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REPÚBLICAFEDERATIVA DO BRASIL Presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Ministério da Agricultura e do Abastecimento Ministro MARCUS VIN~CIUS PRATINI DE MORAES Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Presidente ALBERTO DUQUE PORTUGAL Diretores ELZA ANGELA BATTAGGIA BRITO DA CUNHA JOSÉ R O B ~ R T ORODRIGUES PERES DANTE DANIEL GIACOMELLI SCOLARI Embrapa Milho e Sorgo Chefe Geral ANTONIO FERNANDIINO DE CASTRO BAHIA FILHO . Chefe Adjunto de Pesquisa IVAN CRUZ Chefe Adjunto de Administracão JOAO CARLOS GARCIA Chefe Adjunto de Comunicacão e Negócios JOSÉ HAMILTON RAMALHO .

Circular Técnica. 2 Luciano Cordoval de Barros Milho e Sorgo .

2000. Antônio Carlos de Oliveira.embrapa. Água. Captacão de águas superficiais de chuvas em barraginhas.000 exemplares Editor: Comitê de Publicações da Embrapa Milho e Sorgo Ivan Cruz (Presidente). C.91 1 1 O Embrapa .embrapa. L.cnpms. MG Telefone: 0 ~ x 3 13779-1000 Fax: 0 ~ x 3 13779-1O88 www. 2). Edilson Paiva. Barraginha. Frederico Ozanan Machado Durães (Secretário). br Tiragem: 5.Copyright O Embrapa .2000 Embrapa Milho e Sorgo Caixa Postal 1 5 1 CEP 35701-970 Sete Lagoas. Paulo César Magalhães.2000 . br sac@cnpms. Sete Lagoas. Arnaldo Ferreira da Silva. Mananciais CDD 333. 2000 Circular Técnica. (Embrapa Milho e Sorgo. MG: Embrapa B277c Milho e Sorgo. Jamilton Pereira dos Santos Revisão: Dilermando Lúcio de Oliveira Diagramacão: Tânia Mara Assuncão Barbosa e Dilermando Lúcio de Oliveira Normalizacão bibliográfica: Maria Tereza Rocha Ferreira Coordenação Editorial: Área de Comunicação Empresarial da Embrapa Milho e Sorgo BARROS. 16p.de. Chuva. Captacão.

sumario .

Caixa Postal 7 5 7 CEP 35701-97 0 Sete Lagoas.embrapa. o Estado de São Paulo perde anualmente. Antes disso. 1965). Embrapa Milho e Sorgo.C. utilizando sistemas de captacão de água superficial. os danos causados pela erosão em solos cultivados são reflexos de manejo inadequado de solos. Após o desmatamento para exploração da terra. a necessidade de conservação do solo é praticamente nula.C. quando as terras estão cobertas com matas ou pastagens naturais. na mesma região do Neguev (Evenari. verifica-se geralmente grande degradeçéo causada pela erosão. Essa perda representa Engenheiro-AgrSnomo. No ano 106 D.br . Segundo dados obtidos pela Seção de Conservação de Solos do Instituto Agron6mico de Campinas. por efeito da erosão. a umidade residual armazenada no solo já tinha sido usada nos tempos do rei Salomão. que remove o solo em suas camadas superficiais (Andreae. os nabateos já produziam alimentos no deserto de Neguev (com precipitação media anual de 100 a 150 mm). principalmente na forma invislvel. Fone: 0 x x 3 7 3779 1707 Fax 0~x373779 7088. Segundo Lal (1982). cerca de 130 milhões de toneladas de terra (1989). pois o sistema est6 em equillbrio e a erosão é mínima.. que era concentrada em tabuleiros nas partes baixas dos terrenos (Evenari.. a erosáo lamínar. MG. que desenvolveu trabalhos em região tropical semi-úmida. 1968). 1983). No inicio da exploração de uma hrea virgem. h$ cerca de dez séculos A. desde a história antiga. armazenava águas superficiais de chuva em seu proveito. e-rnaik cordoval@cnpms. O homem.

percebendo logo os danos que viriam a ocorrer em seus solos. Para se ter uma idéia do volume de tais perdas. em Sete Lagoas. foi iniciada a construcão das primeiras obras para contencão de enxurradas. quando foram construídas 30 barraginhas na Fazenda Paiol. com maior densidade de gado e consequente compactaçáo do solo. como o verificado a partir da ECO 92. Alguns produtores rurais mineiros. na área experimental da Embrapa Milho e Sorgo. em um sítio no município de Aracaí. estava em esquecimento e praticamente sem uso. apesar de não ser nova. Minas Gerais. começaram. foram construídas 28 barraginhas. foram introduzidas pastagens artificiais. Isso ocorreu há cerca de 30 anos. MG. hoje há vários focos de ação em municípios mineiros. MG. numa área de 60. hoje utilizadas como "vitrine" e que serviram de exemplo para a idealizacão e implantacão do Projeto do Ribeirão Paiol. somente na região d e Sete Lagoas. Com toda essa mobilização. Outra atividade decorrente da implantacão das barraginhas foi a realização de 11 cursos em diversas regiões do estado de Minas Gerais. já foram construídas mais de 5. facilmente erodíveis. Com o desmatamento. Uma percepção concreta e visível ocorreu a partir de novembro de 1995. por onde têm atuado os reeditores dessa tecnologia. Essa tecnologia. a construir barraginhas em regióes isoladas. No ano de 1991. mas não houve continuidade nem divulgacão adequada. que consistiu na construcão de barraginhas em toda sua microbacia. pois a época não era oportuna e não havia um clima ambientalista favor6ve1.000 barraginhas. basta dizer que ela corresponde ao desgaste de uma camada de 1 5 cm de espessura. Como exemplo.000 hectares. . durante o período de 1997/98. Em janeiro de 1994. a partir da iniciativa de alguns entusiastas.25% da perda sofrida pelo Brasil inteiro em igual período.

utilizando um sistema simples e que não B novo. a abertura de cisternas. pois data de antes de Cristo. . estando em pleno funcionamento e apresentando resultados altamente positivos. no município de Sete Lagoas. aproveitando o seu umedecimento. em toda a área de uma microbacia. Em razão do sucesso verificado. O sistema foi instalado em 1995. decorridos cinco ciclos de chuva. visando a perenização e a revitalização de mananciais. Em 1999. como. com água de boa qualidade. como curvas de nível. MG. para recuperação das áreas degradadas em torno das barraginhas. Também serão observados os desdobramentos da implantação desse sistema. UM PROJETO SOCIAL Pensando no futuro das águas e em sua qualidade. o reflorestamento e o plantio de canaviais. um projeto denominado "Barragens de Contencão de Águas Superficiais de Chuva". O objetivo principal desse projeto e a recuperação das áreas degradadas devido a escorrimentos superficiais de águas de chuvas. o sistema foi implantado em escala maior. por exemplo. plantio direto etc. BARRAGINHA. numa propriedade rural na microbacia do Ribeirão Paiol. porém estava esquecido. para todo o estado de Minas Gerais e outras regiões do Pais. MG. fruteiras e outras culturas. foi desenvolvido. de modo a contemplar todos os produtores rurais da mesma e possibilitar a observacão do efeito que uma propriedade poderá exercer sobre outra vizinha e assim sucessivamente.350 mm. em Sete Lagoas. bem como tornar o vale do Paiol uma vitrine demonstrativa de conservacão de solo e água. na Embrapa Milho e Sorgo. ou seja. aqueles que dependem da criatividade e atencão de cada produtor. A eficiéncia desse sistema para a conservação do solo e água poderá ser aumentada com a adocáo de outras prhticas conservacionistas complementares. foram plantadas 900 mudas de árvores em torno de 30 barraginhas. a detecção de áreas frescas propícias para o cultivo sem irrigacão. com precipitação media anual de 1.

retendo juntamente materiais assoreadores e poluentes. Ao barrar as enxurradas com mini-acudes sucessivos. funcionando como uma espécie de caixa d'água natural. na parte mais alta. bem como do espaco poroso do solo. no conjunto. as da baixada nem chegam a verter (Figura 1 ) . até chegar as da baixada. adubo. porosos e profundos. Nessa região. O objetivo da implantacão desse sistema é carregar (Figura 2) e descarregar (Figura 3) o lago. ocorram de 12 a 15 recargas completas do volume 'do lago. como terra. o excesso verte pelo sangradouro a segunda barragem e assim sucessivamente. enchentes temporárias e outros danos.. nos locais em que ocorram enxurradas volumosas e erosivas. O sistema provocará a elevacão do nível de água no solo. toda a microbacia de pequenas barragens o u mini-acudes. como um telhado. esterco com antibióticos etc. sob as barragens. coleta a água das chuvas e concentra-a em forma de enxurrada. Ao encher a primeira pequena barragem. que iriam diretamente para os córregos e mananciais. COMO FUNCIONA O SISTEMI O solo. o que poderá ser percebido visualmente. Na maioria das chuvas. que vai-se avolumando até tornar-se danosa. Esse projeto-piloto do Ribeirão Paiol consiste em dotar cada propriedade e. pela elevacão . também serão barrados assoreamentos e poluentes. predominam solos de cerrado. acelerou-se o processo de degradacão dos solos. agrotóxicos em geral. barrando-as e amenizando seus efeitos desastrosos. proporcionando a infiltraqão num espaco de tempo rápido entre uma chuva e outra. os quais. funcionam como uma esponja porosa armazenadora da água infiltrada. provocando contaminaqão. durante a estacão chuvosa. a p ó s o desmatamento ocorrido nas últimas quatro décadas e também com a descapitalizacão dos agricultores. N a r e g i ã o d e n o m i n a d a Brasil Central. de modo que.

.Figura 1. Desenho esquemático.

Barraginha cheia após a chuva.Barraginha após infiltrapão da agua retida.Figura 2. . Figura 3. uma semana depois da chuva.

em 2 mil hectares. e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura-IICA. foram construídas 960 barraginhas. município de Sete Lagoas. Se não houver esses mini-açudes. ao perenizar alguns mini-açudes de baixadas. bem como irrigacão suplementar. de maneira lenta ao longo do ano. na microbacia do Ribeirão Paiol. situada na Comunidade da Estiva. contribuindo para provocar enchentes e outros danos. isso tem uma i m p o r t â n c i a muito grande. afluente secundário do Rio das Velhas.do nível das cisternas. que depende da perenizacão dos grandes lagos (Figura 4). umedecimanto das baixadas e mesmo com o surgirnento de minadouros. Emater- MG e Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Sete Lagoas. com apoio da Secretaria de Recursos Hídricos-SRH. As Figuras 5 a 14 demonstram a metodologia de construcão das barraginhas. . Na prática. Só para exernplificar. do Ministério do Meio Ambiente e Recursos Hldricos. esse sistema proporciona a filtragem da dgua retida e sua posterior liberacáo para os córregos e rios. Esse trabalho foi desenvolvido pela Embrapa. MG. consolidando-se como uma unidade demonstrativa do sistema de conservacão de solo e água. cerca de 90% das águas retidas nos mesmos irão diretamente para os córregos. Além disso. porque ameniza estiagens (veranicos). uma chuva rgpida de 60 mm é suficiente para encher todos os mini-açudes de uma microbacia. Esse sistema é eficiente em regiões com precipitacões acima de 800 mml ano. oferece as condicões necessárias para a instalacão de criatórios de peixe. estabilizando e perenizando os cursos de hgua e mananciais. O projeto teve a gestão administrativa e financeira da Fundacão de Apoio a Pesquisa e ao Desenvolvimento-Faped. Em 1998. Isso é importante quando se pensa na necessidade de garantir o abastecimento de cidades e fazendas e também para a geração de energia elétrica. propicia plantios de safrinha após o encerramento do ciclo chuvoso e.

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e a Figura 6 6 piramidal. ? >--. para situações de enxurradas na beira de estradas e calhas suaves. A Figura 11 mostra o lago temporhrio formado pelo barramento. . - I METODOLOGIA DE CONSTRUCAO DAS B A R W ~ . . O mesmo se repete na Figura 8. A Figura 9 mostra as fases 'a".2 '. "b" e "c" do aterro dentro da calha. Os círculos representam leirões paralelos de terra solta colocados pela ph carregadeira e a base "a" da Figura 7 representa a terra jB acomodada e compactada pela mesma máquina. - As Figuras 5 e 6 demonstram os formatos possíveis das barraginhas. sendo que a Figura 5 é trapezoidal. para barramentos mais reforçados em calhas e grotas. A Figura 10 mostra a fase "d". .=#*-&&h > Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 . . .-.8. . As Figuras 7 e 8 são vistas de forma transversal. Figura 5 Figura 6 U /e.. 10 e 1 1 demonstram as fases evolutivas da construção da barragem no formato trapezoidal.9. que é o abaulamento final na forma de travesseiro. As Figuras 7. A base do travesseiro é o próprio nivel da água no lago. na formacão da base "b".

não se recomenda a construcão de barraginhas. Nesse caso. antes de cair na grota coletora. 13 e 14 mostram os locais onde usar os modelos trapezoidal ou piramidal. o único recurso é a construcão de barraginhas piramidais. tornando esses pontos frágeis. Na Figura 13. em que a construcão de barraginha não é viável. " c " e "d". A Figura 12 mostra a situacão de grotas acentuadas. A Figura 14 demonstra barraginhas trapezoidais em grotas de até 3 m de profundidade. Figura 12 Figura 13 . A c i m a dessa profundidade. "b". pode-se ver a situacão que ocorre em áreas conservadas com curvas de nível antigas e que arrebentam frequentemente todos os anos. delineiam-se e constroem-se curvas de nível com ligeiro gradiente no sentido da grota e constrói-se a barraginha piramidal no eixo da curva próximo à grota. As Figuras 12. de modo que a mesma sangre o excesso ainda na própria curva. Nesse caso. aplicando as fases "a".

Outro componente importante é o uso da pá carregadeira. b) o período de construcão das barraginhas B na época das águas. que aumenta em ate três vezes o rendimento em relacão ao trator de esteira. Há. " h '- Figura 15. Utilização da p6 carregadeira proporciona maior rapidez na construcão da barraginha. até tr8s meses após o encerramento do ciclo chuvoso. como: deslocamento próprio. facilidade de manutenção e grande número de equipamentos disponíveis no mercado (Figura 15). ainda. Observacóes: a) o processo de barraginhas é planejado para calhas secas (enxurradas) e não para córregos. outras vantagens. baixa os custos e dá qualidade de compactacão às mesmas.5 hora por barragem. . agilidade. São barramentos de até 3 horas de serviço de máquina e média não superior a 1. o que facilita a construcão. pegando ainda umidade residual do solo.

1 9 6 5 . Runoff farming in the desert. v.C. 60. LAL. 124 p. Agronomy Journal. . 59. L. BARROS. I. p. n.et al. Sete Lagoas: EMBRAPA-CNPMS. 133-138. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ANDREAE. Tropical Agriculture. EVENARI. Hamburgl Berlin: P.1 9 6 8 . Experimental layout. de. 24 P Relatório Final. Parey. 29-32.. Demonstração d e Conservação de Solo e Água na Microbacia do Córrego Paiol-Sete Lagoas-Minas Gerais. B. Management of clay soils for erosion control. 1982. 1998. Die Bodenfruchtbarkeit in den Tropen. M. 2. p. V. R.

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