Vous êtes sur la page 1sur 2

SÍNTESES – AS POLÍTICAS PARA MORADORES DE RUA

Hygieiné

O diálogo coletivo entre poder público e sociedade civil é essencial para combater o ódio, o preconceito e a violência

Igo Martini [08/02/2017] [00h02]
Igo Martini
[08/02/2017]
[00h02]

Foto: Felipe Lima

Ações higienistas sempre são esperadas e exigidas por boa parte da população. Muitas das pessoas que cobram operações de higienização não estão preocupadas com questões sanitárias ou de segurança, mas estéticas. O mote da gestão do prefeito de São Paulo, João Dória – “Cidade Linda” – evidencia o objetivo da gestão: livrar a cidade das pessoas em situação de rua dos logradouros públicos, sugerindo que, com eles, a cidade é feia.

O mesmo cidadão que esbraveja sobre a “feiura” causada pela população de rua é o que abandona sofás, colchões e outros utensílios diante da sua residência. Certa vez, um senhor reclamou que um rapaz dormia em um sofá na rua em que morava. Na abordagem social, uma vizinha relatou que o jovem estava dormindo lá porque encontrou o sofá deixado pelo morador que era o reclamante. Em uma outra solicitação, uma comerciante reclamava da grande quantidade de lixo deixado em frente a sua loja. O material recolhido eram embalagens de marmitas, sanduíches, pizzas e até mesmo roupas sujas. Tudo deixado por voluntários na noite anterior. Quando conversamos com o senhor que repousou no local, ele alegou que não recolheu o lixo porque foi “enxotado” e não teve tempo de limpar a área. Ele ainda justificou que a limpeza pública faria isso e completou com o seguinte comentário: “já ouvi de várias pessoas que jogavam lixo na rua que elas faziam aquilo porque é preciso manter o emprego do gari”. O leitor já deve ter ouvido frase semelhante em alguma praça de alimentação.

SÍNTESES – AS POLÍTICAS PARA MORADORES DE RUA Hygieiné O diálogo coletivo entre poder público eLeia o artigo de Larissa Tissot, presidente da Fundação de Ação Social de Curitiba. É óbvio que a complexidade do tema necessita de debate permanente; ouvir os sujeitos de direitos e as lideranças dos movimentos que atuam na promoção e na defesa dos direitos humanos de pessoas em situação de rua deve ser prioridade. É também necessário e fundamental ouvir os relatos e as demandas dos comerciantes, dos trabalhadores da assistência social, da saúde, da segurança e da limpeza pública. O diálogo coletivo entre poder público e sociedade civil é essencial para combater o ódio, o preconceito, a violência e, principalmente, para a elaboração e implementação de políticas públicas eficientes. Muito dos avanços vistos em Curitiba nos últimos anos é resultado da escuta qualificada de diversos atores da sociedade. Entre as ações estão a descentralização dos serviços de acolhimento, dando origem a unidades especializadas como o Condomínio Social, a Casa do Vovô, a Casa de Passagem Feminina (que acolhe travestis e transexuais), a Casa de Passagem Indígena, além dos dois Guarda-Pertences, da possibilidade de acolhimento também dos cães e carrinhos de materiais recicláveis, do acesso gratuito a banheiros públicos, da Operação Inverno – que desde 2013 impediu a morte de pessoas em situação de vulnerabilidade –, entre tantas outras estratégias. Antes de serem desativados ou remanejados, esses serviços deveriam ser submetidos à avaliação de todos os atores relacionados, não apenas do populismo. Pessoas em situação de rua estão presentes em Curitiba e em todas as metrópoles e grandes cidades do mundo, reflexo de desigualdades estruturais históricas. Elas não deixam a nossa cidade feia, e sim evidenciam a distância de classes e a necessidade de novas estratégias de abordagem, acolhimento e " id="pdf-obj-0-18" src="pdf-obj-0-18.jpg">

Todos os dias, pessoas em situação de rua são discriminadas, espancadas e assassinadas

SÍNTESES – AS POLÍTICAS PARA MORADORES DE RUA Hygieiné O diálogo coletivo entre poder público eLeia o artigo de Larissa Tissot, presidente da Fundação de Ação Social de Curitiba. É óbvio que a complexidade do tema necessita de debate permanente; ouvir os sujeitos de direitos e as lideranças dos movimentos que atuam na promoção e na defesa dos direitos humanos de pessoas em situação de rua deve ser prioridade. É também necessário e fundamental ouvir os relatos e as demandas dos comerciantes, dos trabalhadores da assistência social, da saúde, da segurança e da limpeza pública. O diálogo coletivo entre poder público e sociedade civil é essencial para combater o ódio, o preconceito, a violência e, principalmente, para a elaboração e implementação de políticas públicas eficientes. Muito dos avanços vistos em Curitiba nos últimos anos é resultado da escuta qualificada de diversos atores da sociedade. Entre as ações estão a descentralização dos serviços de acolhimento, dando origem a unidades especializadas como o Condomínio Social, a Casa do Vovô, a Casa de Passagem Feminina (que acolhe travestis e transexuais), a Casa de Passagem Indígena, além dos dois Guarda-Pertences, da possibilidade de acolhimento também dos cães e carrinhos de materiais recicláveis, do acesso gratuito a banheiros públicos, da Operação Inverno – que desde 2013 impediu a morte de pessoas em situação de vulnerabilidade –, entre tantas outras estratégias. Antes de serem desativados ou remanejados, esses serviços deveriam ser submetidos à avaliação de todos os atores relacionados, não apenas do populismo. Pessoas em situação de rua estão presentes em Curitiba e em todas as metrópoles e grandes cidades do mundo, reflexo de desigualdades estruturais históricas. Elas não deixam a nossa cidade feia, e sim evidenciam a distância de classes e a necessidade de novas estratégias de abordagem, acolhimento e " id="pdf-obj-0-22" src="pdf-obj-0-22.jpg">

Um projeto para transformar vidas

É possível ressignificar a vida das pessoas em situação de rua, dando a elas condições de fazer as suas escolhas

É óbvio que a complexidade do tema necessita de debate permanente; ouvir os sujeitos de direitos e as lideranças dos movimentos que atuam na promoção e na defesa dos direitos humanos de pessoas em situação de rua deve ser prioridade. É também necessário e fundamental ouvir os relatos e as demandas dos comerciantes, dos trabalhadores da assistência social, da saúde, da segurança e da limpeza pública. O diálogo coletivo entre poder público e sociedade civil é essencial para combater o ódio, o preconceito, a violência e, principalmente, para a elaboração e implementação de políticas públicas eficientes.

Muito dos avanços vistos em Curitiba nos últimos anos é resultado da escuta qualificada de diversos atores da sociedade. Entre as ações estão a descentralização dos serviços de acolhimento, dando origem a unidades especializadas como o Condomínio Social, a Casa do Vovô, a Casa de Passagem Feminina (que acolhe travestis e transexuais), a Casa de Passagem Indígena, além dos dois Guarda-Pertences, da possibilidade de acolhimento também dos cães e carrinhos de materiais recicláveis, do acesso gratuito a banheiros públicos, da Operação Inverno – que desde 2013 impediu a morte de pessoas em situação de vulnerabilidade –, entre tantas outras estratégias. Antes de serem desativados ou remanejados, esses serviços deveriam ser submetidos à avaliação de todos os atores relacionados, não apenas do populismo.

Pessoas em situação de rua estão presentes em Curitiba e em todas as metrópoles e grandes cidades do mundo, reflexo de desigualdades estruturais históricas. Elas não deixam a nossa cidade feia, e sim evidenciam a distância de classes e a necessidade de novas estratégias de abordagem, acolhimento e

condições de igualdade. Todos os dias, pessoas em situação de rua são discriminadas, espancadas e assassinadas, crimes que não raro ficam impunes. Afinal, quem vai brigar pela vida de quem tudo perdeu, de quem não tem alguém para sequer reivindicar o corpo? Esta é a missão de quem defende a vida.

Igo Martini, administrador e defensor de direitos humanos, foi integrante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica e secretário de Direitos Humanos de Curitiba.

condições de igualdade. Todos os dias, pessoas em situação de rua são discriminadas, espancadas e assassinadas,Não é hora de comprar imóveis. Pague aluguel e invista a outra Empiricus Precisamos falar sobre assédio PATROCINADO À própria sorte Troque a Poupança pelo Tesouro Direto Empiricus Research PATROCINADO Petrobras vai Subir? Saiba agora a visão dos Analistas Toro Radar Hora-atividade e o direito à qualidade na educação PATROCINADO De R$30,00 em A mentalidade R$30,00 chegue anticapitalista do em R$1.009.206,99. empresário Saiba como brasileiro Empiricus Research Recomendado por mais lidas de opinião Espírito Santo: lições do caos da ausência da repressão BENE BARBOSA BOM DIA Cunha cita Temer; surra anual liberada; a volta do Surpresa: as últimas 20h19 Temer recebe sinal verde do PSDB para colocar Mariz no... 20h00 TRE do Rio cassa Pezão e vice por abuso de poder... 19h59 Policiais invadem Câmara e seguranças reagem com bombas... 19h54 Ele é sensível, ele não tolera piadas, ele... O aumento do preço da passagem de ônibus em EDITORIAL Curitiba " id="pdf-obj-1-7" src="pdf-obj-1-7.jpg">

Siga a Gazeta do Povo e acompanhe mais novidades

Gazeta do Povo Curtir Página 1,1 M curtidas Seja o primeiro de seus amigos a curtir
Gazeta do Povo
Curtir Página 1,1 M curtidas
Seja o primeiro de seus amigos a curtir isso.

recomendados para você

PATROCINADO
PATROCINADO
 
PATROCINADO <a href=Não é hora de comprar imóveis. Pague aluguel e invista a outra Empiricus Precisamos falar sobre assédio " id="pdf-obj-1-27" src="pdf-obj-1-27.jpg">
<a href=Hora-atividade e o direito à qualidade na educação " id="pdf-obj-1-65" src="pdf-obj-1-65.jpg">
mais lidas de opinião Espírito Santo: lições do caos da ausência da repressão BENE BARBOSA BOM
mais lidas de opinião
Espírito Santo:
lições do caos da
ausência da
repressão
BENE BARBOSA
BOM DIA
Cunha cita
Temer; surra
anual liberada; a
volta do
Surpresa: as
últimas
20h19
Temer recebe sinal verde do PSDB
para colocar Mariz no...
20h00
TRE do Rio cassa Pezão e vice por
abuso de poder...
19h59
Policiais invadem Câmara e
seguranças reagem com bombas...
19h54
Ele é sensível, ele não tolera piadas,
ele...