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Universidade do Minho – Instituto de Ciências Sociais (ICS) Uma breve reflexão à metalurgia do

Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais (ICS)

Uma breve reflexão à metalurgia do ouro na Península Ibérica

Trabalho realizado por Marta Senra pg32196

Unidade Curricular: Seminário de Investigação II

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Mestrado em Arqueologia

2016/2017

INTRODUÇÃO

Este trabalho insere-se no âmbito da Unidade Curricular de Seminário II do Mestrado em Arqueologia da Universidade do Minho. O objetivo do mesmo insere-se em demonstrar, de uma forma precisa e objetiva, a presença muito palpável da exploração do ouro na Península Ibérica. Pretendo, com recurso ao conhecimento que apreendi nas duas aulas realizadas, relatar toda esta panóplia complexa do estudo da metalurgia do ouro. Debruçar-me-ei, e como forma de complementária, na obra de Plínio, o Velho. A sua obra, emblemática do seu tempo, é um fonte literária essencial ao estudo antigo da Hispânia. Destaca-se, por entre outras obras, pelo seu caráter sistemático e rigoroso visto que este procurou as suas fontes de forma direta. As linhas gerais em que se foca este trabalho cingem-se, numa primeira etapa, na definição da Arqueometalurgia, através da análise do seu objeto de estudo, nos seus métodos de investigação, bem como uma reflexão acerca da sua importância para a Arqueologia. Neste ponto focar-me-ei, preferencialmente, no que tive a oportunidade de nutrir através das respetivas aulas. Numa segunda etapa, descreverei os processos inerentes à exploração mineira do ouro, pormenorizando com a inserção de algumas tipologias e informações referentes à tese da arqueóloga Carla Martins. Posteriormente, na mesma linha de pensamento, julgo ser importante referenciar a importância da água como componente imprescindível à produção mineira. Por fim, apresentarei como última fase do processo de mineração, a utilização e metodologias dos fornos de redução.

Este metal sempre exerceu um tal fascínio no homem, que o adora, escraviza por ele e por ele morre (Black, 1981: 18)

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ARQUEOMETALURGIA

Chega um momento em que no seio da Arqueologia surge a necessidade de estudar os processos tecnológicos dos povos do Passado. Isto deve-se ao facto da evolução tecnológica fornecer importantes dados, na sua essência, acerca da evolução das comunidades arqueológicas. Este particular interesse, e cada vez mais crescente, transformou-se numa necessidade principalmente, numa primeira etapa, para o estudo das comunidades pré-históricas. A partir do momento em que se admite que existe a presença de inovações tecnológicas na Pré-História, sustenta-se uma teoria evolucionista que admite a existência de processos tecnológicos que evoluem e se tornam mais complexos. Embora esta posição assuma algumas problemáticas e contradições, não deixa de poder ser considerada um importante passo para o estudo da metalurgia no campo arqueológico. A partir da criação de uma linha de pensamento e de evolução, concluiu-se que a cerâmica e o metal são os estágios mais avançados pois derivam de transformações da matéria- prima bastante complexas. Inevitavelmente, surgem questões acerca do que é que esta própria tecnologia poderia sustentar. Isto é, se os avanços tecnológicos se sustentam num acontecimento do acaso, como consequência de certas conjunturas ou uma tradução de novos cenários e situações sociais e económicas. Sabe-se, assim, que para haver impulso da tecnologia é necessário existir demanda social e económica, que naturalmente geram certas necessidades que precisam de ser satisfeitas, bem como o entendimento, por parte das comunidades, do benefício em evoluir e mudar. Considerando, deste modo, que o estudo da evolução tecnológica nos fornece dados acerca do panorama social, económico, político (e até religioso) acerca de uma comunidade em estudo, por consequência o interesse pelo estudo dos metais torna-se alvo de importância. O estudo sobre os metais antigos, de forma a potencializar um enorme quadro de informação e dados, foca em vários “parâmetros” de estudo. Atenta, assim, à tipologia, a elementos analíticos (por exemplo, combustível), processos tecnológicos e na origem da matéria-prima. Por conseguinte, e de forma a satisfazer a necessidade de um estudo pormenorizado acerca de todos estes processos complexos surge a Arqueometalurgia como nova perspetiva. Este campo de estudo incorpora, assim, os processos de estudo provindos da metalurgia com as perspetivas arqueológicas. Ora, em vez de se obter somente uma perspetiva analítica que embora forneça importantes dados acerca dos processos físicos, químicos e analíticos, carece de obter uma perspetiva mais experimentalista e antropológica. Assim, a Arqueometalurgia “funde”, na sua essência, perspetivas que permitem encetar inúmeras respostas e dados acerca tanto dos processos mais científicos e químicos da natureza metalúrgica mas, também, aplicar perspetivas e tipologias arqueológicas e antropológicas que abrangem o leque de respostas à própria posição e relacionamento do Homem com os metais (por exemplo, quando é que este começou a ser transformado; o que levou a que este tipo de matéria-prima passe a ser empregue, entre outras questões). Segundo Carla Martins (2008), a arqueometalurgia “trata de dimensionar ou quantificar materiais arqueológicos utilizando métodos de outras

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ciências e daí, o utilizar-se cada vez mais as modernas tecnologias metalúrgicas para

dimensionar materiais arqueológicos inseridos num contexto histórico-cultural preciso.”

A arqueometalurgia tem como objetivo documentar, criar tipologias, encetar

considerações antropológicas, realizar enfoques físicos, químicos e analíticos e assumir uma vertente experimentalista. Esta abrangência permite, assim, criar uma perspetiva de

estudo e de respostas muito ampla e completa. O recurso à epigrafia, às fontes literárias,

a representações pictóricas/escultórias, a arte rupestre (representação de machados, por

exemplo) e a tratados que relatam processos, leis ou utilizações metalúrgicas fornecem excecionais informações, tais como ilustrações que descrevem de forma gráfica processos

metalúrgicos; as normas que vigoravam no Império Romano (roupas, escravos, nomenclatura, entre outros); localizações de minais (como por exemplo, na epigrafia de bronze de Aljustrel/Vipasca que localizam a presença de ouro na Astúria Transmontana

e mais prata a Noroeste); as representações de cerâmicas ou dos processos de confeção

através de pinturas ou esculturas, entre muitas outras. As fontes literárias igualmente fornecem enormes contributos para o estudo da metalurgia, embora se deva atentar à subjetividade inerente. Neste ponto, destaco a obra de Plínio, O Velho como uma fonte sistemática e rigorosa e que, por conseguinte, se torna uma fonte imprescindível ao estudo da mineralização do ouro.

Os materiais que são passíveis de analisar são os minérios, os restos de fundição,

os restos de produção e os objetos elaborados (Carla Martins, 2008). Por exemplo, os restos de fundição (como escórias, fornos ou restos metálicos) assumem-se como um dos objetos de estudo da Arqueometalurgia. A sua análise permite entender qual minério foi utilizado, se há ou não presença de fundentes, qual foi o tipo de forno utilizado, que tecnologia foi aplicada aquando da depuração do minério (Carla Martins, 2008). Por exemplo, através destas análises sabe-se que os fornos pré-históricos não atingiam a temperatura 1535 necessária para a fundição do ferro, sendo assim só reduzido. Isto permite estabelecer uma cronologia inicial para a fundição do ferro, através dessas análises (século XVI). Também se nutre como objetivo da Arqueometalurgia distinguir entre minério fundente ou matéria-prima, pretendendo entender qual minério foi trabalhado a nível metalúrgico (Carla Martins, 2008). Também é de interesse a análise dos utensílios utilizados durante os processos metalúrgicos (como martelos, por exemplo). É pertinente salientar a importância da arqueologia experimentalista como meio de satisfazer o objetivo d estudo da Arqueometalurgia, bem como o recurso à tecnologia que potencializa enormes vertentes e potencialidades. Inevitavelmente surgirão situações em que o material se encontra num estado crítico e sensível fazendo que a tiragem de amostras não seja suficiente e que possa, inevitavelmente, levar à destruição ou perjúrio da peça (Carla Martins, 2008). Surge, como resposta a esta problemática, a necessidade da aplicação de métodos não invasivos e o recurso à tecnologia. Na atualidade, existem um conjunto de ferramentas que podem ser de enorme utilidade à Arqueometalurgia como difracção de raios-X e a espectroscopia de emissão de raios (Carla Martins, 2008). Outro objetivo por parte deste campo de estudo detém-se na determinação qualitativa dos elementos químicos presentes numa amostra (Carla Martins, 2008) e, sendo fulcral, a recolha das amostras dos subprodutos químicos e escórias. É de elevada importância

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perceber qual elemento químico se encontra presente e entender como funcionam as percentagens presentes de todos os elementos para que se possam inferir respostas pertinentes como por exemplo, qual foi a tecnologia de fabrico implantada para a confeção de determinado objeto.

EXPLORAÇÃO MINEIRA

O ouro é o único minério que se encontra no seu exclusivo estado nativo. Pode ser encontrado, num modo primário, em formas de partículas nos veios de quartzo, pirita ou arsenopirita e, num modo secundário, nos pláceres fluviais em forma de pepitas. É um excelente minério, e por isso tão adorado na época romana, por assumir uma enorme resistência à corrosão, isto é, não se altera e também pela maleabilidade. Por nutrir formidáveis características, observa-se uma intensificação extremamente notável no Nordeste da Península Ibérica na época romana, principalmente na Asturia, Galiza e Lusitania. Primeiramente, segundo Plínio, realizava-se uma prospeção que se sustentava na recolha de informação acerca dos “potenciais” locais (“Quem busca é o prospetor que para ver se o depósito é proveitoso obtém uma amostra e a essa amostra dá-se o nome de segullo.”). Esta prospeção poderia realizar-se sob base do conhecimento de populações locais que conheciam bem as terras, ou através do conhecimento prévio do terreno com complemento de informações recolhidas visualmente (como a coloração) (Carla Martins, 2008). Também se realizavam pequenos poços no local, ou seguindo o curso de um filão que, pela existência de ramificações, demonstrava a capacidade do sítio em questão. Outra prática frequente cingia-se no “batear” dos rios de forma a reunir informação acerca dos seus teores e potencialidades (Carla Martins, 2008). Segundo Plínio, “o prospetor” pretendia obter uma amostra denominada de segullo. Esta amostra teria de ser analisada na bateia alveus (geralmente côncava ou circular). Lavava-se a amostra com areia (Plínio, o Velho., 67) e depois separavam-se as maiores. Com o auxílio da água, as areias eram lavadas originando a deposição das mais pesadas no fundo do alveus os pláceres fluviais. Numa fase de prospeção obtém-se o talatuio ou ouro talatium quando se encontra o ouro à superfície. Por conseguinte, o ouros que se extrai dos poços e das galerias denomina-se de ouro canaliense. Seguidamente, após o local ter sido considerado favorável, eram instaladas infraestruturas que se encontravam, geralmente, a cargo do exército (Carla Martins, 2008). Segundo Plínio, o ouro poderia ser obtido através de três processos, isto é, através do rio, por escavação de galerias e poços ou por desmoronamento dos montes. Tendo esta afirmação por base, os sistemas de exploração diferem variante das estruturas que integram as minas, sendo que a exploração pode ser seletiva ou extensiva (Carla Martins, 2008). Aquando da exploração de um jazigo primário realiza-se uma exploração seletiva devido ao facto de ser em céu aberto. Esta exploração necessita que a área necessária para a extração do minério seja desmontada através de trincheiras, sob pequenas cortas ou em forma de galeria ou poço (subterraneamente) (Carla Martins, 2008). Quando estas áreas

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são desmontadas sob a forma de trincheiras ou cortas, acaba por se realizar uma exploração mais extensiva visto que gera um inevitável desmoronamento da superfície e, consequentemente, grandes derrubes. Quando os jazigos são secundários realiza-se uma exploração extensiva, geralmente através do garimpo (batear) dos rios ou da garimpagem de monte (exploração subterrânea sob forma de poços) (Carla Martins, 2008). Segundo Plínio, aquando desta exploração de jazigos “Por outro lado escava-se por galerias nos poços das minas, ou procura-se no derrube dos montes” (Plínio, o Velho., 66.). O garimpo de rio, embora possa ser processado por lavagem simples das areias, pode gerar a necessidade de se desviarem troços do rio (Carla Martins, 2008). Em explorações primária, é necessária a lavagem e enriquecimento do ouro, sendo a massa de pesos a mais tipicamente utilizada. De forma generalizada, uma exploração subterrânea (designada por Plínio de arrugias ou aurum arrugiaes) compreende enormes seguimentos de filões até estes se esgotarem na totalidade. As superfícies eram trabalhadas a partir da utilização de instrumentos de ferro (“ com cunhas de ferro e os citados martelos e acreditam que não há nada mais duro”) onde, segundo Plínio (70), se abriam enormes galerias e poços “que superaria os trabalhos dos gigantes”. Denota que estas galerias demoravam bastante tempo a serem feitas (“trabalho que demorava meses”). Temos o exemplo da Corona de Quintanilla, em Leão). Pode inferir-se um processo semelhante nas explorações secundárias (de céu aberto) com a utilização de trincheiras e cortas ruina montim (referidas por Plínio). Temos o exemplo de Las Medulas, em Leão. Instalavam-se arcos em madeira de forma a sustentar as galerias e poços (Plínio, 71). Quando estes eram cortados, eram tapadas todas as entradas com exceção de duas onde conduzem desde o cimo das montanhas, geralmente a uma distância de cem milhas, correntes de água para lavar este derrube”. Deve-se ter em conta que estas estruturas devem estar niveladas para o melhor fluir da água (Plínio, 74). Esta técnica assume como objetivo “partir” a pedra, originando o encurtamento das galerias e, por sua vez, facilitar o transporte do minério para fora destas (Carla Martins, 2008). A utilização desta técnica é benéfica a nível económico, é mais rápida e não necessita de tanta mão-de-obra dispensada. No entanto, esta só é rentável, segundo Carla Martins, em contextos de exploração de jazigos mais pobres. Segundo Plínio, a criação de agogas ou agogae (por ele considerada fossas cavadas por onde flui a água) permite a evacuação da água sem ser necessário realizar “demasiados esforços”. Observa-se, ainda, outro tipo de procedimento subjacente nas jazidas secundárias: o implemento de canais que provocam lavagens, podendo ser estas profundas ou ligeiras, com a implantação de um canal alimentador num ponto elevado e que provocam enormes desmoronamentos no local. É de salientar que por vezes utilizavam vinagre para amolecer a rocha (Plínio,) As lucernas serviam de iluminação às grutas (Plínio, 66), colocadas em pequenos nichos nas galerias. É de salientar que existem muitos estudos que nutrem como enfoque o estudo das lucernas e, por conseguinte, quais as tipologias mais utilizadas nestes contextos. Os instrumentos mineiros, como já foi referido anteriormente, eram de ferro. Isto porque era necessário utilizar instrumentos que fossem muito resistentes para perfurarem as superfícies das rochas. Sendo assim, eram utilizados malleus (pico martelo), cuneus (cunha ou ponteiro), ascia (pico), pequenos foices, espetos e alavancas

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(Carla Martins, 2008). A tipologia das galerias diverge de forma significativa, adotando, mais frequentemente, secções quadrangulares ou retangulares podendo, contudo, assumir secções trapezoidais, irregulares ou semicirculares (Carla Martins, 2008). Esta divergência tipológica poderá dever-se ao trabalho realizado, à solidez das rochas, à própria conjuntura posterior ao “abandono” destas. Por exemplo, as galerias apresentam uma estrutura regular quando se encontram em rochas estéreis em oposição a galerias que

se localizam em filões que são mais irregulares (Carla Martins, 2008). Geralmente, os tetos são aplanados embora hajam situações em que, por questões de segurança, se empreguem tetos planos (Carla Martins, 2008).

REDES HIDRAULICAS

Como é possível constatar, a água é um elemento essencial para a metalurgia. Por vezes, os locais de mineração não se encontravam perto de redes fluviais, demonstrando- se necessário a condução de água até estes locais. Isto era realizado através do emprego

de mecanismos como condutas, canais e aquedutos (Carla Martins, 2008). Em Três Minas

foram desviadas águas para satisfazer essa necessidade, sendo ainda visíveis os traçados

da implementação de um aqueduto e canal que conduziam a água das barragens (Carla

Martins, 2008). Existem, assim, imensos outros exemplos que demonstram esta frequente necessidade. As redes hidráulicas são essenciais como sistemas de captação de água. Existiam reservatórios de água que se localizavam em pontos altos os piscinae. Adotavam uma morfologia quadrangular e poderiam assumir “duzentos pés de lado por dez de profundidade” (Carla Martins, 2008). Isto traduz-se em enormes quantidades de água que podia ser armazenada. A água era conduzida para o local de exploração através dos corrugia (canais escoamento), podendo ser a céu aberto ou subterrâneos (Carla Martins, 2008). Também este tipo de estrutura possibilitava o esgotamento das águas no local da exploração, sendo construídos agogae (canais de esgotamento) que conduziam as águas

para zonas mais baixas (Carla Martins, 2008). Estes canais permitem que o minério fique todo concentrado possibilitando, porventura, a sua lavagem e recolha. Por vezes eram implementadas junto aos canais muros ou pequenos aterramentos (substructes canales).

A construção destes canais era possível através da utilização de um instrumento

topográfico chorobates. Este aparelho consiste numa tábua horizontal nivelada a vinte

pés de comprimento, sobre duas tábuas verticais (em esquadria, sendo a primeira unida por um travessão em cada extremidade) (Carla Martins, 2008).

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FORNOS

Como se constata, o processo de mineração envolve um vasto conjunto de processos sendo, assim, bastante complexo, assumindo a sua última etapa no forno de redução e abrindo caminho para a transformação metalúrgica. É bastante importante ter um combustível de qualidade pois isso influenciará a obtenção do ponto de fusão. Sendo assim, utilizava-se o carvão vegetal como combustível primordial (embora existam certos autores, como por exemplo Estrabão, que afirma que para a confeção metalúrgica do ouro era utilizada palha em vez de carvão como combustível). De forma a obter-se o combustível, isto é, o carvão vegetal é necessária uma área florestal de grandes dimensões e que contenha espécies arbóreas de grande porte (Carla Martins, 2008), bem como é necessária a utilização de madeira dura. O carvão, por ser muito poroso, permite um aquecimento de muita maior escala do que, por exemplo, madeira não tratada (Carla Martins, 2008). O tipo de forno utilizado é o de redução devido a permitir uma combustão mais

forte. A sua estrutura exterior é muito simples, podendo ser construído em barro ou pedra.

O barro permite um melhor isolamento de modo a que o forno fique completamente

fechado. Também é construído por paredes grossas de argila que protegem da combustão.

Ademais, possui uma entrada de ar superior para alimentação e uma entrada inferior para

a saída da escória. A entrada de alimentação de ar localizada na parte superior pode ser

fechada ou aberta, podendo variar a sua estrutura e localização embora o processo seja o mesmo. A sua base comporta seis aberturas onde se colocam as tubeiras. A inserção de

tubeiras é essencial pois impede que os foles entrem em combustão. Esta são feitas de cerâmica e, devido a isto, muito facilmente se quebram sendo difícil serem

reaproveitadas. As paredes do forno são constituídas por sucessivas camadas de argila e

de escórias antigas. O interior do forno é recoberto com argila, sendo que as paredes do

forno facilmente atingem os setenta centímetros de espessura (Carla Martins, 2008). O ponto fulcral remete-se ao que se passa no interior do forno, tapando-se todas

as aberturas e sendo introduzido, alternadamente, carvão e minério. Demonstra-se, desta

forma, necessário existir um processo contínuo de alimentação, reforçando a ideia de que

o forno precisa de ser constantemente alimentado. Geralmente, demoravam três dias para

a construção do forno e aquecimento. A temperatura precisa de ser alimentada por dois

dias visto que com a descida do minério, se entrar ar dá-se inflação. Normalmente, os fornos de redução estão longes dos povoados pois exigem muito trabalho e assumem temperaturas muito elevadas (ao contrário dos fornos de torrefação que podem estar dentro de casas e, consequentemente, em povoados). É de salientar que os cadinhos e tubeiras necessitam de ter muita resistência ao fogo e por isso eram construídos de argila refratárias ricas em sílica.

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CONCLUSÃO

Sabe-se que a importância do ouro, e dos restantes metais preciosos, era extremamente forte na época clássica. Como próprio Plínio insurge, existia uma “ fome pelo ouro” justificada, primeiramente, com a generalização da moeda como componente económica mas também sustentando outros objetivos como na obtenção de relíquias e de reservas de tesouros. A sua utilização é ainda mais amplificada no emprego em peças de joalharia, objetos de mesa e até utilitários. O ouro fazia parte do quotidiano e, ao mesmo tempo, era considerado objeto de prestígio.

A Península Ibérica consolidou-se, nos dois primeiros séculos do I milénio a.C. o como o principal abastecedor de ouro do Império Romano, destacando a Asturia, Galiza e Lusitania. Plínio refere que estas produziam, a cada ano, vinte mil libras de ouro e que tal situação não acontecia em mais nenhum sítio. Isto deve-se à riqueza e complexidade geológica da fachada atlântica da Península Ibérica gerando, por consequência, intensas e sistemáticas explorações em busca de ouro e, igualmente, de prata. O favorável panorama ibérico gerava uma enorme rentabilidade, sendo encontrado ouro sob a forma de pepitas de grão de areia e filões com significativos teor de metal. Para além da forma exaustiva com que os romanos exploraram o território da península ibérica, também criaram impactos económicos bastante significativos no Alto Império.

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BIBLIOGRAFIA

Plínio, O Velho., 33, 66-78.

Martins, Carla., 2008. A exploração mineira romana e a metalurgia do ouro em Portugal. Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais.

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