Vous êtes sur la page 1sur 17

DAR VOZ À POESIA

14.ª Edição – 2009-2010


1.º PRÉMIO
GRUPO A alunos do 1.º ciclo

Bruna Mendonça Paulino do Souto Alves


9 anos – 4.º ano – Colégio de Nossa Senhora do Alto - Faro

Poema: “Quero ser grande e ponto final”

QUERO SER GRANDE E PONTO FINAL

Um dia imaginei
Algo muito especial.
Decidi que queria já
Ser grande e ponto final.

Quero ser doutora,


Para vidas salvar.
Quero ser professora,
Para crianças ensinar.

Quero ser engenheira,


Para casas construir.
Quero ser primeira-ministra,
Para as regras decidir.

Quero muito trabalhar


Para ganhar o meu dinheiro.
E também quero formar
O meu próprio mealheiro.

Quero também conduzir


Um carro bonitão
E nele transportar
Sonhos e imaginação...

Quero ter a minha casa


E escolher minha mobília.
Quero também ter um bebé
E formar uma família.

Também quero, um dia,


Dar a volta ao mundo
Ir ao Brasil e à China
Quero conhecer tudo!!!

Estou desejosa de crescer


Espero que seja bem depressa
Saudades de algo vou ter…
Sabem que coisa é essa?

Da minha escola...

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 1


MENÇÃO HONROSA
GRUPO A alunos do 1.º ciclo

Maria Miguel Pereira Serafim Rodrigues Cavaco


9 anos - 4.º ano – Colégio Nossa Senhora do Alto - Faro
Poema «Era uma vez»

ERA UMA VEZ...

Era uma vez


Um condado,
Que pela independência
Lutava desesperado.

Aparece, então,
D. Afonso Henriques
Que guerras superou
Até que um reino alcançou.
E no tratado de Zamora
Um acordo assinou.

E agora? E agora?
As conquistas continuaram
E seus sucessores
Portugal alargaram
Mas termina a 1.ª dinastia
Pois D. Fernando
Filho não tinha

Na 2.ª dinastia
Portugal lançou-se ao mar
Monstros e tempestades
Teve que enfrentar
E foram feitas
Grandes descobertas...
Portugal mostrou ao mundo
Novas portas abertas

A 3.ª dinastia
Não tem tudo de bom para contar,
Pois D. Sebastião desapareceu
Sem descendência deixar,
Portugal não teve escolha
E pôs os Filipes a reinar

Já na 4.ª dinastia,
Houve uma grande invasão
Mas sem sucesso ficou
A vontade de Napoleão

E agora restam os castelos


para contar...
Era uma vez
Um povo português.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 2


1.º PRÉMIO
GRUPO B alunos do 2.º/ 3.º ciclo

Vasco Rosas Coelho Chuaqui


12 anos – 7.º ano – Colégio Nossa Senhora do Rosário – Porto

Poema: “O meu quarto”

O MEU QUARTO

Vivo num quarto com três janelas


Preso na imensa solidão de quatro paredes.

Pela primeira, entra a luz


Véu diáfano, manhã alvacenta
Claridade infinita, fitar benévolo
Amor cego, rosa de Sol
Rosto lacónico, pura complacência
Imenso céu de arte e paixão
Florir das ondas, humana efervescência
Palácio de mágoa e indeterminável sensação.

Vivo num quarto com três janelas


Preso na imensa solidão de quatro paredes.

A segunda é taciturno
Relâmpago lânguido, sombra
Águia negra, pena de prata
Lua de cinza, lustrosa
Espelho de noite, omnisciente
Miragem profunda, porta das chamas.

Vivo num quarto com três janelas


Preso na imensa solidão de quatro paredes.

Pela terceira, não sei o que entra


Não é branco, não é negro
Não é luz, não são trevas
Não é oiro, não é metal
É uma aurora sinistra, tão bela
Impossível de descrever
Não sei se é amor, se é ódio
Se é a pomba branca, se é o corvo negro
Se é o Sol, se é a Lua
É uma estátua de respeito
Que provoca uma brasa no meu peito.

Vivo num quarto com três janelas


E com três janelas vivo num quarto
Sonho arrancar estas três janelas
E respirar um mundo, num mundo farto.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 3


MENÇÃO HONROSA

GRUPO B alunos do 2.º/ 3.º ciclo

Beatriz Helena Villegas Canas Mendes


14 anos – 9.º ano – Colégio Atlântico - Seixal

Poema: “Auto-estrada”

AUTO-ESTRADA

O meu coração é um músculo,


Disse-me certo professor
Mas qual músculo, qual quê!
O meu coração é uma auto-estrada!

Há alturas de congestionamento
(De emoções, de sentimento)
Outras, é vê-la sem movimento

É uma auto-estrada fechada


A turistas ou matrícula roubada
Sem os habituais não é mesmo, mesmo nada

Sou dona de uma auto-estrada


Onde não há máximo de velocidade
Vivo ao ritmo do andamento
Não cobro portagem, é a realidade

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 4


1.º PRÉMIO

GRUPO C alunos do Ensino Secundário

Inês Pinto Seixas


16 anos – 11.º ano – Escola Secundária Carlos Amarante – Braga

Poema: “O Inverno de todos os dias”

O INVERNO DE TODOS OS DIAS

Deixo as andorinhas
Fazer o ninho
No meu regaço.

As minhas mãos,
Pousadas no colo,
São a Primavera
que não veio.
Talvez tenham sede.
Mas o orvalho
Foi substituído
Pelas poeiras do fumo
Dos escapes.
Estou sentada
Num jardim de betão
Tecendo os dias
Ensolarados do passado
E desfazendo o Inverno
De todos os dias.

As andorinhas
Vieram fazer o ninho
No meu regaço.
E bebem dos meus olhos.
De um pequeno regato
Que me escorre pela face.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 5


MENÇÃO HONROSA
GRUPO C alunos do Ensino Secundário

Joseph-Lambert Yegamino Mulembo Ngongo


16 anos – 11.º ano - Escola Secundário com 3.º Ciclo Miguel Torga - Bragança

Poema: “Hoje”
HOJE

Hoje não sou mais a mesma canção,


O velho fado de Alfama,
A saudade, a memória, o céu...

Não sou mais a mesma voz,


O lamento oco de quem mendiga,
O segredo de véus sobre os olhos de quem chora.

Não sou mais o hesitar do piano,


A dor aguda da solidão,
A insensatez leviana de uma lágrima sem hora.
(Sabendo que o tempo também chora)

E por isso recuso que me cantem.


Não aceito ser a música de quem se aflige.
A minha alma não será a sombra de quem não se atinge.
(Se alcançar a própria mente é entender o que nos erige)

Entre hesitações e desesperanças,


Não mais serei ouvido.
No desconsolo de uma casa vazia,
O meu ser não ecoará.

Pois tudo em mim estará no nada,


E o nada em mim tudo será.
Nada de dor, nada de furor,
Nada de temer noites sem amor,
Nada do próprio amor!

Nadarei na certeza de que a noite é esperta,


E o dia despertará para a essência do que é ser puro,
Do que a paz tem de mais seguro.

Porque hoje não sou mais a mesma canção.


Não sou a frieza das noites de Abril,
A chuva desarmoniosa de que se reveste a melancolia.

Não sou mais o mesmo ritmo,


O andamento de um coração descompassado,
O martelar dos pés que caminham para o abismo.

Sou a figura que as crianças desenham nas nuvens,


Sou a languidez de um campo de flores maduras,
O refúgio de uma manta nos Invernos da vida.

Um novo fado encontrarei em mim.


Uma nova música escreverei.
Com renovada voz cantarei,
E hoje, por fim, serei.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 6


1.º PRÉMIO

GRUPO D estudantes do Ensino Universitário

Luiza Guimarães Nunes


20 anos – 3.º ano - Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Poema: “As palavras se inclinavam sobre o silêncio das luas”

As palavras se inclinavam sobre o silêncio das luas


como crianças em torno de um círculo escrito a giz
ou viúvas ou pássaros ao redor da mesa posta

Olho ao redor e há o silêncio estelar dos mortos


A caneta emudecida perpassa o latejante e arterial
murmúrio do peito. Os insectos ciciam eternidades no abraço
da noite e o meu útero transborda de peixes, constelações
aves de rapina — tesouros ossuários que trouxe das viagens

Quantas vezes segui o sopro noctívago dos versos


E encontrei a morte no álamo dos dedos?
Já não posso medir o latejante desespero das aves ou
dactilografar a simetria da memória
- toda a ausência é de musgo, criptogâmica

Resta ouvir a noite deitada em cada gesto


E simular que posso amputar o coração

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 7


MENÇÃO HONROSA

GRUPO D estudantes do Ensino Universitário

Ana Luísa Ferreira de Pinho


24 anos – Mestranda na Universidade Nova de Lisboa

Poema: “Chega e instala-se e entranha-se”

Chega e instala-se e entranha-se,


Arruma as paredes e o chão vazio
e deita-se a deleitar o nada em silêncio.

A casa onde éramos todos e unos e


dois, é um pedaço de vida recortada.

E as memórias do sentir, fundidas cá


dentro, são restos do nosso tempo calcado e recalcado
pelos teus passos.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 8


1.º PRÉMIO

GRUPO E Docentes

Joaquim Nogueira Castro Marques


Docente – Escola Secundária da Portela de Sacavém

Poema: “Saberias?”

SABERIAS?

Saberias pedir ao rio


que negasse o destino de mar
que a nascente logo lhe deu?

Poderias explicar à cotovia


que para sempre
lhe ficava proibida
a celebração da alvorada?

Conseguirias esconder
do viajante
as sumarentas ameixas
que nas tardes de verão ocorrem?

Então não me peças


(eu que sou um rio
a correr para ti)
que renuncie ao azul da ternura
que sei haver
na foz do teu abraço.

Então não faças calar


a voz funda
que na minha alma
sempre celebra
a insinuação de dia
que me habituei a encontrar
no ocidente do teu olhar.

Então, meu amor


não me deixes mais aqui
por dentro das soalheiras tardes
do meu bem querer-te
a morrer com a sede
que finjo que não me fazes.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 9


MENÇÃO HONROSA

GRUPO E Docentes

Hélder Manuel Ramos


Docente - Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro, Ovar

Poema: “As tuas mãos”

AS TUAS MÃOS

Tens as tuas mãos


No centro das melodias
Distantes
A despertar valsas escondidas
No embalo das idades contadas

As tuas mãos abrem-se ao desafogo dos passos


Que desenham equadores
Largos como planaltos especulares
Moldados na ondulação dos dedos

As tuas mãos concebem rituais


E acariciam sonhos remotos
Arquivados impacientemente
Na obrigação das horas

As tuas mãos agarram luas


E espalham palavras únicas
Em noites de eternidade
Prometida

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 10


1.º PRÉMIO

GRUPO F
Pessoal Auxiliar e Administrativo e elementos das Associações de Pais

Maria Fernanda Reis Esteves

Secretária da Direcção da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão


Deficiente Mental de Setúbal

Poema: “Conversas com o meu umbigo”

CONVERSAS COM O MEU UMBIGO

De novo eu e tu...
Denoto o cansaço dos fracos
O lampejo dos incautos
O arremesso dos guerreiros
num corpo cravado de flechas
onde sobrevive a alma a nu

Tira-me desse fogo, onde arde


a minha vil petulância
a infame falta de humildade
a imodéstia feita de certezas
com roupagem de inconstância

Se ainda cá estás...
Ouve-me os medos e sente
a voz da fragilidade

Nas entranhas onde vives


escondes as minhas raízes
o meu eu não te importa
és um cordão egoísta
e o que mais me aflige
é… tu e eu sermos um só

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 11


MENÇÃO HONROSA

GRUPO F
Pessoal Auxiliar e Administrativo e elementos das Associações de Pais

Maria Adelaide da Mota Ramos Sá Marques

Encarregada de Educação, membro da Associação de Pais da Escola Secundária


António Sérgio, Vila Nova de Gaia

Poema: “Sonho”

SONHO

Passo a passo
Primeiro imaginar-te,
Laço a laço
Depois entrelaçar-te

Na substância
Concreta e volátil do Eu e do Tu
Quanta analogia
Na construção da nossa anatomia.

Na infância
Vivenciada do Tu e do Eu
Algazarra e alegria
Nos saltos ingénuos da fantasia.

Na distância
Que fica entre o Eu e o Tu
Noites de magia
E o amor em cheiro agreste a maresia.

Na exuberância
Cúmplice do Tu e do Eu
Corpos vulcões em empatia
No contraste entre a noite e o dia.

Entrelaçar-te
Laço a laço,
Imaginar-te
Passo a passo.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 12


1.º PRÉMIO

GRUPO G cidadãos emigrantes de nacionalidade Portuguesa

Isabel Jorge Catarino

Paris, França

Poema: “Seguro de recheio”

SEGURO DE RECHEIO

No espaço da minha casa, o mundo pode morrer, encolher ou crescer, que eu


continuo
verbal.
Na estrada da minha cama, o Tempo pode passar, flutuar ou desesperar, que eu
continuo
sentimental.
Na esperança destas paredes, podem bater gritos, ritos ou mitos, que eu continuo tal e
qual.
Quando saio, fecho a porta muito depressa, dou duas voltas à chave e suspiro.
Quando entro, limpo muito bem os pés, retiro as duas voltas à chave e respiro.
Porque, no centro da minha casa, estão os meus livros e abrigos, as minhas
fotografias e
manias, a minha chuva tropical e sol equatorial, as minhas velas e cores amarelas, as
minhas viagens em postais e os meus sais minerais.

Quando saio, prometo voltar.


Quando entro, quero tornar a entrar.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 13


MENÇÃO HONROSA

GRUPO G cidadãos emigrantes de nacionalidade Portuguesa

José Paulo Fernandes Mariano Pego

Etterbeek, Bélgica

Poema: “Cruzando Cesariny, Adriano e um Homem-castelo”

CRUZANDO CESARINY, ADRIANO E UM HOMEM-CASTELO

não sei se o rato morto encontrado de cesariny


teria humilhado adriano
que até pensaria em termos de homem ou árvore:

leio cartas em arquitrave de panteão romano


almas troncos que não se esboroam
e comburem temp(l)os dos outros

humilharia decerto homem-castelo


apelante de Deus de cemitérios grandes
não fundos como rosto toldado do homem
pela conjugação dos verbos fremitar trabalhar
em permanente movimento de cílios
não vê. fendas no alto da fortaleza
de cuja janela só sai cola para fechar as brechas

e também o mênstruo

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 14


1.º PRÉMIO

GRUPO H cidadãos de países de Língua Oficial Portuguesa

André Telucazu Kondo

Caraguatatuba – São Paulo


Brasil

Poema: “Ávido poema”

ÁVIDO POEMA

Verso seco

Sem rumo
Nem prumo

Sem ida
Nem vida

Poesia ávida.

Na aridez das letras


Busco um oásis
Para saciar minha sede
De amor.

No deserto de uma página,


Outrora imaculada,
Morro com estas palavras.

E continuo ávido

Sem rumo, nem prumo


Sem ida, nem vida.

Seco.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 15


MENÇÃO HONROSA

GRUPO H cidadãos de Países de Língua Oficial Portuguesa

Anna Maria Avelino Ayres

Minas Gerais – Brasil

Poema: “Um homem na noite”

UM HOMEM NA NOITE

Debaixo da janela fechada


uma sombra na sombra da madrugada
“Poeta seresteiro, o sereno te enregela a alma!”
Respinga a noite, envolve o homem nos seus lençóis
e o solitário ali se enleva
na longa espera, versos nervosos nos dedos.
Silêncio engasgado no abraço da noite
conto um urro que não sai da garganta.
Na boca apenas a canção do nada.
E essa janela? Não escancara?
Também não escancara a canção.

Um ventinho varre as folhas


e canta ao relento.
Pedaços de poesia ensaiam uma dança no vento.
Lenta, vai deslizando a madrugada.
Coração descompassado
ainda olha para a janela fechada.

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 16


MENÇÃO HONROSA

GRUPO I estudantes/falantes de Língua Portuguesa

Corina Lozovan

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Poema: “Frágil nessa terra”

FRÁGIL NESSA TERRA

Do Ocidente ao longínquo Oriente,


Olhos que choram pétalas de jasmim, manchadas de sangue perdido
Em que as sementes foram contaminadas inocentemente, pouco a pouco.
São 15:37 da tarde, o corpo peregrino caminha na selva urbana,
Pessoas que nadam em pessoas, e nesses instantes
Ele não troca palavras mas sim de alma.
As orações vociferam no coração, é Outono, e as folhas ferrugentas
Dançam no seu pensamento de sonhos distantes.

Mas nada pode parar a minha profecia, o meu destino.


E não fiques triste, quando eu me apagar, pois isto não é um novelo de paz.
Não são as palavras de Rumi, nem os versos sagrados do Islão.
São chamas de mentiras que ardem, cravadas na pele,
Nas palmas sujas da mão, dos olhos em combustão.
Choram as flores de Sarajevo nas estradas poeirentas, nos sonhos esfumados,
Nos campos vazios, assombrados por véus de tristeza.
Anjos de desilusão, estátuas em linha, e museus cheios de arte dorida.
Os meus pés estão gelados nos trinta graus do sol,
Os meus olhos já cegaram - silenciam a verdade apátrida.
Eu caminho nos vidros invisíveis de rastos humanos,
São fragmentos de rios, e sonhos partidos, colocados na bomba
Do coração vazio.
Frágil nessa terra, somos todos ramos partidos da mesma árvore,
Mas frutos diferentes, e é o veneno do nosso próprio fruto,
Que nos mata e ao mesmo tempo é o nosso antídoto.
As estradas, o céu, as montras e as portas estão todas ligadas
Mas onde eu vou, não preciso de estradas ou de mapas.
A bússola da minha memória basta-me, e as palavras tocadas por balas.
Queridos anjos, as flores estão dentro de mim,
Acabou a transmissão – desconexão final.

O último comboio da estação, e esta viagem é de nenhum amigo –


A velocidade da luz, do som abismal.
Mas neste mar de injustiças
Quem é o assassino e quem é o mártir afinal?

 

Dar Voz à Poesia – 14.ª Edição 17