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Corte o Jargão Corporativo*

Visando a correta utilização da língua portuguesa bem como o emprego adequado


de expressões nos press-releases, o Escritório de Comunicação está lançando a
campanha “Corte o Jargão Corporativo”. Esta ação foi baseada em pesquisas com
jornalistas das editorias de tecnologia, economia, empresas e na leitura de
estudos e livros relacionados à linguagem utilizada na comunicação empresarial
contemporânea. O objetivo é tornar mais simples e direta a comunicação com a
mídia.

Os resultados apontam para a universalização e repetição de jargões (ou


chavões) corporativos que podem prejudicar ou tornar caricata a comunicação
entre as empresas e seus públicos (funcionários, mídia, clientes).

Na redação de press-releases, o uso de jargões e adjetivos empobrece a


mensagem e, como constatado nesta pesquisa, pode levar o jornalista a
descartar o tema. Em casos específicos, textos recheados de eufemismos em
detrimento do conteúdo já tornaram-se motivo de piadas em redações. Muitos
exemplos de jargões listados abaixo foram retirados de blogs de jornalistas e
comunicadores.

O desafio da comunicação atual é limpar as mensagens de qualquer termo, seja


jargão ou adjetivo, que impeça a clareza de idéias e a absorção da sugestão de
pauta pelo jornalista. É importante lembrar que o jornalista não é o consumidor
final, ao contrário, é o agente neutro treinado para receber e trabalhar com
mensagens isentas de apelos, sejam apelos comerciais ou estratégias de
marketing. Seu trabalho é a notícia: do recebimento da sugestão ao texto para o
leitor final, a roupagem é jornalística. Sua credibilidade só é "credibilidade" pela
separação entre informação e comercial e, agora, também pela isenção de
eufemismos e expressões que prejudicam a compreensão da mensagem e passam
uma imagem negativa por sua exaustiva utilização.

Abaixo, seguem algumas das expressões mais utilizadas, com os respectivos


comentários de jornalistas e outros profissionais, e que devem ser evitadas em
favor de uma comunicação mais clara e noticiosa:

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Agregar valor – “aparece em todas as entrevistas, independente do setor de
atuação da empresa. Está na hora de trocar, já deu o que tinha que dar. Se eu
ganhasse R$ 1 pra cada vez que uma fonte dissesse isso eu já estaria bem na
foto”.

Alavancar – “que coisa mais linda. Já pensou se você tivesse uma alavanca para
que seu empreendimento crescesse? Era só empurrá-la e pronto, você ficou rico
e venderá para tudo e todos. Não precisa impulsionar, fazer crescer nada…
apenas empurrar a alavanca!! Aliás, pega mal falar que vai “alavancar o negócio
do cliente”, duplo sentido não?”

Commoditização – “já vem na minha cabeça uma casa imensa, cheia de cômodos
para dormir. Eita palavrinha ruim até de escrever.’

Core – “resolvemos terceirizar porque não faz parte do core da companhia” é


uma das mais ouvidas hoje em dia também. Ainda bem que não é cooler a
palavra que designa a missão e objetivo de uma empresa. Já pensaram como
ficariam as frases?”

Demanda – “todas as vezes que algum executivo usa esse termo eu lembro
imediatamente de um terreiro de umbanda, várias baianas rodando e uma com a
pomba gira dizendo que vai “tirá a demanda”. Comprem um marafo e para de
usar essa joça de palavra”

DNA – “isso já está no nosso DNA”, “aquilo faz parte do DNA da companhia”…
parece até que são cientistas. Que mané DNA? Deveria ser traduzido para De
Nada Sei, mas digo que sei pra não amarelar na frente dos demais executivos e
pra não ficar mal na rodinha.”

Drivar o mercado – “essa é simples, até boba. Mas o que significa “drivar o
mercado”??? Será que alguém pode me explicar? Bem, para que todos entendam,
esse termo é muito usado no sentido de “direcionar” por executivos. Eles e suas
manias de “inglesarem” algumas palavras que temos na belíssima língua
portuguesa. Eu diria que a segunda opção é sempre melhor.”

Escalabilidade – “mais uma da família “idade” (geralmente todas que têm essa
terminação são ridículas). O que significa? Aumentar a escala de produção, de
desenvolvimento, de recursos, de qualquer coisa.”

Interoperabilidade – “que maravilha. Não é mais fácil integração entre


tecnologias, processos, ferramentas? Pra que usar esse negócio horrível. Parece
aquele de ler a palavra complicada rapidamente como inconstitucionalmente.”

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Printar – “eles querem dizer imprimir algo, mais um anglicismo tenebroso. Até
que tenho ouvido com menor freqüência.”

Relação ganha-ganha – “putz, cada vez que ouço isso tenho vontade de dizer:
“meu amigo, a única relação ganha-ganha que conheço é - o patrão ganha muito
bem às minhas custas e eu ganho muito mal para dar muita grana pra ele”.

Sharear – “essa é uma das minhas preferidas. Quando falam isso eu tenho
vontade de perguntar se eles querem “sharear” a mulher deles com o Ricardão.”

Tripé pessoas, processos e tecnologia – “nossa minha mãe, isso causa até
calafrios. Todo mundo diz, mas ninguém pratica esse treco aí, é só balela
mesmo”

Um plus a mais – “existe algo mais belo que uma frase como essa? Acho que vou
até dispensar os comentários, quem quiser levar isso a sério que publique
alguma coisa aí”.

Pró-ativo – “queria saber se alguma empresa contrata alguém pró-passivo”.

Demais eufemismos e expressões que podem ser evitados na comunicação:

Qualidade
Feedback
Gestão
Paradigmas e quebra de paradigmas
Estado da arte
Pensar fora da caixa
Campanha 360º
Tangibilizar

* Corte o Jargão Corporativo é uma campanha do Escritório de Comunicação,


desenvolvida pela jornalista Ligia Gielamo Oliveira.