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A MÍSTICA COMO FORMA DE CONHECIMENTO: UM ESTUDO DE EDITH STEIN SOBRE DIONÍSIO PSEUDO- AREOPAGITA

A MÍSTICA COMO FORMA DE CONHECIMENTO: UM ESTUDO DE EDITH STEIN SOBRE DIONÍSIO PSEUDO- AREOPAGITA

Moisés Rocha Farias*

RESUMO: O presente trabalho consiste numa apresentação de que é perfeitamente plausível o entendimento da mística como uma forma de conhecimento, plausibilidade esta verificável nos pressupostos da interpretação steiniana do Pseudo-Dionísio Areopagita. Para isso, buscar-se-á explicitar através do método fenomenológico os pressupostos mais evidentes assumidos por Edith Stein na obra (Os caminhos do conhecimento de Deus: A ‘Teologia Simbólica’ do Areopagita e seus pressupostos objetivos). Assim, Edith Stein estabelece essa possibilidade haja vista de se tratar de caminhos, mas é preciso deixar evidente que há uma forma de se chegar ao objetivo, que no caso é o conhecimento. Stein, portanto, ver na vivência mística, à luz da consciência, uma objetividade. Mesmo nos fenômenos supostamente subjetivos se estabelece dentro da análise fenomenológica esta objetividade, não há como não reconhecer a filiação de Edith Stein à Tradição Eclesial e, portanto, a consistência de sua retomada atualizada e o desenvolvimento do tema da mística. A mística pode ser entendida como forma de conhecimento numa apresentação da temática ao homem hodierno. Para uma melhor compreensão trataremos do tema em três momentos assim estabelecidos: Do conhecimento; da vivência mística e a objetividade na vivência mística.

PALAVRAS-CHAVES: Mística, Conhecimento, Edith Stein.

THE MYSTIC AS WAY OF KNOWLEDGE: A STUDY OF EDITH STEIN ABOUT PSEUDO- DIONYSIUS THE AREOPAGITE

ABSTRACT: This paper consists in a presentation that is perfectly plausible the understanding of mystic as a way of knowledge, plausibility that verifiable on the assumption of steinian of Pseudo-Dionysius the Areopagite. For this, it will look for to expliciting through the phenomenological method the more evident assumption assumed by Edith Stein at the work (Caminos del conocimiento de Dio la “Teología Simbólica” del Areopagita e sus presupuestos objetivos). Therefore, Edith Stein establishes this possibility taking into account treating of ways, but is necessary to make evident that there is a way to achieve the aim, which in this case is knowledge. Stein, wherefore, sees in mystic living the light of consciousness an objectivity. Even in phenomenon supposedly subjective establishes into a phenomenological analysis this objectivity there is no way to recognize membership of Edith Stein at Ecclesial Tradition and, wherefore, the consistency of your updated resume and the mystic theme development. The mystic can be understood as way of knowledge in a presentation the theme to today's man. For the best comprehension, we will treat the theme in three moments established like this: the knowledge, the mystic experience and the objectivity in mystic living.

KEYWORDS: Mystic, Knowledge, Edith Stein.

*Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará UECE. Membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Membro fundador do Grupo de Trabalho Edith Stein ANPOF. Professor do Centro Universitário Católica de Quixadá UNICATÓLICA. E-mail: moisesdacruz@hotmail.com.

A mística como forma de conhecimento: um estudo de Edith Stein sobre Dionísio Pseudo-Areopagita

Do conhecimento

É sabido que desde a Modernidade a relação da Filosofia com a metafísica tem se configurado numa rejeição à Tradição, numa reconfiguração de uma metafisica existencialista. O pensamento de Edith Stein no que concerne a questão nos possibilita levantá-la com um novo frescor e sob num novo prisma, pois com o surgimento da Fenomenologia podemos sem o menor receio ou equivoco nos reintegramos as questões outrora deixadas de lado e hoje nos apropriarmos, pois acreditamos que seu pensamento é para os homens e mulheres de hoje em seus abscônditos existenciais. Esta forma de conhecimento é possível a todos os homens contanto que se deixe conduzir neste caminho, nesta forma de conhecimento que denominamos mística. A Fenomenologia que tem a pretensão de ir à verdade das “coisas” diz que “toda espécie de ser tem por essência seus modos de dar-se e, portanto, seu método de conhecimento” (ABBAGNANO, 2007, p. 211). Aqui é preciso deixar claro a distinção de realidades e ou categorias que iremos tratar. A mística propriamente dita não se trata de um aspecto “natural”, “sensível”, onde a percepção externa possa limitar-lhe enquanto vivência.

O método da ciências naturais pressupõe, como intuição dada original, a percepção sensorial (entendida principalmente como percepção externa). O que se apresenta aos olhos é o mundo sensível e, portanto, muito mais do que propriamente "cai nos sentidos” 1 (STEIN, 2004, p. 142).

A experiência mística enquanto realidade própria, enquanto ato vivenciado dar-se de maneira privilegiada na dimensão anímica do ser humano e em se tratando de um aspecto vivencial do ser humano e é de pleno interesse da Filosofia a mística, portanto passa a ser matéria de investigação filosófica, pois enquanto vivência a realidade da mística traz em si mesmo a apreensão metodológica própria do objeto do seu conhecimento. Com isso devemos perceber que não há possibilidade de analisarmos esta vivência sob a ótica de uma ciência natural, contudo isto não a torna descartada de análise, haja vista que:

Vida e alma são captadas pela percepção externa, mas nunca poderam ser vistas a

partir de fora no sentido próprio. A rigor se experimentam a partir de dentro. Como percebemos no mundo externo pode corresponder de alguma forma com o que nós

Mas, independentemente do que pertence à

experimentamos interiormente. [

]

1 "El método de las ciencias naturales presupone, como intuición originaria dada, la percepción sensible (entendida sobre todo como percepción externa). Lo que ésta presenta a los ojos es el mundo sensible y con ello mucho más de lo que propiamente “cae en los sentidos”. (Toda tradução do espanhol para o português é nossa)

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essência da vida e da alma, a plenitude do mundo percebido sensivelmente pertence muito mais do que se pode captar com os métodos científicos naturais. Este "nosso mundo", onde temos a nossa morada, em que vivemos e nos movemos, com a qual lidamos, é natureza, é nela que nos alegramos, que nós amamos, diante da qual nos encontramos encantado e maravilhados e cheios de temor e respeito; um todo cheio de sentido que nos fala com vozes multiplas, que se manifesta a nós como um todo em cada uma das suas partes, e ainda permanece sempre um mistério. 2 (STEIN, 2004, p. 143).

Uma vez estabelecida a distinção da natureza da matéria de análise o próprio Pseudo Dionísio no início das “Obras Completas” nos deixa claro que tal conhecimento místico obedece a uma exigência intrínseca, própria do conhecimento que é a de transmissão. Aqui há um aspecto de suma importância para nosso trabalho, pois não faltam criticas neste sentido para tal vivência anímica, quando não só o senso comum bem como os racionalistas acusam a vivência mística com algo subjetivista e incapaz de possibilidade de uma transmissão vivencial do conteúdo apreendido. Eis, pois que nos diz o Areopagita: Para nós, nosso papel é de explicar, a nosso modo e usando a analogia, as verdades divinas, às inteligências que permanecem em nosso nível.” (DIONÍSIO, 2004, p. 36). De início devemos perceber que só se explica aquilo que é entendido ou entendível e isso já nos tira do patamar da irracionalidade como queriam os modernistas positivistas, o fato de não ser de todo racional não quer dizer que o seja irracional como bem expõe a questão o filósofo Henrique Claudio de Lima Vaz, no que concerne ao conceito de “suprarracionalidade” 3 . Outra ponderação é que o ato de explicar é visto como a principal missão, função, de modo que existe no transmissor o anelo de ser entendido, de haver uma comunicação. O modo como se dará esta comunicação ou transmissão do que foi conhecido é outro aspecto que falaremos mais adiante. Nos textos do Areopagita existe uma repetição quase que massiva de que este conhecimento que de fato deve ser transmitido deve ser passado aos que estão ao nível deles e bem diferentemente do que possamos pensar que tal conhecimento seja encoberto por uma espécie de “má vontade” divina. Tal conhecimento é dado àquele que lhes faz jus, em outras palavras, esse conhecimento por sua agudeza é reservado aos que se deixam guiar pelo modo de alcançá-lo e que, para mim, nada mais é que um meio de alcançá-lo. Mesmo o

2 Vida y alma son captadas en la percepción exterior, pero nunca podrán ser vistas desde fuera en sentido proprio. En rigor se experimentan desde dentro. Cuanto captamos en el mundo externo puede coincidir en cierta manera con lo que experimentamos interiormente. […] Pero prescindiendo de lo que es propio a la esencia de la vida y del alma, a la plenitud del mundo percibido sensiblemente pertenece mucho más de lo que puede captarse con métodos científicos naturales. Este “nuestro mundo”, en el que tenemos nuestra morada, en el que vivimos y nos movemos, con el que sabemos tratar, es la naturaleza, de la que nos alegramos, a la que amamos, ante la que nos situamos encantados y maravillados y llenos de temor y respeto; un todo lleno de sentido que nos habla con voces múltiples, que se nos manifiesta como todo en cada una de sus partes, y que sin embargo permanece siempre un misterio.

3 Cf. VAZ, Henrique C. de Lima. Experiência mística e filosofia na tradição ocidental.

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conhecimento natural tem seu meio próprio. O conhecimento não se dá por osmose ou por

blutuf. Se você que está lendo agora este artigo não parasse para lê-lo jamais saberia do que se

trata, se pelo menos um outro não o tivesse lido e transmitido para você. É a forma que temos

de adquirir conhecimentos, lendo, ouvindo, refletindo, analisando e todas estas vivências

trazem em seu bojo exigências próprias para que possamos efetivá-las. Em se tratando do

conhecimento místico há exigências próprias para que possamos alcançá-la.

A partir daqui se estabelece um caminho, uma via feita de passos e que sempre está

acessível mesmo que se de alguma forma o atinjamos. “Não acusemos de modo algum a

insuficiência qualitativa da difusão luminosa, mas antes a impotência receptiva daquilo que é

demasiado pobre para participar da luz.” (DIONÍSIO, 2004, p. 43). Segundo Dionísio, a Luz

que é a própria divindade perfeita ilumina porque é de Sua essência iluminar, de modo que

cabe àquele que quer ser iluminado dar as devidas condições para que isso aconteça. Nas

palavras do Pseudo Dionísio se percebe o processo e o progresso.

O Bem é chamado Luz inteligível porque ele cumula todas as inteligências supracelestes com luz inteligível, porque ele dissipa toda ignorância e todo erro e todas as almas onde penetra e a todas concede o dom de sua santa luz, porque ele purifica os olhos de sua inteligência da bruma com a qual lhes encobre sua ignorância, porque ele desperta e faz abrir as pálpebras àquelas que o fardo das trevas adormece, pois ele de início lhe dá uma luminosidade moderada, depois, quando, por assim dizer, experimentaram a luz e dela desejam mais, ele aumenta sua parte e as ilumina excelentemente, porque “elas muito amaram” (Lc 7,47); porque, enfim, ele não cessa de as estimular no caminho do progresso à medida de seu esforço pessoal para elevar seu olhar para o alto. (DIONÍSIO, 2004, p. 44)

Nesta citação fica claro a intenção da Luz inteligível de uma ação totalizante, a

dissipação de “toda” ignorância, de “todo” erro e o principal: a “todas” as almas ele concede o

dom de sua santa luz e no final Dionísio apresenta, ao meu ver, a palavra chave para o

conhecimento mítico: o “esforço pessoal”. E é preciso que se diga que tal conhecimento não é

fruto unicamente do esforço pessoal, mas como afirma Lucas em seu evangelho.

Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede recebe; quem procura encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem! (BIBLIA, Lucas, 11:9-13).

Dionísio corrobora com Lucas quando apresenta de forma desvelada o “pedir”, o “bater”, o “procurar” pelo autor sagrado falado:

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A alma também se move. Ela se move com um movimento circular quando, entrando em si mesma, se desvia do mundo exterior, quando ela reúne suas potências de intelecção unificando-as em uma concentração que as preserva de todo desvio; quando ela se desprende da multiplicidade dos objetos exteriores para se recolher primeiramente em si mesma, e depois, tendo atingido a unidade interior de suas próprias potências, ela é conduzida então a este Belo-e-Bem, que transcende todo ser, que é sem princípio e sem fim. (DIONISIO, 2004, p. 48)

Movimento aqui deve ser entendido como o ente que uma vez determinado sai de seu torpor, também conhecido como “zona de conforto” e empreende um movimento. E que movimento é esse? O esforço de entrar em si mesma, em despertar suas capacidades anímicas reunindo as potências no interior, uma vez que estavam dispersas, fora de si, “presas” às percepções externas. Este é o desvio por ele falado, há um processo de desprendimento da multiplicidade que distrai, cega e é dissonante. Ao libertar-se a alma atinge sua unidade interior, ela chega a sua identidade enquanto ente, na harmonia de suas potências e depois desse processo, e só aí é que é conduzida ao Belo, a Luz inteligível. Agora devemos abordar outro aspecto ligado ao conhecimento místico, que é a forma de transmissão. A utilização de analogias é uma marca característica deste tipo de conhecimento e em nada perde seu valor enquanto conteúdo, pois, “O discurso não figurativo e figurativo se esclarecem mutuamente”. 4 (STEIN, 2004, p.135). É claro que a linguagem, figurativa, simbólica está profundamente enraizada em nosso intelecto sensível, estamos rodeados de simbologias das mais diversas possíveis nas mais diferentes áreas do conhecimento e que de forma plausível cumpre com seu fim, que nada mais é, o de transmitir um conteúdo intelectivo de forma sensível. Há ainda outro aspecto não menos importante na utilização da analogia na transmissão do conhecimento místico que é uma separação feita dos que assumiram a tarefa de chegar a esse conhecimento daqueles que lhe despreza.

Este é justamente o objetivo da linguagem simbólica: esconder o santo aos olhos profanos da multidão e descobrir aqueles que aspiram à santidade e livre de mentalidades infantis, assim adquiriram a nitidez de espírito necessário para

contemplar as verdades simples.

5

(STEIN, 2004, p. 134)

E mais uma vez deve ser esclarecido que aqui não se trata de uma escolha por parte da Luz santa de quem deve receber ou não tal conhecimento, mas sim do uso da liberdade do indivíduo em acolher o caminho para se obter este tipo de conhecimento, que, como bem diz

4 “el discurso no figurativo y figurativo se aclaran mutuamente.” 5 “Esto es justamente la meta del lenguaje simbólico: ocultar lo santo a la mirada profana de la muchedumbre, y descubrirla a aquellos que aspiran a la santidad y que, libres de formas de pensar infantiles, han adquirido la necesaria agudeza de espíritu para contemplar las verdades simples.”

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Stein, se faz necessário sair da infantilidade tão marcada pelos impulsos, paixões e ir em direção à maturidade que nada mais é que a santidade, a real maturidade humana, que é identificada com a santidade de vida. Uma vez que, enquanto estrutura antropológica, temos em nosso interior duas dimensões, uma que se volta ao sensível e outra que se abstrai com certo esforço se desvencilha daquilo que lhe prende e lança-se em direção da Luz e uma vez iluminados requer um retorno a uma linguagem sensível.

Mas esto corresponde a la naturaleza humana para obtener así, a partir de tales formas, la luz del conocimiento divino; pues nuestra vida está al mismo tiempo dividida e indivisa: la parte del alma, libre de necesidades para recibir impresiones simples, puede dedicarse a la contemplación pura e interior de las imágenes divinas; la otra parte, sometida a las impresiones, le conviene ser elevada a las cosas divinas mediante imágenes sensibles típicas. (STEIN, 2004, p. 134)

Uma vez imersos na vivência mística o discurso se apropria daquilo que o ente lhe tem em comum que é a linguagem da percepção externa, o ente por sua vez sabe da realidade vivenciada, do conteúdo vivido e estabelece a relação da vivencia mística com o cabedal de vivências por ele perpetrado, de modo a conseguir estabelecer uma linguagem capaz de relacionar o interior com o exterior. 6

O discurso simbólico toma, então, suas expressões do dominio da experiência externa e interna, bem como o que é designado pelo termo "experiência de vida", que

coincidem coisas muito diferentes [

simbólico para descrever outra coisa que não nos é familiar na experiência cotidiana. 7 (STEIN, 2004, p. 138)

Estes nomes serão utilizados no discurso

]

E isso fica nítido, por parte de Stein, quando da razoabilidade da linguagem figurada, quando ela estabelece a relação, por exemplo, entre um retrato e a pessoa mesma. Ora, tanto posso reconhecer caso tenha conhecido antes como posso passar a conhecer uma fisionomia através de um retrato. Isso é por de mais razoável, esta mesma relação podemos ter com o conhecimento místico, aquilo que é dito de forma figurativa “fogo ardente” sabemos o que é

6 Neste ponto gostaria de abrir um parêntese para tratar de outra vivência que nos ajuda na compreensão da vivência mística que é a empatia, uma vivência sui generis de cunho não originário que uma fez efetivada em seu último grau estabelece uma comunicação do objeto vivenciado sendo que os entes envolvidos em tal vivência não perdem sua individualidade isso quer dizer a intensidade da vivência é subjetiva o objeto vivenciado é racional e intersubjetivo. Para uma melhor compreensão pode-se tomar o texto de minha dissertação.

<<http://www.uece.br/cmaf/dmdocuments/dissertacoes2013_empatia_como_condicao_possibilidade_para_agir_et

ico>>

7 El discurso simbólico toma, pues, sus expresiones del dominio de la experiencia externa e interna, así como de lo que se designa con el término “experiencia de la vida”, en la que coinciden cosas muy diversas […] Estos nombres serán utilizados en el discurso simbólico para denominar otra cosa que no nos es familiar en la experiencia diaria.”

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fogo da mesma forma que sabemos o que é ardente e isso é inteligível e quando reportamos essa figura à divindade existe um entendimento acerca do que se quer comunicar.

O discurso simbólico é aqui expressão simbólica do conhecimento real ou suposto. E onde é dado tal conhecimento, ali a imagem oferece mais do que aquilo que era conhecido antes, mas não trazendo à memória o que está presente, de modo que

possa ser reconhecido. Isto leva ao conhecimento do ainda desconhecido [

configurou em suas imagens e através das mesmas se dar a conhecer. O fato de que Ele não seja conhecido anteriormente e, portanto, não ser reconhecido, não nega o conceito de imagem como cópia. Através de um bom retrato você pode conhecer um estranho, e não só reconhecem um conhecido. E você pode examinar uma boa fotografía, vemos que é uma fotografia e que é um bom retrato. Certamente que nem todos alcançar este objetivo, mas apenas quem tem o "sentido" para ele e um olhar crítico; No entanto, existe a possibilidade real. Na verdade, eu acho que isso que se entende agora sob o termo "símbolo" é plenamente realizado quando uma figura expressiva é captada como "imagem sensível", abrindo a imagem para um sentido até então desconhecido. 8 (STEIN, 2004, p. 144)

] Deus se

Sendo assim, fica claro que o conhecimento místico tem sua plausibilidade razoável, está ao alcance de todos os homens, se utiliza de uma linguagem figurativa, porém não menos objetiva que as demais e que é perfeitamente possível sua transmissão e que possui um método próprio de aquisição haja vista pertencer a um nível elevado de conhecimento. Passemos por hora a análise do que consiste de fato a vivência mística.

Da vivência Mística

Do final do século passado houve uma crescente na utilização do termo “mística” em todos os setores da vida pública, da “mística” do time de futebol à “mística” do partido politico. Isto ao invés de favorecer uma real noção do que de fato venha a ser uma vivência mística é algo que favorecendo o empobrecimento do sentido do termo que é de extrema importância, e de uma forma mais vil, num engodo dos menos instruídos numa pseudo vivência mística. É o momento de apresentamos o que de fato consiste a vivência ou

8 El discurso simbólico es aquí expresión del conocimiento simbólico real o supuesto. Y donde se da un tal conocimiento, allí la imagen ofrece más de lo que se conocía con anterioridad, pero no trayendo a la memoria lo que está presente, de tal manera que en ello pueda ser reconocido. Esto lleva al conocimiento de lo aún desconocido […] Dios se ha configurado en sus imágenes y a través de las mismas se da a conocer. El hecho de que Él no sea conocido ya antes y, por lo tanto, tampoco sea reconocido, no anula el concept de la imagen como copia. A través de un buen retrato se puede conocer a un desconocido, y no únicamente reconocer a un conocido. Y se puede examinar una buena fotografía, ver que es una fotografía y que es un buen retrato. Ciertamente no todos alcanzan esto, sino únicamente quien posee el “sentido” para ello y un ojo crítico; sin embargo, existe la posibilidad real. Precisamente, me parece que esto que hoy se entiende bajo el término “símbolo”, se realiza plenamente cuando una figura expresiva es captada como “imagen sensible”, abriéndonos la imagen a un sentido hasta ahora desconocido.”

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experiência mística que dista muito do comum uso da palavra, para tanto Edith Stein dá uma definição primorosa e nos leva ao cerne da vivência.

Esta segurança pode apoiar-se no "sentimento" de que Deus está presente; no mais íntimo dele se sente tocado por Ele que está presente. É a isso que, no sentido próprio, denominamos de experiência de Deus. É o núcleo de toda a vivência mística: o encontro com Deus de pessoa para pessoa. Em apoio a esta vivência pode vir uma visão extraordinária, visão sensível como a de Isaías. Por outro lado; É pensável uma tal visão sem uma experiência interior de Deus? Não é impossível que o profeta visse o Senhor diante dele ou ouvisse suas palavras sem sentir-se interiormente tocados por Ele de forma mística. 9 (STEIN, 2004, p. 148)

Antes de qualquer realidade podemos definir a Mística como Presença, não uma

mera presença, mas a Presença da Divindade. Deus que se faz Presente e se deixa perceber pela alma em seu centro mais profundo, daí brota a certeza de Sua Presença. A mística é uma vivência que, por mais que possa parecer contraditória, é efetivada a dois, duas vontades, duas entregas, dois entes: um finito e outro eterno num encontro. Se desse encontro ter-se-á eventos e ou efeitos sobrenaturais isso já é um desdobramento não necessariamente vinculado

à vivência mística.

Como falamos acima acerca do conhecimento ser um processo de desenvolvimento gradativo isto também acontece na vivência mística, é um dar-se a conhecer aos poucos como numa subida em degraus, mas que na verdade é feito de maneira aparentemente contraditória quanto mais eu desço mais eu subo, quanto mais eu me autoconheço mais eu conheço a Deus,

a descida nas entranhas de minha existência anímica releva a Divindade que nela habita e me eleva a divindade que está dentro de mim.

Mas é só apenas o começo, o menor grau de vida de oração mística. A partir daqui até a "contemplação infusa" até a união permanente com Deus, existem diferentes graus e passos. Cada grau acima é uma mais rica e profunda auto-revelação e auto- entrega de Deus à alma; para a alma, isto significa adentrar-se no conhecimento mais profundo e intenso de Deus, O qual exige por parte dela una entrega total. 10 (STEIN, 2004, p. 150)

9 “Esta seguridad puede apoyarse en el “sentimiento” de que Dios está presente; en lo más interior de Él se siente tocado por el que está presente. A esto es a lo que, en sentido propio, denominamos experiencia de Dios. Es el núcleo de toda vivencia mística: el encuentro con Dios de persona a persona. En apoyo de ello puede venir una visión extraordinaria, visión sensible como la de Isaías. Por otra parte; ¿es pensable una tal visión sin una experiencia interior de Dios? No es imposible que el profeta viese al Señor ante sí u oyese sus palabras sin que interiormente se siente tocado por Él de forma mística.” 10 “Sólo es el comienzo, el grado inferior de la vida mística de oración. Desde aquí hasta la cima de la “contemplación infusa”, hasta la permanente unión con Dios, hay diferentes grados y pasos. Cada grado hacia arriba es una más rica y profunda autorevelación y autoentrega de dios al alma; para el alma esto significa un adentrarse más profundo e intenso en el conocimiento de Dios, lo cual exige por parte de aquella una entrega total.”

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Poderíamos aqui levantar a questão, mas qual de fato é a finalidade desse encontro, desse dar-se a conhecer? Em que consiste o fim desse conhecer-se, do elevar-se se abaixando? O Pseudo Dionísio diz que a finalidade é de deificarmo-nos:

E deificarmo-nos é nos assemelhar a Deus e nos unir a ele o quanto pudermos. O termo comum de toda hierarquia consiste, portanto, neste amor contínuo de Deus e dos mistérios divinos que a presença unificante do próprio Deus produz santamente em nós. Todavia, para atingir esta presença, é preciso passar primeiro pelo despojamento total e sem retorno de tudo o que cria obstáculo para isso; não é mais necessário conhecer seres a não ser Aquele que os torna verdadeiramente seres; é preciso contemplar e compreender a verdade santa, participar, à medida do possível, graças a uma união perfeita e deificadora, Daquele que é a própria unidade, alimentar-se dessa visão sagrada que nutre a inteligência e deifica todo aquele que até ela se eleva. (DIONÍSIO, 2004, p. 205)

Podemos assim estabelecer a relação da mística como uma forma de conhecimento que nos possibilita a deificação. O Uno nos unifica a Ele, esse recolhimento da percepção externa das atividades anímicas potencializa a percepção interna. O despojamento total e sem retorno para se atingir a divinização torna este modo de conhecer pouco usual, infelizmente, não por conta de divindade, é preciso que se deixe claro a acessibilidade a todos que se despuserem em aderir o caminho. De modo que se torna uma experiência de poucos, porque poucos se entregam a esta descoberta.

Sobre se a experiência mística é um direito de uns poucos eleitos ou é essencialmente acessível a todos. Também os pesquisadores, que o vêem primeiramente como um fruto acessível da vida da graça em geral, não nega, no entanto, que na verdade ocorre em relativamente poucos casos. 11 (STEIN, 2004, p.

141)

Não há como passar despercebida a realidade da deificação dentro do Mistério da Salvação, desde o jardim do Éden, quando o relato Sagrado diz que Deus vinha ao encontro do homem para com ele se entreter, passando pela história da salvação tendo seu ponto máximo a paixão, morte e ressureição do Filho de Deus até nossos dias. Deus toma a iniciativa de estar com suas criaturas, numa relação amorosa que lhe é essência. Deixar-se encontrar por Aquele que é Amor é missão do místico, que em seus escritos deixa-nos a certeza de sua vivência, descreve de forma simbólica, mas não menos racional seu conhecimento adquirido, e uma característica comum nos escritos dos mesmos é o convite que todos os místicos homens e

11 Sobre si la experiencia mística es un derecho de unos pocos elegidos o es fundamentalmente accesible a todos. También los investigadores, que fundamentalmente ven como un fruto accesible de la vida de la gracia en general, no niegan sin embargo, que se da de hecho en casos relativamente pocos.”

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mulheres fazem aos seus leitores de “beberem” desse manancial, pois todos os homens são a esta experiência um conviva, haja vista ser-lhe intrínseco, antropologicamente falando, para sua realização plena este contato da criatura com seu criador, sendo Este último o unificador.

Quando sua obra deificadora, conforme a capacidade de cada um receber a impressão divina, produz uma multidão de deuses, parece, ainda aí, que o Deus único se divide e recebe múltiplas figuras, mas, na realidade, Aquele que é Princípio do divino e Mais que divino permanece de modo supra-essencial Deus único, indivisível em tudo o que recebe divisão, unificado em si mesmo, incapaz de se compor com a pluralidade dos seres ou de neles se multiplicar. (DIONÍSIO, 2004, p.

32)

Como fruto da vivência unificadora estabelece-se o discurso do que foi vivenciado e este é outro aspecto de relevância. Há possibilidade de se compreender um discurso de uma vivência mística? Há uma objetividade numa vivência deificadora que possibilite o entendimento de um ser que ainda que não tenha tido a mesma experiência possa compreender? Como podemos estabelecer um discurso lógico de uma vivência suprarracional? Trabalharemos estas questões a seguir estabelecendo o aspecto objetivo da vivência mística.

DA OBJETIVIDADE DA VIVÊNCIA MÍSTICA

Já no subtítulo da obra de Edith Stein, por nós escolhida aponta para a questão da objetividade enfatizando “Caminhos do conhecimento de Deus a "Teologia simbólica" do Areopagita e seus pressupostos objetivos12 . Stein tratará a questão dentro dessa objetividade e para tanto utilizará do Método fenomenológico de forma que se apropriando dos meios por este último disponibilizado chegará com maestria ao objetivo que desenvolverá a “Teologia simbólica” como consequência da vivência mística. A Fenomenologia empreende uma diferenciação entre o objeto intencional e o objeto apreendido 13 . Stein nessa relação Teologia simbólica verso objetividade diz:

12 “Caminos del conocimiento de Dios La “Teologia simbólica” del Areopagita y sus presupuesto objetivos”. Grifo nosso 13 Cf. “deve-se notar que o objeto intencional de uma consciência (tomado como pleno correlato dela) não é absolutamente igual ao objeto apreendido. Costumamos pressupor o Ser apreendido no conceito de objeto intencional, porquanto, ao pensarmos nele ou falarmos sobre ele, temo-lo como objeto no sentido apreendido.

] [

Ao contrario, no ato de avaliar, de alegra-se, de amar, de agir,

objetividades francamente representáveis. [

Com certeza só podemos lidar com uma coisa física apreendendo-a, e o mesmo se diga de todas as

]

lidamos com valor, com o objeto da felicidade, com o objeto amado, com a ação respectivamente.” (Husserl,

Edmund. Apud. ABBAGNANO. Nicolas. Dicionário de Filosofia. p. 844).

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A teologia simbólica como uma linguagem de imagens de Deus e das coisas divinas pressupõe, por um lado, uma certa relação entre o mundo sensível e não sensível

(onde sob o não-sensível pode entender muitas coisas diferentes). Por outro lado, pressupõe uma determinada disposição entre aqueles que se utilizam desta

linguagem falando ou compreendendo.

14

(STEIN, 2004, p. 166)

Assim sendo, no discurso sobre a vivência mística é perfeitamente plausível a utilização de imagens, símbolos, haja vista a efetivação do entendimento acerca do que quer ser expresso. A relação da linguagem simbólica com o mundo sensível aproxima o discurso da racionalidade e sua intenção que é de demonstrar um “valor” supra racional, dando ao interlocutor as condições necessárias ao entendimento, de forma que há uma alargamento no que consiste o objeto de conhecimento e esse processo torna o ser humano plenificado, pois se tratar de uma deidade.

Certamente, deve-se dizer geralmente que as relações simbólicas formam a base objetiva das expressões e significado alegóricos. Não seria possível estabelecer expressões entre o visível e o invisível, se o visível não indicar algo além de si mesmo e o invisível não teria propriedades que reflitam no visível. 15 (STEIN, 2004, p. 167)

A tomada de expressões daquilo que é visível guarda em seu conteúdo, em nível de entendimento, um significado que vai além do simplesmente visível. Quando na experiência mística se possibilita o uso da linguagem do visível para dar visibilidade ao não visível esta também se torna uma vivência do entendimento. Não que tal relação seja isenta de possíveis confusões interpretativas, contudo nada que uma análise minuciosa daquilo que foi dito não traga a luz o real sentido do que foi dito. O que precisamos de uma vez por todas distinguir é a intensidade da vivência, da vivência em si. O que ocorre, não poucas vezes, é uma tentativa frustrada daquele que não vivenciou a experiência mística de obter as mesmas “sensações” e ou efeitos dos místicos em si. Da subjetividade diz respeito à intensidade da vivência, da objetividade diz respeito o conteúdo vivenciado.

Todo o conhecimento do ser e da vida anímica está essencialmente construída sobre ele. Sem "expressão" não se daría nenhum acesso a ser anímico estranho; e se para compreender das manifestações de expressão contribui essencialmente a experiência interior do próprio ser anímico, então a experiência em si mesma é, por

14 La Teología Simbólica como lenguaje de imágenes de Dios y de las cosas divinas presupone, de una parte, una relación determinada entre el mundo sensitivo y no-sensitivo (en donde bajo lo no-sensitivo se pueden entender muchas cosas diferentes). De otra parte, presupone una determinada disposición entre los que se sirven de este lenguaje hablando o entendiendo.”

15 Ciertamente, se debe decir en general que las relaciones simbólicas forman el fundamento objetivo de las expresiones y significado alegóricas. No sería posible establecer expresiones entre lo visible y lo invisible, si lo visible no indicara algo más allá de sí mismo y lo invisible no tuviera propiedades que se reflejaran en lo visible.”

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sua vez, depende da experiência do outro. A experiência do ser anímico se desenvolve em condições de troca entre a experiência de si mesmo e do outro como sensível-espiritual. 16 (STEIN, 2004, p. 168)

Devemos entender que o conhecimento, seja ele do ser como também da vida anímica e aqui faz referencia as duas dimensões da alma, tem sua base na expressão, capacidade de se expressar, de falar sobre o conhecido e o se expressar subtende-se comunicação, de um outro eu com as mesmas faculdades intelectivas e aqui como já se foi falando anteriormente da comunicabilidade do conteúdo vivenciado pelo místico. Devemos, pois concluir que a vivência mística é de cunho comunitário. Quando se vivencia a experiência mística é na missão de uma comunicabilidade, a deidade vivenciada extrapola a subjetividade e lança-se na intersubjetividade. Uma vez que eu digo a uma pessoa “tomei um delicioso banho de chuva” e o meu interlocutor que já viveu essa experiência por certo que o nível de entendimento deste se aproximará mais o objeto que seria a satisfação, de bem estar, liberdade e alegria em desfrutar daquele momento, mas quando digo a mesma coisa a uma outra pessoa que nunca teve essa experiência, mas sabe o que é chuva sabe o que é banho sabe o que é se molhar ela fará uma aproximação que não é falsa, muito pelo contrário, contudo não se aproximará do objeto como no primeiro exemplo. Por isso que se percebe um nítido convite não só nos escritos do Dionísio Pseudo Areopagita mais também em inúmeros outros escritos dos místicos, esse convite de colocar-se a caminho do conhecimento que é autoconhecimento, num processo de deificação e pedagogicamente se apresenta a forma de nele chegar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Stein, portanto, ver na vivência mística à luz da consciência uma objetividade, mesmo nos fenômenos supostamente subjetivos se estabelece dentro da análise fenomenológica esta objetividade, não há como não reconhecer a filiação de Edith Stein à Tradição Eclesial e, portanto, a consistência de sua retomada atualizada e o desenvolvimento do tema da mística. Assim, na compreensão steiniana a mística pode ser apreendida como uma forma, num processo de plenificação da pessoa humana.

16 Todo conocimiento del ser y de la vida anímica está esencialmente construido sobre ello. Sin “expresión” no se daría ningún acceso al ser anímico extraño; y si para la comprensión de las manifestaciones de expresión contribuye esencialmente la experiencia interior del propio ser anímico, entonces la experiencia de sí mismo es, por su parte, dependiente de la experiencia ajena. La experiencia del ser anímico se desarrolla en condiciones de intercambio entre experiencia de sí mismo y ajena como sensible-espiritual.

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De acordo com Stein a mística é a forma mais plena de dar-se o conhecimento. A utilização de categorias na tentativa dionisíaca de apresentação do que foi a vivência mística como a figura do fogo que ilumina, aquece, clareia nos permite, por conseguinte, perceber a

relação não apenas da categoria em si “fogo”, mas nos leva ao sentido real. Assim, em Stein, se podem constatar duas formas de se objetivar a vivência mística: uma, que compreende a experiência de imediato representando-as com linguagem figurativa; e a outra, que apreende a vivência em si mesma no que toca sua subjetividade. Nessa medida, conforme tal interpretação pode-se dizer que Edith Stein compreende a mística enquanto processo, assim como o Ser eterno que é ato unifica os opostos. Essa razão pela qual, neste sentido, a mística pode-se ser tida como uma forma processual de unificação que gera o conhecimento que se dar a partir da aceitação da relação dos contrários, ou seja, apresentando-se, pois como a unidade das diferenças. Stein utilizando-se de Dionísio e efetivando o Método Fenomenológico concebe a mística como uma forma processual onde o escopo é o conhecimento, e aqui é um duplo conhecimento: quanto mais eu me conheço mais eu conheço a Deus e quanto mais eu conheço

a Deus mais eu me conheço, a partir da unidade dos opostos. Dessa maneira, a filosofia de

Stein nos remete ao Absoluto, a divindade perpassa o criado e manifesta-se conscientemente no homem. O homem pode escolher entre duas vias, a saber, a imediata que se dá pelo entendimento particular do sensível e a mediata ou conforme a divindade. Se isto é assim, há que se reconhecer, então, que a Sabedoria só pode ser apreendida quando se estabelece a unidade dos opostos, que é o resultado da união do ser finito e do Ser eterno. É sabido que desde a Modernidade a relação da Filosofia com a metafísica tem se

configurado numa rejeição à tradição numa reconfiguração de uma metafisica existencialista,

o pensamento de Edith Stein no que concerne a questão nos possibilita levantar a questão

com um novo frescor e sob num novo prisma, com o surgimento da fenomenologia podemos sem o menor receio ou equivoco nos reintegramos as questões outrora deixadas de lado e hoje nos apropriamos, pois acreditamos que seu pensamento é para os homens e mulheres de hoje em seus abscônditos existências esta forma de conhecimento que é possível a todos os homens contanto que se deixe conduzir neste caminho, nesta forma de conhecimento que denominamos mística. Seja por razões históricas, das quais a própria Stein é bastante cônscia, seja, por razões propriamente filosóficas. Não obstante, Stein está correta em afirmar que, para tal vivência mística, a verdade se encontra na união, num pressuposto objetivo derivado da vivência em si.

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Obras

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