PROF. HEGILDO HOLANDA GONÇALVES
JOSÉ AIRTON FERNANDES DE FARIAS
RESUMO: O QUE É CIÊNCIA AFINAL?
CAJAZEIRAS – PB
JANEIRO – 2014
as singulares e as universais. e o processo. Chalmers apoia-se no raciocínio dedutivo para delinear explicações advindas da disciplina da lógica. Tradução: Raul Filker. a variedade de condições e não devam conflitar com a lei universal da qual derivam. Plausivelmente porque a ciência em si é citada como nãoespeculativa e não-subjetiva. O raciocínio indutivo se caracteriza como principal tema desse capítulo. a segunda subdivisão do capítulo. p. “completamente equivocada e mesmo perigosamente enganadora” (CHALMERS. sem distinção e que devam respeitar a generalidade. firmando a terceira parte desse capítulo. O que é Ciência Afinal?. sendo os dados a fonte essencial para constituir-se uma teoria. I – Indutivismo: Cie ncia como conhecimento derivado dos dados da experie ncia Para dar vida à ideia de Indutivismo como uma ciência. As afirmações singulares reportam-se a uma ocorrência. Para ele. A primeira enuncia uma concepção de senso comum da ciência plausivelmente aceita. 1993. As afirmações universais declaram atestações de um ou alguns comportamento(s) de eventos de um tipo específico a todos os lugares e tempos. Se tomarmos o conhecimento científico como um conhecimento provado objetivamente. Editora Brasiliense. nos levando do particular para o todo. a definição de indutivista ingênuo criada pelo autor remete ao raciocínio indutivo. e sendo esse o principal. o Autor subdivide esse primeiro capítulo de sua aclamada obra em cinco partes.RESUMO: O QUE É CIÊNCIA AFINAL? CHALMERS. podemos nos deparar com dois tipos de Afirmações. o indutivista ingênuo tende a iniciar sua prática científica pela observação. encontraremos neste certeza e consistência. 25). Cap. Certificando-se . estado ou lugar específico de alguma coisa num tempo específico. Todo esse aparato para justificar uma afirmação universal é que o estudioso denomina de raciocínio indutivo. a indução. Alan F. que o mesmo cita ser em sua maioria. o que o estudioso não crê ser interessante em citar. 1993. Para contrapor a indução. Em termos gerais. enquanto ciência. seu antagonista seria o indutivismo ingênuo. Ao coletarmos certas proposições como afirmações para levantarmos algum dado.
O fato de haver várias possíveis respostas para a justificativa da indução poderia prolongar o estudo para outras ramificações. onde a previsão e a explicação dos relatos indutivistas. A última parte deste capítulo trata da objetividade da ciência indutivista. . neste capítulo. podemos ainda recorremos a outro recurso que é a base das abordagens científicas. Como já foi mencionado anteriormente. o mesmo ressalva a opção da probabilidade: o conhecimento científico representa o conhecimento provavelmente verdadeiro. são derivadas através de. o autor se depara mais uma vez com o mesmo problema. por não se poder “usar a indução para justificar a indução” (CHALMERS. mas se você se questionar como a dedução lógica pode justificar a indução. associadas às condições iniciais. Apesar desse recuo à provável resposta ao problema da indução. há a explicação cética – onde se assume que a ciência se baseia na indução e ponto final – ou o enfraquecimento da exigência indutivista de que todo conhecimento não lógico derive da experiência. 1993. Já percebendo que as generalizações não são a base para uma afirmação segura. p. Por exemplo. Cap. a ilustrar uma justificativa para porque proceder com a indução e até onde ela leva o indutivista ingênuo. que é advinda principalmente das observações e do raciocínio indutivo. 40). Ministrando alguns exemplos de uso da lógica atentando para o fato de que não seria esse recurso suficiente para se colocar em prática. 36). então a conclusão deve ser verdadeira. ou até mesmo a negação de que a ciência se baseie em indução. a experiência. primeiramente. porém a obtenção da verdade dar-se-á por um recurso investigativo. p. O reforço dos ideais indutivistas parte da afirmação dos defensores dessa modalidade no que concerne as suas teorias.desse fato ao exemplificar certas premissas que.” (CHALMERS. que afirmam sempre “estarem apoiadas indutivamente em alguma base mais ou menos segura fornecida pela experiência. o apelo à lógica é o principal fator. 1993. que demarca a 4ª parte. que bem como a pesquisa dedutiva. se apoiadas na verdade. culminando nessas previsões e explicações científicas. II – O problema da Induça o O criador da obra começa. leis e teorias. pode-se enxergar de longe que a probabilidade não se transfigura em conhecimento sólido.
Essa dependência que possuem observação e teoria chega a derrubar a afirmação indutivista de que a ciência começa por observações. inclusive citando Lakatos para afirmar que tal indutivismo é degenerativo. Pode-se até. devemos nos resguardar com a relevância destas. a saber. tornando-as assim uma base não segura para construção de leis e teorias científicas. ‘Há mais coisas no ato de enxergar que o que chega aos olhos’”. que por sua vez. vale salientar dois recursos essenciais adquiridos através do sentido da visão: o primeiro é a existência de fatores e propriedades do mundo externo que serão registrados pelo cérebro. o segundo é que dois observadores normais também registrarão a mesma visão e também registrarão em seus cérebros essas informações. para nossa investigação não se inferida como enganosa. para o indutivista o sentido da visão é o principal instrumento de acesso à observação. sua atenção é voltada para as proposições observadas. o que está incorreto é o papel que o indutivista assume para elas. dentre outros exemplos. contanto que à medida que estas teorias sejam falíveis e/ou incompletas. o autor chega a se adiantar e sugerir o abandono do indutivismo. As proposições de observação pressupõem a formação de teorias. R. Porém. Como a teoria está intimamente ligada às circunstancias as quais surge. Chalmers (1993. reescrever essa máxima. Para refutar tal premissa. e anda utiliza uma figura de caráter geométrico. para demonstrar ao leitor que mais de um observador normal não tem necessariamente a mesma experiência visual. de forma alternativa. Afirmações e experiências perceptivas vão moldando o raciocínio tanto indutivo como dedutivo. III – A depende ncia que a Observaça o tem da Teoria O que é a observação? Conforme o escritor do livro. ele se alicerça de numerosos exemplos. Ressaltando esse fato. ele afirma que essas proposições ainda têm importância para a ciência. Todavia. para “a ciência pode começar a partir de observações livres de preconceito e ilegitimidades”. Chalmers avalia as proposições de observação como tão sujeitas à falha quanto as teorias que elas pressupões. de acordo com o que foi estudado até então. Para defender esse ponto de vista. Hanson. Segue-se que experimentos e observações servem para lançar luz sobre alguma teoria e apenas as consideradas de caráter relevante devem ser registradas. . Uma vez que o indutivista desenvolve teorias de vários graus de generalidade e sofisticação. p.Cap. 49) cita “N. são feitas a partir de uma linguagem simples e de alguma forma teórica.
p.” (CHALMERS. é falsificável e ainda resista à falsificação toda vez que for testada. por essas últimas se mostrarem com potencial mais amplo a serem desmentidas. Analogamente. como a ciência é concebida por tentativa e erro. 1993. 1 Falsificabilidade. da explicação falsificacionista da ciência” (CHALMERS. falseabilidade ou refutabilidade é um conceito importante na filosofia da ciência (epistemologia). De um modo geral ele explica a necessidade da hipótese ser falsificável para que seja sólida e aceita. quanto mais precisamente uma teoria for articulada. Através de exemplos. p. A compensação da falsificabilidade é. falsificariam a hipótese. 67).net. Sendo assim. ele explana que teorias menos falsificáveis podem ser preteridas às altamente falsificáveis. mais falsificável ela será. é que sobrevivem. Para uma asserção ser refutável ou falseável.cyclopaedia. ou até mesmo as menos errôneas. isto é. Como podemos observar na obra.Cap. 73). encontramos uma contradição. IV – Apresentando o Falsificacionismo A doutrina da falsificabilidade1 afirma que a observação pressupõe a teoria e que. “Uma hipótese é falsificável se existe uma proposição de observação ou um conjunto delas logicamente possíveis que são inconsistentes com ela. pode chegar a facilitar o direcionamento da teoria. o falsificacionismo apoia-se em considerar métodos dedutivos lógicos para checar a falsidade de leis e teorias universais. O mesmo ainda afirma que para o falsificacionista. (Fonte: Cyclopaedia. Chalmers nos convence de que. em princípio será possível fazer uma observação ou fazer uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa. em resumo. Trabalhar em cima de contradições. ou até mesmo sua aplicabilidade. como esboça o estudioso.net/wiki/Falsificabilidade>). que. A partir do momento que uma premissa é afirmada e a conclusão negada. Se tomarmos esse critério como condição fundamental. economizamos até mesmo certo tempo. O que torna essa afirmação infalível são os exemplos citados em seu trabalho . como solução para o chamado problema da indução. apenas teorias legitimamente adaptadas. 1993. e ainda mais quando menciona que “As exigências intimamente associadas de precisão e clareza de expressão seguem-se. Disponível em: <http://pt. se estabelecidas como verdadeiras. o que deixa a teoria mais atrativa e mais claramente afirmativa. o grau de falsificabilidade infere numa teoria melhorada.a saber. pois é nesse momento que o falsificacionista pode explorar essa vertente peculiar da lógica. em caso da teoria não ser legitimada. . naturalmente. proposto por Karl Popper nos anos 1930. pois ele afirma ser uma teoria muito boa aquela que faz afirmações bastante amplas.
se focarmos no crescimento desta. Casos do primeiro tipo serão informativos. enquanto se ele passar por tal teste diremos que está confirmado. . ela será aceita. 2 Expressão latina que significa “para esta finalidade” ou “com este objetivo”. Depois da hipótese ter sido altamente falsificada. Este será tratado com críticas e testes de novo aspecto. se a hipótese modificada resistir à falsificação. Conforme a ciência progride. depois temos as hipóteses e conjecturas. e devem ser submetidas a críticas e testes ainda mais rigorosos. sendo que algumas podem ser eliminadas imediatamente. então se conclui que algo novo foi aprendido e que haverá progresso nesta teoria. novas previso es e o crescimento da Cie ncia A explicação falsificacionista sofisticada da ciência. como o acréscimo de um postulado ou modificação de um que já é utilizado. Em termos gerais. mesmo ela tendo passado por esse processo incontáveis vezes. Serão assinalados avanços significativos pela confirmação de conjecturas audaciosas ou pela falsificação de conjecturas cautelosas.O falsificacionismo segue uma progressão hierárquica e que pode ser bastante demorada: como a ciência começa com problemas. Porém. Cap. surge então como resultado. e que não traga consequências é chamada de modificação ad hoc2. V – Falsificacionismo Sofisticado. Só abrindo o parêntese que nenhuma teoria pode-se afirmar como absolutamente verdadeira. e constituirão uma importante contribuição ao conhecimento científico. nesse caso assume o sentido que uma modificação do tipo ad hoc não valida uma teoria falsificada. outras perduram. Após testes. ficamos sujeitos a desviar a atenção dos méritos de uma teoria isolada para teorias concorrentes. um novo problema. Uma modificação em uma teoria qualquer. o que o autor aponta é que se uma teoria nova for mais falsificável que sua rival e for digna de consideração dos cientistas. Para dar credibilidade: Se um desses tipos de conjectura não consegue passar por um teste de observação ou experimento ele será falsificado. as teorias vão ficando cada vez mais falsificáveis e mais informativas. inclusive se prever fenômenos nunca dantes tocado pela teoria rival. e assim o processo continua. logo após essas hipóteses são testadas.
(3) O que podemos extrair no que tange a essas conjecturas audaciosas. de Nicolau Copérnico (e em 3 CHALMERS. se torna crescente. 91) “Se são dadas proposições de observação verdadeiras. onde o mesmo apoia-se no colega Karl Popper para realçar a elucidação desse problema. o estudioso tende a comparar as visões deste com o indutivista. e o conhecimento científico. Porém. O que o estudioso tenta nos transmitir é essa questão falível do falsificacionismo. Teorias citadas como a de Newton e a lei da gravidade quase refutada pelo mau comportamento da órbita do planeta Urano. 1993. Citação e grifos de K. 84. Uma vez dado toda essa ênfase ao falsificacionista. enquanto não podem ser ditas como verdade. enquanto não é possível deduzir a verdade de qualquer proposição de observação”. p. decisiva. pois para o falsificacionista. o crescimento da ciência se dá de forma mais significativa. juntamente com a falsificação das conjecturas cautelosas. a aceitação da teoria sempre é uma tentativa e sua rejeição. Se o próprio Popper afirma que a aceitabilidade das proposições de observação é avaliada pela sua sobrevivência a testes. segundo Chalmers (1993. . In Objective Knowledge (Oxford: Oxford University Press. VI – As limitaço es do Falsificacionismo Teorias podem ser falsificadas com provas disponíveis. O que pode resumir bem essa etapa da obra é o aparato histórico levantado pelo autor. “The Aim of Science”. herdada da lógica. se suas afirmações forem improváveis à luz dos conhecimentos prévios da época em que se pesquisa esse conhecimento prévio é relevante. essa limitação. p. 70. então podemos apontar que aquelas que falham. enquanto as que sobrevivem a todos os testes são mantidas.simplesmente porque assinalam a descoberta de algo que era previamente desconhecido ou considerado improvável. Cap. Essa significância é avaliada de acordo com a confirmação de improbabilidade à luz do conhecimento prévio da época. M. o que tende a dar uma melhor explicação ao processo de confirmação de teorias. 1972) p. quando admitimos suas referências e previsões de algum fenômeno a serem julgadas na forma de considerar as novas proposições audaciosas ou não. então é possível deduzir logicamente a falsidade de certas proposições de observação. logo serão descartadas. Popper. de Maxwell e a teoria cinética dos gazes.
apresentando-as como espécies de estruturas. que ele chama de heurística5 negativa: o núcleo primário (ou suposições primarias). é que os conceitos assumem um sentido conciso. Lakatos. foram mantidas. é chegada a hora em que o criador da obra adequa seus ideais voltados ao ponto de vista em que a geração de teorias científicas se dá de forma complexa. perseveradas e desenvolvidas apesar de aparentes falsificações. Cap. que tem origem na necessidade do crescimento da ciência. 5 Adj.” (CHALMERS. para obter resultados satisfatórios de observação e experimentos. Nosso autor se embasa em Imre Lakatos4 para exibir que a estrutura organizada na ciência é uma tentativa de superar o falsificacionismo popperiano. só com os séculos e o trabalho intelectual de muitos cientistas. não deve ser rejeitado ou modificado. é que essas estruturas devem ser constituídas abertamente a oferecer programas de pesquisa. há ainda um terceiro fator. Nenhuma explicação da ciência pode ser admitida como satisfatória. 4 Artigo de I. In A Crítica e o Crescimento do Conhecimento (nossa tradução) de Lakatos e Musgrave (Cambridge: Cambridge University Press. Conjunto de regras e métodos que visam à descoberta. à invenção ou à resolução de problemas. 1974). tendo que estar protegido da falsificação por um cinturão de hipóteses auxiliares.Versão eletrônica). A ideia de Lakatos é fornecer orientação para a pesquisa em duas vertentes. Ele se resguarda no estudo histórico da ciência para corroborar sua teoria. menos histórica e mais filosófica. etc. que está fortemente ligada ao atrelamento que a observação tem da teoria. p. condições e pré-requisitos. apenas com uma teoria relativamente estruturada. VII – Teorias como estruturas: Programas de Pesquisa Após a apresentação e assimilação de todos esses termos. Essas teorias. tudo serve para esboçar que nem os falsificacionista nem os indutivistas dão um relato compatível com o que a ciência realmente é. “Falsificação e a Metodologia dos Programas de Pesquisa Científica”. Para ver as teorias como estruturas organizadas.seguida Galileu) e sua conjectura sobre a órbita do Sol. 110). além do fator histórico que demonstra isso e o fato que. 1993. (Dicionário Mini Aurélio . principalmente a de Copérnico. E a heurística positiva: que é uma visão geral de como o programa de pesquisa deve ser desenvolvido. pois o mesmo afirma que “O estudo histórico revela que a evolução e o progresso das principais ciências mostram uma estrutura que não é captada pelos relatos indutivista ou falsificacionista. . Todavia ele ressalta o fato de haver ainda outra base.
ele afirma que o programa de pesquisa deve obter mérito. essa definição depende do sucesso ou fracasso do programa. nosso autor ainda se apoia na visão de Lakatos: o primeiro é relativo ao trabalho a ser realizado dentro de um único programa de pesquisa. contanto que não seja ad hoc. Apesar de Kuhn preceder a Lakatos. no que concerne a novos fenômenos. além de articulação e testes independentes dessas hipóteses. Ainda nessa linha de pensamento. VIII – Teorias como estruturas: Os paradigmas de Kuhn Para angariar um novo ideal Chalmers envereda pela teoria da ciência de Thomas Kuhn para dar suporte ao entendimento das teorias científicas como estruturas complexas. rever seus critérios de coerência ou até mesmo redefini-los. Atentando ao fato da metodologia em um programa de pesquisa poder ter dois pontos de vista.suplementando o núcleo irredutível (a característica teórica que define o programa) com conjecturas adicionais para explicar fatos com antecipação ou prever novos acontecimentos. ainda podem ser analisados as contribuições do programa degenerescente. mas também deve possuir um estado de coerência que envolva uma definição aceitável para a pesquisa posterior. O modo que Kuhn vê a progressão da ciência se dá essencialmente através de fatores sociológicos. O segundo ponto é relativo à comparação dos métodos de programas de pesquisa competitivos. tornando-se ocasionalmente estruturada e guiada pela comunidade científica para a proposição de um único paradigma. Ele propõe um esquema substancial de como a ciência progride: Pré-ciência: atividade diversificada e até mesmo desorganizada que precede a formação da ciência. esse programa dará espaço para o competidor mais progressista. que envolve expansão e/ou adição de várias hipóteses no seu cinturão protetor. onde serão julgados os méritos ligados aos programas à medida que eles estejam progredindo ou degenerando. Com uma ressalva. Cap. não apenas em descobrir novos fatos. podemos dividir os programas de pesquisa em dois tipos de méritos: progressivo ou degenerescente. no caso do último acontecer. Além disso. . nosso autor escolhe essa cronologia para o melhor entendimento do leitor.
atraindo um número crescente de cientistas. . que só será solucionado quando um novo paradigma emergir para refutar seu antecessor. os cientistas experimentarão um estado de crise. constituindo uma revolução científica. por uma série de motivos.com suas próprias suposições teóricas. tomei a liberdade de esboçar um organograma funcional da teoria de Kuhn. Ciência normal: são os trabalhos dirigidos por tal paradigma . leis e técnicas de aplicação . se esses tipos de dificuldades se mostrarem aparentemente insuperáveis e saírem do controle. que demonstre superioridade segundo os méritos científicos. até que também sejam encontrados problemas sérios e que tenham como resultado outra revolução científica. culminando na aceitação do novo.onde os cientistas normais desenvolverão o paradigma na tentativa de explicar aspectos proeminentes através de resultados de experiências. mas para nível de entendimento: Figura 1: Organograma da teoria de progressão da ciência de Kuhn. com novas maneiras-padrão de aplicação de leis fundamentais em uma nova variedade de tipos de situação. visivelmente promissor. padrões. Nova ciência normal: esta é orientada pelo paradigma rival. Crise-revolução: ao passarem pelas citadas experiências. até que o paradigma problemático seja abandonado pela comunidade científica. obterão dificuldades e toparão com falsificações. Para uma melhor explanação. não por ela ser simplista. Nova crise: a nova ciência normal perdurará.
abril 2010). não como meramente uma descrição do trabalho do cientista.Nosso autor. Já o relativista nega a existência de um modelo de racionalidade universal não-histórico.H & R. p. revolução. passando por Lakatos e Popper. o racionalista afirma que o critério que se deve seguir é a universalidade e o caráter não-histórico da teoria. nos encaminhará ao melhor compreensão quando forem confrontados esses ideais posteriormente.” (definição de T. Neste caso. ele escolherá a que melhor corresponder a esse critério.H. Science and Limnology. comecemos com o esboço do que são racionalismo e relativismo. as teorias científicas devem ser capazes de ser avaliadas em termos do critério universal e no caso de escolher entre duas teorias rivais. Kuhn. ciência normal. pois inclui a explicação da função de seus vários elementos. Nos mostra ainda como Kuhn define seu relato. para estes. 6 “a pseudociência é algo que pretende ser ciência. Ecology Institute. Peters.” (CHALMERS. Os que seguem a corrente racionalista dizem ser fácil distinguir a ciência da não-ciência. sendo exaltadas aquelas relacionadas com a verdade e a racionalidade. ou seja. mas que a comunidade científica estabelecida não aceita como tal. A definição de cada funcionalidade . IX – Racionalismo versus Relativismo Para poder conflitar os pontos de vista em relação às questões de avaliação dos méritos de teorias rivais e diferenciar as ciências das não-ciências. nos oferece uma explanação sobre esse modo de “fazer” ciência e como esta conflita com o que ele chama de não-ciência (ou pseudociência6). Melo (Ecologia UFG.como paradigma. 140). que também construíram análises à esse respeito. mas como uma teoria da ciência. etc. ainda envergado na teoria de Kuhn. Como um indutivista tem o critério de avaliação baseado no grau de indução que sua teoria recebe dos fatos e o falsificacionista se baseia no grau de falsificabilidade de teorias não falsificadas. para estes. Alemanha) Tradução por Adriano S. “O objetivo da busca do conhecimento dependerá do que é importante ou daquilo que é valorizado pelo indivíduo ou comunidade em questão. o status da teoria será guiada dependendo do valor atribuído pelo indivíduo ou pela comunidade. a relação de ciência e não-ciência para o relativista torna-se menos considerável do que para o racionalista. 1995. . F. descritas acima. Cap. retirado do artigo de Rigler. 1993.
No caso de Thomas Kuhn. ao fundamentar-se em seus escritos. Para Lakatos. Esses critérios.. encontrado no livro de T. p. mas supõe que o seja. mensura em sua obra critérios que podem ser usados para avaliar se uma teoria é melhor que a sua concorrente. eds. p. In CHALMERS. mas sugere que procurem. 1970). São esses critérios: previsão de ocorrências (principalmente as quantitativas). por Lakatos. 93)7 afirma que o importante são “os valores intelectuais centrais”. apesar de usarem uma metodologia onde se adotam programas progressivos e abandonam os degenerescentes. Musgrave. número de problemas solucionados. Porém. a saber. S. reabilitar um programa desses. Chicago: University of Chicago Press. Feyerabend. além de agregar valor junto a comunidade científica. Criticism and the Growth of Knowledge (Cambridge: Cambridge University Press. ibidem. Segundo alguns comentários de Kuhn. . 1993. depende da concordância ou não com seu relato oferecido na Estrutura das Revoluções Científicas9. 142.Chalmers aponta Lakatos como possível racionalista. o critério universal para avaliação de teorias científicas parte do preceito que "a metodologia dos programas de pesquisa científica é mais adequada para a aproximação da verdade em nosso universo real que qualquer outra metodologia" (8). Lakatos e A. Kuhn não argumenta que a ciência é superior a outros campos de indagação. p. mesmo ele negando ser um relativista. 7 Citação encontrada em: I. 1974). um campo de estudo para ser considerado ou não uma ciência. Kuhn (The Sttructure of Scientific Revolutions. simplicidade. 141. escopo e compatibilidade com outras especialidades. ele nega que ela possa progredir em direção a uma verdade bem definida. assegurando que a ciência progride em algum sentido. Mas ele chega a adiantar o principal ideal da diferenciação ser a extensão de sustentabilidade da tradição científica normal. E mesmo sendo criticado por Popper (por causa da evidência excessiva ao papel da crítica na ciência). 8 Idem. entre outros. equilíbrio entre assuntos. 9 Relato esse. apontando que o mesmo tome uma posição adversa ao que ele chamou de relativismo (versão qual atribuída a Kuhn) e defende posições semelhantes ao que ele chamou de racionalismo. Para ele. ele não fornece conselhos aos cientistas de como devam proceder. ajudam a especificar se os meios empregados nesses méritos são de caráter psicológico ou sociológico. onde o próprio Lakatos (1974. sempre que possível. Alguns dos comentários de Lakatos citados no texto sugerem orientação na escolha de teorias através da eliminação de programas de pesquisa e opondo-se à poluição intelectual.
como a previsão de algum novo tipo de fenômeno ou alguma discordância de ideias inesperada com outras áreas. Ele enfatiza que “o conhecimento é tratado como algo exterior. Um ponto forte do trato objetivista são as consequências que podem ter ao se conflitar os proponentes originais. que: Uma ciência. X – Objetivismo Para apresentar uma noção de objetivismo.] Como disse J. e é obtido do trabalho de muitos artífices em sua interação muito especial com o mundo da natureza”. veremos como Chalmers cita. [. às mentes ou cérebros dos indivíduos” (CHALMERS.. (10) A ciência. p. o ponto de vista objetivista dá preferência ao confronto do conhecimento entre o indivíduo e o corpo de conhecimento do objeto de estudo. 10 CHALMERS. independente da crença do indivíduo. o individualismo. Ravetz. por si só. entrando assim no que o autor chamou de “regresso infinito”. Esses acontecimentos todos podem ocorrer como um leque de propriedades a serem investigadas como forma de ciência adicional. e essa experiência envolve uma influência planejada na natureza. R. Algum experimentador. algo que ele possa propor baseado no que guarda em seu cérebro. (RAVETZ. Se tomarmos esses pressupostos objetivistas para tentarmos articular a ciência como uma prática social. 155) e que as proposições devam possuir propriedades objetivas. 159.Cap. “o conhecimento científico é realizado por um esforço social complexo. individualmente de início. em algum estágio de seu desenvolvimento. Diferentemente. envolverá um conjunto de técnicas para articular. Scientific Knowledge and its Social Problems (Oxford: Oxford University Press. implica em experiências. 1971). orientada pelas teorias. R. O ponto de vista individualista destacado por ele revela que o conhecimento deve ser entendido como um conjunto de crenças especiais residentes na mente do indivíduo. Citação de J. Ravetz. onde alguma informação que deva ser validada deva recorrer então a outras justificativas anteriores para dar base à justificativa seguinte. 1971. antes que interior. p. no que tange ao status de alguma teoria ou programa de pesquisa.81) Uma caracterização completa da ciência incluiria a caracterização das habilidades e técnicas que ela implica. o literato primeiramente ressalta o que ele considera seu oposto. 1993. 1993. .. o que nos leva a uma singela conclusão de que a posição objetivista defende que as teorias devem ser expressas claramente em conjecturas verbais ou lógicas. p. aplicar e testar as teorias das quais é formada.
enfim estará aberto à adequação num domínio mais vasto. é chegada a hora em que o escritor confrontará algumas de suas ideias com a de outros estudiosos e cientistas. A começar por Lakatos e sua metodologia dos programas de pesquisas científica. procurando aproveitar todas as oportunidades para não fracassar por algum motivo. a qual o autor cita ter limitações e sugere mesmo uma fraqueza nessa teoria. Se a estrutura social da ciência for aceita pelos periódicos e seus resultados ainda resistirem e forem publicados. dentre outras). interpreta que esse “relato de mudança de teoria não dependa das . para que sua fertilidade possa aumentar. Lakatos (que apoiara e tentara aprimorar os ideais objetivistas de Popper) e Marx (que já assinalara características objetivistas em suas obras). na sua tentativa de proteger seu relato objetivista da mudança de teoria na física para a progressão da teoria. por exemplo. Chalmers então começa a supor. que haja o desenvolvimento de um programa de pesquisa e que haja aproveitamento por um grupo de cientistas. além de ainda defender o relato de qualquer mudança na teoria depender da comunidade científica. ele menciona Popper (que aponta ser o propagador principal). XI – Um relato objetivista das mudanças teo ricas na Física Depois de se fundamentar inúmeras vezes com exemplos da física (principalmente newtoniana. como um cientista deve se comportar na sociedade em que se pratica a física. Após se embasar em citações de autores para reafirma o entendimento do autor da obra sobre objetivismo. O estudioso. Cap. Também não era seu objetivo dar conselhos aos cientistas. esse programa ainda deverá ter sucesso em previsões e possuir um núcleo irredutível coerente. que esse hipotético programa obtenha um alto gral de fertilidade para sobrepujar algum eventual concorrente com grau de fertilidade menor. Ao tempo que Lakatos prega a metodologia de concepção de um núcleo irredutível para uma teoria e usar da heurística positiva (aquela que oferece uma visão geral do programa de pesquisa e como suplementá-lo). Os resultados devem ser capazes de resistir a outros procedimentos e testes adicionais administrados por colegas de trabalho. Ele supõe que haja situações de análise objetivista para criação de técnicas teóricas ou experimentos.utilizará do aparato profissional para realizar experiências. o mesmo admite o abismo temporal que separa sua metodologia da dos pais da física. em generalização.
dada uma situação. 1993. mas que pode brotar como uma possível forma de mudança. 173) e sugere que. apoiando que todas as metodologias possuem limitações e que o único princípio a ser seguido é o “vale-tudo”11. Para ele. 176) 11 Expressão utilizada por Paul Feyerabend em seu artigo “Outtine of na Anarchistic Theory of Knowledge” In Against Method (Londres: New Left Books. p. o caso da suposição sociológica nunca será preenchido de modo completo. rejeitar a teoria B ou preferira teoria A à teoria B. e argumenta. aos exemplos encontrados na história da física. as oportunidades objetivas de um programa da física devem ser aproveitadas. p. Não somente ele. (CHALMERS. não é razoável esperar unia metodologia que dita que. então me parece que a posição de Feyerabend é correta. essa incompatibilidade ele deve. principalmente. por haver a distinção ao encarar o progresso da física a curto ou a longo prazo. XII – A teoria anarquista do conhecimento de Feyerabend Para este capítulo. Este defende que a maioria das metodologias aplicadas na ciência fracassou em fornecer regras apropriadas na orientação das atividades dos cientistas. Feyerabend considera inadmissível esperar que a ciência seja explicada com base em algumas simples regras metodológicas. que acontece de forma primal.” (CHALMERS. 1975) . contra o indutivismo e o falsificacionismo. um cientista deve adotar a teoria A. Ele ainda procura diferenciar esse relato de mudança de teoria do problema da escolha da teoria. Alan Chalmers separa as características-chave da posição de Paul Feyerabend a respeito da avaliação do status e da natureza da ciência. mas diversos estudiosos se opõem a validação de uma regra universal. Cap. Todavia. não tão somente. Dada a complexidade de qualquer situação realista dentro da ciência e a impossibilidade de previsão do futuro naquilo que se refere ao desenvolvimento da ciência. reconhecendo que a ciência progride por si só.decisões metodológicas dos cientistas. o mesmo ainda afirma a possibilidade de adaptar a escala temporal de acordo com seu relato objetivista para distinguir o prazo curto do longo. 1993. E Chalmers ressalta esse ideal quando explica que: Se as metodologias da ciência forem compreendidas em termos de regras para a orientação das escolhas e das decisões dos cientistas.
ele se firma num termo que chamará de realismo. Contudo. ainda é válido ressalvar que o vale-tudo na ciência exige conhecimento aprofundado da teoria que se estuda. partindo da sua tese de incomensurabilidade. apenas aceita o valer tudo no que diz respeito aos métodos para se chegar aos resultados esperados. tornando impossível comparar logicamente tais teorias e suas possíveis deduções. Isso acontece quando duas teorias rivais não compartilham interpretações de conceitos. Instrumentalismo e Verdade Nesse penúltimo capítulo. ao passo que ele encoraja os indivíduos a terem a liberdade de escolherem entre a ciência e outras formas de conhecimento. por exemplo. isso não quer dizer que elas não possam ser categoricamente comparadas. nosso autor tenta enxugar suas ideias e levantar premissas conclusivas a respeito de como as teorias científicas se comportam e como aplica-las em um mundo inflexível. onde cada indivíduo é livre e possui liberdade de decisão. se suas aproximações são ousadas ou sólidas. Já ao se aproximar dos ideais de Kuhn. Outra perspectiva que podemos realçar sobre Feyerabend tem a ver com seu ponto de vista de que a ciência (inclusive a física) não é superior a outras áreas de conhecimento. pois a metodologia desse último não fornece padrões para a teoria ou escolha de programas. pois ele aumenta a liberdade do pesquisador. sendo que não há argumento decisivo da ciência sobre outras formas de conhecimento não comensuráveis a ela. já que se pode comparar situações em que cada teoria é compatível em seus próprios termos ou considerando-as como lineares ou não-lineares. Feyerabend conceitua a incomensurabilidade como componente importante na análise da ciência. Feyerabend é a favor do que ele mesmo chama de “atitude humanitária”. Mesmo assim. se alguma “teoria que descreve corretamente algum aspecto do mundo e seu modo de comportamento é verdadeira. coerentes ou incoerentes. . Para descrever e corroborar uma resposta. XIII – Realismo. chegando às vezes a serem radicalmente contrárias em questões de princípios fundamentais. encorajando-o a se sobrepor frente às restrições dos métodos.É essa anarquia contra os métodos que aproxima Feyerabend de Lakatos. pois este não aceita que haja predomínio da ciência. etc. E como Feyerabend argumenta contra o método notoriamente. Cap. para caracterizar posições que adotam a noção de verdade. Essa atitude fortalece ainda mais a posição deste estudioso como anarquista da ciência. ou mesmo proposições.
“em que possamos nos referir tanto às sentenças da linguagem objeto e aos fatos com que se tenciona que aquelas sentenças da linguagem objeto correspondam. O instrumento é o aparato que possivelmente seja verdade.ao passo que uma teoria que descreve algum aspecto do mundo e seu modo de comportamento de forma incorreta é falsa. ao interpretar a ciência como uma busca da verdade. p. (Dicionário Mini Aurélio . 1993. porém de forma mais restrita. Ele sugere.” (CHALMERS. oferecendo uma distinção clara entre conceitos teóricos e situações aplicáveis. dependendo do tipo de linguagem que for utilizada. Em termos gerais. para corresponder inclusive com as exigências realistas. para que não haja tendência ao erro. Entretanto. ou seja. segundo Chalmers. pois a facilidade do seu uso pode levar a paradoxos12 e até mesmo a contradições. 190). No caso de estarmos analisando duas teorias concorrentes. o que ele chamava de verossimilhança. podemos afirmar que uma sentença é verdadeira se corresponder aos fatos. é a metalinguagem. O instrumentalismo também se apoia na noção de verdade. se as coisas forem como a sentença diz. que a linguagem ideal para se referir à verdade em relação às sentenças. pois o instrumentalista deve admitir que existam coisas no mundo além das observáveis. É essa descrição que nos faz perceber cada vez mais a aproximação da descrição de um fato com o que realmente ele é no mundo. . 1993. para Popper: a que se alavancar mais próxima da verdade é a que deve ser aclamada. A noção de verdade que o autor quer transmitir. 196). Parece logicamente fácil aclamar a verdade.Versão eletrônica). É nessa aproximação que Popper teve sucesso. Já o instrumentalismo é um ponto de vista alternativo para descrever teorias como instrumentos projetados para relacionar um conjunto de elementos observáveis com outros. o escritor salienta que há dificuldades em trabalhar com a verdade.” (CHALMERS. depende da correspondência. temos que prestar atenção nas referências das sentenças aos fatos. p. dado a existência de formulações alternativas que implicam na diferenciação da teoria original. 12 Conceito que é ou parece contrário ao senso comum. Ao encabeçarmos na teoria de correspondência da verdade. mencionando Alfred Tarski. Chalmers apresenta mais uma vez a física como instrumento nítido de exemplificação para este fato específico.
O autor beira a conclusão do livro fazendo um retrospecto da cada cadeia de ideias descritas em sua obra. evitando assim dificuldades ocasionadas pelas posições típicas do realismo. Ele afirma ter esse realismo dois sentidos: o primeiro envolve a interpretação de o mundo físico ser o que é. enfatiza seu ponto com uma nova pergunta: “por que se incomodar em executar investigações usando o que foi descrito em seu livro?”. mas advertem que não se pode encarar ciência como único campo de conhecimento. na medida em que a substancialidade da pergunta. são aplicáveis dentro e fora de circunstâncias experimentais. já é fator evidente e incontestável. geralmente empregados de forma dúbia. Ao afirmar que não podemos criticar as áreas de conhecimento. O realista não-representativo realiza suas suposições rejeitando a verdade como correspondência dos fatos. XIV – O Realismo na o-representativo O realismo não-representativo defendido por Chalmers se caracteriza nos limites de aplicabilidade de uma teoria no mundo físico atual. afinal?”. 1993.” (CHALMERS. o mesmo admite a não existência de um conceito atemporal e universal de ciência ou do método científico. As generalizações universais em torno desta indagação não a explicam. O estudioso rebate a própria pergunta quando. Todavia. O realismo não-representativo ainda se difere do realismo no que diz respeito ao fato de suas teorias serem produtos sociais sujeitos à mudanças radicais.+ Não se segue disso que nenhuma área do conhecimento possa ser criticada. à medida que teorias são aplicadas ao mundo.. p. Pelo seu próprio ponto de vista. Alan Chalmers enfim aceita que esse seu questionamento é presunçoso e arrogante. por si só. ressalta que podemos sim criticar seus objetos e métodos. confrontando-as com meios alternativos e/ou superiores para atingirmos os mesmos objetivos. independente do que o indivíduo ou grupos de indivíduas pensem dele.Cap. antes de finalizar. . afirma que o ponto-alto do seu livro é acabar com o uso ilegítimo dos conceitos de ciência e de verdade. ao ressaltar sua investigação. pois como ele mesmo ressalta “Cada área do conhecimento pode ser analisada por aquilo que é *. num determinado grau de aproximação e variedade de ocorrências mais amplas.. Ao plicar o realismo não-representativo para tentar divagar sobre como responder à questão-chave do livro “o que é ciência. 212). O segundo sentido afirma ser essa teoria realista por envolver suposições de que.