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N.Cham. 370.9032 N972h
Autor: Nunes. Rui Afonso rln Costa 1928
Título: Historia da educação no século XVII
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tora Pedagógica e Ui
USP
tora da Universidade

História da Educação
no Século XVII

Obra publicada
com a colaboração da

UNIVERSID AD E DE SÃO PAULO

Reitor: Prof. Dr. W aldyr M uniz Oliva

EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Presidente: Prof. Dr. Mário Guimarães Ferri
Comissão Editorial:

Presidente: Prof. Dr. Mário Guimarães Ferri (Instituto
de Biociências). Membros: Prof. Dr. Antonio Brito da
Cunha (Instituto de Biociências), Prof. Dr. Carlos da
Silva Lacaz (Faculdade de Medicina), Prof. Dr. Pérsio
de Souza Santos (Escola Politécnica) e Prof. Dr. Roque
Spencer Maciel de Barros (Faculdade de Educação).

Sobre o autor:
Nasceu em Sorocaba, em 1928. Bacharel e Licenciado em Filosofia,
Doutor em Educação e Livre-Docente de Filosofia e História da Edu­
cação pela Uniyersidade de São Paulo. Prof. Adjunto de Filosofia
da Educação da Faculdade de Educação da USP. Livros publicados:
A Formação Intelectual segundo Gilberto de Tournai. São Paulo:
M EC/INEP, 1970. Gênese, Significado e Ensino da Filosofia no Sé­
culo XII. São Paulo: Grijalbo/EDUSP, 1974. A Idéia de Verdade e
a Educação. São Paulo: Editora Convivium, 1978. História da Educa­
ção na Antiguidade Cristã. São Paulo: EPU/EDUSP, 1978. História
da Educação na Idade Média. São Paulo: EPU/EDUSP, 1979. Histó­
ria da Educação no Renascimento. São Paulo: EPU/EDUSP, 1980.

CIP — Brasil. Catalogação-na-Fonte
Câmara Brasileira do Livro, SP

Nunes, Rui Afonso da Costa, 1928-
N928h História da educação no século XVII / Ruy
Afonso da Costa Nunes. — São Paulo : EPU :
Ed. da Universidade de São Paulo, 1981.
Bibliografia.
1. Educação - História - Século 17 I. Título.

81-1093 CDD-370.9032

Índice para catálogo sistemático:
1. Século 17 : Educação : História 370.9032

Ruy Afonso da Costa Nunes
Professor de Filosofia e História da Educação
na Faculdade de Educação da USP

História da Educação
no Século XVII

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E.P.U. — Editora Pedagógica e Universitária Ltda.
EDUSP — Editora da Universidade de São Paulo
São Paulo

de 1 7 .1980. sujeitará o infrator. por qualquer meio. — Editora Pedagógica e Universitária Ltda. a saber: reclusão de um a quadro anos e multa de Cr$ 10.000. biblioteca immsuim UDESC D ^ 5 3 °< 5lS<" U l l Código 3026 ® E.000 São Paulo. 106 — 3. 1981.P..895. nos termos da Lei n? 6. às penalidades previstas nos artigos 184 e 186 do Código Penal.° andar —• Caixa Postal 7509 — 01. no todo ou em parte.P. Todos os direitos reservados. E.12.00.U.U. A reprodução desta obra.000. sem autorização expressa da Editora. — Praça Dom José Gaspar. São Paulo.00 a Cr$ 50. Brasil Tel. C JL O O u Z s C X ^ U$>P / K3a /OOO O o2 W~\ 3 c2. (0 1 1 ) 259-9222 Impresso no Brasil Printed in Brazil .

XI — Os modelos pedagógicos do século X V I I .............................. .......................................................................... I — A Europa no século X V I I ............................ ................... IV — A tradição escolar no século XVII ...................................... 173 IX ................................................... 141 Bibliografia ......................................... 133 Cap.............. 35 Cap.... IX — Tipos de educação no século XVII .................... VII — A pedagogia de L o c k e ..... V — Os oratorianos.. .... ............................................ ...... 17 Cap................................................. 163 Índice analítico .......... . 119 Cap... II — Cosmorama educacional do século X V I I ... III — A didática no século X V I I ..................................... 99 Cap..... VI — Port-Royal e a educação ........ ^ 87 Cap........ . VIII — Francke e o Pietismo ..... 51 Cap...... 77 Cap. 95 Cap................ 1 Cap..................................... ...............................Sumário Introdução ............... 3 Cap................... XII — Os Irmãos das Escolas C ris tã s ........... 153 Índice onomástico .................. ..... X — As congregações docentes femininas ... 63 Cap....

com o progresso das ciências experimentais e das matemáticas. à gênese da ciência moderna. assim nos parece. fatos de capital importância para a compreensão exata dos eventos educacionais e para a avaliação do seu lídimo significado e alcance. à res­ tauração religiosa da França. como ocorre na maior parte dos livros de História da Educação. Primeiramente. após a formação das ciências humanas. à constituição de nova filosofia. 1 . e atendendo-se à imperiosa exigência da economia de tempo da parte de quem escreve ou da economia do espaço imposta pelo interesse comercial das editoras. Acresce que. essas disciplinas novas pre­ cisavam ser integradas no currículo escolar. a fim de bem situar a floração das idéias peda­ gógicas e a germinação de certas instituições educacionais numa época de profunda perturbação política e de crise da consciência européia. pode tratar-se das idéias e dos fatos educacionais de modo direto. supostos os conhecimentos mínimos de História Geral por parte de quem se devota aos estudos pedagógicos. Ademais. sem referência necessária aos acontecimentos da época. com efeito. dois aspectos essenciais da edu­ cação merecem especial relevo. qüe recolhe em diferentes disciplinas a consideração de múl­ tiplos aspectos de certas sociedades em dada época. os nossos estudantes não formam idéia adequada do perfil histórico do século XVII nem sabem dar o devido relevo aos acidentes políticos. e nesse empenho se percebe a transposição para o ambiente escolar das preocupações metodológicas dos cientistas nas suas ativi­ dades de campo ou de laboratório. por via de regra. respeitada a divisão do trabalho inte­ lectual. pareceu-nos válido e proveitoso começar este livro por um capítulo consagrado à apresentação panorâ­ mica do século XVII.Introdução De regra. o aparecimento do esboço da pedagogia científica que só poderá constituir-se. Sem embargo disso. que era então predomi­ nantemente humanístico ou literário. No século XVII. Data do século XVII a clara consciência da necessidade da didática cientificamente emba- sada. como a descreveu tão bem Paul Hazard em sua conhecida obra La Crise de la Conscience Européenne. já que estas disciplinas são os seus suportes imprescindíveis. no século XIX.

ainda. atenção e realce. 2 . como o surgimento da ciência experimental. dentre as quais avulta a congregação docente dos Irmãos das Escolas Cristãs ou Lassalistas. Por isso. esses fatos ocorreram em determinadas regiões da Europa no contexto de importantes eventos culturais. fundada por São João Batista de La Salle.O segundo aspecto essencial da educação no século XVII foi a deci­ dida manifestação de interesse pela educação popular por obra das instituições religiosas. após intenso período de guerras de religião. um pedagogo importante. sem dúvida. Certos livros concentram o significado educacional do século XVII na figura de Comênio. e até mesmo ainda mais. Ora. sem ter tido na época ressonância alguma nos países católicos. Cumpre. ao lado de outras iniciativas católicas e protes­ tantes em vários países. que foi. devendo ressaltar-se que a sua atuação histórica conteve-se no âmbito das nações protestantes. lembrar que fazemos questão de dar ênfase aos aspec­ tos educacionais do século XVII que mais influenciaram os países latinos e que mais interessam à nossa própria história cultural. damos a Comênio apenas um lugar e uma referência entre tantos outros pedagogos que merecem igualmente. mas cujas idéias só vieram a despertar interesse no século XX. a renovação do pensamento filosófico e a restauração religiosa na França.

e os homens eram tangidos pela ambição das riquezas. Módena Mântua. Ferrara. pela vontade de poder. O absolutismo dos sobe­ ranos espanhóis estendeu a sua comprida sombra através da península. Reggio. Itália As repúblicas e os principados italianos haviam sido nos séculos ante­ riores as sedes e as forças propulsoras do progresso econômico. e da realeza francesa. começaram a declinar de modo irreversível. os reinos de Nápoles. No século XVII esses estados continuaram a viver em constantes conflitos. o Duque de Alba conquistou Portugal para a Espa- 3 . onde os nobres e os burgueses trataram de desfrutar os benesses da existência. após os êxtases culturais e os heróicos furores das centúrias antecedentes. Sabóia. condena a vingança e a pena de talião. o que parece absurdo. com a sua atenuação ou contraparte na Revolução Inglesa de 1688. máxime na França de Luís XIV. tradicionais baluartes do co­ mércio marítimo. das artes e das ciências. a Itália inteira acomodou-se a uma espécie de nova ordem feudal. O panorama geral da Europa.Capítulo I A Europa no século XVII O fato político mais saliente na centúria seiscentista foi o apogeu do absolutismo monárquico. pois o Cristianismo professa o amor de Deus e do próximo. Gênova e Pisa. o Estado dos Presídios sob o domínio da Espanha. no entanto. Parma e Piacenza. as repúblicas de Veneza. Sicília. Toscana. . era o de um vasto campo de agramante. Lutava-se na Europa inteira. pela avareza e pelo ódio religioso. Portugal No fim de 1580. Gênova e o Estado Pontifício. que reco­ nheceu a soberania do povo. assim como o berço e o florão do renascimento das letras.Sardenha. As cidades de Veneza. e a terra italiana continuou a ser cobiçada e atacada pelas hostes do impé­ rio germânico. Os estados principais da Itália eram os ducados de Milão. No século XVII. congeminado com a monarquia espanhola.

faianças. celebrado com a intervenção diplomática da Inglaterra. do azeite e do carvão — .000 marinheiros e. a Companhia das Índias Ocidentais. sob Felipe II. No fim do século XVI. queda dos preços — por exemplo. Portugal pôde readquirir a sua independência a l. a de Guilherme. avultava a prosperidade econômica da Espanha e de Portugal mas. à. flores. Portugal recebeu benefícios administrativos sob o regime es­ panhol e gozou de paz e ordem internas. à crescente pobreza das classes mais humildes. Graças à revolta da Catalunha em junho de 1640.850. decido à redução do tráfego português entre Portugal e a Índia. desde 1600. João IV. D. Cada Província tinha a sua assembléia. herói da independência. destacaram-se os governos de João de Witt. organizaram as Grandes Companhias: a Companhia Holandesa das Índias Orientais. legumes. O Banco de Amsterdã foi estabelecido 4 . ta­ baco e açúcar. e as duas nações passaram a constituir. em 1621. os holandeses empregavam 10.nha. A sede dos Estados-Gerais era Haia. juntamente com a decadência comercial da Alemanha. num território de 25. O Governador provinha sempre da família de Orange-Nassau. o seu Pensionista e o seu Governador. além de manterem feitorias em todas as partes do mundo.° de dezembro desse mesmo ano. embora os inimigos da Espanha. A guerra da restauração entre Por­ tugal e Espanha perdurou até a assinatura do tratado de paz em 1668. do trigo. os holandeses passaram a dominar os mares. com 1. em Évora e no Algarve. Na metade do século XVII. e os republicanos sustentavam o Grande Pensionista. como D. Províncias Unidas Um dos acontecimentos políticos mais notáveis do século XVII foi a organização da República das Províncias Unidas. e o de Guilherme de Orange. tecidos. ao declínio do tráfico atlântico. Grande Pensionista. particularmente. lhe atacassem e conquistassem as colônias.500. João.000 km2. o Taciturno. os Estados. A partir de 1620. foi aclamado rei.000 habitantes à roda de 1600. e com 1. à perda do monopólio comercial. No comércio internacional. e a Holanda tornou-se o país mais rico da Europa com a pesca do arenque. ao au­ mento dos impostos e à crise econômica do Império Espanhol. começou a periclitar a União Ibérica.000 à volta de 1650. em Portugal. principalmente. fundada em 1602. Os orangistas apoiavam o Gover­ nador Geral. A Província da Holanda dominava as outras e dela saía o Grande Pensionista e o Governador Geral. a União Ibérica. a Companhia do Norte e a Companhia do Levante. Re­ bentaram motins populares através da Europa e. e o Duque de Bragança.000 navios e 168. veludos. holandeses e ingleses. a produção abundante de queijos.

como Rembrandt. em 1651. Ruysdael. formava um conglomerado de pequenos Estados — em conseqüência das lutas religiosas e da ruína econômica das ci­ dades hanseáticas do Reno e do Danúbio. após o período de expansão sob o reinado de Ivã IV. Estatuder das Províncias Unidas. terminou a preponderância espanhola na Eu­ ropa. aos 30 de janeiro de 1649. e que deixou o triste saldo da miséria resultante das destruições bélicas e das pilhagens cometidas pelos mercenários. que impedia os católicos de exercerem cargos pú­ blicos. em 1653. aumentaram as calamidades na Alemanha. que derrotou a Irlanda e a Escócia. favoráveis ao poder real. de 1659. Além de ter sido a terra do cultivo das ciências. a Holanda celebrizou-se pelos seus pintores paisagistas e retratistas. uma das maiores pragas da época. Alemanha No fim do século XVI. promulgou o Ato de Navegação. Carlos I acabou decapitado. Dina­ marca e Suécia — prosperavam e estabeleciam intercâmbio com as nações ocidentais. Depois da Paz dos Pireneus. Inglaterra Após a morte de Isabel em 1603. já se manifestara a decadência da Alemanha — que. com o título de Lorde Protetor.em 1609. enquanto a Inglaterra passava a ser domi­ nada por Olivério Cromwell. Ver- meer e Hooch. depois. então. as lutas entre Carlos II e o Parlamento. Durante o século XVII. Vieram. Este votou em 1673 o intole­ rante Bill of Test. a fim de proteger o comér­ cio feito pelos ingleses. Franz Hals. em que mor­ reram mais de 10 milhões de pessoas. enquanto os países escandinavos — Noruega. que passou a ser substituída pela hegemonia da França de Luís XIV. Jaime 1 e Carlos 1 procuraram estabelecer o absolutismo monárquico. e o dos Whigs. os holandeses procuraram instaurar a po­ lítica da tolerância. que vedou definitivamente o 5 . Depois de 1619. como nos casos do filósofo francês René Descartes e do filósofo inglês John Locke. Formaram-se os partidos dos Tories. com a infausta Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Intelectuais incompreendidos procuravam refúgio nas Províncias Unidas. Em 1688 a coroa inglesa foi confiada a Guilherme de Orange. que se ressentiam com o tráfico do Atlântico e com o afluxo dos metais preciosos provenientes das Américas. e a Rússia se enredava em perturbações. que defendiam a superioridade do Parlamento. o Terrível (1533-1584). O Parlamento votou a Declaração dos Direitos em 1689 e o Ato do Estabelecimento. guerreou contra os holandeses e se tornou ditador.

O Duque de Lerma foi alijado do poder em 1618. principiou a desagregação do vasto império espanhol e se fez notar a decadência da civilização. para o do favoritismo. Con­ vém assinalar que. fato prejudicial à agricultura espanhola. Em 1707. com a proclamação como rei do 8. com fecundas criações nos cam­ pos da filosofia. A sua pujança cultural.° de dezembro de 1640. Perez Bustamante. devido aos noVos impostos e à permanência no seu território das tropas de Castela e da Itália. o Conde- Duque de Olivares. cuja concepção de vida foi alentada pelo purita- nismo. Nesse reinado assinalaram-se dois acontecimentos: a sublevação dos camponeses da Catalunha. se deu a expansão do comércio inglês. O favorito de Filipe III foi o Duque de Lerma. Como observa Bustamante. e com Felipe IV (1621-1665) elevou-se outro valido. em 1714. Múrcia. e a revolução portuguesa que estalou em Lisboa a l. e foi sob tal signo que principiaram a grande era industrial moderna e o capitalismo selvagem. pág. aos 7 de junho de 1640. que se chamou D. Um dos fatos mais salientes no início do século XVII foi a expulsão dos mouros de Valença em 1609 e. 275. que decuplicou as suas transações com outros países de 1610 a 1640. sobressaiu juntamente com a irradiação espiritual e a preeminência política. Compendio de Historia de Espana. com a crença de que o êxito nos negócios é sinal das bênçãos divinas e de que a pobreza e a miséria são castigo dos pecados. da teologia. que caracteriza a época de Filipe III”'.governo aos candidatos católicos. Catalunha e Castela. a Espanha foi a maior potência da Europa. Significa a transição do regime perso­ nalista. no século XVII. todavia. “o ano de 1598 marca um momento transcen­ dental na História da Espanha. britânicos passaram a adotar os hábitos e a menta­ lidade dos burgueses. perversos e insensíveis.° Duque de Bragança. Os nobres. No século XVII. Don Francisco Gómez de Sandoval y Borja. das artes e da educação. Aragão. mais tarde. Desse modo. da Andaluzia. A indepen­ dência portuguesa foi reconhecida em 1668 por Carlos II (1665- 'C. e a venalidade imperou no seio do funcionalismo. com amplo domínio no continente e nas colônias do ultramar. o puritanismo. das letras. Espanha Com os imperadores Carlos V e Felipe II. o Ato de União ratificou a união política da Inglaterra com a ' Escócia e. de inspiração calvinista. começou a dinastia que governa ainda hoje a Inglaterra. 6 . exacerbou o individua­ lismo burguês e contribuiu para tornar os homens ainda mais egoístas. João IV. com Jorge I. A corrupção instalou-se na administração pública. encarnado em Filipe II.

que se projetou de modo notabilíssimo na política européia e influen­ ciou o mundo com o esplendor da civilização. França Indubitavelmente. com o evidente propósito de lhe denegrir a fama. fundou a Academia Francesa em 1635. os Países Baixos (Flandres). introduziu no Conselho do Rei o bispo de Luçon. A corrupção administrativa e a fraqueza dos reis concorreu para a decadência da nobreza. aumentou as fortificações. o jesuíta alemão Everardo Nithard. confessor da rainha. como Conselheiro do Estado e Inquisidor Geral. constituíram verdadeira classe social. O clero numeroso contava. procedentes das universidades. Lágrimas de la Nobleza (1639). as colônias do Novo Mundo. e a beneficên­ cia pública e a assistência social corriam por sua conta. a respeito do conceito da Espanha no estrangeiro. que se tornou o maior estadista da época e pode­ roso ministro de Luís XIII. com a ascensão co­ mercial dos holandeses e dos ingleses e com os atos de pirataria pra­ ticados por corsários da Inglaterra e da França. como o demonstra o livro famoso de Julián Juderías. filósofos. La Leyenda Negra. Richelieu. No fim do século XVII.io militar do território de Milão. com a restauração da vida católica. o Marechal de França e Marquês de Ancre. que foi ressaltada no livro da Condessa de Aranda. com 200. estimulou as companhias de 7 . favoreceu a Gazette de France. res­ taurou o exército e a marinha. Durante a regência de Maria de Médicis. com os seus sábios.000 membros. o go- vei. A derrocada econômica espanhola começou no século XVII. Sicília e Sardenha. Assina­ lemos apenas os traços mais importantes dessa história da nação francesa. a nação mais gloriosa do século XVII foi a França. em cujo reinado se destacou. proibiu os duelos. Richelieu enfrentou de modo decidido e corajoso os nobres ambiciosos. letrados e artistas. a Espanha continuou a ser durante o século XVII uma das principais potências européias. Nesse período a atividade literária conservou-se intensa. Concini. fidalgos ou burgueses. jornal criado em 1631 por Teofrasto Renaudot. de lhe deslustrar os feitos e a grandeza com mentiras e calú­ nias. fora da Europa.1700). morigerou a administração. devido ao desenvolvimento da burocracia. as intrigas palacianas. e os letrados. reforçou a centralização monárquica. as cidades costeiras de Toscana e. segundo informações da época. A partir do século XVIII começou a difundir-se a seu respeito a lenda negra. Sem embargo disso. os domínios da Espanha na Europa compreendiam os vice-reinos de Nápoles.

na dos Caminhantes Descalços. da Normandia. como era de se esperar. 80% ao que se calcula. no Canadá. palacetes. os camponeses sublevaram-se várias vezes. que abocanhavam os cargos da corte. Croquants. No início do século. 8 . do exército. após as epidemias de peste de 1628 a 1636. Durante o século XVII. na revolta dos Torrados. a guerra civil da Fronda de 1650 a 1651 e a crise de 1661-1662. além dos portos militares de Brest e Toulon. Luís XJV. trabalhos administrativos e. bur­ gueses. a população chegara à roda de 19 milhões de habitantes. Montreal. a cidade de Paris. deixando-a entre as tenazes da anarquia e de grave crise econômica e social. e os novos nobres togados. igrejas e torres. os fidalgos provincianos. ministro das finanças. foi embelezada com praças. então. as cidades mantinham-se do mesmo jeito que na Idade Média. comer­ ciantes e financistas. desenhista e matemático. conseguiam também comprar títulos de nobreza.comércio e as empresas de colonização. pois edificou ou fez reconstruir 160 praças fortes. À volta de 1700. com as suas vielas estreitas. também. Vauban realizou. multidões de mendigos. e em 1639. ministro da guerra. Outros burgueses ricos. médicos ou juristas. Va-nu-pieds. a higiene lamentável. No século XVII a sociedade francesa baseava-se em profunda desi­ gualdade social. e os franceses instalaram-se nas Antilhas (Guada­ lupe. o Marquês de Louvois. e Sebastião Le Prestre de Vauban. ele propôs o imposto único para todos os súditos do rei na sua obra Dízimo Real. ajudado por Turenne. foi fundada em 1642. e a ronda policial foi regulamentada em 1688. enquanto Colbert one­ rava os camponeses. do clero e do governo das províncias. gatunos e rufiões a circularem pelas ruas ba­ rulhentas e obstruídas por carroças e carruagens. e oprimidos pelos impostos excessivos. escolheu os seus colaboradores na classé da burguesia. que seu viu às voltas com a revolução da Fronda e abandonou a França em janeiro de 1651. imitada pelas outras. enquanto os nobres e os burgueses compravam ou construíam casas no campo. nobres arruinados que viviam de pensões. impressa em 1707 mas logo apreendida pelos esbirros. O grosso da população vivia no campo. principalmente em 1633-1638. fontes. que compravam terras e funções heredi­ tárias nos parlamentos e tribunais. entrou em Paris e restabeleceu o governo da monarquia absoluta e. sem ter primeiro- ministro. A nobreza compreendia os segmentos dos nobres de espada. O sucessor de Richelieu foi o italiano Cardeal Mazarino. as províncias e as cidades com impostos escor- chantes de que eram isentos a nobreza e o clero. O rei passou a contar com hábeis e ilustres auxiliares como Jean-Baptiste Colbert. Martinica) e na África (Senegal e Madagascar). construtor de notáveis fortificações.

os jesuítas se incumbiram de cinco seminários maiores. também deixava muito a desejar. pois muitas haviam descido a lastimável estado de degra­ dação. à instrução da juventude. divertimentos e prazeres. à assistência espiritual do povo. e essa iniciativa deu origem à distinção entre os seminários menores para os estudos humanísticos e os seminários maiores para os teológicos. onde os monges só se preocupavam com dinheiro. Promoveu-se a reforma das ordens religiosas. Notabilizaram-se os Lazaristas nas obras de misericórdia corporal e espi­ ritual e na direção de onze seminários. Aliás. Esses leigos propunham-se levar vida devota. O clero secular. Os seus membros colaboraram com Olier 9 . já que persistem. como o Oratório do Cardeal De Bérulle. sob coerção. os Sulpicianos de Jean-Jacques Olier. embora mais tarde. e os nobres protestantes começaram a converter-se espontaneamente. novas Congregações. e o seu influxo ainda hoje perdura. de modo que nunca se vira na história da Igreja tal empenho em prol da reorganização da educação do clero. comilança. pois entre os seus membros mais afortunados campeava o mundanismo e a indiferença pela vida espi­ ritual do povo cristão. A partir de 1630 começou a atuar na França a eficiente associação católica de leigos. A renovação católica francesa do século XVII influenciou a Europa e o mundo. outrossim. O fato mais notável do século XVII na França foi o Renascimento Católico. fundada pelo Duque de Ventadour junto aos capuchinhos do subúrbio de Saint- Honoré. Ao sopro renovador do Espírito. nos últimos vinte anos do século XVII. muitas instituições reli­ giosas surgidas nessa centúria. a Companhia do Santo Sacramento. por exemplo. segundo a orientação das máximas de São Francisco de Sales. fossem ocorrer conversões à força. no afã intenso de salvaguardar o tesouro da fé católica. e renovar a vida católica em todas as áreas. Essa restauração da vida católica começou após a morte de Henrique IV. o que não acontecera antes devido às guerras de reli­ gião. enquanto os padres do campo eram dominados pela ignorância e pela preguiça. sur­ giram missionários ardorosos que percorriam as cidades e as aldeias a reavivar o espírito religioso e a discutir com os pastores protestantes. Organizaram- se. Além das congregações citadas. São Vicente de Paulo se­ parou os clérigos que estudavam teologia dos adolescentes estudantes de humanidade e aspirantes ao sacerdócio. por sua vez. O Rei Luís XIII colocou o seu reino sob a proteção da \ irgem Maria. pois só então os decretos do Concílio de Trento começaram a ser aplicados. os Lazaristas de São Vicente de Paulo. a Congregação de Jesus e de Maria ou os Eudistas de São João Eudes. e todas elas se dedicaram à formação do clero em seminários. sob Luís XIV. de modo que abades mundanos não cuidavam da vida regular dos seus mosteiros.

e surgiram novas ordens contemplativas. dedicaram-se com afinco e proficua- mente à educação da infância e da juventude. Os principais representantes franceses do jansenismo foram M. em sua His­ tória Eclesiástica. refor­ maram-se as ordens religiosas dos beneditinos. publicada só em 1640. O Jansenismo foi uma corrente doutrinária. du Vergier de Hauranne. Do ponto de vista religioso. Saint-Cyran fez da abadia de Port Royal de Paris o centro irradiador da doutrina jansenista e. mas na realidade lhes alterou o sentido e expôs a subs­ tância do calvinismo sob as aparências de uma doutrina estritamente católica. conforme Georges de Plinval. verdadeiros paladinos da fé católica. premonstratenses. etc. Cuidou-se da abertura de seminários dotados de bons mestres. redigiram-se catecismos. Segundo São João Bosco. bispo de Ypres. um sistema teológico referente à graça e à pre­ destinação. Em 1649. na Histoire lllustrée de 1’Êglise (T. que publicaram a obra. os leigos chamados de “solitários” de Port Royal retiraram-se no vale de Chevreuse em Port-Royal-des-Champs e abriram as “pequenas escolas”. c<> negos regulares dè Santo Agostinho. permanecerão meses em presença da Hóstia sem poder comungar”. ativas como as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa Marillac ou mistas como a Con­ gregação de Notre Dame ou das Cônegas de Santo Agostinho de São Pedro Fourier e de Alix Le Clerc. Os jesuítas. de Saint-Cyran (1584-1642) e An- toine Arnauld (1612-1694). a Faculdade de Teologia da Sorbonne condenou cinco proposições retiradas do Augustinus. Muitas congregações. A administração da Igreja na França passou a ser gerida se­ gundo os decretos do Concílio de Trento..e com São Vicente de Paulo. saíram a campo e enfrentaram a nova heresia que se lhes afigurava apenas como “calvinismo reco- zido”. e os seus sectários. “nesse convento de Port Royal. as religiosas que pela própria vocação de seu instituto deviam se consagrar ao culto do Santíssimo Sacramento. II). Do lado masculino do movimento. como as Visitandinas de São Francisco de Sales e de Santa Joana de Chantal. o século XVII também foi palco de acres pendências religiosas. Entre eles distinguiu-se o Duque de Renty. ouriçados com a sua condenação. como ainda iremos ver noutro capítulo. Jansênio pretendeu expor na sua obra Augustinus. as doutrinas genuínas do santo Doutor de Hipona. se insubordinaram e perturbaram a vida da Igreja. cerca de 1635-1636. como ocorreu com a heresia jansenista e com o problema protestante na França absolutista. falecido em 1638. etc. cujo nome proveio do flamengo Cornelius Jansen. condenação que o Papa 10 . São João Bosco observa que Jansênio se submeteu de ante­ mão ao juízo da Santa Sé.

porque queriam que aquela graça fosse tal que a von­ tade humana pudesse lhe resistir ou lhe obedecer. formavam um estado dentro do Estado. e eram hereges. 'Roland Mousnier. 1092-1095. Petri Sedem. escritas de 1656 a 1657. Os protestantes pas­ saram a ser excluídos dos cargos oficiais. destruição narrada pelo Duque de Saint-Simon em suas Me­ mórias* Em 1713. Inocêncio X confirmou aos 31 de maio de 1653. chefes militares e. pela bula de Clemen­ te XI. falta-lhes também a graça pela qual se tomem possíveis. 194. vol. em França o partido jansenista que se ia opor ao poder real durante o século XVIII e lutar implacavelmente pela extinção dos jesuítas. “revoltavam-se sempre que nas lutas contra o estrangeiro o rei precisava de paz interna”4. por mais que queiram e se esforcem. o rei mudou de procedimento e não mais respeitou o Edito de Nantes. Vineam Domini Sabaoth de 16 de julho de 1705. o Papa Clemente XI condenou novamente o jan- scnismo na bula Unigenitus. com a data de 15 de fevereiro de 1664. por sua vez. et on laboura et sema la place. por fim. l’église et tous les bâtiments. 2 ) N o estado de natureza decaída. mas basta a liberdade de coação (externa). segundo as forças presentes de que dispõem. e adotou uma política especial para com esse corpo estranho à nação. Os Progressos da Civilização Européia. 445. Enchiridion Symbolorum Definitionun Declara- lionum. então. e Luís XIV destruiu inteiramente a abadia de Port-Royal-des- C'hamps. tornou-se agudo. Eis as famosas Cinco Proposições condenadas: “ 1) Alguns mandamentos de Deus são impossíveis de serem observados pelos homens justos. c’est toute la grâce qu’elle reçut”. Chanoine Cristiani. en sorte qu’enfin il n’y resta pas pierre sur pierre. Constituiu-se. 3Após a destruição do mosteiro não ficou pedra sobre pedra: “Ensuite. Os Séculos X V I e XVII. na bula A ti sanctam B. As câmaras semi-repartidas foram suprimidas. 11 . porque os calvinistas ou huguenotes. pela bula Regiminis apostolici do mesmo papa. pág. à la vérité ce ne fut pas du sel. O problema protestante. De 1661 a 1679. Saint-Simon. Denzinger-Schõnmetzer. 3 ) Para merecer o desmerecer no estado da natureza decaída não se requer no homem a liberdade de necessidade (interior). 75-76. Mémoires. a 16 de outubro de 1656. não se resiste nunca à graça interior. desde o Edito de Nantes. e trazendo um formulário para ser assinado e. pág. até mesmo para se iniciar na fé. Luís XIV aplicou de modo estrito o Edito de Nantes.*3 Blaise Pascal entrou na liça contra os jesuítas com as suas Provinciais. pág. 1. os ’Essa primeira condenação do jansenismo foi confirmada pelo Papa Alexandre VII. L'Héresie de Port-Royal. A partir de 1679. 5 ) É semipelagiano dizer que Cristo morreu ou derramou o seu sangue por todos os homens absoluta­ mente”. on procéda à raser la maison. pág. 119 ç seguintes. e a sua conversão foi pro­ curada por meio da persuasão e do dinheiro. como observa Roland Mousnier. comme on fait les maisons des assassins des rois. Tous les matériaux furent vendus. com praças fortes. 4 ) Os semipelagianos admitiam a necessidade da graça preveniente interior para cada um dos atos. 5.

e a sua morte foi recebida com alívio e júbilo. 296. pág. por exemplo. foi indizivelmente intolerante para com o catolicismo. Os Séculos X V I e XVII. padeceram ainda muito mais. de dia e de noite. penas de multa. Sa Philosophie. 7Henri Sérouya. Berkeley. e os padres não podem entrar no país. A Letter Concerning Toleration. isto é. 1. quando foram condenados à morte 6 jesuítas e muitos católicos. Great Books of World.5 Diz Mousnier que. foi um dos aspectos típicos da centúria seiscentista. e a população católica das cidades conquistadas foi trucidada sem dó nem piedade. nos períodos do gomarismo — nome tirado do pastor Gomar. conforme Saint- 5Locke não tem coragem de nomear expressamente os romanos ou papistas.templos foram demolidos e aos protestantes foram vedadas as funções públicas e as profissões liberais. colegas do jovem Spinoza denunciaram à sinagoga as suas idéias heréticas. Além disso. 17 e seguintes. pois os católicos na Inglaterra. Os Progressos da Civilização Européia. aos 27 de julho de 1656/ O reinado de Luís XIV terminou de modo lastimável para a França. cujo culto só é tolerado em caráter indi­ vidual: os seus fiéis ficam proibidos de reunir-se para a missa ou para qualquer cerimônia do culto. pág. e os doutores da comunidade judaica excomungaram solenemente o jovem filósofo de 24 anos. O puritanismo. e que exprime a face mais rígida do calvinismo quanto à predestinação rigorosa — . que o Estado deve admitir a liberdade dos cultos. azorrague e confisco dos bens”67. 12 . exacerbado pela vitória do gênio sombrio de Cromwell. 31-33. O Edito de Nantes foi revogado aos 18 de outubro de 1685. e instituem-se prêmios aos dela­ tores. Na tolerante Holanda. depois de processos injustos e indignos. arruinada e espoliada. por ocasião da pretensa conjuração papista de 1678. Essa intole­ rância religiosa. “tomam-se medidas (nas Províncias Unidas) contra os católicos. o exercício do culto protestante foi proibido e os huguenotes fugiram em massa para o estrangeiro. òRoland Mousnier. A Letter Concerning Toleration. qua na França tinha profundos motivos políticos. Sa Vie. Spinoza. De acordo com essa mentalidade. tido por mentor do liberalismo. de 1673. afirma no seu into­ lerante opúsculo sobre a tolerância. concede-se licença a todo cidadão para perturbar os exercícios papistas. Hume (Ed. haja vista os mártires assassinados devido à profissão de fé católica e à prática do culto. mas descreve-os através dos preconceitos vigentes nas mentes enevoadas pelo mais denso sectarismo. O Bill of Test. no domínio do Príncipe de Orange. vol. aos católicos. in Locke. A Irlanda foi devastada. o filósofo Locke. 3 5 ). mas denegar a liber­ dade aos católicos e aos ateus. pág. proibiu o acesso aos cargos públicos a quem acreditasse na Presença Real. Cf.

A crise religiosa exprimiu-se na urgência da reforma católica ante a exanimação espiritual da população rural. 8. assim como a repercussão dos eventos sociais e espirituais da centúria anterior. a crise manifestou-se na oposição entre o saber tradicional e o aparecimento de novas ciências. na Alemanha. entre a crença na estabilidade e na inamovibilidade dos conhecimentos e a renovação científica. que se estenderam de 1640 a 1660. essa crise exprimiu-se através das contínuas guerras e das revoltas populares. No terreno do pensamento. as lutas da Inquisição em defesa da fé na Península Ibérica. 191-193. e é interessante ressaltar que se trata de revoltas contra o fisco e não de lutas entre pobres e ricos. explodiu a luta entre o rei e o Parlamento e espocaram as revolu­ ções. com o avanço do individualismo burguês. cm 1715. Mémoires. como as que ocorreram na França. respirou na esperança de alguma liberdade e na alegria de ver terminar a autoridade de tantas pessoas que dela abusavam. na Espanha. na verdade. expressão que serve de título ao famoso livro de Paul Hazard. as perseguições aos católicos na Inglaterra e nos Países Baixos.Simon. e o povo rendit grâce a Dieu. o surgimento de heresias como o jansenismo e o quietis- mo. cujas boas intenções muitas vezes se afogaram no caudal de prepotência e de injustiça. Levando-se em conta os múltiplos fatores culturais do século XVII. é incontestável a afirmação de que nesse século se verificou “a crise da consciência européia”. farta do absolutismo. Além desses conflitos sociais. abran­ geram de 1623 a 1675 a França inteira. Paris. etc. finalmente. Na Inglaterra. como a insurreição de 1607 nos Middlands contra os gentis-homens do campo. arruinadas ademais com a construção do pa­ lácio de Versalhes e com as enormes pensões pagas aos cortesãos. 13 . entre o patri­ mônio filosófico tradicional e as novas escolas filosóficas. as lutas entre a monarquia e os protestantes. devido às contínuas e onerosas guerras e ao completo descalabro das finanças. deu graças a Deus. pág. os pobres rebelam-se contra o capitalismo. Saint-Simon. As províncias respiraram e estremeceram de júbilo.6 As dificuldades acumularam-se de 1685 até a morte do rei. a corrupção do clero. a decadência das ordens religiosas. etc. No campo social. Aludimos a algumas das rebeliões francesas que. de 1685 a 1688. entre a crença serena da verdade católica e as inves-8 8Luís XIV. na Inglaterra. só foi pranteado pelos criados íntimos e por poucas outras pessoas. filosófica e literária. máxime ante o impacto das revelações propiciadas pelos descobrimentos marítimos e pelo conhe­ cimento da vida de povos exóticos e diferentes na Ásia e nas Américas. Os estrangeiros ficaram encantados mas dominaram o seu gáudio. T. e. diz Saint-Simon.

impunham jornadas de 12 a 16 horas. É preciso ressaltar que o século XVII foi a época da gênese da ciência moderna. A Revolução Científica do Século XVII. Newton e Leibniz inventaram o cálculo infinitesimal.0R. pág. Descartes. Enfim. diminuíam os feriados. Gerard Desargues com seus estudos de geometria pro­ jetiva. e em todo o seu ser. reduziam as vagas para os aprendizes. artística. no seu pequeno tratado de umas cem páginas. . A crise é permanente.tidas do protestantismo iconoclasta. Os governos lançaram sobre o povo inerme taxas extorsivas. da geologia de Stenon. Os Séculos X V I e XVII. e à física de maneira especial. ’Roland Mousnier. mas ter encarado o mundo com novos olhos. Lenoble. in René Taton. encareciam os preços dos produtos de primeira qualidade. salientavam-se nas fraudes. os patrões só permitiam a ascensão profissional aos seus filhos e aos genros. Do ponto de vista econômico. explicou as raízes negativas e descobriu a análise. 171. do racionalismo e do materialismo. do sistema circulatório de Harvey. por meio de princípios que permanecerão firmados. social. que preparou as bases do cálculo infinitesimal. expôs os princípios da geometria analítica. com violentas variações de intensidade”9. Na França. A Ciência 14 . com a Geometria Indivisibilium Continuorum (1635). proibiam a freqüência das tabernas. corrompiam as bancas examinadoras. religiosa. no âmago de seu poder vital. Os Progressos da Civilização Européia. diz Roland Mousnier. pois. da astronomia de New­ ton. 1. da sua sensibilidade e da sua vontade. científica. distinguiram-se Claude Mydorge com seu Tratado sobre as Cônicas (1631-1635). Acrescentem-se a esse rol as descobertas das leis de Kepler. o italiano Bonaventura Cavalieri. Geometria (1637). Como diz Lenoble: “O insubstituível mérito do século XVII não é. combinavam o paga­ mento do menor salário possível. do ceticismo dos libertinos. política. econômica. “o século XVII é a época de uma crise que afeta o homem todo em todas as suas atividades. dos “animálculos” de Leeuwenhoek. com o microscópio. Daí por que podemos e devemos consi­ derá-lo o século iniciador da ciência moderna” 10. com grandes avanços no campo das matemáticas e com o emprego vitorioso do método experimental que deu impulso às ciên­ cias da natureza. da mecânica de Galileu. Blaise Pascal escreveu aos 16 anos o Ensaio sobre as Cônicas e três anos depois inventou a primeira máquina de calcular. ter visto melhor um número maior de coisas do que os anteriores. se é lícito exprimir-se assim. Na matemática. as coligações e as greves. proliferaram as injustiças e as iniqüi- dades. Introduziu o uso dos ex­ poentes.

Godofredo Guilherme Leibniz (1646-1716). Voltaire afirmou de modo desfrutável que o maior filósofo do século XVII foi Locke* “grande exemplo dessa vantagem que o nosso século teve sobre as idades mais belas da Grécia. "Voltaire. o talento superior de Descartes (1596-1650). 143. além de John Locke (1632-1704). Baruch Spinoza (1632-1677). Por fim. Balzac. Garnier). De fato. e os seus grandes representantes foram Corneille. e mais: Nicolau Malebranche (1638-1715).Apesar da sua notoriedade e da inteligência vivaz. Moderna. Racine. Pascal. O seu propulsor na França foi Chapelain (1595-1674). O Século X VII ( História Geral das Ciências. Molière e Boileau. ainda. Le Siècle de Louis X IV T. Nesse terreno. 10. chap. com o fim de purificar catarticamente o homem e lhe proporcionar belas senten­ ças e bons exemplos. T. XXXIV.° volume. II (Ed. A escola preconizava o papel normativo da razão na ordenação da obra de arte. Brás Pascal (1623-1662) e Tomás Hobbes (1588-1679). pág. cumpre frisar que um dos traços mais expressivos da cultura seiscentista foi o cultivo do classicismo nas letras. a França deu o tom na Europa. tanto que desde Platão até ele nada existe” ". o século de Luís XIV ostenta vistosa galeria filo­ sófica. 15 . pág. 2. II). na criação da beleza e no despertar das emoções. em que figuram.

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de. assim como direito na fa­ culdade de Orléans. aos quais muitas vezes superavam peía capacidade intelectual ou pelos dotes artísticos. que pa: gava a bom preço as aulas dos mestres de dança. de esgrima e de filosofia. à maneira de mosaico. mediante o casamento com aristocratas pobres ou arruinados. procuravam a todo o custo instruir-se e adquirir maneiras distintas. compõem o fundo teórico e factual em que se inscrevem os assuntos considerados neste livro.Capítulo II Cosmorama educacional do século XVII Antes de examinarmos os principais temas pedagógicos do século XVII. música. A atitude quanto à educação Vimos de relance no capítulo anterior que no século XVII os burgue­ ses enriquecidos cobiçavam acima de tudo um título de nobreza para si mesmos. E no entanto esse burguês genial fez as delícias 17 . Isso mostra que. Burgueses havia que educavam os próprios filhos nas melhores escolas. o valor social e cultural da educação era insubstituível. mas cursara humanidades e filosofia com os jesuítas do colégio de Cler- mont. o Grande. na qual ele ridiculariza o ingêauo-e oapalvo senhor Jòfdaõ. É para notar que o próprio Molière. e foi esse preparo intelectual que permitiu ao Rei Luís XIV contar com mi­ nistros e servidores fiéis e competentes à frente dos negócios do Estado e nos postos mais salientes da administração pública. tal comõ~õs~colégios onde os filhos de ricos plebeus conviviam com os descendentes das-mais nobres fa­ mílias. para os burgue­ ses. parece-nos de suma valia considerar vários aspectos educacio­ nais que. contudo. honraria a ser obtida a peso de ouro e a ser conseguida para as suas filhas. Havia. não era aristocrata. Tal é o caso tratado por Molière em sua comédia O Burguês Fidalgo. certos burgueses que não puderam gozar na juventude das vantagens da boa educação num colégio e que. mais tarde colégio Luís. que tanto zombou dos novos ricos macaqueadores da nobreza. desejosos de imitar o estilo de vida aristocrática antes mesmo de comprarem um título de nobreza. Estes jovens burgueses viam-se desse modo igualados cultural­ mente aos nobres.

que esse privilégio era tomado como algo de natural na época. umas doze ao todo. a situação destes era deplorável num grande país católico mas descristianizado. quanto o orgulho e a presunção seriam comuns” '. as fõrças armadas e o sossego público por não haver número suficiente de professores para todos os alunos e nem conseguirem estes senão uma tintura me­ díocre de letras. 93. Aliás. prossegue. ela ainda continuava a ser um verdadeiro privilégio. Esse modo de pensar do Cardeal De Ri­ chelieu era compartilhado de forma natural por outros potentados e aristocratas da época que achavam muito natural fosse a educação inacessível aos pobres. nò seu Testa­ mento Político afirma que cTconhecimento das letras é absolutamente necessário numa república pias que elas não devem ser indiferente­ mente ensinadas a todo mundo. Tudo isso nos entremostra a importância crescente da educação na sociedade do século XVII. entre­ tanto. pág. por exemplo. também. ver-se-ia aí tão pouca obediência. e declara: “Assim como um corpo que tivesse olhos em todas as suas partes seria monstruoso. Testamento Político. que se reduzam as escolas das cidades menos importantes a duas ou três classes de alfabetização destinada aos futuros soldados e aos comer­ ciantes. na catedral de Notre-Dame pelas amas improvisadas. na qual. Aliás. 93. pág... Francisco Manuel de Melo. da mesma forma um Estado o seria. Richelieu propõe. 2Id. a agricultura. as mulheres sabichonas e os nobres malandros e trapaceiros. como também o fora na fase renascentista. como medida acauteladora do interesse público. quando o interesse pela educação popular e pela instrução das crianças pobres sempre foi raridade. Sabe-se. seja dito de passagem. D.de Luís XIV e dos fidalgos franceses com as suas peças divertidas onde não poupou. os médicos. ibid. e que até deles se valiam para o próprio sustento. O grande Cardeal De Richelieu. como o era a França no primeiro quartel do século XVII. O cardeal achava que a instrução indiscriminada aos plebeus iria arruinar o comércio. com mais proveito nas letras e sob á direção de bons mestres. Haja vista o abandono de bebês que eram expostos. que os políticos num Estado bem regulado querem mais mestres em artes mecânicas do que mestres em artes liberais para ensinar as letras”*2. 18 . 'Cardeal De Richelieu. então. os filósofos aristotélicos. se todos os seus súditos fossem sábios. Só os alunos mais talentosos iriam de seguida estudar nas gran­ des cidades. pode ter servido mesmo de inspiração a Molière com a sua peça O Fidalgo Aprendiz. o ilustre beletrista português do século XVII. ao alcance principalmente dos nobres e dos burgueses ricos. “É nesta consideração. por exemplo.

. pág. Corte na Aldeia. Assim. ficaram sem heranças e procura­ ram alcançar a sua pelas letras. desanimam dos estudos e deixam de ser cidadãos da República Literária. pág. quando se observa que ele admitia a nobreza espiritual dos sábios. Da criação das Escolas. pág. vale assinalar a mentalidade de Fajardo. que. Francisco Rodrigues Lobo a respeito da educação. pág. República Literária. enquanto deixavam as crianças morrerem de fome. ou religiosos escolhidos nas suas províncias. que podem ser de origem humilde. dizendo que muitos jovens se tomam de ojeriza pela gramática. 4José da Cunha Brochado. por insti­ tuição dos morgados de seus avós. “con grave dano delia”. diferença que não pode haver na Corte e na Milícia”5. não consegue reter a amarga declaração: “Ainda não amanheceu este bom costume em Portugal: oh! tempo de trevas e ignorância!”4 Pois bem. 320. 5Francisco Rodrigues Lobo. Ao tratar da literatura francesa e dos seus mecenas. e assim fica sendo a gente mais bem criada do Reino. são filhos segundos e terceiros da nobreza do Reino. pela porta da clericatura. 4Saavedra Fajardo. 314-315. apesar de serem hábeis para as ciências. deplora o tempo perdido pelos educadores com a gramatiquice. dessa época portuguesa fala alto o testemunho de D. e que os fidalgos lusos primavam pela ignorância. da exploração das colônias. Memórias extraídas das suas obras inéditas por Mendes dos Remédios in •Subsídios para o Estudo da História da Literatura Portuguesa. e o plebeísmo cultural dos autocratas. 41. No Diálogo XVI. por mais habilida­ de e confiança para as letras. XII. ou são filhos dos homens honrados e ricos dele [Reino].de ordinário. talvez. que os podem sustentar com comodidade nos estudos. e após a perda da sua autonomia política. preferindo dedicar-se às armas ou às artes mecânicas. Rodrigues Lobo verifica que os pobres e os plebeus não têm vez nos éstudõsTã não ser. ao verificar que 3Herrera-Pardo. Cunha Brochado (1651-1733) testemunhou em suas Memó­ rias que os lusitanos viviam desligados da atividade cultural da Eu­ ropa. após o gozo de imensas riquezas e o brilho da civilização no século XVI em conseqüência dos descobrimentos marí­ timos. na sua obra Corte na Aldeia. República Literária._ou. San Vicente de Paul (BAC). Em sua obra utópica e satírica.3 P ctugal nesse tempo vegetava num estado de decadência geral e de estagnação cultural. os que as buscam (as escolas).Alguns bebês eram vendidos a mendigos que lhes quebravam os braços e as pernas a fim de excitarem a compaixão dos transeuntes e obterem esmolas.6 Por outro lado. com reconhecer que “ . . 19 . o espanhol Saave- dra Fajardo presta boas informações sobre a situação cultural e es­ colar do século XVII. 21. oposta à de Richelieu. ao aludir às escolas.

Na Alemanha só os pequenos es­ tados de Weimar. Hesse. 260. en général. se conservavam. ibid. alguns chegavam a afirmar que para um grande senhor era um opróbrio ser instruído e ser chamado de grande estudioso. na Irlanda. grande et petite (nobility and gentry). e os nobres detestavam sumamente o ofício de professor. levar bem e adestrar o falcão. devido às guerras e à insegurança pública.. qu’elles sont réservées. nos meios culturais de vários países.. on est frappé de ce fait. pâg. Parmentier. chap. Leibniz e Malebranche. na Escandinávia e na Alemanha também foi lastimável. ”78 Na Inglaterra. Histoire de l’Éducation en Angleterre. Aliás. já que se gloriavam de nada saber. choca-nos o fato de que elas sejam reservadas em geral à grande e à pequena nobreza”9. pâg. Enquanto as universidades. . que refere esse episódio. a guerra civil afetou profundamente a vida escolar. eram nobres os avantajados nas artes e ciências de cuja excelência recebiam lustre e estima. O autêntico progresso escolar e o esforço denodado em prol da ins­ trução dos meninos pobres e desamparados foram traços típicos e meritórios dos países católicos como a França. declara: “Quan­ do se estuda a história das escolas secundárias na Inglaterra do século XVI ao século XVIII. entender de caçadas. Holstein e Gotha foram exceção. eu o enforcaria.” Id. quer católicas quer protestantes. eis o que assenta bem ao filho de um fidalgo”0. 20 . pâg. A situação escolar na Escócia. o magistério tornou-se o refúgio dos fracassados em outras profissões. de regra. o ceticismo. segundo Elyot. enquanto os de­ mais faziam o papel de plebe. aristotélicas. na República Literária “ . Traço típico 7Id. Locke. Hobbes. e isso a tal ponto que. 257. 8Parmentier. 72. . e Parmentier observa que a ignorância dos nobres ia de par com o orgulho. vicejavam e frondesciam exube­ rantemente desde o Renascimento. . Esse privilégio social dos fidãfgõiíéra acompanhado pelo descrédito que pesava sobre os mestres. a tal ponto que um deles declarava: “Juro que antes de fazer de meu filho um pedante. como os de Des­ cartes. à la noblesse. V. Fazer ressoar a buzina.. e semelhante à da Inglaterra. o platonismo.. ’“Quand on étudie l’histoire des écoles secondaires en Angleterre du XVIe ou XVIIIe siècle. a Itália e a Espanha. Spinoza. sobre terem sido compostos novos sistemas de pensamento. aplicando-se cada um ao ofício que mais se coadunava com a sua profissão.. ibid. o As Universidades e as Academias O século XVII foi marcado por uma crise profunda no terreno filo­ sófico. o estoicismo e o epicurismo. Mecklemburgo.

as universidades na França não contribuíram para o desenvolvimento da filosofia e das ciências. Na França. Por isso. O culto das letras foi estimulado pela Academia Francesa. em Orléans e em Caen. em 1762. o de Clermont. O principal colégio je­ suítico da França. quando as suas escolas foram confiscadas. fundada por Huet. como observa ainda D’Irsay. As obras de Descartes Meditações sobre a Filosofia Primeira e Princípios de Filosofia passaram. triunfou no fim do século para logo vir a ser desdenhado a favor das doutrinas de Newton e dé Locke. bispo de Avranches. Du XVI' siècle a 1860. e na França a Universidade de Paris. Histoire des Universités Françaises et Étrangères. na França. em Tolosa. criada com a proteção de Richelieu em '°Stephen D ’Irsay. Mantiveram-se como a maior potência pedagógica francesa até à supressão da Companhia de Jesus. II. principalmente Helmstádt. Na Itália. acolheu-se especialmente a física de Des­ cartes. e os jesuítas passaram a dirigir a Faculdade de Teologia de Montpellier e numerosos colégios. com o nome de colégio Louis-le-Grand (1682). e os maiores focos de abusos eram os colégios e as faculdades de direito. Exercita- tiones paradoxicae adversus Aristotelaeos. T. por exemplo. pâg. in quibus precipua totius Peripateticae doctrinae atque dialecticae fundamenta excutiuntur. dessa paisagem filosófica era a reação vigorosa e até mesmo furibunda de certos adversários do aristotelismo. 61. o ensino universitário decaiu no século XVII e ó relaxamento campeou às soltas. opi- niones novae aut ex veteribus obsoletae stabiliuntur (Grenoble. a serem utilizadas no ensino em Ütrecht poPR ènerf S Regius. fundada por Colbert em 1666. conservou-se como reduto do aristotelismo. a Academia de Ciências. de 1641 a 1644. e a Academia de Ciências de Caen. a pesquisa livre e desinte­ ressada das ciências e da filosofia ficou por conta das Academias como. aos quais sempre combatera. Como diz Stephen DTrsay. durante o século XVII. De 1650 a 1670 o cartesianismo difundiu-se pelas escótãS~e7 apesar das oposições. a venali­ dade dos graus acadêmicos e o charlatanismo estiveram na ordem do dia. Her- born e Leipzig. Tal como em outros países. 1623).10 A situação era lamentável em Paris. avessos à lógica formal e aos métodos tradicionais de ensino. No reinado de Luís XIV a Universidade de Paris teve de se compor com os jesuítas. tornou-se fundação real. como acontecia em CambridgeTO cartesianismo influenciou as universidades alemãs. em 1662. N alnglá- "térra prevalece u o empirismo de Bãcõíí e de Locke com algunTêspaço para o neoplatonismo. tanto que a Sorbonne condenou a obra de Gassendi contra a filosofia aristotélica. 21 .

37. as universidades germânicas tinham alcançado o seu mais baixo nível na estima pública e na sua influência sobre a vida intelectual do povo germânico. Estrasburgo (1621). A Itália foi a terra original das academias. Kiel (1665). Daí a afirmação de Paulsen dê que 1'( nós. ibid. Giessen (1607). e a faculdade de filosofia sentia a pressão dessa exigência de ortodoxia doutrinária. Na Rússia. The German Universities and University Study. a organização nos Es­ tados alemães de sociedades científicas como a Academia de Berlim. transactions. o ensino superior surgiu com a escola monástica de Kiev. a academia inglesa de ciências cujo trabalho em cooperação com as universidades de Oxford e Cambridge ficou atestado em suas atas. O temor da heresia pairava sobre essas universidades. Salzburg (1623).. Bamberg (1648). começou a formar-se ^esde 1645. No fim do "século XVII. pag. onde no século XVII se distinguiram a dos Lincei de Roma. e as artes foram impulsionadas pela Academia de Pintura e Escultura. Eleitor de Brandeburgo. fundada em 1663. Rinteln (1621). pag.. pag. "Id.. fundada em 1603 — Galileu foi seu membro — p a dei Cimento de Florença. que tomara tal iniciativa movido pelo conselho de Leibniz. e logo mais primeiro rei da Prússia..1635. chamada mais tarde de Academia de Inscrições e Belas-Letras. em decorrência do princípio de soberania territorial. Linz (1636) e Innsbruck (1672). estabelecida em 1700 por Frederico. também. Na Inglaterra.^alemães) femõVmenos afinidade com o período situado entre a metade do século XVI e o início do XVII do que com qualquer outro em toda a história da nossa na­ ção” 12. 22 . Duisburg (1655). e o resultado disso foi que ‘{as universidades começaram a ser instrumento dominationis do go­ verno como escolas profissionais para os seus funcionários eclesiásticos e seculares. "Id. Na Alemanha. surgiram novas fundações universitárias protestantes. 36. tanto do ponto de vista eclesiástico como do político. a Royal Society. Várias dessas universidades desa­ pareceram posteriormente e haviam surgido no século XVII. 42. e foi constituída por privilégio real. conforme Paulsen. Osriabruck (1630). pela Academia de Inscrições e de Medalhas. como as Altdorf (1622). O ensino da filosofia baseava-se essencialmente nos textos aris- totélicos compulsados em grego ou em livros de textos revisados à se­ melhança dos compêndios de MèTánchthõfl. como as de Pa- derborn (1615). além de constituírem o meio de se impedir a evasão de re­ cursos com a ida dos estudantes para as universidades estrangeiras”1'.13 Daí. "Friedrich Paulsen. ibid. confessa Paulsen. e católicas.

enquanto o Brasil colonial não dispôs de alguns cursos su­ periores. particularmente na In­ glaterra e na Escócia. fundaram-se colégios de estilo inglês. in Vários. esteve associada às vicissitudes da Ucrânia na luta pela sua independência.4G. Novicky. e os Estados Unidos delas usufruíram desde o fim do sé­ culo XVII. como os de direito e de medicina. outrossim. tendo passado a equiparar-se às universidades da época. no fim do período colonial. matemática e medicina. a poética e a retórica. a Universidade Santo Tomás de Aquino (1580) em Bogotá na Colômbia. Essa escola. Np Perú~ foram criadas as universida- des de São Marcos (1551). quando foi convertida em Academia. tais co­ mo: a Universidade Pontifícia de São Domingos (28-10-1538) na atual República Dominicana. que Espanha e Inglaterra não foram mesquinhas para com as suas colônias americanas no que diz respeito às escolas superiores. 23 . lecionada juntamente com as línguas eslava. só tendo vindo a contar com univer­ sidades quase na metade do século XX. semelhante aos colégios estrangeiros. agricultura e economia domés­ tica. Nos Estados Unidos. a não ser após a sua inde­ pendência política no século XIX. A. L ’Origine de l'Enseignement Supérieur en Russie et la Fonda­ tion de l’Université de Moscou. a Universidade Mayor Real y Pontifí­ cia de San Francisco Xavier de Chuquisada (1624) na Bolívia. 160. transformada em Academia. fundada em 1615 mas transformada por Pedro Moguild em colégio ou escoLTsuperior de 1631 a 1701. geografia. pág. haja vista que o México e o Peru . as colônias inglesas possuíam nove colégios fundados por iniciativa religiosa: o Harvard College. e essa inicia­ tiva influenciou universidades de outras nações. Aspects et Problèmes. Segundo Cúbberléy. enquanto noutras regiões daTAmé- rica Latina o gênio hispânico tratava de semear boas escolas. Assim. grega e latina. Desde 1701. Seus cursos du­ ravam 10 anos e entre eles deu-se lugar de relevo ao ensino da filosofia. foi ministrado cqm. em Massachu- . onde os estudos práticos. o ensinamento clínico e a instrução prática em diag­ nóstico e terapêutica faziam parte do currículo escolar. Carlos V ordenou a fundação da Universidade do México em 1551. a de San Antonio dei Cuzco (1598) e a^de' San Cristóbal de Huamanga (1667). especialmente com a preocupação de formar bons ministros religiosos. no século XVII. dàs~ ciênciãs~natu- rais. do hebraico. Les Universités Européennes du X V Ie au X V IIIe Siècle.êxito nas universidades holandesas de UtfêcHf e Leyde. a qual obteve o reco­ nhecimento pontifício em l555. e a Universidade Nacional de Córdoba (1613) na Argentina. passou a minis- trar o ensino do alemão.as tiveram desde o sé­ culo XVI. Assinale-se.14 Novq programa de ciência médica. do francês.

264-265. Cubberley. o anúncio de jornal de Nova York sobre o caráter religioso do novo colégio King’s College. Gf. indepen­ dente de igreja particular. que iniciaram as suas atividades em 1751. Public Education in the United States. da igreja holandesa reformada. que principiou em 17 de julho de 1754. nascida das reuniões semanais realizadas em 1626 pelosUteratos Chapelain. ela contava com quarenta membros. em New Jersey (1766). para que ela celebrasse as vitórias do rei e a sua própria excelência. pág. Readings in Public Education in the United States. o William and Mary.Gombauld. em Rhode Island (1764). provavelmente.'5 Num panfleto publicado em Londres em 1643. 91. Inglês e Matemática. Desmarets. que fixaram a data oficial da fundação. oito dias depois. '6One of the next things we longed for. se transformou na Universidade de Pensilvânia e foi. with the exception of Pennsylvania. Readings in Public Education in the United States. dos anglicanos. 265. em Virgínia (1693). a Academia e o Colégio de Pensilvânia (1753-55). Cubberley.setts (1636). tendo recebido as cartas patentes do rei em 1635. Text 10: The Founding of Harvard College. Text 59: The opening o f King’s College. em Filadélfia (1751). Cubberley. em Connecticut (1701). e este pôs o Cardeal De Richelieu a par do con- ventículo literário. assim como . dos presbi- teriamos. pág. in Cubberley. Logo se agregaram a esse grupo Faret. Habeit e Malleville em casa do seu amigo Conrart. que ele dominava e de que pretendia servir-se. Antoine Adam diz que Richelieu fazia questão da completa docilidade da Academia. com os seus três departamentos de Latim. o Rutgers. dos puritanos.16 A Academia Francesa e as academias escolares Entre as academias fundadas no século XVII merece realce especial a Academia Francesa. ressaltando-se o objetivo de cultivar o saber e de se prepararem pastores competentes para o ministério religioso. da Igreja Congregacional. passando a chamar-se. devendo-se destacar que a Academia de Franklin. o colégio Brown. da Igreja Congregacional. and perpetuate it to Posterity. e o ilustre purpurado resolveu patrocinar a fundação da Academia que celebrou a sua primeira sessão aos 13 de março de 1634. though there was a gradual shading-off in strict denominational control and insistence upon religious conformity in the foundations after 1750”. 24b. dos anglicanos. e o Dartmouth. pag.5Ellwood P. dos batistas. Em 1639. Godeau. “The religious purpose had been dominant in the founding of each institution. and looked after was to advance Lear­ ning. o King’s College (Colúmbia). em New York (1754). 24 . o de Princeton. Boisrobert. em New Jersey. dreading to leave an illiterate Ministry to the Churches. when our present Ministers shall lie in the Dust”. o Yale College. 13. em New Hampshire (1769). Public Educa­ tion in the United States. Academia Francesa. pág.. a primeira acade­ mia americana. acena- se à fundação do novo colégio de Harvard em 1636. (1746).

pág. entendemos uma união de estudantes (distintos pelo talento e pela piedade). mas o pró­ prio Compayré recorda que os jesuítas desde o século XVI. Leonel Franca S. Nestes grêmios li­ terários e científicos podemos saudar com razão os precursores dos seminários de história e filologia das universidades modernas. políticos. julgasse do valor das obras literárias e ditasse as regras da boa linguagem. I. A Academia também deveria provi­ denciar a composição de uma Gramática. por parte dos melhores escri­ tores da época. do Pe. nomeado pelo reitor. O acadêmico mais influente foi Vaugelas. “Sob o nome de Acade­ mia.lhe devia fornecer polemistas para responder aos libelos dos seus ini­ migos instalados em Bruxelas ou em Besançon. publicado em 1694..17 Entre os membros havia escritores e outros eruditos. Segundo Compayré. “reunia-se o escol dos estudantes. e que fizesse dela e da lberatura pátria as primeiras da Europa. T. escolhidos entre todos WãTunos que. Sob a orientação de um padre. ao menos 2 vezes por ano. o cardeal via mais longe e mais alto. J. As suas reuniões eram fre- qüentes. 65.”18 O Ratio studiorum prevê uma academia para estudan­ tes de teologia e filosofia. diz Leonel Franca. Esse modelo próximo e nacional da Academia Francesa pode ter servido de inspiração para a Congregação do Oratório. con­ selheiros e secretários eram eleitos pelos próprios membros da Academia. reza o Método Pedagógico dos Jesuítas. “Nas academias”. os que por talento. As academias incentivavam a atividade espontânea dos alunos. outra para alunos de Retórica e Humanida- 17Antoine Adam. em escrutínio secreto. 221. pág. sob a presidência de um membro da companhia. diz Adam. mas o bom uso. Presidentes. talvez o exemplo da Academia Francesa tivesse inspirado a iniciativa dos padres oratorianos que pro­ moveram nos seus colégios a fundação de academias para os seus es­ tudantes. não o popular. Trad.J á haviam adotado a instituição de academias escolares nos seus colégios. organizavam-se democraticamente. Todavia. uma Retórica e uma Poética. advogados <Tmédicos. pois esperava que a Academia con­ corresse para a perfeição da língua francesa. despertavam o gosto da investigação científica e abriam um campo de largos horizontes abertos aos entusiasmos generosos que não se contentavam com as obrigações ordinárias das aulas. Cha- pelain compôs os SentimentsdtfTÃcadémie sur le Cid e plàhéjòu" o Dicionário. se congregam para entregar-se a certos exercícios relacionados com os assuntos.” Ib. declamações e discursos de­ senrolavam-se num ambiente que coroava esforços e estimulava brios. 225-228. autor das Remarques sur la Langue Française (1647) que aponta o uso como o critério da lin­ guagem. pág. Histoire de Ia Littérature Française au X VIV Siècle. aplicação e piedade podiam servir a todos de espelho e colher destes trabalhos voluntários os frutos mais copiosos. tanto que o Ratio studiorum lhes provê as regras. mas nas grandes festividades do ano as sessões revestiam-se de maior aparato: afluíam convidados de fora e as disputas. 25 . ' 80 M étodo Pedagógico dos Jesuítas.

Se os alunos fossem muito numerosos. cura animarum. néanmoins. Academia-1 1’“L’Académie française venait de se fonder. Ward. Planos de reforma educacional para as universidades inglesas Pela metade do século XVII. e uma terceira composta de gramáticos. Em 1653. à parler. Est-ce par imitation. ses réunions mensuelles et publiques? Il y avait. ou simple­ ment par souvenir de ce qui se faisait chez les jésuites. Samuel Hartlib dedicou ao Parlamento o seu tratado sobre o reino ideal de Macária. o seu chanceler e as suas reuniões mensais e públicas” ' 9. The Saints Guide. I. escreveu sobre temas científicos: Metallo- graphia (1671) e Displaying of Supposed Witchcraft (1677). qu’on organisa à Juilly. e médico solícito com os corpos.des. a fim de pôr em prática na Inglaterra o ideal da pansofia. agitaram-se idéias e formularam-se pro­ postas sobre a reforma curricular das universidades na Inglaterra.mesmo tempo sacerdote com o cuidado das almas. que via nas obras de Fludd. se não foi o exemplo da Academia Francesa. Além de obras religiosas. son chacelier. T. dans ces jeux académiques une inténtion utile. pâg. e essa questão colocou-se com grande realce na Inglaterra através do debate entre Webster. 26 . cada classe poderia ter a sua~Academia. Por isso. Em 1641. a formação universitária na Inglaterra. Evidentemente. compôs as suas duas obras de maior repercussão. diz Compayré. lastima a péssima formação dos pastores para o minis­ tério evangélico. um peu puérilement en tout cas. escrita alguns meses depois. Na primeira. Wilkins e Hall. une académie littéraire avec son président. médico e ministro eclesiástico. de modo um pouco pueril. estava estreitamente ligada à formação dos ministros religiosos.” Gabriel Compayré. foi a lembrança do que se fazia entre os jesuítas que levou os educadores oratorianos a organizarem no seu colério-modelo de Juilly. celle d’exercer les jeunes gens à se produire. uma academia literária com o seu presidente. Webster foi químico. onde os estudiosos no Colégio dos experi­ mentos desenvolvem remédios em benefício da humanidade. Em Ma­ cária cada pároco é ao . e na segunda. 221. cura corporum. exceto no caso dos cursos jurídicos. em virtude do crescente progresso das ciências e sob o impacto das con­ cepções baconianas e da nova filosofia de Descartes. E foi Hartlib quem apelou para o reformador educacional tcheco João Amos Comenius. como em toda a Europa. João Webster (1610-1682) foi o representante da ciência nova e dos anelos de reforma do sistema educacional. Helmont e dos adeptos de Paracelso o material de estudo ideal para as universidades. Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France depuis le seizième siècle. A organização e as atividades dessas Academias são minuciosamente prescritas.

amumenta que a obra de Aristóteles não pode servir de base para a educação cristã e propõe novo currículo e novos métodos para o ensino universitário. as declamações de Webster sobre a lógica pecavam pela base. e escreveu Discovery of a World in the Moone (1638) e Mathematical Magick (1648). Wilkins defendera o sistema copernicano (1640). . rum Examen. já que não soube apreciar corretamente Bacon e Descartes. O grupo desses estudiosos compunha-se de Robert Boyle (1627-1691). Webster advogava o ensino de nova ciência mais baseada na realidade através de observações e de experimentos do que nas abstrações lógicas e ma­ temáticas. argumentavam. Jonathan Goddard (1617-1675) e John Wallis (1616-1703). agora. Por outro lado. tomando a filosofia como a busca da descoberta dos segredos da na­ tureza. que seriam desvendados por meio da observação e da experi­ mentação. os próprios propugnadores da nova filosofia reagiram logo ao Academiarum Examen. No ensino da astronomia ele propõe a substituição de Aris­ tóteles e de Ptolomeu por Copérnico. já que as universidades nos anos recentes ensinavam tanto o silogismo como a indução. Thomas Willis (1621- 1765). está firmemente baseada no experimento e na ob­ servação. Da mesma forma. Ademais. decla­ rando que Webster ignorava o estado real em que se achavam as uni­ versidades. ataca o ensino universitário. Seth Ward. a medicina. escreveram Ward e Wilkins as Vindiciae Academiarum (1654). Webster foi muito influenciado pelas obras herméticas e pelos ocultistas e julgava que a filosofia devia ser estudada nas obras de Francis Bacon. Galileu e Bullialdus. Depois. Ticho Brahe. assim como acharam defi­ ciente a crítica websteriana a Aristóteles. e condenou injustificadamente Aristóteles. Assim. professor de astronomia. como a química e a “filosofia magnética e atômica” são devidamente apreciadas e estudadas. criticara em livro o siste­ ma astronômico de Ismael Bullialdus (1605-1694). Contra a obra de Webster. já que ela nada acrescentava de novo às obras de Gassendi e de van Flelmont. porque os no­ bres só querem fazer dos filhos advogados e nem um só estudante em cem se consagra ao estudo da filosofia natural. e compôs a sua Astronomia Geométrica publicada em 1656. e de Robert Fludd. a reforma educacional preconizada por Webster não seria viável. o próprio Webster não teria compreendido as filosofias cujo estudo re­ comenda. No entanto. e acha que a chave essencial para descobrir os segredos da natureza é a química estudada por meio da prática de operações manuais. diz Ward. e as novas ciências. refu­ taram o ataque de Webster à gramática e as suas considerações sobre o ensino das matemáticas e da astronomia. diz Ward. Entre eles achavam-se Seth Ward (1617-1689) e John Wilkins (1614- 1672). apontava como objetivo dela a magia natural.

Com isso. apesar do prolongamento da tradi­ ção pedagógica do humanismo renascentista. por exemplo. autor das Vindiciae Liíterarum (1654) e do seu apêndice Histrio-Mas- tix. Num passo já citado atrás. e entre elas pôde reconhecer as dos famosos gramáticos Antonio de 20Allen G. Além disso. pois eles foram apenas três obras entre as muitas que se publicaram naquela época. e depois de haver passado pela alfândega. Ora. A obra traz os textos das obras Academiarum Examen. que ao lado do descaso dos aris­ tocratas grosseiros pelo saber. são importantes pelo que informam sobre o crescimento da ciência nessas décadas cruciais da me­ tade do século XVII”20. na Espa­ nha e na França. Debus. Debus. Vindiciae Academiarum e Histrio-Mastix. havia. 28 . achava que o'seu próprio modo de pensar estava plenamente de acordo com o de Wilkins e de Ward. Essa atitude quanto ao idioma pátrio verificava-se em toda a Eu­ ropa. Como observa Allen G. é curioso verificar que o rígido aristotélico Thomas Hall (1610-1665). sobre uma multidão de pro­ blemas educacionais. à luz do que já vimos sobre a educação na Inglaterra. só as línguas latina e grega mereceriam 'ás honras do estudo. e homem culto seria o que fosse capaz de exprimir-se correta e elegantemente na língua de Cícero e Virgílio. 57. pois era do parecer que o cos­ tumeiro currículo universitário era suficiente para a preparação dos ministros evangélicos. O estudo da língua pátria De acordo com os humanistas do Renascimento.U ocultista Webster reclamava a observação e o experimento como base da sua reforma educacional. pois nessa época surgiram obras-primas. Hall. pág. “seria errôneo pensar que os tratados de Webster. entre os sábios e os mestres uni­ versitários. autêntica preocupação com a situação das escolas. Wilkins e Ward representassem o espectro do pen­ samento a respeito da reforma educacional propalada na Inglaterra da metade do século XVII. podemos verificar. Science and Education in the Seventeenth Century. Durante o século XVII. teve a atenção voltada para “o ruído de confusas vozes que saíam de escolas”. The Webs- ler-Ward Debate. Saavedra Fajardo declara que ao adentrar a Re­ pública das Letras. tanto os mestres quanto os escritores dedicaram atenção e cuidado ao cultivo da língua nacio­ nal. freqüentemente se deplorava o vezo da gramatiquice em que havia despenhado o ensino da língua latina. enquanto os modernos “mechanical philosophers” se batiam pela manutenção do statu quo escolar. Sem embargo disso. máxime com as de nível superior.

Fajardo reconhece ser exagerado o número das regras e dos preceitos gramaticais..Nebrija.a ed. e nel cui luogo si è introdotto o si è sostituito. 5. não mais concebendo-se como expressão dege­ nerada. pág. Da Educa­ ção das Crianças. “a perversão ar- tística” que a literatura e a arte da lfália difundiram na Europa. nos manuais de história da cultura e da literatura”23. antes como forma peculiar de um período da história da cul­ tura moderna. diz Afrânio Coutinho. todavia. in Essais. passou por üma revisão iniciada por Burkhardt no Cicerone (1855) e formulada de modo clássico por Wõlfflin em sua obra Conceitos Fundamentais na História da Arte. Storia delVEtà Barocca in Italia. juntamente com outras do mesmo naipe. O termo barroco passou a ser usado para caracterizar o estilo artístico e literário nascido no fim do século XVI e dominante no XVII. predominante no 21C’est Barroco et Barralipton qui rendent leurs supposts ainsi crotez et enfumés. ils ne la connoissent que par ouïr dire. al contrario.” Benedetto Croce. tanto que o vocábulo passou mesmo a designar a forma de mau gosto. assim como pelas extravagâncias. 173. Esta palavra. o que enervava os alunos e os levava a abando­ nar os estudos. pág. a fim de nomear ra­ ciocínios pedantescos ou sofísticos. 25. non è niente di artístico. oriunda provavelmente do termo artificial baroco. com que se designava na lógica medieval uma das figuras do silogismo. pág. do mesmo modo que o termo recebeu definição precisa. 29 . introduzido no uso cor­ rente da crítica de arte e literatura. 23Afrânio Coutinho. 90. Liv. A floração literária do século XVII ocorreu na atmosfera artística do barroco. muitas pessoas só lhe captaram os aspectos negativos. e.” Montaigne. foi essencialmente um italianismo. ma anzi. ha mentito l’aspetto e il nome. chap. como se colhe do conhecido lanço de um ensaio de Montaigne: “São o Barroco e o Baralipton que tornam seus adeptos sujos e ressequidos. Introdução à Literatura no Brasil. requinte dos ornamentos.” O conceito de barroco. e. come tale. di cui. algo de feio com aparência de artístico. “Graças aos trabalhos de Wõlfflin”. acrescenta Croce. tais como barbara e baralipton. Daí dizer Bene- detto Croce que a idéia de barroco traz com ela a do ridículo levado ao excesso. T. ce n’est pas elle. I. I. E o barroquismo. recentemente. pois mal a conhecem de oitiva”212. passou a ser usada por autores antiescolásticos. “a arte barroca foi revalidada. Manuel Alvares e outros que ensinavam à juventude a grama- tica. com valor estético e significado próprios. qualcosa di diverso dall’arte. Em conseqüência disso. e que se notabilizava pelo exagero da fantasia. “sem cujo conhecimento ninguém podia se'r cidadão daquela re­ pública”. O barroco passou a significar o desenvolvimento natural do classicismo renascentista. XXVI. 22“Dunque il barocco è una sorta di brutto artístico. não a filosofia.

A atividade concentrou-se em tdmo da ftase e o mun­ do literário segregado da vida. pois. acaba por sobrecarregá-la de folhagem e por cobri-la de trevas. foi Daniello Bar- tolli. 639. II. pobre de idéias e riquíssimo de imagens. e neste sentido hoje o termo é reconhecido pelos críticos e historiadores de todas as nacionalidades. Ao contrário. do eufemismo. gongorismo. não podendo ser novos. “os seus furores eróticos” . . pág.século XVII. o culteranismo e o conceptismo. que reluziram 24Francesco De Sanctis. e vazio de todo escopo sério. T. pelo menos servem de contrapeso ao poder da imaginação”25. acrescenta. pro­ curada como sendo a expressão refinada de idéias adequadas e de concepções profundas ou peregrinas. procurou des­ crever de modo reservado e elegante. Deles diz Menéndez Pelayo: “Nada de mais oposto entre si que a escola de Gôngora e a escola de Quevedo. que. 30 . e no pensamento. 325-326. foi. Gôngora. T. de sombras e de representações fan­ tásticas. 25Menéndez Pelayo. . Donde se colhe que. a tendência satírica direta. “aguçaram o intelecto. conveniente res­ saltar os aspectos positivos de tais movimentos literários. o caudilho dos conceptistas não presumia ser dogmatizador literário mas formou escola sem o buscar e sem o querer. foram estranhos. segundo De Sanctis. começando por vesti-la de insuperável louçania e inundá-la de luz. Os escritores dessa estirpe. Daí se percebe que o ma­ rinismo e o bartollismo comportariam na poesia e na prosa o gosto da linguagem indireta. Historia de las Ideas Estéticas em Espana. busca o triunfo nos elementos mais exteriores da forma poética e. II. marinismo. e da Espanha. A literatura barroca da Espanha atingiu os seus pontos cimeiros nas obras de Don Luis de Góngora y Argote (1561-1627) e de Don Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645). descontada a afetação na forma própria do culteranismo. Parece-nos. autor do Adónis. assim como a busca ansiosa da forma escorreita. O Marino da prosa. No quadro do estilo barroco surgiram os movimentos literários da Itá­ lia. empolaram as frases e. diz De Sanctis. 640 e 646. peculiar ao conceptismo. torna-se um exercício acadêmico e retórico”24. pág. sob o manto das alegorias. na idade madura. o grande mestre da pala­ vra. nas quais o elemento intelectual. “obreiro artificiosíssimo e insuperável de períodos e de frases. Storia delia Letteratura Italiana. arrebicada. “o rei do século. esses movimentos literários deram ênfase à mestria na linguagem. de estilo ao mesmo tempo precioso e florido. Segue os rumos excêntricos de sua inspiração que cria um mundo novo de alegorias. Marino. se não predominam. o engenho da centúria”.

que levaram Molière a satirizá-los como ridículos na comédia Les Précieuses Ridicules. psicoló­ gicas e literárias. A expressão précieuse é termo sem equivalente masculino e serviu para designar no século XVII as mulheres que orientavam a conduta ideal das pessoas na sociedade po­ lida. de modo que se pode registrar nessa época a ênfase quanto ao amor da língua pátria e ao esmero no seu manejo. Histoire de la Littérature Française Classique (1515- 1830).6Ferdinand Brunetière. o precio­ sismo exigia a delicadeza. nas Cartas de Guez de Balzac (1597-1654) e de Voiture (1598-1648). No terreno dos sentimentos.56 O gênero “precioso” exprimiu-se no ro­ mance pastoral. o senso da medida e o amor platônico. apesar dos seus aspectos exagerados e negativos. o pernosticismo na linguagem e no modo de agir. como. artistas e gente mundana. pois parte do princípio de que a obra de arte é capaz de causar um prazer particular. Le Dix-septième siècle. prescrevia a busca do prazer estético através da forma peregrina e requintada. assumiu formas pessoais. na França ela se projetou como preciosismo. Esse movimento francês. qualquer que seja o assunto. O preciosis­ mo. do pedantismo e do tecnicismo. Quan­ to à literatura e ao bom gosto. 103 e 105.em tantos escritores de escol. no romance de aventuras. II. 31 . a urbanidade e o domínio da arte da conversação. por exemplo. e procura afastar-se da ciência e da erudição e. Trata­ va-se de predileção especial pelas poinlqs. o equivalente francês dos concetti italianos e das agudezas espanholas. e de que combina­ ções fonéticas são capazes de proporcionar o gozo estético. o uso da linguagem castiça e do estilo brilhante com o emprego de perífrases e metáforas. como as obras de Mlle. Nas maneiras das pessoas. de Honoré d’Urfé. como a de Chapelain (1595-1674). em que se reuniam sábios. para cultivarem a arte da* . A preocupação da linguagem cuidada e da expressão escorreita con­ tinuará a caracterizar as grandes obras clássicas francesas do século XVII. portanto. equivale no seu aspecto positivo à lídima disposição de espírito que se empenha em se distinguir do vulgar e do habitual. o preciosismo como concepção literária compara-se à teoria da arte pela arte. T. Artamène ou Le Grand Cyrus (1648-1653). mestre de pensamento e da linguagem apurada. a preciosidade impunha a elegância dos gestos. escritores. a roupa de acordo com a moda. la préciosité. como UAstrée (1589). e Clélie (1654-1661). no nosso grande Pa­ dre Antônio Vieira. devido ao romance de John Lily. ao mesmo tempo. de Scudéry. Euphues. 102. Segundo Brunetière. A expressão social do preciosismo foram os salões. como a pretensão descabida. e na poesia he­ róica e galante. Se na Inglaterra essa tendência literária da época foi denominada eu- fuUmo. pâg.

28“II est bien connu que la politesse. o francês foi introduzido nas salas de aula. imita­ ções na capital e nas províncias. 129-130. lorsque les colleges s’attachent à l’éducation de la politesse. os jesuítas e os lassalistas. na sua História da Pedagogia.” Id. à educação da polidez. pâg. freqüentado por grandes nobres e dis­ tintos escritores. em 1643.Os oratorianos nas duas primeiras classes escolares ensinavam o catecismo em francês e a história só era ensinada na língua pátria. Lamy. 102. . através das regras e dos exemplos gramaticais traduzidos para o vernáculo. das 17..28 A educação popular na Alemanha Diz Albert Reble. Bossuet e Fénelon achavam que a gramática la­ tina devia ser escrita em francês. secundada pelas suas filhas Ju- lie d’Angennes e Angélique. No campo educacional. manifestou-se no cuidado com a língua e com a polidez nas escolas. Malebranche. C’est pourquoi. como a dos outros movimentos italiano e espanhol. Desde a metade do século XVII. culta e virtuosa. timbraram em inculcar as boas maneiras é ás regras da civilidade. Geschichte der Pädagogik. un certain sens de la vie en société cons­ tituent une conquête du XVIIe siècle.27 Os colégios dedicaram-se. . As duas primeiras gramáticas latinas escritas em francês foram as do Père de Condren.conversação e das boas maneiras e para viverem momentos deliciosos de convivência. La Pédagogie en France aux X V II’ et X V III’ siècles. e que fulgurou na sociedade parisiense. O oratoriano Père de Condren estabeleceu para as classes elementares a iniciação literária nas regras e na ortografia do francês antes de os alunos começarem os estudos latinos. bela. a direção positiva da préciosité.29 Com efeito. O Hotel de Rambouillet suscitou. 29“ . während das 16. ils ont conscience. ibid. tendo avultado entre todos a dos Irmãos das Es- 27Georges Snyderns. como os oratorianos. . tanto em livros como na disci­ plina escolar.” Albert Reble. que. d’inculquer des valeurs réelles de sociabilité. . Jahrhundert fast nur die Gelehrtenschule fördert. particularmente de*1630 a 1645. 140. Jahrhundert sich gerade der Volksschule zuwendet. Fleury. Marquesa de Rambouillet. presidido por Catherine de Vivonne. . também. O salão francês mais notável e famoso da época foi o Hotel de Rambouillet. assim como no resto da Europa. pâg. uma das ca­ racterísticas dessa centúria foi o interesse por tal tipo de educação. tout en préparant au monde.. por sua vez. o século XVII consagrou-se precisamente à escola popular. e a de Lancelot em 1644. se o século XVI promoveu a escola aristocrática e erudita dos humanistas. que nos países católicos correu por conta de congregações religiosas mas­ culinas e femininas. 32 . e os educadores de Port-Royal. pâg.

adepto de Ratke e de Comenius. O que houve. g rolo n - gou-se no século XVII unia diretriz luterana dá centúria anterior. de acordo com a capacidade dos alunos. pois ti­ nham cargos estáveis e bem remunerados. noções científicas. básico mais atraente das línguas e das coisas. quando os alunos fossem julgados aptos para a dispensa da escola. que deviam dispor de manuais. Reyher. foi que os príncipes alemães passaram a consagrar desvelos à escola popular. do ducado de Saxe-Gotha (1601-1675). ainda. Foi esse o regulamento chamado de Schul-MethoduS de Ernesto. 2. que deveria ser agência fundamental da for­ mação religiosa. entretanto. juntamente com a família. Õ currículo escolar abrangia a religião. o Piedoso. o que não aconteceu com muitos outros regulamentos es­ 10Willy Moog. à luz dos ensinamentos de Ratke e de Comenius. Realien. Esse regulamento dispunha que meninos e me- ninas de todas as classes frequentassem a escola obrigatoriamente des­ de os cinco anos. interessou-se pelo aproveitamento do novo método escolar no ducado de Weimar.30 O Duque Ernesto I. . pois Lutero-haviíLapelado aos governantes alemães para que sustentassem a educação-proposia por sua nova Igreja. Um dos seus méritos. A protetora de Rat- ke. Em 1619. o documento pedagógico alemão mais impor- tante do século XVII. até quando fosse necessário. Geschichte der Pãdagogik. tal como esse novo método era observado para a instrução dos jovens no principado de Weimar. o canto. o que só iria ocorrer na Prússia do século XVIII. . a leitura. As faltas eram punidas com multa.colas Cristãs de São João Batista de La Salle. o cálculo. Kromayer publicou o seu Bericht vom neuen M ethodo. pág. Os professores gozavam de segurança. a Duquesa Dorotéia Maria. incumbiu o reitor do ginásio de Gotha. 244. na linha da afirmação de Reble. ld. 33 . na Alemanha dò século XVII ainda não se tratava de educação oficial ou estatal. o que seria revelado pelo exame de suficiência por volta dos 12 anos. e levou o pregador da corte Johannes Kromayer (1576-1643) a ocupar-se com a questão da re­ forma escolar. e desse modo não teve propriamente origina­ lidade alguma. foi o de ter sido posto em prática. sem ter podido realizar tal projeto. aprender as lições de cor ou por meio do método intuitivo. o Piedoso. As matérias de ensino deviam ser dosadas atiladamente pelos vários anos da escola. Por isso. de reformar o en- sino popular e de redigir em 1642 uma mêmóTíã quanto às escolas e aos métodos didáticos. a fundação de uma escola normal para a formação de bons professores. as realidades da vida cotidiana e a geografia da terra pátria. Na AI e ma nha . o plano escolar de Saxe-Gotha foi calcado nas obras de Ratke e de Comenius. mas que deveria ministrar também ensino. Teoricamente. O Duque Ernesto planejou.

o que de fato conse­ guiu. com os benefícios que lhe proporcionou no campo material. de Buisson (1911). O Duque Ernesto I. cita-se o provérbio alemão: “Os campónios do duque Ernesto sabiam mais e melhor que os fidalgos de outras regiões”3'. e o exemplo de Ernesto. moral e intelectual. o Pie­ doso. levou Reyher a compor os livros imprescindíveis às aulas e à aplicação conveniente do método.colares que só existiram no papel. do ponto de vista da prática escolar. O Duque Ernesto I fez jus ao apelido. Ademais. foi seguido por outros príncipes. No excelente verbete que lhe é consagrado no Nouveau Dictionnaire de Pédagogie. o Piedoso. 3'O Schul-Methodus teve grandes méritos. Quando os mestres morriam. e envidou todos os esforços para melhorar suas condições de vida. O pequeno ducado saxônico intro­ duziu na escola alemã o ensino intuitivo. as viúvas e os órfãos eram assistidos por uma caixa beneficente criada pelo compassivo duque. pois comiserava-se da sorte do povo. o Duque Ernesto pa­ gava anualmente uma gratificação especial aos professores. E o plano escolar de Saxe-Gotha foi até mesmo superior em muitos pontos aos projetos pedagógicos dos educadores do século XVIII. 34 . tal como o abecedário e o livro de leitura distribuídos gratuitamente aos alunos.

Descartes propôs o matematismo. 2) Dividir as dificuldades em parcelas. 3) Conduzir por ordem os pensamentos. depois. Na área das ciências. pronuncia­ da a 18 de outubro de 1708 e intitulada De nostri temporis studiorum ratione. numa das suas Orações inaugurais. Esse regulamento escolar. ao redigir em 1626 as Regras para a direção do espírito (Regulas ad directionem ingenii). Nessa preleção. o filoso­ fo enuncia com sobriedade as suas quatro regras famosas. 4) Fazer enumerações completas e revisões gerais. essa metodo­ logia prática.Capítulo III A didática no século XVII Encerrou-se o capítulo anterior com a apresentação da Schul-Methodus do Duque Ernesto. No Dis­ curso do Método. que haviam surgido a propósito da investigação científica e logo se voltaram para o campo da aplicação pedagógica. Vico não só confuta o matematismo de Descar- 35 . inclusive para a própria filosofia. tantas quantas forem necessárias. a sétima. Na Segunda Parte do Discurso do Método. o filósofo explica a natureza e a importância do método. O matematismo cartesiano foi refutado no início do século XVIII pelo filósofo italiano J oão B a t is t a V ico (1668-1744). das quais principalmente a terceira foi logo estendida ao terreno escolar: 1) Nun­ ca aceitar por verdadeira coisa nenhuma que não se conheça como evidente. o Piedoso. Na quarta regra. ao declarar que este é necessá­ rio para investigar todas as coisas e consiste num conjunto de regras certas e fáceis que permitem não se confundir o falso com o verdadeiro e se chegar ao verdadeiro conhecimento de todas as coisas. composto por Reyher à luz dos ensina­ mentos de Radke e Comenius. professor da Universidade de Nápo­ les desde 1699. 18 explicadas e 3 apenas enunciadas. com 21 regras. inscreveu-se. aos mais compostos. quase no fim do século XVII. e só admitir juízos compostos de idéias claras e distintas. no quadro mais que centenário das disquisições a respeito do método. que iniciou os seus escritos filosóficos com essa preocupação. ao erigir o método da ciência matemática em modelo para todas as ciências. o grande representante da doutrina a respeito do método foi R e n é D e s c a r t e s (1596-1650). começando pelos objetos mais simples e mais fáceis para chegar.

. ou seja. adiumenta. unus ab omnibus celebratur. a estudar os meios pelos quais da fusão de am­ bos se aproveitassem os benefícios próprios de cada um deles sem os seus respectivos inconvenientes. Os instrumentos são a nova crítica. Do Renascimento ao início do século XVII. na Antigüidade. Luís Vives e Giacomo Aconcio. a química. quia est arbitrio incertissima. no seu tratado sobre a alma. finem. 58. quia certa videtur: hominum naturam non vestigamus. polaris lapidis urna. observa que “a marcha da aprendizagem vai dos sentidos à imaginação. Vico declara que o método pedagógico compreende: instrumentos. o microscópio. o telescópio. e o objetivo. devem destacar- se os precursores de Bacon. instrumento. foi a de Bacon. vestigamus naturam rerum. ibid. dentre as quais se ocupou mais longamente com a ciência jurídica. tal como a marcha da vida e da natureza” .1 Esse tema do méto­ do nos estudos para se alcançar a verdade já preocupara no século XVI. Luís V iv e s . são as obras paradigmáticas dos grandes autores nas várias áreas do saber. e ensina que o processo didático* '“Finis autem omnium studiorum unus hodie spectatur. pâg. enquanto o objeti­ vo único e indubitável dos estudos é a verdade. pâg. a análise matemática. da atenção outorgada aos métodos de ensino nas escolas. veritas. à pedagogia pueril e à arfq de ensinar.tcs como também discorre sobre os métodos pedagógicos. No seu-opús­ culo. De nostri temporis studiorum ratione. e da imaginação à mente. Luís Vives. Vives fundamenta a didática numa concepção antropológica.. Francis Bacon. Melquior Cano. que refletiram no seu meio e na sua época a respeito do mesmo assunto que já ocupara a mente de Aristóteles no Organon e a dos Estóicos na sua Lógica.didas por Bacon no De dignitate et augmentis scientia- rum. 18. a saber. Os recursos auxiliares.” Vico. Campanella e Pedro Ramus. Cornélio Agripa. às diferenças individuais. à vida intelec­ tual. Depois de se haver referido nos capítulos anteriores aos sentidos. De dignitate et augmentis scientia- rum (1623). discorre sobre “o modo de aprender”. a examinar as vantagens e as desvanta­ gens de um e de outro. participou da famosa querela sobre os Antigos e os Modernos e propôs sugestivas idéias a respeito das disciplinas escolares. a obra mais vultosa e sa­ liente a respeito do método científico. no capí­ tulo VIII do Livro II. Sob o aspecto da preocupação educacional. e nesse sentido Vico aprofundou as concepções expen. os livros e as universidades. “Quia unus hodie studiorum finis veritas. Galileu. a bússola. antes de Descartes.” Id. De anima et vita. Leonardo de Vinci. os recursos auxiliares. e até mesmo das suas implica­ ções pedagógicas. de studiorum ratione. o antigo e o moderno. na dou­ trina filosófica da mente humana. por sua vez. Jacó Acôncio. unus colitur. 36 .

Id. os passos e as divisões aos quais o investigador precisou submeter-se durante as pesquisas. Na primeira. as explicações das coi­ sas — o que é mais importante. o seu opúsculo De methodo.4 No terreno da didática há que se caminhar do mais conhecido para o menos conhecido.23 G ia c o m o A c o n c io (1500?-1566?). aqui. O professor. à simpatia pelo inatismo dos primeiros princípios e ao fato de ter inculcado a necessidade de se ir sempre do que é conhecido para o desconhecido. em que o próprio subtítulo revela as preocupações pedagógicas. procura saber se as coisas correspondem aos juízos e se estes são verdadeiros. este é necessário principalmente para os proposita.. ut scilicet a notioribus ad mi- nus cognita semper procedatur. pág. . qua. foi de certo modo precursor de Descartes devido à sua predileção pela analise. 86. filósofo. onde escreveu o livro Estratagemas de Satanás ( Stratagemata Satanae). que publicou. a fim de indagar se algo se sabe. Acôncio examina as questões. 37 . et rei alicuius notitiam indagare. acalentara a esperança de escrever outro livrinho. Depois de ter estado na Alemanha e na Suíça. devendo evitar-se. para o ensino.207. ele passa a explicar o que são as coisas. como se sabe. docere commode possis” (grifo nosso). diz ele. em 1558. em Bâle. a 2Luís Vives. Obras Completas. de­ pois de ter escrito o livro Quod nihil scitur. Na Segunda Parte. § I. § I. tal como se observa com as crianças. D e Methodo e opuscoli religiosi e filosifici. ou seja. estabele- ceu-se na Inglaterra. e foi executado por Jacobus Acontius. para o nosso intento — . 3“Est vero Lógica. 4Sit igitur methodus recta quaedam ratio. Proposita ou Themata. Esse projeto. em oito partes ou livros. . redigiu o opúsculo sobre o método. pág. meo quidem iudicio (utcumque earn definiant multi) recta contemplandi docendique ratio. da França e da Hibérnia. hoc est de recta in- vestigandarum tradendarumque Artium ac Scientiarum ratione. O português F r a n c isc o S a n c h e z . isto é. no entanto. deve seguir o “método resolutivo”.. ” Em 1558. o mé­ todo correto de contemplar e de ensinar a verdade. rainha da Inglaterra.3 O opúsculo divide-se em duas partes. 86. ficou no tinteiro. et quod assecutus fueris. que dedicou “à divina Isabel. Sortais situa muito bem a posição de Acôncio na série dos estudos sobre o método. a saber. todavia. Quaestiones. Acôncio tornou-se protestante e aban­ donou a Itália. do particular para o geral. citra veritatis examen (objeto da Primeira Parte). 1.” Aconcio. ibid. e de expor em seguida o método da ciência. Ainda que a investigação da verdade exija um método. teólogo e engenheiro. segundo Gaston Sortais. pág. De methodo. e o método é imprescindível à transmissão do conhecimento aos outros. por sua vez.deve proceder do simples para o composto. recta contemplandi docendique ratio. Jurista.

e que se reduz à indução. discípulo de Melanchthon. pro­ fessor da Universidade de Copenhague. no século XVI. D e dignitate et augmentis scientiarum. 4) A arte de comunicar os pensamentos. também muito agradável) por um só ano. O maior representante das investigações sobre o método foi. 172. e o dinamarquês N ie l s H e m m i n g s e n ou Nicolaus Hemmingius (1513-1600). do Método e do Embelezamento do Discurso. pág.. declarando-lhes muito seguro de si mes­ mo: “Se suportardes essa fadiga (aliás. de transmitir as invenções e os juízos que a memória recolheu. pois assim como a descoberta exige métodos par­ ticulares de investigação. artes lógicas ou racionais: e) A arte de in­ ventar processos e argumentos. diz ele. “requeiro a existência. Erster Band. 666. do mais comum ao menos comum. Ele pode. a atenção dos estudiosos no início do século XVII co- 5“Quem Laborem (alioqui etiam incundissimun) si unicum annum sustinueritis. 1550-?). 2) A arte de julgar por indução ou por silogismo. isto é. Segundo Bacon. que compôs os opúsculos De methodis libri duo e De lege naturae apodíctica Methodus concinnata. às vezes. vindo a constituir o principal elemento da “Arte de transmitir o pensamento” e a equivaler à Didática. que eu morra se não reconhecerdes que vos tomastes outros homens. Acôncio termina por recomendar insistentemente esse método aos estudantes. Esta última chama-se Retórica ou Arte Oratória. e que nos últimos dois capítulos do Livro III da sua Theoria Analytica trata da classificação das ciências e da lógica do método. de acordo com os seus respectivos objetivos. § XVIII. à síntese. assim. Além de Acôncio. há quatro espécies de lógica. Na sua obra De dignitate et augmentis scien- tiarum ensina que. os métodos variam conforme a matéria tratada. E v e r a r d o D ig b y ( c. “Bacon. como. 3) A arte de reter para ajudar a memória. W il l ia m T e m p l e (1555-1627). e começastes só nesse ponto a ter olhos”5. ibid. e os malogros do ensino procedem da falta de métodos adequados. ac incipere turn demum oculos habere. pelas indagações sobre o método.6 Desta maneira. como se pode verificar. distinguiram-se. à dedução. Pru- dentia traditiva. que polemizou com Digby a respeito do método. a Matemática ou a Política. Esta última arte se subdivide em três partes: Ciên­ cias do Instrumento. F r a n c is B a c ò n . Liber Sextus. professor em Cambridge. 38 .” Id.. recorrer também ao “método compositivo”.análise que remonta do fim às causas. pois o ensino da ciência impõe o uso de método especial. de métodos particulares para o ensino”. pág. aliás imprescindível. marcha do particular para o geral. j>or exemplo. outrossim. sem dú­ vida. in The Works of Francis Bacon. e a segunda parte intitu­ la-se Ciência do Método do Discurso ou Ciência da Transmissão. dispeream ni agnoscetis alios effectos vos esse homines. Caput II.

dialética e retórica em latim e em alemão. chamada de Rhadiomatra. falecido em 1685. 212 nota 1. °A didática "ah aliqua doctrinae de methodo propago".. a teoria racional do saber ou didá­ tica começou a surgir. Ib.8 Já no fim do século XVI. metafísica. as empresas a que pôs mão malograram. juntamente com a constituição da ciên­ cia moderna. desse modo. 1583). já que ele não deu atenção às ciências da natureza. uma Gramática Latina. Obstetrícia animorum. em latim. em estreita ligação com e em dependência da pansofia de Comênio e da polimatia de Morhof. pág. não só pretendia tornar mais alegre e frutífera (erfreulicher und fruchtbringender) a tarefa de aprender. As suas concepções mais exatas e judiciosas deve­ ram-se à influência de Bacon. publicado em Frankfurt em 1668. uma Gramática Universal em alemão. ã concepção de uma pedagogia científica. II. F reigius. como também regenerar a aprendizagem como um todo e. fez o ginásio em Hamburgo e estudou teologia na Univer­ sidade de Rostock. grego. Einleitung. 39 . ibid. D aniel J órge M orhóf publicou o Polyhistor em 1688 e nessa obra trata das matérias de ensino e do modo de estudá-las. francês e italiano. favorecer a salvação e a prosperidade do Estado Cristão. abrangia apenas as línguas e as matemáticas. Teatro da vida. Essa didática do século XVTI. e esta não só deve preceder as línguas estrangeiras mas ■'Otto Willmann. um Dicionário Latino-Alemão e diversas edições de clássicos. Lesebüchlein für die angehende Jugend. Pansofia. Pancosmia. reitor em Altdorf. do mundo. 2. da sabedoria. Morreu em 1635 em Erfurt. Panepistenomia. Ratke sempre insistiu em afirmar que o estudo deve começar pela lín­ gua materna. um livro de leitura em alemão. com a idade de 64 anos.7 Como assinala Willmann. cuja orglmzãçãü começava pela didática. 20. e demonstrara a necessidade de reformas pedagógicas no ensino. perto de Glückstadt. Ratke sonhava alto e imaginava ser um reformador admirável do ensino. pág. Polymatia. Ratke compôs uma Enciclopédia Univer­ sal em alemão e em latim. Além disso. procurara juntar ao ensino das línguas antigas a polimatia. Nessa mesma linha de preocupações inscreve-se o contemporâ­ neo de Comênio. tratados de lógica. e considera a Didática como parte da Lógica. e com isso anunciava-se. observa Otto Willmann. J ôhann J oachim B echer . como Enciclopédia. meçava a voltar-se para a promoção de um didática de categoria cien­ tífica. no seu livro Paedago- gus (Brasiléia. Polyhistoria. R adke ou R atke (Ratichius) nasceu em 1571 em Wilster. latim. Didaktik a h Bildungslehre. no seu livro Methodus didactica. hebraico.. e o pro­ grama de estudos. o gosto pelos resumos do saber já era bem vivo desde o século XVI. e eles assumiam vários títulos. Contudo. Polyhistor. sobre os quais dissertou e deitou regras.

Dokumentationsband I. 10) Tudo deve ser aprendido através da experiên­ cia e da indução (Per inductionem et experimentum omnia). Frankfurt. 2) Convém fazer apenas uma coisa de cada vez. após o seu malogro à frente da escola de Koethen. numa época em que ainda só se usava o latim nas escolas. para com os quais se mostrou ingrato. no castelo de Warmsdorf. .deve ser o veículo preferido para a redação das gramáticas latina. auf welchen fürnehmlich die Ratichianische Lehrkunst beruhet. Geschichte der Pädagogik. e após o gasto de milhares de florins. 8) É preciso uniformidade e harmonia em todas as coisas.'° Ratke falhou nas suas empresas educacionais e. além de ter ofendido muitas ’Vejam-se os preceitos didáticos de Ratke: Artikel. 112-116. 4) É preciso começar pela língua materna.9 Cumpre realçar o fato de o termo Didática ter surgido a propósito da obra de Ratke. in Albert Reble. a 5 de outubro de 1619. as artes e as ciências de modo mais fácil. de­ ve-se aprender primeiro o vocabulário através da leitura de um autor e. e reagiu contra o abuso dos exercícios mnemónicos. preponderante da língua materna. Ratichii. a gramática. 1613. Helvicus e Jungius. mais rápido. Finalmente. depois de haver assinado um documento no qual declarava a todo mundo que. tendo ocasionado despesas inúteis aos seus proteto­ res. '°Kurtzer Bericht von der Didactica Wolfg. (De acordo com Ratke. Ratke advogou a extensão da educa­ ção a todos sem distinção de casta. ele foi despedido pelo príncipe Luís. depois. 9) É necessário primeiro mostrar a própria coisa. As suas concepções pedagógicas estão contidas nos dez famosos aforismos extraídos das suas obras: 1) ÍL preciso seguir em tudo a ordem da natureza. . mais exato. foi encarregado por ordem do príncipe Luís de Anhalt-Koe- then. mais seguro e mais completo do que o empregado até o dia de hoje. as regras devem vir em último lugar. Breve Relatório da Didática de Wolfgang Ratichius. antes de ensinar o seu modo de ser.) No estudo da língua. pois se acha no título do livro escrito pelos professores universitários de Giessen. Além da prima­ zia outorgada à língua vernácula. . pág. 40 . 7) É preciso pro­ porcionar às crianças freqüentes recreações. durante mais de 8 meses. 6) Nada se deve aprender de cor. onde ele apresenta o meio de en­ sinar as línguas. 3) É preciso repetir muitas vezes a mes­ ma coisa. Provavelmente. reconhecia haver prometido e assegurado muito mais do que poderia cumprir. Ratke inspirou-se em Pedro Ramus (de la Ramée) quanto_ao_uso. sexo ou religião. 5) Deve-se fazer tudo sem coação. após as suas promessas mirabolantes de estupendo progresso dos alunos que seguissem o seu método. incumbidos pelo land- grave Luís de Hesse-Darmstadt de examinar o seu método: Kurtzer Bericht von der Didactica Wolfg. da sua capácidade de ensinar lín­ guas em poucos meses a qualquer pessoa. . gre­ ga e hebraica. Ratichii.

praecognita philosophica: a Archelogia. Por fim. Depois. além desta última. O primeiro grupo delas abrange os requisitos filosóficos. 1631). pois Alsted achava que Jesus Cristo retornaria à Terra para iniciar o seu reinado em 1694. Alsted distingue o status oeconomicus (a vida em família).pessoas. destaca-se ainda a Cursus philosophici Encyclopaedia em 27 livros (Herborn. O seu livro Diatriba de mille annis apocalypticis (Frankfurt. na Prússia. a Lógica e a Mnemónica. a Retórica. o status scholasticus (a vida na escola). a Hexilogia. 1627) expõe a sua crença milenarista. Nesta obra Alsted apresenta uma divisão esquemática das ciências. aceitava reconhecido a sua libertação como alto favor princi­ pesco. de acordo com o esquema aristotélico. Contam-se entre elas a Léxica. pág. Alsted procurou combinar a lógica de Aristóteles com a de Pierre de la Ramée (Ramus) e a de Raimundo Lúlio na sua obra Clavis lullianae et verae logices (16009. e morreu em Carlsburgo em 1638. a saber: Panacea philo- sophica. a Technologia como doutrina sobre a distinção das disciplinas filosóficas e a Didática como a doutrina do estudo da filosofia em geral e em particular. 1620). apresentam-se as sete artes da Filosofia Poiétíca. e a Escolástica é a disci­ plina prática que trata da conservação feliz e próspera das escolas. da Ética. o status politicus (a vida no Estado) e o status ecclesiasticus (a vida na Igreja). Economia. 1630). e por todas essas faltas recebeu apenas um castigo leve. Escolástica e História. Por isso. que considera a classificação das palavras. nova et accurata methodus docendi et discendi Encyclopaediam (1610). a começar com a Metafísica e a terminar com a Arquitetura. Frédéric Dittes. naturae et gentium. id est. facilis. Vem em seguida o grupo de onze ciências teóricas. os problemas pedagógicos são examinados nas áreas da Didática Filosófica. Foi professor de filosofia em Herborn desde 1610 e contou Comênio entre os seus ou vintes^. Se­ gundo Alsted. Ele frisa que a escola é exigência da natureza humana e da socie­ dade. “Architektonik ais der Wissenschaft vom guten Bauen” . 41 . Ele compôs uma enciclopédia em várias obras. 167-168. Política. em 1588. e Encyclopaedia septem tomis destricta (Herborn. assim como disposição divina: schola est iuris divini. alinham-se cinco ciên­ cias práticas: Ética. Methodus admirandorum mathematicorum novem libris exhibens universam mathesim (1623). e estes quatro estados ou ordens formam como que a quadriga que conduz o gênero humano.1 11 Dr. Histoire de l’Éducation et de l’Instruction. Entre as suas obras. da Economia." |ohann Heinrich Alsted (1588-1638) João Henrique Alsted nasceu em Herborn.

acha-se uma visão global da ins­ trução pública. que devem ter seis classes com cursos de dois anos. ao hebraico. música. o grego. Aos 15 anos. Heidelberg. Frankfurt e em várias cidades da Suíça. com cursos de preleções. 425. a aritmética e os rudimento^ da lógica. Comenius discordou de seu mes­ tre Alsted quanto à suITTecomendação de relegar às escolas de língua nacional as moças e os rapazes destinados às artes mecânicas e de reservar a escola latina apenas às crianças destinadas à cultura mais profunda do espírito. Publicou em 1614 uma série de lições. XXIX. filho de Johann Andreá. Nessa escola latina de Alsted estudar-se-iam o^ latim. Allgemeine Reformation (1616). tendo prosseguido viagem pela França. 102. Alsted apresenta inovações essenciais quanto à escola latiffa~rcomõ_o adestramento do estilo. Didática Magna. Confessio. as scholas publicae. Alsted distingue as scholas vernaculae. ao espanhol. Comenius confessou-se seu admirador e discí­ pulo. Viajou durante sete anos. à literatura e à matemática. e. Johann Valentin Andreae’s Christianopolis. Plano da Escola de Língua Nacional. além disso. sem­ pre às voltas com as calamidades produzidas pela Guerra dos Trinta Anos. Faleceu a 27 de junho de 1654. Berlim. Felix Emil Held. 13Em carta a Andrea. 1849). a serem freqüentadas pelos alunos. H. Calw e Stuttgart. foi estudar por seis anos na Universidade de Tubinga e aplicou-se ao latim. segundo a intenção dos seus pais.'3 Nasceu a 15 de agosto de 1586. correspondentes à faculdade de filosofia.1213 Johann Valentin Andreà (1586-1654) O teólogo wurtenburguês João Valentim Andréia. a sua autobiografia. ao francês. a. Admirou Genebra mas discordou da dou­ trina calvinista.Na seção consagrada à Escolástica. o recreio e as práticas religiosas. a utopia política Reipublicae christianopolitanae descriptio (1619). Vita ab ipson conscripta (F. inaninatum nostratium speculum (1618). Andréia escreveu várias obras: Fàma Fraternitatis. desde os 16 anos. o diálogo satírico Menippus sive dialogorum satyricorum cen­ túria. 42 . cap. O alvo da formaçãcf religiosa tem precedência mas o obje­ tivo estilístico da instrução humanista é de importância capital.2Comenius. as scholas classicas ou escolas latinas. pág. Foi pregador e professor em Vaihingen. de 1628. pág. ao italiano e ao inglês. Cf. Rhein wald. Collectanea Mathematica. e esteve em Estrasburgo. as escolas de alemão a serem frequentadas pelas moças e por aqueles jovens que pretendam dedicar-se apenas à profissão de operários. também influenciou o ilustre Comenius. precursor dos pie- tistas Spener e Francke. após a morte do pai. ao grego. Áustria e Itália. bem como à história. sustentando-se por meio de aulas particulares. o Theophilus sive .

8. e os laboratórios de Christianopolis estão à disposição de todos com muitos atrativos. Geometria e Álgebra. oratória e línguas modernas). 4. 6. Trata-se de uma utopia que lembra a de Tomás More. _ A escola divide-se em oito salões. vita temperantius instiíuenda et literatura rationabilius docenda consilium (1649). A química. a anatomia. A ciência jurídica. acompanhado de oportunos exef1 cicios físicos. Escolhem-se homens maduros. päg.°) Lógica. 2. mas influenciada sobretudo pela Cidade do Sol. de tarde.°) Aritmética. da sociedade. Os meninos estudam no período da manha e as meffmas.°) Artes (gramática. O Menipo caracteriza-se pelo ataque aos abusos e aos males do Estado. grego e latim. de Campanella. por sua vez. é estudo puramente abstrato. Geschichte der Pädagogik. História Profana e Eclesiástica. 7. 5. 249. Os professores são recru­ tados na nata da sociedade.°) Astronomia e Astrologia. as matemáticas e a astro­ nomia são grandemente consideradas por Andréia. como ressalta Moog: das Idealbild eines christlichen Staates. da Igreja e da escola.°) Teologia.°) Música. Além desses salões departamentais. e consagram o jempcPrestante a exercícios inanuais e ãsT“ artes domésticas. 2. há duas classes para o estudo da medicina e do direito.de christiana religione sanctius colenda. bem apetrechadas de biblio­ tecas e laboratórios. notáveis na prática das quatro virtudes: dignidade. ÃTlhstruçãó tem fresobjetivos: 1 ) 0 servicò~de ueus- com a alma pura e crente: 2) ~A~5uscã~de elevádã e casta moralidade: 3 ) 0 cultivo dos poderes intelectuais.” Willy Moog. atividade e generosidade. No diálogo Me- nipo. e a educação é ministrada pelo Estado em escolas* públicas para alunos com idade acima dos seis anos e de ambos os sexqs. 3. e cada um corresponde a um depar­ tamento de ensino: l. Ao tratar do laboratório de ciência natural. integridade. Metafísica e Teosofia. descreve Andreia os Departamentos do Saber e da Instrução. e é mais agradável MAndreas Christentaat eigentümlich ist der evangelische Grundcharakter. enquanto a Reipublicae christianopolitanae descrip- tio é a representação ideal do Estado cristão.°) Ética. Andréia profligou os erros da universidade e combateu a tirania da gramática latina no quadro do ensino.14 Andréia foi um re­ formador social que esboçou o ideal de nova sociedade ná sua utopia. Esse Estado ideal apresenta feição comunista e socialista mas tem caráter basicamente cristão. as ciências naturais. vol. diz Andréia que a instru­ ção entra melhor pelos olhos do que pelos ouvidos.°) Filosofia Natural. já que a República ideal não precisa de advogados. A partir do capítulo 51 de Christianopolis. hebraico. 43 . onde as escolas são espaçosas e belas.

Os artistas. 44 . diz Willy Moog. and much more pleasantly in the presence o f refinement than among the base. o currículo escolar da República ideal inclui “ampla ofi­ cina para as artes pictóricas”. 2. cap. servem de maneira especial para a instrução da juventude e para tornar mais fácil o ensino.” Andrea. Der teu- tsche Lehrmeister oder ein Discours von Erlernung und Fortpflanzung der freien Künste und Wissenschaften in teutscher Sprach. todavia. onde brilhou como pregador e escritor. Christianopolis. pregador da corte e superintendente. No seu escrito de 1658. João Schupp salienta o significado da língua materna alemã. Dinamar­ ca. O Embaixador Zifúsio despachado do Parnaso aos Príncipes Eleitores e aos Estados do Santo Império Romano por causa do ensino. às Matemáticas e a todas as províncias do saber. 255. já que “o mundo não se peja de envenenar os olhos do inocente com pinturas lascivas”. Na sua obra Turbo. sobre serem ocasião de deleite e terem função. escrevendo uma sátira contundente da edu­ cação e da cultura pedantesca. ' 'W illy Moog. pois as pinturas. ein rechter deutscher Ci­ cero. Em 1646 foi nomeado. e observa que se pode aprender bom alemãcT na Bíblia traduzida por Lutero para a língua alemã. vol. XLVII. viajou por três anos através da Alemanha do Norte. 201. L ’Educazione in Europa 1400/1600. e em 1649 tornou-se o pastor principal em Hamburgo. estudou em Marburgo. pâg. e que o famöSö. ornamental. e até mesmo no terreno pedagógico foi essencialmente um crí­ tico” ' 7. “e Alsted. sive moleste et frustra per cuncta divagans ingenium in Thea- trum productum. As suas obras representam de modo plástico e engraçado a cultura da época da Guerra dos Trinta Anos. de 1616. Andréia faz a representação dramática de uma inútil viagem da Retórica à Lógica. pelo landgrave de Hessen-Braubach. Schupp foi o crítico satírico da sua época.'6 lohann Balthasar Schupp (1610-1661) “Se Andréia foi teólogo e reformador político”.*1 l5“For instruction enters altogether more easily through the eyes than through the ears. pâg.quando transcorre em ambiente refinado do que num meio ordinário. O Mestre Alemão ou Discurso sobre o aprendizado e a difusão das artes libefais e das ciências em língua alemã. reformador foí “ um lídimo Cícero alemão”. Além disso. devem observar a pureza. Schupp nasceu em Giessen. Polônia. e tornou-se professor de História e Oratória em Marburgo em 1635. Schupp compôs uma obra sobre questões pedagógicas: Ambassadeur Zipphusius aus dem Parnass wegen des Schulwesens abgefertiget an die Kurfürsten und Stände des heiligen römischen Reichs. Em 1660. pâg. Geschichte der Pädagogik. 218. um autor de enciclopédias. 1‘Garin. Lituânia.

contar e também cantar. só que não valem nada” . fez de tudo para que o Parlamento inglês trouxesse Comênio a Inglaterra para reformar a educação. Moscherosch escreveu uma composição pedagógica. editou em 1656 Um Método Certo e Verdadeiro de Aprender a Língua Latina. Hartlib escreveu e traduziu várias obras. Io h a n n M ic h a e l M o sc h e r o sc h (1601-1669) foi importante repre­ sentante da literatura barroca. S a m u e l H a r t l ib (1600-1670). num ambiente de pernosticismo aris­ tocrático quanto à educação. devido aos distúrbios políticos e à insurreição da Irlanda. na Inglaterra dilacerada pela guerra civil. projeto esse abortado. escrever. e à futura vida familiar. as estranhas e verídicas visões de Filandro de Sittewald. foi Wunderliche und Wahrhaftige Gesichíe Philanders von Sillewald. no entanto. na sua opinião. Ele achava que o Estado devia promover a educação pública. Foi a Samuel Hartlib que Milton dedicou o seu tratado Sobre a Educação. comerciante prussiano ou polonês. apesar da presença de Comênio em Londres. dos conhecimentos da vida prática. da matemá­ tica e da física. No fim da Guerra dos Trinta Anos relatou as suas próprias experiências e descreveu os sofrimentos do povo alemão na sua obra Soldatenleben. e combate o verbalismo. e preocupado com o problema edu­ cacional. Cuidado insone dos pais. Moscherosch frisa o valor fundamental da educação religiosa. Declara que a reforma do gênero humano deve começar pela educação das crianças e pelas escolas. adepto de Comênio e amigo de Hartlib. radicado em Londres desde 1628. evocação do tribunal dos antigos heróis que chamam às contas os cortesãos desnaturados dessa época tão sofrida da Alemanha. preconizou o uso do método intuitivo nos seus opúsculos 45 . Reformadores educacionais da Inglaterra Durante o século XVII. discorre sobre problemas metódicos e didatícósTè recomenda o estudo da história. pela tirania e pelo ódio religioso. devêm saber. Diz aí Schupp i|ue “existem escolas de sobra na Alemanha. e a principal foi Uma Descrição do Famoso Reino de Macúria. O seu principal escrito. Em 1643. além dãs prendas domésticas.lisse escrito é geralmente intitulado Sobre o ensino. Insomnis cura parentum. surgiram várias figuras de pedagogos que gravitavam em torno do ideal reformista pedagógico de Comênio. II ezek iah W o o d w a r d (1590-1675). bem como se interessa pela educação das moças que. e em 1647 publicou a obra Considerações para a Feliz Realização da Reforma da Igreja e do Estado na Inglaterra e. da geografia. tendo em mente a melhoria do ensino das línguas. na qual aconselha os pró- prios filhos quanto à escolha da profissão e dos estudos. ler.

J o h n D u r y (1596-1680) foi teórico da educação e pastor calvinista em Leyden. Por solici­ tação de Hartlib. através das obras dós ãúiores clássicos. Segundo Milton. enquanto fazia os seus estudos universitários.. in Milton On Education. No currículo ideal ele incluía matemáticas e química. Essa carta e de 1644. "’“The end. unless they rely more upon their ancestors dead than upon themselves living. 60. a amá-lo. 46 . e os jovens devem aprender várias ciências. Milton concebe um tipo de educação destinada ex­ clusivamente aos jovens aristocratas. a política. e ele procurou combinar a concepção puritana com as idéias de Bacon. habilidade e grandeza de alma.” Id. dando ênfase ao método intuitivo e defendendo a manutenção de escolas públicas pelo Estado. Milton acha que o fim do saber “é reparar as ruínas de nossos primeiros pais. which. de ta lTnodo que. ensinando-nos de novo a bem conhecer a Deus e.. The Refornied School: Concerning an Association for the Edu- cation of Children (cerca de 1650). a agricultura é para ser estudada em Catão. Em carta ao seu amigo Samuel Hartlib. imitá-lo e ser como Ele. To Master Samuel Hartlib. pag. “our noble and our gentte' youth” '8. ed. com prefácio do mesmo Hartlib. O seu sonho era o congraçamento de luteranos e calvinistas. por exemplo.. além desse conhecimento. Of Education. pag. Comênio e Milton.” Milton. to imitate him. of learning is to repair the ruin of our first parents by regaining to know God aright. being united to the heavenly grace of faith. 52. constrói a mais alta perfeição”' 9. a medicina. e define como educação completa e generosa aquela que capacita o homem a cumprir õ S déverês da páz~e da~guêrra com jús^ tiça.Uma Luz para a Gramática e para Todas as Outras Artes e Ciências (1641). e Uma Porta para a Ciência. ibid. as we may the nearest. then. and out o f that knowledge to love him. unida à graça celestial da fé. Dury escreveu o opúsculo sobre as escolas refor­ madas. do modo mais aproximado possível. e achava que as moças interessadas e aptas deviam aprender línguas e ciências. oHíreito. makes up the highest perfection. Ainsworth. Varrão 8 l8These are the studies wherein our noble and our gentle youth ought to bes­ tow their time in a disciplinary way from twelve to one-and-twenty. como a^agricultura. a geografia. etc. by possessing our souls o f true virtue. to be like him. tornando nossas almas possuidoras de verdadeira virtude que. (ohn Milton (1608-1674) O ilustre autor de O Paraíso Perdido preocupou-se com a questão educacional e tratou dela como bom poeta. o currículo escolar deve incluir o latim e o grego.

que esta vida terrena é só uma preparação para a vida eterna. referidas por Oscar Brown- ing. as razões e os objetivos de todas as coisas principais. mas também 30“L’expérience n’est donc pour rien dans les conceptions de Milton. através do contato com profissionais de vários tipos. já que faz um plano descabido de estudos com as suas infindas leituras. juntamente com Deus. a educação deve ser completada com viagens.c Columela. que pretendia renovar os métodos pedagógicos e a organização escolar. na Morávia. os alunos não devem limitar-se à teoria.” Jacques Parmentier. pois isso não é útil nem possível. que se veio a chamar de Irmãos Morá- vios. Par- mentier observa que as páginas do opúsculo Of Education possuem o mágico fulgor de O Paraíso Perdido mas acha que o poeta-pedagogo não teve o senso do real e cita as palavras. Histoire de l'Éducation en Angleterre. foram S ir W il l ia m P e t t y (1623-1687) e C h a r l e s H o o l e (1610- 1667). João Amós Comênio (Comenius) Comênio nasceu em Uhérsky Brod ou em Nívnice. quando escreveu o seu livrinho sobre a educação. etc. devido à sua origem. pois achava. ser possível ensinar tudo a todos. O fito de Comênio na Didática Magna foi a reforma das escolas através da sua reorganiza­ ção. No co­ meço da Didática Magna ele frisa que o homem se destina à perfeita felicidade. dada a sua crença pansófica. elles sont nées d’un esprit de poète plein d’illusions. Comênio foi homem profundamente religioso. caça­ dores. 47 . Milton não deu atenção à metafísica. arquitetos. uma vez que essa pretensão não significa proporcionar o conhecimento de todas as ciências e de todas as artes. mas pre­ cisam aprender as coisas de modo real e prático. a fisiologia em Aristóteles e Teofrasto. pescadores. da renovação dos métodos e do currículo. no século XVII. diz Comênio. e formulou uma concepção essencialmente cristã da educação. Finalmente. para o qual Milton estava meio pancada.20 Outros reformadores da educação na Inglaterra. no seio de piedosa família pertencente à seita Unitas Fratrum Bohemorum. de certo professor. pâg. e que a educação deve levar o homem a realizar-se como homem e como cristão. pois somos colocados no mundo não somente como espectadores. bispo dos Morávios. das que existem na natureza como das que se fabricam. Contudo. “Pre­ tendemos apenas”. a 28 de março de 1592. 121. “que se ensine a todos a conhecer os fundamentos. como jardineiros. marinheiros. a arquitetura em Vitrúvio.

com introdução escrita por Jean Piaget. Sobreveio. serão capazes de apreender filosoficamente quais “os fundamentos. Comênio aprendeu a ler e a escrever. depois. Além de ter formulado orgânica doutrina religiosa e filosófica da edu­ cação. Como reformador. Neste ano tornou-se pastor em Fulneck. e Comênio perdeu os seus bens. pág. na prática do amor desinteressado ao próximo. a cidade foi tomada. e aí compôs a sua primeira obra. Schola materni gremii. ao que parece. pág. aos 16 anos. 48 . viajou por dois anos pela Holanda e. O Labirinto do Mundo. Histoire de l’Instruction et de 1’Êducation. saber — pode pensar-se — até que ponto todos. grande centro das comunidades morávias. Didática Magna. foi nomeado diretor da escola de Prerau. O Guia da Escola Maternal.22 Foi estudar. X. as razões e os objetivos de todas as coisas principais. só obteve êxito como escritor através dos seus ma­ nuais para o estudo do latim: Janua linguarum reserata (1631). mas as suas fundações escolares não tiveram duração. porém. a perseguição aos morávios. 325-329. N a verdade. a fim de ser pastor. os alunos devenf aperfeiçoar-se nas línguas.como atores”21. uma gramática para facilitar o estudo do latim. todavia. Bohus Tenora. cap. perto de Troppau. . impressa em Praga em 1616. cuja atividade abrange um período de mais de cinqüenta anos. 156. pilhada e queimada. logo traduzida para o alemão e o latim. como diz François Guex. Comênio. e aí tratou de reformar as escolas. pela Inglaterra. Januae linguarum vestibulum (1633). 22Nestes apontamentos biográficos valemo-nos da síntese apresentada no Nou­ veau Dictionnaire de Pédagogie et d ’instruction Primaire de F. De volta à Boêmia em 1614. Resta. e sua Didática Magna. no entanto. ’ ’Comênio. que serve de introdução ao primeiro. nas univer­ sidades de Herborn (Nassau) e de Heidelberg e. na antologia publicada pela Unesco Jean A m os Comenius. Para isso — prossegue — nas escolas as inteligências devem ser cultivadas com as ciências e com as artes. em 1610. Guex. que lhe valeram grande prestígio. desde as escolas elementares. homenagem da Unesco por ocasião do trecentésimo aniversário da publicação das Opera Didactica Omnia (1657-1957). Grammaticae facilioris praecepta. livros e manuscritos. 145-146. fora de restrito círculo de especialistas. seria preciso um volume para narrar a vida atormentada de Comênio. Buisson. Filho de moleiro. vêm traduzidos do tcheco para o francês por M. Comênio escreveu muitos manuais escolares. talvez. foi desconhecida até o século XIX. na obra O Labirinto do Mundo e o Paraíso da Alma. Vários passos da primeira parte. Vestíbulo da Porta das Línguas. Porta Aberta das Línguas. pág. Comênio formulou de modo pictórico o seu ideal de vida de acordo com o Evangelho. adquirir costumes honestos e prestar sin­ cero culto a Deus. escreveu em tcheco a obra.

com o mesmo objetivo. Os outros manuais foram: Vestibulum linguae latinae. publicou em tcheco a alegoria mística. Comênio. Nova Porta da Língua Latina. o ilustre reformador pedagógico gastou a maior parte da sua atividade na composição de manuais escolares para o estudo de língua estran­ geira e antiga. Comênio escreveu muitas obras em latim e em alemão. Latinae linguae janua nova. algumas póstumas. Comênio esteve na Inglaterra em 1641. na coleção das obras completas do autor. Sala da Língua Latina. rico negociante de Norrkõping. na Polônia. Passou os últimos cinco anos de vida em Amsterdã. Convidado a ir para a Suécia. Em 1648. a fim de criar uma escola-modelo que só passou a contar com as três classes inferiores de latim correspdndenTes~~ãcT Vestíbulo. ~a Porta e ao Ãtrio. Esboço de uma Escola Pansófica de Sete Classes. 49 . aos 15 de novembro de 1671. Exilado em Lissa. incumbiu-o. apêndice da Janua. Mundo Ilustrado ou o Mundo em Figuras. a convite do Parlamento. Comênio aí chegou em agosto de 1642. A convite do príncipe húngaro Sigismundo Rakoczy transferiu-se para Saros- Patak. Vestíbulo da Língua Latina. Floresta da Língua Latina. Compôs a Didática Magna para ajudar a reforma das escolas dos morávios^-quando cessasse a perse­ guição. ou Sylva linguae latinae. onde publicou em 1657 uma edição completa das suas obras. de escrever uma série de ma­ nuais que facilitassem o estudo do latim e completassem a Janua linguarum. das quais a mais importante foi o Methodus linguarum novíssima. tendo deixado dezenas de obras peda­ gógicas e religiosas. O Léxico da Porta. então. mas as perturbações polí­ ticas fizeram gorar o projeto. Desse modo.c o Orbis sensualium pictus ( 1658). antes de ver desenganado o seu sonho milenarista. Lexicon januale. Embora a obra jiTestivesse terminada em 1632~só_véíó â luz em 1849 na língua original. e o Atrium linguae la­ tinae. com a mente já meio enevoada. compôs o Orbis pictus. Ajudado por alguns colaboradores. O ministro da Suécia. Em 1623. Oxenstiern. Comênio foi eleito bispo dos Morávios de Lissa. que lhe granjearam me­ recida fama. Comênio trabalhou por vários anos na composição dessas obras didáticas. mas veio a falecer. para promover a reforma das escolas do reino. mas a cidade foi incendiada e ele novamente perdeu livros e manuscritos. pelo rico mecenas Luís de Geer. continuação da Janua. De volta a Lissa. predisse o fim do milênio para 1672. segunda edição da lanua. e Comênio" dêdicóu ão príncipe a sua obra Schotae pansophicae classibus septem adornandae Delineatio. A Didática Magna foi publicada em latim em 1657 em Amsterdã. O Labi­ rinto do Mundo e o Paraíso da Alma.

e lhes recomenda aleitar o próprio filho. apareceu em oito línguas. Pontos altos da didática comeniana. IX ). academia et peregrinationes. referem-se à organização das escolas e à edu­ cação da mulher e da criança. ricos e pobres. a Didática Magna contém notáveis diretivas propriamente didáticas. a escola latina ou ginásio. em relação aos~séculos posteriores. Comênio expõe o plano da organização escolar. moral e religiosa.plebeus.* Quanto a mulher. a exemplo do que ensinara o Cardeal Antoniano. em 1629. juízo. o conhecimentõTnsêpã^ rãvel da língua e das coisas. esta­ belecida em quatro graus: a escola materna. assim como. ele foi sobretudo um precursor e um pioneiro de realizações que outros educadores levaram a cabo sem mesmo lhe conhecerem o pensamento ou a vida. afora os seust méritos quanto ao aprendizado do latim. cap. Comênio achava que éla devia receher a mesma educação que o homem. Por fim. Na Didática Magna. e a academia. Comênio baseia o método de ensino no desenvolvimento dos poderes cognitivos: sentidos. logo mais para o flamengo e o francês e. A fama de ComênícThoje é muito grande mas. cujo ensino se devia completar com as viagens. a educação física.A obra de Comênio Janua linguarum reserata foi sem dúvida baseada na obra homônima Janua linguarum publicada em Salamanca pelo jesuíta irlandês Bateus. unindo as palavras às coisas habituais da vida. e preconiza ensino e estudo fáceis e eficazes. -------. 50 . Valoriza' a língua materna.. Precursor de Froebel. deviam ser enviados às escolas (cf. e um século antes da prescrição feita por Rousseau. do capítulo XXVII ao XXXI. a escola elementar pública em língua vulgar. com mil e duzentas sentenças latinas compos­ tas das palavras mais empregadas. apresenta um programa de ensino para as crian­ ças e ministra preciosos ensinamentos às mães em sua obra Schola materni gremii ou Informatorium der Mutterschule. no próprio lar das crian­ ças. Essa obra foi traduzida para o inglês em 1615. assim como ensinou que todos os meninos. e esfor­ çando-se por banir os autores clássicos das escolas. ^ j . memória. nobres e. inteligência. Comênio apreciou-lhe a excelência e quis aperfeiçoá-la.

obstruções. a conjun­ ção desta em tribos e em grupos mais complexos. a sociedade tem em comum. devido ao seu fundamento na realidade. embasado na própria constância da natureza humana. conjunto de grupos simples e complexos. a autoridade do pai. bem como outras facetas não conformes ao ideal de uma boa vida racional. o confinamento da mulher e o pseudodogma da sua inferioridade. de fato. tendo surgido de modo injusto e lamentável na história da evolução humana. e. Sem­ pre houve na sociedade humana o grupo nuclear da família. a divisão da sociedade em castas rígidas e fechadas. Os ho­ mens desempenham na sociedade vários papéis em muitas instituições. até mesmo. alude-se freqüentemente. as seitas secretas. ao organismo social e pretendem-se frisar dessa maneira as atividades de grupo semelhantes às fisiológicas. boa alimentação ou. certos atos provocam reações inevitáveis. etc. por isso. nas suas linhas fundamentais. a escravidão. Cumpre.Capítulo IV A tradição escolar no século XVII Todas as metáforas têm um quê de enganador. ela difere pro- 51 . mas às quais os seus membros se habituaram. do chefe. fraturas e outras enfermidades que exigem tratamento. a sociedade humana tem a tendência incoercível de reproduzir a sua boa forma. é sempre uma totalidade de pessoas possuidoras de inte­ ligência e liberdade. em certos casos de infecção e acidente. já que elas promanam das suas tendências reprimíveis mas rebeldes à orientação do intelecto. remédios. por exemplo. Por outro lado. em orga­ nismo social ou em estrutura social. Juntamente com essas estruturas fundamentais. há saúde e doença social. o isolamento ou intervenções cirúrgicas e tratamento doloroso. Assim ocorre quando se fala a respeito da sociedade. exatamente por isso. o arcabouço pe­ rene. ao variado funciona­ mento de órgãos distintos e imprescindíveis à saúde humana. religiosa e cultural. noutra metáfora. ter sempre em mente que a sociedade. e vários outros elementos básicos de ordem econômica. a prostituição. bom ou mau funcionamento dos órgãos. embora também pos­ suam algo que lhes justifique a existência. como. todavia. psicológicas e morais. podem ser profundamente suges­ tivas. de instintos e de razão e. nas suas leis físicas. por exemplo. Com a estrutura de um edifício.

autor da obra Pro- lusiones Àcademicae. Grandes editores de textos gregos e latinos foram T a n a q u il F a b e r d e C a e n (1615-1672). Um deles é o humanismo. após as tempestades políticas e. Edi­ tou em 1620 as Historiae Augustae Scriptores. Na França brilharam vários humanistas ilustres. déstacou-se o jesuíta romano F a m ia n u s Stjtàdá (1572-1649). Lucano. Estácio e Claudiano. da Idade Média e do imedia­ tamente anterior período renascentista. organi­ zada pelo humanista P ie r r e D a n ie l H u e t de C a e n (1630-1721) que. em 1634. ao mesmo tempo que os efeitos e as atuações da sua cruel­ dade e agressividade de animal pensante. no âmbito das constantes da vida social. publicou em 1636 a obra de Ammianus Marcellinus e. berço do humanismo renascentista. colaborou com Bossuet no preceptorado do 52 . que descobriu o famoso manus- critó da Anthologia Palatina de Constantino Cephalas. Ovídio. tem manifestado através das idades. fundamente de um edifício ou de um puro organismo animal. o Funus linguae Hellenisticae em 1643 e a Defensio Regia pro Carolo em 1649. no entanto. ao lado da exigên­ cia humana básica de conhecimento. No século XVII. no século XVII. As edições feitas pelos Dacier integraram a famosa coleção dos Clássicos do Delfim. os resultados da sua criatividade racional. com vários elementos culturais perduráveis. Entre os estudiosos..de 1617. Daí não se regular a sociedade humana simplesmente pelas leis da física ou da biologia e. filha de Faber. assim como o gosto da erudição. em 1607. ao cultivo da arqueologia. Na Itália. por ser o homem um animal com instintos e com o poder da razão. sobre ter composto seis pequenos poemas à imitação de Lucrécio. à reprodução de moedas e pedras preciosas. originários da Antigüidade. e H e n r i d e V a l o is ou V a l e s iu s (1603-1676). autor do grande dicionário de latim medieval (1678) e do léxico de grego medieval (1688). à coleção de inscrições latinas. o culto dos clássicos greco-latinos. compôs as apreciáveis Plinianae Exercitationes em 1629. como S a l m a s iu s ou C l ^ u d ç d e S a u m a is e (1588-1653). oratório e político. os Excerpta (Peiresciana) de Po- lybius. foi o dicionarista Charles du Fresne. Bem mais famoso. Virgílio. educado pelos jesuítas em Verdun e em Paris. A n d r é D a c ier (1651-1722) e a sua esposa A n n e D a c ie r (1654-1720). os estudos clássicos limitaram-se. religio­ sas da centúria precedente. de ~ pinturas e esculturas da Roma antiga. depara-se no terreno educacional. que podem ser tratados como coisas inanimadas ou como seres irracionais. de 1670 a 1680. em que trata de várias questões de estilo histórico. sieur Du C a n g e (1610-1688). P h il i p p e J a c q u e s d e M a u ssa c (1590-1650) foi lexicógrafo e editou Harpocration.

publicou de 1655 a 1662 uma History of Philosophy. Anacreonte e Homero. o segundo Conde de Arundel (1586-1646). e V o o r b r ô e k ou P e r iz o n iu s ( 1651-1715). “Cambridge Platonists”. J o à n n e s M e u r - s iu s (1579-1639). R a l p h C u d w o r t h (1617-1688). cujas Animadversiones Histórica. e dos Marmora Arundelliana. de Oxford. Entre os humanistas ingleses. publicou 53 . N ic o l a u s H e in s iu s (1620-1681). em 4 volumes. Hierocles. 1549-1628). trinta e nove editores publicaram quase sessenta volumes de obras clássicas. A n d r e w D o w n e s (c. o seu filho I saac V o s s iu s (1618-1689). foi professor em Heidelberg. filho de burgomestre de An­ tuérpia e de erudita inglesa. teólogo e erudito. obra que tomou esse título pelo fato de Thomas Howard. Damáscio e Simplício. um dos expoentes do humanismo francês do século XVII foi o ilustre erudito beneditino J e a n M a b il l o n (1632-1707). Plotino. autor da obra clássica De jure belli et pacis. G er a r d J o h n V o ssiu s (1577-1649). Na Germânia a Guerra dos Trinta Anos não favoreceu os surtos de erudição. que confundiram o platonismo com o neoplatonismo. Finalmente. F r a n c is B a c o n (1561-1626). Mabillon foi membro fúlgido da Academia de Inscrições fundada por Colbert. H e n r y M o re (1614-1687). entre os quais dois grandes fragmentos de uma tábua cronológica que ficaram célebres como o Marmor Parium. apreciadores de Pla­ tão. T h o m a s S t a n l e y (1625-1678). e J o s h u a B a r n e s (1654-1712). Proclo. em 1617. sobre ter sido grande colecionador de manuscritos. T h o m a s G a t a k e r (1574-1654). Na Inglaterra do século XVII viveram os platônicos cantabrigenses. Temístio. filho de Luís XIV. autor da obra De re diplomática (1681). de Cambridge. diplomata. de Cambridge. de 1685. D a n ie l H e in s iu s de G h e n t (1580 ou 81-1655).v. na qual estabeleceu o método para determinar a data e a autenticidade dos documentos antigos. autor da History of Tythes em inglês e do tratado De diis Syris em latim. seu colaborador e professor de gre­ go. assinalam-se os humanistas H e n r y D o d w e l l (1641- 1711). Em menos de 20 anos. edi­ tor de Eurípides. J a n u s G r u t e r (1560-1627). haver trazido os mármores da Ásia Menor. passam por ser obra-prima de crítica histórica. J o h a n n F r ie d r ic h G ro - no v (1611-1671).Grande Delfim. extraída das Vidas dos Filósofos Ilustres de Diógenes Laércio. H ug o G r o t iu s (1583-1645). J o h a n n G eo rg G r a e v iu s (1632-1703). Por último. político. o erudito jurista Jo h n S e l d e n (1584-1654). A Holanda nessa época pôde ostentar notável rol de humanistas e eruditos como J u s t u s L ip s iu s (1547-1606). salientaram-se Sir H e n r y S a v il e (1549- 1622) que preparou grande edição das obras de São João Crisóstomo.

Ademais. Uma vez organizado o método pedagógico dos jesuítas. pág. no sentido moderno da palavra”3. no Maranhão e no Pará. “Jerônimo Nadai pode ser com plena justiça consideradcLQ fundador da pedagogia dos jesuítas. aos estímulos escolares e ao cultivo da piedade e das letras. dê modo preciso e claro. a estrita divisão dos alunos em classes. 348. S. ao método didático. ás classes foram designadas pela numeração empregada em Paris para o 'John Edwin Sandys. S. Desse modo. 3Id. e 15 edições de historiadores latinos. 253.. f 2Gabriel Codina Mir. porque foi ele que. pág. publicou a Notitia Orbis Antiqui em dois grandes volumes com numerosos mapas. ibid. na Bahia e em Pernambuco. Os Colégios dos Jesuítas e o estilo parisiense Como diz Codina Mir. uma novidade nas obras clássicas” '.. passaram a adotar o sistema das classes proposto por Montaigu.. I.um Corpus de inscrições antigas e obras de dezessete autores latinos. quanto à maneira de se ensinarem as letras em Paris na primeira metadtT do século X v i. Le “Modus Parisiensis”. Tácito e Cícero. Todas essas informações a respeito do humanismo no século XVII acham-se nesta obra de Sandys. professor de Eloqüência e His­ C h r is t o p h C e l l a r iu s tória. inspirando-se no modus parisiensis. que se achou pela primeira vez em PafTs. Essã~pedãgõgia 'parisiense incluía elementos referentes à composição das classes.. segundo Codina Mir. Os colégios parisienses. As classes eram o agrupamento de alunos da mesma idade e do mesmo nível de instrução e. entre os quais Tito Lívio. I. e bibliotecário da Universidade de Halle. sete das quais com mapas. 1. S. desde o início do século XVI. diz Sandys. pág. segundo o uso vigente em Montaigu. devendo observar- se que o termo classis só se aplicava ao estágio das letras humanas. no fim do século XVII e no início do século XVIII. ele se impôs em todos os colégios mantidos pela Companhia de Jesus atra­ vés da Europa e nas suas missões do Extremo Oriente e das Amériòas. já se ministravam cursos segundo o modo parisiense que se caracterizava por nítidos traços. (1638-1707). inclusive no Brasil.. cujos alunos eram distribuídos em classes. Aux Sources de la Pédagogie des Jésuites. 54 . “o que era. estabeleceu" áS bases sobre as quais devia repousar todo o edifício escolar da Companhia de Je­ sus”*2. A Short History o f Classical Scholarship. de 1509. "foi no programa dõ colégio Montaigu. Foi justamente por se en­ sinarem nelas as letras gregas e latinas que estas passaram a ser deno­ minadas clássicas. 101. então.

aula de gramática ou de retórica. O método didático parisiense. recorria-se ao castigo físico. em vez de se falar de aula de latim ou aula de grego. recorrendo-se ao nome da disciplina. ou no próprio local das classes.. Por isso. na corte de Luís XIV. cit. às refeições. que. nos quais se continha a coleção ordenada. Nos colégios dos jesuítas havia um leigo. 55 . Cada classe tinha um programa de estudo. e a passagem de uma para a outra fazia-se por meio de exame.ensino das letras. para desempenhar o papel de executor dos castigos físicos. por sua vez. e o nosso livro História da Educação no Renascimento. estranho à Ordem. o Delfim era chicoteado pelo Duque de Montausier perante o preceptor de sua Alteza. 97 e seguintes. trechos. Bossuet. classe de Première. A última classe de letras era a de re­ tórica. costume esse que não era de estranhar. e dez em Coimbra em 1547. de quinta classe. Em matéria de disciplina. fazendo dele o modo essencial do ensino. além dos exercícios de composi­ ção em prosa e em verso.. A instituição das classes. 151 e seguintes. os alunos deviam decorar textos e organizar cadernos de loci communes. ainda. remontava às escolas dos Irmãos da Vida Comum4. uso que remontava tanF bém aos rapiaria dos Irmãos da Vida Comum. Aos sábados. Além de prestarem atenção às explicações dos mestres. havia a recapitulação da matéria da semana inteira: a sabatina. 4A respeito dos Irmãos da Vida Comum cf. por assuntos. As quaes­ tiones deram origem às discussões ou debates que acompanham as lições. op. os professores tomavam as lições dos alunos em classe. cadernos com seleções de textos religiosos colhido através da leitura de livros pie­ dosos. das declamações e representações teatrais. No refeitório. I. Além desses cadernos de lugares comuns havia. sempre que necessário. pág. pág. Além disso. Os jesuítas aperfeiçoaram-no. Codina Mir S. a fim de bem com­ preenderem os assuntos. ao uso do chi­ cote. diz Compayré. falava-se de primeira classe. O uso da exposição foi definido no tempo antigo por Quintiliano. a saber. Entre 1534 e 1583 havia em Bordéus de 9 a 12 classesitè gramática. frases. etc. os ca­ dernos de notas tomadas em classe. constituiu-se na base dos processos escolásticos da expositio ou lectio e das quaestiones. uma vez que. antes de explicarem novos poritos. etc. fazia-se o exercício escolar das revisões da matéria estudada nas áulas matinais ou vespertinas.. Eram as reparationes prandii et coenae ou ás studiorum exactiones. de palavras. tal como surgiu em Montaigu. que constituíam exercício literário com peças escritas por professores ou alunos.

devendo frisar-se que este também se~üchavâ prescrito na regra do colégio Montaigu. Os alunos combatiam entre si procurando sair vencedores no manejo do latim. à roda de 1530. em matéria de estímulos escolares. 303. Contudo. a originalidade do modo parisiense. Tratava- sê do processo da denúncia. a freqüência dos sacramentos da Confissão e jf a Eu­ caristia. e nos quais os estudantes competiam em público por meio de exercícios em prosa e em verso. além dos castigos. Même au siècle suivant Rollin n’osera pas interdire la férule. T. exprime-se na fórmula dos colégios e na adoção e revitalização do método escolástico. pelo menos seis vezes ao ano. exploratores) para comunicar ao mestre as suas faltas. também. Esse foi um recurso pedagógico adscrito ao sistema das “de- cúrias”. as disputationes. Como observa Codina Mir S.“assistia e deixava fazer”5. Outro costume escolar adotado pelos jesuítas provinha.” Gabriel Compayré. distinguia-se pelo uso da emulação. do certamen e da concertatio. do colégio de Clermont. no domínio da gramática e na elegância da fra s e ^ '' Esses torneios escolares foram chamados no Ratio studiorum de con­ certationes que. e os vencedores eram recompensados com um prêmio. 3' éd. cuja distribui­ ção era comum. na sua esplêndida tese. Daí o cuidado primordial com 1T Instrução religiosa através dó estudo——| do catecismo e com as práticas de piedade. 56 . Le serénissime dauphin était roué de coups tout comme le plus mince élève des jésuites. As disputas universitárias medievais foram transpostas para os colégios parisienses sob a forma da contentio. e o exame de consciência diário. pelo qual o regulamento escolar dispunha que um aluno desempenhasse o papel de observador ou de espião dos c o l é g (observatores. Nos colégios prevaleceu o regime de internato com 5La dignité princière ne défendait pas du fouet les fils des rois de France. comme son père Louis XIII. Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France depuis le seizième siècle. segundo a tra­ dição dos Irmãos da Vida Comum. dos colégios parisienses e remontava aos usos monásticos antigos. pâg. adotado nas escolas pela Companhia de Jesus. malgré les protestations de Montaigne et des jansénistes. comme son aïeul Henri IV? L’orbilianisme était encore un système pres­ que universel. a pedagogia parisiense. Os Colégios tinham por objetivo formar homens cristãos e letrados. como era costume. já eram praticados no colégio de Navarra.. Louis XIV n’avait garde de trouver mauvais qu’on fouettât son fils: lui-même n’avait-il pas été fouetté dans son enfance. tanto nos colégios jesuíticos como nos protestantes. I. e introduzido em Paris pelo colégio Montaigu.I. e a tal gênero de exercício pertenciam os debates semanais. tal como a participação na Santa Missa.

e a Retórica.a classe. já que o currículo às vezes se ampliava por 6 ou T anos. studia superiora.í.000 habitantes.°) Retórica: expressão acabada em prosa e em verso. o 4. com o curso filosófico de três anos. A Gramática inferior formava o 5 ° grau.°) Gramática infcrior U. A Gramâtica^süpénõr^-a .000. os jesuítas retorna-' ram em 1603. 2i°) Gramática inferi o r à . e por sua vez comuniquem ao próximo o que aprende­ ram”. Em 1561 a Companhia de Jesus já se achava instalada em Paris. o que se lhe afigura “un autre trait caractéristique du régime des collèges des jésuites”. A maioria dos seus colégios situavam-se em cidades com mais de 10. studia inferiora. Ele assegura. ainda. ó. que tomou por con­ fessor o jesuíta Cotton. o colégio de Cler- mont tinha mais de 2. iniciava-se para os interessados o ciclo superior.u. mas tendo conservado os colégios nas províncias. e o cursõTêõIoglctT de quatro anos. reconhece que eles cuidavam zelosamente da saúde dos alunos.0 graus e dividia-sêèm cinco anos elásticos de gramática. Esse é. a 2.°) Gramática média B. sintaxe. que os jesuítas não pouparam esforços para fortificar o corpo dos alunos. erudição.i convivência diuturna de mestres e alunos.. o seu cunho peculiar.a. 7.“. portanto. promovendo excursões nas casas de campo da Companhia. Depois desses sete anos de estudo. e em 1675. a fim de que nestes estabelecimentos melhor se formem os nossos estudantes no saber e em tudo quanto pode contribuir para o au­ xílio das almas. quase 3. o célebre modo parisiense de ensinar adotado pela Companhia de Jesus e incorporado no seu plano de estudos. studia superiora. im- prinundo-lhes a própria marca.000 alunos. e o superior. 57r) Gramática. iniciação à retórica. suorema classis erammaticae.superior.°) Gramática média A. O plano de estudos abrange dois grandes ciclos: o inferior. Expulsos de Paris. a l . a equitãçaõlPa esgrima. a média. ape­ sar da oposição do Parlamento e da Universidade. Compayré. eestimir- lundo os jovens à prática dos esportes~cõmo a natação. as Humanidades. Em 1561.3 . que não tinha simpatia pelos jesuítas. o Ratio studiorum. 4. e para isso aproveitavam as férias e os feriados. Neles estu- 57 . conforme as necessidades dos alunos: l. O grau inferior corresponde à atual escola de L°~e~cli~2.°) Humanidades: estudo da linguagem. “a Companhia dedica-se à obra dos colégios e uni­ versidades. De acordo com o método pedagógico dos jesuítas no § 1 das Regras do Reitor. enquanto o método se enriqueceu com a variedade dos processos didáticos e dos exercícios escolares que os mestres parisienses souberam assimilar das tradições educacionais do próprio ensino ou provenientes de outras origens. chamados pelo Rei Henrique IV.

O professor de colégio que lecionava na faculdades das Artes participava dos seus atos e dela recebia o seu estipêndio. A outra gravura. Derréal. mais famosa e mais sugestiva. A escola elementar Duas obras pictóricas do século XVII têm o condão de colocar-nos. a função essencial dos colégios era preparar os filhos para lhes ocuparem o lugar. pois nos seus bancos se acotove­ lavam com os fidalgos mais nobres da Europa os simples filhos de burgueses ou até mesmo de artesãos lorenos que podiam. espalhados pela sala tosca. M. o 6R. Antes de 1762 avalia-se em trinta e três o número de colégios franceses inseridos nas faculdades das Artes: 14 pertencentes aos secu- lares. como frisam Roger Chartier e Dominique Julia. entre tantas outras pessoas ilustres. O colégio universitário não se diferençava dõ cômum quãnto ã organiza- ção em classes e aos programas. O aluno que pretendesse cursar a fa­ culdade de direito podia ingressar nele após o término do curso de retórica.vam integrados nas univer­ sidades.6 Muitos colégios_esla. H. e retrata um velho professor sentado a tomar a lição de um menino sob a ameaça da férula ou palmatória. num rapto da fantasia. 24. estão a 1er. sem acanhamento algum. em louvor dos jesuítas. Des­ cartes e Corneille. A única vantagem dos alunos pertencentes ao colégio uni- versitário era o seu acesso ao grau do doutoramento em artes após dois anos de estudo de filosofia. Giraudon. 2 aos oratorianos. 13 aos jesuítas. pág. que nos seus colégios já se ignoravam as distinções de castas. Compère e D. a escrever. Julia.davam predominanteniente os filhos de nobres e burgueses ricos. L a o s Padres do Santíssimo Sacramento de Valence ê^T aos prõtesfantes. rústicos. 196. que se acha no Museu do Louvre. Para os pais. 2 aos doutrinários. Un Missionnaire de la Contre-Réforme. Saint Pierre Fourier et l’Institution de la Congrégation de Notre Dame. O quadro retrata o tipo de ensino usual então na escola de primeiras letras: ausência de disciplina na sala desguar­ necida e a relação didática estritamente individual entre o professor e o aluno que aprende sob a ameaça de golpes. L’Éducation en France du X V Ie au X VIIIe Siècle. 58 . Chartier. a brincar e a contender sem vigilância alguma. enquanío os outros alunos pequenos. como o faz Derréal. foram seus- alunos. pois. pág. Convém assinalar. o que importava à elite detentora das posições e das fortunas era a sua própria reprodução. A primeira. dos dois sexos. e até mesmo os jovens menos dota­ dos deviam fazer o curso completo do colégio e coroá-lo com o curso de direito. é a pintura de Van Ostade Le Maître d’Êcole. desfru­ tar do ensino dispensado gratuitamente a todos. M. a conversar. col. em pleno recinto de duas escolas elementares típicas dessa época.

Tais disposições. estendeu-se através das cidades francesas uma rede de escolas elementares.6 Inegavelmente. tal como elas surgiram em outras regiões católicas ou protestantes. 59 . e para ensinar a ler e a escrever aos que disso precisas­ sem.Mestre-escola. alguma instrução nas letras. nem a Igreja anglicana nem o Estado provi­ denciaram escolas elementares no século XVII. enchapelado. de Abraham Bosse. havendo muitas regiões da Europa onde o analfabetismo e a falta de escolas eram a regra e o natural. Só a partir de 1699. Outra lei. recitar a lição ao velho mestre que. no entanto. ainda. Os alu­ nos e as alunas são maiores que os do quadro de Van Ostade e apre­ sentam-se mais bem vestidos. Essas escolas. pâg. decidiu que haveria mestres e mestras nas paróquias deles desprovidas para instruírem todas as crianças dos dois sexos na dou­ trina católica. e essas gravuras descrevem a reali­ dade prosaica e típica de várias nações européias dessa época. estabeleceu que regentes. A aula transcorre no quarto do professor. representa uma escola parisiense do fim do século XVI ao início do XVII. um de cada vez. quan­ do um edito. a sobrevivência das escolas urbanas municipais. nas escolas de 7Parker. No século XVII. vestígio inequívoco das florescentes escolas paroquiais da Idade Média. Por aí se vê que as condições do ensino elementar eram muito precárias. Ao fundo vê-se o leito com as cortinas baixadas. The History of Modern Elementary Education. que prolongavam no tempo outra tradição medieval. mestres e mestras de escolas nas aldeias seriam aprovados pelos párocos sob a autoridade dos arcebispos e bispos. nas aldeias o pároco assegurava. Histoire de l’Instruction Publique en Europe. 53. pelo menos. no entanto. pâg. as petites écoles. preceptores. às vezes. também de origem medieval. de 1698. et Principale­ ment en France. 8Vallet de Viriville. tem as varas à mão. e a população dos campos era inferiorizada. poder-se-ia cobrar um imposto dos habitantes para pagar os professores. Aliás. sobre haver em muitas cidades da Europa. Os meninos lêem e escrevem de pé e vêm depois. o ensino do catecismo e. Nas localidades carentes de recursos para manter essas escolas. 271-272. as cidades eram privilegiadas quanto à educação no século XVII. Viriville achava que os primeiros esforços sérios para organizar a ins­ trução elementar do povo na França datavam de abril de 1695. Geralmente. malograram. diz Parker. referente à jurisdição eclesiástica. países. a das escolas episcopais ou capitulares. nunca existiram numa grande porção de lugarejos. como ocorre ainda hoje no Brasil e noutros. por exemplo. Na Inglaterra. elas começaram a surgir graças à Society for promoting Chris- tian Knowledge78.

cada uní deles tendo a frente um mestre e uma mestra. Foi para atender a essa clientela que poderia criar os piores problemas sociais mais tarde. Pitié. Cité. fundaram-se na França e noutros países congregações religiosas para a educação de meninos e meninas. as crianças não fossem bem assistidas devido às ne­ fastas conseqüências da reclusão. a atividade da corpora­ ção dos mestres-calígrafos. crianças abandonadas. Université. Os seus alunos eram tanto plebeus quanto nobres. à confraria dos livreiros. Convém ressaltar. vol. Hôtel-Dieu. 143. As guerras da época e a mortandade entre os pobres deixavam um nú­ mero elevado de órfãos. ’Monroe. etc. No século XVII as municipalidades favoreceram as petites éco- les. encadernado­ res e copistas. como iremos estudar. que pretendiam monopolizar nas cidades o ensino da escrita. as Charités. que deviam ministrar o ensino básico da religião e inculcar a disci­ plina. já que havia rigorosa separação de sexos. iluminadores. entretanto. a fim de proporcionarem aos meninos os rudimentos da doutrina cristã. acérrimos e encarniçados adversários dos Irmãos das Escolas Cristãs. pág. Esses mestres-calígrafos haviam pertencido. no fim da Idade Média. no século XVI em corporação dotada de privilégios especiais e tro­ caram o ofício do livro pela arte da caligrafia. e na Inglaterra as Charity-schools. Opuseram-se aos mestres das escolas elementares e foram.. mendigos e vadios. que surgiram na França os Hospitais Gerais e os Asilos. Como nessas institui­ ções. 60 . Como informam Chartier e Julia. agregadas de regra às catedrais e dependentes dos cô­ negos. então. no fim do século XVII. A sua profissão ressentiu-se profundamente com o apa­ recimento da imprensa. As salas dos seus escritórios eram espaçosas e bem iluminadas. a civilidade e o respeito às leis. tendo à porta da rua o anúncio: “A bela caligrafia é ensi­ nada pelo senhor fulano de tal” . nas regiões protestantes e nas colônias inglesas as escolas latinas. a iniciação no artesanato e o gosto pelo trabalho. Faubourgs et Banlieu de Paris enumeravam 166 bairros escolares. Instituíram-se. mal ou bem persistiu até o século XIX “a crença patética no mágiecrpoder do latim como o talismã indispensável para abrir as portas do conhecP mento”9. e na Inglaterra as Workhouses. Os mestres-calígrafos organizaram-se. A Cyclopedia of Education. que simpli­ ficaram a ortografia e ensinavam a escrita de graça nos seus estabe­ lecimentos. então. Ill (1 9 1 2 ). particularmente na França. em 1672 os Status et Règlements des Petites Écoles de Grammaire de la Ville.canto religioso. Embora a língua pátria fosse ensinada só quando isso fosse exigido. sempre havia ao lado do professor de música o mestre de gra­ mática.

Na Itália e na Espanha, assinalaram-se interesse e esforços em prol da
educação dos surdos-mudos. O espanhol João Paulo Bonet, natural de
Jaca (Huesca), nascido em 1560, sacerdote e diplomata, falecido em
1620, publicou em Madrid no ano da sua morte a obra Reduction de
las Letras y Arte para Ensenar a Ablar los Mudos, e com ela deu
prosseguimento ao trabalho do monge beneditino do século XVI,
Pedro Ponce de Leon, que se consagrara ao ensino dos surdos-mudos.
Na Itália, destacou-se nesse campo o Padre Francisco Lana S.I., que
nasceu em Brescia em 1631 e aí morreu aos 56 anos, tendo escrito a
obra Prodromo (1670), dedicada ao Imperador Leopoldo I, e que
serviu de introdução à obra escrita em latim em três volumes Magis-
terium naturae et artis (1684). Francesco Lana mostra como ensinar
o surdo-mudo a falar e a entender com os olhos as palavras de outras
pessoas, e na sua obra Everardo Micheli saúda a elaboração de método
eficaz para a instrução dos surdos-mudos por um italiano, trabalho que
foi continuado pelo médico de Mântua, Pietro di Castro, falecido em
1663, e pelo monge cisterciense Antonio da Ravenna, que dirigiu escola
de surdos-mudos onde lhes ensinava leitura, caligrafia e catecismo.'0
Essas beneméritas iniciativas atestam a vitalidade pedagógica dos ca­
tólicos, que aceitavam os desafios do tempo e sempre viam na ativi­
dade educacional uma obra de misericórdia espiritual e corporal. Esse
empenho ficou consagrado na instituição de tantas congregações reli­
giosas, que até hoje se dedicam ao ensino e à educação de pobres e
ricos, de jovens normais e de crianças excepcionais, para usarmos neste
caso a denominação eufemística hodierna.

"'Hverardo Micheli (das Escolas Pias), Storia delia Pedagogia Italiana dal Tem­
po dei Romani a tutto il Secolo XVIII, pág. 408 e seguintes. t

61

Capítulo V
Os oratorianos

Durante o século XVII floresceram na França as obras da reforma
católica, e tratou-se de pôr em prática os decretos do Concílio de
Trento. Surgiram, então, figuras carismáticas de santos e reformadores
como, por exemplo, São Vicente de Paulo, São João Eudes, o Cardeal
de Bérulle, etc., e fundaram-se novas congregações religiosas, ao mesmo
tempo em que se reformavam as antigas ordens e se cuidava da for­
mação e do aprimoramento espiritual do clero secular. Essa formação
pôde ser assegurada através da organização dos seminários, especial­
mente com a fundação do famoso seminário de São Sulpício em Paris
e da congregação dos sulpicianos organizada por João Tiago Olier, que
se apostou a preparar uma plêiade de sacerdotes piedosos e competen­
tes que se dedicassem à educação dos futuros levitas. Aos sulpicianos
vieram somar forças de modo resoluto os lazaristas de São Vicente de
Paulo e os eudistas de São João Eudes.
Entre as ordens religiosas que se renovaram no século XVII conta­
ram-se os Eremitas de Santo Agostinho, os Eremitas de São Jerônimo,
os Cônegos Regulares pertencentes a várias congregações, os monges
basilianos, os beneditinos, os dominicanos, os franciscanos, os carme­
litas, etc., assim como novas congregações e companhias de padres
entraram em cena como os Doutrinários, os Lazaristas, os Eudistas, os
Sulpicianos e os Oratorianos. Aspecto notável dessa reforma e da cons­
tituição de novas congregações foi que muitas se dedicaram de maneira
especial à educação da juventude. Assim, os Eremitas de Santo Agos­
tinho ocuparam-se na Bélgica com o ensino das humanidades- e há
França, além de se dedicarem às missões rurais, dirigiram excelentes
colégios. Entre os Cônegos Regulares destacou-se São Pedro Fourier,
que fundou na Lorena a Congregação de Nosso Salvador, aprovada em
1628, e que se consagrava às missões rurais, à formação dos clérigos
e ao ensino gratuito dos pobres. Entre as novas congregações fran­
cesas, aplicaram-se ao ensino particularmente os Doutrinários de César
de Bus e os Oratorianos do Cardeal de Bérulle, sem se falar dos je­
suítas, que prosseguiam sua tarefa educacional, e dos lazaristas, eudistas
e sulpicianos, mais voltados para a formação do clero. No fim do sé-

63

que Bérulle. o historiador jesuíta Léo­ pold Willaert observa que os jesuítas e os oratorianos brilharam pelos seus colégios. François Bourgoing. 185 e 186. III. de que trataremos em capítulo especial.' • GLCardeal Pierre de Bérulle (1575-1629) resolveu fundar uma con­ gregação de sacerdotes consagrada ao amor e à honra de Jesus Cristo. in Fliche-Mar- tin. Histoire Littéraire du Sentiment Religieux en France. 3Oeuvres de Bérulle. Première Partie. 'Léopold Willaert. os Congregados os devem guardar com tal pontualidade. Dictionnaire de Théologie Catholique. Partie 1. Senhora da Assunção. T. cl. III. apud Molien. éd.. a sua fundação e o seu espírito. 64 . em 11 de novembro de 1611. 3Henri Bremond. Opuscules de Piété. Oratoire de Jésus. cl. “O mesmo Deus”. porque não está sujeita direta­ mente à Santa Sé. S. pág. pois a missão original de Bérulle foi antes a de santificar o clero. Diz-se comumente. 184. “que restabeleceu em nossos dias. T. Ao estudar a fundação do Oratório de Jesus. em várias famílias religiosas. mas que estes não faziam parte do plano primitivo dos seus fundadores. Métezeau. pág. o primeiro. 143-144. in Vacant-Mangenot. e Caron. pág. 1270. parece querer também dispensar a mesma graça e favor ao estado do sacerdócio. embora se comprometam a seguir uma Regra. mas tal modo de falar é equívoco e enganoso. 1105. de restaurar e glorificar a própria idéia do sacerdócio católico.culo XVII. e à restauração da própria idéia e do estado do sacerdócio católico.3 Bérulle inspirou-se na instituição do Oratório italiano — criado por São Filipe Neri em 1575 e confirmado por Paulo V aos 24 de fevereiro de 1612 — através dos contatos que teve com ele na casa dos filipinos de Aix. 1 8(1). bacharel da Sorbonne e pároco de Clichy. A congregação do Oratório difere das ordens religiosas tradicionais. Bérulle iniciou o seu instituto sacerdotal com cinco companheiros: Bence e Gastaud. mas aos bispos. de Lisboa. observa Henri Bremond. bacharel em teolo­ gia da casa de Navarra. pároco de Beaumont. 136. La Restauration Catholique 1563-1648. Histoire de l’Église. afirma Bérulle. 525 e 533. vejam- se os opúsculos de seu fundador. T. XI. doutores da Sorbonne. chap. fundou-se a congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs de São João Batista de La Salle. Bérulle. o espírito e o fervor de sua primeira ins­ tituição. CS^~ mo rezam os Estatutos da Congregação dos Clérigos do Oratório de N. Sobre a congregação do Oratorio. S. “suposto que não tenham obrigação de pecado. e por ser uma associação de padres sem votos religiosos. o mais essencial e necessário à sua Igreja. e renovar nele o estado e a perfeição que lhe convém segundo o seu antigo costume e a sua primeira instituição”2. ao fundar o Oratório. Migne. à l’état de prêtrise. visava à reforma do clero secular.

Sacrosanctae. 65 . Nela o Papa assinala como seu fim principal “a perfeição do estado sacerdotal”. T. e para que lhes procurem o espírito por meio da oração. Para formar verdadeiros padres. por regra os seus cânones. exercidas na dependência dos bispos. e constitui a carta magna da con­ gregação. a eficácia pela prática e o fim pela caridade. II. por su­ periores os bispos. por votos solenes só os do batismo e do sacerdócio. ”4. . por bens a caridade. de 19 de novembro de 1654.coma se a tiveram. A bula da fundação do Oratório. na época em que a congregação dirigia vários colégios. e como sua característica uma devoção especial a Nosso Senhor Jesus Cristo. 83. o eterno sacerdote e fonte do sacerdócio na Igreja. Oraison Funèbre du Révérend Père François Bourgoing. da formação dos clérigos e dos estudos. Embora Bé­ rulle não quisesse ver a sua congregação dedicada ao ensino. Bossuet sintetizou de modo excelente o ideal ora- toriano. obrando neles o amor de Deus o que fizera o temor da culpa”. . tal como a harmonia do Cristianismo com as letras clássicas. A bula determina que os oratorianos se dediquem a todas as tarefas peculiares e convenientes à ordem sacerdotal. a sétima Assembléia Geral da congregação modificou nas constituições as palavras non circa scientiam para circa scientiam. o uso da língua francesa para os primeiros estudos gramati­ 4Bossuet. foi expedida pelo Papa Paulo V. antecipando-se desse modo a uma iniciativa que seria própria dos seminários. já que se destacou na história da pedagogia francesa pelas suas iniciativas. como observa Compayré. o Oratório teve papel saliente. “como um achado mais inaudito e até mesmo mais ousado que o de Santo Inácio” . Bérulle leva os seus oratorianos à fonte da verdade e lhes coloca em mãos os livros sagrados para estudo. o que fõl confirmado pelo Breve de Inocêndo X. Ex Romani. além da pregação. e se consagrem à educação dos padres e dos aspirantes ao sacerdócio. Segundo o jesuíta Willaert. não tanto quanto à aquisição da ciência mas quanto ao uso dessa ciência (non tam circa scientiam quam circa usum scientiae ritus et mores proprie ecclesiasticos se addicere). a profundeza com o recolhimento. a missão de instruir a juventude. pâg. No terreno do ensino. a bula de Paulo V apontou aos oratorianos. e afirma que Bérulle quis dar à nova companhia de padres apenas o próprio espírito da Igreja. in Oeuvres de Bossuet. o Oratório apareceu como instituto muito original. Nessa mesma data. Supérieur Général de la Congrégation de l’Oratoire (4 /1 2 /1 6 6 2 ). Os oratorianos também iniciaram a prática dos exercícios espirituais para os ordenandos. aos 10 de maio de 1613.

e pensadores. Histoire Littéraire du Sentiment Religieux en France. I. Bérulle chegou até mesmo a deixar de aceitar colégios para não ferir suscetibilidades dos jesuítas. et. e que o fazia movido pelo rancor do Parlamento de Paris e de alguns prelados contra a Companhia de Jesus. foi a inimizade que se declarou entre os oratorianos e os jesuítas. 66 . devido à preferência dada a Santo Agostinho e à acolhida feita ao pensamento de Descartes. Três anos após a sua fundação. Três dos seus qua­ tro colégios situados no campo eram pensionatos de elite: Effiat.56 Depois de nove ou dez anos de existência do Oratório. a primazia outorgada ao ensino da história. soit par les théologiens de la Sorbonne. Fato surpreendente e lamentável. D ’autre part. conforme reza uma Memória que eles dirigiram a Richelieu. tel qu’il s’est constitué peu à peu. N ’oublions pas cependant que les institu­ tions scolaires de l’Oratoire. trouva plus de crédit auprès des oratoriens. a quem os bispos pediam de todos os lados oratorianos para dirigirem colégios nas suas dioceses. ont précédé de plu­ sieurs années et la révolution cartésienne et l’organisation des Petites-Êcoles de Port-Royal. les pédagogues les plus renommés de l’ordre. Première Partie. mas un petií 5“Sans doute l’enseignement de l’Oratoire. Se­ gundo Bremond. estes acharam que o Oratório fora criado para os destruir. le P. Acrescenta Compayré que o Oratório teve a sua parte de originalidade na re­ forma da educação do século XVII. e que hão começou pelos primeiros. Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France depuis le Seizième Siècle. na mesma adesão às inovações necessárias. a ênfase dada a a ensina das-ciências. não os representantes oficiais da Companhia. os méritos de seus emi­ nentes pedagogos. e mais as importantes modificações no ensino da filosofia. T. Juilly e Notre-Dame-des-Grâces em Forez. en effet. III. a congregação do Oratório dirigia os colégios de Dieppe e da Rochelle. “alguns jesuítas. T. doit beaucoup à la double influence de Descartes et des méthodes de Port- Royal. l’Oratoire fut toujours suspect de jansénisme. pág. si mal accueilli. como Lamy. Thomassin et le P. o colégio dc Juilly foi erigido em academia real por cartas patentes de Luís XIII. devendo ressaltar-se. 6Henri Bremond. 208. pág. Em 1633.cais. e em 1621 já possuía cinquenta. todavia. n’ont pas assez d’éloges pour Lancelot et por Nicole. e que as semelhanças do seu ensino com o de Port-Royal foram devidas à influência que as duas corporações receberam das idéias novas. Lamy. Le cartésianisme. vindo a tornar-se a escola-modelo dos oratorianos muito freqüentada pelos jovens da nobreza da França e da Inglaterra.” Compayré. Thomassin e Male- branche?- O sucessor do Cardeal de Bérulle na direção do instituto foi o Padre de Condren (1588-1641). Depois. 178. surgiram as hostilidades com os inacianos. outrossim. diz Bremond. que passou a dispor nos seus colégios de cátedra es­ pecial. soit par les jésuites. dans leur première origine.

pronunciaram as pala­ vras irreparáveis que. 67 . Bérulle resolveu defender a sua doutrina espiritual em sua grande obra Discours de 1’Êtat et des Gran- deurs de Jésus. consagrada aò ensina. Eles concordaram e. iria permanecer como “a Carta espiritual do Ora­ tório e lembrará constantemente aos oratorianos a crise dolorosa que afetou a honra de seu Pai e até mesmo a existência do seu Instituto” . pág. “a coligação lamentável en­ tre os jansenistas e grande número de oratorianos não deve mais es­ pantar ninguém. o Oratório jamais es­ queceria”. os padres oratorianos não dispunham de plano de estudos. é que eles pensaram em elaborar o seu próprio método pedagógico. Quando a congregação do Oratório começou a dedicar-se ao ensino por imposição do Papa Paulo V. Apesar do entendimento fraterno de Bérulle com os Superiores Jesuítas. não da razão ou do Evangelho. À segunda parte. Paul Cochois. Sufreen. “as Grandezas de Jesus constituem uma obra polêmica pela sua orientação geral”7. Bérulle foi atacado na sua doutrina e na sua honra. diz Bremond.notnbre de brouitíons. . pelo Padre Séguiran. 42. então. Bérulle et l’École Française. Esse livro tão aprovado de um lado e agressivo por outro. c’en était fait de l’unité et de la bonne entente qui avait caractérisé jusque-là l’oeuvre de restauration et de réforme du catholi­ cisme français. Daí a razão pela qual. Première Partie. O padre de Condren co- meçou a uniformizar o ensina hósjcõíégios do Oratório com a obra impressa ém' l7D4 e equivalente à primeira parte de um plano escolar em que trata apenas da disciplina. pág. e da boa apreciação da obra G randezas. Os inimigos de nossos inimigos são nossos amigos: assim o exige pelo menos a lógica. e isso acabrunhou-o profundamente.” Henri Bremond. Só aos poucos. mais c’était la première fois que le fondateur d’une congrégation religieuse éternisait ainsi dans un texte officiel et sacré le souvenir frémissant de ses propres injures. segundo Cochois. pág. para a sua infelicidade. embora ele soubesse muito bem que as calúmas e as perseguições não faltam aos verdadeiros seguidores do Evangelho. T. uns poucos intrigantes. acrescenta Bremond. de tal modo que. ainda que Bérulle tenha exposto nessa obra os fundamentos teológicos da sua doutrina. mas da paixão”8. Histoire Littéraire du Sentiment Religieux en France. fói composta pelo padre Morin em 1645 com o tltúlo de*6 7Paul Cochois. 6“On avait vu d’autres guerres de moines. 189. afirma Dagens: “C ’était la rupture rendue publique. instruídos pela experiência e por obras como o Ratio studiorum dos jesuítas. que acabou por ser um verdadeiro requisitório contra os seus adversários. Bérulle et l’École Française. as brigas de campanário prosseguiram a tal ponto que o núncio pediu aos oratorianos e aos jesuítas que expusessem as queixas respectivas. Désormais l’histoire religieuse du X VIIe siècle se confondra trop souvent avec l’histoire des polémiques religieuses”. 43. No auge do sofrimento. da admiração que lhe votavam os jesuítas Cotton. III. .

os gêneros. diz Pocquet. Pocquet de Livonnière. Documents. os pretéritos. publicada por M.-G. Un extrait d’une histoire inédite de l’Université d ’Angers par C. e tomavam por exercício principal a tra- dução do latim para o francês. cujas obras. atesta que os professores de filosofia dessa universi­ dade. Aliás. “são o romance da filosofia”10. publicou o seu método de ensinar o latim em língua francesa. Os oratorianos. os supinos. Os oratorianos. Bernard Lamy. a sintaxe e a quantidade das sílabas. ministrado por meio de mapas que os próprios alunos confeccionavam. assim como os escritos de Guez de Balzac. tendo publicado catecismos em língua francesa até a ter­ ceira classe e tendo editado pela primeira vez uma gramática latina em francês. achavam que ele era língua morta que se devia compreender sênTsêr preciso falá-la ou escrevê-la. da Universidade de Angers no século XVIII. 9Gilson. em que apresentava em caracteres de cores dife­ rentes as declinações. recteur de cette Université vers 1721. principalmente da França. 1.9 Um do­ cumento de C. A universidade e os je­ suítas consideravam o latim como língua viva. então. sabendo-se que o autor do Discurso do Método filosofou no ambiente oratoriano. em francês as obras-p'rirtlâS de uorneille. deram-énfase especial 3S> estudo do francês. Section III. 136-137. como já salientamos. devendo ressaltar-se que ensina­ vam a história da França nas classes superiores durante três anos e associavam à história o ensino da geografia. Gazier na Revue Internationale de l’Enseignement. ensinavam abertamente a filosofia de Descartes. de 15 de julho a 15 de agosto de 1886. desde 1634. Ratio studiorum a magistris et professoribus congregatiunis Oral ont. Arnauld. Étude biographique et bibliographique. sacerdote de virtude notável. Os oratorianos tiveram o grande mérito de iniciar nos seus colégios os estudos de história. convém saber ou lembrar que muitos estudiosos ade-*I. Em 1640 o Padre Charles de Condren (1588-164T). pâg. in Études sur le Rôle de la Pensée Médiévale dans la Formation du Système Cartésien. Domini Jesu obser 'anda. as conjugações. Descartes e a poesia de Malherbe. Note-se que"já existiam. '“François Girbal. 291. Pocquet de Livonnière. devendo os professores explicar os autores clássicos na própria língua nãcional. com professor especial. Voiture. e compuseram livros elementares para o seu ensino. Eles deram à história uma cátedra própria. pertencentes à congregação do Oratório.-G. Nò ensino da filosofia os oratorianos apreciavam o pensamento de Platão e de Santo Agostinho. 68 . Essa obra se perdeu. contïïcTo. e propagaram a doutrïn5~d5~Uëscartes ^^^Ijue o próprio BerulTe têfíã recomendado — . La Pensée Religieuse de Descartes. pâg. mas chegou a ser re­ sumida por Adry na sua Mémoire sur le Règlement des Études dans les Lettres Humaines par M.

e foi combatida pelos jesuítas. O grego não era tão ensinado nos colégios oratorianos quanto o latim e o francês. ortografia. Por isso.a classe. pág. Nas suas Pales­ tras sobre as ciências. escrita. porque confundiam a filosofia natural ou parte da física aristotélica com a inovadora e moderna ciência da física. "Bernard Lamy. . no compêndio do método grego de Port-Royal e no Evangelho de São João. essa adesão de muitos oratorianos a Descartes não foi apreciada. 262 e 263. como tam­ bém ninguém viu de modo tão claro a relação do Homem com Deus” ". é preciso aderir ao seu Método em Física. que tomou impulso no século X\HI. estudavam-se no­ ções de métrica. que se mantiveram sempre fiéis a Aris­ tóteles e a Santo Tomás de Aquino.riram à doutrina de Descartes. rudimentos de gramática latina na língua materna. ele declara que nenhum outro filósofo anterior soube como Descartes dar explicação científica dos fenôme­ nos. . Na 6. e da qual um dos cultores e investigadores mais notáveis foi o filósofo Descartes. . Descartes foi o maior filósofo que já existiu e eu lhe devoto grande estima. Entretiens sur les Sciences. . fábulas de Fedro. Ora. Entretiens sur les Sciences. “a glória de Descartes ter aberto o caminho da verdadeira Física. liam-se algumas cartas de Cícero. prosseguia-se o estudo da gramática. no capítulo intitula­ do Discours sur la Philosophie.a classe. embora andassem bem informados dos progressos da física científica. diz Lamy. “Não se pode contestar ao nosso século e à França”. Os textos eram extraídos de algumas epístolas de Cícero e de dísticos de Catão. pois ninguém como ele falou tão bem sobre o espírito e soube distinguir- lhe as funções das que são próprias da máquina do corpo. As noções de grego eram hauridas na gramática de Clenardo. No entanto. cálculo. o peso decisivo do ensino nas escolas dos oratorianos incidia has~Iètrãspcõmo ocorria em todas as outras desstT tempo. geografia. Daí bastava um pass r para renegar de vez a filosofia tradicional e abraçar in totum o cartesianismo como expressão do pensamento novo e eficaz. his­ tória sagrada. os oratorianos inscreveram nos seus programas o ensino da física servida por gabinete e ministrado jun­ tamente com as matemáticas. 69 . havia leitura. Passemos agora a examinar o regulamento dos estudos segundo o plano do Padre Jean Morin. mas o bastante para que os alunos o soubessem ler e en­ tender. o padre Bernardo Lamy. 256. Segundo a orientação cartesiana. Na 5. Édition critique. 261. Isso é confirmado pelo depoimento de um dos maiores mestres e pedagogos do Oratório no século XVII.

Ha­ via em classe um trabalho por mês para todos os alunos. Jus- tino. e os melhores alunos recebiam prêmios. faziam-se exercícios de versos latinos e estudava-se a Hisfória Romana desde Augusto até Constantino. e davam passeios aos domingos e feriados. Atos dos Apóstolos e os diálogos mais fáceis de Luciano. Em tempo de guerra. César. e mais as obras de Píndaro. Na 2. com a História da Fran­ ça. faziam-se exercícios de versificação e liam-se algumas cartas de Cícero. então. Atos dos Apóstolos e São Basílio. para os outros alunos. a Oração da Coroa de Demóstenes. Xenofonte. Cornélio Nepos.° da Eneida. Suetônio e Veleio Petérculo. Na classe de Retórica. Diodoro da Sicília. desde Francisco I até ao rei no exercício atual do governo. a Ilíada e a Odisséia de Homero. brincavam de soldados. desde á fundarão da monarquia até Francisco I.Tristes e Fastos de Ovídio. Floro. Marcial. Floro. e estudava-se a História da França.°. tal como Leis. As horas de tra­ balho eram amenizadas com jogos recreativos. Os oratorianos empregavam a emulação como estímulo escolar. os Augustae Historiae Scriptores. éclogas de Virgílio e mais alguns textos de Ti- bulo. desfilavam com estandartes ao som de tambo­ res e a carregarem fuzis. o estudo intuitivo da geografia. Eurípides e Esquines. Tristes ou Pônticas de Ovídio. gramática grega. Partitiones. Salústio. Tusculanas. que eram muitos. de Valério Máximo. uma tragédia de Sêneca. Os premiados. Estácio. As férias eram curtas e. Divertiam-se. No inverno ou nos dias de chuva. Na 3. Prosseguia o estudo da História da França. Na 4. São João Crisóstomo. os alunos entretinham-se com jogos de sala: xadrez. ficavam 70 .° e 12. Juvenal e Pérsio. Hesíodo.a classe. Luciano. 6. Esopo. etc. Três vezes por ano os estudantes redigiam composições em iodas as classes. Isócrates. damas. analisavam-se as obras de Cícero. os livros 3. explicavam-se outras obras de Cícero. Isócrates. as Sátiras de Horácio. Apesar dessa imponente lista de autores. Virgí­ lio. Terêncio. De oratore. o dia letivo no colégio orato- riano era de 4 horas para os retóricos e de 4 horas e meia. em compensação. Teócrito. os alunos internos iam passá-las cóm a família ou permaneciam nos colégios en­ tretidos com brandos estudos. a fim de que os mestres lhes verificassem os progressos. Virgílio. ainda. bilhar. gamão. formavam regimentos. encerravam-se os estudos puramente gramaticais e co­ meçava o das letras com a explicação das obras de Cícero. vários dos seus discursos e textos de Tácito. pião.a classe.a classe. continuavam as gramáticas latina e grega. Sófocles. repartidas em exercícios de 30 minutos.

Duas vezes por ano. Eles visitavam as casas afastadas de Paris. a equitação. A partir de 1760. a esgrima e a dança. Três padres eram nomeados para essa tarefa pelas Assembléias Gerais da congregação. o desenho. diz Collard. Havia. que hoje se chama de inspeção. em Juilly.dispensados dos exames finais para a promoção às classes mais adian- tadas. Fèriftitiam-Se peças com enredo tirado do Antigo e do Novo Testamento. além das provas. os oratorianos recorriam à visita. da história antiga e na­ cional. Os professores oratorianos acompanhavam as classes desde a ínfima até a máxima. o teatro era pouco apreciado. das Vidas dos Santos. Durante as refeições procedia-se à leitura das Vidas dos Santos e. às narrativas e às explicações. Collard. Os regenfesTormados durante o noviciado da congregação eram fiscalizados nas suas cátedras pelos superiores e prefeitos dos colégios ou por mes­ tres experimentados. Antes das aulas os alunos rezavam o Veni Sancte Spiritus e liam versículos do Novo Tes­ tamento. Para evitar os abusos. os professores das classes mais adiantadas convidavam o superior e o prefeito do colégio para assistirem aos exercícios de versos latinos. mas proibiam-se as comédias. 196. Ademais. TScCéntanto. recitavam-se as ladainhas da Santa Infância de Jesus. em latim e em francês e. os mestres zelavam pela piedade e pelos bons costumes de seus discípulos. a música. o que é mais. encerrando-se o dia com oração à Santa Virgem. Além das d iscIpirnas curricuTãres. a primazia no Oratório cabia à formação religiosa. Histoire de la Pédagogie. leitura de pecas. ' 2F. Tíãvla nos colégios oratorianoíTirprá- tica de artes recreativas como. pág. por exemplo. 71 . designados especialmente para a orientação dos jovens professores. os mestres davam "balanço do aproveitamento dos alunos p™ pstndos durante o an ã A disciplina era suave e pouco se apelava-à-jé?»1« r»u ao chicote. as tragédias em cinco atos e as peças inteiramente em francês. crítica mútua dós~ participantes. Collard apresenta as particula­ ridades do plano pedagógico dos oratorianos e que procuramos resumir. às quais compa­ reciam autoridades e familiares dos alunos das três classes superiores e os seus respectivos professores. com o fim de escaparem à especialização e à rotina e para poderem ampliar constantemente os próprios conhecimentos.12 Como é evidente. os dramas foram geralmente abandonados. Para animar a vida escolar e aprimorar a formação cultural dos alu­ nos havia academias com sessões mensais e públicas. com- posição em prosa e em verso. Esses exames eram rigorosos mas. então. assistiam às aulas e re­ gistravam as suas observações em livro especial. após as aulas.

como Masca- ron. Em 1683. lecionou filosofia no colégio desta cidade de 1671 a 1673 e no colégio de Anjou ou Fa­ culdade das Artes da Universidade de Angers em 1674. a saber. Bernard Lamy e Jacques-Joseph Du Guet. o 2. tendo composto numerosas obras didáticas. os famosos Entretiens sur les Sciences (1683). . os Traités de Mécanique (1679). ingressou na congregação em Paris aos 6 de outubro de 1658. o Traité des jeûnes (1680). 72 . que deblatera: “Com a sua vasta erudição o Padre Thomassin carecia de crítica. Ele canoniza e. ordenou-se sacerdo­ te em 1667. iniciou-se no magistério em 1640. em 1681. e. filosofia e teologia. freqüentou o colégio orato­ riano de sua terra natal. la philosophie.°. Disci­ pline de l’Église (1678-1679). cursou teologia em Saumur ( 1669-1671). T. uma obra de aritmética. Em 1685-166 surgiu a obra Méthode d’étudier. científicas e teológicas. finalmente. Estudou filosofia em Saumur (1659-1661). que se distinguiram ao lado de tantos outros homens eminentes pelo saber. como as Disserta­ tions sur les Conciles ( 1667 ) . os Dogmes (1680). pág.° volume. L ’étude des Poè­ tes. Lamy foi es­ critor prolífico e brilhante. . tendo sido aceito nela oficialmente aos 13 de setem­ bro de 1662. teologiza tudo”13. l3Compayré. iniciou a sua carreira de pedagogo com a série dos “métodos”. Thomassin publicou o Traité des fêtes de l’Égli­ se. les historiens profanes. I. etc. e combateu o jansenismo. os Éléments de Géométrie (1685). Le Cointe.Os pedagogos mais ilustres do Oratório no século XVII foram Tho- massin. . Malebranche. Ingressou na sua congregação aos 30 de outubro de 1633. Méthode d’étudier et d’enseigner chrétiennement et solidement. em 1692. Massillon. o Traité de l’Unité de l’Église. . Lelong. se assim posso falar. O Padre Thomassin morreu no dia 24 de dezembro de 1695. Richard Simon. . Nouvelles Réflexions sur l'Art Poétique (1678). Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France. o Traité de la Grandeur (1680). Deivou numerosas obras. .° volume. e o 3. 234. B e r n a r d L a m y nasceu em Mans em 1640. Publicou L ’A rt de Parler (1675). par rapport aux Lettres divines et aux Écritures. e. Mémoires sur la Grâce ( 1668 ) . a 28 de março do mesmo ano. lecionou hu­ manidades em Vendôme e em Juilly (1661-1668). em 1686-1687. Louis T h o m a s s in nasceu em Aix-en-Provence em 28 de agosto de 1619. para o qual antes se inclinara. le­ cionou humanidades. ordenou-se sacerdote em Aix em 21 de dezembro de 1643. Desde os 10 anos estudou com os oratorianos. a 8 de janeiro de 1682. Essa reta intenção evangélica do mestre oratoriano picou a papada laicista de Compayré. o Méthode d’étudier. Nos seus “métodos de estudar e de ensinar cristã e solidamente as letras humanas” ele procurou cristianizar o ensino e fazer das letras um meio de aperfeiçoamento moral. ten­ do sido impresso a 8 de março de 1681 o l.

O Padre Bernard Lamy faleceu em 29 de janeiro de 1715. das letras e da teologia. tomando por modelos os inex- cedíveis autores antigos. no estilo antigo. e que as traduções interlineares devem ser empre­ gadas no estudo das línguas mortas. das ciências.o Apparatus ad Bíblia sacra (1687). Ensina que a gramática latina deve ser estudada na própria língua. requer a leitura de vários autores. e as suas regras devem ser postas em versos. de acordo com as inclinações dos meninos. um Traité de Morale (1687-1688). preciosos conselhos e pensamentos sobre a vida intelectual e religiosa. Entretiens sur les Sciences. e muitos se notabilizam em todas as ciências. um comentário latino sobre a Hurmonie ou Concordance des Êvangelistes (1699). Lamy propõe um método agradável para economizar tempo e esforços na carreira dos estudos. ao estudo da filosofia. a Harmonia sive concordia quatuor Evangelistarum (1689). indicações bibliográficas. 169. conforme o douto oratoriano. Só então é que os alunos devem aplicar-se à composição. Entretiens sur les Sciences. A sua obra mais popular. é saber raciocinar e julgar. e muito apreciada por Rousseau. e diz que a doçura. vivem entregues aos exercícios de piedade. 73 . caridade. particularmente na das Escrituras. “de eclesiásticos virtuosos e sábios ligados tão-somente pela caridade e pela união do mesmo desíg­ nio de concorrerem para o serviço da Igreja”' 4. ou a prática. “uma comunidade”. segundo Lamy. Atenção especial merece a quinta palestra dos Entretiens sur les Sciences. cheia de conflitos e perseguições. os meninos devem usar vocabulários. A formação intelectual. o Traité de la Pâque (1693). da História Eclesiástica e dos4 l4Bemard Lamy. em vez dos grandes dicionários. o Temple de Jérusalem (1697). foi escrita para os jovens professores do Oratório e. assim como a física. de­ vendo a tradução ser o principal exercício escrito para o aprendizado das línguas estrangeiras. Frisa que ó uso. contém um programa de estudos. as Introductions à lÊcriture Sainte (1689 a 1697). diz Lamy. Reco­ menda o estudo da geografia ilustrada por mapas. O ponto funda­ mental para quem aprende. a ameaça. das ma­ temáticas e da lógica. pág. dos costumes e dos estudos na congregação do Oratório. Lamy recomenda o uso prudente das recom­ pensas e dos castigos. dos Padres da Igreja. Ele diz aos mestres que para bem aprender é preciso ensinar. o Traité de Perspective (1701). e cinco Entretiens de um novo Traité de Morale (1706-1711). sobre constituir verdadeiro protréptico. A gramática grega não precisa ser escrita em francês e. Os oratorianos. pros­ segue. que tanto estudou nas obras de Descartes. é soberano para o domínio das linguas vivas. já que se trata de vívida descrição do ideal. após uma vida agitada. a esperança de recompensa e o temor de uma humilhação são muito preferíveis ao chicote e às varas. e aos estudos. da história.

onde se formou em 1659. e teologia na Sorbonne. H o u b ig a n t compôs o seu tratado De la Manière d’Êtudier et d’Enseigner les Humanités. Histoire de l’Éducation dans l’Ancien Oratoire de France. quando descobrem algum espírito penetrante e poderoso dotado de raro gênio para as Ciências. aplicavam-se ao ensino e faziam o tirocínio didático em algum colégio do Oratório. começar o estudo da hngua grega pela leitura dos historiadores e não 'dos poe­ tas. tratam de aliviá-lo de qualquer outro encargo. ainda. ainda. 1888. como um pai ama os seus filhos. podemos concluir acenando às idéias pedagógicas es­ parsas nas obras filosóficas do maior pensador oratoriano do século XVII. que abandonou o Oratório em 1688. Converteu-se ao* . autor de uma Lettre sur les Humanités em que insiste nos pontos característicos da didática oratoriana quanto ao estudo do latim e do grego. 74 . Ele assevera que se devem 1er os clássicos nos textos originais e não em traduções. pois o importante é saber apreciar a poesia e analisar um poema. Consagra­ vam-se com desvelo à educação da juventude. Aos 22 anos entrou na congregação do Oratório (1 8 /1 /1 6 6 0 ). e terminados os es­ tudos comuns. a principal coisa que lhes deve inculcar é a virtude.sPara o conhecimento da educação oratoriana é de fundamental importância a obra de Paul Lallemant. N ic o l a u M a l e b r a n c h e . e daí o cuidado particular com os jovens oratorianos aos quais a congregação proporciona mestres hábeis. que lhes fazem amar os livros. para que se consagre exclusivamente ao estu­ do. Finalmente. O oratoriano tem por fim ganhar almas para Deus. aos estudos. até os 16 anos. convictos de que não obtém êxito o mestre que não estima os discípulos. Lamy afirma que no Oratório reina o amor pelas Letras. Malebranche (1638-1715). que é preciso aprender o francês do mesmo modo que o latim e o grego. e ordenou-se sacerdote aos 20 de setembro de 1664. depois cursou filosofia no colégio de la Marche com o aristotélico M. filho de funcionário da corte e secretário do rei. Paris. está a serviço da Igreja. J a c q u e s -J o s e p h d u G u e t . pois não se crê que possa servir melhor à Igreja que desse modo. os oratorianos. Thorin. devido à sua saúde frágil. após um ano de noviciado.Concílios. e ser conveniente iniciar o estudo de Homero pela Odisséia'5. e afirma que não vale a pena fazer versos latinos. À volta de 1720. lhes orientam os estudos e lhes indicam os livros a serem lidos e. estudou em casa com preceptores. Entre os pedagogos do Oratório distinguiram-se. o seu espírito é o de Jesus Cristo segundo o Evangelho. Rouillard. informa Lamy. No tocante. E ainda que o mestre lhes ensine muito bem as discipli­ nas literárias e científicas. Ao entrar na congregâção.

Livre Deuxième. Male- branche à M. Morreu em 13 de outubro de 1715. Malebranche toca em suas obras em muitos temas de alcance pedagógico. “O principal dever dos pais”. por exemplo. com eloqüência e ardor. Première Partie. diz Malebran­ che. Recueil de toutes les réponses du P. Entre­ tiens sur la mort (1696) . de Descar­ tes. se o jovem nao ficar for- mado nos princípios da religião cristã. “é educar os próprios filhos de tal modo que eles não percam a 1‘ Malebranche. assegurar a sua eterna felicidade no céu. et qu’il faudroit de grands dis­ cours pour persuader les autres hommes de mes sentiments. Seconde Partie. e Réflexions sur la prémotion physique (1715). I. desse modo. a melhor exposição do seu pen­ samento. Traité de la communication des mouvements (1692).17 Na verdade. e pôs-se então a filosofar sob a inspiração de Santo Agostinho e de Descartes. se não se preparar para viver na sociedade como verdadeiro cristão e. Traité de l’amour de Dieu ( 1697) . Entretiens d’un philosophe chrétien avec un philosophe chinois sur l’existence et la nature de Dieu (1708)..16 Contudo.” Malebranche. Conversations chrétiennes dans lesquelles on justifie la vérité de la Religion et de la Morale de Jesus-Christ (1677). Entretiens sur la métaphysique et la religion (1688). Escreveu várias obras que obtiveram grande êxito: De la Recherche de la Vérité (1674-1675). chap. Assim. demonstrando. Eclaircissements (1678). pág. Sem ter sido propriamente um educador. que dê nada serve adornár-sê com as luzes e os ouropéis do saber e da erudição. talvez os seus apontamentos mais sugestivos sobre a educação se achem no Traité de Morale. De la Recherche de la Vérité. Traité de Morale (1684). (1709). 4 vol. Traité de Morale.estudo da filosofia depois de ter lido o Traité de l’Homme. T. Arnauld. 17“Ie voi bien que je ne dis que des paradoxes. adestrar-se para o exercício das profissões. 236. Revestem-se de profundo interesse didático todos os capítulos da Segunda Parte do Livro Segundo. preparar-se para o serylçõ do Estado e para viver bem neste mundo. o Traité de la nature et de la Grâce (1680). 75 . § XV. o filósofo oratoriano preo- cupa-se fundamentalmente com a necessidade e a importância da educação cristã. ' Todo o capítulo X da Segunda Parte do Tratado de Moral deveria merecer atenta consideração da parte dos pais e educadores. em De la Recherchf de la Vérité faz interessantes observações sobre psicologia infantil e sobre questões de aprendizagem e ensino. Réponse au livre des vraies et fausses idées contre Antoine Arnauld. X. VII e VIII. Méditations chrétiennes et métaphysiques (1677-1683). Malebran­ che confessa que as suas palavras devem parecer paradoxos. e que seria necessário proceder a longa demonstração para convencer os ou­ tros das suas próprias idéias. chap.

poeta. Devem ser formadas para terem idéias claras. cristão e francês antes de ser gramático. não convém onerar a memória das crianças com coisas inúteis. no entanto. a fim de protegerem os filhos como anjos tutelares que prevêem os perigos e afastam as ameaças à sua salvação eterna. Por outro lado. Malebranche destaca o importante papel dos bons preceptores. como se estivessem na presença de Deus Todo Po­ deroso. bondade e compreensão. il faut commencer ses études par les sciences les plus necessaires. mas é preciso ser homem. estudar a história e as línguas.” Id. pâg. historiador e estrangei­ ro. que eles não são os seus donos. para isso os pais devem estar sempre atentos e vigilantes sem pouparem cuidados. os pais só lhes devem ordenar o que estiver de acordo com os mandamentos de Deus. a extensão e a perfeição de que é capaz. 76 . que repre­ sentam para eles o próprio Deus na terra. pois deverão respop- der um dia pelo precioso legado que lhes foi confiado na pessoa de seus filhos. ensina o filósofo cristão. se os pais de­ vem tratar os filhos com justiça. têm deveres especiais para com seus pais. Além disso. do qual os pais são os representantes neste mundo. portanto. e primeiramente a do próprio país. os colégios sem conhecerem o homem. Os pais humanos participam. sem que se cuide de educá-las como homens racionais. já que a atenção constitui “a força do es­ pírito”. Numa palavra. de um poder divino. a religião e a moral. é preciso estudar o que contribui para a perfeição do espírito e do co­ ração. Os jovens devem aprender a geometria para conferirem ao seu es­ pírito a força. de vez. ibid.. . prudência.. o acatamento e o respeito que lhes são devidos. para saberem pensar. verdadeiros cristãos. Ora. ou par celles qui peuvent le plus contribuer à la perfection de l’esprit et du coeur. e daí lhes advêm imensas responsabilidades. Vale a pena. habitantes da santa cidade. Por isso. para serem atentas. o Criador e Pai de todos os ho­ mens.a“En un mot. inocência e a santidade do seu Batismo". e dis­ corre com veemência sobre as obrigações mútuas de pais e filhos.18 Malebranche lamenta a sorte das pobres crianças educadas como os cidadãos da Roma Antiga. estes por sua vez. e é uma lástima. 235. que elas deixem. Lem­ bra aos pais que a vontade deles não pode ser lei inviolável para a criança. diz ele. na sua língua e nos seus costu­ mes. Os filhos devem retribuir os desvelos de seus pais com a obediência. e para a aquisição desse bom hábito concorrem as ciências sólidas das matemáticas. e todos devem viver de tal modo que possam reunir-se um dia no paraíso que foi aberto para os homens pelo sacrifício e pelo amor de Cristo crucifi­ cado. mas que o seu pátrio poder provém da eficácia do poder de Deus. § XIV.

Capítulo VI Port-Royal e a educação Apesar da sua curta duração e do pequeno número de alunos. Guyot. que se teriam destacado. eram elevadíssimas e a educação era extremamenté seleta e dispensa­ da a uma elite social e econômica. A posição singular das Petites Écoles de Port-Royal deveu-se aos se­ guintes fatores: 1 ) Elas consubstanciaram no terreno escolar o plano de reforma religiosa jansenista e foram instauradas no âmbito da abadia de Port-Royal-des-Champs e da abadia de Port-Royal de Paris. exatamente por causa dos méritos de 77 . 5) A influência das escolas de Port-Royal fez-se sentir nos estabelecimentos rivais e nas doutrinas de pedagogos posteriores à sua ruína. Sob a direção de um preceptorT as classes tinham quatro ou cinco alunos que viviam em regime de internato e.. já que acolhiam pouquíssi­ mos alunos e tiveram curta duração. 2) O ensino das letras em Port-Royal sintonizou perfeitamente com os intui­ tos pãtrióticos da Academia Francesa em sua promoção do ensino do francês e na simplificação do estudo das línguas estrangeiras. as taxas escolares. ocupam lugar de relevo na história da educação européia no século XVII. A sua concepção deveu-se ao abade de Saint-Cyran. no campo. grego. Le Maître. 3) As “escolinhas’r de Port-Royal tiveram alcance muito restrito. em quaisquer outros estabelecimentos ou corporações. Arnauld. Walon de Beaupuis. comparada à das outras escolas. como se poderia colher do seu nome. de regra. Coustel. as “escolinhas” de Port-Royal. mas constituíram. da mesma forma. a sua arte. espanhol e italiano. escolas elementares. Nicole. a sua dedicação e o seu saber. mas o seu brilho lhes adveio dos ilustres mes­ tres que lhes emprestaram a agudeza do seu engenho. 4) Os alunos das “escolinhas” de Port-Royal pertenciam à nobreza ou à burguesia. de fato. os mestres de Port-Royal compuseram livros de texto e gramáticas de latim. autênticos colégios. tal como Lancelot. Com esse objetivo. etc. pois os seus mentores não pretendiam rivalizar com as escolas da universidade nem fazer mossas aos colégios dos jesuítas. e pode-se dizer até mesmo insignifi­ cante. A clientela das “escolinhas” foi ínfi­ ma do ponto de vista quantitativo. Elas receberam esse nome de Petites Écoles por cálculo prudencial. as Petites Écoles. As “escolinhas” de Port-Royal não eram.

428. comme tout ce qui entrait dans cette tête méditative. Daí o pessimismo dos jansenistas. daí. 2Id„ ibid. bispo de Ypres e autor do livro Augustinus. Desse modo. “L’idée des Écoles. sur la racine même de la doctrine chré­ tienne. pág. Port-Royal influenciou as obras pedagógicas do Père Jouvenci.. IV. 78 . “o espírito do ensino de Port-Royal sobreviveu através dos livros à ruína das escolas De acordo com a doutrina católica. enquanto Saint-Cyran e Port- Royal. e ninguém será condenado ao inferno a não ser pela sua própria opção. 427 e 429. acha-se ferida e debilitada pelo pecado original. seus mestres e de seus escritos didáticos. de Saint-Cyran. uma tentativa contínua de acomodação com o século. a educação para Saint-Cyran tem algo de terrível. Duvergier de Hauranne. é preciso que os homens cooperem com a graça de Deus. indignas de confiança e da freqüência constante dos sacramentos. a vocação de mestre. assim como as escolas dos jesuítas e da Universidade de Paris. Id. Liv. publciado em Lovaina em 1640 — o pecado original acarretou a impotência da vontade humana e tornou o homem incapaz de se determinar pelo bem. a sua forte propensão para o mal e a inclinação fácil para o erro. IV. A natureza humana. Jesus Cristo não morreu por todos eles. Liv. que se comprazem na prática do mal e. Segundo a concepção jansenista — denominação proveniente do nome de Cornélio Jansen. ibid. telle qu’il l’entendait. pois Deus predestinou uns para o o céu e outros para o inferno. todavia. diz Sainte-Beuve. de Fleury. sur le dogme approfondi de la Chute. O Abade de Saint-Cyran. Jansenius. conçue par M. com o qual todos os homens nascem e. dotado de razão e livre-arbítrio. Segundo Sainte-Beuve. T. . por sua própria falta.. e alcancem a salvação através do acatamento das suas leis.. portanto. pág. pág. e não em virtude da sua ins­ piração religiosa de fundamentação jansenista. O jansenismo foi heresia nascida da interpretação fatalista do dogma católico da graça. é uma tempestade do espírito*2. que só vêem na criança e no homem pessoas roídas pela malícia completa. permaneceram exatamente consequentes com as suas dou­ trinas nas suas Escolas. herdeiro do pensamento religioso 'Sainte-Beuve. Port-Royal. Deus concede a todos os homens a graça necessária e suficiente para a salva­ ção. T. Exagerou a doutrina de Santo Agostinho quanto ao pecado original. II. No entanto. II. 599. . à liberdade e à graça divina. e como a graça suficiente não é dada a todos os homens. ao contrário. e a tarefa de educador. reposait. do Père Lamy e de Rollin. tal como Deus o criou à sua imagem e semelhança. ”0 siste­ ma educacional dos jesuítas teria sido uma transação. da penitência e da prática das boas obras. assim como os socorre constantemente com as graças atuais que eles obtêm por meio dos sacramentos e da oração. o homem nasce inteligente e livre. Para Deus nada é impossível. Conforme Sainte-Beuve.

Aliás. Bignon. Carta ao P' loão D ’Horgny. surgiram ao mesmo tempo os Solitários e as Petites Êcoles de Port- Royal. in San Vicente de Paul. Depois de ter convertido o advogado Antoine Le Maltre e seu irmão. 79 . foi o diretor espiritual das monjas cistercienses da abadia de Port-Royal. tendo permanecido na abadia de Port-Royal- des-Champs um capelão e empregados. A abadia de Port-Royal. Esses educandos foram confiados por Saint-Cyran a M. 896. a sua intenção pedagógica foi louvável. de Séricourt. Quando Saint-Cyran foi preso em 1638. que o tomara por confessor. Desse modo. ao observar que “a intenção de Saint-Cyran não era outra a não ser destruir o estado atual da Igreja e submetê-la ao seu do­ mínio. II. Liv. e os que se empenhavam em sustentá-la atuavam contra esses desígnios. a fim de lhes proporcionar esmerada educação cristã. a pedido dos vizinhos. Biografia y Escritos (B A C ). 4São Vicente de Paulo. o idealizador das “escolinhas”. Em 20 de janeiro de 1638. Singlin.3 Sem embargo dessa discutível boa intenção. Sacerdote da Missão em Roma (Paris. pág. e o mentor da educa­ ção jansenista. juntou-se-lhes mestre Lan- celot. a 25 km a sudoeste de Paris. replicou-me que Calvino não havia agido mal em tudo o que havia empreendido mas que se havia defendido mal”4. T. e logo havia 10 ou 12 mestres para os meninos. IV. 418. Disse-me um dia que era desígnio de Deus destruir a Igreja atual. Refutação do Livro A Comunhão Frequente e do Augustinus. os Solitários e os 3Id„ ibid. já que pretendera edificar uma casa que fosse como um seminário para a Igreja. e começou a educar nas dependências externas do mosteiro os seus sobrinhos. 2 5 /6 /1 6 4 8 ). elas dificilmente poderiam vir a ser bons clérigos. o jovem Vitart de la Ferté-Milon e os dois filhos de M. lhes fez construir um pavilhão perto da casa de Paris. irmã da abadessa de Port- Royal. Aparentemente. São Vicente de Paulo. testemunhou a sua triste defecção.de Jansênio. M. e tendo eu lhe feito ver que esse era o pretexto que adu­ ziam ordinariamente os hereges como Calvino. onde. situava-se perto de Chevreuse. Saint-Cyran apartou-se da reta doutrina da Igreja sobre a graça e o livre-arbítrio. passaram a educar meninos sob a direção de Saint-Cyran. dizia. Donde se colhe a cegueira espiritual de Saint- Cyran e a sua falta de senso católico.. fundada em 1204 para as monjas cistercien­ ses. advogado-geral. a mãe destes. sem a qual. O seu plano era selecionar seis meninos na cidade de Paris. onde se conservasse a inocência das crianças. pág. Madre Angélica veio a co­ nhecer o abade de Saint-Cyran em 1635 e ele se tornou confessor das religiosas. A abadessa Angélique Arnauld transferiu-a em 1626 para o subúrbio de Saint-Jacques em Paris. seu discí­ pulo e amigo. que foi seu amigo e lhe conheceu a fundo o pensamento.

e Singlin. os Solitários mais ilustres como Pas­ cal. de latim. Os mestres mais habituais aí eram Lancelot e Nicole. G uyot e Coustel . 80 . com seis alunos em cada um dos quatro quartos. então. je n’ai d’attaches sur la terre qu’à la seule Église Catholique. Apostolique et Romaine. Aí. que viviam no castelo de seu pai sob a direção de M. parte delas foi transferida para o mosteiro des-Champs. Pascal. e havia mais quatro pro­ fessores: N icole . jamais foi janse- nista nem se separou da Igreja Católica: “II est donc sûr. de Beaupuis. Essa foi a escola menos importante. conforme a sua declaração textual numa delas. L ancelot. O diretor. Como as religiosas chegassem a mais de cem. perto de Versalhes. Solitários e meninos foram abrigados em dependências externas. A época de 1650 a 1653 foi a mais florescente para as escolas de Port-Royal. dans laquelle je veux vivre et mourir. meninos mudaram-se para Port-Royal-des-Champs. Et quand le Port-Royal les tiendrait. ___■—• m'mn Em 1650 as escolas retornaram ao campo divididas em três grupos. dois meses após a morte de Richelieu. Outro grupo ficou na fazenda des Granges em Port-Royal-des-Champs com meninos de boas famílias. Começou então a fun­ cionar um pequeno colégio para 24 meninos. grâces à Dieu. fixaram os critérios para a composição dos livros didáticos. entre os quais o famoso Racine. tendo falecido aos 11 de outu­ bro do mesmo ano. Pascal publicou as Provinciais e. Aos domingos. V ' ~ 1* 1■ . sucessor de Saint-Cyran.5 Em 1656 o Dr. et dans la communion avec le Pape son souverain chef. in Lettres Écrites à un Provincial. Arnauld foi expulso da Sorbonne. sob a direção de M. Arnauld e de Sacy. de filosofia e humanidades. que je n’ai rien dit pour soutenir ces propositions impies. mon Père. Saint-Cyran saiu da prisão a 6 de fevereiro de 1643. Um ficou em Chesnay. de Bagnols. responsável também pela ins­ trução religiosa. todos par­ ticipavam do canto das Vésperas em Port-Royal de Paris. Du 23 janvier 1657. Reuniram-se. je vous déclare que vous n’en pou­ vez rien conclure contre moi. O terceiro grupo permaneceu nos Trous. Dix-Septième Lettre au Révérend Père Annat. Jésuite. fazia um sermão. os Solitários receberam ordem 5Pascal foi um Solitário. por determinação do rei. 235. parce que. era M. que je déteste de tout mon coeur. pág. defendeu os seus amigos perseguidos e atirou-se contra os jesuítas com as suas Cartas Escritas a um Provincial (Lettres Écrites à un P rovincial). hors de laquelle je suis très persuadé qu’il n’y a point de salut”. Os educadores apostaram-se a simplificar os métodos de ensino e. após discussão em comum. com quatro classes e um professor para cada uma delas. Borel. de grego e matemáticas. Walon de Beaupuis. mas logo mudaram para Paris no fim de 1646 ou início de 1647. mas. Tiveram de dis­ persar-se no fim do ano mas voltaram a reunir-se no mesmo local no fim de 1639. Compunha-se dos filhos de M.

de Bagnols com os três filhos e mais três colegas. não se abusava do chi­ cote. O ensino por elas dispensado foi pro­ fícuo. a religião. e dizia que viajar era ver o diabo trajado à moda alemã. Nos seus dias mais florescentes elas não haviam contado com mais de 50 alunos. à escrita e ao estudo das humanidades. aos 6 de março desse mesmo ano. 1659-1666. A instrução geral tinha por objetivo_a formação do juízo. in Buisson F. mas se proporcionaram aos seus privilegiados alu- nos bons hábitos intelectuais quanto ao raciocínio. se malograva. no entanto. de Bernières. mas sempre o mesmo diabo malévolo sob as diversas vestimentas. vigi­ lância exagerada dos alunos. Nas escolas de Port-Royal as recreações eram curtas. prática usual nas escolas da época. Como observa Carré. Nicole chamava os comediógrafos de envenenadores públicos. e os outros foram enviados de volta às casas dos pais. e delas a emu­ lação era completamente banida. as escolas de Port-Royal existiram. ministrado a quatro ou a cinco alunos postos sob a direção de um mestre em residência na cidade ou no campo. era por não passar de um réprobo..para se dispersarem. de fato. O valor do mestre. Nouveau Dictionnaire de Pédagogie et d’instruction Primaire (1 9 1 1 ). Até 12 anos os meninos aprendiam a leitura. Port-Royal (Petites École de). rejeição implacável dos indesejáveis. de Sacy reprovava as viagens por serem fontes ou ocasiões de tentação. à leitura. A abadia de Port- Royal-des-Champs foi fechada em 1709 e arrasada em 1710. pois “antes disso só houve ensaios ou tentativas e. e M. pouco importava. ã~geografia. o cálculo e a gramática latina juntamente com a análise dos autores de linguagem mais fácil. de 1646 a 1656. depois de 1656. inglesa. uma espécie de preceptorado. 81 . e os cástigos eram raros.. apesar dos seus excelentes mestres. era por ser predestinado à salvação e. pág. proibição absoluta da leitura de romances. já que era particular. pois se o aluno se saía bem. Desta obra retira­ mos os dados sobre as escolas de Port-Royal. Em Chesnay só restaram os filhos de M. proscrição completa do teatro e das viagens. a escrita. Nas “escolinhas” de Port-Royal. escolha rigorosa dos mestres e dos empregados domésticos quanto à moralidade. dedicavam-se ao estudo ‘Carré. Nas escolas de Port-Royal. Depois dos doze anos. edições expurgadas dos clássicos antigos. não se sobrestimava a ciência. só restaram escombros”6. No castelo dos Trous só ficaram M. etc. de fato. e o mosteiro de Paris desapareceu em 1790. já que elas haviam sido planejadas sobre­ tudo para a piedade. A educação jansenista das escolas de Port-Royal pautava-se pelo rigorismo da seita: na seleção dos alu­ nos. A partir dessa data as “es- colinhas” praticamente desapareceram.

Liam-se traduções de autores clás­ sicos. 599. os Entretiens sur les Sciences do Padre Lami e o Traité des Êtudes de Rollin. e de que só convém ensinar o que os alunos possam compreender. por sua vez. e os alunos exerci­ tavam-se na dança. se usa­ ram em Port-Royal penas de metal. insistia-se na higiene pessoal. ficando a composição de versos latinos apenas como exercício facultativo. -e consta que. que servia para o estudo do latim. na equitação. sem dúvida. Os alunos das “escolinhas” aplicavam-se à composição e à formação do estilo. O mé­ todo foi inventado por Pascal e posto em prática pela sua irmã Jacque- line Pascal — chamada na abadia de Port-Royal-des-Champs de Irmã Santa Eufêmia — . história. faziam-se exercícios de memória. matemá­ ticas. em vez de começar o estudo pelo tema. na caca e na natação. o Traité du Choix et de le Méthode des Êtudes do abade Fleury. que substituiu o da soletração. Liv.7 7Sainte-Beuve. Plu- tarco e outros. II. T. filosofia e aprendessem o espanhol e o italiano. Port-Royal. exercitavam a elocução nas obras de Valério Máximo. e desse modo põde perpetuar-se a própria raça dos mestres e dos alunos. Começavam por aprender o francês. Ns práticas de piedade. O método para o aprendizado das línguas foi simplificado à luz do princípio de que devem ser poucas as regras e muito intensa a prática. consagrava-se à leitura e à explicações dos autores uma hora de manhã e outra de tarde. humanística. como era praxe.das humanidades. cronologia. Os alunos eram levados à analisar o que liam e a organizar antologias. era ensinada por meio de transparências. foi a privação da sagrada Eucaristia. graças ao emprego do método fônico. e proscreveu-se a multiplicidade de tarefas escritas. 82 . pág. devendo salientar-se que Port-Royal precedeu e influnciou as famosas obras pedagógicas: Ratio discendi et docendi do Padre Jouvanci. A escrita. pela primeira vez em escola. Nas “escolinhas”. principiava-se pela versão oral e escrita. Lancelot formulou as regras em versos e. os alunos eram forçados a fazer grandes absti­ nências e excessivas práticas devotas. retórica. Quanto à educação física. A formação escolar era basicamente literária. e foi apresentado por Antoine Arnauld no capítulo sexto de sua Gramática Geral. assim como em varíos jogos. embora os alunos recebessem noções de geografia. mas a sua grande carência. Em matéria de leitura houve grande progresso em Port-Royal. IV. A gramática latina foi redigida em francês. Sainte-Beuve observa que o espírito do ensino de Port-Royal sobre­ viveu ao desaparecimento das escolas através dos livros.

mas permaneceu apenas como subdiácono. foi residir em 1680 na abadia de Quimperlé. quando se recusou a levá-los ao teatro de comédia. depois. de­ nominou “mestre essencial”. quatro tratados de poesia latina. dos príncipes de Conti (1669-1672). O bom C o u s t e l (1621-1704). onde morreu santamente com quase oitenta anos. e escre­ veu os Essais de Morale como Tomo II do tratado De 1’Êducatioh d’un Prince (15 de julho de 1670). onde se fez beneditino. mas esse tipo de educação perdurou sobretudo através dos livros compostos pelos seus mestres. seu antigo aluno. cargo de que desistiu. Redigiu. geralmente. que Du Fossé. e na abadia de Saint-Cyran. publicado bem depois da 83 . Nouvelle Méthode por Apprendre Facilement la Langue Grecque (1655). e. então. Foi professor de filosofia e de humanidades nas Petites Ecoles. italiana e espanhola (1663). francesa. Jardim des Racines Grecques (1657). passou a receber a orientação espiritual de Saint-Cyran em 1638. Em 1659 foi preceptor do Duque de Chevreuse no castelo de Vaumurier e. e Carré considerou como perfeito mestre da juventude. mais tarde. e juntamente com os Solitários tornou-se professor de meninos na escola do mosteiro de Port-Royal em Paris. ainda. e. Grammaire Générale et Raisonnée (1660). “virtuoso leigo” no dizer de Sainte- Beuve. após o desapare­ cimento das escolas. sob a direção de Arnauld. na abadia de Saint-Cyran. na do mosteiro de Port-Royal-des- Champs. Par­ P ie r r e N ic o l e ticipou bastante da composição da Logique ou Art de Penser. Ingressou. (1625-1695) brilhou como escritor e moralista. Essas obras ainda hoje proporcionam ensejo para reflexões e podem suscitar inspirações pedagógicas. Depois de terçar armas pelo jansenismo. na mesma data.Assiste inteira razão a Carré ao observar que a influência social de Port-Royal foi muito limitada. Dentre os Solitá­ rios que se distinguiram na composição de obras didáticas destacou-se primeiramente C l a u d e L a n c e l o t . de 1638 a 1656. o melhor tratado pedagógico de Port-Royal. já que exigia desmesurado gasto de dinheiro e de esforços para uma clientela muito reduzida. na Ferté-Milon. Lancelot nasceu em Paris em 1615. que os publicaram. Escreveu as seguintes obras: Nouvelle Méthode pour Apprendre Faci­ lement la Langue Latine (1644). Nouvelle Méthode pour Apprendre Facile­ ment et en peu de Temps la Langue Italienne e Nouvelle Méthode por Apprendre Facilement et en peu de Temps la Langue Espagnole. escreveu o livro Les Règles de l’Education des Enfants (1687). aos 15 de abril de 1695: Dom Claude Lancelot foi principalmente gramático e notável didata.

os Nouveaux Éléments de Géométrie (1667). que tratou com ele. Foi advogado no Parlamento de Paris. se ressentiu da excessiva severidade da sua doutrina religiosa. como ele próprio o observa. "exprime fielmente o espírito da instituição primitiva”. retirou-se em Port-Royal-des-Champs. escrito após o desaparecimento das escolas de Port-Royal. sob a influência de Saint-Cyran. ruína das Petites Écoles. I sà ac -L o u is L e M a ît r e d e S aci (1613-1684) foi diretor de Port- Royal e tradutor da Bíblia. como a do aprendizado da leitura ou o emprego da língua pátria para estudar as antigas e as estrangeiras. Thom as G uyot. às vezes apresentada como a 19. à personalidade de 84 . doutor da Sorbonne. De Saci traduziu as Fábulas de Fedro ( 1647 ) e as Comédias de Terêncio (1647). em número de dez. no entanto. Antoine faleceu em Port-Royal-des-Champs a 4 de novembro de 1658. escreveu bastante. na Ferté-Milon. o polêmico livro Fréquente Communion (1643) e o Règlement des Études dans les Lettres Humai­ nes. A n t o in e A r n a u l d . a oportunidade de certas reformas. foram conservadas por Fontaine nas suas Mémoires. obra continuada por Du Fossé. instruiu meninos de 1638 a 1658 em Paris. procurou “purificar a flor de toda mistura de veneno”. e a sua mãe era irmã de Angélique Arnauld. e de Antoine Arnauld.a Provincial. A fama conquis­ tada e a atração exercida por Port-Royal sobre pessoas como Sainte- Beuve deveram-se. A n t o in e L e M a ît r e (1608-1658) nasceu em Paris. compôs em colaboração com Lancelot La Logique ou l’Art de Penser (1662) e a Grammaire Générale et Raisonnée (1660). chamado o Grande (1612-1694). segundo Sainte-Beuve. em Port-Royal-des-Champs e nas Granges. e 'o talento de vários dos seus mestres concorreram para o merecido conceito da pe­ dagogia de Port-Royal que. oposta ao verdadeiro espírito ca­ tólico de que os jansenistas blasonavam comungar. Abadessa de Port-Royal. e escreveu o Traité sur l’Aumône (1658) e as Vies des Saints. Antoine Le Maître também foi o provável autor da Lettre d’un Avocat. e. As suas Règles de la Traduc­ tion Française. Tra­ duziu obras de Cícero e Virgílio e expôs as suas idéias sobre as re­ formas educacionais em longos prefácios de várias obras. De acordo com Fontaine. esse mestre venerando preocupou-se com as impurezas morais das obras clássicas que os alunos deveriam compulsar e. do qual quase nada se sabe. A excelência de alguns princípios educacionais. Essa obra. tendo com esse intento preparado textos expurgados dos autores antigos. movido por caridade engenhosa. Foi leigo peni­ tente.

Se estivésseis vivos e retor­ násseis à terra. os talentos de Arnauld e o gênio de Pascal. aos te­ míveis doutores. Fui vosso biógrafo. não ouso dizer vosso pintor. por mais respeito que eu vos tenha consagrado. graças aos feitos e às lutas dos últimos Solitários. pág. às virtudes e à piedade dos primeiros Solitários. . E que doutrina mais superficial. 472 e 473.” “De nada lhe valeram a direção de M. aos Solitários ilustres. III. Conclusion. pág. au moment où il deviendra le plus célèbre. Port-Royal. ” “Il me semble qu’à Port-Royal où de si grands hommes se succédèrent. . Liv. Port-Royal. de Saci. pour entrer dans sa seconde période. após o Livro VI. de Saint-Cyran se fut jamais remplacé. .” “Notre Port-Royal complet était déjà sorti de son véritable esprit intérieur. por mais atenção que eu tenha posto em vos seguir e assinalar os menores vestígios.8 Ao encerrar a sua grande obra sobre Port-Royal. não vos pertenço. . T. mas eu não seria vosso discípulo. Depois. a vossa!”9 Sainte-Beuve descreveu o esplendor. cumprimentar-vos como por dever e também para verificar em vós a exatidão de minhas descrições.Saint-Cyran.” Sainte-Beuve. não pude resolver-me a ser um dos vossos. que le perdit. M. aos virtuosos leigos: “ . aos perfeitos confessores e padres. I. homens de bem e de ver­ dade. sera déjà un Port- Royal moins parfait et renfermant un principe de décadence. . 440. desertou de Port-Royal o seu verdadeiro espírito interior. na Conclusão. °Le Port-Royal. talvez. T. 85 . . Il. e a institui­ ção entrou no período da polêmica que a fez perder-se. fora disso. iria eu logo correr ao vosso encontro? Eu iria uma ou duas vezes. 673-674. ’Sainte-Beuve. dirigindo-se aos sábios. Sainte-Beuve confessa. e soube fazer justiça nessas sentenças finais da sua obra ao magro espólio que o jansenismo deixou na lembrança dos homens. e muito mais a decadência e a ruína de Port-Royal. celle de la polémique.vós todos.

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do paladar e do tato. onde apenas se gravam ou se combinam automaticamente. A posição empirista tem o seu aspecto positivo e irrefutável. da atividade dos sentidos em contato com as coisas. que opera com idéias congê­ nitas na sua mente. num certo tipo de experiência interna. “Nós 87 . levantou bem alto o pendão do empirismo. que produz as idéias e forma juízos e raciocínios. as impressões sensoriais. e vão oferecer o material sintético ao intelecto. que o estudo permite atualizar através da reflexão e da aquisição dos conhecimentos. da audição. a filosofia moderna começou a surgir dividida entre duas posições extremas e malsãs para a vida intelectual.Capítulo VII A pedagogia de Locke Com o seu grande tratado Ensaio sobre o Entendimento Humano. enquanto o empirismo reduz a mente a um sonambúlico ser passivo. John Locke. ao discretear sobre assuntos pedagógicos. ao falar sobre o estudo. fundamentalmente. discursiva e logicamente produtiva da razão. a crença de que o conhecimento é secretado exclusi­ vamente dentro do homem pela razão. alcançada pelos sentidos exter­ nos da visão. e criticou o inatismo das idéias proposto por Des­ cartes. Ora. mas um amável discípulo de Aristóteles ou sóbrio pensador escolástico. combinadas e sintetizadas no cérebro pelos sentidos internos da memória e da imaginação. com o poder de pensar. a saber: de um lado. mas deixa na sombra ou desconsidera o papel dos sentidos e da experiência externa. Assim. inclinação natural da mente inglesa. Essas impressões sensoriais são armazenadas. Desse modo. John Locke (1632-1704) foi o ilustre filósofo inglês que. O racionalismo. exprime- se de tal maneira que dá a impressão de não ser um rígido empirista. de outro lado. do olfato. por exemplo. declara que o homem nasce com tendência para aprender — tendência ou poder inato. que é o de realçar a objetividade das coisas. por conseguinte — . a crença em que todo conhecimento provém apenas da experiência. e. tem o grande mérito de salientar a atividade abstrata. apesar do tom predominantemente empirista do seu pensamento filo­ sófico. no século XVII.

diz Locke. “com faculdades e poderes capazes de quase tudo. a química. Ora. A própria vontade obedece às decisões do entendimento: “The will itself. 237. A sua mãe era filha de um curtidor. . . pág. e ambos eram de origem puritana. do ensino verbalista e quase ex­ clusivamente gramatical e da corrupção dos costumes. que não aparece apenas cbrno sujeito meramente passivo. através do exercício. pág. Depois de alguma experiên­ cia como professor universitário. Era médico e dado às leituras. 'Locke. o exercício intelectual implica tanto a existência objetiva das coisas e a atividade dos sentidos externos. pouco antes de escrever os Pensamentos sobre Educação. Ele acrescenta que as faculdades da alma melhoram e tornam-se úteis da mesma maneira que os corpos. Por isso. e que é exata­ mente a falta deste em todo o domínio do inteligível que enfraquece e extingue em nós essa nobre faculdade: “The want of exercising it in the full extent of things intelligible is that which weakens and extinguishes this noble faculty in us”' . o exercício das faculdades intelectuais exige o concurso dos sen­ tidos externos que lhes proporcionam as “notícias” das coisas.and by that light. Com 20 anos foi para a Universidade de Oxford (em 1652). 5“ .” Id.nascemos”. mas só o exercício desses poderes confere-nos aptidão e ha­ bilidade em todas as coisas e leva-nos à perfeição”. O f the Conduct of the Understanding. sobre­ tudo de professor particular. Cedo Locke ficou órfão e não pôde contar com o carinho materno tão necessário à criança. 88 . e estrangeiros como Vives. 241.. ibid. Brinsley e Milton. que as potências ativas do homem são dirigidas. reuniu à experiência pessoal. verdadeira ou falsa. 237. Locke apreciava a botânica. nos arredores de Bristol. ed. ibid. .” Id. in Locke’s Thoughts concerning Education. É pela luz do intelecto. Elyot.. Appendix A de O f the Conduct o f Unders­ tanding. Garforth. como também a atividade eminente do poder racional. all his operative powers are directed. e. filho de um advogado e pequeno proprietário.. pág. em 1632. na qual não se chegou a formar. foi preceptor de jovens nobres. tal como os ingleses Ascham. é provável que tenha lido e apreciado a obra educacional de Fénelon. isto é. Rabelais.. Aos 14 anos foi enviado à escola de gramática de Westminster onde concebeu desgosto pela escola pública. true or false. diz Locke. never fails in its obedience to the dictates of the understanding.2 John Locke não foi educador profissional. Com efeito. Mul- caster. ao experimentar as agruras do mau trato infligido aos estudantes.. onde se bacharelou em Artes em 1656 e se doutorou em 1658. e especialmente a medicina. Montaigne. how absolute and uncontrollable soever it may be thought. as concepções hauridas nos autores que haviam discorrido sobre a educação. John Locke nasceu na aldeia de Wrington.

Ao tratar da instrução (Seção XX IV ). diz Locke (Seção XXV. na Holanda. § 200). O principio da utilidade rege o processo da instrução. Lord Ashley. já que esta consiste na aquisição da virtude. sobre ser necessário. continuou na Universidade de Oxford como sénior student (estudante adiantado) ou fellow. § 135 e 136. Por conseguinte. de manhã e de tarde. isto é. deixou Oxford e viajou pela Europa. Em 1675. o Credo e os Dez Mandamentos. as crianças devem aprender a verdadeira noção de Deus. diz ainda (Seção XXIV. recomenda. atos de devoção a Deus. § 157). Devido à sua fama de filósofo empirista e à influência exercida sobre Rousseau e Herbert Spencer. apropriadas à sua idade e à sua inteligência. O alvo principal da educação e a tarefa mais di­ fícil do educador. Desde cedo. Em 1664. Locke ensina que a criança deve ser habituada a fazer regularmente. sob a forma de orações simples e breves. seu Criador e benfeitor. instil into him a love and reverence of this Supreme Being. Toda semana ou cada dia. Em 1666. inspirareis à criança o amor e o respeito ao Ser Supremo: And consequent to this. que exaltou principal­ mente a educação prática e utilitária. nos seus Pensamentos sobre a Educação. o filósofo Locke deu a muitos a falsa impressão de ter sido um ateu ou materialista. tornou-se médico particular e conselheiro de Antho- ny Ashley Cooper. que o menino aprenda de cor o Pai nosso. esteve na França por quatro anos e. a escrita e a instrução coisas ne­ cessárias. acrescenta. Pode dizer-se que ele é a tradução pedagógica do empirismo filosófico de Locke. no Essex. Depois de receber o grau de Mestre em Artes. tendo-se incumbido da educação do seu filho. porque se ele acha a leitura. neither in this nor in the other world. Faleceu aos 28 de outubro de 1704. na casa do amigo Sir Francis e sua esposa Lady Masham. Locke passou a velhice em Oates. censor de filosofia moral e tutor. devendo repeti-los mesmo antes de saber ler. deverá aprender os preceitos morais distribuídos através da Bíblia. Foi preceptor do seu filho e do seu neto. mais tarde Conde de Shaftesbury. não as julga a parte principal da educação.embora a tenha exercido posteriormente com êxito. como exilado político. Haja vista a Seção XXI. conclui (§ 159). a seguir. apresenta-se como pedagogo profunda­ mente religioso. professor de grego e de retórica. Na verdade. Ser independente e supremo. orientador dos estudos de vários jovens. Locke. é habituar o menino 89 . e que sem ela não se pode ser feliz nem neste mundo nem no outro. depois de saber a contento este último. Diz aí Locke que a virtude é a primeira qualidade e a mais necessária a qualquer homem ou cavalheiro. que nos ama e tudo nos dá. Locke confessa examiná-la em últi­ mo lugar. Autor e Criador de todas as coisas. deve aprender a responder a uma das perguntas do catecismo e.

a dominar as próprias inclinações e a submeter os seus apetites à razão.
Ademais, o nobre educando deve aprender um ofício manual, e até
mesmo dois ou três, já que isso concorre para aumentar a destreza e a
habilidade por meio do exercício e para fortificar a saúde. A recreação,
ensina Locke, não é apenas ociosidade e jogo, mas trabalho útil e cons­
trutivo.
No início dos seus Pensamentos sobre Educação, Locke declara enfático
que o objeto principal da sua obra é a educação do jovem gentleman,
pois “o estado de gentleman”, escreve Locke na sua Epístola a Clarke
— a quem dedicara a sua obra — “é o que merece mais atenção”, pois
se os homens de boa estirpe forem educados, poderão cuidar devida­
mente da educação dos outros.
Na sua qualidade de médico e de atento observador do pequeno mundo
da casa de Lord Shaftesbury, o filósofo Locke propõe observações apre­
ciáveis, juntamente com certas concepções excêntricas e criticáveis.
Assim, por exemplo, ao tratar da educação física, recomenda a vida
ao ar livre, a prática de esportes, os banhos frios, a natação, as roupas
folgadas, o sono satisfatório com hora certa para levantar, etc. No en­
tanto, na insistente ênfase dada à água fria, Locke chega a dizer que
os calçados dos meninos devem ser tão finos e de sola tão leve que, em
contato com a água, os pés fiquem logo molhados. . . Por outro lado,
se os meninos podem comer cerejas e groselhas, não devem saborear, e
até nem deviam conhecer frutas como os melões, os pêssegos, as amei­
xas e todas as espécies de uvas que crescem na Inglaterra. . .
Locke acha que as crianças possuem a mesma estrutura mental que os
adultos, e que as diferenças entre os homens são devidas só à educação,
que consiste na aquisição de bons hábitos ou das virtudes e na formação
do bom caráter, desprovido de afetação, e também na posse de boas
maneiras. Por isso, ela consiste mais na formação moral do que na
instrução ou na formação intelectual.
Quanto aos castigos, Locke acha que devem ser aplicados com mode­
ração, e só em último caso dever-se-ia empregar o chicote, já que os
castigos corporais são a pior espécie de correção. Ele acha que os me­
ninos devem ter diante dos olhos os bons exemplos dos pais, dos empre­
gados e adultos, e não devem ser levados a agir bem pelo desejo de
recompensa ou temor do castigo, mas só pelo sentimento de honra e
receio da infâmia, pelo gosto do louvor e temor da censura.
Quanto aos estudos, Locke não segue os critérios dos humanistas do
Renascimento que ainda imperavam em seu tempo nos colégios da Eu­
ropa e das suas colônias. Grande parte dos estudos tão honrados nessas
escolas, diz Locke (§ 9 4 ), são perfeitamente dispensáveis para o fidal­

90

go que deve de preferência conhecer os negócios, saber conduzir-se com
a prudência exigida pela sua casta, de tal modo que possa ocupar em
sua terra uma posição eminente e útil. Para esse tipo de estudo mais
vale a formação no próprio lar sob a orientação de um preceptor me­
diano que a escola pública ou mestres eruditos. Aliás, é bom ter sempre
em mente que Locke nos seus Pensamentos sobre Educação tem em
mira meninos e meninas, embora destas pouco trate. Ao declarar que a
instrução ocupa o último lugar no seu plano educacional, apressa-se
a notar que essa observação pode parecer estranha por ser provenien­
te de um homem de estudo. De fato, apesar de a instrução ser apenas um
meio de formação humana, esse meio, como se sabe, é essencial para a
educação, e isso não parece ter sido devidamente avaliado por Locke,
para quem a instrução deve fortalecer as faculdades intelectuais sem
onerar a memória com noções inúteis e ineficazes. Ele ensina que o me­
nino deve começar a instruir-se pelo aprendizado da língua pátria, da es­
crita, do desenho e da estenografia, devendo exercitar-se na composição,
em descrições e cartas redigidas na língua materna. Depois de saber falar
bem o próprio idioma, o menino pode aprender outra língua, “para nós
sem dúvida o francês”, diz Locke. Depois de um ou dois anos desse
estudo, poderá então aplicar-se ao do latim, que “considero absoluta­
mente necessário à educação de um gentleman” (§164). O latim, toda­
via, deve ser aprendido como língua viva, através de conversas e leituras.
Depois de possuir alguma noção da língua latina, o menino poderá ini­
ciar-se na leitura dos bons autores a começar por Justino ou Eutrópio,
mas não deve compor dissertações nem versos em latim. Além das lín­
guas, o currículo do jovem fidalgo ou do rico burguês compreende a geo­
grafia, a aritmética — utilíssima para os negócios — , a astronomia, a
geometria, a cronologia, a história, “o estudo privilegiado de um gentle­
man e de um homem de negócios”, a moral considerada nos preceitos
da Bíblia e em obras como Os Deveres de Cícero, o direito — o gentle­
man inglês deve conhecer as leis do próprio país — , a retórica, a lógica
e a filosofia natural. Locke afirma que não apresenta um plano de estudo
para a educação de um erudito profissional, mas só para a de um gentle­
man. Por isso, o latim e o francês são necessários, mas o grego é inútil e
dispensável. Aliás, observa, “o preceptor não deve ensinar ao jovem
gentleman todas as ciências conhecidas, mas deve tratar de lhe inspirar
o gosto e o amor da ciência, de tal modo que fique apto a adquirir novos
conhecimentos, quando isso lhe aprouver” (§ 195). Como diz Guex,
“sente-se que ele escreve para os espíritos mercantis, para os industriais
e os comerciantes da Inglaterra”3.

3François Guex, Histoire de l’Instruction et de l’Éducation, pág. 179.

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Para Locke, a educação intelectual deve ser desenvolvida de modo
atraente por meio de jogos e animada pela participação do aluno atra­
vés de perguntas e do exercício do juízo. As viagens, por sua vez, devem
completar a educação.
Em 1697, Locke dirigiu um relatório ao governo inglês, a respeito da
necessidade de se organizarem “casas de trabalho”, working houses, para
as crianças pobres, com mais de três anos e com menos de quatorze, que
aí teriam trabalho e comida garantidos, e poder-se-iam tornar traba­
lhadores sérios e competentes. Com esse projeto, Locke estava a anteci-
par-se à obra eduçativa e filantrópica de Pestalozzi, e, com as suas
idéias, influenciou diretamente os educadores suíços J. G. Sulzer, J. P.
de Crousaz e J. J. Rousseau. Na Inglaterra, segundo Parmentier, o único
escritor famoso que parece ter meditado e tirado proveito dos Pensamen­
tos sobre Educação foi Lord Chesterfield.4 Philip Dormer Stanhope,
Conde de Chesterfield, cursou a Universidade de Cambridge, viajou pela
Europa, ingressou na vida política e diplomática, foi amigo de Voltaire,
Mohtesquieu e Frederico II e, apesar de ter escrito discursos, ensaios li­
terários e outras obras, adquiriu fama com as suas Cartas, tendo per­
manecido na história literária inglesa graças a essa obra pedagógica em
que se mesclam bons preceitos à cínica recomendação dos piores vícios
para a conduta pessoal e a vida social. Estranho espetáculo, diz Parmen­
tier, o desse pai, que ensina ao filho a hipocrisia e a sordidez dos costu­
mes5.
Em Portugal, discípulo, difusor das concepções educativas de Locke e
até mesmo plagiador de reta intenção, foi Martinho de Mendonça, autor
da obra Apontamentos para a Educação de Hum Menino Nobre, que
segue ó filósofo inglês em pedagogia, mas não nas idéias políticas6.
Por fim, vale a pena assinalar e com traço ligeiro confutar o erro palmar
cometido por Ebby em sua História da Educação Moderna. Diz esse
historiador da educação, ao tratar da pedagogia de Locke: “A barrei-

4Parmentier, Histoire de l’Éducation en Angle terra, pág. 150.
5Étrange spectacle que celui d’un père enseignant à fils la feinte, la flagornerie,
la pharisaïsme. Ce n’est rien pourtant en comparaison de la corruption des
moeurs à daquelle, sous prétexte de onnes manières, il cherche à le former.”
Id., ibid., pág. 168.
‘Joaquim Ferreira Gomes, que promoveu a edição crítica da obra pedagógi­
ca de Martinho de Mendonça, afirma: “Mesmo que Mendonça se tenha limitado
a copiar Locke, mesmo que as idéias que expõe não tenham qualquer origina­
lidade, a sua ora é para nós de inegável valor. Foi o primeiro português a
conhecer a pedagogia de Locke, cujas idéias aceitou e introduziu em Portugal,
contribuindo assim para nos pôr a par do pensamento europeu”. Joaquim Fer­
reira Gomes, Martinho de Mendonça e a sua Obra Pedagógica com a edição
crítica dos Apontam entos para a Educação de Hum Menino Nobre, pág. 143.

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da sociedade e da escola”7. mas é um mito sempre acariciado pelos platônicos e neoplatônicos. ou seja. como os que floresceram em Cambridge no século XVII. Fato notável de' supina ignorância filosófica e histórica. juízos e raciocínios. ou para falar com Ebby. fato que o próprio Locke admite. essa doutrina inatista jamais “deu apoio a todos os princípios tradicionais e escolás­ ticos”. por isso. o homem não nasce apetrechado de idéias. 7Ebby. 93 . o único “dom” intelectual com que os homens nascem é o poder de pensar. ou pelos cartesianos e seus seguidores. isto quer dizer: de que elas são dons inatos da faculdade racional. como se advertiu no início deste capítulo. A única coisa. juízos e princípios de qualquer espécie impressos em sua mente. uma vez que nem os Escolásticos nem a Igreja jamais admitiram que as idéias fossem “dons inatos da faculdade racional” e. O inatismo das idéias que Locke combateu em Des­ cartes nunca foi apanágio dos escolásticos nem da Igreja Católica. a facul­ dade racional. de formar idéias. os escolásticos e todas as pessoas de bom senso.ra suprema ao progresso intelectual e moral da época estava no antigo mito de que as idéias são inatas. Segundo Aristóteles. Esta doutrina deu apoio a todos os prin­ cípios tradicionais e escolásticos que eram usados como justificativa para as condições decrépitas da Igreja. História da Educação Moderna. 250. do Estado. pág.

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e com esse fito compôs a obra Simples Explicação da Doutrina Cristã. pregador da corte em Dresde e em Berlim. religião na Universidade de Leipzig. O Pietismo. e apontava à educação a tarefa de converter os jovens mundanos e pecadores a uma vida religiosa mais interior. que se de­ dicou à reanimação do ensino catequético com a fundação dos collegia pietatis. após as aflições. pastor em Estrasburgo. mais dependente do coração que da razão. aus­ tera e fervorosa.Capítulo VIII Francke e o Pietismo Na mesma época em que São João Batista De La Salle desenvolvia o seu instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. mais tarde. Francke passou por verdadeira conversão 95 . a seguir. Francke personificou tendências educacionais típicas da sua época na Europa: o ideal religioso. em 1690. seita protes­ tante surgida em relação ao formalismo da religião luterana. introduziu a História Bíblica ou Sagrada no ensino da religião. como conselheiro de justiça do Duque Ernesto. tendo ministrado cursos sobre o Antigo e o Novo Testamento. Francke foi o representante pedagógico do Pietismo. e. Em 1687. o ensino da língua nacional e o ensino geral de tipo intuitivo. tendo depois estudado em Erfurt. propunha um cristianismo mais sentimental. a paganização dos costumes e as desilusões produzidas pela Guerra dos Trinta Anos. da sua função de diácono numa paró­ quia de Erfurt. as querelas doutrinárias protestantes e o mundanismo nos costumes. O fundador do Pietismo foi P h il ip J a c o b S p e n e r (1635-1705). Augusto Hermann Francke realizava obra semelhante no seio do protestantismo alemão. em 1666. de caráter prático e útil. o Piedoso. levado igualmente por um ideal profundamente religioso. Francke aí foi educado dos 3 aos 16 anos. Augusto H ermann F rancke (1663-1727) nasceu em Lübeck aos 22 de março de 1663. em Lüneburgo. Lecionou. Como seu pai se tivesse estabelecido em Gotha. mas foi expulso da sua cátedra por insistência dos professores da faculdade de teologia. Kiel e Hamburgo. ao mesmo tempo que combatia o racionalismo no domínio teológico. o interesse pela educação de crianças pobres e desamparadas.

Além dessas instituições. diariamente. com o ensino das ciências e do francês. Em 1710. e ensinavam-se a redação de cartas e de documentos comerciais. depois de ter recebido de caridosa senhora a esmola de sete florins. Como afluíssem ao seu estabelecimento muitos alunos de famí­ lias ricas. duas horas de contabilidade por semana e. em que apresenta regras para as classes e dá conselhos didáticos tendo estabelecido. Entre as fundações. avultou o orfanato (1697) que abrigava e educava em regime de internato crianças pobres e abandonadas. Graças ao apoio e às recomendações de seu amigo Spener. empreendeu a construção de uma escola para os pobres. uma espécie de escola normal superior. com o auxílio de um estudante. ausgewähltes Seminar. o Pädago­ gium tinha 82 alunos. Francke logo separou a escola dos “pobres” da escola_dos “burgueses”. Para uso dos mestres. a Escola Latina 400. da religião. havia uma hora de oração na igreja. cálculo e canto. tomado a decisão de viver de modo evangélico e fervoroso. Francke criou o Pädagogium. Cannstein para a divulgação das Escrituras. Junto ao orfana­ to surgiram uma tipografia. leitura. que lecionavam duas horas por dia em troca da pensão e deviam ser fervorosos cristãos. foi nomeado pastor da aldeia suburbana de Glauchau. canto e trabalhos manuais. em 1727. es­ crita. sendo 4 consagradas à religião. as escolas burguesas 1.725. na maior parte es­ tudantes pobres. recebeu Francke a influência de Ratke e Comenius. Em 1694. Por ocasião da morte de Francke. Francke fundou o instituto bíblico Barão v. Nas escolas populares havia 7 horas de aula. Através dos estudos feitos em Gotha. iniciou a sua obra educacional. 8 mestras. e fundou para os filhos dos burgueses ricos uma escola latina ou ginásio. alunos de ambos os sexos. veio a ser nomeado professor de grego e de hebraico na Universidade de Halle (1694) recentemente fundada e. J o h a n n e s W in c k l e r . Francke também fundou um estabelecimento para a educação de meninas (Gynaeceum) em 1698. tendo. 167 professores. para assegurar a sua subsistência. da história universal.espiritual. influenciado pelo pastor-chefe de Hamburgo. uma biblioteca e uma farmácia. começou a instrução de crian­ ças pobres e. então. até à morte. desde Í 695. Aprendia-se a ler e a escrever por meio da Bíblia. embora ambas integrassem a categoria das escolas nacio­ nais. Na sua pró­ pria casa. as fundações de Francke abrangeram um seminário ou escola normal com a duração de três anos para os estudantes de teo­ logia que se dedicariam ao ensino (1696). A disciplina 96 . ainda. a fim de formar professores para o ensino secundário e superior (1707). Permaneceu em Halle durante 35 anos. Para os jovens nobres. em que a principal disciplina era a língua alemã acompanhada do ensino da história natural. que preparava alunos para a universidade. Francke compôs o livro de Instruções.

97 . a moda. Herrnhut e várias colônias e escolas. com Irmãos Morávios. de modo especial.era severa e. Francke expôs as idéias pedagógicas dos Pietistas e as suas próprias con­ cepções na obra Simples Guia para Conduzir as Crianças à Felicidade Divina e à Sabedoria Cristã'. e da Pensilvânia. e só não havia aula nos domingos e dias de festa. direito e medicina e que servia de passagem para a universidade. serviram de pastores. Fre­ derico Guilherme I. nem grande escritor. O ensino da religião e as práticas piedosas ocupavam o primeiro lugar na escola. Dava-se grande importância ao ensino do hebraico e do grego para os futuros teólogos. päg. professores. discípulo de Francke. J. mas foi sobretudo um homem dotado de grande espírito de fé cristã. o teatro. com o Conde de Zinzen- dorf. dispôs que os professores recomendados por Francke fossem preferidos para o preenchimento dos cargos. se preciso. A influência de Francke se fez sentir em educadores como Hecker (1707-1768). paciência e afabilidade. que estudou no Pädagogium e organizou na América. 13. Ele deveu muitas das suas idéias ao Schul- 'K urzer und Einfältiger Unterricht. de tal modo que a Igreja luterana pudesse contar com bons cristãos. in August Hermann Francke. autor do Regulamento Escolar da Prússia (1763). a dança. nem inovador genial em matéria de educação. nas colônias americanas da Geórgia com Spangen­ berg. Frederico Háhn (1710-1789). e era ministrado juntamente com práticas recreativas. como as visitas às oficinas dos artesãos. Francke não foi pedagogo teórico de alto vôo. Para os alunos talentosos havia uma classis selecta com noções elementares de filosofia. Os discípulos de Francke. os roman­ ces e os jogos. e o Estado. Cristóvão Semler (1669-1740) e. O ensino das disciplinas reais e científicas desenvolveu-se aos poucos. Pädagogische Schriften. movido pela caridade a auxiliar as crianças pobres e a bem formar religiosamente a juventude burgue­ sa e nobre. embora Francke preconizasse tratamento compreensivo e suave para os alunos e reco­ mendasse aos mestres benevolência. contribuíram para a reforma de muitas escolas alemães. supervisores e missionários. Quanto ao método. a comunidade religiosa da Proteção do Senhor. Proibiam-se o banho público. do francês e de conhecimentos úteis. Os exercícios dos estudantes resumiam-se a passeios e a trabalhos feitos em casa. Francke combateu os exageros da memorização e re­ comendou a aplicação dos conhecimentos à vida prática. tendo dado impulso ao ensino da língua pátria. por sua vez. no curral e no jardim. O rei da Prússia. com súditos leais e valiosos. teologia. wie die Kinder zur wahren Gottseligkeit und christlichen Klugheit anzuführen sind (1 702). recorria-se a castigos corporais. Nas escolas de Francke não havia férias.

e os mestres não só 'devem ser templos vivos do Espírito Santo. Veja-se nesta obra o ligeiro escorço biográfico de Francke.methodus de Gotha. . a longo prazo. Como observa François Guex. a sua obra apresenta alguns aspectos criticáveis. was sie bei der Disciplin wohl zu beobachten haben (1 713). e que termina de modo profundamente inspirador com a declaração de que “as escolas devem ser oficinas do Espírito Santo”. como devem exercitar a disciplina na santidade e na força desse mesmo Espí­ rito. pág. e no qual lhes recomenda a bondade. assim como aos ensinamentos de Fénelon.2 Não obstante o grande espírito de fé de Francke e o seu notável talento de organizador. in Pädagogische Schriften. Instruction für die Praeceptores. Amen!” Francke. a paciência. 98 . 2“ . assim como o útil quadro cronológico. tal como se exprimiu na obra de Francke. . 119. no es­ pírito de temor e na proibição dos jogos. nas páginas 133- 1 38. os lados fracos da educação pietista. manifestam-se no abuso das lições de religião e dos exercícios de piedade que. na vigilância exagerada.und Zucht in der Heiligung und in der Kraft des Heiligen Geistes verrich­ tet werden möge. às páginas 142-145. a amabilidade. Deixou um bom guia escolar para os mestres com orientações para exercerem a disciplina na escola. engendrariam nos alunos a hipocrisia ou a indiferença.

exercitava-se na esgrima. e acrescenta: nem se pronunciava sequer tal expressão. sob a direção de escudeiros. A educação dos nobres Declara Compayré que o século XVII considerou a educação dos prín­ cipes como a primeira condição de estabilidade dos tronos. como Hardouin de Péréfixe para Luís XIV ou Bossuet para o Delfim. embora sempre houvesse um preceptor principal. I. na dança. na natação. e na França. “l’instruction populaire. e que nessa época nem se sonhava com a instrução popular. T. Ora. se havia manifestado o cuida­ do com a instrução das crianças pobres por iniciativa de educadores reli­ giosos. comple­ tamente falsa. já que devia ser oficial do exército. ministrada por um ou por vários preceptores sucessivos ou simultâneos. desde o século XVI. 99 . Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France depuis le Seizième Siècle. “ce temple du cheval”. pâg. nas artes recreativas do desenho e da música e nos conhecimentos úteis à guerra. freqüenta- vam os colégios jesuíticos e oratorianos. A educação do nobre começava aos 14 ou 16 anos e visava a torná-lo perito no exercício das armas. pareceu-nos conveniente e proveitoso retratá-las em parágrafo sucintos. a segunda é falsa. na equitação. os príncipes recebiam educação de caráter particular.Capítulo IX Tipos de educação no século XVII Embora nos capítulos anteriores tenhamos tecido algumas observações ou feito certas alusões às espécies de educação de que vamos tratar. se a primeira afir­ mação é verdadeira — pois a educação dos principes foi tema e preocu­ pação básica da pedagogia do século XVII — . onde o jovem nobre. “le mot n’était pas même prononcé” '. já que. on n’y songéait pas alors”. Essa formação profissional era adquirida na academia militar. que poderiam perfeitamente ser desenvolvidos em amplos capítulos. 292. No século XVII. por exemplo. tal como a «' Gabriel Compayré. Os filhos dos nobres tinham preceptores particulares.

Richelieu e Mazarino deram ênfase à formação njoral e religiosa dos nobres. outra preocupação desses ilustres ministros foi unir no mesmo estabelecimento colégio e academia. a ética. a genealogia e a geografia. 100 . Blois. Na França. sobre serem estudadas as línguas la­ tina. 183-185. a política. o ensino era dado em francês. Esse programa de caráter científico.geografia e a arte das fortificações. Essas academias eram muito dispendiosas. literário e militar realizou-se de modo excelente nas academias fundadas em Paris por Richelieu em 1640 e por Mazarino em 1661. surgiram em muitas das centenas de pequenas cortes germânicas as academias cavaleirescas. Ritterakademien. Ademais. ou seja. só podiam ser mantidas por alguns Estados germânicos. além de outras seis que aí se estabeleceram. fundada em 1594. sob a direção de escudeiros formados na escola napolitana de Pignatelli. francesa — ministrada por mestres franceses — . articular o ensino das humanidades com a prática dos exercícios físicos. após a Guerra dos Trinta Anos e sob a influência dos costumes franceses e do ideal do galant homme ou cava­ lheiro. dan­ ça e esgrima. em Paris. No currículo escolar figuravam a religião. italiana e. a he­ ráldica. a história. A manhã era destinada a estudos que assegurassem a pureza da lingua francesa. Depois da metade do século XVII. que concorriam não só a Paris como às academias do vale do Loire: Orléans. a academia dos nobrès surgiu no fim do século XVI. a economia. a inglesa. L ’Éducation en France du X VF au X V III’ Siècle. ao estudo comparado do grego. do italiano. a retóri­ ca. Na academia criada por Richelieu. Sau- mur e Angers. do espanhol e do francês. barões estrangeiros e simples nobres alemães. e a tarde era consagrada ao estudo das línguas mortas. condes. Mazarino fundou o Colégio das Quatro Nações em 1661 e reservou sessenta vagas para os filhos dos nobres e dos principais burgueses de regiões ligadas à França pelos tratados de Vesfália e dos Pireneus. razão pela qual foram desaparecendo no fim do século XVIII. enquanto os exercícios propriamente acadê­ micos ou militares ocorriam duas vezes por dia. Na centúria seguinte os nobres volveram a fre- qüentar as universidades. onde os jovens aristocratas não só aprendiam línguas e ciências como também costumes e artes cor­ tesãos. ingleses. e a mais famosa foi a de Pluvinel. às vezes. *nas horas mais propí­ cias”2. e as pensões pagas pelos filhos dos nobres eram muito caras. dinamarqueses e holandeses. como o haviam feito no século XVI. a estatística. Essas academias foram erigidas quase sempre nas cidades onde residiam os príncipes. Dispunham de mestres exímios de equitação. e das quais restavam três no fim do século XVII. pág. freqüentadas também por ilustres príncipçs germânicos. à retórica e às ciências. do latim. o direito natural. 5Chartier-Compère-Julia.

sem ter recebido convite ou en­ comenda. a saber. simples maneira de passar o tempo em companhia de outros. Os preceptores de príncipes Hardouin de Péréfixe. ia boa distância entre a altaneira noção de honra. to­ davia. é toda a honra”4.T u sais que je suis le plus adroit homme de France. a honra tomou-se não um meio de bem viver mas um fim em si. Economia. Já não contém moralidade. foi convidado em 1644 por Ana da Áustria. Crise da Consciência Européia. ainsi j’eus bientôt appris tout ce qu’on y montre. Paul Hazard comenta. todas as espécies de jogos de cartas e dados. à idéia frascária que. vol. Cosmos. 1680-1715. sobre haver exposto as suas idéias pedagógicas nos tomos X e XIV de suas Obras Completas : Petits traités em Forme de Lettres. 334-335. La Mothe le Vayer publicou extenso trabalho para a educação do principie. ad Ludovicum X IV . Nas academias cavaleirescas. de conhecimento da dignidade pessoal. Política. De l’Ins- 3Paul Monroe. simple ornement. rainha-mãe. em que o conde declara ter aprendido o que aperfeiçoa a juventude e produz um cavalheiro. A Cyclopedia of Education. dela faziam certos no­ bres do século XVII : “Para alguns. j’appris encore ce que perfec­ tionne la jeunesse et rend honnête homme.O saldo positivo das academias cavaleirescas parece ter sido a influência exercida na modernização do currículo da escola secundária3. 4“ . para con­ sigo mesmo e para com os seus súditos. procurava-se incutir nos jovens nobres a idéia de honra e o dever de conservá-la através da vida. Moral. Lettre X. pág. Logo após o nascimento de Luís XIV. simples ornamento. La Crise de la Conscience Européenne. est toute l’honnêteté. 101 . e julga que o jogo.. Ed. pág. Na prática. De l’Instruction de Monseigneur le Dauphin. futuro arcebispo de Paris. Péréfixe redigiu em 1647 a obra em duas partes Institutio Principis. não passa de adorno. “O cavalheiro confunde alhos com bugalhos. simple façon de passer le temps en compagnie. et chemin faisant. car j’appris encore toutes sortes de jeux aux cartes et aux dés. Lógica e Física do Príncipe. Na primeira ele trata da educação do príncipe sob a direção de mulheres. de defesa dos próprios direitos e da própria reputa­ ção. 247. 20. I. e na segunda dessa educação sob a direção de ho­ mens e nela discorre sobre os deveres do rei para com Deus. Retórica.” Paul Hazard. Il prend la paille pour le grain.. De 1652 a 1657. de maneira que mascaram o seu próprio ser”. segundo Paul Hazard. A obra de Péréfixe é um resumo de moral para uso dos príncipes. E após citar um passo de uma carta do Conde de Grammont ao amigo Matta. La Mothe le Vayer compôs sete escritos pedagógicos: Geografia. a dirigir a educação de Luís XIV. et croit que le jeu. pág.

os Diálogos dos Mortos.truction des Enfants. que foi seu leitor. já que para se tornar perfeito filósofo basta ao ho­ mem estudar a si mesmo. Nicole. a educar a mente o coração. sem colecionar opiniões de filósofos ou ex­ periências de sábios. em que d á. e Observations sur la Composition et la Lecture des Livres. e as suas idéias são aplicáveis a crianças de qualquer condição. Bossuet e Fénelon. Ele propõe um tipo de edu­ cação atraente. tendo ensinado que se pode filosofar sem folhear muitos livros. que colaborou na educação do Delfim. por exemplo. conselhos aos príncipes e aos governantes. Com esse objetivo compôs o poema Telêmaco. Lógica. É por isso. Terêncio e Plauto e dava realce à história da França. Bossuet foi incumbido em 1670 da educação do Delfim. De Institutione Ludovici Delphini Ludovici X IV filii ad Innocentium X I Pontificem Maximum. cujo plano de estu­ dos ele apresentou em carta ao Papa Inocêncio XI. Conhecimento de Deus e de si Mesmo. noções de ciências e artes. Dava três lições por dia e para ele escreveu os cursos que se tornaram obras clássicas:Discur­ so sobre a História Universal. De l’Éducation des Filles. filho de Luís XIV. 102 . História da França e Política Tirada da Sagrada Escritura. foram também preceptores de príncipes. François de Salignac de la Mothe-Fénelon (1651-1715) foi preceptor do Duque de Borgonha. assim como Fléchier. Começava o dia com o estudo da religião. em enaltece a virtudes e lança à execração os vícios e os defeitos. tinha apreço especial por Homero. La Bruyère ensinou his­ tória ao neto do grande Condé e assim por diante. “para que o aluno descobrisse de uma vez o fim principal da obra e o encadeamento das suas partes”. Jacques-Bénigne Bossuet impôs como lei aos estudos do príncipe não deixar passar dia algum sem estudar. Bos­ suet fazia o príncipe 1er o livro inteiro de um autor e não se contentava com trechos seletos. além de terem sido bispos ilustres e grandes escri­ tores. Estendeu à sua educação os excelentes prin­ cípios educacionais que delineara no seu tratado sobre a educação das moças. O trabalho de Bossuet era secundado pelo de outros professores. diz Com- payré. que ministravam ao príncipe. Fénelon aí formula princípios válidos para a educação dos jovens dos dois sexos. e as Fábulas. escreveu em 1670 a obra Educação de um Príncipe. Fleury dos príncipes de Conti. Lancelot foi preceptor do Duque de Chevreuse. em que homens ilustres de vários países e diferentes épocas debatem diversos assuntos. que a pedagogia do século XVII foi verdadeiramente principesca. Huet também colaborou na educação do Delfim. Bossuet deu atenção especial à for­ mação filosófica de seu real pupilo. apta a formar o juízo.

devido à sua semelhança com o monarca insular desaparecido. e assi­ milou o espírita fervoroso e renovador de Adrien Bourdoise e de Jean- Jacques Olier. auxiliado pela Companhia do Santo Sacramento. Nas­ ceu em Bourg em 1636. com o seu Instituto dos Irmãos das Es­ colas Cristãs. e procurar ajudá-los nas suas necessidades e atender aos seus justos anseios5. só devemos às grandezas naturais. a força. independentes das fantasias dos homens. Carlos Démia fundou a primeira escola para meninos pobres da paróquia de Saint-Georges. dependentes da só vontade dos homens. e de seu gênero são as dignidades e a nobreza. Entre os seus precursores a figura mais notável foi a do Padre Carlos Démia (1636-1689). fez com que os fidalgos e os príncipes nascessem em berço de ouro. ao contrário. por São João Batista De La Salle. Trois Discours sur la Condition des Grands. O intruso aceitou o papel de rei e procedia de acordo com ele perante o povo. filho do Duque de Luy- nes. escrito por Nicole.Pascal e a condição dos grandes Em 1670. Por isso. No entanto. desde 1667. diz Pascal. grandeurs d’établissement. pâg. justo. a luz do espírito. No mundo. o go­ vernante atento à sua verdadeira condição não deve tratar os súditos com dureza nem sujeitá-los pela força mas. tal como as ciências. diz Pascal. O acaso. diz Pascal. Ao mor- 5Pascal. Em Lyon. estudou nos seminários de Lyon e Paris. que trabalhou na região lionesa. a saúde. saíram publicados os três breves discursos que Pascal parece ter dedicado ao iovem Duque Charles-Honoré de Chevreuse. Ora. a virtude. pois consistem nas qualidades reais e efetivas do corpo ou da alma e tor­ nam um ou outra mais estimável. grandeurs naturelles. a essência do homem é indiferente ao estado de barqueiro ou de duque. embora soubesse perfeitamente que não passava de um adventício e que o reino não lhe pertencia. há duas espécies de grandezas: as grandezas de instituição. no tratado De l’Éducation d’un Prince. e por convenção social os nobres são homenageados e vivem repletos de privilégios. Diz o grande gênio do século XVII que os nobres se assemelham a um ho­ mem lançado por uma tempestade a uma ilha onde foi tomado por rei. deve ser gene­ roso. 103 . 164-171. como veremos. Note-se que esses discursos sobre a condição dos grandes foram propositalmente insertos no tratado sobre a educação de um príncipe. bairro de trabalhadores. in Opuscules et Lettres de Pascal. A educação popular na França A obra educacional mais importante em prol da educação popular na França foi criada no fim do século XVII. e as grandezas na­ turais. as homenagens naturais que consistem na estima.

Os escolápios Durante o século XVII tomou impulso e floresceu a Ordem dos Clérigos Pobres da Mãe de Deus ou dos Escolápios. deviam ir duas vezes por dia às escolas. a escrita. Logo havia seis escolas femininas. publi­ cou os Règlements pour les Écoles de la Ville et Diocèse de Lyon.. Em 1688. após o Edito de Nantes. 104 . em Lyon. 1980. a Congregação das Irmãs de São Carlos. rendas. além de leitura e de escrita. que proibia a instala­ ção de escolas elementares sem a autorização do arcebispo. E. etc. Démia organizou as visitas desses inspetores. deixou 16 escolas gratuitas de meninos e meninas.U. Luís XIV. como pregar botões. convencido de que a formação de mestres cristãos viriam a ser a obra mais útil à Igreja. com a exposição das suas doutrinas pedagógicas. ensinavam às alunas pequenos trabalhos manuais. cujas mestras. que concretizou os seus desígnios educacionais. com o fim de se obterem mestres verdadeiramen­ te cristãos. Démia fundou o seminário menor de São Carlos para meninos pobres candidatos ao sacerdócio e que. fundou as duas primeiras escolas gratuitas para meninas e. adminis­ tradas pela Secretaria das Escolas. noções de ortografia e de gramá­ tica e princípios de aritmética. Remontrances pour l’Établissement d’Êcoles Chrétiennes pour l’Instruction du Pauvre Peuple ( 1668 ). São Paulo. para formar professores e sacerdotes para as paróquias rurais. em 7 de maio de 1674. pediu ao arcebispo de Lião para nomear eclesiásticos como inspetores escolares. em troca da educação gratuita. Obteve do Con­ selho do Estado o decreto. Em 1675. que se dedicariam ao ensino. O programa das escolas dos pobres compreendia a leitura. instruir os pobres nos princí­ pios da religião cristã e até mesmo a 1er e a escrever. Démia fundou o Seminário de São Carlos. Defendeu ardorosamente a educação popular no seu livro dedicado aos prebostes dos comerciantes de Lião. Outro sacerdote que se preocupou com as escolas populares. Era religioso da Or­ dem dos Mínimos e veio a tornar-se o conselheiro e o orientador de São João Batista de La Salle. em 1680. et même à lire et à écrire. nosso livro História da Educação no Renascimento.P. pág. e conseguiu do Consulado uma subvenção de 200 libras para a sua obra de manter escola pública. N ic o l a u B ar ré (1621-1686) também se preocupou com a situação das escolas e com a formação dos mestres. A fim de assegurar a ortodoxia e atrair as crianças protestantes às escolas católicas. para dar aula. 106 e 158.4 fundada por São José de 6Cf. e Démia introduziu nas classes o método que se chamaria mais tarde de ensino mútuo. foi A d r ia n o B o u r d o ise (1583-1655) que fundou em 1649 uma confraria para se rezar.rer. em 1666. em 1689.

e Julián Centelles. Constituciones de las Escuelas Pias. Escritos. 9San José de Calasanz. 1 0 /1 0 /1 6 4 3 ). contar. Santiago (T occo) do Santíssimo Sacramen­ to. 3 0 /8 /1 6 2 2 ). para que todos vejam que eles ensinam levados por pura caridade. biblioteca e uma horta para evitar o ócio. 105 . e as pessoas ou instituições que pedissem a fundação do Insti­ tuto numa cidade deveriam providenciar igreja com todo o necessário ao culto. Santiago (Tocco) do Santíssimo Sacra­ mento. Numa das cartas... pág. Sch. Domingo (Franchi) Podolin (Roma. Ministro das Escolas Pias em Gênova. õ fundador dos escolápios frisa que os mestres nada devem pedir aos alunos. op.Calasanz no fim do século XVI. “será próprio de nosso Instituto ensinar aos meninos desde os primeiros rudimentos. .. 7 /8 /1 6 2 8 ). os discípulos de Calasanz profes­ sam ser verdadeiros pobres da Mãe de Deus e nunca desprezar os me­ ninos pobres. VII. P. Carta ao Pe. P. escrever. Cap. aponta-se o dever primordial de ensinar a doutrina cris­ tã. °San José de Calasanz. pág.0San José de Calasanz. escolas pias para a instrução dos meninos. casa com mobiliário pobre para a habitação dos escolápios. a língua latina. cit.8 Recomenda-se que não haja mais de cinqüenta alu­ nos por classe. 804. (Roma. Carta ao M. O epistolário de São José de Calasanz é muito elucidativo quanto às iniciativas e às atividades das Escolas Pias no século XVII. Carta ao Pe. Su Obra. cada casa devia contar com 12 religiosos. e isso com a maior facilidade possível”7. Por isso. San José de Calasanz. cit. 740 e 753. pág. Os escolápios não deviam diri­ gir seminários nem internatos seculares. P. Reverendo em Cristo João Pedro (Cana- nea) Moriconi. O seu objetivo era a educação dos me­ ninos pobres.. op. 801. op. (Roma. e principalmente a piedade e a Doutrina Cristã. 789. De acordo com as Constituições das Escolas Pias. que não aceitasse o en­ cargo de ensinar o catecismo às meninas. Colhe-se das cartas que os padres e os clérigos da Mãe de Deus estavam apostados à educação dos meninos pobres. Cesar Aguilera. a ler bem. Sch. estando sempre dispostos a adorná-los de virtudes com muita paciência e caridade. V. Noutra epístola manda São José de Calasanz que se ensine o latim e outras disciplinas aos alunos por meio de debates e da emulação e não por meio de casti­ gos.. pág.10 7São José de Calasanz. Ministro das Escolas Pias em Gênova para Carmagnola. de 1643. e principalmente ao ensino da doutrina cristã e à instrução elementar em gramática e em aritmética. e o fundador adverte o Pe. cit. “já que o ensino da doutrina cristã para as mulheres devia deixar-se aos párocos”9. Sch. in Gyõrgy Sántha. embora aos poucos em vários países da Europa os escolá- pios passassem a educar os filhos da burguesia e da nobreza.

in Oeuvres de Fénelon. o sábio defensor das Escolas Pias lavrou a deliciosa e procedente observa­ ção de que os pobres merecem ser instruídos. M. e os plebeus de boa índole são mais úteis que os nobres obtusos ou ne­ gligentes” ". piedosas e nobres que se consagravam espontanea­ mente à instrução das jovens protestantes sob o patrocínio de Luís XIV — devotou dez anos de vida à orientação das moças. 4. os perseguidores das Escolas Pias. os escolápios foram alvo de numerosos ata­ ques por parte de ordens religiosas e de leigos. publicado na obra II Pensiero pedagógico delia Controriforma a cura di Luigi Volpicelli. T. Diante da “caverna” dq mosteiro. Fir- min Didot. A segunda ruptura. A educação feminina No século XVII. ed. 13Aimé Martin. I. exaltaram-se os benefícios da instrução no regaço da famí- íía. pág. diz Aimé Martin. principalmente. "T om ás Campanella. e desse modo pôde coligir preciosas observações que serviram de base para o tratado clás­ sico De l’Éducation des Filies. 106 . Ademais. o Apóstata. 575. O. Thoma Campanella conscriptus. pág. ou em uma classe aberta por alguma congrégaçãõT Esta inovação foi promovida pela Igreja. . A primeira é a que tira a menina da família para fazer dela estudante em uma escola elementar aingidaTrorTíín professora feiga. pág. Compère e D. Études sur la Vie de Fénelon. a partir de 1680. que no seu Liber Apologeticus afirma serem imitadores de Juliano. “em que a virtude é doce como a bondade e cuja doutrina simples e maternal nada mais é que o amor de Jesus Cristo pelas crianças”13. já que “os melhores por natureza devem ser preferidos aos melhores só pela apreciação pública. Segundo Roger Chartier e Dominique Julia. 233. verificaram-se nessa época duas rupturas sucessivas no tocante à educação feminina. de graça e de gênio”. Uma vez designado diretor da casa das Nouvelles Catholiques — associação de moças instruídas. Chartier. por se consagrarem à ins­ trução dos pobres. tal como no caso da educação dos meninos. M.2R. resultou das fortes criticas contra a educação conventual das moças de boa sociedade. Julia. ministrada por governante ou pela própria m ãe. P„ Liber Apologeticus contra impugnantes Institutum Scholarum Piarum a P. pág. e em sua defesa saiu o famoso filósofo dominicano To­ más Campanella.Na Itália. discutiu-se bastante e promoveu-se a educação das mulheres. L ’Éducation en France du X V Ie au X V U V Siècle. “obra-prima de delicadeza.'2 O escrito pedagógico mais notável sobre a educação feminina deveu-se a François de Salignac de la Mothe-Fénelon (1651-1715).

Acte II. tal como Catherine de Vivonne (1588-1664). história. etc. V (Hachet­ te). T. T. in Théâtre. c’est qu’il fallait écrire pour tout le monde. como Mme. música e latim. diz Fénelon. Dacier. pois “a mulher prudente.No capítulo 1 de sua obra sobre a educação feminina. gramática. eruditas e sensatas. Fénelon acha que a educação deve começar cedo. Scène VII. “conduzir bem a vida da casa. pois as desordens dos homens procedem muitas vezes da má educação que receberam de suas mães e das paixões que outras mulheres lhes inspiraram numa idade mais avançada”. poesia. o importante é formar bem as mulheres. mas aborrecia o pedantismo e a grosseria. foram muito eruditas. “Formar o espírito dos filhos nos bons costumes” diz Molière. nem todas as mulheres estudio­ sas eram desse tipo. 176. Marquesa de Rambouillet. Les Femmes Savantes. Fénelon ressalta- lhe a importância. 110. que saía de casa com a cauda do ves- . d’abord pour que tout le monde les comprit et ensuite pour que tout le monde put les lire sans être choqué dans un senti­ ment intime. a aritmética^a contabilidade. pâg.14 ^ Em A s Sabichonas (Les Femmes Savantes) o burguês Crísalo exprime a convicção de Molière com observar. a propósito do pedantismo de sua esposa Filaminta e da filha Armanda. Il. já que as havia de espírito atilado e discreto. A s Sabicho­ nas. diz que nada é tão negligenciado quanto ela e que.” Ferdinand Brunetière.4“Or ce que la marquise et son entourage ont enseigné aux écrivains. promoveram a cultura e até mesmo blasonaram de sábias e mereceram as críticas de Molière nas comédias A s Preciosas Ridículas. e deve conhecer as vantagens da vida simples e ativa. muitas mulheres entusiasmaram-se com os estudos. que a mulher estude e saiba tantas coisas. A má educação das mulheres”. ' 5Molière. e por muitas cau­ sas. a escrita. De modo idêntico pensava o espanhol Saavedra Fajardo que. não ser honesto. No século XVII. Escola das Mulheres. após ter discorrido sobre o seu contato com os filósofos na República Literária. mas a mulher deve ser instruída principalmente quanto aos seus deveres domésticos no campo e na cidade. noções de direito civil. “é mais prejudicial que a dos homens. ser atraen­ te. aplicada e bem formada religiosamente é a alma da casa que ela põe em ordem quanto aos bens temporais e à salvação. como observa Brunetière. Contudo. pâg. que nada tinha de pedante. 107 . economia doméstica. brilharam nos salões literários. vigiar os criados e regrar com economia as despesas deve ser o seu estu­ do e a sua filosofia”15. Histoire de la Littérature Française Classi­ que (1 5 15-1830>. a leitura. descreve o seu encontro com Safo. e que a mais preferível é a familiar^ As moças devem aprender a doutrina cristã. embora seja de temer a aparição de “sabichonas ridículas”. Le Dix-Septième Siècle.

da biografia da esposa de Luís XIV. T. 2. Histoire Critique des Doctrines de l’Éducation en France depuis le Seizième Siècle. teve curta duração e poucas alunas.As que ti­ nham mais de 12 anos ocupavam-se na cozinha e nos trabalhos da casa. de Mainte­ non foi a educadora mais insigne do século XVIII no terreno da educa­ ção feminina. o que na ver­ dade não passa de exagero liberalóide. A educação nessa escola era seme­ lhante à dos conventos e mosteiros da época. seguida pelo pai irado a queixar-se a Fajardo das excen­ tricidades da filha que. ao afirmar que “acima de tudo. afirma que. pâg. ocupada com fazer poesia. 324.. pâg. pâg. e pelo papel que aí desempenhou. Farjardo penalizou-se com o velho pai que levava tão má velhice com “el estudioso divertimento de la hija i sus liviandades”16. a quien deben aplicar toda su atención i gloria. aliás. Essas mulheres presunçosas viviam em conferências e erm discussões com os homens. e “se assim posso falar” . ' ‘D iego Saavedra Fajardo. e o seu Regu­ lamento foi escrito por Xacqueline Pascal na qualidade de mestra de no­ viças e de subpriora da comunidade.tido na mão. com a sua óptica laicista. porém. escrita. “la sciencia más digna i propia de las mujeres. '‘Gabriel Compayré. 122-123. '7Racine. 341. de Maintenon e a escola de Saint-Cyr Riboulet começa a falar de Mme. Com efeito. i no a los estúdios. um pouco de aritmética c canto. leitura. assim como lhes formavam o espírito e a razão para que se tornassem um dia perfeitas religiosas ou excelentes mães de família. esquecera os ofícios e os exercícios caseiros de coser e fiar. esquecidas do seu re­ colhimento natural e do decoro. Mme. As monjas de Port-Royal recebiam alunas dos 3 aos 17 anos. Compay- ré. ela foi uma educadora”18. in Oeuvres Complètes. Repûblica Literaria. com perigo evidente para a sua honesti­ dade. Racine testemunha que as mestras educavam as moças na piedade. pela fundação de Saint-Cyr. que distraen sus ânimos”. Oj)rograma consistia no ensino da reli­ gião. 108 . Ele tem razão. Depois de infância pobre e sofrida. I. É menos conhecida que a dos meninos. passou por muitas tribulações. Todas recebiam sólida e rígida educação moral. “ela foi um papa de saias”. observa. de Maintenon dizendo que ela nascera para ser professora. Abrégé de l’Histoire de Port-Royal. firmou-se na vida mercê de seus dotes espirituais e físicos.a ed. Mme. A escola feminina de Port-Royal nada apresentou de novo que mereça destaque especial.'7 Mme. Ele exprime de modo direto e simples o fato evidente que se colhe. devido à sua intervenção nos negócios teológicos. de Maintenon foi uma mãe da Igreja. de imediato. Havia o emprego do ensino mutuo: as alunas maiores ensinayam_as menores^. O pensionato feminino.

pâg. 109 . de Maintenon experimentou desenvolver novo tipo de educação feminina. às representações teatrais de peças escritas por Racine. filha de Constant d’Aubigné e de Jeanne de Cardillac. distinto do tradicional molde monástico e tendo por objeto formar jovens cultas e bem preparadas para a socieda­ de. op. 350. a primeira seculariza­ ção”20. pâg. de Racine. 210.consagrou-se à educação feminina e realizou obra cristã e patriótica. Contudo. levando-se em conta que Mme. o pai estava preso na cadeia de Niort. I. Françoise d’Aubigné. 113. na piedade simples e sólida e na perícia nos trabalhos manuais.. Gréard. a prudente educadora renunciou às galas do espírito. No primeiro. nota 1. que ela dirigiu e influenciou. mas denota o as­ pecto novo do empreendimento educacional feito por Mme. no Poitou. 20Oct. também. de Mainte­ non. Quando nasceu em Niort. Saint-Marc Girardin afirma que a escola de Saint-Cyr. aos 27 de no­ vembro de 1635. fundada por Mme. “foi uma grande inovação por ser tratar de um es­ tabelecimento consagrado à educação leiga das moças e assim constituir uma secularização ousada e inteligente da educação das mulheres” 19. para a vida do lar ou para a vida religiosa dos conventos. e a sua instituição assumiu aspecto de organização monástica. onde ganhou muito dinheiro. Citado por Compayré. de fato. diante dos assomos de vaidade das alunas-atrizes. pâg. cit. e de­ clara: “Saint-Cyr na sua primeira concepção não foi apenas uma idéia generosa como. exagero. a saber. perdeu-o no jogo e mais tarde faleceu. . levada pelas idéias pedagó­ gicas de Fénelon. deixando a esposa e os filhos l9Saint-Marc Girardin.J. Otávio Gréard observa com mais precisão que a história de Saint-Cyr divide-se em dois períodos: antes e depois das representações de Esther. Marquesa de Maintenon (1635-1719). Com esse objetivo recorria-se às artes. embora o objetivo conti­ nuasse a ser o mesmo. J. com o auxílio de zelosas professoras leigas. de Maintenon pretendia educar as órfãs dos oficiais do exército de Luís XIV ou as jovens nobres sem recursos. A expressão “educação leiga” parece. para delas fazer boas cristãs e excelentes mãe de família. ele partiu em 1642 para a Martinica. Rousseau. Uma vez libertado. Il. L'Éducation des Femmes par les Femmes. uma idéia nova. teve uma vida acidentada e romanesca. T. A fundadora insiste em suas palestras e cartas na boa formação do critério. T. Études et Portraits. de Maintenon. A história do estabelecimento que fundou para a educação feminina com o beneplácito da Igreja e da monarquia francesa abrange dois períodos. Mme. quando se lembra que os pensionatos femininos no século XVII serviam apenas de jardins vocacionais para os mosteiros.

se o aceitasse. de Saint Pierre. um pouco de cálculo e música e princípalmente trabalhos„de_ agulha? Luís XIV fundara o Asilo dos Inválidos. Maria Teresa. a senhora cTAubigné entregou a filha a uma tia desta. que trajavam uniforme. conheceu. de Neuillant. que se condoeu do seu estado de pobreza e propôs-lhe pagar um dote. YHôtel des Invalides. Mme. foi confiada em seguida a outra parenta. O mesmo pensamento levou à fundaçãojl§_ Saint-Cyr. e cuja principal ocupação eram os trabalhos manuais. a ler e a contar. contudo. tornou-se esposa de Luís XIV e. divididas em quatro classes segundo a idade e a instru­ ção. Mme. a escola contava com 124 moças. conforme fora planejado. Condoída da sorte das jovens pobres. através de Mme. já que deviam aprender um ofício. deviam casar-se ou arrumar uma colocação. resolveu consa­ grar-se à sua educação. filho do monarca. Francisca re­ tornou ao catolicismo. faleceu a 30 de julho de 1683 e aí Francisca d’Aubigné. Após a morte da mãe.na miséria. às quais se ensinava religião. de Neuillant e. o poeta Scarron. Todavia. pâráTõs oficiais idosos ou feridos na guerra. concentrou em suas mãos todo o poder”. comprou-se um terreno nos arredores de Ver- 110 . a líagua-irance- sa. A rainha da França. Um ano e meio depois da organização dessa escola. Mme. favorita de Luís XIV. Por isso. numa casa alu­ gada em Rueil. então. O castelo de Noisy. diz Gréard. o rei fez transferir as alunas para o castelo de Noisy. de Maintenon abrigou 60 jovens pertencentes à burguesia ou à pequena nobreza e que. adqui­ rido para aumentar o parque de Versalhes. se resolvesse tornar-se religiosa. a fim de se casarem ou de serem monjas ou freiras. “rainha sem o parecer. Logo ela ajuntou a esse grupo 60 crianças pobres enviadas das suas terras de Maintenon. ao saírem da escola. estabelecimento. que era calvinista. Era uma espécie de escola primária profissional. depois. A senhorita Francisca d’Aubigné optou pelo casamento. Francisca tornou-se protestante para desgosto de sua mãe. de Montespan. como diz Gréard. Ela estava com 16 anos e meio. era pequeno para comportar as 250 alunas. nos arredores de Saint-Germain. ou casar-se com ele. De volta à França. que ficaram alojadas no rés-do-chão. Mme. lembra­ da de sua juventude. Em 1685. às ursulinas quando. anexa a uma espécie de escola secundária. Graças à amizade com Mme. iniciou em 1680 a instrução de algumas pensionistas. Scarron faleceu em 1660 e deixou a jovem viúva sem recursos. e desejosa de fazer algo por elas. feita Marquesa de Maintenon. destinado à educação de meninas e moças aristocráticas mas pobres e que deviam sair de lá com um dote oferecido pelo rei. de Brinon. a viúva de Scarron com 25 anos tornou-se governanta do Duque do Maine. e da antiga companheira desta. Em 1682. aprendiam o catecismo. Com o auxílio de uma ursulina que abandonara o convento. desejosa de segurança e encantada com o meio refinado do salão freqüentado por nobres. e criaria a Companhia de Cadetes para os filhos dos nobres.

leur faire garder le règlement de la journée. escrita e aritmética.salhes a 9 de abril de 1685. tanto que das. 15 e 19 de fevereiro para gáudio da corte e do rei da Inglaterra que assistiu à representação do dia 5. No primeiro período do estabelecimento. avis. não se trata de lhes ornar o espírito. A edu­ cação ministrada às jovens era intencionalmente moral e utilitária já que. de Maintenon. o exemplo ao criado. ao verificar os efeitos nocivos das representações teatrais no ânimo das alunas. a casa de Saint-Cyr transmutou- se em mosteiro regular da Ordem de Santo Agostinho. maîtresse générale des classes. às 14 horas. 5. coração elevado e razão ordenada e tive êxito nisso. desprovidas de recursos. MHe. deviam preparar-se para a viria prática Por isso. encerrou esse brilhante período de Saint-Cyr. de Maintenon recomendava o ensino do que fosse mais necessário: o catecismo bem explicadoj. Scudéry oferecia os modelos das Conversations. trop ménagées. Extrait? de ses Lettres. 20 septembre 1691. e aí se edificou nova casa para onde se transportou a comunidade a 2 de agosto de 1686. Fénelon pronunciava sermões. et proverbes. Não lhes convêm nem versos nem conversas. É preciso educar vossas burguesas como burguesas. de Fontai­ nes. assim. de Maintenon escreveu a 20 de setembro de 1691 a Mme. 13. Lulli compunha a música dos coros e Racine es­ crevia as tragédias para as representações teatrais. Lettre a Mme. trop caressées. a obediência ao marido. pâg.° de dezembro de 1692. aplicado à sua condiçãojkútu- ra. A 22 de fevereiro de 1691. entretiens. Sur l’Éducation. só 398 se tornaram religiosas. conversa­ tions.121 moças que por lá passaram de 1686 a 1793. Surgira a escola de Saint-Cyr. o objetivo educacional continou a ser o mesmo. 1. amigos e vizinhos. Mme. de Maintenon. Mme. possuem coração elevado e são mais orgulhosas e altivas do que se po­ deria esperar das maiores princesas. et leur peu parler d’autre chose:” Madame De' Maintenon. Trata-se de lhes ensinar os deveres da família. Racine encenava a peça Athalie. de Fontaines: “eu quis que as moças tivessem espírito. E advertia as mestras: “Menos literatura e mais aritmética. A l. sob a influência das idéias de Fénelon. Sur la réforme de Saint-Cyr. edifiquem seus pais. in Mme. a moderação para que. Apesar da transformação da escola de" Saint-Cyr em mosteiro. só que elas têm espírito e dele se servem contra nós. Seguiram-se outras nos dias 3. in faut les oublier dans leurs classes. e nós lhes formamos a razão e delas fizemos faladeiras presunçosas. o cuidado dos filhos. a boa fé no comércio. a modéstia com as pessoas que vêm comprar algo. É preciso que o camponês não 2'“N os filles ont été trop considérés. entretanto. curiosas e atrevidas”2'. A primeira represen­ tação de Esther ocorreu a 26 de janeiro de 1689 em presença do rei. e como Mme. 111 . 6” éd.

pâg. rouge. hleue. e no temporal sob a supervisão de um conselheiro do Estado nomeado pelo rei. Ingressavam em Saint-Cyr dos 7 aos 10 anos. mestra- geral das classes e a depositária ou intendente geral. secretária. havia 80 pessoas: 40 senhoras e noviças escolhidas entre as antigas alunas que repartiam entre si vinte e cinco cargos maiores e quinze menores. À frente de cada grupo havia uma dirigente ou mère de famille. assistente. verte. A Superiora. — a classe amarela. 138. Extraits sur l’Éducation. etc. que devia sempre ouvir o pare­ cer do Conselho Interno. Mme. se elas os lessem só para se edificarem. mestra-geral dos trajes. dos 14 aos 16.estadeie de burguês e que este não queira passar por fidalgo”22. isto é. suave e livre. saíam aos 20. cujos livros sólidos levam à mais elevada perfeição de maneira suave. 73. No Aviso às Mestras das Classes. de Maintenon. e o mandato obtido valia por três anos. estava sob a direção externa do bispo de Chartres no domínio espiritual. dirigida pela comunidade de São Luís. 65. As se­ nhoras investidas nos grandes cargos de oficiais ou conselheiras forma­ vam o Conselho Interno: superiora. sem excesso de práticas de devoção. de 11 a 13 anos. de 8 ou 10 alunas. por sua vez. e esse conselho foi dado depois de haver afirmado que sete ou oito livros bastariam às moças para a vida inteira. mestra e noviças. mestra-geral das obras. Os grandes cargos eram alcançados através de eleição com escrutínio secre­ to. assistida por um 22Gréard. bandes ou familles. ecônoma. jaune. de Maintenon. Os principais peque­ nos cargos ou cargos menores eram os de mestra de classe. de dezembro de 1691. tinha 56 alunas com menos de 10 anos. Reco­ mendava-lhes a piedade alegre. “ Mme.— — a classe vermelha. Cada classe dividia-se em cinco ou seis grupos. bibliotecária. em número de 250. Os pequenos cargos depen­ diam de nomeação feita pela superiora. já que a curiosidade é perigosa e insaciável. O bispo e o conselheiro formavam o Conselho Externo. — a classe verde. as jovens deviam tomar gosto pelo trabalho sério e adquirir critério. 19. mestra do coro. assim como lhe dar a conhecer a situação in­ terna da casa. As alunas. 112 . mestra-geral da roupa branca. agrupadas segundo o grau de instrução. dos 17 aos 20 anos. incul­ ca-lhes o dever de fazer com que as alunas amassem São Francisco de Sales. Eram separadas segundo a idade em quatro classes distinguidas pela cor da fita pregada no uni­ forme preto: -----------. — a classe azul. eram todas bolsistas do rei. in L'Éducation des Femmes par les Femmes. “Le conseil du dehors”. enfermeira. de Maintenon.23 Na casa de Saint-Cyr. 56. pâg. razão esclarecida e reta para bem julgar. Segundo Mme.

de Maintenon. a senhora de Maisonfort. Em seguida. escrita. noções de história. teve o gênio da organização e o gosto da administração. nada lhe haver de mais caro que as suas filhas de Saint-Cyr. além disso. primeira Superiora Geral. ainda as mesmas matérias. equivalente a verdadeiro encargo de almas pelas quais — ela achava — responderia diante de Deus. — 12 h: almoço e recreio. a piedosa senhora de Montalambert. à religião. diz Gréard. Não havia em Saint-Cyr privilégios de qualquer espécie. cônega inteligente e culta. higiene pessoal e limpeza da casa. dan­ do-se muita ênfase à língua francesa. voltava-se para a educação das moças. rudimentos de gramática. ela dizia: “É sempre domingo para mim”. dotada de saber enciclo­ pédico. — 14 h: às 18 h: aulas e estudo. As duas classes m aior« forneciam 8 ou 10 alunas que serviam de monitoras às menores è cuja insígniaerá a fita cOr-de fogo. e a senhora de Glapion. ainda. a senhora de Berval. Mme. Entre as mestras da primeira época destacaram-se como as mais im­ portantes e interessantes a sábia senhora de Brinon. Vinte outras desempenhavam a mesma função*em todas as classes e traziam a fita preta. a senhora de Saint-Aubin. a linda e inteligente senhora de Fontaine.auxiliar ou suplente. O horário distribuía-se do seguinte modo: — 6 h: levantar-se. Quando se falava de Saint-Cyr. geografia e mitologia. cálculo. O programa variava conforme as classes. recreio e jantar. — 8 h: missa. a sábia senhora do Pérou. de Main- tenon criou o espírito da instituição expresso nas suas Palestras e Cartas. Declarou um dia: “Viva Saint-Cyr! Roguemos a Deus para 113 . escritora que compilou as Cartas e Palestras. — 21 h: dormir. na classe amarela. além de serem cultivados o desenho e a dança. — 8 h 30 às 12 h: aulas e estudo. 8 vezes Superiora Geral. Mme. de Maintenon. música. na clas­ se verde: as mesmas matérias e. na classe azul consagrava-se atenção particular aos exercícios da língua e à educação moral. que as Senhoras de São Luís começaram a copiar e a reunir em 1696 e de cuja doutrina Saint-Cyr viveu durante um século. Declarava. catecismo e história sagrada. cuja união devia ser assegurada pela Superiora. tanto que lhes amava até a poeira levantada nos recreios. primeira a fa­ lecer. segundo Mme. couleur de feu. O trabalho individual devia subordinar-se à ação geral da comunidade. le ruban noir. e os trabalhos manuais ocupa­ vam lugar essencial. Tudo aí. Na vermelha: leitura.

de Maintenon teve êxito na organização de um tipo de educação burguesa. e a fazer bem a reverência. Fleury e a educação feminina O Abade Claude Fleury (1640-1723). Fa- guet comentou esse desafogo tomando-o por um brado de rainha ( un cri de reine) e concluiu: “Quaisquer que tenham podido ser as falhas polí­ ticas dessa ilustre mulher. influenciada por Fénelon. Mme. pois. de Lambert A Marquesa de Lambert (1647-1733). “que as mulheres devam aprender mais que o seu catecismo. que a mulher deve escrever corretamente em francês. 422. em que também discorre sobre a educação feminina. pâg. porque muito amou a Deus. Elâ achava que as moças deviam fazer estudos úteis: o latim. J. a história grega. tão útil à 3"'Émile Faguet. a arit­ mética e até mesmo o direito. “Será. in Les Grands Maîtres du Dix-Septième Siècle. conhecer o essencial da lógica. tanto quanto o mundo”. Esse traba­ lho foi preparado pela experiência por ele adquirida como preceptor dos príncipes de Conti e como subpreceptor do Duque de Borgonha sob a orientação de Fénelon. a cantar. de Maintenon.que dure tanto quanto a França. famoso pela sua História Ecle­ siástica (1691 e anos seguintes). é nisso que consiste toda a sua educação”. Mme. 25Herment. e na Correspondance Générale. às crianças e a Athalie”'2*.. Manuel d ’Histoire de la Pédagogie. nas Lettres Historiques et Édifiantes Adressées aux Dames de Saint-Cyr. sem dúvida muito lhe foi perdoado. sem dúvida. 237. um grande paradoxo”. que inaugurou no século XVII a educação feminina mi­ nistrada por mestras leigas e cultas com orientação profudamente ca­ tólica e esclarecida. pâg. no entanto. embora possa dispensar por completo o estudo da história. 114 . e ainda nos Conseils aux Demoiselles pour leur Conduite dans le Monde. e França. pu­ blicou no início do século XVIII os seus livros de educação: Avis à son Fils. Fleury achava. Avis à sa Fille e Réflexions Nouvelles sur les Femmes. publicou em 1686 o seu tratado sobre a escolha e o método dos estudos. diz ele. romana e da França e um pouco de filosofia. a cos­ tura e várias pequenas obras. Traité du Choix et de la Méthode des Etudes. M me. de Maintenon estão contidas principal- mente nas Lettres sur l’Éducation des Filles. como nota Herment25. a dançar e a vestir-se segundo a moda. língua da Igreja. mas ela foi sobretudo uma educadora cristã convicta. de regra. nos Entretiens sur l’Éduca­ tion des Filles. As idéias pedagógicas de Mme.

115 . Esther e Athalie de Racine. escrita. já que a vocação natural da mulher é a maternidade. de quem voltaremos a falar. de Lam­ bert condenava -a leitura dos romances e criticou a comédia Femmes Sa- vantes de Molière. e elas encontrarão. diz Rollin. mas ensinava que. por sua vez. já que este não passa de vício do espíritQ. em relação às línguas. como se a ignorância fosse apanágio do seu sexo. sob o pretexto de se evitar que as mulheres se tornem sabichonas curio­ sas. pois “a experiência quase universal demonstra que o estudo da música dissipa as jovens de modo extraordinário. não se dá importância à sua instrução. “É um erro grosseiro”. quando observa que. a mulher devia contentar-se com o idioma pátrio. enquanto o saber é seu ornamento. “e extremamente prejudicial ao Estado. Arremete. A mãe cristã e sensata deve discernir bem o seu dever e escolher para a filha os estudos que cultivam e ornamentam o espírito. Rollin estabelece o duplo objetivo dessa educação: formar o coração e cultivar o espírito. Gasta-se muito tempo e muito dinheiro com a dança. 69. fazer guerra. sugere. auxílio valioso na obra de Fénelon sobre a educação das moças. As jovens podem ler poe­ sias mas devem evitar as comédias e as tragédias exceto. pág. de acordo com a sua condição natural. Segundo Rollin. re­ quer certas precauções. parti- 26Rollin. Cadet et Darin. promover a justiça ou exer­ cer a medicina. O aprendizado da música. seria o estudo do desenho. diz ele. considera em sua obra Traité des Etudes a questão da educação das mulheres. governar os Estados. exceto o latim. leitura. Mais útil e mais agradável. vãs e ridículas.formação intelectual. por exemplo. por certo. negligenciar desse modo a edu­ cação das moças”26. a vida laboriosa mas útil. Carlos Rollin e a educação feminina O célebre pedagogo Charles Rollin (1661-1741). os exercícios apropriados à formação do corpo e ensináveis sem a dança. e as mães devem instruir-se a si próprias a fim de educar os filhos. Éd. e lhes inspira o desgosto e a aversão por todas as outras ocupações. Julga Rollin que as moças devem aprender principalmente religião. Traité des Études. música e dança. Ele reconhece que o maior obstáculo para se chegar a esse objetivo é a irregularidade da conduta dos pais. mas que o seu destino é o recesso do lar. o estudo mais adequado para ornar o es­ pírito das jovens e para lhes formar o coração é o da história. Mme. aritmé­ tica (as quatro operações). Assevera que as mulheres não são talhadas para instruir os povos. contra Molière. infinita­ mente mais importantes e mais essenciais a tal idade”. e não convém iniciar o do canto e dos instrumen­ tos musicais muito cedo. tendo salientado que era preciso distinguir o autên­ tico saber do vício do pedantismo.

A educação especial dos indígenas nas Missões Jesuíticas da América do Sul Fato educacional de suma importância no século XVII. indispensáveis às mães de família e às donas de casa. para os adultos. que deve ser ensinada diariamente com repetições aos sábados e. e através do qual os seus missionários não puseram a tônica da educação do domínio das técnicas da leitura e da escrita. ainda. se reducían a pueblos — donde o nome de Reduções — . a chamar-se Doutrinas. ou seja. Havia. Com o tempo. passou a praticar novo tipo de educação. todos os agrupamentos de índios cristãos passaram a ser denominados indistintamente Reducciones ou Doctrinas. Grupos de índios pagãos a serem convêrtidosreinC bora alguns já fossem cristãos. Doctrinas Guaraníes. cumpre salientar a importância e a utilidade dos trabalhos manuais. Por fim. A Companhia de Jesus. que conferia ao índio. em contato com pessoas de eStirptCcutttTrSrcom­ pletamente diferente dos povos europeus. Essas paróquias indígenas passavam. Os educadores dos índios eram os missionários. ainda. quando necessário. as missões jesuíticas chamaram-se de doutrinas guaranis. No Paraguai. curas ou doctrineros. a vida sobrenatural. imprescindiíveis à salvação e à administração do santo batismo.cularmente a sagrada e a antiga. uma vez por mês. que lhes atendiam às necessidades espirituais e corporais. 116 . ensinava-se nas missões o catecismo todos os dias. como a qualquer homem. foi o início de novo tipo de educação que os jesuítas ministraram aos indígenas da América do Sul. a redução era erigida em paróquia enriquecida com muitos privilégios concedidos pelos papas aos índios. A pósaconversão de todos os índios. num vasto experimento educacional que teve grande êxito. sem exageros ou demasiadas exigências. três vezes semanalmente. reuniam-se em povoações. duas vezes por semana. Por isso. o estudo da história deve ser acompanha­ do pelo da geografia e da cronologia com o uso de mapas. Ademais. território atualmente brasileiro. que merece ser ao menos assinalado. poder-se-ia dizer. O principal objetivo da missão era o ensino das doutrinas da santa fé ca­ tólica. então. ensino especial para uma ou várias pes­ soas. mas- procuraram formar um povo de agricultores apetrechados com os cõnhe= cimentos das artes e ofícios e solidamente instruídos nas crenças e nas práticas devocionais do catolicismo. separada­ mente para meninos e meninas. A mestra ou governanta (maîtresse) deve suscitar reflexões sobre os pontos his­ tóricos examinados. passavam arnoráC em aldeias ou reduções. e para as pessoas idosas que já não trabalhavam no campo. particularmente do Para­ guai e dos Sete Povos das Missões no.

As Reduções guaranis foram organizadas oficial mente como Doutrinas
em 1655. Durante o dia mesclavam-se, em criteriosa distribuição de
tempo, devoção, trabalho e aprendizado profissional. De manhã havia
oração, explicação do catecismo e Santa Missa às 5h30. De tarde, reci­
tava-se o rosário e fazia-se o ato de contrição. Os guaranis exercitavam-
se nas artes mecânicas para assegurarem o seu sustento, e nas belas-artes
para darem esplendor ao culto divino. Por isso, eram instruídos na pin­
tura, na escultura e na arquitetura por artistas que eram Irmãos Coadju­
tores da Companhia de Jesus. No domínio musical aprendiam a cantar
e a tocar instrumentos, como órgãos, trompas, fagotes, clarins, flautas,
harpas, violinos, alaúdes, guitarras, cítara, etc. E os índios não só apren­
diam a tocar como a fabricar instrumentos. Formavam banda, orquestra
e coro, e aprendiam, também, a executar danças artísticas para as sole­
nidades públicas.
Os jesuítas organizaram associações para o afervoramento da vida cris­
tã: a de São Miguel, para homens e mulheres dos 12 aos 30 anos, e a de
Nossa Senhora ou Congregação Mariana, para adultos a partir dos 30
anos.
No terreno da agricultura, os índios entregavam-se principalmente ao
cultivo da erva-mate, do tabaco e do açúcar. No tocante à indústria,
aprendiam várias artes mecânicas, tal como a de ferreiro, torneiro, car­
pinteiro, curtidor, etc. Aplicavam-se à indústria têxtil para a fabricação
de tecidos e roupas; e no comércio eram supervisados pelos missionários.
Uma das artes'mais cultivadas nas Doutrinas foi a da imprensa ou arte
tipográfica. Só se dedicavam aos estudos clássicos os jovens bem dotados
e aptos para o trabalho intelectual. No programa diário, depois das ora­
ções matinais, vinha a educação prática através do trabalho: colheita do
algodão, do milho, etc., e cultivo dos campos comuns. Os índios que
trabalhavam no campo eram os que não estavam ocupados nas escolas.
Geralmente estas eram frequentadas pelos meninos que revelassem capa­
cidade intelectual, no caso os filhos dos funcionários da aldeia, escolhi­
dos para a escola de 1er e escrever, enquanto os outros, de acordo com a
sua aptidão, eram encaminhados para o aprendizado das artes mecânicas.
Na escola dirigida por um mestre índio, sob a orientação do missionário,
os meninos aprendiam a 1er, escrever e contar, e a leitura era feita em
guarani, castelhano ~e latim. Dessa classe de letrados saíram os futuros
cor regedores,'alcaídés, secretários, membros do cabildo, médicos, mes­
tres, cantores e sacristãos. Alguns alunos, já instruídos na leitura e na
escrita, freqüentavam uma espécie de escola superior na qual se ensinava
música vocal e instrumental bem como danças de cuenta. Em suma,
como observa Pablo Hernández, “comparado o estado das artes e ofícios
das Doutrinas com o das cidades hispano-americanas da época, o das

117

Missões era evidentemente superior”, devido ao empenho e ao zelo dos
missionários.27
As Reduções foram trinta e oito no território do atual Paraguai, quinze
no território da atual Argentina, e sete no atual Rio Grande do Sul,
no Brasil. O Padre Antônio Sepp, austríaco, falecido aos 78 anos em
1733, viveu 41 anos nas Reduções missioneiras. Foi grande incentivador
da música. A sua antiga Redução tomou mais tarde o nome de Comar­
ca Cruz-Alta, a Província do Alto Uruguai onde, à roda de 1920, sur­
giram as freguesias de Cruz-Alta, Passo Fundo e Soledade. O Padre
Sepp, S.J., deixou valioso testemunho de sua vida nas Reduções jesuíti­
cas em sua obra Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos.
Veja-se, por exemplo, a ordem do dia dos missionários. Sepp refere
suas visitas aos doentes e às oficinas. Ia ter com os meninos indígenas na
escola em que aprendiam a ler e a escrever, enquanto as meninas se
dedicavam a tecer, bordar e costurar. “Dou-lhes as lições e tomo as
que aprenderam”, relata. Depois, ia ter com os músicos: tiples, harpistas,
organistas, tiorbistas. Noutro dia tomava lição dos dançarinos e lhes en­
sinava danças como as que eram representadas nas igrejas da Espanha.
Em seguida, após instruir músicos e dançarinos, visitava outras oficinas:
a olaria, o moinho, a padaria, e examinava os progressos dos ferreiros,
carpinteiros, marceneiros, escultores, pintores, tecelões, torneadores,
bordadores, carneadores e, quando sobrava tempo, inspecionava o tra­
balho dos jardineiros na quinta.28
Nas suas aldeias da América do Sul os jesuítas desempenharam a missão
de evangelizadores e educadores dos povos, e foi lástima que o seu
imenso labor fosse anulado devido à sanha de bárbaros civilizados pre­
potentes e injustos que, desse modo, interromperam e atrasaram o pro­
gresso cultural da América Latina.

27Pablo Hemández, Misiones del Paraguay. Organización Social de las Doctrinas
Guaranies de la Compania de Jesús. T. I., pág. 222.
26Pe. Antônio Sepp, S. J., Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos.
2.a ed., Primeira Parte, Cap. IX, pág. 140.

118

Capítulo X
As congregações docentes femininas

Desde o fim do século XVI, mas principalmente durante o XVII, surgi­
ram, especialmente na França, e disseminaram-se através da Europa
várias congregações docentes femininas, cujo intuito primordial era a
educação cristã das meninas e das moças, mas que, secundariamente,
se aplicavam também~a~sTiã Tnstrução intelectual e profissional. Essas
congregações religiosas brotaram do fervor espiritual e do ardor apos­
tólico de homens e mulheres solícitos em acudirem à necessidade de
renovação da fé católica, de combater as heresias protestantes e de
proteger a fé das jovens expostas ao perigo da heterodoxia, da sedução
do mundo, assim como à conversão dos protestantes, obra em que se
empenhou a fundo na França o Rei Luís XIV.
Tradicionalmente, os institutos religiosos femininos pertenciam aos an­
tigos troncos monásticos e eram constituídos pelas abadias beneditinas e
cistercienses autônomos, que possuíam a superiora local, a abadessa, e
pelos conventos de monjas ou freiras clarissas, dominicanas, carmelitas,
agostinianas, etc. Além do característico governo local de tipo feudal,
essas casas religiosas dependiam do bispo da região, e as monjas sujei­
tavam-se à rigorosa clausura, isto é, deviam viver reclusas e não podiam
consagrar-se na sociedade, nas ruas e nos campos à prática das obras
de misericórdia que só eram exercidas no âmbito do mosteiro ou do con­
vento. Essa tradição da clausura feminina era tão arraigada na Igreja que
São Francisco de Sales, fundador juntamente com Santa Joana de Chan-
tal, da Ordem da Visitação, pretendera fazer do novo instituto uma agên­
cia de beneficência espiritual, de tal forma que as suas freiras pudessem
visitar os pobres e os doentes. No entanto, o santo bispo de Genebra pre­
cisou curvar-se às exigências da Santa Sé e submeteu as visitandinas ao
molde estrito das ordens contemplativas e enclausuradas, embora com
regime de vida mais suave. São Vicente de Paulo, todavia, logrou formar
o seu manipulo de Irmãs de Caridade que, livres das grades conventuais,
puderam percorrer ruas das cidades, caminhos de aldeias, e visitar man­
sardas e tugúrios em socorro dos pobres, velhos, órfãos, doentes e pri­
sioneiros.

119

linda e encantadora. vol. ela quis — e sempre lutou por isso — que o seu instituto tivesse à frente. Histoire Critique des Doctrines de VÊducation en France depuis le seizième siècle. pois. Ademais. Embora Maria Ward tenha passado a maior parte da vida fora da Inglaterra. conforme o local e a população — de ministrar sólida instrução intelectual às donzelas. como o dos jesuítas. cruel e prolongada — pois durou dois séculos — . de­ vido ao ódio dos monarcas anglicanos à Igreja e às iníquas “leis penais”. e a socorrer os mártires da fé confinados nas masmorras anglica­ nas. e que nas suas casas os exercícios devotos prejudi­ cavam a instrução. a defesa da ortodoxia e o combate à heresia galopante e ameaçadora que já destruíra a unidade espiritual da Europa cristã. e que as suas religiosas fossem isentas da clausura. acrescentou-se a guerra civil com o seu cortejo de horrores e desditas. com os cárceres repletos de sacerdotes e leigos torturados e condenados à morte. Daí as suas preocupações educacionais serem basicamente re­ ligiosas. À perseguição religiosa.' No campo da educação. Donde se colhe a impertinência e a má fé de Compayré. ao afirmar que elas negligenciavam os estudos propriamente ditos. elas não surgiram apenas para instruir meninas e jovens que se destinavam. a sua intenção e a sua obra voltavam-se sempre para a sua desditosa pátria. muito incompreendida e perse­ guida durante 200 anos. de regra. em se referindo às religiosas educadoras. idealizou e fundou uma congregação na qual adaptou ao seu objetivo de educação feminina a Regra de Santo Inácio de Loiola para a Companhia de Jesus. tendo chegado até a ser supressa. pâg. Esta jovem refinada. dis­ farçadamente. 338. os católicos ingleses sofreram perseguições atrozes. não usassem hábito distintivo e estivessem subordinadas di- retamente ao Sumo Pontífice. na Inglaterra sacudida pela per­ seguição aos católicos. fundado por Mary Ward. I. piedosa. o que não as impedia — de modo variável. Foi em tal ambiente de heroísmo e de sofrimento indizível dos católicos que Maria Ward suscitou um pugilo de religiosas que. foi o Instituto de Maria ou das Damas Inglesas. cujas metas foram a propagação da fé. que as congregações docentes femininas dos séculos XVI e XVII se inscrevem no surto renovador da evangelização católica na França. a instituição mais original e. No século XVII. que condenavam a profissão e o exercício da fé como crime inaudito. Evidentemente.Assinale-se. se aplicaram a educar as jovens católicas na piedade só­ lida. ’Gabriel Compayré. uma Superiora Geral. 120 . entre o fim do século XVI e o início do XVII. ao lar ou ao convento. no entanto. insidiosa.

em que viveu durante um ano como irmã leiga. o novo instituto devia ser uma congregação de freiras sem clausura. Bonita. Fugindo à perseguição. Fundou. trans­ portou-se para Saint-Omer. Teresa e Isabel. condado de York. convicta de que outra era a sua vocação. enviou ao Papa Paulo V o plano do seu Instituto. a con­ gregação das “jesuitinas”. seu pai deixou-a aos cuidados de Sir Rodolfo Babthorpe e sua esposa. O seu plano foi tido como novidade perigosa. a 30 de setembro de 1629. e o seu espírito inaciano irritou os adversários da Companhia de Jesus. novo convento de Clarissas para mu­ lheres inglesas mas. Maria entrou num convento belga de Clarissas. onde havia uma co­ lônia de católicos ingleses em torno de célebre colégio da Companhia de Jesus. unidas pelos votos e pela Regra. A tentativa 121 . na Flandres francesa. Em seu con­ vívio. que pas­ sara 14 anos no cárcere como denodada confessora da fé. a praticar a beneficência. Teresa foi carmelita e Isabel tornou-se monja. aconselhada pelos jesuítas de Saint-Omer. Maria Ward. a Congregação da Propaganda suprimiu o Instituto de Maria. de acordo com o seu projeto. assim como estudou latim. que foi bem acolhido mas não foi aprovado oficialmente. então. e morreu a 30 de janeiro de 1646 ou a 20 de janeiro de 1645. Ela então defendeu a sua causa perante uma implacável Congregação par­ ticular de cardeais mas. a 2 de fevereiro de 1586 ou a 23 de janeiro de 1585. porém. como as chamavam os inimigos. Em 1616. Exceto João. sem hábito distintivo. Os seus pais foram Marmaduke Ward de Newby e Orsula Wright de Ploughland. e aí conviveu com os irmãos João. Maria aprendeu a amar a fé católica. De volta a Saint-Omer. sob a direção de uma Superiora Geral com autoridade para transferir as Irmãs. retornou à Inglaterra em 1609. O novo insti­ tuto começou a existir sob a regra modificada das Clarissas. após três anos. abriu uma escola livre para moças inglesas. o que lhe valeu novos ataques por parte dos adversários. cinco meses depois. Jorge. Bárbara. fundou casa na Inglaterra. Marmaduke era de família saxônia estabelecida no condado de York desde antes da conquista normanda. Os católicos de York eram perseguidos e oprimidos pelo governo de Lord Huntingdon. juntamente com algumas companheiras. prima de Úrsula Wright de Ploughland. Maria Ward obteve a aprovação do Bispo James Blaise de Saint-Omer em 1612 e. Desejosa de abraçar a vida reli­ giosa. Maria Ward recusou um noivado acarinhado pelos pais. inteligente e en­ cantadora. Em 1606. ambos pertencentes a famílias tradicio­ nais e ricas. logo adotou a Regra da Companhia de Jesus pois.Maria Ward nasceu em Mullvith. Maria Ward durante cinco anos foi educada pela avó Úrsula Wright. Maria Ward cresceu impregnada do espírito de penitência e de oração no meio dos protestantes malévolos. Maria não se tocou com isso e abriu casas na Germânia e na Itália. Bárbara associou-se à irmã Maria. todos foram religiosos: Jorge foi jesuíta. Retornou ao lar em 1595.

a inteligente. Pio XII chamou Mary Ward de “mulher incomparável”. antiga e fiel colabora­ dora de Maria Ward. no Primeiro Congresso Internacional do Apostolado Leigo. Ela suportou humilde e confiantemente essa pro­ vação. 122 . o amor à virgindade e criou uma ordem de virgens consagradas à educação da juventude feminina e nisso ela foi original e pioneira. A supressão definitiva da congregação ocorreu aos 13 de janeiro de 1631. Voltou à Inglaterra em 1639.feita por Maria Ward a fim de assegurar a confiança das suas Irmãs foi tida por rebelião e ela foi encarcerada por pouco tempo no convento de Anger. tendo 2M. o modelo da sua Regra. e só lidaram com a educação por acréscimo aos seus objetivos fundamentais no âmbito da clausura monástica. o Instituto de Maria trabalha para a maior glória de Deus e a salvação das almas em todos os continentes. Fundadora del Instituto de la Bienaventurada Virgen Maria. obteve permissão para que algumas Irmãs continuassem com o seu apostolado. Recebeu a aprovação pontifícia em 1877. Vida de Maria Ward. a união. ou Ordem das LJrsulinas.3 Como tivemos oportunidade de estudar brevemente em nosso livro His­ tória da Educação no Renascimento. e nesse ínterim outras congregações femininas seguiram os passos de Maria Ward. Do século XVI em diante. P. o Instituto de Maria emer­ giu glorioso da terrível crise. Maria. e colocou-a ao lado de São Vicente de Paulo como pioneira do apostolado dos leigos. Como verdadeira obra de inspiração divina. Hoje. as Ursulinas difundiram-se pela Europa atra­ vés da fundação de ordens religiosas femininas que passaram a adotar a Regra de Santa Ângela Merici. tendo ficado restrito à Itália e à Brescia o projeto inicial de Santa Ângela Merici. embora vivessem em comunidade sob votos privados. o instituto das Ursulinas estabeleceu-se na França. em 25 de novembro de 1535. Mary Ward. permaneceu em Londres até a Guerra Civil e transferiu-se para Hewarth Hall. Essa humilde e santa mulher italiana pregou a paz. foi fundada por Santa Ângela Merici em Brescia. ano do massacre de São Bartolomeu. in New Catholic Encyclopedia. postas sob a dependência de uma ordem religiosa masculina. onde morreu em 1645 ou 1646. Desde 1572. fundou em York uma casa de Damas Inglesas. entretanto. já que outras ordens religiosas femininas mais antigas foram instituídas por homens. Em 1686. Trauth. na Itália. a Companhia de Santa Úrsula. em Munique. com o auxílio do piedoso católico Sir Tomás de Gascoigne. o primeiro convento de religiosas fundado na Inglaterra após a Reforma protes­ tante. Foi sepultada em Osbalduick Churchyard. Anônimo. perto de York. Francisca Bedingfield. durante as Guerras de Religião. e libertada após um apelo pessoal do papa. Em 1951.

Madre Francisca de Bermond preocupou- se com a educação das jovens nobres e burguesas e inaugurou os inter­ natos para moças em Paris e em Lião. assim como pelo cuidado dos pobres. fundadora da Com­ panhia de Santa Ürsula e irmã de Francisca Xainctonges. No começo do século XVIII. Na Memória que ela redigiu sobre o seu novo instituto. 123 . pág. terciária franciscana. foram três Franciscas que difundiram a Ordem das Ursulinas na França e isso como que foi confirmação providencial da missão de Santa Ân­ gela Merici. ao lhe sugerirem que o novo instituto deveria referir-se até pelo nome a uma ordem educadora já aprovada pela Igreja. M. havia 350 mosteiros na França com umas 9. já que primeiramente ela concebeu uma sociedade educadora feminina semelhante à Companhia de Jesus e que se denominaria Com­ panhia de Maria. Daí ter prevalecido no projeto de Ana de Xainctonges o título de Companhia de Santa Úrsula. arce­ bispo de Besançon. o seu primeiro ato foi escrever em nome de suas contreiras ao Papa Clemente V ilI a solicitar licença para ensinar pu­ blicamente a doutrina cristã. etc. diz Ana de Xainctonges que ela e as suas compa­ nheiras aplicar-se-iam por toda a vida “a ensinar às jovens. M. e que apresentou a Mgr. da Congregação de Dijon. Histoire de l’Ordre des Ursulines en France. da Congregação de Bordéus. Francisca de Bermond (1572-1628). aos 24 anos. embora Nossa Senhora continuasse a ser a sua padroeira principal. A bula de Paulo V lnter universa.000 Ursulinas. As Ursulinas da Itália só mantinham externatos e trabalhavam na instrução de meninas pobres.3 Como se pode verificar. Durante a Revo­ lução Francesa.sido introduzido primeiramente no Condado Veneziano. A pessoa de Anne de Xainctonges (1567-1621). doentes e prisioneiros. Françoise de Ca- zères ( f 1649). “a segunda Ângela da Ordem”. Ferdinand de Rye. As superioras Ursulinas de congregações que se transformaram em co­ munidades monásticas com votos solenes foram as Madres Françoise de Bermond (1572-1628). I. 35 Filhas de Santa Ângela Merici foram martirizadas. merece realce especial. Eleita superiora do convento de Ilha em 1596. de Chantel Gueudré. de 13 de junho de 1612. às de Tolosa. os princípios da religião e o modo de viver segundo tais prin- 3A congregação docente de Dijon fundada por Francisca de Xainctonges ali- cerçou-se na sua atração inicial pela oração solitária atrás das grades de um claustro. Dissuadiram-na disso os Jesuítas. da Congregação de Paris. também. Jean Doroz. monjas de clausura e votos solenes. e Françoise de Xaincton- ges (1578-1639). às mulheres pobres. fundou as pri­ meiras Ursulinas francesas. que logo foi atribuída. Bordéus. bispo de Lausanne e auxiliar de Mgr. 217 e seguintes. promoveu a comunidade de Paris à categoria de ordem religiosa. vol.

mas logo sentiram a necessidade de ultrapassar o grau mínimo de cultura concedido à mulher do século XVII. pâg. A fim de atrair as alunas e para o ensino ser mais eficaz. no início da idade moderna as meninas pareciam abandonadas ao sabor da tenra idade. que segundo o programa traçado por Paulo V na bula às Ursulinas de Tolosa. “nós lhes ensinaremos a 1er. Joana era sobrinha do filósofo. Ensinar- lhes-emos a grande ciência de se santificarem e de se salvarem. de Fleury (1686). Anne de Xainctonge. op. “as monjas são obrigadas a dar instrução gratuita às meninas”. 124 . encore n’est-elle conçue qu’en fonction d’une époque ré­ volue.. sob a orientação e a iniciativa de São Pedro Fourier. “como se só a mãe pobre e ignorante bastasse para o grande dever de preparar cristãs para a vida do mundo e para a vida de Deus” . Fondatrice de la Compagnie de Sainte Ursule. a escrever e em geral todas as coisas que as moças devem saber para serem úteis em sua família. pâg. de 9 de abril de 1615. embora a Igreja sempre tenha dado grande importância à escola. com o auxílio de algumas moças piedosas da paróquia de Mattaincourt. uma con­ gregação para a educação das moças. casou-se com Gaston de Mont­ ferrand em 1573. 5M. O. deu início à Congregação de Nossa Senhora das Cône- 4Gaetan Bernoville. que. I.4 Como nota a Madfe Maria de Chantal Gueudré. e nas suas bibliotecas figuravam com destaque o Traité des Études. pâg. donde saiu 10 meses depois por motivo de saúde. ibid. pro­ tegida pelo cardeal de Sourdis. II. e o Traité de l’Éducation des Filles. 6“La culture profane n’est qu’un adjuvant aux connaissances spirituelles persévé- ramment inculquées. ainda. de Fé­ nelon (1687). ensinando-lhes junta­ mente com a piedade e a virtude o que é digno de uma virgem cristã. autor dos Ensaios. Foi então que Alix Le Clerc. ingres­ sou no mosteiro cisterciense dos Feuillants em Tolosa... Fundou.” Id. Santa Joana de Lestonnac (1556-1640) fundou em Bordéus a congregação das Filles de Notre Dame ou Companhia de Maria. enviuvou em 1697. vol.S. Michel de Montaigne. aprovada por Paulo V em 1607. 230.5 Observe-se. enquanto se desincumbem dos mínimos deveres de seu estado”. Em 1608.6 No século XVII. Les programmes vont s’élargir sans interruption. M.U. 134. diz Lacordaire O.cípios”. 1567-1621. de diversos modos. cit. sempre levando em conta com prudência a mentalidade corrente. com quem teve sete filhos. as Ursulinas procuraram aplicar à educação feminina as iniciativas dos jesuítas e dos oratorianos. vol. as Ursulinas passaram a ensinar a leitura de autores latinos. pros­ segue.. escrever e trabalhar com a agulha.P. de Chantal Gueudré. 163. então. tal como 1er. em 1603. No Panegírico de São Pedro Fourier.

pâg.7*Nas Constituições da Con­ gregação de Nossa Senhora ficou estabelecido que o fim principal e a primeira intenção das religiosas é o de se consagrarem ao santo serviço de N. . Na segunda bula de Urbano VIII para a Congrégation de Notre-Dame. utiliter et gratuito occupentur. ensinando-lhes a ler. Panégyrique du B. tum vero in opificiis foemineis. o Papa apre­ sentou os privilégios da nova congregação e concedeu às cônegas o quarto voto solene de instrução das jovens internas ou pensionistas. educando pobres e ricas na religião cristã. na França. et puellas omnes. 18-19. São Pedro Fourier tudo confirma no Prefácio das Constituições que ele compôs como verdadeiro código de educação: a intenção das cônegas é instruir gratuitamente as meninas por amor de Deus. caeterarumque virtutum studiis. . in suas scholas indifferenter admittentes. com mais de 4. aliterque laborandi. 19. 125 . em 1640. Enfim. . Henri-Dominique Lacordaire. além disso. sibi de caetero perpetuisque futuris tempori- bus Canonissae Regulares sancti Augustini nuncupari et denominari possint. 9“ .000 religiosas. tam nobiles et divites quam pauperes et inopes. na perfeição da vida. de 8 de agosto de 1628. . e ao estalar a Revolução Francesa havia 84 estabelecimentos. a escrever e a trabalhar em diversas espécies de obras honestas”6. in Vuillemin. Urbano VIII. Quando São Pedro Fourier faleceu. illas ferventer et industrie instruant. La Règle de Saint Agustin à l’Usage des Réligieuses de son Ordre. . sem subordiná- la a nenhuma congregação agostiniana particular. confirmou o novo instituto sob o título de Cônegas Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Nossa Senhora e agregou-o à Ordem Canônica de Santo Agostinho em geral — isto é. (1 7 4 7 ). a Congregação de Nossa Senhora das Cônegas de Santo Agostinho contava com 50 casas na Lorena. Constitutions. o Papa frisa que as religiosas deverão admitir e educar nas suas escolas todas as me­ ninas. decenti et culta civiliter. e com o auxílio de Nossa Senhora “instruir as meninas na piedade. . A Congregação das Irmãs de São José foi fundada na cidade de Puy em 15 de outubro de 1648 sob a orientação do Bispo Henry de Maupas 7Lacordaire. nihilque solertiae omittant. lana. Jesus Cristo.gas de Santo Agostinho. dites de la Congrégation de Notre Dame. a escrever e a trabalhar em todas as espécies de habilidades manuais. na Germânia e em quase toda a cristandade. pietatis. in- genuisque exercitiis. nos bons costumes.9 Nos mesmos termos. filo serico. probiter. curam et educationem circa omnimodam sexus foeminei institutionem di­ ligenter. sejam nobres e ricas. in R. puri- tatis. sejam pobres e plebéias. La Vie de Saint Pierre Fourier. ensinando-lhes a ler. [sem exigir salário]. tum quidem in doctrina christiana. . pie. ” Bulle d’Urbain VIII pour la Congrégation de Notre Dame. Fourier. . P. na França e na Alemanha. acu. que se espalhou na Lorena. S. 51. communiterque vivendi elegantia. bonis moribus. pâg. aFourier. N otices et Panégyriques. tum ut puellarum teneras mentes in baptismali innocentia et gratia et puritate foveant ac conservent. pâg.

S. S. O arcebispo-primaz de Viena das Gálias. ainda. dedicado às pessoas desejosas de santidade. sobre o Pe­ queno Projeto.. pâg. S. que viveriam de suas rendas. o atendimento dos pobres e serviço no grande hospital da cidade. Tendo começado na diocese de Puy. Grenoble. pâg.°) a das moças. Chroniques de la Congrégation des Soeurs de Saint-Joseph de Chambéry.J. com menos recursos para viver que as da segunda classe e que. realizar o ideal que São Francisco de Sales acalentara para a Ordem da Visitação. um livro que inspirou a espiritualidade das Irmãs de São José. Vê-se que Médaile pensou e projetou" a congregação religiosa como se se tratasse . Mgr.°) a das ' iúvas e jovens de baixa condição. a saber. T.. haviam de suprir a sua falta por meio do trabalho assíduo. A carta do Padre Médaille.. que. A Congregação das Irmãs de São José foi apro­ vada oficialmente pela Igreja em 1651.0Veja-se o Petit Dessein in Bouchage. Bois. o cuidado dos doentes incuráveis.” Chanoine A. O Padre Médaille. où la société était si tradi­ tionnellement hiérarchisée que les différences de caste subsistaiente jusque dans les cloîtres les plus austères. a educação de surdas-mudas. A congregação vinha. tal como a instrução de meninas. 14-18.J. demoiselles de travail. demoiselles de Service. haviam ainda de trabalhar mais e de gastar menos. Les Soeurs de Saint-Joseph. Filles du Petit Dessein. A Congregação foi fun­ dada por Françoise Eyraud. (1610- 1669). " “Ne jugeons pas trop vite. aprovou a Regra em 1648. as Irmãs de São José dedicam-se a várias formas de apostolado caritativo.°) a das moças serviçais.J. S. Henry de Villars. mas ela só foi impressa em 1694. por isso mesmo. Sisteron. inclusive à educação das meninas.J. que. não sabia ler nem escrever e faleceu cerca de 1683. Essa Regra foi elaborada segundo o espírito de São Francisco de Sales e de Santo Inácio de Loiola. originária de Saint-Privat-d’Allier. ardente missionário da mesma cepa que São João Francisco Régis. a Congregação das Irmãs de São José. O verdadeiro autor da Regra da nova congregação foi o Padre Médaille. ao iniciar a sua obra. Ainda hoje. Uzès. 146. Maximes de Perfection (1672). 2. Viviers.J. a assistência de pobres a domicílio. mais reportons-nous aux moeurs d’un siècle où les privilèges de la naissance gardaient toute leur force. devotadas inteiramente ao serviço da cari­ dade. apresenta o aniquilamento de Jesus na Eucaristia como o modelo da vida religio­ sa.du Tour (1606-1680) e do Padre Jean-Pierre Médaille. de fato.. S. não pos­ suindo dinheiro para viver. On ne se dégage pas si vite des idées de son temps. Enbrun. ela passou às dioceses circunvi­ zinhas de Clermont. concebeu inicialmente a congregação composta de três classes de religiosas: l. e em Lião consagrou-se a várias obras de benefipência. I. 126 . a cinco léguas de Puy. 3. evangelizador de campos e aldeias.10 Médaille compôs. A nova instituição dedicou-se a obras caritativas de várias espécies.

as Irmãs de São José tornaram-se educadoras das filhas dos plutocratas. os padres eram raros. por força das circunstâncias e das condições sociais. As Irmãs chegaram a Itu. As religiosas da Visitação surgiram em 1610 em Annecy. província de São Paulo. por um lado. No Brasil. As Drimeiras Irmãs de São José foram Françoise Eyraud. a Visitação virou Ordem religiosa contemplativa de clau­ sura e votos solenes pelo Breve pontifício de 1618. Eram Maria Justina Pepin. sob a direção da Irmã Marie-Basile Genou. Após o Concílio Vaticano II. Como diz o Cônego Bois. pág. Anna Vey e Ana Brun. as Irmãs de São José espalharam-se por outras cidades no exercício do apostolado em escolas e em hospitais.. e essa missão podia ser perfeitamente adaptada ao ideal de retomo às origens por meio do ensino. Se. Embora a educação não fosse objetivo da Ordem. as Irmãs de São José desativaram o tradicional Colégio do Patrocínio de Itu. assim como o rompimento de gloriosa tra­ dição de serviços à Igreja e à Pátria prestados pelas Irmãs de São José em Itu. Claude Chas- tel. Marta da Cruz Goddet. que redigiu as primeiras Constituições. Em 1861 tomou o hábito religio­ so a primeira Irmã brasileira. a 4 de outubro de 1858. Ao contrário do que pretendera o santo bispo de Genebra. às vezes ignorantes e pouco cumpridores dos seus deveres. ibid. pela Irmã Maria-Teodora Voiron. A desativação completa do Colégio do Patrocínio parece-nos uma omissão lamentável. bem diferente de outro famoso fundador de congregações da época. São Vicente de Paulo. e o cristianismo de fachada aliava-se a superstições e à libertinagem”' 2. A partir de Itu. A pedido do primeiro bispo paulista de São Paulo. os seus mosteiros abrigaram escolas e pequenos pensionatos devido. revelando-se típico homem do século XVII. Irmã São Paulo Angelier e Maria Cunegundes Gros. que faleceu em viagem na altura de Cabo Frio e foi substituída no cargo. o zeloso D. em 1859. elas renunciaram a labutar numa linha já distante do Petit dessein.de uma empresa burguesa. que fundaram o colégio Nossa Senhora do Patrocínio. A congregação foi introduzida no Brasil em 1858. por iniciativa de Santa Joana de Chantal e de São Francisco de Sales. Maria Elias Mièvre. a Superiora Mère Marie-Félicité Veyrot enviou sete religiosas. Marguerite Burdier. de um lado. Maria Angelina Achard. à insistência das famílias dos2 l2Id. Anna Chaleyer. 288. por outro lado sempre estavam a evangelizar as moças através da escola e a lançar a boa semente de futuras fa­ mílias cristãs. Antônio Joaquim de Melo. 127 . pois quase não havia na época camada intermediária entre os brancos livres. ricos e remediados.. às voltas com a educação e a tutela de jovens aristocratas ou ricas de várias regiões do país. “havia no Brasil muitas misérias físicas e morais a que acudir. a 18 de junho de 1858. e a turba multa dos escravos negros.

e Veremundo Pardo. C. enfermos e crianças expostas nas instituições caritativas paroquiais e nos hospitais. ao cuidado das crianças expostas. à necessidade de as visitandinas obterem desse modo algum dinheiro para o seu sustento. “o mosteiro das Filhas da Caridade é a casa dos doentes. “As Ursulinas”. Ainda mais qúe as próprias religiosas. mas conti­ nuavam a ser chamadas pelo nome de batismo. “assistem ao próximo instruindo e recebendo alunas. a sua clausura é a obediência. mas não só aos meninos que vão à escola mas em geral a todos os pobres aos quais prestarem assistência” 13. aos hospitais. foram indicados São Vicente de Paulo e os seus sucessores no generalato da Congregação da Missão como sendo os superiores das Filhas da Caridade que. Em 1642. o seu claustro são as ruas da cidade. São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac fundaram a congre­ gação das Filhas da Caridade. além de se incumbir de outras obras assistenciais. que desempenhavam o papel de escola normal. Segundo São Vicente de Paulo. O traço típico dessa nova congregação é que os seus membros não eram religiosas de estilo tradicional mas mo­ ças de família e viúvas associadas em vida comum a serviço do bem. têm por missão instruir os pobres em qualquer parte em que se lhes oferecer ocasião.. M. As Filhas da Caridade consagravam-se à assistên­ cia aos pobres. também. Em todas as fundações campesinas uma das Irmãs encarregava-se das escolas. dizia-lhes São Vicente de Paulo. governo. M. a 29 de setembro de 1633. Elas não trocavam de nome. as Cônegas de Santo Agostinho. de outro. das crianças dos campos e das aldeias. desse modo. as Filhas da Caridade devem buscar a perfeição da vida espiritual. como nas Ordens religiosas. as Visitandinas. Vocês. aos asilos de pobres e de velhos. as Filhas da Caridade fizeram os primeiros votos simples. Com efeito. as Filhas da Caridade foram a única congregação feminina dedicada intencionalmente à educação dos pobres. Acontece que as Filhas da Caridade também se dedicaram à educação das crianças pobres. ficaram isentas da jurisdição dos bispos quanto à sua direção. destino. 128 .arredores e. por iniciativa de Santa Luísa de Marillac. já que no mundo vivem almas santas” . dizia São Vicente de Paulo. San Vicente de Paul. C. de 13José Herrera. pág. etc. a sua capela é a igreja paroquial. pois as Ursulinas. as suas grades são o temor de Deus e o seu véu é a santa modéstia”. Bio­ grafia y Selección de Escritos. assim como às escolas das aldeias e dos subúrbios e aos orfanatos. 272. “não é monopólio dos mostei­ ros e conventos. Essa Irmã-mestra era preparada em Paris por Santa Luísa de Marillac em classes de aplicação didática anexas à Casa-Mãe. embora estas comumente sejam filhas de famílias distintas. para o serviço dos pobres. Outro aspecto particular da nova congregação é que. pois “a santidade”.

viúva e grande mística que viveu 33 anos no Canadá. alegrava-se com o pensamento de “plantar a Cruz com as flores-de-lis diante dos ingle­ ses“. Maria da Encarnação des­ creveu numa carta a habitação das Ursulinas. Julia. Essa conquistadora de almas jamais deixou de ser ardente patriota e. mantinham escolas nas cidades e educavam as filhas de famílias abastadas e importantes. 129 .regra. que mantinham classes espe­ ciais para a formação de professoras de escolas populares disseminadas principalmente nos campos. segundo o modelo das Filhas da Caridade. Madame de la Peltrie que fizera o voto de consagrar os seus bens e até a própria pessoa à edu­ cação das índias do Canadá. que construíram um convento sob o patrocínio da Virgem Maria e de São José. as primeiras Ursulinas. Roger Chartier e Dominique Julia citam. No dia l. a fim de coadjuvarem os missionários je­ suítas nas fainas da evangelização dos índios e da assistência espiritual aos colonos. é preciso assinalar que as Ursulinas tiveram a glória de ser a Ordem feminina educadora pioneira das missões no Novo Mundo americano. poucos meses antes de morrer. sem fazer o inventário completo. As Ursulinas chegavam à terra selvagem. no Canadá.4R. M. Madre Maria da Encarnação deixou o seu convento de Tours para empreender inusitada epopéia missionária para monjas enclausuradas. parlatório. pág. no entanto. Logo após a chegada a Quebec. Em conseqüência desse zelo religioso.14 Todas as Congregações femininas do século XVII inscreveram a educa­ ção das meninas e moças entre os seus objetivos. que se compunha apenas de dois quartos: um a servir de coro. em companhia da jovem viúva de Alençon. até a morte. Compère e D. já que essa tarefa entrava no rol das obras de misericórdia espiritual e servia de potente e eficaz instrumento de evangelização. cela e refeitório. beneficiou-se a socie­ dade com a instrução da juventude feminina e a elevação da cultura popular. sem votos simples. Chartier. 237. e o .° de agosto de 1639 aportaram a Quebec. quinze dessas associações pias funda­ das entre 1625 e 1720 em várias cidades e das quais muitas se aplicavam à instrução das meninas e ao serviço dos hospitais. Essa expedição missionária foi composta de três madres e encabeçada pela Bem-aventurada Maria da Encarnação (1599-1672). que durante o século XVII fundaram-se várias congregações femininas com o caráter de institutos seculares. de difusão e proteção da santa fé católica. L ’Éducation en France du X V I’ au X V IIIa Siècle. conquistada para a França em 1635 por Jacques Cartier e que o nobre e cristão Samuel de Cham- plain começara a colonizar.M. Por último. Cumpre ressaltar.

aritmética. arithmetic) e uma introdução à vida cristã. S. prosseguindo com as escolas para a formação de jovens francesas ou canadenses. o Brasil possuiu dois mosteiros de Ursulinas. De fato. pág. XI.6Essa carta é importante para se conhecer o tipo de instrução ministrado pelas Ursulinas às alunas francesas e índias nos primeiros tempos. . dois Recolhimentos para as moças que. quando.'5 Em carta ao seu filho beneditino D. Esse trabalho educativo era muito árduo. Ele fundou em Salvador. Malagrida lhes deu a Regra de Santo Agostinho e as Constituições das Ursulinas.5Mother Denis Mahoney. de sala de aula para meninas francesas e índias. Os conventos de Nossa Senhora das Mercês e de Nossa Se­ nhora da Soledade perduraram até o fim do século passado. Mystic and Missio­ nary. ela achava que as meninas deviam ser instruídas “em leitura. 179. writing.. e as Ursulinas abandonaram-no após a morte de Madre Maria da Encarnação. Maria da Encarnação fala do seu aprendizado das “línguas bárbaras e difíceis” e descreve as atividades educacionais das Ursulinas. La Vénérable Marie de l’Incarnation. um volu­ moso livro de história sagrada e coisas santas.J. . na Bahia. as meninas aprendiam os rudimentos dos três R (reading. pág. e foi escrita para informar sobre os serviços que as madres prestavam no Canadá e para respon­ der aos boatos disseminados na França de que elas eram inúteis nessa colônia. escrita. a 9 de agosto de 1668. além das precárias con­ dições educacionais do Canadá colonial. um orfanato. Muitas meninas conseguiam aprender a ler e a escrever bem o francês e algumas casavam-se com franceses. datada de Quebec.outro. as Ursulinas abriram escola com externato e internato e. devido à lei que proibia à Ordem receber noviças. O. devendo levar-se em conta que. assim como um grande dicionário algonquino em alfabeto francês e um outro em alfabeto “selvagem”. depois. costumes cristãos e em tudo o que a mulher precisa saber”. Marie de l’Incarnation. pág. Claude Martin. as indiazinhas ficavam pouco tempo na escola. 130 . chap. Religieuse Ursuline. tendo chegado a escrever um dicionário em algonquim. Correspondance. depois de haver referido a composição das suas obras em algonquim e em iroquês. Maria da Encarnação teve de aprender as línguas indí­ genas. resolvessem consagrar-se a Deus na vida religiosa. 198 e seguintes. U. após as missões. Com o beneplácito de Roma. A fim de instruir as meninas índias. graças ao empenho do Padre Malagrida. Nas manhãs de inverno. Lettre CCXXXV. No fim da vida. S. Marie of Incarnation. com um dicionário e um catecismo em iroquês. Ela precisou adaptar os seus conhecimentos educacionais à nova situação de lidar com as buliçosas meninas índias e com as precoces donzelas da Nova França. 800-804. observa Sister Mahoney. à falta de religiosas. À roda de 1644. orações.'6 No século XVIII. ensinava essa« línguas às Irmãs mais novas..

D. Em 1912. por soli­ citação do seu primeiro bispo. o Colégio de Nossa Senhora da Piedade em Ilhéus.apelaram para a França. devido à perseguição religiosa desencadeada na França pela maçonaria contra as ordens religiosas. Manuel Antônio de Paiva. na Bahia. 131 1 . o primeiro bispo de Ribeirão Preto. D. em 1916. donde vieram Irmãs das Casas de Aire-sur- 1’Adour e Bordéus e até uma comunidade inteira de 24 religiosas de Pont-de-Beauvoisin. Desse modo. as Ursulinas francesas vieram educar as jovens brasileiras desde o fim do século XIX. Alberto José Gonçalves pediu e conseguiu madres Ursulinas que fundaram o Colégio de Santa Úrsula e.

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desregradas ou viciosas. Primeiramente. Trata-se de F énelon . cumpre que o educador não queira antecipar-se à natureza e não apresse a instrução. sobre ser muito prejudicial à criança o elogio excessivo e intempestivo às suas parlapatices. Em segundo lugar. para a criança. As suas idéias gerais sobre educação. ás crianças devem ser acostuma­ das a não falar excessivamente daquilo que não entendem. o educa­ dor pode dispô-las por meio de palavras e gestos a se inclinarem pela convivência de pessoas honestas e virtuosas e a evitarem a das pessoas coléricas. No início do capítulo III. e de G racián. F énelon (1651-1715) tornou-se paradigma do educador esclarecido. prudente e sagaz. pois defende o tipo da educação plausível por meio de métodos atraentes. De l’Êducation des Filies (1688). o que lhe possa inflamar as paixões e a conduza docemente a privar-se de coisas muito cobiçadas. ao considerar os primeiros fundamentos da educação. a fim de que se habitue a não querer sempre obter tudo quanto deseja. Do mesmo modo.Capítulo XI Os modelos pedagógicos do século XVII Vamos agora simplesmente assinalar três figuras de pedagogos que fo­ ram os paradigmas da educação teórica no século XVII e cujas obras se difundiram através da Europa e influenciaram outros educadores. coroou a sua teoria pedagógica com a re­ dação de primorosos livros educativos escritos com mão de mestre. de R ollin . Ademais. coração generoso. acham-se compendiadas no pequeno e magistral tratado sobre a educa­ ção das moças. antes mesmo que saibam falar bem. por diversas razões. assim como a evitar a precipitação nos juízos. ao mesmo tempo que procure evitar. Assim. Por fim. Fénelon chama a atenção para a preparação das crianças para a instrução. pela sua perspi­ cácia em desvendar as peculiaridades da idade infantil e da adolescência. a quem já nos referimos a propósito da educação feminina e da educação dos príncipes. pela orientação psicológica e prática do seu pensa­ mento educacional. erudição vasta e alta inspiração poética. aplicáveis a crianças e jovens dos dois sexos. Desde 133 . o modelador do ideal seiscentista do homem bem-educado. sobre inspirar-lhes sempre uma idéia agradável do bem e uma idéia horrível do mal. o pedagogo da Uni­ versidade de Paris.

pour vous mettre en état de bien faire ce que vous ferez un jour.. que la sagesse ne se montre à lui que par intervalle et avec un visage riant. prático e intui­ tivo. diz ele. Só se deve recorrer ao temor e aos castigos depois de se haverem esgotado todos os outros recursos. desse modo.” Id. ce sont des ouvertures que la nature vous offre pour faciliter l’instruction. baseadas na confiança e na persua­ são. refe­ rindo-se à sua utilidade e aos seus benefícios. O educador. ibid. c’est pour vous former le jugement. ibid. de tal modo que. Além de procurar tornar agradáveis as tarefas impostas às crianças. leurs direz-vous. cap. o educador deve precavê-las ante alguma mais difícil e espinhosa. as crianças aprenderão muitas coisas com exatidão. dos mercadores. 478. diz-lhes para não se irritarem com suas impertinências. etc. II. deve atentar para os seus próprios defeitos. '“Il ne faut jamais être importuné de leurs demandes.. pâg. devem ser leves e acompanhados de esclarecimentos. da sua curiosidade natural em benefício da sua instrução. T. “Laissez donc jouer un enfant. por sua vez. V. quando ne­ cessários. O educador. pâg. já que elas constituem “aberturas ou vias de acesso oferecidas pela natureza para facilitar a instrução” ' e. “Deixem a criança brincar”.” Fénelon. et ne prétendre jamais les assujettir par une autorité sèche et absolue. o educador deve preveni-la contra a presunção. para a formação do juízo e para aprenderem a raciocinar bem em todos os negócios da vida. “e combinem a instrução com o jogo”3. Por isso. Os castigos. Fénelon teve clara consciência da importân­ cia da educação por meio de métodos atraentes. il faut toujours leur montrer un but solide et agréable que les soutienne dans le travail. diz Fénelon. dos agricultores. 479. de um moinho. c’est pour vous accoutumer à bien raisonner sur toutes les affaires de la vie. 134 . por exemplo. os educadores devem cuidar para que os meninos se mirem nos bons exemplos e sejam advertidos contra a imitação de pessoas díscolas e viciosas. sempre a aproveitar. defeitos e más inclinações. D e l’Éducation des Filles..que a criança se revele mais razoável e compreensível. gardez-vous de le fatiguer par une exactitude indiscrète. nunca se deve aborrecer com as perguntas das crianças. 477.” Id. no entanto. a autoridade far-se-á sentir devidamente e a disciplina apresentar- se-á suave.. 3“I1 faut donc leur rendre raison de tout ce qu’on leur enseigne: c’est. convém explicar- lhes a razão de tudo quanto se lhes ensina e mostrar-lhes que os tra­ balhos e os esforços concorrem para a sua instrução. et mêlez l’instruction avec le jeu. pâg. como ao lhe ensinar os nomes e a serventia de coisas e pessoas. Desde a mais tenra infância. in Oeuvres de Fénelon. já que as crianças os percebem rápida e facilmente. dos comerciantes.3 Fénelon recomenda aos educadores paciência e mansidão com os me­ ninos.

no Livro VIII. As concepções bem-travejadas de Fénelon sobre educação dos meninos acham-se esparsas nas obras Télémaque. V.Fénelon achava rébarbative iniciar o aprendizado da leitura. os meninos devem aprender a escrever. diz Fénelon. Aliás. por exemplo. compostos para a edu­ cação dos príncipes. ils ont besoin de ces distractions pour délasser leur esprit.” Id. pois. “o que lhe tira todo o prazer”. se enquanto isso o coração se exercita e fortalece na virtude. souffrons que les enfants iinterrompent quelquefoi l’étude par de petites saillies de divertissement. oportunidade e arte.. Note-se a maneira agradável usada por Fénelon nesse poema de grande inspiração. . Espicaçados pela emulação.. O grande mal. fundada pelo Rei Idomeneu e melhorada com o auxílio dos conselhos de Mentor. ibid. fazendo da combinação das letras e da escrita um divertimento. Atente-se para os precio­ sos conselhos esparzidos através do poema. um clássico educacio­ nal e. . é colocar todo o prazer nos divertimentos e todo o aborrecimento no estudo. 135 . cachons-la sous l’apparence de la liberté et du plaisir. cumpre ressaltar a excelência de As Aventuras de Telêmaco como obra destinada à educação moral da juventude e à formação política dos príncipes. É preciso. bem-encadernados e cheios de ilustrações. em latim. . às vezes. com engenho. É preciso. permitindo às crianças interrompê-lo. servem para a educação dos jovens em geral. diz ele. Observe-se. “das rugas que aparecem no rosto. dar aos meninos livros bonitos e atraentes. prudência e habilidade pedagógica. pâg. logo que saibam 1er um pouco. Este deveria apreciar em Salente o modelo da cidade ideal e do governo sábio. curtas e sugestivas histórias. merecidamente. Por isso. Os dois primeiros livros. Nada é tão prejudicial quanto os prazeres em que não é possível moderar-se. . quando Mentor alude ao aspecto enve­ lhecido de Idomeneu: “Devemos consolar-nos facilmente”. o preceptor de Telêmaco. juntamente com as Fables e o Traité de l'Existence et des Attributs de Dieu. mudar de mé­ todo e tornar o estudo agradável. ““Tâchons donc de changer cet ordre. cap. este livrinho de Fénelon. com algumas brincadeiras. o desenho da utopia apresentada na cidade de Salente. e não insistir para que já se ponham a 1er com perfeição. Dialogues des Morts e na Cor­ respondance. o pequeno tratado De l'Education des Filies tornou-se. rendons l’étude agréable. Uma vida sóbria. é mais valioso que as ma- çudas obras publicadas mais tarde. Assim. o grande erro da educação. com belas. com suas observações finas e penetrantes e com suas verdades práticas. como diz Dupanloup na leitura preliminar das Lettres sur l’Edu­ cation des Filles.4 Como se colhe desses ligeiros apontamentos. 481. as crianças só querem saber de brincar e se entediam com os estudos. As delícias da vida indolente desgastam os reis ainda mais que os trabalhos da guerra. diz ele.

. 434.7 Rollin ensina que o fim último da educação é a formação do cristão. porém.6 Carlòs R ollin . a Histoire Ancienne e a Histoire Romaine. destituído do car­ go. Em 1683. conforme a Disser­ tation sur le Goût. Por isso. que le charme de la musique saisisse leurs âmes pour rendre leurs moeurs douces et pures. Rollin publicou o Tratado dos Estudos quando já contava mais de sessenta anos e essa foi a sua primeira obra escrita em francês. pâg. Faleceu a 14 de setembro de 1741. que ficou inacabada. e o fim próximo é cultivar homens de bom gosto. 240-241. a regrar 5Fénelon. 7Gabriel Compayré. conserva nos membros de um homem sábio a juventude viva que. acha que o autor vale mais que o Tratado dos Estudos. Protegido por um beneditino. “sábio cristão” mas. ibid. pois sempre fora humanista atochado de grego e latim. Só em alguns pontos. diretor do colégio de Beauvais. cursou a Univer­ sidade de Paris. Repare-se. simples. T. Les Aventures de Télémaque — Fils d’Ulysse (Éd.moderada. filho de um ferreiro. estudou letras. . dedicou vinte anos à composição das suas obras: Traité des Études. pâg. nas referências à educação das crianças e ao valor pedagógico da música. Histoire Critique des Doctrines de l'Éducation en France depuis le seizième siècle. Humbert/Gar- nier). o autor afasta-se dessa centúria e propõe algumas inovações. está sempre prestes a esvoaçar nas asas do Tem­ po”5. . 374. tendo sido. A instrução visa a cultivar o espírito pela ciência. . Compayré frisa que o nome completo dessa obra é De la Manière d’Enseigner et d’Êtudier les Belles- Lettres par Rapport à l’Esprit et au Coeur. Afastado do ensino. nasceu em Paris a 30 de janeiro de 1661. regrada e labo­ riosa. Id. isenta de inquietações e de paixões. por haver tomado partido contra a bula Unigenitus. dizendo que escrevia em francês como se fosse a sua língua natal. mas nota cora acerto que Rollin não foi pedagogo extraordinário nem o seu tratado de estudos é “o código definitivo da instrução”. Compayré tributa-lhe grandes elogios e considera-o “mo­ delo de cavalheiro”. pâg. em 1688 no Colège de France. já era professor de retórica no colégio du Plessis. D’Aguesseau cumprimentou-o. pronunciando-se sobre as suas obras. sem essas precauções. com 22 anos. diz ele. “manual pedagógico” e “breviário do professor” . depois. que no Traité des Études vem após o Discours Préli- liminaire. 136 . I. em 1712 foi. teve de largar o cargo após três meses. L. outrossim.. Nomeado outra vez reitor da Universidade de Paris em 1720. 6“C’est dans la fluer qu’il faut préparer les fruits: que le roi ne dédaigne donc pas de veiller et de faire veiller sur l’éducation qu’on donne aux enfants. e em 1694 tornou-se reitor da Universidade de Paris durante dois anos. de 1720 a 1728. embora se lhe possa chamar “carta pedagógica” do século XVII. devido às suas convicções jansenistas.

137 . já que nele o autor descreve a sua longa experiência de mestre e administrador 8Rollin. em que ele trata da adminis­ tração da escola. com um apên­ dice sobre Homero. A rigor. mas im­ porta ler os mais conceituados.o coração pelos costumes e a formar o cristão pela religião. embora solteiro. a abelha. Rollin condensou em sua obra a prática e a tradição pedagógicas da Universidade de Paris no século XVII. pâg. 5) história. do governo das classes e dos colégios. 9Id. diz Compayré. “É necessário”.. Rollin trata da educação infantil baseado em Quintiliano. com a leitura dos clássicos e exercícios de versão. o Tratado dos Estu­ dos compõe-se de oito livros que tratam: 1) da educação das crianças e das meninas. Além do Discurso Preliminar e da Dissertação sobre o Gosto. 3) retórica. 2) poesia. grego e latim ). fazendo-se da leitura pábulo do espírito e ruminando o texto até convertê-lo na sua própria substância. Deus e a moral. 8) do governo interno das classes e dos colégios. Traité des Études. até mesmo de crianças”9. '°Id. que requer quase só os olhos e. Rollin é do parecer que não é preciso ler muitos autores. de Nicole. assim como registra a sua satisfação ao descobrir alu­ nos a estudarem as obras de Descartes e Malebranche. Inspirado nos jansenistas. 7) da filosofia e das ciências. etc. Esse livro. 4) eloqüência. está ao alcance de todas as espécies de pessoas. discorreu sobre a educação feminina apoiado na obra de Fénelon. a parte reservada em seu tratado às ciências é paupérrima e limita-se às lições de coisas com a apresentação de considerações sobre a “física da natureza. 4) da retórica. durante as aulas. Directions pédagogiques recueillies par Félix Cadet et Eugène Darin. 170.. 88. 2) do estudo das línguas. certo tempo no estudo de nossa língua”8. 3) da poesia. diz ele.10 Todos os conhecedores da obra de Rollin concordam em que a parte mais original da sua obra é o Livro VIII. ibid. Ar- nauld e Pascal. 7) go­ verno interior das classes e dos colégios.. Confessa que pouco estudou filosofia. já que não usufruiu da educação em família nem lidou com escola elementar e. O ponto alto do currículo formulado pelo velho e competente professor de línguas antigas é o estudo do latim e da retórica. segundo a divisão dos títulos. forma típica do ensino seiscentista. a formiga. 5) dos três gêneros da eloqüência. De officiis e De legibus. os estu­ dos são descritos em sete títulos: 1) as línguas (francês. e alinhava algumas noções sobre a alma. 6) da história. por essa razão. “empregar todos os dias. ibid. Entretanto. é chamado acertadamente de “Memórias de Rollin”. pâg. 6) filosofia. ele descreve a bússola. 96.. Assim. Re­ comenda as obras de Cícero. pâg. enalteceu e programou o estudo do francês.

em que se distribuem os sons da língua expressos em caracteres simples ou com­ postos em cartões. O bureau tipographique foi apresentado por L. Uma não pode nada sem a outra”" . ibid. Como notou Paul Hazard em seu livro A Crise da Cons­ ciência Européia. " “ . realça a importância da docilidade “que consiste em Se deixar conduzir. 47 e 48.. o modelo humano espanhol sucedeu ao cortesão ita­ liano. à civilidade. 49-50. Assim. M. O jesuíta B a l t a sa r G r a ciá n teve o mérito de debuxar o ideal do ho­ mem educado e culto no século XVII. ' 3Rollin. mas nas escolas dos pobres e nas do campo é necessário co­ meçar pelo estudo do francês”' 3.. pelo ideal humano do honesto e com­ petente burguês. ensina. aos deveres do diretor. Ela é a virtude dos alunos. L'Éducation en France du X V I’ ou X VIIIe Siècle. em aceitar bem as advertências dos mestres e em colocá-las em prática. embora logo se lhe deva acrescentar a leitura do francês. dos pais e dos estu­ dantes. Rollin refere-se à educação da juventude. Charles Rollin foi o retratista do ensino clássico francês nos séculos XVII e XVIII.de même tout le fruit de l’instruction dépend de la parfaite correspon­ dance du maître et du disciple.” Id. l2Id. ao tratar dos deveres dos alunos. Todavia. e a criança arruma as letras para compor as pala­ vras tal como faz o tipógrafo”12. pág. quem quer que leia e medite as obras de Gracián. 131. “mesa comprida com prateleira e repartições. certifica-se do valor perene do perfil pedagógico de seu ideal do homem bem-formado. observemos — para ser postergado na apreciação social. R.. M. Compère e D. ibid. pág. pág. mais apropriado ao ensino ministrado pelos preceptores do que pela escola. 248. tal como a dos mestres é a de bem ensinar. isto é. Julia. à disciplina. Muitos dos seus ensinamentos são perenemente válidos. Chartier. apregoado na Inglaterra. dos mestres. 138 . cit. o uso do “escritório tipográfico”. ao cavalheiro francês. o comerciante. e comunica aos leitores tudo o que viu e praticou de bom na escola.. É vantajoso iniciar o aprendizado da leitura pelo latim. ao gentleman inglês — ao qual mais se equipara. Por fim. des­ de os primórdios do século XVIII. pág. Cada caixeta traz numa inscrição a indicação das letras nela contidas.da universidade. não teve êxito duradouro. O mé­ todo. .. Dumas no livro (de 1732) La Bibliothèque des Enfants ou les Premiers Éléments des Lettres Contenant lé Sistème du Bureau Tipographique como sendo de sua própria invenção. “a fim de que a compreensão ajude a criança a ler e a habitue a pensar. le bureau typographique. e do estudioso e incrédulo filósofo na França. lembremos a descrição feita por Rollin do método ativo para aprender o alfabeto. . o do homem virtuoso e sagaz que plasma a sua personalidade no respeito ao próximo e na subordi­ nação a Deus. op. no entanto.

é um breve discurso sobre o rei ideal representado na pessoa de don Fernando. ao que parece. capelão militar. “tratar con quien se pueda aprender”. ordenou-se sacerdote. por exemplo. Duque de Nocera (No- chera. Francesco Maria Carafa. e faleceu a 6 de dezembro de 1658. já no fim da vida. em castelhano). difundiram-se pela Europa e situam-no como gran­ de prosador conceptista da Espanha no século XVII. filho do médico Francisco Gracián e de Ângela Morales e. a firmeza. foi confessor do Vice-rei de Aragão. algo de valioso e apreciável — . Segundo Gracián. a 6 de janeiro de 1601 e recebeu o batismo no dia 8 dc janeiro. El Político. Sobre esses suportes devem assentar-se os vinte realces. devido ao costume espanhol. a temperança. em vinte capítulos ou primores — o primor é uma excelência. filosofia e teologia. do homem bem-educado. divide-se em vinte e cinco capítulos ou realces — dotes ou prendas que realçam a personalidade — e trata da forma­ ção do homem culto e discreto. As obras de Baltasar Gracián. vigor do entendimento cultivado. boa aptidão natural. 139 . a gravidade. foi pu­ nido com a perda do cargo de professor de Sagrada Escritura no colé­ gio de Saragoça e. na época. em Aragão. diz que o convívio com pessoas cultas é “escola de erudição” . de 1646. O Oráculo Manual y Arte de Prudência. Gracián freqüentou por muitos anos o círculo literário do mecenas e erudito Don Vincencio Juan de Lastanosa. a diligência. perto da cidade e na comarca de Calatayud. publicado em 1647. publicado em 1637. Devido a isso. O aforismo 11. sem as devidas licenças dos superiores e sob pseudônimo. de batizar a criança no próprio dia do nascimento. Publicou todas as suas obras literárias. El Discreto. de caráter eminentemente pedagógico. Gracián ingressou na Ordem dos Jesuítas a 30 de maio de 1619. o Católico. mas se incompatibilizou com superiores e confrades da Companhia de Jesus. úteis à vida social e cor­ tesã. a prudência. passou por muitos dissabores. dia em que pode ter nascido. solicitou licença ao Padre Geral Goswin Nickel para ingressar numa ordem mendicante mais severa. etc. lecionou em vários colégios. os verdadeiros eixos do ho­ mem discreto são o gênio. desempenhou cargos de confiança. político e filosófico. ou qualidades especiais. explicados por Gracián. El Heroe. do rei vitorioso. devido ao seu espírito de independência e ao seu temperamento bilioso e irascível. retrata o ideal do grande homem. contém trezentos aforismos que ensinam a viver bem. de 1640. levando-se em conta o seu nome de rei mago. e o engenho. El Comulgatorio. em Huesca. estu­ dou letras.Baltazar Gracián nasceu na aldeia de Belmonte. tal como o domínio da língua e de si mesmo. do cortesão ideal no século XVII. exceto um livro de meditações eucarísticas.

el curso de tu vida en un discurso. lo picante de la sátira con lo dulce de la épica. além de muitos outros escritores de nomeada. Os heróis dessa novela pedagógica são Crítilo. Logo surgiram versões dessas obras em italiano. Com muito esforço. o conto mourisco His­ toria de Dulcarnaim Abmaratsid el Himyari y Cuento dei Ídolo y dei Rey y de su Hija. . em 1684. parece que Gracián não o conheceu. e das Acta eruditorum em Leipzig. no curto prefácio A quien leyere. El Heroe (L ’Héros).4“Esta filosofia cortesana. o homem da natureza. como diz Gracián. em 1651 (Saragoça). Com efeito. em 1730. por ser a obra um conjunto de críticas ou de apreciações judicio­ sas das idades do homem. 140 . publicada em três partes. é uma exposição das teorias literárias conceptistas. o homem prudente. em 1645. no m alicio so . A obra assemelha-se ao livro de Abentofail. te presento hoy. através das resenhas publicadas nas eruditas revistas Journal des Savants em Paris. juventude. em 1725. e El Político (Le Politique Don Ferdinand le Catholique). Obras Completas. letor juicioso. em 1653 (Huesca) e em 1657 (M adri). ensina Gracián. . A Agudeza y Arte de Ingenio. Por fim. cujo texto árabe com a tradução latina foram publicados em 1671. o outono da idade viril e o inverno da velhice. e após muitas tribulações é que se chega. As obras de Baltasar Gracián divulgaram-se rapidamente na Europa. em 1648. Os capítulos do Criticón denominam-se crisis. foram admiradores das obras de Gracián. e do Oráculo Manual y Arte de Prudência. He procurador juntar lo seco de la filosofia con lo entretenido de la invención. infância. a obra máxima de Baltasar Gracián foi El Criticón. pág. e as semelhanças entre as duas obras seriam devidas a uma fonte comum. depois. como obra de “filosofia cortesã” ' 4. e Andrênio. A primeira tradução européia de El Criticón foi feita na Inglaterra por Paul Ricaut e publicada em Londres em 1681 sob o título The Critick. . inglês e alemão. em 1723. O próprio Gra­ cián apresenta o Criticón ao leitor. feitas do ponto de vista moral. à ilha da Imortalidade. “es la agudeza pasto dei alma”. só por meio da virtude.. publicada primeiro em 1642 e. . intermitentemente. O jesuíta Courbeville traduziu para o francês El Discreto (L ’Homme Universel). A agudeza é a arte de engendrar conceitos sutis e engenhosos e. sobretudo. devendo saber-se que a Companhia de Jesus desaconselhava o conceptismo a pregadores e escritores. 521. em 1723. com a tradução feita na França de El Heroe. o Oráculo Manual (Maximes). maturidade e velhice. A difusão das obras de Gracián fez-se na Europa. El Filósofo Autodidacto. Nessa obra originalíssima Gracián descreve alegoricamente as vicissitudes da vida humana em três partes: a primavera da infância junto com o verão da juventude. Voltaire. ” Baltasar Gracián. Schopenhauer e Nietzsche.

envidaram esforços para que os príncipes cuidassem da ereção e da manutenção das escolas. para que os cristãos pudessem escapar ao influxo das novas religiões de Lutero. Alguns príncipes interessaram-se pessoalmente pela fundação de esco­ las e pela promoção dos estudos. de regra. Os humanistas do Renascimento^ «xceto no caso notável de Vittorino de Feltre. o Cônego Blain. Zuínglio e Henrique VIII.Capítulo XII Os Irmãos das Escolas Cristãs Desde a fase final do Renascimento. ser tarefa urgentíssima a fundação de escolas. devido à necessidade de instruir as crianças na doutrina cristã em primeiro lugar. Calvino. pois. a fundação de escolas Diz o cônego Blain que nada é mais necessário nem mais importante que o 141 . por seu lado. com as escolas elemen­ tares e com a instrução das crianças pobres. isto é. voltava-se mais para a criação de escolas humanísticas. e para que fossem instruídas e assim apren­ dessem a ler. não deram atenção à escola popular. foi inteiramente destruída pelo ódio sectário e pelas guerras religiosas. para que as crianças pudessem ser instruídas nas verdades da fé católica. manifestou-se gran­ de preocupação com o ensino popular. fazia-se sentir a necessidade da fundação de escolas elementares. nas paróquias e nos mosteiros. uma vez que a rede escolar católica existente no século XV e no início do XVI. na segunda metade do século XVI. como o testifica o grande biógrafo de São João Batista de La Salle. procuraram restaurar escolas e renovar os estudos de acordo com tradição multissecular. fundamentais para a salvação.' Todavia. e os governantes confiavam o múnus escolar às autoridades religiosas. por sua vez. Os reformadores católicos. Os reformadores protestantes. a escrever e a contar. e perce­ beram. e para a condu­ ção da vida neste mundo. No século XVII. já que o movimento humanista foi de índole aristocrática. inclusive as elementares. mas esse interesse não era geral na Europa em todas as regiões. a fim de se lhes fortalecer a fé. e desde o choque religioso entre reformadores protestantes e reformadores católicos.

entregues ao trabalhos mais pesados e rudes. na sua qualidade de presbíteros. administração dos sacramentos. pág.. batizar. pois. a grande novidade institucional trazida à Igreja e à sociedade por São João Batista de La Salle foi a criação de um sodialício religioso de leigos-professores consagrados a Deus pelos três votos de pobreza. com­ postas de sacerdotes que. um que outro jovem bem disposto ao magistério. desde o século XVI. Discours sur l’Institution des Maîtres et des Maîtresses d ’Écoles Chrétiennes et Gratuites. enfim. serviam de mestres elementares. in La Vie de Monsieur Jean-Baptista de La Salle. assim como ao ensino. O pro­ blema. à leitura da Sagrada Escritura e dos Santos Padres. atendimento do povo. Jean-Bap- tiste Blain. Instituteur des Frères des Écoles Chrétiennes. estudos bíblicos. enquanto os monges-sacerdotes se dedicavam ao ofício sacer­ dotal. bem cedo. e depois estendendo as suas atividades ao ensino colegial e profissional. por meio da iniciativa de São João Batista de La Salle de fundar escolas normais para os Irmãos e para eventuais candidatos leigos. quanto ao ensino elementar. o grande problema escolar. longas horas de oração em comum. a fim de formar os mestres para o ensino nas escolas da cidade e nas escolas do campo. 7 ). inválidos e mutilados de guerra. moças e viúvas devotas. isto é. I (Cahiers Lalliens. castidade e obediência. e os leigos da Ordem vieram a ser apenas humildes serviçais dos mosteiros. As ordens e congregações religiosas masculinas do Ocidente sempre foram associações clericais. alguns padres ou pastores protestantes. É bem verdade que São Bento planejou uma ordem composta sobretudo de irmãos leigos mas aconteceu que. os beneditinos se cleri- calizaram por completo. já que não precisavam celebrar missa. Pois bem. Além disso. em certos locais. 142 . por não serem sacerdotes. etc. mas livres e desembaraçados dos encargos clericais. doutrina celeste. na maioria pessoas despreparadas para o ensino das crianças e que só se sujeitavam às agruras do ensino por motivo urgente de sobrevi­ vência. cumpre ressaltar um aspecto inédito do InstitutF' dós Irmãos das Escolas Cristãs. clérigos sem recursos. o primeiro grande feito educacional de São João Batista de La Salle foi a fundação de uma congregação religiosa de Irmãos dedica­ da inteiramente ao ensino elementar de início. Ora. Por isso. 4. nada mais importante et necessário que a fundação de escolas onde essa doutrina seja ensinada gratuitamente e por pura caridade. ciência da salvação e dos santos. era a não-existência de professores preparados para essa tarefa educacional. também. etc. vol. qs calígrafos profissionais. sendo bastante que houvesse algum príncipe ou qualquer outro benfeitor que lhes assegurassem a subsistência. comumente. deviam atender primordialmente às obrigações do ministério sacerdotal: cele­ bração da Santa Missa. embora levassem a fundo os conhecimento da doutrina cristã.era medida simples.“ confessar. Essa tarefa educativa ficou assegurada não só através da corporação docente como.

já que não se casavam. Aliás. sendo comumente pouco instruídos e estando ocupa­ dos o dia inteiro em ganhar a vida para si mesmos e para os seus filhos. a in­ cumbir-se dos primeiros mestres. 2 5 ).3 La Salle renunciou ao seu canohicato e distribuiu os seus bens 2Règles et Constitutions de l’Institut des Frères des Écoles Chrétiennes ( Cahiers Lasalliens. não lhes podem dar pessoalmente a instrução necessária e uma educa­ ção honesta e cristã. tendo os dias repartidos entre as atividades docentes e os exercícios espirituais. Foi com o objetivo de pro­ porcionar essa vantagem aos filhos dos artesãos e dos pobres que se fundaram as Escolas Cristãs”2. de distinta família. 16. e teve por diretor espiritual o Cônego Roland. Os Irmãos foram instituídos para a educação religiosa e a instrução dos pobres e dos trabalhadores. de um lado. educadoras. porque os arte­ sãos e os pobres. SÃo J oão Batista de La Salle (1651-1719) nasceu em Reims. que lhe despertou a vocação de educador cristão da juventude. os Irmãos das Escolas Cristãs podiam e podem ser ótimos professores. dando início à nova congrega­ ção. Todavia. pois. cursou o seminário de São Sul- pício.seus estudos de doutrina religiosa e vivessem em atmosfera de recolhi­ mento piedoso. La Salle foi atraído para o apostolado escolar de maneira verdadeiramente providencial. pois o casual encontro com o senhor Nyel. foi por conselho do reverendo Padre Barré. levou-o a interessar-se pela sua obra em Reims. escritores e educadores de mão cheia. fundador das Irmãs do Menino Jesus. a dirigi-los espiritualmente e. desembaraçados dos encargos clericais. estavam livres das obrigações familiares. pâg. Este Instituto é de grandíssima necessidade. Como dizem as Regras Comuns: “O Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs é uma Sociedade na qual se faz profissão de manter as Escolas gratuita­ mente. Graças à dedicação integral ao ensino. onde passou dois anos. por não serem sacerdotes. antes de ser sacerdote. Tornou-se cônego em 1666. que São João Batista de La Salle acolheu os primeiros mestres em sua própria casa em 1680. em Paris. da Ordem dos Mínimos. a estabelecer com eles a nova congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs. por fim. . 3"Ce fut sans doute après plusieurs ferventes prières de ce saint religieux qui firent enfin résoudre notre zélé chanoine de loger chez lui tous ces maîtres 143 . Resolvido a ser padre. por outro lado. É preciso pois que haja pessoas substitutas dos pais e das mães para instruírem a crianças suficientemente nos mistérios da Religião e nos princípios da vida cristã. fundador de escola em Rouen e em outros lugares. depois de ter estudado Artes Liberais e Filosofia em Reims. . e.

“la méthode qu’ils devaient emplover pour instruire les enfants qu’on devait leur confier”. ibid. foi sempre homem de grande espírito de oração e penitência. F. de La Salle. pág. as suas escolas estavam espa- d’êcole. 81. F. Além desse notável desprendimento. em 1684. S. a aritmética e os métodos didáticos. La Vie de M. a escrita. já que muitos pais de família vieram confiar a La Salle os filhos rebeldes para que lhes desse um jeito. caridoso. 144 . e enfrentan­ do a rivalidade dos mestres calígrafos e a sobranceria dos nobres que não viam com bons olhos a obra da instrução popular. Jean-Baptiste de La Salle (Cahiers Lasa- liens. 41-42. e na de Santo Hipólito em 1709. No dia de São João Batista de 1681. que lhes ensinava o cantochão. cronologicamente a primeira es­ cola desse tipo formalmente organizada na Europa. C. nele figuravam outras de cunho profissional e que preparavam os alunos para o co­ mércio. La Salle também aceitou trabalhar na recuperação de menores delinqüentes e. Salle (1721). comojPLfjejj- sionato de Saint-Yon para a instrução de meninos burgueses. 4 ).” Frère Bernard. Dava-se ênfase ao ensino da matemática e não havia preocupação com o latim. Conduite admirable de la Divine Pro­ vidence en la Personne du Vénérable Serviteur de Dieu Jean-Baptiste de La.C.. Ao morrer São João Batista de La Salle. 4Frère Bernard.. La Salle abriu o noviciado para a formação de novos Irmãos e fundou a primeira Es­ cola Normal ou Seminário de mestres. Esta é a mais antiga biografia de São João B. os Irmãos passaram a viver em comunidade na casa de São Batista de La Salle.. Logo mais. e possui­ dor de currículo variegado para a formação de comerciantes e profis­ sionais de artes liberais. seguiu-se a fundação de outras espécies de escolas. et auquel il avait une particulière dévotion. E. as finanças. Estabelecidas as escolas elementares em Reims e em Paris.” Id. pág. Finalmente. onde seguiam a maior parte dos exer­ cícios dos alunos livres. pág. F. compreensivo e dotado de imensa clarividência pedagógica. a vida militar e a arquitetura. 37-38. Maillefer.. descreve o início da primeira escola normal lassalista. Saint-Yon abrigou reformatório e escola agrícola em benefício de jovens marginais. 6 ) .. pág. desse modo.aos pobres. Além das disciplinas comuns. ( Cahiers Lasalliens.S..4 Depois. “Ce jour est remarquable. 85. na Conduite A d m ir a b le . estes foram alojados em pavilhão especial de Saint-Yon. A pedido dos párocos das aldeias que solicitavam professores para as suas es­ colas. São João Batista de La Salle. fundou em Reims o Séminaire des Maîtres d'Êcoles pour ta Campagne. Esses “seminários de mestres” ou escolas normais existiram em Reims em 1687-1688 e em Paris. car ce saint était son patron. na paróquia de São Dionísio em 1699. com 25 candidatos dirigidos por um Irmão. dout le nom lui fut imposé au saint baptême. Car c’était de lá que dépendait uniquement l’édifice de la société des Frères des Écoles chrétiennes et c’était par où il fallait commencer où en jeter le fondement..

onde chegaram em fevereiro de 1688 e passaram a dirigir uma escola na paróquia de São Sulpício. pelo amor à infância. não se deixavam levar por interesses particulares e com a regularidade da sua conduta reproduziam a imagem da vida dos primeiros cristãos”5. Passa­ ram. sobre serem tocados pela vocação do magistério e da evan­ gelização das crianças. quando da fundação em Paris. 7 ). ajudavam-se uns aos outros. “tinham um só coração e uma só alma. que só vivem do seu ofício e acham seu pão no bico da sua pena. Em todas as épocas e em todos os lugares. Jeain-Baptiste de La Salle (Cahiers Lasalliens. La Salle abriu a segunda escola gratuita na rua du Bac. já se consideravam arruinados por elas. Os calígrafos mercenários. retiraram das escolas 5F.. os professores primários aplicaram-se à tarefa do magistério. Maillefer. 6Id. 296-298. então. em 1790. acen­ deu a animosidade dos mestres calígrafos de Paris. fazendo esvaziar as salas das escolas gra­ tuitas.6 Ao se estabelecer uma terceira escola dos Irmãos na paróquia de São Sulpício. os mestres calígrafos subiram a serra. diz Blain. cõnT 3577T3 alunos. Esse êxito. o beneditino Maillefer. para a sua ruína pessoal. havia 920 Irmãos. As perseguições adensaram-se contra São João Batista de La Salle e os Irmãos. pág. pág. 55.E. renunciaram à posse do dinheiro e adotaram o gênero de vida de religiosos-professores. “Os Irmãos”. La Vie de M. 6 ) . seja movidos pelo gosto JcTénsinõl. por constituírem atentado aos seus privilégios. denominação que se lhe afigurava mais modesta e acorde à vida que tinham abraçado. tendo optado pela vida de imolação e sacrifício em busca do próprio aperfeiçoamento espiritual e da eterna salvação. Com a afluência crescente dos alunos. aterrorizados com os frutos e os progressos das escolas cristãs e gratuitas. 91. no entanto. despojando-as dos móveis e conseguindo do Escolástico da Ca­ tedral de Paris a supressão das mesmas. Os Irmãos das Esco- las Cristãs. pág. La Vie de M. no início de 1690. tinham tudo em comum. Blain. ibid. o santo fundador persuadiu os seus discípulos a abandonarem o nome de mestres-escolas e a assumirem o de Irmãos das Escolas Cristãs.lhadas em 27 cidades da França e.„123 éscõlãs e 520 classes.. viviam em paz. (Cahiers Lasalliens. seja tangidos pelo móvel do salário ou por qual- queFõútra retribuição que lhes servisse para viver. diz Maillefer. Como diz um dos primeiros biógrafos de São João Batista de La Salle. 145 . Os princípios fundamentais da vida religiosa e da atividade educacional dos Irmãos acham-se exarados nas Regras e nos escritos espirituais compostos por São João Batista de La Salle. às vias de fato. Jean-Baptiste de La Salle. que viam irados as suas próprias escolas ficarem desertas.

La Salle introduziu novo tipo de religiosos em sua congregação. ATTásj São João Batista de La Salle compôs. Como ensina Michel Sauvage F. o modo. M éditations pour le temps de la retraite à l’usa­ ge de toutes les personnes qui s’employent à l’éducation de la jeunesse. 100 págs. deu ên­ fase à leitura na língua materna. Santo Antônio — Pão dos Pobres. essa m aneira"déensinar que ele adotou resolutamente ainda estava longe de ser generalizada e encontrava adversários. os Frères Servants. instruí-los e amá-los. A Meditação n P 9 íF sobre o Bispo São Sulpício. para o progresso das escolas. o fundador mostrou-se aberto ao progresso. demonstra o valor da p ie- dade para preservar as pessoas dos perigos do mundo e para excitarTJ zèlo. a saber. 1953. tudo o que pudesse ter serventia para professores e alunos. em Paris. isto é. et par­ ticulièrement pour la retraite que font les Frères des Écoles chrétiennes pendant les vacances. Primeiramente. “Saint Jean-Baptiste de La Salle. em 1692. edificá-los. uma série especial de meditações para uso dos mestres. readquiriram o seu esplendor a produzirem abun­ dantes frutos. a propósito da parábola do Bom Pastor. de proceder quanto aos Superiores. Tip. aos Irmãos e aos alunos. foi autêntico guia espiritual.7 No noviciado inicktdo na paróquia de Vaugirard. quando a praxe pedagógica da época ainda era iniciá-la em livro latino.° 9T7~de 30 de dezembro. os Irmãos e o público7~A Meditação n. Meditações de São João Batista de La Salle para Mestres e Educadores Cristãos — M editações para todas as Pessoas Votadas à Educação da Juventude. enfim. insiste no mesmo Tema. Em dE versos pontos o êxito do fundador e de seus Irmãos contnbuiu para 7Id. trata da maneira como os mestres devem conduzir-se com os seus alunos. as escolas saíram indenes de todas as perseguições. Se não foi o único nem o primeiro a decidir que as criancas aprenderiam primeiro a ler francês e não em latim.. pág.gratuitas móveis e toda espécie de material.° 33. como devem conhecê-los. a fim de lhes fortificar a alma e ali­ cerçar solidamente as convicções pedagógicas. 361-363. São João Batista de La Salle foi um verdadeiro mestre.° 13. em sua tese magistral Catéchèse et Ldicat. etc. “em pedagogia.° 69 considera a obrigação que têm os Irmãos de edificar o próximo. ibid. no fim do século XVII. também. de 19 de janeiro.. 146 . seus alunos. de tal modo que os religiosos destinados às es­ colas pudessem consagrar-se inteiramente aos deveres do magistério. incumbidos da alimentação e de outras tarefas caseiras. Além de ser sacerdote e educador. Porto Alegre.S. n. a Meditação n. Assim. por exemplo. in Cahiers LasalUens. por São João Batista de La Salle. e valeu-se das Me­ ditações escritas para os Irmãos.C. A Meditação n. Sem embargo dessa fúria viru­ lenta dos invejosos mestres parisienses. os Irmãos Serventes.8 São João Batista de La Salle contribuiu com várias inovações.

Anselme. organizados em corporação de ofício. Rabelais. “o célebre tratado UÊcole Paroissiale. cujas vantagens lhe pareciam superar de longe as oferecidas pelo modo individual” .10 Por fim. mas “La Salle optou pelo método simultâneo. Note-se que nessa época.. das escolas elementares de Paris.a ed. em seu excelente livro La Salle. já que ele permite mais contato entre professor e aluno. diz ele. O método individual vigente até o século XVII não favo­ recia o ensino. lídimo apóstolo de Jesus Cristo. a caligrafia era arte difícil. do Pe.C. publicado em Paris em 1654. e através dos quais La Salle orde­ nou e assimilou o rol de benéficas influências do Cônego Rolando e das Irmãs do Menino Jesus. pág. F. deixando margem para o uso de ou­ tros métodos. e fora usado pelas Ursulinas junto com o modo individual.. Maillefer. além de vários outros aspectos meritórios de sua obra. pág. século XVII. "Saint Jean-Baptiste de La Salle. “apesar da resistência dos mestres-calígrafos. Este último já fora prescrito tanto por São Pedro Fourier às Cônegas de Notre-Dame. 3.C. l0Irmão Henrique Justo (Lassalista). por ensejar indisciplina e algazarra.S. ’ Michel Sauvage. nas escolas elementares do século XVII os alunos comprimiam- se em locais inconvenientes. como também por Comênio. Em suma. Assim.S. pág. Introduction par F. multiplicou mestres e exercícios. Patrono do Ma­ gistério.promover progressos pedagògieos que estavam mais ou menos “no ar” . das cônegas de Santo Agostinho. La Salle. mi­ nistério da palavra e vocação docente dos Irmãos Lassalistas. da famosa obra A Escola Paroquial.9 O segundo traço earacterístico da pedagogia lassalista foi o emprego do método simultâneo. Montaigne e Rousseau apreciaram o método individual. dos Regulamentos do Padre Carlos Demia. de Adriano Nyel.C. Patrono do Magistério. que não é possível agora analisar a contento.S. Vida-Bi­ bliografia-Pensamento-Obra pedagógica. La Salle. La Salle ]o- grou difundir a escrita gratuitamente. 147 . F. 487. à Introdução do Guia das Escolas Cristãs. prevêjjjna sala apenas de. Nicolau Barré. Catéchèse et Laical.. Esta obra é admirável e meritória tese de doutoramento em teologia em que o Irmão Miguel Sauvage aprofundou e trouxe à luz o relacionamento entre leigos. 176-177. mas propagou-o nas suas escolas. de São Pedro Fourier. como se sabe.. simplificou os caracteres e ensinou os vários tipos correntes de caligra­ fia.. Conduite des Ecoles Chrétiennes. não foi o seu inventor. o terceiro traco típico^ das inovações educacionais de São João Batista de La Salle foi a simpli­ ficação e a vulgarização da escrita. cujo domínio requeria muitos anos de prática. fez o povo escrever”11. de Mme. 11. Participation de laïcs au ministè­ re de la Parole et mission du Frère-enseignant dans l’Église. 8 por 6 m para cem alunos”. tendo deixado bem claro que o Irmão das Escolas Cristãs é autêntico arauto do Evangelho. Como o explica o Irmão Henrique Justo. Como nota o Irmão Anselmo. F. etc. na Didática Magna..

A prática moderna retificou este erro de método”13. desenho industrial c cantochão -— este nas escolas para Irmãos e alunos-professores — . pois se os Irmãos íassalistas iniciavam o ensino da leitura pela língua francesa.°) o cuidado e a aplicação que se devem impor ao formador dos novos mestres. o autor explica o plano da obra: “Este Guia divide-se em três partes. devia haver um quadro- negro onde os alunos aprendessem aritmética servindo-se de giz. lei­ tura. 3. Traduzida da segunda edição por Justino Mendes. diz Riboulet: "Esié'program a-- correspondia às necessidades da época em que foi organizado. A principal obra pedagógica de São João Batista de La Salie. a aprender a escrita antes de ler em latim. Os leitores de civilidade— dividiam-se em dois grupos: os que cometem faltas e os impecáveis. constante de religião. para aprender a ler por pausas. servia para o aprendizado do latim. A terceira-expõe: l. passariam a aprender a escrita. que não tivesse começado a escrever. 2) a cartilha das sílabas. da experiência da sala de aula e das lições. Riboulet. Segundo o Guia das Escolas. em determinada lição. em que come­ çariam a ler os alunos que já soubessem soletrar perfeitamente. aritmética com o~sistemã~de pesõ5~~e medidas. Depois que os alunos soubessem ler perfeitamente em francês^ e em latim.°) os deveres do Inspetor das escolas. o Diretor ou o Inspetor das escolas poderia autorizar um aluno de 12 anos. 148 . 6) o terceiro livro. 5) o segundo livro. 3) o silabário. não deixavam de ministrar o conhecimento básico da língua latina. mas da prática escolar. nas “escolas cristãs” havia nove espécies de aulas ou lições: 1) a carteia do alfabeto.°) as qualidades que l2L. gramática. médios e adiantados ou perfeitos. Em certos casos. 353. cálculo. O saltério. do convívio diuturno durante anos de mestres e alunos. exceto os ledores da carteia do alfabeto e da cartilha das sílabas. a de ter separado muito a leitura. Conduite des Êcoles Chrétiennes. 7) o saltério. 9) as-cartas escritas a mão. Não se lhe pode fazer senão uma única acusação séria. História da Pedagogia. escrita. ’________ _______^ Todos os alunos. distribuíam-se em três ordens: principiantes. Na se­ gunda dão-se os meios necessários e útéis_dê_que os. Na primeira trata-se de todos os exercícios da escola e de tudo o que aí se prãEcã7 desde a entrada até a saída. mestres se~devem servir para estabelecer e manter a ofdem nas escolas. Ao comentar o programa das Escolas Cristãs. a escrita e o cálculo cujo estudo deve ser feito mais ou menos ao mesmo tempo. 2. Em cada classe em que sc escrevia nas linhas. não surgiu das elucubrações de gabinete nem de sonhos de um visionário.j^or sua vez. 8) o manual "de civilidade. 4) o primeiro livro. No seu prefácio. pág. civilidade.

mas “como uma das principais regras dos Irmãos das Escolas Cristãs”. a fim de não prejudicar o exercício da escrita com a direita. em geral. pois. E ela termina com a saída dos alunos. o uso da correção pela palavra deve ser aí muito raro e parece preferível não se servirem dela. de outro modo. 6. para fazer os alunos lerem em voz alta. da parte do professor. O Sinal era um instrumento de madei­ ra do mesmo feitio em todas as casas. e comunicava-se por meio de gestos para fazer os alunos rezarem. o conteúdo deste livro” ' 3. no máximo dois. etc. ao que todos responderão: “Para semprè”. . tratarem com me­ ninas apenas em presença dos pais ou de outras pessoas idosase prudeh- Ao tratar da distribuição dos alunos em classe e das regras das lições. adverte La Salle..JÉis. A correção para ser útil deve ser. da férula. devem ser aconselhados a. 115. caridosa. das varas e da expulsão da escola. prudente e silenciosa. è em seguida “tous entreront dans la maison”M. pacífica ou calma. O vinco original da disciplina nas Escolas Cristãs era o emprego dos Sinais.°) o que os alunos devem observar. e a conduta preferível para desempe- TfliarenTcrseu dever na escola.3Saint Jean-Baptiste de La Salle. etc. É interessante reparar que a primeira parte do livro. a fim de se observar o silêncio. pâg. respeitosa como se a rece­ besse do próprio Deus. La Salle estabelece que a promoção dos alunos de uma lição para outra deve ser feita quando eles se mostrarem aptos. ainda. 4. da parte do aluno. Os alunos. “é raramente falar em classe. sobre os exercícios da escola. repeti­ rem o catecismo. evitando-se que o mestre o que­ brasse freqüentemente com avisos. fi­ cariam em situação de nunca poderem aprender nada ou em perigo de passarem a vida na ignorância. e também acolhida em silêncio”. Conduite des Écoles Chrétiennes. Para a correção e emenda dos alunos. desinteressada e aplicada por amor de Deus e de sua glória. voluntária e consentida.. quando o Inspetor ou o mes­ tre entrará na escola e junto com os professores se ajoelhará perante o crucifixo numa sala de aula e dirá: “ Viva Jesus em nossos corações”.. devem ter ou adquirir os mestres. justa. começa com a abertura do prédio: “Abrir-se-á a porta às 7 h 30 da manhã e^ à uma e meia da tar- ^dgll. ’Md. reza o Guia. da penitência. para soletrarem uma palavra. pâg. os professores valiam-se da pa­ lavra. A férula só se prestaria a um bolo na mão esquerda. pura. proporcional à falta. e usava o Sinal. ibid. moderada. Desse modo o mestre se poupava. 149 . sem desejo de vingança. Préface.

10. a Confissão e a Comunhão. 15 maggio 1980. 1. para recomeçarem à 13 horas e 30 minutos e terminarem às 16 horas.As Regras Comuns dos Irmãos das Escolas Cristãs constituem um códi­ go de aperfeiçoamento espiritual e um manual de regras escolares e des­ cem a minúcias da vida na escola. as editações.16 a Explicação do Método de Oração Mental. está determinado que os irmãos acordarão de madrugada. Além delas. 20 ). as Instruções e Orações para a Santa Missa. pág. estabeleceram cursos de hidrografia e de navegação. às 4 horas e 45 minutos. 1 (Cahiers Lasalliens. e que as aulas come­ çarão as 8 horas. que trata de dogma. 150 . arquitetura. Seria preciso escrever um livro volumoso para se expor e comentar o conteúdo dos escritos pedagógicos de La Salle. Nas cidades cos­ teiras. vol. As principais obras pedagógicas de São João Batista de La Salle são: o Guia das Escolas Cristãs. planimetria (em Saint-Sulpice e em Cahors). e pouquíssimos se põem em situação de serem instruídos do que seja preciso fazer para viver bem nessa Profissão”. os Irmãos abriram pensionatos segundo o modelo do ’ L ’Osservatore Romano. como Brest ou Vannes. é. no Regulamento para os Exercícios Diários. os Exercícios de Piedade que se Praticam nas Escolas Cristãs. Saint Jean-Baptiste de La Salle. máxime do Guia das Es­ colas Cristãs. Les Devoirs d’un Chrétien envers Dieu. l6La Salle inicia o prefácio de Les Devoirs d’un Chrétien envers Dieu et les M oyens de Pouvoir bien s’en Acquiter (1703) com a observação bem atual ainda: “Ser de uma Profissão e não saber o que é. capítulo 29. Os Irmãos das Escolas Cristãs distinguiram-se no século X V Iil na dire­ ção de pensionatos de caráter eminentemente prático. etc. o Guia das Escolas é “a magna-carta da escola elemen­ tar” IS. Préface. as Cartas. terminarão às 1 1. Assim. a Coleção de Diversos Pequenos Tratados. o que é bastante comum à maioria dos Cristãos. as Regras Comuns e Constituições dos Irmãos das Escolas Cristãs. as Regres de Civilidade Cristã — no original Règles de la Bienséance et de la Civilité Chrétienne — . documento vivo e palpitante das escolas lassalistas nos séculos XVIII e XIX e obra de valor atual sob vários ângulos. e em vários internatos os Irmãos especializados ensinavam desenho. a que nos compromete e quais os deveres essen­ ciais desse estado. Segundo Romano Vacca. moral e liturgia. O dia referto de deveres escolares está entremeado de práticas devotas e de orações. entretanto. Essas classes acrescentavam-se às escolas elementares e destinavam-se áqs meninos pobres. a excelente obra catequética em 3 volumes Deveres de um Cristão. a rit­ mética prática e contabilidade em Boulogne e em Castres. por exemplo. isso parece inteiramente contra o bom senso e a reta razão. pág. Eles o são sem saberem o que é ser Cristão. ignorar até mesmo o que significa o nome que se usa.

18Irmâo Henrique Justo (Lassalista). 226. é exata­ mente disso que tanto precisam os jovens de nossa sociedade tecnológica. “la plus belle parure des oreilles. com as seguintes disciplinas: história. Reims. cálculo diferencial e in- tegral. é o ornamento e a beleza do ros­ to. O pensionato modelar de Saint-Yon foi aberto por São João Ba­ tista de La Salle em Rouen em 1705. consumista e hedonista. retórica.~~mêcãnica. camponês ou artesão.'7 Entre 1725 e 1788. Chartier. nobre. Règles de la Bienséance et de la Civilité Chrétienne. num subúrbio de Carcassone. o de que a limpeza é o ornato mais belo das orelhas. L ’Éducation en France du X V Ie au X V IIIe Siècle. geografia. La Salle. pâg. com classes espe- ciais de^idrografíã. história natural. donde ser indecoroso enfiar o dedo nas narinas sem o devido recato e higiene. “tomar cuidado para não trazer os pés suados. 0 4 ç ensino ele­ mentar. “permanece [como] um do­ cumento típico de nossa civilização”. mor- cado pela distinção das maneiras e pelo espírito cristão. Como diz o Irmão Henrique Justo: “Pro­ grama vastíssimo. como observa Georges Rigault na sua História Geral do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. M. . fun- daram-se os de Saint-Omer. Compère e D. Ao tratar do sono. Julia.” R. contabilidade. “il est malhonnête de fouiller incessamment dans les narines avec le doigt. Por isso. e o outro. . e contando. cumpre ter os pés sempre limpos”. arquitetura. Saint-Yon teve entre 75 e 80. com dois cursos. Angers. por exemplo. ”. que foi o de Saint-Yon. reza a Civilidade. recomenda da Salle. M. Angers (La Rossignolerie). por sua vez. e não fazer como certas pessoas que se re- 17“Ces établissements marquent donc la rencontre entre une forme pédagogique en plein essor au XVIIIe siècle. geome­ tria. particularmente no verão. literatura. Aliás. uns 60. a fim de que não exalem maus odores. cosmografia. para qs filhos de negociantes que pre- cisavam receber educação cristã e comercial. Patrono do Magistério. “É preciso”. canto e desenho. ele aconselha deitar-se às dez horas da noite e levan- tar-se até às seis da manhã. ainda. Die. Montpellier. Se muitos preceitos da Civilidade de La Salle estão peremptos no século XX. O nariz. un programme d’études orienté vers les applications pratiques des mathématiques et une clientèle fortunée qui se détourne des cursus classiques du collège. Marseille. Montargirs. le pensionnat. Três desses estabelecimentos abrigavam delinqüentes. 151 . . na Martinique e Charlemagne. que abrangia a leitura do francês e do mática. Ma- réville. mas eles eram centenas em Maréville e 40 deles eram loucos. Port-Royal. outros permanecem válidos como. O Manual de Civilidade de la Salle. flexível. 209. de ensino superior. pois revela os minuciosos sinais de polidez de um homem bem-educado.primeiro. música e línguas vivas. Mirepoix. . inédito” ". pâg. est qu’elles soient toutes nues et bien nettes”.

’’ Frère Albert-Valentin.. portanto. e ainda mais admirável que o seu patrimônio literário foi o seu legado de uma congregação religiosa de mestres evangelizadores. afirma que nunca é permitido divertir-se à custa dos outros. 273. o Ins­ tituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. que o Papa Pio XII.C. de 15 de maio de 1950. pâg. 244. Foi com toda a justiça. F.colhem muito tarde e acordam ao meio-dia. e tão dedicado à formação das crianças e dos educandos quanto São João Batista de La Salle.S.19 Não houve fundador de ordem religiosa que tivesse deixado tão rico es­ pólio de obras espirituais e pedagógicas a um só tempo. Édition critique des Règles de la Bienséance et de la Civilité Chrétienne. 152 . Ao falar do riso. no Breve “Quod ait”. 278 e 375. de­ clarou São João Batista de La Salle Padroeiro especial junto de Deus de todos os professores que se consagram à educação da Infância e da ju­ ventude. 220.

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Albert — Geschichte der Pädagogik. s/data. C. Ketz — Cardinal de Retz — Mémoires. --------. Zweite. Freiburg Rom. London. Paulsen. Editora “Ave Maria” Ltda. Louis et Louis Bordet — Saint Philippe N éry et la Société Romaine dÀ son Temps 1515-1595. 559 págs. Resumo his­ tórico da Congregação das Irmãs de São José.. De Gigord Editeur.— M ém oires du Cardinal de Retz. Sepp S. Delagrave. Notes et Fable de Georges Mongrédien. 1958. 1. Première Religieuse de la Congréga-| tion de Notre-Dame — 1576-1622. Libraire-Éditeur. Paris. La Fronde. 106 págs. 254 pàgs.—------------Storia dei Papi. J. 1962. Paolo — Giacomo Aconcio. 1935J 538 págs. 2 vol Rollin. Dokumentationsband I II Stuttgart] Ernst Klett Verlag. Eugène Darin.. unveränderte Auflage. Paris. Renard.j Rops. Georg Olms Verlag.A. Paris. São Paulo. 1925. Sauvage. 1935. Ludwig Freiherrn von — (Geschichte der Päpste im Zeitalter der Kei naissance bis zur Wahl Pius’ II ). Paris. Dr. Fratelli Bocca Editori. 1906. umgearbeitete und sehr erweiterte Auflage. Elwang with a preface special written for the English edition by M. Friedrich — Geschichte des Gelehrten Unterrichts auf den deutschen Schulen und Universitäten vom Ausgang des Mittelalters bis /ui Gegenwart.. Geschichte der Päpste seit dem A usgani des Mittelalters. 1957. Préface. --------------. 16 vol.. Editori. 1raduçao de A. Nuova versione italiana sullii IVa ediztone originale del Sac. Filhas do “Pequeno Projeto”. Grandeur et misère du lansénisme Pans.!. Pastor. Edmond — La Mère A lix Le Clerc.stampa. Paris I* L Le-1 thielleux. 16 em 22 volumes. 451 págs. Angelo Mercati. 1952.. Paris. uma Religiosa de — Revivendo um Longínquo Passado. Verlad Herder. 1970. 152 págs. E. Petrus — Scholae in Liberales Artes. S. Roma. Hildesheim-New York. — Traité des Études. Authorized translation by Franka Thilly and William W. Milano. Leipzig. Michel — Catéchèse et Laïcat.166 cl Reble. Daniel — Le Christ aux Bras Étroits. 3 vol. 1648-1954. Participation des laïcs au minis.. F. 573 págs i São José. 1951. 188. 2 vol.S tere de la Parole et mission du Frère-enseignat dans l’Église Paris I igel 1962. La Colombe. 13 vol. With an Introduction by Walter jJ Ong. 1896. 2 vol. Club du Livre Sélectionné. 1971. Luigi — Sommario della Storia d'Italia — Dai tempi preistorici ai nostri giomi. Padre Antonio — Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostó­ licos 2A edição. Sadler. Librairie Garnier Frères. 936 págs. J.. Rossi. Raymundo Schneider e alunos da Companhia de Jesus em Pareci. Librairie de I Hachette et Cte. 1955. Union Géneiale d’Édi- tions (Collection 1 0 /1 8 ). Ch. Saint-Simon — M émoires Completes Authentiques du Duc de Saint-Simon sur le Siècle de Louis X IV et la Régence.. Verlag von Veit und Comp. Les Idées Pédagogiques de Saint Pierre Fourier. Livraria Martins Editora S. 256 págs 160 .. Ramus. 1856. Paris. 1974. 194 págs. 312 págs. Desclée e C. Einaudi (Gli Struzzi 6 4 ). 1954. Salvatorelli. Directions pédagogiques recueillies par Félix® Cadet et le Dr. ----------------. Renault. I oiigmans Green and Co. Texte présenté et annoté par Maxime 1 eioy Paris i Éditions Gallimard. Torino. Zwölfte. Librairie Ch. i Sainte-Beuve — Port-Royal. Introdução e Notas por Wolfgang Hoffmann Harnisch. 1955.--------The German Universities and University Study. Nuova ri. 134 págs. 1953. em 21. Prof. J. São Paulo. Ponnelle.

534 págs. Paris. Taillandier. Editora Vozes Limitada. 240 págs. 446 págs. 2. 1960. Fondatrice du Monastère de Québec. Madrid. sob a direção de René Taton. Luglio-Settembre 1924. 1930. 266 págs. Tom- maso U'A quino. _______ _____ __ Les Universités Européennes du X I V au XVIII" Siècle■. ________ ____ __ Bibliotheca Sanctorum. 1971. Genève. Vom Wesen und Weg der geistigen Bildung. C. Paris. Paris. Viriville. _______ __ Scritti Vari nel VI Centenário delia Canonizzazione S. Libraire-Éditeur. Wissenschaftliche Buchgesellschaft. Richard — Geschieht der Pädagogik. Léopold — Après le Concile de Trente. 1965. 1916. Taveneatix. 199 págs. Tradução de Waldomiro Pires Martins (N ova História da Igreja. A. 1849. Vico Ginn Battista — De nostri temporis studiorum ratione. in Fliche-Martin. Éditions Albin Michel. Paris. 1963. Instituto Giovanni XXIII nella Pontificla Università Lateranense. 1965. Une Religieuse — La Vénérable Marie de l'Incarnation Ursulinc Née Marie Ciuyart. T. Petrópolis. Wickert. ________________ História de ta Pedagogia. Armand Colin. Victor Retaux. Librairie Armand Colin. _______ . Firenze. — Reforma e Contra-Reforma. 2 vol. La Restauration Catholi­ que. 240 págs. Les Éditions Du Cerf.Le Siècle de Louis XIV. Paris. _______ _________Études sur Pascal.Aspects de l’Université de Paris. 400 págs. Paris. Actes du Colloque International à 1 occasion du VI Centenaire de l’Université Jagellonne de Cracovie 6-8 Mai 1964. Vuillem in__La Vie de Saint Pierre Fourier. Marzorati Edi- torc. Leipzig. Darmstadt. Librairie Droz. Vallet de — Histoire de l’Instruction Publique en Europe et principale­ ment en France. Mme. Coedizioni Giuntine-Sansoni. Numero spéciale délia “Scuola Cattolica”. Jean — Pascal. Cicrmnno-Boumann. Ursulinc. Bloud et Gay. Administration du Moyen Âge et la Renaissance. 161 . 193 págs. Paris. P Téqui. Roma. Lateinisch — Deutsche Ausgabe.. Librairie de la Bibliothèque Nattonale. Paris. 1910. O Século X VII (História Geral das Ciên­ cias). 556 pags.Snyders. Histoire de l'Église. S. Milano. Verlag von Julius Klinkhardt. 2 vol. Aspects et Problèmes. René' Jansénisme et Politique. 488 págs. Publicaciones de la Revista de Pe­ dagogia. Vários A Ciência Moderna. T. III). T. Paris. (Troisième Centenaire de la naissance de Pascal). Dr.a edición alemana y Notas de Lorenzo Luzuriaga. 1967. Presses Universitaires de France. Steinmann. 18. Voltaire . L’Enigme de sa Vie auprès du (irand Roi. 531 págs. 287 págs. Willaert. 221 págs. J. Librairie Hachette. Difusão Européia do Livro. 186 págs. Textes choisis et présentés par René Tavenentix. 1929. 1972. Georges La Pédagogie en France aux X V II’ et X VIIIe Siècles. _______ __ Il Pensiero Pedagogico délia Controriforma a cura di Luigi Volpieelll. 13 vol. Publication de la Revue de Métaphysique et de Morale. . 1960. Tüchle. 1954. Paris. 459 págs. _______ _ __ Nuove Questioni di Storia Moderna. 258 págs. 1897. 1923. 1949. São Paulo. I960. Saint-René — Madame de Maintenon. Nouvelle édition. 1895. Paris. 614 págs. 296 págs. 1974. Traducción de la 4.

3. Druck und Verlag von Friedrich Vieweg und Sohn.L. Tradução de Joaquim Ferreira Gomes.. — Educadores Cristãos através da História. Atlântida Editora.A.° vol. Coimbra. 162 . Willot.R. 1894-1897. Otto — Geschichte des Idealismus (Der Idealismus der Neuzeit.Willmann. S. Braunschweig.). 3 vol. A. 1969. 360 págs.

125 Balzac. A. 72 Bâle 37 Alemanha 4. 64. 126. 37. Conde de 53 Bonet. M. 39. V. 33. G. 36. 145 Aragão 6. 79. 20. W. 44 Berlim 22. 84. F. 42. Angélique 79. 29 Bateus 50 América do Sul 116. 21. R. 121 Agripa. 124 Angers 68. 118 Beaupuis. 137 Bolívia 23 Arundel. 36 Bacon. J. 67. 25 Áustria 42 Adonis 29 Avranches 21 Adry 68 África 8 Babthorpe. Antoine 10. 68 Anne de Xainctonges 123 Berval 113 Antilhas 8 Besançon 25. C. 72. 13. 130. 105 Bagnols. 37. M. 47. 80. P. Balzac. 24. 53 Alto Uruguai 118 Bartolli. O. 127 Arnauld. M. 77. 27. 38. A. 127 Ásia 13. 63. J. 53 Aguilera. 84 Bois. J. 93 Bogotá 23 Armanda 107 Boileau 15 Arnauld. 121 Aranda. 97 Beauvais 136 Amsterdã 4. de 77. C. 131 Aix en Provence 64. 68 45. J. G. Boisrobert 24 83. de 81 Angélique 32 Bernoville. 43 Bárbara 121 Altdorf 22. 151 Bérulle. 5. C. D. 36. 61 163 . 41. 139 Blaise. 44. 82.índice onomástico Abentofail 140 Ascham 88 Achard. H. de 9. 39 Barnes. M. 39 Anacreonte 53 Bedingfield. 79 Antuérpia 53 Blain 141. P. 53 Aconcio. 81 Aire-sur 1’Adour 131 Bahia 54. 66. de 31. 30 Alvares. A. de 80. 43. 42. 54. 65. M. 13. 41. 122 Ana de Áustria 101 Bélgica 63 Ancre. 49 Becher. 38 Augusto 70 Adam. 118 Boêmia 48 Aristóteles 27. Condessa de 7 Blois 100 Argentina 23. 36. J. 80 Américas 5. Marquês de 7 Belmonte 139 Andaluzia 6 Bence 64 Andrea. 69. J. 122. G. 95 Andrénio 140 Berniéres. 22. 123 Antoniano 50 Bignon. J. 46. 100. 118 Beaumont 64 América Latina 23. 87. 15 Alençon 129 Bamberg 22 Algarve 4 Barão V. Connstein 96 Ais ted. F.

J. 100. 79. 104 Cellarius. 127 Clenardo 69 Burkhardt 29 Clermont 17. 108. C. 83. 22. C. de 109 Condado Veneziano 123 Carlos. 57. 84. 8. 26. 50. 59. 126 Bus. 27 César 70 Brahe. de 63 Clichy 64 Bustamante. 46. 105 Bourgoing. 41. 127 Brandenburgo 22 Champlain. 121. 137 Brun. C. 58. 99 102 Catalunha 4. 80 Castela 6 Borgonha 102. 53. 31. 136. 59 Castro. de 129 Brasil 23. Carafa. 39. 66. M. Mme. 130 Chapelain 15. de 110. 54. 123. 71 Caen 21 Colombia 23 Cahors 150 Columbia 24 Calatayud 139 Columela 47 Calvino 79. 32. 96. F. 103. 58. M. Brochado. M. A. 65 Cephalas. 107 Claudiano 52 Bruxelas 25 Clelie 31 Buisson 81 Clemente XI 11 Bullialdus. R. 55. 52 Boyle. 27 Chaleyer. T. 122 Chartres 112 Brest 8. 65. A. 24. T. 54. 52. 93 49. 114 Caron 64 Cooper. 67 Chartier. 127. 130 99. 129 Borei. 69. 27 Clemente VIII 123 Burdier. 13 1 Cartier. 106. S. 6 Cochois. H. 102. 10. 129. J. 102. P. 72. 57. 21. Canada 8. 129. 6 Constantino 70 Carlsburgo 41 Conti 83. 118. J. 48 Cambridge 21.-B. 114 Castres 150 Bosse.-B. 92. 147 Campanella. 25. A. 113 Chesnay 80. 67 Coimbra 55 Cabo Frio 127 Colbert. 42. 54 Bourg 103 Centelles. (Comenius) 2. F. 38. I. R. 60. 31 Bremond. 35. M. 56. 64. C. J. 91. 127 Cicerone 29 Brunetière. 150 Chastel. 53 Cadet. M. 6 Bouchage.Bordéus 55. 106 Compayré. I. 102. Calw 42 33. 47.-H. 44. 14 Bourdoise. 141 Comênio. 21. 36 Compère. O. B. 106. 43. 129. 25. F. M. A. C. I 5 Connecticut 24 Carlos V 6. 127 Brinon. C. 26. 89 Carré 81. 69 Boulogne 150 Cavalieri. M. 70. I. 100 Concini 7 Cardillac. 19 103 Brown 24 Christianopolis 43 Browning. 138 Brescia 61. 100. 124. 137 Collard. di 61 Bossuet. A. 55. 139 138 Cardeal Mazarino 8. F. 81 Brinsley 88 Chesterfield 92 Bristol 88 Chevreuse. 83 Copenhague 38 164 . 64. A. 137 Cano. 65. 23 Conrart 24 Carlos II 5. A. 47 Cícero 28. M. du 126 Catão 46. P. G. B. 45. F. P.

A. Estado dos Presídios 3 27. 112. R. 139 De Saci. 3. 5. 114. 28 Escandinávia 20 Delfim 55. 23 Démia. 26. de 92 Duque de Montausier 55 Cruz-Alta 118 Duque de Renty 10 Cubberley. 6. 20. 110. 46 Damáscio 53 D ’Angennes. 102 Escócia 5. 42. 140. 12 Duque de Bragança 4 Croquants 8 Duque de Lerma 6 Crousaz. 28. 29 Duque de Alba 3 Cromwell. 95 129 Ernesto I 33. 72. 14 Estácio 52. 122. 111. 23. F. 66. 6. 137 Elyot 20. 5. F. 80. 103. 76. 52 Duque Ernesto. 118. I. 147 Esopo 70 Demóstenes 70 Espanha 3. 20. P. 4-5. 78 Esther 111 D’Horgny. Mme. H. 9. de 129-130 108. 20. 104. 37. Denzinger-Schonmetzer 11 30. 79 Didot. 29 Du Guet. 74. O. 80. 24 Duque de Saint-Simon 11 Cud worth. 46. 21. 69. M. 7. 64. 84 Esquines 70 De Sanctis. 93 Danúbio 5 Effiat 66 Darin. 54. 106 Estrasburgo 22. Erfurt 39. 73. 81. 38 Europa 2. 32. 95 Die 151 Euphues 31 Dieppe 66 Eurípedes 53. 92. 15. 65. E. C. B. P. J. 137 Estados-Gerais 4 Desmarets 24 Estados Unidos 23 Deus 43. 61. E. 32 Ebby 92. 23. 4. 109. E. 25. 74 Critilo 140 Dupanloup 135 Croce. 139. 30 Essex 89 Desargues. 58. 4. J. João IV 4. Dinamarca 5. A. H. 36. L. 6 Cordoba 23 Dorotéia Maria 33 Corneille 15. 87. 89. 53 Évora 4 Don Fernando 139 Examen 27 Don Francisco Gômez de Sandoval y Extremo Oriente 54 Borja 6 Eyraud. 35 Debus. 127 165 . J. 15. 44 105. 47. J. o Piedoso 95 Dacier. A . 59. 6. 57-58. 21 Eutrópio 91 Dodwell. J. G. 68. 88 Dartmouth 24 Enbrum 126 d’Aubigne. 29.Copérnico 27 D . 120. 99. 68 Doroz. 107 d’Urfé. de Maintenon Encarnação. F. 84 Coutinho. 31 D ’Aguesseau 136 Dury. 53 Courbeville 140 Dresde 95 Coustel 77. 93. 126. 90. 70 Digby.. 119. 83 Du Fossé 83. 53 Duque de Vantadour 9 Duque do Maine 110 Dacier. R. 26. Dijon 123 -• 28. J. A . 70 Descartes. J. 95. Estado Pontifício 3 75. 123 Cotton 57 Downes. G. 35. 29. 48. 133. Mme. 34. Diodoro da Sicilia 70 144 D ’Irsay. F. 113. S. 13. 14. 7.

S. 133. 96. 114 Gataker. 119. Mme. L. 109. 80. 91. 124. V. 29. H. 32. de la 79. 78. 52. 26. 21. 5 Frère Albert-Valentin 152 Guyot. de 49 Felipe IV 6 Genebra 42. 63. 13. 102. 32. 145 Grande Delfim 53 Francisco I 70 Granges 80. 27 Harborn 41 Gastaud 64 Hartlib. I. 42. 127 Franklin 24 Grotius. 102. 133. F. 10. 8. 2. 97 Fronda 8 Haia 4 Fulneck 48 Hall. 53 Frederico 22 Gruter. 20. 136. 107. 5. 96 Gassendi 21. 89. 68. 46 166 . F. 60. F.-M. 95. 108 Gazette de France 7 Faret 24 Gazier. M. F. 131. 5 Gascoigne. J. 84 Francke. Gotha 20. 124 Gomar 12 Florença 22 Gombauld 24 Floro 70 Gomes. M. 50 Hähn. D. 41. 19. 88. S. L. 44 107. 6 Gênova 3. 70. 125. A. Gracián. T. 121. H. Grammont 101 140. 37. 9. 113 Françoise de Bermond 122. S. 105 Felipe III 6 Geórgia 97 Feltre. 110. 144 Fresne. 40. I. 77. 119. 83 Girbal. 45. G. F. 138. 123. 129. J. 44. C. 131 Fontaines. T. du 52 Habert 24 Froebel. 26. de 122 Hamburgo 39. 14. 96 Galileu 14. de 30 Forez 66 Goodard. 109 Ferrara 3 Giraudon 58 Ferté-Milon. 42. 139 100. 103. 120. 114. A. I. 121 Goddet. 135. 82. 22. 112. 98 Gréard. 28 Halle 54. T. 140 59. 31. 97. 114. 125 Fénelon. da C. 137 Girardin. 138. C. T. 53 122. Giessen 22. B. 52 Gaston de Montferrand 124 Faguet. de 141 Germania 53. 42 Gros. 18. 53 Frankfurt 39. 110. 68 Fedro 69 Geer. 84 Frère Bernard 143. M. 1 1 . Graevius. V. 127 Fléchier 102 Godeau 24 Fleury. 99. 115. 109. 127 Felipe II 4. 95. F. 98. 139. 27 Hais. 1. 53 Fajardo. M. 27 França 1. 96. 28. F. 7. E. F. O. 114. 102. F. Gracián. G. 123 Grécia 15 Françoise de Cazères 123 Grenoble 126 Françoise de Xainctonges 123 Gronov. 66. Faber. 98 15. 95. T. Gilson 68 134. 69. 111. 68 Feuillants 124 Glapion 113 Filadélfia 24 Glauchau 96 Filaminta 107 Glückstadt 39 Flandres 7. J. de 111 Góngora. S. 53 Frederico Guilherme 97 Guadalupe 8 Frederico II 92 Guex. 98 Freigius 39 Guilherme de Orange 4. 92 Fludd 26 Gonçalves.

64 Herrera. L. 125 Império Espanhol 4 Laércio. 60. 82. 123 Hemmingius. P. 102 167 . 95 Howard. 68. 106. de 10 Irmã São Paulo Angelier 127 Hazard. 12. 28. P. 151 Heidelberg 42. 7 Hipona 10 Juilly 26. 72 Hobbes. 66. 37. 52. 137 Justino 70. 92 111 La Mothe le Vayer 101 120. C. D. 20. o Apóstata 106 Holstein 20 Jungius 40 Homero 53. J. D . B. 41. 91 Hooch 5 Juvenal 70 Hoole. 6. Lord 121 La Bruyère 102 Ilhéus 131 Lacordaire. N . 140 Lamy. 80. 115 53. 102. 45 84. 48. 22. la Marche 74 23. 138 Holanda 4. 140 King’s College 24 Huet 21. Helvicus 40 61. 122. 21.Harvard 23. 91. 47 Horácio 70 Kepler 14 Houbigant 74 Kiel 22. 60. T. 74.-D. H. 32. J. de 78 Irmã Santa Eufêmia 82 Hauranns. 48. 89 Juliano. 5. P. 33 Huntingdon. L. 106. de 53 Isabel 5. 100. 69. 58. 24 Irmã Maria-Teodora Voiron 127 Harvey 14 Irmã Marie-Basile Genou 127 Hauranne. 122. D . 48. 40 Huet. 13. 73. 1. 66. 138. P. 102 Koethen. 59. 22. P. 113 índia 4 Lallemant. 121. N. 37. 139. 38 Itu 127 Hemmingsen. 15. 114 Jansen. 10. 38 Ivã IV 5 Henrique VIII 141 Henrique IV 9.-7. 61 Inocêncio XI 102 Lancelot. 138 Irmão Anselmo 147 Hecker 91 Irmão Henrique Justo 147. 77. de 84. J. Irlanda 5. 121. 29. 53 Kiev 22 Huesca 61. 90. M. 71. 20. J. 78. C. de A. 65 Lana. P. 53. 57 Jaca 61 Herbon 21. 117 Jesus Cristo 41. du V. D . 49 Lambert. 128 João 121 Hesíodo 70 João de Witt 4 Hesse 20 João Pedro 105 Hesse-Darmstadt. D . 70. 5. 21. 52 Kromayer. T. 78 Hernández. Innsbruck 22 82 Inocêncio X 11. C. J. 79. 48 Jaime I 5 Herment. 72. D . 45. 20. F. 6. 101. 31. Marquesa de 114. 78 Hierocles 53 Juderías. R. de 40 Jordão 17 Hessen-Braubach 44 Jorge 121 Hewarth Hall 122 Jorge I 6 Hibérnia 37 Jouvenci. 20 Julia. 47. 12. 121 Helmont 26 Isócrates 70 Helmstâd 21 Itália 3. 74 Inglaterra 4. 129. 74. 53 Irmãos Morávios 47 Heinsius. 53 Império Romano 44 La Fontaine. 83. 66. 26. 37. 13. 42.

88 Macária 26. 75. J. 53 Milton 45. R. 130 Lívio. 64 Marseille 151 Lissa 49 Martin. 61 Lutero 33. 5. 18. 124 Moguild. J. 130 Monroe. M. Mendonça. 15 Mântua 3. 23 Madrid 61. Maria de 7 Luciano 70 Melanchthon 22. D. Masham. E. 46 Marcial 70 Lily. 12. 15. 12. 44. 126 Migne 64 Milão 3. 14. 122. 145. 115 Mahoney. A. D. J. 21. 10. 7 Mabillon. 22 Malherbe 68 Leipzig 21. 88. M. 147 Lausanne 123 Maintenon 110 Le Clerc. 127 Lyon 103. 104. 31. P. de 127 Lucrécio 52 Melo. 140 Matta 101 Lorena 63. P. A. Malleville 24 Lelong 72 Mans 72 Lenoble. 110. 20. D. 66. C. J. 20. V. 14. 54 Martinica 8. de 92 17. J. 144. 102. Marquês de 8 Máximo. 140 Molien 64 Mahoney. G. P. 123. D. 93 Massachusetts 23 Loire 100 Massillon 72 Londres 24. 15. 45.Lastanosa. 55. S. R. D. G. 53 Marino 29 Lisboa 6. 15. 61 Leon. J. 66 Métezeau 64 Lúlio. 76. 140 . 101. 104. 9. 47. 92. 53 Lulli 111 México 23 Lüneburgo 95 Micheli. F. de 18 Luís XIV 3. A. F. 31 Maréville 151 Lincei 22 Maria Teresa 110 Linz 22 Marini 30 Lipsius. Lady 89 89. 46. 8. 106 Lituânia 44 Martin. 19 Mascaron 72 Locke. D. 53. 20. 107. 9. P. V. G. C. 101 168 . 95. 38 Luçon 7 Melo. 15. 99. 130 Molière 15. 45 Mir. 54. E. 11. 109 Lobo. 72. H. T. M. 137 Leibniz. 91. 17. J. 87. 56 Madagascar 8 Mirepoix 151 Madre Maria de Chantal Gueudré Módena 3 123. N. 108. 82 Lovaina 78 Mayor Real 23 Lübeck 95 Mecklemburgo 20 Lucano 52 Médici. de 125 Louvois. de 139 Maillefer. Leeuwenhoek 14 74. 109. 90. 119 Mère Marie-Félicité Veyrot 127 Luís XIII 7. 125 Mattaincourt 124 Louis-le-Grand 21 Maupas. 32. 124 Maisonfort 113 Le Cointe 72 Malebranche. R. 5. F. de 61 Maranhão 54 Leopoldo I 61 Marburgo 44 Leyde 23. Mentor 135 106. 4 Meursius. 13. M. 141 Middlands 13 Luynes 103 Mièvre. E.

M. 121. de 131 Neuillant. Conde Duque de 6 More. Nietzsche. 140. J. 101. 139 66. 88. 77. Noisy 110 137 Normandia 8 Pascal. 128 New York 24 Paris 8. 103. 147 Navarra 56. D. 13 Nepos. 103 Morá ia 47 Olier. 81. 143. G. 67. 89 Mousnier. 21 52. A. 21. 30 169 . de 29 Países Baixos 7. T. 69 Ovídio 52. 66. 139 Olier. A . H. J. 60. F. A. C. D. J. 33. 100. 151 Oates 89 Montreal 8 Ocidente 142 Moog. 123. 24 Montespan. 56. 144. 43 Orléans 17. Nicole. 64 Padre Santiago 105 Nebrija. 15. P. W. J. 70 Paiva. Mme. 77. 79. 145. 133. J. J. M. 14 Mulcaster 88 Paderborn 22 Mullvith 121 Padre Charles de Condren 32. 147 Niort 109 Parker 59 Nithard. 80. A. 83. 12. 88. 39 Osbalduick Churchyard 122 Moriconi 105 Osnabrück 22 Morin. 11.Montaigne 29. 71. 14. 72. M. 97 Olivares. 54. J. 44 Oitavo Duque de Bragança 6 Morales. de 110 Papa Alexandre VII 11 Newby. W. 82. Munique 122 68 Múrcia 6 Padre Domingo 105 Mydorge. 100 Morhof. 80. de 110 Nyel. 140 137. 63. 81. Nickel. 10. 70 Moscherosch. 137 84. 35 Padre Malagrida 130 Nassau 48 Padre Nicolau Barré 104. 147 Nossa Senhora do Patrocínio 127 Montaigne. 67. I. 54 Padre Leonel Franca 25 Nápoles 3. 55. A. 80. B. 123. 11. V. 45 Oxenstiern 49 Moscou 23 Oxford 22. G. J. 143. 70 Nossa Senhora da Piedade 131 Paulsen 22 Nossa Senhora da Soledade 130 Paulo V 64. 9. 21 Pardo. T. M. 53 Orange-Nassau 4 More. 124 Nossa Senhora das Mercês 130 Pel ay o. 138 Norrkoping 49 Passo Fundo 118 Noruega 5 Patérculo. 82. 56 Notre-Dame-des-Gracês 66 Montalambert 113 Nova França 130 Montargis 151 Novicky. 103. de 121 Pará 54 New Jersey 24 Paracelso 26 New Hampshire 24 Paraguai 116. V. 143. 85. 10'*. R. 7 Parma 3 Nivnice 47 Parmentier 20. 53. 7. 147 Montaigu 54. Mme. 118 Newton. 14. C. M. E. 47. 83. 146. 92 Nocera 139 Pascal. 136. 57. de 124 Notre-Dame 18. 147 Montesquieu 92 Montpellier 21. 65. 67. 63 Morávios 49. 14 Padre Jean-Pierre Médaille 126 Padre Jouvanci 82 Nadai. 78.

L. 66.-C. 108. 147 Praga 48 Royal Society 22 Prerau 48 Ruão 151 Princeton 24 Rueil 110 Principe de Orange 12 Rússia 5. 121 21. 82. 80. 108 109 lu Sanchez. 7 Piacenza 3 Reneri 21 Pignatelli 100 Reno 5 Pindaro 70 República das Províncias Unidas 4 Pio XII 122. 80. 151 Pluvinel 100 Rio Grande do Sul 118 Pocquet de Livonnière. 151 Pestalozzi 92 Rembrandt 5 Petty. J. 35 Pisa 3 Rhode Island 24 Platão 15. 100 Plutarco 82 Rigault. F. 100 Reyher 33. 97 Ravenna. 19. 15. 8. de la (Ramus) 36. 49 Roma 22.Peltrie. 33. 144. 73. 115. 82. 74 Portugal 3. 83. de 10 Ricaut.-J. 89. W. 152 República Dominicana 23 Pireneus 5. Ploughland. 127 Ramée. F. 147 Poitou 109 Rollin. 22. P. 50. 78. G. H. 32. 147 San Antonio del Cuzco 23 Racine. U . 68 Ribeirão Preto 131 Plauto 102 Riboulet. 41. T. Mme. 52. F. 88. 68 Rochelle 66 Podolin 105 Roland 143. J. 47 Renaudot. C. Hotel de 32 23 170 . J. Marquesa de 32. 19. 79. C. 92 Rousseau. 130 Pont-de-Beauvoisin 131 Rostock 39 Port-Royal des Champs 10. de 99. 23 Proclo 53 Rutgers 24 Províncias Unidas 5 Ruyslael 5 Prússia 22. 97 Rye. B. du P. M. 133. 84. 35. 24. G. 53. 151 Rouillard. 143. 34. Rouen 143 81. J. de la 129 Rambouillet. M. 39. 49 San Francisco Xavier de Chuquisada Rambouillet. W. 40. F. A. 107 Pepin. 136. 140 Plotino 53 Richelieu. 76. 41 Península Ibérica 13 Ratke ou Radke 33. 18. 80. 77. 108. A. 126 Sabôia 3 Safo 107 Quebec 129. S. A. 37 115 San Cristobal de Huamanga 23 Rakoczy. de 30 Salente 135 Quimperlé 83 Salústio 70 Quintiliano 55. P. 96 Pensilvânia 24. de 61 Père Annat 80 Realien 33 Péréfixe. 40. 92. 101 Reble. 33 Pernambuco 54 Reggio 3 Pérou 113 Regius 21 Pérsio 70 Rei Idomeneu 135 Peru 23 Reims. 138 Polonia 44. 130 Salamanca 50 Quevedo. de 123 Ptolomeu 27 Puy 125. 137 Salvador 130 Salzburg 22 Rabelais. 148 Plinval. 7. 4.

54 Saragoça 139. W. G. 49 São Luís 112. R. 97 Santa Ângela Merici 122. 147. Soledade 118 119. 103. 80. 128 Séricourt. C. 151 Semler. D. 112. 53 São João Eudes 9. de 45 São Domingos 23 Snyders. P. 10. 128 Temple. Spangenberg 97 64. H. J. 75. R. 63. 127 Sorbonne 10. 68. 151 Schupp. 37 São João 69 Sourdis 124 São João Batista de La Salle 2. 12. 104. 113 Suetônio 70 São Marcos 23 Suíça 37. 122. 113 Saros-Patak 49 Saint-Cyran 10. 127. 143. 64. 79. 130. F. 142. E. Spener. J. 89 144. 85 Sauvage. 125. Mme. J. 128. 119. 7 Santo Inácio de Loyola 65. C. 126 Simon. 147. 70 147 Taton. 7 Saint-Cyr 108. 52 São José 126. 143. G. 150 Telêmaco 135 São Vicente de Paulo 9. 85 Saumur 72. 79. 13 Selden. 95. 72 Santo Tomás de Aquino 23. 100 Sainte-Beuve 78. 83. 80. 146. P. 12. 10. 150. de 110 Scudéry. 111 Saint-Privat-d’Allier 126 Séguiran 67 Saint-Simon 11. M. 148. 129 Stuttgart 42 São José de Calasanz 104. 84 São Jerônimo 63 Sortais. Temistio 53 119. 124. Mlle. 95. J. H. 53 Saint-Germain 110 Saxe-Gotha 33. 63. 42. de (Salmasius) 52 84. 152 Spinoza. 145. 32 São Filipe Neri 64 Sófocles 70 São Francisco de Sales 9. 92 São João Crisóstomo 53. 147 Sicília 3. 118 Santa Luisa Marillac 10. 15. G. 149. 105 Suécia 5. 77. 15 São Sulpício 63. J. 70 Stanley. F. 125. 111. 63 Stenon 14 São João Francisco 126 Strada. 111. 140 Saint-Aubin 113 Sardenha 3. 146 Saint-Georges 103 Savile. T. 42 São Miguel 117 Sulzer. 66. 127 Senegal 8 Santa Joana de Lestonnac 124 Sepp. 112. 96 151. 31.Sandys. 53 Saint-Yon 144. Shaftesbury 89. 123 Sêneca 70 Santa Joana de Chantal 10. 83. M. 38 171 . Saumaise. M. 12 Sàntha. 82. H. 90 78. 145. 44. G. 110. 69 Simplício 53 São Basílio 70 Singlin. 74. 33. 80 São Bento 142 Sisteron 126 São Carlos 103-104 Sittewald. 92 São Paulo 127 São Pedro Fourier 10. 63. 120. 45 Saint-Pierre. 34 Saint-Honoré 9 Scarron 110 Saint-Jacques 79 Schopenhauer 140 Saint-Omer 121. de 79 Santa Ùrsula 130 Sérouya. 105 Sete Povos das Missões 116 Santo Agostinho 10. B. 20 São João Bosco 10 Stanhope. 141. Spencer. Tácito 54. A. 79. 78.

123. 27. J. 27. T. 36. 26. 1. 28 Varrâo 6 Willaert. H. 78 Vacant-Mangenot 64 Vacca. 124 Viriville. S. H. M. 23 York 121. 35. 150 Wallis. 122 Uzès 126 Ypres 10. H. 45 Vermeer 5 Wrington 88 Versalhes 80. A. B. 31 Teofrasto 47 Viena das Gálias 126 Terêncio 70. 68 Trous 80. C. 72 Virgílio 28. O. S. 39 Vaumurier 83 Wilster 39 Vendôme 72 Winckler. 121. V. 27 Vaugirard 146 Willmann. P. P. 122 Vivonne. 33 Vannes 150 Westminster 88 Van Ostade 58. 37. L. 64. J. 7 Vitrúvio 47 Toulon 8 Vives. 92. 26. de 126 Teresa 121 Villegas 30 Testamento Político 18 Virgem Maria 9 Thomassin. 53 Ucrânia 23 Uhérsky Brod 47 Xenofonte 70 União Ibérica 4 Urbano VIH 125 Yale College 24 Utrecht 21. 110-111 Vesfália 100 Zifùsio 44 Vey. 88 Tours 129 Viviers 126 Trauth. R. L. de 32. M. 1. 28 Valério Máximo 70 Warmsdorf 40 Valois. 66. 27 Vaihingen 42 Ward. 26. 28 van Helmont 27 Weimar 20. 70. 127 Zinzendorf 97 Vico. L. 27. de (Valesius) 52 Webster. 52. I. L. 8 1 Volpicelli. 65 Vauban. 59 Wilkins. A.Teócrito 70 Vieira. 140 Turenne 8 Voorbroek ou Perizonius 53 Vossius. de 59 Toscana 3. 107 Troppau 48 Voiture 31. L. 122 Valença 6 Ward. 106 Tubinga 42 Voltaire 15. 36 Zuinglio 141 172 . 120. 84 Tibulo 70 Virgínia 24 Tolosa 21. 102 Villars. 96 Veneza 3 Wolfflin 29 Verdun 52 Woodward. G. de 8 William and Mary 24 Vaugelas 25 Willis. 1.

25. 101 calvinista 46 — de Belas Artes 22 canto 96. 99 barroco 29 — parisiense 54 barthollismo 30 colônias americanas 23. 66. 24. 124 173 . 56. 96 colônias inglesas 60 Bill of Test 12 comédia 107 bolsista 112 comediógrafo 81 botânica 88 Companhia das índias Ocidentais 4 bula 65. 58. 120. 100. 23. 121 antigüidade 52 classe 137 Apostolado Leigo 122 classicismo 15 aprendizagem 75 clássico 39. 108. 117 colégio 54. 24. 111. 77 casa. 78 — do Patrocínio de Itu 127 auto clássico 50 — du Plessis 136 — jesuítico 99 Baralipton 29 — Nossa Senhora do Patrocínio 127 barbara 29 — oratoriano 70.índice analítico Abadia 119 Cálculo infinitesimal 14 — de Port-Royal 79. 130 clero secular 9 arte mecânica 42. 57. 26. 73. 139 bússola 36 Companhia de Maria 123. 100 Calvin ismo 10 — cavaleiresca 100. 69 — de Medalhas 22 cartesiano 93 — escolar 24 cartilha 148 •— Francesa 7. 89 agostinianas 119 catedral 60 agricultura 117 catolicismo 110 agudeza 31. 66. 140 ciência 26.de Santa Ursula 131 Augustinus 10. 35. 71. 134 — Militar 99 — físico 55 açúcar 117 catecismo 61. 97 Bíblia 84. 57. 110 116. 56. 148 — moderna 14 algonquino 130 civilidade 138 analfabetismo 59 clarissas 119. de Saint-Cyr 112 — Literária 26 castigo 90. 58. 22. 105. 52 aristotélicos 18 clausura 119 aritmética 107. 81 caligrafia 61 absolutismo 3 calígrafo 142 academia 20. 17. 121. 108 — de Ciências 21 carmelitas 119 — de Inscrições 22. 100 alfabeto 138. 50. 125 Companhia de Jesus 54. burguesia 8. 68. 137 artesanato 60 — de Beauvais 136 asilo 60 — de Nossa Senhora da Piedade 131 astronomia 27 Ato de União 6 —. 53 cartesianismo 21. 27.

68 96. 96. 104 cônegas de Notre-Dame 147 educação 46. 84. 90. 42. Discurso do M étodo 35. 114. 128 — de Dijon 123 — dos príncipes 99. — universitário 27 147 Entretiens sur les Sciences 69. 130 174 . Companhia de Santa Ürsula 123 disputationes 56 Companhia do Santo Sacramento 9. 66 — de meninas 110 — da propaganda 121 — de moças 110 — das Irmãs de São Carlos 104 — do Delfim 102 — das Irmãs de São José 125. 107 comunidade de São Luís 112 doutrina guarani 116 conceptismo 30 doutrinário 58. 47. 48. 83. 99 disciplina 71. 128. 40 — superior 22 Didática Magna 42. 91. 108 dicionário 25. 52 — popular 141 didática 36. 81 currículo 47 enciclopédia 39. 83. 63 concertationes 56 concetti 31 Economia 101 Concílio de Trento 9. 103. 37. 115 — clássico 138 De la Recherche de la Vérité 75 — da filosofia 68 De l'Éducation des Filles 102 — da religião 95 denúncia 56 — das línguas 45 desenho 71. 12. 124 — de Nosso Salvador 63 — física 90 — de Paris 123 — gratuita 104 — docente feminina 120 — jansenista 79. 44 ensino 60. 81 — do oratório 25 — oficial 33 — feminina do século XVII 129 — pietista 98 contabilidade 107 — popular 2. 49. 73 direito civil 107 equitação 71. 125 — feminina 106. 47. 101 — de Nossa Senhora 124. 60. 99. 50. 48. 126 — dos nobres 99 — de Bordéus 123 — dos pobres 104. 38. 133 cônegas regulares 125 — burguesa 114 cônegos regulares 63 — das mulheres 107 congregação 9. 10 — doméstica 107 Conduite des Écoles Chrétiennes 148 Edito de Nantes 11. 134 eremita 63 — real 97 erva-mate 117 Discours de l’État et des Grandeurs escolápio 104 de Jésus 67 escola 18. 75 — catequético 95 Dança 71. 59. 81. docilidade 138 103 doctrineros 116 Companhia Holandesa das índias dominicanas 119 Orientais 4 doutrina cristã 105. 80. 125. 109. 39. 47. 99 — elementar 151 Diálogo dos Mortos 102 — mútuo 104. 104 Corte na Aldeia 19 — prática 89 criança 134 — religiosa 45 — pobre 95 — utilitária 89 crise da consciência européia 138 educador 134 crítica histórica 53 eloqüência 137 cronologia 116 empirismo filosófico 89 culteranismo 30 emulação 56. 41.

149 Instituto das Damas Inglesas 120 Filhas da Caridade 10. 97 — paroquial 147 heresia 22 — Pia 61. 137. 122 Filies de Notre-Dame 124 Instituto dos Irmãos das Escolas filosofia 22. 82. 72. 95. 80. 114. 144 — parisiense 59 Hebraico 96. 130. 71. 147 fortificação 100 Irmãos Coadjutores 117 francês 82. 91 inspeção 71 férula 58. 72. 69. 100. 114. 115. 26. 130 hospital geral 60 escritório tipográfico 138 humanidade 57. 32. 97. 88 — da França 70 — secundária 110 — eclesiástica 73 Escolástica 42 — grega 114 escolásticos 93 — romana 114 escrita 107. 133. 134 — moderna 87 internato 150 — natural 69 Irmãs de Caridade 119 física 14. 42. 100. 137 — pública 43. 81. 91. 150. 100 — maternal 48 guia das escolas cristãs 147. 116 Irmãos Morávios 97 175 . 115. 77 79 gomarismo 12 80. freira 110 141. 137. 127. 84. 152 Irmãos Lassalistas 148 Geografia 100. 81. 80. 101. 104. 101 Irmãs de São José 126.— aristocrática 32 geologia 14 — burguesa 96 geometria 14 — de Port-Royal 10. 77. 136. 105. 58. 27. 44 — materna 50 95. 141 espanhol 100 espiritualidade 126 Idade Média 52 estenografia 91 igreja 93 estilo parisiense 54 — anglicana 59 eudistas 9. 106 hidrografia 150 — popular 32. 145. 107 — dos burgueses 96 — geral 82 — dos pobres 96. 69. 96. 57. 85 gongorismo 29 — — feminina de 108 graça 78 — de Saint-Cyr 109 gramática 25. 63 —. 50 Guerra dos Trinta Anos 5. Cristãs 103. 139 instrução 18. 66. 111. 32.luterana 97 exercício de piedade 98 inatismo 37. 128 Instituto de Maria 120. 64. 91. 137 — lassalista 150 guerra de religião 122 — latina 42. 73. 138 — grega 70 — elementar 50. 83 escritura 73 humanismo 52. 150 — normal 96. 91. 127 — aristotélica 69 Irmãs do Menino Jesus 143. 96 história 107. 104 141 — latina 70. 99 humanista 28. 93 experimento 28 indução 38 indústria têxtil 117 Fábula 102 Inquisição 13 faculdades intelectuais 88. Irmãos da Vida Comum 55 138 Irmãos das Escolas Cristãs 60. 53 esgrima 71. 142 83. 82 147 Grandes Companhias 4 — gratuita 104 grego 69. 97. 83.

58. 63. 72. 63 Museu do Louvre 58 leitura 61. missionário 116 117. 68. 67. 66. 110 lenda negra 7 letras 21. 67. 68. 69. 83 — simultâneo 147 jansenista 67. 134 Parlamento inglês 45 — ativo 138 pedagogia 87 — didático 33. 74. lógica 38. 101 74 luterano 46 — de Jesus 64 — italiano 64 Magistério 20 Ordem das Ursulinas 122. 41. 121. 58. 91. 119 lassalistas 2. 124 livro didático 80 oratório 9. 100. 139 Natação 99 — clássicas 65 natureza humana 78 — gregas 54 navegação 150 — latinas 54 neoplatônico 93 Lettres sur l’Éducation des Filles 135 nobre 58. 55. 73. 145 padre da igreja 73 metafísica 47 padre do Santíssimo Sacramento 58 metáfora 51 Palestras e Cartas 113 método 37. 82. moral 91. 88. 39 — escolástico 56 — do século XVII 102 176 . 72. 110 liberalismo 12 — educação do 99 língua 48 nobreza 8. 136. 32 — cisterciense 79 latim 49. 107. 107. livre-arbítrio 78 69. 32.Irmãos Serventes 146 — individual 147 iroquês 130 — intuitivo 46 italiano 100 — pedagógico 67 dos jesuítas 25 Jansenismo 10. 101 107. 47. 64. 97 O Paraíso Perdido 46. 73. 80. 67. 65. 130 música 71. 32. 47 literatura barroca 45 oratorianos 26. 105. 84. 123 manuscrito 53 Ordem da Visitação 119. 44 O Burguês Fidalgo 17 — nacional 95 O Fidalgo Aprendiz 18 — pátria 28. 36 jesuíta 10. 66. 63. 99. 72. 82. 30 de Deus 104 Marmor Parium 53 Ordem dos Jesuítas 139 matemática 14 Ordem dos Mínimos 104 matematismo 35 Ordem Mendicante 139 mecenas 139 ortografia 60 medicina 27. 91. 25. 55 — científica 1. 105 •— francesa 68. 135. 111. 144. 137 microscópio 14. 88 memorização 97 Pädagogium 96 mestre-calígrafo 60. 124 Missões Jesuítas da América do Sul jogo 134 116 jovem pobre 110 modo parisiense 57 monarquia francesa 109 Laboratório 43 monja 110. 114. 148 — indígena 130 Obra clássica 102 — latina 91 obra didática 83 — materna 40. 70. 126 mapa 116 Ordem dos Clérigos Pobres da Mãe marinismo 29. 137 mosteiro 109 lazaristas 9. 68.

63 poesia 107. 125 pensionato feminino 108 pequena nobreza 110 Sabatina 55 Petites Écoles 77. 56. 27. 133. 43. 57. 115 República Literária 19. 100. 101. 83. 124. 147 reforma religiosa jansenista 77 — francesas 123. 123 regra comum 150 utopia 135 regulamento 147 — para os exercícios diários 150 Verbalismo 45 religião 110 visitandinas 10. 80 trabalho manual 96 psicologia infantil 75 tragédia 1 1 1 Tratado de M oral 75 Química 27. 80. 137 Pensamentos sobre Educação 88 Revolução Francesa 123. 129. 67 — alemã 21 razão 78 — de Halle 96 recolhimento 130 — de Paris 21. 68 Ratio studiorum 25. 79. 84 sacerdócio 104 pietismo 95 Sagrada Escritura 139 platônicos 93 saião 31 pobre 128 — literário 107 — educação dos 128 seculares 58 •—. 85 preceptor 76. 101 Tabaco 117 princípio da utilidade 89 teatro 71 princípio educacional 84 Telêmaco 102 professora leiga 109 telescópio 36 professor oratoriano 71 teologia 72. 137 redução 116. 137 — de São Carlos 104 poética 25 — de São Sulpício 63 política 101 Sinais 149 prática de piedade 82 sistema circulatório 14 prática de esportes 90 sistema copérnico 27 práticas piedosas 97 “solitários” 10. 107 pena de metal 82 retórica 25. 21. 141 Whigs 5 — católico 9 workhouse 60 177 . 22 . 139 promoção do aluno 149 teoria literária 140 protestante 11. 88 Tratado dos Estudos 136 Racionalismo 87. educação do 99. 79. 63 preciosismo 31 surdo-mudo 61 presença real 12 príncipe. 28.— lassalista 147 — humanistas do 28. 136. 119 — ensino da 97 visitação 127 — luterana 95 Renascimento 20. 58 tolerância 12 protestantismo alemão 95 Tories 5 provincial 1 1 . reforma protestante 122 130. 118 — inglesa 26 reforma católica 13. 63 Ursulinas 110.escola do 138 seminário 9. 99 sulpicianos 9. 131 reformador protestante 141 — Ordem das 122. 128. 57. 95 Universidade 20. 136. 123. 90 pedagogo 133 representação teatral 11 1 pedantismo 107.