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Antologia
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Dilercy Aragão Adler Leopoldo Gil Dulcio Vaz

(ORGANIZADORES)

Dilercy Aragão Adler Leopoldo Gil Dulcio Vaz (ORGANIZADORES) Antologia São Luís 2013
Antologia
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Dilercy Aragão Adler Leopoldo Gil Dulcio Vaz (ORGANIZADORES) Antologia São Luís 2013

São Luís

Dilercy Aragão Adler Leopoldo Gil Dulcio Vaz (ORGANIZADORES) Antologia São Luís 2013

2013

Copyright © 2013 by EDUFMA

A presente obra está sendo publicada sob a forma de coletânea de textos fornecidos voluntariamente por seus autores, com as devidas revisões de forma e conteúdo. Estas colaborações são de exclusiva responsabilidade dos autores sem compensação financeira, mas mantendo seus direitos autorais, segundo a legislação em vigor.

Prof. Dr. Natalino Salgado Filho Reitor

Prof. Dr. Antonio José Silva Oliveira Vice-Reitor

DIRETOR DA EDUFMA E PRESIDENTE DO CONSELHO EDITORIAL Prof. Dr. Sanatiel de Jesus Pereira

CONSELHO EDITORIAL Prof. Dr. André Luiz Gomes da Silva, Prof. Dr. Antônio Marcus de Andrade Paes, Prof. Dr. Aristófanes Corrêa Silva, Prof. Dr. César Augusto Castro, Bibliotecária Luhilda Ribeiro Silveira, Prof. Dr. Marcelo Domingos Sampaio Carneiro, Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa, Prof. Dr. Marcos Fábio Belo Matos

Capa e Editoração Eletrônica Roberto Sousa Carvalho

Arte da Capa Ever Arrascue

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão

Antologia mil poemas para Gonçalves Dias / Dilercy Aragão Adler, Leopoldo Gil Dulcio Vaz (Organizadores). – São Luís: EDUFMA,

2013.

753 p.: il.

ISBN 978-85-7862-305-0

1. Literatura brasileira – Antologia poética. I. Adler, Dilercy Aragão. II. Vaz, Leopoldo Gil Dulcio.

CDD 869.808 8 CDU 821.134.3(081.1)(81)

Impresso no Brasil Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, armazenada em um sistema de recuperação ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia, microfilmagem, gravação ou outro, sem permissão do autor.

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO FEDERAÇÃO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO MARANHÃO SOCIEDADE DE

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO FEDERAÇÃO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO MARANHÃO SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO ESTADO DO MARANHÃO

MARANHÃO SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO ESTADO DO MARANHÃO “e o nosso nome voará de boca
MARANHÃO SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO ESTADO DO MARANHÃO “e o nosso nome voará de boca
MARANHÃO SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO ESTADO DO MARANHÃO “e o nosso nome voará de boca

“e o nosso nome voará de boca em boca – de pais a filhos – até às mais remotas gerações e o esquecimento não prevalecerá contra ele”

Gonçalves Dias

Agradecimentos

Agradecimentos Ninguém sobrevive sozinho, ninguém faz nada sozinho. Assim, temos muito a agradecer a inúmeras pessoas

Ninguém sobrevive sozinho, ninguém faz nada sozinho. Assim, temos muito a agradecer a inúmeras pessoas pela realização desta grande homenagem a Gonçalves Dias: aos autores de cada poesia e de cada texto, bem como a cada Instituição que deu o seu aval a este Projeto. À Profa. Maria Cícera Nogueira, por sua efetiva participação no momento da definição do nome do poeta nacional a ser homenageado neste Projeto. Ao Prof. Dr. Natalino Salgado Filho, Magnífico Reitor da Universidade Federal do Maranhão - UFMA, que abraçou o Projeto Gonçalves Dias, mostrando simpatia desde o início, o que possibilitou a continuidade da batalha para conseguirmos as de- mais condições, necessárias ao desenvolvimento desta empreitada, com o brilhantismo merecido pelo poeta Gonçalves Dias, que esperamos venha realçar a galhardia desta Atenas Brasileira.

Os Organizadores

À Guisa de Apresentação Ao prefacear “ As poesias completas de Gonçalves Dias da Coleção

À Guisa de Apresentação

Ao prefacear As poesias completas de Gonçalves Dias da Coleção grandes po-

etas do Brasil”, publicada pela Editora Científica, no Rio de Janeiro, em 1965, Josué Montello afirma: “O culto a um poeta implica numa atitude mais complexa do que um sim- ples ato de fé; exige o nosso exame, o estudo atento da mensagem que nos deixou.”

e os ho-

mens que mais marcaram as suas presenças, que mais dedicaram as suas inteligências, as suas forças, as suas ousadias e potencialidades para engrandecer a imagem do nosso

Brasil.

Uma Pátria se faz com homens e feitos. Claro, que todos os brasileiros fizeram e fazem essa história, de forma diferenciada e específica. Desde aqueles que construíram com os seus braços e muito suor os monumentos, os casarões, as avenidas, os viadutos e calçadões, milhões de anônimos que fizeram de São Luís Patrimônio Histórico e Cultu- ral da Humanidade, entre outras cidades brasileiras. Mas alguns se firmam com traços mais visíveis e terminam por representar os demais, até porque sem o aval dos demais ninguém se firmaria. Diz ainda Josué Montello no mesmo prefácio: E é isto que se pretende seja feito, com esta nova publicação das Poesias de Antônio Gonçalves Dias. Elas constituem, inegà- velmente, o primeiro documento considerável da sensibilidade brasileira traduzida em versos duradouros. Quarenta e oito anos depois (1965-2013), pedimos emprestadas essas palavras para Josué Montello, objetivando continuar o culto necessário ao nosso grande poeta Antônio Gonçalves Dias, que, neste momento, é traduzido através desta grande home- nagem configurada em 1000 poesias de poetas renomados imortais, poetas renomados contemporâneos, poetas neófitos, poetas e pessoas de várias pátrias, de várias idades e diferentes escolaridades, para reavivarmos a memória, reacendermos a chama e ratifi- carmos a importância de empreitadas desse gênero. Desse modo, é isto que se pretende seja feito com esta nova publicação de poesias em homenagem a Antônio Gonçalves Dias: vivificar a Fé, a memória e novos estudos

Precisamos, sim, cultuar a nossa memória coletiva

a nossa história

das mensagens deixadas por esse grande nome das letras brasileiras, Antônio Gonçal- ves Dias.

São Luís, 1º de janeiro de 2013

Dilercy Aragão Adler

Presidente da SCL do Brasil e do Estado do Maranhão IHGM Cad.nº 01

Apresentação 1 Quando a Dilercy retornou do Chile (2011), onde participou do lançamento da antologia

Apresentação 1

Quando a Dilercy retornou do Chile (2011), onde participou do lançamento da

antologia dedicada a Pablo Neruda nos trouxe, ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM o desafio de ‘cometer’ algo parecido. Fui contra. Disse na ocasião que caberia à academia de letras reunir poesias sobre o poeta gonçalvino; que a ideia fosse levada àquela instituição, ou à Academia de Letras de Caxias. Ao IHGM caberia um es- tudo sobre a vida e a obra, especialemnte do historiador-pesquisador, e não uma reunião de poetas e suas poesias em homenagem a Gonçalves Dias. Voto vencido, pela defesa da ideia, feita pelo Confrade Álvaro Melo, a Assembléia decidiu levar adiante a proposta Foi necessário um projeto, encaminhado à AGO, que o aprovou; mais, seria in- corporado às comemorações dos 400 anos de São Luís e estabelecido o “Ano de Gon- çalves Dias”, agosto de 2012 - agosto de 2013, por ocasião das comemorações dos 190 anos do nascimento do ilustre caxiense. Além da Antologia, seria estimulado a produ-

ção de estudos sobre a vida e obra do ilustre poeta

Após alguns meses de intensa troca de correspondência, tanto institucionais

quanto pessoais, viu-se que em 2012 as obras não estariam completas

alternativa de ‘levar’ para 2013. Mais um ano de provocações, de buscas, de reuniões, de muito trabalho. Os três entes comprometidos com a realização da obra - Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão sob a presidência da profa. Dra. Telma Bonifácio dos Santos Reinaldo; a Federação das Academias de Letras do Maranhão, presidida, então, pelo confrade Álvaro Urubatan Melo; e a Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, à frente a Poetisa Dilercy Aragão Adler, não mediram esforços, nem economizaram nas tintas e nas correspondências eletrônicas, buscando adesões, cumplicidades De primeira hora, nosso Confrade Reitor da Universidade Federal do Maranhão Natalino Salgado Filho; nosso confrade Arthur Almada Lima Filho, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias; a ilustre Professora Erlinda Maria Bitten- court, da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/Caxias, do poeta Wybson Carvalho, presidente da Academia Caxiense de Letras e por último, nosso compa-

tínhamos a

O que foi feito!

nheiro de jornada Weberson Fernandes Grizoste, do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, da Universidade de Coimbra - Portugal. Nesse ultimo ano, dedicamo-nos ao Projeto Gonçalves Dias. Como dito, bus-

Buscamos a Secretaria de Educação de Caxias, a

Academia de Letras de Caxias, a Prefeitura Municipal de Guimarães e sua Camara Municipal, onde encontramos guarida no entusiasmado Vereador Osvaldo Luiz Go- mes; e o Instuituto de Desenvolvimento de Promoção Humana - IDEPA Durante a divulgação do Projeto em escolas de São Luís, a Escola Paroquial Frei Alberto atendeu-nos prontamente, realizando um evento dedicado a Gonçalves Dias, do qual saíram poesisa belissimas; mesmo se deu em relação ao C. E. Nossa Se- nhora da Assunção, de Guimarães; em nossas buscas pela Internet, encontramos o Projeto ‘Mas Quem Foi Gonçalves Dias?”, da EMEF “Gonçalves Dias”, da cidade de Canoas – RS; do Colégio Conhecer, de Porto Alegre/RS; Dos alunos da Profa. Silvana Morelli, da cidade de Bebedouro – SP A Antologia Mil poemas para Gonçalves Dias é a quarta organizada nesse sentido, em todo o mundo. A nossa, em homenagem ao ilustre maranhense, reuniu poetas do:

cando parcerias, apoios, adesões

Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Uruguai, Portugal, Mo- çambique, México, Canadá; Panamá/USA, Espanha, França, Bélgica, Áustria, Japão. Do Brasil, diversos estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Paraíba, Goiás, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Piauí, Sergipe, Alagoas, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Espírito Santo, Rio Grande do Norte. Do Maranhão, a cidade de São Luís foi representada por 89 poetas, seguida de Caxias; Esperantinópolis, Guimarães, São Bento, Sambaiba, Carolina, Balsas. Palmei- randia, Pinheiro, Pedreiras, São Vicente de Ferrer, Vitoria do Mearim, Codó, Parai- bano, Turiaçú, Lago da Pedra, Coroatá, Pio XII, Dom Pedro, Cururupu, Presidente Dutra, São Francisco do Maranhão, Itapecuru-Mirim, Viana, Barra do Corda, Vargem Grande, São João batista, São Bernardo, Barão do Grajau.

Ainda há outros participantes sem identificação de país e/ou estado brasileiro. Não que não procuremos identifica-los e localiza-los, mas foi impossível, ou não man- daram seus dados, mesmo com nossas reiteradas correspondências. Depois de quase dois anos de trabalho, de muitas discussões e ponderações, re-

conheço que Dilercy tinha razão

caberia, sim, ao IHGM levar adiante esse trabalho

São Luís, maio de 2013

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - Cad. nº 40 Universidade Estadual do Maranhão -UEMA/ Departamento de Educação Física e Esportes

Apresentação 2

Apresentação 2 A FEDErAção DAS ACADEMIAS DE LEtrAS Do MArAnHão - FALMA, instituição que congrega as

A FEDErAção DAS ACADEMIAS DE LEtrAS Do MArAnHão-

FALMA, instituição que congrega as academias de letras e afins de municípios do Estado, no pleno exercício de suas atribuições programáticas, entre as tais, ser pujante no resgate e na preservação das memórias dos maranhenses que pelos seus méritos se distinguiram nos mais diversos ramos que atuaram, e se tornaram insignes brasileiros. É exatamente, nesse tirocínio que abraçamos os patrióticos anseios do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM, do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, no esplendente movimento literário denominado Antologia – “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, inspiração da obcecada guerreira poetisa Dilercy Adler, líder inconteste que conquistou a resoluta adesão de bravos representantes das letras mara- nhenses, os quais, certamente, ela os nomeará em seus agradecimentos. Desses, com seu beneplácito, antecipo os confrades Leopoldo Gil Dulcio Vaz, e a presidente Telma Bonifácio dos Santos Reinaldo, Natalino Salgado Filho. Com o forte entusiasmo com que os chilenos foram vitoriosos com os “Mil Po- emas de Pablo Neruda”, - 2011; os peruanos, os espanhóis fizeram com seus maiores literatos, os brasileiros faremos com o nosso indianista Gonçalves Dias, figura extraor- dinária que, como o reflexo de sua inteligência dignificou o Maranhão pelo Brasil, e elevou nosso país, consagrando-o em todas as missões exercidas no estrangeiro. Este justo e reconhecido preito que seus coestaduanos lhes tributam, não se res- tringe apenas pela sua consagrada reputação de expoente do Romantismo; seu valor não se resume por seus tantos poemas; pelo conhecido amor a Ana Amélia, expresso no tão declamado Ainda uma vez adeus. Celebrizou-se como emérito advogado, bri- lhante professor, pesquisador histórico e festejado dramaturgo.

O Brasil cumpre sua obrigação de louvar seu grande filho.

A Federação sente-se honrada por esta parceria.

São Luís, maio de 2013.

Álvaro Urubatan Melo

Ex-Presidente

Sumário

Sumário POESIAS 35 AS ARTES SÃO IRMÃS 36 A. J. C 40 AARON PAUL ARSENE PESTANA

POESIAS

35

AS ARTES SÃO IRMÃS

36

A. J. C

40

AARON PAUL ARSENE PESTANA TORMA

40

ABILIO KAC

41

ADA BARCELO

42

ADALBERTO CALDAS MARQUES

43

ADÉLIA

EINSFELDT

44

ADELIA JOSEPHINA DE CASTRO FONSêCA

45

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

47

AGLAURE CORRêA MARTINS

48

AGOSTINHO LÁZARO PIMENTA FILHO

51

AGOSTINHO PEREIRA REIS

51

AGRARIO DE MENEZES

52

AIDIL ARAúJO LIMA

53

ALANNA VERDE RODIGUêS

53

ALBANEIDE BEZERRA DA SILVA

54

ALBERTINA CARNEIRO ARRUDA

55

ALDA INÁCIO

56

ALEXANDER MAN FU DO PATROCíNIO

57

ALEXANDRA GALVÃO DA ROCHA

58

ALEXANDRE CEZAR DA SILVA

58

ALEXANDRO HENRIQUE CORRêA FEITOSA - ALEX FEITOSA

59

ALFRED ASíS

61

ALINE FERNANDA MORAES DA SILVA CANTANHEDE

63

ALIQUANTO

64

ALLAN SANTANA SANTOS (DUSANTO)

65

ALMERINDA ABRANTES GOMES RICARD

66

ALOISIO

ANDRADE

67

ALUIZIO

REZENDE

68

ÁLVARO URUBATAN MELO

68

AMâNCIO FERREIRA SILVA JúNIOR

69

AMANDA SUELy BRITO DE SOUSA

69

AMÉLIA MARCIONILA RAPOSO DA LUZ - AMÉLIA LUZ

70

ANA CLAUDIA

71

ANA CRISTINA MENDES GOMES - CRIS DAKINIS

71

ANA ISSA OLIVEIRA

72

ANA LUIZA ALMEIDA FERRO

73

ANA LUIZA FERNÁNDEZ ALVES

77

ANA LUIZA NAZARENO FERREIRA

77

ANA MARIA COSTA FELIX GARJAN

81

ANA MARIA DA SILVA

85

ANA MARIA MARQUES

86

ANA NÉRES PESSOA LIMA GÓIS

87

ANDERSON BRAGA HORTA

90

ANDERSON

CAUM

93

ANDERSON HENRIQUE KLEIN

96

ANDRÉ

ANLUB®

97

ANDRÉ DA COSTA NOGUEIRA - (MEDEIROS DA COSTA)

99

ANDRÉ

FOLTRAN

100

ANDRÉ GÓMEZ GIULIANO

100

ANDRÉ L. SOARES

101

ANDRÉ LUIZ GREBOGE

101

ANDRÉ

MASCARENHAS

102

ANDRÉ ROCZNIAK AZEVEDO

103

ANDRÉ SCHWAMBACH ALMEIDA

103

ANDRÉ TELUCAZU KONDO

104

ANDREW VELOSO

106

ANE BRAGA

107

ANGELA

GUERRA

109

ANGELA MARIA CHAGAS ARAúJO

111

ANGELA MARIA GOMES PEREIRA

112

ANNA CRISTINA R. OLIVEIRA RAMOS

113

ANôNIMO

114

ANTONIA EPIFANIA MARTINS BEZERRA

114

ANTONIA MIRAMAR ALVES SILVA - MIRAMAR SILVA

116

ANTONIETA ARAúJO

117

ANTONIO AGEU DE LIMA NETO

119

ANTôNIO BARACAT HABIB NETO

120

ANTONIO C. DE BERREDO

121

ANTONIO CABRAL FILHO

124

ANTôNIO CARLOS FERREIRA DE BRITO - CACASO

124

ANTONIO CARLOS PINHEIRO

125

ANTONIO DE MELLO MONIZ MAIA

126

ANTONIO FERNANDO SODRÉ JúNIOR

127

ANTôNIO JOAQUIM PEREIRA FILHO

128

ANTôNIO LUIZ M. ANDRADE - ALMANDRADE

138

ANTONIO MARIA SANTIAGO CABRAL

138

APARECIDA GIANELLO DOS SANTOS

139

APARECIDO BI DE OLIVEIRA

140

ARÃO FILHO

142

ARLETE TRENTINI DOS SANTOS

144

ARLINDO NÓBREGA

144

ARMANDO AZCUñA NIñO DE GUZMÁN

146

ARQUIMEDES VIEGAS VALE

146

ARTHUR RABUT

148

ARyANE RIBEIRO PEREIRA

149

AUGUSTO DE MIRANDA

149

AURINEIDE ALENCAR DE FREITAS OLIVEIRA

151

AyMORÉ DE CASTRO ALVIM

154

BARTyRA SOARES

154

BEATRICE PALMA

155

BEATRIZ BRANCO DA CRUZ

156

BELMIRO FERREIRA

156

BENVINDA DA CONCEICAO MAIA DE MELO LOPO

157

MAIA DE MELO LOPO

157

BERNARDO JOAQUIM DA SILVA GUIMARÃES

159

BETO ACIOLI

165

BIANCA BRAGA DE CARVALHO - LADy VIANA

166

BIANCA

MELO

168

BRUNO FOSSARI DE SOUZA

168

CAIO HENRIQUE SOLLA

170

CAIRO JOSÉ GAMA BEZERRA

170

CAMILA NASCIMENTO

171

CARLA ISABEL BALDEZ

171

CARLA LUDIMILA OLIVEIRA ARAUJO

172

CARLA

RIBEIRO

172

CARLOS ARTURO LLANOS SOLIS

174

CARLOS BANCAyÁN LLONTOP

175

CARLOS

CINTRA

178

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – 1945

178

CARLOS EDUARDO PINTO LEITÃO

180

CARLOS EUGêNIO COSTA DA SILVA

180

CARLOS

GOMES

181

CARLOS LúCIO GONTIJO

182

CARMEN LEZCANO ARANDA

182

CAROLLINI ASSIS

183

CASIMIRO JOSÉ MARQUES DE ABREU - CASIMIRO DE ABREU

184

CECy BARBOSA CAMPOS

185

CEFERINO DANIEL LAZCANO

186

CÉLIO JOTA BETINI JUNIOR

187

CELSO CORREA DE FREITAS

187

CESAR AUGUSTO MARQUES

188

CÉSAR

WILLIAM

189

CHRISTIAN KENITI ASAMURA HUKAI - CHRISTIAN K. A. HUKAI

190

CHRISTIANO FERREIRA NUNES

191

CINTIA CIRINO DA SILVA SANTA

192

CLARINDO SANTIAGO - SÃO LUíS, 1941

193

CLAUBER PEREIRA LIMA

194

CLÁUDIA DUARTE DA SILVA

197

CLÁUDIO DA CRUZ FRANCISCO

199

CLÁUDIO GONÇALVES DA SILVA

199

CLEBERSON FILADELFO MARIA

200

CLEITON REIS FELIX

201

CLÉLIA APARECIDA SOUTO E COUTO

202

CLEVANE PESSOA DE ARAúJO LOPES

203

CLEyTON DOMINGOS DOS SANTOS CAMPOS

205

CONCEIÇÃO SANTOS

206

CORUJINHA

211

CRISTIANE BRANCO DA CRUZ

212

CRISTIANO MENDES PRUNES DA CRUZ

212

CRISTy ELEN ROCHA PEREIRA

212

CyNTHIA THEODORO PORTO

213

D.

DA SILVA

214

D.

FREITAS

215

DAISy MARIA DOS SANTOS MELO

217

DALCIENE SANTOS DUTRA

219

DANIEL ELy OSCAR NOÉ

220

DANIEL VICTOR ADLER NORMANDO ROMANHOLO

220

DANIELA WAINBERG

221

DANIELLE ADLER NORMANDO

221

DANIELLE GRANJEIRA DE MOURA

222

DARLAN ALBERTO T. A. PADILHA - DIMyTHRyUS

222

DÉBORA LUCIENE PORTO

223

DEIDIMAR ALVES BRISSI

224

DELy THADEU DAMACENO

228

DENA GUIMARÃES

229

DENISE ALVES DE PAULA

230

DÉRCIA SARA FELECIANA TINGUISSE - DEUSA D’AFRICA

231

DEUZIMAR COSTA SERRA

234

DHIOGO JOSÉ CAETANO

234

 

DIANA

MENASCHÉ

237

DIANA PAIM DE OLIVEIRA

240

DIEGO C. SOARES RIBEIRO

240

DIEGO DE SOUZA SANTANA - DIEGO SANT’ANNA

241

DILERCy ADLER

243

DINACy MENDONÇA CORRêA

246

DIONNATAN PEREIRA SOUSA

248

DOMINGOS TORTATO

249

DORA OLIVEIRA

249

DOUGLAS MATEUS

250

DyONATAN FONSECA SILVA

252

EDINALDO REIS

252

EDNA LIMA DE MENDONÇA

256

 

EDUARDO

BECHI

258

EDUARDO SILVA BORDIGNON

260

EDVALDO FERNANDO COSTA - FERNANDO NICARÁGUA

260

EDWEINE LOUREIRO

262

ELAINE CRISTINA P. DE ARAUJO

263

ELENICE DE SOUZA LODRON ZUIN

263

ELIANE SILVESTRE

264

ELIAS DAHER JUNIOR

265

ELIETE COSTA

266

ELISABETH ROSA SOARES

269

ELíSIO MIAMBO

270

ELIZEU ARRUDA DE SOUSA

271

ELLEN DOS SANTOS OLIVEIRA

271

ELVA GONZÁLEZ GARCíA

272

ELVANDRO BURITy

273

EMERSON THIAGO SOUSA DE ARAúJO - EMERSON ARAúJO

274

EMMANUEL SOARES DE ALMEIDA

274

ERIC TIRADO VIEGAS (PONTy)

275

ÉRICA GUEDES MARTINS

279

ERICK GONÇALVES CAVALCANTE

280

ERLINDA MARIA BITTENCOURT

281

ERNESTINA RAMíREZ ESCOBAR

283

EUCLIDES JOSÉ MACIEL MARQUES

284

EUGêNIO PALMA AVELAR

284

EULÁLIA CRISTINA COSTA E COSTA

286

EULÀLIA

JORDÀ-POBLET

287

EVA MARIA DE COUGO SOUTO

289

EVELIN KATIANE IZAURO

289

EVILENE SOARES DE ARAúJO

290

FABIANA DA COSTA FERRAZ PATUELI

291

FABIULA FERNANDA DE ABREU

292

FELICIANO CALIOPE MONTEIRO DE MELLO

292

FELICIANO

MEJíA

295

FELIPE CARDOSO WILASCO

298

FELIPE HACK DE MOURA

298

FELIPE yONAMINE COSTA

299

FERNANDA AZEVEDO MORAIS

300

FERNANDA

RESENDE

301

FERNANDO

BRAGA

302

FERNANDO

CATELAN

304

FERNANDO

PAGANATTO

305

FLÁVIA COSTA DO CARMO

305

FRANCIANE CRISTyNE

306

FRANCISCA REGINA RODRIGUES NETO

307

FRANCISCO ANTôNIO VALE

308

FRANCISCO CARLOS SOARES MAGALHÃES

309

FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO DA SILVA JUNIOR - CARVALHO JUNIOR

310

FRANCISCO GAUDêNCIO SABBAS DA COSTA

311

FRANCISCO GOMES DE

312

FRANCISCO GRÁCIO GONÇALVES - FRANCISCO KABLIANIS

320

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA

324

FRANCISCO JUNIOR XAVIER

326

FRANCISCO NELSON FILHO - CHICO DA MATA

326

FREDERICO FERREIRA DE SOUZA

330

FREDERICO GUIMARÃES -

331

FRUTUOSO

FERREIRA

332

FUAD BAKRI

334

G. DOS REIS

334

G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA (RJ)

335

GABRIEL AZEVEDO SCHOLZE

336

GABRIEL ROCHA DA SILVA

336

GABRIEL RUBIM DA SILVA

337

GABRIEL WENDERMULLER P. AMARAL

338

GABRIELA FERNANDES DE FREITAS

338

GABRIELA MENDES PRUNES DA CRUZ

339

GABRIELE LOUREIRO BRUSCHI

339

GABRIELLE SOUZA MARCHISIO

340

GENTIL HOMEM DE ALMEIDA BRAGA – FLAVIO REIMAR

341

GEOVANE ALVES DOS REIS

343

GERALDO

TROMBIN

343

GERARDO

MOLINA

345

GERMAIN DROOGENBROODT

346

GERSON AUGUSTO GASTALDI - EMADAy LUZ

346

GILMAR CAMPOS

347

GIOVANNI BRUNET ALENCAR E SILVA

349

GIRLENE MONTEIRO PORTO

349

GRAÇA GRAúNA

351

GRAZIELA COSTA FONSECA

351

GUILHERME DE ALMEIDA

352

HAROLDO AUGUSTO MOREIRA

354

HELENA

AMARAL

355

HELENA FERNANDES MACHADO

356

HELENA SCHONS LOTTI

357

HELENICE MARIA REIS ROCHA

357

HELENICE

PRIEDOLS

360

HELENO CARDOSO

361

HÉLIO RICARDO FONSECA CERREIA

362

HÉLIO

SENA

363

HÉLIO SOARES PEREIRA

363

HÉLIO SOARES PEREIRA JUNIOR

366

HEMETERIO JOSÉ DOS SANTOS

366

HEROTILDES DE SOUZA MILHOMEM

367

HILDA MARIA VIEIRA LACERDA

369

HILTON FORTUNA

370

HINO DO SABIÁ FUTEBOL CLUBE

371

HORACIO

ANIZTON

372

HORACIO DANIEL SEQUEIRA

372

HUGO OMAR TORRES

373

IANE GISELDA DE COUGO SOUTO

374

IARA ALMANSA CARVALHO

374

IGOR CHIAPPETTA FOGLIATTO

375

ILDA MARIA COSTA BRASIL

376

IMA FEITOSA

377

IRANDI MARQUES LEITE

378

IRISMARQUEKS ALVES PEREIRA

380

IRSEMES WIEZEL BENEDICK

381

 

ISABELA

BRANDT

382

ISABELA MORAES DE FARIA

385

ISABELLA GONÇALVES

386

ISABELLE PALMA

387

 

ISMARI

MARCANO

387

IVA DA SILVA

388

IVAN CARRASCO AKIyAMA

388

IZABEL ERI CAMARGO

390

IZABELLA MURARO DE FREITAS

391

J.

AUTO PEREIRA

391

J.

B. XAVIER

393

J.

DE C. ESTRELLA

402

J.

R. D’OLIVEIRA SANTOS

403

J.

RAMOS

COELHO

404

JACKSON DOUGLAS SILVA

407

 

JACKSON

FRANCO

408

JACQUELINE COLLODO GOMES

409

JACQUELINE

SALGADO

410

JACy GONÇALVES RIBEIRO

410

JAINARA MARTINy

411

JAILTON SILVA MATOS

411

JAMIL DAMOUS

412

JANDy MAGNO WINTER

413

JANE ROSSI

417

JANETE HENRIQUE SERRALVO

418

JANIA SOUZA DA SILVA

418

JANIO FELIX FILHO

419

JAQUELINE MARIA RIBEIRO

421

JEAN-PAUL MESTAS

421

JEANNE CRISTINA BARBOSA PAGANUCCI

423

JEFFERSON REIS DE SANTANA - INFETO

425

JOÃO CARLOS MARCON

425

JOÃO ELIAS ANTUNES DE OLIVEIRA - ELIAS ANTUNES

426

JOÃO FERNANDO GASPAROTTO STEIGLEDER

426

JOÃO GOMES DA PENHA FILHO

427

JOÃO MARCELO ADLER NORMANDO

427

JOÃO NEPOMUCENO SILVA

428

JOÃO NERy PESTANA

429

JOÃO PEDRO ESTRELA GONÇALVEZ

432

JOÃO PEDRO MANDARINO LOPES

432

JOÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA SANTOS

433

JOÃO VITOR DE SOUZA BASTOS

434

JOAQUIM JOSÉ TEIXEIRA

435

JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS

435

JOAQUIM RIBEIRO GONÇALVES

439

JOAQUIM VESPASIANO RAMOS - VESPASIANO RAMOS

442

JOAQUIM VILA NETO - QUINCAS VILANETO

442

JONAS BATISTA NETO

443

JONATAN ALGORTA SOARES

444

JORGE ANTONIO SOARES LEÃO – JORGE LEÃO

444

JOSÉ BRITTO BARROS

446

JOSÉ CARLOS MENDES BRANDÃO

447

JOSÉ CARLOS SERUFO

451

JOSÉ DE CASTRO

454

JOSÉ E. TEIXEIRA DE SOUSA

455

JOSÉ FRANCISCO DAS CHAGAS- JOSÉ CHAGAS

458

JOSÉ ITAMAR LIMA DA SILVA - ITAMAR LIMA

459

JOSÉ LISSIDINI SÁNCHEZ

459

JOSÉ LUíS ALVES PESTANA

461

JOSÉ MENEZES DE MORAIS - MENEZES y MORAIS

461

JOSÉ OSWALD DE SOUSA ANDRADE – OSWALD DE ANDRADE

462

JOSE PAULO PAES - 1973

462

JOSÉ RENATO HAUCK JUNIOR

463

JOSÉ RIBAMAR FERREIRA - FERREIRA GULLAR

463

JOSÉ RIBEIRO DE SÁ VALE,

464

JOURNEy PEREIRA DOS SANTOS

465

JUAN CARLOS FLORES APARICIO

465

JUÇARA VALVERDE

466

JúLIA BÁU SCHMITT

466

JULIANO CINCINATO CADORE FERNANDES

467

JULIO MESQUITA

467

JULLIANO CÉSAR RODRIGUES VICENTE

468

JURACI DA SILVA MARTINS

469

JUSSÁRA CUSTÓDIA GODINHO

469

JUSTINA CABRAL

470

KÁLISON COSTA NASCIMENTO

470

KARINE SALTON XAVIER

471

KARLINE DA COSTA BATISTA

471

KAyLLA KAITH LOPES GONÇALVES

472

KAyRON TORMA OLIVEIRA

472

KEDMA KESSIA PINHEIRO BERNARDO

473

KEILA MARIA VERAS SOARES SILVA

474

KEULES DIENE ROCHA DA SILVA

475

LAURA DRUCK BECKER

476

LEIDIANE DOS SANTOS VITORIANO

477

LEILA MARISA DE SOUZA LIMA SILVA

478

LENA FERREIRA

479

LÉNIA AGUIAR

479

LEOMÁRIA MENDES SOBRINHO

480

LENON SILVA ALVES - JOHN LENNON SMITH

481

LEONARDO CORONEL MACHADO ANDREOLLA

481

LEONARDO HUGO BERGER

482

LEôNIDAS DE SOUZA - TIKO LEE

482

LETICIA HERRERA

484

LEVI MOTA MUNIZ

485

LIDIA FUNES BUSTELO

486

LINDALVA SILVA QUINTINO DOS SANTOS

487

LíVIA PORTO ZOCCO

488

LOHANA KÁRITA TEIXEIRA

488

LORENA MORENO CASTRO

489

LORENZO GOMES BACIN

489

LUCAS

490

LUCAS DIAS MIRANDA

490

LúCIA AMORIM CASTRO

491

LúCIA

BARCELOS

491

LúCIA HELENA PEREIRA

492

LUCIANO

GARCEZ

494

LUCIANO

ORTIZ

495

LUCIVANI VITORIANO

496

LUíS ARTUR SEVERO DA SILVA

497

LUIS HENRIQUE INSAURRAULD PEREIRA

498

LUIS LIMA/LUZENICE MACEDO

499

LUíS MÁRIO OLIVEIRA

500

LUIZ CORDEIRO DE MELO - LUIZ CORDELO

502

LUIZ GUILHERME LIBÓRIO ALVES DA SILVA

506

LUIZ PENHA PINÓS BISSIGO

507

M. A. LIMA BARATA - 10 DE AGOSTO DE 1872

508

MADALENA MüLLER

510

MAIARA GONÇALVES DE OLIVEIRA

512

MANOEL ALEXANDRE DE SANTANA SOBRINHO – MANOEL SOBRINHO

513

MANOEL

BEZERRA

515

MANOEL DE PÁSCOA MEDEIROS TEIXEIRA – PROFESSOR PASSARINHO

515

MANOEL LúCIO DE MEDEIROS - MALUME

516

MANUEL CARNEIRO DE SOUSA BANDEIRA FILHO - MANUEL BANDEIRA

518

MANUELA FERREIRA

518

MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA

519

MARCELO

MOREIRA

520

MÁRCIA DA SILVA SOUSA

520

MARCIA DE OLIVEIRA GOMES

521

MÁRCIA ETELLI COELHO

521

MÁRCIO

DISON

523

MÁRCIO

MORAES

524

MARCO AURÉLIO BAGGIO

524

MARCO AURÉLIO MAURER DALLA VECCHIA

526

MARCO AURÉLIO SOUSA MENDES

526

MARCOS PAULO DE OLIVEIRA SANTOS

527

MARCOS RODRíGUEZ LEIJA

528

MARCOS SAMUEL COSTA DA CONCEIÇÃO

530

MARCOS VINICIUS LOPES SEREJO

530

MARCOS VINICIUS MOTA KLIEMANN

531

MARDILê FRIEDRICH FABRE

532

MARIA ANGÉLICA DOS SANTOS - BILÁ BERNARDES

534

MARIA APARECIDA ARAUJO MOREIRA- MORA ALVES

535

MARIA APPARECIDA S. COQUEMALA

535

MARIA CECíLIA LIMA DE OLIVEIRA CASTRO

536

MARIA DA ASSENÇÃO LOPES PESSOA - ASSENÇÃO PESSOA

536

MARIA DA GLÓRIA JESUS DE OLIVEIRA

539

MARIA DAS NEVES OLIVEIRA E SILVA AZEVEDO – NEVES AZEVEDO

540

MARIA DE FÁTIMA BATISTA QUADROS

541

MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA - FÁTIMA OLIVEIRA

542

MARIA DE JESUS SILVA AMORIM

543

MARIA DE LOURDES OTERO BRABO CRUZ - MALU OTERO

545

MARIA DE LOURDES SCHENINI ROSSI MACHADO

546

MARIA DO SOCORRO MENEZES

547

MARIA EDUARDA CABRAL DA SILVA

547

MARIA EDUARDA PIRES SOUSA

548

MARíA ESTELA ARNORIAGA

548

MARIA FERNANDA REIS ESTEVES

549

MARIA HELIA CRUZ DE LIMA - HÉLIA LIMA

550

MARIA HORTENSE MARTINS NUNES

553

MARIA ISABELLE PALMA GOMES CORRêA

553

MARIA LúCIA NUNES DA ROCHA LEAO

554

MARIA LUCILENE MEDEIROS DO NASCIMENTO NOGUEIRA – MALU MEDEIROS

556

MARIA REGINALDA DA SILVA

556

MARIA SILVA CABRAL

557

MARIA STELA DE OLIVEIRA GOMES

557

MARIANA DAMÁSIO DA SILVA

558

MARIANO AUGUSTO SERRÃO CHAGAS - MARIANO CHAGAS

559

MARIETTA CUESTA RODRíGUEZ

559

MARILZA ALBUQUERQUE DE CASTRO - CARVALHO BRANCO

560

MARINA MORENO LEITE GENTILE - MARINA GENTILE

561

MARINA NICODEMO DA ROSA

562

MARINALDO LIMA

562

MARIO FILIPE CAVALCANTI DE SOUZA SANTOS

566

MARIO GONÇALVES DIAS JUNIOR

567

MÁRIO HELDER SILVA FERREIRA

571

MÁRIO MARTINS MEIRELES

572

MARIO QUINTANA

575

MARISA SCHMIDT

575

MARK PIZZATO MACHRy

576

MARTHA ELSA DURAZZO

576

MARTINS

D’ALVAREZ

579

MATEUS COMODO

581

MATHEUS FABRíCIO PEREIRA MADEIRA

582

MAyARA DA SILVA JORGE

582

MAyARA SOUSA GONÇALVES

583

MHÁRIO LINCOLN FÉLIX SANTOS

583

MICHAEL JACKSON COELHO DA SILVA

584

MICHELLE ADLER NORMANDO DE CARVALHO

585

MICHELLE

FONSECA COELHO

585

MIGUEL MARQUES - SÃO LUíS, 7 DE SETEMBRO DE 1873

586

MIKAELLE CRISTINA DOS SANTOS CANTANHEDE

588

MIKAELy FERNANDA RODRIGUES

589

MILENA ADLER NORMANDO DE SÁ

589

MIRIAM PORRAS ADAME…

590

MOACIR LOPES POCONÉ NETO

591

MOACIR LUíS ARALDI

591

MONIQUE ROCHA PASSOS

594

MOySÉS

BARBOSA

594

MURILO MONTEIRO MENDES – MURILO MENDES

595

MyLENE DOS SANTOS SIQUEIRA

596

NADIR SILVEIRA DIAS

596

NARAENE MIRANDA DA SILVA

597

NATÁLIA BUENO DIAS

598

NATHALIA RIBEIRO LOPES

598

NATHÁLIA RODRIGUES BARBOSA

599

NÉDIA SALES DE JESUS

599

NELMARA SILVA

600

NEREU BITTENCOURT

601

NIEDJA SOARES PEREIRA

603

NIEVES MERINO

603

NIJAIR ARAúJO PINTO

606

NILZA CAUM

607

NIVâNIA CARVALHO

608

NORMA RINCÓN MENDOZA

608

NúBIA CAVALCANTI DOS SANTOS

609

ODONE ANTôNIO SILVEIRA NEVES

610

OLAVO BRÁS MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC - OLAVO BILAC

611

OLIMPIO COELHO DE ARAUJO

611

ONÃ SILVA

613

ORLINDA FERREIRA DE SOUZA

617

ORPHEU LUZ LEAL

618

OSWALDO NÉVOLA FILHO

618

PABLO RIOS

620

PATRíCIA CARLOS DE SOUSA

623

PAULO ACÁCIO RAMOS

623

PAULO PEREIRA FONTES MARTINS

624

PAULO

REIS

626

PAULO ROBERTO WALBACH PRESTES

626

PEDRO ELy OSCAR NOÉ

627

PEDRO PERUZZO MIBIELLI

628

PIETRO DA COSTA RODRIGUES

628

QUERUBINO LAGOA

629

RACHEL ALVES - KEKA

630

RAFAEL BüGER RUIZ

631

RAFAEL GüNTZEL ORIZENCO

631

RAFAEL SâNZIO DE AZEVEDO

632

RAFAEL SEVERO MEIRA

632

RAFAEL

ZEN

633

RAFAELA MACHADO LONGO – RAFAELA MALON

634

RAILDE MASSON CARDOZO

635

RAIMUNDO CARNEIRO CORRêA

635

RAIMUNDO NONATO BARROSO DE OLIVEIRA

641

RAIMUNDO NONATO CAMPOS FILHO

641

RAMON DE FIGUEIREDO LEANDRO

642

RAQUEL CAMPOS PEREIRA

643

RAQUEL FERRAZ SOKOLNIK

644

RAQUEL OLIVEIRA SÁ

644

RAyRON LENNON COSTA

649

REGINA DA CONCEIÇÃO MADEIRA GôDA - (ESTRELA RADIANTE)

649

REGINA

XAVIER

651

RENATA SOARES PORCIúNCULA

652

RENATE GIGEL

652

RENATO CESAR DE ALVARENGA FILHO

654

RENATO LIMA DE SOUZA

654

RENE AGUILERA FIERRO

656

REyNALDO MACHADO DE ALMEIDA GOMES

657

RICARDO OyARZÁBAL RODRIGUEZ

658

RITA B. S. VELOSA

658

RITA DAyRÃ MURADA DE SOUSA

659

ROBERT ALLEN GOODRICH VALDERRAMA

659

ROBERTA BECKMANN HOFFMANN

661

ROBERTH

FABRIS

661

ROBERTO DE FREITAS RIBEIRO FILHO

662

ROBERTO

FERRARI

663

ROBINSON SILVA ALVES

663

ROBSON LEANDRO SODA - LÓTUS SIDARTTA

667

RODRIGO GUIMARÃES PENA

668

RODRIGO NUNES CAMARGO

670

RODRIGO OCTAVIO PEREIRA DE ANDRADE

670

RODRIGO ZUARDI VIñAS

671

ROGÉRIO ARAúJO (ROFA)

671

RONyERE SILVA LIMA

672

ROSANA LAZZAR

673

ROSANE SALLES SILVA SOUZA

674

ROSEMEIRE JOANADARC DIAS - ROSE DIAS

674

ROSINEIDE DE SOUSA MACHADO

675

ROZELENE FURTADO DE LIMA

676

RUI MIGUEL DIAS CARVALHO

677

SAMUEL CANTOARIA FERREIRA

678

SAMUEL CAVERO GALIMIDI

679

SAMUEL DE SÁ BARRETO

682

SAULO BARRETO LIMA FERNANDES

685

SAULO DANIEL DOS ANJOS LEITE

685

SEBASTIÃO LUIZ ALVES

687

SELMO VASCONCELLOS

689

SÉRGIO AUGUSTO DE MUNHOZ PITAKI

689

SÉRGIO GERôNIMO ALVES DELGADO

690

SERGIO RyAN ABREU SILVA-

691

SERGIO

SANTOS

691

SIDCLEI NAGASAWA COSTA

693

SIDINEy BREGUêDO

693

SILVANA MARIA MORELI

694

SIMONE PINHEIRO

695

SINÉSIO LUSTOSA CABRAL SOBRINHO – SINÉSIO CABRAL

698

HOMENAGEM PÓSTUMA DE DILERCy ADLER

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SOLANGE DE ARAGÃO

700

SONIA NOGUEIRA

700

SOPHIA BRAGA

702

STELLA MARIS TABORO

703

SUELEN CRISTINA LIBERATO

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SUSy MORALES COZ

706

TALLES CARDOSO MACHADO

706

TATIANA ALVES

707

TATIANE PAULO DE OLIVEIRA

708

TAySA LEITE LIMA

708

TERESA CRISTINA CERQUEIRA DE SOUSA

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TERESINKA PEREIRA

710

TEREZINHA ERNA BRANDENBURGER

710

TEREZINHA

OLIVEIRA

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THAíS MATOS PINHEIRO

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THAISE SANTOS

712

THIAGO JEFFERSON DOS SANTOS GALDINO

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TIAGO DUARTE CORDEIRO

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TIAGO KLEIN MACIEL

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UM MARANHENSE

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VALDECK ALMEIDA DE JESUS

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VALENTINA KROEFF SPERB

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VALMIR SALES BORGES

721

VALQUíRIA ARAúJO FERNANDES DE OLIVEIRA

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VALQUIRIA

IMPERIANO

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VANDA LúCIA DA COSTA SALLES

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VANDER LIMA SILVA DE GÓIS

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VARENKA DE FÁTIMA ARAúJO

728

VERA ROCHA

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VICTOR PARUSSINI TODT

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VITOR

ALIBIO

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VITOR DA ROSA MARTINS

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VITOR TEIXEIRA DE QUEIROZ

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VITÓRIA MARIA GALVÃO COQUEIRO

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VIVIANE MARIA DOS SANTOS

735

WANDA RECKER

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WEBERSON FERNANDES GRIZOSTE

736

WESLLEy SOUSA SILVA COSTA

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WILSON DE OLIVEIRA JASA

740

WILSON PIRES FERRO

741

WILSON ROSA DA FONSECA

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WyBSON CARVALHO

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yANNI MARA TUGORES TAJADA

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yASMIM VICTORIA DOS SANTOS CANTANHEDE

747

ZARA MARIA PAIM DE ASSIS

748

ZAZy GRAZyELLy

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ZELIA MARIA FERNANDES DA SILVA

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ZENAIDE RADANESA DOS REIS

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ZIDELMAR ALVES SANTOS

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ZULMA TRINDADE DE BEM

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ZULMAR PESSOA DE LIMA TAMBURU

752

Prefácio

Prefácio “Nós vos convidamos a marchar conosco e a conosco transformar não somente uma das leis

“Nós vos convidamos a marchar conosco e a conosco transformar não

somente uma das leis da Terra, mas a lei fundamental. Quando tiverdes melhorado o mundo, melhorai este mundo melhorado! Abandonai este mundo melhorado! Quando melhorando o mundo tiverdes completado

a verdade, completai essa verdade completada. Abandonai-a! Quando

completando a verdade tiverdes transformado a humanidade, transfor- mai essa humanidade transformada. Abandonai-a! E, transformando

o mundo e a humanidade, transformai-vos. Sabeis abandonar-vos a vós mesmos”.

(Bertold Brecht)

O desafio de elaborar uma coletânea em homenagem à Antônio Gonçalves Dias foi assumido com muita dedicação pelos membros do Instituto Histórico e Geográfi- co do Maranhão – IHGM -, Sociedade de Cultura Latina do Maranhão – SCLMA , Federação das Academias de Letras do Maranhão – FALMA -, com o apoio da EDUFMA da Universidade Federal do Maranhão, da Academia Caxiense de Letras – ACL, sob a coordenação da psicóloga, poeta e antologista Dilercy Aragão Adler, que muito tem trabalhado para o avivamento e divulgação da memória literária do grande poeta maranhense, como obra importante ao conhecimento de várias gerações, estabelecendo relação entre o passado, o presente e o futuro. De igual modo, deve-se

o resultado desta publicação ao Acadêmico Leopoldo Gil Dulcio Vaz, que se dedicou

à análise e organização dos textos literários sobre a obra de Gonçalves Dias. Assim, o

trabalho conjunto da Acadêmica Dilercy e do Acadêmico Leopoldo na produção final desta obra merece destaque especial, entre tantos outros colaboradores empenhados na realização deste inédito projeto literário. Para os mais jovens leitores dessa coletânea, tanto como para os leitores mais versados no universo literário, o conteúdo da obra Mil Poemas para Gonçalves Dias permite percorrer-se um longo túnel que liga o tempo histórico e literário passado ao tempo presente, dando-nos a oportunidade de procurar conhecer, com mais profundi- dade, as obras desse poeta imortal, sem a intenção de reproduzi-lo.

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30

Através das leituras e releituras feitas pelos autores dos poemas e textos contidos nesta Antologia Literária, pode-se entrever os temas, os gêneros literários e os campos do conhecimento que foram percorridos por Dias, durante sua produção realizada, pre-

dominantemente, em condições muito limitadas, porém por ele ultrapassadas, na prá- tica da arte de escrever poemas, textos literários, peças de teatro e relatórios de caráter científico, que fortalecia o seu espírito combativo. De fato, Gonçalves Dias pode ser considerado um intelectual que, de modo pre- cursor, foi tecendo no conjunto de seu trabalho literário um forte liame entre a História

e a Literatura. Em período recente de renovação da escrita da História, no exterior e

no Brasil, essa relação entre esses dois campos tem se tornado mais consolidada, como nos aponta Kodama (2007) 1 em tese de doutorado defendida na PUC do Rio de Janei- ro. A pesquisadora em História Social da Cultura nos desvela as relações do trabalho etnográfico de Gonçalves Dias, para atender à solicitação de programa criado pelo Imperador Pedro II, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, entre 1850 e 1853, por meio do qual deixa entrever o modo como entendia a questão da língua, da cultura indígena e da nacionalidade. Foi ao escrever Brasil e Oceania (1867), apesar de certo desagrado ao cumprir

a tarefa que lhe foi destinada por Dom Pedro II, conforme carta enviada a Alexandre

Teófilo (04.04.1850), que deixou fluir a sua visão de “historiador poeta” e “historiador

político”, expressões por ele mesmo cunhadas no artigo História Pátria, publicado na Revista Guanabara, vol.1, t. 1, de fevereiro de 1853. Kodama nos ajuda a entender esse trabalho etnográfico do poeta, ao mostrar o

modo como ele relacionou sua visão indianista literária com os estudos sobre os índios. Segundo a autora, o interesse de Dias era: “1) o despontar de uma preocupação com o lugar do índio na História do Brasil, e que a geração romântica defenderia a partir de uma criação de um passado mítico brasileiro através do índio, ponto este que nos indi- ca uma convergência entre literatura e história, presente naquela geração, como já foi ressaltado por autores como Antonio Candido; e 2) o de relevar sua preocupação com

a língua portuguesa no Brasil, sua diferenciação com a língua portuguesa de Portugal, a partir da influência do Tupi” ( Kodama, 2007, p. 3- 4). Temos aí o adensamento do trabalho do poeta que desejava, principalmente, escrever uma história do Brasil com realce para a questão indígena, motivo poético e político, para suas poesias, como ele mesmo afirmava:

Convinha [

usos e na sua religião, que nos reconstruísse todo esse mundo perdido que nos ini-

ciasse nos mistérios do passado como caminho do futuro, para que saibam donde

que nos descrevesse os seus costumes, que nos instruísse nos seus

]

e para onde vamos: convinha enfim que o poeta se lembrasse de tudo isto, porque

tudo isso é poesia; e a poesia é a vida do povo, como a política é o seu organismo. (Dias, 1850).

Ainda citando o seu artigo, destaca-se a relação entre história e literatura:

quem quer que for bom historiador deve ter uma destas duas coisas: ser po-

resume todos os indivíduos em um só indivíduo

coletivo, generaliza as idéias e os interesses de todos, conhece os erros do passado

e as esperanças do futuro, e tem por fim – a nação. O historiador poeta, [

sume as nações em uma só nação, simpatiza com todas as suas grandezas, execra todas as suas torpitudes, e generalizando todos os sentimentos, todas as aspirações do coração humano, tem por fim a humanidade. ( Dias, 1850)

lítico ou poeta”. O primeiro [

] [

]

]

re-

Temos assim uma visão sintética dos interesses de Antonio Gonçalves Dias en- trelaçados entre a História, a Literatura e a Política, de tal forma que as nuances de certa ingenuidade romântica encontrada em seus poemas de amor, vão sendo ladeadas por outras características afinadas com a visão de história de Humboldt, também afeita a uma leitura romântica da história, na busca de verdades autênticas. Na dimensão política, o que parecia estar em pauta, na visão de Dias, era o destaque dado aos povos não-europeus que começaram a ser estudados durante o século XIX, sendo objeto de pesquisas etnográficas já realizadas por estudiosos da Europa, a partir dos quais ele tam- bém incursionou para escrever seu trabalho Brasil e Oceania, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. Por que falar dessas faces do poeta maior, apesar dos cuidados necessários, para entendê-lo no seu tempo (século XIX), que não é o nosso tempo (século XXI)? Prin- cipalmente para destacar seu interesse por tantas questões que podem aparecer, na atualidade, como sendo isoladas, quando de fato, desde a sua origem estão fortemente entrelaçadas, de modo que o literato, o historiador e o político estão diante do mun- do com olhos que miram o seu entorno e dele retiram a sua inspiração para escrever, refletir e, também, atuar no seu tempo-espaço, seja no Instituto Histórico Geográfico, seja nas Academias de Letras, seja nas Universidades onde se reúnem estudiosos da Filosofia, História, Geografia, Etnografia, Antropologia e da Literatura. Há que se pensar, inspirando-nos em Dias, mesmo que se reconheça a sua visão romântica, que o realismo que nos exige a história presente, pode ser interpretado com pensamentos e sentimentos capazes de nos fazer mais sensíveis às questões do século em que vivemos e que atingem milhões de seres humanos, considerados “invisíveis” para a grande maioria dos dirigentes das nações, destacando-se entre esses os povos indígenas. Com Gonçalves Dias, destacou-se a condição original dos índios, primeiros ha- bitantes do Brasil, hoje, praticamente dizimados e desterrados de seus territórios. A

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Língua Tupi, considerada por ele como sendo a principal matriz linguística do Por- tuguês do Brasil, tornou-se diluída no processo de evolução da língua nacional, esta tendo sido ampliada pela importação de palavras de línguas estrangeiras nem sempre

compreendidas pelas pessoas mais simples e menos letradas do nosso país. A Amazônia, considerada pelo poeta como a “Judéia” dos indígenas, tem sido explorada e devastada, de modo a comprometer o território em que se encontra a mais rica biodiversidade do Brasil, já identificada por cientistas brasileiros e de vários países.

Se era conservadora e, de certo modo ingênua, a visão mítica acerca do indígena

estudado por Dias, nos seus trabalhos etnográficos, foi a partir deles que se fortaleceu

e sobressaiu o índio por ele cantado nos seus poemas indianistas. Não desprezemos a

visão do historiador - poeta, porém não a adotemos para não reproduzirmos uma visão

ingênua do mundo atual.

O tempo presente nos pede isso sim, para deixarmos Gonçalves Dias e todos os

poetas românticos ocuparem o lugar de destaque que merecem ter na história da lite- ratura nacional, indicando-nos, entretanto, que é preciso ir além, fazendo da memória literária e histórica o ponto inicial de reconhecimento das origens da literatura brasi- leira, cuja evolução poderá ser mais aprimorada por cada um de nós e por todos juntos:

historiadores, educadores, literatos e políticos dedicados à democratização das letras, da cultura e da ciência. Que essa Antologia Poética, através de todos os seus autores, possa nos permitir vislumbrar a diversidade de estilos e temas que nos instigam, principalmente, a fazer uma leitura contrastante entre o passado e o presente, para avançarmos em direção ao futuro, como o próprio Gonçalves Dias dizia: “generalizando as aspirações do coração humano, que tem por fim a humanidade”.

Essa finalidade, certamente será fortalecida com a realização do atual projeto, que ora materializa nossa homenagem a Antônio Gonçalves Dias, que foi inspirado em projeto similar realizado no Chile, cujo homenageado foi Pablo Neruda, e que também se reproduziu no Peru, tendo como destaque o poeta peruano Cesar Vallejo. Atualmen- te, está em desenvolvimento o projeto da Antologia “1000 y UN POEMAS PARA ANDRÉS ELOy BLANCO”.

A idéia primeira de “Mil Poemas para Pablo Neruda“, idealizada a princípio pelo poeta Alfred Asís, em 2011, sensibilizou grupos de países da América do Sul, Central

e da Europa. Estão envolvidos nesse movimento: Chile, Peru, Espanha, Brasil, Vene-

zuela, Cuba, Bolívia e Honduras. A Antologia Mil Poemas para Gonçalves Dias é a 4ª

a ser organizada, com os seguintes países participantes através dos seus poetas: Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Uruguai, Portugal, Moçambique, México, Canadá; Panamá/USA, Espanha, França, Bélgica, Áustria, Japão.

O Brasil se faz representar através de seus poetas de diversos estados. Inicial- mente, Maranhão, sendo que a cidade de São Luís foi representada por 89 poetas, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Paraíba, Goiás, Ceará, Minas Gerais, Rio Gran- de do Sul, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Piauí, Sergipe, Alagoas, San- ta Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Espírito Santo, Rio Grande do Norte. Ainda há outros participantes sem identificação de seu país e estados brasileiros. Desde a primeira coletânea tem se constituído uma prática de reconhecimento dos grandes autores que engrandeceram a literatura de seus países e também projeta- ram suas obras além das suas fronteiras. Na realidade, esse tipo de projeto de registro da memória literária do passado e do presente, permitiu que se instalasse um circuito literário internacional, de elevada relevância para a valorização de escritores e leitores dedicados ao cultivo das letras e da arte da estética literária. Há que se destacar na Antologia ‘Mil Poemas para Gonçalves Dias’ que a par- ticipação de representantes de diversos países e estados do Brasil, proporciona uma tessitura singular para esse texto escrito por um grande conjunto de mentes e corações, reunidos numa ciranda de estudantes que adentram pela primeira vez esse universo literário, jovens poetas que vêm se destacando pelas suas produções e poetas que alcan- çaram a maturidade de suas obras, algumas delas já consagradas internacionalmente. Buscando estabelecer diálogos com as temáticas da obra gonçalvina, os poetas desta antologia buscaram elementos de sua vertente indianista e romântica, fazendo- nos recordar parte de sua existência, seus amores, seus temores, sua inebriante dedica- ção à literatura e à história. Identifica-se uma produção em que ocorre a intertextuali- dade como a forma mais primorosa de comunicação entre os seres humanos que, muito embora não se conheçam, estabelecem forte movimento de sinergia de interesses em torno de um personagem da história da literatura brasileira. Por todas essas manifestações de convergência e de expansão do universo da literatura de Antônio Gonçalves Dias, são justas e merecidas as homenagens a todas as pessoas responsáveis pela produção da Antologia Mil Poemas a Gonçalves Dias, publi- cada nesta segunda década do século XXI. Que esse trabalho, sem dúvida, árduo, e ao mesmo tempo prazeroso, possa atrair ainda mais as novas gerações de poetas para a positiva atuação, como intérpretes das aspirações compartilhadas com outros seres humanos, em todos os continentes, pela construção da paz, para que possamos realizar a travessia dos oceanos, disseminando idéias poéticas como deve fazer o artista “que tem que ir aonde o povo está.” (Milton Nascimento).

Fortaleza - CE, Brasil, 06 de maio de 2013

Ana Maria Costa Felix Garjan

Diretora dos Grupos ARTFORUM Brasil XXI

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Poesias

o IMortAL MArABÁ 2

Mário Martins Meireles

[

Entre os brancos será nossa gloria, Pois que gloria dos brancos será; Dos timbiras a fama guerreira Nos seus cantos o Mundo ouvirá!

]

E o poeta será como nunca

Entre os brancos se viu ou verá, Pois seus cantos serão inspirados Quais se fossem do próprio Rudá!

o seu nome será venerado,

Pois o quer, por vingança, Tupá:

O maior dos poetas brancos

Será nosso – há de ser marabá![

]

dos poetas brancos Será nosso – há de ser marabá![ ] 35 2 Poema de Mário
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AS ArtES São IrMãS 3

HoMEnAGEM A GonçALVES DIAS

Variantes entre tantos pensamentos, Sentidos mais dispersos, suas somas Permite este mosaico aonde tomas As tuas decisões; dores e alentos.

Te entregando sem medo aos temporais Verás neles lições para o que resta Da vida mesmo quando mais funesta Navegação ensina onde há um cais.

Assim nas discrepâncias se concebe O ser que em ti agora se percebe.

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“Idéias do prazer — do mal no olvido” Enquanto a dor se torna mais presente, Assim quando do gozo a vida ausente Permite imaginar-se tão sofrido.

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Mas quando uma alegria nos invade, Decerto se esquecendo pouco após, O rio se perdendo noutra foz, Lembramos do que fora tempestade.

Não deixe que isto faça com que tudo Pareça bem diverso, noutro fato, Se em dores tão somente eu me retrato, Deveras, sobre a vida eu já me iludo.

Caminho sobre brasas; sei das dores, Mas também sei colher, da vida, flores

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“Em sons cadentes, que derramam n’alma” Encontro uma real satisfação, Vivendo claramente uma estação, Realidade dói? Também acalma.

As cores de um outono, invernal frio, Primaveril beleza, imenso sol, O quanto se transforma este arrebol, É como perceber um desafio.

Envelhecer com arte e galhardia, Saber da mocidade com fulgor, Matizes tão diversos de um amor, Que a cada novo tempo, sempre guia.

E ter uma certeza nesta vida

Cada etapa terá que ser cumprida.

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“Ou lânguida na lira se transforma”, Ou trágica se faz a cada passo, O quanto muitas vezes me desfaço, Impede que se tenha a mesma forma.

Dicotomias trago em cada passo, E nelas a melhor das decisões Por vezes bem diversa do que expões, Nem sempre o melhor rumo, ainda traço.

E vivo sem temer as tempestades, Nefastas? Muitas vezes redentoras, As horas mais doídas, sofredoras Aquelas que nos dizem mais verdades.

Servindo de repasto para a dor, Um novo amanhecer saber propor

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“Dá linguagem sublime à estátua muda,” Cada momento aonde se entregando

Não sei se em temporal ou ar mais brando,

O

tempo tão instável se transmuda.

E

quando aprendo dele sem terrores

Amadureço em mim a própria morte,

E nela algum descanso que conforte

No renovar da vida, risos, dores.

Existo e sei que basta esta existência, Se dela eu perceber quem mesmo sou, Já sei qual o destino pr’onde vou, O fim é do começo, a conseqüência.

Renova-se destarte eternidade Gerando com fulgor, diversidade

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“Do rosto nas feições o brilho interno,” Diverso do que às vezes se aparenta,

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Aonde se diz paz é violenta E aonde se diz glória, pleno inferno.

Somar as nossas tantas variantes, Seguir por vezes mitos ledos, falsos, Comuns na caminhada tais percalços, Mudamos nosso rumo por instantes.

E quando se aproxima o fim da história, O quanto nós já fomos, padecemos, Permite ao marinheiro tantos remos, Ou traçando uma linha merencória.

Às vezes num sorriso, lacrimejo, E em lágrimas sacio o meu desejo

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“Guia a mão do pintor quando debuxa”

A soma de fatores mais diversos,

Assim quando eu componho tantos versos, É como se imergisse em vária ducha.

Ourives da palavra, um escritor, Usando seus disfarces nos permite, Se acreditar além de algum limite, Nas tramas deste insano sonhador.

O corte se bem dado do buril, Traçando com beleza uma escultura, Mas quando a mão se mostra fria e dura, Por vezes o cenário se faz vil.

Não creia no que digo, mas me creia, A mão traça diversa ou una teia.

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“A mesma inspiração, que acende o estro,” Por tantas vezes traça o desespero, E quando noutra sanha me tempero, Por vezes verdadeiro ou mais canhestro.

Se o peso do que vivo influencia Talvez o que não viva pese mais, Criando do vazo, os temporais, Palavra dita a norma e cadencia.

Apego-me ao não ser enquanto sigo, E sigo sem saber quem mesmo sou, Errático caminho se mostrou Deveras muitas vezes meu abrigo.

Ilusionista, sim, porém nem tanto, Retratando minha alma quando canto?

10

“Perante o mesmo altar, coroam-se, ardendo” Demônios, querubins, várias figuras, Palavras que clareiam sendo escuras, Momento doloroso ou estupendo.

Nefastas maravilhas, luzes tantas Bebendo desta imensa liberdade, O quanto do vazio que me invade, Permitem ser profanas, créus e santas.

Ecléticos caminhos num só rumo, As cores se misturam neste prisma, E quando vez ou outra uma alma cisma, Nem sempre um andarilho, eu tudo aprumo.

A queda prenuncia a redenção, Assim como um amor dita o perdão

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“Do fogo criador nas mesmas chamas,” Encontram-se diversas fantasias

E quando delas novas tu recrias,

Revives do passado, luzes, dramas.

Tramas se entrelaçando, atemporais,

Existem desde quando existe o sonho,

O todo muitas vezes eu componho

Dos dias mais dispersos, tantos cais.

Apátrida emoção, vívida luz Nas trevas a beleza incomparável, Assim como um reflexo do tocável Efeito tão complexo reproduz.

Nas crenças, ódios, medos e rancores, Nos sonhos, nos anseios, nos amores

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“As artes são irmãs, e os seus cultores” Transformam qualquer forma num tesouro, Das tantas emoções quando me douro,

Permito cultivar diversas flores. E mesmo nas daninhas, meu alento, Transito entre o fantástico e o real,

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Portanto se feroz, tolo ou venal, Nas tantas variáveis me sustento.

E bebo em goles fartos, outros dias, Trafego em dissonantes maravilhas Porquanto novos mundos sempre trilhas Sabendo desde o eterno as melodias.

Infinitas verdades num só passo, Num limitado espaço o mundo eu traço.

A. J. C.

Ao InSIGnE PoEtA AntonIo GonçALVES DIAS 4

SonEto Dias filho de Apollo, às Musas dado; Hés do Pindo Ornamento, varonil:

Tu honras o Império do Brasil, Como tem estro sublime; e delicado.

Teu nome no Parnaso está gravado, Ali, serio teu Merito, de buril; Atama o sculpio, com mãos subtil; E ficou por memória, Eternizado.

Tem teu estilo, o cunho da grandeza. Teu canto tem, á suave mellodia; Reanimas com graça, a natureza,

Força de imaginação, com harmonia, Ingenho, suavidade e delizadeza; Expreção que arrebata, que extazia.

Aaron Paul Arsene Pestana Torma 5

CAnção Do ExíLIo Porto Alegre e Genebra, mundos diferentes. Continentes;

4 Publicador Maranhense – Maio 1849, Edição 813, Poesias compiladas por Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

aromas;

olhares

Belezas distintas, distantes.

Pessoas

longe;

cabeças mudadas;

cabeças conservadoras; cabeças liberais.

América

Europa

Aqui e Lá, riqueza e batalha; virtudes e atitudes; não muito, todos somos gente.

Abilio Kac 6

AntES E DEPoIS Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá Poetava Gonçalves Dias. Nos dias de hoje, se vivesse, mudaria sua poesia:

Minha terra tinha palmeiras onde cantava o sabiá Devido a queimadas, desmatamento, palmeiras se vão a cada momento

e o sabiá, triste ao relento,

á não consegue mais cantar!

EtErnAS HoMEnAGEnS No Maranhão, sua terra-natal, bem como em outros estados,

Gonçalves Dias foi homenageado. Seu nome encontra-se em ruas, avenidas, praças

e até mesmo em navio.

Gonçalves Dias , imortal, está no coração do povo e na alma da Literatura Nacional!

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Ada Barcelo 7

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A AntonIo GonCALVES DIAS Desde hace siglos perdura intemporal, sin fronteras, aquella voz que murmura sobre el viento en las palmeras.

Romántico ipé amarelo que en su exilio ha convertido en canto, lo que sufrido en sus noches de desvelo.

y en una dulce elegía, la revive al susurrar a su Amelia en el cantar de la más honda poesía.

A Brasil y a su mestiza estirpe que siempre honró, en sus obras se divisa lo que el tiempo no borró.

Bajo ocaso carmesí, se menean lisonjeras en Maranhao las palmeras, cuando canta antonio allí.

“HOy HA MUERTO UN POETA” A Antonio Concalves Dias, Poeta de Brasil

Ha muerto un poeta, y sus versos en solitario son pájaros desesperados buscando en el silencio seguir sus pasos mutilados.

El incendio de sus pensamientos ha caído por siempre en la indiferencia del tiempo vencidos y cansados. Los obreros del campo, los niños, los humildes se quedaron sin la voz

7 Ada Barcelo - San Javier – Misiones - Argentina - 15 de febrero de 1947. Radicada en Mendoza. Obras poéticas publicadas: Canto a la ternura l, ll y lll, Paisajes Interiores, Antología Poética y Tiempo de Luz. Obras narrativas:

Agridulce, Huellas. Ha obtenido premios provinciales y ha sido jurado de concursos provinciales. Ha participa- do en ferias bibliográficas provinciales, nacionales e internacionales. En el 2011 obtuvo el premio Mujer del Año en Letras, Houston Texas, EE UU. Página oficial: Adabarcelo.com Facebook, Ada Barcelo Escritora.

del hombre enamorado del canto a su Amelia del romance truncado.

Hoy ha muerto el poeta Don Antonio Concalvez Diaz misterio el de su destino partir solo con su muerte y sus versos prendidos de su pecho quieto.

Fatal naufragio, y sus palabras rotas se acallan en los rincones de un cuarto en penumbras. Huérfanos de presentes se han dormidos sus versos mientras vuelven a su tierra sus pasos lentos.

Tal vez en su entrega, prendidos de una estrella entre palmeras dormidas, los duendes aquietados de la noche alimente en sus versos silvestres la sal de su existencia vuelva el verbo a crecer en la piel de otros poetas reflejo de su destino.

Adalberto Caldas Marques 8

CAnção DE MArtírIo Minha terra tinha palmeiras Onde cantava o sabiá Hoje elas viraram mesa Em uma sala de jantar.

As aves que aqui gorjeavam Agora gorjeiam por lá Pois a mata foi devastada E não tem mais onde morar.

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Nos riachos de águas claras Aonde guri ia me banhar Hoje parece que por milagre Sobre suas águas posso andar.

Com meu filho me preocupo Que futuro ele terá? Se continuarmos desse modo Onde nós vamos parar?

Adélia Einsfeldt 9

GonçALVES DIAS Na lira do teu canto encanto da bem amada de olhos verdes além-mar

diz por onde andas busca entre as ondas no canto das sereias

o teu amor como flor na dor machucada apertada entre dedos esquecidos de viver.

Adelia Josephina de Castro Fonsêca 10

Ao Snr. Dr. AntônIo GonçALVES DIAS 11

Lendo teus versos mimosos, Primos cantos maviosos, Ao Senhor graças rendi; Sim, fiquei-lhe agradecida Por dar-te o berço da vida No país onde eu nasci.

No teu canto há tal brandura, Há tão melíflua doçura, Que do céu vindo parece; Parece dele emanado Esse gênio sublimado, Que á tua mente esclarece.

Eu, Poeta, te bendigo Por seres fiel amigo Da terra do meu amor; Por louvares as palmeiras E as aves brasileiras, Eu te bendigo, Cantor.

Bendigo a voz soberana Dessa lira americana, Que o prazer me infiltra n’alma, Quando diz que, na lindeza, Essa terra portuguesa Á de Cabral cede a palma.

Da nossa pátria querida, Pintas nos bosques mais vida, Nas várzeas pintas mais flores; Pintas no céu mais estrelas, E nossas vidas mais belas, Mais abundantes de amores.

No teu canto há tal brandura, Há tão melíflua doçura, Que do céu vindo parece; Parece dele emanado,

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10 Adelia Josephina de Castro Fonsêca – Salvador – BA – Brasil - 24 de Novembro de 1827 e faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Dezembro de 1920. Publicava poemas em periódicos e livros e foi colaboradora do “Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro”, lançou em 1866 o livro “Echos da minh’ alma”. Foi para Adelia que Gonçalves Dias dedicou o poema “A uma poetisa”, publicado entre os “Cantos” de 1857. Que foi republicado pela poetisa nos seus “Echos da minh’alma”.

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Esse gênio sublimado, Que á tua mente esclarece.

Esse autor da –Harpa do Crente, Que nos diz tão docemente Do desterrado as tristezas; Esse Poeta estrangeiro, Louvor teceu verdadeiro De tua musa às lindezas.

Ele, ó Vate, conheceu Que tinhas no livro teu Toda a tu’ alma entornado; Ora ardente, impetuosa, Ora sentida e queixosa, Carpindo azares do fado.

Eu creio que Deus te ensina Essa linguagem divina, Em que aos anjos soe falar; Só Ele o gosto te inspira, Com que vibras essa lira, Que tanto sabe encantar.

Torrentes de poesia, De suave melodia, Das cordas dela derramas, Descrevendo os atrativos De olhos negros, expressivos, D’esses olhos que tu amas;

D’esses olhos, que de amores Dizem tão lindos primores, Faliam com tanta paixão; Ás vezes quedos brilhando; Outras vezes abrasando, Qual incendido vulcão!

Esse teu canto gentil Tenho lido vezes mil, Vezes mil tem-me encantado; E bem feliz me sentira, Si, como tu, possuirá Engenho tão elevado.

Si ouvisse Deus minha prece, Si conceder-me quisesse Um engenho igual ao teu, Voz como a tua tão pura,

Que deixa ouvir na doçura As harmonias do céu;

Quando o teu gênio, Poeta, Visse, veloz como a seta, Do céu as portas transpor; Quando unisses lá teus hinos A esses cantos divinos, Que se entoam ao Senhor;

Teria, como desejo, Seguido o rápido adejo De teu estro na amplidão; Transbordando de alegria, Com ele penetraria De Deus na sacra mansão!

Lá co’os anjos entoara, Em voz, como a d’eles, clara, Mil louvores ao Senhor; Depois, ao teu gênio unida, Cantara a pátria querida, A terra do meu amor.

Adilson Roberto Gonçalves 12

PALMEIrAS QUE SE ESPrAIAM Goethe inspirou-te a cantar a terra das palmeiras citando a Itália de brilho, de sol, de cítricos. Mas ele queria para lá fugir das germânicas asneiras, mesmo que valorizassem seu trabalho, os críticos.

Teus versos inspiraram em além-mar o hino; brasileiros os cantam sem perceber talvez que na inspiração os bosques não estavam a sol a pino e ao sul, nos desejos do alemão, tiveram vez.

Os fatos tirariam hoje o torpor da trigueira noção? No exílio recente, na plúmbea ditadura do pesar, imagine quantos cantaram esta tua canção, cantando as saudades do falar e do livre pensar.

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Aglaure Corrêa Martins 13

EnCAnto Os olhos da noite deitados no mar tão negros os teus olhos me pus a mirar encanto terreno, de céus , os teus olhos são negros segredos que quis desvendar.

Um porto, um cais, os teus olhos negros negrume que embala eu nau ao luar desperta desejos os teus negros olhos e afagam os sonhos que vivo a sonhar.

Olhos tão negros os teus belos olhos tão doces, serenos, que vivo a fitar estrelas que bailam na pele do mundo reluzem teus olhos um mágico olhar.

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Olhos que cantam a ode mais perfeita em harpas e flautas e sopros celestes olhos de amante de musa faceira n’alma a poesia que o olhar enternece.

PÁtrIA AMADA É Terra de amores de campos floridos do canto de pássaros, do sabiá canoro do verde mais verde e do anil infinito gorjeio tão puro que é homilia que oro.

É Terra de encantos e de noites mil de palmeiras que adornam as várzeas da vida de estrelas garridas q’enfeitam os céus minha Terra Brasil é beleza infinita.

trAJEtÓrIA Foi no mês de agosto lá no Sítio Boa Vista Que nasceu Gonçalves Dias o poeta indianista Maranhense literato, advogado e professor Renomado escritor, competente jornalista Estudou em Portugal foi um grande romancista Ainda participou de grupos medievistas.

À pátria retornou, morou na capital Lá conheceu um amor sem igual Ana Amélia foi à musa que tanto o inspirou

Mas foi por preconceito q’esse amor fracassou A família da eleita, pedido refutou O poeta entristeceu e por ele não lutou.

No Rio de Janeiro no mesmo ano casou Olímpia da Costa sua esposa se tornou Nos quatro anos seguintes p’ra Europa viajou Voltando ao Brasil para o Norte ele rumou O poeta adoeceu, voltou ao estrangeiro Foi à saúde tratar esse grande escudeiro.

No navio Ville de Boulogne viajava o poeta Vinha frágil e acamado, era longa a espera O navio naufragou na costa brasileira Perto do Maranhão, chorou nossa bandeira Exceto o poeta, a tripulação se salvou Preso ao leito esquecido a morte agonizou.

O poeta não morreu porque poeta é eterno Gonçalves Dias sempre será bem lembrado Nordestino letrado é nosso vivo legado Orgulho de nosso povo, é irmão confraterno Poeta indianista, da poesia memória viva É o nosso mais nobre laço, ser coeterno.

LAMEnto Ah meu doce encanto quanto te quis e não pude venho velando meu pranto nesse martírio tão rude.

Só Deus sabe o que sofri quantas lágrimas derramei noites e dias me perdi nunca mais me encontrei.

Amor perdoa se pequei não foi por covardia foi tão grande a agonia meu coração quebrantei.

Quis te proteger, senhora de toda maledicência como sofri nessa hora quanto bradei por clemência.

Não me ignore, imploro eu nunca te esqueci ainda por ti eu choro pois quase enlouqueci.

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Amar-te foi meu pecado? O meu sonho, meu algoz? O que fiz de tão errado? P’ra silenciar minha voz?

Ah como te sonho ainda nós embalados ao vento n’uma alegria infinda sem a dor cruel do lamento.

AMAnAJé 14 A vida nos laça meu bravo guerreiro o tempo nos caça como bicho feroz.

Com arco e flecha coragem e raça a alma é tocha é garra e luz.

Nas matas, o norte tacape na mão desbrava a morte guerreiro irmão.

Tamoios, Aimorés E Nação Tupí, dança o Toré exalta Jací.

Pesca Guarací com seus puçás nutri curumim com viva angá.

Oh bravo auá sobrevoa o mundo com lança em punho liberta eçá.

14 Auá: homem, mulher, gente, índio. Angá: afeição, ternura. Amanajé: mensageiro. Camuá: palmeira de caule flexível, cheia de espinhosos. Curumim: criança Eçá: Olho. Os olhos. Ver. Espiar. Guaraci: O sol. Jaci: A lua Puçá: de rede de pesca para siri ou camarão. Tupi (1): povo indígena que habita(va) o Norte e o Centro do Brasil, até o rio. Toré : Dança indígena-

Agostinho Lázaro Pimenta Filho 15

FILÓSoFo GonçALVES DIAS Onde estavas Gonçalves Dias; Quando desejastes ser querido dum rosto formoso? Planejando uma conquista, ou mentalmente no fundo do poço? Onde estavas tu quando dissestes: Eu amo a noite solitária e muda? Atormentado pelo sol de uma paixão, ou em depressão profunda?

Tens saudade da tua terra com palmeiras onde canta o sabiá? As aves daí não cantam, Não gorjeiam como as de cá?

De uma coisa tenho certeza, e isso até posso afirmar, Quando pediste ao anjo do sono que preside tranqüilo, Que ao anjo da terra não cedesse o lugar; Certamente estavas em um sonho, na guarida do peito de sua querida Sem querer acordar!

Oh ilustre Gonçalves Dias, se a vida é combate que aos fracos abate, Certamente aos guerreiros, militares ou enfermeiros, Aos poetas ou carpinteiros, na verdade brasileiros que são bravos e fortes, Só pode exaltar!

Agostinho Pereira Reis 16

GonçALVES DIAS 17 Certo que não morreu. Na realidade, Embora o corpo seu descess ao Nada, Vice sua alma palpitante em cada Estrofe qie legou à humanidade.

Ainda ouço a vibrar, na imensidade, A lira do Brasil mais afinada; - Ora cantos risonhos de alvorada, Ora sentidos cantos, cantos de saudade.

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15 Agostinho Lázaro Pimenta Filho - São Luís – MA - Brasil. Fisioterapeuta, pós-graduado em Saúde da Família, Bombeiro Militar, etc. Amo escrever pensamentos, poemas e música, tenho algumas poesias publicadas no Recanto das letras inclusive nos livros Antologia dos Poetas Brasileiros nº 71 e nº 73, escrevi algumas músicas, e arranjos para instrumentos de sopro

16 Agostinho Pereira Reis - Alcantara – MA - Brasil. Jornalista e Poeta brilhante. Foi Tipografo e Funcionario Pu- blico. Trabalhou em O Federalista, Campanha, sendo por ultimo redator e gerente da Pacotilha. Fundou com José de Castro e Edgar Matos a Revista Paroplia. Polemista de largos recursos, vigoror e sereno. Foi membro da oficina dos Novos.

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Como se fora terno passarinho Que canta, que solouça espaço em fora, E recolhe silente ao pobre ninho,

Ele dorme, nos mares afinal descansa! Dorme, poeta, a casta luz da aurora, Que o teu nome nos viva na lembrança.

Agrario de Menezes

PELA notICIA DA MortE Do PoEtA 18 Poetas! Daí ouvi lós ao lamento Qu em montanhas de espuma as nossas plagas Vem trazer, entre accentos dolorosos, As gemedoras vagas!

Traduzi a linguam desses threnos, Desse carpir infausto e sobrehumano:

Endentedei a expressão desses gemidos Arraqncados ao seio do oceano!

Adevinha o profundo sentimento Que a natureza em anciãs denuncia, Como se das entranhas lho voassem Os prantos de agonia!

Fallai às turbas, á nação, ao mundo, Que já se presentil-o se inquieta; Dizei que – remontou-se á Eternidade O brazileiro inclyto Poeta!

Lá jaz no pego! Sepultura immensa, Para esse immenso vate se offerece, Como si outro sarcophago mais digno Alhures não houvesse!

Assim o rei dos astros, caminhando, Em despedida ao CEO, á terra, aos ares, Procura e alcança os marcos do occidente Na funda eterna vastidão dos mares

Ahi deve existir algum encanto Quem sabe? Ahi mais puro e mais (?) É talvez o caminho que se abre Aos pés do Omnipotente.

Ah! Recebe-o Senhor!

Ou cedo ou tarde,

O genio é teu, aspira á tua glória! Poetas, celebrai seu nome ilustre, Erguiei-lhe um moimento, uma memória!

Aidil Araújo Lima 19

EFêMEro Gozo Eu vi o teu desejo por mim

E soube que mentia Na minha agonia não atinei pra nada Desejos intensos não se demoram Vão se desfolhando pela noite Desfazendo o silêncio da terra Que se esconde sem testemunhar Este meu sonho de engano As flores acalentam Com cheiros delicados A manhã que se anuncia solitária O amor que pensei que tu sentias Foi como o orvalho Que se desfaz ao sol Despejando sêmens que perecem

E o amor onde encontro

Talvez seja o que Gonçalves Dias tenha dito Oiço aí pronunciar Essa palavra de modo Que não sei o que é amar.

Alanna Verde Rodiguês 20

FUtUro DE MAGIA

O amanhã ia além de dormir e acordar!

Era um futuro de magias. Que ele expressava em cada poesia.

Retratava seus ideais seus Encantos, seu amor por sua Terra os olhos verdes da amada Em versos e melodia.

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19 Aidil Araújo Lima - Cachoeira – Bahia – Brasil - 17 de dezembro de 1958. Professora aposentada. Recebeu o título de Menção Honrosa do Concurso Literário “CLEBER ONIAS GUIMARAES”. 3º lugar do concurso literário Arti-manhas. Concurso internacional primavera – 3 contos selecionados em 3º lugar. Concurso Literário Gue- manisse – 3 contos premiados. E-mail – aidilaraujolima@gmail.com

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Em terra de grande batalha Caxias saía vitoriosa, mas A maior de suas conquistas nascera Ainda ia!

Um simples homem se tornaria Mas o acaso da vida! Em águas reluzentes sua vida sumiria.

Albaneide Bezerra da Silva 21

oLHoS VErDE-AMAr São verdes esses olhos São verdes olhos de amor Seus olhos tão verdes Me dizem que estou Mais que apaixonada Pela cor esmeralda Desse teu verde amor

São verdes teus olhos e eu aqui a pensar Na imensidão desse Teu verde olhar

No espelho desses olhos Contemplo-te com calma O límpido espelho de tua alma Que ora reflete o céu Em suas límpidas manhãs Ora reluz como fogos Rasgando da noite a escuridão

Sãos verdes,sim teus olhos tão ternos de amor São cor de esperança Em dias de bonança Cheiram a verde-mar Por isso, a ti confesso Estou imersa em teus olhos Inebriada com teu verde- amar

Ah,afoguei-me na cor desse verde mar E ainda que o Gonçalves em seus Dias A mim viesse falar que haveria Outros olhos Mais verdes que o teu mar Por certo, não me importaria Ainda que fossem outros verdes olhos, Não importaria, nem esperança teria A não ser com esses teus ternos E doces olhos, da cor verde Do verde-amar

ALGUnS DIAS Do GonçALVES O Romântico Gonçalves em seus Dias Também se pôs a poetizar Longe de sua terra e de sua amada e em peito se pôs a mirar Os encantos de sua terra Repletas de palmeiras a balançar Então seu coração Se enche de novo Ao ouvir de novo O canto do pequeno amigo sabiá Em sua alma ele voltava ao regaço de sua terra Enquanto seu peito anelava Ainda mais por sua Amélia Ah, os versos arrancados, a alma ferida A dor de tanto e tanto ter amado Sufocada pelo peso do Adeus Ainda assim ele estava a poetizar Mesmo Distante de sua amada e do povo seu Seus sentimentos o traziam de volta Sim, ele estava sempre a voltar Porém as ondas do cruel e bravio mar Ao poeta abraçaram Não o deixando A sua terra retornar Porém de longe ainda se ouve um canto De todos aqueles que estão a voltar Ao regaço de sua terra e sentem sua alma cantar “Minha terra tem palmeiras onda canta o sabiá Oh,meu Deus tu não permitas que eu morra sem a essa Terra voltar”

Albertina Carneiro Arruda 22

ÚLtIMA VIAGEM “Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá.”

Voltaste. Aqui estás de frente pro mar no Largo dos Amores. Ah! Os teus amores em versos soubeste cantar!

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22 Albertina Carneiro Arruda – Esperantinópolis –MA – Brasil - 21.05.1952. Graduada em Ciências Contábeis, Letras e Filosofia. Poetisa, já publicou “Poesia- Canto da Alma” e Viagem a Caminho de Belém pro Círio de Nazaré (em ritmo de cordel. É membro fundadora da Academia Esperantinopense de Letras, Presidente para o bienio 2012-2013.

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Amor à pátria, à amada, à natureza, à raça!

Cantaste o Maranhão em toda beleza que existe as palmeiras, as aves, o céu estrelado, os bosques, as flores

e tantos amores!

Voltaste para ouvi o canto do sabiá lá do alto das palmeiras com o vento a balançar! Querias encontrar I Juca Pirama “guerreiro bravo e forte, filho das selvas, do Norte da tribo Tupi”. Voltaste continuas presente a nos inspirar o poeta não morre, vira estrela, seu brilho jamais acabará!

Alda Inácio 23

CAnção DA PÁtrIA

Minha terra tem pomares, Tem cascata e sabiá; O povo que aqui vive,

É feliz aqui, ou lá.

Nosso céu tem mil estrelas, Nos jardins têm muitas flores; Nos bosques têm rica fauna, Nos corações os amores.

Fico pensando nas noites, No prazer que tenho aqui; Minha terra, que alegria! Onde canta a juriti.

23 Alda Inácio - Senador Canedo – GO – Brasil - 05/12/1952. Tenho 60 anos, sou gaúcha residente em Goiás, acabo de publicar meu primeiro livro solo com o título “A vida na Bélgica” consequente aos 12 anos que vivi naquele país. Tenho publicações de crônicas e poesias em algumas antologias. A última foi a poesia “Opus Magnum da Serra” em homenagem aos 450 anos da cidade de Mogi das Cruzes em São Paulo. Atualmente estou com trabalhos participando em concursos literários, livros infantis e romances. Email – alda_inacio@ hotmail.com

Minha terra tem de tudo, Pau-brasil e maricá; Tem raça de gente boa, Que prazer isto me dá; Minha terra tem florestas, Tem madeira jatobá

Deus deu tudo a este povo, Sob o céu azul anil; Pra desfrutar a beleza, Desta terra varonil, Que nos deu Gonçalves Dias, O poeta do Brasil.

Alexander Man Fu do Patrocínio 24

tErrA DE GonçALVES DIAS Oh! Maranhão Solo fértil Paisagem bela Horizonte amplo Lençóis de águas Deserto mágico Natureza que se completa.

Caxias, a princesinha do Sertão Terra de Gonçalves Dias Nos seus versos O amor, a esperança e os gestos Deságuam nos abismos das experiências

Ah! Grande poeta Caxias terra da cultura. Ah! Grande poeta Naquelas terras Sob os acordes do sabiá Poetaste.

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Alexandra Galvão da Rocha 25

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CAnção Do ExíLIo Para o meu Brasil Quero um dia voltar Aqui nesse país, preso, Oh! meu Deus, não quero ficar.

Admirar o céu azul A minha família poder encontrar Estou com saudades de tudo, de todos, Muita farra para farriar!

Essa saudade no meu peito Um dia vai acabar Ela me pegou de jeito E não há como escapar.

Adeus país triste, Para o meu Brasil quero voltar, Ouvir o canto dos passarinhos E deixar a vida me levar!

Alexandre Cezar da Silva 26

DIAS Do PoVo Querido leitor Quero lhes apresentar Um grande poeta brasileiro Me dar orgulho de falar Ele foi um dos primeiros A encantar o Brasil inteiro Com uma poesia sem par.

Por aqueles dias de agosto Nasce o grande poeta nacional De nome Gonçalves Dias Outro o Brasil não teve igual Nasceu na cidade de Caxias Surgiu como um messias Dono de uma poesia original.

25 Alexandra Galvão da Rocha - Bebedouro – SP – Brasil. Aluna da 7ª. Serie da Profa. Silvana Morelli - http://sil- moreli.blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio.html; Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curi- tiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Foi estudar em Portugal Ainda na mocidade Nunca esqueceu o lar natal. Isso é uma grande verdade Canção do exílio é magistral A pura literatura nacional O que nos enche de vaidades.

De Ana Amélia se enamorou Isso pode-se confiar Nunca puderam assumir Que iriam sempre si amar. Dias Viveu nesse eterno afligir Pois nunca soube omitir O desejo de com Amélia casar.

Soube como nenhum outro Cantar o Brasil em poesia Se nossa terra tem palmeiras e sabiá Também Gonçalves dias Faz parte da cultura popular Fez nossa terra brilhar Enchendo-nos de Alegrias

Alexandro Henrique Corrêa Feitosa - Alex Feitosa 27

MInHA CAnção Do ExíLIo – lembrando e dedicando a Gonçalves Dias Na penumbra desta noite-ausência contemplo-te uma vez mais distante Oh! minha amada São Luís Minha terra de Gonçalves Dias!

Faço de mim pensamento e viajo na brisa/carícia que me chega do teu mar tuas ladeiras telhados e azulejos escadarias e becos teus (en)cantos tudo ares benfazejos.

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27 Alex Feitosa - Alexandro Henrique Corrêa Feitosa - São Luís – MA – Brasil - 14. 11. 1970. Graduado em Psi- cologia (UFMA-1997), pós-graduado (em nível de Especialização) em Gestão de Pessoas (Uniasselvi-2010). Estudante de Direito (CEST). Classificado/premiado em concursos de poesia (Rotary Club, Aliança Francesa), redação (Fundação Bradesco, Fundação Joaquim Nabuco), e pesquisa estudantil (FAE-Fundação de Assistência ao Estudante). Atualmente, labora na área de RH.

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São Luís Tu estás em mim como eu estou em ti.

Aqui deste mirante interior do cimo desta ladeira/sobrado/eu mesmo as estrelas me refletem em São Marcos A lua me cintila em saudades E abro os braços para te acolher abraçada ao meu peito, Ilha querida

MInHA tErrA DE GonçALVES DIAS! Calhau, Ponta d’Areia, Olho d’água Teus bairros, ruas e praças Rostos amigos – o Sousa, no Reviver lembranças que não esqueço e em mim sempre hão de viver.

Parece ontem – ainda lembro pequeno, criança de calção empoeirado.

O Parque XV de Novembro – a extinta vila Olhei em teus olhos, Beira-Mar

dos meus Amores

me vi em ti espelhado

e te dei

Mais uma vez Adeus!

Lembras de quando nos conhecemos?

Estavas LINDA, bronzeada ao sol da tarde. Corrias conosco até à Pracinha

e marulhavas no Cais

frente ao Palácio.

Eu? Eu era todo alegria

MInHA tErrA DE GonçALVES DIAS! Naquele tempo Até teus abandonos me eram tudo Poesia! Na calmaria de um banzeiro que quebrava lá pista de asfalto por baixo daquela ponte Eu entregue às brincadeiras de menino

Meu peito ainda acelera:

é a tua voz que me chama que me encanta que me inflama Tu me amas E eu te amo

Quero ser teu. Eternamente teu. Que os meus olhos te sintam sempre LINDA! Minha pele saboreie o orvalho de tuas noites e o meu ser se extasie na sinfonia de tuas manhãs

Sou teu filho, sou teu fã. Protegido em teus mistérios me abandono em teu regaço. E ao tocar tuas mãos/nuas/ruas seguro firme em teu (a)braço.

E assim sentindo

O calor de tua presença/ausência/saudade Aspiro que sejamos a um só tempo

o mesmo peito, a mesma paz e alegria oh! minha terra de Gonçalves Dias.

Alfred Asís 28

nAUFrAGo Naufragaste un día incierto mas, tus letras quedaron por siempre

Fuiste a navegar entre letras y el mar

y germinaron en la montaña

en las selvas

y en el alma de la creación

Los escenarios se abrieron para dar paso a tu obra Cuantos que te amamos al conocer tus letras hechas palabras que resuenan en las praderas imaginarias de nuestros sueños

Una a una tus escenas fueron naciendo después de tu muerte quedando para las generaciones postreras

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28 Alfred Asís – Santiago - Chile - 1951. Después de 40 años viajando por Chile, investigando y versando en las escuelas del país, se transforma en sedentario, instalándose a vivir en Isla Negra, junto al espíritu de Neruda. Desde ahí se comunica con los cinco continentes en la red mundial de Poetas con los cuales lleva adelante proyectos mundiales, solidariamente para generar oportunidades a los emergentes en las letras, junto a los niños y consagrados. Al terminar tres obras mundiales en conjunto ya trabaja en la cuarta convocatoria para generar un libro de más de mil páginas que llevará el homenaje a MIGUEL HERNÁNDEZ, Poeta del pueblo de España. Tiene 16 libros editados. Clama por eliminar los egos de quienes creen que el mundo es solo para ellos, generando instancias de partición incondicionalmente por una humanidad mejor.

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que hoy en día alaban tus escritos y siguen resonando en los ámbitos estelares para el placer de una mirada que atiende a tu perseverancia más allá de las distancias más allá de las fronteras.

Llegaste a las costas del sur después de tu travesía por Europa Besaste las arenas del mar en tu último suspiro El océano dejó tus palabras en sus olas agitadas para albergarlas por siempre desde el ocaso a la alborada.

GonçALVES DIAS Poeta de verde bandera como verde las esperanzas y el verde de tu amazonas… Transitaste caminos difíciles No cejaste en tu cometido Tus letras nacieron y alumbraron tu sendero mientras, elevaste plegarias al cielo.

PoEtA GonçALVES De obra romántica no perecible De batallas concebibles Maestro Irradiado por acústicas del tiempo Devoción y estudio determinado Evidente ante el amor, ante la muerte Sollozado por amantes dispersos De semblante duro seducido y ofrendado Poeta, singular universal en la palabra de nuestras manos…

ÚLtIMo VIAJE En Brasil En Portugal Estudios y un vendaval Poeta constelado cuanto mar, cuantas lunas cuantos tiempos lejanos se escondieron en la bruma Cuantas brisas marinas y tu lecho de muerte Cuantas esperanzas peregrino del amor sucumbieron tempranas… Cuantas ilusiones en tu equipaje del alma y cuantas letras que hoy te acompañan…

VErSASíS I Poeta del mar a tu gesta para siempre aquí estar Siembras generosas, tus letras cosechas del tiempo como retretas viento.

Aline Fernanda Moraes da Silva Cantanhede 29

GonçALVES DIAS

Gonçalves Dias ele era poeta

É assim que se liberta.

Gonçalves Dias é o nosso interesse

É a nossa saudade é uma paisagem.

Gonçalves somos nós E você lutando para o Maranhão crescer. Gonçalves era um escritor Trabalhava com paz e amor.

Gonçalves é orgulho É a nossa paixão, Ta no coração E no Maranhão

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Aliquanto 30

Ao PoVo MArAnHEnSE no DIA DA InAUGUrAção DA EStÁtUA Do SEU MAIor PoEtA LírICo AntonIo GonçALVES DIAS EM 7 DE SEtEMBro DE 1873 «Comme l’age future jugez les monuments» (Lemercier)

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I

Não, ele não morreu: seu gênio e glória, remidos do letal esquecimento, irão em duradouro monumento dos evos á mais longínqua história.

Enquanto de seus versos a memória o povo conservar no pensamento, seu nome soara como um portento nas tubas de alta fama meritória.

Não, - ele não morreu:- na pedra dura em que o ides ver, qual sempre foi, não se pode cavar a sepultura.

N’esse mármor que o tempo não destrói, exemplo às gerações, – lição futura, o vale viverá sagrado herói.

II

Eia pois – a vida! – sus! Corra-se o tétrico véu, e venha a nós o poeta na luz que nos vem do céu. ……………………………

III

Ei-lo erguido na peanha que o amor nosso lh’ergueu contemplando o céu e sol das terras em que nasceu!

Ei-lo revendo as palmeiras onde canta o sabiá, desfrutando esses primores que só encontrava cá.

30 Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p. 564-566. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Ei-lo ali no duro mármor, que o tempo voraz não rói; vede-o, e dizei aos evos – não morreu; - sagrou-se herói.

IV

E vós, palmeiras da pátria, estrelas, várzeas e flores, bosques em que ele achava maior vida e mais amores;

e noites em que cismando mais prazer sentia cá, – sede propícios ao mármor do cantor do sabia.

V

E tu, estátua, que mostras D’este povo a gratidão, vive e perdura enquanto perdurar o Maranhão.

Allan Santana Santos (DuSanto) 31

MEMÓrIAS DE JUCA PIrAMA Sabia lá Que pela estribeira Haveria de encontrar

O saudoso sabiá

A cantar da sua palmeira?

Foi Marabá Lá no meio da pavuna Que com sorte e fortuna Encontrou a meditar O grande chefe Itajuba

Em pé-de-guerra Debruçado num regato Itajuba ali parado Pede trégua ao Gamela Que deseja o pai vingado

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Ainda lá

Como que num vaticínio

O sabiá canta o exílio

Em dueto com Croa Consolando o chefe índio

Já Gurupema Desejando guerrear

Vê na morte despertar

O fantasma de Coema

Que não cansa de esperar

Mas Itajuba Que não perde a temperança Tem na morte a esperança De rever a tribo junta Na sonhada pindorama

Almerinda Abrantes Gomes Ricard 32

A GonçALVES DIAS

Volta, Poeta!

A saudade falou mais forte Do que tudo o mais Em terras estranhas!

É fundo o teu exilio! No pensamento e na saudade Escutavas o cantor de teus sabias Inovando melodias, Acompanhando teus versos de amor A dançarem no farfalhar saudoso De milhões de palmas verdejantes Desta terra que ouviu os teus primeiros vagidos

E pensavas

E repensavas Teu tudo está aqui! E vieste! Doentinho Quisestes deixar teus últimos suspiros No teu Brasil querido!

Por acaso

o mar Este imenso mar de belezas e de amarguras Acolheu-te no seu seio,

Embalando teus derradeiros ais Nas águas do teu Maranhão, Num cantinho de minha cidade – Guimarães

Lá na Ponta dos Atins Entre o trinar mavioso desses pássaros Que enchem o espaço de novos rebentos Saindo em revoada Alegrando a natureza! Dali teu espirito voou para Os braços de Deus!

Para Ele tu cantas Sua grandeza O seu amor Num agradecimento profundo Pelo precioso acervo em versos Que legaste ao mundo

Versos que nos falam de ti Enobrecendo teu solo pátrio Do qual te orgulhas.

É a tua memoria Solidificando gerações!

Aloisio Andrade 33

ALVíSSArAS PArA GonçALVES DIAS Selva versos românticos Indianista primeiro cordelista Brasileiro Brasil pátrio canta Quando estandarte eleva-se Nossos bosques têm Mais vida Nossas vidas mais Amores Guerreiro Gonçalves sabiá Todos os dias você

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Aluizio Rezende 34

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JUCA DIAS De Gonçalves não quero os dias, quero a vida toda que I-Juca-Pirama levou, até que o invasor a tirou (pra matar)

DIAS tErrA o poeta não pode ser apenas sangue, suor e lágrimas, tem que ser terra,

de “palmeiras onde canta o sabiá”

Álvaro Urubatan Melo 35

GonçALVES DIAS Tu cantaste um povo puro Habitante das florestas Generoso, sem perjuro Na labuta, como em festas.

Se tupis, tupinambás Pouco importa fosse a raça Exaltaste com a graça Dos que são de Jabotás.

Defensor intransigente Com impávido labor Promoveste nobre gente.

Tu notável bravo vate Ensinaste com ardor Que se vence com combate

34 Aluizio Rezende - Rio de Janeiro – Brasil - 14/09/1947. Cursou Letras e depois Engenharia Civil. Livros publi-

cados: Esperar Ainda Uma Vez (2005), Desejos Descalços (2006), Descaminhos (2007), Fui no Tororó

Água, o Sonho Achei (2008), EntreCantos (2009), 14 Versos (2010) e Espasmos e Espumas (2012). Publicado em antologias de prosa e de poesia e várias vezes premiado em concursos literários. Fundou o Movimento Cultural POVEB (Poesia, Você Está na Barra) que existe há 6 anos no Rio de Janeiro, Brasil.

Beber

Amâncio Ferreira Silva Júnior 36

CAIS DA SAUDADE Suspiros à beira do cais De saudades Gonçalvianas Poeta eterno na morada do amor No Largo do amor e da dor Por que partir se tua alma é tudo o que existe aqui?

Ilha bela como o sol Horizonte marcado de amor Corações vestidos de sol

Amor que se põe no peito Sol que pulsa na vida Sente a vida, brilhando Contempla o sol, amando

Ilha bela como vida Corações marcados de amor Horizonte vestido de sol

Amanda Suely Brito de Sousa 37

o PoEtA E SUA HUMILDADE Um simples poeta nasceu com o coração cheio de sentimento, era humilde, mas tinha força e muita garra, estudou para um dia varias poesias criar e em nosso coração pudesse ficar.

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Poeta de verdade para sempre ser lembrado, como homem, cidadão caxien- se e amante da vida e da sua terra!Sua vontade de criar, poesias para de- monstrar belezas, amores, futuro e o modo certo de amar!

Morreu! Mas muitas saudades ficaram um grande poeta foi e poesia dei- xou. Poesia verdadeira para serem lidas com carinho em nossa mente ficou!

36 Amâncio Ferreira Silva Júnior - São Luís – MA – Brasil - 15/05/1984. O autor é Bacharel em Ciências Sociais e Licenciado em Sociologia pela Universidade Federal do Maranhão / UFMA.

Amélia Marcionila Raposo da Luz - Amélia Luz 38

UM PoEMA PArA GonçALVES DIAS Da tua boca tirarei o verbo e me embriagarei das tuas emoções e metáforas Da tua garganta tirarei a vida e beberei o sonho, o desejo, a canção, o sumo, a tua multiplicidade em profundezas Tirarei a cena, o palco, as luzes o sentimento, o riso e a lágrima: o teatro! Seremos então, nós mesmos, eu e a tua fala, o teu gemido, o teu discurso que tua alma exala Ouvirei palavras dispersas vejo-te, no reflexo delas, águas cristalinas que fluem lapidando pedras disformes Afundarei num mar de emoções desconhecidas, balbucios, sussurros, confissões e sermões. Amanhã, o outro lado verei, a lenda, o conto, a página, o drama, a poesia!

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Viajarei na imprensa contraditória de cada dia buscando-te sempre a companhia!

Silêncio

Há um vento estranho

Trazendo nas asas mistérios do norte:

“Guerreiros, descendo da tribo Tupi Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi.” É preciso reviver a palavra que brotou na madrugada nos lábios inocentes do poeta que partiu, girassóis de alegria, depois do despontar do dia que arranca a treva das mãos da noite celebrando e soletrando versos e rimas Eis a herança enraizada do fundamento Que ora me deixas na expressão lírica, Indianista, saudosista, religiosa, Medieval ou épica das nossas puras tradições. Poeta, “Ai, não me deixes, não!” Que eu seja a tua flor e tu a força da correnteza, Leva-me nas tuas águas, ah! (afundo), “Não me deixaste, não”!

Ana Claudia 39

oH! QUE DIAS! Eis que de tanto sofrer, de amor, de viver, ordenei, Vou sobreviver à custa da incauta poesia, Palinódia, efêmera e precária, a qual patenteei, Vida, essa inútil chama, que a alma invade e angústia.

Tesouros em verso, que no papel, escondo e revelo, Quando em meu peito, as dores silenciam seu grito, Então são os dedos que exprimem todo o apelo, Para que o coração não estanque mediante tamanho acinte.

Ó, que naqueles dias, poderia ter da vida, dos homens, descrido, Do amor, que foi dito ser o enlevo d’alma, ter dele me perdido, Mas entre todas as mais vis tragédias, não haveria pior do que essa, Pois desistiria de quem eu sou, se por medo, desistisse de lutar tal guerra. Não, não poderia ser por mim mesmo vencido, não há morte pior que essa.

Como tantos, tive nas mãos a mordedura do ingrato, No seio a sangrar, a desilusão dos que fingem o amor verdadeiro, Como poucos, saber vencer a infâmia de quem tem rendido por assalto, Os motivos mais sinceros, e que ainda assim, tem, de fato, A coragem dos que ousam ser eles mesmo, por inteiro.

Ana Cristina Mendes Gomes - Cris Dakinis 40

PArECE-ME QUE SABIAS Parece-me que sabias Quando singravas em cantos O doce enlevo do mar No versejar amoroso À musa e à pátria, saudoso, Poeta Gonçalves Dias, Parece-me que sabias Que partirias no mar!

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39 Ana Claudia – Nanuque – MG – Brasil - 28 de junho. Jornalista, professora, pós-graduada pela ECA/USP Mu- lher, negra, escritora, apesar de nunca ter publicado uma única obra, escrevo por que essa é minha maior fortuna.

Viveste grande paixão Por tua terra, tua amada, Mas o mar corre mundos É água salgada, não doce, Como se lágrima fosse Recheio de poesia! Parece-me, que sabias Poeta Gonçalves Dias, Que constelar desilusão Multiplica honrarias Para além da terra-mãe E se a Terra faz-se nação, O mar recolhe a canção Em teu exílio constante, D’alma, de poeta, de amante Parece-me que sabias, Poeta Gonçalves Dias, Que partirias no mar!

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Ana Issa Oliveira 41

FInALMEntE ADEUS A última carta de Ana Amélia a Gonçalves Dias

Escrevo-te hoje minha despedida e meu coração parece em frangalhos, tamanha a tristeza que antevê a saudade.

Crês

Tu, por tantas vezes, me observavas e, depois de julgado, sentenciavas

que eu não faria o mesmo contigo? Pois agora sentencio eu, a tua amada, a exilada de teu amor, para que não repitas os mesmos erros de antes, para que não te julgues maior que a dor. Que seja então:

Preserva-te, protege-te, cuida para que não te machuques porque — ao contrário do que insistem os néscios — tu tens uma alma. E nobre. E a nobreza é frágil no meio desta selva em que nos enredamos. Não te deixes iludir — como todos nós forasteiros bem o fazemos mais hora, menos hora — pelo suave delírio de liberdade que esse lugar proclama: não é de verdade. Se te iludires, em pouco tempo estarás bebendo todos os dias e, daí, é um passo para

a corrupção dos valores pelos quais optaste reiteradas vezes em tua vida. Cuida para evitar as pedras travestidas de humildade e sedução: ainda assim são pedras e te

Mesmo tão

vivido tu não estás imune ao ressentimento.

impedirão de caminhar sem agravos

Cuida para escapar de propostas extravagantes e de ideias afetadas: são só delírios de mentes esvaziadas pelos excessos e preenchidas pelo interesse. E sempre que estiveres no meio do turbilhão (tu hás de entender o que quero dizer com turbilhão), pois bem, sempre que tu estiveres lá, volta ao teu silêncio, aos teus livros, às tuas lembranças e sossega. Faz isto por ti para que não te culpes depois por traíres a ti mesmo. Faz isto por mim que sou brasa do teu mesmo fogo: se te machucares, machucas a mim. Lembra-te de que nosso tempo não existe e de que nosso sentido está na memória, então eu sou contigo, sem lugar e sem hora. Mas, caso este falatório não te sirvas de nada, caso tua experiência te falte, caso te deixes levar — como eu mesma fiz por ti — e caso a dor torne-se insuportável, por favor, não te transformes num tolo. Não fiques resmungando e criticando as gentes. Aquieta, porque a terra a que retornaste não é a mesma que tua fantasia criou. Não te irrites comigo porque escrevo palavras duras e não me pareço mais com tua doce Ana. Tu, teu amor e toda

a vida me tornaram nisso

Enfim, limito meu rancor, agora, e

acalanto teus ouvidos com um pedido se, afinal, é possível fazer de um sonho um pedido; peço-te que, apesar de todo o adeus, não te esqueças de mim. Guarda-me neste canto que tomei em teu coração e me retoma, às vezes, para espargir, com teu olhar, o brilho para meus olhos. (E quem há de dizer que não vivemos um grande amor!).

Ana Luiza Almeida Ferro 42

Ó MArAnHão Naquela taba perdida no tempo Numa terra de muitas palmeiras Ainda vive um velho timbira Em meio às sombras rasteiras.

Naquela taba sagrada de sangue O timbira conservou a memória Da coragem do guerreiro tupi, Que do pranto se cobriu de glória.

Naquela taba encantada de morte Encontro a vida que não vejo cá, E o timbira reconta a narrativa Dos feitos olvidados por lá.

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Naquela taba envolta em poesia Não sei se ainda luta o moço, Não sei se ainda canta o sabiá, Mas lá não se abriu o fosso.

Ó Maranhão, Tu não viste no horizonte o dejeto Nas tuas praias inclemente aportar? Tu não ouviste nas ruas o desvalido Por um pouco de pão reclamar?

Ó Maranhão, Por que dormes, terra tupi, Por francos e lusos adotada, Quando o sonho cabia em ti? Não sabes o que leva o vento, O que procura o mar encobrir, O que se transforma em tormento?

Ó Maranhão, Ó gigante de pedra e areia, Que jazes no bosque a dormir Como a presa inerte na teia, Desperta de teu sonho distante, Desce do mirante para a ceia.

Ó Maranhão, Escuta o velho timbira na taba Teu passado aos meninos lembrar; Revive os dias de Gonçalves, Teu poeta maior, sem par; Sê brioso Como o moço guerreiro; Sê laborioso Como o luso sobranceiro; Sê garboso Como o gaulês altaneiro, Que um dia te quis Possuir por inteiro.

Ó Maranhão, Ó gigante de pedra e areia, Desperta para o combate! Conquista teu maior galardão! Ouve o velho timbira A inspirar o moço vate Naquela taba de viva paixão.

o GIGAntE Do LArGo DoS AMorES O que contemplas, ó vate divino? o que procuras em cada sol poente? nosso céu mais uma estrela ganhou nossa vida, mais beleza, nossa prosa, mais poesia o coreto mais cobiçado ficou a baía já se rende a teus pés mas a tarde não traz refrigério a noite sua mudez revelou os sinos ainda dobram por ti a marabá mais sozinha está e o mar penitente se agitou ao naufrágio de certo navio nos baixios dos Atins.

O que divisas, ó mestre divino? o que persegues em meio às alturas? não viste as nuvens pesadas o rosto do astro ocultar? acaso não ouves o canto do guerreiro

os sons da trompa, as vozes em toadas o canto do índio, a canção do tamoio? acaso olvidaste o canto do Piaga

o rugir das tempestades carregadas?

não guardaste a lembrança do moço tupi na taba timbira? não sofreste cruas ânsias fundadas? não ensinaste que a vida é combate que os fortes apenas pode elevar?

O

que cismas, ó artífice divino?

o

que inspira a tua mão?

as visões do valente Tabira? os maracás e os manitôs? és agora o gigante de pedra arrebatado de contida ira quem há que te iguale? quem há que te exceda? quem há que te fira? descansas em eterna vigília não podes dizer derradeiro adeus mil arcos se retesam em mira mil setas se cruzam em tributo mil poemas se doam em memória.

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O que especulas, ó arauto divino? o que buscas no incerto horizonte? és mais alto que as altivas palmeiras onde cantava o magistral sabiá mais alto que a bela mangueira onde se aconchegam as frutas useiras mais alto que o Morro do Alecrim onde muito bravo pereceu estás bem diante das beiras no centro da praça encantada a cortejar Maria Aragão tão longe das capoeiras tão dentro do Olimpo tão perto de Tupã.

O que eleges, ó favorito da Musa? o que esperas da brisa inconstante? afasta a tentação da mãe d’água liberta-te do cruel Anhangá desce do alto da palmeira deixa para trás tua frágua e vem cá desfrutar os primores que não encontraste por lá volta à era do corpete, da anágua quando se morria de amor vem desposar Ana Amélia há cura para toda mágoa no Largo dos Remédios no Largo dos Amores.

Ó Gigante do Largo dos Amores de pés imponentes sobre o mar ouve meu canto, meu lamento retoma a pena, fecunda o papel põe a máscara, dedilha a lira volve teus olhos sem tento e desce para tornar a encher com teus últimos cantos meio paz, meio tormento no leito de folhas verdes nossa vida de mais beleza ao sabor de cada momento nossa prosa de mais poesia nossos dias de mais Gonçalves.

Ana Luiza Fernández Alves 43

CAnção Do ExíLIo Minha terra tem palmeiras e, também, muitas estrelas que, em outras cidades não há.

Minha linda Porto Alegre não nos permite compará-la com outra cidade qualquer. Ela, além de ser charmosa, é maravilhosa, pois exibe-nos um pôr do sol inigualável.

Na capital gaúcha, muitos sabiás cantam e encantam. Como aqui, não há nenhum lugar!

Ana Luiza Nazareno Ferreira 44

onDE CAntA o SABIÁ?

Ah, meu poeta, minha terra não tem mais palmeiras, nem sabiá para cantar. Só ficou a saudade de tudo que um dia podíamos lá encontrar.

O progresso chegou,

destruiu nossos bosques,

nossas várzeas ficaram sem flores, e morreram nossos amores.

O que fazer, meu poeta,

na terra que tanto amavas? Nas noites iluminadas não mais pelas estrelas, nem lampiões a gás,

só a luz elétrica fria,

escondendo a luz da lua. Viramos exilados em nossa própria terra. Nossos filhos não conhecem

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43 Ana Luiza Fernández Alves - Santa do Livramento – RS – Brasil - 12 de fevereiro de 1993; reside em Porto Ale- gre/RS. Filha de Rossana Fernández Rosa e Edson Ferreira Alves. Estudante. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 47, Patronesse: Dinah Silveira de Queiroz; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN. E-mail: aninha_loka_93@hotmail.com

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as belezas do teu tempo. Aquela terra querida que te enchia de orgulho, cheia de palmeiras onde cantava o sabiá, ficou num passado bem longe. Só nos restou o amor por tudo que existiu, e a esperança de um dia encontrar novas palmeiras onde cante o sabiá.

MEUS AMIGoS, EU VI Meus amigos eu vi as lágrimas do poeta molharem o chão ressecado da tristeza, da falta de ação, do horror da miséria, da violência ferina, em um terra que outrora, tão bela e tão fina, gerava os amores em uma simples canção.

Meus amigos, eu vi os sonhos do poeta virarem poeira, zanzando perdidos em nossas ladeiras, soterrados no asfalto, quebrando azulejos, cavando nos mangues pra achar caranguejos, que o mar escondeu em uma triste canção.

Meus amigos eu vi seu nome virar praça, cidade e rua; praça sem trato, palmeiras e lua; cidade sem brilho, pequena e sofrida; só o nome do poeta lhe dá um pouco de vida, a enche de graça em doce canção.

Meus amigos eu vi, os sonhos do poeta que veio de Caxias, na certidão marcada como Gonçalves Dias, virarem cantigas, histórias de guerra, poesias, romances, saudades de sua terra, cantando os amores em grandes canções.

Meus amigos eu vi, e não me esqueci.

EntrELAçoS Saudade, exílio, amores, favores; índios guerreiros, Tupã Piaga timbiras tamoios. Ainda uma vez adeus e paixão, amor solitário não se morre de amor. y Juca Pirama guerreiros ouvi o canto de morte, meninos, eu vi. Lágrimas, vida, luta, combate, abate o fraco, exalta o forte, o bravo. Poeta, índio, romance, teatro, hinos, cantos de amor.

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O belo, o grande, filho do pensamento, meditação. Ana Amélia, amor perdido, ainda uma vez adeus Gonçalves salve Dias, poeta primeiro verdadeiramente maranhense. Não me deixaste, não!

GonçALVES DIAS E UM PoUCo DE SUA oBrA A saudade da terra, “Canção do Exílio”; O amor que não teve, “Se eu morrer de amor”; A paixão que se foi. “Olhos Verdes”, A despedida do amor, “Ainda uma vez Adeus”. A luta do guerreiro “y Juca Pirama”, “O Canto do Piaga” é “Meditação” para “Os Timbiras” na “Canção do Tamoio”. “Um Anjo”, “Beatriz Cenci”, cantou “Marabá”, no “Leito de Folhas Verdes”. “Meu Anjo, Escuta”, meu “Canto de Morte”, “O Canto do índio” que “Seus Olhos” não viram. “Se te amo, não sei”, só sei que sem ti já não sei mais viver. Os Primeiros, Segundos e últimos Cantos ainda se ouvem no vento que passa pelas palmeiras de minha terra, onde cantam sabiás, bem-te-vis e curiós.

Ana Maria Costa Felix Garjan 45

Porto DE LÁGrIMAS Naquela noite escura, naquele ‘Porto de Lágrimas’

O poeta Gonçalves Dias já muito doente ainda sonhava:

No horizonte desejava avistar sua amada terra natal

E sentia sua alma esvaindo-se em lágrimas de saudade. Era imensa sua solidão, era grande seu amor, sua paixão.

Em dois de novembro de 1864 avistou seu sonho:

As terras do Maranhão já estavam perto do seu olhar, E lágrimas suas eram tantas, que desejou logo chegar, Mas fortes ventos eram como facas cortantes em seu peito.

O

príncipe dos poetas não suportava mais tantas dores

E

desejou escrever últimos poemas de amor à sua terra.

Em sua alma brasileira havia lembranças e amores perdidos Lembrou-se de sua vida de sonhos e realizações já findas E desejou ancorar ao seu porto natal, antes do amanhecer.

Em seu leito de frio e visões o poeta foi levado a outro destino:

Na madrugada de três de novembro o navio bateu nos Atins,

E em águas próximas à vila de Guimarães o navio naufragou

Levando para além do horizonte seus sonhos de homem poeta.

Gonçalves Dias tornou-se imortal por seus singelos e fortes poemas Deixou seu legado erudito nas letras, nas artes, em sua vida; Representou o Brasil em delegações oficiais no estrangeiro, E escreveu um dos mais belos poemas, entre tantos de sua poesia:

“Ainda Uma Vez, Adeus”.

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GonçALVES DIAS, UM BrASILEIro, UM PoEtA Herdeiro do legado do velho mundo nos oitocentos O poeta maior do romantismo nacional dialogou Com vozes ecoadas no céu da nova América, Superando o infantilismo da simplória métrica Reproduzida sob auspícios da corte no salão imperial Atraindo aplausos da crítica e olhares invejosos Fez emergir os visíveis e invisíveis contrastes da colonização.

Com olhar nativo, sereno e altivo de etnia subjugada Embora tenha sido peregrino em terras de além-mar Fez-se ouvir em longínquas plagas com o canto do seu exílio Entoado como hino de amor à sua pátria amada Traduzindo do imaginário gentil e ingênuo Cores, aromas, mar, natureza e palmeiras das terras do Brasil.

Sua visão do paraíso foi construída em verso e prosa Destacava as belezas naturais elevadas pelos patriotas Em símbolo da identidade nacional, e do índio escravizado Ampliando como grandes ondas, em mar aberto e em portos As notícias do patrimônio da bela terra dos gentios e degredados Como forma de sedução e curiosidade para os europeus.

Dos viajantes estrangeiros derivou sua inspiração primeira Dos escritores consagrados recebeu belos ensinamentos E os Primeiros Cantos encantaram gregos e troianos Mesmo sendo filho de família humilde, pobre, sem berço.

De poeta viajante por tantas terras a dramaturgo iniciante Alcançou o apogeu com seu talento, humildade e teimosia Em declarar-se o primeiro poeta das letras brasileiras Compostas como canto à nação e aos amores intangíveis.

Dedicou-se aos estudos e pesquisas na terra de Camões Apreciou a arte dos franceses e também dos alemães E se deixou seduzir pelos cantos dos sabiás e rouxinóis.

Em sua obra havia indícios de brasilidade bem amalgamados

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Com elementos europeus da época dos oitocentos aos novecentos.

O poeta seguiu a rota dos navios negreiros sem alcançar porto seguro Mergulhou em sono profundo levando consigo uma grande dialética Entre o localismo e o cosmopolitismo de tantas outras terras Onde deixou suas marcas em corações e almas sensíveis e patriotas.

trIBUto À ‘CAnção Do ExíLIo’, DE GonçALVES DIAS Onde havia teus pássaros, belas aves e palmeiras can- tadas por ti, Gonçalves Dias, Há queimadas, tuas palmeiras já morreram, os teus sabiás estão quase mudos; Nosso céu está cinzento, a poluição é grande no Maranhão e no nosso planeta Mas ainda vemos estrelas que miram os seres da terra; imaginamos o teu céu;

Nossos bosques estão desmatados, nada pode ser feito, não há lei, não há paz; As leis não impedem queimadas das florestas, e os homens maltratam os animais; Eu também fico a cismar, até onde o homem destruirá nossa natureza, teus Sabiás Ainda há várzeas, rios, palmeiras onde cantavam as aves que gorjeavam aqui, e lá;

Nossas vidas, nossos amores estão na corrida contra o tempo das contradições, Dias!

Os prazeres dos homens são perigosos para os inocentes, há muita violência no mundo; Os governos, as religiões, pessoas, grupos e instituições sofrem perturbações

O mundo está confiante na renovação, não queremos guerras, pedimos paz às nações;

Em nossa terra ainda buscamos ‘primores’, desejamos ouvir o canto dos teus Sabiás, Queremos que mil poemas corram o mundo, que haja tempo de renovar tua memória! O teu ‘Canto do Exílio’ é uma declaração de amor e respeito à natureza daqui e de lá. Tua vida, nossas vidas estão escritas neste livro, onde poetas cantam versos para ti! Que Deus permita que possamos viver nossos amores e artes, ao som de ventos e brisas E que possamos renascer e contribuir com a natureza, para salvarmos nosso planeta!

Caxias segue seu destino, há teus seguidores que cantam e morrem de amores! São Luís completou 400 anos, e teu nome e histórias fazem parte da cultura brasileira. Há muitos escritores, poetas e artistas que cantam novas ‘canções do exílio’, como eu.

E Deus escutou tua prece

“Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá’. E ainda avistastes as terras e palmeiras do teu Maranhão. Que Deus não permita que haja mais violência nas florestas, vilas, ruas e cidades! Que possamos sempre voltar para nossa casa; Que no mundo haja justiça e paz para a humanidade!

CArtA A AntonIo GonçALVES DIAS, MEU PAtrono nA A.C.L. Eterno poeta Gonçalves Dias,

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Quis o tempo da vida que fôssemos leoninos do primeiro decanato; Quis a arte da minha infância que eu estudasse no Grupo Escolar Gonçalves Dias; Quis meu sonho realizar o ‘Projeto Galeria Gonçalves Dias’, em tua homenagem Onde por um tempo reuniu artistas, poetas, escritores, cantores e estudantes No Palácio Cristo Rei da Universidade Federal do Maranhão, em São Luís Bem em frente ao teu obelisco, na praça com teu nome, que é o Largo dos Amores.

São Luís em seus 400 anos de história, cultura e arte te homenageou, em 2012-2013 E de forma delicada e silenciosa foram surgindo ‘mil poemas para ti’, meu poeta maior! Escrevi poesia, agora escrevo essa carta de louvor à tua infinitude de poeta Desenho alguns dos teus versos em telas, com cores vivas da tua natureza e dos sabiás.

Na trajetória da vida sou poeta, escrevo sonhos, amo a natureza, trabalho pela paz Desenho sonhos nas nuvens, obedeço a arte da vida e suas leis fundamentais:

Defendo os seres vivos da Terra, defendo os direitos humanos e os dos animais.

Assim, meu patrono, na Academia Caxiense de Letras, tento honrar teu nome E nunca será em vão essa grande oportunidade cultural onde minha vida floresce Desde o nascer do dia às noites onde aparecesse inspiração para sonhar e criar.

O grande senhor do tempo, Deus do Universo. foi teste- munha do teu viver e sofrer Mas ele não desejou teu final nas águas do Maranhão; foi um destino da tua época Foi uma armadilha infeliz de tuas desventuras amoro- sas, de tua dor e solidão.

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Para finalizar esta carta, grande poeta brasileiro, rendo-me à tua sensibilidade Presto à tua memória minha eterna homena- gem, continuarei saudando teus senti- mentos, Estarei em silêncio, e soltando a voz na poesia que herdei da vida E compartilhando poemas e versos hu- manistas de paz e amor.

‘E na nossa terra ainda há palmeiras, e vez em guando canta um Sabiá’

EnContro DE AMor, UM DEStIno ALéM Do HorIzontE Que sonhos Gonçalves Dias, filho mestiço, sonhava em Coimbra? Qual amor desejava o estudante de direito que estava longe do Brasil? Filho de pai português ele escreveu versos, esteve com poetas medievistas Formou-se em 1844, regressou ao Maranhão, e conheceu um grande amor.

Deixou-se levar pelo encanto de uma mulher:

Maria Amélia Ferreira do Vale Que lhe inspirou os poemas: “Seus Olhos”, “Mimosa e Bela”, “Leviana”, E por último, após tanto penar de amor escreveu:

“Ainda uma Vez, Adeus”.

Oh! Meu poeta Gonçalves Dias, que destino o esperava através de tua vida? Professor de latim, jornalista e escritor no Rio de Janeiro, teve outros sonhos Como poeta sensível, tua obra lírico-amorosa e indianista foram consagrados.

Tornou-se teatrólogo, escreveu temas etnográficos e historiográficos, eternizou-se:

Primeiros Contos, Segundos ou Novos Cantos, Sextilhas de Frei Antão, Leonor de Mendonça, últimos Cantos, Os Timbiras, Dicionário da Língua Tupi,

Cartas, e tantos escritos formam tua imortalidade brasileira.

Obras Póstumas

Como não nos lembrarmos de y Juca Pirama? De tuas viagens à nossa Amazônia? Da expressão social de tua poesia, de teus laços de afeto à família e aos amigos? Olympia tua esposa, e Joana tua única filha foram herdeiras de dedicação amorosa Foram muitas as cartas escritas de diversos países à Olympia, que o compreendia.

Dias, teu destino nem estava escrito nas estrelas

Ou sempre esteve? Mas por quê?

Será que o naufrágio do navio “Ville de Boulogne” ceifou mesmo teu último sonho? Após tua morte, nas águas da tua amada terra, sobraram pági- nas de tristeza e solidão Restaram pequenos objetos que representaram teu último desejo e sonho na vida:

Chegar à tua terra maranhense e morrer nos braços de um amor possível

‘Minha Terra tem Palmeiras

Onde canta o Sabiá’, Gonçalves Dias!

Tantas cartas e papéis velhos foram enviados ao Jornal do Comércio, no Rio. Gonçalves Dias escreveu sua primeira carta a Olympia, de Paris, em 15/10/1856 A segunda carta foi de Colônia, a terceira escreveu de Dresde, e muitas outras; E nessas datas não podia imaginar seu último suspiro, nas águas do seu mar

O centenário de sua morte foi em 1864; A data de seu nascimento, 10 de agosto. Sua herança corre nas veias dos poetas e escritores que não o deixam sozinho. Sua herança e legado estão bem guardados e vivos na alma e coração do Brasil!

Esteja em paz eterna, meu poeta das Palmeiras, Aves, e dos teus belos Sabiás!

Ana Maria da Silva 46

GonçALVES DIAS Minha terra tem escolas Para o cidadão estudar Mas o autor Gonçalves Dias Não quis a elas adentrar Resolveu ir para a Europa Em Coimbra estudar. Nosso estado tem estrelas Na literatura secular Uma delas é Gonçalves Dias Que fez a academia brilhar. Em cismar, sozinho à noite Mais prazer encontro eu cá Minha terra ainda tem palmeiras Aos 400 anos completar.

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Parabéns São Luís, por Gonçalves Dias homenagear Minha terra tem escritores Que nos fazem orgulhar A Caxias seus louvores Por um poeta nos dar.

Ana Maria Marques 47

LEMBrAnçAS Guardo a lembrança Da terra – minha Majestosa – rainha .

Em pensamentos reais Sobressai tua imagem Numa moldura de cores

Então – suspiro dessa saudade Da terra que nasci – Meu amado Brasil .

AnA AMéLIA Aqui sem você Vejo um céu diferente Vontade de andar em busca de ti .

Nesses dias , longos dias Sem teu amor - acabrunhado Dos teus olhos afastado .

Aqui em Portugal - suspiro , sussurro Peço a Deus - um dia por acaso te encontrar .

o PoEtA InDIAnIStA Antônio Gonçalves Dias Cantou sua pátria em Canção de Exílio Majestoso país em terra de Tupã

Poeta Indianista da geração romântica – advogou seu amor Num brado de liberdade em mãos da natureza Brasil – foi seu conto em linda flor .

Da saudade da terra natal Compôs sua Nostalgia em Portugal .

SAUDADES Oh ! que saudades Do meu céu azulado Mesclado de luzes reluzentes .

Lembranças Das palmeiras , mangueiras , pitangueiras , açucenas Mares , rios , fontes , cachoeiras

Nessas horas de saudade - Queria ouvir o canto do sabiá na laranjeira .

MELAnCoLIA Na rua a caminhar Paira uma melancolia em mim Uma saudade sem fim .

Na imaginação Um cenário do meu Brasil Terra bela – verde amarelo azul anil .

Quero hoje revestir-me de brasilidade Para resistir a ausência – que dói de verdade

Ana Néres Pessoa Lima Góis 48

SInA Se o amor sufoca costumes Pra depois se deixar sufocado Se o orgulho pesa a entrega E o sofrer tem por fiel o seu fardo Se o protesto é criar asas Buscar além do oceano um fado Enraizar sem os coqueiros das matas Mas sem que o papel permaneça calado

E se esquecer é lembrar de longe Tentar seguir para além do tormento Se se encontrar é sofrer novamente Se relembrar é reviver o lamento Escrito sob o signo de sangue Com a sorte espalhada ao vento Em versos eternos que se prolongue E a sina nunca seja o esquecimento

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48 Ana Néres Pessoa Lima Góis - Esperantinópolis – MA – Brasil - 30 de junho de 1974. Licenciada em Letras, especialista em docência, educadora, poeta e cronista. Ocupa a cadeira nº 9 como membro fundador na Aca- demia Esperantinopense de Letras.

Se o amor não se concretizou Se venceu a sina de não o ser Que se concretize a poesia do amor nas ruas dos séculos do querer Na praça a despedida que ficou Tatuada nos azulejos a viver E hoje nem se sente que foi dor O amor que a poesia fez permanecer

ProFECIA Amas a Ana que te laçou além do olhar Ama, e sonha com o dia em que a terás E que não seja anátema a tua maneira de amar

Amas com amor que unigênito te será Fita-a por instantes alongados, prolongados Que há agouro, conspiração além do mar

Amas fora de alcance, como que não se canse E que a poesia esteja a te guardar, pois amas Ama, somente ama, pois em tempo não te entregarás

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Ama, antes que o orgulho venha a ti tomar Vive a presença e depois a sentença Da dama a quem amas e não terás por alcançar

não, não SE MorrE DE AMor

Não

Não se morre de amor

De amor nos condenamos Nos martirizamos Como sementes que se doam Deixamos nossas vidas Para renascermos em outras

Não

Não se morre de amor

O amor não mata a matéria Não sangra a carne Somente a vontade de viver Não consegue exterminar a rotina Somente os sonhos e adornos

Não se morre de amor

Mas se faz poesia para acalentar A vida que velou o amor Não! De amor não se morre Pois o destino quis que O amor morresse primeiro

Não

Se se morre de amor?

Por Deus! De amor não se morre E se naufragamos enfim Mesmo entre mortos e feridos Todos sobrevivem!

E depois compõem versos

HoMEnAGEM O vento sopra em tom de cantoria Com notas de cantos magistrais Por entre as folhas harpas sabedoria De nossas florestas nichos tropicais O som do vento canta uma saudade Que vaga expressa entre os coqueirais De um tempo em que canta a vaidade De versos ontem e nem nunca banais Da pena que o mar não calou E hoje repousa entre corais Faz poemas de um outrora amor Tesouros sem par de nossos anais De legítimo sangue brasileiro Levou sua verve a outros cais Poeta maior de oficio primeiro Cantou nosso ninho como outro jamais

BErço Não há no mundo Paisagem mais vistosa

Que da palmeira o vulto Rumo ao infinito Nem lugar no mundo Mais emocionante Pra deitar meus olhos

E espalhar meu grito

Minha terra berço Meu principio e fim Melhor só o céu Para viver sem fim Minha raiz finquei De agora e para sempre Pois já flori de amor E já me fiz semente.

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Anderson Braga Horta 49

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no CAMPo DA GLÓrIA Preito juvenil a Gonçalves Dias Sobre a taba de bravos guerreiros Anhangá fez-se um dia sentir:

inimigo cruel, de outros mares, cai-lhe em cima, raivoso tapir.

Moços, velhos, são todos escravos, presos todos às forças do mal. Hoje zomba do piaga e seus numes sanguinário, faminto animal.

Por seus dentes de fogo abrasada, leva a taba malditos grilhões. Os tacapes, potentes outrora, jazem quedos nos ínvios sertões.

Arco e flecha tombados, partidos, a vergonha estampada no olhar, chora a tribo outras eras mais gratas, quando a terra era um hino a cantar.

Lembra as guerras, as longas caçadas, quando os cantos não eram de dor, quando a inúbia troava nos ares, quando a noite era um hino de amor. Ontem – livres, robustos e ousados, hoje – escravos, malditos, pariás, derrotados, submissos vivendo, já sem plumas e sem maracás!

Ontem – belos, cobertos de penas, hoje – negros, cobertos de pó! o invasor lhes atira a saliva do desprezo, sem raiva e sem dó. Mas horror ao destino infamante alça o peito dos brônzeos varões, e eis que, inermes, as clavas de fogo desafiam das brancas legiões.

Exclamavam: “Morrer é mais belo que viver vida torpe e servil!” E tombaram no campo da glória. E Tupã no infinito sorriu.

A GonçALVES DIAS Canta, sabiá, a tua canção triste, com a melancolia e o ardor da raça. O painel sonoríssimo que abriste, não o apaga do tempo o vício e a traça. E, com a força das ânsias que sentiste, dos sonhos que tiveste (embora a massa do olvido hoje te roube a claridade), teu canto emergirá numa outra idade.

A noite desce. O céu é limpo e claro, com a cadência lânguida de um verso que tu gemesses. Só, de raro em raro, toldam algumas nuvens o olhar terso de uma estrela que fita o oceano amaro, – debruçada em seu canto de universo –, como se fosse o rosto desse velho a face impessoal de um grande espelho.

O mar, entanto, em ânsias estremece, com saudade de tua voz maviosa,

e ergue espumas ao céu em rude prece

pela volta da flauta melodiosa com que pascias suas vagas. Cresce da natureza a fala dolorosa.

E tudo clama, do oceano aos sóis,

pela ressurreição de teus heróis.

Chora-te a ausência a tua pátria, aquela terra de sol e plácidas palmeiras, onde era luz a tua voz singela, e onde habitam aves estrangeiras. (Não rouxinóis de voz serena e bela, porém águias e gralhas gritadeiras.) Falta de teu carpir o doce acento, e de teus índios falta o ouvido atento.

De certas aves abismais o impuro canto corrompe o nosso sangue novo.

Os sãos ideais são postos contra o muro. Nasceram novos vendilhões do povo.

E a pátria imerge neste lodo escuro,

nesta miséria de que me comovo!

É hora de lutar! Seja-lhe morte,

ao inimigo, o nosso canto forte!

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Falam estranha língua em nossa terra as estrangeiras aves cobiçosas,

e ao nativo cantar empreendem guerra, de nossas fontes virgens sequiosas. Mas a paz voltará que a luz encerra,

e de novo será tempo de rosas.

E, se hoje dura e opaca é a realidade,

teu canto emergirá numa outra idade! Rio de Janeiro, agosto de 1956

CAnto ínDIo Sou índio. Sou bravo, sou forte, sou filho das matas que vão sendo destruídas com seus bichos, seus frutos, suas fontes, seus aromas, seu mistério.

Sou índio. Sou íntimo da Lua e do Sol e das águas. Sou amigo de todos os seres da Terra. Sou um com a natureza.

Sou índio. Tenho a pele vermelha. Canto e danço, sinto e penso, amo e poemo. Venero os meus mortos, reverencio os espíritos, adoro o Grande Deus.

Que mais querem saber para concluir que sou homem?

Já estava aqui quando os outros vieram. Mas não é isso o que importa. A natureza tem todas as cores. E a terra é de todos os homens.

Sou índio. Sou um com a natureza. Conclamo o Saci, a Iara, o Boitatá, o Curupira, todos os espíritos, Tupã e os homens de qualquer cor para velar por estas matas e por estes rios.

A Terra é de todos.

Anderson Caum 50

PArA onDE Vão oS PEnSAMEntoS? Algo sempre me intrigou Pois nunca ficam presos Teriam asas como a da cegonha? Talvez muito leves para partir com o vento Não sei dizer ao certo

Sei dizer apenas que ficam presos Não se pode encontrar nos túmulos Tão pouco encontra-se no opressor Mas vão ao longe os pensamentos do oprimido E sempre encontram um consolador

Não se pode segurar Tão pouco ser acorrentado Pois séculos se passaram Mas os pensamentos! Esses nunca ficam presos Este está vivo nos poetas Pois estes nunca morreram

Gonçalves Dias se foi Mas nunca morreu o pensamento Um homem sonhador Que sonhou a liberdade E ainda hoje se perpetua Muito provavelmente para toda eternidade

Sonhou que toda raça Um dia seria liberta Das correntes e das amarras Ainda não podia as libertar Mas já sabia Que o pensamento ninguém podia segurar

Escreveu seus pensamentos Que ainda hoje se faz analisar Mesmo sem estar presente Muita coisa ajudou a mudar

Tudo isso me faz pensar Para onde vão os pensamentos? Talvez nunca alguém possa explicar Mas uma coisa Gonçalves deixou clara Este, ninguém pode segurar

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EU SEI QUEM SoU Quem leu os seus poemas?

Quem pode entender seus pensamentos? Quantos homens se passaram?

E quantos vivem este momento?

Homenagem justa a quem se declarou Ser mestiço e brasileiro Em uma época em que se julgou Não ser de estirpe o mestiço e brasileiro

Gonçalves Dias não se acanhou

Se mostrando um homem muito além de seu tempo

E

a pergunta que ficou

Onde estão os homens que julgou? Não ser de estirpe o mestiço e brasileiro

Hoje muitos conhecem seus poemas E sua história é lembrada Gratidão por sua obra Que há muito é contada

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Lembranças de um poeta Que nos leva a indagar Se precisamos de um futuro Então é preciso imaginar Que para hoje ser história Todos temos que sonhar

Sonhar um mundo diferente Bem melhor pra todos nós E fazer da história do poeta Homens que saibam sonhar

Saber que não a diferenças

E os homens são iguais

Que talvez as diferenças Seja somente a maneira de pensar

Antes de algo mudar É preciso se perguntar Sabes dizer quem você é? Se sabe então já podes sonhar Sonhar em fazer parte de algo Que um dia vai mudar

Mudar para melhor Com muitos poetas e poesias Falando de um mundo que com certeza Ira sempre melhorar

AInDA A HoMEnS QUE CHorAM O dia está quente Sinto minha pele queimar O sol entre grandes prédios Que não fazem sombra pra gente descansar

Pelas ruas pessoas apressadas Rostos fechados e amedrontados Um vai e vem de gente Que parece nunca ter chegada

Uma paisagem feia de letreiros Barulho de tratores abrindo estradas Pessoas desvairadas e desanimadas Mas principalmente apressadas

Ninguém se da conta Que ali já vivera um rei Comandava homens com honra E por isso era rei

O índio brasileiro fora quase dizimado Mas são guerreiros E por isso sobreviveram Ainda assim suas almas são caçadas

Um homem escreveu sobre sua opressão Ainda hoje se fala do seu feito Mas quem deu crédito a ele? Talvez poucos Muitos preferiram o dinheiro

Gonçalves Dias falou muito sobre os índios Defendeu o legítimo brasileiro Seus poemas ainda são ouvidos Sua voz ecoa nos teatros brasileiros

Muitos ainda insistem nas usinas Hoje constroem mais um túmulo brasileiro Destruindo mais um grande rio Por mais algum punhado de dinheiro

O cacique vendo isso chorou Seu choro não se ouviu O homem branco abafou Anunciando o progresso do Brasil

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O homem branco não aprendeu Que os rostos amedrontados São almas cativas Pela alma guerreira dos índios brasileiros Mas ainda a esperança De um homem que não se deixa enganar Assim como Gonçalves Dias Suas vozes irão ecoar

Vozes que dizem sem temor Que um dia essas pessoas irão pagar Pelas vozes dos que choram Os tambores ainda voltarão a tocar

Anderson Henrique Klein 51

CAnção Do ExíLIo Minha terra tem mais cantos, mais lugares a visitar. As músicas que aqui se cantam, não se cantam lá. Nosso horizonte tem mais luzes; nossos parques têm mais flores; nossa vida, mais amores. Em jogar - sozinho, à noite, mais prazer encontro eu la; Minha terra tem Net, onde pega 3G Max. Minha terra tem primores, que não encontro cá, Em jogar - sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem Net, onde pega 3G Max. Não permita que eu morra, sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores, Que não encontro cá; Sem qu’inda viste as barrinhas de a wireless soar.

André Anlub® 52

CAnDUrAS - (DEDICADo A PoESIA DE GonçALVES DIAS) Há algo doce no ar algo simplesmente belo não possui preconceitos nem tampouco orgulhos voa por si só e pousa por receber amparo.

Cheio de valores e com aroma tranquilo segue impetuoso impregnando prosperidade.

Jamais rejeitado, sua presença beira um salutar vício jamais desmentido, pelo simples fato de ser a verdade.

Há algo majestoso no seu olhar posso ver no espelho rondando pelas entranhas contagiando o sangue fazendo os pés saírem do chão as mãos tocarem o céu invalidando qualquer pensamento malfazejo.

tEMPo DE SEr PoEtICAMEntE CorEto

Lá estavam eles, no centro da praça aproveitando a reforma do coreto pintado com belo azul turquesa imponente beleza

de

madeira de peroba.

O

poeta recitava

tão doce e bela obra um soneto de Gonçalves Dias das estirpes de outrora.

De tanto encanto e sonoridade alcançou sensíveis ouvidos buliu mil verves afora. Surgiram os novos poetas com composições próprias dando mais vida ao feitiço vivenciando o agora.

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Eram novos Toninhos e Joãos Zés, Fernandos e Pessoas envernizando o coreto abrilhantando a alma.

GrAnDE tonInHo Grande poeta Toninho permita-me chama-lo assim? Trovador das palmeiras dos pássaros, as aves, as letras dos sentimentos e afins.

Poeta do Maranhão bumba meu boi e babaçu amor evidenciado na carne no cerne e linhas dos versos que habitam entre o céu e o mar.

Grande bardo Toninho tem toda nossa veneração almejamos espalhar esse preito pro povo cantar seu versar.

SALVE, SALVE, GonçALVES. Nos primeiros cantos expõe com nitidez enaltecendo a inspiração como tambores rufando com o encanto das palavras.

Nos segundos cantos conhecimento e afinação há tentativa de união e consolação nas lágrimas.

Todo poeta é alteza que exibe sua emoção também nos conta a memória páginas realmente vividas como nos fala em “Os Timbiras”.

E a memória não morre escorre e percorre as folhas em bolhas de um puro folclore que é a mais verdadeira verdade.

Salve, salve, Gonçalves.

nAU QUE JAMAIS AFUnDA Poesia do amor é colossal Vive mil afetos e paixões Indizíveis nas puras emoções Faz da amada a imortal.

Navega em lugar desconhecido Na nau do porvir inesperado Sentimento na quimera ancorado Cobiça o anseio correspondido.

Face e sorriso na essência Delírio da memória registrada Afeto que se perde na estrada.

Mas se há ínfima clemência Refaz-se o mar antes navegado Renascendo o amor desamparado.

André da Costa Nogueira - (Medeiros da Costa) 53

orFEU tUPI - A Gonçalves Dias. O Olimpo criou para o homem da deusa Europa seu bardo; Também de Ásia, do primeiro homem, deus enviou o cantor; E das várias vidas da índia, nas páginas do Righ-Veda, o poeta inesquecível deixou suas estâncias.

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Entretanto Zeus inquieto não conseguia compreender Os ecos do além-mar. Em sua circunferência, Como lhe ensinara o nobre Tales, Resumia-se o restante do Mundo A uma imensa toalha d’água estendida até os confins do Universo.

Porém um conto já foi ouvido por desbravadores, Que novos cavalos de Tróia lançaram ao espelho d’água desconhecido.

Compreenderam ser música, Pois sabiam dos livros do passado, Os acordes poderosos de Orfeu. Era uma música que falava de um novo homem, O tupi; de uma nova terra, Brasilis, Entoado por um cantor, Que banhando o rosto nas oceânicas e sagradas águas ibéricas,

Resistiu aos encantos da deusa Europa, Para compor os hinos de seu Édem, E de seus primitivos habitantes. O guerreiro de Ásia, de Europa, de África e da índia, Agora acrescentam a seus exércitos o cântico de guerra, Do guerreiro tupi, E do panteão, Virgílio e Homero estendem a mão para enaltecer a lira de Gonçalves Dias.

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André Foltran 54

PoEMInHo Reparei que todo sabiá que é de gaiola

pela manhã antes de tudo

canta a Canção do exílio.

André Gómez Giuliano 55

CAnção Do ExíLIo Aqui, no Rio de Janeiro tem praias e muitos locais bonitos; no meu Rio Grande do Sul também. As mulheres de lá são bem mais bonitas que as daqui. As curvas que vemos nas montanhas do Rio, vemos nas mulheres do Sul. Comida tropical Tudo aqui é mineral, mas nada é melhor que um bom churrasco, churrasco de gaudério com espetos no chão. Praias, qualquer lugar tem; verdes campos e chimarrão numa velha cuia, só no Rio Grande do Sul.

54 André Foltran - São José do Rio Preto – SP – Brasil - 8 de janeiro de 1996. Escreve contos, mas não é contista; escreve crônicas, mas não é cronista; escreve poemas, mas não é poeta - ainda. Não tem livros publicados, só coisas espalhadas pela internet, e em talvez uma ou duas antologias. Atualmente mantém um caderno virtual onde, as vezes, publica algum poema. É estudante e sonha, um dia, poder se dizer escritor e viver de literatura.

No Rio, o calor é de matar e o frio não existe; no Rio Grande do Sul, o calor é ameno e o frio é intenso; por isso gosto muito do meu estado. Frio no Rio Grande do Sul café pela manhã; chimarrão à tarde; vinho tinto à noite; e, a companhia de uma magnífica gaúcha, às 24 horas do dia.

André L. Soares 56

SonEto PArA GonçALVES Então tua voz, soou bem mais alta e forte, calando a todos, como faz o mar, pela saudade, a tua Amélia a esperar, por esse amor perdido além do norte.

De tua palavra então, se fez o corte e tu cantaste as aves desse lar, em desafio a quem queira sufocar esse Brasil, que é teu berço e teu aporte.

E tanta falta sentem os sabiás, da voz que chora o exílio das palmeiras, por não mais ver as luzes do arrebol,

que em teu regresso vem, enfim, a paz, louvar o poeta, em terras brasileiras, que agora dorme, tendo o mar como lençol.

André Luiz Greboge 57

SEMPEr BrASILIS O que ele pensaria, Sobre hoje? Seu país, de certo, Não é mais este lugar

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56 André L. Soares - Brasília - DF – Brasil - (1964). Mora em Guarapari (ES). 2004: monta a peça Livre Negociação. 2006: os textos O Bárbaro e Dinheiro são inseridos na peça Ritual dos Sete. 2007: o texto O Menino de Beirute vence concurso Navegante nas Estrelas. 2008: o texto Mulher Carioca vence concurso da grife Branca Maria. 2008: é eleito Cônsul de Guarapari, pelos Poetas Del Mundo. 2011: livro Gritos Verticais. 2012: Torna-se mem- bro da Academia de Artes, Cultura e Letras de Marataízes (ES). É grande estudioso da obra de Gonçalves Dias

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Salve Antonio, Do direito e do teatro Sentimos tua falta Mas somos-lhe gratos

Degustamos, Por tuas palavras, A fadiga da guerra E o amor sem amar

Também por teus modos, Sentimos saudades, De tempos que nunca Vivemos E que não voltarão

Quem dera ser poeta, Assim como ti, Tão delicado, Quanto uma agulha, Que ao mesmo tempo, Aponta, fere e une

Gênio de olhos verdes, 15 de Bilac, Nossa honra, É ter tido a ti

Com 41 anos, Partiu ao exílio final, De onde mais nenhuma canção, Nos pode chegar

André Mascarenhas 58

AUto-ELEGIA Com salves dias, guias e maresias Mergulhou-se nos oceanos da poesia Nadou na margem, da sociedade Como qualquer artista Fundou paisagens, da nacionalidade Sob o foco de sua vista, E ondulado em seu próprios dias Versado no mar do poetar

Tornou-se personagem de própria elegia Elegendo um naufrágio para seu epílogo A vida real tornou-se fantasia Em sua densa e ritmada biografia

André Roczniak Azevedo 59

CAnção Do ExíLIo Minha terra tem teatro, onde cantam quero-queros. De minha terra, vejo um dos principais símbolo de Porto Alegre, o Laçador, Monumento localizado próximo ao Aeroporto Salgado Filho. Em minha terra, voam aviões da Base Aérea tal qual voam na capital gaúcha. Dentre as suas muitas belezas, temos a Igreja Matriz São Luiz Gonzaga, Padroeiro da Cidade, onde, quando bebê, fui batizado. Minha terra tem teatro, onde cantam quero-queros.

André Schwambach Almeida 60

CAnção Do ExíLIo Na minha terra tem muitas árvores, onde ficam os passarinhos. Às vezes, o tempo não está bom; noutras, temos um doce ventinho. Na minha terra, o sol nasce num céu azul. Nela há muita beleza e, também, graciosa natureza, a qual pode ser vista, sentado à mesa, lendo uma boa revista.

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59 André Roczniak Azevedo - Porto Alegre – RS – Brasil - 26 de novembro de 1991. Reside em Canoas/RS. Estu- dante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Macha- do de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 41, Patrono: Vianna Moog; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. Coautor do Romance Interativo “Uma história de amor!”. E-mail: aroczniakazevedo@ig.com.br

No entanto, onde, hoje, encontro-me, não tenho certeza do que vejo, pois o céu é escuro e cinzento. E assim, diante deste cenário triste, encho-me de desejo de a minha querida terra voltar. Não consigo ver aqui, os encantos de lá. Nesta terra há muita poluição e ruas descuidadas e sujas, pois seu povo tem por hábito jogar lixo no chão. Qual é a tua irmão? Assim, os turistas de tua terra não mais aqui pisaram e para lá irão. Minha terra tem belezas que aqui não há.

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André Telucazu Kondo 61

CArtão DE BIBLIotECA Percorro estantes de horizontes verticais, Cruzo fronteiras por prateleiras demarcadas, Vejo paisagens de livros em relevo. E em enciclopédicos países:

Viajo! O cartão da biblioteca é o passaporte, Para um mundo de possibilidades infinitas Com ele, Viajo ao centro da terra e a mil léguas submarinas Na sexta-feira, velejo e visito Crusoé Vou pescar, com o velho e o mar. Fumo cachimbo em Baker Street Caminho com o tempo e o vento Passeio pela terra de palmeiras onde canta o sabiá Aventuro-me nas veredas de um grande sertão Com Quixote, luto até contra moinhos. E viajo a tal ponto, que já não sei se sou ou não sou. Na dúvida a esta questão Encomendo ao Bruxo do Cosme Velho uma poção Para me fazer ser, muito mais do que turista! Pois daqui não quero ir. Mas se tiver que partir, Como espuma flutuante,

Vou-me embora pra Pasárgada Farei dela minha morada, Porque lá – sou amigo do bibliotecário – E para sempre posso, viajar

tErrA Do PoEtA O poeta enterra o dia e faz brotar luas em um chão de estrelas

Terra do poeta, que a realidade lavra – no colo da noite – e infinitos sonhos colhe

O poeta fecha os olhos para os contornos do dia – do dia-a-dia – pois só ele sabe:

O sol é apenas uma estrela – que apaga milhões

FALSoS PoEMAS Não quero que meu grito caia Em ouvidos moucos Prefiro o silêncio Dos loucos

Restam vozes poucas De palavras roucas

Prefiro o sussurro engajado Do grão de areia À indiferença gritante Do deserto

Prefiro a pétala branca – sincera Que cai ao vento À primavera dissimulada Que engana em cores

Prefiro o beijo surdo Aos beijos das musas Cantadas em verso

Prefiro a verdade que morre lá fora À eterna mentira deste E de todos os outros Falsos poemas

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SE EU MorrEr Se eu morrer Não tenha dó de mim

Posso não ter deixado muitas pegadas, Mas meus passos foram firmes. Posso não ter tido muitos amores, Mas amei a todos como um.

Se eu morrer Não permita que o relógio pare em mim Mas que os ponteiros sempre apontem Para a felicidade que vivi

Quando eu partir Não diga adeus pra mim Deseje-me sim Uma boa viagem como fim

Sequer pranteio pelos erros Que cometi pelo caminho Pois foram eles que fizeram Nossas vidas paralelas Se encontrarem por aí

E se hoje morri Foi apenas mais um erro Do qual não tenho medo

Pois eu digo e repito Que vivi Muito mais do que morri.

Andrew Veloso 62

oS DIAS Do DIAS O Dias que nasceu em Caxias Os dias em que o Dias escrevia suas poesias O dia em que o Dias deixou de escrever as suas poesias Foi o dia em que o Dias deixou de viver

Ane Braga 63

A BrEVE VIDA DE GonçALVES DIAS

I

No sítio de Boa Vista Em terras de Jatobá Nasceu Gonçalves Dias Para o mundo declamar

II

Advogado de formação Foi poeta de coração E com muita devoção Entregou-se à paixão

III

Sua musa era tão bela Não havia mais etérea Abalava-lhe os sonhos O seu nome era Ana Amélia

IV

Tão sublime e tão singela Suspirava só por ela Com o espírito ardente O amor era-lhe correspondente

V

Com aval e proteção Foi pedir-lhe a mão Encantado de emoção Suspirando de paixão

VI

Mas a vida nem sempre é justa

Preconceito humilha, insulta Só por causa de sua raça Foi tachado de inferior casta

VII

Com orgulho e honradez Foi embora de uma vez Renunciou ao amor Conservou a altivez

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VIII

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Dona Ana por capricho Casou-se com outro, igual ao quisto Dilacerado em sua dor Dias escreveu versos de amor

Ix

Mas dor de amor não sara Versos tristes são inclementes Uma vez tocado pela paixão Nunca mais retoma o coração

x

Fatigado de emoção A doença foi sua amiga Quem diz que mal de amor não dói Jamais amou nessa vida

xI

Acamado e deprimente Num naufrágio foi descansar Sua alma foi para Ana Amélia Seu corpo, para o mar

VILLE DE BoULoGnE Que dor era aquela lhe oprimia o peito Arrancava-lhe a alma De um jeito contrafeito? Que poderia ele em sua dor amarga Esperar da amada Que um dia tanto lhe quis? Teria sido a dor a inimiga Ou derradeira amiga Que lhe ficara ao partir? Teria sido diferente Se ele de repente Vestisse-se de coragem Em sua simplicidade Em seu grande esplendor? Teria encontrado a felicidade A eterna liberdade Nos braços de seu amor? Ou seu destino já estaria selado A morte teria mesmo lhe abraçado Num veleiro movido a vapor? Talvez jamais saibamos a resposta Mais dói a dor da derrota De estar nos braços de outro amor.

o CorAção DE DIAS Morte, aflição, espaço, tempo Qual o peso de um pensamento? Raio de luz percorre o luar Perturba o vento Espera o humilde Nem sempre alcança Nem tudo que se quer Se pode ter Por amor partiu Dias, sem coração E fez Ana Amélia sofrer Da dor de amor também Dias padeceu Partiu sem coração e deixou outro partido Soubesse ele o quanto iria padecer Teria o oponente combatido Nem tudo são honras e glórias Quanto pesa um coração sofrido? O pesar é mais o cair da agulha A espera de um grito Se for eterna a dor é terna a lembrança Nenhum clamor supera o lamento Mais vale morrer de amor e sofrer Do que viver uma ilusão sem ter vivido

Angela Guerra 64

PESADELo ECoLÓGICo - (jamais imaginado por Gonçalves Dias Minha terra tem palmeiras e outras tantas espécies, onde canta o sabiá, até que o nosso irmão acabe de devastar e nada mais: árvore, ninho permaneça, então, por cá

As aves que aqui gorjeiam partirão para, em outras plagas, quem sabe, talvez, gorjear

Nossos bosques, já sem vida, não nos permitirão respirar e morreremos à míngua, sem esperança de nos salvar

)

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64 Angela Guerra - Rio de Janeiro – RJ - Brasil – 12/05/44. Prof.-Mestra (inglês): Michigan, FCE, CPE, Higher Ox- ford. Kleines Sprachdiplom (alemão). Poeta, trovadora, desenhista. Academias: ACLERJ, ANLA, Académie de Mérite et Dévouement Français; UBT, APPERJ, Literarte; Artilheiro da Cultura; Centro Expressões Culturais Mu- seu Militar Conde Linhares. Livros: Vinho e Rosas e Meu Jardim de Trovas (ilustrações da autora). Participação:

Revistas, Periódicos, Antologias (tb, bilíngues)e Anuário literários. Premiações. angela_gdeandrade@yahoo. co.uk

Acorda o teu irmão! Acorda, tu, também! Há tempo de salvar essa terra, que é o bem que Deus nos entregou, em confiança!

Amém.

GonçALVES DIAS – UM roMântICo Gonçalves Dias – um romântico nostálgico, apaixonado por seu torrão natal:

“não permita Deus que eu morra, ”

sem que eu volte para lá

Gonçalves Dias – um romântico feliz, apaixonado por sua Ana Amélia, “dos olhos tão negros, tão belos, tão puros; olhos que falam de amores com tanta paixão”

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Gonçalves Dias – um romântico escorraçado, vítima do preconceito de raça e casta, não por ela, mas por seus familiares Não luta, desiste, e revolta a bela, que, por despeito e/ou vingança, à revelia da família, com outro se casa – de raça e casta como a dele

MInHA tErrA tEM PALMEIrAS Minha terra tem palmeiras e outras tantas espécies, onde canta o sabiá, até que o nosso irmão acabe de devastar e nada mais: árvore, ninho permaneça, então, por cá

As aves que aqui gorjeiam partirão para, em outras plagas, quem sabe, talvez, gorjear

Nossos bosques, já sem vida, não nos permitirão respirar e morreremos à míngua, sem esperança de nos salvar

Acorda o teu irmão! Acorda, tu, também! Há tempo de salvar essa terra, que é o bem que Deus nos entregou, em confiança!

Angela Maria Chagas Araújo 65

MEU PoEtA BrASILEIro Meu Poeta Brasileiro Como eu gosto de você Tinha mãos abençoadas E escrevia como ninguém E dedos repletos de encantos mil

Meu Poeta Brasileiro Venho te homenagear Nesta terra encantada Do meu Brasil, meu além-mar.

Meu Poeta Brasileiro Que vivia neste lugar Numa terra natural Com os verdes das matas, E paisagens sem igual

Ah! Meu Poeta, amado. O importante é respeitar

Tudo que é aqui cultivado

Tudo que é do lugar

Fica por cá!

Ah! Meu Brasil querido De brancos, negros, mulatos, Amarelos, vermelhos até, índios. É essa pluralidade que faz o solo mais rico!

Meu Brasil Brasileirinho Tradições, costumes, valores, Crenças, educação, enfim, indicam um novo caminho. Apoiado pela criação divina

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Meu Brasil Brasileirinho Terra abençoada, patrimônio de todos. Muitas saudades dos seus fulgores! Terra sem igual, que plantando tudo dá. Tem o amarelo do ouro Flores, frutos, louros, futebol, e carnaval. E nesta terra abençoada, tem ainda o azul do Céu, O branco da sabedoria da busca pela Paz!

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Oh! Meu Poeta Brasileiro Que nasceu e morreu em uma terra abençoada, Livre e desejada. Terra que têm palmeiras, Iracema, Samba no pé e o lindo canto do sabiá!

Angela Maria Gomes Pereira 66

O QUEBRADOR DE SONHOS Na terra das palmeiras, Onde não cantam as quebradeiras, As crianças não plantam bananeiras, Nem pensam em brincadeiras, Esta que vi, tem apenas cinco anos, E já não pode mais brincar, Só muita casca tem a quebrar, Que bom que pode cedo começar, Para quando adulto muito sonho realizar, Mas que sonhos seriam esses, se a cocos rachar, Não pode nem piscar, que dirá sonhar, Nunca sonhos terá, Pois faz hoje, aos cinco, O que muitos, aos cinquenta, não querem fazer; Sentar, e em vez de brincar de viver, A casca quebrar, E expor as sementes que devemos em solo fértil plantar, Não quero com isso mensagem de revolta passar, A verdadeira mensagem eu tento esconder; É um tesouro precioso, Que meu egoísmo, estupendo, monstruoso, Com ninguém repartirá, Pois dessa casca grossa, não consegui ainda me livrar, Ou não estaria vendo uma criança como adulto viver e falar, Eu, que mil livros já li, filmes assiti, Peças teatrais, danças e musicais, De repente percebo que nada aprendi,

Que de nada adiantou Pois essa criança de brincar já deixou, Para quebrar os cocos que das palmeiras arrancou, Das palmeiras que o poeta tanto falou e exaltou, È pena, mas o canto do sabiá, Ela nunca escutou, Apenas o canto do machado, Que os cocos quebrou.

Anna Cristina R. Oliveira Ramos 67

no CAnto Do SABIÁ Grande poeta Gonçalves Dias que sabe “onde canta o sabiá”. Nasceu na bela cidade de Caxias, em agosto, nas terras de Jatobá.

Ana Amélia foi o seu grande amor. tinha o poeta em grande estima. Por ela só lhe restou compor estrofes pela sua dor e sina.

Quando pequeno foi um caixeiro Ajudando seu pai com a lida. Chegou a Portugal, o brasileiro, tomando novo rumo na sua vida.

Suas obras começaram a se formar. “Primeiros Cantos” foi o início do Poeta que para sempre ficará, marcado na história pelo ofício.

“Canção do Exílio” é a saudade da sua terra natal tão distante. Terra essa que com muita vontade, pedia a Deus voltar o quanto antes.

Lembrava-se das estrelas no céu e no prazer que encontrava cá. Na terra de lá se sentia ao léu pensando na terra “onde canta o sabiá”.

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67 Anna Cristina r. Oliveira Ramos - Rio de Janeiro – RJ - Brasil – 7 de dezembro de 1962. Livro recentemente publicado pela Biblioteca 24 horas intitulado Sentimentos (ISBN 978-85-4160-109-2) onde coloquei em poe- sias meus sentimentos durante 30 anos, participação em duas Antologias poéticas pela Câmara Brasileira de Jovens escritores.

Anônimo 68

GonçALVES DIAS oferecido à digna comissão encarregada da inauguração da estátua

«Ao capitólio d’arte ascende entre a alegria, Entre os vivas da lusa e da brasília gente; Se um sepulcro não tens, do berço teu florente, Qual fênix imortal, ressurge n’este dia.»

De Setembro ao sol fecundo (realce à primazia!), Jubiloso um povo te proclama – ingente. E na imagem augusta, levantada em frente, Saúda aqui nos trópicos, – o rei da poesia.

Da pátria as bênçãos, das letras os gemidos; O hino, a estrofe, as pompas – o tom das harmonias Um céu risonho, o mar esplêndido, os bosques floridos;

Cortejo d’homenagens – qual só tu merecias! Depois – o som dos vivas aos versos repetidos:

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Salve! Salve! A glória do cantor Gonçalves Dias!

Antonia Epifania Martins Bezerra 69

CorDEL A GonçALVES DIAS Antonio Gonçalves Dias Advogado foi a sua formação Conhecido como poeta etnógrafo Foi de grande relevância ao Maranhão

Filho de Brasileiro com Portuguesa Resultado dessa bela união Estudou com o professor José Joaquim de Abreu Trabalhou como caixeiro em escrituração

Autor de várias obras Canção de exílio foi inspiração Primeiros cantos, Beatriz de Ceci e outras Embasaram sua ascensão

68 Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 575. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Casado com Olímpia da Costa Sofreu preconceito e humilhação Por ter origem brasileira Resultante da miscigenação

Impedido de viver seu grande amor Sofreu grande humilhação Pois seus pais não permitiram o relacionamento Apesar de terem a ele grande consideração Inspirado nesse amor Escreveu Uma vez adeus e Retratação Explicitando seu lamento E sua grande paixão

Preconceito maldito Encravado na alma de nossa nação Destruiu vida amorosa de poeta Ainda arraigado em nossa população

LAMEnto DAS tErrAS DAS PALMEIrAS onDE CAntAVA o SABIÁ Sua terra teve palmeira Teve também sabiá Hoje só tem sujeira

E nós ainda por cá

Sua terra tem muita droga Quase não tem sabiá

A população enlouqueceu

Está destruindo tudo por cá

Os brilhos das estrelas diminuíram Cortaram plantas e flores Perguntamo-nos cadê os amores Foram junto com o sabiá

Dormir em paz a noite É difícil, nem pensar Os ladrões não dão sossego Já roubaram o sabiá

Corrupção, desvio, destruição Fácil encontrar por cá O que está em extinção É o belo sabiá

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Antonia Miramar Alves Silva - Miramar Silva 70

PELoS CAMInHoS Do PoEtA Poeta pequeno, mestiço, nome santo, de essência imensurável, Filosofia vasta, inspiração profunda, inesgotável. Que nos aconselha a não chorar, pois viver é lutar E A Vida- é combate, que os fracos abate. Poeta que numa das noites de criação literária, Ensaiava o verso - meninos eu vi!

Declarou nas poesias forte amor à musa real Ana Amélia, E no seu íntimo sussurrava os versos – Enfim te vejo! Enfim posso, curvado a teus pés, dizer-te que Não cessei de querer-te, pesar de quanto sofri!

No silêncio, com profunda e ofegante respira- ção, desejava confessar Seu amor à bela musa com o singelo verso - como eu te amo! Em meio a delírios, suplicava pela coragem de sua amada - Ó meu anjo, Vem correndo lançar-te nos braços meus.

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Tão sensível aos sentimentos que foi capaz de perceber que a sua musa Amava a solidão, o silêncio, o sussurro das águas. Poeta que sentiu seu amor não ser concretizado e chorou os dias Tão sentidos, tão longos, tão amargos . De tanto, tanto sofrer pensava em Deus, na morte, e como seria a sua vida Se fosse querido de um rosto formoso.

E mesmo com tantas desilusões, não acreditava que alguém pudesse Morrer de amor, quando este é fascinação que surpreende, De ruidoso sarau entre os festejos; Quando luzes, calor, orquestra e flores assomos de prazer.

Só se morre quando o almejado amor permite - conhecer o prazer E a desventura, no mesmo tempo, e ser no mesmo ponto O ditoso, o misérrimo dos entes, amor é vida, É ter constantemente alma sentidos, coração – abertos.

Poeta de sentimentos e vida intensa, de coragem ao confessar Aos pés de Deus que mentia porque o adorava Revelara-se inconstante ao se comparar com a fugaz borboleta Vagando em mar de amores,

Poeta do amor, do povo indígena, dos caxienses, dos brasileiros, Que suplicava aos Guerreiros da Taba Sagrada, da Tribo Tupi, Que ouvissem seus cantos e as suas divindades Reclamava de grande pudor e medo, percebidos no comportamento De sua amada, revelados nos versos - É belo o pudor, mas choro, E deploro que assim sejas tão medrosa.

Cantou os fantasmas, o alegórico, as desventuras de I- Juca Pirama, Exaltou em sua mais nobre Canção do Exílio as palmeiras, os bosques, Os sabiás, as belezas naturais de sua terra querida. E no mais forte sopro de criação, declarou amor à sua graciosa Caxias És bela, no deserto, entre montanhas, derramada em vale de flores perenais, És a flor que despontaste livre por entre os troncos de robustos cedros. Admirou a beleza feminina, da amada, da natureza, da vida sagrada, Poeta fiel aos seus sentimentos, à Pátria, aos ancestrais, Incentivador dos amigos, de escritores e pesquisadores do Maranhão,

De estilo moderno, talento para o teatro, para as descobertas de palavras, De culturas, de maestria ao lidar com a língua, com a arte da escrita. Criador dos primeiros, segundos, novos cantos, de poesias americanas, Diversas, de hinos, dicionários da língua Tupi, das Sextilhas de Frei Antão De incontáveis obras que não caberiam neste nosso trilhar.

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Poeta de especiais talentos perceptíveis apenas num adorável gênio Assim se fizera Gonçalves Dias: tão amante da natureza, da vida. Contemporâneo, criador de um universo literário maravilhoso! Um grande homem, inesquecível conterrâneo, notável escritor brasileiro, Clássico dos clássicos, que conquistou a crítica e ultrapassou fronteiras. Oh, sempre admirado, imortal - Antônio Gonçalves Dias!

Antonieta Araújo 71

LoUVor Ao IMortAL PoEtA GonçALVES DIAS Ele herdou do lado paterno O desejo de estudar E o ideal sempiterno De as letras cultuar.

71 Antonieta Araújo - Minas Gerais - Brasil. “Licenciada em Letras no Centro pedagógico de Três Lagos, hoje, UFMS/Campus de Três Lagoas e Pós-graduada em Administração Escolar nas Faculdades Integradas Rui Bar- bosa, Andradina/SP. publicou cinco livros É autora do Hino Oficial da Cidade de Três Lagoas e publicou o conto “La Aurora” no anuário de escritores 2000 da Litteris Editora e Casa do Novo Autor”.

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O pai era lusitano Que viera ao Brasil Em busca do sonho ufano De ouro sob o céu de anil.

De sua pátria, distante, O luso encontrou idílio Com mestiça fascinante Que lhe deu bonito filho.

Chamou-se Gonçalves Dias O filhinho natural, Pois de fato não havia Um casamento legal.

No Maranhão, veio à luz. Em Portugal, estudou. Até hoje nos seduz Com os versos que deixou.

Emociona saber Por seu ”I Juca Pirama” Que o herói deve morrer Pela pessoa a quem ama

Desprezo no amor sofreu Por ter sangue da cafuza Misturado ao europeu De seu pai de raça lusa.

Mas ele era orgulhoso De ter mistura de raça E tornou-se tão famoso Que sua glória não passa.

Com seu sentimento nobre Claro na Literatura, Mostrou que embora pobre Possuía alma pura.

Seu nome é conhecido Aqui e além do Atlântico, Como poeta querido Do Período Romântico.

Antonio Ageu de Lima Neto 72

I-JUCA-PIrAMA (o QUE HÁ DE SEr Morto) Salve bravura dos guerreiros descendentes tupis De bravuras mil das quais não ouso medir De coragem arrebatadora e nossa amiga de glórias Salve bravos guerreiros de sangue tupi Mas teu sangue não nega, tens medo E do medo não se alimenta nossa tribo. Não descende o fraco do forte E já não queremos isso para os valentes aimorés Salve guerreiro impotente, mostra honra, mas descende de impo- tência Tupã não honra aquele que desiste da luta E assim o fraco não dignifica o forte Então considerado maldito o és.

no ExíLIo Minha terra tem muita alegria, e há um sorriso indescritível no povo Saudades de minha terra, meu Brasil rebento

Do calor da mulata, da ginga do malandro e do suingue das crianças. Terra de malícia e de samba. Minha terra tem carimbó, xaxado e forró

E as dançarinas daqui não são tão belas como as de lá

Deus sabe que morro de saudades E não permita que eu morra Sem que eu volte para lá.

CAnção Do MEU ExíLIo Saudades de minha terra das palmeiras,

Minha terra tem palmeiras, onde cantava o curió e o pardal

E

sinto saudades de goiabas e cajus do pé.

E

sinto falta da cocada da velha preta

E

das conversas de João Malandro

Deus sabe que morro de saudades Da infância no Recife e das aventuras Brasil afora, E não permita que eu morra Sem que eu volte para lá. Agora entro nesse trem, E minha vida muda de estação. E já me volto para lá.

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LIrISMo ConFESSo Na turva, no obscuro, no rompante silencioso da madrugada Eis que surge um lirismo confesso De quem usa do ritmo e da rima. E no silêncio turbante da alvorada O autor brinca e se diz espesso E recria um galante típico clima De mistério e sovina Onde apenas os corajosos têm voz e verso E aqueles que não despojam de coragem São aqueles que jamais desistem Porque hão de encontrá-la bem dentro de si. E coragem não falta, Porque o autor é um guerreiro confesso. Legítimo guerreiro tupi.

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Antônio Baracat Habib Neto 73

GonçALVES DIAS Dizem que Gonçalves Dias morreu. Mas, Isso não é verdade, Não é verdade, meu Deus !

Sua alma inocente que deus modelou, Sua alma inocente foi ver as cigarras, Cigarras que cantam no reino de luz, Mirando nas noites seus olhos profundos, Seu olhos profundos e cheios de amor !

Gonçalves Dias Com as cigarras voou !

Asas de ouro, Voz de mel, Gonçalves voou !

As vestes bordadas com rosas da lua, Na concha do céu pintado de anil, Gonçalves flutua E nas noites acenda O Cruzeiro do Sul,

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Antônio Baracat Habib Neto - Itabuna – BA – Brasil - 13/02/1987. Tenho 25 anos, e a mais de 10 anos comecei a escrever sem nenhuma pretensão, no começo não mostrava a ninguém, tinha vergonha, até que um dia

, resolvi enviar um dos meus poemas para um concurso em minha cidade e ganhei em primeiro lugar, daí em diante, comecei a participar de concursos literários, já tive poema premiado em Portugal, e agora espero que gostem deste Poema que envio.

Para ver lá do alto Soberba e viril, A terra morena do imenso Brasil !

Asas de ouro, Voz de mel, Gonçalves voou !

E foi De alpercata, Chapéu de couro e gibão, Na sarabanda dos astros, Pra vaquejar lá no céu. Gonçalves Dias Com as cigarras voou !

Antonio C. de Berredo 74

A MEMÓrIA Do InSIGnE PoEtA AntonIo GonçALVES DIAS Entre uma ideia nobre, um pensamento Quando fecundo, e ao mesmo tempo santo, Entre as ondas de um povo entusiasta, Para exaltar-te o nome hoje reúne Do Maranhão a flor nas ordens todas, Longe embora da cena grandiosa, Ser não pode meu peito indiferente; E apesar da distancia ativa parte Tomo oh! Dias! em ledo e puro júbilo Da memória imortal na honrosa festa. Minha alma exulta imaginando a pompa, Com que o presente às gerações futuras Envia-te a lembrança afetuosa, A inicial do mármore, e do bronze, Que a eternizar-te o vulto se destina, Como os teus lindos versos eternizam-te A voz, a inspiração, e o sentimento. E a própria lira que em silêncio triste, Por estranhos cuidados, muitas vezes, Pende esquecida da mangueira a um ramo, Do Éolo pátrio agora bafejada, Estremecendo as cordas, me convida Uma oferenda a depor no templo augusto. Digno porém de ti que canto acaso Posso entoar que grato te pareça Nas regiões ao gênio destinadas?

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74 Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 553-556. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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Cisne do vale ameno, ah! quem me desse As tuas asas nítidas, pujantes

Para soltar galhardo um voo altivo, Que chamasse a atenção por longas eras! Oh! quem me dera um estro onipotente!

Si escutado n’est’hora o meu desejo,

O poder ao querer igual me fosse,

À profusão total meu preito unindo Em carmes de um encanto inexaurível, Suaves, como as auras matutinas, Tristes, como a saudade enternecida; Que partindo do mundo nos deixaste E no entanto brilhantes, qual no estio Do nosso sol a luz resplandecente, Das tuas mesmas flores apanhadas Aqui, ai no teu jardim mimoso, Uma formosa c’roa entretecera, Que o teu martírio e glória recordasse! Da corte que te cerca pressurosa N’essa oração ardente a proclamar-te, Espontânea e sincera, um benemérito, O animado sussurro ouvindo atônitos, De eterno, frio gelo repassados

Perguntarão, quem sabe?! os que não sentem Da mágica poesia o doce enlevo: – Em tão curta viagem esvoaçando, Que fez o rouxinol americano Para atrair, que fez, tamanho afeto?!

O que fez?! eu direi – Cantor: seu fado Era cantar até perder o alento!

E cantou como o anjo nas alturas;

De harpa divina, acompanhando as vozes:

Bom disse da virtude; a palinódia Proferiu contra o vício desprezível; As dores adoçou com sons sublimes, E alegrias criou também com eles. Si a ventura real do bem procede, Quem mais que o vate amor e simpatia, E gratidão merece sobre a terra?! O eleito do Céu por um mistério Não é seu, não, pertence à mão que o rege, Que a inspiração nos lábios lhe derrama, Que na vontade a devoção lhe acende! Da humanidade a marcha é uma epopeia Pelo punho de Deus em leis escrita Com caracteres vivos, indeléveis, Do coração nas fibras melindrosas,

E na essência subtil, que não perece; Tão vasta como o mundo em que passa, Tao bela como a origem d’onde emana, Começou com a existência do universo,

E há de acabar… Quem pode achar um termo?

E o limite assinar do indefinido!

Com as baixas turbas que não tem um nome Varões ai notáveis aparecem E da obra imensa o pessoal completa. O rei segue orgulhoso o seu destino A si quanto conhece referindo:

O guerreiro o poder da força exerce, Com os triunfos se apraz apregoados,

Que em sangue a seus irmãos nadar obrigam, E de espólio, e conquistas se enriquece:

D’ouro o seu cofre o explorador repleta, E nos prazeres ao depois se embebe, Como em líquido a esponja a saciar-se Os poros todos repassando ansiosa:

Até o folião que nada ocupa, Que corre inútil procurando gozos Lucra da vida que ao sabor lhe volve! Mas ao triste poeta, em seu proveito, No geral movimento, o que pertence?! Ao fanatismo apenas escapando, Porque audaz a verdade proclamava, Orfeu instrui a Grécia, e acaba mísero Em mãos que só amor reger devera; Vem ao depois Homero memora-la Que cego esmola o pão de cada dia, Como um proscrito, peregrino, errante Dante exilado inda condena o arbítrio De Florença a favor que ingrata o enjeita; Camões se sacrifica pela Pátria,

E indigente sucumbe n’um hospício

So do seu Jau fiel acompanhado; E tu, Dias, também do lar ausente, Das mil belezas suas na colheita, Morres servindo o teu país querido, E lhe legas ainda as harmonias Que o mar roubar não quis venerabundo! Assim a fonte límpida não brota Para si o licor que a sede aplaca! Assim o evablo dá seu doce néctar! Assim a flor entorna o seu perfume!

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Antonio Cabral Filho 75

troVAS Por GonçALVES DIAS “Minha terra tem palmeiras!”

Bradou-me o poeta a cantá-las; mas pra cantar às palmeiras, precisamos replantá-las.

&

Camões e Gonçalves Dias jamais brigaram à língua, mas Caetano vive em vias de contrair uma íngua

&

Palmeiras da minha terra brindaram Gonçalves Dias, porém, com o poeta se encerra todo o esplendor dos seus dias.

Antônio Carlos Ferreira de Brito - Cacaso 76

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JoGoS FLorAIS I 77 Minha terra tem palmeiras onde canta o tico-tico Enquanto isso o sabiá vive comendo o meu fubá

Ficou moderno o Brasil ficou moderno o milagre a água já não vira vinha vira direto vinagre

JoGoS FLorAIS II 78 Minha terra tem palmares memória cala-te já Peço licença poética Belém capital Pará

75 Antonio Cabral Filho, Frei Inocêncio – Brasil - 13 de Agosto de 1953. Moro no Rio desde a passeata dos cem mil, Email letrastaquarenses@yahoo.com.br - Blog http://letrastaquarenses.blogspot.com.

76 Antônio Carlos Ferreira de Brito - Cacaso – Uberaba – MG – Brasil - 13 de março de 1944. Seu primeiro livro, “A palavra cerzida”, foi lançado em 1967. Seguiram-se “Grupo escolar” (1974), “Beijo na boca” (1975), “Segunda classe” (1975), “Na corda bamba” (1978) e “Mar de mineiro (1982). Em 1985 veio a antologia publicada pela Editora Brasiliense, “Beijo na boca e outros poemas”. Em 1987, no dia 27 de dezembro, o Cacaso é que foi embora. Um jornal escreveu: “Poesia rápida como a vida”.

77 http://www.moinhoamarelo.com/2011/07/serie-cancoes-do-exilio-cacaso.html por Gilberto Araujo | Twitter:

@gilbert_araujo, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histó- rico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

78 http://www.moinhoamarelo.com/2011/07/serie-cancoes-do-exilio-cacaso.html por Gilberto Araujo | Twitter:

@gilbert_araujo; Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histó- rico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Bem, meus prezados senhores dado o avanço da hora errata e efeitos do vinho o poeta sai de fininho.

(será mesmo com esses dois esses que se escreve paçarinho?)

Antonio Carlos Pinheiro 79

SEM tItULo Foram tantos os tropeços que viveste, Sobraram desventuras no caminho, E, talvez, sirvam de estímulo como este O relembrar-te a vida, o torvelinho

Que foi o teu passar, vivendo neste Mundo atroz de amor em desalinho:

Ana Amélia te negaram, e tu viveste Com a Olímpia, um amor diminutinho.

Foste grande demais, subiste o Olimpo, De coroa de louros foi tua rama, Pode haver maior assim algum idílio?

Se mais procuro, cato, se garimpo:

Herculano exalçou a tua fama, Tu te confundes com CANÇÃO DO EXíLIO.

SEM tItULo “Não me deixes!”, “Delírio”. “Lira”, “O mar” São um pouco do muito do seu estro, Da sua rima, do seu versejar, Que igual regia qual fosse um maestro.

Com a Poesia era um linguajar Fosse o tema qual fosse, sempre destro, A tradução no verso, no cantar, Tinha a leveza do que foi adestro.

Só me explique, Poeta, sem mais rogo, Que sei, pra tanto não requer de auxílio, E por ser complacente – seja altivo:

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Como é que em tantos versos, grande jogo De palavras, sua “Canção do Exílio” Não possui – um sequer – adjetivo?

Antonio de Mello Moniz Maia 80

o AnJo DA GLÓrIA, o PoEtA E A PÁtrIA - VISão - À MEMÓrIA DE A. GonçALVES DIAS

O ANJO DA GLÓRIA Quem és, que buscas da memória o templo, Só destinado aos eleitos meus? Quem és, que vens ao Panteão sublime Onde colheste os divinais troféos?

Tenho na dextra chamejante gladio Para obstar aos desvarios teus, Si no recinto penetrar quiseres, Onde só vivem imortaes… e Deus!

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O POETA Quem quer que és, aparição ou encanto, Venhas do céu, ou a um rancor profundo Princípio sejas condenado e ao pranto Consente que do mundo Rompa minh’alma esta prisão sombria, E como o fogo presto s’irradia. Nos seios do tufão, do lodo imundo Livre, se remonte a imensidade, Que dos gênios habita a potestade!

Quais são os meus troféus? de nobre povo São da saudade os soluçados prantos. E de harmonia inexaurível fonte, É um livro imortal, são os meus cantos.

Quem quer que seja… o que importa? quero Seguindo o impetuoso furacão, Dos orbes todos percorrer a esfera, De luz encher o espaço, a vastidão.

Inda que role pelo abismo fundo

E sobre mim o raio o céu desprenda,

Deixa que fite o criador do mundo,

E que o meu em seu espírito acenda.

80 Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 562-564. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Si ele no cabos modelou a ordem, Si ante a sua feitura se extasia, Do belo eterno a substância, a força O meu gênio exprimiu na poesia.

O ANJO DA GLÓRIA

Criatura rebelde, tu revelas N’este arrojo de orgulho irreverente D’alma o desvario, o desatino Do pensamento teu soberbo, ingente!

Mas é isto o poeta! Ora terrível Rubro clarão a mente lhe ilumina, Quer reunir possível e impossível, Ultraja o próprio Deus, tudo fulmina!

Ora a ternura, a pálida tristeza Lhe enche o peito, lhe motiva os prantos, E o doce-amargo da saudade inspira Lânguidos versos de suaves cantos.

Vem; tu recordes pelo orgulho insano Ser descendente de Caim maldito, Mas é teu coração mundo de afetos, E n’alma tens o cunho do infinito!

Marcou-se teu destino lá no empíreo, Para o teu nome tem lugar a história; Ergo a cortina ao Panteão dos gênios Entra, poeta, conquistaste a glória!

A PÁTRIA

Para ti, ó anjo, o poeta, Para ele a eternidade.

A mim somente o que fica?

O ANJO DA GLÓRIA

Os seus cantos e a saudade.

Antonio Fernando Sodré Júnior 81

CAnção PArA GonçALVES Dos poetas brasileiros, Maior ritmo, altivez, eloquência não há Orgulho nosso, teu nome é Gonçalves

A voz da terra onde canta o sabiá.

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O poeta cantou o sonho,

A natureza, o amor ingrato

Fez rimas para dos índios, a bravura E da terra natal, a saudade

E com paixão, o homem e o poeta se entregaram O primeiro, aos olhos negros de Ana Amélia O segundo, ao engenho criativo Os dois, ao amor, à Arte

Quisera eu ter tanto talento Escrever versos tais Cheios de encanto e da maestria Do filho de Jatobá, do sítio Boavista

As águas profundas te levaram Mas ecoa vivo o teu canto A cada letra do teu nome Nosso querido poeta, Gonçalves Dias.

Antônio Joaquim Pereira Filho 82

CorDEL-trIBUto A GonçALVES DIAS! (SEQUEnCIAL I) 1ª FASE (InFAnto-JUVEnIL) Oh! Senhoras. Oh! Senhores, Casta de ilustres leitores, Pretendo homenagear:

-A um vate LUDoVICEnSE, Que o PAntEon MArAnHEnSE, Tempo algum há de olvidar!

Porque sua nobre figura, Entre o povo, inda fulgura, De forma tão altaneira? -É que ele, também fez parte, Do clã que montou, com ArtE, Nossa “AtEnAS BrASILEIrA!”…

Sabem onde ele nasceu? E em toda a infância, cresceu? -Num sítio, próximo à CAxIAS; Neste tempo (que se esvai), Na venda, ajudou seu pai,

O Português, MAnUEL DIAS!

Teve a infância atribulada, Tristonha, por ser marcada, No verdor de sua inocência; Já que tal golpe ocorreu, Quando, precoce, perdeu, Sua mãe, Dona VICênCIA!

Eis que obteve, aos seis anos, Um acalanto aos desenganos, Vendo a mãe bem sucedida; Porque o pai, logo casou, E Dona ADELAIDE, herdou, O lugar da mãe querida!

Teve bom início escolar, Predispondo-se a estudar, Tudo, em FILoSoFIA; Como em FrAnCêS e LAtIM, Tendo por precípuo fim:

-Obter SABEDorIA!

Quem foi o ilustre, ESCrItor? -Não digo o nome do AUtor, Só suas obras geniais; Que o levou, com GALHArDIA, À seleta GALErIA, Dentre os SÁBIoS mundiais!

Não pensem que eu sou cruel, -Sou somente um MEnEStrEL, Com um segredo a omitir; E se isto, assim, o faço, É pro LEItor, passo-a-passo, Tudo, aos poucos, descobrir!

(SEQUEnCIAL II) (ADoLESCênCIA)/ Quando o básico terminou, Com o pai dele viajou, De seu sítio à Capital; Pois, iriam navegar, Só não foram ao além-mar, Por um destino fatal!

Morreu seu pai, tão doente, Em sua fase adolescente, Porém, no ano a seguir:

-Partiu, rumo à PortUGAL, Em busca ao grande ideal, (Razão de seu existir)!

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Nas ArtES, iniciu-se, Quando, pra LÓIoS, mudou-se, E, em CoIMBrA, fez bem mais; Em meio à experiências, Bacharelou-se em CIênCIAS, JUríDICAS E SoCIAIS!

E um ano, logo, depois, “CAnção Do ExíLIo”, compôs, No mundo inteiro, famosa; E, faço outra arremetida:

-Talvez não fosse tão lida, Se estivesse escrita em prosa!

Pelo estilo literário, Pelo sentimento vário, Pela PÁtrIA-MãE GEntIL; Pelo texto, bem urdido, Pelo que foi inserido, Até no HIno BrASIL!

Pela silábica escanção, Pelo expresso em tal canção, Pelo rítimo e sua rima; Pelo conjunto da obra, Eu lhes afirmo, com sobra:

-Esta é sua oBrA-PrIMA!

E, doze meses depois, “SEUS oLHoS”, ele compôs, Para a jovem AnA AMéLIA; Em sua volta à São Luís, Quando o destino só quiz, Brincar de Cravo e Bromélia!

E, em CAxIAS-MArAnHão, Escreveu “MEDItAção”, Neste ano, iluminado; Mas, sua peça livre-sonsa, Fo i“LEonor DE MEnDonçA”, Que escreveu no rIo, amado!

(SEQUEnCIAL III) (PLEnItUDE VItAL) Quando aos vinte e nove anos, Confirmou seus desenganos, Relacionados à amada; Para rECIFE, mudou-se, Com Dona oLíMPIA,casou-se, Tendo sua vida, arrumada!

Na Escola PEDro SEGUnDo, Teve um prazer, neste mundo, Porque queria ensinar; Já no InStItUto de HIStÓrIA, Tornou-se honra e glória, Em seu ConSELHo exemplar!

Com sua vida, em rebuliço, Também, esteve a serviço, Do GoVErno EMPErIAL; Quando fez reedições, E inéditas edições, No BrASIL e em PortUGAL!

Também fez divulgações, De suas publicações, Na FrAnçA, bem como ESPAnHA; Também o fez na InGLAtErrA, E noutras Nações da Terra, Como BéLGICA e ALEMAnHA!

Dos “PrIMEIroS” aos ÚLtIMoS CAntoS”, E incontáveis outros, tantos, Qual “SExtILHAS À SAnto Antão”; “oS tIMBIrAS”, “DICIonÁrIo”, “LínGUA tUPí” e “GLoSSÁrIo”, “MArABÁ”, “DEPrECAção!

Com usos de SInAFIA:

_-“BrASIL E oCEAnIA”, “QUInQUAGéSSIMA VISão”; Assim como em seus “PrÓLoGoS”, “oBrAS PÓStUMAS” e “MonÓLoGoS”, E em “ADEUS, Ao MArAnHão!”…

Só quem tem, na mente, o dom, Para escrever “PoSSEIDon”, “PAtKULL”, “BEAtrIz CEnCI”; Na categoria drama, Já o mito “I-JUCA PIrAMA”, É um éPICo, emTupí!

Sua “CAnção Do tAMÓIo”, Ele editou, sem apoio, Apesar de ser uma SAGA; E, em “MEMÓrIAS DE AGAPIto”, Seu estilo, segue o rito, De “o CAnto Do PIAGA!

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SEQUEnCIAL IV) 4ª FASE (o PoEtA E SEU LEGADo)/ Em “UM AnJo”, ele antenou-se, E, em “SonEtoS”, tornou-se, Mui lembrado, em todo o mundo; Quanto à “SÁtIrAS”? -Jocosa!

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E “BoABDIL”? -Mui famosa!

Feitas pelo AUtor, Fecundo!

No PErU, como Emissário, Pesquisou, pro Régio-Erário, Crença em Deuses e Madonas; E, escreveu, em tal paisagem:

- “HIStÓrIA PÁtrIA” e “VIAGEM, PELo rIo AMAzonAS!”

Logo após sua existência,

Lhe editaram “ADVErtênCIA”, Mui seleta e genial;

E, noutra peça divina,

Como “A no IVA DE MESSI n A” , Ganhou fama mundial!

Por iniciativa sua, Editou “o MAr” e a “LUA”, Como “A tA r DE” e “MI n HA tErrA!”; Além de “o Sono” e “MEMÓrIAS”, “LEVIA n A” e mil HIS t Ó r IAS , Que em sua obra, se encerra!

Em “LEIto DE FoLHAS VErDES”, Glosa em “Por QUE não ME VEDES?”, (De uma Obra de Camões); E, pra manter DECASSILABoS, Usa, em seus HEnDECASSíLABoS, Figuras de SUPrESSÕES!

E, em “oLHoS VErDES”? –Vertigem!, Como em “A C on CHA é A VIrGEM”, (Simplesmente surreais)! Nas quais, as muitas DIérESES, Se contrastam, com AFérESES, Tornando as rIMAS, sem iguais!

Fez-se “APÓCoPE”, no drama, Da peça “I-JUCA PIrAMA”, E, em “DESEJ o ”, e “A t EMPES tADE”;

Sendo esta, fenomenal, Com narrativa, sem igual, Imitando à realidade!

Se inicia com um DISSíLABo, Logo após, vem um trISSíLABo, Que aumentam, na sequência; Atingindo ao DECASSíLABo, Findando no HEnDECASSíLABo, E, junto, tal imponência!

(SEQUEnCIAL V) 5ª FASE (o PoEtA E SEU EStILo Tem aves que imitam a nós Com o timbre de nossa voz, Como a filha, à mãe querida;

E a nAtUrEzA, irritada,

Foi, no POEMA, imitada:

-Como a ArtE, imita à VIDA!

O nosso HErÓI, inquieto, Dinâmico, e jamais quieto, E, com extrema maestria; Fez uso, em suas tEMÁtICAS? -Das figuras de GrAMÁtICA, Com as regras da PoESIA!

“BrAVo não tEME DA MortE!” Que belo estilo – por sorte, “CAnção Do tAMoIo” tem; Por que tal preposição? Se não existe precisão? É só pra rEALCE! -Amém!

Isso veio a acontecer, Por manobras, no tecer, Devido à questões de MétrICA; Eis que tal FIGUrA surge, E, sempre que ela ressurge, A chamamos de HIPErMétrICA!

E tal CAnção nos anima, Pois, aconselha e ensina:

-Lutar pra sobreviver; Porque: “A VIDA é C o MBAt E, QUE SÓ oS FrACoS ABAtE, E FAz QUEM é FortE, VIVEr!”

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E, na mesma PoESIA, Notou-se que covardia, Também tem seu lado astuto; Na frase: - “o FortE, o CoVArDE, tE SEntE InVEJA” –Que alarde! Deu-se ai, um AnACoLUto!

Mas, em “I-JUCA PIrAMA”, Num EStILo que o proclama, Rei, em FIGUrA adequada:

-Como ELIPSE contraída, Ligação SUBEntEnDIDA, Numa epígrafe AFAMADA!

Só assim, ouviu feliz, De MACHADo DE ASSIS, Um elogio, o qual traduz:

-Que sua oBrA escoaria, Na língua, que dia-a-dia, Ao nosso rumo, conduz!”

(SEQUEnCIAL VI) 6ª FASE (o GênIo E SUA CULtUrA SínCoPE E EUFEMISMo, Usou-se no roMAntISMo, E MEtoníMIA, também; Pois, a MArCA já diz tudo, Que o PoEtA, em tal EStUDo, Soube aplicar muito bem!

“A t EMPES tADE”, nos traz, HErCULAno, e outros mais, Como CAStILHo e GArrEt; Cujo LEMA epigrafou, E, nele, pontificou, o roMântICo, que ele é!

Em “A LUA” e “AtA r DE” O PoEtA ,se malarde, Citou-lhes, em cada lote:

_Lord BYron, na primeira, E, de forma lisonjeira, Na segunda: _CESArottI!

MEtAStÁSIo apareceu, Porque ele mereceu, Estar na obra “DESEJo”; E, em “SEUS oLHoS” e “o MAr”, Quiz o PoEtA saudar, o t U r QUE t Y, neste ensejo!

Entretanto, em “A tA r DE”, Elogio: -Quanto alarde! oDorICo, em igual tEMA; Semelhante ao texto seu, E, porisso, agradeceu, Ao PoEtA e seu PoEMA!

Se ao PoEtA, ligações, E estreitas relações, Nos unissem, no existir:

-Pediria ao oDorICo, Seu PoEMA, bem mais rico, Permitindo-me imprimir!

Mas, seu orgulho profundo, Talvez, o maior do mundo, Se deu quando ele escolheu; Citar GoEtHE, na oBrA-PrIMA, Cujo tEMA, MotE e rIMA, Foi o que, melhor, escreveu!

Em seu texto “não ME DEIxES”, Não há por onde se queixes, Em busca à Glória e Ventura; E, em “AInDA U’A VEz -ADEUS”, Ele, até, roga ao bom DEUS, Abolir sua desventura!

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(SEQUEnCIAL VII) 7ª FASE (A MortE DE UM IMortAL Um lamento é natural, Mesmo em alguém genial, Também sujeito ao conflito:

-Seria egoismo? Tal ser, Ter anseios por viver? Sempre em paz, e nunca aflito?

Todos diriam que não, Mas, na profetização, Cismava em vaticinar; E, em seus ESCrItoS, temia, Que, seu barco, um belo dia, Fosse, com ele, naufragar!

Pediu à Deus, perecer, Na Patria, que o viu nascer, E se sepultar por cá; Rogou que tal não lhe ocorra:

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-“não PErMItA, DEUS, QUE EU MorrA, SEM QUE EU VoLtE PArA LÁ!”…

Na vida, constantemente, Ele, EStILIStICAMEntE, Fez versos PArnASIAnoS; Escandindo rítIMo e rIMA, Que criou no tEMA, um CLIMA, Emotivo, a nós, humanos!

Como estimara o AUtor, Consumou-se o seu temor, Já em águas MArAnHEnSES; Onde o “BoULoGnE” afundou, Neste mar, que seputou, O Rei dos AtEnIEnSES!

E, pensar que publiquei, Versos, nos quais me inspirei, Em volumoso ALMAnAQUE; Nas últimas seis edições, Situei-me em posições, Entre AUtorES de destaque!

Fiquei, deveras, contente, Constando, seguidamente, De edições PArnAIBAnAS; Tendo SoUzânDrADE, ao lado, Como trIBUzzI, Laureado, oDYLo (e as “PArnASIAnAS”)!

Salve! JoSUE MontELo, Pelo culto ao EStILo belo, Tal qual FErrEIrA GULLAr; ANTôNIO HENRIQUES LEAL, Frei ConDUrU – GEnIAL, oDorICo e JoMAr!

(SEQUênCIAL xVIII) 8ª FASE (HoMEnAGEM A UM SEr GEnIAL AntônIo LoBo e CAtULo, Deram origem ao casulo, De tão nobre GALErIA; E tal dueto pioneiro, Com o ALBErICo CArnEIro, Ao meu lado -Quem diria?

O FéLIx AYrES, também, E o José Chagas -Convém,

Falar de brio, em meus ais; Ladeando ao “MEU torrão”, Constante dessa edição, nASCIMEnto DE MorAES!

GrAçA ArAnHA e João LISBoA, Que exaltam a tErrA boa, De nAUro e CoELHo nEto; Com ALUíSIo AzEVEDo, Conviví desde bem cedo, Em tal grupo tão seleto!

Meu poema “PIrILAMPoS”, Colado a HUMBErto DE CAMPoS, Em meio aos seus ESCrItoS; Tal qual, ArLEtE noGUEIrA, Com sua oBrA alvissarreira, Ao meulado? –Bradei gritos!

E em setenta, eu escrevi:

“MEU SErtão” e conseguí, Editar ao lado dele; Porisso, eu quero saudar, Este PoEtA exemplar, Com um CorDEL sobre ele!

Salve, oh! Imortal AUtor, Teu legado me inspirou, Entre rIMAS, me expressar; Salve, oh! Herói Nordestino, Quiz a força do destino, Sepultá-lo em nosso mar!

Mas, quem é ele, afinal? Tido como genial, Por formosas PoESIAS? Já descobriu o LEItor? Que este insigne AUtor:

-é… AntônIo GonçALVES DIAS?

Salve, oh! Ilustre PoEtA, Por tua oBrA completa, Envolta por alegrias; Salve, oh! Grande Maranhense, Salve, oh! Príncipe Ateniense, Deus, salve! Gonçalves Dias!

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Antônio Luiz M. Andrade - Almandrade 83

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GonçALVES DIAS

Terra pavimentada e sem palmeira ainda distante calaram o sabiá lembrança exílio sem sair do País uma saudade e um poema na memória o romantismo de Gonçalves Dias

a poesia

sobrevive.

Antonio Maria Santiago Cabral 84

LoUVAção A GonçALVES DIAS (Contribuição poética para a Antologia em homenagem ao genial poeta maranhense)

“Enfim, te vejo! Enfim, posso, curvado aos teus pés dizer-te, que não cessei de querer-te, pesar de quanto sofri!”

Muito antes que alguém, em face de ler uns tantos rabiscos meus, e, generoso, de poeta me chamasse, o poema “Ainda Uma Vez - Adeus!” já me habitava, na lembrança jamais apagada da pungente cena de amor, descrita nos seus quatro versos iniciais

Foi esse poema - o canto da paixão que nunca morre -

a história de Gonçalves Dias e Ana Amélia - que deu cor lírica à minha veia poética, de onde escorre

o caudal de todos os meus versos de amor

83 Almandrade - (Antônio Luiz M. Andrade) – São Felipe – BA – Brasil - 1953. Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia e Palacete das Artes.

Que as musas digam a Gonçalves Dias - eis o meu apelo - que, se foi por sua inspiração que me tornei poeta, é certo que jamais deixarei de sê-lo!

Aparecida Gianello dos Santos 85

DIAS DE GLÓrIA Pelos Primeiros Cantos, pelos Segundos Cantos, e pelos últimos Cantos

Mil salvas para Gonçalves!

SALVE GonçALVES! Tem coisas que não entendo, ou, não me entendem estas. Das coisas que entendo, só entendem os Poetas.

DIAS E noItES Dias de exílio, noites a fio Alma cativa se segurando

a um fio de vida,

que se multiplica em versos

diversos! –

sobre a velha escrivaninha.

Dias de exílio E, de repente, o que era triste, ganha vida com o verde das palmeiras e o brilho das estrelas. Sob o pincelar mágico da inspiração tudo é mais belo. Dias de exílio, noites a fio

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Dias e noites a tecer um poeta que jamais será esquecido; inda que voe o tempo e por mais efêmeros que sejam os dias.

DA IMortALIDADE GonçALVIAnA Em meio ao gorjeio das aves, às flores das várzeas

e ao verde das palmeiras, – nos primores de cá! – Deus lançou sementes E nasceu Gonçalves!

E morreu

?

Não.

Apenas disse adeus – para sempre! – ao seu exílio. Está agora livre! Eis que agora vive no brilho das estrelas – outra vez! –

pois, dos Poetas,

só se vão os dias,

nunca a poesia.

QUEM FoI GonçALVES DIAS Gonçalves fez do exílio poesia

e do preconceito falou com arte.

Por fim, meteu-se lá com as estrelas e, Poema Eterno, avivou nossos Dias.

Aparecido Bi de Oliveira 86

PoEMA EM HoMEnAGEM Ao PoEtA AntonIo GonçALVES DIAS Baseado e inspirado em seu poema “Canção do Exílio”

Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; teve também um poeta, melhor que ele não há.

86 Aparecido Bi de Oliveira – Indaiatuba – SP – Brasil - 08 de março de 1952. Participou das antologias a saber:

Mogi das Cruzes 450 anos, Eu amo Vinhedo, Descubra um poeta dentro de Você/Associação dos Aposentados de Jundiaí, Antologia dos Clube dos Escritores de Vinhedo e do Livro o “Galo de Rocinha”

As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá; Gonçalves Dias como jornalista, foi um dos melhores por cá

Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas tem mais flores; como teatrólogo escreveu peças, para a interpretação dos atores.

Nossos bosques tem mais vida, nossa vida mais amores; na vida sentimental e pessoal, sentiu muito dissabores.

Em cismar, sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá; estudou no Velho Continente, trouxe conhecimento para cá,

Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, Juca-Pirama, os Timbiras, Era uma vez-Adeus Versos lindos como este! Será que há?

Não permita Deus que eu morra, sem que desfrute os primores, de homenagear este poeta e seus valores, que não quis morrer sem vir para cá, e avistar mais uma vez as palmeiras, onde alegremente canta o sabiá.

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PoEMA ACrÓStICo EM HoMEnAGEM Ao PoEtA AntonIo GonçALVES DIAS Glorioso literário do romantismo, também advogado e jornalista, orgulho de nosso povo gentil e hospitaleiro, notório etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Concluiu seus estudos secundários em Portugal, Adentrou e bacharelou-se na Universidade de Coimbra tão renomada, Longe se inspira para escrever a “Canção do Exílio” da pátria tão amada. Voltando para o Brasil, conheceu e apaixonou-se pela jovem Ana Amélia, Eterna musa inspiradora de “Ainda uma vez”-Adeus!, Palinódia e Retratação, Sendo um amor platônico, perpetuou sonhos em seu coração.

Deve muito a literatura ao ilustre versificador, Indianista e nacionalista, um poeta por excelência com imensurável valor. As suas outras obras como: Juca-Pirama, os Timbiras, Os primeiros cantos São preciosidades que nos fazem mergulhar na magia de seus encantos.

IMAGInAnDo VoLtAr no tEMPo DE GonçALVES DIAS Imaginei-me vivendo nos dias de Antonio Gonçalves, usufruindo sua amizade e convivência. Interagindo com seus ideais e perspectivas, colaborando no contexto deste poeta por excelência. Eu via a tranquilidade das ruas da cidade, um pouco escura mesmo com lampiões e lamparinas. As mulheres desfilando com seus vestidos elegantes, o vento calmo e sereno soprando nossas narinas. O ponto de encontro eram as sofisticadas confeitarias, e ali eu estava na companhia do poeta e demais escritores. No meio da conversa nos dizia do seu amor por Ana Amélia, cuja rejeição dos pais dela ao namoro causava dissabores. Era o tempo que reinava em absoluto o romantismo, a poesia e os contos afloravam-nos com magnitude. Éramos impulsionados ao romantismo insensato, muitas vezes exagerado no auge de sua plenitude.

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Arão Filho 87

CAntoS DE GonçALVES DIAS Nasceu em uma terra abençoada; No sítio Boa Vista, lá em Caxias; Trazendo em su’alma a poesia, Deixando-a para o mundo, ofertada

Cantou os nossos índios, os belos dias; Os frutos, nossas árvores, a mata; As aves emplumadas, as cascatas; Cantou este Brasil e sua alegria!!!

Naqueles tempos idos, já distantes, Cantou em belos versos deleitantes, A terra das palmeiras e das aves

Com versos d’esplendor, Gonçalves Dias, Criou com ledas letras, poesias, Pousando-as pelas pautas bem suaves

Ao PoEtA Do BrASIL, GonçALVES DIAS. Poeta! Ó poeta encantado, De versos tão líricos, lindos, Sonhando um Brasil tão amado, Com índios, crianças sorrindo!

Nasceu o poeta adorado, No seu Maranhão, tão infindo, De mares, de aves nos prados, Pau d’arcos tão lindos, florindo

Criou seus poemas de amor, Cantou a saudade e a dor, Da pena abraçada nos dedos

Nos cânticos finos, singelos, Deixou sua vida nos elos, Dos versos suaves e ledos

AnA AMéLIA, o AMor Do PoEtA Velado este amor tão grandioso, Volvendo a alma e o peito do poeta, Amélia, sua musa tão dileta, A dona desse amor esplendoroso

Mas, eis que o destino enganoso, Cavou uma armadilha, lançou seta, Trancou a sua alegria em cafuleta, Deixando-o tão triste, tão choroso

Por ser um homem pobre, um mulato, Não quis lhe permitir o casamento, O pai da sua donzela tão amada

Chorou. Ó que destino tão ingrato! Morreu o fino vate em sofrimento, No corpo e em sua alma naufragada!

nAUFrÁGIo Do VILLE DE BoLoGnE* Naquela tarde triste, tarde quente, O Ville de Boulogne naufragava,

Nas costas maranhenses, tristemente, Então, Gonçalves Dias lá chorava

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Não conseguiu sair, pois, já doente,

Enfermo, moribundo, agonizava,

Morreu, então, o ilustre maranhense

Nas águas de Tutóia

Lá findava!

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Deixou rico legado, os belos versos;

Tão cândidos, profundos, tão imersos, Na alma que partiu consigo eterna

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Poemas inspirados, tão diversos, Ficaram registrados, sim, egressos, Ao mundo, sua verve, linda e terna!

Arlete Trentini dos Santos 88

GonçALVES DIA MInHA InSPIrAção Eu me lembro era pequena

E teus versos declamava

Achava tudo tão lindo Não entendia que choravas.

Nem sabia o que era exílio Não conhecia a saudade Penso que foi só maldade O que fizeram a ti.

Meu

grande poeta exilado

Tua poesia nos deixa encantados És do século passado És venerado , e por mil poemas lembrado

Quem a Deus fez um pedido Rever o solo querido O chão de onde foi banido . Mas nos versos foi acolhido

Arlindo Nóbrega

trIBUto A GonçALVES DIAS Eu ainda era menino, tempos do grupo escolar, veja como as coisas são. Minha vida era estudar, pois meus pais assim queriam, só que eles não sabiam, que eu precisava brincar.

Era de casa para a escola e da escola para casa,

de segunda a sexta-feira, e isso quase me arras., Mas no meu pouco entender, era tudo para eu crescer, hoje meu peito extravasa.

De tudo aprendi um pouco e por algo me apaixonei. Da primeira namorada, juro, quase nada sei, mas da bendita poesia, que na minh’alma já ardia, eu jamais esquecerei.

Quando A Canção do Exílio, um colega declamou, meu coração exultante, simplesmente disparou, abarrotado de emoção. Pedi calma ao coração, que de pressa me escutou.

Ela foi que me abriu a porta da poesia para mim

e

comecei a fazer versos,

num banco de jardim.

Espero, meu Deus do céu, ainda que viva ao léu, isto jamais tenha fim.

O autor desta obra-prima, nasceu lá em Caxias, interior do Maranhão. Bambambam nas poesias, aventureiro amoroso, um vate muito famoso, o grande Gonçalves Dias. Aplausos para SCLB, que com imenso vigor, lembra o dez de agosto, do poeta/trovador. Celebremos o aniversário, seu primeiro centenário, com muito brilho e louvor.

Ele é um dos mais festejados, poetas do meu Brasil. Impetuoso nas arrancadas, porém, bastante gentil.

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Ao também grande imortal, neste meu ponto final, minhas homenagens mil.

Armando Azcuña Niño de Guzmán 89

A GonCALVES DIAS, Antonio Desde tu tierna infancia empezaste a escribir, Con la fortaleza de tu amplio espíritu De tu gran capacidad, de tu inteligencia, Con mil latidos en concierto Afianzaste tu dedicación a las letras, Orgulloso por tu sangre Amalgamada en una sola, La blanca, la india y la negra; Eres una luminaria De la poesía brasileña. La dulzura de tus palabras Enternecen los corazones, Has volcado tus vivencias En Europa y otros lares, Por ello eres el más grande. Naciste cerca de la villa de Caxias, Ni los grandes problemas financieros Pudieron impedir tu merecido ascenso, Lograste al fin tu formación En la universidad de Coímbra De la república de Portugal Para luego desempeñar Importantes cargos públicos En favor de la educación.

Arquimedes Viegas Vale 90

EnContrAnDo GonçALVES DIAS O primeiro poeta que conheci foi Gonçalves Dias.

89 Armando Azcuña Niño de Guzmán - Puno – Perú - 27 de abril de 1948. Es Profesor.músico y bailarín, fundador de la Asociación Cultural Brisas del Titicaca en 1962, en Lima la Capital de La República del Perú, hoy recono- cido socio Honorario; es miembro del colectivo cultural Capuli Vallejo y su Tierra, de la Sociedad Universal de Artistas y Literatos (S.U.A.L.).Está dedicado al estudio, investigación y difusión de la poesía en el Idioma de los Incas, el RUNA SIMI mal denominado quechua. Ha participado en innumerables Encuentros Literarios Nacio- nales e Internacionales, en los que ha sido distinguido con sendas certificaciones

Meu pai, diante de adversidades, suas ou de outrem, dizia:

“a vida é combate”

Nas sessões literárias, às quintas feiras,

no Grupo Escolar Motta Júnior

a “Canção do Exílio” era sempre declamada e as palmas haviam como vento nas palmeiras.

Guerreiros Tupis, Tamoios

e Timbiras

de cobre e cores investidos

e seus belos cocares

de guerra, foram os meus primeiros heróis - não choraram em presença da morte – brasileiros fortes

que habitavam os livros velhos

da minha infância.

Sentimental deplorei

o amor, por Gonçalves Dias curvado aos pés do impossível dizendo mais uma vez adeus. Adeus pela raça, pela pele, pela prata que não teve do útero de onde veio.

Poeta que passa poesia que grassa saudade doendo saúde perdendo para crescer o sofrimento que lhe escapou pelas mãos na forma de letras das quais me vali para completar a frase do meu pai - “que aos fracos abate e aos bravos e forte só pode exaltar”

UM DIA HoUVE UM GonçALVES DIAS Um rosto nos planetas, nas enciclopédias, nas praças.

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Um poema no coração da gente de I-Juca Pirama de Ana Amélia.

Sofrimento no peito. Distância nos olhos. Mares de Atins espuma branca sufocante sepultante.

Canção dias de saudade exaltação aos bravos vitória para fortes nos combates da vida.

Que fecunda raça! Que raça de poeta! Entre amores e desamores o desafio do eterno. O plantio de sua gente que virou palmeira e ainda aguarda o sabiá na Praça onde se alevantou.

Arthur rabut 91

GonçALVES DIAS Teu gênio feculdo a irradiar fulgores Na belezxa invulgar do teu estro divino, Deui-nos “Canção do Exílio”, a gema de ouro fino, A sítese real dos teus grandes primores!

Teu próprio indianismo é belo e adamantino Romântico e audaz, repleto de esplendores, Ness “y Juca Pirama” – a ode de alto lavores Quem mais que uma canção é portentoso hino!

Tu viveste a espalhar os teus “Cantos! Sublimes, Chegado como vate às dobras do infinito Tanto, tanto é o fulgor que teus versos imprimes.

91 MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 65, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

E desse pedestal onde soberbo estás, Esperas com fervor, com majestoso rito, Este teu sabiá que não vem nunca mais!.

Aryane Ribeiro Pereira 92

CAnção Do ExíLIo Minha Terra tem riqueza, Onde encantou o sabiá Lá eu conheço todo lugar.

Nós não temos mais bosques, Pela poluição Mas eu tenho fé em São José e São João.

Em cismar sozinho à noite, Pois à noite eu vou à praia Apreciar a Beira-Mar, Pois minha Terra tem riqueza, Onde encantou o sabiá.

Augusto de Miranda 93

Português, autor dos Primeiros Cantos.

À MortE Do PoEtA BrASILEIro G. DIAS Ai do que a sorte assinalou no berço Inspirado cantor, rei da harmonia. S. P. Nas horas em que a flor balança o cálix, Também o balançaste, e n’um suspiro, Tua lira, semelhante à de Belmiro, Batida num tufão ao fim deixaste… Oh! não sabes a dor, que por ti sinto! Não conheces como a ira me devora, Vendo as ondas do mar cobrir agora O gênio, que criaste!

Qual meteoro no espaço tu surgiste; Como o sol tu brilhaste – sem ocaso; De mágoas tendo sempre o peito raso, O teu saudoso canto era divino. Ó! Brasílico cisne, os teus gorjeios,

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92 Aryane Ribeiro Pereira - São Luís – MA - Brasil - 10/07/2001. Motivo da participação: Eu gostaria de participar da antologia para ser reconhecida pela poesia que fiz.

No Amazonas soltaste… e o Tejo ainda Corre ouvi-los à campa – a dor infinda Do teu triste destino…

Não foras tu poeta sobre a terra! Não subisses ao céu em doce canto! Teus brandos hinos não soltasses tanto Verias como os anos se alongavam! Mas o gênio em ti transbordava; Rescendia na terra qual magnólia, Tinhas um estro grande uma harpa eólia, Que os anjos te invejavam…

Do mundo junto a Deus já tu subiras, Nas asas da harmonia encantadora, De teu gênio com a chama abrasadora Mil coroas lhe teceste de louvores… E um foco de amargura foi-te a vida, ‘Té cheio de luz subiste aos céus, Puseste a lira sob os pés a Deus Deixando prantos… dores!

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Gênio do Brasil, que lhe escutastes, Tristes endeixas de seu puro amor, Já que a fronte de loiros lhe adornastes, Cinge-lh’a agora de mortal palor. Vinde dos bosques, ressurgi das selvas, Soltai um hino ao céu p’ra lá onde voou E suspirando divagai, nas trevas, Que o cantor doce, já morreu – findou.

E quando o sol se alevantar no oriente, Quando os raios vos mandar valor, Chorai-vos todos pelo gênio ardente, Chorai a morte do infeliz cantor; E em vez de coros, de doirados sonhos, Que lhe inspirastes e que tanto amou, Dai-lhe só prantos, divagai tristonhos Que o cantor doce, já morreu – findou.

Sabiá canoro, que lhe ouviste as mágoas, Vem tomar parte nesta imensa dor; E tu Alcion, pela amplidão das águas, Lamenta a sorte do infeliz cantor. Filhos de lusos, a saudade agora Me abrasa o peito que também o amou; Sentirei sempre, e vós chorai nest’ora, O cantor doce, que morreu – findou.

Aurineide Alencar de Freitas Oliveira 94

VErSoS nA MEMÓrIA Tanta emoção! Transborda meu coração Quando estou a escutar. “minha terra tem palmeiras “Onde canta o sabia”!

Aprendi desde menina Os versos que me fascina!

Ainda tão jovem Subiu para o céu! Deixou a semente Plantada na mente Cumpriu seu papel!

Ficando sua obra Talento de sobra Ninguém esqueceu!

Os versos que ele Assim escreveu!

Os poemas! Alguns de amor Que para compôr Com tanta magia! Apenas ele O poeta seria! Gonçalves dias!

PAIxÕES O mestiço! Como feitiço Segue o destino!

Ainda menino Pelas letras Se apaixonou! O pai! Depressa notou, Na escola em seguida O matriculou!

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94 Aurineide Alencar de Freitas Oliveira - Catolé do Rocha – PB – Brasil – 27/08/1965. Professora do Ensino Fundamental, séries iniciais, concursada no estado de Mato Grosso do Sul, cordelista, formada em Letras na UNOESTE e Especialização em Metodologia do Ensino Superior na FIFASUL.

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Menino crescido Bem pouco vivido Se apaixonou!

Conhece Ana Amélia! Tão linda! Tão bela! Bem pouco durou Momento amoroso Que inspirou!

É Olímpia da costa Que dele assim gosta. Casa-se e pronto!

Dando-lhe alento! Apoio! Sustento! Até um rebento! Para alegria De Gonçalves Dias!

ÚLtIMo SUSPIro Como um pássaro A voar o mundo! No último segundo Suspirou!

As palavras! Juntou Emocionado! Para sempre ficou O vento espalhou Por todos os lados!

A morte! Que veio tão cedo Desfez o enredo!

Momento de angustia Ao padecer!

Sentia a dor No adoecer!

Provou o destino Que não vai mudar E quis do menino A vida podar!

O mundo escurece Como noite sem estrelas! Gonçalves Dias? Sozinho falece No fundo do mar!

Saindo a matéria Fica a memória Ou ler ou declama! Resta-lhe a fama Que ficou para sempre Guardada na historia!

orIGEnS Mãe cafuza, Pai português, Unindo-se três raças Um garoto fez! Orgulho? Talvez!

Levando consigo O sangue contido Que forma o Brasil!

Coincidência ou não Foi nesta nação Que ele surgiu!

Sua origem!

Nunca negou!

O indígena

Idealizou

Tornando poesia!

Formado em direito Professor perfeito Também foi um dia!

Redator! Escritor! Entre tantos Ser poeta escolhia!

No seu sentimento Às vezes lamento! Naquele momento Sentia alegria!

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Refletindo sua alma Mostrando a calma! Até o fim de seus “Dias”!

Aymoré de Castro Alvim 95

UMA CAnção A GonçALVES DIAS Canta, oh! Bardo caxiense, Canta tuas lembranças e saudades. Canta teus amores quando daqui partiste. Canta teu povo, teus índios, Canta as palmeiras e os sabiás. Canta, oh! Grande trovador, Canta a tua amada que imortalizaste nos teus versos.

Canta as imagens que vislumbraste, na tua angústia, ao te aproximares da terra natal. Canta a esperança e as alegrias do teu coração combalido por retornares ao teu rincão. Canta a paisagem derradeira que, na tua dor, contemplaste do Bologne antes de Netuno te conduzir ao teu destino final.

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Descansa, agora, oh! bardo caxiense, Nas águas que te abraçam, eternamente, Dos mares da tua terra, o Maranhão.

Bartyra Soares 96

nEnHUMA VEz - ADEUS Poeta! Ainda uma vez e tantas outras mais, nunca será tempo de te dizer adeus.

Não importa se o naufrágio do navio Ville Bologna, perto dos Lençóis maranhenses levou o teu corpo para o coração das águas da terra onde nasceste.

95 Aymoré de Castro Alvim - Pinheiro – MA – Brasil - 13 de maio de 1940. Aos 12 anos de idade, em São Luís – Ma., estudou no Seminário de Santo Antônio onde participou, ativamente, da Academia Literária D. Francisco de Paula e Silva. Aí começou a escrever seus primeiros versos e suas primeiras crônicas que eram publicadas no Semanário da sua terra natal: “O Cidade de Pinheiro”.

Águas que palpitam, gemem, choram ao recitar teus versos de amor,

de saudade, de súplica, até hoje implorando:

“Não permita Deus que eu morra, ”

Sem que eu volte para lá Para o Brasil, vindo do distante Portugal.

Oh! Antônio Gonçalves Dias! Homem vindo á luz no sítio Boa Vista, no solo nordestino, maranhense. Jamais será tempo de te dizer adeus.

Tua “Canção do Exílio”, nunca te degredará da poesia romântica brasileira, do indianismo que fez parte de tuas inspirações, jamais te desterrará de tua pátria, de teu berço: teu Maranhão!

Tua amada, Ana Amélia, copiou com o próprio sangue as estrofes que a ela, com ardor, dedicaste:

“Ainda Uma Vez - Adeus”.

Mas, tua gente, Gonçalves Dias, que na alma mestiça como foste tu, sabe que mesmo séculos após séculos jamais se apagará o teu nome da história literária do Brasil e nunca te dirá: grande poeta, adeus!

Beatrice Palma 97

SoLIDão

Um homem

um dia a uma mulher se apaixonou.

mas não podiam ficar juntos. Esse mesmo homem, um dia então

ficou doente.

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Uma doença de tristeza na qual a cura estava bem longe. Foi pra lá e encontrou a mulher que um dia tinha se apaixonado. Este homem voltou de navio, mas sofreu um naufrágio e teve que partir o único esquecido, doente, sozinho

Beatriz Branco da Cruz 98

DIAS DE SAUDADES Foste tão cedo! Partiste pelas águas do Maranhão E agora o Brasil sente saudades Daquele em cujas veias corria paixão!

Paixão por ser brasileiro, Paixão por ser de três raças, Paixão por ser poético, Paixão por ser parte de nossa vida!

Gonçalves Dias, homem da terra das palmeiras, Onde canta o sabiá, Homem de sabedoria, Homem que tinha muita história pra contar!

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Ah, Gonçalves Dias! Por que partiste? Hoje o sabiá canta triste E a mulher que tu amaste Continua a te esperar!!!

Belmiro Ferreira 99

MInHA tErrA Parodiando tema de “Canção do Exílio”de Gonçalves Dias

Minha terra tem Palmeiras, Corinthias, Vasco da Gama Tem Flamengo, Madureira Um Maracanã de fama!

Minha terra tem primores, Como não vejo eu cá:

Tem fraudes de senadores, Salários de marajá, Tem sequestros e horrores, Que até fugi de lá!

98 Beatriz Branco da Cruz - Teresópolis – RJ - Brasil - 25/10/1997. Poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e, há tempos, destaca-se nas produções textuais feitas dentro e fora da escola. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa.

Nosso céu se poluiu, Nossas várzeas se queimaram. O governo bom sumiu; Só vigaristas ficaram.

Minha terra, sem valores, Já não tem mais sabiá; Dos pardais fez seus cantores, Promovidos por jabá*. Virou foi tudo uma zorra! Tomara que não ocorra Que eu volte para lá.

Benvinda da Conceicao Maia de Melo Lopo Maia de Melo Lopo 100

LonGA SoMBrA

António Gonçalves Dias Por ti António, Coimbra de capas negras chorou o amor na saudade da tua dor, o fado estilhaçou no rosto, guitarras em luto chamaram o desgosto, brisa tépida, vozes, cantares á luz das velas, guincharam cordofones, tre- mem pandeiretas, alegre estudantina universitária, vinho tinto, cerveja, tremo- ços, maçãs reinetas. Tunas musicais paródia e copos, no fundo mágoas, penumbra, paixões, destroços, bela noite, fonte dos amores, quinta das lágrimas, saudoso ilus- tre, longa sombra, perdida no banjo triste a viola, andorinhas negras dançaram, voaram asas em corte, afundou o ar agonizante, choupal de amante sem amada e tu amando até á morte.

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Sangue índio, negro, branco, respiraste briza de Portugal, sonhaste história, mundo, ao longe beijaste a longa sombra, sei, tão amiga te deu muito não duvidou querer-te, em carícias se envolveu contigo, seguiu o Inferno da glória e logo te retirou o tapete, fascinado olhar profundo, catástrofe do romance, disparou o coração, aroma no peito.

100Maia de Melo Lopo - Benvinda da Conceicao Maia de Melo Lopo - Lisboa – Portugal - 25 de Janeiro de 1954. Artista Plástica e está representada em Museus Nacionais e Internacionais, Como poetisa publicou poemas em Coletâneas no Brasil e ainda em Chile em Mil poemas a Pablo Neruda de Alfred Asís. Condecorada pela FALASP- S. Paulo e Academia de Ciencias de Lisboa. Autora em Portal CEN. Poetisa do Movimento Internacio- nal Poetas del Mundo. Embaixadora Universal da Paz-Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix-France & Genève Suisse. E-mail: lmb2425@gmail.com

Penso em ti a perguntares ao céu, porque parou teu leve sono na imensidão da noite, afinal na insónia todas ilusões perdidas, aventuras de prazeres, só na solidão do leito, devoram-nos os fingidores do amor, envergonhado fingiste ser amado e aí sofreste, sem esqueceres onde nasceste, a paixão alucinada e mortal, sem dó te deu um açoite.

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Adormeceste no pulmão Brasil, Caxias, amores-perfeitos roubaram-te o sonho, deserto é cor, encanto das trevas, viste o dragão cair na sombra dos teus passos, a sombra perdida no dilúvio do teu olhar, tremeu a alma da aurora em cansaços, tudo foi tormenta e medonho, ouviste guizos do mar, febre do amor quiseste amar. Ai, a tempestade ferida balançou de pranto, raivosa uivou tão feroz como um cão, raio de luar, lâmpada frouxa de luz, sombrio óleo divino, suaves pétalas das estrelas, doçura celeste, a montanha em desvelos vestiu a ladra sombra e ao sentir-se só, tratou os espinhos, fez mimos, cercou em ternos carinhos o teu infeliz coração. Derradeira sombra, oh, despedaçou o ferro do teu peito, grade na prisão da alma, soluçaste um choro desfeito, lágrimas pálidas e amargas descansaram na face, a liberdade marchou flamejante, doente viajou o chacal, sangue no aço da agonia, ceifou os matagais de cristal com lanças soltas ao vento, vida, manto da noite fria. Tumba de vidro, silêncio esbranquiçado em convulsões, lei nua, poema enlace, o génio do medo sonhou, ouviu monstro numa risada gelada, calma voz cortasse, fitou olhos exaustos em brasa, Senhor, voou a sombra escura em plumas de chuva, eco ao longe, murmurou o reino do corpo, fezes em aspirais, frémito vómito soluça.

Sombra no cemitério do mar criminoso, vê partir oração do fim, última lembrança, trémula voz sorriu aos pais, doce harpa flutua no céu, grito de bronze, feliz triunfo, anjos répteis, na jaula te abraçaram, beijaram o hino dos lábios na concha da loucura, beijos bebem fogo penetrante, o lodo casou bocas de peixes, sofrem rosas do Universo. Maranhão terra distante, disperso, ânimo, suspiros, solidão, línguas de água, abandono, Amor sombra foi catedral, caixão secreto da morte, naufragou no trono teu último sono, Gonçalves Dias, o navio abrigou tragédia mortal, no íntimo cintilou o adeus do horror, grinaldas de espuma lutaram em ondas de prata, num tesouro o sacrário guardou o amor.

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães 101

MortE DE GonçALVES DIAS 102 Canto elegíaco

I

Que fado o teu, Gonçalves!

que desdita!

Ai! quantas agonias Vieram conturbar-te a mente aflita Nos derradeiros dias, Quando no meio das tormentas bravas O teu formoso espírito exalavas!

Qual alcion dormindo sobre o ninho Das vagas balouçado, Às vagas entregaste - tão sozinho O teu corpo alquebrado, E vinhas ver, atravessando os mares, Pela última vez teus pátrios lares.

Cruel doença as fontes te secava Da débil existência, E já quase do vaso se entornava Essa imortal essência, O sopro, que dos lábios de Deus sai, E que, quando lhe apraz, a si retrai.

Ah! que saudade, que palpite ansioso No peito lhe ofegava, Quando pelo horizonte nebuloso As praias lobrigava Da doce pátria, e os coqueirais viçosos, Que de longe acenavam-lhe saudosos.

Já da vida, que esvai-se, o extremo alento No peito lhe lateja; Mas à luz da esperança ainda um momento Sua alma se espaneja, Que já lhe trazem virações fagueiras Os aromas da terra das palmeiras.

Ei-la! - do ocaso lá na linha extrema, A pátria; ei-la acolá! E os palmares, por onde vaga a ema

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101Bernardo Guimarães Bernardo Joaquim da Silva Guimarães - Ouro Preto – MG – Brasil - 15 de Agosto de 1825 e faleceu em 10 de Março de 1884. Foi romancista e poeta brasileiro. Sua obra prima é A escrava Isaura

(1875).

102Guimarães, 19--. Neste poema Guimarães critica a Assembleia Constituinte que se recusou a prestigiar uma homenagem ao poeta Gonçalves Dias. O poema foi escrito em 1869. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

E canta o sabiá! Ei-la, a formosa terra dos amores, Ninho viçoso de verdura e flores.

Ah! não permita o céu que ele sucumba Sem ver a pátria amada! Possa ele vê-la, embora encontre a tumba Por seus pés cavada; Ver a pátria, e morrer beijando a terra, Que os ossos de seus pais no seio encerra,

Ai! uma hora, ó Deus! uma só hora Deixa-o ainda viver; Deixa-o na doce pátria, por quem chora, Entre os seus ir morrer, Não pereça tão junto aos lares seus, Sem poder lhes dizer o extremo adeus!

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II

Mas da borrasca as núncias temerosas, Densas nuvens, se estendem pelos céus, E o mar levanta em vagas alterosas Medonhos escarcéus.

Das ondas e dos ventos embatido, Qual bravio corcel, Que as rédeas arrebenta de insofrido, O trépido batel, Ora do firmamento segue o rumo, Ora aos abismos quase desce a prumo.

Por entre os estertores da borrasca O navio aos boléus estala e range; O medonho tufão, que os mastros lasca, Os mais valentes coraçoes confrange. Bem perto em fúria o mar ali rebenta Entre as pontas de horríficos abrolhos, E da morte a figura macilenta Do nauta surge aos olhos.

Mas Gonçalves não ouve a orquestra irada, Em que convulsa a natureza arqueja; Já sobre sua fronte laureada Da morte o sopro adeja.

A doença, e o oceano turbulento

A nobre, infeliz vítima disputam,

E, para lhe arrancar o extremo alento, Como à porfia lutam.

E enquanto fora o furacão restruge E quebra ao lenho o mastro escalavrado, Enquanto em torno o mar referve e ruge, Mostrando ao nauta o abismo escancarado, No estreito camarim Dentro e fora de si o bardo sente, Que o destino inclemente Dos dias seus está marcando o fim; E entre as cenas horríveis, que o compungem, Sozinho, abandonado, o ilustre vate De duas mortes, que de perto o pungem, Sofre o tremendo embate.

Contra o furor insano da tormenta Labuta em vão o soçobrado esquife, Já nos parcéis esbarra, e enfim rebenta Nas pontas do recife; E navio e poeta o abismo torvo Num só momento os engoliu d’um sorvo.

Entre os roncos medonhos da procela, Liberta já da mórbida prisão, Voou ao céu aquela alma tão bela Nas asas do tufão.

Da tempestade o brado pavoroso Foi seu hino de morte;

O oceano o sepulcro glorioso,

Que deparou-lhe a sorte.

Sobre ele estende o pego tormentoso Mortalha d’alva espuma;

E assim do vate o fado lastimoso

Na terra se consuma.

E a vaga, que o tragou no bojo horrendo, Estourando nas broncas penedias, Veio na praia murmurar gemendo:

- Morreu Gonçalves Dias! –

III

E tão perto, - na extrema do horizonte - A pátria lhe sorria; E para lhe adornar a ínclita fronte Novos lauréis tecia.

Ela ansiosa e sôfrega, esperava,

E às vagas do oceano perguntava

Por seu filho querido;

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E no meio do horríssono bramido

Das ondas irritadas, Aos uivos das rajadas Estas sentidas vozes exalava:

“- Onde te foste, filho muito amado? Ah! por que deixas o teu pátrio ninho, E a longes terras vais afadigado, Tão fraco, tão sozinho, Longe dos lares teus buscar descanso Que só podes achar no seu remanso?

Saudoso sabiá destas florestas, Que nas sombras tranqüilas te aninhavas, E nas ardentes sestas Com teus lindos gorjeios me embalavas, Saudoso sabiá, por que fugiste? Por que voaste além? Por que deixaste tão sozinha e triste, Quem tanto te quer bem?

Por que deixaste, filho aventureiro, De tua mãe o tépido regaço, Para entregar ao pego traiçoeiro O teu porvir escasso, Trocando a paz serena de teus lares Pelo baloiço perenal dos mares?

Temerário alcion, que destas plagas Mudaste o ninho em hora de bonança, Por que confias às traidoras vagas Tua última esperança?

Vem, que te aguardo aqui saudosa, inquieta, Corre, corre a meu seio; Vem, não mais te demores, meu poeta, Que mata-me o receio, Cruel receio de não ver-te mais, Nem mais ouvir teus cantos imortais.

Vem pendurar à sombra da palmeira Inda uma vez a tua errante maca;

E enquanto d’alva praia pela beira

Ferve e ronca a ressaca, Enquanto a brisa tépida farfalha No tope dos coqueiros, E pelos ares mansamente espalha Aromas lisonjeiros, Canta ainda uma vez essas cantigas, Que fazem recordar eras antigas.

Suave alívio ao teu padecimento Só podes encontrar no seio meu; Ao teu peito alquebrado dar alento Quem pode senão eu?

Ainda aqui meneiam as palmeiras Seus trêmulos cocares; E as viçosas, floridas laranjeiras Suave aroma espalham pelos ares; A luz destes formosos horizontes, O eco destas fontes Ainda te farão cismar de amores, E da lira extrair aqueles hinos Doces, enlevadores, Quais só sabem cantar coros divinos. Destes vergéis entre as virentes comas, Onde perene a primavera brilha Alentarei teu peito com aromas De jambo e de baunilha, E para acalentar teus sofrimentos Saudoso sabiá, A tardinha com lânguidos acentos Teu sono embalará.

Mas ah! se não me é dado ver-te mais, Nem mais ouvir teu canto; Se mais não podes escutar meus ais, Nem enxugar meu pranto, Ah! se já sobre a terra está marcado O termo de teu giro, Vem ao menos soltar, ó filho amado, No seio meu teu último suspiro”.

IV

Ele entreouvia estas doridas vozes No meio das borrascas, Nalma e corpo a sofrer dores atrozes Da agonia nas vascas. E ao rebentar de vagalhão medonho, Aos solavancos doidos da procela, Entre escarcéus de espuma, Como em miragem de afrontoso sonho Da pátria lhe sorria a imagem bela Envolta em negra bruma. Ele a escutava, nesse transe extremo, A mãe, que em ais rompendo o seio terno Mal pode soluçar o adeus supremo Ao filho que se vai a exílio eterno.

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E o bardo ilustre

ó Deus! que fatal sorte!

Que sina desastrada! Dentro de si e fora via a morte Erguer-se para ele duplicada; Uma o mirrado coração gelava, A outra a fronte augusta lhe esmagava.

Estrela errante no seu triste giro No oceano apagou-se entre as borrascas; Ninguém lhe ouviu o último suspiro Da agonia nas vascas.

Nenhum jazigo os restos seus consome Na terra dos seus pais; Do grande vate só nos resta o nome, E os cantos imortais.

Doou-lhe o céu inspiração divina, Engenho alto e pulquérrimo; Mas ah! fadara-o sua triste sina Dos entes o - misérrimo –

V

Nem uma cruz à beira do caminho, Nem uma cova em pobre cemitério, Lhe permitiu o fado seu mesquinho Por esse vasto império, Cujas glórias cantou na lira d’ouro,

E a quem legou de glórias um tesouro.

A pátria pede um monumento ao vate Que tanto a distinguiu,

E seus brados no peito dão rebate

Do povo que os ouviu; Uma pedra sequer, que diga à história, Que diga aos estrangeiros:

“- Este padrão erguemos à memória Do primeiro dos vates brasileiros. Mas aqui seu cadáver não repousa Está vazia esta singela lousa.

O céu e o oceano, Imagens do infinito, reclamaram E para si guardaram Os despojos do vate americano. Do firmamento aos páramos formosos Um nos roubou sua alma para Deus, Outro lá nos abismos temerosos Esconde os restos seus.

Mas se a terra seus ossos não consome Teve em partilha a glória de seu nome.” Mas ó vergonha! ó crime! Glória, gênio, infortúnio, nada vale Ao poeta sublime!

Pede o pejo, e o decoro que se cale Tão feia ingratidão. Mas ah! não posso, não; que a meu despeito Nos lábios ferve a voz do coração, E rompe-me do peito, Como um eco de horror descompassado, Da indignação o brado.

Esses, que às pátrias glórias refratários De um nobre povo crêm-se mandatários, Negam uma homenagem A quem já vive na posteridade, A quem tem por pregão a eternidade, E o mundo por mensagem.

Ah! registre o Brasil em seus anais Mais este exemplo novo! Falsos depositários desleais Da vontade do povo

Nestes nefastos, miserandos dias, Um simples preito ao gênio recusaram, Ao monumento de Gonçalves Dias Uma pedra negaram.

Beto Acioli 103

oUtroS DIAS Salve Gonçalves Dias! Meus dias não são os mesmos que tu viveste outrora Muitas palmeiras secaram E os sabiás foram embora As aves que gorjeavam Muitas nem existem mais Nosso céu está mais cinzento Nem sombras dos sabiás

103Beto Acioli - Olinda – PE – Brasil - 18/09/1965. Poeta , blogueiro e artista plástico autodidata, residente em Recife/PE, participa de algumas Antologias pelo Grupo Editorial Beco dos Poetas ( À Deriva, Dois corações e

ums só batida, Nos meus tempos de criança era assim Por detrás da cortina e Folhas em Branco) e Editora Literacidade (Versos Enamorados e Cidades - vol 9). http://betoacioli.blogspot.com.br/

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Finaram-se as verdes várzeas Bosques desapareceram Por falta de amor, o homem destruiu as verdes matas Tangeu os sabiás pra longe

Permita o Senhor que eu morra Antes de tudo acabar E ainda ouça o canto raro Dos saudosos sabiás

Bianca Braga de Carvalho - Lady Viana 104

CAnção Do ExíMIo [PAíS]

I

Minha terra tem palmeiras, mas onde Canta o Sabiá? As aves, que lá gorjeiam, Não as escuto gorjear!

II

Nosso céu sem mais estrelas, Nossas várzeas sem mais flores, Nossos bosques temem a vida, Nessa vida sem amores.

III

Em lamentar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, mas onde canta o Sabiá?

IV

Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em lamentar - sozinho, à noite Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, mas onde canta o Sabiá?

104Bianca Braga de Carvalho - Lady Viana - São Paulo – SP – Brasil - 30 de março de 1996, a escritora de 16 anos é louca por livros sobrenaturais, paranormais, fantásticos e poesias. Grande conhecedora da área de design, ela mesma cria as capas de seus livros e ilustrações. Além de escrever, o que faz desde os 12 anos, tem como hobby fotografar.

V

Não permita Deus q’eu morra, Sem q’eu volte para lá; Para visitar Alcântara, Passagem Franca, Jatobá.

VI

Sem que desfrute os primores As frutas doces, O guaraná. Coisas essas de louvor Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste uma vez, Dona Amélia, o Sabiá.

CArtA À QUErIDA oLíVIA

I

Olívia, querida Queria dizer que ao desposar-te O meu coração doente, No momento não presente, Outrora havia sido feito em partes.

II

Perdoa-me pela carta em teus dedos, Pelas flores, Pelo metro de belarte, Presentes para esconder tuas dores, Por nunca ter sido amada de verdade.

III

Minha querida Olívia, Perdoa-me por não estar em teus braços, Mas tropecei em teus passos E não pude me levantar.

IV

Finalmente, Olívia, entenderei perfeitamente se Rasgares esse maldito papel em maço Quero mais que siga com tua vida Sem enfados, sem percalços E que um dia tires da memória Tudo que houve de ruim Quero que esqueças, Olívia Que um dia esqueças de mim.

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Bianca Melo 105

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GonçALVES DIAS Homem dos nossos dias Com pureza e amor Que encanta a natureza Onde beija o beija-flor

No cantar dos pássaros No raiar da esperança Vem contar em seus contos Que o sabiá cantou

Gonçalves Dias poeta Valente, carente e contente Que incendeia seus versos Com contos estrelados Que busca no rosto cansado A alegria dos enamorados

Gonçalves Dias nasceu em Caxias Na sua terra querida Se formou na universidade Para mostrar sua qualidade Com amor no coração Onde busca a paixão Na terra onde tem palmeiras Vem dizendo bela natureza Com alegria e pureza Escreveu poesia Falando da beleza do Maranhão Com orgulho no coração.

Bruno Fossari de Souza 106

CAnção Do ExíLIo Quando fui a Portugal, muitas belezas lá encontrei, mas as que temos no Brasil, lá não encontrei. No entanto, sempre me lembrarei do que lá vi,

105Bianca Melo - São Luís – MA - Brasil – 04/06/2002. Motivo da Participação: Em mostrar minha poesia a todos, além de homenagear o nosso Poeta. 106Bruno Fossari de Souza - Porto Alegre – RS – Brasil - 29 de novembro de 1997. Estudante do Ensino Funda- mental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte música e jogos eletrônicos. E-mail: brunofossari@hotmail.com

pois guardo comigo, também, as lembranças de meus pais. Lá ou cá, doces recordações!

C. AMELIA

Á MEMorIA DE AntonIo GonçALVES DIAS 107 Morreo! Não existe O bardo, o tocante Poeta gigante Do nosso Brasil, - Aquelle que a pátria Do CEO aos altares Nos longos cantares Levou tãso febril.

Vagando distante,

No lar estrangeiro, Soltava fagueiro Seu doce trinar, Sonhava, ferido Dos males da vida,

A terra querida

Que o vio embalar.

Transido de dores,

De taes soffrimentos, Nos dias cruentos, Do exílio cantava; E tal como a rola, Carpindo o esposo,

O pátrio repouso

Tristonho chorava.

Agora pungente, Lamenta oh! Brasil O astro gentil Que viste sofrer

Por entre agonias

No mar

esquecido,

Cahindo exhaurido Só pode morrer!

Ceará – 16 de Novembro de 1864

C. Amela. (Pedro II)

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107Jornal O Paiz, 1864, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Caio Henrique Solla 108

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SEU CAnto FICArÁ

És o poeta primeiro A cantar divinamente Verso puro e brasileiro Aclamando nossa gente.

Teu suspiro derradeiro Não impede de ir em frente Teu sublime cancioneiro Nosso imortal presente.

Já cantou o sabiá E que saudade nos dá Do nosso Gonçalves Dias!

Todos vamos para lá Mas o canto ficará Para além do fim dos dias.

Cairo José Gama Bezerra 109

EtErnoS DIAS Contava das belezas do índio, da natureza regional detalhando para o mundo a beleza nacional.

Saudade e amor à sua terra estava em seus poemas Saudades do povo brasileiro Amor tudo daqui, era seu maior tema.

Gonçalves Dias, Maranhense sim senhor! Muito mais que um poeta um servo da natureza e do amor.

108Caio Henrique Solla - Sorocaba – SP – Brasil - 7 de maio de 1993. Está no 4° semestre do curso de Letras: Por- tuguês e Inglês da Universidade de Sorocaba (UNISO). Ganhou seu primeiro concurso de contos em novembro de 2011. Participou em 2012 da antologia Arabescos do movimento VirArte e ganhou também o primeiro lugar e mais uma menção honrosa no I Concurso de Contos Machado de Assis, realizado pelo grupo Coesão Poética, de Sorocaba. 109Cairo José Gama Bezerra – Balsas – MA – Brasil. URE – Balsas - Centro de Ensino Médio Dom Daniel Comboni. Professora: Marcia Meurer Sandri

Camila Nascimento 110

o PoEtA DE SonHoS Conheci um cara, li um cara Que não era a minha cara, Mas da sua terra, a das palmeiras! Suas dores, seus amores de mulheres Ceci, Lucíola e Senhora, não sei do quê. Conheci sua vida, sua praça, seus índios, A Iracema dos lábios de mel. Da América, ameríndia, sol e lua Das terras de onde eu vim Do português, da tribo e do pajé Da lenda nasceu, viveu e morreu E Moacir, o filho seu, também é meu É teu, é nosso, porque fruto da terra Terra que o poeta sabia O Maranhão, o Ceará, o Brasil Seria terra de todos ou terra de ninguém?

Carla Isabel Baldez 111

orGULHo DE SEr MArAnHEnSE Vivo um presente cenário de ilustres momentos Dos sons das maquinas às psicodélicas cores mas é do passado que vem os ecos que tangem minh’Alma e me levam ao mais profundo êxtase Trago em meu ser, na minha memória, contos e obras deixadas Busco lá na história de nossos antepassados uma grande prova do saber deste povo Neste nascer do sol conheci mais um pouco sobre o que sou, como amar esta terra acompanhada na sintonia dos pássaros baseada na história de um formoso conterrâneo,“Gonçalves Dias” sua origem e sua simples história, construída de derrotas e conquistas destacadas pelo seu talento alienígena. Um grande incentivo para nossa nação brotando de uma fonte inesgotável de todo conhecimento. E neste vento frio que me abraça, aqui estou rodeada de livros, dobrando as páginas da vida, e conhecendo de cada linha a essência das palavras

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110Camila Maria Silva Nascimento. Milagres-CE. É doutoranda em Ciência da Literatura. É Professora do Curso de Letras da universidade Estadual do Maranhão-UEMA. Publicou Dilercy Adler: a tecelã de Eros nos trópicos maranhenses em 2011. 111Carla Isabel Baldez- São Bento –MA – Brasil- 17 de junho de 1997. Estudante do Centro de Ensino Médio e Profissionalizante “Newton Bello Filho” CEMP. Membro fundadora da Academia da Cultural da Juventude Sambentuense “ACJS”. Participante do projeto “A HORA DAS LETRAS”, tendo texto selecionado para laçamento de um livro promovido pelo Viva-Cidadão Unidade São Bento-MA.

Hoje é o Maranhão que guarda a tua história, eterno Literário, que se foi e nos deixou um exemplo eterno Nos passos de nossos habitantes, no riso de uma criança, no olhar de orgulho, na nossa Cultura e em nossa Literatura, deixamos gotas de agradecimentos, tornastes o nosso Maranhão um espaço rico, onde plantamos esperanças e colhemos histórias fabulosas assim como esta.

Carla Ludimila Oliveira Araujo 112

o MEU rIo PoLUíDo O meu rio poluído agora, ta muito Mais se parássemos de poluir, Não poluía nunca mais. As árvores tão caindo,

Se esbarrando pelo chão, se cuidarmos dela Teremos boa alimentação. Minha vida é poluída,

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O chão é muito mais,

Como vou fazer pra cuidar dos animais.

Carla Ribeiro 113

VILLE DE BoULoGnE Quando todos se salvaram, menos tu Por não ter forças já o corpo agonizante E porque as almas em volta do abismo

Não pensavam senão na própria salvação… Quando as ondas rasgaram a veste do navio Em que a doença já te consumia

E o próprio tempo esquecia,

Poeta, a agonia Da tua presença no meio dos homens. Do tempo em que o presente te esqueceu Fica o fantasma Da tragédia pairando sobre as águas Mas fica, para o futuro das memórias, A obra e o nome e as musas do teu mundo Para narrar aos deuses a tua vida.

112Carla Ludimila Oliveira Araujo – São Luís – MA – Brasil - 30/08/2011; Eu gosto muito das poesias de Gonçalves Dias. E adoro poesias e gostaria de lançar a minha. 113Carla Ribeiro - S. Martinho de Mouros – Portugal - 20 de Julho de 1986. Licenciada em Medicina Veterinária Colaboradora ocasional em algumas antologias e outras publicações literárias, e com alguns livros publicados em géneros tão diferentes como a poesia e o romance fantástico, sendo os mais recentes Pela Sombra Morre- rão (Antagonista Editora) e Senhores da Noite (Fronteira do Caos). Email: carianmoonlight@gmail.com

AMéLIA E renunciarás à musa Mesmo que o coração te sangre em amor e versos E a memória da mulher nunca desfaleça Nos confins do coração.

Guardarás o seu nome na memória

E escolherás a honra sobre a ousadia De negar as horas do mundo, Pois a sina é, também ela, mulher E os olhos dos homens olham, em desgraça, As sombras da divergência Em cada raça.

Amarás sempre, mas em eterno silêncio,

Ciente, talvez, de que outros desafiaram A lei que não contestaste, Mas guardarás o adeus da dama amada E seguirás no teu próprio romance De sonhos e de sombras

E de mar, enfim,

No fim…

rEEnContro CoM A MUSA Voltar a ver-te e à dor nunca esquecida Que gravarás também com sangue teu… Eis, alma de poeta consumida Como a mulher que o coração perdeu.

Lamento do que não aconteceu, Disposta a musa, dura a despedida, Paira sobre ambos dor que não morreu, Que, olhando, se desperta em nova ferida.

Eis-te, mulher, a sangue transcrevendo Versos de um coração que vai morrendo Na dor de um perene arrependimento.

E eis-te, poeta, ante o olhar perdido De um passado que não foi consentido. Adeus, oh, outra vez, mais um momento!

rEtrAto DE GonçALVES Falas de raças, de terras, de amor, Da pátria de um romance universal E amas, a cada verso, a cada mal De amar num coração cheio de dor.

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Louvas as glórias de um país maior E a graça do coração magistral Que assombra as ânsias da escolha final E que te veste de honra sem temor.

Falas de Amélia, apaixonante musa, Na sombra da tua própria recusa De lealdade imensa, abençoada.

De ti, cabe falar à eternidade Para recordar a suave majestade Da obra eternamente recordada…

LEAL Eles te recusavam. Bem sabias Que era romper com vida e liberdade Seguir, por todo o resto de teus dias, A paixão que te apelava à vontade.

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Escolherias de amor a imensidade, Mas a vozes maiores afrontarias. Deste-te, pois, ao ventre da amizade Para lamentar, no adeus, que te perdias.

Da musa admiravas graça e beleza, Suaves traços de etérea juventude No núcleo do coração preservados.

Mas falava mais alto que a tristeza A honra, sempre máxima virtude, E os sonhos de amor seriam negados…

Carlos Arturo Llanos Solis 114

HOMENAJE A GONÇALVES DIAS Te toco vivir fuera de tu patria, y sufrir la nostalgia de estar lejos de ella. Pero en tu pecho amante el calor de la madre tierra, latía anhelante en la espera.

114Carlos Arturo Llanos Solis - Río Hablador, en Lima - Perú - 21 de Marzo de 1949. Mi niñez y juventud transcur- rió a orillas del Océano Pacifico, en el hermoso balneario de Barranco, un hermoso Distrito al Sur de Lima. A la fecha tengo publicados los siguiente libros: “Un Poema de Amor” (1995) - Anhelo, Amor y Pasión” (1998) y “Un Poema Para el Mundo” (2011). Y ya me encuentro trabajando en mi nuevo libro titulado: “Mi Vida En Un Poema”.

Con el tiempo, volviste a la patria y al Brasil le diste tu credo:

poesía, literatura y amor por la crianza.

Romántico poeta fuiste

y a Amelia le diste tu amor,

pero por ser plebeyo, pecado, matrimonio no pudiste dar.

Con el corazón destrozado quedaste, y a Amelia tuviste que olvidar. Pero el tiempo que todo lo cura, a Olimpia, trajo a tu vivir. y con ella formaste tu hogar culminando tu sueño de varón, y así junto a ella compartiste tu hogar, y el lecho matrimonial.

Con el tiempo el destino certero, de tu tierra te hubo de alejar. Por males que minaban tu ente, tu Brasil, tuviste que dejar.

Tu mal, ya no tenia cura,

y tu corazón sufría aun mas,

por estar lejos de la tierra

y en el “Velle de Boulogne” te hiciste a la mar.

Cuando puerto se avistaba a tu sino, nuevamente el destino fatal:

te llevo de esta vida en tu lecho,

y en tu mar del Brasil, rendiste tu final.

Carlos Bancayán Llontop 115

nACIStE VEStIDo DE VErDE “No permita Dios que muera Sin que vuelva para allá, Sin que disfrute los primores Que no encuentro por acá, Sin que aviste las palmeras Donde canta el Sabiá”.

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115Carlos Bancayán Llontop – Chiclayo - PERú. Tiene seis libros publiados, entre poesía, ensayo y narrativa. Prac- tica también el periodismo cultural e integra diferentes instituciones literarias, peruanas e internacionales.

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Antonio, naciste vestido de verde, del verde follaje de tus selvas, donde levantan tus indios timbiras sus limpias miradas cuando pasas regando con la savia de tu sangre tu cálido follaje, tu fronda caudalosa…

Naciste señalado para ser un poeta amador de tu raza, de tu ancestro materno, puro por ser de arcilla, de jaguares y pájaros.

Cuando joven amaste con el amor de niño que por siempre quedaste. Ana Amelia fue musa de tus primeros versos, de tus primeros viajes en el velero de Eros, de flores y plumajes; pero el monstruo paterno de prejuicios oscuros desoyó la ternura de tus años tan mozos; retornando a tu Río de Janeiro, por tanto, colmaste con Olimpia anhelos amorosos.

San Luis de Marangao, al pedir de gobierno te vio indagar problema de educación, la base de humano desarrollo, y también a Europa enviáronte, sapiente, con el mismo propósito.

Pero quiso tu sino, y el de tu pueblo hermoso que a tu regreso fueras invitado a explorar el norte de Brasil, cálido y fragoroso.

Allí te reencontraste con tu savia materna, allí te saturaste de palmeras y fronda, de coloridos pájaros, de paisajes nocturnos preñados de rumores antiguos, venerables, morados, insondables…

¿Fue tu selva luctuosa donde te laceraste? ¿Fue la entraña nativa, la que te dio la vida, la que te inoculara también hacia la muerte?

AntonIo, MUErtE Y VIDA Antonio, muerte y vida (tú, poeta, lo sabes) son líneas paralelas hacia el mar infinito de garúas y pléyades, de luceros y vientos…

Si por amar tu sangre ee árbol, de magnolia, de palmera amapola, de reptil emplumado fue que también moriste, sacrificio sagrado sería el de tu muerte. Cristalino tu féretro, naufragó tu envoltura terrenal, pero quedan tus Cantos, Meditaciones, de Sextillas sus Ojos y un diccionario vivo de tus indios tupíes, de tus manes timbiras; así, tu ser alado, como los colibríes, permanece en tu pueblo, en jaguar y en rocío, pues naciste de verde y moriste de río.

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Carlos Cintra 116

AoS DIAS DE GonçALVES Teus dias brancos, a cor suave, Da leve pena com que escrevias Poemas, e poesias; Nos teus dias Gonçalves E são tão feitos de alma, Que a leve pena na palma Espalmada em tua mão Deu ao mundo sua versão Nos versos escrevestes Nos dias brancos Nos brancos dias Dias de Gonçalves Gonçalves eternos Dias

Carlos Drummond de Andrade – 1945 117

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noVA CAnção Do ExíLIo 118 Um sabiá na palmeira, longe.

Estas aves cantam um outro canto.

O céu cintila sobre flores úmidas.

Vozes na mata, e o maior amor.

Só, na noite, seria feliz:

um sabiá, na palmeira, longe.

116Carlos Cintra - Recife PE – Brasil - 02/10/1967. Atualmente mora em Petrolina PE; Participar desta antologia é marcar com a poesia uma grande homenagem a Gonçalves Dias. 117Carlos Drummond de Andrade - Itabira do Mato Dentro – Minas Gerais – Brasil - 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro. http://www.releituras.com/drummond_bio.asp 118http://www.moinhoamarelo.com/2011/07/serie-cancoes-do-exilio-carlos-drummond.html; Poesia compila- da por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Onde tudo é belo e fantástico, só, na noite, seria feliz. (Um sabiá, na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e voltar para onde tudo é belo e fantástico:

a palmeira, o sabiá, o longe.

EUroPA, FrAnçA E BAHIA Meus olhos brasileiros sonhando exotismos. Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo. Os cais bolorentos de livros judeus e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

O pulo da Mancha num segundo. Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.

Tarifas bancos fábricas trustes craques.

Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas formam um tapete para sua Graciosa Magestade Britânica pisar.

E a lua de Londres como um remorso.

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Submarinos inúteis retalham mares vencidos.

O navio alemão cauteloso exporta dolicocéfalos arruinados.

Hamburgo, umbigo do mundo. Homens de cabeça rachada cismam em rachar a cabeça dos outros dentro de alguns anos.

A Itália explora conscienciosamente vulcões apagados, vulcões que nunca estiveram acesos a não ser na cabeça de Mussolini. E a Suiça cândida se oferece numa coleção de postais de altitudes altíssimas.

Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.

Não há mais Turquia

O impossível dos serralhos esfacela erotismos prestes a deslanchar.

Mas a Rússia tem as cores da vida.

A Rússia é vermelha e branca.

Sujeitos com um brilho esquisito nos olhos criam o filme bolchevista

e no túmulo de Lenin em Moscou parece que um coração enorme está batendo, batendo mas não bate igual ao da gente

Chega! Meus olhos brasileiros se fecham saudosos. Minha boca procura a “Canção do Exílio”. Como era mesmo a “Canção do Exílio”? Eu tão esquecido de minha terra Ai terra que tem palmeiras onde canta o sabiá!

Carlos Eduardo Pinto Leitão 119

UM GrAnDE PoEtA Gonçalves Dias um grande escritor. Homem de muitas riquezas nos deixou. Poeta que desperta saudades dos versos de amor.

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No mundo sempre escrevia suas emoções. Suas emoções ele expressava. Homem de muitas viagens. Em cada verso o amanhã sorria!

Carlos Eugênio Costa da Silva 120

UM CAnto A GonçALVES DIAS Na cidade de Caxias, situada no Maranhão nasceu quem seria então um ícone do Indianismo. Semeava o civismo através de suas poesias e a nossa literatura cresceu com a arte e cultura de Antônio Gonçalves Dias.

119Carlos Eduardo Pinto Leitão – São Luís – MA – Brasil - 21/02/2002 - Motivo da Participação: Homenagear um homem que hoje esta sendo reconhecido através de suas poesias é gratificante. Cursando: 5º Ano Turma: C – Profª Shirle Maklene. 120Carlos Eugênio Costa da Silva - Vacaria – RS – Brasil - 11 de dezembro de 1968. Graduado em Letras pela Uni- versidade Católica de Pelotas. Leciona Literatura em Cursos Pré-Vestibular em Pelotas e Canguçu. No ano de 2010 recebeu o Título de “Cidadão Pelotense” outorgado pela Câmara de Vereadores por sua divulgação do Município através da arte poética. Campeão Gaúcho em Poesia Inédita 2003 possui quatro livros publicados e mais de duzentas premiações em concursos literários.

Consolidou o Romantismo com sua lírica inspirada, e em Portugal fez estada a fim de cursar Direito, saudade apertando o peito não ofuscou o seu brilho e a nostalgia e tristeza foram temas pra beleza de sua “Canção do Exílio”.

De sua lavra fazem parte

a obra “Primeiros Cantos”, e outros escritos tantos da Primeira Geração, “Sextilhas de Frei Antão” de medievalismo forte também “I-Juca Pirama” aonde o índio clama:

ouvi

meu canto de morte.

Valorizou em seus versos o patriotismo pujante que era tema constante de sua pena, sem igual. Criou o herói nacional cheio de honra e valentia. Cantou tristeza e saudade, frustrações, felicidade, amor e melancolia.

Haverá de ser eterna sua obra, sua memória que orgulha a nossa história através das gerações. Felizes são as nações que às letras dão valor e assim, por sua essência constroem com inteligência um futuro promissor.

Carlos Gomes

São LUíS Do MArAnHão Minha cidade querida Oh meu amado torrão

Dos sobradões de azulejos

A fonte do Ribeirão

Teus mares são tão férteis

A beleza predomina

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No interior do sertão O babaçu que domina Oh sabiá de gorjeios harmoniais Teu canto é mais bonito Nas folhas dos palmeirais O poeta Gonçalves Dias Em poesias narrou Essas terras bonançosas Que tanto admirou Aqui encerro esses versos Que guardo no coração Também nasci nesta terra São Luís do Maranhão

Carlos Lúcio Gontijo 121

Gonçalves Dias O sabiá esvoaçante onde canta? Aonde chega o alto-falante de seu canto? Manto flamejante em forma de som Que aos ouvidos somente encanta Numa promessa de constante tempo bom Sem a dor lacrimejante da solidão que espanta Tornam-se afeitas as esperanças mais arredias E vivo se nos apresenta o poeta Gonçalves Dias!

Carmen Lezcano Aranda 122

CíCLICo GonCALVES DIAS A los ojos de la noche, cantas Romancero Tíldate las pieles, en claves de navío meciendose estan, acaso en amor callado, en mar abierto de silencio dormido.

Ocaso de la briza, ausentaba tus versos en blanco vestido, coronando tú voz a destierro de sueños, por destino de arcos y flechas, reino de TUPí.

121Carlos Lúcio Gontijo - Santo Antônio do Monte – MG – Brasil - 27 de abrill de 1952. Secretário de Cultura (2013/2017). Jornalista, foi revisor e editor de Opinião do jornal Diário da Tarde, em Belo Horizonte, além de ter trabalhado nos jornais Tribuna de Mariana, Diário de Minas, Jornal de Minas e Hoje em Dia. Autor de 15 livros, Desde o ano de 2005, mantém no ar um site de livre acesso (www.carlosluciogontijo.jor.br), no qual disponibiliza toda a sua obra literária. 122Carmen Lezcano Aranda - Lambayeque - Perú. 6 de febrero de 1952. De profesión especialista dental, adhe- rente a la poesía y autodidacta de pintura y escultura.

linial palabra, vuelo de gaviotas, lecho de espuma bajo el cielo azul, y tus pies desnudos frente a los traidores en la prosapia busqueda, fuiste salvador.

Con el germen conciente de ser Nacionalista, con valentía y sin demora esparces al redíl Abanican las palmeras y el retorno del exilio en un tronar mestizo que el “sabiá” en su cantar

acrecienta el trueno al “alba de rejas” ruje el Pacifico, en “osa mayor” y aquel destierro de cíclico sino ni en tierra, ni en mar , callará tú voz.

Carollini Assis 123

CAnção LIVrE PArA AnA AMéLIA Ainda uma vez – adeus Durmo nos braços d´água De onde tira-me a yara, Para dançar guarânias.

A beleza de tuas escamas

E do canto guarani

Faz-me voltar ao tempo de ti

E do amor ofertado.

Que sereia! Que seria! Dormir em teus seios, poderia

O mestiço escritor?

Eis que atravessa o oceano Busca a cura além Mas a morte quando visita Não manda flores nem fita A alma agoniza Na canção de bem querer.

Para quem nada restou Só as letras e o amor Compor, escrever louvor Foi a rota escolhida.

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123Carollini Assis - Velença – BA – Brasil. Jornalista formada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pós-graduada em Roteiros para Tv e Vídeo pela Unijorge. Sua formação audiovisual também deriva da Escuela de Cine Y Tvde San Antônio de Los Baños, em Cuba, onde cursou Realização Cinematográfica. Atual- mente é Diretora Institucional da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV).

Definida está a vida Nunca seria ao seu lado Embora carregue o fardo Do amor jamais consumado.

Ana Amélia, doce virgem Das terras do Maranhão - que chores, não de saudade. A morte não nos tem piedade.

Casimiro José Marques de Abreu - Casimiro de Abreu 124

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CAnção Do ExíLIo 125 Eu nasci além dos mares:

Os meus lares, Meus amores ficam lá! – Onde canta nos retiros Seus suspiros, Suspiros o sabiá!

Oh! Que céu, que terra aquela, Rica e bela Como o céu de claro anil! Que seiva, que luz, que galas, Não exalas, Não exalas, meu Brasil!

Oh! Que saudades tamanhas Das montanhas, Daqueles campos natais! Que se mira, Que se mira nos cristais!

Não amo a terra do exílio Sou bom filho, Quero a pátria, o meu país, Quero a terra das mangueiras E as palmeiras E as palmeiras tão gentis!

Como a ave dos palmares Pelos ares Fugindo do caçador;

124Casimiro José Marques de Abreu Brasil. Silva Jardim, 4 de janeiro de 1839 - Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860); foi um poeta brasileiro da segunda geração romântica. 125Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Eu vivo longe do ninho; Sem carinho Sem carinho e sem amor!

Debalde eu olho e procuro Tudo escuro Só vejo em roda de mim! Falta a luz do lar paterno Doce e terno, Doce e terno para mim.

Distante do solo amado – Desterrado – a vida não é feliz. Nessa eterna primavera Quem me dera, Quem me dera o meu país!

Cecy Barbosa Campos 126

CAnção Do MEU ExíLIo A casa da minha avó tinha um extenso quintal, tinha flores, tinha frutas e perfume sem igual. Os passarinhos cantavam numa árvore frondosa enfeitada do amarelo de carambolas maduras que dançavam, suavemente, ao sabor de doce brisa que amenizava o calor. Jaboticabas redondas, abraçadas, bem juntinhas, cobriam troncos e galhos aguardando o seu destino. Bocas gulosas se abriam e na suculenta explosão o doce caldo escorria. As crianças com alegria lambiam com sofreguidão as pontas dos dedos melados

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126Cecy Barbosa Campos - Juiz de Fora – MG – Brasil - 26/06/1938. Bacharel em Direito e licenciada em Letras- Ingles Mestre em Letras pela UFJF onde lecionou Lingua Inglesa e Literaturas de Lingua Inglesa. Tem trabalhos publicados em revistas especializadas, anais de congressos, antologias literárias e os livros The iceman co- meth: a carnavalização na tragedia; O reverso do mito e outros ensaios; Recortes de vida(contos e criticas ) e Cenas(poemas).

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e riam, com satisfação. Ao relembrar com saudade a casa da minha avó, sinto cheiros, tenho sonhos, com aquilo que eu tinha lá. Queria voltar no tempo, a tudo poder retornar, chupar as jaboticabas e os pássaros escutar. Foi-se tudo, só lembranças trazem de volta os primores que não mais encontro eu cá.

Ceferino Daniel Lazcano 127

CAPItÁn DE nAUFrAGIoS Tal vez sea ése el destino de los poetas:

morir solo y hundido, abandonado a su suerte. En tus retinas, en tu memoria te habrás llevado el cielo con sus estrellas las mujeres hermosas e inocentes de ojos negros, el amor abismo encendido en tu corazón, el parpadeo verde del ecuador los sublimes perfumes de la dicha y del dolor las palabras trabajadas con esmero los versos cincelados con fervor la amargura, el misterio, el perdón. Para mí que no has muerto, Antonio Goncalvez:

Tal vez seas el único sobreviviente de aquel navío… tus poemas y tus libros te han traído a esta orilla de tierra firme y luz. Vivir no es sólo respirar.

127Ceferino Daniel Lazcano - Bolívar, provincia de Buenos Aires, Argentina - 05 de Marzo de 1967. Licenciado en Comunicación Social por la UNICEN (Universidad Nacional del Centro de la provincia de Buenos Aires). Escritor, corrector literario y coordinador de talleres literarios.

Célio Jota Betini Junior 128

toDoS DIAS São GonSALVES Mil poemas para Gonçalves dias. E se fosse Gonçalves noites? Ou talvés Gonçalves tardes; Sendo dias, noites ou tardes, Gonçalves, um baloarte na noite e em tardes; Dos dias, que tem as chaves, várias chaves; Que me encontram para dizer; O presente é uma dadiva, nunca pode esquecer. Muito bem representado, um mucado de passado. Jamás tarde. Salve! Todos Dias são Gonçalves.

Celso Correa de Freitas 129

GonçALVES DIAS Primeiras poesias Cantou Sabia seu canto Absorvendo cultura Enriquece sua alma brasileira Em Coimbra Sua solidão desperta sentimentos Doloroso exílio Retorna para suas palmeiras Sofrendo preconceitos Eterniza seu adeus, perece! No mar.

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128Célio Jota Betini Junior - Teixeira de Freitas – BA – Brasil - 15/09/1988. Casado, estudante de Direito e escritor. Residiu na Europa durante quatro anos, hoje mora em sua cidade natal. 129Celso Correa de Freitas Itaperuna – RJ – Brasil - 26 de Agosto de 1954. Atual Presidente da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP, gestão 2007/2013. Membro de diversas entidades culturais brasileira. Colabo- rador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites). Participante, prefaciante e Organizador de Antologias. Criador do OVERTRIP (Celso.correadefreitas@gmail.com;

Cesar Augusto Marques 130

DISCUrSo EM noME DoS CAxIEnSES 131 , 132

Caxias, bela flor, lírio dos vales, Gentil senhora de mimosos campos,

… então mais forte do que ele, tua alma, Desconhecendo o temor, o espaço e o tempo, Quebrou n’um relance o circulo estreito Do finito, e dos Céus! Então, entre miríades de estrelas, Cantando hinos de amor nas harpas d’anjos,

Vem correndo

Lançar-te nos braços nossos. Mais veloz que o ligeiro pensamento, Vem depressa, urge o tempo, vem dar calor

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………………

aos

membros gelados,

Talhados a golpe de hábil buril, Vem dar movimento Aos braços no peito cruzados,

Pede cantos aos ledos passarinhos Pede clarão ao sol, perfume às flores, Às brisas suspirar, murmúrio aos ventos, E o sol, a ave, a flor, a brisa, os ventos E as fontes que murmuram docemente, Na festa de tua alma hão seguir-te;

As grinaldas gentis, de que a toucaram Donzéis loução, enamoradas virgens, Uns versos de prazer entre soluços!

Nesta doce mudez, neste silencio … que tanto amou, – e que amou-o tanto, Cuja presença lhe escaldava a mente

130César Augusto Marques - Caxias – MA – Brasil –12 de dezembro de 1826 — falceu em Rio de Janeiro, 5 de de- zembro de 1900); foi um médico, professor, escritor, tradutor e historiador. Estudou, em Coimbra, Matemática e Filosofia (1844-8). Ingressou no Corpo de Saúde do Exército. Arquivista da Câmara Municipal, secretário da Inspetoria Geral de Instrução Pública e Secundária da capital federal. Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1888), Academia Imperial de Medicina (1874), Conservató- rio Dramático da Bahia (1866), Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano (1864). 131Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 524-527. 132Serve de título. Os versos foram declamados entremeados entre cada estrofe com um discurso em nome dos caxienses. A autoria não é especificada, senão o nome do orador. Não foi apurado se se tratam de versos feitos para entremear a exposição, ou se foram recolhidos doutros autores, ou se se trata de uma miscelânea de poesias do orador ou de outrem. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Cuja voz o encantava, Cujo silêncio lhe falava n’alma, Essa mulher – tão terna – e amante e pura;

Já que não quiseram Um dia as vagas … os teus restos rejeitar na praia D’onde tão novo te partieste, e onde Devia a cinza fria achar jazigo –

………………… o afeto Que se gera e se nutre em almas grandes, Que não acaba e nem muda, antes cresce

Firme na base, intacta, e sempre bela

Seja padrão de glória entre nós outros.

Em gélido sudário De neve alvi-nitente

Rainha veneranda Trajando sedas e veludos,

Vive com Deus na glória E no nosso coração tua memória.

César William 133

AInDA UMA VEz, AInDA UMA VEz Tributo a Gonçalves Dias

Não foste vate de uma época apenas tua obra ecoará sempre como canto guerreiro tupi nos corações de uma nação de leitores que continuam se inebriando com teus versos.

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133César William - São Luís – MA – Brasil - 22/05/1967. Autor do livro de poemas, “O Errante” (1988) e “Oficina das Palavras – Dicas Imprescindíveis da Língua Portuguesa” (3ª edição,2013). Tem participação em antologias locais e nacionais e colaboração em vários jornais. É graduado em Letras pela Uema e pós-graduando em Lín- gua Portuguesa e Literatura pelo Iesf. Atua na rede pública de ensino de Paço do Lumiar e em pré-vestibulares de São Luís.

Amélia vive em milhões de corações sob teu canto “eterno alvo à população” de gerações e gerações que entoam tuas canções.

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Tuas palmas de altas virtudes ainda despertam os que choram de paixões no mundo inteiro “Enfim te vejo! – enfim posso, Curvado a teus pés dizer-te” foste o último romântico a ser tão inteiro

Christian Keniti Asamura Hukai - Christian K. A. Hukai 134

o oUtro LADo Sabia que viria o dia, A minha querida partia e restava-nos que então citar o exílio e sua canção.

Auxílio aos filhos deixados, trancados nesta terra enquanto minha mulher exilada era forçada a abandonar-nos.

Arrancar-nos corações, lamentações, roucos implorando seu pouco permanecer e nos lembrarão sem brilho no outro lado dessa “Canção do Exílio”.

AS PALMEIrAS Gonçalves sonhava nestes Dias sadios saciava esses vazios que agora arrasados nessa zorra atual.

As palmeiras que as via já não há mais; Permanecer aqui o cidadão queria, E agora? Viver em Portugal, abandonar a pobreza e

134Christian Keniti Asamura Hukai-Christian K. A. Hukai – São Paulo – SP – Brasil - 02 de Abril de 1996 Email:

christian.hukai@gmail.com

este governo imoral? Deixando a corrupção dentre as muitas, seja a qual?

Sim, sim: Portugal não é perfeita. Não fede nem cheira, Ainda assim, qualidade de vida boa, E meu afim, fugindo pra outra rota, logo sem maldade soa antipatriota.

,Amor e saudades sempre terei onde for. “Brasil na veia” doesn’t matter onde esteja. Mas nunca esquecerei dos meninos sem meias, aqueles sonhos inspiradores que ninguém almeja, ou também dos ladrões:

desde de rua à barões de cerveja.

Ó Brasil Com barril do petróleo caro, olho as riquezas e pobrezas ao lado desigualdade, este nosso fardo. Acabando com o verde, agora já que o ouro, no bolso dos poucos já fora roubado.

Christiano Ferreira Nunes 135

SonEto PArA GonçALVES DIAS Quero falar de um talentoso poeta Que nasceu no Estado do Maranhão Seus escritos tocam o coração Com toda a certeza atingiu sua meta. Viveu na época do romantismo Poetizou como se fosse exilado E ali escreveu versos inspirados Com uma tal maestria e especial lirismo. Sua Terra de palmeiras não é lá Em lindo versejar, bela poesia Homenagem donde canta o sabiá. Quem é esse que nos deu tanta alegria? As aves gorjeiam no lado de cá É o grande Antônio Gonçalves Dias.

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135Christiano Ferreira Nunes. Sou formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Paraná. O pri- meiro poema que li foi Canção do Exílio e me empolguei. Escrevo romances, contos,crônicas, poesias e outros.

PoEtA GonçALVES DIAS Quero falar desse poeta Que nos deu tantas poesias Antonio Gonçalves dias As suas obras seletas. Seu poema me maravilho Coisa mais linda não há Cá onde canta o sabiá Sua bela canção do exílio. Nossas várzeas inda há flores E ele vivo continua Inspirando pela rua Nas poesias tem mais amores. Esse herói por aqui passou Exemplo de inspiração Nascido no Maranhão Mas um naufrágio o ceifou.

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Cintia Cirino da Silva Santa 136

GonçALVES DIAS Você que fez o mundo aplaudir seus encantos Fascinando os lugares por onde passava Sela o tempo com suas historias Observando tudo com seu olhar puro e brilhante Rabiscava em um papel sem saber que depois tornaria imortal Transformando o simples em poesia Com sua mente indianista exaltava a natureza Valorizado a essência do homem Independente da sua raça ou crença Sabia o significado da palavra amor Que não se resumia apenas em quatro letras Crescia em seu coração de poeta para voar, nos campos infinitos da imaginação Podia ver além dos olhos dos ignorantes Enxergava no brilho dos olhos alheios o espelho que refletia a alma e suas emoções Formando assim um compromisso com o universo literário Que não significava obrigação era apenas afeto um ato de amor completo Existia verdade em seus sentimentos Desligou-se da terra que todos chamavam de mãe Foi para o céu deixando saudade Um pensador silencioso doava a todos que desejasse seus conhecimentos Sua essência exala a sabedoria

136Cintia Cirino da Silva Santa - Aracaju - SE – Brasil - 21/05/1981. Sou apaixonada por livros de boa qualidade, nas minhas horas vagas eu escrevo no meu blog é uma coisa que faço sem obrigação só por amor. Fala so- bre Gonçalves Dias para mim é um grande privilegio seus poemas mim encantam. MSN: escritoresdealma@ hotmail.com – Site: http://www.escritoresdealma.com/

Hoje se procuro não mais encontro

Procuro parte de te

Não sei se perdi ao nascer ou depois que vivi

O que procuro não tem forma É apenas lembranças tão grandes quanto o universo Não daria para carrega nas mãos

É uma aurora reluzente causa-me cegueira

Essa poesia que só existia em você Induz-me a voar, escreve com a alma ate hoje mim faz chora Quando imagino o exílio minha terra quase não mais tem palmeiras muitos menos sabiá Ás aves que aqui deixou a civilização moderna matou Pois são poucas as pessoas que amam essa terra como você amou.

Clarindo Santiago 137 - São Luís, 1941

SInFonIA InACABADA 138 Quem hoje no Maranhão venha romeiro, W repre o seu ar tristonho e pensativo, Terá de lhe auscultar o coração cativo Da grandeza passada, o seu tesouro inteiro.

A capital circunda a estatua do si divo,

A baia recorda o perdido veleiro.

É

raro um sabiá cortar o céu, ligeiro,

E

a pasiagem perdeu o encanto primitivo.

O

ruído do arvoredo é um soluçar de palmas,

A

Sinfonia só de Schubert comparado,

Infinita orquestração de prnto em nossas almas

Triste vate que o mar tragou, nas suas iras,

É o Maranhão que chora o canto inacabado,

A eterna inconclusão do poema dos Timbiras!

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137Clarindo Santiago - São Luís – MA – Brasil - 12 de agosto de 1893. Foi membro efetivo do IHGM, onde fundou a cadeira 4, tendo como Patrono Simão Estácio da Silveira; na AML ocupou a cadeira 13, patroneada pelo jorna- lista José Candido de Moraes e Silva, proprietário e redator principal do “Farol Maranhense”, o primeiro jornal liberal de nosso Estado. Graduou-se em Medicina, exercendo a profissão com sucesso, optando também pelo Magistério, literatura, jornalismo e poesia. Tinha forte inclinação de ensaísta, sentindo prazer em elevar o nome daqueles de sua terra que se destacavam culturalmente. Escreveu O Solitário da Vitória. Ensaio critico. In Revista da ABL, Rio de janeiro, 1932; e Comemorações do 1º Centenario do nascimento do poeta Sousa Andrade. Grafica Renascença, Paraíba, 1937; O poeta nacional. A escola mineira e suas fases; Rumo ao sertão; João Lisboa; Neto Guterres – o medico dos pobres. No Magisterio, além de professor, foi diretor do tradicional Liceu Marenhense e da Instrução Publica. Faleceu ainda novo, de morte trágica, em novembro de 1941, nas águas to Tocantins. 138MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 66, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Clauber Pereira Lima 139

AnA AMéLIA SEntE SAUDADES! Ana Amélia sente saudades!

Quando Gonçalves Dias viajou, Ana Amélia não resistiu e chorou. Sentiu saudades! Andou e divagou pelos mares.

A saudade foi tão grande, Que ela se recolheu por um momento, E recolheu suas mãos num abraço em si própria relaxando toda a tensão. Depois, partiu a correr e a gritar:

- Eu preciso encontrar a paz, Necessito imaginar o seu retorno.

Pensando assim os dias seguem, dando voltas sem fim E, no dia em que ele chegar Eu vou sorrir e chorar.

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Os dias passam e a noite vem,

A noite vem e os dias passam.

Ana Amélia sempre triste, Fica a sós e não resiste; Seus olhos estão encharcados, Seu coração e sua vida em prantos. Não há mais do que sorrir; A vida parece não existir. Mas, eis que um dia chega uma carta; Ele não se esqueceu afinal.

A alegria volta radiante,

Seu coração agora está pulsante. A espera de qualquer notícia Doeu como o espinho do limoeiro na cabeça da jovem cabocla. Mas a dor passou, O amor voltou.

Ana Amélia está feliz; Passa os dias sem nada dizer.

139Clauber Pereira Lima - Pedreiras – MA – Brasil - 26 de dezembro de 1962. Sacerdote E Pesquisador. Licenciado em Teologia pelo CENTRO TEOLÓGICO DO MARANHÃO e Licenciado em Filosofia pela turma de 1998.2 na Uni- versidade Federal do Maranhão – UFMA. Mestrado em Antropologia Social e Cultural pela Université Catho- lique de Louvain Bélgica; Mestrado em Teologia pela Université Catholique de Louvain – Bélgica. Membro da Discernment of Spirit Commission junto ao bispo de Calgary, Alberta, Canadá. Colaborador junto ao Tribunal Diocesano de Calgary, Alberta, Canadá. LIVROS PUBLICADOS = Sartre e a questão da Transcendência, Recife, Editora Livrorapido, 107 p. 2003. Skype: clauberl E.mail: clauberlima@gmail.com

Fica apenas a sentir, A dar valor à vida, a sorrir de tudo. Aquele que ela tanto ama Escreveu e pensa em regressar; Não deu prazos e nem hora. Resta apenas contar os dias, Um a um com alegria e acreditar que o reencontro mesmo inusitado é possível de acontecer.

rEtALHoS DE UMA VIDA: GonçALVES DIAS E oLíMPIA Tenho no meu íntimo uma grande emoção, Descobri sem querer que você é importante. No meu dia a dia você está resolutamente presente; Sei que não foi sua culpa;

Me amar não te quero obrigar Siga o teu caminho e me deixe por cativar. Não foi também minha culpa tentar querer o teu coração. Por isso sejamos bons amigos, sem desculpas.

O que poderia ter acontecido conosco? Amarmo-nos um ao outro até cair na rotina. Não quero expô-la a isso. Quero para ti somente uma vida a dois, em enlevos de amor eterno.

Sei que fui ousado em te querer. Mas, segui meus impulsos E o que fiz foi te perder. O amor é mesmo injusto.

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GonçALVES DIAS EM SEUS ÚLtIMoS MoMEntoS EM BUSCA DE AMor E DE PAz Naquele vapor a encher-se d’água Gonçalves Dias poderia ter vivido esta emoção entre Céu e Mar:

Luz, muita luz me envolve Esplendor e muita cor. Sinto a tua querida presença Ana Amélia e, com isto me alegro Vejo-te se aproximar e me entrego.

Em pensamentos vistosos me enlevo Vagando na imensidão, e me deixo levar Ao lugar da paz sonhada Onde a encontro perfeita e pura. Desperto para a realidade Tento mudar esta fatalidade Da vida em volta:

Guerras, peste, fome e caos social. Tu me poderás ajudar

Dando-me forças. Sendo assim, contribuirei para uma mudança extrema Distribuindo amor, sossego e pão.

Pra nós será fácil. Pelo menos tentaremos!

Enquanto isto a água leva o corpo do querido poeta romântico Mas fica a sua lembrança E nós os seus amigos continuaremos com passos firmes a construir o Brasil que confere a todos as mesmas chances de educação e humani- dade.

MArAnHão, EStoU CHEGAnDo! Cai a tarde lá no Maranhão As folhas murcham e a noite vem. O pôr-do-sol lá é bonito, O sol se esconde por entre as palmeiras de babaçú.

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Com o seu vermelho ele se mostra, Até sumir. A natureza se ressente; Com a sua ausência ela descansa.

Pela tardinha Os passarinhos se agasalham, Procurando seus ninhos em cada árvore, Indo dormir pelo poente.

De manhãzinha a passarada Acorda feliz e a cantar; Correm sobreiros por sobre as nuvens, Como se fossem caminhos no ar.

O nascer e o pôr-do-sol, Lá no Maranhão, terra querida, É mais belo que no Canadá; É emocionante! É o começar e o terminar de atividades.

No Maranhão, o tempo importa O viver cedo inicia. Vai-se ao curral tirar o leite; Vai-se ao pasto levar o gado.

O trabalho é cansativo; Não há prá onde escapar; Ou se trabalha com toda força Ou vai-se embora a terras outras.

Ao fim de cada dia a família se reúne; Fala-se sobre o roçado até à hora do jantar. Depois do mesmo, a conversa se prolonga E ouve-se de lendas e costumes; de lobisomens e boi tatá. Dorme-se tarde e bem cedo se acorda. No Maranhão tem aquela paz Como se o mundo fosse só ali. Não há discórdias e quando as há Firma-se a voz e se discute.

Foi nessa terra que nasci Nessa vivência de caboclos. Eu vim de lá e sou caboclo Irei pra lá quando morrer.

Nas muitas terras do Maranhão Há muitos Rios, Riachos e Igarapés. É gratificante banhar em suas águas; Sentir que há vida na terra fértil.

Em minhas veias e em minha vida O Maranhão se compenetra, Firma-se em mim e eu não o nego Sou filho desta terra Tupinambá. Sinto-me bem ao tocar em seu chão; Solto gritos e risos ao rumar pro Maranhão. Vejo que a terra sente que a amo E grito mais forte:

- Maranhão, estou chegando!

Cláudia Duarte da Silva

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A tErrA DE GonçALVES DIAS é A MInHA tErrA Minha terra tem Poetas, em cantos de sabiá, tem aves que aqui gorjeiam o que não gorjeiam por lá.

Tem céu azul estrelado, águas na imensidão; florestas purificando o ar; terra gestando o grão.

Minha terra tem riquezas que só existem aqui, tem poemas apaixonados, tem voo de bem-te-vi.

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Caminho todo enfeitado pela lida do cidadão que trabalha noite e dia, ritmando a construção.

Minha terra tem um povo que crê e é feliz,

que é mestre

é

aprendiz,

que reza agradece

Tem folguedos

cantorias,

enfeitando nossas ruas. São crianças brasileiras, soltando pipa na lua.

Bordam o verde das matas, com o amarelo ouro brilhante; o azul desce em cascatas; lenço branco flamejante. Gritos ecoam das tribos, saúdam pajés redentores. índios dançam pedindo:

- Respeitem a vida, Senhores!

Nosso sangue é obreiro, vertente de muita emoção. Em cada verso, uma história nascida no coração.

Deus permita que os Poetas consigam eternizar os Poemas que Gonçalves criou para ensinar:

amar a terra é virtude que nem todos possuem, mas os que amam sabem:

amar requer atitude.

Bendita a terra que tem

o canto do sabiá,

tem aves que gorjeiam

e

flores para enfeitar.

Tem matas

tem

céu estrelado,

águas na imensidão,

terra gestando o grão

e versos na multidão.

Assim, é a minha terra, feita de encantos mil. Uma terra iluminada que Deus abençoou_ Brasil.

Cláudio da Cruz Francisco 140

PROEZAS DE UM POETA Gonçalves Dias com teus dons mágicos Abriu carinhosamente as nuvens Colheu imagens moldadas pela luz E delas fez versos iluminados Encantando com amor quem passeia De mãos dadas com a poesia.

MENINOS DA LITERATURA Meninos tímidos descansam suas faces Pelas veias, circulam um conjunto de letras Sentimentos inéditos no coração iluminado Um corpo saudável, sensível e inteligente

Meninos cheios de histórias para compartilhar Quem se habilita delicia tamanho privilégio Curtem uma viagem fruto da amizade Entre o escritor, linguagem e inspiração.

Cláudio Gonçalves da Silva 141

GonçALVES DIAS: PoESIA, CorPo E ALMA Eternas são suas poesias, obras primas de natureza ímpar Doces são suas palavras que encantam a alma dos poetas Apaixonados de várias gerações

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Simples e modesta, a forma com que nos apresentou Obras de arte transformadas em palavras, frases, versos, sentimentos Suaves palavras, de uma época que cativa E que enobrece a alma de um simples poeta contemporâneo

140Cláudio da Cruz Francisco - Belo Horizonte – MG – Brasil - 08/06/1980. É graduado em Ciência da Informação (Puc Minas). Escreve artigos e crônicas para jornais. Trabalha no Jornal Estado de Minas no setor de Docu- mentação e Informação. Trabalha com fotografia de eventos e tratamento de imagens. Está finalizando os primeiros livros de romance e poesia. 141Cláudio Gonçalves da Silva - Itumbiara - GO – Brasil - 12 de Julho de 1973. Publicou em março de 2010 o livro de poesias intitulado: Poesias de Minha Alma pela Câmara Brasileira dos Jovens escritores. Tem poesias publicadas no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea (2009); Poemas Dedicados (2009); Poesia de corpo & Alma (2009) e Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, 55 e 57 (2009); 87; 88; 89; 90; 91; 92; 93; 94 e 95 (2012).

Entre tantos caminhos, o dom de escrever Um anjo, mago na transformação de palavras Cujas poesias me encantam e pacificam meu coração Em um tempo dito moderno, mas sem amor, sem paixão

O romantismo puro, ingênuo deu origem a outros sentimentos Hoje, ódio, desconfiança, o sangue derramando do corpo Um corpo sem alma, sem vida, sem lugar para repousar

Sem suas palavras é assim que me sinto, um eterno VAZIO O nada toma conta de meu peito e domina meu ser Um ser que não se sabe seu próprio caminho Apenas tropeçando e caindo sobre pontiagudos espinhos

Espinhos que encontro pelas palavras não escritas Pelas frases não ditas Pelos sentimentos que não podem ser expressos

Poesia, que admiro e confesso por quem estou apaixonado Onde entrego meu corpo Cujas palavras doces e compostas enobrece minha alma

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Em cada linha escrita, expresso um sentimento verdadeiro Frases perfeitas que acalentam meu coração Um ser como eu, simples, mas que busca em suas palavras. A verdadeira inspiração

Para que meus dias possam ser mais ensolarados Para que possa observar o azul do céu E o brilho de seus olhos Por quem confesso: estou apaixonado.

Cleberson Filadelfo Maria 142

A UM HoMEM QUE AMoU Foi poeta, advogado, jornalista, Homem multi-função Foi inspirado por sua terra, Amante da pátria, herói da nação.

Foi etnólogo e teatrólogo, Homem de intelecto sem comparação, Foi senhor do seu destino, Viajando ao velho mundo atrás de conhecimento e inspiração.

142Cleberson Filadelfo Maria - Paranaguá – PR – Brasil - 26 de fevereiro de 1977. Coordenador de Projetos e escritor amador, atualmente trabalha e reside em Joinville, SC. Como autor iniciante, iniciou recentemente participações em concursos literários com o seu livro de contos “Trufas de Chocolate”, além de enviá-lo as mais diversas editoras para análise. Atualmente está escrevendo um novo livro, de poesias, tendo como foco o amor. E-MAIL: cleberson.maria@gmail.com

Foi mestiço, de origem simples, Homem de sentimento e paixão, Foi sujeito aos preconceitos da sua época, Amando sua musa, mas sem poder concretizar a união.

Foi em frente, e sua vida de estudos continuou, Homem de coragem e inquietação, Foi sujeito às mazelas da saúde do seu tempo, Morreu esquecido, doente, afogado em seu colchão.

Gonçalves Dias, poeta tão estudado Memorável é tua contribuição, a este país tão injustiçado.

Serás sempre referência e fonte de inspiração Pois escreveste coisas notáveis, vindas do coração.

Aqui deixo a minha homenagem Por tudo que fostes e representou Pois para escrever estes versos, estudei a sua vida e obra, E isso sobremaneira me deslumbrou

Cleiton Reis Felix 143

o CAntAr GonçALVIno

Terra de valorosos frutos nordestinos De cultura curiosa e divertida Donde o poeta se inspira a escrever

E o riso do seu povo me faz entender Que Gonçalves está aqui.

É poder contemplar o verde dos campos

Ouvir dos pássaros o cantar de alegria Ver a beleza dessa terra querida,

Cantada por Gonçalves Dias.

Poeta dessa ilustre terra Que se faz lembrar pela obra criada De ricos versos e rimas perfeitas Dedicadas à Pátria amada.

Sob a lua de agosto em Caxias Nasceu Antonio Gonçalves Dias Poeta que marcou a literatura clássica Cantou e encantou- nos com seus amores e paixões Seus versos e estilo carrego no peito Sua honra, cultura e respeito.

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143Cleiton Reis Felix Caxias – MA – Brasil - 09/05/1988. Estudou o ensino fundamental na UI. Pres. Costa e Silva e o ensino médio no CE. Aluísio Azevedo, ambas na cidade de Caxias-MA. Atualmente é aluno do curso de Licenciatura Plena em Geografia, no Centro de Estudos Superiores de Caxias – CESC da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Reside em Caxias-MA no Bairro Campo de Belém, é também cantor e compositor.

t E rr A ‘G onç ALVIA n A’

Aqui eu canto aqui eu danço Eu vejo o grilo pular, o sapo canta no açude Não vejo mais o sabiá.

Mas vejo ainda as palmeiras Macaúba, Tucum e Babaçu Também tem o açaí, pouco vejo por aqui

Nessa terra de primores Riachos e rio para refrescar Minhas flores são de caju, manga, goiaba e cajá.

Ainda sou feliz aqui, os pássaros com os seus acordes Bigode, fogopagô e bem-te-vi. Lá do alto do meu morro Lágrimas de felicidades eu chorei.

Avistei um lindo cerrado De grandes árvores a torcer Acampando por lá a noite, um céu estrelado eu pude ver Degustei um bom vinho Desta noite não me esquecerei.

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Minha terra é rica em cultura Ainda esculto o velhinho tocar Sua viola canta a sua tristeza E na sua alegria vejo-o dançar.

Clélia Aparecida Souto e Couto 144

GonçALVES DIAS não MorrEU Lençóis de areia maranhense Dunas ao léu esvoaçantes desfazem-se em segundos ao sopro dos ventos uivantes.

Acolá, coqueiros balançam as folhas levantando poeira do chão como índios sapateando em dança de festa guerreira na mata.

144Clélia Aparecida Souto e Couto - Santo Antônio do Monte – MG – Brasil - Junho de 1936. Atuou como pro- fessora até 1969. Graduou-se em Letras pelo INESP de Divinópolis em 1979. Até 1983 foi vice-diretora da E.E. “Dr. Álvaro Brandão”. Autora de A Casa Grande & Clareiras de Clélia - relatos e poemas. Pertence à ACADSAL( Academia Santantoniense de Letras) e se orgulha muito desta honra.

A natureza encobrindo a imensidão deixa pássaros revoltos rasgarem o céu em bailados leves e soltos no espaço vazio do solo brasileiro.

Cortando a terra como se arado fossem rios, cachoeiras deixam cair suas águas como cascatas de brilhantes raros. Misturando algo divino ao humano numa cadência louca e repetida a natureza aplaude estarrecida.

Terra, quinhão dado a quem nela habita, abre-se em perfume e beleza com ritmo suave e forte das poesias cantadas pelo poeta Gonçalves Dias.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes 145

A GonçALVES Poeta -saudoso, agônico, voltas à terra natal Frágil, trêmulo, febricitante, Mas com relembranças fortes A plenificar-te a alma de energia Embora estejam enfraquecidas as esperanças Queres chegar a São Luiz do Maranhão, Chegar e andar pelas ruas estreitas, Pelas calçadas de pedras, Da ilha de praias singulares Cujo areal extenso É lambido pelo mar cor de rio, Cuja extensão vai dar nas terras de Portugal Queres rever pessoas, ouvir os sons Dos sinos das igrejas, da siringe dos sabiás festivos Que não esqueceste em teu exílio. A mulher amada acode-te em teu delírio, a rememória faz-se musa e te inspira versos que não mais escreverás Um piedoso anjo de cristal,que parece orvalho, Cheirando a rosas e à maresia, Faz com que olvides as razões de teu martírio Pela separação cruel e indevida Da mulher amada

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145Clevane Pessoa de Araújo Lopes - Brasil. Psicóloga,riograndensedonorte, radicada em MG.Escreve e desenha desde a infância.Cadeira O5, Cecília Meireles, na AFEMIL(BH-MG) eCad. 11 Laís Corrêa de Araújo,na ALACIB,

entre outras.Membro da IWA(EstUnidos) e da Academia PreAndina de Artes, Cultuta y Heráldica

16 de julho de 1947. Y Heráldica.Morou em S.Luiz, MA,nos Anos 80.10 livros solo e mais de cem participações em antologias.

Nasceu em

Que culpa tens por teu sangue a correr nas veias Brasileiras, é mestiço,a gerar tantos preconceito .

Súbito, a vida se esvai, a breve vida

As águas em movimento, frias ao teu corpo ardente Sereias de prata conduzem-te ao Absoluto, O desconhecido –assustador, por ignoto, Até que se chegue aos portais dessa outra dimensão. Teu anjo estelas, que tantas vezes desceu à Terra para consolar-te e enxugar-te as lágrimas, ampara-te, e tomando-te pela mão, leva-te ao gênese de tua essência,, pelo túnel pleno de magnífica luminescência As asas angelicais, energia em movimento, Criam mil arco-iris deslumbrantes, o que te encanta na passagem

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Percebes que enfim, estás livre De qualquer sofrimento e provação Não tens cor-de pele que te torne um rechaçado, Carne alguma, cuja carnação de mulato Marque tua destinação! Nada que te faça um auto-exilado Súbito, ouves risos e canções. Outros poetas estão à tua espera, Gonçalves Dias. Ajudam-te, dizem-te teus próprios versos e os deles, Convincentes de que todos os bardos são iguais de alma Abraçam-te, cordifraternalmente. Nem em todas as tuas fantasias, Te imaginaste assim, igual entre iguais, diferente entre diferentes, quais o são todas as criaturas de um mesmo Criador Percebes que nesse mundo , não há preconceitos E que aqui, experenciarás um espaço de estar para ser

Leve, em pianíssimo, , sentindo uma felicidade inusitada À tua vida antes tribulada, tributada de preços que não podias pagar, deixas-te conduzir ,em agonia agora. Seria o fim, mas é um recomeço Afinal, poetas não devem morrer -não se sua Poesia permanecer Após sua délivrance ao contrário. Para sempre, teus versos serão lembrados, Enquanto houver sabiás, enquanto a serpente dormitar Enroscada no contorno da Ilha . Teus poemas são o retrato de teu talento, De teu perfil, de tua história O mar foi o derradeiro abrigo de teu corpo.

A alma

continua

em expansão!

Cleyton Domingos dos Santos Campos 146

PorQUE ESCrEVEr “A ExEMPLo DE GonçALVES” “Tinta gasta. Papel rasgado. A inutilidade da feitura contrasta com a utilidade das palavras”

Que deve ser dito? Tudo me é licito As palavras não bastam. Não me cabem. São meras sombras que em si guardam A forma daquilo que as projetam. A essência, a cor, a textura não são idéias De fato existem. Permanecem. Não são lembranças Que facilmente são esquecidas ou postas no papel Porque fazer muitos livros?Não serei lembrado Não viverei para ver nem a eternidade. Se amanha de mim falarem - estarei surdo. Hoje é o dia, amanha é tarde - que digam hoje. Se de muitos ainda falam, é enfado da carne Já dormem e daqui apouco estarei em igual estado. Não importa o que faziam; se bem ou mal Porem estou aqui e me importo, talvez por vaidade. Desperdiço algo que não pode ser poupado E usado amanha.Porque me importo. Se surdo, mudo ou intangível, minhas palavras restarão Perdidas,talvez,na face imutável do tempo. Por que te importastes? Nada mais havia para esquecer que se “vive” (e se morre)? Mulheres, bebidas, caçadas, amigos, salas de bate-papo Era “moda”, centelha divina, falta do que fazer com a vida? Ou como eu: um desafio, a procura por um titulo? Faz 189 anos. Ossos brancos. Mas ainda vive:

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Em muitas ruas, praças, escolas, lojas, academias (aqui) Eterno onde importa: na memória e na ponta da língua Não apenas em livros. Não por palavras indignas Mas por entre as linhas. Nos olhos de quem contempla o sabiá E as aves que aqui gorjeiam. No coração de quem ama seu torrão E sente no peito e na alma a coisa misteriosa e eterna E se importa,mesmo que seja uma fração insuficiente o que diz E sente aquilo que nos faz esquecer de Londres,Berlim,Paris E nos faz querer estar no nosso cantinho amado. Para isso, talvez o tempo não exista. Que direi que não fora dito?Que não disseram? Em cada verso engastarei a rima?Usarei redondilhas?

146Cleyton Domingos dos Santos Campos - São Vicente Ferrer – MA- Brasil estudante, morando atualmente na cidade de São Bento, aluno do C.E Dom Francisco; incentivado a participar deste ilustre projeto pela professo- ra Maria Auxiliadora e tendo consciência da importância deste homem para a literatura maranhense,brasileira e mundial, dedica estas poucas e insuficientes palavras a este grande vulto da História.

Procuro uma estrofe que me torne eterno Primo, alteio,limo,enfim;colho espinhos Procuro a poesia,não quero ser achado(estou errado) Gasto as horas criando falácias (mais inúteis ainda) Faz 189 anos. Não fostes esquecido. Um daqueles que nos fazem pensar e acreditar Que a imortalidade existe ou possa existir E nos faz dizer: deixa disso moço;é Deus em cada gota de orvalho E nos olhos de quem ver Talvez as coisas não sejam tão inúteis E o tempo tão tirano e implacável assim Se depois de um século ainda falamos de ti É por que vale a pena.Tudo vale a pena quando se tem uma alma.

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(desconfio que disse algo)

PArA GonçALVES

GOTHE ByRoN HOnORÉ EçA LAMARTINE FLAUBERT VICTOR HUGO POE SHAKESPEARE

DANTE

ORACIO

CAMÕES

ASSIS

Conceição Santos 147

o SonHo

Quando eu enxerguei o mundo foi através de você, das belas palavras “simples”, carregadas de ternura, de sentimentos profundos Oriundos do seu ser.

147Conceição Santos - Sergipana – Brasil. Graduada e pós-graduada em Letras: Português/Italiano pela UFRJ. Atualmente é professora de Língua Portuguesa na FAETEC em Quintino Bocaiúva. É Acadêmica Efetiva da ALAP –Academia de Letras e Artes de Paranapuã e Acadêmica Correspondente da ALAB, ALAV e ALAF. Como escri- tora já lançou dois livros solo e como coautora participou de várias antologias Contatos: Conceicaosantos37@ yahoo.com.br www.conceicaosantos.recantodasletras.com.br

Cresci ouvindo e também recitando a linda canção do exílio que tanto fez-me sofrer, pensando em alguém distante e dele só restou o semblante envolto em tramas de névoas Tecidas ao amanhecer.

E, assim, buscando o alguém envolvi-me nessa trama avancei floresta a dentro sem ao menos perceber que os meus passos me levavam a uma certa mangueira cuja altiva copa encobria um Leito de “bem viver”.

Esse leito era de folhas como fazem os passarinhos que por serem “miudinhos” na floresta, são difíceis de se ver por isso demonstram todo fervor, usando as folhas verdes, tecendo com muito carinho seu belo Ninho de amor.

Continuei avançando a buscar

o que eu queria, na verdade,

não sabia o que poderia encontrar. Então, avistei uma tribo de fortes

e bravos guerreiros, lutando em

Desespero para o seu povo defender.

Nesse meio havia um moço de nobres gestos e bravura que destemido lutava, mas

a luta veio a perder. Foi aí

que ele chorou, mostrando o medo de morrer. Pulei da cama, Gritando: Juca Pirama: é você?

Ao PoEtA Um dia na mata ouvi um cantar no galho da palmeira avistei a sabiá que cantava feliz para seu par encantar.

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Naquele momento voltei ao passado lembrei-me do poeta que muito inspirado cantou a sua Pátria e seu povo amado.

Seus versos eram mágicos sua beleza sem igual Gonçalves era Dias de palavras gentis, mas seu tom era forte em defesa do “Norte”

e de todo o País.

Exaltou as florestas e riquezas naturais seu índio era o bravo homem varonil Gonçalves foi poeta do Romantismo brasileiro para defender suas ideias usou de muito esmero.

SAUDADES Um dia o grande poeta, estando só a pensar a quilômetros de distância do seu imenso Brasil a saudade apertando, em seu peito gritando

e ele “chorando” cantou

exaltando a pátria querida,

a mãe amável e gentil.

Lembrar a terra consola o coração em pedaços, da saudade que tinha sentia-se exilado, não por imposição, mas pela situação de ter de se ausentar da pátria amada, por Deus abençoada para poder estudar. Isso se fez necessário para se aprimorar.

Lá conheceu escritores com idéias arrojadas que cultuavam a Idade média com a qual ele simpatizava

daí veio o interesse pelo índio brasileiro, representante vivo do nosso “medieval” passado que o poeta desenvolveu com o brilhantismo que recebeu do supremo Deus para ele enviado

BonS tEMPoS (poema inspirado na Canção do exílio, de Gonçalves Dias)

A terra que tinha palmeiras Também tinha o sabiá As aves que cantavam aqui Cantavam diferente de lá.

O céu que era cheio de estrelas Agora, já não existem tantas assim A derrubada das matas para se fazer “queimadas” leva as árvores ao fim.

Mas ainda tem primores Um pouco de ouro, prata e amores Certamente, tem beija-flores Para o néctar das rosas sugar.

Lembrando ainda a canção, Saudades eu sinto de cá Da terra que tinha índios, com Palmeiras verdejantes para a sabiá cantar.

UM GrAnDE AMor Antônio Gonçalves Dias nascido no Maranhão, após os primeiros estudos Direito foi estudar, na Universidade de Coimbra do outro lado do mar para cumprir seu destino e seu país exaltar.

Alguns anos depois, já de volta ao Brasil, sua produção literária intensifica e os amores também, mas nenhum o fez esquecer a jovem Ana Amélia que a ele tanto queria bem.

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Seu amor por essa jovem muito o fez sofrer, pois com ela quis se casar, porém, a família da moça sua mão veio a negar, tendo por base às origens mestiças. Estas, impediram o poeta da sua amada desposar

Gonçalves sentiu-se triste, contudo, era homem de brio e lealdade, resolveu se afastar, abrindo mão da sua paixão para preservar a amizade e com isso, ela não concordou, embora existisse o amor, começou, aí, a “rivalidade”.

Ao ter seu pedido refutado, o poeta seguiu seu caminho. Casou-se com Olímpia da Costa para esquecer daquele amor que um dia ele não soube “querer”. Ana Amélia não se conformou e a família desafiou, casando-se com um “plebeu” que também era de cor.

Da decisão que tomou, mais tarde, se arrependeu. Após encontrar-se com ela, na cidade de Lisboa em uma de suas avenidas, e esse encontro reabriu-lhe antigas feridas. Ana Amélia nunca conseguiu entender a atitude “sensata” que o amado pode ter e o futuro dos dois ele não “quis” defender.

Abatido pela dor e pela desilusão que o destino lhe impôs, pondo no meio dos dois a razão, aniquilando a emoção para depois separá-los. O poeta, sentindo-se amargurado, despediu-se da amada, dizendo:

- “Ainda uma vez – adeus” que foi copiado por ela com o sangue que lhe corria nas veias e com o amor que Deus lhe deu.

Corujinha 148

Um amador das Musas mandou-nos pelo correio esta parodia a uma das partes da fa- mosa poesia de Gonçalves Dias. Por ser inoffensiva, publicamo-la para desopilar os nossos leitores (DIÁRIO DE São Luís, 23 DE MARÇO DE 1921)

o CAnto Do “PIAGA” Offerecido aos activos representantes do Povo, no Congresso Legislativo.

Porque dormes, ó Piaga bovino? Começou-me a razão a fallar:

Porque dormes, Escuta a miséria Implacavel, a voz levantar!

Tu não vista “a moção” do enfrossa Da verdade a luz offuscar! Não ouviste o seu Tasso, de dia, Este povo querer debochar? !

Tu não viste o commercio parado, Sem arame, verrgar e gemer E ainda o Fisc0o medonho por cima Qual abutre sua garra abater ? !

Tu não vês a Lavoura a Industria, A chicote tratados, sem dó?

E a cobreira que dellas arrancam

Voar toda em sonhares, e só?

Tu não viste a cobreira guardada Crear azas, voar e voar

E tornar-se em

autos faustosos

Que a Insania nos vem ostentar?

Tu não viste “Tupan” já sem “cobre” Trinta escolas fechar de uma vez!

E tratar as crianças tão pobres

uma rez!

Tal e qualo trataria

Tu não vês o teu boi lazarento Este povo indefeso matar?

E tu gaurdas os cobres, sedento,

Para La no teu poocker

augmentar!

Mas

tu dormes, ó Piaga bovino!

E Anhanga te prohibe enxergar A verdade cruel e terrível Que te os cegos já podem palpar!

Março de 1921. Corujinha.

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148Diário de São Luís, 23 de março de 1921, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Cristiane Branco da Cruz 149

PoIS é, GonçALVES DIAS Gonçalves Dias, homem independente e de bom caráter, Homem brasileiro, mestiço das três raças, Homem de fé, poeta de garra, Lutou até o fim da sua vida. Homem fiel, poeta amigo, companheiro, Suas palmeiras sadias e os sabiás ali nele viviam, Amor não correspondido e tristeza lhe invadiam, Seu passado sofrido, em nossa vida ele está vivo.

Pois é, Gonçalves Dias, Você se foi, mas nos deixou um pedaço de história De um brasileiro de verdade. Pois é, Gonçalves Dias, Você se foi, mas nos deixou um bocado de saudade!

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Cristiano Mendes Prunes da Cruz 150

CAnção Do ExíLIo Porto Alegre é uma cidade alegre, onde há muito que fazer. Lá, há dois times famosos e, em dia de GRENAL, o Rio Grande do Sul é todo vermelho e azul. Aqui, tudo foi projetado; e há pouco calor humano.

Cristy Elen Rocha Pereira 151

PoEtA DA VIDA Alegria, beleza e cor Gonçalves Dias escritor conta a história do Brasil com todas as coisas que descobriu.

149Cristiane Branco da Cruz – Teresópolis – RJ – Brasil - 26/01/1996. poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Fran- cisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e apaixonada por poesia. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa 150Cristiano Mendes Prunes da Cruz - Porto Alegre/RS – Brasil - 20 de abril de 1997 -. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Ver- sos”. Curte futebol, pescar e jogos eletrônicos. E-mail: cristianoprunes2012@hotmail.com 151CRISTY ELEN ROCHA PEREIRA – Balsas – MA – Brasil. URE – Balsas - Centro de Ensino Médio Dom Daniel Com- boni; Professora: Marcia Meurer Sandri

Gonçalves Dias é poeta da nossa querida terra que com amor contou as culturas que lhe inspirou.

Mas, Gonçalves Dias nos deixou E o Brasil que lhe encantou Hoje chora com muita dor a perda de um grande autor.

Cynthia Theodoro Porto 152

AInDA UMA VEz

o AMor EtErno SEM

ADEUS (Soneto para o poeta Gonçalves Dias)

Querido amigo poeta

é uma pena,

aquele adeus à musa inspiradora nem mesmo o sabiá com cantilena, foi como alegria consoladora

Da palmeira, a verve cantadora, quiseste um doce amor, em paz serena, tiveste, assim, paixão acolhedora, mesmo indo embora, o coração perena

Morria-se de amor naquele antanho, porque nasceste em tempo vil e errado, e, como todo vate, foste estranho

Não se podia amar, nem ser amado, a humanidade – sofredor rebanho,

mas, hoje

o amor é lei e consagrado

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152Cynthia Theodoro Porto - São Paulo SP – Brasil. Cursou Letras na USP (Português/Inglês e Hebraico) e Direito nas Faculdades Metropolitanas Unidas, sem contar os cursos de línguas e os profisisonalizantes. Escreveu e publicou em 2005 o seu primeiro livro chamado “A LIRA DE AQUÁRIO”, uma antologia de sonetos e outros versos. Para contatos, o seu endereço eletrônico é: cynthiatheporto@gmail.com

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D. da Silva 153 - 7 de Setembro de 1873

GonçALVES DIAS Por ocasião de inaugurar-se a sua estátua (Ao dr. Antonio Henriques Leal)

Ei-lo talhado na pedra – tando o dorso do mar, o leito d’alvas espumas onde se foi repousar; sobre a lira reclinado o filho das harmonias ouve as doces melodias que a vaga vem entoar.

O bardo tem a seus pés – o povo que mais amou, sobre a cabeça – este cáu que seu verbo eternizou.

As turbas tecem-lhe c’roas,

o céu alegre o festeja, a brisa que rumoreja pelos palmares passou.

Doces beijos traz das rosas abertas ao alvorecer, um suspiro da açucena que começa a enlanguescer; do sabia os gorjeios, da juriti terno arrulho, do lago brando marulho a brisa vem-lhe trazer.

Saudemos todos no bardo

o gênio da inspiração,

n’aquela estátua de pedra voltada para a amplidão! N’ela a pátria reconhece o senhor das melodias, – o grande Gonçalves Dias – a glória do Maranhão! –

153Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 566-567. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

D. Freitas 154 - São Luís, 6 de Setembro de 1873

AntE A EStÁtUA - À MEMÓrIA DE GonçALVES DIAS Le Génie est un dieu tout de glorie et de flamme; L’harmonie est sa voix, la nature est son âme. Son vol n’est limité ni des rieux ni des mers; Les ailes, ses regards, embrassent l’univers. Lebrun, Le Génie.

Aquela fronte espaçosa, Que vedes resplandecer, Onde as musas vão beber Áurea luz da inspiração:

É do Deus das melodias, O astro das harmonias, Que surgiu como um vulcão

Deus disse «gênio caminha «Segue do Pindo a estrada «Que tua fronte inundada «De luz sempre há-de brilhar, «Aclara dos céus a terra «E tudo que n’ ela encerra, «E ligeiro volta a teu lar.» ………………………… Não vedes ali um monarca A um povo tiranizar, Nem vedes subjugar Do culto povo a vontade:

Que essas púrpuras… esses terrores Quais romanos imperadores . Tendo aos pés a «liberdade»!

Vedes do gênio a estátua De flama c’roada a fronte Que inunda o prado e o monte De pura luz divinal! O gênio nunca arrefece, E o mundo jamais se esquece Do seu cantor imortal!

Passado bem curto espaço Se cumpriu a profecia, Iluminou mais que o dia Da terra té junto aos céus; O gênio não demorou-se,

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154Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 576-578. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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Da vida a luz apagou-se Voltando ao seio de Deus. Dos céus a terra ilumina Esse astro tão brilhante, Poisou na terra um instante Deixou luz p’ra toda idade; Essa luz não se limita, Ela por Deus foi predita, A rival da divindade!

A sorte mais que propícia Marcou-lhe mais bela fada, Entre os prismas d’alvorada Lhes apontou a amplidão. Em tudo resplandecia, Seu estro brilhou mais que o dia, Que a cratera d’um vulcão.

O grato povo ergue o trono Para um culto venerando, Vejo a Europa memorando Que junto ao culto s’ acurva; Todos os sóis escurecem, Todos planetas arrefecem, Aquele nunca se turva!

Um ser como és, bem vê-se, Não pode ter outra sorte Pois um Deus depois da morte Sempre tem tais condições, Tal foi o mártir da cruz, Derramando intensa luz Libertou as gerações.

O buril deixa em granito De toda a idade a memória Em áureas páginas a história Aponta suas melodias, A briza seu canto entoa Tais são as per’las da c’roa Que cinge Gonçalves Dias!

Daisy Maria dos Santos Melo 155

GonçALVES noSSA EStrELA O mar não tem saber Se tivesse jamais desejaria Ter consigo aquela culpa De levar Gonçalves Dias

Poeta mui destemido Muitas dificuldades passou O pai perdera cedo Amigos o sustentou

Amou a mulher errada? Ou errado foi fraquejar Diante d’uma sociedade Que não o queria aceitar?

Fugira pra não sofrer Sua dor só aumentou Caminhos despedaçados Isso também é amor

Doente e debilitado A vida se esvaindo Mas não era pra ser o mar Seu algoz, se assassino

Agora que já se foi Deve cantar a beleza Em alguma constelação Porque poetas, ah os poetas! Estelas sempre serão!

DIAS noS MEUS DIAS Quem és tu poeta Que grandes lutas abraçou Cantou a nossa nação O índio sempre exaltou

Orgulho da raça mestiça Orgulho brasileiro Ao lado de Alencar No Brasil foi pioneiro

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155Daisy Maria dos Santos Melo – Maceió – AL – Brasil - 02/06/1983. Formada em gastronomia, atualmente estuda crítica literária na UFPE. Ilustradora, venceu o prêmio “Mágica Especial” em 2010. Possui um artigo publicado com o título: “O cordel como instrumento de interesse nas escolas”. Além de poesia, adora escrever prosa ficcional, contos, crônicas

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Por muitos rejeitado Falta de compreensão Tido como abusado Onde sobrava presunção.

Sofreu dor de amor Preconceito e depressão Mas em tudo quanto vivido Não manteve o olhar no chão

Sempre em grande compostura Exaltando seu país Quisera tantos mil “Dias” em meu Brasil!

MEUS VIntE E PoUCoS AnoS Vinteanos! Perdi-os nas tuas mãos Algozes, ferozes. Suprimiramtodo meu ser. Tantossonhos perdidos Num peito que só te amou Vinte anos! Ah, se voltassem Cruzariaa calçada.

oLHArES Um encontro Um reencontro Saudade Desespero mudo Todo meu ser Naquele teu olhar Um que eu jamais voltarei a ver

CAnção Ao MArAnHão Meu Maranhão tem palmeiras Tem também terras vermelhas As aves são das mais belas Você há de concordar

Nosso céu é mais brilhante Olhe só por um instante Os bosques mais radiantes Sigo a vida exultante

Sozinho eu penso à noite Como é lindo esse lugar Tanta saudade eu tenho Só quero pra lá voltar

Minha terra é só sabores Somente encontro por lá Sozinho eu penso à noite Como é lindo este lugar Tanta saudade eu tenho Só quero pra lá voltar

Deus não queira que eu morra Sem que eu volte a pisar Na terra dos babaçus Que não encontro por cá Sem que veja uma palmeira Só quero pra lá voltar.

Dalciene Santos Dutra 156

GonçALVES DIAS Filho de Português com cafuzo Nasceu de uma união não oficializada Por isso sua mãe foi abandonada por seu pai que foi morar Com outra amada.

Gonçalves Dias Tinha alegria tinha amor o dom que Deus criou Escreveu poesias Com muitas sabedorias Para nossa alegria.

Poeta do Maranhão Despertava muita emoção Para o povo desta nação com sua dedicação.

Tenha orgulho de nascer Na terra de Gonçalves Poeta do povo maranhense Levou os encontros da gente

Para o mundo conhecer.

Viva Gonçalves Dias! Eterno poeta do amor Na Academia de letras Eternizado com descido valor.

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156Dalciene Santos Dutra - São Luís – MA - Brasil – 12/03/ 2002. Motivo da Participação: Reconhecer a importân- cia da poesia na vida dos seres humanos como ferramenta de divulgação dos sentimentos e comportamento da sociedade onde está inserido

Daniel Ely Oscar Noé 157

CAnção Do ExíLIo Estados Unidos e Brasil contrastam quanto ao físico de seus habitantes. Lá, muitos gordos; aqui, muitos magrelas. As comidas de lá são bem mais gordurosas que as daqui. Lá, durante o dia, ouvi-se o ruído dos carros; aqui, ouvimos o canto dos pássaros.

Daniel Victor Adler Normando Romanholo. 158

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A AntônIo GonçALVES DIAS Chorou de tristeza Ao perder a filha querida Ao ausentar-se da terra natal Ao perder o amor da sua vida!!! Com tanta criatividade, deixou muitas saudades nunca iríamos esperar sua ida.

Pois é:

Choramos hoje a sua partida Mas nos alegramos por tê-lo tido entre nós!!!

Obrigado Gonçalves Por ter deixado milhares de emoções Com seus poemas e Canções

157Daniel Ely Oscar Noé - Capão da Canoa – RS – Brasil - 13 de maio de 2000. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Ver- sos”: “Banners Poéticos”, 2012. Integra a equipe de velejadores, Categoria Infantil, do Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre/RS. E-mail: dandan.oscar@gmail.com 158Daniel Victor Adler Normando Romanholo. São Luís-MA – Brasil - 23/10/1998. Mora em São Carlos-São Paulo e cursa o 9º ano no Colégio Interativo. Tem participação em “ASAS DE UM SONHO por um mundo melhor”, obra coletiva dos alunos da EMEB Angelina D. de Melo e EMEB Ermantina C. Tarpani, São Carlos-SP, 2008. É co-autor (juntamente com João Marcelo Adler Normando Costa e Dilercy Aragão Adler), do livro Infantil, “Uma história de Céu e Estrelas, São Luís-MA, 2011.

Daniela Wainberg 159

CAnção Do ExíLIo Minha terra tem mais vida, nossa vida mais amores. Nela há pássaros, montanhas, vales de flores e caminhos nos jardins. Em minha terra, vejo bosques, onde a natureza tem beleza, borboletas e gaivotas. Não permita Deus que eu morra sem a certeza de que voltarei; nem que seja por momentos; pois, se não lá voltar, sequer, um instante, não estarei voltando ao meu mundo, mundo este onde canta lindos pássaros.

Danielle Adler Normando 160

Por UM GrAnDE AMor Suspiraste não por um nome apenas A chama de um grande amor em ti -se fez viva eternamente- Não pudeste encontrá-lo na vida terrena -é certo- Mas na tua alma e no tempo perduraram e perduram para sempre

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Como esperaste esse amor por toda a tua vida! Como esperaste com toda calma e desespero que nele cabiam Como esperaste em todas as entrelinhas das tuas dores e alegrias

Ah como o esperaste!

Esperaste até no teu suspiro último de amor Nas águas doces do abraço de Ana Amélia Na última valsa amorosa do impiedoso mar que te tragou Mas amorosamente-quanta ironia- para a imortalidade te levou!

159Daniela Wainberg - Porto Alegre – RS – Brasil - 30 de janeiro de 1991. 1ª Bibliotecária e Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 9, Patronesse Lila Ripoll; Membro Efetivo do Clube Infanto-Juvenil “Erico Verissimo”, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/ RS; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal; e Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Coautora dos livros “Olhares - Crônicas Escola- res” e “Palavras, A Linguagem da Vida”. Cursa Pedagogia, no Centro Universitário Metodista IPA-RS. E-mail:

danielawainberg@hotmail.com 160Daniielle Adler Normando - São Luís – MA – Brasil - 10 de março de 1974. Reside em São Carlos/São Paulo desde 2001. É graduada em Pedagogia (1996). Autora de várias poesias inéditas e tem participação nas Anto- logias: Oficina Cadernos de Poesia (21), Rio de Janeiro-RJ, 1993 e I Coletânea Poética da Sociedade de Cultura Latina do Maranhão- LATINIDADE, São Luís-MA, 1998

Danielle Granjeira de Moura 161

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GonçALVES DIAS Em 10 de agosto de 1823 No esplendoroso dia Nascia Gonçalves Dias Na pequena cidade de Caxias.

Um grande escritor Com saudades escrevia Do Brasil que sempre descrevia A natureza e a pátria.

A mistura das raças Sempre destacou Em um grande naufrágio A nossa terra ele deixou Assim, a vida acabou De um grande escritor.

Darlan Alberto T. A. Padilha - Dimythryus 162

CAnção DE ExíLIo Minha Terra tem palmeiras derrubadas, onde escondem-se os últimos sábias; as aves, que aqui gorjeavam, cá não vejo mais cantar.

Nosso céu encobre estrelas, nossas várzeas poluição, nossos bosques, hoje becos nossas vidas celeradas.

Em cismar sozinho à noite, temeroso, encontro eu lá minha Terra tem chacinas, execuções, choro e lágrimas.

161Danielle Granjeira de Moura – Balsas MA – Brasil. URE – Balsas - Centro de Ensino Médio Dom Daniel Combo- ni. Professora: Marcia Meurer Sandri 162 Dimythryus –Darlan Alberto T. A. Padilha, Licenciado em Letras pela Faculdade UNIESP-SP, Embaixador da Paz, título que lhe fora atribuído pelo “CERCLE UNIVERSEL DES AMBASSADEURS DE LA PAIX – SUISSE – FRANCE (Genebra – Suíça). Entre suas premiações destacam-se o “Prix Francophonie” a Menção Honrosa (Diplôme d’honneur) no 10é Concours International de Litterature Regards 2009 (Nevers – France) e 6º Con- curso Poético O Cancioneiro Infanto-Juvenil para Língua Portuguesa na Prática Educativa (Almada – Portu- gal). Além de colaborar com os Sites: Blocos OnLine, Garganta da Serpente e Meio Tom, pratica a divulgação cultural através de e-mail’s de pouco mais de 1000 contatos.

Minha Terra de políticos, marolinha e mensalão não bastasse Rosimary as barbas do deus cego, vem o legado de uma estrela, enrubescida e humilhada.

Não Permita Deus que eu morra; sem que mudanças hajam lá; sem que a justiça abra os olhos, sem que a democracia, democratize-se, seja todos e não alguns; Minha Terra tem Palmeiras, na segunda Divisão

Débora Luciene Porto 163

I-JUCA-CAFUCHE No meio das ruas de grandes senhores, Rodeados por grades — e por roedores, Veem-se os sem-teto, deitados no chão; Alguns andarilhos, culpando suas sortes, Outros cansados, aguardando suas mortes Vivem do lixo, cobertos por papelão.

São tristes, saudosos, homens com história, E que apenas imploram qualquer coisa simplória, Já rudes não entendem o que não é dor:

São todos desvirtuados, homens doentes! Seus nomes esquecidos por todas as gentes, Escondidos pelos vícios, sujeira e fedor!

Nas casas vizinhas, sem fome e sem frio, Estão os julgando, se importando com o brio, A polícia defende os seus marajás:

Medrosos donos de terras que não lhes pertencem, Que pagam tributos aos que tudo vendem, Dizendo que isto é em nome da paz.

No cordão da calçada, próximo ao bueiro, Onde cães urinaram, onde existe mau cheiro, Passa a senhora e passam os vis:

E eles, sentados, não lembram da hora, Não passam, nem ficam, não podem ir embora, Vivendo aquilo o que ninguém quis.

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163Débora Luciene Porto – Gravataí – RS – Brasil - 21 de outubro de 1987. professora de Língua Portuguesa, gra- duada em Letras pela UFRGS.

Quem são? — ninguém sabe: mas querem seus votos, Dizendo que a culpa é de um governo remoto:

Indecentes e espertos — num povo servil; Só assim esses homens fazem parte do plano, Tornando distinto o feitor do engano, Fazendo sua fortuna multiplicar-se por mil.

Deidimar Alves Brissi 164

o MAIor SoFrIMEnto Do PoEtA Entre tantos amores sufocados pelo preconceito, Separados com crueldade, deixando vidas vazias. Tantos amores sofreram, separados sem direito E por Ana Amélia sofreu tanto Gonçalves Dias!

O arrogante que quer separar um grande amor, Nunca conheceu o amor romântico ou fraterno. O amor está acima da crença, raça, poder e cor. É indestrutível, nos aproxima de Deus, é eterno!

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Casamentos arranjados, com o amor esquecido, É uma das tristes faces da prostituição humana. Prostituição social, igual, a fazer sexo vendido. Engana os hipócritas, mas, o amor não engana!

No céu, onde não existe falsidade e hipocrisia, Vivem felizes todos os amores aqui separados. Ali a maldade humana diante do Pai se esvazia E Gonçalves e Ana se encontram enamorados!

A VISão Do ExPLorADo Para Gonçalves Dias

Ó mar salgado Quantos índios não viram De tristes praias Em apocalípticos dias Seus irmãos serem levados pelos caris?

164Deidimar Alves Brissi - Cosmorama – SP - Brasil - 20/08/1972. Casado, 3 filhos, professor; Licenciado em Física pela UNESP/Campus Rio Claro; Mestre em Física e Astronomia pela UNIVAP/Campus de São José dos Campos. Professor de Ensino Médio na Rede Estadual do Estado de São Paulo; Professor de Ensino Médio de escolas particulares de São José dos Campos; Professor Titular do Instituto Federal de Educação de São Paulo/Campus Birigui

Para quê? Para serem exibidos como bichos, Trabalharem como bestas, E as belas e puras moças, Serem abusadas por bestiais marujos E “respeitados” ricos!

Quantas cecis choraram seus membiras, Quantos curumins em vão clamaram por Tupã! Quantas abaíbas ficaram por casar Para quê? Para que fosses vosso, ó mar?

Valeu a pena? Nada valeu a pena Pois quem explora seu irmão Quem destrói um povo Tem a alma pequena!

Ó mar salgado A maior parte de teu sal São das lágrimas Dos Goytacazes e Tupinambás, Dos Tamoios e Aimorés, Dos Charruas e Potiguáras, Dos Carijós e Tremembés Dos Tupiniquins e Tabajáras, Dos Temiminós e Caetés Não são, não são Não são lágrimas de Portugal!

ÚLtIMA CAnção Do tAMoIo Morreu o último tamoio! Com ele morreu a bravura. Silêncio ficou no arroio. Triste ficou a saracura.

Agora ficou esquecido:

O que lhes dizia o téu-téu, Das plantas o aprendido, O que enxergavam no céu.

Foi embora a dignidade, Que hoje anda esquecida. Sua história deixou saudade, Nossa história ficou ferida.

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A destruição deste povo É uma história medonha, Que cantando aqui de novo Só exalta nossa vergonha!

Mas a eles nós devemos, Nas praias, vales e serras, Honrar o que recebemos, Amar e proteger suas terras!

o SABIÁ Para Gonçalves Dias

O sabiá voou para cima da casa E começou a cantar:

“MIiha querida! Minha querida! Eu canto para ti nesta antena Porque sou um sabiá da cidade Porque o amor vale a pena

Sofre um sabiá com saudade Procurando a noite inteira Mesmo com tanta vontade Não se acha uma laranjeira

Minha querida! Minha querida!”
Minha querida! Minha querida!”

GonçALVES DIAS SABIÁ tErrA

A PALMEIrA DE GonçALVES DIAS

Brasil

saudade

índio Juca-Pirama Teatro fé

Sabiá Timbiras

povo Caxias

Amor saudade sofrimento América Navio doença

naufrágio Coimbra morte

Escravo justiça amor

terra sabiá

natureza

Flores poesia

poemas

timbiras

terra

Brasil

palmeiras

gorjeiam pássaros

amor

Pátria

preconceito amor exilo piaga canto

terra canção

honra bravura

vida guerreiro

musa índio tupi guarani

teatro poesia DEUS hino despedia morte

Maranhão terra

Tupã taba

Bosques

Marabá

saudade

tempestade adeus morte amor

índio

taba

mata

gente

natureza Ana Amélia hipocrisia exílio honra

povo

Vida

soneto justiça Injustiça negro

Tupã Ana taba

mata floresta

Cacique tribo

Ana

Tristeza

terra

Grito

triste

boré

Coruja

Sertão

Sofrimento

Prazer

Brasil

estrelas Tejo

noite

Amélia

casamento

viajem

guerreiro

Anhangá

deuses

cipó

filho

treva

dor

beijo

cor

amar

mar

1823

chão

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AnA AMéLIA CAxIAS MArAnHão BrASIL tErrA

Dely Thadeu Damaceno 165

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SEU IDíLIo Homenagem a Gonçalves Dias

No seu exílio muito cantastes, Com lindas e carregadas epifanias Grande poeta Gonçalves Dias, As belezas saudosas de sua terra, Que o enchia de alegrias. Lembravas então das frutas do campo Mas também de suas amadas serras Das lindas palmeiras que aqui há Onde as verdes colinas encerra. Abrigando constantemente em galhos O lindo e tão cantante sabiá Que orgulha o homem do campo Enchendo os olhos de orvalho. Seu doce idílio, de muita paixão Saudades dessa terra morena, Onde sua cabocla enfeitada Com lindas róseas flores de verbena, Faz bater forte o seu saudoso coração

HoMEnAGEM A GonçALVES DIAS 166 No seu exílio muito cantastes, Com lindas e carregadas epifanias Grande poeta Gonçalves Dias, As belezas saudosas de sua terra, Que o enchia de alegrias. Lembravas então das frutas do campo Mas também de suas amadas serras Das lindas palmeiras que aqui há Onde as verdes colinas encerra. Abrigando constantemente em galhos O lindo e tão cantante sabiá Que orgulha o homem do campo Enchendo os olhos de orvalho. Seu doce idílio, de muita paixão Saudades dessa terra morena, Onde sua cabocla enfeitada Com lindas róseas flores de verbena, Faz bater forte o seu saudoso coração

165Dely Thadeu Damaceno - Patrocínio MG – Brasil - 12 de Outubro de 1953. Professor de Sociologia na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo. Sou amante da Literatura e das letras em geral. Faço parte de portais como: Poetas Del Mundo do Chile, do Portal CEN “Cá Estamos Nós” de Portugal. http://www.encontrodepoetaseamigos.ning.com 166Publicado no Blog Recanto das Letras, Shimon Goldwyn Piracicaba/SP – Brasil. Enviado por Shimon Goldwyn em 12/02/2013 Código do texto: T4136107 disponivel em http://www.recantodasletras.com.br/ homenagens/4136107, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Dena Guimarães 167

GonçALVES DIAS In MEMorIAM Passeaste pelo mundo Sobrepondo as verdades Casos rudes e encantos Em teus versos tu citaste

Flores, espinhos encontrou Lindos sonhos e desamor Florescendo em seu peito Relatando o que o inspirou

Amarguras estreitaram Teus sentimentos machucados Por esta vida que a ti causou Tanta dor por tanto amor

Pois caminhaste por lindos sonhos Terras indígenas em esplendor Cenário azul em tons vibrantes Neste chão você pisou

Entretanto não viveu Lindas Histórias de Romeu Dedicou ao nacionalismo Este universo era seu

Retratou também o belo Benevolência e mar de amor O teu alvo foi sincero Escreveste o que enxergou

Não vivendo somente encantos Foi remando e navegando Das tuas idéias nasceram poemas O papel foi seu recanto

Rompeu o tempo a tua morte Entristecendo o Sul e o Norte Deixando uma herança o seu legado Ser poeta foi seu forte

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167Dena Guimarães - Dionísio – MG – Brasil - 02/03/69. atualmente é artista, cantora, poeta, compositora e pro- fessora. Começou a compor suas músicas e escrever poesias aos 15 anos, onde seu talento resplandeceu sua vida artística. Em 2011 foi classificada entre os 20 colocados no Festival Cristo Redentor - RJ, em 2012 entrou para a coletânea: Música Minas e foi chancelada no concurso literário da Editora Litteris, livro-antologia “Lâm- pada do coração” a ser publicado no final de 2013.

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Aqui no âmago do meu ser Fisguei a luz do meu querer “Gonçalves Dias” sinto agora Tua essência a me envolver

Amo teus livros e tuas histórias Tu és pra sempre vida e glória Enriqueceste nossa cultura Colorindo-nos in memoriam

Denise Alves de Paula 168

HoMEnAGEM Ao PoEtA À Antonio Gonçalves Dias Poeta, romancista e escritor Que sua obra literária Escreveu com muito amor.

Presto aqui minha homenagem A esse homem de talento Que tão cedo nos deixou Mas não caiu no esquecimento.

De sentimento nacionalista Esse mestiço fantástico Tinha orgulho de sua raça Seu universo era bem vasto.

Incorporou à nossa escrita Temas antes nunca vistos Verdadeiras obras primas Tudo o que deixou escrito.

De grande riqueza temática Sua arte consigo não naufragou Com versos citados em nosso Hino todos os dias é lembrado Pois o Brasil o imortalizou.

168Denise Alves de Paula - Barra de São Francisco – ES – Brasil - 23 de Fevereiro de 1957. Atualmente mora em Vitória, Capital do Espírito Santo. Gosta de ler, escrever e pintar. 2012 - Participou da “Antologia Café com Verso” e “Antologia Mulheres Fascinantes”; 2013 - Participando da “Antologia Café com Verso II” e “Antologia Voar na Poesia”

Dércia Sara Feleciana Tinguisse - Deusa d’Africa 169

GonçALVES DIAS tAMBéM QUErIA SEr GEntE O nome do romântico maranhense Consta na história brasileira Alegando que queria ser gente.

Ora vejamos:

Dias, tinha o sangue americanamente primitivo, Tendo descoberto o fogo, Nos olhos da Don’Ana Enquanto os friccionava com os seus. Seu nome, consta na lista dos vivos, Porque dizem que é também gente.

Dias, tinha sangue lúgubre Consternando vilipendiosamente Sua paupérrima casta Mas também, era gente como a Don’Ana.

Dias, tinha sangue nublado Promissor duma terra Ébria de fartura Antídoto do agoiro não auspicioso Daqueles dias em que Dias, só queria ser gente. Dias, tinha um mar patriótico, Efervescente em seus olhos, que desvanecia nas rochas em terra, que pertenciam a Don’Ana.

Dias, era um intelectual, Que sonhava em ser gente Expirando o mar maranhense Que formara brisas matinais. Mas, o povo queria mais de si, Não queria apenas as brisas, Mas sim que o Dias, fosse o mar maranhense Alegando que o canonizaria como gente.

Contudo, Dias se tornara o mar maranhense E nunca fora gente como se lhe prometera Mas também, um poeta nunca é gente, Um poeta é apenas um singelo poeta!

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169Deusa d’Africa - Dércia Sara Feleciana Tinguisse - Xai-Xai - Gaza – Moçambique - 05 de Julho de 1988. Licencia- da em Contabilidade e Auditoria, e exerceu a profissão de contabilista na UDEBA-LAB (Unidade de Desenvol- vimento do Ensino Básico e Laboratório), Docente de Contabilidade no Instituto Médio de Comercio gestão e finanças.

A AntônIo GonçALVES DIAS Enquanto a vida me vituperava Minhas palavras erguiam mares Eu me tornava um homem honrado Ou apenas uma ponte entre as tribos.

De amor, a vida se me fora saqueada Comutando-me num mamífero Cujas entranhas pigarreavam por um anjo Que nunca o mereci pela minha loquacidade mesquinha.

Sou um cão raivoso Injectando meu veneno Em qualquer outro mamífero Uma vez que, a vida me furtara, Um osso, a que me havia sido destinado. Ana Amélia Ferreira Vale, é um osso Que soletrado, arrasta-me à úlcera Que me faz babar o meu veneno.

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MIL DIAS PArA MIL PALAVrAS Que dizer dos dias sem o Dias, Apenas o taciturno, o vácuo e a penumbra Que interferem a luz luzente Cobrindo os dias de névoa, de incertezas e perdição, Num inferno, onde as palavras olvidadas, São abusadas sexualmente, No seu lar, sem camisinha, nem legislação que as tutele.

VIVênCIA Oh! Vivência, que vivas e aos teus sempre salves, Sem que te apartes Da graça genuína do Gonçalves Cure a sua alma, que as artes Se desalentam com toda a anfetamina Que seu organismo injuriara perante a sua alma. Não come, mas bebe a sua sina Anémica, melancólica e vivalma, Com seus os olhos de sangue, Que colorem o mar vermelho. Nem que o homem me zangue, Tenho que te falar do teu fedelho, Pois, nenhuma palavra, nem prece o poupa Dessa acerba enfermidade Que afecta ate a sua roupa Destruindo a sua própria personalidade Onde a medicina alega Que a sua cura Seja apenas um beijo que nega à Don’Ana de casta pura.

MAr MArAnHão Mar Maranhão Vampiro das letras Choupana dos carnívoros e canibais Destruidores das empreitadas dos seus amores.

Gonçalves, amava o mar e a Ana Mas a Ana podia ser a Ana sem ele Contudo, o mar não podia ser o mar sem ele.

Ele amava a Ana e o mar Ele não seria ele sem ela Todavia, ela era uma sereia Cujos raios dos seus cabelos, anunciavam O dia, enquanto os olhos proclamavam, A noite fulgente Das rochas na sua face Às lúnulas dos seus pés Delgados e salgados Pelas águas que apaziguaram A ele eternamente.

CAnção PArA GonçALVES DIAS Canto e me encanto, citando teus versos, Gonçalves Dias Sentindo tua presença, revolucionando-me por dentro Sempre que passeio pelas ruas e praças de Caxias.

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Bravo poeta que com seus versos encantou muitas nações, Exaltando a Terra das Palmeiras, onde canta (va) o sabiá Eternizando a Canção maior no coração de mil gerações E ensinando que o melhor da vida é mesmo amar.

Poeta da felicidade, que viveu o amor em plenitude De memórias narradas por um mar de inspiração Soprando em almas anseios e dores em pura atitude Entoando cantos com a sinfonia do coração.

A Princesa do Sertão por tua causa adotou todos nós Somos gonçalvinos e o mundo inteiro disso é sabedor Porque ainda está aqui e ficará eternamente sua voz Atiçando com saudade o que escrevia sobre amor.

Nativo de Jatobá, filho de Caxias das Aldeias Altas, a Princesa do Sertão Caxias uma cidade referencial por excelência Ecoando sua voz ao mundo, elevando sempre o Maranhão Expondo de gerações a gerações cada poema com a essência deste chão.

Deuzimar Costa Serra 170

CAnção PArA GonçALVES DIAS Canto e me encanto, citando teus versos, Gonçalves Dias Sentindo tua presença, revolucionando-me por dentro Sempre que passeio pelas ruas e praças de Caxias.

Bravo poeta que com seus versos encantou muitas nações, Exaltando a Terra das Palmeiras, onde canta (va) o sabiá Eternizando a Canção maior no coração de mil gerações E ensinando que o melhor da vida é mesmo amar.

Poeta da felicidade, que viveu o amor em plenitude De memórias narradas por um mar de inspiração Soprando em almas anseios e dores em pura atitude Entoando cantos com a sinfonia do coração.

A Princesa do Sertão por tua causa adotou todos nós Somos gonçalvinos e o mundo inteiro disso é sabedor Porque ainda está aqui e ficará eternamente sua voz Atiçando com saudade o que escrevia sobre amor.

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Nativo de Jatobá, filho de Caxias das Aldeias Altas, a Princesa do Sertão Caxias uma cidade referencial por excelência Ecoando sua voz ao mundo, elevando sempre o Maranhão Expondo de gerações a gerações cada poema com a essência deste chão.

Dhiogo José Caetano 171

EtErnAMEntE DIAS Muito obrigado, Gonçalves dias! As suas obras são recheadas de ideias e informações, Literatura, arte e expressão, Uma arte expressivamente arte. Um trabalho transformador e ricamente literário. Poemas, versos e livros

170Deuzimar Costa Serra - São João Batista – MA – Brasil - Graduada em Pedagogia pelo CESC/UEMA, Especialista em Orientação Educacional (PUC/MG), Avaliação Educacional (UnB), Educação de Jovens e Adultos (UnB) e Docência do Ensino Superior (UFRJ); Mestrado em Educação pelo Instituto Pedagógico Latinoamericano Y Caribeno, IPLAC/CUBA, reconhecido pela UFC (Universidade Federal do Ceará); Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará. Professora assistente II, lotada no Centro de Estudos Superiores de Codó (CES- CD) da Universidade Estadual do Maranhão; Autora e Coordenadora do Projeto Intergeracional; Atualmente, Secretária de Educação de Caxias-Maranhão. 171Dhiogo José Caetano – Uruana – GO – Brasil - 24/11/1988. Artista revelação 2011 prêmio organizado pela In- terarte juntamente com Academia de Letras de Goiás, ganhador do prêmio cultural Interarte 2012, correspon- dente da ACLAC, membro da AVSPE Academia Virtual Sala dos Poetas, Escritores, membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Grande ABC e Senador da FEBLACA. E-mail: dhiogocaetano@hotmail.com

Hoje meditando um pouco Resolvi escrever estes versos para agradecer a sua contribuição, As suas publicações, seus versos, prosas, trova, poema de arrepiar. Que o tempo não esqueceu!

A rede está cheia de informações, mas falta a dinâmica literária. A força das palavras que bravamente foram narradas por Dias. Um poeta que de forma precisa mudou a cara da nossa literatura brasileira.

MoMEnto DIAS Um homem ou um gênio? Um ser que transparece a permanência na fantasia de um mundo quase perfeito. Conhecer você é romper com os conceitos e padrões É vivenciar a plenitude do nada, concretizando a plenitude da existência. Tornando vivo a espiritualidade da escrita e dos versos eternos Um ser iluminado pelo saber. Uma criatura de “outro” mundo. Eternamente Dias

oS VErSoS DE GonçALVES DIAS

Quando tu apareceste na minha vida vazia.

Eu era completamente infeliz.

Vivia sem o brilho de um sorrir.

Só havia dor, solidão, saudades.

Na alma a desilusão do viver e a vontade de morrer.

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Mas tudo se fez novo quando li os seus versos, poemas Chegaste à luz para clarear a minha vida vazia. Minhas noites perdidas. Minha vida que não mais existia.

Meu lótus, eu te agradeço Por tudo que fizeste por mim. Vossa luz me transformou em um clarividente. A sua mensagem libertou a minha alma. Obrigado meu Deus!

SALVE, SALVE DIAS Salve, salve Gonçalves Dias! Ser que possui uma vasta bagagem intelectual. Sabedoria e talento se misturam em um único ser. Poeta por natureza. Escritor pelo destino. Intelectual memorável, perspicaz e aguçado em seu trabalho. O senhor das palavras.

Um homem conhecedor do mundo e dos sentimentos a sua volta. Um ser maioral e com propriedade para falar de seus ideais. Um talento brasileiro, que traz emoção e muita sabedoria em cada obra eternizada. Todos ou a maioria admira seus escritos. Eu me classifico como parte desta maioria. Ter o dom da palavra é um privilegio de poucos e Dias faz parte desta minoria que utiliza o dom de falar para mudar o mundo e as pessoas á sua volta. Dias, salve, salve Dias

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QUAnDo CrESCEr QUEro SEr UM GonçALVES DIAS Um homem que de forma literária descreveu os momentos em versos, sentimentos, poemas Sua arte o eternizou ou vice-versa. Um poeta do Brasil, no entanto reconhecido no mundo todo. Nos seus belos textos ele deixou registrado a sua sincera cortesia e nobreza de espírito Ao longo da sua existência cultivou o amor e assim colheu o respeito, reconhecimento e sucesso. A sua obra lírica é plenamente recheada de emoção e marcada por um acentuado romantismo. De forma plena manifestou a solidariedade com a humanidade e lutou pelos direitos dos mesmos. Transformando a sua vida em versos, prosas, rimas, poemas, duetos, acrósticos e liberdade de expressar os sentimentos. Sentimentos vividos de forma coletiva e profundamente partilhados no dia a dia. Uma trajetória ricamente literária. Quando eu crescer, quero ser um Gonçalves Dias. Um homem que divinamente poematizou os momentos, sonhos, medos, ideias, lembranças e mundos. Um escritor que marcou a sua geração, os seus valiosos escritos são verdadeiros testemunhos do tempo e das emoções de uma grande poesia. Dias, de forma ricamente falando revolucionou a arte de poematizar. Construiu uma história poética e narrou o existir através dos poemas. Indubitavelmente quero ser um Gonçalves Dias.

GonçALVES DIAS o PoEtA DoS SéCULoS A sua poesia é rica de sentimentos; sentimentos que se concretizam em um mosaico de emoção e aliteração. Meu mestre você representa a incursão da arte de expressar através das letras. Você ajuda promover este mosaico literário. Um ser que se entrega por completo ao mundo das letras, dos sentimentos, dos saberes e das inúmeras formas de se apreender. Um contexto construído através da dilaceração das experiências. Diálogo transcrito, descrito na individualidade da escrivaninha. Sentimento que parte do individual e se alastra até a coletividade do ser.

Palavras que são lançadas ao léu, que pairam no tempo e tornam-se elementos, signos, estilhaços, cordéis, simulacros das vozes dos vários peomistas. Um encontro de alma, sentimentos, emoção e literatura. Palavras que são profundamente eternizadas na memória e na sua majes- tosa escritura. Versos, poemas, poemia, poesia, boêmia e o retrato da expressão ver- balizada em suas palavras. O profundo desejo de escrever e alimentar o eu poético. A fórmula de construir um mundo ativo que interage, emociona, ensina e influência no outrem. Gonçalves Dias este poema simplesmente representa você e o seu papel como artista literário ao longo dos séculos.

Diana Menasché 172

DE QUE ADIAntA? 173 Como o pássaro perdido que não espera mais rever o bando, abandonado eu mesmo de mim, tendo cruzado por fastio o oceano De repente com uma dor esmagadora No ventre da aurora Vejo-te.

cruzando o trilho do trem esquecida do tempo certamente esquecida de mim (e quiçás pensando em alguém)

Mas de que adianta ainda ver-te se não eres minha, e além de não poderes vir a ser, te fizeste rainha de quem com paixão preferiria eu jamais houvesse nascido?… De que adianta ainda ver-te se cada passo teu é uma tormenta à minha mente, por saber que passos estes não levarão tua pessoa até mim?

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172Diana Menasché - Rio de Janeiro – RJ – Brasil - 16/04/1983. Nascida na cidade do Rio de Janeiro, é formada em Comunicação Social (Jornalismo e Cinema) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e é mestre em Letras Hispânicas pela University of Massachusetts at Amherst.” (www.dianamenasche.blogspot.com)” (www.poetrybydiana.weebly.com). 173O poema “De que adianta?” dialoga com “Ainda Uma Vez Adeus”, de Gonçalves Dias. Apesar de eu (Diana) não ser um homem, tentei imaginar-me naquela situação que Gonçalves Dias tão francamente retratou: a de um homem revendo uma mulher amada no passado, mas então já casada com outro:

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Por que vejo-te e revejo-te na memória se tua imagem não pode inspirar-me ao futuro e apenas me leva a lamentar uma história que não se repetirá?

Ai, de que me adianta ainda lembrar-me de ti, donzela que nunca minha será…

Se um navio não terá orderns de aportar Melhor que não veja o porto e mais facilmente contente-se com a solidão do alto-mar.

AntES EU não A VISSE! 174 Como o pássaro perdido que não espera mais rever o bando, abandonado eu mesmo de mim, tendo cruzado por fastio o oceano De repente com uma dor esmagadora No ventre da aurora Vejo-te.

cruzando o trilho do trem esquecida do tempo e certamente esquecida de mim (quiçás pensando em alguém)

Mas de que adianta ainda ver-te se não és minha, e além de não poderes vir a ser, te fizeste rainha de quem com paixão preferiria eu jamais houvesse nascido?… De que adianta ainda ver-te se cada passo teu é uma tormenta à minha mente, por saber que passos estes não levarão tua pessoa até mim?

Por que vejo-te e revejo-te em memória se tua imagem não inspira futuro e me leva apenas a lamentar a triste história enterrada num velho porão escuro?

174O poema “Antes eu não a visse!” dialoga com “Ainda Uma Vez Adeus”, de Gonçalves Dias. Apesar de eu (Diana) não ser um homem, tentei imaginar-me naquela situação que Gonçalves Dias tão francamente retratou: rever a mulher amada no passado, mas então já casada com outro:

Ai, de que me adianta ainda lembrar-me de ti, donzela de ontem que nunca minha será…

Se está num navio sem orderns de aportar, é melhor que o marinheiro nem veja o porto. Sem vê-lo, mais em paz poderá aceitar do alto-mar a eterna solidão e desconforto…

oLHAS PArA oUtro LADo… 175 É bom demais amar-te infinitamente neste segundo perfeito.

Olhar-te e saber: nada mais existe nada há que possa mais encantar-me que tua face dourada, perfeita.

Nada nos céus, nos rios ou nas florestas compete contigo. Nem a estrela d’alva altaneira nem o Rio Amazonas iluminado pela lua, que só para te ver até aqui veio…

As flores da Amazônia e os sabiás desaparecem de nosso meio Pois quando tu estás junto a mim nada clama por minha atenção. Nada mais me chama além de tua face, a única e derradeira.

Aqui estou para ti:

para ver-te, e ouvir-te. Estou para ti sem receios Feito espectador em concerto vidrado no palco, perdido na canção Inteiro a admirar-te, como quem aplaude na ilusão.

Mas não… Eis que descubro… Teus olhos se voltam para outro alguém! Teu coração não está aqui, mas noutro mundo e por isso teus labios se afastam dos lábios meus…

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O espetáculo se esvazia… Resta-me o silêncio de uma sala fria o descobrir-me desiludido, estando como se estivesse contigo, mas sabendo-me tão completamente sem ti…

175O poema “Olhas para outro lado…” é inspirado no poema “O desengano”, de Gonçalves Dias.

Diana Paim de Oliveira 176

DESCoLorIDA Minha vida tinha cores, mesmo que eu não pudesse ter você. Eu até possuía mais amores, mas, sem você, ando até descolorida. Em você me inspirei, mas, quando você se foi, eu apenas errei. Em você eu acreditei, pois sabia como eu me sinto. E agora meus poemas vivem sem sentido Ah, Gonçalves Dias! Não sei mais em que me inspirar

Diego C. Soares Ribeiro 177

CAnção Do ExPAtrIADo Intertexto com o poema de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”.

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Minha terra tem porta estreita Onde todos são chamados, Mas poucos os escolhidos, que desfeita! Para desperdiçar tanta graça só para os tapados

No céu cintila a luz dos santos, As santas exalam o cheiro das flores, As várzeas guarnecem os amores Devotados ao Santo dos santos.

Em cismar, no meu desterro, sozinho, via O meu pensar, seja à noite, seja ao dia; Mais prazer, certamente, encontrarei lá, Já que aqui só canta o sabiá.

No meu céu não cabe mais primores, Tais quais nunca os vi por cá, Torno a pensar que nem o canto do sabiá, Far-me-á desistir do Senhor dos senhores.

176DIANA PAIM DE OLIVEIRA – Teresópolis – RJ – Brasil - 12/12/1997. poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e vem se dedicando aos diversos gêneros da arte escrita (da crônica a poesia). Tem diversos textos publicados nos blogs “Palavras do coração” e “Diários de Solidões Coletivas”. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa 177Diego C. Soares Ribeiro - Bom Jesus do Itabapoana – RJ – Brasil - 17 de junho de 1992. vive na Terra dos Es- critores, São José do Calçado, desde tenra idade. Concluiu o Ensino Médio no Centro Educacional Santa Rita de Cássia, lá se enamorou da Literatura na 7ª série. Converteu-se ao catolicismo em 2009 e procura viver os preceitos cristãos a partir de então. Recebeu “Menção Honrosa na Maratona Escolar Joaquim Nabuco – 2009, para alunos do Ensino Médico das redes pública e particular com abrangência no território nacional”. Em 2010, sua redação ficou entre as dez melhores do Estado do Rio pela Fundação CECIERJ (PVS).

Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as almas santas, Que louvam melhor que o sabiá.

Diego de Souza Santana - Diego Sant’anna 178

HIno GonçALVES DIAS Gritas em silêncio ao vento que é livre teu coração. Sem fronteiras, sem nação, Sem credos nem religião.

E opinas que a honestidade

São os sapatos com que se deve andar.

E por bússola teus sonhos caminham com lealdade.

Com passos firmes, sabendo onde chegar.

Tu buscas na educação uma arma para ser melhor. E que não te adestrem ou te domem com um “não”. A água que te banha é de te próprio suor Para que nunca de acusem de malfeitor ou ladrão.

E nos livros buscas um pretexto,

Para escrever um verso ou pintar um coração.

Que em tuas atitudes nunca fuja do contexto De teus conceitos e visão.

GonçALVES DIAS: o ESCULtor DE ALMAS

Podes arrancar meu coração do peito

E converter em murmúrio tênue minha voz. Achar meu modo de vida suspeito, Por ser diferente de vós.

Podes dar opinião sarcástica a meu respeito, Criticar meu trabalho e dizer que não é produtivo. Mal dizer minha índole e botar defeito. Me difamar com seu bafo opressivo.

Pode a chuva cair sobre o céu estrelado. Um cego ver o dia amanhecer. Que na noite cante o galo da manhã estressado. Que o mar, confundido, vá a um rio morrer.

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178Diego Sant’anna - São José dos Campos – SP Brasil - 07 de Janeiro de 1988. Diego de Souza Santana (Diego Sant’anna) jé teve seu trabalho literário reconhecido em vários concursos como: Mostra Joseense de Cultura e Mapa Cultural Paulista. Aos 25 anos, poliglota, estudante de Letras, faz parte de Movimento dos Poetas do Vale. No ano de 2012, participou do Festival Literário da Mantiqueira, ganhou os concursos de poesia das universidades: UNIVAP (Universidade do Vale do Paraíba) e UNITAU (Universidade de Taubaté).

Vivo com a paixão à flor da pele em tudo o que faço, Entre estrofes encontrarás meu lar. Desafio o tempo e o espaço, Numa incrível ânsia por desbravar.

Busquei no caminho todas as respostas E me dei conta de que elas estão em mim, Escalei montanhas e cruzei rios de margens opostas. Num auto resgate sem fim.

Condutor de sensações à sua pele, um comunicador de sonhos quero ser. Fabrico as memórias, Que você liga com nostalgia às minhas histórias. Sou escultor de almas por lazer.

no tEMPo DE GonçALVES DIAS Naquele tempo Os dias estavam mais claros. Jardins estavam florescendo.

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As noites tinham mais esperança. No silêncio

O amor estava nascendo.

Naquele tempo Desejos estavam sussurrando. O tempo estava lá, Mas sem significado. Uma voz me chamando. Um sentimento inesperado.

Naquele tempo Os sonhos se realizavam.

O vento soprava forte.

Os caminhos se cruzavam.

Os dias se foram. Jardins ficaram desertos. As estrelas não brilham mais. Desejos tão ocos. Seguindo em caminhos incertos. Meu amor agora Descansa em paz.

oS oLHoS DE GonçALVES DIAS Meus olhos viajantes, Imigram por todo parte. Expressivos, insinuantes. Observando os declives,

Os sembrantes. Buscando os perdizes, Os instantes. Contemplando os sorrisos, Os amantes.

Meus olhos de diamante, Examinam toda arte. Contemplativos, exuberantes. Procurando novos caminhos, Novos horizontes. Navegando entre os rios, Subindo entre os montes. Cruzando trilhas, Atravessando pontes.

GonçALVES DIAS AnACrônICo Ainda açoitado aguardo ansioso Ando atento, ávido, anacrônico. Assim asbesto audacioso. Amorfo, atônito, agônico.

Aceito amor antagônico, Antiviril, acrítico, amniótico. Aderindo, aceitando, afônico. Ático, atópico, afórico.

Acabo afogando adentro. Ascendendo a áspide alma. Álibi, amar-te ardendo. Ao agir abúlico acalma.

Dilercy Adler 179

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VILLE DE BoULoGnE E GonçALVES DIAS Ville de Boulogne carrega em seu abraço um corpo ilustre embora alquebrado no seu físico estão - em ferro e fogo- todas as marcas

179Dilercy (Aragão) Adler - São Vicente Férrer – MA – Brasil - 07/07/50. É Psicóloga-CEUB/DF, Doutora em Ci- ências Pedagógicas-ICCP/CUBA, Mestre em Educação, Especialista em Pesquisa em Psicologia e Especialista em Sociologia. Publicou nove livros de Poesia. Três livros acadêmicos, um biográfico e um de história infantil. Titular da Cadeira Nº 1 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM. Presidente fundadora da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão_SCL-MA e Senadora da Cultura do Congresso da SCL do Brasil. -mail: dilercy@hotmail.com

do tempo da doença dos dissabores de uma vida amarga

Nem só amargura se vislumbra nessa vida vida tão pródiga cheia de carinhos plenos que são entregues às águas inquietas de um oceano que o abraça em sua última agonia

Ville de Boulogne entrega-o precocemente ao balanço das ondas do mar pátrio revolto e acinzentado que assim talvez o embale com carinho no sono eterno de poeta apaixonado

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- quem sabe - assim sua acre-doce poesia se irradie para o cosmo etéreo em finita e humana eternidade!

GonçALVES DIAS Gonçalves Dias te imagino milhas e milhas distante da terra querida da mulher amada de toda uma vida! um Gonçalves Dias sem fé sem guarida –que vida!-

Gonçalves Dias te imagino também ensimesmado dias e dias curtindo insólita solidão em dias de pleno verão sol e calor mar e luar a ruminar saudades sem nenhuma ilusão1

oh! –afrodisíaca ilha- só tu tens poder de enfeitiçar a dor embelezar o adeus materializar o mais doce e dorido poema da mais pura e lírica despedida de amor!

GonçALVES DIAS - o nACIonALIStA Cantas os povos em seu esplendor unes os homens em laços de amor

a glória do índio

a força do negro

a tradição do europeu

são por ti decantadas em versos e versos de Brasil brasileiro como crente ou ateu!

com gritos de guerra ou súplicas de amor -quanta heresia!- fazem-se os homens mortais e imortais poesias!

AMor E AGonIA Paz

amor

agonia na vida de Gonçalves Dias

paz no amor correspondido agonia no amor proibido devoção à terra querida amargor na distância por alheias razões impingidas alegria no reencontro em Lisboa agonia do último adeus nessa hora!

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paz

amor e agonia na vida profícua do nosso tão amado e inesquecível poeta maior entre os mortais imortal Gonçalves Dias!

ACrÓStICo – GonçALVES DIAS G ozaste o júbilo dos justos o uviste memoráveis gorjeios n adaste imóvel no abraço das ondas Solu ç aste ao sabor de amarga saudade A maste como deus -não como mortal- L evaste a desesperança tanto tempo no peito Voaste entre as nuvens -de olhos fechados- E nquanto no Olimpo S onhavas atento às coisas da terra!

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D ias e dias I maginando e desejando intensamente A amar sem medo ou fronteira S emeaste -com certeza- muito amor nesta terra!

Dinacy Mendonça Corrêa 180

(En)CAnto GonçALVIno Meu poeta das palmeiras Mavioso sabiá Quisera em teus gorjeios Meu estro cadenciar

Na unção do teu carisma Na tua verve e magia Em quatrocentos acordes A minha lira vibrar

Pra São Luís exaltar!

Oh! minha musa cidade Nem consigo imaginar Consumindo-me em saudades Coração dilacerado Quando distante de ti

180Dinacy Mendonça Corrêa - arariense-vitoriense – Brasil. Licenciada em Letras (UFMA) e Mestre em Teoria Li- terária (UFRJ). Professora estadual (SEEDUC/UEMA) em plena militância. Ensaísta, pesquisadora da literatura e cultura maranhense, com alguns trabalhos premiados e publicados na área. Atualmente, cursa doutorado em Ciência da Literatura (UFRJ). Membro da Academia Arariense-Vitoriense de Letras (AVL).

Como o nosso Gonçalves Dias Na sua Canção do Exílio Quero voltar para ti!

Como esquecer doce Ilha Teu contorno litorâneo Teu perfil beiramarinho Os teus ipês coloridos Toucando a clara manhã

E a humilde chanana Alegre, viva, rasteira A florir, mesmo entre pedras, Sorrindo em verde-amarelo Num constante renascer

A nutritiva Jussara Como anoitecer, doce Ilha, Sem teu bordado de estrelas Teu luar emoldurado Na sacada, na janela Refletido em azulejos Nos soberbos casarões

Teus coloniais telhados Com seus beirais em jardim

Quero poder sempre estar Pisando em tuas calçadas Ladeiras e escadarias Tuas pedras de cantaria Ruas estreitas e becos

E sempre a te contemplar Em tuas tardes macias Noites de idílio e magia Céu junino constelado Em “hora de guarnicê”

E sempre a me alegrar Por teu folclore bonito Tua Capoeira de Angola Tambor de São Benedito Tuas caixas do Divino

No balé de tuas danças Portuguesas e francesas Indígenas e Africanas

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Caroço, Coco, Mangaba Bambaê, Cacuriá Tambor de São Benedito Le-le-lê e São Gonçalo Bumba-boi, Samba-lelê E outras e outras mais

Te amo, cidade-vida Por meu pão, por minha estrada Meus afetos, nossa história Nossas glórias do passado Esperanças do porvir

Nossa razão de existir!

O concerto dos teus pássaros Na alvorada do teu dia Que se ergue de mansinho

Desenhando em teu céu límpido

Cores mil

Teu mar azul

Dionnatan Pereira Sousa 181

PoESIA DE (GonçALVES DIAS) Gonçalves Dias foi um professor, Um poeta um escritor. Fazendo poesia com Paixão e muito amor.

O pai dele foi comerciante, Educado e um bom ajudante, Que se chama João Manuel Gonçalves Dias ele era português.

Num país de paixão do coração Gonçalves Dias nasceu no Maranhão No estado de amor e paixão Vai sentir saudade e paixão, Do que ele viveu no Maranhão.

181Dionnatan Pereira Sousa - São Luís – MA – Brasil - 01/07/2002. Motivo da Participação: Eu gostaria de partici- par da antologia porque eu quero ser conhecido pela escola e outros lugares.

Domingos Tortato 182

SAUDoSo AntônIo

Foi enlaçado em primores só forçado em timidez

e excessiva honradez

entre outros pormenores.

És poeta honorário e de estória aventureira, monumento literário da história brasileira.

Superou sem revelia das tragédias do amor, fez da bela Ana Amélia sua mais singela dor.

Bem-quisto em águas dormentes àspalmeiras retornado fundo em lençóis maranhenses, num percurso naufragado, jaz sozinho entrementes em seu leito afogado.

Dora Oliveira 183

o ExíLIo DA PoESIA Nestes dias acinzentados, De almas opacas.

Nossas florestas quase raras. Já não ouvimos os pássaros Que gorjeim por cá

E nem sabemos

Se ainda canta o sabiá.

Falta-nos poesia no olhar, No apreciar. A poesia de Gonçalves dias.

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182Domingos Tortato - Londrina - PR - Brasil – 03/02/1986. Estudou os cursos de História e Jornalismo na Univer- sidade Estadual de Londrina e, atualmente, é aluno do Curso de Direito na mesma universidade. 183Dora Oliveira - Ipatinga – MG – Brasil. É autora do romance “No canto escuro do coração”. Possui traba- lhos publicados em várias antologias, sendo as mais recentes: contos de caminhoneiros; contos Luís Jardim, 2007/2008; poesias da Universidade Federal de S João Del-Rei, 2007; contos da Academia de Letras de Niterói; “Poesias”, vol 3 e 5, organizada por Valdeck A. de Jesus; Contos Vol 1 e 2 Gráfica Belacop; poesias de Colatina/ ES. Bog: www.doraoliveira.blogspot.com .

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Nestes dias De câmeras voltadas Para o norte da América E a Europa distante, Precisamos nos redescobrir, Pisar o nosso chão E falar a mesma língua.

Como Gonçalves Dias Que mesmo além-mar, Levava no coração e na poesia, Os nossos primores, As nossas palmeiras E o canto do sabiá.

Nestes dias efêmeros De vidas sem amores E amores sem poesia, O cismar e a saudade são descartáveis.

Falta poesia em nosso sentir, Em nosso viver. A poesia de Gonçalves Dias.

Douglas Mateus 184

noVELo tE EU???

Bordais o calcitramento do poético-osso Despossuintes agulhares, rendas ou cosentes, Senão passadelas e talentices-crentes,

Senão imerções do vosso genialíssimo todo

!

Possuíais do dadival seu autárquico infindo Pecaminoso ao distribuinte e mentor do apregoado, Sabido o valoroso quando outrora o palato:- Gonçalves terás conosco o que nunca teu parido!!!

Dantes poder-vos-ia versejo o encalcado

Amiúde vossos caracteres fenecidos no arbitrário,

)

O que dera aos imortais seus esquecidos (

184Douglas Mateus Fraiburgo – SC – Brasil - 22/12/1987. Brasileiro nato é autor de doze livros, além dos cinco organizados Comendador pela Ordem Nobiliárquica de Kastoria, Embaixador da Paz e Doutor Honoris Causa em Literatura; medalhas Carlos Scliar, Ordem Zumbi dos Palmares e Comenda Palma Dourada; Imortal à Aca- demia de Letras do Brasil, da Academia de Artes de Cabo Frio, da Academia de Letras e Artes de Fortaleza, da Academia de Artes e Letras de Iguaba Grande e da Academia de Letras do Brasil, Seccional Suíça, além da União brasileira de Escritores, da Academia Virtual Salão de Poetas e Escritores e da Associação Internacional (LITERARTE).

Vagastes ao torpe dos vossos vinhos E n’oje encantos distribuíeis nos degustáveis Quando adegas as vossas obras vêm meus citáveis

!

AntônIo Calado sou a tumba fria das tuas vísceras

Que aspergem o sanguinolento devasso Nelas, vermes sendo, as sacio sem pecado,

Intransponível também as tuas crias

!

Calado sou teu ataúde, que friamente estando Recebe-te condizente e que mórbido sacode, Inimplorável tuas concessões, avais ou sorte, Senão gélida a tua família : Nela quando???

Calado sou o teu sorriso inexistido, inacontecido,

Incalculado (

A mesma que na Gonçalvina tua o subalterno

)

jazes co’a promiscuidade espirada,

Calado não me forjes, se que ‘inda vivalidade o supremo, Se que ‘inda zelador da tua afrodisíaca fragranciada, Se que ‘inda amares-te por me só sadiamente deixado

!

PoDEr-tE é UMA SonHADELA

E

não me sei se é o instante atrocidador

O

máximo,no tim d’um translucidar;

Duvido-o desde o teu ao meu amar, Desde vi-me o porquê eu versos,feitor

!

Cotim o nosso, hemo-nos modelação, Postumamente poder-me-ás poeta, Antiga autoria, que vez experta

E

gravatada,matrimônio da nossa comunhão

!

E

patriarca convicciono influência de meu felicitar

Nossos prenomes indivisíveis a se aclararem, Façamo-las que as más bocarras nos clamem

Conseguinte ao terreal n’um deles, este missionar Duvidades tens, que nascemos acúleo à rosa??? Duvidades tens nosso Amor passar nunca???

!

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Dyonatan Fonseca Silva 185

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O naufrágiO dO amOr gOnçalvinO Gonçalves Dias Poeta de Caxias Que trouxe alegria e harmonia Com seus poemas e fantasias.

Ele fez muito sucesso Contentou leitores e autores Mas não imaginara Que prestes estava a viver horrores.

Conheceu Ana Amélia E logo se apaixonou E em um amor proibido Ele não se aventurou.

Viajou para Portugal E nos estudos ingressou Mas o amor de Ana Amélia Em seu coração continuou.

Foi um aluno excelente, um profissional renomado Mas no amor se martirizou E na viajem de Portugal ao país amado Com o amor por Ana Amélia naufragou.

Edinaldo Reis

gOnçalvES diaS Em mil oitocentos e vinte três Provavelmente no dia dez de agosto Deus presenteava a nossa cultura Com um dos maiores astros talentosos Nascia nas terras de Jatobá O nosso grande poeta Gonçalves Dias Isto no estado do Maranhão No esplendido município de Caxias Não imaginaria ele que o destino Preparava surpresas na sua história E suas imensas inspirações literárias Tornariam-se uma estrela notória Descendente de um pai português

185Dyonatan Fonseca Silva - Caxias –MA – Brasil - 1º de Julho de 1997. Tenho 14 anos. Sou filho de Maria Vera Lúcia Fonseca Silva e de Francisco Alves Silva. Fiz curso de computação na Compumaster em Caxias. Estudei na U.E. João Lisboa desde o 3º período do primário até o 9º ano. Atualmente estudo no C. E. Thales Ribeiro Gonçalves e faço o 1º ano do Ensino Médio.

E de uma brasileira cafuza Genuinamente ele era mestiço Decorrente desta linda mistura Orgulhava-se o poeta brasileiro Em ter o sangue das três raças Que formava a nossa sociedade E os traços de toda essa massa Trabalhava na loja de seu pai Apenas como um simples caixeiro E depois passou a estudar Outros idiomas estrangeiros Em mil oitocentos e trinta oito O jovem embarcou para Portugal Levando consigo a saudade Da sua amada terra natal Estudou na universidade de Coimbra E se formou em Bacharel Sempre se dedicou em arte literária Conquista que lhe rendeu laurel Exilado da pátria querida Fez o poema Canção do exilio Que em todo território brasileiro Notabilizou-se em grande prestigio Mil oitocentos e quarenta e cinco Retornou ao colosso Brasil Seu coração palpitava de desejo Pela amada terra gentil E logo conheceu Ana Amélia A musa de sua grande paixão Para algumas de suas obras românticas Ela foi motivo de muita inspiração Mas não casou-se com ela Devido a preconceito familiar Por ser um mestiço brasileiro Ele precisou o seu amor renunciar Apaixonado foi-se ao Rio de janeiro Onde conheceu Olímpia da costa E movidos pela força do destino Entrelaçaram união amorosa Era e é admirado por todos Em todas áreas fora bem sucedido Lendo os seus poemas parece Que a sua voz ainda estamos ouvindo Conhecedor da cultura europeia Obteve ali reconhecimento Os nobres da sociedade portuguesa Aplaudiram seu brilhante talento Fez um excelente trabalho Num pouco espaço de tempo

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Aproveitando os ensejos da vida Na mola do desenvolvimento Destacou-se em negócios políticos Ocupando alguns cargos influentes Na comissão cientifica de exploração Destacou sua habilidade competente Escreveu muitas peças românticas Poemas, poesias e cantos. Relíquias deixadas pelo poeta Que nos enche de ternura e encanto Fez sua ultima viagem a Europa Quando estava seriamente doente Em busca de restaurar sua saúde E não obteve êxito lamentavelmente Após dois anos retornou ao Brasil Em estado ainda mais deplorável Sua jornada estava perto do fim A sorte malvada era imperdoável Embarcou no navio Ville Boulogne E pelas ondas vinha ele rompendo Mil oitocentos e sessenta e quatro No dia três de novembro Na costa brasileira maranhense O navio acabou naufragando Perto da vila Guimaraes no Maranhão Quando a rota já estava findando Todos tripulantes conseguiram se salvar Exceto o poeta que ficou esquecido No seu pobre leito ali agonizando Pelas águas do mar fora então acolhido Mas sua inspiração e talento Virou literatura nacional Suas obras foram eternizadas Pra sempre gravadas no nosso mural Sua obra canção do exilio Foi sua deslumbrante poesia Lida e relida por todos brasileiros Que amam e lembram dele todos os dias O poeta Gonçalves Dias É diamante da nossa cultura Realçando os valores da nossa historia Monumento importante desta literatura Salve, Salve, Gonçalves Dias Astro, Astro, que sempre irradia Brilhas, Brilhas, no nosso céu Tuas poesias, é o nosso troféu.

TErra daS palmEiraS Sou da terra Das palmeiras Dos vales e ladeiras, Das matas dos cocais De riquezas naturais, Dessa terra enluarada Dos riachos e cascatas Dessas dunas de areia Dessa amada cultura Que o ambiente e pessoas Fazem a desenvoltura

Sou da terra Das palmeiras, Da cultura brasileira Sou; Eu sou; Aqui do Maranhão Amante dessa terra De vales e serras, Esses lençóis maranhenses Atração para toda a gente Sertanejo na strada Vai tocando a boiada, O vento soprando Nas tuas palmeiras Sou dessa terra Da mulata reggaeira.

nOSSO maranHÃO! Região de palmáceas Onde está nossa história Houve tempo de lutas De conquistas e glórias Quando pingou no chão Suor dos nossos heróis Desbravando o caminho Dando vida pra nós Ter título maranhense É a nossa pujança Ter uma estrela no céu Da cor da esperança

Maranhão é tradição Cultura e denotação Vivenda feliz! De quem sabe viver Maranhão é alegria É o nosso aprazer

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Oásis brasileiro Difusão de coqueiro Maranhão; maranhão. O negro, o branco, e o índio Destes traços de raça Formou nossa massa Bumba meu boi Pra tua gente dançar No toque do tambor O povo vai balançar.

Quem vem de fora Pode ver tua beleza O mar maranhense E suas correntezas Teus lençóis de areia Que a vida permeia Tuas vastas palmeiras São típicas da região Só tem mesmo aqui Em nosso maranhão!

Edna Lima de Mendonça 186

a COrrEnTEZa E a flOr (relembrando gonçalves dias)

Pediu, a flor, às águas do riacho, muito tristonha, em sua solidão:

“Fica comigo ou leva-me contigo para outros rios, para grandes mares, eu quero conhecer outros lugares, não me deixes não!”

Mas a corrente ia levando as águas, lambendo as pedras, com sofreguidão. “Vivo tão só, posso ser tua amiga”, dizia a flor, como buscando abrigo, e suplicava: “Leva-me contigo, não me deixes não!”

A correnteza, alheia ao sofrimento daquela humilde flor, negou-lhe a mão. Sequer olhava para a pobrezinha, em sua trajetória, prosseguia, enquanto a flor, morrendo, inda pedia:

“Não me deixes não!”

186Edna Lima de Mendonça - Espírito Santo – Brasil. Poeta e Escritora, formada em Pedagogia, com licenciatura em Administração Escolar e Magistério. Possui curso de Jornalismo, e estudou Desenho Artístico, possuindo outros cursos como: Português e Redação Oficial, Marketing em Biblioteca e Contador de Histórias.

minHa TErra TEm palmEiraS (Ode a Gonçalves Dias)

Fez sua estreia na carreira literária com o poema dedicado à coroação do Imperador Pedro II, no Brasil. Fora de sua pátria, sempre recordou suas belezas: palmeiras, sabiás, bosques, mares, o verde das matas, o gorjeio das aves, e o céu de anil.

Foi pesquisador do IHGB, viajando pelo Brasil e pela Europa, sem esquecer a terra de quem era filho. Romântico, indianista e patriota, escreveu algo que até hoje encanta aos poetas e, também, aos não poetas:

o belo poema “CANÇÃO DO EXÍLIO”.

Um dos grandes trovadores da primeira geração do Romantismo Brasileiro, era, além de romântico, bairrista. Ajudou a formar, com José de Alencar, uma literatura de feição nacional com seus poemas de temática patriótica e, também, indianista.

Era assim que escrevia o Grande Gonçalves Dias.

minHa páTria (Homenagem a Gonçalves Dias)

Andei por algumas terras, as quais pude apreciar, mas nelas não vi o encanto como aqui posso encontrar.

Não vi as belas palmeiras, nem ouvi o sabiá cantando, feliz, seu canto que tanto escuto por cá.

O tom dos céus de outras terras não lembra nosso infinito. Aqui são muitos caprichos e o azul é mais bonito.

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O verde das nossas matas é mais verde, com certeza. Em tudo aqui há mais graça, mais cuidados, mais beleza.

Lá nem havia os primores que tanto vejo por cá, nesta terra onde há palmeiras onde canta o sabiá.

Eduardo Bechi 187

O mar pOESiaS prECiSara O oceano foi seu exílio, Foi seu ultimo e triste canto. Deixara órfãos e em prantos Sua bela obra – seus filhos!

Foi-se por Deus permitido, Antes de voltar a terra Onde o sabiá encerra, O canto de seu exílio?

Palmeiras já não teria visto Desespero, grito e pavor:

Acabaram seus primores

Se poesias o mar precisara, Em Gonçalves Dias se fartara Com seus cantos e amores!

funESTa viSÃO Da tribo Tupi que ali havia; No seio da antiga floresta:

O guerreiro Piaga vivia Empunhando seu arco e flecha.

Pois certa noite, mal sabia; Uma visão mal e funesta Por Manitôs o que seria Que estragaria a tribo em festa?

Um medonho monstro horrível; Que desgraçaria a sua tribo; Foi a visão que veio anunciar

187Eduardo Bechi - Videira, SC – Brasil - 10 de março de 1984. É autor de cinco livros de poesias e sonetos, tais:

“A toda velocidade na contramão” de 2004/2009, “As folhas que não caíram no inverno” de 2007, “Imortal” de 2009, “Reticências e Et Cetera” de 2009, “Sonetos de Eduardo Bechi” de 2010

Roubando suas mulheres, Seus guerreiros e seus filhos, À tribo Tupi arruinar.

Eduardo de Almeida Cunha 188

CançÃO dE TranSiçÃO Minha terra tem histórias E pessoas que vou citar:

Preto Cosme, João do Vale, Gonçalves Dias e Ferreira Gullar.

Minha terra tem palmeiras:

Tucum, babaçu, buriti, Tem também macaúba, marajá e açaí.

Aqui choram Farinha e Flores:

Munim e Itapecuru, Balsas e Preguiças E o indígena rio Grajaú.

Nossa fauna gorjeia a encantar:

Garrincha, cibiti, xoró E o gavião carcará.

Nossa flora é de transição:

Tem carrasco e cocais, Campos e restingas, Tem também o cerradão.

Minha terra é pura Geografia:

Climas, solos e relevos População e hidrografia.

Minha terra tem mais Rosas, Marias e Josés, Josés de que não vou falar. Minha terra tem palmeiras E Josés de Ribamar.

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188Eduardo de Almeida Cunha – Caxias – MA – Brasil - 30/05/1975 . Professor com Geografias vivenciadas, especialista em Metodologias do Ensino de Geografia. Atuou em todos os níveis de ensino desde a Educação Infantil (execução do projeto: Quintal Ambiental) à universidade (nos anos de 2011 e 2012 no CESC/UEMA). Atua na rede Municipal de Caxias-MA desde 2000. dudumaranhensedm2@gmail.com

Eduardo Silva Bordignon 189

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CançÃO dO EXÍliO

No Brasil, temos maravilhosas paisagens como na Espanha.

Aqui, falta-me o carinho da família e dos amigos; pois esses lá se encontram.

Todo dia

toda noite

penso na hora de para lá voltar e nos braços de minha mãe cair. Aqui, há música e mulheres bonitas mas não como as dela.

Edvaldo Fernando Costa - Fernando Nicarágua 190

um COrdEl para gOnçalvES diaS Foi na “terra das palmeiras” Mil oitocentos e vinte e três Nosso poeta maranhense Deus lhe concebeu a vez E Dele recebeu graças Em teu sangue as três raças Da mestiça e o português

Orgulhoso brasileiro Logo moço é bem estudado Vai aprender filosofia Em francês e latim é letrado Por Coimbra é bacharel Homem de caráter fiel Em Direito é graduado

189Eduardo Silva Bordignon - Porto Alegre – RS – Brasil - 25 de outubro de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”:

2011 - “Canecas e Camisetas Poéticas”; 2012 - “Caixas Poéticas”. Curte natação e basquete. Curte futebol e festas. E-mail: dudu.bordi@gmail.com 190Edvaldo Fernando Costa - Fernando Nicarágua – São Paulo – SP – Brasil - 19/05/1970. Trabalha como bancário e escreve cordéis como hobbie, após ter ajudado o filho nas atividades escolares. Passou então a inscrever-se nos concursos literários, divulgando seus trabalhos.

Gonçalves Dias eu trovo Neste cordel inocente Homem culto e educado Criativo em sua mente Da inspiração, o amor Deste jovem trovador Surge o verso expoente

Sua pátria ufanou Grande poeta romancista E criou linguagem própria De temática indianista Cantou para o guerreiro Tamoio, índio brasileiro Verso etnografista

Cantou a tribo Timbira Que fez tremer o inimigo Destinou jovem Tupi Lacrimoso com o castigo Ele é “O que será morto” Fez da valentia seu porto Que livrou-lhe do perigo

Magnífico poeta Que do índio bem cuidou Também forte era inspirado Pela mulher que amou À Ana Amélia o sentimento Fez da ode monumento Nas palavras que cantou Pois é dela os seus olhos “Tão negros, belos, tão puros” Que ao poeta fez sonhar Como arrebentar os muros Da paixão que abriu ferida Por tradição proibida De preconceitos tão duros

Por Don´Ana seu amor Foi fadado ao desalento “Dos teus olhos afastado” Em poemas seu argumento “(S)eus versos d’alma arrancados, D’amargo pranto banhados,” Por tamanho sofrimento

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Seu amor transcrito em versos Trouxe grande aprendizado

À futura geração

Que seu fruto tem apanhado

A quem nem trágica morte Pôde tirar-lhe a sorte Dos poemas, seu legado

Edweine Loureiro 191

O indianiSTa É festa na tribo dos Tupinambás:

celebra a Nação à conquista da paz.

No centro da aldeia, guerreiros e curumins fazem uma dança e cantam assim:

“Eu sou um índio guerreiro, que vou para mata caçar. Quando chego àquela serra, Vejo as araras voar.”

Dança o Cacique, dança o Pajé:

Agradecem a Tupã nesse Rito de Fé.

E a tudo isso observa o escritor, enquanto faz versos da Aldeia em Louvor.

Salve o Literato

Antônio Gonçalves Dias:

O Filho das Três Raças fez do Índio sua Poesia.

191Edweine Loureiro - Saitama – Japão - 20/09/1975. nasceu em Manaus. É advogado, professor de Literatura e Idiomas, e reside no Japão desde 2001. Em 2005, obteve o Mestrado na Universidade de Osaka (Japão). Premiado em diversos concursos literários, é autor dos livros: Sonhador Sim Senhor! (Ed. Litteris, 2000), Clan- destinos [e outras crônicas] (Clube de Autores, 2011) e Em Curto Espaço (Ed. Multifoco, Selo 3x4, 2012). É membro-correspondente da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências (RJ).

Elaine Cristina P. de Araujo 192

minHa TErra Minha terra precisa de preservação O homem tem destruído Sem nenhuma compaixão.

As aves que ainda restam aqui Voam sem descansar Com pavor do caçador A sua vida tirar.

Nossa vida falta paz Nossos céus quantas estrelas! Nossos jarros faltam flores! Para os homens faltam amores.

Gonçalves Dias Poeta inteligente Pena que morreu Antes de ver sua gente Mais deixou suas poesias Para nos ver feliz e contentes.

Elenice de Souza Lodron Zuin 193

CançÃO a gOnçalvES diaS Minha terra viu nascer Antonio Gonçalves Dias, Nos braços do Maranhão, poetizando a vida. Esse mestiço amou intensamente o Brasil E Ana Amélia, sua musa querida.

Ao espírito destemido, já nos Primeiros Cantos, Tupã outorgou grande poder Para que suas eternas palavras Terras e mares pudessem percorrer.

Adentrando pelas selvas, com tacape, Piaga, I-Juca-Pirama, em versos, eu vi. O Poeta dos índios, de Marabá, do Tamoio Exaltou os Timbiras e o grande povo Tupi.

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192Elaine Cristina P. de Araujo - São Luís – MA – Brasil - 04/07/2001. Escola Paroquial Frei Alberto. Motivo da par- ticipação: Eu quis participar dessa homenagem porque Gonçalves Dias é Maranhense como eu. Ele falou todos os seus sentimentos nas suas poesias e morreu deixando tudo isso para nós por isso quero homenageá-lo 193Elenice de Souza Lodron Zuin - Belo Horizonte – MG Brasil. Professora da PUC Minas, doutora em Educação Matemática, integrante do Coral Agbára - Vozes D’Africa e do Grupo Vocabilis. Atua também como musicista; é autora de diversas músicas e poesias.

Minha terra teve Antonio Gonçalves Dias Lembrado sempre aqui e além-mar. Das estrelas, com seu maracá, sorri e se alegra Aquele que, em estrofes, cantou como o sabiá.

O QuE TranSCEndE E O QuE falTa Em Ti Gonçalves Dias, Do deus Apolo se cumpriu a profecia De que de tuas mãos brotaria Incessantemente a mais pura poesia

No silêncio das horas tristes Com saudades, buscas a sombra da serra Tentando ouvir o canto do teu Sabiá Na memória, só os perfumes e o luar da tua terra

Tua aldeia corre em tuas veias Embora estejas em outra aldeia Nenhuma beleza merece o teu olhar Só te interessa a que mora do outro lado do mar

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Aquilo que te falta, dentro da alma procuras Até onde alcançam a luz dos olhos teus Amenizas a dor, criando figuras Em múltiplos versos que brilham no breu

Sem conhecer quaisquer fronteiras Tuas palavras, com o vento, se espalharam E verdejantes, por todo canto, brotaram Teatro, poema, prosa, canção Amor, riso, meditação, Ruína, algemas, indignação, Liberdade, consciência, redenção, Mágoa, grito, protesto, oração.

Eliane Silvestre 194

gOnçalvES Em diaS dE paZ Os sabiás daqui continuam a cantar, Há mais de cem anos Sem Dias para apreciar.

As palmeiras, com mãos espalmadas, São oração e poesia entrelaçadas. A Deus, por Gonçalves, pedem Que haja poemas seus, nas nuvens que seguem.

194Eliane Silvestre –Rio de Janeiro/RJ Brasil - 23/03/1969. Atriz, Publicitária, Poetisa, Membro da Academia de Letras de Taguatinga/DF, eliane_silvestre@uol.com.br http://elianesilvestreatriz.blogspot.com/

Sua poesia nunca foi exilada, Desde sua morte, circula alardeada.

“- Poeta, pode seguir em paz Que sua poesia não jaz! Jamais! Jamais!”

Elias Daher Junior 195

O CHamadO da praia Gonçalves escreveu em Paris e até na Coimbra, de Portugal o céu, as aves e plantas a saudade de sua terra natal

As palmeiras frondosas

e as aves, mais de cem

a terra de Gonçalves é minha também

anTôniO OS COnHECE: SÃO dElE No sítio Boa Vista, nas terras de Jatobá a 14 léguas de Caxias o berço do jornalista

Também veio de lá

com uma timidez discreta um diploma de Advogado

e uma alma de poeta

do naufrágio,

o único que não se salvou

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OS OlHOS nÃO viram, maS O COraçÃO SEnTiu Herdou do pai, o espírito aventureiro Da mãe mestiça, o amor por seu país tinha o sangue das três raças do povo brasileiro

Na Europa, a saudade como martírio onde produziu sua canção do exílio

Não se casou com Ana Amélia, de quem ele realmente gosta preferiu viver infeliz ao lado de Olímpia da Costa

195Elias Daher Junior - Brasília – DF – Brasil - 16 de setembro de 1964 Professor Universitário, de Marketing e Eco- nomia. É o atual Presidente do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, em segundo mandato e membro da Academia de Letras do Brasil,

Eliete Costa 196

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gOnçalvES diaS Nascido de Dona Vicência, Criado por Dona Adelaide Tornou-se das letras alcaide, E poeta por excelência.

Trazendo mestiço no sangue, No nome, na inspiração, Fez do indianismo paixão Pela qual viveu, langue.

Para Amália teceu versos Dotados de pura emoção, Mas os desejos do coração Platonicamente imersos.

Pelos humores de então Teve seu amor rechaçado. Sentindo-se o rejeitado, Desposa Olímpia – consolação.

De flerte com a depressão, Com Olímpia não foi feliz; À Amália eternamente quis, E fez sua amante a solidão.

dEprECaçÃO dO guErrEirO Meu anjo, escuta!

A canção do mar,

A canção da noite,

A canção da tarde,

A canção do amor. Espera!

Meu anjo, escuta!

A minha Rosa,

Minha Terra, Minha vida e meus amores. Se sofri já, não mo perguntes;

Se se morre de amor, não mo perguntes; Como eu te amo e se te amo, Não sei! Como! És tu? Sempre ela:

A concha e a virgem, A rosa no mar,

196 Eliete Costa – Rio de Janeriro – RJ – Brasil – 21/04/19 livro de poesias “Poesia do Amor Bandido”.

autora do livro de contos “A Intimidade Deles” e do

A escrava Zulmira dos olhos verdes - Seus olhos desejo Sobre o túmulo de um menino no leito De folhas verdes no jardim. Então, Meu anjo, escuta! A deprecação do soldado espanhol, A retratação do gigante de pedra - Palinódia de amor! Delírio – engano, No canto do guerreiro em delalento. Canto a canção do exílio, Soneto da lira quebrada, Ainda uma vez – Adeus! É o que mais dói na vida, Porque sei amar. Mas se te amo, não sei! Meu anjo, escuta! Espera! Não me deixes!

O naufrágiO Prepara-te, filho!

Que o mar, soberano,

Te veio buscar.

Desata o grilho Do branco, profano, Tu és marabá.

Que creiam ateus!

E tu, daí, travoso, Escutam o roncar.

O ronco de Deus,

Tupã, poderoso,

Te veio buscar.

Não sou a vingança, Clamou Deus Tupã, Não sou punição. O guerreiro não cansa. É útil e não vã Tua determinação.

És nativo no jeito De índio, negrilho, De corpo inteiro. Tu trazes no peito Orgulho, meu filho, De ser brasileiro.

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Ergue a cabeça De índio, de preto, Nagô, tupinambá. Tua veia é espessa; Teu objetivo, correto; E te ri do Anhangá.

Não fora Anhangá que tomou da mãe seu filho? Não fora Anhangá que tomou da amante o amado? Não fora Anhangá que tomou do corpo são a saúde? Apenas o mal tornaria versos empecilho A atormentar a mente do poeta acamado. Anhangá tornou a cama do poeta ataúde.

Cantaste do sol o brilho, O rubro resplandecente – Ora, se faz rubro maracá. Logo, prepara-te, filho! A cor do sangue teu Te veio buscar.

Deus não permitiu Que tu morresses, Sem que voltasses pra cá. A palmeira já te viu, Tal qual pássaros esses:

Sanhaço, saíra, sabiá.

Te veem, ansioso, No tombadilho, Ouvem teu cantar. Tupã, misericordioso, Diz: “Prepara-te, filho! Te venho buscar, Tu és marabá”.

rEuniÃO dE TÍTulOS dE algunS pOEmaS dE gOnçalvES diaS:

Meu anjo, escuta! Canção O mar

A noite

A tarde

O amor

Espera!

Minha Rosa Minha Terra Minha vida e meus amores Se sofri já, não mo perguntes

Se se morre de amor Como eu te amo Se te amo, não sei! Como! És tu? Sempre ela

A concha e a virgem A rosa no mar A escrava Zulmira Olhos verdes Seus olhos

Desejo Sobre o túmulo de um menino No leito de folhas verdes No jardim Deprecação O soldado espanhol Retratação O gigante de pedra Palinódia Amor! Delírio – engano Canto do guerreiro Desalento Canção do exílio

Soneto

Lira quebrada

Ainda uma vez – adeus!

O que mais dói na vida

Sei amar Não me deixes!

Elisabeth Rosa Soares 197

iTinEráriO Deus, natureza, índio, amor, temas recorrentes do vate imortalizado exalta um Deus “que vai do abismo aos céus” em versos de louvor à criação:

tarde, brisa, tempestade, céu aurora cor-de-rosa, raios, estrelas. Cadê Timbiras? Tamoios? I-Juca-Pirama? falam os deuses nos cantos do Piaga, troam guerreiros da tribo Tupi E morrendo de amor em cada esquina ergue versos de amor a sua amada,

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197Elisabeth Rosa Soares. São Luís – MA – Brasil - 10.06.1950. Licenciada em Letras pela UFMA. Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. E-mail: elisabeth.rosa@hotmail.com

à mimosa e bela Ana Amélia, de belos olhos negros, “meigos infantes”, amor definhado em mar de preconceitos. Saudosismo no cruel exílio, duras penas, lembrança das “palmeiras onde canta o Sabiá”. Tentativa frustrada de voltar à pátria:

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morre o homem; renasce o poeta. Arte densa que os séculos atravessa e hoje alcança os quatrocentos anos da capital da Terra das Palmeiras que ele tanto exaltara nos seus versos.

Elísio Miambo 198

viagEm aO maranHÃO pEla CançÃO dE EXÍliO Hoje estou com a alma febril. Padeço de querenças gonçalvinas. Em meu rosto rodopiam tiras de água, Por vezes são lágrimas, por vezes é suor… Choro e esforço-me incansavelmente Em meio a um sol de assar as entranhas. Endoideci: quero estar no Maranhão, A terra que tem palmeiras onde canta o Sabiá!

Os Xiricos 199 que aqui gorjeiam, Gorjeiam lindamente como as aves de lá… Mas eu vou! Ah, sim! Eu vou… Quero inalar ares que recitem purezas No leito do meu nariz. Quero afagar-me com o cheiro de mato, Claro! Aqueles bosques que têm vida! Porque sei que por lá, Um Rouxinol cantará coisas lindas Que farão jus àquela Canção de exílio Como se recebesse ordens De um Tupã, de Orixá ou de Febo…

Ah! Já estou com a canoa pronta… Mas não sei a quem rogar a protecção E incumbir o dever de me guiar

198Elísio Miambo - Xai-Xai - Província de Gaza – Moçambique - 17 de Julho de 1992. Filho de pai ma-chope e de mãe ma-changana, ele considera-se fruto da mistura destas duas etnias, embora tenha nascido numa sociedade patrilinear, e que nessa perspectiva, tenha que ser considerado ma-chope., é estudante (do curso

Delegação de Gaza) e, colabora como

colunista literário, em blogues relativos à literatura (tais como: Rectasletras.blogspot.com onde é autor e ad- ministrador; xitende.blogspot.com do Grupo cultural Xitende, do qual faz parte. 199Nome pelo qual é conhecida em Moçambique a espécie de ave canora Sirinus mozambicus.

de Licenciatura em Ensino de Português na Universidade Pedagógica

Aos braços da Floresta dos Guarás. Tupã, Orixá e Febo sugerem-me Gonçalves Dias e a sua canção de exílio:

É com Ele que eu vou navegar até ao Maranhão. Nesta viagem que faço pelo Índico Numa canoa de 1000 de gigabytes!

Elizeu Arruda de Sousa 200

gOnçalvEandO diaS O tempo vestiu-se de genuína poesia, O sol um afinado coro de sabiás acordou, O povo encheu-se de inebriante alegria, A vida mais romântica e faceira ficou. Exaltar o poeta das palmeiras virou mania. Essas novidades o afoito vento espalhou.

Transformações para um caxiense homenagear. Amante e amigo fidelíssimo da literatura, Seu fazer poético conseguiu se imortalizar, Seu papel social em legado se configura. Os Dias nunca deixarão de Gonçalves se lembrar E na união do pensamento com o sentimento seu nome perdura.

Ellen dos Santos Oliveira 201

CançÃO para gOnçalvES diaS Minha terra já não tem tantas palmeiras, Nem Gonçalves Dias, também; Mas a Canção de Exílio que cantam hoje, Essa eu sei que tem.

Foi o poeta que mais viu:

Estrelas em nosso céu. Foi o que mais se deslumbrou, Com nossas flores e bosques, E foi o que mais amou, Nossos campos e nossos bosques.

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200Elizeu Arruda de Sousa – Teresina – PI – Brasil – 22 dee novembro de 1970 - é Professor Assistente III do Departamento de Letras do CESC/UEMA, Técnico-Pedagógico da Unidade Regional de Educação de Caxias, Especialista em Língua Portuguesa- FIA/SP, Mestre em Estudos Literários-UFPI. Na vertente das produções literárias, é coautor da obra Sociedade das Letras: prosa, poesia & Cia (2002), autor dos livros infanto-juvenis Contrarecer (2008) e Riso adotado, viver transformado (2011; escreveu peças teatrais, como A casa maluca, Porliticaria, A princesinha cega, A morte quer que eu viva. 201Ellen dos Santos Oliveira - Ferraz de Vasconcelos – SP – Brasil - 07 de Abril de 1984. Aos quatro anos idade vem morar em Aracaju/SE. É funcionária pública do estado de Sergipe desde outubro de 2008. É graduanda em Letras Português e suas respectivas Literaturas da Faculdade São Luiz de França, onde foi militante e fun- dadora do Centro Acadêmico de Letras Vinícius de Moraes. Foi executiva sergipana dos Estudantes de Letras/ ExNEL (Gestão 2011-2012).

Ele cantou como sabiá, Exilado e sozinho, Triste como um passarinho Que só queria voltar pro ninho Só queria voltar pra cá.

Graças a Deus que ele voltou, Tão culto e tão índio, Cultivando em seus poemas, A cultura brasileira.

E cantou, como ninguém, a natureza brasileira

Tão virgem, tão pura

que pena que dá

Pois, minha terra já não tem tantas palmeiras, Onde canta o Sabiá

viva! Se o índio era selvagem, isso eu não sei Só sei que ele era herói quando próximo ao Português.

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Viva ao nosso índio Palmeiras, estrelas, céu, bosques e flores Viva a Gonçalves Dias E como ele diria Viva àquilo que é nosso, Índio, Terra, ouro e mar!

Elva González García 202

aCrOSTiCO g randeza que te envuelve mas allá de los tiempos O rgullo de tu Patria, que en un poema pintaste n íveo y dolido sentir, … a la posteridad dejaste. C atarsis de un grande desnudando sentimientos. a urora en la noche tu palabra alumbra l uz en tus desires, de tu breve viaje v ivencias nos traen de amor y coraje E ternas cadencias ,que cada día te encumbran S eñor, poeta enamorado, que corta fue tu vida,… que pronto, tu partida

202Elva González García - Córdoba- Argentina - 29 de Octubre de 1942. Escritora y Poeta. Presentadora de Libros y Conferencias. Miembro de la SOCIEDAD VENEZOLANA DE ARTE INTERNACIONAL –SVAI. Actual Secretaria Nacional de la SOCIEDAD ARGENTINA DE LETRAS ARTES Y CIENCIAS NACIONAL – SALAC NACIONAL

d uro y acelerado anduviste tu camino i Juca-Pirama, un Himno más que poema a brazaste las letras como la más preciada gema S enda que has marcado eternamente,… a pesar de tu sino.

Elvandro burity 203

pOT pOurri Como és tu? Não me deixes Zulmira Como eu te amo

Amor! Delírio engano Meu anjo, escuta Do exílio A canção do exílio

O canto do guerreiro O canto do Piaga Se muito sofri Espera!

Amanhã Recordação Oh! Que acordar Canção Rosa

A minha Rosa Rosa do mar Minha Terra! Minha vida meus amores

Se se morre de amor! O mar Leito de folhas verdes Ainda uma vez – Adeus

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203Elvandro Burity - Rio de Janeiro – Brasil – 26 de setembro de 1940. Membro Efetivo da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ) - Cadeira no 3 patronímica de Carlos de Laet. Medalha de Ouro e Prata em Concursos Literários. Teve o primeiro livro lançado em 1987. Detentor várias condecorações Civis, Militares, Acadêmicas no Brasil e no Exterior. Atual 2ovice-presidente do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (InBrasCI). Mantém um blog em http://elvandroburity.blogspot.com.br

Emerson Thiago Sousa de Araújo - Emerson Araújo 204

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almar (Á Gonçalves Dias)

Sob céu pesado dorso As águas luzidias cantam Para embalar

Em tapetes de sal e espuma Sustem-se mudas sereias Cosendo lágrimas salgadas Ao ocre perfume do mar

Ah, quantas vezes sonhara, Ouvindo as encanterias Deitar sobre as cantarias Teu leito de novo cantar

O Boqueirão, no entanto, sabia:

Maldosas ou sábias ondas Já não traria teu peito, de mármore carrara, Ao trino dos sabiás

Teus olhos, em sonho, avistara O findar de tantas odisseias Rever camélias, bromélias Amélias a te perfumar

Mas amar sobre toda a vontade Não finda a tempestade Entrega ao mar o teu tempo Descansa tua alma “almar”!

Emmanuel Soares de Almeida 205

gOnçalvES diaS nOS nOSSOS diaS Na canção a liberdade De ser Mineiro de ter a oportunidade Sigo o teu exemplo Por isso o orgulho de ser Mineiro

204Emerson Thiago Sousa de Araújo - São Luís – MA – Brasil - 15 de fevereiro de 1985. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão. Comunicólogo, ator e poeta. Atualmente compõe o quadro de pesquisadores da Fundação José Sarney, trabalhando na catalogação e organização do acervo do Museu da Memória Republicana do Brasil. 205Emmanuel Soares de Almeida - Juiz de Fora – MG – Brasil - 05/dezembro/1958. Na minha inspiração sempre aquela canção que me comove. Desde criança essas mensagens me vêm com carinho e sinto a necessidade de colocar tudo isso no papel e poder assim falar ao mundo do que sinto, do que sei.

Cantar bem alto Inspirado no teu exílio O exemplo da tua criação, da tua obra Teatro, Jornalismo, Poeta e o orgulho de ser Brasileiro Lisonjeiro A estimada saudade Do país da criatividade E a Poesia cantada e assobiada Na tua anistia O grande Poeta Brasileiro Gonçalves Dias

Eric Tirado Viegas (Ponty) 206

réQuiEm Em fuga Em SOl maiOr para gOnçalvES diaS Introduzione: Adagio molto

Suas naus que cediças cobertas de glória, Os pródigos nadam navios com finória, Os meigos se fundem à voz do marmor:

São todos tão tíbios, certeiros contentes! Sua marca lá toa na boca dos crentes, junção de prodígios, de fúria e louvor!

No feito das lápides marmo verdores, herdado das ondas — cobertos de ardores, volteiam-se nos tetos d’altiva ilusão; São muitos seus navios, nos ânimos fortes, Temíveis a pedra, que em densos dos nortes Espantam-nos navios à imensa ilusão.

Nos quartos vizinhos, silentes, sem brio, que crentes quebrando, lançando sombrio, Incenso aspiraram em liras que traz louvores das terras que os fortes descendem, vultosos tributos herdados dependem, das naus certeiras suspeitas que jaz.

No centro da tábua se estende certeiro, adorna se aduna o conspícuo carneiro, Do limbo penhora, dos lodos mais vis:

Os corpos deitados praticam na aurora, E os jovens inquietos, restando penhora, Derramam-se em choro dum dia infeliz.

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206Eric Tirado Viegas (Ponty) – São João del-Rei – MG - Brasil – 1968. Escritor. A Voz do Poeta. 50 Poemas Esco- lhidos pelo Autor Galo Branco n45 (RJ). Antologia Mineira do Século XX Poesia Sempre; Órion – Revista de P. do Mundo de Língua Portuguesa (Brasil/Portugal),Poesia Para Todos (RJ).As Vozes na Paisagem 2 (RJ)Trad. Cemitério marinho de Paul Valéry e Música de Câmara, Poemas Maças de James Joyce. - Baleia Azul (Cortez Ed.2011) Projeto prosa da língua portuguesa 4 ano da editora Saraiva. ericponty@bol.com.br

Por certo — ninguém diz: pavor lhe é ignoto, Seu chefe não diz: — que de um mar que revolto Precinte por certo — da tábua tão frágil; Assim lá na terra do extrato mundano formavam distinto do vil mais humano que formas perfeitas do nobre de ardil. Acaso da terra padeceu parceiro, Nos vãos dos carneiros: — na extensa palmeira Assola-se é certo, tiveram missão; Convidam a gente dos nautas credores, Silentes se incumbem do acaso das flores, são vários apreços da honrosa punção.

Conservam cabelos no brio das palmeiras, Entesa-se a corpo beleza faceira, Adorna-se o ventre com cenas gentis:

A lousa, entre as vaga, uma freira na beira, nutrir-se memória, dobrando matiz, murmuro do murmuro mar contradiz. A Paz espaçosa a que cedo traz medo, pascido do olhar densas sombras tão cedo, alçada da agora da voz que silente, pascia na terrestre da oculta vertente.

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Palmeira tão calma, que pasce na glória, no vento de humilde da voz Circe cria, nas vagas do monte longínquo do pássaro, nos tinham nas mágoas que d´águas tão raros.

Ó tempo de ensejos caídos dos rostos, de negas gemidas noites dos gostos, nublava na nuvem a fria à boca de hálito, que crânios falantes em verves dos ritos.

Labuta da sina dos tempos minguados, ninguém lhe tecia do rezado ousa lados, erguiam-se das aves, do quê; diziam pedras; trazer-lhes do santo do parvo de exedras.

E singram além das camoecas distâncias, das gradas fortunas mar cobriam-lhe ânsias, após, de tão frágil, que sombra à tez templo, vertente que esmaga da folha do exemplo.

Lembranças dos vivos, dos grãos enchem gosto, em tíbio do gesto que escrito cai postos, se sabem sós selvas, que dores sem serpes, estepes do oceano que correndo escarpes.

D´água que dos amplos do rio avisava, sossego da calma na luz nego cava, tremente que atrás homens flama trespassam, eiras fadadas das frontes dão em passa.

Parques dos vividos dos céus luzes rés,

bradados do Carmo dos ingênuos das três,

de quem se sentou só nas vaga acéns postas, bradada na curva da voz chora às costas.

Murmúrio chegam sós palavras da lei, sombrio que retorna na margem do rei, chamar El Rei da raiz prima treva, de quem o viver curvou verde à selva.

Estio que fez rio coragens dos pajens, secada ribeira que abrange das margens, o lume movido culmina dos serros, memórias d´águas frementes dos erros.

A chispa relâmpago ao sol murmurar,

sussurro em sussurro em sussurro do mar, murmúrio murmuro rumor do marulho candente da chispa do raio engulho.

Menuetto: Moderato e grazioso

Entre palmeiras, sabiá, ser de tão simples gorjeia, na tíbia terra envolve o dia que pálidas aves passeiam, donde decantam floreiam lúgubres bosques já sem vida, de ardores arderam lida, das dores tíbios céus das flores sustem-se na sua descaída, em sombras das aves sofridas, que em silente silêncio na eira, muros de adobe da ramagem, que olvidam na plumagem vista ao lugar mais alto já crista.

Entre palmeiras, expõe céu, às plumagens das nuvens véus, supõe o gesto nítido léus, é barulho das juntas ossos, da vida carcomida fossos, em crânios cravejados sós, donde gorjeiam os vermes réus,

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barulho porta cemitério, bravio som pesado mistério, das aves das sombras dos seus, suprimida vida critérios postados manhãs tíbias Deus, expõe o diamante no luar, sombra das nuvens soltas ar, noturnos hábitos olvidam, donde gorjeiam corujas dão vozes aos sapos e dos grilos, que passeiam dura terra filos, donde longe garrido toa em passos vorazes à toa, que almas dos mais simples ressoa, gestos firmes longe pessoas, não gorjeiam mais como lá.

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Em cismar, sozinho, à noite, procuramos naufrágio açoite, vozes gorjeiam surdos mar, de suas lembranças pia luar, enclausurados nós pascemos, carregados em luto, temos, olhar benigno duma freira, apercebe-lhe nau sem eira, afundar pétreo marmor mar.

Presto con fuoco

Venho presenciar esquiva, veludo humílimo griva, há crescer do marmor mar, ânfora nau junto lar, há de ser langor visão, almas, entregue ilusão, parto perfeito deságua, na fonte do rumor d´agua, densas sombras que se afogam, naufragam imensos vão.

Ó jovem poeta que parte, Musas silentes alardes, há de nos conter à lágrima, infinitas tumbas cima, conduz à luz travessia da dádiva anestesia, quando certo dia ramagem d´águas postaram plumagem, já esquiva na luz amarga,

visão minha pasce alarga, terá enfim sombra macia, de cuja nau pétrea esguia no marmor da lousa fria, morre assistir findo dia.

Atravessa, ó Poeta, à vida dos abismos sermos lida, escuta estranho colher, funda mais razão pascer, cálido assopro desvão, suave visita e sermão, alegre corpo terrível que mais viva ave sabiá, vagas palmeiras entreabrem terrível pasce à voz ave, que não gorjeia à vista suave, em sopro cálido anúncio, tíbias garridas dobram fios; deixem; deixem brônzeos sinos imenso oficio brônzeos hinos.

Atravessa, ó Poeta, à lida, sacrifício do naufrágio, existência sem presságios, pétreos marmos luz do Carmo, fará enfim poema da vida.

Adagio

Não posso falar marmor, Não posso dizer da lida.

Érica Guedes Martins 207

QuandO TudO fOr lEmBrança 208 Que saudade da minha Terra Que saudade do meu Brasil Que saudade da natureza E do céu azul-anil.

Brasil: Quando tudo for lembrança sobre Deus, onde estarei Mesmo com toda distância Eu jamais o esquecerei.

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207Érica Guedes Martins - Bebedouro – SP – Brasil. 208Aluna da 7ª. Serie C da Profa. Silvana Morelli - http://silmoreli.blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio. html, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geo- gráfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

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Saudade é o que tenho no coração, Solidão! Ah! Solidão Ir embora para o meu Brasil, Essa é a solução.

Brasil: A distância permite a saudade Mas nunca o esquecimento Por mais longe que eu esteja, Sempre estará em meu pensamento.

As estrela nascem no céu, As flores no jardim, Eu queria ter um papel e poder escrever para todos que sentem saudades de mim.

Erick Gonçalves Cavalcante 209

SOBrE a CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem poetas, poetas, Onde cantam seus amores, amores, altares No exílio lembram-se de sua terra, terra, lugares Veem o mundo com seus olhos, olhos, olhares

Nosso céu tem mais estrelas, estrelas, poeta Ilumina nossos bosques, bosques, ares Com mais vida, mais amores, amores, lares Na canção de uma saudade, saudade, pesares

Minha terra tem primores, poeta, primores Que gorjeiam seu exílio, exílio, amores Com saudade de sua terra, palmeiras, sabores Onde canta um sabiá, poeta, Gonçalves

a gOnçalvES diaS Não permita Deus que eu morra Sem que discorra do poeta Que exilado em seus dias Tão só como uma ilha Inventou uma maneira De descrever uma palmeira De encurtar cada milha Com palavras de poesia Encantar com maravilha Nossas vidas de tristeza Com a sua alegria

209Erick Gonçalves Cavalcante - Tubarão – SC – Brasil – residente em Capivari de Baixo. Graduado em Redes de Computadores, Pós-Graduando em Segurança da Informação pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Escritor, roteirista, músico, amante de histórias em quadrinhos e livros. E-mail: erickgcavalcante@ gmail.com / erickgcavalcante@hotmail.com

Erlinda Maria Bittencourt 210

pOESia Em prOSa a gOnçalvES diaS Quem é esse homem, que tendo nascido há 190 anos, após sua morte física, Vivo está em sua alma e nela permanece fortemente presente entre nós?

Quem é esse caxiense, que superou os limites das matas maranhenses, para os países de 1º mundo?

Quem é esse homem de saúde tão frágil, que encantava, conquistava e seduzia inúmeras mulheres?

Quem é esse homem tão lírico, encantadoramente épico e admirável dramaturgo, que tão bem soube cantar sua terra, seu povo e que infeliz no sentimento pela mulher amada, fez de sua dor a mais linda poesia de amor?

Quem é esse homem sensível, romântico e culto a quem poetas e poetas choraram sua partida?

Quem é esse homem a quem o mar, ao sabê-lo em suas águas, o tragou para não mais deixá-lo escapar?

Eu diria que:

É um poeta que cantou a mais profunda saudade de seu povo, de seus amigos, dos céus e da terra caxiense, do seu lar;

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Que muito amou e foi correspondido, mas com o seu verdadeiro amor não pôde ficar. Sobre a ousadia do oceano, falaria que: o poeta do exílio no fundo do mar é poesia eternizada;

Um cidadão caxiense que representava o país e por competência, assumia altos cargos na Europa,

Frequentava a côrte era amigo do imperador, mas sempre voltava para cá; Um verdadeiro poeta que não só produzia textos, mas sentia-os ao escrevê-los. Para alguns, poeta do exílio, para outros, cantor dos Palmares, para muitos, cantor dos Timbiras e cantor de marabá.

Eu o defino apenas como: poeta terra, poeta povo, poeta raça, poeta saudade, Gonçalves dias: o poeta do amor.

210Erlinda Maria Bittencourt - Caxias – MA - Brasil – 07/05/1958. Professora do Departamento de Letras – CESC/ UEMA. Especialista em Língua Portuguesa pela PUC/MG e em LIBRAS pela Athenas - MA; Mestre em Ciências da Educação UEMA/IPLAC-UFC. Membro Fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias – IHGC, Di- retora de Cultura da Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Maranhão – ASLEAMA, Diretora de Relações Públicas do Rotary Club de Caxias.E-mail: erlindabittencourt@yahoo.com.br

páTria gOnçalvina De origem Brasileira, Do Estado do Maranhão, Gonçalves Dias é filho de Caxias, Da denominada “Princesa do Sertão.

Que estudou a linhagem literária, De clássicos portugueses, À românticos franceses, Um advogado, Um teatrólogo, Um historiador, Ousado nacionalista, Um crítico inovador.

Mestre da língua e da fonética indígena, GD buscou uma nova dicção poética, Doce, rítmica, idílica, apaixonante, Poeta de fase efervescente, criativa E de sangue tricolor.

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Se fez refém da fidelidade, Porém algoz e vítima do próprio amor, Pois recusou viver sua romântica aventura E platonicamente, nela se encarcerou.

Foi elegante, foi guerreiro, Foi de raça, Com o branco, o índio e o negro Nas veias, bebeu apaixonado e solitário sua taça,

tal qual ourives, lapidou a escrita, feito escultor, delineou poemas, feito poeta, sentimentos vários suspirou, Regados a goles etílicos e lágrimas em lugar chamado” Roncador,”

Sua história fez de muitos contadores, De seus romances, vários prosadores, De sua paixão, vasta literatura, De seus conhecimentos, nosso orgulho

Com Ana Amélia e a Nação no coração A terra das palmeiras e o amor ele os exaltou.

Ernestina Ramírez Escobar 211

SuEñOS QuE duElEn. Desejar coisas vãs, viver de sonhos, Correr após um bem logo esquecido, Sentir amor e só topar frieza, Cismar venturas e encontrar só dores. ANTONIO GONÇALVES DIAS

Naces y escribes sueños creces y gozas ensueños no importa que el pan te falte con soñar es suficiente. La naturaleza amable sostiene lo indispensable pero llega la inmundicia con tosquedad te acaricia, ya no te alcanza pan y agua, se abre todo un parteaguas en tu idílica existencia, se divide la conciencia pues el mundo material opacando tu ideal te sumerge en lo profundo del sentir más infecundo donde todo el costumbrismo se hace parte de ti mismo siendo vanas ilusiones y permean las traiciones; tu alma llena en amargura, pierde toda esencia pura dotada desde el origen donde el pensamiento virgen se reintegra de proscrito aún cuando estaba escrito que serías un guerrero de la pluma y lapicero escribes con la pasión de Ana Amélia en corazón porque el amor que retumba es el que lleva a la tumba mas dejas en poesía tu dolor y melancolía.

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211Ernestina Ramírez Escobar – Hermosillo – Sonora - MéxiCO - 07 de Noviembre de 1963. Poeta y Escritora, Mediadora de Sala de Lectura, Coordinadora de Tertulias Culturales semanales (Tertulias Criollas

Euclides José Maciel Marques 212

Ó mar Ó mar caudaloso de forte furor Dá-me de volta o GIGANTE DE PEDRA, Pois o tempo não se encarrega De extirpar, parar a dor. Que será do lençol de água cristalina NO SEU LEITO DE FOLHAS VERDES, Sem o acalanto do filho ilustre Tragado com triste sina.

Ó mar revoltado, sem coração Saiba que SE SE MORRE DE AMOR, Imagina de saudades, Não há comparação. Que será do sertão, doce caatinga Onde se ouve o CANTO DO GUERREIRO, Sem o menino caixeiro, Como baralho sem coringa.

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Ó mar grandioso de onda pujante NÃO ME DEIXES por ti nutrir rancor A audácia de nos tomar Gonçalves foi atitude arrogante. Que será de vós, sem os cantos Sem OS CANTOS que será de vós Oceano terrível, pélago revolto Menos nobres nomes quantos?

Eugênio Palma Avelar 213

i-JuCa pirama da vila dE SÃO JOSé Tinha por mãe, Maria, o Juca do arraial, consagrado a José – o santo protetor. Esgueirou-se em silêncio - sem dom maternal; desceu até São Paulo, ao seu interior.

II

Constatou – em horror – não existir colheita. Foi feito prisioneiro de algum traficante.

212Euclides José Maciel Marques – Juazeiro – BA – Brasil – 31 de Março de 1972. Poeta Amador. Dedica-se prin- cipalmente à “matemáticas das letras” compondo poesias na sua maioria formada por anagramas, palíndro- mos, acrósticos entre outros. 213Eugênio Palma Avelar – Montes Claros – MG – Brasil - 04 de janeiro de 1958 . Uma rústica cidade brasileira encravada no semiárido mineiro. Como escritor acadêmico, possuo uns poucos trabalhos registrados em meu Currículo Lattes, onde destaco o artigo “Diversidade Cultural e Escola”. Mas há anos, brinco de escrever poesia e prosa em comunidades virtuais ou não.

Jugo, fardo e ameaça aquele pobre aceita. Ao chorar sua sorte, o destino infamante:

III

ser jogado no asfalto em trajes de mulher - que de um bravo guerreiro, o choro não se quer -; desprezível cordeiro para o sacrifício.

IV

Vilipêndio sem gala, retorna ao seu lar. Ganha da mãe, consolo: viver é lutar. Que ela seja renhida; teu bem, teu suplício.

SaBiá dESTErradO Minha casa tem telhado, que observo do sofá. Às vezes sou visitado - buliçoso sabiá,

II

que não encontra palmeira onde possa gorjear:

reino d’árida sequeira - não há por onde escapar.

III

E por isso, o passarinho - não encontrando lugar -, fez do telhado seu ninho;

não se cansa de cantar.

IV

Não permita Deus que eu morra, nas garras do latifúndio. Sem qu’eu debele a camorra:

quero morrer no gerúndio.

IV

Em cismar – sozinho, à noite – só enxergo madeireira.

Meu tacape, meu açoite; acabo com a bandalheira.

V

Planto na terra, palmeira - onde canta o sabiá-; até que o bichinho queira seu silvestre cafuá. Não permita Deus que eu morra, quietinho em meu sofá.

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aS BOdaS dE ErnST lanZEr E lEOnOr dE mEndOnça

I

Nas bodas sem amor; o militar e a dama. Há consciência de si no eu antagonista. A linhagem do homem, herdeiro reclama; A família da outra; social reconquista.

II

Marido inapetente - à procura da guerra, suplicando a terceiro, lúbrico favor:

- retira, o amigo Antônio, da noiva o pudor! - Toma teu rijo falo e colha aquela flor!

III

Logo adiante, mais tarde, fingindo estupor; Exagera o flagrante; exagera o negror:

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assassina sem dó o ser angelical.

IV

Foge em raio o comparsa: aguarda o desenlace. Súbito, chega o amigo após sinistro impasse. Dão-se: infreme prazer; oblação bestial.

SEnrYu n. 01 - lEOnOr dE mEndOnça do seu toucador abandonada duquesa penteia su’alma

SEnrYu n. 02 – CÂnTiCO da viTÓria Timbiras, eu vi a fome, a guerra, a incerteza fui, vi e venci

Eulália Cristina Costa e Costa 214

um griTO dE um pOETa Um canto ecoa ao longe, é para despertar É o combate da vida Que aos fracos abate, Que aos fortes, os bravos conseguem exaltar!

Onde a terra querida, São Luís do Maranhão, Jamais esquecida, Mesmo exilado consegue demonstrar O quanto à ama e ama lhe amar

214Eulália Cristina Costa e Costa - São Bento – ma Brasil - 04/09/1981. Graduada em Enfermagem e Obstetrícia

Possui alguns artigos

pela UEMA, pós-graduada em Saúde da Família, Funcionária Pública Federal e Escritora científicos publicados.

Na canção do exílio Um poeta saudosista, Com muitas histórias, lutas e amores Tornou um simples grito em defesa de uma ideologia Em primeiros cantos ao longe ecoar

Tornaram-se eternizados pela literatura Hoje são lembrados, Seja na leitura dos poemas do grande poeta Gonçalves Dias Ou na viagem que seus versos podem proporcionar

Resistindo ao tempo, Permeando aos amantes da escrita, O convite ao chamado para o combate da vida

Ainda que não se queira dizer: Ainda uma vez - Adeus!

pOETa SOnHadOr Se se morre de amor, Ou se ficamos mais inteligentes com a dor Pensativo Gonçalves Dias ficava, Pois sendo poeta sonhador Defendia a bandeira do amor e do seu lugar Seja aqui ou acolá Sempre estava a poetizar! Desvendando a essência da imensidão de um ser E os mistérios da arte de amar, Cada vez que elevava o seu olhar Para as maravilhas que este sentimento o fez capaz de criar Nós, laços, correntes Tudo que queria por vontade própria. Aprofundar-se em teu mar, ilha do amor, Pois só assim sabia que poderia alcançar:

Um intenso e verdadeiro amor Digno de um poeta sonhador!

Eulàlia Jordà-Poblet 215

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a mim mE vEm (TriBuTO a gOnçalvES diaS – 2) Gonçalves, Gonçalves, são saudades tuas letras que leio, e através do tempo, eu, bucólico,

215Eulàlia Jordà-Poblet - Belo Horizonte – MG – Brasil - maio de 1958. Sou médica otorrinolaringologista. Perten- ço ao círculo dos médicos escritores da Sobrames. Escrevo ensaios para jornais como “O Tempo”. Participo de encontros e saraus para leituras de poemas próprios e de outros escritores em vários locais da cidade de Belo Horizonte.

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me entendo. Nas noites, nos dias, tua leitura me enobrece:

és Gonçalves quanto Dias,

e nunca a tarde entardece. Nos dias outros que se sucedem, os olhos de quem dizes, amam o amor mais romântico oh Poeta, depois de ti, nada será como antes! E o teu século a mim me vem, amo também, Poeta eterno

CançÃO SEm EXÍliO ( TriBuTO a gOnçalvES diaS) Gonçalves, sente a brisa, do teu gênio, que se eterniza Os vales escuros da morte, roubam-te da nossa mão, mas da nossa memória, teus poemas, ao menos, não. E se teus sabiás escutamos, nas palmeiras em idílio, é que estás conosco Poeta, em nós nunca terás exílio!

TEmpOS OuTrOS - (TriBuTO a gOnçalvES diaS) Homem que escreve, eu respeito:

Gonçalves Dias,

no peito E é tão sereno sonhar, nos olhos que ele diz amar E em tempos outros voltar, para ser sinhô, ser sinhá.

Eva Maria de Cougo Souto 216

gOnçalvES diaS Em terras de Jatobá, dia 10 de agosto de 1832, nasci! Talvez nasci do amor de um branco com uma mestiça. Vinha em meu sangue a força e a vontade de lutar. Via que nos estudos estava o meu futuro. Fui crescendo e alimentando-me do saber. Latim, Francês, Filosofia.

No amor minha pele gritou mais alto, o preconceito me apunhalou. Sai, deixei o meu Brasil, Um dia volto! Em terras estranhas não fraquejei, segui minha luta pelo saber. ”Minha terra tem palmeiras ’’

Onde canta o sábia Eu disse que voltaria, voltei, para onde fui não sei!

Evelin Katiane Izauro 217

TrECHO da “CançÃO dO EXÍliO” Homenagem á Gonçalves Dias

Ao andar sobre o luar A luz paira sobre as telhas Não pude deixar de notar NOSSO CÉU TEM MAIS ESTRELAS

Repousando em meio a terra Vejo a beleza das cores Mesmo que razão não queira NOSSAS VÁRZEAS TÊM MAIS FLORES

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216Eva Maria de Cougo Souto Florianópolis – SC – Brasil - Do lar E-mail: soutoeva@gmail.com

217Evelin Katiane Izauro – Joinville – SC – Brasil - 25/04/1989. Escritora (Poeta) e Professora de Artes. Único livro

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Quantas árvores ao meu redor Com raízes profundas e ricas Com galhos avantajados NOSSOS BOSQUES TÊM MAIS VIDA

Não vou calar a emoção Vou cantar como os cantores Resume-se ao coração NOSSA VIDA MAIS AMORES

Evilene Soares de Araújo 218

O iluSTrE CaXiEnSE gOnçalvES diaS No sítio de Boa Vista Em terras de Jatobá Nascia um magnifico poeta Que fez sucesso além-mar Gonçalves Dias grande poeta Um caxiense consagrado, Era poeta e etnógrafo Além de bom advogado Filho de mestiça e comerciante Filosofia, francês e latim estudou Em meio a muitos gigantes Na faculdade ingressou O grande romantista Descrevia em suas poesias Paisagens do Brasil Especialmente de Caxias Com talento inigualável Teve por inspiração O amor de Ana Mélia E da boa imaginação Ana Mélia seu grande amor Roubou seu coração Com sua beleza e juventude Correspondeu a sua paixão A família da linda moça Rendida pelo preconceito Recusou qualquer aproximação Que lhe dizia respeito Então o jovem Gonçalves Dias Para Portugal partiu Ana Mélia se casou E no amor não persistiu

218Evilene Soares de Araújo - Teresina-PI – Brasil - 28 de abril de 1997, é brasileira, filha de João de Deus da Silva Araújo e Eva Soares Borges de Araújo, tem dois irmãos João Victor Soares de Araújo e Matheus Vinícius Soares de Araújo é estudante do 1º ano C do Centro de Ensino Thales Ribeiro Gonçalves

Durante uma viagem O inesperado aconteceu Após um grande naufrágio O nosso poeta morreu Porém deixou conosco Um pouco do seu sentimento Sensações e desilusões Que invadiram seu pensamento Com a canção do exílio Caxias homenageou E como é bom ser caxiense Em nossas lembranças deixou Não se abateu pelas decepções Que a vida pode lhe dar Em vez disso as transformou Em poesias de emocionar. Com talento inigualável Teve por inspiração O amor de Ana Mélia E da boa imaginação.

Fabiana da Costa Ferraz Patueli 219

TErra minHa Fabulosa Maranhão, Terra de Nosso Senhor! Revigorante águas de seus lençóis.

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Ventos que ressoam em pedras e areais. Ocultados nos ouvidos de tolos, Pois os sábios as revelam em melodias. Como doces cações de mãe a embalar-nos a noitinha.

Natureza de sublimes flora e fauna, Cujos pássaros que vem do imenso azul Que sustentam em suas asas a bravura humana.

Como partir de seu barro acobreado, sem voltar-se ao céu estrelado. Parte de seu mangue, não se separam as riquezas de seu povo. Torno-me sua lamparina ao pôr-do-sol. E à aurora ofereço-me como guia.

Da tristeza e amargura de ter lhe deixado, Viro histórias de ter sido seu um dia. Terra minha!

219Fabiana da Costa Ferraz Patueli - Rio de Janeiro –RJ – Brasil - 07/02/1983. Mestre em Letras (Universidade Federal Fluminense-UFF). Colaboradora do Laboratório de Ecdótica da UFF.

Fabiula Fernanda de Abreu 220

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pEnSandO BEm Pensando bem em tudo Que vemos, Vivemos, Ouvimos E pensamos, Não existe a pessoa certa

Existe talvez, Se você parar para pensar, A pessoa errada

Quem sabe por que a pessoa certa Seja muito certinha, Chegando na hora certa, Falando as coisas certas

Talvez também não se espere o certo, Mas apenas o errado Ou incerto

E provavelmente porque as coisas certas Não pareçam realmente certas

Feliciano Caliope Monteiro de Mello 221

pEranTE a ESTáTua Maranhenses, esta estátua É tributo muito honroso, Porém ele merecia Tributo mais grandioso.

Devia ser monumento De mais amplo pedestal A surgir d’entre palmeiras Na sua terra natal.

Todo o Brasil lh’o devia, Todo o Brasil, não só vós; Ele ao Brasil pertencia, Pertencia a todos nós.

220Fabiula Fernanda de Abreu - Jd. Ubirajara – São Paulo – SP – Brasil - 27/09/1999. ESCOLA: EMEF Antenor Nas- centes; DIRETORA: Denise Ribeiro de Carvalho; PROFESSORA RESPONSÁVEL: Adenilza Almeida Lira. E-MAIL DA ESCOLA: emefanascentes@prefeitura.sp.gov.b 221Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 534-537. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Não consultado as províncias, Sabei-o: fizeste mal; Que esta glória brasileira Não é glória maranhense, É glória nacional…

Devíeis voltar-lhe a face Para a terra, p’ra o mar, não, Porque este grande invejoso Já teve o melhor quinhão, E sento forte e tão rico, Portou-se como vilão:

Vendo que pouco restava-lhe No correr da vida o trilho Roubou a terra o consolo De ter no seio seu filho…

Entre um grupo de Timbiras Devia-se o ver ali, Escutando a lenda nobre Do nobre velho tupi;

N’uma campina virente Devíeis vê-lo acolá Praticando docemente Co’a formosa marabá.

Chorando a linda Coema Devia-se ver depois Em desespero Itajuba, Co’o arco partido em dois…

Devia ter muitas faces A vasta, altiva peanha Impotente miniatura De brasileira montanha;

Mil faces; em cada face Um quadro de melhor fama, E um dos mais primorosos Vos dera – I Juca-Pirama.

O quadro insano honroso Do Gamela e do Timbira… Originais e vivazes Mil quadros da sua lira;

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D’aquela lira mimosa Que Deus a muitos não dá; Que canta com tanto acerto As bondades de Tupá, Como a fúria inquebrantável Do tenebroso Anhangá!

Sobre os quadros, entre flores, Cascatas, bosques e rios, Animais de toda a espécie, Domesticados, bravios.

D’entre tudo então se erguera Rijo tronco de palmeira, E a ele encostado, o gênio D’esta glória brasileira;

E sobretudo, no ápice, Já quase as nuvens tocando, A figura do poeta A doce lira empunhando.

Assim a imagem querida Se veria em muitas partes, Aliada ao nobre esforço Da mais prestável das artes…

Não consultando as províncias. Sabei-o, fizeste mal; Que esta glória brasileira Não é glória maranhense, É glória nacional!

II

Sim, maranhenses, muita glória mente; Há muita glória de falaz origem, Glórias criadas por um vão presente, Vultos que engendra a popular vertigem.

São meteoros que dá vida à morte Um só instante, ou pouco mais, terão; D’essas não quero, não lh’invejo a sorte, Nem me deslumbra o seu fugaz clarão.

Mas quando a glória no fatal declive Prende-se às folhas de algum livro-flor… Curvai-vos, grandes! Essa glória vive, Pois’stá dotada de eternal vigor!

Nobres! Venceu-vos o plebeu modesto! Ricos! O pobre mais que vós já tem! Curvai-vos todos! Que ao fatal aresto, Que lavra o gênio, não se escusa alguém…

III

Perdão, senhores, se na alheia festa Estranho ousei me apresentar intruso; Se impertinente já vos vai molesta Minha palavra que tanto abuso.

Bem quis conter-me; mas conter-me como? Se entusiasta d’este gênio eu sou! Se ao ver-lhe a imagem com febril assomo O fogo santo dentro em mim lavrou?

Perdão, senhores! Do perdão careço D’essas palavras de valor baldias.

Perdão, senhores! Eu perdão mereço-

Perdão, senhores!

Feliciano Mejía 222

por Gonçalves Dias!

CarTa al HErmanO BraSilErO dESdE lOS piES dEl HuaSCarán Gonçalves, pasan los minutos y los años y la patria queda rota con el rostro ensombrecido. Aún. Rayas de odio y avidez trozaron y aún dilaceran nuestro Continente, haciendo extraño y aún un Otro desvaído al hermano; y al amor entre todos, un fruto rancio.

Gonçalves, dime:

¡qué hora es del día!, dime:

¡¿llegó el instante del grito?!, dime:

¿Cuándo le diremos al Hombre que la noche entre nosotros es una tahalí enmohecido y que ya no se soportan las correosas fronteras que cuadriculan nuestros rostros?

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222Feliciano Mejía Hidalgo – Abancay – Apurímac – Perú - 1948. Escritor de nacionalidad peruano-francesa E-mail:feliciano.mejia@gmail.com – www. iespana.es/felicianomejia E-mail: feliciano.mejia@gmail.com

Gonçalves de Maranhao ¡dime si aún debemos aprender de nuevo a pronunciar nuestros nombres! Gonçalves Días de Maranhao, ¡dime: debo dejar de afilar el machete! Gran Hermano Gonçalves Días de Maranhao del siglo XXI, ¿llegó ya el momento de sacar nuestros corazones de la Sombra y lanzarlo en un alarido lenitivo, como un pañuelo, para todo el Orbe?

Gonçalves, Gonçalves Días, Gonçalves Días de Maranhao, Gonçalves Días de Maranhao del Brasil, ahora sólo sé que ha llegado la hora de encender la pira y de abrasarte para siempre, hermano…

CarTa a gOnCalvES diaS a riTmO dE QaYllY aBanQuinO dEl pErÚ

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Aragois, dile a Dilercy, que le diga a Goncalves Días que ya llego con dos mochilas de poemas, más pesadas que dos mochilas repletas de dinamita.

Acá, en donde vivo y padezco la mordedura diaria de la carroña, y se espeluznan mis días y miradas con la sevicia de la Hiena, desde acá, Aragois, te digo, yo no tengo, yo no tengo derecho, yo no tengo derecho a la risa, yo no tengo derecho a la vida y a la sonrisa, pues acá en este país llamado Perú, de 31 millones de hombres, mujeres y niños y ancianos, acá, de 1 millón 225 mil km2 de tierra patria mueren cada año 62 mil niños que no llegan a un año de edad de hambre o de simple gripe (muerto es de mal viento dicen las madres del campo); y no me quejo, es el avatar de la historia, desde el odio de Pizarro y la gorda biblia y la bandera española de 1532. Y no me quejo: grito con una caliente ira repleta de rabia

para que me oigan todos los oídos de Goncalves y todos los poros de los hombres y mujeres nobles del Brasil.

Aragois, dile a Dilercy que aquí tiemblo de fiebre ante este genocidio. Debe saberlo Goncalves. Debe, aunque a veces se me agria un poema y se me hace postema la poesía que recojo a paladas en estas latitudes. Goncalves, óyeme, acá el odio raigal del dinero se encostra en el 9% de la población peruana y el 91% restante arrastra la cadena de la odiosa servidumbre. Luego leguito de arrojados por la guerra de los pobres del Perú, los españoles, vinieron con sus picas los cerdos de Francia y de Inglaterra (y también a punta de humildad bélica fueron arrojados de aquí); y al instante, cínicos y perentorios, aparecieron – llaga, lepra e insanía- los barcos y cañones de los Norteamericanos sin nombre ni apellidos, que hoy felizmente agonizan en el mundo y en todo Producto Bruto Interno del orbe.

Aragois, mira lo que estoy mirando:

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Un río de sangre diaria fuera de los pulmones del Perú; y no me quejo. Te repito: Avatares de estos tiempos sobre un pueblo milenario desde antes de los Incas, avatares que ya se alejan paso a paso y diente a diente desde que, ay, felizmente, se alzó en armas el Partido Comunista del Perú, una mañana de sol de 1980 hasta ayer y hoy día en un lugar hermoso y triste, (en ese entonces) llamado Chuqchi, para acabar por fin y para siempre con estos 500 años de la historia histérica de la patria aún encadenada. Sí, una mañana con sabor a limón, piña y taperibá, a las 11 am en un pueblito llamado Chuqchi y luego en todo el Perú, 11 am., 11am., que llega hasta este instante que me lees y me escuchas desde mi patria aún aherrojada, en esta milésima de segundo en que te escribo para tocar la puerta del corazón de Consalves Días quien respira feliz junto a mí.

Aragois, dile a Dilercy que ya llego, ya estoy llegando

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a las lindes del Brasil para romper la frontera portuguesa y amarnos como sólo amamos los poetas que saben lo que pesa un fusil.

Felipe Cardoso Wilasco 223

CançÃO dO EXÍliO

Minha terra é cheia de glória como jamais vi aqui. Onde estou, os cavalos andam preguiçosamente; enquanto lá, eles galopam com muita energia.

Nossos parreirais são mais vivos; nossos campos, mais verdes; nosso vinho, mais saboroso, sabor conquistado com muita dor.

Lá, o som das botas, ao cair da noite, é mais suave que o vento; aqui é algo muito barulhento.

Minha alma é celeste como o azul do céu de lá; azul bem mais azul do que o visto cá.

Felipe Hack de Moura 224

a gOnçalvES diaS As selvas mudaram, as matas caíram Os urros de guerra não são mais ouvidos O sangue guerreiro desfez diluído Às marcas da História o thymus morreu Brasil brasileiro de pele vermelha

223Felipe Cardoso Wilasco - Porto Alegre – RS – Brasil - 23 de setembro de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto Literário “Caixas Poéticas”, 2012. Curte esportes e, há alguns anos, estuda teoria musical e guitarra na ASES – Escola de Música. E-mail: felipelpwilasco@hotmail.com 224Felipe Hack de Moura - Porto Alegre – RS – Brasil - 01/06/1993. Participei da oficina literária com o professor e escritor Charles Kiefer. Nessa mesma oficina, em um concurso interno de contos, fiquei em primeiro lugar. Estudo Letras na UFRGS.

Morreu pela cruz do brasil europeu Banal é louvar os guerreiros do Norte De estirpe tão nobre, de braço tão forte Não feitos de carne, mas feitos de tinta A raça pensada, tão bem acabada Perfeita, inumana, jamais existiu Na sombra da honra notável e magna Cresceu tal nação descendente do fraco Que falha ao manter tal orgulho intacto Não fossem teus versos de forma sublime Ao povo restasse sonhar em ser bravo

Felipe Yonamine Costa 225

CançÃO dO EXÍliO

Aqui, em Florianópolis, vejo muita beleza; mas prefiro as de Porto Alegre. Lá, no ar, há um divino perfume de flores; o céu é muito azul e o pôr do sol muito especial.

Tanto lá como aqui, tem-se boa qualidade de vida

e altos índices de desenvolvimentos social e cultual. No entanto, é lá

que o meu coração bate mais forte

e com um estilo bem colorido.

Aqui, tenho o mar como teto; lá, um céu brilhante e estrelado. Florianópolis e Porto Alegre, paixões diferentes.

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225Felipe Yonamine Costa - Porto Alegre –RS – Brasil - 28 de maio de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: 2011 - “Canecas e Camisetas Poéticas”; 2012 - “Caixas Poéticas”. Curte jogos eletrônicos e cursa inglês no Uptime. E-mail: felipeyonaminecosta@hotmail.com

Fernanda Azevedo Morais 226

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pOESiaS Não sou poeta com O CANTO DO GUERREIRO, Faço A CANÇÃO DO EXILIO, Canto O AMOR maior do mundo inteiro. MINHA VIDA MEUS AMORES, Que O MAR leve as minhas dores, Para um fim eterno que deixe apenas a RECORDAÇÃO, Faça as belas palavras escritas numa CANÇÃO. SE TE AMO, NÃO SEI! Sei que esse sentimento é forte, Apenas espero que a vida me traga sorte. Não sei escrever SONETO, Mas meus sentimentos são sinceros, Que esse amor é o meu amuleto. Antes não tinha certeza, Hoje sei COMO EU TE AMO, Porque nas noites fria pelo o seu corpo que eu chamo. Mas seus OLHOS VERDES não corresponderam aos meus olhos de paixão, O QUE MAIS DOI NA VIDA é a desilusão, Morrerei com a imensa decepção. E no leito de minha morte SE MUITO SOFRI JÁ, NÃO ME PERGUNTES. SOBRE O TUMULO DE UM MENINO apaixonado, Diante as suas lagrimas de dor, Terá certeza que SE MORRE DE AMOR! SEUS OLHOS foram que levou ao sofrimento, Ao um sofrimento insuportável até para o tempo. AINDA UMA VEZ- ADEUS, E quando for me visitar não esqueça A MINHA ROSA, Para demostrar o teu carinho enquanto chora. O meu nome estará cravado, Junto com O GIGANTE DE PEDRA, Um gigante do romantismo, Que as poesias de GONÇALVES DIAS expirem e simbolizem um homem apaixonado.

O pOETa E a Sua muSa O amor do poeta nasceu no primeiro olhar Nascendo junto as mais lindas inspirações, De um poeta que encontra a sua musa para adorar. Ana Amélia, moça com virtudes encantadoras, Com uma beleza admiradora. Que fez Gonçalves Dias, o poeta escrever as mais majestosas palavras. Um encanto que se fez paixão ardente,

226 Fernanda Azevedo de Morais – Itaituba – PA – Brasil - 31 de janeiro de 1989. Trabalha na Biblioteca Publica Municipal de Porteirão Santa Genoveva. Mora em Porteirão. Formou-se em Letras pela Universidade de Rio Verde ( Fesurv).

Nascendo um sentimento dolente. Não bastou amor verdadeiro, Porque não tinha casta, Do seu imenso amor se afasta. Deixou a sua musa triste por respeito Um intenso amor que não tinha como acontecer Aos olhos do injusto preconceito Por respeito foi sacrificado A felicidade do casal apaixonado, Porém a vida o trouxe um arrependimento amargo, Por sua amada não ter lutado. Ah, poeta covarde, Que o peito de sua musa arde, A saudade de um amor não concretizado, Que ficou preso no passado, Por não ter sido enfatizado. O reencontro estava marcado, Pelo destino dos eternos enamorados. A rejeição de sua musa inspiradora, Despedaçou a alma do poeta apaixonado. Através de versos eternizou, Esse forte amor que a sociedade da época castigou, Que o ultimo verso e ainda uma vez, Sua musa tenha compaixão

Da covardia do poeta que um dia despedaçou seu coração,

O amor nos versos tem aclamação e adoração,

Mas na realidade busca de sua musa compaixão e compreensão.

A renuncia

Sofreu também por perder a mulher que tanto amou.

Os teus corpos nunca ficaram unidos,

Mas em alma esse amor prevaleceu

O que em vida foi oprimido.

do poeta apaixonado não foi porque o amor revogou,

Um amor feroz e idealizado Que na história foi eternizado.

Fernanda Resende 227

SOu gOnçalvES diaS Em suas mãos A escrita ganhou cor Os versos mais sabor As estrofes se deliciaram em poesia

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227Fernanda Resende – Coromandel – MG – Brasil - 20 de abril de 1987. Escritora, jornalista e pós-graduada em Docência. Atualmente mora em Uberlândia/MG. A escritora tem poesias publicadas nos livros “Emoção Re- pentina” e “Sensações da Alma”. Ela já ganhou vários prêmios de nível nacional com suas escritas. Fernanda Resende possui uma menção honrosa no 5º Concurso Crônica e Literatura.

O amor foi além do sentimento Ganhando forma Modificando o intocável Superando as rimas presentes

O lirismo deixou de ser singelo Envolvendo-se em uma herança clássica Capaz de transformar choro em riso E renovar o romantismo adormecido

O sentimentalismo foi além dos rabiscos O pessimismo pediu licença O individualismo embarcou na estrutura A insatisfação também quis se fazer presente nos versos

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Os sentimentos se uniram Fizeram um pacto poético Herdando um pouco ‘dele’ E repassando muito para ‘nós’

Ele foi do lírico ao épico Do antigo ao moderno Dizendo sim a inspiração Separando-se da razão

Deixou legado De mocinho da poesia Bandido da rotina Herói das escritas

Ele é o poeta! É Gonçalves Dias Brasileiro de alma e coração Poeta que encanta com emoção

Fernando Braga 228

DO EXÍLIO, A GONÇALVES DIAS! Ah meu amado poeta, tu ficaste nos baixios dos Atins, junto ao “Ville de Boulogne”, nas costas de São Luís Ao longe, as palmeiras

228Fernando Braga (dos Santos) São Luís – MA – Brasil - 29 de maio de 1944, é um poeta e ensaísta brasileiro, tendo também a nacionalidade portuguesa pelo princípio do juris sanguinis. Publicou estes livros de poesias:

Escreveu, ensaios na área jurídica e político - cientifica: Fernando Braga é advogado com banca montada e servidor aposentado do Senado Federal.

serenas a te esperar, eriçadas aos ritmos e métricas do teu derradeiro canto

Ah meu poeta timbira, a capa talar desce-te dos ombros, e a lira do poema, e a máscara da tragédia, quedam-te aos pés

Quatro séculos de São Luís te contemplam, como os medalhões que te rodeiam, em tributo à poesia, ao pensamento, à ciência e à gramática.

Ah meu amado poeta,

Ah meu Poeta da Raça!

SEXTILHAS Dos baixios das praias Em rimances antigas, Os teus versos do exílio Revividos em Portugal, Sextilharam o Antão Em cismadas cantigas.

“é mEnTira! nÃO mOrri!” Do Morro das Tabocas Na nossa velha Caxias, O derradeiro baluarte Das armas portuguesas, Assistiram-te chegares Na Fazenda Jatobá E partiste enfermo para Portugal e tua morte fora anunciada Que escreveste em tom de blague Ao teu amigo Antônio Henriques Leal:

“É mentira! Não Morri! Nem morro nunca mais!” Mas um dia, poeta, Morreste de verdade, Ao avistar de longe as palmeiras!

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Fernando Catelan 229

nO villE dE BOulOgnE Eu, Gonçalves Dias, balouço com esta nau, à deriva, rastro prova de jungidos mundos Quem dera não mais que um presságio mau, mas dor rói vísceras não só de vis imundos!

Sim, eu da Europa chego trazido de regresso, qual se além, alhures, lograsse termo à chaga, e, antes ao corpo, desenganada a alma, peço, se ora alucino, já desdenhem obra esta vaga!

Vão ao mar se o Ville de Boulogne só desce, e fortuna alguma espero eu, reles agonizante, ciente cá na cabine, cripta, feneço em prece, ou a pena vergo a quem quis perene amante!

Ah, priscos encantos naquele meu Maranhão se, amor a passar ao largo, me foi tudo ridente Saía-me mesmo sem sequer um leve arranhão desfeiteando o tal amar lá contento da gente!

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Queria eu sim, nas noites de luzes coruscantes, perder o olhar no espaço e reluzisse um poema, para um dia chegar o meu verso aos infantes, verso que meu Brasil espelha e bem emblema!

A vida, essa a nos trazer não um só caminho, quis em Portugal justo eu fosse cursar Direito, e não é, pois, que lá aos românticos me alinho, que da verve me brota tudo conciso e perfeito!

Havia por um bom tempo estagiado na Europa, quatro anos na vida minha ressentida ausência Canção do Exílio, que Brasil peito preme, dopa, faz tal sucesso que já me é outra a consciência! Tido, enfim, naquele Brasil por escritor notório, fastígios, porém, pouco ou nada dizendo à alma Levem meu esquife seis assíduos a meu velório e donde entronado eterno reitero jazer na calma!

229Fernando Catelan - Catelan das Letras. Há 15 anos é articulista do jornal O Diário. é membro, entre outras agremiações de respeito, da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, da Academia Brasileira de Es- tudos e Pesquisas Literárias (Rio de Janeiro-RJ), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Teófilo Otoni-MG), da Real Academia de Letras (Porto Alegre-RS) e do Clube dos Escritores Piracicaba (Piracicaba-SP)., integra a International Writers and Artists Association (IWA) com sede em Toledo, Ohio. Também musicista, é membro de várias fraternidades e maçom. Engenhario Mecânic, com MBA em Marketing Empresarial e de Serviços e-mail: catelandasletras@ig.com.br

Mas Ana Amélia, se quase me prendeu no laço, a vi vez mais em São Luís, realçada a formosura Esse singular frêmito só deterei eu se lhe abraço, mas ensejo os votos e dos pais vem repulsa dura!

O Ville de Boulogne ‘inda detém um náufrago, eu, na peleia rosnando à água não dê cabo disto Enquanto o meu derradeiro cigarro célere trago, sei, fugi a instar, se Amélia o amor mais quisto!

Fernando Paganatto 230

rESSuSCiTar O filho eminente do Maranhão, Que o orgulho em seu povo fez brotar, Esquecido, épico, na imensidão, Tornou-se irônica Rosa no mar.

Quando perguntarem de onde venho Não responderei com elegias. Direi: Minha terra, apesar do menosprezo É onde, um dia, cantou Gonçalves Dias.

E permita deus, que ele volte –

Permita deus! – em meu desfrute, De cada verso, cada estrofe Declamada, sobre os primores de sua arte.

E assim será ressuscitada

A memória do poeta, Mil vezes mais,

Numa Palinódia mais que apropriada Dos meus versos, das estrofes iniciais.

Flávia Costa do Carmo 231

gOnçalvES diaS A emoção e o encanto do olhar, pois quando eu te vi pela primeira vez logo percebi que Você era meu grande amor, Que com clamor se declarou e me irradiou.

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230Fernando Paganatto - São Paulo – Brasil - 13 de fevereiro de 1985. escritor e redator freelancer. Poeta com pu- blicação em vários sites e antologias. Primeiro colocado no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, edição 2008. Editor do blog Poesia e Escrita 231Flávia Costa do Carmo - Fortaleza-CE – Brasil - 26/03/1977. Sou formada em Análise e desenvolvimento de sistemas. Atualmente sou professora de informática do Centec

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Assim como Gonçalves Dias que era um poeta romântico e Idêntico que nos inspira e nos apaixona com os seus poemas, dessa forma somos inspirados pelo romantismo meu amou, pois você me encantou no primeiro instante que te vi. Você talvez meio sem jeito, mas que bom sem defeito, Com beleza e pureza me deixando boba e naquela canção que era pura emoção, Estava me fazendo se sentir a mais bela, e você sem perceber meu amou nem notou, Que tocou e encantou mais uma vez com toda emoção o meu coração. E com aquela paisagem bonita do nosso Ceará, toda a beleza do lugar, com o mar mais lindo a brilhar, e a poesia de Gonçalves Dias a nos encantar, e eu ali estava sem ir, nem querendo partir, mas por dentro era um tormento, E dizendo que tola porque não conversar e encarar, Mas algo dizia que não seria o momento, E naquele instante como não sendo o bastante, eu ia justificando e me afastando, E por mim jamais sairia de perto de ti. Olhe que sim, ficaria ao seu lado, pois era irado, E o seu olhar a me devorar, e eu a apreciar, Ficávamos um olhando pro outro, e sem perceber íamos pode crer nos devorando, Era mesmo irado, eu a sentar do seu lado, sem muito falar só nos olhávamos. Era mesmo uma tentação mas com muita emoção, Nos aproximávamos e ficávamos a nos embalar Sem mesmo foçar nos amávamos.

Franciane Cristyne 232

gOnçalvES diaS Vamos lá minha gente Vamos todos escutar As poesias deste homem que Eu vou apresentar

Gonçalves Dias é um poeta Era também muito legal Quando ele pegava a caneta Escrevia a poesia genial.

Estudou em Portugal Passou por necessidade Mas nunca desistiu Por seu grande ideal.

232Franciane Cristyne - São Luís – MA - Brasil – 09/ 11/2001. Motivo da Participação: Divulgar a importância das obras de Gonçalves Dias como meio de divulgação e valorização da cultura brasileira

Voltou para o Brasil Trabalhou em um jornal Escreveu cantos e teatros De forma nunca igual.

Denunciava as injustiças Na poesia falava Do navio negreiro Quando a gente chorava.

Falava do amor Da sua terra natal Onde canta o sabiá E as pessoas sabem amar.

Grande Gonçalves Dias Poeta do meu lugar Maranhense berço de ouro Onde canta o sabiá.

Francisca Regina Rodrigues Neto 233

rEEnCarnaçÃO

Já que aqui me encontro agora

Na herança de meu tempo,

Não deixo de perceber

O trabalho e seu alento

Desse povo livre e solto Senhor das próprias terras Que produz ainda revolto Sobre o pouco que os encerra

A eles os prometeram

Liberdade e independência Mas só trocaram o senhor Fora falta de prudência? Entretanto ainda convivem Com mazelas do passado Qualquer um que se disponha Já as tinha solucionado

Irmãos que avançam juntos Sob esplendor de nova era Não esqueçam a compaixão

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233Floriano – PI – Brasil - 08/03/1960 - Graduação Universidade Federal do Piauí e Pos- Graduação Universidade Federal de Viçosa - Minas Gerais. Professora da Universidade Estadual do Maranhão; Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Caxias - MA ; Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias - MA ; Membro da Academia de Letras Educação e Artes do Estado do Maranhão.

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Pois com ela se fizera Grandes reinos e palácios Por vocês também fará Meu coração convosco bate E some toda a minha esfera Pois minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá.

Francisco Antônio Vale 234

a gOnçalvES diaS “Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá;

Sem q’uinda aviste as palmeiras Onde canta o Sabia”

I

Vou ao Cais da Sagração Pegar um barco encantado Para encontrar em alto mar Nossos poetas do passado.

Quero com eles aprender A viver um sonho versejado Que se canta e se declama Qual um poeta e namorado.

Eles cantavam seus amores Pelas ruas, ás janelas dos sobrados E nós ainda estamos cantando Seus belos versos inspirados.

Entre eles viveu aquele Mais que todos aclamado, Cantor das terras gonçalvinas, Bardo por Deus abençoado.

II

Foi distante daqui e cantou Como o sabiá das palmeiras; Versejou a luta dos nativos Destas plagas brasileiras.

234Francisco Antônio Vale - Caxias – MA – Brasil - 22/02/1944. Formado em economia, aposentou-se pela Fun- dação IBGE. Em 1912 publicou o livro NA LINHA DO HORIZONTE, no qual reuniu suas primeiras poesias.

Quando ansioso ele voltava Para sua terra querida Foi envolto pelas águas Que lhe encerraram a vida.

Descansa, poeta, e sonha

Com Amélia, em teu sono profundo

A lira revive teus versos

Desde aqui e por todo o mundo.

Quisera cantasse o povo Como cantastes nos teus dias, Mais feliz seria nossa gente, Haveria mais vida, mais alegria.

Francisco Carlos Soares Magalhães 235

“SElva dE pEdra”

Tenho saudades da minha cidade, repleta de palmeiras;

O canto das aves de outrora,

não soa mais tão belo na aurora, pois, as palmeiras foram alimentar as caldeiras, para o homem saciar a sua ambição cheia de ferocidade.

As estrelas não estão mais felizes no nosso céu, as flores murcharam nas nossas várzeas,

a vida não encontra mais os nossos bosques,

os amores de nossa vida precisam de retoques,

a nossa sociedade se escondeu em um escuro véu.

Sozinho, de dia ou de noite, em andança, sinto os olhares transpassar-me como uma lança, não tenho mais prazer da minha cidade desenhar, pois, não tem mais palmeiras para o sabiá livre cantar.

A minha cidade não tem mais rios límpidos, as suas ruas são de uma só cor pintada, pouca árvore plantada, os sonhos de nossas crianças não são mais coloridos.

Os olhos da minha cidade não seguem uma regra, a de conservar a natureza, isso vai levá-la com certeza, a se transformar numa Selva de Pedra.

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235Francisco Carlos Soares Magalhães - São Luís - MA – Brasil - 11/10/1968. Obra: Livro Renovemo-nos

Francisco de Assis Carvalho da Silva Junior - Carvalho Junior 236

nOSSOS OlHOS TÊm maiS vida - TriBuTO a gOnçalvES diaS li, no olho de uma palmeira, um verso tão belo como a serenata do sabiá a vida só existe se se morre de amar!

do olho d’água, mais um verso tirei ó olhos de vivo luzir, sem o vosso brilho sobre o túmulo de um menino morrerei!

minha vida e meus amores enciúmam os olhos teus epopeias e tragédias banhadas em mares de ilusão uma vez que se encontraram os nossos meigos infantes sons de sonhos, cantos guerreiros se ouviu do coração!

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sou a concha e a virgem em viagem pelo mar o índio que nasceu para em teus braços morrer nesse leito de folhas verdes, não me abandones hoje, dos teus olhos, ainda um adeus quase ouvi! olha e escuta, anjo, meu grito verde-mar de afeto sem fim salve o “vate das américas”, os olhos da lua sorriem pra mim.

CançÃO dE um filHO - HOmEnagEm a CaXiaS dO maranHÃO E aO ETErnO gOnçalvES diaS minha terra não tem Bandeira mestre Drummond também não é de cá mas os poetas que aqui nasceram do mesmo modo sabem encantar nossas estrelas também conversam nossos pássaros sabem mesmo voar nossas matas têm gonçalvinas e verdes palmeiras nossas musas sabem “verde-doira-mente” inspirar o solar da tardinha, a lua da noite que quadro de impressionar! minha terra tem morenas, pardinhas e quando vejo minha branquinha: bem-te-vi! vou logo querendo beijar! minha terra tem sabores sabores que não te posso revelar só eu, juntinho, à noite desse prazer posso desfrutar minha terra tem certas coisas

236Francisco de Assis Carvalho da Silva Junior - Carvalho Junior - Caxias – MA– Brasil. Educador e literato. É autor das obras Linguichistes: poemas em portuglês (2008) e Mulheres de Carvalho (2011). É membro efetivo da Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Maranhão (ASLEAMA), onde conquistou o título de “O Sol da Sabedoria”.

que nesse poema não posso contar não permita Deus que eu morra que eu morra noutro lugar se tenho que tornar ao pó que seja nesse pedaço de chão quero morrer à sombra dessas palmeiras cantando e fazendo versos com a majestade:

o sábio e sibilante sabiá.

Francisco Gaudêncio Sabbas da Costa 237

SaBBaS da COSTa - Maranhão, 7 de Setembro de 1873

SOnETO a anTOniO gOnçalvES diaS 238 Em memória do Poeta laureado O Brasil quis erguer um monumento! E tão grande e sublime pensamento Foi em fino granito consumado.

Um tributo que ao gênio só e dado, Vem render a nação n’este momento! Ao futuro legando um documento, Que o presente lhe oferece do passado.

As musas n’esta festa nacional Rendem cultos, em hinos de harmonias Àquele que deixou nome imortal!

Ó cantor de inspiradas melodias, Que na lira seu estro divinal Pelo orbe espalhou: Gonçalves Dias.

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237Francisco Gaudêncio Sabbas da Costa - São Luís – MA – Brasil - 25 de novembro de 1829, e aqui falecido, em outubro de 1874, o escritor não teve vida longa, tendo perecido ainda jovem, aos 45 anos. Obras, tidas como as principais de sua lavra: (1)Francisco II ou a Liberdade na Itália, drama em 5 atos, 1861(1881); (2)Pedro V ou o Moço Velho, drama em 5 atos, 1862; (3)A Buena-Dicha, comédia em 2 atos, prólogo e epílogo, 1862; (4)O Escritor Público, comédia em 1 ato, 1862; (5)Garibaldi ou o seu Primeiro Amor(6)O Barão de Oyapock, drama em 3 atos e prólogo, 1863; (7)Beckman, drama histórico em 7 atos, 1866; (8)Anjo do Mal, drama, 1867; (9)Os Bacharéis, comédia em 3 atos, 1870; (10)O Amor Fatal, (11)Rosina, romance; (12)Revolta, romance histórico; (13)Os Amigos, romance, em 25 capítulos; (14)Jovita, novela, em 3 capítulos; (15)Jacy A Lenda Maranhense, esboço de romance, em 14 capítulos. Outras obras publicadas em jornais da época também podem ser des- tacadas: (a)O Encontro; (b)Teatro de São Luís; (c)Como Nasce o Amor; (d)Simão Oceano; (e)A Madrugada; (f) Maria do Coração de Jesus; (g)O Baile; (h)O Dote; (i)O Adeus; (j)Não Brinques; (k)Sinfrônio; (l)O Homem do Mal; e (m)Encontro de Ronda com a Justiça; entre as que foram possível mapear. 238Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 576. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Francisco Gomes de Amorim 239 . 240

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mEmEnTO (A Rodrigo José de Lima Felner) Em memória de alguns amigos 241

Philosophe modeste, ami sincère et tendre, Qui méritez la gloire et n’osez y prétendre, Artiste, recevez ce fruit de mes loisirs. Millevoye.

I

Amigo : na viagem que fazemos Por este encapelado mar da vida, Bom é que de conserva naveguemos Até ao ponto extremo: à despedida.

A largos anos, por fortuna minha, Encontrei-o fugindo da procela; E, como igual derrota me convinha, Mareei pela sua a minha vela.

Unidos sempre desde então vagamos, E eu creio firme no feliz presságio De que iremos, no bordo que tomamos Fiéis até as praias do naufrágio.

Mas que triste viagem, meu amigo, Por tão diversos, tão sinistros portos! O meu livro de bordo e um jazigo, Um registro de vinte amigos mortos!

II

Tudo mudou em dez anos! E que profunda mudança! Fé, mocidade, esperança, Prazeres, tudo acabou! Menos a triste doença, A velhice prematura, A saudade e a amargura, Porque a morte as rejeitou.

E, por maior infortúnio, Á sorte do peregrino Liga o bárbaro destino

239Amorim, 1866, 343-360. 240Francisco Gomes de Amorim - Aver-o-Mar - Póvoa de Varzim 13 de Agosto de 1827 e faleceu em Lisboa a 4 de Novembro de 1891. Foi um poeta e dramaturgo português, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa. Viveu dez anos no Brasil. 241Informação do compilador. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Uma família infeliz! Não basta a dor do passado; Ao presente mal seguro, Vem cuidados do futuro, Com que a existência maldiz!

Oh! que Deus perdoe às almas Que a dor transvia um momento! Neste mundo de tormento Cada qual tem sua cruz. Feliz quem sobe o calvário Sem ter soltado um só grito! Mas ao pecador contrito Não será negada a luz!

III

Lembra-lhe aquele quarto, onde, a quinze anos, Em volta à minha banca de estudante Se reuniam ás noites tantos homens, Tão ilustres nas artes ou nas letras ? Oh! que saudades d’esse belo tempo! D’esses serões alegres e instrutivos, De que o Garrett, o mestre de nós todos, Foi sempre o laço, a inspiração, a alma! Que joviais conversas! que bons ditos! Que verdadeira graça portuguesa Naquelas reuniões! Eu, tão humilde, Ver ali agrupados no meu quarto Esses grandes da imprensa e da tribuna, Das letras e das artes! nesse tempo, Todos afetuosos, tão amáveis, Descendo complacentes das alturas Em que os pusera a merecida fama Até aos mais modestos, que tratavam, Como simples mortais, por tu e amigo!

IV

Oh! bons tempos!

Bons amigos também!

e, até na maior parte, Mas em dez anos

Todos? não, amigo;

Que nós, e mais uns três, vivemos inda Dos vinte que então eramos. Os outros Morreram todos, ou, pior do que isso, Fizeram-se ministros e viscondes, Pares, embaixadores, e até bispos!

Foram-se todos!

V

Foram onde os levava seu destino, Sua ambição, seu gênio, sua audácia…

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Ou seu descaramento! Não se lembra D’um, que foi lá republicano austero, Declamador feroz contra a nobreza; E que hoje pelas ruas de Lisboa Passeia a sua estulta nulidade Em ricas equipagens, onde brilham Os brasões do vilão enobrecido? Pois esse é um, dos tais, dos que se foram, D’esses que a minha vã credulidade Julgou outr’ora amigos! Quando o vejo Passar, levado em rápidos cavalos, Salpicando de lama as mãos que d’antes Foram algumas vezes valedoras, Ele, menos cortês que os seus lacaios, Nem me tira o chapéu! não me conhece!

VI

E esse outro democrata façanhudo

Que, depois de correr por vários mares

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Em busca da fortuna, alfim pescou-a;

E hoje quando me encontra (ó asco! ó nojo!) Trata-me por senhor, dá-me excelência! Oh! como a posição transforma os homens! Como o dinheiro e os títulos descobrem Essas almas vilãs que vão subindo Na escada social! Que importa, amigo? Como dizia o nosso grande mestre:

«Deus e a virtude restam; consolai-vos.››

VII

Ai do que nasce neste mundo infame A Despido d’ambições, modesto, humilde, Bico de coração, amando a todos, A amizade fiel, honrado, e crente! Ai! sobre esse infeliz com mão de ferro Há-de pesar um bárbaro destino! Que importa que seu ânimo esforçado Afronte, sem queixar-se, a desventura Da mais cruel doença? Há-de vence-lo A ingratidão que desconsola e mata. Para tais corações, para essas almas, Não há dor que mais trave, não h’a perda Que se compare a perda d’um amigo.

VIII

os que perdi, os que se foram

Levados pelos ventos da vaidade, Da ambição, do poder, que me esqueceram Apenas a fortuna os bafejara,

Amigo?!

Eram acaso amigos? Não; fingiam A amizade sincera, como agora Fingem ser grandes homens. Felizmente, Quando esses tais as máscaras tiraram, Os que me eram fiéis, os que não tinham Usurpado esses títulos, vieram Rodear-me nas horas de infortúnio; E mandou-me a divina Providência Outros, inesperados, numerosos, Verdadeiros amigos na desgraça, Que ainda os há por bem da humanidade!

IX

Mas eu não choro dois ou três ingratos Que os acasos da vida engrandeceram, E que lá das alturas não enxergam Quem também ajudou a levanta-los. Eu choro, meu amigo, os que morreram Nos últimos dez anos. Ai! por estes É justíssimo o pranto da saudade!

X

Mil oitocentos e cinquenta e quatro,

No seu mês derradeiro,

Arrebatou-nos o imortal Garrett,

O amigo verdadeiro,

O

mestre glorioso de nós todos,

O

meu primeiro guia!

O

seu talento iluminou minh’alma

Como os meus olhos ilumina o dia. Grande espirito foi! Por mais que o tempo Devore a eternidade, Jamais outro verá maior no gênio, Mais fiel na amizade. Não era d’esses astros de luz tíbia Que passam nas alturas:

O sulco luminoso de seus passos Há-de guiar as gerações futuras.

XI

Foi o primeiro golpe aquela morte Dado em meu coração. Hás depois, como as chuvas copiosas Sucede a inundação, Após aquelas lágrimas primeiras Outras muitas recordo. Siga-me neste rumo, que eu vou lendo O meu livro de bordo:

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XII

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Extinta jaz a luminosa chama Que a cena enchia de vivaz fulgor! Um leve sopro dissipou a flama; A voz da morte emudeceu o ator!

Quebrou-se o encanto que prendia as almas, E fazia chorar as multidões; Caíram secas as colhidas palmas; A saudade brotou dos corações.

Quem há-de agora na lutuosa arena Encaminhar a contristada grei? Quem há-de, ousado, sobre a pátria cena Erguer o cetro d’esse artista-rei?

De Epifânio não resta outra memoria, D’essa alma nobre e pura, Senão dias de fama transitória Coados d’amargura! E um afeto de pai resume a história Que tão cedo o levou à sepultura:

Amava ternamente Um filho que a doença lhe roubou; E o triste, amigo e pai, ao frio corpo Abraçou-se, e expirou! História grande e simples! Ninguém há-de Ouvi-la sem chorar! Descansa em paz, amigo, que o mereces, Porque soubeste amar!

XIII

Seguiu-se a este o jovial Gonçalves, Espírito engraçado, culto, e fino, Que nas mais negras horas que passávamos Nos ensinava a rir do mau destino.

Infeliz! quando ao fim de largos anos Começava a vencer a desventura, A doença, inimiga da fortuna, Atirou-o sem dó á sepultura! E Deus sabe se acaso Lhe não foi boa a morte prematura!

XIV

Após este, o Metrass, outra alma nobre; Pela paixão da arte devorada, Que numa rola triste e solitária Deixou sua existência debuxada!

XV

Outro, que a «sorte assinalou no berço, Inspirado cantor, rei da harmonia» Enquanto o mundo o proclamava eterno, Ele esgotava o cálix da agonia!

Foi Soares de Passos! O seu gênio Prometia-lhe vida gloriosa; Mas consumiu-o a «chama abrasadora» No princípio da via dolorosa!

XVI

Depois, Passos Manoel, alma romana, Que na tribuna demonstrou cem vezes Como a eloquência e a virtude antigas, São adornos também dos portugueses!

VII

E quasi sempre a minha dor e luto Eram a dor e o luto da nação; Ela perdia do porvir o fruto; Eu, a consolação.

Três príncipes, modelos de virtudes, (E já um dera pela aflita grei As provas mais sublimes e mais rudes Que jamais pode dar a um povo um rei!)

Uns após outros caem Da púrpura no pó! Entre os comboios fúnebres que saem Do palácio real envolto em dó,

Distam apenas hora! Se um príncipe adoece, Já não dá que esperar por vãs melhoras; Fatalmente perece!

Porque? O povo assusta-se e murmura, Maldiz as duras, misteriosas leis, Que lançaram na mesma sepulturas Três filhos dos seus reis!

Caiu no trono a maldição celeste? Serão isso castigos temerosos Para aqueles que a púrpura reveste, Porque vivem soberbos e orgulhosos?

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Oh! Míseras crianças! Modestos, como os filhos do seu povo, De quem eram florentes esperanças Do mais velho ao mais novo!

Não davam em seu peito Cabimento à soberba ou à vaidade Nenhum dos três; e a demonstrá-lo afeito Já estava o que tinha a majestade.

Nobre mancebo e nobre rei! Se os anos Tão curtos que viveu fossem sobrados, Se tivesse aos primeiros desenganos Os d’uma longa vida acrescentados,

Daria à sua pátria lustre e glória Para fazer inveja às mais nações Ainda guardam todos na memória Uma das suas últimas lições:

Foi quando a epidemia Devastava Lisboa. Ele, por entre a turba que fugia Buscando os sítios que o terror povoa,

Vai para os hospitais! Sublime exemplo, Modesto para a história! Se a gratidão lhe não ergueu um templo, Não há tempo que o risque da memória!

XVIII

Depois, como a torrente Que desce da montanha, E tudo quanto apanha No curso espedaçou, Como a revolta vaga Pelo areal extenso Leva, no rolo imenso, O que ao subir topou,

Assim eu vi a morte, Rugindo furiosa, Na onda lutuosa Levando os que eu amei! Arrasta, confundidos, Poetas, jornalistas, Os sábios, os artistas. Dois príncipes, e um rei!

Antonio de Cabedo, Passos José, Lousada, E D. José D’Almada, Todos na onda vão! Depois, Gonçalves Braga, Bordallo, e Paganino, Envolve-os o destino No mesmo turbilhão!

E Marcellino Mattos, Com Evaristo Bastos, Nestes funéreos fastos Inscrevem-se também! Até José Estevão, Esse orador sublime, Caiu, quebrado vime Que já raiz não tem!

E Lopes de Mendonça, De quantos hei citado O mais desventurado, De mais pesada cruz! Ó Deus! que sorte a d’ele! Pobre alma adormecida No torvo mar da vida, Como farol sem luz!

Enfim, Gonçalves Dias, Poeta brasileiro, E amigo verdadeiro. Fecha o comboio feral. Da sua terra amada Junto às amenas plagas Foi receber nas vagas Sepulcro e funeral!

E só eu fico vivo Ante o furor da morte! Escapo à dura sorte De vinte amigos meus! Em menos de dez anos! Eu, que padeço tanto, A todos, com espanto, Escuto o extremo adeus!

Porque, Senhor? Acaso Me poupas por castigo, Até que um só amigo Não possa já contar?

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Oh! não! Expio a culpa D’um erro cometido; E, d’entre os que hei perdido Fiquei para os chorar!

Mas quando eu caia exânime No meu dormir profundo, Não deixarei no mundo Amigos corações? Ai! Que também me chorem Almas afetuosas! Que lágrimas saudosas Valem por orações!

XIX

É tempo de parar co’a fúnebre escritura; Tenho chorado assaz, não posso agora mais. Enxergo atrás de mim tão vasta sepultura, Que um mosaico direis de pedras sepulcrais!

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Filósofo modesto, amigo verdadeiro, Que, ocultando o saber, o coração revela, A sombra do seu gênio honrado e justiceiro Acolha esta canção da lira mais singela.

Bem sei quanto o magoei, trazendo-lhe à memória, Co’a imagem dos que amou, e que perdeu como eu, As páginas fatais da sua própria história, Recordações d’um luto em tudo igual ao meu;

Porém é sempre doce aos corações saudosos Buscar consolações no seio da amizade! Se a morte nos deixou da mesma dor queixosos, Partamos entre nós os prantos da saudade!

Francisco Grácio Gonçalves - Francisco Kablianis 242

aO iluSTrE SáBiO gOnçalvES diaS Sente-se o cheiro aqui, Da tal brisa que foi realeza. Os odores fortes e secos, Ainda perduram nessa alma,

242Francisco Grácio Gonçalves - Francisco Kablianis - Lisboa – Portugal - 21 de Outubro de 1971; iniciou a sua ati- vidade profissional em 1994, tendo ainda sido e ao longo do seu percurso, responsável por vários projetos no âmbito dos serviços educativos e de extensão cultural de Museus, bem como pela coordenação e organização de diversas atividades de dinamização cultural. Desempenhou funções docentes no ensino básico, secundário e no ensino superior e funções técnicas nas áreas da educação e da cultura. É autor e colaborador em obras e artigos de carácter científico, pedagógico e literário.

Desenleado na tal carta Do ilustre sábio.

As pombas brancas, Que correm ágeis Na ria fresca Que também é anil, Voltam ao sopro De mais um dia.

Os quadros despidos De cor e lhaneza, Já não se asseveram, No rubor da cividade, Coberta de laivos De pobreza e luxúria.

Este ar que se transpira Foi já análogo outrora, Quando tudo era, Quando tudo foi Tão mais indiscutível, Límpido, verídico e insaciável.

Ouve-se ali, além e aquém,

A música, o canto conhecido,

A sonância famosa e familiar

Do regresso deveras almejado Dos excêntricos pescadores, Do mantimento ambicionado.

O perfume característico

Destas fragrâncias isentas

Que não se transmutaram, Arreiam à terra orvalhada, Cotejando-nos a sensação Da erudição conhecida.

O SOnHO aCOrdadO Ainda que os ventos fortes Experimentem que durmas Neste sonho inerente, Perdurarão na tua essência As tais rememorações Daqueles enleios, De comunhão violenta e exclusiva, Dos corações elementares e puros, De simplicidade extrema, Que te ensinaram…

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A conhecer o hálito E a transformar… Todos os instantes Em notáveis sentimentos Minha amada Ana Amélia.

TEmpOS dE EnTÃO Quando, por fim, A janela se fechou, Ana Amélia Deixando para trás Toda esta água, Este mar cerúleo, Assomou-se a chaga

Da melifluidade eterna, Que perdurou E estremeceu, Incessantemente. A despedida, O adeus, A ferida,

A dor,

A mágoa,

Será sempre Recordada Neste novo amanhecer, Nesta luta De manter aberta A tal janela, Que teimou Em se encerrar.

a vOZ Salgada dE ana amélia Ouve-se ao longe A voz salgada, Em grande silêncio. O sussurrar da chuva, A aragem elegante e gélida Que corta a música Genuína e clara, Encaminhando a melancolia, A alguém que se distancia, Que já não se encontra, Aqui, em terra.

O silêncio permanece Na água plena. E a voz salgada Voltará somente

Ao seu cântico, À sua pigmentação, Ao seu rubor, Ao seu mestre, Quando, Depois de muita faina, Tudo tiver acontecido.

Este mar que me leva A água que me cobre. A despedida que não terei, O amor que deixei. A minha amada que perdi, O sonho que levo. O seu rosto que não esquecerei Este amor… Que nunca morrerá Apesar de eu próprio Já ter sucedido.

a mÚSiCa QuE Ela mE CanTa Ao alvorecer, No acordar, Ouve-se a voz sabida, Que canta a melodia Emblemática e forte, Que é esporeio e afoiteza. Ao som melodioso Das suas promessas, Vestem os barquinhos, Cuidadosamente, Com desembaraço, Extraordinário e certeiro.

Os vestidos rede E toda a vestimenta, Inerente e enxuta, Para a labuta quotidiana, De que se ensoberbecem, Desde a puerícia, É traçada ao detalhe, Sem uma única omissão.

Os sorrisos encarnados, Trajados de encanto, Daquela gentil-mulher Que harmoniza toscamente, Convoca a sua realeza, Com o seu timbre ligeiro.

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E da volta, Faz sempre parte O tal devaneio Do êxito desejado, O acertar do passo, Na cadência da dança, Da água espinhada, No sucesso da chegada. Deste amor, Que é meu Mas também seu.

Francisco José da Silva 243

O pOETa maiOr Um homem de fino trato:

Graduou-se em Portugal Apesar do estrelato Regressou à Terra Natal

Antônio Gonçalves Dias Precursor do Romantismo Deu vida às fantasias Novo rumo ao lirismo

O espírito solidário Tocou-lhe o coração E fez deste emissário Guerreiro da abolição

O seu feito é imortal

Ficará sempre na história.

A igualdade racial

Definiu sua trajetória.

páTria amada Jamais em tempo algum Houve igual brasilidade Gonçalves Dias é mais um Brasileiro de verdade.

O amor à Terra Natal Fez dele um exilado Mesmo estando em Portugal

243Francisco José da Silva - Bom Jesus do Galho – MG – Brasil - 19/01/55. Publicações: Ecos do Coração (pen- samentos e poesias); S.O.S Sacramento: a agonia de um rio documentátio histórico-científico). Ocupante da Cadeira nº 6 da ABLA (Academia Bonjesuense de Letras e Artes); Membro Correspondente da ALTO (Academia de Letras de Teófilo Otoni)

Sentiu-se enclausurado. De volta à Pátria amada Assim quizera o destino Ofertar como morada O manso mar nordestino.

Talvez obra do acaso Quem sabe, falta de sorte Porém, a costa, mar raso Seria seu leito de morte.

Partira do Velho Mundo De Volta ao seu Maranhão Fraco, já moribundo Se foi, mas deixou a lição.

amOr plaTôniCO Ainda convalescente da saudade Que o fizera refém em Portugal Gonçalves Dias conhece esta beldade:

Jeito de mulher; rosto angelical.

Ana Amélia, o nome desta fada Seu primeiro e único amor Paixão intensa, louca e desvairada Que não floresceu; foi só espinho e dor.

Por ser mestiço, fora renegado E a musa se foi, tal e qual o vento Deixando o pobre moço desolado Pasmo, perdido em seus pensamentos

Só lhe restou aquele amor platônico Fruto das diferenças raciais Ou herança de um destino irônico Salpicado de dor e tantos ais.

Mas nada ofuscaria seu grande brilho Seu nome já estava na história Em que o autor de CANÇÃO DO EXÍLIO Já alcançara o ápice da glória.

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Francisco Junior Xavier 244

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EXÍliO da CançÃO Sem a terra Sem as palmeiras Sem o canto dos sabiás Sem fauna nem flora brasileira No exílio a se lembrar

Céu de poucas estrelas Campos com poucas flores Vida com pouca vida Vida sem muitos amores

Viajando no pensamento Voltando para encontrar A terra das grandes palmeiras Onde canta o sabiá

A terra de muito encanto É melhor que o exilar! Viajando no pensamento Voltando para encontrar A terra das grandes palmeiras Onde canta o sabiá

A morte encontra nas águas Sem nunca mais se encontrar Sem a terra das grandes palmeiras Sem o canto do sabiá Sem o encanto da terra primeira Que no exílio não há.

Francisco Nelson Filho - Chico da Mata 245

COnTEmplaçÃO dE SÃO luÍS Contemplando os planetas selestiaes De um coreto admirei muito feliz Em densas trevas cintilada pelas luzes A majestosa cidade de São Luís.

244Francisco Junior xavier - Ibaiti – PR – Brasil - 22 de maio de 1991. Graduando dos cursos de Filosofia, pelo Se- minário de Filosofia Rainha da Paz e Letras Literatura pela Universidade Estadual do Norte do Paraná, ambos em Jacarezinho. PR. E-mail: fcojrxavier@hotmail.com 245Francisco Nelson Filho - Chico da Mata - Alto Longá PI – Brasil - 17.03.1917; faleceu em São Luís-2000. Filho de lavradores, alfabetizado em casa pelo padrinho, ele mesmo diz: “minha escolaridade vai só mesmo até o paleógrafo que li dois livros”. Sanfoneiro, por 20 anos, no Piauí, muda-se com a família para o Maranhão (1968), fixando residência em São Luís (Cruzeiro do Anil – Rua Boca da Onça, casa 25), onde passa a atuar como vendedor de bilhetes de loteria pelo centro comercial da Cidade, sempre a recitar, nas horas vagas, seus “verços” (escritos, em geral, a noite), por entre os companheiros de trabalho, merecendo destes toda a admiração e respeito. Amante da leitura, também recitava, de cor, poemas de Gonçalves Dias, Camões, Olavo Bilac, Raimundo Corrêa

Era tarde, as istrelas fassinantis Rebrilhavam os seus raios no Oriente Minha musa ordenou-me a discrever Imagens e emoções desse momento.

Tarde da noite e nos braços de Morfeu Muitos humanos se achavam adormecidos E na doçura da aragem matutina Lanço a vagar pelo mundo meu sentido.

Sobre as asas de um dom que me foi dado Pus-me a compor este singelo poema À terra amada, capital nunca isquicida Torrão simbólico do grande Gonçalves Dias.

Dei meu amor a esta terra abençuada Que jamais poderá ser preterida Na memória e coração da nossa gente Terra fértil, generosa e tão garrida.

Que puetas, patriotas, grandes nomes Têm nascido nesta terra prazenteira Este rincão benfazejo agraciado Filho dileto desta pátria brasileira.

Antepassados já se foram desta vida Para este mundo morreram, se acabaram Foi-se a matéria ao túmulo consumir-se Mais os nomes, estes se imortalizaram.

Outros mais que existem no presente Substituem os que passaram pela morte Continuando a defender este torrão O pavilhão de um Brasil honroso e forte.

Velhos prédios recordando os velhos tempos Estreitas ruas, as ladeiras que pisaram Nossos puetas a cantarem combatentes A liberdade que o país tanto ansiava. São Luís do Maranhão – pai da pobreza! Acolhedor dos pobres necessitados Dos retirantes que tangidos pela seca Chegam aqui e logo são amparados.

Estado rico, bom, onesto, generoso Hospitaleiro e com grande coração Haverás de a cada dia progredir Bela terra, chão airoso, Maranhão!

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Brasileiro que te ame e considere De coração, não haverá mais do que eu Minha alma, minha vida a ti entrego No teu regaço meu amor é todo teu.

Teu litoral de belas praias esplanadas A leve brisa me traz uma sensação Enquanto muitos se divertem, se distraem Em mim se opera tão grata recordação.

Regozijo-me em olhar as fortes ondas Considerando o puder da natureza Magnífica é a sua competência Abstrativo santuário de beleza.

Que sentimentos de mim se apuderam Não ser formado, não ter feito um curço bom Fortifico-me em saber que não é a letra Mais o berço é quem dá ao homem o dom.

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Se um dia desta terra eu for embora Em saudades me verei noites e dias Até que volte novamente sem demora Para abraçá-la decantada em Poesia.

O meu peito em saudade se arderá Meu coração taciturno e melancólico Ficará se algum dia eu a deixar Com seus prédios de beleza tão simbólica.

São Luís, minha fé, minha esperança Terra amada, tão querida e benfazeja Viverás para sempre na lembrança Deste pueta que só o bem te deseja.

Contemplando os planetas celestiais De um coreto admirei muito feliz Em densas trevas cintilada pelas luzes A majestosa cidade de São Luís.

Era tarde, as estrelas fascinantes Rebrilhavam os seus raios no Oriente Minha musa ordenou-me a descrever Imagens e emoções desse momento.

Tarde da noite e nos braços de Morfeu Muitos humanos se achavam adormecidos E na doçura da aragem matutina Lanço a vagar pelo mundo meu sentido.

Sobre as asas de um dom que me foi dado Pus-me a compor este singelo poema À terra amada, capital nunca esquecida Torrão simbólico do grande Gonçalves Dias.

Dei meu amor a esta terra abençoada Que jamais poderá ser preterida Na memória e coração da nossa gente Terra fértil, generosa e tão garrida.

Que poetas, patriotas, grandes nomes Têm nascido nesta terra prazenteira Este rincão benfazejo agraciado Filho dileto desta pátria brasileira.

Antepassados já se foram desta vida Para este mundo morreram, se acabaram Foi-se a matéria ao túmulo consumir-se Mais os nomes, estes se imortalizaram.

Outros mais que existem no presente Substituem os que passaram pela morte Continuando a defender este torrão O pavilhão de um Brasil honroso e forte.

Velhos prédios recordando os velhos tempos Estreitas ruas, as ladeiras que pisaram Nossos poetas a cantarem combatentes A liberdade que o país tanto ansiava.

São Luís do Maranhão – pai da pobreza! Acolhedor dos pobres necessitados Dos retirantes que tangidos pela seca Chegam aqui e logo são amparados.

Estado rico, bom, honesto, generoso Hospitaleiro e com grande coração Haverás de a cada dia progredir Bela terra, chão airoso, Maranhão!

Brasileiro que te ame e considere De coração, não haverá mais do que eu Minha alma, minha vida a ti entrego No teu regaço meu amor é todo teu.

Teu litoral de belas praias esplanadas A leve brisa me traz uma sensação Enquanto muitos se divertem, se distraem Em mim se opera tão grata recordação.

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Regozijo-me em olhar as fortes ondas Considerando o puder da natureza Magnífica é a sua competência Abstrativo santuário de beleza.

Que sentimentos de mim se apoderam Não ser formado, não ter feito um curso bom Fortifico-me em saber que não é a letra Mais o berço é quem dá ao homem o dom.

Se um dia desta terra eu for embora Em saudades me verei noites e dias Até que volte novamente sem demora Para abraçá-la decantada em Poesia.

O meu peito em saudade se arderá Meu coração taciturno e melancólico Ficará se algum dia eu a deixar Com seus prédios de beleza tão simbólica.

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São Luís, minha fé, minha esperança Terra amada, tão querida e benfazeja Viverás para sempre na lembrança Deste poeta que só o bem te deseja.

Frederico Ferreira de Souza 246

CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem amor como não existe noutro lugar. Sua comida tem sabor, levando-nos a sonhar. Um dia teve lagos e cachoeiras; Hoje, prédios e asfaltos. As crianças brincam com máquinas; não há sequer um pequeno mato. Em minha terra, temos prazer em desafios. Não tememos qualquer problema, Embora digam que estamos por um fio e ser tudo muito difícil. Eu, graças aos desafios, trago no peito um emblema que comprova, não ter caído, no desvio e ter aprendido que, com persistência, tudo fica mais fácil.

246Frederico Ferreira de Souza - Porto Alegre-RS - Brasil - 1º de junho de 1994. Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 32, Patrono Álvaro Moreira; Membro Efetivo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; da Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal; e, da Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Coautor do Romance Interativo: “Fantástica história de um mundo além da imaginação”. Atualmente, está estuda na Inglaterra. E-mail: fredericoferreiradesouza@hotmail.com

Frederico Guimarães 247 -

gOnçalvES diaS - À digna comissão de inauguração do monumento ao poeta, no grande dia 7 de Setembro

Non omnis moriar Horácio

Nobre vulto! egrégio vate, Ergue a altiva fronte agora; Que tua fama se dilate, De Setembro a linda aurora. Não é acaso ao reclamo Do teu nome grandioso. Que se congrega gostoso, N’este lugar tanto povo!?

É sim, este o povo altivo Do galhardo – São Luís, Que vem dar-te sinal vivo De quanto amou e te quis; Que vem pressuroso alegre, Render seus preitos augustos; Ante a efígie e ante os bustos De brasileiros ilustres.

Apollo, Minerva, Marte?! E vós Musas, também, sim; Desenrolai o estandarte Auriverde de cetim; Vinde insuflar nova vida Ao cisne tão popular, Que tanto soubera amar O berço que o Céu lhe deu.

Dai vida também a esse Que se chamou Odorico, No qual, Virgílio quem lesse, Saudaria um estro rico; Dai vida a João Lisboa, Historiador – eminente, Que mesmo seria ingente Se a parca o não retraísse.

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247 Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 573-575. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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Dai vida ao grande Sotero, Vulto de fundo saber; Nobre, caráter austero, Onde há muito que aprender; Dai vida a Gomes na Sousa, Sol, que raiou no Brasil Inda em anos, juvenil:

Dai vida a tantos luzeiros!

E depois prestai ouvidos Ao Cantor dos Timbiras; Que d’essa tuba os soídos Acordem suaves liras. Vindes ouvi-lo? Pasmai! Pasmai, que Gonçalves Dias, Criou novas ousadias Co’ estro que Deus lhe deu.

Jazia como dormido Seu estro ardente e fugaz; Mas este dia – querido Novo impulso hoje lhe traz, Ouvi-o, pois, em concerto Com esses vultos da história, E saudai, hoje a memória Do cantor – rei da harmonia.

Frutuoso Ferreira 248

aO imOrTal CanTOr dOS TimBiraS

Sirenas do Além-Mar, castelos e princesas Sou Atlântida, em flor, querendo o encantamento

Do império de Cristal

Por sobtre o irradiamento

Do Gênio escukltural que afaga estas turquesas.

Eu venho m’embalar nos fastos dos Timbiras,´

No canitar que ensombra as frontes dos Guerreiros, Na voz dos Maracás, nas mãos dos Feiticeiros

Cantai, bosques em flor, Piagas

Currupiras

248RAMOS, Clovis. ROTEIRO LITERÁRIO DO MARANHÃO – Neoclássicos e Romanticos. Niteroi: Clovis Ramos, 2001, p.309-311, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histó- rico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Espirito do Mar

Oh Êxtase infinito,

Tu que acordas o Azul e que meu entro expandre Na tumba do Cantor por etas noites grandes,

Tu que ascendes à noite a flama do aerólito, Vai abrir os salões dos encantados deuses, Guardados por Dragões d´espadas e de arneses.

II

Oh Noite

Eternidade!

Oh Êxtase infinito

Eu – Atlântida, em flor, nas vagas dos Cruzeiros, Venho acordar o Sol das plagas dos Guerreiros, No vortilhão do Azul que traz seu nome escrito.

Pompas monumentais do túpico arrebol, Erguei-vos dos cristais dos mares constelados

Virgens que estás sonhando os faustos dos noivados

Liras que estais dormindo

aí vem o vosso Sol:

É o Sol do coração que acende o Sentimento, Rubro como o coral dos lábios de Iracema, Veste a luz auroral que doira o firmamento;

Por entre os madrigais das mágicas safiras, Vinde saudar o Sol que o vosso Deuz emblema, Oh glórias marciais dos válidos Timbiras!

III

No êxtase a palpitar nessa Visão dos Andes, Nas noites tropicais das terras brasileiras, Aqui acordam Trovões o Gênio das palmeiras, Embuçado no azul destes abismos grandes

No azul?

que direi eu? – as gemas ondulantes

Do seio ardente, em flor, de Aniaras Colossais; E entre arminhos d’espuma e aurélias doudejantes, Jorram astros, a fluz, ``a tona dos cristais.

Brame, Y-Juca Pirama

acorda os teus cantares,

Quero ver os Astrais nas Óperas dos Mares, Nas danças festivais ao som de seus borés

Brame, Y-Juca Pirama

acorda os teus cantares,

Derrama a tua epopeia à luz desses luares,

Sejam as noites – Visões

as vagas

os Pajés.

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Fuad Bakri 249

CançÃO dO EXÍliO Brasileiro e Palestino, duas nacionalidades bem diferentes. De um lado, um país muito liberal; do outro, um bastante conservador. Aqui, temos mais amor; Lá, as pessoas são super discretas. Aqui, a vida tem mais sentindo; Lá, temos que viver a rotina de nossos ancestrais. Aqui, a vida é vivida; não nos deixamos reger pela cultura, raça ou cor; corremos atrás de um objetivo maior, a felicidade.

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G. dos Reis

gOnçalvES diaS 250 Desde a hora fatal que a malsinada meiga Eloah seguindo o seductor, archanjo mau rebelde e trahidor, foi que elle no abysmo arremessada,

aí! Nunca mais na célica morada na divina mansão do Creador. Em profunda trstisa margulhada Repercutiram cânticos de amor!

Um dia Jehovah dessa tristesa, Entendeu libertar-se e com grandesa, Quis o Empyreo cheio de harmonias.

Mas aonde encontral-as com prestesa? Subito chama aos cerus Gonçalves Dias O bardo genial das melodias!

249Fuad Bakri - Porto Alegre-RS – Brasil - 24 de dezembro de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colégio Co- nhecer, Porto Alegre/RS. Secretário de Edição e Publicação e Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 31, Patrono: Castro Alves; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail: fuad.bakri@hotmail.com 250Diário de São Luiz, 10 de agosto de 1923, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ)

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autor(es): COmpridO, lEléO E Zagaia

SamBa EnrEdO 1958 - CançÃO dO EXÍliO Clássico da nossa poesia

É a canção do exílio

De Gonçalves Dias Poemas de sublime inspiração De amor e ternura Em sua confecção Lamento De um coração soturno De um poeta taciturno Que em versos escreveu Todo drama Do arfante peito meu Este poema nasceu Da saudade Do seu Brasil distante

Das suas campinas verdejantes Com suas flores multicores Suas estrelas Ornamentando um vasto céu Como sofria

O saudoso menestrel

É s uma estrofe De saudade e de amor Na qual suplicava ao senhor Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá Sem que reveja As palmeiras Onde canta o sabiá

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251Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira - Rio de Janeiro – RJ – Brasil – Fundada em 28 e abril de 1928 é uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro e uma das mais popu- lares do mundo. Foi fundada em 28 de abril de 1928, no Morro da Mangueira, próximo a região do Maracanã por Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, entre outros. Atualmente sua quadra está sediada na Rua Visconde de Niterói, no bairro do mesmo nome. A Mangueira foi a escola que criou a ala de compositores e a primeira a manter, desde a sua fundação, uma única marcação do surdo de primeira na sua bateria. No símbolo da esco- la, o surdo representa o samba; os louros, as vitórias; a coroa, o bairro imperial de São Cristóvão; e as estrelas, os títulos http://pt.wikipedia.org/wiki/GRES_Esta%C3%A7%C3%A3o_Primeira_de_Mangueirav

Gabriel Azevedo Scholze 252

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CançÃO dO EXÍliO

Minha vida é Porto Alegre, onde temos um pôr do sol que não para de brilhar. Aqui, somos diretos, lá, não param de enrolar. Lá, o sabiá canta; aqui, o quero-quero não para de gritar. Aqui, o suculento churrasco; lá, a peixada que não mais conseguimos aguentar. Aqui, orgulhamo-nos do Laçador; lá, eles, do elevador. Aqui, fandango a noite inteira; lá, a capoeira não para de rolar. Aqui, o Guaíba; lá, o marzão. Aqui, temos orgulho da Terra; lá, dá Festa de Nosso Senhor do Bom Fim, ocasião em que ocorre a lavagem das escadarias, com participação do povo. Aqui, apreciamos o chimarrão; Lá, a água de coco é bebida de galão. Aqui, Erico Verissimo é o Grande Escritor; Lá, Jorge Amado é o Redentor. Aqui, Porto Alegre/Rio Grande do Sul; lá, Salvador/Bahia!

Gabriel Rocha da Silva 253

CançÃO dO EXÍliO

A minha terra é bem mais linda que a terra onde estou. Lá, o céu é de um azul envolvente tal qual o azul mar. As diferenças, talvez, tenham a ver

252Gabriel Azevedo Scholze - Porto Alegre-RS – Brasil - 29 de janeiro de 1999. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Ver- sos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte natação e jogos eletrônicos. E-mail: simonescholze@hotmail.com 253Gabriel Rocha da Silva - Porto Alegre/RS – Brasil - 25 de abril de 1997. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Caixas Poéticas”, 2012. Cursa inglês no Wizard e curte esportes. E-mail: gabirs97@hotmail.com

com a saudade que invadiu meu coração. A dor que nele habita, não me permite enxergar as belezas que aqui existem, apenas as de lá.

Gabriel Rubim da Silva 254

minHa TErra TEm SuJEira Minha Terra tem sujeira onde cantava o sabiá, Os pássaros que encantavam a aurora Não encantam mais agora.

A paz que existia antes, Agora é zoada de ambulantes, A harmonia que existia na pista Agora é acidentes, com pedestres e motoristas.

A vida do povo sem confusão Agora existe briga e poluição Ao pensar sozinho à noite, Cadê a paz no Maranhão.

Paz e Bem aos maranhenses Que guardo no coração, Terra de povo sofrido, mas alegre eu te digo, Maranhão minha Terra de Paixão.

O pOETa da minHa TErra O poeta da minha Terra de proezas Faz poesias sobre suas belezas Lutou para o bem dos Índios Respeitou sua mãe e a tratou com carinho.

Um poeta que admiro Com muita saudade do Maranhão Fez a “Canção Do Exílio”

Na vinda de Portugal perdeu sua vida, Em uma viagem marítima Poeta de garra e paixão que amava, Sua Terra, o Maranhão.

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254GABRiEL RUBiM DA SiLVA - São Luís – MA : Brasil – 15/07/2001. Motivo da participação: Eu gostaria de parti- cipar da antologia porque gosto muito e acho interessantes as poesias de Gonçalves Dias e me interesso muito por poesia e tenho certeza que minhapoesia é muito bonita e que a população brasileira vai achar bonita.

Nunca largou a poesia, Lutou pelos Índios até o fim de sua vida

O Poeta da minha Terra me trás muita alegria,

Ele é Gonçalves Dias Que me fez fã da poesia.

Gabriel Wendermuller P. Amaral 255

gOnçalvES diaS Gonçalves Dias foi um professor de Latim, Ele escrevia suas poesias com muito amor, Ele foi um exemplo de cidadão Que iluminou o Maranhão.

Ele foi filho de um comerciante, Com sete anos virou estudante, Com doze anos saiu de casa foi para faculdade Formou-se em autoridade, Ganhou a décima quinta cadeira em atividade.

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O pai dele era João que comia arroz com feijão Para seu filho nascer fortão, Sua mãe era doméstica, Quando era aniversário dos seus filhos Fazia muita fantasia.

Gabriela Fernandes de Freitas 256

CançÃO dO EXÍliO No Brasil, embora a paisagem natural,

em alguns pontos, já tenha sido modificada pelo homem, o cenário continua belíssimo, havendo pontos louváveis

de admiração e encantamento. Nos Estados Unidos, boa parte da paisagem foi substituída por imensas construções e os seus costumes são bem diferentes dos nossos. No Brasil, orgulhamo-nos de nosso pais;

255 Gabriel Wendermuller P. Amaral - São Luís – MA : Brasil – 08/01/2002. Motivo da participação: Eu gostaria de participar da antologia porque eu quero ser reconhecido pelo meu trabalho que fala sobre minha capital. 256Gabriela Fernandes de Freitas - Porto Alegre/RS – Brasil - 20 de março de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Curte música e festas. E-mail: gabrielafernandesfreitas@hotmail.com

aqui, o povo parece desprovido de emoções. O Brasil, com suas cachoeiras, montanhas, lagos, praias e campos repletos de árvores e flores, é lindo, maravilhoso!

Gabriela Mendes Prunes da Cruz 257

CançÃO dO EXÍliO Em Porto Alegre tem pouca poluição; Aqui, há em grande quantidade. Nesta metrópole há muitos carros; Lá, nem tantos. Aqui, tem muitos pontos turísticos e comerciais; Lá, poucos. No litoral sul-riograndense, há belas praias tais quais no paulistano. Lá, encontro amigos; Aqui, desconhecidos. Nas ruas de Porto Alegre não circulam muitos turistas; Aqui, deparo-me com milhões deles. No entanto, no troco, de jeito algum, minha cidade por outra qualquer. Lá, há pontos negativos e positivos que fazem de nós um povo diferente.

Gabriele Loureiro Bruschi 258

CançÃO dO EXÍliO No Brasil não há conflitos religiosos, sociais e políticos; em Israel tem em abundância. Aqui, homens e mulheres

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257Gabriela Mendes Prunes da Cruz - Porto Alegre/RS – Brasil - 14 de fevereiro de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Vice-Presidente do Centro Estudantil do Colégio Conhecer, de Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautora do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/ SP. Cursa inglês no Uptime. E-mail: gaba.prunes@gmail.com 258Gabriele Loureiro Bruschi - Porto Alegre/RS – Brasil - 18 de maio de 1998. Estudante do Ensino Fundamen- tal do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Poetisa Idealizadora e Coordenadora do Projeto Poesia Inclusiva. E-mail: gabrielebruschi@hotmail.com

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têm direito a palavra; lá, a mulher é bastante submissa. Em alguns lugares, elas não podem estudar e são forçadas a fazer trabalhos escravos. No Brasil, as mulheres, a cada dia, conquistam mais e mais espaços importantes na sociedade

Gabrielle Souza Marchisio 259

CançÃO dO EXÍliO Sou muito mais da minha terra. De onde vim, quero ficar. Quando sai de Lá, percebi que foi Lá que aprendi a amar.

Esta terra onde me encontro; não é tão bela, calorosa, nem tão minha quanto aquela de Lá.

Na minha terra, a grama é mais verde; o sol traz mais calor; o céu é mais azul; e há muito mais amor.

É bom partir, viajar, mas nada se iguala a sensação de para casa voltar.

259Gabrielle Souza Marchisio - Porto Alegre/RS – Brasil - 19 de julho de 1996. Estudante do Ensino Médio do Co- légio Conhecer, de Porto Alegre/RS. Presidente do Centro Estudantil do Colégio Conhecer, de Porto Alegre/RS. Coautora do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, de Sorocaba/SP. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. E-mail: gabriellemar- chisio@hotmail.com

Gentil Homem de Almeida Braga – Flavio Reimar 260

gOnçalvES diaS 261 «O hálito de Deus tocou-lhe a fronte, E lhe formou em torno uma coroa:

Arco de luz no cimo de alto monte, Beijo do gênio dado em uma alma boa. Feitura humilde, ao Criador defronte Logo se pôs, e um cântico ressoa Era o poeta feito em um momento, Grande no verbo e grande em pensamento.

Apóstolo novo aos povos enviado, Falou sublime à gente americana, Em frase culta, em ritmo elevado Como o cantor da raça lusitana. A voz no timbre puro e afinado É quase angelical, mais do que humana; Evangelho de amor e de poesia Era o que a terra em sua voz ouvia.

Do seu talento o voo altivo e nobre Liga ao presente as pósteras idades, E no passado um mundo ele descobre Belo, rico de seiva e heroicidades. Nada ao olhar do poeta o tempo encobre; Dá vida a um povo morto, ergue cidades; D’alma o sentir, do coração as dores Traduz em sons de pérolas e flores.

Soberbo evocador de um século extinto, Ei-lo do nada a vida levantando, Luz na imaginação e o pincel tinto Na cor que o sol no céu nos mostra quando Roxo de um lado e d’outro azul retinto, Mil caprichosas formas desenhando, Une os togues de alvura resplendente Da opala ao brilho lácteo e transparente. Foi-lhe dura a missão! Foi sacrifício, Que ele soube cumprir com força e crença! De confissão constante fez oficio, Cantou do coração a dor imensa.

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260Gentil Homem de Almeida Braga - Flávio Reimar - (São Luís – MA – Brasil - 1834 — faleceu em São Luís em 1876). Promotor Público (entre 1855 e 1858) de Codó, Caxias e Alto Mearim (São Luís Gonzaga. foi um jurista, poeta e escritor. Trabalhou com folhetins o que o tornou bastante popular. Entre eles destaca-se o poema conhecido como Clara Verbana. É um dos patronos da Academia Maranhense de Letras 261 Extraído de Clara Verbena, pg. 9. In ROMERO, Silvio, História da Literatura Brasileira, Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1888, 1126-1128. Compilador: Weberson Fernandes Grizoste. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Trouxe consolação por benefício Aos que sofrem no amor e na descrença. Rasgando o peito, e, novo pelicano, Dando vida em seu sangue ao lábio humano!

Fez em si mesmo a crude autópsia Da ideia e do sentir ainda em vida; Em cada canto o coração gemia, Em cada verso a alma era despida. Nada ocultou; a musa não mentia Na voz da queixa extreme e dolorida, No riso triste, no prazer de instantes, Rápido gozo d’almas sempre amantes.

Privilégio do gênio! em seus cantares Fez mais nossa que sua a excelsa glória No culto expressa, em múltiplos altares, Que erguidos são no templo da memória. Se foi-lhe a vida um quadro de pesares, Fica do vate a peregrina historia, Pondo em relevo a desejada coroa De um talento brilhante e uma alma boa.

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E viveu, e cantou! no sofrimento A própria inspiração deu-lhe amargura; E a luz, que o aclarava em pensamento, Fez-lhe a sorte infeliz, áspera e dura. A distinção do gênio é um tormento; A flor da glória é uma sombra escura; Raio de amor na fronte ao escolhido, E’ um cântico d’anjos n’um gemido.

E até na morte a pálida desdita De perto o acompanhou na anciã extrema; Cantou-lhe uma canção triste, infinita Nas aflições de um gélido poema. O mar ouviu-lhe uma oração bendita Quem há que não se enlute e que não gema, Ouvindo o estertor de uma agonia Sufocada no mar pela onda fria?!

Vede-o no estreito esquife abandonado, Sem um prece de amor na última hora! Vede o corpo na areia sepultado, E o branco alcíon da praia, que inda chorai E o mar, cruel, ressona sossegado A’ luz da tarde ou aos clarões da aurora, Rindo ao fresco terral, ao frio vento, Ao som de um triste e fúnebre lamento!

Dorme em paz La frieza do sudário, Descansa agora da penosa lida! Por ti do século nosso o enorme horário Fez ouvir a pancada estremecida. Do mar a profundez é o teu sacrário, Guarda de uma existência mui querida, E o monumento erguido á tua gloria Guardará de teus cantos a memória.»

Geovane Alves dos Reis 262

nÃO é TOdO dia QuE é dia dE diaS Não é todo dia que nasce um herói, Mas, no dia 10 de agosto de 1883, esse fato aconteceu. Não é sempre que 3 tipos de raças se unem a uma só formando um poeta que ama o lugar onde ele nasceu.

Um advogado que protege o seu país, foi ele quem disse que a nossa pátria é a mais feliz. Ele também notou que o sabiá, que canta melodias aqui, não cantava lá.

Se hoje estivesse vivo, Gonçalves Dias, com certeza, ele diria que o sabiá, que aqui vive a cantar, em outro país nem sabe assoviar.

Mas um naufrágio acabou levando o nosso herói, que tinha o poder de proteger e de amar; ele dormiu encoberto próximo aos seus Lençóis No dia 3 de novembro de 1864, essa história veio a findar Mas, orgulhoso, ele morreu na terra onde canta o sabiá!

Geraldo Trombin 263

aH! inda BEm QuE TEm diaS Nossa terra tem fogueiras Matando bicho e piá. As aves não mais gorjeiam, Pois viver aqui não dá.

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262Geovane Alves dos Reis - Teresópolis/RJ Brasil - 25/02/1998. Poetaluno do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e já traz um vasto currículo literário, incluindo a Medalha de Bronze no XXII Con- curso de Poesias da ALAP, no Rio de Janeiro/RJ. Criou, em 2012, o blog “Palavras do coração”, onde posta poe- mas de sua autoria e de outros amigos poetas que ele admira. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa 263Geraldo Trombin – Americana – SP - Brasil – 01.04.1959. É publicitário, membro do “Espaço Literário Nelly Rocha Galassi” (Americana, SP - 2004/2012) e colunista da revista eletrônica ContemporArtes (desde 2010). Lançou em 1981 “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas, e em 2010 “Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados”. Tem mais de 350 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país e trabalhos editados em mais de 105 publicações.

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Nossa terra tem Brasília, Capital do mau exemplo. É da falcatrua a ilha, Da política o seu templo.

Nossa terra tem cadeia, Mas em cana só vão pobres! E quando o rico falseia, Não é lugar para nobres!

Furtaram nossas estrelas, Pisotearam nossas flores, Roubaram a nossa vida Com essa onda de horrores!

Nossa terra era tão bela, Agora só dissabores! O que fizeram com ela? Devolvam nossos sabores!

Ainda bem que há poesias:

Minha terra tem Antônio, Tem Gonçalves e tem Dias Pra afastar tanto demônio!

CançÃO dO marTÍriO Minha terra tem coleiras Acorrentando animais.

Tevê divulgando asneiras Em muitos dos seus canais.

No banco, gente em fileiras, E até mesmo em hospitais.

Aqui também tem lameiras Nas páginas dos jornais.

Tem criança nas “carreiras” E nos trabalhos braçais.

Vida fazendo besteiras, Perdida em dolos banais.

Falta d’água nas torneiras E crimes ambientais.

Tem políticas rampeiras Desde os nossos ancestrais.

Quantas manchas e sujeiras, Que nem OMO limpa mais!

Gerardo Molina 264

prÍnCipE dEl vErSO A Antonio Gonçalves Dias I Soñaba tu romántica apostura América, lueñe luz de los siglos, tres razas se unieron en tu sangre señalando la unión desde el principio.

Porque fuera tu voz la redentora de su orfandad, del clamor de sus pueblos, la América dolida, la irredenta, te consagró su príncipe del verso.

II

Nao permita Deus que eu morra, sem que eu volta para lá, enfermo, solo, tan lejos, se oía su voz clamar.

III

Olha-e bem que sou eu! Nao te esqueci, eu to juro:

sacrifiquei meu futuro vida e gloria por te amar.

Tus verdes ojos, mi cielo, fueron mi luz de romántico toda tú, sol de mi cántico, y tu sonrisa, mi altar.

IV

Vivir e lutar, a vida é combate. Todo lo diste como buen hidalgo y a tu Ana Amélia, trémulo, ofreciste tu corazón, tu verso enamorado.

V

Comprender o infinito, a inmensidade, e a naturaleza e Deus; gostar dos campos, ser capaz de aventuras imposibles y ante su ara morir crucificado.

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264Geraldo de Molina - Los Cerrillos, Canelones - Uruguay - 19 de octubre de1938. Profesor de Idioma Español. Ex Director del Liceo de Las Piedras No.2 y del Liceo de Santa Lucía. Poeta y ensayista, ha sido laureado en cer- támenes nacionales e internacionales. Ha dictado conferencias y ofrecido recitales de su poesía en Uruguay, Argentina, Chile, Perú, Brasil, Francia, España e Italia. gerardomolina@adinet.com.uy

Dar la vida y el alma a un sentimiento, encenderse en ternuras y fervores, ser gentil, apasionado, bueno:

isso é amor, e desse amor se more!

Nota. Los versos en negrita y cursiva pertenecen a Antonio Goncalves Dias.

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Germain Droogenbroodt 265

a uma rOSa 266 Recordando el poema “A minha rosa” de Antonio Gonçalves Dias

apElO Não venhas como luz que potente demais ofusca o olhar

Não venhas tampouco como a impalpável escuridão

Vem, sim como o espinho que anuncia

a rosa está ao alcance.

Gerson Augusto Gastaldi - Emaday Luz 267

aCrOSTigEandO gOnçalvES diaS aingente lira nasce no Maranhão, em Caxias. Filha de português e mãe cafusa. na juventudesubmerge-seàs letras e parte para Portugal, Coimbrao Phanteão Trasmontano. Natristeza e solidão,saudades da verdePátria, adquiriu a gestalt. Orgulhoda forma e inspiração: compôs a canção do Exílio, obra genial,profusa. na minha terra tem palmeiras e primores:vervelatinado jovem poeta de insight imaginação.Além de professor, teatrólogo ejornalista, viu nasrimasa profissão Orgulhosade fé. Publicou Olhos Verdes, Não me Deixes,Que me Pedes, musa.

265Germain Droogenbroodt - Belga, residente en España. Ha publicado 10 libros de poesía propia, la última obra poesía filosófica. Su poemario “el Camino” (leer TAO) ha sido publicado ya en 22 países. E-mail:elpoeta@point-editions.com 266 Tradução de Ivo Korytowski e Flora Ferreira. 267Emaday Luz - Gerson Augusto Gastaldi – São Paulo – SP – Brasil - 09/02/1949. Fez os 2 primeiros ciclos de estudos em S. José dos Campos, SP., de 1965 a 1974. Cursou Filosofia, Ciências e Letras na Faculdade de Comunicação e Letras de Araras, SP. (78 a 82). De 83 a 2010, atuou em S. Paulo nas áreas didática, editorial, gráfica, jornais e revistas; militando em diversas empresas da Capital. Já publicou 2 livros de Contos e aprecia a Literatura Nacional de estilo ficcionista. E-mail: gagcid2011@hotmail.com

grado caxiense das matas do jatobá; sangue timbiras e gamelas, espírito valente. Ousado filho das Aldeias Altas, este indianista de nobre estipe e afamada fibra, nunca abdicou doseu talento, os Primeiros Cantosdesta alegre lira, potente, içaramolaurel no Pavilhão das Letras. Em Caxias das Aldeias Altas, vibra acentelha do sonhador naCanção do Tamoio enoCanto do Guerreiro. laços de amor por Ana Amélia: Seus Olhos, Mimosa e Bela, Leviana, viram sua paixão cair por terra. Mas adignamissão de cancioneiro, Embeleceuem versos oíndio: o Canto do Piaga e I-Juca-Pirama, Se se Morre de Amor o poeta,seja O Homem Forte,o brasileiro.

do seuengenholiterário,compôs dramas e romances: na Meditação, igual Beatriz Cenci,Patkul, Leonor de Mendonça, Memórias de Agapito, além de Um Anjo. Mas os exímios mestres não perecem.Apenas se vão Sem ver o fim. No Leito de Folhas Verdes, Ainda uma vez -Adeus,eu grito!

Gilmar Campos 268

COnfidÊnCiaS dE um TimBira Por alguns Dias conheci Os Timbiras Especialmente nasci um timbira Por isso trago as mãos frias De todos os dias dos meus verdes anos.

Dias de manhãs gélidas Com medo dos caras-pálidas, Que pela floresta adentravam, E das armas que o fogo cuspia

Agonizava a floresta e os timbiras.

A frialdade dos mortos que na floresta jazia, Contrastava com a tez curtida ao sol, Sem pêlos, sem apelos e sem planos, Somente o de viver o afã de cada dia.

Por isso trago as mãos vazias De todos os dias, de todos os anos E compreendo a dor dos sem teto, Dos sem terra e a desventura dos ciganos.

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268Gilmar Campos – João Pessoa – PB Brasil - 13/09/63, Gama-DF – Brasil. Ainda criança “regressei” com meus pais à sua terra natal, no Sertão de Piancó-Pb, onde conheci as primeiras letras, sonhos e poemas. Já na ca- pital, peregrinei pelo deserto universitário, mas foi na Mística que encontrei “sombra e água fresca” para mi- nh’alma sedenta. Contudo, a veia poética pulsa em mim e já participei de 3 coletâneas de autores paraibanos, sendo premiado com a crônica: O sorriso da serpente.

Por isso sou guerreiro Orgulhoso do verde, da verdade 10% de verde nas florestas 90% de verde nas almas timbiras 1% de almas sinceras 99% de mentiras

E a dor de ver o verde que havia, A vida errante que levaram os timbiras

Só me leva a cantar com Gonçalves Dias:

“Ó guerreiros, meus cantos ouvi

Antes nos perseguiam o ‘ilustre peito lusitano’ Hoje a FUNAI negocia com aos americanos, Tocai os tambores, guerreiros resisti, Estudai o Dicionário da Língua Tupi Falai a língua dos anjos que viviam aqui

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Ou será que eu I-Juca piramos?

CançÃO dO naTivO (O REGRESSO) Minha terra tem Zéu Palmeira Pra julgar ou conciliar Os patrões que aqui gorjetam Não pagam como os de lá.

Minha terra tem “Cachoeira”, E “roupa suja” pra lavar Os políticos que aqui propinam Não vão presos como lá.

Nessa terra sem cultura Onde nóis num sabe votar Honestidade é loucura E o asilo é seu lugar.

Nossos sertões têm mais vilas Nossas cidades mais clamores Os hospitais têm mais filas Nossas filhas têm mais dores.

Ao penar com os açoites Mais tristeza encontro eu cá Um Zumbi no mêi da noite Esperando o sol raiá.

Minha terra tem peneira Para a massa preparar O cuscuz, a macaxeira E o leite pra nóis tomar.

Lá na Serra de Teixeira Onde canta os “carcará” As gaiolas em mêi de fêra Faz calar os sabiá.

Não permita Deus que eu corra Depressa desse lugar Sem o verde da bandeira Na terra seca se espaiá Sem que eu veja outra palmeira Onde cante um sabiá.

Giovanni Brunet Alencar e Silva 269

CançÃO dO EXÍliO Lá, as ruas brilham com o verde das árvores; o rio brinca com o azul do céu porto-alegrense.

Em nossos parques, crianças jogam felizes, assim como nas calçadas, as quais nos deram boas cicatrizes.

Lá, aprecio floridos jardins; gloriosos palmares; todos, lugares lindíssimos, que mais parecem nossos lares.

Aqui, a beleza natural foi ofuscada pela poluição.

Girlene Monteiro Porto 270

OndaS inCESSanTES Não há moinhos de vento Que me afastem de ti E nem poderia a mesquinha sensatez Ser mais esperta que a loucura

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269Giovanni Brunet Alencar e Silva - Porto Alegre/RS – Brasil - 11 de maio de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Faz trabalho voluntário, duas vezes na semana, com crianças, dando aulas de xadrez. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautor do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. E-mail:

giovanni.basic@hotmail.com 270Girlene Monteiro Porto - Vitória – ES – Brasil - 06/08/1980. Formada no curso técnico em Administração pelo colégio secundário Estadual do Espírito Santo, formada também no curso Técnico em Segurança do trabalho pelo colégio São Gonçalo de Vitória, profissão na qual atua, e acadêmica do curso de direito, escritora e poetisa. Participou do projeto de incentivo a leitura o Um poema em cada árvore, além de ter seus poemas publicados também na revista eletrônica Varal do Brasil.

Do amor que sinto e que me dá forças Para lutar contra tempestades em alto mar. Mar que me leva a viajar Para distantes terras, mas mesmo cansado do caminho, Sempre volto louco para o seu amor, meu amor. E quando de ti me aproximo Eis que tenho minha nau engolida pelas ondas incessantes. Cerram-se meus olhos para sempre meu amor, Mas, meus poemas, estes viverão eternamente.

Me inspirei no naufrágio onde morreu Gonçalves Dias, voltando da Europa para sua amada pátria Brasil

JamaiS Eu Ei dE TE ESQuECEr O meu sonhar de poeta é seu Oh! Formosa rosa do meu jardim Este dom que desde sempre é meu Porém, se as rimas sem fim,

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Que outrora este poeta escreve Expondo tanto amor e tantas dores Fores para ti pouco, tudo, pesa-me. A vida, o amor, a paixão, tudo já é seu.

Oh! Iluminada estrela do meu céu Venero-te, adoro-te e, caio-te aos pés. Choro, se choras, enxugo o pranto que te molha a tez.

E ponho no lugar um sorriso de felicidade Amando-te eternamente para te fazer ver Que eu jamais ei de te esquecer.

Para escrever este poema, tentei me inspirar no poema A Leviana.

fiCa SEmprE um TriSTE adEuS. O que mais marca das lembranças que ficam é o momento do adeus. Nessa hora eu não sei o que fazer, eu não sei o que dizer. Sei que com o tempo essas marcas vão cicatrizando, Mas, nunca desaparecem de vez. A saudade que abraça o tempo não deixa, eu sei que nunca vou esquecer. Às vezes eu ainda gosto de conversar com as flores Flores de plástico não morrem, mas o perfume é artificial, E com o tempo some, por na verdade nunca terem tido vida. As flores quando morrem ainda exalam perfume e mesmo quando secam deixam seu aroma gravado na lembrança. Eu tenho a esperança, As flores que conversam comigo, Vão formar jardim no céu. Um dia vou rever as flores

E matar a saudade que abraçada ao tempo caminha comigo. No fundo eu adoro conversar com as flores No fim fica sempre um triste adeus.

Graça Graúna 271

fEiTura dE Tupà ao poeta Gonçalves Dias

Quando Marabá deixou a tribo não foi por querer sendo filha de quem é enfrentou as duras penas de ser o que é Filha da mistura Marabá, apenas.

Se acaso feitura não é de Tupã, quem define a história dessa índia-meio-branca dessa branca-meio-índia?

Quem há de querer de Marabá as penas?

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ESQuina TrOpiCal (Dedicado ao poeta maranhense – Gonçalves Dias) Esquina tropical Verdadeira aquarela, Em tons abundantes, variações Serpenteados, Ao farfalhar dos coqueiros, Transformando-se em alegria Cantando como as sereias Um som que já não se ouvia Mãos suaves, acariciantes Cheiros do mar, Maresias, manguezais Parecendo as Marias

271Graça Graúna - Recife – PE – Brasil. Indígena do povo potiguara (RN); radicada em Recife, onde atua como professora Adjunta de literatura, na Universidade de Pernambuco (UPE). Membro do grupo de escritores indí-

Pós-doutorado em Literatura, educação e Direitos Indígenas, pela UMESP. Vários livros publicados em

poesia e prosa. O mais recente é a narrativa indígena “Criaturas de Ñanderu”, Ed. Amarilys/SP. http://ggrauna. blogspot.com/ 272Graziela Costa Fonseca - 20 - 02- 1935.

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Rezando em romarias. Enfeitiçadas, talvez, Pelo litoral que inebria Por tudo que é sagrado Todas essas iguarias, Tudo veio como um sonho Liberdade e sabedoria, Desejo de expressar O que via e sentia Em telas, prosa e poesia. De uma esquina tropical.

Guilherme de Almeida 273

“CançÃO dO EXpEdiCiOnáriO274 Você sabe de onde eu venho ? Venho do morro, do Engenho, Das selvas, dos cafezais, Da boa terra do coco, Da choupana onde um é pouco, Dois é bom, três é demais, Venho das praias sedosas, Das montanhas alterosas, Dos pampas, do seringal, Das margens crespas dos rios, Dos verdes mares bravios Da minha terra natal. por mais terras que eu percorra, não permita deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Esse “V” que simboliza A vitória que virá:

Nossa vitória final,

273Guilherme de Almeida (G. de Andrade e A.) – Campinas – SP – Brasil - 24 de julho de 1890, e faleceu em São Paulo, SP, em 11 de julho de 1969. Terceiro ocupante da Cadeira 15 da ABL, eleito em 6 de março de 1930, na sucessão de Amadeu Amaral e recebido pelo Acadêmico Olegário Mariano em 21 de junho de 1930. Recebeu

o Acadêmico Cassiano Ricardo. Filho do jurista e professor de Direito Estevam de Almeida, estudou nos giná-

sios Culto à Ciência, de Campinas, e São Bento e N. Sra. do Carmo, de São Paulo. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1912. Dedicou-se à advocacia e

à

imprensa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi redator de O Estado de São Paulo, diretor da Folha da Manhã

e

da Folha da Noite, fundador do Jornal de São Paulo e redator do Diário de São Paulo

274O Hino Nacional Brasileiro consta entre as poesias a Gonçalves Dias. Queria saber se o mesmo consta em virtu-

de das frases da “Canção do Exílio”, porque se for assim, então temos de agregar a “Canção do Expedicionário” do Exército Brasileiro, porque alguns dos versos foram tirados da mesma canção, vejam quais:

“Por mais terras que eu percorra, Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá;”

A autoria é de Guilherme de Almeida, abaixo envio o hino completo.

Um abraço, Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Que é a mira do meu fuzil, A ração do meu bornal, A água do meu cantil, As asas do meu ideal, A glória do meu Brasil. Eu venho da minha terra, Da casa branca da serra E do luar do meu sertão; Venho da minha Maria Cujo nome principia Na palma da minha mão, Braços mornos de Moema, Lábios de mel de Iracema Estendidos para mim. Ó minha terra querida Da Senhora Aparecida E do Senhor do Bonfim!

por mais terras que eu percorra, não permita deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Esse “V” que simboliza A vitória que virá:

Nossa vitória final, Que é a mira do meu fuzil,

A ração do meu bornal,

A água do meu cantil,

As asas do meu ideal,

A glória do meu Brasil.

Você sabe de onde eu venho ? E de uma Pátria que eu tenho No bôjo do meu violão; Que de viver em meu peito Foi até tomando jeito De um enorme coração. Deixei lá atrás meu terreno, Meu limão, meu limoeiro, Meu pé de jacaranda, Minha casa pequenina Lá no alto da colina, Onde canta o sabiá. por mais terras que eu percorra, não permita deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Esse “V” que simboliza A vitória que virá:

Nossa vitória final, Que é a mira do meu fuzil,

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A ração do meu bornal, A água do meu cantil, As asas do meu ideal,

A glória do meu Brasil.

Venho do além desse monte Que ainda azula o horizonte, Onde o nosso amor nasceu; Do rancho que tinha ao lado Um coqueiro que, coitado, De saudade já morreu. Venho do verde mais belo, Do mais dourado amarelo, Do azul mais cheio de luz, Cheio de estrelas prateadas Que se ajoelham deslumbradas, Fazendo o sinal da Cruz !

por mais terras que eu percorra, não permita deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Esse “V” que simboliza A vitória que virá:

Nossa vitória final, Que é a mira do meu fuzil, A ração do meu bornal,

A água do meu cantil,

As asas do meu ideal, A glória do meu Brasil.

Haroldo Augusto Moreira 275

mOnÓlOgO aO pOETa Em uma data qualquer em pleno mês de novembro, caminhando pensativo pela praia, ainda me lembro, olhando para o mar sereno e de espumas brancas, senti que as portas da procela liberaram as trancas. Quantos mistérios envolvidos no leito deste gigante a inquietar-me os sentidos da imaginação itinerante. Com passos lentos e compassados à beira do oceano, pés molhados na água quente e a brisa do mar ufano sentia a sensação de ouvir nas entrelinhas, sussurros, lamentos enigmáticos e oriundos de acalantos puros. No idioma dos poetas, ouvia no meu linguajar aprendiz, textos poéticos, primores de rimas que jamais fiz. Versos românticos e apaixonados para um grande amor

275Haroldo Augusto Moreira - Minduri – MG Brasil - 07/12/144. Natural de. Diretor Geral do Universidade Es- tadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – Campus de Francisco Beltrão – PR Embora com dezenas de poemas escritos, sendo alguns publicados na mídia local, me considero ainda neófito.

mal compreendido e com ressentimentos da futura dor, mensagens indígenas sofridas pelas críticas e obsessões de homens incrédulos na paz e decididos nas separações. Onde está Dias nas alucinantes magias destas noites? O assédio das marés nos meus pés fere-me como açoites! Incendeia-me a mente sensível pelos seus anseios, há muito, lidos em versos e considerados como alheios. Lá na linha do horizonte onde a água encontra-se com o mar, contemplo a sua filosofia que necessita de tanto amar, como se fosse à canção do exílio a afundada no naufrágio e tantas obras-primas reais, longe de qualquer presságio que possa nos equivocar na relevância da sua contribuição cultural, intelectual e social para a grandeza da nossa nação. Estou retornando imediatamente aos textos de sua autoria. Quero revê-los e reaprender o que não aprendi com euforia. Deliciar estas pérolas que a sua arte as tornou em lavras nas mãos de quem sensibiliza e acredita no poder das palavras. Quando alguém agonizante sucumbe no mar revolto, no abandono do sobrevivente apressado que se julga solto, diante da tragédia impiedosa e de sobressalto, é porque o temor da mortalidade própria falou mais alto. Tudo isto é natural diante da necessidade da sobrevivência, Mas a nossa memória é imortal e depende da evidência Que a mente preserva e cultiva pelo valor do que se acredita. É por isto que a história de muitos célebres se precipita. Os tempos mudam e para tudo, novas tendências chegam mas o bom gosto, o bom senso e as tradições continuam.

Helena Amaral 276

gOnçalvES diaS Gonçalves Dias! No Maranhão, nasceu. Destinado a ser gigante entre seus pares, E, amado e lembrado Como o mais brasileiro dos poetas!

Sob céus portugueses gritou e chorou sua saudade Do azul sem fim e do verde das palmeiras, E do medo de morrer sem rever sua casa, Tudo que, volta e meia, o obcecava.

I- Juca- Pirama é a briga humana Entre deixar a vida com honra Ou viver repudiado Como herói, o índio é retratado.

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276Helena Amaral - Rio de Janeiro – Brasil – 22 de Março de 1962. Poeta, tradutora de francês, com curso de especialização de tradução de francês de Daniel Brilhante de Brito e, traduziu “As Flores do mal”, de Charles Baudelaire.

Mas, bem cedo, a água levou o poeta Nos baixios de Atins, Como a donzela que corria atrás da rosa e por fim, Perdeu-a e perdeu-se no mar.

vaTE imOrTal Gonçalves Dias, que fez do povo seu herdeiro, Ao contar suas histórias Em versos guardados de memória Por gerações de brasileiros.

Se hoje, já passados mais de cem anos, Sua poesia ainda emociona, É que foi traçada com tinta que encobre Todo o sentimento que ia em sua alma nobre.

Se descobriu-se que o sabiá não canta nas palmeiras Que importância tem a ciência verdadeira Diante da imagem que a mente fabrica?

Poesia é sonho, disto ele entendia, E também o público que o lia, Que sabendo-o morto dizia: “ É mentira. Ninguém acredita.”

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Helena Fernandes Machado 277

CançÃO dO EXÍliO Apesar de Santa Catarina ser um estado muito bonito, cheio de praias gostosas e bonitas; lá, no Rio Grande do Sul, as praias são mais alegres e charmosas. O clima daqui é tão quente quanto ao de lá. Aqui, as mulheres gostam de tomar banho de sol tais quais as de lá, mas para lá quero voltar.

277Helena Fernandes Machado - Porto Alegre/RS – Brasil - 06 de setembro de 1997, Estudante do Ensino Funda- mental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Gosta de festas e de passear em shoppings. E-mail: le_fmachado@hotmail.com

Helena Schons Lotti 278

CançÃO dO EXÍliO No Rio Grande do Sul há muitos elementos que fazem a sua essência. Aqui, não há tal essência, pois os elementos não são tão belos e naturais.

Cada estado tem suas características que iluminam a sua cultura. Aqui, as características não são tão luminosas como as do meu estado.

Aqui, as pessoas transpassam sofrimento e tristeza; Lá, felicidade e alegria.

Cada estado tem seu nodo de vida e vários pontos turísticos. Aqui, a poluição ofusca a natureza; Lá, a natureza saúda seu turista.

Helenice Maria Reis Rocha 279

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O EXÍliO SamBadO Esta flor que vos fala já sambou todos os rítmos batizou todos os ritos desfolhou todas as pétalas Onde anda Mariazinha!!!!Que já nasceu exilada!!! por falta de bom marido!!!!por falta de vida casada!!!!!! O sabiá que sobrou come na mesa do Rei um alpiste duvidoso por muito que foi traído por muito ter sido enganado!!!! Brincadeirinhas a parte

278Helena Schons Lotti - Porto Alegre – RS – Brasil - 1º de maio de 1993. Filha de Regina Cézar Schons e Humberto Giacomo Lotti. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Acade- mia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 40, Patrono: José Joaquim de Campos Leão (Qorpo Santo); e da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail: leninha_lotti@hotmail.com 279Helenice Maria Reis Rocha - Belo Horizonte – MG – Brasil- 1955. Estudei música de sete anos até vinte e sete,- vinte oito anos Comecei estudando acordeon,dos sete aos onze anos.Prossegui estudando violão clássico com os professores Nelson Piló e Walter Alves O professor Nelson Piló foi compositor e assistente de Villa Lobos e Radamés.Trabalhei também a vida toda com meu pai, o concertista de Harmônica de Boca (Gaita) Aluísio Rocha Graduei-me em Letras (licenciatura plena) pela Universidade Federal de Minas Gerais Fiz Mestrado na mesma universidade

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longe da mesa do Rei

Hei de comemorar entre irmãos a volta aos meus quintais

à epifania de irmãos

à linda memória dos pais Ao aguardado retorno da filha

minHa TErra Minha terra tem batuques cantigas de roda e calundus

Tem Gonçalves,tem Dias também Um certo Oswald de Andrade Um jeito de querer bem Minha terra tem feitiços que nenhuma outra terra tem tem ,tem,tem um jeito de querer bem que vem lá da Bahia e vem de Minas também Vem da Avenida Brasil

do sol a pino na praça

da raça que o povo tem tem,tem,tem

Um certo Gonçalves Dias E uma certa Maria Que muito lhe quer bem bem,bem,bem, num dia de sol a pino

e assovio de trem

O SEnTidO dO EXÍliO O navio negreiro exilou o samba alegrou os tristes fez chorar a África Eu,mama lelê de udigrudi e subúrbio Canto meu próprio exílio Com todo o respeito que tenho a todos os exilados De Gonçalves a Zumbi Passando por Nossa Senhora Senhora nossa do Rosário Divina mãe do terço cantado Cantando nas avenidas as ladainhas das praças a antena de todas as raças Do Guarani ao Maculelê

pOEma a gOnçalvES diaS Tão exilada de mim mais não podia assim em terra firme com todos os sabiás bem te vis e até as palmeiras da Avenida Brasil e que Brasil,me perdoe amigo Gonçalvez o exílio é aqui,onde o preço de um poema é o nó górdico entre a vida,a morte e este entrelugar solo pátrio de estangeiros de nós mesmos que somos vítimas inocentes de crimes alheios reféns de custos que não geramos À luz silenciosa de nossas estrelas O exílio é aqui,querido Doce fim de mundo que nos expulsa a cada dia A Canção de Exílio soa em nossos quintais

SamBalElÊ E gOnçalvEZ Samba lelê ta doente tem a cabeça quebrada por falta de sabiás comprou ben te vis na estrada bem te vi,bichinho esperto fugiu,que fugiu da gaiola Sambalelê pôs se a chorar mas não parou de sambar mesmo sem barra de saia Cantou o canto do Exílio chorado,sozinha no meio da sala e o dia amanheceu claro e alto Em pleno exílio chorado Sem Marias,sem Josés apenas passarinhos,passarada

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Helenice Priedols 280

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O QuE Tu diriaS, gOnçalvES diaS? Tupã desenhou um emaranhado de rios no grande verde brasileiro espalhou pássaros pelo ar bichos grandes e pequenos gente colorida pela paisagem gente que planta, caça e pesca gente que dança e bate os pés na terra gente que tem poesia no nome

Xavante Guarani Kayapó Canela Kaiabi Waiwai Kuikuro Yanomami Timbira Guajajara Karajá Avá-Canoeiro Tupi Makuxi

o rio canta os mantras dos ancestrais a floresta é a mãe que abraça valentes guerreiros sábios xamãs filhos das matas “meninos, eu vi!”

meninos, eu vi o homem da cidade matar e excluir desmatar e destruir os rios e os homens das florestas eu vi o homem da cidade com o brilho da cobiça no olhar “Tupã, ó Deus grande! descobre o teu rosto” eu te peço e imploro “por este sol que me aclara” pela pátria que mora em meu peito pelos irmãos pelas matas pelos rios abre os olhos dos homens vazios

homem napëpë escuta as vozes das árvores que choram o assovio da morte protege a riqueza do chão da água do ar respeita a floresta e os animais

280Helenice Priedols – São Paulo-SP, Brasil - 24-07-1957. Tradutora de formação, poeta por imposição da alma. Vive atualmente no interior paulista, onde trabalha como funcionária pública do Judiciário. Em 2010 publicou seu primeiro livro de poemas: Poeticalmamente. Em 2012 participou da Antologia do Clube dos Escritores de Vinhedo. Selecionada no 12° Prêmio Escriba de Poesia, participando da Antologia organizada pela Biblioteca Pública de Piracicaba/SP.

homem branco deixa o rio fluir deixa o índio em paz

Heleno Cardoso 281

HOmEnagEm pÓSTumO: anTOniO gOnçalvES diaS (Baseado trecho da história de sua vida)

Quem diria nesse dia Pudesse unir a idolatria Com minhas rimas e alegrias Falar de Gonçalves Dias

Golpeado ao longo da vida, Entristecido, foi deslumbrante O amor à mulher

Desse fascínio surgiu a inspiração, Falava da maneira graciosa e juvenil Daquela sua amada Mas, colocava a felicidade sob suspeita, Risco da separação

Sem leviandade e muita coragem O poeta vencedor, Percorreu em mar de lágrimas Na exploração dos sentimentos do coração

Com seus versos suntuosos Cuja imaginação permeou pela natureza Sem sofisma, celebra com cantar de paz :

“Nesse céu tem mais estrelas, As várzeas tem mais flores, Os bosques tem mais vida ”

E na vida, mais amores

Assim, Antonio Gonçalves Dias Solidifica no meu coração O bem-estar literário, Caracterizado pela sua importância Na História Cultural Brasileira

No leito, defronte com enfermidade, Sua alma mergulha no vácuo profundo, Atrás vem a morte

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281Heleno Cardoso - Santos/SP – Brasil- 19 de junho de 1949. membro de: “ Poetas Del Mundo” - Indicação San- dra Galante.

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Deixa a vida terrena Para poetizar em céu de estrelas

Na terra natal ficaram saudades E permanente silêncio

Maranhense que não deixou vazio, Apesar das tristezas

Deixou sim, Um Brasil de primores Com seus versos de amores E o cantar do sabiá

Hélio Ricardo Fonseca Cerreia 282

a ESCrava páTria Hoje te escrevo meu brilhante poeta e ouso perturbar a tua paz infinita. Naquela velha e tua canção, bendita, viajo no pesadelo que me inquieta.

A tua outrora pátria de amor repleta, Sonho passado que na alma habita,

Sangra o meu coração

Chora

Palpita!

Sou a sombra duma escuridão completa!

E mesmo não tendo teu eterno brilho, o verso com a mágoa que carrego, faz em lágrima o soneto que trilho:

Abandonado e renegado o filho, no seio do próprio lar a que me entrego, eu também canto a tua canção do exílio!

282Hélio Ricardo Fonseca Cerreia - Rio de Janeiro – Brasil – 02 de outubro de 1958. Poeta amador por convicção, amante de Castro Alves, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Mário Quintana, Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa e Vinícius de Morais entre outros. “Fiz o meu poema em homenagem a Gonçalves a partir da “Canção do Exílio” que tenho como um dos mais belos poemas produzidos até hoje”. E-mail: albathross@msn.com

Hélio Sena 283

HumÍlima CançÃO dO EXÍliO agora tô por cá mas meu coração ficô por lá lá, lá, lá

lá é só cantá em parceria com o sabiá já cá é só chorá cá, cá, cá

oh! preciso voltá pra lá pois a vida, cá tá difícil suportá tá, tá, ta

Hélio Soares Pereira 284

nO CaiS dO pOrTO No cais do porto recebo a brisa no rosto Abraço as ondas revoltas sem medo de me afogar

No cais do porto me lembro ainda como o poeta dizia -Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá

No cais do porto mora o desgosto que causou esse mar - o grande poeta não pôde desembarcar

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283Hélio Sena - Massapê-Ceará – Brasil - 12/09/1975. Figura em dezenas de coletâneas de contos e poemas. Cola- bora no site Concursos Literários. Expõe seus trabalhos nos blogs Entre Palavras e Minicontos. Recebeu, entre outras distinções, o Troféu Macunaíma no XIV Festival Literário de Imperatriz (MA) e o 1º. lugar em concurso de crônicas promovido pelo programa Papo Literário, da TV Ceará (Fortaleza). E-mail: heliosena@rocketmail. com / Twitter: @helyosena 284Hélio Soares Pereira - Teresina – PI – Brasil - professor pelo UNICEUB, DF. Duas pós-graduações: Fundador da Academia de Letras de Taguatinga, Sindicato dos Escritores do DF e UBE(SP/DF). Prêmios em antologias e verbete em dicionários de escritores (PI/DF). Bibliografia (poesias): Onde o Horizonte vem Esconder-se (1982); Poesia com Chantilly (1993); Carícias que as mãos e os lábios tecem (1993); No Laço da Opressão (1998); Eclip- se das Mentes (1998); Para que não reste o silêncio (2007).

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Todos correram Ninguém se lembrou tirar Gonçalves Dias daquele leito de dor

dE vOlTa aO TEmpO

Vi

Gonçalves Dias ainda criança nas ruas de Caxias

De manhã escola lancheira sua tia

Menino franzino olhos castanhos timidez sem tamanho

Depois do dever brincadeira de peteca com o filho da vizinha

Na adolescência o parque festejos da igreja canoinhas carrossel algodão doce caldo de cana pastel

Um dia

a viagem

Aceno Embarque rumo ao navio

Nas pedras do cais família adeus - e meu despertar do sonho

na praça dO pOETa Na praça do poeta que nos oferta seu olhar existem palmeiras mas não existe sabiá

Na praça o romântico indigenista me auxilia nesta dor Fonte de inspiração para meus poemas de amor

Na praça Gonçalves Dias os dias não passam simplesmente

Os dias

nos abraçam

alguém Alguém no cais de São Luís faz poemas de amor

Alguém

recebe

no rosto

o vento

- lamento

de dor

Inspira-se no poeta que nas águas do mar se afogou

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na praça gOnçalvES diaS Amei Jurei amor eterno Veio o inverno e afogou meu coração na dor desta paixão

Hélio Soares Pereira Junior 285

QuandO dE Tua parTida Em tua casa Gonçalves Dias há uma cama vazia

No canto de teu quarto uma vela ilumina o poema que fizeste pra ela

A dor da separação dilacerou teu coração

Nos olhos negros de Ana ficou a espera da primavera que nunca chegou

Hemeterio José dos Santos 286

CanTO aO pÍndarO BraSilEirO 287 Dorme, é lutador, teu sono eterno; Mas sobre a lousa do sepulcro humilde, Como na vida foi, surja o teu busto Austero e glorioso. Gonçalves Dias.

A Grécia vetusta – no sul da Turquia Dormindo embalada — por sã poesia,

285Hélio Soares Pereira Junior, BrasiliA – DF- - Brasil. cursando História no UNICEUB (DF). É poeta, letrista, com- positor e autor de histórias infantis. Tem alguns livros inéditos. E-mail: helioperry@hotmail.com 286Hemeterio José dos Santos – Codó – MA Brasil. Professor e Filologo.Bibliografia: Gramatica da Lingua Portu- guesa para o Curso Superior 287Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 541-542. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Ergueu a Homero — um vulto imortal; O Império Romano por altas conquistas, Trazendo a ciência dos homens nas vistas Ao monte Piério — fiel colossal.

Simulacros equestres em praças romanas, Erguidos a bravos de grandes campanhas, Não vimos — não vimos à Marte sagrar; Estátua marmórea a Dias Apolo, Que ao orbe pasmou e da Lísia o solo, É sim o que vimos aqui tributar.

A pátria natal — soberba nas artes— De sábios augustos — grandíloquos martes — Espalha a memória — d’um filho imortal; A um filho eloquente — egrégio na terra — Orgulhoso no mar, o peito que o encerra, Nós todos só damos insígnia real.

Foi príncipe, foi sábio nas letras do mundo, A Lira pasmou — e a Pedro o segundo Transpondo das artes soberbos umbrais; Foi rei — e não rei — qual foi Bonaparte — Gaulês orgulhoso — discípulo de Marte — Que d’ossos cingiu — seus tempos reais.

Louvores e honras —, que cedo se esquece, No meio d’este povo — que breve fenece, Não levam — não dizem ao povo vindouro O nome, o gênio do grande cantor, Por isso, ó estátua, d’outro séc’lo o albor Alcança — proclama — que és um tesouro.

Herotildes de Souza Milhomem 288

anTEna dO TEmpO O menino maroto da época Fez-se advogado e professor Gonçalves Dias, poeta latente Vislumbrou a elevação de sua gente Tentando humanizar o amor. Numa tríade vertente, vivia

Se de um lado a injustiça atiçava Do outro era humanizado o Amor Embora em alguns brotasse o ódio

288Herotildes de Souza Milhomem - Paraibano - MA – Brasil – 06/10/48. Professora Aposentada. Infância e ado- lescência em Barra do Corda -Maranhão. Passou a residir em Brasília desde 1968. onde formou-se professora

E-mail: xheromil@hotmail.com

e administradora de Escola - Possui um grande acervo de trabalhos

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Em “Antena do tempo” se tornou. Em mil oitocentos e cinquenta e um Para uma” Missão “ em São Luís O governador da época o escolheu E a “instrução Pública”, ora um problema Após seus estudos, ele resolveu.

raSTrOS dE um pOETa De uma união não oficial Com uma mestiça, cafuza brasileira Mistura das três lindas raças Nasce uma criança brejeira.

Em plenas terras de Caxias Município do Maranhão Nasceu Antônio Gonçalves Dias Para orgulho desta nação.

Ele ainda muito jovem Em Portugal foi estudar Com bacharelado em direito

Em sua pátria veio atuar Professor de história e latim No D. Pedro II, foi lecionar.

TrÊS grandES pilarES Nascido em Caxias- Maranhão Em mil oitocentos e vinte e três De uma união mestiça, cafuza Com um fidalgo português.

Tinha como descendência As três raças mais populares Com orgulho as ostentava Como seus grandes pilares.

Por achar-se muito tempo Fora de sua pátria altaneira Escreveu “canção do exílio”

Como sua paixão primeira Enaltecendo o gorjeio do sabiá Cantando numa palmeira.

a muSa Gonçalves Dias dedicou Seus folhetins e peças teatrais À sua” Musa” inspiradora Publicados até em Jornais.

Ana Amélia era seu nome A sua grande inspiração Descrevia seus Cantos e devaneios Tendo por ela uma paixão.

Nenhuma relação de amor Está livre de causar desgosto Quando não correspondido

Aí, e que sofremos por gosto E Gonçalves Dias defendeu na época O movimento do romantismo proposto.

a BuSCa A tua vasta e gentil sabedoria Contrastam com o desafio constante Nacionalista e defensor dos povos Da vida foi verdadeiro amante.

Gonçalves Dias, de voz altaneira Via romantismo nas praças e colibris No vai e vem das folhas da palmeira Nos pingos de cristais e de rubis.

Do Rio de Janeiro para a Europa Em “busca “ de saúde ,ele partiu Deixando Olímpia , sua amada esposa

Em vigília a lhe esperar no Brasil De volta após quatro anos ,ainda doente Num naufrágio , morre dentro do Navio.

Hilda Maria Vieira Lacerda 289

TErra QuErida Em terras longínquas, Um sabiá sem palmeira, Gorjeia a procurar, Léguas Léguas Muitas léguas Um poeta sensível, Em missão quase impossível Estava a imaginar, Bosques, Flores,

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289Hilda Maria Vieira Lacerda – Alagoas – Brasil. Pedagoga, Fotográfa, Poetisa.

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Vidas Noites frias, Céu estrelado. Ao seu lado papel e pena, Lágrimas serenas, O coração a palpitar, Sua terra querida! Com sabiás e palmeiras, De braços abertos Estava a lhe esperar.

amada minHa Sua doce lembrança Açoita meu mundo Ancorando-se num adeus profundo, Saudade sufocada Coração dilacerado Onde estão teus beijos? Quase enlouqueci de tanto desejo. Não me queres? Sou eu, seu poeta apaixonado, Que faz versos para te encantar, Meu peito em chamas clama por ti, Saudade Saudade No transe das minhas emoções Minha alegria esvaiu-se sorrateiramente Partirei sem ti, Na bagagem só saudade.

Hilton Fortuna 290

gOnçalvES diaS Melhor que a pedra e o bronze eterno, Do que tudo melhor:

Há de os sec´los vencer grande e superno,

O teu canto de amor!

Não pode o tempo a glória aniquilar-te Nem teu nome olviar!

A terra em que nasceste há de te adorar-te, Ouvindo o teu cantar! Da raça de guerreiros descendeste, Tão forte e tão viril,

Tu vives, grande mestre, inteiramente, No sabngue do Brasil!

290MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 66, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Hino do Sabiá Futebol Clube 291

Sou Sabiá O time mais popular. Sou campeão da princesa do sertão.

Fundado em 2007 Por um grupo de amigos Para ser campeão!

Eis o tricolor mais forte; Verde, branco e amarelo Como é tão belo!

Saiu da poesia Das palmeiras; Do poeta Gonçalves dias Pra vencer nos gramados Com brilho e muita raça Eu sou é Sabiá

Sou Sabiá O time mais popular. Sou campeão da princesa do sertão

Sabiá vai voar alto E conquistar grandes vitoria No maranhão.

Vamos lá Sabiá Conquistar o céu de anil Do meu Brasil.

Tua bandeira E um manto sagrado Que tremula, Quando pisa no gramado Cada gol, cada jogada Faz a galera gritar; Eu sou é Sabiá.

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291Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Horacio Anizton 292

un aCrÓSTiCO para El pOETa dE BraSil antes que las palmeras de tu Maranhäo natal, estiraran sus verdes alargados, Tu espacio de poeta y periodista O tus secretos de plumajes y de selvas, nacían cada día hablando de tu magia de luz inédita, para trazar tus paisajes O tus silencios y volver a los caminos como el viento.

grandes fueron tus escritos como tu país de alegrías O los soles que besaron tu frente y encendieron tu mirada. no tenías otro lenguaje que la propia vida. ç (Saltabas-Contabas) amaneres y te refugiabas en los oca- sos, amabas el mar cuando la luna tocaba las olas. latía tu pecho con tus visiones inspiradas. valía tu río interior sembrando poemas, Entre líneas de palabras estrenabas la belleza, Sabías acercar tu mirada a los sueños.

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donde vivías en tu niñez hay un himno igual a un canto de acuarelas que crece, antes que la noche se duerma en la memoria Sentirán que en todos los rincones se repite tu nombre.

Horacio Daniel Sequeira 293

um pOEma para gOnçalvES diaS O saudoso Poeta do exílio europeu, Sobre o amor verdadeiro soube escrever, Sua própria raiz não pode esquecer, De sangue indígena mestiço nasceu.

Foi por mestiço que o amor perdeu, O mar muitas vezes testemunhou sua dor, Escreveu sobre as idas e vindas do amor, Do preconceito rude golpe recebeu.

292Horacio Anizton - Mendoza – Argentina - 23 de febrero del año 1978, Novelista, guionista y actor

estilo “novel-movie” (fusión entre literatura y cine 293Horacio Daniel Sequeira - Buenos Aires, Argentina - 20/ 09/ 1959. Atualmente residindo em Ilhéus, Bahia. Formado como Tecnólogo em Processos Gerencias. Professor de Idioma Espanhol do ensino Fundamental, Curso Médio e cursos de idiomas. Escritor de contos e eventualmente poesias. Obra publicada: Conto “Os Vizinhos da Rua Lago”, Antologia Concurso Literário Bahia de todas as letras, 4ª edição. Editoras: Editus e Via Litterarum. 2009. ISBN: 978-85-98493-59-6

Creador del

Por amizade ao amor renunciou, Sua escolha até o fim foi seu estigma, Cicatriz que o tempo não apagou.

Esquecido no navio naufragou, ‘Ainda uma vez — adeus!’ Sem saber amar, amou.

Hugo Omar Torres 294

“H OY H a mu E rTO un pOETa” A Antonio Concalves Dias, Poeta de Brasil Ha muerto un poeta, y sus versos en solitario son pájaros desesperados buscando en el silencio seguir sus pasos mutilados.

El incendio de sus pensamientos ha caído por siempre en la indiferencia del tiempo vencidos y cansados. Los obreros del campo, los niños, los humildes

se quedaron sin la voz

del hombre enamorado del canto a su Amelia del romance truncado.

Hoy ha muerto el poeta

Don Antonio Concalvez Diaz misterio el de su destino partir solo con su muerte

y sus versos prendidos de su pecho quieto.

Fatal naufragio, y sus palabras rotas se acallan en los rincones de un cuarto en penumbras. Huérfanos de presentes se han dormidos sus versos mientras vuelven a su tierra sus pasos lentos.

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294Hugo Omar Torres - Maipú Mendoza – Argentina - Presidente de S.A.D.E (2008 – 2011). Fundador del Grupo Maipú Letras; Publicaciones en distintas revistas literarias, en distintas Provincias. Participación en Antología Provinciales, Nacionales e Internacionales hugoomartorres@yahoo.com.ar

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Tal vez en su entrega, prendidos de una estrella entre palmeras dormidas, los duendes aquietados de la noche alimente en sus versos silvestres la sal de su existencia vuelva el verbo a crecer en la piel de otros poetas reflejo de su destino.

Iane Giselda de Cougo Souto 295

gOnçalvES diaS Brilhante poeta, Dos índios nos contou; Das terras do Brasil as histórias, Informou.

Nasceu no Maranhão. E o guardou no coração, Viajou por muitos lugares, O Brasil ficou na recordação.

Relatou sobre o mar, Falou também do amor, Não se esqueceu do cantar.

Morreu no mar, Mas deixou a saudades. E o eterno contar.

Iara Almansa Carvalho 296

HOmEnagEm a gOnçalvES diaS Gonçalves Dias - mago do romantismo - o grande lírico protetor dos índios. Em Portugal aprimorou as letras que iluminaram sua mente descortinando uma potencialidade poética

295iane Giselda de Cougo Souto - Florianópolis SC – Brasil - 18-10-1962. Professora. Poemas no site http://ca- marabrasileira.com. Obras com participação: Antologia de Poemas volume noventa e nove: Caminhos contos; Brasilidades volume sete. O motivo que me fez participar é o desejo de perpetuar a memória de tão ilustre

poeta no Brasil e no mundo. 296iara Almansa Carvalho - Cachoeira do Sul/RS – Brasil - 01/11/1944, professora universitária, Bacharel em Di- reito, membro da Academia Criciumense de Letras- ACLe, de Criciúma/SC. e da Academia de Artes, Ciências e

Tem quatro livros publicados, participações em antologias e prêmios

literários. Rua XV de Novembro n° 260, apart. 601, Criciúma/SC. CEP: 88 801 140 - e-mail: iac1944@hotmail. com

Letras Castro Alves, de Porto Alegre/RS

dominada pelos sentimentos à flor da pele que explodem na sua criação literária. Como jornalista fez ouvir seus lamentos frente aos grilhões das minorias humilhadas pela servidão e pelo descaso. Na advocacia entoou sua voz num clamor por justiça que atravessou os oceanos. Frustrado no amor cantou seu afeto proibido onde o preconceito de raça falou mais alto. Pela segunda vez abre mão do amor extravasando as lágrimas no poema “Ainda Uma Vez – Adeus” ressuscitando na pele “A Canção do Exílio”, a Europa o deprimiu demais! Com o coração ferido, o filho volta ao berço natal, em viajem pelos mares turbulentos deixa-se levar para sempre respirando a última seiva de ar da costa do seu Maranhão, a morte sossega o seu espírito contrariado, finalmente, reencontra a paz ouvindo o canto dos sabiás e sentindo a brisa das folhas das palmeiras embaladas pelo vento do seu Estado junto a tudo que amara na sua terra e que por direito de nascimento levou consigo. O Brasil venera seu filho de braços abertos acolhendo-o na galeria de seus imortais.

Igor Chiappetta Fogliatto 297

CançÃO dO EXÍliO Sou natural do melhor estado do Brasil e do mundo. Lá, temos excelentes praias e várias paisagens naturais. No seu interior, há muitos fazendeiros; no litoral, alguns portos, donde são exportados vários produtos; no oeste, a fronteira com o Uruguai; mais para o sul, a minha cidade natal, Porto Alegre, a qual tem muitos shoppings,

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297Igor Chiappetta Fogliatto - Porto Alegre/RS – Brasil - 27 de março de 1996. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. Curte skate, música e jogos eletrônicos. E-mail: igor_fogliatto@hotmail.com

monumentos, museus e acesso à Lagoa dos Patos pelo Guaíba. Aqui, há belezas e lazeres, mas nada se compara com as dela.

Ilda Maria Costa Brasil 298

gOnçalvES diaS Poeta indianista que deu um tom nacional à nossa literatura. Sua história, da infância a vida adulta, foi difícil e dura.

Seu pai era de origem portuguesa; sua mãe, mestiça. Quando garoto, estudou francês, língua, para ele, postiça. Tinha, no aprendizado da Filosofia, uma verdadeira premissa. Latim, para alguns, caminhos obscuros; para ele, doce aventura. Fixado em Coimbra, produziu poesia nacionalista pura.

É considerado um dos nomes mais expressivo da lírica brasileira. Em Portugal, poemas escreveu ao observar uma jovem fagueira, que trazia no rosto um intenso brilho e sempre estava faceira.

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Por ser mestiço, foi impedido de desposar Ana Amélia; triste desventura. Anos depois, apaixonado, casou-se com Olímpia, jovem graciosa e segura.

Seu nome, sua voz — ouvia-os Sempre no gemer da parda rola, No trepido correr da veia argêntea Que da noite o silêncio realçavam, ”*

Os ares e a amplidão divinizando

minHa CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem dunas, onde circulam restinguenses e turistas. As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem pouquíssima poluição, nossas várzeas estão secando, nossos verdes campos desaparecendo para dar espaço a muitas construções. Nossa vida repleta de projetos e de esperanças.

298ilda Maria Costa Brasil - Restinga Sêca - RS - Brasil - 04 de março de 1949. Presidente da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC, e Academia Regional de Artes e Letras Condorcet Aranha, Restinga Sêca/RS; Embaixadora do Cercle Universel de la Paix, Genève-Suisse/France; Membre Bienfaiteur da Societe Academique d’Education et d’Encouragement, Paris/França; Vice-governadora pela Governadoria do Estado do Rio Grande do Sul para a Associação Internacional dos Poetas Del Mundo”. E-mail: ildamaria. brasil@gmail.com

Em cismar, sozinha, à noite, mais desencantos encontro na capital gaúcha. Em minha terra, tenho amigos que tais não encontro eu cá. Em cismar, sozinha, à noite, mais alegria encontro eu lá.

Minha terra tem inúmeras pessoas que ajudaram a fazer a sua história. Dentre elas, a Sra. Marieta Mostardeiro, por quem tenho grande apreço.

Minha terra tem indústrias onde operários dedicam horas de suas vidas, buscando ganhar o alimento que sustentará a si e a seus familiares. As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.

Não permita Deus que eu morra, sem que eu volte para lá, sem que eu veja minha terra ter seu núcleo cultural, transformada numa fonte de desenvolvimento artístico e literário.

Ima Feitosa 299

HOmEnagEandO gOnçalvES diaS Exímio poeta brasileiro

De alcunha Gonçalves Dias Nascido no Estado do Maranhão Nas aproximidades de Caxias. Advogado, jornalista Etnógrafo e teatrólogo De passos firmes sempre caminhou Escrevendo tão ricas obras Para nós, ele deixou.

Ao lado do meu conterrâneo O grande escritor José de Alencar Passou a escrever sobre o indianismo Riqueza literária a nos encantar.

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Após ter lido algumas de suas obras Encantei-me com tal tesouro Daqui do Canadá, eu rendo Todas as minhas homenagens A este poeta de ouro.

299ima Feitosa - Sherbrooke/Québec – Canadá. Não tenho nenhum livro publicado, apenas sou membro da co- munidade de escritores e poetas amadores e profissionais ‘’Recanto das Letras’’. Alguns registros que possuo estão impressos em pequenos livros e, ao regressar ao Brasil (próximo ano), tenho planos de publicá-los.

Irandi Marques Leite 300

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dialéTiCa indianiSTa

I

Tua vida principia Gonçalves Dias De noite e de dia Dias e noites Rumo à poesia

II

Flutuou no espaço sideral Na busca da poesia universal Cantou nosso Índio Na terra, no mar, no ar No espaço tridimensional

III

Vagou por longas terras Navegou além mares Voou nos espaços infinitos Encontrou o ponto de interseção Do material com o espiritual Da razão com a emoção

IV

Teus versos têm primores Que não encontro em outros, nem cá, nem lá Tua mensagem teus amores Que não vejo em outros, Nem aqui, nem ali, nem acolá

V

Tua paixão por Ana Amélia Atravessou os tempos E espaços infinitos Pureza de amor Que melancolicamente brota Da alegria e da dor

VI

Rimas ricas Rimas melodiosas Palavras puras Mensagens saudosas

300irandi Marques Leite - São Luís - MA – Brasil - 30/11/1955. AUTOR DE: Retas da Vida (1977); O que é Interact? (1974); Dialéitica Cultural (2012); Sapo Folia (2013); Musa Caemeira e o Sapo Folião (2013); Odisséia do Coti- diano (1977). : irandimleite@gmail.com

VII

Emoção e percepção Comunicação Elementos intangíveis Relação ser humano e natureza

VIII

Dialética Forma objetiva Retoques subjetivos Concretiza conexões Rocha suporte Índio, história Poeta indianista

IX

Busco a tua poesia integral A tua mensagem derivada - Simbolismo, modernismo, sinfonia O último sopro da agonia Pensando na mulher amada!

dE CaXiaS para O maranHÃO No espaço finito e infinito Surge um sopro de vida

A terra floresceu

Em caxias, no maranhão

O poeta nasceu

II

Terra, água, ar Mistura heterogênea Com tendência a homogênea Índio, português, africano Miscigenação, riqueza cultural

III

Empatia aos olhos Do menino caxiense Relação cultural prodígia Com marcas profundas Na sua trajetória poética

IV

O poeta fugidio Do maranhão para portugal Navegou na literatura mundial Buscou livros e histórias Voltou para os braços Da sua terra natal

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V

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Navegou no sentido da vida Até o infinito do mar Bscou a musa querida Com canto indígena Cantou a terra guerrida

Para teu canto universal A nossa homenagem fraternal Nossos nomes são indígenas Sou irandi

Minha filha maiara

E meu filho raoni

Irismarqueks Alves Pereira 301

CançÃO a gOnçalvES diaS Ao que ficou preso Tatuado a ferro e ferreiro Pela saudade injusta e imensa Não oprimiu de fato O canto do guerreiro.

Fez da pátria querida A musa, o delírio e o sofrimento. Fez da vida um canto Fez dos versos de menino Lugar de encantamento.

As mãos levianas da poesia Fizeram do dia e das noites As letras escravas Enquadras na minha vida Feito fio delicado de açoites.

Ao poeta devo apenas A harmonia feita pelas ondas do mar Como rosa perdida Dentro do peito amante Que fez da vida um belo canto para amar.

301Irismarqueks Alves Pereira - Parazinho/RN – Brasil - 01/02/1983. É professor, poeta, pedagogo e conselheiro tutelar da criança e do adolescente. Mestrando pela SAPIENS - Faculdade de Ciências Humanas - Campina Grande/PB. Primeiro livro lançado em 2013 com o título: A poesia como incentivo a escrita e a formação do leitor poeta. Mas tem poemas publicados em várias antologias no Brasil. Membro Vitalício da International Writers and Artists Association – IWA.

Irsemes Wiezel Benedick

COm ElE aprEndi Que nossa terra é a mais bela igual no mundo não há tem encantos, lindas flores, e o famoso sabiá.

Quando rompe a madrugada lá na serra tudo é belo , tudo é cor brotam flores, cantam aves, enchendo a vida de amor.

Quando chega o meio dia lá na serra tudo é calmo, é uma beleza parece que tudo dorme descansando a natureza.

Quando a tarde vai caindo lá na ao soar da ave- maria toda natureza vira festa tudo é paz ,silêncio, e harmonia.

Quando a noite vai chegando lá na serra eu vejo o por do sol tudo é belo em minha volta desde a aurora ao arreból

Como é bom viver na paz daquela serra porque é lá que o amor de deus impera, na profusão das mais variadas cores.

Onde as flores oferecem o mel mais doce, onde as fontes cantam murmurantes, um hino de amor gratificante.

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Nossa terra tem amores frutas de muitos sabores grande mar e céu de anil presente que deus nos deu ela é minha , tua , deles, ela é nosso brasil !!!

Isabela Brandt 302

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auTO-rETraTO Lembro-me de uma criança com a altura dos seus sete anos e que queria crescer sempre mais.

Lembro-me de estar assustada, com medo, lembro dos passos desordenados e do rumo que eles tomaram, quando receberam dois abraços apertados.

Tempos difíceis

Lembro-me das brincadeiras de roda, de amigos nunca mais vistos e de uma doce e amável professora que marcou meu coração.

Tempos felizes

Lembro-me de um rosto infantil e de uma ingenuidade aguçada, de quem pensava que a vida não passava.

Mas a folhear as páginas, leio:

“Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida:

Viver é lutar.”

E em resposta, escrevo:

Choro sim, amigo Gonçalves Porque viver é penar. E o tempo é breve e a memória é curta.

dEiXE-mE ir “A flor dizia em vão À corrente, onde bela se mirava:

Ai, não me deixes, não!” Ao contrário do que diz o poeta.

Eu imploro:

Deixe-me ir

302isabela Brandt - Afonso Cláudio – ES – Brasil - 28/02/1985. Filha de agricultores mora com os pais no pequeno sítio da família no interior. Concluiu a faculdade de Pedagogia no ano de 2008 e trabalha na Educação infantil. Email:belabra@bol.com.br

Deixe-me ir

Porque o presente deixa suas marcas, Indo e vindo, sem parar. O trem da vida está partindo Bosques frutíferos

Desertos

áridos

Campos

floridos

Cascatas de bálsamo deslizando até o mar. Mar – insondável mistério. Gotas de orvalho sobre os lírios; Vivendo do amanhecer. Cores pálidas, ofuscantes; risos no ar. Ar – energia da vida.

Deixe-me ir

As pedras ficaram estáticas, E foram vencidas pelo tempo; Consumidas pela espera

Contornos perfeitos

Detalhes imperceptíveis

Seres inanimados

Deixe-me ir

Tantas direções

Tantos corações

Tão pouco tempo para viver, E eu, esperando para morrer. Deixe-me ir.

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aO parTirES Ao partires, não peça para sermos amigos. Ao partires, não leve nada, nem lembranças. Ao partires, não leve os sonhos, nem esperanças. Ao partires, não leve os beijos, nem abraços. Ao partires, não leve os sorrisos, nem as lágrimas. Ao partires, deixe-me apenas a sensação de nunca ter te conhecido. Ao partires, deixe-me só. É a única coisa que podes fazer por mim.

SE TE amO Nessa teia de emoções que é a vida, Roubo as palavras do poeta Gonçalves Dias:

“Para dizer que te amei:

Amo; porém se te amo Como oiço dizer, — não sei.”

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Não sei se é pressa ou vazio, Escuridão ou meio-dia. Não sei se é brisa leve ou ventania, Não sei se é orgulho ou brio.

Não sei se é verdade absoluta, Ou desejo repentino. Não sei se é amor puro, Ou puro desatino.

Não sei se o sono é breve ou a tristeza profunda, Se o abraço acalenta e o beijo inebria. Não sei se é falta de coragem ou simples covardia, Talvez eu descubra o que é amar algum dia.

Hoje. Se te amo? Não sei.

CançÂO dO EXÍliO dE Cá Minha serra tem laranjeiras Mataram o Sabiá. Os pássaros que aqui trinam, Não trinam acolá.

Nosso céu está escuro, Nossa várzea está seca, Nossas flores estão murchas, Nossa vida está sofrida.

Em andar, sozinho, à noite Mais perigo encontro lá; Minha serra tem laranjeiras, Aqui não canta mais o Sabiá.

Minha serra tem dissabores, Quase não encontro eu cá; Em andar, sozinho, à noite; “Me roubaram o celulá”, Minha serra tem laranjeiras; Tem bandido andando lá.

Não permita Deus que eu morra Vou esperar que a justiça volte para cá. Na vizinhança há rumores De que vivemos um tempo de sofrimento e desamores.

Esta vida está difícil sem meu amigo Chico Sabiá, O coitado era violeiro gostava de cantar, Morreu jovem ainda, por causa de uma “droga” de colar, O roubo foi à luz do sol, Na rua do farol.

Foi um mais um brasileiro sem sorte, Pai de família, homem trabalhador foi condenado a pena de morte. Se ainda vivesse Gonçalves, Morreria sem voltar para cá, Preferiria viver no exílio de lá.

Isabela Moraes de Faria 303

nOSSO amadO indianiSTa. Gonçalves Dias, Pai de “Marabá”, Nos arredores de Caxias Vem a brotar.

Dos primeiros aos “Últimos contos”, Já formado em Direito, E com ilustres elogios Das viagens à Europa

Regressa ao Maranhão Nem pensava em morrer de amor E encontrou sua paixão Ana Amélia, sua flor.

Mas por ele ser mestiço A família dela o proíbe Mas nem morava em cortiço Nosso amado indianista

Com sua enamorada casada Ele de novo encontrara E “Ainda uma vez – Adeus” Ele teve-a dedicada

Mas Dias vai embora Tratar de sua saúde, Não volta a sua senhora Pois para um ataúde.

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303isabela Moraes de Faria - Rio de Janeiro/ Brasil - 27/08/1995, Ensino Médio Completo com Técnico em Agro- ecologia, e-mail: isabela_moraes27@hotmail.com

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E foi no Maranhão Perto do farol de Itacolomi O poeta falecera E vem, para sempre, a dormir.

Isabella Gonçalves 304

a gOnçalvES diaS

Não mais vejo a nossa terra Sei lá onde foi parar

A ave já gorjeou

Cá Deus sabe, onde está!

Invejaram nossos mares Nossas árvores e reservas Desmataram as grandes matas Já não sei o que mais resta

Sinto falta Sei que sinto Dessa terra de poesia Das lendas do velho índio

Já não vejo a esperança

Da dança de nossa música Só enxergo é a ausência A carência dessa musa

Um dia, quem sabe? O sabiá gorjeará E trará de volta O verde que veio encontrar

Para tanto, cabe a nós Piar pelo animal E implorar à mãe terra; o perdão Um novo aval

304isabella Gonçalves - Juiz de Fora/MG – Brasil - 1995. Desenvolveu sua paixão pela escrita desde pequena, mas foi a partir dos catorze anos que passou a exercê-la com maior intensidade. Atualmente, cursa o Ensino Médio no Rio de Janeiro e pretende graduar-se em Comunicação Social e Letras em sua cidade natal.

Isabelle Palma 305

pÓSTumOS No desterro do naufrágio vil, morre o poeta. Naqueles dias em que se foram tantos amores, esperava talvez rever de mais perto a terra dos sabiás. Sua pele cinzenta de antigas histórias, lhe proibiu Amélia. Mas a ela, dedicou-lhe todo o seu Adeus Guerreiro de si, das selvas atlânticas num Maranhão esquecido Perdeu-se nas florestas das suas rimas, alçou voos de longas esperanças. Sem ter podido ousar, resignou-se no abatimento cruel de um amor esquecido. E abandonado no leito inquieto da nau claudicante, reverberou seu soneto pelo grande mar-oceano

Ismari Marcano 306

al iluSTrE pOETa Del cristal ensueño nacieron tus versos Lanzados al tiempo entre Brasil y Europa en las alas de glorias del sublime romance El esplendor de tus jardines de penas y alegrías… rechazos y conquistas ¡Enamoraron la vida! Caxias fue privilegiada con tu excelso sentimiento Desde el Ville de Boulogne Voló tu Alma para posarse en la eternidad de tus versos ofrecidos a la luz Desde entonces… has encontrado consuelo redención y… paz En el siempre Amor de Ana Amélia ¡La Musa inaccesible!

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305Isabelle Palma – Paraná – Brasil - 13 de setembro de 1977. Historiadora, professora de rede estadual de ensino no Paraná/Brasil, desde 2003. Mestre em história comparada das religiões antigas, pela Universidade Federal do Paraná (2003). 306ismari Marcano - Tucupita, Delta Amacuro, Venezuela 07 de Diciembre de 1963 Docente Universitaria, Poeta y Escritora. Su afición por la Poesía, es desde siempre y para… siempre. Cree en el Don divino que poseen los Versos y la Prosa como medio de expresión y comunicación… del sentimiento humano. Ha participado en mu- chos encuentros poéticos, talleres de formación literaria y recibido reconocimientos por su trayectoria. Posee varias Obras publicadas y otras aún inéditas.

Iva da Silva 307

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para O pOETa indianiSTa Para Antônio Gonçalves Dias, Mestre, jornalista e escritor Que durante o século dezenove, Dedicou a sua terra, muito amor. ”

“Minha terra tem palmeiras

Minha terra tem araucárias, Árvores exuberantes, porém em extinção. Muitas aves que aqui gorjeavam, Já não gorjeiam mais, não. Muitas matas nativas se foram, Há plantas exóticas buscando adaptação, A pureza do ar se extinguindo E índio aculturado, não é índio, não. Os chás, as curas, os rituais, Por alguns indígenas conservados, Ganharam outra conotação, Estão nulos, não apresentam resultados. Hoje os ares são outros, Chegou a vez da tecnologia, O tempo parece andar mais depressa, A vida tornou-se uma correria.

Ivan Carrasco Akiyama 308

dE OrigEn lETradO Antônio Gonçalves Dias de Maranhão, tu cuna y tierra. Un ser humano lleno de sueños, luz que hizo de la literatura vida.

De padre portugués sembrador de letras, y de tres razas sus raíces son eternas. De madre mestiza aprendió a soñar, el indianismo fue la ruta de su libertad.

Los problemas nunca fueron un obstáculo, Pues fuiste hecho de letra y bravura. Y fue Ana Amelia Ferreira do Vale, Cultura de tu amor y conciencia.

307iva da Silva - São Francisco de Paula – RS – Brasil - 14 de dezembro de 1952. Professora, poeta e pesquisadora. Diretora da Escola Estadual do distrito de Tainhas por dezessete anos, hoje aposentada. é Cônsul Honorífica da Real Academia de Letras Ordem da Confraria dos Poetas Porto Alegre/RS. 308Ivan Carrasco Akiyama - La Paz- Bolivia - Embaixador da Cultura Universal G.H.

Un sentir nacionalista en tus letras vibraba, entre asuntos del pueblo y paisajes brasileños. Gonçalves Días dejaste una idea de Brasil, como legado nacional de sus raíces .

COmO ESCriBiaS Los Primeiros Cantos, de la uniformidad fueron privadas. Las estrofas tenían la fuerza que dimanan del desprecio por las reglas

Artífice de los ritmos de la versificación, arquitecto de la esencia del poema. Escribías en momentos no estrenados

Y bajo el cielo jugabas con la luna.

Del impresionismo los jugos vitales,

a orillas de la excelsitud de Mondego.

Como un artista el arte literario dibujabas, en cumbres de olas del atlántico.

Las selvas vírgenes fueron las bellas musas que engendraron escritos en tu pluma. Escribías para tu alma núbil, Muy poco para el resto de mortales.

Tu inSpiraCiOn SErEna

El placer de haber compuesto,

era la frase favorita de tus letras. Tu espíritu caliente remeció la historia, Y hoy estas en el mañana de la gloria.

De la soledad robaste su inocencia,

Y engendraste en ella tu poesía.

Tomaste de la política la ventana óptica, para plasmar letrados escenarios.

Gran reductor del pensamiento armónico, por saber que en ella el pensamiento es fugaz. El arte proviene del alma pura decías, y no de la estructura locuaz.

Antônio Gonçalves Dias Tomabas del paisaje sus elementos. Del océano la paz y bravura, Y de la naturaleza su vigor

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dE la vida a TuS lETraS Si el corazón vibra en el entendimiento Te expresabas así del amor sin espinas. Combinabas la idea con pasión extrema, Esa tu elegía de los sueños de primavera.

Combinabas el placer de sentir, con el arte de vivir amando la naturaleza. La purificabas con la religión del sabio, haciendo de la divinidad una poema.

Quien como tú, comprende un sueño, cuando llega Ana Amélia Ferreira Vale. Y nacen nuevas esperanzas de romance, que hacen del amor una caricia pura.

Siempre esforzado escribías poesía, Una tras otra en la cruda ironía. Fuiste olvidado en tu lecho de rosas, Y moribundo aún emanabas vida.

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Izabel Eri Camargo 309

mESTiçO BraSilEirO Antônio Gonçalves Dias poeta da minha infância iluminado como o dia colou no coração de criança mares atravessou com a mala da poesia pintou em versos indianistas a paisagem brasileira viajou no romantismo das águas com a alma sonhadora a embarcação naufragou certidão de nascimento da poesia ele deixou era único encantador filho do Maranhão grande alvissareiro guardo no coração Canção do Exílio fez ponte nas rotas onde passou imortal Gonçalves Dias escute minha oração vai no trinado do sabiá e no perfume da imaginação

309izabel Eri Camargo – Soledad – RS – Brasil - 06 de maio de 1934. Professora/ pedagoga (aposentada), escritora e poeta, Autora de vários livros de poesia, haicais, contos e ensaio. Integra o Cercle Universel des Ambassa- deurs de La Paix Genève-Suisse/France, o Movimento Mundial dos “Poetas del Mundo”, a Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias do Rio de Janeiro/RJ, a Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, de Porto Alegre/RS, o Portal CEN de Portugal

Izabella Muraro de Freitas 310

CançÃO dO EXÍliO Na região, onde estou realizando trabalho voluntário, atividade que muito gosto, mais parece terra de ninguém.

Terra nossa por direito, constantemente ameaçada sem pudor e respeito; terra que de seu povo, por várias vezes, quase foi tomada.

Defendida a balas e a facadas; morreram um, dez, mais de cem. Mesmo com estruturas abaladas, há donos da terra de ninguém.

Na região sul, donde vim, preservamos paz, solidariedade, amor e fraternidade.

J. Auto Pereira 311

TriBuTO (a gOnçalvES diaS) Bem sei que não sou bardo, que co aquém do gênio, que nem falar devera da poesia aqui; porque inda não fez-se a luz do meu espírito, porque das negras trevas ainda corri.

Bem sei qu’é nobre o drama, que dá soberba ilíada, que só pertence a pena do grande mestre Homero; bem sei que sou mesquinho, que vou manchar-lhe a glória, porém neste momento também cantar eu quero.

Eu d’um Gilbert não falto nos braços da loucura, nem mesmo d’um Chatterton que d’orgulho morreu; aqui nos pobres versos não trato d’um Bocage que dentro das tavernas, coitado, faleceu.

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310izabella Muraro de Freitas - Porto Alegre/RS – Brasil - 03 de julho de 1996, Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS; Desenhista profissional; Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante do Projeto Literário “Porta copos poéticos”, 2012; e do Grupo de Escoteiros “Charruas/003-RS. E-mail: einscheitern@gmail.com 311Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 538-540. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Esqueço Mallátre no seio da miséria, assim como de Byron também o ceticismo; um Tasso não recordo gemendo da amizade, assim como escureço d’Werner o cinismo.

Deixai-me, pois, que venha depor o meu tributo a quem tem por peanhas os pinc’ros d’Himalaia, Eu sou do Deus dos gênios o mais humilde acólito; – Deixai que queime incenso ao pé da sua alfaia.

Qu’importa me faleça de Lamartine os cantos; que nem sobre os vestígios os possa acompanhar? Embora saiba mesmo que vou queimar-me em brasas, eu rasgo o meu silêncio e venho pois cantar.

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Dorme, gigante de ouro, na tina colcha de louro, que tiveste por tesouro a lira para trovar! Dorme ao som das harmonias, Qu’inda és – Gonçalves Dias que da pátria as melodias soubera tanto exaltar!

Dorme! A pátria te deplora, e a velha Europa te chora, e todo o mundo te adora, cantor sublime do céu. Dorme o sono da pureza matizado de beleza, que da glória a gentileza não cessa no sonho teu!

Dorme na plaga que e tua, onde é linda meiga lua quando no azul flutua depois a nuvem a beijar. Sonha a glória dos teus cantos, esses penhores tão santos que pasmaram com quebrantos essas plagas d’além-mar!

Dorme! As espumas ridentes que vão quebrar-se dormentes nas brancas areias quentes dos infindos desapraiados, e as pororocas seguidas á reboar destemidas tem de cor frases polidas de teus hinos delicados.

O murmurar das palmeiras, crescidas nas ribanceiras onde vegetam fagueiras c’os cantos do sabiá, não tem um outro gemido . que não seja tão sentido como aquele desprendido da formosa marabá.

Ó tu, cantor dos Timhiras, monarca primo das liras, estro ilustre que nas piras da glória Apolo atirou, sonha lá na eternidade, embora tenha saudade a nossa Atenas cidade que o destino malfadou.

Dorme, gigante de ouro, na fina colcha de louro, que tiveste por tesouro a lira para trovar. Dorme ao som das harmonias Qu’és o rei das melodias, e aceita, Gonçalves Dias, este meu rude cantar.

J. B. Xavier 312

mEninOS, Eu vi! Do destemido e lusitano barco Desceu Cabral e pondo a Cruz aqui, Depôs sua arma, o índio apôs seu arco, E fez-se amigo ao povo guarani.

Gonçalves Dias, que de tal herança, Herdou o amor ao povo hospitaleiro Cantou os feitos e toda a esperança Nos versos nobres do canto guerreiro.

Em fundos vasos de alvacenta argila* Bebem guerreiros o amargo cauim E Já pintados pela cochonila Ao prisioneiro já anuncia o fim.

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312J. B. Xavier - São Franciso do Sul – SC - Brasil, 59 anos, é poeta, contista, ensaísta, trovador pintor, desenhista e romancista. Livros publicados: Caminhos, edtit. Alta Books, Rio de Janeiro, 2003; Não haverá Amanhã - Edit. Takion, São Paulo, 2012. Site: www.jbxavier.com.br

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Cena de orgulho de um povo valente, Canto guerreiro a ecoar na noite Um velho pai já cego e decadente Também chorando vê do filho o aloite.

Cantou em versos o que ao povo inflama Filho guerreiro, na aldeia Aimoré, Nos versos todos de I-Juca Pirama, Lutou chorando, mas morreu de pé!

Depois, por certo, se algué duvidava, Do que um dia aconteceu ali, O aimoré já velho recontava:

“Foi nesta aldeia, meninos, eu vi!”

O CanTO guErrEirO Selva sombria! grandes carvalhos Se afastam de lado a ceder aos atalhos

A vez de percorrer a floresta densa

Caminhos escuros que os índios aprontam

Se cruzam, se afastam, de novo se encontram, Formando clareiras na selva imensa

A onça se esgueira, ligeira, felina,

A lua que nasce por trás da colina,

E o sabiá, que no galho dormita, Dão cores à mata, e o ruído que fazem

Embalam o sono de outros que jazem No chão e nos ninhos. A vida palpita!

A brisa então surge, numa calma dança. Estrelas se juntam àquela bonança, Brilhando medrosas à luz do luar. A prata dos céus vai matando o dia Que cede lugar em lenta agonia

À noite que agora já vai começar.

Vermelho, o céu anuncia a luta Do Dia com a Noite. Que linda disputa! E as serras distantes já vão se afastando As aves, em bandos, em grande algazarra, Voam felizes, qual louca fanfarra, Nos ninhos queridos vão se acomodando.

No chão o regato suave desliza. Desagua num lago, que a braços com a brisa Vibrando sua face em vitral se transtorna. Enfada-o a luta dos grandes titãs. Conforta-o o lindo coaxar de suas rãs, Divino coral que seus charcos adorna.

Aqui e distante, na água espelhada Um peixe assoma com cauda dourada, Brincando com as folhas que caem bailando. Pousando tranqüilas vão logo dançar Divino bailado à luz do luar Que o lago, aos poucos, vai iluminando.

E as nuvens branquinhas, já avermelhadas, Trazem o sangue em que foram manchadas Na imensa batalha, e vão se afastando. E a noite então surge em mil esplendores, trazendo paixões, inspirando amores, E com as plantas, as águas e o céu contrastando.

A brisa aos poucos vai enfraquecendo E as sombras da noite então vão descendo Trazendo o silêncio à grande extensão. Os vales cobrindo, clareiras, montanhas, Descendo ao mais fundo de suas entranhas. Na selva palpita audaz coração!

E pia a coruja na noite singela Voando na mata: gentil sentinela Que a noite vigia acesa e atenta

O rio que desce dos montes distantes

Desfia seu canto, e nas águas dançantes Depõe suas mágoas, e chora, e lamenta.

Na face do lago a imagem tão clara:

Jassy refletida no reino de Yara!

Profundo silêncio! as matas caladas! Estóicos, à noite os deuses levantam

E vagam na selva, e riem, e cantam

Os cantos do Olimpo, de eras passadas.

É então que nas tabas as tribos guerreiras

Contam seus casos á luz das fogueiras. São cantos de heróis, de lutas, de morte, Que aos jovens valentes só fazem sonhar Os sonhos de guerra, o acompanhar Os homens da tribo, rijos e fortes

Nenhum se acovarda, no entanto, e ainda Esperam a idade - de todos benvinda - Em que o braço forte o tacape erguerá. São quase crianças, leais e valentes, Que a vida entregam, alegres, contentes, À luta esperada, que um dia virá .

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Num círculo ao longe as moças escutam Os cantos de guerra que eles disputam. Cantos de guerra que fazem sonhar. As cândidas, doces, suaves morenas Trançando as sedosas e lindas melenas Esperam com um deles poderem casar.

Que sonhos não vão em seus olhos escuros? Que ardentes desejos nos corpos tão puros Não causa o canto dos heróis-guerreiros? Donzelas que sonham os sonhos amenos Que fazem vibrar seus corpos morenos Que em curvas se alongam, lascivos, fagueiros.

No centro da taba, brilhando no lume Derramam-se os homens. Da noite o negrume Qual manto profundo, a tudo encobre. Em volta do chefe derramam-se eles. Os jovens, os velhos, e todos aqueles Guerreiros valentes, da estirpe mais nobre.

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É Ygarussú, o tupi imbatível, Da flecha certeira, do golpe terrível ! E o som de sua voz, que em guerras ecoa Atinge o inimigo, já enfraquecido, Imbele, cansado, doente ou ferido. Por isso distante seu nome já soa

Quem visse sua flecha acertar o mutú Ou em plena carreira prostar o inambu Na aldeia não havia sequer um guerreiro Com força bastante para retesar Em toda a extensão o seu ybirapar, Por certo o mais duro dos duros madeiros.

Quem visse o tacape ferir a akã De seus inimigos, quem visse Tupã Clareando suas trilhas nas noites sombrias, Por certo haveria de reconhecer:

Tão cedo de novo não ia nascer Guerreiro assim destro pelas cercanias

E amores desperta; e loucas paixões Caminham com ele! e mil corações Por ele deliram em idolatria!

É rude, valente, amigo da Sorte.

O grande oyakã, cantando a morte As lindas morenas assim seduzia.

E o fragor desses cantos na noite subiu, Até que o cacique o silêncio pediu. Somente o lume ardia faceiro E o pesado silêncio às vezes quebrava. O grande cacique de pé se postava Cantando à aldeia seu canto guerreiro:

“Irmãos meus de sangue! Às vezes, exangue, Amargas torturas Da guerra bebi. Nas provas mais duras Nas quais fui testado E em grandes agruras Não esmoreci.”

“Meu tino me serve De guia no escuro, E que assim se conserve Em dias por vir. Que eu vença o futuro temores, cansaços, Que eu esteja seguro De nunca fugir.”

“A quantos matei? Jamais vou saber! Jamais me lembrei De contar inimigos Só resta entender:

Não há diferença Em matar ou morrer. Em mim só me abrigo.”

“Já fui pelas serras Vencendo a má sorte. Andei longas terras Que nunca esqueci. A braços com a Morte Andei tão distante. Com povos mui fortes Lutei e venci.” “Olhai o meu peito E o claro matiz De um talho perfeito Que fez-me o embate. Mas morro feliz Se a lança atirada Fizer cicatriz Que enfeite o combate.”

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E isto dizendo, olhou os guerreiros Que sérios, nervosos, se agitam ligeiros Prevendo o que então viria a seguir. E apenas num gesto, rápido, tenso, Tirou de seus ombros o manto imenso Que suave ao seu lado, no chão foi cair.

Seu corpo saltou para a noite escura Marcado nas lutas de tanta bravura.

O espanto deixou os guerreiros prostrados.

Que lanças suas mãos não haviam partido? Que vezes, na dor, sem um só gemido Não tinha o tacape do ímpio quebrado?

Seu rosto severo, seus braços possantes E o altivo que havia em todo o semblante Tornava-o muito acima dos seus. E a pira queimava incensos amenos, E o fumo a subir era como acenos Ao bravo que agora queria ser deus.

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“Eu sou o seu deus!” - bradou Ygarussú. “Mais rápido ainda que o veloz suassú ! Mais forte que o raio, o vento ou a lança!”

Pasma a aldeia!

Jamais a floresta Ouviu coisa assim! Que os deuses em festa,

Se o tenham ouvido, não queiram vingança

Rolou no horizonte um trovão taciturno:

Tétrico aviso ao audaz importuno. Quem desafia o poder de Tupã ? Quem é que, em deus, por si se entronara? Quem é que a si próprio assim se elevara? Quem ousaria prever o amanhã ?

Os homens em roda ouviam enlevados. Futuros guerreiros olhavam, sentados, O grande cacique que os céus lhes mandara. As moças sonhavam os sonhos das virgens, Enquanto o valente cantava as origens Do clã que o - um dia, há tempos - gerara:

“Em guerras distantes As tribos errantes vagavam constantes

Por ermos hostis. E a tribo que agora

O penhor revigora E a mesma de outrora:

Os bravos tupis.

O

vento na mata,

O

som da cascata,

A lua de prata Deixava antever

Que em tempos vindouros, Tal qual um agouro, Das lutas os louros Iriam colher. O céu incendido Que cobre o bramido Do índio ferido Em remoto iporã , É o mesmo por certo Que ao índio desperto Vai deixar aberto O poder de Tupã . Poder que encerra O verde da serra

O grito de guerra,

O som do maracá.

É o mesmo que assim,

Nas eras sem fim Forjou num festim O cacique Condá. Condá, que às vezes Aos vis portugueses Impôs os revezes De lutas sem par. Um corpo pintado, Um rosto irado, E no crânio, alado, Branco canitar. Penacho frondoso, Porte garboso, Arco lustroso Condá exibia. Nas guerras insanas Santas, profanas, Em voz soberana Seu brado se ouvia. Guerreiros! eu canto O riso, o pranto De quem sofreu tanto P’rá nos ter aqui:

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Condá e os demais. Por certo lembrais Do chefe Virí.

Virí, o seu braço Deixou forte traço No chão, no regaço Dos tempos de outrora. As mãos calejadas De vidas tomadas. Sua lança ousada Tivesse eu agora! A força da Terra Que em si toda encerra As mortes na guerra Clama por ti! A ti só eu chamo, Tupã! eu conclamo:

Desfaça o engano, Renasça Virí. São esses os bravos! Beberam dos favos Das lutas. Escravos Do lutar e vencer. A mim delegaram, A mim confiaram, Em mim transplantaram Sua força e poder! Ouçam-me agora Que chega a hora De ir-me embora. Seu deus, pois, eu sou! Meu canto já finda. Na guerra benvinda Meu braço ainda Ninguém derrotou.”

E

fez-se silêncio. Calou o gigante.

E

tudo ao redor silenciou nesse instante

Sagrado, a render-lhe uma muda homenagem. E enquanto alguém lhe entregava o manto,

Os sons tão heróicos de seu nobre canto Ainda ecoava na densa folhagem.

Assim o tupi, com seu porte altaneiro, Reinava na aldeia, e seu canto guerreiro Deixou toda a taba feliz, enlevada. Seus olhos, no entanto - discreta procura - Buscavam a beleza, a meiguice, a candura Do rosto sereno da doce amada.

As moças ao longe, em nervosos sorrisos, Deixavam antever, em indícios precisos, O amor dedicado ao grande oyakã. Mas fogo no peito ilustre havia Queimando por dentro, em lenta agonia Por seu grande amor, sua Cunhaporã.

E quem duvidava que tão nobre canto Visava o amor esperado há tanto E que em breve, sabiam, iria esposar? Seus olhos furaram a noite escura

* * Buscando a beleza, a meiguice, a ternura Que o canto guerreiro queria agradar.

Nas faces das moças, lindas, tingidas, Em vão procurou as feições tão queridas Sem no entanto encontrar o doce olhar vago. Olhou ansioso além da amurada. Sabia onde ela seria encontrada. Afastou-se correndo a caminho do lago.

Subiam no espaço as fagulhas do lume Levando aos céus o espesso negrume. Silêncio na mata! findara-se a festa! Tornou-se mais fraco o estalar da fogueira. Mil olhos seguiam a marcha ligeira Do chefe e herói, a sumir na floresta.

glOSSáriO da parte 01

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Mutú - Cana-de-açúcar,Pequeno galináceo. Inambú - Ave canora de canto melodioso Suassú - Veado, gamo Ybirapar - Arco Maracá - Chocalho com cabo, usado em cerimoniais. Akã - Cabeça Oyakã - Cacique Iporã - Agua bonita; água tranquila, remanso do rio. Tacape - Porrete pesado,borduna Tupã - A maior divindade do panteão tupi. Jassy - Deusa representada pela lua. Yara - Deusa das águas. Ygaraussú - Canoa grande; grande embarcação; navio

J. de C. Estrella 313 - São Luís, 7 de Setembro de 1873

À ESTáTua dO EXÍmiO pOETa maranHEnSE anTOniO gOnçalvES diaS

Ereta no largo da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios da capital do Maranhão

Erguendo-se nas ondas radiante

Do leito de corais, em que jazia, No pátrio solo eis se ostenta ovante

O gênio americano da poesia!

Salve, colosso ilustre, estátua nobre, Que um tal gênio eternizas gloriosa, Gênio que a virgem com seu manto cobre, Afagando-lhe a lira harmoniosa!

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Em torno ao pedestal ilustres sábios, Que a pátria se tomaram mui augustos, O silêncio pairando-lhes nos lábios,

O poeta cortejam com seus vultos!

Vicejem sempre amenas as palmeiras, Circundando-lhe o trono majestoso, E as aves suas, caras, mui fagueiras, Gorjeiem-lhe ao redor do busto honroso!

«Posteridade, és minha, diga ufano! «Respeite os cantos meus a pátria ovante! «Do Brasil entre os vates sou sob’rano, «Meu nome luzirá sempre brilhante!».

Do alto de sua gloria o mar fitando, Diga-lhe: «Sepultado em abandono «A pátria os seus direitos reclamando, «Eis o meu posto d’honra, eis meu trono!

»

313Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 537-538. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

J. R. D’Oliveira Santos

À mOrTE dE gOnçalvES diaS 314

PARTE LITTERARIA

A´ morte de Gonçalves Dias

(Improviso)

Vendo a noite da vida aproximar-se, Ancioso tentou vir azylar-se No chão do pátrio lar; Mas antes de chegar lhe anoitecêra, E na terra, que tanto engrandecêra, Não pôde repousar

A sorte lhe predisse, há mais de um anno, Que marcado lhe fora o vasto oceano Por jazigo final. Em vão fugir tentar ao seu destino, Que além, gemendo, o mar lhe entoa o hymno Do triste funeral.

Do verde funerak á grata sombra Mais quizera o cantor ter por alfombra A terra em que nasceu:

- A´ tarde ouvir das aves o gorgeio, E á noite recolher no frio seio Os orvalhos do CEO.

Mas não quis o destino caprichoso, Que o cantor das palmeiras mavioso Dormisse a sobra delias:

Quis dar-lhe mais extensa sepultura, Onde, em vez de mil cantos de ternura, Ouça a voz das procellas.

Melhor foi!

que não deve o frágil barro,

Que em si conteve um gênio tão bizarro Ser dos vermes roído; Envolucro d’ espírito divino. Só lhe deve alterrnar da gloria o hymno, Oceanico gemido.

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314Jornal O Paiz, 10 de novembro de 1864, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

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Envólucro d’ um’ alma grande e nobre, Alguns palmos de terra era mui pobre Jazigo a genil tal. Do atlântico a vasta sepultura É mais própria, de certo, e mais n’ altura, Do cantor immortal.

Dorme, pois, do Brasil cantor mui terno, Entre as vagas azues, que o somno eterno Perturbar-te não vou. Do teu fim, pesaroso e condoído, Pude apenas soltar este gemido, Com que a Lyra estalou.

J. Ramos Coelho 315

prOfECia À mOrTE dE gOnçalvES diaS Bardo, foste profeta. Nos teus versos Com a pena cruel e inevitável Do próprio fado, esclarecido o ânimo, Teu destino fatal assinalaste. Quando, feliz ainda, abandonando A pátria cara, aos teus fieis amigos Na flor da primavera adeus disseste, Estas, em mal, fatídicas palavras Te saíram dos lábios, segredadas Talvez por Deus; recônditos mistérios! “Porém quando algum dia o colorido Das vivas ilusões, que inda conservo Sem força esmorecer e as tão viçosas Esperanças, que eu educo se afundarem Em mar de desenganos, a desgraça Do naufrágio da vida há de arrojar-me À praia tão querida que ora deixo. Tal parte o desterrado. Um dia as vagas Hão de os seus restos rejeitar na praia, Donde tão cedo se partira e onde Procura a cinza fria achar abrigo”.

Cumpriu-se a predição. Uma por uma, As tuas expressões saíram certas. Cumpriu-se a predição. Quem o pudera Nesse tempo antever? Só Deus, somente Quem, por Deus inspirado, ao longe alcança Num relance as recônditas entranhas Do longínquo porvir.

315Fonte: MOREIRA, Maria Eunice, Gonçalves Dias e a crítica portuguesa no século XIX, Lisboa, Centro de Litera- turas e Culturas Lusófonas e Europeias, 2010, 208-212. Compilador: Weberson Fernandes Grizoste

E quão ditoso Eras então, embora no alaúde, Alma que à terra presa ao céu subia, Te queixasses da vida! De esperanças Risonho o teu futuro se enramava. Ciência, amor, felicidade, glória Eram os sonhos teus. Sob os teus passos Da juventude as ilusões nasciam, Como nascem as rosas sob os passos Da primavera, quando após o inverno, Vem a terra animar. Como tão esplêndido, Tão extenso horizonte, que aos teus olhos Das mais formosas cores se adornava Da nascente manhã, dos pátrios lares, Te despediste, e, atravessando 0 oceano, Nas margens do poético Mondego Colher vieste do saber a palma. Ai, sob a ramagem dos salgueiros, Do rio ao murmurar, tu’alma jovem A harmonia aprendeu; aí, ao brilho Da nossa lua e cintilantes astros; Ai, do nosso belo firmamento Ao fogo criador, soltaste o voo Pela primeira vez, e, com saudade Do longe berço, de sentido pranto As meigas cordas orvalhaste à lira.

Volveste enfim de Santa Cruz às praias; Volveste, mas feliz, mas coroado Dos loiros da vitória. A honra, o aplauso, Te foram receber, e por ditosa Se teve a pátria de gerar tal filho.

Só te faltava um ente idolatrado, A que pudesses dedicar a vida. Achaste-o;, e louco, lh’of’receste incensos De estreme devoção. Eram completos Todos os sonhos teus: sorrindo o mundo Dava-te amor, felicidade, glória.

Quantos falsas então não suporiam As tuas previsões! Talvez tu mesmo, Talvez tu mesmo duvidasses delas.

Ai, mísero de ti! Bateu a hora Escrita pelo fado. O que julgaste Do soberbo edifício que findaras Como o remate ser, foi o começo Da tua perdição, lançou-o em terra.

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Desceste breve do zênite brilhante À pavorosa noite! Dos teus dias

O sol radiante se obumbrou de nuvens,

Núncias da tempestade, e o ígneo raio

Do céu baixando, te feriu terrível. Desde então a tu’alma lacerada Silenciosa gemeu, em si guardando, Para mais a roer, o interno abutre. Só desejavas o repouso, a morte.

Desde então os proféticos agoiros Se começaram de cumprir, ó bardo. Tu bem o conheceste, e do teu curso Viste perto fechar a breve estrada A lápida funérea!

Em vão das letras Na ímproba fadiga sem descanso Procuraste esquecer do mal a ideia, Se é que, antes, não buscavas no trabalho Abreviar a desditosa sorte. Em vão a lira ressoar fizeste; Em vão; as tuas notas de outro tempo Se tornaram gemidos. Pela América, Pelos países da ilustrada Europa Vagabundo correste; mas contigo, Mas diante de ti, a toda a parte Ia, sem te largar, tua amargura. Breve principiou também o corpo A definhar, a padecer. Sentindo Já perto a morte, pela vez extrema

Voltar quiseste à pátria, por que inteiras

As palavras fatais realizasses.

As tuas ilusões tinham passado;

No mar do desengano as esperanças Afundado se haviam; a desgraça Do naufrágio da vida te arrojava

À praia antiga que feliz deixaras.

Partiste. Da existência esperançosa Que à luz do céu natal desabrochara Ao terreno natal o que conduzes? Quase um cadáver só. Distante fica A Europa; já o espaço que a divide Do Novo Mundo diminui; com ele Também já diminui teu fraco alento. Próximo estás do solo do teu berço; Próximo estás do túmulo! Não ouves Terra em festivo som gritar da gávea

O gajeiro? Não vês ao longe, ao longe, Como nuvem romper do azul dos mares A desejada costa? Ai! o teu corpo Mal se pode mover! Ai! os teus olhos Quase que os fecha o sempiterno sono! Queres-te levantar para avistá-la Ao menos uma vez. Esforço inútil. Nunca mais a verás.

Mas neste ponto O vento cresce, e pelas ondas salta, Presa dos mares, o alagado lenho. Ficam-lhe à proa perigosos baixos, Que é impossível evitar. O gelo Do medo, do pavor, invade os membros Aos navegantes. Ele só não treme. Alma para tremer já não tem quase:

Jaz insensível deste mundo aos males Sobre o leito da dor despejo inerte!

Que choque horrendo, que terrível brado O espaço atroa? Num cachopo oculto O alteroso baixe! se parte e esmaga. De máquina tamanha apenas restam Algumas tábuas a boiar nas águas! De tantos homens, que lhe davam alma, Alguns corpos à toa, flutuantes, Triste cena de horror! bebendo a morte!

E o dele, o do infeliz? Nalguma praia

Da pátria amada as despiedosas vagas

O arrojaram de certo, por que fossem

(Complemento do oráculo funesto) Nela os seus restos procurar abrigo.

Assim uma após outra se cumpriram As tuas predições, pobre poeta! Foi vontade de Deus! Que desenganos, Que altos mistérios este mundo encerra!

Jackson Douglas Silva 316

naTurEZa EXalTada Poeta, Dias ilustres foram Todos os que tu estiveste nesta terra. A natureza nunca sentiu-se Tão lisonjeada nos teus cantos. Cantos de amor, cantos de saudade.

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316Jackson Douglas Silva – São Luís – M – Brasil - 13 de Outubro de 1985. Universidade Federal do Maranhão/ Curso: Letras

Gonçalves, Dias tristes Foram muitos para nós, Pois a tua partida trouxe-nos saudade. Saudade que nos leva a ler e ouvir O teu cantar e exaltar.

Dias, o teu canto não silenciou-se. Mesmo com o mar imenso querendo sufocar, É certeza que o teu canto ainda continua a ecoar Nas regiões de terra, céu e mar.

Quem nos dera ter-te outra vez Para olharmos com os teus olhos Através da poesia o esplendor da criação. Como seria majestoso vê-lo Ainda uma vez, cantando e exaltando a Nação!

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Jackson Franco 317

dE vOlTa aO mar Nas tuas idas Gonçalves Dias Deixaste o mar de tua terra o Maranhão. Porém nas tuas vindas pra cá, Voltaste ao teu amado rincão.

Ana Amélia foi teu grande amor. Não casaste com ela por conta de tua cor! Do preconceito que tu sofreste, Teu grande amor não viveste.

Tua obra engrandece este Brasil, Tua canção do exílio merece nota mil! “Nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

Os críticos dizem que tua obra é muito indianista, Romântica demais e muito nacionalista. Porém Machado de Assis escreveu:

“Era Gonçalves Dias o mais prezado filho da poesia nacional Aquele que de mais louçania a cobriu”.

317Jackson Franco - Campo Grande –Recife –PE – Brasil. Economista pela UFPE. Livros publicados: “História de um livro”, infanto-juvenil, pela editora Scortecci; “@puft! Contos de um estranho,novo,mesmo mundo”, e-book pela editora Jaguatirica; “Verdinha, a pequena cana-de-açúcar” , infantil, premiado em 2011 pela FUNESC-PB, a ser publicado em 2012. Endereço:Rua Jonas Guerra,67-apto.204-Campo Grande –Recife -PE-CEP 52.040- 253. Fones:81-3426-5835 / 9673-7956. e-mail: jacksongara@hotmail.com

Quando escreveste:

“Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá”. Morreste no Maranhão e no teu querido mar.

Jacqueline Collodo Gomes 318

ana amélia Este amor, adormecido com As Tormentas repousado nas ondas de lágrimas que outrora arrastaram os destinos do que poeta e sua flor podiam ter vivido

Enternecido, tamanha paixão declarada vencendo o amor ao calor ou à luz querida a exaltação ao silêncio, cores, perfume e à vida Mais do que pôde estar em si mesmo

Momentos gravados na proa daquele navio pelo céu que lhe acentuava os traços sofridos Expirações que levavam seus sonhos ao infinito Últimos momentos de tal testemunhar

Revisões de cenas não alcançadas

A musa estática na sacada

A força daqueles olhos de tudo abandonar

e

seguir com ele para onde quer que fosse

O

mesmo estático olhar que o sofrimento

do

passado impulso, ignorado momento

mostrava, agora, numa mesma praça diante de uma mesma fonte, mas já tão distantes

Um instante no tempo, onde as nuvens piscaram

e o vento elevou o lenço branco, um aviso

um momento de corações duplamente abatidos Em sete chaves e um pousar de mãos constante.

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318Jacqueline Collodo Gomes - Campinas/SP – Brasil - 26 de Outubro de 1987 é uma jovem escritora indepen- dente. Já teve publicações de poesias e textos em antologias com outros autores, boletins, revistas locais e jornais de literatura. Mantém um blog onde divulga seus escritos: Ah, Poesia! http://ahpoesia.blogspot.com

Jacqueline Salgado 319

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SaBE lá Ai, que mistérios rondam, O lugar onde eu nasci? Quem terá me nascido? Cegonha eu sei que não foi, Não tem dessa ave por lá. Mas minha terra tem palmeiras

Terá sido um sabiá? Sabe lá.

Jacy Gonçalves Ribeiro 320

CanTa SaBiá Tem palmeiras minha terra Pra cantar o sabiá No exílio não há plantas Tão bonitas como cá

Lá no mar ficou sua voz Embargada sem falar Por isto que o sabiá Vem cantar neste lugar

Por mais terras que eu percorra Não verei ele cantar Só aqui neste rincão Vem cantar o sabiá

319Jacqueline Salgado - Viçosa/MG –Brasil - 19/03/75. Graduada em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG (2000), pós-graduada em História (2003). Como escritora, possui trabalhos publicados em nove coletâneas e é autora de um livro infantil “A Menina a Pedra e o Ribeirão”, Editora UFV/2010, além de inúmeros prêmios e menções honrosas. Foi contemplada em maio de 2008 com o primeiro lugar no Concurso “Leia Comigo” de incentivo à leitura, promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).Vive em Belo Horizonte onde trabalha com pesquisa e gestão de projetos culturais. 320Jacy Gonçalves Ribeiro - Pelotas, RS, Brasil - 19 de março de 1940. Teve sua iniciação literária em 1985, publi- cando poemas nos jornais e revistas de várias cidades. Já participou de dezenas de antologias e publicou três livros: Em 2007, “O canto do rouxinol” (poesia); Em 2008, “Uma noite de sonetos” (poesia); Em 2008, “50 Anos de História do CSS” (história). É associado do Centro Literário de São Leopoldo há 17 anos e sua assinatura literária é “J.G.Ribeiro”.

Jainara Martiny 321

nÃO mE dEiXES, pOETa! A palavra crua vira e revira o mundo. Salta de boca em boca sem merecer nexo. Então, nasce o poeta:

E, alquimista das letras, a transforma em verso.

O homem comum nasce, cresce e morre. O poeta nasce, cresce, canta, encanta e vive! Depois dele os homens podem assumirem-se, Compreenderem-se. Falarem da dor, Dedicarem o amor. Sem vergonha de cair em ridículo. Sem vergonha de cantar a vida. O poeta é Gonçalves Dias:

O “Homem poesia” Que vive dentro de todos nós!

Jailton Silva Matos 322

Tragédia grEga

Talvez os lendários deuses do Olimpo assim como o são, lendários e mesquinhos poderosos enquanto repletos de humanas falhas ou por inveja, ou ciúme, ou apenas temores de terem sua glória suplantada por ti

e pelos heróis indígenas de nossa mesma pátria

e de pátria criada e libertada à partir de teu coração decidiram impedir-te completar tua saga.

Tornaste-te assim o teu próprio herói egrégio

o Y-Juca-Pyrama afogado, se não no Egeu

em águas traiçoeiras de tua própria terra-mãe.

E como não pode deus mitológico realizar qualquer feito tua morte – tragédia do acaso – em nada lhes aprouve:

se interrompeu a honrosa trajetória timbira incapaz foi de deter-te subjulgares todo o panteão pois eternas são as glórias de teus Dias, Gonçalves!

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321Jainara Martiny - Canoas/RS – Brasil - 14 de junho de 1982. Estudante de Filosofia e Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 322Jailton Silva Matos - Jai Matos della Rosa - Salvador – BA – Brasil - 30/05/1976 - escritor, poeta, prosador, blogueiro e administrador de páginas de poesia no Facebook. Escrevo também poesia para o jornal Opinião de Monte Mór.

Jamil Damous 323

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O TuriSTa EXiladO Quando cheguei sozinho a Paris e, cansado da viagem, me deitei naquele quarto de hotel barato e tentei fechar os olhos já saturados de tantas imagens,

o primeiro som que ouvi foi o estrangeiro pio de um passarinho.

Um único dia fora do meu país e tudo já era exílio.

O danado do poeta tinha razão (e comecei a chorar):

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.

SOnETO da praça gOnçalvES diaS Como o poeta de pedra nesta praça, um poeta de carne mira o poente. Os seus olhos atentos saem à caça dos telhados e torres à sua frente.

Ali ainda estão. Mas, à direita do sol que se afunda na baía, uma cidade feia e estrangeira se ergue onde antes nada havia.

As torres, os mirantes, os telhados, intactos ao tempo, tão ferino, olham o poeta, longe, indiferentes.

Será que reconhecem o menino nesse velho que mira o seu passado com os olhos fatigados do presente?

na praça gOnçalvES diaS Três e trinta da manhã. Na praça Gonçalves Dias, contempla a casa da tia que dorme profundamente sem saber que um turista

323Jamil Damous – Turiaçu – MA – Brasil - 7 de setembro de 1953. Foi para São Luís aos dez anos de idade e para Belém do Pará aos quinze, onde sua carreira de poeta, letrista de MPB, jornalista e publicitário. Chega ao Rio de Janeiro aos 23 e logo lança seu primeiro livro de poesia, “Tempo Turiense e Outros Tempos”.

de si mesmo ali espia as janelas fechadas.

A criança que foi é quem olha a casa estática, enquanto o tempo flui na madrugada silenciosa.

Sobre a palmeira de pedra o poeta o observa e o vento antigo da ilha bate e refresca seu rosto.

Tudo foi exílio em sua vida.

Mas naquele instante, três e trinta da manhã na praça Gonçalves Dias, está de volta à casa onde um dia o mesmo vento bateu naquele rosto sem rugas e sem desesperança.

Contempla por um tempo a mesma antiga fachada, que reflete as lâmpadas elétricas da praça na noite sem estrelas.

E logo desce a escadaria de volta ao bar ainda aberto, ao tempo presente e aos barulhos do mundo.

Jandy Magno Winter 324

SE mOrrE dE amOr? Não, de amor não se morre. Vi o poeta dizer. Se é uma triste alucinação Te cobre por completo o coração causa dor, turbulência Sim, isso é triste dizer. quod non amoris est É ilusão e falência.

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324Jandy Magno Winter - São Félix – Bahia - Brasil - 18 de agosto de 1976. Escrevo poesia desde minha adoles- cência, não obstante não tenho nada publicado. Atualmente estudo Filologia hispânica e latino-americana e pedagogia na universidade de Frankfurt em Alemanha. Trabalho como educadora infantil. Escrevi o livro Pó de amor atroz e Antologias poéticas ainda não publicados. Possuo um blog, no qual divulgo as minhas poesias:

Gelassenheit (http://geelassenheit.blogspot.de/), onde faco também a moderação.

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Não se há de desfalecer o espirito Porque ele restaura e revigora a alma Chama para a vida, dar saber E curar as mais chorosas feridas Abranda a mais severa lida Amor vincit omnia

De amor se vive quando, Educa, acalma, sorrir faz, não trai E não corroí a alma. O dilúculo da vida amor é.

O amOr dESCOnHECE frOnTEira. Idade, gênero e cor. É um bom navegador Ultrapassar a linha do horizonte transpassar a mais sorridente dor O amor identifica o amor. É a luz que ilumina a estrada escura. É bussola para navegantes É o olho latente que não cansa, espera. Diante dele não há cortinas de palavras que possa transcrevê-lo que esconda o segredo porque o amor é verdade Partilha É o farol em alto mar. É o próprio Deus. e força nos momentos mais difíceis. Solidez! O amor é mais o amor. O amor abre a porta Para que possa sentir o fluir da fragrância suave das rosas e do oceano que constitui o teu nome O teu sonhar O teu corpo. O amor une vidas. Plasma o infinito. Trata-se do que Gonçalves consagrou Para em poucas palavras não dizer, senão sentir Amo-te.

Amá-la, sem ousar dizer que amamos, Isso é amor, e desse amor se morre! Antônio Gonçalves dias

amO-TE SEm SinTOmaS aparEnTES Como o livro sem palavras vivo cada dia tua ausência, as quais o vento não pode levar. As latentes palavras são Sempre vivas. Regressam a diários melancólicos e Alcoolizados, não simbólicos, imaginários. São cilíndricas por sua rotação. Ninguém sabe onde andam os fonemas, Os morfemas nem os contos, não há rascunhos. Até os olhos deixam de ser o portal da alma. O amor passa a ser platônico. Onde andará? Sinto seus lábios, sua pele, suas batidas, Sua respiração seu corpo, suas mãos acariciar. Tudo Invenção do amor embriagado Sem poder descrever o vero. Isso é o amor?

O sorriso perdido a casa regressa Quando a confusão é polar.

A ausência sublinha sua presença dentro de mim Ao olhar a minha volta vazia com um interior pleno de ti. Duas taças, garrafa de esperança e uma foto do rio, do mar e do jardim. Ouço Gonçalves noites e dias. Tudo me recorda a ti.

É você ao meu lado.

Desejo de ser constantemente fotografado Por uma retina de vidro Consequência da inebriação do ser. O brilhar por sua ausência Em um verão infinito denotando a alegria

a espera e a si.

Amei! Se é que amar é viver. Vivi.

Vivo os minutos que ficam. Sem querer estar só e estando sem poder ao lado seu permanecer. Já que no meu cofre humano vive e não é engano. Tenho seus beijos, sinto seu corpo Sua semipresencia. Guardo suas palavras em mim E pego com a mão esquerda A brisa de ti Amo-te sem sintomas aparentes, Em silencio e vivo.

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avE

Ave puríssima de toda a vida e o tempo

A gente tem. Voa no campo

observando a sorridente natureza. Sua aparente beleza. Sem poder consagrar-se na partida Nem na esperançosa vida de não ter que amá-la em silencio.

Não é necessário a dura cega lida. Nem na sombra das arvores sem folhas que Adão e Eva criaram. Tendo que amar o brilho de uma virgem lua como se espera a chegada de um rei Trazendo consigo ouro, aromas e canelas Ave grandíssima traduziu o meu mundo Despertando—me de um sonho profundo Nem o beijo principesco logrou.

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Sapo! Digo: te amo

Vejo o amanhecer com a sua voz a dizer vem comigo e vivemos Na realidade os sonhos. A ave grandíssima sou eu Desperta-te para viver.

O amOr SufiCiEnTE é O Amor desconhece fronteira Idade, gênero e cor. O amor identifica o amor. É a luz que ilumina a estrada escura. É bussola para navegantes É o olho latente que não cansa, espera. Diante dele não há cortinas de palavras que possa transcrevê-lo que esconda o segredo porque o amor é verdade Partilha É o farol em alto mar. É o próprio Deus. Força nos momentos mais difíceis. Solidez!

O amor é mais o amor. O amor abre a porta Para que possa sentir o fluir

A fragrância suave do oceano de rosas

que constitui o teu nome O teu sonhar O teu corpo. O amor une vidas. Plasma o infinito. Trata-se do que Gonçalves consagrou Para em poucas palavras não dizer, senão sentir te amo.

Jane Rossi 325

CançÃO dE muiTOS diaS Eu poderia falar sobre dores e amores Poderia versejar sobre um jardim de flores Eu poderia dizer que querias o fim da guerra Mas eu falarei do amor que tinhas por tua terra

*

Pelo orgulho que tinhas, de ser, um ser brasileiro Seu amor por esta terra rendeu versos pioneiros E a canção do exilio pra sempre será lembrada Muitos dias cantaremos esta poesia rimada

*

O

amor pelas palmeiras, pelo canto do sabiá

O

nosso céu estrelado tem brilho de encantar

Tudo aqui é mais bonito, tudo tem mais valor Tem Palmeiras, sabiá, tem povo cheio de amor

*

Quem saiu não resistiu, retornou pela saudade Esta terra tem magia, tem poesia e tem bondade

Tem beleza verdejante, o mais belo céu azul anil

E

temos Gonçalves Dias que é filho deste Brasil

*

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325Jane Rossi - Guarulhos – SP Brasil – professora com pós graduação na Educação Especial, escritora, poetisa, antologista e ativista cultural.É mentora e idealizadora do Projeto Antologia Alimento da Alma pela All Print. Mentora e idealizadora do Projeto Poetas da Escola, pois seu objetivo é induzir o aluno a ler por prazer e não por obrigação. é membro correspondente de nove Academias de Letras e Artes e duas Federações, é Sena- dora Cultural por Guarulhos na FEBACLA, Embaixadora da Paz/ Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix Suisse/ France.

Janete Henrique Serralvo 326

gOnçalvES diaS Palavras magníficas soltas no tempo, Poesias maravilhosas inspiradas Por um amor a desalento. O corpo jovem padeceu e A alma não se despediu, não morreu. Sua energia está sacramentada. Sua marca poderosa enraizada, Na lembrança de muitos amores,l De cada um de nós sonhadores. Muitos anos se passaram, Muitas gerações mudaram, No universo, na boca, no papel, Dia após dia, Gonçalves Dias Aqui está em nossa companhia.

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Jania Souza da Silva 327

SaudadE E paiXÃO - (TriBuTO aO pOETa gOnçalvES diaS) Guardo terna lembrança de meus livros na infância Quando aprendia a ler minhas lições na voz de mamãe Alagada em rio de emoção ao declamar com ardor A dor maranhense fluida da boca do filho do coração.

Seus belos e sentidos versos pintaram-me palmeiras e aves Sem igual em qualquer lugar fora da terra da sua sensibilidade Mergulhei em sua poética e fiz-me parte do seu amado chão. Quando me afasto do seu aconchego, sinto a tristeza do banzo Doer e moer minhas mais secretas entranhas em saudade e paixão.

E quedo-me em saudades e choros E o ardente desejo de voltar ao meu torrão Sentir o beijo do sol e o solfejo do vento.

.

O gorjeio das aves sob coqueiros, céu e o mar Acenar a flâmula de fogo na praia de meu coração Então poeto a Gonçalves minha eterna admiração.

326Janete Henrique Serralvo - Mairiporã-SP – Brasil - 03 de abril de 1977. Aos 10 anos de idade participou com uma poesia num livro da cidade. Apaixonada por música e pela arte. Retornou suas escritas em março de 2012, com determinação e inspiração. E mail: janeteserralvo@gmail.com 327Jania Souza da Silva - Natal/RN - Brasil - 03/05/1956. Publicou Rua Descalça pelas Edições Bagaço/PE em 2007; Fórum Íntimo e o livro infantil Magnólia, a besourinha perfumada pela Editora Alcance/RS em 2009; Entre Quatro Paredes, em 2011, pela Corpos Editora do Porto/Portugal. Participação em coletâneas nacionais e internacionais. Sócia da SPVA/RN; UBE/RN; AJEB/RN; APPERJ; Clube dos Escritores de Piracicaba/SP.

Janio Felix Filho 328

O BErçO Ah! Caxias! Tuas palmeiras foram Inspiração nas mãos De Gonçalves dias

Eternas recordações Para quem longe Também vivia Querendo esta perto, Noites e dias Da pátria querida!

Ah! São Luiz do maranhão! Tu foste berço De um gênio da criação, Das palavras amorosas, Lírios do coração!

Ó! Maranhão! Tuas praias! Tuas praças, Teu teatro Tua cultura, Foram palcos Tuas ruas caminhos De um menino andarilho Contemplado Nas bibliotecas do mundo Inteiro Em suas composições Exilado, Em muitas solidões.

Ó! Cidade! Saudosa em sua proclamação, Morada e refugio Em suas composições De um menino modesto Senhor de uma paixão.

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328Janio Felix Filho – Jaru - RO – Brasil - 25 de fevereiro de 1980. Escritor, poeta, contista, romancista, cronista

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auTO rETraTO Outro dia Ouvir falar De Gonçalves Dias Na ocasião eu não Compreendia

As moças falavam:

É o poeta do amor! Em sua indagação:

To certa meu senhor! Dizia a moça Pedindo minha Confirmação.

Sem poder Confirmar sua aprovação Resolvi sair daquela confusão, Em que a moça insistia:

Ele era filho de comerciante! Sim, o fundador da revista Guanabara! Natural do Maranhão.

Outro dia Depois desta ocasião Numa viagem de avião Ao lado de uma jovem singela Notei em suas delicadas mãos Um livro com uma:

Canção do Exílio. Hoje conheço A vida e a morte De um home de muita sorte Com quem Olímpia Costa se casou Porque o destino não deixou Que ele vivesse seu amor Ana Amélia do Vale A quem mais uma vez, Ainda uma vez - Adeus! Lhe deu

Partindo deste mundo Em uma viagem no navio francês Ville de Boulogne Que naufragou Acabando com sua viagem De uma vez.

Jaqueline Maria Ribeiro 329

dE pOETa para pOETa Não era nobre, não teve riqueza, Só teve humildade e sinceridade, Advogado, poeta, Gonçalves Dias foi um brasileiro Inspirado no amor pela pátria Que invadiu o seu peito.

Nascido e criado no Maranhão, Estudou na Europa, Cheio de inspiração, Escreveu seus poemas Com mil e uma intenções.

Foi da tribo, foi do Norte, Um guerreiro poeta tão forte ele foi, Se foi um mestiço com valor, cheio de sorte, Conquistou mil maravilhas, Mas não se livrou da Morte

Jean-Paul Mestas 330

CinQ pOÈmES À gOnçalvES diaS ET ana amElia En SOuvEnir La pluie impunitive un dernier vol dans la nuit noire où le silence est inquiet d’être seul à crier au secours alors que tant de voix naviguent dans l’espace et que les démons prennent soin de clouer le bec aux étoiles en attendant l’inévitable aux portes des soupirs…

amiS ? Mes Amis du Brésil semblent tellement loin que je m’accroche à des images

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329Jaqueline Maria Ribeiro - Teresópolis/RJ - Brasil - 11/01/1997. poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e já traz um vasto currículo literário, incluindo a Menção Especial no XXII Concurso de Poesias da ALAP, no Rio de Janeiro/RJ. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa 330Jean-Paul Mestas - Paris – França - 1925. Engenheiro e escritor, conferencista, crítico, ensaísta, poeta, profes- sor de literatura romena na Sorbone e tradutor. A sua obra conta com mais de 60 livros. Ele é fundador dos Cadernos de Poesia Jalons, com Christiane, sua esposa, que é pintora. Suas obras são traduzidas em muitas línguas, entre as quais, o Português. Tem inúmeros artigos e apresentações em antologias, jornais e revistas de 36 países. E mail: mestas.chris@gmail.com

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insolites pour les trouver en bordure de mon chemin ;

il en est parfois quelques uns qui délèguent leur ombre afin de me donner à lire un poème secret où je les imagine enfin à mes côtés…

BréSil vu par gOnçalvES diaS L’impression m’est venue de survoler ce grand berceau comme les pigeons voyageurs l’eau danse et les mies du bonheur font valser les poèmes

autour de l’horizon les revenants s’amusent à récupérer des sourires autrefois suspendus au florilège de l’amour.

vivEZ… Vivez je vous en prie comme les peupliers sensibles aux revers de chaque saison parfois rebelle au devenir de la lumière ou des nuages alors même que le bonheur semble tourner en rond comme une question maladroite…

rETOur En arriÈrE Terre et sang oui Un passé me tourmente et les mots s’y accrochent en guettant des ombres perdues qui semblent refaire surface alors que l’horizon s’accote à de nouvelles apparences invitées à survivre au prix d’un retour en arrière.

Jeanne Cristina Barbosa Paganucci 331

aO pOETa, gOnçalvES diaS Incrédula, abro o livro proibido Das confissões de um poeta Das explosões românticas Do interior de sua alma

A canção do exílio inquieta-me A ponto de desejar beber Da fonte de seu saber e finjo Conhecer o seu pesar, a sua ausência

Fugidios pensamentos, estes De querer compreender a alma do poeta Sem conhecer ao menos a recordação

Implacáveis horas de suplício, estas Que asseguram ao homem o saber-se Ignorante diante de seus poetas

dE Sua pOESia O amor, a dor, o amanhã Percorrem as veias do poeta De mil formas desfolha e encerra Em palavras o que d’alma entendia

Se ama, não sabe Se suporta a dor do amor, espera Como a compreender da alma Somente as minúsculas horas

Não mais pergunte a vida, Os amores Não mais importa se apenas Dói

De sua poesia resta a sim mesmo De todas as implacáveis divagações Do ser poeta

O amOr E O CanTO dO pOETa O poeta questiona a respeito do amor E responde a ele mesmo que este Não acabou e que de amor Não se morre, prazer alcança

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331Jeanne Cristina Barbosa Paganucci - Salvador – BA – Brasil - 17/05/1977. Poeta, ensaísta, escritora, graduanda em Letras Vernáculas pela UESB/Campus de Jequié; monitora de Literatura Portuguesa, com pesquisa sobre o mito da saudade em Inês de Castro; bolsista voluntária de Iniciação Científica do Projeto Emília vai à Escola do Estale/UESB/CNPQ; bolsista do Pibid Letras/Capes. Mora em Maracás, na Bahia.

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Graciosidade, postura, êxtase Em que de pura chama se condensam De duras penas se esvai E não atinge emoções do ser real

A beleza do amor em seus poemas É o querer desiludir e o não querer Perder-se de si mesmo Na vasta chama do impuro

As divagações reais do amor em si Clamam por sua natureza que De romântica tornam a vida O simples toque do amanhã

SOnETO aO pOETa O poeta é aquele pecador O indiferente e o desassossegado A imagem perfeita do querer Que se imagina perdido e encontrado

Que desatina em sua ruína e não descansa De sua mórbida paixão pela palavra O seu fel, seu véu, sua ira Seu estado de lucidez e de loucura

Ao poeta todas as canções Todas as noites e manhãs A rosa do mar e os olhos verdes

E nada mais ao poeta Oferto-lhe o mar Somente

piEdadE para a pOESia Ao fim da tarde Quando os olhos lacrimejantes Observarem o compasso do tempo E a servidão da noite chegando

Que os olhos vejam as aflições Que rebentam a alma do poeta E que a breve luz da lua Seja capaz de suavizar o seu clamor

Aos céus, por seu Senhor E ali, a sós com seu Senhor descubra Dos males da vida humana a piedade Diante de sua alma, ao resgatar pura Em chama, sua vida e sua luz

Que o mundo engana Assim, a poesia tomará forma constante De tranquilidade e virtude Da piedade das palavras não pronunciadas Das palavras escritas

Jefferson Reis de Santana - Infeto 332

lEmBrançaS dE mEninO grandE dE um paraÍSO QuE SE aCaBOu. De cá, do sofrimento escravo, que me habita ouço ainda a canção do exílio embarcada no espesso lamento dos guerreiros inocentes cosmopolitas massacrados por criaturas terrestres trazidas por mares babélicos calou o canto dos pajés e converteu soberanas e inalteráveis – até então - musas naturais em leviandades materiais.

Cubro o mar de rosas negras para Tupã ter ideia do destino iníquo que a descoberta nos levou amaldiçoou as cores dessa bandeira antes desconhecida, porém bem exploradas pelas ricas vidas, que a pobre riqueza abateu mais ainda sinto, um trêmulo e esquálido torpor quando a essência inviolável do que restou ajoelha diante do túmulo do menino que por aqui brincou.

João Carlos Marcon 333

amélia Não tive coragem aquele dia Sob a negativa dos meus algozes, vejo sua imagem reclusa no espelho, os olhos refletidos e um calado pedido de socorro.

Não tive coragem aquele dia Sou homem honrado, correto

manso.

Pelos meus dedos negros se esvaem os meus dias, Dias que queria ter com você.

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332Infeto - Blogs - InFeTo. 333João Carlos Marcon - Mariópolis – PR – Brasil - 23 de outubro de 1968. Professor da Rede Estadual de Ensino, formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, autor do livro “Perdi o medo da vida” pela Editora Ce- leiro do Livro. E-mail: ac.korpus@hotmail.com

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Não tive coragem aquele dia Os anos me definharam pela dor da ausência Meu caminhar é lento, não tenho mais pressa, levo a dor como inspiração. Escrevo aos sabiás.

Não tive coragem aquele dia sobre as costas arqueadas, carrego a culpa. Na praça, em outros tempos vejo uma senhora grisalha, velha, carcomida, mas linda. Porém casada, apaixonada e aquele não era eu.

João Elias Antunes de Oliveira - Elias Antunes 334

CANÇÃO SEM EXÍLIO De que adianta o sonho de cavalo-marinho se há os limites do vidro no aquário?

Toda fuga verdadeira se inscreve nos gritos da manhã.

Há anos esperando a canção proletária subir dos músculos das lavadeiras, das mãos dos cortadores de cana, das enxadas carpindo

o dia.

João Fernando Gasparotto Steigleder 335

CançÃO dO EXÍliO

Rio Grande do Sul, minha Terra

meu Sul.

No inverno é muito frio; no verão, derrete até bombril.

As praias do Rio Grande do Sul são bonitas

e cheias de “farofeiros”.

334Elias Antunes - João Elias Antunes de Oliveira - Goiania – GO – Brasil - 1964. Cursou Direito, na Universidade Católica de Goiás. Em 1993, por concurso, entrou no TJDFT. Concomitantemente, foi professor de História da Filosofia, de Redação, de Direito e Legislação e de Estética Literária. Duas vezes aprovado no curso de Mestra- do em Teoria Literária da UnB. FONE: (61) 3541-4997. E-mail: jeliasantunes@bol.com.br 335João Fernando Gasparotto Steigleder - Porto Alegre/RS – Brasil - 02 de janeiro de 1997. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. E-mail: gasparjonny@hotmail.com

De vez em quando, subo para Santa Catarina. A ilha da magia parece até uma orgia. Nas praias, só se vê surfistas. E eu acabo surfando e gostando da brincadeira. É muita emoção para o meu coração, que continua naquela “bateção”, até eu cair de cara no chão.

Amo o Rio Grande do Sul e Santa Catarina também.

João Gomes da Penha Filho 336

diaS E diaS Entre dois rios, Na mesopotâmia maranhense, Nasceu um homem muito competente Um Gonçalves diferente Advogado e Poeta Caxiense Tragado pelo naufrágio do Ville Bologna - carrasco navio.

Gonçalves de todos os Dias Pra mim é sinônimo de alegria Ler seus poemas, conhecer sua vida Vivenciar sua ousadia Jornalista, teatrólogo e etnógrafo

Dos que não tem medo e aguardam os próximos Dias

És guarida

João Marcelo Adler Normando Costa. 337

HOmEnagEm a gOnçalvES diaS Gonçalves Dias Não pode amar a sua garota querida chamada Ana Amélia.

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336João Gomes da Penha Filho - Lago da Pedra – MA – Brasil - 01/04/1990. É Acadêmico de Engenharia Química/ UFMA; Astrônomo Amador; Presidente e membro-fundador, titular da cadeira 001, da Academia Lagopedren- se de Letras e Artes. Autor e organizador do livro “Enlace” (Poemas). e-mail: jgomespf@hotmail.com 337João Marcelo Adler Normando Costa. São Luís-MA – Brasil - 11/04/2002. Cursa o 6º ano no Colégio Cres- cimento. Tem participação na obra Coletiva “COLÉGIO DOM BOSCO APRESENTA SANSÃO E DALILA”, Projeto Ópera para todos, 2008. É co-autor (juntamente com Daniel Victor Adler Normando Romanholo e Dilercy Aragão Adler), do livro Infantil, “Uma história de Céu e Estrelas, São Luís-MA, 2011.

Gonçalves voltou para seu lar brasileiro Maranhão, Estado dos apaixonados e valentes guerreiros.

O Sabiá nunca saia de Lá aguardava solitário na palmeira o seu líder, Gonçalves Dias, chegar.

Gonçalves Dias não morre nunca Com seus poemas bonitos Encanta a todos os brasileiros encanta o mundo inteiro!

João Nepomuceno Silva

anTOniO gOnçalvES diaS 338 Homengem pela noticia falsa da morte do Poeta

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Sobre auri-verde palmeira O sabiá sonoroso Desferia meigas notas No seu trinado saudoso. E á estas queixas de amôres, Que os próprios bosquem sentiam, Maviosos respondiam Plumeos alegres cantores.

Po baixo da verde rama /que resiste ao vendaval, Sussurrava brando um rio No seu curso natural. Do outro lado da via Um curió, que cantava; D’ outro, canário que dava Vivas notas d’ alegria.

Quando no oceano – ia De todo sumir-se o sol, Eis que apressado aos cantores Chega e falla um rouxinol:

“Meus irmãos por natureza, “Da natureza cantores, “Trocai as notas de amores “Pelas notas da tristeza!

338Publicador Maranhense 1862, agosto, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

“Vindo ouvir a triste nova, “Vós também, rio, parai! “S’ elle também vos cantou “Meu triste brado escutai! “No além-mar, solo meu, “Deu ab brisa a nova triste “Quem vos cantou não existe, “Gonçalves Dias morreu.

Ouviu-se um gemer profundo Findo o lugrube discurso; O sabiá não cantou, O rio parou o seu curso. A palmeuira emurcheceu, E os plumeos entristecidos Só repetiam unidos “Gonçalves Duias morreu!

Os bosques frondosos, As lindas florestas, Os lares saudosos As noutes, as sestas, Teu canto, poeta, Jamais ouvirão!

A voz predilecta,

Que quando cantava.

A’ tudo enlevava,

Não dirá mais flores;

Os plumeos cantores Jamais gosarão.

João Nery Pestana 339

aO vaTE Nessun maggior dolore Dante

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macilento, em seu leito sem honrarias, sem medalhas no peito vai-se o vate. o mar em festa dá-lhe alento um grande túmulo para um incomensurável talento os sabiás gorjeiam um canto triste as palmeiras curvam-se num gesto-gratidão vai poeta. vai cantar aos deuses do infinito o teu canto é a essência d’amplidão.

339João Nery Pestana - Cururupu – MA – Brasil - 1964. Onde viveu até a adolescência, quando já manifestava ten- dências literárias. É titular da cadeira n. 18 da Academia de Letras de Ribeirão Preto/SP, tendo como patrono Gonçalves Dias.Blog: www.jneryliteral.blogspot.com. E-mail: jotanery7@hotmail.com

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Je tremble

aH, mar! Frappé de ta grandeur farouche est-ce bien toi, vieux lion que je touche, Océan, terrible ocean! Turquety

o mar do maranhão tem cor de íris perene olor transitivo de sol

o mar do maranhão são vozes mudas que bebem homens

o mar do maranhão lava a alma dos rios onda anda ronda

exausto naufraga-se e feito saudade se guarda em mim.

QuimEra a ana amélia

i

pérfida é a minha crença num amor durável e sedutor ermas as minhas horas infinda a minha dor ímpia caminha a minha lida delineada por alfanjes afiadas pouco a pouco morrem-me a vida e as paixões outrora abrasadas debalde ausento-me de mim para fugir aos laços dos meus cruéis anseios se são meus grilhões os teus infandos braços sejam teus meus devaneios.

ii

Oh! rouvre tes grands yeux dont la paupière tremble, Tes yeux pleins de langueur; Leur regard est si beau quand nous sommes ensemble! Rouvre-les; ce regard manque à ma vie, il semble Que tu fermes ton coeur. Turquety

feito pintura rupestre vou tingir a tua alma atingir a tua calma maquiar os teus mistérios vou me tatuar na tua essência desvendar a inocência que moldura os olhos teus vou vestir-me de segrel vou a pé a Portugal pra chamar tua atenção vou morar num calabouço mutilar minha quietude vou viver de solidão vou fazer greve de sonho vou mudar o meu destino como quem troca de roupa cumpro qualquer penitência se ganhar de recompensa um cantinho desse céu que se esconde na tua boca.

iii

Mon Dieu, fais que je puisse aimer!

S. Beuve

senta-te aqui ao meu lado. não precisas dizer nada nada precisamos fingir, senão deixar que a chuva encharque e purifique as nossas almas despidas vês aquela árvore florida?! que vai e vem à melodia da brisa?! um dia fora apenas uma semente amanhã em seu lugar erguer-se-á um monumento

e ninguém mais há de lembrar a sua existência entrelacemos as mãos enquanto as temos

a vida, como o vento, a chuva, a árvore

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é única e eterna na brevidade de seu tempo sintamos o cheiro suave da terra molhada brindemos com a inconstância os nossos gozos inacabados e com o silêncio a mentira deste instante pois tudo o que somos, sentimos ou tocamos é apenas ilusão. a vívida ilusão dos nossos sonhos corporificada no delírio existencial de cada ser a chuva vai passar, logo se fará noite as estrelas encherão de luz as nossas retinas e nos farão acreditar na possibilidade do existir porém tudo o que foi não mais será senão remotas lembranças da nossa saudade na sua marcha em vão ao encontro do nada.

João Pedro Estrela Gonçalvez 340

CançÃO dO EXÍliO Aqui, em Tramandaí, a cidade é pacata e harmoniosa; em Porto Alegre há muita poluição e ruídos. Aqui, as atrações são o mar e os dias ensolarados; lá, o pôr do sol é o destaque; casais reúnem-se à beira do Guaíba para vê-lo. Em Porto Alegre, ver as estrelas é difícil; aqui, a constelação é brilhante. Em Tramandaí, há uma variedade de grupos; lá, o grupo dominante, são os idosos.

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João Pedro Mandarino Lopes 341

CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem florestas onde falam os papagaios. Os papagaios que aqui falam não falam como os de lá. Nosso céu tem lindos raios solares; nossas várzeas bons jogadores; nossos bosques têm mais linhas; nossos políticos nada fazem, só enrolam. Em espirrar sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá. Minha terra tem florestas onde falam os papagaios. Minha terra tem pastores que andam de lá para cá. Em espirrar sozinho, à noite, mais lazer encontro eu lá. Minha terra tem cachoeiras que encantam homens e aves.

340João Pedro Estrela Gonçalvez - Porto Alegre/RS – Brasil - 01 de novembro de 1997. Estudante do Ensino Mé- dio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. Curte música e jogos eletrônicos. E-mail: jpestrela2007@hotmail.com 341João Pedro Mandarino Lopes - Porto Alegre/RS – Brasil - 22 de novembro de 1994. Estudante. Vice-Diretor Social e Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 21, Patrono Alceu Wamosy; Membro Efetivo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; da Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal; e, da Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Coautor dos Romances Interativos: “Fantástica história de um mundo além da imaginação” e “Um Enigma”. E-mail: jpml_@ hotmail.com

Não permita Deus que eu morra sem que eu veja nossas florestas onde falam os papagaios.

João Rodrigues de Oliveira Santos 342

À mOrTE dE gOnçalvES diaS 343

Vendo a noite da vida aproximar-se, Na pátria procurou vir asilar-se Entre os seus expirar; Mas antes de chegar lhe anoitecera, E na terra, que tanto engrandecera Não pôde repousar.

Entre as vagas — á vida quasi exausta — Já marcado lhe havia a sorte infausta O jazigo final:

Em vão fugir tentou ao seu destino, Que além — gemendo — o mar lhe entoa o hinno Do triste funeral.

Do verde palmeiral á grata sombra Mais quisera o cantor ter por alfombra A terra em que nasceu:

 tarde ouvir das aves o gorjeio, E d noite recolher no frio seio Os orvalhos do céu;

Mas não quis o destino caprichoso Que o cantor das palmeiras mavioso Dormisse á sombra d’elas! Quis dar-lhe mais extensa sepultura, Onde, cm vez de mil cantos de ternura. Ouça a voz das procelas!

Melhor foi!

que não deve o frágil barro.

Que cm si conteve um gênio tão bizarro, Ser dos vermes roído! Invólucro de espírito divino, Só lhe deve alternar da glória o hino O oceânico gemido!

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342João Rodrigues de Oliveira Santos - Foi fundador e sócio benemérito do Gabinete Português de Leitura do Maranhão e membro efetivo do Instituto Literário Maranhense. 343Santos, 1868, 12-14. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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Invólucro d’um alma grande c nobre. Alguns palmos de terra era mui pobre Jazigo a gênio tal! Do atlântico a vasta sepultura É mais própria, de certo, e mais n’altura Do cantor imortal!

Dorme, pois, do Brasil cantor mui terno, Entre as vagas azuis, que o sono eterno Perturbar-te não vou:

Quis um hino elevar-te bem sentido; Mas só pude soltar este gemido, Com que a lira estalou.

João Vitor de Souza Bastos 344

CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem o mar e o mais puro ar. O sol que aqui brilha, não brilha como lá.

À noite, quando chega, brilha bela como o luar . Os golfinhos aqui saem com frequência para nadar como nunca fazem os de lá.

Quando chega o verão, o pensamento é um só:

sentir o cheiro puro do ar, vendo o brilho do mar.

344João Vitor de Souza Bastos - Criciúma/SC – Brasil - 10 de abril de 1994. Atualmente, reside Porto Alegre/RS. Filho de Fátima de Souza Bastos e Artur Cezar Bastos Neto. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Caixas Poéticas”, 2012. Curte o mar, festas e viajar. E-mail: jvsbastos@hotmail.com

Joaquim José Teixeira 345

a a. gOnçalvES diaS

Gonçalves Dias – Lê-se no Correio Mercantil

O SR. Dr. Joaquim José Teixeira fez-nos o obsequio de offerecer esta promorosa poesia:

A’ A. Gonçalves Dias

Fizeste bem, poeta! O luso cysne ás ondas escapou, E sobre a palha os dias seus findou.

Mas elle então salvava Do pátrio ninho a fama, e a própria sua, E nada já faltava á gloria tua.

Teu nome repetião As brasilias palmeiras sempre bellas, Do CEO que as cobre as multiples estrellas. A campo que escolhestes Reflecte o nobre olhar do firmamento; É vasta como foin teu poensamento.

Prégão novo alcançaste;

Irá dizendo o mar e’ o a voz gigante:

Aqui jaz o poeta mais brilhante

Joaquim Maria Machado de Assis 346

a gOnçalvES diaS 347

Ninguém virá, com titubeantes passos,

E

os olhos lacrimosos, procurando

O

meu jazigo Gonçalves Dias, Últimos Cantos.

Tu vive e goza luz serena e pura. Basílio da Gama, O Uraguai.

435
435

345O Paiz, novembro de 1864, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Insti- tuto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 346Machado de Assis - Rio de Janeiro – RJ – Brasil - 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo,. É o fundador da Cadei- ra nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.Assis, 1976, 407-411. 347Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Assim vagou por alongados climas,

E do naufrágio os húmidos vestidos

Ao calor enxugou de estranhos lares

O lusitano vate. Acerbas penas

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Curtiu naquelas regiões; e o Ganges,

5

Se o viu chorar, não viu pousar calada, Como a harpa dos êxules profetas,

A

heróica tuba. Ele a embocou, vencendo

Coa lembrança do ninho seu paterno, Longas saudades e míseras tantas. Que monta o padecer? Um só momento

10

As mágoas lhe pagou da vida; a pátria Reviu, após a suspirar por ela; E a velha terra sua

O

despojo mortal cobriu piedosa

15

E

de sobejo o compensou de ingratos.

Mas tu, cantor da América, roubado Tão cedo ao nosso orgulho, não te coube

 

Na terra em que primeiro houveste o lume Do nosso sol, achar o último leito! Não te coube dormir no chão amado, Onde a luz frouxa da serena lua, Por noite silenciosa, entre a folhagem Coasse os raios húmidos e frios,

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Com que ela chora os mortos

derradeiras

25

Lágrimas certas que terá na campa

O

infeliz que não deixa sobre a terra

Um coração ao menos que o pranteie.

 

Vinha contudo o pálido poeta Os desmaiados olhos estendendo

30

Pela azul extensão das grandes águas,

A

pesquisar ao longe o esquivo fumo

Dos pátrios tetos. Na abatida fronte Ave da morte as asas lhe roçara;

 

A vida não cobrou nos ares novos,

35

A vida, que em vigílias e trabalhos,

Em prol dos seus, gastou por longos anos,

Co’essa largueza de ânimo fadado

A

entornar generoso a vital seiva.

Mas, que importava a morte, se era doce

40

Morrê-la à sombra deliciosa e amiga Dos coqueiros da terra, ouvindo acaso No murmurar dos rios, Ou nos suspiros do noturno vento, Um eco melancólico dos cantos Que ele outrora entoara? Traz do exílio Um livro, monumento derradeiro Que à pátria levantou; ali revive Toda a memória do valente povo

45

Traz do exílio Um livro, monumento derradeiro Que à pátria levantou; ali revive Toda a memória

Dos seus Timbiras

50

Súbito, nas ondas

Bate os pés, espumante e desabrido, O corcel da tormenta; o horror da morte

Enfia o rosto aos nautas

Quem por ele,

Um momento hesitou quando na frágil

55

Tábua confiou a única esperança Da existência? Mistério obscuro é esse Que o mar não revelou. Ali sozinho, Travou naquela solidão das águas O duelo tremendo, em que a alma e corpo

60

As suas forças últimas despendem Pela vida da terra e pela vida Da eternidade. Quanta imagem torva, Pelo turbado espírito batendo As fuscas asas, lhe tornou mais triste

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Aquele instante fúnebre! Suave É o arranco final, quando o já frouxo Olhar contempla as lágrimas do afeto, E a cabeça repousa em seio amigo. Nem afetos nem prantos; mas somente A noite, o medo, a solidão e a morte. A alma que ali morava, ingênua e meiga, Naquele corpo exíguo, abandonou-o, Sem ouvir os soluços da tristeza,

70

Nem o grave salmear que fecha aos mortos

75

O

frio chão. Ela o deixou, bem como

Hóspede mal aceito e mal dormido,

 

Que prossegue a jornada, sem que leve

O

ósculo da partida, sem que deixe

No rosto dos que ficam, — rara embora, — Uma sombra de pálida saudade.

80

Oh! sobre a terra em que pousaste um dia, Alma filha de Deus, ficou teu rasto Como de estrela que perpétua fulge! Não viste as nossas lágrimas; contudo O coração da pátria as há vertido.

85

Tua glória as secou, bem como orvalho Que a noite amiga derramou nas flores E o raio enxuga da nascente aurora. Na mansão a que foste, em que ora vives, Hás-de escutar um eco do concerto Das vozes nossas. Ouvirás, entre elas, Talvez, em lábios de indiana virgem! Esta saudosa e suspirada nênia:

90

“Morto! é morto o cantor dos meus guerreiros! Virgens da mata, suspirai comigo!

95

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437

A grande água o levou como invejosa.

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Nenhum pé trilhará seu derradeiro Fúnebre leito; ele repousa eterno Em sítio onde nem olhos de valentes, Nem mãos de virgens poderão tocar-lhe Os frios restos. Sabiá-da-praia De longe o chamará saudoso e meigo, Sem que ele venha repetir-lhe o canto.

100

Morto! é morto o cantor de meus guerreiros! Virgens da mata, suspirai comigo! Ele houvera do Ibaque o dom supremo De modular nas vozes a ternura,

105

A

cólera, o valor, tristeza e mágoa,

E

repetir aos namorados ecos

Quanto vive e reluz no pensamento. Sobre a margem das águas escondidas, Virgem nenhuma suspirou mais terna, Nem mais válida a voz ergueu na taba,

110

Suas nobres ações cantando aos ventos,

O

guerreiro tamoio. Doce e forte,

115

Brotava-lhe do peito a alma divina. Morto! é morto o cantor dos meus guerreiros! Virgens da mata, suspirai comigo!

“Coema, a doce amada de Itajuba, Coema não morreu; a folha agreste

120

Pode em ramas ornar-lhe a sepultura,

E

triste o vento suspirar-lhe em torno;

Ela perdura a virgem dos Timbiras,

 

Ela vive entre nós. Airosa e linda, Sua nobre figura adorna as festas

125

E

enflora os sonhos dos valentes. Ele,

O

famoso cantor, quebrou da morte

O

eterno jugo; e a filha da floresta

Há de a história guardar das velhas tabas Inda depois das últimas ruínas. Morto! é morto o cantor dos meus guerreiros! Virgens da mata, suspirai comigo!

130

“O piaga, que foge a estranhos olhos,

E

vive e morre na floresta escura,

Repita o nome do cantor; nas águas

135

Que o rio leva ao mar, mande-lhe ao menos Uma sentida lágrima, arrancada Do coração que ele tocara outrora, Quando o ouviu palpitar sereno e puro,

E

na voz celebrou de eternos carmes.

140

Morto! é morto o cantor dos meus guerreiros! Virgens da mata, suspirai comigo!”

voz celebrou de eternos carmes. 140 Morto! é morto o cantor dos meus guerreiros! Virgens da

Joaquim Ribeiro Gonçalves 348

aOS maranHEnSES 349

I

Eis o Profeta sagrado. Mensageiro do Senhor; Na poesia embalado:

Eis o grande trovador:

Eis o bardo enobrecido Das Musas filho querido; Excelso Profeta de Deus, Que em todo mundo s’encerra, Grandioso cá na terra, Inda maior lá nos céus!

Eis o vate celestino, Cuja lira incomparável Fê-lo no empíreo – divino, Na terra fê-lo louvável:

Eis o gênio portentoso, Sublime, santo e donoso; O bendito do Senhor:

Eis a lira incomparável Do poeta inimitável; Eis o nobre trovador.

Qual a rosa purpurina, Rosa meiga e tão louçã; Que se abre linda e divina Ao rocio da manha. E que, do vento ferida, Se desmaia emurchecida O anjo de melodias… Mas o seu vulto ficou; Eis ali – Gonçalves Dias!

Eis o cantor das palmeiras, O cantor do sabiá; O filho d’estas ribeiras:

Eis o poeta. Ali está O gênio mais sublimado, Por mão divina fadado; Do Brasil grande memória Das Musas filho querido. Eis o vate enobrecido, Do Brasil ditosa glória.

439
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348Nasceu no Piauí 349Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 570-573. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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440

Como o dom de profecia Vaticinou qual a sorte, Que ele, Rei da poesia, Havia de ter de morte. Cumpriram-se d’este poeta, D’este invejável Profeta As celestes profecias:

No níveo leito das águas. Se findaram suas mágoas, S’envolveu – Gonçalves Dias!

Qual a Rosa desfolhada Pelo rijo vendaval, Aquela fronte inspirada Do Brasil o pedestal Se murchou, e lá das águas Vê o caminho sem fráguas Qual a garcinha d’amor; Abre, saindo dos mares, As azinhas, corta os ares, Voa ao trono do Senhor!

Lá, quem sabe?! o heroísmo Que no seu peito se encerra, Com valor, patriotismo, Talvez cante a sua terra, Que reluz entre primores No lindo leito de flores De inspirações divinais; Talvez lá cante as palmeiras, D’estas formosas ribeiras; Talvez cante os sabiás!

II

Poeta nobre e sagrado Do Brasil o pedestal, Gênio soberbo, inspirado Pela musa divinal, Grande vate enobrecido, Das Musas, filho querido, Imortal d’estas ribeiras, Recebe o meu canto pobre, Que se humilha ao bardo nobre, Ao grã cantor das palmeiras;

No branco leito dos mares, N’esse leito de cristal,

Riscaram-se os teus pesares, Morreste: És imortal No nome, porque a palma

E os louros que tem tu’alma

São triunfos imortais, São glórias d’estas ribeiras, Esmeraldas as palmeiras, Diamantes os sabiás!

E lá do leito de flores, Onde repousas, poeta, Onde cantas teus amores, Onde asseguras, ó Profeta, Olha e vê o que s’encerra Grande a ti por sobre a terra, N’este trono de beleza, Onde singelas canções São dos céus inspirações, Onde brilha a natureza.

Possa minha voz se elevar Da tua chegar aos céus, No teu peito descansar, Sagrado filho de Deus;

Possa dizer-te ao ouvido:

Ó poeta enriquecido

De celestes melodias, Morreste; mas sobre a terra O teu nobre vulto se encerra, Ind’está - Gonçalves Dias!

E vós, povo maranhense,

Perdoai se a honra, o brilho Um jovem piauiense Mareou do vosso filho. Mas, enfim, sou brasileiro, Sou d’este império altaneiro, D’esta terra de harmonias, Devo honrar ao bardo ingente Do Brasil o mais potente, Devo honrar ao grande Dias.

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Joaquim Vespasiano Ramos - Vespasiano Ramos 350

gOnçalvES diaS 351 Forte, belo, altaneiro, assim como os condores, o sonho de subir fulgia-lhe na mente, como um sol refletindo os raios de mil cores, nas águas de cristal de uma pura corrente!

Altivo sonhador entre os mais sonhadores, do espírito arrancou a aeronave fulgente, que havia de escondê-lo entre estrelas e flores levando-o pelo eterno azul resplandescente!

E assim, ao sol da rima, o sonhador, deixando para sempre este pó de negros desenganos, enobrecendo a Pátria, enriquecendo a História.

Partiu, águia do verso, entre Versos, cantando, na aeronave de luz, que vive, há quarenta anos errando na amplidão dos páramos da Glória!

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Joaquim Vila Neto - Quincas Vilaneto 352

CançÃO dOS ESQuECidOS No meio da praça em cárcere cruel. O poeta declama poemas ao léu. O vento ouvindo-o tão só, repete:

cantando

350Joaquim Vespasiano Ramos - Vespasiano Ramos - Caxias – MA – Brasil - 13 de agosto de 1884 – faleceu em Porto Velho, 26 de dezembro de 1916; foi um poeta brasileiro. Nasceu nas condições mais humildes, desde cedo começou a trabalhar no comécio local, no entanto buscando sempre o saber tornou-se um viajante com- pulsivo, que levaria o conhecimento a outros povos, durante a sua vida viajou por quase toda a região norte e também o sul do Brasil. Publicou sua obra poética em diversos jornais e revistas de seu tempo. É considerado o precusor da literatura em Rondônia. Em sua homenagem foi construído um grande centro recreativo, em Rondônia,e no Maranhão, uma das mais belas praças da capital recebe o seu nome. É patrono da cadeira n° 32 da Academia Maranhese e da cadeira n°40 da Academia Paraense de Letras. http://pt.wikipedia.org/wiki/ Vespasiano_Ramos 351MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 64, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 352Quincas Vilaneto

os poemas de cor. A um outro errante e solitário cantor, que não tem outra saída senão:

imitar o poeta e o sabiá.

uma TimBira CançÃO Balaia. Agora que a lua monta guarda no Alecrim e que as lamparinas perderam a serventia. Há uma flor expiando no jardim, há um sabiá que ainda se lembra de ti. Agora que o mar te tem por inteiro e as ondas deságuam dando conta do exílio. Há uma timbira canção balaia tendo como certa o sacrifício, há um bêbado vazio que se anuncia:

navegando sem domícilio, até que se possa anunciar onde mora a poesia.

Jonas Batista Neto 353

COmO SEria amigO dE gOnçalvES diaS Ainda posso o ver Gonçalves Dias meu amigo, Longe de casa a estudar.

Em Portugalcomeçando a tecer romances Posso sentir a saudade de casa Que lhe leva a escrever cada palavra e a linda Canção do exilio.

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353Jonas Batista Neto - Belo Horizonte/MG – Brasil - 25 de fevereiro de 1989, Autor do livro “Tempos de Poesia”, obra publicada pelo selo Terceira Margem da editora carioca Multifoco em outubro de 2011, participou do Sarau promovido pelo poeta Rogério Salgado em Dezembro do mesmo ano, recitando duas poesias. Mantene- dor do blog Letra e Palavra (http://letraepalavra.wordpress.com) dedicado a poesia e a arte em geral. E-mail para contato: jonasbneto@gmail.com.

Queria ver a volta Já formado, mas com o coração cheio de versos e romances, Poderíamos conversar sobre quando conheceu Ana Amélia E a ela seu coração decidiu entregar.

Consigo sentir o adeus a teu amor E a conquista do Rio de Janeiro A dar aulas e escrever para jornais Como poeta e romanceiro.

Estaria presente em teu casamento Felicitaria Olímpia E veria nova partida.

Estudos para nosso Brasil Me diria.

Choraria ao saber do naufrágio que o afogou Mas me conformaria, pois “O canto do guerreiro” “Os olhos verdes” e “A tempestade”, bem como, tantas outras, Em minha memória e coração ficaria.

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Jonatan Algorta Soares 354

CançÃO dO EXÍliO Em Paris há muitos pontos turísticos. Nesta temporada, espero conhecer a Torre Eiffel e o Estádio do Paris Saint-Germain Football Club. No Brasil, o Cristo Redentor e alguns dos Estádios reformados para a Copa do Mundo de 2014. Paris e Brasil, cada um com os seus atrativos e encantos.

Jorge Antonio Soares Leão – Jorge Leão 355

pOEma a gOnçalvES diaS Vibrante, és fecundo nos dias. Cantando ao nativo as memórias Das noites o que mais tu serias, senão o clamor nas histórias

354Jonatan Algorta Soares - Porto Alegre/RS – Brasil - 26 de janeiro de 1998. Estudante do Ensino Médio do Colé- gio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. Curte futebol e música. E-mail: rochele_algorta@hotmail.com 355Jorge Antônio Soares Leão - São Luís, MA Brasil - 27 de março de 1975. Formação acadêmica: Licenciatura em Filosofia (UFMA). Produção literária: Sagrada Profanação (livro de sonetos, Premio Sousandrade, 2001)

No poema, sobre o lamento e a dor Traduziste a canção do Piaga. Deste solo pisado em furor Por quem nestas matas indaga

Teus passos nas ruas sentindo Acordo, neste solo, gemendo. Ouvindo o teu canto sumindo, Diante do ódio crescendo

Revejo, porém, tua face aos desejos inglórios da vida Recanto à criança que nasce, Teu poema nesta terra ferida

Por que, ao dizer do senhor O cenário é de morte e de cruz. Por tal irascível clamor, Volta o sangue, o martírio, em Jesus

O pão sepultado em sementes, agora escondido do vil Anhangá, que chega provendo as torrentes num desterro da tribo a clamar

Inimigo das matas em trevas, chega o tempo da anulação Deste povo, feito réu de suas ervas, que outrora fecundavam este chão

Foste, contudo, a voz, o percurso Entre viagens e dores sem par. Teu povo nativo em concurso, sem ver a própria ruína a chegar

Tua pena, teu amor tão incerto. Desbotando a recusa sem preço, a manter a lembrança por perto, como quem reza as contas de um terço.

Na praça, tuas cartas amadas no silêncio vencido por dote. Histórias inteiras contadas como segredo no fundo de um pote.

Dias e noites, a lua cantada. Tribos letárgicas ao passo de alerta:

é o espectro dissecando a cilada do invasor nesta terra in-coberta

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Ao teu canto, o Piaga concede a lembrança de um tempo em desterro Aviltando a terra que mede a distância dilatando este erro.

Dias e noites, revejo o exílio da sina de um povo insultado. Hoje, a buscar ainda o seu brilho no poeta, por seu canto lembrado

Cantando a saudade além mar. Em Coimbra, robustos segredos Trazidos à pena, ao deitar em teus cantos, o assombro dos medos

Em terras distantes, pesadas lembranças. Dos primores, as palmeiras, o vento Agora, vejo-te imóvel, diante das danças, que refazem em tuas mãos aquele momento.

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Poeta nativo das várzeas floridas. Emerge à lembrança um triste sinal:

emaranhado de lembranças perdidas, por este retorno à terra natal

u m

José Britto Barros 356

p O E T a

i m O r T a l

Minha singela homenagem ao grande vate maranhense de quem aos sete anos come- cei a decorar A Cañção do Tamoio que tem me acompanhado a vida inteira a repetir seu desafio encantador:

“Não chores, meu filho, Não chores que a vida É luta renhida, Viver é lutar! A vida é combate Que os fracos abate, Os fortes e os bravos Só pode exaltar.”

Gonçalves Dias, era eu menino E a minha mãe me entregou teus cantos:

“A vida é combate” e eu pequenino Me pus a decorar os teus encantos.

356José Britto Barros - São Bento, MA – Brasil - 15 de julho de 1930, Bacharel teológico, Pastor, missionário da Junta de Missões Nacional, orador sacro, professor, poeta de grande produção.

Depois cantaste em teus enlevos tantos Da nossa terra o mais formoso hino:

Palmeiras

sabiás em contra cantos

Lindo poema de um rimar tão fino.

Tua musa, ó gran poeta, foi famosa, Tua poesia toda foi grandiosa De conteúdo rico e magistral !

E tudo que escreveste está perfeito, Ninguém ousou achar qualquer defeito, Foste e inda és um poeta imortal!

José Carlos Mendes Brandão 357

gOnçalvES diaS, O pOEma A canção do exílio e o canto do guerreiro i - juca-pirama e a canção do tamoio a concha e a virgem, ainda uma vez adeus se se morre de amor e o canto do piaga

Marabá e o gigante de pedra leito de folhas verdes e deprecação seus olhos, minha vida e meus amores amor e delírio – engano e recordação

A escrava e o mar, epicédio e a rosa no mar

a noite, o amor, sempre ela, palinódia? espera! olhos verdes, não me deixes, rola, zulmira

a mendiga sobre o túmulo de um menino

A

minha terra e o canto do índio

O

que mais dói na vida, meu anjo, escuta

Oh! que acordar! se muito sofri já, não me perguntes

Se te amo, não sei! Como! És tu?

mavuTSinim Eu, Mavutsinim, o primeiro homem a pisar este chão abençoado, fui só como o horizonte do infinito.

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357José Carlos Mendes Brandão – Dois Córregos - SP – Brasil – 28 de janeiro de 1947, Publicou sete livros de poesia: O Emparedado a O Sangue da Terra. É detentor de vários prêmios literários, como o da V Bienal Nestlé de Literatura, 1991, por Presença da Morte; o “José Ermírio de Moraes”, do Pen Centre de São Paulo, para melhor livro do ano, 1984, por Exílio; o Cidade de Belo Horizonte, por um romance inédito, 2000; o Brasília de Literatura, 1991, e o “Jorge de Lima”, da U.B.E., 2011, por livros inéditos.

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Senhor do universo, criei de uma concha a mulher que o meu corpo reclamava. A beleza tem forma, na verde luxúria das ervas resinosas que nos acolheram.

O espírito do sol e o espírito da lua pousaram sobre nós a sua luz. O ventre da mulher cresceu como o húmus fertilizado pelas águas vermelhas.

Ergui nos braços o meu filho varão em oferenda à estrela da montanha. E seguimos as sendas, que eram nossas.

A mãe voltou à sua aldeia, a lagoa, e encantou-se, na concha de que viera. Os índios são os filhos do meu filho.

Eu, Mavutsinim, cumpri o meu destino.

O dESTinO dOS mOrTOS Onde Uatsim, o meu amigo tão amado? Por que não volta para comigo se encontrar? Quando ouvirei o riso dos espíritos, no dia em que o sol, negro, não brilhar? Quando irei com a sombra do meu amigo à festa da luta contra os pássaros? Os espíritos tornam-se cobras, à noite,

e eu, Aravutará, não tenho medo. Os sapos matarei, com minha borduna, e os caranguejos ferozes, com os pés. Construo forte ponte sobre o córrego e apago o fogo que amedronta os mamaés.

Mas onde o meu amigo, que não vem? Quero a seu lado lutar contra os pássaros, a arara, o jaburu, o tucano, o recongo. Quero encher de penas o meu tuavi. A minha flauta tocarei para me defender. Verei o gavião grande comer os mamaés, que perecem para sempre no dia negro quando celebram a sua festa da morte.

O meu amigo não se vá com o gavião, quero ver o meu amigo evolar-se no ar azul. Por que não vem para comigo se encontrar, Uatsim, o meu pobre amigo tão amado? Onde os vastos e velhos campos da morte unem-se aos nossos verdes campos da vida?

a fESTa dOS mOrTOS Os mortos são sombra, Mavutsinim, e sonhas a seiva do ar, o fogo do espírito.

Os tronos de kuarup pintados, adornados de penas de arara e fios de algodão foram fincados na praça da aldeia e os maracá-êp cantavam sem cessar chamando-os à vida, à luz rubra do sangue.

Não choremos os mortos, é dia de festa. Os mortos reviverão, com a força do sol. Cantemos, irmãos, alegres cantemos. A madeira verde se faz carne e dança com os nossos cânticos jubilosos.

Mas os mortos são sombra, Mavutsinim, e é sombra o nosso apelo fementido. São os convivas da morte, os mortos. O kuarup é a sua festa, são as flores de cânticos e danças às sombras dos mortos que não mais retornarão.

OdE À Índia vanuÍrE Esta casa onde moro exatamente este lugar onde estou esta sala foi uma oca caingangue.

Estas ruas por onde ando foram trilhas caingangues.

Por onde quer que eu passe sinto a sombra da índia Vanuíre.

Sinto uma flecha me atravessando a garganta.

Sinto uma flecha me atravessando a língua.

Morro e renasço ontem hoje no inferno.

Vejo o rekakê Vahuin me chamando para a luta.

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Tenho vergonha da minha covardia.

Onde estou sentado era uma pedra junto ao fogo

é uma perda a alma da cinza.

Onde me deito reinam os ossos dos ancestrais.

A velha Vanuíre trouxe a paz?

O esquecimento apatia morte lenta de quem fôramos.

Éramos índios guerreiros

condenados à morte encolhidos como uma criança no útero.

Iríamos para a terra fria os guerreiros chorariam por nós.

Os anciãos chorariam por nós.

Hoje ninguém chora por nós sobreviventes como um tição apagado na fogueira.

Ah Vanuíre para que existimos?

Estou ouvindo a terra do homem a terra do homem a terra do homem.

Estou ouvindo vozes do outro mundo Vanuíre e Vahuin

outros rekakês Congue Huí Charin Cangruí Rugrê.

Se lamentam morrem mais uma vez.

José Carlos Serufo 358

anTôniO, O auTOdESTErradO O poeta é um louco compensado na poesia,

sem a qual terminaria em degredo social,

no isolamento, na morte

, no anonimato.

O poeta dói a cada novo instante. Gonçalves Dias excretava dores a cada suspiro, a cada escrita, para dar espaço às novas dores que se acumulavam e o sufocavam, brotando continuamente de sua fornalha interior.

Teve momentos, talvez felizes, que logo se tornaram recordações dolorosas, como em “Seus olhos” e “A leviana”. Aqui não se trata de leviana, mas de sua musa-menina, “A leve Ana”, de um amor bloqueado pelos valores morais e o respeito à tenra idade.

Preso a esses valores e respeitos da época, não lutou para ter a amada, agora mulher,

em novo encontro no vau de paixões desvairadas.

Valores

,

Virtudes

,

esvaídas no vau do tempo.

Nunca mais deitou a cabeça no travesseiro do perdão. Assim registrou no poema “O amor” “Dobrei-me às duras leis que me imposeste, Curvei ao jugo teu meu colo humilde, Feri-me aos teus ardentes passadores, Prendi-me aos teus grilhões, rojei por terra

E o lucro?

foram lágrimas perdidas,

Foi roxa cicatriz qu’inda conservo, Desbotada a ilusão e a vida exausta!”

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358José Carlos Serufo - São Paulo - SP Brasil - 02-09-1952. Médico especialista em Clínica Médica, Medicina In- tensiva e Saúde Pública. Professor adjunto da FM-UFMG e professor titular da Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Infectologia e Medicina Tropical. Membro titular da Academia Mineira de Medicina (Cad. 67). Membro titular da ABRAMES (Cad.10) e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Membro titular da Arcádia de Minas Gerais. Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (Cad. 44). Autor dos livros “Valorados Grafemas”, “Poemas”, “Erótika”, “Emergências Médicas”, “Odes”, “Poematizando”, “Jornada Gui- marães Rosa” e “50 Poemas” E-mail: serufo1@gmail.com

E então, tudo virou dor e auto-flagelo lavrados no poema “O que mais dói na vida” “É morrermos em vida, morrer no peito da mulher que idolatramos, ’

no coração do amigo Ou, ainda, o dessentido do viver, expresso em “A minha musa”. “Nesse pobre cemitério Quem já me dera um lugar! Esta vida mal vivida Quem já ma dera acabar!” “Invejo o sono dos mortos Sob a laje carcomida.”

Atenua nos sonhos, muitos, mas pouco. “Porque a vejo nos meus sonhos, vem comigo, ó doce amada” exprimido no poema “Solidão”, mas atenua pouco “Acordado ou dormindo, é triste a vida Dês que o amor se perdeu”, do poema “Delírio”.

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Castigou-se com o exílio Viveu como em “Recordação” e “Sempre Ela” “Depois que meus olhos a perderam. Deixando-me sem norte em mar d´angústias” “Então dos olhos meus corre espontânea Que não mais te verei”

No poema “Minha vida, meus amores” buscou conforto na conversa com Deus. “Ou suplica a Deus comigo Que me dê uma paixão; Que me dê crença à minha alma, E vida ao meu coração.”

Tentou convencer-se, de que na vida tudo é assim, em seu “Miserrimus” “Amizade! - ilusão que os anos somem; Amor! - um nome só, bem como o nada, A dor no coração, delícias n’alma, Nos lábios o prazer, nos olhos pranto - Tudo é vão, tudo é vão, exceto a morte.”

Mesmo em seu poema à pátria, talvez o mais conhecido, com versos gravados no hino nacional, o singular “Canção do exílio”, há influências desta paixão palmatória:

“Nossa vida mais amores.” “Em cismar - sozinho, à noite - Mais prazer encontro eu lá;”

Até que um dia, a vida o pôs em confronto. Em êxtase, mas imóvel imolou-se de novo em “Ainda uma vez – adeus” “Perdoa, que me enganei!” “Quando do engano, quem erra.

Não pode voltar atrás!”

“Dói-te de mim, que t’imploro Perdão, a teus pés curvado;

Perdão!

de não ter ousado

Viver contente e feliz! Perdão da minha miséria, Da dor que me rala o peito, E se do mal que te hei feito, Também do mal que me fiz!”

Ela copiou o texto com o próprio sangue, mas igualmente extasiada, estagnada, nada fez. Ele, mais uma vez aceitou, passivo, diante do confronto sangrou sua alma mais uma vez – na poesia.

Fosse ele um bruto. Fosse mais leviana, a Leve Ana. Tudo seria diferente e, talvez, não conheceríamos Gonçalves Dias

amBÍviO diaSianO

Encruzadas

Muitas!

A vida arma caminhos cruzos. Muitas vezes inarmônicos, abstrusos Redirecionar é nossa arte, Mas uma perdida pode enfunar, acabrunhar para sempre o cabra. Esbagoar no espaço, deixando-o sem asas, sem vento, sem arranque.

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Assim, Gonçalves Dias, diante da caixa preta do destino, dos valores morais de sua época e da paixão insopitável, tomou o rumo que julgou decoroso. Nunca mais perpassou, plenamente, os umbrais de Afrodite! Plenamente, cunhou na escrita o traço agridoce de sua amargura

Vale ser bom! Vale quanto? Vale vintém! Uma saga malfeliz! Suntuosa literatura, farta atribulação, eu destinto No vão, entre a amizade e a paixão Entre os valores morais e o instinto Entre a amante meliante e o círculo social distinto. Cair no desterro do desabusado ou no insulamento do humano? Enfim, quando vale seguir a Ponta do nariz ou o arco-íris, diga-me meu poeta Beliz?

José de Castro 359

À SOmBra daS palmEiraS (para anTOniO gOnçalvES diaS, em memória) Vêm de longe os teus versos, do passado a ecoar, ouro, prata, esmeralda, um valor que não tem par.

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Tuas palavras são lembranças que cavalgam leve ao vento, se parecem com a brisa quando sopra em lamento.

Teus poemas são estrelas pelo céu a cintilar, abro portas e janelas pra melhor os contemplar.

Inda ouço tuas mágoas emergindo lá do mar, canto triste sobre as águas onde fostes te afogar.

O poeta até se acaba, mas seus versos, esses não, feito rio correm sempre, perenes no coração.

Nessa terra tem saudades, tem estrelas, o que mais há? Tem a sombra das palmeiras e um triste sabiá.

Mesmo um século ou milênios, passe o tempo que passar, os teus versos como estrelas para sempre irão brilhar

359JoSÉ DE CASTRo - Resplendor/MG – Brasil - 23/03/1948. Jornalista, poeta e escritor. Mora em Natal/RN. Membro da União Brasileira de Escritores/RN. Livros publicados:

A marreca de Rebeca (Paulus/SP); O mundo em minhas mãos (Bagaço/Recife); A cozinha da Maria Farinha (Paulinas/SP); Poemares (Dimensão/BH); Poetrix (Dimensão/BH); Dicionário Engraçado (Paulinas/SP). Publica seus escritos no site: http://www.recantodasletras.com.br/autores/josedecastro

José E. Teixeira de Sousa 360 - Rio de Janeiro, 1873

gOnçalvES diaS – OdE - aO dr. anTOniO rEgO

O céu e o oceano — Imagens do infinito – reclamaram E para si guardaram Os despojos do vate americano ……………………………… Mas se a terra em seus ossos não consome Teve em partilha a glória do seu nome. Bernardo Guimarães

Glória ao poeta — gênio! _ A turba se descobre e exclama: Glória! O mundo acompanhando o com edênio mimoseia o porvir, corteja a história. E a estátua de granito anima-se no meio do concerto, erguendo-se à raiz do plaino aberto como o sol no infinito.

Ei-lo! Silêncio!

A aragem

em nossas noites — meiga e perfumosa, do rio a voz, da lua a branca imagem,

a

palmeira a florir verde e frondosa, da tarde as harmonias,

as

rútilas esferas lá no espaço,

o

mar que a escondeu em seu regaço,

tudo, tudo nos diz: Gonçalves Dias!

Sim, sim ele foi grande… ele era enorme!

E

quem d’aqui não descortina oculto

o

Gigante de pedra homereo, informe?

Quem de Coema o doce e ameno vulto? Inda I-Juca-pirama a voz expande Em seu canto de morte altivo e nobre! E tudo isso hoje diz, tudo descobre o quanto ele era grande!

Ele era d’esses talhados para crescer e subir. Trazia a seiva divina nos musc’los a refluir; no cérebro a lava ardente, na voz o verbo fulgente, – como fanais do porvir!

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360Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 556-560. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

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Em hora de amor profundo Deus o fez vir até nós, e disse: «Poeta, dirige «as orquestras com tua voz! «o mundo por ti espera, «perfuma-o de primavera, «dá-lhe eternos arrebóis.

«Em face de tuas dores «rir-se-ão os pigmeus; «mas, em troca, nos teus prantos «dá conforto aos prantos seus; «lhes aponta em teus poemas «a solução dos problemas, «que despenhou os Anteus.» …………………………… Ele veio peregrino assentar-se ao nosso lar, como o velho bardo grego, de tenda em tenda a cantar cantigas que as caravanas repetem hoje as savanas, à luz alva do luar:

Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá…

E assim a cantar andava soluçando paz e amor; no prazer, velando o pranto; no riso velando a dor; mas seu olhar sempre fito, na planura do infinito como no sol o condor!

Um dia porém… calou-se! enviuvaram as canções! adormecera e se fora como vão-se as estações… guardaram-lhe o extremo alento as vagas em movimento, as bocas dos furacões.

Como Haidéa em doces beijos reanima a D. Juan, as ondinas em cortejo mostram-lhe nova manhã. «Sê bem vindo!» – dizem umas

enxugando-lhe as espumas, que o envolviam, do mar; outras – vem-lhe pressurosas trazer um leito de rosas e folhas de nenúfar.

Sê bem bem-vindo! ah! e tão tarde! «Não vinhas mais já… talvez?! «Meu coração por ti arde.

«pálido

não vês?

»

Outra – meiga o acaricia dá-lhe a beber ambrósia dos seus paços de cristal. E o poeta como em sonhos aos beijos dorme risonhos d’esse bando festival.

Assim enquanto o oceano nas ribas que o viu nascer seu corpo procura ufano como um tesouro esconder, outro oceano – o da história – sua alma cheia de glória guardando em rútilo véu, eco de um triste lamento aos frios beijos do vento, vai abriga-la no céu.

E tu, estátua d’argila, Troféu erguido n’um montão de glória tua base não vacila… não carece dos evos a memória! Para ires ao porvir te basta o nome do vulto a quem te exalças em renome.

Minh’alma já desvenda as névoas d’essa idade que se avança… Tu luzes lá na senda, como um iris fagueiro de esperança! em cada busto que teus pés rodeia, eu vejo um prélio em que venceu a ideia.

Vem, turba entusiasta, exalta o gênio lhe inflorando a c’roa! mentiras cortesãs de ti afasta, e solene coral alegre entoa! Terra das melodias, Terras do Maranhão, verdes palmares! inda mais uma vez estruja os ares seus cantos imortais – Gonçalves Dias.

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José Francisco das Chagas- José Chagas 361

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CHÃO da praia grandE 362

I

Chão da Praia Grande, desertado chão, que será que expande tua solidão?

Onde te inicias e onde tu findas, gastando os teus dias em idas e vindas?

Onde o teu limite na lembrança nossa, que só nos permite quanto não se possa?

Quem que abre a porta desse teu vazio, natureza morta num silêncio frio?

Quem te lembra a vida de saudosas lutas, na razão medida

dessas pedras brutas?

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Chão da Praia Grande que de noite assusta quem agora ande sua paz vetusta.

Como são vazias pela noite afora tuas tristes vias Onde o tempo chora.

E quando despertas nas manhãs tão nuas, como são descritas Essas pobres ruas. [ ]

361José Francisco das Chagas- José Chagas. Nasceu em Piancó/PB, em 29 de setembro de 1924. Radicado no Maranhão desde 1948. Jornalista. É considerado o cronista da capital maranhense e um dos grandes poetas da atualidade. 362In: LATINIDADE –III Coletânea Poética da Sociedade de Cultura latina do Estado do Maranhão, pp.41-42, 2002.

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Chão da Praia Grande deixa que, em poeira, teu tempo desande até onde queira

e que teu passado não fique senão como pó dourado sobre a solidão.

José Itamar Lima da Silva - Itamar Lima 363

parTO Pariu-me uma mestiça em Jatobá próximo a Caxias Emprenhada pelo amor e sangue de um português Fazendo-me orgulhoso pelas raças, a poesia e a tez, Polindo-me em versos o tempo por Gonçalves Dias.

Ganhei mundo tendo como pano de fundo o saber Cantando no além-mar fiz a saudade vida no exílio No peito e na lembrança em Ana buscava o auxílio, A rejeição não foi páreo pro meu romance morrer.

E nas noites de febre ou na gestão poética insone Findadas no final instante da cabine do Boulogne Entreguei-me às sereias no cheiro dos seus lençóis.

Fiz meu reinado e que o tempo não me destrone Desabitei das palavras e alcei voo como um cone Pois agora desperto no amanhecer de outros sois.

José Lissidini Sánchez 364

El pOETa “En honor del gran poeta brasileño Gonçalves Dias”

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363itamar Lima José Itamar Lima da Silva - Missão Velha-CE - Brasil - junho de 1966, mudou-se com a família para a cidade de Pedreiras aos 06(seis) anos de idade onde viveu parte de sua infância e adolescência, tempo em que fora estudar em São Luís-MA. Retornou para Pedreiras em 1985 onde residiu até os 34 (trinta e quatro) anos, o que o faz Pedreirense e Maranhense por opção. É bancário no Banco do Brasil S/A, Estudante de Direi- to na Faculdade São Luís e na esfera artística é compositor, cantor e poeta. 364José Lissidini Sánchez - Montevideo. Uruguay - 17 de abril de 1961. Escritor. Periodista. Profesional Universita- rio en el área del Derecho. Premiado desde 1985 a nivel Nacional e Internacional en Poesía y Narrativa (Italia. Argentina. Australia). Premiado por la Fundación Mario Benedetti. 1990, publica su primer libro con el título “ Destetiempo”, compendio de poemas. Coparticipe de Antologías Internacionales. Colaborador en Publicacio- nes a nivel Mundial. Compositor.

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Cantemos a la Gloria. Cantemos al Honor. Cantemos a un hijo de América de letras y poesía mayor.

Su preclara memoria, nos recuerda su blasón. Su talento y sus luces. Su honesto y leal corazón.

Es la fructífera pluma que reproduce el valor, de un pueblo que libre ofrece vida, alegría y amor.

“Tus ojos”. “Irresponsable”, la pasión ardiente que emana, por aquella niña que se volvió tu Musa eterna, Doña Ana.

¡Oh suelo venturoso, que tal poeta dio ! Hoy nos habla desde su lira, Gonçalves nunca se ausentó.

La Cultura es el futuro. La Ilustración es el destino. El poeta así lo concibió por ser mandato divino.

Con Araújo Porto-Alegre y Gonçalves de Magalhães estas Con tu mar de talento inmenso, gran poeta de “ Cantos y Timbiras”.

lETraS vivaS “ En honor del gran poeta brasileño Gonçalves Dias”

Yo saludo tu sagrada lira. Yo saludo tu verbo divino. Iluminó el astro bello, tu destino. Te ungió de fortuna la deidad pía. ¡ Loores a ti poeta! Pues día tras día, consagrado en triunfo y gloria, se te mira.

Te mereces laureles, palmas y las olivas. La pluma siempre será tu áureo signo. Entre grandes Americanos, tú eres digno.

Y en el siglo veintiuno, desde la memoria trazo a trazo, sigue escribiendo su historia, enérgico tu verbo, en fermentales letras vivas.

Grabaste tu nombre con firme puño, a buril Poeta Gonçalves Dias, en tu imponente Brasil

José Luís Alves Pestana 365

COnTErrÂnEO Sou das terras das palmeiras onde canta o Sabiá Sou do Maranhão

Ludovicense e Caxiense de coração Na minha história de vida, idas e vindas por lá e por cá

Vejo hoje poucas palmeiras e tampouco o Sabiá Caxias tenho saudade

Gonçalves Dias só tenho a exaltar O poema perfeito a seu respeito ainda dorme no meu peito.

José Menezes de Morais - Menezes y Morais 366 *

gOnçalvES diaS

o branco o negro o índio moldaram a tua face

no momento em que nasceste

a vila de caxias respirava

nos pulmões da liberdade não era a república em flor que sousândrade desejara mas certamente o inicio de uma longa caminhada não foste apenas “o cantor dos meus guerreiros” como machado te chamara foste igualmente um guerreiro da palavra sofreste do amor que alimenta a vida sem ter o amor que

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365José Luís Alves Pestana - Poeta José Pestana - São Luís –MA Brasil – 26 de junho de 1968. Bombeiro Poeta. 2º Sargento do Corpo de Bombeiros Militar-Maranhão. 366Menezes y Morais é poeta, romancista, contista, teatrólogo, ensaísta, professor, jornalista e historiador piauiense radicado em brasília. ex-presidente do sindicato dos escritores no df, 12 livros publicados, entre os quais o romance a íris do olho da noite (thesaurus). WWW.thesaurus.com.br

o teu peito desejava tua poética é rastro de estrelas na dicção celeste do brasil insinuado quarenta e um anos e certeza: o oxigênio da poesia é a liberdade

José Oswald de Sousa Andrade – Oswald de Andrade 367

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CanTO dE rEgrESSO À páTria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase tem mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo

Jose Paulo Paes - 1973

CançÃO dO EXÍliO faCiliTada 368

… sabiá

…papá

…maná

… sofá

… sinhá

… cá?

bah!

367Oswald de Andrade São Paulo – SP – Brasil - 11/01/1890 /22/10/1954 http://www.releituras.com/oandra- de_bio.asp / http://recantodaspalavras.com.br/2008/04/05/cancao-do-exilio-e-outras-versoes/ Compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz 368Series Canções do exílio Jose Paulo Paes. Disponível em: http://www.moinhoamarelo.com/2011/07/serie- cancoes-do-exilio-jose-paulo-paes.html. Data do acesso: 01 de fevereiro de 2013. Poesia compilada por Leo- poldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universida- de Estadual do Maranhão

José Renato Hauck Junior 369

CançÃO dO EXÍliO Que saudade tenho do lugar onde nasci e, ao qual não mais poderei voltar porque de lá fui exilado.

Embora onde eu estou, haja muitas belezas, meu exílio tem me feito alimentar o desejo de poder, mais uma vez, a minha terra retornar.

Na memória, busquei razões para meu exílio, mas, não as encontrando, decidi não mais procurá-las.

Com o passar do tempo, certo dia, lembrei-me de que regras havia quebrado e, por isso, meu exílio se fez necessário.

José Ribamar Ferreira - Ferreira Gullar 370

nOva CançÃO dO EXÍliO 371 Minha amada tem palmeiras Onde cantam passarinhos e as aves que ali gorjeiam em seus seios fazem ninhos Ao brincarmos sós à noite nem me dou conta de mim:

seu corpo branco na noite luze mais do que o jasmim Minha amada tem palmeiras tem regatos tem cascata e as aves que ali gorjeiam são como flautas de prata

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369José Renato Hauck Junior – Campinas – sp – Brasil - 19 de maio de 1993 - Diretor Social e Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 20, Patrono Nelson Rodrigues; Membro Efetivo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; e, da Liga dos Amigos do Por- tal CEN, de Portugal, e da Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Coautor da Antologia “Traçando caminhos singulares”. Cursa Educação Física, na PUC-RS. E-mail: basket.jr@hotmail.com 370José Ribamar Ferreira - Ferreira Gullar - São Luís – MA – Brasil - 10 de setembro de 1930; é um poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo 371http://www.moinhoamarelo.com/2011/07/serie-cancoes-do-exilio-ferreira-gullar.html, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Univer- sidade Estadual do Maranhão

Não permita Deus que eu viva perdido noutros caminhos sem gozar das alegrias que se escondem em seus carinhos sem me perder nas palmeiras onde cantam os passarinhos.

José Ribeiro de Sá Vale 372 , 373

gOnçalvES diaS Quando teus versos primorosos leio, Urgidos de beleza e de harmonia Sinto – e não nego – um verdadeiro enleio, Entro no mundo azul da Poesia!

Teu estro de esplendor viveu cheio, Lembra o de Homero, rico de magia; Cortejando, brilhando em fino meio, Mostraste o teu valor com galhariua!

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Tu cantaste a mulher que te foi vida, - A pátria, nosso céu, tribos guerreiras, Sagraste emj lira de ouro, tão luzida!

Vejo o teu vulto egrégio veronil, Circulando de virides palmeiras, Como o rei dos poetas do Brasil!.

gOnçalvES diaS Rei sublime do verso fulgurante De forma tensa e rica de emoção; Seu nome excelso é como o diamante Enche de glória todo o Maranhão.

Não foi poeta somente e cintilante, Foi também sábio, sem afetação, Tem por docel –– o espaço deslumbrante, Tem por jazigo –– o mar cheio de unção.

Burilador da lingua portuguesa, Em poemas de fulgido [?] Celebra o indio, o amor a natureza.

372MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 66-67, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 373Publicada em “O Estudante de Atenas”, em 1957, in Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, ISSN 1808- 8031, volume 03, p.156-181 169 http://www.outrostempos.uema.br/volume03/vol03art10.pdf Poesia com- pilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Mara- nhão; Universidade Estadual do Maranhão

O máximo poeta do Brasil. Que o faz com direito e sem [?] É seu formoso gênio varonil.

Journey Pereira dos Santos 374

O amanTE Era um amante. Um pleno amante! Que amava tanto, tanto, que mes-

mo prisioneiro no delírio febril da tísica, balbuciava o nome de sua

amada

Clamava aos céus que o permitisse fitar pela última vez, a

esplêndida face de sua musa, que do outro lado do Atlântico esta- va a lhe esperar Mas o destino vil o impediu, quando no tão desejado regres-

so, num naufrágio sucumbiu

Porém, Deus, das alturas da

bondade, intercedeu: Transformando a consternação da

E o saudoso amante abjurava à vida,

morte em dádiva

para se converter em mar E desde então, vive a oscular a amada a cada onda que na costa tupiniquim vem se desmanchar

Juan Carlos Flores Aparicio 375

al gran pOETa gOnCalvEZ diaZ:

Ganaste el corazòn de los amantes literarios, Ofuscados a veces en el universal negativismo, No dejaste que la pereza, nuble tus iris, Cada vez que leo tu canto, mi alma regocija.

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Avanzas a cada instante sin desmayo, pues los corazones, Laten de alegria,limpias las dudas , en un instante , y Veo en tu alma ,sinceridad innata, que inspira Fè, Esperanza y amor , solo brotan de tu integrigad , y al momento, Zarpan,las alimañas sin destino.

374Journey Pereira dos Santos - Alagoinhas-BA, Brasil - 25/07/1985. Não sou poeta! Definitivamente, não. Mas adoro ler poesia! Sou apenas um pacato negro baiano do interior, quase formado em fisioterapia, mas que largou os pacientes para se dedicar às ciências agrárias e aos movimentos sociais da Via Campesina, através do curso de Engenharia Florestal, na UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), no qual já estou na metade do caminho (5º semestre). Já participei de uma antologia para Carlos Drummond de Andrade e será uma honra imensa participar desta também. 375Juan Carlos Flores Aparicio - Tarija- Bolivia - 1ro. de septiembre de 1955 - Pseudònimo de escritor. Virgo de Tarija. Profesiòn. Medico y Odontologo. Inicio mis actividades lierarias a muy temprana edad ( 8 años) como poeta costumbrista en el Colegio Antiniano de la ciudad de Tarija. Luego empiezo a escribir poesias , especial- mente Acrosticos, ya que considero, que la expontaneidad , es lo que desarrollè y aprendi en la vida, como instrumento motivador en el ser humano.

Juçara Valverde 376

aO CanTO guErrEirO Aqui na floresta façanhas de bravos não geram escravos Quem golpes daria, fatais como eu dou? Quem guia nos ares na altura arrojada? Quem canta seus feitos com mais energia? Na caça ou na lide, meus passos conhecem e a ave medrosa se esconde no céu. Mil gritos reboam, mil homens de pé Lá vão pelas matas, o vento gemendo. As matas tremendo, a morte lá paira. Os campos juncados de mortos mil homens viveram, mil homens são lá. Qual fonte que salta fremente e queixosa que a raiva apagada de todo não é o canto do guerreiro.

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Júlia Báu Schmitt 377

minHa CançÃO dO EXÍliO Minha terra tem flores que florescem perfumadas e coloridas; tem pássaros que lá¡ vivem e cantam felizes sem parar.

Nossas casas têm mais vida, nossa vida tem mais sentido e fazem com que as flores abram-se com mais brilho e cores.

Não permita Deus que eu morra sem antes eu cantar entre as flores e os pássaros estejam a me escutar, sentindo, no ar, todo o meu amor.

376Juçara Regina Viégas Valverde: Cruz Alta/ RS – Brasil - médica, poeta, artista plástica. Profª. Assistente de Cirurgia Geral, Faculdade de Ciências Médicas UERJ; Conselheira SOBRAMES Nacional e Literarte. Membro Honorário Academias: Letras Mariana MG; Artes de Cabo Frio; Membro: PEN Clube do Brasil; Sociedade Eça de Queiroz; Academia de Medalhística Militar; Ac. Artes, Ciências da Ilha de Paquetá; www.abrames.com.br; abrames.br@gmail.com; Juçara Valverde<jucvalverde@gmail.com>. 377Júlia Báu Schmitt - Porto Alegre – RS Brasil - 2 de julho de 1991. 1ª Secretária e Membro Fundador da Aca- demia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 5, Patrono Monteiro Lobato; Membro Efetivo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Clube Infanto-Juvenil “Erico Verissimo”, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS; Liga dos Amigos do Portal CEN, Por- tugal; e Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Coautora dos livros “Olhares - Crônicas Escolares” e “Palavras, A Linguagem da Vida”. Cursa Pedagogia, no Centro Universitário Metodista IPA-RS. E-mail: <julia- bauschmitt@hotmail.com>

Juliano Cincinato Cadore Fernandes 378

CançÃO dO EXÍliO Na minha terra tem amores; no entanto, não existem flores. Nela tem poluição, mas, por ela, tenho paixão. Nela tem marginal; porém, nem todos são do mal.

Na cidade em que estou; tem amores e é bonita como os beija-flores. Nela existe muita natureza e, na Fazenda Pirajá, canta o sabiá; mas é para a minha terra natal que desejo voltar.

Julio Mesquita 379

CarTa À SaudadE Oh! Senhora propagadora do sofrimento alheio, suas mandíbulas fizeram o meu saudoso coração indefeso lacrimejar, tão logo que se apropriou de meu peito latente, como uma invasora de almas. És a responsável pela ida do semideus “Orfeu” ao inferno, por em si não suportar a ausência de quem tanto amava. Sufocaste noivas e esposas, namorados e namoradas, pais e filhos, em lágrimas e tristezas, nas lamúrias da solidão sem-fim.

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Senhora detentora do sentimento mais puro! Por que maltratas, com sua

aguda nostalgia, aqueles que tanto carecem de estar junto dos seus ? Será que não te satisfazes ao ver, nos olhos, a marca incessante do seu lembrar ? Talvez invejes a manifestação da alegria, ou simplesmente te regozijes com

o

martírio coletivo ou de cada indivíduo. Talvez também sejas solitária

e

carente, por isso provocas, vingativamente, o mesmo sentimento que

em ti reproduz. Saiba que sou sua mais nova vítima e despedaço-me em fragmentos dispersos, quase que me perdendo de mim. Não! Não! Não! Não a condenarei por sua natureza discriminadora da dor da perda, nem tampouco a culparei pelo o que sinto, sabendo não ser tu a responsável por não estar comigo aquela que verdadeiramente amo. Ela, sim, é quem deveria ser culpada e condenada a amar-me, por abandonar-me à própria sorte e solidão.

378Juliano Cincinato Cadore Fernandes - Porto Alegre/RS – Brasil - 17 de maio de 1999. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. E-mail: julianocadore@terra.com.br 379Júlio Mesquita - 30 de março de 1972, cursou comunicação e publicidade com a conclusão de apenas um dos cursos. Passou um período como técnico em encefalograma de uma clínica muito conceituada. Trabalhou de garçom, motorista e gerênciou uma termas tornando-se sócio dela por alguns anos. Após isso, intermediou alguns shows de artistas na época em off, como angela roro, tunai, flávio venturini e tantos outros. Publicitário e escritor. WWW.juliomesquitaescritor.com

Por favor! Não, não tenhas pena de mim. Se choro é porque não há outra coisa a fazer senão lamentar-me em um rio de lágrimas e frustrações, já que não fui amado tanto quanto desejei. Assim como “Platão” dedicou-se a amar tudo e todos, também me dedicarei a este contexto de pluralidade infinita, visando não sentir mais saudades de alguém. Se precisar, invocarei os deuses do “Olimpo”, na tentativa de intercederem ao meu favor, em detrimento de ti.

Quem sabe “Ares”, o Deus da guerra, erga-me em batalha contra a senhora Saudade. Porém, não é minha intenção afrontá-la, mas somente desvencilhar-me do teu jugo, evitando desfalecer meu coração. Senhora saudade, nem queira saber o que “Arthur Schopenhauer”, profundo conhecedor da dor, diria de ti por me tratares assim. Mas, ainda que o amor seja uma tortura inconsciente, prefiro morrer desse mal disse Gonçalves Dias.

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Julliano César Rodrigues Vicente 380

CançÃO dO EXÍliO

Embora Santa Catarina tenha muitas belezas naturais, considero as dos Rio Grande do Sul mais ricas e atraentes. Lá, além da paisagem natural campestre, há a urbana que é encantadora. Aqui, praias belíssimas que recebem muitos turistas; lá, praias não tão belas, mas muito agradáveis, porque nelas, encontro muitos amigos. Tanto lá quanto cá, compõem a paisagem cultural da região sul

380Julliano César Rodrigues Vicente - Porto Alegre/RS – Brasil - 24 de março de 1995. Estudante do Ensino Mé- dio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS; Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: 2011 - “Canecas e Camisetas Poéticas”; 2012 - “Caixas Poéticas”. Curte música e esportes. E-mail:

jullianorodrigues@gmail.com

Juraci da Silva Martins 381

HOmEnagEm a gOnçalvES diaS Bendito o tempo em que passou aqui, o poeta encanto, e que bem sabia cultuar raízes nas três etnias:

negro, indígena, branco

Circulando nas veias o sangue sacrossanto de Poeta e Teatrólogo, colocou no papel seus encantos, seus prantos seus amores, alegrias e dissabores. Bebeu na mesma fonte dos talentos onde se saciaram poetas e intérpretes da vida, do agir humano

e seus sentimentos.

É presença em cada coração de poeta

Em cada alma sedenta de vida. É imortal por tanta valia!

Jussára Custódia Godinho 382

amOr a CaXiaS dO Sul Minha terra tem parreiras E o bom vinho vem de lá As uvas que lá semeiam Nem se comparam com as de cá!

Minha terra tem frio, chuva, neve e muito vento e gente que enfrenta desafio com bravura e sentimento!

Terra forte, do quente chimarrão, do pala, da bota, do quentão e de muito amor no coração!

A esse chão d’onde brota a emoção manifesto toda minha paixão:

te amo com loucura, meu rincão!

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381Juraci da Silva Martins - Rio Grande do Sul – Brasil - Presidente da Associação Literária Sepeense, São Sepé/ RS; Vice-Presidente da Academia Regional de Artes e Letras Condorcet Aranha, Restinga Sêca/RS; Membro Efetivo Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Camboriú/SC; Membro Correspondente da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS; Delegada Cultural da Associação Artística, Literária e Multiprofissional “A Palavra do Século 21”, Cruz Alta/RS; Embaixadora do Cercle Universel de la Paix, Genève- Suisse/France. E-mail: juramartins@bol.com.br 382Jussára Custódia Godinho - Caxias do Sul, RS – Brasil - 10.09.57. Licenciada em Letras Português e Espanhol, pós-graduada em leitura e Produção Textual. Cônsul do Movimento Poetas Del Mundo de Caxias do Sul, filiada à União Brasileira de trovadores de Caxias do Sul, associada à AGES- Associação Gaúcha de Escritores. Autora do livro “Alma TROVAdora”, volume 002 da Coleção Luiz Otávio é Cem, com mais de 300 Trovas Literárias.

Justina Cabral 383

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dOS muJErES - (SOBrE SuS dOS amOrES) Su pecho guardó dos flores:

A una bien la quería, y por otra se moría… ¡Le cantaba sus amores!

Luchó por esa primera, por la segunda soñó:

¡Mar y cielo le brindó y una palabra sincera!

Ni margaritas, ni rosas, ni suspiros, ni calor, sellaron aquel amor cubierto con mariposas.

Kálison Costa Nascimento 384

O grandE pOETa Gonçalves Dias nasceu com a poesia no sangue. Era desde pequeno um batalhador. Nasceu com força e caráter. Ele nasceu com a poesia na alma e muito amor.

Com raça, firmeza, com o dom de expressar. Através de poesias sua herança deixou. Para o futuro ele trabalhou. Nos versos lemos sua forma de amar!

Seu gosto fino pela vida foi real! Muitos buscam sabedoria de um caxiense. Que conquistas conseguiram. Com a admiração de mais de um maranhense

383Justina Cabral - Mar del Plata, Argentina - 29/04/1987. Escritora por vocación, y diseñadora gráfica por oficio. Estudió en el taller literario Jorge Cocaliadis con la profesora Julia Zelis de Ercolani. Es socia de la Sociedad de escritores latinoamericanos y europeos, más conocida como SELAE, y forma parte del Movimiento Poetas del mundo. Coordina y organiza eventos a nivel internacional. Publica en diversas páginas web, revistas, diarios, y libros grupales, en diferentes países del mundo.También lanzó su libro individual durante el año 2012 deno- minado “Dulces y limón” editado por Editorial Portilla en Estados Unidos de América. 384Kálison Costa Nascimento - São Luís – MA – BRASiL - 02/10/2001- Motivo da Participação: Poder expressar- me de forma poética e poder viajar no mundo irreal e homenagear o tão saudoso Gonçalves Dias da histórica cidade de Caxias! Cursando: 5º Ano Turma:C Profª Shirle Maklene

Karine Salton Xavier 385

CançÃO dO EXÍliO Aqui, há muita poluição; Lá, muito ar puro. Aqui, tem insegurança; Lá, tranquilidade. Aqui, as pessoas não se preocupam umas com as outras; Lá, a solidariedade é muito forte. Aqui, há um maravilhoso pôr do sol; Lá, um entardecer fantástico entre as montanhas. Aqui, faz calor acima de quarenta graus; Lá, frio abaixo de zero. Depois que eu concluir a faculdade, vou voltar para lá.

Karline da Costa Batista 386

CançÃO dO filHO Agora vou cantar Gonçalves, Imperador da Viva Arte. Versando com sentimento. Um canto ao caxiense, Que desde o exílio cantou a sua gente Majestoso e laureado Gonçalves!

Poetas em júbilo. Celebraram-te porque trazes Nesta lírica passional toda a brasilidade Fino sabor, priorado da imponente Palmeira. Literário estandarte - Viva Gonçalves!

A Iara crioula vem saudar-te: Esta é para Gonçalves! Verso-mor do cancioneiro brasileiro. Grande baluarte! Tremendo Poeta a cantar seu terreiro. Canora ave. Hino d’amor. Várzea em Flor. Sabiá bela arte.

Bravo, bravíssimo, Salve Gonçalves!

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385Karine Salton xavier - Porto Alegre – RS – Brasil - 29 de julho de 1995. Filha de Dora Lúcia Salton e Balbino Silva Xavier. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 39, Patrono: Oswald de Andrade; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail: ks-xavier@hotmail.com 386Karline da Costa Batista – Aracati – CE – Brasil - 11/03/1988. Graduada em Letras (UFC),2° lugar no I Prêmio AltFest! de Poesia (PE),3° lugar no III Prêmio Literário Legislativo- Caçapava do Sul (RS), 8° lugar no Prêmio Ce- cílio Barros Pessoa de Poesia (RJ). Textos publicados nas antologias “Versos Soprados pelos Ventos de Outono” e “III Prêmio Literário Legislativo- Caçapava do Sul”,na revista “Um conto” (MG), no projeto “Um Poema em Cada Árvore” (MG), no blog Fênix entre outros.

uma amélia para gOnçalvES Gemes pelo amor sufocado, saudoso discípulo. Duma lembrança bem quista De um ideal mal fadado Desígnio cruento. Defunto habitante Desta terra de vivos e povo errante

Poeta amante. Levante! A gentil Amélia ainda espera O retorno sincero, degredado que fostes. Pelo cínico destino, atroz desatino. Confinar o amor pulsante Ao adeus permanente

E sei que ainda o sentes, Gonçalves, amigo. Nesta cova em repouso O verme latente não haverá consumido O sentimento pungente neste coração inda quente Que a donzela em exílio acena e consente - Regressa, com pressa, amante querido.

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Kaylla Kaith Lopes Gonçalves 387

minHa TErra Minha terra não tem palmeiras, Não cantam mais os sabiás. No céu tem poucas estrelas, Mas prazer eu encontro lá.

Minha terra não tem muitos primores, Que quase não encontro por cá. Não permita mãe de Deu, Que a tristeza vá me machucar.

Kayron Torma Oliveira 388

minHa CançÃO dO EXÍliO ‘’Meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor, onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor.’’

387Kaylla Kaith Lopes Gonçalves - São Luís – MA – Brasil - 02\08\2000. Motivo da participação: Eu gostei muito do trabalho desenvolvido sobre as poesias de Gonçalves Dias, me deixou muito motivada para ler e escrever poesias. Por isso gostaria que a minha poesia sobre o nosso grande poeta Gonçalves Dias fosse publicada. 388Kayron Torma Oliveira - Porto Alegre – RS – Brasil - 10 de maio de 1992. Presidente do Conselho Consultivo e Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 11, Patrono Mario Quintana; Membro Efetivo do Clube Infanto-Juvenil “Erico Verissimo”, da Academia de Artes, Ciências e Le- tras Castro Alves, de Porto Alegre/RS; da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/ SC; e, da Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal. Cursa Direito, na UNIRITER, de Porto Alegre/RS. E-mail:

kayron177@hotmail.com

Terra de alegria, paz, sintonia, campos verdes. onde reside o Colorado das Glórias e o amargo tricolor por muitas derrotas. Minha Pátria tem virtudes, por ela dou a vida, pensa com respeito ao tocares no nome da minha terra querida. Sou gaúcho, sim senhor. Viva o Rio Grande do Sul!

Kedma Kessia Pinheiro Bernardo 389

O rEi da pOESia

I

Antonio Gonçalves Dias O rei da poesia Amava a natureza Dia e noite, noite e dia

II

Antonio Gonçalves Dias

O rei da fantasia

Se chegasse aqui agora Nada disso encontraria

III

Nem matas das Palmeiras Nem o sabiá a cantar

E

os rios pra que falar?

IV

O homem constrói e destrói Só pensando em ganhar Destruiu as palmeiras Onde catava o sabiá

V

O sabiá e seus amigos Muitos estão sem abrigo Por causa do bicho homem Que os deixou em perigo

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389Kedma Kessia Pinheiro Bernardo - São Luís – MA Brasil - 27/07/2001. Motivo da participação: Ele foi um grande poeta que escreveu sobre seu povo sua cidade e amava seu país. Por isso quero fazer parte da sua homenagem

Keila Maria Veras Soares Silva 390

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lEgadO De um português Uma mestiça concebeu E no Sítio de Boa Vista Em Caxias do Maranhão Gonçalves Dias nasceu

Na Europa foi morar Em Portugal estudou E em Direito se formou Gazeta Literária O Trovador Dos grupos medievistas Em Coimbra participou

Seu orgulho Ter no sangue A mistura do índio, do branco e do negro Tornou-se seu grande tormento Essa condição Transformou seu sonho em ilusão Sua inspiração Musa sem abnegação Ana Amélia Ferreira Vale Com sua amada nunca se casou Sua família o pedido refutou

Colégio Pedro II Trabalhou Secretaria dos Negócios Estrangeiros Oficial se tornou Educação Nacional Pesquisas na Europa quatro anos realizou Comissão Científica de Exploração No Brasil participou

Poeta se consagrou Seu legado deixou Para a humanidade Sua criação É inspiração

390Keila Maria Veras Soares Silva – São Luís – MA – Brasil - 09.05.1976. Graduou-se em Pedagogia e especializou- se em Psicopedagogia e Educação Infantil. É membro da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar – OMEP/MA, Articuladora do Projeto Creche para todas as Crianças da Fundação Abrinq. Supervisora Escolar do Estado do Maranhão. Professora e coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade do Maranhão – FACAM.

Keules Diene Rocha da Silva 391

lEmBra dO maranHÃO. Vai a todas as nações sua beleza anunciar, Faz lembrar. Quando se fala de grandes poetas. Quando na história do Brasil é gravado, O Maranhão pelo grande poeta narrado. O grande poeta que a memória nunca falhará, Que ao citar, traduz o Maranhão. Que ao visitá-lo no mapa não dá para separar, A poesia do seu poeta, o poeta do seu Maranhão. Registrando um estado rico. Riqueza essa encontrada nos poemas e poesias, Que ficaram gravados nos anos e nos dias, Gonçalves Dias.

minHa TErra TEm gOnçalvES diaS Minha Terra tem riquezas Minha terra tem beleza Minha terra tem gente interessante Ouro, prata, diamante.

Minha terra tem João E também tem Maria, Minha terra tem poeta Minha terra tem poesia. Minha terra tem Gonçalves Dias.

pOETa, pOESia Salve Maranhão; Salve os grandes poetas. Gonçalves a poesia; Gonçalves Gonçalves Dias.

Minha terra tem mais poetas. Minha terra tem mais poesia. Descrito no céu e no chão; Na monotonia do dia a dia.

Na lágrima e no sorriso, No suor, na labuta da vida, Em verso e canção traduzida.

À luz dum olhar de um poeta, Como um olhar de uma águia. A perfeita sincronia:

Poeta, papel, tinta e poesia.

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391Keules Diene Rocha da Silva São Luís – ma – Brasil - 02 de março de 1983. Trabalho como enfermeira técnica no HUMI. Vi esse endereço no mural dessa instituição e estou mandando esse material para vocẽs avaliarem. Espero receber noticias sobre esse trabalho.

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a maiS BEla pOESia Se tem terra, Tem palmeiras. Se tem palmeiras, Tem sabiá. Se tem Sabiá se ouve o canto, O que será que vem de lá? Que de lá vem poesia, Que ninguém soube expressar Tão bem como ele, O canto do sabiá. Que terra melhor não se achou, Para várzeas as flores brotar. Que ninguém saudosamente soube passar, A saudade do seu lar. Que terra assim não existiu, Em nenhum lugar. Como aquela em que um dia ouviram, Rasgou- se o grito, o pulmão se encheu de ar, Os olhinhos se abriram. Inspirando um menino em Caxias, Nascendo a poesia, A mais bela poesia, Vindo a terra Gonçalves Dias. Que amou e encheu de versos, Trazendo graça e beleza, Misturando arte a terra preta. Que o mundo veio conferir Que terra como essa, Só existe por aqui. Surge a dúvida então sobre Gonçalves Dias, Se a poesia nascera no coração do poeta, Ou o poeta no coração da poesia?

Laura Druck Becker 392

CançÃO dO EXÍliO Minha Porto Alegre tem o Guaíba, onde dorme o mais belo pôr do sol. Aqui, o entardecer também é bonito, mas o nosso tem a luz de um farol.

392Laura Druck Becker - Porto Alegre/RS – Brasil - 20 de maio de 1998. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”:

“Banners Poéticos”, 2012. Curte ler, ouvir música e viajar. E-mail: lauradruckbecker@terra.com.br

Nossas praças têm pássaros e animais que trazem a paz; tem meninos e meninas jogando futebol.

Quando eu paro para lembrar, sinto falta dos amigos, dos colegas e da família, que sempre estarão comigo.

Minha terra tem churrasco, arroz e feijão, são as delícias que carrego no meu coração.

Minha cidade não tem guerra, tem amizade e simplicidade; sirva minha Porto Alegre de modelo a toda terra.

Leidiane dos Santos Vitoriano 393

TriBuTO a gOnçalvES diaS Professor, redator, escritor. De tudo esse homem fez. Brasileiro do Maranhão, Filho de pai português

Dentre as duas pátrias mães Tinha o direito de escolher. Preferiu a mais pobre, Aquela que o viu nascer. Porque esta tinha o canto E várzeas a florescer.

Antônio Gonçalves Dias Pai da sensibilidade, Filho dessas palmeiras Que ele amava de verdade. Engoliram seu último suspiro Aquelas aguas covardes Mas sempre serão eternas As lembranças do grande Gonçalves.

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Leila Marisa de Souza Lima Silva 394

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anTôniO E ana Ele

Poeta

Professor

Advogado

Jornalista

Etnógrafo

Teatrólogo

Ela

O amor

Ele

Poetando O índio Paisagens Solidão Exílio O amor Ela Só amor!

Ele Viajado Elogiado Sofrendo Preconceito Náufrago da vida Náufrago do amor Ela A inspiração.

Ele – Antônio Ela – Ana Ele – Gonçalves Dias Ela – Ana Amélia Ele – mestiço Ela – sem preconceito Ele – Dizendo “Adeus” Ela – “Ainda uma vez”.

394Leila Marisa de Souza Lima Silva - Espírito Santo do Pinhal – SP – Brasil - 18 de dezembro de 1946. É Colunista Social de “O Jornal A Cidade Jardim” (S.A. do Jardim – SP). Em 2010 lançou o romance de ficção “Corpos em Chamas”

Lena Ferreira 395

naufrágiO Seus olhos tão negros, tão puros tão cheios de candura por um torpe desengano transformaram-se, distantes, em duas poças de mágoa.

Seus olhos já frios, escuros perderam toda a ternura transbordaram o oceano onde eu, pobre navegante bebi quase toda água.

Seus olhos tão cheios de esperar lançavam um olhar tão frágil para além, além do mar como a prever meu naufrágio onde afogar-me-ia mas o que eu mais quereria era naufragar no seu olhar.

- releitura de SEUS OLHOS - Gonçalves Dias

Lénia Aguiar 396

luZ pOéTiCa dO maranHÃO No cantar do poeta Há sempre aroma divino, Ele merece um hino Por ser amado profeta Cativando sem egoísmo Com o seu romantismo.

Seu poetar sem maldade Amava a pátria e a mulher, Havia nele amabilidade, Rectidão difícil de esquecer, Cresceu em vários lugares Como a fruta nos pomares.

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395Lena Ferreira – Rio de Janeiro – RJ – Brasil – O8/07/1968; professora, publicou ENTRE SONHOS pela Utopia Editora em 2011 e teve participação em algumas antologias. Poderá ler um pouco mais no seu blog: www. vaosdiversos.blogspot.com.br 396Lénia Aguiar - Vila das Lajes do concelho da Praia da Vitória na Ilha Terceira – Açores – Portugal - 23 de Abril de 1986. Já ganhei 3 concursos em Portugal, um com um conto e dois de poesia, um deles resultou no livro AMOR OCULTO e 10 no Brasil com quatro poesias, três contos e três crónicas, participando em três antologias.

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gOnçalvES diaS Gonçalves Dias Fez da sua vida Um livro de poesias Sarando uma ferida.

Apesar das desilusões A sua coragem venceu E a Coimbra se rendeu Cheio de estudantis ilusões.

Seus livros são relíquias Para os seus admiradores, Muita riqueza de poesias, Mas poucos amores.

A sua morte foi trágica E muito injusta, Mas no Maranhão fica A sua última angústia.

Leomária Mendes Sobrinho 397

anTOniO gOnçalvES diaS Antonio Gonçalves Dias, poeta. “Um Anjo”, “Ainda Uma Vez – Adeus”. Teve o seu coração com a porta aberta, Para Ana Amélia, amores seus.

Antonio Gonçalves Dias, advogado. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Formado em bacharel, escreveu texto.

Antonio Gonçalves Dias, jornalista Da Gazeta Literária e de O Trovador. Participou de grupos medievista de idéias românticas, compartilhador.

Antonio Gonçalves Dias, etnógrafo, sendo também muito conhecido. Estudou latim, francês, foi filósofo, Caixeiro, escriturário, hoje falecido.

397Leomária Mendes Sobrinho, natural de salvador-bahia-brasil.nasceu em 13 de novembro de 1962.filha de leonidas josé de lima sobrinho e de maria mendes sobrinho, , três irmãos,casada ,um casal de filhos,monique isabelle s.lira e william kennedy nícolas s.lira.licenciada plena em educação artística com habilitação em dese- nho pela universidade católica de salvador.cursou dois módulos de pós graduação de metodologia e didática do ensino superior.

Antonio Gonçalves Dias, professor. Ensinou latim e história. Do Movimento Romântico da Época, foi precursor. Publicou folhetins teatrais e crítica literária.

Antonio Gonçalves Dias, pesquisador. Realização em prol da Educação Nacional. De ascendência mestiça, o escritor Participou da Comissão Científica de Exploração, sem final

Lenon Silva Alves - John Lennon Smith 398

CançÃO dO EXÍmiO Os teus versos consagraram Nossa terra de belezas; Por onde quer que passaram Mostraram nossas riquezas.

Ainda existem palmeiras, Com sabiás a cantar; As aves ainda gorjeiam, Mas gorjeiam com pesar.

As estrelas permanecem; Os bosques, flores e amores, Tua falta os entristecem E a saudade causa dores.

Todos estamos no exílio; Exílio do seu talento; Um poeta tão exímio Que não sai do pensamento.

Leonardo Coronel Machado Andreolla 399

CançÃO dO EXÍliO

Minas Gerais, assim como o Rio Grande do Sul

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398Lenon Silva Alves - SÃO PAULO – Brasil - Pseudônimo: John Lennon Smith) – 06 de março de 1990. Reside atual- mente na cidade de Salto/SP. Professor e acadêmico de Letras, participa de quatro outras antologias em 2012, Versos Vampíricos, Crônicas da Fantasia, Arabescos e Arnobius: Nova Geração de Poetas. Amante da literatura e da língua portuguesa, sonha em ser escritor desde os oito anos de idade, mas somente em 2012 começou a investir em seus trabalhos. 399Leonardo Coronel Machado Andreolla - Porto Alegre/RS Brasil - 25 de agosto de 1998. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. E-mail: leo_andreolla@hotmail.com

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tem muitas riquezas e fazendas com gado. Tradições gaúchas Tradições Mineiras Ambas me dividem. Não sei a qual escolher. Pobre de mim! Tanto lá como cá, lindas paisagens tropicais e culturais. Lá, ouro e pedras preciosas; aqui, churrascos e amores. Ambas me dividem. Não sei a qual escolher. Pobre de mim! Lá ou cá?

Leonardo Hugo Berger 400

CançÃO dO EXÍliO Rio Grande do Sul tem muitos campos, parques e praças; Santa Catarina, muitas praias e morros. Tanto num quanto noutro, crianças, jovens e adultos passeiam pelas ruas. Em terra catarinense, saudoso estou de minha terra natal; e, para lá, quero voltar.

Leônidas de Souza - Tiko Lee 401

mil SEmEnTES dE éBanO,

anTôniO

gOnçalvES diaS,

O Poeta não morre,

Gonçalves Dias,

Transforma-se em Sementes de Ébano,

E delas nascem mil flores…!!!! Semeadas em jardins - mil cores!!! Destilado a vida…odores!!!

400Leonardo Hugo Berger - Porto Alegre/RS – Brasil - 05 de setembro de 1994. Estudante do Ensino Médio do

Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. E-mail: leohugoberger@gmail.com 401Tiko Lee (Leônidas de Souza) Assis - São Paulo – Brasil 04 de Abril de 1954. poeta Cristão Contemporâneo

é colunista da Revista Viver

Poema Premiado na “fria” Comunidade Europeia - Portugal 2000- lá eu estive,

Osasco e articulista na Revista La Oca Loca - DAROCA. Zaragoza -España,

< @yahoo.com.br>

Cremado as dores…

Transforma-se em mil pétalas!!! Corolas de flores… Onde pousam borboletas!!! Mil abelhas!!! Manjar de delgados beija-flores!!!

O Poeta não nasce…se não bastasse… Não morre também… Vive à eternidade… Sempre à procura de alguém!!! O Poeta não morre A sua alma apenas se afoga! Numa lágrima que escorre.

E o firmamento etéreo percorre… E aos pés de DEUS,…de Jesus!!! roga… E transforma-se em Sementes…

Porque todos nós, todos nós!!!-

fOrnalHa,

Gonçalves

Dias,

teremos

aSSim ESCrEvE O

maranHEnSE, Escrevo com a força do fogo de uma fornalha!!! Cuja labareda destila o anonimato e a rigidez do aço,

o dia de

Chama branda do fogo da comunicação,

da notícia, que queima,

eu acho

o bastante para consumir uma palha!!! Escrevo com a força e o apetite de uma caneta esfomeada, cuja pena e tinta devoram (entre) linhas, papéis e espaços em branco,

Deixando um rastro impregnado de palavras, letras, notícias, por onde caminha a comunicação!!! Escrevo!!! Com a força de um “mouse” esfomeado teclado - cujo tipo e caracteres cintilam em um monitor de cristal líquida luz a iluminar

as entranhas da comunicação - notícias, Escrevo!!! Com a força de Expressão

de Um Poeta Maranhense,

Gonçalves Dias!!!

Que dilacera e estilhaça o anonimato, dá chances e incentiva valores!!! Comunicação sábia no escrever do nosso dia a dia!!!

SEmillaS,

anTôniO

gOnçalvES diaS!!! El poeta no muere

Se convierte en Semillas

!

de mil colores!

Y de ellas nacen mil flores

Sembradas en los jardines - de mil poemas,

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Porque todos nosotros,

Ahogado la vida Num mar de dolores

olores!

Se convierte en mil pétalos! Corolla de flores Donde posan las mariposas ! Miles de abejas! manjar de delicados colibríes!

El poeta no nace

no bastaba

No te mueras también Vive para la eternidad Siempre en busca de alguien! El poeta no muere tu alma se ahoga!

En las lágrimas que fluyen. Y el firmamento etéreo recorre

Y a los pies de Dios,

Se convierte en una semilla

¡Jesús! ora

Gonçalves Dias,

tenemos el día

de todos nosotros!

Leticia Herrera 402

BuEn viaJE He sido recordada escuchando tu música, Brasil, como si fuera mi rasgo distintivo Quizá me marcara tu erotismo y fuera cierto Un maestro desconocido me escribía para pedirme le enviara una camiseta de fut-bol para dar ánimo a los jóvenes y evitar un suicidio en la favela Escogiera una del Cruz Azul por el vínculo con Chico “La construcción” allá; aquí el cemento de los albañiles Gonçalves Dias aún le canta al amor igual que todos le cantamos con Brasil Dulce cadencia del idioma português el buen maestro Hoy que mi hijo descubre el mundo recíbelo amorosamente, Brasil Protege su dulzura cuando te hable en tu idioma pues vivirá entre los tuyos

402Leticia Herrera - Michoacán- México - 1954. Reside en la Ciudad de México desde su infancia. A la fecha ha

Cul-

publicado 20 títulos en los géneros de poesía, cuento, no-novela en duermevela, guión cinematográfico tiva además el canto, las artes plásticas, la fotografía y el video-arte.

Levi Mota Muniz 403

OdE a gOnçalvES diaS Observando os índios das “Índias Ocidentais”, já se pôde perceber a diferença, O vigor em suas palavras, o calor de suas crenças, Europeu nenhum resistiu, quis logo saber de onde vinha, Aquela terra detalhada por Caminha, que logo se chamaria Brasil

Não pense que a “terra mais garrida” apareceu em passo de mágica, O solo foi muito bem preparado, por nossos ancestrais vindos da África, Pois a pátria é mãe, mas não gentil. Ela sabe que trabalho é o único aprendizado, Que faria um povo, ainda escravizado, virar um país de sonhos “mais de mil”, que logo se chamaria Brasil

Um sonho intenso, um raio vívido; não só sonhos, mas ações,

A nação passou por eras difíceis, enfrentou gigantes tribulações. De colônia foi Reino Unido, mas com seus dominantes ainda a frente. O povo ainda muito oprimido - de maneira sempre excludente -, não se acomodou inibido, jogou os dados, mas não apostou na sorte, Bradou junto a Dom Pedro(um mito),

o épico “Independência ou morte”

Todos hastearam o verde, amarelo e azul anil,

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a bandeira do novo país: meu grande e amado Brasil

Independente era a terra, mas não os que viviam nela, que coisa mais linda, que coisa mais bela, era a mulata escravizada sem pena,

que poderia muito bem ser a musa de Alencar, Iracema, e se as guerras de abolição não serviram,

a Lei Áurea de 22 serviu,

Para acabar com a triste escravidão De um agora mais livre Brasil

Se diziam bastante livres, aqueles controlados pela ditadura, porém nem corte nem censura os faria voltar ao trabalho servil, em meio a músicas sem ternura, em meio a Tropicália e muitas dores para não dizer que não falei das flores, falarei do brasileiro de punho fechado, falarei do povo da paixão febril,

403Levi Mota Muniz Fortaleza – CE – Brasil - 23 de outubro de 1996. Ganhador do concurso expo7 em 2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2012, participante da Coletânea FB 2011 e 2012, segundo lugar no estadual de cartas da UPU 2012, participação na coletânea da Academia Cearense dos Escritores de 2011, participação coletânea grupo chocalho 2011, Primeiro lugar entre 15 e 17 anos do Prêmio Escriba 2012. E-mail: levifec@ gmail.com

que não se contentou com caminhar e cantar, batalhou e morreu para garantir paz no futuro(e a glória no passado), à pátria muito mais que amada, Brasil

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Mas é na batalha diária, aquela que não se tenta escapar, que se mostra a bravura dessa gente guerreira, onde as palmeiras são plantadas e o sabiá canta o hino, onde o cansaço não é barra e não há nenhuma barreira onde há mistura de raças, desde o europeu até o índio, onde damos um bravo, à Brava gente Brasileira

Lidia Funes Bustelo 404

SEm TiTulO en maranhao he dejado lo más amado, es mi suelo, el amor, que más que un credo, me hará implorar regresar.

siento como que jamás partí de esa tierra prometida, aunque es cierto, que la vida, fué llevándome en su andar.

quién podría imaginarse, que en un jardín tan lejano, encontraría, en secreto, a esa musa que yo amo…

en sus ojos y en los míos el ensueño no ha cesado. y el más puro sentimiento, de este mundo, rescatado.

el tiempo me hizo entender que el amor, no consumado, igual que un fuego sagrado, siempre ardería en mi ser.

todo aquello que anhelé aún, las cosas que ya logré, hoy daría, como ofrenda, por verte patria, otra vez.

404Lidia Funes Bustelo - Godoy Cruz, Mendoza, Argentina - 1957. Posee estudios de bachiller, docencia y corre- taje inmobiliario. adolescente, escribió algunos poemas. es en la madurez cuando se dedica de lleno a este género y se une a sade (sociedad argentina de escritores). participa en la antología de cultura de mendoza 2013 y en la convocatoria del fondo provincial para la edición de su libro “poemas de tierra y cielo”. es casa- da y tiene dos hijos.

¡DIOS MÍO, ESCUCHA MI RUEGO! CON TUS MANOS GUÍA LA BARCA, mi alma reposa en calma voy camino hacia el edén.

Lindalva Silva Quintino dos Santos 405

À mEmÓria dE um pOETa A memória de um poeta Que cantou a nossa terra Com tanta inspiração e orgulho Transformando nossas riquezas Em belos poemas e versos Merece de seu povo Mais que uma homenagem singela.

O poeta já dizia:

Nossa terra tem palmeiras Onde canta o sabiá. São versos tão sublimes Que faz todo o coração vibrar.

A este poeta devemos

O orgulho de ser brasileiro

E o nome da nossa terra Ser repetido até no estrangeiro.

Hoje nos cabe a honra

De elevá-lo aos píncaros da glória este ilustre filho da terra este poeta maranhense. Que somou às nossas riquezas

A sua insubstituível presença.

Nosso céu tem mais estrelas De belezas estonteantes Nossas matas têm mais vidas Com rios exuberantes Nossas flores têm mais cores Nosso povo tem na alma A pureza dos seus versos.

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405Lindalva Silva Quintino dos Santos - Bom Despacho – MG – Brasil - 60 anos. Professora de Português e Litera- tura Brasileira; Estudante de Psicologia; Poetisa (escrevo em revistas e sites de poesia).

Lívia Porto Zocco 406

nÃO lamEnTES amigO Caro amigo, não lamentes o amor perdido. Perdeste-o sim, porém não por desleixo teu, Perdeste-o pelo preconceito desmedido, Perdeste-o pelo respeito que era só teu. Caro amigo, não lamentes o amor perdido. Fizestes aquilo que o momento pediu, Respeitastes o apreço àqueles por ti escolhidos, Mostraste mais força que o desejo varonil. Caro amigo, não lamentes o amor perdido. Decidistes o que na época era o melhor a fazer, Apesar de o homem em ti, tornar o poeta comedido, Apesar de a razão em ti impedir o amor de colher. Caro amigo, não lamentes o amor perdido. O que fizestes está feito, mesmo que incompreendido. Escolhestes por teu senso de homem, não de poeta, Agora arcarás por tua escolha, vivendo um amor asceta.

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Lohana Kárita Teixeira 407

CanTO À avE dE OvOS Minha vó cria galinhas Onde cantam Sabiás As galinhas do sertão Não são como essas de cá

Suas vidas têm mais vidas Suas penas têm mais cores Os seus ovos têm mais gema Os seus pintos mais amores

Ao olhar essas galinhas O universo enxergo eu lá Minha vó cria galinhas Onde cantam Sabiás

Quisera Deus que todos Pudessem admirar A noite do meu sertão E a galinha cacarejar

406Lívia Porto Zocco - Ribeirão Preto – SP – Brasil - 12/11/1971. Bibliotecária e poeta nas horas vagas ( às vezes nas ocupadas também). Possui vários poemas e contos publicados nas antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (RJ). 407Lohana Kárita Teixeira, - Goiania – GO – Brasil - 30/04/1992. É graduanda em Letras pela Universidade Federal de Goiás, escreve poemas desde que aprendeu a escrever, foi selecionada na Antologia Poética da Editora Kelps em 2007 e publica poesias e textos em seu blog.

Lorena Moreno Castro 408

a gOnCalvEZ diaS Antonio Goncalves Dias Bastardo de nacimiento Pero un Rey de pensamiento.

Separado fuíste De tu gente tan amada, Primero tus padres, Luego, la mujer de tu vida, También te fue negada.

El sufrimiento y el dolor Encauzaron tu pluma, Te llevaron al mundo de la poesía, Donde no existía raza ni color, Ahí fuiste un gran Señor.

La tristeza vivida En tu verso dejaste, Con acentos sinceros y profundos, Nos hiciste sentir Ese tu dolor tan grande e incurable.

Cuantas veces deseaste morir, Pero el recuerdo de tu amada, A la vida te volvía, Moriste, moriste tantas veces, Desangrando el alma En cada verso que escribías.

Gran fisonomista de las penas, Tristeza y dolor siempre viviste, Naufragaste en un mundo de dolor Hasta el mismo día que partiste.

Lorenzo Gomes Bacin 409

CançÃO dO EXÍliO São Paulo, cidade lotada e de pessoas mal humoradas. Oh, que saudades de Porto Alegre, terra de povo feliz e alegre.

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408Lorena Moreno Castro – Hermosillo - Sonora, Mexico- 20 de febrero de 1964, ha participado en varios even- tos culturales, programas de radio y Tertulias en escuelas públicas, así como varios Encuentros nacionales e internacionales. 409Lorenzo Gomes Bacin - Porto Alegre/RS – Brasil -12 de dezembro de 1997.Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. E-mail: lorenzo_bacin@hotmail.com

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Em Porto Alegre, há muita gente boa; São Paulo, cidade do corre-corre Amo Porto Alegre e, para lá, quero voltar.

Lucas 410

naTurEZa Nosso céu tem mais estrelas As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá Tão bonita a terra que nós temos União para amar a natureza Respeito com a nossa natureza E precisa de mais carinho Zelosa a nossa natureza Amar a nossa terra.

Lucas Dias Miranda 411

CançÃO dO mElHOr Minha terra tem gaúchas com beleza semi-igual, onde tudo é inexplicável, não havendo aqui nada igual.

Nossas árvores são mais verdes e mais puras que aqui.

Minha terra é da bota, da carne seca e de homem muito macho; tão diferente daqui.

Meu Deus , não existe aqui nada comparável à beleza de Lá!

Orgulho-me de ser gaúcho macho!

410Aluno da Escola Municipal Ensino Fundamental Gonçalves Dias - Canoas – RS – Homenagem a Gonçalves Dias

– Projeto Quem foi Gonçalves Dias, disponível em http://goncalvinho.wikispaces.com/Resultados+-+Mas+-

Quem+foi+Gon%C3%A7alves+Dias%3F , Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil

– 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

411Lucas Dias Miranda - Porto Alegre/RS – Brasil - 22 de outubro de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio

Conhecer, Porto Alegre/RS. Vídeo maker e skatista. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante do Projeto Literário “Porta copos poéticos”, 2012. E-mail: lucas_mirandadias@hotmail.com

Lúcia Amorim Castro 412

HOmEm dE HumildE Gonçalves Dias foi um homem que nasceu em uma família humilde, mas que enfrentou a vida. Gonçalves Dias foi um grande poeta que aonde fosse criava uma poesia e depois foi se tornando artista da própria vida! Ele foi um homem de vida, de alegria e deixou o mundo com sabedoria no ar. Cheios de cores! Cheios de poesias! Cheias de amores!

Lúcia Barcelos 413

SOB O OlHar dE gOnçalvES diaS Havia em teus olhos, havia Pinturas, sonhos e paisagens. Havia estrelas e aragens No céu e no chão da poesia! E ainda há, mas havia Pinturas, jardins, canções Flores em largos caminhos Recantos de solidões. Sempre havia uma nova estrada, Sempre novas direções Para o rumo de teus versos

- Tão férteis, os universos De rimas e de luas acesas Dentro das almas poetisas!

Havia barcos e brisas, E rios de amores cruzando Naqueles tempos ditosos, De vates tão venturosos Quanto você, ó poeta. Bendito o espaço que enchias Com tua luz e a poética, Ó imortal gonçalves dias. Bendita a sina profética Dos que teceram no outrora

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412Lúcia Amorim Castro - São Luís – MA – Brasil - 07/03/2002 - Cursando: 5º Ano Turma: C Profª Shirle Maklene - Aprecio os poemas assim como as poesias e homenagear um poeta do meu estado é gratificante. EPFA. 413Lúcia Barcelos - Viamão, RS – Brasil - 20/01/1964. Escritora/poetisa. Membro-fundadora e atual vice-presi- dente da ALVI (Associação Literária de Viamão). Membro da Estância da Poesia Crioula, Acadêmica em Letras, com 5 livros publicados (poemas, crônicas, romance). Participou em várias antologias poéticas e colabora em alguns jornais. Desde 1979, funcionária da PUCRS, no Jornal Mundo Jovem.

O que o olhar bebe agora. Bendita a retina que chora Sob a emoção da poesia! Fulgor singular e magias, Belíssima, a musa que vias E o espírito benevolente

Houve, e eternamente, Haverá gonçalves dias.

Lúcia Helena Pereira 414

aO pOETa QuE SaBia falar dE amOr O Brasil terra tão lustrosamente literária. Deu belos rios, cascatas, praias paradisíacas e grandes no- mes na música. Deu ouro, prata, girassóis, cantores, Terra de boa gente e de poesias louváveis.

Deu Castro Alves, Machado de Assis, Rachel de Queiroz, Vinicius de Morais, Juvenal Antunes, Cartola, Chico Buarque, Nomes que o tempo imortalizou e tão bem já os consagrou.

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O Brasil verde amarelo, cheio de azul e branco, Deu o hino mais bonito, na letra e música incomparáveis, Também consagrou-se no futebol e no samba, E o carnaval é bandeira- estandarte!

O Brasil - país dos cantores e grandes poetas- como negar? Deu Ângela Maria, Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Herivelto Martins, Lupicinio Rodrigues, Geraldo Vandré, Jorge Amado, Cora Coralina

Brasil de ilustres brasileiros, De João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos, De uma marrom famosa, Chamada cantora Alcione!

Deu presidente, deu folclore, E mostra ao mundo a beleza dos mais belos lençóis d´água, A beleza do Pôr do Sol Dos seus bordados e cores.

414LÚCIA HELENA PEREIRA - Ceará-Mirim/RN – Brasil - 09- 07- 1945 Residente em Natal/RN desde os ses anos e meio; Licenciada em História/UFRN – 1974; Curso prático de francês aos 18 anos; Escritora; Membro das entidades: Academia Feminina de Letras do RN; Academia Cearamirinen- se de Letras e Artes/RN; Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG; Membro da UBE/RN.

O Brasil tem um coração nordestino, Com muita coisa bonita, Igrejas, Palácios e grandes nomes, Realçando a literatura, Deu o imortal Gonçalves Dias - o poeta que soube cantar o amor!

HOmEnagEm aO pOETa maranHEnSE gOnçalvES diaS Oh! invulgar verso d´oiro que as palavras escrevem À beira dos rios do Maranhão, Onde o exílio não se faz e só há festa de beleza natural De poesia divinal, decantando amor!

Oh! Poeta das grandes inspirações Que o mundo conheceu e aplaudiu, E que novas gerações pesquisam e viram temas De monografias e teses, viram livros!

Oh! Divinal poeta de um infame exílio, Que em vez de chorar, gritar, arder em ódio, Escreveu a imortal “Canção do exílio” Onde até hoje canta um sabiá E aves gorjeiam a sinfonia do amor!

Oh! Poeta de alta nobreza, Eu te rendo homenagem na bela canção nordestina, Onde dois cabras inteligentes: Zé Dantas e Luiz Gonzaga Escreveram uma letra pensando num sabiá E surge a musa Marina Elali para cantá-la e exultá-la.

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O que mais posso dizer do grande sábio das letras? Que foi tema de um trabalho em minha linda adolescência, Com a “Canção do exílio” que à época eu nem compreendia E hoje, quanto lamento, que esse poeta completo, Tenha se afastado dos seus, para pagar pela insensatez alheia! Oh! Poeta maranhense, teu nome é glória!

Luciano Garcez 415

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amEriCana

Americana

Terra lusófona de sabiás pintaiados dos cauins de sangue dos canaviais emplastados mênstruo de via-estrela que derrama cheia de manha seu leite nos céus a fim de fecundar Tupã bravo forte Sol aos 15 anos certo Tupã-Trafica.

Nela me perco amarga americana miragem raça de trote de mulas

e imperadores de passagem.

Americana terra negra de luares tão cantados que viraram moeda corrente.

Americana terra sul vejo-te sonhando a ti continentalmente mãos agarradas ao corrimão da História mas mãos de antanho paraliticas mãos de recém banho, terramericanas, onde o exílio depõe contra sabiás e condores, e réus que se soltam por três mil réis.

BOgari Jatir, não viste ou vieste, e foi por ti que me despi disposta e elidiste o aroma do bogari num só sono com outra coisa qualquer.

O fuzil desferiu tão frio mil esmeraldas em meu peito

e inteira assim sangue de gema preciosa eu aqui:

inerte, vermes comendo as joias verdes ainda pergunto:

- por que tardas, ó, Jatir?

415Luciano Garcez - São Bernardo do Campo/São Paulo – Brasil - 1972. É literato, compositor, cancionista, ma- estro e performer. É mestre em Composição e Poesia pela UNESP e UNIRIO. Sua obra o mesmo define como “Mitopoética” e “Pluridimensional”, onde “Tempos, estilos, épocas e gêneros se misturam com a mesma ele- gância abstrata dos temas tão difusos que se organizam em uma banca de jornal ou nas páginas e links da Internet”.

CançÃO dO auTO-EXÍliO Que triste, indiazinha, que triste que sou! Minha raça mais triste que a tua Menos raça, alma encanecida - Que triste Dom Sebastião arde em mim Mil vozes triestinas tão longe E tristes, tristemente vozes. Vieram d´além barcos, trouxeram-te açoites Teu povo de África, teu povo d´atlântica mata:

Quem o banzo não roera os atabaques Morreu de sífilis achando que era amor Ah, índia pequena, senhorinha-mucama Minha é a tristeza dos Azevedos Álvares Dos barcos também trazendo gente muda Que nunca soube dizer português pra si mesmo

Melancolia que não se enxerga é a que não mata Nem de amores, nem à dores – não tome por tua Não beba o cauim de noite mal dormida Abre a janela que tua alma cabocla, Ensimesmada mas ridente, é. Canta, canta, indiazinha, como teu Pai Tão bravo, tão forte, um filho do norte, Que o canto de morte,

(Pai não sou

)

guerreiros, ouvi!

Luciano Ortiz 416

ETErnO Uma voz canta ao exílio De um lugar de talvez Primeira e segunda canção Sextilhas do Frei Antão

As “gonçalvesias” de todos os dias Eternizar-se-ia No mesmo contexto Sua característica, sua poesia.

Um tubo de ensaio É o clima, A química entre ensaios A magia, o alquimista.

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416Luciano ortiz - Guarapuava – PR – Brasil - professor. Músico, compositor e poeta. O primeiro livro no prelo será lançado em março de 2013. Livro de haicai que descreve uma nova proposta de haicai crítica e libertária. A arte e a crítica favorecem juízos imparciais com total realidade de temas e acontecimentos do cotidiano, vidas e vivências próximas e distantes. O libertário insere em um meio com olhos voltados a todas as direções.

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Poeta

O artista A “experimência” Gonçalves Dias

Lucivani Vitoriano 417

dEiXE O SaBiá CanTar Se exilado na tua alma Já não podes se alegrar; Procura uma vez mais tua calma, Deixe o sabiá cantar.

Vá teus grandes desenganos Nas palmeiras pendurar. E nas várzeas põe teus prantos, Deixe o sabiá cantar.

Viva o senso de comunidade Do poeta Gonçalves Dias:

“Nosso céu

Nossas várzeas

Nossos bosques

Nossa vida

Nosso país tropical É um divino paraíso. Não fique em seu próprio exílio Sem motivos de se alegrar. Vá pra junto das palmeiras, Deixe cantar o sabiá!

Estando longe dessa terra A grande saudade de cá Fez da “Canção do Exílio” um grito Que até hoje ecoa no ar Louvando a essas únicas palmeiras, Nas quais canta o sabiá.

TOda pOESia Toda poesia É feita por gente Que não gosta De ser limitada Ao que já existe.

Toda poesia É feita por gente Que viaja Na emoção, Do alegre ao triste.

417Lucivani Vitoriano Ariquemes – RO – Brasil - 10/10/1990

Toda poesia É feita por gente Apaixonada Pela arte De viver.

Toda poesia É feita por gente Feita de poesia Como o Gonçalves Dias Devia ser.

Toda poesia É feita por gente Que “cisma sozinho” E saber desenhar caminhos Com a magia de escrever.

Toda poesia É feita por gente Marcada como bois. Que um dia foi Marcada sem saber.

Toda poesia É feita por gente Contente por saber Que há mais poesias Sempre por fazer

Luís Artur Severo da Silva 418

CançÃO dO EXÍliO No Brasil, há uma grande mistura de raças: negros, brancos, mulatos, loiros, morenos e pardos; na Alemanha, a maioria é muito branca. Lá, o clima é muito variável. Nos invernos, faz muito frio, chegando a temperaturas negativas; os Verões não são tão calorosos; as Primaveras, agradáveis

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418Luís Artur Severo da Silva - Porto Alegre/RS – Brasil - 16 de outubro de 1999. Estudante do Ensino Fundamen- tal do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Participou da Oficina “Poesia Inclusiva”, com Deficientes Visuais, realizada no Cais do Porto - Casa do Armazém, em 26 de outubro de 2012, na Feira do Livro de Porto Alegre/RS, coor- denados pela escritora e poetisa Roselaine Funari. E-mail: luisartur@hotmail.com

e atrativas; e, nos Outonos, os parques e praças ganham tons amarelados. No Brasil, as estações estão bastante bagunçadas. Às vezes, enfrentamos as quatro, num só dia, mas, mesmo assim, temos boa qualidade de vida. Lá, a língua oficial é o alemão; aqui, a língua portuguesa.

Luis Henrique Insaurrauld Pereira 419

DIAS COM GONÇALVES Porquê fostes parar no mar ? Mestre Gonçalves passava seus dias forjando seus poemas Dando alma aos seus diálogos para o teatro Mergulhando fundo na vida do tablado

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Porquê fostes arrebatado pelo mar ? Em tudo colocastes sua marca de valor e talento E em “ Rosa do Mar “ escreveu ao relento:

“ Nisto o mar que se encapela A virgem bela Recolhe e leva consigo; Tão falaz em calmaria, Como a fria Polidez de um falso amigo”.

Porquê fostes perpetuado pelo mar ? Mirando no tempo e espaço escreveu Lindo poema, “ O Mar “, que lhe enterneceu:

“ Mas nesse instante que me está marcado, Em que hei de esta prisão fugir para sempre, Irei tão alto, ó mar, que lá não chegue Teu sonoro rugido. Desconhecendo o temor, o espaço, o tempo, Quebrará num relance o círculo estreito Do finito e dos céus !

Porquê escrevestes para o mar ? Será que sereias deixaram suas contendas e suas lendas E, se aproximaram de seus poemas

419Luis Henrique Insaurrauld Pereira- Rio de Janeiro – RJ – Brasil - 22/05/1.951. Minha carreira de pretenso escri- tor iniciou-se nos bancos do “ Colégio Militar do Rio de Janeiro “. Alguns trabalhos sairam das gavetas e foram parar no site da CBJE ( Câmara Brasileira de Jovens Escritores ). Agradeço o tempo de suas vidas despendido com este humilde-tímido-aprendiz de escritor, e que possam degustar este “Poema“, como se sorve um vinho, saboreando cada gota, cada palavra. Assim, bem pausadamente, sentir : o aroma, a fluidez e o fino sabor.

E assim, caprichosamente, Espontaneamente e egoisticamente Lhe arrebataram para as profundezas do mar Para lhe acarinhar, para lhe homenagear Onde o oceano que tanto lhe transportou para Europa Fechar um último poema e na felicidade, se casar E, na plateia indivíduos a se alegrarem:

Cavalos-marinho, tartarugas, namorados, badejos, garoupas,

Porque escrevestes pouco para nós ? Ficamos sedentos de seus manuscritos E, ficamos nos cantos do Sabiá inscritos:

Pois, “ Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá “.

Luis Lima 420 /Luzenice Macedo 421

DIAS DE jOãO seu gonçalves venho lhe pedir um favor me diz como faz pra brotar outro pé no vale se pé não dá pé pedir vale à pena seu gonçalves venho lhe pedir um favor

nesses dias difíceis não há um joão que resista então passe a revista por todo o batalhão que a lágrima reza a novena e a seca castiga o sertão

é

que eu já sabia que sabiá ia cantar

o

fio da navalha já se perdeu do barbeiro

e

a velha mortalha deu seu adeus fevereiro

é que eu já sabia que sabiá ia cantar sinhazinha deixou os seus cordéis no varal o vento levou as rimas pras bandas de lá cuidado com o rastro na roça que carcará vem pegar

420Luis Lima - São Luís, MA – Brasil - 05/10/1964. Apenas um maranhense compositor com extensão do mun-

do, sem distinção. Um fazedor de arte, graduado na universidade de enrolamentos dos legítimos charutos socialistas cubanos. Um nato comunista credor da palavra, desconfiado das maiorias. Segue imperfeito sem

Autor dos cd’s Palavrando e Expresso de letras e

acabamento, com mestrado em ciência de coisa nenhuma do livro de poesia Arrumador de palavras, por enquanto

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421Luzenice Macedo - Codó, MA – Brasil - 20/10/1973. Remanescente do bando das Marias Bonitas. Menina do

mato, de Codó e da terra de Gonçalves

pela Universidade Federal do Maranhão, eterna aprendiz de feiticeira

marcado com os “dadores” de idéia do mundo real, por isso, fazedora de cordéis.

Ora fina flor dos madrigais de Raposa, MA. Formada em Biologia

do pó de pirlimpimpim. Sem encontro

Luís Mário Oliveira 422

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GONÇALVES DIAS Português e mestiço, esse seu sangue Caxiense, entre outros, imortal E pelas leis encampou, seu teatro, jornal Gonçalves Dias e noites, romancista Quanto da tua honra, poeta, Ville de Boulogre, naufrago, teus versos Baixos de Atins te traga, te levou Portugal, língua mãe que te acolheu, sem as palmeiras Sem os sabiás. Sem as canções do exílio, reversos Os teus primeiros cantos, Ana Amélia Ferreira Vale, Valem teus versos Onde nasce e morre o poema Sala de sofrimento, preconceito medonho, infame Teu amor, o amor, abatido por desilusões, pela dor Enfim te vejo, enfim posso curvado aos teus pés dizer-te Oh! Amélia. Largo dos Amores, São Luís, Ilha do Amor Gonçalves dias, salve esse casamento que não ouve Salvem os teus dias. Investido em ti, ó poeta, meu Deus, grande poeta Ousaria com a mulher, Ana, Amélia, entre todas Rosas Cravos, Orquídeas e Camélias. Casou-se pois então em línguas Desse latim que principio, minha boca Não te consigo ver morrendo, náufrago Envenenado com água do mar que também cantaste Esse mesmo mar que poemo, que me banho Aqui em nossas praias, onde tua letra fica Como sal, esse mesmo que te imortaliza, conserva O amor, do amor, para o amor calcifica Foste o único afogado em lágrimas Nesse mesmo mar que te escolheu Nas águas profundas, quanto desse sal Lágrimas de Portugal? Pessoa, fingidor, completamente dor Que deixaste na emoção da tua existência Da tua vontade não permitiu Deus Que morresse sem que por último admirasse As terras que pela vida afora cantaste Entre as palmeiras e o gorjeio dos sabiás Imortalizados como tu, nesse eterno poema.

422Luís Mário Oliveira - Presidente Dutra – MA – Brasil - 25 de Fevereiro de 1969. Entusiasta da literatura, teve seu primeiro curso superior iniciado em 1992 em LETRAS - UNICEUMA. Sempre extraindo a poesia apanhada do dia-a-dia, tem grande oficina, pois graduado em Administração Rural, pela UEMA 2002, esteve colaboran- do no meio agroeconômico por Estados distintos tais: Rondônia, Roraima e a sua terra natal, Maranhão.

ANOS, SOMENTE Que coisa, que poesia Que dor, doída, doentia Esse mesmo amor, o que eu sinto Ainda uma vez, adeus! Por esse amor casto, tua chaga Tantos lamentos derramaste Dos olhos dela afastados os teus Tornou-se um tédio tua vida

Dessa morte qual não escapaste Pediste, imploraste a Amélia Que o perdão o fosse te dado Pois ao amor, por ti, poeta, ignorado Dois mundos se fizeram distantes De um só amor que de tão galopante Matara em vida tantos sonhos Oh! meu Deus, Dezoito estrofes, de pancadas Que dói em meu coração, que vejo Longe de ti, do teu sofrer, te ser poeta Gonçalves, salvem esses teus dias Todos em tua legenda A decantar essa vida martírio, miséria Em vossos olhos a nadar em lágrimas Pavorosa dor que me sinto ao ler-te Sei que lutaste, para não expô-la pública Pediste perdão por cem vezes, pediste Quiseste pois piedade, compaixão E ainda uma vez adeus Nesse misericordioso processo Onde acamado morreste, náufrago Dentro da própria poesia Que ora decanto em tua homenagem Para que o amor seja exaltado, sempre Ao exemplo maior que já nos dera De amar por de tão grande, padecer Perambular a vida toda, sem merecer As águas traiçoeiras que tragaram Nesse litoral que hoje banha Tua memória, sonhos, teus amores Tragica vida, quãos dissabores Nesse instante em que choro, soluço Acabrunhadas letras componho Gonçalves, salvem os teus dias Ainda uma vez, Adeus.

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Luiz Cordeiro de Melo - Luiz Cordelo 423

ACRÓSTICO À GONÇALVES DIAS O POETA ANTÔNIO GONÇALVES DIAS

O Poeta Antônio Gonçalves Dias, Patriota que pasma o País em canto. O Brasil abraçou quem brindou poesias; Em Caxias (Maranhão) eclodiu o encanto:

Teatrólogo; atendo-se bem mais a etnias; Advogado; poeta à elegia, um tanto:

Ainda uma vez – Adeus’ foi uma a Ana Amélia.

Não desposa Ana honrando a família dela:

Triunfado o racismo, em vez de amor, o pranto; Oh! Ninguém riu! E o poeta partiu pro Rio. No mesmo ano que à Amélia desistiu, Infeliz e oportunamente esposou Olímpia: u’elo, que em quatro anos quebrou. Gradativo Gonçalves Dias viveu:

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O sobrar da saudade e o faltar à saúde. Num estranho local, em Coimbra, escreveu, Com tristeza, a “Canção do Exílio” em virtude Às virtudes que havia mais no Solo, o seu! Luso estudo, ok! Tudo o mais era rude:

-Vivo ausente aos meus!

longe não morra eu,

, Seu cantar tem melhor pio que o do europeu.

me mude;

Deus,

Em lembrar o Brasil, seu Sabiá

Deus o quis, e fê-lo mudar de “estágio”:

Impelido dum mundo a outro”, em suas viagens:

Adoece; e um naufrágio o flagra frágil; Salva o navi’outros; só não salvou Gonçalves!

CANÇãO DO EX-EXÍLIO Extraído do Salmo 137 (no ápice da poesia hebraica), pelo contraste e mesmeidade sentimentais à poesia: “Canção do Exílio”, de GONÇALVES DIAS. Juntos aos rios de Babilônia, onde o canto era chorar; as harpas que em haste tínhamos não tiniam nada lá.

423Luiz Cordeiro de Melo (Luiz Cordelo) - Campina Grande – PB – Brasil - 28 de agosto de 1958, admira poesias desde jovem, mas apenas há cinco anos tem se dedicado a escrita de cordéis, inspirado em grandes poetas, como Ronaldo Cunha Lima, poeta paraibano, e o próprio Gonçalves Dias, por isso o contentamento em parti- cipar desta antologia. Dentre suas obras já produzidas, estão: O Guri Davi Engoliu o Grande Golias; O Rei Davi. Contato: luizcordelo@gmail.com.

Nosso povo tem estrelas mas não emitiam fulgores; nossos cantos sem mais vida, na terra dos opressores.

Em cismar: foi humilhante os caldeus nos pedir lá, que cantássemos canções que pudessem se “alegrar”.*

Minha terra tem valores que tais não se encontram lá.

Em Sião não tem açoite. - Há prazer em te habitar! Minha terra tem cantores Onde canto, se sabe, .

Não permita Deus que viva quem queria escravizar de Israel os seus amores e das flores que tem cá.

E que inda botem Babel onde pranto, o sabe, **

DE OBRAS FARTO EM TEMPOS CURTOS De ter sido o poeta que mais versos deu, Eis verdade se em conta levar o período (Os 41 anos seus). Bem pouco vivido! Brasileiro que à Pátria bem enobreceu. Redatando revista, moveu Romantismo:

Alavanca o Indianismo; e o Lirismo ergueu. Sua’obras poéticas nascem no Naturalismo.

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Fluentemente escreveu: A MANGUEIRA; A MÃE D’ÁGUA; A VISÃO; O ROMPER D’ALVA; O CANTO DO PIAGA; RECORDAÇÃO; DEPRECAÇÃO; CANÇÃO; AMOR; TE DEUM; - - DESEJO; A VIRGEM; O TROVADOR; O COMETA; O ORGULHOSO; O OIRO; O DESENGANO; EPICÉDIO; - - - - - - - - - - - - AMOR! DELÍRIO-ENGANO; MINHA MUSA; SE TE AMO, NÃO SEI!; SONHO; LIRA; TABIRA (ao Pernambuco) e (ao mundo) outro TABIRA; E - - - SEXTILHAS DE FREI ANTãO; OS TIMBIRAS; MINHA VIDA E MEUS AMORES; A DUAS AMIGAS; PEDIDO; - - - ANIVERSÁRIO DE UM CASAMENTO; O SOLDADO ESPANHOU; A CRUZ; PASSAMENTO; SE SE MORRE DE AMAR; SOLIDÃO; SOFRIMENTO;

CONSOLAÇÃO NAS LÁGRIMAS; LEVIANA; U’a série: VISÕES; SONHO; I-jUCA PIRAMA; ROSA NO MAR; MARABÁ; MIMOSA E BELA; TRISTEZA; - - - - - A HISTÓRIA; SEMPRE ELA;

O CONTO DO ÍNDIO; - - - - - À MORTE PREMATURA;

SEUS OLHOS TÃO NEGROS, TÃO BELOS, TÃO PUROS.

ANA AMÉLIA- SEU ENCANTO E AMOR DESESPERADO: O SEU MAL AO DR. JOÃO DUARTE LISBOA SERRA; N“O TEMPLO”; OS SUSPIROS; À MORTE; MINHA TERRA; A VILA MALDITA-CIDADE DE DEUS; AS ARTES SÃO IRMÃS; AS DUAS COROAS; MISERRIMUS; DESTERRO DE UM POBRE VELHO; É! “QUE COISA É UM MINISTRO”; QUE ME PEDES; LEITO DE FOLHAS VERDES; OLHOS VERDES; IDÉIA DE DEUS*; AINDA UMA VEZ-ADEUS; A CONCHA E A VIRGEM; O GIGANTE DE PEDRAS;

SEUS OLHOS; PRODÍGIO; QUADRAS DA MINHA VIDA;

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E - - - - “COMO SE AMA O CALOR E A LUZ QUERIDA”. Uns Hinos: - - - - A LUA; A NOITE; A TEMPESTADE;

E “O PRESBÍTERO”; - - - - O QUE MAIS DÓI NA VIDA; Na “INOCÊNCIA”; A MENDIGA; outro Hino: A TARDE; CANTO INAUGURAL; CAXIAS; CANÇãO DO EXÍLIO:

À língua portuguesa, u’a surpresa!!! - - - - - - - - - “DELÍRIO”; Não fez: “SEGURA O ÍNDIO LOUCO”, eis ciúmes!

TRISTE DO TROVADOR; PALINÓDIA; QUEIXUMES; O CANTO DO TAMOIO; CANTO DO GUERREIRO;

E CANTOS”: ÚLTIMOS

;

SEGUNDOS

;

PRIMEIROS

A QUEDA DE SATANÁS; - - - - - - - - foi O CIÚME; MEDITAÇÃO; DIES IRAE; - - - COMO TE AMO; O BAILE; FADÁRIO; O PIRATA; - A UNS ANOS; RETRATAÇÃO; CANTOS (co’os NOVOS CANTOS); DESESPERANÇA; - AGAR NO DESERTO; HARPEJOS; E “CANÇÃO DE BUG-JARGAL”; SONETO; OS BEIJOS;

; SEI AMAR;

E “MENINA E MOÇA”; e VELHICE E MOCIDADE; SONHO DE VIRGEM; FLOR DE BELEZA; O MAR; PROTESTO; QUANDO NAS HORAS; SAUDADES;

SE QUERES QUE SONHE; NENIA

E “CAXIAS(1)”; HARMONIA; LIRA QUEBRADA; ROLA; O SONO; A INFÂNCIA; NUVEM DOIRADA; ANELO; AS FLORES; - - A UM POETA EXILADO; DESALENTO; O MEU SEPULCRO; URGE O TEMPO;

O ANJO DA HARMONIA; NÃO ME DEIXES; ZULMIRA.

O HOMEM FORTE; A SUA VOZ; - - - A UMA POETISA.

SE EU FOSSE QUERIDO; A FLOR DO AMOR; A PASTORA; ESPERA; A MORTE É VÁRIA; A BAUNILHA; U’a DEDICATÓRIA A - - - - - - TEÓFILO LEAL, Mui leal a ele. Hino: À HARMONIA; AO NATAL; A UM MENINO; SOLÁO DE GONÇALO HENRIQUEZ; LÓA DA PRINCESA SANTA; UM ANJO; AMANHÃ.

AO SEU RESPEITO E ATÉ À MORTE; E TRISTE LUTO: HOMENAGENS ANGELINA; - - - SAUDADES (À Minha Irmã);

Oh! Que versejar: “GULMARE E MUSTAPHÔ---! SE NÃO QUERES LIGAR-TE COMIGO; ANÁLIA

E outro - - - - - -SONETO (Pensas Tu Bela Anarda

);

Um “POR UM AI”; SOBRE O TÚMULO DE UM MENINO

Resta - CUMPRIMENTO DE UM VOTO

- ; ASSASSINO;

E um “ADEUS” - - - - (A Meus Amigos do Maranhão);

Suas NOTAS; SOLÁO DO SENHOR REI DÃO JOÃO;

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PRÓLOGO de Obras Póstumas; - - - - - - - - e à canção:

Em LIRA VÁRIA; GUANABARA; outras cito:

Inda AMAZONAS; MEMÓRIAS D´AGAPITO Tem “VINTE ANOS”; A LENDA DO AMAZONAS

O

DESCOBRIMENTO DO BRASIL

;

fez crônicas.

E

os DRAMAS

;

REFLEXÕES SOBRE

MARANHÃO.

A

“Canção Triste” - - - - - - - RESPOSTA `A RELIGIÃO.

Tem a - - - - - - - - - VIAGEM PELO RIO AMAZONAS;

É HISTÓRIA PÁTRIA”; O BRASIL E A OCEÂNIA.

As DEDICATÓRIAS

cada qual mais linda.

Minha Terra Tem Palmeiras; Amar-te Ainda; O “Canto Popular”; - A Existência de Deus.

Rogos: “Longe da Pátria”; “Basta uma Vez”;

Tem Hino: Ao Brasil;

Modinha

; Ontem no Baile.

E CARTAS

;

e “Versos Póstumos” e “Obras Póstumas

Escreve obras teatrais: PATKULL, BOABDIL; Teve ânsia e publicou: LEONOR DE MENDONÇA; Restrito, não publicou: BEATRIZ CENCI. Inda “A Noiva de Messina” traduziu; e, Seu - - - - “Dicionário da Língua Tupi”. Trabalho: “A Origem dos Índios de América”. Enquadra em “americana” su’obra poética

Letrado, alcançou, graças à alma e mão destras, U’acento à Academia Brasileira de Letras; Trouxe ao Brasil obras de exímios exemplos. Olhou pouco a elogio, dinheiro, ou os templos Homem assim por que não recebeu o título:

O Maior Brasileiro De Todos Os Tempos”? Maior em versos, e diverso, em capítulo; Eloquente e imerso ao popular e erudito. Não foi rico de bens; foi “pobre de espírito”; Ah! Não há de “ser dele o reino dos céus”? Gonçalves, se sabe, pelos livros seus, Enaltece a natureza e O que a fez, Deus. Não admite “Evolução”, sim “Criação”:

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Sua “Ideia de Deus”, a aprova e dá razão.

Luiz Guilherme Libório Alves da Silva 424

SEGUE-SE ABAIXO O DITO POR GONÇALVãO ONTEM À NOITE, UM POEMA-NãO - Metrifico, tenho de metrificar, se não morro sufocado. Os temas que candidatam-se a poema saem de mim sozinhos se não os escrevo. Eles pulam dos meus olhos, entopem meus poros, enroscam-me a garganta. Os outros humanos perguntam: “Sente-se bem?”. Não tenho coordenação nem para negar. Pulo, ofego, bato a mesa, enfio as pálpebras nos dedos; Tenho de metrificar para forçar poemas, tenho de forçar poemas para alojar minhas ideias sufocantes. Tenho de metrificar.

O SURTO DE GONÇALVES DIAS -Poeta, ouve; O brilho, a luz que seja, Vinda da lua mesmo apagada Enquanto acesa Nada mais é que a aresta do real astro reaproveitada.-

424Luiz Guilherme Libório Alves da Silva - Bebedouro – SP – Brasil - 23/11/1994, estudo Letras na Universidade Federal de Minas Gerais, tendo iniciado meu curso na Universidade Federal de Goiás. moro em Belo Horizonte.

Espanto.

Estás nas pontas dos pés Sob o arco inesperado da caverna O vento que encrespa teu rosto Inclinando-te qual pescaria

De olhos fechados pela claridade Apenas sentindo o calor que emana do sol Você se sente mal. Sente-se realmente mal

E abandonas o momento E volta correndo para o escuro Para o bem, para o amor, Desesperado de saber.

Verdade:

Verdade nenhuma Foi feita pra poeta.

Luiz Penha Pinós Bissigo 425

CANÇãO DO EXÍLIO Aqui, em Jaguarão não cultuam a tradição; em Porto Alegre, tem de montão. Aqui, em Jaguarão o amor é impuro e sem graça; em Porto Alegre, mesmo retratado num muro, perpetua-se. Aqui, em Jaguarão, que mulheres há para amar, já que, em Porto Alegre, elas Lá vão estar. Minha saudade de Porto Alegre está além da compreensão, pois as pessoas, que amo, Lá ficaram.

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425Luiz Penha Pinós Bissigo - Porto Alegre/RS – Brasil - 05 de maio de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colé- gio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Ca- deira 49, Patrono: Sousândrade (Joaquim de Sousa Andrade); e, Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautor do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. E-mail: luiz.bissigo@terra.com.br

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M. A. Lima Barata 426 - 10 de Agosto de 1872.

POR OCASIãO DA INAUGURAÇãO DA ESTÁTUA EM SãO LUÍS 427 Mais um sol se escondeu no fundo oceano Mais uma pérola para o mar voltou; Morreu mais um poeta soberano, Mais uma harpa estalou. P. de Calaz N.S.

Qual geme Éolo iracundo Nas areias do Saara; Como o troar da pocema Tangida pelo Tupá; E o eco das ventanias No bronco das penedias - Tal nasceu Gonçalves Dias D’um sopro de Jeová!

Fagulha da inteligência

Tornou-se um facho de luz! Gênio! Trindade soberba D’Homero, Dante e Jesus, Embora tanto sofresse

E mão súplice estendesse,

Ninguém diz que ele jazesse Da corrupção nos paúes!

Ergueu-se! Elevou-se tanto Quanto se eleva o condor Que solta o voo dos Antes E vai pousar no Tabor!

E nesse voo arrojado,

Deixa após si consternado, Todo o espaço admirado, Todo o Atlântico em furor

Moldado para o sublime, Pra grandeza da dicção, O gênio transpôs do éter A desmedida amplidão! E aos Alpes que o cortejaram E pasmos, quedos ficaram, Por seu turno recuaram Das lavas da erudição!

426Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p 501-503. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil 427Serve de título.

Como judeu da legenda Vive o bardo a caminhar Mas este aonde chegasse Tinha um pouso a descansar! Aos gênios tal acontece; E se o vulto desparece, Nunca a memória fenece; O mármore fá-la lembrar!

Quando seu ninho materno Buscava o triste antor, Leve fez da linda Coema Flor de b’leza e luz do amor, Abre-se um mar de safiras, E ao som das celestes liras, Mago Tupã dos Timbiras D’a su’alma ao criador.

Não pode descer à terra Um ente que vem dos céus! Sete palmos de terreno Não podem conter um Deus! Quem por berço teve o mundo, Por nome um séc’lo fecundo, Só pode dormir no fundo Do leito dos Prometeus!

Para viver respeitado Do templo p’la grande mó, Deus! estuário do gênio Nunca o soterra do pó! Tal fez ao rei dos talentos! Mais rijo que os elementos, Maior que mil monumentos Deu-lhe um nome, um nome só.

Mas deveis sempre orgulhar-vos Ó filhos do Maranhão Dos atos que praticardes Como este – do coração; Pois ao Deus das harmonias, Ao gênio das melodias… Pagais a Gonçalves Dias Um penhor de gratidão!

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Madalena Müller 428

AFASTADOS OS CORPOS, UM DIA AS ALMAS SE ENCONTRAM Um dia no Maranhão nascera um garotinho chamado Gonçalves Dias de uma união não oficializada, de um portugues docemente atrevido e uma mestiça que fora amada

menino de face intrigante com a miscigenação em seu corpo estampada, dando-lhe um divino charme frente a sua figura formada

uniões que não são sacramentadas pelo terrível preconceito, seja pela cor, raça, idade ou situação financeira e onde levando o amor distante de seu leito

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o fruto das noites nem tão dormidas fora estudar na origem do Pai, em sua terra Natal, sendo que pequeno sua doutrina fora no Brasil e jovenzinho fora-se para Portugal

tão logo seu curso de Artes no secundário concluira e distante em Direito fora formado, mal sabia que seu coração romântico de seu amor seria isolado. Não adiantou a astucia de caixeiro nem a perspicácia na escrituração, na experiência da loja de seus Pais levou em sua viagem ele em seu coração

foi-se para a terra de origem do Pai e aí concluíra sua secundária educação, e a III formação, sendo no período inicial até a sua formatura escrevera a divina canção

no exílio de seus pensamentos onde fez a divina união entre consoante e vogal, dando um toque supremo a minha e também dele terra Natal

428Madalena Müller -Rio Grande do Sul – Brasil - 13.01.1961. Sou empresária, fiz muitos cursos e que uso o co- nhecimento no decorrer dos dias, por muito exerci minha função como estilista de moda e do ateliê mantive um sorriso constante a cada obra, no decorrer das entrelinhas da vida tivera que optar pelo outro caminho

serei uma eterna estudante, a indisciplina de situações que nos são colocadas fa-

tal qual o povo

em sua bandeira estampa minhas

que meu Y apresentou

zem-me sempre retornar numa disciplina diferente, penso que serei uma eterna estudante

do Maranhão, que mantém as graças na alegria e na esperança do sorriso cores preferidas junto ao infinito do céu!!!

desde quando conheço as escritas e ouço o som do sabiá ha cantar, já vejo-me dançando dentre as palmeiras e sorrio sentindo meu corpo/mente ao meio movimentar

já vejo o céu estrelado

e as flores por todos os caminhos, sinto o verde da esperança florindo e a brisa envolvente fazendo-me carinhos

eis que os amigos foram-lhe presentes auxiliando-o até que tivesse sua graduação, pudera pela força da suave canção entrar no veio literário sendo considerado o principal poeta romântico da geração

tivera poemas considerados imorais e na época foram barrados pela hipocrisia, entre os primeiros cantos lançados conheceu a mulher que para sempre amaria

teve aulas de francês, latim e filosofia

com o direito esquecido fora jornalista e professor, fundou o jornal literário “Guanabara”

e não soubera persistir para buscar seu amor

com a negativa dos Pais de Ana Amélia com a moça Olímpia fora casar, tão logo liberto da aliança pudera com sua Ana encontrar

ela casara por vingança com outro e deserdada por sua família que também não o aprovou, foram-se para terra distante e perseguidos seu estabelecimento comercial quebrou

seu primeiro marido falecera e ela tivera a segunda união formada, pudera ter a graça de um filho em sua vida agregada

Dias novamente tentou, ela não aceitara a declamação de seu poema e o pedido ficara retido no desejo de sua inocência, desengano que deu-lhe muita tristeza ao dado adeus de seu amor ficando-o na abstinência o orgulhoso menino que deixara de lado perpetuou no templo sua altivez, ainda, mais uma vez – adeus e seu amor não teria mais uma vez

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desolado a doença da hepatite toma-lhe e em terra distante tenta se curar, em seu retorno tal quais seus olhos verdes naufragara no fundo do mar

quando seu corpo imobilizado a sua alma tivera o acalento reconhecido, sua amada fez-se presente dizendo que nunca lhe tinha esquecido

Ana novamente surge, dentro do teatro sob aplausos e num choro profundo ao léu, a esperança que tinha nosso Dias fez-se presente junto ha ele no caminho do céu. Situação idêntica que em minha família acontecera e sou fruto do Chrystian que de seu verdadeiro pai fora afastado, deste nunca tomara conhecimento e no passar dos tempos sabe-se o porquê de um chapéu ao nosso lado

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na vida nada para sempre fica oculto e o Amor numa outra com certeza será perpetuado, não existe força que tirem-lhe para sempre a alma gêmea de seu lado!!!

Maiara Gonçalves de Oliveira 429

SAUDADES Gonçalves Dias Tão bonito dizia, Com seus poemas românticos, Qualquer flor seca renascia.

Gonçalves Dias adorava onde vivia; Lá ele era feliz, lá ele gostava do canto do sabiá E assim conquistou muitas coisas por lá.

Gostava da selva, do campo, das flores, Um homem apaixonado, Com olhar alegre, cheio de amor, Gonçalves Dias, um brasileiro de coragem, Gonçalves Dias, um homem que deixou saudades.

429Maiara Gonçalves de Oliveira - Teresópolis – RJ - Brasil - 25/01/1998, poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e já possui poemas publicados no blog “Palavras do Coração”, do poeta- migo Geovane Alves dos Reis. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa

Manoel Alexandre de Santana Sobrinho – Manoel Sobrinho 430

A MORTE DE GONÇALVES DIAS 431 Que adiantava ficar na velha Euriopa, se era Inútil procurar prender no peito a vida, Que, ansiosa de habitar mais arejada esfera, Breve diria ao poeta o adeus da despedida?

Ela, que anima num ser, às vezes repelente, Um século, ainda cedo ia a plimagem fina Bater deixando inerte insigne doente, Assim como se deixa um palacete em ruína

Já não podia o bom clima do velho mundo Lenitivo trazer em seu tormento, ao poeta, Que expressava no olhar, nostálgico e profundo, A tragédia da sua dor secreta

E a Pátria? Ah! Não morrer, nunca, diante dela, Quem tanto se esforçou pela grandeza sua! E logo, afoitamente, uma enfunada vela Pos sobre os vagalhões marítimos flutua

O vento sopra, o mar espuma, o barco avança, Ao ritmo das canções rudes da marujada, Levando quem só nute, agora, uma esperança:

Ver o risonho céu da Pátria suspirada.

Pensar em ver a terra onde, ao calor da vida, Escustara de amor, suave, a primeira jura, Leva o poeta a esquecer sua mortal ferida E a sentir-se feliz dentro do mal sem cura

Pejados de incertza e de aborrecimento, Moroso e comuns, vão desfilando os dias, Enquanto, ora contrária, ora a favor do vento, Vai devorando a nau léguas de ondas bravias

II

Amplo e formoso céu, norte de Pindorama! Horizontes de anil, praias de areia solta; Revoada de guarás, currais de pesca, o drama Das igaras, além, contra a maré revolta.

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430Manoel Sobrinho - Manoel Alexandre de Santana Sobrinho - São Francisco do Maranhão – Brasil - 04 de ja- neiro de 1897. Poeta. Titular da Cadeira 19, patroneada por Teofilo Dias, na Academia maranhense de Letras. Bibliografia: Hora Iluminada (Rio, 1948); Pétalas e farpas 431RAMOS, Clovis. ROTEIRO LITERÁRIO DO MARANHÃO – Neoclássicos e Romanticos. Niteroi: Clovis Ramos, 2001, p. 311-313, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto His- tórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Ilhas, verdes painéis, rochas e ribanceiras, Alvas garças ao longe, em silencioso idílio Leque espalmando ao vento, às margens, as palmeiras Denairosas da selva e da “Canção do Exílio”.

O barco, a doideja, busca no leme apoio, Esaiando um bordejo em direção da terra, E do altivo cantor do Piaga e do Tamoio O olhar perscrutador pelas paisagens erra

Sente, ele, ao contemplar o seu torrão já perto, A alegria feliz que há nas aves canoras, E cheio de emoção, chora sorrindo, certo De pisá-lo outra vez, dentro de algumas horas

III

Que favores o poeta ainda esperar podia Da vida a iluminar-lhe as horas derradeiras? A fronte repousar, ela que em febre ardia, No seio maternal da terra das Palmeiras.

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Mas

o destino e o mar resolveram, num convenio, Desastrado ou infeliz (ninguém ao certo sabe) Que é humilhante demais para tamanho gênio, Dar-lhe a morte comum que a toda gente cabe.

E nisto, se levanta uma onda crespa e afoita, Dos ventos estivais ao ríspido assobio, E logo a embarcação desequilibra e açoita, Lançando-a, rudemente, à ponta de uma baixio.

Aumenta e recrudesce o revolver oceânico, Pende outra vez para a corrente funda, Enquanto, a provocar o desespero e o pânico, A água o enorme porão do velho barco inunda.

Pelo convés, coxia e camarote, aos tombos, Anda gente a correr, doida, sem paradeiro Vendo beber o mar, pelos tremendos rombos, Numa avidez estranha, o úmido veleiro.

Galopam vagalhões em repetidas rondas, Ameaçadoramente, em volta do navio; Das criaturas que vão quase a imergir nas ondas, Mais que tudo comove o inútil vozerio

Em meio às afliçõe daquela gente inquieta, Que se apavora ouvindo o uivo do mar profundo, Ergue, serenament, a altiva fronte, o poeta, Para mandar o seu ultimo adeus ao mundo.

Lança o régio cantor das tribos brasileiras

À terra um doce olhar, sem laivo algums de mágoas; Sorri, fitado ao longe o vulto das palmeiras,

E some-se depois no turbuilhão das águas!

Manoel Bezerra

MISTURA NATIVA Do cruzamento das raças, Nasceste mestiço E te fizeste poeta híbrido De sangue português-índio, - teus pais! A natureza bela, - Caxias, matas dos jatobás! Foi o teu berço de origem, Terras de palmeiras e sabiás, Que retrataste Na singeleza nativa A canção do exílio, Saudosíssimo do teu lar!

Manoel de Páscoa Medeiros Teixeira – Professor Passarinho 432

CANÇãO AO POETA: A CRÍTICA CULTURAL HOMENAGEM A GONÇALVES DIAS Se, se tu voltasses, poeta não saberias rimar porque acabaram as belezas da terra do sabiá.

Existem poucas palmeiras, alguns sabiás a cantar na mata da Boa Vista, poucos pés de jatobá.

As nossas palmeiras bonitas são devastadas no chão por invasores estranhos na terra do Maranhão.

Eu sinto a dor e a tristeza daquele verde acabado, as matas viraram desertos e os índios abandonados.

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432Manoel De Páscoa Medeiros Teixeira - Olinda – PE - Brasil. Popularmente conhecido como Professor Passinho. É poeta, autor de lendas, filósofo e teólogo. O grande educador de Caxias-MA é membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC) e membro fundador da Academia Sertaneja de Letras, Educação.

o poeta dizia, em sua canção centenária, que os nossos bosques têm vida hoje não existe mais nada.

Só resta apenas, poeta, o céu infinito do além porque a maldade dos homens não alcançaram também.

Está tudo danificado, desrespeitaram a cultura; não conservaram o passado nem a riqueza da nossa história.

Agora suplico a força da divina proteção! descansa em paz, alma poética (nas águas lindas e pardas do mar) meu velho indianista da mata da Boa Vista, poeta nacional, o líder imortal Antônio Gonçalves Dias.

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Manoel Lúcio de Medeiros - Malume 433

TRIBUTO A ANTONIO GONÇALVES DIAS. Um poeta brasileiro de cultura, Estudou francês, latim, filosofia, Foi também formado em advocacia, Conhecido por sua grande bravura!

Foi um grande professor e jornalista, Lecionando a cadeira de latim, Homem de uma cultura sem ter fim, Dos poemas, foi um grande sonetista!

Ao Antônio deixo, pois, o meu tributo, Um poeta de uma forte inspiração, Hoje o mundo inteiro sente o seu fruto!

Lembraremos para sempre tua imagem, À cultura, deixaste grande bagagem, Para todos, um acervo absoluto!

433Manoel Lúcio de Medeiros Malume - Fortaleza – Ce – Brasil. Graduou-se em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará, (UECE) e fez pós-graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. É Bacharel e Mestre em teologia pela Faculdade de Teologia Filadélfia, em Recife-PE. Já escreveu mais de 2000 sonetos e poemas.

LEMBRANÇAS DE ANTONIO GONÇALVES DIAS. Ele nasceu no sitio Boa Vista, Nas terras lindas do meu Jatobá, Este poeta que veio de lá, Trouxe a letra que a todos conquista!

Atuou no teatro do Brasil, Amante do francês e do latim, Um grande jornalista foi, enfim, Exemplo de cultura juvenil!

Da pátria, mergulhado na saudade, Sofreu no coração a nostalgia, Mostrando em versos o seu romantismo!

Sentindo de sua terra ansiedade, Nos mares volta com toda alegria, Mas um naufrágio o leva ao abismo!

ADEUS POETA ANTONIO GONÇALVES DIAS. A saudade já batia no teu peito, Por morares tão longe da tua nação, Nostalgias te cercavam o coração, Só o retorno te deixava satisfeito!

Com teu sonho a brotar à flor da pele, No navio tu regressas pelo mar, Mas as águas que te fazem naufragar, Traçam tua vida num destino imbele!

O teu corpo entre ondas foi perdido, Mas em glória, foi teu verso transferido, A lembrança de brilhar cada nação!

Hoje este meu poema te ofereço, Meu poeta, oh, quão alto foi o preço, Que pagaste pra deixar tua lição!

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Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho - Manuel Bandeira 434

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O NOME EM SI 435 Antônio, filho de JOÃO MANUEL GONÇALVES DIAS e VICÊNCIA MENDES FERREIRA ANTÔNIO MENDES FERREIRA GONÇALVES DIAS ANTONIO FERREIRA GONÇALVES DIAS GONÇALVES DUTRA GONÇALVES DANTAS GONÇALVES DIAS GONÇALVES GONÇALVES GONÇALVES GONÇALVES DIAS DIAS DIAS DIAS DIAS DIAS GONÇALVES DIAS GONÇALVES GONÇALVES DIAS & CIA GONÇALVES DIAS & CIA Dr. ANTÔNIO GONÇALVES DIAS EREMILDO GONÇALVES DIAS AUGUSTO GONSALVES DIAS Ilmo. e Exmo. Sr. AUGUSTO GONÇALVES DIAS GONÇALVES DIAS DIAS GONÇALVES GONÇALVES DIAS

Manuela Ferreira 436

O POETA VISTO DE CÁ Daqui te levaram ainda quimera, E tu não eras mais que o desejado. Atravessaste o mar, o outro lado; Brotaste longe, nós à tua espera.

Havias de voltar, estava escrito Nas linhas do destino que trazias. Tu, Grande Poeta, Gonçalves Dias, Cravaste longe as unhas do teu grito.

434Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Nélson Rodrigues, Carlos Pena Filho e Osman Lins, entre outros, representa a produção literária do estado de Pernambuco. 435Fonte: Estrela da Vida inteira de Manuel Bandeira Compilador: Weberson Fernandes Grizoste 436Manuela Ferreira - Ponte de Lima, Portugal - 26 de dezembro de 1968. Os textos que, muito recentemente, escrevo podem ser lidos no meu blogue -mais1poema.blogspot.com- e em várias antologias portuguesas e brasileiras. Recebi uma menção honrosa no concurso literário promovido pele APPACDM de Setúbal.

De cá ouvimos, vaidosos, a tua voz. Eram tantos a cantar-te, um mar de gente. E tu voltaste cingido na torrente, Para espalhares o canto entre nós.

Depois partiste a voar, talvez fosse isso, Para a terra onde o amor te enfeitiçou. Tu bem sopraste a chama que apagou, De nada te valeu, eras mestiço.

Ai, meu Poeta, quanta sorte Te faltou no amor e até na vida! Chegaste e já estavas de partida. Que cruel aquele mar, aquela morte!

Marcelo de Oliveira Souza 437

MINHA TERRA Minha terra não tem palmeiras, Nem sabiá Quanto mais canto! Diferente do meu amigo Gonçalves, Não tem aves que gorjeiam, Ninguém sabe o que tem lá.

Nosso céu é todo escuro, Não tem várzeas e flores Não tem bosques, nem vida É tudo um só obscuro.

De ficar sozinho à noite É sempre um contínuo cá, Mas é pior ficar lá, Onde não tem canto, Quem dirá sabiá.

Não permita Deus que eu volte lá Quando eu morrer, é melhor morrer cá Não desfruto de amores, Quem dirá lá!

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437Marcelo de Oliveira Souza – Rio de Janeiro – Brasil. Professor de Língua Portuguesa, formado na Universida- de Católica do Salvador. Pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu com convênio com a APLB/UNEB; Membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba; da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências; da União Brasileira dos Escritores; da confraria de Artistas e Poetas pela Paz – CAPPAZ; da Associação Poetas Del Mundo; Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS. Blog: http://marceloescritor2. blogspot.com Site: www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net

Marcelo Moreira 438

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DIVERSOS CANTOS São os primeiros cantos Voz do povo brasileiro Foi poeta, foi caixeiro As memórias de um professor De um jornalista estrangeiro Nascido na Boa Vista De histórias e sextilhas São também segundos contos Afogado em romantismo No deleito e no pranto São diversas poesias Por aqui Gonçalves Dias Declamou os últimos cantos

Márcia da Silva Sousa 439

O MAR E O POETA (por ocasião de sua morte) Retorna o poeta saudoso Ao chão de seus encantos Para outra vez contemplar Nas palmeiras mais dolentes Cantando, o seu sabiá Que saudades sentiu do seu canto! Quantas vezes correu o seu pranto! E mirando o horizonte pensava Em voltar à sua terra amada “Não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá!” Voltava enfim ao seu seio Corpo abalado, espírito em riste Terra amada tão querida Que aguardava seu filho Tão ilustre quanto triste “Mas quis o fado inimigo” Para si o tal poeta Revolto o mar, a nau sacode Impedindo o aportar E quando tudo se acalma O mar, o vento, a tormenta Procura-se o poeta

438Marcelo Moreira Salvador, Bahia Brasil - 5 de Maio de 1982. Formado pela Universidade Católica do Salva- dor em Administração. É Produtor Cultural, Poeta Contemporâneo, Artista livre de padrão. 439Márcia Sousa - Márcia da Silva Sousa. Belém-PA – Brasil - 22/06/1968. Reside em São Luís -MA desde 1979, considera-se maranhense de coração. Médica ginecologista e obstetra, mestre em Ciências da Saúde, mem- bro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores . Poemas publicados na coletânea “Sobre o Amor” SOBRA- MES (MA).

Buscando-o em vão Se foi, descansar no mar E por amar assim demasiado Não coube em todo mar seu coração Tornou-se então encantado Sob seu céu estrelado Nas costas do Maranhão!

Marcia de Oliveira Gomes 440

DIAS DE INSPIRAÇãO Dias de Brasil primoroso, Exaltado em versos verde-amarelos. Ah, as palmeiras, o céu, as várzeas, o sabiá Que prazer se encontrará longe do lar?

Dias de guerreiros valentes, Moldados na vida, luta renhida. Da honra e façanhas da tribo Tupi Que ninguém duvide, meninos, eu vi.

Dias de amor desmedido, paradoxal, intenso, precioso, febril Na lírica, o coração rasgado E, às almas sensíveis, ofertado.

Alicerce da poesia brasileira, Que o mundo reverencie o seu legado. Pois Dias de inspiração, Fez-se grande ao agigantar sua nação.

Márcia Etelli Coelho 441

DERRADEIRO EXÍLIO Nesse meu último canto com a Pátria tão distante, não encontro mais palmeiras. Sou um Dias soluçante.

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440Marcia de Oliveira Gomes - Rio de Janeiro, Brasil - 05 de outubro de 1979 doutora em Língua Portuguesa pela UERJ e professora da rede estadual. Em sua jornada literária, figuram a publicação de contos e minicontos em antologias e a conquista de prêmios literários, dentre os quais se destacam o 1° lugar no Prêmio Literário Teixeira e Sousa, em 2011, e no Concurso Nacional de Contos “Laertes Larocca”, em 2012. 441Márcia Etelli Coelho - São Paulo – SP – Brasil – 3 de maio de 1955. É médica formada pela Escola Paulista de Medicina em 1979 e membro da diretoria da SOBRAMES (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores). Ocupa a cadeira 34 da ABRAMES (Academia Brasileira de Médicos Escritores). Autora dos livros: “Andarilho - Em Bus- ca de se Encontrar”, “Rastros na Areia”, “Corpo Espelho D´Alma”, “Os Apóstolos do Zodíaco” e “Entre o Laço e os Nós”. E-mail: marciaetelli@ig.com.br

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Sabiá não canta mais, está triste sem seu ninho. As estrelas se esconderam e eu fiquei bem mais sozinho.

Essas várzeas não têm flores, esses bosques não têm vida. Onde estão os meus amores? Se perderam na partida

Hoje eu choro em presença da morte, em presença de estranhos chorei, relembrando os primores de outrora, em minha alma, ainda uma vez, adeus

PRIMEIRA POESIA A primeira poesia que eu li? Gonçalves Dias:

Canção do Exílio.

Na época, criança urbana, ainda não conhecia palmeiras e nunca ouvira um sabiá. Mas já entendia de cores e também de alguns amores, chamego de mãe e de pai. Só não sabia das dores quando a saudade em açoite insiste em nos castigar.

Passados muitos anos conheci outros países, comprovei não haver encanto maior do que o nosso lar. As perdas causaram danos. Distância venceu a ilusão. Os versos, bem mais sentidos, fizeram minha alma chorar.

Um detalhe, porém, persiste, chega até a me inquietar. Apesar de tantas vivências continuo sendo urbana e eu ainda não reconheço o som de um sabiá.

COMPANHEIRO

Minha terra tem um poeta que retrata muito bem as alegrias e as dores de quem sonha assim como eu.

No exílio, a eterna saudade do encanto de um sabiá, da sombra de uma palmeira, das ondas calmas do mar.

De noite eu vejo as estrelas. De Dias releio a “Canção”. Os versos revelam o que eu sinto e abrandam minha solidão.

Enquanto espero o regresso Gonçalves é meu companheiro. Com ele resgato a dádiva de sempre ser brasileiro.

Márcio Dison 442

OBRA DE ARTE Assobio sabiá travessia perversa em deserto de palavras.

Frágil beija-flor capturo pólen em labirinto de frases.

De sua majestade realizo a realeza imitando realejo. E partilho a leveza do colibri , o beijo.

Assobio sabiá frágil beija-flor. Desenho, saíra pintor, um tiê-sangue em natureza morta.

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442Márcio Dison - Porto União/SC – Brasil - 25 de fevereiro de 1962. Escreve desde os 6 anos, quando venceu concurso sobre o Dia da Ave. Participou de diversas coletâneas e antologias e obteve em 2011 o Prêmio Fer- nanda de Castro de Poesias, da Confraria Brasil/Portugal. Menção Honrosa do Prêmio Lila Ripoll/RS, lançou em 2012 Poesia(enterrada)Viva,edição do autor. Mora na Ilha de Santa Catarina e prepara o lançamento do livro Banquete de Palavras.

Márcio Moraes 443

CANÇãO AO TIMBIRA canção de um exílio do índio timbira um canto guerreiro da tribo sombria é o canto piaga da sua nação tupã poderoso retira esta embira da musa cativa que não é mais minha estrela do mar leviana canção

delírio das trevas do índio valente meu deus sofrimento do bravo pungente a escrava do congo com sangue lhe cinge os olhos da vida de uma alma clemente nas quadras do amor sua voz canto ardente na lajem dos mortos de fraco então finge

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mas hinos terríveis da rosa do mar donzela suspira vestida de ar ideia de deus como um raio lhe veio toar novos cantos e nunca deixar que rola esponsal ante deus a clamar a morte de amor do timbira guerreiro

os últimos cantos de pedra gigante do leito de folhas jatir além cante i-juca-pirama se torna eu vi e só marabá verdes olhos encante nos túmulos deixa saudades levante da taba o timbira que vence o tupi

Marco Aurélio Baggio 444

DE MINAS AO MARANHãO Oh! As minhas Minas E os meus Gerais Estado duplo,

443Márcio Moraes - Montes Claros – MG - Brasil – 9 de julho de 1983. Professor de Literatura e Português. Partici- pante ativo do Salão Nacional de Poesias Psiu Poético em Montes Claros, sendo um dos poetas homenageados em 2008. Autor dos livros de poemas Genuíno (2007), Via Crucis (2009) e assim alado (2011). Possui trabalhos publicados em Coletâneas e Antologias do Psiu Poético, Belô Poético, Poetas de Todos os Cantos, Faces Con- temporâneas da Poesia Brasileira, entre outras. Além de poeta, Márcio Moraes também é músico. 444Marco Aurélio Baggio – Belo Horizonte, MG – Brasil - 8 de março de 1943. Médico, É psiquiatra, psicanalista

e psicoterapeuta, publica regularmente em revistas e periódicos especializados, no Brasil e no exterior, ocupa

a Cadeira nº 96 da Academia Mineira de Medicina, ainda a Cadeira nº 27 da Academia Brasileira de Médicos Escritores – Abrames – no Rio de Janeiro, É detentor da Cadeira nº 10 do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Ex-presidente da Arcádia de Minas Gerais. É membro do Instituto Mineiro de História da Medi- cina e da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. Presidente da Sobrames Nacional. Cônsul da Real Academia de Letras de Porto Alegre. Membro da Academia de Letras do Brasil. Honorário da Sociedade Eça de Queiroz, do Rio de Janeiro. Telefone: (31) 3337-64-79 E-mail: marcoaureliobaggio@yahoo.com.br

Uno, múltiplo. Me lembra o canto de inserção De Antônio Gonçalves Dias.

Integrado pelo Grande

E pelo São Francisco

Correndo ao longo do Espinhaço Que dá ouro, diamantes, gemas e cristais De onde escorre o minério De ferro para abastecer o mundo.

Minha terra tem ipês Que aqui florescem como Em nenhum outro lugar Tem palmeiras e buritis Lequeleando em escolta As veredas, caixas d’água do Brasil.

Minha terra tem pássaros E passarinhos – sabiás,

Bem-te-vi, manuelzinho da croa Tico-tico pirulitando no fubá Seriema com seu canto triste

E mãe-da-lua piando pela madrugada.

Minas Gerais tem belos horizontes que ao cair da tarde deslumbram anunciando o céu de estrelas onde pontifica o Cruzeiro do Sul.

Minha terra tem águas virtuosas, Jesuânia, Araxá, Cambuquira, Caxambu, São Lourenço, Lambari, Águas Santas.

Minas tem suas gentes, mineirinho capiau, mineiro citadino, mineirão de definição desempatada. Mineirices e mineiridades.

Minha terra tem primores Sete vilas do ouro 854 localidades onde se caldeia um povo índio, negro, branco, amarelo, mestiço, mulato, cafuzo, onde resplande a liberdade e o modo soturno e correto de ser.

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Minas terra meu tesouro Serras que vão destapando outras serras Em sutis tonalidades de azul Nela descortinando belos horizontes De sol, de relevo, de anis.

Minas são muitas, coração aurífero da América do Sul.

Marco Aurélio Maurer Dalla VecchiA 445

CANÇãO DO EXÍLIO Porto Alegre, minha cidade, tem o Laçador; Rio de Janeiro, tem o Cristo Redentor. Tanto aqui como lá, há o Calçadão de Ipanema. Aqui, o Guaíba; lá, o mar. Aqui, a bebida preferida é o chimarrão; lá, o chopp gelado. Aqui, tem o melhor o churrasco; lá, o linguado não pode faltar. Aqui, a seriedade do gaúcho chama a atenção; lá, a descontração do carioca. Aqui, o sucesso da Calçada da Fama; lá, o glamour do Leblon. Aqui, o verde da natureza; lá, o azul do mar. Entre o lá e o aqui, fico com o aqui, pois amo a minha Porto Alegre.

Marco Aurélio Sousa Mendes 446

CANÇãO DO EXÍLIO DO SÉCULO XXI Palmares, como de minha terra, não há em nenhum canto. Os sabiás, que aqui gorjeiam, cantam o som de Ubirajara.

445Marco Aurélio Maurer Dalla VecchiA - Bento Gonçalves/RS – Brasil - 14 de janeiro de 1998. Reside há 10 anos, em Porto Alegre/RS. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte desenhar e pintar. E-mail: guy.f1@hotmail.com 446Marco Aurélio Sousa Mendes - São Paulo – Brasil - 06 de Dezembro de 1994. Humilde aprendiz filosófico de poeta, assim me defino. Atua no meio literário com o pseudônimo de Aurélio Mendes. Atualmente cursa direito na Universidade Federal de Uberlândia. Possui já 1 livro publicado, uma coletânea de contos chamada ‘Pensamentos Singulares’. Mantem também um blog literário no endereço http://devumi.tumblr.com/

Mas tempo bom que Airumã dizia ainda no Abanheém:

Palmares, como de minha terra, não há em nenhum canto nem mesmo mais aqui. Os sabiás, que aqui gorjeavam em tupi, Agora cantarolam no ‘to be’. Nessa bossa nova rogo a Deus para que pelo menos, o samba não vire rock e Drummond não fique pop.

Marcos Paulo de Oliveira Santos 447

ODE AO ÍNCLITO POETA Fruto profícuo da mestiçagem. Arauto do mais nobre indianismo. Poeta de expressiva bagagem. Quis esposar-se, mas foi vítima do racismo!

Desiludido, desencantado Caminhou registrando o país. Atormentado, vituperado Mergulhou nas letras; nova diretriz!

Ana Amélia, falena sedutora e irresistível, outros rumos a vida lhe reservou. Ele, etnógrafo, poeta, teatrólogo irretorquível, sua alma o imenso mar levou!

O oceano não apagou o talento, nem os versos das pautas régias. Sua obra perdura no tempo e comove as almas egrégias.

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447Marcos Paulo de Oliveira Santos - Brasília, DF - Brasil - 18 de dezembro de 1984, É licenciado em Letras-Portu- guês e Respectiva Literatura pela UnB. É licenciado em Educação Física pela UCB. É especialista em Docência do Ensino Superior pela UGF. É mestre em Educação Física. Venceu o I Concurso Literário do Curso de Educa- ção Física da UCB; Foi 2° lugar do I Concurso Literário do Sistema CONFEF-CREF´s; Teve uma poesia selecionada e publicada no Concurso Poetas da Cidade (SESI-DF).

Marcos Rodríguez Leija 448

EVOCACIÓN AL CANTO DE GONÇALVES DIAS - CANTO A GONÇALVES DIAS Recibe este canto Gonçalves Dias de tambores y zumbido de palmeras para que el dolor que un día hizo surcos las entrañas no llueva más, jamás, ni inunde el alma del poeta; pido que no florezca la semilla del exilio la peor en todos los infiernos para quien ama y canta como tú cantabas y le cantas a tu tierra. Recibe este canto Gonçalves Dias desde el suelo que habito y donde crece la raíz del árbol, el fruto de la palabra, el aire que nos une, ese canto de tambores con zumbido de palmeras que hace que el dolor que un día hizo surcos las entrañas no llueva más, jamás, ni inunde el alma del poeta.

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CAMINANTE(S) DEL MISMO DESEO Qué suerte tengo de encontrar en el camino las huellas de alguien que recorrió el mismo deseo, no sé si llegaste o si llegaré algún día al horizonte pero al igual que tú dejaré mis huellas para el que viene y busca a esa mujer que lo siga por la amplitud del aire. Por eso hundo mis pasos en esta corta ruta antes que la muerte atraque mi deseo de hallar un amor igual al mío como tú también un día lo deseaste. Y repito, Gonçalves Dias, tu invocación:

¡Permite, Dios, que en esta tierra encuentre una mujer, un ángel, la obra tuya que sienta como yo! No sé si llegaré algún día al horizonte pero sigo el camino, caminante, poeta, amigo del mismo deseo que buscaba como yo ahora busco a una mujer que me siga por la amplitud del aire.

SOBRE ADIOSES COMO UNA BALA EN EL AIRE Quien se atrevió a arrancarte el amor a dentelladas jamás te vio los ojos del alma. Yo he sufrido de amor, Gonçalvez Dias pero no en la dimensión del desprecio por mi sangre, por mi raza. Bendito sea tu origen, la raíz que hizo crecer al poema en la ramificación de tus palabras donde el amor es una luz que anida, que canta.

448Marcos Rodríguez Leija - Nuevo Laredo, Tamaulipas – MéxICO - 1973. Desarrolla su trabajo en periodismo, literatura, música y fotografía. Forma parte del Diccionario de Escritores Mexicanos del Siglo XX publicado por la UNAM. Correo-e: marcosrodriguezleija@hotmail.com

ESE RUMOR qUE VIENE DEL MAR Ese rumor que proviene del mar es tu voz cantándole a tu tierra, a Maranhão, al sabiá y a tu ritmo se mueven las palmeras en los bajíos de Atins. El Ville de Boulogne se ve en los espejismos de la tarde de la costa brasileña y tú a lo lejos cantándole a Caixas, a los bosques, a la vida, a tus amores, a los amores que uno sueña. Tu canto viaja en la eternidad del aire ¡y no nos dejas, no! te quedaste en la inmensidad del mar guerrero de la palabra, voz del indio tupí que se expande en la amazonia tus palabras corren con la brisa como un paisaje. El Ville de Boulogne se ve en los espejismos de la tarde de la costa brasileña y tú a lo lejos cantándole a Caixas, a los bosques, a la vida, a los amores que uno sueña.

DE LA TRISTEZA TAMBIÉN NACE UN CANTO De amor yo tampoco sé y de mis tristezas también nace un canto estos cantos que te canto sintiéndome caminante de los mismos caminos y quebrantos. Tampoco me importa la gloria ni la moda ni la retórica cuando el dolor es la tinta de la que mejor florece el poema y eso lo aprendí al leerte poeta universal de la evocación, de la melancolía y la nostalgia, poeta que le cantas a la vida, a la soledad hiriente, al amor, que cantas con los ojos del alma. De amor yo tampoco sé y de mis tristezas también nace un canto con el que le he escrito a una Amélia, a una Céline, a Leontina, a una Eugénie, a Joséphine y a una tal Natália porque el amor es así Gonçalves Dias una bala en el aire que hiere y te deja incurables marcas. De amor yo tampoco sé pero una vez también dije adiós a una Amélia con un profundo canto de tristezas.

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Marcos Samuel Costa da Conceição 449

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CANÇãO REESCRITA Homenagem a Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; os pássaros que solfejam aqui, não se iludem em outro lar. E o céu com véu e o chão de flores

e a floresta com vida

e a vida completa de amores E a paquera ao relento, não são como em nossas pracinhas Minha terra tem Tem o que restou do desmatamento. Minha terra é o Brasil, a brasilidade que não encontrar em outro lugar onde os políticos fazem a festa onde a alegria é do sangue do povo onde eu encontro minha morena. Deus permita que daqui me expulsem e perca todo esse chão que sei que não encontro em outro lugar. E louvares o que restou

e o canto do sabiá disfarçado.

Marcos Vinicius Lopes Serejo 450

RAÇA! Gonçalves Dias nasceu! Com a poesia na alma. Filho de mestiça, mas com raça. Raça que na vida venceu.

O sonho ele conseguiu. Lutou com suor e gratidão. O estudo a vida facilitou E a fé sempre no coração.

449 Marcos Samuel Costa da Conceição - Ponta de Pedras- Marajó – PA – Brasil - 07/12/1994. Estudante do ensi- no médio, poeta, musico e escritor. Tem um livro de poesia publicado “Pés no chão e sonhos no ar” SANTmel arte editora. Participou da antologia cidade vol. VII, antologia literattus, coletâneas eldorado vol. XXI, XXII, XXIII, coletânea amor em verso vol. II, galeria Brasil de escritores contemporâneo. E mantém um blog: http:// samuelpoetacosta.blogspot.com.br/ 450Marcos Vinicius Lopes Serejo – São Luís – MA – Brasil - 26/05/2002 Cursando: 5º Ano, Turma: C, Profª Shirle Maklene - EPFA.

Ele não foi apenas poeta. Era o dono de suas poesias. Na escrita a felicidade nascia. Sua responsabilidade era completa.

Ler Gonçalves Dias! Compreender o que se passava. Em cada verso deste homem. Que encantou aquele que o admirava.

Marcos Vinicius Mota Kliemann 451

CANÇãO DO EXÍLIO Meu Pampa Querido, estou distante de ti; numa terra de espinhos, sem a vida que tu transmites ao meu ser.

Meu Pampa Querido, com teu ar refrescante envolves teu povo. Aqui, onde me encontro, o ar é arenoso e hostil com os próprios habitantes, que dirá, com os turistas.

Meu Pampa Querido, sofro em Mato Grosso; tudo é muito diferente. Nos fins de tardes, no peito, sinto um forte aperto.

Meu Pampa Querido, não me canso de ti. Em breve, voltarei; o meu lugar é no Sul!

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451Marcos Vinicius Mota Kliemann - Porto Alegre/RS. – Brasil - 13 de junho de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautor do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. E-mail: marcos.v.m.kliemann@gmail.com

Mardilê Friedrich Fabre 452

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GONÇALVES DIAS, POETA ROMÂNTICO Na vida,

O amor impossível, platônico

Eternizou solitário. Nas veias, As três raças brasileiras Correm teimosas. Vilipendiados donos da terra, Exaltou vibrante. Na morte, O mar o acolheu.

O POETA RENUNCIA AO AMOR O amor foi-lhe negado pelo preconceito, Faltou-lhe, contudo, coragem De por ele lutar e formar par perfeito Com quem fosse de outra linhagem. Fugiu pela dor quebrantado. Nos seus poemas ficou brado De uma paixão ascética e desenleada. Triste sina! Encontra na estrada A amada com outro a seu lado.

UM POETA PARA SEMPRE Vassalo do amor, O poeta canta enlevado

A amada, a terra e o indígena.

Seu pranto escorreu em palavras sofridas,

Gerando versos ardentes Que vararam os tempos E ainda hoje se alojam Em corações adolescentes. Filho do Brasil, Crescido em meio à natureza, Para ela chora suas desilusões. Em seu seio se aninha Para dirimir a saudade. Sangue de índio, O poeta coloca-o No pedestal da vida. Faz dele herói da pátria, Endeusa-o com seu talento,

452Mardilê Friedrich Fabre - Cachoeira do Sul (RS) – Brasil - 31/12/1938. vive em São Leopoldo (RS). Professora de Língua Portuguesa, revisora de textos, dedica-se ao voluntariado e organiza antologias. Foi agraciada com vários méritos culturais. Pertence a instituições que reúnem escritores. Participa de inúmeras coletâneas e publicou Poesia em gotas, Rumos da Poética no Século XXI e À Moda Antiga: Poemas (Trilogia Verde). http:// www.fremitosdaalma.blogspot.com/ http://www.mardilefriedrichfabre.prosaeverso.net/

Empresta-lhe a voz Para que perpetue sua história, Plasmada por homens livres, Pacíficos, valentes, lendários

A DOR DO POETA Como fenece a bela flor Também seca o amor do poeta Encabulado e sonhador, Como fenece a bela flor O coração parece repor O desgosto que ele acarreta. Como fenece a bela flor Também seca o amor do poeta.

Por que proíbem ao poeta Seu ingênuo e emotivo sonho De maneira assim incorreta? Porque proíbem ao poeta Erguer no coração que greta Castelos em mundo risonho? Por que proíbem ao poeta Seu ingênuo e emotivo sonho?

Foge o poeta ressentido Da amada, de seu negro olhar. Tanto mal lhe fez o cupido! Foge o poeta ressentido, Distante, ainda confrangido, A vida arma p´ra ele a avistar Foge o poeta ressentido Da amada, de seu negro olhar.

HOMEM NATURAL Permeou seus versos do verdadeiro Homem da natureza, por inteiro.

Transformou o indígena em herói, Pois ele debandou do cativeiro.

Idealizou mundo lendário Onde vivia bravo brasileiro. O drama, a emoção e a poesia Viviam em coração justiceiro.

Era lei ser corajoso e destemido, Não podia chorar prisioneiro.

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O poeta, presa de sentimentos, Versa o caso de homens sem paradeiro.

Perpassa séculos este poema Chega até nosso tempo fagueiro.

Para mentes de hoje, é difícil crer Que em nossa terra existiu tal guerreiro.

Versos pintados de cor nacional, Conforto que lhe acalmava o roteiro.

Gonçalves Dias bradou com paixão A honra e a intrepidez do índio trigueiro.

Maria Angélica dos Santos - Bilá Bernardes 453

RESGATE Gonçalves, nossa terra não tem mais tantas palmeiras mas entre a gente inconsciente alguns semeiam ações que geram preservações Bem-te-vis cantam em Belo Horizonte em todas as ruas e bairros

Também há canários vivendo nas poucas árvores dando sinais de esperança que flora e fauna persistirão em nossas matas e cidades Da minha janela, vejo rolinhas ciscando na garagem e no pátio

Quero crer que pintassilgos, uirapurus, curiangos ao lado de muitos semelhantes continuem a orquestra de cantos que encantaram sua saudade.

453Maria Angélica dos Santos - Bilá Bernardes - Santo Antônio do Monte/ MG, Brasil - 22/01/1950. Em 1970 mudou-se para Belo Horizonte onde trabalhou como professora e psicopedagoga. Faz parte da Academia Santantoniense de Letras, entre outras instituições. Livro publicado: FotoGrafias de DesCasamento. Anome Livros. Belo Horizonte. 2008. Tem diversas publicações em antologias, jornais, revistas e internet. http://poe- tisabilabernardes.blogspot.com

Maria Aparecida Araujo Moreira- Mora Alves 454

PARA GONÇALVES DIAS Quando o amor atravessar O indivisível mundo da ilusão Será possível entender que O amor não conhece barreiras

Pois tolo é aquele que Pensa saber amar Sem jamais se arriscar

Andaste por mares distantes Sem jamais deixar de sonhar Com a tua eterna amada Porém um náufrago triste Para sempre o poeta levou.

Maria Apparecida S. Coquemala 455

ELEGIA PARA GONÇALVES DIAS Quando o poeta partiu para sempre, sinos dobraram nas catedrais, nas igrejas, nas capelas das cidades mais distantes Flores murcharam nas praças e jardins Do buquê das noivas caíram as pétalas das rosas. Nas fúnebres coroas tombaram margaridas.

O chão se amarelou das flores do ipê. Janelas se impregnaram do roxo das violetas. Murchos hibiscos cobriram alamedas. A primavera se fez inverno.

Vozes se calaram nos lares, nas ruas e praças Por toda parte pássaros emudeceram. A natureza pranteou em garoa incessante E na longa noite silenciosa e triste o sereno eram lágrimas das estrelas distantes.

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454Mora Alves - Guarulhos,São Paulo, Brasil - 20/08/1963. Funcionária pública na área da saúde. Participação do livro de Antologia de poesias contos e crônicas na Bienal internacional do livro de 2010. Participação do livro de antologia: Destaques na poesia em 2011 organizado pela coluna destaque Raimundo Ray Nonato; Participação no livro de Antologia: Melhores da Poesia Brasileira, Organizadoras: Jane Rossi e Monica Yvonne Rosenberg Participação de contos na coluna do Jornal : Cumbica News. Autora do livro: Um Novo Amanhecer pela editora Livre Expressão. “Na simplicidade das palavras, busco o verdadeiro sentido de todas as coisas.” www.moraalves.com 455Maria Apparecida S. Coquemala - Itararé SP, Brasil. Formada em Letras, pós em Linguística. Colunista de O Guarani, jornal de Itararé, SP, onde reside. Autora de poesias, crônicas e contos, premiados no Brasil e exterior. Participa de antologias no Brasil, Uruguai, Portugal e Itália E-mail: maria-13@uol.com.br

Quando o poeta partiu para sempre

o

Brasil chorou de tristeza entre orações

se

despedindo de um gênio da poesia.

Maria Cecília Lima de Oliveira Castro 456

MINHA TERRA Sabiás que gorjeiam Na minha terra, Gorjeiam com alegria E esperança. Esperança de um céu estrelado, Esperança de mais flores no meu jardim, Esperança de mais amores em minha vida. E assim, canta a minha terra Com seus Sabiás E suas palmeiras ricas Em vidas e amores.

Maria da Assenção Lopes Pessoa - Assenção Pessoa 457

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LINHAS E ENTRELINHAS Bolinhas de gude, Petecas quebradas Bonecas de pano, Bonecas sem braço, Bolinhas de meia, de meia rasgada. O menino faz gol, e parte pro abraço.

Do pobre brinquedo, à riqueza ao brincar Da criança levada, ao homem saudoso, Do poeta à palmeira e o sabiá Nobre apaixonado, solitário-valoroso.

Da terra Natal, a visão distorcida E para Gonçalves, a cor da amada, A sua “Don’ana” ali retratada. A recusa do amor, na lira entristecida

456Maria Cecília Lima de Oliveira Castro - Brasília/DF- Brasil - 01 de maio de 1966; teve as seguintes participa- ções: - Antologia “Les grand show de écrivaines brésiliennes” – Editora Yvelinedition e Rebra, França, 2011. Poema : La fleur. - Revista Varal do Brasil nº 13 – Suiça, Janeiro 2012. Poemas: O pensar, Poesia. - Dicionário de Mulheres – 2ª. Edição – Hilda Agnes Hubner Flores – Florianópolis. Editora Mulheres, 2011 – Participação. 457Assenção Pessoa - Itapecuru- Mirim - MA – Brasil - 25 de maio de 1960. Formada em Ciências – Habilitação – Biologia (1998), com Especialização na mesma área, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA (2000). Especialista também em Supervisão, Gestão e Planejamento Educacional pelo Instituto de Ensino Superior Franciscano – IESF, São Luís - MA. (2007). Escritora. Área de Atuação atual: Educação Professor de Ciências e Biologia, atuando no Centro de Ensino Itapecuru-Mirim como Gestora da escola. Membro Fundador da Aca- demia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes - AICLA – Cadeira de Nº 13, Patrono: Manfredo Viana.

Gonçalves de vida, Gonçalves de luz Gonçalves, o poeta das gerações, Da Natureza ao índio guerreiro, que o seduz Que Homem, que alma, de notáveis interpretações.

Bolinhas de gude, Bonecas de pano, Bolinhas de meia, de amor, que engano, É esse Gonçalves, essência humana É esse o poeta, que este poema proclama.

MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS Que proeza sem igual, registrar em harmonia As obras deste imortal, poemas de Gonçalves Dias. Primeiros Cantos, qual bela estreia. No coração, a “Canção do exílio”, Expressão poética de “cor local”. O belo no mundo de suas ideias. Mil poemas vêm agora em seu auxílio, Enaltecendo com primor, seu ideal.

“Sextilhas de Frei Antão”, Segundos Cantos, o lirismo-lusitano, A brasilidade no coração Indianizar o índio, o indiano. Como musa: amor a e Natureza, Ana Amélia sua paixão. No Romantismo a beleza, Diante da solidão.

“I-Juca-Pirama”? “Leito de folhas verdes”? “Marabá”? “Canção do Tamoio” dos Últimos Cantos? Ah! Gonçalves se pudesse reunir estes! Tuas Liras, teus Cantos e encantos, Todos os seus poemas numa só poesia. Para traduzir a obra, a primazia, De tão belos versos e suprema nostalgia.

A TERRA ONDE NASCI 458 Com orgulho apresento esta terra tão bela E que revela a beleza do servir. Quanto amor nasce com ela Maravilha e louvor, magia e felicidade Lá viveu meu avô, Homem de grandeza e bondade.

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458(Pessoa. Assenção, Recordações, São Paulo, Nelpa, 2011. Poesia de sua adolescência, inspirada no poema de Gonçalves Dias, Canção do Exílio)

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Relação em verdes primores, Da infância aos cabelos brancos, Do luzir do sol sobre a terra,

Palco de doces amores, Jardim de doces prantos, No entanto, sem receio, sem guerra.

Na minha terra se encerra De tudo que vivi uma verdade:

O sonho do Fico na serra, Da independência e da liberdade.

Minha terra tem palmeiras, Minha terra tem riquezas, Minha terra Itapecuru, Tão grandiosa de tamanha beleza.

APLAUSOS PARA GONÇALVES DIAS Nasce um menino, vive um homem Na dor e saudade por distante viagem, Ligado a Natureza, divindade e paixão Sentimentos que colore a imaginação. Espelho d’alma que fere o inconsciente Um contentamento que ora é descontente.

E para tão longe, tão distante, logo partiste. Formou o poeta, o teatrólogo, o jornalista O Etnógrafo, o advogado e o romancista, A história da Pátria passou em revista E mesmo com tantos títulos à vista, Foi sempre o poeta, um homem triste.

Ao Maranhão, volta pra sua gente, No mar-túmulo, dorme profundamente. Poeta nacional, orgulho da nação, Poeta imortal, sua melhor tradução. Amante confesso, nos versos que ali, Só nos resta, imenso talento aplaudir.

POEMAS GONÇALVINO Palavra que fala, Tesouro perfeito. Palavra que cala, Em versos que me deleito.

A palavra desposada, Como é doce relembrar. Paixão envolta a amada, Que não se pode definir.

Que rara combinação Sem poder de tradução. Os poemas mais perfeitos Causando provocação.

Poesia e paixão Valem pelo que são. Com toda sua beleza Provocando contradição.

Poemas gonçalvino. Versos mais que perfeitos. Como numa suave fragrância, Mesmo na atrevida distância.

Maria da Glória Jesus de Oliveira 459

PARA GONÇALVES DIAS

“Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá”. Decorei os teus versos Desde a meninice E os mantenho guardados Mesmo agora, na velhice. Teus ditos na poesia Foram feitos marcantes Entre as jovens puras

E os casais de amantes.

A glória que aqui colheste

Marcaram tua existência

E levaste para a outra

Quando mudaste de querência Sinto-me pequenina Nestas palavras singelas Ao dizer-te obrigada.

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459Maria da Glória Jesus de Oliveira - Porto Alegre/RS. 15.8.43– Brasil - aposentada, Publicou: “Despertar”, po- esia, “Ninho de Pedras”, romance, e “Contos Transeuntes”, contos; “Além do Jardim” – memórias. Pertence à AJEB-RS- Assoc. Brasileira de Jornalistas e Escritas; à AGEI- Assoc. Gaúcha dos Escritores Independentes; à CA- PORI - Casa do Poeta Rio-grandense; e à ACADEMIA DE ARTES, CIÊNCIAS E LETRAS CASTRO ALVES, de PORTO ALEGRE/RS. madaglor@ibest.com.br

Maria das Neves Oliveira E Silva Azevedo – Neves Azevedo 460

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São Luís DE GONÇALVES DIAS Que segredos escondes nos teus casarões Oh! Minha bela São Luís, Teu céu é tão azul. Mais azul que em Paris. Terra amada, terra linda. Terra onde nasci Renascer, reviver, reescrever Tua história Atenas Brasileira fostes um dia, De poetas maravilhosos Como Gonçalves Dias. Onde estão os teus poetas? Nos túmulos frios da indiferença Sem amor, sem companhia. Dos livros, desapareceram Só ficou a nostalgia.

O SILÊNCIO DO “SABIÁ” Falar de Gonçalves Dias É falar da poesia De um cenário nacional Onde ele esteve um dia. Falando das alegrias Do seu torrão natal.

“Não é um monumento para o Maranhão Mas para o Brasil.” Dizia Machado de Assis Naquele dia infeliz Que chegou a morte Para o poeta que diz:

“Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá” Assim Deus permitiu Que no porão de um navio Nas águas do Maranhão Morreu nosso “Sabiá.”

460Maria das Neves Oliveira E Silva Azevedo – Neves Azevedo. Pedreiras-MA, Brasil - 4/12/1954. Graduada em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas. Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngue - pela Faculdade Atenas Maranhense - FAMA. Especialista em Didática do Ensino Superior pela FAMA. Especialista em Educação e Educação a Distância pelo SENAC - São Paulo. Professora no SENAC-MA. Recebeu o troféu “A Força do Carcará”, pelo poema João Pedreiras do Vale no Projeto Cultural FIEMA-2010.

A tua simplicidade Nessa canção de amor à Pátria Deu-nos a oportunidade De falar de amor e saudade Até o hino nacional Fala dessa brasilidade.

Maria de Fátima Batista Quadros 461

PALMEIRA A SOMBRA Gonçalves, Por que estes Dias sombrios? Não ouço cantar o sabiá na palmeira Antônio No arfar da brisa

O silencio aclara O poeta que inspirou versos de amores É nome de praças E ruas Filho do português João Manuel Gonçalves Dias O comerciante de Trás-os-Montes E de dona Vicência Ferreira A maranhense Ele, o Poeta nacional por excelência Dos “Cantos e dos Timbiras” Nascido nas terras de Jatobá Caxias! No dia 10 de agosto de 1823 Ora, pois De onde parte Depois de estudar Latim Francês Filosofia E de São Luiz Chega a Portugal Coimbra Advogado Etnógrafo Teatrólogo

Jornalista

Gonçalves,

Por que estes Dias sombrios? Não ouço cantar o sabiá na palmeira

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461Maria de Fátima Batista Quadros - São José dos Salgados – MG – Brasil - 28 de junho de 1958; formada em Di- reito. Possui vinte e dois livros publicados (literatura-infantil, prosa-poética, pesquisa, genealogia e heráldica) e um livro de poesia no prelo, além de vários artigos em revista/jornais e prêmios em monografia e literatura. www.fatimaquadros.xpg.com.br mfatimaquadros@gmail.com

Antônio No dia 3 de novembro de 1864 A terra onde cantava o sabiá Debruçou em luto Pois nas águas do mar Que por vezes viajou o poeta Naufragou Perto do farol de Itacolomy Na costa do Maranhão Chora a nação E o céu em festa Recita Poesias indianistas Heroicas De exaltação ao solo brasileiro

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Maria de Fátima Oliveira - Fátima Oliveira. 462

AMOR, ETERNO AMOR “MAIS UMA VEZ - ADEUS

Disseste tu, Gonçalves Dias, À tua amada querida Na tua mais pura paixão, Amor cultivado a dores Muitos sonhos e dissabores, Mas do teu coração ferido Por amor não correspondido, Infeliz, fostes no amor, Quanto pranto, quanta dor Teu coração brota poemas, Sinfonias de saudade e paixão Nem assim pudestes ter Paz no teu coração, Que sentimento doído, Sentistes desilusão Ao ver tua amada querida, Outrora, tua preferida Agora comprometida, Apenas balbuciou Perdão! perdão, meu amor.

GONÇALVES DIAS - O POETA ROMÂNTICO Em seu exílio voluntário Um dia a saudade explodiu

462Fátima Oliveira - Picos – PI – Brasil - 04 de junho de 1954. Reside em Salvador -BA. Escrevo desde o colegial. Reside em Salvador -BA. Escrevo desde o colegial. Obs: Estou enviando este material por intetermédio de Varenka, pois morei em Caxias-MA, durante sete anos e quero fazer esta homenagem ao grande poeta Mara- nhense. Aguardo seu pronunciamento.

Do seu coração romântico O poema eclodiu.

“Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá” Sentindo solidão no peito, A canção triste entoou Ao Maranhão tão querido, O poeta dedicou. Em Coimbra, estudou Em Direito, se formou E o poeta romântico, Aos Lusos também encantou. De volta ao Maranhão, Ele se enamorou, Mas, continuar a paixão Foi proibido, desencantou. Outra amada conheceu, E com ela se casou Mas nunca se esqueceu, De quem ele sempre amou. Em Portugal reencontrou O seu amor proibido

E inspirado poetizou

“Ainda uma vez - Adeus”, disse, oprimido. Doente, foi à Europa, Em busca de solução, Sem recuperação, retorna De volta ao seu torrão.

O navio Francês naufraga,

Na Costa do Maranhão, Encerrando nessa plaga, A sua apaixonada missão. Mas, por estranha ironia, Essa infame tragédia, Ceifou apenas a vida, Do nosso amado poeta.

Maria de Jesus Silva Amorim 463

TRIBUTO AO POETA. Salve meu Maranhão, Meu lindo torrão

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463Maria de Jesus Silva Amorim - Viana- MA - Brasil. Licenciatura Plena em Ciências Naturais, habilitação em Matemática. Pós-Graduada em Supervisão Escolar - Candido Mendes. Pós-Graduada em Orientação Educacio- nal - Salgado de Oliveira. Professora de Matemática do Ensino Fundamental e Matemática e Física do Ensino Médio.

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Terra do poeta O Poeta maior O poeta Gonçalves Dias.

Salve o poeta, Que nasceu no Maranhão, Na terra das palmeiras. Palmeiras do babaçu.

Salve o poeta, No regresso a terra A terra natal Num naufrágio fatal Nas costa do Maranhão Fostes fazer poesia Num plano superior.

Salve o poeta, Da terra das palmeiras Onde canta o sabiá A poesia retrata o Maranhão E consolida o Romantismo.

Salve o poeta, O poeta das palmeiras, Palmeiras do babaçu, As aves de hoje Já não gorjeiam Como as de lá.

Salve o poeta, Dos tempos áureos Das palmeiras, Da riqueza do babaçu.

Salve o poeta, Ó Poeta maior Teus versos encantam Fascinam e cantam Os rincões do Maranhão Ao mundo todo.

Maria de Lourdes Otero Brabo Cruz - Malu Otero 464

POETA DA MINHA TERRA Minha terra tem um poeta,

Que versa com muita emoção,

A imensa beleza que há nela

Transborda em sua criação.

Minha terra tem nossa gente, Que cresceu ouvindo seus versos. Todo tempo sempre presente, Nunca nos deixando dispersos.

A minha terra vibra inteira E chega fundo ao coração, Em toda a alma brasileira Ao Poeta nossa devoção.

O CORAÇãO DO POETA O poeta enxerga no puro amor Um motivo para a vida e procura Fixar cada alegria ou dissabor, No mais profundo de sua escritura.

Coração usando de tom solene, Alucinado por tudo o que existe, Decreta indômito a morte em público, Ao ser covarde que de amar desiste.

Na Europa busca a cura para o corpo, Porém a alma cada vez mais insiste, Acaba por transformar em um pórtico

A dor aguda que tal qual persiste.

Nas profundezas do oceano encontra Morada eterna como um acalanto, Triste fim para um poeta de tal monta:

Ondas do mar envolvem-no em seu manto.

UM DESTINO TRAÇADO Poeta, do amor desistes, Julgas a decisão sensata, A amizade ou até mesmo O amor como uma cascata,

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464Malu Otero – Maria de Lourdes Otero Brabo Cruz - Bragança Paulista – SP – Brasil - 12 de fevereiro de 1958 - Doutora en Lingüística Aplicada (Ensino/Aprendizagem de Língua Estrangeira) pela UNICAMP, Universidade Es- tadual de CampinasCursou o Pos-Doutorado na Universidade de Málaga (Espanha). Faz parte de grupos como Poetas del Mundo (cónsul de Assis), acadêmica da Nova Academia Virtual Poética do Brasil, sócia fundadora da AVBAP - Academia Virtual Brasileira AlmaArte e Poesia, REC – Red de Escritores Coquimbo, entre outros.

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Flui livre em outro ser, Para isso o nó desata.

Poeta, isso não se dá, Porque tua mulher amada É forte e luta com garra:

Demonstra não temer nada, Enfrenta a todos e casa À coragem abraçada.

Um mestiço como tu Foi por ela desposado, Erraste na avaliação E um futuro malogrado Para ambos se traçou, Por um erro no passado.

Ainda uma vez adeus Diz o poeta ferido, Mas é tarde pra mudança Vive a vida sem sentido, Hoje e amanhã naufraga O viver em desatino.

Maria de Lourdes Schenini Rossi Machado 465

CANÇãO DO EXÍLIO No Rio de Janeiro muita beleza natural e admirável; no Rio grande do Sul, os parreirais mais bonitos do Brasil, uvas saborosíssimas e vinhos super deliciosos. Aqui, embora tenham o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e o Corcovado; nada supera ao nosso Rio Grande do Sul. Lá, temos gostosos churrascos feitos no chão, com toras de lenha da região; as Pontes do Guaíba e a dos Açores, dois lindos pontos turísticos; as galopadas nos desfiles de 07 e 20 de setembro, shows de patriotismo.

465Maria de Lourdes Schenini Rossi Machado - Porto Alegre/RS – Brasil - 10 de agosto de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Vice Presidente do Clube Infanto-Juvenil Erico Verissimo, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautora do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. Cursa inglês no People. E-mail: alunamariarossi@hotmail.com

Aqui, muitas favelas e tráfico; Lá, campos cheios de plantações de trigo, arroz, soja, milho e fumo, produtos responsáveis pelo desenvolvimento econômico local. Rio de Janeiro, terra do turismo; Rio Grande do Sul, Querência Amada!

Maria do Socorro Menezes 466

MEMÓRIA Nas profundezas do mar Com as tuas poesias Tua paixão e tua saudade Foi teu destino derradeiro Daquele exílio Teu solitário companheiro Onde teus pensamentos Se voltavam tão somente Para tua terra natal Terra das palmeiras Onde cantava o sabiá Voltavas Em um contento sem igual Naquele exato momento Em que recebias Um golpe fatal

Maria Eduarda Cabral da Silva. 467

A VIDA NA POESIA Gonçalves Dias Era um homem raro Que pagou caro Por amar Caxias. Filho de um português Com uma mestiça Estudou francês E amava sua raça. Escreveu várias obras Como “Canção do exílio”

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466Maria Do Socorro Menezes - Lavras da Mangabeira – CE – Brasil - 03 de dezembro de 1943; Professora por vo- cação e formação. Hoje residente em Trizidela do Vale- MA, e, mesmo na terceira idade esbanja todo o lirismo e o espírito jovem que faltam a muitos com menos idade. É assim Maria do Socorro, que faz arte dos retalhos, tendo matéria prima a vida tecida nas linhas e nas palavras. 467Maria Eduarda Cabral da Silva - Caxias – MA – Brasil - 10/02/1998. Escola: Centro de Ensino Thales Ribeiro Gonçalves.

Onde a dor sobra. Continua a impressionar Por ter sido tão forte E ter usado bem a arte De fazer poesia.

Maria Eduarda Pires Sousa 468

POETA DE ONTEM, HOjE E SEMPRE Este poeta que nasceu com a poesia na alma, alegrou muitas pessoas no passado, que hoje com suas poesias ainda deixa muitos corações emocionados.

Com o exemplo desse grande poeta devemos nos deixar envolvidos por este sentimento tão puro de afeto e amizade, sendo sempre gentil com os que estão ao nosso lado.

Gonçalves Dias nasceu com a poesia na cabeça, no espírito e no peito. Sem nunca imaginar que um dia iria se tornar um poeta de grande valor. Morreu, mas até hoje é lembrado em suas poesias que falam de amor!

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María Estela Arnoriaga 469

Naciste con ese pulso sublime de paisajes rumorosos. La tierra era un signo sonoro en tu cuerpo comunión de música tu mirada. Cauce de soles dibujados en tu alfombra de horizontes, no te dejaba silencios para volar con tu silueta de poeta. Mecedor de palabras hacia los puntos cardinales, la distancia de tu geografía formaba un volumen oceánico vestía tu alma en el aire y en el agua para llevarla a otros latidos, con el perfume de tu piel de hacedor. Mirabas la madera cuando se ventilaban las palmeras de tu Maranhäo, elegías otro canto planetario de cielos abiertos. Hablabas de tus caminos, tus ojos tenían secretos de mestizo. La línea de tu voz curvaba el viento para que volaran los pájaros. Se encendía una luz en los péndulos de tus relojes y le buscabas un nombre a las raíces, tu domicilio era de sueños, donde quedaba atrapado el romanticismo de los verdes y de los azules.

468Maria Eduarda Pires Sousa – São Luís – MA – Brasil - 03/07/2002. Pelo prazer em escrever e também; Por gostar de ler e ouvir poesias. Cursando: 5º Ano Turma: C Profª Shirle Maklene 469María Estela Arnoriaga - Mendoza – Argentina - 20 de diciembre de 1944. Egresada de la Escuela Superior del Magisterio. Luego continuó sus estudios en la Facultad de Filosofía y Letras, y Facultad de Bellas Artes. Dedicada a la docencia en Lengua, Literatura y Francés.

Hombre con historia de rumbos, vena descalza que caminaba, urgencia de amor y búsqueda de tiempos deslumbrantes. Beso junto a su memoria, el lenguaje de la vida.

Maria Fernanda Reis Esteves 470

“TODA A VEZ qUE EU SAIO À RUA” (Em elegia a Gonçalves Dias)

Toda a vez que eu saio à rua, levo uma rosa na mão. Vou deixando o seu perfume e as pétalas p’lo chão.

O meu bairro é um jardim e quem lá nasce uma flor, onde os casais apaixonados trocam juras de amor.

Como não sou diferente, também eu busco a paixão. Toda a vez que eu saio à rua, levo uma rosa na mão.

Toda a vez que tu me olhas, bate mais meu coração. Como não sou diferente, – também eu busco a paixão. Toda a vez que eu saio à rua, levo uma rosa na mão.

E

se a vida não me der

o

prazer de ser amada,

é

porque no meu jardim

não nascem flores d’emoção. Saio à rua uma vez mais, levo uma rosa na mão.

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470Maria Fernanda Reis Esteves - Setubal – Portugal - 52 anos. Livros editados: 2009 - Poesia “Canteiros de Espe- rança” - Editora “Temas Originais; 2010 - Romance “4 Folhas de 1 mesmo Trevo” - Editora “Temas Originais”; 2011 - Contos/Poesia - “Contr(o)_versus - Editora “Lua de Marfim”; Participou em diversas Antologias portu- guesas e brasileiras; Confreira – CAPPAZ; Organizadora de concursos literários; Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural Draca

Maria Helia Cruz de Lima - Hélia Lima 471

GONÇALVES DIAS dotado de raros dons inigualáveis, natural do maranhão, nascido em caxias, no ano de mil novecentos e vinte e três, nasceu o gênio, antônio gonçalves dias.

poeta de inalterável estabilidade na condução de sua forma emocional, além de sua grande genialidade! tornou-se o maior poeta nacional.

títulos de seus poemas sugestivos quais:” não me deixes” “se, se morre de amor” falam do espírito e coração cativos de sua nobre individualidade superior,

poematizando as maranhenses palmeiras, diz: “protegidas as aves gorjearão!

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nossasmatas ,permanentemente fagueiras,

tal como a poesia

sempre

existirão.”

gonçalves dias exaltou sua gente, terra e pátria! também terras estrangeiras. a deus pai, piedoso, rogava constantemente:

não me deixes morrer ver minhas palmeiras

o belo encanto da minha terra natal,

virgem das florestas que nos espelhos das águas

se contempla!

foi

atendida a prece divinal

do eclético homem nativo sem fráguas

que nos deixou julgar o seu “eu” iluminado no que fala seu poema i. juca pirama:

registro do esforço de bom resultado:

gonçalves dias, o teu maranhão te ama.

GONÇALVES DIAS Ao poeta Antônio Gonçalves Dias, saudemos! Mil novecentos e vinte e três, - Maranhão, Nasceu na cidade de Caxias, dotado de raros dons inigualáveis.!!!

471Hélia Lima - Canindé-CE – Brasil – 15/11/1926. Jornalista com pós-graduação em Propaganda, Publicidade, Radio e TV, escritora e poeta. filha de Raimundo Nonato Cruz e Francisca Rabelo Cruz. Casou-se com o mara- nhense Domingos José de Lima, migrou para o Maranhão no ano de 1947, onde exerceu as funções de fun- cionária pública como Professora primária- Buriti-MA. Tendo ingressado no DCT (Departamento do Correio e Telégrafos). Assim publicou obras nas categorias: Teatro, Romance, literatura infantil e poesia.

Homem de inalterável estabilidade na condução de sua forma emocional , além de soberba genialidade! Tornou-se o maior poeta nacional.

Títulos de seus poemas sugestivos quais:” Não me deixes” “Se, se morre de amor” falam do espírito e coração cativos de sua nobre individualidade superior.

Poematizando as maranhenses palmeiras,

diz: “Protegidas ,as aves gorjearão! Nossas matas ,permanentemente fagueiras,

tal como a poesia

Sempre

existirão.”

Gonçalves Dias exaltou: sua gente, Terra e Pátria! Também, terras estrangeiras. Piedoso, rogava a Deus Pai, constantemente:

Não me deixes morrer ver minhas palmeiras

e o belo encanto da minha terra natal,

“Virgem das florestas que nos espelhos das águas

se contempla!.”

Foi

atendida a prece divinal

do eclético homem nativo sem fráguas

De seu inaudito amor, o bom resultado temos no que fala em :- I. Juca Pirama que nos deixa julgar o seu “EU” iluminado Gonçalves Dias, o teu Maranhão te ama!

SãO LUÍS – qUATROCENTOS ANOS! São Luís! Mãe gentil, doa-te a teus filhos com venturas mil e privilégios que agradecemos a Deus! Vês as dádivas que, em ti, caem dos céus

És belo suporte de poesia e de amor céu azul, manso mar, mangue, e muita flor Também, crateras, pântanos, trilhas escuras tudo incita popularizações futuras!

Do teu mar, mansa brisa traz consolação. Gorjeiam aves espalhando mansidão, brilham estrelas perenizando a luz histórica obtida na fé da cruz

Salve teu povo, teu chão, teu mar, São Luís! Fundado por Lavardiere, tu, São Luís, tiveste libertação pelo brasileiro Jerônimo Albuquerque, fiel guerreiro

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De arautos estrangeiros, a constelação de desbravadores chegou ao Maranhão de São Luís, se apossaram os franceses, por dom divino, venceram os portugueses

São Luís, teu preito de amor ao herói que glorioso para tua existência foi, tornando-te inquebrantável e feliz Em tua soberania, ouve: Teu chão te diz:

QUATROCENTONA São Luís, inda és criança Próspera e rija cidade em crescimento Há no status de tua gente, esperança e na tua criança, futuro promitente.

Tem harmonia teu mar, teus céus, São Luís Teu povo alegre e irmanado, é feliz Teu luar, de paz, plenifica o coração. invade-nos a alma , a poesia do teu chão

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Berço de heróis, tumba de fidalga gente. Tua mocidade alegre e inteligente

para outras plagas, migra

Infelizmente,

noutros chãos, buscando chance, humildemente!

Temos fé desde o início de nossa história, na Virgem Mãe, Nossa Senhora da Vitória! No seu amor, São Luís, há de florescer Mãe, São Luís, te ama! VEM NOS PROTEGER!

GONÇALVES DIAS No pedestal, a estátua! Contemplando São Luís, Gonçalves Dias continua viver seus versos gentis

Dolorosas nostalgias de causticante ardor, o poeta Gonçalves Dias sofreu, imerso no amor

Estrelas no firmamento, brilhavam, tristes, fingindo que não viam seu tormento sua esperança se esvaindo!

Sem nos desprezar, jamais, lá no céu, Deus Pai de amor atende, por ele, os mudos ais enviados da Ilha do amor!

Maria Hortense Martins Nunes 472

GONÇALVES DIAS O seu berço tem o sabor De uma mistura singela, Feita numa simples aguarela, Mas com a nostalgia da poesia Soube viver com simpatia Um sonho intenso, Glorioso e muito extenso, Tendo alguma dor Mas muita alegria.

TU Calado na solidão, Traz no coração O punhal espetado Com a palavra não, No qual ficou num estado Que só a poesia descreveu A união perfeita,

Que muito cedo foi desfeita, Mas com a vida continuou E nada, sim nada ficou, Como no estado inicial, Mostrando que o banal Jamais será banal

E que o diferente,

Além de ser original

É puro e quente,

Porque o desejo de vencer Moldou o seu ser.

Maria Isabelle Palma Gomes Corrêa 473

SONETO A GONÇALVES DIAS As mãos espalmadas do homem sozinho Nas rimas inertes da esperança do amor Tivera ele encontrado somente o espinho Nas paisagens tristes de uma velha dor.

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472Maria Hortense Martins Nunes - Vila do Bispo - Portugal – 02 de Junho de 1967; Assistente Técnica do Municí- pio de Vila do Bispo. Algumas participações: “ Prémio Utopia 2010 de Arte Fantástica “, pelo Núcleo Português de Arte Fantástica e Câmara Municipal da Amadora, com um trabalho de pintura com O titulo “ Uma morte sem explicação “, em 2010. - Participação no III Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, em finais de 2007, com publicação em 2008, com a poesia com o Titulo: “ Vem meu amor”. 473Maria Isabelle Palma Gomes Corrêa Paraná – Brasil - 13 de setembro de 1977. Historiadora, professora de rede estadual de ensino no Paraná/Brasil, desde 2003. Mestre em história comparada das religiões antigas, pela Universidade Federal do Paraná (2003).

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A lei infeliz do seu tempo de outrora Impediu que ficasse ele na espera Recolheu-se na luta infame de agora Sorvendo a angústia da preciosa quimera.

Desistiu de amor tão aflito e distante Encontrou nas viagens, promessas de vida Mesmo em Olímpia seu vigor mais pulsante.

Distraído nessa história, abandonou Pra resolver esquecer imensa dor No naufrágio, o poeta doente se findou

PÓSTUMOS No desterro do naufrágio vil, morre o poeta. Naqueles dias em que se foram tantos amores, esperava talvez rever de mais perto a terra dos sabiás. Sua pele cinzenta de antigas histórias, lhe proibiu Amélia. Mas a ela, dedicou-lhe todo o seu Adeus Guerreiro de si, das selvas atlânticas num Maranhão esquecido Perdeu-se nas florestas das suas rimas, alçou voos de longas esperanças. Sem ter podido ousar, resignou-se no abatimento cruel de um amor esquecido. E abandonado no leito inquieto da nau claudicante, reverberou seu soneto pelo grande mar-oceano

Maria Lúcia Nunes da Rocha Leao 474

ÚLTIMA VIAGEM Em breve existência um homem Registra em letras a plenitude Do amor pela sua pátria E pelo amor da juventude Deixando um grande espaço Para lamento dos admiradores Que pouco puderam apreciar Sua contribuição pela educação E versos de primorosa construção

474Maria Lúcia Nunes da Rocha Leao - São Romão-MG – Brasil - 15/12/1956, bancária aposentada, graduada em Ciência Contábeis pela UDF-DF e em Direito pelo UNILESTE (Coronel Fabriciano-MG), advogada em atividade, acaba de fixar-em retorno- residência em Montes Claros-MG. Livros publicados: A DUAS MÃOS, 1985, dividin- do as páginas do livro com Ildeu Braúna. E, ainda, livro de crônicas/novela FLOR CIGANA, edições em 1993, 1998 e 2011.

Além das fronteiras busca Nobre formação Na gloriosa Coimbra Berço da cultura de outrora Elevando-se socialmente Mas não o suficiente Para romper o preconceito Que o afastava da dona e senhora Do seu pobre e mestiço coração

A paixão pelas coisas da sua terra E a dor da desilusão Viraram versos primorosos Cuja tristeza revela-se em mal Em seu corpo antes são

A

curta existência ceifou

O

necessário amadurecimento

Para que sua essência fosse apreciada Sem censura e reticências Em obra autobiográfica De um certo Agapito Goiaba

A ameaça real do fim da existência O levou em vão para além mar Em sua última viagem Para recursos medicinais buscar Em cujo retorno o infortúnio De ser já moribundo esquecido Na nau que se afundara Na costa da terra amada Indo fazer morada No lindo e imenso mar

Deus não o desprezara Permitindo-lhe morrer no Brasil Sua terra com palmeiras E canto dos sabiás Como poeticamente clamara Em sua “Canção do Exilio” Acolhendo a pátria amada Para o último sono O seu ilustre filho.

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Maria Lucilene Medeiros do Nascimento Nogueira 475 – Malu Medeiros

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HINO A GONÇALVES DIAS. Orgulho dos brasileiros és tu, Oh, Gonçalves!

Que ao mundo encantaste Com as belezas que narraste Dessa terra tão sofrida, Mas também com tanta vida Que conquista cada artista A cantar a sua lida.

Da Canção do Exílio, Foste tu um grande autor, Pois ninguém jamais ouviu A riqueza do louvor, Que na letra exprimiu Com o seu imenso amor.

Desse país de tantos mil Que jamais te excluiu E que do poema:

Ainda uma vez – Adeus, Amélia, nunca esqueceu. És tu, Gonçalves Dias, O autor que, um grande dia Neste país nasceu.

Maria Reginalda da Silva 476

POEMA A GONÇALVES DIAS Grande nome em meio aos maiores gênios do Brasil ouso dirigir-me a O senhor humildemente agora para uma siNgela homenagear prestar-lhe e nada mais sei que talvez não mereÇa seu apreço, mas por favor não despreze-me sou apenas uma Admiradora de sua obra e vida excepcionais registro aqui também que tua Linda obra romântica

475Maria Lucilene Medeiros do Nascimento Nogueira – (Malu Medeiros) - Aracati – CE – Brasil – 20 de janeiro de 1976. Amante das artes, fez teatro, trabalhou em rádio como locutora e sonoplasta e passou a escrever mais intensamente após o casamento, uma vez que seu esposo, amante de grandes leituras clássicas, iniciou-a na leitura de clássicos universais. É funcionária pública no município de Fortim – CE, juntamente com seu esposo

e cursa a Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ) em Aracati.

476Maria Reginalda da Silva – Solonópole – CE - Brasil - 10/09/1977. Graduada em Letras (Português), especia- lista em Português, Língua e Literatura, ambos pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Leciona a disciplina de Português, concursada pelo município nos anos finais do Ensino Fundamental. Escreve por prazer

e tem o sonho de se tornar escritora. Participa do concurso por gostar de desafios, por amar literatura e por admirar o grande Gonçalves Dias.

é de grande importância e Valor literário para o Brasil de hoje como foi para o Brasil de ontem E és sem dúvida um imortal para nós a bela canção do exílio que ficou Sendo para sempre nosso primeiro hino brasileiro que Deus possa em seu poder supremo estar contIgo em tua glória divina e que eu possa um dia também desfrutAr de tua grandiosa companhia em meus eternos diaS.

Maria Silva Cabral 477

OS APAIXONADOS Gonçalves Dias roubou meu coração com tanto amor que águas do rio vibraram.

Tanto amor senti. Por esse motivo, não me afastei de você.

Na vida de Gonçalves Dias ele deixou um grande amor no coração. E no meu também.

VIDA AMOROSA Eu sou um papel sem caneta. Sou um amor sem planeta. Eu sou uma lembrança.

Eu sou um amor sem lar. Sou o amor perdido no coração de Gonçalves Dias.

Maria Stela de Oliveira Gomes 478

GONÇALVES DIAS – O MITO POÉTICO Natural de Caxias – Maranhão De caixeiro a poeta Surgiu Gonçalves Dias O mais insigne dos poetas brasileiros.

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477Maria Silva Cabral - Lago da Pedra- MA – Brasil - 27 de fevereiro de 2005. Brasileira, estudante do 2º ano do Ensino Fundamental na Unidade Integrada Profa. Ilzé Vieira de Melo Cordeiro, mora em Lago da Pedra/MA. Gosta de ler e escrever. 478Maria Stela de Oliveira Gomes – Abre de Campos – MG – Brasil - 12-02-1953 Pedagoga, Escritora, Poeta, Ar- tista Plástica, membro da Academia Valadarense de Letras, associada à REBRA e Secretária da Associação dos Artistas Plásticos do Vale do Rio Doce. Tem obras e um livro publicado em 2008. Em 2012 teve a sua crônica “Peraltices da Infância” traduzida para o francês, através do intercâmbio cultural da Universidade Federal da Paraíba.

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Com riqueza verbal inigualável Deu romantismo ao tema índio Evocou sua afeição nacional à literatura Demonstrando profundo amor pela natureza.

Discorria seus poemas com lirismo Sendo considerado o principal poeta Da primeira geração do romantismo Com seus temas saudosistas.

Escreveu belos dramas em prosa Idealizou em seus poemas Os costumes e as tradições Do Brasil do seu tempo.

A sua miscigenação genética Não embargou o seu crescimento Pessoal e poético Em 1843 escreveu “Canção do Exílio”.

Com sensibilidade aguçada para escrever Em 1844 publicou “Poesias Completas” Formou-se em Direito em Portugal “Primeiros Cantos” o consagrou como poeta.

Mariana Damásio da Silva 479

APRENDI COM DIAS Eu amei e nem sabia o que era o amor, Mas ele morreu, esquálido, derreteu feito cera escorrendo e queimando Fui marcada e sem saber descobri que nem mesmo fora amar Então lembrei de tempos antes que juvenis que assim não era possível morrer Fortaleci a mim mesmo a cada degradante morte, morri e renasci deveras vezes Para só então encontrar a resposta ao brio que gerou a dor E foi em mais um festejo que o conheci e aquele poema fez-me compreender Que a alegria ou a dor não serão jamais sinônimos de amar Porque algo tão maravilhoso não será jamais traduzido e talvez possa ser experimentado Mas a alma traduz não em meras palavras a superioridade desse sentir E por assim ser, dessa pureza vive-se, podendo até morrer.

479Mariana Damásio da Silva - São Paulo – SP – Brasil - 25 anos, brasileira, nascida e residente da Cidade de São Paulo; secretária por formação e poetiza de coração, desde os onze anos de idade aventura-se pelo mundo das palavras; conheceu Gonçalves Dias nos livros da escola e quase morreu de amor por ele desde então.

Mariano Augusto Serrão Chagas - Mariano Chagas 480

GONÇALVES DIAS 481 Mestre! Dorme nas ondas alterosas, Nesse oceano de vagas rouquejantes, Tendo por manto os astros rutilantes, Tendo por leito as pedras preciosas.

Fita do mar as ondas rumorosas Ante as dilatadas rochas crusciantes Onde se esbatem fortes, facundantes, Num turbilhão, de ondas tenebrosas!

Dominaste com o verso o mundo inteiro Teu estro divinal foi o primeiro Dentre todos os reis das harmonias.

Dorme, poeta, à luz do sol fulgurante, Que teru renome não nos sai da mente, Oh! Grande mestre! Oh Rei das melodias!

Marietta Cuesta Rodríguez 482

AGOSTO DESOLADO Y UN NOVIEMBRE

Nacido en un agosto desolado entremezclada sangre portuguesa concebido en regazo brasileño

pero lleva

y el arte de escribir en su mirada.

su alma iluminada

Canta a la tierra, canta a las palmeras canta al sol, a las aves, las estrellas, canta a las flores y a las cosas bellas, canta a los negros ojos de su amada y sus ojeras aleros tibios de mirada intensa, ojos puros traviesos que aumentan su dolor y su tormento.

Sus poemas de amor son flor herida donde inscribe su llanto en sufrimiento,

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480Mariano Augusto Serrão Chagas - São Bento – MA – Brasil - Funcionário publico, jornalista e poeta. Colaborou assuduamente na imprensa da capital e do interior. Coronel da extinta Guarda nacional. Trucidado barbara- mente em Pinheiro na noite de 3 de maio de 1953. 481MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 65, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 482Marietta Cuesta Rodríguez - Cuenca- Ecuador - 12 de diciembre. Escritora multifacética, con una amplia y reconocida trayectoria de poeta, pintora y periodista, veinte y más libros en su haber:; Colaboradora de múl- tiples Revistas VIRTUALES E.mail: marieta12@etapanet.net

y es su corazón ilusionado pozo incierto , tambor desesperado porque de tarde en tarde, nuestro Antonio comprende que amó, sin ser amado que fue por su ascendiente marginado.

y va filosofando, el porqué de las clases y las razas, si el AMOR y la paz no tiene credos , ni fronteras, que Dios tiene la piel de todos, la tierra es para todos.

Canta al indio en su selva, su folklor, su cultura, pensamientos profundos lo torturan colecciona la Historia, la investiga, difunde ,

conoce del latín, lo traduce al francés

supera día adía

buscando un nomeolvides, no sé cuándo…

Y el mar, le amó tanto que en Noviembre

le abrazó entre sus olas, lo revolvió en su manto

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le mordió el corazón- agua salada celoso de su genio y de su canto.

Marilza Albuquerque de Castro - Carvalho Branco 483

HOSANAS A GONÇALVES DIAS Gonçalves Dias, poeta indianista! A poesia de tema romântico, o teatro também está na lista de sua obra – o mais lírico cântico Maranhense, viveu em Portugal, estudou em Coimbra, onde escreveu “Canção do Exílio”, poema sem igual! Formado em Direito, ao Brasil volveu. Primeiros, Segundos e Últimos Cantos Lá se vão seus belos versos ao éter! Foram eles, do professor, os mantos, a toga; de seu coração, acéter. Foi Ana Amélia Ferreira do Vale o grande amor do poeta mestiço;

483Marilza Albuquerque de Castro (Carvalho Branco) - Rio de Janeiro, RJ, Brasil - 16-03-1938 - Presidente do InBrasCI–Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais/Embaixadora da Paz pelo Cercle Universel des Ambas- sadeurs de La Paix(Suisse–France)/Vice-Presidente Executiva da LDN/Diretora Nacional de Cultura da AIPOM/ Conselheira Vitalícia do Conselho Superior da ALB-NAC/Dr. Honoris Causa-PHI, em Filosofia Universal e Lite- ratura, pelo CONALB/ Patronesse da cadeira nº 25, categoria Letras da ALAB, de Brasiléia, AC/Comendador pela Imperial Irmandade do Mérito Regente D. João VI, OMPH/Embaixatriz Literária Efetiva pelo Portal Mhário Lincoln do Brasil / Delegada junto à CONFALB e outras Instituições culturais pela ALA de Quinari, AC/Membro da Sociedade Memorial Visconde de Mauá e Ordem do Mérito Marquês de Viana e de várias outras Entidades culturais nacionais/fundadora de algumas.(Professora, poetisa, prosadora, declamadora, palestrante, atriz

dela, a família, a ele disse: - Cale! Ana Amélia, já casada, qual feitiço, encontrou-o depois em Portugal, inspirando-lhe, ao poeta, um poema - “Ainda Uma Vez-Adeus!”- Sem igual! Nele, amor e saudade são seu tema. Casou-se com Dona Olímpia da Costa - tiveram breve relacionamento. Faleceu em naufrágio na encosta do Maranhão, ao voltar de tratamento. Sua poesia lembra da infância, dos amores idos, vividos, gosta de exalar deles sublime fragrância! Era sua mais freqüente proposta. Longe do Brasil, sentiu-se exilado, saudosista. “Canção do Exílio”, clássico da literatura, fê-lo citado qual “célebre” no mais alto triássico. Foi marco na nossa literatura e hoje aqui exaltamos seu valor. Seu nome é, pois, lembrado com ternura, inesquecível, à Pátria, seu amor!

Marina Moreno Leite Gentile - Marina Gentile 484

AMOR PROIBIDO Nos versos que a ela dediquei, Naveguei em sentimento, Pensamentos que pensei, O verbo amar conjuguei ao vento.

Todo o presente e futuro era com ela,

Os

cânticos de amor, as poesias,

O

partilhar os sonhos dela,

Nossos enredos, duas geografias.

Tempestade, diversidade de raça, Velas de ventos não navegáveis, Pensávamos que éramos inseparáveis.

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484Marina Moreno Leite Gentile - São Paulo – SP – Brasil - 06.04.1958. Tem cidadania e influência espanhola por ascendência materna (Alfarnate-Málaga). Desde 1982 reside na cidade de Salvador, Bahia onde teve seus filhos. Para ela, a escrita é um meio de interagir com a vida e com as pessoas que também apreciam a literatura. Marina Gentile, nome que utiliza para publicar, tem participações em diversas coletâneas, es- pecialmente na Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE). E também participou em livros da Literarte (Rio de Janeiro), Editora Pimenta Malagueta com sede em Salvador. É um grande prazer homenagear Gonçalves Dias. dagazema@gmail.com; www.marinamorenogentile.blogspot.com.br

Das profundezas de meu eu, Sob o calor do sol, clarões da lua, Placidamente fui seu.

Marina Nicodemo da Rosa 485

CANÇãO DO EXÍLIO Em minha terra, o pôr do sol brilha muito forte e é atraente. Aqui, o céu é cinza e sem vida. Lá, a chuva cai lentamente, purificando as plantas; Aqui, a chuva causa transtorno e confusão.

Em minha terra há vida e energia; Aqui, o povo é sofrido e trabalha demais. Lá, os pássaros cantam alegremente; Aqui, mantêm-se silenciosos.

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Em minha terra há muitos shows, teatros e literatura; Aqui, poucos se envolvem com cultura; tudo gira em torno de trabalho.

Na capital gaúcha, a primavera é colorida e perfumada; Aqui, as enxurradas impedem o crescimento das plantas. Lá, no fim de tarde, o sol dá um tom especial ao Guaíba; Aqui, a poluição não nos permite apreciar tal esplendor.

Marinaldo Lima 486

A ÚLTIMA VIAGEM No exílio ele escreveu Seu poema mais famoso Demonstrando amor à pátria E o quanto estava saudoso.

485Marina Nicodemo da Rosa - Porto alegre – RS– Brasil - 12 de março de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/ RS, Cadeira 44, Patrono: Cassiano Ricardo; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/ SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Praia Grande/Portugal. Coautora do Romance Interativo “Uma história de amor!”. E-mail: mharina@terra.com.br 486Marinaldo Lima – Jaboatão-PE – Brasil - 29/09/1965, Seus primeiros prêmios literários foram na Biblioteca de Afogados em Recife. Foi premiado ou selecionado em concursos literários na Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Além de poeta e contista é pastor da Igreja Batista em Sítio Novo e professor da Escola Estadual Nossa Sra. do Carmo em Olinda.

Exaltou a nossa terra, Nossos bosques, nossas flores; Elevou nossas estrelas, Nossas vidas, com amores.

Falou das nossas palmeiras, Onde canta o sabiá, Que gorjeiam lindamente Como em nenhum outro lugar.

No exílio com saudades, Derramou-se de amores, Pela querida terrinha, Desejando seus sabores.

Mas ao voltar novamente Da Europa tão distante, Estando muito doente E mesmo agonizante,

Quis o destino implacável Que não chegasse aqui; Um naufrágio do navio Deu-lhe morte tão infeliz.

Sepultado foi no mar:

Túmulo pra sua grandeza. E deixou à posteridade Uma imensurável riqueza:

Sua obra literária, Não se perdeu na História; Viajou por entre o tempo Para manter sua memória.

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GONÇALVES DIAS, UM GRANDE BRASILEIRO! Gonçalves Dias foi um poeta apaixonado pelo Brasil, E também pesquisador, desbravador destes sertões E encantado com o que viu expressou-se com orgulho Descrevendo nossa fauna e nossa flora nos grotões.

No ano de mil oitocentos e cinqüenta e nove Passou a integrar uma importante Comissão:

a Comissão Científica de Exploração do Império Nomeada por Dom Pedro com uma grande missão.

Até então apenas viajantes estrangeiros Pesquisavam nossas matas, nossos rios, nossas serras. Foi quando o nosso sábio Imperador Nomeou a Comissão para desbravar nossas terras.

Partindo do Ceará a Comissão se embrenhou, Pesquisando plantas, animais e populações nativas. Esteve na Paraíba e no Rio Grande no Norte, No Pará, no Amazonas e atravessou nossas divisas.

Gonçalves Dias atuou de forma extraordinária Como chefe da Seção de Etnografia. Documentou vocábulos dos idiomas indígenas; Resgatou estas palavras com pronúncias e grafias.

Distinguiu o português do Brasil e o de Portugal, Valorizando as nuances da língua falada aqui. Utilizou os elementos lingüísticos na poesia. Resgatou a importância do idioma tupi.

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As coleções de objetos etnográficos Ele enviou ao Rio, para o Museu Imperial E juntamente com os colegas da expedição Contribuiu para o progresso da Ciência Nacional.

Na Europa também trabalhou intensamente, Pesquisando em prol da Educação Brasileira. E lá, com seus poemas, divulgou nossa cultura Valorizando-a muito bem, de forma altaneira.

O GRANDE AMOR DE GONÇALVES DIAS

Entre tantos amores impossíveis Na história dos impossíveis amores Este é um dos mais lamentáveis Pelos dissabores e dores. E o que causa mais lástima É que este impossível amor Poderia ter sido possível Poderia ter sido vencedor.

À bela jovem Ana Amélia O poeta dedicou grande amor. Mas ao pedi-la em casamento Negado foi, por sua cor. Mesmo também sendo amado, Sentimento correspondido, Gonçalves Dias aceitou. Poderia ter persistido.

Pois a jovem Ana Amélia A tudo estava disposta:

Enfrentar sua família, Com uma firme proposta. Proporia ao seu amado Fugirem, enfrentarem tudo, Casarem e serem felizes; Mesmo que fosse absurdo.

Mas por causa do orgulho O poeta resignou-se, Partiu pra o Rio de Janeiro Onde com outra casou-se. Sentindo-se abandonada Ana Amélia também casou. Mas nem ela, nem o poeta Esqueceram o grande amor.

Tempos depois se encontraram E com palavras mui ternas Ele escreveu um poema, Foi a despedida eterna. “Ainda uma vez – Adeus” Foi o túmulo deste amor. Um moribundo infeliz, Que a História imortalizou.

O POETA DE NOSSA TERRA Nossa terra teve um poeta Que exaltou o sabiá. Poetas bons como ele, Não vemos em outro lugar.

Seus poemas são brilhantes. Foi um poeta genial. Tem até dois versos seus Em nosso Hino Nacional.

“Nossos bosques tem mais vida”, “Nossa vida mais amores”; Foi ele quem escreveu. Versos lindos, que primores!

Gonçalves Dias é seu nome, Um orgulho do Maranhão. E com esta coletânea Demonstramos-lhes nossa gratidão.

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Mario Filipe Cavalcanti de Souza Santos 487

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PEqUENA ODE A GONÇALVES DIAS Gonçalves, brasileiro, preto, branco, Papel preenchido, Teus Dias de glória Serão eternos!

Ah, Gonçalves, que um dia Deitasses aos mares maranhenses, Como exulta nossa’lma Em ode pequena Mais que os amores amálios, Mais que o próprio sabiá Que gorjeia por cá, Pelas palmeiras, Lembrando-se de ti!

Salve amado Gonçalves! Salve tuas cismas de noite Salve teu canto nostálgico Canção emanada, amores perdidos No exílio, Saísses da vida à glória Entrasses mesmo pra história Desse Brasil que te vela Que te acalanta e declama, salve, salve!

Brasileiro Gonçalves, Branco, preto, Preenchido papel Gloriosos os teus Dias, Eternos no céu!

CANTO A GONÇALVES DIAS Canto a Gonçalves Dias O canto dos poetas vivos Canto a Gonçalves Dias A flor dos infinitos Canto mesmo o canto Tão amável do sabiá Canto, oh, como canto, E não parto sem o cantar!

487Mario Filipe Cavalcanti de Souza Santos - Recife, PE –Brasil - 15/01/1992. Estudou piano clássico na Escola de Artes do Recife. Escreveu sua primeira poesia ainda com 09 anos. Aos 17, ingressou na Faculdade de Direito do Recife (UFPE), onde continua a graduação. Foi vencedor em 2012 do Concurso Literário Nacional de Contos da Associação Nacional de Escritores. Publicou junto a outros mil autores do mundo lusófono poesia na Antologia “Entre o sono e o sonho” da Chiado Editora, de Portugal em 2013, é colunista na revista literária eletrônica, Varal do Brasil, editada em Genebra.

Ah, filho do Brasil Ah, poeta augusto, Mereces homenagens mil Mil cantos, mil cultos!

Mario Gonçalves Dias Junior 488

EXÍLIO EM CANÇãO Quando eu era moleque Nunca matei sabiá Gostava de ouvir seu canto Num tom entre sol e lá.

Sempre no fim da tarde Tinha bolo de fubá No pomar do quintal Manga, caju, jatobá.

Brincava de pique-esconde Sumia igual um preá Banhava em qualquer rio Dormia em qualquer sofá O limite era a noite Castigo era o bê-a-bá.

Um dia veio a mudança Mamãe dispensou a babá Chorando, juntei as coisas Na caixa de jacarandá.

Abandonei o estilingue Saci, mula e boitatá E fui morar na cidade Cercado igual marajá. Deixei de ser caburé Quando fui pro Paraná Ainda brincava de bola Mas não era como lá A quadra aqui era cancha E a molecada, piá.

Cresci distante da roça Com um violão, e não pá Compondo essa esperança De um dia voltar, oxalá.

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488Mario Gonçalves Dias Junior - Londrina/PR – Brasil. Sou um Gonçalves Dias de linhagem mineira nascido no velho oeste paulista no ano da Anistia (05/04/1979), embora me apresente apenas como Mario JR e more em Londrina/PR - Brasil.

Minha terra tem primores Que eu canto, quando dá Aqui ninguém me entende Nem nunca entenderá.

Esta terra tem o silêncio Que não se ouve por lá Tem sabores e cores Exclusivamente de cá Ninguém brinca de esconde Nem escuta o sabiá.

CÂNTICO GONÇALVINO (Cordel sobre o Poeta Romântico Gonçalves Dias)

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João Manuel, vendedor português, No início de agosto de vinte e três Daquele remoto século dezenove, Acompanhado da esposa Vivência, No primeiro ano da Independência, Desgovernadamente se move.

Alcançam o sítio chamado Boa Vista, Fugindo do ímpeto nacionalista Que já ocupara a Vila Caxias. E em meio àquele período non sense, No interior do sertão maranhense, Nasce Antonio Gonçalves Dias.

Vivendo uma fase de muita miséria, Com uma decisão extrema e séria, João Manuel vai pra Portugal. E de volta após mais de dois anos, Em quatro altera todos os planos, Eclodindo uma reviravolta total.

Vivendo com o pai e sua madrasta, Uma relação que o senso contrasta, Estabiliza-se ali uma família. E aos doze anos, Antonio, assim, Lê Filosofia, Francês e Latim, Aprendizado que vale a vigília.

Passou, com o pai, dois anos feliz Morando e estudando em São Luiz Até que o Destino, impávido, o trai. Ainda imaturo e sem profissão, Deixa a capital do Maranhão Conduzindo o cortejo de seu pai.

E apenas um ano após a tragédia

Decide tomar, de vez, sua rédea

E tentar estudos em Portugal. Co’ajuda de sua madrasta, ele parte,

Buscando Coimbra, o Colégio das Artes,

E a sua independência afinal.

Enquanto o Brasil ardia em revoltas, E sua madrasta em reviravoltas, Antonio entrou na Universidade. E quando tornou-se iminente o regresso, Salvaram-lhe os amigos e os primeiros versos Que falam de romantismo e saudade.

Seu rol de amizades naquele ano - Almeida Garret, Alexandre Herculano - Apresentaram-lhe o Pré-Romantismo. E mesmo com a Poesia no auxílio, Soprou-lhe a saudade a “Canção do Exílio”, O hino primevo do Nacionalismo.

Após oito anos vivendo em Coimbra, Enfim, o desejo da volta lhe timbra E o advogado Antonio o atende. Viajando por Portugal e Espanha,

O banzo do nosso Nordeste lhe assanha,

E, imediatamente, Antonio se rende.

Cedendo aos apelos da bruta saudade Retorna Antonio à velha cidade Que não mais comporta a sua tinta. Só resta a Antonio juntar seu dinheiro E, indo embora ao Rio de Janeiro, Juntar suas rimas à ‘Geração de 30’.

E lá o Romantismo ganhou a vida,

Publicando os seus ‘Cantos’. Em seguida, Uma nova poesia se declara:

Com Joaquim Manuel de Macedo,

E Araújo Porto-Alegre no enredo,

Antonio funda a Revista Guanabara.

Sob o signo do amor, que não recusa O poeta, enfim, conhece sua musa:

Ana Amélia Ferreira do Vale. O Destino, porém, não abençoa, Pois não pode desposar uma pessoa

A quem sua origem não equivale.

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Transtornado pela súbita dispensa E desesperado pela dor intensa, O Poeta, só, então se precipita. E afasta sua solidão imposta Conjugando-se a Olímpia da Costa Sacramentando a relação finita.

Sufocado pela vida carioca, Outra vez a Europa o invoca Aos estudos, mas agora em Lisboa. Lá encontra Ana Amélia entre os seus E compõe: ‘Ainda uma vez – Adeus’ Que a musa com o próprio sangue c’roa.

A

reminiscência do amor perdido Ressuscita o sentimento jazido

E

a pecha do divórcio assanha.

Então, sozinho, o Poeta se renova, E um épico, anônimo na alcova, Eleva-se ‘Os Tymbiras’, na Alemanha.

Consagrado, o Poeta Indianista Volta à pátria em missão de cientista Pelo Norte e Nordeste, em exploração. E mesmo ficando enfraquecido ali, Cria o ‘Dicionário da Língua Tupi’ E sacramenta assim sua missão.

Prestes a completar seus quarenta anos, A Europa, outra vez, entra nos planos, Mas agora para um mês de tratamento. Esse mês se estende por mais vinte e dois, E não percebendo melhora depois, O Poeta embarca o seu desalento.

Retornando à sua terra de palmeiras, Sem ainda ver as costas brasileiras E nem ouvir o gorjeio sabiá, O Poeta, estando ainda muito frágil, Não evita que o iminente naufrágio Submirja os poemas que ainda há.

Mesmo sem ter desfrutado os primores, Avistado as palmeiras, tido amores Que existiam entre a Europa e Caxias; Será, para sempre, o maior Romântico, Que não caberia em apenas um Cântico, Pois poema nenhum é maior Que GONÇALVES DIAS.

Mário Helder Silva Ferreira 489

ATINS, O EXÍLIO DE GONÇALVES DIAS Poeta do amor proibido, Hoje colibris e sabiás, cantam a tua falta Teus cantos foram a tua coragem De amor jamais esquecido. Teu exílio foi nos baixios de Atins Naquela confusa tempestade de horrores Abandonado no teu próprio leito Vive a tocar os clarins. A mistura mestiça o orgulhava Custando-lhe caros murmúrios De não ter ousado A verdadeira ousadia do amor perseguido O romantismo deságua nos sentimentos Drama dos povos, dos pássaros. Paisagens. Ágape dos sentimentos nacionalistas Tua pérola lapidada com flores Rosas, orquídeas e louvores Pequeno grande notável No teatro um trovador incansável Foi nessa além-fronteira da vida Onde até as pedras se encontram Que um dia se despojaram Feridas reabertas Cicatrizes em dificuldades No sobejo desvairado e cruel Acabou, encontraram-se no céu. E aqui nessas terras de ricas palmeiras Estamos ávidos a te esperar.

PALMEIRAIS Tuas palmeiras de encanto Feito flechas certeiras Que traspassam o coração De olho no infinito Esnoba eterna canção De olho no infinito Do alto do teu apogeu Tortuosamente vaidosa Sopra o vento da inquietude No relento da tempestade

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489Mário Helder Silva Ferreira - Barra do Corda – MA – Brasil. 03 dezembro de 1950. Economista, Empresário, Es- pecialista em Qualidade x Produtividade, Pós- Graduado em Marketing e em Gestão Empresarial, Membro da Academia Barra-Cordense de Letras, Membro da Federação das Academias do Maranhão - FALMA. Fundador da Casa do Maranhão em Brasília, Fundador do MIM, Movimento de Integração Maranhense, Presidente do Guajajara Iate Clube, poeta, cronista, contista, letrista para marchinhas de carnaval, escreve para Revista da Literatura da Academia Barra-Cordense de Letras,

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Sofre trôpego no auge da juventude Tua sombra magra Causa espanto ao vento Tortuosamente se curvam Ao elegante avistar Do lado das águas turvas Soprando o sopro da colina Agiganta e canta sutilmente No tagarelar das sereias Brilhando com a velha lua Do alto desses bancos de areias Vai segue o teu caminho Dando adeus às magias Vaidosamente arrepia Do alto das regalias,

Mário Martins Meireles 490

“qUE ME PERDOE O POETA” 491 , 492 Que me perdoe o poeta De quem os versos roubei, Pois que estes versos, bem sei, Outra paixão já cantaram Mas, certo estou do perdão, Pois que ele, vate imortal, Não negaria a um mortal As glórias que lhe sobraram!

O IMORTAL MARABÁ 493 , 494

I

Ó guerreiros da raça tapuia! Ó guerreiros da raça tupi! Vossos deuses inspiraram meus cantos Ó timbiras, meus cantos ouvi!

490Mário Martins Meireles - São Luís – MA – Brasil - 8/3/1925. Iniciou seus estudos primários em Santos-SP, em 1920, prosseguiu neles em Manaus-AM e no Rio de Janeiro-RJ e os concluiu em São Luís-MA, em 1926, na Escola Modelo Benedito Leite. Fez o curso secundário em São Luís, concluído-o em 1931, no Instituto Viveiros.

A seguir, principiou o Curso de Direito na Faculdade do Maranhão, mas o interrompeu, em 1934, na da Bahia.

Em 1966 fez o Ciclo de Estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em São Luís. Possui diversos trabalhos inéditos e já publicou os seguintes: O imortal Marabá. São Luís, 1949. ( Co-autoria com Achilles Lisboa ) Gonçalves Dias e Ana Amélia. São Luís, 1959. 491MEIRELES, Mário Martins. O IMORTAL MARABÁ. Discurso de posse na AML. São Luís: Tip. M. Silva, 1948

492Poesia escrita em 1935; “E quando pensaria eu em 1935, ao escrever essa poesia, que hoje – treze anos após!

– estaria me empossando nesta poltrona acadêmica sob o patrocínio daquele cujos versos eu roubara para

melhor cantar os meus amores da mocidade?” p. 20. Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba

– PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

493MEIRELES, Mário Martins. O IMORTAL MARABÁ. Discurso de posse na AML. São Luís: Tip. M. Silva, 1948, p. 37-39, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geo- gráfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 494Poema de Mário Meireles, decalcado da Canção do Piaga, de Gonçalves Dias, e inspirado no quadro da morte do Poeta, da autoria do pintor maranhense Eduardo de Sá, existente no salao nobre do Palácio do Governo do Maranhão.

Esta noite era a lua tão linda, Entre nuvens, serena, a vagar, E eu olhava as estrelas brilhantes, No futuro, tristonho, a pensar.

Relembrava o mau sonho que tive, A visão da desgraça por vir; Nossos filhos perdidos nas matas, Da deshonra e da morte a fugir

Nossas tabas, sem gente, sem vida Nossa gente, se glporia, a morrer Nossa raça, sem força e vencida, Seu passado de gloria a esquecer!

De vergonha, eu chorava sosinho, Implorando o favor de Tupá, E pedia que a morte chegasse. Mesmo vindas das mãos de Anhangá

Eis no céu se me mostra outro quadro Diferente daqueles que vi! Vossos deuses inspiram meus cantos! Ó timbiras! Meus canros ouci!

II

Entre os restos de igara gigante, Sobre as ondas bravias do mar, Vi um branco de pálido rosto Sobre as águas, sem vida, a boiar.

Brancas folhas, que eu nunca antes vira, Apertava-as, bem vi, nesta mão; Descansava-lhe a outra no peito,

Bem aqui

,

sobre seu coração.

O fantasma de um índio timbira - que surgiu ou do céu ou do mar – Recurvando-se sobre o cadáver, A cabeça lhe vi coroar!

E o oceano, bramindo, rocando, Vi-o grande, terrível, se erguer, E o cadáver, no seio das águas, Para sempre, e de vez, se perder!

Em seguida, falou-me o fantasma - o fantasma de um índio bem vi – E eu repito o que disse o guerreiro Ó timbira, meus cantos ouvi!

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III

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“Tu bem viste, ó piaga divino!, Este branco que eu vim coroar, Cujo corpo sagrado tu viste O oceano zeloso guardar.

E não sabes, piaga, quem seja? Não t´o disse o cruel Anhangá?! Não é branco, ó piaga!, é dos nossos Será nosso – será marabá

Entre os brancos será nossa gloria, Pois que gloria dos brancos será; Dos timbiras a fama guerreira Nos seus cantos o Mundo ouvirá!

E o poeta será como nunca Entre os brancos se viu ou verá, Pois seus cantos serão inspirados Quais se fossem do próprio Rudá!

O seu nome será venerado, Pois o quer, por vingança, Tupá:

O maior dos poetas brancos Será nosso – há de ser marabá!

Bem aí, onde estás tu sentado, Entre as palmas, olhando este mar, Hão de os brancos, em pedra esculpida, Sua estatua do chão elevar.

E os seus filhos virão no seu dia - que ele um dia na História terá! – Cultuar o Cantor dos Timbiras, O sublime e imortal marabá!

Ele é filho de deuses, te digo, E por isso, no fundo do mar, O seu corpo, entre flores e cantos, Hão de iaras ciumentas guardar

Os guerreiros convoca, ó piaga!, Faze ouvir teu fiel maracá Manitós já fugiram da taba A vingança há de vir, ó Tupá1”

Mario Quintana 495

UMA CANÇãO 496 Minha terra não tem palmeiras E em vez de um mero sabiá, Cantam aves invisíveis Nas palmeiras que não há. Minha terra tem relógios, Cada qual com sua hora Nos mais diversos instantes Mas onde o instante de agora? Mas onde a palavra “onde”? Terra ingrata, ingrato filho, Sob os céus da minha terra Eu canto a Canção do Exílio!

Marisa Schmidt 497

OS TÚMULOS DE TANTOS MENINOS (Releitura do poema “Sobre o túmulo de um menino” de Gonçalves Dias)

Hoje são tantos os túmulos dos meninos que morreram cedo, mas tão cansados de uma vida sofrida e surda aos brados das vozes aflitas dos seres pequeninos

Não se pergunta por que estão ali esquecidos (alguns nem têm um nome gravado na pedra) nem quem chore essa vida que já não medra num tempo de amores gerados ressequidos

Esses meninos, poeta, passaram como nuvem triste que não tiveram um olhar ao futuro, que nunca existe para aqueles que nascem e morrem sem importância

A vida passa e passa a indiferença sobre outros meninos que em breve estarão cumprindo o mesmo infeliz destino de sumirem entre as pedras e o pó de uma perdida infância

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495Mário de Miranda Quintana – Alegrete – RS – Brasil - 30 de julho de 1906 - Falecimento: 5 de maio de 1994, Porto Alegre; foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mário Quintana fez as primeiras letras em sua cida- de natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio. 496Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 497Marisa Schmidt - São Paulo, SP - Brasil - 16 de outubro de 1947. Pedagoga aposentada, mãe e avó e tenho na escrita meu hoby preferido. Participa de várias comunidades literárias virtuais e colabora como membro efe- tivo do “Grupo Cá Estamos Nós -Brasil - Portugal.” Reside atualmente na cidade de Bertioga-São Paulo- Brasil.

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EX_jUCA PIRAMA Troquei meu canto de morte por música sertaneja não sei mais viver na selva curumins têm brotoeja floresta já virou relva e aqui se toma cerveja

Da tribo, restou o nome e por pouco ela não some encravada junto ao asfalto já não fazemos a guerra nem sobrevivemos da terra que se vende a preço alto e aquele índio da poesia virou enredo de fantasia

Mark Pizzato Machry 498

CANÇãO DO EXÍLIO Na minha terra tem figueiras, aroma campestre e silvestre; tem também muitas cachoeiras e nela está meu grande amor. Onde estou, há muito branco o que me faz ser franco; Não estar com meu amor, causam-me muita dor. Na minha terra tem figueiras onde fagueiro pulsa meu coração. Nela há esteiras, onde repousa, suavemente, minha doce paixão.

Martha Elsa Durazzo 499

PALMERAS Al puerto acompáñame para el amanecer contemplar subidos en una barca

498Mark Pizzato Machry - Porto Alegre/RS – Brasil - 18 de abril de 1994. Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 34, Patrono Dyonélio Machado; Membro Efeti- vo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; da Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal; e, da Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Cursa Direito na PUC-RS. E-mail:

markpima@gmail.com 499Martha Elsa Durazzo - Acapulco, Gro., México - 1956. Escritora, periodista, promotora cultural y abogado. Pte. de Escritores Veracruzanos, A.C., desde 2006. Pte. de La Casa del Poeta Peruano en el Edo. de Veracruz, 2010. Miembro de la Academia de Extensión Universitaria y Difusión de la Cultura de la FES, Zaragoza, UNAM, 2007. Autora de tres libros y coautora de veinticuatro. Traducida al rumano. Publicada en México, Cuba, España y Perú; publicada en revistas: Rumania, Argentina, Perú y México.

Ver desde la distancia mecer sus esmeraldas penachos a las palmeras Arrullados por las ondas marinas

Soñar un poco

Dirigir la vista más allá en el celeste océano Durante aquel palpitante onirismo

sentir que son las espigadas palmeras que Gonsalves Dias anheló volver a vibrar en su Brasil.

ANNA Y ANTONIO Palmera y ave déjenme que les cante de la luciérnaga el vuelo acompasado de verdes y aleteos

Anna teje esferas con hebras solares de amor encendido para un poeta

La vía camina el vate para contemplar el delicado perfil las femeninas formas

Posee su alma musa Trigo de inspiración Extrae del molino el pan del verso

Desplomada la noche Humanidad de aquel siglo contrapusieron al coloquio amoroso el prejuicio

Camina el bardo la vía sin la musa pan de su verso trigo de su molino.

Palmera y ave el aeda vivió de la luciérnaga el vuelo acompasado de verdes y aleteos

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PENSANDO EN TI. Truncada su vida en la madurez y el amor quedaron sus versos suspendidos en el viento.

Dadme una atarraya capturarlos quiero aterrizados cantarlos en el tiempo

SEM TITULO El ritmo de su tierra acuna en la lejanía la nostalgia

Cobra vigor su espíritu Selva mar lianas y manglares

Árboles que tejen ramas Millares de canoras parlotean con el zumbar de los insectos La piramidal conjunción de voces revela una arquitectura perfecta

Traza el poeta el dibujo de su poema.

DEL POETA LA SINFONÍA. Te lanzo un poema Brasil plena capital de las sinfonías coloridas Amazona de la Tierra tierra de Gonsalves Dias.

Martins D’Alvarez 500

SãO LUÍS DO MARANHãO “Minha terra tem palmeira onde canta o sabiá Ïsso é lirismo do poeta, a gente pensa de cá! Mas, ao penetrar-se, em barcos, na baía de São Marcos, vemos que há mesmo palmeiras e muitas palmeiras lá. E, emoldurando as palmeiras, há jardins verdes, floridos, ruas que sobem ladeiras, azulejos e vitrais Poesia dos tempos idos:

— chafarizes esquecidos, romances adormecidos em solares coloniais. E na fronde das palmeiras, há mesmo alados cantores — enlevo dos sonhadores, — ternura dos namorados Dos platônicos mancebos que se ficam nas calçadas a acenar para as donzelas nas janelas dos sobrados. “Minha terra tem primores que tais não encontro eu cá “Velhos fortins dos franceses, igrejinhas seculares:

Carmo, Remédios, a Sé — mãe das primeiras Missões! Se cujo púlpito, Vieira, plantou a fé brasileira, com a augusta sementeira de seus famosos sermões. Tem recantos encantados, de um bucolismo sem-par:

— Sacavém, Ponta da Areia, São João de Ribamar O velho Farol de Alcântara,

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500Martins D’Alvarez – Barbalha – CE – Brasil - 14 de setembro de 1904. Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ce- ará. Formou-se em Odontologia. Transferiu desde o ano de 1938 a sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior. Livros publicados: “A Ronda das horas verdes”, 1930 (versos).”Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).Menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. “Vitral”, 1934 (Poemas).”0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular). “No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças). ( Antologia da Nova Poesia Brasileira J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1948).

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o Bumba-meu-boi de Anil E outras relíquias da História pitoresca do Brasil. Tem aquela preta velha da Rua dos Afogados que foi preada na Angola, deu bom preço nos mercados Foi tudo para os Senhores Amargou de mão em mão E traz na pele, gravado, o drama da escravidão. Tem o português dos “secos” e o português dos “molhados” Tem o turco dos “retalhos” ë o turco dos “atacados” Tem a “pipira morena, lá da Rua do Alecrim, que aos domingos, toda chique, vai fazer seu piquenique e à noite, em Campos de Ourique, quem paga tudo é o Joaquim! “Nosso céu tem mais estrelas” “na noite calma e deserta — Infinita porta aberta para um mundo de poesias! “nossas várzeas têm mais flores”, além das rosas-meninas que florescem nas esquinas da Praça Gonçalves Dias! “Nossos bosques têm mais vida “na magia feiticeira dessa Atenas Brasileira de artistas e pensadores. Graças à luz expendida por esta estirpe luzida, “nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores”. “Em cismar sozinho à noite mais prazer encontro eu lá”, pela Praça João Lisboa, recitando o “Marabá” Ao longo da Praia Grande No botequim da Sinhá, tirando o gosto da pinga com refresco de cajá Ouvindo, ao luar de prata, acordes de serenata, com trovador e com flauta com violão e ganzá.

“Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá “Sem que carregue, contrito, o andor de São Benedito, na bênção que ao povo aflito, em procissão, ele dá Sem que inda prove pequi, cupuaçu, bacuri, cambica de murici e um bom arroz de cuchá! Quero morrer, na verdade, na minha velha cidade, namorando a antiguidade, numa rede de algodão Dando um adeus ao passado, um viva a Pedro II na melhor terra do mundo:

— São Luís do Maranhão!

Mateus Comodo 501

A VIDA E SEUS POEMAS Gonçalves? Quem era? Ah!, vivia na Europa e no Brasil, como se estes fossem os primeiros cantos. Mas, como ia para lá e voltava para cá, era conhecido de segundos cantos.

Para se acalmar de tantas viagens, usava muitas vezes a meditação, mas era muito bom rodar o mundo. De 1823 a 1864, vieram então os cantos sobre Brasil e Europa.

Com o dicionário da língua tupi, vimos que, o grande amor, Ana Amélia, foi seu último canto, antes de naufragar nas águas do nordeste, tornando-se o lendário Gonçalves Dias.

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501Mateus Comodo - 08 de março de 1996, é estudante da 3.ª série do Ensino Médio do Colégio Objetivo São Roque. Gosta muito de Direito, literatura jurídica e de praticar tênis. Como descendente de italiano, adora cozinhar e comer massas. Tem como hobby assistir a jogos de futebol e ouvir música.

Matheus Fabrício Pereira Madeira 502

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GONÇALVES DIAS Antonio Gonçalves Dias Nasceu em Caxias cresceu Fazendo poesia com Harmonia e alegria.

Antonio Gonçalves Dias Fez uma bela poesia Falando da sua terra Com muita harmonia.

Estudou em Portugal Latim filosofia e Frances Mas nunca esqueceu do Português.

Antonio Gonçalves Dias Morreu em Lisboa Mas voltou para cá Onde mora gente boa.

Nunca será esquecido Poeta romântico na Praça dos namorados Os amores encantados

Mayara da Silva Jorge 503

CANTOS E ENCANTOS DE UM MARANHENSE Fui brasileiro orgulhoso E apaixonado, Porque vivi num país maravilhoso, Com um solo encantado.

Nessa terra adorável, Cheia de luz e beleza, Vivi sorrindo maravilhado Com essas coisas lindas por natureza.

Quando vi aqueles olhos lindos, Logo me apaixonei, Mas veio o preconceito destruindo Todo o amor que eu criei.

502Matheus Fabrício Pereira Madeira - São Luís – MA - Brasil - 20/012002. Motivo da Participação: Demonstrar através da poesia a contribuição literária de Gonçalves Dias na formação-sócio cultural do educando interpre- tar e compreender textos poéticos. 503Mayara da Silva Jorge - Teresópolis/RJ - Brasil - 17/04/1997 - poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e já traz um vasto currículo literário, incluindo a Menção Honrosa no XXII Concurso de Poesias da ALAP, no Rio de Janeiro/RJ. Tem diversos textos publicados no blog “Diários de solidões coletivas” (um deles, inclusive, está entre as postagens mais populares do blog citado).

Do Maranhão eu vim, Do Maranhão eu fui, Alguns pensam que é o fim Porque o amor não evolui.

Porém espero que minha arte Continue encantando corações E que faça parte De várias gerações.

Mayara Sousa Gonçalves 504

CANÇãO DO MARANHãO Minha Terra tem sujeira onde cantava o sabiá, As aves que aqui gorjeavam Não gorjeiam como lá.

Minha vida, mas amores Onde cantavam por cá e só as aves Que gorjeiam não gorjeia como cá.

Essa vida de brasileiro, Só pensa em cantar, Por isso que as aves que gorjeiam Não gorjeiam como lá.

As crianças só pensam em chorar, E não de brincar. Por isso que as lágrimas caem, Por que não pensa em respeitar.

Mhário Lincoln Félix Santos 505

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A GONÇALVES DIAS Gonçalves, que Dias O amor intenso, mas proibido Na volta ao porto, apenas meu corpo Carregado pelas brumas da baía de São Luís Náufrago da paixão e dos oceanos da incompreensão humana

504Mayara Sousa Gonçalves - São Luís – MA - Brasil - 11/08/2001. Motivo da participação: Eu sempre sonhei em ser poeta para escrever para minha família eu quero ser reconhecida igualmente a Gonçalves Dias. 505Mhário Lincoln Félix Santos – São Luís – MA – Brasil - 27 de março de 1954 - Atualmente reside em Curiti- ba-Paraná. É advogado, escritor e poeta. Colunista e editor de variedades em vários jornais de São Luís e de Curitiba-PR. Atual atividade: Diretor-proprietário do Portal Aqui Brasil (www.portalaquibrasil.com.br) com sede em Curitiba-PR, com aproximadamente 2,5 milhões de acessos mês em diversos países, destacando-se Brasil, Argentina, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Russia e China.

EU E G. DIAS Ah! Gonçalves de todos os dias De todas as horas, das minhas agonias. Gonçalves, das praças e dos veleiros Dos mares de Lisboa, dos aventureiros.

Gonçalves Dias dos índios e dos anuviais Dos poemas, das palmeiras dos sabiás Da saudade, do amor perdido Como eu, quanto amor desiludido

Minha vida é como a sua, como teus ais Afogado, eu, nos navios da desilusão Perdido e náufrago do meu coração

Grande irmão de poesia Iguais somos em dores e noites Cujos corações morrem de doídos açoites.

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São Luís, agosto de 1982

Michael Jackson Coelho da Silva 506

SEM TÍTULO São Luís cidade mimosa, Tão linda como uma rosa. São Luís como pode brilhar, Diz o canto do sabiá.

São Luís linda cidade, Tão linda com tanta idade São Luís cidade dos azulejos, São lindas como te vejo.

São Luís cidade das praias, Cidade amiga da água. Cidade dos casarões, Com várias mansões.”

506Michael Jackson Coelho da Silva - São Luís-MA Brasil – 08\11/2000. Motivo da participação: Eu gostaria de participa da Antologia poética por que eu queria que todos se lembrassem de mim na Escola, para ajudar a escola e deixar meu pai e minha mãe orgulhosos e homenagear o nosso grande poeta.

Michelle Adler Normando de Carvalho 507

O HOMEM GONÇALVES DIAS Indianista humanista tuas palavras traduzem lutas traduzem amor traduzem vida Gonçalves Dias!!!

No romantismo estás também encontraste o amor que tanto querias e te encurralaram num beco sem saída entre o amor de Ana Amélia e a amizade da sua família abdicaste a ela ficando com a tua alma marcada em fogo eternamente ferida

No mar encontraste paz entraste para a eternidade por fim a gloria por fim guarida!!!

Michelle Fonseca Coelho 508

VIVA O POETA! Minha terra tem palmeiras, Onde canta o amor. Minha terra tem flores, Onde exala o frescor. Minha terra tem crianças, Onde emana a alegria. Minha terra tem esperança, Onde não se dá tempo a agonia. Minha terra tem estrelas, Onde brilha a sedução. Minha terra tem alma, Onde exala a paixão. Minha terra tem sentido, Onde habita o belo, o certo, a emoção. Minha terra tem palmeiras, Onde Gonçalves Dias declama com o coração.

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507Michelle Adler Normando de Carvalho - São Luís – MA Brasil - 14 de novembro de 1979. É Psicóloga. Espe- cialização em Psicologia Hospitalar pela FAMA (2005), Especialização em Psicopedagogia pela UNDB (2008) e mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Maranhão (2010). É Professora universitária da Faculdade Pitágoras - São Luís e da Faculdade do Maranhão- - FACAM. Faz parte do Banco de dados de avalia- dores de cursos de graduação do INEP/MEC. 508Michelle Fonseca Coelho nasceu em 24 de dezembro de 1979 em São Luís. Formada em Letras, pós-graduada em Docência do Ensino Superior, mestranda em Ciências da Educação pela Universid Americana, Assunção - Paraguai. Estudou na Languague Studies Canada, Vancouver B. C, Canadá; e na Landmark Christian School, Paramaribo, Suriname. Professora da Faculdade Pitágoras e Faculdade do Maranhão.

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Miguel Marques 509 - São Luís, 7 de Setembro de 1873

GONÇALVES DIAS - Recitada por ocasião da inauguração da sua estátua Eis em vulto entregue aos séculos, quem, não sendo divindade, perscrutava a eternidade nos arroubos da poesia, e, delirante abrasado nas chispas da luz homérica, dizia à Europa: D’América a glória sou eu quem guia!

Silêncio! que a história exalta com voz sublime, estupenda o seu nome, a sua lenda aos sons de celeste hino! Vinde, oh! turba! entusiástica prostrai-vos junto ao proscênio onde em mármore é o gênio mostrando o selo divino.

Nasceu na brasília Atenas, onde se ostenta a coroa de Sotero, de Lisboa, de Mendes, Sousa e Galvão, e também do audaz guerreiro , que no fogo das batalhas entre o furor das metralhas sempre foi o herói Falcão.

De tanta seiva alentado, qual o disco luminoso ele se ergueu majestoso, do berço das melodias;

e, na lira meigamente,

vibrando «Os primeiros cantos»

a glória cheia de encantos abraçou – Gonçalves Dias –

Oh! doce cisne adormido no leito dos aquilões, quebranta os duros grilhões Do teu letargo profundo, que a Pátria de amor perdida teu nome ufana entoando manda aos ecos retumbando espalhá-lo pelo mundo.

509Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p. 567-569. Poesias compiladas por Weberson Fer- nandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Vem, oh filho das Moeonidas! Santuário do ideal! Do teu trono de cristal contemplar a cena augusta.

Se humilde e a aparência

brada altiva a voz da Fama:

–A glória o gênio proclama firmada em base robusta.

Que diga Dante, Virgílio, quem com mais inspiração brilhava quando o vulcão do teu crânio se inflamava, e ouvindo o mágico idílio do sabia mavioso, teu estro temo e saudoso melífluas queixas soltava.

Mas além era impossível um ser humano subir! Era muito o seu fulgir, devia o astro tombar. Deus chamou-o ao seu império, mas vendo a terra tão pobre disse: P’ra argila tão nobre cave-se um tumulo no mar!

Caiu como o cedro enorme pela tormenta batido, como o condor que ferido morre nos braços do vento. Mas a saudade do bardo para nós será estóica, qual essa amizade heróica, de quem fez-lhe o monumento!

Dorme, Poeta, que o gênio , jamais o tempo consome!

A Fama dirá-teu nome,

a Glória – os fulgores teus - !

E, vos turba entusiástica vinde, correi ofegante saudar o vate Gigante o brasílio semideus.

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POR OCASIãO DA INAUGURAÇãO DA ESTÁTUA EM SãO LUÍS Ali vereis no mármor modelado Aquele que na lira sempre altivo O gênio sustentou! Sublime emanação d’um ser divino O seu nome é um poema, doce hino Dos hinos que cantou!

Era um gênio gigante, um astro lúcido! Qual de Homero, Virgílio, Tasso, Dante Seu estro fulgurava! No berço deu-lhe Apolo a poesia! Poeta, – fez-se rei da melodia Que os cantos lhe adornava. As melífluas canções, as harmonias, Os acordes sublimes que derramam Suas obras imortais, Que «Seus olhos» o digam, «Minha terra» E o sabiá saudoso lá na serra Por entre os palmeirais!

Não pode rude lira tão mesquinha Vibrar em teu louvor cantor sublime, Poeta divinal! Em subidas esferas tu pairaste, E o mundo com teus cantos fascinastes Fazendo-te imortal.

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Famosos Panteões se edificaram Em Atenas e Roma belicosas Ao deus das harmonias:

Pois bem! O Maranhão ao mundo culto Mostrar vem o orgulhoso grande vulto Do seu Gonçalves Dias

Mikaelle Cristina dos Santos Cantanhede 510

TEU ORGULHO NASCEU!

Caxias do Maranhão canta teu canto que teu orgulho nasceu! Orgulho que nasceu, cresceu em busca de conhecimento, de novos saberes de questionamentos inexplicáveis.

Gonçalves Dias foi você que muitos querem entender, aprender com teus versos e contos como escrevestes com verdade! O que não sabíamos é que um dia a água te encobriria, E a nós resta até hoje lembranças tuas e da linda cidade de Caxias!

510Mikaelle Cristina Dos Santos Cantanhede - Sao Luis – MA – Brasil - 18/09/2000 – EPFA Cursando: 5º Ano – Turma: C – Profª Shirle Maklene

Mikaely Fernanda Rodrigues 511

BRASIL Ah! Que saudade Que dá Da minha cidade Lá sim eu tinha uma vida. Amigos, parentes, família Ainda quero rever um dia Arrependida por largar meu namorado Que um dia tanto havia amado.

Choro até hoje de amor, Pois sinto falta do beijo Beijo que só ele sabe dar Ah, que saudade do meu lar.

Sinto saudades das praias, da canga Do ritmo, do carnaval, do samba Saudades, saudades me dá, É isso que dá Brasil, tanto, tanto te amar!

Milena Adler Normando de Sá 512

O AMOR DE GONÇALVES DIAS Ele Amou o seu olhar A amou à primeira vista Grande alegria! Porque Ana Amélia o correspondia!!!

Por ser mulato não a pode amar Seu grande amor se perdeu não o pode realizar!

Amor eterno, Amor pleno, Amor verdadeiro, ANA AMÉLIA, Esse era o amor do eterno poeta altaneiro!!!

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511Mikaely Fernanda Rodrigues - Bebedeuro – SP – Brasil - Aluna da 7ª. Serie C da Profa. Silvana Morelli http:// silmoreli.blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio.html, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 512Milena Adler Normando de Sá. São Luís – MA – Brasil - 01/1976. É formada em Contabilidade. É mãe de João Marcelo e Lara.

Miriam Porras Adame… 513

AMOR A TRAVES DEL TIEMPO. Me acaricio el alma cada uno de tus versos, sentí el desconsuelo de estar vivo y a la vez muerto, de amar en lo profundo sin poder tomar su cuerpo, la elección entre tu amada y lo correcto no fortaleció tu espíritu, solo te entregó desgracia y sufrimiento. Por tu sangre corren mundos muy diversos, uno te indicaba claudicar sin el menor intento, de no probar las mieles del amor en cautiverio era tuyo en comunión con el destino en tus adentros.

Otro suprimía la idea, el pensamiento, de aspirar el perfume de Doña Ana, el perfume de su cuerpo, las caricias de sus manos de vivir el amor, el que no conoce de linajes, de tristezas, de dinero, el amor que vive de besos, de caricias, del vaho de su aliento.

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Otro mundo te oprimía el corazón, terminaste en alejarte, abandonando tus ensueños en el recuerdo de tu Amelia que vivió para adorarte, en el silencio de otros brazos que no pudieron consolarle.

Caminaste en rumbos ignorados, trotando subiendo y bajando con un mismo pensamiento, el amor que no llego, que se fue y te dejó en el más temible de tus sueños, la soledad carcomiendo cada noche, en lo incierto.

La razón te abandono, tu cuerpo sucumbió en espasmos de dolor, nunca llego la señal que te pudiera consolar, no hubo besos, besos, besos, en ajenos brazos diste rienda suelta a tu aflicción.

En el naufragio de tu cuerpo, el amor se aprovechó de alejarse de este mundo, para estar en otro sin calvario donde no dañan las mieles en la pasión, ¿será que el orgullo de ser de las tres razas, no dejaron libertad en el amor? regresa, que tu amada asimismo feneció sin tu calor.

513Miriam Porras Adam - Navojoa, Sonora, México. Poeta y Escritora, ha participado en diversos eventos cultu- rales; porras59-74@hotmail.com

Moacir Lopes Poconé Neto 514

jAZIGO NO MAR Um navio Leva com ele os sonhos para o fundo dos mares. Nele vão os dias de muitos E o Dias O grande Gonçalves. Pouco mais de quarenta E histórias de séculos. Timbiras, tamoios e exílio. Amores, cantos e piramas. Ainda era tão cedo E nos deixava naquele dia. No mesmo Maranhão onde nascera. De onde saíra para o mundo. Um mundo que não mais seria o mesmo Sem o canto daquele que viu E cantou como ninguém Sua pátria, sua gente e seus amores. Jaz, Gonçalves, nesse túmulo de água Até ele pequeno para o seu tamanho.

Moacir Luís Araldi 515

CARTA Escrevo-te, digno poeta, Pra dizer que aqui Sua obra é perpétua. E que ainda fazemos versos pra ti.

Aproveito caro Gonçalves, Pra te mandar um abraço. Pra dizer que a saudade No peito ocupa muito espaço.

A nação Maranhense e Brasileira Que por ti morre de amores Impunha tua bandeira Nesta terra de primores.

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514Moacir Lopes Poconé Neto - Aracaju - SE – Brasil - 27/03/1975. Escreve crônicas, contos e poesias desde os quinze anos. Possui graduação em Letras Português pela Universidade Tiradentes (2008) e graduação em Di- reito pela Universidade Federal de Sergipe (1996). Mantém o blog Deu na Telha, no qual escreve sobre os mais diversos assuntos. 515Moacir Luís Araldi - Passo Fundo- RS – Brasil - 18 de setembro de 1963. Gaúcho, brasileiro, residente em Passo Fundo- RS. Formado em letras pela Fundação Universidade de Passo Fundo (UPF), escreve, amadoristicamen- te desde 1986.

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Diga ilustre brasileiro, Como te aceitam por aí? Vives com Ana um amor verdadeiro Como não viveste aqui?

Vejo na minha ilusão Um banco a sombra da palmeira. Você vivendo sua inspiração E o sabiá cantando com ciumeira.

Tem teu nome a rua da tua moradia, Com aprovação dos Timbiras. Viraste imortal GONÇALVES DIAS, Nesta terra que te ama e te admira.

FALAR DE VOCÊ Falar de você Gonçalves, Faz pensar no canto do sabiá. Em estrelas, palmeiras e flores. Da frustração nos amores. Do viver lá como cá.

Homenagear você Gonçalves, Faz pensar no amor que não viveu. Em todos teus sonhos iludidos E no crime que não cometeu, Mesmo quando a amada perdeu.

Saudar você Gonçalves, Faz lembrar oceano. Um romântico leito de morte. Mesmo com seus poucos anos Selou a tua sorte.

Na presença da morte foste forte, Um guerreiro lutador Nacionalista e sonhador Enalteço com alegria

Magnânimo

GONÇALVES DIAS

MEU DEUS Palmeira solitária Na várzea da nostalgia. Bosques sem harmonias Sabiá sem gritaria.

Da terra que amaste tanto Que pela vida exaltou Veio também o pranto, De um amor que não brotou.

E o mar que só a você castigou, Um anjo para céu mandou. Não propriamente um anjo. Um cupido do amor.

Meu Deus, eu te peço um favor. Seja meu condutor, Ajude-me a levar minhas odes e elegias Ao brasileiro, inesquecível GONÇALVES DIAS.

GENIAL Genialidade nas linhas que escrevias, Que se perpetuam por gerações. Genialidade nos versos que compunha, Para entalhar nos corações.

Genial para exaltar um povo, Uma nação, um país. Genial para buscar o novo, E uma forma de ser feliz.

Gênio triste

Talvez!

Que também viveu alegrias, Poeta de enorme altivez. Genial GONÇALVES DIAS.

MIL POEMAS Nossa terra sempre vai te venerar. As palmeiras não podem te saudar. Os poetas aqui escrevem Pra no céu, te homenagear.

No poetar eras uma estrela. No versejar entre linhas, Com rimas que para fazê-las Falavas de amores que quiçá

Em te ler Dias, à noite. Mais me encanto eu cá. As tuas poesias tem, O cantar do sabiá.

Nem tinhas.

Tua terra tem mil poemas, Todos nesta antologia. Versos, letras e grafemas. Tributando GONÇALVES DIAS.

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Monique Rocha Passos 516

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SAUDADE A saudade é a maior inimiga da alma. Além de deixá-lo triste, Ainda tenta te matar Quando fico com saudade de você, Meu coração não para de bater

Fico pensando em quando vou te ver. Onde será que você está? Fico pensando em te encontrar Será que você vai voltar?

Se você não vir, Quero que saiba Que a saudade só vai aumentar

Quando vou finalmente te encontrar?

Moysés Barbosa 517

UM POETA NACIONALISTA

Natural de Caxias

Maranhão

Ele respirava o ar da poesia Versejador apreciado, sem igual Compôs a bela “Canção do Exílio” Pra Ana Amélia ele sempre escrevia Chegou a residir em Portugal

Estudou Direito em Coimbra

E na Língua Tupy, escorreito, redigiu

Uma obra de valor

Dicionário

Traduzia também o alemão

quem ‘inda não viu? para alguns visionário.

Seus poemas

Foi cientista

Sua obra literária é muito vasta “Cantos”, “Timbiras”, “Meditação” Feição séria, porém sentimental Cultivou o ideal nacionalista “Canção do Exílio” colocou então Inúmeros versos no Hino Nacional

516Monique Rocha Passos - Jd. Ubirajara – São Paulo – SP – Brasil - 11/04/2000. ESCOLA: EMEF Antenor Nas- centes; DIRETORA: Denise Ribeiro de Carvalho; PROFESSORA RESPONSÁVEL: Adenilza Almeida Lira E-MAIL DA ESCOLA: emefanascentes@prefeitura.sp.gov.br 517Moysés Barbosa - Comendador Levy Gasparian - R J - Brasil - 15 de fevereiro de 1944, Membro Benemérito e Senador Acadêmico Honorário da FEBACLA,Bispo, Advogado, Professor, Jornalista, Embaixador da Paz, Poeta (já com Jubileu de Ouro de Poesia (2009) site:www.pastormoysesbarbosa.com

No Colégio Dom Pedro II Foi professor muito festejado

Fundou a Revista Guanabara Ajudado por dois companheiros

No Romantismo, sim

foi aprovado!

Toda sua obra o civismo ampara

Foi até destemido navegador Lá no rio Negro e rio Madeira Uma extensa região ele explorou Cultivava com prazer a cidadania Na Europa, Casa Brockhaus, era livreira Vários Cantos de “Timbiras” editou

Exaltemos, sim, esta personalidade Célebre poeta e literato brasileiro Do qual todos nós nos orgulhamos ANTONIO DE GONÇALVES DIAS Nas letras é expoente, é altaneiro E com razão honras lhe tributamos!

Murilo Monteiro Mendes – Murilo Mendes 518

CANÇãO DO EXÍLIO 519 Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá con certidão de idade!

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518Murilo Monteiro Mendes - Murilo Mendes - Juiz de Fora – MG – Brasil - 13 de maio de 1901; foi um poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo brasileiro. Wikipédia 519Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Mylene dos Santos Siqueira 520

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MINHA TERRA Minha terra tem história, Que acabaram de chega. No Centro Histórico É um lugar de se encontrar Nosso céu não tem quase estrela, Mas eu ainda gosto deste lugar. Minha terra tem praias, Para gente se encontrar.

Hotel de frente pro o mar, Minha cidade tem curiosidades. Que você vai gostar, Mas só vai saber se vir olhar.

Nadir Silveira Dias 521

DON’ANA Há um nada em quase tudo Quase sempre em todo o tempo Em qualquer época ou lugar Mudando somente o matiz A intensidade, não raro o fulgor A macular o destino, a macular o amor.

A

família soberana nem sempre acerta Ou se arrisca, e somente petisca

E

lambisca o que da sorte lhe sobra Se lhe sobra algo de bom Pois o normal é sorver o fel

Mal fecundo que antes semeou

Foi assim com Don’Ana E Gonçalves Dias também Nutridos e correspondidos

520Mylene dos Santos Siqueira -São Luís-MA - Brasil – 03\01\2001. Motivo da Participaçao: Eu gostaria de par- ticipa da Antologia poética por que será uma grande ortunidade para mim, ter minha poesia sendo lembrada por todos e ser lembrada por este poeta maravilhoso.

521Nadir Silveira Dias - Rio Grande, RS – Brasil - 04.04.1947. Reside em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Brasil.

É Jurista, Escritor, Poeta, Compositor, e Letrista, integrante da Ordem dos Advogados do Brasil, da ARI - Asso- ciação Riograndense de Imprensa, da Ordem dos Músicos do Brasil, e de várias Academias Literárias do Brasil.

É laureado da ASL - “ARTS SCIENCES LETTRES” Societe Academique d’Education et d’Encouragement, França.

Autor de vinte e três livros de literatura e de doutrina jurídica, obtém pelo livro Rastros do Sentir, a Medaglia d’Argento 2004 - Premio Letterario Internazionale “Maestrale - San Marco” - Itália, e, pelas obras e ações, em Paris, a Médaille de Vermeil 2009. nadirsdias@yahoo.com.br

Um pelo outro de intenso amor Que tiveram suas vidas destruídas Pelo insano não consentimento

Vidas destroçadas, sim, senhor! Pois amor é vida sempre Em qualquer tempo ou lugar É o ânimo, é o ar que se respira! E se de um se tira o outro Fenece um, fenece a outra.

Dia haverá, com certeza (!), que Crime assim não mais ocorrerá Por conta de novos tempos que Hão de vir pra limpar as mentes E saná-las do viciado preconceito Que tanto e tanto mal já tem feito.

Naraene Miranda da Silva 522

GONÇALVES DIAS Antônio Gonçalves Dias, um grande escritor maranhense, que nasceu em 10 de agosto na pequena e bela Caxias.

Homem bom e inteligente Foi para fora estudar, Mas, com saudade de sua terra escrevia a beleza que por aqui existia.

Gonçalves Dias era o escritor. Defendia a pátria, a religiosidade, e, principalmente, o amor.

Ele foi o grande cantador Foi no Brasil que encontrou Ana Amélia, Seu grande amor.

Mas, que pena, num naufrágio morria Um grande escritor, que o Brasil com muita tristeza Perdia.

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522Naraene Miranda da Silva – Balsas - MA – Brasil. URE – Balsas - Centro de Ensino Médio Dom Daniel Comboni; Professora: Marcia Meurer Sandri

Natália Bueno Dias 523

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CANÇãO DO EXÍLIO Vejo o céu cinzento com uma brisa fria, Lembro-me do céu azul e de seus campos deslumbrantes. Sinto-me sozinha vivendo ao lado de um bosque. Lembro-me de nossas roças com cheiro de mato. Bosques sem essências Sinto falta de nossas flores cheirosas e deslumbrantes que relatam grandes amores. Nosso ritmo é o melhor Festas e alegria Cidade muito parada Sinto falta da capital Arroz com feijoada e uma bela salada. Aqui só como massa e vivo com presão alta. Meu Deus, só lhe faço um pedido:

Não me deixe morrer com esse ar sem cheiro, quero morrer ao lado da praia com a brisa leve e suave. Quero voltar a viver junto à felicidade.

Nathalia Ribeiro Lopes 524

O SABIA O qUE qUERIA. Trouxe, à noite, a luz de um dia, Fez-se tarde a cantoria Das aves e sabiás. Quem pudera pensaria que, de tonto, abandonaria estrofe, verso, rima:

e o coração de quem quis amar. Ó Gonçalves, tão astuto, pela razão deitou-se ao luto de quem teve que abandonar

523Natália Bueno Dias - Bebedeuro – SP – Brasil - Aluna da 7ª. Serri B da Profa. Silvana Moreli - http://silmoreli. blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio.html , Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 524Nathalia Ribeiro Lopes - 4 de outubro de 1995, é aluna da 3.ª série do Ensino Médio do Colégio Objetivo São Roque. Gosta de música popular brasileira, escrita criativa e cinema.

Ana que, por saudade, lacrou em sangue e lápide o poema e a vontade de ver nessa terra o sol raiar, E em morte cessaria o adeus em poesia de quem não pôde se tocar.

Nathália Rodrigues Barbosa 525

CANÇãO DO EXÍLIO Porto Alegre, terra de gaúchas bonitas que destacam as belezas da cidade. Pássaros encantam com seus cantos; o sol, ao refletir, nas águas do Guaíba, ilumina-o; o cheiro das flores perfumam os caminhos do Parque da Redenção. Algodão doce, pipocas, doces e pessoas passando, de um lado para o outro, dão-me a sensação de que sou livre e feliz. Aqui, pouco vejo de encantador. Quero a minha terra voltar e o seu perfume respirar.

Nédia Sales de Jesus 526

OUTROS DIAS

Dos Dias, o mais luminoso,

A mártir foi escolhido

A saciar a invídia do mar.

Vigorosos, eternos e imortais, Novos Dias emergem A cada ressaca das águas.

Eis que sobrevive a poesia E, sobre as palmeiras, Ainda gorjeiam os sabiás.

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525Nathália Rodrigues Barbosa - Porto Alegre/RS – Brasil - 20 de janeiro de 1998. Estudante do Ensino Funda- mental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto Literário “Banners Poéticos”, 2012. Inte- grante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte música

e dança. E-mail: nathi_rodrigues98@live.com

526Nédia Sales de Jesus - Santo Antonio de Jesus, BA, Brasil - 25/06/1971. O gosto pela escrita nasceu ainda na adolescência, quando passou a expressar a sua visão particular do mundo através de suas primeiras poesias,

o que lhe rendeu, posteriormente, alguns prêmios e publicações no Brasil e, recentemente, em Portugal.

Nelmara Silva 527

AH COMO AMEI ! Clareza, claridade, contaminação de verdades Poesia, misturada de brasilidade Mocidade, amores e tantos amores. Amores do mar, natureza Nossa tão amada cidade. Amor Amélia, amor-maior. Enriquecida palavra. Horizontes desbravados. Em tantos mares navegados. POETA - espelho de rimas, quartetos guardados. Trovas, do cantante trovador.

Pássaros , gorjeios, emoldurados. Perfeito trinado. Triunfa tua saga, tua alma. Amigo, irmão Gonçalves. Penhor de nossa História Brasil.

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obras imortais, talento tecido passo a passo tons, semitons, belezas naturais.

A palavra é a força da vitória.

527Nelmara Silva – Rio de Janeiro – Brasil - 17/09/1950. Cultuadora das letras desde a infância, onde as palavras sempre preencheram meu espaço, ávida de livros, aprimorando sempre o bom gosto pela leitura. Desenhava na imaginação lugares, personagens e o fascinante mundo da poesia.Aprendi com cada um deles a magia da arte de escrever poemas.Debrucei-me sobre Castro Alves e lutei com os escravos, a brasilidades vi claramente

em Gonçalves Dias;o negro através de lima Barreto

Assim

naveguei pelos mares das palavras

BRASILIDADE, BRIO, BRASIL. Berço, abraçado, irmão gentil. Arrojado, amado amante. Amélia, amada escalonado amor. Trovador, testemunha da palavra. Palavra viva, trabalhada, rimada em trovas,em traços Especial, épico, eficaz elegante,eterno Gonçalves Criador, criatura, cancioneiro. Canto, cordial, cordel, louvar tuas palavras tuas rimas, teus mares navegados. Navegantes em metáforas. Nuances, cores ,iluminado poeta. poetando nossas terras, nossas matas doravante cantarás, cantaremos eternamente tua Criação.

Nereu Bittencourt 528

A GONÇALVES DIAS Poeta, na palmeira viridente, ao cicio da brisa langorosa, Entôa o sabiá terno e dolente uma trova de amor linda e saudosa

E, pela selva, ao claro sol ardente, ou mesmo em noite de luar, formosa, vibra o canto guerreiro da potente tribo audaz de tupís, vitoriosa.

É sempre azul o céu de nossa terra. É sempre verde o mar. O sol explende. Nada mudou do que teu canto encerra.

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528Nereu Bittencourt - Caxias – MA - Brasil - 08 de março de 1880; faleceu na mesma cidade em 11 de setembro de 1963. Iniciou sua jornada de mestre aos 23 anos, e cumpriu por 60 anos a árdua tarefa de ensinar. Homem de profundo conhecimento de Português e Francês, de estilo límpido e preciso, assimilando, à farta, as três dialéticas: a Expositiva, a Explicativa e a Dialética, a ponto de desvendar os mistérios lingüísticos, os meandros de cada tópico frasal, as isotópicas, mórficas e sêmicas, os penetrais da perspicácia, além de dominar muito bem, o latim, o inglês e o espanhol. Logrou aprovação em todos os concursos a que se submeteu no Departa- mento Administrativo Do Serviço Público – DASP. Um idealista da Educação em Caxias foi um dos fundadores e autor da letra do Hino do antigo Ginásio, atual Colégio Caxiense. Patrono da cadeira de nº16 da Academia Caxiense de Letras - ACL. Por ocasião da proibição de mais uma cidade com o mesmo topônimo, no Estado Novo, com a vigência do decreto-lei nº 311, de 2-3-1938, em que foi tentada a mudança do nome da cidade:

Caxias- ficaria nomeada a cidade gaúcha de grande importância comercial e Caxias - com as sugestões para:

Caxias das Aldeias Altas - Marechal Caxias ou Caxias Norte. Sobre a matéria e tecendo considerações históri- cas, de cunho patriótico, Nereu foi um dos cidadãos interventores em prol da permanência do nome da cidade de Caxias-Maranhão.

E o coração da terra das palmeiras

vibra, feliz, no culto que te rende, maior glória das glórias brasileiras! Caxias, julho de 1923.

A GONÇALVES DIAS Alarma! Alarma! E o válido selvagem, Quebrando a ivirapema, na voragem, Na sede da vingança, Mostra que o braço do tupi valente, Se, impetrando o perdão, dobra tremente, Na luta não se cansa.

Se covarde o pensaram, quando a vida, Sòmente, por seu pai, lhe era querida, E, por ele, a implorou, Erguendo-se feroz e sobranceiro, Numa luta de mil contra um guerreiro, A coragem provou.

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A terra brasileira tem mais vida,

Mais estrelas a abobada incendida, Mais luz e mais fulgor.

O meigo sabiá tem mais gorgeios,

São mais quentes da brasileira os seios,

E é mais puro o amor

O céu é mais azul, o sol mais quente,

E roçagando as águas da corrente,

A brisa fala amor. Há sussurros de carne e de desejos, Há suspiros de preces e beijos, Na selva, no rumor.

Tudo isto cantaste, grande vate. Dos mares de tua terra o doce embate Pintaste, em mago encanto. E o meigo sabiá, lá nos palmares, Em teus versos, entoa, pelos ares, O sonoroso canto.

Hoje, dormes, no seio do oceano. O destino cruel, atroz, insano, À vista de teus lares, Quando voltavas às brasílicas plagas, Fez entreabrir-se a túnica das vagas, E te sepultou nos mares.

Mas um dia virá (isso conforta), Em que entrando a ciência pela porta Do válido tupã, Ele busque, no túmulo dos mares, O sublime poeta dos palmares,

Niedja Soares Pereira

LEMBRANÇA DE GONÇALVES DIAS Brilham no céu as estrelas que iluminam na Terra as palmeiras um eterno cantar

Enche o ar desse canto que o vento leva em prantos aonde quer que vá

Gonçalves nunca se esqueceu da terra onde nasceu do canto do sabiá

Nieves Merino Guerra 529 .

DOM ANTONIO GONÇALVES DIAS Los ojos negros de su amor primero ciñeron los pasos de su desventura. Mixtura en linaje de razas arcanas, Blancos y esclavos e indígena raza orgullo que lleva la cruz de su alma.

Su fuerza flaquea. El corazón quebrado en adioses tristes que sangran heridas. Y en tierras lejanas despidió a su amada siendo desgraciados los dos en sus vidas.

“Sim se morre do amor”, e de amor enferma

529Nieves Merino Guerra - Las Palmas de Gran Canaria - España - 03 De Julio De 1959; Profesora pre-jubilada

Participo desde hace años en

blogs y redes literarias, varias antologías, revistas literarias virtuales y no virtuales. Algunos premios y recono-

en diversas especialidades(Ciencias letras, Sociales, Humanidades. logopeda

).

cimientos desde que era niña. Experta en nada, alumna siempre.

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recorriendo enjuto y digno caballero casi media Europa, lejos de su tierra la melancolía de su amor primero.

Esos ojos negros que brillaban solo para él con dulce y tierna melodía como noche oscura. Mortaja de cielo preñado de estrellas sin luna su velo.

Y muere de amor, de tristeza amarga en duelo arrepentido por errar honor. Lo envolvió en su manto fúnebre la ola y en inmenso océano naufragó el dolor.

Grandeza y orgullo. Valor sin valor. Don Antonio y Ana, dos enamorados con amor truncado por la sociedad. Lisboa fue testigo de su duelo “Adiós”

De timbiras poeta, cantos y dulzura su premura muerte ahogó sus anhelos en esos “Suos olhos”, “O canto gerreiro”, “O canto do indio”… O canto seus versos.

TALENTO DE GONÇALVES DIAS-I

Vida

para

vivir. Vivirla y dar vida.

La oscuridad es la ausencia de luz El egoísmo es la ausencia de amor.

La violencia es la ausencia de paz La enfermedad, ausencia de salud. La soledad, ausencia de humanidad

Antonio Gonçalves donó su talento.

Su eco se oye desde el fondo del mar.

GRANDE E XOVEN DOM ANTÒNIO Poeta brasileiro que al indio, en tupí cantaba y alzaba en versos y lengua de su amada tierra al norte de Brasil que recorre y ama con sutil carencia.

Lleno de presencia y de orgullo cierto descubrir lo bello , pleno de riqueza paraíso y templo. Con su alma inmensa deshoja el misterio y vuelve a su cuna.

Hombre culto y joven, vive desdichado con el gesto adusto, cabizbajo y triste. En tierra europea se siente aplastado è un emigrante “com saudade em lúa”.

Sua bela poesía, suos “Primeiros cantos” ao Brasil emgrandeçe em a literatura como “O trovador”, dom Gonçalves Dias

e o Romanticismo que emsalçò em sua vida

¿HACEMOS UN PACTO? ( De Ana a Antonio ) Todos os momentos seraõ apropriados para lhe demostrar o meu puro amor:

Eu quiero facer com vocè um douze pacto

No, poeta. No soy real, amor, amigo:

Soy un hada extraviada en tus versos que baila con las musas tus olvidos.

No soy real, amor, porque imaginas

a la mujer perfecta de tus sueños.

Y no soy de nadie. No tengo dueño:

soy la hija de la luna que ilumina tus alas para volar por horizontes sin final ni principio con la ternura que alegra corazones en el viento y acaricia tu rostro en los caminos.

Hagamos un pacto, una tierna alianza de eterna amistad y de ensoñaciones.

Que sea un secreto en los corazones donde habita el amor. Solo si alcanzas a ser ése hombre que es también poeta.

No. yo no soy real, mi querido amigo:

Soy la magia encinta de ideal persona que todos pretenden en su loca meta sin amar defectos ni aceptar apuestas arriesgando todo por mujeres ciertas.

Tu pasión desborda los mayores retos, pues soñar despiertos tiene un gran valor.

Pero no es perfecto quien es hombre honesto

y ofrece un “te quiero” de amor permanente con cielos de estrellas y lunas perennes, una flor y mil “te amo” del alba al ocaso

y

luego

indiferente,

por “honor” nublado.

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E isso fará, minho amado poeta namorado

a sua linda “mulher” lúa saindo do anonimato dicendo-le mils vezes: te amo, te amo, te amo

Cheia do alegría olhando en seus olhos com muita doçura, amor, sem sentir fadiga!.

Hagamos un pacto: seré real si no me idealizas y aceptas que soy como tú mirándome a los ojos sin huir ni renunciar a mi por burdos criterios.

DESPEDIDA DE SU AMADA ANA Noches de olvidos Recuerdos que lacerando dejan al sueño cautivo en rejas de soledades de ése amor que ha perdido.

Noches que sangran estrellas en la esencia de la vida.

Oscuridad que es mortaja cuando se aloja en el alma ésa cruel melancolía

Nijair Araújo Pinto 530

CANTIGA DE GALO É noite. Rompendo o silêncio reinante, ouve-se o galo a cantar. Bate as asas e canta sem o encanto do Sabiá.

Meu quintal sem palmeiras não sente a brisa que sopra, movendo as folhas do outono que caem sempre a bailar. E as aves que não gorjeiam deixam-me sozinho, – a cismar.

530Nijair Araújo Pinto - Fortaleza – Ce – Brasil. Diplomado pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG, Bacharel em Direito – URCA e Especialista em Políticas Públicas – UECE. Está no posto de major do Corpo de Bombeiros e é doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad do Museo Social da Argentina, Buenos Aires. Especialista em Matemática Tem quatro livros publicados Estudante de Engenharia Civil – UFC.

E o céu, agora sem estrelas, despoja a flor não refletida. E a coitada exaurida implora ao astro celeste:

não permita Deus que eu morra sem novamente brilhar.

Meu quintal sem palmeiras só tem um galo a cantar. E as aves que não gorjeiam não fazem as folhas “voar”; e as nuvens, cobrindo as estrelas, não deixam as flores “brilhar”.

Nilza Caum 531

SANGROU E CHOROU Gonçalves Dias Homem letrado, homem estudado Procurava mais que o saber Buscava em sua jornada A alma do homem conhecer

Coração misto de raças Alma unificada pelo amor Naquilo que se orgulhava Foi motivo de sua grande dor

Um grande coração, não passaria sem um grande amor Àquela que veio a ser sua musa inspiradora Foi cortada de sua vida Por causa de sua raça e cor

Lança do inferno esse tal racismo Que corta e separa coração e pele Não valoriza à virtude da alma Porque estão mergulhados em profundo cinismo

Coração sangrou, chorou, debateu Mas não se amuou, nem se escondeu De sua dor fez poesia De seu amor, alegria Defendeu o que acreditou E a voz do oprimido se tornou

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531Nilza Caum - Picos – PI – Brasil - 40 anos. Brasileira, Residente em Jundiaí/SP. Trabalho - Instrutora de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais)

Nivânia Carvalho 532

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ODE A GONÇALVES DIAS quem sabe chegue o dia que lá no céu encontraria

o poeta gonçalves dias

a sua poesia declamar há! lá não está mais exilado esta sempre rodiado de querubins a se encantar quisá eu poderia juntar-se a ele que alegria! aprender de perto a escrever meus versos e para todos anunciar que ele foi um poeta de vida curta mas vida certa que amou a natureza e tudo que nela há

Norma Rincón Mendoza 533

ANTONIO GONCÁLVES, POETA DEL AMOR Romántico por naturaleza quien convirtió sus tristezas en bellas melodías:

Un río de nostalgias en un mar de letras que al mirarlas nos llevan en una danza interminable, un ir y venir hacia la naturaleza.

Habló al hombre del hombre, del ser que se lleva dentro, el que en todos existe.

532Nivânia Carvalho – Campina Grande – PB – Brasil. Aos seis anos minha mãe vendeu tudo o que tinha para vivermos uma grande aventura na Cidade Maravihosa! Sou professora da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro, formada em pedagogia com especialização em psicopedagogia, casada e mãe de seis filhos. Tenho dois livros publicados: Você quer uma mãozinha (ed. Litteris), Cicatrizes (ed. Above) e participação em antologias. 533Norma Rincón Mendoza - Mexico. Licenciada en Psicología. Estudio pintura en el estado Tabasco desde 1992, en la ciudad de Villahermosa, actualmente se dedica a la pintura como oficio en un bello lugar llamado “El Barrio Del Artista” en el Estado de Puebla, perteneciendo a esta asociación de artistas pintores desde hace 8 años. Ha incursionado en la enseñanza a nivel secundaria y enseñanza libre de pintura. La UNESCO le edito un cuento “Tito” hace ya 10 años en una colección de 5 cuentos infantiles a nivel primaria Tiene el gusto de haber sido escogida para la pasta de la revista “Minutos Artísticos” revista virtual Argentina y ahora está incursio- nando con prosa en las antologías de Oscar Alfaro y de José Martí Correo electrónico: nonorinconm@hotmail. com.mx

Que no tiene color ni dueño, osado como el viento, navegando por el mundo, de costumbres, de prejuicios tan estériles, tan vanos.

Entendió que somos hermanos, que todos tenemos necesidad de amar, de ser amados.

Con afán, anhelo de libertad, con toda su tristeza y su nostalgia en vez de llenarnos de pesar.

Nos remonta al deleite, la gracia, el despertar al mundo, a la vida, envueltos en una melodía de palabras mezcladas ¡con sueños!

Núbia Cavalcanti dos Santos 534

O POETA E SEU DESAMOR Nasceu no Maranhão Em pleno mês de agosto Antonio Gonçalves Dias Grande poeta brasileiro Que transformava em poesias As dores de sua eterna paixão Daquela que foi seu amor primeiro A causa de tanto desgosto.

Um amor proibido viveu Pela jovem Ana Amélia Tão singela e pura Quanto a flor da camélia E somente ela teria a cura Para sanar a dor incessante Que no coração do plebeu Arraigou-se dolorosamente.

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534Núbia Cavalcanti dos Santos - Sanharó-PE - Brasil. - 17 de junho de 1962. Antologias: “Noturno”, “Amanhã, outro dia” e “Liberdade”; Poesia e Prosa no RJ - 2011 e 2012; Quem Sabe Faz Agora; À Flor da Pele; Crônica e Literatura F. Gullar; BPA - Afogados - Recife – PE; Grandes Poetas da Nova Poesia Brasileira - Vozes de Aço – Sé- culos XI - XII e XIII; Poesias Encantadas – IV e V; Poesia, Lâmpada para o Coração; Antologia “Os Anjos Negros da Poesia” e várias poesias publicadas nas Antologias da CBJE (Vol. 78 a 100, entre outras). ncrystynna@msn.com

Por encontros e desencontros Suas vidas foram marcadas E cada um seguiu seu caminho Deixando para trás o passado E as tentativas fracassadas De reconquistar o ser amado E sem amor e sem carinho Ambos partiram desenganados.

Odone Antônio Silveira Neves 535

GONÇALVES DIAS Pai português Mãe mestiça Poeta do Romantismo Indianista Brasileiro Professor de Latim no Colégio Pedro II Fundador da Revista Guanabara Com Joaquim Manuel de Macedo

Araújo Porto Alegre e Joaquim Antônio Desenvolveu o indianismo brasileiro ao lado De Joaquim Antônio de Almeida A saudade da Pátria forjou A esplendorosa Canção do Exílio iniciando Com Minha terra tem palmeiras

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Onde canta o sabiá

rimando com lá

Poema de tão célebre seus Versos foram parar no Hino Nacional Brasileiro Dedicando a sua musa amada Escreveu Ainda uma vez Adeus Viajou para a Alemanha Onde editou Os Timbiras em homenagem ao Brasil Cujo destino seria nossa primeira Epopeia Atestando o nascimento do Brasil Todavia quis o Destino Que morresse antes no naufrágio Do Ville do Boulonge Único cujas forças combalidas Não deixaram sair do navio.

535Odone Antônio Silveira Neves - Porto Alegre/RS. – Brasil - 09 de fevereiro de 1945. Graduado em Letras: Por- tuguês-Francês e Literaturas; Pós-graduado em Língua Portuguesa, UFRGS; Mestre em Teoria da Literatura, PUC-RS. Estagiou Francês na Université Stendhal de Grenoble e no Centre Auditive Visuel de Langues Moder- nes/França; Professor de Francês e Literatura Brasileira nas Escolas Municipais Emílio Meyer, Nossa Senhora de Fátima e Marcírio Goulart Loureiro. Membro Efetivo da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS; Sociedade Partenon Literário, Porto Alegre/RS; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; e, Associação Internacional dos Poetas del Mundo. E-mail: odonen@gmail.com

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac - Olavo Bilac 536

A GONÇALVES DIAS 537 Celebraste o domínio soberano das grandes tribos, o tropel fremente da guerra bruta, o entrechocar insano dos tacapes vibrados rijamente

O maracá e as flechas o estridente troar da inúbia, e o canitar indiano e, eternizando o povo americano, vives eterno em teu poema ingente.

Estes revoltos, largos rios, estas zonas fecundas, estas seculares verdejantes e amplíssimas florestas

Guardam teu nome: e a lira que pulsaste inda se escuta, a derramar nos ares o estridor das batalhas que contaste!

Olimpio Coelho de Araujo 538

“POEMA DOS POEMAS” (1) “Se te amo”, é claro, “não sei” Então, entôo “O canto do guerreiro, Ou tento “O canto do índio”, Para conquistar seus “Olhos verdes”.

“Ainda uma vez” me encanta “Seus olhos”, Não quero um “Canto de morte”, “Meu Anjo, escuta”, sigo o “ leito de folhas verdes”, E “Se eu morrer de amor”?!

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536 Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac – Olavo Bilac - Rio de Janeiro – Brasil - 16 de dezembro de 1865 – FA- LECIMENTO: Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1918. Foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Conhecido por sua aten- ção a literatura infantil e, principalmente, pela participação cívica, era republicano e nacionalista; também era defensor do serviço militar obrigatório[1]. Bilac escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Em 1907, foi eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas bra- sileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. No entanto, para o crítico João Adolfo Hansen, “o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos cotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros” http://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_Bilac 537MORAIS, Clóvis. TERRA TIMBIRA. Brasília: Senado Federal, 1980, p. 67, Poesia compilada por Leopoldo Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão 538Olimpio Coelho de Araujo - Santo Antônio da Glória, BA – Brasil - 1949. Hoje resido em São Vicente, no litoral paulista. Sou poeta, com publicação em algumas antologias e vencedor de vários concursos como o da “Aca- demia Santista de Letras em 2010. Também sou escritor, aguardo uma chance para publicar o meu primeiro romance e escrevo contos e fábulas.

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Vou cantar a “Canção do tamoio”, Levar os “Últimos cantos à “Marabá”, Juntos com as “Sextilhas de santo Antão”.

Apresentar “Cantos” a “Juca Pirama” “Leonor de Mendonça” os “Primeiros cantos” Ou preferes ouvir o “Canto do Piaga”?

“POEMA DOS POEMAS” (2) Cantarei a “canção do exílio” Para “O gigante de pedra” Feito “O soldado espanhol” Guarda a “Recordação” dos “Seus olhos”.

Jogarei uma “Rosa no mar” “O mar” fará a devolução Exclamará “Oh! Que acordar!”, Então, farei uma “Retratação”.

Não farei uma “Palinódia” Mas dedicarei uma “Canção” E saberá”Como eu te amo”.

“A noite” terei “O amor”? “Espera!”, por favor, “Não me deixes” Dedico”Zulmira” este “Soneto”.

“POEMA DOS POEMAS” (3) “No jardim”, vi, “A minha rosa” “Meu anjo, escuta” a pomba “Rola”, Pois, ela te norteará o “Amanhã” Ou chorarás “Sobre o túmulo de um menino”

Sei que provarás “A baunilha”, Então, descobrirei, “Como! És tu?, Levarei “A minha rosa” à “Minha terra!” E provarás “O que mais dói na vida”

“Se muito sofri já, não me perguntes”, “Por “Amor! Delírio-engano” Mesmo assim não será mais “A escrava”.

Honrarei “Minha vida meus amores” O meu projeto de vida é “Sempre ela” Na “Deprecação” “Se se morre de amor!”

POEMA DOS POEMAS (4) Guarda, Gonçalves, a tua “Canção do exílio” E verás que as palmeiras murcharam, E os sabiás, suas vozes, silenciaram E, de tristeza, nunca mais nidificaram.

Em nosso céu não vemos mais estrelas, Em nossas várzeas não há quase flores, Os nossos bosques ficaram sem vida, Pois nada resiste a poluição desmedida.

Dos antigos primores desta terra Nada é possível encontrar, apenas Sacolas plásticas boiando sobre o mar.

Até mesmo as feias cobras Estão beirando a extinção, As palmeiras secaram, e os sabiás estão na prisão.

RELEITURA DO “CANTO DO PIAGA”. Já não existem mais guerreiros nem taba sagrada, A brava nação tupi também foi dizimada, Os Deuses dormem, pois, calaram a voz do Piaga. Os guerreiros, adormecidos, não ouvem mais nada.

Oh! Ilustre poeta “Antônio Gonçalves” Derrotaram os guerreiros e queimaram a aldeia, Nada mais resta, apenas os “Dias” de apreensão. Lamento dizer-lhe, que a coisa virou um entrave.

Fantasmas vivos esmagam ou ferem de morte, Os verdadeiros e legítimos donos destas terras, E o canto do Piaga, agora, depende de sorte.

Eles viram, sim, o negrume no céu, o brilho do sol ofuscar, Pelas queimadas das florestas que fizeram o Piaga se calar. É impossível ouvir as corujas, pois, calaram o seu cantar.

Onã Silva 539

DIAS DE OUTRORA

DIAS DE HOjE

Pergunto-lhe nobre Gonçalves Que viveu noutro Século e DIAS Será que hoje pensaria nas aves E para esta terra inda cantarias?

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539Onã Silva Posse – GO – Brasil - 9 de outubro. É escritora brasileira, agente cultural de literatura e artes cênicas. Filiada à Rede de Escritoras Brasileiras e Academias Literárias. Graduada em Enfermagem e Artes Cênicas,Especialista em Saúde Pública,Mestre em Educação e cursa Doutorado.Escreve poesias,romances e outros gêneros.Tem diversas obras individuais e coletivas publicadas, a saber:A Quadradinha de Gude;Miriã, uma Enfermeira Bambambã;A Derrota de Penina,Histórias da enfermagem no universo de Cordel e outras.

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Poeta, todo aquele saudosismo, Que expressava à terra amada Sonhos poéticos e o patriotismo Nestes DIAS, a pena está calada.

Toda a bela e esplêndida natureza Que lhe inspirava às belas poesias Muitas matas são carvão-tristeza E a devastação cruel, poeta DIAS.

Também sobre as suas palmeiras Nestes DIAS é tudo arranha-céu Cortaram-se as árvores altaneiras Sepultaram-nas no asfalto e ao léu.

Quanto às aves que gorjeavam Naqueles seus DIAS, caro poeta, Muitas que tantos admiravam São mui raras, só em biblioteca. Não são DIAS de romantismo Que outrora tanto lhe inspirava Neste hoje de tão pouco lirismo Mudou o País que lhe encantava.

Os DIAS poeta se transformaram As pessoas correm e só desvivem Raros são os DIAS que poetaram Canções àqueles que sobrevivem.

Muitos estão em reais DIAS de exílio Sofregando de tantos males e dores Muitos irmãos têm olhos sem brilho E outros, poeta, sequer tem amores.

Seus irmãos vivem noutro exílio Presos pelos diversos problemas Uns pela fome ou sorte ou asilo São DIAS sem canção e poemas.

Poeta da saudade e belos DIAS De terra de céu, palmeira e sabiá O nosso Brasil precisa de poesias Vamos Gonçalves DIAS admirar.

DIAS DE AMORES Todo poeta verseja o amor Para a terra, céu ou amada Muitos rimam usando a dor Quando não tem musa-fada.

Dias versejou sobre amores Para as mulheres da sua vida Seus sentimentos e suas dores, Encontro, beijo e despedida.

No coração do poeta, a musa, Ana Amélia sua rima e poesia Levou-a na pena, à terra Lusa, Quanta saudade dela, oh! agonia.

Ana, a eterna musa do escritor História de amor e de tristeza Longe dela, a vida, era incolor Proibido de ver a sua princesa.

Distante da amada, era o exílio, Chorou o poeta e fez canções Sem melodias sem estribilhos Dilacerados eram seus corações.

Roubaram-lhe o carinho de Ana Por causa do preconceito cruel Só não tiraram-lhe aquela chama Oriunda da poesia do menestrel.

Dias, expressão do romantismo, Cantava o amor e os seus amores Em poesia cheia de saudosismo Para Anas, Olímpias e Leonores.

WWW.GONÇALVES ponto DIAS Na era www e de buscador, Em tempos desta era virtual Tenho um favorito escritor Gonçalves Dias é especial.

No buscador é Dias e ponto Ou é Gonçalves ponto com? O que mais vale é o encontro Entre eu, o poeta e o seu dom.

Quando procuro este poeta Para pesquisar sobre o Dias Aparece uma lista completa De obras, histórias e poesias.

Gonçalves Dias é aparecido Nome grandioso na internet Pois jamais será esquecido Será eterno, este é o lembrete.

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Vou resumir nestes versos Que Dias é grande, eu conto, É consagrado nos universos:

Terreno, poético e PRONTO!

GONÇALVES DIAS, O POETA-PÁSSARO Poeta-pássaro, homem-alado, Tem penas cheias de liricidade Como romântico foi declarado E inspirou-se na musicalidade.

Poeta-pássaro, homem-alado, Voava sempre na imaginação O cenário-som era um aliado Vivia entre as aves, em rimação.

Poeta-pássaro, homem-alado, Escrevia com palavra e som Ele sabia de cor e salteado Como versejar dentro do tom. Poeta-pássaro, homem-alado, A sua biografia é tão musical Criou poemas, um privilegiado, Cantos e Canções: o seu coral.

Poeta-pássaro, homem-alado, Cantou versos de pura saudade Lembrou do céu do Brasil amado E do sabiá, a ave da sua cidade.

Poeta-pássaro, homem-alado Criador de originais poesias Lembrou dos sabiás, admirado, Este poeta foi Gonçalves Dias.

POETA NOTA MIL Salve, Gonçalves!

1000

Poesias.

Mil

Canções.

Salve,

Gonçalves!

Milhares

DIAS(versos).

Ilu(MIL)nares

Uni(versos).

Salve,

Gonçalves!

Milhões

Fantasias.

Múltiplas

Cantorias.

Salve,

Gonçalves!

Salvas

Brasil!

Eternamente:

POETA NOTA MIL!

Orlinda Ferreira de Souza 540

A GONÇALVES DIAS

Minha terra tem palmeiras E também tem Sabiá Essa palmeira dá um fruto Chamado de Coco-butiá

Que

alimenta muitos pássaros

E também, o cantor Sabiá .

Quando olho essas palmeiras Então começo a pensar

E

me lembro de Gonçalves

E

dá vontade de Cantar :

O

fruto dessa palmeira

Que se chama Coco-butiá

Alimenta muitos pássaros

E também muito

Piá

Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá !

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540Orlinda Ferreira de Souza - Porto Alegre – RS – Brasil. Professora graduada em Letras com Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil, pela Faculdade Porto-Alegrense. Desde a infância é apaixonada por po- esia . Participa anualmente de diversas Coletâneas de Prosa e Verso. Muitos de seus Poemas viajam, em diversos Sites, pela Internet. Trabalha e reside em Porto Alegre, RS-Brasil.

Orpheu Luz Leal 541

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ANTONIO GONÇALVES DIAS Poeta Gonçalves Dias, Tu estudaste em Portugal, Quanta amargura sofrias Longe da Terra Natal.

Olhavas as oliveiras E outra ave lá estava, Querias as nossas palmeiras E o Sabiá que cantava.

Sentias muita saudade Da tua Pátria querida; Com alguma dificuldade Voltaste cheio de vida.

Teu berço é o Maranhão, A cidade de Caxias; Ficaste célebre, então, Escrevendo poesias.

Com teu talento cresceste, Cresceu também tua fama, Quanta beleza escreveste Tal como “I-Juca Pirama”!

Na lírica “Canção do Exílio” Exaltavas tua terra; Como num eterno idílio, Só há amor, não há guerra.

Oswaldo Névola Filho 542

MARANHãO, UM SONHO 543 És para mim um sonho, Maranhão! Bela terra marcada pela história, num passado eternal desta nação, tens registros gravados na memória!

541Orpheu Luz Leal - Pirapetinga - MG – Brasil - 24 de janeiro de 1936. É Advogado, Funcionário Público e Profes-

sor de Yoga. Possui quatro livros de poesias publicados: “Poesias para o Terceiro Milênio”, “Cenário Poético”, “A Vida em Poesia” e “Poesias Vivenciais”. Participou da I, da II, da III e da IV Antologias de Poetas Lusófonos, lançadas em Leiria, Portugal. É autor do Centro de Literatura do Forte de Copacabana. Recebeu o Título Hono- rífico de “Artilheiro da Cultura”. E-mail: orpheulucia@hotmail.com 542Oswaldo Névola Filho. Natural de São Paulo. Reside em São Vicente. Poeta, escritor. Presidente da Casa do Poeta Brasileiro. Muitas premiações a nível Nacional e internacional. 543In: LATINIDADE –III Coletânea Poética da Sociedade de Cultura latina do Estado do Maranhão, pp.73 e76,

2002.

Sinto fluir no espaço tuas artes, nos trajes espelhados de mil cores, arco-íris das fitas tu repartes, vibra em nós o rufar dos teus tambores!

Teu correto falar que contagia, rica história do boi vem colorida, envolvendo teu povo na folia, enfeitando e alegrando nossa vida!

És orgulho da gente brasileira, és cultura, folclore e tradição, qual fulgurante estrela da bandeira, reina em nosso céu oh, Maranhão!

LENÇÓIS MARANHENSES Ares, mares, ventos, nordeste paradisíaco! São montanhas de areia: bailam lá e cá; dunas maranhenses regem seu império, adornam o Maranhão, encantam as visitas! Sob o domínio do sol resplendem luz!

Recanto Brasil, agreste paisagem, no emaranhado das matas, florestas tropicais, cerrados, perto se espraia a mata dos cocais! À costa vêm os abraços, beijos de sal marinho, que o Atlântico oferta em prazer generoso!

Alucinação! surge o deserto, imperam as areias, onde os ventos céleres esculpem, desenham Nos meandros das dunas, águas pluviais, ao fundo brotam os lagos, duas ilhas solitárias, vegetação viva, intacta que se impões sólida, numa inexplicável mágica que a torna permanente!

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Fantásticas maravilhas naturais, lençóis maranhenses, que o Criador planejou, para delírio nosso! Nesta terra insólita, belezas indescritíveis, onde se esquece a noção do tempo, que passa despercebido, esvaindo-se no espaço aberto ao céu e mar!

Ali, para não fugir à realidade brasileira, um povo luta, envolto em trapos, mísera pobreza, viventes das taperas, recompensados, porém, pela riqueza que emana da natureza pródiga, fonte de energia, força e vitória, agruras dos fortes!

Redes de dormir e de pescar, sonhos a caminho do mar Cessam as chuvas, ventos que acalmam; o sal sob o sol, guerra silenciosa, povo natureza, coabitam, lutam, num mesmo espaço coberto de areias finas, macias, como lençóis distendidos, leves, soltos, jogados ao acaso

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Pablo Rios 544

O ADEUS Ó menino mestiço! Que longe choras pela pátria, Sentes saudade de casa e da musa Cálida rosa a quem nunca quiseste dizer:

“Ainda uma vez – Adeus”.

Perfume de Ana, Olhar de Amélia te cravam Doce adaga de lembrança, Lembrança de tua terra, Do teu amor passado, Do compromisso a ti negado.

Levianos eram os olhos, Majestoso o sorriso desse Vale. Mas te negaram.

Ó menino triste! Que para longes foste da pátria, Fugir da decisão que tua Ana tomara, Por honradez ou por orgulho? Mas a deram a um igual, E no teu reencontro Com o perfume de Ana E com o olhar de Amélia, Tiveste então que dizer:

“Ainda uma vez – Adeus”.

SOBRE AS VAGAS Eram ali, naquelas terras Onde eu queria estar. Sob a sombra das palmeiras Ouvindo o canto do sabiá.

544Pablo Rios - Jacobina – BA – Brasil - 30 de maio de 1983. Reside em São José do Jacuípe, também na Bahia. Possui um livro publicado – O Publicano e o Sepulcro Vazio – uma vasta gama de contos, poemas e crônicas sem publicação. Está concluindo o curso de Letras e pretende atuar na área de literatura. Sua ligação com Gon- çalves Dias vem da infância, pois em sua primeira apresentação literária aos 11 anos, ele declamou a “Canção do Exílio” para um auditório de mais de 300 pessoas.

Porém encontro-me em ondas Bravias e altas a flutuar, Tão perto de minha chegada Em um barco a soçobrar.

Flores, campos e amores, Nunca mais vou contemplar, Em busca da saúde parti, Para na volta o fim encontrar.

Não achei o que buscava No velho mundo a vasculhar, Tento então a toda sorte Minha casa avistar.

Mas as vagas me devoram, Ao largo das praias do meu lar. Ao mar ofereço o corpo, Sob as lágrimas do luar.

Ardia-me o peito e a alma Ao dos amores recordar, Minha pátria não verei, Antes de os olhos fechar.

Mas avistam firme As quais desejo avistar, E amparo ao tombadilho, Água dos olhos deixo rolar.

Inda mesmo que eu pudesse Esse chão voltar a pisar, Nunca mais sob as palmeiras. Ouviria o sabiá.

PEDIDO Pedi, pedi e pedi. Queria ver minha casa, minha terra querida Antes que o véu negro da morte Embotasse-me as vistas.

Atendeu-me o céus, Mesmo em agonia e dor, Meus olhos miraram o esplendor de meu lar, Mas ali que queria pisar, Ali calar a voz, Sentindo o chão e a terra De minha amada terra.

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Mas isto não me deste, Pedido perdido nos ecos do fim. Comovido deixei a vida, E insepulto em chão parti, Nas bravias profundeza azuladas Da costa de minha amada casa, Achei descanso, sepultura.

Pedi, pedi, pedi.

NOVO EXÍLIO Sei que a esta terra muito amaste Nobre mestiço das letras. Porém se vivo ainda fosses, Cismarias sozinho a noite? Pois veja como vossa terra está:

Vossa terra tem Cachoeira Mensalão e marajá Os políticos que ninguém merece, Abundam bastante por cá.

Nosso senado tem mais ratos Nossas leis menos rigores Nossas novelas mais luxúrias Nossas músicas menos pudores.

E cismado na eleição Já não sei em quem votar, Nos ladrões que já estão Ou se novos ponho lá.

Mas ainda existem sabores Que em nenhum outro lugar Podem ser encontrados Como encontramos por cá. Ainda existem as palmeiras Que te faziam suspirar.

E mesmo com tanto mal Que está espalhado por cá Esta terra ainda é tua E de ti sempre vai lembrar Cada vez que alguém ouvir O canto sabiá.

Patrícia Carlos de Sousa 545

À GONÇALVES DIAS Mestiçamente brasileiro Nem o exílio o desabrasileirou Escreveu a sua terra, Encantado - encantou

Das maranhas do Maranhão Para o mundo a poetizar Berço de heróis essa terra é Não dos que voam, dos que fazem voar

Visionário, talentoso, viajante Fostes isso e ainda mais Mas a vida é só instante Dizem que só Amélia era seu cais

Até mesmo sua morte foi feito poesia Já perto dum Lençol pra se embrulhar O Grande Mar fez maresia Morreu navegando e um sabiá pôs se cantar:

Maranhão, Maranhão Berço e túmulo de heróis

Paulo Acácio Ramos 546

ALGUNS CANTOS Encontro marcado de três raças marcas de mar cerrado e sertão amor que se engana amor que se deita no colo de Ana amor que emana o calor dos desejos.

Poeta que canta e cisma, sozinho, à noite

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545Patrícia Carlos de Sousa - Lago da Pedra – MA - Brasil. estudante de Serviço Social, ex-estudante de Letras, blogueira, Membro da Academia Lagopedrense de Letras. Nascida e criada em Lago da Pedra – MA, mora, atualmente, em Teresina – PI. Filha de Raimundo Claro de Sousa e Maria Nazaré Carlos de Sousa. 546Paulo Acácio Ramos - Trofa - Portugal – 18 de Julho de 1963. Trofa em Portugal e depois Criado e Educado em alternâncias temporais tanto em Portugal como no Brasil, desde que aprendeu a ler e escrever que nunca mais largou o papel e o lápis para compor seus poemas e prosas curtas. Sempre envolvido com o estudo e a execução de obras plásticas e literárias está sempre pesquisa, além de ser professor de História da Arte e Artes Plásticas!

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O canto de belas aves que já não gorjeiam como lá, um canto guerreiro de glória Tupi.

Se alguém duvidar do que cantaste eu digo prudente:

“meninos, eu li!”

OUTROS CANTOS Um canto negro de morte. Canto de índio sem sorte. Um canto branco aporte. A cada raça a sua sorte.

Cantos que cantam a arte de ser desta gente morena que habita uma terra gigante.

Poeta que canta sonante a voz livre da brisa serena levando sabiá a toda a parte.

Paulo Pereira Fontes Martins 547

TERRA NATAL Oh! Minha terra querida Por DEUS foste abençoada E aqui o poeta um dia nasceu Com seus poemas e rimas, Que são gritos de guerra Que teu povo jamais esqueceu Pois teus versos e cantos Em todos os cantos Há de sempre se cantar Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá Nas palmeiras viçosas Que tremulam palmas ao ar Há de sempre se ouvir As belas notas de teu gorjear

547Paulo Pereira Fontes Martins - São Luís – MA – Brasil - 04/11/1950, médico pediatra e neuropediatra, Mem- bro da SOBRAMES-MA, Participante de Coetâneas realizadas: Novos poetas brasileiros- 1988 (Shogun arte), Poetas brasileiros de hoje-1986 (Shogun arte), Novas poesias-1986(Cristalis Editora), Arte de ser-2003(SO- BRAMES-MA), Receita Poética-2008 (SOBRAMES-MA), Sobre o amor-2011(SOBRAMES-MA). (ppfmartins@ hotmail.com

Nesta terra querida De tal beleza outra não há Não permita meu bom DEUS Que em terras distante morra Pois quero morrer por cá Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá

03 DE NOVEMBRO DE 1864 Cantaste a nossa terra querida Exaltando-a em bela canção Em versos a tua dor sofrida A saudade pungente do Maranhão.

Quiseras avistar apenas a palmeira Onde triste gorjeia o sabiá Neste chão de terra brasileira Onde todos sempre hão de te amar

Em cismar sozinho à noite As lembranças chegavam a te açoitar Dizias: - Mais prazer encontro eu lá

Fadado destino, a triste sorte Que águas maranhenses fossem teu leito de morte Sem que na terra querida viesses a pisar

ÍNDIA POTY Minha terra tem uma bela índia Da grande tribo Tupy Não permita Deus que eu morra Sem que volte para ti. Sem que contigo faça amor Que não encontro aqui Minha terra tem uma bela índia Que se chama índia Poty Não permita Deus que eu morra Sem que volte para ti. Posso amar por toda uma noite Mais prazer encontro eu lá Minha terra uma bela índia Que não encontro por cá Na ilha de mil mistérios São Luís do Mara.

O GLADIADOR Sou bravo, Sou forte, Sou filho do norte,

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Trago comigo a faca de corte, Travo a luta de qualquer porte, Não temo do destino a sorte, Se tiver como premio a morte.

Paulo Reis 548

EXÍLIO Mesmo preso ao cordão umbilical da terra mãe, há um exílio em cada ser humano. Porque à medida que o tempo avança, o passado fica mais distante, e o presente segue, permeado de reminiscências, de lembranças e de saudades.

Paulo Roberto Walbach Prestes 549

GONÇALVES DIAS - Grito de um poeta (poesia livre)

que ninguém sabe, que ninguém viu

Parece

nossos jovens frente aos computadores deturpando o nosso idioma gentil

Já faz tempo, talvez nem tanto

As lembranças ainda vivem como de uma criançana saudade das bolinhas

de gude e dos carrinhos de lata correndo pelo chão

Das fileiras em alas

de alunos no pátio da escola cantando o Hino Maior da Nação

A batida cadenciada pelos pés de toda tribo no chão de terra, sempre

ecoou como saudade nas batidas do coração do imortal, quejamais se

encerra. Não ouvimos mais crianças declamando,nem lendo livros de poesia, nempercebendo o roçar das palmeiras ou o canto do sabiá - que ironia!

548Paulo Reis - São José do Ribeirão, Bom Jardim- RJ – Brasil - 06 de julho de 1964; reside em Nova Friburgo-RJ; é casado e tem um filho. Formou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. Em 2003, sua poesia Friburgo foi recitada na abertura do desfile cívico-militar em comemoração aos 185 anos dessa cidade; e em 2007, participou como poeta convidado da revista Academia, edição comemorativa dos 60 anos da Academia Friburguense de Letras. Seus poemas estão publicados em diversas coletâneas e websites. (wimapa@uol. com.br). 549Paulo Roberto Walbach Prestes - Curitiba/Pr – Brasil - 28 DE ABRIL DE 1945. Tem poemas classificados e premiados em concursos locais, nacionais e internacionais. Lançou sua primeira obra literária no dia 08 de março de 2012, Dia Internacional da Mulher, em Curitiba, biografia intitulada – “LIAMIR – Mulher Araucária”, com mais de 400 páginas e mais de 200 livros vendidos no dia do lançamento. Tem poemas em Antologias nacionais. Tem um livro elaborado de forma artesanal; ”França - um sonho de Luz”, que mereceu um cartão elogioso do Embaixador da França no Brasil. Já em prelo, seuprimeiro livro de poesias, todas com ilustrações inerentes ao tema. A inspiração vem de seu anjo da guarda, pela luz de Deus.

Nosso céu ainda tem estrelas, não as estrelas do brilho de outrora, onde o vate no seu exílio cantouos amores de sua terra,e das matas e dos índios, sonhando a cada diauma nova aurora No quadro negro quem cantava era o giz, sublinhando palavras de força e

emoção,que só ele poetizava

E hoje, estou fazendo o que sempre quis

Já faz tempo, talvez nem tanto

Ainda lembro quando o professor

mandava declamar Gonçalves Dias, e de emoção eu gaguejava, minhas

cordas vocais ficavam vazias

com receio de não lembrar nada,ou errar

os últimosversos,matando a cadência do batuque dos tambores da mais linda canção,que no meu coração ficou calada. E no pranto do forte e do bravonativo brasileiro, que sabia separar o bom do joio,no final exultante da velha Canção do Tamoio (que de velha não tem nada), quem chorava era eu Mas ainda vale a pena ouvir o canto do sabiá às cinco da manhã,prenunciando o amanhecer em real beleza,como se trouxesse de volta aquela flor de maçã,debruçada no regato e gritando a dor da morte na impiedosa correnteza Agora, acordo de um sonho distante e grito:

- Brasileiros, meus irmãos compatriotas, não deixem a nossa língua mãe, não, ser transformada da bela Flor do Lácioem idiota, nem ser levada pela leviana correnteza da omissão - Lingua Mãe, não morra, não!

Pedro Ely Oscar Noé 550

MINHA CANÇãO DO EXÍLIO Minha terra tem um lago que todos chamam de rio. Para mim, parece um mar, já que as ondas me fazem pensar.

Minha terra tem amigos que vão; amigos que vem. Quer ser meu amigo também?

Os pássaros voam assim como os meus pensamentos. O que antes era novidade; agora, é só mais um dia na cidade.

Aprendi a pensar; assim comecei a rimar.

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550PEDRO ELy OSCAR NOé. Artista plástico, desenhista, cartunista e ilustrador de capas de livros. A verdade é que a arte está na alma do Pedro, mesmo quando ele joga videogame ou navega na internet, dá umas pausas para extravasar a criatividade. Em 2008, conquistou o 1º lugar no Concurso “A Fantástica Fábrica de Celulose”, promovido pela ARACRUZ CELULOSE. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”:

“Camisetas Poéticas”, 2011; e, “Porta-Joias Poéticos”, 2012. E-mail: pepinho_ely@hotmail.com

Pedro Peruzzo Mibielli 551

CANÇãO DO EXÍLIO No Rio Grande do Sul, praias e campos verdes; gados e mais gados; campos e muitas árvores, que, no deslocar do vento, mostram sua beleza. Aqui, há muitos encantos que a saudade não deixa apreciar.

Um velho na mesa ao lado, olha-me fixamente; e, com um olhar de compaixão, dá-me um longo sorriso. Levanta-se e, de mim se aproxima, dizendo: “- Também estou longe de meu rincão”.

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Pietro da Costa Rodrigues 552

CANÇãO DO EXÍLIO Porto Alegre, cidade maravilhosa Aí, temos chimarrão e erva-mate pura; Aqui, há um tal de tereré, também feito de erva-mate, mas, que não se parece nenhum um pouquito com o teu tradicional mate.

Porto Alegre, praças verdes; pontos turísticos quentes;

e Laçador saudando turistas.

Sol

Aqui, festas boas

chuva

Porto está Alegre.

momentos bons, mas nada como Aí.

551Pedro Peruzzo Mibielli - Porto Alegre/RS – Brasil - 07 de outubro de 1994. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Tem participação nos Elos de Amigos, da escritora Socorro Lima Dantas, Recife/PE; e, no Painel Poético 2011, comemorativo ao Aniversário do Atelier Livre da Prefeitura Municipal, de Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: 2011 - “Canecas e Camisetas Poéticas”; 2012 - “Caixas Poéticas”. Curte informática e corrida de motocicletas. E-mail: lppm@ cpovo.net 552Pietro da Costa Rodrigues - Porto Alegre/RS – Brasil - 19 de novembro de 1994; Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautor do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. E-mail: pi-rodrigues@hotmail.com

Querubino Lagoa 553

A ANTôNIO GONÇALVES DIAS 554

Às quentes plagas da gentil América Bem-vindo sejas, magoado cisne; Suspirava por ti teu pátrio ninho, O soberbo Amazonas.

Àquele que também, longe da pátria, Sentiu como sentiste acre e saudade Só pode avaliar tua alegria Neste feliz instante.

Comprida a ausência foi, mas do desterro Em breve esquecerás memórias tristes, Mal das sandálias tuas sacudires O pó do teu caminho.

Só eu triste de mim, funesta estrela Que em meu berço raiou de nobre origem, Hoje esquecida – quer agora e sempre Que eu seja aqui proscrito.

Jamais, jamais àquelas que deixaste Margens do pátrio, merencório Douro E do Mondego os deleitosos campos E o majestoso Tejo.

Aquele céus d’anil, d’ouro e de púrpura, Frescas manhã d’abril, pálidas noites Do suspiro agosto e o bando alegre De cândidas donzelas.

Jamais, jamais o ninho meu querido, De tristes que ora são, os ledos olhos Verão, onde passei horas contentes De descuidados anos…

Oh! como mar em fora, de perdido Atrás d’um sonho vão, dum bem gozado Sobre as húmidas asas da saudade Voava o pensamento!

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553Querubino Lagoa. Poeta português erradicado no Rio de Janeiro, saudou a chegada de Gonçalves Dias com estes versos em 1846. Gonçalves Dias respondeu-lhe noutra poesia, A um poeta exilado, com data de 12 de junho de 1847, publicada entre os Primeiros Cantos. O autor republicou-a no seu livro Vozes Tímidas, no Porto em 1865. 554In LIMA, Henrique de Campos Ferreira, Gonçalves Dias em Portugal, Coimbra, Coimbra Editora, 1942, 11-12. Compilador: Weberson Fernandes Grizoste. Poesias compiladas por Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

Volvo de novo ao começado assunto E o astro novo, que nos céus desponta Do opulento Brasil, corro a saudá-lo, Soltando alegres hinos.

Fora baldado o empenho; ao sentimento Não corresponde a voz cansada e triste, Nem outras peças do desterro às plagas Senão pálidas flores.

Por margens do formoso Guanabara Assim cantava magoado, errante E só triste um exilado moço Um português proscrito.

Rachel Alves - KeKa 555

CANÇãO INDÍGENA Aos Índios Guarani Kaiowá e in memorian of “Gonçalves Dias

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No anoitecer da esperança, Eis que lá no fundo da mata Surge um grito que quebra o silêncio, Que sai do fundo da alma e ecoa Tão aflita, triste a chorar

!

É profundo e bonito, Parece mais um canto, Feito de lágrimas do coração,

Que faz estremecer É o grito indígena que encanta Denuncia, geme e implora!

*

É um pedaço de mim esquecido e maltrado,

É um pedaço de Gonçalves Dias nas estrelas indignado! É um pedaço de nós completamente ignorado! Um grito que pede socorro e abrigo! Pede um ninho para o seu cocar e sua flecha, Para descansar e cuidar das nossas florestas! Perto das majestosas e límpidas águas dos rios.

*

Eles são a seiva das árvores, Representam as memórias do homem vermelho, Em sagradas terras por onde pisam e pisaram! São símbolos de vossos ancestrais, São fios de ouro da nossa história,

555Rachel KeKa ALVES

Tecidos com o suor do trabalho e sangue, E agora desfeitos pelo homem branco!

*

E agora

são

simplesmente jogados pra fora!

Não importa mais o que fizeram, Esqueceram até do Tibiriçá! Após 500 anos de convivência conflituosa, É a vez dos Guarani Kaiowá, Que sofrem demais

Pela crueldade dos fazendeiros segregacionistas de lá!

*

A luz findou, os sonhos estilhaçaram-se! Minh’alma repousa dilacerada em agonia No âmago da arte ouve-se o grito! Na realidade absurda enterra-se o mito! As margens do rio Hovy anuncia-se o genocídio!

Rafael Büger Ruiz 556

CANÇãO DO EXÍLIO

Porto Alegre é uma cidade bastante arborizada com boas condições de vida, trabalho e estudo. A infraestrutura de lá, em vários aspectos, é superior a de cá. Aqui, a cultura não é muito diversificada. Lá, além de possuirmos expressivo folclore, temos um significativo patrimônio histórico.

Rafael Güntzel Orizenco 557

CANÇãO DO EXÍLIO Minha terra tem mais diversidade; Aqui, tudo é pequeno;

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556Rafael Büger Ruiz - Porto Alegre/RS – Brasil - 26 de junho de 1994. Filho de Lourdes Büger Ruiz e Duncan Dubugras Ruiz. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Ima- gens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Caixas Poéticas”, 2012. Curte futebol e basquete. E-mail: rafa- campeao@gmail.com 557Rafael Güntzel Orizenco - Porto Alegre – RS Brasil - 24 de março de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Ale- gre/RS, Cadeira 35, Patrono: Raul Bopp; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/ SC; Associação Internacional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail:

rafaelguntzelorizenco@yahoo.com.br

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sendo possível circularmos por ruas onde não se vê, aos sábados, nenhum estabelecimento comercial aberto. Minha terra oferece mil alternativas de lazer; Aqui, estão começando a sair da quimera depressiva. A esta estranha terra, procuro me acostumar, pois, várias vezes no ano, em seu solo piso, para parentes distantes visitar.

Rafael Sânzio de Azevedo 558

GONÇALVES DIAS Águas do Maranhão. Mas o navio tomba, soçobra, afunda em pleno mar. Salvam-se todos, a tremer de frio, e assustados. Porém é bom contar os passageiros. Não! não se salvaram todos. Falta um, que último sono dorme na profundez do abismo, que o tragaram as águas frias do oceano enorme. Vindo enfermo, de terras estrangeiras, sonhava o dia em que, chegando cá, ia rever o verde das palmeiras onde ouvia cantar o sabiá. E uma imensa mortalha cor de anil cobre o maior poeta do Brasil.

passatempo preferido.

Rafael Severo Meira 559

CANÇãO DO EXÍLIO Aqui, estou a pensar em lá. Lá, tenho amigos com quem vou a shows ou troco jogos;

558Sânzio de Azevedo - Rafael Sânzio de Azevedo - Fortaleza-CE - Brasil - 11 de fevereiro de 1938. Doutor em Letras pela UFRJ, foi professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Ceará. Autor de mais de 20 livros, cultiva a historiografia, o ensaio e a poesia. Exemplo da primeira é Literatura Cearense (1976); do segundo, O Parnasianismo na Poesia Brasileira (2004) e, da terceira, Cantos da Antevéspera (1999). 559Rafael Severo Meira - Porto Alegre/RS – Brasil - 30 de julho de 1999. Filho de Ariane de Freitas Severo e Rogério Hamilton Genovesio Meira. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/ RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte música e jogos eletrônicos. E-mail: dethnote182@hotmail.com

Aqui, fico perdido, sem rumo a seguir. Quero a minha terra voltar e, com os meus amigos, logo encontrar.

Rafael Zen 560

ODE AO CIÚME qUE SINTO POR jULIAN. imaculada essa sua coroa de espinhos, julian.

dormimos como uma concha, dormimos virgens

mas acordamos com a plena certeza do fim do amor

acordamos hoje, com a cabeça ontem

discutindo se a saudade que aqui gorjeia

gorjeia como a de lá.

SAMPLEAR. Aqui na floresta Não permita Deus que eu morra,

No meio das tabas de amenos verdores, Não permita Deus que eu morra,

No arco que entesa Não permita Deus que eu morra,

Dos teus olhos afastado, Não permita Deus que eu morra,

Guerreiros, ouvi-me, Não permita Deus que eu morra,

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560Rafael Zen - Brusque/SC – Brasil – 19/11/1987. Publicitário, poeta e artista plástico, Rafael Zen é um dos responsáveis pelo concurso Poesia Urbana, realizado anualmente na cidade de Brusque/SC pelo Centro Uni- versitário de Brusque - UNIFEBE. Possui duas participações em livros pela editora SESC e em agosto de 2012 lançará seu primeiro livro solo, intitulado “A questão da Andorinha”.

Quem há que me afronte?! Mil arcos se encurvam, A morte lá paira

Mil homens de pé

Mil gritos reboam:

Não permita Deus que eu morra.

Poema composto de fragmentos dos poemas: O canto do guerreiro, Canção do exílio, Juca Pirama, Canção do Tamoio e Ainda uma vez – Adeus de Gonçalves Dias

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HAICAI COMO RESPOSTA A UM TIPO ESPECÍFICO DE EXÍLIO. minha paciência esvai, se lá é melhor que cá, julian, então vai.

Rafaela Machado Longo – Rafaela Malon 561

O qUE NãO DÓI NA VIDA Aquele beijo com gosto de jasmim Sentir as mãos do meu amado Entoado em versos sem fim Lindas lembranças do passado

Ouvir daqueles lábios devaneios Palavras doces, venturosas. As gloriosas tardes de Janeiro Lindas rosas vermelhas graciosas.

Escutar o barulho das ondas do mar Se entregar sob o luar Pensar em mil maneiras de dizer “Eu te amo” Mil sentimentos espalhados no oceano.

Reencontrar antigas afeições A dor que tem cura Aceitar imperfeições Palavras ditas com doçura.

561Rafaela Machado Longo - Rafaela Malon - Assis, São Paulo, Brasil - 19 de Abril de 1985. Escreve poesias, den- tre outros textos desde os 15 anos de idade. Por ser musicista e compositora, o dom de escrever têm apenas somado em suas criações. Possui vários poemas em mídias impressas, digitais, coletâneas, além de ter mais de cinquenta musicas compostas (letra e melodia), com três CDs demos lançado até o momento.

Railde Masson Cardozo 562

MUSA DOS DIAS DE GONÇALVES Foram-se embora os Dias de Gonçalves, o Poeta, deixando-me Musa anônima na posteridade que vivo, sem direito no testamento, de ser chamada de amada.

Restou-me luto poético na qual mergulho enclausurada. Cabisbaixo enamorado da caneta, não deslumbrou o verde de meus olhos dentre o musgo das Palmeiras Não me viu debruçada sobre seus ombros, lendo suas

poesias por primeiro

Chamava-me de Amor, mas

mesmo assim não me ouvia respondendo Anoiteci lendo suas missivas de dor e não mais acordei. Foram-se também os meus Dias e noites com Gonçalves! Preferiu meu amado, fechar os olhos à me esperar. Entregou-se aos braços do mar, ouvindo o canto da sereia ao invés do choro do sabiá. Tão iludido estava a procura da tal felicidade, que resolveu se entregar, não mais lutar. “Se Morre Sim” nobre poeta, sou prova disso longe de ti. Pois amargo o fato de ter nascido bem depois de ter me escrito. Num universo paralelo, leio todas suas cartas e deixo as minhas respostas no parapeito da janela. Unidos eternamente estaremos, na estante de poesias. Saudades sinto de GONÇALVES DIAS

Raimundo Carneiro Corrêa 563

MEMÓRIA “As armas ensaia, Penetra na vida” Gonçalves Dias CANÇÃO DO TAMÓIO

De mim, na Escola! Menino orador Em tempo de festa Do verde-amarelo! Das palmas! Palmeiras

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562Railde Masson Cardozo - Maringá – PR– Brasil - 29 de outubro de 1969. Professora, pós-graduada em litera- tura inglesa/UEM-PR. Escritora e poetisa dos livros “Cartas de Evita que Perón não leu”, “Anita pontoG.com”

e outros. Participou de 04 antologias poéticas “POESIAS ENCANTADAS”, destaque no segundo livro. Escreve

para a revista Tradição de Maringá e no site www.railda.recantodasletras.com.br e www.allpoetry.com onde tem recebido inúmeras menções honrosas.

563Raimundo Carneiro Corrêa - Esperantinópolis, MA – Brasil - 07 de julho de 1940. É educador aposentado, contista, romancista, poeta, estudioso da História de Esperantinópolis, Dedicou-se sua juventude e vida adulta às causas da educação, da cultura, da democracia política, protagonizou lutas, movimentos, sofreu derrotas e colheu vitórias. É o autor dos símbolos municipais, a Bandeira, o Escudo d’Armas, a letra do Hino que a musa

e esposa Graça Lima musicou. É o fundador da Cadeira nº1, Patrono Olímpio Cruz, da Academia Esperanti- nopense de Letras.

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De enfeites ao vento Tambor a marcar O ritmo, a rima Poema desfile, Hino Nacional Menino, eu, contente Por ter que falar Plateia me ouvindo Eu a declamar Com Gonçalves Dias A Canção do Exilio. Que honra! Emoção! Ouvir que o Poeta Dizia-me:

- “Pois Bem! Fala com gosto, Dá ênfase à palavra Palmeira! Palmeiras! De amor te declaras

E diz: “Minha Terra!”. Batuca nas rimas

Dos á

á

Sabiá!

E aguarda os aplausos Que te envolverão. E mais! Tua mãe A abraçar-te virá, De ti orgulhosa! Serás, sim, poeta E a mim cantarás! Respira! Vai lá”!

PALCO

as

tabas

opinas, -uma e uma derramadas Em giro, como dança dos guerreiros” Gonçalves Dias OS TIMBIRAS - CANTO II

Fazíamos teatro! No palco, o palhaço, cigana, os índios das matas, guerreiros das tabas –Palmares!

Dos cantos, Timbiras de Gonçalves Dias. Das formas mais belas, de colos que assentem

colares das cores do enlevo das raças morenas, humanas do ser maranhense.

Timbiras valentes! Do canto epopeia do amar, do viver, voar pelos céus em festa de pássaros, da caça, em combate por posses da terra, selvagem vitória! A gente escrevia. Compunha de inventos as letras e músicas que nos ensinava a musa romântica nos vindo co’ os toques de inúbias, tambores fazia-nos dançar!

E compreender que a dança compõe cenário beleza que faz ser a terra de todos os bens Timbira, da herança, sertão de Caxias, palmar dos enredos, do amor poesia de Gonçalves Dias!

O MAR DE ATINS

Do coração arrancados, Sobre lábios desmaiados” Gonçalves Dias

OS SUSPIROS

As ondas

Dão formas, imagens, se dizem que são mesmo corações! Sim! Dois corações! Parecem-se cor Sanguínea d’amor! São como se o sol fizesse, ele mesmo a

As ondas!

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colorir nas curvas das ondas do mar

das vagas de Atins!

Marinheiros

Quem vê!

na tarde de sol

do Ville de Boulogne tão manso a vogar, tão perto ao chegar do ver terra amada Em festa, palmeiras, ninhal sabiás

e uns olhos

De amor!

Eis Gonçalves Dias! Que vem de regresso! Que traz muitos versos Em arca bagagem Pensando a ventura, então de saudade, passeios nas tardes, rever em Santana mirante fechado Oh vive Ana Amélia? Não vem à janela? Cadê tanto amor, Cadê lindos olhos e o sorriso dela?!

Mas o mar não o ouviu, cantando a esperança Oh! Zomba e desfaz-se do ser corações! Alteia-se e o traga As forças ferozes de altivas procela!

O DIA DE CAXIAS “Caxias, bela flor, lírio dos vales, gentil senhora de mimosos campos, como por tantos anos foste escrava? como a indócil cerviz curvaste ao jugo?” Gonçalves Dias

AO ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DE CAXIAS Caxias! Um cacho Jussara moreno do sol em banhos de rio do olhar sertanejo!

Caxias! De enredos!

Suor

Balaios

Perfume alecrim, das eras, arados, enxadas, espadas Vermelho arrebol da garra, do novo do vinho de auroras! De aldeias do amor que um “Dias” te lê!

E faz que te inscrevas Num canto leituras, Sol de Aldeias Altas da fé comunhão cauim, maracá que as sílabas cantam canção de ninar. Do sonho do bardo maior maranhense! Que nasceu em ti, Ó campos Caxias! A quem das a lira do olhar! Céu de estrelas

Alvíssara carta que vem dos heróis de brava escritura nos lês, dás de ensino na voz de um menino, vem, Gonçalves dias!

É a roda leitura do livro que encanta da glória, vitória Carta liberdade, do Dia, da Idade, teu Dia, Caxias, mulata cidade de Gonçalves Dias!

RIO DE INFÂNCIA “E das águas que fogem incessantes À eterna sucessão Dizia sempre a flor, e sempre embalde - ai, não me deixes, não!”

Gonçalves Dias

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NãO ME DEIXES

Os Eros em fúrias de peitos montanhas, sentir d’olhos dáguas O’vêm! Correntezas de Itapecuru!

Ternura água benta, Batismo festejo Que aos filhos dá nomes dos “Silva” dos “Dias” das gentes morenas de Gonçalves Dias!

O’ rio de infância! Caminho de igaras que vão ver o mar, trazer negro-branco que ao índio associa a cor Maranhão!

Poema de um povo, regaste roseiras Co’os cheiros das núpcias. De sinos, tambores és festa que em dança buscou liberdade! Que nunca é de graça! Salário suor que rasga das noites o tempo coragem! D’amor que humaniza, Constrói casas novas O’ rio riqueza! Por transito livre, vais, buscas do mar o ver grande mundo, vagas da amplidão e o gosto do sal - civilização!

Caxias do rio! De Itapecurus das águas, caminho de pedras sagradas, que às sedes se dá, poema do mar num canto sertão nas harpas palmeiras com o sabiá!

Raimundo Nonato Barroso de Oliveira 564

RECORTES: Gonçalves Dias para Ana Amélia (Composição: Letra e Música de Raimundo Barroso )

Se se morre de amor! Ilusão que se esvaece D’amor Ninguém sucumbe à perda Amá-la!

Sem ousar dizer que amamos Isso é amor E desse amor se morre! Seus olhos Às vezes luzindo

2X

Às vezes vulcão

Vê que ainda sangra Ferido coração E entre angústias cruéis Minha alma anseia Deitar-me Sobre a copa traiçoeira Falsa mulher

Apesar da aversão ao crime Visgo nojento Em prantos de loureira Enfim Vejo curvado

2X

A teus pés dizer-te

Tédio ditérios seus

Uma vez adeus!

( Oh! Se lutei

!

)

Raimundo Nonato Campos Filho 565

ANTôNIO GONÇALVES DIAS Antônio Gonçalves em seus pródigos Dias

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564Raimundo N. Barroso de Oliveira. Vargem Grande (MA) – Brasil - 31 de maio de 1950. Engenheiro Metalúr- gico e Professor do IFMA. Doutor em Ciências Pedagógicas-ICCP–Cuba, validado pela UFSC. Coordenador do Processo da USIMINAS, ALBRAS e ALUMAR. Diretor do Ensino, Planejamento e Administração do IFMA. Espe- cialista do Conselho de Educação. Projeto Bumba Boi en France premiado no IFMA-CNPq e MinC. Vencedor do FESMAP (melhor música). Um livro paradidático editado. 565Raimundo Nonato Campos Filho - São João Batista – MA – Brasil - 29 de outubro de 1951. Membro do Ins- tituto Histórico e Geográfico do Maranhão, ocupante da Cadeira nº 5. Graduado em Direito; Ciências Contá- beis; Química Industrial; Psicanalise Clínica; Licenciatura Plena em Disciplinas Profissionalizantes; Licenciatura Plena em Química. Especialista em Metodologia do Ensino Superior; Auditoria Contábil; Direito Tributário e Legislação de Impostos. Mestrando em Ciências da Educação. Doutorando em Direito Civil. Professor adjunto da Universidade Federal do Maranhão.

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poeta ilustre se fez Como homem amou como nunca E deu à Ana, sua musa mais de uma vez Adeus !

O oceano da sua terra querida Em seu seio o acolheu Os sabiás e palmeiras cruzaram fronteiras E o mundo inteiro o conheceu!

Os seus poemas na terra Para sempre ficarão Semeando amor, justiça e equidade, Por toda a eternidade!!!

Ramon de Figueiredo Leandro 566

ANA AMÉLIA A musa que inspira a todos Debruçou-se na minha sacada Ficava olhando ao redor Como se não quisesse nada

Encarou-me instantes Senti-me ofuscar Seu lindo rosto Que não parava de brilhar

Ana chamava-se Disse-me ter vindo trazer inspiração Com cantos e poesias Tudo vindo do coração

Seu nome assonântico Ressoava nos portões Dama do Brasil Conhecida por seus padrões

Um amor esquecido Foi-se embora para Portugal E seu nome era Dias Dias que passaram sem se ver

566Ramon de Figueiredo Leandro - Sousa- PB – Brasil - 13/02/1994 Estudante de Relações Internacionais – UFPB. Motivos para participação: Tive interesse em participar por me interessar bastante pelo autor em questão e pela simples proposta de escrever, com a qual me identifico muito.

O HERÓI TAMBÉM CHORA A inspiração de Juca Excedia seu espírito Guerreiro e orgulhoso Parecia uma fera

De queixo erguido Enfrentava qualquer um Descalço ao solo da floresta Gritava destemido

Mas no dia da infelicidade Sua força perdeu a vontade Com tintas foi pintado E se faria de ensopado

Contudo o choro pode salvá-lo Mas seu orgulho foi bastante afetado Quando não pode mais entrar na panela Juca Pirama feriu seu espírito Quando prestes a ser devorado

Raquel Campos Pereira 567

GONÇALVES DIAS É IMORTAL Gonçalves Dias, Homem de grande valor Professor e escritor

Um homem Que com amor, batalhou Até conseguir o que sonhou Ser um escritor de grande valor

Morreu num naufrágio Na costa do Maranhão Querendo voltar Para ver seu torrão

Que pena! Gonçalves Dias Não pode ver o dia Da volta com alegria, Mas deixou sua poesia É imortal, Antonio Gonçalves Dias

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567Raquel Campos Pereira - São Luís – MA - Brasil – 01/08/2001. Escola Paroquial Frei Alberto. Motivo da parti- cipação: Eu achei muito importante as poesias de Gonçalves Dias. Por isso quero também fazer parte dessa homenagem a ele porque suas poesias fazem sucesso até hoje.

Raquel Ferraz Sokolnik 568

CANÇãO DO EXÍLIO Neste lugar onde me encontro, há muitas paisagens para serem vistas; apreciadas e admiradas; no entanto, é Lá que encontro a beleza que encanta meu ser. Aqui, os problemas sociais e políticos são tantos que, com frequência, vejo-me assustada; Lá, sei que esses também existem, mas parece-me que os governantes procuram resolvê-los, dando mais segurança e tranquilidade à população.

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Raquel Oliveira Sá 569

O POETA E A FLOR Debruçado na borda do navio Olhando o mar com seu olhar de poeta Via o azul sem fim a iluminar Seu peito dançava alegre como em festa!

Recordava-se de amores e alegria E dos seus sonhos Que não passaram de uma fantasia.

Ser poeta ou não ser Por que chorar? Pois o tempo não pode mesmo regressar E trazer de volta a sua mulher amada Com seu sorriso encantando as madrugadas.

Debruçado na borda do navio O poeta recolhia do sentimento uma flor Das palavras que ele mesmo escrevera Falando da morte que teve seu amor!

568Raquel Ferraz Sokolnik – porto Alegre – RS- Brasil - 4 de setembro de 1992. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/ RS, Cadeira 36, Patronesse: Cora Coralina; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/ SC; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail: raquelsokolnik_9@hotmail.com 569Raquel Sá - Raquel Oliveira Sá - Fortaleza - CE – Brasil - 25 de outubro de 1981. Escreveu e dirigiu um musical infantil no intuito de resgatar a cultura da música popular para crianças. É ilustradora, roteirista e compositora. Publicou sua primeira obra poética “Minha Meninice & Outras Poesias” em 2009 pelo BNB.

E como um pássaro que cantarola para fugir Sem que seus olhos conseguissem reagir Encheu o mar de pranto e nostalgia Formaram-se as tempestades E adeus Gonçalves Dias.

E caindo nas águas, que agonia, Entre gritos, agitações e esperanças, O poeta serrou seus olhos apaixonados Com o temor que procede de uma criança.

E mesmo morto com sua alma a vagar Entre as palavras que conseguiu expressar O poeta faz-se vivo e iluminado Com o sentimento de seu amor inacabado!

LUA DE AMOR A lua cor de prata Tão ingrata Que mata

Que mata o poeta Pela beleza Pela cor

- o amor –

Tão belo o sentimento

E tão enigmático!

A lua cor de prata

Na melodia Que inebria o poeta Tal qual Gonçalves Dias.

Minha terra tem palmeiras? Isso importa

A palavra não é morta

- o amor – A cor A dor.

Luz que alumia Que irradia Que deixa perdido o poeta E no entanto Para que amar tanto? Espanto Pranto Manto

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Manto de sonhos Sonhos azuis E sonhos de amor - o poeta é a dor –

A lua cor de prata

É a luz que maltrata!

SILÊNCIO NO PAPEL

O homem triste

Olhava o papel escrito

Com poemas e sonhos Tão risonhos No vento Alento!

Queria saber ler O homem triste Queria escrever

Viver

Ser

E ter

Por que seus olhos Choravam? Amargurado o homem triste Sem saber se ao menos existe.

Tão risonho Mas tão calado Olhava o caminho Do passado Amargurado Sofrido Homem triste Reprimido!

Queria escrever suas dores Seus temores Seus amores Mas, não sabia como Da palavra escrita nada saía Não podia

O homem triste Queria ser poeta E olhava o papel escrito Entoando doces melodias Com as palavras De Gonçalves Dias.

Ali ele nada poderia saber Era um papel mudo, sofrido, De um homem triste que não sabia ler.

A MORTE DA VIUVINHA No quarto uma moldura Em qual altura? A moldura Que emoldura o amor Que passou O amor que morreu E que valeu.

A viuvinha que rir E que ama seus netinhos Que canta Fazendo trança Que ama com um amor de menina Que ensina as rimas

No quarto a moldura Da altura da alma Que acalma.

O pranto no meio da madrugada

A viuvinha calada

Sem compreender nada!

Ela canta

Faz tranças

Encanta.

A viuvinha que viveu

Que sofreu Que aprendeu Trás no peito um poema Do seu tempo de criança No qual tanto ela aprendeu!

No quarto uma moldura Que emoldura e trás para a viuvinha A “canção do exílio” de Gonçalves Dias.

O pranto no meio da madrugada Entre cantos e tranças Na moldura calada Que agora vela Uma viuvinha amada.

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CÂNDIDA Cândida na rua Olhava os passarinhos Que viviam sozinhos.

A rua tão triste e vazia Será que existia?

Cândida na rua Menina-moça

Que gostava de biscoito

E não tomava sopa

Que fugia da escola E queria ser aeromoça!

Tão triste, coitada! Sofria sem saber nada Tinha meleca no nariz Era tão criança a danada!

Cândida queria ser logo uma mulher Queria ter pé em cima do salto Da altura do sapato de sua tia Salomé.

Queria ser musa de poeta Olha que esperta! Queria ser o tom de uma canção Em um poema que irradiava a fantasia Nas palavras apaixonadas De Gonçalves Dias.

Mas seu biscoito era doce

E sua vida era salgada

Queria ser aeromoça sem saber de nada?

Cândida olhava os passarinhos Sozinhos, tristonhos, E fazia um biquinho medonho

Se era choro eu não sei Mas era coisa de menina-moça Que odiava sopa e lavar louça.

Nada sabia fazer aquela criança Só bailava e encantava Na primavera de uma era Tão sonhada.

Rayron Lennon Costa Sousa. 570

ETERNAMENTE GONÇALVES DIAS Antônio era o seu primeiro nome. Com os “Dias” cresceu e se fez presente. Vindo do pequeno pedaço de terra do Maranhão – Caxias, pra encantar tanta gente. Das Europas rumo à frente fez morada. E depois de viver o mundo tão grandioso lá fora voltou. Voltou pra sua terra natal, não haveria outro lugar se não aqui. E (in) felizmente por acidente do destino, veio a descansar nos braços de mar da Tutóia. Filho da mestiçagem. Não negava seus traços. Era moço sentimental que de tanta saudade das palmeiras, dos sabiás, resolveu se exilar em Portugal. Nascendo assim nosso segundo hino brasileiro: Canção do Exílio. Encontrou em Ana Amélia seu grande amor, e se fez um poeta mais que verdadeiro. Pois o amor lhe tocava e o fazia transpirar sua arte nas letras da poesia. E na literatura o Maranhão sempre será lembrado e eternizado por quantas gerações vierem a existir. Por ter sido o lugar onde honrosamente nasceu e morreu nosso eterno Gonçalves Dias.

Regina da Conceição Madeira Gôda - (Estrela Radiante) 571

GUERREIROS MODERNOS Meu grito de guerra Salvou-me da morte, Saí da minha terra, Lancei-me à sorte, Cheguei à cidade, Do sul e do norte. Carrego a tristeza, Sou bravo, sou forte. Deixei a família, Cruzei as estradas, Eu sou uma ilha, Estou nas calçadas,

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570Rayron Lennon Costa Sousa. - São Bernardo –MA – Brasil- 12 de Agosto de 1991, graduado em Letras-Espa- nhol pela Fundação Universidade de Tocantins – UNITINS (2012), Graduando em Linguagens e Códigos pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA – Campus São Bernardo (2014). Escritor e Poeta. 571Regina Madeira (Estrela Radiante) - Regina da Conceição Madeira Gôda. Engenheiro Paulo de Frontin- RJ – Brasil - 01/06/1959, professora por vocação e poetisa por ocasião. Escolhi o poema I Juca Pirama para home- nagear Gonçalves Dias, por ter sido ele a desenvolver-se o gosto pela poesia e pela declamação. Ainda hoje declamo alguns versos sem erro. E isso me proporciona uma alegria muito grande. Escrevo sob o pseudônimo de Estrela Radiante porque o meu pai me dizia que eu era o seu sol. Assim o faço em homenagem a ele.

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Passam apressadas, Pessoas de fé, Olham-me de lado, Com um desagrado, Estou esfarrapado, Chinelo furado, Encontra-me o pé. Se um dia fui livre, Ou se fui escravo, Lá na minha taba, Da dor senti travo. Mas era guerreiro, Dono da minha terra, Pois índio não erra, O silvo ponteiro. Aqui sou guerreiro, Mas da morte ainda, Nem tenho cacimba, De onde beber. Aqui tudo é pedra, Que bate na gente, Estala a corrente, Só resta morrer.

OLHANDO O AMOR Seus olhos são lindos, São meigos, são doces, Olham-me, como fossem Tão doce promessa. Seus olhos são lagos, De águas serenas, Na pele morena, Curtida na noite. Seus olhos são facas, Penetram na alma, E firmam no açoite, Ama-me, me acalma. Seus olhos são pedras, Assim preciosas, Luzindo quais rosas, Do nosso jardim. Seus olhos são beijos, Ardentes, serenos. Seus dedos morenos. Completam assim. Seus olhos são pétalas, De todas as flores. Acordam amores, Que dormem no peito.

Seus olhos são ondas, De um mar tão selvagem, Levam-me na margem, Não deixam afundar. Seus olhos, navios, Singrando os mares, Brilhantes quasares. Cortantes a frio. Seus olhos nos meus, Superam os brios. Cheios de desafios. Mergulham em Deus. Seus olhos, meus olhos, Tão entrelaçados, Prá sempre abraçados. Sem dizer adeus.

Regina Xavier 572

O POETA INDIANISTA Antônio Gonçalves Dias, Grande escritor, Advogado por vocação, Poeta por amor.

Fez do índio nosso herói De grande força e valentia Sem saber que o seu nome Assim eternizaria

Na famosa canção do exílio Exaltou a nossa terra, Nosso céu, a natureza, E tudo que nela impera.

Sua obra que registrou Traços de nossa história Para sempre será guardada Nos cofres de nossa memória

Gonçalves Dias, guerreiro, Um poeta sem igual Receba nossa homenagem Por sua obra imortal!

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572Regina xavier - Manhuaçu, MG – Brasil - fevereiro/1963. Professora Pós-graduada em Língua Portuguesa. - Comendadora - Embaixadora da Paz - Poeta Del Mundo -Senadora FEBACLA/MG Chanceler ABLA/SP. Desejo participar desta obra porque: Participei de seis antologias , uma delas Mil Poemas a César Valejjo, e considero uma idéia fabulosa homenagear os autores de nosso país, resgatar nossas origens e incentivar a criatividade. REGYAX@HOTMAIL.COM

Renata Soares Porciúncula 573

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MINHA CANÇãO DO EXÍLIO Minha cidade é asfaltada e parece tão mais tão mais civilizada. Na minha cidade chove chove chuva que cai como uma luva. Na minha cidade brilha o sol e canta o rouxinol. Minha cidade tem belas flores terra de grandes amores; cidade brilhante; orgulho marcante;. terra de paz, guerra jamais!

Renate Gigel 574

TRIBUTO A vida tece, Em fios e contrastes, Teias confusas De grande sofrer.

Na mescla das raças, No sangue e valor, Com altos e baixos Traz dissabor.

Na luta por cores, Saudades e amores, O belo e o verbo Não deixa perder.

Sem pátria,sem terra, Na busca daquela No amor a mais bela, Só resta gemer.

573Renata Soares Porciúncula - Porto Alegre – RS – Brasil. É Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Por- to Alegre/RS; Membro da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS; e Associação Internacional dos Poetas del Mundo. Tem participação nos “Elos de Amigos”, da escritora Socorro Lima Dantas, de Recife/ PE. E-mail: reh.4845@gmail.com 574Renate Gigel Austríaca - 6/10/1947. Participou de concursos literários, ,recebeu o prêmio do Ateneo, da embaixada de Portugal, primeiro lugar no concurso Fazendo História, pelo Museu Scheffel, campanha da fra- ternidade, pela Unisinos, troféu Farroupilha da ATNH pelo trabalho “Filho de criação”,entre outros.Tem textos editados em jornais, antologias da Academia Literária do Vale do Rio dos Sinos, da qual é presidente, e nas redes sociais e blog alvales.blogspot.com.

Adeus à magia, Adeus ao alento Mas do sofrimento A arte nasceu.

Poeta das raças, Das cores a graça, Do exílio o canto, Da saudade o pranto, Do amor desencanto.

Eterno, o poeta viveu.

O qUE TEMOS EM COMUM Cruzei mares, Cruzamos.

Aportei em outros ares, Aportamos.

Perdi pessoas e lugares, Perdemos.

Procurei abrigo,

Encontramos.

Chorei de saudades, Choramos

Lutei por conquistas, Lutamos.

Cultivei valores,

Cultivamos.

Ao sabor do destino, Navegamos.

Romantismo Não abandonamos

Mil mudanças,

Adaptamos.

Não existe tempo Por onde andamos!

Aqui chegamos:

a alma inquieta e o grande poeta.

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Renato Cesar de Alvarenga Filho 575

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VERMELHO Para Gonçalves Dias

Da fonte da vida, Jorram torrentes vermelhas

Todos, não importando o credo, São batizados ali:

O vermelho, viscoso, Impregna o rosto, Rouge. Seu odor desperta instintos De sobrevivência e de caça. Seu sabor é adocicado, Mas provoca náuseas.

Muitos, indelevelmente marcados, Não suportam a privação:

Na fonte rubra da vida, Que pra sempre vai jorrar, Peregrinos fazem fila, Pois querem voltar pra lá.

Renato Lima de Souza 576

EXÍLIO DO SABIÁ Tu és o horizonte da perfeição Que fez o sol apagar Por Reluzir luz estelar Nesse despedaçado coração

Tu não foste atenta aos cantos Desse amoroso e triste sabiá Trancafiado no obscuro Sentimento De não poder para ti assobiar

575Renato Cesar de Alvarenga Filho - Brasilia – DF – Brasil - 27 de janeiro de 1973, engenheiro, poeta, aviador

e dançarino. Amante da literatura desde a infância, esboçou seus primeiros poemas durante a adolescência.

Trabalhou como engenheiro, consultor e executivo de diversas empresas. Por razões acadêmicas, profissionais

e pessoais, este brasileiro teve a oportunidade de morar nos Estados Unidos, em Portugal, no Chile e na Fran-

ça. Desde 2009, tem se dedicado mais intensamente à poesia, tendo lançado o livro “Divagações Aceleradas” em 2011 (Edições Galo Branco). 576Renato Lima de Souza - São Luís – MA – Brasil - 04 dias de julho de 1991. É um pertinaz apreciador de todo tipo de arte, em especial, as obras produzidas pela majestosa casta de imortais maranhenses. Estudante de Ciências Sociais (UFMA) produz textos, poemas, ensaios, composições musicais, extraindo das infinitas mul- tiplicidades das coisas o que há de mais insigne e belo sendo o motivador do seu mais pleno sentimento de viver.

Queria no alto das palmeiras Desse regueiro Maranhão Cantar as obras, vida e poesia, Das enternecidas criações

Quando abro asas e pairo na tua imensidão Inebriado fraquejo de ilusão Sou grato da tua distinta beleza Oh! Tua sereia incendeia A minha inocente contemplação

Viajando calmo na brisa do teu mar Perco-me nos sonhos que te vejo Persuadido de que não devo Deixar de declamar o meu assobiar.

FORTALEZA DO AMOR Fortes um sublime tesouro Teus versos sempre hão de ecoar Nessa terra das palmeiras de ouro E onde houver o nobre amar.

Verbo das paixões e amores De toda forma contagiou, Não sem honra e louvores,

A desdita do seu clamor.

Pularei nos marítimos mundos E quero poder vilipendiar

A maré de tão soez indecoro

Que causou o teu afogar.

Pois é o fulguroso luzeiro Que a todos declamou, Com ardor de um braseiro, Os intempéries do amor

E pairando entre nostalgias Quero ver refletir a digna luz É o eterno Gonçalves Dias Que tanto amor ainda reluz.

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Rene Aguilera Fierro 577

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AMOR GONÇALVICO ¡Qué extraño amor! Sin edad ni tiempo, sólo bastó el primor para ser el dueño del olimpo.

Las barreras sociales, imborrables y eternas sofrenan el alma en silencios finales.

Artista, hacedor de mundo, poeta de vías extraviadas, hombre desventurado y de manos extendidas.

El daño mayor fue ser débil ceder a los sentimientos, amar hasta el llanto, honrar la palabra y ser gentil.

Se dice, amor platónico, mejor, amor Gonçalvico, para volver al origen del ser antes que morir y nacer.

La vida tiene valor tanto como el amor juzgar el destino propio y caminar con delirio.

Poeta, tus sueños errantes llenaron el firmamento de versos locos, amantes y truenos de tormentos.

577RENE AGUILERA FIERRO – Tarija – ingeniero forestal poeta, escritor, tallador en madrea, consultor ambiental, catedrático universitario y Periodista profesional. Autor de veinte obras literarias y de varios libros técnicos. Promotor de nuevos valores artísticos, conductor de programas culturales en Radioemisoras locales de Tarija. Anualmente Organiza los célebres “Coloquios Literarios” y los “Encuentros Internacionales de Escritores”.

Reynaldo Machado de Almeida Gomes 578

DOCE ANA AMÉLIA Na imensidão seca do sertão corria uma fonte de calor causada por uma forte paixão No coração de um sonhador Era água de matar a sede de qualquer um Para o nobre cavalheiro, alguém para amar Pois de sua origem alguém incomum Tudo lhe via à mente Só permanecía a Amélia doce Mas quando com seu pedido foi em frente Nada seria como quisesse que fosse

TRISTE FIM Conheci Gonçalves Dias poeta brasileiro Indianista e nacionalista Nas palavras o seu jeito faceiro De ser um nobre romantista Encantado com Amélia queria se casar Mas por mestiço ser Com a doce moça para amar Nada se pôde proceder Algum tempo se passou Outra moça conheceu Com Olímpia se casou Mas aquela moça jamais esqueceu O sucesso habitou a sua vida Foi um grande escritor Mas algo vinha o aproximando da despedida Na saúde: sofrimento e dor Em viagens pela cura se perdurou Num triste naufrágio tudo estava acabado Nas profundezas mergulhou O corpo esquecido e agonizado.

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578Reynaldo Machado de Almeida Gomes - São Fidélis (RJ) – Brasil - Estudante do Instituto Federal Fluminense, Campus Campos Centro, ator e poeta. Nascido em 08 de maio de 1995, residente em São Fidélis, RJ, Brasil. Iniciante no meio literário e possui grandes objetivos no meio cultural, tanto no cinema e teatro quanto na literatura brasileira.

Ricardo Oyarzábal Rodriguez 579

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CANÇãO DO EXÍLIO

Aqui, na Itália, tal qual no Brasil, existem muitos tipos de macarrão, lasanha e pizza. Quem pensa que elas são melhores que as de lá, está muito enganado. No Brasil, o sabor é todo especial.

Quero logo para minha terra voltar e saborear a culinária brasileira que, além de gostoso tempero, é feita com muito amor.

Rita B. S. Velosa 580

ONDE CANTA O RA-TA-TÁ (releitura de poema de Gonçalves Dias)

Minha terra é uma lixeira, Onde morre o sabiá. Os homens que aqui pranteiam, Não pranteiam como lá.

Nosso céu tem mais sujeira, Nossos morros tem mais vícios, Nossos bosques tem mais mortes, Nessas mortes mais que bichos.

Em cismar sozinho à noite, Mais sossego encontro eu cá; Minha terra tem vizinhos, Onde canta o ra-ta-tá

Minha terra tem rumores, Que tais não encontro eu cá. Em cismar sozinho à noite, Mais terror encontro eu lá.

579Ricardo Oyarzábal Rodriguez - Porto Alegre/RS – Brasil - 04 de outubro de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Ver- sos”: 2011 - “Canecas e Camisetas Poéticas”; 2012 - “Caixas Poéticas”. Curte computação. E-mail: ricardorodri- guez@via-rs.net 580Rita B. S. Velosa – Araraquara –SP - Brasil – 09/11/1952. Escritora, jornalista, ativista cultural tem participação em mais de 100 antologias publicadas no Brasil, na França, em Portugal e na Inglaterra e publicados os livros “VENTOS PASSANTES”- 2007 (poesias), “FAROLEIROS DE ALMAS”- 2008 (poesias) , “FILHOS DAS ESTRELAS” – 2009 (crônicas), “VESTÍGIOS DOS DIAS”-2010(Contos) e “ABNORMAL E OUTRAS SANDICES DO INESPERA- DO”- 2011.Entre os mais de 100 prêmios, o MISSÕES 2006/Brasil, o Algarve-Brasil 2008/Portugal e o CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE/201

Minha terra tem vizinhos, Onde canta o ra-ta-tá Não permita Deus que eu morra, Sem que me esqueça de lá!

Sem que desfrute os primores Que só encontro por cá. Sem que me esqueça dos morros, Onde canta o ra-ta-tá

Rita Dayrã Murada de Sousa 581

GONÇALVES DIAS ecoa no maranhão um grito forte da poesia de gonçalves dias na singela caxias a simbologia do seu nascimento nas águas do maranhão se foi o autor da canção do exilio :

“minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. onde está os timbiras? não deu tempo de gonçalves dias terminar onde está gonçalves dias? está fazendo poema no céu

Robert Allen Goodrich Valderrama 582

RECUERDOS DE UN POETA A Goncalves Dias

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El poeta espera que su lucha no haiga sido en vano y que su legado por siempre perdure de generación en generación.

El poeta espera que su poesía y su lucha siempre perduren en los corazones de su gente y de su pueblo.

581Rita Dayrã Murada De Sousa - Barão do Grajaú/MA - Brasil - escreve desde os 15 anos, ja participou de al- gumas antologias poeticas, pela editora Big Time, Pela Camera Brasileira de Jovens escritores, entre outros. Em 1996 editou um livro de poucas edições, intitulado”Meus Rastros, poesias diversas’. Funciónaria Pública e Advogada. 582Robert Allen Goodrich Valderrama - Panamá-EUA - 25 de septiembre de 1980. Poeta y escritor panameño-es- tadounidense de madre panameña y padre estadounidense nacido en la Antigua Zona del Canal en Panamá. Empezó oficialmente a escribir en el 2009 con su blog todavía vigente: http://www.robert-mimundo.blogspot. com , es miembro de Poetas del Mundo, La Red Mundial de Escritores en Español y otras redes literarias, re- cientemente en Agosto del 2012 fue nombrado: Embajador Universal de la Paz en Panamá por el Círculo Uni- versal de Embajadores de la Paz en Ginebra, además sus poemas han sido publicados en diversas antologías, ha recibido diversos reconocimientos y tiene algunos libros electrónicos publicados.

Por eso miles le rinden honor al poeta ilustre que desde el cielo observa y ríe lleno de felicidad al ver que no ha sido olvidado por su gente y por su pueblo.

Recuerdos de un poeta luchador e valeroso a los que miles hoy le rinden tributo con amor y admiración.

ILUSTRE POETA Ilustre poeta que marcaste el destino De miles y miles con tú magnifica pluma.

Ilustre poeta que dejasté el nombre de Brasil en alto En el mundo entero.

Ilustre poeta que defendiste a los pobres, a los indígenas y a los pueblos sin importarte lo que otros dijeran.

Ilustre poeta que marcaste un nuevo inicio para los tiempos Del drama y de la poesía.

Romántico, soñador, justiciero, amante de las letras y de la poesía.

Viviste el exilio y con tú pluma dibujaste las realidades de los tiempos.

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Le cantantes a los pobres y a los ricos, A los europeos y a los brasileños, A los indígenas y a los literatos. Fuiste único ilustre poeta:

---Antonio Goncalves Días---

MEMÓRIAS DE UM POETA A Gonçalves Dias

O poeta espera que sua luta não é em vão haiga e que seu legado vai durar para sempre através de gerações.

O poeta espera que sua poesia e sua luta de longa duração nos corações de seu povo e de seu povo.

Milhares pagar para homenagear o ilustre poeta de relógios do céu e risos cheios de felicidade para ver que não foi esquecido por seu povo e pelo povo.

Memórias de um lutador corajoso e poeta hoje milhares de pagar o tributo com amor e admiração.

Roberta Beckmann Hoffmann 583

CANÇãO DO EXÍLIO Minha terra tem muitas flores que me trazem muitos amores. A natureza nos dá e oportuniza, a cada momento, mais pureza. Mais prazer não há que ver os animais e a natureza trazendo intensa beleza aos nossos lares e ao mundo. Não permita Deus que eu morra sem antes ter a certeza de que tudo, na natureza, para sempre não morrerá.

Roberth Fabris 584

POETA EqUILIBRISTA: UM ETERNO PARDAL Meu país, meu amor eterno Meu sangue indígena, meu eterno viver Respiro arte nos palcos do meu país Respiro arte em cada página do meu viver

Suor literário, vida ordinária, alegria póstuma Sou um romântico e passeio por entre sereias e tornados Sou um xamã em busca de um talismã secreto nas letras Estou em busca da bruxa dos sete erros e da jornada eterna

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Sou devoto do meu país, sou devoto do teatro nacional Sou um pardal, uma abelha em busca do mel dourado Sou uma arara azul em busca de liberdade e alegrias Sou poeta do dia, da natureza e das tribos do amanhã

Sou um amante das letras, um inspirado em Gonçalves Dias Sou um poeta da tribo tupi, do povo guarani e do Brasil Sou um cara pintada, sou um jovem metal, um simples pardal

Sou poeta, sou artista, sou um eterno equilibrista na arte de viver.

583Roberta Beckmann Hoffmann - Porto Alegre – RS – Brasil - 1º de julho de 1989. 2ª Bibliotecária e Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 10, Patrono Erico Verissimo; Membro Efetivo da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Liga dos Amigos do

Portal CEN, Portugal; e, Associação Internacional dos Poetas del Mundo

E-mail: betahoffmann@gmail.com

584Roberth Fabris - Maringá – Pr – Brasil. escritor, membro da Academia de Letras de Maringá, crítico de cinema

e artes, Mestre em Letras UEM, Pós-Graduado em Arte-educação, e acadêmico de Artes Cênicas UEM, além de idealizador do projeto cultural Mundo Geek e do Dicas de Roberth, o blog mais cult do Brasil. Nasceu em 03 de novembro, e ocupa a cadeira número 04, o qual o seu patrono é com muito orgulho um grande seguidor de Lord Byron, Alvares de Azevedo.

MEUS SONHOS BRASILEIROS Eis o meu país de teatro e poesia onde encontramos araras azuis e micos leões dourados onde índios já povoaram as terras e cantaram como guerreiros da tribo tupi, guerreiros que o meu canto ouvi.

Eis um país de cores, amores e saudades De uma pátria esquecida e com uma bandeira verde-mar Um tempo de acreditar nos amores, na natureza e na vida. Romântico como os cordéis de minha infância e país.

Ah, tempos de Gonçalves Dias, onde o Brasil é mais lindo! Onde os tucanos fazem voos e embalam as árvores alegres Onde existe uma terra que emana leite e mel literário Um país chamado Brasil, um poeta chamado Dias.

Eis o meu tempo de sonhar pelo povo brasileiro Eis o meu tempo de lutar pelas nações esquecidas Eis o meu tempo de bradar a literatura e natureza Eis o meu tempo de ser mais romântico e digno da brisa do mar.

Eis o meu tempo de sonhar na praia embalado pelo luar.

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Roberto de Freitas Ribeiro Filho 585

CANÇãO DO EXÍLIO Enquanto as praias brasileiras são mais belas; as flores, florescentes; aqui, tudo parece triste e sem encantos. Lá, as águas são cristalinas; os pássaros, mais alegres; os campos são imensos; os pastos, muito verdes; e, os galos nos despertam ao amanhecer. Aqui, a natureza parece sofrida e triste, enquanto lá, tudo está a sorrir-nos.

585Roberto de Freitas Ribeiro Filho - Porto Alegre/RS – Brasil - 15 de maio de 1997, em. Filho de Marielle Meire- les Ribeiro e Roberto de Freitas Ribeiro. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/ RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. Curte jogos eletrônicos e ler. E-mail: betoribeiro@hotmail.com

Roberto Ferrari 586

HOMENAGEM A GONÇALVES DIAS Louvores e honra ao mérito A memória de um poeta Maranhense com sublime inspiração Seus poemas são dádivas, perolas da arte de poetar Que faz vibrar o coração com emoção Vamos elevar aos céus O nome de Gonçalves Dias Autor magistral que glorificou a literatura Que engrandeceu as nossas poesias Nosso céu tem mais estrelas De belezas abençoadas por Deus Nossas matas têm mais matiz Nossas flores têm mais vida Nossa natureza tem mais cores E na voz do poeta ganha mais amores Que glorificam nossa paixão E fazem nossas almas sorrirem de felicidade Poeta divino, você soube como encantar o povo desta terra maravilhosa Salve Gonçalves Dias!

Robinson Silva Alves 587

ETERNOS VERSOS teus passos, serão caminhos, nos descaminhos da estrada perdida

pois tua palavra será intensa, intensamente vivida

tua lágrima de saudade teu choro de solidão traduz a dor de um romântico coração

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586Roberto Ferrari. Engenheiro, analista de sistemas, administrador de empresas, poeta, escritor e comunicador. Sempre gostou de escrever desde a juventude, publicou os livros ‘Sublime Amor’ , Ventos da Paixão e Identi- dade Assassina. Alguns prêmios recebidos : VIII Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus- Texto inédito sobre Jorge Amado; Prêmio Oxigênio de Responsabilidade Ambiental – 2012; Mérito Profissional como Jornalista e Escritor – 2012; Diploma Destaques e Personalidades pela inclusão no livro Brasil de A a Z – 2012; Medalha Duque de Caxias conferida no Segundo Exército - 2012 587Robinson Silva Alves – Coaraci - Brasil - 25\06\1976. Formado em filosofia pela UESC; participo de certames literarios tendo sido premiado em alguns deles como: concursos municipais de Coaraci (2,3 e 4 lugares) e diversas antologias. E-mail: hiatos@bol.com.br

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teu grito de libertação liberta o homem dos grilhões da omissão

combate com flores espinhos da opressão

pois será a liberdade que nasce da inspiração voando nas asas aladas da imaginação combate com versos tiros de canhão

tuas palavras, serão dilemas temas o mundo torna-se mundo na beleza de um poema

teu desejos de mudança plantarão nos homens a semente esperança

pois tens o dom de mudar vidas atraves das letras a grande magia

de transformar sonhos em poesia

nos versos eternos de gonçalves dias.

IMORTAL teus versos serão eternos espalharão-se ao vento resistirá a morte perpetuará no tempo

tuas palavras belos dilemas mudarão mil mundos com a força de um poema

tuas letras

são sementes

germinam no coração libertam homens dos porões da opressão

com a beleza dos versos o poder do coração

teus sonhos erguerão pontes para o futuro

amado poeta

grande escritor

gonçalves dias

sonhador.

imortal.

SENTIMENTOS DO POETA amas intensamente eterno amar

sofres constantemente um eterno penar

onde todos possam amar. buscar. sonhar.

vives a emoção de transformar palavras em rosas do coração

acalentas almas da triste ilusão

amores perdidos o espinho solidão

enfrentas com versos os ecos da opressão que acorrentam homens nas garras da omissão

combates com poemas os tiros de canhão

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sentes o sentimento traduz a simetria de transformar sentimentos na mais pura poesia.

no romantismo eterno de gonçalves dias.

MIL VERSOS na bela canção do exilio uma triste solidão

saudades da patria da amada nação

lágrimas viram mil versos do coração

lembro de um anjo e de ainda uma vez um triste adeus nos meus primeiros cantos

sonho com os encantos dos olhos teus

uma vida vivida de amor e poesia vida de mil versos de gonçalves dias.

O SONHADOR nas ruas da cidade um homem sonha, com a liberdade

desafiando homens peversos combate a opressão com a beleza de um verso10

vagando ao vento voa nas asas dos sentimentos

sonha com um mundo novo sonha e busca o sonho do povo

combate a vil tirania usando a força das palavras a poderosa poesia

buscando o sonhado amor transforma seu sofrimento na mais bela flor

mesmo sofrendo a mais terrível dor ainda ama ainda morre de amor

pois é poeta nobre sonhador

nesta vida a eterna poesia

nos belos poemas de gonçalves dias

Robson Leandro Soda - Lótus Sidartta 588

IDEALIZADO (O canto do guerreiro moderno! Ele só quer ter o gosto de cantar

Um sacro oficio,

veleidade da alma, que fosse de passos em passos, sem calma, e sem pressa.

E que tivesse perfume

ou de terra, ou de bruto, ou de fruto, ou de ideias: fragrância viciante futuro.

E que fosse aos olhos, asas para ensaio de vida

tal o galo que madruga as idas, labuta as asas, depois

cocoricó.

ULTIMOS EN’CANTOS Ah se pudesse Gonçalves naqueles ultimos dias escrever o poema que outrora por si só de vida viveria

)

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588Lótus Sidartta - Robson Leandro Soda - Santa Cruz do Sul – RS – Brasil – 19/12/1982; Está presente em diversas antologias no Brasil e exterior.

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teria os olhos de Ana Amélia em profundos deleite e as manhãs mais agudas como exilio dos Deuses

Usaria, talvez os laços Shakespeareanos em embalo presente. Se não o embrulho das almas serenas ou papel reciclavel, sementes

teria um que de sua natureza deixando melodia em rosas Dedilhados em espinhos, E no ínfimo da poda Brotos sustenidos

seria um poema sem versos despetalados tão pouco Ávida flor sem acolhida.

Rodrigo Guimarães Pena 589

PONTA DE MAR Minha terra tem um canto Um rasgo, um corte, um avanço, Uma ponta de mar,

Onde a água é tão limpa, E tão pura, Que faz quase escura A água mais limpa que há

A Espinhaço, altiva e brejeira, Esticou-se e encontrou Mantiqueira, Que a trancos, debaixo da terra, Emendou-se a outra serra Se acabando em Serra do Mar

589Rodrigo Guimarães Pena - Belo Horizonte – MG – Brasil - 15 de setembro de 1952. Engenheiro civil, de profis- são. Se equilibra entre palavras há algum tempo. Mesmo que elas o tenham como eterno aprendiz e informal

correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí

à

visitante. Escreve por que

o

afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem revelia! http://poesiaarevelia.blogspot.com.br/

Mantém o blog : Poesia

E foi neste encontro Marcado entre Serras Que abriu-se, perfeito, o espaço Na forma de abraço, Onde o mar põe-se calmo e se aninha, Ao sopé que se alinha Às costas, beiradas das terras

E à noite, um manto de estrelas Vazado por lanças, forjadas em prata, Pontudas, profusas, caídas do mar estelar, Disputa brilho com a Lua, Que volta e mais volta faz pose, se atreve, se acua, Se faz Yemajá, lá do céu ninfa nua, Aumenta seu brilho, e acende o lugar

E o sabiá que se ouviu na palmeira Que Gonçalves cantou, trás-as-Beiras, Viajou, cá se pôs a buscar mais parceiras, Nesta linda Ponta de Mar,

Pois sabe o sábio sabiá Que onde a água é pura e cristalina, É lá que vai estar a sabiá-menina Pra beber água e quiçá, namorar

Como se água também fosse a tinta Que Deus preocupado, usa e nos pinta Um quadro, um capricho, pra mãe-natureza se Expor, ser memória, pra gente guardar

Pra que um dia, bem longe, alhures se achar, Peça a Deus, pois ouvindo Ele está:

“Não permita, Senhor, que da vida eu me vá Sem que volte e desfrute os primores de lá:

Ver palmeiras, ver se encanta um sabiá, Ver a terra se vestir de lindas flores, Versos, Lua, Sol, o Céu, a emprestar cores, Ver se as Serras inda abraçam aquele Mar

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Rodrigo Nunes Camargo 590

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CANÇãO DO EXÍLIO Saudades daquele meu Rio Grande; das noites estreladas no pampa; das fronteiras gaúchas transbordando cultura.

Aqui, no Rio de Janeiro, as noites são de pesadelo e as fronteiras não são como as de Lá.

Saudades do povo de Lá; das tardes admirando o céu azul e dos cantos dos pássaros que só encontro Lá.

Rodrigo Octavio Pereira de Andrade 591

POETA DO SABIÁ Filho do Maranhão, Poeta do Sabiá, Pai das Sextilhas de Frei Antão. A chocalhar na imensidão o maracá.

Mestiço nativo, Que chorou no estrangeiro, Versos da Canção do exílio. Tornou-se imortal poeta brasileiro.

I-Juca-Pirama é seu filho, Canta as raízes de um povo Tornou-se lenda em verso, Através do seu índio guerreiro.

Canta além-mar o Sabiá Aos versos entre Os Timbiras No balançar das palmeiras Aos olhos de Marabá.

590Rodrigo Nunes Camargo - Porto Alegre/RS – Brasil - 14 de novembro de 1995. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, de Porto Alegre/RS; Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante do Projeto Literário “Porta copos poéticos”, 2012. E-mail: Cursa inglês no Wizard. Toca violão, curte música e festas. E-mail: guigocamargo@hotmail.com 591Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Cabo Frio –RJ – Brasil - 29 de setembro de 1977. Poeta, escritor, profes- sor, pesquisador, revisor, ativista cultural, palestrante, membro de diversas entidades acadêmicas no Brasil e exterior. Premiado em diversos Estados do Brasil e tendo textos publicados em antologias, periódicos e revis- tas culturais em diversas partes do país. Autor do livro e Projeto POESIARTE. Presidente da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo-RJ.

Salve Gonçalves, Santo poeta na imensidão Deste Brasil de seus Dias Nesta Terra em forma de canção.

Rodrigo Zuardi Viñas 592

CANÇãO DO EXÍLIO Minha terra tem milharal, bananeira e parreira; bem-te-vi, joão-de-barro, arara e periquito. As aves que lá vivem, cantam entre as árvores, flores e campos. Já a vida de nossos bosques anda mal, quase morrendo. Para salvar minha terra, animais e plantas, vou voltar para lá. Não sujarei suas águas; plantarei muitas árvores e protegerei os animais para que não fiquem em extinção. Minha terra é de todos nós.

Rogério Araújo (Rofa) 593

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DIAS DE GONÇALVES PARA TODOS OS DIAS Que lindas imagens criadas pelo grande poeta Retratando o Brasil “bonito por natureza” As palmeiras que nele existe Onde cantam os sabiás com todo vigor São incomparáveis mesmo às internacionais Nada se compara ao seu canto e seu encanto Uma brasilidade tão emocionante Que poetiza esta nação de todo coração Um país abençoado por Deus Com um povo acolhedor, mesmo sofredor

592Rodrigo Zuardi Viñas - Porto Alegre – RS – Brasil - 26 de novembro de 1993. Membro Fundador da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 33, Patrono Alcides Maya; Membro Efetivo da Acade- mia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; da Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal; e da Associação Internacional dos Poetas del Mundo. E-mail: <rodrigovinas@hotmail.com> 593Rogério Araújo (Rofa) - Niterói, RJ – Brasil - 31/07/1973. escritor, jornalista, publicitário, especialista em Lei- tura e Produção Textual, bacharel em educação - teologia cristã; autor do livro “Mídia, bênção ou maldição?” (Quártica Premium/Litteris Editora), lançado na XV Bienal Internacional do Livro no RJ (2011); comendador da ABD – Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais e da ALG – Academia de Letras de Goiás; membro de diversas academias no Brasil e exterior, como a de ALAV – Academia de Letras e Artes de Val Paraíso, no Chile.

Dribla as dificuldades na vida E até se livra da fome e da morte Das adversidades ocorridas sem esperar O amor ao país era tão grande Que desejava ao Senhor aqui retornar Poeta romântico incorrigível, Um dos mais amados e declamados De muita emoção que viveu E até pela sua morte ao ser esquecido Deitado, doente, num navio Quando retornava ao seu estado natal

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E país amado, Brasil Com toda inspiração e respirando fundo Morreu sem ar afogado no mar Já do país que demonstrou amar Mas seus versos não morreram Imortal se tornou pela sua obra Mesmo não pertencendo à Academia Que, aliás, nesta época nem existia Seus versos são lidos e relidos Por todas as épocas e períodos Um grande escritor, poeta, Na literatura brasileira e mundial Exemplo e inspiração para muitos Amantes da poesia, da nacionalidade, Admiradores da beleza de um país lindo

E, acima de tudo, do amor pela vida

Parabéns, Gonçalves Dias! Pelos cento e noventa anos De nascimento, sempre renascidos,

A cada ano que passa e repassa

Demonstrando que nunca perde a majestade Assim como a sua famosa sabiá!

Ronyere Silva Lima 594

CANTO SUTIL E tu Gonçalves, poeta da gente Em Coimbra impunhas teu canto Exaltando tua terra silente Dela mostrou a beleza e o encanto

Província do maranhão Terra do excelso poeta Tinta e papel na mão Fizeram de ti querida terra

594Ronyere Silva Lima - Dom Pedro – MA – Brasil - Estudante de Direito, amante das artes, contribuinte do portal Recanto das Letras, membro da Confraria Cultural Brasil-Portugal, membro da Sociedade dos Poetas Vivos, 1º lugar do Concurso de prosa “Machado de Assis” – 2011. e-mail: ronyere-dp@hotmail.com

Teu canto sutil, ó imortal Percorrera o mundo a fora Gonçalves Dias do Maranhão

Tua letra te fez magistral Teu canto se faz ouvir agora Tua memória te entrega este galardão

POETA DOS ÍNDIOS Poeta da floresta Do naturalismo Da harmonia Do encanto

Poeta dos índios Dos aborígenes selvagens Dos homens nus e zelados Dos incomunicáveis

Poeta da nossa terra, imortal Trouxe-nos a glória teu poetizar Ó oráculo eternal Continuas tu a nos revelar.

Rosana Lazzar 595

AO POETA Dizem os sábios antigos que Testas largas e altas denotam grandes pensadores Gonçalves, era mais que isso Em pátria e bucólicos amores Imortalizou nosso hino na alma Da “bandeira” hasteou suas dores Tanto amor de ti emprestava Que em suas dúvidas, era infindo Melhor viver sem ter amado Ou amar, sem nunca ter vivido? E de “Gonçalves” pátria e poesia Imortalizados em nosso hino -Salve Gonçalves, os nossos “Dias” O velho pensador, menino! -Oh pátria amada, idolatrada! Um “sonho intenso”, Gonçalves cresce -Há que saber da mãe gentil Em terras que nem “Gonçalves” viu!

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595Rosana Lazzar - São Paulo- SP – Brasil - 27/12/1964. Cantora, registrada na O.M.B- “Ordem dos Músicos do Brasil”, exercendo a profissão desde os 18 anos de idade nesta cidade e outros Estados como backing vocal de alguns artistas e crooner de bandas. Fazendo uso de comunidades virtuais, escreve em sites da categoria qua- se todos os dias. Sem livros editados, apenas arquivados, enquanto não os encaminho, lê de tudo um pouco e escreve um pouco de tudo.

Rosane Salles Silva Souza 596

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FÊNIX DOURADA Seu canto,

Fênix Dourada, como fonte d’água brotando da rocha, palavras inteiras, formosas alegria dentro de nós E quando o Sol desponta na serra, altaneiro, poeta - foz, da Esperança que floresce, da noite que se despe ao luar, das palmeiras que bailam lançando folhas ao ar, no bogari perfumoso nos gorjeios dos sabiá, teu nome impera solene na boca de toda gente desse Brasil tão pungente

Salve! Salve!

Ó, Antonio Gonçalves Dias!

Poeta que exaltou a natureza

Rosemeire Joanadarc Dias - Rose Dias 597

ÚNICA CAMÉLIA Em teus cantos E encantos Uma única camélia A flor mais amada; Sua eterna Ana Amélia.

POETA PANTEÍSTA

E toda sua beleza sem estereotipias Mestre da poesia panteísta Assim era a obra de Gonçalves Dias.

qUANDO jUCA PIRAMA CHOROU Um índio chora ao ver que vai morrer Então é libertado pela tribo dos Timbiras Entregue de volta pelo próprio pai

596Rosane Salles Silva Souza - São Gonçalo – RJ – Brasil - 29/06/1988. Poeta, artesã, contista. Cursa o 3º ano do 2º graus, e pretende fazer Engenharia Agrícola e Ambiental. Ama a vida e se delicia em contar histórias a partir de suas bonecas de panos que cria para despertar o imaginário infantil. Tem inédita inúmeras poesia. Participou do Livro “ O Chamado das Musas. Pô-Ética Humana: O Enigma do Recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira ( Creadores Argentinos, Buenos Aires,2008), com” O Desabrochar” e “ Perfeito Amor”. 597Rosemeire Joanadarc Dias - Rose Dias - São Paulo - Brasil - 21-10-1962, mora atualmente em Mogi Guaçu, in- terior de São Paulo há 20 anos. formada em Letras e mestranda em linguística. Participou de várias antologias, já foi classificada em 1º lugar com um poema pela Editora Nil Verlag – Berlim- Alemanha. Mantemo um blog de poesia, contos e crônicas onde escrevo diariamente, www.rosejd.blogspot.com.br

O velho índio timbira de novo o recusa, -Para morrer é preciso coragem -Só heróis, disse o índio Fazem esse rito de passagem.

HOMEM BRANCO COM ALMA DE ÍNDIO Nasceu depois da independência Morreu no inicio da guerra do Paraguai Filho de português com mestiça brasileira Foi doutor, e das letras teve domínio Homem branco com alma de índio.

Rosineide de Sousa Machado 598

OH! GONÇALVES DIAS Cidadão Gonçalves Dias Que nasceu lá em Caxias Que vive na mente de tua gente Que sabe valorizar O seu lugar.

Oh! Gonçalves Dias, Tão belos eram teus dias, Em meio à poesia Quanta nostalgia, Quando não estava lá em Caxias.

O Maranhão tem muitas belezas Com certezas, Mesmo que não se veja com tanta clareza Mas soubeste destacar no canto do sabiá.

Oh! Gonçalves Dias com teu passado de glória, Refazendo nossa história Que enche a nossa vida, De poesia e glamour que trás o amor.

Quanta inspiração encheu teu coração, Que conteve a escrever Que belos são os teus cantos, Que enche todos de encanto.

Num Maranhão em festa, Pelo que tiveste antes. É nossa homenagem a esse grande poeta, Que tanto valorizou o guerreiro e a floresta.

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598Rosineide De Sousa Machado - Pio XII – MA – Brasil - 06/03/1972; Em prestar homenagem ao grande mestre da poesia, Gonçalves Dias e também ao Maranhão, estado que precisa ter sua cultura conhecida e valorizada.

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Muito aqui mudou, Mas o que ficou no canto do sabiá Que ainda não calou De tanto procurar o seu lugar.

Oh! Gonçalves Dias, O mundo todo te reconhece, Como famoso poeta e merece, Toda nossa devoção pela contribuição.

De valorizar a cultura de tua gente, E em tua homenagem vão mil poesias Por meio do cantar do sabiá, Que ainda há de voltar e encantar seu lugar.

Rozelene Furtado de Lima 599

AH! POETA Pelo teu exílio e tua saudade Pela tua dor do amor perfeito Que perdestes para a o preconceito Pelo fervor da tua luta pela igualdade Pelos nativos da nossa nação Que estão sendo expulsos do seu torrão Pelo teu amor ao nosso chão e a natureza Pela vida, pela raça, pelo sangue. Pelos teus versos de lirismo e beleza Falo-te em nome da Pátria brasileira Nossa terra ainda tem palmeiras E algumas aves cantadeiras Que estão ficando sem árvores para os ninhos Ficarão sem teto nossos passarinhos No céu as mesmas estrelas estão cobertas, embaçadas, E pouco dá para vê-las num véu opaco, enfumaçadas. Nossos bosques estão sumindo Muitas flores não estão florindo Os leitos negros dos rios poluídos a soluçar Secando por não poderem mais navegar Nossa vida está se perdendo em falsos amores E já não tem tantos primores É preciso ser poeta para viver, ver e não desanimar

599Rozelene Furtado de Lima - Teresópolis/R.J./ Brasil - 31/05/1947. Professora, bibliotecária, escritora, poe- ta, artista plástica. Participa em mais de cem Antologias nacionais e internacionais. Textos publicados em Portugal, França, EUA (NY), Espanha, Itália, Suíça, Uruguai, Argentina e Chile ; Livros: Banquete de Idéias de memórias e “No Limiar Sex” de poemas; Verbete no Dicionário de Mulheres Escritoras de Hilda Flores; Per- tence a: AVBL; REBRA; Poetas del Mondo; Academia de Letras de Teófilo Otoni-ALTO-MG; Grupo AGUIA;

LITERART- Clube Brasileiro da Língua Portuguesa BH MG Brasil; Rede de Escritores Independentes e do Livro

Sonoro; Portal CEN. email: rozelenefurtado@hotmail.com

E junto a tua voz gritar em altos brados e fazer ecoar Nos palácios dos governos, na fazedura das leis E mostrar que o meio ambiente ainda tem vez Cantaremos uníssonos tua canção aqui e acolá Para não ficar no passado O patriótico canto gorjeado do sabiá.

Rui Miguel Dias Carvalho 600

INDIA OPORTUNIDADE Gonçaves Dias, diz-me tu o que farias, Se já não pudesses cantar I-Juca-Pirama, Se a tua tropicália fosse já longuínqua nos teus dias, E não conhecesses a Tupi, essa das tribus indias, E fosses traido pelo gotejar da clépsidra, como por quem amas

Para mim, eras um cacique da humanidade:

O Touro Sentado em cadeira de madeira em verde envolta, A partir da qual se podia ver toda a serena claridade, Do rossa azulado madrugador entre copas de mestiça singularidade, Vista pelas tuas íris, firmes e conscientes, sem revolta.

Lembras-me o ar fresco da manhã, De um dia quente, que não promete amanhã…

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AMOR COM UM TOqUE DE SAMBA Para Ana Amélia perdeste o teu coração, Sob o jugo de apelo selvagem, vermelho e bruto, Erigido sob brasas apagadas, por àgua em fogo enxuto, Indomável como o rio Amazonas, digno de devoção.

Mas perdeste-a, devido a aparente cobardia, Sob a qual se escondia a tua profunda desilusão, Por tão vil assombro, de não conseguires a desejada aceitação. Pode lá haver maior amor que o aceite à luz do dia?

Afinal tu eras o fruto do vasto Mundo, Continhas em ti as lonjuras das ondas do mar, Copas verde oliva arbóreas, e o lixo negro do chão imundo…

Pleno, como o possível intangível, De face séria, de saudade e isenta de ilusão. Peça móvel de um Brasil de natureza impassível!

600Rui Miguel Dias Carvalho - Lisboa – Portugal - 1976. Economista e programador; cedo se interessou pela escri- ta mas apenas mais tarde, após a conclusão do seu Mestrado, começou a tornar realidade o seu sonho. A sua escrita bebe inspiração em Lisboa e em Arganil, esta última a sua verdadeira terra, tal como este a considera. Tanto na poesia como nas suas narrativas, é possível encontrar vestígios de paisagens rurais mas também urbanas, ao mesmo tempo que uma preocupação profunda pelos sentimentos das pessoas.

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ÁGUA DO MAR DE GONÇALVES DIAS Essa água em que viajaste é a mesma que hoje nos banha. Esses monstros marinhos que enganaste, semelhantes à baleia que nos acompanha.

Eu sinto a tua tristeza viajante. Mas, sou apenas um lobo aquém, com grande pena minha e vigilante, são estranhas as tuas terras floridas além.

Aquém fica a prece de quem um amor já não tem:

As tuas lágrimas quentes têm o sal das almas crentes!

Morrer de amor, já não é, para ninguém, o destino. Mas, morrer esquecido é talvez o fim mais temido

Samuel Cantoaria Ferreira 601

O MARANHãO Que belo é o Maranhão Tem rios e cachoeiras É uma pena que as pessoas Fazem muitas sujeiras. É uma pena que esteja assim Tudo é culpa da população, Senão sujassem tanto Não ia haver poluição. Mas ainda há belezas No Maranhão Com rios e cachoeiras E muitos casarões. Não permita Deus que eu morra, Sem que ajude a natureza Para quando meu filho nascer Brincar e ver as belezas.

601Samuel Cantoaria Ferreira - São Luís – MA – Brasil - 02/11/2011 - Eu gostaria de participar da antologia por- que queria ser reconhecido pelo país e porque sempre quis fazer um livro.

Samuel Cavero Galimidi 602

LUTO Como se podría expresar la tristeza con los muertos hoy reclamándonos sin olvidar a Gonçalves Dias Cómo se podría expresar el dolor que son surcos de heridas abiertas en la comunidad kaiowá guaraní del campamento Tekoha Guaviry, en el municipio de Amambaí. Si el cacique Nísio Gomes cerró sus ojos defendiendo su territorio 42 pistoleros encapuchados, me dices hermano, lo asesinaron. ¡Ay, qué dolor! Cómo decirte amado poeta que a un Cacique más ya no matarán si ayer nomás Geusivan Silva de Lima, gran defensor de nuestros territorios nativos, líder de los indígenas Potiguara, murió igualmente baleado. ¡Ay, cuánto odio! Esos labios (y los tuyos Gonçalves Dias), acaso reclamando casamiento con Ana Amelia desde los sueños de tu dormida estancia no podrán degustar un terroncito de Tapioca, ni un sorbo humeante del Pirão en el hoyito de nuestras manos, tampoco la sabrosa Pipoca que sale del fogón combatiente. ¡Ay, qué dolor! La tierra cerró esos labios y los tuyos recibió la sangre heroica y hoy, qué importa ya, frondosas raíces crecen se hunden y extienden en la feraz tierra se abrazan cual niños felices como venas abrazadas al Mundo

ES VERDAD Es verdad… Tu hermosa tierra amado Brasil tiene perfumadas palmeras

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602Samuel Cavero Galimidi – Ayacuchano – PERU – 1962 - Doctor en Ciencias de la Educación. Sociólogo, Perio- dista Colegiado, Escritor-Poeta, autor de 22 libros publicados en los géneros: Novela, Cuento, Ensayo, Teatro, Poesía, Biografía y literatura de Estudios Indigenistas. Es actualmente Presidente de la Asociación de Escritores y Artistas del Orbe (AEADO). Mención de Honor en la IV Bienal de Poesía Infantil ICPNA, Lima, 2011. cave-

ro2012@hotmail.com

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Pájaros juglares que mil tonadas cantan y muchas maravillas bajo tu cielo tiene estrellas parpadeando…abrazándonos hasta este rinconcito del Continente. Es verdad… Tu tierra tiene otras bellezas Allí canta el tordo y aquí el Turtupilín macho Recordando que alguna vez existió hermoso aguerrido celoso guardián del bosque Tupá, Tupá el gran cacique valiente y allí los ojos alertas del gran Raoni Metuktire y nuestros pueblos indígenas están siempre presentes.

RAONI Gran líder de los Umoro Kayapó yo no vengo de los metuquitire. ¡Soy de los amorquitere! Mi hondo pensamiento fraterquitere está en ti hermaquitere buscando como tú defenquitere colgar un globo terráqueo de hermandaquitere en mi labio inferior y llamarme Jaguaribe ser Gran Pájaro, ombligo del Capiperibe

BRINDO UNA COPA DE VINO POR GD ¡Déjame oír tus latidos! Alza la cruz de tus manos Se perfumarán los pantanos Y los pájaros hermanos Dormirán paz en sus nidos. Si a tanta injusticia humana El perro al ladrón de tierras Ladra, aunque la espartana Alma del indio defiende si yerras Tú: ¡Cacique de hermosas tierras! Ruego vuelvas tu verde hogar Henchido de Hermandad y Paz Con lluvias y truenos así rogar Tu verdor del que siempre capaz Amoroso beso eres al ensoñar.

Sobre mi pecho reclina El recuerdo de tus versos De clara luz matutina Y tu mestiza voz ilumina Hasta a los más perversos. Tus versos románticos trashumante de otras huellas América mestiza dais cánticos cuando a nuestro paso bellas historias por ti son estrellas. Poetas del Mundo amados Vienen a besar tus recuerdos De Brasil son Pegasos alados Ruiseñores tan cuerdos Heraldos de poemas llorados. Beso de perfumes ungida, Por los ángeles perdura Oros por el cacique dura Si mi pena nunca es fingida Cuando odios del bosque cura. Cuando tú estabas perdido En mis propias soledades Mis versos han recogido Tu, Hermes, vibrante latido Voz de las hermandades. Hoy recorren quimeras, De primaveras desbordadas, Cual locas diosas amadas, Navegan como remeras De palabras encantadas. Para ti Brasil ha sido Amor y oro de pasión El más bello terruño y nido en sueños son ilusión Que la historia ha latido. Sean estos versos pergamino De tus lauros que hoy canto Para quien estrellas camino Abre como versos de encanto ¡Por eso, GD, brindo por ti una copa de vino!

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Samuel de Sá Barreto 603

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PARTIDO Minha saudade é trigueira É um foco além do mar, Ouço o vento na palmeira Que aumenta o meu penar.

Todo dia é o mesmo pranto Quando lembro minha terra, Do sabiá me vem um canto Da sombra daquela serra.

Meu retorno sem demora, Que só me faz recordar, Que na minha terra mora A mulher do meu sonhar.

Digo logo, estou voltando Vivo sempre a imaginar, E no meu torrão chegando Vou poder enfim amar.

Minha terra é mais querida, Minha amada é uma flor, Não terei dor atrevida Nos braços do meu amor.

O MAR Para um sabiá que canta Seu canto o mar naufragou, Tragou o corpo, sua manta, No cais Amélia chorou.

Foi o poeta nas águas, Salgar o amargo vazio, Bebeu o choro das mágoas Vagou no seu desafio.

Mas não ficou enterrado A sua vida é constante, Na sua obra é marcado Pela sua verve brilhante.

603Samuel de Sá Barreto - Poeta, compositor e cronista. Licenciado em Letras. Sócio fundador da APOESP – Associação dos Poetas e Escritores de Pedreiras. Membro fundador da Academia Pedreirense de Letras, ocu- pando a Cadeira Nº 08. Tem publicados os Livros, S.O.S. LIBERTAÇÃO (Poesias – 1997); TESTAMENTO DE JUDAS (Cordel em parceria nos anos de 2006, 2007, 2008, 2011, pelo Laborarte); A RUA DA GOLADA E SUA IDENTI- DADE (Crônicas – 2010) pelo plano editorial Gonçalves Dias –SECMA. E a publicar tem OPERÁRIO DA CANÇÃO, VERSOS CINZENTOS, PEDREIRAS EM VERSOS (poesias); DO ALTO DA PEDRA (crônicas).

IMENSIDãO Toda Ana arrasta a gente Deixa o peito indigente Sem saber o que fazer Tem na lira a canção E nas asas um alçapão Onde quero me prender.

Vou embora para o mar Lá eu posso navegar No azul da imensidão. Carrego essa lembrança Daquela tarde criança Que se foi feito clarão.

Sou passado submerso Na saudade já não meço, Nas ruas com azulejos. Vago nas noites sozinho Sou um sabiá sem ninho Nas horas lentas, andejos.

Sou poeta maré cheia Que sonha com a sereia Nessa procela profana. Recordo as nossas horas, Os nossos beijos, amoras, Se eras Amélia ou Ana!

Voltei, voltei vou ficar, Velando as ondas do mar, Aqui eu sou Poseidon. Durante o tempo que for, Serei sempre seu amor Um trovador de neon!

qUADRA ROMPIDA Lá na praça dos amores Um dia deixei alguém, Levei no peito as dores Do bem que queria bem.

E fui pra longe, eu fui, Sofri de dor e saudade, Ter seu amor nunca pude, Passei a não ter verdade.

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VAGANDO Meu Deus é Tupã Guardando a selva, Lua é uma irmã No leito da relva.

Nos braços da noite Ouvir gritos fortes, Tambores de acoite Guerreiros do norte.

A força da flecha Zombou da alegria O tempo se fecha Na dor da agonia.

Guerreiro chorou Com a alma ferida, A luz se fez cor Vencendo a partida.

Desceu pelo rio Uma água sagrada, E um índio é rio Nas curvas do nada.

Quem foi e não veio Deixou a lembrança, Vagueia no seio Da luz de esperança.

Os gritos ouvidos Acordam o além, São dores, gemidos, Dos braços de alguém.

É uma fria saudade De canto dolente, Travou uma idade Da voz do valente.

E agora que clama

Nas noites de lua, Seu canto reclama

A mágoa tão crua.

Guerreiro que grita Querendo paixão, Numa taba restrita É a luz do clarão.

Saulo Barreto Lima Fernandes 604

GONÇALVES DIAS +100 Que imensa saudade tu fazes Oh, gênio-poeta dos cocais e da metrificação. Naquela fatídica viagem regressiva de navio, Deixaste tragicamente órfão o teu torrão.

Tua vontade era voltar a viver aqui, junto aos teus pares, No aconchego da tua estimada e vigorosa ilha grande do Maranhão. Juca-Pirama e as palmeiras onde cantam os sabiás jamais fenecerão Te dou a minha humilde palavra. Não te preocupes! Não turbes vosso majestoso coração, Pois afinal de contas, és bravo, és forte e nada que proveio de ti, foi em vão.

Hoje, na tua praça, amparaste dezenas de jovens intransigentes, Tua estátua, no Largo dos Amores, permanece lá, imponente. És testemunha cotidiana dos belos solstícios e de chuvas intermitentes, És patrono-mor daqueles apaixonados enamorados e dos mendigos inocentes.

Espero que permaneças vivendo por mais e mais 100 anos, A Athenas Brasileira não é a mesma sem tua presença. Poetas e escritores continuam sedentos pelos teus ensinamentos, Ninguém se acostumou a viver sem tua singular sapiência.

Viva a longeva existência do poeta anfitrião, Viva o centenário do mito chamado Gonçalves Dias. Viva os 400 anos da ilha de São Luís, Viva o glorioso Estado do Maranhão.

Saulo Daniel dos Anjos Leite 605

ENTRE PALMEIRAS, O SABIÁ. Na terra brasilis cercada de flores, Em meio aos verdores da altiva nação, Avistam-se palmeiras aos seus arredores, Lembrando as matas da sua canção.

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604Saulo Barreto Lima Fernandes - São Luís/MA Brasil - (17/05/1983). O autor já colaborou com vários jornais locais e trabalhou em diversas edições da Feira do Livro de São Luís. Na vida literária alcançou o 1º, 2º e 3º lugares mais Menção Honrosa em diversos Concursos Literários pelo país, sendo publicado em diversas cole- tâneas. Email: sauloblf@gmail.com 605Saulo Daniel dos Anjos Leite - São José do Egito-PE – Brasil - 30/04/1987. São José do Egito-PE, é conhecida como a terra da poesia. Atualmente mora na cidade de Caruaru-PE, terra conhecida pelos famosos festejos juninos. É servidor público federal e Bacharel em Direito. Escreve poesias no blog http://derepentepoesias. blogspot.com.br/.

No meio das tabas de insondáveis mistérios, Mil homens se erguem, escutam de pé, Mil vozes cultuam prelúdios de glórias, Mil cantos guerreiros do velho pajé.

No centro das tabas de antigos terreiros Gorjeiam altaneiros os seus sabiás, E os sábios guerreiros da tribo feroz, Ruflando os tambores, Escutam-lhe a voz:

“Eis-me aqui”- diz o poeta da tribo do norte, “Seus cantos, suas vozes me chamam da morte, Guerreiros ouvi:

Fui homem de sorte que antes da morte As várzeas de flores e a palmeira tão nobre Da pátria eu vi”.

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Erguendo em festa a tribo se alegra, Ouvindo a voz do velho poeta, Que um dia cantou como as aves daqui.

Para o exílio da morte partiu nosso Dias, O velho Timbira da tribo Tupi, Envolto nas águas calou O Valente, Restou sua voz na boca das gentes, E sua memória legou no porvir.

Tupã, o seu Deus, em pé recebeu o Chefe Tupi, Rendeu-lhe homenagens e mandou que entoassem Em todas as partes sua canção feita aqui. Os povos e as gentes da remota nação, Ergueram seu lábaro e de ouro cunharam O mais alto brasão.

E entre palmeiras, à noite, Com seu canto certeiro, Vem ao terreiro, o seu sabiá. Gorjeando bem alto, entoando bem forte, No meio dos bosques a canção varonil:

“Os céus de estrelas, As várzeas de flores, São altos primores, Da terra Brasil”.

Sebastião Luiz Alves 606

CHUVA DE SAUDADE

“E o céu que cobre essa terra bendita é sereno e estrelado, e parece refletir nas suas cores fulgentes o sorriso benévolo e carinhoso de quando o Criador o suspendia nos ares como um rico diamante pendente do seu trono.”

Antônio Gonçalves Dias

O ritmo da chuva Face de noite sem luar Floresta desnuda Faz sonhar!

Leva a espaços tropicais Universos violados no silêncio Abarca no cais E volto a sonhar!

Convivi com tantas culturas Que impressionam e apavoram Também Retrato de esperanças Sonhos que encantam.

Lembranças de outrora Chuvas de saudade Solidão, canção romântica, Lágrimas sem fim.

O ritmo da chuva Semblante de minha terra Exílio distante E o pensamento vive!

Tempos mortos Vida que se esconde Desaparece na brisa do vento Que se apaga toda verdade.

Rosto de decepção Reação em cadeia Tenta abrandar meu coração Sangue patriótico que corre minha veia!

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606Sebastião Luiz Alves - Curitibanos-SC, Brasil - 15/07/1957. Tenho 7 livros publicados: Revolução farroupilha, Guerra do Contestado, Heróis da Liberdade, Holocausto no Sertão e Revolta dos Excluídos que encontravam- se no Domínio Público do MEC, os quais retirei em 2012. Outros: O Contexto do Contestado e Clovis José Menegatti Uma História no Tempo e 28 Blogs na rede. Além de possuir diversas poesias, crônicas e contos publicados em Antologias em português e espanhol.

SELVA DE PEDRA “vossos Deuses, ó Piaga, conjura, Susta as iras do fero Anhangá. Manitôs já fugiram da Taba, Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!” Antônio Gonçalves Dias O ser humano, a raça humana, É uma fera irracional com sentimentos de pedra, Com emoções abstratas. Sente em seu coração obsesso, Coisas e atos que levam segundas intenções, Visam benefícios próprios, De olho nos degraus do poder!

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A ânsia possessiva em demonstrar a multidão cega, Preconceituosa pela cor da pele, Preconceituosa por possuir um pedaço de terra, Mascara! Machuca e fere As entranhas de seu orgulho. Infelizes Mortais! Nobres da Europa, Nobres da América, Flagelo de hipocrisia, Pois sinto em casa O cheiro da floresta E a inocência do Índio Tupi!

Sentado à beira do caminho de meus pensamentos, Distante de minha terra, Floresce os sentimentos, Senti cheiro da selva, Água barrenta do Amazonas, Senhor dos Rios, beleza que encanta, Lembro-me dos cantos Piaga, Fúria de anhangá, Crença dos Índios Tupi!

Tentei imaginar, Procurei viver o divisível, Mas fiquei preso no vazio, Fiquei preso no que não sei! Não sei!

Não sabemos nada dessa vida.

Tudo,

Porque temos de viver um pouco de nós, Um pouco de humanidade, Nessa selva de pedra!

Sabe

Tudo

Selmo Vasconcellos 607

POESIA INDIANISTA Para Gonçalves Dias O grito do guerreiro é silencioso. A onça raivosa é silenciosa. O canto do sabiá é silencioso. Toda floresta é silenciosa. Só o homem branco que quebra o silêncio.

Sérgio Augusto de Munhoz Pitaki 608

São Luís DE GONÇALVES DIAS São Luís do Maranhão, de França, Holanda e Portugal Luis IX, “São Luís”, Luis do século XVII Num repente a Holanda se fez mortal Com o primeiro saque, do muito que se repete

Bravos índios que expulsaram a inicial Nazaré Resistiram aos portugueses com a força nativa Na Capitania de João de Barros, com luta e fé mantiveram sua terra com valentia definitiva

Nossas vidas, por seus filhos povoadas Aluízio de Azevedo, Ferreira Gullar e Gonçalves Dias com as raças estampadas

Enfim, o patrimônio da Humanidade, São Luís Nos recebe em cerimônia, entre palmeiras, O gorjeio do sabiá e o melhor amor que há!

GONÇALVES DIAS – UM ACRÓSTICO Antes de mais nada diga-se de passagem Novos poetas não aparecem como esse Todos os versos nos ensinam sempre Os maiores valores da nossa terra Navios vão e vem, a terra fica Índios fizeram parte das estrofes Ovacionadas pelo Brasil inteiro.

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607Selmo Vasconcellos - Bangu, Rio de Janeiro, RJ – Brasil - 6 de outubro de 1951 –reside em Porto Velho, RO, desde 1982. Administrador, editor de cultura, divulgador cultural e escritor (poesias, contos e crônicas). Editou a página literária impressa e semanal LÍTERO CULTURAL / jornal Alto Madeira, Porto Velho, RO, no período de 15 de agosto de 1991 a 5 de julho de 2012 (1115 páginas). *Site: www.selmovasconcellos.com.br 608Sérgio Augusto de Munhoz Pitaki – Curitiba – PR – Brasil - 19 de março de 1956. Médico Radiologista. Pre- sidente Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (2013/14) e da Regional do Paraná. Publicou os livros: - ÁGORA (poesias, 2003), AURORA (poesias,2008), ALERE (poesias, 2013). Acadêmico Titular da cadeira 21 da Academia Brasileira de Médicos Escritores. Acadêmico Titular da Academia Brasileira de Meda- lhística Militar. Membro Titular do Centro de Letras do Paraná e da Oficina Permanente da Poesia da Biblioteca Pública do Paraná. e-mail: sergiopitaki@gmail.com

Gigantes através do Atlântico foram a Lisboa Outros voltaram com o coração cheio de amor Navegaram ida e volta mas declararam Com todas as vozes, Amaram e através das letras Legaram-nos memórias Verdades que jamais poderemos Esquecer. Sempre há de lembrar-mo-nos do passado.

Devotaremo-nos com nossas forças Inda que contrariedades nos obriguem, pois “Aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá” Salve o Sabiá que aqui gorjeia muito mais que lá.

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Sérgio Gerônimo Alves Delgado 609

MAR ZôNIA

Oh! quem foi das entranhas das águas, O marinho arcabouço arrancar? Nossas terras demanda, fareja

Esse monstro

– o que vem cá buscar?

( in O Canto do Piaga, Gonçalves Dias)

as águas claras do rio branco se embrenham às escuras do rio negro depois de muitos afluentes das margens observam tukanos caiapós, yanomamis, saterés o tempo nunca passou do alvorecer à chegada da lua luz imensa refletida em todos os igarapés até que o irmão homem-urbano de matizes e falas diversas em barcos grandes aportou no mar zônia e por todos os lados receberam remos ponteiros a ditar novas escalas de horas silenciaram-se referências culturais ao som de motosserras estrangeiras ou não

609Sérgio Gerônimo Alves Delgado – Rio de janeiro Brasil - poeta carioca, cronista e ensaísta. Editor-chefe da OFICINA Editores. Publicou em poesia: “Profanas & Afins”; “Outras Profanas”; “Enfim afins”; “Coxas de Cetim’’; “Gemini”; “PANínsula”; “BelaBun”; “Código de Barras”; “Conversa proibida”; “Urbanosemcausa”; Fundador da APPERJ, atual Presidente, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE/RJ. Tem poemas publicados e vertidos em inglês, espanhol, francês, italiano, russo. Coordena o evento poético no Rio de Janeiro: “Te Encontro na APPERJ” e o Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro. Participante ativo do circuito de poesia contemporânea.

modificaram crenças em atitudes salvadoras mapas redesenhados em nações povos gentios doenças multiplicaram-se em intimidades intimidadoras clareiras abertas gritam aos céus a poesia em desmatamento desmandos sociopolíticos aos povos da floresta resistir às investidas indígenas versus homens de branco versus homens de preto versus homens indígenas urbanos metropolitanos este jogo é arbitrário conivência sustentável aldeia global coexistência inda que tardia

Sergio Ryan Abreu Silva 610 -

CANTOU SUA TERRA

A

cor da sua pele, quem diria.

Ia

além do sangue.

Guerreiro simples e sábio um poeta se ia!

O mundo teve um poeta de raça.

Raça que conquistou ate seu nome em praça.

Cantou sua terra com suas palmeiras.

A Deus fez até pedido!

Deus o ouviu e lhe deu um dia. Permitiu ainda em vida voltar.

A tão estimada cidade de Caxias!

Sergio Santos 611

CANÇãO PARA GONÇALVES O poeta desta terra, Que cantou o sabiá, Que também cantou as palmeiras Deixou um eterno cantar.

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610Sergio Ryan Abreu Silva – São Luís – MA – Brasil 13/04/2002; Motivo da Participação: Pelo prazer de escrever em homenagem a este poeta maranhense que cantou sua terra! Cursando: 5º Ano – Turma: C – Profª Shirle Maklene EPFA 611Sergio Santos - Belo Horizonte-MG – Brasil - 1980. Mora em Rio Branco-AC desde 1989. É graduado e mestre em Letras, pela UFAC, onde é professor de Língua Portuguesa. É autor de O REGRESO, romance lançado em 2011, além de vários textos publicados em coletâneas de concursos literários.

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Viveu em tempos românticos. Enfrentou a solidão, Morreu no mar desta vida, Sem retornar ao seu chão.

Fez cantar todo o Brasil Em belezas de rimar A terra que tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Foi poeta de amores, Vividos aqui e acolá. No Brasil, pais que amou, E na terra de Além Mar, Onde não tinham palmeiras, Que cantasse o Sabiá.

Permita-me, Deus, que eu cante Os primores que tem cá, Como cantar o poeta Que me ensinou a cantar E que deu vida às palmeiras, Onde canta o Sabiá.

POEMA PARA GONÇALVES DIAS Minha terra tem poetas Que cantam os sabiás; E as aves que aqui gorjeiam, Só gorjeiam se rimar No poema do poeta Que o Brasil fez encantar, Cantando também as palmeiras Onde canta o sabiá.

Minha terra tinha um poeta Que criou o sabiá, Que deu a todas as aves O mais belo gorjear, Que plantou todas as palmeiras Para cantar o sabiá. Gonçalves Dias era seu nome – Eterno é o seu cantar.

PÁSSARO POUSADO Numa palmeira frondosa Daquelas mais belas que há, Não canta mais, fica triste O mais belo sabiá. Foi-se quem tanto o amou

Para nunca mais voltar. Na verdade, ele nem voltou Por que Deus o quis no mar, Que é o lugar mais perfeito Para o poeta morar. E por mais fundo que seja As profundezas de lá, Ele ouve o canto triste Do mudo e órfão sabiá.

Sidclei Nagasawa Costa 612

DIAS DE GONÇALVES Dias que se foram Dias felizes de salves Dias de árvores que gorjeavam Dias de Gonçalves.

Sidiney Breguêdo 613

A AMADA PÁTRIA DE TRÊS CORES Ergo a taça, Em respeito. Numa plataforma onde nasce a aurora Pássaros de mil cores gorjeiam Música e flores quebram em antese, Alaúde ao bom poeta Que junto aos índios brasileiros Fez festa. Rastro de água cristalina O navio Ville de Boulogne singla o mar, Dentro dele o poeta escreve cartas etnográficas. Faz nascer um povo Esquecido pelas descobertas. Ticunas, guarani, caiagangue, Riqueza natural a corre nas veias do país, Como próprio sangue. Gonçalves dias chegou à cidade, Embalou jovens

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612Sidclei Nagasawa Costa - Registro-SP – Brasil - 11 de dezembro de 1974. Atualmente mora em Cascavel onde trabalha como professor de língua portuguesa. Apaixonado pelas letras, foi o ganhador do Concurso Cataratas de Literatura – categoria poesia – em 2012, com o poema “Capitu sou eu?”. Também foi um dos vencedores do Concurso Literário de Presidente Prudente 2012, com o conto “12 de outubro”, publicado na Antologia CLIPP. 613Sidiney Breguêdo - Monte Azul-MG - Brasil - 22 de janeiro de 1972. nasceu em Monte Azul-MG e mudou-se para Brasília, ainda criança. Apaixonado por arte, literatura e todo tipo de conhecimento é poeta engajado no movimento cultural do país. Seu primeiro livro foi O jacaré pensador, onde reuniu dezessete anos de sua poesia. Mas o autor escreve romances, contos, crônicas e quadrinhos, deste último sendo autor de O padre e o anjo, tira de humor

Nos áureos dias de tenra idade Quando horas cívicas tornavam aprazível o Brasil. Soldado perfeito, uniforme e bandeira, Mão esquerda Como lastro do próprio peito. Foi poeta, não duvide, e foi herói A correr com índios até a praia, Praia grande, praia doce, praia do arpoador. Gonçalves negro, Gonçalves branco, Vermelho feito coração rabiscado por criança, Gonçalves dias do amor. Ergo a taça Em respeito As águas não apagaram O que é direito.

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Silvana Maria Moreli 614

CANÇãO DO EXÍLIO 615

Se eu pudesse cantar o meu país e,

Se para isso Deus tivesse me provido do dom da poesia, Da música, da voz Com certeza eu entoaria uma melodia Que enaltecesse suas belezas naturais, Sua fauna, sua flora, sua gente, suas diferenças culturais.

Cantaria o clima tropical, as matas, as florestas, As praias, as montanhas, o turismo;

A beleza da mulher brasileira, seu exotismo;

O povo que improvisa, o folclore e as festas; A maneira peculiar de se falar a mesma língua De forma tão diferente Ah! O sotaque dessa minha gente!

Cantaria o índio - povo valente, povo guerreiro; Cantaria o negro, o branco, O amarelo, o mulato Cantaria a mistura de raças que deu origem Ao que hoje chamamos “bravo povo brasileiro”!

614Silvana Maria Moreli - Pitangueiras – SP – Brasil - 18 de agosto de 1965. Atualmente reside e trabalha em Be- bedouro-SP. Com Pós –Graduação (Lato-Sensu) em nível de Especialização em Língua Portuguesa (UNICAMP/ Redefor) e em Gestão Escolar (Faculdade São Luís - Jaboticabal); com graduação em Administração de Empre- sas pelo Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro IMESB (1996) e graduação em Letras – Unifafibe (Bebedouro-SP). Atualmente atua como Professora de Educação Básica II-efetiva do Governo do Estado de São Paulo. Esse poema faz parte de um projeto desenvolvido na EE Domingos Paro – disponível em http://www.

silmoreli.blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio.html

615Silvana Maria Moreli. Neste bimestre trabahei um Projeto muito interessante com os meus alunos das 7ª sé- ries: “Paródias, Paráfrases, Intertextualidade e afins: (re)visitando a “Canção do Exílio - de Gonçalves Dias aos nossos dias”. http://silmoreli.blogspot.com.br/2009/09/cancao-do-exilio.html, Poesia compilada por Leopol- do Gil Dulcio Vaz – Curitiba – PR – Brasil – 1952; Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Universidade Estadual do Maranhão

Cantaria o que é bem nosso - “paixão nacional”:

- Futebol e Carnaval! Cantaria os ídolos que dão “Olé”:

- Nosso inigualável Pelé!

Cantaria a música que cruza fronteiras e é um poema:

- Nossa “Garota de Ipanema”!

E aquele alguém que já ‘partiu’ e deixou uma lembrança tão amena:

- Nosso inesquecível “Airton Sena”. E a música ainda, há tanto para cantar:

- Vinicius, Caetano, Gal, Betania e Gil Como é “grande” esse meu Brasil!

É claro que tem defeitos, esse meu amado país, Mas quem não os tem Problemas? São infinitos, não se podem enumerar:

Político, econômico e social (melhor não citar)! Mas também tem a garra e a esperança, (a fé e o sorriso da criança) - Desse povo que luta todo dia e não esmorece. Povo otimista, que trabalha e não entristece. A espera de um dia melhor que está por vir. E virá, se Deus assim o permitir!

A cabeça fervilha, há muito ainda por cantar (o Brasil é tão rico!),

As idéias vão brotando e a memória insiste em lembrar Que ainda há muito por cantar Oh! Meu Deus por que não tenho o dom da música? Por que é tão difícil sintetizar um sentimento? Eu sei que agora Deus escuta meu lamento,

E

talvez, por certo, esteja me incluindo em algum plano

E

me presenteie no futuro - (já que não é nato),

com aquilo que almejo: talento!

Simone Pinheiro 616

qUERIDO POETA Meu Poeta Maranhense, guardo ti em meu peito amado com muito zelo, seus versos gloriosos.

É um forte guerreiro como um sabiá a cantar em nossa terra maranhense, um sonhador que escreve poesias a tocar os corações do nosso povo maranhense.

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616SIMONE PEREIRA PINHEIRO. - São Luís – MA – Brasil. Graduanda no 6º período em Letras/Portuguesa na Faculdade Atenas Maranhense- FAMA. Pós graduanda no 1º período em Libras na Faculdade Santa Fe. Surda.

Poeta!Sonhador!Sol fulgurante nos nossos corações. Poeta!Seus versos jamais serão esquecidos! Seus versos serão sempre lembrados em cada boca saído pelos poetas e povos maranhenses. Ao recitar suas maravilhosas poesias enriquecido pela nossa Literatura Maranhense, e lembrando o quão poeta foi no passado ainda hoje e ainda hoje você é um poeta guerreiro.

CANÇãO DO EXÍLIO Minha terra tem poesias, Onde recita os mais lindos Versos do nosso poeta Maranhense! As poesias, aqui recitadas Não são esquecidas.

Nossos versos tem mais emoções Nossas palavras tem mais encantos Nossas recitações tem mais alegrias Nossas poesias mais valores.

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Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro nas suas poesias Minha terra tem poesias, Onde recita os mais lindos Versos do nosso poeta Maranhense!

Minha terra tem poetas, Que recitam suas poesias, Oh Gonçalves Dias!; Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro nas suas poesias Minha terra tem poesias, Onde recita os mais lindos Versos do nosso poeta Maranhense!

Não permita Deus que eu esqueça, Jamais do meu poeta amado; Sem que desfrute os versos desse guerreiro amado Que tanto amo; Quero sempre encantar com os versos e levar ao povo maranhense A sua poesia recitada.

POETA GUERREIRO Nasceste no lugar humilde Filho de um português e de uma mestiça Onde viveram na nossa terra maranhense.

Gonçalves, lutador pela sua pátria amada És um poeta amado, um poeta brasileiro E um poeta maranhense.

Tu cantas seus versos dos mais vivazes de coração e alma Onde encantam as almas maranhenses Sentindo o sabor das suas palavras encantadas.

Poeta, poeta, meu amado poeta Tu jamais serás esquecido com os seus versos em nossos corações Viva Gonçalves Dias!

POETA DAS MARAVILHAS Um guerreiro do Sol, maranhense, forte, inabalável, assim é o nosso Gonçalves Dias um homem de forte inspiração.

Um poeta de grande destaque, um celebre ao povo maranhense e ao povo brasileiro

Veja meu povo! Quão grande é ele quão grande foi um sonhador Vamos meu povo inspirar as suas poesias

Suas poesias inabaláveis em nossos corações no qual seus versos eram seus sonhos e que nos fez sonhar também!

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SONHADOR INSPIRADOR DE POESIAS Um sonhador que subia no mais alto sonho Um sonhador arrebatador de corpo e alma Um sonhador que encanta qualquer um com Com suas belas poesias recitadas. Assim é o Poeta! O nosso Gonçalves Dias! O poeta do povo maranhense! Um sonhador que inspira sentimentos sublimes Ao escrever em cada folha de papel, As suas palavras voam ao ar, Voam aos sentimentos, Voam aos corações de quem as suas belas poesias. Assim é o Poeta! O nosso Gonçalves Dias! O poeta do povo maranhense! Gonçalves Dias, meu grande, real e inspirador poeta Você me conquista com suas pequenas poesias suaves Um poeta inspirador em palavras poetizadas. Viva !Viva Gonçalves Dias!

Sinésio Lustosa Cabral Sobrinho – Sinésio Cabral 617

O SAUDOSO GONÇALVES DIAS, NA ATENAS BRASILEIRA São Luís é mesmo: a Atenas brasileira. Gonçalves Dias tem nome, na História. Festejado Poeta e, de alma altaneira, que Deus o tenha no Reino da Glória.

Nossa vida: se é mesmo passageira, neste mundo, com efeito, transitória, o Poeta vai, mas deixa alvissareiro o que fez: de inesquecível memória.

Poesia não se faz. Bem que acontece. Não deixa de ser poema: o que ele faz, ao lusco-fusco e, então: à Hora da Prece.

Bem que, ao, Por do sol, leitor, tudo esmaece. A luz do dia, aos poucos, se desfaz, enquanto a Tarde cai e a Noite desce.

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ATENAS BRASILEIRA 618 São Luís do Maranhão, sempre a Atenas Brasileira, teus filhos ilustres são, dentro e fora da fronteira.

Quer na praia ou sertão, na cidade ou na ribeira, os maranhenses estão como jóia de primeira.

Sarney, Eugênio de Freitas, Dilercy Adler, também, e por tantos outros feitas

tamanhas promoções em letras e artes perfeitas que a engrandecem muito bem.

617Sinésio Cabral - Sinésio Lustosa Cabral Sobrinho - Várzea Alegre – CE – Brasil - 22 de maio de 1915, Filho de Genésio Lustosa Cabral (Magistrado) e de Líbia Lustosa Cabral (Professora Pública). Em tenra idade (em companhia dos Pais), a infância, em Taperoá-PB. Há vários anos, reside em Fortaleza-CE. Procurador de Justiça (aposentado). Casado com Maria Diva Ximenes Cabral. O doce Lar: enriquecido com filhos, netos e bisnetos. Escritor, Professor, Poeta, Jornalista. Editor do Mensageiro da Poesia, de grande projeção. Tem livros publica- dos, em prosa e verso. Com 96 anos de idade, graças a Deus: lúcido, com sol no seu entardecer, a descer a Montanha da Vida, bem humorado, como se, ainda estivesse: na subida. Faleceu no dia 10 de maio de 2012 (após mandar sua poesia ) 618In: LATINIDADE – III Coletânea Poética da Sociedade de Cultura latina do Estado do Maranhão, pp.77, 2002.

Homenagem Póstuma de Dilercy Adler 619

A SINÉSIO CABRAL E GONÇALVES DIAS “Mensageiro da Poesia” Sinésio Cabral levando ligeiro rimas e rimas de lágrimas de amor de dor de alegria de louvor à vida

e em seus últimos dias

uma bela homenagem ao eterno e amado poeta Antônio Gonçalves Dias.

Sinésio e Antônio Cabral e Dias envoltos nos véus de amor devotado aos humanos todos os humanos de todas as raças de todos os gêneros de todos os credos revestidos ou não de doce/ingênua magia

Sinésio e Antônio Cabral e Dias Deixaram em seus rastros Indubitavelmente imensurável amor traduzido em morte sangue suor e amor e profícua muito profícua poesia!

Dilercy Adler, Em 13/06/2012

619Nota: Sinésio Cabral era o Editor do “Mensageiro da Poesia”.

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Solange de Aragão 620

MINHA TERRA TEM PALMEIRAS Gonçalves Dias, poeta, cantou em sua poesia toda beleza que havia nas paisagens brasileiras. Lembrou dos campos, das flores, do céu azul que existia de toda poesia que havia em sua terra de palmeiras.

Descreveu os lugares mais lindos que há muito tempo não via Mas que tão bem conhecia na saudade dos tempos de exílio.

Pois viveu na terra das palmeiras e viu, de tantas maneiras, tudo de lindo que essa terra dá.

Uma terra de palmeiras tão soberanas, nessas paisagens tão brasileiras, onde cantava e ainda canta o sabiá.

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Sonia Nogueira 621

GONÇALVES DIAS O estado Maranhão te viu nascer, Na mestiçagem ergueste tua voz, Em cada pedacinho do teu vencer, A palavra gritava qual albatroz.

Voo pelos mares até Coimbra, Levando saudades nos teus pensares, Na “Canção do Exílio” toda timbra, Que amordaçava teus belos sonhares.

Que hora gigante da poesia, As mãos rabiscavam na solidão, Os ventos rugiam pela maestria,

Até o sabiá na palmeira trinava, Compartilhando da cara emoção. O regresso pedia, e Deus atinava.

620Solange de Aragão - Belo Horizonte -MG - Brasil - 17/06/1973. Arquiteta, urbanista, mestre e doutora pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorado em História pela FFLH-USP e pós-doutorado em arquitetura pela FAU-USP. Autora de Ensaio sobre o jardim, Ensaio sobre a casa brasileira do século XIX, Saudades de BH e No interior do quarteirão – um estudo sobre as vilas da cidade de São Paulo. 621Sonia Nogueira - Giqui, Jaguaruna-CE – Brasil - 11 de fevereiro, Educadora, Graduada em História, Estudos Sociais, pós-graduação Planejamento Educacional, Língua Portuguesa e Literatura - Membro da Academia Feminina de Letras do Ceará, Academia de Letras dos Municípios do Estado de Ceará, Academia Cearense de Belas Artes, Associação Cearense de Escritores, Poetas Del mundo, http://www.sonianogueira.prosaeverso. net/

SEU GRANDE AMOR O olhar se debruçou na mulher musa, Ana Amélia, de amor e inspiração, Trouxe igual mordaça e teor recusa, A tristeza esmagou seu coração.

Rio de Janeiro o reduto desolado, Olímpia da Costa, outro amor viveu, Mas o coração escravo arrebatado, Guardou dentro do peito, não morreu.

E veio o reencontro, anos isolados, Na lembrança do tempo conservou, O poema brotou aos olhos alados,

Quase imitando Julieta e Romeu, Não lutou em nome do seu amor Poetou: Ainda uma vez — adeus!’,

GONÇALVES DIAS Quero dos teus versos toda beleza, Das palavras a melodia de amor, Dos sonhos a poesia que professa, A saudade que o tempo não matou.

Jovem inda partiu no isolamento, Destino naufragado de um navio, A sina abraçou, mudo lamento, Enfrentou, porém o rude desafio,

De registrar palavra com fulgor, Com o poeta Alencar do Ceará, A natureza apontava esplendor,

Vivendo co’a emoção do romantismo, Bebiam juntos, fonte e emoção, Nos versos que entoavam lirismo.

OFERTA Oferto a ti, Gonçalves poeta, Meu melhor elogio, meu saudar, Pelos anos aqui, pela coleta, Da palavra lírica em teu poetar.

Os anos te correram apressados. Nem o cabelo grisalho alcançou, O frio não congelou teus achados, Mas imensa glória ti projetou,

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Nas páginas da academia a palavra, Sendo imortal teu nome nunca apaga, A senha registrada que se propaga.

Mil sonetos a ti registram agora, Tua lembrança viva que se aflora, Num cabedal de imensa e rara lavra.

APELO DO EXÍLIO Tua terra tem palmeiras, Cantará sempre o sabiá, E gorjeiam melhor que lá, Aqui do lado de cá. Estrelas daqui são belas, As flores enfeitam o lugar, A vida, nos bosques, singelas, Os amores aqui de encantar. Na noite, sozinho, a imaginar,

Vias mais prazer aqui no lugar, Com tantas belas palmeiras,

E o sabiá a cantar.

Tua terra tem palmeiras, Lá nunca hás de encontrar Nas noites cismavas a só,

O prazer aqui do lado de cá, Com todas as palmeiras, E o sabiá a cantar. Morrer jamais, Deus permita, Rogavas pra aqui voltar,

E não perder os primores,

Que lá não vais encontrar, Vê-las, todas as palmeiras, Onde canta o sabiá.

Sophia Braga 622

DIAS MENINO Penso no poeta pequeno Descalço, correndo por entre o pomar Na cozinha, a mãe preparando o almoço O lanche da tarde O jantar Vejo o menino brincando Pedaços de galhos o chão a riscar

622Sophia Braga - Lorena – SP – Brasil - 20 de agosto de 2005. Sophia é uma menina criativa. Gosta de ler e criar pequenos contos e poesias. Aos cinco anos, criou um pequeno conto chamado o Caminho das Borboletas. Sophia já possui várias historinhas num caderninho rosa e, em breve, com a ajuda de sua mãe, publicará todas elas num lindo livrinho ilustrado com seus desenhos.

Imaginando palavras formando versos no ar Assim foi Dias pequeno Brincalhão Moleque Menino Criança feliz Assim como eu Ouvindo o sabiá cantar

Stella Maris Taboro 623

TU ALMA Y LA MÍA En tu tierra se elevan las palmeras elegantes rasguñan el cielo en mi patria los gorriones cantan en todo este suelo. En el cielo manto oscuro brillan las estrellas para todos aunque quieras de algún modo apropiarte de todas ellas. Tus deseos y esperanzas son las mismas que las mias puede que tú las alcances y yo me quede en la mira El amor que vibra en vos es tambíén un rio eterno en mi corazón de argentina que late como tambor hasta vestirte con serpentinas.

EL CIELO EN TU MIRADA

Tenías la mirada celeste , tan pura tan transparente . Dormida en el mar parecían tus ojos

y Eran tan puros, tus ojos celestes que al alba primera sin sol

brisa de sales

cielos .

se parecían . Tenían el brillo de la caprichosa luna , y la suavidad de todas las melodías . Tan tiernos y angelados ojos y hoy solo puedo encontrar consuelo en el silencio, y en las lágrimas que interpretan

un canto celeste

hacia el cielo.

623Stella Maris Taboro - Ciudad de Rafaela, Provincia Santa Fe – Argentina. Soy MAESTRA NORMAL NACIONAL PROFESORA DE HISTORIA. reside en la Ciudad de San Jorge. Se desempeñó como docente durante 33 años.

y

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OjOS VERDES A esos ojos verdes del color de la esperanza que en tu poema en danza como el mar , tan parecidos.

A esa esmeralda que Dios puso debajo de mis oscuras cejas el tiempo le da un tono algo distinto en mi rostro.

A veces están gris claro otras celeste muy suave pero siempre hay estrellitas que adornan mi ojos claros.

Cuando estos ojos claros miran en silencio a mi amado ellos se cubren de brillos porque mi alma asoma cantando

Y se derrama el amor como luz del corazón en ese paisaje de prado verde donde sin palabras , me declaro.

Otras veces es el cielo que bajó a mis pupilas y en su mar sereno y claro brillan cientos de estrellitas.

Suelen Cristina Liberato 624

EXAGERADAMENTE GONÇALVES DIAS Exageradamente amando, Exageradamente sofrendo, Por muitos amores e um encanto:

O verde daqueles olhos ingênuos.

Vagando em poesias, Declamando a minha vida, Canções para o meu povo, Canções para o meu amor.

624Suelen Cristina Liberato - Teresópolis/RJ Brasil - 25/06/1997. Poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ. Apaixonada pela arte escrita, Suelen se dedica à leitura e ao aprimoramento de seu estilo, extremamente marcante e próprio. Criou, em 2012, o blog “A raiz do coração”, onde posta poemas e prosas poéticas de sua autoria. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa

Exageradamente querendo, Exageradamente perdido, Entre casos de amor e lendas indígenas, Entre dor e alegria.

Vivendo pelo meu país, Vivendo pelo meu amor, Sofrendo pelo meu país, Sofrendo pelo meu amor.

E você em mim Sou eu sem você, É o meu verde, São o meu sangue, Os povos indígenas Sou eu Gonçalves Dias, A eternidade é a minha vida.

AINDA – MAIS qUE UMA VEZ – ADEUS A saudade quer roubar o que o tempo não consegue apagar:

lembranças singelas de um amor eterno e proibido.

Nos meus sonhos, pude te encontrar. Nos meus sonhos, pude te amar, numa noite mais que estrelada, numa noite adocicada.

Mas tu soltas a minha mão, mas o teu sorriso se fecha, mas os teus belos olhos se enchem d’água Seriam lágrimas de arrependimento? Seriam lágrimas de dor? Seriam lágrimas de amor?

- Não, meu amor – tu dizes em silêncio – são lágrimas de adeus!

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Susy Morales Coz 625

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ANTôNIO GONÇALVES DIAS Las estrellas, los bosques y las flores Entre los caminos solos Una brillante voz se impera En la suavidad de sus versos.

ANTôNIO GONÇALVES DIAS Cada página de la historia Desciende un rayo Desde su mágico mundo Y está vivo.

ANTôNIO GONÇALVES DIAS Cada estrofa de su cantico Camina en su bosque Despierto Y vive En el tiempo.

Talles Cardoso Machado 626

ELEGIA PARA GONÇALVES DIAS Querido Gonçalves Dias, como isso pôde acontecer? Tanto pediu pra Deus pra não morrer

Acho que Ele não ouviu, pois o que você temia aconteceu:

numa viagem de trabalho, Gonçalves Dias morreu

Espero que nunca o esqueçam, pois você mudou minha vida. Com muita emoção eu digo:

Adeus, Gonçalves Dias!

625Susy Morales Coz - Lima – Perú – 03/05/1980. Estudió Producción de TV y Radio en el Instituto INICTEL y tam- bién estudió inglés avanzado. Susy es licenciada en Turismo y Hotelería de la Universidad Inca Garcilaso de la Vega de Lima. Susy Morales ha escrito y publicado 8 libros de poesía y cuentos: Versos Cautivos, Cuentos de Hoy, Día de Luna, Secreto de la Isla, Diarios Revelados, La Abejita Cindy, el libro en inglés Feeling the Sky y Día de Luna (2ª Ed.). Algunos de sus poemas han sido traducidos al portugués y al chino. e-mail: fricsy19@hotmail. com; susymorales1@gmail.com 626Talles Cardoso Machado - Teresópolis/RJ Brasil - 24/11/1996. poetaluno do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ. Dedicado aos estudos e grande xadrezista, agora dedica-se também à composição de poesias de sua própria autoria. Professor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa

Tatiana Alves 627

O GONÇALVES DOS MEUS DIAS O primeiro poema que li foi a Canção do Exílio:

Entre bosques, flores e amores, Aprendi a escandir versos. Embalei-me na saudade Do poeta que definhava de nostalgia em terra estrangeira.

Depois, em meio a tambores e atabaques, Ouvi a triste história Do índio acusado de covardia. Herói que era, engoliu a ofensa Para provar que morrer como guerreiro Era mais honroso do que viver errante.

Não permita Deus que eu morra Sem chegar a perceber Que o grande amor à Pátria sempre escorre pelos versos do poeta E atinge a alma de quem lê.

GRATIDãO Meu canto tão grato Leitores, ouvi:

Eu li o retrato Que descrevo aqui.

Retrato tão belo Da pátria gentil. Em verde-amarelo, Sob o céu de anil.

De índios e flores Traçou um painel. De tons multicores Pintou o papel.

Das selvas e matas Do imenso Brasil Surgiam, exatas, Redondilhas mil.

Do I-Juca Pirama À Canção do Exílio, A voz de quem clama À Pátria: um filho.

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627Tatiana Alves - Rio de Janeiro - Brasil - 16/09/1966. Participou de diversos concursos literários, tendo obtido vários prêmios. Possui sete livros publicados. É Doutora em Letras e leciona Língua Portuguesa e Literatura no CEFET / RJ.

É este o canto Que trouxe alegrias. Na voz, o encanto de Gonçalves Dias.

Tatiane Paulo de Oliveira 628

A MORTE DO AMOR, A MORTE DE GONÇALVES DIAS Gonçalves Dias morreu e o amor foi esquecido Pra qualquer lugar que eu olho, só há lembranças perdidas

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O sabiá canta, Mas não do jeito que cantara com Gonçalves Dias Tinha mais sentimento, tinha mais vida

As estrelas que ali brilhavam trazem um brilho sem graça sem ele aqui O que fazer agora que só lembranças restaram na poesia da memória?

Taysa Leite Lima 629

GRANDE POETA Gonçalves Dias tinha alegria E muita harmonia Vivia em paz e união, Seu dever era com a poesia Ele escrevia noite e dia.

Ele tinha amor por sua cidade Nela tinha sua felicidade Pois Deus lhe chamou e Deixou só saudades.

Mas suas poesias Continuam a viver. Para a todos lembrar E nunca esquecer.

628Tatiane Paulo de Oliveira - Teresópolis/RJ Brasil - 13/07/1997. Tatiane Paulo de Oliveira é poetaluna do 9.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e, desde as primeiras aulas, demonstrou interesse pela arte poética. Sempre sorridente e sonhadora, ela acredita no poder do amor e em sua força lírica. Profes- sor orientador: Carlos Brunno S. Barbosa 629Taysa Leite Lima - Escola Paroquial Frei Alberto

Teresa Cristina Cerqueira de Sousa 630

SEMPRE NOSSA CANÇãO A Gonçalves Dias.

Nas horas que vêm chegando do dia, Sobre o sol de minha terra (benção!), Que se inunda de divina afeição, Ai, que bom te saudar em alegria! Alma de sabiá, som do Brasil! Tu és o poeta de nossa gente Em teu nome puseram – certamente – Tudo o que é de luz e varonil! Eu queria falar - como quem reza – De tua poesia, da beleza

De teus versos _ Sempre nossa canção!

Ah! gritam pelas ruas Que em pensamentos

somos nós a uma só voz

Fazemos, como tu, nossa nação.

PALAVRAS FELIZES DE SAUDADE A Gonçalves Dias. Escrevo para ti com emoção. Como se eu estivesse num jardim, Que se abre (pim-pum) numa canção.

Ah! que instante de alegria - assim. Aqui tenho momentos de prazer,

E puros - hoje e pela eternidade.

São de ritmos, de luzes em meu ser, Vindos destas palavras de saudade.

Escrevo com meu espírito em versos:

A imaginar pensamentos diversos,

Pois dizem que Gonçalves não morreu. Então, ergo os olhos em oração, A ver o que fala em meu coração _ Em que tua poesia está no meu!

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630Teresa Cristina Cerqueira de Sousa - Piracururca – PI – Brasil. 14/11/1961, filha de João Batista de Sousa e de Inocência Maria Cerqueira Sousa, divorciada, mãe de 4 filhos. É formada em Letras – Português pela Universi- dade Estadual do Piauí e com Pós-Graduação em Gestão Escolar. Tem participação em mais de 100 antologias entre poesias, contos e crônicas na CBJE (Câmera Brasileira de Jovens Escritores). Possui site: http://www. recantodasletras.com.br/autores/flordecaju.

Teresinka Pereira 631

GONÇALVES DIAS Febril amor pela natureza, pelos animais, amor da pátria, uma visão que sobreviveu ao naufrágio, justo quando olhava a costa do Maranhão.

Amor de toda a existência, essencial, sagrado, convertido em uma lírica nova para a literatura nacional.

Gonçalves Dias, sua paixão ainda inspira sonhos de regresso a todos os exilados de todos os tempos, mesmo os que nunca ouviram o sabiá cantar,* mesmo os que não puderam ver as estrelas do céu brasileiro.

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Obrigada pela doce herança romântica das suas saudosas canções.

*Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Gonçalves Dias

Terezinha Erna Brandenburger 632

O POETA DOS POETAS Quem dera eu tivesse Um só instante de inspiração Que este imortal poeta teve Na obra-prima de sua criação.

631Teresinka Pereira - Brasil. Poeta e tradutora, Teresinka Pereira divulga a poesia brasileira entre os povos de todos os continentes, por onde sempre viaja, em busca de novas experiências de vida e de arte poética. Presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas. Membro da Academia Norte-Americana da Língua Espanhola, correspondente da Real Academia Espanhola (1989). Indicada candidata ao Prêmio Nobel em 2005, pelo International Poetry Translation and Research Center. E-mail:tpereira@buckeye-express.com 632Terezinha Erna Brandenburger - Novo Hamburgo, RS – Brasil - 27/6/1942. Estudou na Escola Santa Catarina, onde se formou professora. Cursou Letras na UNISINOS, não tendo concluído o curso. Nos anos 1990, escre- veu crônicas para o Jornal NH. É membro da Academia Literária do Vale do Rio dos Sinos – ALVALES. Participa das coletâneas: Reflexões Poéticas, Poetas Pela Paz e Justiça Social, Tendências Literárias 2009, ALAVAES em Múrmúrios e Mulher: Feminino, singular.

Sua “Canção Do Exílio, Já na infância decorei E este poema tão lindo Para sempre na lembrança terei.

Longe da terra amada, Quando a saudade bate forte, Meu pensamento voa, voa, Para os versos tão só dele. Seus versos tão leves, Tão vivos ainda estão. Quem dera pudesse Gravá-los em minha mão!

Enquanto eu viver e me deparar Com palmeiras ondulando ao vento, Várzeas floridas a perder de vista, Um céu pontilhado de estrelas, Bosques repletos de vida E sabiás cantarolando ao amanhecer, Dele sempre hei de lembrar!

Terezinha Oliveira 633

HOMENAGEM A GONSALVES DIAS. Terra de meus sonhos não mais vai existir Com saudades recordar o passado feliz Na esperança sem malícia de criança Marcar minha existência um dia a sorrir.

Mamãe com carinho amor e atenção Pelo bosque com os irmãos brincava Quando criança ao entardecer rezava No teu berço feliz meiguice proteção.

Terra magnitude do meu apreço Nas noites de estrelas prateada Matas floridas na primavera Saudades dos rios em que me banhava.

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633Terezinha Oliveira - Baiana. Brasil - Escritora, e com títulos de honra ao mérito. Embaixadora da Paz / Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix Suisse / France. Lançou cinco obras solo. Com Participação Num di- cionário na Bahia, com vários autores de todo Brasil. Participou do Vol. V. e V1, Alimento da Alma. Organizado pela Escritora Jane Rossi. Na Antologia Destaque na Poesia, com o Escritor e Colunista Raimundo Nonato. Em Melhores da Poesia Brasileira.Com Monica Rosemberg, e Jane Rossi. tere_aprigio@hotmail.com

Thaís Matos Pinheiro 634

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AINDA UMA VEZ, AMOR Exilado foi Na eternidade Vive ainda Na terra da saudade Na terra das palmeiras Romantismo amante Se te amo, não sei Mas sei sim Amo-te até o fim Como eu te amo O silêncio, a luz, o aroma Poesia, graça, Talento, raça Ele é o amor Amou a vida inteira Amou Ana Amélia Amou o Brasil Amou o amor Escreveu o amor E nos deu de presente Presente de despedida O legado da partida Pra terra dos sabiás Ainda uma vez, adeus Mas não digo adeus Digo até breve Até quando cruzar-te Perdida de amores Pois és amor E amor é vida

Thaise Santos 635

ETERNA MEMÓRIA No inverno nascia esta voz Mas precisamente em 10 de agosto de 1823 Mais uma essência se fez Na canção do exílio ficou a saudade

634Thaís Matos Pinheiro - São Sebastião, SP – Brasil - 09/04/1993. Estuda jornalismo na USP e escreve nas horas vagas. Foi vencedora do na edição de 2012 Concurso de Poesias Nhô Bento com dois poemas – Não Sou e Aonde vais, Maria?. 635Thaise Santos Carapicuíba – SP – Brasil - 02/12/1993 – E-mail: Thaisesantos36@gmail.com. “ A poesia é a arte da alma, essência inegável e única”.

Nas palavras as suas verdades Ainda uma vez- Adeus a Don’Ana Seu âmago em suas palavras clama A verdade, a essência que chama

Poeta celebrante da pátria, romantismo, indianismo Se faz eterno em sua alma Permanece na memória

A história

Sua vida versejada Pela água foi levada Mas eterno se fez pelas palavras a nós deixadas

SENTIR SENTIMENTO SENTIDO Sentir sentimento sentido Do amor vivido perdido ansformado em verso Sua vida de idas e regressos

Sua alma que se revela Na poesia sua vida se esmera Mostrando sentir o sentimento A visão própria o sentido

Dias os 41 anos viveu Sofreu, versejou, escreveu Sua alma nunca morreu

Ele vive, na poesia, no que escreveu Sentimos o sentimento nos sentidos Ele vive para aquele que leu, seus sentimentos vividos.

DIAS E DIAS Mas mesmo assim não deixou de versejar Sua arte e poesia pelo infinito irão voar Nas palavras escritas Nos livros

.

A anos e anos vem caminhando Na poesia versejando Dias e dias se passam E as rimas se casam

.

História, uma vida Poucas alegrias e dores ritmadas Jamais serão perdidas

.

Ficarão na memória por Dias e dias

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O ETERNO POETA O Poeta com quarenta e um anos, tão jovem se foi E quase cento e ciquenta anos depois Sua essência ainda é citada Em sua poesia deixada

O Ville de Boulogne levou o poeta Mas a vida deixou sua lembrança em poesia concreta O veleiro francês ao bater no baixio dos Atins Levou nosso poeta ao fim

Mas em poesia sua voz é eterna Nesta natureza sincera Do versejar

Sua alma por anos aqui vai estar Como já está Graças a sua poesia que podemos contemplar.

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POETA DO MAR

Caro poeta sois o atleta do versejar Nas poesias veio o Brasil saudar Abordas também o amor E tuas intensidades, teu calor

>

A perda de tua Ana Amélia

Tua inspiração, ainda uma vez quimera Adeus Abriu mão d’ela, de outro já era

>

Poeta indianista Poeta da pátria Poeta de vida

>

Poeta do mar Mesmo versejando sobre águas Veio o mar o levar.

Thiago Jefferson dos Santos Galdino 636

O VOO DA ETERNIDADE Meu negro semblante Exprime saudades E omite as verdades Do céu estelar

636Thiago Jefferson dos Santos Galdino - Mossoró – RN – Brasil - 06-09-1993. É Autor do livro “Suspeitas de um Mistério” pela Editora Multifoco; participou de projetos de incentivo a leitura, e colabora com jornais, revistas e blogs literários por todo o Brasil.

Saudoso dos cantos Dos bosques, da vida Do povo Timbira Do meu sabiá

Perdido no entanto No pranto do mundo Os mares profundos Me querem levar

Sem ter o encanto Do amor de Don’Ana Que doce me ama Não posso ficar.

Por mais águas que me afoguem Deus permita que se voguem Os meus versos no meu lar Sem qualquer brida ou comando Nesta brisa do meu canto Nem civil, nem militar

Pois nos campos da poesia Que habitam o meu lugar Bem no fundo eu já sabia Cá comigo: Eu vou voltar!

Sei que ainda vou voltar Pras maneiras que um dia Deslumbraram o meu luar E haveriam lá de estar

Com as luzes brasileiras Que iluminam o Sabiá Dentre as sombras das palmeiras Que tem lá e ainda é lá.

NOS DIAS DE GONÇALVES Meu negro semblante Exprime saudades E omite as verdades Do céu estelar

Saudoso dos cantos Dos bosques, da vida Do povo Timbira Do meu sabiá

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Perdido no entanto No pranto do mundo Os mares profundos Me querem levar

Sem ter o encanto Do amor de Don’Ana Que doce me ama Não posso ficar.

Tiago Duarte Cordeiro 637

UM POEMA SOBRE O POETA (cordel em homenagem a ANTONIO GONÇALVES DIAS, em memória)

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1 - Uma história verdadeira, Aqui eu irei contar, D’um poeta de primeira, Você pode acreditar.

2 - É a de Gonçalves Dias, Um poeta popular, Eu a conheço há dias, Nada irei inventar.

3 - Estória de pescador Nós podemos duvidar, Mas essa do escritor, Todos podem confiar.

4 - Nasceu em dez de agosto Em terras de Jatobá. Só deu orgulho, desgosto Ele não deu, nem pensar.

5 - Foi no sítio Boa Vista, Ele nasceu pra brilhar, Homenagem ao artista. Sempre devemos prestar.

6 - Em Caxias, Maranhão, Até rapaz, viveu lá. Logo cedo, o cidadão Começou a trabalhar.

637Tiago Duarte Cordeiro - Campina Grande/PB – Brasil - 29/04/1963. Comerciário, aspirante a poeta. Publica seus escritos no Recanto das Letras: www.recantodasletras.com.br/autores/tiagoduarte).

7 - Etnógrafo, jornalista, Chegou a advogar, Provou ser grande artista, Na arte de poetar.

8 - No teatro também foi Destaque, posso provar. Se foi criador de boi, Disso não estou à par.

9 - Filho de pais não casados, Foi pra Europa estudar. Após dez anos passados, Voltou, ao se bacharelar.

10 - Algumas obras notáveis Eu irei aqui citar Do grande Antônio Gonçalves, 11 - Querendo, podem anotar. 12 - Seus Olhos” foi uma delas, Inspirou-se de tanto olhar Pra Ana, a amada bela, Com ela quis se casar.

13 - O terrível preconceito

Impediu-o de desposar, Por ser bastante direito Não quis a moça roubar.

14 - “Ainda Uma Vez-Adeus” Fez também ao se inspirar Na bela, como ocorreu Vou agora explicar:

15 - A compôs em Portugal,

Após a bela encontrar Num encontro casual, N’um Jardim que tinha lá.

16 - “Sextilhas de Frei Antão” É também d’admirar, É uma composição Boa d’alguém recitar.

17 - Cito “Os Timbiras” agora, Vale à pena decorar. Não poderia ficar de fora, Leiam para confirmar.

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18 - Vem a “Canção do Exílio”, Obra espetacular, Foi a que deu-lhe mais brilho, Ficou em primeiro lugar.

19 - Com muita disposição Sobre Dias, quis falar. Não importa a posição Que chegarei ocupar.

20 - Pra mim, o mais importante Foi, sim, homenagear Um poeta tão brilhante Com a arte de rimar.

21 - Eu a fiz na fonética Da “Canção” tão singular. Uma saudação poética A você, quero deixar.

Tiago Klein Maciel 638

CANÇãO DO EXÍLIO Oh, Brasil de tantas cores e amores! Tu és quente como um abraço apaixonado; tão diferente deste frio daqui. Aqui tudo é escuro e cinza; nada se parece com a minha terra tão cheia de sorrisos, alegrias e sabores. Aqui, raramente, vejo pássaros e sorrisos; lua e sol, só no outono. Espero, em breve, deixar a Suécia e voltar à minha Terra! Obrigada . Está aceita.

Saudações Gonçalvinas, Dilercy Adler

638Tiago Klein Maciel - Porto Alegre/RS – Brasil - 06 de junho de 1997. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. Curte música, leitura e história. E-mail: timaciel2009@hotmail.com

Um Maranhense 639

VERSOS NA INAUGURAÇãO DA ESTÁTUA DE GONÇALVES DIAS (A THEMISTOCLES ARANHA)

… a história os resgata do abandono E as gerações lhe fazem para culto Do túmulo um altar, da campa um trono. Mendes Leal (Cânticos).

O seu vulto ali vejo! Transparece-lhe ` Na fronte augusta a nobre inspiração! Tem-lhe, há muito, rendido vassalagem; Mas de novo prestar – vem homenagem A seu grande Cantor o Maranhão.

Que hino harmonioso o mar envia! Que cantos festivais a brisa entoa! Não sabeis!? É que hoje aos pés do gênio, N’este plaino risonho por proscênio, Vem-lhe o povo trazer – a sua c’roa.

Bem do peito, espontâneo é o tributo, De versátil lisonja não nasceu:

Não e mais esse vulto um ser humano:

Lá ficou entre as dobras do oceano, Entre as brancas espumas se escondeu…

Mas quem era?

Entre nós com lira d’ouro

Nas mágoas ensinou-nos a sofrer, De seus lábios perenes dimanavam Melodias que ao peito inebriavam E o alento faziam reviver.

As belezas da Pátria com seus versos Da Europa as nações ele mostrou; Nossas ínvias florestas penetrando, Foi seu estro qual sol iluminando, E os índicos mistérios revelou.

Lá do bosque no fundo, entre os palmares, O índio fero atravessou veloz… Nós, de susto transidos escutamos Entre os gritos de dor dos gaturamos, Do boré e da inúbia a rouca voz.

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639Anônimo in Leal, Henriques, Pantheon Maranhense, São Luís, 1874, p. 560-561. Poesias compiladas por We- berson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil

E os grandes esquadrões de peito a peito – Homéricas visões! – pudemos ver. Dos golpes ao embate, a penedia, As florestas, o céu estremecia, Ia o sol entre nuvens se esconder.

Depois, com que magia os outros quadros Em que tudo e encanto e só primor!! Onde acaso soou mais eloquente Da mágoa e da paixão o verbo ardente? Quem melhor traduziu o que era amor?!

Sim exulta, poeta, e aceita ufano Os louros d’esta esplêndida ovação. Já a muito rendeu-te vassalagem Mas vem hoje prestar nova homenagem A seu grande cantor o Maranhão.

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Valdeck Almeida de Jesus 640

POEMA A GONÇALVES DIAS A terra onde havia palmeiras Hoje tem devastação; Onde cantava o sabiá Reina solta a erosão.

Que diria o poeta Se vivesse para ver Toda a sua poesia Neste solo esmaecer.

Com certeza ia chorar Pela triste imensidão Pela seca e o deserto

Desencantado por certo E com dor no coração Pediria pra não voltar

640Valdeck Almeida de Jesus - Jequié-BA – Brasil - 15.02.1966. Jornalista, escritor e poeta. Livros: “Memorial do Inferno. A saga da família Almeida no Jardim do Éden”, “Feitiço contra o feiticeiro” e mais treze outros. Membro da Academia de Letras de Jequié, Academia de Letras de Teófilo Otoni e União Brasileira de Escrito- res. Patrocina um concurso literário desde 2005, o qual já publicou mais de 1000 poemas. Site pessoal www. galinhapulando.com. E-mail poeta.baiano@gmail.com

Valentina Kroeff Sperb 641

CANÇãO DO EXÍLIO No Brasil, temos moças belas; nos Estados Unidos, a beleza feminina não satisfaz. Lá, vive-se simpatia e carisma; aqui, o povo não demonstra nenhuma afetividade; preservam a antipatia. Lá, o perigo está nas ruas; aqui, em todos os lugares. Apesar dos Estados Unidos ser um país cheio de magias; o Brasil vence por sua simpatia.

Valmir Sales Borges 642

GONÇALVES, O PATRIOTA. Oh Gonçalves! Aqueles dias

Que no EXÍLIO estivera Longínquo como a quimera Da sua pátria querida Desejoso do voltar

E só sua poesia

O fazia confortar

Hoje

Muita coisa aqui mudou

e amor puro como o seu

Não existirá jamais. No poder:

Novos colonizadores Que “surrupiam” valores Para paraísos fiscais Apresentam-se como guerreiros Mas mudaram seu sentido. Seus GUERREIROS, prazeiravam-se Contando suas proezas Hoje guerreiros em meio à nobreza São aprisionados por serem “bandidos”

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641Valentina Kroeff Sperb - Porto Alegre/RS. – Brasil - 03 de setembro de 1997. Estudante do Ensino Fundamental do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”: “Banners Poéticos”, 2012. E-mail: v.k.s.gremio@hotmail.com 642Valmir Sales Borges - Camacan-BA – Brasil - 20/09/1959, Formado em Administração de Empresas, composi- tor, poeta e professor, com poemas publicado no livro de antologia Ecos da Alma, titulo Menino de Rua e em Ventos Poéticos, titulo Egoísmo e Vida e Morte. Email: valmirsb@yahoo.com.br

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Não!

Longe de mim ser PIAGA A predizer um triste final Mais “sugam” nossos direitos A saúde, a educação Pilares, de uma grande nação.

DEPRECAÇãO! Imploramos a um novo Tupã Os valores inverteram-se! E um torrão tão amado Hoje filhos rejeitados Preferem ser exilados Idealistas conectaram-se Na tal globalização. Brasileiros semi alienados Não tem sentimento de nação Gonçalves, sei que estás Numa outra dimensão Glorificamos com louvor Seu exemplo de amor Por esta pátria mãe Às vezes “madrasta” Mas que assim como a exaltou Mesmo com todo dissabor, A tenho em meu coração.

Valquíria Araújo Fernandes De Oliveira 643

DIAS DE FELIZES LEMBRANÇAS Se tu voltasses, Gonçalves Dias, E visitasses o meu sítio, Tu pensarias estar em um paraíso Um lugar cheio de verdes e de magias Um ponto de encontro de parentes e amigos Que aos domingos almoçam juntos Na mais perfeita harmonia.

Não tem grandes palmeiras no meu sítio Mas tem pés de mangas e de cajus Muitas palmeiras de buriti e algumas de açaí Bem no alpendre da casa deste paraíso,

643Valquíria Araújo Fernandes de Oliveira, Caxias-MA – Brasil -Graduada em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Adquiriu os títulos de Especialista em Língua e Literatura Inglesa e Mestre em Letras pela Universidade Federal da Paraíba. Foi Diretora do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC-UEMA) de 1995 a 1999. É membro do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC) e Vice-Presidente da Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Maranhão (ASLEAMA). Atualmente, é Secretária Municipal de Cultura e Turismo

(2006-2012).

Há um ninho sempre visitado por um sabiá Que, provavelmente, não veio das Matas do Jatobá.

Se tu pudesses vir até aqui, Tu encherias meu pai de alegria Ele considerava o sítio um paraíso sem igual! Ainda que não ouvisses o canto de muitos sabiás, Tu te deliciarias com o canto dos periquitos Que, em revoada, acompanharia o canto dos bem-te-vis.

Tu não podes mais vir aqui Meu pai também não estaria ali Para comemorar tua visita com alegria Resta, apenas, a saudade dos tempos sem volta Mas, a família continua ali, Vivendo domingos harmoniosos, Dias e dias de felizes lembranças, Naquele nosso paraíso, ouvindo o canto dos bem-te-vis.

Valquiria Imperiano 644

SALVE DIAS Gonçalves dos dias de ontem Gonçalves dos dias de sempre. Poeta inverossímil Deste Brasil varonil.

Melancólico chorastes As cores e os amores deixados. Fizeste um bouquet de flores Colorido e perfumado.

Cantastes em versos eloquentes a saudade do Brasil, dos bosques, das matas verdes e do céu azul anil.

Em teu exílio ouvias O canto do sabiá ; Que na tua memória gorjeavam E não existiam lá.

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644Valquiria Imperiano - João Pessoa, Paraíba – Brasil - 18 de novembro de 1953. Naturalizada Suissa, país onde mora, desde 1997. Formada em Letras na Universidade de Mandaguari Paranà. Na UFSC e em Genebra cursou francês. Foi professora de língua portuguesa em Florianópolis e em Genebra. É artista plástica ( exposições na Europa e no Brasil), escultora, designer de jóias. Escreve poemas, contos e crônicas. Acadêmica da ALAF. Membro da : Literart, e Rebra. Prêmio. Luso-brasileiro - Diploma de Honra ao Mérito, escreve para o Varal do Brasil.

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Teu pranto sincero e amoroso Cheio de saudade pueril, Atravessou o atlântico Aterrizou no Brasil.

Cantaste tão alto e tão forte Que o tempo registrou. E a glória tão merecida

a historia te ofertou.

Viraste pedra preciosa

Desse país de talentos .

És uma relíquia sagrada

desse imenso Brasil.

POETA SONHADOR Teu romantismo Mescla nostalgia e nacionalismo. Poeta de todos os poetas Em nossos dias teu canto Ainda encanta certamente

Quantos anos já se foram Que a terra em teu seio te acolheu

E continuas em silêncio

A lançar teus poemas ao vento

Soprando nossa alma Com poemas de louvoures Cantos de cores De flores Sabor de araça Melodiosos cantos de passaros De amores romanticos Quem dera um dia eu fora O poeta que fostes outrora Um poeta que encantou E cantou as cores da saudade Das nossas raizes Da terra do Brasil

Vanda Lúcia da Costa Salles 645

EM N0SS0 LEIT0 DE F0LHAS VERDES

“Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,

Já solta o bogari mais doce aroma!

Como prece de amor, como estas preces.”

Gonçalves Dias

Há sentimento aqui, encantado, sob a tamarindo em flor

Poesia exala esperança, beleza incomum se despe, bem antes Em nosso leito de folhas verdes a vida sussurra: amooorrr!

Ó amada e bela terra! Tupã, como é perfeito o instante!

N a angústia da espera, lança-se voz e coração, desarmado Atravessando vale e montes, terras, rios, lagos e ilhas E estes versos que ao luar se explica canto, entreaberta

A flor, Jatir, saudade espanta o que do amor não seja trilha.

Entre pétalas de flores diversas e livres, aroma é açoite À rosa que a mão oferece pronta. O tempo aperfeiçoa-se rio E acentua-se no fluir das horas. Os corpos languidos, cais, Sobre nosso leito de folhas verdes, a lua acentua a noite

Enluarada, a copa da mangueira altiva capta: suave prece, pio de ave! Ao pé da noite, bogari perfuma: pensamento e alma, cedro e pinho. À voz do meu amor move os teus passos? Aconchego, a floresta sabe! Venha! Não te chama em vão, à voz do meu amor! É ninho.

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Não temas que a vida é fugaz. Olhai, atenta, o que move as folhas

As águas dos grandes rios e o poema cabem no silêncio da noite, semente

O que te oferece o pranto e o encanto, tuas lágrimas sente e colhe

Amor é coisa que pia longe de imenso, no dentro da gente.

Sim, se aos poetas cabem traçar o rumo com jeito próprio, No aprumo dos passos dados, caminham e alentam a clave Na imensidão do nosso amor, sonhos infindáveis bailam joviais, No entanto, o bosque revela apenas a silueta estática da chave

Se deliro estes versos d’alma arrancados e sangro, creias É para que leias o que me alcança fundo centro da forma E se não me conformo e busco universo outro, é que acalento O sonho torto de seguir-te os passos, ó amado vate!

645Vanda Lúcia Da Costa Salles - Italva (RJ) – Brasil - 25/04/1956. Poeta, contista, professora. Graduada em Le- tras (UERJ-FFP), Pós-graduada (UFF), atualmente cursa Direito (UNESA). Publicou: No tempo distraído (nar- rativas, Ágora da Ilha, 2001), Diversidades e Loucuras em Obra de Arte- um estudo em arteterapia ( ensaios, Ágora da Ilha, 2002), Núncia Poética (poesias, cbje,2010). Participou da Antologia: Poesia em trânsito-Brasil/ Argentina ( La Luna Que, Buenos Aires, 2009). E-mail: vanda – Salles@hotmail.com

Doce aroma, outra vez, no amarelo do dia, abriu-se flor Seu nome aguça a mata, ao longe o grito do galo-da-campina Aqui, no peito grafo o nosso leito de folhas verdes, minha sina É semear palavras que só cabem no infinito de teus olhos: amooorrr!

Seu nome sibila em meus lábios trêmulos, amorosos e impuros Ao mordicar a língua com que te traço, trago deveras, só alegrias, Eternizados, imagem e semelhança em florestejos, um buquê Em desabroche de flor na flor do Lácio: Antonio Gonçalves Dias!

POR CAUSA DE VOCÊ

“Como se ama o clarão da branca lua, Da noite a mudez os sons da flauta, As canções saudosíssimas do nauta, Quando em mole vai e vem a nau flutua.”

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Gonçalves Dias

I

no amor, do verbo preservo a ação de crer moço bonito, que meu desatino é por causa de você

II

só por causa de você escrevo aos sons da mesma flauta em tantas formas e de forma que por um beijo palavra de nauta que a palavra seiva rasga-nos o peito, até

a vida que se inscreve foz

III

e a voz, tão linda, escorre das mãos igual leite materno que sacia o que ama o clarão da branca lua, e o que em nós é fonte e sina

IV

e se teu canto me aterra foto e clima, fogo e labareda eternizando a língua, nesta literatura brasileira com que bordamos: tempo e vida

CÂNTICOS AOS TRABALHADORES

“Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida:

Viver é lutar. A vida é combate, Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos Só pode exaltar!”

Gonçalves Dias

I

Se a linguagem é imprecisa: L (ab) utamos! Se o amor não corresponde: L ( ab) utamos!

Se a aposentadoria não cabe: L (ab) utamos! Se a mão ao traço imola: L (ab) utamos! Se o osso atravessa o caldo: L (ab) utamos! Se o leitor nega o círculo: L (ab) utamos!

E

porque a vida exige uma transformação: L (ab) utamos!

II

Ó

Senhor, dê a todos nós a flor do deslumbramento

e a descoberta dos silêncios,

na poesia da vida, na solidariedade da terra trabalhada!

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III

E se as calosas mãos já não criam: Afaste de nós esse cálice!

IV

Que o vinho embriague, da hóstia, o pão na mesa não seja apenas batata ou esmola do pedinte, e que nossos filhos não vivam agarrados as minguadas pensões de seus pais e avós, porque “ viver é lutar!”

VI

E reorganizem a mudança no foco de atenção: com consciência, sabemos

o tempo não tem realidades, apenas espia a juventude da natureza. No país mais um Guarani Gaiová em um pé de árvore.

VII

Que livre de estrutura a curva ilumine, do gosto a saliva, e não entorpeça esta língua em nossos lábios: luta renhida!

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Vander Lima Silva de Góis 646

VERSANDO OS DIAS Gota a gota, Tempo Gota a gota, Pensamento Os dias versam Os versos dias Gota a gota, Intento Gota a gota, Barlavento Os dados rolam Baila vento Fita Os ventos sopram Vida Gota a gota Gonçalves Dias.

Varenka de Fátima Araújo 647

AMARGO RETORNO Gonçalves Dias,poeta valoroso! Mostra em teus versos,o amor pelo Brasil Estando nas horas mortas E os ponteiros dos relógios Correram velozes sem tua presença Teus poesias ficaram eternas

Os lamentos e gritos abafados Pelo reflexo da desigualdade Condizem com tua alma nobre No exílio continuaste amando O céu ,ás matas, os pássaros Da tua terra com tudo exótico

646Vander Lima Silva de Góis - Brasil. Advogado. Professor Especialista em Direito Privado e Social. Escritor. Poeta e Músico. 647Varenka de Fatima Araújo - CE - Brasil. Baiana de coração, reside em Salvador-Bahia. Figurinista, funcionária pública, formada em Direção Teatral, atriz, maquiadora, artista plástica, dançarina, poetisa e escritora. Partici- pou de trinta e cinco Antologias.

Sonho e amor único por uma mulher Separados por uns por tua mistura de raças Sábio como a natureza, partiste Entretanto voltaste para á terra amada O navio sem roteiro afundou, um adeus dorido Entre estas linha,meu lampejo e dor.

GONÇALVES DIAS Sete horas da manhã Abro janelas e portas Um céu cinzento fere a vista Palmeiras raquíticas sem verde Os sábias num canto sem som E o vento seco varre sem fronteiras

É pitoresco este cenário Rios com manchas pretas Corem para o mar, uma tragédia Uns sem sustendo de uma desgraça Águas que vestem a terra desbotadas

Que abrem fendas como cemitérios Eu recomponho meu corpo ardente Nas cores que aquecem vibrantes Estou hoje convencida, nesta desdita Gonçalves Dias se estivesse aqui Pavoroso seria sentir,dorme poeta

DEDICADO POETA Gonçalves Dias dorme

O teu cérebro um coração amoroso

Entre os frutos e riqueza em águas jaz

No fundo do mar

E tua Pátria a historia marcou

Estendendo por década longínqua Quantas aspirações e amor dedicados A tua terra amada e idolatrada Essa que atribui tua imortalidade

Mudam os tempos, mudam uns homens Por cobiça devastando tudo Sob pena de uma catástrofe Esse tormento jamais verás poeta.

UMA VIDA Uma mão cansada, aluir

a

outra mão vazia, inelutável

o

pescoço no incipiente inchado

a

voz sufocada

a

boca imprescritível

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o destino no arrasto ardiloso lágrimas guardadas em águas do Maranhão a vida se foi lentamente morada se fez saudade.

UM HOMEM Gravo tuas letras de ouro em palmeiras no luar reluzentes iluminado a noite receptível no meu intimo acolhedor

A minha alma captou teus versos potente atravessou os ouvidos do meu coração e a porta fechou branda e silenciosa minha memória encerrou

Meu corpo remanso em posição centrada esperando que nossa terra seja como outrora.

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Vera Rocha 648

ANjO DIAS Lá no Baixo dos Atins nasceu o Dias, Doutor nas leis ele venceu; E na volta à sua terra - a das palmeiras, Jubilou-se nos poemas que escreveu.

Fez história nas tempestades Inspirando-se nas artes irmãs; O amor eclodiu em seus cantos, Em desejos e desencantos.

Ainda hoje ouvimos a lira Ajoelhados a seus pés rendidos. Seguidores deste poeta guerreiro Que clamou pela amada terra No sentimento de filho querido.

Anjo Dias me escuta:

Quando junto à noite no céu Sentir a brisa pelo rosto teu, Não se aflija, se alegre, Sou eu, sou eu, sou eu.

648Vera Rocha - Rio de Janeiro – RJ Brasil - 24 de fevereiro de 1958, Moro em São Paulo há uma década. Sou casada, tenho filhos, dona de casa e trabalho, porém é na poesia que me encontro. Escrevo, desde muito jovem, coisas que engavetei durante toda a minha vida. Agora, em que a maturidade nos tira a vergonha, desengaveto meus escritos. Não publiquei um livro, ainda. Não ganhei nenhum prêmio, ainda. Não desfiz de meus sonhos de escritora, ainda.

RETORNO DO EXÍLIO O que escreveria hoje Gonçalves Dias ao retornar de seu exílio

Minha terra aqui te encontro Sem palmeiras nem sabiás; São clareiras que encontro, Desmatamentos colossais.

Nosso céu sem mais estrelas, Poluição matando flores, Nossos bosques estão sem vida, Nossa vida sem amores.

Triste estou vagando à noite Com receios do que encontrar; Minha terra não tem palmeiras Nem o canto do sabiá.

Minha terra tem temores Do que posso encontrar; Triste estou vagando à noite Sem o prazer que tive cá. Minha terra não tem palmeiras Nem o canto do sabiá.

Não permita Deus que eu morra Sem ver ela se transformar; Sem que eu desfrute os amores Que já não encontro por cá; Sem que eu plante mais palmeiras Nas clareiras pros sabiás.

Victor Parussini Todt 649

CANÇãO DO EXÍLIO Barcelona/Espanha-Porto Alegre/Brasil Terras tão distantes e diferentes. Ambas com culturas bastante ricas e fascinantes. Cada qual com sua tradição. Aqui, danças e “paella”; Lá, churrasco e chimarrão. Aqui, a Estátua de Colombo; Lá, a do Laçador;

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649Victor Parussini Todt - Porto Alegre/RS – Brasil - 08 de novembro de 1995. Estudante. Acadêmico Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre/RS, Cadeira 46, Patrono: Gianfrancesco Guarnieri; Aca- dêmico Mirim da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário de Camboriú/SC; Grupo dos Poetas del Mundo; e, Membro da Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal.

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as duas, símbolos das cidades. Aqui, muitas belezas, mas é para Lá que quero voltar. Porto Alegre tem vários shoppings; grandes estádios; praças e parques arborizados; cinemas e centros culturais.

Vitor Alibio 650

CANÇãO DO EXÍLIO Quando estou em minha cidade, vejo a terra com mais verde; as ruas mais alegres; um povo batalhador que se ergueu.

Quando estou em minha cidade, vejo domingos ensolarados; famílias felizes curtindo ora um amanhecer de céu azulado; ora um pôr do sol demorado.

Quando estou em minha cidade, vejo as estações bem definidas. Nela, estamos acostumados às mudanças climáticas.

Aqui, não é nenhum deserto; no entanto, o calor muito castiga e o verão intenso domina.

Vitor da Rosa Martins 651

CANÇãO DO EXÍLIO Não consigo esquecer da terra donde vim. Tal amor guardo comigo e o levarei até o fim.

650Vitor Alibio - Porto Alegre – RS – Brasil - 10 de novembro de 1995. Filho de Liane Maria Zambrozuski e Paulo Roberto Alibio. Estudante do Ensino Médio do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo e Vice-Di- retor de Edição e Publicação da Academia de Letras Machado de Assis, Porto Alegre/RS, Cadeira 30, Patrono:

Simões Lopes Neto; Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC; Associação Interna- cional dos Poetas del Mundo; e, Liga dos Amigos do Portal CEN, Portugal. E-mail: vi_alibio@hotmail.com 651Vitor da Rosa Martins - Porto Alegre/RS. Brasil - 19 de novembro de 1996. Estudante do Ensino Médio do Co- légio Conhecer, Porto Alegre/RS. Membro Efetivo do Projeto “Vida, Amor e Paz”, do “Cercle Universel des Am- bassadeurs de la Paix, Suisse/France”. Integrante dos Projetos Literários “Tabuleiro de xadrez lírico”, 2011; e “Porta copos poéticos”, 2012. Coautor do E-book “Haikais”, postado no site Teia dos Amigos, de Sonia Orsiolli, Sorocaba/SP. Há cinco anos pratica hipismo, já tendo conquistado vários prêmios. Cursa inglês no People. E-mail: vitor_martynz@hotmail.com

Sinto falta de tudo que não encontro aqui. Só se sente o que se perde e, minha terra, eu perdi.

Vagando por Aqui, tentei encontrar aquilo que ainda não vi; as tardes em Porto Alegre!

Minha terra querida guarda aquilo que senti. Noutros lugares não existe aquilo que vivi Lá. Só se sente o que se perde e, minha terra, eu perdi.

Vitor Teixeira de queiroz 652

VERSOS SINCEROS Nem todo grande homem é um poeta, mas todo poeta é um grande homem.

Antônio era grande porque escrevia poesia sobre o que sentia enquanto outros escreviam sobre o que queriam sentir.

E existe apenas mais uma coisa em comum entre os grandes poetas:

Todos eles são sinceros em seus versos.

VIDA E POESIA Um poeta não é só exílio, anos vividos, lagrimas ou sentimentos por um amor há muito tempo perdido.

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652Vitor Teixeira de queiroz - Natal – RN – Brasil - 28 de dezembro de 1989. É estudante de Psicologia e Direito e escreve quase que diariamente para manter a sua sanidade em meio às aulas ridiculamente chatas que é obrigado a assistir. Tem Gonçalves Dias como um dos seus poetas nacionais preferidos desde que leu “Canção do Exílio” quando ainda era criança e até hoje ainda é sensibilizado pelas poesias desse grande mestre.

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Um poeta não pode ser definido só por isso.

O que realmente define a sua vida

são os seus versos.

Mas, com Gonçalves Dias, a vida se confunde com a poesia.

Cada palavra que ele escrevia Tinha um pouco de si.

LIÇãO Ana Amélia foi a inspiração para as mais belas de suas poesias.

Ela sempre foi parte do coração e da alma de Gonçalves Dias

Mas ela poderia ter sido muito mais

do que uma inspiração.

Existe uma lição nessa história triste cheia de remorso e de dor.

Nunca dê as costas para o amor.

SENTIMENTOS Na vida de Antônio, coisas como data de nascimento ou causa da morte sempre serão menos importantes do que os seus sentimentos eternizados em palavras.

Vitória Maria Galvão Coqueiro 653

O PEqUENO MENINO POETA Quem imaginava que nasceria um poeta menino. Menino que na infância brincou. Homem que na alma poeta se formou.

Na arte de viver conseguiu vencer. Venceu desafios e aprendeu línguas. Homem que a Deus pedia, Que não o deixasse sem ir a cidade de Caxias!

Viviane Maria dos Santos 654

DIAS DE POETA O poeta sente e sofre Sente a dor que lhe comove Mas que outrora lhe fez rir Ah! O poeta tao sensível, tão romântico Nada triste ao meu convir

Ama rimas Pobres, ricas Um tesouro nacional Meu poeta maranhense Mais que um mestre expoente É uma mescla cultural

Sua vida sua arte Que exemplo nos deixaste Tantos passos a seguir Foste um homem que criou Que sentiu e que amou Sem parar de progredir

Dr. Dias eu diria Se pudesse aqui lhe ter Obrigada todo dia Por seus versos, suas rimas Seu exemplo de viver!

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653Vitória Maria Galvão Coqueiro – São Luís – MA – Brasil - 06/04/2002 - EPFA - Motivo da Participação: Foi a vontade de contribuir nesta homenagem a um poeta maranhense especialmente da cidade de Caxias. Cursan- do: 5º Ano Turma: C Profª Shirle Maklene 654Viviane Maria dos Santos - São Jose- SC - Brasil. Jornalista pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNI- SUL) Email: vika_santos@hotmail.com ou vivisantos30@googlemail.com

Wanda Recker 655

O AMOR DA MINHA PÁTRIA. Quando cantaste tua pátria, saudoso por voltar, sonhavas também com o amor que lá deixaste ficar.

Quão belo este seria, que ao despertar, tamanho é o desejo que o faz viajar. Viaja poeta, viaja, canta a paixão dos seus vinte anos, acalenta o coração ouvindo pássaros cantar.

Não enlouqueças de amor, chama por sua amada, que você viu, mas os olhos nem se tocaram. O amor é assim. Sonhas, que em teus sonhos, tua amada há de escutar.

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Chora poeta, chora, sonhaste, mas ao acordar, tua amada, ainda está distante, mas a tua pátria, hás de voltar.

Weberson Fernandes Grizoste 656

HINO À GONÇALVES DIAS 657 No cume duma palmeira 658 Miríades de estrelas do céu mais povoado 659 Cantando hinos numa harpa 660 Enfeitada de agrestes flores e verde rama 661 Na terra onde canta o sabiá 662 Suspenso o sempiterno vate timbira 663

655Wanda Recker - Rio de Janeiro – RJ – Brasil - 07/03/1958. Português-Literaturas – UFRJ. Participação em ofi- cina literária Terapia da Palavra, com a publicação de um livro contendo os trabalhos dos participantes. Blog:

http//palavrasescolhidas.blogspot.com (não atualizado). 656Weberson Fernandes Grizoste - Jauru – MT – Brasil - 27 de Junho de 1984. É licenciado em Letras pela Uni- versidade do Estado de Mato Grosso, Mestre e Doutorando em Poética e Hermenêutica pela Universidade de Coimbra. Membro do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos e bolsista da FCT – Portugal. É autor de três livros: A dimensão anti-épica de Virgílio e o Indianismo de Gonçalves Dias (2011), Carrapicho (2011) e Estudos de Hermenêutica e Antiguidade Clássica (2013). 657Mil vezes os anjos-do-mar digam: Amém! 658Suspensa e cravada na terra 659Da que tem mais estrelas 660Ao rugir do trovão imenso 661Que saiu do sertão montanhoso 662Povoado de belas palmeiras 663Cantor da façanha de bravos

Entre os céus e a terra 664 É irmão dos anjos e orgulho dos homens 665 Cantai brasileiros! Cantai! 666 Nossa terra tem Gonçalves 667 Como tal não se pode encontrar 668 Os poetas das outras terras 669 Não cantam como ele cantava 670 .

A PÁTRIA DE GONÇALVES DIAS Gonçalves Dias! Vibra o peito todo maranhense Quando o nome do bardo se faz pronunciado Lá se grita um velho, um jovem, uma criança A primeira estrofe da “Canção do exílio”.

Gonçalves Dias! É nome, é orgulho dessa terra Dum povo que aprecia o canto triste do sabiá, É orgulho até de barões e aristocratas políticos Numa terra onde a pobreza é quinhão da maioria. Gonçalves Dias! Certamente não se orgulharia Esquecido quando se viu nos arredios de Caxias Decepcionou-se ao voltar e conferir a verdade:

A “terra da liberdade” era também “da escravidão”.

Mas tinha o bardo esperança, tinha crença na pátria Que os brasileiros de todas as raças, credos e lugares Indiferente às diferenças daria mutuamente as mãos. Mas ai desgraça, que isso ainda é só mesquinharia.

O PAÍS DAS PALMEIRAS Nesse céu de mais estrelas Nessas várzeas de mais flores Nesses bosques de tantas vidas Nessas vidas de mais amores. Ainda é terra das palmeiras Onde canta o sabiá.

Nestes versos tão singelos, Meus caríssimos senhores Canto como o sabiá Lá na mata que tristeza Faz o forte até chorar Seu piar é tão amargo Como é grande seu penar.

664É Gonçalves Dias o poeta! 665Pupila sagrada almo de Tupã 666Ufanai brasileiros! Ufanai! 667E essa é a pátria de Gonçalves 668E mais pulcra outra não há 669Invejam o gigante dos trópicos 670O colosso florão da América.

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Oh! Gonçalves, nosso Gulliver! Essa terra inda é de pigmeus Qui só tem político honesto Que só valha nosso Deus! É mesquinha e vergonhosa Vendem-se até por um mandarim!

Nessa terra ataviada de primores O povo ri-se e folga de sua vileza Ignomínia dos bárbaros mortos Dá-se a vida na torpeza. Dorme inda o Gigante de Pedra Sob o céu de azul-turquesa.

Inda não se precipitou no mar Inda há crença nessa pátria Inda há festas e carnavais Inda há sonho no interior da bola Inda há esperança no porvir Nas igrejas que apregoam o fim. Ai o povo que se deixa explorar Cujas cinzas foram amalgamadas Com os pés dos afros escravos, Cimento serviu das ossadas frias Dos lusos troçantes dos mares, Sobe a encosta casebres imundos Um Brasil excluído da brasilidade.

OS AMORES DE GONÇALVES DIAS Numa noite pernambucana A poesia atravessou-lhe a garganta Entristecido concluiu o poeta Que não se morre de amor!

Não se morre de amor! Que o amor não matou D. Olímpia Nem morreu de amor o poeta Quando benquis a moça Ana Amélia.

Quem mais estimou o poeta? Amélia Rodrigues ou Céline, Natalie, Josephine ou Nannete, A mulher secreta de Patkull,

Engrácia ou a moça de Formoselha, Ou alguma carioca anônima? Quiçá nenhuma! Quiçá uma índia Que encontrou no rio do Amazonas.

NON OMNIS MORIAR! É mentira!

É mentira que Gonçalves Dias morreu! Um índio de arco bipartido bradava gritando assim! Narrava um grande feito de arrepiar quem o pode ouvir:

Voltando de Tapuitapera já nas proximidades de Itacolomi, um fenômeno extraordinário na hora que Tupã içava o manto negro pétalas de rosas vermelhas esparzia sob as águas encrespadas do mar, lá vagava e se ouvia o bardo dos timbiras melancolicamente sob o sopro d’uma lira Engrinaldada de verde rama e agrestes flores, Lá cantava o poeta assim:

América infeliz! – que bem sabia quem te criou tão bela e tão sozinha, dos teus destinos maus!

Weslley Sousa Silva Costa 671

AFINADAMENTE CRESCIA Afinadamente crescia O verdor das palmeiras No Maranhão

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AS TECLAS DO PIANO ENCHARCADAS DE SONS As teclas do piano encharcadas de sons Inundavam a sala

Nos jarros as plantas cresciam lá-fora Regadas pelas notas que transbordavam. Afinadamente crescia o verdor das palmeiras

E o pianista vestido em preto e branco Análogo permanecia às teclas de seu piano

E sobre o branco do papel eu seguia o seu exemplo;

Tentando fazer “surgir” estas letras escuras (em seus sentidos [claros)

671Weslley Sousa Silva Costa - Wesley Costa - São Luís – MA – Brasil - 09 de Julho de 1989. É o autor do livro de poemas “Colham as roupas maduras do varal” (2012) pelo Grupo Editorial Scortecci. Contato: weslleysousasil- vacosta@gmail.com

Wilson de Oliveira Jasa 672

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GONÇALVES DIAS Antonio Gonçalves Dias, É poeta do Romantismo; Seus versos qual melodias, Nos traz beleza e realismo.

Nos traz beleza e realismo, A canção do Exílio é prova; Literato do indianismo, Com sua feição que inova.

Com sua feição que inova, Uma feição nacional; Ao romantismo renova, Com beleza original.

Com beleza original, Que marcou sua figura; Estudou em Portugal, Essa nobre criatura.

Essa nobre criatura, Nasceu lá no maranhão; Sua poesia fulgura, No sensível coração. No sensível coração, Daqueles que amam a escrita; Com soberba inovação, Para que a gente reflita.

Para que a gente reflita, E possa então deleitar; Em letras tal qual pepita, Para em ouro tranformar.

Para em ouro transformar, Os seus versos de valor; Volto aqui a relembrar, Cantou da terra o fulgor.

672Wilson de Oliveira Jasa - São Paulo -SP- Brasil - 12 de Setembro de 1954. Poeta, Jornalista, Terapeuta Holís- tico, Ecologista, Folclorista e Historiador. Presidente das entidades: Casa do Poeta “Lampião de Gás” de São Paulo; Casa do Poeta Maçom do Brasil; Casa do Poeta Brasileiro de São Paulo; Movimento Poético em São Paulo; Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas do Folclore; Sociedade Mundial dos Poetas. Membro das Academias: Academia Maçônica Internacional de Letras; Academia Paulistana Maçônica de Letras; Academia Brasileira Maçônica de Letras; Academia Goianiense de Letras; Academia de Letras Rio Cidade Maravilhosa; Academie Europeenne des Arts, Sciences et des Lettres (França). Membro da Associação Portuguesa de Poe-

tas, Lisboa, Portugal

wilsonjasa@gmail.com

Cantou da terra o fulgor, Foi patriota verdadeiro; Mostrou do Brasil valor, Brilhou também no estrangeiro.

Brilhou também no estrangeiro, Autor de belas poesias; Grande vate brasileiro, Antonio Gonçalves Dias.

Wilson Pires Ferro 673

GONÇALVES DIAS De mãe mestiça e pai português, Caxias foi sua terra natal, Gonçalves Dias, poeta consagrado, gênio criador da literatura nacional.

Graduou-se em Direito em Portugal, em versos levantou o indianismo, foi teatrólogo, professor e jornalista, consolidou, no Brasil, o romantismo.

Diplomata, percorreu o estrangeiro, crônicas elaborou para os jornais, dos primeiros a defender a ecologia, escreveu romances e peças teatrais.

Saudoso da terra que deixou, retornou, cá viria exaltar o seu encanto, contemplar as palmeiras, a natureza, delas ouvir, do sabiá, o belo canto.

Já doente, o destino ceifou-lhe a vida, não poupou o poeta, ignorou sua cultura, o vapor em que viajava soçobrou, o oceano foi sua digna sepultura.

ODE A CAXIAS Terra adorada de meus diletos pais, de filhos ilustres, talentosos estetas, caudal fluente de invulgares criaturas, berço notável de escritores e poetas.

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673Wilson Pires Ferro - Coroatá-MA, Brasil, - 30.07.1936. É Bacharel e Licenciado em Geografia e História, Pós- graduado em Segurança e Desenvolvimento e Professor aposentado da Universidade Federal do Maranhão. Foi Diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Seus livros: A Educação e os Desportos como indica- dores do desenvolvimento de uma nação, Versos e anversos (em co-autoria), Espelhos de São Luís, Depois que o sol se põe e Sombras da noite, ambos de contos para a juventude, e Quando eu era pequenino, de histórias infantis. Para o escritor, a antologia é uma oportunidade única de homenagear Gonçalves Dias, um dos maio- res poetas brasileiros e sul-americanos, nascido em Caxias-MA, também a terra dos pais do autor do poema.

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Há meio século, ainda criança, percorri suas ruas, longas andanças, nem a ausência dos anos passados ofuscou da mente as gratas lembranças.

No percurso do centro à Tresidela, a pitoresca ponte da Passagem, do alto o vale do Itapecuru, descortina dali bela paisagem.

O progresso necessário, inevitável, destruiu, apagou o belo recanto, a cidade cresceu, desenvolveu-se, não perdeu seu charme, seu encanto.

Vi os cultos repousando no panteão, li seus contos, recitei suas poesias, a Canção do Exílio, o Canto do Piaga, recebi do imortal Gonçalves Dias.

No tempo, mergulhei no passado, recordei os anos lá vividos, visitei, revi seus monumentos, muitos deles, pelo tempo, esquecidos.

Ouvi o barulho incessante dos teares, do formoso largo da Matriz, a Manufatora, a Sanharó e outros mais, outrora promissores centros fabris.

Hoje, são solenes monumentos, o passado de pujança e glórias, tão presentes, fixados no consciente, guardam eventos, revelam suas memórias. Andei, percorri longos caminhos, os mesmos que trilhei quando estudante, recantos próximos, outros mais distantes, recordando minha infância a cada instante.

Estação e armazém ferroviário, solitários, nem trem, nem passageiro, só sombras, ruínas do passado, quando o futuro parecia alvissareiro.

Olvidar os tempos idos, impossível, olhar triste, alcançando o horizonte, lembrar-se dos mananciais que existiram e das piscinas naturais do bairro Ponte.

Veios d’água, com os anos sucumbiram, outros resistem, conformando a natureza, logradouros, da cidade bem distantes, águas saudáveis da fonte da Veneza.

Belas igrejas emolduram suas praças, sacrossantos locais de devoção, guardam estilos de uma época mais remota, singelos templos da Princesa do Sertão.

Ruas estreitas confluem em vários pontos, praças cuidadas, admiradas pelo encanto, árvores frondosas, palmeiras bem vistosas, p’ra ouvir do sabiá o terno canto.

Caxias, acolhedora e humana, muitos feitos realçam sua história, edificações lá do morro do Alecrim, presenças vivas do passado sem memória.

Eu quisera fazer o tempo volver, ver a cidade como era antigamente, o trem passar o Buriti Corrente, emergirem locais, renascer toda sua gente.

ADEUS, POETA Gonçalves Dias, poeta nacional, de imaginação fértil e fecunda, não mais viu a sua terra natal, traído por sua saúde moribunda.

O poeta já fraco, sem energia, sem forças p’ra se levantar, no seu leito de longa agonia, sem adeus se deixou afundar.

A sua saúde debilitada sequer respeitou sua cultura, transformou o tudo em nada; o oceano foi sua sepultura

Não avistou mais as palmeiras, nem mais ouviu o sabiá cantar as suas canções derradeiras, levou-as p’ro fundo do mar.

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LAMENTO INDÍGENA Timbiras, tupis e tamoios, índios de qualquer lugar, ausente o poeta, sem apoios, vivem tristes a lamentar.

Nas tabas e nos seus terreiros, atormentados por Anhangá, não são tão bravos guerreiros, silenciaram o seu maracá.

Nos seus encontros festeiros, sem o poeta a exaltar, celebram deuses arteiros, sempre a dançar e cantar.

Os arcos e flechas ligeiras deixaram-se aposentar, outras armas mais certeiras, eles passaram a adotar.

O pajé, hoje desfigurado, o poder que tinha não tem, as curas que fez no passado quem faz é Tupã, deus do bem.

Vive o bravo guerreiro tupi sem embates nem guerras, “Ó Guerreiros, meus cantos ouví” não se ouve nos vales, nas serras.

Só resta a lembrança nas aldeias, Gonçalves Dias não mais vai voltar, foi cantar para as sereias, nas águas profundas do mar.

Wilson Rosa da Fonseca 674

“CANTO A GONÇALVES DIAS” Quero expressar nos versos, Que ouso aqui em criar, Com uma linguagem pobre, Mas capaz de homenagear,

674Wilson Rosa da Fonseca - São José do Norte- RS – Brasil - 12.07.1949. Atualmente residente em Rio Grande -RS. Escritor, poeta, compositor, declamador; Membro da Academia Rio-Grandina de Letras; Academia Maçô- nica de Letras do Rio Grande; Decano do Clube dos Escritores de Piracicaba-SP; Membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras-ES; Cônsul da Associação Internacional Poetas Del Mundo/Rio Grande-RS . Premiado em diversos concursos de poesia, participação em mais de 50 antologias e coletâneas.

Aquele que fez do seu exílio, Nas lonjuras de além-mar, Uma declaração de amor Em que a saudade de cá, Trazia-lhe intensamente, À vontade de regressar.

A terra que lhe viu crescer

Entre palmeiras e sabiás Ficara de braços abertos, Para o filho que veio de lá, Trazendo em suas bagagens, Uma nova forma de versejar, Nas margens daqueles rios, Mondego, Doiro e do Tejo, Escreveu seus Primeiros Cantos, O suficiente para lhe consagrar.

Na sua “Canção do Exílio”, Escuto o Canto do Guerreiro

A voz do homem ameríndio,

Em todos os lugares ecoou, Sua flecha, sua lança seu boré! Estão todos reunidos no estro, Dê quem soube firme manejar, Esta arma poderosa sem sangrar! Fez com habilidade de sua poesia, Os poderosos nos índios pensar.

“LOUCO AMOR” Que destino é este que me separou, Da doce amada que a pensar eu vivo, Minha Ana Amélia, o meu coração,

Dilacerado chora por teu amor perdido. Sem você ao meu lado, eu não vivo! Não me deixes, não! Volte pra mim! Nem eu nem você somos culpados Deste cupido louco que nos flechou! Escuta a voz do seu coração! Querida! Vem para meu lado, lhe darei guarida, Pois não posso viver nesta solidão!

Vem

Vem

Amor da minha vida.

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Wybson Carvalho 675

CANTO AO EXÍLIO (Um poema para Gonçalves Dias e sua Caxias)

Em minha cidade havia palmeiras e canto de sabiás Dela exalava o perfume dos jardins urbanos Nela se ouvia a linguagem singela do cotidiano Com minha cidade crescia a romântica pregação dos poetas.

A inimizade humana passava por sobre ela em nuvens raivosas sob eólica turbulência rumo a ermas plagas para se derramar noutros cenários prenhes de social ganância.

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A ela em minha infância ouvi sinfonias nas horas iniciais de um futuro desenhado com cores de abandono Agora que árvore dará abrigo a outros pássaros canoros para entoarem um canto de saudade?

Mas Sou kármico pertencimento humano a ti torrão exilado quero para sempre te pertencer como grão de areia no teu chão sob cáustico sol barro escondido nas paredes da construção de tua eternidade A ti eis o que sou Em ti eis onde estou.

E

quando minha matéria tombar inválida obediente à natureza cumprida e mergulhar indiferenciado no teu barro Estórias de liberdade serão tecidas sobre o ser que sob memória está cíclico ao meio.

675Wybson Carvalho – Caxias – MA – Brasil - 1958. Funcionário público municipal. Exerceu vários cargos nas áreas da imprensa e cultura. Comunicólogo com habilitação em Relações Públicas e jornalista colaborador em diversos periódicos regionais. Poeta com vários livros publicados É membro fundador da Academia Caxiense de Letras - Cadeira, nº 30. Foi membro dos Conselhos Estadual e Municipal de Cultura. Participou como de- legado representante da sociedade civil - câmara setorial do livro, leitura e literatura - das Conferências de Cultura, nos âmbitos municipal, estadual e nacional, nos anos de 2005 e 2010, em Caxias, São Luís e Brasília, respectivamente.

Pois

livre é o ser sem estar e sido em sendo o verbo ainda.

Yanni Mara Tugores Tajada 676

ROMÁNTICO DE CAXIAS Caxias te vio nacer Entre idiomas y letras Esa tierra de palmeras En donde canta el sabia Nos diste el gran placer De regalarnos poemas Mil suspiros y quimeras De tu tierra y de allá Tuviste que florecer En tantas tierras lejanas Pero volvías con ganas A tu tierra y al sabia Sin embargo tú partiste En una cruel despedida En un lecho agonizante Se olvidaron de tu vida Pudo la mar arrancarte El último hálito de existencia Más no así tu esencia Pues siempre estarás presente De la mano de Tupá Y de tus versos poeta.

Yasmim Victoria dos Santos Cantanhede 677

OH! SAUDOSO Gonçalves Dias deu a vida ao imaginário. Encantando quem sua poesia ler. Um grande poeta foi. Oh! Saudoso. Hoje teus versos são fáceis compreender.

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676yanni Mara Tugores Tajada – Uruguai - 08/05/57. Actualmente reside en La Paz – Canelones. Secretaria del “Proy.Cult.Decires”. Integra A.D.E.P ambos en La Paz. Miembro de CHADAYL, aBrace Cultura y Espacio Mixtura en Montevideo. Ha participado en varias Antologías, en Uruguay, Argentina, Brasil, Chile, Venezuela y Aus- tralia. Ha obtenido 1º, 2º, 3º premios y varias Menciones Especiales y de Honor tanto en su país cómo en el extranjero. Participó de Mil poemas a Miguel Hernández, José Martí, Andrés Eloy Blanco, Oscar Alfaro y Mil poemas para la Paz. 677yasmim Victoria dos Santos Cantanhede – São Luís – MA – Brasil - 09/03/2002. Motivo da Participação: A competição comigo mesma de viajar pelo mundo encantado da poesia. Cursando: 5º Ano - Turma: C – Profª Shirle Maklene EPFA

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Privilégios das águas! Que banham com sua sabedoria. Cada onda, cada espuma. Oh! Saudoso Gonçalves Dias.

Zara Maria Paim de Assis 678

GONÇALVES DIAS E O MAR Que terrível vendaval, vagas, raios e trovoadas, passageiros desesperados. O poeta clama a Jeová. A brigue se inclina quase vira, o terror assola a todos De repente, vem a calmaria, tudo se normaliza. O barco navega suave, o jovem poeta, chega ao seu destino, atraca no Maranhão, na paz. Quase vinte anos depois, novamente, regressando à Pátria, doente, triste e debilitado Com a alma despedaçada, recorda o grande amor, o amor perdido. Sente o desespero da debilidade. No mar encapelado, O navio parte-se ao meio. Os náufragos, à deriva, os marinheiros diligentes! Todos são salvos, menos o grande poeta. Enfraquecido no leito, morre no mar e desaparece, já na sua terra querida. Como disse Machado de Assis, sobre o poeta “morreu no mar túmulo imenso para o talento”.

678Zara Maria Paim de Assis - Salvador – Bahia – Brasil - 26/02/1953. Professora Adjunta da Universidade Federal Fluminense. Mestre em Patologia, membro da Academia Luso Brasileira de Letras, Membro da UBE-RJ, da Aca- demia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, Membro da ALAP, do InBrasCi, da Soc. Eça de Queiroz, Presidente da AMPLA – Ac. Mundial pela Paz, Letras e Artes, membro da APPERJ e da ABRAMIL. Membro Correspondente de Academias no Acre, Manaus e Paquetá.

Zazy Grazyelly 679

ALMIRANTE LOUCO (Poema em homenagem a Gonçalves Dias)

O futuro é escuro demais para se espera. Viver meramente de desilusões. Vendo a vida passar debaixo do nariz.

Devemos construir nossas estradas no hoje. Seja feliz agora no presente, pra quê esperar, Se o amanhã é uma promessa incerta?

Não tenha medo se seus sonhos forem destruídos. Volte atrás e recolha os pedacinhos jogados no tempo E mostre ao mundo o riso da esperança Para reconstruir seus sonhos e seus ideais.

Não tenha medo de errar, pois ninguém é perfeito. Tenha coragem de tentar quantas vezes for preciso. Afinal, ser feliz é a mais difícil das artes. Por mais que se faça não se chega A perfeição tão desejada por tantos.

Ser feliz é ter momentos agradáveis, Inesquecíveis, de felicidade real. Com a certeza de que a vida não é feita apenas de flores. Há também espinhos que nos feri e machucar, Mas temos que suportar e superar

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Porque o sentido da está nas pequenas atitudes Que valorizamos com alegria. Ao acordar a cada dia e agradecer por simplesmente está vivo, Chance de recomeça e fazer diferente!

Tendo exemplo de pessoas especiais como Gonçalves Dias, Grande poeta que transformava os momentos angustiantes Em sonhos e desejos para que tudo mudasse a sua volta. Transcrevendo a força do seu pensamento para Transmitir seus ideais com lucidez de um sonhador realista.

Nas noites solitárias, Gonçalves Dias, Espantava a tristeza com proeza poética que corria em suas veias Para fugir da amargura e buscar um novo amanhecer Expulsando o sofrimento que o deixava inquieto.

679Zazy Grazyelly – Petrolina –PE – Brasil. Cadeirante, escritora e produtora cultura. Tem dois livros publicados: A Casa Encantada (conto infantil) /De Teu Amor Me Alimento (poesia). http//:www.poetisazazygrazyelly.blgspot. com; zazy.grazyelly_escritora@hotmail.com ; twintter@zazygrazyelly

Feito um almirante louco que teima em navegar no oceano Da desilusão vivenciando tanta dor E suportando um temporal de emoções desordenadas Dentro de si mesmo, tal como se desmanchasse o castelo de areia. Que todo poeta possui em sua alma Onde deposita suas fraquezas e imperfeições.

Ah! Almirante louco porque temas em navegar no oceano Da desilusão tornando sonhos de amantes em frações De ilusões tão desejadas?

Mas que muitas vezes abalam as estruturas do nosso ser E faz as lágrimas surgirem do cansaço de ver O sol se pôr sozinho no cais da vida.

Tendo no peito a dor da saudade que Esvazia a alma e nos maltrata. Mas ainda assim, almirante louco, Você é essencial para nossa sobrevivência.

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Zelia Maria Fernandes da Silva 680

E AGORA GONÇALVES DIAS? E agora Gonçalves Dias? E agora Poeta? Nós aqui na terra ficamos sem você. Será mesmo Gonçalves, será? És o grande poeta e sempre será. A poesia não morre e você nunca morrerá em nossos corações Para nós você é e sempre será imortal Você está em nós, no ar que respiramos, no raio do sol, no céu, no brilho das estrelas Teu sorriso cristalino nunca se apagará, De nossos corações Sua poesia está no cantar do passarinho, e no interior de seu ninho Você só foi voar mais alto Tua poesia encontrou as alturas E teus versos encontrou a plenitude Foi ao encontro de outros poetas, ou de seus amores Feliz encontro poeta, da poesia com a poesia

680Zelia Maria Fernandes da Silva - Rio de Janeiro - Brasil - 02/06/48, formada em Pedagogia, Administração e Supervisão - UERJ/RJ, Pós-graduada em Pedagogia Empresarial UGF. Presidente da Sociedade de Cultura Lati- na do RJ e da ZMF Editora, Secretária Geral da Associação dos Diplomados da ABL e da Academia de Letras Rio- Cidade Maravilhosa, pertence a várias Academias literárias no Brasil e no Exterior; está fundando a Academia Infanto-juvenil de Letras e Artes do Estado do Rio de Janriro para jovens dos 6 aos 16 anos de idade. email:

culturalatina@oi.com.br

Foste matar saudades de teus amigos,

Fazer poesia

escrever poemas tantos,

enviados para nós pobres mortais E neste começo de inverno, nós aqui o recebemos Obrigada Gonçalves Dias, Pelos teus versos e pela tua poesia.

Zenaide Radanesa dos Reis 681

O TEMPO Nunca digas que o tempo passou! Que agora tu me vez! Que me desejas como nunca ou realmente me ama! Porque da mesma forma, ele (Deus) mostrou-me que até de olhos vendados te enxergarias e te amarias como nunca! Mas, como vez o tempo passou e novamente chegastes tarde!

Zidelmar Alves Santos 682

SINTO FALTA Sinto falta de palmeiras, Fauna e flora que não vi;

Sinto falta de Gonçalves Dias, poetas que não li;

Pena que a minha terra Não fez outro para si;

Defensor da natureza Fauna e flora antes do fim

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681Zenaide Radanesa – Brasil - 39 anos. Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Propaganda e Publicidade, Especialista em Didática Universitária e Mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas/FGV, Professora Universitária e Diretora Administrativa, Financeira e Mídia da AG.10 Propaganda em São Luís do Maranhão, Autora dos Livros: Micro e Pequenas Empresas. A importância de Conhecê-las, Mídia para Iniciantes e faturamento em Agências de Propaganda e publicidade. 682Zidelmar Alves Santos - Itabuna – Bahia – Brasil - 23 de maio de 1987. Licenciado em História pela Universi- dade Estadual de Santa Cruz – UESC. Atualmente é aluno do curso de Especialização em História do Brasil da mesma instituição. Recentemente publicou na Revista Historien o texto “A História na Tela: O Encouraçado Potemkin, de Serguei Einsenstein”, recensão do clássico filme de 1925.

Zulma Trindade de Bem 683

Gonçalves Dias

AO POETA do Brasil ilustre filho,

Descendente das três raças altaneiras, Que formaram este povo, esta Nação. Orgulhava-se da miscigenação

Que o fizera assim

tão brasileiro!

Quando distante de casa, no estrangeiro, A tristeza invadiu-o sem piedade; Inundou-lhe os olhos, a saudade, E derramou-se na Canção do Exílio.

Soube cantar com alma e com tal brilho

A saga dos Tupis

o amor por este chão

Com as cores auriverdes do seu coração, No lirismo dos versos, desenhou As belezas desta terra e da mulher que amou.

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Semeou na terra seu verso varonil; Legou-nos a beleza dos seus cantos; Deixou para a posteridade o encanto Dos seus poemas encharcados de Brasil.

Zulmar Pessoa de Lima Tamburu 684

LA FICOU SUA MEMÓRIA Lá foi um grande homem Tão longe A procura da saúde E ao retornar Encontrou a morte Num naufrago La ficou sua memória Mas não esquecido Porem lembrado Pelo o que ele mais amava O sangue das três raças Brasileira

683Zulma Trindade de Bem - Cachoeira do Sul, RS – Brasil - 23/02/1944. Reside em Novo Hamburgo, RS, desde 1987, onde exerceu a profissão de professora alfabetizadora. É associada da Academia Literária do Vale do Rio dos Sinos - ALVALES. Participa de diversas coletâneas e de um CD. Seu gênero é eclético, porém prefere o tema regionalista; as raízes campesinas. 684Zulmar Pessoa de Lima Tamburu - São Paulo – Brasil - 03-11-55. Cursou a Panamericana de Artes e Desing, amante da arte e de todas as suas formas de expressão, começou a pintar aos 14 anos, participou de várias exposições. Aprimorou sua criatividade, resultando na arte de escrever. Publicou sua primeira obra: “Helena, mil vezes voltaria para viver seu grande amor”. E participou de varias Antologias. Escritora, poetiza, composi- tora, colunista e artista plástica.

Que fez perder A mais preciosa menina

A quem poema de amor fez Amou como nunca havia amado E por ama lá Pagou um preço muito caro Por ser mestiço Lhe foi negado

A amar

A mais linda donzela.

GONÇALVES DIAS Na inquietude da alma Muitos poemas escrevera Com emoção Fez arder, Muitos corações E na infinita dor de seu âmago

Só lhe restam lágrimas, clamares, Por um amor em chama Guardou sentimentos Tão puro Por uma grande paixão Quem nunca amou!

E teve sua alma marcada,

Por lágrimas e dor

E sussurros de amor

Quem nunca amou! Como Gonçalves Dias Que teve um amor interrompido E se calou em pranto Com a dor do preconceito Por ser mestiço Salve! Salve! O nosso grande poeta Gonçalves Dias A quem descrevo sua dor.

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Realizado o Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Lei n. 10.994, de 14 de dezembro de 2004

Formato: 19,5 x 27 cm

Tipologias: GoudyOlSt BT(11/13,2), Kaufmann BT (13/13,2; 30/36), Calibri (9/10,8)

Papel apergaminhado 75g/m 2 (miolo)

Papel cartão supremo 250g/m 2 (capa)

Tiragem: 500 exemplares

Impresso na Gráfica da UFMA, Av. dos Portugueses, 1966,

Cidade Universitária, Bacanga, 65.080-805 – São Luís/MA