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FUNDAÇÃO ESTADUAL DE ENGENHARIA DO MEIO AMBIENTE

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS E PROJETOS

DIVISÃO DE DINÂMICA DE ECOSSISTEMAS

PLANO DIRETOR DA RESERVA BIOLÓGICA ESTADUAL DA PRAIA DO SUL – RJ

Rio de Janeiro, novembro de 1985


ELIANE CANEDO DE FREITAS PINHEIRO
Chefe da Divisão

Autores:

Alceo Magnanini
Maria Alice Fernandes Nehab
Dorothy Sue Dunn de Araujo

Equipe Técnica:

Elmo da Silva Amador - Aspectos geológico/geomorfolóqicos


Dorothy Sue Dunn de Araujo - Aspectos florísticos
Rogério Ribeiro de Oliveira - Aspectos florísticos
Norma Crud Maciel - Aspectos faunísticos
Cristina Tenório - Aspectos arqueológicos
Fernando Cavalcanti Walcacer - Aspectos fundiários
Luiz Cláudio Ferreira - Mapa base da R.B.E.P.S.

Colaboradores:

Ângela de Azevedo Maia


Aparecida Maria Neiva Vilaça
Arilza Toscano Mainiére
Maria Célia Vianna
Matilde Bucci Casari
Zilá Maria Cunha de Andrade

Organização, Diagrarnação e Montagem:


Çyntia Santos Malaguti de Sousa

Apoio Administrativo:

Maria Amélia Ferraz Balbi


Secretária

Carlos Rubem Mendonça Zarro


Linnei da Conceição Rodrigues
Pedro Jerônimo de Lima
Sheila da Costa Machado
Vânia Ainda de Paula
RESERVA BIOLÓGICA ESTADUAL DA PRAIA DO SUL

Não existe nenhuma outra


área no litoral fluminense
em igual estado de preservação.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

1. INTRODUÇÃO

1.1 Preliminares
1.2 Definição e critérios da R.B.E.P.S.
1.3 Finalidades e justificativas para criação
1.4 Histórico e ato da criação
1.5 Legislação aplicável e de apoio
1.6 Influências e repercussões previstas
1.7 Cooperação e assistência de grupos governamentais e privados

2. CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA

2.1 Aspectos físicos


2.2 Aspectos biológicos
2.3 Aspectos arqueológicos
2.4 Aspectos sócio-econômicos

3. PLANEJAMENTO DA RESERVA

3.1 Zoneamento
3.2 Planos setoriais
3.3 Normas sugeridas e recomendações

4. BIBLIOGRAFIA

5. APÊNDICES

I. Subsídios geológico/geomorfológicos à elaboração do Plano Diretor da Reserva


Biológica Estadual da Praia do Sul

II. Lista florística preliminar

III. Lista da fauna


APRESENTAÇÃO

A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul - localizada na Ilha Grande, Município de Angra
dos Reis, foi criada pelo Decreto Estadual nº 4972, de 02/12/1981, e colocada sob a
responsabilidade da FEEMA pelo Decreto Estadual nº 5449 de 07/04/1982. As primeiras
providências tomadas por este órgão foram a contratação de quatro vigias para fiscalizar a área
(cerca de 3.500 ha) e a colocação de placas em locais estratégicos. A necessidade de se ter um
instrumento básico para fornecer diretrizes que norteariam todas as decisões tomadas em relação
a Reserva, de maneira que seus objetivos fossem atingidos, justificou a elaboração deste Plano
Diretor.

No início de 1984, a Divisão de Dinâmica de Ecossistemas, do Departamento de Estudos e


Projetos, da FEEMA, iniciou a elaboração do Plano Diretor, levando em conta os dados básicos
já colhidos e programando pesquisas que forneceriam os que faltavam. O documento resultante,
além de apresentar dados históricos sobre a criação da Reserva, definir a Reserva utilizando as
categorias internacionalmente reconhecidas e apresentar as finalidades e justificativas para sua
criação, inclue resumidas descrições sobre sua vegetação, fauna e sítios arqueológicos. Um
detalhado enfoque sobre aspectos geo1ógico-geomorfo1ógicos está contida no Apêndice I.

O planejamento da Reserva indica as medidas necessárias para a melhor administração,


fiscalização e utilização da Reserva para fins de pesquisa científica. Nela estão reunidos os
critérios a serem adotados nos planos setoriais assegurando, de forma adequada, a efetiva
preservação dos recursos naturais da R.B.E.P.S.
1. INTRODUÇÃO

1.1 Preliminares

O presente trabalho visa fornecer um documento básico que possibilite orientar a


implantação efetiva da Reserva Biológica Estadual da Praia Sul (R.B.E.P.S.), consoante critérios
internacionalmente fixados.

É política adotada pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA)


preservar amostras de ecossistemas do Estado do Rio de Janeiro de forma tal que formem
exemplos, para instituições e unidades administrativas, de ações para uma correta proteção
ambiental.

O Plano Diretor é o instrumento capaz de auxiliar não só a administração da Reserva,


como também os próprios especialistas da FEEMA, através da indicação de critérios ambientais
bem definidos, e da apresentação de medidas necessárias para preservação da área protegida.

1.2 Definição a critérios da R.B.E.P.S.

1.2.1 Definição

A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul é área de domínio público, compreendida


na categoria de “Áreas Naturais Protegidas”, criada com a finalidade de preservar diversos
ecossistemas naturais do Estado do Rio de Janeiro, onde encontram abrigo numerosos
exemplares da flora e fauna indígenas.

A área circunscrita pelos limites da R.B.E.P.S., por determinação governamental é


mantida sob rigoroso controle do Governo Estadual, através da Fundação Estadual de
Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA).
A R.B.E.P.S. está incluída, em parte, na sub-categoria de “Área Natural Integral” (*) uma
vez que assegurará o desenvolvimento dos processos de evolução natural, e, em parte, na
sub-categoria de “Área Natural Manejada” (**) pois preservará espécies da flora ameaçadas de
extinção, manejando-se tecnicamente a área onde for necessário, para alcançar esses objetivos.

______________

(*) “Área Natural Integral” é uma área destinada a manter intactas as características naturais do
meio ambiente, quer propiciando estudos científicos, quer por interesse estético, quer pela
valorização que poderão proporcionar a outras áreas. É expressamente vedada qualquer
perturbação causada pelo homem

Os processos naturais nesta área manifestam-se sem qualquer interferência humana direta,
inclusive aquelas que possam alterar a biota existente num dado tempo, tais como: sucessões
naturais, incêndios espontâneos, alterações por efeito de doenças de pragas, tempestades, etc.

(**) “Área Natural Manejada” é aquela destinada exclusivamente a proteger uma espécie, ou
grupo de espécies, ou comunidade biótica, ou elementos físicos do ambiente, onde se torne
indispensável a interferência humana para sua preservação e que estariam em risco de
desaparecer se a área fosse apenas uma área natural integral. O ecossistema pode ser manejado e
modificado para dar melhores condições à espécie, comunidade ou elementos que se deseja
preservar.
1.2.2 Critérios adotados para a R.B.E.P.S.

1.2.2.1 Quanto à proteção jurídica

Está protegida pelo Decreto Estadual nº 4972 de 02/12/1981, baixada pelo Governador do
Estado do Rio de Janeiro, para sua criação.

O Decreto Estadual nº 5444 de 07/04/1982 colocou a R.B.E.P.S. sob responsabilidade da


Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA).

As Leis Federais nº 4771 de 15/09/1965 e 5197 de 03/01/1967 declaram como


contravenção penal causar danos às Reservas Biológicas.

1. 2. 2. 2 Quanto à proteção efetiva

A R.B.E.P.S. está localizada na parte sul da Ilha Grande, município de Angra dos Reis.
Seus caracteres físicos já proporcionam considerável proteção. Ao sul, a Praia do Sul voltada
para mar aberto impede a chegada de embarcações, durante praticamente o ano inteiro. Ao norte,
o divisor de águas é seu limite natural. Revestido de florestas, com altitudes próximas a 700m,
dificulta grandemente o acesso à área da Reserva.

Atendendo ao Decreto Estadual nº 5444 de 07/04/1982, que coloca sob responsabilidade


da FEEMA a implantação e administração da R.B.E.P.S., estão fiscalizando atualmente a
Reserva quatro vigias, especialmente contratados para tal fim. Seria, ainda assim, necessário um
contingente mínimo de dez guardas, para a fiscalização adequada dos limites terrestres.

Devido a sua localização fora do continente, deverá contar com sistema de rádio
(transmissão interna e externa) para aumentar a eficiência da fiscalização e também para
proporcionar comunicação com o continente.

1.2.2.3 Quanto ao pessoal

Além do corpo de guardas, já citado, a R.B.E.P.S. conta com o apoio do corpo


técnico-científico da FEEMA (biólogos, ecologistas, geólogos, engenheiros, arquitetos,
advogados, etc.) formando uma equipe multidisciplinar capaz de auxiliar os trabalhos de
implantação da Reserva e de fornecer subsídios, sempre que necessário, para seu funcionamento.

1.2.2.4 Quanto ao orçamento destinado a R.B.E.P.S.

Como a situação fundiária ainda não está regularizada, o orçamento destinado pela
FEEMA para a R.B.E.P.S. tem-se limitado ao pagamento dos guardas, às diárias e viagens de
técnicos a área da Reserva e a pequenas quantias para uniformes, manutenção de rádio e
construção de placas de avisos e cercas.
O orçamento necessário, entretanto, para implantar adequadamente a Reserva Biológica
Estadual da Praia do Sul é da ordem de Cr$ 338.020.677 (Trezentos e trinta e oito milhões, vinte
mil, seiscentos e setenta e sete cruzeiros), que corresponde a 4.786 ORTN'S (na época de
dezembro de 1985) nele incluídos a construção da sede, compra de equipamentos, marcação dos
limites, salários do pessoal e trabalhos de campo durante um ano.

1.2.2.5 Quanto às dimensões

A R.B.E.P.S. perfazendo um total de cerca de 3.000 ha, atendo aos critérios


internacionalmente exigidos para dimensão mínima, qual seja a de que as Reservas Biológicas
devem ter áreas superiores a 1.000 ha.

1.2.2.6 Quanto a utilização dos recursos naturais

A Lei Federal nº 5197 de 03 de janeiro de 1967 (Proteção à Fauna) proíbe a “utilização,


perseguição, caça, apanha, ou introdução de espécimes da fauna e flora silvestres e domésticas,
bem, como modificação do meio ambiente a qualquer título,..., ressalvadas as atividades
científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente”.

Conseqüentemente, ressalvando-se essas atividades, ficam expressamente proibidas na


área da R.B.E.P.S.

a) extração de recursos do solo (pedra, cascalho, saibro, areia, minerais, argila, turfa, etc.);

b) extração ou exploração dos recursos hídricos;

c) instalação de barragens ou outras grandes estruturas similares para fins como abastecimento,
irrigação, geração de energia elétrica, etc;

d) apanha ou perseguição de animais selvagens, ovos, ninhos;

e) corte ou retirada de vegetação ou de seus produtos, (raízes, tubérculos, troncos, folhas, flores,
frutos, sementes, etc.), para qualquer fim.

Observação:

Na área da Reserva, (como decretada em 1981), no extremo oeste da Praia do


Aventureiro, está localizada um pequeno grupo de pescadores, ocupando extensão aproximada
de 100 ha (0,4% da área total original). De acordo com proposta constante deste Plano Diretor,
esta área deverá ser excluída, de modo a compatibilizar as diferentes formas de uso dos recursos
naturais locais com os propósitos da Reserva.

1.2.2.7 Quanto ao manejo

São admitidas na área da Reserva as seguintes atividades:


a) administrativas:

- apenas aquelas indispensáveis à manutenção das finalidades que justificaram a criação


da R.B.E.P.S.

b) de recuperação ambiental:

- somente nos locais onde estudos posteriores indicarem a necessidade deste manejo;

c) de fiscalização:
- apenas aquelas indispensáveis à preservação da R.B.E.P.S.

d) científicas:
- somente aquelas necessárias ao conhecimento do potencial de recursos naturais e
arqueológicos existentes, visando fornecer melhores subsídios à sua proteção ou à recuperação
de áreas semelhantes., em outros locais do Estado.

e) serviços básicos:
- somente os necessários à implantação e manutenção da Reserva;

Cada atividade acima descrita obedecerá a um Plano Setorial a ela correspondente.

1.2.2.8 Quanto à situação fundiária

A R.B.E.P.S. está situada na Ilha Grande, que tem sido incluída no Município de Angra
dos Reis. Contatos informais foram feitos com a Delegacia do Serviço de Patrimônio da União
no Estado do Rio de Janeiro (SPU) onde a opinião foi que, face à Constituição Federal (item II,
artigo 4º) a Ilha Grande deveria estar compreendida entre os “bens da União”. Sem embargo,
seguia-se ali a norma de considerar terras da União apenas aquelas dentro da faixa de 33 metros,
contados da preamar média de 1831 ou seja, apenas as terras ou terrenos de marinha.

Outra linha de pensamento considera Ilha Grande uma ilha litorânea, sendo o termo ilha
oceânica reservado para as de Trindade, Martim Vaz e São Pedro e São Paulo, além daquelas
que compõem o arquipélago de Fernando de Noronha. Não sendo oceânica, a Ilha Grande não
pertence à União Federal. Segundo esta linha de pensamento, excetuando os títulos abaixo
mencionados, o território da Ilha Grande pertence ao Estado do Rio de Janeiro.

Em relação aos terrenos de Marinha, a União pode, ou não, ter concedido aforamentos a
particulares, ao longo do tempo, a eles transferindo o seu domínio útil.

Outros proprietários existentes na Ilha Grande terão os seus títulos necessariamente


derivados:

a) da concessão, pela coroa portuguesa, entre 1500 e 1822, de sesmarias;

b)da legitimação de posses, nos termos previstos na lei 601, de 1850;

c) da alienação, a qualquer título, pelo antigo Estado do Rio de Janeiro, a partir de 1889;
d) da alienação, a qualquer título, pelo atual Estado do Rio de Janeiro, a partir de 1975.

Para regularização fundiária da R.B.E.P.S. e integração definitiva do novo bem no


Patrimônio de Bens do Estado do Rio de Janeiro será necessário:

1 - Que se decida definitivamente sobre a questão de quem é o proprietário da ilha.

2 - Que o Governo do Estado envie requerimento ao Governo Federal para obter a cessão
das terras de marinha abrangidas pelos limites da R.B.E.P.S., a título gratuito, com a
finalidade específica e exclusiva de manutenção da Reserva Biológica, considerando os
superiores interesses de proteção dos ecossistemas ali existentes.

3- Que o órgão patrimonial estadual (Comissão de Assuntos Fundiários do Estado)


promova um processo discriminatório de terras devolutas, administrativo ou judicial,
previsto na Lei nº 508, de 03.XI.81.

4- Que o órgão patrimonial estadual dê, através de documentação definitiva, posse da


área da Reserva à FEEMA (que está designada como responsável pela Unidade criada).
Deve-se ressaltar as terras da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul deverão ser
obrigatoriamente de domínio pleno do Estado, integrando o seu patrimônio.

1.3 Finalidades e justificativa para criação

A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul tem como finalidades:

- Preservar amostras de ecossistemas naturais que abrigam exemplares da flora e fauna


indígenas, a saber: praia, manguezal, litoral rochoso, dunas e restingas, lagoas, mata de
baixada e mata de encosta.

- Proteger exemplares da flora e fauna em perigo de extinção no território fluminense


(ex.: a espécie botânica Scaevola plumieri (fig. 1) e a espécie zoológica Lutra enudris
(fig. 2), ainda encontradas na área da Reserva).

- Proteger sítios arqueológicos (sambaquis e oficinas litológicas) (fig. 3).

- Garantir a manutenção de campo permanente para pesquisas científicas.

Justificaram a criação da reserva os seguintes fatos:

a) Não existe mais nenhuma outra área no litoral fluminense em igual estado de
preservação de seus recursos naturais.
b) Não existe nenhuma outra unidade de conservação no território fluminense que
abranja em conjunto os ecossistemas citados.
c) Em nenhum outro trecho do litoral fluminense foram localizados sítios arqueológicos
como os existentes na Reserva, onde já foram assinaladas pelo menos quatro oficinas
arqueológicas de polimento de armas e instrumentos líticos. Este patrimônio
arqueológico está registrado no ISPHAN e no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
d) A área protegida representará fonte inestimável de potencial genético para a
reconstituição da flora e fauna de outras áreas litorâneas no futuro.
e) A provável existência de vegetais e animais ainda não conhecidos pela ciência, nos
ecossistemas ali encontrados, possibilitará pesquisas futuras ilimitadas, criteriosamente
programadas, enriquecendo o acervo científico do Estado.
f) A experiência ali acumulada será de valia para a elaboração de normas e critérios
ambientais para preservação e manejo de ecossistemas rernanescentes, em outras regiões
do Estado.

1.4 Histórico e ato da criação

1.4.1 Antecedentes

Em 1978 foi sugerida a criação de uma Reserva Biológica no relatório sobre a situação
florestal na Região Programa do Litoral Sul (Meta nº 5.01.05 do III Planaf). Apoiava esta
sugestão a Decreto Estadual nº 2.062/78 que considera de preservação permanente as florestas e
demais formas de vegetação natural existentes na Ilha Grande, e que se encontrem em terras
situadas acima da cota altimétrica de 200 metros.

Ainda em 1978, foi aprovada no plenário do 1º Simpósio Nacional de Ecologia, em


Curitiba, a moção para que a SEMA criasse uma Estação Ecológica nas Praias do Sul e do Leste
(Freitas, 1978).

Em 1979 a EMBRATUR aprovou o Plano Regional de Ocupação Turística e de


Loteamento, incluindo uma parte da Praia do Sul.

Em 1980, no Relatório Técnico sobre os manguezais - RT 1.123 - para o


PRONOL/FEEMA, foi recomendada a preservação da área da Praia do Sul e do Leste,
delimitada em 1978 (mapa publicado no Diário Oficial do Estado em 11/03/1980).

Em 1980, Castro propõe, com base na sugestão do Relatório de 1978 citado, Diretrizes
Ambientais para um melhor uso do solo na região Litoral Sul Fluminense, da FEEMA a criação
da Reserva Ecológica das Lagoas ao Sul.

Em 1980, técnicos do então Departamento de Conservação Ambiental - DECAM,


da FEEMA, encaminharam memorial solicitando o empenho do Conselho Estadual de Controle
Ambiental (CECA) para prevenir danos ao ecossistema da Praia do Sul.

Em 1980, a FFEMA parabenizou oficialmente o senhor Procurador da Fazenda Nacional


(Dr.Wilson Ferreira Campos), pelo seu parecer que invalida qualquer pretensão de usucapião na
Ilha Grande.
Em 1981, foi divulgado o trabalho “A Situação Ambiental dos Ecossistemas da Praia do
Sul e do Leste, na Ilha Grande, com Vistas à Preservação” (Maciel et al., 1981), que reforça a
sugestão de 1978 de criar uma Reserva Biológica na área.

Em 1981, a SEMA encaminhou ao então Governador do Estado, pedido de


informações para orientar a criação de unidades de preservação na área da Ilha Grande.

Em 1981, o Decreto Estadual nº 4.972 criou a Reserva Biológica Estadual da Praia do


Sul.

Em 1981, a SEMA encaminhou ao então Governador do Estado pedido de informações


para orientar a criação de unidades da preservação na área da Ilha Grande.

Em 1981, o Decreto Estadual nº 4972 criou a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul.

1.4.2 Ato da criação (transcrição)

Decreto nº 4972, de 02/12/1981, publicado no D.O. de 03/12/1981:

- O Governador do Estado do Rio de Janeiro no uso de suas atribuições legais e


considerando que o ambiente primitivo da Praia do Sul, na Ilha Grande, bem como a flora e a
fauna remanescentes naquele recanto, ainda de difícil acesso, representam fonte inestimável para
as pesquisas ecológicas, decreta:

Art. 1º - Fica criada a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, na Ilha Grande,
no Município de Angra dos Reis, com área inicial de cerca de 3.600 ha.

Art. 2º -A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul é de domínio público, está


compreendida na categoria de áreas naturais protegidas e é criada com a finalidade de preservar,
sob rigoroso controle do Governo Estadual, os ecossistemas naturais que abrigam exemplares da
flora e fauna indígenas.

Art. 3º - A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul terá sua área patrimonial
inalienável, podendo ser acrescida de outras áreas adquiridas por doação ou desapropriação.

Art. 4º - A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul compreende todas as áreas


situadas dentro do seguinte perímetro: começa na Ponta da Escada, a sudoeste da Ilha Grande
(ponto 1), e segue pelo divisor de águas, passando pelos topos de 419m (ponto 2), 369m (ponto
3), 464m (ponto 4), 479m (ponto 5), 388m (ponto 6), 452m (ponto 7), até o Morro do Pilão, topo
de 419m (ponto 8), daí segue pelo divisor de águas na direção leste, até a Serra de Araçatiba,
passando pelo topo de 679m (ponto 9); prossegue pela Serra de Araçatiba, na direção sudeste,
sempre pelo divisor de águas, até a Serra do Papagaio cota de 900m (ponto 10) - daí desce,
sempre pelo divisor de água, na direção geral sudoeste, até a ponta de Tacunduba, entre a
Enseada de Parnaioca e a Enseada da Praia do Sul (ponto11); daí segue, pelo litoral, até o ponto
1.

Art. 5º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as


disposições em contrário”.
1.4.3 Ato que designa FEEMA como órgão responsável

Decreto nº 5.444, de 07/04/1982, publicado no D.O. de 12/04/1982:

O Governador do Estado do Rio de Janeiro no uso de suas atribuições legais, e tendo em


vista o que consta do Processo nº E-12/1621/82, decreta:

Art. 1º - A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, criada pelo Decreto nº 4.972, de
02/12/81, fica sob a responsabilidade da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente
-FEEMA, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos.

Art. 2º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as


disposições em contrário.

1.5 Legislação aplicável e de apoio

Como instrumentos legais que protegem a R.B.E.P.S. pode-se citar:

. Lei Federal nº 4771 de 15/09/1965

Art. 1º - As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação,


reconhecidas de utilidade às terras que revestem são bens de interesse comum a todos os
habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação
em geral e especialmente esta lei estabelecem.

Parágrafo único - As ações ou omissões contrárias às disposições deste Código na utilização e


exploração das florestas são consideradas uso nocivos da propriedade (Art. 302, XI, b, do
Código de Processo Civil).

Art. 2º - Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta lei, as florestas e demais
formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d'água, em faixa marginal cuja largura mínima
será:

1- de 5 (cinco) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura;

2- igual à metade da largura dos cursos que meçam de 10 (dez) a 200 (duzentos) metros de
distancia entre as margens;

3- de 100 (cem) metros para todos os cursos cuja largura seja superior a 200 (duzentos) metros;

b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;

c) nas nascentes, mesmo nos chamados “olhos d'água”, seja qual for a sua situação topográfica;
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;

e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45% equivalente a 100% na linha de
maior declive;

f) na restinga, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;

...........

Art. 5º - O Poder Público criará:

a) Parques Nacionais, Estaduais e Municipais e Reservas Biológicas, com a finalidade de


resguardar atributos excepcionais da natureza, conciliando a proteção integral da flora, da
fauna e das belezas naturais, com a utilização para objetivos educacionais, recreativos e
científicos.

............
Art.26 - Constituem contravenções penais, puníveis com três meses a um ano de prisão
simples ou multa de uma a cem vezes o salário mínimo mensal do lugar e da data de infração ou
ambas as penas cumulativamente:

a) destruir ou danificar a floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em


formação, ou utilizá-la com infringência das normas estabelecidas ou previstas nesta lei;

b) cortar árvores em florestas de preservação permanente;

...........

d) causar danos aos Parques Nacionais, Estaduais ou Municipais, bem como às Reservas
Biológicas;

...........

g) impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação;

...............
Art.29 – As penalidades incidirão sobre os autores sejam eles:

a) diretos;

b) arrendatários, parceiros, posseiros, gerentes administradores, diretores, promitentes


compradores ou proprietários das áreas florestais desde que praticadas por prepostos
ou subordinados e no interesse dos preponentes ou dos hierárquicos;

c) autoridades que se omitirem ou facilitarem, por consentimento ilegal, na prática do ato.

.............
Art. 31 - São circunstancias que agravam a pena, além das previstas no Código Penal e na
Lei de Contravenções Penais:
 cometer a infração no período de queda das sementes ou de
formação das vegetações prejudicadas, durante a noite, em
domingos ou dias de feriados, em épocas de seca ou inundações;

 cometer a infração contra a floresta de preservação permanente ou


material dela provindo.

Lei Federal nº 5197 de 03/01/1967

Art. 1º - os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e


que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos,
abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização,
perseguição, destruição, caça ou apanha.

............

Art. 5º - O Poder Público criará:

a) Reservas Biológicas Nacionais, Estaduais e Municipais, onde as atividades de


utilização, perseguição, caça, apanha ou introdução de espécimes da fauna e flora
silvestres e domésticas, bem como modificações do meio ambiente a qualquer título, são
proibidas, ressalvadas as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade
competente.

.............

Art.10 - A utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha de espécimes da fauna


silvestre são proibidas:

..........

f) nos estabelecimentos oficiais e açudes do domínio público bem como nos terrenos
adjacentes, até a distancia de cinco quilômetros;

.........

h) nas áreas destinadas à proteção da fauna, da flora e das belezas naturais;

..........

Art.27 - Constituem contravenções penais, puníveis com três meses a um ano de


prisão simples ou multa de uma a dez vezes o salário-mínimo mensal do lugar e da data
de infração, ou ambas as penas cumulativamente violar os Art. 1º e seus parágrafos, ....,10
e suas alíneas ....., f, ....., h, .....
Art.28 - Além das contravenções estabelecidas no artigo precedente, subsistem os
dispositivos sobre contravenções e crimes previstos no Código Penal e nas demais leis,
com as penalidades nelas contidas.

Art.30 – As penalidades incidirão sobre os autores, sejam eles:

a) direto;

b) arrendatários, parceiros, posseiros, gerentes administradores, diretores,


promitentes-compradores ou proprietários das áreas desde que praticada por prepostos ou
subordinados e no interesse dos proponentes ou dos superiores hierárquicos;

c) autoridades que por ação ou omissão consentirem na prática do ato ilegal, ou que
cometerem abusos do poder.

Lei Federal nº 6938 de 31/08/1981

..........

Art. 9º - São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:

.........

VI - A criação de reservas e estações ecológicas, áreas de proteção ambiental e as de


relevante interesse ecológico, pelo Poder Público Federal, Estadual e Municipal;

...........

Art.14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e
municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos
inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os
transgressores:

I – à multa simples ou diária, nos valores correspondentes no mínimo, a 10(dez) e, no


máximo a 1.000(mil). Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada
em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, vedada a sua
cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito Federal, Territórios ou
pelos Municípios.

II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público;

III - à perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em


estabelecimentos oficiais de crédito;

IV - à suspensão de sua atividade.

Parágrafo 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público
da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e
criminal, por danos causados ao meio ambiente.

Parágrafo 2º - No caso de omissão da autoridade estadual ou municipal, caberá ao


Secretário do Meio Ambiente a aplicação das penalidades pecuniárias previstas neste
artigo.

Decreto Federal nº 88351 de 01/06/1983

Art. 1º - Na execução da Política Nacional do Meio Ambiente, cumpre ao Poder Público,


nos seus diferentes níveis de governo:

................

II - proteger as áreas representativas de ecossistemas mediante a implantação de unidades


de conservação e preservação ecológica;

................
Art.36 - Constitui infração, para os efeitos deste Regulamento, toda a ação ou omissão
que importe na inobservância de preceitos nele estabelecidos ou na desobediência às
determinações de caráter normativo dos órgãos ou das autoridades administrativas
competentes.

Art. 37 - Serão impostas multas de 10 a 1.000 Obrigações Reajustáveis do Tesouro


Nacional - ORTNs, proporcionalmente à degradação ambiental causada, nas seguintes
infrações:

I - contribuir para que um corpo d'água fique em categoria de qualidade inferior à prevista
na classificação oficial;

II - contribuir para que a qualidade do ar ambiental seja inferior ao nível mínimo


estabelecido em resolução oficial;

III - emitir ou despejar efluentes ou resíduos sólidos, líquidos ou gasosos causadores de


degradação ambiental, em desacordo com o estabelecido em resolução ou licença
especial;

IV - exercer atividades potencialmente degradadoras do meio ambiente, sem a licença


ambiental legalmente exigível, ou em desacordo com a mesma;

V - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público


de água de uma comunidade;

VI - causar poluição de qualquer natureza que provoque destruição de plantas cultivadas


ou silvestres;

VII - ferir, matar ou capturar, por quaisquer meios, em áreas de proteção ambiental,
reservas ecológicas estações ecológicas e áreas de relevante interesse ecológico,
exemplares de espécies consideradas raras da biota regional;
VIII - causar degradação ambiental mediante assoreamento de coleções d'água ou erosão
acelerada, em áreas de proteção ambiental, reservas ecológicas, estações ecológicas e
áreas de relevante interesse ecológico;

IX - desrespeitar interdições de uso, de passagem e outras estabelecidas


administrativamente para a proteção contra a degradação ambiental;

X - impedir ou dificultar a atuação dos agentes credenciados, pela SEMA, para


inspecionar situação de perigo potencial ou examinar a ocorrência de degradação
ambiental.

Art.38 - São impostas multas de 50 a 1.000 ORTNs, proporcionalmente à degradação


ambiental causada, nas seguintes infrações:

I - realizar em área de proteção ambiental, sem licença do respectivo órgão de controle


ambiental, abertura de canais ou obras de terraplenagem, com movimentação de areia,
terra ou material rochoso, em volume superior a 100m3 que possam causar degradação
ambiental;

II - causar poluição, de qualquer natureza, que possa trazer danos à saúde ou ameaçar o
bem-estar.

Art.39 - Serão impostas multas de 100 a 1.000 ORTNs nas seguintes infrações:

.............

III - causar poluição, de qualquer natureza, que provoque mortandade de mamíferos,


aves, répteis, anfíbios ou peixes.

Art.40 - As multas, no cálculo de seu montante, serão aumentadas ou diminuídas, de


acordo com as seguintes circunstâncias:

I – São atenuantes:

a) menor grau de compreensão e escolaridade do infrator;

b) arrependimento eficaz do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano ou


limitação da degradação ambiental causada;

c) comunicação prévia de infrator às autoridades competentes, em relação a perigo


iminente de degradação ambiental;

d) colaboração com os agentes encarregados da fiscalização e do controle ambiental.

II - São agravantes:

a) a reincidência específica;
b) a maior extensão da degradação ambiental;

c) o dolo, mesmo eventual;

d) a ocorrência de efeitos sobre a propriedade alheia;

........

f) danos permanentes à saúde humana;

g) a infração atingir área sob proteção legal;

h) o emprego de métodos cruéis na morte ou captura de animais.

Art. 41 - No caso de infração continuada, caracterizada pela permanência da ação ou


omissão inicialmente punida, será a respectiva penalidade aplicada diariamente até cessar a ação
degradadora.

Art. 42 – Quando a mesma infração for objeto de punição em mais de um dispositivo


deste Regulamento, prevalecerá o enquadramento no item mais específico em relação ao mais
genérico.

Art. 43 – Quando as infrações foram causadas por menores ou outros incapazes,


responderá pela multa quem for juridicamente responsável pelos mesmos.

. Portaria Federal IBDF nº 303 de 29/05/1968 (Portaria 3.481-DN -


31/05/1973).

1.6 Influências e repercussões previstas

A situação fundiária indefinida da Ilha Grande permitiu que suas terras fossem ocupadas
por pescadores, invasores, posseiros, grileiros, proprietários legalizados, loteamentos de
veraneios etc, com alegações várias de legitimidade de propriedade. São previsíveis três tipos de
repercussões, conseqüentemente:

a)conflitos sobre posse de terra na área compreendida pelos limites da Reserva;

b)boa receptividade, nas áreas circunvizinhas, face a valorização trazida pela presença
da Reserva;

c) receios e descontentamentos diversos, em função do disciplinamento e das


restrições,por parte de antigos usuários da área dentro dos limitas da Reserva;

d) aceitação pelas pessoas beneficiadas com empregos (guardas);


e) aceitação irrestrita e apoio por parte das associações pró-meio ambiente (a nível local,
estadual, regional, nacional e estrangeiro).

f) parabenização por parte das instituições internacionais de conservação da natureza.

É importante verificar que a forma correta de manejo da Reserva pode refletir


favoravelmente na proteção e recuperação ambiental das áreas circunvizinhas.

1.7 Cooperação e assistência de grupos governamentais e privados

A implantação de uma Reserva Biológica nos moldes da R.B.E.P.S. polariza o interesse


de diversas instituições científicas, nacionais, e estrangeiras.

Algumas instituições científicas já demonstraram grande interesse em pesquisar e


colaborar no levantamento de dados ainda não coletados, que auxiliem na implantação do Plano
Diretor ou que aumentem o acervo de conhecimento existente. Incluem-se, entre estas, as
seguintes:

. Museu Nacional do Rio de Janeiro, cuja equipe de arqueólogos iniciou estudos na área,
mediante proposta de trabalho apresentada a FEEMA;

. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que manifestou interesse em estudar as famílias botânicas
existentes na Reserva;

. Universidade Federal Fluminense, cujo Departamento de Geoquímica tem interesse em estudar


os manguezais da Reserva e a relação de nutrientes entre o solo o água;

. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, cujos pesquisadores já iniciaram um


levantamento de alguns grupos de fauna da Reserva.

Deverão ser envidados esforços para obtenção derecursos financeiros de entidades


estrangeiras como a World Wildlife Fund (WWF) e International Union for Nature Conservation
(IUCN), já que a R.B.E.P.S. atende aos critérios internacionalmente adotados para Reservas
Biológicas. Já foi entregue um pedido de recursos à IUCN, que resultou na colocação Projeto
(Brasil 108) na lista prioritária para receber financiamento. A próxima etapa é entregar uma
proposta mais detalhada.

Deverão ser contactadas também entidades privadas nacionais como, por exemplo, a
Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), entre outras, para colaboração na
implantação e manutenção da Reserva.
2. CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA

2.1 Aspectos físicos

2.1.1 Situação geográfica

A R.B.F.P.E. está situada a sudoeste da Ilha Grande, município de Angra dos Reis, que
integra a região-programa Litoral Sul, no extremo sudoeste do Estado do Rio de Janeiro, parte da
região Sudeste do Brasil (fig. 4). Esta região está englobada entre os paralelos 14º S e 25º S

2.1.2 Clima geral

Não há dados locais sobre o clima na R.B.F.P.S., porém, o clima da região Sudeste é
caracteristicamente tropical. Em plano geral, é domínio do clima quente úmido, sem estação seca
(fig. 5). Predominam os ventos de sudeste, durante os meses mais frios (julho o setembro).

O município de Angra dos Reis recebe uma precipitação anual que já atingiu 2.314mm,
sendo assinalados 123 dias chuvosos por ano, com predominância de chuvas na parte da tarde. A
umidade relativa é em torno de 80% o ano todo. O relevo da Serra do Mar é diretamente
responsável pela precipitação e pelo regime pluviométrico

Há pequena variação entre as temperaturas durante o ano (médio das máximas 27º e
média das mínimas 20º, respectivamente no verão e no inverno). O fator altitude influi
determinantemente nas alterações de temperatura.

2.1.3 Dados hidrológicos

Os rios existentes na região-programa Litora1 Su1são provenientes das escarpas da Serra do


Mar. São rios de perfis complexos, muitas vezes ancachoeirados em seus cursos superiores,
formando, em seus baixos cursos, pequenas planícies litorâneas, constituídas pela sedimentação
dos depósitos aluvionares vindos da serra.

O sistema hidrográfico da Ilha Grande está representado por inúmeros e pequenos cursos
d'água que descem pelas reentrâncias das montanhas, havendo rios mais caudalosos como:
Capivari, Matariz, Andorinha e Dois Rios. Na área da R.B.E.P.S., a característica hidrográfica
principal é a existência de duas lagoas, sendo os principais contribuintes os rios da Canoada e
Capivari. Diversos riachos deságuam diretamente na baixada, contribuindo para a formação de
charcos extensos. Outros pequenos rios deságuam na praia do Aventureiro, servindo de
abastecimento d'água para a colônia de pesca existente (fig. 6).
2.1.4 Principais características geológico - geomorfológicas

É na Região Sudeste que o relevo apresenta os maiores contrastes geomorfológicos do


Brasil, com variações de altitudes acima de 2.000m, desde altas montanhas, até planícies
litorâneas, com numerosas praias e costões rochosos.

Na região Litoral Sul a principal característica do relevo é dada pela Serra do Mar.
Geologicamente apresenta-se em pleno domínio do grande escudo pré-cambriano do Sul do
Brasil. Apresenta elevações que com freqüência estendem-se até o litoral. A Serra do Mar é
responsável pelo relevo e costa acidentados.

A Ilha Grande, onde se situa a R.B.E.P.S. é resultado de um dos afloramentos de suas


escarpas, diretamente do oceano. Está isolada do continente por um canal de cerca de 2
quilômetros de largura e oitenta metros de profundidade. Seus picos culminantes têm 959m (Pico
do Papagaio) e 1.031m (Serra do Retiro). Apresenta numerosos cabos, enseadas e praias.

Entre a Ponta de Tacunduba e os lajedos do Aventureiro, a Ilha Grande apresenta uma


extensa anfractuosidade de restingas formando a chamada Praia do Sul, com cerca de 2.500
metros. O processo formador da planície, apenas interrompido pelo canal que liga as lagoas
interiores com o oceano, apresenta também a chamada praia do Leste, que 1iga a planície aos
lajedos que continuam pelo litoral até a Ponta da Tacunduba.

Desta maneira, a enseada da Praia do Sul apresenta uma planície de cerca de 8km2 (800 ha) de
superfície. A margem oceânica apresenta um arco com 4 km de praias, interrompidas pela Ilhota
do Leste (que agora apenas península rochosa) quase em sua metade. Para o interior, além das
praias, encontra-se um cordão arenoso mais elevado, com cerca de cem metros de largura,
descendo depois para a planície litorânea.

No apêndice I deste Plano Diretor, encontra-se o assunto explanado em detalhes, sob o


título : “Subsídios geológico-geomorfológicos a elaboração do Plano Diretor da Reserva
Biológica Estadual da Praia do SuL”.

2.1.5 Grupos de solo

Dada a situação insular da Reserva os solos encontrados na parte continental não tem
influência para os seus solos. Inclusive no que tange à própria ilha em si, os solos existentes na
Reserva Biológica, por estarem dentro da bacia de captação própria, não sofrem influencia das
demais partes da ilha.

Na área da R.B.E.P.S., propriamente dita, serão oportunamente estudados os tipos de


solos existentes, caso sejam necessários tais dados à implantação dos planos setoriais.
2.2 Aspectos biológicos

2.2.1 Aspectos florísticos

O litoral sul fluminense está englobado na região fitogeográfica denominada por Rizzini
(1979) de Floresta Atlântica. Os últimos redutos florestais da região podem ser encontrados nas
três unidades de preservação existentes: Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual
da Ilha Grande e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Nestas áreas, florestas cobrem as
encostas íngremes da Serra do Mar. Ao longo do litoral, a vegetação assume aspectos diversos,
tendo representantes de manguezal, restinga e planície alagadiça. Estes tipos de vegetação
raramente atingem seu estágio máximo de desenvolvimento que seria uma floresta, devido às
ações antropogênicas.

A Ilha Grande, primitivamente, estava revestida de densa floresta tropical pluvial (mata
atlântica) (fig. 7), desde os pontos culminantes até praticamente às áreas sob influencia das
ondas. Contudo, ciclos agroeconômicos que passaram pela ilha (café, cana-de-açúcar, legumes,
frutos, grãos e gado) modificaram o panorama e, hoje em dia, quase todas as vertentes
setentrionais são cobertas com vegetação pobre, em geral capinzais.

As matas da vertente meridional, bem como as do centro geográfico da I1ha Grande e,


em geral acima da cota de 200m estão em melhor estado de conservação.

A vegetação da R.B.E.P.S. pode ser classificada, de modo geral, em 3 tipos: mata de


encosta, mata de restinga e manguezal.

As matas de encosta da R.B.E.P.S. compreendem cerca de 78% dos 3.000ha da reserva, o


que perfaz aproximadamente 2.340ha. Esta vasta área é revestida por vegetação em diferentes
estados de conservação, abrangendo formações vegetais distintas (fig. 8).

Tais formações revestem basicamente terrenos declivosos situados em formações


cristalinas ou coluviais. Os solos são em maioria litossolos e latossolos vermelho-amarelos sendo
pouco freqüentes os afloramentos rochosos de gnaisses e chernoquitos. Em locais com
declividade superior a 50%, o horizonte A se caracteriza, em termos granulométricos, pela
presença de areia, que ocorre em função da remoção dos sedimentos finos pelo escoamento
sub-superficial.

As matas da R.B.E.P.S., notadamente as do grande anfiteatro, atuam com barreiras diretas


aos ventos carregados de umidade provenientes do Sul. Esta configuração assegura um
coeficiente de umidade bastante distinto do que ocorre no lado continental da Ilha Grande.

Em termos ecológicos, são fornecidos às matas gradientes mais elevados de entradas


atmosféricas de nutrientes, representados pela precipitação direta, deposição seca de aerossois e
contato constante das matas com a neblina. Segundo Brown (1985), estes aportes de nutrientes
são significativos para a ciclagem de nutrientes, uma vez que os latossolos possuem reservas
limitadas de nutrientes à exceção de alumínio e ferro. Além disso, encostas voltadas para o
quadrante sul recebem 3 (três) vezes menos luz solar do que as voltadas para o Norte (Aragão,
1961), o que contribui para a redução de situação de déficit hídrico. A reunião desses fatores
permite assegurar àquela área taxas mais aceleradas de recomposição florestal após a derrubada
da mata. Esta recomposição natural, no entanto está condicionada à determinadas características
locais, como espessura do manto de regolito, inexistência de incêndios periódicos, probabilidade
de disseminação de propágulos de espécies vegetais etc.

Os aspectos ecológicos relativos a regeneração florestal têm papel de destaque na


compreensão das matas de encosta da R.B.E.P.S. O histórico da ocupação da R.B.E.P.S. (Maciel,
1984) revela intensa atividade agro pastoril naquela área nos fins do século passado e início
deste.

Por meio de relatos orais dos moradores da Vila do Aventureiro, tem-se notícias de
diversas fazendas que ocupavam as matas do anfiteatro das praias do Leste e Sul. Eram as
fazendas Capivari, Grande, Cachoeira Grande, Leste e do Fidelis. No local da sede destas
fazendas são encontradas ruínas que por seu estado permitem supor que seu abandono data de
pelo menos 50 anos. Na fazenda do Fidelis encontra-se um exemplar de Ficus sp. de cerca de 20
metros crescendo sobre as ruínas de uma pilastra de cerca de 4 metros de altura. Além dessas
fazendas, é de se supor que tenham existido outros pontos de ocupação da mata de encosta.
Encontram-se com relativa freqüência platôs que, embora cobertos por árvores de boa altura,
possuem vestígios de ocupação anterior como cacos de telha, baldrames de pedras etc. A própria
vegetação arbustiva também dá essas indicações, pela presença de adensamentos de
Schizolobium parahyba (guapuruvú), Musa spp. (bananeiras) e Marlierea sp. (cambucá). Ainda
que eventualmente estas espécies sejam encontradas em trechos de mata mais bem conservadas,
nunca o são sob a forma de comunidades. Outro vestígio de ocupação pretérita são vias de acesso
(possivelmente para carros de boi) que existem em diversos pontos como entre Simão Dias e a
Ponta dos Meros, fazenda do Fidelis, etc.

De uma maneira geral não mais ocorrem, matas primárias nas encostas da R.B.E.P.S.
Ainda que em muitas áreas se encontrem remanescentes de matas primárias estas estão
desfalcadas de numerosas espécies. Lima (1974 in Maciel op. cit.) registra madeiras de lei
ocorrentes no século passado, hoje inexistentes ou raras, como jacarandá, maçaranduba, braúna,
cedros etc. Budowski (1977) dá características distintivas entre matas secundárias e climáxicas.
Na tabela 1 estão listadas as principais. Pela classificação de Budowski as matas da R.B.E.P.S. se
caracterizam, de uma maneira genérica, como secundária tardia, ainda que se encontrem em
muitos pontos formações pioneiras e secundárias recentes.
TABELA I. Característica dos componentes arbóreos das etapas sucessionais de matas pluviais
(Budowski, 1977).

Comunidade Pioneiras Secundária Secundária Climax


recente tardia

Idade (anos) 1-3 5-15 20-50 (*) <100


Altura (m) 5-8 12-20 (*) 20-30 30-40

Número de es- 1, muito den- 2, bem distintos 3, indistintos 4-5


tratos so (*) com a idade

Dossel Homogêneo, copas horizon- Heterogêneo,com formas va-


superior denso tais, ralas copas largas riadas(*)

Estrato infe- Denso Denso, com gran Escasso, com sp. Escasso com
rior des espécies her- tolerantes sp tolerantes
baceas (*)

Crescimento muito rápido rápido dominantes rápi- Lento ou mui-


dos; outros len- to lento
tos ( *)

Tolerância à muito intoleran muito intolerante tolerante quando tolerante, ex-


sombra te juvenil; depois ceto os adul-
intolerante (*) tos

Madeira e tron- muito leve; diâ- leve, diâmetro leve a semidura; dura e pesada
co dos dominan- metros pequenos inferior a 60cm alguns troncos
tes grossos (* )

Epífitas ausentes poucas muitos indiví - muitas espé-


duos, poucas es- cies
pécies (* )

Trepadeiras abundante, her- poucas abundantes, mas abundantes,


báceas; poucas poucas grandes incluíndo
espécies (*) espécies le-
nhosas

Gramíneas abundantes abundantes escassas (*) escassas

_____________________
(*) Características que se encaixam para a maioria das matas da Ilha Grande.
Ainda que as matas da R.B.E.P.S., como um todo, possuam condições edafológicas e
mesoclimáticas distintas, torna-se difíci1 a sua identificação em termos de unidades florestais. O
número reduzido de coletas botânicas e a inexistência de trabalhos fitossociológicos inviabilizam
sua caracterização em termos qualitativos ou quantitativos. Há ainda a se destacar as dificuldades
referentes à toponímia. Os referenciais geográficos empregados pelos habitantes da Vila do
Aventureiro, ainda que se prestem aos seus propósitos, não podem ser empregados de maneira
satisfatória ou precisa na identificação de locais com objetivos de determinação de unidades
vegetacionais. Exemplificando, o morro da Canoada, como é conhecido, na verdade é uma crista
secundária do anfiteatro de montanhas das planícies do Leste e Sul, cujos picos principais não
têm denominação específica. Existe ainda o fato de que um mesmo local possa ter 2 (duas)
denominações distintas, dependendo do informante disponível.

A partir das dificuldades supracitadas optou-se, como forma de caracterização das matas
de encosta, pela tipificação genérica de suas formações florestais. Trata-se apenas de uma
primeira aproximação ao problema, para ulterior aprofundamento. A classificação pautou-se por
características ocorrentes nos diversos estágios sucessionais com ênfase para as espécies mais
marcantes e mais facilmente detectáveis em campo. A tabela II apresenta a tipificação proposta.

Caracterização das principais unidades florestais

1) Bacia do Rio da Canoada - margem direita. (Estágio III).

Trata-se de área utilizada por antigas fazendas. Em função de sua configuração


geográfica, voltada para o Sul, a recomposição florística vem se dando de forma rápida. A altura
das árvores em muitos trechos é baixa. Nos trechos mais bem conservados as arvores de maior
porte são Vochysia oppugnata e Cedrella sp. Numerosas espécies exóticas ou estranhas à região
são lá encontradas, como testemunho da ocupação pretérita: jaqueiras (Artocarpus integriplia),
mangueiras (Mangifera indica), bananeiras (Musa spp.) etc.

2) Bacia do Rio Canoada - margem esquerda. (Estágio IV).

A mata neste trecho assume uma configuração mais densa, com árvores de maior porte e
cobertas com epífitos de maior variedade. Na porção inferior da encosta encontram-se grande
quantidade de pequenos cursos d'água e muitos brejos de água doce, dominados em seu estrato
herbáceo por Pothomorphe umbellata.

3) Linha de Cumeada do Anfiteatro de montanhas das planícies do Sul e Leste. (Estágio


IV).

Encontram-se nestes pontos elevados o conjunto de árvores de maior porte da reserva, de


até 35 m de altura, representado pelos gêneros Cabralea sp. (canjerana), Platymiscum (?) (milho
cozido), Alchornea sp. e Cybistax (cinco chagas) e outras. Tais indivíduos ocorrem em baixa
densidade e o sub-bosque é pouco desenvolvido. A penetração de luz enseja o desenvolvimento
da ciperácea Hypolitrum sp (navalha de mico). Esta mata é atravessada por estrada aberta,
recentemente ligando Praia Longa à Praia do Sul e cujo leito vem sendo colonizado por Trema
micrantha (crindiuva). A qualidade do bosque arbustivo enseja a utilização de muitas espécies
para porta-sementes.
TABELA II: TIPIFICAÇÃO DAS MATAS DA R.B.E.P.S.
Florestas pluviais baixo-montanas / estágios sucessionais

ESTÁGIO I

Pteridium aquilinum (POLYPODIACEAE) - samambaião


Gleichenia sp. (GLEICHENIACEAE) -
ESTRATO Imperata brasiliensis (GRAMINEAE) - sapé
HERBÁCEO Melinis minutiflora (GRAMINEAE) - capim gordura
Bambusa spp. (GRAMINEAE) - taquara

ESTÁGIO II

Miconia albicans (MELASTOMATACEAE) - aperta-ruão


Cecropia spp. (MORACEAE) - embaúba
ESTRATO Tecoma spp. (BIGNONIACEAE) - ipê
ARBUSTIVO Peschiera sp. (APOCYNACEAE)
Piptadenia sp. (LEG. MIM.) - angico

EPÍFITOS Virtualmente ausentes

ESTÁGIO III

Miconia hymenonervia (MELASTOMATACEAE)


Schyzolobim parahyba (LEG. PAP.) - bacuruvú
ESTRATOS Inga spp. (LEG. MIM.) - ingá
ARBUSTIVO Guarea macrophylla (MELIACEAE) - carrapateira
Pothomorphe umbellata (PIPERACEAE) -

EPÍFITOS Ocasionais

ESTÁGIO IV

Presença de numerosas outras espécies. Epífitos presentes.

ESTÁGIO V

Semelhante ao estágio IV, com destaque para a altura e o D.A.P. Epífitos:


presentes e com grande variedade.
4) Morro do Rodeio. (Estágio V).

Trata-se de elevação de cerca de 300m em cujo bordo sul se encaixam as lagoas de Leste
e Sul. A mata existente está situada em encosta bastante declivosa e encontra-se em bom estado.
Apesar disso é pouco notada sobre o terreno a ação de animais fossoriais (tatus etc.) bem como
trilhas de pacas ou cotias.

5) Bacia do Rio Capivari.

O rio Capivari merece destaque especial na R.B.E.P.S. graças a seu estado de conservação, de
sua nascente até a foz. Em todo o seu percurso não se encontrou ao longo de suas margens, até
distância de pelo menos 100m, qualquer vestígio de ocupação anterior. A atividade da fauna
nesta área é bastante intensa, já tendo observado: paca (Agouti paca), cotia (Dasyprocta agouti),
ouriço caxeiro (Coendu villosus), macuco (Tinamus solitarius), caxinguelê (Sciurus
aestuansingrami), chauá (Amazona rhodocorytha) e lontra (Lutra sp.). A atividade da fauna
também se faz sentir por marcas de dentes em frutos caídos, bastante freqüentes na área.

Em seu alto curso o rio apresenta declividade mais acentuada e conseqüentemente nível maior de
energia, o que permite o deslocamento de matacões de maior tamanho. À medida que se
aproxima de seu curso médio o rio vai tendo seu nível de energia reduzido e os matacões passam
a assumir tamanho menor, com formas mais arredondadas. No contato com a planície
quaternária a calha perde abruptamente o declive, desaparecem os matacões e passa a calha a ser
constituída apenas de areia de granulação grossa. Próximo à lagoa do Leste, o leito é
gradualmente invadido pelo manguezal.

O morro da Madalena, que delimita a margem esquerda apresenta, em sua encosta oeste
vegetação em muito bom estado. Sua encosta leste apresenta vestígio de antiga ocupação.

6) Morro do Canto do Leste. (Estágio III).

Compreende a linha de cumeada que limita a R.B.E.P.S. pelo lado leste. Próximo à Ponta
de Tacunduba a vegetação encontra-se no estágio I, sendo constantes a presença de incêndios.
Possivelmente toda esta área deve ter sofrido intensa ocupação anterior.

As matas de restinga abrangem a maior parte da baixada da R.B.E.P.S., ou seja, cerca de


800ha, constituindo aproximadamente 27% da área total da Reserva. Devido a diversidade de
condições geomorfológicas ali encontradas, ou seja, praia, cordão de restinga, antigo fundo de
laguna, a composição florística varia muito de um local para outro, dando origem a diversas
comunidades vegetais. Até o presente momento, podem ser identificadas, com segurança, duas
formações vegetais, sendo muito provável que, com uma pesquisa mais profunda, outras
surgirão. Estas duas formações se distinguem pela umidade do solo, sendo que a primeira ocupa
os solos mais secos dos cordões arenosos e a segunda, os solos alagados periodicamente dos
fundos de antigas lagunas.

A primeira formação engloba a vegetação da anteduna, do primeiro cordão de restinga e


do cordão mais interno de restinga. A fisionomia da vegetação varia muito, desde as espécies
psamófitas reptantes da beira da praia até às árvores da floresta seca do primeiro cordão arenoso.
A anteduna, localizada na parte superior da praia, é formada por uma faixa de, em média,
10m de largura que, às vezes, pode ser temporariamente inexistente devido à erosão causada
pelas fortes ressacas (fíg. 9). A vegetação ali encontrada é constituída por espécies comuns a
todo o litoral brasileiro, que exibem características morfológicas e fisiológicas que possibilitem a
sobrevivência num local bastante inóspito devido a ação do vento e das ondas. As espécies mais
comuns são Philoxerus portulacoides, Ipomoea pes-capre, Sporobolus virginicus, Panicum
racemosun e Mariscus pedunculatus.

A intervalos espaçados, ao longo das duas praias, encontram-se indivíduos isolados de


amendoeira (Terminalia catappa) e abricó da praia (Mimusops coriacea), ambas ocorrendo, hoje
espontaneamente.

O cordão externo de restinga está coberto por uma floresta baixa de aproximadamente
10m de altura, de troncos relativamente finos. As copas dessas árvores são contíguas na sua
maioria, criando um ambiente sombrio porém com luz suficiente para a formação de um estrato
inferior constituído por gravatás, samambaias a alguns arbustos. As árvores mais comumente
encontradas são: Rheedia brasiliensis, Tapirira guianensis, Ilex integerrima, Melanopsidium
nigrum, Psidium sp.. Um dos arbustos mais freqüentes é Psychotria carthaginensis; no estrato
inferior encontram-se numerosas Neomarica sp.. Alguns gravatás chegam a formar tapetes
densos no chão da mata, sendo as mais comuns Billbergia amoena e Quesnelia quesneliana. A
família Araceae é muito bem representada nesta mata, tanto no hábito terrestre quanto no hábito
escandente ou epífita. Em comparação com as outras comunidades da baixada, essa é
relativamente pobre em epífitas.

Próximo à praia, tal comunidade apresenta outro aspecto (fig.10), sendo a altura reduzida
gradativamente conforme se aproxima a zona da anteduna. A ação do vento como modelador é
visível e a vegetação constitue uma barreira praticamente impenetrável, iniciando-se no limite da
anteduna, à vezes, no mesmo nível; outras vezes com um desnível de até 3m. Espécies
características desta zona são: Polystichum adiantiforme, Bromelia antiacantha, Neoregelia
cruenta, Ouratea cuspidata, Tocoyena bullata.

Na extremidade ocidental da Praia do Sul e na oriental da Praia do Leste, neste cordão


externo a vegetação assume outra fisionomia, sendo caracterizada por arbustos com até 4-5m de
altura intercalada com espaços abertos sem cobertura vegetal ou com ervas e arbustos baixos.
Este aspecto é o resultado de ações antropogênicas, antigos ou recentes, porém aparenta estar em
plena fase de recuperação. Algumas das espécies já citadas dominam aqui, sendo comum
encontrar Byrsonima sericea e Tapirira guianensis rebrotando de troncos grossos cortados. Nas
clareiras existem vários agrupamentos da gravatá Aechmea nudicaulis e é comum encontrar o
cacto Cereus fernambucensis.

Na Praia do Sul, há aproximadamente 20 anos, foi tentada una plantação de coqueiros na


restinga parto do mar, porém não teve êxito.

Entretanto, encontram-se ainda hoje vários coqueiros com 2-3m de altura por dentro da
vegetação arbustiva. Na Praia do Leste, houve retirada de areia, com grandes crateras que jazem
até hoje e em conseqüência, a vegetação se apresenta em pequenas moitas baixas e com invasão
de ruderais. Em parte, este aspecto de vegetação mais aberta na Praia do Leste está relacionado
com o fogo, como o que passou ali em 1980.
A mata de restinga que se encontra nos depósitos arenosos mais internos (restinga)
possue algumas das mesmas espécies freqüentes no primeiro cordão, entretanto são mais altas,
10-15m, e muito mais ricas em epífitas. A composição florística é pouco conhecida ainda. Essa
mata já foi degradada em algumas poucas áreas, existindo algumas clareiras cobertas por sapé.

A segunda formação vegetal está localizada em trechos bastante úmidos, sendo que é
possível encontrar o substrato coberto de água durante uma parte do ano (fundo de antiga
laguna). A composição da camada arbórea desta floresta, que atinge 20 metros de altura, é
diferente daquela dos cordões arenosos, notadamente na presença de algumas palmeira (eg.:
Astrocaryum aculeatissimum), muitas Rubiaceae (eg.: Posoqueria latifolia) e Myrtaceae (eg.:
Psidium cattleianum). Uma espécie comum às duas formações é a Tapirira guianensis. No
estrato arbustivo encontra-se com freqüência Psychotria barbiflora e Dichorisandra sp.
enquanto que o tapete de gravatás, onde existe, é constituído por Aechmea distichanta. Os galhos
das árvores maiores são repletos de epífitas (orquídeas, gravatás, aráceas, gesneriáceas).

Uma variação desta formação vegetal aparentemente ocorre na extremidade ocidental da


baixada do Sul, em área que provavelmente fica inundada permanentemente. É uma floresta mais
baixa, com as copas das árvores separadas umas das outras deixando penetrar luz o suficiente
para propiciar a formação de um estrato inferior bastante denso. Esta comunidade ainda não foi
percorrida por via terrestre.

As trilhas que foram abertas na baixada pelos tratores em 1981 permanecem bem
visíveis, porém estão sendo lentamente retomadas pela vegetação. Este processo está bem mais
acelerado nos trechos onde a mata de restinga ladeia a trilha, propiciando um ambiente mais
sombreado e úmido e servindo de fonte de sementes para a recolonização da área aberta. As
trepadeiras e plantas escandentes contribuem nestes trechos para aumentar a cobertura (eg.:
Ipomoea phyllomega, Cissus sp.). Em outros trechos onde a trilha foi bem larga, ou onde a
vegetação que beira a trilha também está degradada, o processo está bem mais tento, inclusive
com a invasão de ruderais (capim melado, Melinis minutiflora, por exemplo).

O manguezal é encontrado as margens dos canais que ligam o oceano com as lagoas e as
margens das próprias lagoas, até onde é sentida a influência da maré. Formam uma faixa
relativamente estreita, variando de alguns metros de largura entre a Lagoa do Leste e a encosta
do morro até aproximadamente 30 metros de largura entre a Lagoa do Sul e o terreno mais
elevado do cordão arenoso. As árvores mais altas e robustas (12m de altura) são localizadas
próximo as águas salobras dos canais ou das lagoas e geralmente são de Rhizophora mangle. A
Avicennia schaueriana só ocorre próximo à desembocadura do canal no oceano (Figs. 11 e 12).

Mais afastadas da água, podem-se encontrar árvores menores, com copas menos densas,
das espécies R. mangle e Laguncularia racemosa. Nesta faixa, os galhos das árvores são
carregados de epífitas, ocorrência rara nos outros manguezais do Estado, e, também ocorre um
ralo estrato herbáceo constituído por Fimbristylis spadicea, Cladium jamaicense e, mais
raramente, Triglochin sp.. Na transição do manguezal para terra firme é comum encontrar uma
vegetação arbustiva composta das espécies Hibiscus pernambucensis, Acrostichum aureum e
Dalbergia ecastophvlla.

O levantamento florístico da R.B.E.P.S. feito até o presente momento forneceu uma lista
de 265 espécies vegetais para todos os ecossistemas ali encontrados. Certamente, essa lista não
representa nem 25% da totalidade de espécies que devem ocorrer na Reserva, dada a conhecida
riqueza florística da mata atlântica. (Apêndice II)

Desta lista, algumas espécies devem ser destacadas:

- ameaçadas de extinção ou raras no litoral fluminense:


-
- Scaevola plumieri, que ocorre esporadicamente ao longo de todo o litoral brasileiro, à
beira da praia, já está sendo ameaçada devido ao uso intenso das praias para
recreação. No litoral fluminense só é encontrada atualmente em Marambaia e na Praia
de Sernambetiba (uma pequena mancha na área do antigo Refúgio Biológico);
-
- Polystichum adiantiforme, que ocorre na vegetação densa, modelada pelo vento, à
beira da praia, outrora comum na restinga de Jacarepaguá quando esta também
possuía uma boa cobertura vegetal (Massart, et. al. 1929). Atualmente, só ocorre no
litoral fluminense na Reserva;
-
- Ficus trigona, encontrada uma única árvore à beira do canal, na Ilhota do leste.
Segundo o Biologista Pedro Carauta, especialista na família ela é hoje uma espécie
rara.

- Outras

Diversas Bromeliaceae que ocorrem na Reserva são muito mais comuns para o sul do
país, atingindo seu limite setentrional no Estado do Rio de Janeiro: Aechmea distachantha,
Aechmea qracilis, Quesnelia arvensis, Nidularium innocentii var paxianum.

A riqueza das orquídeas na mata de restinga, uma vez bem levantada deve revelar outras
espécies merecedoras de cuidados especiais.

2.2.2 Aspectos faunísticos

A parte continental de Angra dos Reis, à época da chegada do colonizador, era coberta
por altíssima e densa floresta (Magnanini et al, 1981), que chegava até junto ao mar, cobrindo
escarpas e misturando-se aos manguezais e restingas. Esta vasta floresta, com condições
ecológicas variada, propiciava abrigo e alimentação para uma fauna muito diversificada.

No passado, a ocupação de Angra dos Reis, iniciou a destruição dessa mata, desde a
encosta até o litoral. Com material oriundo da mata construiram-se casas da vila, porto, pontes,
fabricaram-se lenha e carvão. Concomitantemente, a caça visava abastecer as cozinhas
domésticas.

Presentemente, daquela exuberante floresta restam fragmentos que ainda assim


continuam a sofrer pressões, dando lugar a plantações inexpressivas ou habitações em condições
sub-humanas.

Quanto a fauna, os grandes e médios carnívoros (onças, suçuaranas, gatos-do-mato,


cachorro-do-mato, etc.), primatas (muriqui, guaríba, etc.), herbívoros (veado, etc.), que
conseguiam escapar à sanha dos caçadores, buscaram refúgio nas partes mais altas da Serra do
Mar, refugiando-se na área da Bocaina e do Itatiaia. É ali também que ainda caçam
presentemente as grandes aves de rapina.

Já na Ilha Grande, devido a condição insular a mastofauna terrestre foi caçada até o
extermínio, sem maiores possibilidades de fuga.

Sobre a fauna passada da Ilha Grande têm-se boas indicações graças ao relato feito por
Honório Lima em 1889. Vê-se, ali, que as dimensões da ilha (190 km2), aliada a boa cobertura
vegetal, diversidade de habitats, clima, etc. permitia ainda, àquela época, uma rica mastofauna
composta de onças, veados, guaribas, gatos-do-mato, cachorros-do-mato, guaxinins, capivaras,
antas, pacas, cotias, caxinguelês, preás, gambás, queixadas, tatus, tamanduás, preguiças e outros,
além de enorme relação de peixes, aves, etc.

Sobre as aves, peças coletadas por Garbe e Berla confirmam a ocorrência do


gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus), do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) e da
jacutinga (Pipile jacutinga), entre outros.

A criação da R.B.E.P.S. em 1981 veio preservar em seus 3.500 hectares não só cinco
ecossistemas distintos (restinga, manguezal, laguna, litoral rochoso e mata de encosta) como
também, juntamente com o Parque Estadual da Ilha Grande, preservar o que restou da fauna
insular.

Entretanto, os levantamentos feitos até o presente na parte da mata na encosta,


demonstraram que estão ausentes os grandes felinos (onça e suçuarana) havendo notícia apenas
da ocorrência do gato-do-mato e do jaguarundi.

Também até o presente são dados como não mais ocorrendo na área os veados mateiro e
catingueiro, preguiça, caitetu, queixada, tamanduá mirim, a anta e a capivara.

Sobre a capivara houve menção sobre sua ocorrência na área da lagoa e várzea do
Capivari há mais de 30 anos passados.

Quanto aos primatas ainda ocorrem, na ilha, guaribas (Alouatta fusca), macaco-prego
(Cebus apella) e sagüis, provavelmente Callithrix jacchus (*). Sempre que foram vistos pelos
vigias estavam fora da Reserva, na mata para os lados de Araçatiba.

Este ano, macacos-pregos já foram vistos na Praia do Sul. É mais que possível que em
outras ocasiões, quando não estão sendo observados esses animais penetram nas matas da
Reserva onde há bastante alimento disponível e nenhuma barreira ecológica.

O guariba, que alcança 6 a 8 quilos, é um animal arborícola, primordialmente


vegetariano, diurno, que vive em grupo, facilmente localizado graças a sua possante voz. Sua
presença caracteriza a existência da mata pluvial atlântica em bom estado.

___________________
(*) Contudo há um registro no Museu Nacional sobre C. aurita coletado em 05/11/68.
Outros marníferos menores, contudo proliferaram nesses quatro anos de existência da
Reserva. Percebe-se facilmente isso pela facilidadecom que são vistos tatus ou percebe-se, quer
pelo barulho, pelos silvos ou pelos rastros deixados na praia, que aumentou a população de
pacas, cotias e gambás. Também já é bem visível o aumento da população de teiú-açu, outrora
um acepipe nas casas de Aventureiro, e do preás. Atualmente os caxinguelês também se
movimentam pela praia do Demo procurando os frutos de amendoeira.

A lontra (Lutra enudris), por exemplo, é ocasionalmente vista ora no mar, ora na praia ou
na lagoa, porém sempre sozinha. Num passado não muito distante, pescador da Praia de
Aventureiro caçou algumas delas, cuja carne, provada, mostrou ter gosto de peixe. Suas pegadas
têm sido encontradas na praia e no manguezal. Também o lugar em que defecam foi localizado,
ficando à margem da Lagoa do Sul.

Quanto ao jacaré-papo-amarelo (Caiman latirostris), jabotis (Geochelone carbonaria) e


cágados de água doce, não foram encontradas nenhuma referência, apesar da ilha fornecer
condições de sobrevivência. A única tartaruga vista foi a Chelonia mydas, bem próxima à praia
do Sul, descansando em bancos de areia.

Em relação a avifauna, a Reserva abriga atualmente várias espécies consideradas raras ou


ameaçadas, como pavó (Pyroderus scutatus - fig. 13), chauá (Amazona rhodocorytha - fig. 14),
gavião-pomba (Leucopternis polionota).

Há registros anteriores feitos por Garbe (1905) e Berla (1940) sobre coleta de
gavião-de-penacho, gavião-pega-macaco e jacutinga, já mencionado. Essas aves buscam
alimento, proteção contra o frio abrigo, etc. movendo-se entre as matas da encosta até a mata de
restinga. Presentemente, já se conseguiu avistar macuco (Tinamus solitarius) fugindo na trilha da
mata de Chico Jr. e macuca com quatro filhotes na trilha do Longa. Não foi registrado, porém
são muito grandes as chances de ocorrer, o inambu-xintã (Crypturellus tataupa).

Provavelmente já ocorreu jaó (Crypturellus noctivagos). Há referência de Honório de


Lima quanto a presença na Ilha de mutuns (Crax blumenbachii), perdizes (Rhynchotus
rufescens), codornas (Nothura maculosa) e (Penelope superciliaris), porém, não foi possível
confirmar a ocorrência atual dessas aves. Muitas outras aves vivem nas copas, entre elas a
araponga (Procnias nudicollis), tinguaçu (Attila rufus), surucuá de barriga amarela (Trogon
viridis). Fazem parte desse grupo a trocal (Cólumba speciosa), (Amazona rhodocorytha), bem
como maitaca (Pionus maximiliani), periquito-rico (Brotogeris tirica), tiriba-de-testa-vermelha
(Pyrrhura frontalis) e o tuim (Forpus xanthopterygius).

Outros habitantes da mata importantes pelo papel que desempenham são as corujas e os
gaviões. A murucututu-de-barriga-amarela (Pulsathrix koenaswaldiana) é uma coruja de grande
porte, enquanto que a suindara (Tyto alta), por ser comum, tem seu nome incorporado na
toponímia local.

Sobre os gaviões, além daqueles citados anteriormente, são comuns na Reserva o


gavião-carijó (Buteo magnirostris), gavião pinhé (Milvago chimachina) e o carancho (Polyborw
plancus).
Nas partes abertas como beira de mata, área de ex-cultivo e mata baixa estão presentes os
tangarás (Chiroxiphia caudata), risadinha: (Campostona obsoletum), choca (Thamnophilus sp.),
rendeira (Manacus manacus), tiê preto (Tachyphonus coronatus), topetuda (Elaenia flavogaster),
vite--vite (Hylnohilus thoracicus), saí-azul (Dacnis cayana), e muitos outros.

Há ainda a se considerar a fauna da lagoa e da praia. A lagoa mantém-se produtiva tal


qual já mencionava Honório de Lima. A abundância de tainhas, robalos e carapebas é realmente
muito grande. Também são detalhe apreciável as ostras (Ostrea sp.) e os berbigões (Lucina
pectinata) que ali ocorrem. Esses berbigões foram inclusive importante elemento na alimentação
dos indígenas que habitaram a área da Reserva conforme restos encontrados na Toca dos Índios.
Também são de grande porte guaiamus (Cardisoma guanhumi), caranguejos verdadeiros (Ucides
cordatus) e o siri azul (Callinectes exasperatus), porém sem ser abundante.

Quanto às aves da lagoa elas são pouco numerosas (fíg.15). Os anatideos, por exemplo,
não foram registrados. Parece que as lagoas não estão na rota migratória ou a caça do passado
afastou esses animais. Nas praias, têm sido encontradas enormes quantidades de aves marinhas
mortas. Isto ocorre nos meses de julho e agosto. São gaivotas, gaivotões, andorinhas do mar,
pingüins entre outros.

Recentemente também foi dar à praia o cadáver de um golfinho (Tursiops sp.) que serviu
de banquete para os urubus.

Raramente ve-se maçaricos na praia, o que também é estranho, visto neta abundar
alimento (tatuís, anfípodas, moluscos, etc.).

Há também outros grupos que estão precisando de uma pesquisa maior. Referimo-nos ao
grupo dos anfíbios, répteis, peixes e moluscos terrestres.

Os anfíbios coletados até agora são Dendrophrymiscus cf. brevipolicatus e Olobygon


perpusilla duas espécies bromelícolas obrigatórias, pois são nessas plantas que completam seu
ciclo vital. Abundância de bromélias (espécies e número) sugere o favorecimento de ocorrência
de outras espécies. Coimbra (1973) menciona o primeiro como servindo de alimento para
Tinamus solitarius e Penelope superciliaris.

Mais detalhes sobre a fauna podem ser encontrados em Maciel et alli, 1981 e 1984. A
relação de toda a fauna levantada até a presente data encontra-se relacionada no Apêndice III.

2.3 Aspectos arqueológicos

A proteção das jazidas arqueológicas localizadas na Reserva Biológica Estadual da Praia


do Sul é de extrema importância para a reconstrução da Pré-história do Rio de Janeiro.

Prospecções realizadas por membros da equipe de arqueologia do Museu Nacional do


Rio de Janeiro, revelaram quatro locais de ocupação por grupos pré-históricos e a existência de
inúmeros “amoladores” espalhados por suas praias. (fig.16). Estes, assim denominados,
tratam-se de sulcos encontrados nas rochas, causados pelo ato de polir e afiar instrumentos líticos
utilizados por grupos pré-históricos. Os poucos trabalhos existentes na bibliografia arqueológica
brasileira que tratam destes “amoladores” costumam correlacioná-los a grupos ceramistas, porém
descobertas recentes (em sambaquis no sul do país) mostram estarem também relacionados a
grupos pré-cerâmicos.

Os “amoladores” da R.B.E.P.S. apresentam-se de três tipos. O primeiro de forma oval


indicando que provavelmente teria sido produzido no ato de polir o artefato. O segundo tipo, um
pouco mais estreito, parece ter sido produzido no momento que houve uma intenção de obter-se
um ângulo mais agudo em parte do artefato. E finalmente, o terceiro tipo, que muitas vezes
aparece dentro do segundo tipo, trata-se de uma linha que teria sido produzida no ato de afiar o
gume no utensílio. Próximo à Reserva, na Praia dos Meros, foi encontrado um machado que
poderá representar estas três etapas relacionadas.

Dos quatro sítios, descobertos pela prospecção, três encontram-se destruídos como a
maioria dos sítios arqueológicos localizados no litoral do Estado do Rio de Janeiro. As
sondagens nestes sítios nos revelaram que se tratavam de ocupações esporádicas de pequenos
grupos que não necessitavam de um acampamento de maior durabilidade, dada a riqueza
alimentar da área.

O sítio intacto, que revela ser anterior aos sítios destruídos, foi denominado Sítio do
Ilhote do Leste; está localizado no morro do mesmo nome que separa a praia do Leste da praia
do Sul. Pesquisas preliminares neste sítio revelaram tratar-se de uma ocupação constituída de
pequenos grupos de coletores, pescadores e caçadores que por variáveis períodos de tempo
vinham explorar aquele ambiente. Configura um sítio de dimensões apropriadas para a realização
de uma pesquisa que fornecerá dados para a compreensão de quando e como teriam se iniciado
as ocupações em ilhas e principalmente o estabelecimento do início do uso de embarcações por
grupos pré-históricos no Estado do Rio de Janeiro.

Para a região Sul do Estado, temos poucas informações para a cronologia e atualmente
existem apenas duas publicações: A Fase de Parati de Ondemar Dias Jr. e a Pré-história de
Parati, Alfredo Mendonça de Souza. Nelas, os autores afirmam ser de pouca antiguidade as
ocupações na região, isto devido ao mergulho imediato da Serra do Mar no oceano, estreitando
em conseqüência a plataforma continental. Desta maneira, na época em que teria se registrado as
mais antigas ocupações litorâneas do Estado (a mais ou menos 4.000 anos) a planície estaria
tomada pelas águas, obrigando a esses grupos a optarem por outras áreas. Porém, acreditamos
que as pesquisas realizadas até o momento, são por demais escassas para uma afirmação tão
rígida.

2.4 Aspectos sócio-econômicos

2.4.1 Ocupação humana

A história da ocupação do Litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro está ligada à situação
geográfica. O fato de existir uma baía relativamente protegida dos ventos com excelentes
condições de fundeadouro fez desta região parada obrigatória das embarcações com ocupação
assegurada a partir de 1559 (Castro, 1980). Além disso, a proximidade à região interiorana,
apesar da difícil travessia da escarpa da Serra do Mar, fez com que os portos litorâneos servissem
para o escoamento das mercadorias oriundas dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

Segundo Castro (1980) as pequenas planícies e colinas na estreita faixa do litoral entre o
mar e a serra na região de Angra dos Reis e Parati foram ocupadas desde os primórdios da
colonização por canaviais. Angra dos Reis destacou-se como principal núcleo dessa atividade
durante cerca de trezentos anos, dando ênfase à produção de açúcar enquanto em Parati, foi a
produção de aguardente que tomou vulto.

A queda da cotação do açúcar no mercado mundial, segundo a mesma autora, fez o


movimento portuário de Angra dos Reis sofrer um pequeno período de decadência, fase esta que
acabou com a chegada dos cafezais que ocuparam totalmente os morros e a encosta das serras
nos arredores do povoado. Em 1864, Angra dos Reis era o segundo porto do Brasil Meridional,
exportando café principalmente do Vale do Rio Paraíba, São Paulo e Minas Gerais (Lamego,
1948). Este porto era insuficiente para escoar tamanha quantidade de produção e, por isso,
surgiram os embarcadouros de Jurumirim, Ariró, Itanema, Frade, Bracuí e Mambucaba (Lima,
1974).

Com a chegada da Estrada de Ferro Pedro II a cidade paulista de Cruzei ro, em 1877,
assim completando a ligação direta das zonas produtoras de café com o Rio de Janeiro, o
declínio econômico da região do Litoral Sul Fluminense teve seu início, e a partir daí
permaneceram remanescentes de uma época mais próspera somente uns poucos engenhos e a
pesca.Em 1930, a modernização do porto de Angra dos Reis foi concluída e no final da década
de 1950 foi iniciada a instalação de parques industriais, dois eventos que contribuíram para
fomentar a economia do Município (Castro 1980).

O café foi produzido em abundância na ilha Grande também, tornando-se o elemento


principal da sua lavoura. Entre os portos mais famosos da região destacavam-se Abraão e Sítio
Forte.

Mais tarde as Fazendas dos Dois Rios e do Abraão tornaram-se pontos de desembarque de
cabiúnas, negros desembarcados clandestinamente no litoral brasileiro, após a lei de repressão ao
tráfego de escravos. Graças a este tráfego havia grande demanda por uma nesga de terra, já
naquela época, suscitando pleitos judiciários no foro da Vila da Ilha Grande a ponto de José
Bonifácio de Andrade e Silva expedir ao Juiz de Fora da aludida orla uma portaria em 1823
ordenando que fossem tomadas providências para evitar-se tantas e intermináveis questões sobre
os rumos de terras (Lima, 1974).

No anfiteatro que verte para a Enseada da Praia do Sul existiam, há mais ou menos 60
anos atrás, quatro fazendas, cuja produção maior era cana-de-açúcar (Maciel, 1984). Carros de
boi transportavam o açúcar, pipas e tonéis de cachaça através da antiga estrada que ligava Tapera
ao Canto do Leste. Estas fazendas eram conhecidas como Cachoeira Grande, Lagoa do Sul ou
Grande Capivari e Cacau ou do Leite. Nesta última extraía-se areia monazítica, da baixada do
Leste, que era transportada para Sítio Forte em caminhões. Nas áreas mais úmidas desta mesma
baixada havia plantação de melancias, também levadas para o mercado em Angra dos Reis. No
cordão externo de restinga havia uma pista de pouso.
Tabela III: População residente e número de domicílios existentes em 0l/set/1980
- Ilha Grande, Município de Angra dos Reis.

LOCALIDADES POPULAÇÃO NÚMERO DE


RESIDENTE DOMICÍLIOS
Abraão (5º Distrito) 2.682
Distrito 748 (*)
Vila 1.090 370 (*)
Enseada das Palmas

Enseada da Estrela

Praia de Araçatiba (6º Distr.)

Distrito 3.458 927


Vila 142 62
Praia Longa 317 59
Praia da Tapera 125 27
Bugeré 85 22
Praia Vermelha 214 57
Praia do Provetá 722 162
Costeira 61 12
Praia dos Meros 13 3
Praia do Aventureiro 82 24
Praia do Parnaioca 12 14
_____________________________________________________________________________

FONTE: IBGE - Censo Demográfico de 1980 e listagem de Topônimos Rurais.

__________________
(*) FONTE: SECPLAN/FAPERJ, 1981.
2.4.1.2 Ocupação atual da Ilha Grande

A Ilha Grande está dividida politicamente em dois distritos do Município de Angra dos
Reis: Abraão (5º) com 93 km2 e Praia de Araçatiba (6º) com 94 km2 (SECPLAN/FAPERJ, 1981).

Na tabela III encontram-se dados sobre a população residente e número de domicílios


existentes na Ilha Grande, segundo o censo demográfico de 1980. A maior Vila é Abraão
localizada na extremidade oriental da Ilha Grande. É um antigo núcleo de pescadores, mas
atualmente uma grande parte dos habitantes vive em função do presídio, a Colônia Penal
Cândido Mendes, localizada na Praia dos Dois Rios no lado oceânico da Ilha Grande.

2.4.1.3 Atividades econômicas

Nos últimos anos, o turismo tem aumentado na Ilha Grande, sendo que 256 prédios são
do uso ocasional (veraneio), principalmente nas enseadas de Abraão, das Palmas, da Estrela, de
Araçatiba e de Provetá (Censo, 1980). Uma das atrações destacada pela Companhia de Turismo
do Estado do Rio de Janeiro é a pesca submarina, sendo os pontos melhores para essa atividade
na Ilha Grande, Ponta dos Meros, onde se encontra meros de 100 a 200 kg, além da Ilha Jorge
Grego e Ponta Acaiá (FLUMITUR,1978).

A atividade principal na Ilha Grande é a pesca que absorve a maior parte da mão-de-obra.
O principal núcleo de pescadores é Provetá, mas também existem agrupamentos em Aventureiro,
Praia Grande, Praia Vermelha, Araçatiba, Sítio Forte, Enseada das Palmas, Saco do Céu e
Abraão (Censo, 1980). O principal produto é a sardinha recolhida em embarcações, na sua
maioria de pequeno porte. A industrialização do pescado é feita em várias localidades da Ilha
Grande e essas salgas absorvem grande parte da mão-de-obra da região nas épocas de maior
volume de trabalho (FIDERJ,1977).

Nas vilas de pescadores, as pessoas profissionalmente ativas geralmente se dividem entre


pescadores (na maioria) e lavradores. Na Praia Verme lha, por exemplo, tem 109 pescadores e 29
lavradores sendo que os pescadores dividem-se em duas categorias: os de “cerco ou cercado”,
que praticam a pesca com redes de malha ou anzol e que sempre permanecem na área; os de
“largo” que embarcam nos grandes traineiras para a pesca exclusiva da sardinha (Araujo Fº,
1978). Na Praia do Aventureiro a situação é semelhante sendo que existem apenas 5 famílias que
vivem da lavoura, as outras todas dependendo da pesca para sua sobrevivência (Vilaça e
Maia,1985).

Segundo Vilaça e Maia (1985), os lavradores de Aventureiro cultivam a terra íngreme das
encostas da Ilha Grande, plantando mandioca principalmente, feijão, guandu, milho,
cana-de-açúcar e banana. Existem 17 roças variando entre 600 a 4.500 m2 que chegam quase à
cota de 200m na encosta virada para a Praia do Aventureiro.
2.4.2. Serviços de infraestrutura

2.4.2.1 Vias de acesso à Reserva Biológica e meios de transporte disponíveis

A ligação entre Ilha Grande e o continente é feita por barco, sendo que o único transporte
comercial existente é o de lanchas que percorrem em dias alternados a distância entre
Mangaratiba e Abraão, ou entre Angra dos Reis e Abraão (fig.17). De Abraão até a Reserva
pega-se carona no carro (caminhão) que serve o presídio na Praia dos Dois Rios, e depois
segue-se a pé pela trilha que passa em Parnaioca. Este percurso leva aproximadamente 5 horas.

É possível também chegar na Reserva indo de carona com um barco de pesca que vai até
Provetá ou até a Praia do Aventureiro. Como as traineiras são barcos lentos, este percurso leva
entre 3 e 4 horas. Não é sempre possível alcançar a Praia do Aventureiro devido às condições do
mar, especialmente quando bate o vento sudoeste, que faz cessar toda atividade de barcos de
pesca na área, até em Provetã. De Provetá até a Praia do Aventureiro é uma caminhada de 1 a 2
horas, num trilha íngreme e bem batida.

De qualquer outro ponto na Ilha Grande é possível chegar à Reserva a pé pelas trilhas que
ligam os diversos povoados, geralmente seguindo a encosta próxima ao litoral.

2.4.2.2 Aspectos sanitários e serviços de abastecimento

Dados sobre serviços de infraestrutura na Ilha Grande são escassos. Segundo informações
obtidas na Prefeitura de Angra dos Reis, somente em Abraão tem rede de esgoto e água, Posto
Municipal de Saúde e Posto Telefônico (a ser inaugurado). Energia elétrica tem em Abraão,
Miradeira e Enseada das Estrelas. Na Ilha como um todo, existem 13 escolas municipais e 2
estaduais. O único cartório funciona em Araçatiba.

Nos últimos anos, o turismo tem aumentado muito na região e como conseqüência, a Ilha
Grande possui 2 hotéis - um em Abraão e outro na Praia do Saco das Palmas.

Na Praia do Aventureiro, apenas 4 casas possuem instalações sanitárias, porém os dejetos


são jogados diretamente nos riachos ou no mar. Existe uma pequena capela e uma escola na vila.
Os mortos são enterrados de preferência, no cemitério de Parnaioca. Todos os mantimentos são
trazidos de Angra dos Reis ou de Provetá, em menor escala.

3.Planejamento da Reserva

3.1 Zoneamento

O zoneamento da R.B.E.P.S. depende fundamentalmente de uma política e de uma


decisão a serem tomadas pelo governo. Há duas alternativas, que se apresentam no momento:
Primeira alternativa:

Os limites da R.B.E.P.S., estabelecidos no Decreto Estadual nº 4972 de 02/12/81 seriam


mantidos sem alterações. Com isto permaneceria o grupamento humano que existe na praia do
Aventureiro, como um corpo estranho aos objetivos de uma Reserva Biológica.

Conseqüentemente haverá uma questão de difícil solução, até hoje insatisfatoriamente


conduzida em outros países, qual seja a de se tentar compatibilizar as atividades crescentes de
um núcleo humano em estimulado desenvolvimento, com a necessidade de proteção integral da
flora, fauna e demais recursos naturais. Esta convivência é, na prática, totalmente incompatível,
uma vez que a estrita proteção da natureza não pode persistir na mesma área em que exista uma
população que, sob pena de revolta social, não pode ser cerceada em seu crescimento e
desenvolvimento.

Cabe esclarecer que a proposta original da R.B.E.P.S. de fato incluía a praia do


Aventureiro, porém julgara-se que aquele agrupamento de pescadores poderia ser deslocado para
outras áreas, onde pudesse auferir melhor qualidade de vida. Também deve ser assinalado que,
tendo em vista a importância biológica de se contar com o máximo de área disponível, dentro do
anfiteatro formado na Baia da Praia do Sul,optou-se por tolerar a existência de alguns pescadores
na área do Aventureiro até sua final remoção para outro local. Entretanto, a superveniência de
ocorrências fora do controle dos idealizadores da R.B.E.P.S., entre os quais se destacam
instruções ou permissões para construção de novas casas, para roçadas, para benfeitorias, etc,
força agora a apresentação de outra alternativa, como se segue.

Segunda alternativa

Os limites estabelecidos no Decreto de criação seriam alterados de modo a excluir a área


ocupada do Aventureiro.

É indispensável frisar que esta 2ª alternativa só é considerada porque:

a) O deslocamento das moradias, hoje, para tornar a área livre da presença humana,
condição primordial para se manter uma Reserva Biológica, exigirá alto custo econômico e
provavelmente grande desgaste político.

b) A presença, no período de 1983 até 1985, de técnicos da FEEMA preocupados


com o aspecto social da questão, redundou, mesmo que ao reverso de seus desejos, no
comportamento que hoje caracteriza a maioria dos moradores da praia do Aventureiro. Passaram
a se considerar como credores e tutelados do Governo Estadual, em especial da FEEMA, com
direitos e reivindicações estranhas aos princípios conservacionistas.

c) A impraticabilidade de fiscalização de um núcleo humano, plantações e animais à


solta, dentro da Reserva, tornariam ineficiente qualquer programa de preservação da área.

d) A questão fundiária obrigaria à difícil e desgastante embate para regularização


porque todos os moradores se consideram proprietários, não importando se tenham apenas posse
ou simples presença no local. A maioria deles passou a fazer melhorias, a título de benfeitorias,
pois ouviram que seriam indenizados por quaisquer restrições que o Governo fizessem em seus
“direitos”.

e) Os constantes deslocamentos de moradores entre Aventureiro e Provetá, ou


Araçatiba estão dividindo a Reserva em duas partes, o que dificulta sobremodo a fiscalização. A
faixa Aventureiro-Provetá, com a manutenção dos ocupantes na R.B.E.P.S. significaria manter,
efetivamente duas Reservas Biológicas separadas por uma área de livre trânsito e de
abastecimento.

f) A realização de estudos sociológicos, apresentados nos trabalhos intulados “O


Povo de Aventureiro” de autoria das biólogas da FEEMA, Ângela Azevedo Maia e
Aparecida Maria Neiva Vilaça, concluiu pela expressa recomendação de não se proceder
à remoção dos moradores que ficariam com suas atividades subordinadas à uma Área de
Proteção Ambiental, a ser implantada posteriormente.

Considerando as duas alternativas antes citadas, parece ser mais oportuna e adequada à
condições atuais, a rejeição da primeira alternativa, muito embora isto signifique uma redução
importante da área original (cerca de 576 ha ou 16% da área original). Desse modo, o presente
Plano Diretor, se aplica à segunda alternativa.

O zoneamento da R.B.E.P.S. objetiva facilitar a administração e a execução dos Planos


Setoriais e comporta 3 categorias:

· Áreas de Preservação
·
· Áreas sob Manejo
·
· Áreas Administrativas

3.1.1 Áreas de Preservação

Estão assinaladas na fig.18 e compreendem cerca de 2438ha (83% da área total da


Reserva).

Tais áreas abrangem todos os ecossistemas existentes na Reserva. Nelas estão contidos os
locais mais bem preservados atualmente.

Não é permitida nas áreas de preservação nenhuma atividade que acarrete danos ao meio
ambiente, em evolução natural. Assim, a fiscalização e a pesquisa serão realizadas apenas em
trajetos constantes do Plano Setorial de Proteção, ficando vedada a abertura de novas picadas ou
de clareiras.

Qualquer atividade de pesquisa científica só poderá ter andamento, na R.B.E.P.S.


mediante aprovação da FEEMA do projeto específico. Os projetos de pesquisa propostos serão
apresentados na FEEMA e deverão obedecer ao padrão estabelecido pelo CNPq em modelo de
propostas.
3.1.2 Áreas sob manejo

Embora a R.B.E.P.S. não tenha sido criada exclusivamente para preservação de determinada
espécie, certas intervenções humanas, exercidas antes deste Plano Diretor, trouxeram danos ao
patrimônio natural. Foram assinaladas na fig.18 as áreas que ainda não estão recuperadas através
do processo de regeneração natural. Compreendem cerca de 483 ha. (17% da área total da
Reserva). Nessas áreas poderão ser desenvolvidos programas de manejo visando a aceleração
deste processo. A forma de execução desses trabalhos será detalhada através de planos
específicos para cada área, consoante o Plano Setorial de Recomposição.

3.1.3 Áreas administrativas

A R.B.E.P.S. possuirá dois setores administrativos, localizados em trechos próximos dos


seus limites oeste e leste, assinalados na fig.18.

O setor administrativo oeste comportará a sede da Reserva e principal núcleo de apoio


(Praia do Demo). O setor administrativo leste, aproveitando o local de antiga residência: (casa do
“Ferrugem”), servirá sobre tudo como núcleo de apoio a cientistas quando em trabalhos, na parte
leste da Reserva. Este setor servirá de base também à fiscalização.

Por ocupar menos de 0,5% da área da Reserva, a parte abrangida pelo setor
administrativo não foi computada junto com as outras categorias.

O Plano Setorial de Obras especifica as dimensões das duas áreas administrativas bem
como as atividades a serem ali desenvolvidas.

3.2 Planos Setoriais

No cumprimento de cada Plano Setorial serão adotadas as seguintes normas para a


R.B.E.P.S.:

3.2.1 Para o Plano Setorial de Proteção:

- Não haverá construções de residência dentro da R.B.E.P.S. para os guardas da Reserva,


que deverão morar fora da área.

- A programação dos serviços abrangerá duas atribuições, que são a guarda permanente
de bens administrativos e a patrulha de toda a área da R.B.E.P.S.

- Para a guarda permanente de bens administrativos serão organizados turnos individuais,


enquanto que o serviço de patrulha será feito sempre aos pares no mínimo. Isto se deve à questão
de segurança pessoal dos próprios guardas.

- Os guardas seguirão rigorosamente o princípio hierárquico, comunicando a seu superior


imediato qualquer ocorrência, tão logo possível.
- Nas áreas de preservação, os próprios guardas só deixarão as trilhas em caso de força
maior, que deverá ser relatado.

- A FEEMA promoverá o treinamento dos guardas encarregados da proteção, inclusive


possibilitando-lhes o estágio em outras unidades de conservação.

- Em serviço os guardas trajarão uniforme e armamento aprovados pela FEEMA.

- As instruções e as recomendações específicas para a orientação dos guardas da


R.B.E.P.S. constarão de regulamento a ser baixado.

- Não será admitida nenhuma invasão e os guardas sustarão e comunicarão, com a


máxima urgência, qualquer ocorrência, nesse sentido, aos seus superiores hierárquicos.

- Semanalmente, pelo menos, serão inspecionados os locais considerados de maior


vulnerabilidade, em especial ao longo do caminho que liga Aventureiro a Provetá, a trilha Sítio
Forte, limites com Parnaioca e os trechos de praia.

- Dada a existência do presídio e eventuais fugas de detentos, o chefe dos guardas


manterá contato com os responsáveis pela Colônia Penal para domínio da situação.

- Deverá ser providenciado um sistema de telecomunicações, seja com uso de


walkie-talkie, de fonia sistema EMBRATEL, etc.

3.2.2 Para o Plano Setorial de Obras

- Qualquer obra terá por princípio a sua harmonização com o meio ambiente, devendo-se
empregar materiais de construção existente em Aventureiro, tais como seixos, pedras e areia que
possam ser retirados nas calhas dos rios, fora da R.B.E.P.S. No que concerne a madeira, esta
deverá ser trazida do continente.

- É considerada importante a instalação de um cais flutuante cuja melhor situação, face ao


problema de vagas e ventos, é indicada na altura da anfratuosidade da Pedra da Espia, no
extremo sul da praia do Aventureiro. Esta questão deve merecer especial atenção nas diretrizes
da Área de Proteção Ambiental proposta.

- Tendo em consideração a experiência auferida pela FEEMA desde 1980, também é


recomendada, dada a constante dificuldade de acesso à parte meridional da Ilha Grande, que se
estabeleça, no plano da APA proposta, a instalação de um heliponto (para operação com
helicópteros), na praia do Aventureiro.

- Proceder-se-á a novo traçado da trilha que liga Aventureiro a Provetá, visando evitar
que o trajeto passe por dentro da R.B.E.P.S. Em outras palavras, não deverá haver nenhuma
trilha na vertente para a praia do Demo.

- O abrigo para embarcação da R.B.E.P.S. será construído e localizado após cuidadoso


estudo local, visando minimizar o impacto ambiental, na própria praia do Demo.
- A captação, adução e armazenamento d'água potável devem ser feitos de maneira a não
alterar as condições ambientais, integrando o sistema na paisagem local.

- O sistema de esgotamento sanitário deve ser rigorosamente dimensionado de modo a


não contaminar, nem alterar a qualidade das águas locais.

3.2.3 Para o Plano Setorial de Recomposição

O processo de regeneração natural, que é considerado como o principal recurso para


restauração dos ecossistemas da R.B.E.P.S. deverá ser incrementado sempre que possível, em
especial nas seguintes áreas. (fig. 18):

· a) área do Demo
·
· b) área do Ferrugem
·
· c) área do caminho para Sítio Forte
·
· d) clareira da Madalena
· e) clareira do Rio Capivari
·
· f) clareira da restinga da Lagoa do Sul
·
· g) clareira da encosta do Ilhote
·
h) caminhos abertos pelo trator na Restinga do Sul

- A evolução natural da sucessão ecológica nessas áreas de recomposição, poderá ser


incrementada mediante projetos específicos e locais com escolha de espécies apropriadas, da
própria biota regional, projetos esses aprovados previamente pela FEEMA.

- Dentro dos limites da R.B.E.P.S., em princípio não devem ser introduzidas plantas ou
animais que não sejam autóctones em seus ecossistemas.

- Não deverá ser permitida a regeneração dos exemplares pertencentes a espécies estranhas à
flora local como, por exemplo, amendoeira, coqueiros, etc.

- As espécies, embora exóticas, que fornecem alimento para a fauna, poderão permanecer em
seu ciclo vital natural, não devendo, todavia receber melhorias nem ser renovadas (como, por
exemplo, abricós da praia).

- Projetos visando a introdução de espécies só serão aprovados pela FEEMA desde que não
venham causar impactos expressivos nos ecossistemas locais.

- A sede administrativa será construída no local assinalado na fig.18; compreenderá uma casa
com sala grande, sala de depósito, dois banheiros, cozinha e varanda, em planta que será
aprovada pela FEEMA.
- A construção no antigo sítio do Ferrugem será reformada conforme projeto de restauração a
ser aprovado pela FEEMA.

- Será implantada a demarcação dos limites da R.B.E.P.S. com moirões e fios de arame
grosso (de preferência arame farpado), em especial:

a) Da praia do Demo até o divisor d'água entre Provetá e Aventureiro, conforme


reconhecimento no terreno.

b) Nos limites com Parnaioca, desde o costão rochoso até a mata do divisor de águas, em
especial nas clareiras e nas trilhas atuais.

c) No divisor de águas, fronteira a Sítio Forte, em especial nas clareiras e nas trilhas atuais.

d) Nos limites do divisor com Araçatiba, em especial nas trilhas existentes.

3.2.4 Para o Plano Setorial Financeiro

Custo de Implantação e operação da R.B.E.P.S. num período de 12 meses, calculado em


ORTN´s (Cr$ 70.613,67 - Setenta mil, seiscentos e treze cruzeiros e sessenta e sete centavos - no
mês de dezembro de 1985).

1. Construção da Sede
- aquisição de material (935 ORTN) Cr$66.023.781

- mão-de-obra (220 ORTN) 15.535.007

2. Equipamentos e materiais necessários à R.B.E.P.S.


- administração e apoio (504 ORTN) 35.589.289

- Fiscalização (690 ORTN) 48.723.432

3. Marcação dos limites

- confecção de 20 placas (120 ORTN) 8.473.640

- construção de cercas (2km -845 ORTN) 59.668.551

Subtotal 234.012.700

4. Salário de 4 vigias (851 ORTN) 60.141.888

5. Trabalho de campo para administração e pesquisas


· uma excursão de 2 em 2 meses = 6 excursões/ano
diária (4) para 6 pessoas = 4.632.000 X 6 meses
(394 ORTN) 27.792.000
Viatura percorrendo 400 km X 6 vezes/ano
400km / 7 = 57,14 l/gasolina X Cr$ 3.130 (15 ORTN) 1.073.089
aluquel de lancha/mês = 2.500.000 X 6 (212 ORTN) 15.000.000

Subtotal 104.006.977

Total 338.020.677
(4.786 ORTN)

3.3 Normas sugeridas e recomendações

3.3.1 Quanto à aànínistração

3.3.1.1 Organograma para o quadro de pessoal.

A previsão para o quadro ideal de lotação do pessoal da Reserva é assim resumida:

a) Pessoal administrativo

1 administrador, de nível médio, residente em Aventureiro, com tempo integral.,

1 auxiliar de administração, de nível médio, residente em Aventureiro, com tempo integral.

b) Pessoal de vigilância e fiscalização

1 vigia chefe, com nível de instrução relativo ao 1º Grau completo, residente em Aventureiro,
com tempo integral;

20 vigias, de nível primário, residentes em Aventureiro, com tempo integral.

c) Pessoal de manutenção

1 zelador

2 trabalhadores rurais

3.3.1.2 Regimento e regulamentos

A FEEMA baixará, no menor prazo possível, um regimento geral contendo os


instrumentos que nortearão todas as atividades da R.B.E.P.S..
3.3.1.3 Treinamento para o pessoal da Reserva

Serão necessários para a capacitação do pessoal da Reserva cursos de treinamento


incluindo: Conhecimento sobre a legislação vigente de proteção da flora, fauna e demais
recursos naturais, Noções sobre conservação da natureza: finalidades da Reserva; e, outros
conhecimentos necessários para o melhor desempenho das suas funções.

3.3.2 Quanto a pesquisas científicas

Qualquer pesquisa deve ser previamente autorizada pela FEEMA. Não serão permitidas,
na área da Reserva, coletas de material e pesquisas que puderem ser efetuadas fora dos seus
limites.

Quando, para realização da pesquisa autorizada, torna-se indispensável a coleta de


material da flora, fauna ou outro recurso natural, essa coleta far-se-á apenas mediante permissão
especial, só fornecida caso a quantidade de material não venha a prejudicar o equilíbrio existente
no ecossistema a ser estudado.

3.3.3 Observações importantes

3.3.3.1 Alterações de limites

Estão sendo propostos novos limites, constantes do mapa de zoneamento da Reserva


(fig.18). Uma vez aprovado este Plano Diretor, deve ser preparada pelo DEP (Departamento de
Estudos e Projetos) a minuta do Decreto Estadual, propondo nova deliberação.

3.3.3.2 Tombamento da área da Reserva

A FEEMA deve providenciar o tombamento da área da Reserva como Monumento


Natural, a níveis Federal e Estadual, objetivando fornecer mais uma medida de proteção.

3.3.3.3 Fiscalização da proibição de caça na Ilha Grande

A FEEMA deve fazer convênio com a Polícia Militar (4º Batalhão), objetivando a
repressão da caça na Ilha Grande, concentrando a ação nos pontos de desembarque. Esta atuação
servirá de apoio aos vigias da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul.

3.3.3.4 Continuidade com outras áreas protegidas

Considerando que a R.B.E.P.S. está limitada pelos divisores de águas; considerando que
outras bacias (como é o caso do alto curso do rio Parnaioca, por exemplo) dela não fazem parte;
considerando que há total interesse do ponto de vista ecológico, que não haja interrupção entre a
R.B.E.P.S. e o Parque Estadual da Ilha Grande, deve a FEEMA solicitar da S.A.A. que o Parque
Estadual (ainda não implantado) estenda seus limites em direção à R.B.E.P.S., de modo a
abranger as áreas superiores à cota de 200 metros.
3.3.3.5 Programa vigilantes do Meio Ambiente

A FEEMA deve promover o programa Vigilantes do Meio Ambiente em toda a Ilha


Grande.

3.3.3.6 Criação de APA

A FEEMA deve providenciar a criação de APA na Ilha Grande, ou promover a inclusão


da Ilha Grande na APA que está sendo cogitada com a denominação de APA de Tamoios.
4. BIBLIOGRAFIA

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APÊDICES
APÊNDICE I

SUBSÍDIOS GEOLÓGICO/GEOMORFOLÓGICOS À ELABORAÇÃO DO PLANO


DIRETOR DA RESERVA BIOLÓGICA ESTADUAL DA PRAIA DO SUL

Autoria
Elmo da Silva Amador – Geógrafo
SUMÁRIO

Introdução

Metodologia

Arcabouço Estrutural

Unidades Geológicas

1. Pré-cambriano
1.1 Unidade Ilha Grande
1.2 Unidade Trindade
1.3 Unidade Itaocara

2. Meso cenozóico

3. Cenozóico
3.1 Formações sedimentares da Planície Costeira da Praia do Sul
3.1.1 Depósitos fluviais, leques aluviais e talus do pleistoceno superior
3.1.2 Areias de fundo de enseada
3.1.3 Depósitos de Restingas
3.1.3.1 Restinga Interna
3.1.3.2 Restinga externa
3.1.4 Depósitos Lagunares
3.1.5 Cúspides de Lagunas
3.1.6 Depósitos de pântano
3.1.7 Depósitos de mangue
3.1.8 Depósitos aluviais holocênicos
3.1.9 Praias atuais
3.1.10 Sítios arqueológicos

3.2 Síntese da evolução geológica da Planície Costeira da Praia do Sul

4. Bibliografia

5. Anexos
INTRODUÇÃO

Os trabalhos geológicos / geomorfológicos efetuados na região da Ilha Grande e em particular na


Planície Costeira da Praia do Sul, visaram especificamente o fornecimento de subsídios para a
elaboração do Plano Diretor da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul. No entanto, os
testemunhos geológicos encontrados na Planície Costeira, face a preservação da área, revelam
um precioso acervo do Quaternário Costeiro .Existem de outra forma, aspectos
interessantíssimos, hoje tornados raros no litoral brasileiro, como as lagunas de maré, suas
marcas de evolução e suas interfaces e pântanos, encontrados também em estágios diferenciados
de evolução.

A geologia do embasamento cristalino, por sua vez revela aspectos relevantes para o
entendimento do quadro geológico regional. As litologias da suíte charnockítica, tão bem
representadas na Ilha Grande, apesar dos recentes mapeamentos efetuados pelo convênio DRM-
CPRM – “Bloco Angra dos Reis”, precisam de um estudo de detalhamento, em escala adequada.
Aliás, excetuado este último trabalho, são escassos os estudos focalizando a geologia da Ilha
Grande. A análise geológica é realizada a nível regional, sub-regional (Ilha Grande) e local
(R.B.E.P.S.). A nível regional é enfatizado o quadro geotectônico, responsável pela
individualização dos blocos representados.

Os estudos do quaternário da Planície Costeira da Praia do Sul, aqui preliminarmente


apresentados, são inéditos. Neste texto é feita uma primeira descrição dos corpos sedimentares
identificados na área, o mapeamento, e a interpretação da origem e ambientes de deposição.
Matas de restinga, manguezais, florestas de pântano, “higrofila”, e “tiphos” estão intimamente
associados ao substrato.

Se, de um lado, a trama estrutural e a diversidade de rochas do embasamento, com graus de


resistência a erosão diferenciados, são responsáveis pelo litoral acidentado dominado por
pontuais, reentrâncias , enseadas e costões e pelo desenvolvimento das formas fluviais
erosivas, de outro lado, os diversos tipos de sedimentos, associados as unidades de construção do
litoral quaternário , atuaram como suporte para o desenvolvimento de uma exuberante,
diversificada e, até certo ponto, particularíssima (atributo conferido pela heterogeneidade) flora e
fauna.
METODOLOGIA

A pesquisa baseou-se no mapeamento geológico da Ilha Grande, a partir da adaptação de estudo


realizado pelo convênio DRM-CPRM (mapeamento do bloco Angra dos Reis, escala 1:50.000,
tendo por base cartográfica parte das folhas da Ilha Grande e Angra dos Reis do IBGE) e no
mapeamento da planície costeira da Praia do Sul, com base em mapa fotogeológico, escala
aproximada de 1:20.000, restituído de fotografias aéreas levantadas pelo Serviço Geográfico do
Exército.Sobre este último mapa foram levantados dados adicionais de campo, sobre a
morfologia, constituição geológica e relações estratigráficas de campo. A inexistência de acessos
tornou bastante dificultadas as operações de campo, embora gratificantes, em razão do contrato
íntimo com a natureza.

A caminhada por entre o intricado de bromélias, cipós, espinhos, a sensação de ser tragado pelos
pântanos, e a noite, sedentos e famintos em torno de uma fogueira no meio da mata, fez lembrar
as situações penosas de trabalho dos antigos naturalistas, a quem dedicamos este trabalho.

Uma operação de helicóptero tornou possível o acesso a determinadas áreas , bem como a
checagem da fotointerpretação já efetuada.

Adicionalmente, foram coletadas amostras de sedimentos e de rochas associados as


principais unidades geológicas individualizadas. Uma particular atenção foi dada aos
sedimentos praiais modernos, dos quais se coletou uma série de amostras orientadas,com o
objetivo de detectar a direção do transporte sedimentar litorâneo.

Os sedimentos arenosos foram submetidos à análise granulométrica por peneiramento do


Material entre 2 e 0.062 mm, e determinação de parâmetros texturiais. Estas operações foram
realizadas no laboratório de sedimentologia do Instituto de Geociências – UFRJ.
ARCABOUÇO ESTRUTURAL

A Ilha Grande, a nível geológico-regional, esta inserida nos mesmos eventos que deram
origem à Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, aos Maciços Litorâneos e ao Grabem da Baía
de Guanabara (fig.1).

Segundo Lamego (1943), no final do cretáceo e ou inicio do cenozóico, a antiga estrutura (Pré-
Cambriana) foi submetida a fortes movimentos tectônicos que produziram um sistema de falhas
longitudinais, paralelas,as quais fizeram desabar em blocos escalonados a parte oriental do
continente no Atlântico.

Braun (1975) classifica os falhamentos pré-cambrianos da região em dois tipos: um sistema de


deslocamento oblíquo com duas espécies de reformação (falhas direcionais complexas), uma de
movimento de empurrão e outra de movimento transcorrente; e um sistema de falhas inversas de
pequeno rejeito horizontal.

Braun (1975) e Almeida (1976), ao descreverem as principais características e a extensão das


estruturas cenozóicas na região sudeste do Brasil, esclareçam que consistiram de falhamentos
normais que teriam se utilizado de antigas linhas de fraqueza do pré-cambriano.(fig. 1) .

Orientadas predominantemente segundo a direção este – nordeste, tais falhas produziram rejeitos
verticais estimados em torno de 2.000 a 3.000 metros.

A Serra do Mar, com suas diversas denominações locais (Órgãos, Estrela, Araras, Bocaina etc.)
que se estende na direção SW-NE, é um bloco falhado e basculado para o norte, produzindo em
decorrência, uma escarpa íngreme para o mar. Se dispondo como imponente barreira de escarpa
de linha de falha, a Serra do Mar, se apresenta, na região, com desníveis que chegam a alcançar o
máximo de 2.400 metros.

O maciço litorâneo, do qual a Ilha Grande é um fragmento, desenvolveu-se em um outro


bloco, falhado, menor, fronteiro e paralelo à Serra do Mar. Enquanto a Serra do Mar se
dispõe, via de regra, como uma frente escarpada contínua, o bloco tectônico, dos maciços
litorâneos se apresenta fragmentado por brechas, falhas longitudinais e veios eruptivos
(Lamego, 1943).

No dizer de Lamego (op.cit.) a Ilha Grande seria um destes blocos fracionados, separado da Ilha
da Marambaia e de Parati por brechas.

Entre os blocos falhados da Serra do Mar e dos Maciços Litorâneos, estende-se uma depressão
de ângulo de falha, ocupada pela faixa da Baixa da Fluminense, Baía de Guanabara, Baía
de Sepetiba e Baía da Ilha Grande. Grande parte desta depressão seria ocupada por sedimentos,
continentais cenozóicos, descritos na região da Baixada Fluminense – Baía de Guanabara por
Méis e Amador (1972 e 1977) e Amador (1980) com a denominação de formação Macacu.
Estudos de paleo-drenagem efetuados em sedimentos desta formação indicam uma direção
de transporte segundo o eixo Baixada Fluminense – Baía de Sepetiba. (fig. 3 )
UNIDADES GEOLÓGICAS

1. Pré-Cambriano

O Pré-Cambriano da Ilha Grande está representado por rochas metamórficas de médio e


alto grau. Predominam rochas da suíte charnockitica (quartzo mangeritos e quartzo-
dioritos) e granitóides porfiroblásticos da unidade Ilha Grande, descrita por Castro et
al (1984). Secundariamente são observadas pequenas porções estromáticas da
unidade Itaocara (gnaissesmigmatizados) e lenticulares da unidade trindade (guaisses)
(Castro et al op.cit.). (fig.4)

1.1 Unidade Ilha Grande (Peig)

Corresponde a uma compartimentação geológica proposta pelo (CPRM-DRM) para a Ilha


Grande, constituída de duas sub-unidades: uma sub-unidade da suíte charnockítica e outra
interpretada como seqüência de feldspatização generalizada. Sobre a primeira
secundariamente são percebidas pequenas porções estromáticas da unidade Itaocara e da
unidade Trindade.

Sub-unidade (peighc) – Rochas da suíte charnockítica (peigch). Esta sub-unidade


apresenta sua maior área de distribuição na Ilha Grande, onde se dispõe sob a forma de
três amplos corredores de direção coincidente SW-NE.

Os contatos entre as rochas charnockítos e as sub-unidades contíguas são transicionais.


Os charnockitos da Ilha Grande passam gradualmente para granitóides grosseiros
porfiroblásticos, motivados por ampla feldspalizacão/porfiroblastese na base
charnockítica original.

Segundo Castro et al (1984), os charnockitos da Ilha Grande apresentam coloração


esverdeada a caramelada-esverdeada, granulação média a grosseira, textura granoblástica
e estrutura homogênea. A mineralogia do conjunto evidencia, além do feldspato cor de
cana característica, quartzo, biotita, pirobólio e alguma magnética.

As rochas amostradas ao longo da orla litorânea da Ilha Grande, classificadas em campo


como rochas da suíte charnockítica, analisadas ao microscópio foram reconhecidas como
quartzo, mangeritos e quartizo-dioritos (CPRM-DRM op.cit.).

A porção central da Ilha Grande, abrangendo em quase sua totalidade a Reserva


Biológica Estadual da Praia do Sul, é dominada por esta sub-unidade. Os afloramentos
litorâneos observados nas pontas dos Meros, do Drago, do Aventureiro e da Tacunduba
bem como no Ilhote do Leste, são tidos como pertencentes a esta sub-unidade de rochas
charnockíticas embora um futuro mapeamento de detalhe possa revelar pequenas porções
da sub-unidade granitóide, bem como da unidade Itaocara (Biotita gnaisses parcialmente
migmatizadas) (observado na Picirica do Demo).

Sub-unidade – Granitóides Porfiroblásticos (peiggrt). Da mesma forma que a sub-unidade


precedente, se dispõe, na Ilha Grande, sob a forma de três faixas distintas posicionadas
segundo o “trend” da estruturação regional da área. A primeira delas ocorre no extremo
da Ilha, a faixa central, aproximadamente na porção mediana, e a mais extensa delas
situada na porção leste da Ilha, junto à localidade de Abraão.

Na RBEPS há ocorrência da parte terminal da faixa intermediária da sub-unidade,


próximo ao Pântano do Sul. Os depósitos de talus pleistocênico, que ocorrem no contato
do embasamento com a planície costeira devem ser constituídos de rochas desta sub-
unidade.

Petrograficamente, a sub-unidade é caracterizada pela predominância de rochas


granitóides grosseiras; mesoscopicamente, esses granitóides caracterizam-se pelo amplo
desenvolvimento de porpiroblastos de feldspato, associadas aos charnockitos de campo.

A geração desses termos porfiroblásticos está relacionada à granitização dos tipos


charnockitos adjacentes (Castro et al. op. cit.).

Inseridas tanto nos charnockitos da Ilha Grande, como também nos tipos granitóides
porpiroblásticos associados, observam-se várias instruções locais de pequenos corpos
graníticos.

1.2 Unidade Trindade

A nível regional foi individualizada na região mediana da folha Juatinga compreendendo


expressiva faixa de direção SW-NE, acompanhando o limite com o Estado de São Paulo
até alcançar o norte da Folha Parati. Ocorre ainda no extremo leste da Ilha Grande e na
ponta da Marambaia onde foi caracterizada petrograficamente como constituída de rochas
de natureza granodiorítica gnaissificadas. Este fato indica um estreito vínculo com os
termos dioríticos adjacentes, pertencentes à unidade Ilha Grande.

Os tipos litológicos da unidade são rochas gnáissicas leuco a mesocráticas de granulação


média a grosseira, mostrando em geral uma foliação de caráter lenticular.

1.3 Unidade Itaocara

Constitui um mega-conjunto de rochas metamórficas com ocorrência em toda extensão


das folhas Mangaratiba, Cunhambebe e Rio Mambucaba / Campos do Cunha e ainda
porções restritas das folhas Ilha Grande, Angra dos Reis, Parati e Cunha. Castro et al
(1984) subdivide a unidade Itaocara em 5 conjuntos menores cada qual representando
duas ou mais sub-unidades litológicas, quer pela natureza da composição dos
componentes, quer pelos eventos transformantes regionais. Desses conjuntos, apenas o
denominado Unidade Itaocara V, tem ocorrência na área de estudo. (fig .4)

Unidade Itaocara V - Esse conjunto apresenta segundo Castro et al (op. cit.) termos
geralmente migmatizados em vários graus. Representam fundo originalmente de biotita
gnaisse, de biotita-anfibólio gnaisse e de anfibolitos migmatizados em menor ou maior
grau.

A sub-unidade se estende desde a porção mediana da Folha Mangaratiba, projetando-se


pelas folhas Ilha Grande, Angra dos Reis, Cunhambebe e Parati. Para o leste e nordeste, a
sub-unidade seria continuação dos migmalitos quartzo-feldspáticos do complexo Serra
dos Órgãos, descrito por Hembold et al 1965. (fig. 3)

Na Ilha Grande a sub-unidade está representada através do litotipo denominado


“migmatitos estromáticos”, com ocorrência na porção mais setentrional da ilha,
abrangendo as Ilhas dos Macacos, Comprida, Redonda e das Pombas, bem como um
trecho entre o Saco da Guaxuma e a Ponta do Bananal. Algumas porções estromáticas da
sub-unidade podem ser percebidas na unidade Ilha Grande. Acreditamos que o migmatito
(estromático) com ocorrência na Picirica do Demo, pertença a esta sub-unidade, devendo
ser confirmado em mapeamento de escala de detalhe. Este litolipo (migmatito
estromático) é caracterizado por apresentar um bandeamento centimétrico bastante
regular, embora descontínuo, determinado pela alternância de níveis máficos
predominantemente biotíticos e félsicos quartzo-feldspáticos de granulação média e
tonalidade branca e rosada.

Os migmatitos da unidade Itaocara correspondem à litologia similar descrita por


Humbold et al (1965); pertencente ao complexo Serra dos Órgãos, com ocorrência nas
folhas Itaboraí, Petrópolis, Cava, Baía de Guanabara, Itaguaí ...(fig. 3)

2. Meso Cenozóico

Rochas Intrusivas Básicas

As rochas intrusivas básicas estão representadas na região por diques de diabásio,


basalto, olivina-diabásio e gabro.

Os diques são corpos com um arranjo paralelo e sub-paralelo, injetados em planos de


fraturas pré-existentes. Apresentam-se concordantes com as linhas estruturais regionais
(N45ºE) com mergulhos verticais ou para sudeste.

A espessura desses diques na região são descritos como métricos, contendo centenas de
metros em extensão. No entanto, o dique de diabásio, com ocorrência na Praia do Demo,
na Reserva Biológica da Praia do Sul, apresenta uma espessura de cerca de 100 metros,
disposto segundo o alinhamento (N40E) e com mergulho para sudeste.

Nos afloramentos frescos apresentam fraturamento ortogonal enquanto que nos


intemperizados ocorrem como blocos esfoliados.

As características intrusivas desses diques básicos e sua semelhança com os tipos básicos
da bacia do Paraná sugerem na sua geração uma correspondência cronológica com o
período da reativação wealdeniana da Plataforma Continental Brasileira (Almeida, 1969),
de idade cretáceo superior / terciário inferior.
3. Cenozóico

3.l Formações sedimentares da Planície Costeira da Praia do Sul

Na Planície Costeira da Praia do Sul que ocupa uma superfície de aproximadamente 5


km2, ocorrem formações sedimentares continentais, marinhas lagunares e paludais
quaternárias com idades compreendidas entre o pleistoceno superior e o atual. Durante os
últimos 6.000 anos diversas mudanças paleo ambientais, principalmente climáticas e de
variação do nível do mar foram responsáveis pela construção das feições
geomorfológicas que conferem à planície costeira um quadro de grande complexidade
geomorfológica. As principais feições a seguir descritas estão representadas no mapa -
Geologia da Planície Costeira da Praia do Sul, Ilha Grande (fig.5).

3.1.1 Depósitos fluviais, leques aluviais e talus do Pleistoceno Superior

É a unidade sedimentar mais antiga da Planície Costeira da Praia do Sul. Possui idade
anterior à Transressão Flandriana (Fairbridge, 1962) episódio de subida do nível do mar,
que produziu o afogamento de sistemas fluviais costeiros no Holoceno.

Em superfície, a ocorrência desta unidade está restrita a remanescentes de terraço fluvial,


na confluência do rio Capivari com a planície costeira, e numa reentrância a norte do
morro do canto do Leste, e depósitos de leque aluvial e de talus dispostos de forma
contínua no sopé das escarpas das serras que emolduram a planície costeira.

Morfologicamente os depósitos desta unidade ocorrem como terraço ligeiramente


dissecado, com altitude de cerca de 6 metros (fácies fluvial); como uma superfície
ligeiramente inclinada junto à base da serraria, (fcies de leque aluvial) ou como um
amontoado de blocos e matacões (fácies de talus).

Os depósitos de talus encontram-se distribuídos por todo o flanco NW, N e NE da


planície, localizando-se, em geral, na desembocadura de vales que drenam áreas
montanhosas do embasamento. O mapeamento detalhado deste tipo de dep[osito foi
dificultado pelo acesso e o recobrimento da feição, por densa vegetação, que impede o
trabalho de fotogeologia. Via de regra, no entanto, os talus estão associados com as outras
formas deposicionais do Pleistoceno Superior (aluviões e leques aluviais). (fig. 5).

Os depósitos fluviais, os leques aluviais e os talus ocorrem em discordância sobre o


embasamento cristalino, sendo capeados em superfície por sedimentos aluviais, paludias,
coluviais e marinhos holocênicos.

Os sedimentos da facies fluvial são litologicamente constituidos por areias médias a


grosseiras feldspáticas, sub angulosas e relativamente selecionadas, enquanto que os
leques aluviais e os talus estão representados por blocos, matacões e seixos,
eventualmente, imersos em sedimentos mais finos (areno-argilosos). Entre os clásticos de
dimensões diversas, não raramente são encontrados blocos com diâmetro superior a 5
metros. Granitóides e charnockitos do embasamento cristalino, constituem a petrografia
predominante.
As três facies sedimentares, relacionadas ao Pleistoceno Superior (Glaciação wisconsin),
com idade compreendida entre 40.000 e 16.000 anos antes do presente (A.P.), sugerem
transporte torrencial, condições anastomosantes de drenagem e um tipo climático
provavelmente semi-árido.

Os depósitos de talus foram originados por escorregamento de encostas montanhosas do


embasamento cristalino, por ocasião de chuvas concentradas, quando, principalmente por
ação da gravidade, o manto superficial de alteração (regolito) flui encosta abaixo. Já os
leques aluviais teriam sua origem associada a processos de encosta, principalmente do
tipo enxurrada (sheet-floods) e torrentes de canal (stream-floods). Grandes concentrações
de chuva em períodos esporádicos (clima semi-árido) seriam condições fundamentais
para a deposição dos leques aluviais. Durante a deposição dos três facies sedimentares, a
linha de costa encontrava-se recuada dezenas de quilômetros, e o nível do mar situava-se
entre 80 e 120 metros abaixo da posição atual, conforme tem sido demonstrado por
Maack (1947), Damuth e Fairbridge (1970), Kowsmann e Costa (1974) e Amador et al
(1976 e 1978) e Amador (1980), para depósitos correlacionáveis, estudados em outras
planícies costeiras.

Seriam ainda os depósitos do Pleistoceno Superior da Planície Costeira da Praia do Sul,


correlacionáveis à Formação Caceribu, descrita por Amador (1980) na Baixada da
Guanabara e a depósitos similares da bacia do Rio São João (Amador, 1978, 1980).

3.1.2 Areias de fundo de enseada

Deve-se constituir no corpo sedimentar mais continuo e conspício, em superfície, e via de


regra encoberto pelos sedimentos mais recentes. Muito provavelmente, parte do corpo
sedimentar designado como restinga interna, constitui afloramento de areias de fundo de
enseada, tornadas emersas pelos recuos do mar mais recentes.

Este corpo sedimentar deve Ter-se originado durante a transgressão Flandriana, na


passagem do Pleistoceno para o Holoceno, quando o mar teria retrabalhado a parte
superficial dos depósitos fluviais e de leques aluviais pré-existentes. A parte fina (fracção
silítica e argilosa) seria separada e transportada em suspensão para o mar aberto.

A idade deste depósito deve remontar ao clímax da transgressão Flandriana, ocorrida a


cerca de 6.000 anos A..P.

Texturalmente é constituído de areias quartzosas médias e finas, muito similares às do


depósito de restinga interna, do qual foi área fonte expressiva. Futuras sondagens,
permitiriam observar a ocorrência desta unidade, sob os depósitos aflorantes na área.

3.1.3 Depósitos de restingas

Ocorrem na Planície costeira da Praia do Sul, remanescentes de uma restinga interna,


bastante modificada pelos eventos geológicos posteriores ao seu desenvlovimento, e
cordões de restinga externa que praticamente mantem a sua geometria original. (fig. 5).
3.1.3.1 Restinga interna

Constitui, depois das areias de fundo de enseada, o evento deposicional marinho, mais
antigo da Planície Costeira da Praia do Sul. O principal corpo aflorante ocorre na área da
Praia do Sul, limitada pelo Pântano do Sul, Lagoa do Sul e Morro do Meio. Este corpo
apresenta uma extensão máxima de 2.000 metros e largura média de 500 metros. Um
segundo segmento, de dimensões mais reduzidas, ocorre na área da Praia do Leste, (600
metros de comprimento e largura de 300 metros). Muito provavelmente boa parte dos
sedimentos definidos como restinga externa, constitui parte afloramento de areias de
fundo de enseada.

A altura máxima da restinga interna é de 10 metros, na área central, próximo ao Morro do


Meio, decrescendo lateralmente para até cerca de 5 metros.

A morfologia atual da restinga guarda muito pouco da feição original. Eventos


posteriores de trabalhamento fluvial e erosão marinha legaram uma geometria bastante
irregular, o que inclusive dificulta a interpretação da área.

No entanto, provavelmente a restinga interna primitiva deveria constituir-se de dois arcos,


posicionados em direção ao Ilhote do Leste. O primeiro arco deveria dispor-se de forma
quase paralela à restinga interna da Praia do Sul. Teria ainda abrigado em sua retaguarda
duas lagunas: a atual Laguna do Sul, na época com uma superfície maior (pelo menos o
dobro da superfície) e uma laguna junto à foz do rio Cachoeira Grande, que desapareceria
posteriormente por assoreamento (natural) e/ou dissecamento produzido pelo
abaixamento do nível do mar.

O segundo arco, com menor dimensão, deveria ancorar-se junto ao Morro da Madalena,
abrigando em sua retaguarda a Lagoa do Leste, também com uma superfície bem maior
que a atual (provavelmente o triplo da superfície). A barra dos sistemas de lagunas do
Leste e do Sul poderia situar-se no centro da enseada, próxima ao Ilhote do Meio, ou
junto ao Morro da Madalena, junto ao atual Pântano do Oeste. A confirmação de uma ou
outra hipótese dependerá de futuros trabalhos detalhados de campo, incluindo sondagens.
A restinga interna representaria geneticamente sistema “barrier”, provavelmente do tipo
Ilha Barreira (“Barriers Islands”) segundo a classificação de Curray (1969). Segundo
Dias e Silva (1984), estas restingas se desenvolveriam em áreas de relevo suave, quando
os efeitos da deposição e erosão ao longo da costa se equilibram com os efeitos das
variações do nível do mar. Os depósitos cresceriam verticalmente e igrariam em direção à
costa, acompanhando a subida do nível do mar. O sistema de restinga, representado na
Planície Costeira da Praia do Sul, indicaria uma modelagem típica de costas
transgressivas.

As areias de fundo de enseada, juntamente com as areias retrabalhadas de sedimentos


fluviais Pleistocênicos, teriam sido as principais fontes de sedimentação. Contribuíram
ainda as areias trazidas por deriva ao longo do litoral e a sedimentação da rede de
drenagem local. Texturalmente, a restinga externa é constituída de areias médias a
grosseiras quartzosas, bem selecionadas e arredondadas a sub-redondas.
A presença de uma densa vegetação arbórea rica em epífitas e um substrato onde
predominam bromeliáceas, propiciou um enriquecimento superficial do solo da restinga
em matéria orgânica, conferindo uma tonalidade escura para os primeiros centímetros de
profundidade.

A idade deste sistema de restinga deve situar-se entre 6.000 e 5.000 anos A. P., quando,
após o máximo do movimento transgressivo (Transgressão Flandriana), as areias de
fundo de enseada, empilhadas de encontro a costa são emersas

3.1.3.2 Restinga externa

Compreende um conjunto de cordões arenosos com um comprimento total de cerca de


4.300 metros, dispostos sob a forma de arco.

São três as restingas externas encontradas na planície Costeira da Praia do Sul: a restinga
das praias Aventureiro/Demo; a restinga da Praia do Sul e a restinga da Praia do leste.
(fig. 5).

A primeira apresenta a menor extensão (cerca de 700 metros) e menor largura (algumas
dezenas de metros). A segunda é a mais onga (cerca de 2.000 metros, dispostos entre a
Picirica do Demo e o Ilhote do leste), apresentando uma largura média de 150 metros. A
última apresenta um comprimento de cerca de 1.600 metros, distribuídos entre o Morro
do Canto do Leste e o canal da barra dos sistemas lagunares, e uma largura média de 200
metros. De um modo geral, a altura do topo deste sistema de restinga, está situada entre 4
e 6 metros, embora localmente possa ser mais elevada pela acreção de areias eólicas,
como foi observado principalmente na Restinga da Praia do Leste.

Observada em perfil, a restinga externa, passa frontalmente para as areias de praia atual e
no reverso, para areias cúspides de lagunas. Excetoando a restinga das praias do
Aventureiro/Demo, que tem uma feição que mais se aproxima de terraço marinho, as
emais são representantesgenuínos de sistemas de restingas (“barrier”) do tipo pontais
arenosos (“barrier spits”), segundo a classificação e Curray (1969). Este tipo de restinga
(“barrier”) se caracteriza por ser uma feição arenosa alongada e ligada ao continente por
uma extremidade. Geneticamente, este sistema é muito similar à restinga de sernambetiba
da Baixada de Jacarepaguá, descrita por Roncarati e Neves (1976).

A restinga da Praia do Sul deve ter-se iniciado como pontal ancorado na Picirica do
Demo, crescendo lateral e progressivamente em direção ao Ilhote do leste, enquanto que a
restinga da Praia do Leste se desenvolveria do referido ilhote, em direção ao Morro do
Canto do Leste. Com a conclusão da modelagem destas restingas, além das lagunas do
Sul e do Leste (provavelmente nesta época constituídas por um único corpo lagunar)
foram desenvolvidos a retaguarda dos cordões arenosos as lagunas do Pântano do Sul e
do Pântano do Leste. Duas barras lagunares, interromperiam estas restingas. A primeira
provavelmente à esquerda do ilhote, drenando as lagoas do Sul, do leste e do atual
Pântano do Sul. Uma segunda barra, situada junto ao morro do Leste, atenderia
especificamente à laguna que deu origem ao Pântano do Leste.

Da mesma forma que o sistema de restingas internas, o sistema externo, documenta uma
modelagem típica de costas transgressivas. Este sistema ter-se-ia desenvolvido,
provavelmente, através do crescimento lateral de pontais arenosos (Lamego, 1946; Hoyt,
1967 e Fischer, 1968), processo esse condicionado por um mecanismo de correntes
litorâneas. Iniciada no 2º máximo transgressivo holocênico, a cerca de 3.800 anos A. P.,
passou a ficar emersa com o movimento regressivo posterior, a cerca de 3.000 anos A. P.

Com a conclusão da modelagem destas restingas, além das lagunas do Sul e do Leste,
provavelmente nesta época constituindo um único corpo lagunar, foram desenvolvidos a
retaguarda dos cordões arenosos, as lagunas do Pântano do Sul e do Pântano do Leste.

Para a modelagem deste sistema de restingas, contribuíram como fontes: o


retrabalhamento pelo mar da restinga interna; o material carreado por deriva ao longo do
litoral e o material da zona nerítica da Plataforma. Os sedimentos pleistocênicos e os
aluviões holocênicos deixaram de funcionar como área fonte devido ao isolamento
produzido pela restinga interna. Esta combinação de áreas fontes, agregada ao fator
tempo de trabalhamento, levou a qua as areias da restinga externa passassem a adquirir
maturidade textural mais elevada que a apresentada pelas areias da restinga interna.
Texturalmente, a restinga externa é constituída de areias médias a finas, quartzosas, bem
selecionadas e arredondadas.

3.1.4 Depósitos lagunares

De um primitivo sistema lagunar constituído de 5 lagunas, hoje apenas remanescem as


lagunas do Sul e do Leste. (fig. 5).

Com a edificação da restinga interna, logo após o ótimo climático (idade entre 6.000 e
5.000 anos A. P.) foram aprisionados três corpos costeiros: as lagunas do Leste, do Sul e
uma laguna situada na foz do rio Cachoeira Grande. As lagunas do Leste e do Sul
possuíam uma superfície bem maior que a de hoje, sendo posteriormente assoreadas e
parcialmente dessecadas, dando lugar a depósitos de lagunas e manguezais.

A laguna do riacho Cachoeira Grande praticamente secou, sendo posteriormente


incorporada ao novo sistema lagunar hoje representado pelo Pântano do Sul. Talvegues
profundos que davam continuidade ao riacho da Canoada (Lagoa do Sul) e Rio Capivari
(Lagoa do Leste) permitiram a sobrevivência destas lagunas. Acreditamos que a taxa de
sedimentação também tenha sido pouco expressiva, face a manutenção da cobertura
vegetal. Qualquer desmatamento moderno significaria o desaparecimento rápido destas
lagunas.

Os sedimentos atuais e primitivos das lagunas do Sul e do Leste são constituídos de areias
finas e argilas, sendo possível a ocorrência de carapaças calcáreas.

As atuais lagoas do Sul e do Leste foram classificadas por Amador (1985) como “lagunas
de maré”, face à sua forma de troca de águas com o mar ser realizada através de canais
meândricos de maré. São raras as lagunas representativas deste tipo, principalmente no
Estado do Rio de Janeiro.

Estas lagunas estão situadas a aproximadamente 1.500 metros do mar, fazendo com ele
comunicação através do canal meândrico de maré, de fundo arenosos e pouca
profundidade. As margens da lagoa são, via de regra, constituídas de lama orgânica,
embora alguns bancos de areia fina sejam encontrados. Uma vegetação de manguezais
orla as margens das lagoas, evidenciando o caráter saloro de suas águas. Maciel et al.
(1984) definem como muito piscosas estas lagunas, com abundancia de camarões, siris,
caranguejos e peixes, como piabas e tainhas.

As antigas lagunas, hoje ocupadas pelos pântanos do Sul e do Leste, tiveram sua origem
associada à construção do sistema de restingas externas. As restingas foram edificadas
entre 3.800 e 3.000 anos A. P. e os corpos lagunares devem possuir idade em torno de
3.000 anos, por isso relacionáveis aos mesmos eventos transgressivos e regressivos que
condicionaram a construção das lagunas intercordão (Amador, 1985), freqüentes no
litoral fluminense, que tem por típica a laguna de Marapendi na Baixada de Jacarepaguá.

É provável que as lagunas do Sul, do leste e do Pântano do Sul tenham tido uma “barra”
de comunicação com o mar em comum, com uma posição próxima ao Ilhote do Leste. A
laguna do Pântano do Leste, por sua vez, deveria ter uma “barra” independente junto ao
morro do Canto do Leste, onde ainda são observados vestígios. A localização de um
sambaqui sobre a restinga, junto à barra do Canto do Leste, pode servir de elemento
importante para, ao saber-se a idade de tal sítio arqueológico, definir a partir de quando
deu-se o secamento desta laguna.

Como tem assinalado Amador (1985), todos os sistemas de laguna intercordão foram
extremamente vulneráveis ao último movimento regressivo do mar. Uma boa parte destas
lagunas secou ou foi transformada em brejos, como a da restinga de Marca. A razão desta
vulnerabilidade deve residir na pequena profundidade destes corpos costeiros, em relação
ao nível do mar. Na modelagem destas lagunas, o mar deveria estar entre 2 e 3 metros
acima do nível atual e o leito pouco abaixo ou acima deste nível. Diferentemente das
lagunas do Leste e do Sul, que remanescem, apesar de serem mais antigas, por terem
aproveitado depressão fluvial, (que pode atingir profundidade superior a 5 metros abaixo
do atual nível do mar), as lagunas relacionadas aos pântanos do Sul e do Leste possuíam
canal pouco profundo, constituído, na verdade, de uma superfície plana situada entre as
duas restingas.

Seria interessante a posterior realização de furos de sondagens para a observação da


natureza e profundidade em que se encontra o substrato dos sedimentos de pântano, a
seguir descritos.

3.1.5 Cúspides de lagunas

São corpos com uma geometria aproximadamente tabular, similares a pirâmides


achatadas. Possuem área, pequenas dimensões (dezenas de metros) sendo mais freqüentes
no reverso da restinga da Praia do Sul. As cúspides de lagunas são intimamente
associadas à restinga e à laguna, sem as quais não podriam existir. Tal fato se constitui
em argumento hábil para diagnosticar a hipótese de terem sido os pântanos do Sul e do
Leste primitivas lagunas, visto que a construção de tais feições se dá em ambiente
lagunar. Lamego (1945), Zenkovich (1959) e Prince (1956) entre outros, interpretam as
cúspides de lagunas como oproduto da ação de correntes de circulação interna da laguna,
provocadas por ventos atuantes na superfície líquida.
As cúspides das antigas lagunas ocupadas pelos pântanos do Sul e do Leste estariam
relacionadas com o último rebaixamento do nível do mar, entre 3.000 e 2.000 anos A. P.
Seriam, portanto, feições mais recentes que a restinga externa (3.800 a 3.000 anos A. P.)
e as lagunas (cerca de 3.000 anos)Sedimentologicamente as cúspides são constituídas por
areias finas e médias, ocasionalmente interdigitadas com vasas orgânicas.

3.1.6 Depósitos de pântano

Corresponde a depósitos de ambiente paludial, sedimentados em regiões de Pântanos,


alagados e regiões semi-submersas, de água doce ou ligeiramente salobra. Os pântanos do
Sul e do Leste, constituem na Planície Costeira da Praia do Sul, uma das mais notáveis
feições, ocupando extensão considerável (fig. 5). Situados no reverso das restingas
externas, os pântanos foram primitivas lagunas, dessecadas a partir do último evento
regressivo do nível do mar. As lagunas que originaram os pântanos são correlacionáveis
ao evento que originou as lagunas intercordão, como a Lagoa de Marapendi e os sistemas
lagunares de Massambaba, com idades entre 3.000 e 2.600 anos. Os pântanos de água
doce constituem um estágio de evolução, que culminará com a geração de turfeiras.
Sedimentologicamente são constituídos por lamas orgânicas, argilas plásticas e
fragmentos vegetais, permanecendo úmido na época seca e coberto com uma lâmina
d´água de alguns decímetros na época chuvosa. Os pântanos abrigam uma vegetação
exuberante, constituída de árvores que podem atingir 20 metros, repletas de epífitas.

A profundidade estimada dos depósitos de pântano é de 3 metros, devendo assentar-se em


discordância sobre areias de restinga e/ou de fundo de enseada.

3.1.7 Depósito de mangue

Os maguezais ocorrem em ambiente dominado por água salobra. Ocupam uma faixa de
cerca de 200 metros ao longo dos canais de maré que comunicam as lagoas do Sul e do
Leste com o mar, contornando as margens desta última laguna em sua ocorrência mais
interior (fig. 5). Boa parte da área ocupada com os manguezais correspondia ao
prolongamento das lagunas do Sul e do Leste, posteriormente assoreadas.

Os sedimentos do mangue são constituídos de uma fração mineral e uma fração orgânica.
A fração mineral compõe-se de argilas continentais transportadas em suspensão e areias
finas, mais freqüentes na faixa próxima ao canal. Correntes de maré conseguem
transportar areias finas (desde a “barra” até algumas centenas de metros para o interior)
que depositam-se como bancos de areia.

A fração orgânica consiste em biodetritos de origem animal e vegetal. A decomposição


dos detritos orgânicos produz uma lama orgânica típica dos manguezais.

Segundo Maciel et al (1984), a composição florística dos manguezais da Planície Costeira


da Praia do Sul é pouco diversificada, como ocorre em todos os mangues neotropicais.
Próximo ao canal (Maciel et al, op. Cit.) são encontrados exemplares de Rhizophora
mangle, Avicennia schaueriana e Laguncularia racemosa, enquanto que nas margens das
lagunas não se encontra mais a Avicennia.

3.1.8 Depósitos aluviais holocêntricos

Ocupam as calhas e as estreitas planícies dos rios que desaguam na planície costeira,
entre os quais os de maior expressão são: o Capivari, o riacho da Canoada e o Cachoeira
Grande. A maior área de ocorrência destes depósitos corresponde à foz do rio Capivari,
onde chegam a desenvolver terraços embutidos nos depósitos do Pleistoceno Superior. Os
aluviões holcênicos do riacho da Canoada se depositam na lagoa do Sul, sob a forma de
delta lagunar, acarretando um gradual assoreamento (fig. 5).

Os sedimentos aluviais que ocorrem nas calhas fluviais, devido ao elevado gradiente e
curto percurso, são geralmente grosseiros, sendo constituídos por seixos e areias
grosseiras, enquanto que na baixada são, via de regra, finos, compostos por areias finas,
micáceas e siltes.

Pode-se dizer que, excetuando-se os sedimentos transportados pelos pequenos cursos


fluviais, que vêm dar direto na praia (Praia do Aventureiro e do demo), os sistemas
fluviais modernos deixam seus depósitos nos pântanos ou lgunas da Planície Costeira da
Praia do Sul.

3.1.9 Praias atuais

São quatro as praias arenosas da RBEPS; as praias do Aventureiro e do Demo separadas


parcialmente por um conjunto de blocos e matacões; a Praia do Sul, limitada pelo Costão
da Picirica do Demo e pelo Ilhote do Leste; e a Praia do Leste, limitada pela barra do
sistema lagunar, junto ao ilhote e pelo morro do Canto do Leste. As duas primeiras
formam um arco de aproximadamente 700 metros e uma largura variável entre 10 e 20
metros.

A praia do Sul apresenta a maior extensão, com cerca de 2.000 metros e largura entre 20
e 30 metros. A praia do Leste, por sua vez, se estende por cerca de 1.600 metros e tem
largura de aproximadamente 30 metros (fig. 5).

Apesar de serem praias oceânicas, submetidas a nível elevado de energia, a textura


dominante nas areias (areia média a fina) confere ao perfil da praia uma topografia suave,
com médio ângulo de inclinação (3 a 8º). Foi percebido nas curvas de composição
granulométrica um aumento do tamanho médio do grão, de leste para oeste, em todas as
praias. A praia do leste, por exemplo, teve a sua freqüência de areia fina diminuída
gradualmente de 68%; 41%, 32%, 39% e 16% do Canto do Leste em direção à barra do
sistema lagunar.

As areias de praia são texturalmente bem selecionadas, quartzosas e arredondadas. São,


via de regra, sedimentos maturos, produto de diversos ciclos de deposição e
retrabalhamentos. São principais fontes de sedimentação; as areias retrabalhadas das
restingas, areias neríticas transportadas por correntes litorâneas e sedimentos fluviais,
bastante inexpressivos como fonte, mas que têm por característica o fornecimento de
minerais pesados.

Nos trabalhos de campo efetuados na RBEPS foi observado um caráter permanentemente


erosivo das praias. A berma estava literalmente destruída pela erosão, que avançava sobre
o cordão da restinga.

3.1.10 Sítios arqueológicos

Foram reconhecidos na área de mapeamento três tipos de sítios arqueológicos: oficinas


líticas, sambaquis e cemitério. As oficinas líticas ocorrem com maior freqüência (6),
tendo sido preliminarmente descobertas por Magnanini (1982). Estão localizadas junto ao
canto da Praia do Aventureiro (Charnockito), no dique de diabásio da pria do Demo, em
uma gruta da Picirica do Demo, em ambos os lados do Ilhote do Meio e no canto do Leste
(fig. 5). O único sambaqui até o momento localizado, encontra-se sobre a restinga da
Praia do leste, ao lado do que deveria ter sido a “barra” da laguna, hoje ocupada pelo
pântano do Leste. O sítio onde foram localizados sepultamentos está, por sua vez,
localizado na vertente interior do Ilhote do Leste, em uma altura de cerca de 20 metros.

Parte das oficinas líticas encontra-se, atualmente, afogadas pelo mar, testemunhando um
evento transgressivo moderno do mar.

3.2 Síntese da evolução geológica da Planície Costeira da Praia do Sul

1) Durante o último período glacial (Wisconsin), no Pleistoceno Superior (40.000 –


20.000 anos A. P.), o mar encontrava-se recuado dezenas de quilômetros da atual linha da
costa. O antigo litoral situava-se numa isobata a mais de 100 metros abaixo do nível do
mar atual. A Ilha Grande encontrava-se unida ao continente como continuação do maciço
litorâneo, individualizado pelos eventos tectônicos que deram origem a Serra do Mar. As
atuais baías da Ilha Grande e de sepetiba constituíam uma continuação da Baixada
Fluminense, então dominadas por ambientes de sedimentação continental.

Cordões litorâneos, lagunas, baías, sistemas fluviais e outras feições costeiras ocupavam
a Plataforma continental. Na base das escarpas desenvolviam-se depósitos de talus e de
leques aluviais.

Uma rede de drenagem relativamente bem definida, deveria extender-se para o Sul,
devido ao recuo do mar. Os depósitos, associados a complexos fluviais, deveriam ser
anastomosantes no curso superior e meândricos na parte terminal, sob a atual Plataforma
Continental. O clima era provavelmente semi-árido. Os depósitos fluviais, de leques
aluviais e de talus, do Pleistoceno Superior, encontrados na Planície Costeira da Praia do
sul, são remanescentes destas condições paleoambientais.

2) No final do Pleistoceno e início do Holoceno, a cerca de 16.000 A. P., o clima passa


gradualmente a úmido e quante. Com o derretimento do gelo das calotas glaciais e
geleiras continentais, há um conseqüente aumento do volume das águas oceânicas e o
início da transgressão Flandriana. Durante a Transgressão Flandriana, que
progressivamente invade a antiga planície costeira, algumas curtas estabilizações do nível
do mar levaram ao desenvolvimento de linhas de costa na Plataforma Continental, nas
profundidades entre 20 a 25 metros, entre 32 a 45 metros, 50 metros, 60 metros, 70
metros e entre 80 e 90 metros (Correa et. al. 1980).

3) Próximo ao final da Transgressão Flandriana, o mar, em rápido avanço, retrabalha


parte dos sedimentos continentais anteriormente depositados, resultando a formação de
uma seqüência de areias litorâneas transgressivas, que originariam as areias de fundo de
enseada presentes na Planície Costeira da Praia do sul e que serviram de fonte para a
construção do sistema de restinga interna. Evento similar se daria nas baixadas de
Jacarepaguá e Baía de Sepetiba.

4) No clímax da Transgressão Flandriana a cerca de 6.000 anos A. P., temorigem as baías


da Ilha Grande, de Sepetiba e da Guanabara. A Ilha Grande adquire sua condição insular
e as reentrâncias do litoral, esculpidas pela ação fluvial do sistema de drenagem anterior
(por sua vez condicionadas por controle estrutural) dão lugar a enseadas como as que
originariam as planícies costeiras da Praia do Sul e de Lopes Mendes. O afogamento de
colinas e morrotes produziu o surpreendente número de ilhas da região de Angra dos reis.

5) Durante e após o clímax transgressivo (entre 6.000 e 5.000 anos A. P.), areias de fundo
de enseada, mobilizadas por correntes litorâneas, depositam o sistema de restinga interna,
que ancora-se no Embasamento cristalino e depósitos anteriores continentais do
Pleistoceno Superior.

A primitiva restinga interna deveria constituir-se de dois arcos posicionados em direção


ao Ilhote do meio. O primeiro arco disposto quase paralelamente à restinga externa da
praia do sul abrigaria em sua retaguarda duas lagunas: a atual laguna do Sul (com uma
superfície maior) e uma laguna na foz do Rio Cachoeira Grande. O segundo arco que
deveria ancorar-se junto ao morro da madalena, abrigava em sua retaguarda, por sua vez
a lagoa do leste. A barra de comunicação das lagunas do Sul e do leste com o mar deveria
situar-se próximo ao Ilhote do Meio, enquanto que a barra da “Laguna do riacho da
Cachoeira Grande” situava-se na extremidade oeste da restinga externa da Praia do sul.

6) Um movimento regressivo do mar a cerca de 4.500 anos A. P. produz o recuo da linha


de encosta, o secamento da “laguna do riacho da Cachoeira” e o transporte regressivo de
areias que serviriam de núcleo para aconstrução do sistema de restinga externa.

7) Um novo movimento transgressivo do mar, de menor amplitude, tem lugar a cerca de


3.800 aos, produzindo a remobilização de areias de fundo de enseadas, e as areias
empilhadas no evento anterior. Um movimento regressivo do mar a cerca de 3.000 anos
deixaria emerso o prisma de areias litorâneas, depositado sob a forma de restinga externa.

Os arcos da restinga externa teriam uma disposição muito similar à observada hoje, e
deixariam em sua retaguarda, além das lagunas do Sul e do leste (remanescentes do
primeiro evento transgressivo-regressivo) então unidas, duas grandes lagunas hoje
representadas pelos Pântanos do sul e do leste.

A pequena profundidade do leito destas últimas lagunas, levou a qua, a exemplo do que
se verifica com as demais lagunas intercordão, secassem progressivamente com o
rebaixamento do nível do mar iniciado a 3.000 anos A. P. Antes, porém, ainda com
lâmina d´água razoável, estas lagunas deixaram impressas junto à restinga externa
pequenas cúsoides lagunares.

8) As lagunas dos Pântanos do Sul e do leste, privadas de comunicação com as águas


oceânicas, adquirem condição de ambiente paludal de água doce, passando a sustentar
flora particular.

As lagunas do sul e do Leste, secam parcialmente permitindo o desenvolvimento de uma


vegetação de manguezais em suas orlas e ao longo do canal meandrico que passou a fazer
a comunicação destes sistemas lagunares com o mar.

Os indígenas que ocupavam a região devem ser contemporâneos pelo menos da fase em
que a “laguna do Pântano do leste” ainda sangrava sua barra.

9) A sedimentação fluvial, o assoreamento das lagunas e do manguezal e as praias seriam


os eventos mais modernos geologicamente.
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APÊNDICE II

LISTA FLORÍSTICA PRELIMINAR DA RESERVA BIOLÓGICA ESTADUAL DA


PRAIA DO SUL
ILHA GRANDE - ANGRA DOS REIS -RJ

ESPÉCIES COMUNIDADES

Acicarpha spathulata R. Br Ante-duna


Acrostichum sp. Mangue
Adenocalymna comosum (Cham.) DC.
var. Lanceolatum Bur. & K. Schum.
Aechmea distichantha Lem. Mata de restinga
var. distichantha
Aechnea gracilis Lind. Mata de restinga
Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. Mangue; restinga arbustiva
var. nudicaulis
Aechmea organensis Wawra Mata secundária
Alchornea sp. Mata secundária
Allophyllus sp. Mata secundária
Alternantera maritima (Mart.) St. Hil. Ante-duna
Amaioua intermedia Mart. ex Schult. & Schult. Mata de restinga
var. brasiliana (Rich. ex DC.) Steyerm.
Amaryllis sp. Vegetação arbustiva da praia
Anacardium occidentale L. Restinga arbustiva
Andira sp. Restinga arbustiva
Anthurium cf. pentaphyllum (Aubl.) G.Don s.l. Mata de encosta
Anthurium scandens (Aubl.) Engl. Manguezal
Anthurium sp. Restinga, mata
Anthurium sp. Mata secundária
Aphelandra sp. . Mata de restinga e de encosta
Arrabidaea Leucopogon (Cham.) Sandw. Capoeira
Aspidosperma sp. Restinga arbustiva
Asplenium sp. Mata de restinga
Astrocarium aculeatissimun (Schott) Burr. Mata de restinga e de encosta
Attalea dubia (Mart.) Burr. Mata secundária de encosta
Augusta Longifolia (Spreng.) Rehder Mata secundária
Avicennia schaueriana Stapf. & Leech. Manguezal
Baccharis sp. Restinga arbustiva
Bactris aff. escragnollei Glaz. ex Burr. Mata secundária de encosta
Bathysa stipulata (Vel1.) Presl Mata secundária
Begonia sp. Rocha
Begonia sp. Restinga
Billbergia amoena (Lodd.) Lindley var. amoena Mata de restinga
Bomarea sp. Mata de restinga
Borreria cymosa C. & S. Restinga arbustiva
Bostrychia radicans Mont. Mangueza1
Bromelia antiacantha Berto1. Restinga arbustiva e mata de restinga
Birsonima sericea DC. Restinga arbustiva
Cabralea sp. Mata secundária
Caesalpinia bonduc Roxb. Beira de praia
Calathea sp. Mata secundária
Canavalia parvifIora Benth. Mata de restinga
Canavalia rosea (SW.) DC. Ante-duna
Canistrum lindenii (Reg.) Mez Mata de restinga
var. roseum (E.Morr.) L.B.Smith
Capsicum sp. Mata secundária
Casearia sp. Mata de restinga
Cassia rotundifolia Pers. Restinga arbustiva
Catasetum sp. Mangueza1
Cattleya forbesii Lindl. Mata de restinga
Cattleya guttata Lindl. Restinga arbustiva e mata de restinga
Cecropia sp. Restinga
Cedrela sp. Mata secundária
Celosia cymosa Seub. Mata secundária
Centropogon sp. Mata de restinga
Centrosema sp. Restinga arbustiva
Cereus fernambucensis Lem. Restinga arbustiva
Cestrum sp Mata secundária
Chioccoca nítida Benth. Restinga próx. ante-duna, rocha
Chrysobalanus icaco L. Restinga arbustiva, ante-duna
Cissampelos sp. Mata secundária de encosta
Cissus sp. Capoeira e mata de encosta
Cissus sp. Restinga arbustiva
Cladonia verticillata (Hoffm.) Schaer Restinga arbustiva
Cladium jamaicense Crantz Manguezal
Clidemia hirta (L.) Don Manguezal
Clidemia cf. parasítica Triana Mata secundária de encosta
Clitoria sp. Capoeira
Clusia cf. parviflora (Sald.) Engl. Restinga arbustiva e arbórea
Coccocypselum sp. Mata de restinga
Coccoloba sp. Mata de restinga
Codonanthe carnosa (Gardn.) Hanst. Mata de restinga
Cordia sp. Capoeira
Costus sp. Mata de restinga
Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schm. Capoeira
Cratylia sp. Capoeira
Croton sp. Mata secundária de encosta
Cupania oblongifolia Mart. Mata secundária de encosta
Cuscuta sp. Restinga
Cybistax sp. Mata secundária
Cyclopongo variegatus B. Rodr. Mata de restinga
Cyperus ligularis L.f. Costão
Cyrtopodium paranaense Schltr. Restinga arbustiva
Dahlstedtia pinnata (Benth.) Malme Mata secundária de encosta
Dalbergia ecastophylla (L.) Taub. Restinga arbustiva, manguezal
Dichorisandra sp. Mata de restinga e de encosta
Diodia radula (Willd. ex Hoffm. ex R. & S.) C. & S. Restinga arbustiva
Dioscorea sp. Restinga arbustiva, capoeira
Dorstenia arifolia Lam. Mata secundária de encosta
Doryopteris sp. Mata secundária
Eleocharis sp. Próx. manguezal
Emmeorrhiza umbellata (Spreng.) Schum. Vegetação arbustiva do costão
Endlicheria paniculata (Spr.) Macbr. Mata secundária de encosta
Epidendrum sp. Mata de restinga
Erythrina sp, Capoeira
Erythroxylum ovalifolium Peyr. Mata de restinga e restinga arbustiva
Esenbeckia grandiflora Mart. var. grandiflora Restinga arbustiva
Eugenia brasiliensis Lam Restinga arbustiva
Euphorbia sp. Ante-duna
Euterpe edulis Mart. Mata secundária de encosta
Faramea multiflora A. Rich. ex DC. Mata secundária de encosta
var. salicifolia (Presl.) Steyerm.
Ficus trigona L.f. Capoeira
Fimbristylis spadicea (L.) Vahl Manguezal
Geonoma elegans Mart. Mata secundária de encosta
Geophila repens (L.) I. M. Johnson Mata de restinga e mata secundária
Gilibertia sp. Mata secundária de encosta
Gomidesia sp. Brejo
Gomidesia sp. Restinga arbustiva
Guapira sp. Restinga arbustiva
Guarea macrophylla Vahl Mata de restinga
ssp. tuberculata (Vell.) Penn.
Guatteria sp. Mata secundária de encosta
Heisteria sp. Restinga arbustiva
Heliconia spatho-circinata Arist. Mata secundária de encosta
Heliotropium sp. Vegetação arbustiva do costão
Hibiscus pernambucensis A. Camb. Mangueza1
Hillia parasitica Jaqc. ssp. nobilis (Vell.) Steyerm. Mata de restinga
Hippeastrum sp. Restinga
Huberia ovalifolia DC. Capoeira
Humiria balsamifera (Aubl.) J. St. Hil. Mata de restinga
Hydrocotyle bonariensis Lam. Ante-duna
Hypolitrum sp. Mata secundária
Ichnanthus petiolatus (Nees) Doell Mata de restinga
Ilex amara Bonpl. Restinga arbustiva
Ilex integerrima Reiss. Restinga arbustiva e mata de restinga
Ilex paraguariensis St. Hil. Restinga arbustiva
Inga edulis (Vell.) Mart. ex Benth. Var. edulis Mata secundária de encosta
Inga luschnatiana Benth. Restinga arbustiva
Inga sellowiana Benth. Restinga arbustiva
Ipomoea cairicica (L.) Sweet Vegetação arbustiva de costão
Ipomoea litoralis Boiss. Ante-duna
Ipomoea pes-caprae (L.) Sweet Ante-duna
Ipomoea phyllomega (Vell.) House Mata de restinga
Jacaranda obovata Cham. Mata de restinga
Jobinia sp. Restinga arbustiva, capoeira
Jacquemontia sp. Costão
Laguncularia racemosa (L.) Gaertn. f. Manguezal
Lantana sp. Vegetação arbustiva da praia
Leandra reversa (DC.) Cogn. Mata secundária de encosta
Leandra variabilis Raddi Mata secundária de encosta
Liparis elata Lindl. Mata de restinga, mata secundária
Lophophytum mirabilis Schott & Endl. Mata de encosta
Lundia cordata DC. Mata de restinga
Lycopodium sp. Restinga próx. lagoa
Malaxis sp. Restinga arbustiva
Mandevilla funiformis (Vell.) K. Schum. Restinga arbustiva
Manilkara sp. Mata de restinga
Maranta sp. Mata secundária
Mariscus pedunculatus (R. Br.) T. Koyama Ante-duna
Masdevallia sp. Mata de restinga
Matayba sp. Mata de restinga
Maxillaria aff. discolor Reichb. Mata de restinga
Maytenus sp. Restinga arbustiva
Melanopsidium nigrum Cels. Restinga arbustiva
Merremia dissecta (Jacq.) Hallier Restinga arbórea
Merremia macrocalix (R. & P.) O´Donell Restinga arbórea, capoeira
Miconia cf. albicans (Sw.) Triana Mata secundária, capoeira
Miconia calvescens DC. Mata secundária
Miconia cf. hymenonervia (Raddi) Cogn. Manguezal, restinga arbustiva
Miconia prasina (Sw.) DC. Mata secundária de encosta
Miconia sp. Restinga arbustiva
Mikania sp. Restinga aberta
Mollinedia longifolia Tul. Mata secundária de encosta
Mollinedia schottiana (Spr.) Perk. Mata secundária de encosta
Mucuna sp. Restinga arbustiva, mata de restinga
Nematanthus fissus (Vell.) L. Skog Mata de restinga
Neomarica sp. Vegetação arbustiva de costão,
restinga arbustiva
Neoregelia cruenta Mata de restinga
Nidularium innocentii Lem. Mata de restinga
var. paxianum (Mez) L.B.Srnith
Nidularium microps E. Morr. ex Mez Mata secundária de encosta
Norantea brasiliensis Choisy Vegetação baixa de costão, restinga
arbustiva
Octomeria aff. grandiflora Lindl. Mata de restinga
Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl. Mata secundária de encosta
Oncidium sp. Manguezal
Opuntia vulgaris Mi11. Vegetação arbustiva da praia
Ormosia arborea (Ve11.) Harrns Mata de restinga
Ossaea marginata (Desr.) Triana Mata secundária de encosta
Qttonia sp. Mata secundária de encosta
Quratea cuspidata (St. Hil.) Engl Restinga arbustiva
Oxalis fruticosa Knuth Mata de encosta
Oxypetalum alpinum (Ve11.) Font. & Schw. Brejo
var. alpinun
Qxypetalum banksii R. & S. ssp. banksii Mata de restinga
Panicum racemosum (Beauv.) Spring Ante-duna
Paspalum vaginatum Sw. Ante-duna
Passiflor'a edulis Sims Restinga arbustiva
Passiflora mucronata Lam. Restinga arbustiva
Paullinia coriacea Casar. Mata de restinga e capoeira
Peperomia glabella (Sw.) A. Dietr. Restinga arbustiva e mata de restinga
Peperomia urocarpa Fisch. & Mey. Mata de encosta
Pera sp. Mata de restinga
Pereskia sp. Restinga arbustiva
Pharus sp. Mata de encosta
Phaseolus sp. Restinga arbustiva
Philodendron sp. Vegetação baixa de costão
Philoxerus portulacoides St. Hil. Ante-duna
Phoradendron sp. Mata de restinga
Pilocarpus sp. Vegetação arbustiva de praia,
vegetação
baixa de costão
Piper amplum Kunth Mata de encosta
Piper rivinoides Kunth Mata secundária de encosta
Piptocarpha sp. Mata de restinga
Pisonia sp. Mata de restinga
Pticairnia flammea Lind1. Vegetação baixa de costão
Pithecellobium sp. Restinga arbustiva
Pleurothallis sp. Manguezal, mata de restinga
Polygala cyparissias St. Hil. & Moq. Ante-duna
Polygala laureola St. Hil. & Moq. Mata secundária de encosta
Polypodium triseriale Sw. Restinga arbustiva
Polystachya sp. Manguezal, mata de restinga
Polysticum adiantiforme Ante-duna
Portea petropolitana (Wawra) Mez var. petropolitana Mata de restinga
Posoqueria cf. Latifolia (Rudge) R. & S. Mata de restinga
Potomorphe sp. Mata de encosta
Psidium cf. cattleianum Sabine Restinga arbustiva
Psychotria barbiflora DC. Mata de restinga, rnata de encosta
Psychotria brachyceras M. Arg. ex char. Mata de restinga
Psychotria carthagenensis Jacq. Mata de restinga, mata secundária
Psychotria deflexa DC. Mata secundária
Psychotria hoffmannseggiana (Willd. et R.& S.) M.Arg. Mata de restinga
Psychotria leiocarpa Chem. & Schl. Mata de encosta
Psychotria racemosa (Aubl.) Raeusch. Mata de encosta
Psychotria stachyoides Benth. Mata de restinga
Quararibea sp. Mata de encosta
Quesnelia arvensis (Vell.) Mez Mata de restinga
Quesnelia quesneliana (Brongn.) L.B.Smith Mata de restinga
Randia armata (Sw.) DC. Vegetação arbustiva de encosta
Rapanea sp. Restinga arbustiva
Rheedia brasiliensis Pl. & Triana Mata de restinga
Rhipsalis elliptica.G. A. Lindberg Mata secundária
Rhizophora mangle L. Manguezal
Ruppia sp. Manguezal
Scaevola plumieri (L.) Vahl Ante-duna
Schinus terebinthifolius Raddi Vegetação arbustiva próximo à praia
Schizolobium parahyba (Vell.) Blake Mata de encosta
Selenicerus sp. Mata de restinga
Serjania caracasana (Willd.) Radlk. Restinga arbustiva
Serjania cuspidata Camb. Restinga arbustiva
Serjania dentata (Vell.) Radlk. Capoeira e mata de encosta
Siparuna apiosyce (Mart.) A. DC. Mata secundária
Smilax brasiliensis Spreng. Mata de restinga
Smilax sp. Restinga arbustiva
Solanum sp. Ante-duna
Sophora tomentosa L. Vegetação arbustiva próximo à praia
Spigelia sp. Mata de restinga
Sporobolus virginicus Kunth Ante-duna
Stelis sp. Mata de restinga
Stenotaphrum secundatum (Walt.) Kuntze Ante-duna
Stygmaphyllon sp. Restinga arbustiva
Swartzia sp. Capoeira
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman Mata de encosta
Tabebuia sp. Mata de restinga
Talinum sp. Mata de encosta
Tapirira guianensis Aubl. Restinga arbustiva
Temnadenia stellaris (Lindl.) Miers Praia
Tetracera sp. Mata de encosta
Tetrapterys phlomoides (Spr.) Nied. Matas de restinga e de encosta
Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn. Mata de encosta
Tibouchina cf. viminea (Don) Cogn. Vegetação arbustiva do costão
Tillandsia gardneri Lindl. Mata de restinga
Tillandsia cf. tenuifolia L. Mata de restinga
Tocoyena bullata (Vell.) Mart. Vegetação arbustiva próximo à praia
Tournefortia sp. Restinga arbustiva
Trema micrantha (L.) Blume Restinga aberta, mata secundária
Triglochin sp. Manguezal
Typha domingensis Pers. Brejo
Vanilla chamissonis Kl. Mata de restirnga
Vernonia sp. Restinga arbustiva
Vochysia oppugnata (Vell.) Warrn. Mata de encosta
Voyria aphylla Pers. Mata de restinga
Vriesea cf. Platynema Gaud. var. platynema Mata de restinga
Vriesea procera (Mart. ex Schult. f.) Wittrnack Restinga arbustiva
var. procera
Vriesea rodigasiana E. Morr. Manguezal, mata de encosta
Ximenia americana L. americana Mata de restinga
Zollernia falcata Nees Mata de restinga
APÊNDICE III

LISTA DA FAUNA

A lista inicial encontra-se no relatório denominado “A situação ambiental dos ecossistemas da


Praia do Sul e do Leste, na Ilha Grande, Município de Angra dos Reis, RJ, com vistas à
preservação, FEEMA – DECAM – 1981”.

Os acréscimos incluem levantamentos feitos no campo, em bibliografia e na coleção do Museu


Nacional. A fonte de informação é identificada por número entre parênteses e os créditos estão
relacionados no final deste apêndice.
A - MAMÍFEROS

FAMÍLIA GÊNERO / NOME VULGAR HABITAT FONTE


ESPÉCIE
DIDELPHIDAE Didelphis aurita Gambá Mata (1)-(2)-(3)
Marmosa incana Rato goitica Mata (1)
Monodelphis Rato costureiro Mata (1)
americana Rato goiquica (*) (1)-(3)
PHYLLOSTOMIDAE Carollia perspicillata Morcego Mata (2)
Lonchophylla Morcego Mata (1)-(2)
mordaz Morcego Mata (2)
Vampyrops lineatus Morcego Mata (2)
Sturnira lilium
MOLOSSIDAE Morcego Mata (2)
Molossus molossus Morcego Mata (2)
Molossus ater
VESPERTILIONIDAE Morcego Mata (2)
Myotis nigricans
CEBIDAE Alouatta fusca Guariba Mata (5)
Cebus apella Macaco-prego Mata (4)

CALLITHRICHIDAE Callithrix sp. Saguí Mata (5)


Callithrix aurita Saguí Mata (6)
DASYPODIDAE Dasypus Tatu-galinha Restinga (3)
novemcinctus
SCIURIDAE Sciurus ingrami Caxinguelê Mata (1)-(2)
CRICETIDAE Oryzomys lamia Rato vermelho Mata (1)
Oryzomys eliurus Rato do capim ou de Mata (1)
fava
Nectomys Mata (1)
squamipes olivaceus Rato de várzea Mata (1)
Rhipidomys Rato vermelho Mata (1)-(2)
mastacalis Rato porco
MURIDAE Oxymycterus Casas (1)-(2)
quaestor Ratazana Casas (1)-(2)
Camundongo
ERETHIZONTIDAE Rattus norvegicus Mata (1)-(3)
Mus musculus Ouriço-caixeiro
CAVIIDAE brevirostris Capoeira (1)-(2)
Preá
Coendou insidiosus

Cavia fulgida
HYDROCHOERIDAE Hidrochoerus Capivara Lagoa (5)
hidrochoeris
DASYPROCTIDAE Cotia Mata (3)
Dasyprocta aguti Paca Mata (3)
Agouti paca
ECHIMYIDAE Rato paca, rato de Mata (1)-(2)
Proechimys espinho Mata (1)
dimidiatus Rato
Phyllomys af.
Brasiliensis
DELPHINIDAE Tursiops sp. Toninha Mar (3)
MUSTELIDAE Lutra enudris Lontra Lagoa, mar (7)

FELIDAE Felis yagouaroundi Gato mourisco Mata (5)


SPHENISCIDAE Spheniscus Pinguim-de- Marinho (3)
magellanicus magalhães
TINAMIDAE Tinamous solitarius Macuco Mata (4)-(5)
PODICIPEDIDAE Podilymbus Picaparra, Lagoa (3)
podiceps marrequinha (*)
PROCELLARIIDAE Puffinus puffinus Pardela Marinho (3)
Pachyptila belcheri Faigão Marinho (3)

SULIDAE Sula leucogaster Atobá Marinho (3)

FREGATIDAE Fregata magnificens João grande Marinho (3)


ARDEIDAE Egretta thula Garça-branca- Manguezal (3)
Butorides striatus pequena Manguezal (3)
Bubulcus ibis Socozinho Campo (3)
Nycticorax Garça vaqueira Áreas (8)
nycticorax Socó-dorminhoco úmidas (5)
THRESKIORNITHIDAE Tigrisoma lineatum Socó boi Mata (3)
Ajaia ajaia Colhereiro Manguezal
CATHARTIDAE Coragyps atratus Urubu Praia (3)
Catharthes aura Urubu-campeiro Restinga (3)

ACCIPITRIADE Buteo magnirostris Gavião-carijó Mata (3)


Leucopternis Gavião-pombo Mata (3)
polionota Gavião-pega- Floresta (8)
Spizaetus tyrannus macaco floresta (9)
Spizaetus ornatus Gavião-de-penacho
(*) Nome local
B – AVES

FAMÍLIA GÊNERO / NOME VULGAR HABITAT FONTE


ESPÉCIE
FALCONIDAE Milvago chimachima Pinhé, carrapateiro Mata (3)
Falco sparverius Quiri-quiri Mata (3)
Polyborus plancus Carcará, carancho Mata (3)
CRACIDAE Pipile jacutinga Jacutinga Floresta (9)

PHASIANIDAE Odontophorus Uru Mata (9)


capueira
RALLIDAE Rallus nigricans Saracura-sanã Áreas úmidas (8)
Aramides canjanea Saracura-três-potes Manguezal (3)
Laterallus viridis Siricora-mirim Áreas secas (8)
JACANIDAE Jacana jacana Piaçoca Paludica (4)

CHARADRIIDAE Vanellus chilensis Quero-quero Pastagens (4)

LARIDAE Larus dominicanus Gaivotão Marinha (3)


Sterna eurignatha Trinta-réis-de- Marinha (4)
bico-amarelo
COLUMBIDAE Columba livia Pombo Casa (3)
Columba plúmbea Trocal abandonada (3)-(4)
Leptotila verreauxi Juriti Mata (3)
Columbina talpacoti Rolinha Restinga (3)
Área aberta
PSITTACIDAE Pyrrhura frontalis Tiriba-de-testa- Orla de mata (3)
Forpus vermelha Orla de mata (3)
xanthopterygius Tuim, cu-tapado Orla de mata (3)
Brotogeris tirica Periquito-rico Mata (3)
Amazona Chauá
rhodocorytha
CUCULIDAE Piaya cayana Alma-de-gato, Mata e beira- (3)
Crotophaga ani jequitiroba (*) mata (3)
Guira guira Anu preto Áreas abertas (3)
Tapera naevia Anu branco Áreas abertas (4)
Saci Arbustos e
brejos
TYTONIDAE Tyto Alba Suindara Mata (3)

STRIGIDAE Pulsatrix Murucututu Mata alta (3)


perspicillata
CAPRIMULGIDAE Nyctidromus Bacurau Orla da mata (3)
albicollis
TROCHILIDAE Thalurania Beija-flor Mata (3)-(8)
glaucopsis Beija-flor Mata (3)
Amazilia fimbriata Beija-flor Mata (3)
Phaetornis sp. Beija-flor Mata (8)
Chlorostilbom Besourão Mata (3)
aureoventris
Eupetonema
macroura
TROGONIDAE Trogon viridis Surucuá-de- Mata (3)-(4)
barriga-amarela
ALCEDINIDAE Ceryle torquata Martim-pescador- Lagoa (3)
Chloroceryle grande Lagoa (3)
americana Martim-pescador- Lagoa (3)
Chloroceryle pequeno
amazona Martim-pescador-
verde
PICIDAE Picumnus cirrhatus Picapauzinho Mata (3)
Campephilus Pica-pau-de- Mata (4)
robustus cabeça-vermelha
DENDROCOLAPTIDAE Sittasomus Araçapu (3)
griseicapillus
FURNARIIDAE João-de-barro Campo (5)
Furnarius rufus
FORMICARIIDAE Espanta-cutia Mata (4)
Chamaeza sp. Choca Mata (3)
Thamnophilus sp.
COTINGIDAE Anambé-branco- Mata (3)
Tityra cayana de-rabo-preto Mata (3)
Procnias nudicollis Araponga
PIPRIDAE Mata
Chiroxiphia caudata Tangará Mata (3)
Ilicura militaris Tangarazinho Mata (8)
Manacus manacus Rendeira
TYRANNIDAE Mata (3)
Colônia colônia Viúva Mata (3)
Arundinicola Viuvinha Mata (3)
leucocephala Siriri Mata (3)
Tyrannus Nei-nei Mata (3)-(8)
melancholicus Bentevizinho Mata (3)
Megarinchus pitanga Bem-te-vi Mata (3)
Myiozetetes similis Tinguaçu Mata (8)
Pitangus sulphuratus Juruviara Mata (8)
Atilla rufus Enferrujado Mata (8)
Myiarchus ferox Filipe Mata (3)-(8)
Empidonax euleri Teque teque Mata (8)
Myiophobus Alegrinho Mata (3)-(8)
fasciatus Maria-acorda Mata (3)
Todirostrum Risadinha Mata (8)
poliocephalum Cagasebinho Mata (8)
Serpophaga Cabeçudo Mata (8)
subcristata Supi
HIRUNDINIDAE Elaenia flavogaster Descampado (3)
Camptostoma Andorinha-de-
TROGLODYTIDAE obsoletum peito-branco Capoeira (3)
TURDIDAE Phillomyias fasciatus Mata (3)-(4)
Leptopogon Currixaca-do-brejo Mata (3)
amaurocephalus Sabiá una Mata (3)-(4)
Pipromorpha Sabiá laranjeira Mata (3)-(4)
rufiventris Sabiá-poca
VIRENOIDAE Sabiá-de-coleira Mata (3)
Notiochelion Mata (3)-(4)
cyanoleuca Gente-de-fora-vem Mata (3)
Juruviara
ICTERIDAE Thryothorus Vite-vite Campo (5)
longirostris
COEREBIDAE Platycichla flavipes Vira-bosta Capoeira (3)
Turdus rufiventris Mata (8)
Turdus Sebinho Mata (3)-(8)
amaurochalinus Saí-tucano
PARULIDAE Tardus albicolis Saí-azul Mata (8)
Mata (8)
Cyclarhis gujanensis Canário-do-brejo
THRAUPIDAE Vireo olivaceus Pula-pula Mata (3)
Hylophilus Mata (3)
thoracicus Fim-fim Mata (8)
Gaturamo, bonito Mata (3)-(8)
Molothrus rosinha (*) Mata (3)
bonariensis Gaturano serrador Mata (8)
Saíra-sete-cores Mata (3)
Coereba flaveola Saí-amarelo Mata (3)
Chlorophanes spiza Saíra-militar Mata (3)
Dacnis cayana Sanhaço-de- Mata (3)
mamoeiro Mata (3)
Geothlypis Sanhaço-do- Mata (8)
aequinoctialis coqueiro
FRINGILLIDAE Basileuterus Tiê-sangue Mata (4)-(5)
culicivorus Bico-grosso (*) Campos (5)
Tiê-preto Campos (3)
Euphonia clorótica Tiê-galo Campos (3)
Euphonia violacea
ESTRILDIDAE Euphonia pectoralis Tio chico e joão Capoeira (3)
Tangara Zeledón batista (*)
PLOCEIDAE Tangara cayana Chanchão Povoados (3)
Tangara Papa-capim
cyanocephala Tico-tico
Thraupis sayaca
Thraupis palmarum Bico-de-lacre
Ramphocelus
bresilius Pardal
Habia rubica
Tachyphonus
coronatus
Tachyphonus
cristatus

Saltator similis
Sporophila frontalis
Sporophila
caerulescens
Zonotrichia capensis

Estrilda astrild

Passer domesticus
(*) Nome local
C – RÉPTEIS

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

GEKKONIDAE Hemidactylus mabouia Lagartixa, briba Casas (3)

IGUANIDAE Tropidurus torquatus Lagarto, taraguira Vegetação (3)


Ameiva ameiva Lagarto arbustiva (3)
Borda da mata
TEIIDAE Tupinambis teguixim Teiuaçu (3)
Borda e interior
da mata
COLUBRIDAE Philodryas olfersii Cobra verde, cobra Mata (11)
Spilotes pullatus facão Mata (11)
anomalepsis Caninana Lagoa, riacho (11)
Liophis miliaris Cobra d´água Lagoa, riachos (11)
Leimadophis Cobra capim, cobra Mata (11)
poecilogyrus lixo
Chironius bicarinatus Cobra-cipó Descampados (11)
Thamnodynastes (11)
pallidus nattereri Cobra-espada, corre Mata (11)
Dipsas albifrons campo Campo ou mata (11)
Sybynomorphus Come lesma, Beira d´água (11)
turgidus dorminhoca
ELAPIDAE Psudoboa cloelia Dorme-dorme Buracos ou (11)
Mastigodryas Muçurana galerias no solo
bifossatus Jararacuçu-do-brejo
CROTALIDAE Mata (11)
Micrurus corallinus Cobra coral
BOIDAE Mar (11)

Botrops jararaca Jararaca

Coralus hortulanus Cobra-de-veado


CHELONIIDAE Chelonia mydas Tartaruga verde Mar (3)
D – ANFÍBIOS

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

HYLIDAE Olobygon perpusilla Perereca Bromelícola (10)


Hyla faber Nimbuia (girino) (*) Água doce (3)
BUFONIDAE Dendrophryniscus Sapinho Bromelícola (10)
brevipollicatus Sapo Mata (3)
Bufo marinus
(*) Nome local
E – PEIXES

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

SERRANIDAE Epinephelus sp. Garoupa Mar (3)


Mycteroperca sp. Badejo Mar (3)
Promicrops itaiara Mero Mar (3)
SCOMBRIDAE Scomberomus cavalla Cavala Mar (3)
Sarda sarda Sarda Mar (3)

LUTJANIDAE Lutjanus sp. Vermelho Mar (3)

CARANGIDAE Caran hippos Xaréu Mar (3)


Caran crysos Xerelete Mar (3)
Oligoplites sp. Goibira, solteira Mar (3)

SCIAENIDAE Cynoscion sp. Pescada Mar (3)


Cynoscion Guete Mar (3)
jamaicensis
SPHYRAENIDAE Bicuda Mar (3)
Sphyraena sp
GERREIDAE Caratinga Lagoa, mar (3)
Eugerres brasilianus Carapeba Lagoa, mar (3)
Eugerres sp.
POMATOMIDAE Enchova Mar (3)
Pomatomidae
MUGILIDAE saltatrix Tainha Lagoa, mar (3)

CENTROPOMIDAE Mugil sp. Robalo Lagoa, mar (3)

ATHERINIDAE Centropomus sp. Mama-reis Lagoa (3)

POECILIIDAE Menidia sp. Barrigudinho Riacho (3)

ERYTHRINIDAE Poecilia vivípara Traira Riacho (3)

SYMBRANCHIDAE Hoplias malabaricus Mussum Riacho (4)

Symbranchus
marmoratus
F – MOLUSCOS

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

DONACIDAE Donax hanleyanus Sernambi Praia (3)

VENERIDAE Tivela mactroides


Anomalocardia Samanguaiá Lagoa (3)
brasiliensis
SOLECURTIDAE Unha-de-velho Lagoa (3)
Tagelus plebeius
TELENIDAE Concha Lagoa (3)
Macoma constricta
LUCINIDAE Berbigão Lagoa (3)
Lucina pectinata
BULIMULIDAE Caramujo Mata de (3)
Rhinus sp. Caramujo restinga (3)
Cochlorina Mata de
MYTILIDAE aurisleporis Mexilhão restinga (3)

OSTREIDAE Perna sp. Ostra Mar (3)

Ostrea sp. Manguezal


G – ARTHROPODA

G.(1) – ARACNIDA

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

BUTHIDAE Titynus serralatus Escorpião Mata (4)


CLUBIONIDAE Corinna sp. Aranha Mata (3)

CTENIDAE Phonentria Armadeira Mata (11)


nigriventer
THERAPHOSIDAE Aranha Mata (11)
Lasiodora sp. Aranha Mata (11)
Lasiodora klugii Aranha Mata (11)
Pamphobeteus sp. Aranha Mata (11)
Pamphobeteus Caranguejeira Mata (3)
platyomma
Grammostola sp.
G.(2) – CRUSTACEA

FAMÍLIA GÊNERO / ESPÉCIE NOME VULGAR HABITAT FONTE

BALANIDAE Balanus eburneus Craca Manguezal (3)

LEPATIDAE Lepas anatifera Concha marreca Mar, no fundo (3)

TALITRIDAE Orchestoidea Pulga-da-praia Mar, na praia (3)


brasiliensis
LYGIDAE Baratinha Mar, nas (3)
Lygia sp. pedras
ALBUNEIDAE Tatuira (*) (12)
Lepidopa richmondii Mar, na praia
HIPPIDAE Tatuí (3)
Eimerita brasiliensis Mar, na praia
GRAPSIDAE Aratu-do-mangue (3)
Goniopsis cruentata Aratu Manguezal (3)
Aratus pisonii Manguezal
OCYPODIDAE Chama-maré (3)
Uca spp Maria-farinha Manguezal (3)
Ocypoda quadrata Caranguejo Praia (3)
Ucides cordatus verdadeiro Manguezal
GECARCINIDAE (3)
Cardisoma guanhumi Guaiamu Manguezal
PORTUNIDAE (3)
Callinectes exasperatus Siri, puã Lagoa (3)
Callinectes sapidus Siri azul Lagoa (3)
Arenarius cribar Siri-chita Praia
XANTHIDAE (3)
Panopeus rugosus Guaiá Mar, nas
PENNAEIDAE pedras (3)
Pennaeus sp. Camarão
PALAEMONIDAE Lagoa (3)
Macrobrachium sp. Pitu
PALINURIDAE Riachos (3)
Palinurus sp. Lagosta
Mar, nas
pedras
(*) Nome local
G.(3) – INSECTA

FAMÍLIA GÊNERO / NOME VULGAR HABITAT FONTE


ESPÉCIE
COENAGRIIDAE Pantala flavescens Lavadeira Lagoa (3)
Tramea caphysa Lavadeira Lagoa (3)

MANTIDAE Acanthothespis Louva-a-Deus Mata (3)


concinna
PHASMIDAE Bicho-pau Mata (3)
Phasma sp.
ACRIDIDAE Gafanhoto Mata (3)
Chromacris sp.
TETTIGONIIDAE Esperança Mata (3)
Tanusia sp.
GRYLLIDAE Grilos Mata (3)
Gryllus sp.
PENTATOMIDAE Percevejo Mata (3)
Edesia sp.
CICADIDAE Cigarra Mata (3)
Carineta sp.
MYRMELEONTIDAE Formiga-leão Solo, areia (3)
Myrmeleon sp.
LYCAENIDAE Borboleta Mata (3)
Thecla sp.
NYMPHALIDAE Borboleta Mata de (3)
Philaethria wernickei Borboleta (8)(8) restinga (3)
Callicore Borboleta Mata (3)
meridionalis Borboleta-de-estalo Mata (3)
Heliconius erato Borboleta Mata (3)
phyllis Mata
MORPHIDAE Hamadryas sp. Capitão-do-mato (3)
Myscelia orsis Mata
PIERIDAE Borboleta
Morpho sp. Borboleta Mata (3)
Mata
BRASSOLIDAE Pieris sp. Borboleta-coruja (3)
Ascia monuste Mata
PAPILIONIDAE Borboleta (3)
Caligo eurilochus Mata
DIOPTIDAE Borboleta (3)
Papilio thoas Interior da mata
CULICIDAE brasiliensis Mosquito (3)
SIMULIIDAE Borrachudo Poça d´água (3)
Mata
TABANIDAE Mutuca (3)
Aedes fluviatiles Borda-mata
CERATOPOGNIIDAE Simulium sp. Maruim (3)
Manguezal
SCARABAEIDAE Tabanus sp. Besouro (3)
Mata
CERAMBYCIDAE Culicoides sp. Serra-pau (3)
Mata
CURCULLIONIDAE Dichotomius sp. Besouro (3)
Mata
FORMICIDAE Trachtderes sp. Saúva (3)
Descampados
POMPILIDAE Entimus splendidus Marimbondo (3)
caçador Campo
VESPIDAE Atta sexdens (3)
Marimbondo Campo (3)
Pepsis heros Vespa Borda-da-mata (3)
Vespa Borda-da-mata
BOMBIDAE Polybia surinamensis (3)
Synoeca sp. Mamangabas Mata
APIDAE Polystes sp. (3)
Abelha-de-cachorro Borda-da-mata
Bombus sp.

Melipona sp.
FONTES DE INFORMAÇÃO:

(1) Material capturado por Nelson A. Araújo Filho (1978).


(2) Material capturado por Sérgio A. Souza et alii (1981).
(3) Material coletado ou observado por Norma Crud Maciel (1979, 1981, 1984, 1985).
(4) Observações e informações colhidas por Roberto Rocha e Silva (1978).
(5) Informação de vigia da Reserva (1985).
(6) Material registrado na Seção de Mamíferos do Museu Nacional.
(7) Material coletado por Alceo Magnanini (1980).
(8) Segundo pesquisa bibliográfica (Pinto, 1938/1944).
(9) Material registrado na Seção de Aves do Museu Nacional.
(10) Material coletado e identificado por Oswaldo Luiz Peixoto, da U.F.Rural.
(11) Material coletado por Peter Thurridl em 1964, e determinado no Instituto Butantã.
(12) Material coletado e identificado por Zilá Maria da Cunha Andrade.