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ESSA, Sérgio e TONET, Ivo. (2008) Introdução à Filosofia de Marx. São Paulo: Expressão Popular, 1ª ed. 2ª tir. 2009

Introdução

- A filosofia não pode se bastar no âmbito político porque a filosofia é maior que a política. A filosofia tem que dar conta da história e do destino humano.

- Não há filosofia sem cunho político, ou seja, não há filosofia neutra.

As Grandes Linhas do Debate Ideológico Contemporâneo Questão: Devemos ou não, atualmente, manter a exploração do homem pelo homem?

Duas respostas possíveis: Sim (conservadores) x Não (revolucionários)

A

resposta conservadora

Está na essência do homem ser mau: individualista, mesquinho, egoísta.

Como o homem é individualista, a história demonstraria, em diferentes momentos, essa essência mesquinha dos homens.

“Em suma, a resposta conservadora à nossa questão (devemos hoje manter a exploração do homem pelo homem?) afirma que há uma essência humana que faz dos homens necessariamente individualistas. Esta essência não poderia ser alterada pela história, o que impossibilitaria a superação da forma da sociedade atual por uma outra sem classes e sem opressão. Como os homens são essencialmente individualistas, argumentam os conservadores, a melhor sociedade possível é a capitalista.”

O autor cita nesse grupo: M. Heidegger, J. Habermas, H. Arendt, N. Bobbio e J. Rawls.

A resposta revolucionária

o existe uma “essência humana” separada da história.

Os homens são o que eles se fazem a cada momento histórico.

Se a humanidade se fez burguesa, ela também pode se fazer comunista.

{A pergunta é: o homem é obrigado a explorar ele mesmo?

Resposta conservadora: Sim, porque é da essência humana. A história dos homens vai passar, mas sempre reproduzindo essa essência.

Resposta revolucionária: Não existe uma essência humana desligada da história. Se nossa sociedade está estruturada nessa exploração, ela também pode se estruturar num outro modelo.}

A Relação do Homem com a Natureza: o Trabalho.

- os homens, para poderem existir, devem transformar constantemente a natureza.

- o homem transforma a natureza através do trabalho.

- ao trabalhar o homem está transformando a natureza ele precisa transformar a natureza para existir só que ao transformar a natureza, o homem transforma a si mesmo.

- a relação dos animais com a natureza é determinística, ou seja, quando as abelhas modificam a natureza, elas não se modificam a si mesmas.

Prévia-ideação e objetivação

- o homem consegue idear (criar idéias) antes de objetivar/materializar (construir, executar).

- imaginemos que alguém tenha a necessidade de abrir um coco. Há diversas formas de fazê-lo. Uma delas é abrir com um machado. Para tanto, há que se fazer um machado. Como machados não dão em árvores, transforma-se o que se há na natureza para se fazer um machado. Com a natureza transformada em forma de machado utiliza-se este para abrir o coco.

- o que aconteceu?

1. há uma necessidade: quebrar o coco.

3.

o indivíduo projeta, em sua consciência, o resultado de cada uma das alternativas, faz uma

avaliação delas e escolhe a que julga mais conveniente;

4. depois de projetado na consciência (idealizado) o indivíduo age objetivamente.

- objetivação é converter em objeto uma prévia-ideação.

“O resultado do processo de objetivação é, sempre, alguma transformação da realidade. Toda objetivação produz uma nova situação, pois tanto a realidade já não é a mesma (em alguma coisa ela foi mudada), quanto também o indivíduo já não é mais o mesmo, uma vez que ele aprendeu

algo com aquela ação [

]

ao construir o mundo objetivo, o indivíduo também se constrói.”

- o indivíduo ao transformar a natureza, transformou-se, pois adquiriu novos conhecimentos e

habilidades. O indivíduo transformado vai ter novas necessidades e, ao tentar solucionar essas novas necessidades, o indivíduo vai se transformar novamente, e, consequentemente, criar outras novas necessidades.

- 1. A objetivação significa a transformação da natureza no sentido desejado pelos homens;

2. Nenhuma prévia-ideação brota do nada, ela é sempre uma resposta a uma dada necessidade que

surge em uma situação determinada;

3. Como toda objetivação origina uma nova situação, a história jamais se repete.

O Trabalho e a Sociedade.

[15.maio.20XI]

- Não há indivíduos fora da sociedade.

- Portanto, nenhuma prévia-ideação surge do nada. Ela está sempre inserida num contexto, recebendo o acúmulo das experiências passadas e, dada a objetivação, acumulando para as experiências futuras.

Objetivação e sociedade

- A coisa objetivada passa a fazer parte da história dos homens, passa a influenciar e a sofrer influências dessa história, a história humana. Tem, portanto, uma dimensão social, coletiva.

“O objeto construído pelo trabalho do indivíduo possui, portanto, [

]

uma ineliminável dimensão

social: ele tem por base a história passada; faz parte da vida da sociedade; faz parte da história dos homens de um modo geral.”

Objetivação e conhecimento

- Tem a natureza. O ser humano pode transformar a natureza através do seu trabalho. O ser humano transforma a natureza de acordo com suas necessidades. Dada a necessidade, o ser humano imagina uma solução para saciar sua necessidade. Essa atividade mental que o ser humano é capaz de fazer para saciar sua necessidade é a prévia-ideação. Depois de imaginar uma possível forma de resolver seu problema, o ser humano vai executar essa idéia. Essa execução, objetivação, ou ainda, materialização é feita através do trabalho transformando a natureza. Ao transformar a natureza, o homem transforma a si mesmo, pois, adquire novas habilidades e conhecimentos.

1. o trabalho está inserido numa realidade histórica. O trabalho é realizado para saciar alguma

necessidade material anterior.

2. a realização do trabalho, ao saciar a necessidade material anterior, pode criar novas necessidades materiais.

3. além disso, a realização do trabalho gera conhecimento.

- O conhecimento é generalizado em dois níveis:

3-A. o conhecimento gerado num determinado trabalho que é realizado para específica necessidade material, pode ser ampliado e aplicado para outras necessidades.

3-B. o conhecimento produzido por um indivíduo para resolver aquela necessidade material vai se difundir por toda a sociedade. Mais cedo ou mais tarde todo mundo vai saber de que forma alguém solucionou a necessidade que afeta todo mundo.

“O trabalho é o fundamento do ser social porque transforma a natureza na base material indispensável ao mundo dos homens. Ele possibilita que, ao transformarem a natureza, os homens também se transformem. E essa articulada transformação da natureza e dos indivíduos permite a constante construção de novas situações históricas, de novas relações sociais, de novos conhecimentos e habilidades, num processo de acumulação constante.”

O que é, mesmo, um machado?

- Dada uma necessidade material o ser humano imagina uma possível solução e, por meio do seu trabalho, transforma a natureza e cria um objeto que possa resolver o problema.

- a idéia do objeto é diferente do objeto.

- a idéia do objeto precisa da consciência humana para existir. O objeto, uma vez feito, independe da consciência de qualquer pessoa para existir.

- depois de feito, o objeto recebe influências alheias a quem o imaginou e o materializou. O

machado, por exemplo, pode receber influências naturais, ou seja, ser desgastado por chuvas, e influências humanas, e.g. quebrar ao ser utilizado.

- há independência entre a idéia e o objeto, entre a consciência e a realidade. Assim, depois de

feito o objeto tem sua própria história, independente do seu criador. A consciência acaba com a morte do criador, o objeto continua, e ao continuar o objeto receberá a influência de quem o utilizar e influenciará outras consciências que desenvolverão novas soluções para outras necessidades materiais. [e.g. a existência do machado pode ajudar a invenção de um martelo]

“Em outras palavras, a idéia que é objetivada se transforma em objeto. O novo objeto se converte em parte da causalidade e passa a sofrer influências e a influenciar a evolução da realidade da qual é parte. Ao fazê-lo, é submetido a uma relação de causas e efeitos que impulsionam a sua evolução com autonomia frente à consciência que o idealizou.”

- Lukács chama de causalidade essa história própria que o objeto terá, ou seja, “algo que possui um princípio próprio de movimento”.

- Assim, os produtos resultantes do trabalho humano, ou mesmo de todas as ações humanas,

sofrerá influências e influenciará outras ações, sem o controle daquele que o criou, objetivou.

Idealismo e Materialismo.

[5.junho.20XI]

Idealismo: prioridade da idéia sobre a matéria

Materialismo: prioridade da matéria sobre a idéia.

Essas são as duas correntes filosóficas que dominaram desde a Grécia antiga até o sec. 19, mas para termos didáticos serão analisados o idealismo do Kant e o materialismo iluminista francês do sec. 18.

- As duas correntes devem ser analisadas do ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas.

- Antes da dupla-rev. a humanidade dependia muito mais da natureza para sobreviver. Com a

dupla-rev. sobretudo a RI, a humanidade começou a desenvolver suas forças produtivas para se reproduzir e, consequentemente, a depender menos da natureza.

- Como o homem pré-dulpa-rev. dependia muito da natureza, o materialismo francês do sec. 18

achava que os homens eram decorrência direta da natureza; enquanto, os kantianos achavam que

o universo era decorrência da consciência humana.

- Hegel, ao presenciar o desenvolvimento das forças produtivas, resultantes da dupla-rev., diz que na relação entre homem-natureza é o homem quem predomina. Ou seja, não é a natureza, mas o próprio homem, o responsável pela história da humanidade. Mas esse avanço dos homens é feito pela mudança das idéias deles (zeitgeist o espírito do tempo).

- Marx diz que pelo trabalho o homem transforma a natureza. O resultado do trabalho cria novas

possibilidade e novas necessidades. Então, são as novas condições de existência que determinarão

o desenvolvimento da consciência.

- Marx aceita a idéia de Hegel de que o homem faz sua própria história, mas o contradiz ao defender que o trabalho, e não as idéias, é que vai evoluindo.

O materialismo

- tudo é matéria, inclusive as idéias.

- o materialismo não apreende o papel das idéias no desenvolvimento histórico. Para ele, a história se reduz a um movimento mecânico de leis que se impõe de forma inevitável aos seres humanos.

- não consegue ver as coisas como uma evolução, mas sim como uma coisa mecânica e forçada.

O idealismo

- O idealismo teve maior desenvolvimento que o materialismo.

- isso não é por acaso: diante de uma sociedade de classes em que um manda e outros trabalham.

E aqueles que mandam só o fazem pq os outros trabalham, é fácil ver pq o idealismo teve tanto espaço.

- a sociedade de classes cai como uma luva para a tese idealista, na qual a sociedade só existe por causa das idéias. A partir das idéias as coisas se moldam.

“O pressuposto do idealismo é o reconhecimento do papel ativo, decisivo, das idéias e da consciência humana na história.”

- pelo que eu entendi, se vermos o idealismo como uma expressão de determinada sociedade de

classes, teremos que o idealismo diz que são as idéias que determinam como será a matéria. E, quem eram os idealistas? Aqueles que podiam pensar, ou seja, aqueles que não trabalhavam. Então, o idealismo serve pra justificar a sociedade de classes, como quem diz: olha trabalhador, sou eu quem mando, pq eu penso. Sem minhas idéias vc não existiria. (ocultando o fato de que só pq alguém trabalha que pode haver uma “elite intelectual”).

- todo conhecimento humano passa pelos sentidos. Sem as sensações nenhum conhecimento seria possível.

As sensações tem, contudo, duas limitações fundamentais:

elas são produzidas através de alguém, o que significa que informam como percebemos as coisas, mas não nos dizem como as coisas são.

As sensações sozinhas não dizem muita coisa, algo precisa conferir significado pra elas, e esse algo é a razão. A razão é algo intrínseco ao ser humano que adéqua as sensações ao universo, ou seja, ao tempo e o espaço em que elas estão ocorrendo.

- para os kantianos não se pode saber o que as coisas são, mas sim o que nós pensamos que elas são, através de nossas sensações, adequadas a um determinado tempo e espaço por nossa consciência. Essa consciência vai se desenvolvendo.

- a história passa a ser vista como o resultado de uma luta de idéias, ou de um processo constante de auto-aperfeiçoamento do espírito humano.

O que Marx aproveita:

Idealismo: o papel decisivo das ideais;

Materialismo: o fundamento material do espírito humano;

O que Marx critica:

Idealismo: não percebe o peso determinante da vida social objetiva sobre as concepções de mundo;

Materialismo: não reconhece o papel ativo das idéias sobre o desenvolvimento humano.

O materialismo histórico-dialético

- o homem é, ao mesmo tempo, distinto e dependente da natureza.

- A dupla-rev influencia muito o pensamento de Marx.

- A Revolução Industrial, ao elevar as forças produtivas a um novo patamar, contradisse em muito os materialistas iluministas, ao mostrar que muito da história dos homens é independente da natureza.

- A Revolução Francesa deixou ainda mais claro como as idéias dos homens e as possibilidades

objetivas se articulam para compor a história humana. Diferente do que queriam os idealistas, a

história é bem mais do que o desenvolvimento do espírito humano.

“Para Marx, o mundo dos homens nem é pura idéia nem é só matéria, mas sim uma síntese de idéia e matéria que apenas poderia existir a partir da transformação da realidade (portanto, é material) conforme um projeto previamente ideado na consciência (portanto, possui um momento ideal).”

- Em Marx, a matéria é diferente da idéia, mas ambas são igualmente reais.

- A matéria é anterior à idéia, mas qndo a idéia surge ela é tão real quanto a matéria. Tanto assim que a partir dela a matéria poderá ser modificada.

“As idéias são resultado tardio do desenvolvimento do universo, mas isso não as torna “menos reais” do que a materialidade natural.

Nesse preciso sentido, o materialismo histórico-dialético concebe o mundo dos homens como a síntese de prévia-ideação e matéria natural. Nem apenas idéias, nem só matéria, mas uma síntese entre as duas, tipicamente realizada no e pelo trabalho, que origina uma nova forma de ser: o mundo dos homens.”

O conhecimento.

[12.julho.20XI]

Pressuposto: a realidade não é só matéria nem só idéia; antes, é a intensa mediação entre elas, através do trabalho.

De um lado, é pelo trabalho que os projetos ideais são convertidos em produtos objetivos; do outro lado, os produtos objetivos realizados através do trabalho oferece novas possibilidades e necessidades que sustentam e instigam a criação de novos projetos idéias pela consciência.

Realidade

necessariamente articulados.

objetiva

e

realidade

subjetiva

são

dois

momentos

distintos,

mas

sempre

Pelo q eu entendi: diante das necessidades materiais, o ser humano consegue antecipar sua ação para tentar saciar essa necessidade, ou seja, ele imagina alguma coisa que possa fazer para que consiga alcançar o objetivo imposto pela necessidade material. Essa antecipação mental/imaginação é a prévia-ideação. Contudo, na hora da execução da ação imaginada podem acontecer muitas coisas. Porque o ser humano imagina que vá acontecer tal coisa se ele realizar tal ação, mas como o futuro ainda não aconteceu, outras coisas podem acontecer.

Ou seja, eu quero algo, pra conseguir isso, eu imagino uma ação que se eu fizer creio que conseguirei o que eu pretendia. Porém, ao fazer a ação imaginada, no concreto posso ter um outro resultado diverso daquilo que eu esperava. Daí, esse outro resultado vai me impor uma nova realidade, a que poderá me propor novas necessidades e novas possibilidades, daí eu irei imaginar uma nova ação pra poder alcançar o novo objetivo.

Temos, portanto: realidade objetiva → necessidade material → idéia → ação → nova realidade objetiva → nova necessidade material → novas idéias.

A ação motivada pela idéia resultou num resultado não previsto. Esse resultado criou novas possibilidades e necessidades. Essa nova situação imporá que a consciência resolva os novos desafios impostos. Isso é o que o Lukács chama de “período de conseqüências”, o ato retroage sobre a consciência por meio dos efeitos que ela provoca.

“[o período de conseqüências] fornece novas indicações e informações sobre a realidade e sobre o que foi produzido, possibilitando aos homens adquirirem conhecimentos até então sequer

imagináveis. [

por meio dos efeitos que resultam dos nossos atos.”

o “período de conseqüências” abre a possibilidade de conhecermos a realidade

]

Conhecimento e “período de consequências”

“Para que o ato de trabalho alcance seu objetivo, é necessário o conhecimento que possibilite

] Por isso,

quase sempre, o ato de trabalho bem sucedido se baseia em um ‘conhecimento adequado’ da

realidade que foi transformada.”

escolher os meios da realidade que são adequados à objetivação da prévia-ideação. [

- Diante da necessidade material o homem tenta supri-la transformando a natureza, através do trabalho.

- O trabalho só tem êxito, ou seja, consegue transformar a natureza para saciar uma necessidade material, quando se transforma a natureza/realidade objetiva de maneira adequada.

- Para se transformar a natureza/realidade objetiva é preciso conhecer os dados dela que queremos transformar.

- Ao tentarmos conhecer os dados da realidade objetiva que queremos transformar, só conseguiremos conhecer aquilo que se sabe dela até o momento, ou seja, entramos em contato com o conhecimento que foi produzido num determinado momento histórico.

- O conhecimento da realidade, portanto, evolui muito influenciado pelas necessidades e pelos objetivos que se tem a cada momento histórico.

- Ou seja, motivado pelas necessidades materiais, vamos tentar transformar a natureza através do trabalho. Contudo, só iremos imaginar que uma transformação da natureza será capaz de suprir nossas necessidades se primeiramente conhecermos aquela natureza que, num segundo momento, nos proporemos a transformar para saciar nossa necessidade material.

- O conhecimento da natureza/realidade objetiva nos é possível inserido num momento histórico,

resultado de anteriores necessidades materiais. Ou seja, o conhecimento que se entra em contato foi construído.

- Ao executarmos o trabalho esse conhecimento construído será posto a prova. Porque na prévia-

ideação do trabalho tomamos ele como pressuposto. Se o trabalho der errado o pressuposto será questionado, podendo ele receber uma nova compreensão do ser humano (afinal, a madeira não é tão resistente assim, por exemplo).

“a consciência deve refletir a realidade para ser capaz de produzir um conhecimento adequado. Por isso, ao investigar a realidade, é da máxima importância que a consciência possa construir uma idéia que reflita o real do modo mais fiel possível. Contudo, essa fidelidade do reflexo é condicionada pelas necessidades e pelos objetivos que orientam a investigação. O reflexo jamais poderá ser um reflexo fotográfico, mecânico, da realidade. Ele é sempre uma construção da consciência, uma atividade dela. Tal atividade é a apropriação das propriedades da realidade segundo as necessidades e objetivos do momento. E, como essas necessidades e objetivos surgem ao longo da história, todo reflexo do real é historicamente condicionado.”

- Defende-se, portanto, que a realidade e a subjetividade estão sempre em evolução. Por isso mesmo, é impossível um conhecimento absoluto da realidade.

“já que tanto a realidade quanto a subjetividade estão sempre em evolução, é impossível um conhecimento absoluto da realidade. O conhecimento é uma atividade da consciência que, por meio da construção de idéias, reflete as qualidades do real. Por outro lado, o real é um processo histórico. Uma realidade e uma consciência, ambas em movimento, não podem jamais resultar em um conhecimento absoluto, fixo, imutável. Por isso a reflexão da realidade pela consciência é um constante processo de aproximação das idéias em relação à realidade em permanente evolução.

Em suma: conhecemos a realidade externa à consciência porque, ao transformá-la tipicamente pelo trabalho, podemos verificar a validade e a veracidade dos nossos conhecimentos.”

Um pouco de história.

[16.julho.20XI]

Pressuposto: os homens são os artífices de sua própria história

Argumento: ao transformarem a natureza, os homens transformam também a si próprios como seres humanos.

Proposta: verificar o movimento histórico concreto.

A sociedade primitiva

Os homens primitivos são herdeiros da organização social dos primatas, seus antepassados biológicos.

A organização social dos homens primitivos era baseada na coleta de alimentos. Tal atividade

depende muito da natureza, o que forçava o homem primitivo a viver em pequenos bandos migratórios.

Essa atividade de coleta é algo que o homem se vê obrigado a fazer para saciar uma sua

necessidade material: a fome. Para realizar tal trabalho o homem precisa conhecer a natureza, e

ao conhecê-la começa a modificar a si mesmo, pois generaliza o conhecimento que passa a fazer

parte de todo o grupo. O homem só conheceu a natureza porque estava em busca de saciar aquela

sua necessidade material, o fez através do trabalho que foi possível após conhecer a realidade e

ao conhecê-la modificou ao próprio ser humano que transforma a natureza.

“o que caracterizava o trabalho (tomado socialmente) nessa comunidade primitiva era o fato de que todos trabalhavam e também usufruíam do produto do trabalho.”

Conhecendo cada vez melhor o ambiente em que vivia, possibilitou-se o desenvolvimento das forças produtivas. Dali a pouco os homens aprenderam a agricultura e a pecuária, o que deu as bases materiais para um aumento populacional e uma menor dependência da natureza (em relação à condição anterior que impunha a migração). Além disso, a agricultura e a pecuária permitiram que o homem produzisse mais do que necessitava, surgindo um excedente de produção [uma conseqüência imprevista, o que originará em termos lukacsianos um ‘período de consequencias’].

Com a existência do excedente de produção torna-se economicamente possível a exploração do homem pelo homem.

Antes, com a escassez todo mundo lutava pela sobrevivência, uma vez que há excedente (exclui- se a escassez para a condição material de alguém) é faticamente possível alguém que tenha

garantido seu sustento utilizar um acúmulo dos recursos para obrigar alguém que não tenha garantido o sustento a fazer algo em troca dos recursos necessários.

O modo de produção asiático

A sociedade primitiva foi substituída pela sociedade baseada na exploração do homem pelo

homem (tal substituição deveu-se a acumulação de excedente possibilitada pelo desenvolvimento dos meios de produção).

Em seguida da sociedade primitiva houve dois modelos de sociedade baseada na exploração do homem pelo homem, o modo de produção asiático e o escravismo. Vejamos o modo de produção asiático:

Para possibilitar a exploração dos trabalhadores pela classe dominante foi necessária a criação de novos complexos sociais, tais quais o Estado, o Direito, o exército, leis, funcionalismo público, tributos e etc.

{o capítulo sobre o modo de produção asiático é muito fraco, contando com pouco sobre o tal

modo e sendo preenchido por generalidades, importantes, porém nada muito esclarecedor sobre o sistema em tela}

Na comunidade primitiva tinha autoridade, mas não Estado. A autoridade na comunidade primitiva servia pra guiar a comunidade para saciar a necessidade material (geralmente o mais experiente guiando a galera para conseguir matar a fome). Numa sociedade em que o homem explora o homem, o Estado serve para assegurar o domínio de uma classe sobre a outra.

[O autor faz um comentário vago sobre a decadência do modo de produção asiático, me adiantando um pouco em relação ao escravismo, elaborei a seguinte hipótese: o mpa baseava-se

no cultivo de cereais em terrenos alagados e outras técnicas avançadas, mas que necessitavam de

um grande esforço de toda a sociedade. O escravismo, por outro lado, permitia o maior acúmulo

de excedentes, permitindo, portanto, maior desenvolvimento das forças produtivas. O que parece

contrariar essa hipótese é que uma vez que no mpa desenvolveu-se técnicas avançadas, o modo

de produção tb se desenvolve.]

“O Estado é a organização da classe dominante em poder político. Tal poder apenas pode existir

Quanto ao Direito, vale uma observação semelhante. Nas sociedades primitivas não existiam leis:

como os interesses eram bastante parecidos, a tradição e os costumes eram suficientes para organizar a vida social. Os eventuais desacordos e conflitos eram resolvidos a partir de procedimentos e rituais que compunham a cultura tradicional da sociedade. Com a divisão da sociedade em classes, os interesses, agora antagônicos, não podiam ser resolvidos a não ser pela força. A reprodução da sociedade, contudo, ficaria inviabilizada se essa afirmação de força degenerasse cotidianamente em uma luta aberta entre as classes, em uma guerra civil. Evitar que isso aconteça é a função social do Direito. Cabe a ele regulamentar a vida social por meio de leis que jamais ultrapassem a dominação de classe. Como a principal divergência, agora, é entre os que detêm a propriedade dos meios de produção e os que têm apenas a força de trabalho, o objetivo fundamental do Direito será o de regulamentar a vida social de modo a que ela possa se reproduzir sobre a base da propriedade privada.”

O escravismo

As principais sociedades escravistas foram a grega e a romana. O escravismo se caracteriza pela existência de duas classes sociais antagônicas: os senhores e os escravos.

O autor se concentra desde o início nas debilidades do escravismo.

1. como toda a produção pertencia aos senhores, não interessava aos escravos aumentar a

produtividade;

2. para os senhores, a única forma de aumentar a riqueza era aumentando o número de escravos;

3. houve um grande aumento no número de escravos e, para não permitir que eles se rebelassem

os senhores contrataram soldados;

4. a repressão a possíveis insurgências dos escravos era mais eficiente se os senhores unissem

suas forças. Daí a necessidade de um Estado que cobrasse impostos dos senhores para cobrir as despesas militares com a repressão de escravos e a conquista de novos.

5. com muitos escravos era preciso muito exército o que significa muitos gastos. Os senhores não

conseguiam mais suportar tais gastos.

6. Com menos recursos, a crise política e militar aumentou e a economia se desestruturou ainda

mais. Isso permitiu revoltas de escravos e invasões de povos bárbaros, o que redundava num

agravamento da crise que resultou no fim do escravismo.

O

feudalismo e a origem da sociedade capitalista

a transição do escravismo para o feudalismo foi fragmentada e lenta porque não havia o desenvolvimento de forças produtivas que permitissem aos escravos fazer a revolução.

-

Feudalismo

- se deu de formas diferentes de lugar pra lugar;

- o comércio e o dinheiro praticamente desapareceram com a queda do Império Romano

- A auto-suficiência passou a ser uma necessidade; com isso a produção inicialmente regrediu e consequentemente também o desenvolvimento da cultura e da sociedade foram engessados;

- característica do feudalismo: organização da produção em unidades auto-suficientes,

essencialmente agrárias e que serviam também de fortificações militares para a defesa: os feudos;

- o

eram proprietários das suas ferramentas e de uma parte da produção.

trabalho

no

campo

era

realizado

pelos

servos

que,

diferentemente

dos

escravos,

“A queda do Império Romano provocou, portanto, uma regressão das forças produtivas no sentido

mais amplo do termo. Contudo, essa regressão foi, ao mesmo tempo, um avanço. Pois, ao destruir

o escravismo, aboliu simultaneamente todos os entraves ao desenvolvimento histórico típicos

daquele modo de produção. Acima de tudo, aboliu a incapacidade de elevação da produtividade de trabalho que é inerente à condição do escravo.”

- parte da produção ia pro senhor feudal que garantia a defesa do feudo e prometia não expulsar os servos.

- como parte da produção ficavam com os servos que a produziam, era interessante pra eles produzir mais. Daí eles desenvolveram novas técnicas e a produção voltou a crescer.

- Com isso há um aumento populacional dos servos dentro dos feudos.

- Diante desse aumento de população e produção há uma crise no sistema feudal: os feudos possuíam mais servos do que necessitava e produzia mais do que conseguia consumir.

- Frente à crise os senhores feudais rompem o acordo que tinham com os servos e expulsam-los do feudo.

- Esses antigos servos expulsos dos feudos começam a roubar e trocar mercadorias, renascendo, portanto, o comércio. Isso foi possível por causa da produção excedente que se verificava simultaneamente em todos os feudos.

- Com o florescer do comércio, florescem também as cidades e duas novas classes sociais são delineadas: os artesãos e os comerciantes/burgueses.

Algumas características da sociedade burguesa

- Entre os séculos 11 e 18 a burguesia não parou de se expandir;

- o comércio floresceu em toda a Europa e depois se articulou um mercado mundial a partir das grandes navegações;

- o constante desenvolvimento das forças produtivas levou à Revolução Industrial.

- a diferenciação de classes na sociedade burguesa é entre burguesia e proletários.

- separa-se o trabalhador dos meios de produção e do produto final;

- o servo do feudalismo tinha seus meios de produção para chegar até o produto final, o operário

do capitalismo perdeu a posse dos meios de produção e a única coisa que tem a vender é sua força de trabalho.

- a força de trabalho do operário no capitalismo é vendida ao burguês que a utiliza para fazer

produtos que serão vendidos. O valor pago pela força de trabalho do operário é menor do que o que ele gera com seu trabalho. Ou seja, através de seu trabalho o operário produz mercadorias para o burguês que ao vender essas mercadorias consegue pagar além do salário do trabalhador, a matéria prima utilizada para o produto e, fora isso, obtém lucros.

- período de acumulação primitiva do capital: separação do trabalhador dos meios de produção.

- o mercado mundial iniciado pelas grandes navegações cria as condições necessárias que resultam numa brutal acumulação de riquezas por parte da burguesia.

- Com esse mercado mundial temos também o desenvolvimento de um mercado de força de trabalho, intensificando-se a divisão social do trabalho.

Redução da força de trabalho a mercadoria

“Essa acumulação primitiva teve, ainda, uma outra característica importante, diretamente associada à separação do trabalhador dos meios de produção. A criação do mercado mundial e de um mercado de força de trabalho exigiram e possibilitaram um aumento da produção que, por sua

vez, intensificou a divisão social do trabalho. O que se produz não é mais para consumo próprio, mas para vender no mercado. Deste modo, todos precisam, agora, se dirigir ao mercado (com dinheiro, claro) para adquirir os bens necessários à vida. A sociedade se converte, assim, em um enorme mercado e tudo passa a ser mercadoria. Com o amadurecimento do modo de produção capitalista, esta forma de relação social se converte no padrão de relacionamento de todos os homens entre si. As sociedades que não conseguiram se integrar ao mercado são destruídas pelo

e, as outras que o conseguiram, adaptaram as suas formações sociais para

produzirem, venderem e comprarem mercadorias (

Ou seja, o capital, que se expressa nesta

capitalismo (

)

).

nova forma de relação entre os homens que é a mercadoria, se desenvolve na história como uma potência incontrolável. Tudo o que não consegue se adaptar a ele, é por ele destruído. O mundo, assim, vai se convertendo em um mundo crescentemente sob a regência do capital e este se revela como a potência universalizadora máxima jamais criada pela humanidade. Tudo que ele toca, ou destrói ou converte em mercadoria.”

O desenvolvimento do capital, portanto, se faz dinâmico em duas instâncias: a. o capital estrutura o mercado mundial; b. o capital estrutura nossa vida cotidiana.

- o modo de produção capitalista lança a humanidade em um período de desenvolvimento das forças produtivas inédito em toda a história.

- a exploração dos trabalhadores é feita segundo as leis do mercado, cuja existência está em função da acumulação do capital, reduzindo tudo, inclusive a força de trabalho dos homens em mercadoria.

- assim o homem é reduzido à coisa. Coisa que tem seu valor através da força de trabalho, ou seja,

daquilo que pode fazer para que o capitalista lucre, reduzindo a coletividade a mero instrumento para o enriquecimento privado dos indivíduos.

“Consideremos esta afirmação com mais vagar: reduzem a força de trabalho a mercadoria. A força

de

trabalho de cada indivíduo é parte do que ele tem de mais essencial como ser humano. A força

de

trabalho de cada um de nós, ou seja, nossa capacidade de produzir os bens de que necessitamos,

é herdeira de todo o desenvolvimento da humanidade.

Nossos instrumentos, nossos conhecimentos, nossas ferramentas, nossa riqueza acumulada sob a forma de fábricas, laboratórios, usinas de energia, malha de transporte e comunicação, etc., etc., etc., que são fundamentais para que possamos produzir do modo como o fazemos, são, em larguíssima medida, resultantes do que a humanidade fez no passado. Se hoje podemos ser professores, operários, banqueiros, políticos, mestres-cucas e tantas coisas mais, se podemos produzir o que produzimos e consumimos, é também resultantes de todo o passado da humanidade. Mas não apenas isso. Nossa capacidade individual de produção, ou seja, se alguns são professores, outros operários, outros banqueiros, etc., é também a expressão material de como nos conectamos, enquanto indivíduos, com a própria história da humanidade. Um operário só pode ser operário porque parte de uma história que tornou os operários necessários. Ao trabalhar como operário está exercendo uma atividade cotidiana que o articula materialmente com toda a história dos homens; o mesmo com o banqueiro, o professor, o mestre-cuca, etc. E, ainda mais: é

ao exercemos cada uma dessas atividades que nos conectamos com a reprodução material da

sociedade na qual vivemos e, portanto, nos objetivamos como personalidades, como indivíduos

da classe dominante, da classe trabalhadora (os operários e outros assalariados), etc. A força de

trabalho de cada um de nós é, portanto, a expressão mais condensada do que temos de mais humano como indivíduo: a nossa relação com a história da humanidade, como nos articulamos com ela, o que somos, o papel que jogamos no complexo processo de desenvolvimento da humanidade e assim por diante. É justamente este caráter essencialmente humano da força de trabalho que é negado pelo capitalismo ao reduzi-la a simples mercadoria. Mercadorias são coisas, não são pessoas.”

A reprodução social.

[25.março.2012]

O capítulo aborda o mecanismo de reprodução social, abrangendo o desenvolvimento da

sociedade e dos indivíduos, segundo a visão de Lukács.

A reprodução da sociedade

Lukács enxerga quatro tendências da reprodução da sociedade.

1.

A sociedade inteira interliga-se, através do mercado mundial.

2. Constituição de sociedades cada vez mais internamente heterogênea e complexa, através da

intensa divisão do trabalho. O resultado da maior complexidade da sociedade (especialização e aprofundamento da divisão do trabalho) é a criação de novas contradições internas ao sistema

capitalista.

3. A maior complexidade das sociedades exige um maior desenvolvimento dos indivíduos, ou

seja, indivíduos mais capacitados para desempenhar seu papel cada vez mais específico na divisão

do trabalho.

4. Prioridade da evolução das forças produtivas no desenvolvimento das sociedades e nas

passagens de um modo de produção a outro. Ou seja, é preciso o desenvolvimento das forças produtivas para uma superação do modo de produção capitalista.

“Essas quatro tendências de fundo do desenvolvimento social exemplificam com clareza o que Lukács quer dizer ao afirmar que o ser social é um complexo de complexos. Ou seja, é um conjunto articulado de partes diferentes. É uma totalidade e, como toda totalidade, é resultante da síntese de suas partes. À medida que a sociedade evolui, essas partes diferentes tendem a crescer em número e a ser cada vez mais diferentes entre si. Quanto mais as formações sociais se desenvolvem, mais elas articulam a vida dos indivíduos entre si e mais heterogêneas se tornam, dando origem a diferentes e novas relações sociais, instituições e complexos sociais.

Ou, o que dá no mesmo, quanto mais diferenciada for internamente uma sociedade, quanto maior a variedade de relações sociais que ela contenha, maior será a articulação das vidas individuais com a história coletiva.”

A reprodução dos indivíduos

A reprodução da sociedade, nos termos vistos no item anterior, interfere na reprodução dos

indivíduos.

1. Necessidade. O desenvolvimento social dá origem à necessidade de os indivíduos se

reproduzirem como personalidades cada vez mais complexas. Uma sociedade cada vez mais complexa exige indivíduos, igualmente, cada vez mais complexos.

2. Possibilidade. Por outro lado, o desenvolvimento da sociedade e sua maior complexidade permitem ao indivíduo muito mais opções para desenvolver suas capacidades e sua personalidade.

“Portanto, a necessidade e a possibilidade de se desenvolverem indivíduos como personalidades cada vez mais complexas e ricas são dadas pelo processo social. Quanto mais rica e intensa for a vida social, quanto mais articulada for a vida do indivíduo com a história de toda a humanidade, mais desenvolvida no sentido humano será sua existência.

Não há desenvolvimento social que não implique, de algum modo, também no desenvolvimento dos indivíduos e vice-versa. Este último é uma necessidade e uma possibilidade postas pela reprodução social. Por isso a reprodução da sociedade e a do indivíduo são dois pólos do mesmo processo, isto é, são momentos distintos, porém sempre articulados.”

Marx e a crítica ao individualismo burguês.

Pressuposto:

“Já vimos que, segundo Lukács, o desenvolvimento do mundo dos homens tem seu fundamento

no fato de o trabalho, por meio da reprodução social, sempre produzir novas situações históricas. Por essa razão, o produto concreto e imediato de cada ato de trabalho é também o momento da história humana. E como, ao construir o mundo material, ao desenvolver as sociedades, os indivíduos se constroem como seres humanos, a reprodução social e a do indivíduos ao processos sempre articulados.”

A relação do indivíduo com a sociedade depende do momento histórico, segundo o modo de

produção da sociedade naquele momento.

Na sociedade primitiva, no mpa, no escravismo e no feudalismo, em linhas gerais, a reprodução social era ainda tão primitiva que os indivíduos não possuíam grande autonomia em relação à sociedade em que viviam.

O autor analisa rapidamente o escravismo e o feudalismo.

Como exemplo da não autonomia da reprodução do indivíduo em relação à da sociedade escravista, o autor lembra o exemplo de Sócrates que preferiu morrer injustiçado a fugir de Atenas. Nessa sociedade, o sentido da vida não residia na acumulação privada de riqueza, mas no engrandecimento da cidade, e isso por uma condição material econômica específica: Na Grécia Antiga, os excedentes não eram acumulados através da produção e sim da expansão militar

que era financiada pela união dos esforços de todos os proprietários da cidade. Assim, se Sócrates fugisse, ele estaria cortando seus laços com a cidade e não teria como se reproduzir enquanto indivíduo, posto que essa reprodução estava exclusivamente ligada a reprodução da sociedade ateniense.

Como exemplo da não autonomia da reprodução do indivíduo em relação à da sociedade feudal,

o autor lembra que as pessoas são identificadas segundo seu pertencimento ao feudo. A identidade

social do indivíduo reside na sua conexão com a totalidade social por meio do lugar que ocupa no feudo. Fora dele, o indivíduo nada é, pois não pode ter qualquer existência social.

A

reprodução individual no capitalismo

Se, nas sociedades anteriores ao capitalismo a reprodução do indivíduo está em compasso com a reprodução da sociedade, no capitalismo isso é alterado.

A

reprodução individual pauta-se, exclusivamente, pela busca do enriquecimento privado, sem

nenhuma preocupação com a vida coletiva. A vida cotidiana passa a ser a mera luta por riqueza. Todos são inimigos de todos.

Essa despreocupação reprodução individual com a reprodução da sociedade na ordem capitalista permite-nos observar que, de fato, a reprodução individual não se confunde com a reprodução social. Antes, quando não havia autonomia de uma em relação à outra, não poderíamos percebê-

las como distintas. Contudo, o individualismo burguês, típico da sociedade capitalista, explicita

as

diferenças entre as duas.

“Reconhecer essa diferença é fundamental, porque possibilita que as necessidades individuais sejam reconhecidas em sua plenitude. Isso abre campo para o reconhecimento de dois fatos decisivos da reprodução social. O primeiro é que o desenvolvimento do indivíduo é fundamental

para a evolução da totalidade social. E, o segundo, que na relação entre a sociedade e o indivíduo,

evolução daquela é o fundamento do desenvolvimento deste. Tanto há necessidades individuais quanto coletivas, que devem ser atendidas numa sociedade comunista, emancipada.”

a

Porém, verificamos que esse individualismo burguês colocou o enriquecimento privado como única preocupação individual, massacrando assim, qualquer dimensão coletiva.

A

moral e a ética

O Lukács contrapõe moral e ética.

A moral da sociedade capitalista é o individualismo burguês. Essa moral é hipócrita pois visa

sempre o obtenção de lucro, assim defende sempre a obediência às leis, mas sempre que for lucrativo, age violando-as.

A ética, pelo contrário, reconstrói as necessidades humanas do ponto de vista tanto individual

como coletivo. Sendo, portanto, revolucionária e emancipadora.

A política e o Estado democrático

[7.abril.2012]

Através de uma díade, o capítulo vai mostrar como o Estado democrático burguês se estruturou para apaziguar um conflito interno da sociedade capitalista

Possibilidade de avanço e contradições

A reprodução social é feita através da reprodução individual e da reprodução coletiva. Cada um

dos pólos só pode se desenvolver articulado ao outro. Ao mesmo tempo, A relação entre eles é marcada por desigualdades, de modo que entre um e outro sempre há contradições.

No capitalismo, essa relação atingiu um novo patamar.

As forças produtivas se desenvolveram muito, assim, cada indivíduo pode ampliar suas capacidades. Por outro lado, os resultados desse avanço das forças produtivas é limitado a um pequeno número de pessoas, a classe dominante.

De um lado temos a produção social da riqueza, do outro lado temos a apropriação privada dessa riqueza.

Com o desenvolvimento das forças produtivas, o homem teria as condições necessárias para trabalhar menos e desenvolver suas potencialidades. Contudo, o desenvolvimento dessas forças produtivas não é utilizado para emancipar o homem, mas sim para explorá-lo ainda mais. Isso porque o capitalista possui a propriedade dos meios de produção, utilizando-o para a obtenção de mais lucro, ou seja, preocupando-se com a reprodução e expansão do capital, ao invés da reprodução social.

“Quando o processo social alcançou a etapa capitalista, essa contradição (reprodução individual/coletiva) atingiu um novo patamar. Pois, por um lado, a potencialização das forças produtivas (o que significa, em última análise, o aumento da capacidade dos indivíduos) e o enorme avanço daí decorrente abriram possibilidades, antes inimagináveis, tanto para a sociedade quanto para os indivíduos (

Por outro lado, porque esse desenvolvimento sem precedentes das forças produtivas está longe de ser harmônico. A forma individualista, privada, de acumulação da riqueza, que caracteriza o capitalismo, faz com que essas possibilidades possam ser aproveitadas plenamente apenas pelas classes dominantes. Elas são, quase sempre, negadas aos trabalhadores, isto é, a maior parte da humanidade. ( )

Todo aumento da capacidade produtiva dos homens deveria ter esse significado: produzindo-se mais em menos tempo, dever-se-ia contar com um tempo livre cada vez maior.

Contudo, é justamente o inverso que ocorre. A riqueza produzida pelos trabalhadores é apropriada pelos capitalistas como riqueza pessoal, privada; e o que interessa à burguesia é aumentar o lucro individual dos proprietários.”

Democracia burguesa e Estado burguês

“Devido ao seu fundamento antagônico, a vida cotidiana no capitalismo é sempre a ‘luta de todos contra todos’. Por um lado, porque apenas vivendo em coletividade podem os indivíduos acumular suas fortunas (ou suas misérias, no caso dos trabalhadores). Por outro lado, porque essa vida coletiva é fragmetnada pelos interesses inconciliáveis de cada indivíduo. Cada um quer enriquecer e, para isso, deve tirar proveito do outro, deve explorar o trabalho alheio.

Repetimos: todas as relações humanas são convertidas em instrumentos dessa luta pela acumulação privada de capital. Os homens têm no capital seu espelho, e se constroem cotidianamente como sua imagem. As necessidades que impulsionam as prévias-ideações não são mais necessidades humanas, mas necessidades que brotam da dinâmica reprodutiva do capital. De modo obrigatório, necessário, o capital predomina sobre as necessidades verdadeiramente humanas, fazendo com que a reprodução social dos indivíduos e da totalidade social esteja a serviço dos interesses particulares da burguesia.”

Como a sociedade é marcada pela disputa, a intensificação desta pode desorganizar a produção e interromper a acumulação capitalista, o que não é de interesse ao capital, portanto, impõe-se a necessidade de um modelo sob o qual as pessoas irão obedecer às vontades do capital.

A democracia burguesa responde bem a essas necessidades. O princípio básico dela está na idéia

de igualdade. Seu funcionamento dá-se da seguinte forma:

Todos homens são iguais. Logo, as leis não devem proteger um indivíduo na disputa com outro.

Essa estrutura lógica desconsidera os fatos. Na verdade os homens não estão em pé de igualdade. Os detentores dos meios de produção podem mais. Ao desconsiderar esse fato, a democracia burguesa garante a reprodução das desigualdades existentes.

“o Estado capitalista afirma a igualdade formal, política e jurídica, com o objetivo real e velado de manter a dominação da burguesia sobre os trabalhadores. A igualdade burguesa, tal como a democracia burguesa, nada mais é do que a máxima liberdade do capital para explorar os trabalhadores. E o Estado burguês, por mais democrático que seja, será sempre um instrumento especial de repressão contra os trabalhadores.”

Os fundamentos sociais da alienação

[8.abril.2012]

{Esse capítulo é uma introdução, em forma de revisão, para tratar a questão da alienação.}

A questão inicialmente posta foi: se os homens são os artífices da sua própria história, por que

construíram um mundo tão desumano.

Vimos dois tipos de respostas: a dos conservadores que diziam que a natureza humana é egoísta; e dos revolucionários que acreditam que através de um processo histórico o homem ficou assim, mas isso pode mudar.

A resposta dos conservadores possui dois problemas: primeiro que o individualismo burguês não

ocorreu sempre, e sim num período historicamente determinado; segundo que não dá pra afirmar que no futuro o homem continuará individualista.

burguesa garante a reprodução das desigualdades existentes.

“os homens fazem a história e foram eles que criaram o capital. Como, então, é possível que eles sejam dominados pelo capital que eles próprios criaram? Como é possível que o objeto construído

como é possível que, ao objetivar uma prévia-ideação, o que foi

objetivado possa dominar o sujeito da objetivação?”

possa dominar o seu criador? [

]

O homem não é mau por natureza; O individualismo burguês está inserido num processo histórico; A opressão do individualismo burguês se dá no capitalismo, através do capital. O capital, nessa sociedade, oprime o homem. Como o capital, que foi criado pelo homem, pode oprimir o próprio homem? Como que a desumanização da nossa sociedade pode ser exercida por um objeto inventado por nós mesmos?

O que os homens produzem é resultado de uma prévia-ideação. Depois de imaginado, o homem executa e faz a coisa. A coisa feita está separada da consciência do homem, possuindo, portanto, sua própria história, influenciando e sendo influenciada por fatores que não o criador. Uma vez criada, não tem como o homem exigir que a coisa seja utilizada segundo sua consciência. A coisa criada faz parte da sociedade e será usada de forma variada. Essa utilização variada pode ter desdobramentos positivos, impulsionando o desenvolvimento humano, ou negativos, tornando-se um obstáculo para o desenvolvimento.

A alienação é exatamente a construção desses obstáculos ao desenvolvimento, ou seja, o homem criando coisa que impede o desenvolvimento da humanidade.

“como o objeto criado é distinto do indivíduo que o construiu, ele possui uma história própria diferente da do seu criador e, por isso, pode ter, sobre a história da sociedade (e do indivíduo que o construiu), conseqüências muito diferentes das previstas. [ ]

Novas necessidades e possibilidades históricas são continuamente criadas. [

tenha nos atos singulares, teleologicamente postos, seus elementos fundamentais, ela não é um processo teleológico.

] embora a história

ao longo do tempo, algumas objetivações podem se transformar em obstáculos sociais ao

desenvolvimento humano. A alienação é justamente esse processo social, histórico, por meio do qual a humanidade termina por construir obstáculos ao seu próprio desenvolvimento. E tais obstáculos nada mais são do que a desumanidade de relações sociais produzidas pelos próprios seres humanos.”

] [

Alienação e capital

Os processos de alienação são expressões da desumanidade social historicamente criada pelos homens.

Atualmente, o capital é a alienação predominante.

Inicialmente, as pessoas produziam pra consumir. O comércio era residual, só o excedente era trocado. Nesse contexto, o dinheiro foi criado para facilitar essas trocas. Com o tempo, a atividade comercial se desenvolveu, as necessidades comerciais tornaram-se prioritárias e a produção deixou de estar voltada para a necessidade de quem produzia para atender ao lucro comercial.

Assim, o comércio que surge pra facilitar a vida das pessoas começa a crescer tanto que passa a determinar o modo como as pessoas devem viver.

“O capital assume, na sociedade capitalista, a direção da vida dos homens. Eles agem e pensam, em larga medida, segundo as necessidades do processo global de acumulação deste, sempre na esperança de também amealharem a sua riqueza pessoal.

O capital, portanto, é uma relação social criada pelos homens e que domina toda a sociedade. Esta

se torna uma sociedade capitalista, alienada.”

Duas alienações do capitalismo: trabalho, enquanto mercadoria e o Estado.

O trabalho servia à produção, com a introdução do capital, ganha força o comércio em detrimento

da produção, assim, o trabalho passa a servir para a acumulação privada de riquezas, ou seja, o trabalho deixa de ser para a produção e consumo próprio e passa a ser para a acumulação de capital. O capital que surge para facilitar as trocas de excedentes torna-se um fim em si mesmo.

No capitalismo, o trabalho transforma-se, ele próprio em mercadoria e é negociável.

O valor da mercadoria é o valor de sua produção.

Qual o custo da produção de um trabalhador assalariado?

É o custo da reprodução de sua força de trabalho.

Ou seja, transformando o trabalho humano em mercadoria, o capitalismo quantifica o trabalho e paga para o detentor da força de trabalho (o trabalhador) o necessário para que ele sobreviva e continue trabalhando. Assim, os salários são o que o trabalhador precisa pra sobreviver.

Transformando o trabalho em mercadoria as necessidades humanas dos trabalhadores são absolutamente desprezadas. O único que importa é o valor que o trabalhador precisa, naquela sociedade, para sobreviver e continuar trabalhando.

o ser humano só é levado em consideração como uma coisa, um monte de força de trabalho. Por

isso, o custo dessa força é muito baixo e o seu valor o salário está sempre muito abaixo das

necessidades do trabalhador como ser humano. O salário expressa o quanto custa, para o sistema capitalista, a reprodução da força de trabalho, mas não expressa as reais necessidades humanas

de

quem está exercendo a função assalariada.”

O

salário expressa, portanto, o valor necessário para o trabalhador sobreviver e continuar

trabalhando.

Quando transformamos o trabalho humano em mercadoria, o valor do salário está equilibrado com o valor das mercadorias necessárias para a reprodução social do trabalhador. O que o salário paga permite que os trabalhadores sobrevivam.

O problema não está no valor do salário, e sim no próprio salário. O valor do salário é determinado

pelo mercado.

A questão é anterior: para a existência do salário é preciso mercantilizar a força de trabalho. O problema é, portanto, tomar o trabalho humano enquanto mercadoria.

“a desumanidade – a alienação da relação entre as personificações do capital que se expressam

no burguês e no operário não está nos baixos salários, ‘está no próprio fato de existir salário’. A essência da alienação na sociedade capitalista é que ela trata como mercadoria o que é humano;

e,

como mercadoria é coisa e não gente, a desumanidade desse tratamento não poderia ser maior.

O

que importa é o lucro dos capitalistas.”

Uma vez transformado o trabalho desempenhado pelo ser humano em mercadoria, o capital pode, para sua expansão, baixar quando quiser o valor de sua produção, isso é diminuir salários, despedir pessoas e etc. Ou seja, oprime-se ainda mais as necessidades humanas em favor da expansão do capital.

Quando os trabalhadores internalizam que sua força de trabalho é uma mera mercadoria, eles estão compactuando que o mercado determine um valor (em capital) para seu trabalho. Estão, portanto, renegando a humanidade que está inserida no seu trabalho, reduzindo-o a mera mercadoria. Assim, há uma ilusão para o trabalhador de que ele compartilha de um destino comum com o capitalista. O trabalhador que se entende como mercadoria torce para que a empresa prospere e que a economia vá bem, esperando assim um aumento de salário que não virá, porque ele é simplesmente mais uma mercadoria na fórmula de produção do capitalista. Aumentar salários significa aumentar despesas, o que significa acumular menos capital. O capitalista quer o contrário, reduzir despesas para acumular mais capital. Assim, é melhor investir em tecnologia do que aumentar salários. O objetivo do capitalista é extrair o máximo possível, gastando o mínimo, da força de trabalho humana, reconhecida nesse modelo, como mercadoria.

De outro lado, o Estado e o Direito, que sempre foram instituições que expressam os interesses históricos das classes dominantes, são vistos pela classe trabalhadora como possíveis instrumentos de mudança social.

Contudo, elas foram construídas para favorecer a classe dominante. Portanto, não possuem capacidade de se tornarem realmente democráticas, representando os interesses da sociedade em seu conjunto, mesmo porque a sociedade não é homogênea, mas antes, antagônica.

“Nos dias em que vivemos, capitalismo e desumanidade são sinônimos, pois não há qualquer humanidade em reduzir o ser humano a mercadoria. Tratar a força criativa e produtiva de um indivíduo como coisa, ignorando por completo que essa coisa é um ser humano: pode haver maior desumanidade?

E, por maior que seja o salário, pode ele deixar de ser a expressão, em dinheiro, dessa desumana redução do indivíduo a mercadoria? Não há capitalismo humano possível, pela mesma razão que não há salário ‘justo’ possível. Tanto um quanto outro só podem existir como alienações produzidas pela sociedade submetida ao capital. [ ]

São inúmeras as alienações que brotam da submissão dos homens ao capital. A essência de todas elas, segundo Marx, está em tratar o ser humano como mercadoria. Desconsiderando por completo as necessidades do ser humano, o que impulsiona cotidianamente as prévias-ideações é apenas o objetivo da acumulação privada de capital, tanto no plano individual quanto no plano global da sociedade capitalista.”

Uma nova sociedade: o comunismo

Diante do ‘socialismo real’, muitos ideólogos do capitalismo se apressaram em concluir pela impossibilidade do comunismo. O fato é que o fracasso das tentativas revolucionárias foi motivado por duas circunstâncias: em primeiro lugar pela escassez do desenvolvimento das forças produtivas, é dizer, a antiga Rússia, China, Cuba e Vietnã, não possuíam as bases materiais necessárias para a revolução proletária; por outro lado, a revolução comunista só pode ocorrer através de uma perspectiva internacionalista, o que acabou não se verificando.

Sendo o trabalho o fundamento antológico do ser social, temos que cada tipo de sociedade baseou-

se

em uma forma de trabalho.

O

comunismo, por sua vez, não poderia se basear numa forma de trabalho de exploração do

homem pelo homem. Assim, o tipo de trabalho que funda o comunismo é o trabalho associado, através da associação de produtores livres. Nessa forma, todos trabalhariam de acordo com suas possibilidades e receberiam conforme suas necessidades. Os trabalhadores, portanto, teriam o controle consciente, livre e coletivo do processo de produção e distribuição dos bens. Seriam os próprios homens que determinariam o que produziriam conforme suas necessidades humanas, e não mais o capital conforme as necessidades capitalistas. O objetivo da produção deixa de ser o

valor de troca e volta a ser o valor de uso.

A possibilidade de uma sociedade assim é historicamente construída. Antes da Revolução

Industrial o comunismo não seria possível, posto que vivíamos uma “Era da Carência”, na qual o que a humanidade produzia não era suficiente para todo mundo. Com a Revolução Industrial e o surgimento da sociedade de classes, a burguesia acumulou capital e desenvolveu os meios de produção, criando as condições objetivas para um novo tipo de sociedade. Tanto assim, que

atualmente as forças produtivas possuem capacidade para alimentar e oferecer uma vida digna para todo o mundo, contudo, o que observamos é a miséria reinando em diversos países.

A revolução industrial ao desenvolver os meios de produção permitiu a superação da “Era da

Carência”, através de uma “Era da Abundância”. Contudo, é inconcebível para o capitalismo a superação da carência. O capitalismo vive da carência. Uma oferta maior do que a procura faz

com que os preços tendam a cair e que os capitalistas tenham prejuízos. Daí, as crises econômicas

de superprodução.

A questão da superprodução só é um problema para o capitalismo, enquanto o comunismo tem

nela sua condição de existência. De toda forma, o capitalismo elaborou formas para produzir artificialmente carências que já foram historicamente superadas. O exemplo mais claro disso é a

guerra. A guerra causa destruições que geram carências, além disso, importa a criação de

armamentos cada vez mais modernos que não possuem razão de existir, por exemplo, o armamento nuclear que possibilita a destruição da própria Terra.

“Não há, do ponto de vista estrutural, alternativa no interior do capitalismo. Sua incapacidade de conviver com a abundância força-o a destruir a produção e também a humanidade, gerando alienações cada vez mais intensas e que ameaçam, no limite, infelizmente hoje muito próximo, a

hoje, a miséria humana (material e espiritual, bem

própria sobrevivência de todos nós. [

entendido) é o resultado das relações sociais injustas e não, como era no passado, uma condição inevitável da existência humana.”

]

No comunismo, por outro lado, o objetivo da economia será o de ampliar o tempo livre disponível para cada um de nós.

- O comunismo é a articulação do reino da necessidade com o reino da liberdade.

Haverá trabalho. Mas será o trabalho mais livre possível. O trabalho atenderá necessidades materiais, deixando de ser o trabalho alienado como mercadoria. Será o trabalho integrado à sociedade. O desenvolvimento das forças produtivas buscará a diminuição do trabalho e a melhoria de qualidade de vida. No tempo não trabalhado o homem poderá desenvolver suas potencialidades.

Há aqui a relação harmônica e não antagônica entre individualidade e coletividade. O exercício individual, durante o trabalho, é consciente da contribuição coletiva que, por sua vez, permite o desenvolvimento da individualidade.

Isso não quer dizer que um seja reduzido ao outro, somente com a reprodução individual podemos construir uma sociedade comunista, contudo, essa reprodução individual só poderá alcançar a plenitude numa sociedade sem classes, em que cada um dedique-se às suas preferências.

A Revolução: ato de emancipação humana - A ação é condicionada historicamente. Assim, uma objetivação de uma prévia-ideação só pode dar certo se estiverem presentes as condições materiais para que ela ocorra.

“Se os homens fazem a sua própria história, não menos verdadeiro é que eles a fazem nas circunstâncias históricas herdadas do passado. Isso significa, imediatamente, que todas as ações humanas são historicamente condicionadas. Significa, também, que todas as ações humanas, todos os processos sociais, são desenvolvimentos das possibilidades históricas em cada situação.

Tanto do ponto de vista de um indivíduo, quanto do ponto de vista coletivo, uma objetivação só

Toda objetivação, para ter êxito,

pode ocorrer se for possível naquele momento histórico. [

deve ser a efetivação das possibilidades historicamente existentes.”

]

- A liberdade é a ação praticada que tem consciência do seu posicionamento histórico. Sabendo

que toda ação é condicionada historicamente, a liberdade para agir será a consciência de que ação praticada está construindo a história.

- Assim, conhecimento do que é a realidade anda junto com a liberdade.

- É claro que a ação praticada visa alguma coisa, porém, essa ação pode ou não alcançar esse

objetivo. Aliás, pode ou não contribuir para esse objetivo. Isso porque a ação, uma vez praticada passa a ter sua própria causalidade.

- Contudo, é difícil ter clareza da realidade numa sociedade onde a ideologia dominante é a do

capital. Essa ideologia é uma fumaça que tenta esconder as possibilidades históricas de superação do capitalismo.

- Para afastar essa fumaça, e acessar o conhecimento da realidade é necessário uma crítica da sociedade burguesa e das alienações do capitalismo.

- Com base nesse conhecimento, é possível determinar as tendências históricas predominantes e, então, determinar as reais necessidades e possibilidades históricas da humanidade.

- Mas identificar essas possibilidades não significa a ocorrência delas. O futuro depende das decisões que os indivíduos tomarem.

- O marxismo vulgar e o stalinismo acreditaram que a revolução comunista é uma realização

necessária e inevitável do processo histórico. Ou seja, diante das contradições da sociedade capitalista e das possibilidades oferecidas para uma nova sociedade, o comunismo é inexorável. Isso está errado. Essas possibilidades de uma nova sociedade só serão efetivadas com a atuação das pessoas.

- A revolução comunista só pode ser efetivada se, diante de circunstâncias materiais que a

possibilitem, as pessoas atuarem para essa efetivação, conscientemente, ou seja, idealizando e

objetivando o fim da exploração do homem pelo homem, ou do homem pelo capital, num outro tipo de sociedade.

“a revolução comunista [é] um ato de afirmação do ser humano que se emancipa e se liberta; que se emancipa porque estará se livrando das alienações capitalistas; que se liberta porque objetivará uma finalidade essencialmente humana e, ao mesmo tempo, possível no quadro histórico atual. A revolução é o ato pelo qual os homens assumirão conscientemente e com toda a radicalidade o fato de serem eles os artífices da sua própria história. Se os homens fazem a história, não há razões para continuarem a fazê-la sob o domínio do capital e de suas alienações; não há razões que justifiquem a produção crescente de desumanidades. Mas, para isso, é imprescindível que os homens voltem a colocar as reais necessidades humanas como objetivo de suas ações, superando radicalmente o capital.

] [

capitalismo. [

um ato livre e emancipado da humanidade.”

a revolução é a afirmação da humanidade sobre as desumanidades produzidas pelo

]

a revolução comunista não poderá deixar de ser (sob pena de não ser comunista)

- O fato de a revolução comunista ser um ato emancipado e livre da humanidade não significa que

ela deixe de ser um processo social e político de luta de classes. Ao contrário, será necessária a radicalização dessa luta política que poderá revolucionar a sociedade.

- Contudo, construída a sociedade emancipada, através da superação da sociedade de classes, restará superado também o Direito, o Estado, o dinheiro e a própria política.

- Comunismo é a superação do capitalismo. Entre um e outro há uma revolução.

“enquanto [o capital] existir, as necessidades humanas serão sempre e permanentemente reduzidas à possibilidade de lucro, e as desumanidades serão sempre e permanentemente a essência da relação entre os homens. Não há reforma capaz de tornar o capitalismo ‘humano’, já que ele é essencialmente desumano”

- Disso, resulta-se que as vertentes reformistas são aliadas do capitalismo contra os trabalhadores.