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Sociedade Portuguesa Contemporânea Apontamentos de: Célia Silva E-mail: celiamrgsilva@gmail.com Data: 2012/2013

Sociedade Portuguesa Contemporânea

Apontamentos de: Célia Silva E-mail: celiamrgsilva@gmail.com Data: 2012/2013

Bibliografia: Manual adoptado: Joaquim Torres COSTA, Sociedade Portuguesa Contemporânea, Lisboa, Universidade Aberta.

Nota:

Sociedade Portuguesa Contemporânea

Introdução

A abordagem da sociedade portuguesa, desenvolve-se sequencialmente em torno de 3 grandes perspetivas temáticas

Tendências demográficas e organização social do território Desenha-se uma perspetiva global da população portuguesa, projetada a partir das variáveis mais relevantes da Desenha-se uma perspetiva global da população portuguesa, projetada a partir das variáveis mais relevantes da observação demográfica e da geografia humana

Desenvolvimento económico e social Concentra-se nos modelos, nas opções e nos constrangimentos que, em matéria de afetação e distribuição Concentra-se nos modelos, nas opções e nos constrangimentos que, em matéria de afetação e distribuição social daqueles recursos, contribuem para determinar o nível e a qualidade de vida atuais dos portugueses

Morfologia e dinâmicas da estrutura social Visa proporcionar um panorama das principais diversidades que moldam a composição e as dinâmicas sociais Visa proporcionar um panorama das principais diversidades que moldam a composição e as dinâmicas sociais da população portuguesa Há o recurso frequente ao longo da exposição, a séries estatísticas que recobrem a evolução dos indicadores selecionados ao longo de períodos temporais, mais ou menos alargados. Existem 3 ordens de razões:

Perspetivas escalares Comparação de dados recolhidos em momentos diferentes da sequência histórica (“melhor” ou”pior” do estado Comparação de dados recolhidos em momentos diferentes da sequência histórica (“melhor” ou”pior” do estado presente)

Captação de regularidades Sequências temporais de informação sobre um campo ou processos sociais, identificando tendências , traduzindo opções Sequências temporais de informação sobre um campo ou processos sociais, identificando tendências, traduzindo opções históricas e projetando probabilidades futuras.

Ritmos de evolução Análise sequencial de indicadores que exprimem os graus de continuidade ou de aceleração , de Análise sequencial de indicadores que exprimem os graus de continuidade ou de aceleração, de inércia ou de rutura, inerentes aos processos e às mudanças sociais

Marcos fundamentais do mais recente percurso histórico do país

Relevantes pelas consequências profundas que esses acontecimentos tiveram sobre:

As condições objetivas da organização e do desenvolvimento da sociedade portuguesa

As condições objetivas da organização e do desenvolvimento da sociedade portuguesa

As formas de perceção e de apreciação da realidade social A revolução de 25 de

As formas de perceção e de apreciação da realidade social A revolução de 25 de Abril de 1974

Ato fundador do regime democrático. Imprimiu uma marca de aceleração e de descontinuidade históricas (expressa

Ato fundador do regime democrático. Imprimiu uma marca de aceleração e de descontinuidade históricas (expressa na demarcação recorrente entre um "antes" e um "depois") cujos efeitos reais e simbólicos se continuam a fazer sentir poderosamente sobre as vivências, as lutas e as representações sociais dos portugueses no início do séc. XXI A descolonização (1975-1976)

Correspondeu a uma incontornável tendência mundial da 2ª metade do séc. XX 2ª metade do séc. XX

No caso português decorreu, especialmente nas principais colónias africanas, sob o signo de um dramatismo que foi como que o contraponto crepuscular de uma guerra traumatizante que se prolongava há mais de uma década.incontornável tendência mundial da 2ª metade do séc. XX Para além das suas consequências políticas e

Para além das suas consequências políticas e sociais mais imediatas (como o súbito retorno de

Para além das suas consequências políticas e sociais mais imediatas (como o súbito retorno de mais de 1 milhão de portugueses que residiam nas até então províncias ultramarinas), a dissolução do império colonial determinou uma alteração profunda da situação económica, social e cultural no mundo dum país abruptamente confinado ao seu território europeu original; A adesão à C.E.E. (1985):

Opção de fundo do regime democrático, não deixou, todavia, de se inscrever na linha duma progressiva integração da economia portuguesa no espaço económico europeu já iniciada nos anos 60 . anos 60.

Com o fim do império (e da economia) coloniais, a entrada no grupo de países que formavam então a Comunidade Económica Europeia e formam hoje a União Europeia, traduziu-se num verdadeiro "recentramento" da posição de Portugal à escala internacional.no espaço económico europeu já iniciada nos anos 60 . Como já acontecera com a revolução

Como já acontecera com a revolução de 1974 , a integração europeia associou, assim, num mesmo processo, a transformação da realidade social 1974, a integração europeia associou, assim, num mesmo processo, a transformação da realidade social objetiva e das categorias sociais de apreensão dessa realidade.

TENDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS E ORGANIZAÇÃO SOCIAL DO TERRITÓRIO

Enquanto nos países europeus, em 1960, se acentuavam já os efeitos mais marcantes da chamada "modernização demográfica" associada ao desenvolvimento das condições económicas, sociais e culturais (o declínio do crescimento natural e o envelhecimento da estrutura etária), a população portuguesa caracterizava-se ainda por uma taxa de crescimento natural positiva e por uma estrutura etária jovem (mas também por uma esperança média de vida muito inferior e um índice muitíssimo mais elevado de mortalidade infantil do que o dos países desenvolvidos). No início do séc. XXI aquela situação encontra-se radicalmente alterada.

Este facto traduz a ocorrência de uma inversão do perfil e dinâmicas fundamentais da população: o abrandamento constante do ritmo de crescimento inversão do perfil e dinâmicas fundamentais da população: o abrandamento constante do ritmo de crescimento natural e envelhecimento da estrutura etária são hoje, não apenas traços momentâneos, mas tendências consolidadas da demografia portuguesa.

Para a alteração destas tendências contribuiram: :

As alterações profundas que afetaram os fatores estruturais da dinâmica demográfica natural: natalidade, fecundidade, mortalidade, longevidade média da população;

A dinâmica migratória que tem contribuído, ora para agravar, ora para atenuar as consequências efetivas das alterações estruturais da dinâmica natural.

1.1. As dinâmicas demográficas

O séc. XX caracterizou-se, em Portugal, por um crescimento constante da população.

Contudo, dentro dessa tendência global, as 4 décadas posteriores a 1960 revelaram contrastes muito significativos no ritmo de crescimento:

Década de 60contrastes muito significativos no ritmo de crescimento: Década de 70 Década de 80 Década de 90

Década de 70muito significativos no ritmo de crescimento: Década de 60 Década de 80 Década de 90 Diminuição

Década de 80no ritmo de crescimento: Década de 60 Década de 70 Década de 90 Diminuição da população

Década de 90de crescimento: Década de 60 Década de 70 Década de 80 Diminuição da população Incremento muito

Diminuição da população

Incremento muito acentuado dos residentes;

Quase estagnação da população

Aumento populacional significativo, embora distante do que ocorreu nos anos 70 Estas acelerações e desacelerações
Aumento populacional significativo, embora distante do que ocorreu nos anos 70
Estas acelerações e desacelerações traduziram, em diferentes momentos e conjunturas históricas,
dinâmicas diferenciadas dos fatores que determinam o volume e ritmo de crescimento demográfico.
O crescimento ou o decréscimo do número de efetivos da população residente, podem ocorrer por
efeito de 2 "movimentos":

O crescimento natural , cujo indicador é o saldo natural Diferença entre o nº de nascimentos crescimento natural, cujo indicador é o saldo natural Diferença entre o nº de nascimentos e de mortes num determinado período;

O crescimento migratório , cujo indicador é o saldo migratório Diferença entre a saída e a crescimento migratório, cujo indicador é o saldo migratório Diferença entre a saída e a entrada de residentes nesse intervalo de tempo.

1.1.1. A dinâmica natural A dinâmica natural da população portuguesa obedece, desde 1960, a uma mesma tendência estrutural:

a diminuição constante do ritmo de crescimento natural (de que é indicador a diminuição regular e acentuadíssima do saldo natural Diferença entre os nascimentos e os óbitos). A explicação desta tendência para a redução do crescimento natural encontra-se no modo como tem evoluído o comportamento das seguintes varáveis fundamentais:

Mortalidadeo comportamento das seguintes varáveis fundamentais: Esta taxa manteve-se dentro de valores relativamente

Esta taxa manteve-se dentro de valores relativamente estáveis.

Verificou-se uma redução acentuada da taxa de mortalidade infantil Os pequenos incrementos do nº total de óbitos refletem o aumento de população nos escalões etários mais elevados.

Natalidade Esta taxa evoluiu de forma acentuadamente negativa na década de 90 nasceram em média menos Esta taxa evoluiu de forma acentuadamente negativa na década de 90 nasceram em média menos de metade das crianças que nasciam em 1960. Após 1994 verifica-se uma ligeira inversão dessa tendência, embora o incremento do nº de nascimentos estivesse longe de apontar para o restabelecimento dos padrões tradicionais de natalidade.

FecundidadeO decréscimo da natalidade articulou-se com o declínio da taxa de fecundidade . A partir

O decréscimo da natalidade articulou-se com o declínio da taxa de fecundidade.

A partir da década de 80, o índice sintético de fecundidade passou a situar-se abaixo

de 2,1 filhos por mulher, que é o valor mínimo necessário para assegurar a substituição de gerações.

NOTAS:

Índice de envelhecimento

Relação entre a população idosa (=/+65 anos) e a população jovem (0 a 14 anos)

Relação entre a população idosa (=/+65 anos) e a população jovem (0 a 14 anos) por cada 100 indivíduos. Taxa de natalidade

Quociente entre o nº de nados-vivos ocorrido num determinado ano e a população média desse

Quociente entre o nº de nados-vivos ocorrido num determinado ano e a população média desse ano, por cada 1.000 habitantes. Taxa de mortalidade

Quociente entre o nº de óbitos ocorrido num determinado ano e a população média desse

Quociente entre o nº de óbitos ocorrido num determinado ano e a população média desse ano, por cada 1.000 habitantes. Taxa de mortalidade infantil

Quociente entre o nº de óbitos de indivíduos com menos de 1 ano de idade

Quociente entre o nº de óbitos de indivíduos com menos de 1 ano de idade num determinado ano e o nº de nados-vivos no mesmo ano, por cada 1.000 nados-vivos. Índice sintético de fecundidade

Nº

médio de nados-vivos que cada mulher em idade de procriar (15 a 49 anos) teria, caso se

mantivessem as taxas de fecundidade do ano observado. O nível mínimo necessário para a

substituição de gerações é 2,1. Esperança média de vida

de gerações é 2,1 . Esperança média de vida Nº médio de anos que restam para

Nº médio de anos que restam para viver a um indivíduo no momento do nascimento, caso se

mantenham as taxas de mortalidade observadas nesse mesmo momento.

1.1.2. A dinâmica migratória Depois de 1960, a dinâmica migratória (que resulta dos movimentos de entradas e de saídas de população) conheceu grandes variações conjunturais, com efeitos contrastantes nos números globais do crescimento demográfico.

Emigração e retorno

A emigração constituiu-se historicamente como uma constante estrutural da sociedade

A

emigração constituiu-se historicamente como uma constante estrutural da sociedade

 

portuguesa.

No período que mediou entre os últimos anos do séc. XIX e as primeiras décadas

No

período que mediou entre os últimos anos do séc. XIX e as primeiras décadas do séc. XX,

uma poderosa corrente emigratória em direção ao Brasil tinha já tido reflexo significativo no ritmo do crescimento demográfico.

No início de 1960, assistiu-se ao encerramento do grande ciclo migratório transatlântico

No início de 1960, assistiu-se ao encerramento do grande ciclo migratório transatlântico

e à sua substituição por novos destinos preferenciais da emigração portuguesa:

1960-1973: A explosão da emigração para a Europa Período marcado pela emergência de um movimento massivo de emigração dirigido preferencialmente para o continente europeu (França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça em particular) Houveram, também, embora em menor volume, partidas para outros países,

nomeadamente do continente americano (Estados Unidos, Venezuela, Canadá). Este êxodo distribuiu-se por todas as regiões do país (com exceção do Alentejo, onde a saída de população se fez sobretudo na direção da Grande Lisboa) mas o

seu peso relativo foi especialmente forte nas regiões do Norte e Centro Interiores. A esse fluxo de "emigração internacional" acresceu a continuidade duma corrente mais antiga dirigida para a fixação nos territórios ultramarinos (especialmente Angola e Moçambique) "emigração colonial" 1974-1985: Os grandes movimentos de retorno Circunstâncias históricas que determinaram, neste período, um declínio substancial do nº de saídas e o regresso às fronteiras europeias de Portugal dum grande nº de portugueses anteriormente emigrados:

Processo de descolonização (1974-1975) Derivado da independência dos novos Estados africanos de expressão oficial portuguesa

Regressaram à antiga Metrópole, num curtíssimo intervalo de 2 ou 3 anos, cerca de 600.000 residentes das ex-colónias portuguesas em África Políticas restritivas da imigração e de estímulo ao retorno dos imigrantes

Postas em prática, depois de 1973, pelos principais países europeus

recetores de mão de obra portuguesa (na sequência da crise que, nos anos 70, terminou com uma época de grande expansão económica encetada no pós-guerra). Calcula-se que essa circunstância tenha determinado o regresso de

aproximadamente 500.000 portugueses Contudo, este fenómeno não assumiu o caráter e impacto de vaga populacional que caracterizou o retorno dos residentes das antigas colónias, já que se diluiu ao longo do tempo.

Como este retorno se deu, predominantemente, para as regiões litorais, os mesmos não foram suficientes para travar o declínio demográfico das regiões interiores A partir da década de 80: emigração menos intensa, mas constante e mais diversificada

Menor disponibilidade dos países tradicionalmente recetores para o acolhimento

permanente de emigrantes Atenuação progressiva das condições repulsivas do próprio pais

progressiva das condições repulsivas do próprio pais Resultaram numa menor intensidade da emigração, quando

Resultaram numa menor intensidade da emigração, quando comparada com a grande corrente dos anos 60. No entanto, esta redução não se traduz em cessação: o nº de saídas anuais apresenta uma regularidade e constância significativas. A "tradição" do recurso à emigração por parte de alguns setores da população portuguesa permanece viva, o que se traduz na maior diversificação de destinos e, na preferência cada vez mais acentuada por formas de emigração temporária e sazonal.

Imigração

1960 O nº de residentes estrangeiros em Portugal não ultrapassava cerca de 0,2% da população total O nº de residentes estrangeiros em Portugal não ultrapassava cerca de 0,2% da população total, traduzindo o fraco poder atrativo do país no contexto das migrações internacionais.

2ª metade dos anos 70 e no início da década de 80 O nº de estrangeiros que entram no nosso país com início da década de 80 O nº de estrangeiros que entram no nosso país com estatuto de imigrantes começa a crescer de forma contínua e acentuada. Esta corrente imigratória, foi liderada inicialmente pela entrada de cidadãos originários dos novos países africanos de expressão portuguesa e reforçada, depois, por fluxos sucessivos de cidadãos provenientes, nomeadamente, do Brasil, da Europa comunitária, e mais recentemente da Europa de leste. Os principais pólos de atração de cidadãos estrangeiros situam-se na Área Metropolitana de Lisboa e ainda em Setúbal, no Porto e no Algarve. Nos anos 2000 e 2001, os processos de regularização extraordinária de imigrantes (com vista à legalização das situações de clandestinidade) permitem estimar em aproximadamente 300.000 o nº de estrangeiros em Portugal (ou seja, cerca de 3% da população total).

1.2. Ciclos e ritmos do crescimento populacional

A evolução conjugada das dinâmicas demográficas natural e migratória permite-nos compreender as fases por que passou o crescimento efetivos da população ao longo das 4 décadas finais do séc. XX:

Entre 1960 e 1970da população ao longo das 4 décadas finais do séc. XX : Apesar de um saldo

Apesar de um saldo natural positivo, os saldos migratórios extremamente negativos provocados pelo grande volume de emigração refletiram-se numa diminuição efetiva da população

Nos anos 70 Apesar do declínio acentuado do crescimento natural , os movimentos de regresso de emigrantes e Apesar do declínio acentuado do crescimento natural, os movimentos de regresso de emigrantes e de residentes das ex-colónias portuguesas na 2ª metade da década deram origem a um saldo migratório positivo e a um acentuado crescimento efetivo da população

Na década de 80positivo e a um acentuado crescimento efetivo da população A redução do volume dos movimentos migratórios,

A redução do volume dos movimentos migratórios, conjugada com a redução

constante do crescimento natural conduziu a uma estagnação em torno de um crescimento médio quase nulo;

Na última década do séc. XX Assistiu-se a uma retoma do crescimento efetivo , com a pop. residente a aumentar em Assistiu-se a uma retoma do crescimento efetivo, com a pop. residente a aumentar em aproximadamente 450.000 indivíduos em relação a 1991. Com o saldo natural da década bastante inferior a esse acréscimo (seguindo o declínio iniciado nas décadas anteriores), um saldo migratório positivo de cerca de 360.000 pessoas desempenhou, por isso, papel fundamental nesta nova fase de crescimento demográfico.

1.3. O envelhecimento da estrutura etária

Nos últimos 40 anos, a estrutura etária da população portuguesa alterou-se profundamente.

Esta alteração traduziu-se num envelhecimento demográfico que se caracteriza por :

Esta alteração traduziu-se num envelhecimento demográfico que se caracteriza por:

 

Um peso cada vez maior de indivíduos nas idades mais avançadas

Um peso cada vez menor dos indivíduos com idades mais jovens Duplo envelhecimento:

 

Na base da chamada "pirâmide etária" Menos jovens

No topo Mais idosos No início do séc. XXI esta configuração aproxima-se rapidamente de uma pirâmide etária invertida Mais indivíduos acima dos 64 anos do que indivíduos com menos de 15 anos Indicador desta realidade é o crescimento constante do índice de envelhecimento da população O envelhecimento demográfico é o resultado da evolução estrutural das variáveis fundamentais da dinâmica natural:

O declínio da natalidade e da fecundidade Reduz progressivamente o nº de indivíduos com menos de declínio da natalidade e da fecundidade Reduz progressivamente o nº de indivíduos com menos de 15 anos;

O aumento da esperança média de vida Traduz-se na longevidade crescente da população Tem por consequência o crescimento no nº de indivíduos Traduz-se na longevidade crescente da população Tem por consequência o crescimento no nº de indivíduos entre as gerações mais idosas. Esta evolução repercute-se, por sua vez, na evolução de outros indicadores sócio-demográficos relevantes, nomeadamente:

No crescimento da relação de dependência Aumenta a percentagem de inativos idosos em relação à população crescimento da relação de dependência Aumenta a percentagem de inativos idosos em relação à população adulta em idade ativa

Na estrutura do estado civil da população Diminui o nº de solteiros (em resultado de um estrutura do estado civil da população Diminui o nº de solteiros (em resultado de um menor nº de indivíduos em idade de casar) e aumenta o nº de viúvos (em resultado do incremento da população idosa)

Na morfologia dos agregados familiares Diminui a dimensão média da família, acentuam-se as situações de isolamento morfologia dos agregados familiares Diminui a dimensão média da família, acentuam-se as situações de isolamento familiar (com o aumento relativo dos indivíduos idosos nas famílias com uma só pessoa) e decresce o peso relativo das famílias mais numerosas

1.4. Diferenciação territorial das dinâmicas demográficas

Tanto a dinâmica natural como a dinâmica migratória conheceram, em diferentes regiões, ritmos e orientações diversas. Deste facto, resultam padrões diferenciados do crescimento e do envelhecimento populacionais e importantes contrastes territoriais da estrutura e do dinamismo demográficos da população

1.4.1.Diferenciações regionais do crescimento populacional Predominou em certas regiões a tendência para perder população (mesmo em momentos de crescimento global positivo), enquanto outras conheceram ganhos populacionais constantes (mesmo em momentos de crescimento global negativo):

No conjunto dos últimos 40 anos do séc. XX, as regiões do Norte e Centro interiores , o Alentejo (e também o interior algarvio ), caracterizaram-se por Norte e Centro interiores, o Alentejo (e também o interior algarvio), caracterizaram-se por decréscimos constantes e acentuados do nº de habitantes

No sentido inverso, as regiões do litoral continental (com as exceções das regiões Minho- Lima e do litoral alentejano) conheceram sempre litoral continental (com as exceções das regiões Minho- Lima e do litoral alentejano) conheceram sempre crescimentos populacionais Maiores na região de Lisboa, e menores nas regiões do Porto e do Algarve. Dentro dessa marcada assimetria territorial do crescimento demográfico, afirmaram-se entretanto (especialmente na década de 90) 2 tendências particulares:

O crescimento populacional dos concelhos e freguesias urbanos centrais das regiões interiores (capitais de distrito Viseu, Guarda ou Évora), em contraste com as perdas acentuadas dos concelhos (capitais de distrito Viseu, Guarda ou Évora), em contraste com as perdas acentuadas dos concelhos ou freguesias envolventes;

A perda substancial de populações das cidades de Lisboa e do Porto, em sentido rigorosamente inverso ao que ocorre nos concelhos periféricos das respetivas áreas metropolitanas. , em sentido rigorosamente inverso ao que ocorre nos concelhos periféricos das respetivas áreas metropolitanas.

1.4.2.Diferenciações regionais do crescimento natural As variáveis da dinâmica natural obedeciam, na década de 60, a uma significativa oposição entre Norte, por um lado, e o Centro e o Sul, por outro

Os concelhos do Norte apresentavam, em geral, índices de natalidade, de fecundidade e taxas de saldo concelhos do Norte apresentavam, em geral, índices de natalidade, de fecundidade e taxas de saldo natural significativamente superiores aos das outras regiões. O declínio geral da fecundidade e da natalidade nas décadas subsequentes foi acompanhado por uma aproximação dos respetivos valores em todos os pontos do país e por um abrandamento geral da dinâmica natural

Globalmente, as grandes assimetrias regionais do crescimento demográfico que se afirmaram nesse período, se ficaram a dever principalmente ao comportamento migratório da população No Noroeste do continente (espaço territorial cuja população cresceu sempre e comportamento migratório da população No Noroeste do continente (espaço territorial cuja população cresceu sempre e uma das mais povoadas do país) é o crescimento natural que tem assegurado a maior percentagem do crescimento populacional local Notório contraste sócio-demográfico com o resto do país. Situação peculiar é também a da Região Autónoma dos Açores, cujas taxas de fecundidade se situam acima da média nacional.

1.4.3. Contrastes regionais da dinâmica migratória Num contexto de abrandamento da dinâmica natural, a parte mais significativa das assimetrias do crescimento demográfico e das assimetrias de povoamento que delas derivaram, resultou:

Das movimentações geográficas da populaçãodas assimetrias de povoamento que delas derivaram, resultou: Da diferença entre os saldos migratórios das diferentes

Da diferença entre os saldos migratórios das diferentes regiões do país De tal diferença resultou um contraste estrutural entre : De tal diferença resultou um contraste estrutural entre:

Áreas predominantemente repulsivas de populaçãoDe tal diferença resultou um contraste estrutural entre : Norte e Centro Interiores A dinâmica repulsiva

Norte e Centro Interiores

A dinâmica repulsiva concretizou-se tanto através da saída para o estrangeiro

(emigração) como através da deslocação para as regiões mais atrativas do país (migração interna); Alentejo

O intenso êxodo populacional ocorrido concretizou-se sobretudo através da migração interna para a região de Lisboa;

Onde a emigração foi em geral pouco significativa

Áreas predominantemente atrativas de populaçãoLisboa; Onde a emigração foi em geral pouco significativa Os respetivos saldos migratórios positivos começaram por

Os respetivos saldos migratórios positivos começaram por ser, nos anos 60 e 70, resultado do acolhimento de indivíduos provenientes de outras regiões do país através da migração interna. Esta dinâmica atrativa foi depois reforçada pela orientação dos principais movimentos migratórios de origem externa:

Litoral, com especial relevo para a Grande Lisboa, o Grande Porto e o Algarve.

2ª metade da década de 70 O retorno dos residentes das antigas colónias africanas, fez-se

preferencialmente para o litoral continental, e especialmente para a região de Lisboa; Imigração

Os seus destinos preferenciais (Lisboa, Setúbal, Porto, Aveiro, Algarve) vieram a ser aqueles que já do ponto de vista interno apresentavam maiores taxas de crescimento migratório. Entretanto, na década de 90, consolidou-se, no interior do país, a capacidade atrativa dos concelhos centrais e cidades de pequena e média dimensões, especialmente em relação aos migrantes das regiões rurais envolventes.

1.4.4. Assimetrias regionais da estrutura etária

Também o envelhecimento demográfico revela disparidades regionais importantes no que se refere aos seus níveis e ritmos. As regiões do interior continental (onde tanto a dinâmica natural como a dinâmica migratória foram negativas) são as que apresentam os mais elevados índices de envelhecimento. No Norte e Centro interiores e no Alentejo concentra-se o maior nº de concelhos em que a % de população idosa é superior à % de população jovem O declínio dos grupos etários mais jovens - envelhecimento na "base" da pirâmide etária - é, em geral, mais acentuado no Sul por efeito das menores taxas de natalidade e fecundidade. No Norte continental e nas regiões insulares, que se caracterizam por uma natalidade mais elevada, concentra-se a maioria dos concelhos com maiores proporções de população jovem Quanto ao aumento do peso dos grupos etários mais idosos - envelhecimento no "topo" da pirâmide etária - ele é mais acentuado no interior do continente do que no litoral Açores (peso de jovens tem permanecido superior à média do país) Situações particulares, que correspondem a importantes diferenciações locais da dinâmica demográfica:

Em concelhos e cidades centrais do interior que crescem demograficamente (Viseu ou Évora), ocorrem em geral concelhos e cidades centrais do interior que crescem demograficamente (Viseu ou Évora), ocorrem em geral índices de envelhecimento significativamente inferiores ao das regiões em que esses concelhos e cidades se incluem;

As cidades de Lisboa e do Porto caracterizam-se por uma estrutura etária muito envelhecida E índices cidades de Lisboa e do Porto caracterizam-se por uma estrutura etária muito envelhecida E índices de envelhecimento superiores aos dos concelhos e cidades envolventes das respetivas áreas metropolitanas. Facto indissociável da dinâmica negativa que caracteriza a evolução demográfica dessas duas cidades em relação às suas periferias suburbanas.

1.5. Ocupação e organização social do território

2 principais vetores estruturantes da ocupação e ordenamento social do território português:

Litoralização do povoamentoocupação e ordenamento social do território português : Reconfiguração da distribuição espacial da população

Reconfiguração da distribuição espacial da população no conjunto do território

Urbanização da populaçãoespacial da população no conjunto do território Reconfiguração das formas predominantes de ocupação e de

Reconfiguração das formas predominantes de ocupação e de organização do espaço

1.5.1. As assimetrias territoriais do povoamento

Uma das consequências mais marcantes da conjugação das dinâmicas populacionais regionalmente diferenciadas foi, nas últimas 4 décadas do séc. XX, o dramático decréscimo da população. residente nas regiões do interior.

Este declínio populacional traduz-se, em espaços cada vez mais alargados do território, numa efetiva desertificação

Este declínio populacional traduz-se, em espaços cada vez mais alargados do território, numa efetiva desertificação demográfica. No sentido inverso, acentuou-se a litoralização do povoamento.

Cerca de 80% da população do país concentra-se, no início do séc. XXI , numa estreita faixa 80% da população do país concentra-se, no início do séc. XXI, numa estreita faixa litoral do continente

Dessa população concentrada no litoral, cerca de metade, por sua vez, reside nas áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, o que acentua ainda mais a tendência para a concentração populacional em espaços muito limitados do território . Nos anos 90 tendência para a concentração populacional em espaços muito limitados do território. Nos anos 90, esta tendência reforçou-se com a consolidação da capacidade de atração e de fixação de população por parte das cidades e dos concelhos centrais do interior desertificação ainda mais acentuada das áreas rurais envolventes

1.5.2. Concentração pipulacional e urbanização

1960

Apenas 1/3 dos portugueses vivia em localidades com mais de 2.000 habitantes;

Apenas 1/3 dos portugueses vivia em localidades com mais de 2.000 habitantes;

1991

Essa proporção era de 2/3 .

Essa proporção era de 2/3.

Os maiores aumentos populacionais verificaram-se nos aglomerados com mais de 10.000 habitantes

Os maiores decréscimos verificaram-se na população isolada e nos aglomerados com menos de 100 habitantes.

a) Estrutura e tendências do sistema urbano O sistema urbano português é caracterizado pela bipolarização (Norte/Sul; Litoral/Interior; Grande/Pequeno) e macrocefalia (fenómeno que consiste na existência de uma rede de centros urbanos muito desequilibrada em quantidade de população, num pais, estado ou região, ou seja, uma rede onde há grandes cidades e faltam cidades de média dimensão) em torno de:

2 núcleos de grande dimensão Definidos pelas aglomerações urbanas de Lisboa e Porto; Definidos pelas aglomerações urbanas de Lisboa e Porto;

Um pequeno nº de cidades de média dimensão 100.000 habitantes (Braga, Funchal e Coimbra) 100.000 habitantes (Braga, Funchal e Coimbra)

Um grande nº de aglomerações urbanas de pequena dimensão Com mais de 10.000 habitantes. Com mais de 10.000 habitantes.

Como tendências estruturantes dos processos e intensidade de urbanização nas últimas décadas do séc. XX, destacam-se:

A acentuada concentração da rede urbana no litoral do continente Aprofundando a

A

acentuada concentração da rede urbana no litoral do continente Aprofundando a

assimetria entre litoral e interior

O crescimento dos centros urbanos de pequena e média dimensão situados nas regiões

O

crescimento dos centros urbanos de pequena e média dimensão situados nas regiões

predominantemente rurais do interior

O abrandamento progressivo do ritmo de crescimento das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto (após

O abrandamento progressivo do ritmo de crescimento das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto (após o crescimento explosivo nos anos 60/70)

b) Processos e formas da urbanização Os processos que conduziram à expansão e estruturação da rede urbana, após 1960, têm sido fundamentalmente de 2 tipos:

Urbanização por concentração Crescimento de aglomerações urbanas já existentes à custa do esvaziamento de áreas ou regiões envolventes Crescimento de aglomerações urbanas já existentes à custa do esvaziamento de áreas ou regiões envolventes

Anos 60/70 Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto

Após os anos 80 Pequenas e médias cidades do interior (sedes de distrito e de concelho que progressivamente absorvem a pop. resultante do esvaziamento das zonas rurais próximas)

Urbanização difusa Crescimento espacialmente contínuo de aglomerações confinantes É a forma atualmente predominante de expansão da rede Crescimento espacialmente contínuo de aglomerações confinantes É a forma atualmente predominante de expansão da rede urbana nas regiões do Norte e Centro litorais, no Algarve e em algumas zonas do interior. O incremento da concentração urbana tem sido acompanhado pela agudização de problemas na

ordenação física e humana do espaço urbano, com reflexos negativos na qualidade de vida das populações (Lisboa e Porto). Esses problemas podem ser enquadrados em 3 categorias fundamentais:

Declínio da função residencial dos centros históricos das cidades (desertificação e envelhecimento demográficos), bem como de degradação do parque habitacional e dos equipamentos (desertificação e envelhecimento demográficos), bem como de degradação do parque habitacional e dos equipamentos sociais;

Crescimento e expansão pouco ordenada e equilibrada das concentrações suburbanas, nem sempre providas de suficientes infraestruturas técnicas e sociais e com deficientes condições de , nem sempre providas de suficientes infraestruturas técnicas e sociais e com deficientes condições de vivência coletiva;

Crescente congestionamento do trânsito, associado ao crescimento do parque automóvel, aos movimentos pendulares habitação/emprego ou ainda à concentração , associado ao crescimento do parque automóvel, aos movimentos pendulares habitação/emprego ou ainda à concentração de grandes centros

de comércio e de lazer em torno de eixos principais de circulação.

1.5.3. Assimetrias recentes do ordenamento social do território Durante séculos, por razões históricas e geográficas, a principal clivagem territorial em Portugal foi a que opôs, num país predominantemente rural, o Norte Atlântico ao Sul Mediterrânico, grandes pólos territoriais demarcados por:

Diferenças da paisagem

Diferenças da paisagem

Formas de exploração agrícola

Formas de exploração agrícola

Tradições culturais

Tradições culturais

Dinâmica demográfica

Dinâmica demográfica

Formas de povoamento. Os processos de modernização demográfica e social , encetados na década de 60 , impuseram como novo contraste modernização demográfica e social, encetados na década de 60, impuseram como novo contraste determinante aquele que opõe o litoral ao interior, espaços contíguos e transversais demarcados entre si por graus opostos de:

Dinamismoe transversais demarcados entre si por graus opostos de : Concentração populacional Acessibilidade Desenvolvimento

Concentração populacionaldemarcados entre si por graus opostos de : Dinamismo Acessibilidade Desenvolvimento humano. À entrada do séc.

Acessibilidadepor graus opostos de : Dinamismo Concentração populacional Desenvolvimento humano. À entrada do séc. XXI os

Desenvolvimento humano. À entrada do séc. XXI os seguintes fenómenos apontam para a emergência de uma nova À entrada do séc. XXI os seguintes fenómenos apontam para a emergência de uma nova estrutura, mais fragmentada, de assimetria territorial:

Estagnação da capacidade de atração das áreas de Lisboa e Portoestrutura, mais fragmentada, de assimetria territorial : Crescimento de pólos urbanos de média dimensão (que, no

Crescimento de pólos urbanos de média dimensão (que, no interior, tendem cada vez mais a absorver a população dos espaços rurais envolventes)da capacidade de atração das áreas de Lisboa e Porto Atravessamento do país por redes de

Atravessamento do país por redes de comunicação rápida A principal oposição parece, cada vez mais, confrontar : A principal oposição parece, cada vez mais, confrontar:

Pólos urbanos de extensão e densidade variável disseminados por todo o território do país (associados
Pólos urbanos de extensão e densidade variável disseminados por todo o território do país
(associados entre si pelos grandes eixos de transporte, de comunicação e de informação)
Vastos espaços intersticiais de muito baixa densidade demográfica

Esta topologia emergente, caracterizada por uma "configuração em arquipélago", tende a traduzir-se numa recomposição territorial das fronteiras de inclusão e de marginalização das populações (Exemplos: encerramentos de escolas, postos de saúde, em áreas de baixa densidade domográfica)

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL

2.1. Crescimento e estrutura da economia

1960

Correspondiam uma situação de subdesenvolvimento caracterizada por : subdesenvolvimento caracterizada por:

 

Elevada taxa de ocupação na agricultura

Tecido industrial limitado e fundado em grandes unidades com baixo grau de modernização tecnológica Rendimento por habitante equivalente a 1/3 do que então se verificava nos países

europeus mais desenvolvidos Baixo nível médio de vida da população

 

No plano da política económica Orientações fundamentais da doutrina "corporativista" do Estado Novo : política económica Orientações fundamentais da doutrina "corporativista" do Estado Novo:

 

Controlo estatal da economia

Protecionismo e limitação das trocas com o estrangeiro

Condicionamento da industrialização

Limitações da concorrência

Favorecimento de situações de monopólio e de oligopólio nos setores dominantes da

 

atividade.

Décadas subsequentes

A economia portuguesa conheceu uma significativa dinâmica de: :

Modernização e de crescimento económicos

Reorganização profunda da estrutura das atividades económicas e do emprego.

Contudo, continuam a persistir algumas vulnerabilidades estruturais (especialmente as que respeitam à estrutura de emprego, à continuam a persistir algumas vulnerabilidades estruturais (especialmente as que respeitam à estrutura de emprego, à produtividade e à qualificação dos recursos humanos)

que, cumulativamente, contribuem para a posição ainda desfavorável e semiperiférica do país no contexto do espaço económico europeu em que se integra.

2.1.1. Tendências e fatores do crescimento económico Década de 60

Crescimento económico que permitiu até ao presente a quase quadruplicação do PIB per quadruplicação do PIB per

capita (indicador do valor médio, por habitante, do total do rendimento produzido num determinado país ou numa determinada região) e uma aproximação deste aos níveis médios das economias europeias.

Para esta evolução contribuíram transformações substanciais nas condições e na organização da atividade económica:

Abertura ao exterior da economia portuguesanas condições e na organização da atividade económica : Liberalização nas relações económicas externas de que

Liberalização nas relações económicas externas de que foram expressão:

 

O crescimento do investimento estrangeiro

O desenvolvimento do turismo

A integração da mão de obra portuguesa no novo mercado internacional do trabalho através da emigração. Esta abertura conduziu uma progressiva integração no espaço económico europeu:

Foi intensificada pelo encerramento do ciclo colonial na sequência do 25 de Abril de 1974 Culminou, na década de 80, com a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE).

Alterações na estrutura de produção e do emprego Cujo perfil se tornou progressivamente mais próximo daquele que é característico das economias mais desenvolvidas: Cujo perfil se tornou progressivamente mais próximo daquele que é característico das economias mais desenvolvidas:

Diminuição do nº de ativos na agricultura e da participação no setor primário do

PIB Maior peso relativo do setor secundário

Crescimento acentuado do setor terciário À parte deste crescimento, Portugal tem-se mantido, juntamente com a Grécia, entre os países da União Europeia com o mais baixo produto per capita.

Todavia, entre os chamados "países da coesão " (c onjunto de países menos desenvolvidos da UE, beneficiários de transferências países da coesão" (conjunto de países menos desenvolvidos da UE, beneficiários de transferências financeiras de ajuda ao desenvolvimento designados

"fundos de coesão"), é também o que, logo a seguir à Irlanda, tem apresentado maior ritmo de crescimento.

2.1.2. A ”terciarização” da estrutura sectorial da economia A partir de 1960 assistiu-se a uma transformação na estrutura das atividades económicas tanto no que diz respeito à participação dos diferentes setores no produto nacional como no emprego por eles absorvido. Esta transformação correspondeu ao padrão típico de evolução estrutural associada aos processos de desenvolvimento económico, caracterizado por:

Uma queda da importância proporcional da agricultura e pescas (setor primário ) setor primário)

Um incremento da indústria e transportes (setor secundário ) setor secundário)

Uma expansão acentuada dos serviços e do comércio (setor terciário ) Numa análise da estrutura e da dinâmica mais recentes de cada um setor terciário) Numa análise da estrutura e da dinâmica mais recentes de cada um dos setores, podem reter-se os seguintes aspetos relevantes:

Setor primáriosetores, podem reter-se os seguintes aspetos relevantes : Diminuição constante e acentuada da população empregada

Diminuição constante e acentuada da população empregada neste setor Esta proporção de emprego continua a ser superior à média dos países da União Europeia.

Predominância de pequenas e muito pequenas explorações Explorações baseadas em modos de produção tradicionais e explorações utilizadas como fonte de complemento dos rendimentos. Algumas análises sociológicas da sociedade portuguesa contemporânea têm ressaltado o importante papel dos rendimentos das pequenas explorações agrícolas familiares numa sociedade "semiperiférica", como a portuguesa, onde parte significativa do desenvolvimento industrial se articulou com baixos custos e baixa qualificação de mão de obra. Produtividade Situam-se, consequentemente, entre os mais baixos da U.E., e os rendimentos médios são muito inferiores aos dos outros setores. Emprego Significativamente influenciado pela presença de mulheres e de reformados

A redução da população ativa na agricultura tem-se feito à custa dos indivíduos mais jovens e qualificados Produtores individuais familiares, com estrutura etária envelhecida e de baixo nível de instrução

Setor secundárioetária envelhecida e de baixo nível de instrução 1960-1973 Fase de grande expansão industrial

1960-1973

Fase de grande expansão industrial associada ao crescimento do mercado interno e à expansão da procura internacional num quadro de abertura ao exterior. A partir da década de 70 Predomínio de setores tradicionais (têxteis,calçado) baseados em pequenas e muito pequenas empresas (muitas vezes de caráter familiar) fez com que a competitividade da indústria portuguesa assentasse mais no aproveitamento de oportunidades de exportação dependentes das conjunturas externas do que na modernização tecnológica e organizativa. A seguir a 1974 e anos 80 Uma conjuntura económica internacional muito desfavorável (com efeitos negativos tanto na procura interna como externa) e os impactos da integração europeia fizeram emergir as dificuldades de adaptação duma estrutura industrial caracterizada por um declínio de produtividade População empregada pouco qualificada e insuficiente inovação tecnológica Emprego

um declínio de produtividade População empregada pouco qualificada e insuficiente inovação tecnológica Emprego
um declínio de produtividade População empregada pouco qualificada e insuficiente inovação tecnológica Emprego

Tem diminuído proporcionalmente em relação ao emprego no setor dos serviços

Setor terciário Conheceu o crescimento mais significativo nas décadas posteriores a 1960 ( população empregada e sua Conheceu o crescimento mais significativo nas décadas posteriores a 1960 (população empregada e sua contribuição para a riqueza nacional):

Os ativos neste setor ultrapassam hoje os 50% da população ativa total e a respetiva contribuição para o produto nacional supera a contribuição conjunta

dos setores primário e secundário.

O maior crescimento ocorreu nos subsetores mais dinamizados pela expansão económica global (serviços financeiros, transportes e comunicações, hotelaria, serviços prestados às empresas e serviços comercializáveis);

Declinaram os serviços associados a estádios de menor desenvolvimento económico e social (serviços domésticos). Emprego

O crescimento mais acentuado registou-se nos serviços públicos Resultado da expansão das competências e das responsabilidades sociais que foram assumidas pelo Estado central e local (educação, saúde, etc). Verifica-se assim que a alteração da estrutura sectorial da economia portuguesa se inclina para uma acentuada terciarização

Fenómeno dominante nas sociedades economicamente mais desenvolvidas. No entanto, certas características deste processo no caso português fazem com que ele não traduza No entanto, certas características deste processo no caso português fazem com que ele não traduza por si só uma real convergência com as economias avançadas:

O peso do setor terciário está ainda significativamente abaixo do que se encontra nos países mais prósperos; do que se encontra nos países mais prósperos;

O peso do emprego no setor primário continua a ser relativamente elevado e o declínio verificado não é acompanhado por aumentos muito acentuados da produtividade agrícola; e o declínio verificado não é acompanhado por aumentos muito acentuados da produtividade agrícola;

Uma industrialização tardia e com predominância em setores insuficientemente modernizados, não proporciona condições para uma maior e com predominância em setores insuficientemente modernizados, não proporciona condições para uma maior diversificação e modernização dos setores dos serviços, como aconteceu nas economias fortemente industrializadas.

2.1.3. Implantação e diferenciação regionais da atividade económica A evolução da estrutura e do crescimento económicos não ocorreu de forma homogénea no conjunto do território do país.

Essa evolução foi acompanhada pela acentuação de contrastes significativos entre as diferentes regiões, tanto no que respeita à estrutura das atividades económicas nelas implantadas como ao seu contributo relativo para o produto nacional. Quanto à repartição territorial dos grandes setores da atividade económica, ela tem-se caracterizado pelas seguintes Quanto à repartição territorial dos grandes setores da atividade económica, ela tem-se caracterizado pelas seguintes orientações:

Setor primário A sua contribuição para o emprego e para a riqueza nacional tem tendência para se A sua contribuição para o emprego e para a riqueza nacional tem tendência para se reduzir em todas as regiões.

Areas onde o seu papel económico é mais significativo

Aquelas onde a maior dimensão das explorações e/ou a modernização das formas de produção favorecem as empresas agrícolas e agroalimentares orientadas para o mercado Áreas do Douro, Centro Litoral, Lezíria do Tejo Nas regiões do Norte, Centro interiores e Açores predominam as pequenas explorações baseadas em formas antigas de produção e orientadas sobretudo para o autoconsumo e/ou para o complemento dos rendimentos.

Setor secundário A região Norte (especialmente no litoral) é aquela onde a atividade industrial tem o maior A região Norte (especialmente no litoral) é aquela onde a atividade industrial tem o maior contributo económico em termos nacionais, bem como onde o seu peso relativo supera o dos outros setores. Quase 80% do rendimento produzido por este setor tem a sua origem nas sub- regiões litorais entre o Minho e a Península de Setúbal (Grande Lisboa, Grande Porto, Vale do Ave e Setúbal, representam, por si sós, 50%).

Setor terciário A região de Lisboa e Vale do Tejo é aquela que lidera os valores de A região de Lisboa e Vale do Tejo é aquela que lidera os valores de emprego (próximo dos 50%) e de riqueza (próxima dos 40%) produzidos pelo setor dos serviços e a única em que o peso económico deste supera o das outras atividades. Grande Lisboa, seguida de Grande Porto, Península de Setúbal, Algarve e Madeira são as sub-regiões onde é mais significativo o peso económico deste setor (o que no caso das 2 últimas sub-regiões se articula com o peso que nelas tem a atividade turística). Nas cidades do interior, o setor dos serviços predomina também, mais à custa

das atividades associadas aos setores da administração pública, da saúde,

dos serviços sociais e do ensino (funções de responsabilidade) e menos das funções de enriquecimento (setor financeiro, comércio, turismo, etc), criação e transmissão (investigação, transportes, telecomunicações). Quanto à repartição do dinamismo económico e do produto gerado, as disparidades regionais são igualmente apreciáveis e caracterizam-se pelas seguintes tendências:

Apenas as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve têm apresentado um

nível de PIB per capita superior ao da média nacional Perspetiva territorial mais discriminada

2 sub-regiões - Grande Lisboa e Grande Porto, que concentram 35% da população portuguesa - representam, por si sós, quase 50% da atividade económica, e absorvem, em conjunto, aproximadamente 40% do emprego nacional; Perspetiva global do território Verifica-se uma concentração da produção e do emprego na faixa litoral entre Viana do Castelo e Setúbal, com prolongamento num segmento estreito do litoral algarvio

2.1.4. Estrutura e caraterísticas do sistema de emprego

Principais debilidades da economia portuguesa

Baixa qualificação média da população ativade emprego Principais debilidades da economia portuguesa Forte intensidade de mão de obra Baixos salários médios.

Forte intensidade de mão de obraportuguesa Baixa qualificação média da população ativa Baixos salários médios. Qualificação da população

Baixos salários médios.da população ativa Forte intensidade de mão de obra Qualificação da população ativa Em comparação com

Qualificação da população ativa Em comparação com os países da U.E., Portugal é ainda o país com:

A proporção mais elevada de emprego com nível educativo baixo (escolaridade mínima); mais elevada de emprego com nível educativo baixo (escolaridade mínima);

Proporção mais baixa de emprego com nível educativo intermédio (ensino secundário e médio); mais baixa de emprego com nível educativo intermédio (ensino secundário e médio);

Uma das menores proporções de trabalhadores detentores de formação superior . menores proporções de trabalhadores detentores de formação superior.

Emprego masculino e feminino Acentuado crescimento da taxa de atividade feminina Mulheres ocupam em média uma posição mais desfavorável na estrutura do emprego A população ativa feminina caracteriza-se por:

Maior concentração em atividades tradicionais menos remuneradas (nomeadamente na agricultura) e menor peso que o dos homens nos empregos tradicionais menos remuneradas (nomeadamente na agricultura) e menor peso que o dos homens nos empregos mais qualificados;

Maior vulnerabilidade ao desemprego ao desemprego

Menores salários médios que os dos homens. médios que os dos homens.

Desemprego

A partir da década de 80

O desemprego em Portugal acompanhou a evolução nos países da U.E., mas sempre a níveis mais baixos.A partir da década de 80 Razões para esse nível mais baixo de desemprego podem ser

Razões para esse nível mais baixo de desemprego podem ser encontradas: :

Baixa modernização tecnológica do tecido produtivo (que assim assenta num maior recurso à mão de obra disponível);

Maior limitação legal aos despedimentos em Portugal (razão pela qual os ajustamentos em tempo de crise se terão feito menos pelo aumento do desemprego e mais pelo abaixamento dos salários reais).

Na atualidade

As principais tendências estruturais do desemprego em Portugal são: :

Elevada taxa de desemprego jovem

Elevada taxa e peso proporcional do desemprego das mulheres

Crescimento do desemprego de longa duração e do desemprego nos grupos etários mais idosos.

Mutações e tendências recentes do sistema de emprego As transformações mais recentes da economia têm, entretanto, induzido transformações estruturais dos sistema de emprego com significativo impacto social, nomeadamente:

Desajustamentos qualitativos entre a oferta e a procura de trabalho, com especial relevância no caso dos jovens entre a oferta e a procura de trabalho, com especial relevância no caso dos jovens (aumento de diplomados desempregados ou empregados em atividades com requisitos abaixo das suas habilitações)

Acréscimo de formas "atípicas" e precárias de trabalho (aumento do trabalho por conta própria, aumento dos trabalhadores formas "atípicas" e precárias de trabalho (aumento do trabalho por conta própria, aumento dos trabalhadores contratados a termo)

Alterações na duração média do trabalho, nomeadamente com o acréscimo de trabalhadores a tempo parcial , nomeadamente com o acréscimo de trabalhadores a tempo parcial

Taxas de desemprego mais elevadas entre os detentores de níveis de qualificação intermédia como o 2º e 3º Ciclos (com entre os detentores de níveis de qualificação intermédia como o 2º e 3º Ciclos (com as menores taxas de desemprego entre os trabalhadores com níveis de qualificação mais baixos (1º Ciclo) refletindo, afinal, o também menor grau de qualificação média exigida pela economia portuguesa).

2.2. Desenvolvimento humano e social

1960

Todos os indicadores básicos de desenvolvimento humano (E sperança média de vida, nível educacional e nível de rendimento da população desenvolvimento humano (Esperança média de vida, nível educacional e nível de rendimento da população) em Portugal denotavam profundos atrasos em relação ao nível médio europeu.

 

Organização social acentuadamente dualista, marcada pelo fosso entre um limitado e concentrado setor urbano (praticamente confinado a Lisboa e, em muito menor grau, ao Porto, com padrões de vida e de escolarização mais elevados, mas demograficamente minoritário)

Uma vasta componente rural (demograficamente dominante e com acentuados défices na qualidade de vida e qualificação da população)

 

O desenvolvimento humano distingue e articula 2 faces: :

 

Formação de capacidades tais como a saúde e o conhecimento

Uso que as pessoas fazem das suas capacidades tanto no trabalho como no lazer.

Últimas 4 décadas do séc. 20:

Caraterizaram-se por: :

Evolução positiva dos indicadores de desenvolvimento social e humano

Melhoria da posição relativa do país no contexto internacional.

Redução das assimetrias internas, nomeadamente entre as diversas regiões do país.

Emergência de novas formas e fronteiras de desigualdade social associadas às tensões

e desequilíbrios da evolução económica, profissional, demográfica e urbana.

Os Relatórios do Desenvolvimento Humano (1990) têm situado Portugal no grupo dos países com “desenvolvimento humano Relatórios do Desenvolvimento Humano (1990) têm situado Portugal no grupo dos países com “desenvolvimento humano elevado” (embora ainda atrás de muitos países europeus)

Continuam, no entanto, a verificar-se disparidades importantes nas condições de vida de que podem dispor cidadãos portugueses que vivam em diferentes áreas do território nacional.elevado” (embora ainda atrás de muitos países europeus) 2.2.1. Fatores da evolução do desenvolvimento humano e

2.2.1. Fatores da evolução do desenvolvimento humano e social

Crescimento económico O crescimento económico alarga a base de recursos materiais disponíveis para a satisfação das necessidades humanas. Crescimento do PIB, devido:

Processos de modernização modernização

Abertura económica O crescimento do rendimento nacional estreitou o fosso entre o nível e qualidade de vida O crescimento do rendimento nacional estreitou o fosso entre o nível e qualidade de vida médios dos portugueses e os dos outros povos europeus (a persistência de disparidades importantes não deixa de ser resultado das vulnerabilidades e dos atrasos da economia nacional em relação à dos países economicamente mais desenvolvidos).

Políticas sociais do Estado O crescimento do rendimento nacional não se reflete numa evolução correspondente do desenvolvimento social e humano.

Um dos fatores condicionantes dessa relação são as políticas do Estado, cujas opções e ações influenciam o modelo de crescimento e a política de distribuição dos recursos que resultam modelo de crescimento e a política de distribuição dos recursos que resultam

do desenvolvimento económico Indicadores das opções do Estado nesta matéria são:

Rácio da Despesa Pública Parte do rendimento nacional que, por via dos impostos, é afetada

Rácio da Despesa Pública Parte do rendimento nacional que, por via dos impostos, é afetada a despesas do Estado;

Taxa de afetação social Parte da despesa pública que é investida em setores sociais como

Taxa de afetação social Parte da despesa pública que é investida em setores sociais como a educação, a saúde ou a proteção social. Em Portugal, a intervenção social do Estado caracteriza-se por uma política de fornecimento de bens e de serviços públicos orientada para a cobertura de toda a população

Esta orientação consolidou-se, depois do 25 de Abril de 1974: :

Pela consagração jurídica do princípio da universalidade e gratuitidade do acesso à maioria dos bens e serviços públicos fundamentais (que assim passaram a ser reconhecidos como direitos sociais);

Pelo crescimento constante da despesa pública com os respetivos setores.

Instituiu-se assim em Portugal um Estado-providência a cuja ação se deve parte importante da evolução positiva dos indicadores de desenvolvimento humano nas últimas décadas do séc. XX. Contudo, os atrasos de partida, o caráter semiperiférico e a inferior produtividade da economia portuguesa tendem a traduzir-se na insuficiência dos recursos do Estado face à ampliação das suas responsabilidades sociais e, por isso na debilidade quantitativa e qualitativa de algumas das contribuições e serviços prestados.

Esta situação torna especialmente agudas em Portugal as dúvidas (e a consequente controvérsia política) - também suscitadas nos países desenvolvidos em que as dúvidas (e a consequente controvérsia política) - também suscitadas nos países desenvolvidos em que mais cedo se instituiu o chamado Welfare State ("Estado-providência" ou "Estado de bem- estar")

Quanto à sustentabilidade financeira desse modelo (face a uma população com um dos mais baixos rendimentos per capita da U.E), as prestações e os gastos sociais nunca chegaram sequer a atingir níveis quantitativos e qualitativos comparáveis aos daqueles países.ou "Estado de bem- estar") 2.2.2. Indicadores de desenvolvimento social e humano Saúde

2.2.2. Indicadores de desenvolvimento social e humano

Saúde

A evolução das condições de saúde dos portugueses pode ser avaliada pelo comportamento dos seguintes indicadores fundamentais:

Taxa de mortalidade infantilpelo comportamento dos seguintes indicadores fundamentais : Apesar da queda generalizada neste indicador, têm

Apesar da queda generalizada neste indicador, têm persistido assimetrias regionais, com as áreas do interior Norte e Centro e dos Açores situando-se significativamente acima da média nacional;

Esperança média de vidasituando-se significativamente acima da média nacional; Apresenta um crescimento constante, mas com valores ainda

Apresenta um crescimento constante, mas com valores ainda inferiores à média dos

países da U.E. Do ponto de vista dos cuidados de saúde, esta evolução pode ser associada:

À expansão da assistência materno-infantil (nomeadamente ao crescimento do nº de partos

À

expansão da assistência materno-infantil (nomeadamente ao crescimento do nº de partos

medicamente assistidos)

À universalização dos programas de vacinação

À universalização dos programas de vacinação

À expansão da oferta e da procura de serviços de saúde (crescimento do nº de

À expansão da oferta e da procura de serviços de saúde (crescimento do nº de profissionais e

estabelecimentos, crescimento do recurso aos estabelecimentos de saúde).

O principal agente do sistema de saúde português é o Serviço Nacional de Saúde ,

O principal agente do sistema de saúde português é o Serviço Nacional de Saúde, implementado depois de 1979

 

Sistema público que concentra a maioria das entidades prestadoras e dos profissionais

Apesar da cobertura nacional da rede de unidades de saúde, a distribuição dos recursos físicos

Apesar da cobertura nacional da rede de unidades de saúde, a distribuição dos recursos físicos e humanos apresenta significativas disparidades regionais (com vantagem para os

maiores centros urbanos do litoral).

Quanto ao financiamento das despesas com a saúde , a componente pública do financiamento tem

Quanto ao financiamento das despesas com a saúde, a componente pública do financiamento tem sido a mais baixa dos países da U.E. (sendo a taxa de participação privada - maioritariamente das famílias - a mais elevada).

De notar porém que :

De notar porém que:

A percentagem da despesa pública com a saúde permanece inferior à média dos países da OCDE

Em Portugal, em relação àqueles países, a política de saúde tem privilegiado as

transferências monetárias a título de compensação dos orçamentos familiares (especialmente na comparticipação em medicamentos) em detrimento do investimento em serviços e equipamentos.

Proteção Social Em Portugal, a Segurança Social assegura a atribuição de prestações monetárias aos indivíduos e agregados elegíveis para compensação devido à ocorrência de eventualidades adversas. Desde 1960

Assistiu-se a um alargamento dos mecanismos de proteção social: :

Tanto na dimensão pessoal Integração constante de novos beneficiários até ao

ponto duma verdadeira universalização do sistema durante os anos 80; Como na dimensão material traduzida na diversificação das eventualidades e

situações cobertas. Dois problemas interdependentes caracterizam o sistema de segurança em Portugal:

O facto das prestações serem , em média, muito baixas ; prestações serem, em média, muito baixas;

O facto do crescimento das despesas resultantes da expansão e universalização das prestações , não ser acompanhado por um crescimento correspondente resultantes da expansão e universalização das prestações, não ser acompanhado por um crescimento correspondente das receitas provenientes das contribuições sociais desfasamento que tem sido crescentemente

compensado pelo financiamento do sistema através do Orçamento do Estado.

Esta situação de insuficiência pode ser imputada a vários fatores de natureza demográfica e económica, tais como:

O facto de muitos pensionistas que beneficiaram da universalização do sistema não terem tido uma carreira contributiva;

O aumento constante da percentagem de pensionistas reformados em relação ao nº de contribuintes ativos (resultado do abaixamento da natalidade e do aumento da esperança média de vida);

A persistência de um desemprego estrutural que se reflete tanto no aumento dos encargos como na diminuição da base contributiva.

Educação Década de 60

Portugal detinha uma das mais altas taxas de analfabetismo da Europa ( 30% ). analfabetismo da Europa (30%).

Só 1/3 da população frequentara a escolaridade básica e menos de 1% tinha um diploma

Só 1/3 da população frequentara a escolaridade básica e menos de 1% tinha um diploma do ensino médio ou superior. Décadas seguintes

Foram marcadas pela generalização da escolaridade obrigatória

Foram marcadas pela generalização da escolaridade obrigatória

Marcadas pela expansão do acesso ao ensino secundário e superior Teve como consequência o aumento

Marcadas pela expansão do acesso ao ensino secundário e superior Teve como consequência o aumento do nº de cidadãos que dispõe dum grau de instrução formal. Contudo, continuam a persistir grandes fragilidades, comparativamente a outros países da UE:

Mais de ¾ da população tem como habilitação máxima o nível de ensino básico (% superior à de todos os países da UE)fragilidades, comparativamente a outros países da UE : Baixo peso da população habilitada com o ensino

Baixo peso da população habilitada com o ensino secundário ou ensino superior;de ensino básico (% superior à de todos os países da UE) Mais baixa taxa de

Mais baixa taxa de frequência do ensino pré-escolar;habilitada com o ensino secundário ou ensino superior; Mais elevada taxa de analfabetismo (10,3% em 1997).

Mais elevada taxa de analfabetismo (10,3% em 1997). Um indicador que ganha importância com o

Mais elevada taxa de analfabetismo (10,3% em 1997). Um indicador que ganha importância com o declínio do analfabetismo é o de literacia (capacidade

para utilizar efetivamente as capacidades de leitura e de cálculo nas situações da vida quotidiana)

O perfil geral da literacia no país é bastante fraco, o que denota:

O perfil geral da literacia no país é bastante fraco, o que denota:

O grande atraso histórico da escolarização

O baixo nível de competências requerido por um sistema económico onde predominam os lugares profissionais de baixa qualificação.

Últimas décadas do séc. XX

Alteração profunda na composição da população escolar segundo os sexos , com especial relevância no ensino superior na composição da população escolar segundo os sexos, com especial relevância no ensino superior.

A taxa de mulheres a frequentarem este nível de ensino é atualmente superior à dos homens

Nos grupos etários mais jovens, os diplomados do ensino universitário são maioritariamente de sexo feminino.

Cultura

A evolução e a situação do nível cultural dos portugueses apresentam naturais homologias com as de nível educacional

Um constante progresso não diluiu, no final do séc. XX , o efeito dos profundos atrasos de partida em relação no final do séc. XX, o efeito dos profundos atrasos de partida em relação aos países mais desenvolvidos da Europa. Os indicadores como a prática de leitura, a visita a museus, a frequência de espetáculos culturais permanecem baixos e revelam marcadas assimetrias regionais e sociais concentração dos valores mais altos em Lisboa e Porto e entre os grupos sociais de mais alto nível económico

Conforto e bem-estar Habitação e características dos alojamentos

A evolução do parque habitacional edificado se tem em geral caracterizado por um rejuvenescimento (mais

A evolução do parque habitacional edificado se tem em geral caracterizado por um rejuvenescimento (mais nítido na Região de Lisboa e Vale do Tejo. menos nítido no Alentejo)

As principais carências em termos de qualidade habitacional situam-se sobretudo em 2 tipos de espaços

As principais carências em termos de qualidade habitacional situam-se sobretudo em 2 tipos de espaços:

 

Nas zonas periféricas das maiores cidades

 

Habitadas predominantemente por famílias de escassos recursos Condições ambientais degradadas e alojamentos de precária qualidade material

 

Nas zonas dos centros históricos das cidades Habitadas por uma população envelhecida Predominam as rendas muito baixas e o mau estado de conservação dos imóveis antigos.

A atenuação daquelas situações tem resultado sobretudo da intervenção pública , através de :

A

atenuação daquelas situações tem resultado sobretudo da intervenção pública, através de:

Promoção de sistemas de crédito e de poupança para a aquisição de casa própria;

Incentivos à construção de novos fogos para a venda a preços acessíveis;

Programas de realojamento em habitação de custos controlados ou de recuperação do parque habitacional.

Condições básicas de conforto dos alojamentos

Evolução profundamente positivaCondições básicas de conforto dos alojamentos Disponibilidade de água canalizada e instalações de banho, acesso à

Disponibilidade de água canalizada e instalações de banho, acesso à rede elétrica e instalações de banho, acesso à rede elétrica

Caracterizou-se pela aproximação a taxas de cobertura próximas dos 90 ou 100%.

Contudo, as condições básicas de alojamento continuam a ser mais favoráveis na região de Lisboa, e ainda nos aglomerados com 10.000 e mais habitantes.

Disponibilidade de bens de equipamento

Acesso da maioria da população a bens de equipamento individuais associados à melhoria das condições básicas de vida (aquecimento, frigorífico, arca congeladora, máquina de lavar roupa, telefone, automóvel)mais habitantes. Disponibilidade de bens de equipamento A disponibilidade de equipamento de introdução mais

A disponibilidade de equipamento de introdução mais recentes (por ex, micro-ondas) desenvolve-se rapidamente, o mesmo se disponibilidade de equipamento de introdução mais recentes (por ex, micro-ondas) desenvolve-se rapidamente, o mesmo se passando relativamente a bens relacionados com a cultura ou a distração (alta-fidelidade, vídeo, computador, etc) Evolução mais rápida Região de Lisboa e Vale do Tejo (menos envelhecidas demograficamente)

Evolução menos favorável Regiões Centro e Alentejo

Rendimento e níveis de vida Trabalho Persiste como a principal fonte de rendimento dos agregados portugueses Receitas resultantes de "transferências periódicas" (pensões de reforma) Tendem a subir (o que se associa ao facto de aumentarem os agregados familiares cujo representante é "reformado") Despesas das famílias O decréscimo continuado da proporção da despesa com a alimentação, deve ser tomado como indicador do desenvolvimento positivo das condições médias de vida.

2.2.3. Desigualdades e assimetrias do desenvolvimento económico-social

Disparidades sociais do rendimento No quadro da UE, Portugal apresenta atualmente um dos maiores graus de desigualdade na distribuição dos rendimentos. Fatores potenciadores do crescimento das desigualdades no rendimento:

diminuição do peso dos ordenados e dos salários no conjunto do rendimento nacional;do crescimento das desigualdades no rendimento : alargamento da disparidade entre os salários dos quadros

alargamento da disparidade entre os salários dos quadros superiores e dos trabalhadores nãodiminuição do peso dos ordenados e dos salários no conjunto do rendimento nacional; A O qualificados;

A

O

qualificados;

A persistência dum desemprego estrutural; Abaixo da média nacional situam-se : Receitas dos produtores e

A persistência dum desemprego estrutural;

Abaixo da média nacional situam-se:

Receitas dos produtores e assalariados agrícolas (associados à degradação tendencial dos rendimentos e ganhos no setor agrícola) (associados à degradação tendencial dos rendimentos e ganhos no setor agrícola)

Receitas dos inativos (denotam as insuficiências do valor médio das prestações sociais) (denotam as insuficiências do valor médio das prestações sociais)

as insuficiências do valor médio das prestações sociais) Situação menos favorável relativamente aos benefícios do

Situação menos favorável relativamente aos benefícios do desenvolvimento económico e a sua maior vulnerabilidade a situações de privação económica e social Muito acima da média nacional situam-se

Os rendimentos dos quadros superiores e dos profissionais liberaise social Muito acima da média nacional situam-se Pobreza e exclusão social Portugal caracterizava-se

Pobreza e exclusão social Portugal caracterizava-se também, pela mais elevada taxa de pobreza face aos países da UE. Década de 90

Entre 20 e 25% dos agregados ou indivíduos teve rendimento inferior ao definido pelo limiar de 20 e 25% dos agregados ou indivíduos teve rendimento inferior ao definido pelo limiar de pobreza Menos de 50% do rendimento mensal médio da população

As regiões do Alentejo e Centro são as que apresentam maior incidência de pobreza . Alentejo e Centro são as que apresentam maior incidência de pobreza.

Todavia, a região de Lisboa e Vale do Tejo , atendendo à sua dimensão populacional e ao seu dinamismo Lisboa e Vale do Tejo, atendendo à sua dimensão populacional e ao seu dinamismo económico, tem uma concentração de 1/3 de todas as famílias pobres do país

Para o peso dos grupos, cujas características sociais herdadas ou adquiridas os tendem a excluir preferencialmente dos benefícios do desenvolvimento, contribuem:

A inércia dos atrasos e das debilidades estruturais do país (baixo nível educacional médio ou

A

inércia dos atrasos e das debilidades estruturais do país (baixo nível educacional médio ou o

 

fraco valor das prestações sociais);

 
  Efeitos das grandes mutações sócio-demográficas dos últimos 40 anos (envelhecimento demográfico, peso

Efeitos das grandes mutações sócio-demográficas dos últimos 40 anos (envelhecimento demográfico, peso crescente dos grupos etários idosos, a concentração populacional nos subúrbios das grandes cidades, a imigração, etc).

Os inquéritos disponíveis mostram que a incidência da pobreza é mais acentuada entre:

As famílias de isolados e de idosos;que a incidência da pobreza é mais acentuada entre : Os agregados que dependem de pensões

Os agregados que dependem de pensões como principal fonte de receita;mais acentuada entre : As famílias de isolados e de idosos; As famílias monoparentais representadas por

As famílias monoparentais representadas por mulheres;que dependem de pensões como principal fonte de receita; As famílias cujo representante tem baixo nível

As famílias cujo representante tem baixo nível de escolaridade;As famílias monoparentais representadas por mulheres; Os indivíduos que trabalham por conta própria (em setores

Os indivíduos que trabalham por conta própria (em setores informais ou mal remunerados) oucujo representante tem baixo nível de escolaridade;   se encontram em situações de trabalho precário

 

se

encontram em situações de trabalho precário e clandestino;

 

Os indivíduos que tiveram uma entrada precoce no mercado de trabalho (menos de 14 anos); 

Os indivíduos pertencentes a minorias étnico-culturais.entrada precoce no mercado de trabalho (menos de 14 anos); Níveis elevados de pobreza e de

Níveis elevados de pobreza e de privação nas condições básicas de vida, traduzem-se, em situações de marginalização e de exclusão sociais (mais notória nas principais concentrações urbanas)

Esta associação é agravada pelo facto da exclusão económica interagir quase sempre com exclusões de origem:(mais notória nas principais concentrações urbanas) Social Resultante da rutura de laços familiares ou do

Social Resultante da rutura de laços familiares ou do desemprego;

Cultural Resultante duma identidade étnica minoritária ou estigmatizada;

Patológica Resultante de comportamentos autodestrutivos como o alcoolismo ou a

toxicodependência Consequência das grandes mutações sócio-demográficas (envelhecimento, declínio da família alargada e o crescimento das situações de isolamento):

O declínio da "sociedade- providência" Sistema de solidariedades e de apoios informais assegurados por redes densas e alargadas de natureza Sistema de solidariedades e de apoios informais assegurados por redes densas e alargadas de natureza familiar e comunitária que compensavam os baixos níveis de desenvolvimento geral e a ausência dum Estado-providência vocacionado para a regulação dos desequilíbrios e assimetrias sociais. A progressiva diluição e mesmo desaparecimento (desertificação dos espaços rurais, de concentração urbana, de atomização e isolamento familiares crescentes) dessas redes de proteção informal e as insuficiências dum Estado- providência tardio e incipiente, potenciam ainda mais as perspetivas de exclusão social dos grupos económica e socialmente mais vulneráveis

Disparidades regionais do desenvolvimento económico-social A evolução globalmente positiva dos diversos indicadores de desenvolvimento humano e social da população portuguesa nas últimas 4 décadas do séc. XX, foi acompanhada por uma atenuação das disparidades regionais relativamente às condições desse desenvolvimento (traduzida numa maior aproximação de todas as regiões em relação á média do país).

Uma parte significativa da atenuação desses contrastes no que respeita aos níveis de desenvolvimento humano e social, pode ser imputada às: :

"Transferências de redistribuição" Processo em larga medida determinado por políticas distributivas do Estado central, as quais (através, por ex, das prestações sociais, das transferências de impostos para a administração local ou dos investimentos em infraestruturas), asseguram uma canalização de parte dos recursos públicos para as regiões menos desenvolvidas

Década de 90

 
Tendência para a diminuição da dispersão dos rendimentos dos agregados familiares das diferentes regiões em

Tendência para a diminuição da dispersão dos rendimentos dos agregados familiares das diferentes regiões em relação à média nacional. Para tal tem contribuído de forma crucial o crescimento acentuado das regiões autónomas dos Açores e da Madeira (nível de rendimento médio mais baixo)

Persistência dum desequilíbrio marcadamente favorável na região Lisboa e Vale do Tejo no que respeita

Persistência dum desequilíbrio marcadamente favorável na região Lisboa e Vale do Tejo no que respeita à distribuição espacial do rendimento (devido a situar-se sempre acima da média nacional) Uma perspetiva mais completa e integrada da evolução comparativa do grau de desenvolvimento humano das diferentes regiões do país é a que fornece o Índice de Desenvolvimento Económico- Social (IDES), construído pela ponderação de 4 indicadores:

Nível de longevidade Definido pela esperança média de vida

Nível de longevidade Definido pela esperança média de vida

Nível de educação Definido pela taxa de alfabetização

Nível de educação Definido pela taxa de alfabetização

Nível de conforto Definido pela cobertura de água, eletricidade e instalações sanitárias

Nível de conforto Definido pela cobertura de água, eletricidade e instalações sanitárias

Nível de vida Definido pelo PIB. A nota mais marcante dessa evolução ao longo dos

Nível de vida Definido pelo PIB. A nota mais marcante dessa evolução ao longo dos últimos 40 anos do séc. XX, foi, o esbatimento das assimetrias regionais mais profundas do desenvolvimento humano em Portugal

Se se considerarem 3 grandes níveis de desenvolvimento medidos pelo IDES :

Se se considerarem 3 grandes níveis de desenvolvimento medidos pelo IDES:

 

Regiões mais desenvolvidas, Regiões de desenvolvimento intermédio Regiões menos desenvolvidas

 

análise da evolução da situação e da posição relativas das grandes regiões do país depois de 1970 mostra, ao mesmo tempo:

a

 

A evolução positiva de todas as grandes regiões

A permanência da posição especialmente privilegiada da Região de Lisboa e Vale do Tejo, à qual se juntou, nos anos 90, a Região do Algarve. Entrada séc. XXI

Liderança do IDES por parte dos concelhos que integram a Grande Lisboa e, em menor grau, IDES por parte dos concelhos que integram a Grande Lisboa e, em menor grau,

o Grande Porto.

Os índices mais elevados de desenvolvimento humano ( IDH ) concentram-se em concelhos do litoral , índices mais elevados de desenvolvimento humano (IDH) concentram-se em concelhos do litoral, enquanto a grande maioria dos concelhos localizados no interior do Continente, no Alentejo e na Madeira registam os níveis mais baixos.

MORFOLOGIA E DINÂMICAS DA ESTRUTURA SOCIAL

A modernização das estruturas sócio-demográfica e sócio-económica foi naturalmente acompanhada

por alterações importantes na composição social da população portuguesa. Quanto ao desenvolvimento económico e à reestruturação das atividades produtivas eles implicaram

uma reestruturação da estrutura profissional e ocupacional. Esta deslocação determinou uma recomposição significativa da estrutura de classes da sociedade Portuguesa:

Declínio de categorias sociais cujas práticas e cujos valores desempenhavam papel determinante na configuração

Declínio de categorias sociais cujas práticas e cujos valores desempenhavam papel determinante na configuração anterior da sociedade e com o protagonismo emergente de outras:

 

Especialmente das novas classes médias urbanas formadas pelos efeitos convergentes da terciarização, da urbanização e da escolarização.

 
Reconfiguração da situação sócio-profissional das mulheres com impactos vastíssimos nos

Reconfiguração da situação sócio-profissional das mulheres com impactos vastíssimos nos

comportamentos e nas formas de organização da vida social. Estas dinâmicas conduziram a uma reorganização geral das aspirações sociais (das necessidades, das

expectativas e dos projetos de vida) dos portugueses. Portugal do início dos anos 60

Prevaleciam ainda os valores duma sociedade tradicional pouco permeável à mobilidade, demograficamente dominada por um campesinato pobre e pouco escolarizado:de vida) dos portugueses. Portugal do início dos anos 60 Valores como o "respeito" incondicional pelas

Valores como o "respeito" incondicional pelas hierarquias tradicionais - familiares, sexuais e de classe; Correlativamente, prevaleciam os modelos de consumo centrados na escassez de recursos e na valorização da poupança (valores que, expressamente assumidos pela doutrina oficial do Estado Novo, se articulavam estreitamente com a ideologia autoritária e tradicionalista que, sob esse regime, fundava a organização política do país). As mudanças sociais ocorridas (potenciadas pela abertura ao exterior através do turismo ou da emigração, pela escolarização crescente, pela expansão dos meios de comunicação social e pela própria instituição da democracia política a partir de 1974), arrastaram consigo a difusão generalizada de sistemas de preferências mais orientados para:

A relativização simbólica das distinções sociais intransponíveis,de sistemas de preferências mais orientados para: A afirmação do direito de cada indivíduo à realização

A afirmação do direito de cada indivíduo à realização pessoal,simbólica das distinções sociais intransponíveis, A adoção de modelos de consumo e de estilos de vida

A adoção de modelos de consumo e de estilos de vida comuns às sociedades mais desenvolvidas. Principais tendências demográficas Principais tendências demográficas

Declínio da fecundidade envelhecimento da estrutura etária, articularam-se com os efeitos da modernização social e cultural e contribuíram para: , articularam-se com os efeitos da modernização social e cultural e contribuíram para:

A emergência de novas clivagens estruturais como a que se exprime no peso crescente das classes mais idosas,

A reconfiguração de estruturas sociais de base como a que afetou a estrutura e as

relações familiares. Alterações demográficas

Intensos fluxos migratórios internos e externos , que proporcionaram (fora e dentro do país) o contacto fluxos migratórios internos e externos, que proporcionaram (fora e dentro do país) o contacto entre populações de origens locais e étnicas diferentes; Com eles (ao mesmo tempo que emergem situações de recombinação e de pluralismo culturais) foram-se tornando mais complexos os elementos tradicionalmente estruturantes da pertença e da identidade cultural portuguesas (sejam os que se organizam em torno da unidade histórico-geográfica, linguística e religiosa do país, sejam os que se enraízam em tradições regionais de caráter secular).

3.1. Mutações da estrutura sócio-profissional

3.1.1. Recomposição sócio-profissional da população ativa Os processos de modernização arrastam consigo:

Uma redistribuição global da população ativa pelos diversos setores económicos

Uma redistribuição global da população ativa pelos diversos setores económicos

Uma reorganização das exigências de qualificação, das características e do peso relativo das atividades

Uma reorganização das exigências de qualificação, das características e do peso relativo das atividades profissionais:

O declínio do peso do setor primário traduziu-se na quebra da agricultura como

atividade principal (embora tenha mantido, em certas regiões, mesmo industrializadas, um peso significativo como atividade de complemento dos rendimentos familiares); O crescimento do setor secundário expressou-se num aumento do volume de

assalariados nas atividades industriais, artesanais e dos transportes (ainda que com tendência decrescente a partir dos anos 80, em favor duma maior expansão dos setor terciário); A expansão do setor terciário, traduziu-se no incremento das profissões associadas

ao comércio, ao turismo, aos serviços especializados, às atividades administrativas, bem como das profissões intelectuais, científicas e técnicas; A repercussão da evolução da estrutura e das relações económicas alarga-se ainda à evolução da situação da população em relação à profissão. O crescimento da categoria dos "trabalhadores por conta de outrem" traduz a afirmação do assalariamento como forma dominante das relações de trabalho. Quanto ao quase desaparecimento dos indivíduos categorizáveis como "trabalhadores familiares", ele exprime o declínio da família como "unidade de produção" que integrava informalmente o trabalho não remunerado dos seus membros (situação que detinha um peso significativo na organização tradicional da atividade agrícola ou da atividade comercial).

3.1.2. Estrutura de classes e mobilidade social As mutações referidas repercutiram-se naturalmente na estrutura e na dinâmica das classes sociais:

A alteração mais impressionante foi o declínio do campesinato , conjunto social que entre a

A

alteração mais impressionante foi o declínio do campesinato, conjunto social que entre a 2ª

metade do sec. XX e o início do sec. XXI, passou de categoria maioritária a categoria quase residual da estrutura de classes (traduzindo o fim duma sociedade predominantemente rural e agrícola).

Esta deslocação da estrutura social, acompanhando as dinâmicas de industrialização e de terciarização, fez-se:

Esta deslocação da estrutura social, acompanhando as dinâmicas de industrialização e de terciarização, fez-se:

Em favor do crescimento do peso relativo dos assalariados industriais: trabalhadores

da indústria, da construção civil, dos transportes, cujo peso no entanto estagnou nas últimas décadas; Em favor do crescimento acentuado dos empregados do setor terciário: assalariados dos escritórios, do comércio, dos serviços e da administração do Estado;

Houve, também, um incremento significativo na representação dos quadros superiores técnicos e científicos das empresas e da administração pública. Cerca de 2/3 da população ativa portuguesa distribuir-se-ão hoje entre 2 categorias de assalariados de base (sem qualificação elevada ou posição de chefia):

dos operários industriais (onde predomina a presença masculina);base (sem qualificação elevada ou posição de chefia): dos empregados executantes dos serviços, do comércio e

dos empregados executantes dos serviços, do comércio e da administração pública (onde éindustriais (onde predomina a presença masculina); A A mais elevado o peso da presença feminina). 1/3

A

A

mais elevado o peso da presença feminina). 1/3 restante reparte-se:

Pelas posições sociais resultantes da pequena propriedade agrícola ou comercial e do trabalho independente (explorados muitas vezes em regime familiar); pequena propriedade agrícola ou comercial e do trabalho independente (explorados muitas vezes em regime familiar);

Pelas posições mais elevadas associadas à média e grande propriedade , ao exercício de serviços especializados e à detenção de postos média e grande propriedade, ao exercício de serviços especializados e à detenção de postos de chefia: empresários, gestores de empresas, dirigentes dos serviços públicos;

Pela categoria dos profissionais técnicos e de enquadramento : assalariados com qualificações escolares e profissionais elevadas (cujo profissionais técnicos e de enquadramento: assalariados com qualificações escolares e profissionais elevadas (cujo crescimento acentuado tem sido também um dos traços mais marcantes da evolução da estrutura social).

As últimas décadas do séc. XX foram marcadas pela ocorrência duma significativa mobilidade social, isto é, de alteração das posições sociais dos indivíduos e dos seus descendentes em relação à sua posição social de origem.

Esta mobilidade, de caráter predominantemente ascendente , foi consequência direta: ascendente, foi consequência direta:

Da reorganização das oportunidades e dos postos que resultou da modernização económica (declínio da agricultura, industrialização, terciarização);

Da Obtenção dum diploma escolar (especialmente superior) Mobilidade social intergeracional ascendente (resulta da subida de posição social dos indivíduos em

Da "translação" da estrutura técnico-profissional

relação à posição social dos pais) especialmente

3.1.3. A profissionalização da população feminina Uma das transformações mais importantes ocorridas na estrutura sócio-profissional no período que decorreu de 1960 até ao início do séc. XXI, foi:

Explosão da participação das mulheres na atividade profissional Evoluindo, nesse intervalo de tempo, de pouco mais de 10% para cerca de 50%, a taxa de atividade feminina é, hoje, em Portugal, superior à de muitos países europeus. Tal deveu-se à presença do sexo feminino se ter tornado dominante nos níveis mais elevados de ensino A inserção massiva das mulheres na atividade profissional implicou alterações de vulto nas práticas e nos valores associados á divisão sexual do trabalho.

e nos valores associados á divisão sexual do trabalho. Não se pode ignorar que, nas formas

Não se pode ignorar que, nas formas tradicionais de organização do trabalho (pequena agricultura

tradicional, pequeno comércio, atividades artesanais 1960 e em certas área de 2001), é o próprio grupo doméstico que se constitui habitualmente como unidade de produção, integrando quase sempre uma decisiva componente de trabalho feminino (trabalho doméstico e não só). A explosão da participação das mulheres no mercado formal de trabalho corresponde:

À modernização da estrutura económica e produtiva

À

modernização da estrutura económica e produtiva

Sintonização progressiva da sociedade portuguesa com uma tendência própria das economias capitalistas que é a

Sintonização progressiva da sociedade portuguesa com uma tendência própria das economias capitalistas que é a da constituição duma esfera profissional claramente diferenciada do espaço doméstico (fenómeno social que estará também, entre outros fatores, na base de transformações das formas de organização familiar). Quando se consideram a distribuição e a incidência da participação das mulheres nos diversos setores de atividade da economia, pode observar-se que, sob a generalização da profissionalização formal, ocorrerão processos com significado e impacto sociais muito diferenciados, de acordo com os contextos de trabalho e com os perfis geracionais e educacionais da população feminina.

Setor secundário

 
A presença dos homens tem permanecido sempre superior à das mulheres, verificando-se o

A

presença dos homens tem permanecido sempre superior à das mulheres, verificando-se o

 

inverso nos setores primário e terciário.

Setor primário

 

O aumento da % de mulheres traduzirá, sobretudo, uma nova repartição familiar da atividade,

caracterizada pela deslocação dos homens do trabalho agrícola para outras atividades principais, ficando para as mulheres, em geral as mais idosas e com mais baixa ou nenhuma escolaridade, a responsabilidade pela pequena agricultura complementar de subsistência. Setor terciário A predominância do trabalho feminino terá acompanhado o incremento dos níveis de escolarização das mulheres mais jovens, população que encontra nas atividades dos Serviços uma colocação mais ajustada às suas qualificações e expectativas (com especial incidência em ocupações ligadas ao Ensino, à Saúde e aos Serviços Sociais). Outros indicadores (por ex, o facto de as mulheres serem ainda minoritárias em categorias profissionais como as dos "Quadros superiores e dirigentes"), sugerem que a recomposição sexual da atividade profissional se terá refletido mais acentuadamente na distribuição da população masculina e feminina pelas ocupações disponíveis do que numa reorganização da estrutura dos poderes profissionais, tradicionalmente mais favorável aos homens.

profissionais, tradicionalmente mais favorável aos homens. 3.2. Efeitos sociais do envelhecimento da estrutura etária

profissionais, tradicionalmente mais favorável aos homens. 3.2. Efeitos sociais do envelhecimento da estrutura etária

3.2. Efeitos sociais do envelhecimento da estrutura etária

A evolução da população portuguesa nas últimas 4 décadas do séc. XX, caracterizou-se por um acentuado e acelerado ritmo de envelhecimento, processo que continuará a aprofundar-se nas primeiras décadas do séc. XXI. Este processo, resultado dos efeitos conjugados da queda da natalidade e do aumento da esperança média de vida, traduz-se num perfil etário da população caracterizado pela diminuição da % de jovens e pelo crescimento do peso das gerações mais idosas no conjunto da população. Entre 1960 e 2000, em contraste com o que ocorreu com o grupo com idade inferior a 15 anos, o nº de pessoas com mais de 64 anos quase duplicou. O fenómeno do "duplo envelhecimento" demográfico (menos jovens, mais idosos) é um traço marcante das sociedades. ocidentais, particularmente dos países europeus mais desenvolvidos. No caso português, deve sublinhar-se a extrema rapidez com que se concretizou, num intervalo histórico muito curto, a aproximação aos padrões demográficos "modernos".

num intervalo histórico muito curto, a aproximação aos padrões demográficos "modernos". 22 Célia Silva
num intervalo histórico muito curto, a aproximação aos padrões demográficos "modernos". 22 Célia Silva
num intervalo histórico muito curto, a aproximação aos padrões demográficos "modernos". 22 Célia Silva

Numa sociedade como a portuguesa, onde após 1960, o desenvolvimento económico-social não foi

certamente tão acelerado, nos seus efeitos (por ex.: a "modernização demográfica"), as gerações mais idosas (as que em geral atingiram a idade adulta naquela década, e que hoje são genericamente categorizadas como "reformados") aparecem como um dos grupos sociais mais vulneráveis Rendimento

Os agregados familiares compostos por idosos são, em média, dos mais desfavorecidos , usufruindo receitas

Os agregados familiares compostos por idosos são, em média, dos mais desfavorecidos, usufruindo receitas inferiores à média nacional e apresentando taxas de pobreza nitidamente superiores ao conjunto da população, isto num grupo social cujo meio principal de vida são hoje as pensões de reforma. Instrução

A

A

maioria dos indivíduos deste grupo não tem qualquer nível de instrução completo ou tem

apenas o 1º Ciclo de escolaridade, sendo a agricultura a ocupação que absorve maior nº de idosos com atividade, exercida sobretudo como atividade complementar de rendimentos.

Estrutura de consumo

Dominada pelos bens de 1ª necessidade (alimentação, habitação) e associa-se tanto a fortes índices de

Dominada pelos bens de 1ª necessidade (alimentação, habitação) e associa-se tanto a fortes índices de privação de bens duradouros (televisão, o telefone, o fogão ou a máquina de lavar a roupa), como à ausência de despesas com atividades de lazer. Privação económica é

É, em geral, acompanhada por níveis mais intensos de privação social .

É,

em geral, acompanhada por níveis mais intensos de privação social.

Crescimento das famílias de idosos isolados (principalmente mulheres, por efeito da sobremortalidade masculina)

Crescimento das famílias de idosos isolados (principalmente mulheres, por efeito da sobremortalidade masculina) Isolamento cujo impacto tende certamente a ser agravado pelas transformações das formas familiares no sentido da "nuclearização" das famílias afrouxamento das formas de solidariedade e de apoio, anteriormente asseguradas pela família alargada tradicional.

3.3. Família e estruturas familiares

A modernização da estrutura sócio-económica e a reorganização das expectativas, das aspirações e dos valores sociais que lhes estão associadas fez-se acompanhar de mudanças profundas no que respeita:

Aos processos de formação e estruturação da família

Aos processos de formação e estruturação da família

Às atitudes perante o contrato matrimonial e a vida familiar Fatores que se conjugam na criação de condições favoráveis a tais mutações e cuja ocorrência se torna notória na evolução dos indicadores sócio-demográficos:

favoráveis a tais mutações e cuja ocorrência se torna notória na evolução dos indicadores sócio-demográficos :

Urbanização e declínio da economia ruralna evolução dos indicadores sócio-demográficos : Escolarização generalizada da população e das mulheres

Escolarização generalizada da população e das mulheres em particular: Urbanização e declínio da economia rural Reorganização da estrutura do emprego e

Reorganização da estrutura do emprego e profissionalização da população feminina. .

3.3.1. Casamento e divórcio A proporção do nº de casamentos (taxa de nupcialidade) sofreu, desde os anos 70, uma quebra contínua e acentuada. A observação demográfica e sociológica impede que esta evolução seja interpretada linearmente como um "declínio da família", na medida em que tal evolução tem decorrido:

Do adiamento da idade média de entrada no casamento (o 1º casamento ocorre cada vez mais adiamento da idade média de entrada no casamento (o 1º casamento ocorre cada vez mais tarde)

Do crescimento de situações informais de união e de co-habitação ("uniões de facto") A queda da crescimento de situações informais de união e de co-habitação ("uniões de facto") A queda da nupcialidade tem sido ainda acompanhada pelo crescimento da proporção de casamentos civis em relação aos casamentos celebrados religiosamente (no caso português predominantemente católicos

Tendência para a laicização do contrato conjugal; Esta tendência é, no entanto, muito mais elevada no Sul e laicização do contrato conjugal; Esta tendência é, no entanto, muito mais elevada no Sul e Ilhas do que no Norte e Centro de Portugal, o que confirma (tal como outros indicadores) um forte dualismo entre Norte e Sul no que respeita à difusão social da prática religiosa. Outra evolução significativa ocorre com a dissolução da relação conjugal, traduzida no crescimento da taxa de divórcio

A análise sócio-demográfica confirma a relação do crescimento do divórcio com: :

A urbanização da sociedade,

A recomposição da estrutura sócio-profissional,

Os níveis crescentes de escolarização de homens e mulheres

A percentagem de divórcios é significativamente superior na Grande Lisboa em relação à

A

percentagem de divórcios é significativamente superior na Grande Lisboa em relação à

média do país

Ocorrência mais significativa entre os profissionais liberais, quadros médios/superiores, empregados dos serviços, e

Ocorrência mais significativa entre os profissionais liberais, quadros médios/superiores, empregados dos serviços, e entre indivíduos dotados de formação escolar superior.

Existência de um contraste sócio-cultural (também observado na laicização do casamento):

Existência de um contraste sócio-cultural (também observado na laicização do casamento):

Incidência do divórcio permanece significativamente menor no Norte do que no Sul do país.

3.3.2. Família e fecundidade

As últimas décadas do séc. XX foram marcadas por um acentuado declínio do nº de médio de filhos por casal (taxa de fecundidade).

A profundidade desta evolução é acentuada pelo facto de, apesar de obedecer a alguns dos

contrastes recorrentes entre regiões rurais e urbanas e entre o Norte e Sul do país, os seus efeitos se terem repercutido de forma aproximada em todo o país.

Resultado direto da generalização dos métodos de contraceção eficaz, a propensão para a diminuição de nº de filhos traduz os efeitos convergentes sobre todos os grupos sociais das transformações materiais e culturais que a modernização sócio-económica arrasta consigo (por ex, o declínio da incorporação do trabalho dos filhos na economia comum, as limitações que a profissionalização das mulheres levanta à tradicional divisão das ocupações familiares ou a prevalência cada vez mais conferida à realização pessoal de cada um dos membros da família). Contudo, não se verifica uma relação direta do declínio da fecundidade com o decréscimo de casamentos ou com o aumento dos divórcios.

O facto de ter vindo a aumentar significativamente o nº de nascimentos fora do casamento

indica, com efeito, que as "uniões de facto" não são mais infecundas do que as uniões

de facto" não são mais infecundas do que as uniões resultantes do casamento formal. 3.3.3. Dimensão
de facto" não são mais infecundas do que as uniões resultantes do casamento formal. 3.3.3. Dimensão

resultantes do casamento formal.

3.3.3. Dimensão e morfologia da estrutura familiar

A evolução da dimensão da família tem-se caracterizado por um decréscimo contínuo:

Duma média de 3,8 pessoas em 1960 , passou para 3,1 em 1991 , fixando-se

Duma média de 3,8 pessoas em 1960, passou para 3,1 em 1991, fixando-se já em 2001 em 2,8

indivíduos por família. Discriminando tipologicamente os agregados, verifica-se que foi no grupo das famílias com maior

dimensão (5 e mais membros) que aquela tendência se repercutiu mais acentuadamente. Esta evolução é concomitante da diminuição do nº de filhos por casal, mas traduz também o declínio

do modelo de família alargada tradicional (em que co-habitam em geral mais de 2 gerações) em favor da preponderância da família nuclear moderna, caracterizada pelo modelo predominante "1 casal - 2 filhos". O crescente pluralismo e maior fluidez das formas de nupcialidade e de contrato conjugal tende, a traduzir-se numa diversificação dos modelos familiares; expressão desse fenómeno é o crescimento:

Das famílias monoparentais , em que os filhos co-habitam apenas com um dos membros do casal famílias monoparentais, em que os filhos co-habitam apenas com um dos membros do casal (predominantemente com a mãe)

Das famílias recompostas , que resultam do "recasamento" de cônjuges separados ou divorciados. famílias recompostas, que resultam do "recasamento" de cônjuges separados ou divorciados.

3.4. Identidades culturais, migrações e minorias étnicas

3.4.1. Identidade nacional e culturas regionais

A identidade nacional portuguesa não pode ser imputada a uma qualquer formação étnica original, mas antes à força e à continuidade da ação político-administrativa do Estado desde o momento da sua formação no séc. XII.

Ao mesmo tempo que se estruturou em torno de alguns traços aglutinadores dotados de grande

Ao mesmo tempo que se estruturou em torno de alguns traços aglutinadores dotados de grande estabilidade - como as fronteiras historicamente consolidadas, a língua ou o património artístico e literário eruditos -, esta identidade política e culturalmente centralizada conviveu com uma significativa diversidade de tipo regional (minhota, alentejana, etc), prevalecendo, todavia, sobre ela. Nenhuma das diferentes regiões culturais portuguesas assumiu papel predominante ou aglutinador nem se singularizou por um comportamento histórico peculiar.

Demarcação mais operativa, mas mais alargada, é a que se estabelece entre o Norte e Sul, se tomarmos em consideração a persistência até aos nossos dias de contrastes bem marcados

Na adesão aos valores e comportamentos religiosos (mais forte no Norte do que no Sul)até aos nossos dias de contrastes bem marcados Nas atitudes e escolhas políticas (menos conservadoras no

Nas atitudes e escolhas políticas (menos conservadoras no Sul do que no Norte). Este contraste entre Norte e Sul, ainda que manifestando-se recorrentemente operante em situações de conflito político (revolução do 25 de Abril de 1974) ou simbólico (definição da "pronúncia" legítima da língua comum), não tem qualquer tradução em formas socialmente estabilizadas de identificação ou de exclusão mútua dos portugueses. As identidades tradicionais tendem a ser esbatidas ou tornadas caducas pela emergência de novas polaridades As identidades tradicionais tendem a ser esbatidas ou tornadas caducas pela emergência de novas polaridades associadas à modernização social.

É o que acontece em parte com as culturas regionais , que centradas primariamente nos usos e costumes da organização social agrícola vão culturas regionais, que centradas primariamente nos usos e costumes da organização social agrícola vão perdendo, com a urbanização geral da população e das práticas sociais, o caráter de "culturas vivas".

Ocorre também com a crescente acuidade da oposição entre o Litoral e o Interior , a qual se organiza já não em torno de quaisquer Litoral e o Interior, a qual se organiza já não em torno de quaisquer orientações culturais particulares, mas de graus desiguais de desenvolvimento economia-social das suas populações.

3.4.2. A emigração e as suas consequências sócio-culturais

A emigração é uma característica estrutural da sociedade portuguesa, enquanto forma de superação do desequilíbrio entre as necessidades da população e a organização económica-social dos seus recursos.

A saída de portugueses conheceu um dos seus mais elevados picos históricos ( nos anos

A

saída de portugueses conheceu um dos seus mais elevados picos históricos (nos anos 60)

 

tendo-se depois reduzido, mas não interrompido, nas últimas 2 décadas do séc. XX.

Além das consequências demográficas , há também que considerar as repercussões sócio- culturais dum movimento

Além das consequências demográficas, há também que considerar as repercussões sócio- culturais dum movimento social tão expressivo. Por um lado, residem hoje no estrangeiro cerca de 4 milhões de portugueses, nalguns casos

formando comunidades que, além de peso significativo nos países de acolhimento, mantêm formas variadas de relação efetiva ou proclamada com o país e com as regiões de origem:

A existência dessas "comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo" tornou-se mesmo uma

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existência dessas "comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo" tornou-se mesmo uma

das referências mais constantemente mobilizadas na construção simbólica da identidade nacional. A explosão, nos anos 60, da emigração para os destinos europeus (França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, nomeadamente) em detrimento da antiga emigração transatlântica tornou mais fáceis as deslocações entre os países de destino e Portugal.

Potenciou-se o contacto regular dos emigrados com as suas comunidades de origem , nomeadamente através

Potenciou-se o contacto regular dos emigrados com as suas comunidades de origem, nomeadamente através dos regressos periódicos das férias, e favoreceu-se uma presença muito ativa e continuada daqueles na vida social e económica das localidades de partida.

Este facto influiu poderosamente na paisagem social das regiões de maior emigração

Por efeito dos investimentos aí realizados pelos emigradosna paisagem social das regiões de maior emigração Pela força de comportamentos que, decorrentes do contacto

Pela força de comportamentos que, decorrentes do contacto com os hábitos estrangeiros e do desejo de afirmação de mudança e de mobilidade, os vieram colocar em relativa rutura com as hierarquias sócio-culturais instituídas (como aconteceu com a construção de numerosas habitações, dotadas de condições modernas de conforto, mas muitas vezes contrastantes comPor efeito dos investimentos aí realizados pelos emigrados os padrões arquitetónicos convencionais das regiões de

os padrões arquitetónicos convencionais das regiões de implantação).

Daí resultou também que a relação dos "residentes" com os "emigrantes" se passou a caracterizar por alguma ambivalência simbólica, oscilando entre:

A admiração pela capacidade empreendedora destes (sobretudo entre as classes de origem dos

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admiração pela capacidade empreendedora destes (sobretudo entre as classes de origem dos

próprios emigrantes)

A rejeição dos seus comportamentos e preferências mais típicos (especialmente por parte das

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rejeição dos seus comportamentos e preferências mais típicos (especialmente por parte das

categorias mais escolarizadas e urbanizadas dos residentes). Mais recentemente, os termos da tensão entre "residentes" e "emigrados" terão vindo a perder vivacidade, porque:

Declinou o grande ciclo de emigração que esteve na sua origem,terão vindo a perder vivacidade, porque : Em fases mais avançadas do ciclo migratório, a

Em fases mais avançadas do ciclo migratório, a integração dos emigrantes na vida social portuguesa atenuou as divergências mais contrastantes,o grande ciclo de emigração que esteve na sua origem, As próprias trajetórias sociais ascendentes duma

As próprias trajetórias sociais ascendentes duma parte significativa dos portugueses em países mais desenvolvidos (sobretudo dos seus filhos "segundas gerações"), afastam progressivamente o perfil sócio-cultural dos emigrados dos traços que "segundas gerações"), afastam progressivamente o perfil sócio-cultural dos emigrados dos traços que caracterizavam os

pioneiros do poderoso êxodo das décadas de 60 e 70.

3.4.3. Imigração e minorias étnicas Os fluxos imigratórios eram, em 1960, muito reduzidos e era pouco relevante a presença de estrangeiros (afora certas situações muito confinadas como, por exemplo, a existência duma tradicional comunidade inglesa associada à produção e comercialização do Vinho do Porto).

Esta situação conheceu uma alteração profunda, especialmente a partir da 2ª metade da década de 70, por efeito de fatores como:

independência das antigas colónias,A

A

reestruturação do mercado de trabalho português no contexto duma progressiva integraçãoA

A

na economia europeia

Entre 1960 e 1981, enquanto a população portuguesa cresceu cerca de 12%, o crescimento do nº de estrangeiros residentes ultrapassou os 300%.

O

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ritmo deste crescimento não voltou a abrandar, com o incremento da imigração ilegal

induzindo mesmo uma subestimação dos nºs reais;

Estimativas baseadas no processo de regularização extraordinária de imigrantes levado a cabo em 2001 ,

Estimativas baseadas no processo de regularização extraordinária de imigrantes levado a cabo em 2001, permitem concluir que esse nº rondará já 300.000 indivíduos, 3% da população portuguesa. Para além de país historicamente exportador de emigrantes, Portugal transformou-se assim, em 3 décadas, num país de imigração e a sociedade portuguesa passou a contar com a presença dum conjunto significativo de comunidades estrangeiras étnica e culturalmente diversas e caracterizadas por situações e modalidades diferentes de integração no país de acolhimento.

Esta presença tem-se concentrado privilegiadamente nas regiões litorais do continente e em especial nas áreas de maior dinamismo económico (Lisboa, Setúbal, Porto ou o Algarve);

Isso explica que os efeitos da diversificação étnico-cultural com origem na imigração se entrelacem muitas vezes com os processos e (com as tensões) associados à expansão da economia e à concentração urbana. Região de proveniência As categorias de imigrantes cuja presença em Portugal é, no início do Região de proveniência As categorias de imigrantes cuja presença em Portugal é, no início do séc. XXI, mais significativa, são as seguintes:

Africanos (maioritariamente Cabo-verdianos) Provenientes, na sua maioria, dos Estados emergentes da independência das antigas (maioritariamente Cabo-verdianos) Provenientes, na sua maioria, dos Estados emergentes da independência das antigas colónias portuguesas. Este grupo de cidadãos estrangeiros tem origem numa migração predominantemente laboral dirigida para os postos menos qualificados e mais precários do mercado de trabalho, especialmente na construção civil (pontualmente acrescida dum fluxo menor de refugiados políticos que procuram escapar a situações de instabilidade política ou de estudantes que vêm frequentar em Portugal o ensino secundário e superior).

Estes imigrantes concentram-se em áreas mais desqualificadas das maiores cidades

e são particularmente vulneráveis a situações de exclusão social; Contudo, a consolidação das redes de solidariedade étnica e dos laços comunitários entretanto formados no país de acolhimento, traduz-se numa cada vez maior capacidade de afirmação coletiva que tem no associativismo uma das suas expressões cívicas mais relevantes.

Cidadãos originários de países da União Europeia Representam a 2ª maior parcela de estrangeiros em Portugal . Caracterizados em geral por um Representam a 2ª maior parcela de estrangeiros em Portugal. Caracterizados em geral por um estatuto sócio-económico elevado, distribuem-se tipicamente pelas atividades e categorias superiores das empresas e dos serviços Entre eles encontra-se também um nº significativo de cidadãos dos países europeus mais desenvolvidos que, em período de reforma, escolheram Portugal como residência permanente, com especial incidência no Algarve.

Brasileiros Em geral, detentores de níveis superiores de qualificação e exercendo atividades no setor dos serviços Em geral, detentores de níveis superiores de qualificação e exercendo atividades no setor dos serviços especializados, terão sido atraídos:

Pelo grau comparativamente superior de segurança financeira e social de que, num quadro de integração europeia, usufruem em Portugal as frações mais favorecidas da classe média.

Pela vantagem dum língua comum

Constata-se assim que, até aos anos 90, o perfil das comunidades estrangeiras em Portugal traduziu genericamente a polarização de 2 tipos de movimentos imigratórios qualitativamente contrastantes quanto às suas características sociais e ao tipo de inserção construída na estrutura sócio-económica do país:

1º Grupo Mão de obra pouco qualificada e precária, com origem predominante nas ex-colónias portuguesas de África Mão de obra pouco qualificada e precária, com origem predominante nas ex-colónias portuguesas de África, cuja inserção se fez em geral nos lugares mais desfavorecidos da estrutura social portuguesas;

2º Grupo Com origem dominante na UE e no Brasil , de indivíduos qualificados e bem remunerados Com origem dominante na UE e no Brasil, de indivíduos qualificados e bem remunerados cuja inserção se realizou nas posições mais elevadas dessa estrutura.

Na viragem para o séc. XXI, a explosão duma intensa corrente imigratória com origem em países da Europa de Leste (nomeadamente na Ucrânia, na Moldávia e na Roménia), na sequência da crise Europa de Leste (nomeadamente na Ucrânia, na Moldávia e na Roménia), na sequência da crise económica e social (países antes integrados na extinta União Soviética ou na sua esfera de influência), veio tornar ainda mais plurifacetada a realidade social e cultural dos estrangeiros presentes em Portugal. Tratando-se em geral de indivíduos com níveis relativamente elevados de instrução, têm sido recrutados para as atividades mais desqualificadas do mercado de trabalho, quase sempre em situações de clandestinidade que agravam a insegurança, o isolamento e a privação social que, pelo menos nesta fase inicial do ciclo migratório, têm caracterizado a sua presença em Portugal.

Na composição do mosaico das minorias étnico-culturais, há que assinalar a importância da etnia cigana , cujo nº de membros se estima situado entre os 40.000 e 50.000 etnia cigana, cujo nº de membros se estima situado entre os 40.000 e 50.000 indivíduos espalhados por todo o país. Ainda que tratando-se de cidadãos nacionais cuja presença remontará possivelmente ao séc. XIV, a sua forte singularidade cultural foi objeto, em Portugal como noutras partes do mundo, duma secular tradição de discriminação social e jurídica. Originalmente nómadas, os ciganos integraram-se tradicionalmente em áreas intersticiais da vida económica. como o pequeno artesanato e o comércio itinerante, mas essa base de subsistência tende hoje a extinguir-se com o declínio do mundo rural e com a crescente formalização das transações económicas.; Este facto que, numa comunidade marcada pela forte incidência de pobreza e de analfabetismo, propicia, o recurso a estratégias marginais ou ilícitas de sobrevivência Reforçando a estigmatização que recai sobre o conjunto da comunidade, e até servido de pretexto - em contextos de vizinhança com populações não ciganas - a formas ativas de animosidade e de discriminação violenta dirigidas contra os seus membros.