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Mudança estrutural da

ESFERA PÚBLICA
JÜRGEN HABERMAS
por Gilberto Alves

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS – ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Mestrado Executivo em Administração – MEX/2009
DISCIPLINA: Teoria Crítica e Teorias Organizacionais
PROFESSOR: FERNANDO GUILHERME TENÓRIO

PREFÁCIO
considerações iniciais
• Habermas deixa claro na sua introdução que a investigação que se
propõe “é a análise do tipo esfera pública burguesa” ;
• concebe, então, que a “esfera pública burguesa” é uma categoria
típica de uma época e que não pode ser retirada do histórico do
desenvolvimento da “sociedade burguesa”.
• “A investigação se limita-se à estrutura e função do modo liberal da
esfera pública burguesa, à sua origem e evolução”;
• “refere-se aos traços de formação histórica que alcançou dominância,
descurando da variante, também reprimida no processo histórico, de
uma esfera pública plebéia”;
• finalizando, Habermas informa que a investigação estiliza os elementos
liberais da esfera pública burguesa e suas transformações sócio-
estatais.

DELIMITAÇÃO PROPEDÊUTICA
de um tipo de esfera pública burguesa
• O uso corrente de “público” e “esfera pública” denuncia uma
multiplicidade de significados correntes.
• Chama de “públicos” certos eventos quanto eles, em contraposição às
sociedades fechadas, são acessíveis a qualquer um – assim como se
fala locais públicos ou casas públicas.
• Para contrapor a idéia de esfera privada, destaca a esfera pública,
evidente para os gregos, “como um reino da liberdade e da
continuidade. Só à luz da esfera pública é que aquilo que é consegue
aparecer, tudo se torna visível a todos. Na conversação dos cidadãos
entre si é que as coisas se verbalizam e se configuram;” – res publica
transmitida pelo Direito Romano;
• a esfera pública burguesa pode ser entendida como a esfera das
pessoas privadas reunidas em um público;
• sua gênese se deve à expansão mercantil e a troca de mercadorias, a
troca de informações e ao aparecimento da imprensa. Ao mesmo tempo
ao que se poderia de chamar de caráter de “publicidade”.

dispõem para isso de critérios institucionais em comum: – SOCIABILIDADE que pressupõe algo como a igualdade de status. mas que inclusive deixa de levá-los em consideração. ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública • As instituições sociais da esfera pública burguesa. a discussão permanente entre pessoas privadas. todos tendem sempre a organizar. sociedades secretas) no tamanho e na composição de seu público. no estilo do seu comportamento. no entanto. . no clima de raciocínio e na orientação temática. cafés. – PROBLEMATIZAÇÃO dos setores que até então não eram questionáveis. salões. • A esfera pública burguesa desenvolvida baseia-se na identidade fictícia das pessoas privadas reunidas num público em seus duplos papéis de proprietários e de meros seres humanos. – NÃO-FECHAMENTO DO PÚBLICO pela transposição de cultura como mercadoria. principalmente pelo acesso a conhecimentos que antes eram restritos. por mais que se diferenciem entre si (comunidades de comensais.

. das comunidades de comensais.. ao mesmo tempo. Quartos de dormir e salão se encontram sob o mesmo teto. dos salões. ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública • Nas camadas mais amplas da burguesia. Constituem a esfera pública de uma argumentação literária. • . suplementação da esfera da intimidade familiar. Estas constituem o público que. a leitura de romance torna-se um hábito nas camadas burguesas. a esfera do “público” surge inicialmente como ampliação e. . em que a subjetividade oriunda da intimidade pequeno-familiar se comunica consigo mesma para se entender a si própria. daquelas antigas instituições dos cafés. há muito já se emancipou e agora é mantido reunido através da instância mediadora da imprensa e de sua crítica profissional.

ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) esfera pública literária (clubes. imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) .

• A superação do instituto da censura prévia assinala uma nova fase do desenvolvimento da esfera pública. por fim com que a própria esfera pública em função política se estabeleça como órgão de estado. • O primeiro governo de gabinetes assinala. uma nova fase na evolução do parlamento: ela é um primeiro passo no longo percurso da palamentarização do poder estatal e que faz. – No começo dessa evolução estão três acontecimentos dos anos 1694/95. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública • O desenvolvimento inglês – Uma esfera pública funcionando politicamente aparece primeiro na Inglaterra na virada para o século XVIII. . • A criação do Banco da Inglaterra representa um novo estágio no capitalismo. por fim. – Forças que querem então passar a ter influência sobre as decisões do poder estatal apelam para o público pensante a fim de legitimar reivindicações ante esse novo fórum.

86) . um público que raciocina politicamente. 86) – Sem a aprovação da censura. falando o diabo de coisas das quais eles não entendem nada e pretendendo criar e alimentar uma inveja. (pag.: não corporificam algo como a elite da burguesia. na França surge.. No entanto. (pag. 86) – Os parlamentos existentes. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública – .. tanto públicos quanto privados.. mas aqueles poderes intermediários da burguesia..” • França – . (pag. institucionalizar as suas tendências críticas. universal e uma insatisfação na mente de todos os bons súditos de Sua Majestade. como foi possível fazer na Inglaterra coesa.. não só em cafés.os cafés são considerados os focos de agitação política: • “Há homens que tomaram a liberdade. ele não pode efetivamente... para censurar e difamar os procedimentos do Estado. nenhuma linha podia ser impressa. mas em outros locais e reuniões. ainda que apenas desde cerca da metade do século XVII. à medida que podiam afirmar-se contra o centralismo do regime absolutista..

sob vários aspectos. mas sem função econômica nem política. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública – O rei monopolizava grandemente o poder público.. socialmente representativa. espécie de antigo club d´Entresol inspirado nas idéias inglesas das sociedades masculinas. a intenção moralista dos filósofos evolui para uma intencionalidade política. só no estágio de sua publicação enciclopedista é que.. os primeiros expoentes da opinião pública. agora definitivamente a esfera em que a sociedade burguesa chega a expor refletidamente os seus interesses.. ao menos indiretamente. torna-se.. Turgot e Malesherbes são chamados ao governo em 1774: foram. – A esfera de um público criado no meio da nobreza em que era sustentada. ao mesmo tempo. literatura e arte. com a ajuda de intelectuais que haviam tido uma certa ascensão social. apesar de Montesquieu.. – No último terço do século aparecem os clubes.. .. a burguesia ainda é prisioneira do Estado corporativista. – Na primeira metade do século. a crítica dos “filósofos” ocupa-se preferencialmente de religião. .

cada um pode falar.. da noite para o dia. o processo revolucionário é interpretado e definido em termos constitucionais. Surgem os clubes partidários. – A constituição de 1791. suplementa o complexo “esfera publica” no § 11: “A livre comunicação de idéias e opiniões é um dos direitos mais preciosos do ser humano. E os estados gerais já adotam o princípio da publicidade de seus atos. de modo geral. isso talvez explique que. reais ou imaginárias. nos quais são recrutados facções do Parlamento.. Por isso. da esfera pública burguesa se tornem conscientes de modo tão aguçado. – Ao menos tão importante quanto a institucionalização da esfera política é a sua regulamentação jurídica: desde o início. escrever e imprimir livremente. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública – Ainda que de modo menos estável. que. no continente europeu. a Revolução estabelece na França... as funções políticas. . adota a Declaração dos direitos do homem e do cidadão. . as instituições que até então faltavam para o público politizado. Surge o diário Journal des Débattes et des Decrets. constitui-se uma imprensa política diária. resguardando-se a responsabilidade quanto ao mau uso dessa liberdade nos casos previstos por lei”.

lá onde os corpos diplomáticos. só surge e. – O público politizado encontra o seu lugar sobretudo nos encontros privados dos burgueses. na esteira da Revolução Francesa de Julho (1830) nas cidades residenciais da corte em alguns territórios do Sul e do Sudoeste. algo como uma vida parlamentar. Nos últimos decênios do século XVIII. tinham se ligado a certas tradições corporativistas rurais e que haviam sido condenados à inércia pelas Resoluções de karlsbad. cuja criação fora recomendada pelo Tratado de Viena de 1815. (pags. eles mesmos. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública • Alemanha – Na Alemanha. as revistas em expansão são diretamente pontos de cristalização da vida social entre as pessoas privadas. Não só que os jornais testemunhem. a “sede de leitura” ou até mesmo a “paixão pela leitura” da época iluminista. 91:92) . mesmo assim apenas por pouco tempo. – Frente às relações sociais francesas diferenciam-se as relações alemãs devido á posição totalmente não-autônomas da aristocracia em relação à corte.

tratam-se aí de reuniões com salas apropriadas. 92.. – Também a brutal reação dos príncipes em relação aos primeiros jornalistas políticos do sudoeste alemão é.. 92) – Na maioria dos casos.. (pag. Um morre na prisão..93) .. igualmente importante. quebra-se a espinha atrávés de 10 anos de prisão: lavagem cerebral do modo mais direto. a oportunidade de conversar sobre o que foi lido. do outro.. nos anos 70. de modo que pode ser desencadeada uma discussão geral sobre o valor e não-valor dessas instituições.. um sintoma de uma certa força crítica da esfera pública. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública – . 92) – Wekherlein e Scubart. . oferecendo a possibilidade tanto de ler revistas e jornais quanto também. (pag. Pagam ambos um alto preço. (pags. expandem-se as sociedades privadas e comerciais de leitura por todas as cidades. de algum modo.

as funções políticas. a esfera pública política pode chegar a se desenvolver plenamente no Estado de Direito Burguês. como um todo. a esfera pública assume funções políticas. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública • A sociedade civil burguesa como esfera da autonomia privada: Direito Privado e liberalização do mercado – . como na França napoleônica... 93) – A esfera pública com atuação política passa a ter o status normativo de um órgão de automediação da sociedade burguesa com um poder estatal que corresponda às suas necessidades. então. permaneceram ineficazes... (pag.durante o século XVIII. (pag. 94) – Através de concursos e enquetes. naquela fase específica da evolução da sociedade burguesa. .. jurídicas e administrativas foram reunidas no poder público. mas o modo de ser da própria função só pode ser entendido. a sociedade burguesa enquanto esfera privada só se emancipa das diretrizes do poder público à medida que. em que intercâmbio de mercadorias e trabalho social grandemente se emancipam de diretivas estatais. (pag. 93) – . a opinião pública também participa na elaboração do código onde organismos parlamentares não existiam ou. – ..

digamos. da qual certos grupos fossem eo ipso excluídos. – O Estado de Direito enquanto Estado burguês estabelece a esfera pública atuando politicamente como órgão do Estado para assegurar institucionalmente o vínculo entre lei e opinião pública. é oposto a toda dominação. sim. a esfera pública burguesa desenvolvida está ligada a uma complicada constelação de pressupostos sociais. com a sua modificação. cuja base social não fazia com que dominação ora fosse bem supérflua. afloram a contradição da esfera pública institucionalizada no Estado de direito burguês: com ajuda de seu princípio. eles toda vez logo se modificaram profundamente e. mas só com o pressuposto de que nenhuma instância extra-econômica intervenha no processo de trocas é que ele promete funcionar no sentido do bem-estar de todos e respeitar uma justiça de acordo com o critério da eficiência individual. incompleta: muito mais. Uma esfera pública. ela nem se quer é uma esfera publica. – Como quer que seja. – A esfera burguesa se rege e cai com o princípio do acesso a todos. não é apenas. que. . o sistema da livre concorrência pode regular a si mesmo. de acordo com a sua própria idéia. era fundamentada uma ordem política. FUNÇÕES POLÍTICAS da esfera pública • A contraditória institucionalização da esfera pública do Estado de Direito burguês – De acordo com a concepção que a sociedade burguesa tem de si mesma.

imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil. esfera pública literária (clubes.

– Em inglês. a opinião. a evolução de opinion para public opinion passa pela noção de public spirit. – “Opinion” assume em inglês e em francês o sentido nada complicado do termo latino opinio. e a articulação da opinion com o judgement através da exposição pública dos argumentos.. a consideração. não plenamente demonstrado. contudo. ambas as coisas ainda estão juntas: de modo imeditato. aquilo que se coloca na opinião dos outros. o senso inato para o justo e correto. a reputação.. – Para nosso contexto. o outro significado de opinion é mais importante. reputation. . IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa • Public opinion – opinion publique – offentliche Meinung: para a pré- história do topos – O auto-entendimento da função da esfera pública burguesa cristalizou-se no topos da “opinião pública”.. o juízo sem certeza. ou seja. No public spirit.

contudo. sem. com freqüência. a “publicidade” em Kant deve ser considerada como aquele princípio único a garantir o acordo da política com a moral. impedir especialmente através disso o progresso do Iluminismo. – Kant. .. Ele considera a “publicidade” como sendo. escreveu em seu esboço à Paz Eterna a seguinte assertiva: “ A verdadeira política não pode dar nenhum passo sem ter antes homenageado a moral e. – . princípio da ordenação jurídica e método iluminista. a união dela com a moral não é nenhuma arte. embora a política seja em si mesma uma arte difícil. – A publicidade como princípio: “ O uso público da própria razão deve ser sempre livre e só isso pode fazer brilhar as luzes entre os homens. ao mundo. ou seja. o uso privado da razão deve ser porém. bastante limitado. pois esta destrincha o nó que aquela não pode abrir assim que ambas conflitam entre si”.” Cada um está convidado a ser um “publicador” que fala através de textos ao público propriamente dito. entende a si mesmo como apolítico: a opinião pública quer racionalizar a política em nome da moral. IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa • Publicidade como princípio de mediação entre política e moral (Kant) – O processo crítico de pessoas privadas que raciocinam publicamente avançam contra a dominação absolutista. ao mesmo tempo..

em Hegel. nela encontra a sua expressão “a universalidade empírica dos pontos de vista e dos pensamentos dos muitos”. – Embora base natural do estado de direito. também a esfera pública não serve mais como princípio de mediação entre política e moral – no conceito hegeliano de opinião publica. portanto. a possibilidade de comunicá-la e de considerá-la válida para a razão de todo e qualquer ser humano”. a esfera privatizada do intercâmbio de mercadores e do trabalho social ameaça sucumbir em seus conflitos imanentes. Em tais circunstâncias. Kant tinha atribuído ao consenso aberto dos debatedores públicos a função de um controle pragmático da verdade: “A pedra de toque do teste sobre se é uma convicção ou uma mera persuasão é. de “opinião pública”. a idéia da esfera pública burguesa já passa a ser denunciada como ideologia. . IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa – Na Crítica da Razão Pura. externamente. • Para a dialética da esfera pública (hegel e Marx) – No público das pessoas privadas pensantes se desenvolve o que Kant chama de “concordância pública”.

– Hegel desativa a concepção de esfera pública burguesa porque a sociedade. capaz de converter autoridade política em autoridade racional. do intercâmbio de pessoas privadas autônomas.) a desigualdade (. “pois é uma coisa diferente o que alguém se imagina em casa. da fortuna e até mesmo da formação intelectual e moral”. – Hegel descobre a profunda divisão da sociedade burguesa... Pois “mediante a generalização da vida conjunta dos homens através de suas necessidades e dos modos e meios de evitá-las e satisfazê-las.... mas (. onde uma sensatez devora a outra”. a individualização e limitação do trabalho singular e.. e o que acontece numa grande assembléia. IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa – Tal como a publicidade. . assim como.)... por outro... em Kant. Hegel considera a opinião pública. não representa a esfera emancipada de dominação e neutralizada quanto ao poder. que “não só supera dialeticamente(.) por um lado. aumenta o acúmulo de riquezas (.) eleva-a a uma desigualdade das aptidões. com isso. anárquica e antagônica. a dependência e necessidade da classe presa a esse trabalho (. com sua mulher ou seus amigos.) posta por natureza.

atribuir-lhes igualmente a função política de uma mediação entre Estado e sociedade equivale á impotente tentativa restauracionista de “degradar o homem. exatamente a forma do estado de direito burguês precisa ser formado “onde a esfera privada alcança uma existência autônoma”. ou seja. • A ambivalente concepção de esfera pública na teoria do liberalismo (John Stuart Mill e Alexis de Tocqueville) – Com o liberalismo. Ele sabe que os estados “políticos” da sociedade pré-burguesa se reduziram a meros estamentos “sociais” na sociedade burguesa. a naturalidade burguesa da esfera pública perde a forma da filosofia da história. admitiu que os Estados constitucionais burgueses são decorrentes de avanços da sociedade civil. ao contrário de Hegel. IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa – Marx. – Marx percebe que uma república. – Marx denuncia a opinião pública como falsa consciência: ela esconde de si o seu verdadeiro caráter de máscara do interesse burguês. à limitação de sua esfera privada”. e. . mesmo na esfera política. em favor de um “melhorismo” do common sense.

nas questões filosóficas...” . sofre uma injustiça.” – Mill e Tocqueville falam de uma limitação necessária à esfera pública: “Se um homem ou um partido. a quem dever ele se dirigir? A opinião pública? Mas é ela que constitui a maioria... nos Estados Unidos..”. ao Executivo? Ele é nomeado pela maioria... – Reinterpreta a esfera pública: “a partir daí. à ordem pública? Ela nada mais é senão a maioria em armas. seria preciso preocupar-se para que o poderio da opinião pública não engolisse todo o poder de um modo geral.. confiando na esfera pública. IDÉIAS E IDEOLOGIAS da esfera pública burguesa – “. mas só através dos pontos de vistas formados depois de considerações pertinentes por um número relativamente pequeno de pessoas. aos jurados? O júri é a maioria.. a opinião pública precisa ser purificada.” – .. éticas ou políticas há um grande número de teorias que cada um assume sem perceber..”questões políticas não devem ser decididas através de um apelo direto ou indireto à visão ou vontade de uma multidão inculta.. criadas especialmente para essa tarefa.” – “. ao corpo legislativo? Ele representa a maioria e obedece cegamente....

esfera pública literária (clubes. ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil. imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) .

imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . esfera pública literária (clubes. MUDANÇA NA ESTRUTURA SOCIAL da esfera pública Interpenetração progressiva da esfera pública com o setor privado SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil.

POLARIZAÇÃO esfera pública literária (clubes. MUDANÇA NA ESTRUTURA SOCIAL da esfera pública Polarização da esfera social e da esfera íntima SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil. imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) .

imprensa) espaço íntimo da pequena $ (mercado de bens culturais) Corte (sociedade da aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . POLARIZAÇÃO esfera pública literária (clubes. MUDANÇA NA ESTRUTURA SOCIAL da esfera pública Do público pensador de cultura ao público consumidor de cultura SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil.

os partidos e a administração pública. apenas também para eu aclame. o público enquanto tal só esporadicamente é inserido neste circuito do poder e. então. do exercício e do reequilíbrio dos poderes transcorre diretamente entre as administrações privadas. as associações.. – . tanto mais apolítica ela se torna no todo e tanto mais aparenta estar privatizada.. MUDANÇA NA ESTRUTURA SOCIAL da esfera pública • O fundamento apagado: as grandes linhas da decadência da esfera pública. – A esfera pública assume funções da propaganda. – Na passagem do público que pensa cultura para o público que consome cultura. . hoje existe a tendência de absorver uma esfera pública “política” plebiscitária através da esfera pública do consumismo cultural. Quanto mais ela pode ser utilizada como meio de influir política e economicamente. o que anteriormente ainda se permitia que se distinguisse como esfera pública literária em relação a esfera política perdeu o seu caráter específico. politicamente relevante. – A publicidade é desenvolvida do alto a fim de criar uma aura de good will para certas posições. – O processo.

imprensa) (mercado de bens culturais) espaço íntimo Corte (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . MUDANÇA NA ESTRUTURA SOCIAL da esfera pública O fundamento apagado: as grandes linhas de decadência SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil Estado (setor da troca de esfera pública (setor da “polícia”) mercadorias e de Instituição política trabalho social) do opinião pública ESTADO Função: regulamentação LIBERAL do estado liberal. esfera pública literária (clubes.

das associações e dos partidos.. a “publicidade” teve de ser imposta contra a política do segredo praticada pelos monarcas: aquela “publicidade “ que procurava submeter a pessoa ou a questão ao julgamento público e tornava as decisões políticas sujeitas à revisão perante a instância da opinião pública. grandemente espoliada de suas funções originais. está agora. – A imprensa evolui. – O jornal assume o caráter de um empreendimento que produz espaço para anúncios como uma mercadoria que se torna vendável através de parte reservada à redação.a publicidade. . sob o patrocínio das administrações. • O princípio de “publicidade” foi subvertido. MUDANÇA DA ESTRUTURA POLÍTICA da esfera pública • O jornalismo literário de pessoas privados passou a ser o serviços públicos dos mídias.. mobilizada de um outro modo no processo de integração entre Estado e sociedade. – Surgem as agências de anúncios à base do reclame comercial. – . – Outrora.

tanto quanto possível. pelo contrário. MUDANÇA DA ESTRUTURA POLÍTICA da esfera pública – Hoje. – De qualquer modo. a publicidade se impõe com a ajuda de uma secreta política de interesses: ela consegue prestígio público para uma pessoa ou uma questão e. – Até que ponto se esfacelou a esfera pública política enquanto uma esfera de participação contínua na discussão e no pensamento relativos ao poder público mede-se pelo grau em que se torna uma tarefa genuinamente jornalístico-publicitária dos partidos estabelecer inclusive até mesmo algo como uma esfera pública. mas através da adequação da posição de consumidor apolítico. . • Uma “publicidade pré-fabricada e uma opinião não-política condiciona o comportamento eleitoral da população. torna-se altamente aclamável num clima de opinião não-pública. Disputas eleitorais já não transcorrem mais no âmbito de uma esfera pública institucionalmente garantida a partir de uma disputa de qualquer modo ininterrupta das opiniões. não através do esclarecimento. esses eleitores menos qualificados para uma participação no processo da opinião pública são o grupo-alvo dos gerentes eleitorais: cada partido procura esgotar. através. muito difundida especialmente nessa camada. o reservatório dos “indecisos” . disso.

MUDANÇA DA ESTRUTURA POLÍTICA da esfera pública Fluxo original da formação da esfera pública burguesa SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil. imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . esfera pública literária (clubes.

imprensa) espaço íntimo Corte (mercado de bens culturais) (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . esfera pública literária (clubes. MUDANÇA DA ESTRUTURA POLÍTICA da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil esfera pública Estado (setor da troca de política (setor da “polícia”) mercadorias e de trabalho social) opinião pública Função: regulamentação da sociedade civil.

esfera pública literária (clubes. imprensa) (mercado de bens culturais) espaço íntimo Corte (sociedade da da pequena aristocracia da corte) família (intelectualidade burguesa) . MUDANÇA DA ESTRUTURA POLÍTICA da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil Estado (setor da troca de esfera pública (setor da “polícia”) mercadorias e de Instituição política trabalho social) do opinião pública ESTADO Função: regulamentação LIBERAL do estado liberal.

. em cada uma delas uma outra expectativa de comportamento: para estabelecer uma ponte com a diferenciação já introduzida. nem precisa estar envolvida com problemas políticos ou endereçada a instâncias políticas. no lugar da opinião pública surge a disposição subjetiva.. é preciso diferenciar nitidamente as funções da “publicidade” e da publicidade: a crítica e a manipulativa. Essa inclinação subjetiva atua como uma carga mal presa um navio a navegar”.. – “.. independente das organizações através das quais ela passa a ser mobilizada e integrada.. . – ... Ela não está presa a regras do debate público ou. Para o conceito de OPINIÃO PÚBLICA • A opinião pública se tornou uma ficção no Estado de Direito Público – . Ela é. em si determinada. toda vez. raramente ainda mantém alguma função politicamente relevante. a outra para a opinião não-pública. no processo de formação da opinião e da vontade nas democracias de massas.. uma é voltada para a opinião pública.. orientada para esta ou aquela direção através de determinadas medidas e acontecimentos. a formas de verbalização. de um modo geral. a opinião do povo. – A opinião pública continua a ser objeto da dominação mesmo lá onde ela esteja obrigada a fazer concessões ou se reorientar.

Endereçadas a um público amplo. existe uma esfera da comunicação de uma opinião quase-pública. o sistema das opiniões informais. – . por outro lado. – Opinião não pública funcionam em grande número e “a” opinião pública é.. . pode ser confrontados dois setores de comunicação politicamente relevantes: por um lado.. – Contraposta ao âmbito comunicativo da opinião não-pública.. o das opiniões formais. . a realidade constitucional da social-democracia precisa ser entendida como um processo em cujo transcurso uma esfera pública politicamente ativa passa a ser tornada real. Para o conceito de OPINIÃO PÚBLICA • Esclarecimento sociológico – O conflito entre ambas as figuras de “publicidade”/publicidade... elas não preenchem as condições de um pensamento público conforme o modelo liberal.. institucionalmente autorizadas. do qual a esfera pública está hoje impregnada. precisa levar a sério enquanto termômetro de um processo de democratização na sociedade industrial organizada como social-democracia. – Nesse modelo. não-públicas. de fato. pessoais. uma ficção. .

COMUNICAÇÃO espaço íntimo da pequena Autorizada e não-autorizada família Corte (intelectualidade burguesa) (sociedade da aristocracia da corte) . ESTRUTURAS SOCIAIS da esfera pública SETOR PRIVADO ESFERA DO PODER PÚBLICO sociedade civil Estado Estado (setor da troca de (setor da “polícia”) mercadorias e de Social-democrata trabalho social) esfera pública política opinião pública Função: regulamentação da sociedade.