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CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS DA UFF

ÍNDICE DE SESSÕES
ÍNDICE DE SESSÕES
CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS
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https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&ved=0ahUKEwiX6IOp5

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CCAADDEERRNNOO DDEE RREESSUUMMOOSS LLIITTEERRAATTUURRAA

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

2016

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ÍNDICE DE SESSÕES
ÍNDICE DE SESSÕES

ÍÍNNDDIICCEE DDEE SSEESSSSÕÕEESS

 

Índice de Sessões

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Sessão

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Sessão

8

Sessão

13

Sessão

18

Sessão

23

Sessão

28

Sessão

33

Sessão

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Sessão

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Sessão

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Sessão

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53

Sessão

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58

Sessão

13 ...............................................................................................................................................

63

Sessão

14 ...............................................................................................................................................

68

Sessão

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73

Sessão

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Sessão

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83

Sessão

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88

Sessão

19 ...............................................................................................................................................

93

Sessão

20 ...............................................................................................................................................

98

Sessão

21 .............................................................................................................................................

103

Sessão

22 .............................................................................................................................................

108

Sessão

23 .............................................................................................................................................

113

Sessão

24 .............................................................................................................................................

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Sessão

25 .............................................................................................................................................

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SESSÃO 1
SESSÃO 1

SSEESSSSÃÃOO 11

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Anita Moraes Debatedora: Prof.ª Dr.ª Maria José Lemos 28/09 às 14h00 Sala 203B

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SESSÃO 1
SESSÃO 1

IDENTIDADES HÍBRIDAS E FORMAS DE OLHARES NAS VOZES DE BERKELY

Ana

Fátima

Gonçalves

Marinho

é

estudante

de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

 

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela Prof.ª Dr.ª Renata Flávia da Silva.

Ana Fátima Gonçalves Marinho

ana.fatima1973@gmail.com

Através da análise crítica da novela: O terrorista de Berkeley, Califórnia, de Artur Carlos Pestana dos Santos, Publicado em 2007, percebe-se como as formas de representação de poder movimentam o texto em seus aspectos ideológicos e políticos. Articular o tema do poder é algo recorrente na escritura de Pepetela. Diariamente assistimos nas redes sociais a uma série de acontecimentos violentos e que chocam as pessoas que procuram conviver harmoniosamente. A leitura dessa romance causa perplexidade em vista da violência e da arbitrariedade cometida por Steve Watson – personagem principal – chefe do grupo especial de combate ao terrorismo para a Região de San Francisco – assassina Larry – personagem principal, estudante de Mestrado da Universidade de Berkeley – sem investigar criteriosamente a responsabilidade desse possível terrorista. Não há a preocupação em saber qual a identidade desse outro e se a intenção é de destruir a Golden Gate e outros ícones norte-americanos. De forma análoga, é a atitude tomada pelo reitor de Berkeley que não se preocupa em defender o estudante quando comprovado que os e-mails são enviados dos computadores da Cal. Pois, para o reitor, o mais importante era mais uns anos de carreira. Nessa perspectiva está o pensamento colonizador: destruir o outro sem conhecer a sua história e perpetuar o discurso dominante. Assim, é o pensamento do “novo colonizador” – Os Estados Unidos da América. Para analisarmos a crítica acontece, teremos como norteadores os Estudos de Gayatri Chakravorty Spivak, Tzvetan Todorov, Bakhtin, Linda Hutcheon.

Palavras-Chave: hegemonia; subalternidade; ironia; polifonia.

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SESSÃO 1
SESSÃO 1

A RELAÇÃO SUL-SUL EM PERSPECTIVA COMPARADA: UM ESTUDO DA NARRATIVA NOS ROMANCES NOVE NOITES E OS PAPÉIS DO INGLÊS

Juliana Campos Alvernaz é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Anita Martins Rodrigues de Moraes.

Juliana Campos Alvernaz jcalvernaz@id.uff.br

A presente comunicação visa analisar a obra Os papéis do inglês (2000) – primeiro volume da trilogia Os filhos de Próspero, composta também por As paisagens propícias (2005) e A terceira metade (2009) – do escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho (1941 -2010), em comparação com o romance Nove noites (2002), do brasileiro Bernardo Carvalho (1960). A partir dos pressupostos teóricos dos estudos de literatura comparada os quais instauram pontos de contato com a geopolítica do saber e da cultura, apresentada no estudo de Alfredo Cesar Melo (2013), será investigado de que forma as duas obras escolhidas, comparativamente, apresentam aspectos narrativos convergentes para refletir sobre a relação sul-sul – sul da África e sul da América. Tal relação será pensada no âmbito do romance, entendendo-o como um gênero atravessado, e da situação de escrita. Dessa forma, será dado destaque ao processo de composição narrativa em ambas as obras, bem como os efeitos de realidade os quais desembocariam na “escrita de si”, com base nos conceitos de Diana Kingler (2012) e Silviano Santiago (2011). Por meio dos narradores, será refletido, também, o caráter de metaficcional das duas obras, visto que as narrativas estão permeadas de encenações da própria escrita.

Palavras-Chave: romance; escritas de si; relação sul-sul; Ruy Duarte de Carvalho; Bernardo Carvalho ..

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SESSÃO 1
SESSÃO 1

O LEGADO DOS MAU-TEMPO: HOMENS E MULHERES LEVANTADOS DO CHÃO

Juliana Garcia Santos da Silva é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pelo Prof. Dr. José Luís Jobim.

Juliana Garcia Santos da Silva juligarciass@hotmail.com

O trabalho proposto pretende explorar o modo como José Saramago, em Levantado do chão (1980), configura as personagens que constituem o núcleo da família Mau-Tempo e atribui significado às mesmas na medida em que as concede voz, transformando-as em indivíduos agentes de sua história, num processo gradativo de reconhecimento de sua humanidade e do papel que exercem em sociedade. Por assim dizer, objetiva-se repercutir o caráter representativo de homens e mulheres diegéticos que, em dada circunstância, são modificados pela tomada de consciência que os ergue do chão da opressão, da condição alienante e vexatória proveniente de relações trabalhistas precárias, a contrapelo de uma ordem que tende a asfixiá-las. Tal abordagem vai ao encontro de um projeto maior, que visa à discussão da competência transgressora e revolucionária do romance em questão, em relação à elaboração de um discurso contrário aos princípios (pré-)capitalistas, e a um padrão pré-estabelecido de escrita. Em prol de cumprir com o sugerido, conta- se, pois, com as contribuições de Friedrich Angels e suas perspectivas acerca da família, da propriedade e do estado; de Eric Hobsbawm, a propósito do mundo e da mentalidade burguesa; de Augusto Santos Silva, por relevar o caráter político empenhado por Saramago; e de Antonio Candido no que diz respeito ao estudo em torno da personagem do Romance ..

Palavras-Chave: Personagens; indivíduos agentes; caráter representativo; competência transgressora e revolucionária ..

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SESSÃO 1
SESSÃO 1

DILEMAS DA MODERNIDADE EM VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ

Marina Brito de Mello é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. André Dias.

Marina Brito de Mello

marinabmello16@gmail.com

O presente estudo tem como objetivo analisar a obra Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto. A referida análise expõe como o autor permite aos leitores observarem no romance a existência de uma cidade multifacetada, onde os marginalizados são o contraponto da tônica dominante da época. Interessa também observar como o discurso da modernidade foi visto por Lima Barreto a partir de temas que deixavam transparecer em sua literatura críticas sobre a reconstrução e reconfiguração da cidade do Rio de Janeiro. Lima Barreto, através de suas personagens, expõe o processo de transformação da cidade e seus efeitos sobre as classes menos favorecidas. Dentro de um panorama de época e fazendo menção à política, vemos que a reurbanização era necessária segundo aqueles que governavam a cidade, objetivando, com isso, a transformação da cidade em cartão-postal, uma vez que tentava-se instaurar moldes europeus. Entretanto, as camadas populares foram excluídas de toda essa nova visão social, o que acabou por acarretar não só o luxo e o bem-estar da burguesia, mas também a segregação social, a miséria e a marginalização daqueles que não tiveram a oportunidade de compartilhar suas tradições. É através da voz de personagens como Augusto Machado e Gonzaga de Sá que Lima Barreto expressará sua crítica em relação a essas modificações pelas quais passava a cidade. A partir desse contexto social e cultural, procuraremos analisar e investigar como o nosso autor se lançará, em desvio, e começará a “tecer” outra forma de narrativa, dando ênfase à sua percepção contraditória em relação aos grandes acontecimentos de seu tempo.

Palavras-Chave: Lima Barreto; Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá; modernidade; Rio de Janeiro.

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SESSÃO 2
SESSÃO 2

SSEESSSSÃÃOO 22

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Stefania Chiarelli Debatedor: Prof. Dr. Paulo Tonani do Patrocínio 28/09 às 09h00 Sala 212C

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SESSÃO 2
SESSÃO 2

ANTROPOLOGIA LITERÁRIA: POESIA COMO PLANO DE CONHECIMENTO

Fernando Miranda

é

estudante de doutorado em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa

“Literatura,

Intermidialidade

 

e

Tradução”, sendo orientado

pelo

Prof.

Dr. Johannes

Kretschmer.

 

Fernando Miranda fernandogalo@hotmail.com

A tese de doutorado “Poética da distância: corpo e memória na obra lírica de Hilde Domin e Jorge de Sena”, que desenvolvo desde 2014, tem como um de seus marcos teóricos a antropologia literária, na sua vertente alemã. Antropologia, aqui, não deve ser entendida como etnologia, o que seria o caso da tradição em língua portuguesa, mas sim como “ciência sobre o homem”. Tradição oriunda do século XVIII, as considerações dela em que me apoio são as já abordadas por teóricos atuais, como Alexandre Kosenina, Karl Eibl e, principalmente, Wolfgang Riedel, em cujo livro, Nach der Achsendrehung – literarische Anthropologie im 20. Jahrhundert (Após a rotação axial – antropologia literária no século XX; 2014), se encontra a expressão “Literatur als Wissen” (literatura como conhecimento/saber), que ponho a par com a questão do plano de conhecimento poético, ou seja, como um quarto plano de conhecimento do homem, ao lado do plano ordinário, científico e transcendental-filosófico. Esta tripartição clássica da antropologia filosófica, se encontra bem sistematizada no volume dois de Antropologia Filosófica (1992), de Henrique C. de Lima Vaz. Na seguinte apresentação, pretendo expor alguns dos problemas centrais da antropologia literária, sobretudo os relevantes para o trabalho de doutorado em questão, relativos aos aspectos da “distância”, da “encenação” e da “(auto)biografia”. Para evitar uma exaustiva exposição teórica, trabalharei a partir do poema “A morte, o espaço, a eternidade”, de Jorge de Sena.

Palavras-Chave: antropologia literária; Hilde Domin; Jorge de Sena.

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SESSÃO 2
SESSÃO 2

ENTRELAÇAMENTOS IDENTITÁRIOS E CULTURAIS: UM DIÁLOGO ENTRE DARCY RIBEIRO E MILTON HATOUM

Liozina Kauana de Carvalho

Penalva

é

estudante de

doutorado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Eurídice

Figueredo.

 

Liozina Kauana de Carvalho Penalva kauanapenalva@gmail.com

O presente estudo propõe refletir sobre processos culturais e identitários a partir da leitura de Relato de um certo Oriente (1989), de Milton Hatoum, e de Maíra (1976), de Darcy Ribeiro. Esses dois escritores aproximam-se por possuírem pensamentos afinados com questões sociais e políticas e utilizam-se da literatura para fazer ouvir silêncios e, principalmente, valorizar a diferença. Em Maíra, por exemplo, vemos surgir as inquietações e a dor de um índio chamado Avá, pois este saiu de sua aldeia ainda criança para se tornar sacerdote em Roma e ao retornar enfrenta um forte estranhamento dos outros e também de si mesmo, já que não se considera mais índio e também não é branco. Em Relato de Um Certo Oriente, por sua vez, Hatoum desloca uma família libanesa para o Brasil e desenvolve a temática numa cidade amazônica marcada pelo hibridismo cultural e atravessada por ideias de fronteira e trânsito, entrelaçando sabores, cheiros, cores, crenças e memórias. A ideia dessa pesquisa é, portanto, analisar o comportamento e as relações culturais entre os personagens dessas obras, situados não mais em um local de fixidez e essencialidade, mas em um espaço intervalar, o entre-lugar. Essa discussão contribui substancialmente para a eliminação de estereótipos; a desestabilização de uma hierarquia de valores e o alargamento do conceito de fronteira. Para fundamentar a pesquisa utilizaremos contribuições teóricas da crítica cultural como: Homi K. Bhabha, Silviano Santiago, Julia Kristeva e Edouard Glissant. Essa proposta vai de encontro à homogeneização da cultura, quebrando a ilusão da transparência e da unicidade, questionando e desestabilizando certezas do discurso hegemônico e, assim, ajudando a construir um discurso marcado pelas diferenças e tensões.

Palavras-Chave: cultura; estranhamento; entre-lugar; identidade.

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SESSÃO 2
SESSÃO 2

A NARRATIVA TRANSCULTURADA DE MILTON HATOUM: UMA LEITURA DE RELATO DE UM CERTO ORIENTE

Lorena de Carvalho Penalva é estudante de doutorado

em

Estudos de Literatura.

Seu trabalho

se filia à

Linha

de

Pesquisa “Literatura,

História

e

Cultura”,

sendo

orientada pelo Prof. Dr. Arnaldo Vianna.

Lorena de Carvalho Penalva lorena_penalva@hotmail.com

O presente artigo analisa o romance Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum, a partir de uma reflexão identitária e cultural da narrativa, tendo como eixo teórico o conceito de transculturação narrativa, de Angel Rama. O objetivo é observar a escrita do autor manauara enquanto uma estratégia política e discursiva de enfrentamento ao discurso eurocêntrico e/ou como um projeto de descolonização cultural. O conceito de transculturação torna-se essencial, nesse sentido, por abranger as discussões em torno dos desajustes culturais na América Latina e dos processos conflituosos de sobreposição cultural. Diante disso, a nossa atenção se volta para os três princípios básicos de uma narrativa transculturada: o uso da língua, a estruturação literária e a cosmovisão. Nesse romance de Hatoum temos a presença de sujeitos que estão em conexão e disjunção consigo mesmos e com o espaço que estão inseridos, possibilitando-nos pensar na condição do Um e do Outro não como uma redução histórica - que se efetiva sob efeito da homogeneização cultural - mas como sujeitos híbridos que vivem em tensão com a alteridade. Essa proposta acaba por suscitar uma reflexão sobre a posição do escritor latino americano na contemporaneidade, tendo em vista a consciência de que as narrativas são construídas a partir do olhar e do diálogo com a alteridade.

Palavras-Chave: transculturação; identificação; Milton Hatoum; cultura.

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SESSÃO 2
SESSÃO 2

O LUGAR DO NACIONAL NAS NARRATIVAS DE DESLOCAMENTO: AZUL- CORVO E TERRA ESTRANGEIRA

Luiza Puntar Muniz Barreto é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Stefania Chiarelli.

Luiza Puntar Muniz Barreto lupuntar@yahoo.com.br

Os avanços tecnológicos e a facilitação da comunicação proporcionados pela globalização têm operado importantes modificações na contemporaneidade: o mundo vem se tornado cada vez menor e suas fronteiras mais fluidas, bem como as identidades dos sujeitos e também as identidades nacionais. No cerne dessa teia de desconstruções, podemos destacar o fenômeno da migração, cuja ocorrência nesse início de século manifesta não só uma mudança na lógica do deslocamento de sujeitos em todo o mundo, como provoca uma importante ruptura nos esquemas identitários individuais e coletivos. Nas produções artísticas brasileiras contemporâneas, multiplicam-se narrativas de migração que, contrariando uma indiscutível tendência literária voltada para o nacional, conduzem personagens e enredos a terras estrangeiras, sem, no entanto, deixar de propor uma problematização da questão do nacional e do imaginário brasileiro em meio a esse cenário desterritorializante. É a partir da subjetividade de suas personagens migrantes que o romance Azul-corvo (2010), de Adriana Lisboa e o filme Terra estrangeira (1996), de Walter Salles dialogam com diferentes momentos da recente história do Brasil; constroem, em contraponto com os Estados Unidos e Portugal, distintas visões e expectativas para o nosso país e propõem uma nova maneira de pensar a identidade nacional e a subjetividade do próprio estrangeiro numa época de tamanha fluidez e descontinuidade.

Palavras-Chave:

deslocamento.

identidade

nacional;

imaginário

brasileiro;

migração;

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SESSÃO 3
SESSÃO 3

SSEESSSSÃÃOO 33

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Renata Flávia Debatedora: Prof.ª Dr.ª Maria Geralda de Miranda 28/09 às 14h00 Sala 205B

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SESSÃO 3
SESSÃO 3

HAVERÁ UMA LITERATURA FEMININA?

Ana Beatriz Affonso Penna é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Ida Alves.

Ana Beatriz Affonso Penna anabeatriz.a.penna@gmail.com

O presente simpósio tenciona tratar do problema do discurso feminino em literatura. Para esse fim, faz um levante crítico das distintas noções do feminino através de diferentes correntes do feminismo a fim de pensar a validade desse termo nas práticas discursivas do literário.

Palavras-Chave: feminino; feminismos; agenciamento; literatura.

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SESSÃO 3
SESSÃO 3

OS SENTIDOS DO CUIDADO NAS EXPERIÊNCIAS DAS MÃES EM AMADA E EL CUARTO MUNDO

Grazielle Costa é estudante de doutorado em Estudos de

Literatura. Seu trabalho

se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Livia Reis.

Grazielle Costa graziellecosta@yahoo.com.br

O trabalho tem por objetivo construir uma leitura comparativa de Amada, de Toni Morrison, e de El Cuarto Mundo, de Diamela Eltit, desde a perspectiva do cuidado materno. A partir das premissas teóricas desenvolvidas por Carol Gilligan e Nancy Chodorow sobre a diferença feminina, percorremos o texto de Morrison e Eltit em busca de fragmentos da voz crítica da mãe em um contexto de precariedade social. Propomos, desse modo, apresentar o nosso ponto de vista na interseção entre as narrativas literárias e os aportes teóricos do cuidado, problematizando os sentidos atribuídos à maternidade nos discursos da política moderna e da psicanálise. Os romances, formalmente distintos, convergem na crítica à voz hegemônica final. masculina que, tanto no centro quanto na periferia das grandes narrativas modernas, silenciou-se sobre a dor e o gozo da mãe. A outra voz, perturbada e perturbadora, irrompe, com poesia e melancolia, as narrativas de Toni Morrison (sobre a mãe negra com “amor grosso demais”) e de Diamela Eltit (acerca da perversão da raça “sudaca” na violação do corpo da mãe). Parte do segundo capítulo da tese em construção, o texto dialoga, em um tom de enfrentamento, com os discursos do contrato social e da psicanálise revisados no primeiro capítulo. Conclui a etapa de construção das referências teóricas da tese, realizando a transição para a análise do corpus literário do trabalho final.

Palavras-Chave: cuidado; maternidade; Tony Morrison; Diamela Eltit.

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SESSÃO 3
SESSÃO 3

AS REPRESENTAÇÕES DA MULHER GUINEENSE NAS OBRAS ETERNA PAIXÃO E A ÚLTIMA TRAGÉDIA, DE ABDULAI SILA

Luciene

Rocha

dos

Santos

Cruz

é

estudante de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

 

sendo

orientada

pela Prof.ª Dr.ª Renata Flavia da Silva.

Luciene Rocha dos Santos Cruz lucienerocha@ig.com.br

O presente projeto pretende detectar e analisar os aspectos da representação da mulher guineense, dentro de uma concepção africana contemporânea, observados através de duas obras do escritor guineense Abdulai Sila: Eterna Paixão (2002) e A Última Tragédia (2006). O motivo desse corpus literário ter sido escolhido está baseado no fato de que nesses romances é possível acompanhar registros de transformações que ocorreram na sociedade guineense na fase colonial e pós-colonial, sobressaltando a batalha da autoafirmação da mulher africana da Guiné-Bissau. Nota-se que as personagens femininas dessas obras se apresentam como africanas que não representam a imagem da mulher colonizada submissa e se negam a ser consideradas como objeto, ou seja, elas não são retratadas conforme os clichês que generalizam a imagem da mulher africana. Assim, como são vistas essas mulheres no meio em que vivem mediante suas condutas? As formas como são representadas socialmente seriam frutos de sua própria identidade ou será que a construção da identidade estaria sujeita aos paradigmas estabelecidos por uma sociedade masculina, patriarcal e colonizadora? O fato de se estar no período colonial ou no pós-colonial modificaria em que sentido o comportamento dessas mulheres e as formas como são representadas? Portanto, a pretensão é tentar responder as perguntas supracitadas, tentando estabelecer relações entre etnia/gênero/classe, aprofundando a reflexão a partir de textos críticos que destaquem principalmente a questão do pós- colonialismo, do feminismo, e da identidade. Como fundamentação teórica, esta pesquisa se baseará nos estudos de Augel (2007), no que refere ao contexto geográfico, histórico e social do país, como também sobre questões da nova literatura guineense. Bonnici (2005) e (2012) no que tange à questão do pós-colonialismo e da literatura. Sobre identidade, nos sustentaremos nos estudos de Hall (2001) e sobre o feminino, estaremos pautados nas análises de Butler (2008), de Haraway (2004) e de Spivak (2010).

Palavras-Chave: Literatura Guineense; representação da mulher; identidade; pós-colonialismo.

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SESSÃO 3
SESSÃO 3

IMAGENS FEMININAS NAS TELENOVELAS MEXICANAS: O CASO DE RUBÍ

Thais Maria Holanda Jerke Sevilla Palomares é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Livia Reis.

Thais Maria Holanda Jerke Sevilla Palomares thaisjerke@gmail.com

Abordar a questão do feminino é essencial nos estudos sobre telenovelas do ponto de vista literário, já que as mulheres são, além das principais espectadoras, geralmente, as protagonistas das tramas, nas quais costumam ser representadas através de estereótipos, comuns no melodrama desde suas origens. Barbero (1991) e Oroz (1992) explicam que a fisionomia muitas vezes corresponde ao tipo moral da personagem e seus valores, já que os gestos corporais são muito importantes na cultura popular como índice da atitude moral. Barbero (1991) expõe que um desses personagens clássicos do melodrama é a Vítima, heroína, virtuosa e inocente, quase sempre mulher. O heroísmo feminino está relacionado ao sofrimento e à paciência. Sua debilidade e necessidade de proteção despertam a sensibilidade do público e sua força causa admiração. Segundo Oroz (1992), há seis protótipos femininos básicos: a mãe, a irmã, a namorada, a esposa, a amada, e a má ou prostituta. As telenovelas mexicanas, como os melodramas de maneira geral, normalmente apresentam estereótipos femininos maniqueístas. A telenovela que enforcaremos, Rubí, traz uma personagem incomum, já que, além de ser protagonista, é vilã, e comete maldades para alcançar seu grande objetivo: a riqueza material. A personagem é uma femme fatale, mas, em alguns sentidos, mantém a moralidade e o romantismo de muitas mocinhas mexicanas. Esse deslocamento de papeis morais faz com que outras mulheres da trama apresentem comportamentos em contraposição aos de Rubí que se desviam dos estereótipos. Neste sentido, inclusive o final da trama rompe os padrões: a personagem que terá o final feliz típico das protagonistas de melodramas não será Rubí e sim sua melhor amiga a quem ela maltratou durante toda a história. Já Rubí, diferentemente do que usualmente ocorre às vilãs, apresenta uma possibilidade de vingança.

Palavras-Chave: imagens femininas; telenovela mexicana; melodrama; Rubí.

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CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS DA UFF

SESSÃO 4
SESSÃO 4

SSEESSSSÃÃOO 44

Coordenador: Prof. Dr. Julio Cesar Machado de Paula Debatedora: Prof.ª Dr.ª Mariana Custódio 28/09 às 14h00 Sala 207B

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SESSÃO 4
SESSÃO 4

LITERATURA MEDIEVAL E AMOR

Ariana dos Anjos Barbosa é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Arnaldo Vianna.

Ariana dos Anjos Barbosa arianaanjos@id.uff.br

A literatura é uma ótima ferramenta para entendermos a época na qual ela se insere. Com o apoio das obras francesas "La chanson de Roland" e "Tristan et Iseult", assim como de numerosos historiadores como Duby, Le Goff e Spina, abordaremos os sentimentos entendidos como nobres, sentimentos muito valorizados no período, contextualizando com as práticas, crenças e imaginário da época. O amor se expressa de diversas maneiras, pode ter diversos alvos e particularmente nas obras trabalhadas, são formas de amor assaz diferentes, portanto, apontaremos as particularidades desse sentimento em cada uma delas. Procuraremos evidenciar alguns costumes medievais, sobretudo no âmbito familiar e social, enfatizando a enorme influência da Igreja Católica em seu cotidiano. Estudaremos igualmente o imaginário popular Medieval e o imaginário que perdura sobre esse longo período atualmente, repleto de Reis, Rainhas, princesas, druidas que influenciam até hoje a literatura. Finalmente, analisaremos os personagens, quais sentimentos demonstram, quais são os alvos principais de sua devoção, qual papel de Deus, da mulher, da família, do Rei nessas obras representantes da literatura francesa medieval.

Palavras-Chave: Tristão; Isolda; Rolando; medieval; amor.

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SESSÃO 4
SESSÃO 4

O CORPO DE DEUS EM ESTADO CRÍTICO: UMA LEITURA DO CRISTIANISMO NA LÍRICA CAMONIANA E NOS POEMAS DE RUY BELO

Kigenes Simas Ramos é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pela Prof. Dr. Luis Maffei.

Kigenes Simas Ramos kigenes@gmail.com

O presente artigo é uma análise do modo como a hermenêutica histórica cristã e o modelo de corporeidade do cristianismo foram mobilizados na lírica de Camões e nos poemas de Ruy Belo. Nossa abordagem parte do problema da encarnação do cristo e do vínculo à ressureição enquanto elementos constitutivos da formulação cristã da temporalidade, tendo em vista a forma como Camões e Ruy Belo os pervertem em seus respectivos procedimentos poéticos. Acreditamos que o confronto dos dois poetas com estes aspectos do cristianismo produzem formas poéticas de grande potencial crítico.

Palavras-Chave: cristianismo; Camões; Ruy Belo; crise.

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SESSÃO 4
SESSÃO 4

DA ESTRANHA CONDIÇÃO PORTUGUESA EM VERSOS OU A MORTE IMPOSSÍVEL

Paulo Ricardo Braz de Sousa é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pelo Prof. Dr. Luis Maffei.

Paulo Ricardo Braz de Sousa brazpr@hotmail.com

No âmbito dos estudos em torno da questão da subjetividade na moderna poesia portuguesa, a imagem da morte – assim como suas variadas figurações – ocupa um lugar central de pensamento. É lugar comum da crítica literária reconhecer, na viragem do século XIX para o XX, um momento de crise para a poesia no que diz respeito à falência do regime mimético de representação, que, quanto à escrita do sujeito no corpo do texto, assume as inflexões da alteridade, da fragmentação, do espelhamento, etc. O ensaio “A morte do autor”, de Roland Barthes, por exemplo, é um marco da crítica no que tange à observância deste movimento de desautorização, mas o seu papel já canônico no meio dos estudos de literatura, enquanto esclareceu aspectos decisivos da modernidade poética de uma série de autores, turvou-nos a percepção acerca do que, em cultura portuguesa, há de particularíssimo e desviante em relação a esta perspectiva teórica. A formação do Estado português, assim como a sua incursão no mundo moderno, nos alvores do século XVI, ocorreram sob uma forma absolutamente tensa e distinta dos demais países do centro europeu. Entre o nascente expansionismo da nova burguesia mercantil e a conservadora invectiva católica da Contrarreforma, o modo de ser português forjou-se sob a égide da fratura ideológica, que, por sua vez, implicou em uma consequente fissura do eu. Em outras palavras, no momento em que o mundo ocidental preparava o terreno para a sua afirmação maior da subjetividade (no campo das ciências, das artes, da política), Portugal abortava tal experiência em vista da impossibilidade de uma autognose que já não surgisse como rompimento. Casos de trágica alterização como o de Sá de Miranda e Camões assinalam o que, séculos adiante, seria, para Pessanha, Pessoa, Sá-Carneiro, Herberto Helder, a radicalização de um movimento que se constitui menos como ruptura do que como continuação.

Palavras-Chave: poesia portuguesa; modernidade; morte do autor.

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SESSÃO 4
SESSÃO 4

FERNANDO PESSOA : RELAÇÕES ENTRE LITERATURA E OCULTISMO

Rogério Mathias Ribeiro é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira.

Rogério Mathias Ribeiro

roger7332@hotmail.com

Fernando Pessoa, poeta português, é considerado por muitos como o principal escritor em língua portuguesa do século XX, sendo referência incontestável para muitos outros escritores e estudiosos. Com vasta produção em poesia e prosa, sua escrita, apesar de tantos e variados estudos e pesquisas a respeito, ainda provoca discussões e reflexões. Alguns aspectos da obra pessoana já foram bastante explorados, como a questão da heteronímia, por exemplo, enquanto outros são menos discutidos relativamente, entre eles o tema do ocultismo. Na apresentação que estamos propondo temos a intenção de expor alguns dos aspectos abordados em nossa pesquisa sobre as relações entre Literatura e ocultismo na vida e obra do poeta português Fernando Pessoa, a saber: uma análise crítica da produção poética esotérica de Fernando Pessoa ortônimo, a partir de seu interesse pelos temas esotéricos e do ocultismo; discussão da influência desses domínios no âmbito de sua poesia, considerando uma ""filosofia ocultista""; investigação sobre as relações de Fernando Pessoa com a Maçonaria e outras ordens iniciáticas; demonstração do papel e da relevância das influências teosóficas e ocultistas na obra e no projeto poético pessoano; compreensão da estreita relação entre poesia e alquimia no âmbito da poética de Fernando Pessoa; leitura crítica da poesia esotérica do escritor baseada nos aspectos mencionados. Sendo assim, nossa análise do projeto poético pessoano considera fundamental a importância do ocultismo enquanto caminho alquímico do poeta para obtenção da mais alta poesia.

Palavras-Chave: Fernando Pessoa; poesia portuguesa; ocultismo; esoterismo.

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SESSÃO 5
SESSÃO 5

SSEESSSSÃÃOO 55

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Diana Klinger Debatedor: Prof. Dr. Antonio Andrade 28/09 às 14h00 Sala 212B

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SESSÃO 5
SESSÃO 5

OS SECUNDARISTAS E A (RE)SIGNIFICAÇÃO DO ENSINO DE LITERATURA:

Daniela Aguiar Barbosa é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Diana Klinger.

UM PERCURSO METODOLÓGICO

Daniela Aguiar Barbosa danielaaguiarbarbosa@yahoo.com.br

O presente trabalho tem por objetivo investigar a forma de recepção procurada por jovens discentes de escolas públicas de Ensino Médio, que possa provocá- los a encontros substanciais com a literatura, ao mesmo tempo, que lhes ofereçam sentidos que possam ser incorporadas as suas próprias experiências vitais. A busca por respostas me levou a trilhar um percurso metodológico de aproximação com jovens secundaristas que participaram efetivamente do processo de ocupação de escolas no município de Campos dos Goytacazes. Para além das reivindicações apresentadas, o movimento protagonizado por eles deflagrou uma série de ações e escolhas afetivas que nos permitem repensar o atual ensino de literatura em escolas públicas de Ensino Médio. A luta contra o assujeitamento, a experimentação coletiva, os desejos depreendidos nas ações culturais e a potência para agir são alguns dos pontos a serem considerados. A reflexão aqui apresentada, que traça uma inter-relação entre ética, estética, política e prática pedagógica, é fruto de uma investigação ainda em processo e têm como fundamentação textos teóricos de Spinoza, Gilles Deleuze, Tzevan Todorov, Roland Barthes, entre outros, que versam sobre afeto, ensino de literatura, poesia e sentido.

Palavras-Chave: ensino de literatura; poesia; afeto; sentido.

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SESSÃO 5
SESSÃO 5

Fernanda Mulin de Assis é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Arnaldo Vianna.

DIREITO E LITERATURA

Fernanda Mulin de Assis fernanda.mulin@terra.com.br

O trabalho propõe assinalar uma interface entre Direito e Literatura, enfatizando a produção da intolerância social, da discriminação e da exclusão, dentro de um recorte de raça e gênero. Pretende mostrar que a Literatura também permite uma análise do estigma na medida em que existe como expressão de uma sociedade na qual foi engendrada, e que pode servir para um instrumental crítico acerca dos preconceitos, discriminações e violências que naturalizamos em um imaginário social. Pretende ainda propor o uso da literatura para informar direitos, promover o empoderamento e a cidadania ativa, em diferentes níveis de ensino e espaços sociais, como estratégia para um ensino para a cidadania, a qual não existe realmente sem igualdade.

Palavras-Chave: direito e literatura; exclusão; cidadania e igualdade.

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SESSÃO 5
SESSÃO 5

UNIVERSIDADE E LEITURA: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Giulia

Alexandre

Silva

de

Almeida

é

estudante

de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

 

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Claudete

Daflon.

 

Giulia Alexandre Silva de Almeida giuliaalmeida@gmail.com

A lentidão do processo de aclimatação da cultura letrada ao Brasil é um fato relacionado, entre outros fatores, “à precariedade (para não dizer ausência quase completa) de uma política educacional que dotasse o país de uma rede escolar eficiente” (LAJOLO, 1991). Além desse fator histórico, Canclini nos diz que, embora não possamos afirmar que tenha havido uma queda, é certo, contudo, que a maneira de ler mudou, uma vez que ele afirma que há uma tendência de priorizar as leituras menores e/ou fragmentadas. Se faz necessária, portanto, a discussão sobre a leitura nos cursos de graduação, em especial no de licenciatura em letras, uma vez que nele estão contidos os futuros professores de língua e literatura. Em uma primeira análise do banco de dados da pesquisa denominada “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras” percebemos, dentre outras coisas, que 4,3% de todos os estudantes de ensino superior das universidades federais afirmaram não ler nenhum livro por ano. 64% liam entre um e cinco livros anualmente, contra 13% que leriam mais de dez exemplares. Estes resultados apontam para um problema nacional de leitura, atingindo, inclusive, universidades de referência no Brasil. Nossa proposta de trabalho, portanto, é discutir a existência de evidências que apontem para a relevância e permanência de um estudo sobre o hábito de leitura na universidade, tendo como foco a elaboração de políticas públicas. Este trabalho é vinculado à nossa pesquisa de mestrado, cujo objetivo é estabelecer um diagnóstico do hábito de leitura entre estudantes de licenciatura em letras, a fim de avaliar o papel do curso no processo de constituição de leitores, uma vez que há uma demanda de se pensar a formação de professores de língua e literatura, tendo em vista os desafios enfrentados pela escola no atual contexto.

Palavras-Chave: hábito de leitura; universidade; formação de professores.

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SESSÃO 5
SESSÃO 5

O DISPÊNDIO SONORO DA CIGARRA POETA DE MIGUEL TORGA

Rodrigo Castro Ribeiro Sada é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Silvio Renato Jorge.

Rodrigo Castro Ribeiro Sada

rodrigosada63@hotmail.com

O artigo, aqui apresentado, se preocupará em usar alguns conceitos filosóficos de Georges Bataille; e de Gilles Deleuze e Felix guattarri, como elementos de crítica tempo / espacial (meados do século XX, em Portugal, notoriamente o regime fascista do estado novo salazarista); e, principalmente, do desenvolvimento dos personagens numa desconstrução social / ideológica do conto "Cegarrega", de Miguel Torga, que, ao representar o homem, através de seus "bichos", dissolvia os pilares fascistas que direcionavam de forma assoladora a construção da vida do cidadão de bem português. Em especial, para mim, estará a ideia do direito ao trabalho, como sendo o mais importante destes pilares a ser dissolvido no texto para o indivíduo, enquanto cidadão nacional.

Palavras-Chave: dispêndio; valor de gasto; potência; Cegarreaga; Miguel Torga.

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SESSÃO 6
SESSÃO 6

SSEESSSSÃÃOO 66

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Maria Elizabeth Chaves de Melo Debatedora: Prof.ª Dr.ª Maria Ruth Fellows 28/09 às 09h00 Sala 505C

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SESSÃO 6
SESSÃO 6

Andrea

Reis

da

Costa

é

estudante de doutorado em

Estudos de Literatura. Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientada pela Prof.ª Dr.ª Maria Elizabeth Chaves de Mello.

O BRASIL COMO ELE É?

Andrea Reis da Costa andreaprevot@gmail.com

A vasta produção de narrativas de viagem, que construiu e consolidou para o público europeu, ao longo dos séculos, certas percepções acerca do Novo Mundo, influiu também, de forma duradoura, na maneira como nós, seus habitantes, construímo-nos a nós mesmos. Para compreender o processo de construção do Brasil e da identidade de seu povo, importa, portanto, debruçar- se sobre quem foram aqueles que escreveram sobre o país, o que escreveram, a que público destinaram seus relatos, que circunstâncias teriam influenciado seu discernimento dos fatos e qual a repercussão daquilo que foi descrito como um “retrato fiel, verdadeiro e acurado” da realidade. Em meados do século XIX, quando a elite intelectual brasileira esforçava-se por ver tomar forma seu projeto de identidade nacional, Charles Expilly, um viajante francês que veio viver no Rio de Janeiro, causou furor com seus comentários e críticas ao país e seus habitantes. O incômodo que provocou em intelectuais e figuras públicas brasileiras fez com que, não antes de algumas indignadas e contundentes contestações, Expilly fosse relegado ao ostracismo. Não obstante, a narrativa de Expilly, ainda que carregada das indeléveis marcas culturais e etnocêntricas das quais comungam tantos escritores-viajantes europeus, revela também um olhar aguçado, uma visão perspicaz e uma clareza de análise que podem muito bem nos causar desconforto até hoje. Mirarmo-nos nesse espelho roto deve nos fazer ponderar, através do que nos é refletido, sobre os caminhos de construção dessa imagem. Daí a importância de se resgatar e traduzir o autor de Le Brésil Tel qu’il est. A tarefa de seleção e tradução de textos para antologia não é simples e requer do tradutor um permanente trabalho de escolha, renúncia e negociação, com o intuito de abrir um caminho satisfatório de comunicação entre duas subjetividades linguísticas, e trazer ao leitor a essência da obra.

Palavras-Chave: relatos de viagem; tradução; identidade

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SESSÃO 6
SESSÃO 6

VIAJANTES FRANCESES NO BRASIL OITOCENTISTA: UM ESTUDO DO LIVRO-ÁLBUM LE BRÉSIL PITTORESQUE, DE CHARLES RIBEYROLLES E VICTOR FROND

Dayane

Candido

Alves

é

estudante de mestrado em

Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientada pela Prof.ª Dr.ª

Maria Elizabeth Chaves de Mello.

Dayane Candido Alves dayanecandido@id.uff.br

Este estudo tem como proposição investigar o relato de viagem produzido pelo jornalista francês Charles Ribeyrolles (1812-1860), mais especificamente o livro-álbum Le Brésil Pittoresque, que é uma obra bilíngue composta por esse viajante em parceria com o fotógrafo oitocentista Victor Frond (1821-1881). Originalmente publicado em 1859 no Brasil pela Typographia Nacional e em 1861, em Paris pela Maison Lemercier, Le Brésil Pittoresque compõe-se do entrelaçamento entre fotografia e narrativa em língua francesa, também traduzida para a língua portuguesa, de modo a retratar o contexto social do país, as localidades visitadas, o trabalho agrícola e as instituições públicas. Busca-se então refletir sobre a narrativa enquanto lugar de testemunho, de memória e de registro das impressões quanto à paisagem, os hábitos e costumes da sociedade brasileira de então, sem perder de vista o processo recepção e de tradução da obra no Brasil, retomando as traduções de autores como, por exemplo, Machado de Assis e Manuel Antônio de Almeida.

Palavras-Chave: literatura de viagem, Charles Ribeyrolles, paisagem.

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SESSÃO 6
SESSÃO 6

MEMÓRIA FENOMENOLÓGICA NAS PAISAGENS ITALIANAS DE GOETHE

Gabriel Alonso Guimarães é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Susana Kampff Lages.

Gabriel Alonso Guimarães gaaguimaraes@yahoo.com.br

A presente comunicação constitui a exposição das teses e da análise parcial do corpus, constantes do capítulo final da dissertação que ora se escreve. Dentro do escopo geral da pesquisa, que busca relacionar paisagem e memória na Viagem à Itália de Goethe, nossa intenção é mapear, nas descrições paisagísticas, a presença do tempo fenomenológico do olhar, do corpo e da viagem, pensando assim a memória em sua forma primária, isto é, como estrutura retentiva. Para isso, recorremos ao pensamento husserliano das Lições de 1905, de Coisa e espaço (1907) e da doutrina mereológica nas Investigações lógicas, levado adiante pela Fenomenologia de M. Merleau- Ponty e pelos trabalhos de P. Ricoeur, buscando relacioná-lo com a forma testemunhal da experiência de paisagem na Viagem. Nossa análise visa demonstrar os diferentes “ritmos” da vivência e de sua descrição, e a impossibilidade de separar os elementos do quadro visto e os momentos da percepção total. Tal empreitada aparenta ser novidade em meio aos estudos goethianos, tendo em vista que a paisagem é relacionada tradicionalmente, na crítica, ao tempo histórico e ao modelo pictórico, ao passo que tentamos incluir aqui também um tempo individual e um modelo geográfico de contemplação.

Palavras-Chave: Goethe; memória; fenomenologia; paisagem; viagem.

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SESSÃO 6
SESSÃO 6

MÁRIO DE ANDRADE, O TURISTA APRENDIZ OU DE COMO MACUNAÍMA “PENSAMENTEOU” O BRASIL (OU VICE-VERSA)

Sheila

Praxedes

Pereira

Campos é

estudante de

doutorado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Teoria e Crítica

Literária”,

sendo

orientada

pelo

Prof.

Dr.

José

Luis

Jobim.

 

Sheila Praxedes Pereira Campos sheilapraxedes@hotmail.com

Ao escrever “Dois poemas acreanos” em 1925 (Clã do Jabuti, 1927), Minas Gerais havia sido o lugar mais distante de São Paulo para o qual Mário de Andrade tinha viajado. Com sua declarada “fome pelo Norte”, é apenas em maio de 1927 que ele embarca com destino a uma região até então conhecida apenas de relatos e do “ouvir falar”. É assim que Macunaíma, já na segunda versão de escrita, segue na bagagem de seu “pensamenteador” rumo à Amazônia onde nasceu, nos mitos narrados pelos indígenas e registrados por Theodor Koch-Grünberg em Vom Roroima zum Orinoco. O “ver por tabela” e “sentir pelo que contam”, exercícios praticados por Mário para entender a priori um Brasil tão disperso geograficamente, dilui-se em contato com a realidade e, para além de reforçar imagens já manipuladas sob a égide do exótico, ele desfaz a separação territorial em Macunaíma, já que insistir no regionalismo seria dar ênfase às diferenciações, o que seria danoso e “desintegrante da ideia de nação e sobre este ponto muito prejudicial pro Brasil já tão separado”, como afirma em carta a Câmara Cascudo. Ao entender Macunaíma não como “expressão”, mas como “sintoma” da cultura brasileira (como justifica no 2º prefácio), Mário o destitui de um caráter, tornando-o plural, uma espécie de palimpsesto em que as diferenças agregam. Essas diferenças, percebidas in loco, adquirem materialidade em suas duas viagens ao norte e nordeste, cujas notas (publicadas em jornais e revistas com as impressões e relatos) foram reunidas 31 anos depois da morte do escritor no livro O turista aprendiz (1976), organizado por Telê Ancona Lopez, do IEB/USP. É a Amazônia que Mário encontra em 1927, durante o engendramento e “possessão preparada” de seu Macunaíma ainda na mala, que lhe vale como ponto mais representativo das potencialidades de um Brasil projetado.

Palavras-Chave:

Macunaíma;

Possessão preparada

Turista

Aprendiz;

Mário

de

Andrade;

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SESSÃO 7
SESSÃO 7

SSEESSSSÃÃOO 77

Coordenador: Prof. Dr. Arnaldo Vianna Debatedor: Prof. Dr. Pedro Armando Magalhães 28/09 às 09h00 Sala 207B

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SESSÃO 7
SESSÃO 7

REMEMORIZAÇÃO DAS IDENTIDADES NEGRO-AFRICANAS EM TEXACO, ROMANCE DE PATRICK CHAMOISEAU

Aline Duque Erthal

é

estudante de mestrado em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, História

e Cultura”, sendo orientada

pelo

Prof.

Dr. Arnaldo

Vianna.

Denise de Souza Silva niselua@gmail.com

A identidade do povo antilhano se caracteriza por uma heterogeneidade cultural, resultante de elementos culturais vindos de horizontes diversos que se crioulizam, se imbricam, gerando algo imprevisível, que é a realidade crioula. É uma identidade compósita, que está em constante processo de transformação, segundo Glissant. Esta apresentação visa expor brevemente alguns aspectos iniciais da pesquisa de mestrado, iniciada neste ano, sobre o romance Texaco, do escritor martinicano Patrick Chamoiseau. Apresentaremos como o fragmento negro-africano, preponderante na constituição da identidade crioula da Martinica, é representado pelo autor no processo de recuperação da memória coletiva através da reinvenção identitária. Chamoiseau insere-se na narrativa através do personagem Oiseau de Cham – marqueur de paroles – um etnógrafo, aquele que capta uma voz vinda de longe – a dos negros oriundos da África – , “cujo eco plaina sobre as lacunas de nossa memória e orienta nosso futuro” (GLISSANT, 1986). Em Texaco, a narrativa da protagonista Marie-Sophie Laborieux apresenta a história de formação do bairro desde os percalços vividos por Esternome e o seu povo – os negros escravos trazidos da África durante a colonização das Américas – ao etnógrafo que recolhe toda história para escrevê-la. Através do processo de rememorização, Chamoiseau assume o desafio de representar a oralidade através da escrita, utilizando-se da oralitura. Como a memória dos negros foi dizimada desde os embarques em navios negreiros, cabe ao escritor antilhano a tarefa de escavar essa memória, a partir de vestígios latentes que ele assinalou no real, segundo Glissant. A metáfora da raiz está presente na obra e apresentaremos alguns exemplos. Outros temas, como o rizoma – identidade-raiz –, de Deleuze e Guattari, adaptados por Chamoiseau à natureza da cultura crioula, e a Poética da Relação também serão apresentados. Como base teórica, nos aprofundaremos nos textos dos escritores Édouard Glissant, Deleuze e Guattari, Stuart Hall.

Palavras-Chave:

oralitura; imprevisível.

Patrick

Chamoiseau;

memória

coletiva;

crioulização;

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SESSÃO 7
SESSÃO 7

O USO DE FONTES ORAIS E POPULARES NA COMPOSIÇÃO DE O CABELEIRA DE FRANKLIN TÁVORA

Felipe Gonçalves Figueira é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu

trabalho se filia à Linha de

Pesquisa

“Literatura,

Intermidialidade Tradução”, sendo orientado pelo Prof. Dr. Pascoal Farinaccio.

e

Felipe Gonçalves Figueira fgfigueira@gmail.com

Franklin Távora (1842-1888) publicou, em 1876, O Cabeleira, sua obra mais conhecida e a primeira a vir a público a partir da fixação do autor no Rio de Janeiro, capital do Império brasileiro. Em sua carta-prefácio, Távora descreveu sua intenção estética ao compor o texto da seguinte maneira: “Inicio esta série de composições literárias, para não dizer estudos históricos, com O Cabeleira, que pertence a Pernambuco, objeto de legítimo orgulho para ti, e de profunda admiração para todos os que têm a fortuna de conhecer essa refulgente estrela da constelação brasileira.” (TÁVORA, 2013, p.12) Não havendo estudos de prestígio social relevantes sobre sua personagem principal, Távora utiliza textos orais correntes na sociedade pernambucana como material de composição de seus “estudos históricos” sobre Cabeleira. Nesse trajeto composicional do romance, há um processo dialógico entre o autor cearense e o cancioneiro popular. O registro desse diálogo é feito de algumas maneiras, esquematizadas em: 1) citação direta da recolha em notas de rodapé; 2) inclusão de trechos da poética popular no corpo do romance; 3) transposição dos fatos representados na literatura oral para a própria ação narrativa do romance. Para a realização desse trabalho, utilizei, para buscar recompor o referido diálogo, os registros da literatura oral pernambucana feita por Pereira da Costa em Folk-lore pernambucano (1974), publicado originalmente em 1909. São essenciais, também, para a escrita do presente texto analítico, as proposições de análise do discurso fundadas no pensamento de Mikhail Bakhtin (1895 – 1975).

Palavras-Chave: Franklin Távora; O Cabeleira; literatura oral e popular.

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CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS DA UFF

SESSÃO 7
SESSÃO 7

O CONTO ORAL E AS VOZES EM “KIRIKOU ET LA SORCIÈRE”, ANIMAÇÃO DE MICHEL OCELOT

Luísa

Zanini

Vargas

é

estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Maria Bernadette Velloso Porto.

Luísa Zanini Vargas luisazaninivargas@gmail.com

Dentro de um contexto de criação poética em que as fronteiras midiáticas estão em processo de estreitamento (ZUMTHOR, 1990), propõe-se, neste trabalho, levantar algumas pistas que ajudem a analisar o modo como operam as vozes e a oralidade na narrativa em animação “Kirikou et la Sorcière”, de Michel Ocelot. São lançados assim alguns pontos desta fase inicial da pesquisa de mestrado. O metteur en scène, tendo vivido parte da infância na Guiné, criou sua animação a partir de contos tradicionais do oeste africano, onde também a ambienta, num cronotopo inexato. É consenso o fato de essas culturas serem fortemente baseadas nas tradições orais e pretende-se analisar o modo como a animação, através de sua materialidade estética e do emprego das vozes, sucede na criação de uma atmosfera remetendo à cena e ao imaginário africano ocidental e global. De conto oral africano a escrito; conto reinventado por um europeu; da história escrita à adaptação em roteiro e deste ao conto audiovisual, o papel do meio poético traduz alguns desafios da nossa época e reinterpreta esta literatura ou, mais amplamente, poética humana e universal (CANDIDO, 1972). Partindo de teorias de intermídias e sobre oralidade e cultura, bem como de teorias dos afetos é que se busca pincelar alguns aspectos relevantes nesta obra fruto de uma era multicultural e com recursos poéticos tão extensos.

Palavras-Chave: conto francófono; Kirikou; oralidade; intermídias.

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SESSÃO 7
SESSÃO 7

SAMBAS SOBRE SAMBA: O SUJEITO COMO OBSERVADOR E PARTICIPANTE DA PERFORMANCE MUSICAL.

Tatiane de Andrade Braga é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Claudia Neiva de Matos.

Tatiane de Andrade Braga tatianeuff@gmail.com

Um grande número de sambas descreve o momento e o modo de construção de uma performance musical. Neles, é comum que o sujeito acumule as funções de performer, participante e observador do evento performático: ele canta, toca, dança, narra o ambiente e convida os presentes construírem a performance com ele. O objetivo deste trabalho é analisar sambas como esses.

Palavras-Chave: samba; performance; música.

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SESSÃO 8
SESSÃO 8

SSEESSSSÃÃOO 88

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Laura Padilha Debatedor: Prof. Dr. Nazir Ahmed Can 28/09 às 14h00 Sala 416B

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SESSÃO 8
SESSÃO 8

HISTÓRIA E MEMÓRIA EM CADERNO DE MEMÓRIAS COLONIAIS DE ISABELA FIGUEIREDO

Cinthia da Silva Belonia é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Silvio Renato Jorge.

Cinthia da Silva Belonia cinthiabelonia@gmail.com

No presente artigo será abordado a construção da narrativa histórica a partir da memória de uma criança de doze anos acerca do período colonial de Moçambique pouco antes do 25 de Abril no livro Caderno de memórias coloniais (2010) da escritora Isabela Figueiredo. A narradora recorda a figura paterna, que para ela era a representação do colonizador, para testemunhar o racismo e os maus tratos sofridos pelo negro moçambicano antes da independência. É importante para esta abordagem ressaltar que a personagem da narrativa é uma retornada. A narrativa de um evento do passado é uma das características do romance histórico, pois a história também é feita por eventos. Este artigo analisa a necessidade dos retornados em testemunhar o que viveram em África antes desse retorno, contribuindo assim para a construção do discurso histórico. Para esta análise serão convocados os autores Margarida Calafate Ribeiro, Beatriz Sarlo, Paul Ricoeur, Jeanne Marie Gagnebin, György Lukács e demais autores.

Palavras-Chave: memória; testemunho; história; retornado.

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SESSÃO 8
SESSÃO 8

INDEPENDÊNCIA E SUBVERSÃO DO “NOVO HOMEM” ANGOLANO: UM OLHAR SOBRE A DUPLA BIOGRAFIA DE VLADIMIRO CAPOSSO EM "PREDADORES", DE PEPETELA

Mariana Sousa Dias

é

estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Renata Flavia da Silva.

Mariana Sousa Dias marianasousadias@yahoo.com.br

O presente trabalho objetiva analisar, a partir do romance “Predadores” (2005), de Pepetela, os tensionamentos que permeiam a (des)construção de identidades pós-coloniais em Angola, fraturadas tanto pela falência dos projetos utópicos fomentados durante as lutas de libertação quanto pela ascensão de ideais capitalistas no país. A observação dos rumos tomados pela sociedade independente indica-nos que os processos de globalização e de neocolonialismo fomentam-se: o “novo homem” angolano, idealizado para promover a igualdade e a justiça na nação recém-formada, acaba por ser forjado a partir de valores opostos e rege a permanência das relações assimétricas tão criticadas pelos revolucionários. A figura representativa de tal subversão é Vladimiro Caposso, rico empresário que esconde suas origens humildes e interioranas para evoluir socialmente através de fraudes, subornos e alianças escusas, tornando-se um dos grandes predadores da cadeia alimentar social. Uma vez que a metodologia de escrita de Pepetela alicerça-se predominantemente na ressignificação da angolanidade, recorreremos, em especial, às pesquisadoras Inocencia Mata (2006, 2010), Laura Padilha (2002) e Linda Hutcheon (1991, 2000) para enfatizarmos como sua fala, a despeito do desencanto pós-revolucionário, persiste no desafio de instigar reflexões e ações que procurem romper com as perniciosas hierarquizações ainda vigentes em Angola na contemporaneidade.

Palavras-Chave: literatura; pós-colonialismo; Pepetela; Predadores; Angola.

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SESSÃO 8
SESSÃO 8

TERRA SONÂMBULA E UM RIO CHAMADO TEMPO, UMA CASA CHAMADA TERRA: AS VIAGENS AO PASSADO E A BUSCA PELA IDENTIDADE NAS OBRAS DE MIA COUTO

Nathália Cunha de Melo é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Laura Cavalcante Padilha.

Nathália Cunha de Melo nathaliacmelo@hotmail.com

O presente trabalho realiza uma leitura comparatista entre os romances do autor moçambicano Mia Couto Terra Sonâmbula (1992) e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002). Através das personagens Muidinga, Kindzu – ambos de Terra Sonâmbula – e Marianinho – de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra –, busca-se mostrar as relações entre memória e identidade nas obras do autor. Para este estudo, apoiamo-nos em vários autores, entre eles Stuart Hall, estudioso das questões da pós-modernidade, como a globalização e as identidades culturais, Edward Said, que trouxe uma nova conotação ao termo “pós-colonial” em sua obra Orientalism, e autores estudiosos da literatura africana de Língua Portuguesa, como Ana Mafalda Leite, Carmem Lucia Tindó Secco, Simone Schmidt, Maria Nazareth Fonseca e Laura Cavalcante Padilha. O trabalho aborda ainda a maneira como a construção da história, da memória, dos costumes e da cultura de Moçambique pós-colonial se apresentam nas personagens dos romances.

Palavras-Chave: Mia Couto; identidade; memória.

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SESSÃO 8
SESSÃO 8

“ESTÓRIAS QUE A HISTÓRIA TECE”: REFLEXÕES A PARTIR DO ROMANCE "SE O PASSADO NÃO TIVESSE ASAS", DE PEPETELA

Sheila

Ribeiro

Jacob

é

estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Laura Cavalcante Padilha.

Sheila Ribeiro Jacob sheila.jacobb@gmail.com

Nesta comunicação, abordaremos as relações entre história e literatura angolana, tendo como foco o último livro lançado por Pepetela, intitulado “Se o passado não tivesse asas” (Leya, 2016). O romance se constrói a partir de duas histórias espelhadas, que são apresentadas de forma intercalada ao leitor e se desenvolvem em tempos distintos da história de Angola: 1995, ano de guerra civil, e 2012, uma década depois que “a paz desdobrou [oficialmente] sua manta sobre o país” (p. 349). No primeiro núcleo, acompanhamos Himba e Kassule, “filhos da guerra” (p. 64), crianças amadurecidas pelo horror do momento histórico em que vivem e que precisam empreender uma verdadeira luta diária pela sobrevivência em Luanda. Condenados a dormir na rua e alimentar-se das sobras de um restaurante, ambos vão estabelecendo as relações de afeto possíveis em tempos tão difíceis. Já o segundo núcleo narrativo nos apresenta a história de Sofia e Diego, irmãos que habitam uma cidade já liberta dos perigos da guerra declarada, mas que está voltada à especulação imobiliária e ao luxo de poucos privilegiados, perpetuando as desigualdades sociais que se arrastam desde os tempos coloniais. Procuraremos, portanto, refletir acerca dos sentidos mobilizados pela convocação da história pela literatura, especialmente no romance em questão. Acreditamos que o passado, da forma como se elabora por meio desta ficção, possibilita reflexões acerca do tempo presente, principalmente com relação a novas formas de violência e à produção de vidas descartáveis e invisíveis em tempos neocoloniais, em que é necessário empreender esforços éticos e afetivos para que não se confirme a previsão do personagem Diego, para quem a “ditadura da ganância” (p. 371) parece se afirmar como único destino possível.

Palavras-Chave: história; ficção; romance angolano; Pepetela

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SESSÃO 9
SESSÃO 9

SSEESSSSÃÃOO 99

Coordenador: Prof. Dr. André Dias Debatedor: Prof.ª Dr.ª Carolina Barcelos 28/09 às 09h00 Sala 401B

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SESSÃO 9
SESSÃO 9

DESEJO E DECADÊNCIA NAS OBRAS O CASAMENTO DE NELSON RODRIGUES E CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA DE LÚCIO CARDOSO

Carla da Costa de Lemos é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu

trabalho se filia à Linha de

Pesquisa

“Literatura,

Intermidialidade

e Tradução”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Ângela Maria Dias.

Carla da Costa de Lemos carlatsu@gmail.com

Esta comunicação tem como objetivo apresentar o diálogo entre duas obras: O Casamento de Nelson Rodrigues e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Buscando fazer uma análise acerca da manifestação do desejo em um contexto de decadência familiar, em termos de repressão, dissimulação e ocaso da autoridade patriarcal. No caso de ambas as obras, esta manifestação se dá pela transgressão ao interdito (BATAILLE, 2013) comum a todas as civilizações, que é o do incesto. Os autores desempenham um papel predominante no cenário literário brasileiro ao dirigirem um olhar crítico para a família patriarcal, descortinando hipocrisias com a utilização de temas considerados tabus. Vale ressaltar que o Brasil vivia um período de inquietações políticas derivadas do AI5, que dificultaram as expressões artísticas de forma geral. Apesar disso, foi nesse cenário de intensas transformações que ambos os autores inseriram sua escrita transgressora e provocadora das mais diversas reações.

Palavras-Chave: desejo; decadência; Nelson Rodrigues; Lúcio Cardoso.

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SESSÃO 9
SESSÃO 9

O ROMANTISMO NO BRASIL E SUAS RELAÇÕES COM O SUBLIME

João Pedro

Lima

Bellas

é

estudante de mestrado em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientado pelo

Prof.

Dr.

Fernando Muniz.

 

João Pedro Lima Bellas joaolbellas@gmail.com

Esta comunicação apresenta e discute o tema de minha pesquisa de mestrado na área de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira: a relação entre o sublime e a literatura romântica brasileira, com ênfase na obra de Fagundes Varela. Partindo da análise das principais contribuições para os estudos acerca do sublime, minha proposta é criar, sob um ponto de vista histórico, um quadro identificatório dos traços distintivos do sublime com vistas a estabelecer critérios para o reconhecimento dos usos do conceito. Para tanto, tomo como referência o tratado Do sublime – tradicionalmente atribuído a Longino –, a retomada do conceito a partir da tradução da obra longiniana para o francês de Boileau, e as formulações de Edmund Burke e Immanuel Kant. Após realizar esse quadro, pretendo analisar a influência dessas teorias estéticas para a formação do Romantismo literário na Europa. Tendo estabelecido as relações gerais entre a poética romântica e o conceito do sublime, a pesquisa encaminhar-se-á para o estudo dos possíveis pontos de contato entre a produção dos autores românticos brasileiros e as escolas europeias. Por fim, o foco de minhas análises será direcionado para as manifestações do sublime na obra, tanto poética como em prosa, de Fagundes Varela.

Palavras-Chave: sublime; romantismo; Fagundes Varela.

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SESSÃO 9
SESSÃO 9

VIOLÊNCIA, EXÍLIO E IMIGRAÇÃO: UM OLHAR DA LITERATURA

Levy

da

Costa Bastos é

estudante de doutorado em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa

“Literatura,

Intermidialidade

e Tradução”, sendo orientado

pelo

Prof.

Dr. Johannes

Kretschmer.

Levy da Costa Bastos bastos.levy@gmail.com

Neste trabalho nos propomos a tratar o tema da violência, do exílio e da imigração numa perspectiva da literatura comparada. Trata-se da busca da interface entre as obras de Jakob von Grimmelshausen e Graciliano Ramos. Numa leitura crítica pretendemos descortinar a forma como a literatura de ontem (Barroco alemão setecentista) e de hoje (modernismo brasileiro) tratam a situação-limite que é o estado de exílio e a violência causadora e consequência do mesmo. As obras sobre as quais nos debruçamos nesta pesquisa são ""Couragem"" de Grimmelshausen, para a qual encetamos tradução e ""Vidas secas"" de Graciliano Ramos. Os pontos de identidade e assimetria entre ambas são destacados e retematizadas. Como chave de leitura nos servem tanto a abordagem de W. Benjamin sobre a violência quando a de T. Eagleton, na medida em que ambos discutem criticamente a linguagem e apresentação da violência, são liames e suas distinções. Na base deste estudo está a percepção de que a literatura não é omissão diante dos conflitos da vida e da história. Sempre foi uma reelaboração ficcional da realidade. Desconstruindo-a e reinventando-a."

Palavras-Chave: barroco; migração; violência; tragédia; Grimmelshausen; guerra

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SESSÃO 9
SESSÃO 9

RUPTURA E CRISE DA FIGURA PATERNA EM DIÁRIO DA QUEDA E LAVOURA ARCAICA

Luciano da Motta Pereira é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Cláudia Neiva de Matos.

Luciano da Motta Pereira lumott@gmail.com

Propomos com este trabalho analisar como as relações familiares e, em particular, a figura paterna são reengendradas pela ficção brasileira contemporânea, comparando dois romances: Depois da queda (2011), de Michel Laub, e Lavoura arcaica (1989), de Raduan Nassar, originalmente publicado em 1975. Ambas as obras apresentam famílias combalidas, nas quais os laços de afetividade entre pais e filhos (e avós) encontram-se por um fio. De um esperado lugar de estabilidade e refúgio das intempéries da vida, o lar vem se tornando um ambiente hostil, associado a conflitos e desordem. Os membros da família encontram-se cada vez mais desamparados, esmagados por uma herança de dores e marcados pela escassez de afetos e diálogo. Em certo nível, essas são consequências das grandes mudanças nas relações interpessoais ao longo da Modernidade. A experiência ficcional contemporânea tira-nos da passividade e toca nossa sensibilidade. Os caminhos percorridos pelos personagens são também os nossos, afinal, estamos envolvidos na mesma busca por reencontrarmos o que um dia perdemos: suporte, compreensão, relacionamentos saudáveis, identidade.

Palavras-Chave: romance; contemporaneidade; desamparo; solidão; família.

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SESSÃO 10
SESSÃO 10

SSEESSSSÃÃOO 1100

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Célia Pedrosa Debatedor: Prof.ª Dr.ª Luciana di Leone 28/09 às 14h00 Sala 409C

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SESSÃO 10
SESSÃO 10

DESENHE A FORMA DO VAZIO: ANTÓNIO RAMOS ROSA E OS INCORPORAIS

Aline

Duque

Erthal

é

estudante de doutorado em

Estudos de Literatura. Seu

trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientada pela Prof.ª Dr.ª Ida Alves.

Aline Duque Erthal alinerthal@gmail.com

Roger Munier, em prefácio a um dos livros do poeta, escreve que António Ramos Rosa é um poeta da experiência do deserto, e que "o mundo que, pouco a pouco, se impôs a sua voz é o mundo da ausência pura, da ausência como mundo, ou seja, de uma ausência que se confunde com tudo quanto existe”. Como se constrói essa ausência como mundo? Como a ela chega, ou dela parte – sobretudo, como nela fica – a poesia de António Ramos Rosa? Neste trabalho, investigaremos algumas das condensações privilegiadas de um conceito que propomos em nossa tese de doutorado – o de "função deserto" –, pelas quais a poesia enceta movimentos de errância, abertura e circulação, reiterando a ética e a estética fundamentais de Ramos Rosa: o repisar (não empobrecedor, e sim produtivo, propositado) do desejo de uma liberdade que mantenha os possíveis em multiplicidade e em potência; ou, em outras palavras, uma liberdade tão livre que possa se decidir até pela indecidibilidade. Branco, vazio, errância, ausência, horizonte são pontos por que este percurso passará. O último passo do desenrolar dessas reflexões experimentará uma aproximação entre a função deserto e o que Anne Cauquelin, recuperando o pensamento estoico, trata como o vazio incorporal.

Palavras-Chave: António Ramos Rosa; poesia portuguesa; deserto.

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SESSÃO 10
SESSÃO 10

REPARAR A PERDA OU RIR À BEIRA DO ABISMO: AS ESCRITAS ELEGÍACAS DE JORGE GOMES MIRANDA E JOSÉ MIGUEL SILVA

Julio

Cesar

Rodrigues

Cattapan

é

estudante

de

doutorado

em Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Teoria e Crítica

Literária”,

sendo

orientado

pela Prof.ª Dr.ª Ida Alves.

Julio Cesar Rodrigues Cattapan julio.cattapan@gmail.com

O mundo contemporâneo é caracterizado pela experiência da perda, do vazio e da falta em meio a uma cultura do excesso: excesso de produção industrial e de consumo, de estímulos aos sentidos, de imagens publicitárias e midiáticas, de informação, de velocidade das mudanças tecnológicas, de deslocamentos humanos; falta, por sua vez, de relações afetivas significativas e duradouras, de sentidos para a existência, de referenciais identitários sólidos, de ideais, utopias e valores, de perspectivas quanto ao futuro da coletividade. O discurso elegíaco firma-se na poesia portuguesa recente como o modo privilegiado de dizer essa experiência de perda nas grandes cidades capitalistas. No entanto, não se trata aqui de uma elegia que se limite a lamentar a perda de um objeto dileto, como vulgarmente se atribui ao discurso elegíaco, mas de uma escrita lírica que denuncia a condição de perda ao mesmo tempo que resiste a ela. Com esse entendimento de elegia enquanto discurso de resistência, analisamos comparativamente as escritas poéticas de Jorge Gomes Miranda e José Miguel Silva, poetas portugueses que começaram a publicar no apagar do século XX. A poesia do primeiro é atravessada pelo anseio de reparar a situação de perda do mundo contemporâneo, ainda que tragicamente consciente de seu inevitável fracasso; ela atualiza a função educativa da elegia grega arcaica e clássica e a perseguição de um ideal da elegia romântica, num esforço por conscientizar o leitor em direção à realização de um determinado ideal de homem e de sociedade. Quanto a José Miguel Silva, sua poesia aprofunda o sentimento de desencanto e niilismo característico da poesia dos séculos XX e XXI, mas agora movida por um riso sarcástico que derruba os baluartes morais da sociedade de consumo.

Palavras-Chave: elegia; poesia portuguesa contemporânea; resistência; Jorge Gomes Miranda; José Miguel Silva

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SESSÃO 10
SESSÃO 10

UM TESTE CARTOGRÁFICO DA ESCRITA DE MARÍLIA GARCIA

Julya Tavares

Reis

é

estudante de mestrado em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Diana Klinger.

 

Julya Tavares Reis julya.tavares.reis@hotmail.com

O crescente interesse artístico pelos mapas tem sido frequentemente relacionado a uma curiosidade pela dissolução das fronteiras tanto espaciais – do mundo globalizado e das sociedades em rede –, quanto entre as artes – dos seus materiais e suportes. Os efeitos dessa aproximação, no entanto, podem ser pensados de modo mais intenso se tomados pelo gesto, isto é, pelo desejo de representar que de algum modo atravessa a arte e a cartografia, e não somente por uma espécie de temática. Principalmente desde a década de 1980, certa crítica tem percebido a arte por seu prisma relacional, movimentando-se entre a leitura de um poema, por exemplo, como texto, e aquilo que lhe escapa, que não se prende à palavra como fim último da escrita, embora tudo de algum modo passe por ela. Essa perspectiva relativiza os limites da arte na sua relação com o mundo, aproximando-a de um cotidiano afetivo que, todavia, não corresponde à centralidade e origem de um sujeito. O “afeto” pensado como “o estado de um corpo considerado como sofrendo a ação de um outro” (DELEUZE, 1978, s.p.) nos permite pensar no espaço como uma dimensão permeável, e a poesia como um corpo que afeta e é também afetado. Diante de tal espectro, este trabalho pretende abordar duas questões: a primeira delas se refere às possibilidades e implicações de uma relação com o espaço para além de um viés objetivo e racional, discutindo de que maneiras certa poesia contemporânea [no caso, a da poeta carioca Marília Garcia] tem experimentado os percursos afetivos. A segunda se propõe a testar o fazer poético em vizinhança com o ato de cartografar, tensionando o caráter autônomo que lhes foi atribuído ao longo da Modernidade.

Palavras-Chave: poesia contemporânea; Marília Garcia; cartografia; escrita; vida

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SESSÃO 10
SESSÃO 10

COR E POESIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRÂNSITO ESTÉTICO-CRÍTICO ENTRE JOÃO CABRAL DE MELO NETO E PIET MONDRIAN

Maria

Rafaelle

Beserra

Soares Lima é estudante de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Intermidialidade

e

Tradução”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Celia Pedrosa.

 

Maria Rafaelle Beserra Soares Lima mrafaellesoares@gmail.com

Este trabalho visa estabelecer um diálogo entre a poesia de João Cabral de Melo Neto e a pintura de Piet Mondrian, apontando semelhanças entre os artistas no tocante a uma reflexão sobre a arte, o que confere a ela, ao mesmo tempo, um caráter intelectivo e expressivo. Com esse objetivo, nossa leitura da obra cabralina privilegia a abordagem recorrente da cor branca. A folha de papel representa o trabalho perante o novo, a gênese da criação literária. Com ela, há uma relação de aproximação e de luta: ao mesmo tempo em que ele a aponta como pura, ela o incita a corromper sua pureza numa luta, que é o processo de feitura de um poema. O branco se transforma na cor da própria luta, contrariando a tradição que costuma associar essa cor a elementos pacíficos. A mesma atitude pode ser percebida em Mondrian. O que por outros pintores era visto como um mero suporte material, a tela branca, ele soube aproveitar como força provocativa. O branco torna-se seu tema pictórico e, através dele, o pintor vai manifestar uma postura afetiva e convidativa a um lutar “corpo a corpo” com a tela, a fim de eliminar aspectos que nela contrariem uma gramática do “essencial”. Dessa forma, podemos compreender que as artes de João Cabral e Mondrian colocam na cor a sua expressividade maior, valorizando-a não apenas pelo seu aspecto cromático, mas sim pelas suas significações e contribuições para uma arte “em movimento”, resultante de um fazer em combate. O branco do papel e da tela são campos que despertam emoções, travando uma luta contra o que, tradicionalmente, é concebido como real para que haja um realismo de linguagem.

Palavras-Chave: Cabral; Mondrian; poesia: pintura; cor.

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SESSÃO 11
SESSÃO 11

SSEESSSSÃÃOO 1111

Coordenador: Prof. Dr. Rodrigo Labriola Debatedor: Prof. Dr. Victor Lemus 28/09 às 14h00 Sala 411C

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SESSÃO 11
SESSÃO 11

DO TEATRO ESPANHOL AO TEATRO PORTUGUÊS: PONTOS DE CONTATO ENTRE LA TÍA E O TUTOR NAMORADO

Íris

Gonçalves

da

Silva

de

Carvalho

é

estudante

de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Intermidialidade

e

Tradução”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Lygia

Rodrigues

Vianna

Peres.

 

Íris Gonçalves da Silva de Carvalho irisilvacarvalho@gmail.com

O teatro espanhol dominou o cenário português nos âmbitos da escrita, da publicação, e da representação no período da União Ibérica (1580-1640). Seus reflexos se estenderam por muito tempo. Havia uma grande produção de entremeses – obras curtas representadas entre as jornadas, ou atos das comédias com a finalidade de entreter o público/espectador, e não deixar o palco vazio. Poderiam, ou não necessariamente, apresentar uma relação argumental com a obra principal – e, de diversas adaptações de comédias à entremeses, no intuito de atender ao gosto exigente do público/espectador que não dispensava nas obras curtas a leveza, e a comicidade. Partindo de tal influência cultural entre Espanha e Portugal, neste trabalho pretende-se analisar a caricatura, e alguns pontos de convergência entre as obras: La tía (1680), entremés de autoria atribuída a dom Pedro Calderón de la Barca; Entremez intitulado O Tutor Namorado, ou As Indústrias das Mulheres, Anônimo, de origem portuguesa representado no final do século XVIII, 1790, em Cuiabá.

Palavras-Chave: século de ouro; teatro breve; caricatura.

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CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS DA UFF

SESSÃO 11
SESSÃO 11

O SALAZARISMO SEGUNDO O TEATRO (PERSPECTIVAS DO TEATRO PORTUGUÊS SOBRE O ESTADO NOVO)

Jorge Eduardo Magalhães de Mendonça é estudante de

doutorado em Estudos de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de Pesquisa

“Literatura,

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pelo

Prof. Dr.

Sílvio Renato

Jorge.

Jorge Eduardo Magalhães de Mendonça jemagalhaes@yahoo.com.br

O objetivo deste trabalho é fazer um breve estudo sobre a abordagem do salazarismo no Teatro Português na visão de José Saramago e José Cardoso Pires; sendo assim, é válido enfatizar que além dos dois autores citados, outros autores têm apresentado o tema sob seus respectivos pontos de vista. Os textos abordados nesta pesquisa são A noite e Que farei com este livro?, de José Saramago e Corpo-delito na sala dos espelhos e O render dos heróis, de José Cardoso Pires. A pesquisa será dividida em três partes: “Analogias históricas:

A volta ao passado para criticar o presente”, “Revisitando o 25 de abril” e “Camões sob a ótica pós-salazarista”.Na primeira parte, “Analogias históricas:

A volta ao passado para criticar o presente”, será analisado o texto O render dos heróis, de José Cardoso Pires, que retoma a revolta da Maria da Fonte em meados do século XIX e personagens históricas para enfatizar os fatídicos anos do fascismo português. Na segunda parte, “Revisitando o 25 de abril”, os textos incluídos serão A noite, de José Saramago e Corpo-delito na sala dos espelhos, de José Cardoso Pires. Os dois textos estão neste tópico porque tratam do salazarismo e da Revolução dos Cravos, propriamente ditos, cada um com seu ponto de vista. Na terceira e última parte “Camões sob a ótica do pós-salazarismo”, será estudada a peça Que farei com este livro?, de José Saramago, quando também serão brevemente citadas peças teatrais de outros autores que têm em comum, Camões como personagem principal, sendo feitas críticas em relação à mediocridade das autoridades autoritárias e à má utilização da figura de Camões na ditadura de Salazar.

Palavras-Chave: salazarismo; teatro; Portugal; ditadura.

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SESSÃO 11
SESSÃO 11

CONFLITOS POLÍTICO-SOCIAIS E DRAMAS INDIVIDUAIS QUE UNEM CAIXEIROS-VIAJANTES A OPERÁRIOS

Laila de Lima Lousada é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. André Dias.

Laila de Lima Lousada laila.lousada@gmail.com

Esse trabalho se dispõe a analisar aspectos dissonantes presentes na peça A morte do caixeiro viajante, de Arthur Miller, uma subversão do sonho americano, e na peça de Gianfrancesco Guarnieri – Eles não usam black-tie, uma resistência socialista às modificações sócio-políticas impostas pelo capitalismo. Apesar de serem enunciadas em momentos históricos distintos, 1949 e 1955 respectivamente, e por autores que davam voz a sociedades distintas, elas guardam pontos de contato, como o cunho político-ideológico e o drama coletivo vivido pelos indivíduos postos a margem pela sociedade capitalista. A morte do caixeiro-viajante apresenta o real cenário enfrentado pelo cidadão americano pós-guerra: os males do capitalismo e suas implicações severas para a degradação do meio social e da experiência individual. O plano de fundo da peça Eles não usam black-tie é o movimento operário e o cotidiano das favelas do Rio de Janeiro na década de 50. Sob ambos os prismas é possível perceber a reificação da sociedade. O desencantamento com o mundo e o não pertencimento ao sistema econômico em voga fazem com que William Loman oscile entre sanidade e insanidade e que Otávio imponha o exílio a seu filho. A dissonância se apresenta como a capacidade de Miller em enxergar a desumanidade e falência do sistema político e econômico consolidado. Em Guarnieri, jaz na introdução na dramaturgia brasileira da temática urbana, com o conflito de classes e personagens críveis dotados de verossimilhança sociológica. Apesar de parecerem datadas, devido aos discursos políticos muito claros, as obras mostram sua atualidade ao trazerem à tona a necessidade de por em cheque os discursos totalitaristas. Authur Miller o faz ao lançar um olhar de desconfiança sobre o “American Dream”, já Guarnieri denuncia a diferença de classe materializada pela separação entre cidade e favela, um dos maiores problemas sociais enfrentados pelo estado do Rio de Janeiro.

Palavras-Chave: dissonância; discursos totalitaristas; dramaturgia.

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SESSÃO 11
SESSÃO 11

WALSH DISSONANTE: UMA CRÍTICA AO PAPEL DO MILITAR E DO MILITANTE

Luana Siqueira Schweizer é estudante de mestrado em

Estudos de Literatura.

Seu

trabalho se filia à Linha de

Pesquisa

“Literatura,

Intermidialidade

e Tradução”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Rodrigo Labriola.

Luana Siqueira Schweizer lua.schweizer@gmail.com

Este trabalho faz parte do meu projeto de dissertação que visa trabalhar com as duas obras teatrais de Rodolfo Walsh(1927-1977), intituladas La Batalla e La Granada, ambas de 1965, sobre as quais não existe estudo realizado até o atual momento, bem como traduzí-las para o português do Brasil, a partir de uma abordagem da tradução como forma de leitura, já que “O tradutor se define como um leitor especial, que deve compreender e transmitir os efeitos de sentido e as funções comunicativas expressas.” (ARCAINI, 2008) Produzidas num contexto de ditadura militar na Argentina, esta pesquisa pretende focar na crítica sobre o papel do militar, bem como do militante, construída pelo autor. Para tal, partiremos do conceito de dissonância como “o problema teórico do intelectual frente às variadas ideologias, quer sejam elas hegemônicas ou não, e o problema histórico dos escritores diante do status quo, manifestado na esfera da política, da moral, dos costumes, da economia, etc”(ABRALIC, 2016). no qual se encaixa Walsh, para tentar compreender seus questionamentos. Como essa crítica é construídas a partir de um humor negro, assemelhando-se do teatro do absurdo, utilizaremos também o conceito de paródia, compreendido por Linda Hutcheon como “uma forma de imitação caracterizada por uma inversão irônica, nem sempre às custas do texto

parodiado. (

...

)

A paródia é, noutra formulação, repetição com distância crítica,

que marca a diferença em vez da semelhança.”( HUTCHEON, 1985, p. 17) . Sendo assim, pretende-se aqui trabalhar com o conceito de dissonância e paródia a fim de abrir caminho para a análise das peças, bem como para sua tradução, visando a criação de material referencial bibliográfico sobre essas obras, até então inexistente.

Palavras-Chave: Rodolfo Walsh; dissonância; teatro; paródia; tradução

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SESSÃO 12
SESSÃO 12

SSEESSSSÃÃOO 1122

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Renata Flavia Debatedor: Prof.ª Dr.ª Vanessa Ribeiro Teixeira 28/09 às 09h00 Sala 403B

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SESSÃO 12
SESSÃO 12

NOVAS SUBJETIVIDADES CRIADAS N’A CAVERNA CONTEMPORÂNEA

Adriana Gonçalves da Silva é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pelo Prof. Dr. Sílvio Renato Jorge.

Adriana Gonçalves da Silva adriana_ctn@hotmaill.com

O romance A caverna do escritor português José Saramago, publicado em 2000, traz como enredo o dilema vivenciado por uma personagem que possui sua identidade muito atrelada à sua profissão, trata-se de um oleiro chamado Cipriano Algor. Ocorre que a olaria e seus produtos não atraem mais consumidores e o Centro comercial com o qual Cipriano Algor mantinha transações em caráter exclusivo deixa de comprar seu fornecimento mediante o surgimento de um novo produto no mercado capaz de imitar o barro a baixo custo. O mercado é simbolizado por este Centro comercial e seu caráter agressivo, prefigurado no relato de sua expansão física em que ele altera a paisagem ao seu redor destruindo memórias daquele espaço. Sendo este Centro também de caráter residencial ele oferece um novo modus vivendi aos que optam por lá viverem. Em uma sociedade em que o valor do indivíduo passa a ser o seu poder de aquisição, personalidades são desconsideradas em prol do nascimento do indivíduo apenas enquanto consumidor. Nesse romance, em diversos momentos as subjetividades serão atingidas exigindo das personagens uma adaptação ou adequação ao que é imposto pela sociedade e de forma mais emblemática pelo mercado que gerencia os gostos e consumo. Objetiva-se neste trabalho apontar quais as formas de opressões vivenciadas pelas personagens e como elas alteram, ou deveriam alterar, suas subjetividades em prol da dinâmica de mercado. Para pensarmos as estratégias de poder utilizaremos contribuições de Foucault e em relação às subjetividades enquanto constructo do capital utilizaremos A corrosão do caráter de Sennett.

Palavras-Chave: A caverna; mercado; subjetividades.

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SESSÃO 12
SESSÃO 12

CAMILO CASTELO BRANCO: REVOLUÇÃO DA MARIA DA FONTE E QUESTÕES CEMITERIAIS EM PORTUGAL OITOCENTISTA

Guilherme Nogueira Milner é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pelo Prof. Dr. Silvio Renato Jorge.

Guilherme Nogueira Milner guilhermemilner@gmail.com

Em Portugal, no ano de 1846, as chamadas Leis de Saúde de Costa Cabral – de acordo com o pensamento sanitarista em voga na época – decretavam a fiscalização dos sepultamentos e reforçavam os decretos de Rodrigo da Fonseca Magalhães, datados de 1835, que proibiam o enterro ad sanctos apud ecclesiam, isto é, a inumação dentro das igrejas e perto dos mártires. Este costume milenar que, segundo Philippe Ariès, remonta ao século V e era bem enraizado tanto nos costumes da Igreja Católica quanto na população portuguesa que era majoritariamente cristã, vai sofrer um ataque de uma pequena “elite intelectual esclarecida” influenciada fortemente pelo modelo sanitarista dos cemitérios franceses do final do século XVIII e vai resultar na revolta da Maria da Fonte, em que mulheres armadas se levantaram contra a Junta de Saúde para enterrar na igreja um cadáver que, segundo as novas leis, deveria ir para o cemitério público. Então, à luz de Fernando Catroga, que estuda as questões cemiteriais em Portugal, e de Camilo Castelo Branco, romancista português que escreveu sobre a Maria da Fonte utilizando diversos apontamentos de generais e testemunhas da revolta, pensando por um eixo histórico, vamos apresentar neste trabalho como se deu essa mudança nos costumes funerários portugueses durante o século XIX.

Palavras-Chave: questões cemiterais; sociedade; morte; Maria da Fonte; Portugal.

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SESSÃO 12
SESSÃO 12

O CONSUMO DA MISÉRIA: RECEPÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA FAVELA EM QUARTO DE DESPEJO

Pedro Puro Sasse da Silva é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Carla de Figueiredo Portilho.

Pedro Puro Sasse da Silva pedro_sasse@hotmail.com

Em Ficção Brasileira Contemporânea, Karl Erik Schøllhammer chama à atenção para um crescente aumento na demanda do público brasileiro por realidade. Vemos, assim, a proliferação de literaturas de cunho documental, sejam elas biografias, reportagens históricas, diários etc. Um topos recorrente nesse tipo de obra, a representação de espaços marginalizados, sobretudo a favela, é amplamente abordada, seja na visão externa, e muitas vezes exótica, de intelectuais alheios àquela realidade, seja através da perspectiva dos próprios moradores dessas regiões, passando ainda por discursos de policiais, criminosos, políticos e presidiários. Se, hoje, tal modelo já se encontra plenamente instalado no mercado literário brasileiro, tanto na dita “alta literatura” quanto na literatura popular, a representação desse espaço remonta ao próprio surgimento das favelas. Autores como João do Rio e, posteriormente, Benjamin Costallat são bons exemplos de cronistas que já tentavam, no início do século XX, apresentar à realidade desses espaços, ainda que, fosse necessário mais de cinquenta anos até que a favela encontrasse voz para contar a si mesma. Nesse contexto, um caso parece de grande importância: em 1958, bem antes da consolidação de uma literatura marginal no Brasil, Audálio Dantas descobre na favela do Canindé, em São Paulo, dezenas de cadernos contendo o cotidiano sofrido de Carolina Maria de Jesus, negra, mãe solteira e catadora de lixo, publicados posteriormente sobre o título de Quarto de despejo (1960). Fenômeno literário ímpar à época, este trabalho pretende explorar de que forma a violência, o crime e o medo são representados na obra de Carolina de Jesus e como tais elementos colaboram para o sucesso do livro, estabelecendo, ainda, um diálogo com a recepção literária de seu contexto de produção e a tradição da representação da favela na literatura brasileira.

Palavras-Chave: favela; medo; cidade; violência; crime.

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SESSÃO 12
SESSÃO 12

O PRÉDIO ERA UM MUNDO, UM ESTUDO DO ESPAÇO HABITADO EM OS TRANSPARENTES

Renata

Cristine

Gomes

de

Souza

é

estudante

de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

História

e

Cultura”,

 

sendo

orientada

pela Prof.ª Dr.ª Renata Flavia da Silva.

Renata Cristine Gomes de Souza renataa_criss@hotmail.com

O prédio, em Os Transparentes, é lugar onde se concentra o núcleo principal da narrativa e por onde quase todos os personagens passam. Essa construção representará no romance um espaço em que se concentra narrativas diversas, reproduzindo uma pequena comunidade. Ele atua como uma unidade em que convergem várias histórias, lembranças e retratos de vários tempos que se juntam para formar essa unidade. Essa habitação é casa para alguns, refúgio, modo de obtenção de dinheiro e mais que isso, uma metáfora de esperança e resistência. É ele, que com suas águas, resiste ao fogo que toma a cidade de Luanda, tomando o lugar do protagonista, mostra a possibilidade uma comunidade pode sobreviver à barbárie. A água que inunda o primeiro andar do prédio, e que está em falta em toda cidade, pode ser vista como o resquício da utopia que o povo luandense perdeu e que reencontra quando se vê no momento em que a crise chega ao seu ápice. A partir do conceito de lugar habitado, de Paul Ricoeur e do estudo da construção do cenário distópico pensaremos como esse lugar figura como um símbolo de barbárie, de resistência e de representação do povo de Luanda e sua multiplicidade.

Palavras-Chave: distopia; resistência; utopia; comunidade.

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SESSÃO 13
SESSÃO 13

SSEESSSSÃÃOO 1133

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Olga Kempinska Debatedor: Prof.ª Dr.ª Vanessa Teixeira de Oliveira 28/09 às 14h00 Sala 405B

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SESSÃO 13
SESSÃO 13

OS PROCEDIMENTOS NA ARTE INESPECÍFICA DE ENSAIO GERAL

Eduarda da Silveira Moura é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Intermidialidade e Tradução”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Angela Maria Dias.

Eduarda da Silveira Moura dudamoura@gmail.com

Nuno Ramos, artista plástico, escritor, compositor e roteirista publica, em 2007, Ensaio geral: projetos, roteiros, ensaios, memória, cujos assuntos são os mais variados: vão de lances de futebol ao teatro de Nelson Rodrigues ou a arte de Goeldi nos ensaios, passando por projetos de suas próprias obras de artes plásticas, realizados ou não, e chegando a diários pessoas e de trabalho. A proposta é que a organização desses textos seja uma possibilidade de comunicação entre temas e materiais diversos, cujo contato traria novas leituras para os objetos de análise, no caso dos ensaios, e para os objetos artísticos, no caso dos roteiros e projetos de exposição. Assim, o livro se relaciona à sua atuação como artista visual não apenas por conter ensaios e projetos sobre esses trabalhos, mas também por buscar o choque, a heterogeneidade de materiais, algo que se vê nas suas pinturas já no início da carreira, em que às tintas adiciona madeira, tecidos, plásticos, feltro, vidro, entre outros materiais. Partindo dessas características, encontradas também em uma instalação do artista exposta no MAM/RJ em 2010, chamada Fruto estranho, Florencia Garramuño (2014) propõe uma reflexão sobre a inespecificidade na arte contemporânea e os desafios críticos que gera, em função do questionamento das categorizações e modelos tradicionais de leitura que coloca, estendendo o nome da instalação a outras obras contemporâneas que acredita colocar em questão a especificidade das artes e a ideia de pertencimento. Poderíamos, então, pensar Ensaio geral como um desses frutos estranhos, que exigiriam constante reformulação da abordagem crítica. Nesse sentido, é interessante refletir sobre possíveis procedimentos utilizados na composição do livro, como as ideias de bricolagem e tradução.

Palavras-Chave:

Contemporânea

Nuno

Ramos;

Interartes;

Artes

visuais;

Literatura

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SESSÃO 13
SESSÃO 13

OS VESTÍGIOS MEMORIAIS EM K. RELATO DE UMA BUSCA

e Sardenberg é estudante de

Gabriela

Guedes

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

“Literatura,

de

Pesquisa

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Chiarelli.

Dr.ª

Stefania

Gabriela Guedes e Sardenberg gabrieladeoguedes@gmail.com

Este artigo relata uma pesquisa sobre o poder da memória dentro de K. Relato de uma busca. Uma obra literária contemporânea que narra a busca incansável de um pai por sua filha durante os anos de chumbo do regime militar brasileiro. Para além da narrativa base, o autor – Bernardo Kucinski – procura recapitular os rastros apagados pela versão histórica dos fatos, elucubrando possíveis versões sobre os acontecimentos em busca de respostas. Em primeiro lugar, compararemos os embates por memória localizados na obra escolhida em relação aos ensaios de Jeanne Marie Gagnebin em Lembrar escrever esquecer que enlaçam esse tema. Em seguida, ilustrarei com passagens do texto literário a parte teórica postulada por Gagnebin. Pela observação dos aspectos analisados, as conclusões parciais apontam que o trabalho ficcional de Kucinski assume uma tarefa de historiador diante desse dever de memória para que esse passado não seja esquecido e para que a justiça continue sendo cobrada até que seja feita.

Palavras-Chave: memória; rastros; história.

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SESSÃO 13
SESSÃO 13

LUÍS MARTINS: A ANACRONIA ASCENDENTE

Luiz Jorge Soares Guimarães é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Olga Kempinska.

Luiz Jorge Soares Guimarães luizguimaraes@id.uff.br

Se, por um lado, o conceito do “novo” se dá por meio do fluxo no tempo histórico e de sua continuidade, em uma perspectiva progressiva, que muitas vezes tende, na mimesis, à imitação, ou emulação, dos autores tidos como clássicos (LONGINO), paradoxalmente, com o advento da modernidade, houve uma revolução nesse tipo de pensamento e o que tinha um caráter positivo e contínuo, passou, dentre tantos, a partir do conceito de estranhamento (procedimento violento que singulariza a forma e nega a história) de Viktor Chklovski (1917), a tender a uma negatividade desoladora, que desvincularia o presente do passado em prol de um eterno projetar-se, assim, distanciando-se também daquilo que se pretende perceber ou entender. Tais posições díspares encabeçaram este resumo, porque, assim como na medicina, a homeostase é a parte da ciência que estuda os sistemas abertos, neste projeto serão analisadas algumas características do ser do tempo e do seu contrário, a eternidade, do ser da palavra e o que o leva à essência pura platônica; sendo considerados como estruturas abertas, esses elementos, para que se possa averiguar o romance Lapa, de Luís Martins, que, do mesmo modo que estas “passagens” ou “entre lugares” funcionam de forma cindida – dando margem tanto à positividade quanto à negatividade –, também no romance, as suas principais fissuras e incompletudes, referentes às questões temporais e aos ímpetos de sublimação, serão dissecadas de forma que se possa perceber o que faz do livro uma obra que resiste, ainda que fantasmaticamente, na literatura brasileira, e costurar-se-ão as possíveis fendas com a agulha da teoria. Para, por fim, um estudo clínico do romance martiniano supramencionado, este projeto vale-se dos seguintes autores:

Longino, Benjamin, Chklovski, Didi-Huberman, Koselleck, Kristeva, Ricouer, entre outros; por debruçarem-se sobre o estudo da temporalidade.

Palavras-Chave: anacronia; eternidade; tempo.

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SESSÃO 13
SESSÃO 13

MEMÓRIA E FRAGMENTO EM K. - RELATO DE UMA BUSCA

Thaís Sant'Anna Marcondes é estudante de mestrado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Lucia Helena.

Thaís Sant'Anna Marcondes thais.santanna@ymail.com

Este trabalho tem por objetivo analisar de que maneira Kucinski entrelaça um acervo de fragmentos pseudo-autobiográficos com a angústia do tempo ditatorial, no livro K. - Relato de uma busca. Neste sentido, começamos por abordar a questão histórica do livro a partir da leitura de Benjamin, numa visão qualitativa do tempo, em que se privilegia a vivência dos que fracassaram, trazendo à tona a memória dos fracassos tal como ela é lembrada no momento da escrita. Dado que nossa memória coletiva sobre essa época é cheia de lacunas impossíveis de serem preenchidas, o autor faz uso da fragmentação de pontos de vista em seu tecido narrativo, gerando uma plurivocidade de testemunhas. Para analisar essa forma de rememorar, partimos das reflexões teóricas de Ecléa Bosi, que põe em discussão os múltiplos caminhos pelos quais se constroem a memória. Por fim, este trabalho procura também refletir sobre o modo como o autor lida com o par “realidade X ficção”. A personagem desaparecida do livro é a irmã do próprio Bernardo Kucinski e o personagem central da maioria dos capítulos é seu pai. Além disso, o título da obra nos remete a um gênero textual composto a partir da memória real de quem o escreve. Para tratar disso, retomamos os estudos de Lejeune sobre o “pacto autobiográfico”. Assim, pretendemos propor uma leitura do livro não como simples busca de um pai pela filha desaparecida, mas uma obra que se propõe como reinvenção da memória deixada de lado pela história, num jogo em que as fronteiras da autobiografia e da ficção se confundem, se desgastam.

Palavras-Chave: memória; ditadura; fragmentação; auto-ficção

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SESSÃO 14
SESSÃO 14

SSEESSSSÃÃOO 1144

Coordenador: Prof. Dr. Franklin Dassie Debatedor: Prof.ª Dr.ª Viviane Vasconcelos 28/09 às 14h00 Sala 212C

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SESSÃO 14
SESSÃO 14

MANUEL BANDEIRA, UM POETA ENTRE DOIS ESPAÇOS

André

Furtado

da

Cruz

é

estudante de doutorado em

Estudos de

Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Celia Pedrosa.

André Furtado da Cruz cruz.andre.f@hotmail.com

Estaria a linguagem poética separada da vida e da linguagem prosaica? A partir dessa pergunta-chave, o objetivo deste trabalho é investigar de que forma Manuel Bandeira, através da sua simplicidade, aproxima o trivial do sublime em meio a fragmentos de memória e a melancolia transformada em sensibilidade e potência estética.

Palavras-Chave: Bandeira; melancolia; sublime

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SESSÃO 14
SESSÃO 14

A PALAVRA-JARDIM E O SAGRADO IMANENTE: ENTRE A SELVAGERIA E A JARDINAGEM POÉTICA

Elisa

Duque

Neves

dos

Santos

é

estudante

de

doutorado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Intermidialidade

e Tradução”,

sendo

orientada

 

pelo

Prof.

Dr.

Adalberto Müller Jr.

 

Elisa Duque Neves dos Santos elisaduque@ig.com.br

Neste trabalho, pretendo apresentar o projeto de tese em curso e sua atual evolução. A partir do estudo sobre a relação poesia-natureza-sagrado imanente e um corpus de poemas (ainda em seleção) que tratam de imagens que remetem ao ambiente do jardim (pretendemos continuar a investigar o lugar- fronteira da linguagem poética: entre o cultivo e a selvageria. Desejo partir do desenvolvimento do conceito de palavra poética como uma “palavra-jardim” :

no mesmo tempo em que é cultivada e cercada pela seleção, cortes e escolhas inerentes do labor poético, escapa, interage e simula uma natureza bárbara, que foge a uma delimitação que poderá ser aproximada à transgressão do interdito para se atingir uma “continuidade sagrada”. Com o apoio dos pensamentos de Bataille, Deleuze, Whitehead e sua concepção de natureza em devir (becoming) , o interesse é o de pensar a palavra-jardim para além de imagens temáticas, mas como uma “oferta natural” : o sacrifício do código para o êxtase de uma comunhão (por vezes erótica) com o ambiente natural (paisagens silvestres e animalidades em devir) e de como nessa relação sobrevive o vínculo de encantamento da íntima troca e da relação orgânica entre os poemas e o mundo.

Palavras-Chave: poesia, natureza, jardim, sagrado

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CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS

CADERNO DE RESUMOS DO VII SEMINÁRIO DOS ALUNOS DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE LETRAS DA UFF

SESSÃO 14
SESSÃO 14

O TRABALHO POÉTICO EM UM TOLDO VERMELHO: A RELAÇÃO DA IMAGEM COM O INDIZÍVEL

Juliana

Jordão

Canella

Valentim

é

estudante

de

mestrado em Estudos de

Literatura.

Seu trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela Prof. Dr. Luis Maffei.

Juliana Jordão Canella Valentim jjcvalentim@gmail.com

Na constituição da obra poética de Joaquim Manuel Magalhães, o termo reescrita, pensado como a rasura de uma escrita anterior, torna-se uma chave de leitura para o livro Um toldo vermelho, publicado em 2010. Neste livro, consta na nota final que os poemas ali reunidos substituiriam toda a obra poética anterior, espalhada em mais de nove publicações poéticas, antologias e publicações esparsas em periódicos. Desde a publicação de Dois Crepúsculos, antologia crítico-ensaística sobre poesia portuguesa Pós 45, Magalhães revela a sua predileção por escritores que trazem como característica a metamorfose da linguagem literária. Esta bagagem teórica é aprendida através da observação do trabalho poético de Carlos de Oliveira e Herberto Helder. Mas, na produção poética de Um toldo vermelho, influenciada por estes nomes, o projeto textual sofre drásticas alterações. Ao invés de modificar apenas acentos gráficos, síndetos ou, como Herberto Helder, pensar num poema contínuo, Magalhães rasura versos, suprime conectivos e altera a organização narrativa, comum à sua escrita. Este projeto poético altera a compreensão das imagens e desloca o sujeito poético para o lugar do desconcerto. A imagem, na sua relação com a obra de arte, aparenta ser o índice de sobrevivência, para citar uma palavra de Didi-Huberman, da violenta rasura poética de Joaquim Manuel Magalhães. Esta comunicação pretende estudar a imagem e a rasura dentro de uma seção do último livro deste autor através do recorte que abarca “Alta noite em alta fraga”, última parte de Um toldo vermelho.

Palavras-Chave: rasura; reescrita; poesia portuguesa contemporânea.

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SESSÃO 14
SESSÃO 14

MELANCOLIA E RITMO NA POESIA DE MANUEL ANTÓNIO PINA

Paloma Roriz é estudante de doutorado em Estudos de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura,

 

História

e

Cultura”,

sendo

orientada

pela Prof.ª Dr.ª Ida Alves.

Paloma Roriz

palomaroriz8@gmail.com

O presente trabalho pretende refletir acerca da obra poética do escritor Manuel António Pina tendo por foco a forma pelo qual alguns aspectos significativos de sua poética problematizariam, a partir do próprio pathos da poesia, os limites entre forma e pensamento. Partindo da ideia de que a oscilação reflexiva em torno da linguagem, muito presente na poesia do autor, em sua dicção autorreflexiva e metalinguística, resultaria de uma palavra poeticamente cindida, entre as faces “pensante” e “poética” da linguagem, seguindo uma proposição de Giorgio Agamben, propomos então pensar de que maneira a noção de ritmo, ritmo enquanto “dom” e “reserva”, “quando capaz de desvelar uma dimensão mais original do tempo”, ainda nas palavras de Agamben, assim como uma noção privilegiada para se refletir o espaço de atrito entre poesia e pensamento, pode se traduzir no trabalho de Pina na procura incessante de um lugar original das palavras, em sua natureza íntima e imaterial, num desejo de regresso e busca de estado primordial, sob o signo de uma melancolia materializada na intermitência das imagens da infância e da casa, por exemplo, elementos que configurariam um lirismo especulativo muito peculiar, em diálogo com certa tradição da modernidade, no cenário da poesia portuguesa contemporânea.

Palavras-Chave: melancolia; ritmo; poesia

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SESSÃO 15
SESSÃO 15

SSEESSSSÃÃOO 1155

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Maria Lucia Wiltshire Debatedor: Prof. Dr. Luiz Fernando Medeiros de Carvalho 28/09 às 14h00 Sala 218C

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SESSÃO 15
SESSÃO 15

BALZAC - O ROMANCE DA SUA VIDA

Carlos Eduardo do Prado é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientado pela Prof.ª Dr.ª Maria Elizabeth Chaves de Mello.

Carlos Eduardo do Prado cadupradofr@gmail.com

Esta comunicação apresenta o início da nossa pesquisa desenvolvida para a construção da tese de doutorado, cujo objetivo será analisar a biografia escrita sobre Balzac por Stefan Zweig, tendo como problemática principal a relação entre biografia e biografado e sua conexão com a vida retratada, bem como o espaço ficcional e seus conflitos existenciais. A biografia neste trabalho não será vista como simples reflexo, mas como o vazio a ser preenchido pela pena do autor/personagem. O tempo vivido, agora biografado, permite que os personagens se liberem dos limites impostos pelo real. Neste processo, o narrador é o elo fundamental entre o real e o ficcional e suas contribuições são fundamentais para a construção da narrativa biográfica. Honoré de Balzac teve uma vida muito agitada, marcada por grandes e eloquentes ideias e uma quantidade infindável de dívidas, que o levaram a escrever para sobreviver. De família burguesa, foi desprezado por uma mãe que o via como um fracassado. Guiado por ideias grandiosas de riqueza e luxo, Balzac se aventurou na grande Paris do século XIX, infiltrando-se nos salões (e também na intimidade) de algumas representantes da antiga monarquia francesa, que ainda sobreviviam neste cenário. Adorado pelo público, foi ignorado em vida pelos colegas escritores e pela Academia Francesa de Letras. Sua vida foi um grande romance. Será a partir dos elementos deste mundo de Balzac, que surgirá em 1950 o romance biográfico Balzac – le roman de sa vie, no qual Stefan Zweig não apenas escreve uma biografia, mas devido ao seu magistral talento como escritor e biógrafo, temos a oportunidade de ver uma apaixonada evocação do mito Balzac.

Palavras-Chave: Balzac; biografia; Stefan Zweig.

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SESSÃO 15
SESSÃO 15

ENTRE DIVÓRCIO E ASSASSINATOS, A DUPLA RASURA: O REAL E O FICTÍCIO EM DIVÓRCIO E DELEGADO TOBIAS, DE RICARDO LÍSIAS

Daiane Crivelaro de Azevedo é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Diana Klinger.

Daiane Crivelaro de Azevedo daianecrivelaro@gmail.com

As recentes publicações de Ricardo Lísias, os folhetins Delegado Tobias, trouxeram à tona a discussão já iniciada com a publicação de Divórcio. Quando trazido a público, em 2013, o romance coloca em xeque o estatuto ficcional ao apresentar Ricardo Lísias não só como autor e narrador, mas, principalmente, como personagem. A narrativa, que gira em torno de um divórcio vivenciado, apropria-se do real para rasurá-lo a partir da incorporação entre o documental e o ficcional, tendência contemporânea segundo Beatriz Rezende (2008). Embora o nome de sua ex-esposa não esteja exposto, o leitor que desconfia dos limites entre narrador, personagem e autor, em uma breve pesquisa, encontra sua identidade. Com a publicação do romance, a fissura entre o real e fictício ultrapassa as páginas do livro e ganha repercussão para além da ficção: a jornalista é demitida e inicia um processo jurídico contra o ex-marido. Vítimas da midiatização tratada por Leonor Arfuch, o trama das intersubjetividades proposto por Lísias provoca a superposição do privado ao público, atendo-se a este como possível espaço de aprovação ou reprovação – literária, ética –, de modo que “a literatura se apresentava, assim, como uma violação do privado, e o privado servia de garantia precisamente porque se tornava público” (2010, p. 46). E é exatamente em cima da argumentação ficcional que Lísias assegura-se à literatura e vence o processo, alegando, a partir de passagens do próprio romance, a inserção no universo ficcional. Essa ocorrência, apropriada pelo autor-gesto, como traço identitário, interessa à literatura ao dialogar a literatura pós-autônoma discutida por Josefina Ludmer. Diante disso, a presente proposta busca analisar tanto a rasura do real na construção de um gênero narrativo como a apropriação da ficção literária como argumento nos processos jurídicos aos quais Lísias está submetido, utilizando-nos, também, dos estudos de Florencia Guarramuño e Diana Klinger.

Palavras-Chave: ficção; jurisdição; rasura; autoficção, Ricardo Lísias.

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SESSÃO 15
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VOZES E SENTIDOS NA NARRATIVA: UM ESTUDO DE "A ETERNIDADE E O DESEJO", ROMANCE DE INÊS PEDROSA.

Deborah Simões Colares Raposo é estudante de graduação e bolsista do PIBIC. Desenvolve pesquisa filiada à Linha de Pesquisa “Literatura, Teoria e Crítica Literária”, sendo orientada pela Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira.

Deborah Simões Colares Raposo deborah.colares@yahoo.com.br

Este trabalho procura fazer uma análise das vozes narrativas que compõem a obra A eternidade e o desejo (2007), de Inês Pedrosa, escritora portuguesa, a partir do funcionamento da imagem enquanto unidade mínima da linguagem literária, através da instabilização das fronteiras entre o real e o ficcional. Tal instabilização faz surgir uma estética capaz de atravessar o discurso convencional, ultrapassando-o, sendo, portanto, transitiva. Compreende-se, assim, que toda escrita é fragmento, uma vez que nunca alcança a realidade já vivida: ao ser transposto para palavras, um evento passa a ser ressignificado, o que provoca a dissociação permanente dentro do sujeito. Além disso, tal instabilidade evidencia uma linguagem literária ricamente trabalhada na criação de novas palavras e combinações sintáticas, indo muito além das figuras de linguagem comumente estudadas (que levam em consideração as associações por semelhança e as associações por contiguidade). Por apresentar vários narradores e uma linguagem de caráter poético, o livro foi analisado a partir das ideias de Barthes, Foucault, Octavio Paz, recorrendo-se ainda ao crítico português Pedro Eiras. A análise das vozes narrativas permitiu entender a obra literária enquanto jogo de representações, sendo estas as responsáveis pela pluralidade de sentidos, tanto no interior da história quanto para além da diegese. Cada voz narrativa apresentada, portanto, constrói imagens carregadas de sentido, força e ilustração, o que faz surgir, aos olhos do leitor, a instabilidade entre prosa e poesia enquanto modalidades textuais. Afinal, são as imagens construídas na abstração do que é lido, que alargarão a visão mimética, ou seja, de simples imitação para recriação da realidade que nos rodeia.

Palavras-Chave: imagem; representação; vozes; narrativas; Inês Pedrosa; A eternidade e o desejo

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SESSÃO 15
SESSÃO 15

LIVRO-FONTE E LABORATÓRIO DA ESCRITA: PRÓLOGO DE UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A OBRA DE MARIA GABRIELA LLANSOL

Louise Ribeiro

da

Cruz

é

estudante de mestrado em

Estudos de Literatura.

Seu

trabalho

se filia

à

Linha de

Pesquisa “Literatura, Teoria

e

Crítica

Literária”,

sendo

orientada

pela

Prof.ª

Dr.ª

Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira.

Louise Ribeiro da Cruz louiseribeirodacruz@hotmail.com

A investigação tem como Objetivo Geral mostrar que escritos constantes em Uma data em cada mão - Livro de Horas I, publicados, em 2009, após a morte de sua autora - Maria Gabriela Llansol - são, em realidade, laboratório material e, especialmente, imaterial da escrita que possibilitou aquela escritora lusitana engendrar seu livro-fonte, O Livro das Comunidades, obra publicada em 1977. Como um Objetivo Específico à consecução da pesquisa, examina- se a escrita não-representacional presente nas duas obras supracitadas, com o propósito de analisar a problematização da escrita de si em face de entrecruzamentos de ficções e relatos autobiográficos; i.e., de elementos literários e históricos. No processo investigatório, relevante - mas não único - aspecto examinado do quadro teórico-metodológico da escrita de si llansoliana é a imagem de Tomás Műntzer como figura de defesa de oprimidos e silenciados. Nesse sentido, mediante urdidura de fragmentos correlacionados à imagem de Müntzer existentes em Uma data em cada mão - Livro de Horas I com outros afetos a tal figura histórica que transmigram para O Livro das Comunidades já se evidencia (como resultado parcial) não apenas a demonstração do Objetivo Geral da pesquisa como também a ocorrência de transbordamento dos limites da História e da Literatura na medida em que, ultrapassando-os e transpassando-se são proporcionadas ao legente imaginativas leituras de ‘novas verdades’ sobre fatos e figuras históricas correlacionadas; bem como se possibilita - de forma inovadora - o enaltecimento de sujeitos (notáveis e anônimos) e, por conseguinte, a comunhão deles em comunidades (atemporais) silenciadas que granjeiam estatura de visão própria e vozes a serem ouvidas.

Palavras-Chave: escrita de si; imagem; representação; Tomás Műntzer

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SESSÃO 16
SESSÃO 16

SSEESSSSÃÃOO 1166

Coordenador: Prof. Dr. Silvio Renato Jorge Debatedor: Prof.ª Dr.ª Luci Ruas 28/09 às 14h00 Sala 505C

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SESSÃO 16
SESSÃO 16

A FOTOGRAFIA EM CONTEMPLACAO DE FRANZ KAFKA

Juliana

Seroa

da

Motta

Lugao

é

estudante

de

doutorado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Intermidialidade

e

Tradução”,

sendo

orientada

 

pela

Prof.ª

Dr.ª

Susana Kampff Lages.

Juliana Seroa da Motta Lugao julianalugao@gmail.com

O objetivo da comunicação é apresentar como a fotografia, técnica em desenvolvimento e expansão no inicio do século 20, se faz presente na escrita de Contemplação, primeira publicação de Franz Kafka. A mesma fotografia aparece como motivo nas outras prosas do autor, como Amerika, O Processo, O Veredito (Carolin Duttlinger). Contemplação, entretanto, traz a fotografia na forma da escrita. O conjunto de prosas curtas, publicado em 1912, é mencionado em cartas, pelo próprio autor, como uma retrato pessoal muito mais fidedigno do que a própria fotografia seria capaz de produzir. A comunicacao contará com a análise de alguns trechos de Contemplação e recorrerá aos escritos íntimos do autor natural da Republica Tcheca. Ao mencionar a publicação de Contemplação e o processo da escrita ao lado de outros temas em suas cartas e diários, Kafka ajuda o leitor de sua obra a traçar algumas chaves de leitura, que serão aqui percorridas, ainda que não exaustivamente.

Palavras-Chave: Franz Kafka; contemplação; cartas; fotografia

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SESSÃO 16
SESSÃO 16

ORNAMENTO E CONTRAPONTO: ELEMENTOS DA MUSICALIDADE EM LOBO ANTUNES

Mariana Andrade da Cruz é estudante de doutorado em

Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura,

Intermidialidade

e Tradução”, sendo orientada pela Prof. Dr. Silvio Renato Jorge.

Mariana Andrade da Cruz mariana.and@hotmail.com

O objetivo do presente trabalho será apresentar como, em alguns romances da fortuna literária do escritor contemporâneo português António Lobo Antunes, o diálogo interartes se estabelece. Pensamos de maneira mais concreta na ligação entre literatura e música, valendo-se a primeira de métodos artísticos originalmente trabalhados pela segunda para constituir um modo de dizer que é bastante característico dos romances do autor em questão, desde os seus primeiros textos, integrantes da fase de aprendizagem, até as publicações mais recentes. Pensamos, mais especificamente, nas características próprias da música barroca, aqui representadas por duas palavras-chave: ornamento e contraponto. Seria o ornamento a potencialidade demonstrada pelas composições em inclinar-se para a virtuose, flexibilizando-se, ainda que todo o improviso estivesse baseado em uma estrutura organizacional rígida, geométrica. O contraponto, por sua vez, residia na construção de uma espécie de diálogo entre os instrumentos musicais, de maneira que o mesmo tema fosse abordado por diferentes componentes da orquestra, cada um por vez. Essas duas vertentes da musicalidade manifestam-se, na ficção de António Lobo Antunes, tanto pela construção do discurso narrativo, que joga elipticamente com as palavras e frases, quanto pela maneira como os romances são estruturados, em um constante trabalho com a polifonia. A análise intersemiótica por ora proposta faz parte da pesquisa, em andamento, de Doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

Palavras-Chave: ornamento; contraponto; António Lobo Antunes; musicalidade; diálogo interartes.

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SESSÃO 16
SESSÃO 16

PELA ÁGUA, PELO CÉU: MEMÓRIA, PAISAGEM E ARTE NO PERCURSO AUTOBIOGRÁFICO DE MÁRIO CLÁUDIO

Mariana Caser da Costa é estudante de doutorado em Estudos de Literatura. Seu trabalho se filia à Linha de Pesquisa “Literatura, História e Cultura”, sendo orientada pela Prof. Dr. Luis Maffei.

Mariana Caser da Costa caser.mariana@gmail.com

Será apresentado, a título de diálogo com os pares acadêmicos, o projeto de tese de doutoramento, recentemente defendido no Exame de Qualificação. Tal projeto se baseia em parte da obra do escritor português Mário Cláudio, a saber: a trilogia que se debruça sobre os ancestrais do artista, composta por A Quinta das Virtudes, Tocata para dois clarins e O Pórtico da Glória; sua autobiografia ficcionalizada, Astronomia, além de Meu Porto, texto híbrido que recolhe registros memorialísticos, históricos e artísticos sobre cidade natal do escritor. Tem por objetivo percorrer o mencionado trajeto literário, que converge na figura do próprio Mário Cláudio, sob as vias exegéticas da água e do céu, buscando, respectivamente, nos livros componentes da trilogia e na autobiografia, citações, alusões e imagens relativas a esses signos, de forma a construir, partindo do conteúdo artístico destacado em Meu Porto, leituras relacionadas ao tripé memória-paisagem-arte, estrutura que não apenas delineia os capítulos da tese, mas, principalmente, serve como fio condutor do estudo em andamento. O corpus teórico-crítico expande o da pesquisa desenvolvida, em nível de Mestrado, acerca de traços barrocos na escrita marioclaudiana e, nesse sentido, parte dos procedimentos habituais de sua escrita, tais como a autorreferência e a metalinguagem, para, na pesquisa atual, buscar elementos comprobatórios de uma estética que, ao colocar-se em xeque, dialoga com outras formas de arte. Para isso, lança mão de uma bibliografia abrangente, que inclui, fundamentalmente, estudos acerca da memória pessoal e da coletiva, da paisagem e das questões intersemióticas. Assim, pretende-se verificar que a relação que a literatura de Mário Cláudio estabelece com demais textos literários, bem como com outras linguagens artísticas, canônicas ou não, tem por finalidade a construção de imagens pela via da palavra, mas, especialmente, busca construir um espaço de reflexão sobre a função da própria arte.

Palavras-Chave: diálogo interartes; literatura; outras artes; Porto; Mário Cláudio.

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SESSÃO 16
SESSÃO 16

O VOO ARTÍSTICO DE LEONARDO DA VINCI: DE SUA EXISTÊNCIA HISTÓRICA A RETRATO DE RAPAZ, TRAÇANDO CAMINHOS DE LEITURA

Thiago

Felipe

 

dos

Reis

Almeida

é

estudante

de

mestrado

em

Estudos

de

Literatura.

Seu

trabalho

se

filia

à

Linha

de

Pesquisa

“Literatura, Intermidialidade

e

Tradução”,

sendo

orientado

 

pela

Prof.

Dr.

Silvio Renato Jorge.

 

Thiago Felipe dos Reis Almeida tf_almeida@id.uff.br

Tendo como objeto de análise a novela Retrato de Rapaz, do autor português contemporâneo Mário Cláudio, o presente trabalho se propõe a destacar elementos da biografia do artista italiano Leonardo Da Vinci, cuja vida é ficcionalizada na novela, relevando sobretudo características de sua produção artística e de suas teses como teórico das artes que tragam contribuições para uma nova possibilidade de leitura da obra. Por tais motivos, a análise feita tentará, em um primeiro momento, buscar compreender que elementos da biografia do artista são revisitados e citados por Mário Cláudio em sua novela e qual a relevância que a percepção desse processo de seleção traz para o entendimento da narrativa. Em seguida, buscar-se-á destacar de que maneira elementos da crítica de Da Vinci às artes e de sua produção artística se relacionam, ressaltando seu característico experimentalismo e sua reflexão acerca da função das artes pictóricas e como tais fatores se refletem em práticas e métodos artísticas realizados por ele, com ênfase especial em seus desenhos, tipo de arte pictórica privilegiada na novela. Por fim, o trabalho visa demonstrar possíveis modos pelos quais a narrativa de Mário Cláudio se relaciona com essas técnicas artísticas, sobretudo no caso do componimento inculto, estabelecendo também ela um processo de reflexão-crítica-produção do próprio fazer literário.

Palavras-Chave: romance português contemporâneo; Mário Cláudio; diálogos interartes; Leonardo Da Vinci

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SESSÃO 17
SESSÃO 17

SSEESSSSÃÃOO 1177

Coordenador: Prof. Dr. Pascoal Farinaccio Debatedor: Prof.ª Dr.ª Carmen Lucia Negreiros 28/09 às 09h00 Sala 214C

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SESSÃO 17
SESSÃO 17

REFLEXÕES EM TORNO DO DESASSOSSEGO

Carlos Henrique dos Santos

Pinto