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1 O PLANETA TERRA E SUAS ORIGENS Umberto G. Cordani Jmo material que compde os demais compos sccamente a formagio do Sol, dos demais planetas do Sistema Solar e de todas as estrelas a partir de nu- vvens de gis e pocieainterestelat: Porisso, na investigagio da origem e evolucao de nosso planeta, é necessirio recorrer a uma anélise do espaco exterior mais longin quo ¢, a0 mesmo tempo, 5s evidéncias que temos do passado mais remoto, Com base nas informagies decorrentes de diversos campos da Ciéncia (Fisica, Quimica, Astronomi bem como estudando a Asteofisica, Cosmogquimica), arureza do material terrestre (composi¢io quimica, fases minerais, et), j foram obtidas respostas pata algumas importantes questies que dlizem respeito & nossa existéncia + Com se formaram 1s elementos quimicos? + Como se formaram as esteelas? + Com se formasam os planetas do Sistema Solat? + Qual é a idade da Terra e dla Sisterna Solar? + Qual é a idade do Universo? *+ Qual € © futuro do Sistema Solas, ¢ do proprio Universo? Fig, 1.1 Agols nicleo den bio gigante de Andrémede (ino elitice) - mes prow ‘ebiihonte contende bilhoes de estrelas, Fonte: NASA, a4 Fotomontagem Tera e Luo, NASA, Pent e) Para as quatro primeiras perguntas jé existem evi- déncias suficientes pata estabelecer uma razoivel confianca nos pesquisadores em relagio as stas teori- as, baseadas no conhecimento cientifico, tanto teérico como pritico, observacional on experimental. A quinta a sexta talvez também possam vir a ser respondidas a contento com o progresso da Ciéncia Contudo, o que exista antes do Universo? Para esta, pergunta ainda nio temos esperanca de resposta no campo do conhecimento cientifico convencional, e tal questio permaneceré como objeto de consideragdes filoséficas e metafisicas - tema de imbito das diferen- tes religides, cujos dogmas implicam a presenca de um Criador, exercendo sua vontade superior. 1.1 Estrutura do Universo A Astronomia nos ensina que existem incontiveis estrelas no céu. Ao mesmo tempo, observamos que elas se dispdem de uma maneira ordenada, segundo hicrarquias. As estrclas agropam-se primeiramente em cujas dimensdes sio da ordem de 100.000 stincia percortida a velocidade da luz, 300 mil km/s, durante um ano). As figuras 1.1 ¢ 1.2 apre- sentam dois exemplos comuns de gabixias tipo eliptico ¢ tipo espiral. A estrutura interna das galéxias pode galixias ma do nosso Sistema Soler (2,4 milhées de ones-lun)—com say TCR ners Fig. 1.2 Exemplo de uma goléxo do tise espira Fonte: NASA. conter mais de 100 bilhdes de estrelas de todas as di- ss, com incontavcis particularidades. Por exemplo, entre as descobertas que vém sendo alvo de cestudos ridio-astronémicos estio os quatars, objetos peculiares com dimensio semelhante 4 do nosso $ tema Solar, mas contend imensa quantidade de energia e brilhando com extrema intensidade. ‘As galisias po- dem conter enormes espagos interestelases de baixa densidade, mas também segides de densidad extce ma. Os assim chamados buracos negros podem sugar qualquer matésia das prosimidades, em virtude de saa sigantesca energia gravitacional. Nem mesmo a luz consegue escapar dos buracos negros,¢ 0 scu estudo 6 um dos temas de fronteira da Astronomia A Via Lactea ¢ também uma galixia do tipo piral, sendo que o Sol — a estrcla central de nosso Siscema Solar ~ esta sieuado num de seus bragos peti féricos. A Via Léctea possui também um ntielco central, onde aparecem agrupamentos de estrelas jovens. ‘As galixias, por sua ver, se agrupam nos assim chamados aglomerados, que podem conter ence al: gumas dezenas a alguns milhares de galixias. A Via Lictea pertence ao chamado Grupo Local, que inclu também a galixia de Andromeda ¢ as Nuvens de Magalhics. Finalmente, © maior nivel hierirquico do Universo € o de superaglomerados, compostos de até dezenas de milliares de galaxias, ¢ com extensiies que atingem centenas cle milhies de anos-luy As observagdes astrondmicas nos conduzem a pelo menos duas reflexdes relevantes pasa os temas da ori gem do Universo ¢ da maréria acle concentrada: * uma visio retrospectiva, visto que a observacio das feigdes mais distantes nos leva 4 informagio de Epoeas assadas, quando os objetos obser mais jovens, Sio as observagdes das rogiées no limite do observivel, que refletem eventos veurrides hi vé- rigs bilhées de anos (Fig. 1.3) Fig. 1.3 imogem bide pelo tolescépio Hubble numo das por tes mais distanes do Sistema Solar. Os tes objetos com roios 60 exrelas, enquanto os de objetosvisives s80 gol 1s, cada uma dels cartendo muitos bilhOes de esteios. Os ‘bjolos menores e menos luminosos so galdxias cerce de 11 bilh Fonte: NASA, POEL iey + uma visio comparativa, que possibilita a re- construgiv do ciclo de evoln 10 estelar, visto que existe uma grande diversidade de tipologia nas ¢s- teclas, em relagdo A sua massa, tamanho, cor, temperatura, idade, ete. Fmbora se saiba que a vida de uma estsela € muito longa, da ordem de diver sos billies de anos, 0 grande nimero de estrelas disponiveis para observagio faz com que seja pos- sivel verificar a existéneia de muitas delas em diferentes fases da evolucio estelar, desde a sua form fi até 0 seu desaparceimento ou a sua trans- formacio em outro objeto diferente do Universo, © Universo encontra-se om expansio, Ndo é a dis- vincia entre as aamentando, strelas de uma galéxia que esté nem a distincia entre as galéxias de wm aglomerado, visto que tanto as primciras como as til timas esto ligadas entre si pela atragio da gravidade A expansio do Universo significa que aumenta conti uamente © espace cntee os aglomerados galicticos que nio estio suficientemente ligados pela atragio gravitacional, A vclocidade desta expansio € dada pela constante de Hubble, ainda no determinada com grande procisio, e que presentemente parece se situar prima de 18 km/s.10" anos-luz, Se 0 nosso Univer- s0 for “a iberto”, este valor permancecri constante, ow poder aumentar ao futuro, Se entretanto o Universo. for “Fechado”, a velocidade de expansio diminuiré com o tempo, tendera a anular-se ¢ em seguida toma si valores negatives caracteristicos de contraglo. A Astronomia ainda nfo esta segura quanto 4 na tureva aberta ou fechada do Universo, pois isto depende de sua densidade média, cujo valor niio se encontra estabelecide adequadamente. © valot limite entee aberto e fechado, chamado de densidade critica, € dado por p, = 3H,’ / 8nG, onde H, é a constante de Hubble © G a constante gravitacional Para 0 valor mencionado acima de H, a densidade critica € de 6,5 x 10°” g/em'. Observagdes recentes (wer os comentirios finais deste capitulo) sugerem que 1 densidade média tem valor inferior 20 ertico, indi- Universo cando um Universo aberto, portanto tendendo a expandir-se para sempre. Entretanto, é dificil medic essa densidade em virtude da existéncia da chamada matéria escura, de complicada caracterizagio ¢ de prc senga ubiqua em todo espago interestelar, Este material, vieruaimente invistvel, consiste de neutrinos possivelmente de outras particulas desconhecidas que interagem apenas por forgas de gravidade com a ma- téria conhecida. Muitos cientistas acreditam que esta ‘matéria invisvel estaria presente no Universo em quan: _rlomimaginado recentemente por Gams, tidade muito superior 4 da matéria visivel,e nesse eas0 a densidade média poderia superar 0 valor critico, apontando assim para um Universo “fechado”, 1.2 Como Nasceu 0 Universo Se nosso Iniverso for fechado, isto é se sua densida- de média for superior a 65 x 10 g/cm, sua velocidade de expanslo deveri diminair até anlar Sc, ¢ em seguida cle deveri implodie sobre si mesmo, num colossal coapsmne, no futuro longinguo, dagui a muitas dezenas de bilhdes de anos, Toda a matéria estar reunida numa singulatidade, um espaco muito pequeno de densidade cextremamente alt, vttualmente infinite sob uma tem- peratura também extremamente alta, virualmente init Nesta singularidade que foge a qualquer visualizagio, ria e energa seriam inclstinguiveis, io haveria espa- 0 em scu entomo e 0 tempo nio teria sentido. Tita pode ter sido a situagio existente cerea de 15 bilhdes de anos atris, o ponto de partda de tudo o «que nos diz respeito, um ponto reunindo toda a maté- ra e enengia do Universo, que explodiu no evento tinico original que os fisicos denominaram Grande Explo- sio, on Big Bang. Por meio do conhceimenta existente sobre matéria, ¢ energia, radiagdes, particulas elementares,¢ fazendo uso dos recursos da Fisica tedriea, incluindo modela- gens e simulagdes, os cientiseas reconstitufram com grande preciso as etapas sucessivas & Grande Explo- so. Segundo dlizem, tendo como situago de partida o iniciado 0 Big Bang, 0 resto € perfeitamente previsivel. A Tabela 1.1 retine os eventos ocorrids por ocasito da origem do Universo, ordenados cronologicamente, A Ciéncia ‘io tem elementos para caractetizar 0 pesfodo que 08 fisicos denominam Planckiano, decortido logo apés 6 instante inicial, Trata-se do tempo necessirio para a luz atravessar 0 comprimento de Planck, a unids- de fundamental de comprimento, pois nio é possivel saber se as constantes fundamentais que governam nos- so mundo jf atuavam naquelas condigdes. Durante os 3 x 10" segundos iniciais a temperatura era alta de- mais paraa matéria ser estivel, tudo era radiagio, Ainda hoje, o espectro da radiacio de microondas de fundo (wierowave background radiation) que pervaga 0 Univer- so em todas as direcdes do espago, como remanescente da radiacio emitida, é uma das maiores evidéncias para a teoria do Big Bang e implica que a radiagio original partiu para todos os lados com a ‘mesma temperatura ee attr tre Tabela 1.1 Cronologia do Big Bang, mostrando que Tempo e Espaco séo grandezos fisicos {que nasceram junto com ¢ Grande Expose. rey Prey on) Zero ficial Zero 54x 10% 16x10 10% los Io 108s 1 013 10 lo"s oA 78x10 75x10 10% 300 13410 38x10 “10” 10° 300,000 Vax los 3x10" ane 100 8 read £800:000 ones 66107 3.000 Obe:v = 1.460540 «107 kg Com a expansio € a eriagio continua de espace, fo ram surgindo as quatro foreas fundamentals da nature aque ineluem a forga cletromaynetica, as foreas nucleate Fonte e fraca (que 96 en influcnca no inter atomic), ©-a Foren dy Widade que, de Jonge, & mais familiar « todos ns. Congudy at fonca da prvidade poor ser enuite frea & dfcl de: ser medida (ra vera medida cquivale & consiante G). Houve tare at fase de espanslo extremamente rpid (fase inlaeiond ria), em que a velocidad da expansio foi até maior de astrorisices explicarn as Feigtcs annals observadlas em Uninerso, Impliea também que pode terse ogi nade» ala mesma forma uma quanticade enorme de esos que jamais seremis expaes le conhe ee eared ‘Aporecimenta de expaco, tempo Fim do periado Planckiono Separactio da Gravidode 0 das orcas Nucleon Foe Elerca Foca. Fee iflaconsric: Seporasto dos forgas Nucoor Face Elekomognsica Estobiizam-se 0s quarks do tip nas 50 v. Ectoivom-se.0s quarks do tipo b (massa ~ 5 u Ectaiicom-s0 0s quarks do tipo (nso 1,80} Estbiizom-se 0s quarks do tipo , sss 0,5 04 Estabilzam:-2e protons névtrons Establizom-se 08 nicleos’I (enargia de bgaciio ~ 1,7 MeV Estoblom-se os elon (masto = 0,00055 u} Estobiizom-se 0s nicleos He ¢ He Capture de olétons pelos nics. Formac He He emoléculas H,. © Universo tomose tansparent cer, visto que, apis a fase inflaciomsitia estes teria ste propria espansio e evolucio muity cistante de avis, de Apis 10° segundos, nosso universe inflad, o uni vero visivel, ria su espansio pow emnada pela eonstante de Hubble, e sua evolugio o levaria até «esta anv em que: seu nto & da orem de Bes de anes, Nesta cvolugio primtiva, a tempenitura © hens cde energia foram decreseendo, © form eviadas as cont «is paral formato da maténa, no procesckenomingde nucleogénese: protons, acutrons, elétrons e cm seid (8 tomes dos dementos mais eves, Primeiramente L Heo dois elemenios prineipais st materia do Univers pusteriormente Li © Be, Com pou menos ¢ Peete milhio de anos de vida, a remperarara do Universo en contrava-se em cerca de 3.000 K, ¢ a energia estava suficientemente baixa para permitr os tomas permane- cerem estiveis, Com a captura dos eétrons pelos dimes em formaci 6 Universo embric parente it luz, sendlo constituido por H (74%), He (26% além de quansielades muito diminutas de Ti ¢ Be. Por outro lado, quando a temperatura decresceu para valores abaino de alguns milhbes de gus, aenhum ou: tro elemento teve condigio de sereriado. As estrels € as salsa formaram-se mais tarde, quanda o resfriamento. generlizaclo permitiu que a matéria viesse a se confinar tem imensas nuvens de gis, Ests, postesiormente, entra am em colpso pravitacional pela acio da forca de gravidade, ¢ seus miclens se aqueceriam, levandlo 4 for mucio das primeitas esteelas, As primeitas galéxias surgiram por volta de 13 bilhes de anos atnis A Via |Léctea tem aproximadamente 8 billes de anos de ida- de e dentro dela © nosso Sistema Solar originow-se hi cerca dle 46 bilhaes cle anos. 1.3 Evolugio Estelar e Formagao dos Elementos No Universo em expansio havia variagdes de den- sidade como em giganteseas muvens em movimento, com regides de grande turbuléncia, Embora sua den- sidade fosse muito baixa, eram tio vastas que sua propria atracio gravitacional era suficiente para pro: duzie conteagio, ao mesmo tempo em que 0 seu ‘momento angular impedia a sua répida implosio. Na medida em que elas foram se contraindo a densida- de aumentando, algumas regides menores com densidade maior passaram a se avtocontraitem, ¢ a grande nuvem dividiu-se em nuvens menores separa- clas, mas ofbitando entre si. © progresso da contracio gravitcional resultou na hierarquia hoje reconhecida, com as galixias pertencendo 2 aglomerados, que por sua vez formam superaglometados. Fig, 1.4 Nebuloss do Carangueio, Tsta-se de uma grande nuvem de gs, localzoda na conselagéo de Touro, originade pelo explosio de uma superove, ocorido no ane de 105d e regishado nor vétios povos na época, Fonte: NASA, Rint) AAs estrelas nascem pela radicalizagio do processo de contragio, a partir das mencionadas nuvens de gis (nebulosas), constituidas quimicamente por grande quantidade de Hidrogénio ¢ Hélio, além de alguns outros gases particulas slidas que integram a poel= ta interestelar (Fig, 14). ObservagSes astrondmicas revelam regides onde esté ocorrendo o fendmeno da formacio de estrelas, em nebulosas de enorme massa € baisa densidade, No interior destas, um volume ‘menot com densidade ligeiramente mais alta entra em autocontragio, e o material tende ao eolapso prod indo uma esfera, na regiio central, tornando-se uma proto-cstrela. Dai em diante continuari a contrair para compensar a perda de calor pela sua supertiic, de- senvolveado temperaturas ¢ mais para a esquerda no diagrama. A queima de Hidrogénio ~ a reagio termonuclear caracteristiea das estrelas que se situam na Seqiéneia Principal, em que pela fusio de quatro niicleos de Hlidrogenie formase tum de "He ~ inicia-se quando as temperaturas centrais estrela em formagio atingem 1°K. Esta reagio libe- 1 uma imensa quantidade de eneryia, muitos millwies de ‘vezes superior quela que scria causada pela queima qui mica do H. Desta forma, a estrela pode continuar ‘queimando H durante bithdes de anos, como ¢ 0 caso do Sol, visto que tal producao de energia compensa e equi libra a tendéncia & contragio pela acao da gravidade. progressivamente mais cleva- das em seu centro, A.evolugio das estrelas, al como seri rclatada a seguir, cncontra-se sintetizada na Fig, 1.5, que representa 0 diagra- ma de Hertzsprung-Russel (H.R), Neste prifico, a maio- ria das estrelas situa-seperto da curva representada, desde 0 canto inferior diteito (baixa temperatura e baixa luminosi- dade) até o canto superior esquerdo (alta temperatura ¢ alta laminosidade), Esta regiior no diagrama é a denominada Seqiiéncia Principal, com a estrela de massa unititia So ra Mogrtude Yd Absa 1M, ocupando a posiclo cea: tral, Uma certaconcentragio de estrelas aparece acima ¢ pata a direita da Seqiiéncia Principal, enquanto apenas algumas apa- recem abaixo dela Quando uma estrela nase, seu material esti ainda muito diluido © expandido, Sua tem pperatura superficial é baixa, de ‘modo a situar-se na porcio in- ferior direita do diagrama H-R. L “Sets L eee 2 -_ eh ae ” luminosod fot usnecnas L L L Com sua contragio,temperatu- —® 2 ta ¢ luminosidade aumentam, ¢ a estrela vai ocupando posigdes sueessivamente mais pata cima Tpoemecta Fig. 1.5 Diogroma H-R (Hetasprung-Russel), no qual otipo expect que depende do cor e do temperatura de supedci) de muitasexrelo 3 represeniodo em fungéo de luminosidade vj distoncias 8 conhecidos, sativa co Sol A queima do H no centro das estrelas, onde a temperatura € maxima, produz He, elemento que permanece onde é formado, visto que o ealor pro- duvide é transferido para as camadas mais externas por radiagio, e alo por convecgio, A acumulagio de He forma um niicleo que cresce, com o HL em ignigio, confinado a uma camada con rerna a esse niicleo. Com 0 erescim » do aiieleo, 1 pacte externa da estrela expande muito, € sua su pecticie resfria, assumindo uma coloracio vermelha, Ea fase denominada gigante vermelha (Kg, 1-4). Nesta fase o niicleo se contrai novamente pela atra- ao gravitacional, ¢ a temperatura central aumenta muito, para valores da ordem de 10! K, Inicia-se 1 queima do He, que pode durar muitos milhées de anos, formando C pela fusio de trés particulas alfa, Em seguida, com 0 esgotamento do He, nova conteagio do nicleo ¢ novo aumento de tempe ratura acarrotam wma enorme expansio da esteela ‘Trata-se da fase de supergigante vermetha. Se 0 Sol atingir esta fase, daqui a cerea de 5 bilhies de anos, seu tamanbo estender-se-a para além da ér- bita de Marte Em estrclas de tamanho médio, como € 0 a0 do Sol, © nuicleo de C € muito quente, mas no 0 suficiente para produzir fasdes nucleares, de modo que cessam as reacties produtoras de energia, Como resultado, 0 micleo conttai ulteriormente, ¢ a sua densidade aumenta, originando uma an’ branca, Tais tipos de estrela perdem sua energia residual wente, por radiacio, resfriando durante outros bilhdes de anos, transformando-se em aniis ‘marrons, ¢ finalmente, em ans negras. Por outro lado, em estrelas cujo tamanho € pelo menos oito vezes maior que 0 do Sol, em suas fa- ses de supergigantes vermelhas, a temperatura do iiicleo de C é suficiente para produzit O, Ne ¢ Mg pela adigao de particulas alfa, e posteriormente fun: dir , formando Sic outros nuclideos de niimero de massa mais elevado. Tais processos, em que os residuos da queima de combustivel nuclear se acu- mulam no niicleo para em seguida queimarem por sha vez em outea reagio termonuclear mais com- plexa, fazem com que as estrelas se constitaam por luma série de camadas concéntricas, As reagécs nu- cleares cessam quando o elemento Te é sintetizado (processos de equilibrio, ou e procese), visto que este dle cate € 0 mais estavel de sua regio na curva de cenergia de ligacio, e por isso uma fusio nuclear ulterior consumiria energia ao invés de produzi-ts Por) igio sucessivo de queima, desde o H até o Fe, libera menos energia que 0 anterior. A diminuigio da fonte de energia coincide com a ne- cessidade crescente de energia para as etapas posteriores da evolugio estelar, de modo que estas sio sucessivamente muito mais ripidas do que as anteriores, e especialmente a fase de estabilidade ‘quando a esttela permanece a0 longo da Seqiiéncia Principal. Uma estrela que permaneceu durante bi- Ihdes de anos queimando I ¢ depois He, passa extremamente rapido pela fase dos processos de equilibrio, em segundos apenas, formando Fe, para ter imediatamente seu combustivel nuclear esgota- do em sua parte central. Nesta situagio, 2 temperatura aumenta muito, a contracio torna-se insustentavel, ea estrela implode em fragdes de se gundo comprimindo as particulas formando uma estrela de néutrons com diimetro da ordem de apenas alguns quilémetros. Nas camadas mais externas da estrela permane- ce grande quantidade de elementos ainda no queimados: H, He, C, O ete. A implosio do centro causa 0 colapso generalizado de tais camadas ex- ternas, com 0 concomitante grande aumento da temperatura, A quantidade de energia liberada & tio grande, em to pouco tempo (menos de um se- gundo), que a estrela explode literalmente, langando para o espago a maior parte de seu material, num evento tinico no eéu, um grande espetéculo para os astronomos, ¢ que caracteriza a fase de supernova (Fig, 1.6). Nesta explosio, grande mimero de néu- trons é liberado pela fissio dos auclideos mais pesados, ¢ esses néutrons sio imediatamente cap- turados por outros nuclidios, dando origem 20s processos denominados r (rapid - répidos) ¢ s (show = lentos) de formagio de elementos novos. A pro- va da nucleossintese pelas supernovas esti na deteceio do especteo de cortos elementos instiveis, como o Tecnécio, ou alguns elementos transurinicos, tal como foi observado recentemen: te pelos astrofisicos. © diageama H-R tem fundamental importincia no entendimento da evolugio estelar, descrita an- tes, visto que podem ser observadas estrelas individuais em todlas as etapas evolutivas, € deter- minadas as suas propricdades através de anilises espectrais de diversos tipos. Apés longa permanén- cia sobre a Scqiténcia Principal, produzindo He, a luminosidade das estrelas aumenta nas fases seguin- (Ren cn arent Fig, 1.6 Exemplo de fase de supernovo. Nebulose com formoto deuma “empulheio", mostonde os ants ejetodos de gases (N, H, O} resulanes de sua exploséo. Fotografia tomada do tele Spo Hubble. Fonte: NASA, tes, de pigante vermelha © de supergiyante verme- tha, mas diminui a temperatura de sua superficie, por causa da expansio. As estrelas se deslocam en- tio para a parte superior dircita do diageama (Fig, 1.4), Por outro lado, com a perda de luminosidade que antecede a morte das estrelas, as ans brancas vio se situar na parte inferior do diagsama, absixo da Seqiiéncia Principal Assim, os elementos constituintes do Universo. foram formados em parte durante a nucleogénese, nos tempos que se sucederam ao Big Bang (basica: mente He He), ou entao foram sintetizados no interior das estrelas cm processos denominados genericamente de nucleossintese. Aqueles com mi- mero atomico intermediirio entre o He ¢ 0 Fe form: -se durante a evolucio das estrelas, nas partes centrais das yigantes vermelhas, enquanto aqueles com niimero atomico superior ao do Fe ori- ginaram-se unicamente naqueles instantes magicos das explosdes das supernovas, Ao mesmo tempo, desaparecendo a estrela-mie, toda a sua matéria foi devolvida ao espago interestelar, fertilizando-0 ¢ possivelmente dando inicio a um novo ciclo de evo- lugao estelar. Somente as estrelas de massa gigantesea podem evoluir até a fase de supernova. Estima-se que em cada galixia ocorrem duas ow trés explosdes de supernovas em cada século. O evento mais beilhan- te parece tet sido aquele registrado no ano 1054, ‘cuja matéria, espalhada pela explosto, deu origem 4 Nebulosa do Caranguejo (Pig. 1.4), Existe uma relagio intima entre a origem do Uni- verso © a dinimica das estrelas, por um lado, ¢ abundincia dos elementos nos sistemas estelar por outro, Fixplosées de supernovas tém como con seqiiéncia importante que os novos elementos formados, primeiramente no interior da estrela, ¢ posteriormente durante a explosio, sie devolvidos 0 espaco ¢ misrurados ao meio interestclar, esse cialmente constituide no inicio de H ¢ He, Desta forma, as novas estrelas a se formarem a pastit de tal mistura ja comecariam a sua evalugio com um) complemento de elementos pesados, incluindo-se ai 0s isotopos radioativos de meia-vida longa, como Ue Th, Este ¢ o mecanismo pelo qual o Universo se torna progressivamente mais rico em elementos pesados. Kstrclas formadas recentemente posstiem cerca de 100 a 1,000 vezes mais Fe © outros ele- mentos mais pesados do que aquelas mais ai formadas em épocas mais préximas da origem do. Universo, Sistema Solar foi formado ha “apenas” 4,6 bilhdes de anos, quando 0 Universo ji contava de 8 2 10 bilhdes de anos de idade. A nebulosa solar resultou possivelmente da explosio de uma supernova, cuja massa estimada teria sido de apr ximadamente 8 massas solar € que em sua fase final teria sintetizado os clement s pesados que hoje constituem o Sol e seus planetas (Hig, 1.7). Portan Sistema Solar possui c ia constituinte dos cospos planetitios do ta quantidade de clemen- tos pesados, ¢ constituicéo quimiea evcrente (ver as denominadas abundancias solares na Tabela 1.2 Peer matt Tabela 1.2 Abundéncia Solar dos elementos. Embora existam diferencas de estrela para estrela, por causa da propria dinémica interna, @ abundéncia solar é fida como um valor médio representative da constituicoo uimica do Universo, também chamada abundancia césmica (valores em étomos/10°Si). Ee Cote) 3,76xt0* 1075x108 Ni 4.93% Fonte: Anders & Ebihara, 1982. Pee eer eke) 1.4 O Sistema Solar Nosso Sol é uma estrela de média grandeva, ocu- pando a posigdo central na Seqiiéncia Principal no diagrama H-R (Fig, 1.5). Como tal, encontea-se for mando He pela queima de H, ha cerca de 4,6 bilhes de anos. Possivelmente, permanec 4 nesta fase por outros tantos bilhdes de anos, antes de evoluir para a fase de pigante vermelha, andi branca, ¢ finalmen. te tornar-se uma andi negra. Os demais corpos que pertencem ao Sistema Solar (planctas, satélites, asterdides, comeras, além de pocita e gis) formaram-se ao mesmo tem oem que sua estrela central, Isto contre ao sistema uma organizacio harménica no tocante i distribui- gio de sua massa ¢ as trajetétias orbitais de seus coxpos maiores, os planetas ¢ satélites. A massa d sistema (99,8 %) concentsa-se ao Sol, com os pla netas girando ao seu redor, em érbitas elipticas le pequena excentricidade, virtualmente coplanares, segundo um plano bisico denominado ecliptica, Neste plano estio assentadas, com pequenas incli- nagdes, as Grbitas de todos os planetas, centre Marte e Jupiter orbitam também numeroso: erdides, Por sua vez, a grande maioria dos cometas parece seguir também érbitas proximas do plano da ecliptica, O movimento de todos estes corpos a0 redor do Sol concentra praticamente todo o mo- mento angular do sistema, A Tabela 1.3 retine os principals parimetros fi sicos dos planctas do Sistema Solar. Sio, de dentro para fora do sistema: Mereirio, Venus, Terra, Mat= te, Jépiter, Saturno, Urano, Netuno ¢ Plutio, Pode-se verificar que suas distincias em relagao a0 Sol obe- decom uma relagio empirica (a denominada ‘ei de Titius-Bode"), proposta por LE. Bode d= 04 +032" ‘na qual d é a distincia heliocéntrica em unidades astronémicas (UA = distincia média entre a ‘Terra € 0 Sol, equivalente a cerca de 150 mithdes de km), en é igual a -20 para Merciitio, ero para Venus, ¢ tem niimeros de 1 a 8 ps Plutio). Os asterdides tém -a os planetas (Verra até As caracteristicas geométricas, cinemiticas ¢ di namicas dos planetas do Sistema Solar foram condicionadas pela sua origem comum, Os planc- tas podem ser classificados em internos (ow terrestres, ou teluricos) e externos (ou jovianos). Pela eee Fig. 1.7 © Sistema Solar, Os quatio plonetas interes sv fom-se mais perio do Sol © $00 rochosos @ menores fomanho, enquanto 0s quatro planetasexternos 20 aigantes, estes possuem soiltes mojoreriomente gososor © com ni: cleosrochosos. O planeta meis distant, Pluibo, um pec corpo congelado de melano, dgue e roche, Notar 0 cinturéo 1up0 de planets iter de osterdides que se localiza en Tabela 1. , verifica-se que os planetas internos pos: stiem massa pequena e densicade média semelhante da Terra, da ordem de 5 g/em', enquanto que os planetas externos possuem massa grande ¢ densi dade média proxima a do Sol. Os incontiveis corpos de dimensoes menores, que ofbitam no cinturio de asterdides (o maior asterdide conhecido, Ceres, tem diimetro da ordem de 970 km), apresentam caracte- risticas variaveis, porém mais assemelhadas iquelas dos planetas internos. Os planctas internos possu em poucos satélites ¢ atmosferas finas e rarefeitas, Jos planetas externos possuem normalmente mais satélites ¢ suas atmosferas sio muito espessas ¢ de composicio muito parecida a do Sol, com predomi: nancia de H ¢ He 12 DeciFRANDO A TERRA Tabela 1.3 Pardmetros fisicos dos planetas do Sistema Solar. 9.45 we bar Tete us Bb? oon on 55 13 BEEF Ae) 2 C0, N78) COyE95) Hi) Hira) Hs Ho(15). HablotO) IN| ORT (NB) Hel20) Hee) HO,cH, ia trae: z NH, 60)” NH, (60) 1 16 18 15, & if) O72 aR 52988 ss Bo | aes [5 365 6a7 4347 T0775 s0.680 4024 90582 Deon Wien ats ange 009 021 | 002 | 90R 005-006. 005g ns 4879 42104 12756 6794 142.984 120596 51.118 49.628.» 2.300 Inogieobil 700 3870 AR. 1 2AR 07 AP AAS Rye My respeciiomente, roto (6.978kr) © massa (5,98%)" 1) da Terra As diferengas Fundamentais entre planetas internos externos podem ser atribuidas 4 sua evolugio qui: mica primisiva. Basicamente, os iiltimos sic gigantes _gasosos, com constituigio quimica similar a da ncbu losa solar, enquanto que os internos sio constituidos de material mais denso. Como seri deserito adiante, tais diferene: .a partir de uma quimica inicial similar, se devem a um evento de ala temperatura que ocor reu numa fase precoce da evolugio dos sistemas planetirios, responsive! pela perda de elementos vo- liteis pelos planetas internos, Segundo os modelos aceitos (par exemplo o de Safronoy, 1972), a origem do Sistema Solar re monta a uma nebulosa de gis © pocira cdsmiea, com composicio quimiea correspondente a abundincia solar dos elementos (Fabela 1.2). \ nebulosa tinba for ma de um disco achatado, em lenta roragio, Nos primérdios da evolucio, acasiao em que a sua estrela central, 0 Sol, iniciava seus processos imernos de fu sho nuclear, @ temperatura de toda a regio mais inter- nna, poueo aquém da Grbita de Jpiter, permanecia| elevada, Com o resfriamento gradativo, pela perda de cenergia por radiag . parte do gis incandescente condensou-se em particulas sélidas, iniciando © pro- cesso de acres¢io planctiria, mediante colisSes entre ais particulas, guiadas pela atragio gravitacional Provavelmente for naram-se no estiyio inicia al guns angis com concentragao maior de material slid, separidlos por espagos com menor concentracio. A medida que ocorren o restriamento, © material dos acis foi se concentrando em coxpos com dimensdes da pplanetésimos), que posteriormente se aglomeraram cm corpos ainda maiores (protoplanctas). Finalmente, ordem de um quildmetro, ou poueo maior cestes varreram as respectivas drbitas, atraindo para si pela ago gravitacional, todo © material s6lido que gi- ava nas prosimidades, dando origem aos planctas. Embora seja desconhecida a duragio do processo de Rake) acrescio planetirin, estima-se que, numa esc po césmica, cle foi muito ripido, pois a eristalizagio de tem. de corpos diferenciados, conforme seri visto a seyuir, ‘ocorreu no maximo 200 ou 300 milhées de anos apos 0 processos de nucleossintese que originaram a ne bulosa solar, processo de acreseio planetitia, extremamente complexo, no é totalmente conhecido, de tal modo que 08 modelos no explicam adequadamente todas as particularidades observadas nos planetas e satélites do Sistema Solat. Independentemente do modelo es colhido, parece que o estigio inicial da formacio planetitia corresponde & condensacio da nebulosa em resfriamento, com os primeitos sdlidos, minerais re fratirios aparecendo a uma temperatura da ordem de 1.700 K. © mecanismo para agregar as particulas, possivelmente relacionado com af idade quimica,ain- da € obscuro. Por outro ldo, os protoplaneras, de dimensdes grandes ¢ com aprecidvel_ campo sgravitacional, podem atrair ¢ reter planetésimos, No citado modelo de Safronox, em cerea de 100 mills de anos poderiam ter-se acumulado 97-98% do ma terial qu constitul hoje o planeta Terra As diferencas nas densidades dos planetas internos (Tabela 1.3), decrescendo na ordem Mereiirio-Terra Vénus-Marte (¢ também Lua), sio atribuidas 4 progressio do acrescimento, visto que 2 composicio quimica da nebuloss original foi uniforme e andloga i abundiincia solar dos elementos. Finalmente, apés 0s eventos relacionados com sua acresedo, os plantas internos passaram por um esti gio de fusii , condicionado pelo aumento de temperatura ocorrido em seu interior, com o intense calor produzido pelos isctopos radioativos existentes; em quantidade relevante, nas Gpocas mais antigas da cvolugio planetiria. Com seu material em grande parte no estado liquido, cada planeta soften diferenciacio quimica c seus elementos 4 wereyaram-se de acordo com as afinidades quimicas, resultando num niicleo metili co interno, constituido essencialmente de Fe ¢ Ni, envolto por um espesso manto de composicio silicitica (Cap. 5). No easo dos planetas externos, am de conterem He He, a0 lado de outros compostos voliteis em suas atmoste redita-se que rtenham iicleos interiores sélidos, em que predomi ‘nam compostos siliciticos, Tanto no caso do episédio inicial da acresgio planetitia, como neste episédio posterior de diferenciagio geoquimica, sio eruciais os conhecimentos obtidos pela meteoritica, que serio vistos a seguir 1.5 Meteoritos Meteoritos sio fiagmentos de matéria sélida peo. venientes do espago, A imensa maiotia, de tamanho minuto, é destruida e volatilizada pelo atrito, por oca silo de seu ingresso na atmosfera da Terra, Os meteoros (estrelas cadentes) - estrias luminosas que suleam © eéu ¢ so observadas em noites escuras & sem nuvens - sio 08 efeitos visiveis de sua chegada Apenas os meteoritos maiores conseguem atingir a superficie da Terra, Alguns cuja massa aleanca diversas toncladas prodiiziram crateras de impacto que vez ou ouira sio descobertas. Por exemplo, um meteorito ccom cerca de 150.000 sonelacas chocou-se com a Terr ha cerea de 50.000 anos, cavando 0 Metear Crater (Arizona, F.UA), uma depressio com 1,200 metros; de diimetro ¢ 180) metros de profundidade (Fig, 1.8) Um impacio meteoritico ainda maior, ocorride em Epoca ainda niio determinada, produziu uma cratera com cerca de 3.600 metros de didmetro nas proximi dades da cidade de 10 Paulo, hoje, porém, preenchida por sedimentos (Cap.23), © estudo de algumas trajet6rias, quando a obser vacio foi possivel, indicou como. provivel regio de origem dos meteoritos o anel de asterdides ji referi- do que se situa entre as drbitas de Marte e de Jupiter (Fig. 17). Analises quimieas de alguns metcoritos set mbém de Marte, arrancados das superficies desses corpos por grandes impactos, gerem uma proveniéncia da Lua, © Fig 1.8 Meteor Crate, Arizona, EUA, Fonte: NASA. 14 Decirranpo a TERRA As amostras de meteoritos conbeci pela meteoritica ce cstudadas fo ramo da Ciéncia que estuda es ses corpos — sio da ordem de 1.700, Porém, alguns rilhares de amostras adicionais estio sendo continua mente coletados por expedi¢des na Antitica. A busca de meteoritos 6 prandemente faciitada na calota gela- da, onde cles se concenteum na superficie untamente com outros residuos sélidos), com o passar do tem- po, por conta da reducio do volume das geleiras, aio do vento combinada com a trajets- ria ascendente do fluxo do gelo quando este encontea causada pela clevagbes topogriicas, Os meteoritos subdividem-se em classes € subclasses, de acordo com suas estruturas internas, composiges quimicas € mineralégicas (Tabela 1.4), Dois aspectos da meteorit sao importantes para © entendimento da evolugio primitiva do Sistema Solar: a significagao dos meteoritos condriticos para o processo de acrescio planetiria € a significagio dos rmeteoritos dife neiados em relagio & estrutura inter- 1a dos planetas terrestres (Os meteoritos do tipo condkiticw correspondem a cerca de 86% do rotal, em relagio as quedas de faro observadas, sendo que 81% correspo dem a0s do tipo lindrio, enquanto que os outros 5 dos condritos carboniceos (Tabela 1.4) so os chama- Com excegio de alguns tipos de condritos carboniceos, todos os demais tipos de condritos pos- suem cdndrules, pequenos glébulos esféricos ou Tabela 1.4 Clossificacéo simplificada dos meteoritos. Ordinérios (81%) Condritos (86%) é Caracterfs Diferenciados. Idade entre 4,4 ¢ 4,6 bilhées deanos, & xe dois do tipo SNC, com idade aproximada de | bilhdo de anos, ce 3 ‘Acondritos (9%) Proverinio proviel: Corpos diferanciados: do cinturéo. de os suites da superficie da Lua, olguns (do tipo SNC) do supertici de {Shergottitos-Nokhlitos-Chossignitos) : Meteorites ferro-pétreos, {siderolitos) 0%) Meteorites ‘Metalicos (sideritos) (4%) Composigdo: Heterogénec, em muitos cosos similar 8 dos, restres. Minerats princi Composigéo: Misturo de mineraisslicaticos € material metélic (Fe + Coractertsticas: Primitives néo diferenciados, Idade entre 45 e 4,6 bilhdes de onos. Abundéncia solar 6s rica} ds elementos pesados. Possuem cBadrulos, 8 excagéo dos condos corbondceos tipo C1. Composigéo: Mineraisslicticos (olvinas piroxrics) loses reotérios © material metlica (Fe e Ni) Provenincia provével: Cinturdo de ostercides. Otnvina, picxbiow lagodésion Ni Provenidncia provével: Inerior de corpos diferenciados do cinturio de asterdides. Composigéo: Mineral metélico (Fe + Ni) Provenincia provével: Interior de corpos dlferenciados do cinturdo de osteréides. eee ner and elipsoidais, com — didmerros submilimétricos ( Imm), € constituides de mine rais silicdticos (Fig. 1.9), principalmente olivina, piroxénios ou plagioclisios. Estes minerais, que serio vistos no Cap. 2, sio 0s mesmos que se encontrar em certos tipos de rochas terrestres, denominadas magméticas, formadas pela eristalizagio de liguidos silietticos (magmas) originados nas profundezas da ‘Terra. Por analogia, os cGndeulos devem ter-se for- mado, com grande probabilidade, por cristalizagio de pequenas yotas quentes (temperatura da ordem de 2,000°C), que vagavam no expaco em g andes quant dades, a0 longo das érbitas planetiias, em ambientes virtualmente sem geavidade Fig. 1.9 Meteorite conditco (Baral. Inglter. Forte: PR/ 7-79. Bish Geological Survey @ NERC. All rights served. (Os condeitos oxdindtios consistem em aglomera: sacs de condrulos. Nos intersticios entre os e6ndrulos, aparecem materials metilicos, quase sempre ligas de ferro © nigucl, ou sulfetos desses elementos, fazendo com que © conjunto tenha uma composi¢io quimica slobal muito similar Aquela preconizada para a pro pria nebulosa solar para quase todos os elementos, com excegio de H, He, € alguns outros entre os mais voliteis, Em conseqiiéncia, tais metcoritos condriticos ( entre estes os condritos eaeboniiceos do tipo C1) slo considerados 0s corpos mais primitivos do Siste ma Solar diretamente acessiveis para estudo cientific. \ interpretacio de sua origem é a de que eles si f 2s de coxpos parentais maiores, mais ow menos homogéneos em camposicio, que existiam ‘como planetésimos na regio do espaco entre Marte & Jupiter, que nio chegaram a sofrer diferenciagio qui mica, permanecendo portanto sem cransformagoes| importantes em suas estruturas internas, A figuex 1.10 ilustra a form € evolucio primitiva dos corpos parentais dos meteoritos A propria existéncia dos céndrulos indica que o material formou-se durante o esftiamento © a cor respondente condensagio da nebulosa sola, antes dos eventos principais de acrescao planeta ainda, indica que houve um estigio de alta cemperata ra, segutamente acima de 1.700'C ¢ provavelmente proximo de 2,000°C, pelo menos em toda a parte interna do Sistema Solar, incluindo 0 anel dos asterdides, Considera-se que este evento de alta tem peratura, ocorrido numa fase precoce da evolugio dos Fig. 1.10 Esquema simplficodo de origam dos corpos parantais dos meleoritos. Grandes impactes no espace causoram a fragmentacao desses corpos porentais, origina do diferentes ipos de meteorites. —_ URIVERSIDAGE POTIGUAR =. “erage de Boke Cr cLry sistemas planetérios, tenha sico 0 responsivel pela per dda dos elementos mais voliteis, ¢ principalmente He He, por parte do material que viria mais tarde a eons tituir os planetas internos, seus satdites © 0s asterdides, Os condritos carboniceos do tipo C1 contém mi netais hidratados ¢ compostos orginieos, formados em temperaturas relativamente baixas, € aio possuem céndrulos, Akim disso, apresentam um composigic quimica muito proxima da abundineia solar dos cle mentos, 4 excecio dos elementos g compostos mais voliteis. Assim, este tipo & considera do o mais primitive e menos diferenciado dos produtos condensados da matéria planetitiainicial, Suns feigdes particulates s jerem que seus cospos parentais foram menos aquecidos do que os que deram origem aos demais condritos © portanto estariam situados maiores distineias do Sol, na regio orbital entre Mar tee Jipiter (Os acondritos, siderélitas « sideritos (Tabela L4) perfazem cerea de 14% das quedas recuperacas, Pig 1.11 mostea a estratura interna tipiea ormada pelo intercrescimente de sas fases minerais na época da sua formacio, ainda no iatetior dev mi cleo do corpo parental Fig, 1.11 Siderto de Coope ‘rondo ‘own, EUA. Foce polide mos lure Hpica de Widmanstaten, produzida pelo bos constividos de Fe e Ni. Sidetito de Coopertown, EUA, Fonte: IPR/7-79. Bish Geological Suvey @ NERC. Al sighs reserved. Fsssey meteoritos nio-condriticos eorrespondem a diversas eategorias de sistemas quimicos diferentes, formados em processos maiores de diferenciagin eoguimic de corpos parcntais maiores ddo que aqueles que deram origem aos condritos e que stingieam dimensdes superiores aos limites erticas para a ocorréncia de fusio interna, De certa forma, trata-se de sistemas quimicos complementares cm relagio a0 “moxielo condritien” No mbito da evolugio dos corpos parentais dos meteoritos, até a sua fragmentacio final (Fig. 1.10), 0 proceso acrecionstio inicial seria similar, e 90 caso do corpo parental no atingir grandes dimensdes, a sua » produziria apenas condtitos, Para os a eneryia dos impactos, aliada ao ea. lor produrido pelas desinteyragdes de determinados isdtopos radioativos existentes no material, elevariam a temperatura e produviriam a fusio do material, eom 2 conseqiiente separagio das Fases slicéticas em rela s fases metilieas, Os corpos parentais, tanto iferenciados como aio diferenciados, colidicam en tre si, fragmentando-se ¢ produzinds objets menores, asterbides. Muitos dos fragmentos re- sultantes das indimeras colisdes aeabariam eruzando cventualmente com a érbita da Terta e seriam eaptu- rados por ela, como meteoritos, devido a atragio. gewitacional CO estado dos meteoritos permite 0 estabelecim to, com certa precisio, da cronologia dos eventos: corridos durante a evolugio primitiva do Sistema Solar, Determinagdes de idacle, obtidas diteramente nos diversos tipos de meteoritas, sem revelado uma quase totalidade de valores entre 4,600 @ 4.400 mi- Ihdes de anos, sendo que ha dleterminacies de grande preciso em certos meteoritas rochosos (portanto di- Ferenciados) por volta de 4.560 milhdes de anos. A principal excecio refere-se a0 geupo de metecoritos do tipo SNC (Shergortitos-Nakblitos-Chassignitos), cuias idaces de cristalizacio sio da ordem de 1.000 milhdes de anos. Estas idades mais jovens e a natureza © mineralogia basiltica (Silicatos ferro-magnesianos principalmente) destes meteorites apoiam sua prove niéneia de Marte Com base na idade dos meteoritos diferenciados por volta de 4.560 milhdes de anos, evidenciou-se que aquela época ji tinha ocorrid actimulo de material em corpos parentais com dimensio suficiente para ensejar diferenciagao geoquimica. Como corolitio, os planetas terrestres também devem ter sido formados de acordo com es cronograma, Segundo © modelo jf mencionado de Safronov, a acumulagio de 9 do material do planeta Terra teria ocorrido em cere de 100 mithdes de anos. Mais ainda, a existéncia das assiin chamadas “radioatividades extintas” petmire colocar um limite de idade para aqueles eventos de Tun eens Jaucleossintese que produzisim, no interior de uma Supernova que explodiu, a grande parte dos clemen- tos do Sistema Solar. Radioatividades extintas teferem-se a certos isétopos, como o Xe, que se forma a partir da desintegracio do isétopo radioat vo “I, de meia-vida curta (Cap. 15), da ordem de 12 milhées de anos, Este istopo formado no interior da estrela, foi langado no espago e produziu Xe até 0 seu desapareeimento, nas primeiras duas ou trés centenas de milhoes de anos a partir de evento de sua forma cio, O fato de "Xe em excesso ter sido encontrado € medido em muitos meteoritos indica que 0 isixopo 127 do Todo esteve presente no sistema durante os processos de acresgio e diferenciagio. A medida da quantidade de xendnio formado em excesso permi- ‘iu fisar um limite, da ordem de 200 milhdes de anos, para o processo de nucleoss de maioria dos elementos que hoje constituem 0 Sol ¢ seus compos planetarios. Estes, por sua vez, descen dem da explosio de uma supemova ocorrida por volta de 4.800 milhoes de anos atts 16 Planetologia Comparada Com o advento da era espacial, a partir do final dos anos 50, mais de 80 espagonaves nos nas © da ex-Uniio Soviética efetuaram missdes exploratérias, trazendo informagdes dos planetas ¢ ‘outros objetos do Sistema Solar de uma mancira sem Precedentes, Assim, o estudo dos planetas teve enor ‘me impulso c levou ao estabelecimento da planetoloyia comparada, um ramo recente das ciéncias geokigicas que busca elucidar condigdes e processos que ocorre ram em determinados periodos da histéria da Terra, por meio das observacies nos planetas e satéites que sto nossos vizinhos. Para a Terta, assim como para Meteirio, Venus ¢ Marte, a existéncia de um nticleo denso foi demons. trada ha muito tempo, em virtude dos dados observados sobre seus momentos de inércia, bem como as determinagdes, pela Astronomia, de suas densidades médias. Como os planetas telirieos tive ram evolugio similar 4 dos corpos parcatais dos meteoritos diferene dos, podemos coneluir que cles ‘tém um niicleo metilieo, andlogo em composigio aos sideritos, ¢ um manto slicitico, andlogo em composi io a cortos acondritos. No caso da ‘Tetra, a separacio diferen- mcterizada por uma clara descontinuidade nas propricdades sismicas, situada a uma profundidade aproximada de 2.885 km (Cap. 4) AS misses “Apollo € Luna eferuaram valiosas obser- ‘ages na [asa ecoletaram mais de 380 quis de amostmas| hunares (Fig, 1.12). Do mesmo modo, Merettio foie clado plas sondas espaciais Mariner; Venus pelas sondas Venera ¢ Magellan, ¢ 0 planeta Marte pelas sondas Mars, Mariner, Vicking, Mars Pathfinder, ¢ Mars Global Surveyor, “As sondas Pioneer e Vovager foram langadas para observagdes a distincia dos diversos plinetas ¢ si Pa. 1.12 Aronovio do missdo Apolo 17, examinando wo grande rocha lunar nos proximidodes do siio de pouso da nove ‘esoacial, em dezerbro de 1972. Fonte: NASA, res externos, tendo sido produzidas forografias ¢ ima- gens deenorme valor cicatifico, Outra iniciaivaesteatégica 6a missio Galo, um programa cientifico dos mais am- biciosos,em que nave espacial, langada em 1989, chegou xé Jipiter em 1995, ¢ desde entio esta realizando um ‘nur fartstico daqucle planeta e de seus satélites prin: pais, destacando uma missio suicida de uma de suas sondas, que mengulhou na atmosfera de |ipiter, colhen- do dadlos preciosos sobre sua consttuigo e sua dinimica Resumiremos a seguir algumas caractersticas dos pla netas e dos principais satdites do Sistema Solar, com énfase nos que tém especial importincia para a clucidacio de determinados ambientes fisico-quimicos e processos evolutivos relevantes para a histiria do nosso planeta 1.6.1 Planetas internos ‘Terra -O tereciro planeta do Sistema Solar apresenta massa aproximada de 6x10" ¢ densidade de 5,52 g/em’. O raio equatorial terestre & de 6378.2 km ¢ 0 seu ‘volume 1,083 x 10km’, Embora tenha perdido seus ele rmentos volitels na fase de acresgn do Sistema Sok ‘Terra apresenta uma atmosfera secundisia, formada por emanagdes gasosas durante toda historia do planeta, e constituida principalmente por nitrogénio, 0. angonio, A temperatura de sua superficie € sufcientemente baixa para permitira existéncia de gua liquid, bem como dle vapor de fgua na atmosfera, responsivel pelo efeito cestufat reyulador da temperatura, que permite a existéncia da biosfera, Por causa dos envoltéios fuidos que a reco. brem, imosfera ¢ hidrosfera, a Terma quando vista do ‘espago assume coloragio azulada, conforme simbolizado pela fotomontagem introdutéria deste capitulo, Esta vi sio magnifica foi relauda por Yuri Gagatin, o primero astronauta a participar de uma missio aeroespacial A caracteristca principal do planeta Terra é seu con- junto de condigbes tin ccextraordintias qu aexisténcia e a estabilidade de muitas formas de vida, sendo que evidéncias de vida bacteriana abundant fo- ram jd enconteadas em rochas com idade de 3.500 smilhies de anos, A Terra possui importantes fontes de ealor em seu interior, que fornecem energia par sua dinimica interna e condicionam a formacio de atividades de magmas ¢ as demais manifestagées da assim chamada tectSnica global (Cap. 6). Este processo conjuga-se 20s movimento de grandes placas rigidas que constituem a Titosfera, a capa mais externa do planeta, que por sua vez situa-se em todo o globo acima de uma camada mais plistica, 4 astenosfera re Seta ey Ao mesmo tempo, a superficie terrestre recebe energia do Sol, através da radiagio solar ineidente, que produz os movimentos na atmosfera € nos oce- anos do planeta. Estas iltimas atividades sio as que provocam profundas trans nagdes na superticie da Terra, modificando-a contint mente, Justificam assim 0 fato de que quaisquer feigdes primitivas de pacto meteoritico, tenham sido fortem te obscurecidas ou totalmente apagadas ao longo da sua historia A Lua, o satélite da Terra, apresenta 1,25% da massa do planeta a que se relaciona, sendo neste particular um dos maiores satélites do Sistema So- lat, Tem um diimetro de 3.480 km ¢ densidade de 3,3 g/em', portanto muito menor do que a da Ter- ra, Nao detém atmosfera. As feigdes geoligicas maiores da Lua sia visi veis a olho nu iy, 1.13). Trata-se di que circundam reas mais eseuras de contorno mais ou menos circular, conhecidas como mares (*maria”), As informagéies obtidas nas missées es- paciais 4 Lua indiearam que as primeiras sfo regides de terras altas ande quantidade de crateras de impacto, indi), de relevo irregular, e apre segundas sio vastas planicies, com muito menor quantidade de crateras, Fig. 1.13 Principaisfeigdes obsorvévois na superici lunar a ferra, destaconda-se os plonicies, os mores (reos tras aha de rel 10 regular com grande quan tidode de croteras, Fone: Observatiio Lick, NASA, Ce As amostras de material lunar coletadas plas mis. sdes Apollo permitiram esclarecer que nas tereas alas predominam rochas claras, pouco comuns na Terma ¢ denominadas anontuitvs, constinaidas essencialmente de plagioelisios (ileatos de Na e Ca) que sio por sua vez muito comuns na Terra, Determinagies de idade obti das nestas rochas mostraram-se sempre acima de 4000) rilhdes de anos. Alguns valores de idade resultaram pré ximos de 4,600 milhies de anos, da mesma ordem das iades obticas em metcoritos. Estas idades indicam que (0s materiais lunares foram também formados. nos primérdios da evolugio do Sistema Sol Por sua vez, as amostras coletadas das reyides bai xas (nos maria) revelaram uma composi¢io basiltica, material de otigem veleinica muito comum na ‘Terra, Suas idades resultaram em geral mais novas do que as das rochas anortositicas, mas de qualquer forma mui Re neko ap Aide te a b * ( “Uh fy Fg. 1.14 rage aries, preenchie or loa, com Imbcium, ume cratera de impocto (000 km de os. As sidmelo, Nolaro gronde aimero de croleros ovens tombém presentes. Fe: NASA, to antigas, da ordem de 3.800 milhées d enores © mais tages mais jovens obtidas nas rochas basilica Iu nares foram da ordem de 3.200 milhoes de anos. A anilise das estruturas de im: = pacto visiveis na superficie da Tun wacane ge @ : N ss merida a um violento bombardeio ' e “y fa por planetésimos e astersides de todos os tamanhos, desde sua fase embrioniria, As erateras maiores tém difmetros superiores a 1,000 km (como por exemplo os aeno- os minados Mare Imbriam, Mare Tranguiltatis, ou a Bacia Oriental, 90 Ido ie a nhos 14) @ A origem do sistema Terra-lau 6 assunto ainda contrewertido, tendo a tem vista as muitas semelhancas e di te da L ferences de nose ste em mlacio | {1 Terea. O modelo mais aceito atl: ' eri mente (Fig, 1.15) postula um impacto de um corpo de dimensties poueo maiores que Marte, durante os esti Fig. 1.15 Sistemo Tevra-Lua- Simulogéo de computodor sobve 0 origem do luo, conside rondo 0 impocto obliquo de um objeto com cerca de 9, reste, com velocidede de 5 km/s, Ambos os corpos i estariom ciferenciados em nicleo metlico © onto silicic. Logo opés @ colis6o, © corpe impactante e parte do manto terese .ados, muitos compostos voles foram vwoporizados. Em sequida, °° de parte do monto do objeto que coi teva sido ejetado para uma stuacée "6: € coolesceriaropidamente formendo ume Lue por 98 pore do material do nicleo do corpo impoctante, mais pesado, era sido incora0"a00 Tera los finais da acreseio planet ‘casio em que a Terra ji tinha peat ‘camente seu tamanho atual,e ies dliferenciada, com niicleo metilico ¢ orm dese rmanto silcitico, ou totalmente fuadide PO Te Oey Merciio - ¢ 0 planeta mais interno do Sistema So- Jar, Sua massa apenas 5,5% da Terra, mas sua densidad G apenas pouco inferior & do nosso plancta. Seu at: cleo metilico é, portant, proporcion: maior que 0 terrestre Meretrio tornou-se geologicamente inativo logo pis ter sido formado, Praticamente nio tem aimos fera, epor causa disso sua superficie nao sofreu prandes transformagées, sendo portanto muito antiga, Obser vacdes da sonda Mariner 10 revelaram que a sua superficie ¢ érida e preserva grande quantidade de cra tetas de impacto resultantes do bombardeio ocortido nos primérdios da evolucdo do Sistema Solar (Pig, 1.16, como na La Venus - é 0 plancta que apresenta maior seme- Ihanea com hh Terra, em tamanho, em peso, na sua ica de elementos quimicos, € sua massa equivale 81,5% da massa desta, Sua aparéncia externa, obser vada ao telescépio, € obscurecida por nuvens, ctindo 4 densa atmostera, que esconde sua cas. Contudo, diversas sondas, a exemplo das sovieticas Venera 9 ¢ 10, oa norte-americana Magellan ras décadas de 70 ¢ 80, lograram obter imagens de Fig. 1.16 Supericie drida ot quontidede ce croteros de impacto de tamanhos diversos Fonte: NASA radar de sta superficie (Fig. 1.17). Algumas dessas mis sgaram a pousar no planeta, es anilises obticas revelaram rochas com composi¢a0 basilica similar 4 de rochas terrestres Fig. 1.17 Feigées morfologi rmosoice de rodar obtido pela mizedo. 12 superlicie de Venus em Hlan, Observer ex os. Fonte: Ni APL © televo do planeta menos variado que o da Tetra, Sio observadas ondulagdes moderadas da sus perficie em cerca de 60% da Area, terras baixas em) cerca de 30%, ¢ alguns planaltos elevados (Terra Ishtar © Terra Apbro que foram interpretados como smassas rochosas “continentais”. Feigdes similares a vu codes ¢ estruturas circulares gigantes (Fig. 1.17 parecidas ccom grandes estruturas vulednicas de colapso existen tes na Terta foram observadas Alem disso, identificados sistemas siméiricos de elevagdes lineares de grande extensio, interpretados como anilogos aos sistemas de dorsais existentes nos oceanos terrestres (Cap. 17), e também clevagies topogriticas na Teri Isirar interpretadas como cadeias montanhosas pro- duzidas por colisio de massas continentais, Grandes crateras de impacto foram identificadas, sugerindo que ccertas dreas do planets so geologicamente antigas. \ atmosfera de Venus, secur lira como a da -a, 6 formada basicamente por CO, e quantidades menotes de N, SO, € outros gases. \ pressfo atmos- ferica na superficie do planeta é de cerca de 92 bars, € 1 enorme quantidade de gis carbSnico existente gera tum efeito estut gigantesco, elevando a temperatura dla superficie a quase 300°C, round Cee eT) Por causa das similaricades de tamanho © compo. Marte & Jém uma atmostcra ténue (pressio at ), ‘Terra, sugerindo, portanto, a existéncia de uma —__consistindo principalmente de CO., além de quanti siglo, Vénus deveria ter regime térmico simila wd mosfériea na superficie de apenas 0,007 ba estruturagio interna. Entretanto, evidéncias diretas de dads diminutas de nitrogénio € argénio, Os processos tuma tectinica global do tipo tertestre nto estio em icos superficiis do plancta siv dominados pela provadas. Ao mesmo tempo, a elevada tempe superficial do planeta su Jo vento, tendo sido observados enormes € re que a sua litosfera seria pos de dunas, constantemente modificados por ruante, impedindo ow dificul- _tempestades de arcia. Marte também apresenta eal rando processos de subduecio para o manto iaterior tas polates qc ineluem gelo, a do planeta como os que ocorrem na Terra (Cap. 6 Hi uma grande diferenca entre os dois hemisféa Akém disso, a grande quantidade de vuledes apontaria 4. uit wendy o matidiemal de rekev a a existéncia de ianos, sendo o meridional de relevo mais Pes com elevada prodacio de Gievado © mais acidentado, enguante que 0 sctentrio: lor (bot spoti) (Caps. 6 © 17) no manto de Venus, as pos poncshin sitet o peat 8 nal é formado por uma estensa planicie pontlhada por I cle uma dia mica de dissipacio superficial do calor interno do cenorimes wuledes, entre os «pais Monte Olimpus, com 26 km de altura sobre a planicie circundante (Fig 1.19. Este é 0 maior vuleio conheeido do Sistema Solar. 0 sul ¢ repleto de ctateras de impacto, € 0 planeta Marte - © quarto planeta do Sistema Solar & pe emis! {queno, com massa toral de cerca de 11% daguela da panorama assemelha-se as terrasaltas anares, de modo Terra, As numerosas sondas espaciais, mas em especi- que a superficie do hemisfério sul deve ser al as missdes recentes das sondas Pathfinder ¢ Global __analoyamente muito velha, Por outro lado, a superf: Surveyor, rouxeram enorme quantidade dedados muito ele do hemisfério norte possui nmero menor de valiosos acerca do “planeta vermelho” (Fig. 1.18) crateras, © sta superficie deve ser relativamente mais da antiga se comparada com a de Venus ou da Terra, Os edificivs vulednieos ¢ seus der- rames de lava praticamente mio possuem crateras, devendo ser yeologicamente mais jovens. Quanto composi¢io quimica das lavas marcianas, devem pre- ominar varicdades basilticas ow wicdades derivadas cde magmas basilticos, como foi revelado pelas andli- ses efetundas durante a missio Pathfinder © também) aquelas realizadas nos meteoritos SNC, jé menciona- dos, cujas composiges quimicas mostram-se semelhantes as dos basaltos terrestres, A litostera de Marte deve ser muito espessa, no minimo de 150 a 200 kn, por ser capaz de suportar o crescimento de estruturas vulcinicas do Monte Olimp s, numa posicio fixa. Provavelmente 6 planeta teve nos seus primérdios uma evolucio ge- importante, que deve ter eessad muito tempo, visto que, pelo seu pequeno tamanho, muito do calor interno produzido teria eseapado di- retamente para o espaco, Iaterpretagécs com base em determinagdes de idade dos meveoritos SNC tem que as rochas vulednicas de Marte teriam cerca de 1.000 milhies de Fig. 1.18 Mare visio do espaco. Destacam-se 3 wlebes como mmanchas escuras circulares no setoracidenta, bem como uma esiulura enorme que cruze 0 planeta em sua porcao equal Gl, Trata-se de um cénion com 4.500 km de extensao, ‘fase de vuleanismo ativo no planeta. Presentemente, WHOS, APOS © qué tetia terminade a ‘ominado Valles Moriners, semelhante aos voles de ofun, aw» se observam evidéncias de atividades geokigicas damento terrestres ¢ possivelmente formado por processos em Marte, com as feigdes indicanda que o plane’ aeoligicos inernos de Morte, Fonte: NASA/JPL. provavelmente nunea teve uma teetiniea global pare PM TTC LL) ida com a que se desenvolve até hoje na Terra, Toda via, feigdes morfologicas lineares tipicas de Marte, tais ‘como 0 ji mencionado I alles Marineis Fiy. 1.18), so semelhantes a certas estruturas terrestres de mesma magnitude, como os vales de afundamento da Attica condicionow 0 oriental, ou a estrutura peoldgica « aparecimento do Mar Vermelho. Em virios lugares, a superficie de Marte aparece como dissecada © modificada por uma combinacio de erosio aquosa e€ movimentos de massa (Fig. 1.20) “Tendo em vista que a superficie & muito fia, com tem= peraturas normalmente abaixo de ('C, a gua somente poderia atuar como agente erosive em episddios ‘quentes” de curta duragio, como em decorréneia de eventuais impactos meteoriticos, Em tais easos ocor reria a liquefagio do gelo que deve existir de modo permanente na sub-superficie de Marte, em matetiais porosos ou fraturados, cm situacio similar & dos ter renos congelados que existem na Tetra nas regides de altas latirudes, Desile as primeiras observagies de Marte, passan de astrnomos do séeulo XVIII, como faparelli v © norte-americano C, Lowell, m os Famosos “canais”, sempre houve agdes sobre possivels habitantes, ow sobre a ncia de formas de vida naquele planeta, Fim 1996 uum grupo de pesquisadores da NASA relatou ter en- contrado possiveis evidéncias de atividade biogénica no shergottito ALH84001, um dos constituintes do © maior vuleéo conhecido do Sis Fig. 1.19 Monte Oli feme Solar, cujo tomanho & ‘és vazes o da monte Everes! Fonte: NASA/PL, Fig. 1.20 A superficie de Marte tol come foi vista pela sondo Pathlinder, na re Aves e Ty, Tto-se de uma enorme ploncie de inundacio, for de seu pouso, no confluéncia dos vales numa &p0c0 em que acomreram grandes movimentos de ‘material ronsportado em meio oquoso Fonte: NASA pequeno grupo de meteoritos SNC que se considera proveniente de Marte. Tais evidéneias, ainda hoje de Datidas pela Ciencia, consistem de hidrocarbonetos scas de fra turas do meteorito e formagies globulares catbonsticas aromiticos encontrados em superficies ‘que se assemelham, em textura e dimensio, a alguns precipitados carbonsticos terrestres formados por acio 1.6.2 Planetas externos: os gigantes gasosos Jipiter, Sarurno, Urano ¢ Netuno sio muito dite rentes dos planetas internos descritos até aqui € correspondem a enormes esferas de gis comprimi do, de baixa densidade, Jipiter e Saturno sio gigantes gasosos formados principalmente por H e He, en: {quanto que Urano ¢ Netuno possuem cerca de 10-20% desses elementos, mas suas massas compreendem tam: bém sdlidos, incluindo gelo e materiais rochosos, Dk qualquer forma, nos quatro plantas € possivel obser: var diretamente apenas as partes mais externas de suas atmosferas ¢ especular a respeito da natureza e das condigtes de seus intetiores, onde as pressiies exis tentes sio tho gr andes que desconhiecemos a fisica que rnelas prevalece, A missio Voyager 2 foi a que wouxe maior niimero de informagies © magnifieas visdes de seu “grande aur” pelo Sistema Solar na déeada de 80. Entretanto amis Galileo, iniciada em 1989 e que cheyoua fpiter em 1995, cobreve a maior quantidade de informagées sobre este planeca gigante, seus anéise scus sates, co Jdpiter (Fig. 1.21), pelo seu tamanho deseomunal, pode ser considerado uma estrcla que Falhou, Poss velmente, nos primérdios de sua evolucio, cle brilhouw tal como uma estrela, porém com luminosidade mu to fraca. Se Japiter tivesse massa muito maior, o Sistema Solar teria sido uma estrela dupla, como hi mmuitas no Universo, « provavelmente a Terta © outros planetas nao etiam sido formados. Jipiter possui al: guns anéis e diversos satélites, todos diferentes entre s) € formados por material solide, Os maiores, dene rminados satéltes galileanos, so Europa, Gani Callisto e Jo (Fig, 1.21). F ramente alta, de tal modo que proxy continuamente violentas e giganteseas erupgdes wuleani- cas em sua superficie (Fig 1.22). Trata-se do mais intenso ismo do. nosso Sistema Solar. A energia interna de Japiter € ainda muito clevada, provavelmente suficiente para manter o material de seu interior inteiramente liquide, Considera-se que as externas do planeta contenham essencialmen te H molecular, H,, enquanto que nas internas predomina H metilico, liquido. Jpiter teria ainda um niclco relativamente pequeno de material fundilo, pos sivelmente silicatos. Fig. 1.22 lo, um dos stds de pit cujos dew vos (por exemplo ra parte cento su do ssi), que elem ervce liquide e composts sulluosos, Fonte: NASA eR te ke ee) Fig, 1.21 Moscico mostrando Jipite tes (Cs inymede, Calisto, Europa | 271. Fonte: NASA. Pouco se conhece acerea do interior de Saturna (Hig, 1.23), que deve compactilhar muitas las propric dads de Jupiter. Ainda menos se conhece sobre Urano © Netuno, que pelas suas densidaces médias: devem ter ndicleos de material dens, Os modelos propostos rochoso, eoberto por um “manto” de nia liquida, ‘oceano com milhates de quilimettos de espessura, Piste oceano seria recoberto por uma atmosfera muito densa formada por HT e He 1.6.3 Cinturdo de asterdides Entre as drbitas de Marte ¢ Jipiter ocorre 0 cintueio de asterdides, constituido de in ontiveis coxpos pla netitios de tamanhos diversos. Coma toi mencionado anteriormente, a grande maioria dos meteorits. que continuamente cacm na superficie da Terra prove dese cintu 10. E provavel que os asterdides no pu deram se reunir num dnico planeta, na época de acrescio, devido as perturbagies de natureza gewvitacional causadas pela proximidade de Jipiter © maior asterdide conhecido & Ceres com diime- ro de 974 km, asterdides com diimetros superiores a 3001 km, cerca Alem deste, conhecem-se mais seis de duzentos com diimetro superior a 100 km, por colra de 2.041 com difmetro superior a 10 km, as RANDO A TERRA Fig, 1.23. Mosaico mostranda Solurna e sous sales Dione, Rhea e Tethys, Or sete anis dest plan CGalmentede gelo posi, em porticulas e rogmentos pe Fonte: NASA/ 0 formados assan sim por dante. Cerea de 75% desses corpos consis- meteoritos condriticos, Cerca de 15% apresentam-se ‘como misturas de material silicdtico e material metal co (Fe-Ni), podendo ser anilogos aos siderdlitos, ¢ cerca de 5% parecem ser totalmente metilicos, asse melhando-se aos sideritos. Os 5% restantes podem representar outros tipos de metcoritos. AA massa total dos asterdides conhecidos corresponde a cerca de 2% dda massa da Lua, 1.6.4 Cometas Cometas so constituidos predominantemente por material gasoso (Fig, 1.24), que representa a matéria primordial da nebulosa solar. Actedita-se plan fase de formacio de planetésimos, os comeras tam que durante 0 processo de acresga bém foram formados numa regio muito além do anel planetario mais externo. Tais corpos, de di mensdes vatidveis (da ordem de 1 km de didmetro ‘ou menos), nao puderam originar protoplanetas por estarem muito afastados entre si, Durante os 4,6 bilhes de anos de nosso Sistema Solar, as dr bitas dos cometas foram perturbadas pela acio gravitacional das esteelas mais préximas, & agora cles estariam orientados ao acaso nas proximida- des do plano principal do sistema. A nuvem de ort deve conter possivelmente muitos bilhdes de Cerea de 750 cometas sio conhecidos, como por exemplo o de Hailey, de periodo curto, cuja 5-76 anos, como acarreu em 1986, ou o Schumacher Ley, Srbita 0 faz se aproximar da Terra a cada que colidiu espetacularmente com o planeta Japicer cem julho de 1995, A constituicio dos cometas in: lui compostos voliteis congelados, tais como H,, H,CO, C, CO, CO,, H, OH, CH, O, 8, NH, NH,, HCN, N,, ¢ muitos outros, inclusive metais como Na, K, Al, Mg, Si, Cr, Mn, Fe ete. Quando cometas slo trazidos para perto da drbita da ‘Terra, seus gases sio vaporizados e ionizados pela radiacio solar, e © conjunto tom: 1 forma tipiea de um miicleo (7a) uma cauda apontando pata o lado aposto do Sol Fig. 1.24 Cometa de Hyakutake, de cde 1996, Fonte: NASA. 1.7 Perspectivas do Estudo do Universo A aventura extratrreste da humanidade esti apenas co mecando, na busea de respostas para aquelas questics| fundamentals formuladss no inicio deste capitulo. A todo ‘momento, novas observagies € novos dads cieniicos io adicionados, e muitos deles cuusam surpresas inesperadas que modifica teorias ¢ idéias estabdlecidas desta forma que a Gitncia progride Para conhecimento do Sistema Solar, a8 shimas quatro décadas do séeulo X foram cruciais Contude, a explor- fo dos planetas, satélites ¢ demais objetos associados esti apenas comesanla. A sonda Galileo ainda continua est dando Jipiter, ¢ sio apenas do final de 1999 as imagens fantisticas do satdte Io, com um de seus vuledes expelindo lava extremamente quente, a mais de 1 km de altura, numa ceseala maior do que qualquer das crupeées famosasdo Hava ara a primeim década do séeulo XI esto programadas ‘outras missies, com énase para o planeta Marte, 20 redor do qual ainda permancce o Gibbal Surge: Paneja-se colesar mosis de gases, solos ¢ rochas, entre outras cosas, para buscar evidéncias inequiv cas de vida, na seqiéncia ds ind cages fornecidas pelo estudo do meteorito ALHS4001 Pretende-se também obter um melhor conhecimento de asterbides € cometas, slvez os objets mais enigmnitcos do Sistema Solar, por meio de missées especiais, envolvendo aproximagics € até mesmo aterrssagens Para melhor compreendermos o Universo, tém sido decisivas as Fotografias obtidas pelo seleses: pio orbital Hubble (Fig, 1.25). Este insteumento com ‘oneladas, laneado ao espago em 1990 a mais de 500 km da superficie terrestre, permiriu evitar distorgdes provocadas pela nossa atmosfera nas imagens fotografi Em poucos anos, 0 Hubble produziu remotamen: te, a partic de sistemas de controle na Terra, mais as dos telescépios convencionais. de 270,000 observagdes preciosas. Ente elas, estio imagens nitidas de acbulosa galixias antigas, bu- racos negros, explosies de supernovas ¢ até mesmo do choque espetacular do cometa Shumacher-Le contra jipiter se fizeram disponiveis para astrono- mos ¢ astrofisicos, e seus resultados revolucionaram a cosmologia moderna, Em 1999 foi implementado outro experimento cientifico ambicioso, denominado projeto Boomerane. Um telesedpio de duas toneladas ¢ instrumentos de PER ct) ee) alta precisio foram instalados num balio atmostérico ‘que se encontra sobrevoando a Antartica, com a fina Tidade de observar uma regiio do céa praticamente sem estrelas, buscando captar a luminosidade da cha- mada radiagho de fundo, resultante do Big Bang. As imagens ob \s por este telescdpio permitiram aos cientistas oferccer uma estimativa da densidade do Universo, considerada convincente por muitos lade e astrofisicos, © com isto sugerir que tal densi rin abaiso do valor erftico comentado no item 1.1 deste capitulo, Embora a demonsteagio inequivoca ainda dependa de uma solugdo definitiva para o mistério da rmatéria escura, a evidéncia do projeto Boomerang apon. taria para a hipétese do Universo aberto, portanto’ com uma expansio continua para sempre. Voltamos assim is nossas inguietudes metafisicas iniciais, com ‘uma possivel resposta para o futuro do Universo. Mat se 0 nosso Universo teve um inicio, no Big Bang, € se for finalmente demonstrado que cle € eterno e veups un espaco em continua expansio, tendendo portanto 10 infinito, nio seviam estas caracteristicas sugestivas a existéncia de uma vontade criadoea? [Nese contexto, cabe lembrar as palavras de Albert Einstein: Quera saber como Deas eon este mun, Nao estou intressado meste ow nage femimeo, om na epecto deste ot dagueleclenenta. Quero conbecer seus pentamentos, 0 resto sé Fig, 1.25. Telescdpio espacial Hubble. Fenie: NASA Pe Tee 1.1 Planetologia comparada Atualmente, os planetas do Sistema Solar deixaram de ser objetos de estado apenas de astrinomos, passando ‘também a ser foco de interesse dos geocientistas. Embora eada objeto no Sistema Solar seja inico, © novo campo dda Ciéncia, a planetologia comparada, tem fornecido muitas ligdes que podem ser aplicadas a Terra, em especial {quanto a0s tépicos de sua origem e evolugio primitiva, conforme resumido nos temas abaixo: 1, O estudo da Lua, Vénus, Marte, ¢ de muitos acondritos, mostrou que o magmatismo de tipo basiltico & onipreseate, 2. Embora alguns objetos primitivos, tais como os condritos carboniceos, sobreviveram para indicat a idade do Solar, no hi evidéncias da existéncia de material primordial niio transformado, nos planctas € em seus satélites. 3, Os planetas formaram-se quentes, ou tornaram-se quentes logo apés a sua origem, A sua estruturagio quimica em manto € mticleo ocorreu numa fase precoce, provavelmente ainda durante a chamada actescio planetiria. 4, As diferengas na composiglio das atmosferas dos planetas intemnos ind n que as composicdes originais de seus gases, a perda inicial dos compostos voliteis e os subseqiientes processos de degasificacio para a formagio das atuais atmosferas foram especificos e distintos, para cada planeta. 5. Aparentemente, o regime de tectdnica global do planeta Terra é tnico, 6, A evidéncia de grandes impactos pelo bombardcio de corpos de todos os tamanhos durante 0 acrescimento planetitio, ‘que continuou pelo menos durante 800 milhdes de anos, é observivel nas superficies da Lua, Mercrio e Marte. Leituras recomendadas ANDERSON, D. L. Theory of the Earth. Boston: Blackwell, 1989. CROSWELL, K. Magnificent Universe, New Yorks Simon & Schuster, 1999, GOMES, C. B. & KEIL, K. Brazilian Stone Meterites, Albuquerque: University of New Mexico Press, 1980, KERRIDGE, J, F. & MATTHEWS, M. S. (eds) Meteorites and the Early Solar System. Tucson: University of Arizona Press, 1988. MASSAMBANI, O & MANTOVANI, M. S. (orgs). Marte, Novas Descabertas. Sao Paulo: Ins. tituto Astronémico ¢ Geofisica, USP, 1997. WEINER, J. Plancta Terra, Sio Paulo: Martins Fontes, 1986, V MINERAIS E ROCHAS: ee Se rN Me SOLIDA faniel Atencio EY ecru ara estudarmos o plancta Terra € necesito, ini Jcialmente, conhecer as caracteristicas dos imateriais que o constituem, especialmente os mais st perficiais ¢ com os quais temos maior contato. Na superficie terrestre, podem ser observados materiais Inconsolidados (por exemplo, 0s solos dos nossos jar dins, s areias dos rios e das praias) e rochas consolidadas, ambos constituidas por associagdes mais ‘ou menos caracteristicas de minerais. (Os principais usos aruais dos minerais ¢ rochas mais ap. 21. A importineia dos minerais e rochas no desenvolvimento tecnoligico dda humanidade cresceu continuamente desee a época da pedra lascada. Entre outras coisas, a sociedade reenol6gica no teria conseguido chegar a Lua no fosse ‘6 seu conhecimento sobre as caructeristicas ¢ proprie- dades dos minerais. A dureza excepcional do diamante, por exemplo, foi respons: fabricagio de pe as mecinicas de altissima precisio que ausiliaram a ida do homem & Lua. Além dessas aplicagies muito, especializadas, muita coisa que usamos no nosso dia a-dia vem do reino mineral 2.1 Minerais: Unidades Constituintes das Rochas 2.1.1 O que so minerais ¢ rochas? Minerais sic clementos ou compostos quimicos (0 definida dentro de certos limites, ctistalizados e formados naturalmente por meio de processos geolégicos inorginicos, na Terra ou em corpos extraterrestres. A composigio guimica ¢ as m definidas do mine propriedades cristalogeiticas ral fizem com que ele seja nico dentro do reino ‘mineral e, assim, receba um nome caracteristico, Cada tipo de mine |, tal como 0 quartzo (SiO), constitul uma espécie mineral, Sempre que a sua cris io se der em condligBes geol6gieas ideais, a sua onganizagio atomica interna se manifestari em uma forma geométrica exter 12, com © aparecimento de faces, arestas¢ vertices naturais. Nesta situagio, a amos tua do mineral sera chamada também de eristal (© termo rocha é usado para descrever uma ass0- ciagio de minerais que, por diferentes motivos geoligicos, acabam ficando intimamente unidos. 28 DeciFRANDO A TERRA Embora coesa e, muitas vezes, dura, a rocha aio é homogénea, Hla no tem a continuidade fisiea de um. mineral e, portanto, pode ser subdividida em todos 18 seus minerais constituintes. Ji o termo minério ¢ utilizado apenas quando 0 mineral ov a rocha apresentar uma impostincia eco- rndmica (Cap. 21), Para conhecer mais sobre os minerals, vamos de: talhar 0s principais conceitos usados na definicio apresentada, Como seri visto, a tradigio estabelecida pelo uso ¢, is vezes, 0 abuso dos termos, conduz a algumas inconsisténcias. Conseqiientemente, a utliza- cio do termo mineral nem sempre € completamente 8) Quanto a definigio . elemento on composto quien jinida dentro de cetas limites...” com compass Alguas poueos minerais tém uma composi¢io qui- mica muito simple dada por itomos de um mesmo clemento quimico, Sio exemplos o diamante ({tomos de carbono), o enxofie (itomos de enxofte) € 6 Ouro ftomos de ouro). A grande maioria dos minerais, entretanto, & formada por compostos quimicos que resultam da combinagio de dife sates elementos qui ‘micos; sua composi¢io quimica pode ser fixa ou variar dentro de limites bem definidos. Na composigio qui: mica do quartzo (SiO), um étomo de silicio combina com dois de oxigénio, qualquer que scja 0 tipo de ambiente geoligico em que © quartzo se forme. }i na composisio do mineral olivina (Mg, Fe), SiO, sda superficie terrest eujo membeo magnesiano, no entanto, deve formar “mineral incomum nas roe! parte importante das roehas do intesior da Terra (Cap. 5) ~ as relagbes que se mantém fisas slo a soma das quantidades de ferro € magnésio, com dois étomo: quantidade de silico, com um tomo, ¢ a de oxigénio, com quatro étomos. A composi¢io quimica das olivinas pode variar entre dois étomos de ferro e zero de magnésio e dois de magnésio e zero de ferro, sem- pre com um dtomo de silicio ¢ quatro de oxigénio, formando uma série de minerais que fizem o grupo das olivinas, ) Quanto a definigio “,. eritalizado. © fato de a detinigio de mineral destacar o termo, cristalizado, para esses materias, sigaifica que eles tém tum arranjo atémico interno tridimensional. Os éto- “A Veic pegimatiice no qual se destacom crisis ceniéticos de Amazonia (cor esverdecd},intusivo em rocha gndissica, culo, cesta orienta 6 visivel no canto inferior esquerdo, Foto: Museu de Geociéncios/IG-USP, Tree deca ck ca ee mos constituintes de um mineral encontram-se distri- buidos ordenadamente, formando uma rede tridimensional (0 reticulo eristalino), ger pela re petigio de uma unidade at6mica ou iénica fundamental que ja tem as propriedades fisico-quimicas do mineral completo. sta unidade que se repete é n cela us tia, 0 “tjolo” que vai servir de ba para a construcio do reticulo cristalino onde cada tomo ocupa uma posi¢io definida dentro da cela unititia Fig » ane * No oa Fig. 2.1 Avronjo espacial dos ions de No! e Cl no composto NoC {halite}, mostrando a cele unitéria que resulta no habito Cristaino em cubos gerolmente opresentadas plo mineral. Duas propriedades fisicas que por si s6 atestam 0 © habito cristalino ca clivagem. © habito cristalino é a forma geométrica externa natural do mineral, deseavolvida sempre que a cristalizagio se der sob condigées calmas e ideais Jiaclivagem é a quebra sistemaitica da massa mineral em planos preestabelecidos que retinem as Tigaeses quimicas mais fracas oferecidas pela estrurura do mineral Na natureza, os cristais perfeitos dos minerais sio raros € consegyientemente constituem as jas do rei no mineral. Mais comumente os minerais se apresentam como massas irregulares, No entanto, a cristalinidade destas amostras de minerais também pode ser reco nhecida de outras formas, por meio de suas propriedades Opticas, por exemplo. © meretitio (clemento native) © nico liquide considerado espécie mineral. © gelo formado natu- ralmente (nas calotas polares, por exemplo) considerado mineral, mas a gua liquida, no. Substincias sélidas amorfas, tais como géis, videos € carves naturais, nto sio cristalinas e, portanto, nao satisfazem is exigencias da definigio de mineral, Estas ides. substincias formam parte da classe dos mineral A repeticio sistematica dos motivos estruturais formados de stomos, fons ou moléculas sustenta o conceito. de simetria cristalografica. A Cristalografia estuda a origem, desenvolvimento lassificagio dos eristais naturais ~ os minerais que exi bem formas externas geomeétricas - ¢ artfi © estudo da simetria externa dos eristais é feito com auxilio dos elementos abstratos de simetria (planos, eixos e centro) € as suas respectivas opera ‘gbes de simetria (reflexio, rotagi e inversio). Assim, reconhecer a cxisténcia de um plano de simetria no cristal é visualizar uma superficie que © corta em duas metades iguais, simétricas (Fig. 2.2), ‘€ v Fig. 2.2 Plano de simetria, que conta o objeto em duos partes iguois,siméticas, como um objeto sua imogem relletida num expelho. © cixo de simetria é uma reta imaginria que passa pelo centro geométrico do cristal € a0 redor da qual, num giro total de 360", uma feigao geométrica do. cristal se repete certo niimero de vezes (Fig, 2.3). O centro de simetria € um ponto de simetria coin ciddente com o centro geométrico do cristal em relacio a0 qual a8 feigGes geométricas do cristal se invertem (Fig. 24), © conjunto dos possiveis elementos de simetria encontrados em um cristal é chamado de grau ou classe de simetria ow grupo pontual. Existem, na natureza, apenas 32 g a similaridade de seus clementos de simetria em sete sistemas cristali 1s de simetria, agrupados de acordo com 108, do “mais simétrico” ao “me- nos simétrico”: etico, tetragonal, trigonal, hexagonal, ET ae ortorsimbico, monoclinico € trielinieo. Os sete mas cristalinos sio usados para a classificagio cristalogeitica de todas as substincias, naturais ou no, aque apresentam estrutuen cristina (Tabela 21) A escola nvrte-americana de talografia consi- deraaexisténcia de apenas ses sistemas cristalinos, uma ver, que colaca 0 nosso sistema trigonal como uma subdivisio do sistema hexagonal, chamada de hext- gonal rombocdeal. Assim, enquanto nés, brasileiros, (que seguimos a escola européia de cristalogratia), fa- amos que, por exemplo, © quartzo 4.e a turmalina se cristalizam no sistema trigonal, os norte-americanos cconsideram estes minerais como pertencentes a0 sis fema hexagonal romboedsal. Por isso, devemos tomar © euidado, sempre que usarmos um livro de cristalografia ¢ mineralogia da escola norte-america- aa, de mao confundir 0 nosso sistema hexagonal (H) ccom a classe hexagonal romboedral (Hr) deles. 6 Quanto a defi 0. farmad nateralment, Quando usamos o termo “naturalmente” na defini clo de mineral, indicamos que as substincias devam ‘ocorter espontaneamente a naturcza. Como negra ge- ral substncias sintéicasfeitas pelo ser humano por sintese rho Laboratorio ou os prodotos resultantes de combus 0. ou0s formados a partir de materais atiticiai, mesmo com a agio do ar ou de agua, ni So considerados minerals embora apresentem todas as caracterstcas de seus equivalentes natura, sua sintese possaajudara en= tender © proceso da formacio dos minerais nos diferentes ambientes yeoligieos, Por exemplo, enquanto ‘© rubi natural € mineral, o rubi sintético mio 0 & ere rant, como se vé, na pritica os compostos sintéticos reeebem os mesmos nomes dos equivalentes naturais. Fim alguns textos, vé-se termo “mineral sintético” 0 que &, esttamente, um contrasenso. ) Quanto a definigio ". . procasusinorgen © aso do termo inorginieo na definigio de mine- ral impede que as substincias puramente bioygénicas sejam minerais. A pérola, o mbar, os recifes de corais © 0 carvio sto algumas substincias biogénicas que mio, podem ser consideradas minerais, por um motive ou ‘outro, Sio todas mineraldides, No caso do coral, embora possamos reconhecer compostos quimicos idénticos as formas natura de carbonato de eilcio sélido, o organismo vivo tem intervencio essencial na producio do composto - que & por seu metabolism. uma seeregio gerada, Creek ia tooo Tabela 2.1 Sistemas cristalinos, constantes cristolograficas e si Cabico Isométrice) 0, =a, a=p=y=90 Tetrogonal 2-0, a=p=y-90' Hexogonol 2=0,=0,9¢ =8=90 ey = 120° Tegona! o"0,-0,7¢ a=[=5=90 87 = 120 Ortorrémbico orbec a=p=y=90 Monoclinica| orbre a=y= 90" & Be90 Ticlisico arbre asBey90" nu etria principal de alguns minerci ooo 4 eix0s temérios Diomarte, granada, espinélio 1 eto quatemério fee) Zitcdo, cossteita,rutlo 1 exo senério (exo) Quarzo B, belo 1 ees terndrio (eo «} Quarz0 a, turmalina, corindon 1 etx indo (exo c); pode tar mais 2 ebvos bindrios¢ até 3 planos Olivina, onopiroxénio, topo x0 bindtio leo b}: T plono contendo o¢ exos @ ec Orioclso, mica, clinopiroxénio, clinoanfibstio, um centro de simetrie ou sem simetrio Microcisio, plagioelsio (a, be: dimensoes da colo unitvia Bye 8: Gngulos ante seus eis. Nos sistemas hexagonal rigonal, hé quatre eixos, 118s 90 mesmo plano } 2.1.2 A otigem dos minerais A origem de um mineral esta condicionada aos “ingredientes quimiee fs condigdes fisicas (tempe io) reinantes no seu ambiente de formagio. Assim sendo, minerais originados no inte rior da Terra sio geralmente diferentes daqueles formados na sua superficie. As informagoes sobre minerais presentes em corpos extraterrestres sito inferidas a partir de amostras desses corpos; no caso dda Lua, coletadas diretamente de sua superficie ¢ no caso de Marte e alguns astersides maiores, a amostras de meteoritos caidos na ‘Terra artir de Um mincral pode se formar de diferentes ma neiras, por exemplo, a partir de uma solucio, de material em estado de fusio ou vapor. O processo de ctistalizagio tem inicio com a formagio de um iicleo, um diminuto cristal que funciona como uma semente, a0 qual 0 material vai aderindo, com o conseqiiente crescimento do cristal. O estado cris talino pode ser conseguido pela passagem da matéria do estado fisico amorfo para o cristalino, em ambiente geoldgico quente. Isto occorre na cris talizagio de magma, material rochoso fundide, p. 16). Ocorse também pela condensagio de fatetiais rochosos em estado de vapor, quando os cristais se formam diretamente do vapor sem pas sar pelo estigio intermediirio do estado liquido. A condensagio de minerais a partir da nebulosa solar (Cap. 1) deve ter sido um processo importante durante a form: dos planetas. Atualmente, po- demos ver na Terra a formagio de cristais de cenxofte a partir das fumarolas de atividades igneas vuleinicas A eristalizagio de substincias a partir de solugdes aquosas a baixas temperaturas (< 100°C) € um pro- cesso importante na formagiio das rochas sedimentares quimicas (Cap. 14), ci de matéria de um para outro estado cristalino, os materiais rochosos que ja estio eristaiza dos podem, por modificagdes nas condigées de pressio e/ou temperatura, tornar-se instaveis ¢ se Na passa reeristalizar em uma nova estrutura cristalina mais es tivel para as novas condigSes, sem que haja fusio do mineral inicial. Fste processo é importante ma forma- io de alguns dos minerais das rochas metamérticas| (Cap. 18). MO ee 2.1 Ligagdes quimicas no reino mineral iS ‘Os minerais apresentarm composigio quimica constante dentro de certos limites, 0 que permite, portanto, que se atribuam fSrmulas quimicas 205 minerais. Os elementos quimicos consttuintes dos minerais estio unidos através de diferentes tipos de ligacio, sendo as mais comuns as lignges iénicas, covalentes, metilicas e de Van der Waals, Nas gages idnicas,etions (ions com catga positiva)¢ dnions (fons com carga negativa) se unem. Por exem- plo, no mineral halita, de férmula NaCl, o eition Na, de valncia 1+, une-se ao anion Cl, de valencia 1. Ao invés de um anion simples, como o C, pode se consttuir um grupo anidnico (“radical aniénico”), como 0 SiO,, que € unidade fundamental de todos os silicatos. Nas ligagdes covalentes, ocorre 0 compatihamento de elétrons, a exemplo da ligacio entre of étomos de carbono no diamante. As igagdes metilicas sio aquelas em que se formam “nuvens de eltrons”, como aos elementos nativos (ouro, rata, cobre te). A mais fraca das ligagdes quimicas € a de Van der Waals, qe une molécula ¢ unidades estruturaispratcamente neutes, 04 seja, com pequenas cargas resus E raranos mineraise um exemplo éa grafta, onde as camadas de tomos de catbono ligadas de modo covalente sio unidas entre si por lgagdes de Van der Waals. Em decorréncia da forca de ligacio entre os étomos de wm mineral, formam-se “empacotamentos” de fomos, is vezes mais otras vezes menos compactos. Obviamente, ito vai influenciar sobremancira as propriedades dos minerals. A. substtuigio de fons em um determinado sito catiénico € favorecida por semelhangas de rio ¢ valencia. Os itomos constuintes de um mineral podem ser imaginados como “esferas” com earpa posiiva ou negativa Assim, Mge* ¢ Fe apresentam carga 2+ volumes celativamente semelhants (caraeterzados pelo raioidnico, respectivamente 0,74 A e 0,80 A; IA 0,1 nm = 10m ), enguanto Na’ (fio 098 A) e K* (1,33 A), ambor com carga I+, si fons maiores. Assim, as substiuigdes entre Na e K, e entre Mg_e Fe sio mas feqientes que entre Na e Mg, Na e Fe, Ke Mg, e Ke Fe, por exemplo, Nos silicatos, a unidade estrutural € 0 teracdro SiO,* com quatro O* (aio 1,36 A) unidos a um Si central (taio 0,39 A), que pode ser parcialmente substituido por AP* (taio 0,57 A). Essa unidade fundamental, que constitui um “poliedro de coordenagio”, ou seja, uma figura geomeétrica definida pela uniéo dos étomos de oxigénio, pode aparecer isolada (evidentemente rodeada por citions, para neutralizac sua carga negativa), cons- ttuindo os slicatos chamados de nesossilcatos, ou, muito freqientemente, associada, formando substincias tais como os sorossilicatos ete. A polimerizacio é a unido entre estes poliedtos (no caso tetraedos), que origina associagdes entre 2, 3, «infinitos poliedros (Quadro 2.3). Quanto maior o grau de polimerizagio, menor fica 4 razio entre 0 mimero de dtomos do Si € 0 do O no anion polimerizado. 2.2 Polimorfismo e solugio sélida Minerais polimorfos (de “poli”, muitos, ¢ “morphos”, forma) sio aqueles que tém essencialmente a mesma Composigio quimica mas estruturas crstalinas diferentes, 0 que se reflete em suas propriedades fisicas ¢ morfol6gicas diferenciadas. Por exemplo, grafita ¢ diamante sio polimorfos de carbono. Ambos tém a mes- ‘ma composicio quimica mas suas estruturassio diferentes, e como tal sio considerados como espécies separadas. Assim ocorre também com a calita ¢ a aragonita, polimorfos de CaCO, Quattzo ae quartzo B (Tabela 2.1) io dois dos polimorfos de slica SiO,, ‘Mincrais isomorfos (de “iso”, igual, e “morphos”, forma) slo os que possuem estrututa crstalina semethante ‘mas composisao quimica diferente ou variivel dentro de determinados limites (eg, calcta - CaCO, magnesita = MgCO, ¢ siderita - FeCO,). Em diversos casos, pode ocorrer um intercimbio de determinados elementos fa estrutura, dando origem a substincias de composicio intermedia entre dois (ou mais) termos finais, sesultando em um fenémeno conhecido como solucio sélida, por exemplo, olivinas: forsterita (MgSiO)) ¢ fialita (Fe,SiO,), nas quais Mg ¢ Fe“se substituem mutuamente; ¢ plagioclésios:albta (NaAISi,O,) e anortita (CaALSi,O,), nas quais a solucio sélida se realiza através da substituigio acoplada (assim chamada porque ‘envolve dois pares de elementos) de (Nai) por (Ca,Al) eee eek 2.1.3 Classificagio sistemética de minerais Ocseudo sistemitico dos minerais fica facilitado quan do se usam eritérios que permitam agtupi-los em Conjuntos com caracteristcas similares. Alguns dos erité ios mais usados sZo resumidos na Tabela 2.2. Nos livros de mineralogia descrtiva, exposigdes rmineraligicas em museus e em colegtes em geral usa-se Co citério quimico baseado na natureza do radical aniénico do mineral. Por exemplo, no mineral batita (BxSQ), 0 radical aniénico é 0 SO} e, portanto, a barita sera classi- ficada como sulfato. Esta tihima classificago dos miners se assemelha & decompostos quimicos utlizada pela Quimica Inorganica ce apresenta as seguintes vantagens: 4) minerais com 0 mesmo radical aniénico possuem propticdades fisicas € morfolbgicas muito mais seme- Thantes entre si que minerais com o mesmo cition, Por Mee) Tabela 2.2 Alguns dos critérios usados pore lossificar os minerais. eee a Sistema de citalizag6oMinerats monodnices, cibicos Usos Minérios, gemat, minerais formadores de rochas Elemenios nativos, &xidos, sulfetos ‘Composigae quimica cexemplo, a siderita (FeCO) tem mais afinidades com a cakcita (CaCO,), ou com a magnesita (MgCO,) do que com a pitta (FeS) ou com a hematita (FeO); b) minerais com 0 mesmo radical anidnico tendem a se formar por processos fisico-quimicos semelhantes ¢ a corter associados uns aos outros na natureza. 2.3 Classificagéo sistematica dos minerais As espécies minerais conhecidas sio agrupadas em classes minerais com base no dnion ou radical anidnico dominante em sua frmula quimica, James 1D. Dana (1813-1895) eve papel fundamental na ela boragio desta classificacio. Assim, tem-se, de ‘mancira simplificada, as seguintes classes, e no caso dos slicatos, as subclasses, seguidas de alguns exem- plos e suas formulas quimieas + Elementos nativos: ouro (Au), enxofre (8). + Sulfetos:galena (PbS), esfleita (ZnS), pia (FeS). + Sulfossais: cetraedrita (Cu,,Sb,S,,), enargita (CaASs), + Oxidos: gelo (HO), hematita (Fe,0), eassterita Gn0)). Haldides: hata (NaC), fuorita (CaF)) calcita (CaCO), dolomita + Carbonatos: [CaMg(CO,)} Nitratos: saltre (KNO)), salitre-do-chile (NaNO). *+ Boratos: bérax Na,B,0,,10H,0. Sulfatos ¢ cromatos: barita (BaSO,), gipsita (CaSO, 2H,0), + Fosfatos, arseniatos e vanadatos: apatita [Ca,ECLOWPO), + Tungstatos e molibdatos:scheelta (CaWO). Silicatos: Devido a sua grande importincia, os silieatos sio subdivididos de acordo com 0 grat de polimerizagio dos tetraedros SiO,* e conseqiente- ‘mente pela razo SiO dos énions: + tetraedros isolados (nesossilicatos) - SiO = 14. olivina [(Mg.Fo),SiO,}, granada, zitcio, topizi. + duphs de tetraedros (sorossilicatos) - Si:O = 27. hemimorfita (Zn,(Si,0,)(OH).H,O}, epidoto, ancis de tetracdros (cclossilicatos) - SiO berilo (Be,AL,$,0,)], turmalina, + cadeias de tetraedros (inossilicatos) Ey 4) cadeias simples de tetracdros - SiO = 1:3, pitoxénios: enstatita [Mg,(Si,0,} b) cadeias duplas de tetraedros - SiO = 4:11, anfibélios: tremolita [Ca.Mg,Si,0,,)(OH),) + folhas de tetraedsos (filossilicatos) - SiO = 2:5, argilominerais (caulinita, esmectita), micas (mascovita, biott) + cstruturastridimensionais (tectosslicatos) -SiO= 1:2. quartzo SiO, + feldspatos: 4) potissicos: microclinio (KAISi,O,), ortoclésio (KAISi,O,. b) plagioclisios: albita (NaAISi,O,), anortita (CaALSi,0). Das varias classes minerais existentes, apenas uma, dos silicatos,é responsivel pela constituigao de apro: ximadamente 97% em volume da crosta continental, Esta, como veremos no Cap. 5, configura a parte ex: terna da Terra em regides continentais, com espessura de algumas dezenas de quilometros (Tabela 2.3). Mi: nerais das demais classes, embora menos abundantes, também so importantes pelo seu imteresse econdmi co ¢ cientifico, Tabela 2.3 Constituigéo mineralégica da crosta continental. Classe mineral Espécie ou grupo mineral % ces fléspotos 58 piroxtrioseanibois 3 Silicatos quarto u micas, lorie, orglomineris. 10 line 3 epidoto,cionto, ondaluato, silimanita, granedas, 2 aeélas ec Carbonotos, Oxidos, 2 Sulfetos, Holéides etc. ian 100 2.1.4 Nomenclatura dos minerais A nomenclatura dos minerais & hoje controlada pela Comissio de Novos Minerais e Novos No: mes de Minerais (CNMNM) da Associagio Mineralégica Internacional (IMA), criada em 1959. Os nomes de novos minerais devem ter, no caso brasileiro, a terminagio “ita”, Em conteaposicio, a terminagao “ito” é usada para nomes de rochas, Os minerais conhecidos desde épocas remotas e cujos nomes ja tém uso consagrado podem nao respeitar esta regra. Outras recomendagées para a criagio de um nome para um novo mineral sio: + que © nome indique a localizagio geografica de sua deseoberta, + que © nome indique uma de suas proprieda. des fisicas RM oe Exemplos: tetraedrita (devido a0 seu hébito tetraédrico), cianita (devido a sua cor mais comum, su, + queonome indique presenga de um elemento quimico predominate. Exemplos: molibdenita, cuprita, arsenopirita, lantanica + que o nome homenageie uma pessoa proemi- nente. Exemplos: andeadita (em homenagem a José Bonifacio de Andrada € Silva, 1763. 1838, gedlogo e patriarea da independéncia brasileira); arrojadita (em homenagem a Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa, 1872-1932, g brasileiro}. logo Quando ocorrem apenas pequenas variagdes qui micas na composi¢io de um mineral, utiliza-se 0 termo variedade em contraposi¢io a “espécie mi- do zinco da neral”. Por exemplo, quando part cespécie mineral esfalerita (ZnS) é substituido por ferro, gerando assim a formula (Zn,Fe)S, origina. se uma variedade de esfalerita enriquecida em Fe, ¢ nao uma outra espécie ¢, portanto, no recebe um 2.1.5 Identificagao dos minerais Os minerais mais comuns podem, muitas vezes, ser identificados simplesmente com a observacio de suas propriedades fisicas ¢ morfolégicas, que so decorrentes de suas composigies quimicas e de suas estruturas cristalinas, Usilizamos sara fins de identifica 10 ripida de minerais as seguintes pro- priedades: hibito cristalino, cransparéncia, brilho, cor, traco, dureva, fratura, clivagem, densidade re jativa, geminacio, propriedades elétricas ¢ Habito cristalino E a forma geométrica externa, habitual, exibida pelos cristais dos minerais, (Fig, 2.5). F chamada simplesmente habito do mineral e pode ser observada, sobretudo, quando aque feflete a sua estrutura (© mineral cresce em condigdes geologieas idesis. Os hhabitos mais comuns so: o laminar, 0 prismitica ( cristais aparecem alongados como prismas), 0 fbro- so, 0 acicular,o tabular (em forma de tibuas ou tjolos) 0 equidimensional eee ee ee aa ee] ‘Transparéncia Os minerais que aio absorvem ou absorvem pouco a luz sio ditos transparentes. Os que absor a luz consideravelmente sio traasliicidos ¢ dificultam que imagens sejam reconhecidas através deles, Obviamente, estas earacterist -as dependem da espessura do mineral: a maioria dos minerais transhicidos torna-se transparente quando em liminas| muito finas (Fig, 2.6). Existem, contudo, os elementos nativos metilicos, éxidos e sulferos que absorvem to: talmente a luz, independentemente da espessura, So (os minerais opacos, a 05cm Fig. 2.5 Exemplos de habitoscritolinos: 9} cubo de pita FS.) 80 aor um exo tedrio, mostando tombém sue coremarela& seu bilho metdic; ) fbros de gipsita [CoSO,, 24,0}. Foto: McReath, Brilho E a quantidade de luz refletida pela superficie de tum mineral, Os minerais que refletem mais de 75% da uz incidente exibem britho metilico (Fig, 27a). 0 ‘easo da maioria dos minetais opacos. Os que nio atingem esta reflexio tém brio no. | metilico. Entre os tipos de brilho naio-metilico, é usual | distinguir alguns earacteristicos, como o vitreo (0 bri | Iho da fratura fresca do vidro}, 0 gorduroso (o brilho | do azcite), 0 sedoso ete 7b). ificagio, Entretanto, bom lembrar que alguns miner plo) podem softer leve oxida resulta na perda pelo menos parcial do brilho metil 0 navural (a pirita, por exem- > superficial, © que be is @e@ * ; = ; ¥ a b Fig. 2.6 Transparéncia etranslucider: (0) escola vista otrovés do quarto (S1O,) nansparente, variedede cristal de rocha;(b) caluré parcialmant ransmitda pelo quarto translcido, vor edad leitosa, porém a esccla emboino de omosta, ne pore inferior, n80.é visvel. Foto: |. MeReath Cor \ cor de um mineral resulta da absorgio seletiva da luz, O simples fato de o mineral absorver m: determinado comprimento de onda do que os ou- 110s faz com que os comprimentos de onda restantes se componbarn numa cor diferente da luz branca que chegou a0 mineral. Os prineipais fatores que colabo ram para a absorcio seletiva sio a presenga de clementos quimicos de transicio (Fereo, eobre, niguel, cxomo, vanidio etc) aa composicio quimica do mi- eral, os defetos na sua estrururaatbmiea, ea presenca de pequenissimas inclusdes de miners, dispersasatra- vés dos cristais. Alguns minerais tém cores bastante caracteristieas, sendo chamados de idiocromiticos (por exemplo, © enxofre, amarelo). Outros sio alocrométicos, isto é, sua cor varia amplamente. A turmaliaa € 0 quartzo, por exemplo, ocorrem em uitas cores, Consegjientemente,a cor do mineral nem sempre é propsiedade confidvel na sun identitien Fig. 2.7 Brihos: a) née metélico, tipo terros0 90 minério bauxite (on-hidréxido de A; 6} metic [galena (PbS). Foto: LiMeReath Trago © teago é a cor do pé do mineral. E obtida tis cando 0 mineral contra uma placa ow um fragmento de porcelana, em geral de cor branca (Fig, 2.8). Esta propriedade s6 & til como clemento identificador dos rinerais opacos ou miners ferrosos, que apresen: tam freqiientemente tracos coloridos (vermelho, marrom, amarelo etc.). A maioria dos minerais translicidos ou transparentes exibe trago branco, Ao provar minerais mais duros que a porcelana (aprox madamente 7 na escala de Mobs - ver a seguir), 0 taco resultante no é do mineral, mas sim da porcela- na. A cor do pé destes minerais somente pode ser observada por moagem do mineral —. Fig. 2.8 Toco vermelho (ris ode comprimenta de 1 cm, ‘eproximadomente, no pode su perior sobre ploco de porcelona) de hematite (Fe,0), mineral de cor cinze excuro ebrihe metic Foto |. MieReath Dureza A dureza é a resisténcia que o mineral apresenta ao set riscado, Para classificé-, utliza-se a escala de ‘Mot.s, em homenagem ao mineralogista australiano F. Mobs, que a elaborou com base na dureza de mine ris relativamente comuns utilizados como padries & que varia de 1 a 10, em ordem erescente de dureza, 1Na falta destes, podem ser usadas algumas alternativas apresentadas na coluna a dircita da Tabela 2.4. A limi- na de ago tisca todos os materiais com dureza menor que 5 ¢, por sua vez, é riscada por todos os materiais com dureza maior que 5,5. Tabela 2.4 Escala de Mohs @ padrées secundérios. 10 secundario tokeo sipsite alco fluorite ‘pata ortoclésio quero topézio corindon diamonte unhea (2.5) offinete (3,5) lemina de ago (5- 5,5) porcelone (~7) EM Ce es cc Fig. 2.9 Frotura e clvager: a) frotura conchoidel de quarto; 8s clivogens pereitas, em podrdo romboedel, cujos pl nos se destacm pela iuminagéo, de brihonte @ bastante cescuro; cristal de calcita {CoO}, variedode de espoto do I landie, Foto |. Meath Fratura Denomina-se fratura a superficie iregular ¢ curva resultante da quebra de um mineral. As superficies de fracura, obviamente controladas pela estratura atOmi- ca interna do mineral, podem ser irregulares ou conchoidais (60 estes 0s tpos ma 1) Fig. 298). ‘comuns de fratu- Clivagem Muito freqientemente, ocorrem superficies de que- bbra que constituem planos de notivel regularidade. Neste caso, a quebra passa a ser denominada clivagem, que pode ser perfeita, boa ou imperfeita. A maioria dos minerais,além de mostrar superficies de fratura, aprescnta uma ou mais superficies de clivagem, no- -meadas segundo sua orientacZo com referéncia a faces de sdlidos geométricos (por exemplo, clivager cibi- a, clivagem romboédrica ete, Fig. 29). Densidade relativa Eo eximeto que indica quantas veres certo wohu- me do mineral é mais pesado que o mesmo volume de gua (a 4°C). A densidade relativa da maioria dos minerais formadores de rocha oscila entre 3,3. Alguns minerais que contém elementos de alto peso atémico (por exemplo, Ba, Pb, Sr et.) apresen- tam densidade superior a 4. Com alguma pritica, pode-se avaliar manualmente, de forma qualitativa, a maior ou menor densidade do mineral ou seu agi do, No entanto, a determinagio precisa deste valor € feta utilizando-se uma balanca especial Capiruto 2 * Minerais « Rociias: Consrm Geminagio E a propricdade de certos cristais de apare intererescidos de maneita regular. Os diferentes indi viduos de um cristal geminado relacionam por operagies geomérricas. A geminagio pode ser sim- ples (dois individuos interceescidos) ou miiltipla {polissintética). O tipo de geminagio é muitas vezes, ‘uma propriedade diagnéstica do mineral (Fig. 2.10), a Fig. 2.10 Bxemplos de gominados: (a) geminodo simples em cruz de estovralte (minerol da fomlio dos silicatos) ‘geminacbe palisinitica{repetida} na labrador, do for! silicética dos plogioclésios; © padeSo destace-se pela olterndncia de finos bandas que opreseniam reflexses alternadamente mais e menos fortes; este padrdo de _geminagéa, quando visvel, serve pora disinguirosplogiocdsios| dos faldspatos alcalinos. Foo: |. MeReoth Propriedades elétricas ¢ magnéticas Muitos minerais sio maus condutores de cletrci dade, Excegies a esta regea se devem & presenca de ligagies atomicas totalmente metilicas, como & 0 caso dos metais nativos ouro, prata, e cobre, todos exce lentes condutores. Nas estruturas em que as ligagdes atmicas sfio apenas parcialmente metalicas, por exem- plo, sulfetos, os minerais sGo semicondutores. No caso dos minerais considerados nao-condutores, as ligagdes inicas e covalentes predominam. Piczocletricidade e pirveletricidade so proprieda- des elétricas especiais. Flas aparece em minerais que se cristalizam em classes de simetria sem centro de simettia, Piczoeletticidade € a propriedade que um mi- rneral tem de transformar uma pressio mecinica em carga elétrica. Se uma placa de quartzo, conveniente mente cortada, for pressionada, surgirio cargas positivas e negativas extremamente repulares. Esta ca racteristica faz com que 0 quartzo seja muito usado pela indiistriaeletroeletrénica, no controle das ridio- freqiiéncias, O Brasil tem grande importincia como fornecedor de quartzo para esta finalidade. Pirocletrcidade é a cletricicade originada pelo aumento, de calor. Os minerais sem centso de simetria, quando, aquecidos, emitem uma corrente elétrica. Os prime 08 pirOmettos, usados para medida de temperaruras tem altos fornos, foram fabricados explorando a ele vada pirocletricidade das turmalinas Entre os minerais mais comuns,a magnetita (FeO) a pirtotita (Fe, $) sio os dinicos ateaido: campo magnético (ima de mio}. Este “L-x” na for- mula quitnica da pirrotita significa que a relagio Fe & menor que 1; ficam vazias, entio, algumas posigoes destinadas a0 Fe A orient dos minerais magnéticos nas rochas, igneas € importante no estudo do paleomagnetismo terrestre (Caps. 4 ¢ 6). Sua presenca é de geande valor para as exploragaes minerais baseadas em téenicas de sensofiamento femoto, Uma Vez que OS MiNérios as- sociados & magnetita sio mais facilmente localizados, ‘mesmo em subsuperticie, por meio de magnetimetros especiais, 2.2Rochas: Unidades Formadoras da Crosta 2.2.1 O que so rochas? Por definigio, as rochas sio produtos consolida- dos, resultantes da unio natural de minerais. Diferente dos sedimentos, por exemplo arcia de praia (um con- junto de minerais soltos), as rochas tém os seus cristais ‘ou gtios constituintes muito bem unidos. Dependen- do do processo de formacio, a forca de ligagio dos gelos constituintes varia, resultando em rochas “du- ras” ¢ rochas “brandas”, (Chama-se estrutura da rocha 0 seu aspecto geral cexterno, que pode ser macigo, com cavidades, orien- tado ou no ete, A textura se revela por meio da observagio mais detalhada do tamanho, forma e rela cionamento entre os cristais o8 grios consticuintes da rocha. Outra informagio importante no estudo das ro: chas & a determinagao dos seus minerais constituintes, Na agregacio mineralipica constituinte das rochas, econhecemos 0s miners sérios. Os essenciais esto minerais aces- smpre presentes e so os mais abundantes numa determinada rocha, € as suas proporcdes determina o nome dado a rocha. Os acessérios podem ou nto estat pres modifique a classificagio da roc em questio. Quando os minerais agregados pertencerem a mes ma expécie mineraldgica, a rocha sera considerada monomineriliea. Quando forem de espécies dife- rentes, cla seri plurimineriliea (Tabela Tabela 2.5 Rochas monominerélicas e pluriminerdlicos. Rochas Pon eed need Calesrio Grae Mérmore Gobro Quorzto Gronito 2.2.2 Classificagdo genética das rochas Classifica as rochas significa usar etitérios que permitam agrupé-las segundo caracteristicas seme- Ihantes. Uma das principais classificagées genética, em que as rochas sio ayrupadas de acor do com a sev modo de form Ao na natureza, Sob este aspecto, as rochas se dividem em erés grandes grupos igneas ou magmaticas Estas rochas resultam do resfriamento de mate rial rochoso fundido, chamado magma (Fig, 2.128). Quando o resfriamento ocorrer no interior do glo: bo terrestre, a rocha resultante seri do tipo ignea intrusiva, Se o magma conseguir chegar 4 super resultante sera do tipo ignea extrusiva, também chamada de vulednica (Fig, 2.12b). A 10- cha vuleinica mais abundante € 0 basalto, euja composigio quimica é rica em piroxénios ¢ plagioclisio ealeico. O Cap. 16 trata especificamente dos magmas ¢ rochas igneas Para reconhecer se a rocha é intrusiva ou extrusiva € necessario avaliar sua textura. O tesfriamento dos magmas intrusivos € lento, dan- do tempo para que os minerais em formacio crescam o suficiente para serem facilmente visiveis, Alguns eristais podem chepar a virios centimetros, O granito (Fig, 2.11) & a rocha fgnea intrusiva mais abundante na crosta terrestre Eee Fig. 2.11 Detcihe de uma chapo de granite polida, As massos 63205 (por exemplo, FA) 560 0 feldspeto acalino, as brr (porexemplo, Pt, 0 plagiacésio, Junto ao quartz (as massa levemente esbronquicades, por exemplo, QZ), os feldspotos formam os minerais essenciais que somam em tara de 80% do volume da racha. A mica preto (biotite) e o anfibélio {horblendo} compéem a maior porte dos dreos escuras, O resfriamento dos magmas extrusivos € muito mais ripido. Muitas veves, no ha tempo suficiente para os cristais crescerem muito, Arocha extrusiva tende a ter, portanto, uma rextura de granulaca fin Outro fato que chama a atengao no estudo das rochas jgneas é que a sun cor é bastante variavel. As rochas fgncas escuras sio mais rieas em minerais contendo magnésio ¢ ferro (dai o nome “méfico”) gabro, de composi¢io equivalente a0 basalto, & uma rocha fgnea, intrusiva, pluténica e mafica, As rochas fgneas claras so mais ricas em minerais eon- tendo silicio © aluminio (sialieas), que incluem os feldspatos € © quartzo, ou silica (dai, 0 nome félsico). O granito é uma rocha ignca, intrusiva pluténica, siiliea ¢ félsica, Hsta diferenga na consti: tuigio quimica dos magmas indica que existem diferentes tipos de magmas (Cap. 16) Sedimentares arte das rochas sedimentares ¢ formada a partic da compactagio e/ou cimentagio de fragmentos pro: duzidos Ia ago dos agentes de intemperismo ¢ pedogénese (Cap. 8) sobre uma rocha preexisteate (prowlito) (Fig, 2.12b), e aps serem transportados pela agio dos ventos, das iguas que escoam pla su= perlicie, ou pelo gelo, do ponto de origem até 0 ponto de deposigio (Fig, 2.12c). Para que se forme uma r0- cha sedimentar é necessirio, portant, que exista uma socha anterior, que pode ser ignea, metamérfiea ¢ mes ey te eee nt ee) mo outea sedimentar, fornecendo, pelo ineemperismo, sedimentos (particulas c/u compastos quimicns dis solvides) que serio as matérias.primas usadas. na formagio da futura rocha sedimentar. Os compostos quimicos dissolvidos representam a matéria-prima past fs sedimentos quimicos. Os sedimentos (Fig, 2.12¢ sempre se depositam em camadas sobte a superficie Quando a rocha sedimentar é constituida por part culas (clastos) preexistemtes, elt € classificada como clistica, © processo geoldgieo que une as particulas sedimentares & conhecido como ltfieacio ou diagénese, e compreende uma combinagio entre 0s processns de compactagio ¢ cimentacio. .\ litifieacio ocorre em condigbes geoligieas de bai ressio (peso dos sedi mentos posteriores) © baisa te por isso, as rochas clisticas nio tem, salvo raras esce ccbes, a mesma consisténcia dura das rocha: \s rochas sedimentares clisticas si classiticadas de acordo com o tamanho de suas particulas constitu mes, como veremos no Cap. 1, Elas sao facilmente reconhecidas, pela seqiéncia de camadas horizontals com espessuras ¥ \ sio formadas pela precipitacio dos radicais salinos rochas sedimentares quimicas ou nio-chisticas que foram produzidos pelo intemperismo guimico, ¢ agora cncontram-se dissolvidos nas Jguas dos ios, 108 € mares, Entre 0s principais anions salinos esti carhonatos, cloretos e sulfatos, enquante os prine is citions sio os mais sohivers, os alealinos Nae Ky ‘05 alcalino tetrosos Mg Ca Os depésitos sedimentares de origem onpiniea sio. amulos de matéria orgiinica tais como restos de ve i conchas de animais, exerementos de aves ete .. por compactagio, acabam pe inte, turfa, coquina e guano. So. pseudo-rochas ue as suas particulas agregadas mio sio minernis. norficas As rochas metamérfieas (Cap. 18) resultam da stormagio de ima rocha preesistente (prolito) estado sdlido, O processo ycologico de transfor co se dé por aumento de pressio e/ou yperatura sobre a rocha preexistente, sem que 0 wo de fusio dos seus minerais seja atingido. Os logos mio consideram — transformacées amérfieas aquelas que ocorrem durante 0s pro: scos de intemperismo e de litiieagio, (© metamortismo regional acorre em grandes ex tensdes da subsuperficie do lobo cerrestre, em conseqiténcia de eventos yeologicos de grande porte come, por esemplo, na edificagio de cadeias de mon- nhas, Dependendo dos valores aleangados pela variacio de pressio e temperatura tém-se os \s prine vionais de baiso, médio ¢ ako rau, is rochas metamérfieas formam sen Muitas tochas m ‘ruta de foi soja. orientacio proferencial que os minerais phiedides wstimem, bem como a sua estrutura de camadas do bradas (F 1d}, devido as deformagées que nal (Cap. 19). ominios de terre metamorfisme local restringe-se a rho que sariam entre centimetros © dezenas de metros de estensio. Quando, no metamorfismo local, © aur mento de temperatura predomina, fala-se em metamorfismo termal ou de contato. Por exemple, a8 rochas regiomais submetidas ao contato com uma ci- mara magmatica podem sofrer este tipo de netamorfismo, Ax tochas resultantes so chan clas hornfels, No metamortismo dinimico predomina 0 mento de pression no Fendmeno da transformagio s, como em zonas de falhas, Quando a temperatura do metamorfismo ultmpassa tum certo limite, determinado pela natareza quimiea da rocha e pela pressio vigente, freqientemente na faixa de 7U0-800°C, a8 rochas 0 se fundin, produvindo novamente um magma (Fig, 2.12e) 2.2.3 Distribuigio e relagdes das rochas na crosta terrestre 2\ crusta cerrestre representa a camada sélida externa do planeta, Bla esti diviida em crosta continental, que correspond as areas continentais emersis, ¢ erosta Oce= Anica, que constitu os assoalos oceanicos (Cap. 5). Tanto Juma como outra sio formadas por rochas, Fstudos da disirbuigie ltol6gica da erosta continental indicam que 93% do seu volume tora correspon ma rochas crista linas, ox se rochas fgneas e metaméirfieas e apenas 5% 1 rochas sedimentares. Fntretanto, considerando a distr buigdo destas rochas em area de exposigh superficial, os miimeros se modlificam para 7 rochosa de chas sedimentares eapenas 25% de rochas eristalinas. Isto indica que as rochas sedimentares representam uma fina fimina ochosa que se dispde sobre as ign: saméifieas, consideradas principais na constituigio litolgcn da erosta continental (Os agentes de erosdo podem movimentar © material que forma 0 manto de intemperismo, incluindo 0 solo, A fat vegetagdo contibui pare a eroséo. A posigdo dos sedimentos (foto sm bocios de sedimen 30, este material pode ser solerado, compactodo e translorme dom ocho sedimentor (ificagéa) Ee SEDIMENTO ROCHA SEDIMENTAR Quaiquer tipo de roche pode soter metamorismo emombiente decos Pe T,com de dobros (food) foliagdes, olém de recrstlzacdes mine: ‘o's, erando racho metamérfica ROCHA METAMORFICA Fig. 2.12 O ciclo das rochos Tees Cee nes O CICLO DAS ROCHAS | CO intemperieme aitera as coractersticas fisicas e quimicas dos ro chas igneas, metomérficas e sedimentares quando expostos no supertcie tevrestre, formando um manto de intemperismo, const tuldo por material Frvl (foto b). A nedogénese & a formacéo do solo no porte superior do perl tell MANTO DE INTEMPERISMO No vuleanisme, © magma quente cchego @ supericie, onde se dercoma ‘como lava (ot0 a). Sue slificagdo forme rocha ignee wledrnica. Seo |] mogme fcor preso no interior da || crosta terest, forma cocha ignea pluénica ap6s sva soli ‘MA Bauclave” tipo de roche ligneo, metomérica ou sdimentar) pode ser levade a ambientes geol6gi feos de Pe T ainda mais alios que o ambiente metamérico, Neste caso, pode ocorrero fsbo por jl. No exemplo (foto e), es masses cloros so Lomposios por feldspotos e quarzo Je mogma formodo pele fusdo dos minercis me- 8 refratrios, enquonto os portes escuros s60 snpostas pelos minerais mois eltolérios que no Bream 0 fundic Coa As relagdes entre os ts tipos xenéticos de ro chas na crosta mio se dio a0 acaso, Av conteario, existe uma disposicao rigida que reflete exatamente 08 eventos geoldgicos que ocorreram em determi- rexiio, Fi possivel, para 0 gedlogo, desctever a historia geologiea da crosta, através do estulo dlas rochas © dos tipos de contatos que existem en- tre clas. As Fontes de informagées para este estado so os mapas geolégicas, cortes rochosos em es tradas © ferrovias, perfuracces de pocos para obtengio de dgua ¢ perrileo etc 2.2.4 O ciclo das rochas As rochas terrestres niio constituens i: titicas. [las fazem parte de um planeta cheio de cenergia, que promove, com sua alta temperatura ¢ pressio interna, nddos os processos de abalos sis rentos teetdnicos de placas ¢ atividades vulcinicas em uma dinamica maito intensa (Caps. 3 © 6). Da mesma forma, a atividade intempérica ¢ cerosiva externa, envolvendo vs agentes atmosféd cos como calor do Sol, chuvas, ventos, geleiras, também atuam sobre estas rochas, causando cons tantes alteragdes (Caps. 8 a 13), Eim suma, a Terra é um planeta vivo em continua moditicacio. As atuais rochas igneas superficiais da ‘Terra es intempéricos ~ os componentes atmosfiricos O, & CO, a igh € 05 organismos ~ que lentamente re duzem-nas a material fragmentar, incluindo tanto os detritos sétides da racha original como os ao. vos minerais formados durante o intemperismo (Fig, 2.128). A agio de agentes de erusio e trans porte - a agua corrente, os ventos ot: o gelo redistribui o material fragmentar através da super ficie, depositando como sedimentos (F 2.120), neoesos no inicio. Transformam-se em rochas sedimen es, porém, pela compactacio dos Frag, mentos ¢ expulsio de agua intersticial © pel Cimentagio dos fragmentos uns aos outros. As to: chas sedimentares, por sua ver, por aumento de Pressio ¢ temperatura, gerario as tochas metamérticas (Fig, 2.12d). Ao aumentar a pressio lo ponto ocorteri a fusdo parcial (Hig. 2.13c) € nova- ©, especialmente, a temperatura, em determ mente a possibilidade de formagio de uma nova rocha ignes, dando-se inicio a um novo ciclo, Esta seqiéneia de eventos gealigicos & apenas tuma das virias alternativas que a matureza tem para cestabelecer um relacionamento genético entre as tochas de nossa crosta, 2.2.5 Utilidade dos minerais e rochas (Os minerais e rochas representam bens minerais de grande importineia ao conforto e bem-estar da humanidade. Bacon n utilizagdes das mais diver da metalurgia (ferrosa © nio ferrosa), da construcao civil, da industria de fertili- zantes, etc, (Cap. 21) Leituras recomendadas DANA, J. D. Manual de Minerale, Porto Alegre: LC, Rio de Jancito, 1976, DEER, WA, HOWIB, R.A. & ZUSSMAN, | Mi nerais constituintes das rochas — uma introdup Lisboa: Pundacio Calouste Gulbenkian, 1966, LRNST, Gi. Miners Rochas. Sio Paulo: Balgard Blucher, 1971 KLEIN, C. & HURLBUT, Jr, CS, Manual of Mineralogy. New York: John Wiley & Sons, 1993 LBINZ, V. & SOUZA CAMPOS, J. E, Gia pana determinacio de minerais. Sto Paulo: Nacional, ed, 1982, SISMICIDADE E ESTRUTURA INTERNA DA TERRA i Ketae-) (oMACielal elas le) Coriolano M. Dias Neto 7) CST eerie ‘urqui |, madrugada de 17 de agosto de 1999. idlade de Tzmit, numa das regides mais dea samente povoadas do pais, a populagio dorme traniila, De repente, sem nenhum aviso prévio, a ter a treme violentamente, causando terror e destruigio, Fim menos de um minuto, esti deflagrada mais uma’ trayédia: mais de 15.000 mortos, quase meio milhio de desabrigados, a cidade intcien praticamente atrasa dae prejuizos de bilhées de délares ao pais, Fim poucos segundos, a Terra faz lembrar ao ser humano que a nogio de terra firme & uma ilusto: o pais ja havia qua- se esquecido a calamidade semethante softida 60 anos antes. Como se niio bastasse a tragédia humana para mostrar o poder das forg internas da Terra, uma ruptura de 40 km de extensio na superficie, com des locamento lateral de varios metros, evidenecia vex a evoluga continua ¢ inevitavel do nosy planeta Os terremotas, mais do que qualquer outro fend: ‘meno natural, emonstram inequivocadamente o carter dinimico da Terta. O registeo de milhares de terremo- tos em todo 0 mundo (Fig, 3.1) define e emoldura as virias placas que formam a easea rigida da ‘Terra, Nes te capitulo, estudaremos os terremotos e sua relagio com a movimentagio destas placas litost -asca rida da Terma, ¢ crosta cas (3 di ferenca entre ltosfera, a sera explicada adiante). Veremos também como o este do da propagagio das ondas sismicas pelo interior da 180" -160° -140" -120" -100° -80° -60" 40" 20" Terra revela sua estrutura interna, rema que seri deta- Thado nos proxin nos capitulos. © Brasil era considerado assismico até pouco tempo atras, por no se conhecerem registros de sismos destrutivos, ¢ os poucos abalos sentidos eram nterpretados como "simples acomodagiio de cama das". Hstuclos sismol6gicos a partie da década de 70 mostraram que a atividade sismica no Brasil, apesar de baixa, no pode ser desprezada e é resultado de Forgas geoldgicas que atuam em toda a placa que contém o continente sul-americano. Veremos tam: bém que um dos aspectos importantes da sismicidade no Brasil & que parte dela é causada pela implanta- Go de novos reservat6rios hidroelétricos (chamada sismicidade induc) 3.10 que E 0 Terremoto? Com 0 lento movimento das placas livosféticas, da ordem de alguns centimetros por ano, teasdes vio se acumala ilo em varios pontos, principalmente perto de suas bordas. As tensdes acumuladas po- dem ser compressivas ou distensivas, dependendo da dizegio de movimentacio relativa entre as pla cas, como veremos adiante, Quando essas tensdes atingem o limite de resisténcia das rochas, ocorte tuma ruptura Fig. 3.2); 0 movimer 20" 40" 60" 80" 100" 10 repentino ¢ 120° 140" 160" 180" Fig. 3.1 Sismicidade Mundial. Mapa de epicentros de periado 1964 « 1995 de sismos com magnitude® 5,0. Fonte: US. Geological Survey “St Efeios de um teremote acorride em Taiwan, em 1999. Foto: Reuters Poe Fig. 3.2. Geracio de um sismo por acornul e libero esforgos em uma ruplura, A crosta frat ests sul a te lentamente, deformando as rachos (6; quanda a limite de ee amento abrupt, gorando vibroxSes que Gerolmen 60 em apenas ume parte de ume fratvea maior compressivas neste exemala, que se acumulor do, ocorre una falha geolégice). © porto inicial do ripocento ou foc epiceno, Nem tre 08 blocos de cada lado da ruptura gram vibra «des que se propagam em sodas as diregses. O plano de ruptura forma o que se chama de falha geolégi- cca, Os tertemotos podem ocorrer no contato entre is plaeas litosféricas (caso mais freqiiente) ou no interior de uma delas, como indicado no exemplo da Fig, 3.2, sem que a ruptura atinja a superticic, O ponto onde se inicia a ruptura ea liberacio das ten sées ncumuladas é charm do de hipocentro ox foco. Sua projecio na supesficie € 0 epicentro, © a dis Lancia do foco a superficie € a profundidade focal Embora a palavra "terremoto" seja utlizada mais para os grandes eventos destrutivos, enquanto os me- Jbalos ow tremores ores geralmente sio chamados dk de terra, todos sio resultado do mesmo process geo. ecu and logico de acdmulo lento ¢ liberagio ripida de tensdes, \ diterenea prineipal entre os grandes terremotos € 08 pequenos tremores € 0 tamanho da srea de ruptura, (que determina a intensidade das vibragies emitidas 3.1.1 Ondas sismicas Quando ocorse uma ruprura na Ttosfera, so yera- las \ibracties sismicas que se propagam em todas as direeies na forma de ondas, O mesmo corte, por exemplo, com uma detonacio de explosives numa pedreira, cujas vibragdes, tanto no terreno como so- noras, podem ser sentidas a grandes distincias, Sio estas "ondas sismicas” que causam danos perto do epicentro e podem ser reyistradas por sismégeafos em todo 6 mundo, Fim 23 de jancito de 1997, ocorrew am terremoro 1 fronteira Argentina/ Bolivia (Fig, 3.3a), com pro: fundidade focal de 280 km e magnitude de 6,4, As ondas deste sismo tiveram amplitudes suficientes para serem sentidas na cidade de Sio Paulo, nos BoLivia 2d picentro Oceano Atigaticn, a Tempo desde origem (s) movimento do che & descito pelos tés Componentes: Z vee Fcol, postive para cima), NS [positive fora @ Nore) © EW [postive pora 0 Leste). As ondos Pe $ chegom 230s @ 410s, respeciivomente, ap6s 0 ocorténcia do teremoto. LLU eee andares superiores de prédios altos (na verdade, as ondas sismie: fizeram alyuns prédios entrar em tes 1: 08 andares mais altos oseilan amplitude’). A Fig, 3.3b mostea os sismogeamas (um para cada componente do movimento do chi: ver teal, NS e FAV) registrados naquela veastio pela estacio sismogrifica de Valinhos, a 70 km de Paulo. A ruptura que causou o terremoto foi muito, ipida ¢ durou cerea de 5 s apenas, No entan ram geradas ondas sismicas que passaram pela estagio, a 1.930 km de distincia, durante mais de 20 minutos. Isto ocorre porque ha vitios tipos de on: das sismicas com velocidades de propaga diferentes ¢ que pereorrem trajetérias distintas 3.1.2 Como vibra o chlo? Na Fig, 3.3. primeira movimentacio do chao (chegando 230 apds a ocorréncia do terremoto) & um deslocamento de 1,03mm p: a cima ¢ para Leste. Nesta primeira onda, quase nio bi vibragio, fna ditegio NS, Como as ondas estavam se prop. gando de Oeste para Leste (do epieentro para a cestagio) ¢ chy aram na estagio vindo de baiso para (porque as ondas sio transmitidas pelo inter or da Te i), vemos que as vibracies nesta primeira onda sio paralelas 4 direcio de propagagi. Est primeira onda 6, portanto, longitudinal © chama-se onda PB. Q chao softe se 201) segundos depois da onda P, o m deslocamento de 0,07 mm no senti- do Norte. Esta segunda onda tem vibracio perpendicular 4 diregio de propagacio ¢ é chama da onda transversal ou onda S. Ha, portanto, dois tipos de vibracdes sismicas em um meio solide que se propagam em tod dlireces: vibracdes longitudinais e transversais, Nas condas longitudinais (ondas P), as particulas d vibram paralelamente a direcio de prop teansversais (ondas S), as vibracdes das particulas, sio perpendiculares a diregio de propagacio da onda. As Figs. Jae 3.45 mosteam como um meio solido se deforma com a passagem das ondas lon itudinais © transversais, Numa onda sismica hai transimissio ado apenas de vibragdes das particulas do meio, mas também de deformagdes do meio: as ondas P correspondem a deformagdes de dila clo/compressio, ¢ as ondas S deformagSes tangenciais (também chamadas de cisalhamento), A velocidade de propagagio da onda P émaior que a da 8. Por isso, a onda P ¢ a primeira eesngteg ss 87/010" Fig. 3.4 Os dois modos princioais de propogastio das vibra sismicas #800 onda P (0, longtudinel(ibragéo poralelo reqéo de oropagacic!, ¢@ onda S (, ransverslfibractio. perpendiculara direcdo de peo .g0¢86), unto. superticie da Terra, propogarr-se também as ondas supediciais: onda icigh {c) que € ume combinacéo de ondas Pe Sonde code num movimento eliptico, e ondas Love, com oscilacéo horizontal transversal, Nas endos de supeeticie, os ‘amplitudes ciminuem com a profundidade. Note que, no pas 2m das ondas sismicas, o meio se deforma slastcamente a chegar aS é a segunda (dai o nome de Pe $). 0. som que se propaga no inbém & uma onda P, da mesma forma que as vibragdes em um meio liquide, As ondas $ nio se propagam em meios liquidos ¢ As velocidades de propagagio das ondas Pe S dependem essencialmente do meio por onde elas passam, como mostrado na Fig, 3,5. Em geral, quanto maior a densidade de uma ocha, maior a velocidade das ondas sismicas, F. justamente esta propriedade que permite utilizar as ondas sismicas para obter informagdes sobre a estrutura © a com posicio em grandes profundidades. Por exemplo, analisando-se as vibragdes provacadas por explo. ses attificiais controladas em uma bacia sedimentar, podemos deduzir as velocidades sismicas nas varias ee co te er camadas sedimentares da bacia e ober informacées sobre eventuais estruturas gealégicas importantes. Assim, 0 método sismico é de grande importincia pritica, por exemplo, aa exploracio de petrileo ¢ na busca de Agua subterrinea. Em uma eseala glo- bal, os registros dos terremotos em uma rede de cestagdes sismogeificas permitem também conhecer as velocidades sismicas no interior da Terra ¢ est dar a esteutuca, a composigio ¢ a evolucio atual do nosso planeta, As vibragdes P € S so chamadas ondas internas por se propagarem em todas as diregbes a partir de uma perturbacio dentro de um meio. Além das ondas internas P © S, hi uma maneira especial de propagacio de vibragéies junto a superficie da ‘Ter ra: sio as ondas superficiais, que podem ser de dois tipos, Love ¢ Rayleigh. As ondas superficiais Love correspondem a superposigdes de ondas S com vi bracdes horizontais concentradas nas camadas mais externas da Terra, \ onda supe: ici Rayleigh & uma combinagio de vibragies P ¢ $ contidas ao plano vertical (Figs. 3.4¢ e 34d). No sismograma da Fig, 3.6, podemos abservar que as ondas superficiais aparecem como um trem de ondas de maior dura io © com periados diferentes, Uma earacteristic das ond; pag {no exemplo, vé-se que as oscilagdes de maior pe riodo esto chegando primeiro). As ondas Love superficiais € que a velocidade de pro depende também do periodo da oscilagio em geral, tém velocidade de propagagio maior do que as ondas Rayleigh, ‘2 1000 2000 3000 4000 5000 6000 Velocidade da onda P (m/s) Fig, 3.5 Exemplos de intervalos de velocidades do ondo 2079 alguns materaise rochos mais comuns, Rayleigh ‘ompo desde ongen (2) Fig. 3.6 Sismo dos thas Sond 1993, regisrade numa estoc Sh (a ul} em 27-09. eto de Pocos de Caldas, MG Beas, 0 3.570 km de distincia. No trem de ondas super ois Royleigh (componentes Z e NS} e no vem dos ondos Love {componente EW, os osclacbes com periodos maiores che. ‘0m a /op0g0C80 moiores 1s por terem velacidades de 3.2 Estrutura Interna da Terra Nao € possivel ter acesso direto As partes mais pro- anlas da Terra devido ds limitagdes teenolbgicas de cnftentar as altas pressdes ¢ temperaturas, OQ furo de sondayem mais profundo feito até hoje (em Kola, Russi ce comparada a0 raio da Terra de 6, atingiu apena 12 km, uma fragio insignifican. 70 km. Assi estrutura interna do planeta 86 pode ser estudada de mancira indireta, A registradas na superficie, permite deduzir varias carne teristicas das partes internas da Terra atravessadas pelas ondas. Algu spectos bisicos de propagagao de condas sismicas serio abordados agora, mostrando, ‘como as prineipais camadas da Terra sio estudadas. 3.2.1 Lei de Snell ¢ curvas tempo-distancia Como qualquer outro fenimeno ondulatério (por exemplo, a luz), a direcio de propagagio das ondas sismie ar de um meio com muda (refrata) 20 pa velocidade V, para outro com velocidade diferente V,,. As ondas sismicas sofrem reffacio e reflexio ¢ também obedecem & lei de Snell (Fig. Numa interface separando dois meios diferentes, ha também conversio de onda P para $ ¢ de onda S para P. Por Je mostra uma onda P incidente, exemplo, a Fig, cuja energia & repartida entre P eS refletidas e Pe S refratndas. A lei de Snell, neste caso, se aplica a cada tipo de ui, Quando 0 meio & constituido de varias camadas horizontais, a lei de Snell define a variagio da direcio do raio sismieo, como mostrado na Fig, 3.8. 48 Decirranno a TERRA Fig. 37 Lei de Snell que rege o reflexdo e refragdo ds on dos, Quondo onde passa de um meio de menor velocidad 0 outro de maior velacidade, © rao da onda se ofosto do normal 6 interface (a). Quand @ anda possa para um meio ima da normal interlace {B). No caso das ondas sismicas, parta de energia do onda incidente (ou S} pode se ronsformar em ondas 5 fou P, se pre obedecende @ li de Snell c) com velocidade menor, elas AY sen, sen, sen, yo vy, Vy Fig. 2.8 Le de Snell ema sucessdo de comadas horizontas. No caso em que a velocidade aumenta gradualmente com a profundidade, equivalente a uma sucessio de infinitas camadas extremamente finas (Fig. 3.93), as ondas percorrem uma trajet6ria curva (Fig, 39¢) € 0 grifico dos tempos de percurso em fungio da distineia ser uma curva, como na Fig. 3.9b, Imaginemos agora que haja uma descontinuidade no interior da Terra separando dois meios diferentes (Fig. 3.102), sendo que o material imediatamente abv xo da descontinuidade tem velocidade menor a do material acima. Quando as ondas passam do meio com velocidade maior para o meio com velocidade menor (ponto P na Pig 3.10), pela lei de Snell, a tra jetoria da onda se aproxima da normal 4 interface (como visto na Fig. 3.75) Isto faz 0 taio sismico C se afastar muito do raio sismico B, criando uma inter- 3.10), também chamada "zona de sombra” na superficie. As ondas rupelo na curva tempo-distincla (Fig ‘que penctram na camada mais profunda formam um Famo mais atrasado com relagio ao ramo mais £480 (Fig, 3.106). O niicleo da Terra fo! deseobert sua zona de sombra, como se veri sdiante, ®t tempo yo sismo velocidade SF z profundidade Fig. 39 Quando « velocidade oumenia linearmente com fundidade [a os tempos de percurso formam uma cur (b}, € as trojetérias das caios sismicos s80 orcos de circunferénci |e @T c 2 Fig, 3.10 Quando « estrutura de velocidades opresento uma iminvigdo abrupta na velocidade aume certa descontinuidode iol. 0s cures de ‘emaod cus0 tr80 ume interruncto (b 'C, co tingira descontinvidade (c} soFara uma eiexgb0 (eproximanda-se da normal ineroce, Fig. 3.76) que a afostoré bostante do aio’, uma ‘zona de sombra! na supodicie. ‘Ronde correspondent ao ey 3.2.2 As principais camadas da Terra A anilise de milhares de terremotos duran tas. décadas permitiu construir as tempo-distincia de todas as ondas refratadas e refleti- das no interior da Terta (Figs. 3.11 e 3.12) e deduzie a sua estrutura principal: crosta, manto, aicleo externo ¢ nicleo interno (Fig, 3.13), assim como as proprieda- des de cada uma destas eamadas principais. te Sombra Pe PKKP Fig. 3.11 Tiojetésos de olguns tipos de onde no interior de Terra. O echo do percurso de onda P no nico exter & de rnominodo 'K'. Assim, @ onda PXP & @ aquele que otravesso © manio como onde F, depois ncleo eterno e vets pelo manio ‘como onda P novamente. © percuso no nileo inter & che ‘mado pare onda P Letras minéscuas designam rellexoes: "ch & relexdo do nicleo exerno & ¥ de niceointemo. A\ primeira camada superficial é a crosta, com es: pessura variando de 25 a 5() km nus continentes ¢ de 5 a 10km nos oceanos, Na Fig. 3.11, a crosta nio apare- ce por ter uma expessura comparivel 4 espessura da linha que representa a superficie da ‘Terra. As veloci- dades das ondas P variam entre 5,5 km/s na crosta supetior ¢ 7 km/s na crosta inferior. A curvatura da primeira onda P (Fig, 3.12) indica que as velocidades de propagacio abaixo da crosta aumen tam até a profundidade de 2,950km. Nesta regiio, chamada de manto, as velocidades da onda P vio de 8,0 km/s, logo abaivo da crosta, a 135 km/s (Fig, 3.13), Nas curvas tempo-distincia (Fig. 3.12), a interrupgo da onda P a distincia de 105° e 0 amo PKP entre 120° ¢ 180”, com relagio & rendéncia do tamo das ondas P, caracterizam uma "zona de somb ondas PKP atravessaram us «indica que as regio de velocidade me nor abaixo do manto. Esta regiio, a profundidades maiores de 2.950km, ¢ 0 micleo da Terra (Fig. 3.158) Dentro do niicleo, existe um “earogo” central (nicleo interno), com velocidades um pouco maiores do que 0 Re) ERK wok Parone 4 ss 0 an ee 82 2 y E Eat aT ges 2 |e rok 4 Cae eee 00 acoso tao sag Distancia (graus) Fig. 3.12 Tempo de percurso dos principaistajetrios pelo inferior do Tera. Adisténcia é medida pelo éngulo subtendido 10 centro da Terra. SKS, por exempla, & a onde S pelo manto que se ronsforma em P durante a passogem pelo nicleo exter: no {oercurso Ke se Warsforma am $ novamente ao volar co niicleo externo, No ntcleo externo, nio hi propaga so de ondas 5, 0 que mostra que ele deve estar em estado liquido, razlo pela qual a velocidade da onda P é bem menor do que as do manto sélide, Por outro lado, a densidade do niicleo é muito maior do que a do man- to (conforme deduzida de outras consideracdes geofisicas, como a massa total da Terra € sew momento de inércia). Estas earncteristicas de velocidades sfsmicas baixas e densidades altas indicam que o nticleo é com posto predominantemente de Ferro. 3.2.3 Litosfera e crosta A grande diferenca entre as velocidades sismicas a erosta e do manto Fig. 3.13b) indica uma mudan- ga de composicao quimica das rochas. A descontinuidade crosta manto é chamada de Moho (em homenagem a Mohorovicic, que a descobriu em 1910). Abaiso da crosta, estudos mais detalhados em muitas regides mostram que hi uma ligeiea diminu- Gio nas velocidades sismicas do manto ao redor de 100km de profundidade, especialmente sob os ocea- nos, A composi¢io quimica das rochas do manto varia relativamente pouco comparada com a da crosta, Esta “zona de baixa velocidad” abaixo dos 100km € cau sada pelo fato de uma pequena fracio das rochas estarem fundidas ‘fusio par ), diminuindo bastante EM Test Cea Ty a E £% 10 = ge 3 ge? = 33 3 33° e aaa Vs 2 a e a nucleo leo a ele externo fucrno o 2000 “4000 ‘6000 4 6 6 7 8 9 10 Profundidade(km) Vp(km/s) Fig. 3.13 o) Pedi de velocidodes sismicos [Vp & Vs) e densidode no interior do Tero. b] Exomplo de pede velocidede da onda P na crosta © manto superior, uma rai a rigidez do material nesta profundidade. Desta ma ncira, a crosta, junto com uma parte do manto acima da zona de baixa velocidade, forma uma camada mais dura e rigida, chamada litosfeea, Nesta zona de baixa ile, chamada astenosfera, as rochas sio mais leaveis (plasticas). Enquanto a Mobo é uma descontinuidad brupta indicando mucanca de com posigio, o limite litostera/astenosfera & mais gradual indica mudanea de propriedacles fisieas: aumento de temperatura, fusdio parcial e grande diminuigio da vis- cosidade. A verdade da Terra, portant, &a litosfera, As placas rectonica da (0u litosférieas) so pe- sos de litosfera que se movimentam sobre a 3.3 Medindo os Terremotos 3.3.1 Intensidade Classificando os efeitos do terremoto \ Intensidade Sismica é uma classificagio dos efeitos que as ondas sismicas provocam em eteem nado lugar, Nao € uma medida direta feita com instrumentos, mas simplesmente uma maneira de des crever os efeitos em pessoas (como as pessoas sentiram) em objetos ¢ construgées (barulho © queda de objetos, erineas ou rachaduras em casas, ete) € 1a natureza (movimento de ayua, escorregamentos, lique facio de solos arenosos, mudancas na topografia, etc). da Escala Mercalli mais usada atualmente,juntamente \ Tabela 3.1 mostra uma deserigh Modificada (MND com valores aproximados das aceleragies do movi- mento do solo, Cada grau da escala MM corresponde aproximadamente ao dobro da aceleragio do yrau anterior, Naturalmente, quanto maior a distineia do epicentro, a intensidade tende a ser menor, \ Fig, 3.14 mostra um exemplo de mapa de intensidades (dito map SP, de 1922, sentido até mais de 300km de distincia, macrossismica") do sismo de Mogi-Guacn, Na regio epicentral, a intensidade atingiu o grau VI MM, provocando rid auluras em virias casas © des pertande muitas pessoas em pinico. As isolinhas de intensidade (lias que cercam intensidades igus) 0 charmadas isossistas 20°] 2a Fig. 3.14 Intensidades do sismo de 27.01.1922, com epicenro no regido de Mogi-Guacu, SP Os nimeros $60 in tensidades “Mercalli Modiicada’. As moiores intensidades| ‘orom VI. © epicentro(esrea} fi estimado com base na dis tribuicae des intansidades e em dads da estacae sismagrétice do Obsor rio Nacional na Rio de Janeiro. Capituto 3 * Sismicioape e Estrurura INTERNA DA Terra 51 Como a intensidade € apenas uma classificagio, ¢ —"poueas pessoas", "muitas pessoas", ete, A maior uti ‘nao uma medida, cla esti sujeita a muitas incertezas dade da eseala de intensidades & no estudo de sismos As informagées de como as pessoas sentiram o tre. "“historicos", ic, sismos ocorridos antes da existéncia mor é sempre subjetiva. A propria escala tem uma de estagdes sismogrificas nnatureza qualitatica quando se refere, por exemplo, a Tabela 3.1 Escola de Intensidade Mercalli Modificado (abreviada), ony Peanceae) 1 ntido. Leves efeitos de peviodo langa de terremotos grandes e distontes. " Sentido por pouces pessoas poradas, em andares superores ou locas favoréves. <0,003 y Sentido dentro de caso. Alguns objetos pendurados oscilam. Vibragio porecide de 0,004 - 0,008 ppossagem de um caminhdo leve. Duracéo estimado, Pade néo ser raconhecido como um abele simico. Nv. Otjetos suspensos oscilam. Vibracdo parecide & da passagem de um caminhio 0,008 0,015 Jonelas, lougas, ports fazer boruho, Paredes @estruuros de madeira rongem. v Sento fora de caso; directo estimad, Pessoas acordem. Liquide em recipient & 0,015 -0,04 petturbado. Objelos pequenos @ inséveissGo deslocados. Porta oscar, fecham, Mt Sentido por todos. Muitos se assuslam e saem as ues. Pessoas ondom semfinmezs 0,04 - 0,08 Janelas, lougas quebradas. Objeiose livvos coem de prateeiras, Reboco fraco.e vu manr-se em pé. Objetos suspensos vibram. Méveie quebrom, Danos em 0,08 - 0,15, consrucdo de ma quolidede, olgumas tincos em constugde narmal. Quedo de reboce, ladehos ov tjolos mal assentados, tslhos. Ondas em piscinas Paquenos escorregamertos de berroncos arenaros vi anos em construcdes normais com colapso parcial. Algum dane em constugSes 0,15--0,30 relorcadas. Queda de esiuque e alguns muros de alvenaria, Quedo de cheminés, monumentos, torres e cans d”égua, Galhos quebram-se das érvores. Tiincas| nochao, a Pnico geral, Consrucées comuns bostante donificads, és vezes colapso total 0,30-0,60 Danes em construgées reforcadas. Tubulacao sublerinee quebrada. Rachoduros n0 solo, x Maiosia des consirugies desuidas o'6 nas fundacées. Danos srios a bortagens 0,60-1,0 edigues. Grandes escorregomentos de tere, Agua jogade nas margens de is € conc. Tilhos levemente entortados x Thos bostante entorados. Tubulagées subterréneas completomente destridas. 122 xu Destrigdo quase otol. Grandes blocos de rocho deslocados. Linhas de visado € niveis allerados. Objetesatirados oa or 3.3.2. Magnitude Medindo a "forga" do terremoto Em 1935, para comparar os tamanhos relativos dos sismos, Chasles P. Rich Formulou uma eseala de mag , sismélogo ameticano, jtude baseada na am. plitude dos registros das estagdes sismogeiicas. O principio bisico da escala é que as magnitudes sejam expressas na escala logaritmica, de maneita que cada onto na eseala corresponda a um fator de 10) vezes fas amplitudes das vibracdes. Existem vérias firme las diferentes para se calcular a magnitude Richter dependendo do tipo da onda sismica medida no sismograma. Uma das frmulas mais utlizadas pata terremotos re nitude My pistrados a grandes distineias & da mag ee eS M, = g(M/T) + 1,66 logiA) + 3,3, onde: A = amplitude da onda superficial Rayleigh (am) registrada entre 20° e 100° de distineias T= periodo da onda superficial (deve estar entre 186 22), A= distincia epicentral, em graus; é o Angulo no centro da Terra entre 0 epicentro © a estacio (= 111kn A escala M, 86 € aplicada para sismos com pro- fundidades menores de ~50km. Sismos mais profundos geram relativamente poucas ondas super: ficias ¢ sua magnitude catia subesti ada, Nestes casos, So usadas outras formulas para a onda P. Para sismos pequenos e moderados no Brasil no se pode uiilizara escala M, (pois dificlmente sto registrados mais de 20° de distincia (2.220km), ¢ as ondas superficias tém periodos menores de 20 5). se uma escala de magnitude regional, m,, elaborada para as condigdk Nestes casos, usa de atenuagIo das ondas sismicas na litosfera brasileira, ¢ vilida entre 200 e 1.5(K) km de distancia m, = log V + 23 log R - 248 onde V = velocidade de particula da onda P, em wm/s (V=2n A/T), € R é a distincia epicenteal (km), '4 mancira como foi definida, a magnitude Richter rio tem um limite inferior nem superior, Tremores mu to pequenos (microtremores) podem ter magnitude negativa. O limite superior depend apenas da propria inatureza. Tremores pequenos, st dos num rain de pou {00s quilmetros sem causar danos, magnitude da ‘ordem de 3, Sismos moderados, que podem causar al gum dlano (ependendo ca profundidade do foco © do tipo de terreno na regio epicentral) éim magnitudes aa faixa de 5 a 6. Os terremotos com grande poder de dlestruigio tém magnitudes acima de 7. As maiores mag nitudes jt reyistradas neste século chegaram a M: (terremotos nos Himalas em 1920 ¢ 1950, € no Chile em 1960) A Tabela 32 mostra a relagio entre magnitude (M), amplitude maxima do movimento do eho (A) a 50 km de distancia, tamanho da fratura ( |, deslocamento mé dio na fratura (D) e energia 1 importante ressaltar que cada ponto na escala de magnitude cortesponde a uma diferenga da ordem cde 30 vezes na eneria liberada, Para se ter uma idéia do que seja um terremoto de magnitude 9, imagine uma rachadura cortando toda a crosta entre Rio e Sa0, Paulo © cada bloco se movin salmente, um em 1 entando 10 metros, late- lacio a0 outro, Tabela 3.2 Energia relacionada & magnitude dos terremotos ’ im 400 7 Vem 30 5 0,1 mm 5 3 0.1 mm 1 10m 1.6108 45 onot 1m 2,1 x10! 2 dios Tem 28x10" 4 min Vm 36x10 03s Tene) ee aaa aoa Tabela 3.3 Alguns terremotos importantes do mundo or Orr ee Ce acd coos) re 1531 01 26 Portugal, Lisboa 30.000 Chino, Shen 830.000 Moior mortolidade da histévia, Indio, Coleus 300.000 Portugal, Lisboa 87 70.000 Teunami devostodor; meior terremeto em crosta 1811 12 16 EUA, Missouri, as 8) Dos moiores tremolo: intraplace, intensidade Nowe Madrid XMM. 1812 02 07 UA, Missouri, 88 80 Iniroploca,infensidace XI MM, Now Madsid 1868 08 16 Equadore Colombia 70.000 1886 09 01 USA,Corolinado Sul 7,7 7,3. 60 Invropiaco, morgem Milenio. 1906 04 18 Coliférnio,S. Francisco 7,8 7.9 700 Grande incéndio; fla de San Andres 1908 12 28 Kia, Messina 7 120.000 1920 12 16 China e Tibet 38 83 180,000 1922 11 11 Chile central 82 97 1923 09 01 Jopéo, Kwonto 82 85 143.000 Grande inctndio de Téquc. 1929 11 18 CostadoConadé 7,1 ‘Margem possiva do Atlantico; deslzamento de taluce continental desruindo cobos submarines. XMM, 1950 08 15. indice Tibet 86 86 1.500 Umdos molores no Himolaie. 1960. 05 22 Suldo Chile 85 9,7 5.700 Melor terremoto do século XX 1964 03 28 Alasko aA 92 131 Segundo maior terremoto. 1970. 05 31 Pew 76 7.9 66.000 Grande avalanche. 1975. 02 04 Chino, Liaoning 7.2 69 poucos Unico gronde terremoto previsto com sucesso. 1976 07 27 China, Tangshan «7,8 7.4 250.000 _Néo foi possivel prover 1988 12 07 Aménio, Sptok 70 67 28.000 Places Abio/Eurésa, 1990. 06 20. Nore do tr 77 73 40.000 1992 06 28 Colifmio, londes 7,5. 7.3 i Ruptura na supericie, mais de 7Okm. 1993. 09 29 indiocentral,Kilari 6A 6,1 ‘10.000 _—Regiéo introplaca; olha nova gerad pelo sso, 1995 01 16 Jopdo, Kobe 69 69 5.400 100.000 prédios destroidos. 1999 08 17 Turquie 7,8 7.5 18.000 Folhade Anatolia do Norte. .3. A nova escala de magnitude Mw A escala de magnitude Richter, por definicio, nto tem unidade ¢ apenas compara os tertemotos entre si Atualmente, 0s sismélogos usam uma nova escala de magnitude que melhor reflete os tamanhos absolutos dos terremotos, baseada nos processos fisicos que rem durante a ruprura, sta magnitude € basead Mo: Mo = uD S (unidade de Nan) médulo de sgidez da rocha que se rom peu; D = deslocam dda superficie de ruptura, cato médio na fala; © S = srea rota log M, ~6.0 3 Nesta nova escala, © maior terremoto ji registra do ocorreu em 1960 no sul do Chile com ma eupta de mais de 1.000km de comprimento dando ama magnitude de 9,7 My, 3.4 Sismicidade Mundial A atividade sismiea mundial, através das concentra ses dos epicentsos mostrada na Fig, 3.1, deli tha superficie trrestre como se fossem as pecas de um ccabega global". A distrbuigio dos sismos & ddas meltores evidéncias dos limites destas "pegas" cha- nradas placas tecténicas ( quebs ‘ap. Cerca de 7 cenergia liberada com terremotos ncorte ao longo das estruturas manginais do Oceano Pacifica, exracterizando 6 "Cinturio Cireum- Pacifico” ow inturio de Fogo do Pacifico", em alusio a presenga de vuledes coincidentes| com os sismos (ver Cap. 17, Padro em Linha - onde os epicentros se ongani vam, na escala global, ao longo de um fino trago, 90 fando dos oeeanos seguindo o else das dorsais oecini- cas que sio condilheiras submarinas marcando 0 local Coutras, como por exempl no Oocany Attntcn e no pleas oceinicas, com regime de esforcos tacoma, Os com profundides foes de poucos ques Padeio em Faixa -a distribuigio dos sismos ao lon gode a limites convengentes de placas, Os sismors nestas fixes LLU) to principalmente rasos (peofundidade focal menor que Stlkm), mas podem atingir profundidades de até 670 on (Fig, 3.1), Nestas fixes, como por exemplo na margem este do Oceano Pacifico (Pig, 3.1) e na costa ocidental da América do Sul (Fig, 3.15), pode-se notar que as profun dlidhces dos sismos aumentam em direcio ao continente Quando observados em perfis transversais as faixas, os sismos s¢ alinham cm uma zona inclinada, geralmente com 34" a Gl” de inelinagin, conhecida como Zona de Beniof? (Vig. 3.15) profuundidade revela uma placa oceiniea mergulhando n direco a0 manto, sob outa placa. Hstas fava Fist distribuiedo dos sismos em micas mis largas,incluindo sismos profundos, maream repides da Terra de convengéncia de placas litosféricas Nestas ~50) km aproximada- mente) so causados por esforsos compressivos horizontals, Os geandes ter acim de motos, com magnitudes mente no contaro entre a mente nestas zonas, cxata das placas, Os sismos intermedifrios © profundos ocorrem, preferencialmente, a0 longo do Cinturio Circum-Pa cifico, Entretanto, na maggem oeste da América do Norte, cles no estio presentes. Neste setor, so registrados apenas sismos rasos, a maioriaassocinda & Falha de San Andreas, limite entee a placa norte-ame ricana e a placa do Pacifico, as qusis se movimentam lateralmente. Este tipo de limite entre placas € chama do transformante (Cap. 6) A quase totaldade da atividade sismica mandial ocorre sssociada aos limites das placas, delincando- ce possibi litando caracterizar o movimento relative entre as placas. Trata-se da sismicidade imerplacas a respeito da qual nos referimos até aqui 3.41 Sismicidade intraplaca No interior das placas, também ocorrem sismos, chatnadios “sismos intraplaca”, om decorréneia das ten s6es geradas nas bordas das placas transmitirem-se por todo.o i interior. Estes sismos si #380, com até 30- 40) km de profundidade. Esta amente pequena, com smicidade intrapla rela smos de magnitudes bai xas a moderadas, quando comparadas & sismicidade nas bordas das placas. Entretanto, hi registtos de sismos al tamente destrutivos no interior das placas (como 0 de Nova Madrid, Missouri, Estados Unidos, Tabela 3.4), indicando que, apesar de remota, a possiblidade de ocor- réncia de um grande terremoto inttaplaca nao & nul ee a ery ‘A —~__* y s % . ¢ Be 5 =o t. te . [ rte) . Fig. 3.18 Sismicidade da Amerie do Sul (1964 0 nee : 1995, mag>4,7). Cel vert, quadrodo ome aa jancoindicam epicetosde sxmos - rosos (<60km), intermedidrios ¢ profundos {>350km), Nos pris AK e 88", mostam se @topograt linha gross] oa project dos hpcentos (pont) dos ssmos ef 300 km de cade lado do peril. Na reais Fonte: US. Geological Su Peru (neti A 8 hipocentros se elinhom hori ntolmente, antes de mergulhar sob oAre. Lotitude() Longitude (°) Magnitude Ms 1Bit 36,5N 89,6 85 Nova Madd, MO, E.UA, R 1812 36,5N 89,6 88 Nova Madeid, MO, UA R 18i9 23,6N 69,6E 80 Kutch, lncio Fo 1886 32,9N a7 Charleston, SC, EUA. MPe/e 1909 39,0N aaw 66 Costa de Portugal MP 1918 23,5N N70 73 Noni, costa SE da China MapsrPe 1929 447.8 56,0 71 Costa leste do Canedé MPR 1932 2855 32,8N 68 Arico do Sul MP 1933 73,2N 70.0 W 7.3 Bato de Baffin, Canadé Me 1935 315N 538 7.0 Golfo de Sidra, Libie, Arica MPR 1968) 316s 17,08 68 Meckering, Australia Fe 1988 19.85 133.9 E 68 Tenant Creek, Austrlio re MP = margem passive; FP = falho pré-existente; R = rift; FC = folha Cenozbico; E = crosto extendida (gerolmente relacionada & formacao de margem possiva} (Os maiores sismos em regides continentais est veis (intraplaea, ocorrem prefercacialmente em areas onde a crosta continental foi tracionada ¢ extendida por processos geoldgicos relativamente recentes (lesozsien ou Cenozdico), como por exemplo nas plataformas continentais ou em ifs intea-continentais| abortados Cap.6 , como em Nova Madrid nos Esta dos Unidos. 3.4.2 Sismicidade do Brasil Ocupando grande parte da estivel Plataforma Subamericana, o Brasil era considerado, até poco tem po, como assismico, por niia se conhecer @ ocorréneia de sismos destrutivos. Fstudos sismoligiens desde a dé cada de 1970 mostraram que aatividade sis apesar de baisa, nfo pode ser negligencinda (Pig, 3.16 € Tabela 3.5), Para sismos no Brasil usa-se preferencial: ano Brasil, ygnitude m, calculada com a onda P de cestag es dstantes, Fsta escala equivalence escala regio nal mye aproximadamente igual a escala M, A grande quantidade de epicentros nas regides Su deste ¢ Nordeste (Fig 3.16) reflete, em parte, 0 proceso hist6rico de ocupagio ¢ distribuigio populacional, pelo fato de wuitos eventos terem sido estudlados a parts de documentos antigos. Mesmo assim, sismos de destaque tém sido registrados nestas regides, como por exemplo 1 was 54 K Fig. 3.16 Sismos do Brosil Epicentros de Brasil de 1724 o 1998, com mognitude > 2,5. Note que.acoberture do catdlo- 8° — go uilizedo (fonte: USE. Un8, UFRNY FT} 6 bostonte incomple fa: até meados do século XX, -10"~ cacima de 4 e dos est60 includes, Atualmente, 15" slsmos do regio Sudeste com mognitudes acima de 2.5 350 Fegisodos, mas no Amaxbnio 0 -20° re0s bem novo: ag prot. rimerosindicam os siemos do ne Table 9.5, na rocjado ag 40 crosta continental que foi ‘edendida eofinada durante ase porocto entre a América do Sule Aco, Fonte: IAG - USP 910880 ne aceano| ee Oo sismo de Mogi-Guagu, de 1922, com magnitude 5,11, (Vig. 3.14), Um dos mais importantes sismos do Nowd foi sentido em praticamente toda a regio em 1980, com magnitude 5,2.m,¢ intensidade mn ima VII MM, provo- cando 0 desabamento parcial de algumas casas modestas 1a tegtio de Pacajus, CE (Tabla 3.5). O maior sismo o0- tnhecido do Bris ocorreuem 19 “om magnitude Richter 62m, ¢ epiceatro localizado 371 km ao norte de Cui, MIT. As informagies contidas na Fig 3.16 retratam o mini ‘mao da sismicidade seal, 3.4.3. Sismos intraplaca e estruturas geolégicas Pequenos sismos inteaplaca podem ocorrer em qualquer local. Entretanto, algumas freas sio bem mais ativas do que outras, como € 0 caso dos Estados do Ceari, do Rio Grande do Norte ¢ da parte norte de Mato Grosso. Nem sempre é fell compreender as causas desta variagio na sismicidade intraplaca mos de estruturas ou forcas geol6gicas, Ainda insuficientes os estudos geoldgiens ¢ sismoligicos ne- cessitios para explicar 0 padrio observado da sismicidade. A baixa freqigncia de ocorréncia dos pio permite um: do estaistien segura, a no ser em alguns poueos exsos estudados cm maior detalhe ea g 8888s .gegs RT ends rd Tabela 3.5 Sismos mais importantes do Brosil ee ae ee ee ec) 11985 1242 57,0 62 Ror dos Gatchos, MT. Em Cuinbs 370 km oo 2, pessoas orem acordodos 2 1955 1984 36,75 6 Epicenre no mor 2 300km de Viti, ES 31939 29,00 48,00 55 >v Tubor00, SC, plotfonme continental. 4 19829596217 35 v Codi, AM, baie Amoxbnico. 5 1964 18.06 56,69 54 NWde MS, aio do Pantonal & 1990 ane 48.92 52 No mor a 200km de Porto Alege, RS. 72 1980 430 38,40 52 vi Focal, CE 8 1922 2217 47,04 5] “i Mogi-Guogy, $8 semido.em SP MG e Rs 9 1963 290 610) 51 Monovs, ANd 10 1986 553.3575 31 vw 4080 Comoro, RN. Hi 19981162 56,78 50 vl Porta dos Gauchos, MT. {A voma sismica de Nova Mail (Tabela34),a0.cen-—_devido-a tenses compressvasorientadas apronimack- tno-leste da América do Notte respunsivel pelos grandes terremoros intraplaca de 1811 e 1812, earacteriza-se pela eativagio de um sistema de falhas geol6gicas antiga Estas falhas foram criadas no Mesozsieo, por forcas tracionais num processo de extensio crustal que formou tum graben (Cap. @) A sismicidade que se registra hoje As Forgas compressivas que atwam hoje na placa norte A atividade sismica, ocorrida de 1986 a 1990 em Joio Camara, RN, foi estudada em detalhe com uma rede de e .cdes sismogrificas, permitindo idemtficar uma zona de falha de aproximadamente 40 km de comprimento, orientada NUE, com mergulho de 60 70 para NW (Fig, 3.17). Apesar da grande extensio ‘da zona sismica, ainda nio foi possivel associé-la com utras Feigbes geologicas de superficie. Isto mostra el reate a grande dificuldade de se estudar a cortclagio entre sismicidade intraplaca ¢ outras feigies gealéypicas Sabe-se, porém, que os sismos do Nordest mente na direcio F-W ¢ tensies trncionais N-S, Fsmas rnsdes podem ter virias origens, como a moviments- Gio da placa sul-america 2 ¢ Forgas locais causadas pela cstrutura crustal da regio. A faixa sismiea SW-NE nos Estados de Goiis ¢ Tocantins (Fig. 3.16) tem um paralelismo marcante com 6 Lineamento Transbrasiliano (Fig. 3.18), embora no ramente com ele. F possivel que os sismos cocorram devido a dois fatores: concentragio de ten- sdes ¢ existéncia de uma zona de fraqueza, ambos ralvez relacionados as estrucuras que deram origem 20 » lineamento, Do mesmo modo, a concentragio de epicentros na plataforma ‘continental da regio Sudeste e em rv gies prosimas a costa (Fig, 3.16) pode indicar gue estes sismos estejam relacionados as esteururas da margem continental peradas, ou reativadas, em conse aiéncia da fragmentagio da crosta continental durante 1 formagio do oceano Atlintico. sas — sw Fig. 3.17 Sismos de Jodo Cémace, RN. Os hipacentras def nem ume fale principal mergulhando para NW. 3.4.4 Sismos e barragens A interferéncia do homem an Natureza pode pro vvocar sismos, através de explosdes nucleares, de injecio de Agua ¢ wis sob pressio no subsolo, de extragio de Auidos do subsolo, do alivio de carga em minas a céu aberto € do enchimento de reservatirios artiiciais i= gados a barragens hidrocléaricas, Com excegio das barragens, os sismos induzidos pelo restante dos easos tém sido muito pequenos ¢ de efeito estritamente local, aio havendo eegistros de tanto, os sismos induzi danos consideriveis. En dos por reservatérios, apesar de normalmente pequenos, podem alcangar magnitudes moderadas. © maior ocorreu em 1967, no reservatério de Koyna, india, com magnitude 6,3, tendo provoca do 200 mortes e sérias danos a estrutura da barragem, Com 0 enchimento do Lago Mead do reservaté: tio Hoover, Estados Unidos, em meados da déeada de 1930, ¢, principalmente, nos anos 60, com a ocor réncia de sismos induzidos pelos reservatstios de Hsinfenglcang, Kariba, Kremasta e Koyna (Tabela 3.6) reconheceu-se que 0 enchimento de reservatsirios pode ccausar terremotos ¢ danos eonsideriveis, CTC tly eo? sot a se magnitude [ Fig. 3.18 Foixa ssmico Goids Tocantins. Notar 0 parclelismo entre a diego g mento Transbrasiliano, estrutura formode ne final do Pré-Cambriano w inicio do Paleozbico {~§70 Ma), Os epicentros, no entonto, ndo coincidem dietamente com os li neamentos,indicando uma ralogaoindivetaenteo sismicidade 0 estutura que originoy os lineamentos, dos epicentios e @ oxlentagae do line: No mundo todo, jf ocorreram dez sismos induzidos por reservat6rios com magnitude superior a 5, virios de- les em regides imtraplaea de baisa sismicidade. A maior parte dos eventos induzidos tém magnitude entre 3 5, A sobrecatga causada pela massa de sigua do re- -vat6rio gera pequenos esforcos no macigo rochoso, normalmente insuficientes para provocarsismos. Dest forma, o efeito da sobrecarga ¢ © aumento da pees- sio da 14 nos poros e fraturas das rochas, causado pela vatiacio do nivel hidrostitico, favorecendo a di- minuiclo da resisténcia a0 cisalhamento dos materia, atoam como disparadores na ib fio dos esforgos pré-existemies na area do reservat6rio, Nao seria exa- ero afirmar que o reservatorio €a “gota digua” que pode provocar sismos, Em reservatdtios maiores, ha maior probabilidade de cocorréncia de sismos indusidos. Deve se ressaltar, entre ‘tanto, quea maioria dos reservatriosatiicias io provoca sismicidade alguma, 2 no nas regides mais sismicas do mundo. A grande dificuldade que se enftenta & nto se poder determinar se as tenses numa regio estio muito altas, prdximas do ponto de ruptura, ou iio, Por esse motivo, todas as grandes barra ins operam estagies sismogrificas para detwetat a uma possivel atividade si mica que venha a ser induzida pelo reservation NOD es a Bsa Tabela 3.6 Principais sismos induzides por reservaterios no mundo ee ee et Koyna, india 103 1967 Koribo, Zambia 128 1963 Kremaso, Grkcio 60 1966 Ninlengkiong, Chino 105 1962 Oroile, EVA 236 1975 Merathon, Grécia. 67 1938 Aswan, Ego n 1981 As primedras ctagies sobre sismos induzidos no Brasil (Tabela 3.7) referem-se & Usina Hidrekéeica de Capivati- Cachocira, a NE de Cusitiha, PR. A atividade sismica principal ocorret em 1971 © 1972, na fase fina da forma gio do lago, ¢ se prolongou até 1979, decrescendo lentamente com alguns pulsos de reatvagio (Fig, 319) O reser «6rio de Agu, RN, apresentou atividade sismica induzida pelo menos desde 1987, quando foi iniciado © monitoramento sismoligico. Em 25 20 - 6.0, N° de sismos 234,00 7 10 = 223,00 5a oe r AULIOJANIT!JANIT2.JAWT2. ANITA AWT5, Fig. 3.19 Distibuicao mansal do avid sismic ind Co See 63 boo 62 boa 62 ots sédio 87 alo 57 ata 56 boa de 1994, ocorreu o maior sismo, com magnitude 3,0 Fig. 3.21). Os eventos sismicos que ocorreram entre fs anos de 1987 ¢ 1989 apresentaram forte correla lo com as variages no nivel do reservatétio, cu pode ser observado na Fig, 3.20, enguanto as outros ca ocorreu por reativacio de antigas rupturas orientadas NE. - SW, devido a tensdes compressivas E-W ¢ anos essa associacao nao € to clara, \ atividade junais N-S, semelhantes as tenses que agem na reyito de Joio Cimara, RN, mais a este 1B Barragem esse m) sas ~ 80 [ae ~ a0 ~ 930 = #20 ~ 10 1 i ' 1 800 ce nivel do reservotirio de CopivoriCochoeira, PR Perr rt? 38 100 stan altura d'agua 26 a0 o— oe 40g Boe 208 i 87 88 89 90 61 62 03 94 95 G6 Nova Sto Rate Fig. 3.20 Sismicidade induzida no agude de Acu, RN. {a} Nivel d’égua sag oe Ste R: e sismicdade, De 1987 0 1989, a aumenta do nivel &'6qu0 fo sea . do, aproximadamente 3 meses depois, por um aumento ne atvidede De 1990.0 1993, 0 rogime pluviomético voriou ee correla sono é lara. Depoisde 1994, hd now @ sisricidade, (b) Epicartros em tr rrelacéo ene nivel gua cas diferentes. A érea mais < ‘tivo varia com 0 tempo. Os sismos de Acy provavelmente regime ctual de tonsées: co NS (eetos omareos) 3.4.5 E possivel prever terremotos? Quando vai ocorter © prdximo grande terremo: to? Fsta pergunta freqiiente ainda nao tem resposta. A, previsio de terremotos tem sido um dos maiores de safios para os geocientistas Apesar de intensas pesquisas por varias décadas, ainda nao foi possivel desenvalver uum método pritico © seguro para se Fiver previsdes de terremotos, As virias etapas durante a geragio de um sismo @ciimulo lento de rensdes na crosta, deformagio das rochas € ruptura a0 atingiro limite de resisténeia) sio telativamente bem conhecidas. Assim, haveria das maneiras de se prever terremotos: medidas diretas das tensdes crustais e observagdes de alguns fenémenos que indieam a iminéncia de uma tuprara na erosta, Fimbora seja possivel medir as tensbes crusts, hi enor mes problemas priticos a superar: seria necessirio edie as tensdes em profundidades dle dezenas de gui lmeteos, em areas muito extensas ¢ com uma precisio ainda nao disponivel na pritica, Mém disso, s cessitio conhecer detalhadamente as caructeristicas de 20 fraruramento dos vitios tipos de tocha que compdem 4 crosta numa certa regido, Na pritiea, o custo e a quantidade de medidas necessirias tornam invidvel essa abordagem, Quando uma rocha esta prestes a se romper, hi uma pequena mudanes em algumas de suas peopric- los grandes navegantes desee 6 sécul NVi, Esse angul cle desvio da agua 6 deelinago magne \ agulha da huissola desvia do norte geogriticw para Leste ou para Oeste segundo um Angulo que dependeri do local onde se encontea 0 observade fico © maynétice, Des forma, se © ponto de observacin ¢ esses polos estive rem alinhados sobre o mesmo meridiane, enti a declinacio seri Zern, Se 0 eixo do dipolo coincidisse com 0 ciso goouritico, aio haveria declinaci (1 4.12), Somente nos pontos correspondentes A linha de declinacio zero (ou linha ayénica) da Fig, 4.12.6 que a agulha indicari © norte yeogrifieo verdadeitn, Entretanto, © campo maynésico da Terra niin & tum dipolo perfeito © cerca de 5% desse eampo ¢ irre ular, ou seja, nio-dipolar, \ conjugacio desses dois campos provoea desvios nas linhas de declinaeae magnética, bem como em todas as linhas de fovea do campo maynétieo tertestre, pois © campo ni >i 6 diferente para cada cegiio da superficie da Tera, 4.13) diferente daquela esperada para um campo dipolar resultando numa distribuigio de intensidndes Fj A intensidade do campo geomaynético & mite Fraca, corea de 504M S 10°F ou 50,00 nT CT repre senia Tesla que & a unidade de inducio maynétiea no Sistema Jacernacional; correntemente asa-se também eee na ae) tunidade gamana -y que equivale 1 n'P; (ver tabela de tunidades aw final do listo). Isto corresponde a am) campo: centenas de veves mais fraco de que © camper tenire ns polos de um ima de brinquedo, A intensidade varia conforme a regio considerada sobre a superf cic da Terra, sendo menor prosima av Liquador e maior em dirogae aos palos (61,00 nT no polo mag nétice norte ¢ “WIN NT no pelo maynético sul), como pode ser observade na Fig. 4.1 Una agutha imantada livre para girar em torno de um cise horizontal nao permanece na horizontal, Hla acompanha as linhas de f ‘ca doy eammpo magnetico de tal forma que a extremidade norte da walls inclina-se para baiso no hemisfério Norte e, para cima no hemistério Sul, O fingulo que a aga nagio magnética, Sobre os pilos magnéticos a agulha co: faz com o phino horizontal & chamado de inel loea-se na posi¢io vertical ¢ portante a inelinacio € de alo. de inelina- cco varia até chegar a 2et0 no equador magnético, onde s linhas de forca sio paralclas & superiicie, Os polos smente 78°N magnéticos estio lacalizados a aprosima THN © 65S 1399 F, portato nio sio diametralmente se cerea de 2.300 km do sotipoda. Desta forma, a melhor representacio do. campo magnético tervestre é a de um dipolo cujo cixo std deslocado em relagio a centro da Terra de 490 km. Piste dipole € ehamado dipolo exeéntrice, ' [es : : : 60" 6 _ 1 30° * 0 1 0 2 © = 4 30° 7 4 0 - % 60" ‘e. 4 1 L L L a L n +80" “120° “60° 60" 120" 180° Fig. 4.13 Mapa de intensidade total do campo geomagnetico er milives de nil Lime LT) Os polos magnéticos migra a uma velocidade de cerea de 0.2? por ano ao redor do pelo geogrifico (Fig, 4.14), em geral sem se afastar mais do que 30° deste titimo, porém desctevendo ums trajetsria inreyular. As sim € que a declinagio magnética de um local muda continuamente, aumentando ou diminuindo, ‘Torna-se enti necessirio cortigir 0 valor de declinaczo conhec. do para um determinado ponto da superficie rerrestre a cada cinco anos aproximadamente, Como se pode de duzir facilmente, 0s pélos magnéticos lev alguns milhares de anos para pereorres os 360? de trajeriria a0) redor dos pélos geogrificos, 180% Aro 5. te 90°F . oS PY e oe 2108 € Fig. 4.14 Movimento do plo magnétice norte ao redor do Plo geogrstico durante © periado comoreendido entre apro: ximadamente 69.000 e 45.500 nos atrés, como regisrodo fem roches sedimentares do Jopao. Fonte: Dowson @ Newit, 1982 Nio s6 a direcio, mas também a intensidade do cant Po geomagnético variam com periolos muito lentos €, Pr isso, 0 conjunto dessas variagdes recebe 0 nome de variacio secular. A origem da variagio secular ¢ interna & Terra e deve-se aos processos geradores do campo geomagnético que ocorrem no nticleo da ‘Terra 4.7, Representacio Vetorial do Campo Magnético Uma ver que 0 campo magnético terrestte nio é inte no espago, variando tanto em ditecio como em intensidade, torna-se necessirio representi-lo vororialmente num sistema de eixos ortogonais conven: entemente escolhidos, como mostra a Fig, 415. O eixo x Ao norte-sul, y tem directo leste-oeste € 0 civ vertical z & tomado com sentido positive para baixo. {ingulo de declinacio D € © angulo entre © metidiano mmagnético que passa pelo ponto considerado © a dite 0 norte-sul. \ inclinagio magnética | & 0 Angulo que o vetor campo magnético total F faz. eo 0 plano hori ieste-cesiey 2 (vertical) Fig. 4.18 Represertacdo vetorial do compo geomagnético Oseivos x2 y coincidem com as diregdes geogréficos eo exo tem sentido positive em direcdo oo centro do Terra. Os én. gules De ls omente, © declinacée e inclinagio mragnéticas Como € visto na Fig, 4.15, os componentes do campo geomagnético relacionam-se através das equa- es abaixo: 4.8 A Magnetosfera Apesar de fraco, o campo geomagnético ocupa um volume muito grande, com suas linhas de forca esten- dendo-se a distincias de 10) 13 raios ter res (vide seqio 4.3}, A regio ocupada pelo campo magnético estre recebe © nome de magnetosfera (Fig, 4.16). £ lum regio com forma caracterstica, assimétriea em re lacio A Terra, assemelhando-s sehen princpalments do shana vos selon ps extremamente comprida, Essa SS © cinturses = de radiagéo nteragay Cauda geomagnetica Fig. 4.16 Representocdo esquemética da magnetester