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EBÓ BRANCO Aqui é apresentado um Ebó Branco, que pode ser usado como referência para todos os Boris. Pode ser passado em qualquer pessoa que necessite passar por esse ato. Materiais Necessários:

· 10 Pedaços de Morim branco com 10cm · 10 Bolas de Agúa · 10 de Bolas de Mel · 10 Akarajés – feitos em Azeite Doce · 10 Akaças Branco · 10 Kiabos – Crú · 10 Moedas – de Valor Atual (Prata) · 10 Búzios – Abertos – Se for feito dentro do Axé, as partes retiradas deverão ser colocadas em Èsú. · 10 Caixa de Fósforos · 10 Velas Brancas – Tamanho Padrão · Ebô (Canjica) · Um pano para levar o Ebó – O mesmo é posto sobre os pés da pessoa enquanto se passa o Ebó. Obs: Não se usa mel aos filhos de Odé. Assim como não se usa dendê em filhos de Òsàlá. Modo de Fazer:

Estende-se pano no chão. Pede para que a pessoa fique em pé sobre ele. Colocar em cada lado da pessoa, cinco pedaços de pano. Ir passando tudo no corpo da pessoa, colocando em cada pano, começando pelos que estão do lado esquerdo. Em seguida colocar tudo no pano do chão juntar tudo amarrar no alto da arvore frondosa em de preferência que dê frutos. Cantigas de Ebó Saara rè ebó kú ònòn, Sacudo-lhe com ebó, para pôr a morte no caminho (mandar embora) Saara ré ebó kú ònòn ó Sacudo-lhe com ebó, para pôr a morte no caminho (mandar embora)

<a href=FOLHAS, MACHO,FÊMEA, ESSENCIAIS AO CANDOMBLÉ As folhas são essenciais para o Candomblé. Todos do Axé sabem que Sem folhas não há Orixa " ko si ewe Ko si Orisá ". Consulte um Babalorixá ou Iyalorixá antes de fazer uso das folhas . Cada uma tem o seu segredo, use-a com sabedoria. "Folhas sagradas, Ewé Orò ou Folhas de Orô é como são chamadas as folhas, plantas, raízes, sementes e favas utilizadas nos preceitos e cerimônias como água sagrada das Religiões Afro-brasileiras. A folha tem uma importância vital para o povo do santo, sem ela é impossível realizar qualquer ritual, dai existe um termo curriqueiro do povo do santo que diz: ko si ewe, ko si Orixa ou seja, (sem folha não existe Orixá). Todas as folhas possuem poder, mas algumas têm finalidades específicas e nem todas servem para o banho ritual, nem para os ritos. O seu uso deve ser estritamente recomendado pelo Babalorixá ou em comum acordo com o Babalosaim (sacerdote conhecedor da ação, reação e consequência do poder das folhas), pois só estes sabem a polaridade energética, "positiva ou negativa" de cada uma delas e a necessidade de cada indivíduo. Para sua utilização nos ritos, deve-se saber as Sasanhas (cânticos específico para folha) e o Ofó (palavras sagradas) que despertam seu poder e força "axé". Ossaim é o grande Orixa das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas, pode trazer progresso e riqueza. É nas folhas que está à cura para varios tipos de doenças, para corpo e espírito. Portanto, precisamos lutar sempre por sua preservação, para que conseqüências desastrosas não atinjam os seres humanos. Água sagrada, Agbo ou simplesmente água de Abô, são os nomes usados pelo povo do santo para denominar a mistura de folhas sagradas, usada na feitura de santo até a ultima obrigação chamada de axexe. Sua utilização é larga e irrestrita, significando principalmente a ligação entre o Orum e " id="pdf-obj-1-4" src="pdf-obj-1-4.jpg">

As folhas são essenciais para o Candomblé.

Todos do Axé sabem que Sem folhas não há Orixa " ko si ewe Ko si Orisá ".

Consulte um Babalorixá ou Iyalorixá antes de fazer uso das folhas . Cada uma tem o seu segredo, use-a com sabedoria.

"Folhas sagradas, Ewé Orò ou Folhas de Orô é como são chamadas as folhas, plantas, raízes, sementes e favas utilizadas nos preceitos e cerimônias como água sagrada das Religiões Afro-brasileiras.

A folha tem uma importância vital para o povo do santo, sem ela é impossível realizar qualquer ritual, dai existe um termo curriqueiro do povo do santo que diz: ko si ewe, ko si Orixa ou seja, (sem folha não existe Orixá).

Todas as folhas possuem poder, mas algumas têm finalidades específicas e nem todas servem para o banho ritual, nem para os ritos. O seu uso deve ser estritamente recomendado pelo Babalorixá ou em comum acordo com o Babalosaim (sacerdote conhecedor da ação, reação e consequência do poder das folhas), pois só estes sabem a polaridade energética, "positiva ou negativa" de cada uma delas e a necessidade de cada indivíduo.

Para sua utilização nos ritos, deve-se saber as Sasanhas (cânticos específico para folha) e o Ofó (palavras sagradas) que despertam seu poder e força "axé".

Ossaim é o grande Orixa das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas, pode trazer progresso e riqueza. É nas folhas que está à cura para varios tipos de doenças, para corpo e espírito. Portanto, precisamos lutar sempre por sua preservação, para que conseqüências desastrosas não atinjam os seres humanos.

Água sagrada, Agbo ou simplesmente água de Abô, são os nomes usados pelo povo do santo para denominar a mistura de folhas sagradas, usada na feitura de santo até a ultima obrigação chamada de axexe.

Sua utilização é larga e irrestrita, significando principalmente a ligação entre o Orum e

Aiye (mundo dos Orixás e o dos Homens). Proporcionando o fortalecimento físico e espiritual, prevenindo e até mesmo curando certos tipos de doenças, segundo alguns estudos. (Barros 1993:81). Também usado na sacralização de objetos como fio de contas e espaços sagrados.

Sua preparação é complexa, com ritos que pode durar até sete dias. A presença de um Babalorixá e de um Babalosaim é indispensável para sua confecção, pois neste ato litúrgico são exaltados os cânticos de sasanha.

Além de respeitar horários para a colheita das 16 folhas sagradas, sendo oito tipos de folha chamada "fixas" (Ewe Oro) e 8 tipos de folhas "variáveis" (Ewe Orixás), de acordo com o Orixá que se esteja trabalhando, são utilizados, obi, orobo , azeites, mel e até mesmo (Ejé) sangue de animais sacrificados, entrarão nesta misteriosa mistura, tão importante para cultura afro.

Ewe oro e Ewe Orixás são folhas sagradas pertinentes a cada terreiro, podendo variar de acordo com sua regência, todavia são escolhidas ou herdadas de forma ordenada, geralmente seguindo um equilíbrio: folha gún (excitante "quente") , seu significado em nagô é "chama transe", associada com uma folha èrò (calma "fria"), que é catalisadora da propriedades de outras plantas, formando assim uma parceria perfeita, para uma sintonia harmônica .

Aiye (mundo dos Orixás e o dos Homens). Proporcionando o fortalecimento físico e espiritual, prevenindo e

As folhas gún ou èrò podem ser macho (agboro) ou fêmea (Yagbá). Na realidade o que distingue sua associação são as formas, se pontiagudas são consideradas masculinos se arredondadas femininos, todas elas tem o domínio do Orixá Osanyin. Folhas alongadas ou que possuem forma fálica são masculinas. Folhas arredondas ou que possuem formas uterinas são femininas

As folhas consideradas masculinas estão associadas aos orixás masculinos, bem como as femininas, aos orixás femininos, todavia, eventualmente encontraremos algumas folhas femininas usadas para orixás masculino e algumas masculinas utilizadas para as ìyába, o que reflete a própria relação familiar dos orixás masculinos com femininos e vice versa. Como exemplo vemos que, sendo Ògún filho de Yemanjá, as folhas femininas usadas para esta ìyába é freqüentemente usada para este orixás e vice versa.

Dentro, ainda de uma visão binária, os jêje-nagô consideram, ainda que as folhas possam estar posicionadas no lado direito - apá ọÌtún -, que é masculino e positivo em oposição ao esquerdo - apá òsì - que é feminino e negativo. Os compartimentos que contem as Ewé Inón (Folhas do Fogo) e Ewé Afẹìfẹì (Folhas do Ar) estão associados ao masculino, elementos ativo e fecundantes. As Ewé Omí (Folhas da Água) e as Ewé Ilé (Folhas da Terra) se ligam ao feminino, elementos passivos e fecundáveis.

Todavia, essa não é uma condição sine qua non quando analisamos mais

detalhadamente a utilização dos vegetais, pois, percebemos que algumas folhas

positivas se relacionam com o lado esquerdo ou feminino e vice-versa, daí,

encontrarmos folhas femininas usadas com fins positivos e folhas masculinas

consideradas negativas. Verger (1995:25) cita, pôr exemplo, "que entre as folhas há

quatro conhecidas como (

...

)

as quatro folhas masculinas (pôr seu trabalho maléfico)

...

;

e quatro outras tidas como antídotos

...

".

Entre estas últimas êle inclui o ỌÌdúndún, que é

uma folha feminina, porém, positiva, o que nos faz crer que as diversas condições

binárias não interagem de modo rígido entre si, mas sim transitam dinamicamente de

um lado para o outro, pois, como vimos, uma folha masculina pode estar situada junto

aos elementos da esquerda pôr ser considerada negativa e vice-versa.

De grande importante, também, na classificação dos vegetais são as condições binárias

gún (de excitação) x ẹÌrọì (de calma), pois, são aspectos das folhas, que dão equilíbrio

às misturas vegetais, quando bem dosadas de acordo com a situação de cada indivíduo.

Os vegetais considerados gún estão ligados aos compartimentos Fogo ou Terra,

enquanto que, os considerados ẹÌrọì, relacionam-se com os da Água ou Ar. Estas

condições são interpretadas corriqueiramente pelas pessoas do candomblé como fria

(ẹÌrọì) ou quente (gún).

Quando utilizadas nos rituais de iniciação ou nos trabalhos litúrgicos, os vegetais

classificados como ẹÌrọì tem a função de abrandar o transe, apaziguar ou acalmar orixá,

contrariamente, os considerados gún servem para facilitar a possessão e excitar o orixá.

Os vegetais gún e ẹÌrọì são identificados, normalmente, segundo seu nome ou sua

finalidade. È importante notar que o ọfọÌ (encantamento) é que determina a função da

folha, pois, embora exista todo um sistema classificatório para os vegetais, cada folha

traz em si a função a qual ela se destina. Como exemplo: Peregún que no seu ọfọÌ é

considerado o senhor da maldição, tem a finalidade de retirar maldições das pessoas.

Ewuro, a folha amarga, tem por função retirar o amargo da vida. Teté, Rinrin e Odundun

são folhas calmantes, mas, também, com função de atrair prosperidade para seus

usuários.

Esses pares se interrelacionam e produzem a harmoniosa das preparações (omi ẹÌrọì,

amasí) constituindo-se em referencial das 16 "folhas" ewé ẹÌrìndínlógún que devem

estar combinadas, das quais oito são constantes e denominadas de ewé órò, e as

restantes variáveis ewé òrìs à e empregadas de acordo com o òrìs à do indivíduo a que se

destina o preparado e/ou à situação específica (lavagem de contas, de otá, feitura de

santo, beberagem, etc.).

O quadro abaixo esquematiza as nossas colocações, assim como permite visualizar o

equilíbrio imanente às preparações vegetais. Cabe, ainda, explicitar o que é entendido

como omi ẹÌrọì literalmente água que acalma trata-se de preparado à base de vegetais

macerados, aos quais é acrescentada omì água (elemento essencialmente ẹÌrọì) e ẹÌjẹÌ

(sangue) dos animais sacrificados (elemento gùn), sendo então colocado em recipiente

apropriado (porrão, vaso de barro) e deixado para fermentação. Cabrera (1980a:181)

assim o define O Omièrè (

...

)

se compõe das folhas correspondentes a cada Oricha e

das seguintes espécies usuais (

...

)

Àwọìn Ewé

Tìtì

ẸÌrọì

Jọìkọìjẹ Àgbaó

ì

Gún

ẸÌrọì

TẹÌtẹÌ

ẹÌgún

Gún

Rín

Rín

ẸÌrọì

gbì

ẸÌrọì

GbọÌrọÌ

ayaba

Gún

Étìpọìnlá

Gún

Fem.

Fem.

Masc. Masc.

Fem.

Yèmọnja ỌÌsùnṣ

Sṣàngó Òs àlà

ỌÌsùnṣ

Masc.

ỌÌsányi

n

Fem.

Masc.

Àwọìn ayaba Sṣàngó

Esta preparação também é conhecida no Brasil com a designação de Àgbó, água dos

òrìsàṣ , considerada de múltipla utilidade e um dos àsé mais importante dos ilé òrìs à.

Cabe ressaltar que existem distinções na sua composição, independentes da variação das

espécies vegetais que o compõem "ewé òrìs à e, conseqüentemente do elemento

relacionado. Em primeiro lugar, existe o Àgbó para os òrìs à funfun, sem azeite de

dendê epó e sem sal iyò, e o àgbó dos ébóra òrìs à-filhos que, por sua vez, é

diferenciado de acordo com a substância mítica relacionada à cada um desses òrìs à.

Portanto, a diferenciação dos àgbó está relacionada com os èwò proibições alimentares

elementos que se referem diretamente às substância-símbolo da essência do òrìs à e que

aparecem explícitas nos mitos de criação e/ou nos textos dos Odù.

O mel, por exemplo, não pode ser incluído entre os elementos que compõem o àgbó

ỌÌs ọìọÌsi, pois é um dos seus interditos alimentares, enquanto está presente nas

preparações destinadas a todos os outros òrìs à, o mesmo sucede com o dendê em

relação a Òsàlá.

Verger (1968a), estudando o papel das plantas litúrgicas entre os Yórùbá, vai dividi-las

em duas categorias: "igègùn òrìs à" e "èrò òrìs à", a primeira categoria para "excitar os

òrìs à" e a segunda para "calmar os òrìs à". Explicita quanto ao termo "gùn" que este

significa "montar" e induz a idéia de cavalgar, sendo que os adeptos que são possuídos

pelas divindades são denominados de "elégùn" ou "esín òrìs à" cavalo do deus

concluindo que as espécies colocadas sob esta categoria servem para propiciar a

possessão. Contrariamente, as plantas classificadas como de calma (èrò) teriam o efeito

de abrandar o transe, apaziguar o òrìs à. Estas categorias mencionadas por Verger foram

extraídas de textos dos Odù e no curso de nosso trabalho conseguimos identificá-las nas

"kòrín ewé" ou "cantigas de folha", integrantes do ritual "Àsà Òsányìn" ou como

chamada Sasanho, no qual as espécies são louvadas antes de serem empregadas. Os

textos das cantigas aparecem mais adiante na linguagem ritual e em tradução para

apresentar o significado, tanto literal quanto a dos grupos Jêje-Nagô.

O termo gùn aparece com a mesma conotação nas cantigas que visam detonar o àsẹṣ da

"folha" PẹÌrẹÌgún e da "folha" TẹÌtẹÌ ẹÌgún. Quanto à categoria èrò, podemos encontrá-

la explícita nas cantigas que se referem a ìrókò (Ficus doliaria, M., Moracease, Ba-35) e

ỌÌdúndún, espécies conotadamente de calma, tanto no Brasil, como em Cuba e na

Nigéria "(

...

)

evocam a idéia de retorno à calma através do emprego de folhas de

ỌÌdúndún e da água contida na concha do caramujo.

No Brasil, entretanto, estas categorias aparecem também sob a denominação de

"positivas" e "negativas", servindo como medida para o estabelecimento do equilíbrio

das preparações, sendo mesmo "que se deve Ter muito cuidado ao juntar as folhas, pois

pode acontecer algum problema se não forem vem casadas", segundo a maioria de

nossos informantes.

A paridade e a complementaridade com a combinação exata dos pares Macho/Fêmea e

Agitação/Calma também é observada no preparo de amasi banhos destinados a induzir

bem-estar, nos quais somente são empregadas "folhas verdes", recém-coletadas,

maceradas e imediatamente usadas. Os amasi aqui no Brasil são chamados de Omièrò,

Maupoil (1943:143) faz menção a preparações "compostas de folhas e d'água (ama-si)"

com a mesma finalidade. Então, se a paridade é uma constante nas preparações

mencionadas, significando o estabelecimento de equilíbrio, a imparidade aparece

diretamente relacionada à desordem, ou seja, ela é quem pode resolvê-la e através de

sua ação (movimento) reconduzir à ordem, ao equilíbrio.

O movimento é a mediação que produz uma comunicação que, por sua vez, restabelece

a ordem. Esta ação, portanto, é associada à imparidade nos ritos de limpeza e/ou

purificação, que vão produzir o bem-estar, advindo da estreita ligação com os òrìs à. A

limpeza e a purificação rituais os "sacudimentos", cujo sentido explícito de movimentos

se encontra na denominação do rito, são realizados com número ímpar de espécies

vegetais (1,3,7) e visam anular a desordem proveniente de um estado de "doença". Este

estado, contudo, não se refere apenas a distúrbios fisiológicos, mas, sobretudo, à ruptura

da ligação (falta de comunicação) necessária para o bem-estar (saúde) entre os árá-aiyé

e os árá-òrún, entre a oposição binária complementar fundamental, entre a vida e a

morte, entre o natural e o sobrenatural.

Em suma, a desordem é equalizada à doença (mal-estar físico e/ou social). A volta à

ordem é propiciada pela ação que a imparidade produz, a mutação de um estado de

"doença" para o de "saúde" implica, pois, na imparidade, da mesma forma que a

ordem/equilíbrio supõe a paridade. A imparidade, simbolizando a impureza, somente

através do emprego de elementos vegetais ou não, em número ímpar, pode trazer a

ordem/pureza.

Dentro da lógica do sistema de classificação dos vegetais foi detectada, além dos pares

Macho/Fêmea, Agitação/Calma, outra sub-divisão, a das plantas substitutas, aquelas que

são ewé ẹrú - folhas escravas das outras. Estas espécies estão diretamente relacionadas

à folha principal de cada uma de nossas categorias-chave. Assim é que, por exemplo, a

principal no compartimento fogo, ewé inón estão unidas outras espécies denominadas de

suas "escravas", que podem substituí-las ou a ela se agregar para a obtenção de fins

almejados. Tal associação implica, portanto, na noção de Família empregada na

classificação botânica clássica. Da mesma forma, as substituições podem ser efetivadas

à nível de espécie: em vez de ỌÌdúndún pode ser empregada Àbámodá, ambas

pertencentes à categoria èrò e também ao compartimento ewé omi. Dalziel (1948:28) se

refere a ewé Àbámodá como o que você deseja, você faz em tradução literal do nome, e

acrescenta que ela também é chamada de ẹrú-ọÌdúndún escravo de ọÌdúndún. Percebe-

se o estabelecimento de uma extensa rede de "relações de parentesco" entre as folhas

principais e suas substitutas afins. A existência destas afinidades também percebidas por

Cabrera (1980a:179) está de acordo com o cuidado recomendado por nossos

informantes, na composição harmônica de uma preparação, pois uma não-afinidade

pode causar malefícios; assim é que as "folhas" de Şàngó nunca devem ser colocadas no

Àgbo de Ọbalúwaìye, da mesma forma que os "seus quartos devem ser separados".

Estas precauções estão fundamentadas nos mitos que relatam a constante luta desses

òrìs à pelo coração de Ọya.

O par Macho/Fêmea encontra-se representado primordialmente em Ọgbọì, pertencente a

todo os òrìs à masculinos e em GbọÌrọÌ ayaba, representante de todas as divindades

femininas.

Outras distinções foram percebidas e podem ser resumidas nos seguintes critérios:

todos os vegetais (árvores) possuidores de troncos são reunidos sob a

denominação ampla de igi, notadamente as que se destacam pelo porte

como Ìrókò, Osèṣ , Ẹìkikà.

os vegetais rasteiros, arbustivos ou de caule sésseis estão agrupados

como "kékéré" e geralmente antes da palavra que os designa

especificamente consta o nome ewé (folha): ewé àbamòdá, ewé òsibàtà .

os vegetais parasitas ou não, que têm como substrato outros vegetais, e as

trepadeiras recebem a denominação geral de àfòmón: odán àfòmón

(Phoradendrum crassifolium, Phl et Schl., Loranthaceae, Ba-132) e

àfòmón (Struthantus brasiliensis, Lank, loranthaceae, Ba-80).

Portanto, pode-se inferir do exposto acima que as relações complementares

Macho/Fêmea, Agitação/Calma e os demais pares viabilizam não apenas uma

justaposição por compartimentos (Bastide, 1955:494), mas um encaixamento de

compartimentos, conforme apontado por Lépine (1982:54).

A coerência do sistema de classificação dos vegetais é, portanto, manifestação da

coerência do sistema classificatório abrangente Jêje-Nagô, subjacente ao ethos das

comunidades. Pode-se afirmar que, neste sentido, os vegetais ultrapassam seu sentido

utilitário imediato, são organizados e fazem parte de um sistema classificatório de

ordenação do mundo; estão diretamente relacionados a uma cosmovisão específica e são

constituintes de um modelo que ordena e classifica o universo, definindo a posição do

indivíduo na ordem cosmológica. Assim, os vegetais fazendo parte de um mundo real,

dão-lhe um sentido também. A sua organização dentro de uma perspectiva própria,

torna-os conceitualmente apreensíveis, podendo, por conseguinte, o indivíduo vivenciá-

lo e mover-se dentro deste espaço organizado.

fonte: internet