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f 16/07/2016

Acacia Zeneida Kuenzer

A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NOS ANOS 2000:
A DIMENSÃO SUBORDINADA DAS POLÍTICAS DE
INCLUSÃO

ACACIA ZENEIDA KUENZER*

RESUMO: Este artigo se propõe a confrontar as políticas de Educa-
ção Profissional que vêm sendo formuladas no período compreendi-
do entre 1995 e 2005, portanto, no segundo governo do presiden-
te Fernando Henrique Cardoso e no governo do presidente Luís
Inácio Lula da Silva, com as demandas da classe trabalhadora a par-
tir das mudanças ocorridas no mundo do trabalho no regime de acu-
mulação flexível. Para tanto, serão analisadas as políticas que vêm sen-
do formuladas para a classe trabalhadora nesse período, tomando por
base as pesquisas que a autora vem realizando em empresas reestru-
turadas e no setor coureiro-calçadista, que vem sendo duramente
afetado pela internacionalização do capital. Por intermédio deste con-
fronto, que tomará como categorias a inclusão, a precarização, a po-
larização das competências e a relação entre o público e o privado,
pretende-se analisar as possibilidades e os limites dessas políticas na
qualidade de estratégias de inclusão subordinada, a partir da catego-
ria contradição.
Palavras-chave: Educação Profissional. Inclusão subordinada. Políticas
públicas.

PROFESSIONAL EDUCATION IN THE 2000S:
THE SUBORDINATE DIMENSION OF THE POLICIES OF INCLUSION

ABSTRACT: This article aims at drawing a comparison between the
policies of professional education formulated between 1995 and
2005, i.e. in the second term of President Fernando Henrique
Cardoso and the administration of President Luis Inácio Lula da
Silva, and the demands of the working class faced with the changes
that have taken place in the world of work owing to the regime of

* Doutora em educação, professora titular do Setor de Educação da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e pesquisadora 1 C do CNPQ. E-mail: acaciazk@uol.com.br

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A educação profissional nos anos 2000...

flexible accumulation. The policies formulated for the working class
during this time are thus analyzed based on the research that the au-
thor has been carrying out in the leather and shoe sectors of the
economy, which have been hardly affected by the internationaliza-
tion of capital. Based on the contradiction category, such compari-
son, which considers inclusion, precarization, the polarization of
competencies and the relationship between the public and private
sectors, seeks to analyze the possibilities and limitations of these poli-
cies as strategies of subordinate inclusion.
Key words: Professional education. Subordinate inclusion. Public
policies.

Introdução
s políticas de Educação Profissional formuladas a partir da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, portanto a partir
do segundo período de governo do presidente Fernando
Henrique Cardoso e durante o primeiro governo do presidente Luís
Inácio Lula da Silva, embora pautadas no discurso da inclusão dos tra-
balhadores no mundo do trabalho por meio da qualificação profissio-
nal, não só não surtiram o efeito anunciado como ainda tornaram mais
precarizadas as ofertas educativas. Esta afirmação, para que se faça jus à
História, merece uma consideração: embora, por força do modo de pro-
dução capitalista e do patrocínio do discurso da inclusão, haja caracte-
rísticas que aproximam as políticas de Educação Profissional dos dois
governos, há especificidades que não permitem que se afirme ser tudo
a mesma coisa. Há, pois, de se levar a efeito uma cuidadosa análise das
propostas e de seus resultados, tomando como referência dados de rea-
lidade, para que se possa compreender em que se aproximam e em que
se distanciam as políticas desses dois períodos, e, especialmente, que
resultados trazem para as lutas daqueles que vivem do trabalho.
Com relação às conseqüências do Decreto n. 2.208/97, revoga-
do pelo Decreto n. 5.154/04, que expressa as concepções e políticas de
Educação Profissional do governo do presidente Fernando Henrique
Cardoso, já há número expressivo de estudos que avaliam seus resulta-
dos e apontam suas limitações,1 o mesmo, contudo, ainda não ocorre
com as políticas e os programas do governo do presidente Luís Inácio
Lula da Silva, dado o seu caráter recente, em razão do que os resulta-
dos apenas começam a se dar a conhecer.

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Acacia Zeneida Kuenzer

Há de se considerar, contudo, que, do ponto de vista metodoló-
gico, é preciso superar o que se poderia chamar de leitura ideológica da
ideologia, presente nos textos que, à guisa antes de ensaios do que de
estudos científicos, confrontam diferentes interpretações da realidade no
nível subjetivo, o que vale dizer, diferentes pensamentos, sem que se tome
a prática social como referência de análise. Ou seja, sem que estabeleça,
por meio das adequadas mediações, a relação entre a realidade, o mundo
objetivo e as suas subjetivas interpretações, do que resultam análises as
quais, ao corresponderem às opções epistemológicas e políticas de cada
autor, não permitem apreender as positividades e os limites que só po-
dem ser capturados a partir das contradições próprias do ato de conhecer
no plano ontológico, o que inclui os planos econômico e político. O que
se quer afirmar, em síntese, é a necessidade de confrontar, permanente-
mente, e dialeticamente, pensamento e realidade, buscando apreender o
real como totalidade em movimento, em sua complexidade, para que se
possa comparar e avaliar os impactos das políticas de Educação Profissio-
nal da última década.
Como já se afirmou anteriormente, a formulação de políticas e a
implantação de programas de Educação Profissional no último governo
são muito recentes para que se possa levar a efeito uma avaliação com
dados primários e secundários exaustivos, e que permitam análises his-
tóricas. Contudo, é possível confrontar as concepções e propostas pre-
sentes nas políticas com dados de pesquisa a partir de um quadro
categorial epistemologicamente integrado, de modo que se apreendam
as mediações que articulam as propostas educativas e a realidade do tra-
balho no âmbito da acumulação flexível.2 É esta a metodologia que se
pretende utilizar neste trabalho: a partir do estudo das políticas de
Educação Profissional da última década, identificar categorias que per-
mitam proceder à análise das suas aproximações e diferenciações, das
suas positividades e limitações, tendo em vista as informações que fo-
ram acumuladas durante quatro anos de pesquisa de campo realizada
na Refinaria de Petróleo Presidente Getúlio Vargas e nos dois últimos
anos de pesquisa de campo na cadeia coureiro-calçadista no Vale do Rio
dos Sinos, em Novo Hamburgo.
Esta última pesquisa busca elucidar relações sugeridas pela traje-
tória investigativa da autora, que lhe conduziram à formulação da se-
guinte tese, a qual parece resumir a pedagogia do trabalho na acumu-
lação flexível:2 do ponto de vista do mercado, ocorre um processo de

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dialeticamente integrado ao primeiro: por força de políticas públicas “professadas” na di- reção da democratização. De que inclusão estamos falando? Como afirma Oliveira. pelo cará- ter parcial e insuficientemente explicativo das pesquisas que têm sido realizadas na área. n. exclusão da força de trabalho dos postos reestruturados. vol. A pesquisa na cadeia coureiro-calçadista respondeu à necessidade de realizar procedimentos empíricos que permitissem verificar se esta formulação expressa a realidade da articulação entre educação e traba- lho no regime de acumulação flexível. 96 . e não por superação mecânica dos mecanismos tayloristas/ fordistas. passou a ocupar espaços crescentes na li- teratura social. podem servir de contraponto para a análise das políticas e dos programas de Educação Profissional formulados na última déca- da.Especial. que resultam em mera oportunidade de certificação. aumenta a inclusão em todos os pontos da ca- deia. 27. e por conseqüência o seu par categorial.. também. segundo o autor. embora es- teja fortemente presente em todas as áreas. Seus resultados..br> .. Esta proposta de investigação se justifica.A educação profissional nos anos 2000. reafirmando que não é possível estudar as políticas públicas sem um quadro categorial que as compreenda como expressão de uma totalida- de em movimento. Do lado do sistema educacional e de Educação Profissional. nesse caso. 877-910. que tem garantido diferenciais de competitividade para os se- tores reestruturados por meio da combinação entre integração produtiva. estabelece-se um movimento contrário. Já do ponto de vista da educação. mas precarizam-se os processos educativos. nem permanência. prin- cipalmente por meio de estudos de caso. Campinas.cedes. para incluí-la de forma precarizada em outros pontos da cadeia produtiva. levou ao uso indiscriminado e indefinido dessas 880 Educ. do lado do mercado. é excludente. dada a sua desquali- ficação. o termo “exclusão”. a qual se dá por incorporação dialética. O resultado desta dissemi- nação. out. de uma prática social capitalista marcada pela acumulação flexível. investimento em tecnologia intensiva de capital e de gestão e consumo precarizado da força de trabalho. Soc. um processo de exclusão includente. Em resumo. as quais tomam recortes das cadeias produtivas. 2006 Disponível em <http://www. especialmente na área de políticas públicas. p. um processo de inclusão que. os quais não asseguram nem inclusão.unicamp. a inclusão. ainda que preliminares.

referente à lógica das relações mercantis. por exemplo. vol. o metalúrgico. como. (Oliveira. p. Ou. ou seja. 2004. porém re-adquiridas Educ. tendo em vista as finalidades deste artigo. conduz a duas ordens de considerações. 96 . como objeti- vo das políticas públicas de Educação Profissional. mas a reinclusão do excluído já se dá sob uma nova perspectiva ontológica. exclu- são passou a designar desempregados e populações em situação de ris- co social. no modo de produção capitalista. o que determina a necessidade de precisar o significado dessa categoria tal como será tomada neste artigo. Acacia Zeneida Kuenzer categorias. pode permanecer orgânico à acu- mulação flexível utilizando máquinas antigas. entretan- to. permite compreender que a competitividade dos setores dinâmicos no mercado mundial depende do que se pode chamar de exclusão includente dos setores precarizados. esta exclusão conta também com o passo da inclusão. 877-910. necessariamente. a inclusão social. Campinas. Sob outro ângulo. p. como afirma o autor. Ou seja. Concordando com Oliveira. da exclusão. todas as formas de inclusão são sempre subor- dinadas. Em todos os textos analisados. Soc.br> . concedidas. O preço pago para que o princípio de síntese do capital seja capaz de abranger toda a re- alidade é torná-la disponível à sua lógica. Pode-se compreender. como relação constitutiva do modo de produção capitalista. 2006 881 Disponível em <http://www. n. sendo constitutivo lógico necessário das sociedades capitalistas modernas. está presente. out.Especial. p.. de modo que passaram a ser empregadas por quase todo o mun- do para designar quase todo o mundo (Oliveira. são faces inseparáveis da mesma moeda: A sobrevivência das sociedades em que domina o modo de produção capi- talista depende. 27. 2004. assim. No caso específico das políticas de Educação Profissional. o círculo entre exclusão e inclusão su- bordinada é condição de possibilidade dos processos e produção e reprodução do capital. 16-17). tecnologicamente supe- radas. como um ramo ou parte dele. que faz um estudo rigoroso dessa ca- tegoria nas obras de Marx. parte-se do pressuposto de que. já descartadas por setores mais complexos. é preciso antes despojá-la de sua condição de complexidade e reduzi-la à simplicidade das determi- nações quantitativas da economia. 23) Esta forma de compreender o par categorial exclusão/inclusão. porque atendem às demandas do processo de acu- mulação.cedes. A primeira.unicamp.

out. atendendo a toda a região. ao longo da história. na cadeia pesquisada. combinada com a intensificação decorrente das estratégias de flexibili- zação da produção. mas no cerne das relações sociais e produtivas. em cujo processo são usadas máquinas de cos- tura antigas. porque respondem a necessidades de produção de serviços ou produtos finais em pequena escala. 877-910. e. o processo é o mesmo. Soc. o alto custo do investimento inviabiliza a aquisição desses equipamentos por cada fábrica de calçados. as quais. é condição para a complexificação na ponta mais dinâmica. um bom exemplo é o que ocorre na fabricação de calçados. por sua particularidade e pequeno número. embora as tarefas sejam extremamente simplificadas. um processo que interpõe. a precarização ao longo da cadeia. embora a jornada domiciliar seja clássica na fabricação de calçados. constituindo-se a terceiri- zação a alternativa mais adequada. 27. por exigirem inves- timento significativo e atualização permanente.. e que contratam trabalhadores com escolaridade mais elevada. Nesses casos.. 96 . n. os trabalhadores tam- bém devem passar por um processo de redução ontológica. para a manutenção da lógica da acumula- ção flexível. 2006 Disponível em <http://www. e. tem-se que.A educação profissional nos anos 2000.cedes. Com relação aos trabalhadores. a reestruturação produtiva recria-a de modo que se amplie a margem de extração de mais-valia. Em decorrência. p. limitando-se os operadores a abastecerem e vigiarem os equipamentos. são usadas por firmas que terceirizam os serviços. vol. já as máquinas de bordado têm base microeletrônica.. neste sentido. Ou seja. entre a fábrica e o tra- 882 Educ. Verificou-se. contraditoriamente. Invernizzi & Abreu. por trabalhadores pouco qualificados e com baixa escolaridade.Especial. com baixa densidade tecnológica. em trabalho domiciliar. eventualmente trocando os programas. em seguida reduzido à dimen- são meramente econômica para depois ser incluído sob outro estatuto ontológico. no plano das realidades que precisam ser excluídas para que o capital possa con- firmar-se como princípio abrangente de síntese. processo que se dá. Campinas. 2005). não su- portam processos tecnologicamente complexos que resultariam em au- mento do custo final do produto da cadeia (Kuenzer. No setor coureiro-calçadista. Assim é com tudo o que não possa ser completamente abrangido pela lógica ca- pitalista: primeiro precisa ser excluído.br> .unicamp. que atendem demandas específicas dos setores dinâmicos. não individualmente.

jovens e crianças. o setor calçadista passou a ter de atender à exigência de entregar o trabalho a pessoas jurídicas que observem normas trabalhistas. empreguem formalmente os trabalhadores respeitando os seus direitos. fivelas ou outros adereços. pessoas afastadas por problemas de saúde. em razão do trabalho do dia. que fazem enfiadinho e aprendem costura desde muito cedo. No primeiro caso. sob Educ. Esta é a alter- nativa encontrada para atender a uma demanda que varia a cada dia. ou em algum pequeno ateliê. pela costura e por parte dos trabalhos manuais conhecidos como enfiadinhos (trançados de couro. historicamente defen- sora de seus direitos e em sua maioria formalmente empregada. costuras manuais com tiras de couro. o dono do ateliê distribui o trabalho diretamen- te nas residências das(os) costureiras(os). 96 . o que. há casos de constituição de grupos de menores para a realização de enfiadinhos. chamado líder comuni- tário. Observou-se com freqüência que os trabalhadores domiciliares também terceirizam. p. para atender às exigências formais. inclu- indo idosos. ao mesmo tempo em que acionam tantos trabalhadores esporá- dicos quantos forem necessários. nas residências. No segundo caso. Soc. out. tendo suas próprias equipes quando o volume de trabalho é grande. responsáveis pelo preparo (corte e cola). em decorrência das tarefas exigidas por cada modelo.br> . Campinas. caso em que é reduzido o custo de manutenção.Especial. vol. Para assegurar a competitividade do setor no plano internacional. Para atender a esta exigência. mais um ou dois níveis. pequenos bordados com pedrarias) contratam um pequeno número de trabalhadores fixos. o que vale dizer. o dono do ateliê pega o trabalho do dia nas fábricas. aplicação ou colagem de miçangas.unicamp. 877-910. o qual responde à redução ontológica de uma classe trabalhadora sindicalizada. n. com planos de trabalho organizados em linhas que são montadas a cada encomenda. Acacia Zeneida Kuenzer balhador domiciliar.cedes. separa o que será feito no ateliê por seus funcio- nários e entrega o restante a um intermediário. além da redução de custos exige o cumprimento das normas in- ternacionais de certificação. Dois tipos de ateliê foram encontrados: aquele em que há uma instalação física. os chamados ateliês.. e aquele que é apenas uma figura jurídica. pela manhã. geralmente acondicio- nado em sacos de lixo. A incorporação da força de trabalho familiar é constante. 27. apanhado pelo dono do ateliê nas fábricas com as quais tem acordo. 2006 883 Disponível em <http://www. que agrega um conjunto de costureiras para as quais distribui o trabalho. caracterizando um processo que poderia ser chamado de quinterização.

porque fazem seu pró- prio horário. juntando-se àqueles que nunca se incluíram.. ou por falta de empre- go ou por impossibilidade de assumir um emprego formal. Campinas. Soc. Do ponto de vista da remuneração e das condições de trabalho.br> . esses trabalhadores. dependendo da complexidade do trabalho. sempre improvisadas.20 e R$ 0. que buscavam resolver adaptando as cadeiras ou aproximando mais o corpo da mesa de trabalho com o fim de mantê-lo ereto.unicamp.. p... 2006 Disponível em <http://www. apre- sentavam sinais evidentes de DORT.” (ela é mais competente 884 Educ. sabe como é. o que é incompreensível pelos entrevistados.. Esta descrição se faz necessária para que se compreenda como se dá o processo de redução ontológica acima referenciado: os trabalhadores até recentemente incluídos por meio de contratos formais vão sendo pro- gressivamente desmobilizados pela flexibilização do trabalho e de suas re- lações.” (e que “casualmente. período em que chegam a fazer a tarefa determinada em até 800 pares/dia. vol. quando há trabalho. (dono de ateliê). trabalhar em casa é melhor.Especial. geralmente fio e agulhas. sem exceção... têm de arcar solidariamente com o ônus do sustento da família e com o trabalho doméstico.. • “veja. observou-se que cada intermediário fica com 30% líquido do valor con- tratado por par. uma vez que “trabalhar é melhor do que ficar na rua se drogando”. os trabalhadores fazem uma jornada de até 15 horas de atividade por dia. duplamente exploradas. out. porque o marido tá desempregado... elas têm que levar as crianças para a escola. cuidar da casa. particularmente as mulheres que.A educação profissional nos anos 2000. devendo fornecer o material. elas decidem quando traba- lhar. que precisa trabalhar para sustentar a família. • “o mais detalhado dou para aquela. 27.50. dou mais para aquela que é aposentada e tem o marido doente.. fazer a comida. 877-910. a remuneração por par fica entre R$ 0. (líder comunitário).. n... antes vin- culados a sindicatos combativos.cedes. Em decor- rência destes fatores. é a mais rápida” do seu grupo).. os trabalhadores entrevistados. vão se negando como sujeitos de direi- tos. Por in- termédio das relações sociais flexibilizadas. a partir de discursos permanentemente reiterados que não só justificam a exclusão mas também a apresentam como positiva: • “para as mulheres. em condições ergonomicamente desfavoráveis. 96 . que são desmanchados pelos conselhos tute- lares quando há denúncia. a regulação de um adulto.”. eu distribuo o trabalho conforme a necessidade. assim.

.. o intermediário é considerado o “salvador”. Uma delas mostrou a casa. para ajudar a mãe. É importante registrar que. não só porque são pessoas físicas.unicamp. (líder comunitário). atende filho e faz co- mida em um fogão de lenha. em média.. amigo fiel de tantos anos.cedes..br> . que trabalha a frio. 2006 885 Disponível em <http://www. feita com o fru- to do seu trabalho. R$ 200. com orgulho. afinal. ao longo da cadeia coureiro-calçadista. desde a fábrica até o final da distribuição do trabalho. sobre o qual havia apenas um resto agua- do de feijão para aquecer. re-construída para ser incluída no processo de consumo predatório da força de traba- lho... mas também porque não têm como se locomover. elas têm uma segurança.. Soc. uma vez que elas não atendem às condições para contratar o trabalho diretamente nas fábricas. o que elas não avaliam é o custo desta produção. o que é muito esporádico na crise que o setor enfrenta. de alvenaria..... fazendo o curso de costura oferecido gra- Educ. out. porque a mãe delas faz o pão para mim.. “ele sempre paga em dia”. ensino para ajudar.. pois passa o dia em um barracão onde ao mesmo tempo costura. mas todas considerando a vantagem daquele tipo de trabalho e a sorte de contar com seu fulano. de 12 e 14 anos.” (costureira domiciliar). 877-910. Para a maioria. com o recolhimento do INSS.. e recolhe ao fi- nal da tarde.” (lí- der comunitário).. que traz o trabalho diariamente. “melhor assim porque ganha mais que na fábrica”. com rela- ção ao qual são totalmente submissas porque totalmente dependentes. migrante de uma região que teve a agricultura familiar destruída pelos grandes empreendimentos. criadas em casa. é “uma bênção ter o fulano. p. não encontrou sequer uma trabalhadora sau- dável. como cada peça demora mais. n. Outro discurso elucidativo desta nova identidade.. e ela ainda ensina costura para as duas filhas da vizinha. ela aca- ba ganhando menos). Campinas. quando tem trabalho nesta quantidade. De fato. mas a qual não consegue usufruir.00 por dia... dá para ganhar. trabalhando 15 ho- ras por dia e costurando 800 pares. ah. Já entre as mulheres entrevistadas.. garantindo a paga “justa” a cada quinzena.. quando tem trabalho. Acacia Zeneida Kuenzer para detalhes mais complicados.. quando a pesquisadora acompanhou um intermediário em um dia de trabalho. 96 .”. em termos de saúde e perspectiva de vida.. 27. enfiadinhos.... “meninas espertas. e.. então. é o de uma desempregada. vol. já fazem.Especial. • “melhor registrar a frio (sem pagar férias e décimo terceiro salário) do que não registrar. quando tem. que querem aprender a costurar.

cedes. vão se verificando outras demandas de qualificação profissi- onal e de escolaridade. out... falta de condições de trabalho. p. permitindo compreender que a inclusão subor- dinada é regida pela polarização das competências. 877-910. a forma como os(as) entrevista- dos(as) reagem ao desrespeito aos seus direitos: trabalho a frio. 96 . Este processo de redução da classe trabalhadora a uma identidade que lhe permita incluir-se no processo de trabalho por meio de formas predatórias se dá por intermédio dos processos de flexibilização e conta com a contribuição de processos pedagógicos. carteira assinada a frio. o meu marido também. à intensificação. a flexibilização demanda uma subjetividade que se ajuste à sazonalidade.. Por um lado.Especial. idosos e doentes tra- balhando. 2006 Disponível em <http://www. vol. por isso estou fazendo o curso. falta de creches e escolas. eu tenho uma criança especial. mas aqui é melhor. que passam a ser incorporados em pontos da cadeia em que o trabalho é mais precarizado e intensificado. Finalmente. À medida que se avança na cadeia..br> .. à guisa de elucidação. viabilizando um consumo cada vez mais predatório da força de trabalho e objetivando a lógica da acumu- lação flexível. E ainda são celebradas as possibilidades de realizar esse tipo de trabalho. verifica-se a maior exigência de escolaridade e/ou Educação Profissional à medida que a cadeia se complexifica tecnológica e administrativamente. tenho que trabalhar em casa porque não tem creche.. pela adoção de novos processos. Soc. Campinas.. à necessidade de adaptar-se a novas tarefas. são fatos incorporados ao dia-a-dia como “naturais”. materiais e formas de organização e gestão..A educação profissional nos anos 2000.3 e a compreensão desta categoria ficou facilitada pelo estudo da cadeia com os seus prin- cipais elos. falta de atenção à saúde. tuitamente pelo Sindicato dos Sapateiros: “Estou desempregada. quando estas oportunidades estão disponíveis. que ocorrem no âmbito das relações sociais e produtivas e por meio da escola e da formação pro- fissional. tem mais chance. enfim. crianças. uma força de tra- balho com mobilidade e plasticidade para ajustar-se permanentemente 886 Educ. como os dados acima evidenciam. No caso dos tra- balhos feitos fora das firmas. contratos por três meses que são automaticamente rescin- didos para não configurar vínculo. à variabilidade de ocupa- ções.. vo- lume de trabalho variável.. costurar em casa é o único jeito de eu trabalhar” (aluna do curso de costura). jovens. n.. intensificação da jornada. 27. o que evidenciou dois movimentos que elucidam como a polarização reforça a precarização. por outro lado. no sentido dos trabalhos mais complexos. equipamentos.unicamp. a desmobilização de trabalhadores qualificados.

unicamp. O PLANFOR.cedes. 96 . Acacia Zeneida Kuenzer ao novo. Campinas.br> . tem- se dois documentos que explicitam as concepções e propostas de Educa- ção Profissional dos dois últimos governos: o Plano Nacional de Qualifi- cação do Trabalhador (PLANFOR) e o Plano Nacional de Qualificação (PNQ).Especial. n. no período analisado. sobre o que há necessida- de de desenvolver estudos mais aprofundados. Já nas firmas reestruturadas que compõem as cadeias. teve como proposta articular as Políticas Públicas de Em- prego. 2006 887 Disponível em <http://www. para o que a escolarização pouco contribui.208/97. Trabalho e Renda. É sempre bom lembrar que esse decreto. da capacidade de aprender perma- nentemente e de ajustar-se à dinamicidade de uma planta que se adapta continuamente para atender às demandas do mercado. uma força de trabalho com as características daquela demandada pelo modo taylorista/fordista. 877-910. po- rém sem os benefícios da estabilidade e do vínculo formal. as pesquisas mostraram que o processo de redução ontológica conta com mais uma importante estratégia educativa voltada para a formação de subjetividades que se adaptem à flexibilização e ao mesmo tempo justifiquem o insucesso a partir dos sujeitos: as pro- postas de educação para o empreendedorismo. que demanda pouca qualificação. implementado a partir de 1995 pelo Ministério do Trabalho e Emprego por dois quadriênios de vigência (1995-1998 e 1999-2002).. atendendo ao acordo realizado entre o MEC e o Banco Mundial. Educ. Nessas duas situações. Além de fornecer os fundamentos para o PLANFOR. que no caso corresponde ao trabalho precário. Que Educação Profissional está sendo oferecida? As políticas e os programas de Educação Profissional No plano da formulação das políticas. tendo como principal fonte de financiamento o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). esse decreto apresentou as concepções e normas sobre as quais se desenvolveu o Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP). out. Soc. 27. predominantemente de natureza psicofísica e tácita. vinculado ao Ministério da Educação. 2. em que a formação teórico-prática se evidencia como necessária. O suporte jurídico a este e a outros programas de Educação Pro- fissional do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso foi con- ferido pelo Decreto n. a flexibilização as- sume o significado da polivalência. vol. p.

A educação profissional nos anos 2000.cedes. indicando a priorização da quantidade da oferta sobre a sua possível qualidade.Especial. Ao mesmo tempo.3 milhões de trabalhadores nos Planos de Qualificação Profissional. 27..br> . 2006 Disponível em <http://www. pelo menos. que a partir de então passaram a percorrer trajetórias separadas e não equivalentes. que estabeleceu a participação dos trabalhadores.mtegov. Com relação à gestão. em 2001. havendo uma crescente dispo- nibilização de recursos nesse período. com desta- que para o trabalho de Fidalgo (1999). em 1995.. em 1997. como política do Mi- nistério do Desenvolvimento Agrário. aproximadamente 30% dos valores do ano anterior. No âmbito do PLANFOR foi criado o Serviço Civil Voluntário.unicamp. 20% da População Economicamen- te Ativa (PEA). primeiro ano do novo governo. deu-se a criação do Programa Na- cional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). a partir da mobilização dos traba- lhadores do campo em articulação com universidades na I Conferência Nacional: por uma educação básica do campo. destinou apenas R$ 186 milhões (www. Já para o último ano de governo. p. que passou de R$ 28 milhões.. por meio da oferta de Educação Profissional. dos em- presários e do Estado nas decisões e no controle das ações relativas à Edu- cação Profissional nos âmbitos da União. o qual será objeto de análise mais adiante. a grande novidade trazida pelo PLANFOR foi o tripartismo. definido ainda no governo anterior. a par- tir do qual se estruturou o Juventude Cidadã no Governo Lula. para 2003. Campinas. 96 . Soc.br). 888 Educ. out. o que significou aproximadamente 15 milhões de pesso- as com idade superior aos 16 anos. tendo em vista a inclusão no mun- do do trabalho.4 O PLANFOR propôs como meta qualificar. n. das unidades federadas e dos municípios por intermédio dos Conselhos do Trabalho. teve como principal proposta a separação entre o ensino médio e a Edu- cação Profissional. 877-910. em atenção às exigências do Banco Mundial. Esse programa envolveu 15. a carga horária média dos cursos oferecidos passou de 150 horas para 60 horas médias. vol. o orçamento da União. Os resultados desta prática já foram objeto de estudos que apontaram seus limites em sociedades organizadas pelo modo capitalista de produção. para R$ 493 milhões. realizada em Luziânia (GO). os recursos foram reduzidos para R$ 153 milhões. Ainda neste período de governo. E que foi por meio dele que se criaram as condições para a negociação e implementação do PROEP.

27.unicamp. avaliação e acompanhamento dos egressos. conceitual.br). expressa no Plano Nacional de Qualificação (PNQ). out. emprego e renda. p. que se efetiva a partir de propostas dos movimen- tos dos trabalhadores. crescimento com geração de trabalho. ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades regionais. 2006 889 Disponível em <http://www. em síntese: o reconhecimento da Educação Profissional como direito. caracterizou-se pela baixa qualidade e baixa efetividade social. O PRONERA apóia projetos de educação que utilizam metodologias voltadas para o de- senvolvimento das áreas de reforma agrária nos diversos níveis e modali- dades de educação básica. 2003/2007. bem como outros cursos superiores. re- duzidos mecanismos de controle social e de participação no planejamen- to e na gestão dos programas e ênfase em cursos de curta duração focados no desenvolvimento de habilidades específicas. Acacia Zeneida Kuenzer Esse programa. garantia de investimentos na formação de gestores e formadores. n. tem como objetivo a ampliação dos níveis de escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados. ética. vol. com três grandes objetivos: inclusão social e redução das desigual- dades sociais. Soc. p. 17). exigên- cia de formulação e implementação de projetos pedagógicos pelas agên- cias contratadas.. e pro- moção e expansão da cidadania e fortalecimento da democracia (PNQ.cedes. monitoramento. também são apoiados progra- mas de formação de professores e de agentes educativos para atuar nos assentamentos.gov. desarticulação das políticas de educação. 877-910. Campinas. exi- gência de integração entre educação básica e profissional. o governo do presidente Lula apresentou nova proposta de política pública de Educação Profissional. institucional. para o período 2003/ 2007. a implantação de um sistema integrado de planejamento. como política pública e como espaço de negociação política. cujas con- cepções são. 96 .Especial. resultante de precária articulação com as políticas de geração de emprego e renda. além do mau uso dos recursos públicos.5 A partir da avaliação do PLANFOR. A nova proposta fundamenta-se em seis dimensões principais: po- lítica. da alfabetização ao ensino médio. atuando como instrumento de democratização do conhecimento no campo. de graduação e de pós-graduação (www.br> . reconhe- cimento dos saberes socialmente produzidos pelos trabalhadores. As avaliações externas mostraram que o PLANFOR. pedagógica e operacional. a integração Educ. para o que a duração média dos cursos passe a ser estendida para 200 horas. incluindo Educação Profissional nos diversos níveis.pronera.

Com relação às ações do primeiro grupo. 20-21). particularmente no tocante ao uso dos recur- 890 Educ.. propõem-se a operacionalizar as políticas de Educa- ção Profissional do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva: a pri- meira. cada vez mais exíguos. podem-se identificar três linhas programáticas que. p. Para fins de análise. que não consideram atrativo o investimento para cursos mais extensos e que integrem conhe- cimentos básicos. Trabalho e Renda entre si e destas com relação às Políticas Publicas de Educação e Desenvolvimento: transparência e controle no uso dos recursos públicos ( PNQ . Soc. e a terceira. A articulação com a educação básica por meio de convênios com as secretarias estaduais de Educação também não tem sido viabilizada. continua fi- nanciando ações que integram o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (CODEFAT). n. é a dificulda- de de efetivação dessas políticas a partir de vários fatores. out. do FAT. que congrega os programas que apresentam efetiva vinculação com a Educação Básica. 27. na opinião de gestores públicos e membros do Conselho Estadual do Trabalho (Paraná) entrevistados. com recursos. e para o desinteresse do público-alvo que busca alternativas que viabilizem inclu- são a curto prazo. das Políticas Públicas de Emprego. vol. incluindo conteúdos que discutam cidadania. que congrega as ações que têm sua origem no Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). a segun- da. organiza- ção e gestão do trabalho e saúde e segurança. o que não tem feito parte de sua experiência. O que a prá- tica tem mostrado. que se constitui na proposta reformulada do PLANFOR.br> .cedes. embora reduzidos. 2006 Disponível em <http://www. por meio da exigência de 200 horas em média. o que se tem como novi- dade é a extensão da duração dos cursos. Campinas. os casos analisados evidenciam a dificuldade de usar os recursos disponíveis. A análise do PNQ evidencia avanço conceitual significativo com re- lação ao PLANFOR. Embora não se tenha dados exaustivos. que integrem educação básica e profissional obedecen- do a planejamento pedagógico integrado. os quais acabam por ve- zes não sendo investidos na sua totalidade. 877-910. a partir da ótica dos trabalhadores.Especial. a partir do PNQ. a ser implementado pela enti- dade executora. no que diz respeito às categorias relativas às relações en- tre trabalho e educação. p. com o que é difícil integralizar turmas. 2003/ 2007. e as Comissões Estaduais e Munici- pais do Trabalho. 96 .. contudo.. por entraves burocráticos. com destaque para a perda de interesse das agências formadoras.A educação profissional nos anos 2000.unicamp.

.br> . Acacia Zeneida Kuenzer sos financeiros. incluindo as de nível técnico. Soc. tendo em vista a inserção cidadã (artigo 1º). de gênero. que usa os equipamentos adquiri- dos com os recursos do PLANFOR e material doado pelas empresas. A sua ges- tão. O que se observou. é o curso de costura fornecido pelo Sin- dicato dos Sapateiros de Campo Bom. vol. As demais alternativas para esse setor. O PROJOVEM foi criado pela Medida Provisória n. out. 2006 891 Disponível em <http://www. que tenham concluído até a 4ª série do ensino fundamental. de modo geral. são oferecidas pelo setor privado. Qualificação e Ação Comunitária (PROJOVEM) e o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional à Educação Básica. de fevereiro de 2005. ambos criados no Go- verno Lula. Destina- se a jovens com idades entre 18 e 24 anos. 877-910. na região pesquisada. as quais demandam mais escolaridade por focarem ocupações com mais complexidade.cedes. que eram oferecidos na vigência do PLANFOR e que. tendo por objetivo elevar o grau de escolaridade por meio da conclusão do ensino fundamental articulado à qualificação profissional e à ação comunitária. por um período máximo de 12 meses. eram ofertados pelos sindica- tos dos trabalhadores do calçado. com todos os seus limites. 96 .unicamp. en- quanto durar o curso. O custo desses cursos. para atuar nas funções específicas do setor coureiro- calçadista na região pesquisada. 238. dado o seu período curto de implanta- ção (o PNQ começou a ser implantado em 2004). não tenham vínculo empregatício e apresentem marcas de discriminação étnico-racial. em particular pelo Siste- ma S. No segundo grupo tem-se a continuidade do PRONERA e do PROEP.Especial. na Modali- dade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA). De todo modo. por meio de um comitê gestor. p. não foram substituídos por outras al- ternativas. Campinas. nesse momento em fase de negociação com o Banco Mundial tendo em vista sua renovação. não os torna alternativas para a maioria dos de- sempregados e candidatos ao primeiro emprego. foi que os cur- sos profissionalizantes. de geração e de religião. está a cargo da Secretaria-Geral da Educ. ainda não se tem dados disponíveis para uma avaliação mais consistente. A pesquisa mostrou que a única possibilidade de qualificação profissional gratuita disponível para os desempregados e candidatos ao primeiro emprego. contudo. os quais receberão um auxílio financeiro de R$ 100.00. 27. n. a par dos horários e das exigências de trabalho intelectual derivado de mais ampla escolaridade. sobre o qual se organiza toda a econo- mia regional. o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educa- ção.

e a exigência dos exames finais nacionais é a regulação da qualidade via controle do produto. com o fim de favorecer o encontro e o pro- cesso formativo e a participação comunitária. as redes sociais propõem-se a racionalizar o uso dos recursos disponíveis. Nesse caso. compartilhada com os ministérios da Educação. ela está condicio- nada. O PROJOVEM. que celebrarão convênio com a União. A sua operacionalização dar-se-á em cooperação com os municípios. Dessa forma. usarão o mesmo procedimento. sendo esta uma característica dos progra- mas do Governo Lula. vol. culturais e de lazer.. out. articuladas à coordenação nacional.unicamp. e mesmo impossibilidade. para atender a todos os núcleos que lhe são subordinados (oito núcleos por Estação). o Distrito Federal e as cidades das regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes. pe- las unidades consorciadas.br> . assim distribuídas: 800 horas de formação escolar em nível de 5ª a 8ª série. deve totalizar 1. à aprovação em Exa- me Final Nacional Externo. Uma explicação pos- sível para a contradição entre a concepção de avaliação ao longo do pro- cesso. a menor unidade são os núcleos. organiza-se em redes sociais. p. que poderá ser refeito em caso de insucesso. Campinas. por intermédio da Secretaria Nacional da Ju- ventude.Especial. 27. em até 12 meses. os municípios. por sua vez. repassando recursos mediante convê- nio para entidades executoras. Esse programa abrange as 26 capitais. 50 horas de ativi- dades de ação comunitária e 400 horas de atividades não-presenciais com tutoria. esses núcleos vinculam-se às Estações Juventude. é importante lembrar que o auxílio fi- nanceiro será concedido no máximo por 12 meses. A formação. 96 . As Estações também concentram as ações de estudo e pesquisa e as atividades esportivas. Presidência da República. de controle durante o 892 Educ. Soc. com o Distrito Federal e com organizações da Sociedade Civil sem fins lucra- tivos. 2006 Disponível em <http://www.600 horas.. 877-910. 350 horas de qualificação profissional. As Estações Juventude concentram uma equipe de gestão administrativa e pedagógica e professores de qualificação profissional inicial. que articulam as turmas. em de- corrência da ausência. do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. como uma das estratégias de gestão demandadas pelas parcerias público-privadas. após processo de recuperação. n.cedes. As redes sociais. como outros programas que serão analisados em segui- da. têm como proposta assegu- rar ao mesmo tempo unidade programática e autonomia de execução.A educação profissional nos anos 2000. que se ligam às coordenações municipais. Embora o PROJOVEM confira certificação escolar. apresentada pelo PROJOVEM . para além da avaliação durante o processo..

Esses programas são sustentados juridicamente. além da Lei n. 2. desde que a avaliação comprove que os objetivos do curso fo- ram atingidos. Os de Educação Profissional técnica de nível médio terão a duração mínima de 2.. institucionalizada. qualidade. Os certificados e diplomas serão conferi- dos pela instituição ofertante.840.400 horas. a partir das experiências já realizadas. 27. ainda em fase ini- cial de implantação.unicamp. 5.154. estabelece a possibilidade do reconhecimento de competências tácitas ou formais adquiridas ao longo das trajetórias de escolaridade e laboral. dada a quantidade. natureza diferenciada e disper- são espacial das unidades executoras. n. é a proposta de integração. 9. ou seja. 96 .200 horas destinadas à for- mação geral e a carga horária mínima estabelecida para a respectiva ha- bilitação profissional. poderá ser adotado pelas instituições públicas dos sistemas de ensino estaduais e municipais e pelo “Sistema S”. vol. que revogou o Decreto n. de julho de 2006. objeto do Decreto n.400 horas. o PROJOVEM diferencia-se pela sua institucio- nalização e estratégia de regulação a partir do Estado.200 horas destinadas à formação geral e 200 horas para a Educação Profissional.394/96.Especial. Esse programa foi autorizado pelo Conselho Nacional de Educa- ção como projeto experimental. 37/2006).208/97 e re-estabeleceu o ensino médio integrado como Educ. para o Ensino Médio e para a educação de jovens e adultos. Soc. Os cursos do PROEJA destinados à formação inicial e continuada de trabalhadores terão carga horária mínima de 1. sendo objeto do Parecer CNE/CEB n.cedes. desde que se assegure a construção pré- via de um projeto pedagógico integrado único. com certificação. integrada ou concomitante. em um único percurso pedagógico. out. sendo 1. 877-910. Embora instituído no âmbito federal. p. compreendido pela Rede Federal de Educação Profissional. 5. está em tramitação no CNE uma nova proposta de diretrizes (Parecer CNE/CEB N. observando as normas e diretrizes do CNE para a Educação Profissional de nível técnico. que deverá reconhecer conhecimentos e habilidades previamente adquiridos e prever a conclusão a qualquer tempo. sendo 1. 2006 893 Disponível em <http://www. de formação básica e Educação Profis- sional. pelo Decreto n. 2/ 2005. Acacia Zeneida Kuenzer processo. de julho de 2004. A novidade desse projeto. Campinas. regu- lamenta a formação de jovens e adultos trabalhadores em nível inicial e continuado e em nível de Educação Profissional técnica de nível mé- dio. Entre os programas analisados.br> . O PROEJA.

embora assumam a articula- ção com a educação básica como princípio. p. estimulada. referendou a independência entre formação média e pro- fissional. 877-910. nos casos do PROJOVEM e do PROEJA.093-1. em comparação com os demais projetos apontados a seguir. Contudo.. esses programas têm como característica a vinculação formal ao Sistema Na- cional de Educação. por meio do acesso e da permanência no mercado do trabalho. vol. 5. n. fica 894 Educ. 2006 Disponível em <http://www. 2006). essa vinculação não se constitui em in- tegração entre educação básica e profissional. Campinas.. uma breve análise comparativa desses decretos será objeto de outra parte deste texto.cedes. o PNPE articula várias ações.A educação profissional nos anos 2000. de 22 de outubro de 2003. 96 . os jovens desempregados de baixa renda e baixa escolaridade. Esse programa foi concebido para atender ao contingente mais vulnerável da juventude brasileira. embora se mantenha a vinculação formal com direito à certificação. Esta diretriz põe por terra a possibilidade de integração.094). ao contrário.unicamp. Implementado pelo governo federal por intermédio da Lei n. essa articulação. embora integrantes do mesmo curso. sem experiência profissional prévia. Como já se afirmou anteriormente. Soc.br> . o que. gerenciado pelo Mi- nistério do Trabalho e Emprego. o CNE. 10. 27. em sua nova configura- ção e exigências. p.. 1. dife- rentemente das anteriormente descritas.Especial. ao ratificar as diretrizes curriculares para o en- sino médio e para a Educação Profissional anteriores ao Decreto n. não se vinculam ao Sistema Nacional de Educação. faz destas alternativas um pouco menos precárias.154/2004. modalidade. com o objetivo de transformar as expectativas de jovens em situação mais crítica de pobreza em possibilidades sustentáveis de um futuro decente. No terceiro grupo tem-se as ações abrangidas pelo Programa Na- cional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). Essas ações. que se desenvolvem por meio de duas linhas: a da qualificação social e profissi- onal e a da inserção imediata no mercado de trabalho. como já apontaram Frigotto & Ciavatta (2005. que podem ser ministradas como partes autônomas. o principal programa do Governo Lula voltado para a inclusão dos jovens em situação de vulnerabilidade social.748. não ultrapassando o nível formal. cujo objetivo é “combater a pobreza e a exclusão social através da integração entre as políticas de emprego e renda a uma política de investimentos públicos e privados geradora de mais e melhores oportu- nidades” (MTB/PNPE. uma vez que. out.

que possuam renda familiar per capita de até meio salário míni- mo. Entre as ações que se propõem primeiro a qualificar e depois a in- serir.cedes. sem que haja vinculação explícita entre a escolarização e a formação oferecida pelo projeto. para que encontrem uma ocupação ao deixarem as Forças Armadas. Campinas. o PNPE. como empreendedorismo.6 Entre os projetos que objetivam a captação de vagas no mercado formal.br> . qualificação social e profissional definida a partir de uma listagem de temas sugeridos pelo Mi- nistério do Trabalho e Emprego. tendo em vista o desenvolvimento do jo- vem como pessoa. esta carga horária com- porta as seguintes dimensões: estímulo e apoio efetivo à elevação da escola- ridade. e a inclusão em ações alternativas de geração de renda. que substituiu o Serviço Civil Voluntário. out. p. está o projeto Juventude Cidadã. está o projeto Escola de Fábrica. os projetos que se originam no mesmo progra- ma. Quanto à proposta pedagógica. 96 . com destaque para focos de discriminação social. Este se diferencia dos demais por destinar-se a capacitar profissionalmente jovens que prestam o Serviço Militar Obrigatório. “Empreendedorismo Juvenil” e “Sol- dado Cidadão”. Para tanto..Especial. realizado com o Ministério da Defesa. e os contratos especiais de trabalho nas linhas de apren- dizagem e estágio. selecionados a partir das demandas de de- Educ.7 De modo geral. Esse pro- jeto. e que estejam cursando ou tenham completado o ensino funda- mental ou médio. n. jo- vens de 16 a 24 anos sem experiência prévia no mercado de trabalho formal. 2006 895 Disponível em <http://www. de modo geral a formação tem 600 horas de duração. Vinculado ao MEC. Soc. estão o Jovem Empreendedor. distribuídas com pequenas variações conforme a especificidade de cada projeto. cidadão e trabalhador. vinculadas ao Ministério do Trabalho e Emprego. Acacia Zeneida Kuenzer por conta do aluno.unicamp. 877-910. formação em cidadania e direitos humanos. 27. capacita 30 mil soldados por ano. com contratações subsidiadas pelo governo ou não. estão os projetos “Consórcios Sociais da Juventude”. realizado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Em- presas (SEBRAE). cooperativismo e associativismo. Vinculado à Secretaria-Geral da Presidência da República por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos e articulado ao Mi- nistério do Trabalho e Emprego. que deverá comprovar sua matrícula e freqüência ao sistema escolar. apresentam as mesmas características: o público-alvo. a Fundação Cultural do Exér- cito e o “Sistema S”. vol.

prestação de serviços voluntários à comunidade. dadas as características de precarização cultural desses jovens. iniciativas de cooperativismo. O que evidenciaram as entrevistas realiza- das no decorrer da pesquisa no setor coureiro-calçadista.. tem sido o ingresso dos jovens no projeto Apren- dizagem. o que reforça a argumentação anteriormente desenvolvida: praticamente inexiste oferta pública para jovens em situação de vulnerabilidade em uma área dura- mente castigada pelos efeitos da globalização.. 96 . Todos os projetos prevêem o compromisso da entidade conveni- ada com a inclusão de no mínimo 30% dos participantes por meio de contratação formal. senvolvimento regional e com base na Classificação Brasileira de Ocupa- ções. ou no projeto Jovem Empreende- dor. segundo os entrevistados. 2006 Disponível em <http://www.Especial. portanto.. Nesse caso es- tudado. com vistas ao desen- volvimento de competências relativas ao protagonismo juvenil. em razão das suas exigências. n. entre outras formas possíveis. foi a baixa escolari- dade e a pobreza dos jovens participantes do projeto. que foi este o único projeto desta natureza identificado na região pesquisada. associativismo e economia solidária. e a falta de aderência entre qualificação oferecida e as demandas regionais. Cumpre-se. eleva-se para 50% o compromisso com a in- clusão no mundo do trabalho. apontado pelos entrevistados. 877-910. out. Uma possibilidade de inserção que é admitida pelo projeto e que tem se constituído em opção para o atendimento da meta de inclusão de 30% dos egressos.A educação profissional nos anos 2000. Campinas. contudo. outro fator. 27. É importante que se registre. Outra forma de inserção no mundo do trabalho dá-se por meio da autogestão ou Economia Popular Solidária. com intelectu- ais que participam do desenvolvimento do Consórcio Social da Juventude. apenas for- malmente a meta. incluindo o egresso em ati- 896 Educ. auto-emprego.unicamp. p. é muito difícil a sua permanência nos cursos. realizado pelo “Sistema S”. realizado pelo SEBRAE. ou até mesmo de aparência. infelizmente não há pesquisa de acompanhamento de egressos no projeto visitado.cedes.br> . dada a inexistência de opor- tunidades de emprego formal ou de atividades informais. o que não permite melhor análise de sua efetividade. No projeto Escola de Fábrica. Soc. Contudo. a dificuldade agrava-se por duas razões: a crise pela qual o setor vem passando em decorrência da queda do dólar e da concorrência da China. quer em termos de domínio das linguagens e de trabalho intelectual. foi a extrema dificuldade para essa inserção. vol. que não atendem aos requisitos exigidos pelas empresas.

vol. Proposta. entendendo que a formação de saberes necessá- Educ. 877-910. apontando que a lon- ga duração é um desestímulo “a quem tem pressa de se inserir”. que variam entre 50 e 100 horas. Campinas. 27. a par da exigência de estar cursando a escola ou ter escolaridade fundamental ou básica completa. o que ocorre no projeto anali- sado certamente se repetirá em outros: os alunos matriculam-se em ofertas regulares ou supletivas para entrar e manter-se no programa. As demais 300 horas correspondem à contrapartida da entidade. p. Com relação à concepção de qualificação profissional. ações de inserção dos educandos no mundo do trabalho. o projeto deve ter pelo menos 100 participantes. Juventude Cidadã. um projeto de 600 horas inclui na realidade 300 horas específicas de atividades de formação. Acacia Zeneida Kuenzer vidades ou em grupos de natureza cooperativa.br> . Não há.Especial. por meio do pagamento de um valor por hora/aluno. 14). 2006 897 Disponível em <http://www. n. abandonando a escola em seguida. p. também tem se constituído em sig- nificativo entrave para a composição de turmas que tornem viável fi- nanceiramente o projeto para a entidade executora. Esta di- mensão. as demais 300 horas correspondem às atividades da entidade conveniada. para planejamento e supervisão da prestação de serviços voluntários. Ou seja. dados que permitam uma análise mais aprofundada desta e das demais formas de inserção. Todos os projetos propõem o financiamento das atividades especi- ficamente pedagógicas desenvolvidas pelas entidades. correspondendo em geral a 200 horas de qualificação profissional e a 100 horas de formação em cidadania e direitos humanos. que tenham iniciativa de desenvolver projetos coletivos. de novo. mais uma medida bem- intencionada que vira formalidade. observa-se que.unicamp.cedes. 96 . Soc. ações de estímulo e apoio à elevação de escolarida- de. De novo.. mais as horas dedicadas à presta- ção de serviços voluntários. contudo. Com relação à freqüência à escola. já para a atuação do aluno são previstas apenas 75 horas (MTE. observa-se que a adjetivação social corresponde à concepção que privilegia a apren- dizagem pela experiência. realizada por intermédio de serviços prestados ao projeto nas seguintes atividades: supervisão das ações de prestação de serviços volun- tários à comunidade. No caso do Juventude Cidadã. caracteriza-se uma extensão apenas formal da proposta de formação para jovens em situação de vulnerabilidade. a entidade tem previstas 125 horas por aluno. embora os en- trevistados tenham problematizado esta questão. no caso pesquisado. out.

n. o que varia entre quatro meses e um ano. com financiamento de até R$ 10 mil.cedes. os valores variam entre R$ 120. 27. por meio do seu engajamento efetivo na prestação de serviços comunitários.br> .unicamp. o projeto Jovem Empreendedor.00 e R$ 150. out. Com relação ao financiamento. seria interessante pesquisar quanto dos recursos alocados para cada projeto se destina à realização da atividade- fim. 2006 Disponível em <http://www.A educação profissional nos anos 2000. apresenta uma peculiaridade: está implantando em todo o país três modalidades de crédito para jovens em- preendedores: auto-emprego. Com relação a esse auxílio. qualificam e acompanham as executoras. no caso do projeto Escola de Fábrica. realizado em parceria com o SEBRAE. Como não há ainda es- tudos sobre essa forma de gestão. que por sua vez selecio- nam. Soc. p. fazendo “enfiadinhos”. complementado e articulado com o desen- volvimento de conhecimentos (os previstos nas 300h de formação) (MTE. p. principalmente. o que os leva a preferir ou a continuar na contravenção. com carên- cia de 18 meses.8 A gestão dos programas inclui conselhos especialmente criados para este fim. Juventude Cidadã. com limite de crédito de até R$ 50 mil. uma espécie de franquia social que terceiriza o anteriormente terceirizado. constituindo-se a criação de entidades em oportunidade lucrati- va de negócio. com teto para empréstimo de R$ 5 mil por beneficiário e de R$ 100 mil por cooperativa e prazo de 84 meses para o pagamento. transfigurando-se a atividade-meio em atividade-fim. Proposta. ou no trabalho explorado. A existência de tantos níveis intermediários per- mite inferir que parte significativa dos recursos alimente a própria orga- nização. com 84 meses para o pagamento e 18 meses de carência.. precedido.Especial. contrariando a lógica da racionalização de recursos professada prelas redes e franquias sociais. ou entidades-âncora ou gestoras. secretarias e outras instituições responsáveis pela implementação. o que se observou na região pesquisada foi a resistência manifestada por jovens a ingressarem nos projetos. 96 . 4). com prazo de 60 meses para pagamento e 12 meses de carência. Campinas.. enquanto durar o curso. cooperativas ou associações. em face do valor considerado baixo. micro e pe- quenas empresas.00 por mês. 898 Educ. e conta com a intermediação de um órgão público que seleciona entidades executoras diretamente. 877-910. Outra característica desses projetos é a concessão de auxílio finan- ceiro tendo em vista assegurar a permanência no curso.. compostos por representantes de ministérios. vol. rios à inserção do jovem no mercado de trabalho e à vida em sociedade se dá.

do bom uso dos recursos públicos. in- Educ. Soc. e o Decreto n. inclusive sob o ponto de vista contábil.208/97. não obstante revogue formalmente o Decreto n. indagou-se acerca da sua verdadeira intenção. na prática não o faz. out. a prestação de contas dos contratos dá-se por meio da realização do produto acordado.208/ 97. 2.cedes. n. Acacia Zeneida Kuenzer O discurso sobre a publicização esconde a opção pela oferta privada As políticas e propostas contidas nos decretos e planos acima referenciados. e. Campinas. não se diferenciam no que diz respeito à concepção das relações entre Estado e Sociedade Civil. não obstante recrie os cursos médios integrados. 877-910. 96 . Essas relações supõem o repasse de parte das funções do Estado para a Sociedade Civil. 9. A compreensão desta afirmação fica facilitada pela análise do ordenamento jurídico sobre a Educação Profissional. en- tre os quais 30% devem ser inseridos no mundo do trabalho ou em ou- tras alternativas de formação – presta-se a relatórios meramente formais. porque. 2006 899 Disponível em <http://www.Especial. o que na prática não seria necessário por estarem eles con- templados no parágrafo segundo do artigo 36 da Lei n. 5. sem que se tenha indicadores de qualidade e efetividade social. que passam a se dar por meio das parcerias entre o setor público e o setor privado.. os quais. embora negada no plano do discurso. ficando a entidade executora obrigada a fornecer comprovações. não foi publicado. realizados sob o ordenamento jurídico privado. do governo anterior. 27. não havendo controle do processo. por intermédio de parcerias justificadas pela “impossibilidade” do Estado em cumprir com suas funções. Os dados anteriormente apresentados. que tem dado su- porte a esta concepção: o Decreto n. a natureza do produto – jovens qualificados. fogem aos controles pú- blicos da União. Como já se apontou anteriormente. por conseqüência. nos dois governos.394/96. acompanhado do repasse de recursos. Em decorrência desta concepção. tanto no Governo Fernando Henrique quanto no Governo Lula. originaram um conjunto de progra- mas e projetos que tiveram por objetivo a sua implementação. já são su- ficientes para indicar a continuidade de uma realidade que se generali- zou no governo anterior. embora parciais. fortalece-se cada vez mais no Governo Lula: o crescente repasse de recur- sos públicos para o setor privado. Esses programas e projetos. uma vez que. Ao analisar o novo decreto. 2. embora tivesse circula- do.154/2004.unicamp. e que. do atual governo. p.br> . em texto que. vol.

5. integrada à educação básica. com pequenas mudanças de denominação (Kuenzer. vol. entre outros fatos. 877-910. sob a coordenação de dife- 900 Educ. corpora todas as modalidades de Educação Profissional por ele propos- tas. n. é a da manutenção do verdadeiro balcão de negócios em que se transformaram as instituições públicas e privadas de Educação Profissio- nal. representou uma acomodação conservadora que atendeu a todos os interesses em jogo: do governo. 96 . Soc. e das instituições privadas. fa- cilmente comprovável hoje por meio das informações disponíveis nos diferentes sistemas de controle. Ao mesmo tempo. o vácuo criado pela extinção das ofertas públicas. a profusão de programas criados com a finalidade de operacionalizar o PNPE mostra que foram abertos muitos outros canais de repasse de recursos para o setor privado. viabilizando-a por meio de políticas públicas. a partir do Decreto n. que passaram a preencher. 2. A resistência das agências formadoras às exigências do PNQ mostra. inclusive do Tribunal de Contas da União. renunciando em parte à sua função. uma vez procedido o desmonte da oferta pública de Educação Profissional pelo Decreto n.154/2004. fosse revogada. que cumpriu um dos compromissos de campanha com a revogação do Decreto n.154/2004. Assim. e gostaram de fazê-lo. 5.br> .208/97. que pas- saram a vender cursos para o próprio governo. com vantagens.cedes. que o negócio deixou de ser interes- sante.Especial. como resultado. ainda não teve. 2006 Disponível em <http://www.. Os três estados que se disponibilizaram a realizar uma experiência piloto em 2004 tiveram como alternativa o financiamento próprio. p.208/97.. portanto. A hipótese que se levantou à época em que ainda circulavam di- ferentes versões sobre o que depois seria o Decreto n. O ensino médio integrado. 5. o que se está afirmando é que. dificilmente este pro- cesso será revertido. alocação de recursos para o seu financiamento. como fez o Paraná. 2. o Decreto n. das instituições públicas. 2003). longe de reafirmar a primazia da ofer- ta pública. 2.unicamp..154/2004 ampliou o leque de alternativas com o ensino médio integrado sem que nenhuma das possibilidades anteriores. out.208/97. Campinas. O novo decreto. e estabelecido o balcão de negócios. que seria uma alternativa para a ofer- ta pública de Educação Profissional de qualidade. tem-se menos oferta gratuita oferecida pelo se- tor privado com recursos públicos e tem-se reduzida oferta pública.A educação profissional nos anos 2000. 27.9 Em resumo. que favoreceram ações privadas de formação precarizada com recursos públicos. desde a edição do Decreto n.

956/2004 – 2ª Câma- ra – TCU (Grabowski. n. sem que haja indicações. a mesma lógica: o repasse de parte das funções do Estado. Educ.Especial. e de modo mais intenso. e dos recursos para a sua exe- cução. Acórdão n.. e Grabowski. e que esconde. a Sociedade Civil e o setor empresarial. no mínimo. como se observa no Relatório de Auditoria. no Governo Lula não houve avanços no sentido da publicização. Acacia Zeneida Kuenzer rentes ministérios e da Secretaria-Geral da Presidência da República. O que os dados revelam é que. muitas das quais não cum- priram com os termos contratuais. a sua realização pelo setor privado sem que haja elementos que permitam comprovar sua qualidade e efetividade social. Causa. Estudos realizados por Grabowski mostram que aproximadamente dois terços dos recursos do PROEP foram destinados a projetos apresenta- dos por instituições comunitárias ou privadas. 877-910. portanto. Soc. 2006 901 Disponível em <http://www. à impossi- bilidade de contratar professores e técnicos necessários ao funcionamento da escola e até a falta de alunos em face da inadequação da oferta. Campinas. segundo a concepção do público não-estatal a ser operacionalizada pelas parcerias com instituições privadas. Ribeiro & Silva. para cuja execução os recursos não eram suficientes. de que os projetos atingem suas finalidades. 2004. 96 . sob a defesa do caráter público das ações. e que essas instituições são capazes de chegar a lugares onde o Estado não chega.unicamp. sob o discurso da parceria entre o Estado. a partir do entendi- mento de que as organizações da Sociedade Civil tendem a obter melhores resultados entre o público jovem em situação de maior vulnerabilidade soci- al. 2003). como é o caso dos Consórcios Sociais da Juventude e do Juventude Cidadã. estranheza. out. implementada no governo anterior. mas sob a coordenação política de diferentes ministérios e/ ou da Secretaria-Geral da Presidência da República. a criação de programas praticamente idênticos. 27. não concluindo as obras e/ou não implementando os cursos por razões que vão desde o inadequado plane- jamento. uma profusão de dados que enunciam o mau uso dos recursos públicos a partir de uma concepção que. De modo geral. foi assumida e estimulada no Governo Lula. p.10 foram e estão sendo carreados vultosos recursos para o chama- do setor comunitário realizar a função do Estado no tocante à Educa- ção Profissional. por meio de avaliações con- seqüentes. para o setor privado sob a alegação da eficácia e da ampliação da capacidade de atendimento.br> . vol. Há.cedes. Do ponto de vista do repasse de recursos públicos para a inicia- tiva privada. permanecendo.

espaços e recursos. tal como se vem discutindo neste artigo. secretarias es- peciais. sem considerar o ensino médio integra- do. n. 96 . 2006 Disponível em <http://www. tem- se 12 propostas em andamento. como se analisou anteriormente. com modifica- ções: o PRONERA. Campinas. ainda muito incipiente. Como resultado. secretarias. É interessante observar que. Soc. sempre pre- valecendo a primazia do repasse dos recursos ao setor privado. são três programas que continuam. No total. a oferta gratuita. Com o objetivo de viabilizar cada um desses projetos.unicamp. municipais e outros órgãos federais.A educação profissional nos anos 2000. os programas aqui referenciados se caracterizaram pela desarticulação e pela fragmen- tação das ações a que deram origem. por meio de uma profusão de pro- jetos similares espalhados por diferentes unidades gestoras. alguns deles com seus respectivos conselhos. mais dois que se vinculam explicita- mente ao Sistema Nacional de Educação: o PROJOVEM e o PROEJA.br> . reproduzem-se estruturas. no mesmo relatório anteriormente ci- tado. empresas públicas e privadas.cedes. segundo a lógica da inclusão subordinada. 27. de modo geral.Especial. são estabelecidas parcerias entre a Secretaria-Geral da República. os ministé- rios citados. p. finan- ceiros e humanos. bem como o aproveita- 902 Educ. pelos setores público e comunitário. particular- mente no governo do presidente Lula. 877-910. eles são muito parecidos. com pequenas especificidades que não justificam tamanha fragmentação de ações e pulverização de recur- sos. configurando-se uma clara estra- tégia populista de eficácia discutível. para os mesmos fins. vol. todos vinculados ao Plano Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego. é quantitativamente insignificante e pouco aderente às demandas dos excluídos. os governos estaduais.. E mais sete projetos distribuídos entre ministérios. out. E. entidades da Sociedade Civil. Em resumo. o PNQ e o PROEP... cujos resul- tados não evidenciam outra possibilidade de inclusão senão por intermé- dio da realização de trabalhos precarizados e predominantemente even- tuais. A opção pela implementação de projetos de Educação Profissional esconde a ausência de políticas públicas Além da concepção de ação pública não-estatal que justificou o repasse de recursos públicos para instituições privadas. o TCU aponta a necessidade de uma maior integração entre os mi- nistérios da Educação e do Trabalho e Emprego. por meio das redes ou franquias sociais.

à qual se integre forma- ção profissional de natureza tecnológica.br> . vol.. o financiamento e a gestão pública. fundada na justiça social a partir da participação de todos na produção. per- mite questionar fortemente a falta de efetividade social dos programas que vêm sendo desenvolvidos. cotejadas com os dados disponibilizados pelas pesquisas de campo realizadas pela autora nos últimos anos. 877-910. Campinas. n. sem que se configurem de fato como po- lítica pública. avaliando a necessidade de atualização desses planos. como refe- rência para a análise e seleção de cartas-consulta relativas a projetos esco- lares do segmento comunitário. vem evidenciando que. ainda que preliminar. a reivindicação feita pelos gestores públicos da Educação Profissional. assistencialista e compensatório. out. (. na cultura e no poder.. posto que a pesquisa levada a efeito. que se revestem de caráter fragmentado. p. atribuindo a execução ao setor priva- do. portanto. 2006) O discurso da articulação entre educação básica e profissional oculta a ênfase no conhecimento tácito. o que demanda processos educa- tivos que articulem formação humana e sociedade na perspectiva da au- tonomia crítica.Especial. Soc. Como já se afirmou em outro texto. Não é de estranhar. como expressão da nova epistemologia da prática A análise das propostas de Educação Profissional que vêm sendo analisadas. 2006 903 Disponível em <http://www. 96 . (Kuenzer & Grabowski. o que se vem oferecendo aos que vivem do traba- Educ. Acacia Zeneida Kuenzer mento dos Planos Estaduais de Educação Profissional (PEPs).cedes. comprometidos com o bom uso dos recursos públicos. sejam substituídos por uma política de Estado que contemple.unicamp. de for- ma orgânica. na fruição do que foi produzido. a ser assegurado pelos controles públicos da União.) a razão fundamental para que essa política seja de Estado é o reco- nhecimento do papel estratégico que desempenham a educação e a pro- dução do conhecimento científico-tecnológico e sócio-histórico no pro- cesso de construção de uma sociedade de novo tipo. fundada no domínio intelec- tual da técnica como relação entre conhecimentos e competências cognitivas complexas.. para que esses inúmeros projetos que fragmentam as ações e os recursos. 27. ética e estética. embora as mudanças ocorridas no mundo do trabalho passem a exigir ampliação da educação básica com qualidade.

ao analisar as novas demandas de Educação Profissional derivadas das mudanças na base técnica. Em particular às que assegurem o exercício da crítica. Embora estes elementos sejam fundamentais para a educação dos que vivem do trabalho. na maioria das vezes descolada da educação básica de qualidade. 96 . com vistas à formação de um profissional com autonomia intelectual e ética. basicamente. 877-910. Ou. referência e condições concretas. Campinas. vol.unicamp.br> . nos projetos. discussão sobre algumas dimensões da ci- dadania como capacidade de intervenção social. n. para a implementação de procedimentos pedagógi- cos que assegurem o desenvolvimento das competências complexas que caracterizam o trabalho intelectual. com a crescente utilização da base microeletrônica. a reforçar o consumo predatório da força de tra- balho ao longo das cadeias produtivas. Assim é que os projetos contemplam um amálgama de qualificação social entendida como ação comunitária. é fundamental. out. que exigem cada vez mais domínio das categorias 904 Educ. 90-91).Especial.. negam esta necessidade.A educação profissional nos anos 2000. a idéia básica que fundamenta propostas desse tipo é que a prática profissional consiste na solução ins- trumental de problemas mediante a aplicação de um conhecimento previamente disponível. Kuenzer. Soc. embora sutilmente. 27. à reprodução do conhecimento tácito. É instrumental porque supõe a aplicação de téc- nicas e procedimentos que se justificam por sua capacidade para conse- guir os efeitos ou resultados desejados (p. o que im- plica um tipo de inteligência tácita e espontânea que é incapaz de se tornar verbalmente explícita (Schön. p. reveste as propostas de caráter formalista e demagógico. levando a entender que o resultado deste conjunto se configura como educação para a inclusão soci- al. domínio de algumas ferramentas da informática e das linguagens como ca- pacidade de trabalho intelectual.cedes. conhecer e refletir na ação.. Não há. não passando de discurso a integração entre educação básica e profissional.. Como afirma Contreras (2002). como afirma Schön. dadas as suas características. para o que o domínio de conhecimentos ci- entíficos. 2000. a forma superficial e aligeirada. p. aprendizagem de fragmentos do trabalho no espaço produtivo como conhecimento científico-tecnológico. 2006 Disponível em <http://www. lho se resume. vários dos projetos analisados. Ao con- trário. da participação política ou do acesso aos conhecimentos necessários para enfrentar os desafios de uma sociedade cada vez mais excludente. 33). da criação. tecnológicos e sócio-históricos.

mec. o conhecimento científico. 9) Retrocede-se. mas também como método para aprender a conhecer. resume-se a ob- servar e repetir até memorizar as “boas práticas” dos trabalhadores mais experientes. ao princípio educativo do taylorismo/ fordismo. pois ele “sabia na prática”. Campinas. 2003. os programas e projetos que dele se derivaram pro- Educ. 2006 905 Disponível em <http://www.cedes. embora não conhecesse a ci- ência do seu trabalho. portanto. Restaria perguntar.) ao tempo em que as pesquisas levem a estas constatações.) o melhor instrutor era o “Tonicão”. tinha virtuosidade nas práticas laborais. desvalorizando. 96 .Especial.. (Kuenzer.) causa espanto (. que. portanto. bastando inserir desde logo o futuro trabalhador na situa- ção concreta de trabalho. e mesmo declarando desnecessário. p. Ele também não sabia ensinar. (Kuenzer. p.. afirma a autora. 2002... em que (. p. que as políticas públicas em vigor para todos os níveis de en- sino proponham como tarefa à escola o desenvolvimento de competências entendidas como capacidades de realizar tarefas práticas. afirma que (. a quem interessa reduzir a forma- ção ao conhecimento tácito por intermédio de uma epistemologia na qual a prática se constrói por meio de uma reflexão sobre si mesma. desenvolvi- da ao longo do tempo por meio de sua experiência. 27. out. típica do taylorismo/fordismo. 19) Diga-se de passagem que o Escola de Fábrica assim se pronuncia sobre o perfil dos instrutores que as empresas devem disponibilizar: “Cola- boradores internos que sabem fazer para saber ensinar os temas específicos e profissionais do curso” (www. desqualificando-se os espaços onde os que vivem do trabalho poderiam ter acesso ao conhecimento científico. não se explica. n. embora o PNQ apresente avanço conceitual. na qualidade de produto do pensamento humano. tecnológico e sócio-histórico.gov/educaçãoprofissionaletecnológica/ escola de fábrica). mesmo sem que ele se aproprie de categorias teórico-metodológicas que lhe permitam analisá-la e compreendê-la para poder intervir com competência.br> . vol. e.. da análise levada a efeito até aqui. Acacia Zeneida Kuenzer referentes ao trabalho intelectual em contraposição à centralidade do conhecimento tácito. Soc. porque conhecimento tácito não se sistematiza. que.. assim compreendida. sem a mediação da teoria.. 877-910. A pedagogia do trabalho. Con- clui-se. mas tinha imensa boa vontade em se deixar observar e em mostrar como fazer.unicamp.

E mostra que os princípios que orientaram a Educação Profissio- nal no Governo Fernando Henrique não foram superados no Governo Lula. e a proposição coletiva de projetos de outra na- tureza. a ênfase no conhecimento tácito em detrimento do acesso ao conhecimento científico-tecnológico e sócio-his- tórico. sustentadas por indicado- res que apontam seu potencial explicativo: a destruição progressiva das ofertas públicas e o fortalecimento crescente do setor privado.unicamp. 2006 Disponível em <http://www. o caráter genérico. alguns deles inclusive tendo sido intensificados. Como resultado.Especial. polivalentes e empreendedoras se realiza por intermédio das dimensões pedagógicas dos processos sociais aos quais se articulam políticas e práticas educativas de caráter privado. p. out. 877-910. de po- lítica de Estado. de modo que se alimente o consumo predatório da força de trabalho. as relações sociais sobre as práticas educativas in- tencionais e sistematizadas.. 27.. populistas e fragmentadas. para o que a redução epistemológica por meio da formação de subjetividades flexíveis. que cada vez recebe mais recursos para realizar funções que são do Estado. o relativismo sobre o realismo. a enunciação apenas formal.cedes. vol. Concluindo: a formação precarizada para trabalhadores precarizados continua sendo o eixo das políticas de Educação Profissional A análise levada a efeito. descomprometido com o efetivo acesso ao conhecimento sobre o trabalho da maioria dos projetos de Educação Profissional. negado em nome de seu pretenso caráter racionalista. Soc. da integração da Edu- cação Profissional à educação básica. que privilegia a prática em de- trimento da teoria. 96 . é possível indicar a continuidade de propostas precárias de Educação Profissional para legitimar a inclusão em trabalhos precarizados.A educação profissional nos anos 2000. mais do que abranger toda a temática. indica um extenso programa de investigação a ser levado a efeito por aqueles intelectuais que professam compromisso com os que vivem do tra- balho.br> . n.. a pulveriza- ção de ações e a duplicação de recursos que respondem a uma proposta populista. que expressam as estratégias de disciplinamento necessári- 906 Educ. põem outra concepção epistemológica. em substituição a uma proposta orgânica e consistente. na maioria dos projetos. Campinas. Alguns elementos de realidade permitem fazer afirmações e indi- car hipóteses para a continuidade dos estudos. tendo em vista a avaliação do que lhes tem sido ofertado sob o discurso de sua inclusão.

dos produtos e padrões de consumo (. Brasília. O desa- fio que se coloca é o rompimento deste círculo. Ou seja. Acumulação flexível é uma categoria formulada por Harvey. dos mercados de trabalho. o que demanda novas leituras. p.) surgimento de setores de produção inteiramente novos. p. n. 3. novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros. Ela se apóia na flexibili- dade dos processos de trabalho. Acacia Zeneida Kuenzer as ao novo regime de acumulação.. de 20 de dezembro de 1996. 23 dez. 877-910. Lei n. sobretudo. tendo sempre em mente que não é possível fazê-lo sem criar oportunidades dignas de trabalho.) é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Para mais informações sobre esta negociação. 4. Diário Oficial da União.cedes. ver Kuenzer. como se fosse possível resolver o problema da inclusão por meio da qualificação pre- carizada para uma inserção consentida. na sociedade capitalista.. para o que a nova epistemologia da prática fornece os fundamentos. p. não há inclusão que não atenda a esta lógica. 96 . 5. 27. com restritas possibilidades de desenvolver uma consciência de classe. Campinas. 1999. 2006 907 Disponível em <http://www. O que leva a refletir que. 6. seus financiamentos e suas formas de gestão. Soc. 9. vol. O Juventude Cidadã adota uma estratégia de qualificação social e profissional que privilegia a aprendizagem pela experiên- Educ.394. A Escola de Fábrica propõe-se a incluir jovens de baixa renda no mercado de trabalho por meio de iniciação profissional em unidades de trabalho. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional..unicamp. 2. na qual se pro- duzem relações sociais e produtivas que têm a finalidade precípua de va- lorização do capital.Especial. Brasil. Notas 1. tecnológica e organizacional” (Harvey. taxas altamente inten- sificadas de inovação comercial. out. que apenas atende às demandas da acumulação flexível. que necessitam de um número cada vez menor de profissionais quali- ficados para atuar nos setores reestruturados. não há como pro- fessar uma crença mecânica no poder das contradições. 1996. 2005. cuja direção depende das opções políticas que de- finem os projetos. novos mercados e. apenas contraditórias. propostas e práticas a partir da ampliação da participação dos trabalhadores na formulação das políticas e na gestão dos processos. Polarização de competências: demandas polarizadas de Educação Profissional ao longo das cadeias produtivas. ca- pazes de interferir positivamente no atendimento às necessidades dos que vivem do trabalho. 1997. ver Kuenzer. Recebido em agosto de 2006 e aprovado em setembro de 2006. 140). como não há possibilidade de existência de práticas pedagógicas autônomas.. Ver os textos organizados por Lodi. que assim a sistematiza: “(.br> .. 1998. 77-96.

foram Paraná. G.br. 2005.unicamp. N. Negociação e contratação coletiva da qualificação socioprofissional nas re- lações capital-trabalho. (Org. São Paulo: CUT. FRIGOTTO. 92. In: FRIGOTTO. Ver. cultura e tra- balho. ver Ferreira & Garcia (2005). Para informações sobre esses projetos. anos 90.cedes. Ensino médio integrado: concepções e contradições. DOMINGUES. Os estados que assinaram convênio em 2004 com o MEC.Especial.mtegov. A autonomia de professores.. (Org. consultar o site do Ministério do Trabalho e Em- prego: www. RAMOS.mec. 9. p.A educação profissional nos anos 2000. CIAVATTA. FERREIRA. M. GARCIA. FIDALGO. para mais informações. n. o projeto em www.br..). RAMOS. In: TEIXEIRA. 148-174.).. 877-910.). Campinas. S. São Paulo: Cortez.R. 2002. www. F. 2004. 1999. M. Referências bibliográficas CONTRERAS. cia. n. 27.gov. Brasília. Soc. M..mtegov.br. www.br. O ensino médio integrado à educação profissional: um projeto em construção nos estados do Espírito Santo e do Paraná.gov. por meio do seu engajamento efetivo na prestação de serviços comunitários. Educação & So- ciedade. 26.. os recursos financeiros nunca foram liberados e o Paraná vem desenvol- vendo o projeto com recursos do seu orçamento. 2005.. Campinas. para o desenvolvimento de ex- periências-piloto na modalidade ensino médio integrado. M. J.br. 1087-1113. E. FRIGOTTO.. M. G.. LADOSKI. Ensino médio: ciência. G.. 2005. A formação profissional negociada: França e Brasil. CIAVATTA. 908 Educ. F.. 7. nos sites do MEC e do Ministério do Trabalho e Emprego: www.H. CIAVATTA.. out. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez..sgpr. DF: MEC. 2005. G. p. 8. vol.mec.gov. FIDALGO.br e www. SEMTEC. articulado com o desenvolvimento de conhecimentos. (Org. M. CIAVATTA.br. FIDALGO. out. p.br> . Negociação da educação e da educação profissional. Santa Catarina e Espírito Santo.mtegov. 10. A política de educação profissional no Governo Lula: um percurso histórico controvertido. Ver os termos de referência dos projetos Consórcio Social da Juventude e Escola de Fá- brica. 96 . M.mtegov. M. A descrição detalhada desses projetos pode ser encontrada nos seguintes sites: www. FRIGOTTO.. São Paulo: Anita Garibaldi. v. M. 2006 Disponível em <http://www. Ensino médio integrado: concepções e contradições.

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