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ISSN 1806-9436

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educação física e desportos • vol. 3 • nº 1 • janeiro/fevereiro 2006

a ação ç ã o ISSN 1806-9436 & & m vimento o educação física e desportos

FISIOLOGIA

VO 2 max de atletas veteranos

Efeitos do treinamento resistido para terceira idade

Tempo de reação e atividade física

VOLEIBOL

Análise do jogo Brasil x Itália nos Jogos Olímpicos

2004

FILOSOFIA

A contribuição de Aristóteles para a Educação Física

a ação ç ã o ISSN 1806-9436 & & m vimento o educação física e desportos

www.atlanticaeditora.com.br

aação

ç ã o

ISSN 1806-9436

&&

m vimento

o

educação física e desportos • vol. 3 • nº 2 • março/abril 2006

FISIOLOGIA • Dinâmica da marcha de praticantes de caminhada NATAÇÃO • Avaliação de nadadores masters competitivos
FISIOLOGIA
• Dinâmica da marcha de
praticantes de caminhada
NATAÇÃO
• Avaliação de nadadores
masters competitivos
GINÁSTICA
• Flexibilidade e ginástica
olímpica
• Efeitos do treinamento
de ginástica localizada e
hidroginástica
EDUCAÇÃO
• Relações de gênero nas
aulas de Educação Física

www.atlanticaeditora.com.br

educação física e desportos Índice EDITORIAL Volume 3 número 1 - janeiro/fevereiro de 2006 Intencionalidade pedagógica,

educação física e desportos

Índice

EDITORIAL

Volume 3 número 1 - janeiro/fevereiro de 2006

Intencionalidade pedagógica, Luiz Alberto Batista

3

ARTIGO ORIGINAL

VO 2 max de atletas veteranos. Estudo comparativo entre especialistas de orientação, corrida de fundo e sedentários, José Augusto Rodrigues dos Santos, Domingos José Lopes da Silva, Filipe Marques

4

Validação do PIMCQ (parent-initiated motivational climate questionnaire) para a lingua portuguesa, Cláudia Goulart, Hiram Valdés

10

Análise de saltos e rally no confronto entre Brasil e Itália nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, Marcelo de Castro Haiachi, José Fernandes Filho ...........................

16

Cenários e práticas da psicomotricidade, Atos Prinz Falkenbach, Fernando Edi Chaves, Vanessa Nascimento Flores, Dileni Penna Nunes ................................................

21

REVISÃO

Efeitos do treinamento resistido para terceira idade, Bruno Gonzaga Teodoro, Pedro Vieira Sarmet Moreira, Nathália Maria Resende, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto, Foued Salmen Espindola,

27

ATUALIZAÇÃO

Tempo de reação e atividade física, Daniel das Virgens Chagas, Luiz Alberto Batista ...............................

32

Uma breve refl exão sobre a ética de Aristóteles e sua contribuição para a Educação Física, Rafael da Silva Mattos, Ana Luiza Paulino

43

NORMAS DE PUBLICAÇÃO

47

EVENTOS

49

2

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

ISSN 1806-9436

2 ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1) ISSN 1806-9436 educação física e desportos Editor Luiz Alberto

educação física e desportos

Editor Luiz Alberto Batista (UERJ)

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2 ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1) ISSN 1806-9436 educação física e desportos Editor Luiz Alberto

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ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

EDITORIAL
EDITORIAL

Intencionalidade pedagógica

Luiz Alberto Batista

Editor científi co

3

Dentre as variáveis com as quais o professor de Educação Física tem que lidar, no decurso de sua atu- ação educativa, o movimento corporal ocupa lugar de destaque, sendo que nossa relação com ele se estabelece de diferentes maneiras. Em alguns momentos o tomamos como meio, em outros, como fi m e ainda, não raramente, como meio e fi m. Constitui, portanto, procedimento corriqueiro em nossa prática profi ssional, fazermos com que as pes- soas realizem movimentos corporais específi cos, com a perspectiva de que venham a obter desenvolvimentos corporais e orgânicos diversos. Procedimento este, que dado a natureza educacional inerente à nossa profi ssão, aqui classifi caremos de cinesiopedagógico. A escolha pela opção de utilizarmos o movimento corporal como estratégia de intervenção se deve, provavelmente, ao fato de conhecermos abundantes evidências, tanto empíricas quanto científi cas, de que as condutas motoras, em certa medida, possuem a capacidade de estimular processos adaptativos diversos no ser humano, desde aqueles de natureza fi siológica até os psicológicos e sociológicos. Já não temos dúvidas, por exemplo, de que uma pessoa saudável e sedentária, ao exercitar-se motorica- mente, vencendo, certo número de vezes, uma carga resistiva signifi cativa para ela, por um período de tempo sufi ciente, terá grande probabilidade de apresentar, ao fi nal do processo, alterações positivas no status da ativi- dade funcional dos músculos trabalhados. Um resultado específi co, determinado por um movimento corporal específi co, realizado segundo uma organização também específi ca. Não obstante reconhecermos o poder de estimula- ção imanente às condutas motoras, freqüentemente nos questionamos sobre o quanto conhecemos acerca dos

movimentos corporais que utilizamos como exercícios. Note-se que a dúvida não é relativa ao processo e sim à conformação do movimento. Diferentes campos do conhecimento científi co têm nos possibilitado criticar os exercícios físicos, questionan- do a qualidade dos movimentos corporais utilizados, a qual, em alguns casos, é avaliada em função da relação entre a especifi cidade dos movimentos e os objetivos pretendidos. Infelizmente é fácil constatar que, até o presente momento, alguns poucos foram avaliados. A relevância deste tema esta no fato de que estas são dúvidas intimamente relacionadas com a efetivação de nossa intencionalidade pedagógica, ou seja, ao cará- ter da consciência de nossos procedimentos de ensino tender para aquilo que realmente perspectivamos como resultado de sua utilização. Diante disto e dado à carga de responsabilidade técnico-profi ssional que repousa sobre os ombros de um professor de Educação Física, é importante mantermo- nos preocupados em eliminar, em todos os níveis de nossa prática pedagógica, a casualidade. Para que isto aconteça é preciso que coloquemos em cheque, e cobre- mos, diligente e criticamente, de nós mesmos as razões que nos levam a escolher um determinado conjunto de movimento para utilizá-lo como exercício físico. Iniciamos, portanto, este ano de publicações con- vidando a todos, autores e leitores, ao exercício de um contínuo e permanente exame de nossas ações pedagógi- cas, de forma a tentarmos compreender acontecimentos passados e orientarmos futuras decisões e ações. Tal tipo de ação, temos certeza, tem o mérito de contribuir para a dinamização de um processo, caracterizado por uma prá- tica cinesiopedagógica conduzida sob a cobertura de uma constante, e rigorosa, intencionalidade pedagógica.

4

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

ARTIGO ORIGINAL

VO 2 max de atletas veteranos. Estudo comparativo entre especialistas de orientação, corrida de fundo e sedentários

VO 2 max of Masters Athletes. Comparative study among orienteers, long distance runners and sedentary subjects

José Augusto Rodrigues dos Santos*, Domingos José Lopes da Silva**, Filipe Marques, M.Sc.***

*Professor Associado da FCDEF-UP, **Professor Auxiliar da FCDEF-UP, ***Ciência do Desporto

Resumo

Sendo a corrida de orientação uma modalidade praticada ao ar livre e predominantemente aeróbia, decidimos comparar o consumo máximo de oxigénio (VO 2 max), a potência máxima aeróbia (vVO 2 max) e a frequência cardíaca máxima de prova (FC- máx), de praticantes de corrida de orientação (CO) com corredores de estrada (CE) e sedentários (SE). A amostra foi formada por 27 sujeitos (CO = 11; CE = 9; SE = 7), com idades compreendidas entre os 50 a 55 anos. Todos os sujeitos realizaram um teste laboratorial em tapete rolante, realizando uma prova de esforço máximo até à exaustão. Foram analisados os seguintes indicadores:

VO 2 max (L.min -1 ), VO 2 max (ml.kg -1 .min -1 ), vVO 2 max, quociente respiratório (QR) e a frequência cardíaca (FC). Também foram estudados o tempo máximo de prova e a distância percorrida. Verifi camos que os CO e CE apresentam valores signifi cativamente diferentes (p < 0,001), e mais favoráveis do que os SE, em relação a todos os indicadores estudados com excepção do QR e FCmáx. O grupo CO também se diferencia do grupo CE apresentando valores signifi cativamente inferiores (p < 0,05) de VO 2 max relativo, vVO 2 max, distância percorrida e tempo de prova. Concluímos que os CO apresentam um perfi l aeróbio ajustado às exigências aeróbias da competição, mas no entanto inferior aos CE. Pensamos que as razões das diferenças verifi cadas se prendem quer com a especifi cidade adaptativa quer com as diferenças verifi cadas ao nível do treino. Outros estudos são necessários para confi rmar esta asserção.

Palavras-chave: veteranos, corrida de orientação, corrida de fundo, VO 2 max, vVO 2 max, FCmáx.

Artigo recebido em 09 de março de 2006; aceito em 13 de março de 2006. Endereço para correspondência: José Augusto Rodrigues dos Santos, Rua Plácido Costa, 91, 4200-450 Porto, Portugal, Tel: (22.5074700)E-mail: jaugusto@fcdef.up.pt

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Abstract

5

Competitive orienteering is an outdoor sportive modality appealing, predominantly, to aerobic capacity. So, we decide to compare the maximum oxygen consumption (VO 2 max), maximum aerobic power (vVO 2 max) and the maximum cardiac frequency of test (FCmáx), of orienteers (CO) with long distance runners (CE) and sedentary (SE). Th e sample was formed by 27 subjects (CO=11; CE=9; SE=7), whose ages varying between 50 and 55 years. Th e subjects underwent a treadmill test till exhaustion. Th e following indicators had been analyzed: VO 2 max (L.min -1 ), VO 2 max (ml.kg -1 .min -1 ), vVO 2 max, respiratory quotient (QR) and the cardiac frequency (FC). Th e maximum time of test and the distance covered were also studied. We verifi ed that CO e CE present better and signifi cantly diff erent (p<0.001) values than SE in relation to all the indicators studied with exception of QR and FCmáx. Th e CO aerobic profi le is worst than CE, presenting signifi cantly lower values (p<0.05) of relative VO 2 max, vVO 2 max, distance covered and test time. We conclude that the CO present an aerobic profi le adjusted to the aerobic requirements of the competition, but however lower than CE. We think that the diff erences between the two groups derived from the specifi city of the adaptations of each modality and diff erent levels of training. Other studies are necessary to confi rm this assertion.

Key-words: masters, orienteering, long distance running, VO 2 max, vVO 2 max, maximum heart rate.

Introdução

Material e métodos

O aumento da esperança de vida e da população idosa é uma das características das sociedades ocidentais hodiernas. Tal facto faz emergir novos problemas sociais e biológicos, entre os quais se salienta a promoção da qualidade de vida incontornavelmente ligada à saúde. Saúde mental, afectiva e fi siológica expressa esta pela efi cácia funcional dos vários sistemas orgânicos. O aumento e/ou manutenção da funcionalidade corporal está ligada, como vários estudos confi rmam, à taxa de actividade física. Os efeitos positivos do exercício físico no idoso refl ectem-se a vários níveis, entre os quais se salientam:

A amostra foi constituída por 27 sujeitos do sexo masculino com idades compreendidas entre os 50 e os 55 anos. A participação foi voluntária e as normas de consentimento obedeceram às directrizes internacional- mente estabelecidas. Foram formados três grupos: sedentários (SE), n = 7; corredores de fundo de estrada (CE), n = 9; corredores de orientação pedestre (CO), n = 11. Todos os sujeitos do grupo SE foram submetidos, numa clínica médica, ao Exame Médico-Desportivo, homologado pelo Instituto do Desporto de Portugal. Realizaram análises à urina, radiografi a torácica e elec-

a idade e a participação destes em provas de fundo de

melhoria das funções respiratória, cardíaca e vascular, controlo ponderal, aumento da tolerância à glucose, melhoria do perfi l lipidémico, melhoria da mobilidade, aumento da resistência osteo-articular que se refl ectem positivamente nas expressões afectivas e psicológicas do idoso [1-5]. As perdas funcionais induzidas pelo envelheci- mento, normalmente acentuadas pelo sedentarismo do idoso, podem ser atenuadas pela prática regular de exercícios físicos reduzindo as taxas de morbilidade e mortalidade. A capacidade aeróbia é um parâmetro físico que declina com a idade a partir dos 30 anos [6,7], declínio esse que pode ser combatido pela prática de actividades

[8].

trocardiograma. Todos fi caram aptos, embora um deles apresentasse bronquite asmática derivada do tabagismo, mas sem constrangimento médico para o estudo. Os sujeitos do grupo CE foram recrutados através do Inatel de Coimbra, tendo em conta, por um lado,

âmbito regional e/ou nacional, e por outro, por uma questão de conveniência logística e fi nanceira. Os sujeitos do grupo CO foram seleccionados de acordo com a classifi cação individual no primeiro terço do ranking nacional de corrida de orientação pedestre da Federação Portuguesa de Orientação. Os procedimentos pré-teste foram os recomenda- dos por Heyward [9]:

de endurance entre as quais se salienta a corrida de

Equipamento desportivo: calções, t-shirt, meias e sa-

orientação, que se caracteriza por aliar o esforço físico a uma componente mental de decisão que é fundamental

 

patilhas de corrida confortáveis, material de higiene; Reforçar a ingestão de líquidos 24 horas antes;

Diminuir ou abster-se de: fumar, ingerir bebidas alcoó-

Com este estudo, tivemos como objectivo a ava- liação da capacidade aeróbia de corredores veteranos de orientação, comparando-as com veteranos especialistas de corridas de duração e com sujeitos sedentários.

licas e cafeína, pelo menos três horas antes do teste; Evitar a actividade física intensa no dia anterior; • Repousar adequadamente na noite anterior (6 a 8 horas).

6

Registaram-se algumas informações complemen- tares relativas aos anos de treino, dias de treino/semana e quilómetros/semana.

Avaliação da capacidade aeróbia

No sentido de haver uma maior correspondência entre a actividade física específi ca dos desportistas e o teste a realizar, optamos pela avaliação da capacidade aeróbia em tapete rolante. Para tal, utilizámos o modelo HP Cosmos – Quasar, segundo uma adaptação do pro- tocolo de Rodrigues dos Santos [10], no qual os sujeitos realizam um teste máximo progressivo e contínuo, com uma inclinação estabilizada de 2%, a partir da velocidade inicial de 6 km/hora e com um incremento de carga (2 km/hora) em cada 2 minutos, respeitando os critérios de alcance do VO 2 max para adultos não idosos. Os parâmetros respiratórios foram recolhidos através do analisador de gases Metamax – Cortex da Biophysik Gmbh, e analisados num computador PC HP vectra 5/1000 . Analisámos os seguintes indicadores respiratórios:

Consumo máximo de oxigénio: absoluto (L.min-1) e relativo (ml.kg-1.min-1); Velocidade correspondente ao patamar do consumo máximo de oxigénio (vVO 2 max); • Quociente respiratório (QR).

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Avaliação da frequência cardíaca

Foi determinada por cárdio-frequencímetro da marca Polar modelo S810TM.

Procedimentos estatísticos

Foram utilizadas as medidas descritivas básicas:

média (ξ), desvio-padrão (DP). O teste de Shapiro- Wilk foi utilizado para análise do perfi l de norma- lidade das distribuições. A One-Way Anova, com post-hoc de LSD (least signifi cant difference) ou de Tamhane’s T2, consoante as variâncias homogéneas ou não-homogéneas (analisadas pelo teste de Levene statistics ), respectivamente, para as comparações múltiplas inter-grupos, nas variáveis com distribui- ção normal. O teste t de medidas independentes para apurar as diferenças entre os grupos de praticantes de CO vs CE, nas variáveis onde apenas se observou a participação destes grupos. A medição da intensidade das associações entre variáveis foi efectuada pelo co- efi ciente de correlação produto-momento de Pearson ou de Spearman (r), nas variáveis com distribuição normal ou não-normal, respectivamente. O nível de signifi cância estatístico foi mantido em 5% (p ≤ 0,05). Todos os cálculos foram efectuados no programa estatístico SPSS 12.0.

Resultados

Tabela I – Dados relativos aos sujeitos da amostra: biométricos, desportivos e fisiológicos.

 

Sedentários

Corrida de Estrada

Corrida de Orientação

Variáveis

ξ

DP

ξ

DP

ξ

DP

Idade (anos)

52,3

1,8

51,3

1,7

51,0

1,4

Peso (kg)

79,3

13,8

64,3

8,0

73,5

12,8

Estatura (cm)

167,9

3,1

165,4

6,7

171,9

5,8

Anos de treino

-

-

21,7

10,3

15,9

13,7

Treinos/sem

-

-

4,6

1,1

2,8

1,1

Km/sem

-

-

48,7

16,7

20,9

12,3

Duração prova (min)

4,3

1,1

10,7

1,3

9,0

2,4

Dist. percorrida (m)

549,2

180,4

1932,4

338,1

1519,4

530,8

VO 2 max (L.min -1 )

2,84

0,41

3,93

0,43

3,86

0,66

VO 2 max (ml.kg -1 .min -1 )

35,66

4,72

61,39

4,95

53,58

12,55

vVO 2 max

9,4

1,5

15,8

1,2

14,0

2,7

QR

1,08

0,04

1,05

0,06

1,08

0,05

FCmáx prova (bpm)

174

7,5

169

8,4

176

12,6

Da análise do quadro 1 salienta-se a similitude das idades entre todos os grupos. Em relação ao peso corporal, os SE são os que registam o valor médio mais elevado e os CE o mais baixo. Parte da diferença ponderal entre CE e CO

pode radicar nos superiores valores de estatura dos CO. Os CE apresentam valores superiores aos CO no que concerne aos anos de prática, ao número de treinos/semana, aos km/ semana, à duração da prova e à distância percorrida.

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

7

Ao nível da capacidade aeróbia, os CE apresentam os mais elevados valores médios do VO 2 max absolu- to (L.min -1 ) e relativo (ml.kg -1 .min -1 .), bem como a vVO 2 max. Por sua vez, os valores mais reduzidos são registados pelo grupo dos SE. Relativamente ao QR, os atletas de CE apresentam o valor médio mais baixo, sendo equilibrados os registos de SE e praticantes de CO.

 

de despertar mental essencial para correctas leitura do mapa, atenuando os efeitos deletérios da fadiga quanto à capacidade de decisão. Os estudos fi siológicos referentes aos especialistas de corrida de orientação são escassos. Em relação a atletas de elite encontramos um estudo [11]; em relação a atletas veteranos não encontramos nenhum.

vVO 2 max) e fi siológicos (VO 2 max) relacionados com

Tabela II – Comparação inter-grupos.

 

O VO 2 max dos CO do presente estudo é muito in- ferior ao encontrado por Rolf et al. [11], o que se poderá justifi car quer pela diferença de nível das amostras, pelo

Comparação inter-grupos

 

efeito deletério da idade no potencial máximo aeróbio

(p)

SE vs CE

SE vs CO

CE vs CO

ou por condicionantes de índole genética.

Tempo de prova

<0,001

<0,001

0,043

Esgotada a capacidade de comparar a nossa amos-

Distância percorrida

<0,001

<0,001

0,032

tra de CO com outras amostras idênticas, resta-nos a

Vo2max (L.min-1)

0,001

<0,001

0,784

possibilidade de compulsar os valores dos CO, com os

Vo2max (ml.kg-1.min-1) <0,001

<0,001

0,046

valores dos CE e dos SE deste estudo, bem como com

vVO2max

<0,001

<0,001

0,049

atletas veteranos de corrida de outros estudos.

Quociente Respiratório

0,287

0,769

0,136

Uma constatação óbvia e sobejamente corroborada

FCmáx (bpm)

0,347

0,636

0,125

prende-se com as diferenças signifi cativas (p < 0,001)

Anos de treino

-

-

0,29

verifi cadas, neste estudo, entre o grupo SE e o grupo CO

Treinos/semana

-

-

0,004

em relação ao VO 2 max. A inactividade, acentuada pela

Km/semana

-

-

<0,001

idade, reduz a massa mitocondrial muscular, a capilari-

O grupo SE diferencia-se dos outros dois em todos os indicadores com excepção do QR e a FCmáx. Os gru- pos Co e CE diferenciam-se, entre si, pelos indicadores de performance, pelo VO 2 max relativo e pelo perfi l de treino.

 

zação e a efi cácia das trocas de oxigénio [12] reduzindo de forma clara o VO 2 max. O Quociente Respiratório (QR), que é idêntico em todos os sujeitos quando se atinge um patamar de esforço máximo, e a FCmáx, mais sensível à idade que ao nível de treino, não apresentam diferenças estatisticamente signifi cativas entre SE e CO.

Discussão

Os indicadores ergonómicos (distância percorrida e

A corrida de orientação exige uma boa capacidade aeróbia, não só para cumprir com efi cácia as exigências físicas da prova mas, também, para manter uma situação

 

a prova de esforço apresentam diferenças signifi cativas (p < 0,001) entre estes dois grupos. O quadro 3 com- pulsa os CO com grupos de corrida de fundo, deste e de outros estudos.

Tabela III – Valores médios e desvio-padrão de praticantes de corrida de orientação e de atletismo de fundo deste e doutros estudos, quanto a algumas variáveis biométricas, do treino e fisiológicas.

Variáveis

CO*

CE*

Atletismo

Atletismo

Atletismo

 

Fundo [12]

Fundo [14]

Fundo [15]

 

n=11

n= 9

n= 34

n= 34

n= 19

Idade (anos) Peso (kg) Estatura (cm)

51,0 ± 1,4 73,5 ± 12,8 171,9 ± 5,8

51,3 ± 1,7 64,3 ± 8,0 165,4 ± 6,7

56,5 ± 10,2 73,7 ± 9,2 176,3 ± 6,7

53,9 ± 0,5 75,4 ± 1,2 178,3 ± 0,3

54,2 ± 0,8 76,0 ± 1,8

Anos de treino

15,9 ± 13,7

21,7 ± 10,3

>5

14,4 ± 1,5

– 19,6 ± 1,7

Km.sem -1

20,9 ± 12,3

48,7 ± 16,7

>15

56,2 ± 5,2

54,7 ± 7,7

FCmax VO 2 max (L.min -1 ) VO 2 max (ml.kg -1 .min -1 )

176 ± 12,6 3,86 ± 0,66 53,6 ± 12,6

169 ± 8,4 3,93 ± 0,43 61,4 ± 5,0

– 3,78 ± 0,70 50,4 ± 9,2

170,7 ± 2,1 4,00 ± 0,09 53,4 ± 1,4

– 3,99 ± 0,14 53,2 ± 1,7

* presente estudo

8

Comparando os CO com os CE deste estudo, verifi camos diferenças com signifi cado estatístico (p < 0,05) em relação ao VO 2 max relativo à vVO 2 max, ao tempo de prova e à distância percorrida. A melhor capacidade aeróbia dos CE em relação aos CO, quer em termos ergonómicos quer em termos fi siológicos, poderá estar relacionada com o volume de treino que também diferencia signifi cativamente os dois grupos (p = 0,004 para o factor treinos/semana e p < 0.001 para os km/semana). Também será de aceitar a hipótese de que o perfi l de treino mais intenso dos CE em relação aos CO poderá induzir as diferenças verifi cadas, já que a importância da orientação atenua a importância da corrida na consecução da performance [16]. O VO 2 max dos CO é semelhante aos valores encontrados em outros estudos referentes a especialistas de meio-fundo do atletismo [14,15,13], o que pode sig- nifi car duas coisas: (i) acção deletéria da idade na função aeróbia, já que os sujeitos dos estudos referidos são ligeira- mente mais idosos que os CO, ou (ii) diferentes níveis de rendimento. Pensamos que esta segunda hipótese é mais lógica, já que os CO treinam menos quilometragem por semana e as adaptações induzidas pela modalidade estão condicionadas pelos aspectos decisórios fraccionando o esforço competitivo. Reforçando a nossa posição, alguns estudos encontram, em sujeitos com idade avançada, ele- vados níveis de capacidade aeróbia induzidos e mantidos pelo treino [17,18]. Embora, segundo os critérios estabelecidos por Morrow et al. [19] os valores de VO 2 max relativo dos CO deste estudo sejam considerados excelentes, tal fi car-se-á a dever mais à qualidade fi siológica relativa destes atletas que ao nível de treino, já que é moderada (r = 0,58) a correlação encontrada entre os quilómetros de treino por semana e o VO 2 max. Os valores médios do quociente respiratório (QR= 1.08) dos CO são inferiores aos encontrados por Wiswell et al. [20] (QR = 1,12) e Hawkins et al. [14] (QR = 1,10). As razões das diferenças podem radicar nos protocolos utilizados ou no menor empenho dos sujeitos da nossa amostra. Em sujeitos sedentários com mais de 60 anos, Aitken & Th ompson [21] encontraram QR ao VO 2 max de 1,06, mas em sujeitos treinados em endurance esse ra- tio subia para 1,11. Como a nossa amostra de CE também atingiu um valor médio relativamente baixo (QR = 1,05) quer-nos parecer que as diferenças verifi cadas se prendem com o tipo de protocolo utilizado, eventualmente indutor de claudicação muscular que impossibilitou o patamar de esforço máximo, como comprovamos em alguns sujeitos em estudo que realizamos [10]. A frequência cardíaca aumenta linearmente durante o exercício em função da intensidade [10]. À mesma intensidade relativa de trabalho a FC parece estar mais

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dependente da idade que do nível de treino [22], embora em especialistas de CO, a FC média de prova de sujeitos com idade superior a 45 anos parece não ser diferente da encontrada para atletas mais jovens [23], o que se poderá fi car a dever ao carácter intervalado do esforço típico da CO ou a eventuais diferenças de qualidade performativa. Embora, em relação à FCmáx de prova não se verifi quem diferenças com signifi cado estatístico entre os três grupos da nossa amostra, os resultados tenden- cialmente apontam para uma redução da FCmáx nos CE, eventualmente induzida pelo treino sistemático de endurance que se refl ecte na redução da densidade dos receptores beta-adrenérgicos atenuando a responsivida- de simpática [24]. Tal facto, também foi comprovado pelo estudo de Rodrigues dos Santos [25] o que coloca em causa o consenso geral de que a FCmáx está pouco condicionada pelo nível de treino. A idade promove o declínio do controle parassimpático que pode ser ate- nuado pelo exercício regular de endurance. Pensamos que a melhoria do controle parassimpático induzida pelo exercício prolongado e responsável pela bradicar- dia de repouso pode, também, ter um efeito positivo no esforço máximo atenuando a descarga adrenérgica e atenuando o stresse provocado pelo esforço máximo, reduzindo a FCmáx. Esta hipótese necessita de estu- dos mais aprofundados já que em octogenários muito fragilizados a melhoria da função aeróbia estava ligada ao aumento da frequência cardíaca durante o esforço máximo [26]. Pensamos que o treino dos CO tem uma menor participação anaeróbia que o treino dos CE, o que está de acordo com o perfi l competitivo de cada uma das modalidades. Enquanto na CO a frequência cardíaca média é de 88.7% da FCmáx, nas corridas de estrada e corta-mato esse valor sobe para 93.1 a 95% [27]. Se esta caracterização é indutora de um menor stresse cardíaco em esforço máximo é algo que não podemos dizer com segurança, embora possamos levantar essa hipótese.

Conclusão

Podemos concluir que os nossos especialistas de corrida de orientação apresentam um perfi l aeróbio ajustado ao perfi l competitivo da modalidade, signifi - cativamente superior a sujeitos sedentários, mas inferior ao de sujeitos praticantes de corrida. Pensamos que tais diferenças radicam quer da especifi cidade adaptativa quer do menor nível de treino dos atletas de CO. No entanto, a exiguidade da amostra não nos permite ser muito assertivos quanto ao comportamento dos vários indicadores fi siológicos por nós estudados.

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10

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

ARTIGO ORIGINAL

Validação do PIMCQ (parent-initiated motivational climate questionnaire) para a língua portuguesa

Parent initiated motivational climate questionnaire, the validity into brazilian portuguese language

Cláudia Goulart*, Hiram Valdés **

*Professora e membro da Rede CENESP da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília, **Psicólogo, Pesquisador Associado da Faculdade de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília.

Resumo

O objetivo deste estudo é apresentar a validação do instrumento PIMCQ (parent-initiated sports questionnaire), elaborado por Duda, White & Hart e adaptado para a língua portuguesa. Trata-se de um instrumento que avalia a percepção dos atletas em relação ao clima motivacional de seu pai e mãe em relação a sua ação como atleta de esporte competitivo. A versão inicial parte de 14 itens que foram adaptados de três escalas do teste de Papaioannou – Learning and Performance-Oriented Physical Education Climate Questionnaire (LAPOPECQ) –, em que as variáveis são: promoção do aprendizado pelo professor, preocupação dos estu- dantes em errar na execução da tarefa, resultado da orientação para objetivo sem a utilização de esforço. Como trabalhamos com duas variáveis, seguindo a teoria de clima motivacional, as variáveis promoção do aprendizado se refere à variável orientação para a tarefa; as variáveis preocupação e orientação para objetivo sem a utilização de esforço de orientação para o ego. Estes itens são utilizados com referência aos pais dos jogadores e as mesmas perguntas em relação à mãe. Nenhum estudo de utilização deste teste no Brasil foi encontrado. Participou do estudo um total de 226 atletas da cidade do Rio de Janeiro e Distrito Federal que participam de campeonatos de federações e confederações dos esportes: voleibol, judô, natação, handebol, basquetebol, tênis de mesa, futebol e atletismo. A análise dos dados foi realizada utilizando o programa SPSS 10.0 para Windows. Os instrumentos foram analisados na forma de dois questionários: um referente ao clima motivacional dos pais e outro referente ao clima motivacional das mães. Os resultados demonstram que nos dois instrumentos a matriz preenche os requisitos mínimos de fatorabilidade.

Palavras-chave: clima motivacional, orientação para o aprendizado, clima de preocupação.

Artigo recebido em 20 de março de 2006; aceito em 5 de abril de 2006. Endereço para correspondência: Cláudia Goulart, SQN 206 bloco F apto 104 , 70844-060, Brasília DF,

claudiagoulart53@gmail.com

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Abstract

11

Th e purpose of this study is the validation of PIMCQ (parent-initiated climate questionnaire) adaptation for the Portuguese Language. Th e development of the initial version of the PIMCQ, 14 items were adapted from three scales of the Learning and Performance-Oriented Physical Education Climate Questionnaire (LAPOPECQ) (i.e., Teacher’s Promotion of Learning, Students’ Worries About Mistakes, Outcome Orientation Without Eff ort; Papaioannou) and written with reference to fathers, and the same to mothers. One factor (Learning-Oriented Climate) refl ected a task-involving situational goal structure, and two factors (Worry Conductive Climate and Success Without Eff ort) refl ected an ego-involving structure. Not any study of the using of this test in Brazil was found only its application by White, Duda and Hart. In addition, not any analysis of the validation of this instrument was found, only its means and standard deviations. Th is study was applied in Rio de Janeiro city and Distrito Federal to 226 athletes who play in federations and confederations championships of volleyball, handball, basketball, table tennis, soccer, running and swimming. Th e data’s analysis was made using the SPSS 10.0 program for windows. Th e instrument was analyzed as two questionnaires: one referring to father’s motivational climate and another referring to the mother’s motivational climate. Exploratory factor analysis showed (principal components followed by orthogonal rotation which method used was varimax) that the matrix predominate the requisites minimum of factorability.

Key-words: motivational climate, learning-oriented climate, worry conductive climate.

Introdução

O primeiro ponto a ser analisado dentro desta pesquisa será a importância do meio ambiente familiar em que o atleta está inserido e como ocorre esta infl uência dos pais na sua escolha de orientação para objetivo, sendo ela para a tarefa ou para o ego. Com isso descrevemos alguns pesquisadores que afi rmam a importância da infl uência, do ambiente social e dos pais em relação à orientação para objetivo de seus fi lhos e a necessidade de mais pesquisas serem realizadas nesta área. Sendo assim, Nicholls [1,2] afi rma que:

“as diferenças individuais na orientação para objetivo estão na disposição de experiências sociais dentro de um contexto; as interações sociais têm signifi cativa participação na escolha da orientação para objetivo onde outros infl uenciarão no clima motivacional, como por exemplo: colegas, técnicos e família e, baseado nestas interações, o indivíduo terá uma tendência para se orientar para seus objetivos”. Locke [3] acrescenta, “os motivos das orientações para o objetivo são realizados num conceito de organização de um ambiente”. Além disso, outro autor Cratty [4] afi rma que: ‘acentuadas discrepâncias familiares, desde a mais tenra idade, tendem a modelar as energias infantis’. Cratty citando Rosen e D’Andrade (1959) acrescenta ‘que a forma como os pais estimulam ou restringem as crianças podem conduzir a atitudes que visam ao sucesso’. Ames [5], afi rma que a orientação parte do princípio de que o ambiente esportivo infl uencia diretamente nas ações dos jogadores, e estas ações são motivadas pelos técnicos, pais, torcida, mídia e amigos. O ambiente em que o jogador está inserido poderá ser motivado para eles se superarem tecnicamente ou para vencerem a qualquer custo. Com relação a esta linha de investigação, Carole Ames, tem enfatizado a infl uência das estruturas de re-

compensa sobre as diferentes orientações para objetivo, no esporte. Ela propõe três estruturas de recompensa:

uma estrutura denominada competitiva, na qual o fato de uns ganharem, a recompensa implicará que outros a percam; uma estrutura cooperativa, a qual implica que, para ganhar uma recompensa todos deverão cooperar para isto e, conseqüentemente, todos ganharão a recompensa; e uma estrutura individualista que supõe que o ganho da recompensa é individual, tendo o jogador que atingir um objetivo, numa partida individualmente, sem depender dos seus companheiros de equipe, mesmo se tratando de um esporte coletivo. Clima competitivo existe em esportes de competição quando ganhar é o critério de sucesso, mas auto-superação através da orientação para a tarefa pode ser também o clima motivacional dos jogadores quando auto- superar-se é o critério do sucesso. O clima motivacional dos jogadores pode ser orientado para a tarefa ou para o ego, e isto será defi nido basicamente por técnicos e pais [6,7]. Para Roberts, mais pesquisas na área dos esportes de- veriam ser realizadas, para saber como as interações sociais infl uenciam jogadores nas suas escolhas de orientações para objetivo: sejam elas competitivas ou para auto-superação, ou seja, sejam elas para o ego ou para a tarefa. Pesquisadores concluíram em seus estudos que jo- gadores orientados para o ego são carentes de conceito de justiça e honestidade, tanto quanto não se preocupam com o bem-estar do seu oponente. Com isto, podem ter atitudes intencionais de agressividade para com eles, violam as regras do jogo e cometem trapaças, caso seja necessário para atin- gir seu objetivo: a vitória a qualquer custo. Por outro lado, orientação para a tarefa, os jogadores são orientados para a auto-superação, para o conceito de honestidade, com meta para aprendizado, meta para o domínio, envolvimento com tarefas e estrutura de recompensa cooperativa [6].

12

Estaremos analisando com este trabalho, qual o clima motivacional em que os atletas estão sendo infl uen- ciados em seu contexto familiar, no caso, a infl uência de seu pai e de sua mãe, se estão orientando o seu fi lho para a alta competitividade, orientação para o ego, ou orien- tando para a auto-superação, orientação para a tarefa.

Metodologia

A amostra incluiu 220 sujeitos, sendo estes atletas da cidade do Rio de Janeiro e Distrito Federal que parti- cipam de campeonatos de federações e confederações dos esportes: voleibol, judô, natação, handebol, basquetebol, tênis de mesa, futebol e atletismo. A versão inicial parte de 14 itens que foram adapta- dos de três escalas do teste de Papaioannou [8] Learning and Performance-Oriented Physical Education Climate Questionnaire (LAPOPECQ), que são: promoção do aprendizado pelo professor, preocupação dos estudantes

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

em errar na execução da tarefa, resultado da orientação para objetivo sem a utilização de esforço. Estes itens são utilizados com referência aos pais dos jogadores, sendo que 14 itens se referem a perguntas em relação ao pai e as mesmas 14 perguntas em relação à mãe. Estas perguntas são referenciadas a 3 fatores: orientação para o aprendi- zado (com 5 itens), clima de preocupação (com 5 itens) e sucesso sem esforço (com 4 itens). O fator orientação para o aprendizado está relacionado com a orientação para a tarefa, os fatores clima de preocupação e sucesso sem esforço, à orientação para o ego [9]. A pontuação utilizada é a escala 5-pontos Likert, a partir de concordo totalmente (1) até descordo totalmente (5). A tradução foi realizada através de dois profi ssionais da área da educação física, formados em inglês e posteriormente a isso, tradutores de inglês realizaram o translation back, ou seja, a tradução para o inglês do instrumento já traduzido anteriormente para o português, com o objetivo de validar a tradução. Este processo não mostrou nenhuma diferença na tradução.

Quadro 2 – Tradução do original PIMCQ (parent-initiated motivacional climate questionnaire)

Eu sinto que minha mãe/pai ...

  • 1. Fica satisfeita(o) quando eu melhoro por meio de muito treino.

1

2

3

4

5

  • 2. Fica satisfeita(o) quando eu aprendo algo novo.

1

2

3

4

5

  • 3. Presta atenção se eu estou aperfeiçoando minhas técnicas.

1

2

3

4

5

  • 4. Vê os erros como parte de um aprendizado.

1

2

3

4

5

  • 5. Valoriza meu aprendizado antes de me ensinar algo novo.

1

2

3

4

5

  • 6. Se preocupa com meus fracassos.

1

2

3

4

5

  • 7. Se preocupa com meus fracassos porque isso é algo negativo.

1

2

3

4

5

  • 8. Me faz sentir medo de cometer erros.

1

2

3

4

5

  • 9. Se sente mal quando eu não consigo fazer tão bem quanto os outros.

1

2

3

4

5

  • 10. Se preocupa comigo, fazendo coisas nas quais não sou bom.

1

2

3

4

5

  • 11. Fica satisfeita(o) quando consigo algo sem grande esforço.

1

2

3

4

5

  • 12. Fica satisfeita(o) quando eu venço sem grande esforço.

1

2

3

4

5

  • 13. Acredita que eu deveria conseguir muito sem grande esforço.

1

2

3

4

5

  • 14. Pensa ser importante para mim, ganhar sem precisar me esforçar muito.

1

2

3

4

5

A validação envolveu a fatorabilidade da matriz de correlações e o método de rotação ortogonal dos fatores utilizados foi o Varimax. Os resultados foram discutidos tendo como foco as implicações do estudo de teorias motivacionais e suas implicações nas orientações para objetivos destes jovens atletas.

Análise e discussão dos resultados

PIMCQ aplicado aos pais

As análises sobre a fatorabilidade da Matriz de Cor- relações e números de fatores apresentaram os seguintes índices para o PIMCQ referente aos pais:

KMO de 0,767, considerado como moderado, acima de 0,70; Teste de Bartlett de Esfericidade com índice de 1007,447 e signifi cância 0,00, qualifi cado como signifi cante; Eigenvalues maiores que 1 indicam 3 fatores, no caso utilizamos 2, sem alterar a amostra; Segundo o critério de 3% da variância explicada, temos na amostra um total de 40,1%; Scree Plot aponta no máximo 3 fatores, no caso utilizamos 2. Como mostram os dados apresentados anterior- mente, a matriz preenche os requisitos mínimos de fatorabilidade. O alpha de Cronbach atingiu o índice

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de 0,85 (fator 1) e 0,76 (fator 2) satisfatório, ou seja, acima de 0,70. O método de rotação ortogonal dos dois fatores utilizado foi o Varimax. O ponto de corte para inclusão no fator foram cargas fatoriais acima de 0,30. Portanto, foram extraídos dois fatores para o instrumento, o item 7 e o item 10, por terem cargas acima de 0,30 em relação aos dois fatores. Ou seja, foi compreendido por alguns atletas que se tratava de orientação para o ego e por ou- tros, orientação para a tarefa. Sendo que no caso, estes itens referem-se no instrumento à orientação para o ego como pode ser visto na Tabela I.

Rotated Factor Matrix

Tabela I – Matriz Pattern da escala PIMCQ dos pais.

13

Segundo o critério de 3% da variância explicada, teríamos 31,9% neste instrumento, qualifi cado como satisfatório; • Scree Plot aponta no máximo 3 fatores. Os dados apresentados anteriormente, validam a matriz, pois preenche os requisitos mínimos de fatorabi- lidade. O alpha Cronbach atingiu no fator 1 o índice de 0,79, satisfatório, mas no fator 2 atingiu um índice abaixo de 0,70 (0,69 no caso), que não é o mais satisfatório, mas está muito próximo do valor necessário. O método de rotação ortogonal utilizado foi o Varimax. O ponto de corte para inclusão no fator foram cargas fatoriais acima de 0,30. Abaixo desse índice, os itens foram retirados, no caso os itens 10 e 14, que estão relacionados com o clima de sucesso sem esforço, orien- tação para o ego como pode ser visto na Tabela II.

Rotated Factor Matrix

Variáveis

Fator

Comunalidades

 

1

2

Extração

Tabela II – Matriz Pattern da escala do PIMCQ das

pai

,748

,569

mães.

pai

,794

,646

pai

,711

,512

Variáveis

Fator

Comunalidades

pai

,483

,291

1

2

Extração*

pai

,689

,483

mãe

,710

,512

pai

,659

,456

mãe

,789

,624

pai

,325

,396

,263

mãe

,653

,478

pai

,527

,278

mãe

,506

,309

pai

,448

,202

mãe

,518

,271

pai

,301

,352

,215

mãe

,590

,372

pai

,627

,418

mãe

,411

,253

pai

,619

,383

mãe

,639

,419

pai

,620

,420

mãe

,510

,260

pai

,643

,487

mãe

Alfa

0,85

0,76

mãe

,438

,217

Variância explicada

22,6

17,5

Total= 40,1

mãe

,519

,279

 

mãe

,608

,389

mãe

PIMCQ aplicado às mães

 

alfa

0,79

0,69

 

VariâncIa explicada

18,6

13,3

Total = 31,9

As análises sobre a fatorabilidade da Matriz de Cor- relações e números de fatores apresentaram os seguintes índices para o PIMCQ referente às mães:

• KMO de 0,739, considerável como moderado; Teste de Bartlett de Esfericidade com índice de 691,353, com signifi cância 0,00, qualifi cado como signifi cante; • Eigenvalues maiores que 1 indicam 3 fatores, no caso utilizamos 2 sem alterar a amostra;

Interpretação dos componentes

Os itens que representam os componentes de orientação para a tarefa e orientação para o ego, tanto no instrumento aplicado aos pais quanto às mães estão presentes nos Quadros 3, 4 e 5 que estão a seguir:

14

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Quadro 3 – Itens que representam o clima de aprendizagem e orientação para tarefa dos pais e das mães no PIMCQ.

Eu sinto que meu pai ...

Eu sinto que minha mãe ...

  • 1. Fica satisfeito(a) quando eu melhoro após um grande esforço

  • 2. Fica satisfeito(a) quando eu aprendo algo novo

  • 3. Presta atenção se eu estou melhorando tecnicamente

  • 4. Acredita que as falhas fazem parte da aprendizagem

  • 5. Valoriza a minha aprendizagem de algo, antes de me ensinar outra

Este fator descrito anteriormente, segundo as au- toras Duda, White e Hart [10] está relacionado ao clima de orientação para a aprendizagem, que corresponde a orientação para a tarefa. Os resultados apresentaram que tanto no instrumento referente às mães, como no

instrumento referente aos pais, todos os itens foram va- lidados, com carga acima de 0,30 no fator 1. Ou seja, foi compreendido pelos atletas como sendo itens referentes à orientação para a tarefa.

Quadro 4 – Itens que representam o clima de preocupação e orientação para o ego dos pais e das mães no PIMCQ.

Eu sinto que meu pai ...

Eu sinto que minha mãe ...

  • 6. Se preocupa com as minhas falhas

  • 7. Se preocupa com as minhas falhas pois tê-las é negativo

  • 8. Faz com que eu tenha medo de cometer erros

  • 9. Sente-se mal quando eu não realizo algo tão bem quanto os outros

    • 10. Se preocupa com a minha performance quando eu não as executo bem

Este fator descrito acima, segundo as autoras [10], refere-se ao clima de preocupação que o pai ou mãe exerce sobre o fi lho e está relacionado com a orientação para o ego. O item 6 apresentou carga acima de 0,30 referente à orientação para a tarefa e não para o ego, como foi proposto pelas autoras – se preocupa com as minhas falhas – tanto no instrumento aplicado aos pais, quanto no aplicado às mães. Ou seja, para estes atletas a preocupação é vista como uma orientação para a tarefa

e não para o ego como é visto pelos norte-americanos. Os itens 7 e 10 fi caram com carga abaixo de 0,30 no instrumento referente às mães: se preocupa com minhas falhas, pois tê-las é negativo (item 7); se preocupa com a minha performance quando eu não as executo muito bem

(item 10). No questionário referente aos pais, o item 10 apresentou carga acima de 0,30 tanto para a orientação para a tarefa quanto para o ego.

Quadro 5 – Itens que representam o clima sucesso sem esforço e orientação para o ego dos pais e das mães no PIMCQ.

Eu sinto que meu pai ...

Eu sinto que minha mãe ...

  • 11. Fica satisfeito(a) quando eu tenho êxito sem ter precisado me esforçar muito

  • 12. Fica satisfeito(a) quando eu ganho sem ter me esforçado

  • 13. Acredita que eu deveria chegar ao sucesso sem precisar me esforçar muito

  • 14. Pensa ser importante para mim, ganhar sem precisar me esforçar

Este fator descrito anteriormente, segundo as autoras [10] refere-se ao clima de sucesso sem esforço que corresponde à orientação para o ego. Os resultados mostraram que o item 14, apresentou carga no questio- nário referente aos pais com carga acima de 0,30 tanto na orientação para a tarefa, quanto na orientação para o ego: pensa ser importante para mim, ganhar sem precisar

me esforçar. É interessante, pois alguns atletas vêem que esta afi rmativa, em relação aos seus pais poderá orientá- los duas direções diferenciadas. Além disso, este item apresentou carga abaixo de 0,30 no instrumento referente às mães dos atletas. Abaixo, descrevemos as variáveis dependentes de jovens atletas brasileiros, seguido dos atletas norte-americanos.

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

15

Variáveis dependentes e suas respectivas médias e desvio-padrão:

 

na orientação para a tarefa (2,04). Como estas médias não caracterizam as mães brasileiras, por terem sido realizadas em

Tabela III – Estatísticas descritivas das variáveis dependentes de jovens atletas brasileiros [11].

apenas duas cidades, trata-se apenas do resultado de algumas destas mães, pois para saber este resultado, um outro estudo deveria ser realizado. Em relação ao instrumento aplicado às mães, os

Variáveis

n

Média

dv

itens: 6, 10 e 14 não foram validados. O item 6 por estar

Tarefa mãe

216

2,0477

,6489

com carga na orientação para o ego e não para a tarefa,

Ego mãe

215

3,3070

,7774

como foi defi nido no instrumento original; e os itens

Tarefa pai

201

3,9960

,6969

10 e 14 por não apresentarem carga satisfatória, isto é,

Ego pai

200

2,8014

,6350

abaixo de 0,30.

Tarefa pais

218

2,9593

,4351

Em relação ao instrumento aplicado aos pais, os

Ego pais

217

3,0686

,3650

itens: 6, 7 e 10, não foram validados. O item 6 por estar

Casos Válidos

197

com carga na orientação para o ego e não para a tarefa,

Tabela IV – Estatísticas descritivas das variáveis de- pendentes de jovens atletas norte-americanos [10].

 

como foi defi nido no instrumento original; e os itens 7 e 10 por terem carga tanto na orientação para o ego, quanto na orientação para o ego. Sendo a primeira vez que se realiza a validação deste

Variáveis

n

Média

dv

instrumento no Brasil, acreditamos que, modifi cações na

Tarefa pais

210

3,81

-

tradução deverão ser realizadas para que todos os itens

Ego pais (preocupação)

210

2,29

-

possam futuramente ser validados.

Ego pais (sucesso sem esforço)

 
 

210

2,15

-

Referências

Neste instrumento optamos em analisar os resul- tados do pai e da mãe separadamente. Entendemos que uma análise de como o pai está orientado o seu fi lho em separado da mãe, nos fornecerá uma noção melhor das diferenças nesta orientação. Além disso, analisamos posteriormente, como seria esta orientação em conjunto quando pai e mãe pensam na orientação para objetivo de seus fi lhos. Também optamos por seguir os conceitos da teoria motivacional da orientação pra objetivo que defi ne a orientação para objetivo, como orientação para a tarefa e para o ego. Portanto, seguimos a própria orientação das autoras que defi nem a orientação para o aprendizado como orientação para a tarefa e orientação para a preocupação e sucesso sem esforço como orientação para o ego.

Conclusão

Analisando os resultados do PIMCQ aplicado aos jovens desportistas brasileiros e aplicado aos jovens despor- tistas norte-americanos, concluiu-se que na orientação para a tarefa dos pais brasileiros (somente o pai – 3,99 – Tabela III), apresentaram a maior média desta orientação. Sendo que, quando está em conjunto com a mãe, esta variável apresenta- se abaixo (2,95 – Tabela III) da média norte-americana (3,81 – Tabela IV). Em se tratando da orientação para o ego, as médias brasileiras superam as médias norte-americanas (ver tabelas III e IV). Concluímos também que as mães brasi- leiras apresentaram uma média acima do ponto médio da gradação da escala (3,30) e abaixo do ponto médio da escala

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16

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

ARTIGO ORIGINAL

Análise de saltos e rally no confronto entre Brasil e Itália nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004

Analysis of jumps and rally in the confrontation between Brazil and Italy in Athens Olympic games

Marcelo de Castro Haiachi, M.Sc.*, José Fernandes Filho, D.Sc.**

* Ciência da Motricidade Humana - PROCIMH – UCB / RJ, Treinador das equipes de base do Fluminense Football Club RJ, **Educação Física pelo Instituto de Investigação Científi ca de Cultura Física e Esportes da Rússia – IICCFER (Rússia), Professor da EEFD – Universidade Federal do Rio de Janeiro, PROCIMH – UCB / RJ

Resumo

O objetivo deste estudo foi identifi car a quantidade de saltos e o tempo de duração dos rallies no duelo entre as duas melhores equipes das Olimpíadas de Atenas 2004. Foi desenvolvida uma estatística descritiva de tipologia de levantamento de dados tendo como objeto de estudo a seleção brasileira masculina de voleibol nos dois confrontos com a seleção italiana (classifi catória e fi nal). A média de saltos encontrada em cada jogo foi de 225 ações de salto, sendo o bloqueio o fundamento com maior percentual (36% e 39%). O tempo médio de rally variou muito de uma partida para outra apresentando valores de 0,59 segundos (mínimo) e de 32,84 segundos (máximo). Já o tempo médio de ação fi cou em 4,95 segundos com um tempo de intervalo de 25,85 segundos. Estes resultados descrevem a necessidade de treinamentos com o máximo de velocidade e intensidade baseando em indicadores qualitativos e não quantitativos priorizando a melhor amplitude, técnica e efi ciência reduzindo a ocorrência de lesões.

Palavras-chave: voleibol, saltos, rally.

Abstract

Th e purpose of this study was to identify the quantity of jumps and the duration time of the rallies in the confrontation between the two best teams in Athens Olympic Games, 2004. Descriptive statistics with data survey typology has been applied, in order to observe the Volleyball Male Brazilian Team in both games against Italian Team (classifi catory and fi nal). In each game, the mean of jumps observed was 225 jump actions, with block being the element of greater percentage (36 e 39%). Rally’s mean time has suff ered large variation from one match to another, presenting values from 0,59 seconds (minimum) to 32,84 seconds (maximum). Action mean time was 4,95 seconds, with an interval time of 25,85 seconds. Th ese fi ndings describe the necessity of maximum velocity and maximum intensity trainings based upon qualitative indicators, not quantitative ones, priorizing better amplitudes, technique and effi ciency as well as reducing injuries occurrence.

Key-words: volleyball, jumps, rally.

Artigo recebido em 10 de março de 2006; aceito em 3 de abril de 2006. Endereço para correspondência: Marcelo de Castro Haiachi, Rua Perseverança 57 apto. 304, Riachuelo, 20961-030 Rio de Janeiro RJ, Tel: 2581-4184, E-mail: haiachi@eefd.ufrj.br

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Introdução

O voleibol possui várias escolas que segundo Bizzocchi [1] apresentam características bem peculiares. A soviética caracteriza-se pela força, a Tcheca pela técnica, a Asiática pela velocidade e agilidade, a Americana pela especialização das funções e a Brasileira pela versatilidade e força ofensiva dos seus jogadores. Em Jogos Olímpicos (JO), evento esportivo mais importante no calendário internacional, a URSS, atual Rússia, apresenta-se como

a maior vencedora, com 3 medalhas de ouro, 3 de prata e

  • 2 de bronze, seguida do Brasil com 2 medalhas de ouro e

  • 1 de prata e dos Estados Unidos com 2 medalhas de ouro

e 1 de bronze nestes 44 anos de Olimpíadas 1 . A tradicional seleção Italiana dominou o voleibol na década de 1990, sendo considerada a melhor equipe do século XX 2 , mas sempre apresentou difi culdade nesta competição. Após as medalha olímpicas conquistadas pelo Brasil 1984 (prata) e 1992 (ouro), o voleibol brasileiro passa a fi gurar no cenário internacional como uma das grandes potências no voleibol [2]. O duelo entre estas duas escolas foi marcado pela hegemonia da seleção italiana sobre a bra- sileira, fato este que fez com que os italianos minimizassem a conquista brasileira em 1992, já que as duas seleções não se cruzaram. Em Atenas 2004, surge a grande oportunidade do

Resultados

17

confronto entre as duas seleções que personifi cam o melhor do voleibol na atualidade. A seleção italiana com caracterís- ticas de especialização das funções dos seus jogadores contra a seleção brasileira com a versatilidade e a variação ofensiva dos seus jogadores. Lembramos que as duas seleções nunca se encontraram em JO até Atenas 2004.

Métodos

Foi realizado um estudo descritivo de tipologia de levantamento de dados usando como objeto de estudo a seleção brasileira adulta masculina de voleibol em duas partidas contra a seleção italiana nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. O 1º jogo foi na fase classifi catória enquan- to o 2º aconteceu na fi nal. Os itens analisados foram: a quantidade de saltos por set, por jogo, por posição de jogo, por fundamento, o tempo de bola em jogo e o tempo de ação e intervalo durante a partida. Os jogos foram fi lmados em vídeo para facilitar a coleta dos dados, que consistia em registrar o número de saltos e a duração de cada rally. Os dados foram tratados através de uma estatística descritiva utilizando os valores de tendência central e derivados além e uma escala de freqüência. O programa estatístico adotado para a tabulação dos dados foi o Microsoft Excel XP, baseando-se na planilha de controle de saltos elaborada por Haiachi [3-5].

Foram encontrados os seguintes resultados:

Tabela I – Quantidade de saltos.

Jogo

1º Set

2º Set

3º Set

4º Set

5º Set

TT

média

dp

cv

108

117

135

120

195

675

225

34,92

16%

134

153

123

152

-

562

225

14,57

6%

Total

242

270

258

272

195

1237

média

121

135

129

136

619

dp

18,38

25,46

8,49

22,63

79,90

cv

15%

19%

7%

17%

13%

Tabela II – Total de saltos por fundamento.

 

Jogo

Saque

Levantamento

Ataque

Bloqueio

TT

118

112

199

246

675

17%

17%

29%

36%

100%

99

90

153

220

562

18%

16%

27%

39%

100%

  • 1 O voleibol iniciou sua participação em Olimpíadas a partir da Olimpíada de Tókio no Japão em 1964 [1,2]. Os resultados de todos as edições dos JO com seus respectivos vencedores estão disponíveis em: <http://www.volei.org. br/newcbv/seleções/resultados.asp>, acessado em 22 de agosto de 2005.

  • 2 A FIVB elegeu a seleção italiana como a melhor equipe do século XX pela série de conquistas obtidas: três títulos mundiais, dois títulos europeus e cinco liga mundial [1].

18

Tabela III – Total de saltos por posição de jogo.

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Jogo

Levantador

 

Oposto

Ponta

Meio

Líbero

TT

158

94

168

249

6

675

23%

14%

25%

37%

1%

100%

116

72

161

206

7

562

21%

13%

29%

37%

1%

100%

Tabela IV – Tempo de bola em jogo*.

 

Jogo

1º Set

2º Set

3º Set

4º Set

5º Set

TT

Mediana

cv

média **

171,82

189,84

220,93

221,24

343,20

1147,03

221

29%

19,12

 

média

dp

cv

217,14

243,08

209,95

250,17

-

920,34

230

19,54

8%

15,34

total

388,96

432,92

430,88

471,41

-

2067,37

média*

194,48

216,46

215,44

235,71

-

1033,69

Dp

32,05

37,65

7,76

20,46

-

160,29

Cv

16%

17%

4%

9%

-

16%

média**

3,24

3,61

3,59

3,93

5,72

* tempo em segundos. ** tempo em minutos.

 

Tabela V – Tempo de ação x Tempo de intervalo*.

 

Jogo

Total

média

dp

cv

duração da partida

7020

5820

12840

6420

848,53

13%

total de rallies

237

182

419

209,5

38,89

19%

tempo de bola em jogo

1147,03

920,34

2067,37

1033,69

160,29

16%

tempo de ação

4,84

5,06

9,90

4,95

0,15

3%

tempo de intervalo

24,78

26,92

51,70

25,85

1,51

6%

tempo máximo de rally

30,25

32,84

tempo mínimo de rally

0,66

0,59

*tempo em segundos.

Discussão

Inicialmente, os dados apresentaram uma diferença em relação à quantidade de saltos, já que na partida clas- sifi catória foram disputados cinco (05) sets e na partida fi nal apenas quatro (04) sets (tabela I). Percentualmente a diferença de ações de salto entre o 1º e o 2º jogo foi de 17%, valor este que pode ser considerado baixo, já que a diferença de 113 ações de saltos, quando comparada com outros estudos, Haiachi et. al. [3,4], mostram uma grande proximidade entre as médias de ações de salto em equipes que disputaram a fi nal da Superliga – BRA (114 ações de salto) e do campeonato Italiano (106 ações de salto). Os valores são bem próximos, a diferença é que em um jogo estão relacionados os melhores jogadores de um país enquanto no outro estão os melhores jogadores de diferentes países.

O estudo comprova dados anteriores de Haiachi et. al [5] e Esper [6] que mostram o bloqueio como fundamento responsável pelo maior número de ações de salto (tabela II) e os atacantes de meio como os jogadores que efetuam o maior número de ações de salto (tabela III). A força explosiva (força rápida) ganha uma grande importância no treinamento já que está diretamente associada à capacidade neuromuscular de recrutar o máximo de unidades motoras com a máxima velocidade e intensidade [7-10]. Focamos nosso estudo na freqüência dos saltos e não na intensidade dos mesmos. Vários fatores infl uenciam nas ações de salto como o adversário, a situação da partida, a importância da partida, a motivação, a torcida, o clima, o treinamento, a quantidade de sets jogados dentre outros. Estes fatores intrínsecos e extrínsecos podem prejudicar o rendimento do atleta e conseqüentemente da equipe.

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

O tempo de bola em jogo pode ser caracterizado como o tempo em que a bola permanece no “alto”, ou seja, o tempo de duração de um rally. Este nome apare- ceu devido à mudança ocorrida na regra, em 1998, que modifi cou o sistema de pontuação do jogo de sistema de vantagem para sistema de pontos corridos (rally point system) [2,11]. Diferente da quantidade de saltos, o tempo de bola em jogo variou muito de uma partida para outra. A utilização da mediana no 1º jogo confi rma esta afi rmação (tabela IV). Por apresentar valores entre 0,59 segundos (mínimo) e 32,84 segundos (máximo) de ação, chega- se à conclusão que a disputa por cada ponto deverá ser curta, intensa e intercalada com períodos de repouso [12]. Segundo Platonov [13] e Verkhoshanski [14], para atividades de duração máxima entre 6 a 10 segundos, utilizam-se predominantemente o sistema energético anaeróbico alático, creatina-fosfato. Para Bompa [15] o tempo de atividade máxima varia entre 8 a 10 segundos. A predominância do sistema anaeróbico para o voleibol pode ser confi rmada na tabela V que mostra o tempo de ação e intervalo, além dos valores máximos e mínimos de duração de rally. Estes dados são muito importantes para o aprimoramento do voleibol, principalmente com relação ao tempo de atividade utilizada durante as sessões de treinamento. O estudo apresenta um tempo médio de ação de 4,95 segundos com um tempo de intervalo de 25,85 segundos. Estes dados mostram uma revolução da moda- lidade já que em estudos como o de Stanganélli [12] apud Kunstlinger et al. [16], apenas 10% dos rallies duravam 10 segundos apresentando um tempo de 9 segundos de atividade máxima com 12 segundos de intervalo. Seguindo a mesma linha, o autor apud Viitasalo et al. apresenta um tempo de 7,6 segundos de atividade com 14,1 segundos de intervalo. A diminuição do tempo de ação deve-se a modifi cação no sistema de pontuação do jogo, enquanto que o aumento no tempo de intervalo deve-se ao fato do estudo observar como tempo de intervalo todas as interrupções regulamentares do set:

tempo técnico, tempo de descanso e o tempo decorrido das substituições. Durante este tempo de intervalo (25,85), segun- do Künstlinger et al. [16], ocorre o restabelecimento oxidativo da fonte energética (ATP) utilizada em ações anteriores. Segundo Bompa [15] após 30 segundos ocorre 70% da restauração dos fosfagênios. Pode-se dizer então que a recuperação no voleibol acontece de forma ativa, já que o jogo é caracterizado por ações intensas e de curta duração seguidas por pausas ou movimentos menos intensos possibilitando a recu- peração [17].

Conclusão

19

Vários estudos estão sendo feitos atualmente, no intuito de aprimorar cada vez mais o treinamento do voleibol. Estes estudos têm relação direta com a mudança promovida na regra do jogo (1998). Com o sistema de pontuação com vantagem, o jogo era mais lento e pro- longado, hoje com o sistema de pontos corridos o jogo ganha mais dinâmica por reduzir o tempo de bola em jogo. Assim, cada ação dever ser feita com o máximo de intensidade e velocidade no intuito de superar a equipe adversária. Apesar da necessidade da utilização de várias qualidades físicas em uma partida de voleibol, o estudo comprova a importância da força explosiva já que pela quantidade média de ações de salto (225), deixa claro a necessidade por um treinamento específi co para que os jogadores suportem o alto volume de saltos, que pode se elevar com o aumento do número de sets jogados ou com o aumento do tempo de bola em jogo. A utilização do tempo de ação e de intervalo é de extrema importância para a periodização do treinamento, já que sabendo que o tempo médio de duração de cada rally varia de 5 a 35 segundos, não devendo submeter atletas a treinamentos prolongados e extenuantes com altos níveis de intensidade. Se para cada jogada é neces- sária a máxima velocidade e intensidade a prescrição do treinamento deve ser baseada em indicadores qualitativos e não quantitativos, ou seja, o volume de treinamento prioriza o movimento com melhor amplitude, técnica e efi ciência. Na busca pela qualidade do movimento, a intensidade e a quantidade de ações de salto podem elevar o risco de lesões no treinamento, fato este que o estudo procura amenizar através da percepção do tempo de ação em jogos de alto rendimento. Recomendamos mais estudos para formação de massa crítica procurando aprimorar cada vez mais o treinamento do voleibol, baseando o estudo em compe- tições estaduais, nacionais e internacionais em diferentes estágios da competição fase classifi catória e fase fi nal; com jogos na regra antiga e em equipes femininas.

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ARTIGO ORIGINAL

21

Cenários e práticas da psicomotricidade

Settings and practices in psychomotricity

Atos Prinz Falkenbach, D.Sc.*, Fernando Edi Chaves, M.Sc.**, Vanessa Nascimento Flores***, Dileni Penna Nunes***

*Ciências do Movimento Humano/UFRGS, Coordenador do Curso de Educação Física – UNIVATES, Professor do Curso de Educação Física Centro Universitário IPA, **Professor do Curso de Educação Física Centro Universitário IPA,

***Bolsista de Iniciação Científi ca – Centro Universitário IPA,

Resumo

O presente estudo se dedica ao tema da psicomotricidade e a sua caracterização na cidade de Porto Alegre. A idéia surge a partir da problematização inicial que dá destaque à psicomotricidade como uma área multifacetada, subsidiada por diversas áreas do conhecimento, bem como pluralizada pela ação de profi ssionais com formações diversas. Os objetivos do estudo buscam carac- terizar: a) os locais em que a prática da psicomotricidade é desenvolvida; b) formação inicial e continuada dos psicomotricistas; c) fundamentos teóricos do psicomotricista; e d) páginas eletrônicas dedicadas à área da psicomotricidade. A metodologia do estudo fez uso de entrevistas e de questionários utilizados com os participantes da investigação, assim como análise de documentos. A coleta de informações permitiu constatar que as áreas nucleares são educativas e terapêuticas. O universo de áreas que atuam com a psicomotricidade, bem como sua caracterização interdisciplinar de atuar permite o uso da psicomotricidade como um recurso para ações do profi ssional da saúde e da educação.

Palavras-chave: psicomotricidade, formação profi ssional, Educação Física.

Abstract

Th is paper is dedicated to the study of psychomotricity and its characterization in data collected in Porto Alegre city. Psycho- motricity is considered as a multifaceted area, what can be attested by diff erent areas of knowledge and by the performance of several professionals. Th is study has sought to characterize: a) places where psychomotricity is used; b) initial and continuous formation of people who work as psychomotricists; c) psychomotricity theoretical background; and d) websites dedicated to psychomotricity. Th e data are composed by interviews and questionnaires, some documents were also analyzed. Th e results allowed us to identify that the main fi elds to the psychomotricists are therapeutical and educational. Th e universe of areas that work with psychomotricity, as well its multidisciplinar action permits the use of psychomotricity as a resource to the professionals of health and education.

Key-words: psychomotricity, professional formation, Physical Education.

Artigo recebido em 30 de novembro de 2005; aceito em 9 de março de 2006. Endereço para correspondência: Atos Prinz Falkenbach, Rua Cristiano Grün, 205/404, 95900-000 Lajeado RS, Tel:

(51) 3714-4754 afalkenbach@ipametodista.edu.br

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Introdução

O presente estudo se dedica ao tema da psicomo- tricidade e a sua caracterização no cenário da cidade de Porto Alegre. A idéia surge a partir da problematização inicial que dá destaque a psicomotricidade como uma área multifacetada, subsidiada por diversas áreas do conhecimento, bem como pluralizada pela ação de pro- fi ssionais oriundos de formações diversas, estabelece-se uma busca no sentido caracterizar a prática da psico- motricidade em Porto Alegre. Os aspectos escolhidos para serem investigados são: a) locais em que a prática da psicomotricidade é desenvolvida e sua respectiva temporalidade; b) formação inicial e continuada dos psicomotricistas; c) o tempo de prática do psicomotricista na área; c) fundamentos teóricos do psicomotricista; d) corrente da psicomotricidade que é praticada; e e) páginas eletrônicas dedicadas à área da psicomotricidade. O estudo utiliza instrumentos para a coleta de informações como as entrevistas e os questionários com os participantes da investigação, bem como a análise de documentos. Para o desenvolvimento do estudo é necessário a busca e a identifi cação prévia dos diversos locais em que há uma prática psicomotora regular, tanto ao atendimento não-formal como formal (escolas de educação básica) na cidade de Porto Alegre.

Justifi cativa

Com a fi nalidade de justifi car o desenvolvimen- to do estudo sobre as práticas da psicomotricidade é importante compreender o histórico da atividade da psicomotricidade, isto é, de onde se origina e em que perspectivas evolui. Outro aspecto a ser destacado trata da diversidade desta área. Uma vez que não há cursos de formação inicial específi cos nessa área no estado do Rio Grande do Sul. O MEC registra apenas um Curso de Psicomotricidade reconhecido em território nacional, trata-se da Faculdade de Ciências da Saúde e Sociais – FACIS do Rio de Janeiro. A curiosidade fi ca por conta do título do referido curso que habilita um licenciado em Psicomotricidade. Os profi ssionais que atuam com a psicomotricidade são oriundos de cursos diversos. Nesse sentido a justifi cativa vai percorrer dois aspectos relacionados entre si: a) o histórico da psicomotricidade; e b) a pluralização da área. O termo psicomotricidade originou-se na França, no fi nal do século XIX e no início do século XX [1]. A história da psicomotricidade se origina nos estudos de neuropsi- quiatria infantil do médico Ernest Dupré. Tal histórico permite compreender as bases biomédicas e racionalistas sobre a análise do movimento humano. Signifi ca dizer que a psicomotricidade fundamentou-se inicialmente no

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dualismo cartesiano, tratando o ser humano de forma fragmentada. Identifi cou que o corpo é um segmento ex- terno que não pensa, e que a alma, não participa de nada daquilo que pertence ao corpo. Posteriormente passou-se a considerá-lo em sua totalidade, isto é, o corpo começa a ser visto como uma unidade que expressa sentimentos e emoções que movem suas ações [2]. Os antecessores do campo psicomotor são a ginás- tica terapêutica e a psicodinamia. A ginástica terapêutica descreve sistemas de exercícios e técnicas de ginástica com o objetivo de obter e atingir a harmonia do espírito e do corpo. Outro antecessor do campo psicomotor é a Psicodinamia que se opõe à educação física militarizada e propõe uma educação pelo movimento [3]. Outro marco na história da psicomotricidade é os estudos de Edouard Guilmain em 1935. Este médico inicia um novo método que chama de Reeducação Psicomotora, consistindo na aplicação de baterias de testes psicomotores para a avaliação do perfi l da criança. Estabelece-se, então, um exame psicomotor padrão e um programa de sessões de acordo com as características dos distúrbios motores que o indivíduo apresenta, orientando as modalidades de intervenção do psicomotricista. A psicomotricidade recebeu infl uências diversas como os autores: J. Bergès, R. Diatkine, B. Jolivet, C. Launay e S. Lebovici que defi nem a psicomotricidade como “uma motricidade em relação” [3]. Esta concepção começa a delimitar uma diferença na postura do psicomo- tricista em relação às bases racionalistas. A relação afetiva e emocional da postura terapêutica inicia a dar os primei- ros contornos da vertente da terapia psicomotora. Os psicomotricistas, agora preocupados com a vida emotiva de seus pacientes, começam a visitar os autores da psicanálise, como S. Freud, M. Klein, D. Winnicott, W. Reich, P. Schilder, J. Lacan, M. Manoni, F. Dolto e Samí Ali [3]. O histórico apresentado permite compreender a diversidade de conceitos e de realidades da prática psi- comotora. Este fato em si é o que favorece a pluralização dos profi ssionais da área da Psicomotricidade. Nesse sentido algumas indagações são pertinentes como: Qual a formação dos profi ssionais que atuam com a psico- motricidade? Que histórico possuem com a área? Em que locais a prática da psicomotricidade é desenvolvida? Quais as vertentes psicomotoras que fundamentam a prática do psicomotricista? Que autores são estudados? Como o psicomotricista dá continuidade a sua formação, ou seja, como se mantém qualifi cado? Qual a clientela que faz parte da ação da psicomotricidade e em que vertentes ela se situa? Este grupo de questionamentos é oriundo desta pluralização identifi cada na área. Buscar a literatura da área da psicomotricidade é se deparar com uma infi ni-

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dade de títulos originários de diferentes estudos e con- cepções. A organização dos questionamentos permite a formulação de um problema que busca investigar como se caracteriza a prática da psicomotricidade na cidade de Porto Alegre, que locais, que profi ssionais, que formação e que fundamentos caracteriza?

Argumentação teórica

Com o intuito de facilitar a compreensão das ca- racterísticas das principais vertentes da psicomotricidade, destacamos: a) fi nalidade: o propósito da prática; b) área do conhecimento; e c) autores de base. Iniciamos com a vertente denominada Reeducação Psicomotora que se destina a crianças que apresentam défi cit em seu funcionamento motor [4]. A fi nalidade é ajudar a criança em reaprender determinadas funções motoras. Para isso, avalia-se o perfi l psicomotor da crian- ça, utilizando métodos que consistem na aplicação de baterias de testes psicomotores [5]. Após o diagnóstico, a criança é submetida a um programa de sessões que tem como objetivo suprir as difi culdades aparentes [1]. Esta abordagem tem como base estudos da neu- ropsiquiatria infantil. Com abordagem centrada no desenvolvimento motor e entende o ser humano como um corpo instrumental, isto é, uma “máquina de mo- vimento”, que, caso não estiver funcionando, deve ser reparada [6]. A principal mudança na evolução da reeducação psicomotora está na compreensão do corpo como uma unidade e cujo movimento possui signifi cado. Com isso a postura do reeducador frente à criança toma outra direção:

ele passa a entendê-la como um ser de expressividade psico- motora. Sua relação com a criança passa a ser de empatia, de escuta, de interação e de ajustamento constante [7]. Outro aspecto importante que é citado nesta nova fase da reeducação psicomotora é que a formação do reeducador é composta por uma trilogia efetuada simul- taneamente: a formação pessoal, a formação teórica e a formação prática. Ambas completam-se e enriquecem-se umas às outras [7]. A formação pessoal tem como objetivo melhorar a disponibilidade corporal do adulto a partir de vivências corporais. Mobiliza as áreas da afetividade, da sexualidade e dos “fantasmas”, proporcionando mudanças de atitude e de tomadas de consciência. A formação teórica surge da necessidade que o psicomotricista tem em justifi car, analisar e refl etir sobre as principais teorias que baseiam seus procedimentos. E a formação prática oportuniza a vivência concreta de seus estudos com as crianças [7]. A evolução que a reeducação psicomotora passou foi o primeiro passo de uma trajetória que a psicomo- tricidade ainda percorre, isto é, o desenvolvimento de

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uma abordagem cada vez mais preocupada com o ser humano em sua totalidade inserido em um contexto sócio-cultural. A vertente chamada de terapia psicomotora é um desdobramento da vertente da reeducação psicomotora. Originou-se da compreensão de que o movimento é linguagem e, portanto, expressa os sentimentos, emo- ções, desejos e demandas do ser humano. É destinada às crianças “normais” e com necessidades especiais que apresentam difi culdades de comunicação, de expressão corporal e de vivência simbólica [1]. A terapia psicomotora centra o seu olhar a partir da comunicação e da expressão do corpo, no intercâmbio e no vínculo corporal, na relação corporal entre a pessoa do terapeuta e a criança em diálogo de empatia tônica [6]. A vertente denominada educação psicomotora surge embalada pela dinâmica evolução das vertentes reeducativa e terapêutica. Ocupa os espaços educativos com grupos de crianças. Os psicomotricistas perceberam que esta vertente poderia se constituir no processo inicial da educação da criança, justamente por compreender o período da infância como aquele que constitui e alicerça as bases emocionais e afetivas do ser humano. As bases educativas empreendidas pela educação psicomotora são as mais diversas, porém apresenta- mos duas concepções contemporâneas que ilustram o desdobramento que se seguiu nesta vertente. De um lado há explicações de que a educação psicomotora é formadora de uma base indispensável a toda criança, assegura o desenvolvimento funcional [8], de outro lado há compreensões de que a educação psicomotora como o meio lúdico-educativo para a criança expressar-se por intermédio do jogo, do exercício e da comunicação entre crianças por intermédio da expressividade motriz [1]. A educação psicomotora atualmente se divide em dois eixos: a psicomotricidade funcional e a psicomo- tricidade relacional. O aspecto que diferencia as duas práticas, é elucidado a partir do ponto fundamental da passagem da psicomotricidade funcional à relacional que é a utilização do jogo (brincar da criança) como elemento pedagógico [1]. A psicomotricidade funcional compreende o de- senvolvimento psicomotriz a partir de bases teóricas de neuroanatomia funcional. Tal fundamento se situa na concepção de que o processo de desenvolvimento hu- mano é decorrente dos processos de maturação. Sustenta os diagnósticos do perfi l psicomotriz e a prescrição de exercícios para sanar possíveis descompassos do desen- volvimento motriz. A estratégia pedagógica baseia-se na repetição de exercícios funcionais, criados e classifi cados constituindo as famílias de exercícios para as fi nalidades de equilíbrios estáticos e dinâmicos, de fl exibilidade, agilidade, destreza e outras funções psicomotoras [1].

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Obras clássicas da psicomotricidade explicam que a organização espaço-gráfi ca, necessária para a aquisição da leitura e da escrita, necessitava da prévia organização do espaço de modo geral e inicialmente corporal, com isso determinam como objeto de sua prática, crian- ças com algum grau de difi culdade de aprendizagem, traçando o perfi l psicomotor da criança para, depois, apresentar tabelas de exercícios com o objetivo de sanar os problemas [9]. São contemporâneos os autores que estudam e aplicam a psicomotricidade funcional, tais como: Le Boulch, Picq, Vayer, Costallat, Velasco e outros. Este eixo da educação psicomotora é seguido por professores de Educação Física, mas o desenvolvimento dessa prática se assemelha muito a forma tradicional de uma aula de ginástica. Na origem da psicomotricidade relacional sua abordagem se fundamentou particularmente nos aspectos psicanalíticos da relação do adulto com a criança. Tal fundamento se baseia na relação primária, da mãe com a criança, temática tão bem explorada pelos psicanalistas Winnicott, Dolto, Mahler, Klein, Spitz para citar aqueles que a infl uenciaram [3]. A psicomotricidade relacional utiliza-se da ação do brincar como elemento motivador para provocar a exteriorização corporal da criança, pois entende que a ação de brincar impulsiona processos de desenvolvimen- to e de aprendizagem. Essas estratégias de intervenções pedagógicas criam, também, condições favoráveis para a construção de um vocabulário psicomotor amplo e diversifi cado e servem como meio de melhora das relações da criança com o adulto, com os iguais, com os objetos e consigo mesma [1].

Metodologia do estudo

Com a fi nalidade de iniciar o desenvolvimento do estudo foi necessário realizar um levantamento dos possíveis locais em que há a prática da psicomotricidade realizada de forma sistemática e regular, o que signifi ca identifi car a história e a periodicidade desta prática. Os participantes do estudo foram profi ssionais ligados à área da psicomotricidade, que utilizam as distintas vertentes da prática psicomotora com uma clientela regular. Pelo motivo de constituir parte integrante do estudo, o pro- jeto de pesquisa não pode nominar os locais que serão investigados. Tal ação faz parte do processo do estudo que primou por identifi car os diferentes contextos em que a prática se desenvolve. O processo de coleta das informações se desenvol- veu em dois momentos distintos e inter- relacionados que foram: a) a identifi cação dos locais em que há o desenvolvimento regular da prática psicomotora; e b)

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aplicação dos instrumentos para a coleta de informações dos objetivos propostos. Foram utilizados os seguintes procedimentos para a primeira etapa do estudo que foi a identifi cação dos locais e dos participantes:

• buscas eletrônicas a partir de palavras-chaves na internet; contato com as escolas da rede de ensino particular e pública; • contato com as instituições de ensino superior. As buscas em páginas eletrônicas da internet e os contatos mantidos com estas instituições possibilitaram enriquecer o cerco sobre o conhecimento e identifi cação dos locais das práticas regulares da psicomotricidade. Com base na identifi cação de locais da prática organizamos contatos com profi ssionais que atuam com a psicomotricidade. Para essa fi nalidade foram desen- volvidas entrevistas semi-estruturadas, com perguntas abertas que facilitaram o desenvolvimento do conteúdo dos participantes. A partir da coleta das informações procedemos ao desenvolvimento da tarefa de triangulação, prática que possibilita aos investigadores organizar as informações, confrontar as distintas origens, bem como as possibi- lidades para análises e interpretações que permitiram categorizar unidades de análise.

Resultados

A prática da psicomotricidade é desenvolvida em cenários diversos como atividades em Escolas nos níveis de ensino da Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, bem como na Educação Especial (APAEs) e, também, em clínicas multidiscipli- nares, bem como atendimentos individuais a partir de contatos particulares para desenvolvimento de práticas em domicílio. A prática da psicomotricidade na escola é desenvol- vida em aulas de educação física, nas aulas de Pedagogia Anos Iniciais e em Educação Especial. Com as crianças na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a prática segue os pressupostos pedagógicos da prática psicomotriz educativa [1]. É como relata um participante da pesquisa:

A sessão é dividida em três momentos: a entrada, onde as crianças falam como estão se sentindo naquele momento, as brincadeiras, e um momento fi nal, onde elas

salientam o que gostaram de fazer e como se sentem” (Ent. n3 em 07/07/2005). Nas escolas investigadas há um momento inicial da aula de psicomotricidade onde a professora explica para as crianças o que irão fazer no desenvolvimento da aula, mas não há um momento fi nal, as crianças são liberadas para brincar livremente. Aspecto que favorece

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entender que se trata da psicomotricidade educativa. A prática psicomotriz educativa possui os três momentos:

rito de entrada, momento de brincar e rito de saída. As rotinas auxiliam no desenvolvimento da organização mental da criança [1]. Outro nível de ensino que a psicomotricidade aparece como prática educativa na escola é nas aulas de Educação Física do Ensino Médio, com os adolescentes, tanto meninos como meninas. A sua ação é desenvolvida como prática corporal para os adolescentes. Trata-se da formação pessoa do psicomoticista que envolve uma infi nidade de vivências corporais. O professor entrevis- tado comenta:

Ministro aulas de educação física para os primeiros anos do ensino médio. Com eles faço uma aula, a cada quin-

ze dias, de formação pessoal. No início foi meio complicado, por motivos de difi culdades dos alunos em se adaptarem à prática, hoje está fl uindo bem melhor. Com a prática da formação pessoal, a turma está mais integrada, eles mesmos relatam isso em seus memoriais descritivos, começam a falar com colegas que antes não falavam” (Ent. n11 em

16/09/2005).

A formação pessoal é uma terceira via de formação do psicomotricista [7]. A prática viabiliza o autoconhe- cimento pessoal pela via corporal. Em uma investigação anterior tivemos o privilégio de investigar a prática da Biodança como recurso pedagógico para as aulas de educação física no Ensino Médio [10]. A psicomotricidade como prática educativa lo- calizada nas escolas não desenvolve ações com crianças com necessidades especiais, essa prática está localizada nas clínicas multidisciplinares. Podemos entender que a ação educativa também da psicomotricidade segue o modelo de segregação e de não inclusão de crianças com necessidades especiais na ação pedagógica. A ação da psicomotricidade com as crianças com necessidades especiais é desenvolvida nas escolas de educação especial. As APAEs são as instituições citadas pelos entrevistados em que a psicomotricidade é desen- volvida com grupos com menor número de participantes ou mesmo individualizado. A professora entrevistada comenta:

Trabalho sem rotinas pré-estabelecidas. Não sigo rotinas terapêuticas. Procuro atender o interesse da criança. Proponho, mas não direciono. O atendimento é individual.

Tenho objetivos a serem perseguidos, mas não olho os resulta- dos e sim o processo. Atendo crianças de bebês até a terceira idade” (Ent. n6 em 10/08/2005). Os profi ssionais que atuam com a Psicomotricidade possuem formação inicial na área da saúde e fazem curso de especialização Lato Sensu na área da psicomotricidade. A formação inicial do psicomotricista está em coerência com a ação pedagógica da psicomotricidade: o fi siotera-

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peuta utiliza com fi ns reeducativos; o professor de edu- cação física com a fi nalidade de ampliação do repertório de movimentos; o pedagogo com fi ns educacionais e de aprendizagem dos conteúdos básicos da leitura, escrita e cálculo; o terapeuta ocupacional com fi ns sociais e de reabilitação do indivíduo. Os professores investigados mantêm sua atualização com leituras da área da psicomotricidade e destacam referenciais como: a história da psicomotricidade e suas abordagens teóricas, vertentes psicomotoras e escolas de formação [1,3]; bases psicanalíticas, psicopedagógicas e antropológicas da psicomotricidade [11-13]; a reedu- cação psicomotora, a clínica psicomotora e a educação psicomotora [7,6,14 e 1] e a relação teoria e prática no processo formativo [15]. Apesar da diversidade de opções de leituras na área da psicomotricidade, pudemos perceber que os profes- sores entrevistados citam com signifi cativa freqüência os livros da trilogia “Aprendizagem e desenvolvimento infantil” do Professor Aírton Negrine. Os psicomotricistas entrevistados possuem uma média que varia de três anos a vinte e dois anos de ativi- dade na área da psicomotricidade. A evolução pedagógica dos entrevistados na prática que desempenham com a psicomotricidade é um consenso entre os participantes da pesquisa. Uma professora descreve:

Meu crescimento pessoal e profi ssional com a psico- motricidade é constante. Estou sempre estudando os casos que atendo em orientação pedagógica. A psicomotricidade é uma área ampla e me permitiu relacionar esse conhecimento para colaborar nas difi culdades das crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que faço atendimentos” (Ent. n10 em 10/09/2005). A prática da psicomotricidade e os seus estudos permitem aos professores em suas diversas áreas um conhecimento que os faz compreender o processo de aprendizagem e de desenvolvimento em sua totalidade. O movimento é compreendido como uma totalidade o que permite visualizar e entender a subjetividade do movimento da criança. Os professores entrevistados destacam aspectos que são potenciados em suas práticas utilizando a psi- comotricidade como: a valorização da estima pessoal da criança por intermédio do brincar; o despertar as potencialidades e as descobertas pessoais da criança por intermédio do corpo e movimento; o favorecimento das relações da criança com os colegas do grupo e os diferentes materiais. O processo contínuo de qualifi cação dos professores e suas leituras diversifi cadas na área da psicomotricidade permitem reconhecer esse profi ssional com competências interdisciplinares em sua ação pedagógica. Trata-se de uma ampliação da idéia tradicional da psicomotricidade

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vinculada ao movimento funcional, isto é, o desenvol- vimento das funções do movimento. O psicomotricista reconhece a totalidade do ser humano e busca práticas que possibilitam esse reconhecimento. Finalmente podemos descrever acerca das buscas realizadas sobre as páginas eletrônicas na internet. As páginas eletrônicas – sites – encontrados com auxílio de buscadores tradicionais na rede da web, que abordam o tema da psicomotricidade em Porto Alegre são escassas e de difícil identifi cação. A busca direta pela palavra-chave “psicomotricidade” não permite sequer a identifi cação de uma página voltada para esse tema. Há páginas que citam a psicomotricidade como recurso pedagógico para práti- cas educativas e outros com abordagens terapêuticas. Não foi identifi cado nenhum site da cidade de Porto Alegre voltado para o tema específi co da psicomotricidade.

Conclusões

O percurso percorrido pelo estudo procurou responder algumas questões de investigação acerca da abrangência da área e sua caracterização como: qual a formação dos profi ssionais que atuam com a psicomotri- cidade? Que histórico possuem com a área? Em que locais a prática da psicomotricidade é desenvolvida? Quais as vertentes psicomotoras que fundamentam a prática do psicomotricista? Que autores são estudados? Como o psicomotricista dá continuidade a sua formação, ou seja, como se mantém qualifi cado? Qual a clientela que faz parte da ação da psicomotricidade e em que vertentes ela se situa? O processo refl etido com base nos resultados per- mite compreender a abrangência da área da psicomotri- cidade. Esta abrangência está relacionada à formação dos profi ssionais e a sua atuação profi ssional. O profi ssional da saúde ainda é o que mais procura a área da psicomotri- cidade para qualifi car sua ação pedagógica ou terapêutica. É fato que há profi ssionais de outras áreas como das ciências jurídicas e ainda das ciências sociais que realizam cursos de especialização em psicocomotricidade, mas são situações pontuais. Os profi ssionais que atuam com a psicomotricidade são fundamentalmente os professores de educação física, pedagogos, orientadores educacionais, fi sioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Pudemos perceber que se trata de uma ampliação da formação inicial. Tal característica permite perceber o processo de atuação com características de um profi ssio- nal que reúne conhecimentos de áreas como a psicologia, psicanálise, fi siologia, anatomia, antropologia, pedagogia, fi losofi a e áreas afi ns. Nessa perspectiva estamos diante de

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um profi ssional que compreende o movimento humano em sua totalidade. Finalmente pudemos constatar que a característica predominante do profi ssional que atua com a psico- motricidade também é a clareza do espaço que atua, ou seja, possui discernimento para entender como vai atuar na escola com práticas educativas e como vai atuar nas clínicas com características terapêuticas. Tal aspecto possibilita uma atuação que auxilia a defi nir os espaços e as competências do psicomotricista.

Referências

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Efeitos do treinamento resistido para terceira idade

Effects of resisted training in elderly people

Bruno Gonzaga Teodoro*, Pedro Vieira Sarmet Moreira*, Nathália Maria Resende*, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto, M.Sc.**, Foued Salmen Espindola, D. Sc.***

*Acadêmicos da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia, **Universidade Católica de Brasília/DF, Aluno do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Genética e Bioquímica da Universidade Federal de Uberlândia /MG, *** Prof. Titular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Genética e Bioquímica da Universidade Federal de Uberlândia /MG.

Resumo

O envelhecimento normal é um processo pelo qual há uma diminuição gradativa das capacidades dos vários sistemas orgâ- nicos, o que limita a capacidade funcional dos indivíduos da terceira idade. O crescimento relevante dessas pessoas tem chamado a atenção de pesquisadores sobre a questão da melhoria da capacidade de execução das tarefas da vida diária. O treinamento resistido tem sido indicado para melhoria dessas capacidades e apresenta um efeito benéfi co na saúde de tal população. A perda das massas óssea (osteopenia e osteoporose) e muscular (sarcopenia), assim como da força e potência muscular, todas comuns à terceira idade, podem ser atenuadas ou até mesmo revertidas com a prática regular dos exercícios resistidos, provocando assim uma velhice mais ativa e saudável.

Palavras-chave: envelhecimento, capacidade funcional, terceira idade, exercício resistido.

Abstract

Regular aging is a process in which there is a gradual reduction in the capacities of several organic systems, which limits the functional capacity of elderly people. Th e relevant growth of these people has getting the attention of researchers, concerning the improvement of the capacity of performing daily tasks. Th e resisted training has been indicated to improve such capacities and shows a benefi cial eff ect to their health. Th e loss of bone mass (osteopenia and osteoporosis) and muscular mass (sarcopenia), as well as the loss of the strength and muscular power, all common at the elderly age, may be softened or even revested with the regular practice of resisted exercises, resulting then in a more active and healthier oldness.

Key-words: aging, functional capacity, elderly age, resisted exercise.

Artigo recebido em 09 de março de 2006; aceito em 15 de março de 2006. Endereço para correspondência: Bruno Gonzaga Teodoro, Rua Professora Maria Alves Castilho nº 991, Bairro Sta Mônica, 38408260 Uberlândia MG, E-mail: brunaoeduca@yahoo.com.br

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Introdução

O envelhecimento é um processo pelo qual todos os indivíduos e organismos passam e é caracterizado pela diminuição gradativa das capacidades dos vários sistemas orgânicos em conseguir realizar suas funções de maneira efi caz [1]. Estas alterações ocorrem em ritmo e momentos diferentes [2]. Assim, é possível encontrar idade cro- nológica (extensão do tempo na qual o indivíduo tem existido) e idade biológica (caracterizada pelos estágios de envelhecimento biológico) [3]. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem o seguinte sistema de classifi cação de idade cronológica: meia idade (45-59 anos), idoso (60- 74 anos), velho (75-90anos) e muito velho (acima de 90 anos). O envelhecimento biológico normal está associado com um declínio da capacidade funcional dos sistemas neuromuscular e neuroendócrino [4] e, isso leva a algu- mas implicações funcionais que podem levar o idoso à perda de autonomia e uma conseqüente dependência de parentes e amigos [5]. Porém, esta dependência está mais ligada à inatividade física do que as próprias mudanças ocasionadas pelo envelhecimento [6]. O aumento da expectativa de vida e o crescimento relevante da população idosa [7] chamaram a atenção de pesquisadores para a questão das melhorias das capaci- dades funcionais dos idosos. Para o American College of Sport Medicine (ACMS) [7], a participação em programas de atividade física regular provoca um número de respostas favoráveis que contribuem para um envelhecimento saudável, por isso a procura dos idosos por atividade física tem aumen- tado de maneira signifi cativa, inclusive a participação deles em programas de treinamento de força [8]. Por isso, nesta revisão, daremos enfoque na infl uência benéfi ca do treinamento resistido em idosos.

Osteopenia, osteoporose associadas com o envelhecimento

A osteopenia, perda de massa óssea (densidade mi- neral óssea entre os desvio padrões -1,5 e -2,5 da média de adultos jovens) e osteoporose, perda acentuada de massa óssea (densidade mineral óssea abaixo de 2,5 do desvio padrão da média de adultos jovens) são impor- tantes fatores para as quedas e fraturas em pessoas idosas [9]. A lenta, mas progressiva perda de osso com a idade tem sido ligada à inatividade física e a fatores genéticos, hormonais, nutricionais e, mecânicos [10]. O treinamento de força tem um efeito positivo na saúde óssea em homens e mulheres mais velhos [11,12]. Um estudo realizado demonstrou que, em mulheres mais velhas (54,5 +/- 3,3), a densidade mineral óssea da coluna lombar (L2 e L4), do fêmur (colo e quadril total) e radio

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ultra-distal do ante-braço teve um aumento signifi cativo em relação à mulheres da mesma idade sedentárias [13]. Em um outro estudo, houve aumento signifi cativo da massa óssea (1,96%) em idosos (60-83 anos) praticantes de exercícios resistidos de alta intensidade [14]. Além disso, esse tipo de treinamento pode também reduzir o risco de fraturas por osteoporose, incremen- tando o equilíbrio, massa muscular e nível global de atividade física [9]. Um estudo comprovou que exercícios resistidos progressivos podem trazer uma melhor função física após uma fratura do fêmur [15]. Esses exercícios se mostraram de melhor efi cácia na recuperação pós-cirúrgica de fratu- ras do que eletroestimulação e fi sioterapia tradicional em idosos de 60-85 anos [16]. Existe ainda um outro estudo comprovando que este treinamento juntamente com o de agilidade, reduz o risco de quedas em mulheres idosas (75-85anos) com pouca massa óssea [17].

Sarcopenia e o envelhecimento

Sarcopenia é defi nido como a perda de massa mus- cular [9] que é visível a partir dos 25 anos [18], em que há uma perda progressiva da massa muscular, que decresce aproximadamente 50% entre as idades de 20 e 90 anos [19]. Essa perda representa o resultado combinado de processos neuromotores progressivos e de uma queda no nível diário de sobrecarga muscular [20] e, ela ocorre no tamanho ou número de fi bras, especialmente as do tipo IIb (rápidas), levando à diminuição na capacidade de um músculo gerar potência [11, 21, 22]. Apesar de algumas evidências contrárias, os exercí- cios resistidos parecem ter um efeito benéfi co no ganho e/ou manutenção de massa muscular do idoso. A partici- pação regular em um programa de treinamento de força parece ter profundos efeitos anabólicos em populações mais velhas [23, 24, 25]. A tomografi a computadorizada e a biopsia muscular mostraram evidências de hipertrofi a muscular em homens mais velhos que participaram de programas de treinamento de força de alta intensidade. [25]. Em um estudo feito com idosos (60-72 anos) de 12 semanas de treinamento resistido houve signifi cativa hipertrofi a [26]. Segundo Poter & Vandervoort houve aumento das áreas de fi bras musculares tipo I e tipo II de 14% a 62% em idosos após treinamento de força [8]. Estudos recentes mostram também comprovações do ganho de massa na terceira idade, segundo Borst [27] o treinamento resistido é o modo mais efetivo de ganhar massa muscular em populações mais velhas. Um estudo feito em homens de 65 a 80 anos com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Coronariana) durante 12 semanas de treinamento resistido de alta intensidade mostrou uma melhora signifi cativa (4% da área de secção transversal)

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no tamanho do músculo quadríceps [28]. Outro estudo mostrou, que treinamentos resistidos de alta e moderada intensidades com 12 semanas de duração em partici- pantes iniciantes (60-74anos) obteve melhoras na massa muscular, sendo que os de alta intensidade obtiveram melhores resultados [29]. Existe ainda, mais um estudo em que se diz que com o treino resistido obtém-se consi- derável hipertrofi a e reversão das alterações da arquitetura muscular provocada pelo envelhecimento [30]. Toda sarcopenia induzida aumenta a taxa de fra- turas e quedas, ambas levam à hospitalização que traz uma sarcopenia novamente [31], ou seja, o desuso da musculatura nos idosos, provoca uma atrofi a muscular o que deixa o idoso mais propício à quedas e conseqüentes fraturas, o que pode levá-lo a uma hospitalização que deixara sua musculatura com um novo desuso. Provando assim, a importância da prática de exercícios resistidos, que evitariam a repetição sucessiva deste ciclo.

Perda de força muscular associada com a velhice

A força é um fator importante para a capacidade funcional (capacidade de realizar atividades diárias de forma independente). Sob condições normais, falando do desempenho de força, esta apresenta seu pico entre 20 e 30 anos, a partir daí diminui lentamente nas próximas duas décadas [22] A força muscular diminui 3% e 5% ao ano depois dos 60 anos em homens e mulheres respecti- vamente [32]. Essa perda é de aproximadamente 15% por década durante a sexta e sétima década e, depois aproxima- damente 30% [32]. A perda de força é maior em membros inferiores do que em membros superiores [22]. Essa perda faz com que realização das atividades di- árias se torne mais difícil e aumente, desta forma, o risco de quedas e conseqüentes fraturas [33] e, os principais fatores que contribuem com a fraqueza muscular são:

alterações músculo-esquelética da senilidade, acúmulo de doenças crônicas, medicamentos necessários para o tratamento de doenças, alterações do sistema nervoso, redução das secreções hormonais, desnutrição e, atrofi a muscular por desuso [34]. É sabido que o treinamento resistido aumenta a força muscular em adultos mais velhos. Fiatarone e co- laboradores [24] mostraram que até mesmo indivíduos acima de 90 anos podem conseguir ganhos de força com treinamento resistido de 8 semanas [32]. Em um outro estudo, realizado durante 12 meses, mulheres idosas tiveram um ganho de força durante todo o período de treinamento [35]. Estudos recentes mostram com riqueza de dados essas comprovações. Um estudo feito por Marin et al. [1], verifi cou-se que com o simples acréscimo de caneleiras de 1Kg nos membros inferiores e superiores em 10 semanas

29

de treinamento em 93 mulheres de 50 a 79 anos, houve um aumento de 23,7% na força muscular dos membros inferiores e 9,8% dos membros superiores. Outro estudo mostrou ganho de força de 14% na extensão isocinética do joelho com 12 semanas de treinamento resistido em homens (65 a 80anos) com DPOC [28]. Suetta [16], mostrou um aumento ainda maior (24%) na força de contração máxima isométrica em idosos de 60 a 85anos. Um estudo mais abran- gente mostrou ganhos de força durante todo período (24 meses) de treinamento resistido de intensidade moderada em 13 homens e 41 mulheres idosas [36]. E fi nalmente, há um estudo que fala sobre ganho de força nas mais variadas intensidades de treinamento resistido [37].

A perda de potência muscular associada com a velhice

Potência muscular é defi nido como a capacidade que o músculo possui de exercer força no menor intervalo de tempo possível [11]. Com o avanço progressivo da idade, há, como já ci- tamos, uma perda das fi bras musculares mais rápidas (tipo II) [11] e também uma diminuição da atividade miosina ATPase [32] . Esses dois fatores proporcionam uma base bioquímica estrutural para perda muscular de força [6] e potência no envelhecimento. Isso pode ser um dos prin- cipais fatores que contribuem para perda das capacidades funcionais e dos mecanismos de segurança relacionado à prevenção de lesões devido à queda em idosos [16,32]. Os efeitos básicos nos componentes elásticos contráteis no músculo podem ser afetados pela idade e podem afetar o desempenho da potência [32]. Além dis- so, com o envelhecimento, capacidade de produzir força muscular explosiva (potência), cai mais drasticamente do que a força muscular máxima [38,39]. Foi estimado que a capacidade de potência em membros inferiores podem ser perdidas em uma proporção de 3,5% ao ano a partir de 65 até 84 anos [40]. Evidências recentes mostraram ganhos de potên- cia em exercícios resistidos, como em um estudo de 12 semanas deste treinamento onde houve um ganho de 19% na potência de extensão da perna em idosos 65 a 80 anos, com COPD [28]. Outro estudo feito com

  • 18 idosos (75 a 94 anos) mostrou melhora na potência

média excêntrica (44%) e concêntrica (66%) em 10 se- manas de treinamento resistido [41]. Existe também, um estudo com 16 idosos (acima de 70 anos), que mostrou melhora de 40% em média, na potência muscular com

  • 24 semanas de treinamento [42]. E ainda, um estudo

feito com mulheres idosas (61 a 75 anos) mostrou me-

lhora na potência da extensão das pernas nas velocidades média (3.14rad/s) e alta (5.24rad/s) em 12 semanas de treinamento de força [43].

30

Dessa forma, o treinamento de potência em idosos pode ser mais importante do que o próprio treinamento de força, pelo fato de atividades diárias tais como, veloci- dade da caminhada, subir escadas, levantar-se de cadeiras, exigem um certo grau de potência muscular [32].

Conclusão

A deterioração normal da função fi siológica com a idade pode atenuar ou reverter com a prática regular de exercícios resistidos, pois ele melhora a capacidade de movimento funcional em adultos mais velhos [44], me- lhorando até a capacidade de caminhar [45]. Esses exer- cícios melhoram a força, potência muscular e reduzem a difi culdade de executar as tarefas diárias em idosos [46]. É possível encontrar profundo efeito sobre a independência funcional de idosos com a idade superior a 100 anos que se submetem ao treinamento resistido [47]. Além disso, resultam em uma melhora da fl exibi- lidade, da agilidade, e fatores neurais [47] e ainda levam à diminuição das lesões causadas por quedas e possui um efeito benéfi co na postura geral [47], tendo também efeito positivo na saúde do tendão [48] e no aumento de massa muscular e densidade mineral óssea [11]. O treinamento resistido melhora, ainda, a capa- cidade muscular submáxima (resistência muscular) em idosos [8]. Por esses motivos, para que se atenue as conseqüên- cias do processo de envelhecimento e garantir uma vida independente na terceira idade, é imprescindível que os idosos possuam uma vida ativa com participação em um programa regular do treinamento de força, assegurando a capacidade funcional para a realização de atividades do cotidiano, ocupacionais e recreativas.

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ATUALIZAÇÃO

Tempo de reação e atividade física

Reaction time and physical activity

Daniel das Virgens Chagas*, Luiz Alberto Batista, D.Sc.**

*Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Instituto de Educação Física e Desportos – Laboratório de Biomecânica & Núcleo de Pedagogia do Movimento Humano, **Coordenador de Pós-graduação do IEFD/UERJ, Coordenador do Laboratório de Biomecânica do IEFD/UERJ

Resumo

O tempo de reação é um componente mensurável importante de nossa integração sensório-motora para o desempenho de distintas tarefas, sejam elas esportivas, profi ssionais ou atividades da vida diária. Um tempo de reação prolongado pode comprometer totalmente a ação do sujeito caso a tarefa motora exija dele uma resposta imediata ao estímulo que lhe foi apresentado. Qualquer fator que prejudique ou benefi cie a velocidade de processamento da informação, ainda que em milésimos de segundo, pode ser determinante desempenho da tarefa motora. O objetivo do presente estudo foi realizar uma compilação de dados que reportem a relação entre exer- cício e tempo de reação. Foi realizada uma busca por computadores e uma busca manual dos documentos que abordassem este tema. O material gnosiológico foi submetido a uma análise exploratória estruturada com base na proposta de Batista (2001). Os achados indicam que, apesar da concentração de estudos nesta linha, o efeito crônico da atividade física sobre o tempo de reação ainda não está bem defi nido, tampouco o efeito agudo do exercício sobre o mesmo. Há uma escassez de estudos que investiguem o efeito agudo do exercício no tempo de reação, bem como uma carência de pesquisas longitudinais entre exercício e tempo de reação.

Palavras-chave: exercício, velocidade de reação, efeito crônico, efeito agudo.

Abstract

Reaction time is a measurable important component of our sensory motor integration to performance diff erent tasks, as sports, as professionals or diary life activities. A prolonged reaction time may damage completely the subject action if the task requires him an immediate answer to stimulus that it has been introduced. Anything comes to damage or to improve the information processing speed, although being short time, may be determinant on motor task performance. Th e purpose of this study was to realize a compilation of data that have reported exercise and reaction time relationship. A search through computers was done and a manual search for documents related to this theme. Knowledge material was submitted to exploratory analysis based on Batista proposal (2001). Th e fi ndings show that, although the concentration of researches on this line, the chronic physical activity eff ect on reaction time is not well established yet, neither the acute exercise eff ect on it. Th ere is a limited researches that have investigated the acute exercise eff ect on reaction time, as well as limited longitudinal researches between exercise and reaction time too.

Key-words: exercise, reaction speed, chronic eff ect, acute eff ect.

Artigo recebido em 10 de abril de 2006; aceito em 12 de abril de 2006. Endereço para correspondência: Daniel das Virgens Chagas, Laboratório de Biomecânica, Instituto de Educação Física e Desportos, Pavilhão João Lyra Filho, bloco F, sala 8122, Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã – 20550-900 Rio de Janeiro – RJ.

ação & movimento - janeiro/fevereiro 2006;3(1)

Introdução

A velocidade de reação é um fator importante em diversas tarefas motoras, em especial naquelas em que é necessário reagir prontamente a um evento ou estímulo. É sabido que nas saídas de provas de velocidade, qual- quer atraso adicional pode comprometer o resultado total do atleta, visto que a disputa se dá por milésimos de segundo. Do mesmo modo, o goleiro no futebol, para realizar sua defesa com sucesso, deve reagir o mais rápido possível quando a bola muda repentinamente de trajetória ao se aproximar da meta. Ambos os exemplos confi rmam, ainda que sucintamente, a importância da velocidade de reação nas tarefas motoras presentes em atividades esportivas. Assim como nas atividades esportivas, o tempo de reação também é um componente mensurável de nossa integração sensório-motora para o desempenho de atividades da vida diária, seja para evitar uma queda, agarrar um objeto ou dirigir um automóvel. Qualquer atraso adicional, ocorrido nas distintas situações acima citadas, pode comprometer totalmente a ação motora do sujeito, por muitas vezes inviabilizando a efi cácia da resposta. No caso da atividade física, suspeitamos que ainda se busca acumular evidências que corroborem ou refutem a hipótese de que o exercício acarreta benefícios para a velocidade de processamento da informação, pois que ainda não se tem bem estabelecida a relação entre exer- cício e tempo de reação. Nesta relação entre atividade física e velocidade de reação, o status do tempo de reação logo após a prática de um exercício físico rigoroso, aparece como uma variável importante. Ao que parece um atraso adicional, induzido pela prática de atividade física, pode comprometer o desempenho de tarefas motoras que dependem desse mecanismo e que venham a ser realizadas imediatamente após o término da prática, como por exemplo, aquelas que se apresentam quando da condução de um veículo. Diante disto, o conhecimento sobre o comporta- mento do tempo de reação imediatamente após a ativi- dade física parece ser tema relevante, sendo necessário identifi carmos de que forma, com que abrangência e profundidade ele vem sendo tratado pela literatura pertinente. Sendo assim, este estudo foi realizado com o obje- tivo de promover a compilação de dados que reportem a relação entre atividade física e tempo de reação, como forma de estimarmos o estado da arte no que tange as investigações sobre o efeito crônico e agudo do exercício no tempo de reação das pessoas.

Terminologia

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Para Marteniuk [1], o tempo de reação é defi nido como o atraso ocorrido entre a apresentação de algum evento ou estímulo a um indivíduo e a iniciação do mo- vimento. Harrow [2] defi ne tempo de reação como sendo o tempo que decorre entre o início de um estímulo e o início da resposta ao mesmo. Para Schmidt [3], tempo de reação é o intervalo de tempo ocorrido entre um estímulo não-antecipado, e repentinamente apresentado, e o início da resposta. Segundo Magill [4], tempo de reação é o intervalo de tempo entre o disparo de um sinal (estímulo) e o início de uma resposta de movimento.

Classifi cações do tempo de reação

Em situações mais simples de reação, como na largada de 100 metros rasos em uma prova de atletismo, geralmente os indivíduos apresentam menores valores no tempo de reação. Tais situações de reação são caracteri- zadas como tempo de reação simples, o qual, segundo Schmidt [3], é o intervalo de tempo que decorre da apresentação de um estímulo não-antecipado ao início da resposta. A largada de uma prova de velocidade no atletismo e na natação são exemplos de situações de tempo de reação simples. A opção de estímulo é única (sinal sonoro de largada) e os atletas já sabem qual mo- vimento fazer. Existem, também, situações em que há mais de uma alternativa e, portanto, mais de uma opção de resposta. Tais situações são classifi cadas como tempo de reação de escolha. Segundo Schmidt [3], tempo de reação de esco- lha é o intervalo de tempo entre a apresentação de um dos vários estímulos possíveis e o começo, não-antecipado, de uma das várias respostas possíveis. Como ilustração de situações de tempo de reação de escolha, temos o tempo que um goleiro de futsal leva para identifi car o estímulo (chute), selecionar a resposta (defesa do chute) e progra- mar a resposta (programar a defesa) e, assim, iniciar o movimento de resposta. No exemplo citado, existe mais de uma possibilidade de direção do chute, logo, mais de um estímulo possível. Conseqüentemente, existe mais de uma opção de resposta. Assim pode ser caracterizado o tempo de reação de escolha. Tempo de reação é o intervalo de tempo entre um estímulo não-antecipado e o início da resposta. Diferen- te, portanto, de tempo de movimento, que se refere ao tempo que o indivíduo leva para executar o movimento completo. Tempo de movimento é o intervalo de tempo entre o início da resposta (movimento) e o seu fi m [4]. Logo, o tempo de movimento começa quando o tempo de reação termina.

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Recepção do estímulo

O estímulo pode ser qualquer tipo de energia dissipada no meio ambiente. Os receptores sensoriais detectam a energia, caso esta tenha intensidade sufi ciente para sensibilizá-los, e a transformam em potenciais bioe-

létricos, que são alterações lentas da voltagem da mem- brana que podem ser transformadas posteriormente em potenciais de ação, a unidade digital de código do sistema nervoso [5]. “A função primordial dos sistemas sensoriais é realizar a tradução da informação contida nos estímulos

ambientais para a linguagem do sistema nervoso” [5]. Os receptores sensoriais convertem energia de uma forma em outra por meio de um processo conhecido como transdução [6]. Segundo Bear, Connors e Paradiso [7], transdução (do latim transducere, que signifi ca “conduzir de um lugar para o outro”) é o processo pelo qual um estímulo ambiental causa uma resposta elétrica em um receptor sensorial. “A tradução da energia incidente em potenciais receptores é chamada transdução, e a conversão análogo-digital destes para potencial de ação é denominada codifi cação” [5]. Os receptores sensoriais são específi cos na detecção do estímulo, isto é, são discriminatórios quanto à natu- reza dos estímulos. Eles podem ser mecanorreceptores (energia mecânica), termorreceptores (energia térmica), fotorreceptores (energia luminosa), quimiorreceptores (energia química) e nociceptores, que detectam a dor,

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através de mecanorreceptores, termorreceptores e qui- miorreceptores [8-10, 5, 7]. Na maior parte dos casos, em estudos sobre tempo de reação, as fontes de estímulo são visuais ou sonoras. O disparo do tiro na largada das provas de atletismo e natação, uma nota musical, o disparo de uma buzina, o apito de um professor ou de um árbitro, e muitos outros possíveis exemplos, são tipos de estímulos sonoros. Figuras, luzes e ações mecânicas humanas po- dem ser utilizadas como fontes de estímulo visual. O tempo de reação é mais curto quando são apre- sentados estímulos sonoros do que quando são apresen- tados estímulos visuais devido às diferenças neuroana- tômicas no fl uxo do processo que serão explanadas mais à frente. Entretanto, existem outras fontes de estímulo que nossos receptores sensoriais são capazes de captar, dentre as quais, as principais são: temperatura, tato, dor, propriocepção, olfato e gustação, além de outros sistemas de detecção química [5,7-10]. O estudo sobre os sentidos pode ser dividido, metodologicamente, em 4 partes:

Os sentidos do corpo (somestesia): o tato, a termos- sensibilidade, a propriocepção e a dor; O sistema auditivo; • O sistema visual; • Os sentidos químicos (olfatório, gustatório e outros sistemas de detecção química, como a detecção de substâncias irritantes e poluentes nas mucosas fa- ciais).

Tabela I – Os sistemas sensoriais humanos e seus receptores.

Modalidade

Submodalidade

Estímulo específico

Órgão Receptor

Tipo Funcional

Visão

Todas

Luz

Olho

Fotorreceptores

Audição

Todas

Vibrações mecânicas do ar

Ouvido

Mecanoceptores auditivos

 

Tato

Estímulos mecânicos

_

Mecanoceptores

Sensibilidade

Calor e frio

 

Termoceptores

térmica

_

Somestesia

Dor

Estímulos mecânicos, tér- micos e químicos intensos

_

Nociceptores

Propriocepção

Movimentos e posição estática do corpo

_

Mecanoceptores

Olfato

Todas

Substâncias químicas

Nariz

Quimioceptores

Paladar

Todas

Substâncias químicas

Boca

Quimioceptores

Fonte [5]

Cada divisão sensorial apresentada possui uma área correspondente no sistema nervoso central. O lobo parietal agrupa funções de sensibilidade corporal, o lobo temporal representa a audição e o lobo occipital concentra as funções relacionadas à visão [9,10,5]. O olfato está representado pelo bulbo olfatório e pelo

córtex piriforme. Os quimiorreceptores gustatórios e fi bras aferentes de três nervos cranianos se conectam ao núcleo do trato solitário, no tronco encefálico, onde será distribuída a informação (gustatória) para o tálamo e o córtex, ou para regiões de controle da digestão e outras funções orgânicas [5].

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Freqüentemente, tanto em situações desportivas quanto em atividades da vida diária, as pessoas efetuam uma reação motora a partir de um estímulo apresentado. Em uma aula de Educação Física, os alunos são orien- tados a correr o mais rápido possível após o disparo do apito. No handebol, o goleiro tem que reagir rapidamente após o “chute” do jogador adversário. No ônibus, quando o motorista freia repentinamente o veículo, os passageiros também têm que reagir o mais rápido possível, segurando em algum apoio fi xo que os cercam, para evitar uma queda. Tais situações descritas são exemplos da relação estímulo-resposta.

O fl uxo do processo

O tempo que um indivíduo leva para reagir está relacionado com a preparação do movimento. Segundo Marteniuk [1], quando um indivíduo apresenta uma habilidade perceptiva-motora, há numerosas operações

do sistema nervoso central que precedem o movimento. Para Enoka [6], a preparação envolve a conversão de uma idéia para a apropriada força e padrão da atividade muscular necessária para um movimento desejado. Ma- gill [4] salienta que “o movimento planejado não ocorre instantaneamente”.

Em situações desportivas, como na resposta a uma jogada do tenista que ataca, na resposta de um defensor contra um driblador e tantos outros momentos, é neces- sária uma preparação do movimento antes da execução. De maneira semelhante, a preparação do movimento ocorre nas atividades da vida diária, quando uma dona de casa reage para pegar um copo que caiu da prateleira ou