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Alberto Bezerra de Souza ( Organizador ) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Juliana Soares

Alberto Bezerra de Souza

( Organizador )

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Juliana Soares Lima – Bibliotecária – CRB-3/1120)

SS719p

Souza, Alberto Bezerra de. JurisFavoravel: Consumidor. / Alberto Bezerra de Souza. –

Fortaleza: Judicia Cursos Profissionais, 2013. 616 p. ; 17x24 cm. – (JurisFavoravel; v. 1)

ISBN 978-85-67176-08-6

1. Direito do Consumidor. 2. Consumidor. 3. Jurisprudência.

4. Código de Defesa do Consumidor. I. Souza, Alberto Bezerra

de. II. Título. III. Série.

CDD 342.5

CDU 366(81)(078)

Índices para catálogo sistemático:

1. Direito do Consumidor: Direito

342.5

JUDICIA CURSOS PROFISSIONAIS LTDA.

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Fortaleza – Ceará – Brasil Copyright © Judicia Cursos Profissionais Ltda., 2013.

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, ALBERTINO MENESES e MARIA ELDI, alicerce da minha vida, exemplo e orgulho para toda nossa família.

Aos meus amigos, de longas datas, também advogados, LUIZ ARTHUR MELO e REGINALDO CASTELO BRANCO. Exemplo de profissionais.

NOTA DO AUTOR

No transcorrer da minha carreira de advogado, da qual já se vão mais de duas décadas de atuação, sempre tive imensa dificuldade de inserir nas minhas defesas criminais notas de jurisprudência, maiormente atualizadas. Constantemente achei uma postura defensiva adequada. Não só isso, mas, em verdade, uma conduta inarredável para uma segura peça processual de um zeloso advogado.

Contudo, mesmo atualmente, com as infinitas ferramentas dispostas em programas de informática, ainda há uma certa dificuldade em encontrar-se julgados especificamente favoráveis às teses defensivas.

Diante da imensidade de julgados existentes, a busca por um único julgado que adeque-se à sua tese é um trabalho árduo e que requer muita paciência. Tal tarefa torna-se mais desgastante quando o advogado almeja, a uma só vez, perquirir julgado que adeque-se ao tema desenvolvido e, outrossim, de sorte a atender especificamente aquela determinada norma do Código Penal levantada pela defesa.

Nesse contexto, surgiu a ideia de criar a série JurisFavorável, a qual traz à tona decisões convenientes à defesa do acusado, seja de forma parcial ou total. E, mais interessante ainda, é que os julgados estão dispostos atrelados a determinada norma do Código Penal, ou seja, artigo por artigo.

Penso que não menos importante, nesse quadro, é que, por vezes, o próprio julgado encontrado traz consigo tese(s) defensiva(s) que, obviamente, irão agregar-se às demais, antes fomentadas pelo causídico.

Encerro essas considerações afirmando que sentir-me-ei extremamente gratificado e feliz se, algum dia, encontrar-me com algum leitor que afirme que este humilde trabalho fora útil ao seu mister.

Fortaleza(CE), outubro de 2013.

Alberto Bezerra de Souza cursos@albertobezerra.com.br

SUMÁRIO

SUMÁRIO

1 - DIREITO A INFORMAÇÕES 11 2 - ÔNUS DA PROVA 21 3 - PLANOS E
1
-
DIREITO A INFORMAÇÕES
11
2
- ÔNUS DA PROVA
21
3
- PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE
37
3.1.
recusa de prótese;
37
3.2. limite de tempo de internação;
43
3.3.
recusa de ato cirúrgico;
46
3.4.
recusa de exames laboratoriais;
53
3.5.
reajuste por faixa etária;
55
3.6.
responsabilidade civil;
62
3.7.
período de carência;
68
3.8. cláusula excludente
74
4
- PUBLICIDADE ENGANOSA
80
5
- VENDA CASADA
86
6
- CONTRATOS BANCÁRIOS
92
6.1.
juros remuneratórios;
92
6.2.
juros moratórios;
96
6.3.
multa contratual;
98
6.4. comissão de permanência;
6.5. alienação fiduciária;
6.6. leasing;
6.7. cartão de crédito;
6.8. cheque especial;
107
111
127
130
133
6.9. crédito direto ao consumidor;
135
6.10.
empréstimo consignado;
136
6.11.
cédula de crédito bancário;
141
6.12.
cédula de crédito rural;
146
6.13.
cédula de crédito industrial;
154
6.14.
cédula de crédito comercial;
159
6.15.
correção monetária;
159
6.16.
capitalização de juros
161
7
- RESPONSABILIDADE CIVIL
167
7.1.
travamento de porta giratória;
167

SUMÁRIO

SUMÁRIO
7.3. furto de veículo/objetos em estacionamento; 177 7.4. atraso de voo; 181 7.5. erro de laboratório
7.3.
furto de veículo/objetos em estacionamento;
177
7.4.
atraso de voo;
181
7.5.
erro de laboratório de análise clínica;
190
7.6.
extravio de bagagens;
191
7.7.
transporte de mercadorias;
196
7.8.
plano odontológico;
198
7.9.
redução indevida de limite de crédito(banco);
200
8
- FORO DE ELEIÇÃO
204
9
– CONSUMIDOR (CARACTERIZAÇÃO)
211
10
– FORNECEDOR (CARACTERIZAÇÃO)
216
11
-
SEGURO AUTOMOTIVO
227
12
- FALHA NO SERVIÇO
236
13
- RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PASSIVA
255
14
- AGÊNCIA DE VIAGEM
262
15
- TRANSPORTE AÉREO
266
16
- VÍCIO DO PRODUTO
280
17
- VÍCIO OCULTO
292
18
- ESCOLA E UNIVERSIDADE
301
19
- ERRO MÉDICO
308
20
- ERRO ODONTOLÓGICO
322
21
- PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
327
22
- LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS
338
23
- HOSPITAL
341
24
- CADASTROS DE RESTRIÇÕES
349
25
- FURTO DE CARTÃO
362
26
- SERVIÇOS PÚBLICOS
369
26.1. telefonia móvel;
369
26.2. energia;
26.3. água e serviço de esgoto;
377
393
27
- REPETIÇÃO DE INDÉBITO
399
28
- CONSÓRCIO
404
29
- DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA
412
SUMÁRIO

SUMÁRIO

30 - PRAZO DE GARANTIA 421 31 - CONSTRUTORA 430 32 - DEVER DE INFORMAÇÃO 450
30
- PRAZO DE GARANTIA
421
31
- CONSTRUTORA
430
32
- DEVER DE INFORMAÇÃO
450
33
-
PRÁTICAS ABUSIVAS
464
34
- PRINCÍPIO DA BOA-FÉ
481
35
-
CLÁUSULAS ABUSIVAS
497
36
- CONTRATO DE ADESÃO
508
37
-
PREVIDÊNCIA PRIVADA
512
38
- INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO
528
39
- TRANSPORTE URBANO
537
40
- RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA
544
41
- ONEROSIDADE EXCESSIVA
553
42
– DESISTÊNCIA DO PRODUTO OU SERVIÇO
560
43
– COBRANÇA EXPONDO O CONSUMIDOR
AO RIDÍCULO
564
44
– ANEXO I
568
44.1. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
568
11

11

1 - DIREITO A INFORMAÇÕES

CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. AÇÃO CAUTE- LAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. INTERESSE DE AGIR QUE INDEPENDE DE PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. INTELIGÊNCIA DO ART. 5º, XXXV DA CF. FUMUS BONI IURIS CONSISTENTE NO DEVER DE AMPLA INFORMAÇÃO AO CONSU- MIDOR.

Periculum in mora prejudicado pela satisfatividade inerente à medida, embo- ra fique evidenciado o dever do autor tomar as medidas cabíveis à defesa de seus direitos antes de decorrido o respectivo lapso prescricional. Resistência do réu à pretensão. Correta condenação ao pagamento de despesas proces- suais e honorários advocatícios. Verba honorária fixada com observância dos critérios legais. Recurso improvido. (TJSP; APL 0032760-37.2010.8.26.0071; Ac. 6976766; Bauru; Vigésima Quinta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Walter Cesar Exner; Julg. 29/08/2013; DJESP 12/09/2013)

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA. NÃO ATENDIMENTO AO DEVER DE INFORMAÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. ART. 42, PARÁGRA- FO ÚNICO, DO CDC. INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE ENGANO JUS- TIFICÁVEL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CÓDIGO CIVIL. MATÉRIA JULGADA SOB O RITO DOS RECURSOS REPET- ITIVOS. RESP N. 1.113.403/RJ.

1. A decisão agravada foi acertada ao entender pela incidência da Súmula nº 7/ STJ, na hipótese em que se pretende a investigação a respeito do cumprimento do dever de informação pela concessionária no momento da contratação para fins de escolha da tarifa de energia mais adequada ao perfil do consumidor. 2. Concluindo o acórdão recorrido pela ausência de engano justificável por parte da concessionária em relação à cobrança indevida, não é dado a esta corte

12

12

superior discutir a incidência do art. 42, parágrafo único, do CDC, ante o óbice da Súmula nº 7/STJ. 3. A primeira seção do STJ, ao julgar o RESP n. 1.113.403/RJ, mediante o rito dos recursos repetitivos (art. 543-c do CPC), entendeu ser aplicável o prazo regido pelo Código Civil, podendo ser ou de 20 (vinte) anos, conforme disposto no Código Civil de 1916, ou de 10 (dez) anos, tal como previsto no Código Civil de 2002, a depender da aplicação da regra de transição. 4. Agravo regimental não provido. (STJ; AgRg-AREsp 358.086; Proc. 2013/0191087-6; RS; Segunda Turma; Rel. Min. Mauro Campbell Marques; DJE 11/09/2013; Pág. 2034)

DIREITO DO CONSUMIDOR. REJEITADA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. COMPRA DE IMÓVEL. COMISSÃO DE CORRETAGEM. AGENTE ATUANDO SOB AS INSTRUÇÕES DO FORNECEDOR. DESNATURAÇÃO DO CONTRATO DE CORRE- TAGEM. TRANSFERÊNCIA AO CONSUMIDOR DE SERVIÇO QUE NÃO LHE FOI PRESTADO. CLÁUSULA ABUSIVA. VIOLAÇÃO À BOA-FÉ OBJETIVA. CONSUMIDOR NÃO INFORMADO ADEQUAD- AMENTE. VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO. RECONHE- CIMENTO DA NULIDADE DE CLÁUSULA. DANOS MATERIAIS DEVIDOS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO DEVIDA. ART. 42, PARÁGR- AFO ÚNICO, CDC. RECURSO IMPROVIDO.

1. Afasto a preliminar de cerceamento de defesa. O destinatário da prova é o Juiz, sendo livre para formar o seu livre convencimento, cabendo-lhe determi- nar as provas necessárias à instrução do processo, podendo indeferir as inúteis ou meramente protelatórias, nos termos dos artigos 130 e 131 do Código de Processo Civil. 2. A controvérsia deve ser solucionada sob o prisma do siste- ma jurídico autônomo instituído pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/1990), que por sua vez regulamenta o direito fundamental de pro- teção ao consumidor (art. 5º, XXXII, da Constituição Federal). 3. Fixadas as normas e princípios que regulam o caso concreto, a pretensão do consumidor deve ser amparada com base no princípio da boa-fé, 4º, III, e art. 51, IV, do Código de Defesa do Consumidor, e no princípio da informação adequada,

13

13

art. 6º, III, também do Código de Defesa do Consumidor. 4. O fornecedor tem o dever de informar qualificado, em que não basta o mero cumprimento formal do oferecimento de informações, mas o dever substancial de que o consumidor efetivamente as compreenda. 5. A conseqüência do descumpri- mento de cláusula que viole o dever da boa-fé objetiva e o dever de informar adequadamente é a declaração de nulidade da respectiva cláusula, reconheci- mento que pode ser feito a pedido ou de ofício. 6. A comissão de corretagem é ônus de quem contratou os serviços do intermediador. O fornecedor não pode transferir esse encargo ao consumidor, se optou por não incluir esse custo no preço cobrado, sobretudo quando não lhe informou adequadamente sobre o ônus. 7. O fornecedor não comprovou que os serviços de intermediação foram efetivamente prestados ao consumidor. 8. Nas relações de consumo é desnecessária a prova da má-fé para aplicação da sanção do art. 42, parágr- afo único, do Código de Defesa do Consumidor, porquanto basta a falha na prestação do serviço, consubstanciada na cobrança indevida (ato ilícito) do fornecedor, para que seja devida a repetição. 9. Recurso provido. Sentença reformada. (TJDF; Rec 2012.01.1.165709-7; Ac. 709.622; Terceira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Desig. Juiz Hector Valverde Santana; DJDFTE 11/09/2013; Pág. 228)

JUIZADOS ESPECIAIS CIVEIS. CIVIL E PROCESSO CIVIL. COM- PRA E VENDA DE IMÓVEL. COMISSÃO DE CORRETAGEM PAGA PELO COMPRADOR. PRESCRIÇÃO NÃO EFETIVADA. IM- PORTÂNCIA PAGA A TÍTULO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM QUE NÃO INTEGRA O PREÇO DA UNIDADE AUTÔNOMA COLO- CADA À VENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL OU ANUÊNCIA DO CONSUMIDOR/ADQUIRENTE QUANTO À SUA RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE RE- SPONSABILIDADE DO VENDEDOR. COBRANÇA INDEVIDA. QUE- BRA DO DEVER DE INFORMAÇÃO, PROBIDADE E BOA-FÉ POR PARTE DO FORNECEDOR. DEVER DE RESTITUIÇÃO DOS VA- LORES PAGOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

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14
  • 1 - Não ocorreu a prescrição trienal do direito do autor que ajuizou o proces- so em 08/03/2013, tendo pago o valor da corretagem em 11/03/2010, fl. 44.

  • 2 - Restou evidenciado nos autos que o consumidor/adquirente não assumiu

o compromisso de pagar comissão por corretagem. É certo que, nos termos

do art. 724 do Código Civil, a responsabilidade do pagamento pode ser do comprador, mas por não ser a praxe, deve o consumidor receber informação clara a respeito. 3 - O valor da corretagem não estava incluso no valor do negócio, impondo-se a devolução da quantia despendida a este título para se evitar enriquecimento ilícito da parte ré. A ocorrência do pagamento não in- dica a concordância do consumidor com o ato, já que no momento da con- tratação o consumidor é parte vulnerável, impõe-se ao fornecedor o dever de informar claramente a respeito do dos valores a serem desembolsados. 4 - A quantia deve ser devolvida em dobro, pois não se verifica qualquer engano justificável a determinar a devolução simples, na forma do art. 42 do CPC.

  • 5 - Recurso conhecido e desprovido. Condeno os recorrentes ao pagamento

das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% do valor da

condenação. (TJDF; Rec 2013.01.1.030157-8; Ac. 709.172; Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz Leandro Borges de Figueiredo; DJDFTE 10/09/2013; Pág. 319)

APELAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMEN- TOS. FINANCIAMENTO. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. PRETENSÃO DE RECEBIMENTO DE VIA CONTRATUAL PELO CONSUMIDOR. DIREITO À INFORMAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, III, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. DOCUMENTO COMUM ÀS PARTES. IMPOSSIBILIDADE DE RECUSA. DEVER DE EXI- BIÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 844, INCISO II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. DESPROVI- MENTO.

Ao consumidor deve ser assegurado o direito à exibição do contrato firmado com instituição financeira, para conhecimento pormenorizado de seus termos, haja vista tratar-se de documento comum entre as partes. Verificado o dever

15

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de exibir, nos termos do art. 844, inciso II, do código de processo civil, deve ser mantida a sentença de primeiro grau e, por conseguinte, negado provi- mento ao recurso apelatório interposto pela instituição financeira sucumbente. (TJPB; AC 200.2011.040395-9/001; Quarta Câmara Especializada Cível; Rel. Des. Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho; DJPB 10/09/2013; Pág. 16)

CONSUMIDOR. INDENIZATÓRIA. CURSO NO EXTERIOR. IM- POSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DO CURSO REGULAR DE LÍN- GUA ESTRANGEIRA. RESTITUIÇÃO DAS SEMANAS NÃO USU- FRUÍDAS. FALHA NO DEVER DE INFORMAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DEFEITUOSA. DANO MORAL CONFIGURADO.

Parte autora que pleiteia repetição dos valores pagos a maior, a título de curso de língua estrangeira em sidney, austrália. Sendo incontroverso o dispêndio do montante referido no contrato, faz jus o autor à restituição dos valores referentes às semanas não usufruídas do curso ao exterior. Dano moral, por outro lado, reconhecido, uma vez que a operadora de turismo não disponibi- lizou a extensão do programa, conforme contratado, ainda que o autor tenha, diversas vezes, entrado em contato para solução do problema. Recurso par- cialmente provido. (TJRS; RecCv 31254-44.2013.8.21.9000; Porto Alegre; Segunda Turma Recursal Cível; Relª Desª Fernanda Carravetta Vilande; Julg. 04/09/2013; DJERS 10/09/2013)

RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. CONSU- MIDOR. COMPRA E VENDA DE FILMADORA. CARACTERÍSTI- CA DO PRODUTO. DEVER DE INFORMAÇÃO. RESCISÃO. DANO MORAL.

A autora não alegou defeito no produto adquirido, mas o fato de o mesmo não apresentar todas as características referidas pelo vendedor quando da compra e venda, em especial o fato de que produziria filmes em alta definição (high definition), o que o preposto da ré confirmou que não é possível. Desta forma, o produto não carecia ser levado à assistência técnica, sendo obrigação da

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ré aceitar a devolução do mesmo, até porque a consumidora dispôs-se a ad- quirir outra filmadora, de maior preço, pagando a diferença, o que não foi aceito pela ré. Dever de informação violado pela ré, dando ensejo à rescisão do contrato. Dano moral caracterizado no caso concreto, não se limitando a simples inadimplemento contratual. Valor de indenização fixado em - R$ 1.000,00 - Patamar mais do que módico. Sentença confirmada por seus próprios fundamentos. Recurso desprovido. Unânime. (TJRS; RecCv 62009- 85.2012.8.21.9000; Novo Hamburgo; Primeira Turma Recursal Cível; Rel. Des. Pedro Luiz Pozza; Julg. 03/09/2013; DJERS 06/09/2013)

CONSUMIDOR. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL NA PLANTA. COMISSÃO DE CORRETAGEM. COBRANÇA ABUSIVA. ÔNUS DO VENDE- DOR. DEVER DE INFORMAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL OR- DINÁRIO.

1. Acórdão lavrado em conformidade com o disposto no art. 46 da Lei nº 9.099/1995, e arts. 12, inciso IX, 98 e 99 do Regimento Interno das Turmas Recursais. 2. PREJUDICIAL DE MÉRITO - PRESCRIÇÃO. A pretensão de ressarcimento de parcelas amparada em discussão sobre a validade ou abrangência de cláusulas contratuais não se submete ao prazo prescricion- al das ações de enriquecimento sem causa, e sim ao prazo prescricional or- dinário, que é decenal. 3. Tratando-se de aquisição de imóvel em construção diretamente da construtora, é abusiva a cláusula que transfere ao adquirente o ônus do pagamento de comissão de corretagem. 4. O consumidor não aufere qualquer proveito com a suposta intermediação empreendida pelo corretor, pois a aquisição é pactuada diretamente com a construtora. O corretor não age, nesta hipótese, como intermediário ou prestador autônomo de serviço, mas como verdadeiro preposto da construtora, de modo a facilitar a atividade

empresarial desta. 5. A proposta de compra com recibo de sinal e o instrumen-

to de promessa de compra e venda não informam claramente ao consumidor a assunção do ônus da comissão de corretagem. A mera assinatura de recibo de pagamento da comissão, sem lastro em cláusula contratual expressa e válida, não é suficiente para transferir ao consumidor o ônus do pagamento da

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comissão de corretagem. 6. Condeno a recorrente ao pagamento das custas processuais e os honorários advocatícios, estes fixado em 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da condenação, conforme art. 55 da Lei nº 9.099/95. 7. Recurso conhecido e desprovido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos. (TJDF; Rec 2013.01.1.037216-9; Ac. 707.784; Segun- da Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz Antô- nio Fernandes da Luz; DJDFTE 04/09/2013; Pág. 284)

DIREITO DO CONSUMIDOR. COMISSÃO DE CORRETAGEM. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FALHA NO DEVER DE INFORMAÇÃO. CLÁUSULA ABUSIVA. DEVOLUÇÃO EM DOBRO DOS VALORES. RECURSO IMPROVIDO.

1. A controvérsia deve ser solucionada sob o prisma do sistema jurídico autôno-

mo instituído pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/1990), que por sua vez regulamenta o direito fundamental de proteção ao consumidor (art. 5º, xxxii, da Constituição Federal). 2. Fixadas as normas e princípios que regulam o caso concreto, a pretensão da consumidora deve ser amparada com base no princípio da boa-fé, art. 4º, III, e art. 51, IV, do Código de Defesa do Consumidor, e no princípio da informação adequada, art. 6º, III, também do Código de Defesa do Consumidor. 3. O fornecedor tem o dever de informar

qualificado, em que não basta o mero cumprimento formal do oferecimento de informações, mas o dever substancial de que a consumidora efetivamente as compreenda. 4. A consequência do descumprimento de cláusula que viole o dever da boa-fé objetiva e o dever de informar adequadamente é a declaração de nulidade da respectiva cláusula, reconhecimento que pode ser feito a pedi- do ou de ofício. 5. A comissão de corretagem é ônus de quem contratou os serviços do intermediador. O fornecedor não pode transferir esse encargo à consumidora, se optou por não incluir esse custo no preço cobrado, sobretudo quando não lhe informou adequadamente sobre esse ônus. 6. O fornecedor não comprovou que os serviços de intermediação foram efetivamente prestados à consumidora. 7. Nas relações de consumo é desnecessária a prova da má-fé para aplicação da sanção do art. 42, parágrafo único, do Código de Defesa

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do Consumidor, porquanto basta a falha na prestação do serviço, consubstan- ciada na cobrança indevida (ato ilícito) do fornecedor, para que seja devi- da a repetição. 8. Recurso improvido. (TJDF; Rec 2013.11.1.002729-3; Ac. 706.861; Terceira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Desig. Juiz Hector Valverde Santana; DJDFTE 30/08/2013; Pág. 275)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. APLICAÇÃO DO CDC. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. VEDAÇÃO. COBRANÇA DE COMISSÃO DE PERMANÊNCIA COM A NOMENCLATURA DE JUROS MORATÓRIOS. ILEGALIDADE. REPETIÇÃO EM DOBRO. REQUISITOS NÃO DEMONSTRADOS.

O Código de Defesa do Consumidor aplica-se aos contratos bancários (Súmu- la nº 297, do STJ), sendo, por conseqüência, possível a revisão e afastamento das cláusulas abusivas dos contratos. A capitalização dos juros é vedada, mes- mo quando convencionada entre as partes, salvo as exceções expressamente previstas na Lei. Nos termos do art. 6º, III, do CDC, o consumidor tem direito que sejam prestadas informações claras acerca do pacto. Como a comissão de permanência foi prevista de maneira indireta, sob a nomenclatura de juros moratórios, correta a nulidade da cláusula contratual que estipulou a cobrança de tal encargo. O direito à repetição em dobro requer a presença de dois requi- sitos: que a quantia cobrada seja indevida e comprovação da má-fé do credor. DES. TIAGO PINTO: APELAÇÃO. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATU- AL. LEASING. NATUREZA DO CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO DE JU- ROS. No caso específico e dada a natureza do contrato de leasing, em que não é possível identificar no custo do dinheiro os juros remuneratórios e a capitalização, deve ser mantida a disposição contratada. DES. Antônio BIS- PO: A Lei nº 8070/90, concebeu um sistema de proteção ao consumidor que fixa parâmetros de conduta que devem ser observados pelos fornecedores de serviços e servem como medida para a aferição da legalidade da prestação for- necida, tomando-se por base a legítima expectativa do consumidor. Verificada a cobrança de juros e encargos indevidos pelos bancos, tem-se a violação de um dever inquestionável de cuidado e de adstrição à legalidade que afronta

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o parâmetro de conduta determinado pelo princípio da boa-fé objetiva, autor- izando a incidência do parágrafo único do artigo 42 do CDC. (TJMG; APCV 1.0024.12.062115-6/001; Rel. Des. Tibúrcio Marques; Julg. 22/08/2013; DJEMG 30/08/2013)

CONSUMIDOR. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL NOVO. RELAÇÃO DE CONSUMO. FORNECEDORES. SOLIDARIEDADE. COMISSÃO DE CORRETAGEM. TRANSFERÊNCIA DO ÔNUS AO CONSU- MIDOR. CLÁUSULA EXPLICITA E DESTACADA. EXIGÊNCIA. AUSENTE. DEVER DE RESTITUIR. ENGANO JUSTIFICÁVEL. AUSENTE. REPETIÇÃO EM DOBRO. CABÍVEL. RECURSO CON- HECIDO E PROVIDO.

1.As operações de compra e venda de imóveis novos são relações de consu- mo e todos os intervenientes na cadeia de fornecimento, que inclui constru- tora, incorporadora, imobiliárias e corretores de imóveis são solidariamente

responsáveis pelos resultados danosos ao consumidor advindos do contrato

nos termos dos arts. 7º, § único, art. 18 e art. 25, § 1º do Código de Defesa do

Consumidor. 2.Na venda de imóveis novos, por praxe do mercado, a corretora de imóveis é contratada pela construtora ou incorporadora, fato notório que dispensa prova (art. 334, inciso I, do Código de Processo Civil), cabendo ao contratante do serviço arcar com seu custo. 3.Não é ilegal a transferência do custo da comissão de corretagem do contratante, construtora ou incorporado- ra, ao consumidor, mas exige-se cláusula expressa, cujo conhecimento deve ser dado previamente à assinatura do instrumento (art. 46 do Código de Defe- sa do Consumidor) e por ser limitativa do direito do consumidor deve ser gra- fada em destaque e de fácil compreensão (art. 54, § 4º do Código de Defesa do Consumidor), sob pena de não obrigarem o mesmo. 4.A ausência de cláusula que transfere do contratante ao consumidor a obrigação de pagar a comissão de corretagem, ou sua obscuridade, ensejam a repetição do pagamento indev- ido, e por ser dever do fornecedor informar adequadamente o consumidor, fica descaracterizado o engano justificável, aplicando-se a dobra prevista no art. 42, § único do Código de Defesa do Consumidor. 5.Recurso conhecidos e

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provido para condenar a Recorrida a repetir em dobro o valor referente à comissão de corretagem, nos termos do voto. 6.Recorrentes vencedores, sem sucumbência. (TJDF; Rec 2013.03.1.008804-7; Ac. 706.700; Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz Flávio Augusto Martins Leite; DJDFTE 30/08/2013; Pág. 250)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA DE REVISÃO CONTRAT- UAL E ANULAÇÃO DE CLÁUSULAS ILEGAIS. PACTUAÇÃO DOS JUROS DENTRO DA TAXA MÉDIA PRATICADA PELO MERCADO À ÉPOCA DA CONTRATAÇÃO. AFERIÇÃO COM BASE NA TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. INAPLICABILIDADE DO CET (CUSTO EFETIVO TOTAL). ABUSIVIDADE NÃO VERIFICADA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS EM PERIODICIDADE INFERIOR A UM ANO. AUSÊNCIA DE CONTRATAÇÃO EXPRESSA. IMPOSSIBI- LIDADE DE COBRANÇA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA A DI- REITO BÁSICO DO CONSUMIDOR. INFORMAÇÃO ART. 6º, III, DO CDC. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA NÃO PACTUADA. EXIGÊN- CIA INDEVIDA. RECONHECIMENTO PELO ATO SENTENCIAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. PREQUESTIONAMENTO. INADMISSÍVEL. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Para aferição da abusividade na pactuação dos juros, deve ser confrontada a taxa efetiva dos juros remuneratórios com a média praticada pelo mercado à época da contratação, não sendo aplicável o percentual referente ao cet. Cus- to efetivo total, porquanto abrange todos os encargos fixos, incluindo taxas de juros, tributos, tarifas, seguros e outras despesas, consoante disciplina a resolu ção nº 3.517/2007 do BACEN. A capitalização mensal dos juros, não obstante seja possível após a entrada em vigor da MP nº 1963-17/2000, at- ualmente reeditada sob o nº 2170-36/2001, por se tratar de encargo que onera substancialmente o contrato deve estar prevista de forma clara, expressa e de fácil compreensão pelo consumidor. Decidindo o r. Ato sentencial pela não incidência da comissão de permanência, dada a ausência de sua contratação, não há quanto a este aspecto, interesse recursal a legitimar a insurgência do

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banco apelante para obter o reconhecimento da imprevisão da cobrança de tal encargo. Prescindível se faz a citação pelo órgão colegiado, em sede recur- sal, dos dispositivos utilizados com fins de prequestionamento. (TJMT; APL 30431/2013; Tangará da Serra; Quinta Câmara Cível; Relª Desª Cleuci Terez- inha Chagas; Julg. 21/08/2013; DJMT 30/08/2013; Pág. 258)

2 - ÔNUS DA PROVA

APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS A EXECUÇÃO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. APELO DOS EMBARGANTES.

1. Cédula de crédito bancário. Liquidez, certeza e exigibilidade. Título exec- utivo. Caracterização. 2. Planilha de cálculo infringência ao art. 614 do CPC. Inocorrência. 3. Julgamento antecipado da lide. Cerceamento de defesa. Ino- corrência 4. Revisão de contrato anterior. Impossibilidade. Alegações genéri- cas. 5. Capitalização de juros. Cédula de crédito bancário. Pactuação expressa. Possibilidade. 6. Juros contratados à taxa fixa. Possibilidade. 7. Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor. Possibilidade de inversão do ônus da prova 8. Excesso de execução. Inocorrência. Cobrança de encargos pactuados. Recurso desprovido. 1. A execução proposta pela instituição financeira está

amparada em uma cédula de crédito bancário, e esta cédula é título executivo,

consoante disposto na Lei nº 10.931/2004, e no art. 585, inciso VIII, do código de processo civil. 2. A ficha gráfica que retrata o demonstrativo de evolução do 2débito com o valor da dívida, taxa de juros e demais encargos incidentes preenche os requisitos do art. 614, II, do cpc. 3. Sendo os elementos constantes nos autos suficientes para formar o convencimento do julgador, não constitui o julgamento antecipado violação ao princípio do contraditório e da ampla defe- sa, pois não ocorre cerceamento de defesa quando à matéria, por sua natureza, prescinde da realização de outras provas além das que já constam dos autos. 4. Para discutir contrato anterior em sede de embargos à execução, além de expor a relação de causalidade com o título executivo, o devedor deve apontar de forma detalhada quais foram as eventuais práticas abusivas incidentes no ajuste antecedente que macularam a formação do contrato exequendo.

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5. A Lei nº 10931/2004, em seu art. 28, § 1º, inciso I, autoriza a capitalização

de juros em periodicidade avençada entre as partes no contrato de cédula de

crédito bancário. 6. Não se verifica ilegalidade na estipulação de taxa fixa de juros, eis que se tratando de instituição financeira, esta não encontra limite na Lei de usura, sendo possível a contratação de juros em qualquer patamar. 7. As normas do Código de Defesa do Consumidor são aplicáveis aos contratos bancários, inclusive de cédula de crédito bancário, ainda que firmados por pessoa jurídica. Nos termos do artigo 6º, inc. VIII, do Código de Defesa do Consumidor, é possível a inversão do ônus da prova quando presente a veros- similhança nas alegações ou demonstrada a hipossuficiência. 38. Inexiste ex- cesso de execução, pois no presente caso o valor devido é o que está na cédula de crédito bancário, acrescido dos encargos conforme demonstrativo de débito e previsão contratual. (TJPR; ApCiv 1062696-3; Telêmaco Borba; Décima Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Luis Carlos Xavier; DJPR 02/09/2013; Pág.

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APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CON- TRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CHEQUE ESPECIAL. AGRAVO RETIDO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REQUISITOS PRESENTES. APLICABILIDADE DO CDC ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS SÚMULA Nº 297 DO SUPERI- OR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. HIPOSSUFICIÊNCIA TÉCNICA E IN- TELECTUAL DA AUTORA. APELAÇÃO. PRELIMINAR CERCEA- MENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PERÍCIA CONTÁBIL. NÃO OCORRÊNCIA. PARTE QUE QUANDO INTIMADA SOBRE AS PRO- VAS QUE PRETENDIA PRODUZIR PLEITEOU O JULGAMENTO ANTECIPADO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICA- BILIDADE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA Nº 297 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PODER JUDICIÁRIO TRIBU- NAL DE JUSTIÇA APELAÇÃO CÍVEL Nº 1046.214-1 FLS. 2 MÉRI- TO REVISÃO DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. POSSIBILIDADE. RELATIVIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PACTA SUNT SERVANDA. JUROS REMUNERATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE

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MERCADO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE TAXA NO CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. ARTIGO 5º, DA MP 2170- 36/2001. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO CO- LENDO ÓRGÃO ESPECIAL. INCIDENTE DE INCONSTITUCION- ALIDADE Nº 806337-2/01. AUSÊNCIA, CONTUDO, DE PROVA DA PACTUAÇÃO ENTRE AS PARTES. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA NOS MOLDES DA SÚMULA Nº 472, STJ. RECURSO CONHECIDO PARCIALMENTE E, NA PARTE CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDO PARA RECONHECER A POSSIBILIDADE DA COBRANÇA DE COMISSÃO DE PERMANÊN- CIA DESDE QUE NÃO CUMULADA COM OUTROS ENCARGOS.

1. Cabível a cobrança de juros capitalizados em período inferior a um ano por força do acórdão proferido no incidente de inconstitucionalidade nº 806337- 2/01, desde que expressamente contratada, o que não foi comprovado. In casu. Recurso adesivo. Juros remuneratórios. Poder judiciário tribunal de justiça apelação cível nº 1046.214-1 fls. 3limitação em 12% ao ano. Descabimento. Aplicação da taxa média de mercado. Repetição de indébito forma dobrada independe de comprovação da má-fé. Cabimento. Incidência do art. 42, pará- grafo único, do Código de Defesa do Consumidor. Aplicação do art. 475-n do código de processo civil. Possibilidade. Sucumbência mantida. Recurso conhecido e parcialmente provido para determinar a repetição de indébito na forma dobrada. 1. É devida a repetição do indébito de forma dobrada, por presunção de má-fé, consoante parágrafo único do artigo 42 do código de defesa do consumidor. (TJPR; ApCiv 1046214-1; Maringá; Décima Terceira Câmara Cível; Rel. Juiz Conv. Luiz Henrique Miranda; DJPR 02/09/2013; Pág. 296)

AÇÃO ORDINÁRIA. DIREITO DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REQUISITOS DO ART. 6º, VIII, CDC DEMON- STRADOS DEFERIMENTO. RECURSO DESPROVIDO.

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Para a inversão do ônus da prova, é necessária a demonstração de hipossufi- ciência do consumidor ou a verossimilhança de suas afirmações. Estando pre- sentes um dos requisitos previstos no art. 6º, inc. VIII, do CDC, deve a decisão que deferiu a inversão do ônus da prova ser mantida. (TJMT; AI 55516/2013; Tangará da Serra; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha; Julg. 07/08/2013; DJMT 19/08/2013; Pág. 14)

CIVIL. CONSUMIDOR. DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS C/C REVISÃO DE CONTRATO. APLI- CAÇÃO DO CDC. SÚMULA Nº 297 DO STJ. PODER DE EXIGIBI- LIDADE DOS CONTRATOS DE ADESÃO E PRINCÍPIO DO PACTA SUNT SERVANDA. RESPEITADOS. CONTRATO QUE NÃO APRE- SENTA AS TAXAS DE JUROS MENSAL E ANUAL. ÔNUS DA PRO- VA. INVERSÃO. ART. 359, CPC. SENTENÇA QUE CONSIDEROU AS TAXAS DE JUROS MENCIONADAS NA EXORDIAL. VIABILIDADE. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. IMPOSSIBI- LIDADE. RECONHECIDA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA MP Nº 2.170-36/2001. UTILIZAÇÃO DO SISTEMA DE AMOR- TIZAÇÃO DA TABELA PRICE. INVIABILIDADE. REPETIÇÃO DO INDÉBITO REFERENTE À PRÁTICA DO ANATOCISMO. VIABILI- DADE. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO NO INSTRUMENTO DE CON- TRATO. MÁ FÉ CARACTERIZADA. INTELIGÊNCIA DO ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC. PREQUESTIONAMENTO. DESNE- CESSIDADE. CONHECIMENTO E IMPROVIMENTO DO RECUR- SO. PRECEDENTES.

Aplicabilidade do CDC. É possível a revisão judicial dos contratos bancári- os, de acordo com as normas insertas no Código de Defesa do Consumidor. Capitalização dos juros. Esta corte de justiça firmou entendimento pela incon- stitucionalidade do art. 5º da MP n. º 2.170-36/2001 que permitia capitalização mensal de juros. Assim, à exceção dos casos expressamente permitidos por Leis esparsas, a capitalização de juros é vedada. Repetição do indébito. Le- vando-se em consideração que a capitalização dos juros remuneratórios não

foi prevista no contrato objeto da lide, sua cobrança em negócios jurídicos

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como estes que se analisa torna-se indevida e caracteriza má fé, devendo, portanto, o banco demandado arcar, neste caso específico, com a repetição do indébito nos termos do art. 42, parágrafo único, do cdc. (TJRN; AC 2013.005399-1; Natal; Terceira Câmara Cível; Rel. Desig. Des. João Re- bouças; DJRN 30/08/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REQUISITOS DO ART. 6º, VIII, DO CDC. VERIFICADA A VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. POSSIBILIDADE.

O artigo 5º, inciso XXXII, da Constituição Federal de 1988, impôs ao Estado a promoção, na forma da Lei, da defesa do consumidor. A inversão do ônus

da prova, prevista pela Lei nº 8.078/90, está no contexto da facilitação da def- esa dos direitos do consumidor. Subordina-se ao critério do juiz, quando for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras or- dinárias da experiência (art. 6º, inciso VIII). Vale dizer, não é automática e de- pende de circunstâncias concretas, que serão apuradas pelo julgador. Na linha

de reiterados precedentes jurisprudenciais do c. Superior Tribunal de Justiça,

a regra probatória, quando a demanda versa sobre relação de consumo, é a da inversão do respectivo ônus. (TJMG; AGIN 1.0024.12.026099-7/002; Rel.

Des. Rogério Medeiros; Julg. 05/09/2013; DJEMG 13/09/2013)

APELAÇÃO INDENIZAÇÃO C.C. INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO DANOS MATERIAIS E MORAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TELE- FONIA. O FATO DE TER SIDO COBRADO INDEVIDAMENTE É, SIM, SITUAÇÃO PASSÍVEL DE INDENIZAÇÃO POR DANO MOR- AL. ESTÁ O AUTOR, NA CONDIÇÃO DE CONSUMIDOR, FAVORE- CIDO PELA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA PRESCRITA NO ART. 6º, VIII, DO CDC. CABIA, POIS, À RÉ, DEMONSTRAR FATO IM- PEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AU- TOR (ART. 333, CAPUT, II, DO CPC).

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A cobrança indevida formulada contra o consumidor, juntamente com o envio

do nome do autor, também indevidamente, para cadastro de inadimplentes,

representam circunstâncias passíveis de indenização por dano moral, cuja quantificação deve pautar-se pela razoabilidade, envolvendo o caráter re- pressivo de novas ofensas, por parte do agressor, e o caráter compensatório à vítima, razão pela qual a indenização dos danos morais deve ser adequada às circunstâncias do caso sob exame, considerando ainda a situação socio- econômica das partes, tendo em vista tais parâmetros, não foi exagerado o

valor arbitrado na r. Sentença em onze mil e seiscentos e vinte e cinco reais.

Apelação desprovida. (TJSP; APL 0004539-60.2008.8.26.0347; Ac. 6953975; Matão; Trigésima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Lino Machado; Julg. 21/08/2013; DJESP 29/08/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSU- LAS CONTRATUAIS. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. CONTRATO DE FINANCIAMENTO E EXTRATOS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICABILIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PRO- VA.

Configurada a relação de consumo, patente a aplicabilidade das normas e princípios esculpidos pelo Código de Defesa do Consumidor. É possível o pedido de exibição de documento nos próprios autos, tendo escopo pro- batório. (TJMG; AGIN 1.0702.12.059115-2/001; Rel. Des. Antônio Bispo; Julg. 05/09/2013; DJEMG 13/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. IRRESIGNAÇÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E, POR CONSEGUIN- TE, DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AQUISIÇÃO DE INSU- MOS AGRÍCOLAS. RELAÇÃO DE CONSUMO PAUTADA NA VUL- NERABILIDADE DO AGRICULTOR. APLICABILIDADE DO CDC. HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONSUMIDOR. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

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O termo destinatário final expressamente descrito na Lei é mitigado pela dout- rina e jurisprudência para a adequação aos casos concretos em atendimento a finalidade da norma. No presente caso, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor em razão das vulnerabilidades técnica, informacional, jurídica e fática do agricultor pessoa física diante da estrutura, porte econômico, amplo conhecimento técnico e de informações sobre os produtos agrícolas comer- cializados, além de plenas condições para se defender por parte da empre- sa agravante. O agricultor ao adquirir produtos e insumos agrícolas, para o

solo, torna-se destinatário final, ou seja, o último elo da cadeia econômica. Ademais, esse produto quando utilizado na terra, visto que essa é a sua final- idade, encerrará o ciclo a que se destinava, portanto, aplicam-se as normas

consumeristas. Além dos consumidores stricto sensu, conhece o CDC os con-

sumidores-equiparados, os quais por determinação legal merecem a proteção especial de suas regras. Trata-se de um sistema tutelar que prevê exceções em seu campo de aplicação sempre que a pessoa física ou jurídica preencher as qualidades objetivas de seu conceito e as qualidades subjetivas (vulnerabili- dade), mesmo que não preencha a de destinatário final econômico do produ- to ou serviço (cláudia Lima marques). (TJMT; AI 45187/2013; Comodoro; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Dirceu dos Santos; Julg. 07/08/2013; DJMT 21/08/2013; Pág. 28)

AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO. AGRAVO RETIDO. CONEX- ÃO. CONTRATO NULO. ABUSIVIDADES. APLICAÇÃO DO CDC. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. SUCUMBÊNCIA E HONORÁRIOS AD- VOCATÍCIOS.

Não merece conhecimento o agravo retido que não teve o pedido de apre- ciação reiterado nas razões recursais ou na resposta da apelação, nos termos do art. 523, §1º, do CPC. Sendo diversos os contratos objetos das ações ajuiza- das pelo autor em face do banco réu, não há que se falar em conexão e tão pouco em reunião dos processos para julgamento conjunto. entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido de que se aplica aos

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contratos bancários o Código de Defesa do Consumidor. A inversão do ônus da prova deve ser deferida somente quando comprovada pelo consumidor sua hipossuficiência técnica ou financeira. Com a edição da MP n. 2.170-36/2001, admite-se a capitalização mensal dos juros, mas tão somente nos contratos firmados posteriormente à sua entrada em vigor e desde que haja previsão contratual expressa. A sanção prevista no artigo 42, parágrafo único, do Códi- go de Defesa do Consumidor, devolução em dobro da quantia, somente tem

aplicação quando há dolo ou culpa por parte do credor, o que não se aplica quando este cobrou taxas que se encontravam previstas em contrato. Modi- ficado o que restou decidido na sentença, ficando a parte autora vencida na

totalidade dos pedidos, deverá arcar com as custas, despesas processuais e

honorários advocatícios, devendo esses ser fixados na forma do §4º, do art. 20 do CPC. (TJMG; APCV 1.0707.11.024209-6/001; Rel. Des. Valdez Leite Machado; Julg. 29/08/2013; DJEMG 13/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSU- LAS CONTRATUAIS. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICABILIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ASSITÊNCIA JUDICIÁRIA. MERA DECLARAÇÃO. DEFERIR.

I -Configurada a relação de consumo, patente a aplicabilidade das normas e princípios esculpidos pelo Código de Defesa do Consumidor. É possível o pedido de exibição de documento nos próprios autos, tendo escopo pro- batório. II. Para a concessão da Assistência Judiciária Gratuita basta a mera declaração de hipossuficiência. (TJMG; AGIN 1.0024.12.123745-7/001; Rel. Des. Antônio Bispo; Julg. 05/09/2013; DJEMG 13/09/2013)

RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS EXTRATOS DE CADERNETA DE POUPANÇA. APLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE. RECUSA INJUSTIFICADA DO BAN- CO. DEVER DE EXIBIÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 358, III,

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DO CPC DESCUMPRIMENTO. BUSCA E APREENSÃO DO BEM. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Na hipótese, a instituição financeira é a parte mais forte do pacto e é seu dever mantém registros organizados sobre suas atividades. Assim, não há como ne- gar ao consumidor hipossuficiente as informações relativas à conta poupança, de modo que é imperiosa a inversão do ônus da prova, com fundamento no art. 6º, VIII, do CDC. Provada a existência da conta poupança e que a docu- mentação requerida é comum às partes, não há dúvida de que o banco apelado não pode se recusar à exibição, conforme prevê o inciso III do art. 358 do CPC. O descumprimento da ordem de exibição dos documentos implica na penalidade de busca e apreensão. (TJMT; APL 48811/2012; Capital; Segunda Câmara Cível; Relª Desª Clarice Claudino da Silva; Julg. 04/09/2013; DJMT 13/09/2013; Pág. 22)

CONSUMIDOR. TELEFONIA. AÇÃO DE DESCONSTITUIÇÃO DO DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE AS PARTES. PRO- VA DA CONTRATAÇÃO QUE COMPETIA À RÉ, ÔNUS DO QUAL NÃO SE DESINCUMBIU. AUSÊNCIA DE CONTRATO ASSINADO PELA PARTE AUTORA. FRAGILIDADE DO SISTEMA DE CON- TRATAÇÃO DO SERVIÇO, QUE PERMITE PARTES. PROVA DA CONTRATAÇÃO QUE COMPETIA À RÉ, ÔNUS DO QUAL NÃO SE DESINCUMBIU. AUSÊNCIA DE CONTRATO ASSINADO PELA PAR- TE AUTORA. FRAGILIDADE DO SISTEMA DE CONTRATAÇÃO DO SERVIÇO, QUE PERMITE AÇÃO FRAUDULENTA DE TER- CEIROS. DEVER DE DESCONSTITUIR O DÉBITO. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. ATO ILÍCITO DEMONSTRADO. DANO MORAL PURO. VALOR INDENIZATÓRIO QUE NÃO COMPORTA REDUÇÃO. PEDIDO DA INICIAL, EM QUE A PARTE AUTORA REQUEREU A CONDENAÇÃO NO VALOR DE R$ 4.000,00, QUE DEVE SER CONSIDERADO COMO MERA ESTI- MATIVA, POR SE TRATAR DE PEDIDO DE BALCÃO. QUANTUM

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FIXADO NA SENTENÇA MANTIDO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATI- VA PARA AFASTAMENTO DA ASTREINTE FIXADA. VALOR QUE NÃO COMPORTA REDUÇÃO, PORQUANTO FIXADO EM CON- SONÂNCIA COM OS PARÂMETROS ADOTADOS POR ESTAS TUR- MAS RECURSAIS EM CASOS ANÁLOGOS. SENTENÇA MANTIDA PELOS SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.

Se a parte autora nega a existência da relação contratual de linha telefônica e, por consequência, o débito apontado, impunha-se à ré, a teor do art. 333, II, do CPC, e art. 14, par. 3º, do CDC, provar a existência da relação jurídica. Porém, não trouxe aos autos qualquer documento assinado que demonstrasse a adesão da autora ao contrato de telefonia. Devida, assim, a desconstituição do débito. A inclusão indevida em órgão de proteção ao crédito configura o dano moral in re ipsa. Configurada a conduta ilícita e os danos, é consequência o de- ver de indenizar. O valor indenizatório arbitrado (R$ 6.000,00) não comporta redução. Pedido da parte autora, que requereu em R$ 4.000,00 o quantum indenizatório a título de danos morais, que deve ser considerado como mera estimativa, ainda mais por se tratar de pedido de balcão. Sentença confirma- da por seus próprios fundamentos, na esteira do art. 46, da Lei n. 9.099/95. Recurso desprovido. (TJRS; RecCv 12556-87.2013.8.21.9000; Porto Alegre; Segunda Turma Recursal Cível; Rel. Des. Alexandre de Souza Costa Pacheco; Julg. 04/09/2013; DJERS 10/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO CONTRATUAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INCIDÊNCIA DO CDC.

Indiscutível a incidência do Código de Defesa do Consumidor à espécie (Súmula nº 297 do e. Superior Tribunal de Justiça). Juros remuneratórios. Ju- ros limitados à taxa média de mercado fixada pelo BACEN ante a ausência de comprovação da taxa de juros praticados nas operações. Hipótese em que admitida a incidência de capitalização apenas em periodicidade anual ante a ausência de comprovação de pactuação expressa. Comissão de permanência. Contrato acostado aos autos. Vedada a cobrança em virtude da inexistência

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de previsão contratual, incidindo o IGP-m no que toca aos primeiros 60 dias de atraso. A partir do 61º dia de atraso, ante a previsão expressa de incidên- cia do referido encargo, vai mantida a cobrança do mesmo, devendo, porém, serem afastados os demais encargos moratórios (juros e multa). Contratos não acostados aos autos. Vedada a cobrança em virtude da inexistência de pre- visão contratual, incidindo o IGP-m. Tac. Recurso não conhecido no ponto. Inovação em sede recursal. Compensação e repetição de indébito. No caso de existência de valores a serem repetidos, estes deverão ser atualizados pelo IGP-m desde a data do efetivo pagamento, incidindo juros de mora a contar da citação. Descaracterização da mora. Vedação de inscrição em cadastros restritivos de crédito. Possibilidade, desde que haja o depósito das parcelas vencidas e vincendas nos parâmetros estabelecidos nesta decisão. Descon- stituíram em parte a sentença de ofício, conheceram em parte do recurso e na parte conhecida deram-lhe parcial provimento. Unânime. (TJRS; AC 335863- 80.2013.8.21.7000; Vera Cruz; Décima Primeira Câmara Cível; Relª Desª Ka- tia Elenise Oliveira da Silva; Julg. 04/09/2013; DJERS 12/09/2013)

AÇÃO DECLARATÓRIA, C/C RESTITUIÇÃO DE VALORES. TAR- IFA DE ENERGIA ELÉTRICA. COBRANÇA INDEVIDA. PRELIMI- NAR INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. AUSÊNCIA DE LITISCONSÓRCIO COM A ANEEL E/OU UNIÃO AFASTADA. IN- CIDÊNCIA DO CDC. POSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PERÍODO DE COBRANÇA INDEVIDA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Na ação envolvendo restituição de valores cobrados indevidamente dos usuári- os do serviço de fornecimento de energia elétrica, não há falar em legitimidade da união ou/e ANEEL, devendo figurar no pólo passivo somente a conces- sionária do serviço público, no caso a enersul, sendo competente para julgar a causa a Justiça Estadual. O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às relações mantidas entre os usuários e as concessionárias de serviço público, conforme o art. 7º da Lei n. 8.987/95. Incumbe a enersul devolver aquilo que

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cobrou em demasia, em decorrência de erro de cálculo posteriormente verifi-

cado. Essa restituição deve se dar em parcela única e imediata. O excesso de reposicionamento tarifário, ocorreu no período compreendido entre abril de

  • 2004 e dezembro de 2007, e nessa ocasião a tarifa foi calculada de acordo com

a resolução homologatória n. 72/05, que fixou o reposicionamento tarifário em 50,81%, superior ao que efetivamente era devido, de 43,23%. O excesso de reposicionamento tarifário, ocorreu no período compreendido entre abril de

  • 2004 e dezembro de 2007, e nessa ocasião a tarifa foi calculada de acordo com

a resolução homologatória n. 72/05, que fixou o reposicionamento tarifário em 50,81%, superior ao que efetivamente era devido, de 43,23%. O pedido de sucumbência recíproca improcede, uma vez que a parte autora foi vitoriosa em seu pleito principal, que é a devolução, de uma só vez, do valor pago a maior a título de energia elétrica. (TJMS; APL 0805652-32.2012.8.12.0002; Dourados; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Vladimir Abreu da Silva; DJMS

11/09/2013)

CONSUMIDOR. SERVIÇO DE TELEFONIA. PRESTADORA DE SERVIÇO QUE DEMONSTRA O VÍNCULO CONTRATUAL. IN- VERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.

Operadora de telefonia que não conseguiu comprovar que prestou serviço ad- equado. Dano moral configurado. Valor de indenização que se mostra exces- sivo. Recurso parcialmente provido. (TJPA; Rec. 2012.6.001511-6; Rel. Juiz Max Ney do Rosário Cabral; DJPA 11/09/2013; Pág. 145)

EXIBIÇÃO INCIDENTAL. DOCUMENTOS. PARTICIPAÇÃO FINAN- CEIRA. INSURGÊNCIA DO CONSUMIDOR. RELAÇÃO DE CONSU- MO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EMPRESA DE TELEFONIA. DEVER DE EXIBIR DOCUMENTOS COMUNS. AGRAVO PROVIDO.

A ação de adimplemento contratual envolve relação de consumo, razão pela qual viável inverter o ônus probatório e carrear à concessionária a obrigação de exibir o contrato e demais documentos solicitados na inicial. (TJSC; AI

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2013.004339-2; Blumenau; Quarta Câmara de Direito Comercial; Rel. Des. José Inacio Schaefer; Julg. 03/09/2013; DJSC 11/09/2013; Pág. 429)

CONSUMIDOR. TELEFONIA MÓVEL. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. BLOQUEIO DA LINHA TELEFÔNICA, IMPOSSIBIL- ITANDO RECEBER E EFETIVAR CHAMADAS. AUSENTE PROVA DE QUE O SERVIÇO TENHA SE MANTIDO REGULAR. ÔNUS QUE INCUMBIA À RÉ. E-MAILS ACOSTADOS PELO AUTOR QUE COM- PROVAM A TESE INICIAL. CARACTERIZADA A MÁ PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. DANO MORAL CONFIGURADO. FUNÇÃO PUNI- TIVA DA RESPONSABILIDADE CIVIL. VALOR ARBITRADO DE R$ 2.500,00 QUE NÃO COMPORTA REDUÇÃO, ESTANDO EM CON- SONÂNCIA COM OS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SENTENÇA MANTIDA PELOS SEUS PRÓPRI- OS FUNDAMENTOS.

Restou comprovado pela prova documental que o telefone do autor ficou im- possibilitado de realizar e receber chamadas, conforme e-mails juntados aos autos, o que evidencia a falha na prestação do serviço. A ré, por outro lado, não produziu qualquer prova para elidir a verossimilhança das alegações do autor. Indevido, assim, o bloqueio da linha telefônica, impingindo ao usuário dificuldades e transtornos que excedem a condição de mero dissabor, consti- tuindo o dano moral indenizável. Não comporta redução o valor indenizatório arbitrado (R$ 2.500,00), pois em consonância com os princípios da propor- cionalidade e razoabilidade. Sentença mantida pelos seus próprios fundamen- tos. Recurso desprovido. (TJRS; RecCv 13618-65.2013.8.21.9000; Cachoe- irinha; Segunda Turma Recursal Cível; Rel. Des. Alexandre de Souza Costa Pacheco; Julg. 04/09/2013; DJERS 10/09/2013)

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECUSO DE APELAÇÃO. FURTO DE CARTÃO MAGNÉTICO. SAQUES E DEMAIS OPERAÇÕES BANCÁRIAS NÃO RECONHECIDAS. IN- VERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. HIPOSSUFICIÊNCIA DO

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CONSUMIDOR.

Considerando a possibilidade de violação do sistema eletrônico e tratando-se de sistema próprio das instituições financeiras, a retirada de numerário da con- ta bancária do cliente, não reconhecida por esse, acarreta o reconhecimen- to da responsabilidade objetiva do fornecedor do serviço, somente passível de ser ilidida nas hipóteses do § 3º do art. 14 do CDC (stj, RESP 1155770/ pb). A sentença objeto do apelo se mostra consentânea com o entendimento dos tribunais acerca da hipossuficiência e da possibilidade de ocorrência de fraudes, sem o consumidor tenha qualquer culpa no ocorrido, não tendo o banco demonstrado qualquer elemento que possa apontar unicamente à ape- lada a culpa pela fraude por ela noticiada. Apelo conhecido, mas desprovido. (TJAM; AC 0254321-30.2011.8.04.0001; Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Wellington José de Araújo; DJAM 10/09/2013; Pág. 15)

AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DETERMINOU A APLICAÇÃO DO CDC E DEFERIU A INVERSÃO AO ÔNUS DA PROVA À PESSOA JURÍDICA VERIFICAÇÃO DE VULNERABILIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA NOS TERMOS DO ART. 6º, VIII, DO CDC. MANUTENÇÃO. RECUR- SO DESPROVIDO.

Em razão da verificação de vulnerabilidade e hipossuficiência da pessoa ju- rídica, há de se manter a decisão monocrática que admitiu a aplicabilidade do CDC e consequente inversão do ônus da prova à pessoa jurídica destinatária final do serviço. (TJPR; Agr 1103196-6/01; Curitiba; Décima Terceira Câma- ra Cível; Rel. Des. Luis Carlos Xavier; DJPR 10/09/2013; Pág. 168)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. RE- SPONSABILIDADE CIVIL. CONSUMIDOR. CADASTRO POSITIVO. CONCENTRE SCORING. SISTEMA DE PONTUAÇÃO PARA CON- CESSÃO DE CRÉDITO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIB- ILIDADE.

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Tratando-se de relação de consumo, aceita-se a inversão do ônus da prova, a teor do artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, desde que cum- pridos os requisitos legais, quais sejam, a verossimilhança da alegação e a hipossuficiência do consumidor. Presente a verossimilhança das alegações da parte autora, sobretudo a de ilegalidade do chamado “cadastro positivo”, pos- sível a inversão do ônus da prova. Agravo de instrumento provido, de plano. (TJRS; AI 361816-46.2013.8.21.7000; Carazinho; Nona Câmara Cível; Relª Desª Iris Helena Medeiros Nogueira; Julg. 06/09/2013; DJERS 10/09/2013)

CONSUMIDOR. AÇÃO DE DESCONSTITUIÇÃO DE DÍVIDA C/C IN- DENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO EM ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO, MOTIVADA POR DÉBITO RELATIVO À FATURA COM VENCIMENTO EM MAIO DE 2010, EFETUADA PELA EMPRESA DE TELEFONIA, DA QUAL A AUTORA ALEGA NUNCA TER SIDO CLIENTE. AUSÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO DO SERVIÇO, ÔNUS QUE COMPETIA À RÉ. ANOTAÇÃO, POR- TANTO, INDEVIDA. DANOS MORAIS IN RE IPSA. MANUTENÇÃO DO VALOR INDENIZATÓRIO ARBITRADO (R$ 6.220,00).

Os documentos acostados às fls. 13 e 62 evidenciam que a autora foi inscrita nos órgãos de restrição ao crédito em razão de fatura emitida pela empresa de telefonia (oi s/a.) com vencimento em maio de 2010. A parte autora afirma que jamais foi cliente da requerida. A demandada, por sua vez, não logrou produzir qualquer prova capaz de afastar a impugnação do débito. Bastava à comprovação da regularidade do débito a apresentação do contrato firmado, documento que, embora de fácil produção, não aportou aos autos. E cabia à demandada comprovar a veracidade de suas alegações, notadamente em razão da inversão do ônus probatório, operada nas relações de consumo. Sendo in- devida a inclusão em órgão de proteção ao crédito, resta configurado o dano moral in re ipsa. O valor indenizatório não comporta redução, porquanto fixa- do conforme entendimento adotado pelas turmas recursais em casos análogos. Sentença mantida por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 46 da Lei nº 9.099/95. Recurso desprovido. (TJRS; RecCv 13697-44.2013 .8.21. 9000;

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Capão da Canoa; Segunda Turma Recursal Cível; Rel. Des. Alexandre de Souza Costa Pacheco; Julg. 04/09/2013; DJERS 10/09/2013)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL E AGRAVO RETIDO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SERVIÇO MÉDI- CO HOSPITALAR. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REGRA DE JULGAMENTO.

1) O princípio da identidade física do juiz não é absoluto, só ensejando nul- idade do acórdão se importar em violação ao contraditório e à ampla defesa. Prejuízo intuitivo não é suficiente para reconhecer violação ao art. 132 do CPC. Precedentes do STJ. 2) Na hipótese, em que na pretensão indenizatória dos autores se aponta falha no atendimento médico de que resultou na perda do ente querido, a complexidade técnica na produção da prova para aferir a alegada falha, justifica a inversão do ônus da prova nos termos do art. 6º, inciso VIII do CDC ante a hipossuficiência dos autores. Até porque, a hipossuficiên- cia de que trata o referido dispositivo consumerista, não é apenas econômica, mas também técnica, pois o contratante/consumidor em regra não tem acesso e nem condições de verificar as circunstâncias em que a morte ocorreu, ou se poderia ser evitada se adotados outros procedimentos e diligências. 3) A utilização da regra de julgamento com base na inversão do ônus da prova, so- mente ocorre quando o acervo probatório for insuficiente para permitir a res- olução da lide. 4) Na insuficiência de prova para a justa e adequada resolução da controvérsia, deferida a inversão do ônus da prova na decisão saneadora de f.210/213 deveriam os réus comprovar que seus profissionais não agiram com culpa ao atender o paciente. Como os próprios réus expressamente desistiram da produção da prova pericial, assumiram o risco de uma resolução adversa às suas pretensões. 5) No caso concreto, colhe-se da instrução processual que o falecido ente querido dos autores passou pelo atendimento de vários médicos que sequer conseguiram diagnosticar o problema do paciente, chegou-se a

apontar problema de coluna, problema renal, e dentre as várias possibilidades

de diagnósticos foi descartado o problema cardíaco, exatamente este que

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levou a vítima a óbito. Assim, conquanto a falta de um diagnóstico claro não seria suficiente para caracterizar a responsabilidade das rés, a discrepância entre os diagnósticos da equipe médica das apeladas diante do grave problema da vítima; a demora no tratamento adequado; as constantes queixas da víti- ma se constituíam em fatores determinantes para que os médicos no mínimo aprofundassem pesquisa, com a realização de exames mais abrangentes para que se pudesse dar o tratamento adequado o mais rápido possível. Porém, nada foi feito nesse sentido, não agindo com cautela. 6) Não havendo a parte ré se desincumbido do ônus de provar a inexistência de culpa no atendimento médico dispensado ao paciente, restam por configurados os requisitos para a responsabilização das rés na obrigação de indenizar os autores pela perda do ente querido. 7) Agravo retido não provido. Apelação provida. (TJAP; APL 0001880-20.2010.8.03.0001; Câmara Única; Rel. Juiz Conv. Mário Mazurek; Julg. 03/09/2013; DJEAP 09/09/2013; Pág. 24)

3 - PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE 3.1. recusa de prótese;

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA DE STENTS. PRÓTESE NECESSÁRIA À CIRURGIA CORONARIA- NA, COBERTA PELO PLANO. ABUSIVIDADE. OFENSA À BOA-FÉ OBJETIVA. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 51, IV, E § 1º, II, DO CDC. INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. APLICAÇÃO DA LEI Nº 9.656/98. RENOVAÇÕES SUCESSIVAS DO CONTRATO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. OPOR- TUNIDADE DE MIGRAÇÃO DE PLANO. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DA OPERADORA. OBRIGAÇÃO DE CUSTEIO DOS MATERIAIS RECONHECIMENTO. DANOS MORAIS NÃO CON- FIGURADOS. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A NEGATIVA TENHA AGRAVADO O QUADRO CLÍNICO DO USUÁRIO. RECURSO PAR- CIALMENTE PROVIDO.

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1. É de se declarar nula a cláusula contratual que afasta a cobertura de stent necessário para o bom termo de cirurgia coberta pelo plano de saúde, o que por certo fere o princípio da razoabilidade e a finalidade básica do contrato, e também, porquanto não propicia ao consumidor hipossuficiente ter imediato conhecimento de seu alcance, não se olvidando, ainda, que omisso o contrato, qualquer margem interpretativa deve ser resolvida em favor do consumidor, nos termos do que dispõe o art. 47, do estatuto consumerista. 2. As circun- stâncias do caso demonstram que a recusa da operadora do plano de saúde à cobertura do procedimento indicado à recuperação do quadro clínico apre- sentado pelo autor, não ensejaram complicação no seu estado de saúde, não havendo, ademais, prova de que houve sofrimento psíquico intenso, donde, efetivamente, deve ser afastada a indenização por danos morais. (TJPR; Ap- Civ 1016551-0; Curitiba; Décima Câmara Cível; Rel. Des. Luiz Lopes; DJPR 30/07/2013; Pág. 46)

DIREITO OBRIGACIONAL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAL E MATERIAL. PLANO DE SAÚDE. ADMISSÃO DA APLICABILIDADE DA LEI N. 9.656/98. CONTRATO QUE NÃO EXCLUI A COBERTU- RA PARA A DOENÇA CARDÍACA QUE ACOMETE O SEGURADO (ATEROSCLEROSE CORONARIANA) E O RESPECTIVO TRATA- MENTO. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CIRURGIA COM UTILIZAÇÃO DE PRÓTESE (STENT). RECUSA INDEVIDA. IN- CIDÊNCIA DA LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA (SÚMULA Nº 469 DO STJ). CONTRADIÇÃO ENTRE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR (ART. 47 DO CDC). NEGATIVA DE REEMBOLSO INTEGRAL DAS DESP- ESAS MÉDICO-HOSPITALARES SUPORTADAS PELO SEGURA- DO. RESSARCIMENTO QUE, SEGUNDO A SEGURADORA, DEVE OBEDECER ÀS NORMAS POR ELA DETERMINADAS E À LEGIS- LAÇÃO VIGENTE (ART. 12, VI, DA LEI N. 9.656/98). PREVISÃO NA NORMA REGULAMENTADORA DE QUE O REEMBOLSO SÓ SERÁ LIMITADO ÀS TABELAS PRATICADAS PELO PLANO SE O ATEN- DIMENTO FOR REALIZADO EM HOSPITAL NÃO CREDENCIADO

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E FOREM UTILIZADOS SERVIÇOS NÃO ASSEGURADOS NO CON- TRATO. CONDICIONANTES QUE NÃO SE APLICAM AO SEGURA- DO. REEMBOLSO INTEGRAL DEVIDO. DANO MORAL. INDEN- IZAÇÃO QUE DEVE SER RESTRITA AO SEGURADO QUE SOFREU A NEGATIVA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DE LESÃO À TITULAR DO PLANO. APELO PARCIALMENTE PROVIDO.

O reembolso parcial das despesas, de acordo com à legislação aplicável à espécie, justifica-se apenas quando existirem prestadores de serviço creden- ciados ao plano e o beneficiário, livre e espontaneamente, optar por realizar o

procedimento em hospital ou prestador não credenciado, bem como utilizar-se de cobertura não prevista no contrato, o que, todavia, não é o caso dos autos, no qual restou comprovado que o autor, mesmo diante de quadro de urgência,

internou-se em hospital atendido pelo rede unimed, utilizando-se de serviços

assegurados no contrato e na mencionada legislação de regência (art. 10, VII,

da Lei n. 9.656/98). (TJSC; AC 2012.085741-3; Blumenau; Quarta Câma- ra de Direito Civil; Rel. Des. Eládio Torret Rocha; Julg. 04/07/2013; DJSC 15/07/2013; Pág. 119)

APELAÇÃO CÍVEL. SEGUROS. AÇÃO COMINATÓRIA. PLANO DE SAÚDE. ACIDENTE DE TRABALHO. PRÓTESE. RECUSA DE CO- BERTURA DE MATERIAL ESSENCIAL PARA REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTO CIRÚRGICO. DEVER DE INFORMAÇÃO. APLI- CAÇÃO DO CDC. RECUSA DE COBERTURA INDEVIDA.

Trata-se de ação cominatória, que objetiva o pagamento de valores referente ao procedimento cirúrgico, julgada procedente na origem. Não prospera o pedido de ilegitimidade ativa, uma vez que a parte autora é beneficiária do plano de saúde contratado pela primeira demandante, e por consequência, tem legitimidade para discutir as cláusulas que regulam a contratação. É aplicável o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de seguro, na medida em que se trata de relação de consumo, consoante traduz o art. 3º, §2º do CDC. Inteligência da Súmula nº 469 do STJ. In casu, inaplicável o prazo de 180

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dias de carência pela seguradora demandada é ilegal, uma vez que as partes não celebraram um novo contrato, apenas aumentou-se a cobertura do plano anterior celebrado no ano de 2004. Outrossim, a seguradora demandada não poderia negar a cobertura do plano de saúde, sob o fundamento de que aci- dente de trabalho é risco excluído do contrato, haja vista que o segurado não tinha conhecimento das cláusulas gerais do respectivo plano. Ademais, a ju- risprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica em rejeitar a recusa de cobertura de fornecimento de instrumental cirúrgico ou fisioterápico, como é o caso de próteses essenciais ao sucesso de cirurgias ou tratamento hospital decorrente da própria intervenção cirúrgica, situação que se evidencia no caso do material necessário para a cirurgia realizada pelo autor. Se o ato cirúrgi- co, a internação e os honorários médicos foram autorizados pela seguradora, mostra-se descabida a negativa de cobertura de material eleito pelo médico como essencial para o sucesso da intervenção. Ainda, o artigo 10, inciso VII, da Lei nº 9.656/98, veda o fornecimento de próteses, órteses e seus acessórios não ligados ao ato cirúrgico, hipótese não evidenciada nos autos. Assim, a cláusula que dispõe sobre a co-participação do usuário ao pagamento de 50% sobre o valor de órteses ou próteses é ilegal, pois contraria expressamente o disposto no artigo 10, inciso VII, da Lei nº 9.656/98. Sentença mantida. Apelação desprovida. (TJRS; AC 527481-22.2010.8.21.7000; Sapucaia do Sul; Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Niwton Carpes da Silva; Julg. 13/06/2013; DJERS 21/06/2013)

PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA DE PRÓTESE PENI- ANA INFLÁVEL POR ALEGADA FALTA DE PREVISÃO CONTRAT- UAL. ABUSIVIDADE DA EXCLUSÃO DA COBERTURA. CDC, ART. 51. O AUTOR TEM DIREITO DE SE TRATAR MEDIANTE EMPRE- GO DA TÉCNICA MAIS MODERNA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 93 DESTE TRIBUNAL (EMPREGO DE PRÓTESE QUANDO INER- ENTE AO ATO CIRÚRGICO). APLICAÇÃO TAMBÉM DAS SÚMU- LAS NºS 95 E 96 DESTE TJSP (A PRESCRIÇÃO MÉDICA HÁ DE SER SEMPRE PRESTIGIADA).

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Decisão judicial que, ao proclamar o que está acima, determina também, ex officio, a realização de prova pericial, para verificação da correção da pre- scrição médica. Descabimento, no caso, à vista das aludidas Súmulas desta Corte. Art. 130 do CPC. Não vigora no processo civil brasileiro plenamente o princípio inquisitório. Prevalece ainda, se bem que mitigado, o princípio do dispositivo. A tempo e hora, vindo a ser requerida pela parte contrária, a prova pericial poderá ser realizada. Recurso provido para revogação da deter- minação de produção de prova. (TJSP; AI 0026323-91.2013.8.26.0000; Ac. 6771475; São Paulo; Décima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Cesar Ciampolini; Julg. 21/05/2013; DJESP 21/06/2013)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. CIRURGIA PARA COLOCAÇÃO DE PRÓTESE URETRAL. MATERIAL IMPORTADO E NÃO NACIONALIZADO. RECUSA DE COBERTURA PELA UNIMED. ABUSIVIDADE. CDC. CONFIGU- RAÇÃO DANOS MORAIS. PRECEDENTES STJ. QUANTUM IN- DENIZATÓRIO PROPORCIONAL E RAZOÁVEL. RECURSO CON- HECIDO E DESPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA.

1. Reclama da sentença do juiz de primeiro grau que procedeu o pedido do autor/ apelado, determinando, a uma, a restituição do valor desembolsado por este para realização de uma cirurgia de colocação de prótese uretral da sua funcionária e, a duas, o pagamento da quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais)

a título de danos morais, ante a recusa da ora recorrente em fornecer o equipa- mento requisitado pelo médico a ser utilizado no procedimento cirúrgico. Fim,

requer a concessão de efeito suspensivo e a reforma da decisão

recorrida. .

2.

Destaco, por oportuno, a desnecessidade de atribuição de efeito suspensivo ao recurso nesse momento processual, tendo em vista que a suspensão do cum- primento da decisão ocorreria até o pronunciamento definitivo da Câmara, o que acontece neste instante e, de qualquer forma, daria ensejo à perda do ob- jeto relativa ao mencionado ponto. 3. Pois bem, em que pese o argumento do ora apelante, de que deixou de fornecer o material suplicado pelo simples fato

de o mesmo “ser importado e não nacionalizado, enquadrandose na exclusão

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de cobertura prevista no próprio instrumento contratual”, vejo, sem rebuço, a necessidade de concessão de tal material. 4. É que, à luz do código consum- erista, a cláusula que impõe limites à realização de procedimentos médicos é abusiva e viciada de ilegalidade, pois, apenas o médico, que nestes casos é o senhor da razão, pode realmente aferir o que vem a ser necessário para o tratamento, como ocorreu na hipótese (fl. 88). 5. Desta feita, é passível de nulidade cláusula limitativa de cobertura quando o contrato prevê intervenção cirúrgica. Em tal situação, a UNIMED não pode se abster à cobertura do custo do material importado imprescindível ao êxito da cirurgia, uma vez que tal recusa poderia, por via de consequência, prejudicar irreparavelmente a saúde e vida do paciente. Nesta direção, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: PLANO DE SAÚDE CIRURGIA DE ANEURISMA CEREBRAL. UTILIZAÇÃO DE MATERIAL IMPORTADO, QUANDO INEXISTENTE SIMILAR NACIONAL. POSSIBILIDADE. É abusiva a cláusula contratual que exclui de cobertura securitária a utilização de material importado, quan- do este é necessário ao bom êxito do procedimento cirúrgico coberto pelo plano de saúde e não existente similar nacional. (RESP 952.144/SP, Rel. Ministro Humberto Gomes DE BARROS, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/03/2008, DJe 13/05/2008) 6. De mais a mais, conquanto nos contratos o mero inadimplemento não seja causa para ocorrência de danos morais, a juris- prudência do Superior Tribunal vem reconhecendo o direito ao ressarcimento dos danos morais advindos da injusta recusa da seguradora em suportar os custos com o material necessário para a realização da cirurgia, pois tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir ao pedir a autorização, já se encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde debilitada. Precedentes do STJ. 7. Por fim, o valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais) fixado pelo juiz de piso, a meu ver, não merece reforma, porquanto observa plenamente os princípios da pro- porcionalidade e razoabilidade. 8. Recurso conhecido e desprovido. Sentença mantida. (TJCE; AC 013803750.2009.8.06.0001; Primeira Câmara Cível; Rel. Des. Emanuel Leite Albuquerque; DJCE 27/02/2013; Pág. 26)

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3.2. limite de tempo de internação;

CIVIL E CONSUMIDOR. NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATU- AL. PLANO DE SAÚDE. LIMITAÇÃO NO TEMPO DE INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA. BOA-FÉ OBJETIVA. CRIAÇÃO DE LEGÍTIMA EX- PECTATIVA. CLÁUSULA ABUSIVA. EQUILÍBRIO CONTRATUAL ROMPIDO. REESTABELECIMENTO. SENTENÇA MANTIDA.

1. O princípio da boa-fé objetiva (artigos 113, 187 e 422, do CC), vetor de interpretação dos contratos, cria para os contratantes a obrigação de atuar com lealdade, cooperação e eticidade, introduzindo no negócio jurídico o com- ponente ético, ou seja, um dever positivo de lealdade. 2. É nula cláusula res- tritiva de direitos do consumidor, notadamente aquela que limita o prazo de internação, conforme enunciado de Súmula nº 302 do c. STJ. 3. A nulidade

de cláusula limitadora de direitos do consumidor contratante de serviços de

plano de saúde é medida que se impõe em razão da legítima expectativa cri- ada, como forma de retirar a desvantagem criada em relação ao consumidor, nos moldes do art. 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual e a lealdade entre as partes. 4. Recurso conhecido e desprovido. (TJDF; Rec 2011.05.1.005382-5; Ac. 691.065; Se- gunda Turma Cível; Rel. Des. J.J. Costa Carvalho; DJDFTE 11/07/2013; Pág.

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CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. RELAÇÃO DE CONSUMO. LIMITAÇÃO DE TEMPO DE INTERNAÇÃO EM CLÍNICAS DE DESINTOXICAÇÃO. QUINZE DIAS. CLÁUSULA ABUSIVA. SÚMU-

LA Nº 302 DO STJ. 1. Revela-se abusiva e, portanto, nula de pleno direito, a cláusula contratual estipulada em plano de saúde que limita em 15 (quinze) dias o prazo de internação em clínicas para desintoxicação de usuários de entorpecentes, eis que coloca o consumidor em desvantagem exagerada e re- stringe direitos inerentes à natureza do contrato, a ponto de tornar impraticáv- el a realização de seu objeto, nos exatos termos do Artigo 51, IV, § 1º, inciso II, do CDC. 2. A teor da Súmula nº 302 do STJ. “É abusiva cláusula contratual

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de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado. “ 3. O disposto na Resolução nº 11 do CONSU não respalda a limitação do tempo desse tipo de internação, conquanto o órgão regulador, ao editar ato administrativo normativo, não pode se sobrepor às disposições contidas no Código de Defesa do Consumidor, devendo tais normas regulamentadoras ser também interpretadas da maneira mais favorável ao consumidor. 4. Recurso não provido. (TJDF; Rec 2010.01.1.141701-7; Ac. 688.059; Quarta Turma Cível; Rel. Des. Cruz Macedo; DJDFTE 02/07/2013; Pág. 120)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. LIMITAÇÃO DE TEM- PO DE COBERTURA PARA INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA. CON- TRATO DE 2001 E DE TRATO SUCESSIVO. CLÁUSULA ABUSIVA. SÚMULA Nº 302 DO STJ. VEROSSIMILHANÇA NA ALEGAÇÃO DO CONSUMIDOR E RISCO DE DANO IMEDIATO. REQUISITOS PRE- SENTES. TUTELA ANTECIPADA DEFERIDA. HONORÁRIOS AD- VOCATÍCIOS EM AGRAVO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROV- IDO EM PARTE. Para deferimento da tutela antecipada exige-se a presença dos requisitos previstos no do art. 273, do CPC, quais sejam, verossimilhança da alegação e fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Ex- istindo verossimilhança na alegação de que o plano de saúde nega injustificad- amente a cobertura ilimitada de internação psiquiátrica, face teor da Súmula nº 302 do STJ, possível o deferimento da tutela antecipada de prorrogação da

cobertura do tratamento, em sendo o contrato de trato sucessivo e por haver

risco de dano imediato de difícil reparação. Não há falar em condenação de honorários advocatícios em recurso de agravo, por absoluta falta de respal- do legal. Recurso provido em parte. (TJMG; AGIN 1.0223.12.025823-9/001; Relª Desª Marcia de Paoli Balbino; Julg. 09/05/2013; DJEMG 21/05/2013)

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. IN- TERNAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM UTI. NEGATIVA DE COBERTU- RA PELA SEGURADORA. ALEGAÇÃO DE INOBSERVÂNCIA DE CARÊNCIA DE 180 DIAS. CLÁUSULA CONTRATUAL ABUSIVA.

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ART. 35-C DA LEI Nº 9.656/98. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RE- DUÇÃO. 1. Há relação consumerista entre o plano de saúde e o segurado, uma vez que aquele presta serviços de natureza securitária, mediante o pa- gamento de remuneração. Nesse sentido, tanto a recorrente se enquadra no conceito de fornecedora (art. 3º do CDC), como a recorrida no de consum-

idora, nos termos do art. 2º do CDC. 2. De acordo com o art. 35- C da Lei nº 9.656/98, é obrigatória a cobertura do atendimento nos casos de “I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração do médico assistente; II - de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pes- soais ou de complicações no processo gestacional”. 3. O art. 12, V, alínea “c”, da referida Lei dispõe de forma clara que os planos de saúde, quando fixarem períodos de carência, podem exigir dos segurados apenas o prazo máximo de

vinte e quatro horas para a cobertura dos casos de urgência e

emergência. .

4.

Desse modo, revela-se abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita o atendimento emergencial, no período de carência, apenas à cobertura ambulatorial de 12 horas. 4.2. Precedente Turmário. “A cláusula contratual que limita o tempo de atendimento nos casos de urgência e/ou emergência até as primeiras 12 (doze) horas, quando o beneficiário encontra-se no gozo do período de carência, é abusiva, eis que restringe direitos inerentes à natureza do contrato, impossibilitando a realização plena do seu objeto e frustrando as legítimas expectativas do consumidor quando da contratação do plano de saúde. “ (20070111320097APC, Relator Romeu Gonzaga Neiva, 09/07/2009 p. 221). 5. Dada a simplicidade da lide que foi, inclusive, julgada antecipad- amente (art. 330, I, do CPC), decorrendo apenas dois meses entre o ajuiza- mento da ação e a data da sentença, diante da diligencia com que se houve o Magistrado, importa seja reduzida a verba honorária fixada, em observância ao art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC. 6. Recurso parcialmente provido. (TJDF; Rec

2012.01.1.014168-0; Ac. 677.044; Quinta Turma Cível; Rel. Des. João Eg- mont; DJDFTE 20/05/2013; Pág. 357)

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3.3. recusa de ato cirúrgico;

APELAÇÃO CÍVEL. COMINATÓRIA. CIRURGIA BARIÁTRICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL. INSTRUMENTO ANTE- RIOR A LEI Nº 9.656/98. APLICAÇÃO DO CDC. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. RECUSA INJUSTIFICADA. CONDENAÇÃO MANTIDA. ENFERMIDADE QUE NÃO ENVOLVE RISCO DE MORTE. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO IN- DEVIDA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. ÔNUS SUCUMBENCIAIS.

I. A Lei nº 9.656/98 não retroage aos contratos firmados antes de sua vigên- cia, contudo, estes estão submetidos aos regramentos do CDC por conterem obrigações de trato sucessivo. II. A negativa do plano de saúde para realização de cirurgia bariátrica, com amparo na ausência de previsão contratual espe- cífica do procedimento e sem demonstração do custo do tratamento existente à época da contratação, mostra-se ilegítima, diante da relevância do bem ju- rídico em discussão, qual seja, o direito à vida e à dignidade humana. III- Ao dever de reparar impõe-se configuração de ato ilícito, nexo causal e dano, nos termos dos arts. 927, 186 e 187 do CC/02, de modo que ausente demon- stração de um destes requisitos não há que se falar em condenação. IV- Apesar de censurável o comportamento da ré em negar indevidamente cobertura de procedimento médico à autora, não restaram configurados os alegados danos morais, uma vez que não se trata de situação na qual a paciente já se en- contrava com o quadro clínico e emocional já debilitado e comprovadamente agravado em decorrência da conduta da ré, que negou a realização de cirurgia eletiva, sem iminente risco à vida da paciente. V. Há sucumbência recíproca quando ambas as partes saem vencedoras e vencidas da demanda, devendo os ônus de sucumbência ser fixados de forma proporcional. (TJMG; APCV 1.0701.11.019874-7/001; Rel. Des. João Cancio; Julg. 06/08/2013; DJEMG

12/08/2013)

CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO COMINATÓRIA. PLANO DE SAÚDE. CIRURGIA BARIÁTRICA. APLICAÇÃO DO CDC. NEGATI- VA DE AUTORIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO.

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RECUSA INJUSTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOENÇA PREEXISTENTE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PREVIS- TOS NA RESOLUÇÃO Nº. 1.766/05 DO CFM. REDUÇÃO DO “QUAN- TUM” INDENIZATÓRIO ARBITRADO A TÍTULO DE DANOS MO- RAIS. MANUTENÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA.

I. Incidem, na hipótese “sub judice”, as normas do CDC, pois de natureza consumerista a relação de direito material existente entre a autora e o plano de saúde, devendo ser realizada a interpretação mais favorável ao consumidor, segundo o art. 47 do CDC; II. A apelante não desincumbiu do ônus de com- provar a alegação de doença preexistente, com fulcro no art. 333, II do CPC. Ademais, restaram devidamente preenchidos os requisitos para a realização da cirurgia bariátrica, previstos na resolução nº 1.766/05 do CFM; III. Cabe ao médico da paciente prescrever o tratamento mais adequado ao caso, tomando em consideração a maior ou menor extensão da doença, bem como a gravidade ou não do quadro clínico apresentado e as demais circunstâncias capazes de influenciar na recuperação da saúde do paciente e, no caso concreto, dois méd- icos especialistas atestaram a necessidade imperiosa de realização da cirurgia; IV. Restou claro que a cirurgia pretendida se destina à manutenção da saúde da segurada, finalidade visada pelo consumidor ao contratar o plano de saúde e que, pelo princípio da boa-fé, merece ser resguardada; V. Considerando-se as condições pessoais da ofendida e da ofensora, a intensidade e o grau da culpa desta, bem como a gravidade dos efeitos da sua conduta, mormente diante dos direitos tutelados, quais sejam, direito à saúde e à vida, bem como do fato de que, tendo sido solicitada a autorização da cirurgia em 17/12/2012 e somente autorizada pelo plano em fevereiro de 2013, em atendimento à antecipação dos efeitos da tutela, e, ainda, tendo como parâmetro a jurisprudência pátria a respeito de lesões dessa natureza, entendo que deve ser minorada a reparação pecuniária, mas para o importe de R$ 6.000,00 (seis mil reais), por entendê-la como justa e necessária ao caso dos autos; VI. Por fim, no que tange ao pedido de redução da verba advocatícia arbitrada no primeiro grau, verifica-se que o montante arbitrado não se afigura excessivo, estando em consonância com as peculiaridades da causa e com os parâmetros definidos no §3º do art. 20 do

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CPC, revelando-se razoável e eticamente condizente com o trabalho desem-

penhado pelo advogado da requerente no acompanhamento do presente feito. VII. Recurso conhecido e parcialmente provido. (TJSE; AC 2013213546; Ac. 10952/2013; Segunda Câmara Cível; Relª Desª Iolanda Santos Guimarães; Julg. 29/07/2013; DJSE 02/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA DE STENTS. PRÓTESE NECESSÁRIA À CIRURGIA CORONARIA- NA, COBERTA PELO PLANO. ABUSIVIDADE. OFENSA À BOA-FÉ OBJETIVA. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 51, IV, E § 1º, II, DO CDC. INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. APLICAÇÃO DA LEI Nº 9.656/98. RENOVAÇÕES SUCESSIVAS DO CONTRATO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. OPOR- TUNIDADE DE MIGRAÇÃO DE PLANO. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DA OPERADORA. OBRIGAÇÃO DE CUSTEIO DOS MATERIAIS RECONHECIMENTO. DANOS MORAIS NÃO CON- FIGURADOS. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A NEGATIVA TENHA AGRAVADO O QUADRO CLÍNICO DO USUÁRIO. RECURSO PAR- CIALMENTE PROVIDO.

1. É de se declarar nula a cláusula contratual que afasta a cobertura de stent necessário para o bom termo de cirurgia coberta pelo plano de saúde, o que por certo fere o princípio da razoabilidade e a finalidade básica do contrato, e também, porquanto não propicia ao consumidor hipossuficiente ter imediato conhecimento de seu alcance, não se olvidando, ainda, que omisso o contrato, qualquer margem interpretativa deve ser resolvida em favor do consumidor, nos termos do que dispõe o art. 47, do estatuto consumerista. 2. As circun- stâncias do caso demonstram que a recusa da operadora do plano de saúde à cobertura do procedimento indicado à recuperação do quadro clínico apre- sentado pelo autor, não ensejaram complicação no seu estado de saúde, não havendo, ademais, prova de que houve sofrimento psíquico intenso, donde, efetivamente, deve ser afastada a indenização por danos morais. (TJPR; Ap- Civ 1016551-0; Curitiba; Décima Câmara Cível; Rel. Des. Luiz Lopes; DJPR

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30/07/2013; Pág. 46)

DIREITO OBRIGACIONAL. AÇÕES INDENIZATÓRIA E MEDIDA CAUTELAR INOMINADA. SEGURADA PORTADORA DE ARTROSE NO JOELHO. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CIRURGIA COM COLOCAÇÃO DE PRÓTESE. RECUSA SOB ALEGAÇÃO DE LEGÍTIMA EXCLUSÃO CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE. CONTRADIÇÃO ENTRE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INTER- PRETAÇÃO FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR (ART. 47 DO CDC). VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA. NEGATIVA IN- DEVIDA. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSOS DESPROV- IDOS.

1. Em tema de seguro saúde, como tem entendido o STJ e esta corte, se o plano

é concebido para atender os custos pertinentes a tratamento de determinadas

doenças, o que o contrato tem de dispor é sobre quais as patologias cobertas,

não sobre os tipos de tratamentos cabíveis a cada uma delas. Se assim não fosse, estar-se-ia concebendo, igualmente, que a empresa que gerencia o plano de saúde substituísse ao médico na escolha da terapia mais adequada. 2. As- sim, é ilógico e atenta contra o princípio da razoabilidade, a circunstância de haver, no plano de saúde, previsão de cobertura quanto à doenças ortopédicas e, contraditoriamente, no entanto, suceder restrição ao pagamento dos custos quanto à procedimento cirúrgico e aos materiais indicados pelo médico para o êxito desse procedimento (prótese total de joelho). (TJSC; AC 2012.057857- 9; Blumenau; Quarta Câmara de Direito Civil; Rel. Des. Eládio Torret Rocha; Julg. 06/06/2013; DJSC 25/06/2013; Pág. 104)

DIREITO OBRIGACIONAL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAL E MATERIAL. PLANO DE SAÚDE. ADMISSÃO DA APLICABILIDADE DA LEI N. 9.656/98. CONTRATO QUE NÃO EXCLUI A COBERTURA PARA A DOENÇA CARDÍACA QUE ACOMETE O SEGURADO (AT- EROSCLEROSE CORONARIANA) E O RESPECTIVO TRATAMEN- TO. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CIRURGIA COM

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UTILIZAÇÃO DE PRÓTESE (STENT). RECUSA INDEVIDA. IN- CIDÊNCIA DA LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA (SÚMULA Nº 469 DO STJ). CONTRADIÇÃO ENTRE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR (ART. 47 DO CDC). NEGATIVA DE REEMBOLSO INTEGRAL DAS DESP- ESAS MÉDICO-HOSPITALARES SUPORTADAS PELO SEGURA- DO. RESSARCIMENTO QUE, SEGUNDO A SEGURADORA, DEVE OBEDECER ÀS NORMAS POR ELA DETERMINADAS E À LEG- ISLAÇÃO VIGENTE (ART. 12, VI, DA LEI N. 9.656/98). PREVISÃO NA NORMA REGULAMENTADORA DE QUE O REEMBOLSO SÓ SERÁ LIMITADO ÀS TABELAS PRATICADAS PELO PLANO SE O ATENDIMENTO FOR REALIZADO EM HOSPITAL NÃO CREDEN- CIADO E FOREM UTILIZADOS SERVIÇOS NÃO ASSEGURADOS NO CONTRATO. CONDICIONANTES QUE NÃO SE APLICAM AO SEGURADO. REEMBOLSO INTEGRAL DEVIDO. DANO MORAL. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER RESTRITA AO SEGURADO QUE SOFREU A NEGATIVA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DE LESÃO À TITULAR DO PLANO. APELO PARCIALMENTE PROVIDO.

O reembolso parcial das despesas, de acordo com à legislação aplicável à espécie, justifica-se apenas quando existirem prestadores de serviço creden- ciados ao plano e o beneficiário, livre e espontaneamente, optar por realizar o

procedimento em hospital ou prestador não credenciado, bem como utilizar-se de cobertura não prevista no contrato, o que, todavia, não é o caso dos autos, no qual restou comprovado que o autor, mesmo diante de quadro de urgência,

internou-se em hospital atendido pelo rede unimed, utilizando-se de serviços

assegurados no contrato e na mencionada legislação de regência (art. 10, VII,

da Lei n. 9.656/98). (TJSC; AC 2012.085741-3; Blumenau; Quarta Câma- ra de Direito Civil; Rel. Des. Eládio Torret Rocha; Julg. 04/07/2013; DJSC 15/07/2013; Pág. 119)

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APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER EM CARÁTER DE URGÊNCIA. PLANO DE SAÚDE HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. INCIDÊNCIA DAS REGRAS DO CDC. SÚMULA Nº 469 DO STJ. RECUSA DE TRATAMEN- TO MÉDICO. CIRURGIA PARA RETIRADA DE TUMOR INTRACRA- NIANO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO QUE O AGRAVADO SE EN- CONTRA NO PERÍODO DE CARÊNCIA.

Inadimissibilidade ante a situação médica emergencial do recorrido. Máxima constitucional do respeito à dignidade da pessoa humana. Art. 3º. Da CF/88. Cláusula de limitação abusiva. Precedentes invariáveis desta 7ª Câmara Cív- el. (acórdãos nº. 2600-76.2005.8.06.0001; nº. 9768-95.2006.8.06.0001; nº. 488146-58.2010.8.06.0001). Dano moral configurado. Indenização que não se deve mostrar irrisória ou abusiva a ponto de levar ao enriquecimento sem causa do ofendido. Redução do quantum indenizatório de R$ 60.000,00 (ses- senta mil reais) para R$ 10.000,00 (dez mil reais), o qual se mostra mais ad- equado ante a recusa da cirurgia. Juros moratórios e correção monetária con- soante as Súmulas nº 54 e 362 do STJ, respectivamente. Apelo conhecido e parcialmente provido. Sentença reformada quanto ao montante indenizatório. (TJCE; AC 0088871 54.2006.8.06.0001; Sétima Câmara Cível; Rel. Des. Dur- val Aires Filho; DJCE 11/07/2013; Pág. 99)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. RECUSA INDEVIDA DE PLANO DE SAÚDE. OBESIDADE MÓR- BIDA. INDICAÇÃO MÉDICA DE CIRURGIA BARIÁTRICA (RE- DUÇÃO DE ESTÔMAGO). INCONTÁVEIS PRECEDENTES DO STJ. SENTENÇA PRIMEVA PROCEDENTE. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR CDC. EXPRESSA REGULAMEN- TAÇÃO DA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE ANS. CONTRATO DE ADESÃO. APLICAÇÃO DO ART. 47, CDC. VALE O BROCARDO RO- MANO. INTERPRETATIO CONTRA STIPULATOREM. JULGADOS EXPRESSIVOS DO STJ. TEMA PACÍFICO. RECURSO DESPROVI- DO.

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1. No ponto, devese observar, na esteira de diversos precedentes do STJ,

que a Gastroplastia, indicada como tratamento para obesidade mórbida, bem como à erradicação das outras comorbidades que acompanham a moléstia em grau severo, revelase como cirurgia essencial à sobrevida do segurado, não se confundindo com simples tratamento para emagrecimento. 2. A propósi- to, confirase o entendimento das Turmas que compõem a Segunda Seção do STJ: AGRAVO REGIMENTAL AÇÃO ORDINÁRIA PLANO DE SAÚDE CIRURGIA DE REMOÇÃO DE TECIDO EPITELIAL APÓS A SUBMISSÃO DA PACIENTE SEGURADA À CIRURGIA BARIÁTRICA PROCEDIMENTO NECESSÁRIO E COMPLEMENTAR AO TRATAMEN- TO DA OBESIDADE, ESTE INCONTROVERSAMENTE ABRANGIDO PELO PLANO DE SAÚDE CONTRATADO, INCLUSIVE, POR DETER- MINAÇÃO LEGAL ALEGAÇÃO DE FINALIDADE ESTÉTICA DE TAL PROCEDIMENTO AFASTAMENTO NECESSIDADE COBERTURA AO TRATAMENTO INTEGRAL DA OBESIDADE PRESERVAÇÃO DA FI- NALIDADE CONTRATUAL NECESSIDADE RECURSO IMPROVIDO. (AGRG no AREsp 52.420/ MG, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEI- RA TURMA, julgado em 22/11/2011, DJe 12/12/2011) 3. Outro do STJ: ( ) ... 2. A gastroplastia, indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela- se como cirurgia essencial à sobrevida do segurado, vocacionada, ademais,

ao tratamento das outras tantas comorbidades que acompanham a obesidade em grau severo. Nessa hipótese, mostrase ilegítima a negativa do plano de saúde em cobrir as despesas da intervenção cirúrgica. 3. Recurso Especial a que se nega provimento. (RESP 1175616/ MT, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 04/03/2011) 4. Destart, não se desconsidera, de forma apriorística, a importância do princí- pio da equivalência das prestações nos contratos comutativos; porém, é de se reconhecer que a aplicação desse cânone depende da verificação de um substrato fático específico que aponte para uma real desproporção entre as prestações, não se admitindo que a tutela constitucional dos direitos do con- sumidor seja limitada com base em meras suposições. 5. Outrossim, a Lei nº 9.656/98 que prevê expressamente a cobertura para a cirurgia de redução de

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estômago é ponto irrelevante, pois a controvérsia, conforme visto, se desen- volve unicamente na perspectiva da análise do contrato firmado em data an- terior a tal Lei. 6. Ademais, a jurisprudência do STJ se orienta no sentido de proporcionar ao consumidor o tratamento mais moderno e adequado, em substituição ao procedimento obsoleto previsto especificamente no contrato. A interpretação das cláusulas contratuais deve favorecer a extensão dos dire- itos do consumidor. 7. A propósito, convém destacar que a Agência Nacional de Saúde, reconhecendo a gravidade de tal morbidade, passou a sinalizar os casos em que a cirurgia bariátrica é obrigatória e a dispor acerca do ofere- cimento de tal procedimento médico pelas entidade de saúde suplementar. 8. A interpretação dessas cláusulas contratuais segue as regras especiais de interpretação dos negócios jurídicos estandardizados, inclusive o disposto no art. 47, CDC, verbis: As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor. Tal representa a versão moderna do princípio, que lança suas raízes no direito romano: Interpretatio Contra Stipulatorem ou Interpretatio Contra Proferentem, acolhida pelas codificações modernas. 9. Deste modo, deve ser reconhecida a abusividade da negativa do plano de saúde em cobrir as despesas da intervenção cirúrgica necessária à garantia da própria sobrevivência do segurado. 10. NEGO PROVIMENTO ao Apelatório manejado pela CAMED Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil, para manter a Sentença Singular, sem dela lhe tirar e nem por. (TJCE; AC 078260265.2000.8.06.0001; Oitava Câmara Cível; Rel. Des. Francisco Darival Beserra Primo; DJCE 25/06/2013; Pág. 69)

3.4. recusa de exames laboratoriais;

PLANO DE SAÚDE.

Ação condenatória Internação hospitalar Recusa à cobertura de fisioterapia, exames laboratoriais e materiais descartáveis Sentença de procedência, citra petita Cláusula limitativa que deve ser interpretada à luz do Código de Defesa do Consumidor e da Lei nº 9656/98 Aplicáveis as Súmulas nºs 96 e 100 deste Tribunal e 469 do STJ- Omissão quanto aos pedidos de exames laboratoriais,

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medicamentos e materiais descartáveis Reconhecimento pelo Tribunal por força dos artigos 515, § 1º e 516 do CPC -Imprescindibilidade dos proced- imentos realizados e materiais descartáveis utilizados para o tratamento da

paciente e sua recuperação- Recurso da autora provido e negado provimento ao recurso da ré. “(V. 13316). (TJSP; APL 0131059-25.2011.8.26.0100; Ac. 6890919; São Paulo; Terceira Câmara de Direito Privado; Relª Desª Viviani Nicolau; Julg. 30/07/2013; DJESP 15/08/2013)

PLANO DE SAÚDE.

Associação que deve assumir a responsabilidade contratada. Apelada que

deve propiciar aos associados, independentemente de tratar-se de uma enti-

dade que não vise lucro, serviços médicos, hospitalares e laboratoriais Recusa indevida de autorização do exame do qual necessitava a apelada, indicado por médico especialista Irrelevante o fato de não constar referidos exames no rol de procedimentos da ANS ou de que o procedimento sequer existia ao tempo da contratação Precedentes do TJSP Incidência no caso do CDC e da Lei nº 9.656/98 Inteligência da S. Nº 100, desta Corte Prestação de serviços contratada com a recorrente para preservação da saúde da apelada Sentença mantida, nos termos do art. 252, do RITJSP. VERBA HONORÁRIA Cor- retamente fixada Descabimento de revisão Recurso desprovido. (TJSP; APL

0138440-50.2012.8.26.0100; Ac. 6853011; São Paulo; Décima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. João Batista Vilhena; Julg. 02/07/2013; DJESP

18/07/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.

1-. Negativa de custeio de exames laboratoriais, PET/CT e ressonância mag- nética, além de medicamentos indicados à tentativa de restabelecimento da

saúde do paciente. Afastamento. Necessidade inequívoca do tratamento. Rec- usa que coloca em risco o objeto do contrato. Aplicação do disposto no artigo 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor e das Súmulas n. 95 e 96

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desta Colenda Corte. 2.- Ofensa, ainda, ao princípio da boa-fé que deve nor- tear os contratos consumeristas. Atenuação e redução do princípio do pacta sunt servanda. Incidência do disposto no artigo 421 do Código Civil. 3.- Verba honorária. Fixação em 20% do valor da condenação. Excesso não reconheci- do, vez que compatibilizado com o trabalho desenvolvido pelo patrono do au- tor. SENTENÇA MANTIDA, nos termos do artigo 252 do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal. RECURSO IMPROVIDO. (TJSP; APL 0004654- 80.2012.8.26.0011; Ac. 6617489; São Paulo; Terceira Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Donegá Morandini; Julg. 26/03/2013; DJESP 19/04/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.

1-. Negativa de custeio do tratamento indicado ao segurado, incluindo mate- riais, exames laboratoriais e honorários de anestesista. Afastamento. Necessi- dade inequívoca da realização dos procedimentos. Aplicação da Súmula nº 96 desta Corte. 2- Recusa que coloca em risco o objeto do contrato. Aplicação do disposto no artigo 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor. Ofensa, ainda, ao princípio da boa-fé que deve nortear os contratos consumeristas. 3.- Atenuação e redução do princípio do pacta sunt servanda. Incidência do disposto no artigo 421 do Código Civil. SENTENÇA MANTIDA, nos termos do disposto no artigo 252 do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça. APELO IMPROVIDO. (TJSP; APL 0004812-38.2012.8.26.0011; Ac. 6616484; São Paulo; Terceira Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Donegá Morandini; Julg. 26/03/2013; DJESP 19/04/2013)

3.5. reajuste por faixa etária;

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE EM RAZÃO EXCLUSIVA DE MU- DANÇA DE FAIXA ETÁRIA.

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Incidência do CDC e do estatuto do idoso. Abusividade. Jurisprudência pacífi- ca desta corte. Súmula nº 83/STJ. Agravo regimental desprovido. (STJ; AgRg- AREsp 244.541; Proc. 2012/0217649-0; MG; Terceira Turma; Rel. Min. Pau- lo de Tarso Sanseverino; DJE 15/08/2013; Pág. 418)

APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL. PLANO DE SAÚDE. UNIMED. REAJUSTE DA MENSALIDADE. FAIXA ETÁRIA. IMPOS- SIBILIDADE. RESTITUIÇÃO DOS VALORES INDEVIDAMENTE COBRADOS. PRESCRIÇÃO. REAJUSTE DECORRENTE DE AD- APTAÇÃO DO PLANO. LIMITAÇÃO. CASO CONCRETO.

  • 1. No tocante ao pedido de restituição de valores decorrente da declaração de

abusividade de cláusula do contrato de plano de saúde, é aplicável a prescrição decenal prevista no artigo 205 do CC. Posicionamento revisto, na esteira da atual orientação do c. STJ. Recurso do autor provido, no ponto. 2. Faixa etária. Conforme jurisprudência pacífica desta corte e do e. STJ, a previsão de rea- juste em razão da faixa etária é abusiva, devendo ser declarada nula. Apli- cação do estatuto do idoso e do CDC. 3. Limitação do reajuste decorrente da adaptação do contrato antigo aos ditames da Lei n 9.656/98, quando operados em percentuais superiores aos autorizados pela ans. 4. Honorários advocatíci- os. Valor mantido, nos termos do art. 20, §4º do CPC. 5. Prequestionamento. O

julgador não está obrigado a enfrentar todos os dispositivos legais suscitados no processo. Recurso da ré desprovido. Recurso do autor parcialmente prov- ido. (TJRS; AC 248865-12.2013.8.21.7000; Caxias do Sul; Quinta Câmara Cível; Relª Desª Isabel Dias Almeida; Julg. 31/07/2013; DJERS 30/08/2013)

PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE DA MENSALIDADE EM RAZÃO DA MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. CONTRATO CELEBRADO AN- TES DA LEI N. 9.656/98 E DO ESTATUTO DO IDOSO. VEDAÇÃO DO REAJUSTE. ABUSIVIDADE VERIFICADA NO CASO EM APREÇO.

  • 1. Apelação interposta contra a sentença que julgou parcialmente procedentes

pedidos deduzidos em “ação declaratória de abusividade de cláusula, C.C.

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Repetição de indébito e indenização por danos materiais”, para, entre outros:

A) declarar abusivos os reajustes incidentes sobre as mensalidades do plano

de saúde, a partir de 01/10/2003, autorizada somente a incidência da correção monetária; b) condenar a ré a devolver à autora os valores pagos a maior, a título de diferença entre o valor já especificado e o efetivamente cobrado da autora, no período de 01 ano antes da propositura da presente demanda. 2.Pre- scrição. Aplicação do prazo decenal previsto no art. 205, do Código Civil. Precedentes. 3.A devolução dos valores deve ser na forma simples, a partir da propositura da ação. 4.Já decidiu o Superior Tribunal de Justiça que “a relação

de consumo caracteriza-se pelo objeto contratado, no caso a cobertura médi-

co-hospitalar, sendo desinfluente a natureza jurídica da entidade que presta os serviços, ainda que se diga sem caráter lucrativo, mas que mantém plano de saúde remunerado” (RESP n. 469.911/SP, Rel. Min. ALDIR PASSARINHO Júnior, DJe 10.03.2008). Assim, a relação jurídica existente entre as partes caracteriza-se como sendo de consumo. 5.Contrato anterior à Lei n. 9.656/98 e anterior ao Estatuto do Idoso. Vedação do reajuste. A consumidora quer seja

antes da vigência do Estatuto do Idoso, quer seja a partir de sua vigência, está

sempre amparada contra a abusividade de reajustes de mensalidades ocorridos

com base exclusivamente na mudança de faixa etária. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e Súmula n. 91 do TJSP. 6.Danos materiais. Os honorários advocatícios contratuais não se confundem com os honorários de sucumbên- cia (art. 20 do CPC) e são, em tese, devidos à luz do disposto nos arts. 389, 395 e 404 do CC. Contudo, considerando-se que a autora não comprovou os gastos dispendidos a esse título, não faz jus ao ressarcimento pleiteado. 7. A devolução dos valores indevidamente pagos pela autora deve ser realizada de forma simples e não em dobro (art. 42, parágrafo único, do CDC), na medida em que não caracterizada a má-fé da ré. 8.A superveniência de reestruturação dos planos oferecidos pela ré e a extinção do plano de saúde não afetam a lide em questão, devendo ser objeto de ação própria. 9. O reajuste das men- salidades permitido refere-se aos reajustes anuais determinados pela ANS. 10.Apelação da ré parcialmente provida. Apelação da autora parcialmente provida. (TJSP; EDcl 0114292-72.2012.8.26.0100/50000; Ac. 6949702; São Paulo; Sexta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Alexandre Lazzarini; Julg.

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13/06/2013; DJESP 29/08/2013)

RECURSO INOMINADO. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE ABUSI- VO. MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA.

Consumidor maior de 60 anos nulidade dos reajustes praticados após a vigên- cia do estatuto do idoso. Proibido o aumento em razão da idade. Julgamento de acordo com art. 15 3º do estatuto do idoso. Invalidade das cláusulas con- tratuais por serem consideradas abusivas sentença mantida. Improvimento do recurso. (TJBA; Rec. 0000371-34.2006.805.0229-1; Primeira Turma Recur- sal; Relª Juíza Sandra Sousa do Nascimento Moreno; DJBA 27/08/2013)

PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊN- CIA. RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO ÂNUA NO TOCANTE AO REAJUSTE DE FAIXA ETÁRIA. INCONFORMISMO DA AU- TORA. INOCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO ÂNUA. PRESCRIÇÃO AFASTADA. ALEGAÇÃO DE REVELIA. IMPOSSIBILIDADE. CUMPRIMENTO DA REGULARIZAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL NOS AUTOS. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA CONTRARIANDO O DISPOSTO NO ESTATUTO DO IDOSO (LEI Nº 10.741/03). ILEGALIDADE DA CLÁUSULA DE REA- JUSTE CONTRATUAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 91 DO TJSP. CONTRATO DE ADESÃO DE TRATO SUCESSIVO. CLÁUSULA DE REAJUSTE DO PRÊMIO DE DIFÍCIL COMPREENSÃO QUANDO DO RESPECTIVO CÁLCULO. AFRONTA AO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 469 DO STJ. POS- SIBILIDADE DE DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR, PORÉM DE FORMA SIMPLES.

Devolução das quantias pagas que deve ocorrer somente a partir de junho de 2008, em decorrência da renovação automática do contrato a cada período de doze meses, não podendo atingir parcelas já quitadas anteriormente sem

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ressalvas. Recurso da ré desprovido e parcialmente provido o da autora. (TJSP; APL 0207314-77.2009.8.26.0008; Ac. 6906805; São Paulo; Nona Câ- mara de Direito Privado; Relª Desª Silvia Sterman; Julg. 30/07/2013; DJESP

23/08/2013)

PROCESSO CIVIL E CONSUMIDOR. AÇÃO REVISIONAL. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE. DISCUSSÃO LIMITADA AO REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. VERIFICAÇÃO DE EXCESSO NO CASO CONCRE- TO. DESPROPORCIONALIDADE COM RELAÇÃO AOS ÍNDICES DAS OUTRAS FAIXAS ETÁRIAS. HONORÁRIOS. MANUTENÇÃO. APELO IMPROVIDO.

I. Apesar da afirmação no Apelo de que há legalidade em reajustes anuais, atuariais não há prova que demonstre que vinham sendo aplicados tais reajust- espara compensar aumento de custos da operadora, mas apenas da aplicação do reajuste por faixa etária impugnado, em razão da Apelada ter completado

60 (sessenta) anos de idade. II. É certo que os valores cobrados a título de plano de saúde devem guardar proporcionalidade com o risco a ser assum- ido pela operadora do plano, mas o excesso cometido a pretexto de reajuste

pela mudança de faixa etária deve ser obstado em homenagem às disposições do Código de Defesa do Consumidor que afastam a aplicação de cláusulas que estabeleçam prestações abusivas. III. Quando no caso concreto se ver- ifica que o reajuste aplicado é desproporcional em relação ao acréscimo das outras faixas etárias, não há justificativa para a reforma da sentença que obsta o abuso. lV. Não se justifica o pleito de redução da verba honorária quando não é demonstrado pela Apelante que a valor fixado desatende as disposições do § 4º do artigo 20 do CPC. V. Apelação improvida. (TJMA; Rec 0021383- 03.2008.8.10.0001; Ac. 134263/2013; Quinta Câmara Cível; Relª Desª Maria das Graças de Castro Duarte Mendes; Julg. 19/08/2013; DJEMA 27/08/2013)

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APELAÇÃO - PLANO DE SAÚDE REAJUSTE EM DECORRÊNCIA DA MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA MAJORAÇÃO DA MENSALI- DADE. ABUSIVIDADE VEDAÇÃO LEGAL ESTATUTO DO IDOSO.

Desequilíbrio contratual devolução dos valores pagos a mais reembolso em dobro dos valores pagos descabimento ausência de má fé na cobrança indev- ida dano moral inocorrência ausência de dolo mero aborrecimento que não gera direito à indenização sentença parcialmente reformada. Apelo do autor improvido recurso da ré provido. (TJSP; APL 0007924-92.2011.8.26.0223; Ac. 6946967; Guarujá; Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Giffoni Ferreira; Julg. 13/08/2013; DJESP 26/08/2013)

APELAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA.

Hipossuficiência do consumidor; interpretação das cláusulas contratuais de forma a ele mais benéfica. Abusividade caracterizada. Precedentes desta Eg. Corte e do Col. STJ. Sentença mantida, nos termos do art. 252 do RITJSP. Recurso desprovido. (TJSP; APL 0178867-26.2011.8.26.0100; Ac. 6907146; São Paulo; Décima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Cesar Ciampolini; Julg. 06/08/2013; DJESP 23/08/2013)

PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. SEXA- GENÁRIO. MAJORAÇÃO. VEDAÇÃO. CARÁTER DISCRIMI- NATÓRIO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PROTEÇÃO AO IDOSO. ESTATUTO DO IDOSO. IMPOSSIBILIDADE.

1. Constituição Federal. Princípio da proteção integral (art. 230). Dever da família, do Estado e da iniciativa privada proteger o idoso. Marco regulatório dos direitos dos idosos. 2. Estatuto do Idoso. Lei nº 10.741/2003. Efetividade da proteção constitucional. Direito ao envelhecimento (art. 8º). Direito que tem sucedâneo no princípio da dignidade da pessoa humana e no principio do solidarismo. 3. Reajuste da mensalidade do plano de saúde em decorrência única e exclusiva da mudança de faixa etária de idoso. Impossibilidade. Ofen- sa à Constituição da República. 4. Estatuto do Idoso. Incidência. Contrato

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de trato sucessivo e renovação automática. Reajuste de mensalidade em decorrência da idade. Idoso. Impossibilidade. Discriminação. Ofensa ao art. 15, § 3º, da Lei nº 10.741/2003. Precedentes do Eg. STJ. Precedentes do Tribunal. Sentença mantida. Recurso não provido. (TJSP; APL 0024799- 44.2009.8.26.0309; Ac. 6917227; Jundiaí; Décima Câmara de Direito Priva- do; Rel. Des. Carlos Alberto Garbi; Julg. 06/08/2013; DJESP 23/08/2013)

APELAÇÃO. REAJUSTE DAS MENSALIDADES DE PLANO DE SAÚDE EM RAZÃO DA MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. AUMENTO EM PERCENTUAL ABUSIVO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUM- IDOR. ESTATUTO DO IDOSO. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALI- DADE E RAZOABILIDADE.

1. - O artigo 15, § 3º, da Lei nº 10.741, de 2003 (estatuto do idoso) tem apli- cação imediata, por se tratar de norma de ordem pública, não podendo ofender a regra de irretroatividade das Leis e ao ato jurídico perfeito. 2. É abusiva a cláusula que prevê reajuste do plano de saúde em 166,8%, em decorrência da mudança da faixa etária, por afrontar as disposições do Código de Def- esa do Consumidor e do estatuto do idoso, sendo permitida a sua redução em observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. 3. Re- curso conhecido e não provido. Sentença mantida. Unânime. (TJDF; Rec 2010.11.1.005835-0; Ac. 702.095; Segunda Turma Cível; Relª Desª Fátima Rafael; DJDFTE 15/08/2013; Pág. 91)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. PLANO DE SAÚDE. UN- IMED. REAJUSTE DA MENSALIDADE. FAIXA ETÁRIA. IMPOSSI- BILIDADE.

Conforme jurisprudência pacífica desta corte e do e. STJ, a previsão de rea- juste em razão da faixa etária é abusiva, devendo ser declarada nula. Aplicação

do estatuto do idoso e do CDC. Descabe o reajuste das mensalidades por mod-

ificação de faixa etária no patamar de 33%, porque também seria autorizar o aumento diferenciado ao idoso. Recurso desprovido. (TJRS; AC 270270 -07

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.2013.8.21.7000; Caxias do Sul; Quinta Câmara Cível; Relª Desª Isabel Dias Almeida; Julg. 31/07/2013; DJERS 06/08/2013)

3.6. responsabilidade civil;

CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. PROCEDIMENTO CIRÚR- GICO DE URGÊNCIA. HOSPITAL CONVENIADO. DEMORA NA REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTO MÉDICO. DANO MORAL. OCORRÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. SEN- TENÇA MANTIDA.

1.Considera-se abusiva cláusula contratual que, a pretexto de limitar a cober- tura do plano, cria verdadeiro obstáculo à realização de procedimento médi- co, provocando evidente desequilíbrio na relação jurídica estabelecida entre as partes (art. 51, caput, IV e § 1º, II do CDC). 2.A exigência contratual de prévia autorização para procedimento médico (fl. 37) não justifica a demora de 24 horas para a liberação do tratamento de urgência. 3.Na espécie, a de- mora injustificada para autorizar a intervenção cirúrgica extrapola o limite do mero aborrecimento. Isso porque a consumidora, após diagnóstico de gravi- dez anembrionária, com aborto retido, precisou permanecer em jejum por 27 (vinte e sete) horas até se submeter ao procedimento AMIU (Aspiração Man- ual Intra Uterina), em razão dos obstáculos perpetrados pela seguradora de saúde para autorizar a operação médica. 4.A fixação do quantum indenizatório a título de danos morais possui natureza subjetiva e deve ser feita pelo magis- trado de acordo com parâmetros de proporcionalidade e razoabilidade, deven- do-se, para a sua fixação, conjugar, equilibradamente, a capacidade econômi- ca e a finalidade pedagógica dirigida à parte que paga com a tentativa de se evitar o enriquecimento sem causa da parte beneficiada. In casu, o valor da indenização arbitrada na sentença (R$5.000,00- cinco mil reais) seguiu esses parâmetros, prescindindo de revisão. 5.Recurso conhecido e improvido. Sen- tença mantida. 6.Fica a parte recorrente condenada ao pagamento de custas processuais. Sem condenação ao pagamento de honorários advocatícios, pois ausente contrarrazões. 7.A Súmula de julgamento servirá de acórdão,

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conforme regra do artigo 46 da Lei nº 9.099/95. (TJDF; Rec 2013.07.1.010167- 9; Ac. 707.507; Terceira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz Carlos Alberto Martins Filho; DJDFTE 03/09/2013; Pág.

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OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. PLANO DE SAÚDE. CERATOCONE. IMPLANTE DE “ANEL DE FERRARA”. PREVISÃO CONTRATUAL DE PRÓTESES E ÓRTESES LIGADAS AO ATO CIRÚRGICO. NEGATIVA DE AUTORIZAÇÃO. ABUSIVIDADE. INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO EM FAVOR DO CONSUMIDOR. APLICAÇÃO DO ART. 47 DO CDC. PRECEDENTES DO STJ. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. APELAÇÃO. REITERAÇÕES DAS RAZÕES CONTIDAS NA CONTESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXCLUSÃO EXPRESSA E DESTACADA NO CONTRATO DA CIRURGIA PLEITEADA. RES- OLUÇÃO NORMATIVA Nº 167/08 DA ANS. ROL MERAMENTE EX- EMPLIFICATIVO DOS PROCEDIMENTOS BÁSICOS A SEREM COBERTOS PELOS PLANOS DE SAÚDE. INTERVENÇÃO CIRÚR- GICA ACEITA PELO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. REC- USA INDEVIDA. ABUSIVIDADE CARACTERIZADA. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. DANO MORAL. MANUTENÇÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. AUSÊNCIA. PRE- QUESTIONAMENTO. MANIFESTAÇÃO EXPRESSA ACERCA DE DISPOSITIVOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. SENTENÇA MANTI- DA. RECURSO DESPROVIDO.

É devida a cobertura de procedimento que não contenha exclusão expressa e destacada no contrato, ainda que não esteja previsto no rol da ans, o qual, ade- mais, constitui mera referência dos procedimentos básicos a serem cobertos. Omisso o contrato quanto à exclusão expressa do procedimento cirúrgico, ele deve ser interpretado da maneira mais favorável ao consumidor, nos termos do art. 47 do Código de Defesa do Consumidor. “conquanto geralmente nos contratos o mero inadimplemento não seja causa para ocorrência de danos

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morais, a jurisprudência desta corte vem reconhecendo o direito ao ressarci- mento dos danos morais advindos da injusta recusa de cobertura de seguro saúde, pois tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir a autorização da seguradora, já se encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde debil- itada” (stj. RESP 986947/rn, relatora ministra nancy andrighi, julgado em 11/03/2008, publicado dje 26/03/2008). Ausência da sucumbência recíproca, uma vez que a sentença julgou totalmente procedente o pedido autoral. Desne- cessidade de manifestação expressa acerca de todos os dispositivos legais in- vocados na decisão recorrida. (TJPB; AC 200.2009.027423-0/002; Quarta Câ- mara Especializada Cível; Rel. Juiz Conv. Wolfram da Cunha Ramos; DJPB 03/09/2013; Pág. 20)

APELAÇÃO CÍVEL. CIVIL E CONSUMIDOR. CONTRATO DE SE- GURO VINCULADO A CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. EX- IGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO SEM PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA. IMPOSSIBILIDADE. DANO MORAL CONFIGURAÇÃO. QUANTUM ARBITRADO PARA INDENIZAÇÃO. ADEQUAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA.

1. O art. 50 da Resolução CNSP 117/2004 e o art. 72 da Circular SUSEP 302/2005 estabelecem que sejam informados os procedimentos para liq- uidação de sinistros, com especificação dos documentos básicos previstos a serem apresentados para cada tipo de cobertura. 2. Diante da alegada essen- cialidade das informações a serem prestadas no aviso de sinistro objeto de discussão, é inquestionável que se trata de documento básico que deveria estar expressamente informado no contrato para cobertura nos casos de falecimen- to. 3. Desse modo, a exigência do aviso de sinistro preenchido pelo médico que assistiu ao segurado, com firma reconhecida, deveria estar prevista ex- pressamente no contrato ao invés de ser informada apenas pela Central de Atendimento após a ocorrência do evento, o que contraria o disposto no art. 46 do CDC. 4. A situação descrita nos autos configura dano moral indenizável, revelandose adequado o quantum indenizatório arbitrado no primeiro grau.

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5. Recursos conhecidos, porém desprovidos. (TJCE; AC 0086251- 69.2006.8.06.0001; Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Antônio Abelardo Be- nevides Moraes; DJCE 29/08/2013; Pág. 32)

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. PLANO DE SAÚDE. DESCREDENCIAMENTO DE HOSPITAL NO CURSO DE TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO. AUSÊNCIA DE AVISO PRÉVIO AO SEGURADO. CONTINUIDADE DO TRATAMENTO CUSTEADA PELO PACIENTE. ILEGALIDADE E ABUSIVIDADE RECONHECI- DAS. DANO MATERIAL. RESSARCIMENTO DAS DESPESAS. DANO MORAL. OCORRÊNCIA. VALOR DA REPARAÇÃO. FIXAÇÃO DENTRO DOS PARÂMETROS DE RAZOABILIDADE E PROPOR- CIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO ULTRA PETI- TA. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO HOSPITAL. CONDE- NAÇÃO APENAS DA SEGURADORA. SENTENÇA MANTIDA.

I- No pedido de reparação por danos morais não se exige que o autor indique um valor certo, podendo deixar a tarefa ao livre arbítrio do juiz, não se en- trevendo julgamento ultra petita no simples fato de ser fixado um valor acima daquele dado à causa, o qual, nessas circunstâncias, tem caráter meramente estimativo. Preliminar rejeitada. II- É ilegal e abusiva a suspensão do creden- ciamento de hospital durante o curso do tratamento de quimioterapia, sem que o segurado tenha sido comunicado a respeito com no mínimo de 30 (trinta) dias de antecedência, sendo obrigado a custear às suas expensas as sessões subsequentes. III. O descredenciamento desprovido de aviso prévio e no curso de tratamento médico gera direito à indenização por danos morais, pois agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do segurado, até porque já se encontrava com a saúde debilitada e em condição de padecimento e abalo psicológico. lV. Descabe a denunciação à lide da empresa mantene- dora do hospital no qual se fazia o atendimento do segurado, vez que não

constitui ato ilícito a ela imputável a demora natural nas tratativas atinentes

ao recredenciamento, por se tratar de peculiaridade do negócio, além do que o

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segurado contratou o plano de saúde com a seguradora, e não com o hos- pital. V. Apelação desprovida. (TJMA; Rec 0010451-19.2009.8.10.0001; Ac. 134087/2013; Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Marcelo Carvalho Silva; Julg. 20/08/2013; DJEMA 26/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PRELIMIN- ARES. JULGAMENTO CITRA PETITA E ILEGITIMIDADE. REJEIT- ADAS. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA. PRÓTESE. CONTRATO ANTERIOR À LEI Nº 9.656/98. PRÓTESE INERENTE AO ATO CIRÚRGICO E NECESSÁRIA A SEU ÊXITO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICABILIDADE. CLÁUSULA RES- TRITIVA ABUSIVA. PRECEDENTES RECENTES DO STJ. COBER- TURA DEVIDA. DANO MORAL. CARACTERIZADO. REDUÇÃO DA INDENIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. RECURSO PROVIDO EM PARTE.

As operadoras de planos de saúde não podem recusar a cobertura de despesas com o fornecimento de prótese, quando esta estiver relacionada ao proced- imento cirúrgico recomendado coberto pelo plano e for necessária ao êxito da cirurgia, sendo abusiva a cláusula de exclusão, conforme entendimento consolidado do STJ. A recusa indevida de cobertura por plano de saúde ense- ja dano moral. A indenização por dano moral deve ser fixada em valor sufi- ciente apenas para reparar o dano, como se extrai do art. 944, caput, do Código Civil, não comportando redução quando fixada em valor condizente com as circunstâncias do caso e com os parâmetros desse Tribunal. -Tratando-se de responsabilidade contratual, incidem os juros moratórios a partir da data da citação. (TJMG; APCV 1.0024.10.073569-5/001; Rel. Des. Amorim Siqueira; Julg. 20/08/2013; DJEMG 26/08/2013)

PLANO DE SAÚDE. CIRURGIA. DEMORA INJUSTIFICADA PARA LIBERAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO DE CIRURGIA. ABUSIVIDADE E ILEGALIDADE. LEI Nº 9.656/98. CÓDIGO DE DEFESA DO

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CONSUMIDOR. PROCEDÊNCIA MANTIDA. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA INDEVIDA DE COBERTURA CONTRATUAL. DANO MORAL RECONHECIDO. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER ARBI- TRADA COM RAZOABILIDADE.

1. Plano de saúde. Injustificada demora na liberação de autorização para ciru- rgia. Impossibilidade. A operadora não pode limitar ou condicionar a autor- ização da cirurgia, que está fundada em pedido médico. 2. Incidência da Lei nº 9.656/98. Plano-referência (arts. 10 e 12 da Lei nº 9.656/98). Plano que deve cobrir tudo o que for necessário para o pleno restabelecimento do pa- ciente. Eventual cláusula contratual contrária a dispositivo de Lei deve ser tida como não escrita, por abusiva e ilegal. 3. Incidência do Código de Defesa do Consumidor. Ofensa à regra do art. 51, § 1º, inc. I, da Lei nº 8.078/90. 4. Dano moral. A recusa injustificada de cobertura de plano de saúde acarreta dano moral ao consumidor. Precedentes do Eg. STJ. Valor da indenização adequadamente arbitrado (R$ 10.000,00). Recurso não provido. (TJSP; APL 0031171-45.2012.8.26.0554; Ac. 6917155; Santo André; Décima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Carlos Alberto Garbi; Julg. 06/08/2013; DJESP

23/08/2013)

PLANO DE SAÚDE. AÇÃO COMINATÓRIA. COBERTURA DE MEDICAMENTO QUIMIOTERÁPICO, VIA ORAL, PARA TRATA- MENTO CONTRA CÂNCER. PRESCRIÇÃO MÉDICA QUE VISA RESTABELECER A SAÚDE DO CONVENIADO E NÃO PODE SER QUESTIONADA PELO PLANO DE SAÚDE. CONTRATO QUE SE SUJEITA ÀS REGRAS CONTIDAS NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 469 DO STJ E DAS SÚMULAS NºS 95 E 96, DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAU- LO. DANO MORAL. RECUSA INDEVIDA DE TRATAMENTO INDI- CADO À AUTORA PELO MÉDICO ASSISTENTE. AUTORA COM HISTÓRICO DE CÂNCER. NECESSIDADE DO MEDICAMENTO E RESPECTIVO TRATAMENTO, SOB RISCO DE MORTE.

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Indenização devida e fixada em atendimento aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em R$10.000,00. Recurso da autora provido, não provido o da ré. (TJSP; APL 0061297-82.2012.8.26.0100; Ac. 6924470; São Paulo; Quinta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Edson Luiz de Queiróz; Julg. 07/08/2013; DJESP 22/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. SEGUROS. PLANO DE SAÚDE. HEMODIAL- ISE. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. NÃO SE JUSTIFICA A NEGATIVA DE COBERTURA CONTRATUAL. DANO MORAL. CONFIGURADO.

A jurisprudência do e. STJ, em reiteradas oportunidades, vem reconhecendo o direito ao ressarcimento dos danos morais advindos de recusa injustificada de cobertura de plano de saúde, haja vista que tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia do segurado, vez que ao pedir a autorização da se- guradora, este já se encontra em condições de saúde debilitada. Deram provi- mento ao apelo da autora e negaram provimento ao recurso adesivo. (TJRS; AC 503765-29.2011.8.21.7000; Lajeado; Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Artur Arnildo Ludwig; Julg. 31/07/2013; DJERS 12/08/2013)

3.7. período de carência;

CONSUMIDOR. CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ATENDIMEN- TO EMERGENCIAL. NECESSIDADE DE INTERNAÇÃO. RISCO À SAÚDE E À VIDA DO PACIENTE. NEGATIVA DE COBERTURA. PERÍODO DE CARÊNCIA. INAPLICABILIDADE.

1. “É obrigatória a cobertura do atendimento de emergência que implique risco imediato à vida do paciente” (art. 35-c, Lei nº 9.656/98). 2.a cláusula contrat- ual que limita o tempo de atendimento nos casos de urgência e/ou emergência até as primeiras 12 (doze) horas, quando o beneficiário encontra- se no gozo do período de carência, é abusiva, eis que restringe direitos inerentes à na- tureza do contrato, impossibilitando a realização plena do seu objeto e

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frustrando as legítimas expectativas do consumidor quando da con- tratação do plano de saúde. 3. Apelação desprovida. Unânime. (TJDF; Rec 2009.01.1.181616-8; Ac. 707.365; Quinta Turma Cível; Rel. Des. Romeu Gonzaga Neiva; DJDFTE 03/09/2013; Pág. 169)

CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO. MIGRAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE PARA CATEGORIA SUPERIOR. AUSÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CARÊNCIA. NEGATIVA DE AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE PARTO. FALHA DO SISTEMA OPER- ACIONAL. CONFISSÃO. RESPONSABILIDADE DO PLANO DE SAÚDE COM AS DESPESAS. DANO MORAL. EXISTÊNCIA. VALOR INDENIZATÓRIO. QUANTUM. REDUÇÃO.

1. Os contratos de plano de saúde estão sob a égide do Código de Defesa do Consumidor, razão por que os limites e condições de cobertura devem ser

vistos com maior amplitude, mostrando-se viável extrair do contrato cláusula

eivada de vício e, portanto, contrária aos princípios da boa-fé e da equidade

contratuais. 2. Adespeito de a negativa de cobertura para a realização do parto da esposa do segurado, por si só, configurar mero inadimplemento contratual, não rendendo azo, em regra, à reparação por danos morais, a injusta recusa oportuniza sofrimento e dor fora do comum. Precedentes deste eg. TJDFT e do col. STJ. 3. Aindenização por dano moral fundamenta-se na existência de uma conduta do autor do ilícito hábil a amparar pretensão reparatória e, consequentemente, carrear-se a ele a responsabilidade pelo dano. 4. O valor indenizatório deve pautar-se pelas balizas da proporcionalidade e da razoab- ilidade. 4. Recurso parcialmente provido. (TJDF; Rec 2010.01.1.096165-5; Ac. 706.853; Terceira Turma Cível; Rel. Des. Mario-Zam Belmiro; DJDFTE 02/09/2013; Pág. 118)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA DO CDC. PERÍODO DE CARÊNCIA. ATENDIMENTO EMERGENCIAL. RECÉM NASCIDO. UTI NEONATAL. IMPRESCINDIBILIDADE. COMPLICAÇÃO EM SEU ESTADO CLÍNICO. NECESSIDADE DE

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INTERNAÇÃO. RISCO A SAÚDE E A VIDA. COBERTURA. OBRIGA- TORIEDADE. CONFORMIDADE COM O PARECER MINISTERIAL. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

É obrigatória a cobertura no atendimento de urgência e emergência que im- plique em risco imediato a vida ou a higidez física do paciente, independen- temente do prazo de carência estabelecido no contrato, inteligência do art. 12, da Lei n. º 9.656/98. (TJMT; APL 50847/2013; Capital; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Dirceu dos Santos; Julg. 14/08/2013; DJMT 26/08/2013; Pág. 32)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. APLICAÇÃO DO CDC. URGÊNCIA DE ATENDIMENTO DURANTE O PERÍODO DE CARÊN- CIA DO CONTRATO. DEVER DA OPERADORA DE CUSTEAR OS GASTOS. DANOS MORAIS CONFIGURADOS.

De acordo com a Súmula nº 469, do Colendo Superior Tribunal de Justiça, “aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de

saúde”

“Na linha dos precedentes desta Corte, o período de carência contrat-

.. ualmente estipulado pelos planos de saúde não prevalece, excepcionalmente, diante de situações emergenciais graves nas quais a recusa de cobertura pos-

sa frustrar o próprio sentido e razão de ser do negócio jurídico firmado. 4. Nos casos de negativa de cobertura por parte do plano de saúde, em regra não se trata de mero inadimplemento contratual. A recusa indevida de trata- mento médico. nos casos de urgência. agrava a situação psicológica e gera aflição, que ultrapassam os meros dissabores, caracterizando o dano moral indenizável. “ (STJ, AGRG no AREsp 213169 / RS, Ministro LUIS FELIPE

SALOMÃO, 11/10/2012)

..

A jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de

Justiça vem reconhecendo o direito ao ressarcimento dos danos morais advin-

dos da injusta recusa de cobertura securitária, pois tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir a autorização da seguradora, já se encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde debilitada. Precedentes: RESP 657.717/RJ, Ter- ceira Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ 12.12.2005; RESP 341.528 /MA,

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Quarta Turma, Rel. Min. Barros Monteiro, DJ 09.05.2005; RESP 880035/ PR, Quarta Turma, Rel. Min. Jorge Scartezzini, DJ 18.12.2006; AGRG no AG 846077/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 18.06.2007 AGRG no AG 520.390/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Menezes Direito, DJ 05.04.2004. Primeiro recurso provido e segundo recurso não prov- ido. (TJMG; APCV 1.0702.11.030458-2/001; Rel. Des. Veiga de Oliveira; Julg. 13/08/2013; DJEMG 23/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. DIREITO DO CONSUMIDOR. PROCEDIMENTO CIRÚR- GICO DE URGÊNCIA. NEGATIVA DE COBERTURA. PERÍODO DE CARÊNCIA. ABUSIVIDADE. IMINENTE RISCO DE MORTE. DANOS MORAIS. LEGITIMIDADE DO SUCESSOR HERDEIRO. CABIMENTO DA REPARAÇÃO INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES STJ. QUANTUM. MENSURAÇÃO. RAZOABILIDADE E PROPOR- CIONALIDADE. REDUÇÃO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFOR- MADA.

Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o valor indicado na exordial para o arbitramento de danos morais é meramente estimativo, per-

mitindo que o autor, caso não se satisfaça com o valor indenizatório fixado,

se insurja contra a sentença se utilizando de recurso independente ou ade- sivo. (STJ, AGRG no AG 1393699/MS, Rel. Ministra Maria ISABEL Gal- lotti, QUARTA TURMA, julgado em 20/03/2012, DJe 28/03/2012) e (RESP 944.218/PB, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,

julgado em 29/09/2009, DJe 23/11/2009)

É cabível o exame das cláusulas do

.. Contrato de Plano de Saúde à luz dos princípios que regem a relação de consu-

mo, autorizando- se necessária a revisão das cláusulas limitadoras dos direitos inerentes à própria natureza da relação, de forma que não há se falar em intan-

gibilidade da força do pacta sunt servanda

Consideram-se abusivas qualquer

.. estipulação excludente de tratamento absolutamente necessário à preservação da vida humana, bem como exigências impeditivas à autorização de proced- imento cirúrgico regularmente coberto na apólice de seguro. -O período da

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carência e a limitação temporal para a internação, além de serem incom-

patíveis com a equidade e com a boa-fé, extrapolam os limites da razoabi- lidade, evidenciando-se abusivos, haja vista colocar o consumidor em des-

vantagem exagerada. Impõe-se a desconsideração da estipulação prevista em

Contrato de Plano de Saúde, que estabelece o prazo de carência de 180 dias para a internação hospitalar, notadamente se o paciente encontra-se em situ- ação de iminente risco de morte, sendo de manifesta urgência a realização do procedimento médico (artigos 12, inciso V, alínea “c”, e 36-C, ambos da Lei nº 9.656/98). Precedentes. Odireito de exigir a reparação por lesão aos direi- tos de personalidade transmite-se aos herdeiros, notadamente em se tratando

de hipótese de sucessão processual, em que os filhos prosseguemem ação de reparação de danos morais ajuizada pelo próprio lesado, o qual, no curso do

processo, vem a óbito. A jurisprudência do STJ tem reconhecido o direito ao

ressarcimento dos danos morais advindos da injusta recusa de cobertura de

seguro saúde. Precedentes. É indubitável a ocorrência do dano moral ao pa- ciente beneficiário do Plano de Saúde que, além de já se encontrar vulnerável pelo padecimento físico decorrente do mal que o acomete, sente-se também impotente e abandonado ante a recusa injusta, por parte do plano de saúde, em autorizar procedimento médico/cirúrgico de urgência, regularmente cob- erto pela apólice e essencial ao tratamento e cura da doença. Ocorrências que agravam a situação de aflição psicológica, causando mais angústia ao espírito

do paciente, não podem ser consideradas como meros aborrecimentos ou sim- ples dissabores passíveis de acontecer no cotidiano, sobretudo quanto se trata de medidas de tutela à saúde, imprescindíveis à preservação do bem maior e absoluto, que é a Vida. O quantum indenizatório baseia-se em princípios de prudência e de bom senso, cuja mensuração se dá com lastro em ponderado critério de proporcionalidade e razoabilidade, observando-se a gravidade da repercussão da ofensa e as circunstâncias específicas do evento, os incômodos sofridos pelo requerente, bem como a natureza do direito subjetivo fundamen- tal violado. - Deve ser reduzida a condenação indenizatória por dano moral se o quantum fixado na instância a quo se mostrar manifestamente exacerbado e desproporcional à finalidade reparatória e sancionatória do instituto. Recurso

principal parcialmente provido. Prejudicado o recurso adesivo. Sentença

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parcialmente reformada. Unânime. (TJDF; Rec 2011.01.1.192911-3; Ac. 701.512; Terceira Turma Cível; Rel. Des. Otávio Augusto; DJDFTE 20/08/2013; Pág. 129)

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA DO CDC. PERÍODO DE CARÊNCIA. ATENDIMENTO EMERGENCIAL. HEMORRAGIA GASTROINTESTINAL E INSUFICIÊNCIA CARDÍA- CA. IMPRESCINDIBILIDADE. COMPLICAÇÃO EM SEU ESTADO CLÍNICO. NECESSIDADE DE INTERNAÇÃO. RISCO A SAÚDE E A VIDA. COBERTURA. OBRIGATORIEDADE. RECURSO CONHECI- DO E DESPROVIDO.

É obrigatória a cobertura no atendimento de urgência e emergência que im- plique em risco imediato a vida ou a higidez física do paciente, independen- temente do prazo de carência estabelecido no contrato, inteligência do art. 12, da Lei n. º 9.656/98. (TJMT; APL 36060/2013; Capital; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Dirceu dos Santos; Julg. 07/08/2013; DJMT 20/08/2013; Pág. 41)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL RECEBIDO COMO AGRAVO INTERNO (ART. 557, §1º, CPC). DECISÃO MONOCRÁTI- CA QUE NEGOU SEGUIMENTO LIMINAR AO AGRAVO DE IN- STRUMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. PRETENSÃO RECURSAL EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO TJCE. OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTO CIRÚRGICO. PRAZO DE CARÊNCIA. ABUSIV- IDADE. COBERTURA QUE SE IMPÕE. DIREITO À SAÚDE E À VIDA. RECONSIDERAÇÃO AFASTADA. AGRAVO CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. Nas relações entre as prestadoras de planos de saúde e seus clientes incide o Código de Defesa do Consumidor, sendo a matéria já pacificada por esta Corte, inclusive com fundamento na Súmula nº. 469, do Superior Tribunal de

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Justiça. 2. Não há qualquer ilegalidade na decisão agravada, que de maneira

adequada aplicou a devida solução ao caso em tela, que trata de direito à saúde e à vida. Embora o prazo de carência contratual para determinados procedi- mentos esteja amparado em Lei, o Superior Tribunal de Justiça tem entendi- mento consolidado no sentido de que: “A cláusula que estabelece o prazo de carência deve ser afastada em situações de urgência, como o tratamento de doença grave, pois o valor da vida humana se sobrepõe a qualquer outro inter- esse. Precedentes específicos da Terceira e da Quarta Turma do STJ. “ (RESP 1243632/RS, Rel. Ministro Paulo DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/09/2012, DJe 17/09/2012) 3. Vislumbrase que no pre- sente caso, a cirurgia indicada à Agravada deve ser realizada, mesmo que não preenchido o prazo de carência, pois o relatório médico indicativo do proced- imento, atestou risco de morte da paciente, razão pela qual está evidenciada a excepcionalidade apta a afastar a cláusula contratual que fundamentou a neg- ativa de cobertura, conforme verificou o juízo singular e nos termos da orien- tação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça. Até porque o art. 51, do Código de Defesa do Consumidor é claro em dispor que “São nulas de pleno direito, entre outras coisas, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimen-

to de produtos e serviços que: (

...

)

IV estabeleçam obrigações consideradas

iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boafé ou a equidade”. 4. AGRAVO CONHE-

CIDO E IMPROVIDO. (TJCE; AG 002857877.2013.8.06.0000/50000; Sexta Câmara Cível; Relª Desª Maria Vilauba Fausto Lopes; DJCE 15/08/2013; Pág.

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3.8. cláusula excludente

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MO- RAIS. PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. UNIMED NATAL. NE- CESSIDADE DE INTERVENÇÃO CIRÚRGICA (ARTROPLASTIA) PARA IMPLANTAÇÃO DE PRÓTESE NO JOELHO. CLÁUSULA CONTRATUAL EXCLUDENTE DE COBERTURA. ABUSIVIDADE.

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INADMISSIBILIDADE. DEVER DE INDENIZAR QUE SE IMPÕE. DANOS MORAIS CONFIGURADOS.

I. Mesmo em relação aos consumidores que aderiram a contrato de plano de assistência à saúde, antes do início da vigência da Lei nº 9.656/98, não poderá ser negada a cobertura de implantação de prótese, quando, de acordo com at- estado médico, a sua realização seja necessária, a fim de evitar risco imediato de vida ou lesões irreparáveis ao paciente. II. A assistência à saúde é de livre iniciativa privada, conforme art. 199, da CRFB, porém, encontra-se sujeita a limitações e fiscalizações, por ser de natureza pública, não podendo prev- alecer cláusula que exclua procedimentos necessários ao pronto restabeleci- mento do quadro geral de saúde do usuário/paciente. III. Recurso conhecido e desprovido. (TJRN; AC 2013.011220-2; Natal; Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Cláudio Santos; DJRN 30/08/2013)

PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO AUTOMÓVEL. TERCEIRO CONDUTOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECEDENTES DO STJ. REJEIÇÃO. “EM MATÉRIA DE ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO, O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO RESPONDE OBJETIVA E SOLIDARIAMENTE PELOS ATOS CULPOSOS DE TERCEIRO QUE O CONDUZ E QUE PROVO- CA O ACIDENTE, POUCO IMPORTANDO QUE O MOTORISTA NÃO SEJA SEU EMPREGADO OU PREPOSTO, OU QUE O TRANS- PORTE SEJA GRATUITO OU ONEROSO, UMA VEZ QUE SENDO O AUTOMÓVEL UM VEÍCULO PERIGOSO, O SEU MAU USO CRIA A RESPONSABILIDADE PELOS DANOS CAUSADOS A TERCEI- ROS. ” (STJ. RESP 577902/DF, RELATOR. MINISTRO ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, REL. P/ ACÓRDÃO MINISTRA NANCY ANDRI- GHI, TERCEIRA TURMA, JULGADO EM 13/06/2006, PUBLICAÇÃO. DJ 28/08/2006, P. 279). APELAÇÕES CÍVEIS. ACIDENTE DE TRÂN- SITO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. ARTIGO 186 C/C O ARTI- GO 927 DO CÓDIGO CIVIL. CULPA, DANO E NEXO CAUSAL COM- PROVADOS. EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE NÃO

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DEMONSTRADAS. DEVER DE INDENIZAR. SURGIMENTO. DANOS MORAIS, MATERIAIS E ESTÉTICOS CONFIGURADOS. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. APÓLICE DE SEGURO. CLÁUSULA CONTRATUAL AMBÍGUA. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. IN- TELIGÊNCIA DO ARTIGO 47 DO CDC. NECESSIDADE DE ABAT- ER-SE DA INDENIZAÇÃO RELATIVA AO SEGURO OBRIGATÓRIO DPVAT. HIPÓTESE DA SÚMULA N. 246 DO STJ NÃO CONFIGURA- DA. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO DO SEGURO DP- VAT PELA VÍTIMA. DESPROVIMENTO DE AMBOS OS RECURSOS.

1. No caso sub judice, há de examinar-se a responsabilidade do condutor e

proprietário do veículo no enfoque da cláusula geral da responsabilidade sub- jetiva, prevista no artigo 186 c/c o artigo 927, ambos do Código Civil. Desses dispositivos se infere que aquele que por ação ou omissão voluntária, neg- ligência ou imperícia causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 2. A existência das causas excludentes de responsabilidade é onus probandi que recai sobre os apelantes, e em momento nenhum foram compro- vadas nos autos. 3. Súmula nº 387 do STJ: “é lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. ” 4. A apólice do seguro expressamente prevê a cobertura nos casos de danos materiais e corporais. Assim, em face da ausên- cia de definição da cobertura por danos corporais, com arrimo do artigo 47 do CDC, adoto a interpretação extensiva dessa cláusula contratual, entendendo que ela abrange a espécie de danos estéticos. 5. Para fazer-se a dedução no valor indenizatório arbitrado judicialmente, da indenização relativa ao seguro obrigatório, nos termos da Súmula n. 246 do STJ, é necessário, antes, que a vítima tenha recebido a respectiva indenização relativa ao dpvat. (TJPB; AC 001.2009.008235-3/001; Segunda Câmara Especializada Cível; Rel. Juiz

Conv. João Batista Barbosa; DJPB 27/08/2013; Pág. 10)

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CONTRATOS DE SEGURO DE VIDA E DOENÇAS GRAVES. CLÁUSULAS EXCLUDENTES DE COBERTURA CÓDIGO CIV- IL/2002 RELATIVIZAÇÃO DA AUTONOMIA DA VONTADE OB- SERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA E DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO CONTRATO DE ADESÃO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. ABUSIVIDADE RECONHECIDA PROVIMEN- TO RECURSAL.

A cláusula de contrato de seguro de vida com cobertura securitária para doenças graves e excludentes de tratamento de doenças infecto-contagiosas, caso da AIDS, é nula porque abusiva. Nos contratos de trato sucessivo, apli- cam-se as disposições do CDC, ainda mais quando a adesão da consumido- ra ocorreu já em sua vigência. Embargos à execução procedentes e recurso provido. (TJSP; EDcl 0124594-63.2012.8.26.0100/50000; Ac. 6905140; São Paulo; Trigésima Quinta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Clóvis Castelo; Julg. 10/07/2013; DJESP 12/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL PLANO DE SAÚDE “HOME CARE” INDI- CAÇÃO MÉDICA. CLÁUSULA CONTRATUAL EXCLUDENTE DE COBERTURA ABUSIVIDADE INCIDÊNCIA DO CDC SÚMULA Nº 90 DESTA

E. Corte Sessões de fisioterapia e fonoaudiologia Cobertura contratual In- existência de óbice para a sua prestação no domicílio do paciente Dano moral não caracterizado. Recurso provido em parte. (TJSP; APL 9134184- 56.2008.8.26.0000; Ac. 6884526; São Paulo; Nona Câmara de Direito Priva- do; Rel. Des. Piva Rodrigues; Julg. 26/02/2013; DJESP 09/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. RELAÇÃO DE CONSUMO. CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL PREVISTO NO CDC. RESPONSABILIDADE CIVIL. MORTE PASSAGEIRO EM AS- SALTO A MÃO ARMADA EM ÔNIBUS. FATO ESTRANHO À

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ATIVIDADE DE TRANSPORTE. EXCLUDENTE DE RESPONSA- BILIDADE. ENTENDIMENTO PACIFICADO NO ÂMBITO DA SE- GUNDA SEÇÃO DO STJ. RECURSO PROVIDO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. CONTRATO DE SEGURO. CLÁUSULA EXCLUDENTE DE COBERTURA. IMPROCEDÊNCIA EM RELAÇÃO AO CAPÍTULO DA SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MODIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL NO CASO CONCRETO.

1 - Devem ser observados os prazos prescricionais previstos no código con- sumerista, mesmo que seja a relação de consumo se dê por equiparação, nos termos do artigo 17, da Lei nº 8.078/90, que dispõe: “equiparam-se aos consu- midores todas as vítimas do evento”. 2 - Conforme estabelece o artigo 14, em

seu § 3º da Lei nº 8.078/90 (CDC), a culpa exclusiva de terceiro é causa su- ficiente para elidir a responsabilidade civil objetiva do prestador de serviços, caracterizando quebra do nexo de causalidade entre a conduta do prestador de

serviços e o dano causado ao consumidor. Fortuito externo. Precedente con-

solidado no STJ. 3 - Somente se aplica as disposições do Código de Defesa do Consumidor à pessoa jurídica, quando houver relação de consumo e a con- tratante estiver em condição de vulnerabilidade, o que não é o caso dos autos. 4 - Deve ser mantida a sentença que julga improcedente a liti sdenunciação da companhia seguradora, havendo cláusula excludente da cobertura securitária no contrato. 5 - Excepcionalmente pode ser modificado o valor dos honorários sucumbenciais, quando na sentença for fixado em quantia irrisória ou exor- bitante, como é o caso dos autos. (TJES; APL 0005060-39.2011.8.08.0011; Primeira Câmara Cível; Relª Desª Janete Vargas Simões; Julg. 09/07/2013; DJES 22/07/2013)

PLANO DE SAÚDE. CONTRATO CELEBRADO ANTES DA LEI Nº 9.656/98. CONTRATO DE TRATO SUCESSIVO. EFEITOS PRODUZ- IDOS DURANTE O PERÍODO DE VIGÊNCIA DA LEI, QUE, POR ESSE MOTIVO, APLICA-SE AO CASO. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM PEDIDO DE ANTE- CIPAÇÃO DE TUTELA E DANOS MORAIS. PACIENTE

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ACOMETIDA DE CÂNCER FOI SUBMETIDA À MASTECTOMIA DA MAMA ESQUERDA. NEGATIVA DE COBERTURA DE PRÓTESE PARA RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA. CLÁUSULA EXCLUDENTE DE COBERTURA. ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA RESTRITIVA DE COBERTURA. PROCEDIMENTO SEM CARÁTER ESTÉTICO. PRECEDENTES. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CON- SUMIDOR.

Violação do princípio da boa-fé objetiva e causa de desequilíbrio econôm- ico-financeiro do contrato. Recurso improvido. (TJSP; APL 0004284- 95.2010.8.26.0456; Ac. 6829772; Pirapozinho; Nona Câmara de Direito Privado; Relª Desª Silvia Sterman; Julg. 18/06/2013; DJESP 18/07/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. EXAME MÉDICO COM IMAGENS FUNCIONAIS PROVENIENTES DE TOMOGRAFIA NEGADOS. INCIDÊNCIA DO CDC. INEXISTÊN- CIA DE CLÁUSULA EXCLUDENTE OU RESTRITIVA DO EXAME. DEVER DE COBERTURA CARACTERIZADO. NECESSIDADE DE CIRURGIA. RISCO À SAÚDE DO PACIENTE. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL PARA O CONSUMIDOR. COBERTURA. EXE- GESE DO ART. 47 DO CDC. CUSTEIO DEVIDO. RECURSO CONHE- CIDO E DESPROVIDO.

O contrato de prestação de serviços médico-hospitalares submete-se aos ditames do Código de Defesa do Consumidor e, por conta disso, eventual dúvida na interpretação de cláusula contratual resolve-se a favor do benefi- ciário do plano de saúde. É injustificável a recusa da prestadora de serviço médico-hospitalar de custear os exames médicos de PET ct tórax (tomogra- fia por emissão de pósitrons), prescritos por médico competente, mormente quando não há, no contrato, exclusão explícita da cobertura. (TJMT; APL 14444/2013; Capital; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Dirceu dos Santos; Julg. 26/06/2013; DJMT 10/07/2013; Pág. 30)

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AÇÃO DE RESSARCIMENTO DE DESPESAS MÉDICO- HOSPI- TALARES E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, VISANDO COBERTURA PARA CIRURGIA DE REDUÇÃO DE ESTÔMAGO (BARIÁTRICA). IMPROCEDÊNCIA EM PRIMEIRO GRAU. PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA EXCLUDENTE DE COBERTURA PARA DOENÇAS PRÉ-EXISTENTES. BOA-FÉ DO CONSUMIDOR PRE- SUMIDA. DEVER DE EFETUAR EXAMES PRÉVIOS CAPAZES DE DIAGNOSTICAR EVENTUAIS DOENÇAS, ANTES DA ASSINATURA DO CONTRATO. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 105, DESTE E.

Tribunal de Justiça: Não prevalece a negativa de cobertura às doenças e às lesões preexistentes se, à época da contratação de plano de saúde, não se exi- giu prévio exame médico admissional. Ressarcimento das despesas no valor de R$12.721,00, corrigidos desde o desembolso até o efetivo pagamento. Danos morais. Ocorrência. Negativa injustificada de cobertura do procedimento. Fixação com respeito ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade em RS 5.000,00. Recurso provido. (TJSP; APL 0325907-89.2009.8.26.0000; Ac. 6822133; Votorantim; Quinta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Edson Luiz de Queiróz; Julg. 15/05/2013; DJESP 02/07/2013)

4 - PUBLICIDADE ENGANOSA

CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PUBLICIDADE ENGANOSA. “CRUZADINHA PREMIADA”. PRÊ- MIO DE UM CELULAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.

Extinção do feito, com fundamento no artigo 267, inciso VI do CPC. Sen- tença mantida. Recurso improvido. Trata-se de ação que busca indenização por danos extrapatrimoniais, devido a empresa infocel celulares ter entregue à demandante uma “cruzadinha premiada”, informando que se encontrasse uma sequência de três fotos iguais, ganharia prêmios; após ter raspado a cru- zadinha encontrou três celulares e, para sua surpresa, foi informada de que deveria pagar R$ 35,00 por mês para ter direito ao celular pós pago, pelo que

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entendeu ter sido ofendida nos atributos da sua personalidade. Não merece prosperar o pleito de ver reformada a decisão hostilizada. Isso porque, além de a autora não ter atacado corretamente a decisão sentenciante, expressa-

mente relatou que a promoção que desencadeou na presente demanda foi ofer- tada pela empresa infocel celulares, não havendo, portanto, como reputar a

responsabilidade pela publicidade disponibilizada à empresa vivo s/a, ora ré.

Assim, diante da ilegitimidade da demandada para figurar no polo passivo da lide, impõe-se a manutenção da sentença que julgou extinto o feito, com ful- cro no artigo 267, inciso VI do CPC. Sentença confirmada por seus próprios fundamentos. Recurso improvido. (TJRS; RecCv 40031-52.2012.8.21.9000; Soledade; Primeira Turma Recursal Cível; Rel. Des. Carlos Francisco Gross; Julg. 20/08/2013; DJERS 23/08/2013)

CONSUMIDOR. AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE BEM DURÁVEL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MO- RAIS. VÍCIO DE PRODUTO. PUBLICIDADE ENGANOSA. DANO MORAL CONFIGURADO. QUANTUM MANTIDO.

Trata-se da compra de uma televisão que não apresentou as características que

o consumidor teria visto em publicidade na loja. Além disso, o televisor apre-

sentava um barulho intermitente, e que, embora tenha sido enviada à assistên- cia técnica, o mesmo permaneceu. O ônus de comprovar a não veiculação da publicidade enganosa é da ré, conforme preceitua o art. 38, do CDC. Não se desincumbindo do ônus dessa prova, a teor do que estabelece o art. 333, II, do CPC, cabível o desfazimento do negócio. A preliminar de decadência, por se tratar de vício de aparente ou de fácil constatação, não prospera. A reclamação iniciou seis dias após a compra, restando, assim, obstaculizado o prazo deca- dencial até a resposta do fornecedor, a qual se mostrou inexistente quando do ajuizamento da presente ação. No que se refere à ausência de envio do produto à assistência técnica, tampouco merece ser acolhida. Mesmo após ter sido o técnico da assistência chamado por duas vezes, o televisor continuou a apre- sentar o barulho. No que tange ao dano moral, as funções punitiva, dissuasória e reparatória são sopesadas como critério para a fixação do quantum

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indenizatório, sendo desnecessário discriminar o valor de cada dano. Em relação ao quantum indenizatório fixado pelo juízo de origem, tenho como adequado o valor de r$3.000,00, em obediência aos parâmetros utilizados pelas turmas em casos análogos. Sentença que merece ser mantida por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 46 da Lei nº 9.099/95. Recursos desprovidos. Sentença mantida. (TJRS; RecCv 3511-59.2013.8.21.9000; Dois Irmãos; Terceira Turma Recursal Cível; Relª Desª Adriana da Silva Ribeiro; Julg. 27/06/2013; DJERS 02/07/2013)

ADMINISTRATIVO. PUBLICIDADE ENGANOSA. ART. 37, §1º, DO CDC. LEGALIDADE DA MULTA APLICADA PELO PROCON. PRINCÍPIO DA VERACIDADE DA PUBLICIDADE.

1. Não há como apreciar o mérito da controvérsia com base na dita malver- sação dos artigos 56 e 57 do CDC, uma vez que não foram objeto de debate pela instância ordinária, o que inviabiliza o conhecimento do especial no pon- to por ausência de prequestionamento. Incide ao caso a Súmula nº 282 do STF. Nos termos do art. 31 do Código de Defesa do Consumidor, a oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar, entre outros dados, in- formações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, garantia, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem. Já o art. 37 proíbe de forma expressa a publicidade enganosa, capaz de induzir o consumidor a erro. 2. No presente caso, trata-se da legalidade de multa imposta à Intelig Telecomunicações em razão de pub- licidade enganosa por ter veiculado desconto especial com o slogan “Fale até 5 minutos por 0,99”. Consta nos autos que “durante a encenação aparecem atores levantando placas com as descrições “5 minutos”, “R$0,99” e, posteri- ormente, ouvem-se sons enfatizando os seguintes dizeres: “5 (cinco) minutos, noventa e nove centavos”. Durante a apresentação do comercial, constata-se ainda a rápida exibição de uma legenda com a descrição: “ chamadas até 5 minutos custam R$0,99 sem tributos (preço final RJ R$1,49/Min) Após, a cobrança passa a ser conforme o plano básico. “ (fls. 270/271). 3. Quanto ao fato de o valor cobrado referir-se apenas aos primeiros 05 minutos de ligação,

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não há qualquer dúvida, até porque, conforme relatado pelo acórdão, a presta- dora de serviços fez constar em legenda os seguintes dizeres, em tempo hábil para leitura: “Chamadas até 5 Min custam R$0,99 sem tributos. (Preço final RJ, R$1,49/Min)”., concluindo-se que, após esse lapso temporal, a cobrança passa a ser conforme o plano básico contratado pelo consumidor. Nesse pon- to, o informe veiculado não é enganoso, uma vez que houve explicação clara acerca da sistemática de cobrança adotada, não gerando dúvida que o valor exposto é inaplicável em ligações de duração maior que 5 minutos. 4. A dúvi- da surge quanto ao próprio valor a ser pago nas ligações de duração menor ou igual ao período de 5 minutos. Pela análise do quadro fático desenhado pelo Tribunal a quo, conclui-se pela publicidade que o custo de uma ligação de até 5 minutos será de R$0,99 (noventa e nove centavos), ao passo que pela leitura da legenda exposta consta informação de que tal valor refere-se à uni- dade do minuto falado durante os primeiros 5 minutos - “Chamadas até 5 Min custam R$0,99 sem tributos. (Preço final RJ, R$1,49/Min)”-, ou seja, o valor da ligação de 5 minutos seria, sem cálculo dos tributos, R$4,95 (R$ 0,99 X 5 minutos) e, não R$ 0,99, como expresso no slogan. 5. A publicidade engano- sa, a luz do Código de Defesa do Consumidor (art. 37, CDC), não exige, para sua configuração, a prova da vontade de enganar o consumidor, tampouco tal nefanda prática também colha que deva estar evidenciada de plano sua ilegalidade, ou seja, a publicidade pode ter aparência de absoluta legalidade na sua vinculação, mas, por omitir dado essencial para formação do juízo de opção do consumidor, finda por induzi-lo a erro ou tão somente coloca dúvi- das acerca do produto ou serviço oferecido, contaminando sua decisão. 6. Em razão do princípio da veracidade da publicidade, fica evidenciado que a publi- cidade veiculada pela recorrida é capaz de induzir o consumidor a erro quanto ao preço do serviço, podendo ser considerada enganosa. 7. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ; REsp 1.317.338; Proc. 2011/0275068-0; MG; Segunda Turma; Rel. Min. Mauro Campbell Marques; Julg. 19/03/2013; DJE 01/04/2013)

ADMINISTRATIVO E CIVIL. COMPRA E FINANCIAMENTO DE IMÓVEL. ISENÇÃO DE ITBI. PUBLICIDADE ENGANOSA. LEI Nº

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8.078/1990. RESTITUIÇÃO EM DOBRO. POSSIBILIDADE. ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMI- DOR. DANOS MORAIS EM FACE DE DANIFICAÇÃO NO IMÓVEL. NÃO COMPROVAÇÃO.

1. Ação ordinária na qual se requer a condenação da Caixa Econômica federal e da construtora e empreendimento imperial Ltda no pagamento de inden- ização por danos morais; a restituição, em dobro (cf. Previsão do art. 42, § úni- co do cdc), do valor pago indevidamente pelo autor a título de ITBI e a título de sinal para aprovação da compra do imóvel. 2. Demonstrada cabalmente à relação contratual entre a Caixa Econômica federal e o autor, cujo objeto de contrato é o imóvel em questão, é de reconhecer a legitimidade passiva desta instituição financeira para atuar no pólo passivo da presente demanda. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ação direta de inconstitucionalidade n. 2591, fixou o entendimento de que “as instituições financeiras estão, todas elas, alcançadas pela incidência das normas veiculadas pelo código de defesa do consumidor”, reafirmando-se a orientação contida na Súmula n. 297 do Superior Tribunal de justiça, segundo a qual “o Código de Defesa do Consu- midor é aplicável às instituições financeiras”. 4. Na hipótese, o autor alega na inicial que, embora tenha financiado e recebido o imóvel, que reside com sua família, sem problema aparente, encontrou-o danificado, não sabendo explicar as motivações da presença da construtora demandada em seu imóvel, e, que a destruição do imóvel acarretou danos externos e internos, devendo ser res- sarcido pelo dano moral sofrido, em face dos acontecimentos. AC 553327-se (ac-2) 5. Dos depoimentos realizados em juízo, percebe-se que parte das afir- mações lançadas na inicial não correspondem com a verdade dos fatos. Além de se tratar de pequenas fissuras na parte externa do imóvel, sem risco na sua estrutura, a construtora demandada não se omitiu aos reparos, tendo agido em decorrência da solicitação e autorização externadas pela esposa do autor, não tendo concluído o serviço por determinação do próprio demandante. 6. Não havendo qualquer ilegalidade no ato das demandadas (caixa econômica federal, caixa seguros s/a, construtora demandada), a ensejar a intervenção do poder judiciário, não se deve falar em indenização por danos morais.

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7. Embora a construtora demandada não tenha se esquivado de sua responsa- bilidade quanto à reparação do imóvel, em face das fissuras surgidas, a recor- rente veiculou anúncio no encarte do feirão da casa própria, oportunizando aos interessados a negociarem imóveis acessíveis e ainda com isenção das despesas de escritura e ITBI, quando na realidade tal isenção correspondia, apenas, aos negócios feitos diretamente com a construtora, conforme justifica- tiva legada, e, não entre particulares, como ocorreu na espécie, caracterizan- do, assim, a publicidade enganosa veementemente rechaçada pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 37 da Lei nº 8.078/1990). 8. Reconhecimento do direito do autor ao ressarcimento, em dobro, do pagamento realizado a título de ITBI, nos termos do art. 42, parágrafo único da Lei nº 8.078/90, em face da comprovada má-fé da construtora. 9. Extinção do feito, sem julgamento do mérito, em relação à corretora de imóveis demandada, vez que à relação jurídica entre o autor (particular) e a corretora (particular) destoa daquelas elencadas no art. 109, I da cf/88, o que afasta a competência da justiça federal para julgar o feito. 10. Não obstante conste no recibo acostados aos autos, que o valor de R$ 3.900,00 serviria como “sinal” da compra do imóvel, objeto do contrato de financiamento entre o autor (particular) e a Caixa Econômi- ca federal (empresa pública federal), na verdade, serviu de pagamento do serviço de corretagem, tanto é que o valor não foi revertido a favor da CEF, ao contrário, foi depositado diretamente na conta corrente da pessoa física da corretora, conforme extratos bancário acostado às fls. 43, o que afasta a incidência do art. 109, I da cf/88. 11. Apelação do autor conhecida em parte, na parte conhecida, improvida. Apelação da construtora. Apelação de viviane lins Gonçalves de Almeida prejudicada. AC 553327-se (ac-3) (TRF 5ª R.; AC 0005414-62.2010.4.05.8500; SE; Segunda Turma; Rel. Des. Fed. Francisco Wildo Lacerda Dantas; DEJF 26/03/2013; Pág. 324)

APELAÇÃO CÍVEL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PROPAGANDA VEICULADA EM REVISTA. PUBLICIDADE ENGA- NOSA. VINCULAÇÃO DA OFERTA.

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1. Toda publicidade deve ser suficientemente precisa, em qualquer meio de co- municação, com relação aos produtos oferecidos, porque obriga o fornecedor, seja pelo princípio da boa-fé, seja pelo princípio da vinculação. 2. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. 3. Recurso desprovido. (TJDF; Rec 2009.04.1.009253-2; Ac. 669.214; Quarta Turma Cível; Rel. Des. Antoninho Lopes; DJDFTE 19/04/2013; Pág. 110)

5 - VENDA CASADA

MANDADO DE SEGURANÇA. INSTITUIÇÃO SUPERIOR DE EN- SINO. COBRANÇA DE ESTACIONAMENTO. PROIBIÇÃO. LEI ES- TADUAL Nº 7.595/2013. PRELIMINAR AGITADA PELA PROCURA- DORIA GERAL DE JUSTIÇA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. SÚMULA Nº 266, DO STF. REJEITADA. MÉRITO. COMPETÊNCIA SUPLEMENTAR DO ESTADO DE SERGIPE EM REGULAMENTAR MATÉRIA CONSUMERISTA. NORMA ESTADUAL CONSTITUCION- AL. DIREITO DE PROPRIEDADE X CÓDIGO DE DEFESA DO CON- SUMIDOR. DIÁLOGO DAS FONTES. IMPETRANTE QUE PRESTA SERVIÇO ESCOLAR. RELAÇÃO COM ALUNOS (VULNERÁVEIS) QUE É REGIDA PELO CDC. MENSALIDADE UNIVERSITÁRIA E COBRANÇA DE ESTACIONAMENTO. ABUSO DO DIREITO. VEN- DA CASADA. BIS IN IDEM. VEDAÇÃO. AFRONTA A FUNÇÃO SO- CIAL DA EDUCAÇÃO E AOS PRINCÍPIOS CONSUMERISTAS. TESE DO CONFISCO. REJEITADA. SEGURANÇA DENEGADA.

In casu, a instituição de ensino oferta o serviço principal, isto é, a prestação onerosa de um serviço educacional de 3º grau e, à latere, lateralmente, oferta um segundo serviço, o estacionamento em seus domínios territoriais, via um segundo contrato, este de depósito (estacionamento) também oneroso. Re- stando mais do que patente o atrelamento dos serviços, ofertados de maneira concorrente, pela falta de opção de estacionamento, quer dizer, ou na unit ou em via pública, residindo nisso a venda casada, ainda que velada, afora a cobrança dupla pelo mesmo serviço (bis in idem), que gera abuso de direito,

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em detrimento da função social da educação e da principiologia consumeri- sta e civilística, práticas abusivas que a Lei estadual nº 7.595/2013 passou a proibir. (TJSE; MS 2013105020; Ac. 12118/2013; Tribunal Pleno; Rel. Des. Roberto Eugenio da Fonseca Porto; DJSE 20/08/2013)

RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. TELEFONIA MÓVEL. VENDA DE APARELHO CELULAR E PLANO DE TELE- FONIA MÓVEL. COBRANÇAS MENSAIS SOB A FORMA DE OP- ERAÇÃO DE CRÉDITO (OI PAGGO). SENTENÇA A QUO QUE RECONHECEU A VENDA CASADA E CONDENOU AS EMPRESAS DEMANDADAS SOLIDARIAMENTE AO PAGAMENTO DE DANO MORAL. RECURSO DO COMERCIANTE VISANDO RECON- HECER SUA ILEGITIMIDADE PASSIVA OU INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE. TODAVIA, NOS TERMOS DO CDC, TODOS QUE CONCORRERAM PARA A EFETIVAÇÃO DO NEGÓCIO, ASSUMEM OS RISCOS, DAÍ RESPONDENDO SOLIDÁRIA E OBJETIVAMENTE PELOS DANOS CAUSADOS AO CONSUMIDOR.

1. Nos termos do parágrafo único do art. 7° do CDC, a empresa ora recor- rente possui legitimidade parar figurar na presente demanda jurídica, porquan- to participou como intermediária da venda do aparelho celular e do plano de

telefonia móvel à; consumidora recorrida. Os riscos do negócio não podem ser transferidos ao consumidor, daí exsurgindo a responsabilidade solidária e objetiva da recorrente, de modo que eventual discussão acerca da culpa do evento danoso deve ser travada estritamente entre os fornecedores do serviço em ação regressiva. Preliminar de ilegitimidade passiva novamente afastada. 2. Nos termos do art. 14 do CDC, “o fornecedor de serviços responde, inde- pendentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à; prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”. 3. Uma vez constatada a ocorrência do dano moral, referente à; prática de método comercial desleal pelas empresas demandadas em desfavor da consumidora recorrida, esta faz jus à; justa compensação financeira. 4. Sentença mantida

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pelos seus próprios fundamentos. Recurso conhecido e não provido. (TJBA; Rec. 0004726-74.2008.805.0146-1; Primeira Turma Recursal; Relª Juíza Martha Cavalcanti Silva de Oliveira; DJBA 13/08/2013)

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CORRETAGEM REPETIÇÃO DE IN- DÉBITO EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRI- TO (ART. 267, VI, DO CPC) EM RELAÇÃO À CORRÉ INTERMEDI- ADORA AUSENTE COMPROVAÇÃO DE PRÁTICA, POR ESTA, DE VENDA CASADA EXTINÇÃO MANTIDA SERVIÇO DE ASSESSO- RIA TÉCNICO-IMOBILIÁRIA COBRANÇA INDEVIDA CONSUMI- DOR QUE NÃO PODE SER COMPELIDO A CONTRATAR SERVIÇO QUE NÃO TEM INTERESSE E VONTADE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO VERIFICADA, QUANTO AO ESCLARECIMENTO DO CONTEÚDO DO SERVIÇO E DO NEGÓCIO CONTRATADO SEN- TENÇA MANTIDA. POR SEUS FUNDAMENTOS. ART. 252 DO RITJ/ SP. RECURSOS NÃO PROVIDOS.

I-. Por não ter comprovado o autor que a corré, intermediadora do negócio imobiliário, procedeu à prática abusiva de venda casada, correta a extinção do

processo em relação a ela, com fulcro no art. 267, VI, do CPC. II- É descabida

a cobrança de verba atinente a serviço de assessoria técnico-imobiliária do

qual o autor não contratou, mormente pelo fato de não ter sido observado, pelo fornecedor do serviço, o direito à informação clara sobre o negócio. Assim, o consumidor não pode ser obrigado a contratar serviço que não tem interesse e vontade, com fulcro nos incisos II e III do art. 6º, e 51, IV, ambos do CDC, devendo a corré ser condenada a devolver em dobro o que indevidamente re- cebeu, em conformidade com o parágrafo único do art. 42 do CDC, devendo a sentença ser mantida integralmente, cujos fundamentos ora se adotam como razão de decidir, na forma do art. 252 do Regimento Interno deste Tribunal. (TJSP; EDcl 0001572-12.2010.8.26.0011/50001; Ac. 5784345; São Paulo; Trigésima Primeira Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Paulo Ayrosa; Julg. 14/02/2012; DJESP 12/08/2013)

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RECURSO INOMINADO. SENTENÇA QUE DECLAROU RESOLV- IDO O CONTRATO CELEBRADO E CONDENOU A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA A DEVOLVER AS PARCELAS PAGAS, ALÉM DO AVENÇADO NO CONTRATO.

1. NA MODALIDADE DE EMPRÉSTIMO (RMC), DISPONIBILIZA-SE AO CONSUMIDOR, UM CARTÃO DE CRÉDITO DE FÁCIL ACESSO, FICANDO RESERVADO CERTO PERCENTUAL, DENTRO DO QUAL PODERÃO SER REALIZADOS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS. O CONSUMIDOR FIRMA O NEGÓCIO JURÍDICO ACREDITANDO TRATAR-SE DE UM CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO, COM PAGAMENTO EM PARCELAS FIXAS E POR TEMPO DETERMI- NADO, NO ENTANTO, EFETUOU A CONTRATAÇÃO DE UM CARTÃO DE CRÉDITO, DE ONDE FOI REALIZADO UM SAQUE IMEDIATO E COBRADO SOBRE O VALOR SACADO, JUROS E ENCARGOS BEM ACIMA DOS PRATICADOS NA MODALIDADE DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. 2. NEXO DE CAUSALIDADE. NO CASO EM TELA, O RECLAMANTE REALIZOU CONTRATO PARA AQUISIÇÃO DE EM- PRÉSTIMO CONSIGNADO NO VALOR DE R$ 3.875,06 (TRÊS MIL OITOCENTOS E SETENTA E CINCO REAIS), A SEREM PAGOS EM 36 (TRINTA E SEIS) PARCELAS DE R$ 164,00 (CENTO E SESSENTA E QUATRO REAIS). A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA NÃO DEBITOU DIRE- TAMENTE O VALOR EM CONTA CORRENTE DO RECORRENTE, MAS SIM, SACOU A QUANTIA DO CARTÃO DE CRÉDITO E CREDITOU O VALOR NA CONTA DO AUTOR, VIA DOCUMENTO DE TRANSFERÊN- CIA ELETRÔNICA, FATO ESTE, RECONHECIDO PELO RECLAMADO EM SUA CONTESTAÇÃO, GERANDO ASSIM, DESCONTOS ALÉM DO ACORDADO EM CONTRATO. 3. RESTOU CARACTERIZADA A PRÁTI- CA DA VENDA CASADA, QUE É VEDADA PELO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (ART. 39, INCISO I). 4. Evidente que o reclamante foi induzido ao erro pela instituição financeira, a forma de cobrança efetuada pelo demandado, através do desconto do valor mínimo da fatura diretamente nos benefícios do consumidor gera lucro exorbitante à instituição financeira e

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e torna a dívida impagável, vez que o valor mínimo da fatura corresponde ap- enas aos juros e encargos de refinanciamento do valor total da dívida, prática de cunho claramente abusivo. 5. Evidenciado os descontos indevidos relativos a cobrança da fatura de cartão de crédito, realizados diretamente nos venci- mentos do recorrente, após a quitação do empréstimo efetivamente realizado. 6. Sentença que declarou resolvido o contrato nº 197105170, em razão do adimplemento efetuado pelo reclamante e condenou o reclamado a devolução simples da quantia descontada, que excedeu ao avençado no contrato em questão. 7. Prejudicado o pedido do recorrente para afastar a condenação em restituição em dobro, pois a sentença vergastada condenou apenas a restitu- ição simples da quantia indevidamente descontada. Daí entender que a sen- tença deverá ser mantida integralmente. 8. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 9.Sentença mantida em seus próprios fundamentos. 10. Correção

monetária e juros de mora a contar da sentença. 11. Custas processuais, como

recolhidas. 12. Sem condenação em honorários advocatícios. 13. Súmula DE JULGAMENTO que serve de acórdão, nos termos do art. 46, parte final, da Lei nº 9.099/95. (TJMA; Rec 006.2012.025.547-3; Ac. 007/2013; Rel. Juiz Paulo Afonso Vieira Gomes; DJEMA 01/08/2013)

APELAÇÕES CÍVEIS. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO. VENDA CASADA. SEGURO DE VIDA. VEDAÇÃO DO ART. 39, I DO CDC.

Restituição na forma simples. Recursos conhecidos e desprovidos. Sentença mantida. (TJCE; AC 037936709.2010.8.06.0001; Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Jucid Peixoto do Amaral; DJCE 15/07/2013; Pág. 58)

REVISÃO DE CONTRATO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. IN- STITUIÇÃO FINANCEIRA. CDC. JUROS. CAPITALIZAÇÃO. TAC. BOLETO BANCÁRIO. PRÊMIO DE SEGURO. VENDA CASADA. RESTITUIÇÃO SIMPLES.

O contrato de arrendamento mercantil é um contrato complexo, que envolve

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APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. REVISÃO DE CLÁUSULAS. APLICAÇÃO DO CDC. RELATIVIZAÇÃO DO PACTA SUN SERVANDA. CAPITALIZAÇÃO. PREVISÃO EM CONTRATO. MANUTENÇÃO. SERVIÇOS DE TERCEIROS. PREVISÃO CON- TRATUAL. POSSIBILIDADE. SEGUROS. VENDA CASADA. CO- BRANÇA AFASTADA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO.

É perfeitamente plausível e legal a pretensão do consumidor de rever o con- trato de financiamento firmado com a instituição financeira, a fim de buscar o pronunciamento do Poder Judiciário sobre a invalidade de cláusulas que se mostrem abusivas e coercitivas, sendo pacífica a relativização do princí- pio do pacta sunt servanda, para permitir a revisão contratual pelo Poder Ju- diciário, ideia reforçada com o advento da Lei Federal 8.078 / 90, que veio em socorro ao consumidor contra aquele detentor do maior poder econôm- ico. Nos contratos bancários celebrados a partir de 30/03/2001, permite-se a capitalização de juros, com periodicidade inferior a um ano, desde que tal estipulação esteja prevista e que tal previsão seja clara, inteligível e ostensi- va. A cobrança de “serviços de terceiros” é própria da operação negocial e conta com a autorização do Banco Central, desde que haja expressa previsão contratual. A imposição de seguros retira o direito de escolha do consumidor, caracterizando abusiva “venda casada”. A repetição do indébito deve se dar de forma simples, já que a má-fé na cobrança não restou comprovada. V.V. Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.963/2000. TAC, TEB E TARIFAS DE REGISTRO E AVALIAÇÃO DE BEM. ILEGALIDADE. A capitalização de juros, em regra é vedada, sendo admissível unicamente quando existir previsão legal. A Medida Provisória nº 1.963/2000 tem como finalidade disciplinar a administração de recursos de caixa do Tesouro Nacional, não as relações das instituições financeiras com particulares, devendo ser afastada a capitalização de juros. Nos termos das Resoluções nº 3.518/07, 3.693/09 e 3.516/07 do Banco Central, é abusiva a cobrança de taxa de cadastro, de tarifas por emissão e remessa de boleto de cobrança, bem como do custo com serviços para liberação de crédito, ainda

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que prevista contratualmente. Primeiro recurso provido em parte. Segun- do recurso não provido. (Des. Gutemberg da Mota e Silva) (TJMG; APCV 1.0707.11.021659-5/001; Rel. Des. Pereira da Silva; Julg. 25/06/2013; DJEMG 05/07/2013)

6 - CONTRATOS BANCÁRIOS 6.1. juros remuneratórios;

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. ALIEN- AÇÃO FIDUCIÁRIA. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. TEC. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. PEDIDO QUE NÃO FOI OBJETO DE PEDIDO NA INICIAL, OU DA SENTENÇA. NÃO CON- HECIMENTO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. POSSIBILIDADE, EIS QUE EXPRESSAMENTE PACTUADA. INTELIGÊNCIA DO ART. 28, §1º, I, LEI Nº. 10.931/2004. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. CO- BRANÇA LÍCITA, LIMITADA À SOMA DOS JUROS REMUNER- ATÓRIOS, MORATÓRIOS E MULTA CONTRATUAL. INTELIGÊN- CIA DA SÚMULA Nº 472/STJ. TARIFA DE ABERTURA DE CRÉDITO. ABUSIVIDADE, POR REPASSAR CUSTO ADMINISTRATIVO AO CONTRATANTE. VEDAÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 51, XII, CDC. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO DEVIDA, SOB PENA DE ENRIQUEC- IMENTO SEM CAUSA. SENTENÇA REFORMADA EM PARTE. RE- CURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Não tendo sido a tarifa de emissão de carnê objeto da petição inicial, ou de decisão pela sentença, não tem interesse processual a instituição financeira em ver restabelecida a cobrança de suposto encargo. 2. Havendo, no caso concre- to, amparo legal para a incidência dos juros capitalizados mensalmente (art. 28, §1º, I, da Lei nº. 10.931/2004), e previsão explícita, no vernáculo, que a taxa de juros mensal incidirá sobre o valor emprestado em regime de capital- ização composta, lícita sua cobrança. 3. A comissão de permanência quanto

pactuada, deve ser mantida no contrato, excluindo-se apenas eventuais

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excessos verificados por conta de cumulações indevidas, primando se pelo

aproveitamento da estipulação das partes. (resp 1.058.114/rs, dje 16/11/2010) 4. Abusiva a cobrança das tarifas de abertura de crédito, e de cobrança, por repassar custos inerentes à própria atividade da instituição financeira ao con- sumidor, prática essa expressamente vedada pela legislação consumerista, em seu art. 51, XII, cdc. 5. Reconhecida a cobrança de encargos abusivos, deve ser repetida àquele que pagou indevidamente, sob pena de enriquecimento

sem causa do credor, compensados previamente com eventual saldo devedor.

(TJPR; ApCiv 0956353-3; Pato Branco; Décima Oitava Câmara Cível; Rel. Juiz Conv. Luis Espíndola; DJPR 13/09/2013; Pág. 566)

APELAÇÃO CÍVEL. 01 E 02. EMBARGOS À AÇÃO MONITÓRIA. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CHEQUE ESPECIAL. APELAÇÃO 01. PRELIMINAR. SUSPENSÃO DOS EMBARGOS À AÇÃO MONITÓRIA ATÉ JULGAMENTO DA EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. NÃO CABIMENTO. IN- TELIGÊNCIA DO ARTIGO 306 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. PRELIMINAR. NULIDADE DO TÍTULO AUSÊNCIA DE OUTORGA UXÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. DEVEDOR SOLIDÁRIO QUE NÃO SE CONFUNDE COM AVALISTA OU FIADOR. PRELIMINAR. PRO- VA PERICIAL. DESNECESSIDADE. DOCUMENTOS CONSTANTES NOS AUTOS SUFICIENTES PARA FORMAR O CONVENCIMENTO DO JULGADOR. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIV- IDADE. APLICAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARCIALMENTE PARA PODER JU- DICIÁRIOTRIBUNAL DE JUSTIÇA APELAÇÃO CÍVEL Nº 934.780- 6 FLS. 2LIMITAR OS JUROS REMUNERATÓRIOS À TAXA MÉDIA DE MERCADO. APELAÇÃO 02. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUM- IDOR APLICABILIDADE. PESSOA JURÍDICA QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE CONSUMIDOR. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. MP1963- 17 REEDITADA PELA MP 2170-36. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO ÓRGÃO ESPECIAL. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO, POR

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MAIORIA DE VOTOS.

1. Assegura-se a aplicação da média de mercado estipulada pelo BACEN quando evidenciada a abusividade na taxa pactuada entre as partes. 2. A MP 1963-17, reeditada pela MP 2170-36, que autorizava a cobrança de juros cap- italizados em periodicidade inferior a anual, foi objeto de declaração de in- constitucionalidade pelo órgão especial desta corte, nos termos do acórdão proferido no incidente de inconstitucionalidade nº 579.047-0/01, cabendo aos órgãos fracionários à aplicação deste posicionamento. (TJPR; ApCiv 0934780-6; Maringá; Décima Terceira Câmara Cível; Relª Desª Lenice Bod- stein; DJPR 13/09/2013; Pág. 474)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CARTÃO DE CRÉDI- TO. JUROS REMUNERATÓRIOS. PROVA DA ABUSIVIDADE. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO. CAPITALIZAÇÃO. QUITAÇÃO DO MÍNIMO DA FATURA. ANATOCISMO NÃO CON- FIGURADO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. MUL- TA. MATÉRIA QUE NÃO FOI OBJETO DA SENTENÇA. RECURSO NÃO CONHECIDO NESTA PARTE. RESTITUIÇÃO DOS VALORES INDEVIDAMENTE EXIGIDOS. PROVIDÊNCIA QUE ENCONTRA AMPARO NO ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC. RESTITU- IÇÃO DE FORMA SIMPLES. COMPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS. POSSIBILIDADE. MEDIDA NECESSÁRIA.

1. Demonstrada a abusividade dos índices de juros praticados, impõe se a lim-

itação à taxa média de mercado. 2. A cobrança de juros capitalizados, em con- tratos de cartão de crédito, somente ocorre quando não há sequer o pagamento mínimo. Assim, não há capitalização quando o devedor sempre efetuou, pelo menos, o pagamento do valor mínimo da fatura. 3. É descabida a alegação de ilegitimidade passiva quando o próprio réu se autodenomina como atual responsável pelos contratos firmados com a parte indicada no polo passivo da petição inicial. 4. Não se conhece de recurso na parte em que pugna pela modificação de matéria que sequer foi objeto de análise na sentença.

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5. É devida a restituição na forma simples de valores indevidamente cobra- dos pelo banco ao longo da relação jurídica contratual. 6. Os honorários ad- vocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte. (Súmula nº 306/stj). Apelação cível parcial- mente conhecida e, na parte conhecida, parcialmente provida. (TJPR; ApCiv 1078270-6; Maringá; Décima Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Jucimar Novo- chadlo; DJPR 12/09/2013; Pág. 518)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. CLÁUSULAS ABUSIVAS. POSSIB- ILIDADE DE REVISÃO HIPÓTESE EM QUE O BANCO NÃO JUN- TA O CONTRATO CELEBRADO ENTRE AS PARTES IMPOSSIBI- LIDADE DE AFERIÇÃO DA ABUSIVIDADE OU NÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. SITUAÇÃO QUE INDUZ À VERACIDADE DOS FATOS DEDUZIDOS NA INICIAL. JUROS CONTRATADOS ABUSIVOS. REDUÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS À TAXA MÉDIA DE MERCADO INDICADA PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL, NO MÊS DA CONTRATAÇÃO.

O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras (Súmula nº 297 do stj). O princípio pacta sunt servanda não é absoluto, deve ser interpretado de forma relativa, em virtude do caráter público das normas violadas no contrato, possibilitando, portanto, a revisão das cláusulas havidas por abusivas e ofensivas à legislação nacional, em especial o Código de Def- esa do Consumidor, Código Civil e o Decreto nº 22.626/33. Não tendo o réu juntado o contrato objeto da ação, reputam-se verdadeiros os fatos articulados 51 na inicial, inclusive no que se refere à abusividade dos juros contratados. Capitalização mensal, comissão de permanência inexistência de prova da contratação dos respectivos encargos verbas indevidas. Nos contratos regi- dos pelo Código de Defesa do Consumidor não valem as cláusulas implícitas. Muito menos, então, se pode condenar ao pagamento de encargo cuja prova não se fez a contento quanto a ter sido efetivamente contratado. Assim, muito

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embora a comissão de permanência e a capitalização mensal dos juros re- muneratórios sejam admissíveis, devem elas resultar, contudo, de expressa contratação entre as partes, nos termos do artigo 421 do Código Civil e de iter- ativa jurisprudência do Superior Tribunal de justiça sobre o tema, observado o regramento imposto pelos artigos 51, § 1º e 54, § § 3º e 4º, da Lei nº 8.078/90. Se o réu, citado, deixa de juntar o contrato celebrado entre as partes, não se pode estabelecer tais verbas como devidas porque não há prova da contratação e, assim, não se pode falar na existência de obrigação por parte do autor quan- to ao pagamento delas. Taxa de abertura de crédito possibilidade de cobrança, desde que contratada. Não comprovação da contratação. Ausência de contra- to. Verba indevida. I) é possível a cobrança da taxa de abertura de crédito e da taxa de emissão de boleto, desde que expressamente contratadas. Ii) recurso do autor conhecido e provido. Recurso do réu conhecido e improvido. (TJMS; APL 0803923-08.2011.8.12.0001; Campo Grande; Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Dorival Renato Pavan; DJMS 02/09/2013)

6.2. juros moratórios;

AÇÃO MONITÓRIA.

Cédula de crédito bancário. Possibilidade de capitalização mensal dos juros. Previsão legal contida no artigo 28 da Lei nº 10931/2004. Juros remuner- atórios. Ausência de interesse em recorrer. Comissão de permanência. Pre- visão contratual. Possibilidade de uso do encargo, não cumulado com os juros moratórios. INPC. Ausência de demonstração de previsão contratual sobre a TR. Precedentes desta corte e da corte superior. Reforma parcial da sen- tença. Apelo conhecido e provido parcialmente. Decisão unânime. (TJSE; AC 2013213359; Ac. 13333/2013; Primeira Câmara Cível; Rel. Des. Roberto Eu- genio da Fonseca Porto; Julg. 03/09/2013; DJSE 12/09/2013)

CONTRATO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMU- NERATÓRIOS. LIMITE. CAPITALIZAÇÃO. COMISSÃO DE PER- MANÊNCIA. ENCADEAMENTO DE CONTRATOS. REVISÃO.

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PRECLUSÃO.

1. Ainda que haja encadeamento de contratos e seja possível a revisão das avenças cujos débitos confessados culminou na cédula de crédito bancário objeto do feito, resta preclusa a revisão dessas avenças, porque, apesar da oportunidade dada pelo juízo para realização de provas pertinentes, as partes quedaram-se inertes. 2. A limitação da taxa de juros remuneratórios depende da demonstração de abuso, configurado com a cobrança muito superior à média dos preços praticados no mercado, de acordo com decisão do STJ, com repercussão geral da matéria (RESP 1.061.530. RS). 2. Nas cédulas de crédi- to bancário em que há expressa previsão de cobrança de juros mensalmente capitalizados, essa cobrança é válida. 3. Conforme Súmula nº 472 do STJ, “a cobrança de comissão de permanência cujo valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e moratórios previstos no contrato exclui a exi- gibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa contratual”. Hav- endo previsão de cobrança de multa contratual e juros moratórios cumulados com comissão de permanência, cabe afastar tal cumulação, com observação de que cabe ao credor optar pela cobrança da comissão ou dos demais encar- gos de mora, e que, em caso de eventual previsão de taxa contratual inferior à soma acima, deve prevalecer a menor taxa. 4. Recurso não provido, com observação. (TJSP; APL 0006573-46.2012.8.26.0483; Ac. 6985823; Presi- dente Venceslau; Décima Quarta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Melo Colombi; Julg. 28/08/2013; DJESP 11/09/2013)

AGRAVO INTERNO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO AO PRECEDENTE RECURSO DE APELAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. LIM- ITAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS EM 1% AO ANO. PRECE- DENTES. AFASTAMENTO DA TBF COMO INDEXADOR DE COR- REÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA Nº 287 DO STJ. DESPROVIMENTO DO PRESENTE RECURSO ANTE A NÃO VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO ART. 557 DO CPC.

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Agravo interno desprovido. (TJPR; Agr 1031273-7/01; Marechal Cândido Rondon; Décima Quinta Câmara Cível; Relª Juíza Conv. Elizabeth M. F. Ro- cha; DJPR 12/09/2013; Pág. 498)

AUSÊNCIA

DE

INTERESSE

RECURSAL

EMBARGOS

À

EX-

ECUÇÃO.

Manutenção da multa de 10% insurgência dos embargantes quanto a esse percentual cálculos que acompanharam a ação executiva elaborados com a aplicação de multa de 2% percentual que se encontra em conformidade com a norma consumerista desnecessidade de alteração da sentença ataca- da nesse tópico interposição do recurso que não resultará aos embargantes situação mais favorável do que aquela apresentada pelo exequente ausência de interesse recursal recurso dos embargantes não conhecido neste tópico. APELAÇÃO EMBARGOS À EXECUÇÃO CÉDULA DE CRÉDITO RU- RAL juros remuneratórios alteração do percentual aplicado originalmente por meio de aditivos inadmissibilidade subsistência dos encargos pactuados inicialmente no contrato precedentes do STJ juros de mora vedação legal de cobrança de juros moratórios à taxa superior a um por cento ao ano, nos ter- mos do art. 5º, parágrafo único do Decreto-Lei nº 167/67 redução ao per- centual de 1% ao ano mantida. SUCUMBÊNCIA embargos à execução par- cialmente acolhidos honorários advocatícios fixados nos moldes do art. 21, parágrafo único do CPC no valor de R$ 2.000,00, em favor da patrona dos embargantes montante adequado recurso do embargado desprovido e recurso dos embargantes parcialmente conhecido e, na parte conhecida, desprovido. (TJSP; APL 0000971-50.2012.8.26.0588; Ac. 6992934; São José do Rio Par- do; Décima Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Castro Figliolia; Julg. 04/09/2013; DJESP 10/09/2013)

6.3. multa contratual;

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. CONTRATO DE CESSÃO DE

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DIREITO DE OCUPAÇÃO DE UNIDADE HABITACIONAL HOTE- LEIRA EM SISTEMA DE TEMPO COMPARTILHADO. CANCELA- MENTO DO AJUSTE, POR INICIATIVA DOS AUTORES. ADMISSIB- ILIDADE. MULTA CONTRATUAL. ABUSIVIDADE CONFIGURADA. REDUÇÃO EQUITATIVA (ARTIGO 412 DO CÓDIGO CIVIL C. C. ARTIGO 51 DO CDC). PROCEDÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Adotando os autores a iniciativa de rompimento unilateral do ajuste, devem

arcar com a multa livremente ajustada. Entretanto, apresentando-se excessivo o valor fixado, considerando-se que não usufruíram dos serviços oferecidos e pleitearam a rescisão apenas cinco meses depois de formalizado o contrato, razoável e adequada se apresenta a redução da multa, no percentual de 10% sobre o valor pago atualizado desde o desembolso, com a condenação das rés, solidariamente, a restituir o saldo. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CON- TRATO DE CESSÃO DE DIREITO DE OCUPAÇÃO DE UNIDADE HAB- ITACIONAL HOTELEIRA EM SISTEMA DE TEMPO COMPARTILHA- DO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESCISÃO UNILATERAL POR INICIATIVA DOS AUTORES. DANOS MORAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO. Não se tratando de situação em que o dano moral se presume in re ipsa, faz-se necessária a demonstração efetiva de sua ocor- rência para justificar o reconhecimento do direito à reparação. No caso, os transtornos vividos pelos autores não chegaram a caracterizar verdadeira situ- ação de dano moral, o que afasta a possibilidade de cogitar de reparação nesse aspecto. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SENTENÇA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO CARÁTER PROTELATÓRIO. INSUBSISTÊNCIA RECONHECIDA. RECURSO PROVIDO. Não sendo

possível identificar o propósito de protelar o andamento do processo, inviável se mostra imposição da multa, que por isso é excluída. (TJSP; APL 0218515- 47.2010.8.26.0100; Ac. 6989336; São Paulo; Trigésima Primeira Câma- ra de Direito Privado; Rel. Des. Antonio Rigolin; Julg. 03/09/2013; DJESP

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MONITÓRIA AÇÃO FUNDADA EM CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE (CHEQUE ESPECIAL) INEX- ISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. ART. 206, § 5º, I, CC/02 APLICAÇÃO DO CDC (LEI Nº 8078/90) INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. REDUÇÃO DA MULTA CONTRATUAL PARA 2%.

Vedada capitalização diária/mensal dos juros contratação anterior à MP nº 1963-17/2000 comissão de permanência não aplicada. Demanda pro- cedente em parte recurso parcialmente provido. (TJSP; EDcl 0142971- 64.2007.8.26.0001/50000; Ac. 6986884; São Paulo; Décima Sexta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Jovino de Sylos Neto; Julg. 29/01/2013; DJESP

10/09/2013)

AÇÃO MONITÓRIA. APELAÇÃO CÍVEL. CÉDULA RURAL HI- POTECÁRIA. ENCARGOS DE INADIMPLEMENTO. MULTA MORATÓRIA FIXADA EM 10%. PRELIMINAR DE INOVAÇÃO RECURSAL. PRONUNCIAMENTO NOS AUTOS. REJEITADA. PREJUDICIAL DE PRESCRIÇÃO. AÇÃO PROPOSTA DENTRO DO LAPSO PRESCRICIONAL. REJEITADA. PREVISÃO CONTRAT- UAL. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. MULTA MORATÓRIA REDUZIDA AO PATAMAR DE 2%. SÚMULA Nº 285 DO STJ. PROVIMENTO PARCIAL DO APELO.

– Súmula nº 285 do Superior Tribunal de justiça, prevê que “nos contratos bancários posteriores ao Código de Defesa do Consumidor incide a multa moratória nele prevista”. - ausência do Decreto de emergência ou calamidade por parte do município, bem como o reconhecimento do governo federal de tais situações, o que implica a inaplicabilidade da Lei nº 11.775/2008. (TJPB; AC 032.2011.000767-4/001; Terceira Câmara Especializada Cível; Rel. Juiz Conv. Marcos William de Oliveira; DJPB 09/09/2013; Pág. 11)

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DIREITO CIVIL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. RESCISÃO CONTRATUAL. RESTITU- IÇÃO DA QUANTIA PAGA. MULTA (CLÁUSULA PENAL). ABUSIVI- DADE. POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DO VALOR DA CLÁUSULA PENAL. ADEQUAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO CONHECIDO E IMPROVI- DO. SENTENÇA MANTIDA.

1. A Lei nº 9.099/95 traz em seu artigo 6º. “O juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da Lei e às exigências do bem comum. “ dessa forma, a decisão de fl. 15, encontra respaldo legal, uma vez que possibilitou ao ré/recorrente prazo para contestar as alegações do autor/recorrido, inclusive, ressaltando a hipótese de revelia. Cumpre salientar que o termo empregado (intime-se) reveste-se na verdade da citação prevista pelo artigo 18, da Lei nº 9.099/95, pois possui a finalidade de cientificar o réu/ recorrente da demanda intentada. Trancorrido o prazo de 15 dias, a revelia está caracterizada. 2. Fixadas as normas e princípios que regulam o caso concreto, a pretensão do recorrido deve ser amparada com base no princípio da boa- fé, art. 4º, III, e art. 51, IV, do Código de Defesa do Consumidor, que dispõe que são nulas de pleno direito as cláusulas consid- eradas abusivas ou incompatíveis com a boa-fé, e no princípio do equilíbrio econômico do contrato, art. 51, II, também do Código de Defesa do Consumi- dor. 3. O consumidor tem direito ao desfazimento do contrato e restituição do valor pago e o dever de compor o prejuízo suportado pelo promissário vende- dor. Porém, afigura abusiva a cláusula contratual que estipula o percentual de 70% (setenta por cento) sobre o valor total pago até o distrato, a título de cláusula penal, pois apta a ensejar enriquecimento ilícito. 4. O valor indicado pelo autor está em consonância com os princípios da razoabilidade e da pro- porcionalidade, considerando-se que nesse percentual, qual seja 10% do valor efetivamente pago pelo consumidor, ficam incluídos os impostos e despesas havidas com a compra e sua rescisão. 5. O art. 51/CDC traz uma ideia de justiça contratual, inerente à eficácia interna da função social do contrato, de

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forma a gerar nulidade absoluta (e não relativa) quando uma cláusula con- sagra o vício da lesão ao consumidor. Tal consequência do CDC é, inclusive, de maior gravidade do que a lesão prevista nos artigos 157 e 171 do Código Civil. 6. Recurso conhecido e improvido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos. A Súmula de julgamento servirá de acórdão, conforme regra do art. 46 da Lei nº 9.099/95. O recorrente deverá arcar com o pagamento das custas e honorários advocatícios que fixo em R$ 10% sobre o valor da conde- nação devidamente corrigido. (TJDF; Rec 2012.07.1.037398-8; Ac. 707.472; Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz Lizandro Garcia Gomes Filho; DJDFTE 03/09/2013; Pág. 267)

APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS DE DEVEDOR. CÉDULA DE CRÉDITO COMERCIAL. REVISÃO CONTRATUAL. CAPITAL- IZAÇÃO MENSAL DE JUROS EXPRESSAMENTE CONTRATADA. MANTIDA. MULTA CONTRATUAL DE 10% REDUZIDA PARA 2%. CÓDIGO DO CONSUMIDOR. RECURSO PARCIALMENTE PROVI- DO.

É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da medida provisória n. 1.963- 17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressa- mente pactuada. Caso em que o instrumento previu expressamente a capital- ização diária de juros, reconhecidamente legal nos termos do recurso para- digma. RESP n. º 973.827/ RS. Em razão de incidir na espécie o Código de Defesa do Consumidor, a cobrança da multa moratória na alíquota de 10% só poderá ser mantida para contratos firmados antes da vigência da Lei nº 9.298/96, que alterou o código consumerista, motivo pelo qual, no caso, mere- ceu ser reduzida para 2%, conforme disposto no enunciado da Súmula nº 285/ stj. (TJMS; APL 0021303-43.2012.8.12.0001; Campo Grande; Terceira Câ- mara Cível; Rel. Des. Fernando Mauro Moreira Marinho; DJMS 21/08/2013)

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PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. CÉDULA DE CRÉDI- TO RURAL. REVISIONAL DE CONTRATO. APLICAÇÃO DO CDC ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 297 DO STJ. TJLP. APLICAÇÃO CABÍVEL EM CONTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 288 DO STJ. JUROS REMUNERATÓRI- OS. DECRETOLEI Nº 167/67. PERCENTUAL MÁXIMO DE 12% AO ANO. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. INACUMULAÇÃO COM JU- ROS REMUNERATÓRIOS E MORATÓRIOS, MULTA E CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA MORATÓRIA. LIMITAÇÃO DE 2% AO ANO. ART. 52, § 1º DO CDC. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS. PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA. POSSIBILIDADE. REPETIÇÃO DE IN- DÉBITO CONFIGURADA. DEVOLUÇÃO NA FORMA SIMPLES. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. REDUÇÃO DO ÔNUS SUCUMBENCIAL PARA 10% SOBRE O VALOR DA CONDE- NAÇÃO NA RESTITUIÇÃO DOS VALORES EXCESSIVAMENTE PA- GOS. SENTENÇA PARCIALMENTE MANTIDA.

1. É perfeitamente aplicável o Código Consumerista nas relações jurídicas bancárias, conforme inteligência da Súmula nº 297 do STJ. 2. O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que é possível a incidência do TJLP aos contratos bancários, entendimento sedimentado na Súmula nº 288. No caso em apreço, restou pactuado no contrato a TJLP, razão pela qual deve ser utilizada como índice de correção monetária. 3. No tocante à limitação da taxa de juros, conquanto na regência da Lei nº 4.595/64 não estejam os juros bancários limitados a 12% ao ano, as notas de crédito rural, comercial e indus- trial achamse submetidas a regramento próprio (Lei nº 6.840/80 e Decreto Lei nº 413/69) que conferem ao Conselho Monetário Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados. 4. A comissão de permanência só poderá incidir quando restar caracterizada a inadimplência do devedor e, como visto, é con- stituída como um instrumento de atualização monetária do saldo devedor, sen- do portanto inadmissível que seja cumulada com a correção monetária, pois estaria a submeter o devedor ao injusto bis in idem. 5. A multa moratória deve ter limitação em 2%, a partir do advento da Lei nº 9.298, de 01.08.1996, que

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alterou o Código de Defesa do Consumidor, sendo aplicável apenas aos con- tratos firmados em data posterior a sua vigência, como ocorre no caso em epí- grafe. 6. A jurisprudência tem reconhecido a aplicação da Medida Provisória nº 1.96317, revigorada pela MP nº 2.17036/2001, aos contratos celebrados a partir de 31 de março de 2000, entendendo como válida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano, desde que expressamente pactua- da. Da análise da documentação acostada aos autos verificase a existência de previsão contratual acerca da incidência da capitalização de juros, logo a sua prática é admissível. 7. A ratio essendi da repetição do indébito remete à ne- cessidade de se evitar o enriquecimento ilícito da parte beneficiada. Com efei- to, após o re cálculo do débito apurado na avença, com base nos parâmetros es-

tabelecidos neste decisum, deverá operarse a compensação, na forma simples, nos termos do art. 876 do Código Civil de 2002. 8. A fixação dos honorários advocatícios deve ser realizada de forma a zelar pela dignidade da atividade profissional, esse entendimento é o que tem prevalecido nos tribunais pátrios, inclusive neste. 9. Apelação conhecida e parcialmente provida. (TJCE; AC

  • 0763127 26.2000.8.06.0001; Sétima Câmara Cível; Rel. Des. Francisco Bez-

erra Cavalcante; DJCE 09/07/2013; Pág. 59)

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. PROCESSO CIVIL. CONSUMIDOR. CANCELAMENTO DE PASSAGENS AÉREAS. RESCISÃO CON- TRATUAL. RESTITUIÇÃO DA QUANTIA PAGA. MULTA ABUSIVA. REDUÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. RECURSO CONHECI- DO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRI- OS FUNDAMENTOS.

1.O consumidor tem direito de pedir cancelamento das passagens aéreas ad- quiridas e a restituição do valor pago. No entanto, cumpre-lhe compor o pre- juízo suportado pelo fornecedor. 2.Na hipótese, afigura abusiva a cobrança de

multa em percentual que varia de 49,38% e 100%, sobre o valor pago, máxime se a recorrida não comprova o efetivo prejuízo, decorrente da impossibilidade

de substituir o recorrido por outro

passageiro. .

3.Apenas o fato de se tratar de

passagem com tarifa reduzida e restar previamente ajustada a multa, não

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justifica a cobrança excessiva e, via de conseqüente, não impede o reconheci- mento da abusividade da cobrança, oriunda da desproporcionalidade da multa

aplicada. Artigo 51, CDC. 4.Correta, pois, a redução da multa efetivada pelo juiz sentenciante. 5.Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos, servindo a Súmula de julgamento como acórdão, na forma do artigo 46 da Lei nº 9099/95. Sem custas e sem honorários à fal- ta de contrarrazões. (TJDF; Rec 2012.07.1.030777-5; Ac. 670.200; Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Relª Juíza Wilde Maria Silva Justiniano Ribeiro; DJDFTE 19/04/2013; Pág. 240)

RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. NOTA DE CRÉDITO RURAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JU- ROS. POSSIBILIDADE. PREVISÃO CONTRATUAL. INTELIGÊN- CIA DO ARTIGO 5º DO DECRETO-LEI Nº 167/67 E DA SÚMULA Nº 93 DO STJ. MULTA CONTRATUAL. APLICAÇÃO DO CDC. EXE- GESE DAS SÚMULAS NºS 285 E 297 DO STJ. REDUÇÃO MANTI- DA. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 52, § 1º, DO CDC. CUSTAS PRO- CESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA MAJORITÁRIA DOS APELADOS. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 21, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. RECURSO CONHECIDO E PAR- CIALMENTE PROVIDO.

Consoante interpretação do artigo 5º do Decreto-Lei nº 167/67 e da Súmula nº 93 do STJ, desde que previamente acordado entre as partes, às notas de crédito rural é aplicável a capitalização mensal de juros. Sendo aplicável o código consumerista ao caso em análise, deve ser mantida a redução da multa

contratual para o patamar previsto no artigo 52, § 1º, do CDC. Consoante o que preceitua o artigo 21, parágrafo único, do CPC, havendo sucumbência mínima de uma das partes, a condenação em custas processuais e honorários

advocatícios deve ser atribuída exclusivamente à parte contrária, majoritaria-

mente, vencida. (TJMT; APL 115767/2012; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Dirceu dos Santos; Julg. 03/04/2013; DJMT 25/04/2013; Pág. 55)

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APELAÇÃO CÍVEL. REVISIONAL DE CONTRATO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA. CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA E HIPOTECÁRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLI- CAÇÃO. CARÊNCIA DA AÇÃO. NÃO VERIFICADA. REVISÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. JUROS REMUNERATÓRI- OS. LIMITE LEGAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. IN- APLICABILIDADE. COMISSÃO PERMANÊNCIA. INADMISSIBIL- IDADE. REDUÇÃO DA MULTA CONTRATUAL. POSSIBILIDADE. REPETIÇÃO INDÉBITO. FORMA SIMPLES. HONORÁRIOS ADVO- CATICIOS. MANUTENÇÃO. RECURSO DESPROVIDO.

  • 01. Súmula nº 297 do STJ: o Código de Defesa do Consumidor é aplicável às

instituições financeiras. 02. O princípio clássico da obrigatoriedade dos con- tratos, bem como os princípios da autonomia da vontade e da liberdade de con- tratar passaram a ser interpretados em conjunto com os princípios modernos da equivalência material das partes, boa-fé objetiva e função social do contra-

to. .

Daí que possível e necessária a revisão e modificação do contrato quando

nele presentes cláusulas contratuais que estabeleçam obrigações e prestações

desproporcionais para as partes contratantes, sem que se cogite de violação do

princípio da pacta sunt servanda. (

...

).

(tjpr. 15ª ccível. AP 661631-9. Rel. Des.

Hayton lee swain filho. DJ 17.05.10).03. Nas cédulas de crédito rural, indus- trial ou comercial, os juros estão limitados a 12% ao ano, desde que não haja prova de autorização pelo Conselho Monetário Nacional ao credor para que este possa exceder o limite previsto. 04. Não obstante a possibilidade da co- brança da comissão de permanência em contratos de crédito e financiamentos, a cédula rural pignoratícia tem disciplina específica no Decreto-Lei n. 167/67, que prevê somente a cobrança de juros e multa no caso de inadimplemento.

  • 05. O contrato sob análise foi celebrado em momento posterior à vigência da

Lei nº 9.298/96, que alterou a redação o art. 52, §1. º, desse modo, possível redução da multa moratória para 2%.06. Com a cobrança de encargos indev- idos pelo apelante há o dever de devolução desses, a ser apurado na fase de liquidação, sob pena de enriquecimento ilícito da parte, nos termos do art. 876 do Código Civil, de forma simples, porque não se pode vislumbrar a má-fé da

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instituição financeira. Apelação cível desprovida. (TJPR; ApCiv 1011118-5; Curitiba; Décima Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Paulo Cezar Bellio; DJPR 12/07/2013; Pág. 258)

6.4. comissão de permanência;

INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CDC. APLICABILIDADE. CONTRA- TO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE CONTRATAÇÃO. JU- ROS MORATÓRIOS. LIMITAÇÃO. SÚMULA Nº 379, STJ. CAPI- TALIZAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS. CAPITALIZAÇÃO. IL- EGALIDADE. ART. 5º, MP 2.170-36. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELA CORTE SUPERIOR DO TJMG. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FORMA.

I. O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras, ut Súmula nº 297, STJ. II. No contrato de arrendamento mercantil financeiro firmado entre as partes, não há estipulação de juros remuneratórios, próprio dos contratos de financiamento, mas sim a estipulação de remuneração devida pelo arrendatário, em decorrência da locação do bem, além de antecipação do valor residual garantido (VRG). Via de consequência, não há que se falar em abusividade dos juros remuneratórios e nem de capitalização destes. III. A contratação e cobrança de comissão de permanência não restaram provadas. lV. “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês” (Súmula nº 379, STJ) V. A capitalização mensal dos juros moratórios é vedada, salvo exceções legais, como as cédulas de crédito bancário, industrial, rural e com- ercial. VI. Inconstitucionalidade do art. 5º da Medida Provisória nº 2170/2001 declarada incidentalmente pela Corte Superior do TJMG, no incidente de in- constitucionalidade de nº 1.0707.05.100807-6/003. VII. No caso sub judice, como não houve estipulação de juros remuneratórios, entendo que a comissão de permanência deve ficar limitada à taxa de contraprestação fixada no

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contrato, acrescida dos juros de mora de 1% ao mês e multa de 2%. VIII. Nos casos em que for constatada a cobrança indevida, ou seja, aquela realizada em desacordo com o restou expressamente contratado, a repetição de indébito

deve ser realizada em dobro. Nos casos de cobrança abusiva, mas de acordo

com o que restou expressamente contratado, a repetição deve ser realizada de forma simples. (TJMG; APCV 1.0035.10.001918-7/001; Rel. Des. Mota e Silva; Julg. 10/09/2013; DJEMG 13/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO CONTRATUAL. ARRENDAMENTO MERCANTIL. POSSIBILIDADE. ENCARGOS MORATÓRIOS. JU- ROS DE MORA ABUSIVOS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. APLI- CAÇÃO DA SÚMULA Nº 472 STJ.

I. A possibilidade de revisão contratual não se restringe à hipótese do art. 478 do Código Civil, sendo que as normas do CDC, conjugadas com a do art. 421 do Código Civil, autorizam a revisão do contrato para se afastar abusiv- idades, mesmo que não tenha ocorrido qualquer mudança extraordinária que torne excessivamente oneroso o cumprimento da avença, em observância aos princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato. II. O Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula de nº472, consignando que a cobrança de comissão de permanência exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa contratual, e seu valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e moratórios previstos no contrato. (TJMG; APCV 1.0024.10.059720-2/001; Rel. Des. João Cancio; Julg. 10/09/2013; DJEMG

13/09/2013)

APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CÉDU- LA DE CRÉDITO BANCÁRIO. - RECURSO DO BANCO. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. ENCARGOS DA MORA. APLICAÇÃO DO RE- CURSO REPETITIVO RESP Nº 1.058.114/RS. TARIFA BANCÁRIAS. ABUSIVIDADE. APELO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. - RECURSO DO MUTUÁRIO. CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA DE JU- ROS. LEI Nº 10.931/2004. PREVISÃO EXPRESSA NO CONTRATO.

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LEGALIDADE. RESTITUIÇÃO EM DOBRO. HONORÁRIOS ADVO- CATÍCIOS. 10%. PROPORCIONAL AO PROVEITO ECONÔMICO OBTIDO NA DEMANDA. COMPENSAÇÃO. APELO DO MUTUÁRIO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Comissão de permanência. Nos termos do recurso repetitivo RESP nº 1.058.114/rs, permite-se ao credor, com a inadimplência, apenas a cobrança do valor que resulta da soma dos juros remuneratórios à taxa média de mercado limitada aos remuneratórios contratados, mais os juros moratórios limitados a 12% ao ano, a multa contratual (com a limitação do artigo 52, § 1º do cdc) e, ainda, se contratada, a correção monetária. 2. Tarifas bancárias. Contratadas em valores abusivos e não correspondentes a serviço efetivamente prestado, restituem-se ao consumidor os valores pagos a esses títulos. 3. Capitalização composta de juros. Há capitalização composta de juros no cálculo das parcelas com base na tabela price. Ressalva do relator, que entende não existir capi- talização composta de juros. -havendo previsão expressa no contrato da ocor- rência de capitalização composta de juros mensais, nos termos do artigo 28, §1º, I da Lei nº 10.931/2004, a prática é legal. -não é suficiente, para atender o postulado da informação clara ao consumidor (artigos 6º, III, 46 e 52 do cdc), a mera previsão de que o duodécuplo da taxa mensal é inferior à taxa anual de juros remuneratórios. 4. Repetição em dobro. Nos termos do artigo 940 do CC e do artigo 42, parágrafo único do CDC, é devida a restituição em dobro dos valores indevidamente pagos pelo devedor. Ressalva do entendimento do re- lator. 5. Honorários advocatícios. Proporcionalização mediante incidência do percentual de 10% sobre a expressão financeira da vitória e da derrota de cada uma das partes. Custas e despesas processuais na mesma proporção, compen- sando-se nos termos Súmula nº 306 do stj. 6. Recurso da instituição financeira conhecido e provido em parte para consignar que, em caso de inadimplência, somente se pode cobrar do devedor os juros remuneratórios (limitados pela taxa pactuada ou pela média do BACEN, o que for menor), mais os juros mor-

atórios (de 1% ao mês), mais a multa (de 2%) e, se for a hipótese, a correção

monetária. 8. Apelo do consumidor conhecido e parcialmente provido para

determinar a devolução, de forma dobrada, dos valores pagos a título de tac

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e tarifa de serviços de terceiros. (TJPR; ApCiv 0994150-6; Londrina; Décima Oitava Câmara Cível; Rel. Des. Renato Lopes de Paiva; DJPR 13/09/2013; Pág. 550)

RECURSOS DE APELAÇÕES. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. PRIMEIRA APELAÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVOS. PERCENTUAL SUPERIOR A MÉDIA DE MERCADO. REDUÇÃO. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CU- MULAÇÃO COM OUTRO ENCARGO MORATÓRIO. AFASTADA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. COMPENSAÇÃO DE FORMA SIM- PLES. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. PERCENTUAL ADE- QUADO AO NÚMERO DE PEDIDO DECAÍDOS. VALOR PROPOR- CIONAL E RAZOÁVEL. ALTERADO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. SEGUNDA APELAÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. APLICAÇÃO DO CUSTO EFETIVO TOTAL-CET. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. POSSIBILIDADE COM BASE NA RESOLUÇÃO Nº. 3.517, DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL-CMN. MANTI- DOS. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. CLÁUSULA EXPRESSA. MAN- TIDA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. AFASTADA. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. PERCENTUAL ADEQUADO AO NÚMERO DE PEDIDO DECAÍDOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Os juros remuneratórios contratados mostram-se abusivos, quando superior a taxa média divulgada pelo Banco Central do Brasil. BACEN, sendo possív-

el a incidência do custo efetivo total. Cet, desde que as taxas e tarifas que a compõe não sejam abusivas, devendo ser reduzidos ao percentual indicado. É vedada a cobrança de comissão de permanência cumulada com demais en- cargos moratórios. Verificado o pagamento em valores superiores ao efetiva- mente devidos, o excesso deve ser abatido do saldo devedor do empréstimo,

de forma simples, sob pena de enriquecimento indevido. A capitalização de juros é válida, quando expressamente pactuada nas cláusulas do contrato. Os honorários advocatícios devem ser distribuídos proporcionalmente quando as partes saem como vencedor e vencido, em percentual adequado ao número

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de solicitações decaídas, cujo valor fora arbitrado de forma razoável. (TJMT; APL 51389/2013; Tangará da Serra; Primeira Câmara Cível; Rel. Des. Marcos José Martins de Siqueira; Julg. 03/09/2013; DJMT 12/09/2013; Pág. 15)

REVISIONAL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO. CAPITAL- IZAÇÃO DOS JUROS. APLICAÇÃO DO CDC E REVISÃO CON- TRATUAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EXPRESSA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. RECURSO REPETITIVO (RESP 1.058.114 RS) E SÚMULA Nº 472 DO STJ. TARIFAS ADMINISTRATIVAS. ABUSIVI- DADE.

Recurso parcialmente provido. (TJPR; ApCiv 0982869-9; Curitiba; Décima Oitava Câmara Cível; Rel. Des. Carlos Mansur Arida; DJPR 12/09/2013; Pág. 555)

6.5. alienação fiduciária;

APELAÇÃO CÍVEL. REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIA- MENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CAPITAL- IZAÇÃO DE JUROS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO EXPRESSA. PRÁTICA VEDADA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA NÃO PACTUADA, E COBRANÇA NÃO COMPROVADA. IMPOS- SIBILIDADE DE EXCLUSÃO. COMISSÃO DE OPERAÇÃO ATIVA E TARIFA DE EMISSÃO DE CARNÊ. CUSTO ADMINISTRATIVO INERENTE AO CONTRATO. IMPOSSIBILIDADE DE REPASSE AO CONSUMIDOR. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 51, INCISO XII, CDC. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Evidencia-se a prática de juros capitalizados mensalmente pela não corre- spondência entre o resultado da multiplicação da taxa mensal por doze (me- ses), que deve ser declarada nula, por ausência de previsão expressa. 2. Aus- ente também a previsão contratual quanto à comissão de permanência, e não comprovada sua cobrança indevida, indefere-se o pedido de exclusão de tal

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verba. 3. As tarifas administrativas são intrínsecas à própria atividade de fi- nanciamento e, por isso, afigura-se abusivo que sejam transferidas ao financia- do, sendo nulas de pleno direito, na medida em que colocam o consumidor em desvantagem exagerada, sendo verdadeiramente incompatíveis com a boa- fé e a equidade, nos moldes do art. 51, inciso XII, do código de defesa do con- sumidor. (TJPR; ApCiv 0932924-0; Londrina; Décima Oitava Câmara Cível; Rel. Juiz Conv. Luis Espíndola; DJPR 13/09/2013; Pág. 563)

AGRAVO INTERNO (ART. 557, § 1º, DO CPC) EM AGRAVO DE IN- STRUMENTO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO GARANTIDO COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA REPRESENTADO POR CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. CDC. PETIÇÃO INICIAL INSTRUÍDA COM FOTOCÓPIA DESSE TÍTULO DE CRÉDITO. DETERMINAÇÃO DE EXIBIÇÃO DO DOCUMENTO ORIGINAL SOB PENA DE EXTINÇÃO DO PROCESSO. IRRESIG- NAÇÃO DO REQUERENTE POR AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO, LIMI- NARMENTE, AO RECURSO POR MANIFESTO CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE DE JUSTIÇA. TÍTULO DE CRÉDITO EM QUESTÃO SUJEITO AOS PRINCÍPIOS DA CARTU- LARIDADE E CIRCULARIDADE. DECISÃO UNIPESSOAL ACER- TADA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

A ação de busca e apreensão de bem financiado mediante cédula de crédi- to bancário, com alienação fiduciária, pressupõe necessariamente a compro- vação da constituição em mora do devedor e a instrução da petição inicial com a via original do título de crédito, sob pena de indeferimento da peça vestibu- lar e extinção do processo sem apreciação do mérito. A imprescindibilidade da exibição do documento original representativo da cédula de crédito bancário funda-se na possibilidade de circulação e transferência da cártula por meio de endosso em preto, conforme prevê o § 1º do art. 29 da Lei n. 10.931, de 2-8- 2004. (TJSC; AG-AI 2013.045645-8/0001.00; Campos Novos; Câmara Civil Especial; Rel. Des. Subst. Luiz Zanelato; Julg. 05/09/2013; DJSC 13/09/2013;

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Pág. 324)

RECURSO APELAÇÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA BUSCA E APREENSÃO PURGAÇÃO DA MORA.

Apesar da Lei nº 10.931/04 ter dado nova redação aos parágrafos do artigo 3º do Decreto-Lei nº 911/69, continua sendo permitida purgação da mora nos contratos de alienação fiduciária, não se exigindo, para tanto, o pagamento integral da dívida, sob pena de desnaturar a própria natureza do contrato de fi- nanciamento garantido por alienação fiduciária. Aplicação, ademais, do Códi- go de Defesa do Consumidor. Ademais, a purgação da mora é medida que decorre da interpretação legal, sob a ótica consumerista. Sentença mantida. Recurso de apelação não provido. (TJSP; APL 0000680-83.2012.8.26.0383; Ac. 6977009; Nhandeara; Vigésima Quinta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Marcondes D’ Ângelo; Julg. 29/08/2013; DJESP 12/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. BUSCA E APREENSÃO FUNDADA EM CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM ALIENAÇÃO FI- DUCIÁRIA DE VEÍCULO AUTOMOTOR PURGAÇÃO DA MORA. POSSIBILIDADE.

Considerando-se a possibilidade da purgação da mora sem a rescisão do con- trato, nos termos do art. 54, § 2º, do CDC, e que se, por um lado, o credor fiduciário é titular da propriedade resolúvel, por outro lado, o devedor fiduci- ante é titular da propriedade sujeita a condição suspensiva, persiste o direito de o devedor fiduciante purgar a mora com o depósito das parcelas até então vencidas. Agravo desprovido. (TJSP; AI 2012048-06.2013.8.26.0000; Ac. 6995095; Guarulhos; Trigésima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Lino Machado; Julg. 04/09/2013; DJESP 11/09/2013)

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AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO FUNDADA EM CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM CLÁUSU- LA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. PURGAÇÃO DA MORA POS- SIBILIDADE DECISÃO MANTIDA. VEM SENDO ADMITIDA, NA JURISPRUDÊNCIA, A PURGAÇÃO DA MORA COM O DEPÓSITO APENAS DAS PRESTAÇÕES ATÉ ENTÃO (DATA DO DEPÓSITO) VENCIDAS.

Além disso, o prazo complementar de quarenta e oito horas determina a com- plementação de apenas uma única parcela (dez foram depositadas), a qual venceu entre a propositura da ação e a data do depósito (11ª prestação devida). Agravo desprovido. (TJSP; AI 2003965-98.2013.8.26.0000; Ac. 6994347; Itararé; Trigésima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Lino Machado; Julg. 04/09/2013; DJESP 11/09/2013)

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BUSCA E APREENSÃO E AÇÃO REVI- SIONAL. CONEXÃO DE CAUSAS. RECONHECIMENTO. CARAC- TERIZADA A CONEXÃO ENTRE A AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO E A AÇÃO REVISIONAL, IMPÕE-SE A REUNIÃO DAS AÇÕES PARA JULGAMENTO CONJUNTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GA- RANTIA. BUSCA E APREENSÃO DEPÓSITO DA TOTALIDADE DAS PRESTAÇÕES VENCIDAS NOS AUTOS DE AÇÃO REVISION- AL PURGAÇÃO DA MORA RECONHECIMENTO SUSPENSÃO DA MEDIDA LIMINAR. CABIMENTO.

Nada obstante o depósito das prestações em atraso tenha sido efetivado nos autos da ação revisional, não há como deixar de reconhecer sua natureza de purgação da mora, pelo que se afigura escorreita a suspensão da medida limi- nar de busca e apreensão do veículo. Recurso improvido. (TJSP; AI 2002582- 85.2013.8.26.0000; Ac. 6991910; Ribeirão Preto; Trigésima Câmara de Direi- to Privado; Rel. Des. Orlando Pistoresi; Julg. 04/09/2013; DJESP 11/09/2013)

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AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO DE- CISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO A RECURSO EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DES- TA CORTE. ART. 527, I, DO CPC- LEGALIDADE. AÇÃO DE BUS- CA E APREENSÃO EM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. PURGAÇÃO DA MORA PARCELAS VENCIDAS. VENDA ANTECIPADA OU RE- MOÇÃO DO BEM. NECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JU- DICIAL.

01. O artigo 527, I, do código de processo civil permite ao relator negar segui- mento ao agravo quando manifestamente improcedente ou em confronto com a jurisprudência dominante do respectivo tribunal. 02. Para a purgação da mora em ações de busca e apreensão fundadas em pacto adjeto de alienação fiduciária, é suficiente o depósito das parcelas vencidas acrescida dos encar- gos moratórios até a data do depósito. 03. A remoção da Comarca ou a venda antecipada do veículo apreendido depende de prévia autorização judicial, em atenção aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Agravo regimental conhecido e não provido. (TJMS; AgRg 4008086- 28.2013.8.12.0000/50000; Campo Grande; Segunda Câmara Cível; Rel. Juiz Vilson Bertelli; DJMS 09/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. PURGAÇÃO DA MORA. PARCELAS VENCIDAS. EXCLUSÃO DAS VINCENDAS. RECURSO IMPROVI- DO.

O Decreto nº 911/69, com a alteração trazida pela Lei nº 10.931/04, tornou-se omisso quanto à possibilidade do devedor de purgar a mora. Todavia, tendo em vista que é direito subjetivo do devedor purgar a mora, porquanto previsto no art. 401 do CC/02, bem como no art. 54, § 2º, do CDC, do qual se extrai o princípio da conservação dos contratos de consumo, dúvida não há de que o devedor pode, em sede de busca e apreensão pelo Dec. Nº 911/69, exercer esse direito. A purga da mora somente deve compreender as parcelas vencidas

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até a data do depósito, sendo, portanto, desnecessário o depósito das parcelas vincendas. (TJMT; AI 4580/2013; Várzea Grande; Segunda Câmara Cív- el; Relª Desª Maria Helena Gargaglione Póvoas; Julg. 26/06/2013; DJMT 09/09/2013; Pág. 15)

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BUSCA E APREENSÃO. PURGAÇÃO DA MORA.

Depósito das parcelas vencidas, com exclusão das prestações vincen- das. Admissibilidade. Recurso desprovido. (TJSP; EDcl 0086851- 91.2013.8.26.0000/50000; Ac. 6976096; Itapeva; Vigésima Oitava Câma- ra de Direito Privado; Rel. Des. Cesar Lacerda; Julg. 25/06/2013; DJESP

09/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. ART. 3º, § 1º, DO DECRETO-LEI Nº 911/69. NOVA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.931/04. PURGAÇÃO DA MORA. POSSIBILIDADE. PAGA- MENTO DAS PARCELAS VENCIDAS ACRESCIDAS DOS ENCAR- GOS CONTRATUAIS. CLÁUSULA CONTRATUAL RESOLUTÓRIA. POSSIBILIDADE. RESOLUÇÃO DO CONTRATO OU SUA MA- NUTENÇÃO, COM A PURGAÇÃO DA MORA. ESCOLHA DO CON- SUMIDOR.

ART. 54, § 2º, DO CDC. Em que pese a nova redação dada pela Lei nº 10.931/04 ao art. 3º do Decreto-Lei nº 911/69, o direito do devedor fiduciante à purgação da mora ainda subsiste nas ações de busca e apreensão, porquanto tal faculdade deriva de outras disposições legais previstas em nosso ordena- mento jurídico. O cálculo para a purgação da mora compreende apenas as parcelas vencidas, devidamente acrescidas dos encargos contratuais. É admiti- da nos contratos de adesão a cláusula resolutória, mas desde que alternativa, “cabendo a escolha ao consumidor” (art. 54, § 2º, do CDC), ou seja, cabe ao consumidor optar entre a resolução do contrato em que incorreu em inadim- plemento e a sua manutenção, efetuando efetuando a purgação da mora

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mediante a quitação do débito em atraso. (TJMG; AGIN 1.0175.12.001553- 2/001; Rel. Des. José de Carvalho Barbosa; Julg. 29/08/2013; DJEMG

06/09/2013)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GA- RANTIA. BUSCA E APREENSÃO. PURGAÇÃO DA MORA.

Possibilidade de purgação da mora pelo devedor fiduciante no prazo de cin- co dias após executada a liminar, abrangendo apenas as prestações venci- das. Inteligência do art. 3º, § 2º, do Decreto-Lei nº 911/1969, com a redação dada pelo artigo 56 da Lei nº 10.931/2004. Recurso desprovido. (TJSP; AI 2008651-36.2013.8.26.0000; Ac. 6979565; Araraquara; Vigésima Sétima Câ- mara de Direito Privado; Rel. Des. Gilberto Leme; Julg. 27/08/2013; DJESP

05/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. ALIEN- AÇÃO FIDUCIÁRIA. LIMINAR DEFERIDA. PURGAÇÃO DA MORA COMPROVADA RESTITUIÇÃO DO BEM AO DEVEDOR. IMPOSSI- BILIDADE. VENDA EXTRAJUDICIAL DO VEÍCULO. CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR EM PERDAS E DANOS. VALOR DE MERCADO DO VEÍCULO. UTILIZAÇÃO DA TABELA FIPE COMO PARÂMETRO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUAN- TUM INDENIZATÓRIO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PRO- PORCIONALIDADE. RECURSO PROVIDO.

Comprovada a purgação da mora pelo devedor, e a impossibilidade de resti- tuição do veículo por parte do credor fiduciário, que vendeu o bem extraju- dicialmente, a obrigação de restituir o bem converte-se em perdas e danos, consistente no pagamento do valor de mercado do veículo à época da alien- ação, com a utilização da tabela FIPE como parâmetro. Demonstrado que o credor fiduciário vendeu o bem de forma prematura, impedindo assim a sua restituição ao apelante, que no prazo legal purgou a mora, fica caracterizando o ilícito passivo de reparação. Para a fixação do quantum da indenização pelo

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pelo dano moral causado, o julgador deve aproximar-se criteriosamente do

necessário a compensar a vítima pelo abalo sofrido e do valor adequado ao

desestímulo da conduta ilícita, atento sempre ao princípio da razoabilidade.

(TJMS; APL 0813798-65.2012.8.12.0001; Campo Grande; Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Rubens Bergonzi Bossay; DJMS 02/09/2013)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE PER- DAS E DANOS MORAIS E MATERIAIS. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. LIMINAR. DEFERIMENTO. APREENSÃO DO VEÍCULO OFERECIDO EM GA- RANTIA. CONSOLIDAÇÃO DA POSSE E PROPRIEDADE DO BEM EM MÃOS DO DEVEDOR. PURGAÇÃO DA MORA. DEPÓSITO JU- DICIAL TEMPESTIVO. ALIENAÇÃO DO AUTOMÓVEL NO CURSO DA AÇÃO E ANTES DA EXPIRAÇÃO DO PRAZO ASSEGURADO PARA PURGAÇÃO DA MORA. ILEGALIDADE. DANO MATERIAL. CONFIGURAÇÃO. COMPOSIÇÃO. DANO MORAL. CARACTER- IZAÇÃO. COMPENSAÇÃO PECUNIÁRIA DEVIDA. ARBITRAMEN- TO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. MAJORAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE CON- TRATUAL. CITAÇÃO. TERMO INICIAL.

1.O devido processo legal na ação de busca e apreensão decorrente de alien- ação fiduciária é permeado pelas nuanças próprias da execução da obrigação garantida por alienação fiduciária, não tendo, contudo, se descurado de sal- vaguardar os direitos e interesses do devedor fiduciário, à medida que, con- quanto a própria deflagração da ação esteja condicionada à caracterização e comprovação da sua mora, deferida a liminar e apreendido o bem oferecido em garantia, ainda lhe é assegurada a faculdade de, observado o interregno legalmente assinalado, quitar o débito remanescente e tornar-se proprietário pleno da coisa (DL nº 911/69, art. 3º, §§ 1º e 2º). 2.A execução da liminar e a consolidação da posse e propriedade do bem representativo da garantia na pessoa do credor fiduciário antes do desate da ação, conquanto coadunadas com o devido processo legal que emoldura o procedimento ao qual está sujeita

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a busca e apreensão derivada de alienação fiduciária, não legitimam que, antes da expiração do prazo assegurado ao obrigado fiduciário para emendar sua mora, a credora venha a alienar o veículo representativo da garantia, derivando que, ignorada a regulação procedimental, a frustração da recuperação da posse do automóvel que traduz a garantia, a despeito de emendada a mora, irra- dia danos materiais e morais ao obrigado, pois lhe enseja a perda de tudo o que vertera e é sujeitado a transtornos, frustrações e ofensa à credibilidade que exorbitam os efeitos do simples inadimplemento contratual. 3.Apreen- dido que a credora fiduciária procedera à alienação do veículo objeto do fi- nanciamento que fomentara e que, em contrapartida, lhe havia sido oferecido em garantia fiduciária à revelia do depósito elisivo efetuado tempestivamente pelo devedor fiduciário com vista a purgar a mora que lhe fora impingida, os efeitos decorrentes do procedimento adotado, além de sujeitarem-na credo- ra aos efeitos modulados pela legislação especial (DL nº 911/69, art. 3º, §§ 6º e 7º), ensejam a caracterização do dano moral ante a inolvidável afetação que experimenta o obrigado fiduciário nos predicados decorrentes dos direitos da personalidade. 4. O dano moral, porque afeta diretamente os atributos da personalidade do ofendido, maculando os seus sentimentos e impregnando indelével nódoa na sua existência, ante as ofensas que experimentara no que lhe é mais caro. dignidade, auto- estima, honra, credibilidade, tranquilidade etc. -, se aperfeiçoa com a simples ocorrência do ato ilícito que se qualifica como sua origem genética, não reclamando sua qualificação que do ocorrido tenha derivado qualquer repercussão no patrimônio material do lesado. 5. A mensuração da compensação pecuniária devida ao atingido por ofensas de natureza moral, conquanto permeada por critérios de caráter eminentemente subjetivo, ante o fato de que os direitos da personalidade não são tarifados, deve ser efetivada de forma parcimoniosa e em ponderação com os princí- pios da proporcionalidade, atentando-se para a gravidade dos danos havidos e para o comportamento do ofensor, e da razoabilidade, que recomenda que o importe fixado não seja tão excessivo a ponto de ensejar uma alteração na situação financeira dos envolvidos nem tão inexpressivo que redunde em uma nova ofensa ao vitimado. 6. A responsabilidade da instituição financeira pelos danos advindos da falha administrativa em que incidira que culminara com a

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alienação indevida do veículo oferecido como garantia das obrigações derivadas do contrato de financiamento com alienação fiduciária que firmara com consumidor é de natureza contratual, o que determina que os juros mor- atórios incidentes sobre a condenação que lhe fora imposta sujeitem-se à regra

geral, tendo como termo inicial a citação, pois é o ato que demarca o momento em que, ciente da sua obrigação, incorre em mora. 7. Apelação e recurso ade- sivo conhecidos. Desprovido o apelo da ré e parcialmente provido o recurso

adesivo do autor. Unânime. (TJDF; Rec 2011.06.1.004656-0; Ac. 705.810; Primeira Turma Cível; Rel. Des. Teófilo Caetano; DJDFTE 28/08/2013; Pág.

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PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. BUSCA E APREENSÃO. NOTI- FICAÇÃO EXTRAJUDICIAL EXPEDIDA POR ESCRITÓRIO DE AD- VOCACIA. INOBSERVÂNCIA DOS DITAMES LEGAIS. NÃO COM- PROVAÇÃO DA MORA. EXTINÇÃO DE PLANO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE OPORTUNIZAR A EMENDA DA INICIAL. VIOLAÇÃO AO ARTI- GO 284 DO CPC. SENTENÇA ANULADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

1. Inferese da análise dos fólios que o magistrado singular extinguiu limi- narmente o feito, sem resolução do mérito, nos termos do artigo 267, IV do Código de Processo Civil, por considerar ausente o pressuposto essencial para constituição do pedido, in casu, a notificação válida do devedor. 2. Importante salientar que a comprovação da mora constitui pressuposto essencial para o desenvolvimento válido e regular do processo de Busca e Apreensão, com o propósito de reintegrar a posse do bem ao legítimo proprietário, conforme enunciado da Súmula nº 72 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: “A com- provação da mora é imprescindível à Busca e Apreensão do bem alienado fiduciariamente. “ 3. Sendo certo que “na alienação fiduciária, comprovase a mora do devedor pelo protesto do título, se houver, ou pela notificação ex- trajudicial feita por intermédio do Cartório de Títulos e Documentos, que é considerada válida se entregue no endereço do domicílio do devedor, ainda

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que não seja entregue pessoalmente a ele’’. (RESP 810717/RS, Rel. Minis- tra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/08/2006, DJ 04/09/2006, p. 270). 4. Assim, assiste razão ao magistrado singular quando considerou deficiente a documentação acostada aos autos, posto que ausente a comprovação da mora. Por outro lado, o juiz monocrático não consignou o di- reito do autor de emendar a inicial, extinguindo precocemente o processo sem solução do mérito. 5. No que tange à matéria, estabelece o art. 284 do Código de Processo Civil: “Verificando o Juiz que a petição inicial não preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregulari- dades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no prazo de dez (10) dias. “ 6.Apelo CONHECIDO E PROVIDO. Sentença anulada. (TJCE; AC 0054952 64.2012.8.06.0001; Quin- ta Câmara Cível; Rel. Des. Clécio Aguiar de Magalhães; DJCE 13/09/2013; Pág. 47)

APELAÇÃO CÍVEL.

Ação de busca e apreensão. Contrato de financiamento garantido com al- ienação fiduciária. Extinção do processo pela ausência de comprovação da constituição em mora do devedor. Notificação extrajudicial juntada aos autos ineficaz. Emenda da inicial oportunizada e não satisfeita. Ausência de pres- suposto de constituição do processo. Inteligência do artigo 2º, §2º, Decreto Lei nº 911/69. Sentença mantida. Recurso não provido. (TJPR; ApCiv 1060565-5; Fazenda Rio Grande; Décima Oitava Câmara Cível; Rel. Des. Luis Espíndola; DJPR 13/09/2013; Pág. 560)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. LIMINAR. AUSÊNCIA DE NOTIFI- CAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PROTESTO INVÁLIDO. DEVEDOR NÃO CONSTITUÍDO EM MORA. CONDIÇÃO DE PROCEDIBILI- DADE. EXTINÇÃO DO PROCESSO, DE OFÍCIO.

I. O direito de o credor fiduciário reaver o bem que se encontra na posse do

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devedor está diretamente ligado à caracterização da mora do último, a teor do que dispõe o art. 3º, do Decreto-Lei nº 911/69. A notificação do devedor, para a constituição em mora, deve ocorrer por carta registrada, por intermédio do cartório de títulos ou documentos, ou pelo protesto do título. II. No caso concreto, a notificação enviada pelo credor não foi recebida no endereço in- formado no contrato, sendo informado que a devedora “mudou-se”. Adiante, o credor levou o título à protesto, ocorrendo a intimação por carta protocola- da, no mesmo endereço para o qual foi remetida a notificação extrajudicial anterior. Contudo, não é válido o protesto para fins de constituição em mora, eis que a intimação ocorreu em endereço no qual a devedora não mais residia. III. Portanto, não estando a devedora regularmente constituída em mora, deve ser julgado extinto o processo, de ofício, com base no art. 267, IV, do CPC. lV. Outrossim, não se admite que a notificação ou o protesto ocorram após o ajuizamento da ação, uma vez que estes são condição de procedibilidade da ação de busca e apreensão. Processo extinto, de ofício, em decisão monocráti- ca. Agravo prejudicado. (TJRS; AI 316962-64.2013.8.21.7000; Santo Antô- nio da Patrulha; Décima Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Jorge André Pereira Gailhard; Julg. 06/09/2013; DJERS 12/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO.

Contrato de financiamento de veículo com cláusula de alienação fiduciária. Magistrado a quo que julga o processo extinto, sem resolução de mérito, sob o fundamento de inocorrência de comprovação da mora. Irresignação da de- mandante. Constituição em mora. Exigência de que a notificação extrajudicial e o protesto sejam realizados pelo cartório de títulos e documentos da Comar- ca da residência do devedor. Inocorrência no caso concreto. Cientificação le- vada a efeito por serventia estranha a do domicílio do notificando. Invalidade do procedimento adotado. Constatação, outrossim, de “ausência” do devedor para fins de sua comunicação. Mora não comprovada. Falta de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo. Extinção do feito sem resolução do mérito. Medida de rigor. Exegese do art. 267, inciso IV, do CPC. Emenda à inicial. Impossibilidade no caso concreto. Constituição

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em mora que se configura como pressuposto processual e que, portanto, deve

estar materializada no ato da propositura da demanda. Impossibilidade de

postergação da comprovação da mora para momento processual ulterior ao manejo da ação. Inaplicabilidade do art. 284 do código de processo civil em face da natureza da demanda proposta. Manutenção da sentença extintiva que se torna inarredável. Rebeldia improvida. (TJSC; AC 2013.052562-9; Blu- menau; Quarta Câmara de Direito Comercial; Rel. Des. José Carlos Carstens Kohler; Julg. 03/09/2013; DJSC 11/09/2013; Pág. 436)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. ALIEN- AÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. DESFIGURAÇÃO DA MORA. NÃO OCORRÊNCIA. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. PREJUDI- CIALIDADE EXTERNA. SUSPENSÃO DO FEITO. ART. 265, IV, “A” DO CPC. SENTENÇA CASSADA.

Estando a apuração da dívida em aberto na dependência do julgamento de ação revisional, deve o feito ser suspenso, porquanto a perfeita caracterização da mora resta afetada por prejudicialidade externa (art. 265, IV, “a”, do CPC). (TJMG; APCV 1.0317.02.012100-8/001; Rel. Des. Rogério Coutinho; Julg. 21/08/2013; DJEMG 26/08/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. PREJUDI- CIALIDADE EXTERNA. AÇÃO REVISIONAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. CELERIDADE E ECONOMIA PROCESSUAL. APELO PROVIDO.

1) após realizar uma consulta processual, verifico que, de fato, existe uma ação revisional manejada pelo recorrido e que nestes autos existe um provi- mento judicial determinando a abstenção da ora recorrente de retomar o bem através de busca e apreensão. 2) em que pese o fato de a jurisprudência ainda não ter um posicionamento uníssono acerca da existência de conexão entre a ação de busca e apreensão e a ação revisional, resta evidente que, ao menos,

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existe um caráter de prejudicialidade entre as mesmas. 3) “há relação de prejudicialidade entre as ações de busca e apreensão e revisional relativas ao mesmo contrato de alienação fiduciária, o que justifica a suspensão da ação de busca e apreensão, na hipótese em que as obrigações contratuais, cujo inadimplemento ensejou a mora, estejam em discussão em demanda revisional anteriormente ajuizada. Precedentes agravo improvido. “ (AGRG no AG 923.836.MG, Rel. Ministro sidnei beneti, terceira turma, julgado em 23.04.2009, dje 12.05.2009) III - Recurso conhecido e provido. (TJES, classe:

Agravo de instrumento, 24100914944, relator: Maurílio Almeida de Abreu, órgão julgador: Quarta Câmara Cível, data de julgamento: 14/03/2011, data da publicação no diário: 31/03/2011) 4) apelação provida. (TJES; APL 0014036- 28.2012.8.08.0002; Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Willian Silva; Julg. 06/08/2013; DJES 16/08/2013)

AGRAVO.

gravo de instrumento. Seguimento negado. Ação de busca e apreensão. Sus- pensão do processo. Ação revisional anteriormente ajuizada. Prejudicialidade externa. Decisão proferida em conformidade com posicionamento jurispru- dencial. Manutenção. Negado provimento ao recurso. (TJPR; Agr 0997392- 6/02; Francisco Beltrão; Décima Sétima Câmara Cível; Rel. Des. Stewalt Ca- margo Filho; DJPR 24/07/2013; Pág. 418)

CONSUMIDOR E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BUSCA E APREENSÃO. AJUIZAMEN- TO ANTERIOR DA AÇÃO REVISIONAL. DEPÓSITO DE VALORES JUDICIALMENTE. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. SUSPENSÃO DA AÇÃO CAUTELAR ATÉ O JULGAMENTO FINAL DA AÇÃO RE- VISIONAL. MANUTENÇÃO DA POSSE DO BEM EM MÃOS DODE- VEDOR. DECISÃO A QUO REFORMADA.

1. O ajuizamento anterior de ação revisional é causa prejudicial externa à apreciação da ação cautelar de busca e apreensão, em que se discute o

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inadimplemento ensejador da mora sobre o mesmo objeto obrigacional, ainda mais quando se verifica a consignação de valores mensalmente por parte do consumidor. 2. Justificável a mantença da posse do bem em mãos do devedor, na qualidade de depositário judicial, até a decisão final da ação revisional, à vista da incerteza da ocorrência da mora, uma vez que são discutidos a ilegal- idade e o abuso nos encargos contratuais. 3. Agravo provido. (TJAC; AG Inst 0001734-65.2012.8.01.0000; Câmara Cível; Rel. Des. Roberto Barros; DJAC 05/02/2013; Pág. 5)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. AÇÃO REVISIONAL. CONEXÃO. PREJUDICIALIDADE. COM- PETÊNCIA. PREVENÇÃO. PECULIARIDADES. RECURSO PROV- IDO.

1) Com efeito, a jurisprudência vem reconhecendo a conexão existente entre a ação de busca e apreensão e a ação revisional consignatória. A rigor, o mag- istrado pode reunir as demandas a fim de evitar julgamentos contraditórios, se assim entender conveniente (V.g.: STJ, AGRG no RESP 1190940/SP, Rel. Ministro aldir passarinho Junior, quarta turma, julgado em 17/08/2010, dje 10/09/2010). 2) entrementes, tem-se admitido, também, a critério do julgador, a mera suspensão da ação de busca e apreensão, por prejudicialidade externa, enquanto pendente demanda revisional anterior, caso haja fundamento sufi- ciente para tanto, pois é igualmente cediço (verbete sumular nº. 380/STJ) que o simples ajuizamento da demanda revi sional não tem o condão de afastar os efeitos da mora (CF. : STJ, RESP 1.061.530/RS, Rel. Ministra nancy and- righi, segunda seção, dje 10/03/2009, rito do art. 543-c do CPC; e AGRG no RESP 1118954/SC, Rel. Ministro sidnei beneti, terceira turma, julgado em 27/09/2011, dje 05/10/2011). 3) no caso dos autos, a ação revisional foi ajuiza- da em Comarca diversa que, ao que tudo indica, refoge às regras de com- petência atinentes à matéria. 4) ademais, conquanto a prevenção - No caso de demandas conexas tramitando em circunscrições diversas - Se dê em favor do juízo que primeiro efetivar a citação válida e, na ausência dela, seja admitida a regra da propositura primeira da ação, o caso concreto impõe a observância

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de duas peculiaridades, quais sejam, que: (I) o juízo ora agravado corresponde justamente ao domicílio do consumidor, em harmonia à regra de competên- cia absoluta emanada do CDC; e (II) ao que parece, o mandado inicial - Que inclusive deferira a liminar - Já estava em fase de cumprimento, tendo ainda o réu/devedor tomado ciência inequívoca do feito por ensejo do compareci- mento espontâneo nos autos, mesmo que para ventilar a suposta prevenção de juízo outro. 5) firme em tais considerações, o presente recurso merece ser provido, a fim de se manter a competência do juízo a quo para processar e julgar a demanda de origem; não havendo assim motivo hábil, por ora, capaz de justificar a revogação da ordem de busca e apreensão do veículo objeto do contrato dito inadimplido. 6) quanto à ação revisional em trâmite perante a Comarca de Belo Horizonte, decerto poderá a parte interessada opor, naquele juízo, a competente exceção, caso queira a união dos feitos que, consoante dito alhures, embora aconselhável, não se mostra obrigatória, sobretudo ante a possibilidade de eventual suspensão por prejudicialidade, caso ocorra funda- mento suficiente para tanto, lembrando sempre que “a simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor”. 7) recurso provido. (TJES; AI 0072860-50.2012.8.08.0011; Quarta Câmara Cív- el; Relª Desª Eliana Junqueira Munhos; Julg. 18/02/2013; DJES 26/02/2013)

TUTELA ANTECIPADA EM AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMO- TOR, COM PACTO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA, C.C.

Pedido de nulidade de cláusulas consideradas abusivas impossibilidade de

negativação do mutuário, diante da presença de depósitos mensais dos valores ditos incontroversos, sem prejuízo de eventual constituição em mora inadmis- sibilidade de garantia da posse do carro. Agravo parcialmente provido. (TJSP; AI 0101908-52.2013.8.26.0000; Ac. 6986921; Araraquara; Décima Sexta Câ- mara de Direito Privado; Rel. Des. Jovino de Sylos Neto; Julg. 25/06/2013; DJESP 10/09/2013)

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AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. ABUSIVIDADE EM EN- CARGO DO PERÍODO DA NORMALIDADE CONTRATUAL.

I. Diante da abusividade dos juros remuneratórios contratados, deve ser deferida a tutela antecipada, pois não caracterizada a mora. Assim, inviáv- el, por ora, afastar o agravante da posse do bem ou permitir a inscrição do seu nome nos órgãos de proteção ao crédito. No entanto, a antecipação de tutela fica condicionada aos depósitos mensais das prestações vincendas, re- calculadas com base na taxa média de juros divulgada pelo Banco Central, na data da contratação, com capitalização mensal. II. Inversão do ônus da prova. Deferimento na origem. Contrato juntado. Falta de interesse recursal. Agravo parcialmente provido, em decisão monocrática. (TJRS; AI 346049- 65.2013.8.21.7000; São Leopoldo; Décima Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Jorge André Pereira Gailhard; Julg. 02/09/2013; DJERS 05/09/2013)

6.6. leasing;

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. CON- TRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DEFERIDA. PURGAÇÃO DA MORA. POSSI- BILIDADE.

Sentença que julgou extinto o feito com fulcro no art. 267, VI, do CPC, rev- ogou a liminar e determinou a restituição do bem. Possibilidade. Recurso de- sprovido. O instituto do arrendamento mercantil é disciplinado pela Lei n. 6.099/1974, alterada pela Lei n. 7.132/1983. Apesar de não haver regras legais próprias, nos casos de inadimplemento quando já proposta ação de reinte- gração de posse, admite-se a purgação da mora mediante o pagamento das parcelas vencidas, possibilitando-se o afastamento dos efeitos da inadimplên- cia. Apelação cível. Ação de reintegração de posse. Contrato de arrendamento mercantil (leasing). Alegação do arrendante de impossibilidade de restituição do bem reintegrado na posse. Matéria objeto de petição não examinada ainda

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pelo juízo de primeiro grau. Fato novo a ser enfrentado quando do cumpri- mento da sentença. Impossibilidade de supressão de instância. Recurso não conhecido no ponto. Não se conhece no apelo de matéria relativa a fato novo, a ser dirimida quando do cumprimento de sentença, pena de subtrair-se às partes uma instância. (TJSC; AC 2011.087669-2; Capital; Terceira Câmara de Direito Comercial; Rel. Des. Paulo Roberto Camargo Costa; Julg. 19/08/2013; DJSC 23/08/2013; Pág. 134)

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO NA POSSE. ARRENDAMENTO MER- CANTIL. LEASING.

Medida deferida liminarmente. Purgação da mora pelas parcelas vencidas. Possibilidade ante a inexistência de vedação legal. Direito que deverá ser ex- ercido no prazo para resposta. Cláusula resolutiva expressa. Eficácia condi- cionada. Inteligência do § 2º do art. 54 do Código de Defesa do Consumi- dor. Revogação da liminar. Admissibilidade. Recurso desprovido. (TJSP; AI 2007951-60.2013.8.26.0000; Ac. 6959925; Piracicaba; Vigésima Oitava Câ- mara de Direito Privado; Rel. Des. Dimas Rubens Fonseca; Julg. 13/08/2013; DJESP 09/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. ARRENDAMEN- TO MERCANTIL. COMPROVAÇÃO DA MORA. NOTIFICAÇÃO JU- DICIAL OU EXTRAJUDICAIL. PROTESTO POR EDITAL. REQUISI- TOS. AUSÊNCIA. ART. 267, INCISO VI, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. POSSIBILIDADE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO MAN- IFESTAMENTE IMPROCEDENTE E CONFRONTANTE COM A JU- RISPRUDÊNCIA DESTE TRIBUNAL E TRIBUNAIS SUPERIORES. SEGUIMENTO NEGADO. ART. 557, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

I. A ação de reintegração de posse exige a comprovação do esbulho para que seja reconhecido o direito autoral, sendo certo que, em se tratando de reinte- gração de veículo objeto de arrendamento mercantil, o esbulho traduz-se na

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constituição do devedor em mora, através de competente notificação judicial ou extrajudicial. II. A constituição em mora é pressuposto de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, sem o qual o feito deve ser extinto, nos termos do art. 267, IV, do Código de Processo Civil. III. É válido

o protesto efetivado por edital, para fins de comprovação da mora, desde que fique demonstrado que o devedor estava em local ignorado, incerto ou in- acessível, ex vi do disposto no art. 15, caput, da Lei nº 9.492/97. lV. Não tendo o credor se desvencilhado desse ônus, o protesto tirado não se mostra hábil a suprir requisito indispensável à válida e regular constituição do processo, em se tratando de ação de reintegração de posse, qual seja, a constituição do

devedor em mora V. Considerando-se a natureza e os objetivos do contrato de arrendamento mercantil, com opção concedida ao arrendatário para a com- pra do bem, a possibilidade de purgação da mora preserva os interesses de

ambas as partes e mantém a comutatividade contratual. VI. Ao recurso man-

ifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a Súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo Tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, deve-se negar seguimento. (TJMG; APCV 1.0024.11.335693-5/001; Rel. Des. Newton Teixeira Carvalho; Julg. 29/08/2013; DJEMG 06/09/2013)

ARRENDAMENTO MERCANTIL.

Reintegração de posse Purgação da mora pedida pela arrendatária Indeferi- mento Decisão que não merece prevalecer Prevalência do interesse na con- servação do contrato, de modo a que atinja sua finalidade social, o que não vem em prejuízo da arrendante Agravo de instrumento provido, em parte, com observação. (TJSP; AI 0096488-66.2013.8.26.0000; Ac. 6986904; Santa Bár- bara d’Oeste; Trigésima Terceira Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Sá Duarte; Julg. 02/09/2013; DJESP 06/09/2013)

CIVIL E PROCESSO CIVIL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. ARREN- DAMENTO MERCANTIL. DEVEDOR. NOTIFICAÇÃO EXTRAJU- DICIAL. ESCRITÓRIO. ADVOCACIA. IMPOSSIBILIDADE.

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CONSTITUIÇÃO. MORA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO MANTIDA.

1. A constituição do devedor em mora, de modo a caracterizar o esbulho e possibilitar a reintegração de posse do bem, requer a notificação prévia, ex- pedida por serventia extrajudicial ou pelo protesto do título. 2. Não supre a exigência legal, notificação encaminhada ao devedor por escritório de ad- vocacia. 3. Recurso conhecido e não provido. Decisão mantida. (TJDF; Rec 2013.00.2.015639-9; Ac. 710.116; Quinta Turma Cível; Relª Desª Gislene Pinheiro de Oliveira; DJDFTE 13/09/2013; Pág. 117)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL.

Ação de reintegração de posse. Contrato de arrendamento mercantil. Ausên- cia de prova da entrega da notificação extrajudicial no endereço do devedor. Ordem de emenda da inicial inobservada indeferimento. Extinção do pro- cesso sem resolução do mérito. (TJPE; Rec. 0006984-38.2013.8.17.0990; Relª Juíza Cíntia Daniela Bezerra de Albuquerque; Julg. 31/07/2013; DJEPE 09/09/2013; Pág. 1529)

6.7. cartão de crédito;

CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL.

Apelo em actio revisional de contrato de cartão de crédito. Aplicabilidad e do CDC. Possibilid ade de revisão das cláusulas contratuais. Relativização do princípio do pacta su nt servanda. Juros remuneratórios abusivos (15,99% ao mês). Redução para taxa média d e mercado que se impõe (5% ao mês). Reforma neste ponto. Pretenso dano moral pela inscrição indevida no cad astro de inadimplentes. Inocorrência. Exercício regu lar de direito. Decisum parcialmente reformado. Conhecimento e provimento parcial. (TJRN; AC 2013.003216-2; Natal; Terceira Câmara Cível; Rel. Des. Saraiva Sobrinho; DJRN 26/07/2013; Pág. 35)

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AGRAVO REGIMENTAL CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA EM RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO APELO. APLICABILIDADE DO ARTIGO 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. POSSIBILIDADE. AÇÃO REVISIONAL C/C CONSIGNATÓRIA. CARTÃO DE CRÉDI- TO. APLICABILIDADE DO CDC. JUROS ABUSIVOS. CAPITAL- IZAÇÃO MENSAL DE JUROS. PREQUESTIONAMENTO.

I - Incabível a modificação da decisão monocrática via agravo regimental, quando foi proferida com fulcro no art. 557, caput, do CPC e está de acordo

com o entendimento dominante deste Tribunal de Justiça e dos Tribunais Su-

periores, tendo-se em conta, ainda, a ausência de fato novo a ensejar a reforma

do julgado. II- O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras, nos termos da Súmula nº 297 do Superior Tribunal de Justiça. III- Verificada a pactuação de juros em taxas abusivas, é correta a adequação do pacto à realidade econômica, em observância à legislação

consumerista e aos princípios da transparência, da boa fé e da razoabilidade que devem sempre pautar as relações negociais. IV- Após a vigência da MP nº 2.170-36/2001, a capitalização mensal dos juros somente será admitida se ex- pressamente pactuada no contrato, de forma clara, o que não ocorreu no caso dos autos. V- O julgador, ao prestar a jurisdição, deve resolver as questões debatidas, mas não está obrigado a apreciar cada uma das alegações trazidas pelas partes, tampouco fazer referência a cada artigo de Lei citado pelo re- corrente. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO, PORÉM IMPROVIDO. (TJGO; AC-AgRg 387975-45.2011.8.09.0011; Aparecida de Goiânia; Relª Desª Maria das Graças Carneiro Requi; DJGO 11/01/2013; Pág. 149)

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO.

Incidente que é o CDC nos contratos bancários e de cartão de crédito con- forme disposição do seu artigo 3º, parágrafo 2º, admite-se sua revisão judicial

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