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Neumannezo-arc een: CoE : Métodos e Técnicas y de Pesquisa em Comunicacao EDITORA ATLAS S.A. Rua Conselheiro Nébias, 1384 (Campos Elisios) 1203-904 Sao Paulo (SP) ‘el. (11) 3357-9144 (PABX) www.EditoraAtlas.com.br Jorge Duarte Antonio Barros Organizadores Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicacao Ana Lucia Romero Novelli Antonio Barros Ant6nio Maria Gomes de Castro Cicilia Maria Krohling Peruzzo Eduardo Manhaes Eloi Juniti Yamaoka Fernando Bastos Flor Marlene E. Lopes Henrique Codato Ida Regina C. Stumpf Muska Coutinho Isaac Epstein Isabel Travancas Jodo José Azevedo Curvello Jorge Duarte José Marques de Melo Luiz Carlos Assis lasbeck Marcia Yukiko Matsuuchi Duarte Margarida Maria Krohling Kunsch Maria Cristina Gobbi Maria das Gragas Targino ‘Maria Eugénia Belczak Costa Roberto Penteado Rogério Diniz Junqueira Samantha Castelo Branco Sérgio Dayrell Porto Sonia Virginia Moreira Suzana Maria Valle Lima Wilson Corréa da Fonseca Jinior Wilson da Costa Bueno SAO PAULO EDITORA ATLAS S.A. ~2005 © 2005 by EDITORA ATLAS S.A. Capa: Leonardo Hermano Composigdo: Set-up Time Artes Grificas Dados Internacionais de Catalogacio na Publicacio (CIP) \ (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) -Métodos e tends de pesquisa em comunicagao /Jorge Duarte, Antonio Bar- 105 ~ organizadores. ~ So Paulo: Atlas, 2005, Varios autores. Bibliograta, ISBN 85-224-4062-X 1 1. Comunicagio ~ Pesquisa 1. Duarte, Jorge. Il Barros, Antonio. 05-1048 cpn.302.2072 indices para catdlogo sistem 1. Comunicagio : Pesguisa : Sociologia 302.2072 2. Pesquisa em comanicagio : Sociologia 302.2072 ‘TODOS 0S DIREITOS RESERVADOS - proibida a eprodugo total ou parcial de : ‘qualquer forma ou por qualquer meio. A violaeo dos dicetos de astr (Lain 9.610/98) & crime estabelecido pelo artigo 184 do Cédigo Penal Depesto legal na Biblioteca Nacional conforme Decreton! 1.825, de 20 de dezembro de 1907, Impresso no Brasil/Printed in Brazil Sumario Apresentagéo, xxiii Introdugéo (José Marques de Melo), 1 Ciencia, poder e comunicagio (Isaac Eps Cigncia e poder, 15, “Paradigmas” em ciéncias sociais, 19 Orientagdes epistémicas, 21 Procedimentos analiticos, 25 Procedimentos qualitativos e procedimentos quantitativos, 26 Comunicacio, 27 Conclusdes, 28 Referencias bibliogréicas, 30 A elaboragio do projeto de pesquisa (Antonio Teixeira de Barros e Rogério Diniz Junqueira), 32 1 Teoria e pesquisa social: elementos para compreender essa relacéo, 32 2. Roteiro para a elaboracio de um projeto, 39 2.1. Primero passo: a escolha do tema, 39 2.2. Segundo passo: a delimitagdo do objeto de estudo, 41 23. Terceito pesso: a formulagao do problema, 42 24 Quarto passo: a formulagio das hipéteses, 43 i econ enc de pngen em coun 25 26 27 28 29 Quinto passo: a formulago dos objetivos, 43 Sexto passo: as justificativas da pesquisa, 44 Sétimo passo: descrigao dos procedimentos metodolégicos, 44 Citavo passo: a construcao do referencial tedrico, 45 Nono passo: 0 sumirio preliminar, 46 2.10 Décimo passor 9 cronograma da pesquisa, 47 Referencias bibliogréficas, 47 3. Pesquisa bibliografica (da Regina C. Stumpf), 51 Por que reyisar a literatura, 52 Quando revjsar a licerarura, 52 Como realizir a pesquisa bibliogréfica, 54 3.1 32 33 34 lentiticagdo do tema ¢ assuntos, 55 Selecdo das fontes, 56 Localizagdo e obtengio do material, 58 Leitura e transcrigdo dos datos, 59 Considerages finais, 60 Referéncias bibliogrificas, 61 1 Entrevista em profundidade (Jorge Duarte), 62 Tipos de entrevista, 64 Ll 12 13 Entrevista aberta, 65 Entrevista semi-aberta, 66 Entrevista fechada, 67 Validade e confiabilidade, 67 Sclegdo dos informantes, 68 ‘Ato da entrevista, 70 4d 42 43 4a 45 46 Antes, 71 Inicio, 72 Perguntas, 72 Além das respostas, 74 Ao final, 75 Depois, 75 Sumiro vil 5 Instrumentos de coleta, 76 5.1 Anotagbes, 76 5.2. Gravagto, 76 53. Telefone, 77 54 Intemet, 77 6 Descricao e andtise dos resultados. 78 6.1 Categorias, 79 6.2. Transpondo as informagées, 80 ard conclu, 81 Referéncias bibliogrficas, 82 Método biogréfico (Maria Cristina Gobbi), 84 1 Um pouco de histéria, 86 2. Polifonias, 90 3. Fontes: 0 caminho a seguir, 91 3.1 Fontes primérias, 92 3.2. Fontes secundarias, 93 4 Tamanho: € possivel definir?, 94 5 Primeiros passos, 94 5.1 Fontes nacionais (publicadas no Brasil e autores nacionais), 95 5.2. Fontes internacionais, 96 Referéncias bibliogrdficas, 97 Fazendo etnografia no mundo da comunicagao (Isabel Travancas), 98 1A etnografia para a antropologia, 98 2 Questdes etnogrificas: tedricas e priticas, 100 3. Ocadero e 0 campo, 101 4. Os instramentos, 102 4.1. As entrevistas, 102 4.2 A observacio participante, 103 43° Acescritura, 103 5 Bunogeafias da comunicagav, 104 Referéncias bibliogréficas, 108 Literatura recomendada, 109 ill sicotoy enc de pesquis em comuniao sumiio bx 7 Metodologia folkcomunicacion: Castelo Branco Rocha Carvalho), 110 teoria e pritica (Samantha Viana 10 Pesquisa de opinio (Ana Lucia Romero Novelli), 164 © processo da pesquisa: planejamento e realizago, 165 1 1 Origem ¢ conceito, 110 2. Definigio do escopo do estudo, 165 2 Os caminhos de Luiz Beltrdo, 112 3. Defini¢ao do método de coleta, do cronograma e do orgamento, 165 3. Metodologia das pesquisas folkcomunicacionais: aplicagGes atuais, 117 4. Coleta de informagées, 167 Consideragées finais, 121 5. Identificacio do universo e definigaa da amostra, 168 Referencias bibliogrdficas, 123 6 Elaboragio do instrumento de pesquisa, 168 8 Observacéo participante e pesquisa-acio (Cilia Maria Krohling Peruzzo), 125 6.1. Partes do questionério, 169 1 O sentido;.ou a razto de ser, da pesquisa participante, 125 6.2 Perguntas abertas e fechadas, 172 2 © contextalda incorporagéo da pesquisa participante nos estudos 63. Redacéo das perguntas: 0 objetivo é a compreensio, 173, de comunicagéo no Brasil, 127 6.4 Redacdo das respostas: mensuracao ¢ excalas, 174 3. Pesquisa participante na 4rea de comunicagio, 130 7 Realizacio do pré-teste do instrumento de pesquisa, 176 4. Esclarecendo.os conceitos de pesquisa participante, 132 8 Realizacio da pesquisa, 177 5 Pressupostos metodolégicos, 139 9 Codificagio do instrumento e processamento dos dados, 177 Considevagées fnais, 143 10 Realizagao da anilise dos dados, 178 Referéncias bibliogrdficas, 144 11 Blaboragao do relatério final, 178 as bibliogréficas, 178 9 0 uso da Internet (Eloi Juniti Yamaoka), 146 Referencias bibliogrficas, 1 Q volume informacional, 147 1 Grupo focal (Maria Eugénia Belcoak Costa), 180 2. Conceitos elementares da Web, 149 1 Histrico, 181 3. Dimensao da Internet, 150 2. Conceitos, 181 4 Sistemas de busca da Web, 152 3. Usos do grupo focal, 181 5 Limitagées e caracteristicas dos sistemas, 153 4 Vantagens e desvantagens do grupo focal, 182 6 Como preparar uma busea?, 156 5. Planejamento — por onde comegar?, 183 6.1 Plano de busca, 157 5.1 Elaboragio de um roteiro de entrevista, 183 62. Recursos para refinamento da busca, 158 5.2. Principios gerais para elaboragio do rote, 184 63 Outros recursos que facilitam, 159 : 5.3 Niimero de perguntas, 184 7 Fontes especiais, 160 5.4 Tipos de questées, 184 7.1. Para localizar sistemas de busca, 160 5.5. Definigio do piiblico-alvo, 185 7.2. Para documentos cientificos, 160 5.6 Perfil do moderador/facilitador, 185 7.3 Busca de noticias, 161 5.7 Papel da dacumentadr, 186 8 Organizagdo da informacao para retiso, 101 6 Realizacio da reunio, 187 Referencias bibligréfcas, 162 6.1 Disposigdo de sala, 187 X soon tenia de pesqula em comaneagio 6.2 O registro ~ modelo de planilha, 188 6.3 Apresentagao e introducao, 188, 7 O relatério ~ anilise das respostas, 189 8. Aspectos éticos, 190 9 Recomendagées e tendéncias, 191 Referencias bibliogrificas, 192 12 Método semiético (Luiz Carlos Assis Iasbeck), 193 1 O principio da semiética, 194 0 projeto semi6tico, 195 A abordagem semiética, 196 {A semidtich a interdisciplinaridade, 197 Complicandd e descomplicando, 198 De trés em trés e de dois em dois, 199 © outro como presenca semiética, 200 Semidtica: modo de usar, 201 Por que usar a semistica?, 203 Referéncias bibliogrficas, 204 13 Semiologia e semiética como ferramentas metodolégicas (Henrique Codato e Flor Marlene E. Lopes), 206 1 Primeiras definigées, 206 2 Antecedentes, 207 3 Balizas conceituais, 210 4 As linguagens da moda e do corpo, 210 5 Bleitos na comunicagdo e na publicidade, 213 Referencias bibligréficas, 213 14 Bstudo de caso (Marcia Yukiko Matsuuchi Duarte), 215 1 Definigdo, 216 2 Quando usar 0 método do estudo de caso, 218 3 Paradoxos do método do estudo de caso: preconceitos e criticas tradicionais, 220 projeto de estudo de caso, 223 ‘Componentes do projeto de pesquisa, 223 desenvolvimento de um estudo de caso, 225 Sumiso 7 Avaliagdo da qualidade dos projetos de pesquisa, 226 8 Tipos bésicos de projetos para estudo de caso, 227 9 Condugio dos estudos de caso: preparando a coleta de dados, 228 10 Condugao dos estudos de caso: a coleta de evidéncias, 229 11 Como analisar as evidéncias do estudo de caso, 231 12 Estratégias gerais, 231 13 Principais métodos de andlise, 231 14 A elaboragao do relatério, 232 Consideragées finais, 233 Referencias bibliogrfcas, 234 15 Auditoria da comunicagdo organizacional (Margarida Maria Krohling Kunsch), 236 1 Conceitos e objetivos, 237 Relacionamento entre organizagdo e consultor-auditor, 238 Paradigmas e perspectivas, 240 ‘Métodos ¢ instrumentos, 241 Processo da auditoria, 243 Relatério final, 250 Referencias bibliogrSficas, 251 auken 16 O desvendar das culturas organizacionais (Jodo José Azevedo Curvello), 253 1. As téenicas e as andlises, 261 Referencias bibliogr@fcas, 267 17 Anilise documental como método ¢ como técnica (Sonia Virginia Moreira), 269 1 Andlise documental: do que se trata, 271 2. Anélise documental: pereursos, 274 3. Tres amostras a titulo de ilustragao, 277 Referencias bibliogrficas, 279 18 Anélise de contetido (Wilson Corréa da Fonseca Jinior), 280 | Histéria, 280 11 Ahheranca positivista, 281 1.2. A supremacta dos nimeros, 282 Xi dando eis de pee em eran 13. A valorizaglo da inferéncia, 283 14 A andlise de conteiido na América Latina, 284 1.5 Tendéncias atuais da anilise de comtetdo, 285 2. Fundamentos conceituais, 286 2.1. Perfil da andlise de contetdo, 286 22. Marcos de referéncia, 287 3 O método, 288 3.1 Onganizagto da anilise, 290 32. A colificacéo, 294 3.3. A categorizacio, 298 3.4 Inferdgcia, 298 3.5. O tratainento informético, 299 4 Técnicas, 3QL 4.1 Andlise categorial, 301 42 Andlise de avaliagio, 301 43. Andlise da enunciaczo, 301 44 Anélise da expressio, 302 4.5 Anilise de contingéncia, 302 4.6 Andlise estrutural, 302 4.7 Analise do discurso, 303 Referéncas bibliggréficas, 303 19 Analise do discurso (Eduardo Manhaes), 305 1 Discurso — linguagem em curso, 395 2 Aanilise de discurso, 306 3 A anilise de discurso inglesa, 306 4A conversacio, 307 4.1 Os pressupostos, 307 4.2 Os implicitos, 307 5. As marcas do discurso: os indicadores, 308, 5.1 Indicadores de pessoa, 309 5.2. Indicadores de tempo e de espaco, 310 6 Aagao, 312 sumiso xi 7 Principais contribuigdes, 315 Referéncias bibliogrdficas, 315 20 Analise hermenéutica (Fernando Bastos e Sérgio Dayrell Porto), 316 1. Investigagdo teérica, 316 2. Desenvolvimento pritico, 322 2.1. Sao Jodo batizou Jesus nas 4guas do rio Jord: ele era a vor que clamava no deserto, 323 2.2. A alegoria que renova as promessas do batismo publicitério, 327 Referencias bibliogrficas, 328 21 Leitura e andlise da imagem (fluska Coutinho), 330 1. Percurso para andlise da imagem, 334 2 Uma direcao para o olhar, 336 3. Fotografia, 339 4. Cinema, televisao e video, 341 Referéncias bibliogréficas, 344 22 Auditoria de imagem na midia (Wilson da Costa Bueno), 345 A imagem corporativa, 345 ‘Auditoria de imagem na midia, 347 ‘A importancia do planejamento, 351 Definindo os objetivos, 352 Acescolha da amostra, 354 © tempo de analise, 355 A coleta ¢ 0 registro dos dados, 357 As categorias de anélise, 358 Indicadores de presenca na midia, 359 10 O relatorio de auditoria de imagem, 360 11 Observagdes importantes, 261 Referéncias bibiogrdfcas, 362 23 Libertago pela redacao técnico-cientifica (Maria das Gragas Targino), 364 1 Explosio bibliogréfica e redago técnico-cientifica, 366 1.1 O incremento da investigagio cientifica, do ntimero de pesquisadores ede sua produtividade, 366 20 andor ened peng em canes 1.2. Desenvolvimento das nag6es, necessidiade de agilizar e aperfeicoar © processo de defesa nacional, ¢ exploragio especial, 367 1.3. Compartrrentagio da C8, industralizario cada vez mais acentuada € especializagdo crescente, 368 1.4 Impressio répida e novas tecnologias de informagdo e de comunicagio, 368 2. Produgio do texto téenico-cientifico: recomendagies genéricas, 368 2.1 Cultura suiciente no campo da pesquisa x escolha do tema, 368 2.2 Maturacio da idéia ou do tema, 369 23. Objetividade na forma de abordagem, 369, 24 Dominio sobre os sentimentos, 370 2.5 Cuidaio com o referencial te6rico, 370 2.6 Resisténcis a interferéncias alheias & pesquisa, 370 2.7. Revisbes amplas e detalhadas do trabalho, 371 2.8 Meditagdo sobre a pesquisa realizada, 371 2.9. Divulgacao de resultados, 371 2.10 Disposicao e amor & pesquisa, 372 3. Qualidades da redagio técnico-cientifica, 372 3.1 Impessoalidade, 372 3.2. Modéstia ecortesia, 373 3.3. Fungo informativa, 373 3.4 Clareza, precisio e simplicidade, 374 3.5 Concisao, 374 3.6 Corregio gramatical, 376 3.7 Dominio do vocabulitio técnico, 377 4 “Dicas” de unifermizagao, 377 Gonsideragdes finais, 379 Referencias bibliogréfcas, 379 Capitulos disponiveis no site - 1 Técnica Delphi (AntOnio Maria Gomes do Castro ¢ Suzana Maria Valle Lima) 2. Anélise de midia sonora (Wilson Corréa da Fonseca Jimior) 3. Anilise e mineragao de textos e dados (Roberto Penteado) Sobre as autoras e os autores Ana Lucia Romero Novelli. Doutora em Ciencias da Comunicagao pela Es- ‘cola de Comunicagées e Artes da Universidade de S40 Paulo; profissionalmente, atua como relacoes puiblicas no Senado Federal, como pesquisadora associada 40 Programa de Pos-Graduagao da Faculdade de Comunicacio da Universidade de Brasilia e professora de cursos de especializagio e graduagdo na area de co- ‘municagao. E-mail: Antonio Barros. Doutor em Sociologia e Mestre em Comunicagao pela Uni- versidade de Brasflia (UnB). Professor de Metodologia Cientifica do Curso de ‘Comunicagao do Instituto de Educago Superior de Brasilia (Iesb). Tem pesqui- 25, publicagGes ¢ orientagdes conclufdas sobre os seguintes temas: piiblico € privado, mobilizacao social, ambientalismo, comunicagdo para o Terceiro Setor, comunicacao cientifica, pensamento comunicacional latino-americano, Folkcomunicagao, estudos interdisciplinares da Comunicacio, produgio cultu- rale editorial, entre outros assuntos. Coordenador do Prémio Intercom de Inicia- fo Cientifica (Iniciacom), de 2001 2 2005. Atua também como consultor nas reas de Comunicagao, Ciéncia & Tecnologia e Elaboracao de Projetos. E- rail: Anténio Maria Gomes de Castro. Engenheiro Agrénomo, com Mestrado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e Ph.D pela University of Reading, Inglaterra, em Agricultural Systems Analysis and Simulation. E pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuarias desde 1978, trabalhando atual- mente na Superintendéncia de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD), onde desen- volve atividades em anélises de cadeias produtivas, sistemas de informacio ‘getencial, estudos prospectivos, todos direcionados & gestio de C&T. E também 21 ldo cic de pega om comico pesquisador da UnB, ministrando disciplinas ¢ orientando estudantes de pés- zgraduuagio nos Departamentos de Agronomia e de Administracio, Cicilia Maria Krohling Peruzzo. Mestre em Comunicacio Social pela Umesp doutora em Ciéncias da Comunicagao pela Escola de Comunicacées ¢ Artes da Universidade de So Paulo. Docente do Programa de Pés-Graduaso em Com- nicagio Social da Universidade Metodista de $40 Paulo, Ex-presidente (1999- 2002) da Intercom ~ Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Co municagao, Foi professora da Universidade Federal do Espitito Santo e da Asso- ciacio Educacional de Vit6ria (ES). E autora dos livros Relages pblicas no modo de produgdo eapitalista © Comunicapdo nos movimentos populares: a participagdo na construgdo da cidadania e organizadora de diversas coletaneas de Comunicacio. Publicou grande nimero de artigos em revistas cientificas no pais e no exterior. Eduardo: des. Graduado em Sociologia, mestre em Ciéncias Sociais e doutor em Comunicagio pela UFR). Foi Superintendente do Departamento de Futebol Profissional e Chefe de Gabinete da Presidéncia do Clube de Regatas do Flamengo. E auditér-fiscal da Previdéncia Social, professor do lesb-DF e autor dos livros A politica de esportes no Brasil (Graal) e Jodo sem medo (Pontes). Eloi Juniti Yamaoka. Mestrando em Ciéncia da Informago - UnB. Analista com especializacio em Desenvolvimento de Sistemas do Serpro. Atuou no de- senyolvimento de sistemas, sitios e projetos do Governo Federal. Atua em Comi- 18 Técnico e no Projeto e-PING — Padrées de Interoperabilidade do Governo Ele- trénico. Areas de interesse: Organizacio e Representacio do Conhecimento, Gestao da Informacdo ¢ do Conhecimento e Governo Eletrénico. F-mails: e . Fernando Bastos. Doutor em Filosofia ¢ pesquisador associado sénior no Progra- ‘made Pés-Graduacao da Universidade de Brasilia/UnB; membro do Instituto Brasi- leito de Filosofia; membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, membro da Sociedade Brasileira de Estudos Clissicas; livros publicados: A teogonia de Ferécides de Siro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2003; Mito efiloofia, Brasilia, EdUnB, 1998, 2. ed; Panorama das idéasestéticns no Oridente, Brasilia, EdUnB, 1987, 2. ed Em toro de uma arte: uma estétca. Rio de Jancizo, Funarte, 1982. § Flor Marlene E. Lopes. Doutora em Lingiiistica e Semistica pela Universida- de de Sao Paulo (USP), Profa. Orientadora do Curso de Pés-Graduagao em Ar- tes na Universidade de Brasilia - UnB; prolessora do Curso de P6s-Graduagéo Lato Sensu da Faculdade Dulcina de Moraes e professora do Curso de Comuni- cacao UniCEUB Henrique Codato. Graduado em Comunicacdo em 2002 pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mestre em Comunicacéo Social, na linha de pes- {quia de Imagem e Som da Universidade de Brasflia (UnB). Leciona atualmente as disciplinas Semidtica e Estudos da Linguagem e Sociologia da Comunicacao no Centro Universitario de Brasflia (UniCEUB). Ida Regina C. Stumpf. Professora Titular do Depto. de Ciéncias da Informa- ‘fo e do Programa de Pés-Graduagdo em Comunicagio ¢ Informacao, da Uni- versidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisadora 1D do CNPq, Desenvol- ve estudos © pesquisa em comunicagio cientifica, abordando principalmente as temiticas de produgio cientifica e periédicos cientificos. Graduada em Biblioteconomia e Mestre em Educacao pela UFRGS e Doutora em Comunica- sao pela USP. Email: . Iluska Coutinho. Jornalista, mestre em Comunicagfo ¢ Cultura pela Univer sidade de Brasfla e doutora em Comunicagio Social pela Umesp, com pesquisa na Columbia University (NY). Professora adjunta da Universidade Federal de Juiz de Fora, trabalhou como jornalista na grande midia, especialmente na érea de telejornalismo e também em Assessoria de Comunicagao nos setores puiblico privado. E-mail: . Isaac Epstein. Umesp/Labjor/Cétedra Unesco. Coordenador latino-america- no do Projeto CemSalud (1997-2000); e do Projeto ComSaiide: I (1998); Il (1999); IIL (2000); IV (2001); V (2002); VI (2003); VII (2004). Autor dos livros: Ciberné= tica comunicagi, Cultrix, 1974; O signo, Atica, 1985/2004; Teoria da informagao, Atica, 1986/2003; Cibernética, Atica, 1987; Revolurées cientificas, Atica, 1988; Gra 1mética do poder, Atica, 1993; Divulgasdo cientfica: 96 verbetes, Pontes, 2002. Isabel Travancas. Jornalista, bacharel em Comunicacao Social pela PUC-RJ, mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ, doutora em Lite- ratura Comparada pela UER). Pés-doutoranda no Programa de Pés-Graduacio ‘em Antropologia Social do Museu Nacional-UFRJ (2003-2004). Autora de O mundo dos jornalistas (Séo Paulo: Summus, 1993), O livro no jornal (Séo Paulo: ‘Atelié Editorial, 2001) e organizadora com Patricia Farias de Antropologia e come nicagdo (Rio de Janeiro: Garamond, 2003). Foi professora dos cursos de Comu- nicagio Social éa PUC-RJ, da UERJ e da Estécio de S4 e do Departamento de Antropologia Caltural do IFCS-UFRJ. F-mail: . Jodo José Azevedo Curvello. Jomalista, Doutor em Ciéncias da Comunica- ‘Go pela USR Nestre em Comunicagio Social pela Umesp, Professor e Diretor do Curso de Comunicacio Social da Universidade Catdlica de Brasilia (UCB), coordenador do MBA Gestio da Comunicacao nas Organizagdes na UCB e na Faculdade Catdlca do Tocantins, coordenador do Nicleo de Pesquisa RelagSes, Piiblicas e Comunicacio Organizacional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicagio (Intercom), autor do livro Comunicagdointer- voll re encase pngeeten comune na e cultura organizacional (Scortecci, 2002) e responsvel pelo site Ago Comu- nicativa (), Jorge Duarte. Jomalista, relagbes-piiblicas. Doutor em Comunicagéo Social. Funcionério da Embrapa, atua na Secretaria de Comunicacéo de Governo ¢ Gestio Estratégica da Presidéncia da Repiblica. Professor de graduacio ¢ 1p6s-graduagdo e autor de artigos e pesquisas em Areas relacionadas a jorna- lismo, relagSes pablicas, assessoria de imprensa e comunica¢ao organiza- ional. Publicou A viagem das sementes, Comunicagdo e tecnologia na cadeia pro- dusiva da soja em Maro Grosso, Pesquisa & imprensa: orientagoes para um bom relacionamento e organizou obras como Assessoria de imprensa e relacionamento com a midia © Comunicagdo para ciéncia, ciéncia para comunicasao. E-mail . José Marques dé Melo. Jornalista e Professor Emérito da Escola de Comuni- ‘cages e Artes da Universidade de Sao Paulo. Dirige atualmente a Cétedra Unesco de Comunicagao da Universidade Metodista de Sao Paulo. E autor de varios livros, dentre os quais os mais recentes séo Histéria do pensamento comunicaconal A esfinge mididtica, ambos publicados pela Editora Paulus. Lulz Carlos Assis Iasbeck, Jomalista, Doutor em Comunicacio e Semiética pela PUC-SP Trabalha no Banco do Brasil como assessor master em Comuni- cago em gestéo de Recursos Humans. & autor de A arte dos slagans e de A administrapdo da identidade, ambos pela Annablume, e de numerosos artigos e ensaios publicados no pafs e no exterior. Representante do Brasil junto & Fede- ragao Latino-Americana de Semiética (Fels), € fundador da Associacio Brasiliense de Comunicacéo e Semidtica (ABSB) ¢ ex-Vice-Presidente da As- sociacdo Brasileira de Estudos Semiéticos (Abes). Leciona na Universidade Catélica de Brasilia e coordena o MBA Gestio da Comunicacio na Upis-DF. E- ‘mail: . ‘Marcia Yukiko Matsuuchi Duarte. Relagdes-pliblicas e advogada; mestre fem Comunica¢ao Social pela Universidade de Brasilia. No setor piblico desde 1985, arua no Senado Federal desde 1998, no “Servigo 0800 ~ A Voz do Cida- dio". Professora de pés-graduacao da Universidade Catélica de Brasflia, do Ins? tituto de Ensino Superior de Brasilia, do Centro Universitario de Brasilia, e pro- fessora voluntéria do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social/ SP. Ermail: , Margarida Maria Krohling Kunsch. Mestre, doutora e livre-docente em Ciencias da Comunicacao pela Escola de Comunicacées e Artes da USP € pro- fessora e pesquisadora desta instituicdo, onde coordena o Curso de Pos-Gradua- fo lato sensu de Gestéo Estratégica em Comunicagio Organizacional e RelagGes iiblicas. Publicou 0s livros: Plangjamento de relagées piblicas na comumicagdo inte- sgrada; Universidade e comunicagao na edificago da sociedade; Relagées puiblicas imodernidade: novos paradigmas na comunicagdo organizacional, Obtendo resultados «com relagées piblicas. Organizou diversas coletaneas de Comunicaco Social. Ex- presidente da Intercom ~ Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da ‘Comunicasao (1987-1989; 1991-1993), é presidente da Alaic - Asociacién Latinoamericana de Investigadores de la Comunicacién (1998-2002; 2002-2005). E-mails: . Maria Cristina Gobbi. Doutora em Comunicagéo Social pela Universidade Metodista de So Paulo (Umesp), diretora-suplente da Cétedra Unesco-Umesp de Comunica¢ao para o Desenvolvimento Regional, coordenadora dos Projetos Experimentais e professora do Curso de Jomalismo da Umesp, editora do Jomal Brasileiro de Ciéncias da Comunicapao ~ JBCC, da Cétedra Unesco, Organizou, en- tte outros, 0s livros: Teoria da comunicasao: antologia de pesquisadores brasleiros (2004); Pensamento comunicacional latino-americano: da pesguisa-dentincia ao prag- matismo ut6pico (2004); Comunicagao latino-americana: 0 protagonismo feminina (2003); Midia em debate: da histéria mididtica ds mediagdes da ciéncia (2002); ¢ Gran- des nomes da comunicago: a trajetéria comumicacional de José Marques de Melo (2001). # autora de diversos artigos publicados em revistas cientificas. E-mail: . Maria das Gracas Targino. Apés anos de docéncia na Universidade Federal do Piaui, na condigo de Doutora em Ciéncia da Informacio pela Universidade de Brasilia, atua como colaboradora em cursos de pés-gradiuagao em universida- des do Nordeste e bolsista do CNPq, Além da docéncia, dedica-se a pesquisa em ciéncia da informagdo e comunicagio, com atuagio junto & Intercom. Dentre sua producdo intelectual, destacam-se os livros Projetos experimentais, Conceto de biblioteca, Citagdes bibliogrdficas e Desafiando os dominios da informagao, além de artigos de periddicos ¢ capftulos de livros. Sua érea de atuagZo inclui metodologia da pesquisa, comunicagio cientifica, redacao técnico-cientifica, editoracfo e fi- losofia da biblioteconomia. E-mail: Maria Eugénia Belezak Costa. Professora da FGV nas reas de Comporta- mento Humano, Desenvolvimento de Equipes, Desenvolvimento Gerencial, Criatividade. Mestre e Doutora em Educacio Especial nos EUA, palestrante em congressos e seminarios voltados para o Desenvolvimento de Pessoas; consul- tora em eventos de integracio de equipes e planejamento pessoal alinhado a0 planejamento organizacional; Diretora de Cooperagao Técnica da Esaf (Escola de Administragdo Fazendaria do Ministério da Fazenda), atuando como ne- gociadora de acordos internacionais; & diretora nacional do Projeto de Integra- ‘edo Econdmica e Direito Internacional Fiscal junto Unido Européia; certifica- 1% Meals hein eps em comune dia pela Will Schutz para utilizar a metodologia The Human Element, que traba- Iha com a prodatividade em equipes. E-mail: Roberto Penteado. Jornalista profissional hd 30 anos e trabalha na Embrapa. Cursou Relacdes Internacionais no Instituto de Estudos Politicos de Paris, mestrado em Comunicagao de Massa na Universidade da Flérida e Diploma de Estudos Aprofundados em Inteligégncia Competitiva na Universidade de Toulon ot du Var. Atualmente cursa Doutorado em Cigncia da Informacio © Inteligéncia Competitiva da Universidade de Toulon et du Var. E-mail: . Rogério Diniz Junqueira. Socidlogo e jornalista, Bacharel em Comunicagio pela UnB. Na Universidade de Bolonha (Itia), cursou a Especializacao em "Re- laces Industriais'e do Trabalho” e aperfeicoou-se em “Cooperacao Internacio- nal e Politicas de Intervengdo nos Paises em Vias de Desenvolvimento". Douto- rou-se em “Sociologia das Instituigoes Juridicas e Politicas”, pelas universidades de Milao e Macerata (Itdlia), defendendo tese sobre campanhas anticorrupco no Brasil e na China. Fez pesquisas com bolsas de CNPq, Capes, Orstom (Fran- sa) € MAE (Itdlia). Estudou no Reino Unido e Bélgica. Docente de Sociologia em instituigdes universitarias. Lider do grupo de estudos “Violéncia, Racismo e ‘Midia: representagdes sociais e discursos midiaticos”, Assessor de pesquisas politicas pblicas do Ministério da Educagao junto a Coordenaga0-Geral de Di- versidade ¢ Inclusio Educacional. E-mail: . Samantha Castelo Branco. Jomnalista, Doutora em Comunicacio Social pela Universidade Metodista de Sao Paulo (Umesp), Professora do Departamento de Comunicacao Social da Universidade Federal do Piauf (UFPI). E-mail: . Sérgio Dayrell Porto. Ph.D. ¢ pbs-doutor em Comunicacio, respectivamente ‘McGill University, Montreal, Canada, e CNRS, Paris, Franca. Coordenador do curso de Comunicagio Social do Iesb; pesquisador 1A do CNPq; pesquisador- associado sénior da Faculdade de Comunicacio da UnB; ex-presidente da Compés; ex-representante da revista Realidade em Minas Gerais; ex-chefe de sgrupo de contas da Denison Propaganda $/A Minas Gerais; ex-gerente da su: cursal da Bditora Abril Ltda. em Minas Gerais; organizador dos livros Sexo, afeto era teonoligia, Brasilia, Editora UnB, 1999; O jomal: da forma ao sentido, Brasilia, Editora da UnB, 2. ed., 2002, ¢ A incompreenséo das diferengas: 11 de setembro em Nova York, Brasilia, CNPq-lesb ~ 2002. Sonia Virginia Moreira. Jornalista, mestre em Jornalismo pela Universidade do Colorado (Boulder, EUA) e doutora em Cigncias da Comunicagao pela Uni- versidade de Séo Paulo, Professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Sobran 60 ares Janeiro na frea de radiojornalismo ¢ cultura mididtica, desenvolve pesquisas em jomalismo e desenvolvimento do rédio no Brasil. Presidente da Intercom (Socie- dade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicagao), gesto 2002- 2005. E-mail: . ‘Suzana Maria Valle Lima, Psicéloga, Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasilia e Ph.D em Sociologia pela Universidade de Wisconsin- Madison (EVA). # pesquisadora da Embrapa. Desenvolve trabalhos na area de mudanca organizacional e estratégia; gesto de inovacao, de talentos humanos e de C&T: planejamento, acompanhamento ¢ avaliagdo; desenho de sistemas de informa- ‘qo gerencial, prospeccéo de demandas tecnolégicas. E professora e pesquisa- dora associada da Universidade de Brasilia, onde trabalha no Departamento de Psicologia Social e do Trabalho. & consultora internacional nessas Areas. E-mail: . Wilson Corréa da Fonseca Jiinior. Jomnalista pela Faculdade de Comunica- «a0 Social Casper Libero, com 20 anos de experiéncia em Comunicagao Organizacional, Trabalhou na revista Noticias Pirelli, ssessorias de imprensa da Secretaria de Cultura de Sio Paulo e da Empresa de Energia Elétrica de Mato Grosso do Sul, além de diversos veiculos regionais e nacionais, Desde 1990, atua na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuéria (Embrapa). Palestrante ¢ professor de graduacao e de pos-graduacio. Doutorando em Comunicagao Social nna Universidade Metodista de So Paulo, Autor de textos e pesquisas nas areas de comunicacao organizacional. E-mail: . Wilson da Costa Bueno. Jomalista, professor do Programa de Pés-Gradua- ‘edo em Comunicagao Social da Umesp e professor de Jornalismo da ECA/USP “Mestre e doutor em Comunicagao Social, com especializagio em Comunicagio Rural e Jomnalismo Cientifico, tendo jé orientado cerca de 80 dissertacées de mestrado e teses de doutorado em Comunicacdo. Editor de cinco sites teméticos ‘em Comunicagdo, um deles sobre Auditoria de Imagem On Line. Consultor na 4rea de Comunicacao Empresarial. Diretor da Comtexto Comunicagio ¢ Pes- quisa, Livro mais recente publicado: Comunicagao empresarial: teoria e pesquisa. Exnail: . Apresenta¢ao pesquisa é 0 maior desafio da universidade brasileira, tanto do ponto de vista filos6fico como operacional. Nas diversas areas da Comunicacao So- cial, talvez 0 desafio seja ainda maior, devido as caracteristicas especificas desse campo académico no Brasil, como relativamente pouco tempo de implantarao, a centralizagao dos curses de pés-graduag4o em algumas regides ou universida- des e o carster ne6fito da produsio cientifica na érea. Ao iniciarmos uma pesquisa ou mesmo antes, quando comegamos @ elabo- rar 0 projeto de pesquisa, somos levados a estudar concepg6es ¢ procedimentos das mais variadas disciplinas no ambito das ciéncias humanas e sociais. Com isso, fazemos adaptagies e acomodagées, a partir daquilo que tomamos de em- préstimo dessas diversis disciplinas. E como se a Comunicagao nao usufruisse do status de disciplina cientifica, jd que um dos requisitos para tal é dispor de um corpo orgiinico de procedimentos metodoligicos legitimados no interior do pré- prio campo cientifico, Este livro tem 0 propésito de contribuir para o amadurecimento cientifico do campo da Comunicagéo no Brasil, ao apresentar o estado-da-arte na ‘operacionalizacao de pesquisas de campo, sem descuidar dos aspectos filos6f ‘cos. Assim, a primeira parte da coletanea tem o objetivo de situar o leitor, © jovem pesquisador ou mesmo o pesquisador experimentado, no contexto da discussiio filos6fica e epistemol6gica acerca da relago entre ciéncia e método cientific. (s textos contidos a partir do Capitulo 4 apresentam os diversos procedimen- tos metodolégicos, com uma abordagem direcionada especificamente para as di- vversas dreas da Comunicacio Social. A ope pelos temas tratados e pelos exclui- Iv Micodone tenes de pegs em cmunicagso dos, assim como a estruturagéo do livro, implicam riscos calculados. A escolha dos temas de capitulos e dos autores convidados foi mais baseada em intuigio, conhe- BENJAMIN, Robert. linerdrio de Las Bele, Rei, AIP/UNICAR, 1998, CASTELO BRANCO, Renato ¢ colaboradores. Histria da Propaganda no Brasil, $fo Paulo, TA. Queiroz Editor, 1990. “44 MARQUES DE MELO e GOBBI. Gewese do Pnsanento Comuniaconl Latin-American: da pesquise-dendncia ao pragmatism utSpico, Séo Bernardo do Campo, Editora Umesp, 2000. _ smupsusao 13 HOHLFELDT, Antonio e GOBBI, Maria Cristina (Org.). Teoria da Comunicasao: Ansologia ide Pesquisadores Brasileiros, Porto Alegre, Sulinc, 2004. LOPES, Maria Immacolaca Vassalo de (Org). Eystemologia da Comunieasdo, S80 Paulo, Loyola, 2008. MARQUES DE MELO, José (Org). Panorama Atul da Pesquisa em Comunicaydo, S30 Paulo, Faculdade Césper Libero, 1968. (Org). Pesquisa em Comunicagao no Brasil: tendéncias e perspectivas, Sao Paulo, arez: Intercom, 1983. Histéria do Pensamento Comunizacional, Sé0 Paulo, 2903 A Fefinge Midiética, S40 Paulo, Paulus, 2004, GOBBI, Maria Cristina (Org). Génese do Pensamento Comunicacional Latino-Ameri ‘ano, Sto Bernardo do Campo, Faivora Umesp, 2000. PERUZZO, Cicilia e MOREIRA, Sonia Virginia, Itercom, 25 anos, 1977-2002, Si0 Paula Intercom, 2002. RABACA, Carlos Alberto e BARBOSA, Gustavo Guimardes. Diciondrio de Comumicapto, 2. ed, Rio de Janeiro, Campus, 2001, RUDIGER, Francisco. Citncia Social: critica e pesquisa em comunicacio, Séo Leopoldo, Unisinos, 2002. b) Fontes metodolégicas AUGRAS, Monique. Opinio Piblica: toria e pesquisa, Petrépolis, Vozes, 1970. DA VIA, Sarah Chucid. Metadologia da Pesquisa em Conuicaso, So Paulo, ECA-USP, 1971. ——. Opinido Piblica, Sao Paulo, Loyole, 1983, ¢ DENCKER, Ada, Fesguisa mphica em Géncas Hemanas (om Bnfse em Com . Acesso em: 26 maio 2000, Tt Actors do projet de penis 19 SERMAS,Jlrgen. Conhecinententerese, Rio de Janeiro: Zahar, 1982 (edicio original Fjankfire: Sunrkamp, 1968) HENRIQUES, Antonio; MEDEIROS, Joo Bosco. Monografia no curso dedi So Paulo: ‘Aslas, 1998. ISKANDAR, Jamil brahim. Normas da ABNT comentadas para tabahos cewfcos. Cutt ‘Champagnat, 2000. LAKATOS, F. Ms MARCONI, M. A. Furdamentos de metadologiacenfica So Palo: Atlas, 191. Metodlogia do trabalho ciemifico. 4. ed. Sio Paulo: Atlas, 1992. LE, Christian DIONNE, Jean cmd sb: anal de metdolgia a pes 1Arem cas humana, Porto Algre/Blo Horzote:Arened/UPMG, 199. OURO, Gc Lopes Gn eae extant pest opal Vos, 197 EKSENAS, Pal. Pogue apo pig: conc, moose pts. So Pas Lol 2002 ERTON Robert KA ini ea orem soci A inci esta soil demoed Harn gas eorn esr So Paul: Mest Jo, 1970p. 837-630 651-652 MARRADI, A. Concetie metod per la ricerca sociale. Firenze: Giuntina, 1980. MARTINS, Eduardo, Manual de redapoe estilo de O Estado de S, Paulo. 3. ed. 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S40 Paulo: Atica, 1984. esquisa bibliogrifica, num sentido amplo, &0 planejamento global inicial de qualquer trabalho de pesquisa que vai desde a identificardo, localizagao e obtencio da bibliografia pertinente sobre 0 assunto, até a apresentagio de um texto sistematizado, onde é apresentada toda a literatura que o aluno examinou, de forma a evidenciar o entendimento do pensamento dos autores, acrescido de suas préprias idéias e opinides. Num sentido restr, € um conjunto de procedi- ‘mentos que visa identificar informagGes bibliograficas, sclecionat os documentos pertinentes ao tema estudado e procecter & respectiva anotacdo cu fichamento das referéncias ¢ dos dados dos documentos para que sejam posteriormente uutiliza- dos na redacio de um trabalho académico. Por vezes, trata-se da tinica técnica utilizada na elaboragio de um trabalho académico, como na apresentagao de um trabalho no final de uma disciplina, mas pode também set a etapa fundamental e primeira de uma pesquisa que utiliza dados empiricos, quando seu produto recebe a denominacio de Referencial Tedrico, Revisio da Literatura ou similar. Para organizar nossa apresentacao, dividimos o trabalho em quatro partes. Na primeira e na segunda parte, vamos responder as penguntas por que e quan- do revisar a literatura e depois apresentamos alguns passos de como realizar a pesquisa bibliografica e as formas de anotar as leituras. Abordaremos com mais, detalhes as etapas que antecedem a redacio do texto, ¢ nos deteremos principal mente na identificago do tema, no levantamento bibliografice, na localizacéo obtengiio de material, ena anotacio das idéias e das citagdes, uma vez que para a redacio do texto 0 aluno precisa desenvolver outras habilidades ao longo de sua vida académica. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos, 2. ed. Sie Paulo: Bookman, 2001 "1 Agradego a minha orientanda Cynthia Haramy W. Correa, pelas sugestdes. 52 Moore ct de ei ecm 1 Por que revisar a literatura Quando o pensamento e as descobertas humanas passaram a ser registrados, © homem nao precisou mais valer-se apenas de sua meméria biolégica para lem. brar-se dos fatos e acontecimentos. A tradi¢ao oral deu lugar aos registros im- Dressos e estes, pela capacidade de preservacao do saber, permitiram a transmis. ‘io do conhecimento com mais precisdo. As tecnologias de impressio possibilita- ‘am a duplicagZo em maior escala e a ampliacio do alcance geogréfico que o saber pudesse atingir. A acumulagao dos estoques de conhecimento passou a ser feta por insttuigSes do tipo biblioteca. Devido 20 aumento do némero dos documen- ‘0s, houve necessidade de que estas instituigbes passassem a selecionar o material a ser armazenado e 0 ttatassem de acordo com processos de sistematizagao para tomé-los dispontveis @ quem necessitasse. Hoje, com 0 uso do meio eletrénico para publicar documentos e disponibilizar informagées, o fenémeno da chamada “explosio documentiria” ou “explosio da informa¢ao” aumentou em tamanho e complexidade, afetando alunos e pesquisadores que se deparam com um volume cada vez maiot de trabathos publicados e informagdes sobre sua especialidade. Entre os problemas que enfrentam, talvez um dos maiores seja selecionar a litera~ ‘ura pertinente entre milhares de publicagdes existentes. Para estabelecer as bases em que vio avancar, alunos precisam conhecer 0 que jd existe, revisando a literatura existente sobre o assunto. Com isto, evitam despender esforcos em problemas cuja solucio ja tenha sido encontrada. Du- zante a realizagdo da pesquisa, como veremos a seguir, a consulta & bibliografia ppertinente é uma atividade que acompanha o investigador, o docente e oaluino e, 40 mesmo tempo, orienta os passos que devem seguir. E, para concluirem eft vamente seu trabalho, precisam divulgar e/ou disponibilizar os resultados al- cangados. E quando o saber adquire a forma descritiva através do uso de uma Jinguagem que torna possivel a transmissio. Independentemente do formato que adquirir (relatério de pesquisa, artigo de periédico, trabalho apresentado em evento, trabalho de concluséo de curso, dissertagao ou tese), 0 texto divulgado vai se somar ao conjunto da literatura cientifica, permitindo que se estabelega 0 encontro entre a fonte geradora de conhecimento (autor) ¢ aqueles que desejam obté-lo (ususrios/ leitores). 2 Quando revisar a literatura A revisdo da literatura & uma atividade continua e constante em todo 0 tra- balho académico e de pesquisa, iniciando com a formulagao do problema e/ou objetivos do estudo e indo até a andlise dos resultados. HA algum tempo, Conway ‘eMcKeley (1970, p. 1, 2), referindo-se a elaboracdo de trabalhos académicos, ja rT Posi ogisca 53 disiam que 0 aluno serd sempre inquirido pelo orientador com perguntas do tipo: “[-] Revisaste 0 que jé foi pesquisado sobre o assunto?; Encontraste apoio ‘ha literatura sobre tal afirmagao?; Como relacionas teu estudo com os estudos Amteriores; O que a reviséo bibliogrifica indicou sobre este assunto™, ou mes- no “[.-] Sera que ests em condicées de formular 0 quadtro referencial sobre o assunto em questo?” ‘0 modelo de dissertagdes e teses académicas, como também de quase toda pesquisa, segue uma forma tipica que obedece mais ou menos & seguinte se~ Giéncia de t6picos: (1) definigdo do problema; (2) revisio da literatura ou qua- dro referencial tedrico; (3) hipdteses; (4) metodologia; (5) andlise dos dados; (6) conclus6es. Esta forma de apresentacao pode sugerir uma seqiiéncia linear, em {que cada etapa € pré-requisito das demais. No entanto, a reviséo da literatura, embora tenba um lugar certo no projeto e no relatério de pesquisa, precede até mesmo a definigao do problema e acompanha constantemente o trabalho. Veja- ‘os como isto acontece. Para pesquisar, o individuo precisa ser motivado no sentido desta aco. Para graduandos, mestrandos ¢ doutorandos, a conquista do titulo é suficiente para desencadear o processo de pesquisa, mas & o desejo de esclarecer um assunto nio suficientemente investigado que vai manté-los motivados para atingir este ‘objetivo. O foco de interesse seré buscado na sua vida real, especialmente na vida profissional para os jé graduados, mas precisa ser estimulado através de um programa de leituras que indique haver um ponto obscuro que precisa ser inves- tigado, Conway e McKeley (1970, p. 3) também disseram que “[.] 0s proble- ‘mas de pesquisa nao se materializam do nada, eles evoluem com o proprio indi- viduo". Os pesquisadores férteis esto constantemente lendo e descobrindo “fu- ros” no conhecimento que servirio para novas idéias de investigacao. A medida que 0 individuo vai lendo sobre o assunto de seu interesse, come- ca identificar conceitos que se relacionam até chegar a uma formulagao objeti- vyae clara do problema que ira investigar. De tudo aquilo que leu, muitas idéias serio mantidas, enquanto outras poderao ser abandonadas. Este descarte pode set momentineo; por isso, no convém jogar fora as anotagBes feitas. Elas po- dem servir para novas investigacbes. Depois de definido o problema, o pesquisador precisa aprofundar os concei- tos-chaves e suas selag6es. O material basico para isto jé deve estar dispontvel, pois foi utilizado para elaborar 0 problema ¢ justificar o tema proposto. Mas precisa ser ampliado através de uma boa estratégia de busca que recupere tanto textos de trabalhos teéricos quanto de outros estudos e pesquisas relacionados. planejamento desta busca evitara perda de tempo e dar4 direcionamento a0 objetivo proposto. A este trabalho denomina-se pesquisa bibliogréfica e suas etapas sero tratadas no item seguinte. [54 ado hei de penis em comuao Apés 2 leitura do material disponivel, 0 pesquisador organiza uma seqiién- ), desenvol- vido pela Intercom, apresenta vArios servigos bibliograficos. Entre eles esté a base de dados Portdata, com o registro da produgio técnico-cien- tifica brasileira e Ius6fona em Comunicacao, e o projeto Reveom, que contém a versio eletronica das principais revistas brasileiras e portu- sguesas da frea de Comunicagao; 4) resumos de teses e dissertagdes: so publicagées que contém a indi- caso do autor, titulo, orientador, ano e universidade das dissertacSes teses defendidas nos programas de pés-graduagio de uma instituicéo ou pais. Na érea de Comunicacao, temos as publicacées Teses ¢ Disserta- ¢0es em Comunicagdo no Brasil (1992-1996): resumos de Teses e Dissertagées em Comunicapio no Brasil (1997-1999): resumos. As publicagoes também estao disponiveis no formato eletrénico e podem ser acessadas no site do Programa de Pés-Graduagéo em Comunicagao ¢ Informagio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (). A partir de 2000, a Coordenacao para o Aperfeicoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), do Ministério da Educagio, passou a dispo- nibilizar as informagées no seu site; €) catélogos de bibliotecas: so a relagio de obras de uma biblioteca, com entradas por autor, titulo e assuntos. Eco (1996), referindo-se 20 uuso da biblioteca para a elaboracio de uma tese, diz que ela oferece certas facilidades para procurarmos o que ainda ignoramos, sendo que “[o.] a primeira é, naturalmente, o catlogo de assuntos [..]. Por meio dele, uma boa biblioteca informa tudo que posso encontrar em suas salas” (p. 42). Além da consulta ao catélogo de sua instituicio, o aluno deve consultar o catélogo de outras bibliotecas. As principais bibliote- cas brasileiras jf possuem seu catélogo automatizado e alguns deles estdo disponiveis na Internet; 58 Msadoresdeae de pega em como 1) catdlogos de editoras: para completar a busca, 0 usuario poder4 con- sultar 0s catélogos de editoras. As editoras se especializam em publicar livros em determinadas éreas do conhecimento e esses catlogos quase sempre se encontram d'sponiveis nas bibliotecas. Outro procedimento que o aluno pesquisador pode utilizar para selecionar a bibliografia pertinente ¢ 0 exame das listas bibliograficas dos trabalhos dos au- tores mais significativos. Elas arrolam 0 material utilizado por cada autor para elaborar seu estudo e esta selecio por vezes substitu’ a do orientador. Seguic pelos caminhos que outros jé percoreram pole ser un boi intcio. Para a consulta em fontes secundérias selecionadas, o estudante deve esta- belecer uma estratégia de busca, utilizando as palavras-chaves identificadas na ‘etapa anteridy. Os documentos encontrados irfo compor 2 lista do levantamento bibliografico. Esta lista fica geralmente muito extensa. Mas 0 aluno nao deve se ‘importar com isto, porque na etapa seguinte, de localizagao ceste material, gran- de parte teré que ser descartada por ndo se encontrar acessivel nas bibliotecas (ou no conter exatamente o que o aluno precisa. 3.3. Localizagdo e obtensao do material Depois de identificar os itens de interesse que fardo parte da bibliografia basica, 0 pesquisador dard inicio & ctapa de localizacio dos documentos. Para isto, 0 primeiro passo a consulta a biblioteca local e nela comecar pelo catélogo. © catélogo, automatizado ou nfo, permite consultar por trés tipos de entra- das: pelo sobrenome do autor, pelo titulo e pelo(s) assunto(s), no caso de livros, teses e dissertacées, folhetos ¢ monografias. Se o material existir na biblioteca, 0 catélogo vai acusat. Devem-se entdo anotar os dados e @ localizaglo, uma vez que cada tipo de documento esta armazenado em local diferente, de acordo com sua forma fisica. Nas estantes, este tipo de material est4 ordenado por ordem numérica crescente, obedecendo a uma classificacao decimal. Os artigos de periddicos geralmente no sio encontrados nos catélogos. Pode-se procutar pelo titulo das evistas ¢, nas respectivas estantes que armaze- ram a colegio, procurar pelo volume e fasciculo indicados na referencia. Dificilmente @ biblioteca locel teré todos os itens identificados no levanta- mento bibliogrifico. Pode-se entio recorrer @ outras fontes, como os catélogos coletivos de outras instituigdes. Os catélogos coletivos localizam os livros de ‘um grupo de bibliotecas. Hoje, grande mimero de bibliotecas esté ligado em redes cletrbnicas, podendo-se acessar 0s catélogos das principais universidades brasileiras e estrangeiras, bem como de virias instituigées de pesquisa. Nas bi- bifotecas locais é possivel realizar estas consultas. rt Peni togsca 9 para a obtencio do material, também os procedimentos podem variar desde co empréstimo até 2 compra. Os livros e os periédicos existentes nas bibliotecas Jocais podem, geralmente, ser retirados por empréstimo, exceto aqueles que 40 apenas para consulta local, como dicionérios, enciclopédias, bibliografias, indi- es etc. Basta, para isto, inscrever-se na biblioteca. Se a obra for localizada em outra biblioteca de um mesmo sistema, como, por exemplo, em outta biblioteca de uma mesma universidade, as obras poderdo ser obtidas através de emprésti- ‘mo entre bibliotecas. Para tal, o entendimento se faz entre os bibliotecirios das dues instituigSes que realizam o intercambio. Pela falta de exemplares suficien- tes no acervo, as bibliotecas no estio facilitando esta forma de acesso. Mas sempre & possivel tentat. ‘Atualmente, os servigos de comutacio bibliogrifica tém substitufdo o em- préstimo entre bibliotecas, © Programa de Comutacéo Bibliogréfica (Comut) do Instituto Brasileiro de Informacao Cientifica e Tecnolégica (IBICT), através de me- canismos proprios, localiza e busca nas bibliotecas da regiao, do pafs, ou mesmo do exterior, a c6pia de qualquer documento pedido pelos usuarios. Por meio de formalario proprio, o solicitante faz seu pedido, sendo notifcado quando chega- rem as cépias. O material pode ser recebido em apenas alguns dias ow até alguns meses, dependendo de onde o documento for localizado. O pagamento feito ‘quando o usudrio retira as c6pias ¢ o servigo se destina quase que exclusivamente {Lobtengao de cépias de artigos de periédicos. Ha também os servigos cletrénicos {que recebem pedidos e enviam os textos completos via mensagens eletrénicas. Estes servicos ainda so raros no Brasil, mas tendem a aumentar. © acesso ao texto integral das teses e dissertagGes € um servigo que esté sendo implementado nas principais universidades brasileiras. O trabalho ainda est em fase inicial, mas um grande nimero de trabalhos académicos jé esté sendo disponibilizado nestas bibliotecas digitais. ‘Caso essas formas de obter documentos identificados no levantamento bi- bliogrifico no sejam suficientes, restam outras opgdes: ou comunicar-se dire- tamente com os autores que podem enviar trabalhos via transferéncia de arqui- Vo, ou adquiti-los diretamente nas editoras. No primeiro caso, a solicitacio pode ser feta por correio eletrOnico, localizando o enderego do autor no seu curriculo Lattes, acessado através do site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cienti- fico e Tecnolégico (CNPQ) (); €, no segundo, proceder com- pra nas livrarias locais ou por comércio eletrOnico. As editoras também ja disponibilizam em seus sites servigos de comercializacao dos livros produzidos. 3.4 Leitura e transcri¢ao dos dados De posse dos documentos, o estudante procede & leitura, estabelecendo a priotidade e o interesse dos mesmos para cada parte do trabalho. O resultado da (60 dos cic de pesquisa em comaniago leitura poderd ser anotado em fichas ~ 6 0 que alguns chamam de fichamento do ‘material. O registro das anotagdes deve comeger pela referéncia do documento que serd lido. Para referenciar ivros, devem-se anotar 0(s) nome(s) do(s) autor(es), titulo, edicao, local (cidade) de publicacao, editora, ano de publicasao; para artigos de periédicos, anotam-se o(8) nome(s) do(s) autor(es), titulo do artigo, titulo do periédico, volume, mimero, péginas iniciais e finais do artigo, ‘més(es) e ano; para teses e dissertacdes, devem ser anotados também o nome da universidade e da titulacio a que se refere; para os trabalhos apresentados em even- tos, anotam-se o nome do evento, local data de sua tealizagao; , para os documen- tos acessados via Internet, so anotados o ste e a data em que o acesso foi feito. Convémn complementar as arotagbes bibliogréficas com outras indicagSes, como 0 local onde o documento esta armazenado, informando a quem pertence ou em qual biblioteca foi encontrado. Este procedimento & itil quando precisa- mos voltar ao decumento. £ acorselhavel, ainda, anotar as palavras-chaves dos assuntos encontrados no documento, especialmente aquelas referentes 20 ¢s- quema bésico, para que no momento de redagao do texto possam ser agrupadas as anotagGes de cada parte (LAKATOS; MARCONI, 1995). Ao proceder &leitura, é importante fcar atento aos dados que venham refor- ‘ar, ustificar ou ilustrar as idéias e os posicionamentos que se quer apresentat, coletando “...] elementos julgads relevantes que coincidam com os temas ¢ subtemas de seu esquema provis6rio” (MACEDO, 1994, p. 40). Ao final da Ieitura, 0 aluno deve redigir um resumo e colocar uma opinio pessoal sobre a importéncia do trabalho lido. E, rara complementar, mas néo menos importan- te, caso queira reproduzir as palavras do autor para utiliz-tas futuramente no seu texto, deve lembrar de transcrevé-las entre aspas e anotar a pagina de onde foram retiradas. Afinal, uma das caracteristicas bésicas de um trabalho académi- co 6 seu apoio ¢ testemunho em documentacao, representado por meio da cita- Gao de autores e de fontes abalizadas. £ preciso, entdo, aproveitar ao maximo 0 ‘momento em que esté com a docurrentagao em mios para descrevé-la ereferencié-la. Seré muito trabalhoso na hora de escrever o texto ter que voltat a ela sé para complementar dados. Hoje, como uma forma de substituir as fichas, 0s pesquisadores utilizam seus computadores pessoais que permitem guardar as informagdes em arquivos. Ne- les, 6 possivel ampliar, corrigir, ordenar, remover ou substituir as anotagoes sem «grandes esforgos. H4, inclusive, programas especiais para esta finalidade. 4 Consideragées finais Depois de ter selecionado, obtido, lido e anotado os dados de todas as fontes a que teve acesso, 0 aluno pesquisador est pronto para redigir seu texto. O rr esqui ibogon St simeiro passo € a reviso de seu esquema inicial. Talvez se faca necesséria uma Fova estuutura de ordenamento dos assuntos, mas *[..] ei qualyuer circuns- tincia deve ter comeco, meio ¢ fim” (MACEDO, 1994, p. 56). Nessa redacio, quando utilizar as idéias de algum autor, deve citar seu nome ea data do trabalho Gade encontrou a idéia. Se utilizar as palavras de um autor porque elas se encai- am exatament© no seu texto, deve colocé-las entre aspas, citar 0 nome do autor, {a data do trabalho e a pagina de onde foram copiadas. Em ambos os casos, deve onferir se incluiu a referéncia ao trabalho no final do texto, ‘A primeira vez que 0 aluno produz um trabalho académico seguindo todas cessas etapas talvez considere o trabalho arduo e desnecessario. Mas a0s poucos, ao se familiarizar com o método e com as fontes, vera que o produto ¢ satisfatério. Descobrir 0 que outros ja escreveram sobre um assunto, juntar idéias, reflecir, concordar, discordar e expor seus proprios conceitos pode se tomar uma ativi- dade criativa e prazerosa. Divulgar 0 texto produzido e saber depois que outros 0 utilizaram e citaram é ter certeza de que esta contribuindo para a ciéncia e para o conhecimento humano. Referéncias bibliograficas CONWAY, James A.j MCKELEY, Troy V. O pape da literatura rlevante: um processo cont suo, Traducio de Juracy Marques. Porto Alegre: Faced/UFRGS, 1971. 13 f. Publicado coriginalmente em: The Journal of Educational Research, New York, v. 63, n2 9, May/June 1970. ECO, Umberto. Camo se faz uma tese, 14. ed. Séo Paulo: Perspectiva, 1996. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade, Metodologia do trabalho centfico. 4 ced, S40 Paulo: Atlas, 1995, MACEDO, Neusa Dias de. Inicio d pesquis bibliogrifca: guia do estudante para a funda- smentagdo do trabalho de pesquisa. 2. ed. Sdo Paulo: Loyola, 1994. SIERRA BRAVO, R. Tess doctoales y trabajos de investigain cientfia: merodologia general de su elaboracin y documentaci6n. 4. ed. Madri: Paraninfo, 1996, ‘ EEE Entrevista em profundidade Jorge Duarte 66; eevee wma das mais comune e paderosas maneiras que ulizaos pera tentar compreender nossa condi¢ao humana”, dizem Fontana & Frey (1994, p. 361). Bla tornou-se técnica cléssica de obtenc3o de informagées nas ciéncias sociais, com larga adog4o em areas como sociologia, comunicacio, antropologia, administragao, educacio e psicologia. Embora antes utilizada em jomnalismo, etnografia, psicologia e pesquisas de mercado ¢ de opinifo, seu sur- ¢gimento como tema metodol6gico pode ser idemtificado na década de 1930 no Ambito das publicacdes de assisténcia social americana, recebendo grande con- tribuicdo na década de 1940 nos estudos de Carl Rogers sobre psicoterapia cientada para 0 paciente (SCHEUCH, 1973, p. 171-172). A partir da Segunda Guerra Mundial, as entrevistas passam a possuir orientagGes metodologicas pré- prias. Este texto, limitado pelo espaco disponivel e objetivo, trata da entrevista in- dividual em profundidade, técnica qualitativa que explora um assunto a partir da busca de informagdes, percepgées e experiéncias de informantes para analisé- las e apresentéclas de forma estruturada. Entre as principais qualidades dessa abordagem esta a flexibilidade de permitir ao informante definir os termos da resposta e ao entrevistador ajustar livremente as perguntas. Este tipo de entre- vista procura intensidade nas respostas, nao-quantificacZo ou representagao es- tatistica. A entrevista em profundidade ¢ um recurso metodol6yico que busca, com base em teorias e pressupostos definidos pelo investigador, recolher respostas a partir da experiencia subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informagées ue se deseja conlhecer. Desta maneira, como na andlise de Demo (2001, p. 10) sobre pesquisa qualitativa, os dados ndo so apenas colhidas, mas também re- — emeiesem pofndide 63 sultado de interpretacio e reconstrucio pelo pesquisador, em didlogo inteligente te critico com a realidade. Nesse percurso de descobertas, as perguntas permi fem explorar um assunto ou aprofundé-lo, descrever processos e fluxos, com- preender 0 passado, analisar, discutir e fazer prospectivas. Possibilitam ainda Hentificar problemas, microinteragdes, padres e detalhes, obter juizos de valor ¢ interpretagées, caracterizar a riqueza de um tema e explicar fenémenos de abrangéncia limitada. uso de entrevistas permite identificar as diferentes maneiras de perceber ce descrever os fendmenos. A entrevista esté presente em pesquisas de comuni- cagio interna (CURVELLO, 2000), comportamento organizacional (SCHIRATO, 2000), levantamentos histéricos e biogrdficos (MARQUES DE MELO ¢ DUARTE, 2001), processos jornalisticos (PEREIRA JR., 2000) e em varios ou- tros tipos de estudo, usada como base ou conjugada com diferentes técnicas, como observacio, discussio em grupo e andlise documental. O estudo de recep- ‘gio de um telejornal entre trabalhadores, de Carlos Eduardo Lins da Silva (1985), & clissico na articulacio de técnicas, além de ser didético na descricio dos proce- dimentos metodol6gicos empregados. Outro exemplo do potencial do uso de entrevista como suporte para vigorosas andlises & dado por Kovach e Rosenstiel (2003), publicagdo recente, mas jé fundamental para discutir 0 jornalismo, A entrevista em profuncidade no permite testar hipéteses, dar tratamento estatistico as informacées, definir a amplitude ou quantidade de um fendmeno. Nao se busca, por exemplo, saber quantas ou qual a proporgio de pessoas que identifica determinado atributo na empresa “A”. Objetiva-se saber como ela é per- cebida pelo conjunto de entrevistados. Seu objetivo esté relacionado ao forneci mento de elementos para compreensio de uma situacio ou estrutura de um problema. Deste modo, como nos estudos qualitativos em geral, o objetivo mui- tas vezes est mais relacionado & aprendizagem por meio da identificagao da riqueza e diversidade, pela integracao das informagies e sintese das descobertas do que ao estabelecimento de conclusdes precisas ¢ definitivas. Por isso, a nogio de hipétese,tipica da pesquisa experimental e tradicional, tende a ser substituida pelo uso de pressupostas, um conjunto de conjeturas antecipadas que orienta 0 trabalho de campo. Estabelecidas limitag6es e condigdes de realizacao, a entre- vista pode ser ferramenta bastante util para lidar com problemas complexos 20 permitir uma construcio baseada em relatos da interpretacao e experiéncias, assumindo-se que néo serd obtida uma visdo objetiva do tema de pesquisa. Por meio da entrevista em profundidade, é possivel, por exemplo, entender como produtos de comunicacdo esto sendo percebidos por funcionérios, expli- cara produgdo da noticia em um vefculo de comunicagao, identificar motivagoes para uso de determinado servigo, conhecer as condigSes para uma assessoria de imprensa ser considerada eficiente, identificar as principais fontes de informa- fo de jornalistas que cobrem economia. Permitiria saber 0s motivos pelos quais, 194 iodo «cia de ee em comuncaio determinadas fontes jornalisticas so as mais (ou menos) utilizadas, como sip acessadas, dificuldades, problemas, vantagens, desvantagens. Saber como e por que as coisas acontecem é, muitas vezes, mais itil do que obter preciso sobre 9 ‘que est ocorrendo. A entrevista em profundidade 6 uma técnica dinamica e flexivel, étil para apreensio de uma realidade tanto para tratar de questes relacionadas 20 intimo do entrevistado, como para descrigao de processos complexos nos quais esté ou esteve envolvido, E uma pseudoconverse realizada a partir de um quadro conceitual previamente caracterizado, que guarda similaridade, mas também di- ferengas, com a entrevista jomalistica. So proximas no objetivo de buscar in- formacées pessoais e diretas por meio de uma conversagdo orientada, no cuida- do, rigor e objetivo de compreensio (sobre entrevista jornalistica, ver Medina, 1995 e Talese, 2004) e na nocéo de que hd, explicitamente, um participante inte- ressado em apteender 0 que 0 outro tem para oferecer sobre o assunto. A entre- vista como técnica de pesquisa, entretanto, exige elaboracdo e explicitagio de procedimentos metodolégicos especificos: 0 marco conceitual no qual se origi- na, 08 critérios de seleco das fontes, os aspectos de realizacao e 0 uso adequado das informacées sao essenciais para dar validade e estabelecer as limitacées que 0 resultados possuirao. 1 Tipos de entrevista A partir da divisdo proposta por Selltz etal. (1987), a entrevista em profun- didade ¢ extremamente stil para estudos do tipo exploratério, que tratam de conceitos, percepcdes ou vis6es para ampliar conceitos sobre a situagao analisa- da, Pode ser empregada para o tipo descrtivo, em que o pesquisador busca mapear ‘uma situagao ou campo de anilise, descrever e focar determinado contexto. Nao € adequada, entretanto, pata os estudos do tipo causal, que buscam estabelecer cortelagbes de causa e efeito, ‘As entrevistas em profundidade so geralmente individuais, embora seja possivel, por exemplo, entrevistar duas fontes em conjunto. As entrevistas so classificadas com grande variedade de tipologias, geralmente caracterizadas como abertas, semi-abertas e fechadas, origindrias, respectivamente, de questées nfo estruturadas, semi-estruturadas e estruturadas (veja proposta de tipologia no quadro). As abertas e semi-abertas sio do tipo em profundidade, que se caracte- rizam pela flexibilidade e por explorar ao maximo determinado tema, exigindo da fonte subordinacao dinamica ao entrevistado. A diferenca entre abertas e semi- abertas & que as primeitas sfo realizadas a partir de um tema central, uma entre- vista sem itinerdrio, enquanto as semi-abertas partem de um roteiro-base. Auto- Fr ocevisem profndide 5 es como Ander-Egg (1978, p. 111) e Selltiz et al. (1987, p. 298) identificam um {ipo especial de entrevista em profundidade, a clinica, relacionada a motivasbes, ecudes, crengas especificas do respondente com base em sua experiéncia de ‘fda, Apesar dessa distincfo, a entrevista clinica é do tipo aberta, apenas com tbjetivo relacionado & personalidade © aos sentimentos de uma tinica pessoa, puseando beneficié-la individualmente. Jé a entrevista fechada & utilizada princi- almente em pesquisas quancitativas, quando, por exemplo, se deseja obter in- Formagoes representativas de um conjunto de uma populacao. Guber (2001) avalia que as entrevistas fechadas implicam a participagio do informante nos termos do pesquisador, enquanto as abertas pressupdem a participagao do pes- {quisador nos termos do informante. Em muitas ocasides, € possivel reunir, em uma mesma pesquisa ou até na mesma entrevista, questdes de natureza qualita- tiva equantitativa ‘Modelo de tipologia em entrevista [ Pesquisa) Questoes | Entrevista | Modelo | Abordagem T Nao Questo | cestruturadas | Abert central Em Qualitative profurdidade | determinadas Semi: Semi poteie cestruturadas | aberta I [ovantiatia| Esraturadas | Fechada | Questondrio | Linear | Prevtas 1.1 Entrevista aberta F essencialmente exploratéria ¢ flexivel, nao havendo seqiiéncia predeter- minada de quest6es ou parametros de respostas. Tem como ponto de partida um tema ou questo ampla e flu livremente, sendo aprofundada em determinado rumo de acordo com aspectos significativos identificados pelo entrevistador en- quanto o enttevistado define a resposta segundo seus préprios termos, utilizan- do.como referéncia seu conhecimento, percepgao, linguagem, realidade, experién- cia. Desta maneira, a resposta a uma questo origina a pergunta seguinte e uma entrevista ajuda adirecionar a subseqilente. A capacidade de aprofundar as ques ‘Ges a partir das respostas tore este tipo de entrevista muito rico em descober- tas. Uma das dificuldades ¢ que o pesquisador deve ter afiada capacidade de rmanter 0 foco e garantir a fluéncia ¢ a naturalidade. Flexivel e permissiva, exige habilidade para nao perder-se no ifrelevante ou tom-la uta conversa agrada- vel, mas improdutiva. Muitas vezes, é realizada como sondagem para a elabora- fo de roteiros semi-estruturados ou questionétios estruturados. 15 inode eneade esque em conmigo 1.2. Entrevista semi-aberta Modelo de entrevista que tem origem em uma matriz, um roteiro de ques- tes-guia que do cobertura ao interesse de pesquisa. Ela “parte de certos questionamentos basicos, apoiados em teorias e hipéteses que interessam pes- quisa, © que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de hovas hipéteses que vdo surgindo & medida que se recebem as respostas do informante” (TRIVINOS, 1990, p. 146). A lista de questdes desse modelo tem origem no problema de pesquisa ¢ busca tratar da amplitude do tema, apresentando cada pergunta da forma mais, aberta possivel. Ela conjuga a flexibilidade da questo nfo estruturada com um rorelro de cojtrole. As questoes, sua ordem, profundidade, forma de apresenta- ‘¢80, dependerh do entrevistador, mas a partir do conhecimento e disposicao do entrevistado, da qualidade das respostas, das circunstancias da entrevista. Uma entrevista semi-aberta geralmente tem algo entre quatro e sete quest6es, trata- das individualmente como perguntas abertas. O pesquisador faz a primeira per- {gunta e explora ao maximo cada resposta até esgotar a questio, Somente entéo passa para a segunda pergunta. Cada questo é aprofundada a partir da resposta do entrevistado, como um funil, no qual perguntas gerais vao dando origem a espectficas. O roteiro exige poucas questdes, mas suficientemente amplas para serem discutidas em profundidade sem que haja interferéncias entre clas ou redundancias. A entrevista é conduzida, em grande medida, pelo entrevistado, valorizando seu conhecimento, mas ajustada ao roteiro do pesquisador. A lista de questoes-chaves pode ser adaptada e alterada no decorrer das en- trevistas. Uma questo pode ser dividida em duas e outras duas podem ser reu- nidas em ume s6, por exemplo. Por isso, & natural o pesquisador comegar com um roteiro e terminar com outro, urn pouco diferente. ‘Vamos exemplificar. Supondo que um pesquisador entrevistar4 editores de jomnais on line com uma lista de seis questées centrais sobre as caracteristicas deste tipo de veiculo: (1) como é estruturada a divisio de trabalho?; (2) como so as rotinas produtivas?; (3) quais os critérios de relevancia utilizados na sele- ‘do dos acontecimentos?; (4) como é feita a avaliagao do trabalho?; (5) quais as transformagSes na produggo da noticia online nos tiltimos dois anos?; (6) que ‘mudangas so previstas? No primeiro item, o entrevistador faz a pergunta, ob- ‘tém uma resposta e nfo passe para a pergunta dois, mas a aprofunda, em busca de exemplos, detalhes, especificagées, fazendo talvez mais de uma dezena de novas perguntas, antes de passar para a seguinte. Assim, a questo 2 pode in- cluir saber sobre as fontes de informaio, a confianga nessas fontes, a atuacao da equipe na busca de informacio, a facilidade de acesso; a velocidade exigida na apuracio. Cada questo torna-se como que um tema de pesquisa que exige um quadro de referencia e conhecimento anterior que permita aprofundar 0 t6pico. FF mene profundidae 67 ‘Uma vantagem desse modelo é permitircriar uma estrutura para comparago de respostas e articulagao de resultados, auxiliando na sistematizagao das informa- des fornecidas por diferentes informantes. O roteiro de questées-chaves serve, Sido, como base para a descrigdo e andlise em categorias, como se veré adiante. ‘Alternativa itil & fazer, durante a preparacio do roteiro-guia, uma relagio com tépicos relevantes relacionados a cada questao. Depois— e apenas depois ~ de explo- rar cada pergunta original ao méximo junto ao entrevistado, 0 pesquisador contre 2 relagio para saber se todos os tépicos possiveis foram abordados. Tal estratégia mantém 2 naturalidade e as vantagens da entrevista semi-estruturada e evita que alguma questo relevante nao seja abordad. Pode set particularmente stil para que ‘Bferentes peequtisadares retornem com a mesma estrurura de respostas. 1.3. Entrevista fechada £ realizada a partir de questionérios estruturados, com perguntas iguais, para todos os entrevistados, de modo que seja possivel estabelecer uniformidade comparacio entre respostas. As pesquisas de opinio sio exemplo tipico. Exi- gem distanciamento do entrevistador, que cumpre a funcio de obter respostas para as quest6es propostas, sem discussao sobre clas. O questionério estrutura- do é pritico para grande niimero de respondentes e pode ser auto-aplicavel Com ele, ¢ possivel fazer andlises rapidamente, replicar com faclidade, limitar as possibilidades de interpretagao e de erro do entrevistado e comparar com outras entrevistas similares. Embora sugira simplicidade, sta elaboracio exige profun- do conhecimento prévio do assunto. (© questiondrio estruturado, muitas vezes, é utilizado para dar subsidio ini- cial ou para aprofundar resultados obtidos em entrevistas em profundidade. Pode ser empregado como item complementar de uma entrevista semi-estruturada, por exemplo, buscando tragar o perfil dos respondentes. Veja mais sobre o as- sunto no Capitulo 10. 2 Validade e confiabilidade Nao se busca generalizar ou provar algo com entrevistas em profundidade, mas seu cardter subjetivo exige adequada formulagao dos procedimentos metodolégicos e confianca nos resultados obtidos. A questao € relevante, pois ‘do basta ouvir fontes e fazer um relato para considerar realizada uma pesquisa Vilida e confivel ‘As condigées de validade dizem respeito a capacidade de os instrumentos € sua utilizago adequada fornecerem os resultados que o pesquisador se propos (5 eon cca de pes ecomunicagio ‘bier. © julgamento da validade de uma investigacio cientifica pode ser obtido pela construsio metodolégica do trabalho, a0 relacionar formulacio teérica, questo de pesquisa, perguntas, critérios de selegéo dos entrevistados ~ ou seja, € identificada jé no exame do projeto. A triangulacio de dados com 0 acréscimo de fontes diversificadas de evidencias, como documentos, observacio eliteratu- rae seu encadeamento consistente na etapa de anilise, ajuda 2 garantir a valida- de dos resultados suportados por entrevistas em profundidade, ‘A confiabilidade diz respeito 20 rigor metodotégico que garante que, repeti- dos 05 procedimentos, 0s resultados serao os mesmos. Isto exige tanto a confir- ‘magio das informagGes obtidas na pesquisa de campo, quanto a articulagdo ade- quada destas informagbes na descricio, a coeréncia da andlise com 0 quadro de reflexéo proposto e conclusées consistentes com os passos anteriores. A obten- Go de confiabllidade é baseada na descricio pormenorizada dos procedimentos de operacionalieacao das entrevistas e uso fundamentado e consistente das res- postas obtidas. Validade e contiabilidade no uso da téenica de entrevistas em profundidade dizem respeito, particularmente, a trés quest6es: 1. selegéo de informantes capazes de responder & questo de pesquisa; 2. uso de procedimentos que garantam a obtengdo de respostas confié- veis; 3, descricio dos resultados que articule consistentemente as informagées obtidas com o conhecimento teérico dispontvel. 3. Selegdo dos informantes Uma boa pesquisa exige fontes que sejam capazes de ajudar a responder sobre o problema proposto. Elas deverdo ter envolvimento com 0 assunto, dis ponibilidade e disposicio em falar. Nos estudos qualitativos, sao preferiveis poucas fontes, mas de qualidade, a muitas, sem relevo. Desse modo, ¢ no limite, uma tinica entrevista pode ser mais adequada para esclarecer determinada questo do que um censo nacional. Por isso, é importante considerar que uma pessoa somente deve ser entrevistada, se realmente pode contribuir para ajudar a responder a questo de pesquisa. ‘A amostra, em entrevistas em profundidade, nfo tem seu significado mais usual, o de representatividade estatfstica de determinado universo. Est mais ligada a significagao e & capacidade que as fontes tém de dar informagdes confi veis ¢ relevantes sobre o tema de pesquisa. Boa parte da validade da pesquisa esta associada a selecao. £ possfvel, entrevistando pequeno niimero de pessoas, ade- ‘quadamente selecionadas, fazer um relato bastante consistente sobre umn tema rT nova om profsnidade 68 tem definido. Relevante, neste caso, & que as fontes sejam consideradas nfo apenas vélidas, mas também suficientes para responder a questio de pesquisa, 0 gue torna normals, durante a pesquisa de campo, novas indicagSes de pessoas Mie possam contribuir com o trabalho e, portanto, ser acrescentadas a lista de entrevistados. # importante obter informagées que possam dar vis6es € relatos diversifica- das sobre os mesmos faios. Pessoas em papéis sociais diferentes, recém-chega- das ou que tenham deixado a fungio recentemente, podem dar perspectivas ¢ jnformagées bastante titels. A relevancia da fonte esté relacionada com a contri- buigGo que pode dar para atingir os objetivos de pesquisa. Por exemplo: nem sempre’ o cargo determina a qualidade da fonte. Nao é incomam um pesquisador se entusiasmar com a possibiliciade de entrevistar uma autoridade ou dirigente ¢ dobter como resultado lugares-comuns e afirmagées irrelevantes. Dependendo do objetivo do trabalho, pode-se obter melhor resultado entreristando um funcio- nirio do que o gerente, o repérter do que o editor-chefe, as 2essoas que conhe- ‘em um personagem do que o préprio personagem. Ao mesino tempo, pessoas {que tenham participaco menor podem contradizer, apresen:ar perspectiva inu- sitada, aumentar a confianga ou esclarecer mais detalhadarrente aspectos rele- vantes. Deste modo, a correta selegao das fontes para entrevistas em profundi- dade e a interpretacdo ponderada das respostas permite limitar a influéncia das fontes politicamente mais relevantes. Isso ocorre porque descrigoes e andlises mais consistentes e imparciais sfo freqiientemente obtidas por técnicos e pes- soas envalvidas no processo, sem interesses outros que no 0 de colaborar com co entrevistador. A descricdo dos achados é, assim, definida pelas informagies obtidas e nao pelo poder politico da fonte. ‘A selecao dos entrevistados em estudos qualitativos tende a ser nfo probabilistica, ou seja, sua definico depende do julgamento do pesquisador e no de sorteio a partir do universo, que garante igual chance a todes (caracteristica das amostras probabilisticas).Exister dois tipos bisicos de amostrasndo probabilisticas para uso em entrevistas qualitativas: por conveniéncia ou intencional, ‘A sclego por conveniéncia (também chamada acidental) é baseada na viebi- lidade. Ocorre quando as fontes so selecionadas por proximidade ou disponibi- lidade. Por exemplo: escolhemos alguns alunos de jornalismo disponiveis no intervalo entre as aulas para saber sobre a percepeo daquele grupo (estudantes de jornalismo da instituig2o) a respeito da qualidade do jorml laboratério. ‘A selegio é intencional quando o pesquisador faz a selegdo por jufzo parti- cular, como conhecimento do tema ou representatividade sudjetiva. Neste caso, ele pode selecionar conhecedores especificos do assunto, como editor e repérte- res do jornal laborat6rio, por exemplo, para tratar da produgéo, ou um aluno ¢ uma aluna de cada semestre, eitores do jornal, para fazer uma avaliacao do pro- duto final, 70 Método encase psguns emcomanicase Quivy e Campenhoudt (1992, p. 69) propdem trés categorias bastante abrangentes de interlocutsres en: entrevistas: (a) docentes, Investigadores especializados ¢ peritos; (b) testemunbas privilegiadas e (c) 0 piiblico a que 9 estudo diz respeito. Com base nessa classificagio e na experiéncia de campo, estabelecemos cinco tipos de informantes para entrevistas em profundidade. A classificasao, em cada caso, sera sempre dada pelo pesquisador a partir de crité. tios subjetivos relacionados 2o objetivo da pesquisa. a) especialista: geralmente pesquisador, académico ou pessoa de grande experiéncia/conhecimento no assunto, mas no diretamente envolvida ‘com 0 problema de pesquis b) informante-chave: iontes de informagiio consideradas fundamentais por estagem profunda ¢ diretamente envolvidas com os aspectos centrais da questo, o que faz com que no serem entrevistadas possa significar grande perda. Em uma pesquisa qualitativa sobre comunicasio inter- na, o chefe do setor de recursos humanos, o presidente do sindicato, 0 sgerente de comunizaco poderiam ser incluidos nesta categoria; ©) informante-padrao: fonte envolvida com o tema de pesquisa, mas que pode ser substituida por outra sem que se espere prejuizo na qualidade das informagées obtidas; @) informante complementar: fontes de oportunidade surgidas no decor- rer da pesquisa. Muitas vezes, nao & citado como fonte no relat6rio por no se julgar que tenha havido entrevista na forma prevista nos proce- dimentos metodolégicos. Apesar da participagao secundaria, pode con- tribuir com informasées circunstancias, dicas ou detalhes para confir- 'magao de aspectos especificos da questo de pesquisa; 6) informante-extremista: aquele cuja percep¢ao contraria as principais fontes por motivos ideolégicos, politicos, pessoais ou por possuir visio muito particular do tema. Mesmo que ofereca interpretaco tendencio- sa, pode fornecer issights, informagées e visio critica bastante impor- tante para compositao do quadro de pesquisa. 4 Ato da entrevista Scheuch (1973) cita trés modelos de entrevista: 0 fraco, estilo permissivo, em que o entrevistador & recepticulo passivo das informagées oferecidas pela fonte. Ele seria compativel com as entrevistas inerentes & psiquiatri, por exem- plo. No outro extremo, o modelo de entrevista forte, em que existe posicio agres- siva ou autoritéria, mesmo subjacente, na perspectiva de que o entrevistado estd Tr ewe profniade 71 opens a dar jnformagbes falas ou quesionives, Ele pe ser encontrado Batrevistas do tipo interrogatério e em algumas jornalisticas. O modelo new emery do entrevistador um transmissor de estimulos positives, buscando impessoalidade e equilfbrio na relagio, E 0 mais aproximado do desejével nas entrevistas em Comunicacdo e 0 que buscamos tratar neste texto. [sto ndo impe- fe que haja transi¢éo de um modelo para outro ao longo da conversa¢ao, frotadamente do modelo fraco, bastante itil, por exemplo, no inicio de entrevis- tas para o “neutro”. ‘Kandel (1981, p. 178) lembra que a entrevista em pesquisa “nto & simples ‘mente ur trabalho de coleta de informagées, mas, sempre, uma situacdo de interagdo, ou mesmo de influéncia entre dois individuos e que as ‘informagées’ dadas pelo sujeito (0 ‘material’ que ele fornece) podem ser profundamente afetadas pela natureza de suas relagies como entrevistador”, ‘Assim, temos distorgdes produzidas pelo pesquisador, pelo contexto e pela fonte, e minimizar os riscos é tarefa exclusiva do primeiro. “A arte da entrevista, em dltima instancia, consiste em obter respostas vilidas”, diz Ander-Egg (1978, p.113). ‘A seguir, sintetizamos orientagdes bsicas referidas na literatura especializa- dae a partir da experiéncia de realizar e orientar pesquisas com 0 uso da técnica de entrevista. 4.1 Antes + 0 pesquisador pode se surpreender como entrevistes em profundidade despertam interesse. As pessoas raramente tém oportunidade de falar abertamente e de maneira sistematizada sobre suas experiéncias, opi- nides e percepgdes e tendem a ser cooperativas com entrevistadores informados e perspicazes, se pereebem que as pergantas s2o bem fun- damentadas, desafiadoras, inteligentes e oferecem a possibilidade de refletir sobre o assunto. J4 fontes do tipo especialistas podem nao gos- tar de responder a questdes Sbvias, irrelevantes, tratadas na literatura ou em outras entrevistas. Em ambos os casos, é fundamental ler com antecedéncia todo material disponivel, preparando-se 20 méximo para cada entrevista, ja que uma entrevista malsucedida dificilmente pode ser refeita; * co informante deve ser estimulado a escolher 0 local e o horaio. E sem- pre possivel negociar, mas é fundamental atender &s condigles do en- uevistado; + oambiente de trabalho do informante pode ser adequado se ajudé-lo a se sentir confortavel, mas nao deve haver ouvintes ¢ interrupces; 72. Soon tenet de pesqinem cmanicgao 42 Procure saber, antes de iniciar pesquisa que dependa em demasie de poucos informantes, se estar dispostas e em condigdes de colabora, plangje a seqiiéncia das entrevistas, examine detidamente o roteito de Perguntas, faga uma planilha com nomes, datas, locais e horrios dag entrevistas; * se existir e for viével, escolha uma fonte conhecida para realizar a pri- meira entrevista. Ela pode ajudar a testar o roteiro e aperfeicoar a con. ducao da entrevista; se ha garantia de que permanecerdo acessiveis, 0s informantes princi. pais podem ser deixados mais ao final, quando o volume de informacio disponivel permite aprofundar questées mais complexas; * tim risco sempre presente o pesquisador influenciar 0 entrevistado involuntariamente, provocando distoreées nas respostas. A instituicso a quéestéligado, a forma de vestir o tipo de abordagem, a personalid. de, a linguagem, a diferenga de realidades culturais, o tema do questio. nério podem induzir o entrevistado a tentar responder de forma dife. rente do que pensa ou do que faria em outra ocasio, E fundamental identificar e minimizar fatores que possam causar distorgSes nas res- ostas, Inicio * comece a entrevista perguntando sobre os dados bésicos do entrevista- do, se ndo possuf-los: nome, fungdo, tempo de experiéncia, idade, for- magio, descrigao das atividades ou do papel que desempenha. Sao in- formag6es dteis para contextualizar as informagées e para relacionar 68 entrevistacios no relatério; * busque o estabelecimento de um ambiente de naturalidade, confianga -mitua e interesse, 0 chamado rappor * faca uma apresentagio informal e curta sobre seu trabalho ¢ objetivo. Informe o tempo que deveré durar e se sera gravada; * & primeira pergunta, mesmo em um roteiro semi-estruturado, costuma ser a mais abrangente, indicando o tema geral 43° Perguntas * deixe oinformante a vontade. Ele deve ser estimulado a fazer 0 relato de como percebe o assunto, a falar franca e livremente. Seja cordial, mo- desto, positivo, busque empatia, renha e demonstre interesse pelo que ele sabe e pensa. Estimule a expressao e soja permissivo desde que isto FF ‘nseintzem profunidade 73 facilite a obtencio de informagies. Assuma 0 papel de ouvinte curioso eo estimule a abordar com naturalidade cada questio; respeite 0 entrevistado e desperte sua confianca, mesmo que néo con- corde com ele, Néo tente ser astuto, nem convencer, induzr, orientar cu sugerir que esté errado. O entrevistador deve obter informagées ¢ no discuti, conscientizar ou esclarecer o entrevistado. O ideal € que 0 entrevistado perceba seu interesse, nfo sua opinio; centrevistador pode apresentar questionamentos ¢ vis6es distintas como modo de estimular a reflexio, detalhamento ou explorar as contradi- es do proprio entrevistado. Para isso, frases como “HA pessoas que afirmam que... (..) 0 que vocé acha?” do oportunidade de expor e dis- catir 0 contraditério, sem confronté-lo; embre-se de que nem sempre o entrevistado sabe responder de manei: ra precisa. Muitas vezes, tem que fazer uma avaliacio, pensa pela pri- meira vez no assunto. Dé 0 tempo necessario e ajude a refletir; personalize as perguntas. Cada entrevistado é tinico e exige compreen- slo, paciénciae flexibilidade; explique ¢ pergunte sobre conceitos ¢ vocibulos caso possa haver dii- vida. Muitas vezes, as palavras utilizadas pelo entrevistado possuem significado diferente para o informante, gerando interpretagées equi: vocadas; se o entrevistado fugir do assunto ou divagat, procure fazer com que volte ao tema, Vocé pode interrompé-lo sutilmente com uma nova per- gunta quando a oportunidade surgir; faca apenas uma pergunta de cada vez ¢ evite as longas ou complexas, que possam confundir; 9 fato de o entrevistado nao saber responder jé 6 uma resposta. Tam- bém deixe claro ao informante que nao hé problema se nio souber algo, fazendo perguntas que no exijam afirmacio de conhecimento, Em vez de perguntar qual a avaliacZo sobre a estratégia de comunicagao da ‘empresa, petgunte primeiro se alguma vez foi informado dela. Ou seja, indo deve ficar subtendido que o entrevistado possa ser responsével por no saber algo; ndo tenha presse, Siga 0 tempo da fonte. Siléncios e pansas podem ser proveitosos para o entrevistado refletir ou recordar; cevite perguntas indutoras de resposta, ambiguas ou que gerem respos- tas do tipo sim/ndo. Utilize & farta perguntas como “Por que ocorre. “Como voce percebe..2", “E posstvel detalhar?”, “Voce tem um exemplo...2” “Nao sei se entendi direit... O que voce quer dizer quando fala que...” “Como assim?" "Voeé poderia detalhay..”; “Iso € muito interessante. Como vcorre?; “sto acontece sempre?; + no aprofunde questées que voce percebe que o entrevistado nao domi na, fica constrangido ou incomodado. Talvez seja possivel tratar do as- sunto de outro jeito, mais ao final da entrevista; + se tiver dvds se foi suficientemente compreendido, repita a pergunta «em outros termos. Do mesmo modo, se a resposta nio for evidente, esa esclarecimentos. Muitas vezes, as pessoas respondem com con viceio sobre assuntos que no conhecem ou oferecem respostas $0. cialmente desejaveis. Uma das vantagens das perguntas em profundi- dade & que ¢ possivel voltar a um assunto caso haja temor de que o entrevistado no tenha compreendido bem ou haja dividas sobre uma inforkpacio: + para mludar de assunto, use frases fortes de ligago como “agora gosta ria de trata de wna outra qusto.."; + procure obter exemplos, relatos de fatose incidences criticos que aju- dem a qualificar 0 reato; + o tempo esconde muitas informagées da meméria, Use as possibilida- des disponfveis para obter as respostas mais confiveis. Recursos como mostrar livos, gravagées, documentos, fotos, fazer a entrevista em un lugar que propicie lembrangas & fonte podem ser iteis, + no se perca em detalhes apenas curiosos, nem ceda a tentagio de per- jguntas-carona, interessantes, mas irrelevantes & questo de pesquisa A entrevista € uma 6tima situacko de interagdo para aprendizagem mii tua, mas exige rigor na condugao. 4.4 Além das respostas ‘+ observe o ambiente onde se dé a entrevista, a relagio que se estabelece entre as pessoas, a forma como o entrevistado se comporta, seus movi- mentos, énfases, siléncios, pausas, gestos. Os aspectos relacionados ‘20 comportamento do entrevistado e 0 contexto da entrevista ajudam a complementar a informago semantica, aquilo que se torna explicito verbalmente. As circunstancias podem ser muito titeis para ajudar 0 pesquisador a descrever e analisar seu objeto de pesquisa; * cruze todas as informacGes de maneira a ser convicto em seu relato de pesquisa. Verifique a consisténcia da argumentagio e das informagSes das fontes durante a propria entrevista e busque sua coincidéncia e articulaco com outros relatos e documentos no momento da redacao; rT 45 46 teva eprfecdade 75 + lembte-se do marco tebrico de seu trabalho durante a entrevista. No relatério, seré importante relacionar os resultados obtidos kom os cor ceitos ¢ informagées apresentadas pelos diversos autores que vocé con- sultou; + acompanhe discretamente a fita para conferir se esta gravando. Procu- re vida sem interromper a conversa; + identifique ¢ registre imediatamente fontes citadas que possa ser itil entrevistar; + evite a tentagio de buscar e valorizar apenas informagées que confir- mem seus pressupostos. Na realidade, o melhor é testé-los, question4- los, verificar se esto corretos. Ao final * procure deixar para o fim as perguntas mais sensiveis ou complexas. ‘Mas evite correro tisco de que o entrevistado canse ou a entrevista seja interrompida antes; + uma entrevista em profundidade pode durar mais de 30 minutos sem aborrecer 0 entrevistado. Claro que diferentes variaveis podem alterar este indicador; + néo conclua abruptamente a entrevista, Antes de agradecer, dé indica Ges de que esté terminando. Voce também pode perguntar se o entre- vistado gostaria de complementar alguma questéo ou acrescentar algo, por exemplo. Depois + se necessério, realize duas ou mais entrevistas com a mesma fonte. Muitas vezes, é preciso complementar, aprofundar ou discutir novas questées. Os entrevistados tendem a ser gencrosos se acreditam que estio ajudando a resolver um problem: + ocanto da facilidade nao deve sensibilizar. Ouvir poucas pessoas ¢ ima- ginar que jé tem os resultados, ainda que em trabalho simples, € correr sério risco de ficar no lugar-comum. Cruzar as informagées com a lite- ratura, exercitar a desconfianga, a reflexio e a critica, procurar e ouvir vores discordantes, buscar detalhes adicionais ¢ exemplos pode fazer toda a diferenga. Entreviste © maximo de fontes que possam dar infor~ ‘magdes diversificadas e relevantes, as que por sua posicao, envolvimento, experiencia, ago ou responsabilidades sejam conhecedoras do assunto ‘ou parte dele. © pesquisador pode acompanhar umn dia de trabalho na 76 mixed etki de pesqusn om comuieasso redagdo e ouvir fot6grafos, secretarias, atendentes, cinegrafistas, mo- toristas e no apenas entrevistar repérteres ¢ editores para saber sobre ‘© modo de produgao da noticia em determinado veiculo; + numere as fitas e registre em formulario préprio o telefone, nome com. pleto.e correro do entrevistado, fungao, data, horério, local de realizagio para registro ¢ telefone para eventual confirmacZo ou complemento; + € normal que apés algumas entrevistas diminuam as novidades, pas- sando a haver repetico de informagées. Isto significa que jé existe uma coeréncia interpretativa nas respostas. Como a variabilidade se reduz, 0 pesquisador pode aproveitar para obter detalhes, exemplos, afirmagées que ajudem a sustentar e articular as informa¢Ses e antecipar a reda¢io do ilatério; * evitela tentacdo de resumir a transcri¢do das entrevistas. Quanto mais detalllada, mais chance de aspectos relevantes serem identificados em uma leitura posterior. As vezes, uma frase ou exemplo é suficiente para a descoberta de pontos fundamentais no tema em questo. 5 Instrumentos de coleta 5.1 Anotagoes Permitem registrar comportamento, ambiente, mas limitam o detalhamento € podem interromper a fluéncia e distrair o entrevistado. So titeis nas entrevis- tas abertas se o tema ainda esté sendo sondado, buscando estabelecer melhor 0 foco, ou necessérias quando o entrevistado recusa-se a gravar ~ 0 que & rato. Anotacies sobre questdes centrais, diividas, aspectos relevantes, detalhes que ‘Jo tenham sido verbalizados ou mesmo idéias que surjam e possam ser esque- Cidas devem ser feitos, inclusive quando hé gravacao. f importante transcrever imediatamente as anotages, registrar comentérios, observagées, de maneira a no esquecer pontos essenciais ou perder os registros. AnotagSes como instru- mento basico de coleta exigem ainda maior habilidade e dominio prévio sobre 0 tema por parte do entrevistador. 5.2 Gravagio A gravacao possibilita o registro lceral e integral. Apesar de certa discusséo, 4 experiéncia indica que nfo afetao resultado e oferece maior seguranga a fonte, E importante demonstrar que ird usar o gravador e verificar se 0 entrevistado nio se sente desconfortivel. Embora possa eventualmente levar & desconfianca ou ser inibidor nas primeiras perguntas, em geral a fonte rapidamente responde r Eneviaem profane 77 com naturalidade. E interessante deixé-lo em local visivel, mas discreto ao olhar. G gravador possui a vantagem de evitar perdas de informayo, minimizar distor es, facilitar a conducao da entrevista, permitindo fazer anotagoes sobre aspec- fos nfo verbalizados. ‘Convém transcrever com rapidez para aproveitar melhor 0 contetido, pois o ambiente ¢ as respostas esto mais vivos na meméria e as inferéncias, ‘contextualizacio e andlise sfo imediatas. Ouvir a transcrigio ajuda o entrevistador a peroeber nuances, etalhes © questOes que o ajudardo nas novas entrevista, aré mesmo na corresgo de seus préprios erros de condugio. Se possivel, 0 pré- prio pesquisador deve fazer a transctigao. E uma oportunidade de aprender com {propria entrevista, identificar aspectos que nio ficaram registrados, comegar estruturar 0 trabalho. O ideal é manter a gravagio até, pelo menos, algum tempo apés a publicacao do trabalho. Pequenos detalhes, grandes problemas: numerar as fitas e fazer uma lista, registrando cada fonte ao lado do niimero; definir a priori como serao ‘transcritas e por quem; utilizar uma fita (ou um lado de cada uma) por entrevis- tado, testar as fitas e 0 equipamento, utilizar pilhas novase ter sobressalentes, e, se possivel, outro gravador. 53 Telefone A entrevista por telefone tem a vantagem da agilidade e de permitir 0 acesso a pessoas distantes. Pode ser gravada, intetrompida ou retomada conforme a convenincia. E til para complementar questoes pendentes, tirar duividas ou obter informagdes simples, que ajudem a completar 0 quadro em andlise. Ape- sar disso, impede de perceber as reagdes do entrevistado, criar proximidade, ‘obter a relacio de cumplicidade que a entrevista face a face oferece. E importante combinar um horério e tempo de duragio, permitindo que a fonte esteja tranqii- lee preparada. No caso de grande nimero ou longas entrevistas, pode-se adqui- rirum headset, aparelho utilizado por telefonistas, para dar mais conforto, princi- palmente ao liberar as maos. 54° Internet a forma mais ficil de perguntar ¢ mais dificil de obter boas respostas. Pesquisadores iniciantes tendem a imaginar que & uma maneira prética, mas pidamente se decepcionam com os resultados. Pode ser particularmente itil para informagSes objetivas, assim como para introdugio ou complemento de uma entrevista face a face. Também é utilizada para obter informagées de pessoas importantes, por outros meios inacessiveis. Ela geralmente nio permite a di ‘ussdo, 0 aprofundamento natural, a discusséo do contraditério, essenciais na 7 Mesos exes de pesquisa em cmasicagio ‘entrevista em profundidade. Uma alternativa interessante ao envio de uma lista de perguntas é o contato simultaneo de entrevistador ¢ entrevistado via internet pelo uso de chats ou blogs. Entrevistador e fonte também podem com. binar um horario determinado para conexio e travar 0 envio e o recebimento continuo de mensagens, de maneira a garantir mais profundidad: e natural dade nas respostas, 6 Descrigdo e andlise dos resultados Na redagao da descricao e anilise, 0 pesquisador assume a posse das infor. _magies colhidas nas entrevistas e as articula, com o objetivo de conduzir o lei- tor. Na prétieg, entretanto, o investigador tem por primeiro objetivo organizer suas priprias Yeflexses, dialogando com o papel e avancando na estruturagio consistente do trabalho. A redacao deve ser enfrentada com determinagao ¢ ra- pidez, em que pesem a eventual inexperiéncia eo medo de explorar as préprias idéias e descobertas. Um desafio adicional ¢ lembrado por Berger (1998, p. 57), quando alerta que “pode ser muito dificil lidar com a enorme quantidade de material que as entre- vistas em profundidade geram”. Por isso, o pesquisador sera mais bem-sucedido se comecar a escrever e a sistematizar 05 resultados assim que houver informa- ‘bes minimas para fazé-lo, digamos, apurado um quarto das entrevistas previs- tas, Isto permite ganhar tempo e ajuda no exame do encaminhamento da pes- quisa e no surgimento de idéias, detalhes, questdes que possam ser diteis nas prdximas entrevistas. No limite, quando as informagSes comeam 2 se tornar redundantes e hi estabilidade nas respostas, nao & mais possivel adiar. ‘Andlisar implica separar o todo em partes e examinar a natureza, fungdes ¢ relagbesde cada uma, Geralmente, a opgdo mais fécil e menos titil para a redago do relatério 6 organizar os resultados pela apresentacao de cada unidade. Ou seja, se 0 objetivo for mostrar a implantagio de politicas de comunicacio em ‘empresas piiblicas, a tentagdo inicial ¢ contar como foi 0 processo em cada em- presa. Se for identificar a percepcao dos editores sobre a atuacio de assessorias de imprensa, torna-se mais facil fazer 0 relato individual de cada um. Esta estra- ‘que a transcrigao tégia tem origem na estrutura de obtengao de informacées, das entrevistas geralmente é apresentada por informante. ‘Tais ope6es, entretanto, recusam a organizaglo do que importa: os concei- tos e aspectos com os quais estamos lidando. Assim, no exemplo dos editores, poderiamos dividiro relatério em categorias como “qualidade dos releases”, “aten- dimento”, “preparo das fontes”, “principais diffculdades”. O pesquisador, sem perder de vista os objetivos do trabalho, classifica as informagées a partir de rr Enueieem pond 79) ecerminado crtério, estabelecendo e organizando grupos de temas comuns, gomo que as agrupando em “caixas” separadas para se dedicar individual e pro- fondamente a cada uma. Esta estrutura geral assume a forma de esquema de anilise e cada conjunto (caixa) € chamado categoria, uma unidade de anélise fompleta ¢ inica em si mesma, 6.1. Categorias Categorias sfo estruturas analiticas construidas pelo pesquisador que red- nem e organizam o conjunto de informacées obtidas a partir do fracionamento eda classifica¢4o em temas auténomos, mas inter-relacionados. Em cada cate- goria, 0 pesquisador aborda determinado conjunto de respostas dos entrevis- tados, descrevendo, anatisando, referindo a teoria, citando frases colhidas du- rante as entrevistas e a tornando um conjunto a0 mesmo tempo auténomo € articuledo. © ctitério principal na construcio de cada categoria é que tenha coerén- cia interna, mas € possivel estabelecer alguns principios gerais. Selltiz etal. (1985, p. 441-442) dizem que um conjunto de categorias deve: (a) ser deriva- do de um tinico principio de classificacio: (b) ser exaustivo, sendo possivel colocar qualquer resposta em uma das categorias; (c) as categorias devem ser mutuamente exclusivas; ndo deve ser possivel colocar determinada res- posta em mais de uma categoria. Richardson (1999, p. 240) assinala que as categorias devem (a) ser exaustivas, permitindo a inclusio de todos os ele- mentos de determinado tema; (b) ser exclusivas, pois nenhum elemento pode ser classificado em mais de uma categoria; (c) ter concretude, na medida em que evitam a complexidade de classificar termos abstratos; (@) ser homogé- teas, com categorias sendo construfdas a partir do mesmo principio de clas- sificacdo e (e) objetivas ¢ iis, com a definigdo de varidveis e indicadores que determinam a classificago em cada categoria, [As categorias, no caso de entrevistas abertas, so identificadas a0 longo da pesquisa. Nas entrevistas semi-abertas, as categorias tém origem no marco teético e so consolidadas no roteiro de perguntas semi-estruturadas. Elas nio podem, entretanto, ser entendidas como camisas-de-forsa. No relatério final, anto é possivel agrupar em uma categoria o obtido com duas perguntas semi-estruturadas quanto separar em duas categorias os resultados obtidos com uma pergunta, Para ajudar na redagdo e na compreensio, pode ser itil fazer uma introdu- 80 em cade categoria, definindo ¢ explicando o que seré tratado e, a0 final, fazer um fecho conclusivo. Esta iltima opcao evita a necessidade de retomar a Aiscussao sobre cada categoria na Conclusio, que tenderé a ficar mais sintéti- ae abrangente, 80 todo eke de pees em conan 6.2 Transpondo as informagées + Descrever, étitil embrar, significa expor minuciosamente. A descricég interpretativa deve ser suportada por argumentos ¢ evidéncias basea. das nas diversas fontes de informacao consultadas pelo pesquisador, como exame de documentos, revisio bibliogrifica, observagdo e con. texto das entrevistas. Neste iiltimo aspecto, pode ser considerado limitador basear-se exclusivamente nas gravacées e fazer uma anilise do contedido manifesto das transcrig6es, considerando os relatos ver. baie suficientes, O peoquisador deve deixar-se influenciar pelo conted: do latente, o context, significados implicitos, discursos e relagSes no verbalizades dos informantes (ver MICHELAT, 1981). Ao mesmo tem- po\ deve fazer permanente articulagio com a teoria que deu suporte & pesquisa, apoiando-se nela ou mesmo a questionando. “O pesquisador de cagapo depende inteiramente da inspiragéo que Ihe oferecem os es- tudos tebricos”, registra Malinowski (1976, p. 27), na introdugao de seu estudo classico da etnografia realizado na década de 1910. *+ Verifique a consisténcia da argumentacio ¢ das informagées do infor. ‘mante durante a propria entrevista e busque sua coincidéncia e articu- lacio com outros relatos no momento da redacao. A experiéncia indica que muito raramente um entrevistado tenta enganar conscientemente, mas distorgdes perceptivas, preconceitos, dificuldades de articulacao das idéias, falha de meméria, erros de avaliacdo, exageros ocorrem. O informante pode estar equivocado, pode ter entendido mal a pergunta, ter sido induzido a erro, ou mesmo dar uma resposta socialmente dese- jvel. As respostas devem ser contextualizadas, avaliadas ¢ compara- das, Esta é uma das vantagens desta técnica: erros podem ser identifi- cados e corrigidos na prépria entrevista, no cruzamento com outras fontes ou pela reflexdo do pesquisador. Se vocé tem motivos para des- confiar das respostas de uma fonte e nao consegue outras evidéncias, relativize as informagdes no relatorio. ‘+ Procure minimizar a chance de ocorrer os erros comuns apontados por Rummel (1977, p. 99): reconhecimento, quando o pesquisador minimiza ‘ou nao percebe informagies importantes; omisso, se ignora, ¢adigao, se acrescenta ou exagera no relato das observagdes do respondente; subs- tituigdo, se apresenta sentido conotativo diferente do exposto pela fon- te; € transposigd, quando erra na seqliéncia ou na relacéo entre fatos. + A-entrevista é sempre uma discussio subjetiva, mas 6 importante ten- tar separar informacio objetiva de interpretagio e anilise. +E interessante utilizar trechos das entrevistas, destacando trechos literais (por verbatin) que reiorcem, esclarecam, dem suporte, exemplifiquem 0 trecho em questo. - rerserem ponte 81 + Nio 6 necessério identificar as fontes na descrigo ¢ andlise, embora seja conveniente fazer a relaga0 no anexo ou no capitulo de procedi- mentos metodolégicos. Nesta relagio, podem ser informados 0 nome, a fungdo ou descri¢ao que justifique 0 motivo de ter sido escolhido, a data ¢ 0 local da entrevista. No caso de anonimato, a autoria de citagio pode ser atribuida a “Entrevistado 13", “Repérter de Jornal” ou alguma outra indicacao. + Em entrevistas em profundidade, a riqueza, a heterogeneidade das res- postas 6 nao apenas esperada, como também desejivel. Cada respondente apresenta sua visio que pode ter colorido, interpretagses, vvers6es diferentes. E papel do pesquisador organizé-las coerentemente ‘em formato compreensivel e articulado. O resultado em geral & mais descritivo, analitico, reflexivo do que conclusivo. Por isso, 0 uso de percentuais ndo é admitido em descri¢des com base sm entrevistas qua- litativas. Se for 0 caso, € possivel utilizar palavras ccmo todos os entrevis: tados, nenhum, a maioria, alguns, nenhum, para deixar claro a relatividade das informagées. Do mesmo modo, devem ser enfatizada as limitagdes: “Com base nas entrevistas é concebfvel afirmar/deduzir/inferi.."; “A partir da analise dos depoimentos, é possivel identificar.."; “A maioria dos entrevistados sugere que..”; “Problema apontado por alguns dos entrevistados indica...” + © pesquisador pode, depois da transcricao da fita, mostrar o resultado ao entrevistado. Geralmente nestas oportunidades épossivel obter uma correcio, detalhes adicionais, outros exemplos, tirar dividas. Também nao deve se inibir e apresentar um esboco do relatério a pessoas conhe- cedoras do assunto. Deve ter certeza, entretanto, de que haverd apenas Ieitura critica e nao tentativa de influenciar o resultado. Para concluir Pesquisas desenvolvidas com o uso da técnica de entrevista em profundida- de permitem ao analista gerar sugestdes e criticas sobre o tena de estudo. Nes- til que o autor apresente, 20 final, um capitulo, trecho, talvez ane- x0, com um conjunto de recomendacées definidas com bas? no conhecimento tedrico disponivel, na pesquisa de campo e em suas reflexées. uma oportuni- ade para nao apenas descrever e refleti sobre os resultados obtidos, mas tam- bbém propor avangos e solucdes. As recomendacées serdo contribuicao na apli- cacao dos resultados e um prémio ao esforgo e colaboracao dos entrevistados. Mais do que uma técnica de coleta de informagées interativa baseada na consulta direta a informantes, a entrevista em profundidade pode ser um rico processo de aprendizagem, em que a experiéncia, visdo de mundo e perspicacia