargam ento das espiras. que nos acusam de q u erer levá-los d e vol- .”511 Esse divórcio entre o ca racol e a razão geom étrica. Ivan Illicit. 292. 57. pode-se lazer a razão geom étrica fu n cio n ar no sen tid o inverso. tom o 2. Isso porque um a única espira ainda mais larga daria à concha um a dim ensão dezesseis vezes maior. Le (lume vcrnnculaire. mas um a lição ainda mais indispen sável. T eoricam ente. Um d e crescim ento d e 2% :<o an o faz econom izar 50% em 34 anos. 56. 90). ri/. “constrói a delicada arquitetura de sua concha adicionando. nos m ostra o cam inho para pensar um a sociedade de “decrescim ento”. ao passo que a capacidade biológica do caracol pode apenas. espiras cada vez mais largas e depois cessa bruscam ente c com eça a fazer enrolam entos agora decrescentes. Paris. qualquer aum ento de sua produtividade apenas serviria para paliar as dificuldades criaclas por esse aum ento do tam anho da concha para além dos limites fixados p o r sua fi nalidade.
. Lasfiila dei teixo milletmio. O espaço “bioprodutivo”. 0 espaço disponível no planeta Terra é limitado. obterem os resultados in sustentáveis tanto d o ponto de vista da equidade de direitos de saque sobre a natureza q u an to do ponto de vista da capacidade de carga da biosfera. 58. é apenas um a fração do total. é conside rado equivalente a 0. para um a zona de pesca. B olonha. 2005). m ais equilibrada. sobretudo. 2.8 la à Idade da Pedra. 1. Se considerarm os com o indicador do “peso” am biental de nosso m odo de vida sua “pegada” ecológica em superfície terrestre ou em espaço hioprodutivo necessário. Um hectare de pasto perm anente.le representa 51 bilhões de hectares. 0. cerca d e 12 bilhões de hectares59. A capaci dade de regeneração da Terra já não consegue acom panhar a dem anda: o hom em transform a os recursos em resíduos mais rápido do que a natu reza consegue transform ar esses resíduos em novos recursos58. in Economia e Ambiente. C) decrescim ento decerto não é um a inversão mecânica do crescimento. p o r exem plo.30 (M athis W ackernagel. ou seja.48 hectare de espaço bioprodutivo e. ou seja.U ma pegada ecológica insustentável Nosso crescimento econôm ico excessivo choca-se (o m os limites da finitudc da biosfera. certam ente mais sóbria e. Dividido pela popula ção m undial atual. 59. EMI. p. VVVVls Relatório Planeta vivo 200(>. útil para nossa rep ro d u ção. isso d á aproxim adam ente 1. “11 n ostro pianola si sla e sau ren d o ”. é a construção de um a sociedade autô nom a.
u>lo Cacriari. pp. “A necessidade total de m ate riais p o r habitante nos Estados Unidos c atualm ente de 80 toneladas .supondo que a população atual perm aneça estável. Oantieri C arla/In tra Moenia. l‘. Além disso. p. WWIMiMI.5. 137 kg p o r d ia)81. Um cidadão dos Estados Uni dos consom e 9. os ho m ens j á saíram da senda de um m odo d e civiliza ção sustentável que teria de se lim itar a 1.hectare p o r pessoa.).2 hectares em m édia. essa pegada m édia esconde disparida des m uito grandes. Portanto. Portanto. Soslertibilità ed eijuità. um eu ro p e u 4. Levando ern conta as necessi dades de m atéria e de energia. A pesar de haver diferenças notáveis de espaço bioprodutivo disponível em cada país.8. Bolo n h a. um francês 5.8 hecta re . 2001. os pesquisadores do ins tituto caliiorniano Rcdiüning Progress e d a World Wide Fund For N ature (WWF) calcularam que o espaço bioprodutivo consum ido p o r um a pessoa era de 2. um italiano 50 (ou seja. 2006. Em outras 60. 61. estam os m uito longe da igualdade planetária™.26. 86-8. Italia capace di futuro. um italiano 3. precisam os de 5 m 2 de flo resta d u ran te um ano para absorver o CO jj !) e acrescen tan d o a isso o im pacto do h áh itat e das infraestruluras necessárias.6 hectares. já estamos vivendo a crédito. 27.2. um canadense 7. um alem ão 80. as superfícies ne cessárias para absorver resíduos e detritos da pro d u ção e do consum o (cada vez que queim am os um litro de gasolina. 1‘etaarc la decresnta. Cada am e ricano consom e aproxim adam ente 90 toneladas de materiais naturais diversos. G ianfranco Bologna (org.
Sm tverlu tem .palavras. 112. Depois porque recebemos. a soma dos défícits acum ulados. seriam pre cisos três planetas contra seis para acom panhar nossos amigos americanos. não nos contentam os em viver de nossa renda. a dívida ecológica. De acordo com o cálculo do historiador alem ão R. Prim eiro. Tam bém é preci so destruir um hectare de m adeira para produzir um a tonelada de farelo de soja.. l’ctcr Sicfcrle in Piero Bevilac. 62. a hum anidade já consom e quase 30% iilêin d a capacidade de regeneração da biosfera. O u [. vive mos com endo nosso patrim ônio. não m odificarm os a trajetória. ou seja. um décim o de planeta. Um litro de gasolina provém de 23 toneladas de m atéria orgânica transform ada uniu p e río d o d c um m ilhão de anos! (D om inique B elpom m e. . no Norte. Queim am os em algumas décadas o que o planeta levou m ilhões de anos para fabricar.qua. cil. 38). com o crianças pródigas. corres p onderá a 34 anos de produtividade biológica do ]>or ano. 2001. j>. franceses. um a assistência técnica maciça dos paí ses do Sul. Com o isso c possível? Graças a dois fenôm enos. daqui até 2050. Sc todos vivessem como nós. em bora forne çam os alimentos de nosso gado.2 hectare de espaço bioproclutiv<>.. p. Nosso consum o anual de car bono c de petróleo eqüivale a m na biomassa acu m ulada sob a crosta terrestre em 100 mil anos de lótossíntese do sol02. oj>..J p ara g erar 100 dólares dc renda. e Agnès Sinai. Roma. Donzelli. 229). A maioria dos países da África conso me m enos de 0. ou seja.. p. Se. porque. Demetra e Clio: umnini e ambiente nella sluria. o/>. cil. necessita-se de ic rc a de 300 kg de recursos naturais" (Vvos Cochet.
p. cil. op.. não terem os com o encon trar esses 34 planetas necessários para ressarcir! A en trad a de nosso sistema m una órbita errô nea rem o n ta ao século XVIII. será que não bastaria reduzir o tam anho 63. é es sencial p oupar um a parte d a capacidade produti va d a biosfera para garantir a sobrevivência das outras espécies. 04. Essas reservas de biosfera devem ser equilativam ente distribuídas en tre os diferentes dom í nios biogeográficos e os principais biomas®. U ma falsa solução: reduzir a população Para resolver a equação da sustentabilidade eco lógica. Em term os m undiais. Além disso. Mesmo q ue os africanos aper tem o cinto ainda niais. cit. 66. ela passou de 70% para 120% do planeta en tre 1960 e 1999«. Yves C ochet e Agnès Sinai. op. seria sensato decretar desde já um a m oratória para re servar o que ainda está disponível para as espécies anim ais e vegetais em questão. p. particularm ente a das espécies sel vagens. “A pegada pasto da h u m an id ad e aum entou 80% en tre 1961 e 1999”. 36. 22. VVVVK Relatório PianeUt vivo 2006. Com o o patam ar m ínim o dessa parte a ser preservada é avaliado em 10% d o espaço bioprodutivo66. 318.planela inteiro83. de infraesiruluras e de urbanização”. para m anter a biodiversidade. op.. p. 65. WWF. p. Para Jean-Paul Besscl: “C om partilhar o espaço corn as o u tras espécies. cit. 3. passa pela in terru p ção d o c aráter sistem ático dos processos de planilïcação. . deixando-lhes p o r exem plo os últim os 20% d o espa ço terrestre d e que a h um anidade ainda não se a p ro p rio u . mas a dívida ecoló gica é recente.
” Para atingir essa m eta.. King. Tam bém era essa a opinião do Dr. é preciso fazer os líde res do Terceiro M undo aceitarem os m étodos de controle tie natalidade. se isso não d er certo. por assim dizer. Nigéria. porque eles constituem um a am eaça eco lógica”!!! Já nos anos 1950. seria preciso reco rrer a m éto dos inais coercitivos. se fosse cnergi- . um dos responsáveis pelas estraté gias demográficas: “Tentem o planejam ento fami liar. E.. intitulado “Inci dências do crescim ento d a população m undial so bre a segurança dos Estados Unidos e sobre seus interesses ultram arinos”.). deixem m o rrer os pobres. pregava um a redução drástica da po pulação: “Uma guerra bacteriológica cle grandes proporções seria um m eio eficaz. um autor am ericano. se esse plano se icvclasse ineficaz. por m eio de unia incita ção política (tom ando cuidado para q ue tais pres sões não apareçam com o uma “form a de im peria lismo econôm ico ou racial”!!!).do denom inador até encontrar unia pegada cor reta? Os geopolíticos conservadores preconizam essa solução preguiçosa. cujo peso dem ográfico p o r si só ja os condena. Num m em orando data do de 10 de dezem bro de 1974. William Vogt. Bangla desh. é ne cessário conter ou até reduzir a população dos treze países do Terceiro M undo (índia. a d esem penhar um papel de prim eiro plano cm política internacio nal. mas. Ilen ry Kissinger escre vem “Para perpetuar a hegem onia am ericana no m undo e garantir aos am ericanos um livre acesso nos minerais estratégicos de todo o planeta. M.
mas que um a vida com zero de im pac to é um a quim era e q ue o n ú m ero de habitantes conta m uito.*’'1 <i7. Fayard. !>n /iá>dnj>jmnenl. . Em Le Théotbne du nmuphar. com um a taxa de crescim ento constante d e 0. “A verdade”. Vlicologiste. se os 6 bilhões de habitantes vives sem com um m odo de vida ocidental m odesto to talm ente baseado em energias renováveis. que se faz porta-voz dessas idéias.. 68.cam entc conduzida. ain d a precisaríam os de 1. em L a Surchaujje d? In croissance [O superaque cim ento do crescim ento |. [ean-P iene Teiirais.5% ao a n o . /. 1954). a aceleração dem o gráfica de form a superexponencial é um fato cen tral que nos afasta d e q u alq u er solução logística capaz de nos reconduzir a um certo equilíbrio. segundo David Nicholson-Lord. do tipo: um planeta finito é incom patível com urna população infinita.« Suvchmijft de ia enrissance. a população hum ana. "Somm es-nous trop nom breux?". de devolver à terra suas flo restas e suas pastagens.”'18Por volta dos anos 1970. p. François Meycr d eu o sinal de alarm e.”67 A “solução final” do pro blem a ecológico pela redução dem ográfica se apoiaria em algumas evidências de bom senso. que era <lc cerca d e 250 m ilhões d e indivíduos no com eço d e nossa era. Paris. 60. Segundo ele. seria d e 5 trilhões hoje. 20. 1974 (ver lam bi™ Problématiíjui• de févalution. 35. Albert Ja c q u arl tam bém nota que. p. Os estudos de pegadas ecológicas de Andrew Ferguson da O ptinm m Population Trust m ostram que. setcm bro-novem bro do 2006. 20. PUF.t oj>.8 planeta. “é q u e m odos de vida mais ecológicos po d em certam ente fazer a diferença.. Paris.
cada um dos 6 bilhões de indivíduos talvez esteja estatisticamente cem vezes mais rico que seu ancestral. em 1970. Science. com o previa o prim eiro relatório do C lube de Roma há 35 anos? Nove bilhões. C onform e utn relatório da FAO. não h á motivo para se preocupar! Q uantos seremos em 2050. do fim do petróleo (e até dos recursos halicuticos70) e das crises econôm icas e financeiras previsíveis? De 12 a 15 bilhões. . data simbólica (e arbitrária) da hora da verdade. Inversam ente. isto é. ela estará reduzida a 0. 787-90). ou seja. Por conseguinte. cm 2048 (Boris W orm et n l. pp.28 km2. ela não passa de 0.04 km2. novem bro de 2006. segun d o as análises dos dem ógrafos que se baseiam na 70.011 km2. sete vezes menos. o que eqüivale a um es paço bioprodutivo insuficiente para sobreviver. se as retiradas continua rem no ritm o atual. vol. S14. considerando to dos os tipos d e pesca. e em 2070. os oceanos estarão esgotados. Portanto.destaca que. a superfí cie teoricam ente disponível por indivíduo era de 0. no tem po em que a população do planeta se m ultiplicou por um coeficiente 6. um a visão igualm ente mecanicista . “Impacts o f Biodi versity Loss on Ocean Ecosystem Services'. em que se acum u larão os efeitos da m udança climática. em teoria. quatro vezes menos.Com base em 135 milhões de km2dc terras em er sas. segundo todas as probabilidades. as forças produtivas se m ulti plicaram várias centenas de vezes. ele fazia o seguinte cálculo: em 1650.mas otimista . passando em dois séculos c m eio de 1 para 6 bilhões.
B ouiin éditeur.. a questão dem ográfica pode ser abordada e resolvi da mais serenam ente. essas abordagens escamoteiam o prin cipal problem a. co ntinuar a progredir e a hum anidade se encam inhar para sua extinção? Difícil ser pro feta. enfim .]. 72. sob efeito das substâncias reprotóxicas.].. o surgim ento de doenças extre m am ente graves. 71. fonte de vários problem as sanitários e ecológicos.. 194. como um a pandem ia infecciosa ou um a esterilidade que-provoque um declínio dem ográfico irreversível. a destruição da biodiversida de [. p. 2007. As tensões são elásticas.“transição” demográfica? M uito m enos se a esteri lidade da espécie. T h ierry Paquot. o esgotam ento dos re cursos naturais [. 13. Segundo o professor Belpomme. op. C ontudo. M .. p o r exem plo. a lógica de desm edida de nosso sistema econôm ico. um a guer ra atôm ica [. cil. exige dedicar 33% cias terras aráveis do planeta (além dos 30% das superfícies emersas que consti tuem pastagens naturais)72 à cultura de forragem ... tais com o o desa parecim ento do ozônio estratosférico e o agrava m ento d o efeito estufa”71.]. Paris. m odificações físico-químicas extre mas de nosso am biente inerte. Se esta for jugulada e a indis pensável m udança de paradigm a se realizar. “existem cin co cenários possíveis para nosso desaparecim ento: o suicídio pela violência. D om inique B elpom m e. Petit manifeste pour une écologie existentielle.. () excesso de consum o de carne p o r parte dos ricos. p. Avant qu'il ne soit lmp tard.
Ihi développement. ao m esm o tem po.U m a dim inuição relativa da criação de animais com m elh o rad o tratam ento do rebanho possibili taria alim entar uma população mais num erosa e do m aneira mais sadia e. 73. do qu e o setor de transportes. “não é tanto saber se somos ou não capazes de ad m inistrar o superpovoam ento.. n o atual século. Frans d e Waal. 74. ou seja. p. os bonobos. .”74 lalvez seja a um especialista de nos sos sábios primos. Ijtüingeen nous. por m étodos baseados n a coerção o u até na barbárie. que caiba a últim a palavra: “O problem a colocado p o r um a demograiia m undial galopante”. cit. escreve Frans de VVaal. [ean-Picrrc Tertrais. dimi n u ir a emissão de dióxido de carbono™. op. o problem a colocado já não é o de indagar sobre o as pecto m atem ático das variações d a espécie hum a na: é imperativo que esta consiga. Pode-se concordar com Jcan-Pierre Tertrais: “Portanto.”7r> Esse é o desafio do decrescim ento. mas se saberem os dividir os recursos com honestidade e equidade. p o r políticas auto ritárias. Paris. 37.. Lem brem os qu e a criação de anim ais seria responsável p o r 37% das emissões de m etan o deco rren tes d e atividades h u m anas. não adm itindo que o desejo de procriação se torne programável p o r um a pretensa elite esclarecida. A q u estão central é saber se esse m ovim ento será im posto pelos acontecim entos. cm equivalente <le CXJa. 75. 2006.. ch eg ar a um a estabilização de sua população. 011 se ele resultará de mna escolha vo luntária. 213. p. mais.. Fayaril.
ao favorecer grandes des locam entos de populações e o desm antelam ento das redes de proteção social. da T. Ilavia quem analisasse e d en u n ciasse esse fenôm eno de m aneira mais ou m enos habilidosa. do autom óvel e da televi são. porque acarretavam desculturação. Essas evoluções abriram ca m inho para um a classe política populista. o increm ento na participação das grandes redes de varejo (su p er c hiperm ercados). facilm ente m anipulado p o r um poder midiático sem escrúpulos. a pauperização no sentido econôm ico contrariava a evi dência vivida d urante a era consumista. fa bricando um “segundo povo" quase invisível e sem voz. em grandes conjuntos ou em IILM *). hom o geneização e pauperização. minavam sub-repticiam ente a cidadania. corrup* H abitações <le a ln g u d m ódico. A destruição das cidades em tem pos de paz. 110 N orte.) . Se. ali o n d e eles eram mais visíveis.A corrupção política do crescimento D urante os Trinta Gloriosos. como Pier Paolo Pasolini o u Guy De botei. só era possível de nunciar os eleitos nocivos do crescim ento e do desenvolvim ento no Sul. conjuntos habitacionais sub sidiados. concluiu a destrui ção d a cultura popular. A globalização. com a “periferização” das novas camadas médias ou imigradas {em condom ínios residenciais. (N. ligado às empresas transnacionais. a descul turação e a despolitização avançavam contudo a grandes passos.
conti nu a causando devastação em toda a E uropa e fora dela. Paris. possibilitou a transição e ao mesmo tempo rnascarou o fenôm eno. tradução francesa. se gundo a feliz análise de John K enneth Galbrait h 7®. 1974. G allim ard. e pela orientação dos Estados ocidentais em direção à contrarrevolução neoliberal que desm an tela o Estaclo-providência. Por isso é que o projeto de decrescim ento passa necessa riam ente por um a refundação do político. Jo h n K enneth G albraith. O fenôm eno das “maiorias satisfeitas”. . que se manifesta pela passagem que as classes mé dias fazem da solidariedade para o egoísmo indivi dual. i< A'ouvel Etat industriei (1967). 70. Na Itália. o “fenôm eno Berlusconi” é uma ilustração caricatural disso. Mas a berslusconização. com ou sem o “Cavaliere”.ta. quando não criminosa.
.
O crescim ento. .. p a ra c o m e ça r. kologíe. sobre os países do Sul. as autoridades políticas. as condições de trabalho dos assalaria dos e. sociatisme. p. Por isso 1. 194. o m a u is o la m e n to té rm ic o . as fo n tes d e d e s p e rd íc io (e x e m p lo : a s e m b a la g e n s p e r d i d as. desterritorializado. é p re c is o d a q u i e m c lia u te p r o d u z ir e c o n s u m ir d e o u t r a m a n e ira . op. e lim in a n d o . a p re v a lê n c ia d o tr a n s p o r te ro d o v iá rio etc. cü. esse sacrifício em honra de um povo m ítico e desencarnado é feito em proveito dos “em preendedores do desenvolvimento” (as em presas transnacionais. só é utn negócio rentável se seu peso recair sobre a nat ureza. Capilalismf. mais ainda.. Claro. hoje.) e a u m e n ta n d o a d u r a b ilid a d e d o s p r o d u t o s . a saúde dos consu m idores. la z e r m e lh o r c m ais c o m m e n o s. o desenvolvimento sacrifica as populações e seu bem-estar concreto e local no altar de um bern-ter abstrato. as gerações futuras.“P a ra v iv er m e lh o r.” A n d ré Go r z 1 A revolução do decrescimento Ilo je mais do que nunca. os lecnocratas c as máfias).
socialistas. Paris. tenta explorar as possibilidades objetivas de sua aplica ção. Todavia. socialdemocratas. Le frinàpe li\pémnc. há apenas a gestão administrativa dos ho2. C) projeto do decrescim ento é portanto uma utopia. um a fonte de esperança e de so nho. não há política. o u seja.e. fossem seus governos de direi ta ou de esquerda. liberais. edição Frankfurt. ditaduras. 197C. que deveria culm inar num a refundação do político. Daí o qualificativo “utopia concreta”. G allim ard. () que é necessário é bem mais radical: um a revolução cultural. populistas. no sen tido positivo que lhe deu Ernst Bloch'.um a ru p tu ra é necessária. radicais. Iodos os regim es m o dernos foram produtivistas: repúblicas. Tentar esboçar os contornos do que poderia ser um a sociedade de não crescim ento é um pre-requisito de qualquer program a de ação política que respeite as exigências ecológicas atuais. mas ninguém ousa d a r o prim eiro passo. nem mais nem m enos. “Sem a hipó tese de qu e um o u tro m u n d o é possível. longe d e se refugiar no irreal. lirnsl Bloch. Todo o m undo ou qua se todo o m undo concorda com isso. comunistas. sistemas totalitários. social-liberais. A m udança indispensável de rum o não é daquelas que um a simples eleição poderia resolver in stitu in d o um novo governo ou votan do a favor d e outra m aioria. Todos propuseram o crescim ento eco nôm ico com o urna pedra angular inquestionável de seu sistema. 1953) . centristas.
para fins de exposição. esse projeto não pode ser im ediatam ente transform a d o em objetivos passíveis de serem postos cm ação. estas não devem ser inter pretadas como as de unia agenda. que serão exam inadas na terceira parte)'1e vamos nos dem orar em algumas daquelas que ocupam um lugar “estratégico”. Passaremos brevem ente em revista as etapas desse processo d e transform ação (diferen tes clas fases concretas. Em bora. Assim é que se deve en ten d er o círcu lo dos oito “erres” c as perspectivas que deles se extraem . de so ciedades conviviais autônom as e econômicas. 81. 110 sentido forte do term o. o que perm ite considerar as m udanças de form a pro gressiva adm inistrando transições das quais o es quem a teórico não dá conta. mas visa devolver toda a sua dignida de ao político. “R ed o n n cr scs chances à 1’iiiopic”. 3. no N orte e 110 Sul. Ele pressupõe um projeto baseado num a análise realista da situação.'1 () decrescim ento c portanto um projeto político.mens e das coisas”.. sem por isso ser um program a no sentido eleitoral do term o: ele não se inscreve 110 espaço d a política politiqueira. p. O que se procura é a coerência teórica do conjunto. contudo. aos quais rem etem os o leitor interessado. 4. seja cô m odo distinguir etapas. O calendário vem depois. Genevieve Decrop. Na prática —e é bom que assim seja —essas etapas se confundem e interagem continuam ente. projeto dc construção. Uto pia. Esses 8 “erres” são objeto de am plos desenvolvim entos em Lr Pari de Ia décroitsance. n“ 1. .
reestruturar. os professores de econom ia e os tecnocratas se deleitavam com o. foi sucedida p o r aquela que os econom istas críticos designam como os “Trinta Lastimosos”. qualificada de “Trinta Gloriosos”. a revolução exigida para a constru ção de uma sociedade autônom a de decrescim ento pode ser representada pela articulação sistemáti ca e ambiciosa de oito m udanças interdependen tes que se ref orçam m utuam ente. convivial e sustentável1’. os círculos virtuosos revelaram-se basicam ente perversos sob vários as pectos. A ubanel. Poderíam os en ro m p rid ar ainda mais a lista dos “erres” e. redis tribuir. a cada intervenção ou quase. reduzir.s círculos vir tuosos d o crescim ento. 2006. lh e écnln^ie humanistn. reutilizar. Na realidade. Podemos sinteti zar o conjunto delas num “círculo virtuoso” de oito “erres”: reavaliar. 6. aparece alguém p ro p o n d o uni novo R . os próprios Trinta Glo riosos. “Trin ta Desastrosos”5. O desequilíbrio climático que nos am eaça hoje é fru to de nossas “loucuras” de ontem . reconceituar. Em com pensação. reciclar. também foram. Gilles C lém ent c Louisa [ones. Afinal. 5. Es ses oito objetivos interdependentes são capazes de desencadear um processo de decrescim ento sere no. Essa época. relocalizar. como diz o “jardineiro planetário” Gilles Clément. feito o balanço dos estragos sofridos pela natureza e pela hum anidade.O círculo virtuoso do decrescimento sereno Nos anos 1960. Paris.
amfours du labyrintkeIV. Cornetins Castoriadis. mas a sacralização dos meios que se tom am fins cm si.mas todos esses “er res” já estão mais ou m enos incluídos nos oito prim eiros. a cupidez. 08. reduzir (a velocidade). rede finir. Le Senil. ressarcir. Para dizê-lo de outra form a. “é público c notório q ue esses valores se tornaram dcrrisórios.Reavaliar . Percebe-se de im ediato quais valores cum pre p ro mover. as guerras. um gosto pelo conforto.. com Dominiq ue Belpomme. a democracia achincalhada. renunciar. rem odelar. o t ra balho benleito etc. p. a im portância da vida q u e ju lg a essencial. 220. relaxar. ou a quantidade de vezes que você apareceu na televi são”5'. a cooperação sobre: a com petição desenfreada. a exclusão dos pobres. a recusa de cultura. Ele acrescenta: "Que observam os no m undo? A m entira. Vivemos em sociedades que repou sam sobre velhos valores “burgueses”: a honestida de. rea bilitar. aqueles que deveriam p redom inar em re lação aos valores (ou ausência de valores) dom i nantes atuais. p. reinventar (a dem ocracia). 8.J a única coisa que conta é a quantidade de dinheiro qu e você embolsou. Todavia. como radicalizar. Paris.. redim ensionar. um a recusa d a m oral. devolver \rrndre\. servir ao'Estado. os “bastidores” do sistema reve lam “um a m egalomania individualista. a dessaci alização dos valores. O altruísm o deveria prevalecer so bre o egoísmo. I j s C. restituir. a transgressão dos direitos. Im Montée de Vinsignifumce. do dinheiro pelo dinheiro. IbUL. pouco im porta com o. repensar etc. a calúnia. um a justiça de dois pesos e duas m edidas. c a corrupção. |. a busca do po d er pelo poder. um egoísm o”8. ad ap tar \rewnverlir\. a transmissão do saber. .” . recom prar. finalm ente. 7. o prazer do lazer e o étiws do jo g o so bre a obsessão do trabalho. a tortura e.
o relacionai sobre o ma terial etc. in /{ante du MAUSH.‘ 1.9 O filósofo Jo h n Dewey já denunciava a “cultura p ecuniária” e acusava a instituição escolar de pre p arar a criança para o m undo da com petição em vez de ser um laboratório da cidadania111. p. p. do n et éducation chez J o h n Dewey”. Paris. “tam pou co se pode im aginar um a sociedade de decresci m ento que funcione com indivíduos que. pois são a base de nosso flo rescim ento e nossa salvaguarda para o fu tu ro ”. a autonom ia sobre a heteronom ia.' 28. escreve François Brune. 11. elogio da diferença. 221. o gosto pela bela obra sobre a eficiência produlivista. Q ue te ria ele dito se tivesse conhecido a sociedade de co m unicação atual. segundo sem estre de 2006. o sensato sobre o racional. “U ne foi com m une: dém ocratie. “La frugalité heureuse: une utopie?”. Ihid. responsabilidade. I. “Preocupação com a verdade. vida (•spiritual: eis os valores q ue devemos reconquis tar a qualquer preço. dever de solidariedade. até o fun do reflexo de suas pulsões espontâneas. 9. respeito da dem ocracia. n'.social sobre o consum o ilim itado. n'. François B rune. Philippe Chaînai.a D écouverte.. senso de justiça. En tropia. o local sobre o global. 10. com seus excessos de m anipula ção através da publicidade? “Assim como custa en ten d er com o um a ‘sociedade de consum o’ pode ria continuar a existir se estivesse com posta de cidadãos de costumes ascéticos que levassem um a vida m onástica”. fossem m oldados pelo im aginário e pelo ‘m odo cle vida’ da ‘sociedade de consum o’”11. . 73.
C o n stru ctio n so ciale e t fonction d ’un e catégorie stigm atisante: la p au v reté”. com a globalização e a destruição das solidariedades orgânicas. M agímb-M achmk.an tern ari. mas 12. Substituir a atitude do p redador pela do jardineiro. licoantrofmiogia. novo pontífice rom ano. portanto.tam bém um ad ep to do “relativismo religioso” e do diálogo intercullural e.’Aufoc/ N ord. Dall'vijfenmza ecologica alia svoltn ctico-culturule. prossegue n o Sul a deslegitim ação da sobriedade tradicional c a m iséria aparece. 2000. Re-conceituar. Ao m esm o tem po que. Ver Philippe Tanguy. 14. A m udança de valores acarreta ou tro olhar sobre o m undo e. ou redefinir/redim ensionar.”12 A fan tasia tecnicista e prom eteica de urna artifidalização do universo é unia form a de recusa do m undo e do ser13.Convém sobretudo passar de um a crença na dom inação da natureza para a busca de um a inser ção harm oniosa. Ver tam bém : Patrick Viverct. 2003. impõe-se. S obre a Kleveuth C o in m an d in en t 1'ellowslnp (Sociedade d o décim o prim eiro m andam ento) desenvolvida pelo teólogo l’aul E Knitter. outra m anei ra de apreender a realidade. Bari. Ver a bela tese de Gamilla Nai boni. “SïiU'incuria delia cosa: considerazioni lilosofichc sui riliuti e sul m ondo saccheggiato". 2003. Kdizioni Dedalo. seja atacado pelo “teocons” (teólogos conser vadores). n? 190.. p o r todos esses motivos. pode-se consultar o trabalho de Vittorio l. l . 2007. 13. que vão de vento em popa desde a eleição d o cardeal Ratzinger. Reconceituar. tiecunsidérer la richesse. “P auvreté e t cohésion sociale e n M auritanie.. Não c p o r acaso q u e K nitter c. p o r exem plo. Para os cristãos ecologistas. es se seria o décim o prim eiro m andam ento: “Respei tar a natureza en q u an to criação divina. para os conceitos de riqueza e de pobreza14. Majid R ahnem a. Quand . U niversidade de Pávia.
em particular com os OGM. 15. fu n d ad o r do im aginário econôm ico c que urge desconstruir. Im Trahison de l ’ofmtmce. 1979. . 48. 1976.1? se m estre d e 2003. a econom ia transform a a abun dância natural em escassez pela criação artificial da falta e da necessidade m ediante a apropriação da natureza e sua mercantiüzação15. cil. 2003. AntimamteL.”15 Essa escassez postulada pelos econom istas se to rn a um a profecia qu e se autorrealiza e não po d erem o s sair da econom ia sem enfrentar o desafio d o desaparecim ento dos recursos naturais. im põe-lhe logotipos. Paul Dum ouchel e Jean-Pierre Dupuy. Pa ris. “R eestruturar” significa adaptar o aparelho produtivo e as relações sociais em funUt misère chasse tu pnmtrelé. A rnaud Berthoucl. ele se instala em tudo o qu e é gratuito. Iæ Seuil. os cam poneses são despojados da fecunclidade natural das plantas em benefício das em presas agroalim en tares. observa B ernard Maris. Com o bem m ostraram Ivan Ulich e Jean-Pierre Dupuy. m arcas. Reestruturar. Revue du MAVSS.. Fstyard/Actes Sud. Assim. Jean-P ierre D upuy c Je a n Robert. B ernard Maris.. PUF. p. “A im aginação do m ercado”. a apropriação d o ser vivo. Exclui uns e outros. p edá gios e depois a revende. Última ilustra ção d o fenôm eno: depois d a privatização da água. L’Enfer des choses. “é incom ensurável. 16. n? 21. “I<a richesse et ses deux types”.tam bém para o par infernal escassez/abundância. Paris. Tal com o um cuco. e tiq u e ta a gratu id ad e. op.
D iretam ente. que exam inare mos no m om ento adequado. 2004). Isso coloca a questão concreta da saída do capitalismo. os da oligarquia dos grandes predadores. li. Redistribuir. A redistribuição terá um duplo efeito positivo sobre a redução do consumo. De fato.ditori Kiuniti. p o r exemplo. A reestruturação das relações so ciais já é ipso facto um a redistribuição. Roma. Indiretam ente. e a d a transform ação de um aparelho produtivo que tem de se adaptar à m udança de paradigm a17. As com petências. as tecnologias e até as instalações necessá rias são praticam ente idênticas. a cogeração difusa perm ito passar de um ren d im en to energético de aproxim adam ente -'10% para 94%! Assim. Com elei 17. O ra. dim inuin d o a incitação ao consum o ostentatório. F. a conversão das fábricas de automóveis em fábricas p ara fazei aparelhos de recuperação de energia p o r cogeração. para construir um m icrogerador basta um m otor d e carro associado a urn altern ad o r e instalado num m olde m etá lico. Unfuluro smza luce?. (Ver M am izio Pallante. red u zindo o poder e os meios d a “classe consum idora m undial” e. en tre as classes. O que está em questão aqui é a orientação para um a so ciedade de decrescim ento.ção da m udança de valores. . tanto entre o N orte e o Sul com o dentro de cada sociedade. as gerações e os indivíduos. mais particularm ente. Esta com p reen d e a distribuição das riquezas c o acesso ao patrim ônio natural. Essa reestruturação será tanto mais radical quanto mais o caráter sistê mico dos valores dom inantes for abalado. ela econom iza ao m esm o tem po o consum o de energia fóssil e a emissão dc CO .
cit. 20. Pa ris. Mille et u n e nuits. e sim de extrair m enos20. Contraím os em relação ao Sul um a imensa “dívida ecológica”19. terras aráveis. um bom instrum ento para determ inar os “direitos de saque” de cada um. E possível im aginar “m erca dos” desses direitos em vários níveis p aia favore cer as trocas de rações e de licenças para consumir. Pauvreté et inégalités. a com eçar pela dos gases d o efeito eslufa”. re cu p ero u ess:» análise cm Comment les riches détruisent la planète. ro). oj>. 1970. 2006. ces créatures du néolibéralisme.detalha d a p o r tipo de atividade o u d e consum o) c. Com eçar a ressarci-la reduzindo nossa predação seria um ato d e justiça. Paris. H ervé Kem pf. Pa ris. ao m enos aquela qu e n ã o co nhece fronteiras. p..e Seuil. o desejo de c onsum ir d ep en d e m enos d a existên cia de um a necessidade do que do desejo de aflr•m ar seu status im itando o m odelo daqueles que estão logo acima de nóslw. florestas. Evidentem ente. 2007.to. com m uiln pro p ried ad e. Théorie de lit classe tic loisir. Exportam p a ta eles sua poluição. A pegada ecológica (que pode até sei. Allac. mas de introduzir algum a 18. en q u an to não houver altas taxas) enorm es superfícies de recursos naturais. 1. As relações de redistribuição N orte/S ul colo cam enorm es problem as. . Galli m ard. Com o veremos. p. 19. '‘T el11. não se traia dc mmtinlilizar um pouco mais a natureza. T horslein Veblen. de Thorstein Veblen. WWF. “A cham ada dívida ecológica dos países ricos cm relação aos países pobres: os prim eiros tom am ‘em prestadas’ dos países do Sul (sem pagar p o r elas. segundo a clássica análise. não se tratará tanto de d ar mais. 25. 44.
p. dl. Relocalizar. os países 21.. Isso implica que toda decisão econôm ica. p ro duzir localm ente. 237. op. Toda produção que possa ser feita em escala local para necessidades locais deveria. Se as ideias devem ignorar as fronteiras. Pour un pacte écologique. ser realizada localmente. a relocalização não é apenas econôm ica.llexibiliclade tio m odo dc gestão dc sons limites. “Rclocalizar” significa. A política. “Reduzir” significa. Nicolas H ulot. . dim inuir o impacto sobre a biosfera de nossos m o dos de produzir e de consumir. nesse caso com o cm outros. no que for essencial. O desafio. está na passa gem ao ato. em prim eiro lugar. os movi m entos de m ercadorias e de capitais devem. Reduzir. a cultura. Trata-se. os produ tos destinados à satisfação das necessidades da po pulação. ao contrário. em empresas locais financiadas pela pou pança coletada localm ente. política e cultural que possa ser tom ada em escala local deve ser tom ada localmente. portanto. limitar-se ao indispensável. de lim itar o consum o excessivo e o incrível desperdício de nossos hábitos: 80% dos bens pos tos 110 m ercado são utilizados um a única vez. é claro. Do ponto de vista da construção de um a sociedade de de crescim ento sereno. o sentido da vida é qu e devem recuperar sua ancoragem territorial. an tes d e ir direto para a lata de lixo!21 Hoje. inicial m ente.
q u er p ô r o turismo espacial ao alcance de to dos-1. p. um crescim ento de 8% cm com paração com o ano anterior! O utra redução necessária: o turismo de massa. para retom ar o neologismo do professor Belpom m e.. oj>. do que a reparação . 327. mas a curiosidade legítima e a pesquisa educativa fo22. . 10 d e novem bro de 2006. 23.6 bilhões de cai xas e de frascos. as farmácias francesas venderam 2. 45. B ernard Maris. Financml 'Ivmes. O utras reduções são desejáveis. No m om ento em que Richard Branson. Prtit manifeste pour m u éeologie existmliclk. o próprio jornal m uito ortodoxo Financial Times reconhece: “O turism o será considerado cada vez mais o inim igo público am biental núm e ro l. em 2005. o desejo de viajai e o gosto pela aventura são um a fonte de enriquecim ento que não deve secar. Anlimanuel. (Mi. A idade d e o u ro do consum ism o quilom étrico fi cou para trás. isto é..pensem os que.”2"’ Sem dúvida inscrito no coração do hom em . R ichard Tomkins.. “W ekom e l<> the age ol Iess”. U Monde. 24. o bilionário inglês proprietário do g rupo Vir gin. p. 25. Fom e: T hierry Paquot.ricos produzem 4 bilhões de toneladas de resíduos por ano22. A redução dos riscos sanitários deveria im plicar an tes a “precavenção” (precaução/prevenção). 19 de abril d e 2006. op. 380 kg na França e 200 kg na maioria dos países do Sul23.. desde a dos riscos sanitários ate a dos horários de trabalho. cü. A produção de lixo dom éstico p o r habi tante é de 760 kg p o r an o nos Estados Unidos.
(N. tem de ser revista para baixo. d a cultura e do tecido social dos países “alvo”. definido com o um turism o ético. cada voz mais rápido. condenada e condenável? O álibi por ele alegado de ajudar o “desenvolvim ento” do Sul é falacioso. pelos guias de viagem e pelas operadoras de turis m o. Segundo a Federação Artesãos do M undo. eis o q ue o futuro nos prom ete: cada vez m enos lon ge.il destruidor do m eio am bien te. m enos de 200 euros em m édia ficam com o país hóspede.ram transform adas pela indústria turística em consum o mcrcanl. essa ne cessidade am plam ente artificial criada pela vida “superm oderna”. Por causa da pe núria de petróleo e do desequilíbrio climático. a mania de ir cada vez mais longe. proposto 110 lugar do turism o de massa. E legítim o inda gar se o “ecoturism o”. num pacote de viagens de 1000 curos. não form aria tun oxim oro cúm plice daquele outro que é o desenvolvimento sus tentável: acaso não visa ele prolongar a sobrevi vência de um a atividade m ercantil.) . que vem <lc bmtger-mover-se. da T. ju sto ou responsável. cada vez m enos rápido e cada vez mais caro. O “ bougismé’* . A bem dizer. com um a frequência cada vez m aior (e pagando cada vez m enos). solicitada pelas agências de viagem. exacerbada pelos meios de co m unicação. com uma frequência cada vez menor. isso só é dram át ico devido ao vazio e ao dcsencanlam ento que nos fazem viver de form a cada vez * Ncologisnio. mexer-se.
viajamos às expensas do planeta. apreciar nosso ter ritório. | .i.mais virtual. Trabucaire. de tem pos e de incertezas. de poder viajar virtualm ente sem sair de casa. . ho m em de solas enraizadas. Temos de reap ren d er a sabe doria dos tem pos passados: desfrutar da lentidão. a com eçar pela do retorno. | C onm inente. outrora. c um ele m ento essencial. Reduzir o lem po de trabalho. perm anecia-se n a terra natal. a alma aventureira sem pre poderá ir até as ilhas Seychelles num a prancha avela. Pode até ser o contrário. graças às maravilhas da tecnologia. p. escolher aquele que o acaso propõe 110 pró prio lugar em que ele nos fez nascer. contudo. condenados d urante m ilênios a viver toda a experiência hum ana 110 horizonte li m itado de seu cantão (algo com que eles não pa reciam sofrer em dem asia). E ntre mil e um pos síveis. D iferentem ente dos 750 povos papuas.. na realidade. Juum al tk la pluie et du beau temps. 2005. quando. Cauct. Não é preciso se mover para que a im aginação abra suas asas”2.. 119. “Viajai era. que tam bém encontrarem os na política de lula contra o desem prego. se essas ilhas não tiverem sido engolidas pelo oceano. Além disso. Trata-se por 2(5. enfim . um a aventura cheia de im previstos. Um cam panário no centro e à volta dele toda o horizonte delimitam um território suficien te para um a vida de hom em .. não é obriga toriam ente um a falta de imaginação. lie rn ard Revel. temos a sorte inédita.. Segundo Bernard Revel.
esses últimos devido à diversidade dos trabalhos propostos são um pas so n a direção correta. “L et’s Regionalise thc E co n o m y . durante uma q u ed a da dem anda de televisores. Segundo Willem Hoogendijk. A maio ria das pessoas tem aptidões que vão bem além de seu trabalho assalariado com um —com o se consta ta p o r tudo o que fazem nas horas vagas. nos cuidados da saúde. nota de abril de 2003.certo dc distribuir o trabalho para que todos os que: assim quiserem possam ter um em prego. A redu ção deveria se com binar com a possibilidade de m u d ar de atividade conform e m om entos conjun turais ou da vida pessoal. com preensí vel. as atuais agências de contratação de tem porários.and ( ure Ourselves o f a Host o f Ills!”. por exemplo. populares tanto entre os em pregadores quanto en tre m uitos em pregados . Antes de mais nada. p o r parte dos sindicatos em relação a elas. Willem H oogendijk. a um a atividade num canteiro de obras. a m ontagem de aparelhos dc te levisão constitui o principal em prego. nos trans portes. ou na educação. o assalariado p o d e se ded icar a um a atividade agrícola. Não construirem os um a so27. “Se. trata-se de se desintoxicar do vício d o “trabalho”. na prática de es portes com adolescentes problemáticos etc. Em bora até agora haja um a tendência hostil. a um centro de jardinagem comercial. conviria diversificar o tipo dc trabalho. elem ento im portante do dram a produtivista.”27 Bastaria concebê-las em outro espírito. .
a m editação. cil. a contem plação. ou até. as empresas R ohncr e Design Tex conceberam e produziram um tecido para estofam enlo que se decom põe de m aneira natural no fim de seu ciclo de vida. “O tempo liberado”. sim plesm ente. gigante alemã da in 28. às vezes tensa e contraditória. “não é ‘tem po livre’ . a da d ig n id ad e h u m an a . O tem po liberado não é de form a n en h u m a vim resíduo —o que 'resta depois’ do transporte.cicdade serena de decrescim ento sem recuperar as dim ensões recalcadas da vida: o prazer de cum p rir seu dever de cidadão. tio c o n tro le o m enos in co m p leto possí vel do destino individual”.im ediatam ente capturado pelas indústrias tios lazeres. p. A Basf. da saúde e da diversão mas um a reconciliação. 65. na Suí ça. podem ser utilizados com o co bertura vegetal para jard in s p o r serem com postos de m atéria orgânica. paia a alegria de estar vivo28. . das en co m en d as.. consigo mesmo. op. a sensa ção do tem po recuperado para a brincadeira. Reutilizar /r eciclar . a conversação. depois de usados. o prazer das atividades de fabricação livre. escreve T hierry Paquot. Por exem plo. O utras empresas criaram carpetes que. N enhum a pessoa de bom senso contesta a necessidade de reduzir o desper dício desenfreado. da lam ília etc. do tra balho. As possibili dades são muitos e várias foram frequentem ente testadas em escala reduzida. artística ou artesanal. de com bater a obsolescência program ada dos equipam entos e de reciclar os re síduos não reutilizáveis diretam ente. mas um a exigência. Petit manifeste pom une éc-nlogie exisletilieUe.
Com o 20. im aginou um tecido de fibra de nylon indefinidam ente reciclável. p. 129. C ontudo.. La terra è finita. etim ológico ( autonomox. a X erox se en carrega d e reutilizar um a grande parte dos m ate riais que os com põem 29. op.criou um program a graças ao qual seus produtos são p en sados com o uma reunião de partes que podem ser recicladas um a vez term inado seu uso. “qu e se d á suas próprias leis”). é fá cil concebê-los.ser decom posto em seus elem entos essenciais antes de ser reutilizado em novos produtos. Nesse projeto. Q uando os aparelhos lhe são devolvidos. Tam bém nesse caso. E um outro m undo. que pode . .dústria química. Vicro Bcvilacqua. cit. Em 1990. ou seja. mas tam bém concreto. a Xerox . da d itad u ra dos m ercados financeiros e dos ditames da tccnocicncia na sociedade (super) m oderna. o q ue falta são incentivos para que em presas e con sum idores tom em a via “virtuosa”. O que falta é a vontade política de os p ô r em ação. desejável.de pois do uso do produto a que ele deu vida . Tudo isso desenha um a utopia no m elhor sen tido d o term o. Essa au to n o mia não implica um a liberdade sem limites. a construção intelectual de um funcionam ento ideal. em reação à heteronom ia da “m ão invisível” do m ercado. porque parte de dados existentes e de evoluções realizáveis. deve-se e n te n d e r autonom ia no sentido forte.fabricante de fotocopiadoras . necessá rio c possível se assim quisermos.
em contraste com a lei da selva. Assim com o é tênue e problem á tica. c. ttl. Em ambos os casos. . A convivialidade.ie tmvscmdante.lembrava Aristóteles. visa precisam ente voltar a tecer o laço social desfeito pelo “h o rro r econôm i co”31. o “saber” dessa obed iên cia deve ser en ten d id o sobretudo n o sen tid o de um a aprendizagem . A existência e o bom funciona m ento da reciprocidade fazem toda a diferença en tre essas duas formas. 30. Brillat-Savariiv*0. no “consum o”. A convivialidade reintroduz o espírito de doação no com ércio social. reatando assim com a philía (a “amizade”) aristotélica. é preciso com eçar sabendo o b ed ecer para a p re n d e r a m andar. Na perspecti va d e unia sociedade de cidadãos livres. A uthchnc Brilhu-Sa varia.romm. a fronteira en tre um uso ins trum ental que respeita a pessoa e um a utilização que não a respeita. Expressão de A rthur Rm ihaud. que Ivan Illich tom a em pres tada d o grande gastrônom o francês do século XVIII. a tênue fronteira en tre as duas form as de submissão não deixa de ser problem ática. de um a sub missão não servil à lei que nos dem os (sendo a submissão servil a aprendizagem da tirania). au to r d e La Physiologie du gout ou Médilalions de gast. D onde a im portân cia da convivialidade. é incontestável o lato de haver prazer na servidão voluntária. Esse é um dos inúm eros desafios que um a sociedade dem ocrática deve en carar de form a perm anente.
superequipam ento..que se traduz p o r um a quantida de de “super” e /o u “excesso” denunciada p o rje a n Paul Iiesset equivalente à dos “re” que seriam ne cessários: “Superai ividade. 182. superprodução. Se algum a reação há. como nola Michael Singleton. op. ex cesso de circulação.. p. A superavaliação q uebra o indivíduo . superm edicalização. dl. lile acrescenta: “A superdosagem ocorre em prejuízo do vivenlc. bom beam ento excessivo de água. super-rendim entos. excesso de com unicação. superendividamenlo.”32 Esse sistema term oinduslrial trabalhando num regim e acim a do previsto provoca. Curnmenl' ne plus être progmsisle. a a le a ubris d o sistema . excesso de pas tagem . a deflação m onetária.Ilaverá quem não deixe de ver nesse recurso sistemático ao prefixo “re” nos oito “erres” a m arca d e uni pensam ento reacionário. superabundância. em balagem excessiva.. pesca excessiva. a des32. Jean-P aul Bessct. designados p o r “um a série igualm ente crescente de palavras às quais apuseram um prefixo privativo ‘de(s) a deslocalização industrial. tanto d a inovação quanto da repetição. as ações em questão parti cipam tanto da revolução q u an to do retrocesso. o desencantam ento político. superdesenvolvirnen to. danos cada vez maiores. a vontade rom ân tica ou nostálgica cie um retorno ao [»assado. afora um a leve vaidade d e a u to r nessa form a de apresentar as etapas sob o signo da letra “e rre”. é um a reação ante a desm edida. consum o excessivo.. a clesmotivação cultural. Di gamos sim plesm ente que.
agir localm ente.”*’ No centro do círculo vir tuoso da revolução cultural dos oito “erres” está um “e rre ” que pode ser en contrado em cada um deles: resistir. por que ela concerne à vicia cotidiana e ao em prego de m ilhões de pessoas54. pode-se dizer que são todos igualm ente im portantes.” acrescenta ele. que (rês deles têm um papel “estratégico”: a reavalia ção. a relocalização econôm ica e o protecionism o. Se a utopia d o decrescim ento implica 33. a descentralização geográfica dos poderes. 53. O decrescimento como projeto local Dos oito “erres”. porque ela preside a toda m udança.' 1. porque ela condensa todos os imperativos práticos do decrescim ento. Parece-me. a redu ção. Vélrok apucalypse. cit. um lugar central na utopia concreta e se expressa quase im ediatam ente em program a político. e a relocalização. op. . O decrescim ento parece renovar a velha fórm ula dos ecologistas: pensar globalm ente.. 34. Michael Singleton. n1. Em todo caso. se presta. En tropia. “Q uatro ternas podem estru tu rar o espaço cm devir das so ciedades do sobriedade". que está na origem do prefixo. a planificaçâo concertada e o racionam ento”. p. A relocalização ocupa.mistificação religiosa. contudo. 208. “cum priria fazer com que o ‘d e ’ do decresci m ento correspondesse ao recuo para m elhor avan çar ao qual o prefixo latino dis. Yves Cochet. nota Yvex Cochet: “a autossuficiênda lo cal e regional. p. portanto. “I x co u lc ac h é de Ia décroissance”.
2003. Citado p o r Alberto Magnagbi. S. Cekbration of Zapatismo. p. 1’enang. Al. Do m esm o a u to r com M. m Anna Marson (org. Prakash. “pensar q ue um a sociedade ecológica possa ser constituída d e um a m unicipalidade de pequenas m unicipalidades. I.”36A reconquista ou a reinvenção dos commons (bens comunais. . 36.] em perfeita harm onia com o seu ecossistema. O projeto de decrescim ento local com preen d e duas facetas interdependentes: a inova ção política c a autonom ia econômica.). a solução poderia consistir em retom ar a “utopia” do ‘“ccomunicipalism o” de Murray Bookchin3R.. sua realização principia em campo.ondres. definida com o um a entidade espacial coerente que traduz um a realidade geográfica. social e histórica. 1998. IIprogelto di terri tório ntUa tillà metropolitana. Grassrools Poslmodernism: Retnaking lhe Soil of Cultures. Uma biorre35. 37.elier d e crcation libertaire. Para se con trapor à periferização urbana e política gerada pela sociedade de crescim ento. Gustavo Esteva. Flnrença. M urray Bookchin. I. escreve esse último. Zed Books.um pensam ento global. bens comuns.yon.. 2004. Inventar a democracia ecológica local. espa ço com unitário) e a auto-organização de “biorregiões” constituem um a ilustração possível dessa po stu ra37. “Não é totalm en te absurdo”. M ullivmily and Cilizens International. Citizens International. 100. Alínea ediüice. A biorregião 011 ecorregião. Paurim municipalisute libertain. 2006. cada um a das quais form ada por um a ‘com una de com unas’ menores [. “Dalla città m etropolitana alia (bio)regione urbana”. pode ser mais ou m enos rural ou urbana.
cil. mas ‘58. mais dim inuem as oportuni dades de participação dos cidadãos. Sua capacidade de decisão e d e ação não se exer ce sobre as questões que adentram seus limites territoriais. diretam ente controlável p o r seus cidadãos. Para alguns. 1988. ou até unia “cidade de vilarejos”: em suma. mas Paola B onora sugere abordar a questão não a partir da dim ensão. Dahl. A lberto M agnaghi. 113. R. dotados de um a for te capacidade de antossusten(abiIidade ecológica. estamos diante de um “dilem a de m ocrático” qu e pode ser enunciado assim: quanto m enor é um a e n tid a d e/u n id ad e política e. Klorença. quanto mais se estende a circunscrição política. Milão.*8.. pp. II pmgello di lerritmio nelhi città metropoUtana. A linea edit. unia rede policêntrica ou m ultipolar. in A nua M arson (org. Paola B onora “Sislemi locali lerritoriali. . 41.it. Constituída de um conjunto com plexo de sistemas territoriais locais. 2006. II Saggialore. particularm ente no terreno ecológico. p. por tanto. Constata-se aí um a situação de fato. f dilenani delia democrazia pluralista. unia ecópolis. c. 39.gião u rb an a poderia ser concebida como utna municipalidade de municipalidades 011 “uma cidade de cidades”. ela sofre a influência das dinâm icas externas'11. 40.. ela visa à redução das desecononiias externas e do consum o de energia™. Paola Bonora.i ice. Em com pensação. op. A. mais restritos são seus dom ínios de soberania10. 69-112.). transcalarilà c miove n-gole dclla dcm ocrazia dal foasso”. op.
movimentos sociais e várias autorida des locais de pequenas com unas. como a província (de partam ento) de Milão e a região da Toscana.. 42. . A par ticipação. m as ela só pode funcionar se as instâncias de bairro dispu serem de um verdadeiro p o d e r e não forem m e ros locais de passagem. mas tam bém de entidades mais im portantes. 114. deve ser preservado e cuidado para o bem de todos. de cuja últim a reunião em Bari. Trata-se de um a associação constituída de pes quisadores. no plano local. C onsiderar um a área m etropolita na um a articulação de bairros autônom os funcio nando com o com unas justapostas. participaram quinhentas pessoas. se to rn a “guar diã c prom otora do espírito dos lugares”'12. Um a das iniciativas mais originais e promisso ras é certam ente a rede das com unas novas na Itá lia. que. Ibid. A originalidade da rede. q u er resolver de m aneira honesta os problem as produzidos pela desm edida da socie d ade d e crescim ento.da identidade. é interessante. consiste na esco lha de um a estratégia que se baseia no território. então implícita na ação. em outubro de 2005. p. de acordo com a id eia de B ookchin. Trata-se do espaço do reconhecim ento da id en tid a d e e da capacidade de ação c o o rd e n a da e solidária. O que conta é a existência de um projeto coletivo enraizado num território com o lugar de vida em com um e que. A di m ensão já não é um problem a topográfico c sim social. portanto.
Acima disso. “ao contrário. C ario P etrin i. esse projeto local não é nem fechado nem egoísta.coiiuiiiivii Uiosi.org. Cf. Paola B onora. qu e lim itam vo luntariam ente seu crescim ento dem ográfico a CO mil habitantes. são laboratórios de análise crítica e de autogoverno em defesa dos bens com uns. Trata-sc d e um a rede m undial d e cidades d c lam anho mcdio. 118. experiên cia que vai ao encontro da ideia de “aldeia urba na” e d o cam inho traçado pelos movimentos das “cidades lentas” ( s lo w c ity ) 4'1. ele pressupõe aberturas e um a ideia generosa do dar e do acolher”16. ficaria impossível falar d e “local” e d e “lentidão”.’’. p. Em bora profundam ente enraizado. 46. “M ilitants de la gastronom ie”. artesãos e pesca dores que lutam contra a uniform ização d o ali m ento. tratase de “um projeto político q ue valoriza os recursos e as especiftcidades locais. 45. julho de 200(i. Segundo sua carta.isto c. Esse m ovim ento com pleta o do s lo w jb o d .nuovomunicipio. cit. m eio físico e patrim ônios territoriais. m undo afora. Em outras pa lavras. “Sistemi locali territoriali. camponeses. (iirta dei Nuovo Município in www. .. para recuperar o gosto e os sabores'15.slowfnod. Le Monde di plomai ique. org e www. 44. constituída na eslcira da rede dos . no Cato dc conceber o local como mn cam po de interação en tre atores sociais. estim ulando processos de autonom ia consciente e responsável e recusan do a condução externa (heterodireção) d a mão invisível do m ercado planetário”®.. ao qual aderem . A sociedade de decrescim ento implica um sóli do protecionism o contra as concorrências selva 43.. op. 100 mil produtores.
Como fazer com que se entenda que o decrescim ento não é um reto rn o à opressão com unitária (da pe q u ena fam ília nuclear. 2006.. de um governo m undial). “corre um grande risco de ser cham ado por todos os nom es que a M oder nidade anatematizou: fascismo. Michael Singleton nota que lodo aquele que fala de local e de com unidade. zonas tam pão. eliüsmo. e sim a um novo tram ado orgânico do local (possibilitar que as pessoas estejam mais juntas. La D éconverte. limites. ma chismo.gens e desleais. “a babelização". podem os de duzir reciprocam ente que o local é o universal com fronteiras. 47. Cmq défis pour fe devenir urbain (te la planète. Se. do egoís m o regional). p. graças. para Thierry Paquot. A identidade escolhida. passadores.. “o universal e o local m enos os m uros”. Ela faz p a rte do que ele cham a uma ecologia d:is línguas (T hierry Pa quot. corno já dizia Michel lb rg a em 1954. mas tam bém um a ampla abertura para os “espaços” que adotarem m edidas com pa ráveis. mais ou m enos plural e no entanto ligada a um a visão com um de seu destino. do bairro chique. Se. T em urbaine. nacionalismo. com o estiveram até os anos 1960. colocando em dú vida a possibilidade ou a oportunidade de um uni versalismo político abstrato (claram ente falando. 181). é um elem ento es sencial para garantir que a unidade biorrcgional ten h a consistência'17. paternalismo. passadisrno. intérpretes e tradutores. a língua e o “habitat do ser”. . “garante não só a diver sidade das culturas corno tam bém m odos de ser c d e pensar". 1'aris. com o diz M artin H eidegger.
cit. a escolas rurais e empresas ‘fa m iliares’. Entropia. em vez de passarem a vida viajando n o cir cuito en tre com plexos escolares. Yves C ochet. depois regional. 224. O pro gram a d a relocalização im plica a busca d a autossuficiência alim entar cm prim eiro lugar. g aran tin d o nina ren d a satisfatória para os agricultores e im pulsionando um a renovação das com unidades rurais baseada n um a agricultura cam ponesa. um a autossuficiência agrícola era então um a opção viável para os Países Baixos. 11V 1. 49. op.. dl. M idiael Singlelon. zonas industriais e hiperm ercados da periferia)?”'18. p. Willem Iloogendijk se in terrogou sobre o interessante caso exem plar da Holanda: “Segundo os cálculos do Instituto de Eco nom ia Rural holandês (LEI. 52. de preferência orgânica.. p. . mas um nó m una rede de relações transversais virtuosas e solidárias.en tre outras coisas. Nessa perspecti va. Pétmie apor. a quitandas de esquina e cinemas de bairro. Recuper ar a autonomia econômica local. op. o local não é um m icrocosm o fechado. “T en d er para a aukissuficiêiiciu nacional. res peitando as estações-1”. na sigla em holandês) realizados em 1980. visando experim entar práticas de con solidação dem ocrática (entre as quais orçam entos participativos) que perm itam resistir à dom inação liberal. sustentável e bioló gica”. um dos países com o m aior densidade populacio48. a mais com pleta possível.alyjne. Conviria m anter e desen volver a atividade básica em cada região: agricul tura e horticultura. depois econôm ica e financeira..
com as atividades de conservação e de secagem dos produtos e as outras transform ações relacionadas. Sua pe gada ecológica será infinitamente mais leve (menos estocagem. tam bém .que os 16 m ilhões de habitantes poderiam desde já com er alim entos provenientes de um a agricultura biológica dom éstica (ao preço da re dução de nosso consum o de carne e consum indo produtos de e s t a ç ã o ) E o autor ainda esclarece com o seria um novo m odelo de produção agríco la: “U m a agricultura extensiva ao ar livre em fa zendas mistas Uma horticultura extensiva. m enos refrigeração e m enos transpor te ). E esse alim ento será fresco e saudável. nossos dejetos. o LEI calcu lou —para grande surpresa dos próprios pesquisa dores .et’s Régionalise the Iiconom y . “Pode-se com erciar com regiões que fizeram a mesma escolha e ‘deixar para lá’ o produlivismo: trocas equilibradas que respeitem a 50. Willem H oogendijk.”50 Essa autonom ia não significa um a autar quia com pleta. po dem os tecer vínculos mais estreitos entre fazen d eiro s/criad o res e consum idores de seus p ro d u tos. incluin do no longo prazo nossos excrem entos. devem re to rn ar à terra com o fertilizantes.and C. “I . . nota de abril de 2003. Mais recentem ente. alim entos para gado ou adubo.ure Oursclves o f a Host o fllls!”.nal n o m undo. Em seguida. C om prando regularm ente ‘cestas de verduras e legum es’ de agricultores individuais e lhes dando um a m ão na colheita (como já se pratica um pouco por toda parte no m undo).
84% das m ercearias (ou seja. cit.300). ou seja. 43% das vendas de objetos de m e tal (ou seja. sem grandes con centrações hum anas. 2006. La d ê c r o i v s a n e e )>our tom. o su rgim ento dos hiperm ercados (no fim dos anos 1960) elim inou na França 17% das p a darias (ou seja. Ver Nicolas Ridoux. 11.independência regional. 73. ái.. p. 53. I j k Couliws du commerce éijuitable. Lyon. o/i. 17.. o com ércio dos excedentes m útuos regionais produzidos sem so brecarga dos hom ens e dos ecossistemas (m antei ga contra azeitonas e assim por diante) Também se procurará o b ter a autonom ia ener gética local: as energias renováveis “são adaptadas às sociedades descentralizadas. o trabalho que tem os pela fre n te não é pequeno. 52. 140.800). um a p arte im p o rtan te da p ró p ria substância da vida local qu e d esapare ceu e do tecido social q ue se desfez53. F. C hrtetianjacquiau.800). Yves C oche t. O com ércio local será incentivado: um em p re go p recário gerado nas grandes redes de varejo deslrói cinco em pregos d u rad o u ro s nos com ér cios de vizinhança52. 4. p. Segundo o Insee (Institut n ational de la statistique et des études cconom iq ues). Dado que hoje em dia as cinco centrais de com pra das g ran des redes d e varejo cobrem 90% do com ércio va rejista n a França. nj>. Mas essa dispersão é tam bém um a vantagem: cada região do m undo possui um potencial natural para desenvolver um ou vários negócios de energia renovável”51.. . 51. f a ran go li.
Enfim, cabe pensar em inventar um a verdadei
ra política m onetária local. “Para m anter o poder
de com pra dos habitantes, os fluxos m onetários
deveriam perm anecer na região o máximo possí
vel, ao passo que as decisões econômicas devem
ser tom adas no nível da região, tam bém aí o máxi
m o possível. Palavra de especialista (110 caso, um
dos inventores do curo): ‘Incentivar o desenvol
vim ento local ou regional conservando ao m es
m o tem po o monopólio da m oeda nacional é como
ten ta r desintoxicar um alcoólatra com girn.’”51
O papel das moedas locais, sociais ou com plem entares é estabelecer um a relação en tre necessida
des insatisfeitas e recursos que, de outro m odo, fi
cariam parados. Há um a legião de m icroexperiências, desde os cheques dos sistemas de troca locais,
as m oedas seladas, os créditos argentinos, até os bô
nus d e com pra específicos (transporte, refeição,
fur eai kippu no Japão, “cupom de relação fratern a”
para os cuidados dedicados às pessoas idosas etc.).
C ontudo, a rcapropriação sistemática da criação c
do liso local da m oeda nunca foi tentada até ago
ra. A escala ideal para tal experiência seria sem dú
vida a biorregião. Cabe pensar em inventar “m oe
das biorregionais”.
54.
B ernatd Lictaer, “Des m onnaies p o u r les ro m m u n au tés et
l<‘s regions Inogéographiques: u n outil décisif p o u r Ia rcdynamisation régionate ao XIX' siècle", in jé rô m e lilanc (org.), “Exclusion
r l liens financieis, m oiinaies sociales”, Rapjmrl 2005-2006, Econoinica, j>. 70.
Km suma, a regionalização significa: monos
transporte, cadeias de produção transparentes, in
citações a um a produção e a um eonsum o susten
táveis, um a dependência reduzida dos fluxos de
capitais e das m ultinacionais e m aior segurança
em todos os sentidos do termo. Regionalizar e reinserir a econom ia na sociedade local preserva o
m eio am biente, que, em últim a instância, é a base
de to d a econom ia, propicia para cada um um a
abordagem mais dem ocrática da econom ia, reduz
o desem prego, fortalece a participação (e portan
to a integração) e consolida a solidariedade, ofere
ce novas perspectivas para os países em desenvol
vim ento e, enfim, fortifica a saúde dos cidadãos
dos países ricos graças ao aum ento d a sobriedade
c à dim inuição do estresse55.
I ni ci at i vas l ocai s decrescentes. E nquanto espe
ram as necessárias m udanças de “governança”
m undial e a chegada ao poder de governos nacio
nais totalm ente dedicados à objeção de cresci
m ento, vários atores locais adotaram , implícita ou
explicitam ente, a via da utopia fecunda do decres
cim ento. Coletividades locais, da Carolina do N or
te a Chalon-sur-Saône, tomam a iniciativa e com e
çam a p ô r em prática planos de luta contra a m u
dança climática. A redução de consum o de energia
pode tom ar com o m odelo o exem plo de BedZED
55. W illem H oogendijk, <tp. cit.
(B eddington Zero Energy D evelopm ent). Algu
mas regiões decidem recusar os OGM (a Alta Áus
tria, a Toscana e até a Polônia). As licitações das co
letividades locais e dos estabelecim entos públicos
(escolas, hospitais etc.) representam um a parte
significativa das licitações públicas (12% d o PIB
na França), ou seja, um a força im portante para di
fu n d ir a transform ação ecológica cm toda a eco
nom ia e, paia tanto, basto exigir de seus beneficiá
rios boas práticas ambientais em troca das especiíicaçõesr,fi. As municipalidades podem , no caso dos
estabelecim entos que administram , zelar para que
o abastecim ento seja feito p o r em presas e forne
cedores locais (Ghambéry), im por nas cantinas e
restaurantes públicos produtos provenientes da
agricultura orgânica (Lorient, Pam iers), recusar,
para a m anutenção dos espaços públicos (vias p ú
blicas e espaços verdes), o uso de pesticidas e esti
m ular a aplicação de técnicas de capinagem m e
cânicas ou térmicas (Rennes, CJrenoblc, M ulhouse), escolher a com postagem no lugar dos adubos
quím icos57. A prom oção dos transportes coletivos
desenvolve-se em várias regiões francesas: o con
selho regional d a região Rhône-Alpes esclarece,
p o r exemplo, que, desde 1997, quatrocentos trens
suplem entares im plem entados, cerca de cento e
quinze estações reform adas e a renovação de 60%
56. Pascal C aniin, LJHconomie verte, expliqitée à eeux qui «Jy eraient
pas, Paris, I.cs Pctits Marins, 2006, p . 72.
57. Nicolas H ulot, op. <it., p. 170.
m enos torres de apartam entos. assistindo às reuniões do conselho. Pétrole apocalypse. mais ser viços próximos. op. m ulti plicação d a gestão pública para os “bens públicos com uns” (água. . mais imóveis pequenos. cit. recusa da especulação imo biliária e da instalação de hiperm ercados perm iti ram evitar um a “periferização” considerada inevi tável trinta anos antes e devolveram sentido ao vi ver local. menos hiperm ercados.. m anutenção dos agricultores locais e dos pequenos comércios. 200. 58.do m aterial provocaram um au m en to anual da frequência d e 5 a 6%58. m enos para os carros. Nicolas Ridoux. cit. I m Décroissance pour tous. 86. mais comércios vicinais variados. menos zoneam ento urbano etc.”39 Em bora o projeto local contenha evidentes li mites. W es C ochel.. desenvolvimento de cidovias e de espaços verdes. 59. transportes e até o serviço funerá rio). op. tornando-nos m em bros de uma associação de cida dãos que tenha por objetivo algum aspecto ligado à sobriedade: mais lugar para os pedestres e mais cielovias. que tem no Festival Anual do Livro um vibrante símbolo. p. A experiência da co m una de M ouans-Sartoux im pulsionada por seu prefeito A ndré Aschieri é interessante: reabertura da estação de trem e do serviço ferroviário. não subestimemos as possibilidades de avan ços da política nesse nível. deve mos nos implicar na vida municipal participando das eleições. Segundo Yves Cochet: “A partir de lioje. p.
Também a cultura de legumes cobria em 1970 cerca de 6. 6 1.700 toneladas).. prova de sabedoria. lendo por slogan “P roteger o local globalm ente”00. m enos sazonal. m enos ve getal e m enos cara. Reduzir significa regredir? A m archa a re. dl . l>.]. Segundo Em m anuel Bailly. . é. som ente 10% dos produtos alirnentarcs consum idos são produzidos e transformados regionalm ente.”“1A m açã 60. passando de 7. Em m anuel Bailly.400 hectares para uns poucos 300 hectares [. í>/». região consi derad a rural. Nos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvi m ento (OCDE).300 hectares de superfície co n tra 300 hectares em 2000 (6. N otadaniente no que concerne a nosso abastecim ento. Nesses últim os anos. Segundo sugestão <le Yves Cochcl. 224.. “A cul tura d a batata foi com pletam ente aban d o n ad a.1% das neces sidades de legumes frescos da população. irstau re r lc système im m unitaire (les régions". au m en tou n o entanto a dependência alim entar regional. “Lc conccpl cie 1’E rorégion ou commcnt. agosio-selcm bro de 2006.C um pre substituir a OMC pela OML (O rgani zação M undial pela Localização). a tendência atual é a de um a ali m entação m enos local. n" 36. em certos dom ínios.se. Pêlroleapocafyp. quando é possível. A produção regional supre apenas 8. boletim Ligued'horiton. Tomemos o exem plo de Limousin.
cs ravages du m ouvem enl perpéde 2005. duas vezes mais barata. A deslocalização das produções é com andada pelos acionistas e o abas tecim ento fora da região pelas centrais de com pra das grandes redes de varejo. 1‘hilippe M ühlstein. A viagem dos cam arões dinam arqueses. voltam cm se guida para a Escócia para serem cozidos antes d e serem vendidos nas lojas Marks & Spencer. l-c Monde dijrfcnnuliqiie. infelizm ente não é excepcional62: vão ser descascados no Marrocos. ja n eiro . depois dos cortes de carne. em particular alimen tar. se isso for possível: os lagostins escoceses são expatriados para a Tailândia para serem descasca dos à m ão num a fábrica da Findus. o boi local terá de lazer frente ao gado vivo da América do Sul. Por ocasião do bloqueio m arítim o im posto em outubro de 2005 pelos m arinheiros em greve d a Sociélé nationale marifime Corse-m editérranée (SNCM). para dali partir novam ente para vá rios locais de comercialização. Inver ter essa tendência perm itiria reduzir o desperdício e tornar nosso abastecimento. depois voltam para a Dinamarca. incluindo o frete! E. Mais aberrante ain da. tão ca ricatural. “I. tnd". d en tro de pouco. menos vulnerável aos preços crescentes da en er 62. a Córsega enfrentou um desabastecim ento de legumes e pro dutos frescos depois de quatro ou cinco dias.golden tle Limousin tem de enfren tar a concor rência da golden chinesa. Essas práticas levam a um a grande fragilidade do sistema.
Tam bém aqui um a certa descolonização do im aginário é necessária.” Os “objetores de cres cim ento” topam muitas vezes com “objetores de decrescim ento”. geralm ente exacerbada p o r desigualdades insuportáveis. não é ilegítimo. de saber se a vivência de bem-estar exige necessariam ente pos suir dez pares de sapatos. “um a alim entação que poupe mais energia seguiria. não se trata de voltara essa pe núria. mais sazonal e mais vegetariana”1’1. que utilizam com entários desse tipo. op. Agora. E isso foi o crescimento que nos trouxe. C ontinuará “mais cara” se con tinuarm os fazendo as vítimas pagarem e subvencio n an d o os poluidores. “Q uando eu era jovem ”. três orientações opostas às de hoje: seria mais local. Todos os outros jogavam bola descalços. 97. me dizia um amigo siciliano.. com frequência de má 63. as pessoas “do bem ” estão obcecadas pelo m edo de um retroces so. todas as crianças têm sapatos. p. seja qual for a eventual deform ação das lem branças. Segrm do Yves C otlicl. dl.. q u e p ara elas significaria m iséria e hum ilha ção. Sem serem adoradoras ílo progresso e da m odernidade (o qu e todos so m os em m aior ou m en o r escala). Yvos C ochet.gia. cujo fundam ento é incontestável. Pílrole ajmalypse. 64. acim a de tudo. Trata-se. O tem or de cair novam ente num passado miserável. . p. Contudo. “era o único dos m eus amigos que usava sapatos. 89. Utid. portanto. e depois à rarefação dos lndrocarburelo$(W.
in llarbinger. vol. Kl as são livres. “Interview with M urray Bookchin* p o r David Yanek. Alguns libertá rios poderiam objetar: ‘M uito bem . em vez de um ou dois sólidos. que você não precisa da lua.” Ele propõe distinguir as necessida des fundam entais ou norm ais das outras. talvez seja sábio fazerm os agora um a distinção mais precisa do que a existente en tre as necessida des prim árias e secundárias ou. roupas.’ R espondo q ue as ne cessidades aceitáveis deveriam ser determ inadas pela com unidade toda . Com o diz M urray Boockchin: “N ão acho que a boa vida exige q ue tenham os instalações suntuosas.qualidade. so ciabilidade/sexo) tam bém podem se inflar para além do razoável (mais espaço p o r pessoa. as prim eiras tendo limites naturais e as segundas n ão.”1’5 Willem M oogendijk tentou fornecer argum en tos para a autolim itação das necessidades: “N o que c o n cern e a nossas pretensas necessidades. 2 .o lim ite basta. entre necessidades absolutas e relativas. Um a assem bleia pode então dizei: ‘Dois pares de sa patos bastam . ditas ‘sem lim ites’ em qualquer m anual de econom ia. As pri meiras (alim ento. mas. Vocês não precisam de dez. sc h o u ver pessoas que querem dez piscinas. trabalho. . 2001. dez piscinas c cin q u en ta televisores. m oradia. Vocês não deveriam ten tar impedi-las.’ Kles podem dizer que um ccrr. segundo a term i nologia de Keynes. A journai n f Social Jicology. elas deve riam p o d e r obtê-las.a m unicipalidade. 11? 1. mais 05.
necessidades de reparação ou de prevenção dos danos. o reino da ecoindústria em expansão. espaços verdes por causa dos carros q ue invadem as ruas. . a de novos em pregos devido à autom ação. q u e c um a dinâm ica de criação ilimitada de necessidades. pis cinas para substituir os rios poluídos etc. . privilegiadas pela sociedade de crescim en to. resistir ao império da velocidade e às tendên cias atuais. mas são relativamente sujeitas a saturação. As se gundas. podem ser classificadas etn: .em suma. líle conclui sua análise assim: "Necessidades ilimitadas? U nia criação ilim itada dc necessidades!” . . Um dos objetivos do sistema c criar necessida des qu e ele ao mesmo tem po visa satisfazer p rodu zindo os bens correspondentes d e reparação. Na Espanha. a purificação do ar e da água. Reduzir é também dim inuir a velocidade e.outras necessidades criadas pelos desenvol vim entos precedentes. por exemplo.). a supressão recente da sesla é sintom ática do caráter absurdo da sociedade 06. de m áquinas que produzam mais rápido p o r causa da concorrência desenfrea da etc. p o r exemplo. W illem líoogendijk.pares de sapatos. mais aquecim ento central etc. por tanto.necessidades de compensação das perdas pas sadas. de mais transpor tes p o r causa d a organização física d o espaço ba seada na separação.. p o r exem plo. locais tranqüilos. noln d e abril de 2003. com pensação ou consolo®*’. a calagem das florestas ácidas etc.
no caso. T em urbame.NGP) resultante da racionali zação das escolhas orçam entárias ( mtionaU sation de.ausanne. O desm antelam ento d o Estado-providência e os cortes orçam entários subsequentes acarretam. “em nom e de um a hom oge neidade dos horários entre estabelecimentos da m esm a em presa transnacional cm escala m undial (reliro-m e. uma nova gestão pública (nouvelk geslion publ i qu e. O espírito do 67. . p. ao setor bancário espanhol.de crescim ento. Ordras <?í dhim ira de 1'esprilgexlmnnam. A receita do decrescim ento consiste em fazer mais e m elhor com menos. a questão não é culpabilizar os con sum idores para convertê-los à ascese. 6 uma violência simbólica forte e tam bém um a m edida contraproduliva. organizado p o r M aric-D om inique IV rrot et /liii. Em p articular G ilbcrt Rist. procuram ob ter um m elhor resultado de política social gastan do m enos através da utilização de associações (ou mesmo d o trabalho voluntário) postas para con correr no m ercado da subvenção68. Km suma. Ver.s choix bmlgéLaires . I. 178. 68.a nouvellc gestion publi qu e peul-ollc ô ik ' sociale?”. de fato. Edilionx Réalités sociales. Cint/ défit pour k deum irurbainde la planei#. “I. com o n a sua caricatura lecnocrática. “A supressão arbitrária da sesla”. Agora. que europeizou seus horários de abertura)..RGB). op. Essa fórm ula illicheana não deve ser entendida 110 sentido de um a ra cionalização econôm ica. dl. nota Thierry Paquot. mas respon sabilizá-los com o cidadãos. T h io n y Paquot.”67 Com efeito. 2000. todos os médicos reconhecem os benefícios dessa prática ancestral.
excelência. cujo resultado é a destruição d o tecido social. redução de custos. trata-se de con sum ir m enos os recursos naturais limitados do planeta.decrescim ento está nos antípodas dessa busca ob sessiva dc economias de todo tipo e da ideologia neoliberal subjacente. Certo. o Reino U nido. em 1942. desem penho. Longe de implicar necessariam ente lais sacrifícios. aceitou.. um pro gram a de sangue e lágrimas. portanto. mas já para hoje. flexibilidade. Um desafio comparável seria. mas para produzir um excedente extraeconôm ico e. transform ar essa m esma in dústria automobilística em produção de microgeradores. diante d a ur gência da guerra. a produção de automóveis particulares em p ro d u ção dc: ianques de assalto. apesar d e o racionam ento evocar a econom ia de guerra. Lester Browti nota que. com suas palavras-chave: efi cácia. a transform ação ecológica de nossas sociedades prom ete não para am anhã. de transformar. mais alegria de viver: . rentabilidade 110 curto prazo. um objetivo diam etralm en te oposto ao dos tecnocralas. do dia para a noite. Um país dem ocrático. naquelas condições de urgência. re torno sobre o investimento etc. Porém . p o r exemplo. a econom ia am ericana foi ca paz. Será preciso chegar até o racionam ento? llá quem pense seriam ente nisso no que concerne à energia e às emissões de gases do efeito estufa. podem os efetivam ente dizer que estam os num a batalha pela sobrevivência da hu m anidade.
e uma elevação incom parável da qualidade de vida.um a alim entação mais saudável. inferior a 50%. . analisa e denuncia os malefícios d o desenvolvimen to na África70. mais lazer e convivialidade. Londres. a redução necessária será atenuada na m esma medida®’. tradução francesa no prelo p o r P arangon com o título DicMonnaire de. o reto rn o a um a pegada ecológica “correta” (um só planeta).) graças a m elhores tecnologias e a um a m elh o r gestão. mais particularm ente na África. anti ou pós-desenvolvimentista. Zed Books. Em outras palavras. O desafio do decrescimento para o Sul Paradoxalm ente. q ue necessita de um a redução da ex tração de recursos naturais de 75%. o projeto de um a sociedade autônom a e econôm ica em ergiu na esteira da crí tica do desenvolvimento. 70. a ideia d o decrescim ento nas ceu de certo m odo no Sul.s. Com efeito. das florestas etc. Faz mais de quarenta anos que uma pequena “internacional”. 1992. da Argélia de Boum édiène à Tanzâ69. das pescas. Já que é sensato contar com um crescim ento da eficiência ecológica (aum ento da biocapacidade. E m cerca de 30% a(é 2100 segundo o WWF. Ver The Devebjimenl IHclionary.s rnols toxique. do rendim ento das terras cultivadas. poderia se rea lizar graças a um a dim inuição do consum o final.
o fracasso foi maciço e o projeto do que de veria culm inar 110 “desabrochar de cada hom em e de todos os hom ens” m ergulhou na corrupção. Repas (rede de troca das prá ticas alternativas e solidárias). essas análises tam bém se interessavam pelas iniciativas alternativas no N orte. Na verdade. Devido à crise am biental e ao surgim ento da globalização. “en d ó g en o ”. “self-relianl/ autocenlrado”. . que transform aram a pobreza em miséria. N aturalm en te. e os perigos do cresci 71. “popular e solidário”.nia de Nycrcre. mas não por um a alternativa societal 110 singular. 1098. a farsa d o desenvolvimento sustentável diz respeito tanto ao N orte quanto ao Sul. Ver m eu livro / ’A utre Afrique. E esse desenvolvimento. (sis temas de t roca locais). nos levou a aprofundar suas implicações sobre a eco nom ia e a sociedade do Norte. que p o r m uito tem po foi pregada no deserto. o su cesso inesperado e totalm ente relativo dessa crítica. na incoerência e nos planos de ajuste estrutural. A despeito de algumas microrrealizações dignas de nota. “participativo”. BdT (trocas de servi ços e n tre pessoas). na auto-organização de sociedades e economias vernáculas71. Al bin M ichel. mas oficialmente “socialista”. Entre don et marché. cooperativas etc. Essa crítica destinada ao Sul desem bocava na alternativa histórica.. não só capitalista ou ultralibéral com o na Costa do Mar fim. do tipo SEI. isto é. tam bém era muitas vezes posto em a n d am en to ou apoiado p o r ONGs hum anistas. Paris.
72. Para a África. não se deve concluir daí que seja preciso construir um a sociedade de crescim ento ali. se “des-cnvolver”.m ento já são planetários. enquan to engordarm os nosso gado de corte com farelo de soja obtidas pelas queim adas d a Floresta Ama zônica. C) decrescim ento concerne às so ciedades do Sul na m edida em que elas estão com prom etidas com a construção de econom ias de crescim ento. q u e essas culluras especu lativas d e latifundiários privam os pobres d o Hrasil tie feijão e que. C ontudo. Longe de fazer o elogio sem m ianças da econom ia informal. é claro que o decrescim ento no N orte é um a condição para o florescimento de qualquer form a de alter nativa no Sul. ou seja. Sem contar que esses “translarios" planetários c ontribuem para desregular uin p ouco mais o clima. Foi assim que nasceu a proposição d o decrescim ento. para evitar que elas atolem no impas se a que essa aventura as condena. o decrescim ento da pegada eco lógica (mas tam bém do PIB) não é nem necessá rio nem desejável. livrar-se dos obstáculos que se erguem 110 seu cam inho para se realizar de outro m odo. . a exportar alimentos para nossos animais domésticos. 110 auge: da fome. se ainda houver tem po. Prim eiro. correm os o risco d e te r catástrofes biogenéticas do tipo “vaca louca”. acha mos que as sociedades do Sul poderiam . asfixiaremos qualquer tentativa de verda deira autonom ia no Sul72. Enquanto a Etiópia e a Somália esti verem condenadas. ainda p o r cim a.
ele publicou em 1978 A pobreza. Em fevereiro de 2007. Esse encontro em torno da figura de Al bert Tévoédjrè perm itiu situar o paradoxo afr ica no n o tocante a essa questão. o desenvolvi m ento e a globalização.O usar o decrescim ento no hemisfério Sul é ten ta r pr ovocar um m ovim ento cm espiral para se p ô r na órbita do círculo virtuoso dos oito “erres”. ím Pauvreté. criticava o absurdo do mim etism o cultural e industrial. fazia o elogio da sobriedade inscrita na 73. Nele. Recuperar. . Éditions ouvrières. R om per com a d ependência econôm ica e cultur al cm relação ao Norte. Resgatar e se reapropriar de um a identidade cultural própria. perto cie C otonou.como Rom per.etc. Reintroduzir. R ecuperar as técnicas e práti cas tradicionais. instigado por Ivan tllich. Reatar. Paris. alternativos e com plem entares ao mesmo tem po . Reintr oduzir os produtos específicos esquecidos ou abandona dos e os valores “antieconôm icos” ligados ao pas sado desses países. Resgatar. riqueza dos povosn . no centro Emmaüs de Tohue. um livro de sucesso precursor das ideias do decrescim ento. Q uem ainda sc lem bra de Albert Tévoédjrè? C ontudo. R eatar com o fio de um a his tória interrom pida pela colonização. Essa espiral que introduz ao decrescim ento pode ria sc organizar com outros “erres”. richesse tüs fmiplet. a ONG italiana Chiarna PAfrica organizou um debate com alguns intelec tuais beninenses sobre o tem a “pobreza e decres cim ento”.
e talvez se perdeu. mas tam bém de construir um a vida com pleta à margem da sociedade m undial de mercado. com a recuperação engenhosa. industrial e em p re . em plena forma. um retorno à autopi odução camponesa. o hom em não ti nha renegado nenhum a de suas ideias. ele se m eteu.tradição africana. denunciava a desm edida da so ciedade de crescim ento com sua criação delibera da de necessidades artificiais. Propunha. industriosa e em p reen d ed o ra (em oposição à racionalidade econô mica ocidental: engenheira. Essa capacidade não só de sobreviver. se es tabelece sobre três tipos de bricolagem: imaginá ria. com a proliferação dos cultos sincréticos e das seitas (inclusive nos países m uçulm anos. sua desumanização gerada pelo predom ínio das relações m onetárias e sua destruição do meio am biente. Ela é um exem plo de construção de sociedade autônom a e econôm ica. Aos 85 anos. sustentável em condições infinitamen te mais precárias do que seriam as sociedades de decrescim ento no Norte. às elites intelectuais e políticas do continente. en fim. tecnoeconôm ica. 11a política sem conseguir aplicar suas convicções nos postos ministeriais que ocupou. mas estas já não interessavam a ninguém na África. Como muitos intelectuais africanos.m HAulre Afrique | A out ra África j . ou quase nada. com as confrarias e suas dissidências). analisamos a auto-organização p o r m eio d o “jeilinho” dos ex cluídos d a m odernidade econômica. F. sem nada ficar a dever.
Os processos de individuação. com putadores feitos de peças usadas e todos os deje .sarial). com a invenção de um laço “neoclânico” (pelas participações cruzadas n u ma grande quantidade de associações). através de rádios. essa experiência sofreu ainda as sim as reiteradas ameaças de um a globalização triunfante e arrogante (mesmo em crise). a colonização do im aginário agora am eaça a o u tra África. com latas ve lhas caindo aos pedaços. Em bo ra sejamos testem unhas de seu surpreendente “su cesso”. pelos paraísos artificiais do Norte. televisões. depois de ter corrom pido a África oficial. celulares em pane. que eles acabam consideran do um inferno. contra a porta dos quais vão se chocar. Um a verdadeira socie dade de consum o de segunda m ão. c sobretudo social. sem gerar um verdadeiro individua lismo. Enfim. Basta pensar no desejo dos jovens de a b an d o n ar seu país. tem efeitos corrosivos sobre o laço social. A invasão dos produtos chineses de consum o de massa m ui to baratos às vezes concorre com os artesãos da re cuperação. telefones celulares. que tinham triunfado sobre as expor tações m anufaturadas europeias. a polui ção sem fronteiras torna cada vez m enos vivível um am biente degradado. conseguem m acular a solidariedade em que se baseava o universo alternativo. internet. V erdadeira sociedade alternativa à espera de reconhecim ento e de em ergência na cena política e internacional. A invasão dos m eios de com unicação inter nacionais.
reconhecer um a outra “dívida” cujo “ressarci m ento” é às vezes reivindicado pelos povos indíge nas: Restituir. vocês. . no Norte. Com o escreveu m eu finado amigo Jean Baudrillard: “A cultura ocidental só se m an tém pelo desejo do resto d o inundo de ter acesso a ela. além da dívida ecológi ca. os franceses. Aqui não tem os qualquer esperança. talvez seja preciso. Je a n B audrillard. corrói com o um câncer a capaci dade de resistir n a dissidência. velhas aldeãs me diziam: “Q uando vocês vão voltar. Poucos anos atrás. nossa m esm a Benin. pior ainda.”74 ( ’aso se queira efetivam ente incluir no N orte um a preocupação de justiça mais profunda do que apenas a necessária redução da “pegada eco lógica”. com o pretexto de tirar esses países da miséria cr iada por esse mes 74. A restituição da honra perdida (a do patrim ônio pilhado é m uito mais problem áti ca) poderia consistir em ser parceiro de decresci m ento com o Sul. introdu zir a lógica do crescim ento no Sul. Esperem os que. Inversam ente. por q u e desde qu e vocês foram em bora estamos so frendo demais?” Hoje. são os jovens que nos asse diam e interpelam : “Ajude-nos a ir para a França. a crise chegue a (em po para que a outra África não perca a sua chance. m anter ou.tos d o O cidente. assim. crônica n o IJbém liondc 18 de novem bro d e 2005 (republicada em 7 d c m arço de 2007). tragicam ente o parado xo ocidental.” O paradoxo africano encontra.
Na proposição de q u erer “construir escolas. Pois. afinal. celulares. e a resposta certam ente será esta: mais do que essas “necessidades fundam en tais” que o paternalism o ocidental lhes atribui. .”™ Todos os diri gentes d e movimentos populares. Das duas uma: ou se pergunta aos países interessados o que eles querem através de seus governos ou das pesquisas de um a opinião m anipulada pelos meios de com unicação. ge ladeiras e.. até os anos 1960. baseada num a boa intenção de »ossos amigos anliglobalização. umas “latas velhas”. Jcan-M arie tlarribcy. em bora seja incontestável que ao Sul im porta “recuperar a autonom ia alim entar”. há um etnocentrism o ordinário que é precisam ente o do desenvolvimento.m o crescim ento. antes da grande ofeu75. nada mais faz senão ocidentali zá-los um pouco mais. Alain Gras. Na África. aviões Rafale e tanques AMX para a alegria das autoridades. di zem o m esm o a seu m odo. “D cvcloppem enl durahle: ]e grand íc a r l”. O u então se escuta o grilo do coração do líder cam ponês gua tem alteco: “Deixem os pobres em paz e não lhes falem mais de desenvolvimento. 2003. pe dirão aparelhos de ar-condicionado. 15 dc ju n h o de 20U4. Paris. bem com o centrais nucleares. Frngifílétkla jmissanee. sobretudo. 76. l/Humanilé. centros de saúde. de Vandana Shiva na ín d ia a Em inanuel N dione no Senegal. fcayard.. p. é porque esta foi perdida. redes de água potável c recuperar uma autonom ia alim entar”75. 249.
. Q uanto às escolas e aos centros de saúde. ela ain d a existia. nj>. . cm particular. Em contrapar tida. p.. convém usar de ain d a mais precaução no que concerne ao Sul. as vítimas espoliadas de seus verdadeiros bens n u n ca são ajudadas q u a n d o tentam tom ar dis tância d o sistem a produtivo globalizado p ara en co n trar alternativas conform es a suas próprias aspirações. Portanto. ihm nd la misère duuae la pauvnté. sublinha com razão Majid R ahneina. 1'ayard. 268. do desenvol vim ento e da globalização que destruiu essa autossuficiência e <jue todos os dias agrava um pouco mais a dependência? Antes d e ser m aciçam ente poluída pelos resíduos industriais. serão estas boas instituições para introduzir e defender a cultura e a saúde? Ivan Illicb levantou sérias dúvidas sobre a sua pertinência para o N orte77. 2004 e 2005) é um a o portu n id ad e d e reler. “O que continuam a cham ar de aj uda” .”78 77. ainda plenam ente atuais. a água. com ou sem torneira. com o alguns intelectuais desses países (m ui to poucos sem dúvida. “não passa de um a despesa destinada a reforçar as estruturas geradoras da miséria. 78. U m sociélé sans éailee Nétnfsis medkule.siva do desenvolvim ento.) se em penham em fazer.. A publicação de suas obras com pletas (Paris. A solicitude do branco que se preocupa com o de crescim ento no Sul 110 louvável intuito de vir em sua ajuda é suspeita. Majid K ahnem a. cit. N ão foi o im perialism o d a colonização. era geralm ente potável.
Fórmula paradoxal que re sum e bem o duplo desafio. diz um provérbio bantu. E certo que sua aplicação no Sul d efro n ta com inúm eros obstáculos. Em outras palavras. suba m una árvore”. quem ten ta se dedicar a sem elhante projeto político corre . tem de ser um a es pécie de síntese entre a tradição perdida e a m o d ernidade inacessível. necessariam ente plural p o r outro lado. Também nesse caso. referirno-nos a unia u to pia concreta e fecunda e não a um program a p o lítico.Portanto. “Se você estiver pensando num leão. tan to n o Sul como no N orte. não po d e ser um im possível retrocesso ou um m odelo uniform e de “a-crescimento” imposto. O após-desenvolvimento. a alternativa ao desenvolvimento. Na terceira parte deste livro. no N orte. O objetivo da “boa vida” pocle se expressar de muitas formas. Para os excluídos. significa a procura de m o dos de desenvolvimento coletivo em que não seja privilegiado um bem-estar material destruidor do m eio am biente e do laço social. Podem os apostar em toda a riqueza da invenção social para enfrentá-lo quando a criatividade e a engenhosidade estiverem libertas do grilhão economicista e “desenvolvimentista”. confor m e os contextos. Se. trata-se de reco n stru ir/resg atar novas culturas. para os náufragos do desenvolvimento. não apresen tarem os um a agenda de construção de socieda des autônom as no Sul. porque acham os qu e são as populações implicadas que devem determ inar o conteúdo do projeto.
cm particular. 5..).. tentar trans form ar diretam ente as matérias-primas. graças à composlagem que utiliza cada lio de palha.. 3. em parte. graças ao forno solar que o carpinteiro local pode construir a um preço m á ximo de 100 euros f. no Sul. 2. 6. que m uito refletiu sobre a questão: “Para os africanos. as divisas cm papel es trangeiro (tranco CFA. não dependentes dos insumos externos (adubos químicos.. d e um Thom as Sankara ou de um Salvador Allende.. libra esterlina etc.. que ainda não são escravos do con forto m oderno. 4. Cozinhar com o sol. . um m áximo de au tonom ia cm relação a elas. para não en trar no jogo dos m ercados injustos c lucrar com os valores agregados gerados pelas transform a ções (exem plo: pasta de gergelim ou de am en doim) [. substituindo-as por culturas alim entares. bastaria zelar pelos seguintes sete pontos: 1. pesticidas etc. dólar.J. Proteger sua terra. seu solo. portanto..) por um a m oeda local de troca inspirada nos SEL.o risco d e ser assassinado. Acabar progressivam ente com as m onocul turas de exportação.]. Substituir. Em caso de colheitas excedentes. o simples fato de pensar nisso pode lhe valer a sorte do um Patrice E um um ba. estercos e outras matérias orgânicas [. Segundo Pierrc Gevacrt. cercando os lo tes com ‘diquezinhos’ anderosivos [. Não contar demais com as falsas riquezas ocidentais e resgatar.].]..
sobretudo porque somos em grande m edida os responsáveis p o r isso. À Volkswagen e a General Motors preveem fabri car 3 m ilhões de veículos por ano na C hina nos 79. Alerle atix vwants et qui veulm l le resler. P i o r e Gcvai-rl.. tornou-se o principal país emissor de gás d o efeito estufa do m undo. Seria imoral.. Criar o máximo de reservatórios 011 coleto res de água para estocar água da chuva | . A aspiração das classes ascen dentes d o país (afinal.7.) Ela já é a m anufa tura do universo. im por o que quer que seja aos chineses con tra a sua vontade. . 2005. são de 100 a 200 m ilhões de indivíduos) por um carro individual e pelo des perdício desenfreado do consum ism o ocidental não pode ser m uito criticada. [>p. e aliás bem difícil agora. A C hina está se tor nan d o o principal poluidor do planeta. m esm o que ainda esteja longe disso em term os relativos sua pegada ecológica por habitante em 2004 cor respondia exatam ente a um planeta e era cerca de seis vezes inferior à dos Estados Unidos. Ruralis. C om marejue. (No ve rão d e 2007. Evo ca-se menos: “E a índia?” ou “E o Brasil?” E claro que o crescim ento econôm ico chinês (e indiano) cria um problem a planetário. 97-8.”7>' Esse program a lim itado ao m undo rural cons titui um exem plo das formas práticas de que po deria se revesti» a reconquista d a autonom ia. ] . E a China? Essa questão reaparece ritualm ente em todos os debates sobre o decrescim ento.
Em todo caso. com binado com uma tradição m ilenar de sabedoria m uito distante d a racionalidade e da vontade de p o d er ocidentais.. perm ite esperar que eles não irão até o fim d o im passe d o crescim ento que estamos prestes a atin gir. O fato de terem cons ciência dos desastres ecológicos presentes c das ameaças bem reais que pesam sobre o futuro de les (e nosso). entre 2006 e 2010. E certo que tam bém existem industriais chineses d o autom óvel que produzem p ara seu m ercado interno (e um pouco para exportação) copiando as m arcas estrangeiras.. no mesmo pe ríodo. Mesmo que a imaginem os alegre. A índia encontra-se num a situação com pa rável e está preparada para lançar. o destino d o m u n d o e da hum a nidade d ep ende em grande m edida das decisões das autoridades chinesas. um a política de m elhora d a eficácia ener . de saberem que os custos ecológicos de seu crescim ento anulam ou superam seus bene fícios num a contabilidade ecológica (mas os que recebem os dividendos não são os mesmos que su portam os custos). mas necessariam ente frugal no nível material. p ara não ficar para irás. a C hina já adotou um program a ambicioso visando reduzir em 20%.próxim os anos c a Peugeot. vem realizando investim entos gigantescos. tudo isso. a energia utilizada por cada unidade de PIB e prom over as energias reno váveis. De acordo com o relatório Slern. nós mesmos ainda não ingressamos 110 ca m inho de um a sociedade autônom a e sustentável.
a m udar de direção dando-lhes ao mesmo tem po os meios e. desestrutura80. exem plar é que me lhor poderem os convencer os chineses. assim como para Gornelius Gastoriadis. 15. Exer.”81 M elhor assim. portanto. sal var a hum anidade de um destino funesto. d l .. oj>.uk.stcrnrevicw. com o triunfo do capital. Esclareça mos contudo que. porque.utive sum m aiy. para nós. “revolução não significa nem guerra civil nem derram am ento de sangue”. Ingressando resolutam ente na via de uma sociedade de decrescimento e dem onstrando que o “m odelo” é viável e. Os vencidos desse enfrentam ento plurissecular. N icholas Stern. E um a violência m enos inevitável ainda. assim. 81. é fácil ver que a luta de classes se esgotou. A ndré Gorz. www.] cam inha inexoravelm ente para sua d er rocada catastrófica.gética8". p. pois “a civilização capita lista [. estão no entanto divididos. . assim com o os indianos e os brasileiros. a crer em A ndré Gorz (Gastoriadis no fim da vida não teria discor dado dele nesse ponto). ele cava seu próprio túm ulo e o da civilização in dustrial com o um todo. p. “T he E co n o m io o f Clim ale C hange”. ou to n o d e 200(5. O decrescim ento é reform ista ou revolucionário? Trata-se por certo de um a revolução.. já não há necessidade de um a classe revolucionária para abater o capitalismo. em bora mais num erosos d o que nunca. 27.org.
e a autoridade deve assumir compromissos com a exis tência d o mal. inslituinle. A busca d o bem com um não e a busca do bem puro e simples. Essa der rocada desejável do capitalism o não garante.. mas sim em con tê-la no horizonte do bem com um .< Semi. Une société à Ia derive. “A revolução”. Trata-se tanto de um a m udança de cultura quanto das estruturasjurídicas e das relações de produção. Nesse sentido.”82 Nesse senti do. condensada num breve espaço de tem po. isto é. prossegue Castoriadis. . sua aplicação obedece mais à ética da responsabilidade d o que à ética da convicção. tratando-se de um projeto político. con tudo.] A revolução significa a en trad a de parte es sencial da com unidade num a fase de atividade po lítica. 177. descullurados.dos. e é aí que e legítimo falar em revolução.. e sim a do m enor mal. Paris. uni am anhã cantante. p. C ontudo. O im aginário social se põe a trabalhar e se dedica explicitam ente à transfor m ação das instituições existentes. |'. o realismo político não consiste em se en treg ar à banalidade do mal. I . Portanto. “é um a m udança de certas instituições centrais da sociedade pela atividade d a própria so ciedade: a autotransform ação explícita da socie dade. e não constituem (ou já não constituem ) um a classe revolucionária. A política não e a m oral. C ornelius Castoriadis. toda política só 82. m esm o radical e revolucionária. o projeto d a sociedade d e decrescim ento é em inentem ente revolucionário.
que desenvolveremos na terceira parte. sob pena de cair no terrorismo. Paris. 83. sua fecundidadeK\ não é incompatível com o refortnism o político desde que os inevitáveis com promissos da ação não degenerem em com pro m etim ento do pensar. .pode ser reformista e tem de sê-lo. não significa um a renúncia aos objetivos da utopia concreta. 2007. O potencial revolucionário des ta. Nas bc:las palavras de José Bové em Candidat rebelle. H ach cttc L ittératures. Esse necessário pragm atism o da ação política.
.
“ Todos aqueles que, n a esquerda, se recusam a
abordar desse ponto d e vista a questão de um a
equidade sein crescim ento, dem onstram que, para
eles, o socialismo não é mais que a continuação
p o r oulros meios das relações sociais e da civiliza
ção capitalistas, do m odo de vida e do m odelo de
consum o burguês.”
A ndré Go r z 1
C onceber um modelo coerente e desejável de
sociedade de decrescim ento constitui não só um a
reflexão teórica, mas tam bém um a etapa im por
tante na sua im plem entação política. E preciso
avançar ainda mais na elaboração de proposições
concretas, ainda que o trabalho cle autotransform ação em profundidade da sociedade e de seus ci
dadãos nos pareça mais im portante que os prazos
eleitorais. Isso não quer dizer, no entanto, que o
parto será espontâneo e sem dor. A política politi
queira tem hoje pouco contato com as realidades
que têm de ser m udadas e convém ser prudente
na form a de fazer uso dela. Isso tam pouco q u er di
zer qu e os desafios eleitorais tenham deixado de
1. A ndré Gorz, Ecologie et liberté, Paris, Galilée, 1977.
existir. No m elhor dos casos, os governos só conse
guem frear, desacelerar, suavizar processos que lhes
escapam, se quiserem ir contra a corrente. Existe
nina “cosniocracia” m undial que, sem decisão ex
plícita, esvazia o político de sua substância e im põe
“suas” vontades através da “ditadura dos m ercados
Financeiros”2. Todos os governos são, queiram eles
ou não, “funcionários” do capital.
A alternativa para o produtivism o se coloca em
todos os níveis: individual, local, regional, nacio
nal e m undial (um a atenção especial devendo ser
dedicada ao nível eu ro p eu ). Todavia, corno a tira
nia dos “novos donos do m undo” se exerce de pre
ferência sobre os níveis superiores, cum pre en
contrar as forças mais pertinentes para agir de ma
neira concertada e com plem entar.
Os “decrescentes” têm um program a eleitoral?
Com o eles esperam resolver o problem a do desem
prego? O decrescim ento é compatível com o capi
talismo? Trata-se de um a reivindicação de direita
ou de esquerda? O movimento do decrescim ento
vai constituir um novo partido político? A essas in
dagações políticas devemos tentar dar respostas.
Uin programa eleitoral
M edidas m uito simples c ap arentem ente quase
anódinas podem d ar início aos círculos virtuosos
2.
D cnis Duetos, “La cosm oeratie, nouvelle classe p lan é laiic ’’,
Le Monde ttipUmalique, agosto de 1997.
do decrescimento*. É possível pensar a transição
m ediante um program a quase eleitoral, que em
certos aspectos extrai as conseqüências “de bom
senso” d o diagnóstico efetuado acima.
Por exemplo:
1) Resgatar uma pegada ecológica igual ou inferior
a um planeta, ou seja, m antidas constantes as ou
tras coisas, um a produção m aterial equivalente à
dos anos 1960-1970.
Com o seria possível reduzir nossa pegada ecoló
gica em cerca de 75% sem voltar à idade da pedra?
Simplesmente desinchando m aciçamente os “con
sumos interm ediários”, entendidos em sentido am
plo (transportes, energia, embalagens, publicida
de), sem afetar o consumo final. O retom o ao local
e a caça ao desperdício contribuiriam para isso.
2) Integrar nos custos de transporte os danos gera
dos p o r essa atividade, p o r m eio de ecotaxas ap ro
priadas.
Os custos externos a minima não cobertos pe
los autom obilistas seriam, na França, de mais de
25 bilhões de euros por ano, ou seja, mais d o que
o atual imposto interno sobre os produtos petrolí
feros ( taxe intérieure sur les fmduits pétroliers - T IPP)4.
3. Sem prejuízo, aliás, d« outras m edidas de salubridade pú
blica, com o a imposição d e um salário m áxim o, proposta pelo
MAUSS, ou a abolição pura c sim ples d e todas as patentes, p ro
posta poi Jean-Pierre Berlan.
4. Gilles Rolillon, “L’cconom ie de l'en v iro n n em en t définit un
espace d e négociation ratio n n er’, Cmmopotitiques, n? 13, Paris, A po
gée, p. 91.
E preciso inverter as priori dades: dividir o trabalho e aum entar o lazer. Na França. Paris. como a amizade ou o conhecim ento.3) Relocalizar as atividades. Terra urbaine. a produtividade p o r hora de trabalho viu-se m ulti plicada por 30. portanto.cil. 5. PeslicitUs. 4) Restaurar a agricultura camponesa. 11997]. não dim inui. Fayard. tradicional possível. Fabricc N icoliuo c Krançois V euillerctte. reprotóxicos (que podem provocar esterilidade)5. perturbadores endócrinos e. sazonal. m uito pelo contrário. natural. on seja. 2007. Olivier M archand e Claudc Thélol. a duração individual do trabalho foi divitlida apenas por 2 e o em prego só 1'oi m ul tiplicado p o r 1. em mais ou m enos dois séculos. conside rando-se o im pacto nefasto deles sobre o m eio am biente. “consum ido” por m im . m utagênicos. neurotóxicos. es tim ular a produção mais local. citados p or T hicrry Paquot. ü. cujo estoque disponível. Sobretudo questio nando o volum e considerável de deslocam entos de hom ens e de m ercadorias no planeta. rcvélations sur um scandalefrançnis. 6) Impulsionar a “pr odução” de bens relacionais. E im portante suprim ir progressivam ente o uso de pesticidas químicos alergênicos. im unodepressores. carcinogênicos. ofi. . en quanto persistir o desem prego. 5) Transformar os ganhos deprodutividade cm redu ção do tempo de trabalho e em criação de empregos. enquanto a produção se viu m ultiplicada p o r 26(i.75.
sem desper tar a m enor frustração no outro. cit. a participação nesta ou n aq u ela form a de cultura (profissional.. p. 151. Comment ne plus être progressiste. artís tica. A maioria desses ‘bens’. o/>. op. 9. O saber. a vida em sociedade. François Elahaut. nos explica Bernard Ma ris. 8.. Todo esse “desfrute do que não se com pra”: “os prazeres susci tados por um a conversa animada. vol. Bernard Maris. só existe se for desfrutada entre muitos”8. uni bom am biente de trabalho. p. cit. o conhecim ento. quem dá não perde n ad a e quem recebe tom a mas não despoja seu in terlocutor. O conheci m ento é um bem coletivo. um a fonte da juventude em qu e todos podem os nos abeberar.. “Até mesmo o último lobo das estepes”. a arte podem . Capitalisme et socié té. “concordaria: o ‘relacionai’ é a m elhor parte das alegrias (e das dores) da vida. 254. cuja base é. insinuaJean-Paul Besset. cit. por excelência. Le Paradoxe de Robinson. assim. o leque das relações com os outros. de moclo mais geral.) e. uma cida de cm que nos sentimos bem. p. um a refeição com amigos."9 7. Jcan-l'aul Besset. Antimanuel d'économie. .“A troca intelectual”. dizia Raoul Follereau. esportiva etc. 182. sem que ninguém dele seja privado.”7 “A felicidade”. sans deve nir réactionnaire.. “é a única coisa que temos certeza de ter depois de a termos dado”. ser com partilhados e ‘consum idos’ p o r to dos. O teorema de Pitágoras é utilizado por m ilhões de indivíduos. 2: “Les cigales". N um a troca intelectual. op. aplicado a m ilhares de funções. “é fundam entalm ente diferente da troca m er cantil..
254. Os ventes. num a sociedade não religiosa. Este últim o p o nto coincide com um a preocupação de C ornélius Castoriadis: “C om o traçar o limite? Pela prim eira vez. p. é lim itar o condicionam en to ao consum o de telespectadores num a idade em que eles não têm a distância crítica necessária ante os apelos publicitários. /. 112).7) Reduzir o desperdício de energia por um fator 4. p o r sua vez. nesse caso.”11 9) Decretar uma moratória sobre a inovação tecnocientíjka. em sou program a de 2007. tem os de e n fre n tar a seguinte questão: deve-se c ontrolar a expansão do p ró p rio saber? E com o fa zer isso sem cair num a ditadura sobre as m entes? Creio que p o d e m os form ular alguns princípios simples: 1) Não querem os um a expansão ilim itada c irrefletida da p rodução. cm particular as mensagens que valorizam produtos prejudiciais à saúde delas. cit.. 11. op. fazer um balanço sério e reorientar a pesquisa científica e técnica em função das novas aspirações12. 10. 12. 8) Taxar pesadamente as despesas com publicidade. O objetivo. Nicolas 1 lulol.'éco nomie verte expliquée à ceux qui n'y croient pas. p. Pour u n parte écologique. op. propunham . querem os u m a eco- . Associação q u e reú n e cento e dez especialistas e profissio nais que estudam a possibilidade de dividir |>or q uatro as emissões d e gases d o eleito estula até 2050 lia Fi ança. p ro ib ir a publicidade nas redes públicas d e televisão (Pascal Cardin. deve-se estudar a possibilidade d e proibir g radualm en te toda publicidade d u ran te os program as desti nados às crianças. conform e os est udos d a associação ncgaW attm. com binando sobrie dade energética (reduzir os desperdícios) e elicàcia energética (m elh o rar os re n d im en to s). ciL.ro desse espírito. Poder-se-ia ate retom ar a proposta de Nicolas H ulot ao pé d a letra: “Denl.
cit.. o que só nos alegra. autoestradas. ibid. e a m edicina am biental em vez d o tudo-é-genélico. op. . esse program a coincide com outras proposições feitas posteriorm ente. 238. (com ) phtonem [p ru d ên cia]. 2) Q u ere m os um a expansão livre d o saber. até os grandes projetos de infraestrutura (Iter [International T herm onuclear Experim ental R éactor].)IÃ. Ver D om inique Belpoim ne. ci tado p o r D om inique B elponim c.. Tudo isso se ju n ta ou completa a m aioria nom ia qu e seja um m eio e não o fini da vida hum ana. por exem plo. acrescidos de um a abundância de inform ações bem com o do deta lham ento das medidas concretas que estavam fora do alcance de nossos parcos meios. 257. Proposto pela prim eira vez em 2004 num arti go d o M onde diplomatique. encontram os um diagnóstico das ameaças e um a prescrição de solu ções próxim os dos nossos. p. com o as do contrato ecológico de Nicolas Ilu lo t ou as 164 m edidas do m em orando do Cham ado d e Paris11. mas. favorecer as pesquisas em agrobiologia e em agroecologia em vez da agroindústria (OGM e outras quim eras vivas). Em ambos os casos..’écologie contre les m archands”. incineradores etc ." “I . em perspectiva. op.Será o caso de procurar desenvolver. in Une société à la derive.. m em o ran d o do C ham ado de l’aris. A m oratória deveria se es tender. 2007. p. 13. Avant qu'il w soit trop lard. cit.. "E im perativo estabelecer urg en tem en te um a m oratória para a construção de novos incineradores e para a concessão d e li cenças d e coincm eração”. TGV [Trem de alta velocidade]. a “química verde” em vez de moléculas tóxi cas. 14.
fiscais sobretudo.” . frc e . .Um imposto sobre a fortuna em escala m un dial. .U m a taxa adicional unitária sobre os ganhos das em presas transnacionais.Regulam entação fiscal sobre operações finan ceiras: “Criar um im posto sobre as transações de câmbio e de bolsa.das m edidas preconizadas pelos ecologistas. Pauvrelé et inégalüés. A ttac. na dim inui ção dos impostos sobre o trabalho.Um a taxa sobre os rejeitos nucleares de vida m uito longa e altam ente ativos"5. p o r meio de pesados impostos sobre o consum o de produtos cujos preços relati vos continuem a baixar. 16. o padrão global é inevitável. ces créalures du nénlibéraliame.Uma taxa sobre as emissões de carbono. disponível em h ttp ://d e a o is s a n c e . F abrice Flipo. . p orque as polui15. Também é possível pensar em financiar um a política do tem po livre [polüique du temps choisi\ . á i . em reform as agrárias (recriar camponeses) e em trabalhos que favoreçam a econom ia de energia c de consum o dos recursos naturais15. op. “Poui ra lle rm o n d ia lism e . Q uando se trata da proteção do m eio am bien te. U ne rcp o n se à Isaac Jo h su a ”. Com erradicação dos paraísos fiscais e supres são d o sigilo bancário. preconizados p o r Attac: .ril. ba seadas num a taxação das m áquinas. para lim itar o dumpi ng fiscal.ír/ Reponse-Isaac Jo h s u a . pp. Podem os recuperar os projetos desejáveis em escala m undial. 186-7. .
noladam ente por m eio de ecotaxas. é no âm bito dos Estados que as coisas ocorrem . Imaginem os tão som ente o impacto da interna lização dos custos dos transportes sobre o m eio . No cerne desse program a está a internalização das deseconom ias externas (danos provocados pela atividade de um agente que joga seu custo so bre a coletividade). podem ser considerados cxtcrnalidades negativas da socieda de d e crescim ento. ditei a ou indiretam ente. a obsolescência program ada e o crédito.ções ignoram fronteiras. desenvolver transportes coletivos e aju d ar os mais pobres penalizados pelas significativas altas dos preços dos transportes.p o dem e devem ser pagos pelos agentes responsáveis po r eles. que são a publicidade. p o r ora. Essa é um a política em duas etapas: p o r um lado. O problem a da realiza ção é ainda mais complexo. Os três ingredientes “incitadores-ao-crime” d en u n ciados n a prim eira parte. p o r outro. para proce d er a investimentos de transform ação indispensá veis ou para paliar os inevitáveis disfuncionam en tos provocados pelo novo curso das coisas. reduzir sen alcan ce. fornece à coletividade recursos preciosos para am ortecer o choque. pois.dos acidentes rodoviários aos gastos com m edicam entos contra o estresse . Por exem plo. ela reduz progressivamente a pegada ecoló gica. Iodos os disfuncionam entos ecológicos e sociais . um a taxação e um contro le perm itiriam . apesar de tudo. Em bora seus efeitos nocivos sejam incomensuráveis.
seja p o r m eio de uma taxa. dos custos da educação. p. cum pria corrigir os preços p o r um sistema de taxações ou de subsídios: taxas para fazer o p ro d u to r de danos suportar os efeitos externos nefastos qu e ele im põe a seus vizinhos. sobre o funcionam en to de nossas sociedades! Essas m edidas “reformis tas” são em princípio conform es â teoria econô m ica ortodoxa . então. segundo Denis Clerc. as ‘exlernalidades’ devem ser internalizadas.am biente. p. a um a situação socialm ente preferível”. torna-se possível”. limitan do-se a corrigi-lo p o r um sistema de taxas. Ij :Développement du rable. C atheri ne Aubertin c Fnuick-Dominique Vivien (org. com os mecanismos de m ercado conduzindo. p o r par te das em presas. “Teoricam ente. sobre a saúde. Enjeux politiques. Nascia as sim o princípio do poluidor-pagador. “Peut-on faire l’économ ie d e l’environnem ent?”.”18 E tam bém nesse princípio que se apoia o pacto 17. CosmopoUliques. 64. 18. 13. Isso deveria incitar os agentes a levar em conta os efeitos sociais de suas decisões privadas e modulá-las em função disso. d o desem prego etc. .). 2006. da segu rança. “fazer coincidir interesses privados e interesse social (ou geral).o econom ista liberal A rthur C edi Pigou form ulou seu princípio desde o início do século XX!n Ele m ostrou que. subsídios para recom pensar o p ro d u to r de efeitos externos positivos. seja pela criação de direitos de propriedade. 2006. La D ocum entation française. Paris. ecMumúques et snàaux.. “Sem m udar nada do próprio m ecanism o do m ercado (ao con trário das regulam entações coercitivas). o da cobertura. A pogée. para atingir o grau ótim o (o bem-estar m áximo de todos os consum i dores e produtores). em econom ia de m ercado. »? 13.
citado p o r D erek Rasimissen. se fossem levadas a suas últimas conseqüên cias. poluição do ar. “I. segundo <3 C entro Internacional de Avaliação de Tecnologia (International C enter for Technology Assessment). E certo que as em presas que obedecem à lógica capitalista ficariam m uito desestim uladas e m uitas atividades deixariam de ser “rentáveis”. Já sabemos que nen h u m a com panhia de segu19. custos de funcionam ento das bases militares para im pedir os povos dos paí ses produtores de 1er o controle de seu próprio petróleo. O u tra m aneira de proceder à internalização das externalidades negativas provocadas pelo sis tem a seria.ecológico de Nicolas Ilulot.e terrorism e de l’ar g e n t I”. abril de 2002. . Sierra Magazine. M ontreal. o program a de um a sociedade de decres cim ento. A esse preço. o utubro d e 2004. se os custos invisíveis do carburante estivesse incluídos nele . o preço do carburante subiria bruscam ente para 14 dólares o galão contra um dólar de h o je'1’. valeurs n o n m onélisables”. “Valeurs m onélisées et. p 19. deixaria de haver aviação civil e sem dúvida m uito m enos carros estariam nas estradas. então. simplesmente. obrigar as empresas a fa zer um a cobertura de seguro com pleta contra os riscos e danos que elas fazem a sociedade supor tar.acidentes de carro. essas medidas provocariam um a verdadeira revolução e perm itiriam realizar. in Intercultura. o sistema ficaria bloqueado. Com a ressalva de que. Assim. em sua quase to talidade. n! 147. nos Es tados Unidos. subsídios para as com panhias petrolífe ras ..
Mas enfrentam os um blo queio econôm ico e estamos privados de linhas de crédito pelos organismos de financiam ento inter nacionais.ros aceita cobrir o risco nuclear. . Claro que o político que propusesse tal progra m a e que. Estamos diante de um verdadeiro conílito en tre as m ultinacionais e os Estados. o risco climático. Elas lam bem excluíram os eventuais riscos sanitários p ro vocados pelas ondas dos telefones celulares. d o risco social (desem prego) e ate do risco estético. o presidente Salvador Âllende. depois de eleito. é a estrutura política do m undo que 20. Em suma. precisam ente assassinado alguns meses depois por ter posto em execução um a política infinitam ente m enos subversiva do que aquela que. propom os. Dá para im aginar a paralisia provocada pela obriga ção de cobertura do risco sanitário. Estes já não são donos de suas decisões fundam entais. Elas operam sem assumir suas responsabilidades e não são controladas por nenhum parlam ento ou n enhum a instância representativa do interesse ge ral. o pusesse em execução seria assassinado na sem ana seguinte. Não há tropas de ocupação nem aviões no céu do Chile. o risco OGM nem o das nanotecnologias20. po líticas. num discurso pronunciado na ONU em de zem bro de 1972. d eu um a explicação «pie continua mais atual que nunca: “O dram a de m inha pátria é o de um Viet n ã silencioso. econôm icas e m ilitares p o r cansa das m ulti nacionais que não dependem de nenhum Estado. Com rara lu cidez.
C ilado p o r B ernard I. Suas atividades subjugadoras e sem controle prejudicam tam bém os países industriali zados em que elas se instalam . íipronil e imidaclopride. Lem brem os que sob a pressão dos interesses econômicos muitos alertas lançados p o r cientistas (am ianto. O program a de um a política nacional de decres cim ento parece paradoxal. dioxina. Colidimos com o poder real da oligarquia plutocrática q ue dom ina o m undo e cujos lobbies são a sua expressão mais visível. perturbadores endócrinos. . As grandes empresas m ultinacionais prejudicam os interesses dos países em vias de de senvolvimento. 22.. A ndré Cicolella c D orolhce Bcnoil-Browacys. campos eletrom agnéticos. Alertes santé. Esta pressupõe a m udança no ima21.. fay ard .está abalada. as adm inistrações. 2005. Os poderes públicos. os próprios centros de pesquisas estão mais ou m enos sob as ordens desse com ple xo agora m undial. aflatoxina. A im plem entação de proposições realistas e razoáveis tem pouca chance de ser adotada e m enos ainda de culm inar num a subversão total. 14 d e dezem bro de 2006. ain da não se falava de “globalização”.”21 E.) foratn aba fados p o r agências governam entais .cortando os créditos dos laboratórios envolvidos ou até dem i tindo de suas funções os cientistas responsáveis (às vezes com a cum plicidade dos sindicatos para “p ro teg er” os em pregos)22. Paris. heparina..uiglois 110 seu bloco d c notas d e 1'olitis. em 1972.
É possível im aginar vários cenários de transição sua ve. 87. mas as condições de sua im plem entação. decrescer sem limites. PierrcA ntoinc Delhom m ais.yon. im porta criar as condições para tal m udança.. 14 Monde. 2005. Décmüsance ou barbarfc. O que lalta não são nem perspectivas nem so luções. a imposição de um a re2$. 30 de ju llio de 2006. 24. “lios acu sa lim dam cnlalnicnte de quatro coisas: decrescer sem sair d o capi talismo. p. A elaboração profunda do projeto visa precisam ente favorecei essas condições. “[can-Marie I Jarrihcy". Instados a serem “realistas” nesse contexto. l.] um capricho de filhos d e ricos totalm ente egoístas”. Paul Ariès. Trabalho para todos numa sociedade de decrescimento A crítica “de esquerda” mais d u ra dos adversá rios d o decrescim ento diz respeito ao abandono do pleno em prego que nosso projeto implicaria2®. O im portante é a m udança radical de rumo. não ver que o u tra econom ia além d o capitalismo é possível e renunciar à perspectiva do pleno em prego”. com m edidas m uito progressivas das reduções necessárias. Portanto. sugerem en tão para o problem a d o desem prego?'1 Com o a retom ada p o r m eio do consum o e. do crescim ento está excluída para os “ob jetores de crescim ento”. .ginário que só a realização da utopia fecunda da sociedade autônom a e convivial pode provocar.. “Deve-se to m ar a d o u trin a do decrescim ento pelo q u e ela é: | . que so luções os objetores de crescim ento. Golias. portanto. nola com razão Paul Ariès. “esses filhos de ricos” segundo um jornalista do f a M onde.
a política ecológica não tem dificuldade algum a de integrar a política social. seja qual for a opinião de nossos detratores.aparente . Não se irá 25 . as trocas. D onde es sa . É inclusive a condição de um a m udança q ue não se limite a um simples rearranjo tosco do sistema. os m odos dc vida.dnção feroz do tem po de trabalho é um a condi ção necessária para sair de m n m odelo trabalhista de crescim ento. mas também para garantir a to dos um em prego satisfatório a fim de realizar (na França) a necessária rechxção de dois terços de nosso consum o dos recursos naturais. Sem dúvida. apesar da urgência so cial e ainda que ela mexa no form igueiro político.defasagem de nível de realismo e d e tem poralidade entre nossas proposições e as dos “retoinislas”: apesar da extrem a necessidade. proMems. Trata-se de certo de um desafio. com o tam pouco o parque autom otivo ou a frota aérea. “Não é possível resolver a crise am biental sem resolver os problem as sociais”. mas hoje a recí proca talvez seja ainda mais verdadeira." “ We c n m io l solvv lhe m v iro m m m ta l crisis utiihout x u lvin g social . Será preciso tem po para relocalizar a produção. não se vai suprim ir do dia para a noite todos os pesos pesados que transportam nossos kipemmsumos (mas tam bém unia parte im portante de nosso consu m o). dizia Mur ray Bookchin em 19902"’. Tem de com eçar hoje e prever suas etapas sem p erd er o rum o. pois. Aliás. a política ecológica não pode ser postergada para o longo prazo.
p. 1076). segundo Gorz. “Conversion écologique de 1’économie: quel impact sur 1’emploi?”.5 vezes mais mão de obra. avalia em 30% a mão de obra suplementar por hectare cultivado em comparação com a agricultura tradicional. n°. para sobreviver. O abandono d o produtivisrno e da exploração dos trabalhadores do Sul ge raria mais trabalho para satisfazer um nível de consum o final equivalente (obtido. da Federação Nacional da Agricultura Biológica. como analisa Marshall . 1. Dominique Vérot..’ jullio de 2004. n'. de piem. eventualm en te. 13. mil horas por ano dão uma média de vinte horas por semana. contentavam-se cora três ou quatro horas de “irabalho" por dia para garantir a vida do grupo. Eva Sas. No qu e tange ao em prego. trabalhavam arduam ente e sobretudo penosam ente”. tige (Vabandance (Gallimard. op. alguns “objelores de crescim ento” referem-se a “nossos ancestrais que. o decrescim ento exigiria um aum ento da duração d o trabalho e criaria um excesso de em prego2®. Ora. Vincent c Dcnix Cheynet. Sem ter de ir tão longe. mil horas por ano era a norma até o começo do século XV11I (André Gorz. donde uma neces sidade de 2. écohgie. Otpüaliswe. "La décroissance ]X>UI l’cmploi". p. cil... longe de criar desem prego.Sahlins em seu famoso livro Age. mas com um rendimento de aproximadamente a metade. com um a forte redução d o consum o interm e diário)27. op. poderiam ser cria dos 90 mil em pregos na França. . cil./i décroissance. 188. quase as cadências realmente não muito infernais do neolítico. socwUxm. se seu núm ero 26.resolver o problem a social sem resolver a crise ecológica. 27. C-osmojmliliques. ou seja. Pensam até que. De acordo com um estudo d a Federação Nacional dos Agricultores bio. Essa referência ao passado co loca um problema: de que ancestrais se está falando? Os da idade tia pedra. 179).
Pascal Caníin. “como se cada pessoa sobre a terra tivesse à sua disposição cinqüenta escravos”29. o que corresponde a mais de quatro dias de trabalho mus cular humano comum”. 107.5 para um a central nuclear e 4. Com 15%.1 para um a 28.passasse <los tristes 2% aluais para 9% coino na Áus tria. dl. Os com bustí veis fósseis (petróleo e gás natural) garantem hoje 80% d o consum o de energia prim ária d o m undo. dl . Tam bém o fim do petróleo deveria nos condenar a em pregar. conside ran d o o rendim ento das m elhores m áquinas con versoras de carburante em trabalho m ecânico). pp. 29. “Um motor a gasolina de potência media pode transformar as 10. 10 mil horas. 30. 1‘élrok ajmmlypse. p. 91. p... ibirl. isso cria ria 240 mil em pregos30.. . nosso consum o diário de hidrocarburelos eqüiva le ao trabalho diário de mais de 300 bilhões de se res hum anos. dl. VKamomk verte.3 kWh de energia mecânica para acionar o tambor dc uma betoneira ou o vii abrequim de um cano. oj>. oj>. Yves Clochet. teríam os en tre 120 mil e 150 mil em pregos criados28. 19. Pascal Caulin. op. Se a França aplicasse a diretriz européia e p ro duzisse 20% de sua eletricidade a partir de en er gias renováveis como a solar ou a cólica. Com o um barril de petróleo contém o equivalen te energético de 25 mil horas de trabalho hum a no (ou. mais exatam ente.000 kcal de uni litro de carburanlc em 2. 192 e 139. p. Um docum ento publica do pela Comissão Européia em 2005 m oslrou que cada m ilhão de euros investido na eficácia energé tica cria de 12 a 16 em pregos de tem po pleno con tra 4.
Pois. dado o tam anho expressivo das “reser vas”. custa duas vezes m enos econom izar um quilowatt-hora do que produzi-lo. o últim o em sentido contrário.). junho de 2005. no turismo. no agrobusiness. na indústria autom obilística. de que não são deduzidos os custos m enos visíveis. Sim etricam ente. Os três prim ei ros operam no sentido de um aum ento da quanti dade de trabalho. os ganhos de produti vidade foram sistem aticam ente transform ados em crescim ento do produto e não em decrescim ento do esforço. Instamos portanto diante de quatro fatores que operam em vários sentidos: 1) um a baixa de pro dutividade incontestável devido ao abandono do m odelo term oindustrial. de 1‘cHicacitc énerjçéiiquc”. Em outras palavras. 2) a relocalização das atividades e o (im da exploração do Sul. Não esqueçam os tam pouco a superestimação sistemática dos ganhos de produtividade das inovações técnicas. 4) um a m udança de m odo de vida e a supressão das necessidades inúteis (“enxugam en tos” im portantes na publicidade. . nos transportes. A satisfação das necessidades de um a arte de viver convivial para todos pode se realizar a partir de um a dim inuição sensível do tem po de trabalho obrigatório. nas biotecnologias etc.central a carvão31. Coinmission curopécnnc. durante séculos. "Livre verl. subesli31. de técnicas poluentes e de equipam entos energívoros. 3) a criação de em pregos (verdes) em novos setores de atividade.
isto é. “ajustando adequadamente um rolam ento de esfe ras entre duas mós neolíticas. Lester Brown indica nove setores produtivos que deveriam ser desenvolvidos num a econom ia “solar”. mais ou m enos artificialm ente. um a transição suave. um a sociedade de decrescim ento deveria ofe recer em pregos assalariados produtivos para to dos aqueles que assim desejassem. será pos sível contar com ganhos de produtividade m odes tos mas reguläres. particularm ente na ecoeliciência. Paris. Isso possibilitaria. vol. in OEuvres completes. ao m enos teoricam ente. a produção de células fotovoltaicas. E sensato pensar que. 32. . 419.ma-se o potencial de ganhos d e produtividade das ferram entas convivi ais12. em vez de trans form ar. Fayard. 2004. Energie et équité. p. baseada em energias renováveis: a construção dos aerogeradores e das turbinas cor respondentes. é possível que um a política de decrescim ento se traduza paradoxal m ente no nível m acroeconôm ico p o r um aum en to d a produção devido à dem anda direcionada de produtos e de equipam entos ecológicos e de to das as profissões necessárias. num prim eiro tem po. 1. de pois d e um a queda brutal da produtividade global devido ao abandono das técnicas tóxicas. Ivan Illich. Em todo caso. Assim. Aliás. Claro que se podem debater e ela b orar diversos modelos de simulação. um índio pode moer atualmente tantos grãos num dia quanto seus ancestrais numa semana”. atividades não m ercantis em trabalho assalariado e m ultipli car os em pregos parasitários ou servis.
Antes e depois. éailogitfueet duraMe. E. . também farão nascer novas ativida des. a construção de m etrôs leves. m enos que a atonia d o consum o.a indústria d a bicicleta. sem afetar os salários (em todo caso. a produção de hidrogênio c d e m otores correspondentes. diferentes daquelas propostas pelos a »ti libe rais patentes d a esquerda tradicional. As reduções. o conserto e a reci clagem. dos especialistas llorestais aos ecoarquitetos33. a reutilização. Portanto. a agricultura biológica e o rellorcstam ento. ligados ao abandono da obsolescência program ada. é o super ou hiperconsum o que continua sendo o inimigo prin cipal. a expansão de novas atividades desejáveis poderia gerar um saldo posi tivo de em pregos. Paris. o decrescim ento não é um dogm a rígido. Lesler R. deveriam se desenvolver novas profissões. 2003. C ontudo. I. lado a lado com a redução do tem po de trabalho e da regres são das atividades nocivas. co n tan to qu e seu con teú d o 33. os mais baixos) ou a p rodução tiual.c Seuil. Eco-icononõe: uneautreartbsana: est possibU. d u ra n te a qual os g anhos de p ro d u ti vidade serão transform ados em redução do tem po d e trab alh o e em criação de em pregos. que querem construir hospitais e escolas para salvar os em pre gos. E possível im aginar um a transição mais ou m e nos longa. Ilrown. é um questionam ento d a lógica do cresci m ento pelo crescim ento. Não se trata dc um a “retom ada” global cega.
Será que p o r isso se * No original moins-dismU social. esperava-se q ue um assalariado de 20 anos trabalhasse um ter ço de sua vida desperta. oji. o q u e mais im porta é não transigir com os objeti vos. apenas um quar to. M udando a vida. ao passo que. referência à prática <lc “dumping social" por parte das multinacionais. cit. essa im postura.. . deve p o r esse motivo ser m antido e fortalecido. corre-se o risco d e nunca m udar de sociedade e de ir de cara con tra o m uro. O retorno à “desinercantilização” do trabalho é um imperativo. O direito do trabalho. O atual jogo do “m en o r preço social”* é tão inaceitável qu an to o d o m en o r preço ecológico34. Sobre esse ponto. Cum pre defen d e r pisos mínimos de salários decentes contra a teoria dos economistas da demissão voluntária. resolverem os o p ro b lem a d o desem prego.) 34.seja transform ado. expressão que lá/. Em 1946. focando n o p ro blem a do em prego cm si mesmo. Sair da sociedade trabalhista pelo decrescimento A redução drástica do tem po de trabalho cons titui um a prim eira proteção contra a flexibilidade e a precariedade. remetemos o leitor aos desenvolvimen tos que dedicamos ao terna em Justicesans limites. na mira dos liberais por ser fonte de rigidez. em parti cular no capítulo 6. m enos de um quinto. hoje. em 1975. da '1'. (N. lilc decerto faci lita o necessário decrescim ento. A passagem pode ser indolor.
Galilée. p. i>/>.. políticos. Nos últimos anos. J.(em a sensação de estar liberado do tr abalho? Pro vavelmente m enos que nunca. o m edo e a certeza de ter de abandonar seu local de trabalho bem rápido. 109.ú t. 36. é a condição de um a nova riqueza. escolhas da sociedade. pois. Slalkinc. nota B em ard Maris. redução do tem po de trabalho e m u dança de seu conteúdo são. conseqüência da revolução cultural convocada pelo decrescim ento. M étam m phoses d u tm v a il. Gabriel larde. com o pareceria m ostrar a baixa tendeneial das horas trabalhadas. científicos. A n liim m u e l d ’fconom ie.a . o isolam ento. Genebra. vol. o estresse. 02. 1988. [>. privada e artís tica. “o que há não é o fim do trabalho. Ver André Gorz. Gabriel Tarde já dizia que “o lugar que as necessidades suprim idas deixaram no coração é tom ado pelos talentos. A questão fundam ental. (1896). “Para os assalaria dos”. Rcrnard Maris. entre as profecias da m etam orfose ou do fim do trabalho37 e a reati 35. que se m ul tiplicam e se enraízam a cada dia”31’. não é o núm ero exato de horas necessárias. 37. mas tam bém no jo g o ou na cont emplação. mas o lugar do trabalho como “valor” na sociedade. Quête ( k sens. antes de mais nada. ta lentos artísticos. Fragmcnt d ‘hislt>ire future. 1980. C ri tique de ta raison économique. a precariedade. 2. Jeremy Rifkin. a per da de referências não deixou de perturbar os polí ticos profissionais da esquerda.”sn Portanto. Paris. A um en tai' o tem po não imposto para possibilitar a pleni tude dos cidadãos na vida política. c sim o trabalho sem fim.
Individualm ente. desde que se consiga resistir à engrenagem da acum ulação ilimitada e evitar o ciclo infernal das fin du travail. Speenhamland. faccjues Robin. a tendên cia agora é de postergações®. Pom inique Meda. Mesmos ílesvarios em relação à idade da aposentadoria: de pois da onda de demissões antecipadas. designou o sistema de sub sídios fornecidos aos trabalhadores pobres na Inglaterra aníes de 1830 e que foi considerado contraprodutivo. Çhumd le trmml quitte tu.1. “Travailler après 60 ans doit devenir Ia nornie" (citado por Ohrislophe Ramaiix. 38. . Segundo o relatório europeu de Wim Kok (2003). 1995.vação surrealista da ideologia trabalhista. a sociedade francesa (direita e esquerda indistintam ente). 1996. GRIT éditeur. Paris. já hou ve qu em conseguisse sair da sociedade trabalhis ta e essas experiências podem indicar um cam i nho. I . sociéti jml-indwlrielle. é dada com a condição de os alivos sem emprego buscarem se reinseiir. equivalente a meio-SMIC (salário mínimo inrcrprolissional de crescimento). Mille et une iiuils. à reivindicação de direita ou de esquerda de um a “renda de cidadania”. por sua vez. 39. Essa renda. üne valeur en ‘voii1tle ãhpariiitm. O decrescim ento. Alto/Aubicr. p. baseado no nome da localidade em que surgiu. Paris. passan d o pelo ataque frontal às “35 horas”. ofere ce o espetáculo de um a grande confusão sobre a questão do trabalho. L'Elal social cnnlre la Jlexicurilé. I s 'l'rav/iil. Da denú n cia de um reto rn o ao Speenham land com o RMI (renda m í nim a de inserção)39. Kmploi: éloge de la slabilüé.a Découverte. a exem plo d e todas as sociedades ocidentais. Paris. 89). Paris. 2006.994. implica ao mes m o tem po redução quantitativa e transform ação qualitativa do trabalho.
%. Repas 2003. travaillait autrement? Ambiance bois. . Os possíveis comprom issos sobre os meios da transição não de vem lazer p erd er de vista os objetivos com os quais não se pode transigir.necessidades e da renda. âge d ’abondmicr.ulck. '11. la Jibre du développement local. Moutons rebelles: Ardelaine.. E na realização das condições objetivas dessa m udança na escala da sociedade que deve se fixar a constru ção de um a sociedade de decrescim ento. cit. e Béatrice B arras. à qual viria se som ar o direito ao ano sabá tico e às férias 40.slogan dos socialistas em 1981) ou trabalhar p o r “um outro m u n d o ” (slogan de Altac em 2002) é realizável em 2007. Repas. alcançar a abundância perdida das sociedades de coletores-caçadores analisada po r Marshall Sahlins".. Trabalhar m enos e dc o u tro m odo pode q u erer dizer recuperar o gosto pelo lazer. tornar-se “objetor dc crescim ento”. Ver M ichel I. Valence. Âge de Pierre. K o que lonlou m ostrar o Repas (sigla em francês de Rede d e troca das prá ticas alternativas e solidárias)10. Valence. 2002. 1’aveiUured’un collectif autogéré. de certo m odo. Xcim. Autolimitar-se é. mas não com velhas receitas c não sem ruptura. oj>. li igualm ente instrutivo voltar a exami nar os motivos do fracasso do program a do parti do soeial-democrata (SPD) alem ão de 1989. Era um program a qu e p ro punha “a redução da jo rn a da sem anal para trinta horas em cinco dias. O relativo fracasso das “35 horas” foi conseqüência da ausência dessa deter m inação. “M udar a vida” (.
em parte. melhora sua qualidade [.(pagas) adicionais para os pais de filhos de pouca idade e de pessoas necessitadas de cuidados”12. 91.. 83. Citado por André Gorz. com as famosas estratégias win-win (ganha-ganha). 44.. dl . ou seja. Cafritrilimie. p.. Tam bém pregava claram ente um decrescim ento: “E preciso que decresça c desapareça o qu e am ea ça as bases naturais da vida”n. o automóvel para uso parti cular.”’1E sem dú vida nesse desejo de não questionar a lógica capi talista que reside a cansa do fracasso. o que é ecologicam ente irracional não pode ser econom icam ente racional | . ibid. /bid. p. maalituw. |. . de que fazem parte o nuclear e. As necessidades ecológicas devem se to rn ar princípios básicos da atividade econôm ica.. p. oj>. Se nos com prom eterm os a tem po com a m odernização ecológica. 92. mil horas de trabalho p o r ano.. “Seria ilusó rio crer e paradoxal esperar”. Dizse que: “No longo prazo.. capitalista) com binam . André Gorz. com enta Gorz. 43. “que a racionalização ecológica pudesse com pensar o decrescim ento e a conversão das indústrias clássi cas em pregando num a ‘econom ia do m eio am b ien te’ a m ão de obra e os capitais economizados m i m 42. iavorece a autode terminação e as atividades autônomas <le criação”. Era program a que se apoiava n a ideia de que racionalidade ecológica e racionalidade econôm ica (portanto. ccologie.]. aum entarem os nossas chances de con quistar os m ercados cle am anhã c m elhorarem os a com petitividade de nossa econom ia. em média. É certo <jue “é preciso qu e cresça o q u e consoli da as bases da vida.
Resta precisar o conteúdo d a política do tem po liberado. Md. afora alguns avanços notáveis no plano ecológico na Alem anha e algumas conquis tas sociais na Fiança (o RMI.”Ir’ Afinal d e contas. Paris. na m esm a época. p. o sociólogo Joffre Dumazedier publicou um estudo pioneiro. Em 1962. citado por Thierry Paquot. a conver são ecológica pode ser um m otor de crescim ento no período de transição. no qual examinava detalhadam ente as três funções do lazer: o relaxam ento.. lienri Lefebvre.. nem a E uropa social nem a E uropa ecológica sequer ini ciaram qualquer realização. Io d a a sua construção se baseava na hipótese de um “sujeito autônom o”. “Vers une civilization d u loisir?” [Rumo a um a civilização do la zer |.. 45. 2005.] Trata-se de um a política indispen sável que não deve ser apresentada como um a es colha m otivada pela oportunidade econôm ica. 93. 29. [. “o sentido da vida é a vida sem sentido’Mfi. La Vie quotúlienne dans le monde moderne (1968). a diversão e o desenvolvimento (pessoal). apesar de um a m aio ria de governos de esquerda. Elogedu luxe.em o u tra parte. Para muitas empresas. . as 35 horas). Del'utilitédel' inu tile. O ra. mas este não pode ser o objetivo no longo prazo do ponto de vista m acroe conôm ico. p. Bourin. se “já não é por. 46. no e com o trabalho que cada um se constrói” na “sociedade burocrática de con sumo dirigido”. H enri Lefebvre mostrava que.
G eralm ente o tem po é em pregado em atividades tam bém mercantis. J21. “estamos con frontados com um a reconquista do tem po pessoal. 1998). Daniel Mothé.Sem um “reencantam ento” da vida. citado conforme a edição italiana. o tem po liberado do trabalho nem por isso está liberado da econom ia. além d o trabalho. lisprit. dl . “os meios objetivos e subjetivos para ocupar o tem po liberado m edian te atividades autônom as”47.’utopiedutemp\ libre. citado por André Gorz. op. p. Resta a necessidade d e devolver sen tid o ao tem po libe rad o . “Fundam en talm ente”. escreve François Brune. Um tem po que cultiva a len 47. . ou seja. em que as relações sociais prim em sobre. a produção e o consum o de p ro d u tos descartáveis inúteis ou até nocivos. A m aior parte do tem po livre não leva a um a reapropriação da existência e não constit ui um a esca pada para fora do m odelo m ercantil dom inante. O tem po livre se profissionaliza e se industrializa cada vez mais48. as elasses laboriosas não terão “ap tidão para o lazer”. Lutopia dei tempo libero. Daniel M othé m ostra isso: nas condições atuais. Um tem po qualitativo. Turim. Ele é conduzido para um a via paralela. A saída do sistema produtivista e trabalhis ta atual pressupõe um a organização totalm ente diferente em que. Paris. tam bém o decrescim ento estaria fadado ao fracasso. l. Bollati Boriughieri. que não perm item que o con sum idor em preenda o cam inho da autoprodução. 48. E n q u an to o trab alh o assalariado não for transform ado. sejam valori zados o lazer e o jogo. Raincr Land. 1907 (aqui.
liberado cio pensam ento do p ro d u to . a obra d o artesão ou do art ista e a ação propriam en te política. 50. wáalisme. de aju da m útua. com o nos propõe C hristophe Ramaux e. op. Há quem tente desesperadamente “salvar o trabalho” redefinindo-o de modo ideal c esquecendo o trabalho “realmente existente". a form ação e a educação. costum a traduzir. não querem os salvá-la e sim sair dela. conscientem ente ou não. E a posição dc Alam Soupiot. Ora. isolandoo assim d a classe assalariada a que está historica m ente ligado™. Segundo A ndré Gorz. e que refunde os serviços sociais e os equipam entos coletivos de tal m odo que neles haja mais espaço para as atividades autogeridas. ('. não só os dois com ponentes recalcados da vi l a acima.. rem e tendo à m ulher “em trabalho” de parto. Chegam a(é a d eplorar que o tra 49. de m aneira mais matizada. Talvez seja nesse ponto que a diver gência de “sensibilidades” en tre nossos críticos e nós seja mais visível. de cooperação e de autoprodução vo luntárias”19. Jean-M arie ITarribey. a política cultural. écologie.tidão e a contem plação. dl. A propaganda trabalhista foi tão bem-sucedida q ue suas vítimas a revigoraram propondo um a redefinição do “ver d adeiro” trabalho com o atividade criativa. mas a própria vila contemplativa seria reabi litada./ipiuãünw. um apego visceral à sociedade trabalhista. é preciso haver “um a política do tempo que inclua a reorganização d o am biente d e vida. Não loi por acaso que me . André Gorz.” R etom ando H annah A rendt. Salvar o em prego a q ualquer preço. p. 127. recuperariam seus direitos ao lado da labuta.
. Sedeis.balho não lenha estendido suficientem ente seu im pério e sua dom inação sobro a vida e que o “traba lh o ” dom éstico ou o voluntariado não sejam leva dos em conta. 178. Ou seja. li. esse aum ento artificial de valor consome um a quantidade considerável de energia (trans portes) e de materiais diversos (embalagens. publicidade. Arcotite. e é precisam ente na di m inuição desses consum os interm ediários que contrapuseram essa posição num debate com os verdes para “sal var o desenvolvimento” Na verdade.118. pagos. Rame du MAI ISS. Paris. de todos os alimentos. dejouveuel.). sem m elhorar sua eficiên cia51. 1968. o aumento de consumo fisiológico foi de no máximo 12% a 15%. con servação. Ora. Ora. * “Enrichir la croissance en emploi": essa formula significou nos anos 1990 na França a diminuição do desemprego ao preço da precarização das condições de trabalho. “Notes pour en finir vraiment avec la ‘fin du travail’”.. segundo a análise de Kuznets.) 51. da água. pode-se multiplicar o pre ço d a m olécula farm acêutica. p. marca. a econom ia m uitas vezes se m ostrou capaz de enriquecer o rrescimenío em empregos* e de efetivamente gerar um cres cim ento dos valores m onetários. ao menos quatro qninlos do aparente progresso do consumo de alimentos na verdade refletiram o aumento dos serviços de trans porte e de distribuição correspondentes aos alimentos”. Ver Dominique Méda. mas sem cresci m ento da satisfação o u até com regressão desta: p o r um lado. segundo os cálculos do Département ol'Agriculture. em bala gem. incorporando transporte. Essais surte mieux-vivre. ou seja. do iogurte. (N. “Nos Estados Unidos". “o consumo alimentar per capita medido em preços constantes teria progredido em 75% de 1909 a 1957. da T. M ediante a alquim ia m ercantil. . relata Bertrand de Jouvencl. publicidade. o combate <: as questões são os mesmos. n1.
mas tam bém os funda m entos da socialidade vivida e do tecido relacio nai”52? Os diversos artifícios utilizados para con verter as atividades em trabalho. “à força de m onetarizar. E certo que elas criam em pregos (geralm ente mal pagos). “se conseguissem transfor m ar em prestações de serviços retribuídas as ativi!>2. energia nu clear. Ou ainda: “Será que podemos salvar a sociedade salarial multipli cando os empregos que os pais fundadores da economia política qualificavam de improdutivos?”. nossa capacidade de cuidarm os de nós mesmos. com o pretexto de “criar em pregos”. A ndré Clorz se pergunta. p. Capitalüme. somam-se àqueles em prega dos para contar de outro m odo e fazer desapare cer os desem pregados das estatíst icas. André Gorz. Quase desesperadas. soàatisme. cit. de pro fissionalizar. até final m ente aniquilar.. “Poderia não haver limite para o desenvolvimento do em pre go”. mas a m esma satisfação final poderia ser obtida por um a red u ção drástica d o tem po de trabalho e um a forte re dução d a pegada ecológica. écologie. . 0(JM .deve incidir prioritariam ente o esforço do decres cim ento. oj>. p o r exem plo) têm mn im pacto ecológico propriam ente catastrófico. solapando assim os fundam entos da autonom ia existencial. as atuais tentativas de au m en tar ainda mais os valores m ercantis num planeta esgotado (aquicultura. ibid. l’or outro lado. “não estarem os reduzindo. acrescenta Gorz. 65. de transform ar em em pregos as raras atividades de autoprodução e de autosserviço que ainda assumimos p o r conta própria”.
serviços domésticos. que. reduzo a um só tem po a pegada ecológica e o PIB. . a criação de uma nova dom esticidade.) 55. Ibi/l. ao m esm o tem po que m elhoro certa form a de satisfação pessoal. 53.dades que cada pessoa assumiu até agora por con ta própria. de um a nova servidão.0 cúmulo foi a obviedade proferida por Altali e Ghampain: “Considerar a procura de emprego uma atividade seria suprimir o desemprego. “Changer de paradigme pour supprimer le chômage”. (N. da T. não da substitui ção prod-ulixia do trabalho de autoprochição priva d a pelo trabalho assalariado. * São assim denominados serviços que contribuem para o bem-estar das pessoas em seu domicílio. aulas particulares. se eu mes m o produzir fora do m ercado. Ibid. assistência domiciliar a idosos.. motoristas par ticulares etc.” Chrislophe Uamaux comenfa: “Alguém linha de pensar isso: nossos dois autores ousaram fazê-lo". Daí p o r que a reivindicação de alguns m ilitantes da antiglobalização (m ultiplicar os em pregos de serviços para lutar contra o desem prego) é um a falsa boa ideia53. mas da atividade antieconômica. doentes. redescobrir a qualidade fora das lógicas m ercantis faz decrcscer os valores econô micos. p. a criação de em pregos de p en d e principalmente.”53 “Agora. Fundação Jean-[aurès. mas de sua substitui ção con t r ap r od u l i v a O u seja. cuidado das crianças. Por exemplo. Nisso consiste toda a am bigüidade dos serviços à pes soa* com que m artelam nossos ouvidos! Inversam ente. não da atividade econômica. no vembro de 2005. 54. entregas em domicílio. 63. E fácil notar. por exem plo.
Essa reconquista do tem po “livre” é um a condi
ção necessária para a descolonização d o imaginá
rio. C oncerne tanto aos operários e aos assalaria
dos q u an to aos executivos estressados, aos patrões
atorm entados pela concorrência e aos profissio
nais liberais com prim idos no torno da compulsão
ao crescim ento. Adversários podem .se tornar alia
dos n a construção de um a sociedade de decresci
m ento.
O decrescimento é assimilável
no capitalismo?
O decrescim ento é possível sem sair do capita
lismo? Essa pergunta reaparece praticam ente em
cada debate público. Com o pretexto de que de
nunciam os a globalização e o crescim ento sem
qualificá-los explícita e constantem ente de ultraliberais e de capitalistas, alguns críticos nos acusam
de acom odação à exploração capitalista50. Na ver
dade, acusam-nos de jogar, ju n to com a água suja
do capitalism o e do liberalismo, o bebê do desen
volvimento, do crescimento e d a economia. Em ou
tras palavras, nós nos recusamos a “salvar” a fanta
sia de uma outra economia, de um outrocrescimento,
de um outro desenvolvim ento (à escolha: keynesianos, públicos, socialistas, hum anos, sustentá
veis, limpos...).
56.
Esta é a primeira das quatro acusações articuladas por
Jcan-Marie Ilairibcy ao decrescimento (ver nota 23, p. 108).
A resposta tradicional de certa extrem a esquer
da consiste, com efeito, em atribuir a um a en
tidade, “o capitalismo”, a fonte de todos os em pe
cilhos, de todas as nossas impolências e, p o r isso
m esm o, em definir a localização d a cidadela a ser
abatida. Na verdade, dizer que rosto tem o adver
sário é hoje problem ático, pois as entidades eco
nômicas, assim com o as empresas transnacionais
que detêm o poder real, são, p o r natureza, inca
pazes d e exercê-lo diretam ente. Por um lado, Big
B rother é anônim o, p o r outro, a servidão dos su
jeitos é hoje mais voluntária que nunca, pois a ma
nipulação da publicidade comercial é infinitam en
te mais insidiosa que a da propaganda política.
Com o, nessas condições, enfrentar “politicam en
te” a m egamáquina?
Se não insistimos na crítica específica do capi
talismo é porque nos parece inútil chover no m o
lhado. No essencial, essa crítica foi feita e benfeita
p o r Karl Marx. C ontudo, não basta questionar o
capitalismo, tam bém é preciso p ô r em questão
toda a sociedade de crescim ento. E nisso Marx se
equivoca. Q uestionar a sociedade de crescim ento
im plica questionar o capitalismo, mas o inverso
não é necessariamente verdadeiro. Capitalismo
mais ou m enos liberal e socialismo produtivista são
duas variantes de um mesmo projeto de socieda
de de crescim ento, baseado 110 desenvolvimento
das forças produtivas que supostam ente favorece
ria a m archa da hum anidade rum o ao progresso.
Por não integrar as exigências ecológicas, a crí
tica m arxista da m odernidade sofre de um a terrí
vel am bigüidade. A econom ia capitalista é critica
da e denunciada, mas o crescim ento das forças
que ela desencadeia é qualificado de “produtivo”
(quando elas são, no m ínim o, igualm ente destru
tivas). Afinal d e contas, do ponto de vista d o trio
p ro d u çã o /em p reg o /co n su m o , a esse crescim en
to são creditados todos os benefícios ou quase to
dos, ainda que, d o ponto de vista da acum ulação
do capital, ele seja julgado responsável p o r todas
as pragas: a proletarização dos trabalhadores, sua
exploração, sua pauperização, sem falar do im pe
rialismo, das guerras, das crises (incluindo, é cla
ro, as ecológicas) etc. A m udança das relações de
produção (em que consiste a revolução necessária
c desejada) fica assim reduzida a um a alteração
mais ou m enos violenta do stalus dos que têm di
reito n a divisão dos frutos do crescim ento. A par
tir daí, pode-se discutir interm inavelm cnte sobre
seu conteúdo, mas sem questionar seu princípio.
Com o o crescim ento e o desenvolvimento são
respectivam ente crescim ento da acum ulação do
capital e desenvolvimento do capitalismo, o de
crescim ento é obrigatoriam ente um decrescim en
to da acum ulação, do capitalismo, da exploração
e da predação. Trata-se não só de dim inuir a veloci
dade da acum ulação, mas tam bém de questionar
o conceito para inverter o processo destrutivo57.
57.
É lamentável, trágico talvez, que a relação entre Karl Marx
e Serguei Podolinsky (1850-1891), esse aristocrata e cientista ucra-
by Douglas Martin. 1982. mas sobretudo porque questiona o “espí rito”.. Darwin e Carnot. “É tão impossível convencer o capitalis m o a lim itar o crescim ento quanto é impossível per suadir um ser hum ano a parar de respirar”. já làz tem po. De fato. não é com a esquerda não mar xista. “Murray Bookchin.. “Capitalism can no more he ‘persuaded’ to limit growth than a human being can be ‘persuaded’ to stop breathing”. Naredo. O decrescim ento é forçosam ente contra o capitalismo. se o encontro intelectual tivesse ocorrido. É um a “superação” (se possível. . Peasant Studies. é provável que. es creveu Murray Bookchin58. aquele genial precursor da economia ecológica queria conciliar o pensa mento socialists« com a segunda lei da termodinâmica c fazer a sín tese entre Marx. Writer.. 85. Activist and Ecology Theorist. que. não tenha ido em frente. talvez seja possível conceber um a econom ia ecocom patível com persistência de um capitalismo d o imaniano exilado na França. abstratam ente falando. acessoriamente. in Neto Ymk Times. em boa ordem ) d a m o dernidade. que se deve contar para levantar a lebre. muitos impasses do socia lismo teriam sido evitados e. S.Evidentemente. Ver Joan Martinez Alier e J. Embora. n? 9. algumas polêmicas sobre o caráter de direita ou de esquerda do decrescimento. 7 de agosto de 2006. no sentido em q ue Max Weber considera “o espírito do capitalismo” como condição de sua realização. 58. Dies”. Nossa concepção da sociedade do decresci m ento não é nem um impossível reto rn o p ara trás nem um acom odam ento ao capitalismo. “A marxisl Precursor to Energy Economics: Podolinsky". Não tanto p o r d en u n ciar as contradições e os limites ecológicos e sociais.. se acom odou ao sistema. Iírn todo caso.
moe das e. Contudo. não são em si mesmas obstáculos. claro. m uito pelo contrário. Discorri longamente sobre isso na última parto dc: meu li vro justicesans limites. a saber: a desm edida e a (pseudo) dom inação sem limites. O capitalism o generalizado não pode não destruir o planeta assim como cleslrói a sociedade e tudo o que for coletivo. d e lucro e de proletariado num a so ciedade do após-desenvolvimentor>i)? Essas “insti tuições”. cil. a abolição da relação salarial ou da m oeda. o lucro comercial.” Fórm ula côm oda para designar um processo histórico que é tudo m enos simples: a elim inação dos capitalistas. que m er gulhariam a sociedade no caos. só seriam possí veis por m eio de um terrorism o maciço e não bas tariam . indus trial até (que seria m elhor cham ar de “induslrioso”.terial. oj>. para abolir o imagi nário capitalista. Será qu e ainda se poderia talar de m oeda e de “m ercados”. financeiro. que alguns identificam um tanto apressa dam ente com o capitalismo. Nelas tam bém existe a rem uneração preestabelecida do trabalho que cham am os de trabalho assalariado. 59. quando se trata de artesanato). a interdição da propriedade privada dos bens de produção. . Le défi de l'éthiquedam une économiemondiali sée. essa perspectiva é irrealista no que concer n e às bases imaginárias da sociedade de m ercado. “Sair do capitalism o. Muitas sociedades hum anas conhe cem m ercados (particularm ente a África).
absurda. m esm o que nelas liaja ca pi t al e capitalistas. a moeda é uma grande invenção. concordamos com a análise de Cornelius Oastoriadis. mas implica r nnser ilas num a outra lógica*50. hâ a ideia absurda de que o meraido como tal. com (lorz. op. Ou tra coisa e retirar da moeda uma de suas funções nas economias capitalista e pré-capitalisla: a de instrumento de acumulação indi vidual de riquezas e de aquisição de meios de produção. p. nem sociedades industriais e m enos ainda sociedades capitalistas.. “a res posta positiva à desintegração dos laços sociais sob 60. . No contexto de uma economia minimamente desenvolvida. sair do desenvolvimento. sobretudo se p o r socialismo se en ten d er. Não são nem sociedades de m ercado. é algo evidente: não pode haver uma sociedade complexa sem. uma grande criação da humanidade” (il/i/1. essa mediação se chama o matado (a troca)". da econom ia e do crescim ento n ão implica renunciar a todas as instituições so ciais que a econom ia anexou. elas não estão articula das en tre si a ponto d e “fazer sistema”. Nesse ponto. meios impessoais de troca. sobretudo. porém. por exemplo. e sempre serão. cíl. Como unidade de valor c meio de troca. socialmente mediadas. como numa tamília. A moeda cumpre essa função c ela é muito importante nesse sentido. p. a mercadoria conto tal ‘personificam’ a alie nação.essas r el ações “econ ôm i cas” não são predom inan tes nem na produção nem na circulação dos “bens e serviços”. Elas são sem pre. 190. numa sociedade ampla. para quem: “No marxismo. Unesoáélêà tu tlérive. O decrescim ento pode ser considerado um “ecossocialismo”. E ele conti nua: “Para mim. O im aginário dessas sociedades é tão pouco colonizado pela econom ia que elas vi vem sua econom ia sem sabê-lo. li. Portanto. 198). pois as relações entre os homens. não podem ser ‘pessoais’.. nem sociedades sala riais.
fundam entalm ente político. que. écologie. os ativistas respeitosos da preocu pação ecológica que não são “de esquerda” (Nicolas Ilulot. C ontudo. é verdade. “d o ravante. é tão pouco com partilhado à esquerda quanto à di reita. assim como existe um antiutilitarism o de direita e um anlicapitalism o d e direita (muito m inoritário na direita parlam entar). características do capitalism o”1’1. Cinij défispom ledevenir uibain de laplanète. Capilalisme. Existe. soànliime. . como Thierry Paquot. será que ele é de direita ou de esquerda? Muitos ecologistas acham . O decrescimento é de direita 01» de esquerda? O m ovim ento do decrescim ento é revolucio nário e anticapitalista (e até antiutilitarista). op.. 113. e poderíam os dizer que o program a que propom os. T hierry Paquot. 62. Terre urbaine. mas aquela que separa os ativistas respeitosos da preo cupação ecológica dos predadores”62. d t. C ontudo. e seu program a. um a crítica de direita da mo dernidade. um program a de bom senso em prim eiro lugar. Yann Arthus-Bertrand) íicam m uitas vezes estranham ento silenciosos a respeito dos predadores. 87. a verdadeira dualidade política já não é aquela que distingue a ‘direita’ d a ‘esquerda’. cil. Com certeza. C orinne Lepage.. p. Aiidré CJor/.eleito das relações m ercantis e da concorrência. op. Não há m oti 61.
trotskismos e ou tros esquerdism os são tão produtivistas quanto os connm ism os ortodoxos.: 0 direitoà preguiça. fiquem co n d en ad o s ao social-liberalism o. apesar do belo livro do genro de Marx. p o r não ousarem a “desco lonização do im aginário”. influenciados pelos ar gum entos dos pensadores contrarrevolucionários com o E dm und Burke. Milte et une nuits. Rio de Janeiro. mas essa crítica perm aneceu politica m en te marginal. contudo. partid ário s d a construção de um a sociedade 63. flid.] . Hucitec. Mesmo que os governos de esquerda tenham políticas de direita e. pelo conselhism o e pelo situacionismo. reatualizada pela Escola de Frankfurt. a crítica radical da m odernidade foi m ais prolunda à direita que à esquerda. N ão cabe. confundir o antiprodutivismo d e direita e o antiprodutivism o de esquer da. Paris.que ainda é um dos ataques mais fortes contra o trabaIhismo e o produtivismo apesar de um a tradi ção anarquista no seio do marxismo. Cum pre até re conhecer que. C onhe ceu belos desenvolvimentos com H annah A rendt ou Cornelius Castoriadis.vo p ara se espantar de que um antilrabalhism o e um antiprodutivism o de direita se n u tra dos mes mos argum entos que nós usamos. Paul Lafargue. 2000. I m Droit à la pam se^ . 199'1. Louis de Bonald ou Joseph de Maistre. Assim com o tam pouco o anticapitalism o ou o antiutilitarism o. os objetores de crescim en to. Os maoísmos. bias.
esses valores forem estendidos para as gerações futuras. Se. sereno e sustentável sabem diferenciar (por mais tênue que essa dife rença seja) entre Jospin e Chirac. de igualdade e de fraternidade. “seria que um poder autoritário se lou vasse na necessidade ecológica para tornar aceitá vel a restrição das liberdades sem ter de tocar na desigualdade. serem os obrigados a questionar a devasta ção da natureza. A contrario.. de solidarie dade. Schroder e Merkel. é mais do lado dos valores de partilha. mesmo que nenhum program a de governo leve em conta a necessária redução de nossa pegada ecológica. p. Por isso é que nosso com bate se situa decidida m ente contra a globalização e o liberalismo eco nômico. do que do valor d a liberdade de em p reen d er (e de explo rar). ciL. Royal c Sarkozy.d e decrescim ento convivial. os picos de poluição. op. e até entre Blair e Thatcher. A gestão das epidem ias. (im m enl lesriches détruismt laptanèu . 114. ou mesmo o massacre das outras espécies. “a astúcia da história”. a ‘gestão’ dos em igrados d a crise climática são vários dos m oti vos que facilitariam a restrição das liberdades”64. Hcrvc Kcmpf. escreveu I Iervé Kempf. e sair de um antropocentrism o estreito. Prodi e Berlusconi. Passar-se-ia assim d o totalitarism o m edíocre da 64. Q uando eles vão votar (o que nós os aconselham os a fazer).. com Ila n sjo n a s. os aciden tes nucleares. sabem que. . que cum pre se orientar.
écologie. comercialize fetos e órgãos. um des p ertar do projeto dem ocrático. . cujo m apa A ndré Gorz nos forneceu: “As bases ‘naturais’ da vida podem .. André Gorz. inclusive os desem penhos hum anos. op.] A reprodução das bases da vida pode ser organizada no âm bito de um eco-tecno-fascismo que substi tua artificialm ente os ciclos naturais p o r nichos sintéticos.. a um ecofascismo ou ecototalitarism o robusto. 109. se não houver um novo m ovimento. ser produzidas ou repro duzidas industrialm ente pelo desenvolvimento de um a ecoindústria e de um ecobusiness que obede ça aos mesmos imperativos de rentabilidade m á xim a que as outras indústrias de consumo. p o r exem plo. com efeito. é fácil im aginar regim es autoritários im pondo restrições draconia nas a um a população desesperada e apática. (ktpitatism. [. [.oligarquia plutocrática aluai. p.] E. in clusive a vida hum ana. industrialize a produção da própria vida. ciL.. que ainda conserva um a aparência de dem ocracia formal. a ‘ecologia’ pode 65. m aximize os desem penhos dos organismos vivos. por m eio da engenharia genética. economicizc de certo m odo o nível de vida. xoáalisme.. Precisamos de um parlido do decrescimento? Castoriadis dizia que “diante de um a catástrofe ecológica m undial.
Unesociétéà la derive. dl. Institucionalizar p re m aturam ente o program a d o decrescim ento me diante a existência de um partido político poderia nos fazer cair na arm adilha da política politiquei ra. Em reação a essa perspectiva assustado ra. que tal projeto implica. aquela que leva os atores políticos a abandona rem as realidades sociais e se encerrarem no jogo político. Gornelius Castoriadis.”68 Será que. qu an d o ainda não estão reunidas as con dições que perm itam pôr em andam ento a cons trução de um a sociedade d o decrescim ento e quando ainda é duvidoso de que esta possa se ins crever eficazm ente no contexto ultrapassado do 60. devemos congelar desde já o m ovim ento na form a de um partido do decres cim ento? Achamos que não. .. a aposta no decrescim ento supõe que o atrati vo da utopia convivia]. E é ainda mais im perativa n a m edida em q ue o q u estio n am en to dos valores e das orientações da sociedade atual. com binada com o peso das exigências de m udança. 246. op. possa favorecer um a “descolonização do im aginário” e suscitar suficien tes com portam entos “virtuosos” a favor de um a solução racional: a dem ocracia ecológica.perfeitam ente ser integrada a um a ideologia neo fascista”. p o r isso. Era essa tam bém a análise de Castoriadis: “A inclusão do com ponente ecológico num projeto político de m ocrático radical é indispensável. é indissociável da crítica do im aginário do ‘desenvolvim ento’ em que vivemos. p.
Paris. São essas.Estado-nação(’7. fazer que certos argum entos sejam considerados. . a sedução da política ])olit. Le Seuil. économique. Une démocratie directe. e os candidatos se em purram uns aos outros para capitalizar o mais rápido possível o su cesso (m uito relativo) desta ou daquela reivindi cação legítima. Consideramos. Vers une démo cratie générale.iqueira parece aum entar com sua im potência derrisória. 67. abril-maio de 2005. L ’Ecolo giste. ao contrário. contribuir para fazer evoluir assim as m entalidades. modificar as posições de uns e outros. n” 15. Ver nosso artigo “Pour une renaissance du local”. e Takis Fotopuulos. No entanto. écologique et sociale. mais im portante influir no debate. 2001. nossa mis são e nossa ambição. nos dias atuais.
.
Axperís mécoftnus d*unenébuUtuse* Paris. 1. a um a form a de ecologia profunda que defenderia posi ções “antiespecisías”.. Tudo isso só pod e. p. .O decrescim ento é um humanismo? “Ser á que os hom ens enlou qu ecer am ? A d i o que sim . suspei tam qu e eles preferem a sobrevivência das baratas à dos hom ens. 56. l.'Anlmumdialisatíon. em outras palavras. Seguem-se a acusação de pregar um retorno a um comunitarismo local fe chado e depois as invectivas: retrógrados. Awní qaHlne m t (roplard-. Berg International. por exemplo. reacionários'2. Aqueles que a isso acrescentam um a dim ensão espiritual ou até religiosa são im ediata m ente acusados de ecolalria. e cad a vez mais. fil.” D om iniqu c Bi íl po m m e 1 Os partidários do decrescim ento são suspeitos. só p od er á nos cond u zir a nossa p er d ição. de rejeitar o antropocentrism o da tradição das Luzes em prol de um ecocentrism o absoluto e de aderir. 2006. JeanJacob. Ver. portanto. op. Dominique Bclpomme. A m enos qu e.. como todosos ecologistas. obscuran tistas. 2.
1’arangon. finalm ente. Jjts enjeux de la crise écologique. a técnica. o antro pocentrism o de um Descartes. talvez tenda um pouco demais para o ecocentrism o. I. Será realm ente necessário optar entre ecocentrism o e antropocentrism o. tal como a popularizou Arne Naess. 4. p. opondo. 2006. Bush. de uni Bacon ou de um Teilhard d e C hardin.Por não se identificar com unia concepção su perficial da ecologia. nature H liberte. do outro. "as forças uni versais. No se» artigo do jornal IjeMmuUtAe. insolúveis? Recusar o hum anism o de George W. 36-7. “O racismo e o antissemitismo explícito de Kant. anti-humanista. o universalismo racista1 3. Mille ct une nuits. Critique de Ia dénwcmtie balistique. que a tendência a raciocinar de m aneira m aniqueísla não ajuda a deslindar®. têm sua ori gem no campo da imanência lógica própria do sujeito das I. entre hum anis m o c antiespecism o. a emancipação das mulheres” c. o direito. condido.J efervcscendo nas retortas do novo pensamento populista autoritário em escala planetária". ver Fabrice Flipo. antiliheral I. o decrescim ento estaria p o r tanto situado mais do lado da ecologia “profunda”. ao passo que m uitos “decrescentes” reivin dicam o hum anism o. 2007. “Lc retour do Ia révolutioii niliiliste".. entre m odernidade e tra dição? Com o escapar desses velhos debates interconectados.yon. ..uzes”. Em torno desse ponto reina um a confusão bastante grande. Alexandre Adler nos lornece unia ilustração caricatural disso. a democracia. e da maio ria dc seus irmãos espirituais na Europa ocidental. justice. tais como o comércio. Paris. Robert Kurz. de um lado. pp. Esta. Sobre Teilhard dc Chardin. recorrentes e. 201. “um verdadeiro progra ma comum antiglobalização. 24 de abril dc 1990. en tre relativismo absoluto e universalismo dogmático.
Daí a importância. Sua essência advi ria de algo que o tornaria radicalm ente diferente das outras espécies. Djcmil Kessous.”3 5. um a realidade essencial/substancial transcenderia a m era existência da espécie. Essa transcendência não seria ape nas im anente à generalidade dos hum anos.. seres superiores. mas estaria inscrita num a eternidade conceituai pro blem ática. implica necessariam ente recusar a especifícidade d o hom em . da controvérsia de Valladolid sobre a alm a dos índios (c esses mesmos índios punham prisionei ros brancos para apodrecer na água a fim de veri ficar se eram realm ente entidades extraterrestres: deuses. “q ue coloca o hom em no cen tro d o universo. que. que alguns chamam de alma. escreve Djémil Kessous. possuiriam direitos (naturais) sobre as outras es pécies e sobre a natureza: os direitos do hom em ou direitos hum anos. no século XVI. outros.). sob o conceito de “ser h u m an o ”. 54. do autor. de que a hum anidade d o hom em existiria in dependentem ente dos hom ens concretos (presen tes. pode ser definido como um particularism o antmpocentrisla. “O hum anism o”. desconhecer sua dignidade e encerrar-se em guetos culturais? Em prim eiro lugar. de razão..de Kant. talvez seja preciso chegar a um acordo sobre o qu e é o hum anism o. Ou seja. Por isso. cd. ancestrais. . passados e futuros). La limmhilion modeme. 2006. dem ônios. com o “abstração” e não com o “denom inador com um ”. é um a crença de que. na base. os hom ens. p.
. O problem a é que não posso dem onstrar isso a eles senão de dentro de m inha pró p ria cultura (o mesmo acontece com eles. para os asmat de Papua Nova Guiné. alguns “anim ais” fazem inconteslavclm cntc parte da família “hum ana”. enquanto ocidental).). O problem a é que. Ao legalizar a tortura. a legislação am ericana atinge um cúm ulo de hipocrisia dos mais repugnantes por parte de humanistas cristãos que se apresentam como defen sores d a dem ocracia e dos direitos hum anos. etnia.Q ue as coisas sejam exatam ente assim é indubitável para os ocidentais (e portanto também para mim. Por isso é que resistimos e devemos resistir a qualquer forma de racismo e de discriminação (cor da pele. o decrescim ento entendido com o filosofia fundadora de um projeto de sociedade autônom a provavelm ente não seja urn hnm anis- . no m uro na fron teira dos Kstados Unidos com o México. Será que isso m e dá o direito de im por m inhas convicções à força? Se. nas leis Sarkozy. Basta pensarm os em G uantánam o. mas os m em bros da tribo vi zinha entram na categoria dos produtos comestí veis! Q ue eles estejam errados é algo de que estou intim am ente convencido. que infelizmente prolifera no O cidente. ainda nos tem pos atuais. se é que lhes im porta tne “converter” à weltan schaun gasmat ). para muitas culturas. sexo. a m eu ver.. religião. a grande di visão en tre natureza e cultura sim plesm ente não existe. cm Abou Graib. Assim.
do crescimento. mas tam bém C laude Lévi-Stranss. até do mais m o derado. Sob o nom e de “com unitarism o”. é porque sc baseia num a crítica do desenvol vimento. relativistas p o r vocação. claro. Os próprios antropólogos. as inva riantes transculturais tom aram conta da cena e já não são questionáveis. a estiginatização mais recente do relativismo “serve para encobrir. finalm ente. o ataque de Françoise I lériticr contra o relativismo cultural. cederam 1’. a dem ocracia e. do progresso.a femme cornmc qiicslion politique”. e porque implica um a ruptura com o ocidentalocentrism o. Ellul. da técnica e. escreve Annam aria Rivera. Robert Jaulin. . a econom ia (graças ao m ercado). O triunfo do im aginário da globalização. por exemplo. p o n d o em questão laboriosas tentativas ante riores de d ar continuidade a políticas de tradução e de reconhecim ento recíproco entre as colelivi0. possibilitou e possibilita um a extraordinária em preitada de deslegitimação do discurso relativista. Ver. 2 <le maio <lc 2007. Não é por acaso que a maioria dos inspiradores do decres cim en to (Illich. com o dizia Lévi-Strauss. da m odernidade. for m a paroxística da m odernidade. Com os direitos do hom em . Estamos assistindo a um re torno maciço do etnocentrism o ocidental. em particular de pois do 11 de Setem bro. “I. uma vocação hegem ôni ca.mo. Marshall Sahlins e m uitos outros) denunciaram o hum anism o ocidental. que tem n a arrogância da apoteose do tudo-m ercado uina nova forma. no jornal LeSotrdc Bruxelas.
Com efeito. Esse furor universalista é denunciado com ra zão por Franco Cardini: “Estamos diante da cons trução sistemática de um novo totalitarism o que 7. Edizioni Dedalo. Ibid. incluindo o pró p rio papa'1. p. O texto convoca a Igreja Católica para um a nova missão evangelizadora ante as outras tradições religiosas: “A plenitude da verdade encontra-se apenas no seio da Igreja. sua mais preciosa ‘quinta coluna’: o relativisriio cultural". Veli pnstculmúali e reiorkhe suII7. então cardeal Ratzinger.dades c as culturas diferentes”7.a guerra dei srmboli..Iterità. op. 10. 2005. Guida. I.. |>. desde agosto de 2000. Esse “furor universalista” (segundo a expressão de Claudio M artaR) é fartam ente ilustrado pelos recentes testem u nhos de ideólogos e de políticos. 66. in Annamaria Rivera.”10 Essa posição dogm ática destrói o esforço de inculturação iniciado pelo Vaticano II e o admirável trabalho d o teólogo indiano-catalão Raimon Panikkar. 8.. lielazioni inleretnkhe. cit. o jornalista italiano Angelo Panebianco es creveu de modo sintomático depois dos atentados do World Tnule Center: “Se a guerra ao terrorismo durar anos. 2005. um grupo de teólogos sob o cajado do futuro Bento XVI. 67. Nápoles. 9. . passou a atacar a ideologia d o diálogo interreligioso. com a decla ração D ominus Iesus. p. será preciso se equipar para neutralizar [. que dedicou toda a vida a pro mover o diálogo interreligioso com o m atriz da interculturalidade. Por exemplo..] o principal aliado de Bin Laden e consortes no Ocidente. Annamaria Rivera. Claudio Maria. Prospettive anlropotogiche. expressão do “dogm a relativista”. Bari. 00.
. cit.diaboliza. oj>. op. 90. cii. “Ele afirm a que os direitos das pessoas dep en d em dc sua nacionalidade. p. um dos m aiores antropólogos am ericanos e m em bro do conselho diretor da Associação A m ericana de Antropologia. . citado cm Annamaria Rivera. Herskovits. não deixa de ser im portante lem brar a recom en dação que. “II pensiero vuoto dei ‘neocons* italiani”. civil e social. fez à comissão das Nações Unidas encarregada de elaborar a declaração universal II . Wassyla Tamzali exorta com veemência a "torcer o pescoço do relativismo cultural que estranhamente 11orcsce até nas fileiras da esquerda intelectual".. I —] Os partidários do relativismo cultural afirm am que devemos respeitar a cultura e a reli gião. [.”12 D iante desse delírio universalista etnocêntrico.. Vihútà. expulsando como ‘b árb ara’ ou ‘tirânica’ qualquer o u tra form a de pensam ento ou de visão religiosa. Melville J. em 1947. já que ele “legitim a e alim enta a barbárie”. p. Na mesma via. citado por Annama ria Rivcra. o relativismo é “o fascismo de nossa épo ca”. 25 de agosto de 2005. 69. para a iraniana Maryam Namzie. de sua religião e de sua cul tura.] Os partidários do relativismo cultural não hesitam em dizer que os direitos universais do hom em são um conceito ocidental Eles são os defensores d o holocausto de nossa época.. mesmo quando elas são desprezíveis. qualquer forma dc vida e de pensam ento diferente daquele im posto pelo paradigm a dom inante e que aspira ao m onopólio da procura do bem sobre esla terra. tachando de ‘relativista’.”11 Assim. 12.
não da ideia de uni versalidade): “ ioda tentativa de form ular postula dos oriundos das convicções ou do código m oral de unia única cultura reduz a possibilidade de aplicar à hum anidade com o um todo qualquer declaração dos direitos hom em que seja. primeiramente escolhido.ualizar os direitos hum anos com a uso instrum ental das justas reivindicações das m ulheres submetidas à charia. 1’areci. o islamismo ocupou o lugar de figura assustadora e serve para justificar a m esma recusa de context. 14. ou seja. Nesse texLo. ou por um “pluriversalismo” necessaria m ente relativo. Citado por Annamaria Uivera. pai a substituir o termo “internacional”. ciL.”1'1Naque la época. o/>. já m eio m urcho devido a seus desvios totalitários ou terroristas e do qual faz parte o im perialism o do crescim ento. pelo termo “uni versal". o an tropó logo fazia um a critica preventiva d o universalismo (da ideologia universalista.ter sido o General de Gaulle quem insistiu junto a Rcné Cassin. 90.dos direitos do h om em 15. Em suma.ar tam bém a “cultura nazista” levou a rejei tar a advertência de Herskovits e seu pedido para articular universalidade e pluralidade. p. não seria o caso de pensar em substi tuir o sonho universalista. pelo ne cessário reconhecim ento da “diversalidade” (se gundo o neologism o do escritor crioulo Raphael C onílant). p o r um a verdadeira “de m ocracia das culturas”? Por isso é qu e o projeto 13. o tem or justificado de que se pudesse relativi/. llo je . o jurista francês pai da declaração. .
Ver seu artigo “Un uléalisme poliüque”. E ntre tra tar os animais e as coisas como pessoas (o que o anim ism o faria) e tratar as pessoas como coisas à m aneira da tecnoeconom ia m oderna. Isso posto. mas sim sua su15. Mas não faço disso um absoluto.do decrescim ento não é um m odelo que já vem pronto. dos seres e das pessoas. não sem razão. porque aceitamos reconhe cer a relatividade de nossas crenças. convivialidade. como eu íálo de a-crescimento. não im plica sua rejeição pura e simples. Como parece pensar o amigo Michel Dias. Com o ociden tal. e não me sinto no direito de im pedir um hindu de considerar um crime a m or te d e um a vaca. respeito da natureza etc. . Knlwpirt. Essa concepção do decrescim ento não é de m odo n en h u m um anti-hum anism o ou um antiuniversalismo. n? 1. Isso absolutam ente não implica rejeitar qualquer axiologia. Os valores necessários (al truísm o. A crítica da m odernidade. por sua vez. Talvez devêssemos falar de um a-humanismo. m uito pelo co n trá rio 115.) tam bém são aqueles que podem nos ajudar a ab rir um diálogo com outras culturas sem as canibalizar com o o universalismo arrogante de um a potência dom inante. “reavaliar”. mas uma fonte de diversidade. o que não me im pedirá de sabo reai um bom bife. sejamos claros. estou disposto a d efender com unhas e dentes um m onte de valores “hum anistas”. há espaço para o respeito das coisas. O prim eiro “erre” do círculo virtuoso d a construção do decrescim ento intitula-se.
Entre o antropocentrism o cego ou dogm ático da m odernidade ocidental e a sacralização animista da natureza. Ver Vittorio I . que nos condena a reintroduzir a preocupação ecológica no âm ago da preocupação social. política. com o o budism o. a tradição cristã não favoreceu no Oci dente um a relação harm oniosa entre o hom em e seu m eio am biente vivo e não vivo. um hum anism o bem entendido.peração. O marxismo se inscreveu nessa tradição. nem recor rer às grandes sacerdotisas ecofeministas dos cul tos ncopagãos sincréticos e nexo age que florescem aqui e acolá para povoar o vazio d a alma de nossas sociedades à deriva. cultural e espiri tual da vida hum ana. Bari. dife rentem ente de outras tradições religiosas.alia xoatia etico-cullurale. 2003. a hum anização d a natureza é um 16. as plantas e o resto) tem direitos. há sem dúvida espaço para um ecoantropocentrism o16.an ternari. Edizioni Dedalo. mi litar a favor d e um a “ccojustiça” c de um a “ecomoralidade” não implica necessariam ente cair na ecolalria dos novos cultos ecológicos. Convém registrar que. o que faz H an sjo n as di zer: “Para Marx. R econhecer que a natureza (os animais. DaWingerenzaecoló gica. portanto. E a própria sobrevivência da hum anidade. E cm nom e m esm o do projeto iluminista de emancipação e da construção de um a sociedade autônom a que podem os denunciar sua falência na heteronom ia hoje triunfante d a ditadura dos m ercados financeiros. Eamntmpnlogia. p o r assim dizer. .
ivolUi elko-r. Disso resulta um a superabundância 17.. E sabido que o sucesso da fórmula de Weber devo-se em grande medida a uma equivocação.ePari tle la décmissrmce. Citado por Vittorio I. Decorre m enos do triunfo da ciência e do desaparecim en to dos deuses do que da fantástica banalização das coisas produzida pelo sistema termoindustrial. o\>. mas o são em grande medida. um pouco como acontece em Auguste Comte. 330. Kcoanlro/mlojrio. ele é realm ente um desencantam ento e não só um a “desmitologização”1'1. p. A banalização das “maravilhas".amcrnaii. Nes se sentido.uÜurak. Ainda é preciso chegar a um acordo sobre o que isso significa. . A ciência pode perfeitamente encantar uni inun do sem superstição. cit.eufem ism o hipócrita para designar a submissão total dessa m esma natureza pelo hom em tendo cm vista um a exploração total para satisfazer suas próprias necessidades. Utilizar maci çam ente um a energia fóssil fornecida gratuita m en te pela natureza desvaloriza o trabalho hum a no e autoriza um a predação ilimitada das “rique zas” naturais. 19. Bari.”17 Nós afirmamos que a realização de um a socie d ad e do decrescim ento passa necessariam ente por um reencantam ento do m u n d o 18. As conseqüências disso não são apenas positivas. Tidizioni Dedalo. não tem remédio. ao contrário. 18. DulVingerenza í’cologiai alia . 2003. A Enlzaiiberungile que ele fala é simplesmente a substituição na modernidade da explicação má gica pela da ciência. O desencantam ento do m undo m oderno é ao mes m o tem po mais simples e mais profundo d o que d á a en ten d er a análise de Max Webcr. Ver a conclusão <lo meu livro l. 2006.
“temos unia longa história com os caribus e nos pergunta mos se podem os fazer isso com eles. 2007. ir>o . I. que de.” E que. 420. La Découveite.s socfciles <le l:i crçn tio n en iirt et en soences" in Riwue du MAUSS. n? 24. rectwir. um a filosofia adaptada ao espírito do dom que circula nas coisas. cortá-lo em pedaços e vendê-lo. Jar. Retomado em O. faça ele o que fizer. O exem plo da tentativa tle im planta ção da comercialização do caribu num a com uni dade de inuíles é revelador20. im itei Paris. “para fazer o caribu e n trar 110 circuito m ercantil espacializado.s (rói qualquer capa cidade dc m aravilham ento diante dos dons do “criador” e das capacidades artesanais da habilida de hum ana. “O artista lem bra o indi víduo m oderno de que.artificial desenfreada. exatam ente com o foi feito com o ato m oderno de produção”. Une Ümrne soàologiffuc générah' est-vlh: jwmahle'*. p. 2Vsemeslre de 2004. responde o prefeito d a aldeia ao enviado d o governo. “Sabe”.qtu\s GmUxmt» com lilion.e . A essa banalização m er cantil é que se opõe o artista. de que 20. p. da história de sua relação com os inuíles. 72..Stmil. Ihmner. 6 preci so transformá-lo em objeto. tpd circule entre ntnu. que tem um papel insubstituível na construção de um a sociedade se rena de decrescim ento. esta rá con d en ad o a um a form a q u alquer dc animis1110 se quiser que as coisas tenham algum sentido | . é preciso retirá-lo de sua rede tem poral..|. C) artista talvez seja testem unho do fato dc que o anim ism o é a única filosofia que respeita as coisas e o ineio am biente.
para um a sociedade do decrescim ento.a m odernidade nos afastou. assim co m o p ara Oscar Wilde.”21 Animista ou não. “a arte é inútil e p o rtanto essencial”! .
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