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Módulo - Produção Textual

Sumário

Sumário

3

I. Apresentação

 

5

Apresentação

5

II. Refletindo sobre a Linguagem

 

6

Refletindo sobre a Linguagem

6

A. Língua e Linguagem

 

6

 

1. Língua, Linguagem, Fala e Discurso

6

2. Linguagem Oral e Linguagem Escrita

14

3. Língua e Realidade

21

B. Diversidade Linguística

 

33

 

1.

Variações Linguísticas

33

C. A Importância da Leitura

 

39

 

1.

Leitura da Palavra e Leitura do Mundo

39

D. A Palavra e a Ideia

 

55

 

1. Palavra, Pensamento e Ação

55

2. Conhecendo as Palavras

63

III. Construindo o Texto

 

70

Construindo o Texto

70

A.

Quebrando as Barreiras

 

70

 

1. Tecendo o Texto

70

2. Produzindo o Texto

79

3. Modelando o Texto

88

4. Passeando pela Gramática

98

5. Descomplicando a Língua

105

Texto 79 3. Modelando o Texto 88 4. Passeando pela Gramática 98 5. Descomplicando a Língua

3

 

6. Descobrindo os Segredos

113

7. Desvendando os Mistérios

121

8. Parando para Refletir

130

9. Procurando a Saída

138

10. Encontrando a Saída

145

11. Aparando as Arestas

157

IV.

Fazendo e Aprendendo

 

162

Fazendo e Aprendendo

162

 

A.

A Teoria, na Prática, é Outra

162

 

1. Interagindo com a Gramática

162

2. Nas Veredas da Gramática

176

3. Fazendo e (re)aprendendo

189

V. Glossário

 

199

Glossário

 

199

 

A. De A a D

 

199

B. De E a I

202

C. De J a O

203

D. De P a S

204

E. De T a X

206

VI.

Bibliografia

 

208

Bibliografia

 

208

Solução da Avaliação

 

210

Apresentação

I. Apresentação

Apresentação

I

Não basta ser falante da Língua Portuguesa, é preciso cuidar desse nosso fantástico instrumento de comunicação! “Quem ama cuida”, não é? Por que, então, amamos nossa língua? Porque é ela que viabiliza o interagir com o outro; preserva a memória histórica; perpetua a cultura; difunde os valores; recria o REAL, através da Literatura; exterioriza os sentimentos; pede e concede o perdão; permite o lamento; escancara o amor; murmura o verdadeiro elogio; grita o ódio e a calúnia; conclama todos à paz! Fazendo esse curso, você terá uma grande oportunidade de ter um conhecimento maior dos fatos linguísticos e, portanto, uma compreensão, talvez, mais racional da norma culta e de informações significativas sobre a Língua. Isso refletirá sobre sua produção de textos, facilitando a expressão escrita, tão temida por uns, e fazendo fluir a expressão oral, que nos deixa, em geral, tão vermelhos de insegurança. Este módulo é dividido em três partes: Refletindo sobre a Linguagem, Construindo o Texto e Fazendo e Aprendendo. Estamos contando com a sua participação neste módulo! Ele foi planejado para que você conheça mais a sua Língua, descubra seus segredos e, enfim, por ele se apaixone! Não se faz nada sem paixão, não é mesmo? Sucesso! EQUIPE DA RCI

seus segredos e, enfim, por ele se apaixone! Não se faz nada sem paixão, não é

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Apresentação

II. Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem

II

Língua e Linguagem

6

Diversidade Linguística

33

A Importância da Leitura

39

A Palavra e a Ideia

55

A. Língua e Linguagem

1. Língua, Linguagem, Fala e Discurso

a) Passo 1 de 10

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.1 - Língua e Linguagem Unidade 1.1.1 - Língua, Linguagem, Fala e Discurso

Vamos refletir sobre a Língua Portuguesa? Quando falamos em Língua Portuguesa, estamos, também, nos referindo à forma como ela tem sido trabalhada nas instituições de ensino. Para iniciarmos o processo de construção do conhecimento da nossa língua pátria, que tal fazer a leitura, na próxima tela, de um poema de Carlos Drummond de Andrade sobre as aulas de Português?

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem b) Passo 2 de 10 AULA DE PORTUGUÊS (Carlos Drummond Andrade) A

b) Passo 2 de 10

AULA DE PORTUGUÊS (Carlos Drummond Andrade)

A linguagem

na ponta da língua,

tão fácil de falar

e de entender.

A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que ela quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e

vai desmatando

o

amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, equipáticas, atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia, em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

dava pontapé, a língua, breve língua entrecortada do namoro com a prima. O português são dois;

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Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 10

Pense um pouco sobre as pessoas que utilizam diariamente a nossa língua. Reflita, também, sobre as várias situações em que a utilizam: na família, no trabalho, nos discursos de formatura, nos documentos oficiais, nas teses acadêmicas, nas conversas de botequim.

oficiais, nas teses acadêmicas, nas conversas de botequim. A variação linguística observada é muito acentuada?

A variação linguística observada é muito acentuada? Será que existem várias

línguas portuguesas?

d) Passo 4 de 10

A Língua Portuguesa pode assumir diferentes formas, nas diversas situações

em que é usada. A língua falada é, por exemplo, diferente da língua escrita que

é, geralmente, mais elaborada. A linguagem cuidada emprega um vocabulário

mais preciso, mais raro, e uma sintaxe mais elaborada do que a da linguagem

comum.

cuidada emprega um vocabulário mais preciso, mais raro, e uma sintaxe mais elaborada do que a

Refletindo sobre a Linguagem

A linguagem oratória cultiva os efeitos sintáticos, rítmicos e sonoros e utiliza

imagens para enriquecer o texto. As linguagens familiar e popular recorrem às expressões pitorescas, à gíria, e muitas de suas construções são tidas como

incorreções graves nos níveis de maior formalidade.

como incorreções graves nos níveis de maior formalidade. e) Passo 5 de 10 A língua também

e) Passo 5 de 10

A língua também varia de acordo com as regiões e as situações em que é

usada. Observe o registro abaixo que comenta acerca das variedades da Língua Portuguesa.

Você, em Portugal, é um tratamento respeitoso, de cerimônia. Na França, é completamente diferente: você chama o motorista de vous (que corresponde ao Senhor , em português). O tu (que seria você) é dado somente para as pessoas com quem você tem intimidade, não tem nada a ver com classe social. Você vai engraxar o sapato, chama o engraxate de vous; vai numa loja e chama o balconista de vous; no Brasil ele é tratado de você. Lá, se você tem intimidade, trata de tu, ou você. Quando não tem intimidade, chama de senhor, de vous. No Brasil é diferente. O tratamento você (sic) é aplicado como se fosse uma forma de respeito, mas na realidade estabelece diferenças de classes sociais.

(sic) é aplicado como se fosse uma forma de respeito, mas na realidade estabelece diferenças de

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem A gente chama o motorista de você , mas o médico é

A gente chama o motorista de você, mas o médico é tratado de senhor, então fica preconceituoso. E programa de televisão que entrevista um engraxate e logo depois um ministro, como o meu, não pode chamar o engraxate de senhor, porque vai ficar ridículo, porque o tratamento padrão com ele é o ”você”, e não pode tratar o ministro de senhor, logo depois. Ficaria muito ruim, seria uma diferença de classe social”. (Jô Soares, in Tramontina, 1996: 183- 184. Adaptado)

f) Passo 6 de 10

Aproximadamente, a sétima parte da Terra se expressa em português, ou seja, cerca de 10.686.145 km2 estão sob o domínio político desse idioma, assim divididos: 91.831 km2 pertencentes a Portugal, 2.078.277 km 2 às ex-colônias portuguesas na África, Ásia e Oceania e 8.516.037 km 2 ao Brasil. De onde vem esta língua tão difundida no mundo e apenas superada em número de falantes pelo chinês, inglês, russo, hindu, árabe e espanhol?

difundida no mundo e apenas superada em número de falantes pelo chinês, inglês, russo, hindu, árabe

Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 7 de 10

O português é de origem latina e, por isso, pertence ao grupo das línguas neolatinas ou românicas, do qual fazem parte também o espanhol, o catalão,

o francês, o provençal, o italiano, o romeno, o rético, o sardo e o dalmático.

o italiano, o romeno, o rético, o sardo e o dalmático. Leia o texto Papos ,

Leia o texto Papos, de Luís Fernando Veríssimo, refletindo sobre as normas gramaticais, na próxima tela.

refletindo sobre as normas gramaticais, na próxima tela. h) Passo 8 de 10 PAPOS - Me

h) Passo 8 de 10

PAPOS

- Me disseram

- Disseram-me.

- Hein?

- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.

- Eu falo como quero. E te digo mais

- O quê? - Digo-te que você

- O “te” e o “você” não combinam.

- Lhe digo?

-Também não? O que você ia me dizer?

- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

Ou é “digo-te”?

e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a

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Refletindo sobre a Linguagem

- Partir-te a cara.

- Pois é. Partir-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

- É para o seu bem.

- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu

- O quê?

- O mato.

- Que mato?

- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

- Eu só estava querendo

- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!

- Se você prefere falar errado

- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderam- me?

- No caso

- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

- Esquece.

- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

- Depende.

- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.

- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

- Por quê?

- Porque, com todo esse papo, esqueci-lo.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro:

Objetiva, 2001).

não

sei.

esqueci-lo. (VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001). não

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Que texto legal! Você gostou da abordagem de Luís Fernando Veríssimo? Percebeu

Que texto legal! Você gostou da abordagem de Luís Fernando Veríssimo? Percebeu como ele brinca com a Língua Portuguesa e o nó que as regras podem dar na nossa cabeça?

A Língua Portuguesa, às vezes, provoca muitas dúvidas. Por isso, muita

atenção quando escrever ou falar.

i) Passo 9 de 10

Por que encontramos nos romances, nos textos jornalísticos e em vários outros textos o pronome átono iniciando orações, como em “– Me disseram ou disseram-me?” A gramática normativa, que chama essa ocorrência linguística

de próclise (colocação do pronome átono antes do verbo), condena o uso dos

pronomes átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) no início de orações. Por que isso continua ocorrendo em determinados tipos de textos?

Os jornalistas e, sobretudo, os poetas, têm a permissão de se afastar da norma

culta, em nome da clareza, do bom entendimento e da criatividade. Precisamos ter muito cuidado. Devemos estar atentos para a norma culta sem sacrificar, no entanto, a criatividade.

Além disso, a língua é o nosso principal instrumento de comunicação. Ela

possibilita o intercâmbio entre os membros de uma sociedade, sofrendo, por isso, influências dessa mesma sociedade, como podemos perceber na figura

ao lado.

de uma sociedade, sofrendo, por isso, influências dessa mesma sociedade, como podemos perceber na figura ao
de uma sociedade, sofrendo, por isso, influências dessa mesma sociedade, como podemos perceber na figura ao

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Refletindo sobre a Linguagem

j) Passo 10 de 10

Mas qual é mesmo a diferença entre língua e linguagem? Língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação. É o conjunto de regras da sua gramática. Língua, nesse caso, é sinônimo de idioma. A língua é, também, o conjunto de variedades linguísticas que, por razões culturais, políticas, históricas, geográficas, é considerado como entidade única que delimita uma comunidade linguística. Linguagem é o uso da palavra articulada (oral) ou escrita, como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. É, enfim, todo sistema de signos que serve de meio de comunicação entre indivíduos e que pode ser percebido pelos diversos órgãos dos sentidos. Isso leva a se distinguir uma linguagem visual, uma linguagem auditiva, uma linguagem tátil, etc., ou, ainda, outras mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos.

constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos. Como entender, nesse contexto, o significado de fala e

Como entender, nesse contexto, o significado de fala e discurso? Fala e discurso são manifestações concretas da língua. São, portanto, expressões da língua.

2. Linguagem Oral e Linguagem Escrita

a) Passo 1 de 9

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.1 - Língua e Linguagem Unidade 1.1.2 - Linguagem Oral e Linguagem Escrita

HISTÓRIA Vamos ver, agora, uma história? Indagaram uma criança de rua - um menino analfabeto - acerca da grande necessidade de se aprender a ler e a escrever. Disseram-lhe, então, que tudo seria mais fácil para ele - pegar um ônibus, passar troco, identificar o nome das ruas e avenidas. Ele, com a expressão de vencedor, respondeu: - Eu consigo fazer tudo isso sem saber nenhuma letra. Os buzus, eu conheço pelas cores; troco, eu nem tenho dinheiro pra passar; as ruas, eu já conheço, porque é aí que eu moro! Por que, então, é bom saber ler e escrever?

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem O imediatismo da vida dessas crianças passa para elas uma ideia equivocada

O imediatismo da vida dessas crianças passa para elas uma ideia equivocada

da importância do aprendizado da leitura e da escrita.

b) Passo 2 de 9

O processo da comunicação realiza-se pela linguagem oral ou pela linguagem

escrita. Apesar de a língua ser a mesma, a expressão escrita é muito diferente da oral.

Você acha que alguém fala como escreve?

A escrita apareceu depois da língua oral. A escrita é, portanto, subsequente a

fala. Antigamente, só existia a língua falada ; a escrita apareceu em fases mais avançadas da civilização. Apesar do prestígio da escrita, a linguagem oral serviu-lhe de base, sendo a primeira apenas uma tentativa imperfeita de reprodução gráfica dos sons da língua.

oral serviu-lhe de base, sendo a primeira apenas uma tentativa imperfeita de reprodução gráfica dos sons
oral serviu-lhe de base, sendo a primeira apenas uma tentativa imperfeita de reprodução gráfica dos sons

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Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 9

Vamos fazer um exercício para melhor fixação do conteúdo?

fazer um exercício para melhor fixação do conteúdo? d) Passo 4 de 9 Segundo o filólogo
fazer um exercício para melhor fixação do conteúdo? d) Passo 4 de 9 Segundo o filólogo

d) Passo 4 de 9

Segundo o filólogo brasileiro Mattoso Câmara, é através da posse e do uso da linguagem, é falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento, tornando-o articulado, concatenado e nítido. A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar. No entanto, sabemos que a língua, sobretudo a escrita, quando bem articulada,

Refletindo sobre a Linguagem

é um elemento de poder, legitimando-se como um diferencial relevante para todo cidadão. Escrever é uma atividade social indispensável; é um processo de descoberta. Não é uma privilégio apenas de escritores. Saber escrever é adquirir possibilidades mais amplas de participação social. Todos nós, conhecedores de um assunto, somos, em princípio, capazes de escrever sobre ele.

somos, em princípio, capazes de escrever sobre ele. Sem o domínio da língua formal, dita culta,

Sem o domínio da língua formal, dita culta, é impossível alcançar determinados níveis de conhecimento. Simplificar a língua seria o mesmo que simplificar o raciocínio e não se podem cortar os neurônios pela metade.

e) Passo 5 de 9

A linguagem oral é adquirida naturalmente, na comunidade de entorno, sem maiores sistematizações. Ela é, portanto, apreendida. Já a linguagem escrita demanda um aprendizado sistemático, um conhecimento das regras e padrões da norma culta, uma rigidez formal e um sentido claro dentro dos princípios da coerência e da coesão.

e padrões da norma culta, uma rigidez formal e um sentido claro dentro dos princípios da
e padrões da norma culta, uma rigidez formal e um sentido claro dentro dos princípios da

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Refletindo sobre a Linguagem

f) Passo 6 de 9

Um aspecto extremamente relevante e definidor da oralidade e da escrita é a importância da presença ou não dos interlocutores no discurso. Na linguagem oral, observa-se a flutuação temática (mudança constante de tema) porque emissor e receptor estão presentes para os devidos esclarecimentos. Na escrita, exige-se uma unidade temática, tendo em vista a distância entre emissor e receptor e, portanto, a impossibilidade de esclarecer as dúvidas. A coerência, a coesão e a clareza, nesse caso, são mais exigidas em nome de um bom texto. Outro aspecto muito importante é o significado dos gestos, da expressão fisionômica, do olhar, do riso, e até mesmo do não-dito, na oralidade. Todos esses aspectos auxiliam na compreensão do texto oral.

olhar, do riso, e até mesmo do não-dito, na oralidade. Todos esses aspectos auxiliam na compreensão

Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 7 de 9

Vamos descobrir agora, na prática, as diferenças entre a linguagem oral e a linguagem escrita!

as diferenças entre a linguagem oral e a linguagem escrita! h) Passo 8 de 9 Você
as diferenças entre a linguagem oral e a linguagem escrita! h) Passo 8 de 9 Você

h) Passo 8 de 9

Você se lembra quantas vezes já vacilou diante da escrita de algumas palavras, da colocação de uma vírgula, do desafio da folha em branco, ao escrever uma carta, um relatório, uma comunicação interna, uma mensagem de amor?

do desafio da folha em branco, ao escrever uma carta, um relatório, uma comunicação interna, uma

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Refletindo sobre a Linguagem

Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade e procure vencer a barreira da escrita! O texto é a exteriorização do sentimento que inunda a alma. Os sentimentos e as ideias precedem a produção do texto oral ou escrito. Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira. ANDRADE, Carlos Drummond de.Reunião – 10 livros de poesia. 10. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1980. p. 16.

poesia. 10. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1980. p. 16. i) Passo 9 de 9

i) Passo 9 de 9

Rio de Janeiro, José Olympio, 1980. p. 16. i) Passo 9 de 9 Pensemos um pouquinho!

Pensemos um pouquinho! Será que é a Língua Portuguesa que é difícil, inatingível? É a gramática que nos aprisiona com suas regras - redes tão emaranhadas, distanciando-nos da linguagem coloquial? É o domínio do universo das letras, conferido a poucos, que nos causa inibição?

Refletindo sobre a Linguagem

Será que é a televisão, ou a maldita mania de ficar preso à ela, que dificulta a nossa expressão escrita? Por que não ler um bom livro? Por que não usar nossa fantástica imaginação na criação dos personagens e na recriação da história, do ambiente e do tempo que os romances nos proporcionam? Como refletir, interpretar informações, ler o mundo, se o uso da linguagem é tão sofrido e se não comandamos mais a nossa vontade?

é tão sofrido e se não comandamos mais a nossa vontade? 3. Língua e Realidade a)

3. Língua e Realidade

a) Passo 1 de 10

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.1 - Língua e Linguagem Unidade 1.1.3 - Língua e Realidade

A linguagem reflete a realidade ou a realidade reproduz a linguagem? Na vida social é, quase exclusivamente, através da linguagem que nos comunicamos uns com os outros. A linguagem permite-nos a troca de ideias, a organização do pensamento, a construção do conhecimento, a interação com o outro. Assim, cada um de nós tem de saber usar bem a linguagem para desempenhar o seu papel de indivíduo humano e de membro de uma sociedade humana. A linguagem tem, portanto, uma função prática na vida humana e social.

humano e de membro de uma sociedade humana. A linguagem tem, portanto, uma função prática na

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Carlos Drummond de Andrade vem ao nosso encontro ilustrando, com uma crônica,

Carlos Drummond de Andrade vem ao nosso encontro ilustrando, com uma crônica, a necessidade de conhecimento, ampliação, adequação e seleção do vocabulário para entendermos melhor o mundo, a realidade e os outros. Leia com muita atenção na próxima tela.

b) Passo 2 de 10

Recalcitrante

- O senhor aí, cavalheiro, quer cutucar o braço do distinto pra ele me prestar atenção?

O cavalheiro, vê lá se ia se meter numa dessas. Ignorou, olímpico, a marcha do caso terrestre. Embora sem surpresa, o cobrador coçou a cabeça. Sabia de experiência própria que passageiro nenhum quer entrar numa fria. Ficam de camarote, espiando o circo pegar fogo. Teve pois que sair do seu trono, pobre trono de trocador, fazendo a difícil ginástica de sempre. Bateu no ombro do rapaz:

- Vamos levantar?

O outro mal olhou para ele, do longe de sua distância espiritual. Insistiu:

- Como é, não levanta?

- Estou bem aqui.

- Eu sei, mas é preciso levantar.

- Levantar pra quê?

- Pra quê, não. Por quê. Seu calção está molhado de água do mar.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem - Tem certeza que é água do mar? - Tá na cara.

- Tem certeza que é água do mar?

- Tá na cara.

- Como tá na cara? Analisou? Forrou-se de paciência para responder:

- Olha, o senhor está de calção de banho, o senhor veio da praia, que água pode ser essa que está pingando se não for água do mar? Só se

- Se o quê?

- Nada.

- Vamos, diz o que pensou.

- Não pensei nada. Digo que o senhor tem de levantar, porque seu calção está ensopado e vai fazendo uma lagoa aí embaixo.

- E daí?

- Daí, que é proibido.

- Proibido suar?

- Claro que não.

- Pois eu estou suando, sabe? Não posso suar sentado, com esse calorão de

janeiro? Tenho que suar de pé?

- Nunca vi suar tanto na minha vida. Desculpe, mas a portaria não permite.

- Que portaria?

- Aquela pregada ali, não está vendo? “O passageiro, ainda que com roupa

sobre as vestes de banho molhadas, somente poderá viajar de pé.” - Portaria nenhuma diz que o passageiro suado tem que viajar de pé. Papo findo, tá bom?

- O senhor está desrespeitando a portaria e eu tenho que convidar o senhor a

que viajar de pé. Papo findo, tá bom? - O senhor está desrespeitando a portaria e

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Refletindo sobre a Linguagem

descer do ônibus.

- Eu, descer porque estou suando? Sem essa.

- O ônibus vai parar e eu chamo a polícia.

Sem essa. - O ônibus vai parar e eu chamo a polícia. - A polícia vai

- A polícia vai me prender porque estou suando?

- Vai botar o senhor pra fora porque é um transfigurado:

- O quê? Repita, se for capaz.

- Re

- Te quebro a cara, ouviu? Não admito que ninguém me insulte!

- Eu? Não insultei.

- Insultou, sim. Me chamou de réu. Réu não sei o quê, calcitrante, sei lá o que é isso. Retira a expressão, ou lá vai bolacha.

- Mas é a portaria! A portaria é que diz que o recalcitrante

- Não tenho nada com a portaria. Tenho é com você, seu cretino. Retira já a

expressão, ou

Retira não retira, o ônibus chegou ao meu destino, e eu paro

infalivelmente no meu destino. Fiquei sem saber que consequências físicas e outras teve o emprego da palavra “recalcitrante”.

(Carlos Drummond de Andrade, De notícias & não-notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975.)

recalcitrante. O passageiro pulou,

calcitrante.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem c) Passo 3 de 10 Saber usar bem a língua pátria é

c) Passo 3 de 10

Saber usar bem a língua pátria é uma obrigação cívica, enquanto falante; um elemento legítimo de poder, enquanto cidadão; um cuidado com a competência, como profissional; um sinal de respeito ao nosso idioma; um zelo com a preservação da memória cultural e, sobretudo, um amor, sem limites, ao nosso povo e ao nosso país. Não é à toa que o poder usa a linguagem para dominar, convencer. É inquestionável a capacidade de persuasão das palavras! Por que os escritores e os intelectuais, de uma maneira geral, são mal vistos nos regimes ditatoriais? Por que Hitler queimou os livros? Por que todo país com um índice alarmante de analfabetismo é, em geral, um país pobre, desigual, injusto e preconceituoso?

todo país com um índice alarmante de analfabetismo é, em geral, um país pobre, desigual, injusto
todo país com um índice alarmante de analfabetismo é, em geral, um país pobre, desigual, injusto

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Refletindo sobre a Linguagem

Por que o sentimento diante de um envelope lacrado, com resultados de exames laboratoriais; com um convite da Receita Federal; com uma carta do namorado; com o extrato bancário é de inquietação e de perplexidade - uma ansiedade mal disfarçada, um medo, uma dúvida? A palavra legitima, define, esclarece (ou não) a verdade. Portanto, alguns a temem.

d) Passo 4 de 10

não) a verdade. Portanto, alguns a temem. d) Passo 4 de 10 Reflita, agora, sobre os

Reflita, agora, sobre os questionamentos abaixo:

Por que todos nós subestimamos alguém que se preocupa em usar a língua culta? Por que consideramos que errar na própria língua é coisa pouco importante e, por isso mesmo, de menor relevância? Pense um pouco. O que lhe causa maior constrangimento? Revelar para os outros que tem dúvidas ou não sabe realizar uma operação matemática, que desconhece as capitais de alguns países ou ser observado por alguém por cometer um erro de Português? Claro que a última hipótese! Errar na própria língua evidencia não apenas a fragilidade do falante, mas uma desqualificação pessoal e profissional e nos mata de vergonha. Não raro, ficamos vermelhos, perguntando, baixinho, qual é o certo.

pessoal e profissional e nos mata de vergonha. Não raro, ficamos vermelhos, perguntando, baixinho, qual é

Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 10

Refletindo sobre a Linguagem e) Passo 5 de 10 Vamos ler o que Daniela Silva, jovem

Vamos ler o que Daniela Silva, jovem repórter do jornal A Tarde, de Salvador, tem a nos dizer sobre os erros na língua-pátria.

ERROS

PROFISSIONAIS.

A língua portuguesa é considerada uma das mais belas do mundo. Porém, nem

sempre é respeitada como deveria. Erros de português graves são cometidos

E não é um problema

exclusivamente atrelado ao nível de analfabetismo do País. Falhas gravíssimas também são cometidas por profissionais de alto escalão. Acredite! Por deficiência de formação ou descuido, executivos e empresários também andam “derrapando” na hora de escrever. Com a comunicação instantânea, viabilizada pela Internet, estes erros têm adquirido ainda mais evidência, para assombro de quem se comunica obrigatoriamente pela língua escrita. Um “s” no lugar do “z”, um “s” em vez de um “c” pode até parecer um errinho bobo, mas não é assim. Pisar na bola com o português é sinônimo de falta de domínio linguístico e descaso com o idioma. Mas a parte pior do problema é que pode prejudicar seriamente a imagem do profissional e da empresa.

por toda parte – nos letreiros, nos anúncios

FIRMAS

DE

PORTUGUÊS

COMPROMETEM

IMAGENS

DE

Não são só os erros de grafia que assustam. Concordar nomes e verbos de forma inadequada também incomoda e até constrange qualquer fiel ao Português que é surpreendido com uma falha do gênero. Mas, apesar de

muitos acharem o nosso idioma difícil de aprender, o consultor empresarial, na área de comunicação, Carlos Pimentel, tranquiliza a todos. Por meio de cursos

e leitura, qualquer pessoa pode superar as dificuldades com o Português. O grande passo é começar. Ler os clássicos, como Machado de Assis, também ajuda muito, ressalta o consultor. “Lendo estes autores você aprende Português sem sentir. O cérebro precisa de musculação e a leitura é o exercício ideal”, completa.

A maneira mais eficiente de aprimorar a escrita é praticando-a. Isso funciona,

usando como estímulo as mais variadas situações, como assistir a um filme e depois colocar no papel os seus comentários sobre a película. Ler um livro e, em seguida, fazer uma resenha. “Todos têm condições de escrever bem, basta querer aprender, exercitar”, afirma Pimentel.

E quem não quiser ficar fora do mercado é bom não se descuidar da língua. A

exigência de dominar o idioma nativo não é só para quem está começando ou para quem está sendo avaliado em um processo de seleção. É importante, sobretudo, para quem deseja crescer na empresa, frisa Pimentel.

(Daniela Silva. A TARDE. 15/04/2001)

frisa Pimentel. (Daniela Silva. A TARDE. 15/04/2001) Gostou? Sente-se mais comprometido(a) com o seu idioma?

Gostou? Sente-se mais comprometido(a) com o seu idioma? Veja, agora, como

o desconhecimento linguístico compromete socialmente o falante!

comprometido(a) com o seu idioma? Veja, agora, como o desconhecimento linguístico compromete socialmente o falante! 27

27

Refletindo sobre a Linguagem

f) Passo 6 de 10

ELOQUÊNCIA SINGULAR Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

- Senhor Presidente: não sou daqueles que

O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto,

podia perfeitamente ser o singular:

- Não sou daqueles que

Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura pra mim como é que é, me tira desta

- Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

- Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso:

e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública

E entrava por novos desvios:

- Muito

embora

sabendo

perfeitamente

os

imperativos

de

minha

consciência cívica sou daqueles que

senhor Presidente

e o declaro peremptoriamente

não

- O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

- Senhor Presidente, meus nobres colegas!

Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

- Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palavras romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado. (Fernando Sabino. A companheira de viagem. Rio de Janeiro, Sabiá, 1972.)

A companheira de viagem. Rio de Janeiro, Sabiá, 1972.) Por que o nobre deputado não conseguia

Por que o nobre deputado não conseguia terminar a frase? O que houve? Você

já sentiu esse tipo de dificuldade? Que dificuldade era essa? O universo

vocabular do “ilustre deputado” era diferente do da plateia? Eles usavam o mesmo código? Havia um interesse comum em que a mensagem continuasse

a ser transmitida? O “ilustre” deputado conhecia, de verdade, a Língua

Portuguesa?

g) Passo 7 de 10

Para realizarmos bem a nossa língua, para sermos bem entendidos, para entendermos os outros, é necessário que emissor e receptor realizem o mesmo código; que ambos estejam motivados para a comunicação; que o universo vocabular seja comum entre eles; que a mensagem seja do interesse dos dois; que haja um conhecimento mínimo da estrutura do nosso idioma e dos fatos linguísticos.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Já afirmamos anteriormente que é pela posse e uso da linguagem que

Já afirmamos anteriormente que é pela posse e uso da linguagem que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido. Assim, as crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, desenvolvem, consideravelmente, o raciocínio. Esse fato não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas, também, da circunstância de que o indivíduo dispõe, agora, da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental.

de que o indivíduo dispõe, agora, da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho
de que o indivíduo dispõe, agora, da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho

29

Refletindo sobre a Linguagem

h) Passo 8 de 10

O estudo sistemático dos caracteres e aplicações desse novo e preciso instrumento, aperfeiçoa, cada vez mais, a capacidade de pensar. Veja, caro treinando, que são atividades concomitantes! Da mesma forma ocorre com o operário. À medida que ele domina, conhece e está seguro das ferramentas da sua profissão, vai aperfeiçoando seu trabalho. Dentre as funções da linguagem, destacamos como uma das mais essenciais

a possibilidade de expressar o pensamento, permitindo uma comunicação ampla das ideias.

A linguagem tem uma função prática, imprescindível na vida humana e social;

pode, também, como muitas outras criações do homem, ser transformada em arte, isto é, numa fonte de mero gozo do espírito. Passa-se, com isto, a um plano diverso daquele da vida diária. São duas coisas distintas: o aspecto prático e o aspecto artístico da linguagem - a literatura. É fundamental ressalvar, porém, que o sentido artístico é espontâneo e inerente aos homens e que, para ser eficiente, a linguagem tem de satisfazê-lo e não apenas se limitar a uma formulação seca, objetiva e fria.

Toda sociedade tem, portanto, um ideal, um padrão linguístico. Como seres sociais, temos que nos pautar para que as palavras não provoquem uma repulsão, às vezes latente e mal perceptível, mas sempre suficiente para prejudicar o entendimento da mensagem.

uma repulsão, às vezes latente e mal perceptível, mas sempre suficiente para prejudicar o entendimento da

Refletindo sobre a Linguagem

i) Passo 9 de 10

A precisão lógica da exposição linguística importa, antes de tudo, no problema de composição, que consiste em bem ajustar e concatenar os pensamentos. O próprio raciocínio ainda não exteriorizado depende disso para se desenvolver. Além de nos fazermos entender pelos outros, temos de nos entender a nós mesmos.

entender pelos outros, temos de nos entender a nós mesmos. A correção gramatical não é responsável

A correção gramatical não é responsável apenas pela boa linguagem, mas concorre muito para ela, resultando numa boa forma de expressão. A obediência às regras gramaticais é muito relevante porque essas representam as conclusões de várias gerações de homens que se especializaram em estudar a língua e observar a sua ação e os efeitos no intercâmbio cultural. Além disso, acham-se apoiadas por um consenso geral e, através delas, facilita-se a projeção de nossas ideias e a aceitação do que assim dizemos. Uma atitude de independência em relação às regras gramaticais é mais cabível aos literatos, porque se espera deles uma visão pessoal da realidade e, sobretudo, da língua, já que a língua é a sua preocupação mais importante e a matéria-prima de sua arte.

e, sobretudo, da língua, já que a língua é a sua preocupação mais importante e a

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Refletindo sobre a Linguagem

j) Passo 10 de 10

Refletindo sobre a Linguagem j) Passo 10 de 10 Vamos ler o texto A Cidadania e

Vamos ler o texto A Cidadania e a Língua Brasileira, de Thereza Cristina Guerra, que nos revela a responsabilidade do cidadão com o idioma.

A CIDADANIA E A LÍNGUA BRASILEIRA Qual a relação entre falar, escrever e a cidadania? Qual é a imagem que desejamos projetar ao escrevermos ou falarmos corretamente? Não é melhor sabermos o inglês ou o espanhol? Ser poliglota da própria língua parece que não interessa.

Devemos cultivar nossa língua como cultivamos nossos costumes, nossos gostos e nossa cultura. Escolher palavras simples para construir textos claros e coerentes é o caminho para a cidadania. Por que escrever difícil, com vocabulário técnico, exigindo esforços demasiados para se entender uma pequena frase?

A língua deve ser brasileira, no sentido de refletir e buscar soluções para os

problemas mais urgentes do País. Língua brasileira porque se funde às raízes da nossa própria realidade.

Estamos falando um dialeto cheio de expressões em inglês que só demonstra um futuro incerto pela frente. Ser cidadão em termos de linguagem é respeitá-

la não só em sua gramática, mas também em seu modo brasilis. É cultivá-la,

como patrimônio histórico e cultural. Utópico, talvez. Não importa. O que importa é ressaltar que ela está esquecida, maltratada, desprezada por políticos, profissionais de comunicação e pessoas públicas, de reconhecida influência nas atitudes da população, como artistas e jogadores de futebol. Repetimos o que aprendemos, no dia a dia, sem, ao menos, analisarmos a razão desta ou daquela expressão. Pensamos em nosso vocabulário. O que pretendemos com ele? Quem vamos atingir? Passamos arrogância, saber, conhecimento, alegria e amor por meio da fala. Passamos poder, preconceito, manipulação com a palavra. Resgatar o que é a essência brasileira deve ser a meta de todo cidadão deste País.

Escrever bem é praticar a cidadania. E não é escrever difícil, cheio de frases de filósofos ou poetas. Não é complicar, usando termos da economia, informática ou administração. Ser simples é respeitar o receptor, é ir direto ao ponto, mostrar a verdade, com transparência e sem camuflagem. É ser coerente, preciso e claro. É dar ao povo as palavras que ele precisa saber para se defender, reivindicar e crescer nos aspectos éticos e morais.

O que é o cidadão-do-idioma? É aquele que preserva a língua de tal forma

que possa construir um país forte, sadio e próspero. Uma república das letras, cheia de seres conscientes, educados para o domínio da língua brasileira, precisa ser a meta almejada por todos que desejam cultivar, de fato, a cidadania. (Thereza Cristina Guerra. A TARDE. 30/04/2002.)

Refletindo sobre a Linguagem

B. Diversidade Linguística

1. Variações Linguísticas

a) Passo 1 de 5

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.2 - Diversidade Linguística Unidade 1.2.1 - Variações Linguísticas

Toda língua apresenta variações. O próprio emissor também apresenta variações na sua maneira de usar a língua. Seu uso depende do receptor, da idade de ambos, da profissão, do nível de escolaridade, da região onde moram os falantes, do tipo de mensagem, da situação e do local em que a comunicação acontece. Muitas vezes, o momento emocional do emissor e do receptor interfere na realização da língua. Para que a comunicação ocorra, não basta que as pessoas falem a mesma língua, mas usem a linguagem adequada à situação em que se encontram. A linguagem pode ser classificada em:

Popular - mais informal, espontânea, não elaborada, não cultivada. Usada, geralmente, por pessoas de baixa escolaridade ou mesmo analfabetas, em situações informais, nas comunicações pragmáticas, do dia a dia. Aparece, mais frequentemente, na forma oral e, raramente, na língua escrita. Pode-se desviar, inclusive, das normas de correção estabelecidas, apresentando um vocabulário restrito, com grande ocorrência de gírias, onomatopéias, clichês, e frases feitas, além de formas deturpadas (gaufo, ossílio, probrema, arioporto, inxempro etc). Não há preocupação com as regras gramaticais de flexão, concordância, regência, entre outras.

inxempro etc). Não há preocupação com as regras gramaticais de flexão, concordância, regência, entre outras. 33
inxempro etc). Não há preocupação com as regras gramaticais de flexão, concordância, regência, entre outras. 33

33

Refletindo sobre a Linguagem

Culta ou variante-padrão - bem mais elaborada, cuidada, de acordo com as normas gramaticais e usada em situações de formalidade. Utilizada pelas classes intelectuais da sociedade, na forma escrita e, mais raramente, na oral. É a língua usada nos meios diplomáticos e científicos, nas correspondências e documentos oficiais, nos discursos e sermões. O vocabulário é rico e as normas gramaticais são plenamente obedecidas.

é rico e as normas gramaticais são plenamente obedecidas.  Familiar - utilizada por pessoas que,

Familiar - utilizada por pessoas que, apesar de conhecerem a língua, utilizam-na num padrão menos formal, mais descontraído e cotidiano. É, em geral, a linguagem do rádio, da televisão, dos meios de comunicação de massa, nas formas oral ou escrita. Utiliza-se, nesse nível da linguagem, o vocabulário da língua comum, sendo a obediência às normas gramaticais bastante relativa. Admitem-se algumas construções típicas da linguagem oral e, até mesmo, o uso consciente de gírias. No Brasil, por exemplo, embora haja um só idioma, as alterações apresentadas foram causadas, naturalmente, pela enorme diversidade social e cultural de suas várias regiões. Deve-se, no entanto, observar os outros fatores já referidos, como idade, profissão, escolaridade e momento emocional que interferem na realização linguística.

Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 5

a

diversidade linguística através do texto que se segue.

“A língua portuguesa, como qualquer outra língua, configura-se como um

conjunto de variantes, isto é, não é um todo uniforme. Embora se fale português em Manaus, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, não se fala, em Recife, da mesma forma, como se fala em Sorocaba, Piracicaba ou Santo Antônio de Jesus e Lençóis, cidades dos estados de São Paulo e da Bahia, respectivamente”.

(CARVALHO, José G. Herculano de. Teoria da Linguagem. Coimbra/ Atlântida,

O escritor

José

Herculano

de

Carvalho

esclarece-nos

melhor

sobre

1967/1973.2v)

A incorporação de vocábulos estrangeiros também contribui para a variação linguística. Será que você concordará com José Castellani, autor do texto a seguir, intitulado “O massacre da Língua Portuguesa”? Ou acha que é muito radicalismo, muita xenofobia no trato com a nossa língua?

Será que é dessa forma – defendendo-a contra qualquer influência dos demais idiomas – que demonstramos o nosso cuidado com a Língua Portuguesa?

De que forma os estrangeirismos contribuem para a diversidade linguística?

os estrangeirismos contribuem para a diversidade linguística? “A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA.” (Caetano Veloso) 35

“A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA.” (Caetano Veloso)

os estrangeirismos contribuem para a diversidade linguística? “A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA.” (Caetano Veloso) 35

35

Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 5

O MASSACRE DA LÍNGUA PORTUGUESA

Um sinal de falência da educação no Brasil

O Brasil vive, hoje, o resultado de décadas de descaso em relação ao sistema

educacional. Nos “bons tempos” do regime autoritário, explodiam faculdades e universidades, em locais sem meios de sustentação para um estabelecimento desse gênero, e com verbas diminutas, que não conferiam, a elas, o necessário para que se equipassem à altura dos cursos que exibiam. No caso das Faculdades de Medicina, essa histeria criadora chegou às raias do inconcebível, causando uma queda brutal no nível de ensino, com as consequências hoje vistas no sistema sanitário brasileiro. As Faculdades de Jornalismo, que se tornaram exigência daquele período de nossa história, para os que pretendiam se dedicar à imprensa, criaram, por omissão da Gramática no currículo – existe absurdo maior?! – como comprova o prof. Napoleão Mendes de Almeida, filólogo dos mais ilustres, o início do assassinato do idioma português, largamente demonstrado na mídia, onde, cada vez mais, os erros são frequentes, como, só para exemplificar: confundir o “lhe” com “o/a”; usar crase onde ela não existe e deixar de usá-la onde ela deve ser aplicada; confundir o verbo “apenar”, que significa impor pena, com “penalizar”, que significa ter pena: e assim por diante, “ad nauseam”. Foram-se os tempos áureos da imprensa, quando os seus redatores e revisores sabiam ler e escrever, embora tivessem passado um belo período com censores a fungar nas suas costas, qual sombras vampirescas a cortar e a sugar o seu trabalho. Não existiam, então, barbaridades como “à sete

quilômetros da capital” (crase onde não há), ou “foi a casa do ministro” (falta da crase, onde ela existe), ou “ela não lhe ama” (com uma incorreta frase oblíqua do pronome pessoal), ou, ainda, “há 15 anos atrás” (há 15 anos só pode ser atrás), ou, ainda, “elo de ligação” (elo só pode ser de ligação), ou, ainda, “a nível nacional” (quando o correto é ao, ou em nível), ou, ainda, “encarar de frente” (como a cara é na frente, só se pode encarar de frente), ou, pior do que isso, “enfrentar de frente”(só é possível enfrentar de frente; de costas é

encostar), ou, ainda

A culpa, é claro, não é dos que cometem tais erros, mas, sim, de quem lhes

deu uma formação altamente deficiente, ou ainda de quem deixou que essa formação se tornasse deficiente, na certeza de que um povo inculto tem mais tendência a suportar a carga, tem mais índole ovina e pouca vontade e check- in. Não há esboço de capa ou de anúncio; há lay-out. Não há abertura de notícia; há lead. Não há texto informativo à imprensa; há release, ou press release. Não há filme de suspense e mistério, há thriller. Não há primeiro plano; há close-up. Não há cartaz; há outdoor. Não há elenco; há cast. Não há folheto publicitário; há folder. E assim por diante, ao infinito. Palavras e expressões como free-lancer, freezer, off, play-back, niver, lobby, marketing, franshising, merchandising, pocket-book, best seller, remake, take, tape, script, spot, slogan, soft, software, slow motion, show, receiver, pick-up, zoom, light, flat, time, display, system, card, cartoon, air-bag e muitas outras centenas de palavras inglesas habitam nosso dia a dia. E o pior é que a imensa maioria delas tem correspondente em nosso idioma. Nem a nossa prosaica privada nos foi deixada; ela passou à elegante sigla W.C. (water closet).

, ou, ainda

A coisa vai ao infinito!

Refletindo sobre a Linguagem

d) Passo 4 de 5

A mesma meninada que massacra o idioma português, até nos exames

vestibulares, conhece e escreve direitinho essas palavras, ao mesmo tempo em que abandona os hábitos alimentares brasileiros, para se empanturrar com hambúrgueres, hot-dog, batatas fritas e catchup, essas cascatas de colesterol, que fazem a alegria e o acidente vascular do americano típico.

E quando se chega ao âmbito da informática, então, a coisa torna-se

assustadora. Meu computador, com processador Pentium 200 MMX, é um alegre norte-americano, que só conversa comigo se for em inglês; caso contrário, simplesmente, me ignora. Só falta me pedir ovos com bacon no

breakfast. Qualquer daqueles adolescentes que sacrifica a língua portuguesa

no altar da ignorância e que desconhece até a História recente do Brasil, sabe,

direitinho, como se escreve e o que é personal computer, mouse, word, windows, byte, som wave, paintbrush picture, rich text, software, delete, page up, caps lock, print screen, page down, scroll lock, wordpad, windows explorer, startup, microsoft exchange, file transfer, on-line, dial-up, joystick e assim por diante, até à estratosfera.

A língua portuguesa ainda é mantida, em Portugal, graças às autoridades

responsáveis pela cultura e graças a uma mídia consciente de suas responsabilidades na formação do povo. Nenhum locutor português – ao contrário dos nossos – falou em princesa Daiana, mas, sim, em princesa Diana; nem em príncipe Charles, mas, sim, em príncipe Carlos. Tanto a mídia, quanto a medicina portuguesa não citam a síndrome de imuno-deficiência adquirida como AIDS (que é sigla inglesa), mas, sim, como SIDA, juntando as iniciais de cada palavra, no idioma vernáculo (esse último caso, por sinal, ocorre com todos os países latinos).

Nossa cultura nacional e nossas tradições estão indo pelo ralo. Nossa identidade como nação vai sendo, lentamente, comprometida pela influência da cultura estrangeira em todos os setores de nossa vida diária, sem que vá, nessa constatação, qualquer sentido de xenofobia, mas apenas de percepção da realidade. Nosso idioma é tratado como linguagem de bárbaros e amplamente desprezados. E isso ocorrerá, com tendência ao exacerbamento, até que os nossos poderes constituídos – pois a responsabilidade não é só do Executivo – conscientizem-se de que educação é o caminho mais rápido para o desenvolvimento e é a base de todas as demais atribuições do Estado, pois não há globalização que eleve o nível de uma nação, quando a educação conta com verbas ridículas e quando a cultura da maioria do povo está num patamar tão baixo, que pode ir para o esgoto com um simples apertar de botão de descarga. (CASTELLANI, José. O massacre da língua portuguesa. O Esquadro, p. 09, nov. 1997.)

apertar de botão de descarga. (CASTELLANI, José. O massacre da língua portuguesa. O Esquadro, p. 09,

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Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 5

Refletindo sobre a Linguagem e) Passo 5 de 5 Não só os estrangeirismos interferem na Língua

Não só os estrangeirismos interferem na Língua Portuguesa. Outros fatores, alguns já abordados, contribuem para que esse código apresente-se sob formas variadas, enriquecendo, assim, o vernáculo. Quando importamos uma ciência - a informática; uma arte; um tipo de esporte; uma inovação culinária, não chegam apenas os usos, o vocabulário correspondente vem com eles.

os usos, o vocabulário correspondente vem com eles. As variações linguísticas da Língua Portuguesa não

As variações linguísticas da Língua Portuguesa não devem ser vistas com preconceito. A língua não é uma estrutura rígida, arcaica e, sobretudo, estática. Toda língua tem que ser maleável, versátil, flexível e, portanto, dinâmica.

Refletindo sobre a Linguagem

C. A Importância da Leitura

1. Leitura da Palavra e Leitura do Mundo

a) Passo 1 de 12

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.3 - A importância da Leitura Unidade 1.3.1 - Leitura da Palavra e Leitura do Mundo

Vamos aprender um pouco sobre a Leitura da palavra e leitura do mundo. Veja, abaixo, um texto introduzindo este assunto. Vamos lá?

Veja, abaixo, um texto introduzindo este assunto. Vamos lá? Linguagem e realidade são inseparáveis - uma

Linguagem e realidade são inseparáveis - uma legitima a outra. Leia esse texto de Paulo Freire e reflita. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente!” (Paulo Freire)

b) Passo 2 de 12

A importância do ato de ler Rara tem sido a vez, ao longo de tantos anos de prática pedagógica, por isso política, em que me tenho permitido a tarefa de abrir, de inaugurar ou de encerrar encontros ou congressos. Aceitei fazê-lo agora, da maneira, porém, menos formal possível. Aceitei vir aqui para falar um pouco da importância do ato de ler. Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.

leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica

A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

c) Passo 3 de 12

Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.

A

retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler”

o

mundo particular em que me movia – e até onde não sou traído pela memória

me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando,

recrio, revivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que

ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.

A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das

avencas de minha mãe –, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto – em cuja percepção

Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles, nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais. (FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 12. ed. São Paulo, Cortez, 1986. p. 11-3)

d) Passo 4 de 12

12. ed. São Paulo, Cortez, 1986. p. 11-3) d) Passo 4 de 12 Você gostou do

Você gostou do texto? Já conhecia o educador Paulo Freire? Que tal conhecer um pouco da vida e da história dele? Paulo Freire nasceu em Recife, em 1921, e conheceu, desde cedo, a pobreza do Nordeste do Brasil. Formou-se em Direito, mas não exerceu a profissão, preferindo dedicar-se a projetos de alfabetização. Nos anos 50, quando ainda se pensava na educação de adultos como uma pura reposição dos conteúdos transmitidos às crianças e jovens, Paulo Freire propunha uma pedagogia específica, associando estudo, experiência vivida, trabalho, pedagogia e política. Criou o método, que o tornaria conhecido no mundo, fundado no princípio de que o processo educacional deve partir da realidade que cerca o educando. Não basta saber ler que “Eva viu a uva”, diz ele. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.

a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Fantástico, não? Esse brasileiro deu uma grande contribuição para a educação. Não
Refletindo sobre a Linguagem Fantástico, não? Esse brasileiro deu uma grande contribuição para a educação. Não

Fantástico, não? Esse brasileiro deu uma grande contribuição para a educação. Não dissociou realidade de linguagem; acreditou que a mera leitura mecânica das palavras não nos permite uma consciência crítica do mundo.

e) Avaliação

Neste momento, você terá a oportunidade de verificar o grau de aprendizagem dos estudos ora concluídos. Preparamos instrumentos de avaliação contendo cinco questões objetivas. Estas questões, por serem bastante variadas e por abrangerem todo o conteúdo que você estudou, apresentam grandes possibilidades de acerto. Para cada uma das questões, oferecemos três alternativas, dentre as quais, você deverá selecionar, sempre, a correta. Será considerado desempenho satisfatório um aproveitamento equivalente a

70%.

Esperamos que as suas escolhas lhe permitam obter, de imediato, um desempenho satisfatório, após a primeira avaliação. Entretanto, se isto não ocorrer, reveja o conteúdo estudado. Concluída a revisão, nova oportunidade de avaliação lhe será oferecida , possibilitando-lhe atingir o resultado esperado. Você terá, ao todo, 4 (quatro) chances de ser bem sucedido ou bem sucedida. Mantenha-se confiante. Tenha certeza de que, mesmo distantes, estaremos torcendo pelo seu sucesso. Antecipadamente os nossos parabéns!

Refletindo sobre a Linguagem

Lembre-se de que, em cada uma das questões apresentadas, você vai marcar sempre a alternativa verdadeira.

Exercício1

A

lingüístico, porque:

compreensão

da

realidade

depende,

diretamente,

do

conhecimento

o conhecimento, a ampliação do universo semântico, a adequação e

o

conhecimento, a ampliação do universo semântico, a adequação e

seleção vocabular, permite-nos um melhor entendimento do mundo, da realidade e do outro;

poucas línguas apresentam variações, a depender das peculiaridades do emissor e do receptor;

poucas línguas apresentam variações, a depender das peculiaridades do emissor e do receptor;

os estrangeirismos não contribuem para a variação lingüística.

os estrangeirismos não contribuem para a variação lingüística.

Exercício2

Observando-se um texto coerente, pode-se registrar:

a inutilidade da progressão, como recurso complementar da repetição;

a inutilidade da progressão, como recurso complementar da repetição;

a ocorrência de repetições, retomadas de elementos, como palavras,

a ocorrência de repetições, retomadas de elementos, como palavras,

frases e seqüências que exprimem fatos ou conceitos: exprimem fatos ou

conceitos;

a progressão permite a retomada de elementos passados.

a

progressão permite a retomada de elementos passados.

Exercício3

Para se obter coerência num texto, é, também, imprescindível:

a ausência de relacionamento entre os fatos e os conceitos;

a

ausência de relacionamento entre os fatos e os conceitos;

aproximação de idéias e fatos contrastantes, como um recurso não muito freqüente no desenvolvimento da

aproximação de idéias e fatos contrastantes, como um recurso não muito freqüente no desenvolvimento da argumentação;

a

presença de elementos que contradigam idéias e fatos que já foram colocados. a

presença de elementos que contradigam idéias e fatos que já foram colocados.

a

Exercício4

O texto não deve destruir a si mesmo, assim, é incorreto dizer-se que:

não se tolera a contradição, como recurso, já que toma como verdadeiro aquilo que foi

não se tolera a contradição, como recurso, já que toma como verdadeiro aquilo que foi falso;

esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando uma maior clareza para

esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando uma maior clareza para o leitor;

a contradição é necessária porque é uma questão de lógica e está

a

contradição é necessária porque é uma questão de lógica e está

intimamente relacionada com o caráter polissêmico das palavras,

tornando o contraste semântico enriquecedor.

   

43

Refletindo sobre a Linguagem

Exercício5

Na vida social, é, quase exclusivamente, através da linguagem, que nos comunicamos uns com os outros. Portanto:

unicamente a linguagem permite-nos a troca de idéias e a organização do

unicamente a linguagem permite-nos a troca de idéias e a organização do

pensamento;

apenas a linguagem permite-nos a construção do conhecimento e a interação com o outro;

apenas a linguagem permite-nos a construção do conhecimento e a interação com o outro;

as alternativas a e b se completam.

as alternativas a e b se completam.

Exercício6

Para desempenharmos o papel de indivíduos humanos e, portanto, membros de uma sociedade humana:

saber usar uma boa linguagem é fundamental para o falante, uma vez que

saber usar uma boa linguagem é fundamental para o falante, uma vez que

a

linguagem é um importante elemento de poder;

temos que desprezar a função prática da linguagem, na vida humana e

temos que desprezar a função prática da linguagem, na vida humana e

 

social;

temos de buscar o aprendizado de línguas estrangeiras, para sabermos usar bem a nossa língua

temos de buscar o aprendizado de línguas estrangeiras, para sabermos usar bem a nossa língua pátria.

Exercício7

Assinale a alternativa correta de acordo com a classificação de linguagem:

a linguagem popular é mais informal, espontânea, não elaborada, ou mesmo analfabetas, em situações informais,

a linguagem popular é mais informal, espontânea, não elaborada, ou mesmo analfabetas, em situações informais, nas comunicações pragmáticas, do dia-a-dia. Aparece, mais freqüentemente, na forma oral e, não cultivada, usada, geralmente, por pessoas de baixa escolaridade raramente, na língua escrita. Desvia-se das normas de correção estabelecidas, apresentando um vocabulário restrito, com grande ocorrência de gíria, onomatopéia, clichês frases feitas, além de formas deturpadas (gaufo, ossílio, probrema).Não há preocupação com as regras gramaticais de flexão, concordância, regência.

linguagem familiar é utilizada por pessoas que desconhecem a língua, utilizam-na, num nível menos formal,

linguagem familiar é utilizada por pessoas que desconhecem a língua, utilizam-na, num nível menos formal, mais descontraído e cotidiano.

a

nenhuma das alternativas acima está correta.

nenhuma das alternativas acima está correta.

Refletindo sobre a Linguagem

Exercício8

Assinale a única definição correta:

linguagem familiar é a utilizada ,apenas, por pessoas da família;

linguagem familiar é a utilizada ,apenas, por pessoas da família;

linguagem culta ou variante-padrão é a mais elaborada, cuidada, de acordo com as normas gramaticais;

linguagem culta ou variante-padrão é a mais elaborada, cuidada, de acordo com as normas gramaticais;

linguagem popular não é a mais informal, embora seja utilizada por pessoas de baixa escolaridade.

linguagem popular não é a mais informal, embora seja utilizada por pessoas de baixa escolaridade.

Exercício9

Rafael, filho caçula de D. Amanda, acabara de completar 18 anos e de passar no vestibular. Seu presente: um carro novinho, zerinho! Ontem, ele chegou em casa, contando uma grande vantagem: estacionou o carro em cima da calçada e, além disso, em lugar proibido. Quando o guarda chegou e o flagrou, ele passou-lhe uma boa conversa e uma boa gorjeta e, questão resolvida! Se Rafael fosse seu filho, como agiria, tomando por base o conhecimento que você vem adquirindo no decorrer deste curso:

diria que estava decepcionado ou decepcionada com a sua atitude e que iria tomar-lhe a

diria que estava decepcionado ou decepcionada com a sua atitude e que iria tomar-lhe a chave do carro por um mês;

reclamaria com ele, falaria da sua decepção e diria que coisas como essas não devem

reclamaria com ele, falaria da sua decepção e diria que coisas como essas não devem ser feitas.

numa reflexão adulta, procuraria fazer com que ele entendesse que essas espertezas, no sentido de

numa reflexão adulta, procuraria fazer com que ele entendesse que essas espertezas, no sentido de levar vantagem sobre o outro, nada mais são, do que transgressões das normas, que são estabelecidas, para serem cumpridas. Atitudes como essas são desrespeitosas, prepotentes e oportunistas.

Exercício10

Assinale a alternativa correta, tendo em vista a Língua Portuguesa, no Brasil:

embora, aqui, no Brasil, haja só um idioma, as mudanças apresentadas, naturalmente, foram causadas pela

embora, aqui, no Brasil, haja só um idioma, as mudanças apresentadas, naturalmente, foram causadas pela enorme diversidade social e cultural de suas várias regiões;

a incorporação de vocábulos estrangeiros não contribuiu para a variação

a

incorporação de vocábulos estrangeiros não contribuiu para a variação

lingüística;

diferença de idade, de profissão, de escolaridade, o momento emocional dos falantes, todos esses fatores

diferença de idade, de profissão, de escolaridade, o momento emocional dos falantes, todos esses fatores não têm nenhuma interferência na realização lingüística.

a

momento emocional dos falantes, todos esses fatores não têm nenhuma interferência na realização lingüística. a 45

45

Refletindo sobre a Linguagem

Exercício11

Assinale a alternativa correta acerca da importância da leitura:

leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades , novos valores, para decifrar o mundo. a

leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades , novos valores, para decifrar o mundo.

a

a escrita, possibilita-nos, experimentar as possibilidades descobertas e, assim, inventar outras tantas possibilidades,

a escrita, possibilita-nos, experimentar as possibilidades descobertas e, assim, inventar outras tantas possibilidades, outras tantas formas de comunicação. A escrita é um sucedâneo da fala. Ela é o registro definitivo da língua.

leitura dos livros não necessita de um aprendizado mais regular, de treino, do processo ensino/aprendizagem.

leitura dos livros não necessita de um aprendizado mais regular, de treino, do processo ensino/aprendizagem. Ela é, absolutamente, espontânea.

a

Exercício12

Refletindo sobre a Língua Portuguesa, vale estabelecer a diferença entre língua e linguagem, afirmando-se:

língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação.

língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação. É o conjunto de regras da sua gramática. Nesse caso é sinônimo de idioma;

linguagem é, apenas, o uso da palavra articulada (oral), como meio de expressão e de

linguagem é, apenas, o uso da palavra articulada (oral), como meio de expressão e de comunicação entre os povos;

linguagem é, também, o conjunto de variedades lingüísticas que, por razões culturais, políticas, históricas,

linguagem é, também, o conjunto de variedades lingüísticas que, por razões culturais, políticas, históricas, geográficas, é considerada como entidade única, que delimita uma comunidade lingüística.

Exercício13

Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem oral:

"O suco de que mais gosto é o de manga."

"O suco de que mais gosto é o de manga."

"Chegarei já, já "

"Chegarei já, já

"

"Venha, pois tudo está bem."

"Venha, pois tudo está bem."

Exercício14

Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem escrita:

"Hoje, irei à praia."

"Hoje, irei à praia."

"Cadê meu presente, brother?"

"Cadê meu presente, brother?"

"Maria iria ao médico, se a mãe estivesse aqui."

"Maria iria ao médico, se a mãe estivesse aqui."

Refletindo sobre a Linguagem

Exercício15

Assinale a característica definidora da linguagem escrita:

censura lingüística rígida;

censura lingüística rígida;

aprendizagem natural;

aprendizagem natural;

presença do interlocutor.

presença do interlocutor.

Exercício16

Assinale a característica definidora da linguagem oral:

uso de sinais gráficos;

uso de sinais gráficos;

flutuação temática;

flutuação temática;

unidade temática.

unidade temática.

Exercício17

Assinale a alternativa correta: refletindo sobre a Língua Portuguesa, vale estabelecer a diferença entre fala e discurso, afirmando-se que:

fala é a ação ou faculdade de falar. A fala não é uma característica unicamente

fala é a ação ou faculdade de falar. A fala não é uma característica unicamente humana;

discurso é uma unidade lingüística maior do que a frase; enunciado;

discurso é uma unidade lingüística maior do que a frase; enunciado;

fala e discurso são manifestações concretas da língua, são expressões da língua, apenas em situações

fala e discurso são manifestações concretas da língua, são expressões da língua, apenas em situações formais.

Exercício18

Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem oral:

"Vambora, galera!"

"Vambora, galera!"

"A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar."

"A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar."

"Sairei imediatamente!"

"Sairei imediatamente!"

Exercício19

Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem escrita:

"Amanhã, irei à praia."

"Amanhã, irei à praia."

"Você se ferrou, maluco!"

"Você se ferrou, maluco!"

"Cláudia irá ao dentista, se estivesse com dor de dente."

"Cláudia irá ao dentista, se estivesse com dor de dente."

"Você se ferrou, maluco!" "Cláudia irá ao dentista, se estivesse com dor de dente." 47

47

Refletindo sobre a Linguagem

Exercício20

Assinale a característica definidora da linguagem oral:

frases predominantemente longas;

frases predominantemente longas;

uso de gestos, expressão facial;

uso de gestos, expressão facial;

ausência do interlocutor.

ausência do interlocutor.

Exercício21

Assinale a característica definidora da linguagem oral:

uso de sinais gráficos;

uso de sinais gráficos;

flutuação temática;

flutuação temática;

unidade temática.

unidade temática.

f) Passo 5 de 12

A leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades, novos valores, decifrar o mundo. A escrita possibilita-nos, por outro lado, experimentar as possibilidades descobertas e, assim, inventar outras tantas possibilidades, outras tantas formas de comunicação. Mais uma vez, convido você, aluno amigo, para ler um texto que nos ajudará a refletir sobre a importância da leitura para todos nós, como donos e responsáveis por esse planeta e não meros turistas do universo.

importância da leitura para todos nós, como donos e responsáveis por esse planeta e não meros

Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 6 de 12

APOSTANDO NA LEITURA Marisa Lajolo Se a chamada leitura do mundo se aprende por aí, na tal escola da vida, a leitura de livros carece de aprendizado mais regular, que geralmente acontece na escola. Mas leitura, quer do mundo, quer de livros, só se aprende e se vivencia de forma plena, coletivamente, em troca contínua de experiências com os outros. É nesse intercâmbio de leituras que se refinam, reajustam e redimensionam hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos outros, do mundo e de nós mesmos. Da proibição de certos livros (cuja posse poderia ser punida com a fogueira) ao prestígio da Bíblia, sobre a qual juram as testemunhas em júris de filmes norte- americanos, o livro, símbolo da leitura, ocupa lugar importante em nossa sociedade. Foi o texto escrito mais que o desenho, a oralidade ou o gesto, que o mundo ocidental elegeu como linguagem que cimenta a cidadania, a sensibilidade, o imaginário. É ao texto escrito que se confiam as produções de ponta da ciência e da filosofia; é ele que regula os direitos de um cidadão para com os outros, de todos para com o Estado e vice-versa.

para com os outros, de todos para com o Estado e vice-versa. h) Passo 7 de

h) Passo 7 de 12

Pois a cidadania plena, em uma sociedade como a nossa, só é possível – se é que é possível – para leitores. Por isso, a escola é direito de todos e dever do Estado: uma escola competente, como precisam ser os leitores que ela precisa formar.

é direito de todos e dever do Estado: uma escola competente, como precisam ser os leitores

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Daí talvez, o susto com que se observa qualquer declínio na prática

Daí talvez, o susto com que se observa qualquer declínio na prática de leitura, principalmente dos jovens, observação imediatamente transformada em diagnóstico de uma crise da leitura, geralmente encarada como anúncio do apocalipse, da derrocada da cultura e da civilização. Que os jovens não gostem de ler, que leem mal ou leem pouco, é um refrão antigo, que de sala de professores e congressos de educação ressoa pelo país afora. Em tempo de vestibular, o susto transporta para a imprensa e, ao começo de cada ano letivo a terapêutica parece chegar à escola, na oferta de coleções de livros infantis, juvenis e paradidáticos que apregoam vender, com a história que contam, o gosto pela leitura. Talvez, assim, pacifique corações saber que desde sempre – isto é, desde que se inventaram livros e alunos – se reclama da leitura dos jovens, do declínio do bom gosto, da bancarrota das belas letras! Basta dizer que Quintiliano, mestre- escola romano, acrescentou a seu livro “Institutione Oratoria” uma pequena antologia de textos literários, para garantir um mínimo de leitura para os estudantes de retórica. No século 1 da era cristã! O pleno exercício da cidadania só é possível para os leitores.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem i) Passo 8 de 12 Estamos, portanto, em boa companhia. E temos,

i) Passo 8 de 12

Estamos, portanto, em boa companhia. E temos, de troco, uma boa sugestão, se cada leitor preocupado com a leitura do próximo, sobretudo leitores- professores, leitores-pais-e-mães, leitores-tios-e-tias, leitores-avôs-e-avós, montar sua própria antologia e contagiar por ela outros leitores, sobretudo leitores-alunos, leitores-filhos-e-filhas, leitores-sobrinhos-e-sobrinhas, leitores- netos-e-netas, por certo a prática de leitura na comunidade representada por tal círculo de pessoas, terá um sentido mais vivo. E a vida será melhor, iluminada pela leitura solidária de histórias, de contos, de poemas, de romances, de crônicas, e do que mais falar a nossos corações de leitores que, em tarefa de amor e paciência, apostam no aprendizado social da leitura. (Marisa Lajolo é professora de teoria literária do IEL- Instituto de Estudos da Linguagem.) (Folha de S.Paulo, 19 set. 1993.)

j) Passo 9 de 12

Ultimamente, questiona-se o papel da escola na formação do leitor. Segundo a

pedagoga Rosa Mendonça, em artigo escrito no ano 2001, “

denominada crise de leitura, afirma-se que o aluno não lê, que o professor não ”

Para ela, então, é preciso que se ilumine a questão

lê, que o brasileiro não lê

no bojo de uma

por diferentes prismas, a fim de que se ultrapasse o senso comum, logrando compreender o fenômeno na sua complexidade.

Ainda segundo Rosa Mendonça, paradoxalmente à ideia de crise, o mercado

compreender o fenômeno na sua complexidade. Ainda segundo Rosa Mendonça, paradoxalmente à ideia de crise, o

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Refletindo sobre a Linguagem

editorial consolida-se e mostra um vigor incompatível com essa assertiva. As editoras ampliam seus catálogos; os eventos relativos à leitura multiplicam-se. Pergunta-se: Quem são os receptores dessas obras? Que representação de leitura perpassa, então, a questão da crise? “Se as pessoas leem nas ruas, nas conduções, nas filas, nos elevadores, nos bancos de praça, nas escolas, livrarias, nas bibliotecas, por que são, frequentemente, taxadas de ‘não-leitores'?”, questiona a pedagoga em seu artigo.

questiona a pedagoga em seu artigo. k) Passo 10 de 12 Pensemos, então, que fatores de

k) Passo 10 de 12

Pensemos, então, que fatores de ordem social, política, cultural, econômica, permeiam a leitura, favorecendo ou desfavorecendo sua prática. No Brasil, por exemplo, existem políticas de promoção de leitura? A responsabilidade pela promoção da leitura não é apenas da escola. Deve haver uma política cultural que transforme a leitura numa prática habitual, que acompanhe o cidadão durante sua vida, dando-lhe prazer. Que conhecimentos são necessários para que se pratique e se ensine a

leitura? O fundamental é torná-la uma atividade significativa. Deve-se descobrir

o prazer de ler e, a partir da leitura, entender o mundo e as pessoas, recriando

a realidade.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem l) Passo 11 de 12 Nosso olhar, cotidianamente, transita dos jornais às

l) Passo 11 de 12

Nosso olhar, cotidianamente, transita dos jornais às placas, nas ruas; das bulas aos manuais, das revistas aos livros, sem esquecer de outras formas de leitura, impostas pela pós-modernidade com suas novas tecnologias, como televisão, vídeo e computador.

formas de leitura, impostas pela pós-modernidade com suas novas tecnologias, como televisão, vídeo e computador. 53
formas de leitura, impostas pela pós-modernidade com suas novas tecnologias, como televisão, vídeo e computador. 53

53

Refletindo sobre a Linguagem

Rosa Helena Mendonça conclui que, quando lemos, somos motivados por diferentes propósitos, tanto no âmbito particular quanto no profissional. Recebemos influência de diferentes segmentos que vão da escola à família, passando pela mídia, pelos aparatos de divulgação editorial e pelas políticas de promoção de leitura. O ambiente virtual é um espaço que privilegia o exercício da escrita e da leitura. É a partir dela que o aluno pode e deve adquirir autonomia para alçar seus próprios voos, enquanto autor e coautor de textos. O ambiente virtual de aprendizagem continua sendo, portanto, o espaço onde o aluno – e, de certo modo, os professores - desenvolvem ações continuadas com a linguagem verbal, tornando possível o estudo sistemático dos mecanismos que organizam as diferentes modalidades discursivas.

m) Passo 12 de 12

Essa convivência permanente com os textos é fundamental para que os participantes consigam entendê-los, analisá-los, criticá-los, amá-los. Lendo-os, escrevendo-os, descobrem-se, enfim, as enormes potencialidades apresentadas pelas mil faces das palavras. Trabalhando diretamente com os textos – lendo e escrevendo – é que aprendemos a detectar as articulações que os formam. No corpo a corpo com os textos é que se identificam – e se resolvem – os problemas que a leitura e a redação nos propõem. As políticas públicas de promoção da leitura são fundamentais.

que a leitura e a redação nos propõem. As políticas públicas de promoção da leitura são

Refletindo sobre a Linguagem

D. A Palavra e a Ideia

1. Palavra, Pensamento e Ação

a) Passo 1 de 12

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.4 - A Palavra e a Ideia Unidade 1.4.1 - Palavra, Pensamento e Ação

A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; vivemos envolvidos pelas palavras. São elas que estabelecem todas as nossas relações e os nossos limites. Dizem, ou tentam dizer, quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; definimos, criticamos e julgamos as pessoas com palavras. Todas as nossas emoções e sentimentos revestem-se de palavras. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo.

O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo. A negociação de paz e a declaração

A negociação de paz e a declaração de guerra são feitas através de palavras. As primeiras sílabas de uma criança, seja numa violenta favela ou numa aldeia afegã, representam uma palavra. Este é o nosso diferencial. O que nos distingue do animal é a capacidade de aquisição da linguagem, a posse da palavra e a capacidade de pensar. No processo linguístico de aquisição da linguagem, uma palavra vai se concatenando a outras, que, por sua vez, a outras vão se juntando, formando palavras, frases, orações, períodos, parágrafos, textos, enfim, construindo a língua. Somos seres pensantes e as palavras alimentam e enriquecem as ideias.

textos, enfim, construindo a língua. Somos seres pensantes e as palavras alimentam e enriquecem as ideias.

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Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 12

Por razões históricas, a cultura do Ocidente deu à palavra um peso fundamental. À medida que as relações sociais ganharam complexidade, as palavras passaram a ser exercitadas numa dimensão não apenas oral, mas também escrita. Dessa forma, foi possível sistematizar e difundir ampla e rapidamente, através dos textos, o conhecimento acumulado pela experiência dos homens. Assim, apreender a palavra, dominá-la, encontrar a procedência e justeza de seu uso, tornou-se um crescente desafio para podermos compartilhar dos saberes e das informações que nos circundam, especialmente nesses tempos em que os verbos ler e escrever passaram a ser utilizados como quase sinônimos de acesso ao trabalho e à formação da cidadania. Segundo Othon Moacir Garcia, toda palavra tem um peso; esse peso depende de sua expressividade, de sua capacidade de sintetizar uma informação precisa e clara. Há perda de peso, por exemplo, quando o significado é impreciso (caso de “muitos”, “vários” e “similares”) ou ambíguo (por exemplo, o verbo “poder”, que tanto indica capacidade de fazer algo como autorização para fazer).

capacidade de fazer algo como autorização para fazer). c) Passo 3 de 12 Os substantivos concretos

c) Passo 3 de 12

Os substantivos concretos impõem-se aos abstratos. O texto informativo – por ser mais objetivo e, portanto, mais específico, é considerado mais fácil que o literário – mais subjetivo e, portanto, mais genérico. Os verbos de ação revelam maior clareza, sobretudo, se estão na ordem direta e na voz passiva.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Nos adjetivos e advérbios, devem-se preferir, de fato, os que acrescentam informação,

Nos adjetivos e advérbios, devem-se preferir, de fato, os que acrescentam informação, respectivamente, a substantivos e a verbos, desprezando os que são usados apenas para “arredondar” a frase. A palavra mais curta é sempre a preferida. Por uma simples razão – é lida com mais facilidade e já deve ser conhecida pelo leitor.

d) Passo 4 de 12

e já deve ser conhecida pelo leitor. d) Passo 4 de 12 Othon Moacir Garcia esclarece-nos

Othon Moacir Garcia esclarece-nos acerca da necessidade de lidar com as palavras e as ideias. No texto que se segue, demonstra, sobretudo, como a leitura e a consequente aquisição de vocabulário ajudam-nos a refletir, julgar, criar e agregar conhecimentos.

“Há alguns anos, o Dr. Johnson O'Connor, do Laboratório de Engenharia Humana de Boston e do Instituto de Tecnologia de Hoboken, Nova Jersey, submeteu a um teste de vocabulário cem alunos de um curso de formação de dirigentes de empresas industriais (industrial executives), os executivos. Cinco anos mais tarde, verificou que os dez por cento que haviam revelado maior conhecimento ocupavam cargos de direção, ao passo que dos vinte e cinco por cento mais ‘fracos', nenhum alcançara igual posição. Isso não prova, entretanto, que, para vencer na vida, basta ter um bom vocabulário; outras qualidades se fazem, evidentemente, necessárias. Mas parece não restar dúvida de que, dispondo de palavras suficientes e adequadas à expressão do pensamento de maneira clara, fiel e precisa, estamos em melhores condições de assimilar conceitos, de refletir, de escolher, de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para a tarefa vital da comunicação.

de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para a tarefa vital
de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para a tarefa vital

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Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 12

Pensamento e expressão são interdependentes, tanto é certo que as palavras são o revestimento das idéias e que, sem elas, é praticamente impossível pensar. Como pensar que ‘amanhã tenho uma aula às 8 horas', se não prefiguro mentalmente essa atividade por meio dessas ou de outras palavras

equivalentes? Não se pensa in vacuo . A própria clareza das idéias (se é que

as temos sem palavras) está intimamente relacionada com a clareza e a

precisão das expressões que as traduzem. As próprias impressões colhidas em contato com o mundo físico, através da experiência sensível, são tanto mais vivas quanto mais capazes de serem traduzidas em palavras – e sem impressões vivas não haverá expressão eficaz.

É um círculo vicioso, sem dúvida: '

igualmente afetados pelo nosso comportamento, pelos nossos hábitos físicos e mentais normais, tais como a observação, a percepção, os sentimentos, a emoção, a imaginação.' De forma que um vocabulário escasso e inadequado,

incapaz de veicular impressões e concepções, mina o próprio desenvolvimento mental, tolhe a imaginação e o poder criador, limitando a capacidade de observar, compreender e até mesmo de sentir. ‘Não se diz nenhuma novidade

ao afirmar que as palavras, ao mesmo tempo que veiculam o pensamento, lhe

condicionam a formação. Há século e meio, Herder já proclamava que um povo não podia ter uma idéia sem que para ela possuísse uma palavra', testemunha Paulo Rónai em artigo publicado no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, e mais tarde transcrito na 2 a edição de Enriqueça o seu vocabulário (Rio, Civilização Brasileira, 1965), de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Portanto, quanto mais variado e ativo é o vocabulário disponível, tanto mais claro, tanto mais profundo e acurado é o processo mental da reflexão. Reciprocamente, quanto mais escasso e impreciso, tanto mais dependentes estamos do grunhido, do grito ou do gesto, formas rudimentares de

comunicação capazes de traduzir apenas expansões instintivas dos primitivos,

dos infantes e

(GARCIA, Othon Moacir, Comunicação em prosa moderna. 8. Ed. Rio de Janeiro, FGV, 1980. P. 155-6.)

nossos hábitos linguísticos afetam e são

dos irracionais.”

f) Passo 6 de 12

afetam e são dos irracionais.” f) Passo 6 de 12 E então, concorda conosco? O enriquecimento

E então, concorda conosco? O enriquecimento do universo vocabular

desenvolve a nossa atividade cerebral, permitindo-nos um maior entendimento

do

mundo que, por sua vez, exige de nós, cada vez mais, uma busca constante

de

novos significados.

vez mais, uma busca constante de novos significados. Leia esse texto de Cecília Meireles e veja

Leia esse texto de Cecília Meireles e veja como ela valoriza as palavras!

Refletindo sobre a Linguagem

“Os senhores todos conhecem a pergunta famosa universalmente repetida:

‘Que livro escolheria para levar consigo, se tivesse de partir para uma ilha

Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem

naturalmente: ‘Uma história de Napoleão'. Mas uma ilha deserta nem sempre é ”

um exílio

Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de

muitos volumes. É certo que numa ilha deserta é preciso encher o tempo

lembram-se das Vidas de Plutarco, dos Ensaios de Montaigne, ou, se são mais cientistas que filósofos, da obra completa de Pasteur. Se são uma boa mescla de vida e sonho, pensam em toda a produção de Goethe, de Dostoievski, de Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e Uma Noites. Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando; e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas com relativo conforto, está claro - poltronas, chá, luz elétrica, ar condicionado) o que levava comigo era um Dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com algumas folhas soltas; mas um Dicionário.

E

deserta

?'

Pode ser um passatempo

g) Passo 7 de 12

Não sei se muita gente haverá reparado nisso – mas o Dicionário é um dos livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O Dicionário tem dentro de si o Universo completo. Logo que uma noção humana toma forma de palavra – que é o que dá existência às noções – vai habitar o Dicionário. As noções velhas vão ficando, com seus sestros de gente antiga, suas rugas, seus vestidos fora de moda; as noções novas vão chegando, com suas petulâncias, seus arrebiques, às vezes, sua rusticidade, sua grosseria. E tudo se vai arrumando direitinho, não pela ordem de chegada, como os candidatos a lugares nos ônibus, mas pela ordem alfabética, como nas listas de pessoas importantes, quando não se quer magoar ninguém Dicionário é o mais democrático dos livros. Muito recomendável, portanto, na atualidade. Ali, o que governa é a disciplina das letras. Barão vem antes de conde, conde antes de duque, duque antes de rei. Sem falar que antes do rei também está o presidente.

vem antes de conde, conde antes de duque, duque antes de rei. Sem falar que antes
vem antes de conde, conde antes de duque, duque antes de rei. Sem falar que antes

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Refletindo sobre a Linguagem

h) Passo 8 de 12

O Dicionário responde a todas as curiosidades, e tem caminhos para todas as

filosofias. Vemos as famílias de palavras, longas, acomodadas na sua semelhança – e de repente, os vizinhos tão diversos! Nem sempre elegantes, nem sempre decentes, – mas obedecendo à lei das letras, cabalística como a dos números

à lei das letras, cabalística como a dos números O Dicionário explica a alma dos vocábulos:

O Dicionário explica a alma dos vocábulos: a sua hereditariedade e as suas

mutações.

E as surpresas de palavras que nunca se tinham visto nem ouvido! Raridades,

horrores, maravilhas Tudo isto num dicionário barato – porque os outros têm exemplos, frases que se podem decorar, para empregar nos artigos ou nas conversas eruditas, e assombrar os ouvintes e os leitores

i) Passo 9 de 12

A minha pena é que não ensinem as crianças a amar o Dicionário. Ele contém

todos os gêneros literários, pois cada palavra tem seu halo e seu destino – umas vão para aventuras, outras para viagens, outras para novelas, outras para poesia, umas para a história, outras para o teatro.

E como o bom uso das palavras e o bom uso do pensamento são uma coisa só

e a mesma coisa, conhecer o sentido de cada uma é conduzir-se entre

claridades, é construir mundos tendo como laboratório o Dicionário, onde jazem, catalogados, todos os necessários elementos.

Refletindo sobre a Linguagem

Eu levaria o Dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente, enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes, sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica. Poderia louvar melhor os amigos, e melhor perdoar os inimigos, porque o mecanismo da minha linguagem estaria mais ajustado nas suas molas complicadíssimas. E sobretudo, sabendo que germes pode conter uma palavra, cultivaria o silêncio, privilégio dos deuses, e ventura suprema dos homens.”

privilégio dos deuses, e ventura suprema dos homens.” (Cecília Meireles publicou este texto no jornal paulistano

(Cecília Meireles publicou este texto no jornal paulistano Folha da Manhã em 11 de julho de 1948.)

j) Passo 10 de 12

Folha da Manhã em 11 de julho de 1948.) j) Passo 10 de 12 A elaboração

A elaboração de bons textos escritos pressupõe o domínio de um bom vocabulário. Afinal, dentre as características específicas da modalidade escrita da língua, destaca-se a necessidade de um vocabulário preciso e criterioso, capaz de suprir a ausência dos recursos mímicos e o colorido da entonação da língua falada.

Manejar um bom vocabulário não significa impressionar os outros com um punhado de palavras difíceis e desconhecidas. O que importa é conhecer e utilizar as palavras necessárias para a produção de textos claros e “enxutos”. O nível do vocabulário utilizado decorre de fatores que condicionam a elaboração do texto: o tema tratado; a finalidade a que se propõe; o receptor a que se dirige; o meio de divulgação utilizado. Um comunicado oficial a ser divulgado na imprensa, ou uma carta aberta de um candidato à Presidência da República à população, às vésperas da eleição, podem tratar de um mesmo tema, de um mesmo assunto, mas a seleção vocabular deve ser adequada a cada caso. Um mesmo fato gera notícias, de formatos diferentes, se transmitidas por uma revista especializada, por uma emissora de rádio, de televisão, jornais ou internet. Cada veículo imprimirá à notícia uma redação e um vocabulário diferentes. Assim, as melhores palavras não são as mais pomposas e, sim, as mais eficazes.

e um vocabulário diferentes. Assim, as melhores palavras não são as mais pomposas e, sim, as

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem k) Passo 11 de 12 Todos nós devemos nos habituar a consultar

k) Passo 11 de 12

Todos nós devemos nos habituar a consultar os dicionários sempre que necessitarmos, sobretudo na expressão escrita. A consulta aos dicionários contribui, de forma decisiva, para a perfeita compreensão e expressão de ideias, opiniões e sentimentos. Um bom dicionário oferece-nos várias e úteis informações sobre as palavras, estimulando-nos, em geral, a consultar mais do que pretendíamos. Não se busca o sentido de uma palavra no dicionário sem antes contextualizá- la. Isso decorre de que as palavras só adquirem seu significado pleno quando em uso, ou seja, quando se relacionam com outras palavras e com o mundo. Reflita sobre a palavra esperança. Na fala de um desempregado; no diário de um náufrago; no discurso de um candidato que almeja subir, nas pesquisas

eleitorais; nos versos do poeta e na novela da televisão

exemplos, essa palavra – esperança – tem uma conotação de angústia, uma

Em outros, um sentido de desespero, um pedido

busca de solução, de saída

Em alguns desses

de ajuda. Há, até, uma alegria antecipada e uma certeza de sucesso na fala do político, particularmente. Na poesia, pode ser entendida como o divino, o irreal,

o metafísico. Na ficção, esperança pode ser absurdamente polissêmica, intencionalmente ideológica e mágica. A significação da palavra depende do contexto. Podemos afirmar, portanto, que trabalhar com as palavras requer sensibilidade. As palavras oferecem-nos o bem e o mal; a alegria e a tristeza; o possível e o impossível; o certo e o errado; o sagrado e o profano; o divino e o diabólico. Cabe a cada um de nós escolher a melhor face, o melhor sentido. É impossível, portanto, descuidar das relações entre as palavras, os textos e o mundo. Qualquer deslize é fatal.

l) Passo 12 de 12

e o mundo. Qualquer deslize é fatal. l) Passo 12 de 12 Como dissociar a palavra

Como dissociar a palavra do pensamento? Como atingir, com plenitude, a expressão escrita, se não somos suficientemente informados acerca do mundo, das coisas, dos homens, se não temos opinião, se não nos posicionamos diante do universo?

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Refletindo sobre a Linguagem 2. Conhecendo as Palavras a) Passo 1 de 7 Tema 1 -

2. Conhecendo as Palavras

a) Passo 1 de 7

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem Assunto 1.4 - A Palavra e a Ideia Unidade 1.4.2 - Conhecendo as Palavras

A Palavra e a Ideia Unidade 1.4.2 - Conhecendo as Palavras Ao escrevermos um texto, o

Ao escrevermos um texto, o processo de escolha das palavras assemelha-se a uma luta corporal, uma disputa, onde existem vencido e vencedor.

Para ajudá-lo a compreender melhor essa “luta”, escolhemos um poema de Carlos Drummond de Andrade que a descreve com precisão. Leia-o com atenção, associando-o com tudo o que você já estudou acerca das palavras e seus matizes. Pronto para começar? Então, vamos lá.

com tudo o que você já estudou acerca das palavras e seus matizes. Pronto para começar?

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Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 7

O Lutador Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como o javali. Não me julgo louco.

Se o fosse, teria poder de encantá-las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas à carícia

e

súbito fogem

e

não há ameaça

e

nem há sevícia

que as traga de novo

ao centro da praça. Insisto, solerte.

Busco persuadi-las. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. Guardarei sigilo de nosso comércio. Na voz nenhum travo de zanga ou desgosto. Sem me ouvir deslizam, perpassam levíssimas

e viram-me o rosto.

Lutar com palavras parece sem fruto.

Não têm carne e sangue Entretanto, luto. Palavra, palavra (digo exasperado), se me desafias, aceito o combate. Quisera possuir-te neste descampado, sem roteiro de unha ou marca de dente

Refletindo sobre a Linguagem

nessa pele clara. Preferes o amor

de uma posse impura

e que venha o gozo

da maior tortura.

de uma posse impura e que venha o gozo da maior tortura. c) Passo 3 de

c) Passo 3 de 7

Luto corpo a corpo, luto todo o tempo,

sem maior proveito que o da caça ao vento. Não encontro vestes, não seguro formas,

é fluido inimigo

que me dobra os músculos

e ri-se das normas

da boa peleja. Iludo-me às vezes, pressinto que a entrega se consumará. Já vejo palavras em coro submisso, esta me ofertando seu velho calor, outra sua glória feita de mistério, outra seu desdém,

palavras em coro submisso, esta me ofertando seu velho calor, outra sua glória feita de mistério,

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Refletindo sobre a Linguagem

outra seu ciúme,

e um sapiente amor

me ensina a fruir de cada palavra

a

essência captada,

o

sutil queixume.

Mas ai! é o instante De entreabrir os olhos:

entre beijo e boca, tudo se evapora.

O ciclo do dia

ora se conclui

e o inútil duelo

jamais se resolve.

O teu rosto belo,

ó palavra, esplende

na curva da noite

que toda me envolve Tamanha paixão

e nenhum pecúlio.

Cerradas as portas,

a luta prossegue

nas ruas do sono. (ANDRADE, Carlos Drummond de. Op. cit. p. 67.)

Cerradas as portas, a luta prossegue nas ruas do sono. (ANDRADE, Carlos Drummond de. Op. cit.

d) Passo 4 de 7

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Refletindo sobre a Linguagem Você acabou de ler o poema O LUTADOR , do grande poeta

Você acabou de ler o poema O LUTADOR, do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Quantas vezes já pensamos sobre isso e não soubemos expor, com propriedade, o nosso pensamento? Junte-se a nós, procurando interpretá-lo. Será que conseguiremos entender o que esse ”poeta maior” quer nos dizer ou a velha luta com as palavras vai impedir o nosso

desejo? Atente para a linguagem poética do texto. Reflita

Quem é o lutador?

Como são as palavras? Qual o poder que elas representam? Procure extrair do poema as concepções do autor sobre o ato de escrever. Compare-o com o poema que se segue – CATAR FEIJÃO, de João Cabral de Mello Neto.

1. Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na da folha de papel; e depois joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 2. Ora, nesse catar feijão, entra um risco: o de entre os grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente. Certo não, quanto ao catar palavras: a pedra dá à frase seu grão mais vivo:

obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco.

seu grão mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco.

e) Passo 5 de 7

seu grão mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco.

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Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Que analogia maravilhosa! Catar feijão é também conhecido, sobretudo no sertão, como

Que analogia maravilhosa! Catar feijão é também conhecido, sobretudo no sertão, como escolher feijão. Os grãos imprestáveis são jogados ao lixo; as palavras inapropriadas para refletirem nossos pensamentos são descartadas. Os grãos sadios transformam-se em alimento para o corpo; as palavras adequadas compõem o texto que servirá de alimento para a alma.

compõem o texto que servirá de alimento para a alma. Agora, leia esse texto e vá

Agora, leia esse texto e vá se apropriando da magia das palavras!

Palavras, palavras, palavras Temos muito a aprender com os índios. O amor e a ligação com a natureza, o conhecimento milenar das ervas medicinais, a integridade – quanta coisa eles têm a nos ensinar! Quando li, há algumas semanas, a entrevista com Kaká Jecupe, descobri que ainda há muito o que aprender com eles: o respeito ao poder e à força da palavra, assunto que nenhum linguista jamais abordou.

da palavra, assunto que nenhum linguista jamais abordou. f) Passo 6 de 7 Você já parou

f) Passo 6 de 7

Você já parou para pensar no quanto o seu universo é feito de palavras? Você acorda de manhã cedo, lê as notícias no jornal e essas notícias irão influenciar no seu dia, deixando-o mais feliz ou não; você entra no carro, liga o rádio e ouve mais notícias, entremeadas com mensagens publicitárias e músicas que o encherão de alegria, saudade, tristeza.

Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a Linguagem Ao chegar ao trabalho, o que você encontra? Palavras e mais palavras!

Ao chegar ao trabalho, o que você encontra? Palavras e mais palavras! A mesa cheia de relatórios, ofícios, cartas, projetos, o computador entupido de

Depois, começam as reuniões intermináveis, nas

quais são trocadas palavras que podem decidir o futuro da empresa. Finalmente você volta para casa, encontra a esposa, os filhos, e todos trocam

palavras doces e carinhosas (arrulhos)

Você olha para a sua rechonchuda esposa e diz, sem pensar: “Como você engordou, bem!” Ela imediatamente reage e solta as palavras envenenadas (grunhidas). “Gordo é você, sua anta, seu desalmado, seu isso, seu aquilo, seu aquilo outro

Mas, de repente, acontece o desastre.

mensagens eletrônicas

g) Passo 7 de 7

É a guerra! Palavras agressivas (grunhidos, berros, silvos) são trocadas de lado a lado, palavras cobertas de ódio – e, por isso, impensadas e fatais. Depois vem o silêncio, dias, semanas sem que um fale com o outro. O silêncio como forma de dizer que o amor está em crise, pois o amor é feito de palavras e raramente sobrevive ao silêncio gélido da indiferença. Percebeu como o índio está certo? A boca é um arco carregado com mil setas- palavras, e não podemos nos dar o luxo de falar sem pensar, pois a palavra impensada fere, mata. E daí? E daí que você deve pensar mil vezes antes de falar, uma vez que a palavra (mal) dita não pode ser recolhida. Não adianta falar “desculpe”, “não foi isso o que eu quis dizer”, pois já disse, já feriu, já magoou. Todos os conflitos humanos começam com palavras (mal) ditas. As guerras acontecem quando todas as palavras já se esgotaram, quando não há mais nada a dizer. Jamais descarte um assunto dizendo “isso é uma simples questão de palavras”, pois as palavras nunca são tão simples. Jamais empenhe a sua palavra se não puder cumprir o prometido, pois a palavra é o que você tem de mais importante “De acordo com a nossa tradição, uma palavra pode proteger ou destruir uma pessoa. Uma palavra na boca é como uma flecha no arco.” KAKÁ JECUPE Índio txucarramãe (Carlos Pimentel é escritor, professor pós-graduado de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa.)

txucarramãe (Carlos Pimentel é escritor, professor pós-graduado de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa.) 69

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Refletindo sobre a Linguagem

III. Construindo o Texto

Construindo o Texto

III

Quebrando as Barreiras

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A. Quebrando as Barreiras

1. Tecendo o Texto

a) Passo 1 de 15

Tema 2 - Construindo o Texto Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras Unidade 2.1.1 - Tecendo o Texto

A

palavra texto tem origem no latim textum. Significa “tecido, entrelaçamento”.

O

texto é o resultado do ato de tecer, de juntar palavras que, entrelaçadas,

formam orações. Estas, por sua vez, agrupadas, compõem períodos, que se juntam, formando os parágrafos e, finalmente, concatenados, resultam em textos. A palavra é, portanto, a unidade do discurso, que, em associação a outras, forma partes maiores e, finalmente, um todo interrelacionado – uma rede de relações com coesão e coerência. Criando ou lendo um texto, tecemos, quase artesanalmente, um tecido que vai se encorpando, tomando forma, desenvolvendo-se. As partes que o formam, surgem, uma após a outra, relacionando-se com o que já foi dito ou com o que se vai dizer.

Construindo o Texto

Construindo o Texto b) Passo 2 de 15 Que tal ler esse texto de João Cabral

b) Passo 2 de 15

Construindo o Texto b) Passo 2 de 15 Que tal ler esse texto de João Cabral

Que tal ler esse texto de João Cabral de Mello Neto para, juntos, sentirmos a magia da criação de um texto?

Tecendo a Manhã 1. Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. 2. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. (A Educação pela Pedra)

c) Passo 3 de 15

Como já foi dito, o parágrafo é a unidade do texto. Porém, não bastam os parágrafos bem estruturados, para garantir ao texto uma lógica. É necessário haver coesão entre os parágrafos, refletindo a linha de raciocínio esboçada no desenvolvimento do assunto. À proporção que as idéias básicas de cada parágrafo vão se encadeando, o texto também vai se organizando, vai-se construindo, permitindo o equilíbrio entre as partes. Essas condições são indispensáveis para que o assunto abordado torne-se claro e compreensível.

entre as partes. Essas condições são indispensáveis para que o assunto abordado torne-se claro e compreensível.

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Construindo o Texto

Construindo o Texto A coesão entre os parágrafos é fundamental para a compreensão do texto. d)

A coesão entre os parágrafos é fundamental para a compreensão do texto.

d) Passo 4 de 15

Ao longo de um texto coerente, ocorrem repetições, retomadas de elementos (palavras, frases e sequências que exprimem fatos ou conceitos). Essa retomada é normalmente feita por pronomes (e pelas terminações verbais que os indicam) ou por palavras e expressões equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com cuidado, a fim de que o ritmo não seja prejudicado.

com cuidado, a fim de que o ritmo não seja prejudicado. Num texto coerente, o conteúdo

Num texto coerente, o conteúdo também deve progredir, ou seja, devemos sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito. A progressão completa a repetição. A repetição proporciona a retomada de elementos passados; a progressão permite que o texto não se limite a repetir, indefinidamente, o que já foi colocado. Assim, equilibramos o que já foi dito com o que será dito, garantindo a continuidade do tema e a progressão do sentido. Para se obter coerência num texto, deve-se tomar cuidado com elementos que contradigam ideias que já foram colocadas. O texto não deve destruir a si mesmo, tomando como verdadeiro aquilo que já foi considerado falso, ou vice- versa. Esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando uma maior clareza para o leitor.

Construindo o Texto

e) Passo 5 de 15

No período: A liberdade pode libertar ou aprisionar, os verbos libertar e aprisionar, aparentemente contraditórios, não desfiguram o sentido do texto, porque reforçam a ideia de que ser livre socialmente e politicamente pressupõe uma liberdade do indivíduo, do ser.

pressupõe uma liberdade do indivíduo, do ser. O surgimento, num mesmo período, desses dois verbos, só

O surgimento, num mesmo período, desses dois verbos, só faz sentido porque queremos enfatizar que uma mesma palavra pode conter significados diversos, já que as palavras são polissêmicas e o contraste semântico é muito enriquecedor. A aproximação de ideias e fatos contrastantes é um recurso muito frequente no desenvolvimento da argumentação. A contradição é, portanto, uma questão de lógica/da Lógica.

f) Passo 6 de 15

Para se obter coerência num texto, os fatos e conceitos devem estar relacionados. Essa relação deve ser suficiente para justificar a inclusão desses num mesmo texto. Por isso, é muito importante organizá-los no momento da construção de um texto, ou mesmo antes de começar a escrever.

isso, é muito importante organizá-los no momento da construção de um texto, ou mesmo antes de
isso, é muito importante organizá-los no momento da construção de um texto, ou mesmo antes de

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Construindo o Texto

Palavras e expressões, como primeiro, depois, além disso, tampouco, introduzem novos fatos e conceitos, o que faz o texto avançar. Note que progressão e repetição ocorrem simultaneamente.

g) Passo 7 de 15

A formatação final do texto depende, ainda, de outros fatores. Como o texto

escrito é um fato comunicativo, nele interferem questões relativas ao canal de comunicação, ao perfil do receptor e às finalidades pretendidas pelo emissor. O emissor pode pretender coisas tão diversas como informar, convencer, enganar, seduzir, divertir. O receptor pode ser uma pessoa de elevado grau de escolaridade, uma criança recém-alfabetizada ou alguém que tenha concluído

o primeiro grau; pode estar em casa, num campo de futebol, na praia ou no

trabalho. Todos esses fatores afetam diretamente as feições do texto que se pretende bem-sucedido.

as feições do texto que se pretende bem-sucedido. O processo de criação de um texto, além

O processo de criação de um texto, além de passar pela escolha da palavra

mais forte e reveladora; pela busca do sentido mais exato e preciso, que exprima, com exatidão, o que queremos dizer; pela coerência e pela coesão; resulta num produto que, ao estar pronto, é propriedade coletiva - pertence ao escritor que o criou; a quem lê e entende; e a quem se identifica com ele.

h) Passo 8 de 15

No processo de elaboração de um texto, sempre se consideram as características de seu receptor. Isso significa que todo emissor, ao produzir uma mensagem, faz um esforço no sentido de adaptá-la às características

Construindo o Texto

sociais e psicológicas de quem vai recebê-la. Portanto, podemos afirmar que todo texto traz, de uma forma ou de outra, manifestações de persuasão, de convencimento, através da linguagem. Todo texto tem uma intenção. Não só os textos publicitários e políticos tentam interferir no comportamento, na postura do outro. Na literatura; na mais inocente conversa de comadres; nas apaixonadas juras de amor; nas orações religiosas, a intenção pode ser até subliminar, mas existe, manifestando-se de forma mais sutil, mascarando-se por meio de artifícios persuasivos de difícil percepção.

por meio de artifícios persuasivos de difícil percepção. i) Passo 9 de 15 Você deve estar

i) Passo 9 de 15

Você deve estar atento ao que lê e escreve, pois nem sempre a aparência de um texto traduz, de imediato, suas intenções. No caso da imprensa, por exemplo, encontramos textos que se adaptam aos seus leitores, mediante a utilização premeditada de determinado nível de linguagem. Assim, certos jornais e revistas imprimem a seus artigos características linguísticas destinadas a envolver o leitor pertencente à faixa de público que se quer atingir. Outro exemplo desse trabalho de adaptação é a publicidade, sempre elaborada com base no repertório linguístico e social do consumidor que se propõe alcançar. Nesses casos, produzem-se textos que “falam a mesma língua que o receptor”, envolvendo-o pelo reconhecimento e pela identificação. Outro recurso muito importante da linguagem é a força da argumentação, por meio da qual o emissor procura a adesão do receptor ao seu ponto de vista. Já falamos sobre essa força quando estudamos os textos dissertativos e vamos voltar a falar sobre ela em nossas atividades de leitura e criação.

quando estudamos os textos dissertativos e vamos voltar a falar sobre ela em nossas atividades de

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Construindo o Texto

A linguagem oferece-nos a oportunidade de discutir um dos mais sérios problemas de todos aqueles que lidam com a palavra: a luta pela expressão, um problema que se enfrenta sempre que é necessário traduzir nossos valores mais íntimos em palavras da nossa língua. Lendo esses três textos, dois de Carlos Drummond de Andrade e um de João Cabral de Mello Neto, refletimos bastante sobre os problemas que a linguagem nos coloca.

j) Passo 10 de 15

Observe as frases que se seguem. Marque aquela(s) que lhe parece(m) bem redigida(s).

Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados.

Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados.

Há meses que não pagam aos funcionários.

Há meses que não pagam aos funcionários.

Antipatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.

Antipatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.

O colega que mais gosto é Paulo.

O colega que mais gosto é Paulo.

k) Passo 11 de 15

vi. O colega que mais gosto é Paulo. k) Passo 11 de 15 As mil faces

As mil faces das palavras levam-nos, no cotidiano, a grandes embaraços no processo de comunicação. Você já se sentiu aborrecido ou chateado com alguém? Quando algo ou alguém está lhe incomodando, você se sente aborrecido ou chateado?

lhe incomodando, você se sente aborrecido ou chateado? Leia esse texto, de autoria de Paulo Mendes

Leia esse texto, de autoria de Paulo Mendes Campos, e descubra a diferença semântica sutil entre encher e chatear.

l) Passo 12 de 15

autoria de Paulo Mendes Campos, e descubra a diferença semântica sutil entre encher e chatear .

Construindo o Texto

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer da cidade.

- Alô! Quer me chamar, por favor, o Valdemar?

- Aqui não tem nenhum Valdemar. Daí a alguns minutos, você liga de novo:

- O Valdemar, por obséquio.

- Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.

- Mas não é o número tal?

- É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar. Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:

- Por favor, o Valdemar já chegou?

- Vê se te manca, palhaço, já não te disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?

- Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

- Não chateia. Daí a dez minutos, liga de novo.

- Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O

impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:

coisas

outro

dessa

vez

esquece

a

presença

da

datilógrafa

e

diz

- Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?

(Paulo Mendes Campos, in Para gostar de ler, 3. ed., São Paulo, Ática, 1979, v. 3 - crônicas, p.35.)

m) Passo 13 de 15

Através do texto – tecido construído – também interagimos com o outro, informamos e somos informados, construímos o conhecimento. É fundamental, pois, que, ao utilizar a linguagem escrita como forma de expressão, cada indivíduo seja capaz de dominar os mecanismos e recursos básicos da língua. É necessário, também, que tenha noção das diferentes funções sociais e diferentes características que os textos podem ter, de acordo com essas funções.

das diferentes funções sociais e diferentes características que os textos podem ter, de acordo com essas

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Construindo o Texto

Construindo o Texto A utilização de conhecimentos sobre fatos da Língua Portuguesa e o aprimoramento da

A utilização de conhecimentos sobre fatos da Língua Portuguesa e o

aprimoramento da redação de textos serão as ferramentas básicas a serem

utilizadas durante esse curso.

n) Passo 14 de 15

Estudando a língua pátria - Língua Portuguesa, professor e aluno cumprem responsabilidades sociais e políticas, possibilitando a ambos a apropriação legítima do código. A intimidade com a língua conduz-nos à socialização do saber sistematizado, desenvolvendo capacidades cognitivas que facilitam a conquista do direito de cidadania. A língua é legitimada como instrumento de poder e o falante dela se apropria para construir o saber, para ser reconhecido como cidadão, um ser social crítico na sociedade em que se insere.

O estudo da Língua Portuguesa não é um fim em si mesmo. Pela

especificidade dos seus conteúdos e por ser o nosso instrumento de comunicação, pode ser usada como forma de apropriação de conteúdos outros, como facilitadora da leitura do mundo, desenvolvendo o senso crítico através da discussão de vários temas.

o senso crítico através da discussão de vários temas. O conhecimento dos elementos da comunicação –

O conhecimento dos elementos da comunicação – emissor, receptor, mensagem, código, canal, referente – assegura a eficácia da mensagem.

Construindo o Texto

A comunicação pode apresentar algumas peculiaridades. Quando existe um intercâmbio de mensagens entre o emissor e o receptor, ela é bilateral: o bate- papo, o diálogo. Pode ser unilateral quando é estabelecida de um emissor para um receptor, mas sem haver reciprocidade. É o caso da televisão, se não se tratar de um programa interativo.

o) Passo 15 de 15

Diariamente, recebemos milhares de comunicações orais, visuais, auditivas. O mundo que nos cerca está cheio de mensagens, de formas diversas de comunicação. A maioria dessas comunicações é recebida e, imediatamente, esquecida. Cerca de cem (100) mensagens são recebidas e lembradas. Procure lembrar: quantas mensagens você recebeu hoje? Quantas mensagens, realmente, você guardou na memória? Por que será que guardamos algumas mensagens e outras não? O que é necessário para que ela seja, realmente, entendida e cumprida? Como emissor de mensagens, você deve ter sempre presente o esquema a seguir, lembrando-se de que sua comunicação será tanto mais eficaz quanto mais se observarem as regras:

A mensagem deve chamar a atenção do receptor. Portanto, conheça seu receptor para adequar a mensagem a ele.

Conheça e domine as possibilidades e regras do código por meio do qual você vai se expressar, assim será claro e compreendido por todos.

Conheça, com razoável profundidade, aquilo sobre o que vai falar; para isso, leia, pesquise, discuta, escreva. Mesmo obedecendo a todas as recomendações, nem toda comunicação é perfeita. A mensagem pode não ser absorvida pelo receptor por conter algum tipo de ruído. Ruído é toda e qualquer perturbação que afete a comunicação e pode envolver qualquer um dos seis elementos da comunicação. Um emissor com problemas de fonação pode tornar sua mensagem ininteligível. Problemas de surdez, deficiência visual ou falta de escolaridade dos falantes podem tornar a mensagem inócua. O desconhecimento de um código, não permitindo a comunicação; uma manchete dúbia, num jornal ou numa revista, truncando a mensagem. Todas essas situações podem ser consideradas como ruídos na comunicação.

2. Produzindo o Texto

a) Passo 1 de 13

Tema 2 - Construindo o Texto Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras Unidade 2.1.2 - Produzindo o Texto

Passo 1 de 13 Tema 2 - Construindo o Texto Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras

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Construindo o Texto

Construindo o Texto Você já deve estar cansado com tanto blá-blá-blá. Falamos muito sobre língua, Temos

Você já deve estar cansado com tanto blá-blá-blá. Falamos muito sobre língua,

Temos certeza de que sua expectativa

maior seja aprender a escrever bem (se acha que não sabe) e criar um

magnífico texto, sem, absolutamente, um erro de Português. Não tenha

Quem já esperou até agora, pode esperar mais um pouquinho. Vá

prosseguindo conosco e com a nossa pretensão de torná-lo, um dia, um grande escritor! Escrever, na verdade, é produzir o texto, é redigir. Não são apenas os escritores que têm a prerrogativa de criar belos textos, recriando assim a realidade. Não cabe apenas aos cientistas registrar, com precisão e clareza, seus argumentos bem engendrados, comunicando-nos de seus achados e descobertas científicas. Escrever, produzir um texto, envolve uma atividade social indispensável, antecedida por uma preparação preliminar que prevê o conhecimento significativo da língua, o domínio amplo dos elementos da comunicação, a leitura crítica e elucidativa do mundo, a definição precisa do receptor, a ampliação do universo vocabular.

pressa

linguagem, vocabulário, palavras

b) Passo 2 de 13

A arte de escrever não se dissocia da arte de falar; elas completam-se. O saber falar é necessário à exposição oral, mas não se dissocia e é fundamental para o saber escrever. Este último torna-se mais fácil na medida em que se beneficia da prática linguística do dia a dia, de cujos elementos utiliza-se para a criação de seu texto.

de cujos elementos utiliza-se para a criação de seu texto. Antes de tudo, o que há

Antes de tudo, o que há em comum entre a exposição oral e a escrita é a importância de haver método e clareza na distribuição das ideias na fala e no papel, respectivamente. No entanto, vale ressaltar que ninguém é capaz de escrever bem se não sabe o que vai escrever, se não procura interpretar o mundo, participando do que se passa à sua volta. Lembremos, portanto, de Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura mecânica das palavras” e, por consequência, a escrita das palavras. A convicção do que vamos dizer, a importância que há em dizê-lo, o domínio de um assunto da nossa especialidade tiram da redação o caráter negativo de um simples exercício formal.

Construindo o Texto

c) Passo 3 de 13

Todos nós, quando dominamos um assunto, somos capazes de escrever sobre ele. Não há um modelo, uma técnica específica e fechada, um jeito especial de redigir, senão o caráter criativo, individual, se perderia. O que existe é uma inibição inicial, “o desafio do papel em branco”, que dificulta, mas que o esforço e a prática podem vencer.

que dificulta, mas que o esforço e a prática podem vencer. Às vezes, não encontramos as

Às vezes, não encontramos as palavras certas para exprimir nossa mensagem e nos valemos de gestos; palavras, como coisa, barato; negócio, treco, trem;

hem; e outras expressões mais.

Como fazer para ampliar o nosso vocabulário? No texto o autor Max Genhringer, que iremos ler logo mais, nos fala sobre a necessidade de se encontrar a palavra certa. Antes, vamos relaxar um pouco?

onomatopeias, como hum

hum; hém

d) Passo 4 de 13

VAMOS RELAXAR Que tal relaxar, “esticar o corpo”, fazer a energia corporal circular?

OMBROS E BRAÇOS Apoie os braços sobre uma superfície resistente. Inspire e projete seu corpo à frente, expirando após flexão completa dos cotovelos. Inspire e volte à posição

Inspire e projete seu corpo à frente, expirando após flexão completa dos cotovelos. Inspire e volte

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Construindo o Texto

inicial. Repita o exercício 5 vezes. Evite flexionar os joelhos durante a realização do exercício e tenha cuidado para não enrijecer os ombros.

do exercício e tenha cuidado para não enrijecer os ombros. Quer fazer a coisa certa? Então,

Quer fazer a coisa certa? Então, vamos entender como a coisa funciona. Leia o texto da próxima tela e observe o que a falta de vocabulário pode causar na produção textual.

e) Passo 5 de 13

O QUE É COISA COM COISA Max Genhringer Se tem uma coisa que anda incomodando a língua portuguesa é a coisa. O único consolo é que “coisa” é uma das raríssimas palavras que existem em qualquer idioma, e em todos eles tem o mesmo significado, isto é, coisa. No princípio Deus criou as coisas, ensina o Gênesis, para só depois decidir criar o Homem. Quer dizer, geneticamente falando, que tudo que não era gente era coisa. Isso durou até 1963, quando finalmente o poeta Vinícius de Moraes decidiu elevar também o ser humano à categoria de coisa: “Olha que coisa ”

mais linda, mais cheia de graça

resistiu à coisa, e o próprio Shakespeare notou que existem muito mais delas entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. Mas, o que antigamente era um artifício poético e literário acabou virando arroz-de-festa. Tem até lugar onde a coisa passou a ser flexionada (“O coiso, como é mesmo o nome dele?”) ou conjugada (“Eu estava coisando quando a máquina pifou”). Ou por preguiça ou por economia de neurônio, as pessoas passaram a abusar da coisa: por que aprender a falar empregabilidade se é bem mais fácil dizer “aquela coisa que eu não tinha e por isso perdi o emprego?” Nas empresas, a coisa já se tornou sinônimo bastardo para qualquer coisa:

- Quer saber de uma coisa? Pra mim chega.

- Chega do quê?

- Cansei. E uma coisa eu digo: não sou só eu.

- Peraí. Me explica melhor.

A bem da verdade, nenhum grande escritor

- Explicar o quê? Vai me dizer que você é a favor desse estado de coisas?

- Sei lá. Você nem me disse ainda o que está acontecendo.

- Acorda, cara! A coisa ta preta nessa empresa.

- Taí, eu não acho.

- Como, não acha? Isso aqui é coisa de doido.

- E digo mais. Pra mim, ta tudo ótimo.

- Opa, até você? Eu bem que desconfiava. Aí tem coisa

f) Passo 6 de 13

Convenhamos: a coisa já passou do ponto, e esse é o âmago da questão.

Construindo o Texto

Ao mesmo tempo em que estão adquirindo fluência em inglês e em outros idiomas alienígenas, muitos profissionais insistem em espezinhar o português escorreito. A proliferação indiscriminada da coisa é um bom exemplo disso. Nas empresas, a hiperespontaneidade na comunicação está roubando aos diálogos a consistência e a praticidade. Mas, a boa linguagem corporativa jamais admitirá tais atalhos verbais. Quem realmente busca a excelência em todas as suas dimensões tem por obrigação permear-se com um vocabulário eclético e dinâmico. O tempo ensinará aos desesperados que o sucesso só premia os que sabem administrá-lo multifacetadamente, e isso inclui o repúdio ao uso do palavreado fácil e o respeito ao vernáculo. Apenas após dominar as nuances de sua língua pátria é que alguém poderá alardear que atingiu a plenitude profissional. Porque só aí terá compreendido e absorvido os três pilares básicos em que se apóia a essência da filosofia corporativa, a saber:

compreendido e absorvido os três pilares básicos em que se apóia a essência da filosofia corporativa,

83

Construindo o Texto

Construindo o Texto g) Passo 7 de 13 Saber escrever legitima a nossa capacidade de exprimir

g) Passo 7 de 13

Saber escrever legitima a nossa capacidade de exprimir o pensamento e o sentimento. Também firma raízes e retroalimenta a nossa própria personalidade que, a partir daí, vai se desenvolvendo. A arte de escrever tem o início de sua prática nas rodinhas de conversa do pré- escolar; nos “causos” contados nas varandas das casas de fazenda; nos contos de fada da infância, aliados a um hábito de leitura, às vezes, pouco ou quase nada incentivado pelo ensino médio. Por isso, essa arte depende muito de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa das leituras de textos escritos. Haverá modelos para se escrever bem? Como enfrentar a folha em branco sem tensões? Como atrair a atenção do leitor? Vamos tentar estabelecer alguns parâmetros? Vamos, sim!

Devemos contemplar apenas um assunto.

O assunto do texto deve ser restrito.

A ideia central deve ser determinada e delimitada.

Os parágrafos devem ser estruturados, de modo que a ideia seja identificada rapidamente.

Construindo o Texto

h) Passo 8 de 13

DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA

Leia a carta abaixo e veja se está de acordo com as nossas recomendações

anteriores:

Salvador, 20 de fevereiro de 2006 Você está participando de uma experiência pioneira na Prefeitura Municipal de Salvador. Ao inscrever-se neste curso, passou a fazer parte de uma ampla rede: a comunidade de conhecimentos da SMEC, da qual também participam vários segmentos da secretaria.

A Universidade Corporativa da Educação – UNICED – é um passo consciente

para a ampliação do processo de inovação das nossas práticas institucionais e

está inserida na visão pedagógica da SMEC. Você tem à sua disposição um ambiente de aprendizagem que lhe permite acessar vários cursos e atividades pedagógicas. Neste ambiente, processa-se a troca de conhecimento, não só acadêmico como profissional, que cada um de nós vem acumulando durante a vida. Continue o seu contato com a UNICED. A sua presença é muito importante. Equipe técnica da UNICED

i) Passo 9 de 13

O que você achou? E quanto à linguagem? Ela está adequada?

que você achou? E quanto à linguagem? Ela está adequada? Os problemas mais comuns na correspondência

Os problemas mais comuns na correspondência são:

Preocupações básicas do redator:

- Identificar o(s) receptor(es) do texto.

- Pensar claramente.

- Raciocinar linearmente, sem labirintos.

- Transmitir informações, de modo lógico.

- Manifestar as relações entre os fatos, com evidência.

- Refletir sobre o que vai escrever.

Como vai transmitir?

Qual o nível de linguagem a ser utilizado?

Qual a função da linguagem mais adequada?

j) Passo 10 de 13

Ao escrever um texto, portanto, evite:

Repetições de ideias, palavras, verbos auxiliares.

Vamos ver alguns exemplos? Estamos dispostos a repensar sobre a nossa conversa. (errado) Estamos dispostos a repensar sobre a conversa. (certo)

É nossa idéia apresentar todos os nossos produtos para os nossos clientes

(errado)

sobre a conversa. (certo) É nossa idéia apresentar todos os nossos produtos para os nossos clientes

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Construindo o Texto

É

nossa idéia apresentar todos os produtos para os clientes

Utilização de palavras e expressões imprecisas:

(certo)

a dizer – a verdade – além disso – aspecto – casualmente – certamente – coisa – conjuntura atual – definitivamente – ensejo – então – eventualmente – oportuno – oportunamente – por seu lado – na verdade.

gírias, estrangeirismos e expressões

Evite

o

emprego

de

antiquadas:

- Apraz-nos

- Rogamos

- Reportamo-nos

- Sendo o que se nos oferece para o momento

- Epígrafe

- Limitados ao exposto

- Por oportuno julgamos

- Outrossim

- Assunto em tela

- Passo às suas mãos

- Tem a presente a finalidade de

O uso de termos técnicos desconhecidos do receptor transforma-se em obstáculo à comunicação. Portanto, evite-os!

k) Passo 11 de 13

à comunicação. Portanto, evite-os ! k) Passo 11 de 13 Cuidado com essas práticas, tão comuns

Cuidado com essas práticas, tão comuns na escrita:

Construindo o Texto

Construindo o Texto l) Passo 12 de 13 Quando escrevemos, atentamos, também, para as atitudes .

l) Passo 12 de 13

Quando escrevemos, atentamos, também, para as atitudes. Para a comunicação ser eficaz, o produtor de textos deve analisar:

Com quem vai comunicar-se?

Quem é? Que tipo de pessoa é?

De quanto auxílio a pessoa necessita para atender e aceitar o que lhe vai ser dito?

O que você quer dizer?

A mensagem está clara em sua própria mente?

Você ainda tem pormenores para verificar?

Como você está transmitindo as informações?

Sua abordagem está correta?

Você está usando palavras adequadas às circunstâncias?

Como você se certifica de que conseguiu convencer?

Que informações você quer para a confirmação?

 Como você se certifica de que conseguiu convencer?  Que informações você quer para a

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Construindo o Texto

Construindo o Texto m) Passo 13 de 13 Você é prolixo? Quem não é? Isso parece

m) Passo 13 de 13

Construindo o Texto m) Passo 13 de 13 Você é prolixo? Quem não é? Isso parece

Você é prolixo? Quem não é? Isso parece fazer parte do falar brasileiro, que é uma consequência do formalismo da burocracia brasileira.

é uma consequência do formalismo da burocracia brasileira. Expressões evitáveis:  Acima citado  Acusamos o

Expressões evitáveis:

Acima citado

Acusamos o recebimento

Agradecemos antecipadamente

Anexo à presente

Anexo

Antecipadamente somos gratos

Anterior a

Aproveitamos o ensejo e anexamos

Até o presente momento

Construindo o Texto

Como dissemos acima

Com referência ao

Conforme acordado

Conforme segue abaixo relacionado

Datada de

Durante o ano de

Estamos anexando

Levamos ao seu conhecimento

No estado da Bahia

Somos de opinião que

Segue anexo nosso cheque

Um cheque no valor de

Vimos solicitar Evite, também, os pleonasmos:

Fundamentos básicos

Reiterar outra vez

Cuidado com as afetações e colocações exageradas:

A seu inteiro dispor

Temos a honra de

Temos a subida honra de

Temos especial prazer em

Com os protestos das mais elevadas estima e consideração

3. Modelando o Texto

a) Passo 1 de 15

Tema 2 - Construindo o Texto Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras Unidade 2.1.3 - Modelando o Texto

- Quebrando as Barreiras Unidade 2.1.3 - Modelando o Texto Aluno amigo, sabemos que, agora, você

Aluno amigo, sabemos que, agora, você está mais tranquilo porque já percebe que começar a escrever não é tão difícil assim. É como o ditado diz: “comer e coçar, a questão é começar!”

começar a escrever não é tão difícil assim. É como o ditado diz: “comer e coçar,

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Construindo o Texto

Construindo o Texto Ao escrevermos um texto, a depender do conteúdo a ser abordado, além dos

Ao escrevermos um texto, a depender do conteúdo a ser abordado, além dos cuidados com o uso correto da Língua Portuguesa, da capacidade de concatenar as ideias, devemos escolher a modalidade que melhor se adapte à produção textual que pretendemos: narração, descrição ou dissertação.

b) Passo 2 de 15

MODELANDO O TEXTO A Narração O ato de narrar é próprio da natureza humana. Contar e ouvir histórias são atividades das mais antigas dos homens. Desde a idade mais remota da humanidade, dos rituais pré-históricos do Homem de Neanderthal, passando pelos contos de “As mil e uma noites”, cuja personagem principal salvou-se da morte contando histórias, o ser humano tem, sempre, um “causo” a contar.

Construindo o Texto

Construindo o Texto Assim, narrar, do latim narrare , significa encadear uma sequência de fatos, de

Assim, narrar, do latim narrare, significa encadear uma sequência de fa