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AGRADECIMENTOS
A professora Tauana Mendes Nunes que do começo ao fim nos
acompanhou nessa luta para chegarmos ao final dessa jornada.
A professora Elzi de Fátima por sempre nos levantar e nos fazer
acreditar que, sim, é possível passar por todas essas dificuldades e ter a vitória.
Á Professora Cecília Lima Navarro que apesar da sua curta estadia
conosco, soube nos passar grande sabedoria e conhecimentos fazendo-nos
acreditar que sonhos podem se tornar realidade.
Às nossas amigas de turma, por ter caminhado todas juntas nessa
conquista.

2014. . Palavras-chave: Serviço Social. Muriaé. Trabalho de Conclusão de Curso Graduação Serviço Social – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas. 47 folhas. Questão Social.. o Assistente Social deve levar em consideração a legislação que protege crianças e adolescentes de todas as formas de expressão da Questão Social. junto com os conselheiros tutelares mais uma ferramenta de defesa de crianças e jovens em situação de risco e com seus direitos violados. RESUMO As perspectivas para o Serviço Social e os órgãos de garantia de direitos estão passando por transformações na sociedade atual. Para que haja efetivação dos atendimentos e dos encaminhamentos de uma forma abrangente. SERVIÇO SOCIAL e CONSELHO TUTELAR: Perspectivas para a garantia de direitos. Violação de direitos. ECA. 2014. Universidade Norte do Paraná. As equipes multidisciplinares que atuam nos CRAS e nos CREAS formam.

SOCIAL SERVICE AND GUARDIANSHIP COUNCIL Prospects for securing rights. the Social Worker should consider legislation that protects children and adolescents from all forms of expression of Social Issues. Multidisciplinary staff working in CRAS and CREAS form. . Social Issues.. 2014. Muriaé. 2014. along with council members another tool to defend children and youth at risk and their rights violated. ECA. 47 folhas. So there effectiveness of care and referrals in a comprehensive manner. Universidade Norte do Paraná. Key-words: Social Service. Violation of rights. Trabalho de Conclusão de Curso EM Serviço Social – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas. ABSTRACT Prospects for Social Service agencies and warranty rights are undergoing transformations in society today.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas UNOPAR Universidade Norte do Paraná CT Conselho Tutelar ECA Estatuo da Criança e do Adolescente CF/88 Constituição Federal de 1988 CM Código de Menores CMM Código Mello Mattos LBA Legião Brasileira de Assistência SDH Secretaria de Direitos Humanos TJ Tribunal de Justiça MP Ministério Público CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CEDCA CMDCA CSSF Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Comissão de Seguridade Social e à Família .

........................................................................................................................................................................................................................................13 2 DESENVOLVIMENTO...................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..............................17 3 CONCLUSÃO.......................47 ..................................................42 REFERÊNCIAS..............................................

. Podemos perceber que como é uma parte da população que ainda não é considerada cidadã enquanto não possui título de eleitor. E os:  Objetivos específicos: . o abuso. entre elas.13 1 INTRODUÇÃO O objetivo desse texto é analisar e avaliar o papel dos Conselhos Tutelares no Brasil através de estudos bibliográficos que se reportam ao tema. .Identificar a necessidade de graduação para conselheiros tutelares. a negligência entre outras.Proporcionar a abertura de novos campos de trabalho para profissionais graduados dentro da área das ciências sociais. a efetivação de políticas públicas em sua defesa ainda está passando por transformações. a violência. . Atualmente são muitas as violações sofridas por essa parte da população. O problema da pesquisa que deu origem a esse texto é: os Conselhos Tutelares estão preparados para o enfrentamento dessa expressão da Questão Social que é a vulnerabilidade a qual estão expostas crianças e adolescentes? Com a identificação do problema podemos estabelecer como:  Objetivo Geral: compreender que os Conselhos Tutelares são falhos desde que não exigem graduação para seus membros.Efetivar assistentes sociais e outros profissionais graduados como interventores da realidade social dos Conselhos Tutelares.

estaduais e municipais. Esse termo pejorativo sugeria que esses sujeitos eram menores em sua concepção de direitos em contra partida aos adultos. Esta doutrina reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e pessoas em estágio diferente do desenvolvimento enquanto seres. Para que haja um entendimento maior da abordagem do tema será necessário um resgate histórico das lutas pela implantação da garantia dos direitos da criança e do adolescente. haja visto que o surgimento dos órgãos de proteção e defesa foram colocados em prática no final do século passado. Tanto o usuário pode ficar prejudicado quanto o próprio agente de defesa da criança e do adolescente. . Falar em direitos de crianças e adolescentes é trabalhar um tema relativamente novo. Como forma de zelar pelos direitos da criança e do adolescente é surgiram os vários organismos de proteção que englobam as esferas federais. Essa diferenciação faz com que esses seres tenham prioridades à frente das legislações e possam usufruir de tudo aquilo que a idade lhes permite. órgãos de garantia de direitos não deve ficar à mercê de pessoas leigas e sem conhecimento específico da área de atuação.14 Podemos então entender que os Conselhos tutelares. Os direitos da criança e do adolescente é um conjunto de normas que tem como principal objetivo organizar a sociedade para zelar e cuidar desses sujeitos. É um ramo jurídico próprio com legislação que consagra a proteção integral. O termo “menor” usado até bem pouco tempo para classificar o não-adulto foi substituído por criança e adolescente. A Política de Atendimento abrange direitos integrais e permanentes que são originados das pesquisas científicas com crianças e adolescentes em situação de risco ou vulnerabilidades.

Assim sendo. podemos colocar que enquanto reconhecedor das expressões da Questão Social os profissionais de Serviço Social estão aptos a atuar à frente dos Conselhos Tutelares como forma de garantir a preservação da integridade física. Muitos documentos já publicados também poderão fazer parte desse estudo e demais materiais bibliográficos que poderão ser encontrados no ambiente virtual. Será feito um resgate histórico dos movimentos que deram origem à defesa e proteção à infância e juventude no Brasil e sua aplicabilidade nos estados e municípios. A discussão apresentada neste artigo tem como objetivo contribuir para que o papel dos conselhos tutelares deixe de ser um mero espectador das vulnerabilidades enfrentadas por crianças e adolescentes e passe a ser autor e protagonista das políticas de direito. estaduais e municipais que tem por obrigatoriedade a defesa. mental e moral das crianças e adolescentes. Para esse artigo o objeto do estudo terá seu embasamento nas leis do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e fará uma análise crítica dos organismos federais.15 O Serviço Social como profissão de lutas pelas liberdades e por direitos é a principal forma de intervenção para que haja aplicabilidade das leis. A criação dos Conselhos Tutelares foi uma exigência da sociedade civil enquanto primeira instância de proteção da população infanto-juvenil. mas principalmente há . a proteção e o cumprimento das legislações com as crianças e adolescentes e seus direitos. A Constituição Federal de 1988 (CF/88) é a maior representação de democracia e de implementação de políticas sociais que visam os direitos essenciais dos cidadãos.

Com a constituição cidadã.16 uma severidade quanto à responsabilização do Estado de garantir que os direitos das crianças e dos adolescentes sejam cumpridos. como é conhecida. . A coletividade tem então oportunidade de reconhecer os “menores” como sujeitos de direitos e de proteção social. a sociedade passou a encarar como seu um papel que até então era exclusivo da cada bloco familiar em sua individualidade. Esse estudo está complementado com as publicações de autores especializados no tema Serviço Social e Conselhos Tutelares.

A Igreja Católica. Apenas alguns jovens de famílias abastadas podiam estudar e se especializar em profissões exclusivamente machistas como advogados. Aos poucos o olhar sobre as crianças. enquanto pioneira em assistência social juntamente com seu corpo voluntário tiveram um papel importantíssimo na busca pela escolarização desses agentes sociais implantando as primeiras escolas de graduação tanto para moças quanto para rapazes. Muitas dessas em idade precoce assumiam as responsabilidades familiares onde essa temática era mais uma situação vista como normalidade por essa sociedade tipicamente machista. pois essa atividade era considerada exclusivamente feminina. Durante a implantação tardia da indústria no Brasil ficou configurado que as famílias que possuíam mais membros teriam maiores oportunidades de melhorar a situação financeira dando origem ao êxodo rural e a um aumento populacional das grandes cidades configurando assim o início da Questão social.17 2 DESENVOLVIMENTO Durante o século XVIII o Brasil vivenciou uma infância que analfabeta e trabalhadora dentro de uma sociedade rural e conservadora. principalmente as mais pobres. oriundas do êxodo rural e tendo que trabalhar na indústria foi adquirindo uma realidade gritante que exigia do Estado respostas efetivas na busca por direitos para esses sujeitos. Para as moças só restava se preparar para o casamento e a constituição de famílias. Os meninos ajudavam nos afazeres das lavouras e da pecuária enquanto as meninas bordavam e ajudavam nos serviços domésticos. . médicos e dentistas.

§ 5º No caso de alienação da mulher escrava. nascidos desde a data desta lei. infligindo-lhes castigos excessivos. se não houver accôrdo sobre o quantum da mesma indemnização. A Princeza Imperial Regente. por sentença do juizo criminal. § 6º Cessa a prestação dos serviços dos filhos das escravas antes do prazo marcado no § 1°. porém. que sejam cedidos ou abandonados pelos senhores dellas. § 7º O direito conferido aos senhores no § 1º transfere-se nos casos de successão necessaria. Tal obrigação. ou de utilisar-se dos serviços do menor até a idade de 21 annos completos. § 1º Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mãis. serão considerados de condição livre. Lei nº 2. os filhos das escravas. excepto se preferir deixal-os. libertos os escravos da Nação e outros. No primeiro caso. § 2º Qualquer desses menores poderá remir-se do onus de servir. em conformidade da presente lei. § 3º Cabe tambem aos senhores criar e tratar os filhos que as filhas de suas escravas possam ter quando aquellas estiverem prestando serviços. § 1º As ditas associações terão direito aos serviços gratuitos dos menores até a idade de 21 annos completos. que por si ou por outrem offereça ao senhor de sua mãi. ou de receber do Estado a indemnização de 600$000. Pedro II. faz saber a todos os subditos do Imperio que a Assembléa Geral Decretou e ella Sanccionou a Lei seguinte: Art. 2º O Governo poderá entregar a associações por elle autorizadas. ou tirados do poder destes em virtude do art. se. mas . reconhecer-se que os senhores das mãis os maltratam. seus filhos livres. cessará logo que findar a prestação dos serviços das mãis. 1º § 6º. os filhos menores de oito annos. §4º Se a mulher escrava obtiver liberdade. ficando o novo senhor da mesma escrava subrogado nos direitos e obrigações do antecessor. e providencia sobre a criação e tratamento daquelles filhos menores e sobre a libertação annual de escravos. os quaes terão obrigação de crial-os e tratal-os até a idade de oito annos completos. os quaes se considerarão extinctos no fim de 30 annos. que estejam em poder do senhor della por virtude do § 1º. A declaração do senhor deverá ser feita dentro de 30 dias. de 28 de Setembro de 1871 Declara de condição livre os filhos de mulher escrava que nascerem desde a data desta lei. a acompanharão. se a não fizer então. e o senhor annuir a ficar com elles. o Governo receberá o menor. Chegando o filho da escrava a esta idade. A indemnização pecuniaria acima fixada será paga em titulos de renda com o juro annual de 6%.040. mediante prévia indemnização pecuniaria. 1º Os filhos de mulher escrava que nascerem no Imperio desde a data desta lei. ficará entendido que opta pelo arbitrio de utilizar-se dos serviços do mesmo menor.18 A primeira lei que buscava beneficiar as crianças. procedendo-se á avaliação dos serviços pelo tempo que lhe restar a preencher. o senhor da mãi terá opção. e lhe dará destino. foi a Lei do Ventre Livre. devendo o filho da escrava prestar serviços á pessoa a quem nas partilhas pertencer a mesma escrava. menores de 12 annos. Se estas fallecerem dentro daquelle prazo. em nome de Sua Magestade o Imperador e Senhor D. a contar daquelle em que o menor chegar á idade de oito annos e. e poderão alugar esses serviços. Art. no Brasil. lhe serão entregues. seus filhos poderão ser postos à disposição do Governo.

§ 2º As quotas marcadas nos Orçamentos provinciaes e municipaes. e a outra metade se transmittirá aos seus herdeiros. Art. § 1º Por morte do escravo. Comarcas. 2º A constituir para cada um delles um peculio. obtiver do seu trabalho e economias. em favor da sua liberdade. 6º De subscripções. 3º Do producto de seis loterias annuaes. quér gratuitas. § 5º A alforria com a clausula de serviços durante certo tempo não ficará annullada pela falta de implemento da mesma clausula. o peculio será adjudicado ao fundo de emancipação.19 serão obrigadas: 1º A criar e tratar os mesmos menores. Nas vendas judiciaes ou nos inventarios o preço da alforria será o da avaliação. contractar com terceiro a prestação de futuros serviços por tempo que não exceda de sete annos. o será por arbitramento. 5º Das quotas que sejam marcadas no Orçamento geral e nos provinciaes e municipaes. serão applicadas á emancipação nas Provincias. terá direito á sua alforria. §1º O fundo de emancipação compõe-se: 1º Da taxa de escravos. emolumentos ou despezas. na falta de associações ou estabelecimentos creados para tal fim. isentas de impostos. Esta indemnização poderá ser paga com serviços prestados por prazo não maior de sete annos. permittido ao escravo. Se a indemnização não fôr fixada por accôrdo. quanto aos menores. e com o que. tem direito a alforria. e fôr libertado por um destes. de que trata o art. a metade do seu peculio pertencerá ao conjuge sobrevivente. na fórma da lei civil. 3º. em conformidade do paragrapho antecedente. § 2º O escravo que. § 4º O escravo que pertencer a condominos. mediante o consentimento do senhor e approvação do Juiz de Orphãos. Municipios e Freguezias designadas. e da decima parte das que forem concedidas d'ora em diante para correrem na capital do Imperio. outrossim. 4º É permittido ao escravo a formação de um peculio com o que lhe provier de doações. § 4º Fica salvo ao Governo o direito de mandar recolher os referidos menores aos estabelecimentos publicos. Art. quér a titulo oneroso. 3º A procurar-lhes. § 6º As alforrias. 4º Das multas impostas em virtude desta lei. por meio de seu peculio. obtiver meios para indemnização de seu valor. indemnizando os outros senhores da quota do valor que lhes pertencer. 3º Serão annualmente libertados em cada Provincia do Imperio tantos escravos quantos corresponderem á quota annualmente disponivel do fundo destinado para a emancipação. O Governo providenciará nos regulamentos sobre a collocação e segurança do mesmo peculio. findo o tempo de serviço. . apropriada collocação. mas o liberto será compellido a cumpril-a por meio de trabalho nos estabelecimentos publicos ou por contractos de serviços a particulares. § 3º A disposição deste artigo é applicavel ás casas de expostos. doações e legados com esse destino. e ás pessoas a quem os Juizes de Orphãos encarregarem da educação dos ditos menores. § 3º É. 2º Dos impostos geraes sobre transmissão de propriedade dos escravos. Na falta de herdeiros. se o houver. legados e heranças. § 2º As associações de que trata o paragrapho antecedente serão sujeitas á inspecção dos Juizes de Orphãos. assim como as subscripções. consistente na quota que para este fim fôr reservada nos respectivos estatutos. doações e legados com destino local. serão isentas de quaesquer direitos. transferindo-se neste caso para o Estado as obrigações que o § 1º impõe ás associações autorizadas. por consentimento do senhor.

a trabalhar nos estabelecimentos publicos. na multa de 100$ a 200$. § 3º Pela matricula de cada escravo pagará o senhor por uma vez sómente o emolumento de 500 réis.20 § 7º Em qualquer caso de alienação ou transmissão de escravos. As ditas sociedades terão privilegio sobre os serviços dos escravos que libertarem. dando-lhes o Governo a occupação que julgar conveniente. serão por este facto considerados libertos. mediante reposição da quota parte dos outros interessados. o constrangimento do trabalho. titl 63. Art. nos quaes será inserta a disposição do paragrapho seguinte. para indemnização do preço da compra. Cessará. salvo o caso de penuria. 5º Serão sujeitas á inspecção dos Juizes de Orphãos as sociedades de emancipação já organizadas e que de futuro se organizarem. Art. e. Art. § 5º Os parochos serão obrigados a ter livros especiaes para o registro dos nascimentos e obitos dos filhos de escravas. § 4º Serão tambem matriculados em livro distincto os filhos da mulher escrava. § 8º Se a divisão de bens entre herdeiros ou sócios não comportar a reunião de uma familia. Ficam revogadas as disposições em contrário. 9º O Governo em seus regulamentos poderá impôr multas até 100$ e penas de prisão simples até um mez. § 9º Fica derogada a Ord. Art. sempre que o liberto exhibir contracto de serviço. § 5º Em geral. separar os conjuges. § 2º Haverá appellações ex-officio quando as decisões forem contrarias á liberdade. por negligencia. sob pena de nullidade. não forem dados á matricula. até um anno depois do encerramento desta. se fôr conhecida. que a cumpram e façam cumprir e . Manda. se viverem vadios. § 4º Os escravos abandonados por seus senhores. aptidão para o trabalho e filiação de cada um. Incorrerão os senhores omissos. e de 1$000 se exceder o dito prazo. 8º O Governo mandará proceder á matricula especial de todos os escravos existentes do Imperio. § 2º Os escravos que. do pai ou da mãi. sexo. 4º. é prohibido. Cada omissão sujeitará os parochos á multa de 100$000. Paragrapho unico. com declaração do nome. Elles são obrigados a contractar seus serviços sob pena de serem constrangidos. por culpa ou omissão dos interessados. serão obrigados a alimental-os. os escravos libertados em virtude desta Lei ficam durante cinco annos sob a inspecção do Governo. e os filhos menores de 12 annos. nascidos desde a data desta lei. Art6º Serão declarados libertos: § 1º Os escravos pertencentes á nação. § 1º O prazo em que deve começar e encerrar-se a matricula será annunciado com a maior antecedencia possivel por meio de editaes repetidos. na parte que revoga as alforrias por ingratidão. a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer. O producto deste emolumento será destinado ás despezas da matricula e o excedente ao fundo de emancipação. § 3º Os escravos das heranças vagas. repetida tantas vezes quantos forem os individuos omittidos. 7º Nas causas em favor da liberdade: § 1º O processo será summario. se o fizer dentro do prazo marcado. porém. sendo os alimentos taxados pelo Juiz de Orphãos. 179 do codigo criminal. e nenhum delles preferir conserval-a sob o seu dominio. 10. Se estes os abandonarem por invalidos. Art. por fraude nas penas do art. será a mesma famlia vendida e o seu producto rateado. § 2º Os escravos dados em usufructo à Corôa. estado. que por esta lei ficam livres. liv. portanto.

Toda acidade tinha conhecimento dessa relação perversa. Página 147 Vol. Que grupo de pessoas fez isso? A Sociedade Protetora dos Animais de Nova York. podemos perceber o quão cruéis foram os anos de escravidão. aos vinte e oito de Setembro de mil oitocentos setenta e um. A profissionalização do Serviço Social com a especialização desses profissionais foi um marco na história quando passou a lutar pelos direitos dos menores. Consta da história que um casal maltratava muito a filha Mary Ann. que a educava como achasse melhor. publicar e correr. Nova York já era Nova York em 1896. O primeiro documento de que se tem conhecimento que buscava dar proteção às crianças e adolescentes data de 12 de outubro de 1927. a situação chegou a tal extremo. logo após essa idade seriam dois caminhos a serem adotados: o Estado indenizava o dono da mãe e escrava e colocava o filho em um orfanato ou o filho se iniciaria. Quem é da área de Direito sabe o que um fato como esse gera de polêmica no Fórum: se tem competência ou não. tais fatos eram considerados normais. na cidade de Nova York.21 guardar tão inteiramente como nella se contém. o tão falado Código de Menores. Commercio e Obras Publicas a faça imprimir. O fato é . Porém. à leitura dessa lei e seus artigos. O Secretario de Estado de Negocios da Agricultura. que então já existia. se tem legitimidade ou não. de 9 anos. A origem do Código Mello Mattos está no Direito do Menor explicado pelo Juiz João Batista Costa Saraiva: Em 1896. PRINCEZA IMPERIAL REGENTE Theodoro Machado Freire Pereira da Silva. Dada no Palácio do Rio de Janeiro. mas ninguém fazia nada. segundo essa lei. No entanto. aconteceu um caso que ficou conhecido como o caso Mary Ann.1871. Este texto não substitui o original publicado no Coleção de Leis do Império do Brasil de 1871 Publicação: Coleção de Leis do Império do Brasil . a mãe escrava tem o direito de criar seu filho livre até os sete anos de idade. em companhia da mãe. no trabalho escravo até os vinte e um anos de idade para ser então alforriado. para a época. 1 (Publicação Original) Atualmente. que um belo dia um grupo de pessoas da sociedade local entrou na Justiça pleiteando junto ao juiz de direito da cidade a guarda da criança. até pelo conceito de que criança era como vaca: propriedade da família. quinquagesimo da Independencia e o Imperio. Os absurdos maiores podem ser observados quando entendemos que.

CMM). Nos primeiros 20 anos do século XX apareceram códigos de menores em todo o mundo. Estariam em situação irregular aqueles menores de idade (18 anos) que estivessem expostos ( art.26. foi o primeiro juiz de menores do país. passaram a ser objeto de proteção do Estado. então conhecido como “Código Mello Mattos” ficou assim conhecido por fazer uma homenagem ao seu autor. ou fossem delinqüentes (art. sendo nomeado em 02 de fevereiro de 1924 e permanecendo nesse cargo até a data de sua morte em 1934.14 e ss. em 19 de março de 1864. um cachorro. no início do século XX. temos imensas responsabilidades. Ainda hoje funciona na cidade do Rio de Janeiro no Bairro do Jardim Botânico a Casa Maternal Mello Mattos que abriga mais de duzentas crianças de idades variadas até quatorze anos. Bahia. É necessário absoluto conhecimento dos problemas. Essa ONG criada no final do século XIX teve grande influência no surgimento do Direito de Menores. Pois bem. Insisto nesse assunto porque não consigo imaginar um foro de responsabilidade enfrentando esse tema sem conhecer a origem das legislações.69 e ss. nascido em Salvador. considerados bens de família. Os menores. A partir daí surgiu uma entidade até hoje existente chamada Save The Children of World. surgiram as grandes legislações para menores. CMM). Um grupo da sociedade protetora dos animais de Nova York entrou na Justiça com ação de defesa da criança. Não podemos trabalhar movidos por “achismos” porque não há mais espaço para amadores. para os enfrentarmos. um gato ou uma vaca. o Direito Tutelar. Com isso. o jurista José Cândido de Albuquerque Mello Mattos e possuía 231 artigos.22 que chegou-se ao consenso de que se aquela sociedade podia defender um cavalo. Somos protagonistas de um processo histórico e. evidentemente poderia defender uma criança. Crianças consideradas “de família” não estariam sujeitas à intervenções. abandonados (art. abandonadas ou delinqüentes teriam que enfrentar seus rigores. De acordo com os artigos do Código Mello Mattos a prioridade seria a manutenção da ordem pública e social. Mello Mattos. enquanto as pobres. Esse Código. CMM). Porém a . como tal. ou seja.

como vadios. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. 1º Este Código dispõe sobre assistência.privado de condições essenciais à sua subsistência. nas vias públicas. Il .697 estabelece que: Art.23 primeira instituição de que se tem notícia que servia para abrigar crianças abandonadas foi o Juizado Privativo de Menores da Capital Federal.entre dezoito e vinte e um anos.até dezoito anos de idade. o que levou os assistentes sociais a uma discussão sobre uma reforma que desse aos assistentes sociais uma autonomia para agir. Com a promulgação do Código de Menores surgiu uma nova carreira profissional.  Investigar os meninos apreendidos. A profissão se tornou parte do quadro da justiça em 1948 a partir da realização de um concurso que admitiria dez assistentes sociais com as funções de:  Realizar sindicâncias sobre os casos de internação. o Serviço Social.  Verificar a real necessidade do benefício. Porém essas funções não estavam em acordo com a profissão. em razão de: a) falta. que se encontrem em situação irregular.As medidas de caráter preventivo aplicam-se a todo menor de dezoito anos. nos casos expressos em lei. ação ou omissão dos pais ou responsável. . 2º Para os efeitos deste Código. Art. Parágrafo único . pela polícia.vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável. que recebeu visibilidade através de um grupo de pessoas organizadas. II . independentemente de sua situação. saúde e instrução obrigatória. proteção e vigilância a menores: I . O código de Menores atualizado em 10 de outubro de 1979 sob a Lei nº 6. O Serviço Social originou-se no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro após a instalação da Agência de Família da Legião Brasileira de Assistência. ainda que eventualmente. considera-se em situação irregular o menor: I .

não sendo pai ou mãe.24 III . VI . médico e psicopedagógico. § 2º A escolarização e a profissionalização do menor serão obrigatórias nos centros de permanência. Os artigos 59º e 60º são mais uma representação de que as vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas crianças e adolescentes eram passíveis de correção: Da execução das medidas judiciais pelas Entidades de Assistência e Proteção ao Menor Art. de modo habitual. 59. IV . ficha de controle de sua formação. A esse respeito. As entidades de defesa do menor eram então repressoras e deveriam cumprir a legislação. § 1º O estudo do caso do menor no centro de recepção. idade. direção ou educação de menor. pela falta eventual dos pais ou responsável.em perigo moral. ou voluntariamente o traz em seu poder ou companhia. que nada mais eram do que centros de recolhimento e abrigo: Art. V . As medidas de assistência e proteção determinadas pela autoridade judiciária. Parágrafo único. independentemente de ato judicial. segundo as diretrizes da Política Nacional do Bem-Estar do Menor. no âmbito desta Lei. As entidades privadas dedicadas à assistência e proteção ao menor comporão o sistema complementar de execução dessas medidas. a qualquer título. Parágrafo único.autor de infração penal. 9º As entidades de assistência e proteção ao menor serão criadas pelo Poder Público.privado de representação ou assistência legal. serão executadas pelas entidades criadas pelo Poder Público com a finalidade de atender aos menores a que se refere o art. § 3º Das anotações sobre os menores assistidos ou acolhidos constarão data e circunstâncias do atendimento. em ambiente contrário aos bons costumes. triagem e observação considerará os aspectos social. exerce. vigilância. e à permanência de menores. nome do menor e de seus pais ou responsável. triagem e observação. O reconhecimento da criança em situação de risco mostrou ser um grande avanço após o decreto da referida lei. b) exploração em atividade contrária aos bons costumes. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. sexo. e terão centros especializados destinados à recepção. Entende-se por responsável aquele que. 1º desta Lei. devido a: a) encontrar-se. relação de seus pertences e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização de seu tratamento. .Com desvio de conduta. o CM/79 estabelece quais são as instituições responsáveis. e será feito no prazo médio de três meses.

à profissionalização. admitida a participação de entidades não governamentais. no prazo por esta assinado. Para colocar mais efervescência na situação. à alimentação. à saúde. nas fases de estudo. de 2010) I . a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. 61. prioritariamente. relatório de seus órgãos técnicos. sensorial ou mental. XXXIII. ao respeito. temos o artigo nº 83º que estabelece que: Art. ao ajustamento ou integração sócio-familiar deste. § 2º As entidades comunicarão à autoridade judiciária cada caso de menor em situação irregular que acolherem. à dignidade. (Inciso com redação dada pela Emenda Constitucional nº 65. § 1º O trabalho de toda entidade dedicada à assistência e à proteção ao menor em situação irregular visará. 227. É dever da família. III . de 2010) . § 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: I . 7º.garantia de direitos previdenciários e trabalhistas. e do jovem. de 2010) § 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. ao adolescente e ao jovem. mostrando que esse fato era absolutamente normal. A proteção ao trabalho do menor é regulada por legislação especial. 60. (Inciso com redação dada pela Emenda Constitucional nº 65. com absoluta prioridade. mediante o treinamento para o trabalho e a convivência. à educação. Art. discriminação. ao lazer. 83.25 Art. II . podendo a autoridade determinar a realização de estudos complementares.garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola. mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Parágrafo com redação dada pela Emenda Constitucional nº 65. Podemos ver que a garantia de emprego do menor era estabelecida por uma legislação própria. II .idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência.criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física. quando é que começou a ficar “anormal” uma criança trabalhar? Com a constituição Federal de 1988: Art. As entidades criadas pelo Poder Público e as de natureza privada planejarão e executarão suas atividades de assistência e proteção ao menor atendendo às diretrizes da Política Nacional do Bem-Estar do Menor. e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Mas. As entidades fornecerão à autoridade judiciária. da sociedade e do Estado assegurar à criança. diagnóstico e tratamento do caso. observado o disposto no art.aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil. o direito à vida. à cultura.

a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente § 5º A adoção será assistida pelo poder público. igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado. 61. sujeitos às normas da legislação especial. havidos ou não da relação do casamento. Art. Para corroborar esse fato é que o ECA foi promulgado: Art. A constituição Federal de 1988 é considerada o primeiro passo na busca pela afirmação dos direitos das crianças e dos adolescentes. Ações de proteção e promoção dos direitos das crianças e dos adolescentes são parte das temáticas tanto da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) do governo federal quanto dos tribunais de justiça (TJ). através de assistência jurídica. sob a forma de guarda. segundo dispuser a legislação tutelar específica. § 6º Os filhos. excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade. de criança ou adolescente órfão ou abandonado. incentivos fiscais e subsídios. ou por adoção. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos. A proteção ao trabalho dos adolescentes é regulada por legislação especial. 204.programas de prevenção e atendimento especializado à criança. (Vide Constituição Federal) Art. Especialmente o parágrafo 3º do artigo 227 é muito claro quanto às normas para o adolescente se iniciar no trabalho. 60. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. destinado a regular os direitos dos jovens. nos termos da lei. Foi dois anos após a .26 IV .garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional. V . visando à articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. § 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se-á em consideração o disposto no art. ao acolhimento. VII . na forma da lei. de duração decenal. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade.obediência aos princípios de brevidade. Como são leis consideradas muito “novas”78 o caminho a se percorrer na busca da proteção e garantia de direitos dessa classe da população ainda está em processo de afirmação. VI . § 8º A Lei estabelecerá: I – o estatuto da juventude. sem prejuízo do disposto nesta Lei. que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.estímulo do poder público. II – o plano nacional de juventude. terão os mesmos direitos e qualificações. salvo na condição de aprendiz. ao adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins § 4º A lei punirá severamente o abuso. 228.

1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. Parágrafo único. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Nos casos expressos em lei. Art. a pessoa até doze anos de idade incompletos. E junto com o ECA originou-se os Conselhos Tutelares no Brasil. A proteção das crianças cabe em primeiro lugar aos pais e responsáveis conforme estabelecido na legislação. A esse respeito podemos destacar que família é considerada um grupo primário. Dentro do Código Civil podemos confirmar que a . Os artigos 1º e 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelecem que: Art. 2º Considera-se criança. para os efeitos desta Lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está para completar vinte e cinco anos de sua promulgação e a sociedade ainda se pergunta se os direitos da criança e do adolescente estão sendo respeitados conforme as leis estabelecidas no referido documento. caracterizadas por vínculos biológicos sendo constituído por certo número de pessoas que habitam e convivem em um mesmo espaço. Existem várias definições de família. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. mas o que interessa aos conselheiros tutelares enquanto agentes de proteção é quem são os responsáveis pela criança ou adolescente.27 promulgação da CF/88 que ocorreu a criação do ECA. pois suas relações são pautadas na afetividade. São consideradas crianças as pessoas que estão na faixa etária entre zero e doze anos e para tanto são reconhecidas como passíveis de cuidados próprios para a idade. O ECA foi decretado e sancionado em 13 de julho de 1990 e dispõe sobre as leis presentes nele.

28 conceituação de família sugere um poder sobre os filhos.  Nomear-lhes tutor. da justiça e da paz no mundo. porém ressalva mais a proteção: A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana.634: “compete aos pais.  Representá-los e assisti-los nos atos da vida civil. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. à rebelião contra a tirania e a opressão. CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações.  Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha. por lei ou por outros meios. quanto às pessoas dos filhos menores:  Dirigir-lhes a criação e educação. mental. respeito e serviços próprios de sua idade e condição. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. cabendo ao casal a obrigação de zelar pela criança.  Conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casar. assegurando-se-lhes. Assim estabelece o artigo 1. e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra. como último recurso. Para confirmar essa ressalva. todas as oportunidades e facilidades. . espiritual e social.  Tê-los em sua companhia e guarda. em condições de liberdade e de dignidade. para que o homem não seja compelido. de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade. moral. vamos analisar a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade. CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade. O artigo 3º do ECA vem para estabelecer que alguns pontos são inerentes.  Exigir obediência. CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei.

cor. CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso. Artigo1 Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. em cooperação com as Nações Unidas. origem nacional ou social. sexo. nascimento. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. sem qualquer distinção. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Artigo6 Todo homem tem o direito de ser. opinião política ou de outra natureza. na Carta.29 CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram. tendo sempre em mente esta Declaração. a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial. seja de raça. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. ou qualquer outra condição. para decidir de . nem a tratamento ou castigo cruel. o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades. Artigo3 Todo o homem tem direito à vida. Artigo2 I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie. Artigo4 Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. à liberdade e à segurança pessoal. reconhecido como pessoa perante a lei. se esforce. a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas. detido ou exilado. através do ensino e da educação. Artigo10 Todo o homem tem direito. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. em todos os lugares. sua fé nos direitos do homem e da mulher. sob tutela. religião. sem governo próprio. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo5 Ninguém será submetido a tortura. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. riqueza. e. CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover. desumano ou degradante. II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. tanto entre os povos dos próprios Estados Membros. a igual proteção da lei. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos. língua. Artigo9 Ninguém será arbitrariamente preso. em plena igualdade. Artigo7 Todos são iguais perante a lei e tem direito. e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla. Artigo8 Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. quer se trate de um território independente.

não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. no momento. pelo ensino. Artigo17 I) Todo o homem tem direito à propriedade. Artigo12 Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada. este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença. nem do direito de mudar de nacionalidade. este direito inclui a liberdade de. II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. nem a ataques a sua honra e reputação. III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. . Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. Artigo19 Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão. Artigo13 I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. ter opiniões e de procurar. na sua família. receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios. isolada ou coletivamente.30 seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. era aplicável ao ato delituoso. tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. e a este regressar. no seu lar ou na sua correspondência. em julgamento público no qual lhe tenham sido assegurada todas as garantias necessárias a sua defesa. pelo culto e pela observância. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento. só ou em sociedade com outros. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que. II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que. Artigo15 I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade. inclusive o próprio. sua duração e sua dissolução. II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. em público ou em particular. II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. no momento da prática. II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país. Artigo14 I) Todo o homem. Artigo11 I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei. Artigo20 I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. Artigo21 I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. Artigo16 I) Os homens e mulheres de maior idade. sem interferências. nacionalidade ou religião. consciência e religião. sem qualquer restrição de raça. independentemente de fronteiras. pela prática. vítima de perseguição. Artigo18 Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento. II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

à livre escolha de emprego. por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. literária ou artística da qual seja autor. pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado. III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. II) Todo o homem. tem direito a igual remuneração por igual trabalho. de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios. II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica. velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. assim como a sua família. A instrução será gratuita. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. tem direito à segurança social e à realização. Artigo24 Todo o homem tem direito a repouso e lazer. outros meios de proteção social. Artigo22 Todo o homem. sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade. pelo esforço nacional. Artigo25 I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem star. III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo. . cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. bem como a instrução superior. como membro da sociedade. esta baseada no mérito. doença. a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos. pelo menos nos graus elementares e fundamentais. que lhe assegure. inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. A instrução elementar será obrigatória. por sufrágio universal.31 II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. e direito à segurança em caso de desemprego. Artigo27 I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade. III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória. Artigo28 Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. viuvez. vestuário. e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas. II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. Artigo23 I) Todo o homem tem direito ao trabalho. IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses. gozarão da mesma proteção social. inclusive alimentação. Artigo26 I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução promoverá a compreensão. A instrução técnica profissional será acessível a todos. uma existência compatível com a dignidade humana. Todas as crianças. invalidez. II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. sem qualquer distinção. nascidas dentro ou fora do matrimônio. dos direitos econômicos. e a que se acrescentará se necessário. habitação.

em hipótese alguma. podendo haver uma recondução e deve . ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas. O ECA é o documento legal utilizado pelos conselheiros tutelares para embasar sua atuação. Assim foi com os Códigos de menores existentes em toda América latina. todas as legislações menoristas latino americanas. do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos. O Conselho Tutelar é um organismo composto por cinco membros da sociedade civil eleitos para um mandato de três anos. Hoje. eram baseadas na doutrina da situação irregular. A primeira manifesta a negação formal e substancial da criança e do adolescente e a segunda respeita-os como sujeitos de direitos”. inclusive brasileiras. da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. A declaração Universal dos Direitos Humanos teve origem no período pós Segunda Grande Guerra e tinha como objetivo levar à frente uma sensação de paz. com o Estatuto da Criança e do Adolescente. O desejo da sociedade era dissipar os horrores vivenciados com o evento e erradicar a guerra de suas vidas e comunidades. na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. a tendência é a doutrina de proteção integral.32 Artigo29 I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade. exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral. II) No exercício de seus direitos e liberdades. O órgão mais próximo desse público alvo é o Conselho Tutelar que tem como funções encaminhar as denúncias para os órgãos competentes a elas. Antônio Carlos Gomes da Costa nos faz perceber que todas as tentativas de se proteger as crianças e adolescentes foram atitudes válidas para que a legislação se adaptasse e pudesse ser melhorada: “Até o surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990. grupo ou pessoa. todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei. III) Esses direitos e liberdades não podem. Artigo30 Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado.

I a VII. em nome da pessoa e da família. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. educação. O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo. podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde. (Redação dada pela Lei nº 12.atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 101. dentre as previstas no art.encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência. 131. serviço social.representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar. de 2009) Vigência . após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural. b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. VII . têm que investigar as denúncias no âmbito familiar e na comunidade. O ECA prevê que os membros da sociedade civil que formam o corpo de trabalho dos Conselhos Tutelares possam ter um diálogo maior com a população. de I a VI. aplicando as medidas previstas no art. É através dos Conselhos Tutelares que se recebem denúncias de violação dos direitos de crianças e adolescentes. inciso II. não jurisdicional. IV . III . 136.providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária. pois se tornou a primeira instância de atendimento. § 3º. VIII . bem como instalações e recursos físicos.33 funcionar de forma permanente e não jurisdicional zelando pelo cumprimento dos direitos da criança e doa adolescente. trabalho e segurança. 101. V . São atribuições do Conselho Tutelar: I . 220. previdência. contra a violação dos direitos previstos no art. definidos nesta Lei. na maioria das vezes.promover a execução de suas decisões. II . IX .010.assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente. Art. 129. para o adolescente autor de ato infracional.expedir notificações.representar. XI .atender e aconselhar os pais ou responsável. X . Seus membros. aplicando as medidas previstas no art. VI . da Constituição Federal. I a VII.encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente. 98 e 105. As atribuições do Conselho Tutelar são: Art.requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário. As condições para seu funcionamento devem vir do poder público municipal.

696. de 2012) I .idade superior a vinte e um anos. no exercício de suas atribuições.cobertura previdenciária. aos quais é assegurado o direito a: (Redação dada pela Lei nº 12. de 2012) II . esporte. o acompanhamento dos Conselhos Tutelares. prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação. a tutela do direito à convivência familiar e do direito à saúde. Para a candidatura a membro do Conselho Tutelar. de 2012) . 133. entidades públicas e poder judiciário. 134.696. (Incluído pela Lei nº 12.34 Parágrafo único. Entre as ações das Promotorias de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude. direito à profissionalização e proteção no trabalho. dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Assistência Social. o enfrentamento à violência sexual. serão exigidos os seguintes requisitos: I .696. Uma das atribuições do Ministério Público é zelar pelos direitos das crianças e adolescentes: vida.gratificação natalina. Como uma função que não é reconhecida como profissão. surge um certo tipo de preconceito e demonização dos conselheiros. dignidade. cultura. III . II . inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros. de 2012) V .696. (Incluído pela Lei nº 12.residir no município. o apoio e a promoção social da família. convivência familiar e comunitária. (Incluído pela Lei nº 12. Como são pessoas da própria comunidade que fazem essa linha de comunicação entre crianças e adolescentes em situação de risco.gozo de férias anuais remuneradas. saúde. (Incluído pela Lei nº 12. independente e jurisdicional. comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público. de 2009) Vigência Enquanto órgão municipal. que não tem garantias de direitos e possui responsabilidades jurídicas pode se manter de pé? Art. (Incluído pela Lei nº 12. o Conselho Tutelar é o maior colaborador do Ministério Público na efetivação da proteção às crianças e adolescentes.010.reconhecida idoneidade moral. Art.licença-maternidade. estão o combate ao trabalho infantil. de 2012) IV . (Incluído pela Lei nº 12. dia e horário de funcionamento do Conselho Tutelar.696.696.licença-paternidade. Se. respeito. acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração mensal. de 2012) III . Lei municipal ou distrital disporá sobre o local. famílias. lazer. educação. o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar. liberdade.

35 Parágrafo único. Diante das “exigências” para cumprir funções de conselheiros tutelares podemos perceber que a lei está parecida com as do início do século passado. Art. Conforme expresso no artigo acima citado. 135. podemos fazer indagações pertinentes que incomodam até mesmo os conselheiros tutelares:  Será que só esses requisitos bastam para que o serviço prestado seja de qualidade?  Será que a remuneração é condizente com a complexidade da função?  Quais são as perspectivas para esse novo milênio?  Será necessário uma reforma ou uma atualização do Eca?  . O exercício efetivo da função de conselheiro constituirá serviço público relevante e estabelecerá presunção de idoneidade moral. Mas de que modo poderá ser essa abordagem?  De que forma o assunto poderá ser debatido?  Quais são os profissionais habilitados para que o cargo de conselheiro tutelar faça jus ao nome?  Conselho tutelar é uma nomenclatura correta diante das demandas apresentadas pela população de pouca idade? Para corroborar a necessidade de uma revisão da legislação podemos apresentar que a maioria das leis e dos documentos . Constará da lei orçamentária municipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à remuneração e formação continuada dos conselheiros tutelares.

mas para aplicá-la não.36 redigidos direcionados aos membros dos Conselhos Tutelares são realizados por profissionais graduados em suas áreas. Como exemplo temos o Manual de Orientações para Conselhos Tutelares do estado de Rondônia: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE RONDÔNIA CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DA INFÂNCIA E JUVENTUDE E DA DEFESA DOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO Rua Jamary.903-037 – Porto Velho/RO (69) 3216-3700 APOIO: DR. MARCOS VALÉRIO TESSILLA DE MELO . Assim é com todos os documentos oficiais mostrando uma contradição entre fazer a legislação . nº 1555 – Bairro Olaria CEP 78.Promotor de Justiça Diretor do Centro de Apoio Operacional à Infância e Juventude e da Defesa dos Usuários dos Serviços de Educação COMISSÃO TÉCNICA DE ELABORAÇÃO – CAO/IJ: ANA LÚCIA CORTEZ DE MEDEIROS . MARCOS VALÉRIO TESSIL DR. ABDIEL RAMOS FIGUEIRA Procurador Geral de Justiça do Estado de Rondônia DR. IVO BENITEZ Sub – Procurador COORDENAÇÃO: DR.Pedagoga DANIELA BENTES DE FREITAS – Psicóloga EMERIANA SILVA – Assistente Social Fausto Martuscelli Monteiro – Assessor Jurídico Desse modo se percebe que para fazer as leis é necessário conhecimento.

O desejo por uma nova sociedade. para que o sistema seja pleno de garantia de direitos. Como é um ramo jurídico autônomo do Direito (?) há-se que avaliar se as ações realizadas estão dentro de sua capacitação. Assim sendo. A sociedade precisa compreender que a dinâmica de trabalho teria uma conotação totalmente diferente se houvesse a realização de mais discussões sobre essa temática. O Conselho Tutelar pode contribuir através dos serviços socioassistenciais e com investigações sistemáticas da realidade territorial. vinculada a Igreja Católica.37 e fazer cumprir a legislação. Os direitos das crianças e dos adolescentes ganharam visibilidade nacional no período entre a década de 1970 e 1980. Dentre os movimentos sociais que tiveram seu ápice durante essas décadas estão:  Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua. Na base do sistema de garantia de direitos temos a família que é responsável direta pela proteção dos filhos e também por ações de promoção e ou omissão quanto a eles. A esse respeito Silva (2009) entende que: . um novo modelo de governo e uma nova visão dos pragmatismos sociais foram o estopim para que o Estado realizasse uma reforma constitucional.  Movimento Criança Constituinte e  Pastoral da Criança. encontramos nesse cenário de abertura política e transição democrática uma sociedade ávida por resolver as vulnerabilidades enfrentadas pelos meninos de rua.

Assim. o que foi feito pela inserção de vários dispositivos legais no Estatuto. São as famílias originadas de casamentos desfeitos e formadas com novos pares.. a interpenetração entre a família e o grupo social é tão evidente que se tornou impossível repensar o sistema de proteção familiar sem que se ampliassem as responsabilidades da sociedade.38 [. afetos. segurança. mas também em razão dos novos desafios que se descortinam em decorrência da evolução da própria sociedade e que acabam determinando mudanças comportamentais no seio da família. É no seio familiar que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização da criança. Atualmente o conceito de família está passando por mutações sociais que transformaram seus núcleos em “galhos” que se estendem. Sendo assim podemos entender que as novas uniões geram filhos formando uma família composta por pai.] a participação e a responsabilidade da família se amplia. A família é considerada uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. conforto e bem-estar proporcionam a unidade familiar. A responsabilidade fica cada vez maior para os adultos envolvidos nesse processo. quanto sociais. As relações de confiança. o que implica a revisão das práticas. não só pela necessidade de reconhecimento e promoção dos direitos fundamentais da criança e do adolescente. Voltando ao ECA. em seus artigos do 21º ao 24º temos que: . mãe. madrasta e vários irmãos convivendo entre si. O papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. A partir dessa compreensão. padrasto. bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações. O ambiente familiar é um local onde deve existir harmonia. proteção e todo o tipo de apoio necessário na resolução de conflitos ou problemas de algum dos membros. todas as pessoas passam a ser co-responsáveis pelo bemestar de crianças e adolescentes. a partir dos quais a sociedade é chamada a tomar parte do sistema de proteção integral. tanto familiares..

avaliar a política estadual e municipal e a atuação dos Conselhos Estaduais e Municipais da Criança e do Adolescente. na forma do que dispuser a legislação civil. de 13 de junho de 1990. O pátrio poder poder familiar será exercido. bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art.069. III . (Expressão substituída pela Lei nº 12. 21. fiscalizando as ações de execução. aos órgãos estaduais. Art.zelar pela aplicação da política nacional de atendimento dos direitos da criança e do adolescente. e entidades não-governamentais para tornar efetivos os princípios. municipais. 2º Compete ao Conanda: I . a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem. IV . em caso de discordância. as diretrizes e os direitos estabelecidos na Lei nº 8.069.010. assegurado a qualquer deles o direito de. 22.(Vetado) . II . de 2009) Art.39 Art. a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio.010. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida. 22. observadas as linhas de ação e as diretrizes estabelecidas nos arts. Entre as entidades que colaboram com o funcionamento dos Conselhos tutelares temos o Conselho Nacional dos direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA).010. A perda e a suspensão do pátrio poder poder familiar serão decretadas judicialmente. Art.242 e que tem como competências: Art. no interesse destes. Aos pais incumbe o dever de sustento. pelo pai e pela mãe. guarda e educação dos filhos menores. recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.elaborar as normas gerais da política nacional de atendimento dos direitos da criança e do adolescente. de 2009) Cabe aqui ressaltar que os Conselhos Tutelares são organismos subordinados ao Ministério Público e à Vara da Infância e Juventude e contam com as orientações da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal e do governo estadual. de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).dar apoio aos Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. cabendo-lhes ainda. 23. a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. 24. nos casos previstos na legislação civil. 87 e 88 da Lei nº 8. em igualdade de condições. de 2009) Parágrafo único. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio poder poder familiar. em procedimento contraditório. (Expressão substituída pela Lei nº 12. criado em 12 de outubro de 1991 sob a Lei nº 8. (Expressão substituída pela Lei nº 12. V -(Vetado) VI .

no mínimo. VIII . 6º da lei e fixar os critérios para sua utilização.acompanhar o reordenamento institucional propondo. buscando o funcionamento articulado em rede das estruturas públicas governamentais e das organizações da sociedade. X . subsidiar e dar mais efetividade às políticas. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA) local e suas execuções.apoiar a promoção de campanhas educativas sobre os direitos da criança e do adolescente. l) fomentar a integração do Judiciário.40 VII . XI . aprovação e execução do Plano Plurianual (PPA). nele definindo a forma de indicação do seu Presidente. Outra entidade de apoio aos Conselhos tutelares é o Conselho Estadual dos Direitos da criança e do Adolescente (CEDCA) que é responsável pelo repasse de orientações e materiais de trabalho e estudo.069. indicando modificações necessárias à consecução dos objetivos da política dos direitos da criança e do adolescente. Vale destacar que não compete ao Conselho executar ou ordenar os recursos do Fundo.elaborar o seu regimento interno. Defensoria e Segurança Pública na apuração dos casos de denúncias e reclamações formuladas por qualquer pessoa ou entidade que versem sobre ameaça ou violação de direitos da criança e do adolescente. i) participar e acompanhar a elaboração. d) conhecer a realidade de seu território e elaborar o seu plano de ação. modificações nas estruturas públicas e privadas destinadas ao atendimento da criança e do adolescente. Entre as competências do CEDCA temos: a) acompanhar. indicando modificações necessárias à consecução da política formulada para a promoção dos direitos da criança e do adolescente. 260 da Lei nº 8. g) promover e apoiar campanhas educativas sobre os direitos da criança e do adolescente. e) definir prioridades de enfrentamento dos problemas mais urgentes. Ministério Público. j) gerir o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente no sentido de definir a utilização dos respectivos recursos por meio de plano de aplicação. k) acompanhar e oferecer subsídios na elaboração legislativa local relacionada à garantia dos direitos da criança e do adolescente. ao órgão público ao qual se vincula. cabendo.acompanhar a elaboração e a execução da proposta orçamentária da União. nos termos do art.gerir o fundo de que trata o art. dois terços de seus membros. a ordenação e execução administrativas desses recursos. com a indicação das medidas a serem adotadas nos casos de atentados ou violação dos mesmos. de 13 de julho de 1990. monitorar e avaliar as políticas no seu âmbito. . b) divulgar e promover as políticas e práticas bem-sucedidas. c) difundir junto à sociedade local a concepção de criança e de adolescente como sujeitos de direitos e pessoas em situação especial de desenvolvimento. sempre que necessário. e o paradigma da proteção integral como prioridade absoluta. h) propor a elaboração de estudos e pesquisas com vistas a promover. f) propor e acompanhar o reordenamento institucional. aprovando-o pelo voto de. IX .

90. n) integrar-se com outros órgãos executores de políticas públicas direcionadas à criança e ao adolescente e demais Conselhos setoriais. Á nível municipal os Conselhos Tutelares contam com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e é o responsável pela fiscalização. e) instaurar sindicância para apurar eventual falta grave cometida por conselheiro tutelar no exercício de suas funções. participando de audiências ou ainda promovendo denúncias públicas quando ocorrer ameaça ou violação de direitos da criança e do adolescente. acolhendo-as e dando encaminhamento aos órgãos competentes. adolescentes e suas respectivas famílias em execução na sua base territorial por entidades governamentais e organizações da sociedade civil. certificandose de sua contínua adequação à política traçada para a promoção dos direitos da criança e do adolescente.069/90 e da Resolução nº 75/2001 do Conanda. adolescentes e suas respectivas famílias. todos da Lei nº 8. O funcionamento do CMDCA se dá através da eleição de membros da sociedade civil e do poder público. 112 e 129.069/90. orientação e apoio aos conselheiros. b) inscrever os programas de atendimento a crianças. organizar e coordenar o processo de escolha dos conselheiros tutelares. as medidas previstas nos artigos 101.  Participar de cursos de capacitação e atualização oferecidos pelo poder público e demais entidades. com número paritário de conselheiros e entre suas competências estão:  Reunir ao menos uma vez ao mês. d) regulamentar.41 m) atuar como instância de apoio no nível local nos casos de petições. no que couber. seguindo as determinações da Lei nº 8. e. a) registrar as organizações da sociedade civil sediadas em sua base territorial que prestem atendimento a crianças. denúncias e reclamações formuladas por qualquer pessoa ou entidade. Como instância superior a Justiça da Infância e Juventude . de acordo com a Resolução nº 75/2001 do Conanda. executando os programas a que se refere o art. c) recadastrar as entidades e os programas em execução. caput.  Deliberar sobre assuntos pertinentes aos direitos da criança e do adolescente. observando a legislação municipal pertinente ao processo de sindicância ou administrativo/disciplinar.

E em muitos municípios ainda se encontra conselheiros que agem assim. IV . b) conhecer de ações de destituição do pátrio poder poder familiar. Em municípios de pequeno porte. h) determinar o cancelamento. perda ou modificação da tutela ou guarda. aplicando as medidas cabíveis. para apuração de ato infracional atribuído a adolescente. 209.conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento. VI . f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: I . a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito. Parágrafo único.aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à criança ou adolescente. II . VII . nos termos da lei civil. III . g) conhecer de ações de alimentos.010. em relação ao exercício do pátrio poder poder familiar. a população encara o Conselho tutelar não como órgão de direitos e sim como entidade repressora. Como os atendimentos são sigilosos. ou de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou adolescente. difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente. 148. de 2009) Vigência c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento. (Expressão substituída pela Lei nº 12.conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais. . aplicando as medidas cabíveis.conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar. como forma de suspensão ou extinção do processo. de 2009) Vigência e) conceder a emancipação. V . nas escolas e na sociedade. d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna.42 de cada comarca brasileira conforme consta do ECA: Art.010.conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes. quando faltarem os pais. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art.conceder a remissão. é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: a) conhecer de pedidos de guarda e tutela. observado o disposto no art.conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público. 98. não raro se encontra algum membro da sociedade que deseja saber do andamento em tal “caso”. (Expressão substituída pela Lei nº 12. aplicando as medidas cabíveis. que deve zelar pela ordem e pelo bom comportamento dessa faixa etária nas famílias. A apresentação da legislação redigida exclusivamente aos direitos da criança e do adolescente se faz necessária quando desejamos analisar o funcionamento dos Conselhos Tutelares.

com outros profissionais e com representantes do poder judiciário. . visando um maior conhecimento da legislação. das abordagens e da linguagem utilizada com a população.43 Portanto. torna-se necessário elevar essa função para profissão.

à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 227. A sugestão que se entende é que basta ler e escrever para realizar atividades praticamente exclusivas do poder judiciário.44 3 CONCLUSÃO Podemos entender que as atribuições dos conselheiros tutelares estão além dos seus conhecimentos. Parágrafo único. O Projeto de Lei 4. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias. ao respeito. à educação. 4º É dever da família. o direito à vida. É dever da família. ao adolescente e ao jovem. com absoluta prioridade. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. A legislação não especifica e nem exige conhecimento de qualquer nível para os candidatos ao cargo. à educação. ao lazer. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. ao esporte. Será que a comissão que analisou o projeto não está se omitindo quanto à garantia de direitos da criança e do adolescente? Conforme consta na CF/88: Art. à dignidade. d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. Se é dever da sociedade e do Estado zelar pelos direitos da criança e do adolescente.860/2009 foi rejeitado e a participação de assistentes sociais como membros do Conselho Tutelar foi vetada. à cultura. à alimentação. ao respeito. a efetivação dos direitos referentes à vida. à profissionalização. à cultura. da sociedade em geral e do poder público assegurar. ao lazer. à dignidade. da sociedade e do Estado assegurar à criança. da comunidade. E no ECA: Art. à saúde. à saúde. com absoluta prioridade. à profissionalização. à alimentação. essa sociedade e o Estado podem se omitir e transformar os Conselhos Tutelares em órgãos ornamentais? . c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública.

aceitação. interpretar a lei. E foi partindo dessa premissa que se configurou que para exercer as funções de conselheiro tutelar não é necessário conhecimento específico. Daí que a abordagem de crianças.. o exercício da autoridade envolve humildade. O exercício da autoridade do Conselho Tutelar deve ser acompanhado. são do Conselho Tutelar como um todo. Verifica-se que as orientações ofertadas no referido manual coloca os conselheiros tutelares como pedagogos. de capacidade de escuta. O Manual dos Conselhos de Direitos esclarece que: É preciso destacar os modos de abordagem e relacionamento que os Conselheiros vão desempenhar na sua atribuição básica: “atender à criança. Por incrível que pareça. a seus pais e responsáveis”. boates. donos de bares. jovens e da comunidade. compreensão. É sempre um relacionamento educativo. Por isso o Conselheiro deve ser capaz de bem transmitir uma informação. um educador de crianças. O exercício da autoridade envolve capacidade de negociar a melhor decisão para cada caso. pautadas na compreensão. tanto das atitudes como das decisões assumidas. As decisões emanadas do Conselho Tutelar são sempre decisões coletivas. no entanto. O ECA consagra alguns mecanismos dos quais o Conselho Tutelar. O exercício da autoridade não é o exercício do autoritarismo. . psicólogos. etc. O Conselheiro é. afeto. antes de tudo. diretores de escolas. pais. é sempre educativa. negociação e decisão. As atitudes adotadas devem ser discutidas pelo conjunto dos Conselheiros. A aceitação envolve de início. O Conselheiro não pode ser intolerante e julgar a priori. bastando assim idoneidade moral e inegável capacidade técnica. deve se valer. ao adolescente. Envolve escuta. A responsabilidade. pôr em linguagem simples as orientações e encaminhamentos necessários. A compreensão verdadeira só ocorre quando estamos despidos de preconceitos e desapegados do poder. no exercício de sua autoridade. jovens. Deve ser sempre um relacionamento capaz de criar empatia.45 Qual é a opinião da sociedade a esse respeito? Para a redação do projeto de lei acima citado foi realizado algum tipo de pesquisa que pudesse embasar o reconhecimento do problema e as intervenções necessárias para sua aplicabilidade? Podemos entender que a sociedade citada em ambos os documentos é a parcela responsável pela garantia de direitos da criança e do adolescente. de orientações e encaminhamentos competentes. O Conselheiro deve saber defender a criança e deve saber promovê-la. de respeito.

assistentes sociais. Os conselheiros tutelares estão sujeitos a todo tipo de ação que possa prejudicar sua integridade desde que não tenha capacitação e conhecimento necessários. 237 . Finalmente. Se. O descumprimento. punível com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários de referência. doloso ou culposo da determinação do Conselho Tutelar constitui infração administrativa. com bastante clareza. sujeito à pena de detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos (art. Não basta participar de cursos de atualização para exercer . Além disso.As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. são admissíveis todas as espécies de ações pertinentes. 249 do Estatuto). 236 do Estatuto). impedir ou embaraçar a ação de membro(s) do Conselho Tutelar. a legislação confere aos membros do Conselho Tutelar as penalidades aplicadas a qualquer profissional graduado e não que apenas tenha conhecimento técnico. que será aplicada em dobro. O interesse das pessoas recorrentes e sua legitimidade deverão ser examinados à luz do Direito Processual Civil. tal como da autoridade judiciária.46 policial. no art. aplicando-se as normas do Código de Processo Civil. Entendemos então que as brechas na legislação oferecem margem para todo tipo de ação que se puder colocar contra os membros do Conselho Tutelar. ou do membro do Ministério Público. o Conselho Tutelar praticar ilegalidade ou abusar de sua autoridade. 237: Art. Esse ponto contribui para exemplificar. Analisando mais essa brecha. o Estatuto determina. a questão da hierarquização da função judicial a que já se fez referência anteriormente. Ainda fazendo referência ao Manual dos Conselhos de Direito temos: A autoridade que a lei conferiu ao Conselho é tal que constitui crime. para defesa dos direitos e interesses protegidos pelo Estatuto. no caso de reincidência (art. regida pelas Normas do Mandado de Segurança. entretanto. lesando direito líquido e certo de alguém. o conselheiro tutelar que puder compreender a gravidade da aplicabilidade da lei vai formar uma barricada em seu local de atendimento e se enclausurar até decorrer os três anos de seu mandato. menos pessoas comuns que devem lidar com situações problemáticas. caberá ação mandamental. Diante da legislação exposta especificamente no artigo 237 do ECA.

Foi encaminhada para apreciação na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF). .860 de março de 2009 foi apresentado à Comissão de Seguridade Social e à Família (CSSF) e foi rejeitado com a alegação de que as atribuições do assistente social vão além de atendimentos básicos em Conselhos Tutelares. por exemplo. O projeto apresentado. A posição do CFESS quanto ao referido projeto foi publicada em dezembro de 2009 e se coloca em concordância com as providências tomadas e explica os motivos para essa concordância. Analisando a matéria. pois como órgão autônomo e representativo atua como instrumento de fiscalização e aplicação do ECA. habilitação e capacidade técnica adequadas ao desempenho das atribuições previstas. O Projeto de Lei nº 4.47 as funções de conselheiro tutelar quando não se conhece as leis e sua aplicabilidade. o CFESS se posiciona em concordância com o Parecer da relatora. de necessidade de um parecer social deve solicitar na rede. As atribuições do CT não se confundem com as atribuições privativas do assistente social (Lei de Regulamentação 8662/93). Apresentado em 17/03/2009 pelo deputado Ilderlei Cordeiro (PPS/AC). a matéria propõe alteração da Lei 8069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) incluindo assistente social como membro do Conselho Tutelar. Assim. o PL proposto acaba por sugerir a instituição de um outro tipo de ação que inclusive deve estar assegurada na rede de proteção e atendimento. agilidade e eficácia na defesa dos direitos da criança e do adolescente”. não cabendo esta atribuição a um Conselheiro Tutelar. Isso não implica. Por ser espaço que requer independência considerando as atribuições de controle. Ilderlei Cordeiro lembra que nem sempre os integrantes dos conselhos possuem experiência como assistente social ou formação na área. Foi para preencher essa lacuna que o parlamentar apresentou o projeto. pois se trata de uma função de natureza distinta. No prazo regimental não foram apresentadas emendas e o parecer ainda será apreciado e votado na CSSF. além de argumentar que este profissional detém formação. tendo com relatora a deputada Elcione Barbalho (PMDB/PA) que apresentou seu parecer rejeitando o PL. “A nossa intenção é dotar o Conselho Tutelar de pelo menos um profissional da área social – o assistente social – e. contudo. argumenta o deputado. assim. garantir condições efetivas para o cumprimento de suas atribuições. tendo em vista que os Conselhos Tutelares representam uma conquista. o que seguramente resultará em mais independência. de instituição de medidas protetivas via requisição de programas e serviços na rede socioassistencial. sob a justificativa de que tais atribuições são próprias deste profissional. Em caso. ao propor que um de seus membros seja assistente social. refaz a natureza da composição dos Conselhos Tutelares. que na garantia do funcionamento do Sistema de Garantia de Direitos as ações do Conselho Tutelar não implique em contribuição mútua com assistentes sociais e outros profissionais vinculados aos distintos espaços da rede socioassistencial e do próprio SGD.

que pode inclusive contribuir com as alterações de práticas políticas em articulação com outros sujeitos e organizações da sociedade civil assim como com as políticas setoriais. O CFESS enviará suas considerações ao autor e relatora do PL e para os deputados membros da CSSF para subsidiá-los em sua apreciação e votada da matéria. qual é a efetiva utilidade deste na comunidade? Por que não os atendimentos não passam a ser realizados nas unidades dos CRAS como mais uma atribuição deste? Se medidas sócio-educativas e de fortalecimento de vínculos são aplicadas nessa instituição. por que não receber as denúncias. pois não existe concurso para tal função. não cabendo.48 fiscalização e aplicação de medidas. o Conselho Tutelar requer hoje o cumprimento das funções para o qual foi criado. são indicados pelo e contratados pelo poder público. investigá-las e tomar as medidas necessárias diretamente? Os profissionais de Serviço Social lotados nos CRAS. portanto. as alterações propostas pelo PL. principalmente em municípios de pequeno porte. . Portanto são pessoas idôneas que convivem diretamente com as famílias em situação de risco e mais aptos a reconhecer as vulnerabilidades quando se apresentam. Porém a pergunta que fica e que ainda não se tem resposta é: se o assistente social possui conhecimento além das atribuições do conselho tutelar. Conclui-se assim que é urgente uma reforma a respeito dos Conselhos Tutelares para que a legislação não venha a cair em contradição.

com Edna Maria Teixeira . UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca Central. Título da obra. Cidade: Editora. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome/Secretaria Nacional de Assistência Social. BRASIL. Florianópolis. Cristiane Corsini Medeiros Otenio Mestre em Saúde Coletiva (UEL). v. 2004a. BRASIL. E-mail: otenio@cnpgl. CUSTÓDIO. 2. Brasília: Secretaria Nacional de Assistência Social e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. LOAS Anotada: Lei Orgânica de Assistência Social. 2009. E-mail: erikamarino@gmail. André Viana. BRASIL.com Marcelo Henrique Otenio2 Doutor em Microbiologia Aplicada (UNESP-RC). 2006. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.49 REFERÊNCIAS SOBRENOME. 2004b. Tese (Doutorado em Direito) – Programa de Pós-Graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tese (Doutorado em Direito) – Programa de Pós-Graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina.embrapa. Curitiba: UFPR. Rosane Leal da. A proteção integral dos adolescentes internautas: limites e possibilidades em face dos riscos no ciberespaço.br Érika Roberta Mariano3 Graduado em Enfermagem na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). 1992. Brasília. E-mail: oteniocris@hotmail. 2009. Edição. ed. Professora de Epidemiologia e Políticas de Saúde da Faculdade Estácio de Sá de Juiz de Fora. Florianópolis. SILVA. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social – PNAS/2004 – Norma Operacional Básica – NOB/SUAS. Pesquisador A da Embrapa Gado de Leite. Ano de Publicação. Nome do autor. Normas para apresentação de trabalhos. A exploração do trabalho infantil doméstico no Brasil contemporâneo: limites e perspectivas para a sua erradicação. Política Nacional de Assistência Social. 2.

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