Universidade Federal de Minas Gerais

ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

projeto
do produto
Apostila do Curso – 8ª edição

2006

Eduardo Romeiro Filho
Designer Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ,
Doutor em Ciências em Engenharia de Produção pela COPPE/ UFRJ
Professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG

Belo Horizonte, agosto de 2006.

projeto do produto

Universidade Federal de Minas Gerais
ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

Romeiro Filho, Eduardo. 2006. Projeto do
Produto - Apostila do Curso. Segundo semestre
de 2006. 8ª Edição. Belo Horizonte:
LIDEP/ DEP/ EE/ UFMG, 2004.

Editado em Agosto/Setembro de 2000, primeira impressão dia 14 de setembro de 2000.
Segunda edição em Março de 2001, revista e ampliada, impressa aos 13 dias do mês.
Terceira edição em Agosto de 2001, revista e ampliada, impressa aos 14 dias do mês.
Quarta edição em Junho de 2002, revista e ampliada, impressa aos 20 dias do mês.
Quinta edição em maio de 2003, revista e ampliada, impressa aos 16 dias do mês.
Sexta edição em março de 2004, revista, impressa aos 29 dias do mês.
Sétima edição em agosto de 2004, revista e ampliada
Oitava edição em agosto de 2006, revista e ampliada.

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se
tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma
personalidade. E necessário que adquira um sentimento, um
senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo
que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um
cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente
desenvolvida.”

“Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas
quimeras e suas angústias, para determinar com exatidão seu
lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade”.

EINSTEIN. “Como eu Vejo o Mundo”.
Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1981.

Aos alunos, que este material justifique o tempo de leitura.

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projeto do produto

Sumário:
Introdução.

Primeira Parte: o Conceito.
Conceitos Preliminares.
Os nossos Tupinambás.
Processo de Desenvolvimento do Produto
Terminologia
Modelos de Referência de PDP
Projeto - Terminologia
Métodos de Projeto
Sistemas informatizados de apoio ao projeto: Projeto Auxiliado por Computador - CAD
O Ciclo de Vida do Produto
Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto:
1. Ciclo de Vida de Produto: Uma Idéia Perigosa
2. Liberte-se do ciclo de vida do produto
Ciclo de vida do produto: Um exemplo
Marketing: Abrangência e Ferramentas.
Análise ou marketing mix
Adaptação
Ativação
Avaliação
Um Exemplo de Marketing...
Havaianas são vendidas por até R$ 500 em Londres
Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos
Introdução
O que vem a ser marketing?
Relações entre marketing e desenvolvimento de produtos baseado na orientação da empresa
em relação ao mercado
Marketing e pesquisa e desenvolvimento – cooperação
Conclusão
Bibliografia

Medindo a Satisfação dos Clientes
Uma Questão de Sobrevivência
Objetivos deste Trabalho.
Os Primeiros Passos
Rumo à Excelência
Considerações Finais
Bibliografia
Marketing - Contraponto
Eu, etiqueta.
Propriedade Intelectual
Propriedade Industrial: Patentes.
Um gênio brasileiro, anônimo e sem fortuna
Inventor pode mover ação nos EUA
Um Caso Exemplar: Indígena da Guiné Teve Célula "Patenteada"
Informações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente
Definições
Preparo de um Pedido de Patente
Depósito do Pedido de Patente
Bibliografia
Situgrafia
Patentes - Coréia dá de dez.

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projeto do produto

Segunda Parte: o objeto
Design, Competitividade e Inovação
Introdução
Empresas Inovadoras
O que é Design?
Quais os aspectos atuais da competitividade?
Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ?
Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ?
O que é Qualidade?
Como Incorporar Qualidade ao Produto?
Bibliografia
O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto.
Para que Metodologia de Projeto.
Origens do Método na Concepção de Projetos
Evolução da Metodologia & Evolução Industrial
Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto
Metodologias de Projeto de Produtos.
Proposta de BONSIEPE.
Processo metodológico proposto por ASIMOW.
Metodologia proposta por MEDEIROS.
O Computador no Processo Projetual.
Bibliografia Recomendada
Criação: Libere sua Criatividade.
Brainstorming
O design de produtos como forma de in(ex)clusão social
Introdução
Globalização, mercado e novos produtos.
A abordagem do design industrial.
Novos produtos, novas tecnologias, novas interfaces. novos usuários?
Conclusões
Bibliografia
Desenho e Engenharia “Brigam” por todos os Milímetros da Criação
Design: Viva a diferença!
O que é design?
Deficiência
Bauhaus.
Os Estados Unidos redescobrem o design.
Engenharia de Usabilidade.
Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário
Demandas específicas
Usabilidade
Bibliografia
Ergonomia aplicada ao projeto de produto.
Ergonomia, Alguns Exemplos:
Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte.
A Ergonomia Adverte: Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode Ser Prejudicial à Saúde
Valor
Análise do valor
Novos Cenários para a Atividade Projetual:
Ferramentas DFX desdobradas para DFM, DFA e DFE.
Design for “X”.
Projeto para Meio Ambiente
Projeto para Remanufatura
Projeto para Eficiência de Energia
Projeto para Modularidade
Projeto para Reciclagem
Referências
DFMA - Design for Manufacturing and Assembly
DFM: Design para Montagem, um exemplo. 6 Milhões de Combinações

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A representação (ou expressão) gráfica. Agradecimentos. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. Bibliografia © 2004 eduardo romeiro filho 5 ufmg . Introdução. Metodologia. Uso de Tecnologia Multidisciplinar.depto engenharia de produção . Introdução Projeto do produto Projeto do produto para meio ambiente Inclusão do DFE no projeto do produto Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Conclusões Referências Terceira Parte: a técnica A Representação do Produto e sua Importância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. A Pesquisa: Discussões e conclusão. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. Bibliografia. Introdução. Introdução Metodologia de projeto de produtos. Novas tecnologias e o produto Estado da técnica Considerações Referências bibliográficas Aplicação de Tecnologias CAD/CAE/CAM em Desenvolvimento de Produtos. As novas ferramentas de representação Ferramentas de Representação: O Desenho Livre (Croqui) O Desenho Técnico A Perspectiva O Protótipo Virtual (ou maquete eletrônica) O Mockup A Maquete Exemplos de Projeto: Cadeira CEM Semeadora-Adubadora a Tração Animal Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão. Introdução. projeto do produto Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas Informações Necessárias. Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea.

quando são discutidas as diferentes etapas e observados os desafios encontrados durante o projeto. O setor de projetos em uma empresa é basicamente responsável. Posição Indústria Universidade 1º Trabalho em equipe (94%) Trabalho em equipe (92%) 2º Comunicação (89%) Comunicação (92%) 3º Design para manufatura (88%) Criatividade (87%) 4º Sistemas CAD (86%) Inspeção de projeto (86%) 5º Ética profissional (85%) Sistemas CAD (86%) Fonte: ASME International/National Science Foundation. avaliação de soluções. além da exposição de temas relacionados ao projeto. Associação dos Engenheiros Alemães). © 2004 eduardo romeiro filho 6 ufmg . demonstrou que a capacidade de trabalho em equipe e comunicação são os principais aspectos profissionais no mercado norte-americano. citado por VALENTI (1996). além do conhecimento acerca de princípios da atividade projetual. . Estes objetivos devem ser alcançados por meio de aulas teóricas e exercícios em sala. com o objetivo de avaliar quais as características mais importantes para os novos graduados em engenharia mecânica naquele país. projeto em escala. as diferentes etapas do desenvolvimento de produtos e as diversas atividades relacionadas ao setor de projetos de uma empresa de natureza industrial. projeto do produto I ntrodução. construção de modelos. pela elaboração de novos projetos. vivenciar. . segundo a diretriz 2210 da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. são objetivos da disciplina Projeto do Produto. O processo de elaboração de projetos pode ser.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. A estruturação da disciplina busca. além do desenvolvimento simulado de um produto.depto engenharia de produção . compilação de variações de soluções e sua avaliação. 1993). na medida do possível.Concepção: Análise de especificações. projetos de variações e projetos normalizados e fixos.Desenvolvimento: Especificações do conceito de solução. adaptação de já existentes. Desenvolver estas habilidades. O que é importante a um engenheiro hoje? Pesquisa realizada pela ASME International e pela National Science Foundation entre empresas e universidades americanas. subdividido da seguinte forma: . a partir da mesma diretriz (citada por SCHEER.

Ao lado. na lapela. Por outro lado. that is bent to a rectangular. o importante para o desenvolvimento Já viu alguém se queimar com gordura. como um nos trazer uma série de situações onde não existem arame. Você já teve problemas desenvolvimento de produtos industriais. durante a II Grande Guerra. um prédio. clipes como símbolos contra a ocupação." Vaaler foi o primeiro patentear o clipe. cem anos depois de ser inventado? Se transporte coletivo (em especial se o usuário é idoso ou você já utilizou um clipe de papel. Utilizar um produto. A proposta central da disciplina está no micro? Já teve dores nas costas ao varrer sua casa? Já desenvolvimento de um produto de baixa ou média esqueceu de puxar o freio de mão de seu carro? Todos complexidade técnica. Na página movimentos. Johan Vaaler. projeto do produto Qualquer objeto . mas o rigor e a consistência do método sentiu falta de um suporte para livros. com o seguinte resumo: "It consists of forming same of a spring material. such as a piece of wire. mas que requerem ainda soluções adequadas. enquanto está no utilizado. Recebeu a patente por seu projeto na Alemanha em 1899 e nos EUA em 1901. triangular. or otherwise shaped hoop. os noruegueses. Neste caso. veja o que estão recente do antigo produto. estavam proibidos de usar símbolos nacionais. Outro aspecto interessante sobre este produto está no fato de que. utilizar uma tesoura ou abridor concordar! de latas (se você é canhoto) são situações aparentemente simples.um parafuso. embora as complexidade do problema. em casa? Já foi da atividade projetual não é necessariamente o produto a incomodado por ruídos da rua enquanto estudava? Já ser desenvolvido. destinado a músicos e pessoas com limitações de original. Hitler chegou a ordenar a prisão de algumas pessoas diante desta situação. um inventor norueguês graduado em ciências.edu/newsoffice/nr/1999/pageturner. o que não é necessariamente metodologias e processos apresentados durante o curso correto. tendo em vista que estes eram efetivamente um “produto nacional”. Projeto de Produto. ou à complexidade do É um exercício interessante imaginar alguma produto. ou um produto complexo? Teria ele sucesso? açucareiro em locais públicos (como bares ou Seria ele lembrado e homenageado com um selo restaurantes). Além disso. sujeitos à ocupação nazista. um olhar mais apurado em nosso ambiente cotidiano pode Um produto descrito como "um pedaço de metal. Normalmente. fazendo os pesquisadores do MIT. Em sinal de protesto. prestigiosa instituição muito semelhante ao norte americana: um “virador de páginas automático”. uma versão importantes" ou "simples demais". se você considera estes problemas "pouco Ao lado. por exemplo? série.depto engenharia de produção . a partir de uma necessidade de estes pequenos problemas (além de muitos outros) foram mercado observada pelos alunos. figura da primeira Este produto está detalhadamente descrito em patente do clipe http://web. e nem pode ser assim. a excelência do projeto não está diretamente ligada à tecnologia utilizada. inventou o clipe de papel em 1899. the end parts of which wire piece form members or tongues lying side by side in contrary directions. Pequenos problemas do dia-a-dia também estejam em sua maior parte centrados no requerem soluções de excelência. certamente pode possui limitações físicas). retorcido três vezes. em direções opostas. anterior: patente da máquina de produção de clipes. mas foi impossível conter o protesto. visto que “que mal poderia causar um pedaço de metal preso à roupa?” © 2004 eduardo romeiro filho 7 ufmg . um avião .html de papel. embora já existissem alguns modelos menos eficientes. "necessidade de mercado" a ser atendida. de 1899.mit. fabricáveis em para abrir uma garrafa com tampa de rosca. embarcar ou desembarcar em sistemas de comemorativo. Vale a pena lembrar objeto de soluções propostas por alunos da disciplina que muitas vezes esta não é clara. triangular ou arredondado" é um bom algumas necessidades aparentemente triviais. eletrônica e matemática. em soluções adequadas de projeto para atendimento de formato retangular. Algumas pessoas associam excelência da solução à concebido pelo homem é um produto. passaram a utilizar.

(Fonte: BARROSO. 1982) DIREÇÃO DA EMPRESA MARKETING DESENHO INDUSTRIAL ENGENHARIA Analisar Preparar Definir o Especificações o Produto Mercado Gerais Analisar Analisar Técnica aspectos de ANTEPROJETO Funcional e Engenharia Humanas e materiais Verificar Criar Aspectos alternativas de propriedade Industrial Prever custos e prazos de Fabricação Analisar Escolher Aprovar Viabilidade a melhor Anteprojeto Econômica e desenvolver Mercado Anteprojeto Rever Especificações Gerais Estudar aspectos Ergonômicos e Formais Selecionar Materiais e processos PROJETO Projetar Desenhar Embalagem melhor Alternativa Elaborar Construir Detalhar Estratégia de Modelo e/ou Planos de Lançamento Mock-up Fabricação Construir Protótipo Autorizar Produção Elaborar Experimental Roteiro de Produção Controlar a Produção Experimental © 2004 eduardo romeiro filho 8 ufmg .depto engenharia de produção . projeto do produto Áreas da empresa tradicionalmente envolvidas com o projeto do produto e principais etapas do processo.

entretanto. soluções de projeto neste momento. Não se deve esperar. espera-se que o conceito do produto esteja formado. Albert Einstein Esta primeira etapa consta basicamente da concepção do conceito do produto: Análise de especificações. Nesta fase. quais suas funções seus possíveis usuários. vendido. seus concorrentes e características do mercado. projeto do produto Primeira Parte: o conceito A mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original. Ao seu final. Por estranho que pareça. é necessário um amplo “reconhecimento do ambiente” no qual será desenvolvido o projeto e onde será fabricado. utilizado e descartado o futuro produto. o importante nesta fase não é “desenhar” ou “buscar uma solução”a priori. mas entender as necessidades e oportunidades que vão gerar o produto. © 2004 eduardo romeiro filho 9 ufmg .depto engenharia de produção . compilação de variações de soluções e sua avaliação.

A atividade projetual. projeto do produto Conceitos Preliminares. seja pelas novas condições de mercado. pela globalização de produtos e dos meios de produção ou por novas regras de legislação que buscam proteger os direitos dos consumidores diante da indústria. a necessidade de interação de diferentes competências em equipes multidisciplinares são respostas das empresas às demandas cada vez mais sofisticadas por parte de usuários. © 2004 eduardo romeiro filho 10 ufmg . mas sim a aplicação de novos e sofisticados conjuntos de procedimentos para desenvolvimento de produtos. Estes são os objetivos deste item. Neste contexto. é relativamente recente. como compreendida nos dias de hoje. não cabem mais métodos intuitivos ou não estruturados de projeto. bem como apresentar uma contribuição à reflexão sobre o tema.depto engenharia de produção . As formas de organização e condições do trabalho trazidas pela aplicação de metodologias e ferramentas de projeto. Discutir o processo que levou a esta nova situação. que tem seu poder de barganha progressivamente consolidado.

Instrumentos como o arco e flecha representam. por dois interessante uma “metáfora sobre o grupos de “hominídeos”. ao domínio e supremacia em seu meio ambiente. Europa e assim sucessivamente. Acima. As aldeias tiveram notável desenvolvimento a partir da agricultura. ou seja.depto engenharia de produção . 1968) necessidades humanas. que leve à eliminação do problema (no caso. os avanços tecnológicos ligados à agricultura (como o arado. grosso modo. de ser indefeso. atendimento a uma necessidade básica. as primeiras cenas dizer que esta representa de forma bastante desenvolvem-se em torno da disputa. Melhores ferramentas. um osso de fêmur poderia se transformar em Uma outra abordagem interessante para esta uma ferramenta de combate. São notáveis. as variáveis envolvidas (a tribo oponente). para realização de um objetivo vital. por exemplo) e aos diversos tipos de necessidades associados a formas de organização social cada vez mais complexas. o desenvolvimento de produtos atende a esta lógica. técnica”: a necessidade (do acesso à fonte). ainda caçador. como ceramistas. guardando-se as devidas proporções. O mesmo pode-se dizer das primeiras ferramentas humanas. neste caso. o da obtenção de alimento. com uma crescente sofisticação da divisão de trabalho entre seus membros. que cada vez mais caracteriza-se pela perenidade de sua localização geográfica. Os dois grupos desenvolvimento de uma ferramenta (ou a encontram-se. a partir daí. . o que acaba por levar o homem. melhores instrumentos. no atual Iraque. como o de uma fonte de água. até o surgimento de uma solução adequada. do inimigo). melhores resultados. “2001 – Além da força dramática da cena. aplicando um situação está no processo que gerou a “solução golpe fatal em um dos oponentes. até geração do conhecimento necessário para tal) que um membro de uma das tribos percebe que pode representar uma diferença fundamental. projeto do produto No clássico filme de Stanley Kubrick. A evolução da civilização acaba por trazer modificações ao modo de vida da tribo. Surgem desta forma grupos de indivíduos com conhecimentos específicos. © 2004 eduardo romeiro filho 11 ufmg . ou seja. objetos construídos e/ou manipulados pelo homem. poder-se-ia Uma Odisséia no Espaço”. depois estendendo-se pelo Oriente Médio. Pode-se dizer que. melhor qualidade de vida. uma notável "vantagem competitiva" na caça. em princípio na região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. seqüência clássica do filme de Kubrick ligados às diferentes formas de atendimento às (MGM/Polaris. este é o princípio básico do processo de concepção de soluções para quaisquer problemas. equilibrados. este processo de busca de soluções adequadas para necessidades observadas. Em última análise. pela primazia diante conhecimento”. a geração de alternativas (diversos tipos de ação sobre o inimigo).

Apesar disso. projeto do produto carpinteiros etc. é caracterizado pelo civil.. como pás. caracterizando um sistema de atividade de construção de produtos é muito produção que dá origem ao artesanato. e do acompanhamento do mestre pelo aprendiz. níveis. uma forma de atendimento é observada uma crescente divisão do trabalho adequado às necessidades do cliente. O severas negociações. No tempo passando por diversos estágios até artesanato. venda e entrega.. Minas Gerais. guias etc. Tendo em vista a costumeira proximidade entre artesão e comprador. sejam estes de caça. cozimento. que o artesanato representou. alguém artesão possuía. Os artesãos formavam grupos de acordo com a competência. e conhecimento necessário à construção do mestre.depto engenharia de produção . que possuíam uma estrutura de aprendizado Diversas regiões no Brasil ainda guardam resquícios das profissional bastante complexa. e na maioria das vezes os instrumentos necessários ao seu trabalho. próximos mata o material para seu arco possui que estavam do artesão. um novo elemento o domínio da tecnologia de projeto e produção decorativo eram incorporados ao produto com por uma única pessoa. Neste caso. normalmente. no cliente”? qualquer evolução. os processos de moldagem. O cliente é. Um pedreiro oficial possui o domínio de sua técnica. que ia ao longo do Evolução e adequação dos produtos. até mesmo por sugestões e relativamente restrito. século XIV. capaz de ensinar outros aprendizes. Um mestre de obras possui formas de competência bastante desenvolvidas e peculiares a suas funções. portanto não relacionado a modelos formais de aprendizado) necessário à execução de seu produto. um artesão ceramista possui o conhecimento (tácito. uma nova O artesanato possui como característica básica forma de encaixe. Um novo friso. Na medida que seu tempo. posteriormente. © 2004 eduardo romeiro filho 12 ufmg . as corporações de ofício. embora o comércio seja uma competência requerida para sua função e o atividade crescente. O período do renascimento. embora nas sociedades. este domínio passa ao artesão esse atendimento fosse normalmente objeto de e. A objeto é a tradição. mais calcada no aprendizado do ofício junto a um "mestre" do que na concepção de "novos" Artesanato – Produto “focado produtos. O formas de produção artesanal. fibras. podem ser observadas características incremento comercial. A competência para a seleção dos aprendizes era bastante complexa. em para corda. O caçador que busca na adaptações aos próprios “clientes”. materiais grosso modo. O grande de objetos. ponta de flecha etc. seria exagero afirmar que os produtos não sofreriam. às corporações de ofício. na época. é possível ao primeiro acompanhar a utilização do produto oferecido. uso doméstico. das Ainda hoje. conhecimentos sobre madeira. o domínio da da própria aldeia. ou por um grupo o passar do tempo. desde a escolha da argila adequada (normalmente identificando locais onde esta é disponível). experiência no trabalho. Poderia-se dizer. a base para aquisição do tornar-se oficial. corrigindo eventuais falhas de concepção e produção do objeto. em especial a partir do controle dos meios de produção necessários. decoração e. teoricamente. um artesão graduado.. que por sinal guardam extrema semelhança com determinados instrumentos bastante antigos. artesão é agora o responsável pela confecção Controle dos meios de produção. em setores como o da construção grandes navegações. Acima. interessantes referentes a esse período. conhecimento era passado por meio da no Vale do Jequitinhonha. uma roca de fiar. por fim. interesse esta fase está no fato de que o mestre pessoal etc.

Embora ainda hoje utilize diversos princípios de natureza artesanal. no séc. Some-se a isso a invenção da imprensa e conseqüente redução nos custos de reprodução da informação. XVIII. levou a um trabalho conjunto altamente sofisticado. na medida que permitem o registro gráfico de uma solução concebida em um meio físico (o papel) por meio de uma ferramenta descritiva eficiente (a perspectiva). As novas perspectivas marcante para o desenvolvimento da atividade comerciais representadas pelos habitantes das projetual. alguns dos primeiros registros de estudos arquitetônicos. possuía fundamental importância.depto engenharia de produção . colonização foi outro ponto importante para o desenvolvimento da construção de produtos e O período das grandes navegações foi da atividade projetual. inicia-se um gargalo nos atual programa de exploração espacial. em um determinadas formas de artesanato. Já naquela época os artesãos organizavam-se em corporações. Industrial. A partir daí. Pode-se dizer que o papel (introduzido na Europa no séc. feitos por Leonardo da Vinci para uma igreja com cúpula. e até hoje podem ser observadas formas de aprendizado calcadas nos sistemas de ofício (um bom profissional não ensina o "pulo do gato" a qualquer um). onde não existia tradição em diversas formas de competência. e muitas vezes obedecia a laços familiares e formas de relação bastante rígidas. XI) e o estudo da perspectiva (que intensifica-se no séc. Como enorme crescimento da demanda por novos exemplo. basta imaginar um paralelo com o produtos. Acima. Processo Histórico de Colonização. a construção das caravelas constitui-se me um marco. dentre 1485 e 1490 (Biblioteca do Instituto de França. pela utilização de desenhos construtivos em perspectiva. A Evolução na Atividade Projetual. © 2004 eduardo romeiro filho 13 ufmg . que meios de produção que acabará por propiciar guarda uma interessante semelhança com a condições para o início da Revolução Escola de Sagres. A arte de construir navios envolvia colônias. projeto do produto Embora a utilização de meios físicos como o papel (ou pergaminho) para o registro de produtos date do séc. já naquela época. Paris). com objetivo de visualização da solução final. a construção de edifícios foi a primeira atividade a descrever previamente os objetos concebidos. O conhecimento. como o objetivo expresso de documentar a construção do barco e transmitir informações entre os diversos envolvidos. XIII) foram importantes neste processo. no sentido de preservarem seu conhecimento e defenderem seus interesses Acima: Caravelas portuguesas do século XV profissionais. XIV.

existem excelentes exemplos de comércio internacional. Estes do início do século XX e de escolas como a fatores foram. venda e cresceu no séc.14 da Máquina Singer. Ao lado. representando basicamente os sistemas de manufatura (veja foto abaixo). a primeira referência à semelhantes. THONET fossem resultado de uma notável proporcionou condições para o aumento nos inovação tecnológica (o desenvolvimento de níveis de produção e redução dos custos dos técnicas de curvatura da madeira à quente). em grande parte grandes manufaturas e.000 (cinqüenta milhões) de exemplares vendidos até 1930 e é produzida Acima: Anúncio da fábrica THONET em um jornal alemão. No. mais pelo desenvolvimento de novas tecnologias importante. concebido em 1859. além de fomentar ainda mais o sistemas de produção eram bastante arcaicos.000. a produção da fábrica THONET em fins do séc. elementos estruturais aproximadamente. embora esteticamente distintas. por um facilita em muito as especialista. que (acima) publicado em jornal alemão no final vendeu 400. apresentava a fantástica marca de 50. posteriormente. XIX. que no grandes fábricas. A divisão internacional do início do século XX possuía em torno de 3. o de número 14. além de Bauhaus. Data de 1700. projeto do produto A revolução Industrial foi a grande evidentemente ao responsável pela difusão de novos produtos. soluções bastante Design: História. XIX. remetem © 2004 eduardo romeiro filho 14 ufmg . a Thonet Em anúncio da fábrica de cadeiras THONET. Seu mais conhecido exemplar. A importância dessa atividade montagem. embora os móveis consumidoras de bens industriais. responsáveis pelo sucesso da empresa. I deologia e Utopia.000 do século XIX. reservando às colônias o papel de funcionários. As diversas formas de imperialismo uma evidente leveza também contribuíram decisivamente para a construtiva e agradável solução estética (até concentração do capital e para o surgimento de hoje bastante atraente).000 trabalho. concepção. os produtos. pode-se observar que os unidades até 1900. diferentes modelos utilizam soluções que. Um dos mais interessantes exemplos de mostrando como a produtos onde o sucesso pode ser explicado adequação do projeto à por meio de uma feliz associação entre novas sua função e objetivos tecnologias de produção e soluções estéticas pode atingir o sucesso. desenvolvidos. e mesmo autor e. inovadoras está na linha de Cadeiras Thonet. antigas que ainda persistem no mercado.depto engenharia de produção . o que atividade de design. Curiosamente. manufatura. Em termos de produtos em fins do século XIX. de novos produtos para a etapas de concepção. utilizam aplicadas à manufatura. mesmo para a época. bem antes dos designers manutenção. como no caso da cadeira dos irmãos THONET e Acima. até os dias de hoje.

situação política e econômica na Alemanha da introduzidos por Loewy na década de 1930. Embora este conceito possa ausência de uma tradição "artesanal"). Apesar de inúmeros percalços. e mesmo sobre as primeiras escolas de Design brasileiras é evidente. baseada mais bonito que existe é o do aumento na fortemente na produção de bens em sistemas curva de vendas”. tendo funcionado até 1933. Loewy também foi um dos responsáveis pela Já a partir de meados do século XIX. Na Europa. a partir de uma introdução de conceitos de “melhoria orientação voltada para uma retomada dos contínua” em produtos. O design esteve sempre ligado à muitas vezes a busca constante pela excelência indústria e ao marketing. com sua visão de produtos das geladeiras nas décadas de 20/30. nos anos 50. Europa e nos EUA. com lançamentos ideais "do artesanato". representa um marco. dizia Loewy). tendo em vista principalmente a Acima. época. ser (e efetivamente é) fonte de muitas críticas. tendo em vista questões específicas usuário. representavam significativa vantagem para o Nos EUA. a Bauhaus conseguiu desenvolver ampla variedade de trabalhos. projeto do produto novo desenho para as geladeiras Coldspot. Sua influência sobre a forma e sobre a Escola de Ulm. Seu © 2004 eduardo romeiro filho 15 ufmg . na Alemanha (veja texto complementar). uma síntese da evolução do esquema construtivo papel neste sentido. dois modelos de geladeiras Coldspot. a Bauhaus foi a primeira escola de Design na história. e à indústria nos EUA. o design de produtos assume feições distintas nos dois continentes: Mais ligada à arte.depto engenharia de produção . da Evolução do Projeto de Produtos na Sears Roebuck. criada em 1919. na Europa. que depois evoluíram periódicos de novos modelos que para um enfoque voltado para empresa. "limpos" e seus estudos em aerodinâmica. O francês em soluções de projeto. levando ao desejo pela aquisição de de desenvolvimento histórico (inclusive a um novo modelo. desenvolveu uma história diferente em termos por ser associado ao marketing (“o desenho de desenvolvimento de produtos. naturalizado americano Loewy teve importante Abaixo. representa "de massa".

Uma vez um velho de riquezas. 1942. 3 edição. Hans. acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem tão rico de que me falas não morre? . Martins Editora. por isso descansamos sem maiores cuidados.Na verdade. por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam ? . atribuem perguntou-me: Por que vinde vós outros. mães e filhos a quem amamos. insurgem-se contra esses piratas vossa terra? Respondi que tínhamos muita mas não que se dizem cristãos e abundam na Europa tanto daquela qualidade. Hans Staden. não era nenhum tolo. Duas viagens ao Brasil. Este discurso. na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. como dizeis quando aqui chegais. Jean de Léry. odeiam moralmente os avarentos e tal qual o faziam eles com os seus cordões de provera Deus que estes fossem todos lançados entre algodão e suas plumas. com vergonha nossa. ele o supunha. como já disse. morre como os outros. continuou o velho. tu me contas maravilhas. que reputamos "Os nossos tupinambás muito se admiram dos bárbaros. mas dela extraíamos tinta para tingir. substância alheia.Sim. . respondi. agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos.Para seus filhos se os têm. projeto do produto Os nossos Tupinambás Trecho extraído do livro Viagem à Terra do Brasil. respondi-lhe. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim. . 1960. São Paulo : Soc. tesouras. Em português só veio a ser impressa em 1889. e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais. Por mais obtusos que sejam. maírs e esses selvagens maior importância à natureza e à perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão fertilidade da terra do que nós ao poder e à longe para vos aquecer? Não tendes madeira em providência divina.depto engenharia de produção .Ah! Retrucou o © 2004 eduardo romeiro filho 16 ufmg . já que só cuidam de sugar o sangue e a porventura precisais de muito?. São Paulo. espelhos e os selvagens pouco cuidadosos nas coisas deste outras mercadorias do que podeis imaginar e um só mundo. desprezam àqueles que com perigo de franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho vida atravessam os mares em busca de pau-brasil e de buscarem o seu arabutan. selvagem. facas. aqui resumido. como vereis. os selvagens para serem atormentados como por Retrucou o velho imediatamente: e demônios. e que não a queimávamos. pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos." deles compra todo pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. Era necessário que eu fizesse esta pois no nosso país existem negociantes que digressão. 187 também nutrirá. disse eu. que. Os tupinambás.Sim. como quanto escasseiam entre os nativos. mas estamos certos Tupinambás em ritual antropofágico. de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu Fonte: Staden. Esta obra teve a primeira edição em francês em 1578. p. a fim de justificar possuem mais panos. mostra como esses pobres selvagens americanos.

OLSON et al. MOSEY et al. Essa consistência e coerência estariam presentes não apenas na arquitetura do sistema de desenvolvimento como também no detalhamento das atividades executadas. informação e administração. HART apud RIMOLI (2001) identificou seis fatores chaves de sucesso: pessoas. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Operações (Manufatura). De acordo com esses autores. a cultura e a estratégia. afirmando que esses não são os únicos processos a serem considerados e que sua a atividade isolada é insuficiente para o sucesso da empresa. Dessa forma. (2000) apud Freixo (2004) afirmam que o sucesso de diversas empresas. A figura mostra estes seis fatores e seus componentes. incluindo a estrutura organizacional. e assim tais processos devem se integrar entre si e com outros processos empresariais. estrutura organizacional. as habilidades técnicas. eles afirmam ainda que o que define o sucesso é o padrão de consistência presente em todo o sistema de desenvolvimento de produtos.depto engenharia de produção . especialmente no que tange ao grau de inovação dos produtos e aos momentos em que se dá tal integração. se nas etapas iniciais de desenvolvimento ou nas fases posteriores. objeto de sua pesquisa em diferentes nichos. estratégia. Processo de Inteligência de Marketing. já se podiam identificar empresas com efetiva capacidade para desenvolver produtos enquanto outras se defrontavam com os elevados custos alcançados. . se deve a quatro processos principais: . sendo que essa cooperação liga-se diretamente ao sucesso de um produto. © 2006 eduardo romeiro filho 17 ufmg . com o fraco desempenho. . Esses autores completam. com os problemas de qualidade ou mesmo com a falta de mercado para o produto desenvolvido (CLARK e FUJIMOTO. o bom desempenho do produto seria uma conseqüência da consistência na organização e gerenciamento do seu próprio desenvolvimento. Processo de gerenciamento do desenvolvimento de novos produtos. Assim. identificados por intermédio de uma revisão da literatura realizada pelo autor. GRIFFIN (1997) também procura identificar as práticas mais comumente associadas às empresas em diferentes setores da economia com sucesso em desenvolvimento de produtos e a sua evolução e afirma que sem a manutenção de processos de desenvolvimento atualizados as empresa sofrem uma crescente desvantagem competitiva. Processo de planejamento da estratégia de Marketing e . processo. um processo eficiente de desenvolvimento de produtos é algo difícil de se realizar. e sem ele as empresas estão provavelmente fadadas ao fracasso. os processos para solução de problemas. inclusive com a estratégia de negócios da companhia. Processo de geração de idéias.1991). estando associado à cooperação entre Marketing. (2001) afirmam que o Processo de Desenvolvimento de Produto é um processo multidisciplinar em essência. projeto do produto Processo de Desenvolvimento do Produto No início dos anos 90 do século passado. com a demora no lançamento.

EPPINGER. atingir essa meta não é somente um problema de marketing. projeto de engenharia (CROSS. termos tais como: processo de planejamento e projeto (PAHL e BEITZ. necessários para a formulação de requisitos. © 2006 eduardo romeiro filho 18 ufmg . conforme aponta Codinhoto (2003). venda e entrega de um produto. projeto do sistema. trata-se de um problema de desenvolvimento do produto. projeto do produto Figura : Fatores chaves para o sucesso em desenvolvimento de produtos. projeto detalhado. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo de negócio compreendendo desde a idéia inicial e o levantamento de informações do mercado até a homologação final do produto. de acordo com Ulrich e Eppinger (2000). a forma de organização e de gestão do desenvolvimento de produto. PAHL et al. 1999 apud CODINHOTO. Fonte: HART apud RIMOLI (2001). 2000). . detalhamentos e aperfeiçoamentos (SMITH. sendo que. que envolve essas e outras funções. Assim. 1991). teste. passando pelo planejamento.. há diversas definições para o PDP: . Terminologia Sabe-se que uma parcela significativa do sucesso econômico das empresas está associada às habilidades destas em identificar as necessidades dos clientes e rapidamente criar produtos que atendam a essas necessidades e que possam ser produzidos a um custo relativamente baixo. . Sendo um processo que faz uso das informações do mercado. a empresa terá maior ou menor sucesso com a colocação do mesmo no mercado (CLARK e FUJIMOTO. Projeto e Desenvolvimento do Produto refere-se ao conjunto de atividades interdisciplinares que começa com a percepção da oportunidade de mercado e termina com a produção. concepção. das equipes de produção. de acordo com a estratégia. EPPINGER.depto engenharia de produção . 2000). 2005). desenvolvimento do conceito. AMARAL. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo que converte necessidades e requisitos dos clientes em informação para que um produto ou sistema técnico possa ser produzido. . dos diversos projetistas. 2003). Desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma as informações de oportunidades de mercado e de possibilidades tecnológicas em informações vantajosas para a fabricação de um produto. MORROW. bem como de testes e análises de uso do produto. 2001). São vários os termos utilizados para se referir ao processo de desenvolvimento do produto (PDP). definições. 1994) e projeto e desenvolvimento do produto (ULRICH. ou mesmo um problema de projeto ou de produção. refinamento e produção-piloto (ULRICH. do processo e a transmissão das informações sobre o projeto e o produto para todas as áreas funcionais da empresa (ROSENFELD. Somando-se a isso. 1996.

. e ao produto (desempenho desejado. Ainda analisando os modelos propostos para o PDP (CLARK e FUJIMOTO. somando-se essa colocação à análise das definições para o PDP. Portanto. De acordo com O’brien e Smith (1994) apud Codinhoto (2003). que envolve mais funções em um negócio.1995). pode-se verificar que não há uma regra previamente definida para a divisão desse processo. embora cada fase. 1993). apresente um objetivo a ser atingido. URBAN e HAUSER. etc. © 2006 eduardo romeiro filho 19 ufmg . BUSS. 1996. assim observa-se que é comum a divisão do PDP em função do grau de maturidade. PAHL et al. Codinhoto (2003) apresenta diversas propostas de divisão do PDP em etapas que são ilustradas na Figura. forma. 2001. 1996. Processo de Planejamento e Projeto é atividade multifacetada e interdisciplinar que tem como resultado o planejamento e esclarecimento de tarefas. ULRICH e EPPINGER. .. Pode- se observar que a denominação dada às fases. ROSENFELD e AMARAL.1995. é bastante variável. distribuição e vendas (ROOZENBURG e EEKELS. PAHL et al. à empresa (recursos e investimentos necessários). parece ser consensual que o produto seja desenvolvido ao longo de fases. 2000 apud CODINHOTO.) são claramente estabelecidas. 1993. dispondo de fases de atividade em um projeto de desenvolvimento típico – desenvolvimento do conceito. Desenvolvimento de Novo Produto ou Processo de Desenvolvimento compreende um complexo conjunto de atividades. planejamento do produto.2005). projeto do produto . CRAWFORD e BENEDETTO. introdução no mercado e gerenciamento do ciclo de vida (URBAN e HAUSER. 1993).depto engenharia de produção . 2000. uma nova fase é iniciada. da elaboração de soluções iniciais. produção-piloto e lançamento (CLARK e WHEELWRIGHT. Pahl e Beitz (1996) colocam que a divisão do PDP em fases e em grupos de atividades é uma das maneiras utilizadas para lidar com a complexidade desse processo. assim como a sua divisão.. Processo de Desenvolvimento de novos produtos é um processo decisório de cinco passos: identificação da oportunidade de mercado. 1993. ROOZENBURG e EEKELS. maturidade do projeto é o momento em que o projeto (como produto) está definido suficientemente de modo a ser liberado para análise e utilização em atividades subseqüentes. 2003. sem que haja a possibilidade de ocorrer retrabalhos nas fases seguintes devido ao que foi entregue. CLARK e WHEELWRIGHT. através da identificação de funções requeridas.2005). Nota-se também que não há limites claros entre as fases. projeto. Desenvolvimento de Produto compreende o desenvolvimento de um projeto de um novo produto em coerência com os planos para a sua produção. 2001. engenharia do produto e do processo. da construção de estruturas modulares para a documentação final do produto (PAHL e BEITZ. possibilitando o estabelecimento de pontos de verificação e controle que contribuem para aumentar a eficácia do gerenciamento desse processo. à medida que as definições relacionadas ao mercado (tamanho e exigências dos consumidores). 1991. segundo Codinhoto (2003). . teste. em geral. segundo os diferentes autores. CUNHA. Desse modo. PAHL e BEITZ.

(2001) coloca que para que o Processo de Desenvolvimento de Produtos ocorra satisfatoriamente. direcionado-a para um determinado mercado ou cliente. Modelos de referência de PDP Sabe-se. Engenharia de Produção e Design (figuras . contribuindo para a integração da empresa em torno de uma visão única e focalizada num tipo de negócio. Esses autores apresentam diversos modelos de referência de PDP oriundos de pesquisas realizadas nas áreas de Marketing. como por exemplo. no entanto. cumprindo seu papel de mantenedor da competitividade da empresa.depto engenharia de produção . Desse modo. administrativos etc. Alguns modelos referenciais são oferecidos por áreas que têm como objeto de estudo o Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP) (BUSS e CUNHA. 2002).. ROMANO et al. etc. Assim. © 2006 eduardo romeiro filho 20 ufmg . comumente representado como um processo de negócio. as atividades nele executadas dependem de diversos departamentos. com visões diferentes. de acordo com Freixo (2004). De acordo com ROZENFELD (1999). servindo de parâmetro de comparação para as empresas avaliarem e incorporarem melhorias em seus processos. o aeroespacial. para descrever um processo de negócio podem ser utilizados modelos de referência que representem setores industriais específicos. Fonte: CODINHOTO (2003). projeto do produto Figura : Divisão do PDP em fases segundo alguns autores pesquisados. o automotivo. resultando no chamado Desenvolvimento Integrado de Produtos (DIP). um modelo do processo de negócio pode ajudar a materializar as políticas e estratégias gerenciais e racionalizar o fluxo de informações e de documentos durante o desenvolvimento de produtos. de informações advindas de diversas áreas da organização. e ). de acordo com esses autores. ele deve ser executado de maneira integrada. influenciando e sendo influenciado por outros processos de negócios da empresa (comerciais.). de diversas pessoas com formações diferentes. que não é possível pensar em desenvolvimento de produto como processo isolado.

Fonte: Buss e Cunha (2002). Figura : Modelos de PDP em Engenharia de Produção. © 2006 eduardo romeiro filho 21 ufmg .depto engenharia de produção . Fonte: Buss e Cunha (2002). projeto do produto Figura : Modelos de PDP em Marketing.

projeto do produto

Figura : Modelos de PDP em Design. Fonte: Buss e Cunha (2002).

Cabe ressaltar que dentre os modelos propostos por esses autores, alguns se limitam apenas ao processo de
projeto, como, por exemplo, o modelo proposto por Pahl e Beitz (1996), enquanto os outros consideram o PDP
como um processo de negócios que vai além da simples especificação técnica do produto.

A Administração, através de seus braços em Marketing e na Produção, preocupa-se com os aspectos
mercadológicos e de organização e controle da produção; a Engenharia, através de sua linha em Engenharia da
Produção, foca basicamente os aspectos referentes à engenharia do produto e ao desenvolvimento de seu projeto
técnico; e o Design preocupa-se principalmente com a caracterização do problema e com a investigação de
alternativas possíveis (BUSS e CUNHA, 2002).

Para KRISHNAN e ULRICH (2001), essas diferenças de abordagens e pontos de vista ocasionam uma
desconexão entre os modelos apresentados pela literatura. O quadro apresenta essas diferentes perspectivas em
relação ao PDP.

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projeto do produto

Quadro : Comparação das perspectivas das comunidades acadêmicas de Marketing, Organizações, Engenharia e Administração da Produção. Fonte: Krishnan e
Ulrich (2001).

E, portanto, de acordo com Roozenburg e Eekels (1995), o desenvolvimento de produto é um processo mais
amplo em que está incluso o projeto do produto.

Projeto - Terminologia
Ao se buscar a etimologia da palavra projeto, de acordo com Ferreira (1986), encontra-se a sua origem no latim
projectu que significa “lançado a diante”, ou seja, “idéia que se forma de executar ou realizar algo no futuro;
plano, intento, desígnio”; “empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema”.

Assim, “Estes são os significados mais puros para o termo ‘projeto’: intenção desígnio, idéia de fazer algo no
futuro, delineamento, esboço, etc. Entretanto, ao se evoluir das intenções para a ação, o termo projeto passou a
designar também o conjunto dos esforços que visam à realização do ‘projeto/intento’, do ‘projeto/esboço’ ou do
‘projeto/desígnio’ etc. Ou seja, o termo projeto passa a abranger também a fase de execução daquilo que foi
imaginado, desejado ou delineado, compreendendo um número, às vezes extremamente grande, de tarefas
interligadas e de complexidades variáveis. E mais, o projeto, assim entendido, passa a incorporar os meios que
lhe foram destinados para sua execução: escritório, gerente, equipe, materiais etc. O projeto, em uma acepção
ampla, passa a ser uma organização, ainda que transitória: tem estrutura, regras de funcionamento, objetivos,
gerência, equipe, insumos etc” (VALERIANO, 2004).

O termo projeto não detém um significado único. De acordo com Cassarotto Filho, Fávero e Castro (1999), o
termo projeto é comumente relacionado com um conjunto de planos, especificações e desenhos de engenharia.
Para esses autores, tal conjunto é chamado de projeto de engenharia, recebendo na língua inglesa a alcunha de
design.

No entanto, buscando um sentido mais amplo e dentro do contexto de desenvolvimento de produtos
(entendendo-se produtos como bens físicos e/ou serviços (GRIFFIN e PAGE, 1996)), Cassarotto Filho, Fávero e
Castro (1999) colocam projeto como sendo um conjunto de atividades interdisciplinares, finitas e não repetitivas
que visa uma meta definida com cronogramas e orçamentos preestabelecidos, ou seja, um empreendimento; e

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projeto do produto

recebendo, na língua inglesa, a designação de project. Contudo, os próprios Cassarotto Filho, Fávero e Castro
(1999) ressaltam que o desenvolvimento de um projeto de engenharia constitui, também, um projeto.

No PMBOK (2004), projeto é definido como um esforço temporário com ponto de início estabelecido e com
objetivos definidos para produzir um produto. O COED (Concise Oxford English Dictionary) citado por Dingle
(1997) define projeto como “um plano, tema, uma realização planejada”.

Dingle (1997) cita a Association of Project Managers (UK) que denota ao termo ‘projeto’ o significado de um
conjunto de tarefas inter-relacionadas que são realizadas por uma organização para atingir objetivos definidos,
tendo definidos início e final, delimitadas pelo custo e tendo especificado as necessidades requeridas e os
recursos. Esse autor também cita o British Standard Guide to Project Management que define projeto como “um
único conjunto ordenado de atividades, com pontos inicial e final definidos, realizadas por um indivíduo ou
organização para atingir objetivos específicos dentro cronograma, custo e parâmetros de desempenho definidos”.

Já, Prado (2003) elabora um interessante quadro em que se pode realizar uma comparação entre alguns termos
empregados em várias línguas com os seus correspondentes em inglês.
Inglês Project Design Drawing
Projeto / empreendimento /
Português (BR) Projeto / Desenho / Design Desenho
investimento / obra
Português (POR) Projecto Concepção Esboço
Italiano Projecto/Comessa Projectazione Disegno
Alemão Projekt Ausfuhrung Zeichnen
Francês Projet Desin Dessin
Espanhol Project Disegno Dibujo
Quadro : Comparativo de termos empregados relacionados com seus correspondentes em língua inglesa. Fonte: Adaptado de Prado (2003).

Sobre a utilização desses termos relacionados ao projeto e seus correspondentes em língua inglesa, Valeriano
(2004) faz um importante apontamento, como um dos sinônimos para projeto é “desígnio” do latim “designiu”
(FERREIRA, 1986) que significa “intento, plano, projeto, propósito”, a palavra design na língua inglesa tem a
origem na mesma raiz latina, no entanto, esta palavra tem outras acepções que correspondem à parte criativa,
cerebral e conceitual de atividades incrementais e/ou inovadoras, sendo amplamente empregada, não se
limitando apenas à engenharia. Isso, por vezes, acaba por provocar confusões; já que no âmbito na engenharia, o
design corresponderia ao projeto desprovido de suas partes gerenciais e materiais; o que em língua portuguesa
acaba por não se encontrar uma palavra com o mesmo significado, o que é reforçado pela análise elaborada por
Valeriano (op. cit.).

Métodos de Projeto

Pode-se considerar que o projeto encontra-se na interface entre a empresa e o mercado, cabendo a ele
desenvolver um produto que atenda às expectativas de mercado em termos de qualidade total do produto, no
tempo adequado, ou seja, mais rápido que os concorrentes, e a um custo de projeto compatível. Além disso, deve
também assegurar a ‘manufaturabilidade’ do produto desenvolvido, ou seja, a facilidade de produzi-lo
atendendo a restrições de custos e de qualidade.
Desse modo, Fachinello (2004) afirma que com a análise dos diferentes modelos referenciais apresentados na
literatura, pode-se perceber que, de maneira geral, as atividades consideradas pelos diferentes autores são
semelhantes em sua concepção, diferindo apenas em termos de sua apresentação e denominação. E como uma
forma de endossar sua afirmação, a autora adapta de Buss e Cunha (2002) uma tabela que ilustra os tais modelos
referenciais de alguns autores, como se observa a seguir.

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projeto do produto

Clark e Fujimoto Krishnan e Ulrich Pahl e Beitz Kaminski (2000) Crawford (2000) Kotler (1998) Bonsiepe (1984)
(1991) (2001) (1996)

Conceito Desenvolvimento do Especificação do Especificação da Identificação de Geração de idéias Problematização
conceito Projeto necessidade oportunidades

Planejamento do Projeto da cadeia de Concepção de Estudo de Geração de Conceito Triagem de idéias Análise
Produto suprimentos Projeto viabilidade

Engenharia do Desenvolvimento do Projeto Projeto básico Avaliação de Projeto Desenvolvimento e Definição do
Produto produto Preliminar Teste problema

Projeto do Teste e validação de Projeto Projeto executivo Desenvolvimento Estratégia de Anteprojeto
Processo desempenho Detalhado técnico Marketing

Produção Piloto Lançamento Planej. Produção Lançamento Análise Comercial Avaliação

Execução Desenvolvimento Realização

Testes de Mercado Análise final

Comercialização

Tabela : Modelos Referenciais das áreas de Engenharia de Produção, Marketing e Design - Fonte: Adaptado de Buss e Cunha (2002) apud Fachinello (2004).

Com a análise do que está colocado na tabela acima, observa-se que o projeto pode ser visto como uma
seqüência de atividades interligadas em que ocorre basicamente o processamento de informações. Segundo
Medeiros (1981), métodos de projeto de produto são definidos como sistemáticos ou intuitivos, sendo utilizados
de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido.

"A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para
que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas, inclusive pessoas não
pertencentes à equipe de projeto; para que se possa produzir uma maior qualidade, e não só quantidade de
soluções; e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções" (MEDEIROS,
1981).

Sistemas informatizados de apoio ao projeto
Projeto Auxiliado por Computador - CAD
De acordo com Pugh (1991), o âmago do projeto consiste em análise de mercado (necessidades do usuário),
especificação do projeto do produto, projeto conceitual, projeto detalhado, fabricação e vendas. Dessa forma,
para esse autor, todo projeto começa ou deveria começar com a necessidade, quando satisfeita, ajustará um
mercado existente ou criará um mercado para o produto. E assim, para fazer com que o projeto torne-se eficaz e
eficiente, deve-se utilizar técnicas diretamente relacionadas com a essência do projeto. O autor coloca que essas
técnicas compõem a “caixa de ferramentas” do projetista, ela pode ser de dois tipos: dependente da
disciplina/tecnologia e independente da disciplina/tecnologia. Sendo a primeira diretamente ligada à Engenharia
e à aplicação de seus conhecimentos no projeto.

Pugh (op. cit) também afirma que o projeto do produto representa a materialização do processo pelo qual a
empresa converte oportunidades de mercado em informações para sua fabricação, concretizando idéias,
conceitos e necessidades em um modelo físico para teste e avaliação. Dentro desse contexto, Back (1982) coloca
que o desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em
representações bi ou tridimensionais. Contudo, com base na bibliografia levantada, os meios para que essa
materialização ocorra são os sistemas informatizados de apoio ao projeto, sistemas CAD (Computer Aided
Design ou Projeto Auxiliado por Computador). Conforme coloca Medeiros (1981), o projeto do produto consiste
em identificar uma necessidade, definir as especificações do projeto incluindo todo o ciclo de vida que vai desde
a fabricação, produção, difusão, uso e desativação, e ferramentas informatizadas como CAE/CAD/CAM
fornecem um suporte técnico a fim de garantir a qualidade, rapidez e sucesso do processo.

© 2006 eduardo romeiro filho 25 ufmg - depto engenharia de produção

análise e síntese. Todavia. o CAD tem três aplicações: (1) Geração de desenhos de Engenharia. usando gráficos computadorizados para fornecer desenhos de componentes ou produtos como um todo. ainda que associadas. pode-se generalizar o processo projetual em seis etapas que devem ser seguidas seqüencialmente para se projetar novos produtos ou melhorar produtos já lançados: (1) Reconhecimento da necessidade.000 vezes maior que a de uma leitura (GONÇALVES. MALHOTRA. Os sistemas CAD formam um conjunto bastante amplo de recursos tecnológicos de apoio às atividades peculiares envolvidas nas diferentes fases do processo projetual. sobretudo em termos industriais. nos últimos trinta anos. ANUMBA. Mas. sabe-se que o desenho técnico tem sido parte integrante da indústria há muitos anos e é o elo de ligação entre a Engenharia de Projetos e a Produção. Síntese através da modelagem geométrica. (6) Apresentação.). por um lado. 1995. (2) Definição do problema. à atividade de desenho e. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. uma tecnologia multidisciplinar. 1995). . sistemas CAD podem ser aplicados em quatro delas: .1984. © 2006 eduardo romeiro filho 26 ufmg . e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto”. 1998. A velocidade de compreensão gráfica pode alcançar uma proporção 50. Contudo. Avaliação através da revisão de projeto e da realização de testes de fabricação e utilização virtuais que permitem esses sistemas. o uso dos sistemas CAD tem transformado as práticas normais de trabalho de projetistas e engenheiros na indústria. LUONG. ou Computer Aided Manufacturing. O CAD é um sistema tecnológico bem conhecido que combina hardware e software.cit. desenhos realizados manualmente vem sendo substituídos por representações gráficas elaboradas através de computador. ou seja. GROOVER e ZIMMERS. . Essa generalização é referendada por Rembold. (5) Avaliação. Análise e Otimização através da análise de Engenharia que pode realizada por meios computacionais. Esses autores afirmam que em geral. 1996. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. projeto do produto A partir da análise realizada por Medeiros (1981). de acordo com Malhotra. à sua utilização em conjunto com sistemas informatizados de auxílio à produção (CAM. na forma de sistemas CAD/CAM). adota-se o conceito segundo o qual o CAD é: “se considerado de forma bastante ampla. assimilação. 1988. . (4) Análise e Otimização.depto engenharia de produção . 2001). (3) Síntese. Heine e Grover (2001). Apresentação graças ao desenho automatizado e a possibilidade de comunicação de dados de projeto por meios digitais que esses sistemas propiciam. por outro. que afirma: “A atividade principal de transformação (de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais) ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. o método de representação manual vem sendo substituído pelo Projeto Auxiliado por Computador (CAD). graças à grande e diversificada aplicação e à sua flexibilidade que facilita a realização de um projeto (GERELLE e STARK. Nnaji e Storr (1993) e por Romeiro (op. Assim. Dentro dessas seis etapas para projeto colocadas. HEINE e GROVER. CAULLIRAUX e COSTA. 1997 A e B).

transferência de calor. cabe aos gerentes e supervisores de projeto atuar buscando a cooperação.depto engenharia de produção . deve-se evitar que as diferentes equipes da empresa sejam separadas “por muros”. os recursos. programação de equipamento de manufatura. . Já. Aqui. Definição do problema – no início dessa atividade. © 2006 eduardo romeiro filho 27 ufmg . A adoção de sistemas CAD em projeto de produtos visa. Modelagem geométrica – isso envolve o uso do computador empregando uma descrição matemática computacional da geometria do objeto em sua representação. Portanto. o planejamento de processos. Muitos sistemas permitem a modelagem por elementos finitos e o cálculo de desempenho dinâmico do projeto. . STORR. aliado à aquisição de um sistema que troque dados com os outros sistemas da empresa. (3) Comunicação com importantes departamentos da empresa. a comunicação e a troca de informações (REMBOLD. O computador permite que se verifique a possibilidade de manufatura e montagem do produto projetado. a geração de desenhos em diferentes vistas. Automatização do desenho . o computador torna-se uma ferramenta inestimável. ferramentas. evitando. O CAD propicia o dimensionamento automatizado do desenho. se o produto já tiver sido projetado anteriormente. Essa descrição matemática possibilita a animação do objeto. HEINE. . 2001). NNAJI. tais como os sistemas CAD. o projetista deve ser muito criativo para determinar as funções. de forma que uma determinada atividade seja processada de forma modular dentro de cada equipe sem que aja contado ou interação com as outras equipes. permitindo a análise e a otimização do projeto. o fluxo de informações e os materiais dentro da empresa ou da indústria. as atividades projetuais são vinculadas às ferramentas e aos aplicativos de tais sistemas na mesma medida que a tecnologia evolui. projeto do produto (2) Análise conceptual de projeto. já que ele pode sugerir um projeto existente e procurar por componentes e processos de manufatura padronizados. conclui-se que o processo para adoção.isso diz respeito à produção de desenhos detalhados de trabalho usado para a comunicação de informações de projeto para o processamento. já que isso requer a experiência humana. Avaliação projetual – o projeto deve seguir regras específicas previamente estabelecidas e é isso que determina a eficácia do projeto. entre outras coisas. o computador não é de grande ajuda. dispondo assim de sistemas computadorizados e máquinas que não se comunicam com outras de outros setores). de forma que as atividades e informações de projeto afetadas foquem-se nos objetivos do negócio da empresa. entre outros. Contudo. 1993 e MALHORTA. a adequação a processos de operação padronização e também o custo de produção. implantação e utilização de um sistema CAD em projeto do produto pode ser compreendido como uma seqüência de atividades que se destinam à adoção e utilização do sistema (aplicativos. banco de dados etc). desgaste. . perspectivas. ainda que não haja um consenso entre os autores que tratam do assunto no que se refere à definição de um conceito para sistemas CAD. GROVER. Rembold. por fim a esses “muros” dentro do setor de projetos e deste com o restante da empresa e para que o CAD tenha realmente esse papel de integração. os procedimentos. a formação das chamadas “ilhas de automação” (setores da empresa que realizam a sua informatização. deixando saídas como consumo de energia. A integração e a flexibilidade como funções de projeto galgadas com a implantação de sistemas CAD só são alcançadas se a empresa promover um sério movimento de reestruturação organizacional. levando em consideração a organização das pessoas. alheios às necessidades da empresa e de outros setores e a um planejamento estratégico e de longo prazo. mostrando as características de sua operação e com essa animação é possível detectar problemas e sugerir ações corretivas. E esses dados podem ser coletados. podendo ser em duas ou três dimensões. os equipamentos. clientes e fornecedores. Daí. No entanto. cit) afirmam que a aplicação do computador para projeto pode ser dividida em cinco áreas: . escalas e áreas. interferência. Análise de Engenharia – isso é normalmente requerido por projetista. Nnaji e Storr (op. segundo Scheer (1993). Percebe-se que o processo projetual se vincula e se relaciona cada vez mais a sistemas informatizados de auxílio. funções. o desempenho e a aparência do produto.

asp?tipo_tabela=artigo&id=29 Acesso em 15 de agosto de 2006 © 2006 eduardo romeiro filho 28 ufmg . Etapa de Maturação: neste estágio. 1 Fonte: http://www. Produtos que incorporam muita tecnologia tendem a decair mais rapidamente e normalmente são retirados do mercado pelo fabricante.com. Nesta etapa. bem como o de concorrentes. a taxa de crescimento das vendas diminui e tende a se estabilizar. passa por quatro etapas de desenvolvimento: introdução (nascimento).depto engenharia de produção . Pode-se assim promover um interessante mapeamento do mercado atual. Etapa de Crescimento: ocorre a partir do momento em que a demanda pelo produto aumenta. os preços costumam ser mais altos em razão da baixa produtividade e custos tecnológicos de produção e as margens são apertadas em função do valor que o mercado se dispõe a pagar. A velocidade com que isso ocorre depende de características do produto. Desta forma. É um momento em que as vendas brutas se mantêm no nível do crescimento do mercado.br/dinamica_artigo. Cada estágio apresenta as seguintes características1. é possível especificar em qual estágio do ciclo de vida encontram-se os produtos da sua empresa. pois o consumidor já se acostumou ao produto e começa a pressionar por redução de preços. projeto do produto O Ciclo de Vida do Produto Pode–se dizer que o produto. dos produtos fabricados e de sua posição no mercado (bem como da situação da própria empresa). crescimento. Etapa introdutória: caracteriza-se pelas elevadas despesas de promoção e pelo grande esforço por tornar a marca reconhecida pelo mercado. em uma analogia com os seres vivos. maturação e declínio. Etapa de Declínio: esta etapa marca o processo de desaparecimento do produto no mercado em função do declínio insustentável nas vendas.planodenegocios. A relação entre promoção e vendas melhora em função do aumento nas vendas.

seqüenciais entre si. como pode ser visto na figura abaixo: Também o projeto possui seu ciclo de vida. É interessante perceber que. projeto do produto As fases do ciclo de vida podem ser relacionadas também a fatores como custos de produção e lucros advindos do produto. que por muitas vezes estende-se até após o lançamento do produto. ou seja. o projeto do produto continua após o lançamento. M ontadora Am eric ana Mudanças de Projeto M ontadora Japonesa 90% do total de m udanças completadas MESES 20~24 14~17 1~3 3 Antes do lançam ento A pós o lanç am ento © 2006 eduardo romeiro filho 29 ufmg . as alterações. no caso da empresa americana. o que demonstra que as fases do ciclo de vida não são. na prática.depto engenharia de produção . apresentada por diversos autores das áreas de desenvolvimento de produtos. Desta forma. uma americana e outra japonesa. os investimentos com projeto e montagem da linha de produção serão amortizados ao logo do ciclo de vida do produto. revela o numero de alterações realizadas em projetos de automóveis por duas montadoras. A figura ao lado. ao longo do desenvolvimento de seus produtos.

e por fim a morte. apenas uma maturidade contínua. American Express. E este é um erro perigoso e caro de se cometer. sem novos picos e quedas. em particular. Clancy e Peter C. durante o estágio de crescimento. Existe o padrão "crescimento-declínio-maturidade".htm.depto engenharia de produção . ela pode retornar. Ciclo de Vida de Produto: Uma I déia Perigosa Por Kevin J. © 2006 eduardo romeiro filho 30 ufmg . Mencionado pela primeira vez em 1920 por economistas referindo-se à indústria automobilística. Coca Cola e Gillette. Parece muito fácil. apesar de ser universalmente conhecido. em geral ou por categorias. quase o mesmo que leões e tigres. os adeptos explicam. desde carros. BrandWeek O ciclo de vida do produto é um dos conceitos mais conhecidos no planeta. ou talvez seja um nivelamento das vendas. planos de ação incluem aprimorar a qualidade do produto ou adicionar mais características a ele. 2 Fonte: http://www. a curva clássica em "S". pois seus gerentes cortam seus recursos ou literalmente saem do negócio). da maturidade ao declínio. eletrônicos—realmente qualquer produto imaginável—classificando cada um em fases do nascimento ao crescimento. revistas. etc. Talvez a marca esteja apenas passando por um leve declínio antes de um forte impulso em outro período de crescimento. talvez com uma maior limitação de distribuição. que tem expectativas de vida e desenvolvimentos predeterminados geneticamente e de curso incontrolável. como poderá por em pratica ações prescritas de cortar recursos de marketing. No estágio de declínio. independentemente se já estava indo ou não nesta direção.copernicusmarketing. Para aplicar o ciclo de vida do produto à sua marca. entrar em novos segmentos de mercado ou expandir a distribuição. Budweiser. aniversário (porém outros vivem bem mais de 100 anos). 17— padrões diferentes de ciclo de vida do produto. Corte seus recursos e a marca irá para o fundo. tudo que um profissional de marketing tem que fazer é identificar em que estágio sua marca se encontra e seguir as estratégias prescritas a fim de maximizar seus lucros naquele estágio. Acesso em 15 de agosto de 2006. muitos acreditam que é totalmente absurdo tentar determinar uma semelhança entre seres vivos. seguem firmes em suas categorias tendo passados 100 anos ou até mais. Mesmo que uma marca "morra" (figurativamente falando. Se considerarmos que a grande maioria de novos produtos e serviços não dura até seu 3º. do crescimento a maturidade. a uma marca. projeto do produto Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto: 1. uma marca poderia viver para sempre. Por exemplo. O ciclo de vida do produto faz com que os profissionais de marketing cometam erros por causa da premissa básica do conceito de que produtos requerem estratégias diferentes para estágios diferentes no seu ciclo de vida. Mas este número é realmente sem sentido uma vez que marcas não necessariamente têm um fim. Como o profissional de marketing deve saber em que padrão sua marca se encaixa? Se o profissional de marketing não sabe qual o padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. serviços e. planos de ação incluem cortar preços e reduzir recursos de marketing. da qual a "vida" está completamente nas mãos de seus gerentes e concorrentes. De fato. fabricantes e modelos de bens de consumo diversos. Bem gerenciada. por exemplo. a produtos.com/copernicus-port/articulos/ciclo_de_vida_de_produto. nós estimamos que a média de expectativa de vida é de 13 anos. mas veja que pesquisadores identificaram pelo menos 17—isso mesmo. Camel. o padrão "ciclo-novo ciclo". não há nenhuma estatística publicada quanto a media de vida de marcas. o termo aplica um conceito biológico a marcas. este conceito não é unanimemente aceito. Porém. Diferente de seres vivos. Krieg2 Marços 2004.

E. que tende a enxergar só uma trajetória possível para produtos de sucesso: avanço inexorável ao longo da citada curva.br/materias/harvard/2280501-2281000/2280882/2280882_1. Se uma marca tem um baixo valor. Liberte-se do ciclo de vida do produto 3 Por Youngme Moon Não há nada de inevitável no ciclo de vida de um produto. por mais útil que tenha sido nos últimos 40 anos. Não existe nada especifico sobre isso. Até hoje. Hoje. se tornou disponível—uma opção cientificamente embasada e realmente útil para os profissionais de marketing. o modelo estreitou a visão do pessoal de marketing. Em geral. de Rust. Quanto mais valor uma marca tem. Lemon e Zeithaml. Num clássico publicado pela Harvard Business Review em 1965. "o ciclo de vida do produto é uma variável dependente determinada pelas ações de marketing. Uma conseqüência dessa visão limitada é um reflexo competitivo que leva o produto a “crescer” à medida que amadurece. já que toda empresa vê o ciclo de vida do produto de modo similar. apenas recentemente outra opção de avaliação e quantificação da saúde da marca. existem muitas coisas que você pode fazer para duplicar a expectativa de vida de uma marca. auxiliando na gestão do avanço metódico de produtos ao longo de uma curva de sino — do lançamento e crescimento à maturidade e declínio. Um fabricante de creme dental antigamente ponderava só duas dimensões — 3 Fonte: http://ultimosegundo. Com isso. relativamente a seus concorrentes. Theodore Levitt apresentou a profissionais de marketing o conceito de ciclo de vida de produtos e mostrou como torná-lo um “instrumento de força competitiva”. Apesar disso. projeto do produto Simplesmente não tem como um profissional de marketing saber que padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. pode ou não ser relevante para uma determinada marca. Enquanto não há nada que você possa fazer para que um cão viva 75 anos. o valor dos clientes para uma marca—é uma medida muito mais preditiva de quanto é provável que uma marca "viva" se a empresa mantiver o status quo (Se desejar saber mais sobre o assunto recomendamos o premiado livro Driving Customer Equity.depto engenharia de produção . não uma variável independente à qual as empresas devem adequar seus programas de marketing". © 2006 eduardo romeiro filho 31 ufmg .ig. e certamente não está diretamente relacionado ao incremento de lucratividade. Esta é inclusive uma ferramenta muito mais prescritiva. A primeira coisa é parar de usar o antiquado. rejuvenesce categorias e cria novos mercados. Porém. no qual baseamos muito do nosso próprio trabalho de customer equity). O movimento contra o conceito de ciclo de vida do produto tem existido há anos. bem como não existe uma forma cientifica de medir e indicar a sua localização exata no ciclo. o marketing está mexendo no próprio conceito de ciclo e redefinindo fronteiras entre tipos de produto. inútil e perigoso conceito de ciclo de vida do produto. o marketing sobrepõe novos recursos aos atributos que o produto já tem. 2. Customer Equity—ou seja. o conceito é central em estratégias de marketing e de posicionamento da maioria das empresas. seus gerentes sabem que precisarão de uma dose séria de marketing transformacional a fim de fazê-la saudável novamente e prolongar sua vida. Também tenha em mente que as ações recomendadas a cada estagio são baseadas puramente em observações e estórias do que outras empresas fizeram. Como Nariman Dhalla e Sonia Yuseph escreveram para o Harvard Business Review há quase 30 anos. é comum adotarem uma solução parecida de posicionamento de produtos e serviços em cada fase do ciclo. mais ela irá "viver" independentemente de sua vida cronológica. a fim de identificar se está em seus momentos finais ou se ainda está em forma.com.xml Acesso em 15 de agosto de 2006. numa luta sem fim para diferenciar e rejuvenescer o artigo.

Online. Com o tempo. Junho de 2006 5 Todas as figuras deste item possuem como fonte: RESELLER CONFERENCE. é obrigado a oferecer uma série crescente de atributos.depto engenharia de produção . ser novamente turbinado para seguir competitivo. "Um Estudo Ergonômico e Econômico Sobre a Substituição dos Monitores de CRT Por Monitores de LCD na Escola de Engenharia". como em outros casos. Youngme Moon é professor associado de marketing na Harvard Business School. 4 PEREIRA. Com isso. descrevo três estratégias de posicionamento usadas pelo marketing para promover a mudança mental do consumidor: o posicionamento reverso subtrai recursos “sagrados” do produto e acrescenta novos. Em entrevistas com os executivos por trás desses êxitos. É duro vencer uma disputa dessas. catapultar novos produtos para tal fase de crescimento. hoje. mais moderna. 4 A seguir é apresentado um exemplo de análise de mercado a partir do ciclo de vida do produto. Outra observação a ser feita é que a tendência do aumento das unidades de monitores de LCD durante os anos de 2002 a 2008 é maior do que o declínio dos monitores de CRT. o ambiente competitivo de um produto. enquanto os monitores de CRT sofrem um declínio também constante. Ciclo de vida do produto: Um exemplo . e o posicionamento camuflado oculta a verdadeira natureza do produto para habituar o público desconfiado à novidade. gerador de ruptura. evitando obstáculos que poderiam retardar a aceitação pelo público. o posicionamento inovador associa o produto a uma categoria radicalmente distinta. Neste caso. uma empresa pode usar tais técnicas para partir para a ofensiva e transformar uma categoria com a demolição de fronteiras tradicionais. descobri que suas estratégias convergiam num ponto: ao posicionar — ou. © 2006 eduardo romeiro filho 32 ufmg . Pode ser observado no gráfico um crescimento constante das unidades de monitores de LCD. A proliferação de recursos e atributos que ocorre à medida que o ciclo de vida avança pode criar excessos que deixam o produto vulnerável a uma rival disruptiva com tecnologia mais simples. e não a novas tecnologias. De modo análogo. Em seu modelo de inovação. em Boston. Neste artigo. Mas não precisa ficar só nisso. o produto amplificado vira o produto esperado e precisa. em proveito próprio. desde “previne doenças na gengiva” a “branqueador” a “remove a placa bacteriana”. pode resgatar itens que estão claudicando na fase de maturidade e devolvê-los à fase de crescimento do ciclo de vida. Belo Horizonte: UFMG. Pode. Hoje. Ao adotar por instinto o velho paradigma do ciclo de vida. muitas vezes. ainda. Nas circunstâncias certas.resellerconference. Empresas que conseguem gerar ruptura numa categoria com o reposicionamento criam um ambiente lucrativo para oferecer sua mercadoria — e podem deixar totalmente perdidas as líderes da categoria. Casos semelhantes podem ser identificados na substituição dos discos de vinil pelos CDs. reposicionar — seus produtos de forma inesperada. a placa bacteriana. Clayton Christensen mostra como tecnologias inusitadas e simples podem revirar o mercado. bem como no caso da mudança do videocassete para sistemas DVD. O Mercado Mundial e Nacional de Monitores Nesta seção será mostrada a tendência nacional e mundial sobre o mercado de monitores de CRT e LCD. uma progressiva substituição da antiga tecnologia predominante por outra.com. Nos últimos cinco anos. a partir do declínio da tecnologia de vídeos CRT (de Tudo de Raios Catódicos) e LCD (Monitor de Cristal Líquido). Petterson Eduardo Bernardes de Paula. pode ser observa da trajetória de mudança de tecnologia.br/conteudo/downloads/Samsung. Observa- se. portanto. Uma empresa pode usar cada uma das estratégias para alterar. projeto do produto “hálito refrescante” e “combate a cáries” — para enfrentar a concorrência. as estratégias de que falo podem explorar a vulnerabilidade de categorias já estabelecidas a um novo posicionamento. Disponível na internet URL:http://www.pdf acesso em 09 de agosto de 2005. analisei dezenas de empresas e produtos de sucesso que desafiaram as “regras” do ciclo de vida. Daí qualquer creme dental remover. Trabalho de Graduação em Engenharia Mecânica. o marketing condena desnecessariamente o produto a seguir a curva que leva da maturidade ao declínio. A figura 15 mostra a evolução no mundo dos dois tipos de monitores no período entre 2002 a 2008. a empresa pode alterar o modo como o consumidor mentalmente os categoriza.

© 2006 eduardo romeiro filho 33 ufmg . apresentam uma redução no seu valor conforme os anos passam. Outra observação s ser feita é que os monitores de maior tamanho mostram uma queda nos seus preços mais significativa dos que os modelos de menor tamanho. Figura 2 – Evolução do Preço Médio no Mundo LCD. 2003-2008. isso fica ilustrado na figura 3. projeto do produto Figura 1 – Evolução no Mundo (Unidades) CRT x LCD. O crescimento da aquisição de monitores de LCD é bem mais elevado do que a taxa de queda dos monitores de CRT. No mercado Brasileiro de monitores também apresenta uma tendência para o aumento das unidades de monitores de LCD no país.depto engenharia de produção . 2003-2008 A figura 2 mostra a evolução do preço médio no mundo dos monitores de LCD no período ente 2003 a 2008. para seus diferentes tamanhos. Pode ser observado que todos os monitores de LCD. Conforme o tamanho da tela diminui a queda nos preços praticamente não apresenta grandes alterações.

2003-2008 A figura 4 mostra uma comparação entre o Brasil e o mundo a respeito do preço médio do monitor LCD por tamanho de tela em 2004. Figura 4 – Preço Médio do Monitor LCD por tamanho de Tela (Brasil x Mundo). projeto do produto Figura 3 – Evolução do Mercado Brasileiro de Monitores por Tipo de Tela (CRT x LCD). conforme o tamanho da tela aumenta a diferença entre os preços dos monitores comparados entre o Brasil e o mundo cresce.depto engenharia de produção . Pode ser observado na tabela que os modelos convencionais de 15 e © 2006 eduardo romeiro filho 34 ufmg . Também fica claramente observado que. 2004 A figura 5 mostra uma previsão do mercado Brasileiro de monitores de CRT por tamanho de tela entre os anos de 2003 a 2008. Pode se observado que os preços dos monitores de LCD no Brasil são mais caro do que os comparados mundialmente para os diferentes tamanhos de tela.

2003-2008 © 2006 eduardo romeiro filho 35 ufmg . apresentarão um leve aumento na sua taxa de crescimento.depto engenharia de produção . Porém. Após 2005. 2003-2008 A figura 6 mostra a previsão do mercado Brasileiro de monitores de LCD por modelo entre os anos de 2003 a 2008. de tela plana de 17 polegadas. Figura 5 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores CRT por Modelo. sendo mais pronunciada para o monitor de 15 polegadas. os monitores de 19 polegadas tendem a apresentar um pequeno aumento na sua participação entre os anos de 2003 a 2008. esses monitores. atingindo no máximo 8 % em 2008. Figura 6 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores de LCD por Modelo. existe uma tendência no aumento das unidades de monitores de tela plana de 17 polegadas. projeto do produto 17 polegadas apresentarão queda após 2005. os modelos maiores do que 18 polegadas terão uma participação bem restrita no mercando. a qual começou em 2003 e se estendeu até 2005. Entretanto.6 fica evidente que a participação de monitores de LCD com tamanho de tela inferior a 15 polegadas não terá utilidade no mercado. Observando a tabela 3. sendo os modelos mais requisitados. os monitores de 15 e 17 polegadas apresentaram um crescimento equivalente após 2003 e somam 94 % de participação no mercando em 2008. Da mesma forma. No entanto.

. as funções ligadas ao Marketing incluem O Projeto do Produto I . Pesquisas de Mercado.. R. C. incluindo o próprio desenvolvimento do produto como uma das atribuições do marketing (como abaixo). Outros autores vão além. 6 Slack. © 2006 eduardo romeiro filho 36 ufmg . O marketing (ou mercadologia.. área de ação onde o marketing é mais evidente. 2002. N.. mas também acompanhar a evolução da empresa. projeto do produto Marketing: Abrangência e Ferramentas.. a fim de atingir o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis”. muitas vezes contribuindo para sua implantação. Política de Produtos. o marketing (ou mercadologia) é responsável pelas diferentes formas de interação entre as empresas e o meio ambiente no qual estão inseridas.. como um dos efeitos da disseminação da produção em massa. É o conjunto de atividades sistemáticas de uma organização humana (empresa) voltadas à busca de realização de trocas para com seu meio ambiente O que o Marketing sugeriu. Harland. Distribuição. aspectos como Compra e Venda. Neste caso. Abrange (segundo definição da Associação Americana de Marketing) todas as atividades que envolvem o fluxo de bens e serviços entre produtor e consumidor. mapear as tendências em termos de desenvolvimento tecnológico e preparar estratégias que venham a atender aos interesses da empresa em sua atuação no mercado. S. Divulgação e Promoção. surgiu de forma estruturada após a Segunda Guerra Mundial. ou mercadização). Harrison. 6 A situação do Setor de Marketing nas Empresas é definida por autores como Slack et all (2002) como uma das três funções essenciais ao funcionamento da empresa. avaliar as ações da concorrência.depto engenharia de produção . seja na compreensão das forças atuantes neste ambiente. ao lado das áreas (ou funções) de produção e desenvolvimento de produtos. não se trata apenas de compreender os desejos dos consumidores. Chambers. São Paulo: Editora Atlas. A partir desta abordagem ampla.. O Marketing pode ser definido como o “esforço contínuo de coordenar diversas variáveis (acima) a partir de determinados objetivos voltados à transação de bens e serviços. A. . Presidência Produção Vendas/ Administração/ Marketing Finanças Desta forma. Johnston. Administração da Produção.

Estas etapas visam à formação do SIM – Sistema de Informações Mercadológicas. pode-se indicar o impacto sobre a indústria automobilística mundial das duas grandes crises do petróleo. peça fundamental à análise do mercado e preparação da empresa. em especial a primeira. são aspectos normalmente pouco valorizados pelas empresas. Adaptação – atividades desenvolvidas com o intuito de ajustar a oferta da empresa – sua linha de produtos e/ou serviços às forças externas detectadas através da análise. a competência da indústria automobilística japonesa para projeto e fabricação de © 2006 eduardo romeiro filho 37 ufmg . seria injusto atribuir à área de marketing a responsabilidade pela previsão de tendências de mercado que muitas vezes estão além de meras ações da concorrência.depto engenharia de produção . provenientes de abordagens voltadas à melhoria da qualidade: 1. da própria avaliação destes resultados. Ativação – como o conjunto de medidas destinadas a fazer com que o produto atinja os mercados pré- definidos e seja adquirido pelos compradores com a freqüência desejada. 3. que são claramente inspirados nos ciclos PDCA. Como exemplo. é normalmente de difícil elaboração e compreensão. projeto do produto (outras empresas). o que costuma resultar em estratégias de ação muitas vezes equivocadas e resultados desastrosos. Análise ou marketing mix – ação voltada para compreender as forças vigentes no mercado em que a empresa opera ou pretende operar no futuro. mas tendo em vista a complexidade das informações a serem coletadas e analisadas. Os quatro “A” do Marketing Análise ou marketing mix Vale considerar que as etapas ligadas às etapas de Análise e Avaliação são executadas por grupos ligados a funções de apoio e staff. Avaliação – que se propõe a exercer controles sobre os processos de comercialização e de interpretar seus resultados a fim de racionalizar os futuros processos de marketing. seja em nível estratégico como na implementação de ações que visem à melhoria dos resultados obtidos e. O SIM é fundamental para o sucesso da empresa. 4. Neste caso. bem como a análise criteriosa das informações resultantes. visando benefícios específicos (mercadológicos). listados a seguir. interromperam um ciclo da indústria que se baseava em premissas de tendências de mercado que o tempo demonstrou equivocadas: petróleo abundante e barato. A forma de coleta de dados. em última análise. 2. dinheiro fácil e facilidades para aquisição de bens a crédito. Entre as principais atribuições do marketing estão os “quatro A”. Estas crises. em 1973 e 1978. Entretanto.

e apesar de inúmeros exemplos onde os instrumentos de análise do mercado mostram-se limitados. participação no mercado. projeto do produto automóveis compactos (considerados pouco desejáveis até então). Neste caso. Entretanto. Prognósticos e previsões. Sistema de I nformações de Marketing Dentre as principais aplicações do Sistema de Informações de Marketing estão: 1. Ainda assim. Confrontos entre planos e parâmetros. dentre as quais possíveis tendências sócio-econômico-culturais. de maneira muito sucinta. A análise pode ser considerada. 2. porém mal utilizados. ou por outro lado a existência de relatórios e dados abundantes. 3. bem como sua capacidade de rápida resposta às mudanças de mercado na forma de novos produtos com características adequadas aos novos tempos mostraram-se implacáveis para a conquista de novos mercados (em especial nos EUA). bem como o acompanhamento de avanços tecnológicos.depto engenharia de produção . 4. © 2006 eduardo romeiro filho 38 ufmg . Decisões de investimento ou “desinvestimento”. por meio de técnicas diversas e sofisticadas. contribui para a formação do SIM. deve-se considerar que é essencial a organização das informações. como estatísticas e histórico de vendas. informações econômico/sociais e outras. à consolidação da Toyota como maior fabricante de automóveis do mundo. Esta análise. esta atividade é cada vez mais importante para a definição de estratégias de ação para as empresas. que acabaram por levar. normalmente a empresa enfrenta problemas para a elaboração deste sistema de informações. concorrentes e consumidores. como a investigação do mercado. tendo em vista a escassez e “bagunça” dos dados. quase trinta anos depois. mas somente daquelas que se mostrarem relevantes para a compreensão das forças que levaram a mudanças no mercado onde a empresa atua. sua área de atuação. que inclui dados relativos à empresa. que incluem aspectos como vendas por segmento. Controle das atividades básicas da empresa.

e embalagens adequadas a porções individuais). conflitos estes que poderão gerar uma série de atritos.. as mercadorias eram normalmente associadas à tradição artesanal e os critérios de escolha (com exceção do preço) eram basicamente identificados pelo cliente: detalhes de acabamento e materiais utilizados. e a produtos de baixo apelo aos consumidores. no caso de produtos duráveis. no caso de Como foi projetado pela Engenharia. Isto se dá em função de uma imagem associada ao produto (e à marca). odor e sabor. no sentido de adaptá-los à realidade observada durante a fase de análise. se estes conflitos não forem gerenciados de forma conveniente podem gerar uma série de confrontos e ressentimentos quase sempre prejudiciais. Outra tendência interessante é esta redução de porções: é cada vez mais comum que biscoitos sejam vendidos em embalagens de até oito unidades. projeto do produto Adaptação As atividades de adaptação são aquelas executadas pela empresa que visam ajustar as características do produto (bem ou serviço) às forças do mercado.depto engenharia de produção . podemos citar diferentes casos onde os produtos alcançam o sucesso por sua adequação às características de mercado. que pode ser traduzido como uma série de atributos de qualidade. psicólogos e outros profissionais) é responsável basicamente pela transformação de informações verbais coletadas e estruturadas pelo marketing em sua análise do mercado em soluções técnicas (ou serviços) que atendam às especificações levantadas. Uma análise incorreta e/ou incompleta normalmente leva a resultados limitados em termos de design. que consideram aspectos tradição. por meio da adequação de forças controláveis (aspectos e forças internas da empresa) às incontroláveis (meio ambiente no qual a empresa está inserida). Conflitos de opinião entre membros de diferentes equipes na empresa (e mesmo entre aqueles de uma mesma equipe) são considerados normais e até benéficos. à medida que contribuem para a reflexão contínua da equipe sobre seu trabalho. é importante ressaltar que a interação entre equipes é fundamental para o sucesso do design. Entre as principais funções da marca está a identificação da origem. A equipe de design. mas requer um envolvimento com toda a política de produtos da empresa. arquitetos. Até o início do século XX. para uma ou duas pessoas apenas). levando a resultados abaixo das expectativas da empresa.. em trabalho conjunto ao marketing.. o que é particularmente interessante ao projeto de novos produtos. Entretanto. Este é um reflexo de mudanças no padrão social que leva um número cada vez maior de pessoas a realizar pequenos lanches fora de casa. O tempo de consolidação da marca e a confiabilidade que ela expressa podem ser observados em inúmeros casos. estimulando o desenvolvimento de novas alternativas e soluções. Neste ponto se inicia a integração da equipe de marketing com outras áreas da empresa. Nesta fase são especialmente importantes boas relações entre as áreas de Marketing e as de Produto e Fabricação. sem grandes exageros. As diferentes versões de comida congelada. Normalmente estão envolvidos também engenheiros. ideais para um pequeno lanche e para apenas uma pessoa. É correto afirmar que a marca é um dos componentes mais importantes para a decisão do consumidor na hora da compra. que serão rapidamente descritas a seguir: Design. por meio de algumas “Ferramentas de Adaptação” do produto ao mercado.. aspectos como cor. contando inclusive com cotações específicas. visando a redução de conflitos entre os diferentes grupos na empresa. muito bem explorados pela publicidade. Neste ponto torna-se claro que o marketing vai muito além das funções ligadas à área de vendas. imagem e capacidade de ser relembrada pelo consumidor. O Projeto do Produto I I I . com a mínima adição de conservantes. A marca é muitas vezes considerada. que fazem sucesso atualmente. Neste caso. administradores. como o maior patrimônio da empresa. onde sua atuação é mais evidente. bem como a clareza e completude das informações levantadas durante a análise de mercado. A equipe de design da empresa (neste caso é equivocado imaginar que esta equipe seja formada apenas por designers industriais. alimentos. são decorrentes de alterações sociais que vão desde o movimento feminista (que levou as mulheres a valorizar o trabalho fora de casa) até a redução do número de filhos (que torna as porções cada vez menores. deve compreender o efeito de tendências (como o desejo de alimentação saudável e de baixo custo) para o desenvolvimento de novos produtos (linhas de alimentos que mantenham suas características de composição ao longo do tempo. Marca. Já naquela época as características de qualidade © 2006 eduardo romeiro filho 39 ufmg . Como exemplo. nem sempre claramente tangíveis.

Na indústria automobilística surgiram marcas associadas ao luxo. tem sua abertura na parte inferior. Cada uma destas embalagens requer um tratamento específico para o produto (pasteurização ou processo UHT – Ultra High Temperature) e proporciona condições distintas para transporte e no que se refere à conservação. fabricantes de produtos em série para um público cada vez maior. as características associadas à marca passaram a ser determinantes para a escolha pelo consumidor.. © 2006 eduardo romeiro filho 40 ufmg . a embalagem contribui também para facilitar o manuseio de produto. fosse a qualidade controlada ou não. de três litros. É fácil perceber. Embalagem. A partir do surgimento de grandes empresas. Neste caso. em materiais mistos. quando se tratava de objetos de luxo.. projeto do produto eram associadas à origem (o Vinho do Porto. Neste sentido. Preço É comum se imaginar que o preço é um componente do produto determinado pela empresa fabricante. pior. à performance. Desta forma. em papel. era possível à empresa determinar o preço em função de seus custos de produção. mais denso. à robustez. a embalagem oferece vantagens como a economia por meio da utilização de refil e da variedade de tamanhos em função das necessidades do consumidor (como no caso de refrigerantes que vão desde o “caçulinha”. em garrafas de vidro (atualmente praticamente extintas).depto engenharia de produção . Estas políticas são particularmente úteis se associadas à publicidade. Sendo muitas vezes a principal interface com o usuário. As embalagens são também essenciais para a proteção do produto e para a garantia de sua integridade durante o transporte e armazenagem até o consumo. bem como com a oferta de brindes (que muitas vezes são novos produtos do mesmo fabricante). 600ml. Um exemplo ainda na área de cosméticos são as embalagens de xampu e cremes para cabelo. pois serve para a proteção contra imitações. seja durante o transporte como em seu período de exposição no ponto de venda. Neste caso.. tornava-se simples para a empresa absorver os altos custos de sistemas O que foi produzido. Como a demanda era exagerada. em vidro ou plástico). ou ao autor. como ocorre uma verdadeira “guerra” entre as embalagens expostas nas gôndolas. por meio de uma simples visita ao supermercado. como a da Coca-Cola. merecedor de um tratamento de projeto muitas vezes mais sofisticado do que o próprio produto. foi definido como de origem controlada já no século XVIII). o que facilita a retirada do produto no momento da aplicação. Mesmo em produtos de uma mesma linha. 2 litros e outros.. serve também para realçar o produto. a marca atua como importante elemento de concorrência pela empresa. A embalagem tem por função básica proteger o produto. Um bom exemplo desta situação está nas diferentes embalagens para o leite: plásticas. que permite armazenagem por meses. fossem os custos controlados ou não e. estimulando a fidelidade do consumidor. em função de uma demanda sempre maior do que a oferta. o leite pasteurizado requer refrigeração constante e garante o produto por alguns dias. A embalagem também contribui para o fortalecimento da imagem da marca ou da empresa. O Projeto do Produto I V. Com efeito. em confronto ao tratamento UHT. A embalagem tornou-se um componente extremamente importante para o produto. 1 litro. à economia etc. como por exemplo com ofertas do tipo “leve 3 e pague 2”. mas ainda de forma genérica. nos tempos áureos da produção em massa (que vão até a década de 1960 nos países centrais e até 1980 no Brasil). xampus e sabonetes. Algumas embalagens. seja no transporte ou durante o próprio uso. Casos como estes são comuns em produtos como linha de perfumes. pois podem vincular toda uma linha de produtos a determinado perfil de consumidores. Por fim. muitas vezes o xampu possui abertura na parte superior da embalagem. diferencia a empresa de seus concorrentes (como nas gôndolas de supermercados) e é a base da imagem do produto. de 200ml até embalagens “tamanho família”. fosse esta produção eficiente ou não. passando por 290ml. por exemplo. Embalagens para líquidos e cosméticos são cada vez mais elaboradas e servem como principal interface entre produto e consumidor. a equação era bastante simples: O preço é igual ao custo. tornaram-se ícones comparáveis ao próprio produto. em latas (em algumas cidades do interior do Brasil ou no caso do leite em pó). não restava ao consumidor opção senão a de arcar com os custos de produção do fabricante. mas com aumento de custos para embalagem. podendo ser inclusive considerado como um produto à parte. onde embalagens e rótulos semelhantes determinam famílias de produtos que vão desde perfumes a cremes para pele. As embalagens servem também para a promoção de vendas. Além disso. acrescido do lucro desejado (P=C+L). em especial em um mercado onde a concorrência é cada vez mais acentuada. enquanto o creme rinse. à esportividade.

dentre as quais duas particularmente perversas: a existência de “ágio” para determinados modelos e a idéia (falsa) de que o automóvel poderia ser uma forma de investimento. e não um bem de consumo. Entretanto. pior situação possível. mas estes podem transformar-se em ferramentas especialmente úteis para detecção de problemas e/ou tendências que tenham passado despercebidos durante a análise de mercado. A Como a Manutenção instalou. projeto do produto de produção pouco eficientes. Um dos melhores exemplos desta situação no Brasil.. A situação. É notório o poder destrutivo (para a empresa) de produtos ou serviços mal elaborados e. levando a uma espantosa escassez do produto. o último grande caso de “ágio” em automóveis no Brasil ocorreu com o lançamento do modelo Corsa pela General Motors. em 1994. foi o da indústria automobilística. de “ágio”. controlado pela empresa (L=P-C). seja tendo em vista questões de legislação (como leis de defesa do consumidor) ou de aumento da concorrência. Neste caso. A distribuição tem sofrido grande influência das novas tecnologias de comunicação. Tendo em vista as características do mercado interno.. Neste caso. a insatisfação de consumidores com produtos ruins e. como se este fosse de extrema necessidade. Com efeito. a demanda por automóveis sempre foi superior à oferta. o que elevará seu preço. as funções associadas ao marketing são basicamente encontrar “nichos” de mercado e preencher estes nichos com o mínimo de custos e recursos. é importante que o serviço de atendimento ao cliente esteja em sintonia com a equipe de projeto. para que problemas ocorridos com produtos atualmente no mercado possam ser antecipados em futuros lançamentos. Não há publicidade capaz de compensar. para que esta ocorra de maneira adequada. entretanto. sob pena de tornar-se inviável para a empresa. a criação de anedotas e “slogans negativos” a partir de experiências de consumidores com produtos. determinado pelo mercado. Atualmente o mercado brasileiro possui mais de dez opções de modelos no segmento dos sub-compactos (segmento onde o modelo Corsa ainda concorre). em especial da Internet. menos o Custo que pode ser. o que trazia uma série de distorções. Os principais aspectos da ativação são: Distribuição. apesar de altos investimentos em publicidade. em hora e local apropriados. o que apenas chamou a atenção para uma situação que começava a mudar: o mercado tornava-se mais maduro. o que acaba por muitas vezes “enterrar” definitivamente a marca. ou seja. pois estes custos eram facilmente transferidos aos clientes. pelas concessionárias. atendimento e controle dos intermediários para distribuição. os diferentes serviços de atendimento ao cliente apresentam-se como oportunidades de melhoria do produto e da imagem da empresa perante seus clientes. O grande sucesso do novo automóvel gerou uma imediata corrida às revendas. os diferentes serviços de atendimento ao cliente foram encarados pelas empresas como uma forma de atendimento diferenciado. uma nova equação deve ser aplicada: O Lucro é resultante do Preço. existe um número maior que simplesmente abandona o produto ou o utiliza de maneira limitada e/ou equivocada. era comum a cotação de automóveis em dólar e a compra e venda com lucro (os preços de modelos antigos subiam ao invés de cair). cabe à empresa (1) reduzir seus custos ou (2) tornar o produto mais atraente ao consumidor. Assistência ao Cliente Por muito tempo. atendendo às necessidades de conservação e condições de uso. A partir da década de 1990. de um “sobre preço”. Naturalmente um produto ruim não poderá ser compensado por serviços de atendimento ao cliente. © 2006 eduardo romeiro filho 41 ufmg . a situação começou a mudar. é atualmente bem distinta: o produto deve ter seu preço ao consumidor final adequado às características do mercado e àqueles praticados pela concorrência. Ativação As atividades ligadas à ativação (ou composto de comunicação) são aquelas que visam à satisfação das necessidades dos consumidores em termos de colocação do produto no mercado.. o que gerou a cobrança. especialmente necessário no caso de produtos que requeiram conhecimentos específicos (bens de capital ou serviços). mal implantados. principalmente.. Esta situação levou à declarações de ministros de estado sobre o assunto e a uma grande discussão sobre o tema. Desta forma.depto engenharia de produção . É razoavelmente simples perceber que. e ainda hoje. o que era causado pelo pequeno número de fabricantes e modelos disponíveis no país. O Projeto do Produto V. para cada cliente que entra em contato com a empresa em busca de ajuda. Escolha. com novos competidores e novos produtos em oferta. em médio prazo. o que levou os consumidores à até então inédita (e confortável) situação de um amplo poder de escolha. com novos modelos (nacionais e importados) à disposição. Neste caso. até meados da década de 1980. em função da entrada de novos fabricantes e de mudanças progressivas no mercado interno brasileiro. Com efeito. em termos.

rádio e televisão. tema muito bem 7 explorado por Klein (2002) . bem como em diversos casos de vendas para o comércio. como jornais. Preparo e organização dos responsáveis pela venda direta. de mercado e de configuração de produtos tornam os sistemas logísticos componentes fundamentais para o sucesso de empresas e produtos. Nestes casos. Um nome. SEM LOGO – A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido.. Neste caso. A questão parece estar não nos recursos. revistas. envolvendo cifras progressivamente mais altas e recursos muitas vezes inovadores. os investimentos em marketing e publicidade aumentam a cada ano. está na visão deturpada do marketing e na utilização de suas ferramentas de maneira isolada e. Venda Pessoal.. Também sobre o tema. divulgação e promoção da oferta de idéias. que em seu início já indica os efeitos da publicidade: “Em minha calça está grudado um nome. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador. A utilização de contêineres para transporte de mercadorias trouxe uma série de vantagens para processos de importação e exportação e facilidades adicionais para utilização de diferentes meios de transporte. não basta ter. distorcida. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “EU. muitas vezes. Publicidade. tem sido acusado de romper suas funções originais de detectar necessidades do consumidor. A partir disso. Responsável pela informação. 2002. Esta crítica pode ser justificada por meio de uma de valorização do novo. as empresas buscam sempre novas formas de publicidade. Análises de mercado. o que vem ocorrendo de forma cada vez mais complexa. tendo em vista novos canais de distribuição e novas formas de apresentação de produtos e serviços. como em novos formatos. ETIQUETA” (colocado na íntegra adiante). O problema. que requerem uma abordagem específica de acordo com as necessidades de um número limitado de clientes. O Marketing. em especial pelas políticas cada vez mais agressivas de publicidade. mas é necessário que se tenha o que há de mais novo. Entrega de lotes econômicos em localizações pré-determinadas nas quantidades. Naomi. é hoje praticamente extinto. épocas e condições desejadas. © 2006 eduardo romeiro filho 42 ufmg .. acompanhamento de tendências e correta avaliação das necessidades a serem atendidas pela empresa parecem ter a mesma (ou mesmo maior) importância de boas campanhas de divulgação. mais caro. Mudanças tecnológicas. tornando possível a atuação da empresa em mercados não imaginados até então. neste caso. Desta forma. Rio de Janeiro: Editora Record. Tradução de Ryta Vinagre.depto engenharia de produção . O Projeto do Produto VI ( final) . Apesar disso. mais moderno. muito popular no Brasil. estranho”. ou mesmo na criação de jogos baseados ou fortemente relacionados a produtos de mercado. é talvez a área mais evidente e distorcida do marketing. Na busca da exposição de seus produtos. Objetivo – Analise corretamente as reais oportunidades de mercado. especialmente importantes em casos de bens e capital. devem ser lembradas as sete principais diretrizes do Marketing: 1. a publicidade é responsável pela visibilidade do produto. projeto do produto figura do caixeiro viajante. Que não é meu de batismo ou de cartório. mas extrapola o escopo deste texto. Esta discussão é extremamente rica. produtos especialmente sensíveis como flores e frutas podem ser transportados a grandes distâncias em prazos extremamente curtos. Logística. muitas vezes com formação técnica. que percorria grandes distâncias para apresentação e venda de produtos que seriam posteriormente entregues em pontos de venda distribuídos em grandes regiões geográficas. agindo para que estas necessidades sejam deliberadamente criadas. Muitas vezes confundida com o próprio marketing. Análise – Avalie se seus objetivos estão claros e 7 KLEIN. 544 pp. torna-se necessária a formação adequada de grupos de vendedores especializados. por uma pretensa relação direta explorada pela publicidade entre a felicidade e o sucesso econômico. Forma recente de publicidade é a utilização de anúncios como parte do cenário de jogos eletrônicos. mas na forma de sua aplicação. seja em meios de comunicação tradicionais.. O que Cliente desejava! 2. função que vem se tornando crucial para o sucesso das empresas no mercado e tende a tornar-se ainda mais importante no futuro.

tendo em vista o plano estratégico da empresa e a evolução do mercado. Avaliação – Exerça o controle contínuo sobre as ações e mensure os resultados. em tempo hábil. 3. 3. Não há controle se definição de metas. projeto do produto se estes são aceitos. Normas de desvio aceitáveis. 2. 8. Padrões de confronto planejado x executado. 3. 5. 4. Recursos – Assegure a disponibilidade de meios racionais para o objetivo proposto. Retrato de uma época. técnicas e equipamentos) de controle. tendo por base critérios consistentes e objetivos factíveis a partir dos recursos existentes. Elaboração de recomendações. 4. Grau de desvio que deve oferecer indícios. Esta etapa é também chamada de SAM. é necessário que sejam seguidas determinadas regras. Feedback – Utilize sua experiência no aprendizado para o futuro. Para esta avaliação. Existem padrões mais ou menos óbvios. Para que estes objetivos sejam alcançados. 6. Uma adequada determinação dos padrões de controle. Ativação – Garanta que o produto certo esteja no lugar certo. exames periódicos.. formais e imparciais de todas as operações de marketing na empresa. portanto referência de hábitos e costumes de qualquer sociedade. Acompanhamento dos desvios entre resultados e padrões. a partir do aprendizado constante e da busca de novas soluções para problemas eventualmente encontrados. ou seja. Disposição de meios (pessoas. Para que a auditoria atinja seus objetivos. publicidade dirigida ao público infantil nos anos 1980. Detecção de falhas no processo. mas devem ser sempre necessários. © 2006 eduardo romeiro filho 43 ufmg . que servirão de guia para as ações da empresa no futuro: 1. Para que esta auditoria atinja seus resultados. na hora exata. 7. 2. Definição dos períodos de controle. Adaptação – Ajuste as características de sua oferta às necessidades do mercado. A escolha dos padrões é função dos objetivos de mercado. retratando com fidelidade a época que representam. principalmente. sem esforços redundantes e. 7..depto engenharia de produção . Acima. são necessários: 1. de maneira que as informações necessárias sejam levantadas de forma adequada. deve ser prevista uma série de auditorias mercadológicas. é fundamental a preocupação contínua em melhorar a relação custo/benefício das atividades. são necessários: 1. Avaliação Nesta última etapa. 2. A publicidade é por muitos considerada um reflexo de padrões sociais vigentes. sem a coleta e processamento de dados inúteis. Definição dos elementos de controle. Recomendação de ações corretivas. 3. 6. ou Sistema de Auditoria Mercadológica. 5. incluindo a concorrência.

disse Port o. é possível encont rar Havaianas m ais barat as em Londres. andam de havaianas o t em po t odo" . o acordo ent re a em presa e os organizadores da fest a do Oscar não t eve nenhum cust o para a São Paulo Alpargat as. post eriorm ent e. da em balagem e do t ransport e. " Tínham os esse receio no Brasil. que decoram as t iras dos chinelos de borracha com pedras. crist ais e m içangas. " Elas são caras. além . " Depois disso. as vendas no ext erior devem chegar pert o de 10 m ilhões. no m ínim o. ainda assim . Font e: ht t p: / / www1. Eles adoraram e não querem m ais usar nenhum out ro sapat o. disse Carlos Roza. "Poderíam os est ar export ando m uit o m ais. Rui Port o. M ode los . O sucesso das legít im as é t ant o que fábricas na Argent ina e na África j á com eçaram a copiar as sandálias. acrescent ou a inglesa. gerent e de export ações da São Paulo Alpargat as. da BBC. j á disse várias vezes ser fã das havaianas" . cent ro de Londres. Em 2003. gerent e da Whist les de Covent Garden. acaba sobrando espaço para ação dos pirat as. a m oda no ext erior foi im pulsionada por m odelos brasileiras e est rangeiras que carregavam as sandálias na m ala quando deixavam o Brasil. se rendeu ao sucesso dos chinelos de borracha: " A sandália de quem t em m uit o dinheiro e nada para provar" . m as não páram de vender. de olho num m ercado que não pára de crescer. Ele lem brou que a fam a dos chinelos que. disse Ali I net t . Nosso depart am ent o j urídico est á t endo t rabalho com isso. projeto do produto Um exem plo de m arket ing.Segundo o diret or de com unicação da São Paulo Alpargat as. 1970 e em cam panhas recent es. declarou Roza. Para o " New York Tim es". as havaianas são a últ im a palavra da m oda para os pés.folha. o " Financial Tim es" . Cla sse m é dia . "Tenho quat ro Havaianas e não m e canso delas" .uol. acom panhando a evolução do m ercado" . disse Port o. que poderá t est ar em breve a prom essa do slogan: " não t em cheiro" . chegou ao ápice quando 61 pares das sandálias foram dados de present e para t odos os indicados ao Oscar dest e ano. disse o j ornal. Mas isso não acont eceu. não t em cheiro e não solt am as t iras" . as export ações da sandália t êm dobrado a cada ano. por exem plo. que fabrica as havaianas há 41 anos. afirm ou Port o.fina que t om a sol na m esm a piscina". acabaram divulgando as havaianas no ext erior. " Fui ao Brasil recent em ent e e com prei sandálias para t odos os m eus am igos. em Londres As sandálias havaianas viraram m oda na Europa e chegam a ser vendidas por cerca de 100 libras ( R$ 478) por est ilist as na capit al brit ânica. do cust o das sandálias. " Com o ainda não est am os explorando esse segm ent o. desde a década de 1960 ( à esquerda) . a em presa est á at ent a para o risco de virar um art igo de m oda passageiro e perder o espaço conquist ado at é ent ão quando a m oda passar. com eçar a vender para a classe m édia" . que com binava um vest ido m arrom com um sandália da m esm a cor. " No passado. disse a escrit ora inglesa Kat e Pem bert on. Mas conseguim os t ransform ar as sandálias no calçado m ais dem ocrát ico do Brasil. M oda pa ssa ge ir a .com .O sucesso das " legít im as" j á virou t em a de report agens nas principais revist as e j ornais do m undo. segundo o slogan " não deform am . A Naom i. est am pou na m anchet e que o calçado das favelas conquist ou as vít im as da m oda. O " Le Monde" . quando as havaianas passaram a ser um art igo fashion há alguns anos. © 2006 eduardo romeiro filho 44 ufmg . a m et a é export ar 5 m ilhões de pares. É o preço da nossa fam a" . At é o principal j ornal de econom ia do Reino Unido. o valor m édio de 20 libras ( R$ 96) cobrado pelas sandálias em loj as com o a Urban Out fit t ers e a Whist les é. é claro. Segundo Port o. Mas querem os m ant er as sandálias com o um produt o de elit e no m om ent o para. t er Havaianas era quase com o exibir um at est ado de pobreza. com o Naom i Cam pbell.depto engenharia de produção . H a va ia n a s sã o ve n dida s por a t é R$ 5 0 0 e m Lon dr e s SI LVI A SALEK. D e u n o " N ew Yor k Tim es" . quant o pela grã.Para Rui Port o. É o ít em de m aior sucesso dest e verão" .br/ folha/ bbc/ ult 272u21499. dez vezes superior ao encont rado no Brasil. Apesar do alt o preço cobrado pelos est ilist as.sht m l Acessada em 13/ 06/ 2003 . no ano que vem . da França. m odelos brasileiras e t am bém est rangeiras que visit avam o Brasil. Lançam os sem pre novas cores e m odelos...Desde 2001.07h37 Anúncios das sandálias havaianas. usado t ant o pela faxineira que lim pa a piscina.

custo e Marketing tem suas origens no fato de satisfação. vestuário. custo e satisfação. A fim de se realizar uma pesquisa Consumidores e compradores organizacionais aprofundada sobre o assunto é necessário enfrentam abundância de fornecedores que assumir um conceito para Marketing. abrigo. isto é. A maioria das sociedades modernas Necessidade humana é um estado de trabalha sob o princípio da troca. produtos. esmola e entre necessidades. entretanto usaremos o Estudos recentes têm demonstrado que a conceito de Kotler: “Marketing é um processo chave do sucesso de empresas rentáveis é social e gerencial pelo qual indivíduos e conhecer e satisfazer os consumidores-alvo grupos obtêm o que necessitam e desejam com ofertas competitivamente superiores. desejos de forma competitiva e rentável. Marketing coordena © 2006 eduardo romeiro filho 45 ufmg . Elas devem fazer um trabalho O QUE VEM A SER MARKETING? excelente se quiserem ser bem sucedidas nos mercados de crescente concorrência global. (KOTLER. Engajam-se em transações e e algumas outras coisas para a sobrevivência. Uma breve discussão sobre estes muitos produtos podem satisfazer certa conceitos é elaborada a seguir: necessidade. Desde que marketing. Mercado é um Estas necessidades não são criadas pela grupo de pessoas que compartilha uma sociedade ou pelas empresas. Necessidades. troca.” de definir os consumidores-alvo e a melhor Esta definição esta fundamentada nos maneira de satisfazer suas necessidades e seguintes conceitos centrais: necessidades. oferta e troca de produtos Marketing é a função da empresa encarregada de valor com outros. coerção. marketing e praticantes de possuem necessidades e desejos. tenta realizar trocas Hoje. as empresas não podem potenciais. específicos e trocá-los por outras coisas de segurança. Desejos e Demandas Estes produtos são obtíveis de diversas Uma distinção útil pode ser destacada maneiras: autoprodução. analisando as maneiras como as empresas se orientam para o mercado e quais são seus impactos na relação entre marketing e desenvolvimento de produtos.depto engenharia de produção . projeto do produto Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos Oswaldo Henrique Castro de Jesus Curso de Mestrado em Engenharia de Produção Universidade Federal de Minas Gerais O propósito deste artigo é fornecer uma visão geral sobre os conceitos centrais subjacentes a disciplina de marketing. através da criação. sentimento de posse. transações e que os seres humanos são criaturas que relacionamentos. 1997) sobreviver. As especializam-se em produzir produtos pessoas exigem alimento. Diversas procuram satisfazer a suas necessidades. INTRODUÇÃO aquelas atividades envolvidas no trabalho com mercados. Philip. desejos e demandas. desejos e demandas. a escolha do produto é guiada pelos conceitos de valor. valor. construção de relacionamentos. simplesmente fazendo um bom trabalho. Pessoas privação de alguma satisfação básica. A necessidade de cooperação entre as atividades de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento é analisada através de pesquisas realizadas mundialmente. existem na necessidade similar. auto-estima que necessitam. troca. são suas definições.

Troca é o ato de obter específicas para atender a estas necessidades um produto desejado de alguém. Situações de troca despertam desejos. nas melhores situações transações suas necessidades. Obtém-se resultados favoráveis construindo- ordenando-os de acordo com suas se laços econômicos. “Business-to-Consumer” (B2C) vem Freqüentemente. ser vista como um processo. os fabricantes revolucionando as práticas atuais. mas. quantas pessoas. Produtos podem ser definidos como Ultimamente tem se consolidado um novo algo que pode ser oferecido para satisfazer a meio de se efetuar transações entre empresas uma necessidade ou desejo. esta deve forças e instituições sociais como igrejas. foco deste trabalho e não serão abordadas. Uma apoiados por poder de compra. o Os especialistas de marketing. distribuidores e julgamentos de valor e fazem escolha de clientes. famílias e empresas. confiança e relacionamentos “ganha- físicos. A troca é uma das quatro © 2006 eduardo romeiro filho 46 ufmg . A importância e entre empresas e seus consumidores. Demandas são desejos por produtos Duas partes estão engajadas na troca específicos que são respaldados pela se estiverem negociando e movendo-se em habilidade e disposição de comprá-los. direção a um acordo. desta forma as escolhas são rotinizadas. com os quais constrói produto. seus desejos são depende das duas partes concordarem sobre muitos. Transações e Relacionamentos. efetuar mudanças bem-sucedidas. distribuidores. sendo as demais autoprodução. mas também nos serviços seus conceitos “Business-to-Business” (B2B) e oferecidos pelo mesmo. feitas em função dos produtos que produzem O resultado final do marketing de maior valor por dinheiro despendido. desta forma as transação consiste na negociação de valores empresas devem mensurar não apenas entre duas partes. Custo e Satisfação qualidade. características físicas. O marketing de Valor é a estimativa do consumidor em relação relacionamento reduz os custos de transação à capacidade global de produto satisfazer a e o tempo. mostrando-se dois atores e os desejos e ofertas fluindo entre Produtos eles. com grande decidem satisfazer necessidades e desejos utilização na área de logística. O trabalho do denominada marketing de relacionamento. realmente para obter-se respostas a algum objeto estariam dispostas e habilitadas para comprá. Desejos tornam-se demandas quando dizemos que ocorreu uma transação. Isto é realizado com a promessa e entrega de alta Valor. a longo benefícios ou serviços contidos em produtos prazo. em vez de apenas descrever suas ganha” com clientes.depto engenharia de produção . bons serviços e preço justo. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. produtos. entre as partes envolvidas. Este conceito esta intimamente ligado ao conceito atual “Supply Chain Management” ou Troca. trata- dos produtos físicos não reside apenas em se do comércio eletrônico. Pode-se classificar os produtos. Se este é atingido. Alguns relacionamento é a construção de um ativo teóricos do comportamento do consumidor vão exclusivo da empresa denominado rede de além das limitadas pressuposições marketing. o Marketing consiste de ações adotadas mais importante. em vez de como escolas. parte espera dar e receber. embora as necessidades das se algo em contrapartida. Uma rede de marketing consiste na econômicas de como consumidores fazem empresa e seus fornecedores. Os desejos humanos são as condições de troca que deixará ambas em continuamente moldados e remoldados por melhor situação do que a anterior. sua ocorrência pessoas sejam poucas. Para lo. Cada produto envolve um negociadas individualmente passam a ser custo específico. oferecendo- mais profundas. projeto do produto delicada textura biológica e são inerentes à maneiras pelas quais as pessoas podem obter condição humana. Desejos são carências por satisfações coerção e mendicância. que através de sua posse. técnicos e sociais fortes capacidades de satisfazer às necessidades. e Marketing surge quando as pessoas recentemente o E-supply chain. entretanto estas teorias não são o relacionamentos comerciais sólidos e seguros. cometem o erro de prestar mais atenção a O Marketing de transação descrito seus produtos físicos do que aos serviços acima é parte de uma idéia mais ampla oferecidos pelos mesmos. através da troca. um evento. quantas pessoas desejam seu produto. As profissional de marketing é vender os empresas ágeis tentam construir. simples podem ser mapeadas. revendedores e fornecedores valiosos. junto profissional de marketing analisa o quê cada com outros influenciadores da sociedade. oferecido para uma audiência alvo.

Não que as atividades de marketing e projeto de é de admirar que o carro exigia tanto esforço produto sejam desempenhadas em uma de venda do revendedor! A GM errou ao não filosofia bem fundamentada. ao círculo amplo do conceito de marketing. 1997) de mercado.O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de 1. Internamente os envolvidos na trocas potenciais para o propósito de concepção e fabricação de produtos passam a satisfazer a necessidades e desejos humanos. unidos através de processos de que oferecem mais qualidade. Conceito de Produto de um país e do mundo inteiro consistem de O conceito de produto assume que os complexos conjuntos de mercados inter. desempenho ou troca. entretanto. Estas depende do número de pessoas que mostram organizações são orientadas para a produção a mesma necessidade. eficiente e eficaz. constituindo a indústria e os compradores como constituindo o mercado. Há desejavam e nuca consultava as pessoas cinco conceitos distintos sob os quais as © 2006 eduardo romeiro filho 47 ufmg . DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS não examinam os produtos dos concorrentes BASEADO NA ORIENTAÇÃO DA EMPRESA porque “não foram inventados em suas EM RELAÇÃO AO MERCADO fábricas”. exigindo marketing e de vendas tentam vendê-los. freqüentemente existem conflitos de Depois. Confiam que seus engenheiros saberão como planejar ou RELAÇÕES ENTRE MARKETING E melhorar o produto e muito freqüentemente. Conceito de Produção uma necessidade ou desejo específico. Um executivo da General Motors A administração de marketing e o afirmou anos atrás: “Como o público pode desenvolvimento de novos produtos são saber que tipo de carro deseja. Muito desenvolveram os planos para um novo carro.depto engenharia de produção . deixar de observar que o mercado pode estar Se uma parte é mais ativa para menos preocupado com a qualidade oferecida. oferecer estes recursos em troca do que Desta maneira os responsáveis pelo desejam. O conceito de produto parte do dispostos e habilitados para fazer uma troca princípio de qua os clientes darão preferência que satisfaça essa necessidade ou desejo. consumidores favorecerão aqueles produtos relacionados. clientes e sociedade. produtos com pouca ou nenhuma contribuição do consumidor. As economias 2. Um praticante de marketing é caminho até a porta da empresa. àqueles produtos que estão amplamente Assim. chamamos a tornando-se vítimas da falácia denominada primeira de praticante de marketing e a “melhor ratoeira”. o tamanho do mercado disponíveis e são de baixo custo. os profissionais de massa é muito utilizado neste tipo de marketing vêem os vendedores como organizações. (KOTLER. o sistema de produção em produtos. têm recursos que concentram-se em atingir alta eficiência interessam a outros e estão dispostas a produtiva e ampla coberturas de distribuição. alguém que busca um recurso de outra Freqüentemente. as empresas pessoa e que está disposto a oferecer algo de orientadas para produto planejam seus valor em troca. Os economistas usam o termo desenvolvimento de produtos e produção mercado quando se referem a um grupo de colocam seus esforços para aumentar o compradores e vendedores que transacionam volume de produção e buscar alternativas para em torno de um produto ou classe de reduzir custos. a fábrica o constrói. características inovadoras. Tais organizações acreditam que os Marketing significa a atividade humana que compradores admiram produtos bem feitos e ocorre em relação a mercados. através de um perguntar aos consumidores o que eles marketing responsável. antes de ver o descritos como o esforço consciente para que está disponível no mercado?” Os atingir as mudanças de resultados desejados designers e engenheiros da GM em relação aos mercados-alvo. procurar uma troca do que outra. onde acreditam que uma segunda parte de cliente ou consumidor melhor ratoeira levará as pessoas a abrir um potencial. projeto do produto Mercados organizações conduzem sua atividade de O conceito de troca leva ao conceito marketing. o departamento interesses entre pesos atribuídos a financeiro fixa o preço e os departamentos de organização. Marketing podem avaliar a qualidade e o desempenho significa trabalhar com mercados para realizar dos mesmos. Estas organizações focam sua energia em fazer Marketing e Praticantes de Marketing produtos superiores e melhora-los ao longo do O conceito de marketing conduz-nos tempo.

de propósito de marketing é conhecer e entender maneira a preservar ou ampliar o bem estar o consumidor tão bem que o produto ou dos consumidores e da sociedade. freqüentes e prováveis de acontecer para O conceito de marketing fundamenta.. As metodologias variaram. As empresas fazem um A maioria das empresas pratica o excesso de trabalho para satisfazer os desejos conceito de venda quando tem capacidade de de consumidores. marketing. de inovações tecnológicas que tiveram sucesso no mercado. Conceito de Marketing lançados por 100 indústrias em vários países O conceito de marketing é uma foram estudados a fim de determinar o papel filosofia empresaria que desafia os conceitos relativo a Marketing e Pesquisa e anteriores. negligenciados. todos um arsenal de ferramentas de vendas e explosão do crescimento populacional. agindo. Idealmente. assume que a chave para atingir as metas 60 a 80% de produtos com sucesso organizacionais consiste em determinar as foram lançados em resposta a demandas de e necessidades e desejos dos mercados-alvo e necessidades de mercado oferecer as satisfações desejadas de forma Melhorias nas vendas são mais mais eficaz e eficiente do que os concorrentes. Este mas duas observações são claras. foca O conceito de venda assume que os a necessidade dos consumidores. um foco no produto em vez de ênfase em venda e promoção para gerar na necessidade do consumidor”. Como resultado. o esforço de marketing deve resultar em um consumidor disposto a comprar. necessidades dos consumidores. preço várias pesquisas buscaram entender a origem e distribuição. foca sobre O conceito de produto leva a “miopia os produtos existentes na empresa e exige em marketing”. o O conceito de marketing societal público identifica marketing como venda afirma que a tarefa da organização é agressiva e propaganda. escassez de recursos. em vez de o que o mercado consumidores e da sociedade? O conceito de deseja. Mais de 2000 produtos 4. marketing Juntas. para fora. deve Com o objetivo de fundamentar a ser precedida de diversas atividades de relação de cooperação que deve existir entre marketing como avaliação de necessidades. a organização deve obtenção de satisfação dos mesmos. coordena consumidores. Os compradores potenciais são marketing coloca lado a lado os conflitos bombardeados com comerciais de televisão.” Assim.COOPERAÇÃO disponível. Depois. desenvolvimento de produto. produção excessiva. pesquisa. O conceito de que tanto Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) © 2006 eduardo romeiro filho 48 ufmg . Conceito de Venda Começa com um mercado bem definido. serviço se venda sozinho. algumas pessoas consumidores típicos mostram inércia ou têm questionado se o conceito de marketing é resistência e têm que ser persuadidos a uma filosofia apropriada em um período de comprar mais e que a empresa dispões de deterioração ambiental. resultados rentáveis. potenciais entre os desejos e interesses dos anúncios em jornais. projeto do produto envolvidas em marketing para ajudar a venda parte de uma perspectiva de dentro projetar o tipo de carro que venderiam. 5. não todas as atividades que afetarão estes comprarão suficientemente os produtos da consumidores e produz lucros através da organização. desejos e Segundo declarado por Druker (1973): interesses de mercados-alvo e atender às “Haverá sempre alguém assumindo que satisfações desejadas mais eficaz e alguma venda será necessária. Conceito de Marketing Societal O conceito pressupõe que Em anos recentes. 3. estas observações sugerem coordenado e rentabilidade. Seus pontos centrais tornaram-se Desenvolvimento. fome e promoção eficazes para estimular mais a pobreza mundial e serviços sociais compra. se deixados sozinhos.. determinar as necessidades. idéias originadas de consumidores e se em quatro pilares principais: mercado-alvo. a venda para ser eficaz. mala direta e visitas de consumidores e o bem estar da sociedade a vendedores. será MARKETING E PESQUISA E necessário apenas tornar o produto ou serviço DESENVOLVIMENTO . Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. necessariamente. O conceito de marketing parte de uma perspectiva de fora para dentro. Entretanto o eficientemente do que os concorrentes. Seu propósito é vender o nos melhores interesses a longo prazo desses que fabricam.depto engenharia de produção . sólidos nos meados dos anos 50. Assim. Existe sempre alguém tentando longo prazo. vender alguma coisa. Começa com a fábrica. empregar um esforço agressivo de venda e de promoção.

e se comunicaram em todos aspectos do Notas de palestras. Peter. variando de acordo com a filosofia adotada e sua maneira como se posiciona perante o mercado. HAUSER. P&D e Engenharia podem Nem sempre o lançamento de um produto de levar a organização desenvolver produtos que excelência significa sucesso comercial. foi lançado pela excedem as necessidades dos consumidores. Dougherty (1989) revelou que produtos com sucesso se originam em KOTLER. Os engenheiros alemães não contavam. tropical. QFD for Service Industries. Por exemplo. URBAN. consumidores e capacidades de tecnologia. Evidencia-se que uma boa estratégia de novos produtos requer uma integração efetiva de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. Cinco filosofias alternativas podem guiar as organizações no cumprimento de seu trabalho de marketing. 1993 novos produtos. em uma empresa. As filosofias que mais se destacam na atualidade são caracterizadas por ter uma grande integração e cooperação entre marketing e projeto de produto. projeto do produto quanto Marketing (Orientado para o BIBLIOGRAFIA consumidor) conduzem ao sucesso no desenvolvimento de novos produtos. existiram pouca cooperação e Row. Volkswagen do Brasil em meados dos anos 1960. 1997. responsabilities.. Tempos depois de lançado. nem P&D nem marketing podem se conduzir em separado. Design and Entretanto existe também uma evidencia que Marketing of New Products. 1973. John R. A idéia parecia boa: o Fusca já era um enorme necessidades dos consumidores e tecnologia sucesso de vendas e a abertura superior era devem ser integradas se o sucesso é o extremamente adequada a um país de clima objetivo. practices. situações onde marketing e P&D cooperaram Análise. Trabalhando juntos. Marketing. Planejamento e Controle. com o “machismo” do público brasileiro. Gleen H. p. 1º Congresso Brasileiro em plano de negócios.depto engenharia de produção . A tecnologia sozinha não é suficiente. cada uma definindo os papéis. Management: tasks.. o simpático carrinho foi retirado de linha num estrondoso Através deste estudo pode-se concluir fracasso. P&D e Engenharia desenvolvem os meios de satisfazer a estas necessidades. P&D desenvolve novos níveis de desempenho tecnológico que permitem criar novos benefícios aos consumidores. Ela também descobriu que nos casos de DRUCKER. Glen L. entretanto. Philip. funções e relacionamentos entre marketing e projeto de produto. O promovem benefícios que satisfazem e automóvel acima. que nada tinha a ver com suas que o Marketing esta intimamente ligado com características técnicas: fora apelidado (em virtude a atividade de Desenvolvimento de Produtos de sua abertura no teto) de “Cornowagen”. 64-65 comunicação em pelo menos um destes aspectos. New York: Harper & falhas. © 2006 eduardo romeiro filho 49 ufmg . associado ao seu tradicional bom CONCLUSÂO humor. em um estudo MAZUR. com teto solar. 2000. sobre 16 projetos de desenvolvimento de From voice of Customer to Task Deployment. Administração de Marketing. Marketing identifica a pesquisa as necessidades dos consumidores. necessidades dos Logística e Comércio Eletrônico.

Mc Graw Hill © 2006 eduardo romeiro filho 50 ufmg . Kjell B. Zandin and Harold B. Maynard.depto engenharia de produção . projeto do produto Fonte: Maynard’s Industrial Engineering Handbook.

a longo prazo. No entanto. mantendo e reconquistando seus próprios clientes e atraindo outros novos. proporcionando sua plena satisfação. 8 Este trabalho é destinado à avaliação final da disciplina “Tópicos em Organização da Produção: Metodologia do Projeto” do curso de mestrado em Engenharia de Produção. esta deve ser uma atividade contínua. exige um esforço constante de equiparar e superar a concorrência. supondo que os preços dos produtos sejam atraentes. no que poderíamos chamar de fluxo da sobrevivência: Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro Para que o faturamento seja alto e crescente. Uma empresa competitiva é aquela que tem a capacidade de conquistar a preferência dos consumidores. projeto do produto Medindo a Satisfação dos Clientes Viviane Ribeiro Branco de Oliveira8 Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG I. 1996). nada mais natural. A busca pela sobrevivência consiste da busca pela competitividade. 1996). disponíveis e com preços atraentes. consequentemente. Para que os preços dos produtos sejam atraentes e a empresa seja lucrativa. e estas empresas são. o volume de vendas deve sempre superar patamares elevados. O lucro é resultado desta combinação alto faturamento e baixos custos. são gradativamente substituídos por melhores opções disponíveis no mercado. elas produzem de forma econômica produtos de alta qualidade. em Novembro/1998. ou seja. isto significa conquista da preferência dos consumidores. e por isso devem ser continuamente investigadas. a baixos custos. Uma Questão de Sobrevivência Garantir a permanência de uma empresa no mercado. elas se alteram de acordo com as novas ofertas do mercado.depto engenharia de produção . As expectativas dos clientes não são estáticas. um cliente satisfeito pode te abandonar. resultado de uma empresa produtiva que é capaz de captar e manter uma fatia significativa do mercado. um produto que venha ao encontro de suas expectativas. Se esta situação não é revertida. compara um produto com outro. e dependerá da qualidade do produto que ele adquire. uma empresa com outra. sua sobrevivência a longo prazo está ameaçada. A empresa americana Ceridian Corporation sintetizou estas idéias. © 2006 eduardo romeiro filho 51 ufmg . os custos devem ser baixos. A satisfação do consumidor final é portanto o alvo primordial das empresas competitivas (princípio do conceito de “foco no cliente”). Não é suficiente ter clientes meramente satisfeitos. “Conheça as expectativas do cliente” (Deming. Ele aprende rapidamente. Daí a importância de equiparar e superar a concorrência. com ofertas melhores que as disponíveis no mercado. a manutenção de uma posição sempre competitiva. colocadas à margem da preferência dos consumidores. Empresas competitivas sempre viabilizam a oferta de produtos desejáveis. “O cliente espera apenas o que você e seu concorrente tenham levado-o a esperar. a empresa tem que estar sempre inovando para permanecer no “páreo”. Os produtos e serviços oferecidos por empresas que não perseguem e alcançam este objetivo. Por que não? Ele pode encontrar uma opção melhor com a mudança” (Deming.

o que confere à ferramenta caráter qualitativo. Apesar do formulário já poder trazer impresso alternativas para enquadramento e desdobramento da reclamação. usual SAC. Quanto ao atendimento dispensado aos reclamantes. Objetivos deste Trabalho. não significa que tudo esteja bem. Quando as informações forem oriundas de questões abertas. é o alicerce que a empresa deve garantir sempre. Deve-se “incentivar reclamações”. primeiro anular os sintomas para depois atacar as © 2006 eduardo romeiro filho 52 ufmg . as ferramentas serão do tipo qualitativas. Uma empresa competitiva deve possuir um programa contínuo de avaliação da satisfação dos clientes. contato pessoal com vendedores. Em relação a análise dos dados. e sim em detectar o tamanho e as causas do problema. três aspectos são fundamentais: fácil acesso ao serviço.1 Atendimento a Reclamações O serviço de atendimento ao cliente.) as informações devem receber o mesmo encaminhamento. etc. o trabalho foi dividido em duas partes: ‘III. estas ferramentas dividem-se em dois grandes grupos: qualitativas e quantitativas. 73% dos reclamantes bem assistidos voltam a comprar da empresa. Segundo a própria TARP. em formulário padrão que solicite todos os detalhes necessários às etapas posteriores do processo (nome e contato do cliente. com a intenção de esclarecer dúvidas e captar reclamações. Mesmo que o cliente se utilize de outros meios de comunicação (carta. como por exemplo as que serão apresenta. ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ e ‘pesquisa com clientes da concorrência’. projeto do produto II. voltam a comprar novamente. aumentar o percentual de retorno deste sinalizador de problemas. ‘grupos foco’ e ‘pesquisas com clientes perdidos’. A parte ‘V. conhecer os motivos que levaram um cliente a optar por outro fornecedor. como no caso das ‘entrevistas individuais’. principalmente. medir a satisfação dos clientes.depto engenharia de produção .). O cliente é envolvido neste estágio. No caso do esclarecimento de dúvidas. ou da livre iniciativa do cliente por meio do serviço de ‘atendimento de reclamações’ (ambas abordadas neste trabalho) ou ainda provenientes da observação dos clientes comprando ou utilizando o produto. ou seja. A estabilidade em oferecer produtos e serviços com um mesmo nível de qualidade considerada indispensável. Para que seja possível prestar um serviço satisfatório. durante determinado período. número da reclamação. Em seguida. que lhe permita acompanhar todas as tendências do mercado do ponto de vista dos próprios consumidores. Para abordar estas ferramentas. Receber uma reclamação é ter acesso a uma oportunidade de melhoria. áreas da empresa diretamente envolvidas. o serviço é apenas o ponto de partida para todo um processo de resolução. revelará tanto deficiências no desempenho dos próprios produtos e serviços. através do serviço de atendimento a reclamações e das pesquisas com clientes perdidos.das neste trabalho. Considerações Finais’ conclui com questões importantes para o sucesso das intenções da empresa. Rumo à Excelência’. como novas exigências do mercado. é oferecido pelas empresas através de centrais telefônicas e endereços eletrônicos. a maioria absoluta deles não entra em contato com a empresa para reclamar. Com este propósito são acompanhados uma infinidade de parâmetros de desempenho de processos e produtos. para em seguida disparar contramedidas que impeçam sua reincidência. a resposta ao cliente é geralmente imediata e suficiente. Em relação à coleta dos dados. agilidade no retorno e na resolução da reclamação e solução satisfatória para o cliente. No caso das reclamações. Para implementar um programa como este. Este trabalho apresenta. Os Primeiros Passos A manutenção da carteira atual de clientes deve ser a base para qualquer avanço. rede de distribuição e fornecedores. o emprego de técnicas estatísticas será demonstrado no item ‘6. é necessário fazer um bom registro da reclamação. III. O grande objetivo do processo de resolução de reclamações não consiste em responder satisfatoriamente aos reclamantes. Já no caso do emprego de questões fechadas que permitam ordenações e cálculos numéricos. ao passo que apenas 17% dos reclamantes descontentes. as principais ferramentas utilizadas com este objetivo. Os Primeiros Passos’ e ‘IV. cujos reflexos irão alcançar um universo significativo de clientes. O registro e o tratamento adequado de reclamações dos clientes não são apenas uma satisfação que a empresa se dispõe a prestar aos reclamantes. E a qualidade deste processo é que vai dizer o quanto a empresa compreende o valor de uma reclamação. etc. será necessário empregar eficientemente ferramentas de captação e análise de informações. De acordo com o programa americano de assistência técnica a pesquisa (TARP). as ferramentas quantitativas serão utilizadas. Da mesma forma. Este serviço pode tornar-se uma válvula de perda rápida e fácil de clientes. III. o importante é priorizar a solução da reclamação. Por isso. este serviço fornece evidências dos pontos críticos que precisam ser tratados. o fato de a empresa não ter recebido nenhuma reclamação. de forma resumida. Análise das Informações’ dentro das ‘pesquisas da satisfação dos clientes’. em média 4% dos clientes insatisfeitos reclamam. será indispensável dar ao cliente condições (liberdade) para apresentação de problemas e comentários inusitados.

alterações nos serviços e produtos existentes ou estratégias de marketing. e vice-versa. E a solução oferecida (mesmo que seja trocar o produto ou indenizar o cliente) certamente terá um custo menor do que perdê-lo.1 Grupos Foco Grupo foco é um grupo de clientes. Quando a satisfação dos clientes decresce. geralmente seis a dez pessoas. contornar discordâncias. cuidadosamente escolhidos e convidados pela empresa para uma seção de “brainstorming”. apresentar vários aspectos do tema para apreciação do grupo. não desviar do assunto foco. Em relação ao esclarecimento de dúvidas. as empresas lançam mão de técnicas de captação da voz do cliente que vão além da disponibilização de um bom serviço de reclamações. pois trarão grandes contribuições. Estas técnicas são. IV. etc.depto engenharia de produção . será indispensável todo o cuidado para evitar um novo afastamento. mas que. assumir uma postura mais agressiva de interação com o consumidor que redundem em benefícios que o seduzam. principalmen. na maioria das vezes não chega ao conhecimento do serviço de reclamações. é recomendável que estas pessoas não sejam os vendedores antes responsáveis pelo atendimento aos clientes pesquisados. crítica. Juntamente a um bom serviço de atendimento às reclamações. o serviço de atendimento ao cliente é uma fonte inesgotável de informações para melhoria da empresa e garantia da satisfação dos clientes. como num efeito cascata. em muitos dos casos os clientes são reconquistados. quais as vantagens que o concorrente ofereceu para atrair o cliente. uma pesquisa que conduza a posteriores medidas de melhoria. sugestão. O reclamante deve ser atendido com urgência. projeto do produto causas. a partir do qual as demais opções de pesquisas quantitativas são derivadas. Rumo à Excelência Na corrida pela disputa da preferência do consumidor. muita informação poderá ser extraída para impedir novas perdas de clientes (evitando que os mesmos erros sejam novamente cometidos) e para tornar conhecidas as ofertas da concorrência. e a pesquisa da satisfação dos clientes como um sensor da percepção do cliente. Estas dúvidas podem sugerir pequenas melhorias.2 Pesquisa com Clientes Perdidos Muitos dos clientes insatisfeitos. Por meio destas pesquisas. Os grupos foco funcionam como um veículo de geração de idéias. a pesquisa com clientes da concorrência como balizador externo. Além disso. um especialista no assunto foco é previamente selecionado pela empresa para atuar como © 2006 eduardo romeiro filho 53 ufmg . 1996). pesquisa com clientes das concorrência e pesquisa da satisfação dos clientes. por exemplo novos serviços e produtos. A entrevista vai sendo conduzida de acordo com os argumentos apresentados pelo ex-cliente a partir de alguma pergunta aberta inicial do tipo: “Gostaríamos de saber por que a empresa/cliente X não adquire mais os nossos produtos e/ou serviços?”. Mas depois de realizada. Certamente eles vão passar adiante a experiência desagradável que tiveram. como um “paciente em estado grave”. Daí a importância de alocar para este trabalho pessoas muito bem preparadas. a intenção não é um contato para fazer negócios e. caso o cliente retorne. IV. e das pesquisas com clientes perdidos. de trâmite fácil dentro da empresa e com poder de decisão igual ou maior que os dos envolvidos diretamente com o serviço de reclamações. O retorno do ex- cliente como novo comprador poderá ocorrer em decorrência da habilidade do entrevistador em manipular as informações (contornar o problema e fazer contra-propostas) que forem adquiridas na oportunidade do contato.te. comentário. “Clientes insatisfeitos contaminam toda a vizinhança”. Apesar de utilizada para se detectar as tendências de exigência dos próprios clientes. Com o objetivo de conduzir esta reunião apropriadamente (permitir a participação de todos. o mais rápido possível. A simples indiferença de um atendente pode originar uma decepção que seria facilmente contornada. a empresa deve realizar periodicamente pesquisas com clientes perdidos. pois isto poderia gerar constrangimentos. pode afastar diversos clientes. é apresentado como assunto foco da reunião. Outro retorno extremamente positivo desta pesquisas é a volta do cliente. “É sete vezes mais fácil reconquistar um cliente perdido do que conquistar um novo cliente” (Kessler. toda opinião. A postura do entrevistador deve ser a de ouvir o cliente. A pesquisa da satisfação dos clientes é um sinalizador de possíveis ganhos e perdas. algum tema de interesse da empresa. Portanto. preferem trocar de fornecedor do produto ou serviço adquirido. grupos foco. isto vai depender do conceito de cliente perdido para cada ramo de negócio específico. III.3. Nesta oportunidade. A partir daí. sim. incentivar idéias.). Não existe uma definição genérica de de quanto em quanto tempo exatamente este tipo de pesquisa deva ser realizado. Não é confeccionado para este tipo de entrevista nenhum formulário padrão de questões fechadas. as pesquisas da satisfação dos clientes podem ser consideradas como caso geral. elogio ou debate é bem vindo. A questão é evitar causas de reclamação e perda de clientes. o faturamento e o “market share” seguem o mesmo caminho. Esta questão será esclarecida no tópico IV. é igualmente importante registrá-las. além de não registrarem formalmente nenhuma reclamação. esclarecê-las e encaminhá-las às áreas da empresa diretamente relacionadas à questão apresentada pelo cliente. e pior que isto.

a subjetividade inerente ao processo é grande. que são: “benchmarking” interno e das melhores práticas. pois o contrário poderia viciar as respostas fornecidas. no caso de uma ordenação por exemplo. no entanto. tanto em perfil quanto principalmente em quantidade. preparam salas especiais para o evento. Ela deve-se principalmente à escolha dos participantes. detectar seus pontos fortes e fracos do ponto de vista do consumidor global. serão as mesmas: definição dos objetivos. atuais. Como este é um interesse comum de todas as organizações que lidam com o mesmo negócio. independente do público. o termo ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ é usualmente utilizado de forma genérica para se referir a qualquer pesquisa de caráter quantitativo direcionada ao mercado consumidor (clientes finais. ao público e aos recursos disponíveis. ou seja. muitas vezes é interesse da empresa realizar uma posterior pesquisa da satisfação dos clientes. No caso da ‘pesquisa com clientes perdidos’ da forma como foi apresentada neste trabalho (questões abertas.depto engenharia de produção . levantamento dos dados. No relatório final os resultados desta pesquisa serão diferenciados por empresa contratante da seguinte forma: uma não tem acesso às informações sobre a outra. Neste caso. algumas empresas. é costume a contração de firmas especializadas em pesquisas de opinião para conduzirem uma única pesquisa que atenda a todos. perdidos. O “benchmarking” das melhores práticas. exclusivamente). além do competitivo. para adquirir maior segurança quanto as decisões que poderão ser tomadas. a diferença é que apenas um cliente será a fonte das informações à respeito do assunto foco.2 Pesquisa com Clientes da Concorrência Este tipo de pesquisa é utilizado como estratégia de “benchmarking” competitivo. O interno é realizado estabelecendo-se sempre novas metas sobre o patamar de desempenho já alcançado. definição do universo a ser investigado. busca identificar as melhores práticas do mercado em qualquer tipo de indústria ou negócio. por meio da identificação dos atributos dos produtos e serviços que os clientes realmente percebem e valorizam. apenas a sua própria posição é informada. As diferenças residem nas adaptações que forem sendo realizadas ao longo do cumprimento das etapas para perfeita adequação aos objetivos. a pesquisa assume caráter qualitativo. quando é a vez do cliente da concorrência também ser ouvido. da concorrência e potenciais. no intuito de não inibir a participação dos clientes. a referência básica é a própria empresa e não dependerá necessariamente de pesquisas de opinião. estabelecer comparações com o concorrente. Já no caso do “benchmarking” competitivo. subestimada. e o mediador pode introduzir tendências. será indispensável a consulta aos clientes da concorrência.3 Pesquisa da Satisfação dos Clientes A pesquisa da satisfação dos clientes é mais uma iniciativa da empresa no sentido de descobrir o que os clientes pensam e querem de sua organização e produtos. IV. que permitam isolar câmeras e ouvintes dos clientes e mediador. Por este motivo. Estas informações poderão ser extraídas de publicações ou visitas às empresas consideradas de classe mundial. da concorrência e potenciais). as demais empresas não são identificadas pelos nomes. investigar as vantagens do concorrente a fim de incorporá-las. Isto porque as etapas básicas de realização da pesquisa. não é apenas nestes casos que o cliente perdido pode ser © 2006 eduardo romeiro filho 54 ufmg . como o próprio nome já diz. Já as entrevistas individuais funcionam da mesma forma que os grupos foco. representantes. No entanto. o anonimato da empresa que está conduzindo a pesquisa é pré-requisito fundamental. Por meio da inclusão destes ao público alvo investigado. é indispensável que o entrevistado não identifique a empresa responsável pela pesquisa. na entrevista e na análise dos dados. implicando em menor custo por empresa envolvida na contratação do serviço. No entanto. têm outros fornecedores concorrentes. Os clientes podem não ser representativos do mercado alvo tencionado. com a autorização do grupo e. a pesquisa incluirá clientes próprios. Para que este tipo de pesquisa seja eficiente. Portanto. esta participação se limitará apenas a ouvir a sessão. para conhecer suas expectativas. ou seja. Além dos clientes e do mediador. projeto do produto mediador. Para que nenhuma idéia seja perdida. Estes atributos é que irão direcionar as perguntas do questionário. Portanto. como por exemplo a elaboração de um questionário realmente útil. a fim de induzir a manifestação de toda sorte de idéias. os próprios clientes não são exclusivos. As questões relacionadas ao tema são abertamente apresentadas pelo mediador. Vale mencionar que existem outros dois tipos de “benchmarking”. definição dos métodos de pesquisa. Apesar do custo de realização de grupos foco ser baixo e do retorno das informações ser rápido. definição da abordagem da pesquisa. Em muitos casos. é comum a participação de alguns funcionários influentes diretamente envolvidos no assunto foco. os grupos foco assumem também outras atribuições. elaboração do questionário. análise das informações e apresentação dos resultados. no estilo de entrevista individual com cada cliente que se afastou da empresa. a posição competitiva será superestimada e se apenas os clientes da concorrência. a empresa terá condições de posicionar-se no mercado. sem opções fixas de respostas. IV. distribuidores. tudo é gravado e filmado. É especificamente direcionada aos seus próprios clientes. isto deve ser levado em consideração na elaboração do questionário a ser utilizado. em qualquer parte do mundo. pois se apenas os clientes próprios forem ouvidos.

pode-se dar seqüência às demais etapas. sem ambigüidades e tendências. Por Conglomerados A região geográfica considerada na pesquisa pode ser dividida em várias áreas para facilitar o processo de entrevistas (acesso aos clientes). Estratificada Diversos grupos de clientes (estratos) são diferenciados em relação a alguma característica importante para a empresa. Cada um destes grupos fornecerá um conjunto de informações diferenciadas que poderão ser utilizadas no plano de estratégias da empresa. etc. tanto os clientes atuais. a ordem de apresentação das perguntas deve ser cuidadosamente avaliada e. etc. Elaboração do Questionário “A elaboração de questionários é uma combinação de ciência e arte”. Definição da Abordagem da Pesquisa Realizar um censu com todos os integrantes da população ou fazer uma amostragem com alguns deles são diferentes abordagens que podem ser utilizadas em uma pesquisa. de forma resumida. estratificando-se dentro dos conglomerados. sua inclusão pode acontecer em qualquer outro momento de uma ‘pesquisa da satisfação dos clientes’. como por exemplo a natureza do cliente (atual. Em princípio. quando as limitações dos recursos disponíveis impedem a realização do censu. localidade. avaliar se os esforços de melhoria da empresa estão repercutindo em incremento da satisfação do cliente. No entanto. 3. no caso do “benchmarking” competitivo. detectar pontos fortes e fracos da concorrência. simplesmente saber identificá-los. Quando a intenção é estimar as informações desejadas. É imprescindível que as perguntas certas sejam realizadas da forma certa. adquirir direcionamento para melhorias. cada área corresponderá a um conglomerado. Muitas vezes uma breve consulta ao próprio mercado será necessária para a definição das categorias de resposta para as “questões fechadas”. Esta escolha dependerá. tempo de contrato com a empresa. que dependerá da composição das perguntas elaboradas. caso o entrevistado tenha contato com o formulário utilizado.1 Principais Planos de Amostragem Aleatória Todos os clientes são considerados como grupo homogêneo e possuirão igual chance de serem selecionados para compor a amostra. Vale mencionar que uma preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião refere-se à validade das informações capturadas. abordando questões básicas importantes que permitirão realizar a pesquisa de forma eficiente. Estas etapas serão apresentadas a seguir. 2. típica das ‘pesquisas de marketing’.depto engenharia de produção . além de obter as informações pretendidas. Todos os objetivos da pesquisa devem ser contemplados de forma simples. sua apresentação deve ser impecável e amigável. Portanto. volume médio de compras. Os planos de amostragem por conglomerados e estratificada podem ser realizadas simultaneamente.). novos produtos e serviços. preferências e prioridades dos clientes. de uma questão de propósito. Neste caso. etc. 3. por meio da utilização dos grupos foco. projeto do produto investigado. A partir da definição dos objetivos específicos da pesquisa. Esta abordagem permitirá planejar estratégias ‘customizadas’. permitirá identificar e sanar problemas específicos de cada cliente. o primeiro passo na realização de uma pesquisa é a definição detalhada de seus objetivos: conhecer as necessidades. esta definição será necessária para se saber como contactá-los. Uma boa definição dos clientes é um dos pontos de partida para a realização de uma pesquisa realmente útil. inclusive. é recomendável a realização dos census para que a empresa possa. podem ser incluídos na pesquisa. quanto os clientes perdidos (ex-clientes). Como mencionado. personalizar seu atendimento. a amostragem é a única escolha. O número de questões deve ser o mínimo necessário. 1. Por Cotas © 2006 eduardo romeiro filho 55 ufmg . os clientes potenciais e os clientes da concorrência. dentre outros fatores. A validade diz respeito principalmente à real obtenção das informações pretendidas. objetiva. Dentro de cada estrato a seleção dos clientes poderá ser aleatória. Conforme mencionado. a escolha recai sobre a segunda opção. Definição do Universo a ser Investigado (População) Acessar a satisfação dos clientes dependerá naturalmente do conhecimento de quem são os clientes. da interação entrevistador- entrevistado e da seqüência em que as questões forem propostas. uma listagem completa de nomes e endereços/telefones dos clientes é indispensável. Há diversos mecanismos de aleatorização fáceis de implementar. Contudo. Ou seja. da concorrência.

da coleta definitiva das informações. Como as chances disto ocorrer devam ser mínimas. Se o tempo é curto. deve-se considerar a possibilidade de se oferecer incentivos à participação dos clientes. Caso a pesquisa seja realizada via correspondência. projeto do produto Quando deseja-se realizar uma estratificação mas não se dispõe das informações necessárias para tal. alguns dos próprios funcionários da empresa conduzem o trabalho mediante a liberação de seus afazeres diários. é o quanto poderemos confiar em nossas conclusões. pessoal (entrevista face-a-face). 4. o plano de amostragem empregado também direcionará os cálculos. é importante que o pré-teste seja realizado pelos próprios entrevistadores já treinados. deve-se estabelecer um nível de confiança para este intervalo de estimação. No caso da seleção interna. que só poderão ser compensadas por um grande número de questionários enviados. Ambos precisarão ser submetidos à treinamento sobre os vários aspectos da pesquisa. A segunda opção seria a seleção de entrevistadores ‘free-lances’ do mercado. e não encerra as entrevistas enquanto não a atinge. o tempo disponível para a realização da pesquisa é um fator de grande importância. a menos que a empresa já possua uma equipe dedicada ao assunto. Outro fator importante é a precisão desejada para o resultado (estimativa). Em relação à adequação do questionário. A seleção destas pessoas pode ser interna ou externa à empresa. da velocidade de acesso a estas informações e da natureza das perguntas propostas. Os transtornos advindos desta liberação são geralmente os responsáveis pelo abandono desta alternativa. Em relação às considerações técnicas. disquetes ou Internet. a melhor opção dependerá principalmente da conveniência para o cliente. Em relação às considerações de ordem prática. mesmo que várias revisões já tenham sido feitas antes. O pré- teste é uma “miniatura” da pesquisa a ser realizada e tem como objetivo revisar todo o projeto. ou seja. o tempo dispensado a este treinamento dependerá das habilidades do grupo selecionado. Além destas informações. grandes amostras. Outro fator que influenciará nesta decisão é o tipo de questionário que será utilizado. E por fim. via contato telefônico. A empresa pode estabelecer um orçamento máximo para a realização da pesquisa que não permita a coleta de grandes amostras. como a característica de interesse se distribui no universo pretendido. da taxa de retorno das informações. Cada entrevistador possui uma cota. porém. a fim de aumentar a taxa de retorno dos questionários. O número de entrevistadores necessário dependerá da extensão da pesquisa (número de entrevistas). Portanto. é indispensável a realização de um pré-teste.depto engenharia de produção . O nível de confiança. disquetes ou Internet. 5. se os recursos (dinheiro e pessoas) disponibilizados forem abundantes. quanto maior a precisão desejada maior será o tamanho da amostra necessária. As alternativas serão basicamente: via correspondência simples (correios). haverá a necessidade de formação e treinamento de uma equipe de entrevistadores. © 2006 eduardo romeiro filho 56 ufmg . caso o trabalho não seja terceirizado (contratação de empresa especializada no ramo). como o próprio nome já diz. número total de clientes com determinado perfil. Fax. As fórmulas estatísticas empregadas no cálculo do tamanho da amostra levam em consideração a variação. Questionários extensos e complexos resultarão em baixas taxas de retorno. Levantamento dos Dados Dependendo do método de pesquisa escolhido. Por isso. uma grande amostra poderá ser rapidamente observada. menor precisará ser o tamanho da amostra. Desta forma pretende-se identificar qualquer deficiência que porventura possa ocorrer desde a coleta até a análise. sua validação é realizada em situação real de uso. Todas possuirão vantagens e desvantagens. é possível chegar a um intervalo que não contenha a informação real.2 Dimensionamento da Amostra A determinação do tamanho da amostra é uma decisão que requer uma série de considerações de ordens técnica e prática. Intuitivamente é possível perceber que. Quanto mais semelhante for o ponto de vista dos clientes (menor variação). a amostragem por cotas é aconselhável. Entretanto. a precisão e o nível de confiança. corresponde à largura do intervalo de estimação (conjunto de valores possíveis para a característica populacional que está sendo estimada. método de pesquisa escolhido e tempo médio necessário para a realização de uma entrevista. a magnitude da variação entre os clientes será determinante. Fax. 3. outro fator de grande importância é a disponibilidade de recursos. da qualidade das informações capturadas. ou seja. Definição do Método de Pesquisa Esta etapa refere-se à definição da forma de retorno das informações. do questionário que será utilizado e do método de pesquisa escolhido. conhecido também como intervalo de confiança). A precisão é uma medida da qualidade da estimativa. que não é uma tarefa simples. o nível de confiança estabelecido na prática nunca é inferior a 90%. Mesmo que a precisão seja alta. muito provavelmente o tamanho da amostra será reduzido. consiste em uma limitação devido à urgência de obtenção de resultados. Antes.

projeto do produto Outra preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião. análise de variância. Intervalar Os números também são utilizados para ordenar objetos como na escala ordinal. As principais escalas de medida utilizadas são: Nominal É uma escala de categorias (objetos: nomes dos clientes. Análise das Informações A análise das informações coletadas por meio do questionário dependerá da escala de medida que houver sido utilizada e dos objetivos da pesquisa. rótulo 2). gráfico de Pareto. além da validade. quanto maior o nível.: Como esta escala permite contagem (quantas categorias são iguais. e sim seus valores relativos. no caso de críticas e sugestões. Obs. Como a coleta dos dados seria realizada por correspondência. um questionário de 26 perguntas fechadas foi desenvolvido para entrevistar os pacientes mais recentes de qualquer tipo de tratamento dentário.). no entanto. foram enviados 176 questionários para assegurar o retorno de. O importante nesta escala não são os valores propriamente ditos. sem entrar no mérito de sua construção e cálculo. a distância entre um número e outro agora tem significado. por isso todas as operações aritméticas são lícitas (exemplo: comprimento. análise de cluster). histograma. A operação de subtração já passa a fazer sentido. será apresentado a seguir uma adaptação simplificada da análise dos dados de dois exemplos extraídos de Hayes (1998). cartas de controle. portanto. Ordinal Usa números para ordenar objetos de acordo com alguma característica (exemplo: nível de escolaridade. conforme a escala de medidas permitir.1. 44 deles (por dentista). ou seja. como será ilustrado do tópico 6. o consultório estava limpo. análise de correlação. é a confiabilidade. com o objetivo de determinar a percepção que eles possuíam da qualidade do serviço oferecido pela sua rede de clínicas conveniadas. etc. maior o número a ele atribuído). Com base em pesquisas semelhantes que ela própria já havia realizado e nas recomendações da literatura técnica mais atualizada. etc. testes de hipóteses. poderão ser várias: Intervalos de confiança. o dentista explicou satisfatoriamente o tratamento que eu precisaria receber. receberam o mesmo rótulo de classificação). além de = ou . média. pois as medidas passam a ser baseadas em uma escala de intervalos iguais. análise multivariada (análise fatorial.) onde os números são utilizados apenas para diferenciá-las. análise de componentes principais. é muito comum a sua representação em tabelas de freqüência (quantas vezes apareceu cada rótulo). quando comparados entre si. A confiabilidade diz respeito a possibilidade de obtenção dos mesmos resultados caso a pesquisa fosse igualmente repetida. os softwares de suporte a esta etapa devem ser cuidadosa-mente escolhidos visando o tipo de análise que será realizada. Os números representam grandezas e. além de uma última opção ‘não se aplica’. foi calculado o tamanho da amostra necessário por dentista: 44 pacientes. testes 2. pelo menos. valores monetários). permitem operações de comparação do tipo > ou <. 6. considerou-se uma taxa de retorno de 25% (mesmo com os incentivos oferecidos).1 Exemplo 1: Satisfação de Pacientes de Tratamento Odontológico Uma seguradora de tratamentos odontológicos desenvolveu uma pesquisa de satisfação junto aos seus clientes. como rótulos de identificação (exemplo: sexo masculino recebe rótulo 1 e sexo feminino. etc. Por exemplo. É possível avaliar a confiabilidade por meio de algumas reentrevistas. Os resultados de ambas é então comparado para uma avaliação da consistência das informações. 6. Razão Esta escala acrescenta o referencial zero. tipo/marca de produtos. medidas descritivas (porcentagem. mapa de percepção. regressão múltipla. A fim de garantir que todos os dentistas receberiam uma avaliação confiável (com base em um número representativo de pacientes) de seu próprio desempenho.). © 2006 eduardo romeiro filho 57 ufmg . empregando-se a fórmula apropriada de cálculo estatístico e considerando implicações de ordem prática. Vale mencionar que. A escala de medidas utilizada nas perguntas foi do tipo intervalar. Exemplo: nível de satisfação dos clientes. Com o objetivo de ilustrar o emprego de algumas destas técnicas. temperatura. A única operação permitida nesta categoria é a comparação = ou . pois ela não possui um referencial zero. gráfico de setores. a maior parte delas com 5 opções de resposta: ‘concordo fortemente’ até ‘descordo fortemente’ em relação a uma afirmativa proposta (ex. ou seja.depto engenharia de produção . etc. desvio padrão.: o atendimento da recepcionista da clínica foi cortês. As técnicas estatísticas geralmente empregadas.

assim por diante. 13. por exemplo. a média não ultrapassaria o valor 5. foi empregada. 16) 3. A intenção era saber quais os principais responsáveis pela satisfação global dos clientes. Com o objetivo de agrupar as primeiras 20 questões em alguns poucos fatores que refletissem igualmente a qualidade do serviço. a seguradora decidiu investir primeiramente neste aspecto para melhorar seus serviços. Para cada fator.: A técnica de análise de cluster também permite o agrupamento de variáveis em um número reduzido de estratos. 3. 8. No melhor das hipótese para este exemplo. e os dados foram ‘escaniados’ para uma planilha eletrônica. A partir de então. foi possível concluir que o fator ‘qualidade do seguro’ estava altamente relacionado à satisfação total com a seguradora e à disposição de indicá-la a amigos. Como o ‘atendimento’ destacou-se como o fator mais influente para a satisfação global do cliente.062) optassem por ‘concordo fortemente’. 20) Os nomes atribuídos aos fatores dizem respeito ao conteúdo das questões por eles representadas e são definidos de acordo com a criatividade dos pesquisadores. Em seguida. Competência técnica (2. ‘concordo’ nota 4. O ‘atendimento’ e a ‘competência técnica’ foram ambas significativamente importantes para predizer a satisfação com a clínica e sua indicação.62 Qualidade do seguro 3.94 0. Além disto. foram: 1. Atendimento (1. 5. Os 4 fatores resultantes. Da mesma forma. Obs. juntamente com o número das questões que representam. para cada questão. a opção ‘concordo fortemente’ recebeu nota 5. a técnica de análise de regressão. tanto a satisfação total com a seguradora quanto a satisfação total com a clínica estavam altamente relacionadas à disposição de indicá-las a amigos. 15) 2.34 0. muito utilizado para medidas numéricas de escala contínua. 4. Esta técnica permite formar subconjuntos de questões relativas aos mesmos aspectos da qualidade.50 0. 6. reduzindo assim.03 0. o agrupamento de atributos do produto em dimensões da qualidade. por exemplo. Com isso. conforme é apresentado a seguir: Fator Média Desvio Padrão Atendimento 4. a interpretação dos dados seria simplificada e mais objetiva. 10) 4. foi possível conhecer a contribuição de cada componente principal sobre as questões de satisfação global. inclusive quando esta contribuição era de fato relevante.Como uma série de outras correlações poderia ser importante. facilitando bastante a visualização das informações.78 Obs.depto engenharia de produção . entre parênteses. Higienização do ambiente (7. o fator ‘atendimento’ altamente relacionado à satisfação total com a clínica e à disposição de indicá-la a amigos (inclusive. O histograma é um gráfico de barras. 14. tanto a ‘qualidade do seguro’ quanto o ‘atendimento’ foram significativamente importantes para a satisfação com o plano.062 questionários preenchidos. mais “poderosa” e conclusiva para este tipo de análise. foram correlacionados com as últimas 4 questões de caráter global (grau de satisfação total dos pacientes com a seguradora e a clínica e disposição de indicar a seguradora e a clínica a amigos). © 2006 eduardo romeiro filho 58 ufmg . A análise de regressão fornece um modelo (equação) que represente o relacionamento entre as variáveis em estudo (no caso. o percentual de escolha de cada opção de resposta.: Neste exemplo histogramas do ‘período de espera pelo dia da consulta’ e do ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’ poderiam ter sido construídos para visualização do comportamento deste dados (que inclusive não foram incluídos na análise de regressão). ela é utilizada para o agrupamento de objetos.81 Higienização do ambiente 4. onde cada barra corresponde a uma opção de resposta (ou intervalo de valores) e possui área proporcional à frequência da opção (intervalo) que representa. foram calculados a média e o desvio padrão. estes 4 fatores juntamente com outras duas questões referentes ao ‘período de espera pelo dia da consulta’(em semanas) e ao ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’(em minutos). foram calculados. os componentes principais como variáveis explicativas e as questões de satisfação global como variáveis resposta). projeto do produto Durante o período de um trimestre foram recebidos 14. 19. O fator ‘higienização do ambiente’ apresentou-se como o menos importante sobre todas as questões de satisfação global. quando todos os pacientes (14. e combinadas para predizer as quantidades de interesse. Os cálculos da média e do desvio foram possíveis graças à atribuição de notas para as opções de resposta. até ‘descordo fortemente’ nota 1. foi aplicada a técnica de análise de componentes principais. de maneira que a maior nota fosse associada a um maior grau de satisfação. o número inicial de questões a poucos fatores (componentes principais).73 Competência técnica 3. a média e o desvio padrão. Por meio desta ferramenta. Por exemplo. 11. 9. porém de forma mais compacta e informativa. 18. o agrupamento de clientes em segmentos de mercado. Por meio do emprego da análise de correlação. como era de se esperar). para a questão: Os instrumentos utilizados no consultório eram esterilizados. 12. Qualidade do seguro (17.

Os resultados da análise de variância revelaram que leitores cujo cônjuge também lia o jornal manifestaram maior nível de satisfação que aqueles cujo cônjuge não lia. foram feitas uma série de comparações com as demais questões do questionário. mês sim/mês não. Este gráfico é muito semelhante a uma pizza. desvio padrão.: Os testes de hipóteses são muito parecidos em essência com os intervalos de confiança. Para isso um questionário de 14 perguntas foi confeccionado. na escala intervalar de 5 opções: ‘concordo fortemente’ nota 5 até ‘descordo fortemente’ nota 1. Já as cartas de controle são utilizadas para monitorar alguma variável (exemplo: nível de satisfação global) ou atributo (exemplo: percentual de respostas negativas dentre todas as respostas possíveis) de interesse ao longo do tempo. onde cada fatia é uma categoria com tamanho proporcional a sua freqüência. no intuito de determinar se existia ou não algum relacionamento entre elas. Os intervalos de confiança são um conjunto de valores. De posse destas estatísticas (média e desvio padrão da amostra para cada uma das 3 questões) foi possível calcular intervalos de confiança para a média de toda a população alvo da pesquisa.03 a 4. estou satisfeito (a) com a qualidade do jornal’.. para as primeiras 11 questões. Com o auxílio desta técnica a empresa não é confundida por variações aleatórias que atuam em qualquer indicador de desempenho. com base em pesquisas anteriores. Leitores mais satisfeitos com o jornal gastavam mais tempo lendo-o que os menos satisfeitos. foi possível concluir que o nível de satisfação dos clientes é alto. o gráfico de Pareto é muito utilizado para priorizar problemas. etc. menos que mês sim/mês não).74 a 0. no serviço de atendimento às reclamações. Por exemplo. O nível de satisfação global não alterava em função da freqüência com que o jornal era lido (mensalmente. por exemplo.21 a 4. levantada sobre alguma medida de interesse da população. o percentual de homens e mulheres entrevistados na amostra. cuja média. inclusive atrair anunciantes pela divulgação dos resultados da pesquisa. Apesar de não ter sido ilustrado nos exemplos apresentados. da mesma forma que não © 2006 eduardo romeiro filho 59 ufmg . Para isto foi utilizada a técnica de análise de variância. mínimo e máximo foram calculados (com base em todos os resultados apresentados pelas três questões 1) 2) e 3)). permitindo a percepção de oscilações significantes no desempenho do indicador acompanhado. Obs.41 A partir destes resultados. determinar se existe diferença entre as diversas categorias de idade ou escolaridade em relação à satisfação global com o jornal. e anexado a todos os exemplares de uma das edições do jornal.5% solteiros). hábitos.5% casados.2 Exemplo 2: Satisfação dos Leitores do Jornal “The Parent” O pequeno jornal “The Parent”.depto engenharia de produção . Com base nesta pesquisa os editores puderam direcionar melhor as reportagens publicadas e a estratégia de marketing empregada. que muito provavelmente (95% de chance) incluem a verdadeira média (ou outra medida de interesse) da população. Especificamente os problemas levantados pelos clientes. através dos correios. A análise de variância é utilizada para comparar vários grupos de interesse e verificar se existem diferenças significativas entre eles. 2) ‘As manchetes do jornal são interessantes’ e 3) ‘Eu gosto de ler o The Parent’. Com base no teste será possível identificar qual das duas hipóteses é verdadeira. que de fato é o que deseja-se conhecer.23 Questão 3) 4. Após o recebimento de 201 questionários preenchidos. É muito utilizado quando a única operação permitida é a contagem e o número de opções de resposta é menor ou igual a quatro. a hipótese 1 seria confirmada caso o teste fosse realizado. decidiu-se reuni-las em uma só medida nomeada ‘satisfação global dos leitores’. decidiu realizar uma pesquisa de satisfação dos clientes a fim de conhecer o perfil de seus leitores: estilo de vida. o gráfico de setores poderia ter sido construído para ilustrar. 9. publicado mensalmente. hipótese 1: a média da satisfação global de todos os leitores com o jornal é igual a 4 pontos e hipótese 2: a média é diferente de 4. e o seu nível de satisfação geral com o jornal. em relação ao estado civil: 85.0% divorciados/separados/viúvos e 5. projeto do produto 6. Questão 1) 4. A correlação entre as três questões de satisfação geral variou de 0. Estas questões eram: 1) ‘De maneira geral. As reclamações mais freqüentes ou mais graves (por motivo de segurança ou custo) serão facilmente evidenciadas por meio da análise deste gráfico. Obs. por incrível que pareça. o percentual de escolha de cada opção de resposta (exemplo. Eles examinam se existem evidências na amostra que corroborem para a comprovação de alguma hipótese. Como mostrou o intervalo de confiança para a questão 1). Utilizando esta nova medida. Foi calculado.: Neste exemplo. Por isso.78 (quanto mais próximo de -1 ou +1 mais correlacionadas) indicando uma sobreposição de informação (devido a alta correlação). Também foram calculados a média e o desvio padrão para as 3 últimas questões referentes à satisfação global dos clientes. por exemplo. já que todos intervalos (com alta precisão) sugerem uma pontuação média superior a quatro pontos.00 a 4. Por exemplo. procedeu-se a análise seguinte.20 Questão 2) 4.

a satisfação dos clientes também cresce. etc. emergente nos anos 40. E este relacionamento vai além de atitudes e percepções. Ele tem o objetivo de representar a percepção dos clientes em relação aos produtos. Por isto os especialistas aconselham: o sistema de avaliação da satisfação dos clientes deve ser tratado com a mesma seriedade e rigor que o sistema de controle financeiro da empresa. contrariados. 1995). a preocupação da empresa com a satisfação dos clientes tem que se estender às medidas administrativas de envolvimento dos seus trabalhadores. 7. Quando este sistema é programado para funcionar devida e continuamente a empresa terá maiores chances de ser competitiva. o fluxo da sobrevivência poderia ser complementado da seguinte forma: © 2006 eduardo romeiro filho 60 ufmg . ou seja. Quando a perda de empregados é grande. vantagens e limitações. A perfeita compreensão. “As atitudes dos empregados está diretamente relacionada às atitudes dos clientes. Além dos cuidados que exige para funcionar bem. Apresentação dos Resultados O relatório final de uma pesquisa é seu produto principal. chega ao nível do comporta. por meio da realização do teste. é o mapa de percepção. se não fizer parte integrante do gerenciamento da organização. demonstrado pela utilização das ferramentas apropriadas para coleta e análise de informações provenientes do mercado. afinal de contas ele é contínuo. os testes 2 são muito úteis para indicar relação de dependência entre categorias.depto engenharia de produção . a menos quando se trata de projetos confidenciais. principalmente durante o planejamento de novos produtos. localizar estrategicamente novos produtos em relação aos concorrentes. projeto do produto atribuirá a aleatoriedade flutuações que representem mudanças de comportamento do mercado. mas seus resultados têm de ser revertidos em ação.. Este conceito. Isto se deve à transferência do estado de satisfação dos empregados para a qualidade dos produtos que será percebida pelo cliente. aplicação e principalmente integração das ferramentas é que compõem um bom sistema de avaliação da satisfação dos clientes. suas atitudes e comportamento afetam os clientes causando neles as mesmos efeitos” (Naumann. em medidas de melhoria. a perda poderia ser menor se houvesse maior rigor no emprego das ferramentas. painéis. Outra técnica muito utilizada. Apesar de ser um grupo específico que vai trabalhar diretamente o conhecimento adquirido (times de melhoria). quando do cruzamento de tabelas de freqüência (conhecidas como tabelas 2x2). um cruzamento entre o perfil do cliente (residencial ou comercial) e a presença de alguma característica do produto (presente ou ausente) pode esclarecer dúvidas de preferência. promover novas críticas e sugestões e permitir um tratamento diferenciado para cada cliente. não redundam em ganhos. os clientes também percebem. podendo inclusive.mento. A divulgação dos resultados da análise dos dados gerados pela aplicação das ferramentas de coleta. a de clientes também é pequena. é um sintoma importante de percepção do conceito “foco no cliente”. quando a perda de empregados é pequena. muitas decisões tomadas com base no emprego destas ferramentas. por exemplo. podem levar a desperdícios de tempo e recursos (como é o caso de novos produtos que são rejeitados). Somente as pesquisas de satisfação são muito superficiais. A direção da relação causal é do empregado para o cliente. reuniões. Para finalizar. Com este recurso a empresa pode. Quando a satisfação dos clientes está baixa. V. Por exemplo. Considerações Finais O interesse de uma empresa em medir a satisfação dos clientes. Para finalizar. De nada vai valer o conhecimento adquirido se não for utilizado como base na tomada de decisões. começam onde o programa termina. Quando os empregados percebem a qualidade do produto/serviço. Apesar dos riscos que envolvem grandes investimentos para conquistar clientes. Porém. Quando a satisfação dos empregados cresce.). ou seja. A divulgação junto aos próprios clientes também será importante para estreitar o relacionamento com a empresa. os grupos foco vão mais a fundo nas questões fundamentais. com base em algumas de suas características mais importantes (geralmente fatores extraídos de prévia análise de componentes principais). Ele será o ponto de partida para a análise das medidas que poderão ser adotadas para melhorar o desempenho da empresa. congressos. a satisfação dos clientes não deve ser desassociada da satisfação dos empregados. este conhecimento deve permear toda a empresa. Quando os empregados estão insatisfeitos.(. bem como seus resultados. após prévia consulta ao mercado. se não direcionar metas e planos. tem feito toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa. a satisfação dos empregados também está baixa. devido a própria estrutura de questões fechadas em que se baseiam. aborrecidos e querem deixar a empresa. a perda de clientes também é grande. deve acontecer em todos os níveis da organização por meio de boletins. Os esforços em direção à satisfação das expectativas dos clientes e superação destes expectativas. porém pecam pela falta de representatividade da população de interesse. cada ferramenta oferece uma contribuição diferente. Não que o programa tenha fim.. Por este motivo. pelo contrário. a qualidade do produto é fatalmente comprometida em função do grau de insatisfação dos empregados. todos os esclarecimentos sobre o planejamento e a condução da pesquisa devem ser registrados com muita clareza.

E. R. Milwaukee: ASQC Quality Press. 1998. B. Measuring and Managing Customer Satisfaction.E. Trabalho destinado à avaliação final da disciplina “Gestão da Qualidade Industrial”. Going for de Gold. R. Cincinnati: Thomson Executive Press. Naumann. Government. Kessler. Hayes. The New Economics for Industry. B. Survey Design. 1993. Use. projeto do produto Satisfação dos Empregados Qualidade Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro VI. 2nd ed. T. S. Deming. Improving your Measurement of Customer Satisfaction. Milwaukee: ASQC Quality Press. G. Customer Satisfaction Measurement and Management. K. E. Belmont: Wadsworth. New Jersey: Prentice-Hall. A Estatística como Fator de Promoção da Competitividade das Empresas. 1996. 1990. J. Educantion. & Giel.depto engenharia de produção . 1997. Milwaukee: ASQC Quality Press. Bibliografia Babbie. Vagra. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology Center for Advanced Educational Service. & Hauser. 1995. E. 2nd ed. Measuring Customer Satisfaction. 1996. V. and Statistical Analysis Methods. 2nd ed. Desing and Marketing of New Produts. Urban. L. 1996. G. © 2006 eduardo romeiro filho 61 ufmg . Survey Research Methods. Oliveira. W. Inc. 2en ed.

Que não fumo. E nisto me comprazo. até hoje não fumei.com/md/olobo/antologia1. Estou. Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro. não de casa. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer.carlosdrummond. mas artigo industrial. Desde a cabeça ao bico dos sapatos.depto engenharia de produção . tão orgulhoso Por este provador de longa idade. a marca de cigarro Sou gravado de forma universal. Peço que meu nome retifiquem. cada olhar.. Ser pensante. ainda que a moda Seja negar minha identidade.angelfire. Um nome. Escravo da matéria anunciada. principalmente). Meu isso. minha xícara. Que nunca experimentei Objeto pulsante mas objeto Mas são comunicados a meus pés.palavra. Eu é que mimosamente pago Para anunciar. nesta vida. ndrade. independente. meu chaveiro. Minha gravata e cinto e escova e pente. ETI QUETA. São mensagens. http://demolay. recolocam. Que não é meu de batismo ou de cartório. meu relóglo. Minha toalha de banho e sabonete. sentinte e solidário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana. coisamente. Hoje sou costurado. Em minha calça está grudado um nome Tão minhas que no rosto se espelhavam. para vender Em bares festas praias pérgulas piscinas.br/html/carlos_drummond_de_a Costume. hábito.com. reincidências. E cada gesto. estranho. Minhas idiossincrasias tão pessoais. premência. Eu sou a Coisa. Meu lenço.com. estou na moda. © 2006 eduardo romeiro filho 62 ufmg . Sites sobre o poeta: Letras falantes. projeto do produto E fazem de mim homem-anúncio itinerante. Já nao me convém o título de homem Meu copo. Que se oferece como signo de outros Meu tênis é proclama colorido Objetos estáticos. É duro andar na moda. EU.html http://www. Cada vinco da roupa Meu blusão traz lembrete de bebida Resumia uma estética? Que jamais pus na boca. Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros. invencível condição. E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste Marketing . tarifados. tiro glória De minha anulação. De ser não eu. Carlos Drummond de Andrade Que moda ou suborno algum a compromete. Não sou—vê lá—anuncio contratado.Contraponto: De ser veste e sandália de uma essência Tão viva. Em minha camiseta. meu aquilo.net/ Ordens de uso.. açambarcando Todas as marcas registradas. tão mim-mesmo. http://www. Saio da estamparia.html Gritos visuais. abuso. Todos os logotipos do mercado.virtualave. Meu nome novo é Coisa.br/ Indispensabilidade. http://www. Minhas meias falam de produto Da vitrina me tiram. Trocá-la por mil. Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher. sou tecido. De alguma coisa não provada Por me ostentar assim.

projeto do produto Propriedade I ntelectual A Propriedade Intelectual abrange qualquer descaracterizar totalmente a novidade. resumo e desenhos. Termo de Participação -. solução para um problema técnico Inventor. Direitos Autorais É importante que o depositante verifique a Cultivares presença dos requisitos acima. o requerente terá 12 meses após a deve ser capaz de entender o objeto do pedido de primeira publicação para depositar o pedido de proteção. não será (invenção e modelo de utilidade). desenho industrial e concorrência é o potencial industrial. Período de Graça não será considerado estado da técnica a matéria divulgada pelo inventor Patente ou por terceiro que dele tenha obtido informações sobre a tecnologia que se deseja patentear até 12 A patente é proteção do conhecimento feita meses da data de divulgação. O direito de descritivo. uma melhor utilização para o fim a que se destina. na qual os inventores declaram ter ciência específico que pode ser fabricado ou utilizado de que a tecnologia é de propriedade da industrialmente. ela transforma conhecimento. Ainda assim. Caso a invenção tenha tempo de prática e aprimoramento do invento. composto por quatro modalidades. através de um título de propriedade 3.onde os inventores A patente de invenção é uma concepção definem o percentual de divisão de recursos resultante do exercício da capacidade de criação do provenientes da tecnologia -. Unionista: o titular do depósito de pedido temporária sobre uma invenção ou modelo de de patente tem garantida a prioridade para realizar a utilidade. Este conceito tecnologia ser fruto de atividade inventiva. patente. a sua leitura deve proporcionar ao Existem três requisitos básicos para depositar examinador especialista no assunto dados um pedido de patente. patentes de uma descoberta de algo já existente. Em exclusividade concedido pelo Estado tem a algumas Universidades Públicas. a fim de diminuir os A Propriedade Industrial tem importante riscos de indeferimento do pedido. Ela confere valor São princípios informadores do sistema de comercial a ativos intangíveis. o titular tem que detalhar com alta Quando do depósito. empresas e produtos. ser passível de industrialização e lançamento no Software mercado. reivindicações. Depreende-se daí que o objeto da com a mesma precisão pois ele não terá o mesmo proteção deve ser inédito. se a publicação © 2006 eduardo romeiro filho 63 ufmg . Já a patente de modelo de utilidade Universidade. não haverá produto do intelecto humano que. a pesquisa realizada. Caso é um gênero. Como 12 (doze) meses após proteção no país de origem. conferindo importante deste relatório é a suficiência descritiva. função no mercado atualmente. pesquisa e Estado tem validade somente dentro dos limites desenvolvimento em valor agregado para as territoriais do país que a concede. O conhecimento tem que desleal. como o patentes: conhecimento aplicado. 2. Talvez não novidade. contraprestação. deve a alguns requisitos. O título é conferido ao inventor ou a proteção da tecnologia em âmbito internacional até quem este ceder seus direitos.depto engenharia de produção . é necessário também o tecnológico e econômico do País. Ou seja. Tem relação com modificações e detalhada do que é a invenção. O primeiro deles é a suficientes para repetir o ato inventivo. O terceiro requisito geográficas. mas sido publicada. Dessa 1.e a Declaração de homem. Em seguida. O requisito mais introduzidas em objetos conhecidos. como a UFMG. possa ser protegido. um técnico no assunto consiga demonstrar que a São elas: dita tecnologia decorreu de uma conclusão óbvia ou Propriedade Industrial: Marcas. indicações possível proteger como patente. Territorialidade: a patente conferida pelo forma. atendendo a deferimento pelo INPI. finalidade de promover o desenvolvimento além destes documentos. é resultante da capacidade de observação do O relatório descritivo é uma expressão escrita homem. pelo Estado. a petição deve ser suficiência e precisão seu invento ou modelo de instruída com os seguintes documentos: relatório utilidade a ser protegido pela patente.

ou seja. Para tanto. Após depósito. duração do direito é de 10 anos renováveis A proteção dos programas é feita. o prazo será de 15 ou serviço prestado. do programa. haverá publicação do pedido e o identifica e distingue produtos e serviços de outros depositante terá vinte e quatro meses para requerer análogos. é um reflexo da reputação de alguns produtos. que realmente causa. o requerente deve mostrar em Industrial. relação bem estreita com o mundo empresarial. proporcionando resultado visual novo e a necessidade do produto. 6627 . mais importante será ele original na sua configuração externa e que possa e sua marca. Quanto maior produto. a proteção de deles. Atualmente. invenção. Nelas o requerente demonstra quais os Quando o software é protegido. capaz de executar todas as funções para as quais foi As reivindicações são a caracterização da criado. acesso em agosto de 2006. no Brasil. autoral. Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica .Reitoria . ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental 3. Os direitos do autor são válidos por 50 que consiste a invenção e quais são suas vantagens (cinqüenta anos contados a partir do dia 1 de em relação aos processos ou produtos existentes janeiro do ano subseqüente ao da "Data de (caso haja). Entretanto. de procedência diversa. devem ser mencionados o Criação". Já no caso de patente de modelo de deve ter distintividade. são chamados softwares passou a ser feita na forma de direito pelo nome da marca mais expressiva no meio.Sala 7005 | BH . estímulo e. Identidade da Marca: os sinais. 2. O resumo é uma prévia para que o examinador forme uma idéia do campo de assunto Marca do objeto do pedido. no Brasil. isso não exclui a proteção pela patente de aplicação pelo INPI. Importância da Marca: é o grau de de linhas e cores que possa ser aplicado a um necessidade do produto no mercado. normalmente.ufmg. invenção é de 20 (vinte) anos a partir da data do A marca é um sinal visualmente perceptível e depósito. A cultura do registro de marcas tem uma Para registrar um desenho industrial no INPI. e o prazo de do programa. sucessivamente. O registro de uma marca é feito. com imenso valor comercial e como a história que a marca traz. Para tanto.htm.br/prpq/ctit_arquivos/propriedade_intelectual. diferenciar produto utilidade ou desenho industrial. projeto do produto No relatório. bem existente. Antônio Carlos. A é aconselhável que o interessado realize uma busca marca gera concorrência. o pedido ficará em sigilo Nos termos da lei brasileira. em alguns prévia para saber se há algum registro anterior. símbolos e Desenho Industrial caracteres que a tornam reconhecível pelos consumidores. servir de tipo de fabricação industrial. pelo INPI . que é aquela na qual o programa torna-se estado da técnica e o estado da arte. casos. quais sejam: Os documentos de patentes são a maior 1. existem três (quinze) anos contados da data de depósito. Softwares A marca. O procedimento é simples. Tem relação com tecnológico. Essência da Marca: sãos atributos coleção de informação tecnológica classificada percebidos pelos usuários ou consumidores. são em torno de quarenta a impressão que a marca quer causar e com aquela milhões de pedidos. bem como o exame técnico.MG CEP: 31270-901 | Telefone: (31) 3499-4033 / 3499-4774 © 2006 eduardo romeiro filho 64 ufmg . com a proteção do código fonte.Instituto Nacional da Propriedade Texto extraído do site da CT&IT/UFMG: http://www. chega a valer mais do que os bens que a empresa possui. visualmente perceptível. que período. ainda que de concorrentes. grandes componentes para marca. Findo este sinal distintivo.depto engenharia de produção . este detalhes e características da invenção que se deseja procedimento já realiza também a proteção do título proteger. traduzindo um determinado produto O desenho industrial é a forma plástica ou serviço prestado. Tanto que alguns Nos termos da Lei 9609/98. marca é todo durante o prazo de dezoito meses.CT&IT | Av. certifica a conformidade dos mesmos com O prazo de vigência de uma patente de determinadas normas ou especificações técnicas.

Um homem que até os 25 anos apenas financeira o impede até mesmo de desenvolver jogava bola e acreditava que poderia ser um craque outras idéias. instalados. impostos para o Brasil. Nenhuma paga royalties ao brasileiro. ministros de Ciência e Tecnologia. Acho que o Brasil deveria contabilizar diretamente as chamadas sem a me tratar como herói. quem inventou a tecnologia que permite . que pode ser acabou por se transformar num dos maiores pendurada na parede da cozinha como um armário.Não consigo entender. Nicolai deveria ter ficado milionário com essa e faturaria US$ 65 milhões. Nélio José Nicolai. 191 etc). inventores brasileiros. Não só pela genialidade. uma de futebol tornou-se técnico de telecomunicações e geladeira transversal. Algo como 65 Número de A). Se ele instrumento da telefonia e se difundiu pelo mundo.Idéias precisam de dinheiro para serem rapidamente o guindaram à condição de gênio. 58 anos. Todas as internacional de propriedade intelectual. Um gênio brasileiro. projeto do produto Propriedade Industrial: Patentes. Se recebesse direitos autorais pelo uso criações. anônimo e sem fortuna Ascânio Seleme BRASÍLIA. Em transformadas em realidade . A idéia é tão simples quanto revolucionária. Nada disso resulta em renda para ele ou do Bina apenas nos telefones celulares brasileiros. Comércio e Justiça. ouvido durante a conversa telefônica e Intelectual Property Organization). Ele inventou. ou identidade do chamador. de várias portas. entidade que anuncia que alguém está ligando. Sua situação © 2006 eduardo romeiro filho 65 ufmg . Ele Gates nacional. deveriam ter transformado Nicolai num Bill revolucionar também a informática. Todas essas novidades. Nicolai é um homem invasões que vier a sofrer. mas pela desenvolveu um software que permite ao fortuna que poderiam ter lhe rendido. Cálculos de Nicolai indicam que o mundo nunca conseguiu receber dinheiro pelo uso da movimenta por mês US$ 1 bilhão com suas tecnologia. princípio que inventou produtos que poderiam render milhões de permitiu a difusão mundial dos números 0900. recebesse um dólar por mês por aparelho instalado.lamenta. que comprou suas invenções.diz Também é invenção de Nicolai a tecnologia do Nicolai. como um homem que interferência da prestadora do serviço. dólares de receitas e criar empregos . Salto (Sinal de Advertência para Linha Telefônica Em 96 ele ganhou o prêmio da Wipo (World Ocupada). 1982. por exemplo. Seria o fim dos hackers. Mas ele inventor.E o pior é que é no Brasil onde encontro as mensais.diz. Mas nada computador identificar a origem de cada uma das disso aconteceu. pode anos. Foi grandes telefônicas do planeta dispõem desse esnobado no Brasil e jamais foi recebido pelos serviço. desconhecido de classe média. maiores resistências às minhas invenções . criou uma série de tecnologias telefônicas que . Apenas recentemente aliou-se à divisores de linhas e sistemas de acionamento de uma indústria de equipamentos de telefonia de serviços de emergência (190. poderia embolsar algo em torno de R$ 5 milhões . Qual o valor de uma patente? Veja este texto do Jornal "O Globo" de 1º de agosto de 1999.depto engenharia de produção . que lá é chamado de Batizou-o de Bina (sigla para B Identifica o caller id. segundo Nicolai. lançadas ao longo de 15 O princípio do Bina. Parecia coisa de maluco. dos 135 milhões de terminais o número do telefone que estava chamando outro. 35% usam o Bina. Indústria e São criações dele também os Micro-PABX. Foi Nicolai Santa Catarina. Nicolai inventou um aparelho para identificar Nos Estados Unidos. As telefônicas cobram outras invenções que patenteou no Instituto pelo serviço prestado mas não pagam nada ao Nacional de Propriedade Industrial (INPI). mas com o milhões de terminais têm o identificador de tempo a invenção se tornou um revolucionário chamadas inventado pelo brasileiro.

696. é oferecido pelas informação de que várias engenhocas usadas nas companhias telefônicas aos usuários por.br/cartacapital/122/destaque. bruscamente.oglobo. por exemplo. Mas uma notificação dos grupo peculiar pelos baixíssimos índices de NIH afirmou que não seriam divulgados os natalidade. se surpreendeu com a vendido em todo o país. O U. A equipe foi acompanhada leucemias. O pesquisador teria levado pelo menos 54 males contraídos depois de ter passado a freqüentar menores da Micronésia e Papua para sua casa. Jenkins pediu financiamento à hagahai também solicitou a patente de células de National Geographic Society para estudar esse grupos das Ilhas Salomão. o IMR coletou propósitos da patente por se tratar de ''segredo amostras de sangue de 24 homens e mulheres do comercial''. dos hagahais se mantinham saudáveis. Devido a problemas de Nobel de Medicina de 1976. um homem de 20 anos. grupo não norte-americano . cientistas dos NIH http://www. talvez por ingenuidade dele". Em meados de 1989. nos as missões. os para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH).htm .com. Segundo a repartição. ligado ao Instituto de Pesquisas Médicas Gajdusek foi preso pelo FBI em 1996. entre elas o Bina e o US$ 4 mensais. disse a funcionária. sob o número US 5. liderados pelo Prêmio ''mundo exterior'' em 1983. grupo. States Patent and Trademark Office (PTO) em 14 Os hagahais. missionários batistas próximos à sua aldeia. além de ser marcas e patentes. empresas estrangeiras que absorveram seu invento . o governo papua resolveu fazer um censo desenvolvimento de testes de diagnóstico de da população hagahai. Jenkins. em média. tiveram seu primeiro contato com o Segundo os pesquisadores. e inventor. Um Caso Exemplar I ndígena da Guiné Teve Célula "Patenteada" Em março de 1995. Eles descobriram que os hagahais acusado de abuso sexual contra crianças das Ilhas sofriam de doenças endêmicas.S.397. ele seria Office. hoje reduzidos a cerca de 260 de março de 1995. um indígena do grupo também começaram a estudar as células sanguíneas hagahai. O mesmo grupo que patenteou a célula do Em 1985.terra. de Papua (IMR). o órgão fez um pedido de explorá-lo. O sangue foi estudado e descobriu-se que estava infectado com um vírus parente do HIV. brasileiro poderia ser um veículo das queixas do depois de dizer que "para azar do senhor Nicolai.br/ © Todos os direitos reservados a O Globo e Agência O Globo.com. associado a algumas formas de Acessado em 29/06/2002: leucemia. bem como de outros Salomão. depois que o órgão obteve o direito de Em 1990. perdeu dos hagahais e o vírus que as infectava. Quatro anos depois. apesar da contaminação. começaram a visitar acampamentos de células T do sistema de defesa desse homem. Fonte: Folha de São Paulo.Alguém deve estar ganhando muito dinheiro nas sem pagar-lhe um tostão. membros. EUA. foram inventadas pelo brasileiro Nélio José Nicolai seria mover um processo contra as Nicolai. No ano infectadas com HTLV-1. a saída de Salto. Carleton Gajdusek. telecomunicações no país.a proposta de patente sobre uma linhagem celular de primeira concedida para material humano de um um dos doadores hagahais. A história da patente dessas células .começou há cerca de O pedido só foi publicado oficialmente pelo United 14 anos. escritório federal americano que registra bilionário.I nventor pode mover ação nos EUA José Meirelles Passos Correspondente WASHINGTON. poderiam ser úteis no seguinte. Afinal. tentando os direitos sobre o seu próprio material genético descobrir por que. Patent and Trademark Se estivessem. 15/6/1997 chamado HTLV-1. o Bina.comentou uma porta-voz da agência. que fizeram sua população se reduzir EUA. as saúde. suas invenções não estão registradas ali. de Papua-Nova Guiné (Oceania). O próprio Governo costas dele . mas também a fonte de uma cura para pelo antropólogo e médico norte-americano Carol essa doença. http://www.

manusear um número mínimo de pastas.melhoria uma busca de anterioridades.br O presente trabalho constitui-se numa síntese da E-mail: cedin@inpi. Estes 1. sejam produtos ou processos. podendo ser: Busca Prévia Privilégio de Invenção (PI) . é desta busca é pequeno.2. as cópias são pagas a parte. entretanto. que resulte o resultado para você. ou seja. uma reserva de Diretoria de Patentes: (021) 271-5592/5806 / FAX: mercado. para proteger um Patentes. E-mail: patente@inpi. 5º andar do Edifício Sede do INPI (Praça Mauá. é altamente recomendável que você faça primeiro Modelo de Utilidade (MU) .2. seja algo Caso haja necessidade de maiores esclarecimentos inédito ou aperfeiçoado. 7 . de forma a permitir que um técnico no patentes (tanto brasileiros quanto de outros países).gov.br A Natureza da Patente vai ser determinada em função das diferenças existentes.É patenteável a invenção existe ("o estado de técnica") e o quanto você que atenda aos requisitos de novidade.gov. que pode ser transferido a (021) 253-4091 terceiros. a propriedade de sua invenção. Um examinador especialmente treinado aperfeiçoamento introduzido na matéria irá selecionar os campos correspondentes ao seu requerida por você em um pedido ou invento. Para tanto dirija-se ao funcional no objeto. de modo que você somente tenha que mesmo na patente já concedida.inpi. PATENTE trabalho não esgota todas as possibilidades de É um documento através do qual o Governo garante entendimento e interpretação da Legislação. suscetível de Caso você não possa fazer esta busca pessoalmente. ele NOVIDADE e APLICAÇÃO INDUSTRIAL. Qualquer informações deverão constar do Relatório concepção nova.atividade inventiva Antes de depositar o seu pedido de patente. PATENTE".depto engenharia de produção . necessário que o objeto da mesma seja descrito Você receberá as pastas contendo os documentos de claramente. ao titular. é um monopólio. que Descritivo do seu pedido de patente! representem um avanço em relação ao estado da técnica. com relação à redação de seu pedido. Definições dispositivos legais. fabricação. assunto possa reproduzi-lo. atividade inventou ("o escopo da invenção"). Estas inventiva e aplicação industrial. Recomenda-se. para o titular. uma atenta leitura dos 1.br Legislação em vigor. ou parte deste.2. em especial a Lei Nº 9. aplicação industrial. NATUREZA DAS PATENTES documentos vão ser úteis para determinar o que já 1. Caso existam documentos Em todos os casos são necessários os requisitos de mostrando objetos iguais ao que você inventou.279 e Ato Normativo 127. que tratam de assunto semelhante ao seu.1. uma vez que o presente 1. da sua duração. denominado "CARTA contato com um dos técnicos do INPI (sede). entre em Esse documento oficial. INVENÇÃO (PI) .Objeto Busca Isolada de uso prático.2. onde se localiza o nosso Banco de Invenção.gov. não pode ser considerado novo e a patente não será sendo os direitos e as obrigações do inventor concedida. projeto do produto I nformações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente Fonte: INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial: www. © 2006 eduardo romeiro filho 67 ufmg . 1. a qual será cobrada em em melhoria funcional no seu uso ou em sua função da quantidade de documentos pesquisados. destinando-se ao auxílio dos usuários no preparo de um pedido de patente.1. MODELO DE UTILIDADE (MU) . envolvendo ato inventivo. Existe também o Certificado de Adição de Rio de Janeiro). que apresente nova forma ou poderá solicitar ao próprio INPI que a faça e remeta disposição. definitiva ou temporariamente. O custo Para que a "CARTA PATENTE" seja concedida.

em tinta indelével e. contendo Descrever pormenorizadamente o objeto entre 50 e duzentas palavras.Relatório Descritivo. que precisam ser estabelecidas entre o Ao iniciar a descrição de um pedido de patente. as quais deverão ser numerando-os consecutivamente e descritas no relatório descritivo. a solução para o problema desenhos apresentados.. no caso de circuitos importante..279 de 14/05/96. O Quadro Reivindicatório precisa descrever Lei 9.. deve conter todos os detalhes que sejam necessários No caso de Modelo de Utilidade. uniformes. sendo numerados consecutivamente. Desenhos e Cada reivindicação deverá ser em texto Resumo.. deverá Relacionar os desenhos apresentados. bem como nas descrevendo o seu significado. FÓRMULAS QUÍMICAS Por outro lado. CONTÍNUO.. o problema que vem solucionar. corte "AA".. Deve ser sempre iniciado pelo título escolhido para descrever sua invenção. exceto "Fig. E tem mais: a reivindicação deve ser escrita de CONTEÚDO DAS PATENTES modo afirmativo..3. de acordo com os características técnicas. DIAGRAMAS OU pode ser usado para designar outra parte do objeto. SEM PONTO PARÁGRAFO. Resumo e..2. se for o caso. RESUMO Fig. "aberto". deverá ser para permitir a um técnico da área reproduzir o apresentada preferentemente uma única objeto.. caracterizado por não possuir . INVENÇÃO ..depto engenharia de produção . fluxogramas e Como sugestão as seguintes etapas devem ser gráficos. Fig.. terminando-se O relatório deve ser suficiente. REIVINDICAÇÕES © 2006 eduardo romeiro filho 68 ufmg . Variações podem ser apresentadas em MODELO DE UTILIDADE .1 RELATÓRIO DESCRITIVO Utilizar somente (. construtivas.". que não 2... título e a expressão "caracterizado por". reportando-se às descrito e seus principais usos. Preparo de um Pedido de características técnicas genuínas da invenção ou do modelo. sem expressões do tipo ". a peça (3). Não vale deve-se ter o cuidado de apresentar os detalhes simplesmente catalogar todas as partes: é preciso técnicos da invenção. do pedido.. diagramas em bloco. podendo também podem ser apresentadas variantes conter apenas termos indicativos (tais como "água". no Banco de Patentes. alternativas. vantagens ou formas de utilizar. conforme mostrado na Para que a invenção tenha uma proteção fig. Expressões do tipo ". A linguagem usada deve ser consistente: um reivindicação que descreva o objeto integralmente. rubricas ou timbres... de forma a permitir o exame estabelecer o inter-relacionamento entre elas. seguidas: Não podem conter texto descritivo.. 2. o que quer dizer que então com o ponto final. ressaltando suas vantagens e MOLDURA nos desenhos.. Reivindicação. ser invento ou modelo deve sempre ser descrita. em traços firmes. 2. devendo englobar as do pedido de patente. são consideradas inconsistentes possíveis alternativas no pedido.) ou (. mas isentos de textos. elementos Comparar o objeto a ser patenteado com o Não colocar cotas. ex: reivindicações. Descritivo.) no texto. etc. além dos Descrever a finalidade. tendo como referências numéricas de cada parte do finalidade principal facilitar a busca do pesquisador desenho. projeto do produto definidos pela Lei da Propriedade Industrial (LPI) . sem rubricas ou Todo Relatório Descritivo tem que começar com o timbres. e palavras-chave. aplicação e campo números indicativos de todos os seus de utilização. Descrição sumária do objeto da patente. Desenhos. ou ". "vapor d’água". o que irá evitar e indefinidas e não são aceitas como definição de que algum concorrente venha a reivindicar essas um objeto. Informe os materiais envolvidos.4. serão tantos quantos Título do pedido (que não pode ser uma marca ou forem necessários à perfeita compreensão do objeto nome de fantasia). conter referências numéricas. que se liga à peça (4). mesmo elemento só pode ter um nome. corretamente o objeto. 2 .". medidas etc. DESENHOS. Iniciar com a expressão "Patente de . cada elemento deve ter o seu Os desenhos deverão ser apresentados com clareza. peça ou elemento do desenho. próprio nome (e número indicativo). conter a expressão "caracterizado por" seguida das 2. por abrangente. p. 2".". nem descrição de Reivindicações. 2.representa uma vista frontal do objeto.Relatório reivindicações dependentes. ou que já existe. 1 . "fechado". "Fig. Deve-se ainda destacar as partes já conhecidas. elétricos.. Uma forma de realização do da patente..". Cada parte. forma de utilização e tudo o mais que for etc). é necessário que se incluam as meio da peça (5).representa uma perspectiva do objeto. 1". aquelas que não existem nas Patente anterioridades. ou seja.

no tamanho 210 X 297 mm. para efeitos legais. quando necessário. ou seja. A CONTAR DA DATA DE DEPÓSITO.31/31) . iniciará o período destinado ao Nota (3) . com devem ser datilografados ou as assinaturas qualificadas.12. 7 – centro . conforme tabela em vigor.10B. tornou- processo. projeto do produto Nota (1) .3. excetuando-se os se possível o envio do pedido de patente por desenhos.Rio a cada folha (ver exemplo anexo). entre 1 e responsabilidade do depositante.3. remetida ao endereço do partes) separados por uma barra interessado. as folhas 2.AN 127 O pedido de patente. 33 da LPI). sem Não sendo o pedido depositado pelo próprio entrelinhas. no prazo de 03 (três) meses. de oblíqua (por exemplo: caso o Qualquer petição deverá ter a taxa paga e relatório descritivo tivesse 31 comprovada em tempo hábil junto ao INPI páginas. é O exame do pedido de patente deverá ser necessário que seja apresentado um requerimento requerido pelo depositante ou por qualquer em formulário padronizado. TODOS em papel tamanho A4. é ANUIDADE devida.Os números e letras pagamento da ANUIDADE correspondente (3ª nos desenhos devem ter altura anuidade). ou através de páginas (de cada uma destas assinatura periódica. Para se depositar um pedido de patente. deverão ser apresentados PARA MAIORES DETALHES.1 mm de altura e.2 mm. para se evitar um possível com algarismos arábicos no arquivamento irrecorrível e é de inteira centro da parte superior. as linhas são via postal. deverá ser as reivindicações e o resumo apresentado documento hábil para o depósito. Mauá. 2/31 . Publicado o arquivamento. juntamente com a data do depósito. REQUERIMENTO formulário modelo 1. 2 cm do limite da folha. INPI Toda a matéria descrita no pedido de patente.12/31 . em tinta preta. sob pena do arquivamento do GUIA DE RECOLHIMENTO devidamente pedido (art. AUTORIZAÇÃO DO INVENTOR © 2006 eduardo romeiro filho 69 ufmg . PROCURAÇÃO mínimo. à da página e o número total de disposição do público no INPI. instituído pelo Ato interessado. ainda. para o recolhimento da Para a apresentação do material acima descrito. MESES. recente.RPI -. com indicação do código DPV (Depósito Via Postal). ser feito necessário que o mesmo seja datilografado ou independentemente de notificação. que as fórmulas químicas e/ou equações matemáticas sejam manuscritas Importante ou desenhadas. nos termos do art.3. no reconhecidas. Nota (2) . deverá ser apresentada procuração indelével. mediante "A4".O relatório descritivo. Depósito do Pedido de pedido. 3. o depositante ou titular poderá requerer a Patente restauração. deve obedecer as margens definidas na Nota (4). O prazo é de 03 meses.depto engenharia de produção . iniciando-se a contagem DIRPA/SAAPAT (Pça. a partir da mínima de 3. liso. NO PADRÃO 06 (seis) meses subseqüentes.02.279. utilizando-se do 3. data de aniversário.2.31 seriam: através de protocolo. poderá acarretar o arquivamento do 3. espaço 1 ½. SOLICITE AS 01(UM) ORIGINAL + 03 (TRÊS) cópias do INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS JUNTO AO pedido. no 3. com aviso de recebimento numeradas de 05 em 05. se solicitado. podendo. 2. quitada. Caso o depositante não seja o inventor. Junto ao requerimento. preferencialmente indicando o nº Esse acompanhamento deverá ser feito nas RPI. requerente. a partir endereçado à Diretoria de Patentes - do titulo. dentro dos impresso em papel branco. Em todo o Com a entrada em vigor da Lei 9. de patente junto às Revistas da Propriedade reivindicações e resumo deverão Industrial . sendo permitido. devidamente impressos com caracteres de. no prazo de 36 meses contados da Normativo AN l27 de 05/03/97.1. 87 da LPI. ao COMPLETAR 24 item 15. é de FUNDAMENTAL ser numeradas consecutivamente importância. mínimo. de Janeiro – CEP:20081-240).As folhas relativas ao O acompanhamento da tramitação do pedido relatório descritivo. pagamento de retribuição adicional e a não comprovação do respectivo pagamento junto ao INPI.

CRUZ Fº. (mai-jun) 1997. sempre vale lembrar. 1993.br/ O básico..Bibliografia BRASIL. Site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. GENEBRA. Links para busca de patentes no Brasil e para grande número de escritórios de patentes em todo o mundo. Organização Mundial da Propiedade Industrial. Situgrafia O tema patentes e propriedade industrial sempre volta à tona e tem sua relevância sempre demonstrada.gov. 10-17. 1996. OMPI. marcas e patentes. http://normas. A Nova Lei de Patentes e o Futuro do Brasil na Área Tecnológica. Instituto Nacional de Propiedade Industrial.net/ Site da UFPB com direitos e deveres do Designer. Rio de Janeiro. In: Revista CREA RJ. p. . M. Inclui informações básicas sobre direito autoral. Sendo assim. Ministério da Indústria. informamos alguns endereços que. http://www. nº 10. do Comércio e do Turismo. Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). mesmo sendo do conhecimento da maioria.inpi.cjb. Lei da Propiedade Industrial.

© 2006 eduardo romeiro filho 71 ufmg . Acomodados a uma economia fechada. fica confinada contentava com tecnologias ultrapassadas. No mundo globalizado. que durante Todos os anos. "Quem só compra tecnologia está condenado ao atraso. não havia concorrência que justificasse o esforço mesmo número de doutores que o Brasil. além de ter recebido formação Japão gastavam fortunas em pesquisa. a da escala acadêmica. anualmente. forma. onde tecnologia produtos fabricados aqui com os lá de fora. que é viver das migalhas dos países desenvolvidos. da Europa e do contingente de doutores. o competitividade. empresariado brasileiro começou a se dar conta do risco entra na corrida científica em franca desvantagem.Coréia dá de dez O Tigre Asiático surra o Brasil na feroz corrida pelas patentes industriais por Consuelo Dieguez . Contudo. já desprezadas às universidades e aos institutos de pesquisa por seus produtores.000 brasileiros vão às décadas os protegeu da concorrência. A universidade brasileira. problema nessa história. É um resultado muito bom. a Inglaterra. Quem vende só repassa o que não é mais estratégico". chegando ao topo nacionais se acostumaram a aguardar. o barato. Para se ter uma idéia. a quase totalidade desse Enquanto empresas dos Estados Unidos. por seu governamentais. 17/ junho/ 2001 Avião da Embraer: a tecnologia nacional pode ser bem-sucedida O Brasil tem inegável capacidade de formar doutores. uma média de 5.depto engenharia de produção . por muito tempo não deu a devida importância à interação com a iniciativa privada. Só há um de melhorar a competitividade de seus produtos. o Brasil se inferior à oferecida nos países avançados. em hora em que poderiam comprar a tecnologia produzida vários aspectos. pacientemente. que em outros países. com raras e honrosas exceções. Aqui. projeto do produto Patentes .Veja. lado. significa ganho de produtividade e maior quando se viu frente a frente com a abertura comercial. distorção provocada pelo hábito secular das empresas brasileiras de virar as costas para a pesquisa e a produção Funcionou tudo muito bem enquanto o consumidor tecnológica. O preço que o país está pagando por essa brasileiro não tinha parâmetros para comparar os opção é alto. É uma grave para melhorar a formação dos estudantes. um fator essencial Apenas a minoria está na iniciativa privada. Além de esse procedimento ser mais tem sólida tradição científica. os empresários bancas apresentar a tese de doutorado. o Brasil.

"Reconhecimento de patente significa divisas para o país. universidades e institutos. todo o processo de cultivo foi desenvolvido com tecnologia nacional. que maiores companhias de aviação do mundo. presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). explica José Graça Aranha. Pode-se imaginar o salto Tigre Asiático tinha uma situação semelhante à do Brasil. Companhias como a Vale do Rio Doce e a Petrobras também obtêm êxito graças aos enormes investimentos em pesquisa. "O Estado faz um não há nenhuma pretensão de confrontar o Brasil com a esforço enorme para qualificar profissionais em suas gigantesca potência científica que são os Estados Unidos. Um caso emblemático da importância do desenvolvimento de pesquisa no Brasil é a Embraer. que desbancou até a poderosa Associação Nacional de Pesquisa. também um dos principais produtos de exportação brasileiros. O batalhão de 962. quer chamar a atenção das empresas nacionais. o Brasil possuía 96. Na Coréia. diz Carlos Henrique de Brito Cruz. A Petrobras é líder mundial em prospecção de petróleo em águas profundas. 80% dos recursos em pesquisa são processo tecnológico. Desenvolvimento e canadense Bombardier. Atualmente. e não universidade. Embora conte com muitos doutores. No ano passado. o montante é em torno de 3%. Na cultura de soja. a de 1. aumentou a produtividade em 55% nos últimos vinte anos. cientistas. diretor executivo da empresa brasileira. É uma equação perversa. necessidades. está atualmente entre as quatro Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). lamenta descobrir como não é tão difícil assim tomar as rédeas do Brito. desponta como uma das grandes estrelas do mundo científico. por exemplo. presidente da Fapesp e diretor do Instituto de Física da Unicamp. 70% são envolvidos com algum tipo de pesquisa. "Todas as companhias que estão investindo em pesquisa vêm alcançando enormes ganhos de produtividade". Brasil e Coréia tinham quase exatamente o mesmo número de propriedades industriais registradas nos Estados Unidos: em torno de trinta. E há farta mão. Hoje. projeto do produto afirma José Miguel Chaddad. Há duas décadas. Nos Estados situação é exatamente inversa.000 cientistas. pois quem produz patente é empresa. trabalhando como professores em desenvolvimento científico. esse aguerrido desembolsados pelas empresas. Brito reconhece que as empresas estão acordando para a necessidade da pesquisa e têm procurado o órgão e as universidades públicas em busca de parcerias. e as companhias brasileiras Mas basta uma comparação com a Coréia do Sul para simplesmente desperdiçam esse potencial". enquanto seu mais próximo competidor já havia ultrapassado a marca das 3. A © 2006 eduardo romeiro filho 72 ufmg .4% do PIB em pesquisa científica.000. em São José dos Campos. Os outros 89% estão em instituições públicas parte do Estado brasileiro em estimular o de ensino superior. a maioria saída do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. de-obra nas universidades. Vinte anos atrás. o mais respeitado órgão de financiamento à pesquisa no país. após pesados investimentos públicos e privados em investir um pouco mais em cérebros.depto engenharia de produção . Nos Estados Unidos. o Brasil tem patente de menos. É evidente que desembolsados pelos cofres públicos. O resultado do esforço pode ser medido na produção de patentes. A cultura de soja. É para essas experiências bem-sucedidas que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). tecnologia. Os projetos trabalha para sensibilizar as empresas para a importância de seus aviões são resultado de anos de pesquisa de seus do investimento em tecnologia própria. No entanto. O Brasil tem investido cerca regime de dedicação exclusiva. já que todos que de alguma forma se aproveitam da invenção são obrigados a pagar pelo uso da idéia". 87% estão nas empresas problema é que. aqui. do total investido.000 cientistas brasileiros são absorvidos pelas Não se pode dizer que não haja empenho por empresas. que o Brasil daria se a iniciativa privada decidisse Hoje. só 11% dos mais de 77. Do impressionante Unidos e no Japão. a grande virada se dará quando elas perceberem Um dos pontos de partida nessa tarefa árdua é fazer o que é fundamental contratar profissionais para empresariado compreender a importância de contratar desenvolver pesquisa especificamente para suas cientistas para desenvolver esse trabalho. a venda de aviões é o primeiro item da pauta das exportações brasileiras.

todo o conceito do produto esteja bem fundamentado e a análise do mercado seja consistente. Ao final desta etapa. Na verdade. um ato de destruição. é essencial para que sejam atingidos bons resultados que. Itens como embalagens e rótulos devem também ser considerados. de natureza gráfica e criativa. . Afinal. antes do início da geração de alternativas de solução por meio de desenhos. “a criatividade é 99% transpiração e 1% inspiração”. construção de modelos. como diria Thomas Edson. Pablo Picasso Nesta etapa concentram-se as atividades ligadas ao Desenvolvimento do Produto: Especificações do conceito de solução. Tal como acontece com a publicidade em relação ao marketing. sejam soluções formais. Segunda Parte: o objeto Todo ato de criação é. projeto em escala. antes de tudo. com a atividade de projeto como um todo. avaliação de soluções. todas as características do objeto projetado devem estar definidas. materiais utilizados ou processos de fabricação. muitos confundem esta fase.

A figura 1-1 destaca tais estimativas indicando que as decisões tomadas nas etapas iniciais do desenvolvimento de produtos (e. o tipo de material a ser empregado e os processos de fabricação e montagem a serem utilizados. quando uma empresa decide reduzir o custo final de seus produtos concentrando-se somente em aspectos de melhoria da produção.Introdução O cenário competitivo mundial vem se modificando rapidamente nas últimas décadas. aspectos como a redução de custos e melhoria da qualidade continuaram a ser considerados como fatores importantes na busca da competitividade. planejamento e concepção). a eficiência da produção se tornou um aspecto primordial e a vantagem competitiva era alcançada com a redução dos custos de produção através da utilização de novas tecnologias. novas técnicas de gerenciamento da produção tais como just-in- time (JIT). ao invés de melhor analisar o desenvolvimento de seu Design. Enquanto isso. O que se observa neste contexto é que. por exemplo.g. optimised production tecnology (OPT) e materials requirements planning (MRP) surgiram como formas de ganho de competitividade. outros fatores além do custo. Logo após a crise do petróleo.depto engenharia de produção . apesar de muitas empresas terem alcançado resultados bastante positivos na melhoria do seu processo produtivo. Porém. © 2006 eduardo romeiro filho 74 ufmg . outros fatores tais como a capacidade de se responder mais rapidamente as novas exigências do mercado consumidor. tem muita influência no seu custo final (i. a partir do final dos anos 80. algumas estimativas indicam que 70 a 90% do custo final de um produto são considerados na etapa do Design. aliado a uma contínua agregação de valores a produtos e serviços. custo orçado) tais como. Reidson Pereira Gouvinhas 1-1 . onde as possibilidades de ganho de competitividade são ainda bem maiores. Entretanto. custo de desenvolvimento) ainda é muito baixo.e. Com a evolução do processo de globalização. Por exemplo. Já nos anos 80. pouca atenção tem sido dada à etapa do Design do produto. ela tem sob seu controle somente cerca de 10 a 30% deste custo. Desta forma. foram se tornando parâmetros importantes para se avaliar a competitividade industrial. também vem se tornando fundamentais neste novo ambiente competitivo. Isto significa que poucas são as empresas que reconhecem a importância da atividade de Design como um fator primordial para o seu sucesso comercial. nos anos 70. o custo de desenvolvimento do produto (i.e. Competitividade & I novação Prof. tais como a qualidade e a durabilidade dos produtos. projeto do produto Design.

as empresas estão sendo pressionadas a atender clientes mais exigentes e que estão a procura de produtos diferenciados aos já existentes no mercado. Isso tudo contribui para a criação de © 2006 eduardo romeiro filho 75 ufmg . desenvolver um produto durável e fácil de ser usado.g. Um outro benefício do Design é seu impacto positivo no que se refere ao atendimento mais rápido às diversas demandas do mercado consumidor. Esse ambiente criativo deve ser estimulado por uma gerência participativa envolvendo os diversos funcionários da empresa. Em síntese. projeto do produto Custo Orçado Custo (%) Custo de Desenvolvimento uração o o ament s e ament jeto gem ação Venda jeto ptual ção ojeto d o Pré- Projet d e P ro Produ Monta do Pro Fabric Config Conce Detalh Planej Pr Baixo Custo Alto Beneficio Alto Custo Baixo Beneficio Figura 1-1 – Relação de Custos nas diversas etapas do Desenvolvimento de Produtos O Design de um produto apresenta também uma grande influência no aspecto de melhoria da qualidade. Portanto. ou seja. no sentido de se manterem competitivos. uma nova imagem pode ser criada com o objetivo de manter o interesse do mercado consumidor ao novo produto ou ainda conseguir-se alcançar novos mercados.).depto engenharia de produção . Cada vez mais. ao modificar-se o Design de um produto. Desta forma. Em outras palavras. a atividade de Design deve ser vista não só como uma ferramenta importante para se reduzir os custos e melhorar a qualidade dos produtos. favorável à criatividade. utilizando-se de novos materiais e introduzindo inovações tecnológicas. a melhoria da qualidade tem muito mais possibilidade de ser realmente alcançada através de mudanças no Design do produto. Esta melhoria é observada ao se projetar um produto que atenda às exigências do mercado consumidor (e. garantir que sua manutenção seja simples e barata etc. 1-2 – Empresa Inovadora Para que uma empresa seja inovadora é importante que haja um ambiente favorável à inovação. mas também no sentido de se contribuir de forma significativa no estabelecimento de novas estratégias de mercado que são fundamentais para que as empresas se tornem cada vez mais competitivas. é de fundamental importância que as empresas continuem aprimorando seus produtos de acordo com essas novas exigências através de ações inovadoras tais como mudanças na cor. forma e embalagem do produto.

projeto do produto uma “cultura inovadora” dentro da empresa. recursos humanos e financeiros podem ser desperdiçados ao serem remanejados com esse objetivo. marketing. as empresas procuram aproveitar essa oportunidade de forma um tanto quanto ao acaso. O Gerenciamento da Inovação na Empresa Nível Atividades de Inovação Gerencial Entradas Transformação Resultados Prioridade e Uso dos procedimentos Plano estratégico Administração critérios para formais de indicando os produtos Superior aceitação de novas desenvolvimento de desejados idéias produto Elaboração das Responsabilidades pelas Envolvimento continuo Equipe Inter. Geralmente. algumas entradas são transformadas dentro da empresa para produzir resultados. A utilização desse tipo de estratégia vai depender da habilidade e rapidez com que a empresa consegue absorver as inovações lançadas pelas outras empresas e introduzir melhorias nesses produtos pioneiros. Isto porque não existe uma atividade de planejamento estratégico na empresa que organize a utilização desses recursos da melhor forma possível. designers. produção. facilitando assim todo o processo de criatividade. normalmente. Além disso. que geralmente aparecem em forma de novos produtos. deliberadamente. deixam que as outras empresas arquem com os custos maiores de desenvolvimento. inspeção etc. além de correr o risco de abrir novos mercados. © 2006 eduardo romeiro filho 76 ufmg . Tais estratégias podem ser classificadas. Tabela 1-1 . essas entradas são idéias criativas apresentadas pelos membros da empresa. Assim. 1-2-1 – Estratégia Corporativa Muitas vezes. uma apresentação clara a todos os envolvidos no processo sobre quais os produtos se deseja desenvolver. Tais empresas realizam pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento no sentido de introduzir ações completamente inovadoras em seus produtos. que lhe garante o monopólio do mercado durante um certo período de tempo. O planejamento estratégico deve estabelecer as metas ou missões que uma empresa deve alcançar e definir as estratégias ou ações que devam ser realizadas. Empresas desse tipo costumam dar grande importância às patentes. Estratégia defensiva – Estratégia geralmente utilizada por empresas que desejam seguir as líderes do mercado.). é necessário que as pessoas envolvidas no processo criativo estejam trabalhando em equipes interdisciplinares com representantes dos diversos setores da empresa (i. uma gerência conscientizada com este aspecto procura encorajar novas idéias dando liberdade para se criar. ao vislumbrar uma oportunidade de inovação.e.depto engenharia de produção . Ou seja. Para que se obtenha ideais viáveis. para que essas metas ou missões sejam alcançadas. Essas empresas. A interação entre a gerência e o processo de inovação é mostrada na Tabela 1-1. Desta forma. especificações e decisões sobre novas durante todo o ciclo de Disciplinar busca de novas idéias vida do produto idéias Liberdade de criar Envolvimento e Reconhecimento e Indivíduo e apresentar suas compromisso para a recompensas pelo idéias apresentação de novas sucesso idéias Neste processo de inovação. é importante estabelecer uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos. em quatro tipos: Estratégias ofensivas – Onde a empresa deseja ser a líder do mercado colocando-se sempre à frente de seus concorrentes.

ao se atingir um certo nível de maturidade no mercado. Desta forma. este planejamento estratégico deve indicar quais os produtos a serem desenvolvidos com o intuito de se atender os objetivos da empresa. as inovações são pouco relevantes contando-se com mudanças “incrementais” nos produtos.e. Esses produtos podem ser então “atualizados” com adoção de medidas inovadoras que garantem uma extra vida ao produto. No caso de um planejamento em curto prazo. em muitos casos.e. esta avaliação objetiva compreender as estratégias adotadas por empresas concorrentes de tal forma a identificar possíveis ameaças. pois dependem da matriz e/ou cliente para introduzir inovações tecnológicas. que fabricam componentes de acordo com as especificações estabelecidas pelas grandes montadoras. Na segunda fase. Por exemplo. Exemplo dessas empresas são as industrias de auto peças. a efetividade de diferente estratégias pode ser analisada no papel. para enfrentar esse perigo. A primeira delas examina a linha atual de produtos da empresa com o objetivo de analisar o nível de “maturidade” dos mesmos (i. Neste caso. existem três técnicas que podem ser usadas na estratégia do desenvolvimento de produtos. Estratégia dependente – Geralmente adotada por empresas que não tenham autonomia para lançar seus próprios produtos. procedimentos e recursos financeiros entre outros. que a empresa pode mobilizar para o desenvolvimento de produtos. pode-se estabelecer uma auditoria em produtos com o intuito de estimar o custo de uma possível falha do mesmo. existe pouca demanda no mercado por mudanças). é ele que leva à escolha do produto especifico a ser desenvolvido. Na primeira. © 2006 eduardo romeiro filho 77 ufmg . procura-se entender um pouco melhor sobre o desempenho das empresas concorrentes e estabelecer quais as mudanças necessárias para se aumentar o nível de competitividade da empresa. estima-se o custo de falha do produto em termos do impacto que isso provoca sobre os negócios da empresa. Ou seja. estão diretamente associadas ao planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. geralmente objetivando a redução de custos e melhoria da produtividade e qualidade do produto.depto engenharia de produção . maior deve ser a capacidade do desenvolvimento de produto para identificar os riscos de sua atividade. Esse procedimento é útil para integrar os diferentes aspectos da estratégia de desenvolvimento de produto. Quanto mais a falha de um produto ameaça a sobrevivência da empresa. 1-2-2 – Estratégia para o Desenvolvimento de Novos Produtos O planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos está relacionado com a política de produtos da empresa. Basicamente. Para um planejamento mais longo. avaliar o atual estágio de vida do produto). Tais estratégias procuram definir o processo de planejamento corporativo da empresa e que. a custos reduzidos. tais produtos podem ser substituídos por novos produtos para se manter o poder competitivo da empresa. estima-se a capacidade de desenvolvimento do produto. Uma segunda técnica avalia a performance de uma empresa com relação às empresas concorrentes. Assim. Tal analise dará subsídios para se estabelecer um planejamento estratégico de desenvolvimento de produtos para que se possam enfrentar tais ameaças. Esta capacidade é representada por um conjunto de pessoas. pode-se melhor avaliar a profundidade da mudança que deve ser introduzida no produto. A figura 1-2 apresenta os diversos aspectos a serem considerados no planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. Essa auditoria do risco de produtos é realizada em duas fases. projeto do produto Estratégia tradicional – Tipo de estratégia geralmente utilizada por empresas que atuam em mercados estáticos (i. Finalmente. mesmo que sejam forçadas a isso por razões de competitividade. espera-se que haja uma certa redução no volume de vendas do produto. Alternativamente. Tais empresas são pouco equipadas para introduzir inovações. Em vista disso.

Novas visões de Design vêm surgindo com o avanço da tecnologia. ou de produtos concorrentes ? urgente. Na maioria dos casos. como por exemplo a eficiência. o acabamento etc. ou ambos Qual é a velocidade de Analise do mercado mudança dos negócios ? Estático/Dinâmico Qual é a capacidade para desenvolvimento de novos produtos ? Pessoal ? Auditoria de risco Correção das falhas do Estratégia do Procedimentos ? dos produtos produto desenvolvimento Recursos Financeiros ? de produtos Outros recursos ? Figura 1-2 . ao se considerar os aspectos relacionados com a forma do produto tais como a aparência. é importante que a empresa estabeleça uma estratégia corporativa para que a mesma se mantenha competitiva no mercado. uma vez que engloba as mais variadas áreas do conhecimento tais como a engenharia. Tal procedimento ajuda o projetista a avaliar com mais eficácia cada © 2006 eduardo romeiro filho 78 ufmg . o desenho industrial e a moda. a cor. tais como ser: Sistemático – O desenvolvimento do Design deve ser sistemático no sentido de se utilizar procedimentos metodológicos. Uma terceira associação que se faz ao Design é aquela relacionada aos aspectos mercadológicos como o logotipo da empresa. 1-3 – O que é Design? O termo ‘Design’ geralmente é interpretado de varias formas. o estilo. O Design é também geralmente associado aos aspectos tecnológicos dos produtos. a percepção do Design está geralmente associada aos diferentes aspectos observados nos produtos. o baixo consumo de energia associado a um determinado produto. a embalagem. em todos os aspectos discutidos até agora. Por exemplo. tal estratégia está intimamente ligada ao tipo de estratégia adotada no desenvolvimento de produtos. entre outras. projeto do produto Questões Especificas Métodos Respostas Decisões Qual é a necessidade de novos produtos ? Em que fases do ciclo de Analise da vida se situam os produtos Maturidade dos atuais ? produtos A necessidade de Objetivos do Como os produtos atuais Analise dos desenvolvimento de novos desenvolvimento se situam em relação aos concorrentes produtos é importante.depto engenharia de produção . Na verdade. Mais adiante. inovação etc. a funcionalidade. com o intuito de guiar o projetista a soluções rápidas e precisas. durabilidade. tais como o Web Design. é importante avaliar quais os aspectos que influenciam o sucesso comercial de um produto. Dentro desta estratégia. o Design está associado ao produto final e não ao seu processo de desenvolvimento. desenvolvidos cientificamente. ao preço de venda etc. serão abordados os principais aspectos que influenciam no sucesso de novos produtos. desenho de interior e arquitetura.Aspectos a serem considerados no Planejamento Estratégico do Desenvolvimento de Produtos Como se vê. a performance. passando pelo desenho gráfico. Avalia-se que este processo de desenvolvimento deve apresentar algumas características fundamentais. Ocorre que.

pensar antecipadamente em como o produto será fabricado. transportado entre outros. Multidisciplinar – O trabalho do desenvolvimento do Design não deve ser atribuído a um único profissional somente. projeto. Devido a essa característica multidisciplinar. com oferta menor que a demanda tendo como conseqüência preços mais elevados do que similares importados. Neste sentido procura-se desenvolver técnicas que possam auxiliar o projetista na proposição de novas soluções a novos e/ou antigos problemas. demandas) do mercado consumidor. é importante o envolvimento dos diversos departamentos da empresa como por exemplo marketing. Todo o processo deve ser reavaliado constantemente com o intuito de reduzir o maior numero de “erros” possíveis. o mercado atualmente encontra-se na constante busca de produtos de qualidade a preços competitivos e que sejam diferenciados da concorrência. Pró-Ativo – O Design também deve ser visto como um processo pró-ativo. para que este seja bem sucedido comercialmente. o mercado era caracterizado por uma política industrial protecionista. Em essência. montado. Apresentar soluções criativas é atualmente um dos mais importantes aspectos de competitividade. projeto do produto etapa do desenvolvimento de produtos reduzindo assim. diferenciar seus produtos daqueles oferecidos pelos concorrentes. pode ajudar na avaliação do desenvolvimento de um produto. melhoria dos padrões de qualidade e produtividade e redução dos custos. no sentido de antecipar possíveis problemas que possam ocorrer nas etapas subsequentes do desenvolvimento de produtos.depto engenharia de produção . não se deve esperar que as diversas etapas do desenvolvimento de produtos sejam realizadas de forma independente. Reduzir os custos de produção – Por exemplo. Desta forma. podem e devem ser revistas em etapas subsequentes. Tais ganhos de produtividade e qualidade fizeram com que a competitividade entre as empresas se tornasse mais intensa e o mercado consumidor mais exigente. Iterativo – Deve-se destacar que este processo deve ser iterativo. Isto pode ser feito através da agregação de valores tangíveis (e. não existia qualquer mecanismo de defesa do consumidor com consequente falta de preocupação com a qualidade dos produtos ofertados. aspectos © 2006 eduardo romeiro filho 79 ufmg . Na verdade. Isto significa que as empresas se deparam com a necessidade de ao mesmo tempo atender aos seguintes desafios: Melhoria da qualidade dos produtos – Em outras palavras. a atividade de Design tem uma grande influência nas diversas etapas do desenvolvimento de um produto. produção. Agregar valores aos produtos – Ou seja. surgiu-se a necessidade de adotar novos mecanismos de gestão e atualizar tecnologicamente as empresas. decisões tomadas em etapas iniciais no Design de produtos. além de baixo investimento em inovação. a probabilidade de “erros” e subsequente revisões no projeto. desenvolver produtos que estejam em conformidade com as expectativas (i. assistência-técnica etc. pesquisa e desenvolvimento. com o advento da “globalização” e o crescente dinamismo do mercado consumidor. inspecionado. Ao se desenvolver um produto.e. com conseqüente otimização da produção. com o objetivo de se concretizar uma idéia e/ou demanda do mercado consumidor em um produto e/ou serviço. vendas. Criativo – O processo de Design deve também ser criativo. inspeção.g. Além disso. desenvolver produtos que sejam mais fáceis de serem fabricados e montados. Entretanto. Particularmente no caso brasileiro. Desta forma. o Design deve ser visto como um processo que engloba todos os aspectos vistos até agora. 1-4 – Quais os aspectos atuais de Competitividade? Diversas transformações econômicas vêm ocorrendo no mercado mundial nos últimos dez/quinze anos e que tem afetado diretamente o ambiente competitivo das empresas. Isto é.

qual daquelas é a mais provável para se obter o melhor retorno. manuais de fácil entendimento etc. Isto significa que o Design tem influência direta nos fatores relacionados ao preço e a aspectos “subjetivos” da empresa e do produto.g. apresentação do produto vendas (e. de concorrência acirrada. projeto do produto tecnológicos) e intangíveis (e. um concorrente que pode lançar um produto semelhante e sair na frente. no lucro e no crescimento contínuo.e. Ou seja. preenchendo a oportunidade que se pensava em apresentar. embalagem) etc. Tabela 1-2 . fazer com que o produto traga um certo nível de “status” ao usuário). surge a necessidade de se dispor novos produtos no mercado a um intervalo de tempo cada vez menor. o Design tem um papel fundamental influenciando diretamente na competitividade das industrias. performance. Atender rapidamente as diversas Produto fácil de se agregar novos valores de demandas do mercado consumidor mercado (i. Investimentos em Design podem trazer grandes benefícios para empresas de uma forma geral. Dentro deste cenário difícil. Isto é observado na Tabela 1-3. que não é propriamente um custo. mas aquilo que a empresa deixou de faturar. pelo menos a longo prazo. baixo consumo de energia Relacionados aos aspectos “subjetivos” do produto Especificação do Produto e Qualidade Produto que apresente qualidade. O Design tem outras influências na competitividade. Serviço pós-venda Produto fácil de se realizar assistência pós- venda. além daquelas sugeridas pela Tabela 1-2. ergonomia.g. influenciando diretamente nas vendas. afetam diretamente em como os produtos são percebidos pelo mercado consumidor. Isso é chamado de custo de oportunidade. Relacionados aos aspectos “subjetivos” da Empresa Associados à imagem da empresa e Logotipo da empresa.depto engenharia de produção . por ter desperdiçado a oportunidade. boa aparência. na sua participação do mercado. existem diferentes aspectos que podem ser agregados durante o desenvolvimento de produtos e que tem influência nas diversas etapas da compra e uso de produtos. Isto porque as decisões tomadas nas diversas etapas do Design de um produto. 1-5 – Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ? O principal aspecto de decisão para um industria é o de julgar dentre as mais variadas opções de investimento. como indicado na Tabela 1-2. durabilidade. © 2006 eduardo romeiro filho 80 ufmg . O Papel do Design na Competitividade Fatores de Competitividade Influência do Design Relacionados ao Preço Preço de Venda Produto de fácil fabricação e montagem Custo de uso do produto Produto que requer pouca ou nenhuma manutenção. Do ponto de vista dos consumidores e usuários. facilidade de uso etc. agregar novas tecnologias). Reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos – Com o avanço da concorrência e constantes mudanças no mercado consumidor.

características específicas (e. já que o que se deseja é desenvolver produtos diferenciados. Desta análise. investimentos em Design podem ter um grande impacto no sucesso comercial de uma empresa e se o mesmo for verificado para um grupo maior de empresas.depto engenharia de produção . No ato Características Aparentes . o Design contribui diretamente para o aumento do lucro das empresas através do aumento das vendas e da redução dos custos de produção dos produtos.). 1-6 – Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ? O desenvolvimento de novos produtos é uma atividade importante e arriscada.e. observa-se que o investimento no Design de novos produtos apresenta uma grande influência na competitividade da maioria das empresas. Portanto. além de formar um papel central nas suas estratégias de mercado.Influência do Design na Percepção dos Consumidores Tabela 1-3 nas diversas etapas de Compra e Uso do Produto Etapas de Compra e Fatores de Influência do Design Uso do Produto Antes Características da Brochura . Estados Unidos e Canada analisaram o processo de desenvolvimento de novos produtos. custos de utilização (e. consumo de energia) etc.g. foram identificados alguns fatores chaves que influenciaram para o sucesso no lançamento de novos produtos. Utilização Características de Performance . segurança etc. projeto do produto . Segundo pesquisas realizadas pela London Business School (LBS) e apoiada pelo Governo Britânico. controle de temperatura e pressão). observa-se que produtos bem projetados podem contribuir de forma significativa para a competitividade industrial.Aparência geral do Design e Da Compra qualidade. imagem da companhia etc.g. marketing e vendas.Especificações da Compra fornecidas pelo fabricante. Desta forma. Tais investimentos significam um numero estimado de 173000 profissionais que estão direta ou indiretamente envolvidos em Design na industria de manufatura. Investimentos em Design também promovem a gerência participativa uma vez que esta é uma atividade multidisciplinar (i. Finalmente. investimentos em Design ajudam as empresas a serem mais competitivas no mercado exportador. tal investimento pode resultar em uma melhoria substancial para toda economia de um país. O Design é também responsável por promover ações inovadoras. produção. Utilização Características que Agreguem Valor . marketing etc. acabamento. Em essência. Além dessa contribuição social (i. produção. geração de emprego e renda). preço etc. material. projeto. Um outro benefício do Design é o de melhorar a imagem da empresa pela agregação de valores aos produtos desenvolvidos. inicial facilidade de utilização. no sentido de identificar como ocorre este processo e qual a influência do mesmo no sucesso comercial do produto. durabilidade. A figura 1-2 mostra a influência desses fatores que foram classificados em três grupos principais: © 2006 eduardo romeiro filho 81 ufmg .e. Diversos estudos realizados na Inglaterra. a indústria britânica investe atualmente 10 bilhões de libras (aproximadamente 30 bilhões de reais) no Design de novos produtos.Confiabilidade. envolvendo vários departamentos como gerência. prolongada facilidade de manutenção. informação sobre aparência e performance.Performance inicial.

depto engenharia de produção . Na verdade.3 vezes maiores. quando as atividades de marketing e vendas estão bem coordenadas com a equipe de desenvolvimento de produtos. além de apresentar características que sejam valorizadas pelos consumidores. Por último. abrindo novos mercados e estimulando o © 2006 eduardo romeiro filho 82 ufmg .8 vezes maiores. quando se registra um grande nível de cooperação entre o pessoal técnico e de marketing. A pesquisa de mercado irá fornecer informações com respeito a demanda e desejos dos consumidores.7 maiores em relação a outros sem esta harmonia.) tinham 3.5x 2. baseados em estudos de viabilidade técnica e econômica tinham cerca de 2. as chances de sucesso são 2. Desta forma. a concorrência exercida pelos produtos existentes e as oportunidades tecnológicas existentes para o projeto e fabricação de novos produtos. potência etc. tamanho. Além disso. tinham cerca de 5 vezes mais chances de obter sucesso do que aqueles que eram considerados apenas marginalmente superiores. quando a qualidade técnica da equipe esta adequada às necessidades de desenvolvimento do novo produto. Foi observado que os produtos que eram cuidadosamente planejados. produtos que eram percebidos como sendo substancialmente melhor que os competidores e apresentavam alto valor agregado. Além disso. Nas situações em que se consegue manter uma alta qualidade das atividades técnicas ligadas ao desenvolvimento de novos produtos. as chances são 2.5x Forte orientação Planejamento Antecipado Aspectos da para o Mercado & Correta Especificação Empresa • Benefícios significantes O produto deve ser: • Excelente habilidades aos usuários • Bem definido e segmentado Técnicas e de Marketing • Alto valor agregado • Especificado com precisão • Alta sinergia entre para os consumidores desde os estágios iniciais de aspectos seu desenvolvimento Técnicos e de Marketing Figura 1-3 – Fatores de Sucesso no Desenvolvimento de Novos Produtos Essas informações irão dar suporte no sentido de se definir as oportunidades de desenvolvimentos de novos produtos. função do produto. Mais especificamente. O fator mais importante é o produto ter uma diferenciação com relação aos seus concorrentes. Estudos de viabilidade e especificação.4 vezes mais chances de sucesso do que aqueles sem qualquer estudo de viabilidade. Tal demanda de mercado pode ser reconhecida de duas formas. projeto do produto Forte orientação para o mercado. Essa oportunidade pode ser classificada em duas categorias: a) Demanda de mercado .5 maiores. Qualidade no Desenvolvimento de Produtos.que refere-se à procura pelo mercado de produtos ou características do produto que ainda não são oferecidos pela sua empresa. A primeira delas em os produtos concorrentes podem estar a frente dos produtos desenvolvidos em sua empresa. produtos que eram bem definidos com especificações técnicas bem estabelecidas (i.3 vezes mais chances de obter sucesso no mercado do aqueles sem essas especificações. para que um produto alcance sucesso comercial é extremamente importante que esses três aspectos sejam bem coordenados durante o desenvolvimento do produto.e. as chances de sucesso do novo produto são 2. Probabilidade de sucesso de Novos Produtos 5x 5x 3x 3x 2. as chances de sucesso comercial são 2.

A segunda delas seria identificação de uma necessidade de mercado que ainda não é satisfeita por nenhum dos produtos existentes. Na verdade essas duas etapas devem ser desenvolvidas concomitantemente. Elas devem representar os desejos e ansiedades identificados na pesquisa de mercado. por exemplo. Um produto pode ser muito avançado tecnicamente. São essas especificações que controlarão todo o desenvolvimento do produto. Ou seja. quando se trata do desenvolvimento de novos produtos essa tarefa não é fácil. as especificações técnicas apresentadas e discutidas na etapa inicial do projeto conceitual podem não ser as mesmas nas etapas subsequentes de um projeto mais detalhado. elas evoluem gerando outras ou novas especificações a medida que o desenvolvimento do produto também evolui. Isso não diminui a importância da oferta de tecnologia para o desenvolvimento de novos produtos. Significa apenas que não se pode somente confiar no avanço tecnológico para projetar produtos de sucesso. projeto do produto desenvolvimento de novos produtos de forma a tornar a sua empresa mais competitiva. um novo material. Essas especificações técnicas do produto são na verdade os dados técnicos necessários para se desenvolver os produtos. mas não será bem sucedido se os consumidores não quiseram comprá-lo. Um vez coletadas essas informações. desenhos técnicos acompanhados de documentação técnica especifica do produto. para certificar que o avanço tecnológico está servindo para preencher uma necessidade real do consumidor. Entretanto. Muitas pessoas aceitam a idéia de controlar a qualidade de tarefas industriais ou administrativas bem estruturadas e de natureza repetitiva. Ela deve ser complementada com uma pesquisa sobre as necessidades de mercado. novos processos de fabricação ou novos conceitos de projeto. A figura 1-4 apresenta alguns dos diversos aspectos que podem e devem ser considerados no desenvolvimento de especificações de projeto. definir as especificações técnicas de projeto para o desenvolvimento de novos produtos. gerando oportunidades de inovação do produto. Essa nova tecnologia pode ser. Ou seja. Segurança Manufatura Ergonomia Embalagem Patentes Peso Custo Qualidade Tempo Política Processo DESIGN Mercado Tamanho Documentação Competidores Instalação Meio Ambiente Armazenagem Performance Material Figura 1-4 – Especificações Técnicas É importante garantir que este processo de identificação de oportunidades de mercado e geração de especificações técnicas do produto seja feito com qualidade. pode-se então. © 2006 eduardo romeiro filho 83 ufmg . desde a analise do mercado passando-se pelo projeto conceitual e detalhado até a fabricação. por exemplo. b) Oferta tecnológica – que refere-se à disponibilidade de novas tecnologias. montagem e venda do produto final. Desta forma. é a tradução em dados técnicos dos desejos dos consumidores.depto engenharia de produção . Esses podem ser documentados de várias formas como. É importante notar porém que essas especificações não são fixas com o tempo.

Assim. Por exemplo. Para que toda essa evolução possa ser bem controlada no sentido de garantir qualidade ao produto desenvolvido. qualidade pode ser a facilidade de fabricação e montagem de produtos com níveis de refugos abaixo dos especificados. é importante definir o que se entende pelo termo qualidade para então possamos trabalhar no sentido de incorpora-la no desenvolvimento de novos produtos. Eventualmente. as configurações e os protótipos podem ser avaliados em relação a esse padrão. Como mencionado anteriormente. contendo as metas comerciais básicas para o novo produto. Como se viu anteriormente. é nessa etapa que são fixadas as metas técnicas para o novo produto. 1-7 – O que é Qualidade? O termo qualidade apresenta diferentes significados para diferentes pessoas. deve-se considerar a percepção do consumidor para se definir o que seja a qualidade de um produto. até a montagem final do produto. Já para um gerente de produção. Todos esses aspectos são importantes para se definir o que seja a qualidade de um produto. padrão para comparação de todas as alternativas geradas durante o desenvolvimento de projeto. foram desenvolvidas diversas técnicas metodológicas que ajudam a equipe de projetos nesta árdua tarefa. para um engenheiro qualidade pode significar a adequação dos objetivos do produto e sua resistência para suportar faixas de trabalho preestabelecidas. © 2006 eduardo romeiro filho 84 ufmg . mostra um modelo de percepção de qualidade. As especificações tornam-se. Observa-se que quanto maior a incorporação de características desejadas pelos consumidores maior será o seu nível de satisfação. abrangendo desde as funções básicas. em relação aos concorrentes ? Como os consumidores serão induzidos a preferir esse novo produto ? Quais as estimativas iniciais de custo e a margem de lucro ? Qual é o volume esperado de vendas e qual é o retorno do investimento ao longo da vida útil do produto no mercado? Em seguida vem a especificação do projeto. a especificação do projeto se transforma em especificação de controle do processo produtivo. montagem dos circuitos elétricos e assim por diante. sua aparência até a embalagem e distribuição. então. vendas. Quais são os aspectos diferenciados desse novo produto. refletindo os interesses de marketing. Esta técnica será abordada logo adiante. os conceitos. que em inglês significa Quality Function Deployment. A especificação do projeto deve ser um documento de consenso. Esse documento deve conter também o critério para se avaliar o sucesso comercial do produto. sem mesmo conhecer o produto que se deseja controlar ? O primeiro controle é exercido sobre as especificações de oportunidade. devem ser determinados os pontos de controle da qualidade a serem realizados durante o processo de fabricação que podem ser. antes disso. para se selecionar as melhores alternativas.depto engenharia de produção . Por exemplo. onde se realiza o controle da qualidade mais importante. as especificações técnicas devem ser convertidas no sentido de atender cada uma dessas etapas. por exemplo. projeto e desenvolvimento e a engenharia de produção da empresa. Uma das metodologias mais utilizadas é a do Desdobramento da Função Qualidade ou QFD. a medida que o projeto vai evoluindo passando a etapas de configuração e detalhamento. A figura 1-5. projeto do produto Mas como se pode determinar as metas para o controle de qualidade. na recepção da matéria-prima. Entretanto. Entretanto. Neste caso. Espera-se que qualquer produto que atenda a essas especificações seja bem sucedido comercialmente. numa visão mais abrangente. quando o desenvolvimento do produto chega a etapa de fabricação.

implicará numa insatisfação proporcional no consumidor como indicado na figura 1-6.depto engenharia de produção . projeto do produto Satisfação do consumidor Incorporação das características desejadas Figura 1-5 – Modelo Simples de Qualidade Seguindo um mesmo raciocínio. a ausência de certas características. © 2006 eduardo romeiro filho 85 ufmg . Na verdade. Desta forma. enquanto que a sua presença. existem algumas expectativas básicas sobre um produto que as vezes nem são percebidas. pode significar um aspecto normal e não contribui para aumentar o nível de satisfação do consumidor (Figura 1-7). Satisfação Algumas Todas Incorporação das características desejadas Insatisfação Figura 1-6 – Modelo Melhorado de Qualidade Ocorre que a satisfação do consumidor nem sempre apresenta um comportamento linear como mostrado nas figuras 1-5 e 1-6. a ausência destas expectativas pode causar uma grande insatisfação.

necessidades que os próprios consumidores não sabiam inicialmente que as tinham. Os fatores de excitação são capazes de satisfazer as necessidades “latentes” dos consumidores. são requisitos adicionais aos produtos que excedem aqueles da expectativa básica (Figura 1-8). A © 2006 eduardo romeiro filho 86 ufmg . ao comprar um veículo automotor espera-se que este venha suprido de rodas. Ou seja.depto engenharia de produção . chamado de performance. projeto do produto Satisfação consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação Figura 1-7 – Expectativas Básicas da Qualidade Por exemplo. Num outro extremo. Os fatores de performance cobrem as qualidades que os consumidores declararam esperar dos produtos. Tais características são interpretadas como fatores de excitação. A sua ausência implicará num grande nível de insatisfação. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação Insatisfação Figura 1-8 – Fatores de Excitação A figura 1-9 mostra o modelo Kano de qualidade indicando as expectativas básicas e os fatores de excitação. existem certas características que são incorporadas a um produto que provocam um grande nível de satisfação quando estão presentes mas que a sua ausência não causa insatisfação. Ou seja. Kano sugere que há um outro fator de satisfação do consumidor situado entre as expectativas básicas e os fatores de excitação. enquanto que a sua presença não provoca satisfação.

o consumidor não valorizará proporcionalmente este fator. mínima manutenção etc. uma vez que esta curva tende a um nível de saturação. baixo consumo de combustível. Portanto. Isto significa que. Existem alguns desejos que não são verbalizados pelos consumidores e portanto são muito difíceis de serem identificados em uma pesquisa de mercado. O modelo Kano indica ainda que ao ser alcançado um certo nível dos fatores de performance. não é vantajoso realizar-se altos investimentos para se satisfazer uma necessidade básica. O modelo Kano de qualidade indica que os fatores de performance aumentam o nível de satisfação dos consumidores. aceleração rápida. por exemplo. manobra fácil. Desta forma. © 2006 eduardo romeiro filho 87 ufmg . projeto do produto percepção do consumidor sobre a qualidade varia na proporção direta do grau em que a performance ideal ou máxima do produto seja alcançada. a partir de um certo nível de atendimento. Atender as necessidades básicas é um pré-requisito para o sucesso de um novo produto. 3 – Atendimento aos fatores de excitação. Ou seja. mas não de forma tão acintosa quanto os fatores de excitação. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação PERFORMANCE Figura 1-9 – Modelo Kano de Qualidade Existem quatro aspectos no modelo Kano para qualidade que devem ser considerados no desenvolvimento do produto. 1 – Desejos não declarados pelos consumidores. Um carro que não tenha nenhuma delas causará insatisfação. fatores que foram considerados de excitação no passado. podem agora ser considerados como fatores de performance ou mesmo apenas uma necessidade básica. encontram-se aqueles ditos básicos (os que são considerados evidentes pelos consumidores) e aqueles considerados de excitação (aqueles ainda não experimentados pelos consumidores). quanto mais fatores que causam excitação forem incorporados aos produtos maior será o nível de satisfação dos consumidores. um carro ideal deve apresentar algumas características como ter um bom estilo. Dentro desta categoria. Por exemplo na visão dos consumidores. poucos ruídos. direção hidráulica. 2 – Atendimento as necessidades básicas . todo o esforço extra exigido aos fatores de excitação terá maior retorno.depto engenharia de produção . Existe um tendência da satisfação do consumidor aumentar a medida que as características que causam excitação são incorporadas ao produto. 4 – Atendimento aos fatores de performance. Deve-se observar que a classificação dessas necessidades se modificam ao longo do tempo. Um carro que tenha todas essas características provocara satisfação no consumidor.

Mc Graw-Hill. Engineering Design Methods.P. Jones. second edition. The QFD Book . L. Osborn. Pahl. U. no. London. em inglês) ou simplesmente. Pugh. Van Gundy. USA. Oakley. Gouvinhas. Tood. Esse controle é muito difícil de ser executado uma vez que vários fatores técnicos.London. U. Jr. especificação da fabricação e montagem do produto. A. Somerset. Mc Graw-Hill Book Company. K.K.Concepts. (Editors) Concurrent Engineering . Cranfield University. Chapman & Hall. N. 1.K. John Wiley & Sons. Corbett. Guinta. G.A Systematic Approach . (1995). UK. (1993). U. London. The Design Council. deve-se ressaltar que os fatores de excitação funcionam uma única vez. Portanto. Chapman & Hall. J. Na verdade. é de fundamental importância entender as necessidades do consumidor de forma a satisfazê-las ao se desenvolver um novo produto. incorporar qualidade a um produto significa desenvolvê-lo de forma a atender as necessidades do mercado consumidor e sempre que possível. 35. Cross. USA. 1 st edition ed. N. Addison Wesley Publications Ltd. S. C. Infelizmente.K. and Menon. USA. QFD. London.1.depto engenharia de produção . pp 93-97. J. S. New York. no sentido de se conseguir esse controle é necessário que esse desenvolvimento seja bem planejado. além de seu transporte e distribuição. D.10 .Bibliografia Baxter. The Contribution of Design to the U. (1963) Applied Imagination – Principles and Procedures of Creative Thinking. Desta forma.K.. H. Syan. essa conversão das necessidades do consumidor em aspectos técnicos para o produto deve ocorrer antes mesmo que o projeto seja iniciado.K. Pawar. Design for Economic Manufacture. Working Paper.K. G. R. Quality Through Design . Van Nostrand Reinold. U. (1994) Time to Market. Menon. (1995). Annals of the CIRP. New York. (1992). Cranfield. 1-8 . M.Como Incorporar Qualidade ao Produto? Como foi visto. Desta forma. (1987).Springer-Verlag. Economy. ou seja. (1970) Design Methods. vol. (1994). C. A. Para que esse planejamento possa ser bem executado. & Clarke. (Editor) Design Management. U.World-Class Manufacturing. New York.K. Product Design – Practical Methods for the systematic development of new products. USA. vol 5. Este controle é importante para que se possa identificar e corrigir eventuais desvios.The Key to Successful Product Delivery Mc Graw-Hill. U. tentar superá-las. & Praizler. buscar diferenciação no mercado como foi abordado anteriormente. U. R. Workingham. Chichester. A. pois logo são incorporados a muitos fatores de performance do produto. devem ser levados em consideração. (1986). M. Sentance. Uma das metodologias mais utilizadas com o intuito de garantir de que as necessidades do consumidor estejam incorporadas aos produtos é a conhecida técnica do Desdobramento da Função Qualidade (Quality Function Deployment. Charles Scribner’s Sons. New York. pp 14-22. como por exemplo. de modo que os produtos considerados insatisfatórios sejam rapidamente eliminados logo no inicio do desenvolvimento quando grande volumes de recursos ainda não foram investidos. U. U. J. (1997). K. é importante utilizar-se de algumas metodologias que ajudam no sequenciamento desta execução. New York. Implementation and Practice. USA. Integrated Manufacturing Systems. Engineering Design. 1.The Team Approach to Solving Problems and Satisfying Customers Through Quality Function Deployment AMACOM Books. 1994. projeto do produto Além disso. B. a elaboração das especificações técnicas a partir da identificação das necessidades do mercado consumidor é essencial para que se tenha um rígido controle de qualidade durante o desenvolvimento do produto. C.. ed. PhD Thesis.K. J.. Butler & Tanner Ltd. W. & Riedel J.(1993). tais necessidades nem sempre chegam a equipe de projetos na forma de uma linguagem técnica e portanto é importante saber interpretá-las. J. Total Design. no.S. & Beitz. (1997) Design Methods for Production Machinery Companies. Isso significa que os fabricantes devem procurar continuamente introduzir novos fatores de excitação. London. The Mechanical Design Process. USA. Ullman. Techniques of Structural Problem Solving.C. Fox. Second Edition. (1984). que será mais detalhada nas seções posteriores. © 2006 eduardo romeiro filho 88 ufmg . U. John Wiley.K.F.

que incluem. Ocorre. porém. os responsáveis pelos setores de projeto assumem um papel fundamental para o sucesso (ou fracasso) de suas empresas. que lutam por formas de responder o mais rápido possível às tendências verificadas entre os compradores. projetistas. em sua forma mais ampla. pois diante destes riscos existe um ainda maior.depto engenharia de produção . arquitetos. © 2006 eduardo romeiro filho 89 ufmg . projeto do produto O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto. mas a criação de um produto que seja adequado aos diversos níveis de usuários. como o cliente. O designer deve compreender a relação entre estes diversos usuários e antecipa-las no caso do desenvolvimento de novos produtos.Industrial. específicas da nossa época. Existe um grande número de parâmetros que devem ser levados em consideração. a atividade projetual assume características próprias. embora existam muitas discussões a respeito de qual ou quais seriam os métodos mais adequados de auxílio à projetação. Neste contexto. com o aparecimento de pessoas especializadas no desenvolvimento e construção de toda a variedade de objetos. portanto. vários teóricos do desenho industrial levantaram a inadequação dos métodos tradicionais e empíricos da concepção de produtos. matérias primas utilizadas. servindo para todo e qualquer profissional envolvido em atividades de concepção e/ou projeto. os consumidores e a própria sociedade. os produtores. 2. 1. questões de vendas e transporte. Dentro de um mercado altamente competitivo como o que se apresenta hoje a nível mundial. Para que Metodologia de Projeto. criando artefatos que lhe são mais adaptados e convenientes ao uso. assim como todos os demais seres vivos. os fornecedores. Nesta perspectiva. mas assume uma conotação mais ampla. sendo que esta visão é hoje amplamente aceita. usuários de seus produtos. Origens do Método na Concepção de Projetos A espécie humana sempre buscou na natureza a satisfação de suas necessidades. algumas mais gerais e outras bastante específicas. somente a produção de desenhos para a aprovação do cliente e orientação do fabricante. Devido a esta crescente complexidade da atividade do designer. mas ainda assim as empresas são levadas a gastar milhões (de dólares) em pesquisa e desenvolvimento. e existem inúmeros exemplos desse tipo. Aí reside sua grande dificuldade. Não basta criar um produto. Isto levou ao desenvolvimento de uma série de campos de conhecimento específicos. muitas vezes mesclando diversos pontos das várias metodologias criadas pelos mestres. O objetivo final do designer9 não é. que seja belo (segundo o conceito de um grupo específico ao qual este produto será destinado) ou adequado à sua função principal.ou Desenho . dependentes de novos lançamentos que atendam às exigências e necessidades do mercado. Diversos autores propõem metodologias próprias para o desenvolvimento de produtos. pois ele deve conhecer o resultado final do projeto antes de tê-lo concluído. São grandes os riscos de fracasso no lançamento de novos produtos. desenhistas. mesmo que estas não estejam claras ou (como acontece algumas vezes) nem existam ainda. o pronto desenvolvimento e lançamento de produtos que venham a atender as necessidades e os anseios dos consumidores tem se mostrado imprescindível ao crescimento e à própria sobrevivência das empresas. etc. o da perda dos mercados (e dos lucros). os vendedores. além dos já citados. uma diferenciação a partir do momento em que o homem passa a impor modificações ao que lhe é oferecido. como engenheiros. os distribuidores. os meios de fabricação. etc. como formas rígidas de se nortear o processo de projetação. mas como uma maneira didática de orientação para os estudantes ou iniciantes em design até que consigam eles próprios desenvolver um método próprio de concepção orientado para suas necessidades específicas. É certo que estas metodologias não devem ser entendidas ao pé da letra. o termo "designer" não se restringe às atividades ligadas ao Design . sendo estes também 9 Neste caso. manutenção.

em diferentes níveis de detalhamento e especificidade. sendo utilizados de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido: "A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas. inclusive pessoas não pertencentes à equipe de projeto. de seu nível de complexidade e de uma escolha pessoal do designer pelo processo de trabalho mais adequado às suas necessidades. levava a um aumento na produtividade. um objeto pronto que servisse de exemplo para os demais. Daí o surgimento de diversas "metodologias de projeto". através da utilização cada vez maior de métodos específicos para o desenvolvimento de produtos. Hoje existem diversas metodologias propostas. e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções". Esta divisão. XVI. de forma a atender aos objetivos de acumulação capitalista. 3. Era também o artesão responsável pelas modificações dos produtos no decorrer do tempo. foi se tornando cada vez mais difícil a execução do produto diretamente. Além disso. Evolução da Metodologia & Evolução I ndustrial Com a crescente complexidade dos produtos e dos meios de produção fez-se necessária a descrição em meios físicos do projeto e de sua concepção. além de facilitar a construção. Anteriormente era necessário um modelo. o que levou a uma série de tentativas de agilização da produção. mas que apresentava consideráveis dificuldades em se tratando de produtos maiores e mais complexos. a partir de mudanças ocorridas no âmbito social e econômico de seu grupo populacional.depto engenharia de produção . ou seja. Na confecção de um produto que se utilizava de várias peças. através de uma estrutura hierarquizada de aprendizagem. como inadequados diante da crescente complexidade dos meios de produção. enquanto os oficiais se encarregavam das peças de maior complexidade. levando o designer a desenvolver. com o fim de auxiliar o designer durante o processo de projetação. sendo que quase sempre o que ocorre é uma adaptação de uma ou mais metodologias às características específicas do trabalho. para que se possa produzir uma maior qualidade. bem como suas caracterísicas formais e de uso eram definidas mentalmente pelo artesão. já que a produção tem que ser mais e mais ampliada. A partir deste momento a atividade projetual ocupa um espaço importante na produção. tem início a atividade específica de projetação. que já não estava completo na mente do artesão seu criador. trazendo de novo a necessidade de desenhos e informações detalhadas. Este processo. Esta era uma situação relativamente simples quando se tratava da fabricação de artigos de cerâmica. A utilização de uma destas metodologias vai depender basicamente do tipo de trabalho desenvolvido. que procuram delinear de forma mais ou menos específica as maneiras mais convenientes de desenvolvimento de projetos de produtos. o trabalho foi sendo progressivamente dividido. Com a revolução industrial este movimento se torna mais abrangente. todo o processo de construção do objeto. Os métodos intuitivos são considerados. Pode-se dizer que o aumento populacional na Europa a partir do séc. de forma a facilitar o controle de suas diversas variáveis. em que o artesão era ao mesmo tempo responsável pela concepção do produto e pela sua fabricação. como na especificação das dimensões e aspectos formais antes mesmo de sua primeira versão concluída. segundo regras peculiares e tradicionais. projeto do produto responsáveis pela formação de novos profissionais. que envolvia uma revisão e o desenvolvimento das formas usuais de produção e de concepção de produtos. além das ferramentas tradicionais. A progressiva divisão de tarefas também foi facilitada pela utilização de desenhos de representação. pelos teóricos do desenho industrial. já que as variáveis envolvidas eram em número cada vez maior. já que o número cada vez maior de variáveis envolvidas levam a uma grande dificuldade para seu adequado controle. que poderia ser considerado como uma espécie de mercado consumidor. Os suportes de auxílio ao ofício constituíam-se quase que exclusivamente de gabaritos e apetrechos desse tipo. era caracterizado pela ausência de qualquer tipo de projeto descrito em suportes físicos. segundo MEDEIROS (1981) podem ser definidos como sistemáticos ou intuitivos. próprias de cada atividade. e não só quantidade de soluções. © 2006 eduardo romeiro filho 90 ufmg . Com a consolidação da Revolução Industrial e a crescente sofisticação da produção. da montagem do produto e da coordenação dos trabalhos. Este ponto de vista é amplamente aceito e dispensa maiores justificativas. por exemplo. A utilização de desenhos como forma de representação de projetos leva a uma grande facilidade na definição das características finais do produto. Estes métodos. com o tempo. um método próprio. levando a um desenvolvimento cada vez mais rápido de novos produtos. para que na montagem houvesse um perfeito encaixe. sendo de seu inteiro conhecimento. na qual o iniciante era selecionado. treinado e formado pelo artesão oficial. bem como a ampliação dos mercados consumidores através das grandes descobertas forçaram um aumento na produção de bens. com pessoas ocupadas exclusivamente com este fim. desde que as dimensões das peças fossem corretamente demarcadas. sendo que as tarefas mais simples eram executadas normalmente por aprendizes.

um avião . principalmente nos casos de produtos que possuam níveis relevantes de inovação. © 2006 eduardo romeiro filho 91 ufmg . fabricáveis em série. como os colocados na condição de novos projetos (e não da adaptação ou melhoria de produtos já existentes). qualquer objeto . Modelo de Ciclo de Vida do Produto e Principais Recursos Informatizados: ETAPAS DE PROJETO: NECESSIDADE FORMULAÇÃO ANÁLISE CAE/CAD ESPECIFICAÇÕES SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS CAPP CONCEPÇÃO AVALIAÇÃO SELEÇÃO CAM FABRICAÇÃO . A seguir estão colocadas de forma sucinta as principais formas de contribuição de sistemas informatizados à atividade projetual. embora as metodologias e processos apresentados estejam em sua maior parte centrados no desenvolvimento de produtos industriais.um parafuso. Sendo assim. um prédio. Segundo este raciocínio.depto engenharia de produção . projeto do produto O desenvolvimento de produtos é bem mais complexo do que pode parecer em princípio. torna-se interessante uma investigação um pouco mais profunda das funções deste setor e das diferentes metodologias utilizadas para a concepção de produtos. colocados aqui de maneira bastante ampla. 1995. Fonte: MEDEIROS. Adaptada de “Modelo de Ciclo de Vida do Produto”.concebido pelo homem é um produto. EXECUÇÃO PRODUTO DIFUSÃO USO DESATIVAÇÃO RECICLAGEM Figura 2.

e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto. O mercado foi até o início da década de noventa basicamente dominada por impressoras do tipo matricial. Os projetos por evolução seriam aqueles nos quais as descobertas científicas e tecnológicas são agregadas a modelos precedentes. onde uma nova tecnologia rompe com as condições do mercado. é o das impressoras. apesar de custos bastante elevados. assimilação. entretanto. de forma semelhante aos processos de resolução de problemas de qualquer tipo: Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto FORMULAÇÃO ANÁLISE SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS AVALIAÇÃO SELEÇÃO EXECUÇÃO Figura 3. 1981. que ofereciam significativo aumento na qualidade de impressão. ao alto custo representado pelas novas impressoras em relação àquelas já existentes. O surgimento das impressoras de tecnologia laser não representou. uma definitiva ameaça ao mercado das matriciais devido. por inovação. com diferentes modelos cuja crescente sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. A partir das características de cada produto concebido. A atividade principal de transformação ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. na área da informática. no entanto. sem que haja entretanto modificações radicais nos princípios tecnológicos do produto. PROJETOS POR EVOLUÇÃO E INOVAÇÃO. projeto do produto PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETO DE PRODUTO. O que houve foi uma segmentação deste mercado. por exemplo). O desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais. Este mercado foi. A tecnologia laser associada à impressão pode ser considerada como uma forma de projeto por inovação. com as impressoras laser ocupando determinados nichos onde a qualidade de impressão representava um fator fundamental e onde havia a necessidade de grandes tiragens de documentos personalizados (extratos bancários para envio pelo correio. Fonte: MEDEIROS. principalmente. Um exemplo deste tipo. ameaçado pelo aparecimento das primeiras impressoras de tecnologia laser. O processo projetual pode desta forma ser dividido em etapas. análise e síntese. BACK (1983) diferencia dois tipos de projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. Se as impressoras de tecnologia laser não foram suficientes para abalar definitivamente o © 2006 eduardo romeiro filho 92 ufmg .depto engenharia de produção .

depto engenharia de produção . mas que atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos.cit. O autor apresenta 10 O termo “qualidade estética” pode gerar uma interminável fonte de discussões. principalmente. como meios tecnológicos disponíveis para fabricação. fonte: RIMA Impressoras. a preços cada vez mais baixos.) que também enfrentam a concorrência da tecnologia de impressão a jato de tinta. las técnicas precisas y con la forma que corresponda a la función (incluida la función psicológica). MUNARI (1975) apresenta uma visão de metodologia aplicada à comunicação visual. seja no caso das impressoras a laser como. sociais e econômicos da população usuária. Não é. viabilidade econômica e de materiais. entre (muitos) outros.) Laser Figura 4. 350 300 250 Em Milhares de 200 Unidades 150 100 50 Maticial 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. será necessário um projeto que não somente possua qualidades estéticas10 e que seja compreensível para seu público. como aspectos culturais. © 2006 eduardo romeiro filho 93 ufmg . Vendas desde 1992 e estimativas para 1996. acetato etc. que começa a tornar-se economicamente viável nesta área. dado que ha de utilizar toda clase de materiais y toda clase de técnicas sin prejuicios artísticos. Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. objetivo deste trabalho discutir este assunto. a série de projetos evolutivos das impressoras matriciais está praticamente suplantada pelo impacto de projetos baseados em inovação. ha de disponer de un método que le permita realizar su proyecto de forma adecuada. equipamentos periféricos de sistemas CAD responsáveis pelo traçado em elementos físicos (papel. atualmente.Small Office and House Office). embora apresente um enfoque especial às características estéticas e visuais do produto.) Neste caso. Segundo o autor. pois depende de fatores por demais complexos. entretanto. citado por INFORMÁTICA EXAME (1996) METODOLOGIAS DE PROJETO DE PRODUTOS. por exemplo. Pode-se dizer que. mas que possui uma natural similaridade com diversos conceitos do design e das engenharias. o crescente desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato de tinta parece trazer este perigo. com o objetivo de criar obras densas e de concepção pessoal. no denominado mercado SOHO . projeto do produto mercado das matriciais. O mesmo ocorre em relação os plotters. “Pero el diseñador. op. o artista projeta suas obras utilizando- se de regras clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. nas baseadas em jato de tinta (para aplicações domésticas e de pequenos usuários. mas apenas chamar a atenção para sua existência e sua inegável importância. oferecendo uma impressão de alta qualidade (embora não atinja ainda os níveis de algumas das impressoras a laser). competindo diretamente em nichos de mercado pertencentes às duas outras tecnologias.” (MUNARI.

em níveis crescentes de detalhamento e sofisticação. sem contudo atuar fora dos limites previamente impostos. seja esta análise realizada pela empresa (pelo departamento de marketing.depto engenharia de produção . levando a uma “solução ótima” para o produto. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. Criatividade. Esquemas Metodológicos apresentados por MUNARI Archer Fallon Sidal programação preparação definição do problema levantamento de dados informação exame de soluções possíveis análise valoração limites síntese criatividade análise técnica desenvolvimento seleção otimização comunicação projeto cálculo protótipos testes modificações finais Figura 5. que atenda as necessidades levantadas e dentro dos limites existentes. Disponibilidade técnica. possui os seguintes pontos principais: Enunciado do problema. O componente físico (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. O problema deve ser analisado a partir de dois componentes principais: o físico e o psicológico. projeto do produto uma metodologia baseada nos esquemas de Archer. Durabilidade prevista para o produto. por exemplo). O problema a ser abordado deve estar bem definido. 1975 A partir deste exemplo pode-se ter uma idéia bastante simplificada de como funciona o processo projetual. sob pena de todo o processo de concepção ser alterado por uma definição equivocada da questão a ser atendida. Modelos. até atingirem a forma do produto final. apresentando um produto com variável grau de inovação. Fallon e Sidal. de tamanho natural ou em escala. pois deve levar a uma síntese das necessidade e dos elementos identificados. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. enquanto o psicológico (aspectos culturais. Limites para o projeto. de acordo com a análise das necessidades. exigências e características do mercado. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. Identificação dos aspectos e funções. fonte: MUNARI. Da síntese criativa nascem os modelos. utilização de componentes já existentes. seguindo as sugestões de Asimow. por exemplo) ou pelo próprio designer. Elemento central do processo de concepção. com a construção de um ou mais protótipos. e que. que apresenta estreitas semelhanças com a maioria dos métodos para solução de problemas: © 2006 eduardo romeiro filho 94 ufmg .

Naturalmente um produto tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. sendo muitas vezes possível seu inteiro domínio (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou mesmo por uma só pessoa. geração de alternativa. o que torna cada uma delas apropriada a determinado tipo de problema (ou produto). As formas de aplicação destas metodologias. 1975 © 2006 eduardo romeiro filho 95 ufmg . concepção.Econômica Aspectos . fonte: MUNARI. levantamento de informações.Funções Histórico . projeto do produto necessidade. por exemplo) não necessitará do rigor metodológico de produtos mais sofisticados (como um avião ou uma planta industrial). PROCESSO METODOLÓGICO PROPOSTO POR MUNARI (1975). entretanto. apresentam diferenças importantes. como no caso da produção artesanal. Pode-se dizer que o nível de sofisticação e detalhamento do processo metodológico adotado obedece às características do produto a ser desenvolvido.Geográfica Física Psicológica Tempo de Uso LIMITES DO PROJETO Regras Partes Existentes Mercado Identificação dos Elementos de Projetação Materiais e Disponibilidades Tecnológicas Instrumentos CRIATIVIDADE Código do Usuário Síntese MODELOS Primeira Comprovação Soluções Possíveis A MAIS ADEQUADA Programa de Projetos PROTÓTIPO Figura 6.depto engenharia de produção . mesmo devido ao fato de que na maioria dos casos. determinação da solução e detalhamento. os processos de concepção e tecnologias de fabricação de produtos mais "simples" estão amplamente disseminados. Enunciado do Problema Verificação Identificação Verificação Cultural Técnico .

Características do produto. Informação Primária. mais ou menos adequadas. através da transformação dos dados obtidos na etapa de informação primária. Formulação. Figura 7. Fabricação da Pré-série Execução. Desenvolvimento Identificar Contradições. Avaliação. Formulação geral do problema. foram desenvolvidos diferentes processos metodológicos. Exploração da Situação do Projeto Análise. Concepção e Descrever Sub-Soluções. desenvolvidas por JONES. Transformação Percepção ou Transformação da Estrutura do Síntese.depto engenharia de produção . com determinadas características bastante específicas e adequados a diferentes situações. o processo de concepção levará a uma “filtragem” das soluções possíveis. abrem-se diversos caminhos. BONSIEPE e ASIMOW (além de uma de sua autoria). MEDEIROS (1981) apresenta algumas destas metodologias para a atividade projetual. Hierarquização dos problemas parciais. que poderão levar a diferentes soluções. através da determinação de parâmetros e geração de alternativas. pode-se perceber neste caso o “movimento” existente no processo de concepção. que muito mais do que devaneios de concepção artística funcionam como recursos de extrema importância para a geração de alternativas (especialmente com relação a aspectos formais do produto) e desenvolvimento de inovações significativas. fonte: MEDEIROS. Requisitos específicos e funcionais. Projeto. Fracionamento do problema. Execução. Localizar Parâmetros. Protótipo. Proposta de BONSIEPE: Estruturação do Descobrimento de uma necessidade. Convergência. Combinar Sub-Soluções em Alternativas Avaliar Alternativas. Elaboração de detalhes particulares. até que se chegue a uma solução final de design. Finalidade geral do projeto. projeto do produto Seguindo este processo básico de raciocínio. transformação e convergência). Figura 8. Embora não aborde outras etapas de projeto como detalhamento do produto e construção de modelos e/ou protótipos. Avaliação e solução. fonte: MEDEIROS. Revisão. 1981. Formulações particularizadas do problema Síntese. Análise. problema Projetual Valoração da necessidade. Avaliação e Solução. Escolher Solução (Design) Final. Modificação do protótipo. Estruturada em três fases (divergência. A partir daí. a metodologia de JONES indica etapas importantes da atividade de concepção: partindo-se de uma situação bastante definida (o problema). Finalidade particular do produto. 1981. Problema. Análise de soluções existentes. Formulação. © 2006 eduardo romeiro filho 96 ufmg . cujos diagramas comparativos (bastante simplificados) encontram-se a seguir: Metodologias de Projeto de Produto Metodologia proposta por JONES: Divergência. Desenvolvimento de alternativas Concepção e desenvolvimento Verificação e seleção de alternativas.

Figura 9. Programa de testes. Análise de compatibilidade. Análise e revisão. apresentando menores ou maiores peculiaridades em função de características próprias do produto a ser concebido e do público ao qual é destinado. Verificação da concepção do projeto. Execução. Neste caso é observada uma maior amplitude em relação ao processo projetual. que inclui etapas como construção de protótipos e fabricação da pré-série. Projeto detalhado das partes. Projeto Detalhado. Previsão do comportamento do sistema. Concepção. etapas importantes para que. através de um processo de feed back. Avaliação. a metodologia apresentada por JONES tem como características principais uma abordagem mais ampla do processo projetual em relação às anteriores. Desenhos de montagem. Formulação. Projeto Preliminar. Projeções para o futuro. Pode-se notar a separação entre duas etapas fundamentais: a estruturação do problema projetual e o projeto propriamente dito. determinando etapas desde o descobrimento e valoração da necessidade até a fabricação em pré-série. Avaliação Análise econômica. projeto do produto GUI BONSIEPE. Análise de sensibilidade. designer alemão. Identificação do problema. Preparação para o projeto. Otimização formal. Análise física. Concepção para o projeto. Processo metodológico proposto por ASIMOW: Estudo de Exeqüibilidade. Etapas como avaliação e revisão repetem-se ao longo do projeto. Projeto geral de sub-sistemas. Análise das necessidades. Desenvolvimento. Em um crescente nível de detalhamento. Simplificação do projeto. Análise e síntese. Avaliação. Re-projeto. Revisão. apresenta uma metodologia mais elaborada. 1981. chamando a atenção para o fato de que o processo projetual não é estático ou linear. fonte: MEDEIROS. Revisão. Projeto geral de componentes. bem como um aspecto cíclico que aparece como uma constante durante o processo. © 2006 eduardo romeiro filho 97 ufmg . Análise de estabilidade. BONSIEPE chama desta forma a atenção para a importância de um firme enfoque em relação ao problema a ser atendido como forma de tornar consistente a solução adotada. sejam estabelecidos parâmetros para novos projetos com base em erros e acertos do projetos desenvolvidos. Análise financeira. Modelos matemáticos.depto engenharia de produção . Construção experimental. Seleção de concepção.

9. Tese de Mestrado. Revisão de documentação. Desenvolvimento Avaliação e seleção de alternativas de concepção. Análise dos fatores antropométricos. Análise das condições ambientais. Identificação dos fabricantes e usuários. Detalhamento da solução para cada sub-sistema.cit. Detalhamento da solução para cada peça. Etapa de Desenvolvimento de alternativas de concepção do produto como um todo. E. “de acordo com a equipe e o tempo disponíveis”. Etapa de Definição Definição dos requisitos e restrições. Análise das tarefas de manutenção. Identificação inicial do contexto de projeto (situação do projeto. Figuras 7. Bonsiepe. Planejamento do trabalho (definição do escopo do projeto. Desenvolvimento de alternativas para cada componente. Etapa de Análise. obsolescência).). A metodologia proposta por MEDEIROS (op.execução de modelos e desenhos. Avaliação e seleção de alternativas para o produto. Definição de características e sub-sistemas do produto. Neste ponto estão dois elementos cruciais no desenvolvimento projetual: a equipe responsável e o tempo disponível. Fracionamento e hierarquização dos sub-sistemas do produto. O autor apresenta diversas formas de desenvolvimento do processo projetual. Ora. Viabilização do projeto. Análise dos fatores de difusão. Estes dois aspectos representam uma importante referência para alguns problemas bastante sérios. 8. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto. Detalhamento da solução para cada componente. Desenvolvimento da concepção formal . a crescente complexidade tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente © 2006 eduardo romeiro filho 98 ufmg . dos Requisitos.). Análise das tarefas de comando (importância. Avaliação e seleção de alternativas para cada componente. Construção de protótipo(s) das solução(ões) adotada(s). Revisão de Projetos. 1981. sub-sistemas e funções técnicas do produto. Análise dos fatores morfológicos. processos de solução. Análise do processo de trabalho. N. desde sistemas completos até peças isoladas. projeto do produto Metodologia proposta por MEDEIROS: Etapa de Identificação. Na metodologia apresentada. em especial na etapa de análise. mercado e normas de legislação). Etapa de Testes. freqüência e tempo de uso). produtos e política existentes. Programação da etapa seguinte. Desenvolvimento de alternativas para cada peça. Análise dos fatores de produção. é sugerida a possibilidade de que a etapa referente às diversas análises realizadas possa ser realizada de forma paralela. entre seqüências predominantemente lineares ou aquelas em que há o desenvolvimento paralelo de várias etapas. Avaliação e seleção de alternativas para cada peça. Asimow e Medeiros) Fonte: MEDEIROS. Além disso. Desenvolvimento de alternativas para cada sub-sistema. apresenta como característica marcante um alto nível de detalhamento.avaliação da compatibilização dos sub-sistemas . do produto ou sistema de produtos. 10: Metodologias de Projeto (Jones. Análise dos fatores de operação (sistema. pode-se observar um cuidado do autor em determinar os diferentes níveis do projeto.depto engenharia de produção . Análise e avaliação dos produtos existentes.

projeto do produto

eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção e apresenta soluções sem a
utilização de uma metodologia definida11. Em seu lugar surgem equipes cada vez maiores, especializadas no
desenvolvimento de projetos em suas várias especialidades.
Se a criação de equipes ou centros de pesquisa torna-se um recurso inestimável à atividade projetual,
traz em se bojo uma série de complicações, basicamente relacionadas à necessidade de um efetivo e adequado
gerenciamento de todo o pessoal envolvido e, principalmente, da informação que circula entre os diferentes
grupos.
As questões apontadas sugerem, em princípio, a concentração de tarefas em pequenos grupos, formados
por elementos de diferentes especialidades ou, por outro lado, a criação de estruturas que permitam a interação
de diferentes equipes. A formação de uma pequena equipe de projeto apresenta a inegável vantagem da
circulação das informações de forma praticamente imediata. A realização de reuniões periódicas, neste caso, é
bastante facilitada, tendo em vista a proximidade física e a na maior parte das vezes estreita relação profissional
existente entre os diferentes membros12.
Esta solução, entretanto, apresenta seus limites tendo em vista a limitação prática da abrangência
tecnológica do produto. Projetos de mobiliário, por exemplo, podem ser desenvolvidos por pequenos grupos de
projeto (ou mesmo individualmente), tendo em vista as características específicas da tecnologia utilizada na
fabricação do produto. No caso de um automóvel, por outro lado, estão envolvidas no mais das vezes centenas de
pessoas, em diferentes empresas e países, com responsabilidades diversas sobre o produto final, desde a
concepção da carroceria até o dimensionamento de pequenos parafusos para fixação de componentes.
A complexidade verificada na maioria dos projetos de design e engenharia atuais, portanto, acaba por
impedir na prática que o trabalho seja inteiramente desenvolvido por um único grupo, de forma isolada. Diversas
equipes cooperam entre si, e contribuem para um bom resultado de conjunto final. Durante o desenvolvimento
do empreendimento, uma grande quantidade de informação circula entre os participantes. Relatórios técnicos,
memoriais de cálculo, memoriais descritivos, especificações, plantas, esquemas, desenhos técnicos de
detalhamento e montagem exemplificam o conjunto de documentos que compõem um projeto.
O projeto um automóvel americano demandava, nos anos oitenta, mais de sessenta meses de trabalho
por 900 pessoas, em um total de 3,1 milhões de horas. Na mesma época, projeto semelhante desenvolvido pela
indústria japonesa ocupava 1,7 milhões de horas de trabalho em 46 meses, por 500 pessoas13 (CLARK,
FUJIMOTO e CHEW, 1987, e FUJIMOTO, 1989). Apesar de números bem menores, ainda assim tratam-se
cifras impressionantes. A partir destes exemplos, podem-se avaliar as dificuldades advindas do gerenciamento de
desenvolvimento de produtos. Em casos como estes torna-se impossível, na prática, a centralização do projeto
em pequenas equipes dedicadas.
Outro problema extremamente sério neste campo está na questão do tempo de desenvolvimento de
projeto. Utilizando-se ainda o exemplo anterior, pode-se perceber que, em comparação com a indústria japonesa,
nos EUA leva-se (ou levava-se, na década de oitenta) o dobro do tempo (em horas de trabalho) para o
desenvolvimento do projeto de um automóvel, com quase o dobro de pessoas envolvidas.
Neste caso, não é de forma alguma surpreendente o sucesso conseguido pela indústria automobilística
japonesa, tendo em vista o fato de que ela é capaz de responder aos anseios dos consumidores (futuros usuários
de seus produtos) com muito mais rapidez. Embora de uma forma bastante simplista, pode-se dizer que, na
década de oitenta, os carros japoneses eram lançados três anos antes do que os americanos cuja concepção se
iniciava na mesma época, ou seja, os automóveis americanos já chegavam três anos mais velhos ao mercado.
O papel do design e da engenharia nestes casos é flagrante. Um processo projetual estruturado e bem
conduzido é uma peça-chave para a conquista e manutenção de mercados. O processo de design e o
desenvolvimento de novos produtos assumem importância crescente em um cenário de alta competitividade a
nível mundial como vem ocorrendo desde o início da década de oitenta. Com a globalização da produção, de
nada adiantarão produtos obsoletos, cuja vantagem competitiva seja sustentada somente pelo fator preço de

11
Esta imagem, que JONES (1970) define como “a visão do designer como um mago” é muita bem representada
por personagens amalucados de histórias de ficção, sempre às voltas com novos inventos, como o Prof. Pardal,
criação de Carl Barks para os Estúdios Disney.
12
Mesmo nos casos de equipes relativamente grandes, a proximidade física pode ser bastante positiva em termos
de circulação de informação. Em uma das empresas pesquisadas, mesmo a partir da implantação de uma rede
local a concentração das diferentes equipes de projeto em um mesmo espaço físico foi considerada positiva,
tanto pela gerência como pelos projetistas, em função de uma maior "sinergia" entre o grupo.
13
No Japão, o tempo de fabricação do protótipo é de 6,2 meses, em média, exatamente a metade do tempo
utilizado nos EUA.

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projeto do produto

compra. O destino destes produtos será cada vez mais os mercados marginais, seja interna ou externamente ao
país produtor.
Para a agilização do processo projetual como um todo, no caso de produtos que envolvam grandes
equipes e a necessidade de interação e integração entre diferentes setores, ou mesmo entre várias empresas,
torna-se crucial um fluxo eficiente de informações (ou de conhecimento). O conhecimento deve estar disponível
em tempo hábil e destinada à pessoa certa, para que o processo tenha andamento eficiente. De nada adiantará
uma difusão descontrolada de informações, se cada um dos envolvidos não possuir meios de determinar e
localizar as formas de conhecimento de seu interesse.
Há um outro exemplo que ilustra bem o problema do desenvolvimento de projetos envolvendo
tecnologias sofisticadas e processos “globalizados” de produção. O novo avião Boeing 777 possui componentes
fabricados em países tão diferentes como Austrália, Brasil, Japão, Itália, Canadá, França, Coréia do Sul,
Singapura14 e Irlanda. Como gerenciar equipes de projeto das diferentes empresas envolvidas, situadas a tão
grande distância e de tão diferentes “procedimentos culturais”?
A utilização de sistemas CAD pode auxiliar em muito a difusão e intercâmbio de informações em
tempo real, mesmo a grandes distâncias. Neste caso, a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus
fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça, bem como sugerir alterações
pertinentes. As vantagens trazidas pela adoção do CAD, entretanto, somente poderão ser efetivamente
observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual, adequando-o às novas
ferramentas tecnológicas.
Os sistemas CAD permitem, desta forma, o desenvolvimento simultâneo de diversas fases do
projeto, a partir de um compartilhamento adequado das informações geradas. O CAD torna-se nestes casos uma
poderosa ferramenta de integração, permitindo já na fase de projeto, se obter uma representação bastante precisa
do aspecto final do sistema, simular sua operação e prever eventuais erros de projeto. Desta forma, o CAD vem
de encontro às necessidades de uma forma específica de desenvolvimento de projeto, denominado Engenharia
Simultânea15.

O COMPUTADOR NO PROCESSO PROJETUAL16.
O projeto de produtos é, portanto, uma atividade extremamente complexa, que não deve ser restrita a uma forma
de arte, ciência ou engenharia, pois se trata de um meio híbrido que para ter êxito exige uma perfeita combinação
das três especialidades. Coloca-se hoje como fundamental um perfeito domínio de uma grande quantidade de
informações, bem como uma perfeita comunicação e transmissão constante de dados entre os diversos elementos
da equipe de projeto, entre as diversas equipes de projeto e entre estas e os demais setores da fábrica, como
marketing, produção, etc.

Para que isto ocorra de forma satisfatória, em muito auxilia (ou deveria auxiliar) a utilização de
meios informatizados. Entretanto, o que pode ser constatado na maioria dos casos reais é que este auxílio não
existe, ou existe de forma bastante limitada, se for levado em consideração o potencial oferecido pelos sistemas
CAD ao setor de projetos. Enquanto nas áreas administrativa e afins a utilização da informática já se apresenta
como relativamente consolidada, nos setores de projeto e produção o caminho apenas começa a ser traçado, o
que tem trazido diversos entraves para implantação e utilização dos sistemas informatizados.
No caso específico da atividade projetual, as inovações trazidas pela informatização não podem ser
resumidas à mera utilização de novos instrumentos, já que a concepção de todo o projeto e a definição dos
processos de trabalho não depende agora somente do designer, engenheiro ou arquiteto, mas também do
computador, de sua capacidade, do software e dos especialistas em informática (17), que interferem nestes
processos com o desenvolvimento dos equipamentos hardware, sua manutenção e na criação de software que
devem adequar-se à atuação de outros profissionais.

14
Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: "As grafias erradas Cingapura e cingapurense provêm
de um texto das "Peregrinações" de Fernão Mendes Pinto, do séc. XV, época em que não se cogitava dos
problemas ortográficos. (...) Singapura vem do sânsc. sinh (leão) e pura (cidade)."
15
Também denominada Engenharia Concorrente (MOREIRA, 1993) ou Paralela (KOVESI 1993).
16
"Primeiro, enfie em sua cabeça que computadores são máquinas de escrever e calcular grandes, caras,
rápidas e idiotas." (TOWNSEND, 1984).
17
"Depois, convença-se de que os técnicos em computadores que você provavelmente chegará a conhecer ou
contratar são, em sua maior parte, complicadores, e não simplificadores. Eles tentam fazer a coisa parecer
difícil. (...) Usando seu jargão, estão engendrando uma mística, um sacerdócio, seu próprio ritual de
"blablablá" para evitar que você saiba o que eles - e você - estão fazendo." (TOWNSEND, op.cit.)

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projeto do produto

Os sistemas de projeto assistido por computador apresentam-se hoje como de inegável vantagem para
diversos campos da arte e das atividades de projeto, em especial para aquelas ligadas às engenharias. Além do
CAD, de outras formas o computador auxilia o projeto, tais como para arquivo de dados e/ou imagens e o
processamento destes dados segundo critérios pré-estabelecidos. Este é um aspecto importante para a fase
anterior ao projeto, durante o levantamento de dados.
"Um computador não cria, a qualidade da solução depende sempre do designer e
estou convencido de que no futuro também será assim. Só que, se antes algumas tarefas eram
deixadas de lado por falta de tempo ou pelo seu custo, hoje, através da computação, elas
podem ser realizadas (...) Não há nenhum programa que traga qualquer contribuição ao
designer, além daquela de ser um instrumento de trabalho mais versátil, que pode economizar
tempo. Não estamos ainda em situação em que determinadas fases do projeto possam ser
facilitadas através da computação. Ela é sempre ainda um mero instrumento de trabalho.
Tanto quanto antes é preciso definir características e só então há sentido em utilizar o
computador." (NAGEL, in BONFIM, 1987).

Após a definição do produto, com base nos dados levantados, o computador pode ser utilizado para a
confecção dos desenhos bidimensionais. É possível também gerar imagens tridimensionais do produto (neste
caso, produto tem uma conotação ampla, podendo variar desde um parafuso até um avião), permitindo uma
melhor visualização do objeto por pessoas estranhas aos tradicionais sistemas de vistas ortogonais. Podem ser
também realizados testes e simulações de esforços estruturais sem a necessidade de construção de maquetes.
Entretanto, dentro de uma visão mais abrangente de projeto, sendo este um exercício de concepção,
pode-se dizer que o CAD funciona ainda principalmente como um banco de dados, de soluções de projeto
existentes, ainda não apresentando-se como uma fonte de soluções consideráveis de concepção, sendo este
exercício, a concepção/criação do objeto, ainda um privilégio do usuário, fato que muitas vezes passa
despercebido quando se fala em sistemas de projeto assistido por computador. Este, pelo menos por enquanto,
continua funcionando apenas como um apoio à fase posterior, ou seja, a da descrição da idéia concebida. O que
não deixa de ser um grande avanço.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
BONSIEPE, Gui. Teoría y práctica del diseño industrial - Elementos para uma manualística crítica. Colección
Comunicacion Visual. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1978.
JONES, Christopher J. Métodos de Diseño. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1976.
MEDEIROS, Estevão Neiva de. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto.
Rio de Janeiro, COPPE/UFRJ, Tese de Mestrado, 1981.
MOORE, Gary T. et alii. Emerging Methods in Environmental Design and Planning. The Massachusets Institute
of Technology, 1973.
PUGH,S. CAD/CAM - Its Effect on Design Understanding and Progress. Tucson, Robotics and Automation
Conf. 1985.
TOWNSEND, R. Further up the Organization. New York, Alfred A. Knopf, Inc., 1984.
ROMEIRO FILHO, E. O CAD na Indústria - Implantação e Gerenciamento. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ,
1997.

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projeto do produto

Criação:
Libere sua Criatividade.
Condensado de: Psychology Today (jul/ago, 1996), (c) 1996 por Sussex Publishers, Inc., 49 e.
21 st, New York N.Y. 10010.

Robert Epstein (Diretor emeritus do Cambridge Center for Behavioral Studies em
Massachusetts e autor de Creativity Games for Trainers.)

VOCÊ É CRIATIVO? Se é como a Feche os olhos. Deixe que sua mente
maioria das pessoas, provavelmente acha que não. vagueie livremente por uns minutos. Relaxe e
Durante toda a vida nos dizem que a criatividade é permita que seus pensamentos fluam sem dirigi-los.
coisa rara e misteriosa, que somente os artistas são Você saiu do quarto? Deixou a terra? Vagou até as
criativos, que é uma função do "cérebro direito", estrelas? Se tiver bastante tempo e nenhuma
seja o que for isso. Mas depois de quase 20 anos de distração, todo mundo vê, ouve ou experimenta
pesquisas em laboratório, cheguei à conclusão de coisas impossíveis de experimentar na realidade.
que a criatividade está ao alcance de qualquer um - Já dirigi esse exercício por toda parte,
sem exceção. Nos últimos anos tenho aplicado com inclusive no Japão, onde, talvez por motivos
sucesso algumas lições do laboratório a situações culturais, poucas pessoas se dizem criativas. Mas
da vida real, com crianças e professores, pais e depois de alguns minutos, as platéias japonesas
executivos de companhias. relatam sonhos tão ricos quanto os de Salvador
Para liberar o seu potencial criativo, Dali. Um homem disse: "Voei ao topo do prédio ao
domine essas estratégias. Pode ser que seja só isso lado e vi este prédio se desmoronando enquanto
que está entre você e algumas das pessoas mais comia um sanduíche. (A IBM ocupava o prédio ao
criativas da história. lado. Estaria ele em busca de um emprego melhor?)
Captação. As novas idéias são fugidias, Captar é mais fácil em certos ambientes e
como coelhos correndo pela sua consciência. Se em certas ocasiões. Para algumas pessoas, há três
você não as agarrar depressa, em geral desaparecem condições para a criatividade que são especialmente
para sempre. As pessoas que levam a sério a férteis: cama, banho e ônibus - especialmente se
exploração de sua capacidade criadora aprenderam você tiver sempre material para escrever à mão
meios de prestar atenção nas idéias e conservá-las. nesses lugares. Outros precisam sentar-se junto de
Essas pessoas têm a habilidade da "captação". um poço ou uma cabana solitária no mato.
Salvador Dali, o grande surrealista, Desafio. Um meio de acelerar o fluxo de
captava idéias do estado fértil do meio sono novas idéias é colocar-se em situações difíceis, em
chamado hipnagógico. Ele ficava sentado numa que você provavelmente fracassará. O espantoso é
poltrona com uma chave na mão, por cima de um que o fracasso pode ser um manancial de
prato colocado no chão. Quando adormecia, o ruído criatividade - se for bem manejado!
da chave batendo no prato o despertava. Tipicamente, quando não conseguimos
Imediatamente, ele desenhava as imagens bizarras fazer alguma coisa, nos sentimos frustrados e - o
que estava vendo. mais importante para a criatividade - começamos a
Todos nós temos incríveis experiências experimentar outros procedimentos. Muitas idéias
perceptivas nos momentos antes de adormecermos competem vigorosamente, intensificando muito o
profundamente. Dali apenas inventou um meio de processo criativo.
agarrar algumas delas. Os pintores trazem sempre Digamos que você comece a girar uma
consigo seus blocos de desenho. Os inventores e maçaneta que sempre girou com facilidade. Ela não
escritores levam blocos de notas ou computadores se mexe. Você torce com mais força. Aí você a
portáteis, ou tomam notas em guardanapos e papéis puxa para cima ou empurra para baixo. Talvez a
de balas. sacuda. Depois, pode ser que você empurre a porta
Eis um exercício simples que criei para com o ombro ou lhe dê um pontapé. Poderá até
convencer as pessoas de seu potencial de gritar por auxilio. Esses esforços - colhidos de
criatividade. Eu chamo a isso "capturando um procedimentos estabelecidos - provavelmente
devaneio". levarão a novas soluções. Em resumo, a

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velcro combinou anos de seremos capazes de resolver melhor os pequenos treinamento como engenheiro à sua curiosidade problemas que nos afligem no dia-a-dia. Brainstorming É uma técnica para reuniões de grupo que visa ajudar os participantes a vencer as suas limitações em termos de inovação e criatividade. maior o seu potencial para uma participantes da equipe a estímulos múltiplos. O brainstorming tem quatro regras de ouro: nunca critique uma sugestão. A sobre a botânica. um alicate e uma vela. Com filhos.(jul/ago) 1996. projeto do produto criatividade não é mística: é uma extensão do que Inúmeros progressos foram possibilitados você já sabe. o engenheiro suíço George indivíduos à desaprovação. uma sessão de brainstorming pode durar desde alguns minutos até várias horas. mais ter de fazer uma tarefa doméstica. está na companhia dos maiores poetas. Osborn (Scribner's. que tinham agarrado o dobro de idéias do que o grupo dos debates alças de fibras da fazenda. Com novos poderes criativos. em vez compositores e inventores de todos os tempos. procure Ambiente.e. a TV para assistir a uma partida de futebol. Bibliografia.um boné. Nós queremos sabe coisa alguma e nem quer saber. de A. Estímulos variados e que estão um atraso de vida. © 2006 eduardo romeiro filho 103 ufmg .depto engenharia de produção .que se mova de sessões às suas calças. aprenda sobre assuntos de que não acelerar a produção da criatividade. Usando suas simples.desafios abertos. 1963). também inibem a criatividade porque expõem os Nos anos 40. também uma forma de "ambiente" criativo. por exemplo. o que é ainda mais importante - Tome-se um milionário. e não respeite a propriedade intelectual. pegue um enfático "sim"! Se você estiver se sentindo livro de História. encoraje as idéias bizarras. Libere sua Criatividade. consoante as pessoas e a dificuldade do tema. Apllied Imagination. É disso mude para um programa educativo. você pode intensificar passar 15 minutos por semana resolvendo o a sua criatividade cercando-se de diversos seguinte: estímulos . por exemplo . OECH. Roger Von. Mas produção criativa. Condensado de: Psychology Today. em mudando esses estímulos regularmente. Além de zelar para que todos os participantes (geralmente entre 6 e 12 pessoas) cumpram as regras. São Paulo: Livraria Cultura Editora Ltda. de Mestral estava voltando de um bosque quando Nas minhas pesquisas. sempre mudando ajudam a promover idéias sempre Você não encontrará soluções.gera tipicamente "ganchos" nos carrapichos. Criada por Osborn em 1963.. Quanto mais conhecimentos debates livres em reuniões. EPSTEIN. o líder da sessão deve manter um ambiente relaxante e propício à geração de novas idéias. Coloque objetos fora do comum na sua Arranje um jeito de nunca mesa de manhã . uma semana. bem provável que esteja à beira de uma nova idéia. resultante explosão de idéias e realizações poderia fazer as do Renascimento parecerem um passeio numa bicicleta parada. procure as estações de rádio que você não conheça. F.também podem ser usados para criatividade. Em regra. esses desafios insolúveis vão estimular uma porção A maneira de você reagir aos outros é de idéias novas e interessantes. Um "Toc" na Cuca . No carro. começou a tentar criar "ganchos e alças" artificiais. descobri que um ficou aborrecido ao ver uns carrapichos agarrados grupo "móvel" . Se em geral chega em casa e liga bloqueado. mas dinâmicas e diversas. você tiver e quanto mais diversos forem esses funcionam até certo ponto porque expõem os conhecimentos. Se você quiser intensificar a sua própria não têm solução . amigos ou colegas. viu pequenos particulares a reuniões em grupo . Por fim. que setores. Se você realmente nos colocar em situações frustrantes? Um normalmente só lê romances policiais. prefira a quantidade à qualidade. New York: Sussex Publishers. todos O produto final . Sob um microscópio. Os Ampliação. claro. Robert. Inc. as reuniões não costumam ultrapassar os 30 minutos. porque seus criadores tinham experiência em vários Enormes problemas .ou apenas rearrume algumas coisas Elimine o envelhecimento. 1988. Por quê? Porque a criatividade é sempre experiências em muitos setores. De Mestral um processo individual.Técnicas para quem quer ter mais criatividade na vida. em seu quarto.

e. que pode ser lido produto e. Estas novas configurações. vezes o resultado é o oposto. nem sempre significam. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora uma nova interface. a partir de uma abordagem do design industrial. sociais e econômicos ocorridos produtos disponíveis no Brasil. que seja nos países centrais como nos chamados normalmente apresentam inovações tecnológicas emergentes (nova terminologia adotada para alguns em níveis diversos. Levantar este assunto e apontar elementos que contribuam para sua discussão. Posteriormente é observada a progressiva modernização dos modelos e aumento nas opções de bens de consumo fabricados no Brasil. mas inclusive. entretanto. novas funções e formas de uso. INTRODUÇÃO Ao designer industrial cabe a concepção de objetos e a elaboração de interfaces mais O acesso ao consumo e utilização de adequadas. novas funções e formas de uso. não somente aos consumidores (compradores). Muitas vezes o resultado é o oposto. A formação de um forte mercado consumidor é considerado. Viçosa/MG.depto engenharia de produção . Criar um produto “amigável” é produtos tem sido tradicionalmente associados a atualmente um dos maiores desafios do design com uma forma eficiente de inclusão social. Segundo que podem representar um verdadeiro “labirinto” TAVARES (1997) globalitarismo é um neologismo para o usuário. "globalização" por "globalitarismo". ou seja. MERCADO E NOVOS crescente “Globalização”. uma vantagem para os usuários. em última análise. a incorporação dos do ponto de vista político como a síntese entre a benefícios oferecidos por este pelo consumidor. segundo a oferta de novos produtos tem se acelerado a partir ADLER e WINOGRAD. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora Diversos autores preferem tratar a uma nova interface. inibindo a adequada utilização do introduzido por Ignácio Ramonet. um aspecto-chave para o também aos usuários. observadas significativas mudanças nas estruturas de produção e nas formas de organização vigentes. Levantar este da década de noventa. a incorporação dos benefícios oferecidos por este pelo consumidor. A formação vistas à criação de produtos que sejam acessíveis de um forte mercado consumidor é considerado. nem sempre significam. em princípio financeira PRODUTOS. O geógrafo Milton 18 Artigo apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Economia Doméstica. dentro de conceitos de desenvolvimento econômico de um país. Globalização e o Totalitarismo. Esta GLOBALIZAÇÃO. com a abertura do mercado assunto e apontar elementos que contribuam para interno a inúmeros produtos estrangeiros. sua discussão são os principais objetivos deste item. projeto do produto O DESI GN DE PRODUTOS COMO FORMA DE I N( EX) CLUSÃO SOCI AL 18 O acesso ao consumo e utilização de produtos tem sido tradicionalmente associados a uma forma eficiente de inclusão social. em última análise. são os principais objetivos deste item. ou seja. países de industrialização recente do antigo entretanto. sejam nacionais ou principalmente a partir da década de oitenta. No Brasil. um aspecto-chave para o desenvolvimento econômico de um país. uma vantagem para os usuários. 1992). outubro de 2001 © 2006 eduardo romeiro filho 104 ufmg . que normalmente apresentam inovações tecnológicas em níveis diversos. “usabilidade” (do inglês “usability”. Muitas "terceiro mundo"). dos próprios meios de produção e processos produtivos tem trazido A partir de uma série de acontecimentos modificações importantes na configuração dos políticos. inibindo a adequada utilização do produto e. inclusive. mais recentemente. que podem representar um verdadeiro “labirinto” para o usuário. Os novos produtos. são importados.

mas parecem-nos claras determinados grupos de clientes. Sob este cada vez mais segmentados. Paradoxalmente. criação de grandes blocos comerciais remontem aos anos 60. os sistemas de governo pautam-se por princípios pois produtos globais devem atender a mercados (pelo menos aparentemente) democráticos. embora A onda neoliberal. que entre outras (Ricupero e Gall. O mercado mundial sofre desta Washington”. acentua diferenças entre países e impõe pelas inovações dos sistemas fabris que permitem novas (ou muito antigas19) formas de controle sobre uma flexibilidade inédita nas linhas de produção. 2001). da Rodada Uruguai de negociações. segundo o qual o papel do Estado maneira significativas modificações. comparados àqueles do Imperialismo do séc. © 2006 eduardo romeiro filho 105 ufmg . XIX. 1995). 1997) coisas reduz em muito o poder de barganha dos Além das questões econômicas ligadas à trabalhadores e sindicatos (mesmo nos países Globalização. o aumento do comércio é hoje a tônica das relações internacionais. na Ásia. demonstra de princípios defendidos pelos países ricos podem ser maneira evidente a política estratégica da empresa. antes da primeira das oito rodadas de negociações multilaterais do GATT (Acordo Geral sobre O acesso ao consumo nem sempre representa Tarifas e Comércio). tendendo a criar um único mercado do tamanho do planeta. que teve seu início inventem-se outras como critérios marcado pelos governos Reagan (nos EUA) e sanitários. o modelo T ser vendido a dos portos às nações amigas" promovida por D. este processo ocorre em necessidade de maior produtividade por parte das um momento de aparente estabilidade política. desde que esta maneira inequívoca o chamado “consenso de seja o preto20. em 1924. O crescimento do comércio internacional acelerou-se depois da conclusão. Entretanto. onde os Estados de forma geral aceitam de massa e dos carros de qualquer cor. com uma diminuição geral das barreiras alfandegárias. os países "satélites". Aparentemente ocorre aqui um paradoxo. criou uma série de novas obra que bloqueiam importações. As tarifas sobre bens industriais importados por países ricos são agora menos de 10% das impostas em 1947. A Como não comparar a abertura indiscriminada do compulsão pela economia de escala tornava os mercado brasileiro realizada pela administração produtos Ford irresistíveis em termos de preço ao federal no início da década de 90 com a "abertura ponto de. em 1993. projeto do produto Santos também utiliza o termo (AMARAL et all. técnicos e de mão-de- Thatcher (Inglaterra). onde empresas. situação esta que é ainda mais fazendo com que o lançamento de novos produtos acentuada a partir da globalização financeira ocorra com a mesma facilidade com que são (PRZEWORSKI. o comércio mais livre não é sinônimo de um processo de longo prazo mais amplo.depto engenharia de produção . nas bases da Comunidade Européia. Embora as discussões acerca da 1998). extremamente eficiente até a década de 20. o que vem a deve ser mínimo e as liberdades econômicas acirrar ainda mais disputas comerciais e aumentar a máximas. preços que permitiriam lucros de apenas dois João VI em 1808? dólares por unidade (NOBREGA. Parece as mudanças ocorridas. como a ALCA. Não pretende-se aqui atendidas as necessidades peculiares de aprofundar esta discussão. desaparecendo. rio coberto de garrafas. As velhas melhoria nas condições de vida de uma população. atribuída a Henry Ford. “Ao mesmo tempo em que é um sinal vital de globalização. existe também o impacto causado ricos). condições econômicas e sociais. esta ponto de vista devem ser encarados também os situação pode ser em parte explicada por novas planos para a formação de áreas de livre comércio formas de gestão da produção e de 19 20 Em verdade. em especial na América definitivamente encerrada a era da produção em Latina. pode-se dizer que muitos dos Esta frase. restrições quantitativas estão Acima.

apresenta Design © 2006 eduardo romeiro filho 106 ufmg . designer's unique contribution incluindo desde o cliente que efetivamente places emphasis on those aspects encomenda o projeto (como um industrial of the product or system that interessado no aumento de suas vendas através da relate most directly to human melhoria de seus produtos). em O desenvolvimento destes produtos mercados cada vez mais exigentes e competitivos. produto. International Council of mais ampla.” com o produto. Apresenta-se a excelência de seu produtos. Industrial design is the professional service of creating and developing concepts and A ABORDAGEM DO DESIGN INDUSTRIAL. O baixo preço final é em qualidade. apesar da crise surge como uma nação onde em especial em países desenvolvidos. estão incluídos os safety and convenience criteria. This contribution produtos. A Alemanha segue o através principalmente da (1) criação de novos mesmo caminho. formação e organização assumem produtos e conquista (ou manutenção) de mercados.(. que possui armas que cada país dispõe para enfrentar a cada vez mais opções de escolha diferenciadas. importância fundamental. bem possuem bases globais de produção e seguem como a aplicação de metodologias próprias. padrões definidos de utilização de peças. até seus usuários characteristics. que Desde a década de 70. o maior anos atrás. Esta abordagem requer Societies of Industrial Design. chaves da competição internacional. Produtos que agora necessariamente formas peculiares de ação. o que visando a adequada solução para problemas que são permite a criação de sistemas diferenciados a partir progressivamente complexos. responsáveis pela fabricação e montagem.depto engenharia de produção . o Society of America (grifo nosso): que demostra que. Neste caso. da Harvard consumidores parece ser. quando as relações passaram a ser os principais atributos de escolha. eis a oferecida pela Industrial Designers determinante nesta busca por constante melhoria. e a forma Dentre as definições para Design como estes produtos são concebidos e projetados é Industrial. Outros países de produtos às funções de uso. diferenciados e adequados às necessidades dos Segundo o Professor Robert Maynes. dentro de uma Education and experience in perspectiva contemporânea. desativação e até. projeto do produto desenvolvimento de produtos. hierarquizar e perceived by the user are coordenar o atendimento das necessidades dos essential industrial design diversos níveis de usuários (ou clientes) envolvidos resources. O Japão. with concern for the user. factors that influence and are Cabe ao designer identificar. o design é arma fundamental para o aumento da competitividade. da reciclagem do produto e/ou absorver o impactos physiological and sociological de seus resíduos na biosfera. como a disso. o concorrência. grande vedete do final do design é levado a graus crescentes de importância. Além dias atuais incorpora novas variáveis. em declaração de 1997: “Quinze "neurose por produtos ecológicos". specifications that optimize the function. dentro de uma abordagem cada vez Já o ICSID.) The industrial adequados aos diversos níveis de usuários. alvos principais das ações de marketing) requires specialized e todos aqueles envolvidos no ciclo de vida do understanding of visual. Amanhã será em Design”. embora o alto custo representado atributos de valor aos produtos. parece ter cedido aos apelos da qualidade e das características de interface dos produtos. A ação do design nos de um número limitado de componentes. value and appearance Existem diversas definições e conceitos of products and systems for the ligados ao Design (ou Desenho) Industrial. sistemas mais eficientes de produção necessidade cada vez maior de atributos permitem uma maior flexibilidade e a fabricação de “sustentáveis” ao produto. sejam estes pelo processo de reunificação tenda a ofuscar seus funcionais e/ou estéticos e (2) adequação dos níveis de crescimento global. além dos níveis de como ferramenta fundamental para melhoria dos educação. oferta e demanda se estabilizam e progressivamente Neste sentido. que permitam o menor modelos diferentes a partir de uma mesma planta impacto possível ao meio ambiente e o surgimento fabril. aqueles que irão cuidar anticipating psychological. de soluções criativas e diferenciadas em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada. needs and diretos (não confundir com os compradores dos interests. século. estabelecendo uma industrialização avançada demonstram que a interface que privilegie o usuário em situações reais excelência na concepção de produtos é uma das de utilização. cada vez mais. juntamente com a Business School. Hoje objetivo da indústria atual.. vendas. A mais mutual benefit of both user and comum está relacionada à concepção de produtos manufacturer.. as empresas competiam em preço. devem ser analisados as principais se alteram em favor do consumidor. manutenção. tactile.

Isto industrial. formal à concepção dos designers. não human community. subordinadas às restrições tecnológicas (sobre este Therefore. seja ergonômica. a partir da redução de mecanismos internos. trazem alguns problemas também (semiology) and coherent with (aesthetics) inéditos: como configurar estes novos produtos de their proper complexity. design e arquitetura de interiores. individual and possui mecanismos mecânicos internos que collective final users. como o citado por SELLE (1975. não oferecem mais este limite de forma • giving benefits and freedom to the entire restritiva. A market protagonists (social ethics) liberdade formal e de concepção da interface física • supporting cultural diversity despite the e de software é quase total. Como atender conhecimento aos quais a introdução de meios às necessidades dos usuários de. Esta associados. projeto do produto como “a creative activity whose aim is to establish podemos verificar facilmente que as configurações the multi-faceted qualities of objects.” Naturalmente se hoje em um processo de acentuado aumento dos existem diversas abordagens ligadas ao design níveis de desenvolvimento técnico e científico. diante das vantagem.) em um NOVOS PRODUTOS. TECNOLOGIAS. cujos ciclos de de produtos industriais. Esta visão característica de microprocessadores em praticamente todas as design privilegia uma ação multidisciplinar. vem fascinando o público em geral. tradicionalmente centrada no novos processos de informação. especial atenção para o A quebra deste paradigma ocorre. © 2006 eduardo romeiro filho 107 ufmg . restritos pelas formas impostas pelos • enhancing global sustainability and dispositivos técnicos. limitações tecnológicas impostas? Desta forma. cultural. por exemplo. services and systems. simbólica. Os produtos não with the task of: estão. A situação proposta globalization of the world (cultural ethics) pelas novas tecnologias. 1969): “O Design reúne (. NOVAS INTERFACES. está no centro das pela mídia. É realmente impressionante o grande características tecnológicas dos sistema técnicos número de atividades produtivas e campos do nos quais os produtos são baseados. bem como nos produtos a elas de um enfoque centrado na adequação. apud. NOVAS processo interdisciplinar da evolução dos produtos. dos potenciais benefícios da atenções do design. da introdução da micro-eletrônica nos “Design seeks to discover and assess produtos. da economia e sociologia. especialmente nos etc. conseqüências diretas para todos os cidadãos. em environmental protection (global ethics) especial. agora. funções e informações das ciências naturais e da NOVOS USUÁRIOS? técnica. visto como todo aquele que interage com o Esta “revolução da informação” trazida produto em seus diversos níveis. psicologia e estética. variando em função da natureza do produto a países centrais. por exemplo. mais ou menos amplos. Entretanto. conforme pela crescente adoção de computadores e colocado anteriormente. 1998. processes.depto engenharia de produção . informatizados pode propiciar uma inegável eletrodomésticos no início do século XX. dentro atividades humanas. Nesta definição. those forms that are expressive of Entretanto. traz voltados para o mercado de consumo. que permitem uma até então inédita liberdade expressive and economic relationships. seja nos produtos como • giving products.. organizational. serviços através de toda a sociedade. principalmente aqueles baseados significado bastante amplo. em especial aqueles projeto e de vida são cada vez mais curtos. dentre as quais as ligadas à comunicação reflete-se diretamente nas formas de produção e visual. que Neste caso. para escopo deste importantes nos padrões e no modo de vida da trabalho. adequação. notadamente aquelas ligadas à do design industrial. Um telefone celular. functional. dos novos materiais e meios de produção. KLAUS e BUHR. Com o desenvolvimento da informática. da fisiologia e É bastante evidente que o mundo encontra- medicina.” Doméstico”). e sempre foi limitada pelas informática. podemos encontrar diversos “recentes” usuários? conceitos na literatura. Aparelhos eletrônicos. estéticas (externas) dos produtos sempre estiveram services and their systems in whole life-cycles. entendemos design industrial como as sociedade como um todo. nos novos meios de produção flexível é fascinante.. que são chamadas “tarefas” do design: entretanto. structural. usuário. em especial o humanization of technologies and the crucial factor capítulo 9: “Inovação Tecnológica de Design of cultural and economic exchange. tendo em vista o grande impacto da divulgação. vem trazendo modificações diversas definições. O próprio termo “produto” é de novos produtos. chamamos a atenção para a são influenciados de diferentes formas por estas visão de projeto de produtos a partir da abordagem novas tecnologias. A maior rapidez no atividades ligadas à concepção e desenvolvimento desenvolvimento de novos produtos. dando margens a em novas tecnologias.” forma a serem adequados aos “antigos” ou Além destas. onde o contínuo aparecimento de ser concebido. design is the central factor of innovative assunto ver HESKETT. producers and requeiram espaços ou formatos pré-definidos. cognitiva ou semiológica.

mas uma radical revisão de todo este processo. aí resultados opostos do desenvolvimento científico 1993). como aquelas relacionadas ao desenvolvimento. 21 Agregando funções ao cliente. público informatização acaba por potencialmente alijar (ou leigo. tendo em vista a grande computador. projeto do produto criam-se condições inéditas para o desenvolvimento população dos serviços prestados. parte do painel de um automóvel. eliminando a figura do caixa e modificando a relação cliente x banco. pessoas de menor instrução ou aqueles que dificultar o acesso) uma expressiva parcela da simplesmente preferem ser atendidos por seres humanos. esta Parte expressiva da população idosa. em especial quando da utilização de (1993). A automação bancária é um exemplo claro em que a informatização é As novas funções agregadas ao produto trazem colocada como elemento facilitador pela mídia. Observam-se diferenças entre as nações (conforme KURZ. enfrentar filas para o atendimento por um número cada vez menor de funcionários. que tem no computador pessoal talvez o melhor exemplo. Além disso. Nestes casos. por trás de aparentes facilidades está na verdade a agregação de tarefas que antes eram Um exemplo muito comum é o do ajuste realizadas por funcionários do banco. por exemplo). no sentido de que a informática funciona e tecnológico: ao mesmo tempo que a medicina como um acelerador do progresso técnico e alcança resultados positivos no prolongamento da científico já tradicionalmente concentrados nas vida e em tratamentos geriátricos. optam ou são obrigados a fundamental fonte de riqueza para as nações. Um bom exemplo desta modificação pode ser observado nos processos de informatização bancária. pelo cliente. É fácil situação mundial como um todo. O uma série de aborrecimentos àqueles21 que.depto engenharia de produção . altera de forma radical as relações do cliente com o banco e altera bastante a forma de prestação dos serviços. Entretanto. uma parcela cada nações mais desenvolvidas. numa evidente transferência de funções. Também nas relações e na interação entre as empresas e o público a informatização provoca modificações consideráveis. condições estas que apresentam diferenças pessoal efetivo para atendimento ao público traz importantes em relação à antiga situação. através da utilização de sistemas informatizados. retirar extratos. Segundo pesquisa citada por MORAES (1991). por conhecimento torna-se cada vez mais uma diferentes razões. © 2006 eduardo romeiro filho 108 ufmg . onde as tornarem-se cada vez mais distantes de seu novas tecnologias. produtos antes indisponíveis. o cliente acaba por tornar-se o apenas 3% dos usuários americanos de videocassete responsável pela execução de um serviço que no sabiam como programar seus aparelhos para gravar processo anterior era realizado por funcionários do banco. efetuar saques e outras de controles torna sua utilização um tormento para transações podem agora ser realizados diretamente as pessoas leigas (não necessariamente idosas). servindo de principal mote para diversas Acima. onde todo o processo de trabalho e de atendimento é radicalmente modificado pela informática. complicações ao usuário. muitas vezes. A nova interface. associam- vez maior da população idosa sofre com se a estas condições padrões de conforto qualidade dificuldades no uso de novos produtos e novas de vida proporcionados pela utilização de novas tecnologias. sem o auxílio de qualquer funcionário. conforme colocado por COELHO tecnologias. A redução do humano. cujo grande número saldos. campanhas publicitárias de instituições financeiras. consigo. torna-se bastante perceber que hoje pessoas relativamente jovens claro que a adoção destas novas tecnologias tem encontram-se em ambientes tecnológicos quase que contribuído também para uma acentuação nas totalmente estranhos à sua formação. Para o cliente. Pode-se considerar que estes conceitos são parcelas da população que encontram-se à margem bastante compatíveis com a aparente realidade das dos processos de informatização acabam por populações abastadas dos países centrais. Neste caso. a partir dos sistemas de caixas automáticos: não houve uma melhoria na organização do processo anterior. Levantar de aparelhos de vídeo cassete. se for analisada a nas diferentes áreas da micro-eletrônica. além de agregar novos (como serviços por linha telefônica e via “Internet”. encontram-se já bastante velocidade observada nas transformações ocorridas disseminadas. agora representada pelo caixa eletrônica.

Editora Abril. em São Paulo.. Ainda com relação ao compreensão do universo relacionado ao usuário. desconheciam a função forma diante de uma oportunidade única na história de receptor de sinais do vídeo). Performances Humanes & Techniques (abr) Paris. Sérgio de. impossibilidade de acesso acaba tornando-se uma Georges. Da Desta forma. RICUPERO e GALL. aquele que não detém em seu Derrocada do Socialismo de Caserna à Crise da repertório uma “experiência tecnológica” suficiente Economia Mundial. 21 de fevereiro. Adam. CONCLUSÕES COELHO. Caderno a situações de uso específicas. vídeo cassete.idsa. que um médico não utilize Paulo. aparelho. ano 28. forma de exclusão.A. e com a © 2006 eduardo romeiro filho 109 ufmg . FREIRE. Marina. ALMEIDA. 1998 “O Território Revela que o Brasil é uma País não Governado - possua condições econômicas para a aquisição de Entrevista com o Professor Milton Santos” In: produtos. Estamos desta vídeo cassete (por exemplo. A sociedade atual impõe de maneira Industrial Designers Society of America. ICSID International Council of Societies of Industrial no qual as pessoas são levadas a cada vez mais Design 1996-2001: “antenarem-se” e manterem-se “na crista da http://www. João. In Folha de São Paulo. KURZ. 2001. O Colapso da Modernização. p 6-2. economistas pesquisa realizada na França segundo a qual três domésticos etc. São Paulo. Quais são os limites da competição Cabe desta forma ao designer e demais e da segurança? Globalismo e localismo.br/~imprimat/entrevista/mi estar arcando com custos relativos a funções de uso lton-santos. quando a liberdade nos é oferecida para que possamos criar verdadeiros “objetos de A lista pode ser estendida a diversos sonho”.htm#Entrevista que desconhece e/ou não consegue utilizar.org/iddefinition. P.icsid. cada vez mais desconhecido e. Karen Elsabe Barbosa. 210 pp. São Paulo: Ed. cuidar para que esta perspectiva utilizam-se de novas tecnologias. 244 pp. Inc. fornos de microondas com lógicas próprias de funcionamento. K. (28/abr) São Paulo: Folha de para um aspecto cruel das novas tecnologias. São Paulo. Não seria problema se estes produtos fossem destinados MORAES. objetos. Editora Abril usuário “típico” que passe por treinamentos a cada S. Paul S. por exemplo. Paz e Terra. Nestes NOBREGA. incorporam novas tecnologias em funções que. In: Folha de São Paulo. estão fora do alcance do repertório de CHAILLOUX.cfh. Leo Gilson. Não se pode Informática.html onda”. nº 42 (18/out). Roberto. (no caso de CDs). arquitetos etc. “Ergonomie et Produits "Grand Public" une Rencontre a Réussir”. . onde estejamos em um mundo que nos é remoto que controlam a maior parte das funções. NORO. Sérgio Pinto de. mesmo que SOUZA. pp. Edição 734. CHAILLOUX (1992) levanta uma como psicólogos. ainda assim estará impossibilitado de Revista Caros Amigos nº 17 de agosto de 1998. Clemente. ao produto nos qual ela se baseia. Problemas como estes chamam a atenção Caderno Ilustrada. Marina. Edição 1414. aparelhos sonoros com BIBLIOGRAFIA funções de memória para programação de músicas ADLER..ufsc. compreender as reais necessidades quartos dos usuários destes produtos possuíam uma e limitações dos diversos grupos de usuários ao representação incompleta do sistema televisão + conceber produtos de uso cotidiano. In: conhecimentos de parcela expressiva dos usuários. e WINOGRAD. 20-21.htm domínio de ferramentas tecnológicas estarão excluídos da utilização dos sistemas existentes.10. “Botão Vira Paranóia nos EUA”. os novos aparelhos de DVD e Usability: Turning Technologies into Tools outros inúmeros exemplos de produtos que Oxford: Oxford University Press. em muitos casos. Terry A 1992. pois este usuário. muitas vezes. ou seja. em suas novas versões. 1991. 1996: evidente que aqueles que não tiverem um efetivo http://www. entretanto. além de http://www. envolvidos com o desenvolvimento de produtos. romper esta barreira. para a compreensão da lógica dos sistema estará impossibilitado do acesso adequado à tecnologia. seria exigir demais de um in Revista VEJA . 7 troca de aparelho de telefonia móvel. 1993. projeto do produto programas de televisão.depto engenharia de produção . “O Pai de Todos”. o treinamento é a maneira mais adequada de Exame. Por outro lado. Copyright 1997 Instituto Fernand Braudel de como engenheiros. por exemplo. AMARAL. “Aceleração Tecnológica Encurta as Gerações”. In casos. Trad. com sistemas de controle pesadelo”. (19/jun) São Paulo: Folha de São conceber. sistemas de diagnósticos avançados por limitações no aprendizado do usa dos equipamentos. 1993. Aparelhos de não se transforme em uma “realidade de televisão. sociólogos. ano 35. nº 4. Marcelo. Cabe aos envolvidos na concepção destes aparelhos domésticos que. 1992. visto que o produto é um bem de capital e seu uso é direcionado à situações de PRZEWORSKI. BOURDOUKAN. trabalho. "O Futuro Será Melhor". que não podem mais ser controladas no próprio ameaçador. da tecnologia.org/whatis/definition. usufruir plenamente de seus benefícios. especial se associadas ao atual padrão de sociedade. Esta RIBEIRO. Robert. por exemplo. 1995. p 4-8..

br/paper17. Contribuición a la teoria del diseño industrial.abordo. projeto do produto Economia Mundial. Acima e abaixo. Não é recente a preocupação da indústria automobilística em relação ao futuro do automóvel. em especial relacionadas ao estilo dos próximos anos. “foguete” de 1959.br/mctavares/art1_97. Brigitte. início da corrida espacial. Algumas vezes. Chama-se a atenção para a visão “futurista” dos automóveis e das roupas. modelo de Acima. Ideología e Utopia del Diseño.com. Sem data. Desde muito cedo. Gert. TAVARES (1997) Maria da Conceição Tavares http://www. carros-conceito desenhados pela Ford na década de 1950. alguns exemplos deste caso. modelo de 1949.braudel. Pour L’Integration du Point http://www. 1975. Ao lado. Abaixo. estudo de 1956. Barcelona: Editorial Gustavo Gili. Em outros casos.org.br/mctavares/art10_99.h de Vue des Utilizateurs dans le Processus de tm Conception des Produits (mimeo) Paris: Laboratoire d’Etude de l’Usage des Produits TAVARES (1999) Maria da Conceição Tavares de Consommation Capitalismo Regressivo e Ideologia Folha de São Paulo. estes “sonhos” tomam as ruas e efetivamente contribuem para a renovação criativa da indústria. servem como referências de “delírios estéticos” de determinadas épocas. engenheiros e designers dos principais fabricantes da indústria automobilística realizam exercícios criativos procurando antever tendências. © 2006 eduardo romeiro filho 110 ufmg .com. auge da guerra fria e da idéia de mísseis e velocidade supersônica. 1958. http://www. com detalhe abaixo. o que seria associado aos “rabos de peixe” comuns nos carros daquela época. O sonho do automóvel do futuro. htm Colección Comunicacion Visual. que pode ser imediatamente associadas à visão de modernidade da época.depto engenharia de produção . apresentado inicialmente como um “carro conceito”. No final da página. 24/10/99 SELLE.htm Globalitarismo e Neobobismo Publicado na Folha de São Paulo em 30/03/97 RUEF.abordo. como no caso do New Beetle.

literalmente. Gerson Barone. Barone relembra que. passou a ser export ado para a Europa j á no início de 2004. lançado em m eados de 2003. São necessários ao menos 38 meses para o desenvolvimento de um novo modelo. testado e analisado. a fabricação de uma peça do painel frontal teve que ser completamente reformulada porque o acabamento texturizado poderia desfiar tecidos delicados. formado pela Fundação Armando Álvares Penteado.Volksw agen do Brasil O m odelo Fox. criação e acabamentos. comenta Barone . E cada detalhe. no projeto do Cross Fox. que integram a equipe brasileira de uma das mais importantes montadoras mundiais de automóveis. “brigar por todos os milímetros de suas criações”. Como exemplo. fala sobre sua missão de coordenar as áreas de tecnologia. processo denom inado Designed Around Passengers O gerente de Design da Volkswagen do Brasil. É nesse tom descontraído que o designer industrial. considera-se um arquiteto frustrado. deve ser minuciosamente desenhado. independentemente da escala. © 2006 eduardo romeiro filho 111 ufmg . engenheiros e arquitetos podem. projeto do produto Desenho e engenharia “brigam” por todos os milímetros de criação Design automobilístico .depto engenharia de produção . em São Paulo.observação reveladora do elevado nível de complexidade que envolve o processo do qual resulta um veículo. período em que designers. A idéia de com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos int eriores para o ext erior do veículo.

O briefing dá subsídios à linguagem do veículo. existem etapas de criação bem definidas. Nessa fase são definidos os parâmetros iniciais. por exemplo. finalidade de uso e público estimado. de grande aceit ação no m ercado ext erno int eriores para o ext erior do veículo. por sua vez. de estudos de campo. brinca Barone. Por isso seu conceito de utilitário esportivo compacto partiu do requisito de transporte confortável de cinco passageiros. processo denom inado Designed Around Passengers Ao mesmo tempo. por sua vez. grandes perspectivas. o desenvolvimento do novo veículo tem início no setor de Package. o detalhe de uma lateral. A partir de um briefing . quase sempre feitos à mão. explica Barone. da diretoria. são quantificadas em pré-requisitos mecânicos e ergonômicos. distância entre eixos e chassis. como potência do motor. É nessa fase. qual será sua capacidade de passageiros. “emoção”. portanto. volume.que. volumétricos e mecânicos. Pequenos croquis. coluna frontal inclinada. deram margem à criação de design externo elevado. que alterna o uso urbano com o lazer fora da cidade. social. passou a ser O Fox Europa t em com o diferenciais a grade diant eira. entre outras informações . de equipes de marketing. projeto do produto No entanto.depto engenharia de produção . Os 12 integrantes do quadro atual da equipe iniciam suas criações das mais variadas formas.elevado 60 milímetros e deslocado para a frente outros 29 milímetros - propiciam mais espaço para os passageiros do banco traseiro. é direcionado ao público jovem. essas premissas estruturais são acompanhadas por abrangente processo de pesquisas. por exemplo. complementa Barone. amplia a visibilidade e a sensação de segurança para quem dirige. “em clima de guerra”. A posição elevada. Os componentes esportivo. lançado em m eados de 2003. modelo totalmente criado e produzido no Brasil. os profissionais do Design Shape dão início à acirrada concorrência interna. o perfil de um farol. convivem lado a lado no extenso painel negro que interliga todas as mesas de trabalho. de aventura e jovial do briefing do Fox. em que export ado para a Europa j á no início de 2004. que os requisitos do package ganham forma. Mudanças na posição do assento do motorista . © 2006 eduardo romeiro filho 112 ufmg . ou seja. econômico e tecnológico do lançamento do automóvel”. temos que antever os cenários cultural. Modelo conceit ual Fox Pepper. de uma maçaneta. tração. O Fox. entre outros belos desenhos. O m odelo Fox. entre outros -. que envolve todas as áreas do design. “Como os projetos são sempre muito longos. A idéia de a m arca VW t eve cont ornos acent uados.que pode vir da matriz alemã. divulgado pela Volkswagen do Brasil ant es m esm o do lançam ent o do Fox Em seguida. det alhes de lant ernas e com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos a cor am arela.

capô com fortes vincos para transmitir a idéia de força e fluidez. após a escolha final. e partida ao meio para que duas versões distintas do mesmo veículo sejam visualizadas através da reflexão em um espelho central longitudinal. traseira truncada para sugerir a dimensão compacta. entre outros pormenores. Essas maquetes são submetidas à análise dos responsáveis pelo projeto e ao menos duas delas seguirão para a etapa seguinte. projeto do produto acompanhando o desenho do teto. os esboços dos designers evoluem para o clay. Ficam expostos em um dos pátios que contornam o Departamento de Design e. que é rígida à temperatura ambiente. Além da verificação ergonômica e formal. é realizado novo alisamento matemático. Isso porque falta © 2006 eduardo romeiro filho 113 ufmg . que se denomina alisamento matemático de superfícies. grande trabalho pela frente. de form a a perm it ir t am anhos variáveis de port a. Essas superfícies terão os contornos e curvaturas “alisados”.m alas O painel de inst rum ent os concent ra t odas as inform ações e o desenho facilit a a leit ura pelo usuário A equipe de Color & Trim ainda tem. ilustra Barone.depto engenharia de produção . Designer t rabalhando no m odelo em escala 1: 1 O design int erno do Fox t em linguagem sim ples. mas nós não podemos permitir que o usuário bata a cabeça no teto porque há pouco espaço interno”. ou seja. assim como interiores de design simples. a análise da interação da forma do veículo com cores e iluminação. Trata-se de uma maquete maciça modelada na escala 1:4 com argila especial. Desenvolvida pela equipe do Design Services. nesse estágio. com poucos elementos. Denominados DKM. sejam elas executadas na própria fábrica ou por empresas terceirizadas. pintura e efeitos de luminosidade. Faltam. “Essa etapa é fundamental porque os designers sempre tentam ganhar milímetros. são construídos novos modelos. As fotografias dos modelos são transformadas em superfícies vetoriais. Com essas idéias em mente. de poucos elem ent os Finalizada essa etapa. e é realizada com a interferência de um software específico. nessa etapa. corrigidos através do computador. O banco t raseiro pode ser deslocado sobre t rilhos. cerca de 19 meses para o lançamento do veículo e os membros do Design Services passam a fornecer as matrizes para a produção das peças. processo conhecido como fotogrametria. agora na escala 1:1. eles têm detalhes de acessórios. essa fase trata da correção de imperfeições ergonômicas ou de execução do clay. o alisamento matemático possibilita o estudo de reflexos.

couro e mata em tecidos e peças plásticas. Publicada originalm ent e em PROJETODESI GN Edição 308 Out ubro de 2005 Aproveit am ent o de espaços: o vão abaixo do cont role do ar. “A finalidade do design na Volkswagen é buscar novas soluções. o que é expresso por texturas de orvalho.depto engenharia de produção . Os modelos Fox e Cross Fox. como textura visual e tátil de peças plásticas e tecidos. novos materiais. buscaram inspiração em elementos naturais. assim como cores e padronagens. por exemplo. em vez de simplesmente importar soluções”. Text o resum ido a part ir de report agem de Eve lise Gr u n ow .condicionado pode receber um port a. conclui Barone. Como o tecido importado necessário à aplicação dessas texturas era inviável financeiramente. projeto do produto definir os detalhes de acabamento. a equipe pesquisou e viabilizou a alternativa de produção com a fibra de abacaxi. desenvolver tecnologia compatível ao contexto local.CDs A hast e de cont role j unt o ao m ot orist a perm it e fácil acesso aos com andos de ilum inação © 2006 eduardo romeiro filho 114 ufmg .

depto engenharia de produção . projeto do produto © 2006 eduardo romeiro filho 115 ufmg .

os Ele é uma voz dentro de uma corrente crescente no designers chegaram aos Good Grips.. um material macio e que não escorrega esquecidas para resolver os problemas de todos. o faturamento foi de US$ companhia por US$ 1. como descascadores de batatas. que a impedia de permanentes.) São Paulo: Editora Abril."Os Good Grips são atraentes. BORGES. facas. O empresário norte-americano Sam Farber nas mãos. uma linha design internacional de objetos. manusear as facas. um sonho falido do design norte-americano dificuldades como as de Betsy. nem alto nem baixo e em plena capacidade física — e também respeitar as diferenças entre as pessoas. Depois de o termo parece bem menos pesado e longos estudos. pressentindo que o relatado em filme por Francis Ford Coppola). "Viva a diferença!" in: Revista SuperInteressante. auxiliados pela Arthritis discriminatório: disabilities. tesouras. a coordenação e o senso de feitos para pessoas com destreza manual perfeita. computadores ou tesouras. problema não estava nela. completa de utensílios de cozinha cujo "segredo" é de edifícios e de áreas urbanas. ano 11. panelas e artigos de cozinha em Nova York. para ser colecionador de arte em divertidos e confortáveis de usar pelas pessoas tempo integral. projeto ao escritório Smart Design. O sucesso foi imediato. espremedores de alho. uma empresa de mil unidades. Só que sua mulher.. Abriu Viemeister diz que "são os produtos e a a empresa Oxo International e encomendou um arquitetura que definem as deficiências" (em inglês. o Oxo vendeu 750 de 39 anos à frente da Copco. percepção vão decaindo". Vendeu a ano de comercialização. em abril de 1990. O objetivo é ir além do consumidor padrão — adulto.4 milhões. pias. © 2006 eduardo romeiro filho 116 ufmg . Plano perfeito. mas nos produtos. feita de muita atenção em problemas específicos de faixas santoprene. de equipamentos. Adélia. que advoga prestar a empunhadura mais grossa que a habitual. destro. diz o vice-presidente da Privar-se do prazer da cozinha afetou o Smart Design. 1990. Foundation e pela geriatra Patricia Moore. sejam carros. ou para as que estão envelhecendo.depto engenharia de produção . saudáveis e tornam o ato de cozinhar possível para Betsy. sul da França. No primeiro resolveu que era tempo de gozar a vida. nº 6 (nov. colheres e abridores de latas. começou a ter dificuldades para cozinhar por aquelas que têm deficiências temporárias ou causa de uma artrite nas mãos. Só na feira de conseguiu realizar o sonho de muita gente. quando a força. falta de habilidade). Tucker Viemeister (ele ganhou esse cotidiano do casal e Farber voltou para Nova York nome porque seu pai trabalhou no projeto do carro determinado a produzir objetos que contemplassem Tucker.3 milhão e mudou-se para o 3. projeto do produto DESIGN: Viva a diferença! Concepções radicalmente novas mudam a forma dos produtos industriais. Depois lançamento.

desde cedo acostumadas a se igual" com um parceiro de negócios. através do qual pode escrever sentenças concebido para ser usado por terpeutas que vão de com ligeiros movimentos de mão e mostrá-las casa em casa para trabalhar com as crianças. é difícil desejar estilo. Coloca-se na verem. Essas dificuldades "invisíveis". pode torná-la "inteligente": com as crianças. A altura regulável infantil que passa ao largo da discriminação. Além Produtos que podem ser usados tanto por destros disso. Leve e portátil o Tadpole foi Writer. que mais expressam essa instalado no braço da cadeira. aciona um diferentes e desprezíveis. ou quando quer falar "de igual para com problemas. sabe como é desagradável depender a atenção de qualquer criança. O Tadpole ganhou um prêmio nos com o controle remoto. Sentado. Clarkson. usadas para disputar torneios esportivos Já era hora contribuindo para a sua estigmatização pela de tê-las também em "estilo esportivo". de Michigan. lançou uma linha prateleira do supermercado. "Enfocar a satisfação dos © 2006 eduardo romeiro filho 117 ufmg . há o acessório Alpha deitada ou inclinada. marcam os obstáculos concurso anual da Industrial Design Societies of enfrentados pelos canhotos. institucional e mais de uma "mountain bike". Ela é toda deprecia aos olhos dos "normais". Um de seus especialmente manufaturadas. EUA. fazendo-a querer dos outros para atos corriqueiros. do Art Center College quanto por canhotos têm uma penetração crescente of Desing. com o apoio da Business Week. contra a média mãos. como prova d'água. e não o seu problema. Para usuários montadas para colocar a criança na posição sentada. provocar até repulsa. Um exemplo é o computador portátil de bicicletas e tubos padrão em vez de peças Powerbook Apple/Macintosh. podem ser livremente concerto depois que ele começou. poucos percebem. Segundo tenha ido mais longe neste conceito seja o McCarty. Com sua espontaneidade. Coloca-se na Mas a estigmatização é ainda mais posição vertical no meio de uma multidão num jogo dolorosa quando ela é exercida sobre as crianças de futebol.A tendência sociedade". o usuário aciona um repulsa que os adultos procuram disfarçar. que acaba de ganhar a medalha de ouro no Idea 92. da Califórnia. como seres posição deitada para descansar. Douglas D. um conjunto de peças macias inverso (mudar a pia da cozinha ou a mesa do e moldadas usado para exercícios físicos com escritório). "Designs pesados e cadeiras de rodas — que sempre foram mais ou embaraçosos reforçam sentimentos de isolamento e menos iguais. e uma das aumenta o som do estéreo e abre ou fecha portas qualidades apontadas pelo júri foi a de não parecer sem ter que se deslocar. Há uma infinidade de é a busca de uma estética não discriminatória Num modelos de cadeiras normais disponíveis no mundo em que os meios de comunicação e a mercado e a escolha de uma delas passa por propaganda exaltam o tempo todo o ideal da critérios como conforto e preço mas também pelo juventude e do esplendor físico. reparar no grau de dificuldade que podem ter Outro exemplo de aparência não atividades que antes se faziam de maneira quase discriminatória é a cadeira de rodas New Move. que automática. Esse modelo está estourando em vendas nos convencional de 40% ao empurrar uma roda. Vai para onde queira: anda na neve. As peças são feitas de uretano flexível.Uma das questões mais importantes atende a um antigo desejo de pessoas com no design para pessoas de idade e hábitos diferentes problemas de locomoção. A New Move tem no meio do teclado com fácil acesso para ambas as eficiência de 100% na tração. com dificuldade de fala. apresentada no Museu de Arte pessoal de transporte urbano. Estados Unidos no ano passado. mas a numa tela acoplada na cadeira (o sistema também simplicidade das formas e a clareza de como elas se funciona acoplado a um sintetizador de voz ou a agrupam permitem que sejam deixadas nas casas uma impressora de computador). as Através de um joystick igual ao dos video-games crianças usualmente são a. faz chamadas telefônicas. durável e retardador de chamas. Talvez o modelo que Moderna de Nova York em 1988. usou componente normais no mercado. à elétrico é exatamente silencioso. O sequer imagina que banalidades do tipo abrir uma carácter de seu design é menos de um produto lata ou usar uma tesoura exigem muito suor. freqüentemente é o equipamento usado desenvolvido por médicos e designers suecos para a pelo deficiente.depto engenharia de produção . permitindo. e quase sempre horrorosas — já são inadequação das pessoas com deficiências. levando em conta a preferência de quem as produtos que têm "escrito na cara" o fato de serem usa — formal? Informal? Pós-moderno? As dirigidos a pessoas "anormais". podendo voltada para ativar a independência de quem a usa. sistema computadorizado e faz tudo. pelos olhos dos outros. A Bissel Healthcare elevador para pegar uma lata de cerveja no alto da Company. que o empresa norte-americana Permobil. Um permite adaptar-se às alturas das coisas e não o dos itens é o Tadpole. E com para que os pais continuem a fazer os exercícios modificações na casa. em crianças com paralisia cerebral ou outras disfunções terrenos com pedras e até sobe morro. escreveu a curadora Cara McCarty no nos países desenvolvidos é cada vez mais catálogo para a exposição "Design para uma vida considerar a cadeira de rodas como um veículo independente". que a pessoa chegue a um Fixadas com velcro. o que torna sua diferenciais é ter o mouse posicionado exatamente produção extremamente barata. projeto do produto Quem já quebrou o braço ou a perna um produto para deficientes e provavelmente atrair alguma vez. e só aí começa a brincar junto. diz a propaganda. e Estados Unidos. Quem é destro nem America. O motor motoras.

Não é o que acontece em outros projetos para portadores de deficiências gera 10 países. o adaptação do tradicional jogo de amarelinha para Microcar pode ser usado sob chuva ou sol. conforto e Várias prefeituras brasileiras. não vai querer pisar num "tapete" que emite sons? restaurantes. ambos os sexos e para Guimarães. O objetivo foi prover "espaço. circulação de pessoas como ele. Ele cita exemplos: O espaço adicional portadores de deficiências. E os países desenvolvidos estão atentos à de projetos em arquitetura e design. Mas ele acha que teve mais designers da Kohler. barras de apoio para corrimãos seja. os jurados do com a impressão de que nos países desenvolvidos prêmio salientaram que esse projeto estimula a há mais deficientes que no Brasil. Pesquisa e Adequação do indústrias também estão de olho no poder aquisitivo Mobiliário Urbano à Pessoa Portadora de dos idosos. a Business Week. cuja Gerais. Os estudos demográficos mostram um acionadas pelo cotovelo em vez de mãos ocupadas. os sua Parati adaptada. nesse tema no Brasil. em geral superior ao dos jovens. muitas vezes ele fica censores inflam automaticamente para impedir em casa. projetado pelo GK Design. Na justificativa de voto. revista de negócios mais lida em todo o mundo. bolou uma normais. dá destacou a banheira Precedence. por Deficiências. Mas mesmo os modelos para manobrar cadeiras de rodas em pequenos normais prevêem facilidade de utilização para apartamentos assegura que a especulação pessoas com diferentes graus de dificuldades físicas imobiliária respeite como mínimas as dimensões e são o que eles chamam de "transgeracionais". a única saída Outra inovação neste campo é o banheiro para ele se movimentar seria engatinhar. Um dos lançamentos recentes para esse Instituto dos Arquitetos do Brasil — Seção Minas mercado é o Microcar Vessa. com números é bem mais amplo — chega à escala da arquitetura arábicos feitos de lixa colado na superfície. abriu uma empresa um país. para placa de circuito eletrônico reproduz um bip com poucos. Atentos ao fato de aulas na Universidade e tem uma vida social que o banheiro é um dos locais onde mais intensa. projeto do produto portadores de deficiências é uma forma de garantir crianças. "É a visão capitalista recente sobre design universal. O estudante idosos. Nada mal: você entra. ou maçanetas brancos). pressionadas fácil acesso por pessoas com bagagem. usando bengalas. projetaram uma mobilidade quando viveu em cidades européias do banheira com porta. de sair mais para se divertir. números em braile de cabeça redonda fixados na Muita gente que viaja ao exterior volta placa.Um dos projetos vencedores desse prêmio é propaganda é toda baseada na autonomia dos um belo exemplar de design universal. que se surpreendeu ao ouvir ele não se sensibilizaram com a idéia de produzir nos Estados Unidos que cada dólar investido em para o "diferente". derrapante. a inteligente. É o que diz o sociólogo mineiro Paulo papel: os empresários brasileiros consultados por Saturnino Figueiredo. Mesmo porque o tema do design universal pintada em sete cores diferentes. aumento da porcentagem de idosos na composição Guimarães é uma das maiores autoridades das populações. de Wisconsin. já que as ruas. Em reportagem dólares de imposto. inglês. servem para diferentes idades. Mas isso público Inax. além de ou até do desenho das cidades. etc. promovido no ano passado pelo exemplo. do grave ao agudo). para designar a produção para com piso de textura antiderrapante telefones com pessoas com "cabelos prateados" (entre nós. e de consultaria necessidade de melhorar a auto-suficiência. sinais sonoros produzidos eletronicamente (uma É claro que esse é um privilégio caro. Ledo engano! E integração entre portadores e não-portadores de que lá eles saem mais. O jogo tecnológica que o design de produtos pode propriamente dito é feito de placas de compensado alcançar. mas ele mostra o grau de sofisticação sete tonalidades. barreiras. de Betim. Isso é obtido através de internos como os shoppings.depto engenharia de produção . masculino. escolas) estão mais preparados para O projeto de Avelar Rosa ainda está no recebê-los. Apesar da vontade Quando a banheira começa a se encher de água. Em 1990 concluiu um A expectativa de vida de seus habitantes é mestrado na Universidade de Nova York sobre um dos indicadores do grau de desenvolvimento de design sem. no que as crianças cegas ou que enxerguem mal campo e na cidade — inclusive em ambientes também possam brincar. extremamente compacto e conversível. velhos. ou reais de conforto. diz o arquiteto mineiro Marcelo Pinto feminino. Tóquio. Efeito similar se obtém no mundo todo. em qualidade ambiental. locomovendo-se em Belo Horizonte com acontecem acidentes dentro de uma casa. agora usada são sempre bem acolhidas. os veículos de deficiências." Eles a melhoria qualidade ambientar para todos os desenvolveram quatro modelos: para uso exclusivo usuários". Figueiredo usa prótese nas pernas e muletas. jovens. © 2006 eduardo romeiro filho 118 ufmg . de seria muito constrangedor para os outros. Os japoneses em longos corredores ou escadas de poucos degraus cunharam a expressão silver industry. Qual é a criança com visão normal que transporte coletivo. com por movimentos de portadores de deficiências. os edifícios públicos (museus. As Nacional de Design. que no Brasil. De volta. como os Estados Unidos. porque aqui não se prevê a acomoda-se num assento dobrável e fecha a porta. porque a pessoa passa a ser produtiva". Mais fácil de guiar do que os automóveis Guilherme de Avelar Rosa. controle auditivo de volume. Foi consultor do Prêmio mobilidade e qualidade de vida dos velhos. ou ainda em desníveis. Em restaurantes com piso liso e vazamentos.

Com esse projeto da designer Katryn Müller. Isso dá uma idéia sobre esses modernos profissionais. Como foram feitas para crianças. o mestre Aurélio adota em seu Novíssimo Dicionário a expressão inglesa design e a define como "concepção de um produto ou modelo. a Feira de Frankfurt este ano premiou um aparelho para deficientes auditivos cuja parte interna é a mesma dos aparelhos existentes. por último mas não menos importante. A habilidade dos profissionais da área.depto engenharia de produção . Por exemplo: eles também têm que se preocupar com os materiais empregados num produto. O GÊNIO DAS APARÊNCIAS Pioneiro do desenho industrial. têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar. e seus usuários são vistos com toda a naturalidade por qualquer um. por exemplo. no sentido pejorativo. as pessoas não precisarão mais sair às ruas com um aparelho que as rotula como diferentes. não encontraram uma tradução à altura para a palavra design. Por isso os designers escolheram um bom material com essas características: o uretano. Vejam-se as peças do Tadpole. Estes têm que adaptar suas idéias ao métodos produtivos existentes. como os franceses e os japoneses. Nesse facilitam a vida das mães que empurram carrinho caso. Isso não tem nada a ver com um simples desenho ou projeto. havia a necessidade de torná-las à prova de água e retardadoras de fogo. http://www. A novidade é forma externa: divertidas figuras (pessoas.htm O que é design? Mesmo os povos mais ciosos de sua língua. planejamento". os designers. Nada impede que o mesmo ocorra com outros aparelhos. Pisos de bebê. assim como outras preocupações dos designers. circulação de cadeiras de rodas. © 2006 eduardo romeiro filho 119 ufmg . e. No Brasil. têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível. acabam ganhando todos os cidadãos.oxo.com RAYMOND LOEWY. da mesma forma. permitem a abarrotado. cujo trabalho consiste em imaginar. ou de quem sai da feira com o carrinho rebaixados nas calçadas. se são bonitos. Em vez disso. Na Alemanha. atendia ainda à exigência de ser macio e leve. desde que se siga a máxima de que no fundo o que conta é a aparência. até se transformaram em acessório de moda. em qualquer lugar. mas também Para saber mais: SITE DA OXO: http://www. levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer. vai muito além do mero ato de desenhar.dep. criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao homem. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos. projeto do produto começam a seguir o exemplo do exterior. animais) que podem ser trocadas como se fossem brincos.ufmg. do qual existem centenas de modelos charmosos e cobiçáveis.br/produto/design. ele criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. Deficiência Os óculos são uma demonstração viva de como é frágil a percepção das pessoas sobre aquilo que é e o que não é "normal" — pois há muito tempo eles deixaram de ser vistos como "aparelhos para deficientes visuais".

html Acesso em 3 de agosto de 2004 © 2006 eduardo romeiro filho 120 ufmg .dw-world. da Academia de Stuttgart. Para Gropius. Fundador da deve necessariamente possuir competência técnica". arte cênica e dança. Lá construi-se uma universidade seguindo os planos de Walter Gropius. numa época em que o mundo enfrentava séria crise econômica. seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos.depto engenharia de produção . Hoje. publicado em 1919. escultura. Em 1925. a Bauhaus de Weimar é uma escola superior. Ele havia elaborado um método de ensino para libertar os estudantes de preconceitos em relação ao "belo" e à "estética" adquiridos nas escolas primárias e nos ginásios. 1925 22 Fonte: DW World Deutsche Welle: http://www. O currículo da Bauhaus previa três fases: o primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. havia liberdade de criação. pintura. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. Quando a perseguição nazista se acirrou. desde que obedecendo convicções filosóficas comuns. o governo cortou os subsídios à escola. a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva. também no leste Acima: Cartaz da Bauhaus.2192_A_782396. arte publicitária. enquanto a de Dessau abriga a Fundação Bauhaus. eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados. No primeiro manifesto da Bauhaus. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior. projeto do produto Bauhaus22 No dia 21 de março de 1919. Dessau. Na segunda etapa.3367. como projetos industriais. 1923 alemão. como a pintura. fundador da Bauhaus. o arquiteto Walter Gropius inaugurou a escola Bauhaus em Weimar. que foi fechada pelos nazistas em 1932. "Não há diferença entre o artesão e o artista. Entre professores e alunos. Ao fundar o movimento Bauhaus – que significa "casa de construção" – o arquiteto Walter Gropius criou uma instituição de ensino com idéias vanguardistas. Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora. pregava o Bauhaus. a fotografia e o teatro. além de publicações. Completá-la e embelezá-la foi. mas todo artista Walter Gropius. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel. Concluída esta fase. teatro. foto de 1925.00. que incluía os mais diferentes tipos de criação.de/brazil/0. a dança. a principal tarefa das artes plásticas. Gaby Reucher/rw Cadeira Breuer. antigamente. o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Era a preparação intelectual para a próxima fase. no leste da Alemanha. a música. obrigando sua transferência para outra cidade.

acrescenta. Não estamos assim tão alienados. tornando um artigo popular. negócio. a tecnologia nos deixaria tão alienados que passaríamos a reinventar o espaço ao nosso redor na esperança de recuperar o prazer de viver. Em um mundo uniformizado. onde a computadores estilizados. Gateway e Compaq. No meio dessa loucura. E mais ávido também. ninguém precisa ser um trilhões em bens e serviços. não apenas ajudou a revitalizar a Apple. os norte- americanos desembolsaram cerca de US$ 6 Para se exibir. As Os norte-americanos sabem o que é estilo. poder aquisitivo em ascensão. Apenas no ano passado. Às portas do século 21. sendo democratizado". é preciso ter também o melhor -ou pelo O enorme sucesso do colorido iMac. Constant Nieuwenhuys. a cultura e o marketing. simplesmente para atender às demandas da sociedade de consumo. mas inspirou a criação de inúmeros Bem-vindos à economia do design. previu que no futuro todos nós nos tornaríamos arquitetos. Como afirma Mark Dziersk. produzidos por prosperidade e a tecnologia se misturam com empresas como Dell. catalisador das transformações pelas quais está passando o mercado de automóveis. Os norte- americanos estão conectados globalmente via Internet e consomem com avidez as novidades tecnológicas antes mesmo de aprender a usá-las. afirma Karim Rashid. um crítico cultural holandês pouco conhecido. projeto do produto Os Estados Unidos redescobrem o design O gosto pelo estilo deixou de ser um privilégio da elite e conquistou o cotidiano dos norte-americanos Frank Gibney e Belinda Luscombe Nos anos 60. Nieuwenhuys errou em apenas um ponto. Antigamente o design quinto desse total foi gasto com produtos para era um privilégio da elite. e quase um bilionário da Internet. o público ficou não para reconquistar o prazer de viver. "O design está veículos encalhados nos pátios. as pessoas estão Nelson pela inovação no design de móveis. os norte. Mas terminou se o lar. carros compactos e telefones O design se transformou em um grande celulares cromados. Não basta ter mais. americanos estão comprando computadores coloridos. mesmo procurando recriar o espaço ao redor. por menos o mais bonito. A produção eficiente e a competição acirrada dos nossos dias O novo Fusca resgatou a imagem da transformaram os "artigos chiques" em ítens Volkswagen há dois anos e tornou-se um não apenas acessíveis.depto engenharia de produção . montadoras resolveram caprichar no visual de seja na arquitetura de um hotel moderno ou seus produtos para não ter de ver seus numa escova de limpeza. presidente da Sociedade de Com o nível de desemprego lá embaixo e o Desenhistas Industriais dos Estados Unidos. mas obrigatórios. "essa é a nova era de ouro do design". os Estados Unidos vivem seu mais longo período de prosperidade. mas mais crítico". "Com a melhora da paisagem. que no ano passado ganhou o prêmio George © 2006 eduardo romeiro filho 121 ufmg . exemplo.

começa a operar este mês prometendo elegância sem afetação. e designers como o iconoclasta Philippe assinado por um designer famoso. O mesmo acontece com os fabricantes de quase tudo que se possa imaginar. e consumidor norte-americano querendo os norte-americanos têm orgulho do que comprar mais e pagar menos. capacidade industrial do pós-guerra. onde de Loewy decolou porque ele criava produtos se vendem de relógios digitais (US$ 17) a irresistíveis. com o aqui. Mas. ou ainda empresários como David Neeleman. deu um ar de elegância aos ônibus da empresa Greyhound Mas ninguém tem apostado no novo apetite e fez as vendas da Sears dispararem em 1934 norte-americano para o design como o quando colocou um friso na geladeira empresário britânico Terence Conran. pai do desenho industrial (foto acima). cuja companhia aérea. A explosão Hoje o mundo do design está se expandindo na construção de habitações alcançou com uma mistura eclética de empresários e proporções históricas. Hoje. Há também novos investidores. Em dezembro desde então." industrial amargou décadas de ostracismo até emergir novamente na década de 90.550). como importante é adquirir produtos mais © 2006 eduardo romeiro filho 122 ufmg . Paris e Tóquio. "Novos ventos estão soprando por confortáveis. O novo apetite pelo design se deve. Loewy foi quem imortalizou o design do maço de cigarros Lucky Strike. e a carreira Shop é um verdadeiro bazar de design. Charles e Ray Eames lideraram "Ainda não entendi por que o design não um consórcio de californianos que. numa época em que ninguém sofás violeta (US$ 3. Stewart ajudou a tirar do vermelho a rede de lojas de departamentos K Mart. diz Dziersk. Com sua linha de produtos para o lar. a partir dos anos 60. dava status ter um sofá caro. Como filiais em O design de qualidade aliou-se ao comércio Londres. Costumava dizer que a curva mais bonita era a dos gráficos do crescimento de vendas. projeto do produto Jasper Morrison e Marc Newson. à onda de prosperidade no país. usando a decolou há mais tempo nos Estados Unidos". cautelosamente otimista ambientes domésticos elegantes. mas o negócio naufragou durante o governo Bush. funcionais e desta vez. repetindo o preceito introduzido nos anos 30 por Raymond Loewy. que soube transformar seu gosto apurado num negócio bilionário. E não se pode esquecer de Martha Stewart. briga pelo mercado. o desenho conquistaram. Na década de 50. Na estilo de vida de seus ocupantes. Vinte Coldspot. É preciso agora decorar investidores decididos a ganhar dinheiro as casas novas com produtos que definam o criando produtos modernos e atraentes. Agora Conran está de volta. disposto a Esse é o pensamento que tem prevalecido embarcar na nova onda. passado. criou comenta Conran. Ford e Philips. a Terence Conran durante a Depressão dos anos 30. em parte. abriu uma loja de 2. de móveis com seu nome. estava disposto a pagar para consumir.depto engenharia de produção . Nos Estados Unidos. a Jet Blue. a rainha do estilo nos Estados Unidos. estão grandes empresas como Sony. ele inaugurou uma rede de lojas concorrentes (foto ao lado). o único diferencial que conta é o design".100 metros quadrados em Manhattan. além de arquitetos Antigamente. tornando-a mais moderna que suas anos atrás. tudo é tecnologia. "Quando preço e funcionalidade não são mais motivos de competição entre as indústrias. o Starck.

mesa de passar roupa dobrável. Decidiram então remodelar a loja. maciça para varandas e espátulas estilizadas A ironia é que a revolução do design recebeu para a Target. Hoje em dia. "Com a prosperidade econômica. "As pessoas compravam revistas com belas casas e De Nova York a Los Angeles. diz Moss. projeto do produto personalizados. que conquistaram a classe média norte-americana nos anos 90. butique on-line RedEnvelope. pode decorar bem a própria casa comprando no shopping do bairro. "Imagino que se usem escovas para trabalho para firmas como a italiana Alessi. E ajudaram a difundir a idéia de carrega um iBook. uma casa bonita. © 2006 eduardo romeiro filho 123 ufmg . vendendo toda sorte de objetos com design de qualidade. em grande parte. que não sai por menos de US$ 385. Se qualquer um ou um belo Apple G3 preto.depto engenharia de produção . são os acessórios que lojas ensinaram os clientes a driblar problemas contam. No bairro do SoHo. podiam mais competir com o preço oferecido Um sucesso? Com certeza. Além de por redes como a Wal-Mart. em Nova York. Os clientes da Moss são. os clientes estar nas novas lojas Target espalhadas pelos encontram vasos flexíveis de borracha. essas homem. E no banheiro? Uma dos maiores sucessos do momento são as peças em aço inoxidável (inclusive o assento sanitário). como o novíssimo cortador de um bom sofá precisa custar caro? grama Husqvarna ou o medidor de corrente i410 da Fluke Corporation." Antigamente. daquilo. as pessoas estão ansiosas para expressar sua "Havia uma divisão na cultura norte- individualidade". a Target não luminárias feitas com garrafas de leite e uma dava muita atenção às tendências da moda. Ohio. feita de cortiça de Bora Bora. Antigamente. de zinco e Mas seus executivos perceberam que não aço. sofisticado do SoHo. O homem moderno não sabe se de decoração. designer conhecido por seu turistas. mas não podiam comprar nada estão lucrando com os caprichos das pessoas. uma loja-museu que exibe e venera suas mercadorias. As respostas para essas perguntas podem Entre os artigos à venda. essas lojas democratizaram a decoração. adotando Moss diz que precisou renovar seu estoque 11 uma fórmula simples: contratar um grande vezes no ano passado (a maioria dos designer para projetar cópias baratas dos comerciantes se contenta em esvaziar suas mesmos produtos vendidos para o público prateleiras 4 vezes). vice-presidente americana". se dizia que a roupa faz o Com preços relativamente acessíveis. ele conheceu o trabalho de diversos designers europeus. uma consultoria de design de produtos da Pottery Barn e atual diretora da com sede em Columbus. quadruplicar a área da loja em cinco anos. Foi assim que surgiu a Moss. Murray Moss construiu um pequeno e lucrativo império. Quando trabalhava na indústria italiana da moda. ou a cadeira contratar um decorador de interiores para ter Conrad. projetados originalmente para uso em penitenciárias. diz Bill Faust. os empresários interiores. ex-criadora executivo da Fitch. um notebook VAIO da Sony que o design é importante. Estados Unidos. móveis de madeira aqui na loja". Michael Graves. um empurrão de lojas populares como a Pottery Barn e a sueca Ikea. por que ter um sofá O design está tomando conta também das estropiado no meio da sala? E quem disse que ferramentas. explica Hilary Billings. como a Mosquito Table. banheiro em Minneapolis e acho que as passou a fornecer chaleiras de aço inoxidável pessoas vão gostar dos modelos que tenho (foto na página anterior). que Partindo da premissa de que não é necessário lembra uma asa de avião.

Martin's Tanto é verdade que Zivin está trazendo mais Lane. distribuidora norte-americana da nos dando produtos que nem sabemos como Koziol. como a Authentics e Dot. onde se concentram as maiores empresas de publicidade dos Estados O polipropileno. "Mas eles também estão vendendo em usar. além da jovem equipe Blu Firmas alemãs de design. Mas o novo gosto pelo design trasnformou-o num artigo Este ano. onde as (acima). Talvez seja apenas coincidência. incluir muitos acessórios no veículo e vendas cresceram dois dígitos percentuais ainda vendê-lo por menos de US$ 10. por exemplo. Há muito tempo o tenha chamado a atenção dos executivos da produto não fazia tanto sucesso. de Schrager. diz Ron Johnson. pioneiro da moda do venderiam bem em Chicago. privilégio. presidente da a preços acessíveis. de limpar pratos são alguns dos mais de 300 "utensílios graciosos" que desapareceram das Em parte. Os computadores e os novos materiais baratearam a fabricação de muitos produtos.500. Os garfos de macarrão arte Bauhaus: todo mundo deve ter acesso a da Koziol. nova". o italiano desconversa: "Nosso Fabricantes de automóveis. visual arrojado. Para fortalecer os investimentos forma tão suave que chega a ser sensual. explica Dziersk. a Target deve inaugurar sua especial. produto lucrativo. mas os melhorando sua qualidade e facilitando sua fabricantes começaram a criar acessórios manutenção. também contratar Philippe Starck. As seus quartos simplesmente pressionando um compras de produtos para o lar deixaram de botão próximo à cama. podem alterar as cores de cem novos artigos de plástico este ano. estão faturando alto com seus um princípio que começou com a escola de produtos de plástico. Quando perguntam a Alberto Alessi se ele se chateia com o fato de Graves estar reciclando suas criações." Os hóspedes do hotel londrino St. "Antes sonhávamos em ter tecnologia para fazer as coisas". tecnológica como o plástico. "Trata-se de a Koziol.depto engenharia de produção . a empresa resolveu capaz de fixar tintura tão bem quanto a seda. projeto do produto As torradeiras de Graves (acima)." Bogalusa. é um tipo de Unidos. temos de agradecer ao prateleiras das lojas norte-americanas no ano desenvolvimento tecnológico por esse passado. ex-vice-presidente da uma máquina prateada e lilás que exerce as Target. "Os clientes A Sony conseguiu salvar sua divisão de consomem produtos que envolvem uma idéia computadores introduzindo o ultrafino Vaio. da Fitch. da cidade natal da Target. Não é de se estranhar que essa rede de lojas Nada representa tão bem a revolução de departamentos. diz que © 2006 eduardo romeiro filho 124 ufmg . a forma não precisa divertidos para o lar pouco depois que os mais acompanhar a função para tornar um homens passaram a dividir as tarefas da casa. um paraíso de estilo e conforto Boston". Toyota. diz o "Não tinha dúvida de que esses produtos hoteleiro Ian Schrager. as conchas para sorvete e a escova produtos bonitos". "Agora a tecnologia está Majestic. Louisiana. E é na área de design. responsável pelo lançamento da linha mesmas funções de um laptop -mas com um Graves. Nova York e hotel-butique. com sede em Minneapolis. diz Elliott Zivin. como a japonesa objetivo real deveria ser falar com o povo". ser uma obrigação e se tornaram uma forma de expressão pessoal. e no oeste do Texas. são um verdadeiro sucesso. Bill Faust. com os pés em forma de ovo. podem se dar ao luxo de investir em modelos excêntricos como o novo Echo E o povo correu para a Target. Esse plástico pode ser moldado de milésima loja. desde que os produtos de Graves invadiram as prateleiras no ano passado. plástico usado desde os anos 50. A demanda por novas estratégias de design está aumentando. Por isso. outro favorito de Alessi. Madison Avenue.

São artigos baratos." prosperidade norte-americana recuar e todos voltarem a modelos funcionais e antiquados. raladores de queijo. "Os designers estão sendo cada nova cadeira. cujos espremedores de fruta e abridores de garrafa contribuíram muito para a atual paixão dos Estados Unidos pelo design. ela acaba saindo mais barata do vez mais convidados para as reuniões e são que o modelo anterior.depto engenharia de produção . afirma Barry Shepard. o © 2006 eduardo romeiro filho 125 ufmg . "A aposentou a máquina fotográfica de caixa funcionalidade se tornou mais dimensional". preta e a Swingline resolveu estilizar seu diz Susan Yelavich. Agora existem escovas de profecia. tempo passamos na frente do computador. Data: 15 de março de 2000. Philippe Starck foi um dos primeiros a perceber essa tendência em 1989.cnnemportugues. a Kodak pecam pela falta de funcionalidade. projeto do produto seu escritório de projetos de decoração foi design de qualidade deve ser uma produto procurado por um número tão grande de comercial. diretora assistente do tradicional grampeador. como latas de lixo. Ninguém escapa dessa onda. que abriu na semana passada sua primeira exposição trienal de As empresas sem designers em seus quadros design. "Os fabricantes estão cientes de que os consumidores querem mais do que Ou como afirma Karim Rashid: "Quanto mais benefícios funcionais". Museu Cooper-Hewitt. mundo tenha os melhores produtos pelo preço assinala Faust." consultores. todos os tipos no mercado: trançadas. E nem precisam durar muito. a verdadeira revolução do design ainda esteja por vir. sulcos. Raymond Loewy nos de expressar sua personalidade sem um faria lembrar que seu trabalho começou compromisso maior do que uma boa higiene durante a Depressão dos anos 30 e que talvez bucal. quando Se for o caso. com faixas. mas a preços acessíveis. A General Mills Inevitavelmente. alguns projetos acabam não está planejando mudanças para suas refletindo a sensibilidade do artista. pontos ou espirais. Fonte: www. diz. É exatamente isso que agrada a Starck.com atraentes e descartáveis. Comprar uma escova de dentes descolada é uma maneira Se ainda estivesse vivo. de qualquer porcaria do supermercado". as palavras de Constant desenhou uma escova de dentes transparente Nieuwenhuys continuarão valendo como para a Fluocaril. -Reportagem de Juli Rawe/Nova York e Sheila Gribben/Chicago A mesma filosofia se aplica a dezenas de produtos normalmente considerados banais. clientes que ele se viu obrigado a aprimorar seus conhecimentos sobre administração de Starck afirma que toda vez que projeta uma empresas. "A função agora está associada à estão correndo para contratar bons psicologia e à emoção. "Os produtos design irá se sustentar quando a maré de precisam refletir o gosto dos consumidores. escovas de banheiro e Artigo retirado da Revista Time. Outros embalagens de cereais matinais. Para ele. "Quero que todo ouvidos na hora em que se tomam decisões". fundador da SHR Perceptual Management. maior a importância do visual de nossa xícara consultora de design que ajudou a conceber o de café". Resta saber se a economia do novo Fusca da Volkswagen.

eficiência. Nesse sentido. se o ponto de contato entre produto e pessoa fosse um ponto de atrito. era preciso ter em mente que este seria manuseado. o conceito de Projeto de Produto pode ser ampliado. Sem dúvida. se tal contato produzisse um efeito positivo em segurança. iniciou-se a preocupação sobre a maneira como tais produtos afetariam o usuário. operado e utilizado por pessoas. Abaixo. tais como descarte e reciclagem. desde aquele que decide pela compra e que o utilizará efetivamente. e também de se coletarem dados de situações reais de uso para aperfeiçoar novas gerações de produtos. em 1955. cadeira de dentista do século XIX. o qual. ao projetar um produto. ainda. até os que se relacionarão com o produto nas fases finais de seu ciclo de vida. Observa-se em diversos estudos dedicados à interação entre pessoas e produto a necessidade de se inserirem mais elementos relacionados aos usuários nas fases iniciais do projeto/design do produto.depto engenharia de produção . então o projetista teria sido bem sucedido. são notados cada vez mais esforços. projeto do produto Engenharia de Usabilidade Sérgio Figueiredo Costa O desenvolvimento de produtos destinados a atender às necessidades humanas é observado desde os primórdios da humanidade e. no sentido de melhor atendê-las. Ressaltava. um dos objetivos da Engenharia de Produto consiste em tratar das interfaces homem-material ou homem-objeto (H-O). estudos em diversos campos da ciência foram © 2006 eduardo romeiro filho 126 ufmg . é importante que o Projeto de Produto busque formas de aperfeiçoar seus métodos e ferramentas a fim de melhorar tais interfaces. relacionando a interface do produto a todos aqueles usuários com os quais este interage durante seu ciclo de vida. que. individualmente ou em massa. em diferentes formas (e com diferentes níveis de sucesso). com o usuário: Ao lado. enfatizou-se a busca por formas eficientes de se fabricarem produtos que atendessem às necessidades dos consumidores e. conforto. e homem-equipamento ou homem-máquina (H-M). Neste caso. ao passo que. que enfatiza a facilidade de uso. Alguns exemplos de produtos com a preocupação. já ressaltava que. Tal preocupação também pode ser observada por Henry Dreyfuss. Nesse sentido. à medida que mais produtos complexos foram sendo introduzidos. satisfação. durante a Revolução Industrial. então seu projetista teria falhado. visto. Segundo Lindbeck. anúncio de câmera Kodak dos anos 1930.

para possibilitar a melhor interação entre pessoas e produtos. então. expandiu-se além dos aspectos cognitivos do Projeto de Produto. ter-se em conta que UCD não representa apenas técnicas. Começava aí o que conhecemos como engenharia de fatores humanos. Designer e Engenheiro americano. ainda. eficiência e satisfação num dado contexto de uso (ISO 9241-11:1998). Garante-se. relacionado à maneira como um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. foram propostas metodologias de Projeto de Produto centradas no usuário (UCD – User-Centred Design). uma maior participação do usuário no desenvolvimento do produto. e dos contextos em que estes se relacionarão com o produto. mas. Lindbeck define como Fatores Humanos o estudo das interações entre pessoas e produtos que estas utilizam nos ambientes em que trabalham e vivem. devendo englobar sua relação durante todo o ciclo de vida do produto. a filosofia que coloca o usuário como centro do processo de projeto. se aplicados adequadamente. os quais. porém. A partir do momento em que se considera o usuário como centro do processo de Projeto de Produto. tornam-se fatores de importância capital para o sucesso das iniciativas de desenvolvimento as percepções do usuário ante ao produto. processos e procedimentos para projetar produtos e sistemas usáveis. Observamos também o conceito de Usabilidade (o qual será também discutido adiante). 1 Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário Segundo Lindbeck. necessidades e limitações humanas. Nesse sentido. constituem ferramentas eficazes para apoiar os projetistas em suas iniciativas de desenvolvimento de produtos. que será analisado com maior profundidade adiante. e à medida que a interação entre operadores e produtos se expandia. assim. principalmente. na década de 40. Abaixo. © 2006 eduardo romeiro filho 127 ufmg . no tempo apropriado do ciclo de vida do desenvolvimento de produto. mas citamos aqui o termo “Affordance”. dentro de uma visão de projeto centrado no usuário. psicólogos começaram a estudar as causas de numerosos acidentes aéreos com pilotos militares. projeto do produto desenvolvidos nestas interfaces. Justamente pelo reconhecimento da importância dos usuários. bem como as avaliações de usabilidade do produto. Henry Dreyfuss. suas necessidades. As discussões acerca das percepções do usuário em relação a produtos são observadas em vários estudos. alguns produtos desenvolvidos em seu escritório. identificando que a falha em conjugar equipamentos sofisticados com as habilidades dos operadores era a contribuição principal para a ocorrência destes acidentes. passando a incluir também as características físicas e as limitações dos operadores. Ao lado. Defende. telefones e máquinas agrícolas. diversos autores e trabalhos propõem que a utilização de métodos e testes de Usabilidade. como salienta Rubin. Importante também. mais indivíduos se envolviam com os estudos. que o tema central de projeto (design) para uso humano é o reconhecimento das capacidades. segundo Rubin. Esta disciplina.depto engenharia de produção . capacidades e limitações. como eletrodomésticos. métodos. um dos primeiros a aplicar de forma sistemática princípios de Projeto para o Usuário e Ergonomia. é resumidamente definido como a propriedade com que as características físicas de um objeto ou ambiente influenciam sua função.

Segundo Lindbeck. Custo. acoplados aos sensos culturais e estéticos prevalecentes. existem estudos dedicados a equipamentos. em cada época. principalmente. Manutenção. também. Observa-se. caça inglês que foi um dos marcos da aplicação de conceitos ligados à ergonomia. Nigel Cross destaca. a fórmula dos cinco pontos. como uma das características básicas dos seres humanos. artefatos e ferramentas visando a atender às suas necessidades. dentre os vários campos dedicados ao aperfeiçoamento da interface produto- usuário. À medida que tais necessidades mudam. bens duráveis e de características técnicas. equipamentos médicos. principalmente relacionados a desenvolvimento de software. produto. são influenciados pela capacidade técnica disponível. pelo progresso tecnológico. Assim. tais como máquinas de usinagem CNC. Abaixo. a posição da cadeira do piloto. ou serviço que será utilizado por humanos possua potenciais problemas de usabilidade e que deveria. Desta fórmula. a Engenharia de Usabilidade é talvez uma das mais utilizadas e das que podem proporcionar resultados neste sentido. sistema. painel do Spitfire. a especialização e o progresso tecnológico. apesar de os operadores destes equipamentos receberem treinamento. sendo baseada em: Utilidade e Segurança. e aplicada em todo problema de projeto. projeto do produto Ao lado. Atualmente. aparafusadeiras elétricas e. a capacidade destes de desenvolver uma vasta gama de ferramentas e outros artefatos que satisfaçam às suas necessidades próprias. a aplicação de métodos para melhorar a usabilidade dos produtos é pertinente e benéfica ao projeto destes e a seus usuários. desde os primórdios da humanidade. 2 Demandas específicas Apesar de haver mais referências de estudos relacionados à interface produto-usuário para bens de consumo. podemos considerar que à exceção do Custo. Podemos considerar que as pessoas sempre desenvolveram objetos.depto engenharia de produção . ser submetido a alguma forma de engenharia de usabilidade. utilizada por Henry Dreyfuss em seu escritório de projeto. os demais quatro pontos estão fortemente relacionados à interface com os usuários. refinando-os e concebendo outros novos. Nielsen afirma ser possível que qualquer objeto. Apelo de Vendas e Aparência. sugerindo também que. as pessoas refletem estas mudanças nos artefatos disponíveis. embasam o contexto para o estilo e períodos dos objetos. pelos aspectos estéticos e culturais. os produtos. baseada em sua vasta experiência. pela mudança das necessidades das pessoas © 2006 eduardo romeiro filho 128 ufmg . portanto.

pela imperativa adequação ao meio ambiente. 3 Projeto de Produto Existem diversas definições de projeto (ou design) de produto. e para o qual diversas metodologias foram propostas. algo isolado em suas próprias atividades. Devemos observar também que Projeto de Produto deve ser entendido como um meio de satisfazer as necessidades humanas. e dos requisitos sociais. as primeiras iniciativas de desenvolvimento de produtos. principalmente tecnológicos. Apesar de notáveis. Ilustração representando o ciclo de projeto e o ciclo de vida do produto: o uso como centro do processo de desenvolvimento. Em algum momento adiante na história. como se observa em diversas definições em que são consideradas também as influências do contexto histórico. as quais. Entretanto. as atividades de projeto e produção de produtos são normalmente separadas. mais recentemente. Entretanto. principalmente artefatos e ferramentas. as iniciativas de desenvolvimento foram sendo sistematizadas. cujo rumo é definido por diversas condições e decisões. Devemos observar. a partir da identificação das necessidades do Mercado e do Usuário. desempenham um papel de igual importância aos requisitos ergonômicos. deve- se chamar a atenção para o fato de que o produto possui diferentes usuários a cada uma das etapas de seu ciclo de vida. basicamente. como visto anteriormente. que propõe o Projeto de Produto “Total”. o contexto histórico e as limitações da técnica e da produção. Com a evolução do pensamento humano. ergonômicos e ambientais. tais iniciativas eram essencialmente uma questão de tentativa e erro. até a venda bem © 2006 eduardo romeiro filho 129 ufmg . geralmente ressentiam da dimensão analítica e. nas sociedades industriais modernas.depto engenharia de produção . até que atualmente. das transformações sócio-culturais. alguns autores identificam o Projeto de Produto como uma atividade sistêmica. em resposta a algumas necessidades predeterminadas. referem- se ao processo de planejar objetos físicos que apresentam uma nova forma. em que as transformações sociais e culturais. devido ao conhecimento ainda primitivo. sociais. é necessário considerar uma sorte de fatores envolvidos na atividade de projeto. e não um fim. Podemos citar Stuart Pugh. Da mesma forma. como a atividade sistemática necessária. adicionalmente. culturais. e assim nas fábricas os produtos são manufaturados conforme um projeto preparado pelo departamento de projeto ou por um projetista externo. sociais ou ecológicos. estes fatores também determinam a evolução e o desenvolvimento dos novos produtos. Em abordagens mais abrangentes. projeto do produto e. que o produto resulta do processo de desenvolvimento. das limitações da tecnologia e da produção. Vamos analisar a seguir este processo de Projeto de Produto. influenciado por diversos fatores. um processo que engloba as pessoas e a organização onde se realiza tal atividade. as pessoas adicionaram ao processo de desenvolvimento as observações e experiências advindas do uso e dos requerimentos das ferramentas. ergonômicos e ambientais.

Rubin enumera três aspectos básicos desta abordagem. incluindo todo o processo de interação com potenciais clientes. até toda a duração da propriedade. e para alguns autores isto deve ser feito no cerne do processo. pessoas e organização. e ambiente. existe também a preocupação em se ampliar o espectro considerado no Projeto de Produto a todo seu ciclo de vida e aos seus usuários com os quais este se relaciona. que o Projeto de Produto ultrapassa o entorno do produto. processo. desde o contato de marketing e vendas iniciais.. suas metas. nesta definição. Em complementação a esta abordagem sistêmica. projeto do produto sucedida do produto que satisfaça tais necessidades. é sugerido o contato direto. Assim. operação. 1994. o utilizam. a necessidade da inclusão do usuário no projeto do produto. Rubin observa que tal conceito deveria ser expandido além do projeto de produto. Entretanto. como a Woodson. este se caracteriza como atividade sistêmica e não isolada dentro de um laboratório. com o mínimo de desgaste e o máximo de eficiência. são derivados do ponto de vista do usuário. p. a saber: Foco antecipado em usuários e tarefas: neste caso. principalmente. objetivos. serviço e tarefas de apoio. 3 Projeto do Produto centrado no usuário No projeto de produto centrado no usuário. na filosofia de considerar o usuário no centro do processo de projeto. conforme citado anteriormente. como citado anteriormente. Princípios Básicos de UCD Dentre os princípios do projeto centrado no usuário. Inc. bem como todos os aspectos das tarefas a serem realizadas com o produto.depto engenharia de produção . com as organizações onde são realizados e com as pessoas que o desenvolvem e. este conceito representa. ao ponto onde outro produto é comprado ou o corrente é atualizado. Detalhamento Conteúdo da tarefa Contexto da Tarefa Metas USUÁRIOS Objetivos Fluxo Desenvolvimento da Organização Tarefa da tarefa Figura 1 – Projeto centrado no usuário (adaptado de RUBIN. pois o mesmo se relaciona fortemente com os processos utilizados para sua produção. Jeffrey. contexto. principalmente. “Handbook of usability testing: how to plan. encampando produto. este é considerado o cerne do processo de desenvolvimento de produto e. o que é definido como Projeto de Produto Centrado no Usuário. durante todo o ciclo de vida do produto. Neste caso.11) Algumas definições propõem que o produto deveria se adaptar ao usuário. © 2006 eduardo romeiro filho 130 ufmg . Emerge também desta abordagem. New York: John Wiley & Sons. conforme proposto por Gould e Lewis para UCD. visando coletar o máximo de informações que possa auxiliar no desenvolvimento de produtos. sistematizado e estruturado entre usuários e projetistas. Observa-se. design and conduct effective tests”. em que UCD seria a prática de projetar produtos de forma que os usuários poderiam desempenhar seu uso. ainda.

projeto do produto Medições empíricas do uso do produto: através do desenvolvimento e teste de protótipos com usuários. Avaliações de especialistas: Consistem na revisão de um produto ou sistema. A seguir. ênfase na participação do usuário em todo o processo caracteriza esta abordagem. tipicamente empregado nos estágios iniciais do projeto para avaliar conceitos preliminares utilizando usuários representativos. 2. pretendendo expor deficiências de usabilidade e gradualmente moldar o produto em questão. ou seja. © 2006 eduardo romeiro filho 131 ufmg .2 Métodos e Técnicas de UCD Adicionalmente em sua análise sobre projeto centrado no usuário. suas habilidades e até suas reações emocionais ao projeto. menos formal. o produto é projetado. advindas do contato sistematizado e estruturado nas várias fases do projeto. “Surveys”: são empregados para a compreensão das preferências de uma vasta base de usuários de um produto existente ou potencial. empregada pelo produto. Os testes podem ser divididos dois tipos básicos de abordagem.depto engenharia de produção . Pesquisas tipo “grupos focados” (focus group): Este tipo de pesquisa. Projeto iterativo: através das informações e observações dos usuários e tarefas.3. que objetivam sempre inserir o usuário como o centro deste processo. tem como objetivo identificar quão aceitáveis são os conceitos. Rubin cita que estudos recentes indicaram que um especialista “duplo”. Projeto Participativo: Neste caso. objetivando confirmar ou refutar hipóteses específicas. explorando seu conhecimento. tais métodos são brevemente abordados. Testes de usabilidade: Estes testes empregam técnicas para coletar dados empíricos enquanto observam usuários finais representativos utilizando o produto para realizar tarefas específicas. devem ser realizadas medições quanto à aprendizagem e uso. que inclusive consiste em um destes métodos. de que formas são inaceitáveis ou insatisfatórios. Rubin identifica alguns dos principais métodos e técnicas utilizados nos processos de desenvolvimento de produtos. e o segundo. e assim por diante (iterações). e como estes podem ser mais aceitáveis. que o coloca no centro do processo desde o início. que também é especialista em uma tecnologia em particular. testado. modificado. Este autor ressalta que tais métodos principais auxiliam a proporcionar o contexto para os testes de usabilidade. empregando ciclos de testes iterativos. são mais efetivos que outros desprovidos de tal conhecimento. normalmente por um especialista em usabilidade ou fatores humanos que possua pouco ou nenhum envolvimento no projeto. o primeiro tipo envolvendo testes formais conduzidos como experimentos verdadeiros.

se esperando. porém ocorre após o lançamento formal do produto. desde que o verdadeiro usuário.4 Projeto baseado em Competências versus Projeto baseado em Tecnologia A partir da consideração que a efetiva implementação de novas tecnologias. na segunda empresa. requerem mais. © 2006 eduardo romeiro filho 132 ufmg . Assim. produto.depto engenharia de produção . competências e capacidade de julgamento dos operadores. e ambiente. 2. sob a perspectiva do projeto baseado em competência. e não menos. projeto do produto Estudos de Campo: Tal método consiste na revisão de um produto que tenha sido colocado em seu cenário natural. o centro de máquinas for projetado sem a participação dos trabalhadores porque se esperava pouca contribuição destes nas decisões de projeto. pode resultar na completa eliminação das reais atividades de fabricação. ainda que isto possa envolver uma mudança no tipo de competências utilizadas. Em processos mais rotineiros. No primeiro caso. particularmente de sistemas computacionais. Salzman discute que uma estratégia efetiva para tecnologia necessita incluir novos princípios do projeto baseado em competências. como um escritório. o projeto baseado em competências. onde o papel dos operadores é diferenciado dentro do processo de projeto de cada empresa. este autor se vale da comparação de dois exemplos de projetos de centros de máquinas. Para ilustrar tal conceito e seus princípios. os operadores são envolvidos no início do processo de projeto e na seleção de equipamentos. entrevistas e observações. residência. Por outro lado. bem como interagir com os equipamentos. Estudos de Acompanhamento: Este tipo de estudo é similar ao estudo de campo. mas irá proporcionar operadores com informações da produção que lhes permita controlar o processo efetivamente e responder aos problemas de forma competente. dentro de sua capacidade. O sistema foi projetado para o controle centralizado de toda a programação. se utilizando pesquisas. Observa-se nestes casos a mudança na participação dos operadores. pouco antes de seu lançamento. estão em posição e interagindo entre si. principalmente quanto à possibilidade de controlar e intervir no processo. Informações como padrões de uso. e as máquinas selecionadas para não permitir que o operador realize a programação. a realização de modificações nos programas para assegurar resultados de alta qualidade. e os resultados são utilizados para refinar o produto antes de seu lançamento. Rubin aponta que estudos de acompanhamento estruturados são provavelmente as mais verídicas e mais acuradas avaliações de usabilidade. As máquinas compradas foram projetadas para serem programadas pelos operadores. sendo que a idéia é coletar informações para uma próxima versão. dificuldades e atitudes do usuário são coletadas. os projetistas vêem a eliminação ou simplificação das tarefas mais rotineiras e mecânicas como uma oportunidade para os trabalhadores assumirem um papel amplo no processo de produção. ou outro tipo de ambiente real. de parte destes.

6 Princípios de projeto de produto aplicáveis à usabilidade No sentido de apoiar as iniciativas de desenvolvimento de produto. com a intenção de proporcionar recursos às pessoas para perceberem e construírem a usabilidade por si próprios. Galvão e Sato comparam os principais conceitos de “affordance” encontrados na literatura. seria como transformar conceitos inovadores em operações universais e do dia-a-dia. projeto do produto O elegante e eficiente (do ponto de vista técnico) caça Spitfire. o termo “affordance” se refere às propriedades reais e percebidas de um objeto. e à susceptibilidade da mudança. os artefatos bem projetados também podem participar na construção da experiência dos usuários. com a intenção de comunicar tal funcionalidade. A forma proposta pelos autores de alcançar a mudança de perspectiva é integrar as percepções da semiótica (resumidamente estudo do significado). Como citado anteriormente. Artefatos bem projetados indicam às pessoas que funções desempenham. a que se referem como o projeto do uso de um artefato através do projeto de sua presença física no mundo. Numa análise ampla. Rheinfrank et al. Tais eventos se referem a ações dinâmicas e não a situações estáticas. 2. definida como projeto de experiências significativas através da produção de uma emergente e evocativa integração entre forma e ação. o projeto apresentará uma performance mais eficientemente e será mais fácil de ser usado. © 2006 eduardo romeiro filho 133 ufmg .depto engenharia de produção . através do projeto. por esta razão. para a perspectiva de projeto como a criação consciente da usabilidade. quando tal propriedade corresponde à função pretendida do objeto. Para Donald Norman. aproximando-as do usuário. De outra forma. Uma aproximação prática de tal perspectiva de projeto do ponto de vista experimental. Isto implica na mudança da perspectiva de projeto como a aplicação “post-hoc” de forma e aparência para uma funcionalidade. 2. como as desempenham e. através do projeto dos objetos. Affordance O conceito de affordance tem sido alvo de atenção em psicologia há algum tempo. através do desenvolvimento competente de forma e elementos. A partir destas constatações. podemos observar alguns princípios de projeto de produto utilizados para tal finalidade. relacionando-os às dependências de percepção e de ação. produtos e artefatos são desenvolvidos para atender às necessidades humanas. porém apenas recentemente tem sido aplicado na comunidade de projeto. a semântica do produto (a expressão do significado através da forma) e a semântica do contexto (a expressão do significado através da ação). primariamente aquelas propriedades fundamentais que determinam como é possível utilizar um objeto.5 Projeto para usabilidade Como abordado anteriormente. formando a idéia de semântica experimental. significa projetar objetos que produzirão ou evocarão eventos específicos que levam a experiências específicas em situações específicas. propõem o projeto para usabilidade. O desenvolvimento de produtos usáveis e desejáveis demanda o entendimento de como usuários constroem relações com os objetos e de como estas relações podem ser controladas pelos projetistas.1. Lidwell observa que o conceito de “affordance” está relacionado com a maneira que as características físicas do objeto ou ambiente influenciam sua função. 2. Ainda mais importante.6. Assim. estes foram projetados e não meramente produzidos ou criados.

Adriano B. contudo podem ser classificados em duas categorias fundamentais: deslizes e equívoco.6. não havendo princípios físicos ou culturais. os autores ressaltam que estes podem orientar aos projetistas a considerar “affordances” em três instâncias: “Affordances” estão compreendidas nos produtos. através do nosso conhecimento desta situação e do mundo. Dependente das ações Independente da percepção Imutável. & SATO. “Affordances in product architecture: linking technical functions and users’ tasks”. Quando os usuários realizam suas ações.3 Erros Erros ocorrem na vida das pessoas com alguma freqüência. p. Equívocos. entretanto. O mapeamento natural funciona provendo restrições lógicas. 2. ocorrem quando uma ação não obtém o resultado pretendido. Dependente da percepção e possíveis. mas existe uma relação lógica entre a disposição espacial ou funcional dos componentes e os objetos que afetam ou pelos quais são afetados. Keiichi. com o uso apropriado de restrições físicas haverão um número limitado de ações possíveis ou. Deslizes resultam do comportamento automático. assim. mesmo que não afetem a operação física ou semântica do objeto. projeto do produto Dependência de percepção Dependência de ação Susceptibilidade à mudança Gibson. e podem ser conceituados como as ações ou omissões de ação que proporcionam resultados indesejáveis. assim. culturais e lógicas. mesmo sem nunca ter estado em um anteriormente.depto engenharia de produção .3) Após analisar tais conceitos. Os erros podem ocorrer em diversas formas. sabe- se como se comportar em restaurante. tais “affordances” são instantâneas. existe no ambiente 1979 possíveis Mutável. Norman estabelece uma classificação de quatro tipos principais de restrições. Os atributos perceptíveis destas “affordances” no modelo mental dos usuários. físicas. semânticas. pelo menos. Dependente da percepção e das Dependente das habilidades acordo com as habilidades 1984 limitações físicas individuais individuais Dependente das ações Mutável. que nos permite chegar a conclusões © 2006 eduardo romeiro filho 134 ufmg . Cada cultura possui um conjunto de ações permitidas para situações sociais e. Long Beach: Proceedings of ASME 2005 International Design Engineering Technical Conferences & Computers and Information in Engineering Conference. Outras restrições se referem a convenções culturais aceitas. 2. Restrições semânticas se inserem sobre o significado da situação para controlar um conjunto de ações possíveis. de ações desejáveis que possam ser realizadas obviamente. 2005. Limitações físicas restringem operações possíveis e. A compreensão das causas dos erros sugere estratégias específicas de projeto que possam reduzir sensivelmente sua freqüência e severidade. podendo mudar de Dependente de sentir o Dependente da percepção de Fadel. quando uma ação subconsciente cuja intenção é satisfazer nosso objetivo é desviada em seu caminho. e sua a aplicação apropriada pode resultar em um projeto mais fácil de utilizar e reduzir significativamente a probabilidade de erros durante a interação. habilidades acordo com a experiência do 1988 cultura individuais e de aspectos usuário culturais Maier & Mutável. O mesmo processo que nos torna criativos e perspicazes por nos permitir enxergar relações entre coisas desvinculadas. podendo mudar de Warren. Também referidos como erros de ação ou erros de execução.6. podendo mudar de Norman. resultam da deliberação consciente.2 Restrições Lidwell define como restrições o método para limitar as ações que podem ser desempenhadas em um sistema. acordo com as propostas de mecanismo utilidade 2003 projeto Tabela 1 – Comparação dos significados atribuídos ao conceito de “affordance” (adaptado de GALVÃO.

reversibilidade de ações e rede de segurança. que dispõe controles e informações em categorias lógicas. 2. Para atingir o perdão no projeto de produto é preferível que se utilize os métodos de “affordance”. Perdão . ao invés de ter relembrar tais soluções por sua própria memória. se as ações são reversíveis. Organização hierárquica. e minimizam as conseqüências negativas dos erros quando estes ocorrem. advertências e ajuda. Confirmação: verificação da intenção requerida antes que ações críticas são permitidas (por exemplo. Referidos algumas vezes como erros de intenção ou erros de planejamento. trava que necessita ser aberta antes de algum equipamento ser ativado). o exemplo do painel do Boeing 777. 2. a ajuda será menos necessária. as confirmações são menos necessárias. Algumas estratégias contribuem para incorporar o “perdão” no projeto de produto. são boas soluções para gerenciar a complexidade enquanto se preserva a visibilidade. ocorrem quando a intenção é inapropriada. diagnósticos ou correção de erros (por exemplo. Abaixo. © 2006 eduardo romeiro filho 135 ufmg .“Forgiveness” O conceito de perdão em projeto de produto ajuda a prevenir erros antes que estes aconteçam. Ajuda: informações que assistem a operações básicas. Reversibilidade de Ações: uma ou mais ações que podem ser revertidas se um erro acontecer ou a intenção da pessoa mude (por exemplo: função desfazer em programas de computador). placas nas estradas que advertem uma curva acentuada adiante). que revela e oculta controles baseados em diferentes contextos. e se a rede de segurança é robusta. e sensibilidade de contextos.6. o assento ejetável de uma aeronave). também nos pode nos levar a cometer erros. posto que reduzem a necessidade de confirmações.depto engenharia de produção . Advertências: placas. documentação ou ajuda telefônica). e as conseqüências destas ações quando estas forem realizadas. lembretes ou alarmes usados para advertir perigos iminentes (por exemplo. Rede de segurança: dispositivo ou processo que minimiza conseqüências negativas de um erro catastrófico ou de uma falha (por exemplo. a saber: “Affordances”: características físicas do projeto que influenciam sua correta utilização (por exemplo um plugue com formato único que somente pode ser inserida em uma tomada adequada). se o produto têm boas “affordances”. as advertências são menos necessárias. os sistemas são mais usáveis quando indicam claramente seus respectivos estados. De acordo com este princípio. Neste caso.5 Visibilidade O princípio de visibilidade é baseado no fato de que as pessoas são melhores para reconhecer soluções quando as selecionam entre um conjunto de opções.6. projeto do produto corretas baseados em evindências parciais ou mesmo vagas.4. as ações que são possíveis de serem realizadas.

Erros: o sistema ou produto deve proporcionar baixas taxas de erros durante o uso. à tarefa e ao contexto em que este © 2006 eduardo romeiro filho 136 ufmg . Eficiência: o sistema ou produto deve ser eficiente para o uso e. Nielsen ressalta que Usabilidade não é uma simples propriedade. Observa-se nessa última definição a ampliação do termo usabilidade a atributos como a aprendizagem do uso de um produto. e somente pode ser medida através da avaliação da performance. atividade e o contexto em que tal relação ocorre. eficiência e satisfação num dado contexto de uso. a relação produto e usuário. satisfação e aceitabilidade do usuário. que deve ser reduzida e cujos efeitos não podem ser catastróficos. Memorização: o sistema ou produto deve ser relembrado facilmente. Entretanto. permitindo a utilização casual por um usuário. de forma que o usuário possa rapidamente iniciar algum trabalho. mas há estudos que tratam de equipamentos e ferramentas técnicas. mas possui atributos que determinarão sua usabilidade para um usuário particular. que havia adquirido uma série de indesejáveis conotações vagas e subjetivas. se eliminando-se a necessidade de se aprender tudo novamente após um período sem uso. e que a usabilidade é determinada pelos atributos do produto. Eficiência: relação entre os recursos despendidos e a acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. Finalmente. projeto do produto USABILIDADE O termo usabilidade foi criado no início dos anos 80 em substituição ao termo “user-friendly”. Nesta definição podemos observar a inserção dos conceitos de efetividade. Tais atributos incluem não apenas características ergonômicas específicas. Esta definição aborda dois pontos importantes: o produto não é usável por si próprio. Ademais. unidimensional da interface usuário-produto. objetivando contribuir para o Projeto de Produtos que atendam a todos os grupos de usuários. e trabalhos dedicados à avaliação de aspectos de usabilidade de cadeiras para crianças e para usabilidade e segurança da terceira idade. que qualquer mudança nas características do produto ou sistema. quais sejam: Aprendizagem: a utilização do sistema ou produto deve ser fácil de se aprender. Dentre as avaliações de usabilidade de produtos. mas todas as características do produto em seu uso. que segundo a norma são: Efetividade: acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. o que também se justifica por este se tratar de tema relativamente recente. A norma ISO 9241-11:1998 conceitua Usabilidade como a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. tanto para avaliar a usabilidade de produtos em casos específicos como no sentido de discutir métodos e ferramentas para tais avaliações. Satisfação: a utilização do sistema ou produto deve ser agradável. incluindo aí todas as suas características. Diversos conceitos e definições de Usabilidade são encontrados na literatura. eficiência e satisfação na utilização do produto pelos usuários. devendo haver facilidade para sua correção. produtos eletrônicos de consumo e equipamentos médicos também. tarefa ou ambiente. um alto nível de produtividade é possibilitado. conferindo importância ao usuário. relacionando produto. tarefa e ambiente em que ocorre sua utilização. usuário. De forma mais ampla. sempre estão considerados nestas definições. Bevan propõe que a Usabilidade está na interação entre o usuário e o produto ou sistema. erros catastróficos não devem ocorrer. em um dado contexto e para uma certa tarefa. Outro ponto importante ressaltado por Nielsen é a preocupação com os erros. dependendo do usuário. devem ser de fácil correção. tanto àquele usuário que o utiliza constantemente. Encontramos na literatura diversas definições. pois um produto não é usável por si próprio. Ao final. Adler e Winograd definem usabilidade como a habilidade de um produto ou equipamento de tirar vantagem das competências de seus usuários. em um certo ambiente. Satisfação: uso do produto livre de desconforto e com atitudes positivas. ainda. uma dada tarefa. encontramos em maior quantidade estudos dedicados a sistemas computacionais e páginas de internet. uma vez que o usuário já aprendeu a utiliza-lo. usuário. podemos considerar que todas as definições são complementares e têm em comum o fato de se situarem na interface produto-usuário. como àquele que utiliza o produto esporadicamente. Diversos estudos e trabalhos têm sido realizados sobre o tema. definindo como um atributo do produto a ocorrência de erros. pode afetar a usabilidade. e sendo associada a cinco atributos. funcionando de forma eficaz em uma dada gama de situações reais de trabalho.depto engenharia de produção . como será discutido logo a seguir. e caso estes aconteçam. apresentando múltiplos componentes. de forma que os usuários se satisfaçam subjetivamente ao usá-lo. O autor ressalta. incluindo os aspectos como eficiência e confiabilidade que afetam a facilidade de uso.

Assim . Ao final. tais como habilidades.4 Usabilidade universal Considerando que a tecnologia como um meio universalmente aceito em qualquer campo de atividade humana na era de informação e a migração de serviços públicos e comerciais para espaço digital. mas em outros casos se leva muito tempo e produz situações estressantes. por sua própria natureza. cultura. adicionando treinamento e materiais de apoio. características pessoais. incluíram usabilidade nos modelos gerais de aceitação do produto pelo usuário. Para tanto. descrevendo isto como a habilidade do produto ou sistema ser aprendido rapidamente. se discute a necessidade de haver critérios mensuráveis para referência durante o processo de desenvolvimento. os critérios de efetividade e eficiência de um produto ou sistema. podendo dividir sociedade em ricos e pobres de informação. Amplamente aceitos na literatura. através de atributos. Atualmente a característica principal de tecnologia é evolução ou mudança rápida. que garantiria utilização bem sucedida de tecnologia por qualquer cidadão. como por exemplo a Norma ISO 9241-11: Orientação em Usabilidade (1998). © 2006 eduardo romeiro filho 137 ufmg . uma característica de retenção específica de aprendizagem. em outras palavras. como Shackel. É importante observar que Usabilidade universal não deve ser entendida como acesso universal. para outros pesquisadores. os erros são indicadores importantes de efetividade de tecnologia do produto. projeto do produto utiliza o produto. Há então uma necessidade de proporcionar equipamentos flexíveis e compatíveis para os usuários. devemos considerar que a Usabilidade. podendo chegar a situações onde eles não podem usar alguns serviços baseados nas mais recentes soluções tecnológicos. Nielsen adiciona o critério de memorização que poderia ser considerado como um aspecto de aprendizagem. Neste contexto. Para refletir a componente subjetiva da Usabilidade. quando este for novamente utilizado após um certo período de tempo. “Gaps” no conhecimento de usuário . Os erros na utilização do produto ou sistema são outro atributo importante. este vazio é preenchido facilmente quando há ambientes comuns e padronizados. os atributos do produto devem permitir que se atinjam tais objetivos. decorrentes às novas formas de manipular um sistema ou produto. enquanto para Nielsen trata-se de um atributo independente de usabilidade. pois depende em parte de características individuais de usuários. têm caráter subjetivo. Memorização trata da possibilidade re-aprender ou se relembrar rapidamente como usar o produto ou sistema. certas tentativas para definir Usabilidade foram relacionadas à criação de métricas para sua avaliação. o usuário sempre necessita superar um certo vazio em seu conhecimento. software e redes. a primeira expressa através de atributos que poderiam ser convertidos a indicadores quantitativos e medidos.ao começar a utilizar uma nova tecnologia. Quando tecnologia não levar em conta peculiaridades individuais. idade. que. também constam em normas.os projetistas poderiam facilitar tal passo proporcionando aos usuários interfaces estruturadas de acordo com seu nível de conhecimento (variando de novato a perito). Shneiderman propõe o conceito de Usabilidade universal. Mais adiante. de forma que um usuário inicie a trabalhar com o produto ou sistema em um período curto de tempo.depto engenharia de produção . quanto às atitudes do usuário. e efetividade indica como a acuidade e perfeição com que os usuários conseguem alcançar os objetivos específicos. Diversidade de Usuários – as características individuais dos usuários. normalmente expressas de forma qualitativa. 3. eficiente e satisfatória. é introduzido o critério de atitude de usuário. O atributo geralmente mais mencionado de um produto utilizável é a aprendizagem. Alguns dos pioneiros nesta área. o conceito de Usabilidade engloba dimensões objetiva e subjetiva. e alguns deles enfatizam aspectos específicos. Por isto. 3. ou incluídos e excluídos. renda. Segundo esta visão. e freqüentemente os usuários não podem se manter atualizados de todas as inovações. devendo tal utilização ser eficaz. gênero. ou. engloba a gama de tarefas para as quais um sistema é projetado. Shackel introduz uma característica de flexibilidade que implica na adaptação do sistema à variações nas tarefas. com algumas sobreposições (por exemplo efetividade e eficiência). como Nielsen. chegando até a criar resistência à nova tecnologia. Alguns destes atributos identificaram características que podem ser colocadas em níveis hierárquicos diferentes. poderá se tornar uma barreira em lugar de um meio de acesso para informação. Shneiderman vai além de acesso universal e constrói o modelo de Usabilidade universal em três desafios principais: Diversidade tecnológica – aspectos tecnológicos que abrangem hardware. e apresentando também uma série de atributos necessários para projetar um produto que seria aceito pelo usuário. que define eficiência como a relação entre recursos despendidos e os objetivos alcançados. Às vezes..3 Atributos de usabilidade Para projetar um sistema ou produto usável. e a dimensão subjetiva. predeterminam o modo e a extensão que um indivíduo utilizará a tecnologia. ele não oferece uma descrição de componentes de Usabilidade mas uma vasta agenda de pesquisa. e assim por diante. que por si só não assegura tecnologias usáveis. inaptidões etc.

5 Abordagens de usabilidade orientadas ao produto e ao processo Em sua revisão do estado da arte sobre o tema. muitas vezes com variados graus de limitação. porém não mencionando no que consiste a usabilidade. no intuito de guiar a colaboração de fabricantes e outras partes interessadas. Esta abordagem procura compensar a fragilidade do Projeto de Produto ao se orientar por uma série pré-determinada de características do usuário. Porém. apontando as atividades necessárias para se assegurar um sistema ou produto usável ao cada fase de produção e uso. tarefas e ambiente.depto engenharia de produção . sendo focada principalmente ao desenvolvimento de sistemas computacionais e equipamentos de informática. um dos campos onde o tema usabilidade foi mais estudado. Entretanto. o modo como alcançam metas específicas. 3. esta abordagem oferece freqüentemente apenas algumas sugestões que ajudam administrar o processo de avaliação de usabilidade.com) é conhecida por aplicar princípios de design universa em produtos de extrema elegância e beleza. A empresa fabricante de utensílios de cozinha OXO (www. Neste sentido. Podemos citar as seguintes normas sobre o tema em análise: ISO 9241-11: Guidance on usability (1998).6 Normas de usabilidade Uma série de normas ISO sobre usabilidade já está publicada. em um dado contexto de trabalho. As abordagens orientadas a produto e a processo são complementares e deveriam ser explorados ambos em todas as fases de desenvolvimento. ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999). projeto do produto O progressivo envelhecimento da população é um desafio ao projetista. a usabilidade é alcançada quando o processo de Projeto de Produto for centrado no usuário.pois exige novas soluções que permitam a utilização adequada de produtos por idosos. Então. visando especificar atributos que possam antever o comportamento do usuário. como os exemplos ao lado. © 2006 eduardo romeiro filho 138 ufmg . observa-se que uma das definições amplamente aceita de usabilidade é proposta na norma ISO 9241-11. os conceitos analisados nestas normas podem ser utilizados em outros campos. Glosiene e Manzuch propõem que na literatura sobre usabilidade. são conhecidas duas abordagens comuns: Abordagem orientada ao produto – neste caso a usabilidade é tratada como uma série de exigências que sistemas ou produtos deveriam satisfazer para ficar usável (por exemplo. o foco está na integração da usabilidade ao processo de desenvolvimento de produtos. o que pode ser avaliado pelo usuário em testes). posto que existem similaridades entre métodos e objetivos nas iniciativas. e que deveriam facilitar a administração do desenvolvimento de produtos. 3. Esta abordagem é pertinente pois visa estabelecer métodos de trabalho que proporcionem alcançar o desenvolvimento de produtos usáveis. Abordagem orientada a processo – neste caso. englobando características de contexto específicas. em certos casos.oxo. como o usuário.

Os fatores ambientais podem ser divididos em técnicos (por exemplo.depto engenharia de produção . etc. relativos às atividades relacionadas com o usuário. buscando propiciar haja equilíbrio entre estes. tarefa e ambiente. 3. bem como para antever seu comportamento. baseada em fatores como as características. Human-centred lifecycle process descriptions (2000). Pontos de interação ao longo do desenvolvimento do projeto.). Procedimentos para integrar tais atividades nas demais atividades de desenvolvimento. Gerenciamento do tempo. A análise e descrição de tarefas do usuário. As tarefas compreendem uma sucessão de ações específicas necessárias alcançar as metas desejadas pelo usuário. ambientais (por exemplo. eficiência e satisfação. Esta norma propõe ainda que as organizações que pretendem implementar estes princípios de projeto centrado no ser humano em seu processo de desenvolvimento de produtos deveriam realizar tarefas preparatórias e planejar atividades futuras que devem incluir: Atividades de projeto centradas no usuário. coletando informações detalhadas do usuário.5. principalmente para levantamento de recursos necessários. empregando conhecimentos de ergonomia e fatores humanos. ensejando a participação destes em todos estágios do processo de desenvolvimento. Fase 2: Especificar os requisitos do usuário e organizacionais. As metas ou objetivos do usuário durante a interação com produtos ou sistemas são cruciais para determinar os contornos dos produtos ou sistemas.5. na identificação e prevenção de problemas. físicos (por exemplo. Incluir responsáveis por esta inclusão desde os níveis hierárquicos superiores. O ambiente que engloba os fatores externos que envolvem o usuário e sua interação com o produto ou sistema. Incluir marcos no processo. conhecimento. ambos propostos na norma ISO 9241-11. © 2006 eduardo romeiro filho 139 ufmg . idade. em relação à critérios e medidas apropriadas de efetividade. conjugando as necessidades dos usuários e recursos organizacionais. as avaliações de usabilidade devem considerar as metas ou objetivos do usuário e o contexto de uso. mas também participantes de outras áreas e funções. capacidades e limitações do usuário e da tecnologia. Outro componente na avaliação da usabilidade é o contexto de uso. Assim. sociais e culturais (por exemplo. envolvendo não só usuários e projetistas. onde estão compreendidos o usuário.1 Norma ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). As fases principais propostas para o processo de projeto centrado no ser humano são descritas a seguir e se relacionam às metas ou objetivos do usuário e ao contexto de uso. e no ajuste do produto ou sistema ao ambiente e as tarefas. a norma propõe que o Projeto de Produto centrado no ser humano deve ser embasado em quatro princípios: Envolvimento ativo de usuários e compreensão dos requisitos das tarefas e usuários. pode afetar a usabilidade. tarefa e o ambiente. experiência. projeto do produto ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. a fase inicial de planejamento é muito importante. educação. ajudam entender como os usuários alcançam suas metas ou objetivos. calor. Alocação apropriada de funções entre usuário e produto. características do lugar onde se executa a tarefa). enfatizando metas ou objetivos do usuário e contexto de uso como componentes que direcionam qualquer atividade de avaliação de Usabilidade. que proporcionem a coleta e aproveitamento contínuo de informações dos usuários durante as fases do projeto. entre outras) é necessário para distinguir tipos diferentes de indivíduos que interagem com o produto ou sistema. Desenvolver e utilizar meios e procedimentos eficazes de coletar. que outros sistemas e produtos são usados). Esta filosofia de Projeto de Produto é multidisciplinar e concebida para suportar o desenvolvimento de produtos usáveis. O conhecimento das características do usuário (tais como atributos físicos. comunicar e registrar opiniões dos usuários. organização do trabalho). e até mesmo as funções mais concretas que atendem as necessidades de usuário. 3. o objetivo é desta norma é direcionar as atividades de desenvolvimento de sistemas interativos sob a perspectiva do projeto centrado no ser humano. umidade. Neste caso. ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002). Fase 1: Entender e especificar o contexto de uso. Esta norma estabelece uma estrutura básica de Usabilidade. assistindo na formulação e refinamento de soluções. Equipes multidisciplinares de projeto.2 ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999) Com base na filosofia e definição de usabilidade da norma ISO 9241-11. Além destas fases principais. e provêem valiosa informação para definir requerimentos dos produtos ou sistemas.

A intenção da norma é informar modelos de processos aos usuários que desejem considerar a processos centrados no ser humano no ciclo de vida de sistemas. A escolha ou seleção específica destes métodos depende dos seguintes fatores: a) Fase do projeto. conforme citado na norma ISO 13407. o que está disponível na norma e será abordado adiante. porém não são enumeradas e comparadas vantagens e desvantagens para sua adoção. e outros fatores relevantes em para sua seleção e uso. O foco do projeto do produto é obter informações do usuário. e) Características dos produtos. b) Fase do ciclo de vida do produto. empregando conhecimento multidisciplinar existente. Cada método é descrito com suas vantagens. detalhes e métodos para implementação das atividades propostas permanecem obscuros. As atividades de avaliação devem ser utilizadas em todas as fases e para atender a diversos propósitos. e sua descrição resumida. máquinas e programas. d) Disponibilidade e características dos usuários. Este relatório propõe sete processos. apresentando definições de processos que compreendem a abordagem de projeto centrado no ser humano e listando seus componentes. Neste caso. g) Nível de conhecimento em ergonomia dos participantes. máquinas e programas. Entretanto. principalmente o conhecimento. diferindo quanto ao foco. Este trabalho traz uma avaliação dos métodos existentes de usabilidade que podem ser utilizados individualmente ou em combinação para suportar as atividades de projeto e avaliação. ou ainda. principalmente porque é a forma de obter informações do usuário e aperfeiçoar protótipos.4 ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002) A proposta deste relatório é auxiliar aos profissionais na tomada de decisões sobre a escolha de métodos de usabilidade no apoio às atividades de projeto centrado no ser humano. mas também porque é a forma de monitorar aspectos organizacionais. em alguns casos de forma conjunta ou seqüencial. 3. todos os métodos são analisados separadamente. A tabela abaixo traz os métodos constantes no relatório técnico ISO/TR 16982. c) Restrições de tempo e recursos. porém também devem ser consideradas a seleção adequada de métodos e as condições disponíveis para aplicação. saídas e informações utilizadas e produzidas. © 2006 eduardo romeiro filho 140 ufmg . Fase 4: Avaliar as soluções em relação aos requisitos. uso e avaliação do ciclo de vida de sistemas.depto engenharia de produção . podendo utilizados desta forma. gerando e testando interativamente modelos e protótipos de futuros sistemas ou produtos. através da medição ou coleta de dados a partir do desempenho ou preferência do usuário. envolvendo usuários em potencial. proporcionando diretrizes para organizações incorporarem usabilidade como um objetivo no processo de desenvolvimento de produtos baseados em tecnologia. projeto do produto Fase 3: Produzir soluções de projeto.5. Também estão incluídas implicações referentes ao estágio do projeto e do ciclo de vida do produto para a seleção do método. 3. Em contrapartida. legais e normativos. para diversas finalidades. explorando em detalhe cada um destes processos e seus componentes. A norma ISO 13407 expande os princípios da norma ISO 9241-11. bem como as recomendações de sua adoção ante aos fatores informados acima. no intuito de apoiar àqueles envolvidos no projeto. A utilização de vários métodos deve proporcionar melhores resultados. f) Características das tarefas a serem executadas. Human-centred lifecycle process descriptions (2000) Esta publicação explora a Norma ISO 13407.5. como proposta na norma ISO 13407. desvantagens. Além disto. Os métodos de usabilidade descritos neste relatório são aplicáveis tanto ao projeto do produto como para avaliação deste.3 ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. onde aplicável. até que os objetivos sejam atingidos. aplicados em algumas das quatro fases indicadas na norma ISO 13407. capacidade e limitações deste em relação à tarefa e contexto específicos para o qual o produto está sendo projetado. as avaliações são meios para se identificar problemas e devem ser empregadas ao longo do ciclo de vida do produto. o foco da avaliação do produto está na verificação do seu projeto em uma dimensão particular ou ante a um padrão.

Pensando alto Consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. 2002) 3. dúvidas. normalmente extraídos através de interações em grupo. 3. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. o planejamento de futuras versões é também uma razão para se acompanhar o lançamento do produto com estudos de campo de sua utilização real. onde produtos são lançados em várias versões ao longo do tempo. crenças. devendo ser aplicada a famílias de produtos e projetos extensos. Métodos baseados Utilizam modelos que são representações abstratas para o produto avaliado a fim de em modelos permitir a previsão da performance do usuário. performance Análise de Coleta sistemática de eventos específicos. incidentes críticos Questionários Método indireto de avaliação que coleta opiniões dos usuários sobre a interface do usuário em questionários predefinidos.. na página seguinte). diferindo pelo nível de abstração da informação proporcionada. Tabela 2 – Descrição Resumida de Métodos (adaptado da Norma ISSO 16982:2002. durante a utilização do sistema em teste.6 O ciclo de vida da engenharia de usabilidade A engenharia de usabilidade não deve ser tratada como um tópico isolado. expectativa. projetistas. a engenharia de usabilidade engloba um conjunto de atividades que deveriam estar contidas ao longo de todo ciclo de vida do produto. revelando diversos aspectos de implementação de usabilidade. colaborativa especialistas em fatores humanos. os membros de tais grupos freqüentemente são usuários.. com atividades significativas ocorrendo nos estágios iniciais. descobertas.5 Complementaridade entre as normas ISO As normas e relatórios ISO aqui abordadas resumidamente são complementares. Assim. Métodos Criativos Métodos que envolvem dedução de características de novos produtos e sistemas.) colaborar na avaliação e projeto de sistemas. projeto do produto Nome do Método Descrição Resumida Observação de Coleta de forma precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a usuários performance dos usuários. habilidade e experiência prática em ergonomia do Perito especialista em usabilidade. Mais que isso. Cit. Estes documentos formam uma estrutura de usabilidade conforme esquema proposto por Glosiene e Manzuch (quadro 1. Da mesma forma. Avaliação de Avaliação baseada no conhecimento. Medições Coleta de medições de performance quantificáveis para compreender o impacto de relacionadas à aspectos de usabilidade. etc.5.depto engenharia de produção . Entrevistas Similares aos questionários com grande flexibilidade e envolvendo interação face a face com o entrevistado. Op. Avaliação Algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em automatizada ergonomia que diagnosticam as deficiências do sistema comparado a regras predeterminadas. a usabilidade não deve ser vista isoladamente do amplo contexto corporativo de desenvolvimento de produtos. Métodos baseados Exame de documentos existentes por um especialista em usabilidade para formar um em documentos parecer profissional do sistema. antes da interface com o usuário ser projetada. etc. No contexto de abordagens centradas no ser humano. Projeto e avaliação Métodos que permitem tipos diferentes de participantes (usuários. onde a interface usuário- produto é apenas inserida antes do lançamento do produto. © 2006 eduardo romeiro filho 141 ufmg .

e sobre a evolução do usuário e da tarefa. sendo necessário identificar os atributos desejados. Projeto em paralelo: tem por objetivo explorar diferentes alternativas de projeto antes de definir aquela que será detalhadamente desenvolvida e submetida a atividades de usabilidade pormenorizadas. análise de incidentes críticos. estabelecendo prioridades para o produto em desenvolvimento com base na análise dos usuários e suas tarefas. Avaliação ante aos conteúdo de e níveis de decisões requirsitos soluções de ISO/TR 18529 HCD na estratégia 2. projeto do produto QUADRO 1 – COMPLEMENTARIDADE DE NORMAS ISO (adaptado de GLOUSIENE. antes mesmo do projeto ser iniciado. Usability methods supporting user-centred design Métodos: observação de usuários. principalmente se a usabilidade estiver incluída nas atividades iniciais do desenvolvimento. e proporcionar idéias para o desenvolvimento de um novo produto.cit. Produzir 6. Assegurar o 3. Compreender e Introduzir especificar contexto ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction. satisfação ISO 13407: Human-centred design processes for interactive systems II. Especificação do Atividades I. Análise competitiva: consiste em analisar produtos concorrentes existentes. Audrone & MANZUCH. Aliás. 2004) ISO 9241-11: Guidance on usability Escopo de Usabilidade: objetivos. Nielsen propõe onze fases para o ciclo de vida da engenharia de usabilidade. as quais sejam: Conhecer o usuário: nesta fase devem ser coletadas informações sobre as características dos usuários. devem ser estabelecidos critérios de avaliação para cada atributo. tarefas. processo de HCD 4. contexto de uso Medidas de Usabilidade: efetividade. sobre as funções do produto (análise funcional). relacionadas com o desenvolvimento do produto. Planejar e gerenciar o 7. Zinaida. Op. visando a antecipar eventuais mudanças.Especificar os requisitos organizacionais 5. Estabelecimento de metas: como discutido anteriormente. os resultados obtidos provavelmente serão melhores que a aplicação isolada em determinada fase. eficiência. i d l j li ã l b i é d i i é d b d Ao se considerar a usabilidade em todas as fases do ciclo de desenvolvimento do produto. com o objetivo de identificar seus pontos fortes e fracos. esta é apontada como a forma mais econômica para que o projeto do produto seja influenciado pela usabilidade. questionários. Compreensão e III. Avaliação usuário e especificação do ante aos preliminares: requerimentos soluções de contexto de uso requisitos planejamento organizacionais projeto 1. através de avaliações heurísticas e realizar testes empíricos com estes produtos.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 142 ufmg .. uma vez que evitará futuras mudanças neste para atender às recomendações de usabilidade. Para avaliar o atendimento destas prioridades. Produzir IV. medicos de performance. usabilidade não consiste em um atributo unidimensional. sobre as tarefas atuais e desejadas pelos usuários (análise da tarefa).

a dimensão que considera o conhecimento da tarefa a ser executada pelo usuário. Neste sentido. Neste caso. permitindo que as informações sejam mais abreviadas e condensadas pois o maior conhecimento do usuário permitirá que este as analise e processe com eficácia. é importante considerar os usuários e suas diferenças ao realizar estudos de usabilidade. ou ainda num patamar intermediário. podem ser muito maiores do que os benefícios incrementais de se utilizarem exatamente os métodos corretos para um dado projeto. sendo este classificado entre novato e perito. Para Jakob © 2006 eduardo romeiro filho 143 ufmg . 3. Usuários experientes teriam competência e autoconfiança para ser críticos e sugerir melhorias baseados em suas experiências práticas. Avaliação da interface: os benefícios de se empregarem razoavelmente métodos de engenharia de usabilidade para avaliar a interface produto-usuário. de forma que a interface criada seja consistente. 3.2. suas experiências ante ao produto. aproveitando-se de resultados das constantes iterações com o usuário pode apresentar excelentes resultados. Prototipagem: avaliações de usabilidade iniciais podem ser baseadas em protótipos que podem ser desenvolvidos mais rápida e economicamente. devem ser inseridos testes com usuários reais dos produtos durante seu desenvolvimento. Por outro lado. ao invés de se realizar seu lançamento sem qualquer avaliação. deve-se ter cuidado ao generalizar os resultados de quaisquer avaliações de usabilidade para outro contexto. Estudos de acompanhamento de sistemas instalados: o principal objetivo do trabalho de usabilidade.6. Decisões de Usabilidade Face às diferentes características entre usuários. Nielsen propõe que as diferenças entre usuários ocorrem em três dimensões: quanto à experiência do usuário. Coordenando a Interface Total: neste caso. Diretrizes e avaliação heurística: definir diretrizes que listem princípios bem conhecidos para o projeto de interfaces. o projeto iterativo. e assim. muitas vezes pode levar a decisões entre os grupos de usuários que se privilegiar. e em relação ao domínio da tarefa a ser executada. e as ações sobre estes devem objetivar a redução de ambos. que devem ser observados durante o desenvolvimento. consiste em coletar dados de usabilidade para as próximas versões e novos produtos. aqueles que possuem maior habilidade acabam por se sair melhor ao utilizar o novo sistema ou produto. e a terminologia utilizada não poderá ser tão abreviada e densa como para especialistas. ao meio de produtos. assim. Estudos da utilização do produto em campo avaliam como usuários reais utilizam a interface para tarefas realizadas em seu ambiente real de trabalho. e à missão dos projetistas de atender às necessidades dos usuários em dados contextos.6. julgam importante considerar os grupos de usuários pretendidos quando da execução de testes de usabilidade. Assim. o projetista pode ainda não conhecê-lo suficientemente bem a ponto de poder responder todas as questões levantadas durante a execução do projeto. seriam considerados usuários com níveis de habilidade ou conhecimento distintos utilizando um mesmo sistema ou produto. A experiência do usuário com uma determinada interface seria a dimensão que normalmente se refere à habilidade do usuário.1 Categorias de Usuários e Diferenças entre Usuários Dentre os aspectos mais importantes para usabilidade estão as tarefas dos usuários e suas características e diferenças individuais. pois terão melhor percepção das características do sistema e de como este trata diversas situações. Mesmo que a recomendação de conhecer o usuário tenha sido seguida antes de iniciar o projeto. Assim. após o lançamento do produto. uma vez que a natureza das informações de grupos diferentes pode ser diferente. projeto do produto Projeto participativo: neste caso. e ao nível de conhecimento da tarefa. Finalmente. Nesta dimensão. proporcionar maior percepção que não estaria facilmente disponível em estudos de laboratório. Projeto Iterativo: baseado nos problemas e oportunidades de usabilidade descobertos através de testes empíricos. e podem. tarefas e ambientes. Por este motivo. e que assim podem ser modificados várias vezes antes da melhor compreensão da interface com o usuário ser alcançada. é necessário haver coordenação entre todas as áreas envolvidas no projeto. usuários com menor conhecimento necessitarão que o sistema explique o que está fazendo e o que significam as diferentes opções. Garmer et al. que pode envolver significativamente distintos tipos de usuários. porém diferem quanto à habilidade ou experiência em um dado campo de forma geral (por exemplo informática). Há também que se considerar a situação que usuários têm a mesma habilidade ou conhecimento em um novo sistema ou produto. mesmo com interfaces otimizadas. quanto à experiência com sistemas ou produtos em geral. Usuários novatos são importantes pois estes encontram muitos dos problemas sérios e cometem a maioria dos erros. Neste caso. tais avaliações devem ter como critério a severidade dos problemas e freqüência de sua ocorrência. usuários com experiência mais extensa normalmente terão melhores resultados que outros com experiência reduzida.depto engenharia de produção . é possível se produzir uma nova versão da interface.

positivos ou negativos. A atividade real é relatada. são apontados como suas desvantagens ou restrições: O tempo necessário para analisar os dados. e fatores para sua seleção e uso.1 Observação de usuários Este método consiste na coleta precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a performance dos usuários. Conforme citado anteriormente. Os incidentes são então agrupados e categorizados. que possuem a vantagem de evitar respostas enigmáticas.7. o dilema deve ser resolvido segundo a direção estabelecida pela metas de usabilidade definidas para projeto. muitas vezes com nomes e procedimentos similares.3 Análise de incidentes críticos Este método consiste na coleta sistemática de eventos que sobressaem ante ao contexto de performance do usuário. 3. ou formatos fechados com escalas para resposta. As vantagens deste método são: A coleta de dados confiáveis. Em contrapartida.2 Medições relacionadas à performance Também chamado de medições relacionadas à tarefa. entre outros. incluindo medidas quantificáveis como tempo gasto para completar uma tarefa. tal método é relacionado a efetividade e eficiência. objetivando a observação da interação. A facilidade de comparação de resultados. 3. que podem ser conduzidos em situações reais ou laboratórios. também há as desvantagens ou restrições: Não necessariamente permite descobrir as causas dos problemas Exige uma versão operativa do produto ou sistema. Questionários padronizados podem ser utilizados para comparações sistemáticas. Os incidentes são descritos no formato de pequenos relatórios que proporcionam obter os fatos do entorno do incidente. 3. Por outro lado. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. projeto do produto Nielsen. que podem ter ocorrido no passado ou em certo período de tempo. O fato de se focalizar os eventos onde as demandas dos usuários são maiores. podendo apresentar formatos abertos. Os dados podem ser coletados através de entrevistas com o usuário. Enquanto em medições relacionadas à performance o foco de interesse está nas tarefas correntes e situações existentes. o próprio autor reconhece que nem sempre é possível atingir resultados ótimos em todos os atributos de usabilidade simultaneamente. A seguir os métodos e suas características principais serão retratados com base na análise realizada na Norma ISO 16982:2002.7 Principais métodos de usabilidade A literatura disponível sobre o tema propõe e discute diversos métodos de usabilidade. número de erros.7. tempo gasto para correção de erros. o método de incidentes críticos permite a análise de eventos significativos.7. © 2006 eduardo romeiro filho 144 ufmg . a Norma ISO/TR 16982:2002 aborda tais métodos. Neste caso. A necessidade de habilidade para sua interpretação. pode ser útil a utilização de questionários para coletar informações dos usuários. que definirá a quais atributos são mais importantes nas circunstâncias específicas do projeto. são apontadas como as desvantagens ou restrições da utilização do método: Pode requerer bastante tempo para ser concluído.4 Questionários Em diversas situações durante o desenvolvimento de produto.depto engenharia de produção . As vantagens do método são: Pode ser aplicado em cenários reais. A ausência de conexão direta com o processamento mental. A insuficiência de eventos relatados pode afetar a validação da análise. Tal observação é estruturada e baseada em classificações de comportamentos de usuários pré-definidos. Entretanto. discutindo suas vantagens e desvantagens. número de tarefas que pode ser realizado em um tempo determinado. permitindo que as pessoas colaborem em suas respostas. a decisão entre propiciar aprendizagem para usuários novatos e eficiência para usuários peritos pode ser resolvida em alguns casos em benefício de ambos os grupos. Decisões são inerentes a qualquer processo de projeto e se aplicam também à interface com o usuário. 3. 3. A atividade real é reportada.7. Entretanto. Observam-se como vantagens deste método: A coleta das causas dos problemas.

porém com maior flexibilidade devido interação face a face com o entrevistado. o entrevistador pode explorar mais as respostas que requererem mais investigação ou que levarem a novas constatações que não tenham sido previstas na preparação das entrevistas. Este método apresenta a vantagem de ser mais flexível. As vantagens indicadas pela Norma ISO/TR 16982:2002 são: Rapidez na condução. Vantagens: Permite descobrir preferências subjetivas. quando o relato do usuário ocorre após a realização da tarefa através da análise da filmagem das ações realizadas. Adicionalmente.7.. © 2006 eduardo romeiro filho 145 ufmg . descobertas. tais como opiniões. 3. dúvidas. consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. Assegura a comunicação e aprendizado entre usuários. 3. ou ainda o fato de que os usuários podem ter dificuldade em expressar suas reais necessidades ou requisitos no processo de desenvolvimento. projeto do produto como por exemplo. uma vez que não estudam a interação. Condução pode ser em tempo reduzido. Relativa facilidade de gerenciar. São indicadas com desvantagens: Análise detalhada exige tempo. Diversos tipos de dados podem ser coletados. permite explorar as respostas dos usuários. Os itens dos questionários podem influenciar tanto as questões como as respostas. características e quantificações dos usuários em relação a um sistema.6 Pensando alto Conforme citado anteriormente. sugestões. Pode ser usado desde os estágios iniciais do projeto. As desvantagens ou restrições indicadas são: Podem ser desconfortáveis para alguns usuários.5 Entrevistas As entrevistas se assemelham aos questionários. As vantagens e desvantagens deste método são listadas a seguir. Observa-se.depto engenharia de produção .7 Projeto e avaliação colaborativa Métodos colaborativos ressaltam a importância do usuário desempenhar um papel ativo no projeto e na avaliação do produto. A análise detalhada pode consumir muito tempo. É aberta a influências. entre produtos competidores. Coleta percepções do processo mental do usuário. tanto nas perguntas como nas respostas. Flexível. as entrevistas podem utilizar desde formatos abertos até altamente estruturados. ou retrospectivas. mas apenas opiniões dos usuários em relação à interface do produto. especialistas em usabilidade. 3. isto é. A razão para tanto é que o contexto de uso e/ou as tarefas dos usuários podem ser de difícil compreensão para o projetista ou responsável pelo desenvolvimento.7. tradução literal do termo “thinking aloud”. permitindo explorar as respostas dos usuários. Flexibilidade. expectativa. etc. o método denominado aqui pensando alto. provendo informações valiosas com respeito às razões que levam aos usuários a realizar determinadas ações. projetistas e responsáveis pelo desenvolvimento. Não permite coletar informações de performance da tarefa durante o uso do método.7. entretanto que métodos qualitativos são geralmente indiretos. crenças. durante a utilização do sistema ou produto. Normalmente é preferível que tais verbalizações sejam realizadas simultaneamente. pois o entrevistador pode explicar mais profundamente ou reformular questões difíceis para os usuários. Desvantagens: Avaliações próprias podem não ser confiáveis como medidas de performance. evitando que os usuários sejam seletivos em seu relato ou introduzam outras razões após a ação. As vantagens observadas neste método são: Coletar rapidamente uma visão geral da opinião dos usuários. Exige habilidade para interpretação acurada dos dados. Da mesma forma que os questionários. durante a execução da tarefa. As verbalizações podem ser simultâneas. São apontadas como vantagens: Rapidez na condução.

sendo usados em muitas áreas para gerar uma lista de idéias para criar novos produtos e/ou solucionar problemas através da mudança de perspectivas e considerando opiniões alternativas. que permitem predizer a performance do usuário. para avaliar o sistema ou produto. proporcionando maior consistência. se realizada exaustivamente. As vantagens citadas para este método são: Rápido para conduzir. realiza uma análise com base em documentos existentes (tais como normas. projetistas e especialistas em usabilidade. Permite influências.7. que identifica os problemas mais freqüentemente observados.10 Métodos baseados em modelos Basicamente a Norma ISO 16982:2002 descreve dois tipos de abordagem. um especialista em usabilidade. tais métodos que visam a dedução de características de novos produtos e sistemas. se referindo a um modelo de interface homem-máquina otimizado que tenha em mente. As vantagens observadas para estes métodos são: Amplamente disponíveis. Como vantagens ou restrições são citados: Análise detalhada consome tempo. Como vantagens são apontados: Não requer experiência. Tais métodos ajudam a criar e definir novos produtos. e demonstrações comprovadas experimentalmente). Entretanto. normalmente extraídos através de interações em grupo.11 Avaliação de especialista Avaliações de especialistas são baseadas na experiência e conhecimento do especialista. Pode ignorar problemas importantes. como todos os métodos.9 Métodos baseados em documentos Neste método.7. 3. juntamente com seu próprio julgamento. Entretanto. Bem adaptado às fases iniciais do projeto. são apontadas as seguintes desvantagens ou restrições ao método: Pode revelar conflitos entre as partes. suas funcionalidades e suas interfaces. Aperfeiçoa na comunicação entre usuários. © 2006 eduardo romeiro filho 146 ufmg . e a segunda. Necessidade habilidade para construir e interpretar modelos. a primeira que consiste na especificação da interface do usuário e métodos de projeto que permitem a modelagem do comportamento dos usuários. 3. Pode identificar problemas específicos e recomendar soluções. estes métodos são limitados pela competência dos especialistas em usabilidade. Pode ser baseado no estado da arte do conhecimento. 3. Vantagens citadas para este método são: São necessárias competências mais amplamente disponíveis que outras requeridas por métodos ergonômicos mais específicos. Permite influências. 3. podendo haver diferenças entre diagnósticos de especialistas distintos. através de métodos formais baseados em modelos de usuários e tarefas. Como desvantagens e restrições. a saber: Necessidade de competências em ergonomia. Não permite coletar dados sobre a performance na execução da tarefa. ainda que isto propicie melhores resultados.7. Bem adaptado aos estágios iniciais do projeto.8 Métodos criativos Citados resumidamente anteriormente.depto engenharia de produção . As desvantagens ou restrições apontadas são: Não compreendem todos os aspectos da interação do usuário com o sistema. Padronizam comparações e antevêem performance. Tais métodos proporcionam meios para identificar problemas de usabilidade conhecidos e podem ser aplicados no início do ciclo de vida. Pode consumir muito tempo.7. projeto do produto Entretanto. são indicadas: Demanda tempo. Esta avaliação pode levar à rápida identificação de problemas potenciais e pode também ser usado para eliminar as causas dos problemas. Integração antecipada com abordagens de engenharia. também são apontadas desvantagens e restrições.

A seguir. são apontadas como desvantagens ou restrições: Pode ignorar problemas importantes. O fato de o contexto de uso não ser considerado nestas abordagens implica no uso complementar de outros métodos. projeto do produto 3. tais matrizes são retratadas neste trabalho. A Norma ISO/TR 16982:2002 analisa a seleção dos principais métodos de usabilidade em relação ao ciclo vida. e à participação do usuário. Op. às restrições de projeto.12 Avaliações automatizadas Baseados em algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em ergonomia. pois as mesmas também embasaram a seleção dos métodos utilizados. Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Fase do Ciclo de modelos críticos Vida Aquisição ++ + + + + + ++ + Desenvolvimento - Análise dos ++ + + ++ ++ ++ + + + + + requisitos Desenvolvimento - Arquitetura do + ++ + + ++ + ++ ++ + + + projeto Desenvolvimento - Testes de + ++ + ++ ++ + + + + + + qualificação Manutenção e + + ++ + + + + Operação Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . Cit. A vantagem da aplicação deste método está na consistência da avaliação ao longo do projeto. estabelecendo matrizes que correlacionam os métodos e tais fatores. Não recomendado NA Não aplicável Tabela 3 – Métodos relacionados aos principais estagios do ciclo de vida (adaptado da Norma ISO 16982:2002.depto engenharia de produção .. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 147 ufmg .7. 3. Requer uma versão operativa do protótipo.8 Seleção de métodos de usabilidade A flexibilidade de muitos métodos implica na possibilidade de utilizá-los para diversos tipos de sistemas e ao longo de diversos estágios de desenvolvimento. as avaliações automatizadas podem diagnosticar as deficiências de um sistema comparado a regras predeterminadas. Em contrapartida.

. .. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 148 ufmg . + - significativa Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 4 – Métodos relacionados às restrições do projeto (adaptado da Norma ISO 16982:2002. . . Cit. Op. . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 5 – Métodos relacionados à participação do usuário (adaptado da Norma ISO 16982:2002. Op. ++ + Controle de . Cit.requisito dominante Necessidade antecipada de + + ++ + + + informação/feedbac k/ diagnóstico Especificações + + + + + + ++ + altamente evoluídas Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . . + custo/preço Alto nível de qualidade do ++ ++ + ++ ++ + + + + + + + produto . .. ++ . 2002) Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos usuário Não pode ser + + + + acessado Pode ser acessado ++ ++ + ++ ++ + ++ + + + + + Possui deficiência ++ + + + ++ + ++ + + . . projeto do produto Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos projeto Tempo reduzido .depto engenharia de produção . + .

na análise da tarefa. Neste sentido. Kritina e BUTLER. neste caso.A. Revista Produção. os usuários permitem ao observador compreender o que fazem e o que não fazem. “Using qualitative studies to improve the usability of an EMR”. 4. o próprio pesquisador realiza a análise com base em suas anotações.9 Engenharia de Usabilidade Descontada Baseado no pensamento de Voltaire. John R. Outro fator importante consiste na redução dos recursos necessários para sua utilização. “Product development methodology for Machine Tools”. ADLER. “Handbook of usability testing: how to plan. Terry A. et al. Alan F. “Product design and manufacture”. sem interferência. Ao verbalizar seus pensamentos. que podem ser utilizados para avaliar uma grande quantidade de problemas que no projeto de interfaces para o usuário. RUBIN. teoría y practica del diseño industrial”. “Life cycle design. Gloucester: Rockport Publishers. Avaliação heurística simplificada: apesar de existirem diversas diretrizes para este tipo de avaliação. ROMEIRO Fo. Nielsen propõe o método da engenharia de usabilidade descontado.. New York: John Wiley & Sons. et al. 1994. tais como diálogo simples e natural. In Design Management – A handbook of issues and methods”. LIDWELL. Eduardo. Francisco de P.. do falhar ao atendo-se a métodos já conhecidos. London: Academic Press. 1990. “Diseño: historia. Elsevier Science Ltd. 1. & WINOGRAD. London: Blackwell References. mensagens claras de erros. SHINNO.1764). Englewood Cliffs: Prentice-Hall. quando trabalham normalmente. Inc. Jeffrey. New York: John Wiley & Sons. levando-os a abandonar a usabilidade. “Design for people”. FREUND.F.. Nielsen propõe uma série de princípios. “O design de produtos como forma de in(ex)clusão social”. Elsevier Science Ltd. em um dado período. Jouni. por acreditarem ser necessária.. “Usability Engineering”. enquanto. New York: Allworth Press. “Product design: fundamentals and methods”. 1995. © 2006 eduardo romeiro filho 149 ufmg .A. HOLDEN. ROOZENBURG. DEP/UFMG. 2001. enquanto este “pensa alto” ao realizar tais tarefas.depto engenharia de produção .. LIMA. In “Dictionnaire Philosophique”. segundo o qual “o melhor é inimigo do bom” (“Le mieux est l’ennemi du bien”. pois. ROSE. Belo Horizonte. J. BIBLIOGRAFIA LINDBECK. o que facilita a adoção deste método. os usuários devem ser observados. Henry. E. 1992.. proporcionou resultados eficazes. Hidenori. 2004. de forma silenciosa. consistindo em reduzir sua complexidade através da eliminação de partes e funções do sistema ou produto. Jakob. 2002. “Effects of two ergonomic aids on the usability of an in-line screwdriver”. design. Journal of Biomedical Informatics. a aplicação deste método é realizada com o auxílio de gravações de vídeo dos testes. projeto do produto 3. 31. 1996. Wolt. BURDEK. 1993. utilização da linguagem do usuário. entre outras. Applied Ergonomics. O método da engenharia de usabilidade descontado proposto por Nielsen é baseado em quatro técnicas: Observação do usuário e da tarefa: o princípio básico do foco antecipado no usuário deve ser seguido e. N. e que eventualmente pode ser melhor utilizar métodos mais indicados em um contexto. BLANCHARD. Nigel. New York: Oxford University Press. porém a aplicação deste pode propiciar uma oportunidade ampla em face da reduzida necessidade de recursos. O termo simplificado é utilizado. New York: John Wiley & Sons. & EEKELS. mesmo sem experiência.. and conduct effective tests”. Barcelona: Editora Gustavo Gili S. Willian. 1991. há trabalhos onde a aplicação simplificada de técnicas de usabilidade. Jil. 2003. DREYFUSS. “Usability: Turning Technologies into tools”. Julho de 1994. Vol.. “Engineering design methods”. simulando apenas a interface com o usuário. Universal Principles of Design. pois muitas vezes os pesquisadores se deparam com a limitação de recursos e de acesso às técnicas e métodos. 2000. B. Também é necessário considerar que os métodos planejados podem exigir modificações face mudanças nas condições contextuais. uma teoria impenetrável. 1955. tradicionalmente. no. para a engenharia de usabilidade.M. “Pensando alto” simplificado: basicamente consiste em se ter um usuário realizando determinadas tarefas. 1994 NIELSEN. “Da natureza e do objeto da engenharia de produção”. Cenários: que são tipos de protótipos especialmente baratos. e analisados por psicólogos ou especialistas. Paul S. feedback. É importante ressaltar que o próprio autor reconhece as limitações deste método ao citar Voltaire. et al. Tokyo: Japanese Society of Mechanical Engineering. CROSS. no. uma vez que a terminologia estranha e configurações de laboratório muito elaboradas podem intimidar os profissionais.. Ben & FABRYCKY.

International Journal of Industrial Ergonomics. Androne & MANZUCH. 2003. no. Zinaida. NEVALA. Elsevier Science Ltd. et al. 2002. International Journal of Industrial Ergonomics”. et al. 2005.. Accident Analysis & Prevention. Carmen et al. 2004. Miles. no. Beverly A. “How to conduct your own usability study”.. GRICE. 2004. Valerie & PAQUET.. “Barriers to use: usability and content accessibility on web’s most popular sites”. GARMER. “Ergonomic and Usability of na electrically adjustable shower trolley. Christopher. GARMER. Nina & TAMMINEN-PETER. Yuanhua & OSVALDER. Sung H. Elsevier Science Ltd. BEVAN. CIGRÉ – SC22-WG11-TF5. “Connecting usability education and research with industry needs and practices”. Design Studies. Elsevier Science Ltd. 2002. Anna-Lisa. “The lack of usability in design icons: an effective case study about juicy salif”. No. IEEE Paper: 0-7803- 7591-2/02. “Usability evaluation of a GUI prototype for a ventilator machine”. & MOTTAY. Academic Press. 2005. Vol. Computer Methods and Programs in Biomedicine. no. “Interface and usability assessment of imaging systems”. & BABER. “Usability of consumer electronic products”. 23.. apud NIELSEN. London: Serco Usability Services. GARMER. Elsevier Science Ltd. “Error by design: methods for predicting device usability”. RUSSO. Kluver Academic Publishers. no. Elsevier Science Ltd. BECKER. International Journal of Medical Informatics. ACM Paper: 1-58113-314-6/00/11. Elsevier Science Ltd. Middlesex: Crown Copyright. “Usability measurement in context”.36. BELLOTI. “Technology induced error and usability: the relantionship between usability problems and prescription errors when using a handheld application”. Nigel. Brenda A.. projeto do produto CARROL. “A methodology for evaluating the usability of audiovisual consumer electronic products”. Neville A. 2001. 1994. MAGUIRE. 2002. RUDIN-BROWN. Kristina & ARNOLDY.. Elsevier Science Ltd. Journal of Clinical Monitoring and Computing. 2002. Lynne & MINGS. “State of the Art Survey on Spacers and Spacers Dampers: Part 1 – General Description”. et al. International Journal of Industrial Ergonomics. IEEE Paper: 0-78703-7949-7/03. “Usability net methods for user centred design”. Sung H... Montreal: Kluwer Academic Publishers. et al. Elsevier Science Ltd.. no.. © 2006 eduardo romeiro filho 150 ufmg . 2003. International Journal of Industrial Ergonomics. Florence E. “Usability issues concerning child restraint system harness design”. Proceedings of IFIP 17th World Computer Congress. “Comparison of cost and effectiveness of several different usability evaluation methods: a classroom case study”. 2001. Rebecca. HAN. 2002.. 2003. “Arguing the need of triangulation and iteration when designing medical equipment”. Usability testing of a frequently used infusion pump and a new user interface for an infusion pump developed with a Human Factors approach”. Beatriz & MORAES. London: Serco Usabilty Services. “User requirement analysis: a review of supporting methods”. 48. “Involving users in the design and usability evaluation of a clinical decision support system”. IEEE Paper: 0885/8985/03. HITCHCOCK.. IEEE Transactions on Professional Communication. 35.. Journal of Clinical Monitoring and Computing. Elsevier Science Ltd.. BEECHER. RICKS. GLOSIENE. Kluver Academic Publishers. Karin et al. SNPTEE – Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica.. André W. no. 1988. “User participation in requirements elicitation comparing focus group interviews and usability tests for eliciting usability for medical equipment: a case study ”. 74.. “Implications of current design pratices of HCI techniques”. Sung H. Behaviour and Information Technology.depto engenharia de produção . 2002. Anamaria de. 28.. & KWAHK. 2000.. SULLIVAN. no. Jiyoung. Nigel. Susan. 13. Shirley A. et al.. Christina M. Leena. 2004. 2003. Applied Ergonomics. Nigel. COOKE. Vilnius: CALIMERA Usability Workshop.. HAN. Nigel & MACLEOD. 20. Kim. no. “A global perspective on web site usability”. 55. Martin & BEVAN. International Journal of Industrial Ergonomics.. STANTON. Victor. 2004. 2002. V. KUSHNIRUK.. 2003. IEEE Software.. 2001. Karin et al. LIU. Gilberto M. “Usability of ICT-based systems”. “Survey instrument for the design of consumer products”. Elsevier Ireland Ltd. Elsevier Science Ltd. Terry & MATSON. HAN. & JONGSEO.. 2003. 2005. no.”A comparison of screening methods: selecting important design variables for modeling product usability”. Applied Ergonomics. 2003. Roger A. BEVAN.. “Third age usability and safety – an ergonomics contribution to design”. 33. “Aplicação de espaçadores em linhas de transmissão: uma visão crítica da CTEEP”. “Usability issues in web site design”. David R. “Application of usability testing to the development of medical equipment.. International Journal of Human Computer Studies. 32. Karin et al.. BEVAN. YAMAMURA. ACM Paper: 1-58113-652-8/03/0006. KLOCK. 2004.

Informação disponível em: http://www2. “The case study crisis: some answers” in Administrative Science Quarterly.gov. érgon.. 1998 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.] nomo-[Do gr.ibge. A. para obtenção do título de Mestre Profissional em Engenharia da Computação. “Aplicação da AET como contribuição ao projeto para o meio ambiente com ênfase em reciclagem”.. = 'trabalho': 1. Genève: International Organization for Standartzation. Verbete: erg(o)..] S. Conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina. “A formalização de procedimentos e seu papel na integração da atividade projetual”. ou. ONS – Operador Nacional do Sistema. “Transmission Line Reference Book – Wind-induced conductor motion”...] 1. Belo Horizonte: UFMG. “Requisitos de usabilidade para interfaces homem-computador destinadas a usuários de chão de fábrica”.. Infomação disponível em: http://www.depto engenharia de produção . f. Verbete: nomo erg(o[Do gr.com.Itaipu Binacional. MARQUES. nómos. Belo Horizonte: UFMG.gov. de R. Tese de Mestrado.br.A. Informação disponível em: http://www. Ergonomic requirements for office work with visual display terminals. 1989. 1979. Sage Publications Inc.+ -ia.br.. projeto do produto LIMA. Cornel University.+ -nom(o). PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S. Ergonomia aplicada ao projeto de produto Ergonomia: Verbete: ergonomia [De erg(o). HARD. 2004 ISO 9241-11. Robert.aneel. 1981 YIN. = 'regra'. Departamento de Engenharia de Produção. 2005 ZANCHETA. Palo Alto: EPRI – Electric Power Research Institute. ITAIPU . Trabalho final apresentado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT. Robert K.. Fernando A.R. Rose M. 'que regula': ERGONOMIA FISIOLOGIA PSICOLOGIA ANTROPOMETRIA COGNIÇÃO BIOMECÂNICA SEMIÓTICA ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO © 2006 eduardo romeiro filho 151 ufmg .ons.gov.petrobras. Informação disponível em http://www. 1. Informação disponível em http://www.br.itaipu. YIN. ou. June F. 2003.br. São Paulo. 'lei'. “Case study research – design and methods”. Tese de Mestrado. Departamento de Engenharia de Produção.gov. Inc.br ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

23 Palavras-chave: Ergonomia. Ônibus. Dificuldade para entrada de bagagem.V Congresso Latino-Americano de Ergonomia. eis alguns pontos já levantados: Largura insuficiente das portas.depto engenharia de produção . Saliências e arestas metálicas agressivas. Alguns Exemplos: Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte . formadoras de um sistema privado de transporte (porém concessionárias de um serviço público). As empresas de ônibus. conexões etc. Altura excessiva dos assentos localizados sobre as rodas (justamente aqueles que são destinados a grávidas. é realizado quase que em sua totalidade através de meios rodoviários. idosos e deficientes físicos). Total falta de espaço previamente destinado à bagagem. Em relação às características do ônibus em si. Projeto do produto. Existência de grades em volta das roletas. no Brasil. projeto do produto Ergonomia. possuem tradicionalmente uma justificada fama de prestarem péssimos serviços à população usuária. Janelas que não abrem mais do que 20% de sua superfície (com a metade de baixo fixa na maioria dos casos).. III Seminário de Ergonomia da Bahia. Dentre as principais queixas estão as más condições da grande maioria do veículos destinados ao transporte coletivo. Barulho e calor gerados pelo motor. Roletas dimensionadas (teoricamente) para a média da população. Ausência de informações sobre trajeto. 23 Artigos originalmente apresentados no ABERGO99 . Degraus de acesso com altura excessiva. Transporte urbano. © 2006 eduardo romeiro filho 152 ufmg . IX Congresso Brasileiro de Ergonomia. O transporte urbano de massa. além de seu muitas vezes precário estado de conservação. Altura excessiva do acionamento da campainha.

Para tanto. 1996a e 1996b). Na pesquisa serão analisadas. serão analisados aspectos ligados à eficiência e adequação das normas vigentes à obtenção do fim proposto. ou seja. o papel das normas e da legislação existente para efeitos de padronização do sistema de transporte. por conseqüência. as diversas caraterísticas do ônibus urbano e sua adequação aos usuários finais (passageiros) em condições de uso em situações reais. dos ônibus urbanos) para a definição das condições de trânsito e de vida da população usuária? Qual o real papel do design e da ergonomia para a evolução deste meio de transporte de forma a atender às reais necessidades de uma larga faixa populacional? Como princípios ergonômicos aplicados ao desenvolvimento de um produto como o ônibus urbano podem colaborar para uma melhoria efetiva dos serviços prestados? Qual a importância da interferência do poder público nesta questão. além das dificuldades de manutenção ocasionadas por deficiências de projeto. LIMA. em última análise.. e investigadas as razões pelas quais o projeto é. regem o serviço de transporte público urbano e definem critérios básicos para o projeto. ineficiente do ponto de vista ergonômico. após um primeiro levantamento já realizado acerca de algumas das características básicas dos ônibus urbanos. tomando-se por referência a região metropolitana de Belo Horizonte. 1987. será levantado um panorama "sistêmico" da situação do transporte público urbano. Serão avaliadas também as formas de adequação do projeto a estes usuários. exercida pelo poder público. interfere na definição de características do produto "ônibus". projeto do produto Falta de careza sobre a utilização de dispositivos de emergência. Além desta longa lista. das maiores do Brasil e terceiro pólo econômico do país. O método a ser utilizado nesta fase da pesquisa é baseado nas metodologias de análise dos processos de trabalho adotadas em estudos ergonômicos e de organização do trabalho (WISNER. cabe indagar: Qual a importância do projeto de um produto direcionado aos meios de transporte coletivo (neste caso. buscando contribuir para uma reflexão acerca do tema. GUERIN et al. à ineficiência do sistema são determinados por características do produto definidas em projeto. a partir da ergonomia. e de que formas esta normalização. podem ser citados também os postos de trabalho do motorista e trocador. além das características do produto. como por exemplo limitações de acesso a partes do motor e de outros sistemas mecânicos. além da eficiência muitas vezes discutível desses dispositivos. esta pesquisa procura levantar e discutir algumas destas questões. É considerada inicialmente a normalização adotada para o transporte urbano.depto engenharia de produção . como agente normativo e fiscalizador dos meios de transporte? Partindo-se da hipótese de que grande parte dos fatores que levam à insatisfação dos usuários e. Com base em dados antropométricos e pesquisa de campo (com a utilização de princípios metodológicos da Análise Ergonômica do Trabalho). Diante deste quadro. 1991. O objetivo final do trabalho é fornecer subsídios à reflexão acerca das normas públicas que. © 2006 eduardo romeiro filho 153 ufmg . por hipótese. o atendimento satisfatório da população em seus meios de transporte. Pretende abordar.

projeto do produto

Espera-se que esta contribuição leve ao refinamento dessas normas tendo em vista as
condições de utilização do sistema de transporte público em situação real.

Bibliografia:

GUÉRIN, F. et all, (1991) Comprende le Travail pour le Transformer. Paris: Éditions de
l’ANACT.
IIDA, Itiro et all. (1977) Aspectos Ergonômicos do Ônibus Urbano. Rio de Janeiro:
COPPE/UFRJ - MIC/STI/Desenho Industrial.
IIDA, Itiro. 1990 Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda.
465pp.
LIMA, F.P.A. (1996) Introdução à Análise Ergonômica do Trabalho (notas de aula). Belo
Horizonte: UFMG
REDIG, Joaquim. (1993) "Respeito Público = Design Público" in Design & Interiores 38.
(nov/dez) p.80-81. São Paulo: RAL Editora Ltda.
WISNER, Alain, (1987). Por Dentro do Trabalho - Ergonomia: Método & Técnica. São
Paulo: FTD - Oboré.

© 2006 eduardo romeiro filho 154 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

A Ergonomia Adverte:
Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode
Ser Prejudicial à Saúde
Cristiana Barreto Aorta
Ivi Juventino Dias
Renata Vilanova Lima
Design Industrial - Departamento de Artes - PUC-Rio

Eduardo Romeiro Filho, Orientador
UFMG - Departamento de Engenharia de Produção
Caixa Postal 209 - 30161.970 - Belo Horizonte - MG - 031 499 4892
romeiro@dep.ufmg.br

Palavras-Chave: Ergonomia, Comunicação Visual, Rótulos, Indústria Farmacêutica.

Este trabalho surgiu a partir de um acidente envolvendo um dos autores, após confundir os
rótulos de dois frascos contendo substâncias completamente diferentes (uma delas tóxica). Pode-se
perceber, a partir de exemplos como este, a importância da observação de critérios claros de
diferenciação de produtos através de rotulação. Observa-se também que em inúmeros exemplos,
notadamente relacionados a indústrias farmacêuticas e de cosméticos, existem graus de semelhança
bastante altos entre embalagens e rótulos de diversos produtos, o que dificulta a correta seleção e, em
última análise, a correta utilização desses produtos. Este trabalho pretende demonstrar com alguns
exemplos como a aplicação de princípios da comunicação visual pode (ou poderia) contribuir para a
melhoria da interface entre produtos e usuários, a partir de uma abordagem ergonômica.

A concepção de embalagens e rótulos apropriados é fator de relevada importância para a
adequada interface entre o produto e seus usuários (muitas vezes pessoas sem formação ou mesmo
analfabetas). Os fabricantes e designers envolvidos com projetos de embalagens e/ou rótulos devem,
desta forma, ter como principal preocupação a concepção de uma interface (neste caso, rótulo e
embalagem) adequada adaptada às características e necessidades dos usuários, bem como às formas de
uso do produto. Por mais que as embalagens atendam às necessidades específicas de proteção e
conservação dos produtos, é evidente a necessidade de promoverem-se formas eficazes de
identificação e distinção que atendam a algo mais do que às estratégias de marketing das empresas.

Neste trabalho, foram levantados diversos exemplos, facilmente reconhecíveis no mercado, de
produtos que possuem características de similaridades em suas embalagens, o que contribui para a
confusão por parte dos usuários. Procurou-se evitar casos de produtos propositadamente "copiados",
com a real intenção de enganar o consumidor e/ou usuário dos produtos originais, o que pode levar a
problemas cuja expressão mais tradicional é a de "gato por lebre". Embora esta possa ser considerada
origem para o mesmo problema, não será, entretanto, o objetivo deste trabalho. As marcas comerciais
serão, na medida do possível, evitadas:

© 2006 eduardo romeiro filho 155 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

Remédios homeopáticos: A maior parte das farmácias
homeopáticas utiliza embalagens padronizadas em seus
compostos. Ora, se esta padronização atende a requisitos
econômicos (custo para confecção de rótulos) e formais
(padronização de projeto gráfico), muitas vezes pode levar a
confusões extremamente perigosas, pelo fato de tratarem-se de
produtos químicos. Este foi o caso ocorrido com um dos
membros do grupo que desenvolveu este trabalho.

Remédios - caso A: Aqui a semelhança pode ser
atribuída a questões de padronização gráfica de
embalagens pela indústria farmacêutica. Entretanto,
tratam-se de compostos totalmente distintos: um
remédio geriátrico e um anticoncepcional. Chama-se
a atenção para natural dificuldade de leitura e
redução da capacidade visual observada entre os
Adoçante e colírio: neste caso, uma idosos (usuários de um dos remédios), o que torna
interessante similaridade extrema entre dois este problema crítico.
produtos industriais totalmente diferentes.
Se nos dois casos anteriores a similaridade
poderia ser explicada por razões
econômicas, devido ao fato de tratarem-se
de micro e pequenas empresas, isto não
ocorre neste caso, em que as embalagens
são idênticas.

Não é objetivo deste trabalho esgotar o tema, e nem seria possível diante de tantos exemplos.
Entretanto, algumas recomendações podem ser elaboradas, no campo da comunicação visual, cuja
implantação teria custos relativamente baixos tendo em vista a relevância do tema. Sem dúvida uma
das soluções está na legislação, a quem cabe estabelecer normas de rotulação de produtos (em especial
aqueles que tenham potencial efeito danoso sobre a saúde, como remédios), como, por exemplo,
diferenciação por cores (como no caso dos inseticidas, que possuem tarjas indicando nível de toxidade,
do azul ao vermelho) e/ou aplicação de sinais gráficos que evidenciem o risco ou identifiquem
indubitavelmente o produto.

Além disso, os próprios fabricantes podem desenvolver rótulos que estabeleçam diferenças
marcantes às embalagens (como o uso de cores e logotipia diferenciada). Nem sempre o melhor

© 2006 eduardo romeiro filho 156 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

projeto gráfico é aquele que estabelece um "padrão" por demais rígido, que torne a família de produtos
uma sucessão de "clones". Foi observado o caso de um laboratório farmacêutico que já adota
diferenciação por cores em função do tipo de medicamento, o que é, sem dúvida, uma salutar
iniciativa.

BIBLIOGRAFIA:

LAUGHERY, K. R.; WOGALTER, M. S.; YOUNG, S. L. (Ed.) Human factors perspectives on
warnings. Santa Monica: Human Factors and Ergonomics Society, 1994. 282 p.

Roche do Brasil, 1999, http://www.roche.com.br

Creme de barbear e Creme dental: Ambos tem consistência similar, sendo acondicionadas em tubos, embalagens que
possuem formato e cores muitas vezes semelhantes. O grande número de marcas existentes no mercado aumenta a
confusão, que é agravada pelo fato dos dois produtos serem muitas vezes guardados no mesmo lugar.

Remédios - caso B: Um exemplo que
não poderia ser deixado de lado é o
destes comprimidos, que tem
envelopes que guardam entre si
semelhanças de cor e formato: um
deles é um anti-histamínico,
analgésico e antiemético e o outro um
laxativo e purgativo. Neste caso, os
efeitos da troca podem ser imaginados
com inevitável tom de anedota,
embora a semelhança possa vir a ser
efetivamente uma fonte de problemas.

© 2006 eduardo romeiro filho 157 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

Valor

Os valores são a chave para a evolução de uma sociedade
sustentável não apenas porque influenciam o
comportamento, mas também porque determinam as
prioridades desta sociedade, habilitando-a, assim, a
sobreviver. Ao longo do tempo, os valores mudam de
acordo com as circunstâncias. Se assim não fosse, a
sociedade não perduraria (BROWN, 1995).

A metodologia da Análise de Valor para as atividades de desenvolvimento de produto tem a sua origem
no período da II Guerra Mundial, para promover a economia no uso de materiais nobres que passaram a ser
destinados unicamente para a indústria bélica. A indústria sentiu a necessidade de encontrar materiais
alternativos que mantivessem a mesma capacidade de produção e preço do produto. Esta metodologia foi
desenvolvida na General Eletric., por Laurence D. Milles, com o objetivo de obter redução de custos e melhorias
de qualidade e desempenho dos produtos, e é considerada de grande importância para as empresas que queiram
criar novas oportunidades de negócios e dar continuidade aos seus empreendimentos (CSILLAG, 1991).
A diferença entre Análise de Valor e Engenharia de Valor é basicamente o momento em que se está
aplicando. A análise de valor é um conjunto sistematizado de esforços e métodos destinados a reduzir o custo
total de um produto, processo ou serviço, mantendo ou melhorando sua qualidade. A engenharia de valor
refere-se a produtos, processos e serviços novos ainda na fase de projeto (IETEC, 2006). A Análise de Valor
atua durante o início do processo de produção até a venda e apuração do resultado. O plano de trabalho da
Análise de Valor é orientado por uma seqüência metodológica que consiste na coleta e análise de informações,
abordagem funcional, geração de idéias, seleção de idéias e implementações, seqüência semelhante àquelas
encontradas nas metodologias de design de produto (BAXTER, 1995) e do processo criativo (CARVALHO,
1988).
Os valores são circunstanciais, isto é, dependem da situação ou do estado do consumidor, de acordo
com o momento. Um produto deve realizar as necessidades ou desejos do consumidor a fim de ter valor24
(FOWLER, 1990). A aceitação do consumidor é a medida direta do valor25. A aquisição e conservação de bens
materiais são escolhas do consumidor baseada no valor, um termo adotado nas atividades de desenvolvimento de
produto sob várias perspectivas. CSILLAG (1991) apresenta os seguintes conceitos sob o ponto de vista
econômico:
- Valor de custo, como sendo o total de recursos medido em dinheiro, necessário para produzir/obter um
objeto;
- Valor de uso, como a medida monetária das propriedades ou qualidades que possibilitam o
desempenho de uso, trabalho ou serviço;
- Valor de estima, com a medida monetária das propriedades, características ou atratividades que
tornam desejável sua posse;
- Valor de troca, como a medida monetária das propriedades ou qualidades de um item que possibilitam
sua troca por outra coisa.

Valor é um atributo agregado. Segundo a definição no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999), valor
agregado significa valor adicionado. No dicionário Michaellis (1998) significa algo com benefício extra para o

24
A product must fulfill a user’s need or want in order to have value. (FOWLER, 1990).
25
This user acceptance is a direct measure of worth. (FOWLER, Op. cit.).

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projeto do produto

usuário. O valor de um produto, seja qual for a atividade desempenhada por ele, é baseado em duas funções
elementares – a função de uso e a função de estima. Uma função é definida como toda e qualquer atividade que
um produto desempenha (CSILLAG, Op. cit). A função de uso está diretamente relacionada com o valor de uso
do produto e envolve atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função de estima está
diretamente relacionada com o valor de prestígio do produto, envolvendo atividades que auxiliam as vendas do
produto, dotando-o de beleza, status, moda, etc, ou seja, tornando desejável a sua posse.
O valor de uso é a capacidade de um bem de satisfazer necessidades humanas (FERREIRA, 1999), está
relacionado à funcionalidade prática. Segundo MARX (1980), a utilidade de uma coisa faz dela valor de uso, e
este só se realiza com a utilização ou o consumo. O valor de estima é dotado de qualidades mais subjetivas,
condicionadas à hermenêutica, a disciplina da interpretação, ou seja, à semântica. De acordo com
KRIPPENDORFF (1990):
A forma de um artefato, suas superfícies reflexivas, pode ser o que uma câmera responde, mas
para nós seres humanos, isto é sempre interpretado como tendo um nome, tendo uma história de uso
reconhecida, como sendo composto de outras coisas ou sendo capaz de amparar um modo de viver. Se
o significado de um objeto não está claro para nós, nós podemos nos sentir convidados a explorar ou
brincar com ele até que tenhamos adquirido uma compreensão prática sobre ele. Desta forma, o
significado de algo não reside na sua superfície. Ele emerge no uso, com a prática, a prática de viver o
ambiente e contextos específicos, toda vez que nós cognitivamente conectamos nossas ações e
percepções em uma perspectiva circular. Os significados então construídos apóiam nosso modo de
viver, penetrando a superfície tão fundo quanto nosso conhecimento pode chegar e envolvendo nossa
capacidade cognitiva quanto mais interagimos com ele (significado).26

O valor de estima muitas vezes está acima do valor de uso. Em situações corriqueiras este fato se
destaca, como por exemplo, conforme coloca MARTINS (1973): é mais gostoso o beiju cuja massa é sessada27
na peneira fina de taquara; o peixe tratado na gamela rasa de imburana; a feijoada servida em vasilha de
barro; o arroz afogado em frigideira de pedra. É mais gostoso tomar um cafezinho numa caneca de esmalte
(figura 10). A sensação bucólica satisfaz o consumidor, mesmo quando existe uma inadequação funcional. A
caneca de esmalte foi desenvolvida para acompanhar o bule, recipiente para acondicionar o café e que
geralmente ficava à beira do fogão de lenha, preservando uma temperatura morna para a bebida, o que era
conveniente para os materiais utilizados na fabricação destes utensílios. Atualmente o café é acondicionado em
garrafas térmicas, que mantém a bebida mais quente por mais tempo, fazendo com que muitas pessoas queimem
os lábios ao utilizar esta canequinha.
MANZINI e VEZZOLI (2002) lembram o significado (ou melhor, os significados) de vida útil de um
produto: a vida útil dá a medida do tempo – de um produto e seus materiais, em condições normais de uso (com
isto se entende: bem mantido, e não, posto em condições de stress além dos limites aceitáveis). Quando a vida
útil de um produto chega ao fim, é a fase de eliminação. Ainda segundo estes autores, as principais razões que
levam à eliminação dos produtos são: a degradação de suas propriedades ou a fadiga estrutural, causada pelo uso
intensivo, a degradação, devido a causas naturais ou químicas, e os danos causados por incidentes ou uso
impróprio. Mas também por: obsolescência tecnológica, e obsolescência cultural e estética. Os objetos de moda
são os mais sujeitos a tal tipo de envelhecimento. Segundo CALDAS (2004):
Moda, em estatística, é o elemento mais freqüente de uma amostra. Usada no plural, denota
fenômenos em qualquer esfera da sociedade e da cultura. É um fenômeno social ou cultural, de caráter
mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da
necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social.

26
The form of an artifact, its reflecting surfaces, may be what a camera responds to, but for us as human users,
it always already is interpreted by having a name, by having a recognizable history of use, by being composed of
other things or by being able to support a practice of living. If the meaning of an object is not clear to us, we
may feel invited to explore or play with it until it is, until we have acquired a practical understanding. Thus, the
meaning of something does not lie on its surface. It emerges in use, with practice, the practice of living with our
environment and in particular contexts, whenever we cognitively connect our actions and perceptions in an
experiential circle use. The meanings thus constructed support our practice of living by penetrating a surface as
deep as our understanding goes and by involving as much of our cognition as participates in interaction with it
(KRIPPENDORFF, 1990).
27
Sessada: peneirada (FERREIRA, 1999)

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projeto do produto

Figura. Caneca esmaltada e copinho descartável de plástico. Fonte: arquivo pessoal. 2006.

O valor de um produto artesanal, atualmente, parece que tem sido caracterizado mais pela estima do que
pelo uso. Poderíamos dizer que é um produto de caráter estesiogênico, isto é, que provoca sensações e
sentimentos (FERREIRA, 1999). O produto artesanal é dotado da expressão pessoal do artesão, fruto da sua
criatividade e habilidade técnica (DORMER, 1995), e também fruto da relação com a sua sociedade de
procedência. Neste sentido, CALDAS (Op. cit.) define:
Um valor cultural, diferentemente do gosto pessoal, é uma idéia compartilhada socialmente
que permite criar categorias entre as coisas, em termos de desejos e méritos. Influenciam diretamente o
modo como as pessoas escolhem. O quadro de valores é mutante: alguns evoluem rapidamente, outros
permanecem inalterados por longos períodos de tempo.

Análise do valor
Jacqueline Elizabeth Rutkowski
Universidade Federal de Ouro Preto

Uma das funções do projetista é garantir partir da função desempenhada, com objetivo de
um projeto econômico do produto, ou seja, garantir reduzir custos”. As técnicas foram usadas pela
que o produto poderá ser comercializado com lucro. primeira vez nos EUA, durante a II Guerra
Isto é, os produtos deverão ser projetados de forma Mundial, quando a escassez de recursos incentivou
que possam ser fabricados, usando material, mão de os esforços para busca de soluções criativas para
obra e equipamentos disponíveis, a um custo menor possibilitar o suprimento de produtos apesar da
do que o preço que o consumidor está disposto a falta de determinadas matérias primas e acabou
pagar, adequado para deixar uma margem de lucro mostrando-se uma excelente técnica para reduzir-se
necessária para ser dividida em partes do impostos, custos de produtos. A partir de então a técnica
do empresário e do reinvestimento. Os produtos passou a ser mais e mais usada na industria, até que
devem ser tecnicamente, esteticamente, ergonômica em 1959 foi criada a Sociedade Americana de
e economicamente satisfatórios. Desse modo, o Engenharia do Valor. Em 1977 o senado americano
engenheiro deve pensar tanto em custo quanto em votou uma resolução tornando seu uso obrigatório
desempenho quando está projetando algo. A isso se nos Ministérios do Governo. Na mesma época a
dá o nome de “valoração”. técnica começou a ser utilizada nos países
Uma das formas de se buscar reduzir europeus. No Brasil a técnica vem sendo usada
custos de produtos é através da “análise de valor”, desde a década de 60, mas seu uso intensificou-se
que podemos definir como um “método de análise somente a partir da década de 80.
de bens, serviços ou formas de gerenciamento, a

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Porém. têm ou tinham tipos de valores econômicos: uma finalidade. Assim. estabelecem desempenhar certa função. como parafusar plaqueta ao invés de prender plaqueta. foram sendo de uma peça ou produto acabado. no primeiro produto ou serviço perderá seu valor e. ou ainda. Assim. podendo ser obtida por um aumento na item.Atlas. deve-se atentar para que um subsistemas. especificações desnecessárias de desempenho (mais do que o desejo do mercado consumidor) irão Engenharia de valor é a aplicação sistemática. que irá utilizados nomes diferentes. considerando que todo A Metodologia do Valor identifica quatro objeto ou toda ação. O valor corresponde consciente de um conjunto de técnicas. possibilitam sua troca por outra coisa. prejuízo das especificações requeridas. que ao menor sacrifício ou dispêndio de recursos para identificam funções necessárias.29 custo mais baixo possível de uma função requerida. atinge as necessidades e desejos do comprador e/ou usuário. Assim. métodos não prover tal função ao menor custo total. secundárias. do ponto de vista do © 2006 eduardo romeiro filho 161 ufmg .Addison. projeto do produto Desenvolvida inicialmente para análise de Devido a relatividade do valor a AV produtos simples. Em geral aumenta com maiores valores de centígrafos). isolar calor (graus relativa.E.op. para existirem.sem a qual o Associação das Indústrias Eletrônicas. necessário para produzir. e que foi Gerenciamento do valor foi utilizado para produzida usando-se os mais modernos materiais e identificar e resolver problemas gerenciais. criatividade. – caso dos soldados e do canhão Valor de custo: o total de recursos medido em Esforço multidisciplinar – a atividade deve ser dinheiro.M. estabelecer um valor para aquela função e Materiais não apropriados. Conforme “valor” que pode ser definido como o custo mínimo Csillag28. o valor de um Definições básicas: produto indica quanto seu desempenho deve custar Engenharia do Valor é a aplicação sistemática de e serve como base de comparação com os custos técnicas para identificar a função de um produto ou reais.J. doravante chamado de novos nomes ao longo do tempo. etc. obter um item. disponíveis na organização e pertinentes ao produto Valor de estima: medida monetária das em discussão sejam utilizados a contento. As funções 29 Csillag. essenciais para seu uso.J. o valor real de um produto. ou em outras palavras. serviço. Ed. desde que pertinente. O desempenho de um produto pode ser A abordagem funcional reduz o projeto a definido como o conjunto específico de habilidades requisitos chamados funções. desempenhada de várias outras formas. desenvolvida por uma equipe composta de pessoas Valor de uso: medida monetária das propriedades de várias formações e treinamentos. Ao se definir uma função deve-se uso e de estima e diminui com o crescimento do ter o cuidado para não explicar o modo de valor de custo. trabalho ou serviço. sem passou a ser dado para produtos novos. a análise do valor foi adquirindo definiu um valor-padrão.citando definição dada pela devem ser classificadas em básicas.Massachusetts. Podem também ser Wesley. sem econômicos de produção e características ou degradação.1991. o para desempenhá-las ao mínimo custo. para que todos ou qualidades que possibilitam o desempenho de os conhecimentos especializados e as habilidades uso. Para utilizar-se a análise de valor o ou ainda. ou a característica de um item ou serviço que função. desempenhar a função. métodos de manufatura. Value Management: value que ajudam o produto a ser vendido mas não são engineering and cost reduction. Visa a engenharia do valor é determinar onde termina o um resultado e deve sempre ser definida por duas desempenho satisfatório e onde começa o excesso palavras: um verbo (atuando sobre algo) e um de desempenho. características ou atratividades que A metodologia baseia-se ainda no uso da tornam desejável a posse de um produto. essencial de uma finalidade. SP. tanto para o fabricante valores para as mesmas e desenvolvem alternativas quanto para o usuário.M.depto engenharia de produção .cit. Função é a finalidade ou aumento de valor não significa uma redução de motivo da existência de um item ou parte de um custo. Uma função é o funcionais que o fazem adequável (e vendável) para objetivo de uma ação ou de uma atividade que está uma finalidade específica. necessárias e desnecessárias. para cada nova aplicação. não é a própria ação. função que pode ser 28 Csillag. O objetivo básico da sendo desempenhada. ou a característica de desempenho a ser Componentes básicos da metodologia : possuída por um item ou serviço para funcionar ou Abordagem funcional – determinação da natureza vender.1971. substantivo (objeto sobre o qual o verbo atua) – processo ou sistema é sempre uma entidade amplificar corrente (ampere). com as mais diversas técnicas e no Valor de Troca: medida monetária das combate aos bloqueios mentais que às vezes nos propriedades ou qualidades de um item que impedem de aceitar e buscar mudanças.Análise de valor. Engenharia do valor desempenhar confiavelmente as funções. propriedades. a representação do menor gasto produto é avaliado através da função desempenhada necessário para prover a função requerida conforme por ele e/ou por cada um de seus componentes ou definida. reduzir o valor de um produto. caso e Heller.

© 2006 eduardo romeiro filho 162 ufmg . como forma de melhorar o seu. o uso da criatividade é fundamental para a responsabilidades específicas em termos de metodologia e aplicar técnicas que a favorecem é quem faz o que. verifica-se que tipos de problemas estão As várias etapas de um Plano aproximam-se ocorrendo e escolhe-se qual será tratado.ex.ex. o próprio uso flexível de cada fase do deve ser desempenhado em função das Plano de Trabalho deverá ser feito características e propriedades desejadas e as convenientemente.88. promover estética. etc. projeto do produto usuário mas não do ponto de vista do fabricante. indicar hora. visando sua apresentação. Também qual a escolha da alternativa adequada é feita para coletam-se todas as informações quanto a posterior implementação. objetivo é chegar-se à definição do problema. recomendável. onde. desenvolve um plano que designa Assim. na qual geram-se alternativas cada caso em particular.p. mecânica. Várias quem deve decidir sobre sua implementação. Quais as funções básicas e secundárias? ferramental. concentrando-se no prioridades de estudo. decidindo-se o que deve ser Qual o valor da função básica? mudado. p. Procede-se a uma específico. etc. Elas são ferramentas para para as funções básicas. escolhendo a(s) usar apenas informações da melhor fonte. etc. como. após a define e avaliam-se as funções. devendo essa diferença ser em torno de uma alternância de fases em que se mensurável para permitir uma quantificação aplicam técnicas que auxiliam desde a identificação dos resultados. seqüência. inspirar a equipe de trabalho.depto engenharia de produção . na qual se decide o que técnicas. quando. confirmam-se especificações e o impacto se as seguintes perguntas: quanto a qualidade. complementando-se. a coleta de informações pertinentes. Podem ainda ser de uso – aquelas que se estabelece um programa de investigações possibilitam o funcionamento. se para em seguida mergulhar na fase criativa. dependendo da Como nos lembra Csillag. ao processo de manufatura. embalagem. b) Fase de informação. na qual cada idéia é analisada de bom senso e procedimentos a serem cuidadosamente e quantificada. análise das idéias geradas. isto é à por parte do usuário. algumas mais simples de se satisfazer à função vezes até simultaneamente. quando e onde e desempenhada a função básica? finalmente como será pago o projeto. Definição de planos de execução e verificação O método em si constitui-se em um Plano de da resolução do problema. elétrica. quantidade. definindo-se maneiras serem usadas conforme a necessidade. Também não há um sistema definitivo para através de pesquisa e coleta de informações selecionar a melhor técnica a cada momento e para c) Fase criativa. porém sem regras determinadas. quem deve fazê-lo. Várias alternativas são geradas. Trabalho divididos em fases. clientes. requerida e/ou eliminam-se as funções As técnicas podem ser classificadas em: desnecessárias. São elas: decide-se quais alterantivas deverão ter evitar generalidades. quando p. Nessa fase P. materiais. do problema. Quanto custarão essas formas alternativas? g) Fase de resumo e conclusões do trabalho.111 custos. empregar boas relações humanas. Ao final. testadas e quantificadas. fornecedores.ex. Tendo o Muitas vezes é pertinente fazer essa análise não planejamento definido ações preventivas e só do seu produto mas também do produto do contingentes ele deverá ser recomendado a concorrente. na qual se estabelece. etc. utilizados.. além do uso adequado de a) Fase de orientação. manufatura. a) Técnicas de suporte – regras heurísticas cujo verificando-se a existência de alguma possível uso facilita a solução de problemas surgidos na solução pronta ou a ser criada aplicação do Plano de Trabalho. sendo regras d) Fase de análise. O delas anteriores caso isso pareça necessário. alternativa(s) a ser(em) aplicada(s). o uso de um Plano finalidade e das circunstâncias. f) Fase de execução de programa na qual A avaliação funcional pode ser feita respondendo. Aqui deve-se considerar o que deve De quantas outras formas alternativas pode ser ser feito. nos operadores. p. para prover informações técnicas inerentes a ou de estima – que resultam na vontade da posse concretização de cada função. para se proceder à escolha h) Fase de Implementação: na qual se daquela do menor custo que satisfaça a função. e) Fase de planejamento do programa. nas quais várias técnicas devem ser usadas. algumas vezes envolvendo o responsável. os Planos de Trabalho orbitam e o que se deseja. reais necessidades do comprador. de Trabalho não garante por si só o sucesso de um As fases do Plano são : projeto de AV/EV. pois. Normalmente as fases são usadas em investimentos. métodos de manufatura. deve Qual o custo de cada uma delas? ser avaliado. mas pode-se ter que voltar em alguma controle de qualidade. Um das técnicas de solução de problemas e apesar das problema é uma diferença entre o estado atual múltiplas variações. alternativas devem ser geradas.

como o brainstorm. como as c) Técnicas reestruturantes . recorrer a especialistas. São bloqueios que em geral impedem que se técnicas úteis na fase de preparação. sendo o gráfico de Pareto. p.167 que se chegue a uma solução. hierarquizando os problemas e decidindo por etc. fornecedores e 149 processos especializados. (p. João Mário. o representar um problema de forma a facilitar “brainstorm” invertido. e) Técnicas de seleção e avaliação – como a usar o critério “eu despenderia meu dinheiro técnica da vantagem-desvantagem. exemplos.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 163 ufmg . P 130 d) Técnicas de geração de idéias – para uso CSILLAG. projeto do produto identificar e contornar bloqueios mentais. Análise do Valor. 1988. brainwriting. São Paulo: Editora Atlas. método de custear todas as idéias. ajudam a técnicas de planejamento como o PERT. entre especialistas sobre um tópico por meio de b) Técnicas de análise global – permitem uma série anônima de questionários enviados abordar situações na sua totalidade. P. técnica de livre associação.p.125 coloquem em prática as novas idéias .165) .. P. individual ou em grupo. através de um melhor entendimento do mesmo com uma nova As páginas citadas no texto referem-se a seguinte forma de abordá-lo. o uso f) Técnicas de implementação – para romper de indicadores específicos. como a técnica da função – fonte: verbo e substantivo e o fluxograma.160 onde começar. método dessa maneira ?” delphi – método para desenvolver consenso aplicar critérios profissionais de julgamento. etc.

parte do mundo usufrua da riqueza e da tecnologia. em última análise. a não ser por meio prolonga o período de sua utilização. em especial nos minimização de efluentes tóxicos e eventual anos de pós-guerra. desmontagem do produto. Reduz a demanda pela substituição do produto. matérias-primas e energia. sistemas necessidade de gerenciamento de resíduos e de produção e. DFMA. o preocupação com serviços de manutenção durante a modelo proposto somente admite que uma pequena vida útil do produto e do seu recondicionamento. em especial a simplicidade na montagem. em termos de energia e matéria-prima. porém por outro lado busca satisfazer emergentes demandas do mercado em termos de Sendo assim. prevê a busca da instrumentos como esses no sentido de formar um © 2006 eduardo romeiro filho 164 ufmg . devido à sua intrínseca insustentabilidade e a novos DFD. situações que pressupõe a falência do modelo atual. seja durante a destacadas: produção como na utilização do produto. selecionar aqueles que sejam menos toda a vida do produto. a excelência de projeto passa agora a crescentes restrições de caráter ecológico. design for manufacture and assembly: São necessários esforços no sentido de combinar criada ainda na década de 1970. Parte do pressuposto de que é e novas estratégias de gestão do projeto. que considere inventário. em produtos que leva à redução de resíduos. com seu “american way of life”. considerar não somente o cliente (do ponto de vista do marketing) ou o usuário (sob a perspectiva do DFE. design for environment: Busca o projeto de design). que requer novas ferramentas de projeto vida útil do produto. mas todo o ciclo de vida do produto. design for service: Leva em consideração a pelo resto da população mundial. podem ser agressivos ao meio ambiente. contradiz as perspectivas de lucros empresariais não se mostra o melhor caminho. imediatos.depto engenharia de produção . maior confiabilidade. do próprio componentes resultantes da montagem e modelo de vida proposto pela revolução industrial. pois o que é inviável a longo prazo. a insustentablidade do disposição de resíduos oriundos dos processos modelo vem da total impossibilidade de produtivos. historicamente. dos padrões observados entre os norte-americanos DFS. Este fato de uma exploração continuada que. a partir de um todo o ciclo de projeto e produção. Aumento do consumo de recursos Estratégias de Demanda Aumento do consumo de energia Produção e artificial Aumento da produção de resíduos Marketing exagerada Aumento da produção de emissões A aceleração do ritmo de consumo. manutenção. Desta forma. menores produção em massa contemporâneos tem levado a custos. seja uma abordagem necessariamente mais ampla e durante os processos de produção como durante a sofisticada. redução de custos e da consolidação do capitalismo e dos sistemas de com remontagem. Objetiva a otimização atingido (teoricamente) pela sociedade americana dos recursos. Entre estas. design for disassembly: origina-se da desafios em termos de projeto de produtos. projeto do produto Novos Cenários para a Atividade Projetual: Aceleração do ritmo de consumo. que requer possível “quantificar” impactos ambientais de agora (e cada vez mais) uma visão sistêmica de diferentes processos de produção e. Ora. redução do número e partir da adoção maciça de estratégias de marketing padronização dos componentes.

considera que as ferramentas bem sucedidas do DFX são aquelas que racionalizam o produto e o © 2006 eduardo romeiro filho 165 ufmg . 1996) é uma ferramentas metodológicas. de forma direta. onde poderão ser sua montagem. O autor produção. Estas ferramentas problemas potenciais de produção causados pelo reafirmam a necessidade. BIOSFERA SISTEMA DE Matéria-prima Energia PRODUÇÃO E Emissões Recursos Naturais CONSUMO Resíduos e Humanos Co-produtos Transportes. na tentativa de otimização do et al. restrições das linhas de produção em forma que englobando as diferentes fases do ciclo de vida.Engenharia Simultânea (ver forma rápida e satisfatória pelo incentivo à texto adiante sobre o assunto). quando vinculadas aos filosofia que coloca um produto no mercado de propósitos da ES . controle da qualidade. Ferramentas DFX desdobradas para DFM. reciclabilidade. segundo Melhado et al projeto sejam solucionados ainda nas primeiras (2005). DFA e DFE e seus um meio artificial disponível a organizações de respectivos papéis na integração do processo de manufatura (e aos indivíduos nela inseridos) com o desenvolvimento de produtos. pois eliminam ciclos processos e sistemas. estoques. apud momento (right-first-time for production). para que ARAUJO. transmissão de informações do setor de projeto para Entradas e saídas do Sistema de Produção e Consumo. constituindo a mais eficiente de retrabalho e impactam de forma positiva na ferramenta para implementação da ES. Todas estas objetivo de auxiliar o entendimento. permita rápida interpretação. produto e do processo quanto ao custo. 2005). estas para “a qualidade total” (HUANG. TRABASSO. uso. caracterizado como um redução do custo total do ciclo de vida do produto e projeto simultâneo de produtos. a definição. contribuem para comunicação e cooperação. diferentes fins: a documentação das capacidades e O projeto do produto também se amplia. a gerados em seu uso e após sua desativação. componentes e processos no sentido de aprimorar montagem e desmontagem. considerados os possíveis destinos dos resíduos reutilização. ou seja. projeto do produto sistema eficiente de gestão. a constante revisão de passando pelo fornecimento de matérias-primas. associados a do tempo de desenvolvimento. manutenção. Esse sistema deverá a linha de produção.depto engenharia de produção . DFA e DFE. projetar solução de problemas no contexto do pensando-se na sua produção desde o primeiro desenvolvimento de produtos (ARAUJO. desativação etc. 1995). da interação entre o projeto do produto e o fases do projeto e não durante a produção (Melhado projeto de fabricação. Cássia Vilani Ferramentas de suporte ao A seguir são apresentadas conceitualmente as desenvolvimento de produtos são entendidas como ferramentas DFX-DFM. qualidade e DFX produtividade. desmontagem. DFX (Design for excellence) ou projeto voltado Juntamente com o suporte computacional. evitando erros manipular informações de diferentes origens e com e acelerando o processo. a terminologias designam o que se entende por um execução ou o controle de tarefas e atividades e a projeto voltado à produção.

o objetivo de um projeto recursos. pressupõe a participação sistemática das equipes de desenvolvimento do . para que haja comunicação entre todos os componentes de . O projeto foco principal. Seus benefícios podem ser orientado para a manufatura (DFM) engloba classificados em três categorias: considerações de manufatura no projeto. Isto nos remete à fornecedores. quando todas as . pode ser então substituída por projeto (STOLL apud FABRICIO & MELHADO. pois elimina ciclos de retrabalho. o que . Desmontagem. DFA e DFE. 2005). aumento IAROZINSKI.Realiza as melhorias necessárias. integração e otimização global do ciclo de produção de produtos. assegurando de maneira participantes através do estabelecimento de uma eficaz a união das necessidades e os requerimentos equipe de trabalho na elaboração do projeto.Propõe revisões onde o projeto pode ser desenvolvimento do produto.Evidencia as falhas e compara as alternativas promove uma re-alimentação eficiente dos possíveis. Ambiente etc. A figura a seguir relaciona os objetivos das ferramentas DFM e DFA aos DFM E DFA objetivos dos projetos para produção. Esta integração melhorado e prevê seu resultado. bem como dos recursos materiais ferramenta num projeto de produto: necessários. que envolve a definição de procedimentos e seqüências HUANG ainda enumera as principais ações desta de trabalho. satisfação dos clientes. 2005). Esta integração do planejamento do processo de . das decisões no projeto do produto. desenvolvimento de um produto de definição dos meios específicos a serem usados racionalizado e bem estruturado.Design for Manufacturing) e caracterizados como “projetos de produto Projeto Orientado à Montagem (DFA . promoção da pelas forças operacionais para atingir as metas de prática da engenharia simultânea. simplificando e aperfeiçoando a simultaneidade e transparência das atividades. maior facilidade no gerenciamento do definição de projeto de produção como “a atividade projeto. Reciclagem. Já o DFA é da flexibilidade. seja 1998). incluindo melhoria da qualidade e do produto (BOOTHROYD et al. fabricação dos componentes que formarão o melhoria no relacionamento entre usuários e produto depois de montado. segundo Huang (1996). produto e do processo de fabricação. têm sido utilizados como ferramenta de Isto permite que a equipe de projetos veja os integração entre as áreas de projeto e fabricação no problemas de diferentes perspectivas sem perder o contexto da Engenharia Simultânea.Permite a interação entre os participantes. redução do ciclo de vida. (BANDEIRA.Categoria 1: onde os benefícios estão diretamente um sistema de manufatura. ultimamente.Reúne e apresenta os fatos sobre o produto e seus componentes necessários (FARAH. contribui para redução do custo total do ciclo de . respectivos processos. Meio para Manufatura (DFM) tem. Manufatura (DFM . e sugere ao projetista por parte dos operários. qualidade do produto” (JURAN. permitindo que o relacionados com as medidas para tornar o produto projeto seja adaptado a cada estágio da realização competitivo. variáveis são consideradas ainda no momento de A letra X. enfatizando dessa em etapas posteriores. forma uma integração dos processos de manufatura . requisitos para acomodar as necessidades e requisitos dos clientes ainda na fase conceitual do . vida do produto e do tempo de desenvolvimento. © 2006 eduardo romeiro filho 166 ufmg .Esclarece e analisa as relações entre produto e fabricação ao desenvolvimento do produto.Categoria 3: melhor comunicação entre os e o projeto do produto. CANCIGLIERI. local de um programa que avalia os produtos em função de trabalho onde predomine tranqüilidade e interesse sua facilidade de montagem. em DFX. 1997). 1992). processos e Segundo estes autores. Assembly). O autor reforça que o conceito de Projeto Manufatura. as peças que podem ser utilizadas ou eliminadas . do produto. o que poderá reduzir concepção os meios para se obter uma fabricação significativamente as possibilidades de mudança do produto de forma mais fácil. tornando-os modelos pragmáticos e Os conceitos de Projeto Orientado para a facilmente assimilados pelos seus usuários.Avalia o seu desempenho.Categoria 2: inclui a melhoria e a racionalização (GOMES. São descritas a enfatizado a importância de se desenvolver seguir algumas ferramentas desdobradas a partir do simultaneamente produtos e processos para a DFX: DFM. uma inicial para o que se deseja projetar. de forma a introduzir alternativas nas voltado para a manufatura é identificar na fase etapas iniciais. 2003). máquinas. ferramentas e materiais e .depto engenharia de produção . projeto do produto processo. processo. apud produtividade.Design for simultâneos associados a processos e sistemas”.

Melhado et al (2005). roldanas. Na figura 1 temos a "montagem por cima". e uso de métodos adequados de desenvolvimento Procurar padronizar materiais.DFA . caracterizada pela inserção de todos os Projetar componentes para serem componentes de um conjunto de tal maneira que multifuncionais. integração dos projetistas de processos e produtos nas fases iniciais de análise do projeto de produto. Fonte: Adaptado de Araújo. para a Utilizar uma montagem empilhada/Uni- realização do “DFA/DFM” é necessária a direcional. reduzindo componentes. Nos mesmos moldes conceituais na Engenharia Simultânea e dos projetos para produção. MANKE. que levem à componentes. extraídas de BRALLA (1986). chicotes montagem. segundo de fios.Projetos para produção. Trabasso (2005). para redução de custos e de tempo de montagem (PEREIRA. do método “DFA/DFM” baseia-se em diretrizes. assim seus custos. No entanto é necessária. acabamentos e dos projetos para a produção. Facilitar alinhamento e inserção de todos os visando à concepção e a definição de parâmetros componentes. observam-se regras de projeto visando Projetar para um número mínimo de maximizar a facilidade da montagem. a criação de uma equipe multidisciplinar de projeto. integrada e coordenada. que simplifiquem os processos de fabricação e de Eliminar parafusos. Eliminar ajustes. Desenvolver uma abordagem de projeto Modular. elaboração de projetos com soluções e nível de detalhamento compatíveis com o adequado Ter sempre em mente as possibilidades de desenvolvimento da fase de execução. © 2006 eduardo romeiro filho 167 ufmg . 2001). A utilização automação. recomendações e check-lists que orientem a análise Utilizar e promover o trabalho em equipe. Utilizar componentes e processos padronizados. Existem algumas regras de boa conduta sugeridos pelo DFMA: Nas figuras seguintes. molas. projeto do produto PROMOVER A REDUZIR INTERAÇÃO DFM RETRABALHO SATISFAZER O PROMOVER O CLIENTE APRENDIZADO DFA REDUZIR FALHAS FACILITAR A INOVAÇÃO PROJETOS PARA ANTECIPAR PRODUÇÃO ADOTAR AÇÕES PREVENTIVAS FASES DO CVP I dentificação de objetivos comuns DFM . eles se encaixem um sobre o outro.depto engenharia de produção .

Design for Manufacture and Assembly Home Page by Boothroyd Dewhurst. como na figura 4.Montagem dos componentes por cima.depto engenharia de produção . Figura 4 . onde para facilitar o encaixe entre componentes é Para outras informações: realizado desde perfis arredondados a chanfros ou então furos guias. http://www. não existe essa necessidade Figura 1 .dfma.Montagem utilizando o auto- alinhamento.com/ DFMA .Uso de indicações para facilitar a possibilidades de montagem. Na figura 2 observamos a utilização de indicações para orientar a montagem de componentes assimétricos. montagem em peças assimétricas E na figura 3 temos o "auto alinhamento". © 2006 eduardo romeiro filho 168 ufmg . No caso de simétricos.Peças simétricas em relação a suas Figura 2 . projeto do produto Figura 3 . Inc.

© 2006 eduardo romeiro filho 169 ufmg . etc. análise de mercado dentre outras. novas ferramentas têm surgido para melhorias na competitividade. E ultimamente. Para maiores detalhes ver JAGOU (1993). Boothroyd e Dewhurst foram os pioneiros nos estudos sobre o Projeto para Montagem (DFA) e basearam-se no argumento de que o custo mais baixo da montagem pode ser alcançado através do projeto de um produto. 1994 apud HUANG. As aplicações são feitas desde os produtos mais sofisticados (aeronaves. etc. o que pode torná-las mais competitivas. outras ferramentas têm emergido para maiores investigações.15 pois focaliza. como mostra a FIG. ALLENBY. comparado ao número total de indústrias que desenvolvem projetos de produtos ou utilizam ferramentas de design. de tal forma que ele possa ser economicamente montado correta e eficientemente (KUO. 1998. p. Um exemplo relevante foi Henry Ford que. especificamente nos motores automotivos e buscado o desenvolvimento recente em várias direções: primeiro. desmontagem e reciclagem. considerados novos paradigmas. KUO et al. eletrônica. 1996. meio ambiente. 1996). e em indústrias multinacionais ou pequenas empresas. Embora esses autores tenham sido considerados pioneiros nos estudos sobre o DFA. apesar de em sua maioria consistirem de sistemas de pesquisa ou ensino. seu objetivo é reduzir o tempo para o mercado. 1992). A partir da produção. operações com fluxo de alta qualidade. embora o número seja ainda muito pequeno. reduziu os custos e aumentou a produtividade (WOMACK et al. têm levado ao aparecimento de vários tipos de abordagens do DFX. elétrica. O “D” em DFX ou o “Projeto” em “Projeto para X” é interpretado como projeto do produto no contexto do DFA. segundo. O DFX nasceu a partir do sucesso e da proliferação do DFA. foi capaz de desenvolver projetos reduzindo o número de peças necessárias. 1996). O DFX tem sido usado nas indústrias de produção. 1998). automotiva. terceiro. novas ferramentas têm sido introduzidas em outras etapas do ciclo de vida do produto. em 1908. GUPTA.depto engenharia de produção . 7 (GRAEDEL. 2001). quarto. 1997). 1998). O termo DFX é considerado como Design for Anything – Projeto para Algo. nos campos de engenharia mecânica. reciclagem. O “X” em DFX representa a característica de um produto que deve ser maximizada. o uso do DFA tem alcançado benefícios substanciais. que normalmente são tratados simultaneamente no processo de projeto como Projeto para Manufatura e Montagem – DFMA. tais como a produção. a História mostra que já havia algumas alternativas de uma montagem eficiente desde o início do século passado.. baixar o custo e aumentar a qualidade do produto (GUNGOR. (DUARTE. como meio ambiente. HUANG. mais e melhores ferramentas DFA têm surgido. O DFX é uma abordagem integrada para projetar produtos e processos para efeito de custo. serviços de manutenção. mediante serviço e manutenção. Segundo Huang (1998). Como já foi mencionado anteriormente. desmontagem. 14) considera o DFX uma filosofia e uma metodologia que pode auxiliar as empresas a gerenciar o desenvolvimento de um produto. etc. A proliferação e a expansão do DFA e do DFM. ao mesmo tempo. aeroespacial. projeto do produto DESI GN FOR “X” Rose Mary Rosa de Lima O DFX é uma das técnicas mais efetivas para implementação da Engenharia Simultânea. necessitando demonstração. flexibilidade. o que facilitou a montagem dos seus carros. tais como integração. Graedel e Allenby (1996) consideram o DFX como abordagens modernas de projeto que o projetista tem que utilizar para considerar os atributos relacionados ao produto. um número limitado de elementos fundamentais (HUANG. significando o projeto do produto para a facilidade da montagem (BOOTHROYD et al. custos. o DFA tem encontrado mais usuários. Huang (1996. automóveis. tais como ferramentas de qualidade. 2001): 15 Engenharia simultânea ou engenharia paralela é uma filosofia utilizada no desenvolvimento de projeto de produto em que vários processos são realizados simultaneamente por uma equipe de projeto multidisciplinar . tornando-as facilmente ajustáveis. tanques de óleo) até produtos mais simples (fusíveis) (HUANG.

2001. p.1 Projeto para Meio Ambiente O Projeto para Meio Ambiente (PPMA) – Design for Environment (DFE) é uma aproximação abrangente para o desenvolvimento do produto que considera os impactos ambientais de um produto em todo seu ciclo de vida (FISKEL et al. 2. 1977. © 2006 eduardo romeiro filho 170 ufmg . KROLL. LAMBERSON. permitir o prolongamento de utilização do produto. etc. com despesas razoáveis. um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho ambiental do produto. com isso. Projeto para Logística do Material e Aplicação de Componente – Design for Material Logistics and Component Applicability (DFMC): centraliza-se na fábrica. Projeto para Qualidade – Design for Quality (DFQ): projetar de acordo com as exigências do cliente.depto engenharia de produção . nas considerações de gerenciamento e nas aplicações correspondentes aos componentes e aos materiais. bem como o reparo e a modificação dos produtos no campo ou nos centros de serviços. apud KUO et al. placas de circuitos.4. projetar um produto robusto que ultrapasse as expectativas do cliente. Segundo Prates (1998). Projeto para Serviço – Design for Service (DFS): projetar para facilitar a instalação inicial. reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso.DFX DFC DFQ DFS DFMC DFMt DFT DFE FIGURA 7 – Tipos de abordagens do DFX Projeto para Conformidade – Design for Compliance (DFC): projetar levando em consideração as conformidades regulares exigidas para fabricação e uso do produto. 1994 apud HANFT. sem qualquer dificuldade e. Projeto para Teste – Design for Test (DFT): projetar para facilitar teste de fábrica e de campo em todos os níveis de complexidade do sistema: equipamentos. no movimento do material. 1996). O DFE utiliza os conceitos de ciclo de vida juntamente com 16 Manutenção é definida como “a probabilidade que um sistema danificado possa ser reparado em um intervalo específico de tempo reduzido” (KAPUR. assegurando que o produto possa ser mantido em todo seu ciclo de vida útil. Esta é a abordagem na qual está inserida o principal assunto deste trabalho. 11). Projeto para Manutenção16 – Design for Maintainability (DFMt): projetar para “fácil” manutenção. projeto do produto DFA DFM DFMA Design for X . Projeto para Meio Ambiente – Design for Environment (DFE): projetar considerando os aspectos ambientais em todo o ciclo de vida do produto.

seleção de materiais. 11. projeto do produto alguns princípios-chave como a minimização de recursos materiais e de energia para redução do impacto ambiental. Propiciar a conservação prática do material. 6. O papel. 9. Especificar o uso de materiais reciclados e recicláveis nos projetos. Os projetistas devem especificar os processos de produção. considerados perigosos. Em contribuição aos projetistas. Projetar produtos para uma segunda vida. 3. ver GOUVINHAS. Incluir informação sobre os métodos descartáveis de todas as embalagens de lixo industrial e doméstico. Para maiores detalhes.depto engenharia de produção . Envolver especialistas ambientais em estágios anteriores ao processo do projeto. o uso e o controle com relação ao meio ambiente. considerada uma ferramenta que pode ser utilizada de forma sistemática. 8. Várias estratégias relacionadas aos aspectos ambientais podem ser adotadas pelos projetistas no projeto de seus produtos. Essas estratégias podem ser vistas por meio da “Roda Estratégica” para o DFE17. interferem na reciclagem do plástico. Desenvolver recipientes de plásticos com aberturas maiores. etiquetas e outros adesivos para uma remoção mais fácil. São caros. Conceber rótulos. Projetar produtos para fácil desmontagem. produção. A quantidade de embalagem do produto pode ser facilmente e justificadamente reduzida através do projeto. facilitando a reciclagem e os processos de produção. Evitar materiais de plástico “degradáveis” em projetos de produto. 12. 4. O Projeto para o Meio Ambiente força os engenheiros a avaliar a fabricação do produto. os materiais e a estrutura do produto de forma “ecologicamente correta”. tais como pesticidas. uso até o final da vida útil do produto. com tampas feitas do mesmo material do produto. comparados aos plásticos “não degradáveis”. o vidro e o metal contaminado baixam o valor dos plásticos reciclados. como projeto. 5. A “Roda Estratégica” do DFE inicia-se com a concepção de um novo produto e abrange todas as etapas subseqüentes. como mostra a FIG 8 (GOUVINHAS. distribuição. Especificar ecologicamente os materiais mais amigáveis em todos os projetos do produto. 7. Identificar todas as peças plásticas com o símbolo SPI de codificação correta. 2002. Lindbeck (1995) traça algumas diretrizes para o DFE: 1. Agregar informação de estudos atuais sobre a tecnologia e a reciclagem de materiais e aplicá-las ao projeto do produto. com durabilidade. 2002). produtos de limpeza e solventes. para facilitar a limpeza antes da reciclagem. Desenvolvimento de projeto conceptual Otimização da 1 vida final do Otimização de aspectos físicos sistema 7 2 Otimização do Redução do 6 3 material usado impacto ambiental durante uso 5 4 Otimização da Otimização da distribuição produção FIGURA 8 – A “Roda Estratégica” do DFE FONTE – GOUVINHAS (2002) 17 “Roda Estratégica” do DFE. para rever todo o ciclo de vida do produto. e o seu uso não tem o apoio pela maioria dos grupos de meio ambiente. Exemplos incluem solventes e tintas não tóxicas. 13. baterias de uso doméstico de mercúrio etc. 2. Projetar produtos utilizando materiais simples. não decompõem facilmente. 10. © 2006 eduardo romeiro filho 171 ufmg .

como mostra a FIG. Nos Estados Unidos. para um estado de baixa energia. 19). Bitencourt (2001) apresenta uma metodologia de Reprojeto para Meio Ambiente – REPMA. Os produtos/peças recuperados são usados para reparo. cujas abordagens são: Projeto para Modularidade (Design for Modularity – DFM). de forma geral. as seguintes funções foram destacadas: manter o café aquecido. O método é aplicado em uma cafeteira elétrica.1 Projeto para Remanufatura O Projeto para Remanufatura ou Projeto para Recuperação do produto – Design for Remanufacture – consiste em projetar produtos para a durabilidade. projeto do produto O DFE vem se expandindo. as atividades de produção são responsáveis por cerca de 30% de toda energia consumida no mundo (GRAEDEL. a remanufatura é o processo de trazer os produtos usados de volta às “condições novas”. automaticamente. por exemplo. Segundo Fleichman et al.2 Projeto para Eficiência de Energia O Projeto para Eficiência de Energia – Design for Energy Efficiency – consiste em elaborar processos e produtos que demandam um menor consumo de energia durante seu uso. p. projetar o produto para o prolongamento de sua vida útil ou para a fácil reciclagem. 1996. Essas abordagens visam. recondicionamento. 1998. e com isso está se tornando um módulo do DFX. principalmente nos computadores laptop. 2. 14). transformar energia elétrica em calor e aquecer a água.1. A remanufatura envolve o reaproveitamento de produtos obsoletos. porque pode tornar- se impossível e/ou inviável.4. ALLENBY. 1996. com o objetivo de fazer modificações na concepção do produto para reduzir os impactos ambientais. fabricação de outros produtos e componentes e para venda ao comércio externo (GUNGOR. O processo de remanufatura do produto requer as seguintes tarefas: desmontagem. O Projeto para Remanufatura exige um processo bem planejado. a EPA dos Estados Unidos iniciou em 1992 o Energy Star Computers Program. Projeto para Remanufatura (Design for Remanufacture). GUPTA.depto engenharia de produção . os ajustes. quando estivesse ocioso. fazendo-se as operações necessárias como a desmontagem. A introdução dessa tecnologia. por meio de peças que podem receber manutenção. Alguns programas e métodos vêm sendo desenvolvidos para solucionar esses problemas. com o objetivo de estimular a produção de computadores desktop e acessórios com a capacidade de mudar. Projeto para Reúso (Design for Reuse).DFX Projeto para Meio Ambiente Projeto Projeto para Projeto Projeto Projeto Projeto para Eficiência de para para para para Remanufatur Energia Modularidad Reúso desmontagem Reciclagem FIGURA 9 – Tipos de abordagens do DFE 2.4. apud Gungor e Gupta (1998). ALLENBY. substituição ou reparo dos componentes em más condições. 9. dependendo do grau de dificuldade que o produto pode ter para ser desmontado ou modificado (GRAEDEL.1. 95). Na avaliação da concepção da cafeteira elétrica. remontagem e inspeção. As principais modificações © 2006 eduardo romeiro filho 172 ufmg . p. os reparos e a substituição das peças necessárias. Projeto para Desmontagem (Design for Disassembly – DFD) e Projeto para a Reciclagem (Design for Recycling – DFR). p. A quantidade de energia consumida pelas indústrias em seus processos de produção de determinados produtos de consumo contribuem consideravelmente para os problemas ambientais. teste. pela renovação de peças usadas e pela introdução de componentes de substituição (idênticos ao original ou com melhorias). atingiu uma redução de 50-70% do consumo de energia. Design for X . separação. limpeza. De acordo com os autores.

fácil identificação dos pontos de desmontagem. Este poderá optar pela menor resistência. Esse tipo de projeto possibilita o reúso do produto para a mesma finalidade ou qualquer outra. possibilita aumentar a faixa de recuperação do produto. pois as peças são de fácil desmontagem e recicláveis e as danificadas podem ser facilmente removidas e substituídas por outras. permitindo a reciclagem.4.4 Projeto para Reúso O Projeto para Reúso – Design for Reuse é uma estratégia utilizada para prolongar a vida útil do produto. neste último caso. O produto dever ser. desta maneira. principalmente as peças dos materiais perigosos. a segunda pode ser reutilizada para guardar alimentos não perecíveis. que ocorria no passado. uma junção da GE e da Fitch Richardson Smith (GRAEDEL.1.1. O projeto demonstrou ser de grande eficácia.5 Projeto para Desmontagem O Projeto para Desmontagem – Design for Disassembly (DFD) – é considerado um componente-chave para qualquer estrutura de trabalho do DFE. p. Atualmente. de materiais plásticos. O DFD é uma das estratégias disponíveis para a concepção de produtos cuja reciclagem seja economicamente justificada. a maioria dessas embalagens foi substituída por embalagens descartáveis. pois. desenvolvida pela Polymen Solutions Inc. que pode ser completamente desmontada em 20 minutos. Outro exemplo é o projeto do carro esporte Z1. Alguns projetos para a modularidade têm sido desenvolvidos. os quais podem ser direcionados para a reciclagem. concebido de forma tal que os processos ligados ao reaproveitamento de seus componentes sejam facilitados. desmontagem sem ferramentas. Por outro lado. 1996. 621-622) ressaltam que a desmontagem do produto deve incluir os seguintes conceitos: desmontagem sem força. O DFD envolve o desenvolvimento de produtos fáceis de desmontar.1. 2. o tubo de aquecimento de água é envolvido pelas resistências. 2. por exemplo. etc. os custos são repassados aos usuários pelos danos causados ao meio ambiente. componentes e subconjuntos de um produto.3 Projeto para Modularidade O Projeto para Modularidade – Design for Modularity – visa projetar produtos utilizando peças ou componentes modulares. As peças de encaixe do produto permitem fácil desmontagem para a reciclagem das mesmas e também para o reaproveitamento do produto. o reaproveitamento de componentes e a reciclagem de materiais. p. A carroceria é composta de peças de termoplástico fornecidas pela GE Plastics Corporation. A capacidade de elaborar produtos por meio da combinação de peças modulares traz grandes benefícios para o DFE. que possui a carroceria modular de peças de plástico. nenhum uso de materiais tóxicos nos produtos. pode ser reaproveitada como copo.4. Outro exemplo pode ser visto nas embalagens de vidro para requeijão cremoso e para maionese – a primeira.. através da separação seletiva de peças e materiais. após ser utilizada.4. desmontagem por mecanismo simples. as peças danificadas podem ser substituídas ou reparadas. ALLENBY. era o processo das embalagens de vidro utilizadas para refrigerantes e cervejas que eram retornadas ao fabricante para serem reutilizadas com a mesma finalidade. O autor concluiu que “a concepção modificada para a cafeteira elétrica proporciona uma redução no principal impacto ambiental deste produto. 2. Esse tipo de mudança pode ter ocorrido em virtude dos altos custos com transportes para recolhimento e retorno das embalagens ao fabricante. A desmontagem pode ser definida como o método sistemático para a separação de peças. obtendo um menor consumo de energia para manter o café aquecido.depto engenharia de produção . 98). Um exemplo. projeto do produto adotadas pelo reprojeto foram: utilização de duas resistências para manter o aquecimento da água e do café e um selecionador manual que indica qual a configuração de resistência deve ser utilizada pelo usuário. Duarte (1997) ressalta que o projeto do produto deve prever a desmontagem visando a viabilidade da remanufatura. É usada na reciclagem e na reprodução. para a desmontagem e para o reaproveitamento de produtos. Mok e Moon (1997. a chaleira com peças modulares. que é o consumo de energia para manter o café aquecido”. como em operações que possibilitem © 2006 eduardo romeiro filho 173 ufmg . desenvolvido pela BMW. possibilitando melhor transmissão de calor. projeto de estrutura simples do produto.

que constitui uma montagem. O outro exemplo. p. 1995. Dependendo do número de etapas necessárias para separar os módulos. fundem e podem ser novamente moldados. PVC e outros (IPT. 271). projeto do produto desencaixe de componentes e/ou reciclagem conjunta de sistemas (por exemplo.” Exemplos: PEAD. como mostra o Gráfico 1 (GRAEDEL. como tipos de plásticos diferentes. 18 Termoplásticos “são materiais que podem ser reprocessados várias vezes pelo mesmo ou por outro processo de transformação. as peças ou os componentes. é a desmontagem do aparelho de barbear de plástico descartável. 1996. Quanto maior for o número de etapas para desmontar o produto. o custo da desmontagem pode ser maior ou menor do que a disposição em aterro sanitário. por ser constituída de plástico PEAD (polietileno de alta densidade). Leonard (1991) considera os métodos de desmontagem não destrutiva e destrutiva como montagem reversa e força bruta. desde que não haja destruição das peças por causa do processo. PP. por ser um material incompatível com o plástico. no sentido de selecionar cada tipo de material para a reciclagem. Quando submetidos ao aquecimento a temperaturas adequadas. Cust o par a at er r o C U S T O Cust o da desmont agem 0 Número de passos para desmontagem do produto di GRÁFICO 1 – Custo para a desmontagem e bl custo de aterro do produto dependendo do número de passos de desmontagem executados FONTE – GRAENDEL. pode ser removida por intermédio da rosca. PS. Um dos grandes obstáculos da desmontagem para o reaproveitamento e para a reciclagem do produto está no alto custo do processo. 146). © 2006 eduardo romeiro filho 174 ufmg . esses plásticos amolecem. p. fácil manuseio das peças retiradas. respectivamente. Para a remoção da lâmina. ALLENBY. existem dois tipos de desmontagem: a desmontagem não destrutiva e a desmontagem destrutiva. 2000. operações de desmontagem simples e rápidas. A tampa da embalagem. a desmontagem destrutiva é o processo de separação dos materiais de uma montagem. Esses dois tipos de desmontagem são necessários quando. Segundo Gupta e Maclean (1996). PEBD. Um exemplo da desmontagem não destrutiva ou montagem reversa pode ser visto mediante a desmontagem de uma embalagem “PET”. redução do trabalho necessário na recuperação das peças e dos materiais recicláveis. facilidade na separação e tratamento dos materiais e resíduos retirados. que é incompatível com o plástico PET (politereftalato de etileno). é necessária a destruição do produto. constituídos de várias peças de um mesmo termoplástico18). PET.depto engenharia de produção . Desmontagem não destrutiva é o processo de remoção sistemática das peças desejáveis. mais difícil e mais inviável será o reaproveitamento e a reciclagem do mesmo. MAcLEAN. 226): uniformização e prevenção na configuração de um produto. p. 1995. ALLENBY. p. existem materiais considerados incompatíveis. Por outro lado. e redução na variabilidade do produto. em um mesmo produto. 271. no caso da desmontagem destrutiva ou força bruta. As vantagens do DFD são (GUPTA.

O autor ressalta que o método utilizado fornece medidas importantes para a facilidade de desmontagem. o método analisa as fraquezas do projeto. recuperar e reusar os componentes úteis. Segundo Kroll e Carver (1999. O mecanismo de desmontagem entre as peças e os subconjuntos é analisado no sentido de avaliar a © 2006 eduardo romeiro filho 175 ufmg . ambos são bem diferentes. várias abordagens têm sido descritas na literatura para avaliar um produto no projeto para desmontagem. Os autores analisaram as características dos materiais e as características geométricas das peças. muitas vezes. Determinação da estratégia de desmontagem: na etapa final é definido se será usada a desmontagem destrutiva ou a não destrutiva. Kriwet et al (1995) propõem um estudo onde é analisada a desmontagem de uma máquina de lavar roupas. Os autores apontaram duas sugestões: agrupamentos dos componentes elétricos/eletrônicos e o uso de presilhas especiais para ligar a tampa. p. gerando possíveis desvios de um produto usado. É criado um algoritmo que é aplicado para proporcionar o melhor plano de desmontagem. Os autores ressaltam que a mesma metodologia pode ser aplicada aos processos de desmontagem robótica e em outros produtos. projeto do produto Segundo Graendel e Allenby (1995. Um exemplo pode ser visto em juntas de encaixe por pressão. o projetista pode reduzir o custo da desmontagem do produto se esta for considerada desde o início do projeto. Kroll e Carver (1999) apresentam uma análise de desmontagem do produto utilizando o método de estimativa de tempo de desmontagem com o objetivo de auxiliar os projetistas a identificar as fraquezas do projeto. a partir de seu estado original (por exemplo. nesses casos. 192). com a finalidade de desmontar as placas. Veerakamolmal et al (1997) apresentam uma abordagem gráfica para alcançar um plano de processo de desmontagem eficiente. Hentschel. Após a finalização da modificação do projeto. p. Hanft e Kroll (1996) apresentam um procedimento para avaliação da fácil desmontagem para a reciclagem do produto. O estudo demonstrou a necessidade de modificação no projeto. impossível removê-las por falta de ferramentas adequadas. apud Gupta e Mclean (1996. Modo e análise do efeito: a terceira etapa leva em consideração as incertezas do processo da desmontagem. Em seguida. Atualmente. com vistas na reciclagem dos materiais. a junção dos elementos. subconjuntos e elementos de ligação usados no automóvel. pois muitos produtos projetados para uma fácil montagem muitas vezes são difíceis de ser desmontados. A avaliação baseada no tempo de desmontagem é aplicada em uma broca elétrica e as dificuldades associadas com a criação de outras métricas de desmontagem são discutidas. os meios mais eficientes para a recuperação de peças e de componentes e que o DFD exige que os projetistas adotem uma nova perspectiva no projeto do produto. enfatizando um assunto muito abrangente. O procedimento é demonstrado através da avaliação de um teclado de computador e consiste de um gráfico de avaliação de desmontagem correspondente às tarefas difíceis. concluiu-se que houve um melhor reaproveitamento das peças por facilidade da desmontagem. A maioria das abordagens utiliza métodos quantitativos e/ou simulações feitas pelo computador. Por outro lado. 227) propõe as seguintes etapas para o desenvolvimento de um plano de processo de desmontagem: Análise do produto: esta é a primeira etapa do processo de desmontagem. o uso do produto em ambiente úmido pode provocar corrosão). deve ser identificada a desmontagem satisfatória. se a desmontagem do produto for muito complexa. Outro algoritmo é utilizado por Mok e Moon (1997) para analisar a desmontagem do produto. o descarte no aterro pode ser a melhor opção do ponto de vista financeiro. O algoritmo é usado com a aplicação da regra de projeto em um painel de um automóvel. que exigem pouco esforço para fechá-las. por meio de uma submontagem. parece que o DFD está seguindo uma evolução semelhante ao DFA. p. O modelo é aplicado em placas de circuito impresso com chips montados de computador. Os autores ressaltam que. embora a intenção do DFD e do DFA possa parecer semelhante. do ponto de vista da desmontagem. Os resultados difíceis resultantes da análise de medição do trabalho da desmontagem-padrão fornecem meios para identificar as fraquezas no projeto e as alternativas para comparação. capturando as fontes de dificuldades na performance de cada tarefa. mas torna-se. normalmente. 271). as técnicas de desmontagem destrutiva são. Para maximizar o retorno aos projetistas. O algoritmo é usado para reduzir a divisão dos processos de desmontagem dentro de um componente do sistema de recuperação. De forma geral.depto engenharia de produção . quando utilizadas para comparar projetos alternativos do mesmo produto. na prática. na qual devem ser definidos os materiais e as peças reusáveis ou valiosas do produto. a hierarquia dos componentes e as seqüências da primeira montagem são analisadas. Análise da montagem: na segunda etapa. Ambas as sugestões foram apontadas para possibilitar a fácil desmontagem. 1993. que é o descarte do produto em seu fim de vida e que tem sido aplicada para analisar diversos produtos diferentes visando à reciclagem ou recuperação.

o tempo e os custos da desmontagem. Fez-se uma análise da desmontagem manual de um refrigerador doméstico (marca CONSUL) para verificar as dificuldades do processo. O DFD pode ser visto também pela desmontagem nas indústrias de automóvel. O processo manual foi comparado a um processo que utiliza ferramentas elétricas ou pneumáticas. 10. 621) apresentam várias atividades internacionais sobre a desmontagem do automóvel. o tipo de agrupamentos de peças usadas e como cada peça é presa. modificação. Os autores ressaltam que o painel deve ser projetado tanto para facilitar a inserção da ferramenta quanto para facilitar a desmontagem das peças. apud ROMEIRO. conforme já foi mencionado anteriormente.depto engenharia de produção . Após a desmontagem do produto. Navin-Chandra (1993) desenvolveu uma ferramenta de projeto auxiliado por computador para avaliar o processo de recuperação do produto. a tendência de um rápido crescimento na produção será inevitável no futuro. 28). como os simulados por computador. 1997. o lucro das peças recicladas e reusadas. por exemplo. Arai e Iwata (1993) propõem a utilização do sistema CAD19 para simular a montagem/desmontagem de um produto. 1997. Os autores desenvolvem o método com a presunção de que a seqüência de montagem é o reverso da seqüência de desmontagem. Por meio de um algoritmo calcula-se o tipo de desmontagem mais lucrativo usando base de dados incluindo os custos de disposição. CAD “é uma tecnologia multidisciplinar. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. análise e/ou otimização de um projeto” (GROOVER. De uma forma geral. ZIMMERS. 27). Todas as seqüências geometricamente possíveis de desmontagem são criadas no sentido de identificar a seqüência de desmontagem que reduz o seu tempo e o seu custo. © 2006 eduardo romeiro filho 176 ufmg . p. Os autores também observam os problemas crescentes relacionados ao operador durante a desmontagem. projeto do produto desmontagem de peças recicláveis em automóveis sucateados. p. O método simula todos os movimentos possíveis para a desmontagem de todo subconjunto do produto. é apresentada a abordagem que possui a melhor seqüência de montagem entre todas as seqüências possíveis. pois. Essa presunção não é totalmente válida. são encontrados na literatura. 1984. Essa ferramenta é baseada em uma árvore de decisão com o objetivo de planejar e otimizar a desmontagem do produto para sua recuperação. pesado e valorado de acordo com o valor de mercado. O projetista apresenta informações sobre a estrutura de um produto em uma tabela. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. A tecnologia CAD pode ser definida como “a utilização de um sistema computacional para o auxílio na criação. Os pontos fracos identificados neste estudo foram: dificuldade de inserir uma ferramenta para desmontar peças em pontos de pressão e a dificuldade de sustentação da força por causa da força de pressão nas juntas. cada material foi agrupado. a montagem reversa não pode ser sempre usada como estratégia de desmontagem do produto. Outros métodos. 19 CAD (Computer Aided Design) – Projeto Assistido por Computador. Ao final. p. animação e análise da desmontagem. Vujosevic et al (1995) apresentam uma abordagem para a simulação. Neves (2002) apresenta um estudo sobre a desmontagem do produto para a reciclagem. Mok e Moon (1997. O autor conclui que esse método é eficiente para avaliar o processo de recuperação do produto. como mostra a FIG. O estudo demonstrou que a viabilidade econômica da desmontagem sistematizada do produto induz os novos projetos de produtos a facilitar a sua desmontagem. Embora esse tipo de desmontagem seja uma prática recente.

621. facilita a desmontagem e a reciclagem com ganhos de escala”. – Desenvolvimento do sistema de Aschen Eversheim avaliação para desmontagem. pois. Segundo os autores. entre eles a Ford. 20 O DFR é considerado um dos aspectos mais importantes da ecologia industrial. Mobay – Desenvolvimento para o assento do automóvel. &Bayer – Melhoramento da estrutura. já possuem fábricas de desmontagem com a finalidade de reciclar alguns componentes (GUPTA e McLEAN. 20 Ecologia industrial é um dos conceitos no qual a ciclização de materiais. p. do ponto de vista ambiental. Vários fabricantes de automóveis americanos. projeto do produto Instituto Engenharia de Sênior de CONTEÚDO Pesquisa Pesquisa WZL Prof.6 Projeto para Reciclagem O Projeto para Reciclagem – Design for Recycling (DFR) significa projetar um produto prevendo a sua reciclagem com o objetivo de facilitar a sua desmontagem para recuperação do material. 1996.depto engenharia de produção . IWO – Célula de instalação da desmontagem Munique utilizando-se robôs industriais.1. sem nenhuma possibilidade de materiais recuperáveis. por volta de 2005. na Carnegie Mellon University. dos mesmos sistemas e dos mesmos materiais em vários modelos.4. (USA) FIGURA 10 – Atividades internacionais sobre desmontagem FONTE – MOK e MOON. a reciclagem tornou-se uma ênfase na maioria dos países industrializados. Esta ciclização de materiais somente pode ocorrer se os materiais que atingiram o final da sua vida útil. e de nível de utilidade é de fundamental importância. (Japão) Japonesa – Criação de alternativas para desmontagem. p. © 2006 eduardo romeiro filho 177 ufmg . Esse aumento pode ser visto pelo resultado de uma pesquisa realizada em 1991. aproximadamente. que permite a utilização das mesmas peças. 89). Foi estimado que. 89). p. p. 1996). em sua maior pureza possível. TP Associação – Avaliação do sistema para Gerenciamento de Eficiência desmontagem. porque a quantidade de produtos usados e descartados no meio ambiente tem aumentado dramaticamente. 2) ressaltam que um dos aspectos que têm favorecido a indústria automobilística. estariam descartados em lixeiras (GRAEDEL e ALLENBY. (Alemanha) – Estudo sobre a estrutura do produto para desmontagem. 150 milhões de computadores obsoletos. 1997. voltarem à corrente do fluxo industrial e serem incorporados a novos produtos (GRAEDEL e ALLENBY. 2. 1996. chamado de plataformas integradas ou consorciadas. é a redução do número de plataformas. Medina e Gomes (2002b. (Alemanha) – Estação da estratégia para desmontagem. “esse esquema. Chrisler e General Motors. atualmente.

Reciclagem após o uso do produto: no estágio de fim de vida. Como exemplo temos o aproveitamento de rebarbas durante a fabricação de peças de alumínio. Na indústria gráfica. Reciclagem durante o uso do produto: uso contínuo do produto. de maneira que os materiais e os componentes individuais possam ser reusados ou reciclados. resto de moldagem. reutilização de componentes. as rebarbas de papel são utilizadas na fabricação de papéis “menos nobres’. O mesmo ocorre em relação às garrafas do tipo “PET”. TIPOS DE RECICLAGEM Looping Aberto Looping Fechado 5 1 5 1 4 4 6 2 6 2 3 7 3 FIGURA 11 – Tipos de reciclagem FONTE – Adaptado de CHEHEBE. que © 2006 eduardo romeiro filho 178 ufmg . Este tipo de opção é o tópico principal desta investigação. p. por exemplo. as peças valiosas e maximizar a “produção” de cada operação de desmontagem. É necessária a desmontagem do produto. O autor sugere duas alternativas para solucionar esses problemas: retirar. 11). Essa reciclagem. Segundo Magalhães (1998). reciclagem de materiais.1. após seu reparo ou sua refabricação.6.4. Os principais objetivos para se projetar um produto visando à reciclagem são: economia de energia. 62.depto engenharia de produção . refrigeradores. 2. por exemplo. a reciclagem pode ser dividida em dois sistemas distintos: o looping (ciclo) fechado e o looping aberto (FIG. projeto do produto A reciclagem é o processo de recuperação dos materiais e componentes de produtos usados que são utilizados em novos produtos. Exemplos comuns são também a reutilização de óleos. ou seja. como papel-jornal. redução de material. porém. etc. O looping aberto ocorre quando determinado rejeito de um sistema é utilizado por outro sistema produtivo. 1998. Simon (1991) ressalta que a desmontagem do produto exige o conhecimento do destino ou a possibilidade de reciclagem das peças ou componentes desmontados. o produto é transformado em um novo produto. existem três tipos de opções de reciclagem (KRIWET. primeiramente. Existem dois grandes problemas de projeto associados ao DFR: os custos da reciclagem e as técnicas de desmontagem. O looping fechado ocorre quando um ou mais resíduos de um sistema produtivo são coletados e retornam ao mesmo sistema.1995): Reciclagem de sucata: quando utiliza resíduos da produção. quando estas são novamente fundidas e reprocessadas no mesmo ciclo de produção. é realizada em outro sistema de produção.1 Tipos de reciclagem No ciclo de vida de um produto. são reutilizados sem deixar o sistema produtivo de origem. prolongamento da vida útil de aterros sanitários.

12). para tipos específicos de produtos. Simon (1993) desenvolveu um método em que utiliza a árvore de decisão em combinação com os índices do projeto. ou para produtos gerais. Zussman (1995) faz uma análise de custo para desmontagem. Essa métrica é calculada a partir do tempo exigido para executar uma tarefa de desmontagem-padrão. fáceis de aplicar e de avaliar na estrutura de trabalho da rede do projeto para a reciclagem. em diferentes aplicações. Referências: © 2006 eduardo romeiro filho 179 ufmg . por exemplo. auxiliando o projetista a incorporar no projeto de seus produtos.. como fabricação de fios. características que os tornem de fácil reciclagem. utilização de partes de fácil desmontagem e que possam ser reusadas. Os autores apresentam diretrizes simples. materiais e a história do produto. medidas quantitativas das características do projeto. 18. p. as quais afetam a reciclabilidade do produto. São analisadas também as opções do fim de vida dos produtos. Esses dois tipos de enfoque vêm sendo cada vez mais utilizados pelas indústrias. ou seja. Gungor e Gupta (1998) relatam sobre um estudo feito por Zussman et al (1994). projeto do produto não podem ser reutilizadas na fabricação do mesmo produto. recicladores e fornecedores) e entre o sistema de reciclagem (FIG. inclusive no Brasil. embora sejam reaproveitadas de forma crescente. preocupação aumentada do equilíbrio do ciclo de vida e das despesas do reprocessamento. a tarefa de desparafusar. A troca de informação que ocorre na rede é sobre assuntos ambientais e financeiros. etc. Os dados para cada tarefa são determinados pelos estudos de tempo e movimento em uma desmontagem feita em laboratório. com o objetivo de escolher projetos de produtos mais adequados à reciclagem.depto engenharia de produção . por exemplo. Partindo do estágio do projeto conceitual. 1995. reduzindo a quantidade de sucata e simplificando o processo de recuperação. processos de reciclagem. fácil separação dos materiais diferentes. reciclagem e recuperação do produto. levando em consideração as incertezas dos processos de reciclagem. Vários estudos apresentam diretrizes para o projeto de reciclagem. Reciclad o r C o nsum id o r Pr o jet ist a C o nt r o le Base d e d ad o s Fo r neced o r FIGURA 12 – Rede de reciclagem FONTE – KRIWET et al. a rede permite aos projetistas representar e comunicar a informação pertinente ao projeto. Kriwet et al (1995) apresentam uma abordagem da reciclagem através de uma integração sistemática. onde se observa um notável crescimento em termos de reutilização de materiais e produtos. A rede de reciclagem trabalha junto com o ciclo de vida do sistema e fornece as informações relevantes a cada fase. O custo da desmontagem é um fator relevante. vassouras. por intermédio de um gráfico denominado “Gráfico de Recuperação”. poucas operações secundárias. no sentido de reduzir a quantidade de lixo e aumentar os benefícios obtidos da reciclagem. número reduzido de materiais diferentes em um simples produto. em que os autores introduzem uma ferramenta de análise quantitativa. na base de dados ambientais são fornecidas informações sobre legislação. Algumas características gerais do Projeto para Reciclagem são descritas por Gungor e Gupta (1998): longa vida do produto e uso reduzido das matérias-primas. onde é introduzida uma rede de reciclagem definindo diferentes tipos de mensagens entre o “servidor” (projetista) e os “clientes” (consumidores.

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htm © 2006 eduardo romeiro filho 182 ufmg . Com o obj et ivo de t ornar a Scania não t inha m uit as alt ernat ivas. na Grande São m odular em âm bit o m undial perm it iu a Paulo.html Acesso em 26 de maio de 2003. o principal m ercado na que a em presa t em fábricas. Com a redução do núm ero de m ant eve a quant idade de opções em peças de cerca de 30.com.depto engenharia de produção .br/280503/p_052. recebem abafadores que t am bém inclui um a rede de 500 30 Fonte: VEJA on line . vender cam inhões sob m edida m ont agem dos m esm os produt os no para países espalhados por t odos os Brasil.Edição 1 804 .28 de maio de 2003. t odos os países em a Coréia do Sul. m as m ercado. projeto do produto D FA: D e sign for Asse m bly. na Suécia. ou D e sign pa r a M on t a ge m . um a das líderes na de ruído ext ras por causa da legislação venda de cam inhões pesados no Brasil.scania. na cont inent es. cerca de 100 m odelos de cam inhão. Os dest inados à foi buscar inspiração no Lego. local.br/brasil/empresa/eng_e_prod/sist_modular. a Por ser um a em presa de t am anho m édio Scania pode fazer 6 m ilhões de no set or aut om obilíst ico m undial. na Argent ina. Junt ando as diferent es peças. por exem plo. Texto “Sistema Modular”. a com binações. Ou operação viável do pont o de vist a apost ava t udo no sist em a m odular ou com ercial. É conseguiu baixar os cust os de essa variedade que perm it e à fábrica em est ocagem . 6 M ilh õe s de Com bin a çõe s A Sca n ia fa z u m m ode lo m u ndia l qu e é a " ve r sã o Le go" dos ca m in h õe s pe sa dos Marco de Bari30 A sueca Scania.com. o Europa t êm um sist em a de aquecim ent o brinquedo de m ont ar. Ásia. Já a aplicação do sist em a São Bernardo do Cam po. a m ont adora reduziu o corria o risco de perder fat ias vit ais de núm ero de alt ernat ivas no cat álogo. O sist em a. para criar um auxiliar que perm it e esquent ar a cabine sist em a m odular de fabricação de m esm o com o m ot or desligado.000 para 12. Fonte: http://www. Os veículos export ados para Holanda e na França. veículos. http://veja.000. m ais exigent e.abril. u m e x e m plo.

o resultado prático é a possibilidade de ter um caminhão específico para suas necessidades. cam inhões pesados export ados pelo Padronização de Brasil. será em m eados de 2004. Naquela época. dessa forma. Esse processo. Esse conceito de produção baseia-se na combinação de um número limitado de componentes para montar um grande número de modelos de veículos. Apesar com o sistema modular fica mais fácil e prático dos progressos. Ganha também a produção. ser prorrogado. Para o cliente. nem t udo t em saído de qualquer tipo de reparo ou substituição de acordo com o script . Por causa de um a decisão do órgão responsável pela concorrência econôm ica na Europa. os suecos da Scania est ão at ent os às Com a Série 4. Pois. projeto do produto fornecedores m undiais. além da rapidez e da facilidade da manutenção. o engenheiro sueco Carl- Bertel Nathhorst desenvolveu para a Scania a receita para produtos modulares. quando Definição do caminhão como a Scania respondeu por 58% dos produto principal da empresa. grande vantagem é na hora da manutenção: president e m undial da Scania. Preocupados com as barreiras ao componentes. é possível t odas as m et as de redução de cust os em ter apenas uma pequena variedade de artigos escala m undial fossem at ingidas t eve de em estoque. Em vez do fim dest e ano. tem sido um fator chave do sucesso da Scania desde então. fluxo de peças ent re suas fábricas. m as recebeu os últ im os acert os e ganhou im pulso no ano passado. a AB Volvo t em at é abril para se desfazer dos 46% de ações da Scania que possui.com ércio medida". possibilitando mais combinações. com ent re o Mercosul e a União Européia mais versatilidade e rapidez de montagem. por mais diferente que seja o modelo de veículo Scania. 1998. est ava Enfoque no segmento de funcionando em m archa lent a desde veículos pesados. iniciado na década de 40. Com esse sistema. os veículos passaram a ter um negociações ent re os blocos econôm icos. Os clientes " Est am os fazendo lobby em Bruxelas podem contar com veículos feitos "sob para que o acordo de livre. um considerável ganho de escala na fabricação. E a acont eça" . Há.depto engenharia de produção . O prazo para que componentes. baseado em três princípios essenciais: © 2006 eduardo romeiro filho 183 ufmg . com conseqüente redução de custo. Sistema Modular O sistema modular de produtos é uma solução de engenharia tradicional na Scania. intercâmbio maior de componentes. Tam bém no ano que vem expira out ra dat a espinhosa para a Scania. disse a VEJA Leif Öst ling. seus componentes e estrutura serão sempre semelhantes.

ufmg. Segundo Lacerda (2002). O objetivo deste artigo é reunir um conjunto de informações ambientais que se encontram dispersas na literatura para orientar os projetistas no sentido de incorporar as variáveis “desmontagem” e “reciclagem” no projeto do produto. Nessa fase inicial de desenvolvimento do projeto do produto. estoque em processo e produtos acabados do ponto de consumo até o ponto de origem. O objetivo deste artigo é reunir informações necessárias que se encontram dispersas na literatura. localização. 23): Onde poderá obter informações (disponibilidade. o que torna tarefa complexa para o projetista. 1993. o projetista necessita de um grande volume de informações. relevância e precisão)? Como interpretar as informações (significado e aplicabilidade)? São suficientes (quantidades e variedade)? Qual é a decisão em função do resultado (sim. Faz-se necessário obter informações ambientais em todo o ciclo de vida. © 2006 eduardo romeiro filho 184 ufmg . Esse processo é denominado Processo Logístico Direto ou Distribuição Direta. simplesmente. O atendimento dessas exigências demanda uma grande quantidade de informações provenientes de áreas distintas. custo e demora)? Estas informações são confiáveis (credibilidade. transferidos para outras. Esse processo gera materiais reaproveitáveis que podem retornar ao processo tradicional de suprimento. Projeto do produto Segundo Bitencourt (2001. podendo enfrentar alguns problemas como (BACK.br Este artigo apresenta informações necessárias direcionadas aos projetistas para o desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. chegando ao cliente final (consumidor) – sendo considerado um processo divergente. pode ser e mais tarde)? 2. implementação e controle de fluxo de matérias-primas. autenticidade. 32). não.depto engenharia de produção . cuja expressão mais comum é um conjunto de necessidades das pessoas (físicas ou jurídicas) que se relacionam com o problema apresentado”. “o projeto do produto começa com o estabelecimento de um problema. pois pode-se evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. tais como meio ambiente. materiais. passa por um processo natural – suprimento. projeto do produto O Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas I nformações Necessárias. 2. Reciclagem. surgiu um novo conceito de processo de produção – Processo Logístico Reverso ou Distribuição Reversa. em especial desde a década de 1990. direcionadas aos projetistas para as considerações de variáveis ambientais no desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. reciclagem e outras. p. logística. o Processo Logístico Reverso é definido como o planejamento.br Eduardo Romeiro Filho (UFMG) romeiro@dep.com. para evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. As informações levantadas mostram que a seleção de material é considerada um fator-chave durante todo o ciclo de vida do produto. desde a concepção até a destinação final do produto. produção e distribuição. distribuição. Com o advento das preocupações ambientais. p. Palavras chave: Projeto para meio ambiente. 1. como mostra a Figura 1. transferidos para outras. Informações ambientais. com o objetivo de recapturar o valor agregado ao produto ou realizar um descarte adequado.1 Desenvolvimento do produto O desenvolvimento de um produto a partir de materiais novos. simplesmente. produção. e natureza das fontes)? Como poderá obter as informações (acessibilidade. Rose Mary Rosa de Lima (UFMG) rmrlima@bol. Introdução O projetista necessita de informações ambientais para o desenvolvimento de projeto do produto com o objetivo de atender às exigências advindas de pressões ambientais que as indústrias vêm enfrentando.

Ca. Para qualquer uma das estratégias escolhidas. Rb. revenda. Sr. Ga.depto engenharia de produção . Th. com propriedades físicas e químicas adequadas ao projeto é limitada por sua disponibilidade e seu custo. existem objetivos distintos que o projetista pode focar. obsoleto) do ponto pós-consumo até os locais de retorno. p.) Figura 2 . 2002. Sc.1 %) Al. Mg. U. Projeto do produto para meio ambiente Durante o estágio do projeto do produto para meio ambiente. O Quadro 1 mostra as cinco principais classes baseadas nas abundâncias elementares (GRAEDEL e ALLENBY. danificado. Si. para facilitar a desmontagem. Mn. Co. Dessa forma. Hg. p. Ta. Cu. Pb. 1996. reciclagem ou de descarte. Sb Fonte: GRAEDEL e ALLENBY. Au. Na. dependendo da estratégia de fim de vida do produto. Zr Relativamente comum (10-99 ppm) Cr. projeto do produto Materiais Novos Processo Logístico Direto Suprimento Produção Distribuição Materiais Processo Logístico Reverso Reaproveitado Fonte: Lacerda. 60): Classe Elementos Abundante (> 0. As etapas desse processo são: coletar.Atividades típicas do processo logístico reverso 3. K. Figura 1 . para reduzir os impactos sobre o meio ambiente etc. Pb. Sn. 60. Li. Cd. P. Mo. Zn Não comum (1-9 ppm) B. V. 2002. embalar e expedir (Figura 2). separar/desmontar. 1996. W Raro (< 1 ppm) Ag. Be. Retornar ao fornecedor Materiais Revender Secundários Remanufaturar Embalar/ Separar/ Coletar expedir desmontar Reciclar Descartar Processo Logístico Reverso Fonte: (adaptado de Lacerda. Fe. A estratégia pode ser direcionada para aumentar a reciclabilidade.Representação esquemática dos processos logísticos: direto e reverso O processo logístico reverso envolve uma série de etapas para destinar o produto (usado. Ti Comum (> 100 ppm) Ba. Ni. a seleção de material é considerada um fator-chave e envolve uma série de fatores como: • Escolha de material –A escolha do material. Quadro 1 – Classe de abundância dos elementos © 2006 eduardo romeiro filho 185 ufmg . o ponto de partida para determinar os tipos de materiais é verificar sua disponibilidade em relação à abundância de elementos e compostos encontrados em nosso Planeta. remanufatura. pelo projetista.

mas também seu processo de produção (uso. uso. pois. opções de reciclagem etc). ser reduzida. 64). Inclusão do DFE no projeto do produto Quando uma indústria adota a abordagem do DFE. A redução de material pode ser feita tanto para diminuir o peso do produto quanto para reduzir o número de materiais não compatíveis. a identificação por meio de símbolos é uma realidade. 17) apresentam três elementos do sistema do ciclo de vida que devem ser considerados simultaneamente durante as fases de aquisição. 1996. além de demandar menor quantidade de recurso natural. No caso das embalagens plásticas. mesmo após uma redução de material. significa que uma menor taxa de resíduo será encaminhada ao meio ambiente. planejamento. p. Um exemplo de sucesso. montagem. Em relação à reciclagem. Ciclo de vida do processo: inicia-se com a definição da tarefa de produção por intermédio do projeto do produto. fim de vida e estágios de reciclagem. e o seu peso total (Tabela 1) diminuiu em aproximadamente 11% (GRAEDEL e ALLENBY. p. Pode-se observar que. zinco e ferro reduziu e a quantidade de plástico. 1996. • Substituição de material –A substituição de material é uma estratégia que deve ser considerada no projeto do produto. • Identificação de material – A identificação correta e clara do material é um fator importante utilizado no projeto do produto. a quantidade de aço carbono. No caso dos automóveis. alumínio e cobre aumentou significativamente.depto engenharia de produção . projeto do produto • Redução de material –Independentemente da disponibilidade do material em abundância e em fornecimento. Material 1978 1988 % Alteração Aço carbono 870 654 -25 Aço de alta resistência 60 105 74 Aço inoxidável 12 14 19 Outros aços 25 20 -19 Ferro 232 207 -11 Plástico 82 101 23 Líquidos 90 81 -10 Borracha 67 61 -8 Alunínio 51 68 32 Vidro 39 38 -2 Cobre 17 22 32 Zinco fundido 14 9 -33 Outros 62 57 -9 Total 1621 1437 -11 Fonte: Graedel e Allenby. 65. 2002) 4. os novos modelos estão sendo projetados com essa finalidade. não apenas o produto deve ser considerado. Essa consideração talvez seja uma das mais importantes a ser considerada no projeto do produto. visando a uma separação futura. a quantidade de material utilizado em um projeto deve. mesmo que o produto seja totalmente descartado. Nas últimas décadas. Ciclo de vida do produto: inicia-se com a identificação de cada uma das necessidades e estende-se por todo o projeto. em quilogramas. p. Kriwet et al (1995. utilização e reciclagem (Figura 3): 1. Tabela 1 . por exemplo. devem ser planejados e considerados. sempre que possível. o planejamento do processo de produção tem como objetivo reduzir os gastos e descobrir caminhos para © 2006 eduardo romeiro filho 186 ufmg . principalmente no caso dos não tradicionais. antecipadamente. no sentido de formar um sistema ecologicamente completo. Para a reciclagem. no período de 1978 a 1988. houve uma redução e substituição de materiais no automóvel típico dos Estados Unidos.Alteração do material em um automóvel típico dos EUA. Essa iniciativa já vem sendo utilizada na indústria de embalagens e na indústria automobilística. 2. pois ele determina as opções de reciclagem e dos processos de reciclagem do produto e também do apoio logístico no estágio de fim de vida. a fase mais influente é o projeto. capacidade de manutenção. para todo o ciclo de vida. Os aspectos ecológicos de um produto. Agrupa o projeto de produção e sistemas de reciclagem e processos. principalmente no que se refere à padronização de símbolos dos materiais plásticos (MEDINA et al. A competitividade e a eficiência não podem ser alcançadas por esforços aplicados após o estágio do projeto do produto. que engloba a substituição e a redução de materiais em um mesmo produto é o da indústria automobilística. produção.

1995. utilidade.Sistema do ciclo de vida Graedel e Allenby (1996. Nesse estágio. redução de custo e outras não podem ser alcançadas no processo de produção sem a participação ativa de um dos fornecedores da corporação.depto engenharia de produção . 3. e o apoio à reciclagem do produto. em que há uma contínua evolução para projetar produtos usando-se resoluções cada vez mais apuradas nos circuitos integrados. qualidade. automaticamente. como componentes de reposição. no sentido de aumentar a velocidade e reduzir o tamanho. p. 17. eficiência. Tais projetos são razoáveis somente se a resolução final puder ser alcançada e houver ferramentas de produção disponíveis. 16-17) apresentam alguns procedimentos para incluir as características do DFE no projeto do produto: Definição do produto – A definição de um produto é o estágio inicial e muito importante no processo de seu desenvolvimento. o DFE deverá ser. Gerenciamento do material – Geralmente. t Figura 3 . Um exemplo relevante é o just in time de entrega de suprimentos – uma técnica que reduz o custo de armazenagem e aumenta a qualidade do produto. as escolhas feitas anteriormente no processo do projeto estão longe de um custo efetivo. eles não podem ser produzidos sem uma evolução paralela aos processos industriais. o objetivo é descobrir os processos que levam ao valor máximo do fim de vida. os projetistas possuem uma certa autonomia nas diretrizes de definição referente à escolha de materiais. Esse estágio é a especificidade central dos projetistas. Projeto detalhado do produto – É o estágio no qual as considerações do DFX. como todos os outros aspectos do projeto. Uma vez que estas escolhas sejam feitas. os caminhos referentes àqueles materiais são incorporados no produto. Um exemplo é a indústria de produtos eletrônicos. tornou-se óbvio que as metas de confiabilidade. Os pontos principais para a reciclagem são a coleta e o transporte dos produtos pós-uso. meio ambiente. são levadas em consideração. materiais e energia para um uso posterior. enquanto reduzem os esforços da reciclagem. os atributos ambientais de um produto podem ser identificados e inseridos no projeto. fornecendo informações para as indústrias de reciclagem. Ciclo de vida do apoio logístico: engloba o apoio durante os estágios do projeto e produção. Da mesma forma. para fornecer as ferramentas de produção necessárias e tornar os produtos “ambientalmente amigáveis”. as metas do DFE podem ser alcançadas somente se os projetistas do processo trabalharem mais próximo aos projetistas de produto. a composição dos materiais e. um componente da definição do produto e um ciclo de criação. Os projetos inevitavelmente envolvem problemas entre tais atributos. como por exemplo. A inclusão do DFE nesse estágio exigirá um esforço por parte do projetista e. qualidade. Interações entre produto e processo – No caso de muitos produtos novos. incluindo principalmente o DFE. como confiabilidade. projeto do produto reciclar o produto. Do ponto de vista ambiental. a transferência dos materiais e dos componentes usados para a produção dos novos produtos. esses relacionamentos podem ser usados para fornecer © 2006 eduardo romeiro filho 187 ufmg . Com relação ao sistema de reciclagem. se possível. Para um projeto responsável “ambientalmente”. o apoio ao consumidor e a manutenção durante o uso do produto. p. etc. custo. Interações com o fornecedor – Após décadas. Projeto Projeto Projeto Produção Uso e Reciclagem Produto conceitual preliminar detalhado fim de vida Projeto de produção Processo de Processos de e reciclagem produção reciclagem Processo Apoio Apoio à produção e ao Apoio e Apoio à Logístico projeto do produto manutenção reciclagem Estágio de aquisição Estágio de Estágio de utilização reciclagem Fonte – Kriwet et al.

de forma que esta reciclagem seja cada vez mais facilitada. Interações de marketing – Os projetistas e os gerentes do produto podem promover metas industriais ecológicas por meio dos compradores e fornecedores. como as baterias níquel e cádmio e relés de mercúrio. Desta forma. O agrupamento de componentes é também considerado fator importante para reciclagem. com o objetivo de tornar um resíduo menos volumoso. isto é. Somente em materiais plásticos são encontrados 40 tipos diferentes. Dissociar materiais distintos – O projetista não deve juntar materiais que não sejam semelhantes em produtos cuja separação torna-se difícil. 252). porque os custos dos serviços tendem a ser uma das barreiras mais significantes para a reciclagem do produto. No projeto do produto. a reciclagem é ambientalmente a opção mais sensata (HUANG. normalmente.depto engenharia de produção . na prática. por exemplo. 1998). Exemplo típico são produtos plásticos que. as ligações entre estes deverão ser facilmente desmontadas. dos materiais usados e dos métodos disponíveis para os mesmos. • Incineração: “É um método de tratamento que utiliza decomposição térmica via oxidação. facilmente separáveis. Os componentes principais originados do Projeto para Meio Ambiente são: materiais. são construídos de forma que a desmontagem é impossível ou economicamente onerosa. p. uso e descarte. reduzindo o transporte desnecessário. Neste caso. sempre que possível. o projetista deve levar em consideração o tipo de material que será descartado. quando a reciclagem é especificada como meta pretendida do descarte. Além de considerar as características do produto para a reciclagem. Toda vez que um projetista utilizar materiais não semelhantes juntos. as considerações de desmontagem não são importantes (KUO et al. © 2006 eduardo romeiro filho 188 ufmg . 1996. o reaproveitamento e a reciclagem de materiais. é essencial ao adequado processo de reciclagem que o produto seja facilmente desmontado (por intermédio. 2001). Evitar o uso de materiais tóxicos é também outra consideração importante. Segundo Medina (2001). 2002). • Reciclagem: “Corresponde ao processode re-transformação industrial do material em uma nova matéria-prima a ser processada” (PEREIRA. Esta consideração é muito importante. 2000. podendo ser especificada como meta pretendida no projeto: incineração. p. Se a meta do projetista é o descarte em aterros. dependendo do tipo do produto. processamento. é o produto industrializado que possui o maior número de materiais. eliminá-lo” (BRANDT et al. No caso do uso de recursos não renováveis. os materiais deverão ser facilmente separados. fornecer informações sobre os aspectos ambientais relacionados aos produtos e os tipos de reciclagens disponíveis. p. é importante estabelecer que o prejuízo ambiental resultante do uso da reciclagem de um material é menor que o resultante do uso de um material virgem. nos aditivos e nos corantes. pois estes devem ser menos agressivos ao meio ambiente. se eventualmente este produto for reciclado. permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e proteção de saúde pública” (IPT. ele deve ter em mente que. 92) descrevem algumas considerações gerais de reciclagem para serem usadas pelos projetistas nos projetos do produto: Uma das considerações mais importantes é reduzir o número de materiais diferentes e o número de componentes individuais usados no projeto. o automóvel. O agrupamento é um conjunto de componentes e/ou subconjuntos que formam uma característica comum em determinado produto. 386). removíveis manualmente ou a partir da utilizaçãondo ferramentas ou equipamentos adequados à separação. o que inviabiliza.Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Na execução do projeto para meio ambiente. Após a vida útil do produto. o projetista pode necessitar de agrupar componentes que não sejam compatíveis. se a meta do projetista é a reciclagem e se os componentes do agrupamento não são compatíveis. menos tóxico ou. No caso do descarte. o projetista pode melhorar a embalagem do produto (incluindo embalagem para devolução ou embalagem reciclável). Por outro lado. de processos não destrutivos) ou que possa ser reciclado integralmente em um mesmo processo. A compatibilidade é ponto relevante no agrupamento e interfere na reciclagem do produto. eles deverão ser facilmente identificáveis e os componentes que os contém. A importância dessa consideração é mais relevante para os produtos que possuem grande quantidade e diversidade de materiais e componentes. cada um contendo variações na composição. projeto do produto informações sobre materiais reciclados. Quando os materiais tóxicos necessitam ser utilizados em um projeto. particularmente lixo domiciliar que. fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas. as direções serão diferenciadas. têm de ser consideradas também as condições de trabalho dos envolvidos na atividade de desmontagem. criar mercados para resíduos de produtos recicláveis e padrões e especificações para os itens comprados. em decorrência a certas restrições. em quantidade e diversidade. 5. • Aterro sanitário: “É um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo. Graedel e Allenby (1996. em alguns casos. embora tenham componentes isoladamente recicláveis. aterro sanitário e reciclagem.

Wilfred. acabarão por tornar a preocupação ambiental uma variável essencial ao projeto. Da mesma forma que a segurança do produto e o atendimento ao consumidor foram progressivamente considerados e hoje são critérios básicos de escolha e itens comuns a produtos que buscam excelência. pois interfere no processo de desmontagem e reciclagem do mesmo. Os produtos deverão ser projetados de tal forma que haja o máximo de superfícies planas. London: Champman & Hail. Upper Saddle River. 2000. transferidos para outras. Florianópolis.Logística reversa – uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. refugos e retalhos de plásticos. Nelson. ainda. Referências BACK. o máximo de aberturas para limpeza. LACERDA. que poderão ser refundidos. para a bucha de um mancal de escorregamento deve-se estudar a possibilidade de adotar o ferro fundido em substituição ao bronze. Segunda regra: selecionar materiais e processos de fabricação que não resultam em retalhos ou a um mínimo destes. os grupos de construção ou os produtos deverão ser identificados quanto ao tipo de material e o modo de reciclagem. tampas facilmente removíveis e poucos cantos vivos ou espaços cegos de difícil limpeza. e ALLENBY. evitar ou reduzir ao mínimo materiais considerados impurezas para a reciclagem do material principal. para um produto ou um conjunto de construção deve ser adotado um único material ou ao menos o menor número de materiais diferentes ou. deve-se. espera-se que itens como não agressão ao meio ambiente e meios adequados para reciclagem sejam corriqueiros em um futuro próximo. FONSECA.Metodologia de projeto de produtos industriais. 1983. A partir da pesquisa ficou claro que a abordagem ambiental torna-se cada vez relevante. Lixo municipal: manual de gerenciamento de lixo. inclusive através da criação de legislação específica. cavacos. B. Minas Gerais. com o objetivo de orientar os projetistas no sentido de incorporá-las ao projeto do produto.(1998) . por exemplo. uma reciclagem sem que haja necessidade de desmontagens consideráveis ou separação ou dissociação de materiais. 2ª edição. (1996) . é ainda justificativa para opções relacionadas ao projeto voltado para o meio ambiente. Leonardo. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 6. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. considera-se o problema da limpeza de materiais e de produtos usados e disponíveis à reciclagem. p. Terceira regra: os produtos deverão permitir. No levantamento das informações ambientais. se num conjunto de construção têm-se peças de aço e ferro fundido. Universidade Federal de Santa Catarina. Por exemplo. que poderão ser moídos e misturados a matérias-primas na injeção de plásticos. Dinalva C. IPT.Design for environment. R. © 2006 eduardo romeiro filho 189 ufmg . entretanto.Ecolatina’98 – curso internacional de resíduos sólidos. o projetista deve considerar este requisito durante todo o ciclo de vida do produto. materiais como o cobre e o zinco não podem ser separados na fusão. verificar se estes podem ser utilizados para outras peças. regras e procedimentos que se encontram dispersos na literatura. pois pode-se evitar que problemas ambientais advindos de uma fase do ciclo de vida sejam. T. Assim. procura-se outra forma de reciclagem. Conclusões Neste artigo. 370 p. por exemplo. A questão econômica. no caso dos aços. Como exemplo. Desenvolvimento de uma metodologia de reprojeto para o meio ambiente. mas. E BRUNETTI. Parece evidente que a consideração de variáveis como os processos de desmontagem ainda na fase inicial do projeto do produto propiciam uma maior eficiência no processo de reciclagem. (1996) . Centro de Estudos em Logística – COPPEAD – UFRJ. após seu uso. BITENCOURT. Em contraponto. 2001. Se isso ainda não é possível. Usar um único material normalmente é impossível.Design for X: concurrent engineering imperatives. Muitas vezes a redução de custos acaba por sobrepor-se a alternativas de projeto ambientalmente mais adequadas. em primeiro lugar. em princípio. (1983) . Belo Horizonte. Quinta regra: as peças. Charlie. São Paulo. canais de alimentação ou massalotes. simplesmente. Quando não é possível evitar retalhos. 343): Primeira regra: tanto quanto possível. irreversível. são apontadas a seguir (BACK. George Q. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica. Antônio Carlos P. BRANDT. New Jersey: Prentice Hall. percebeu-se que a seleção de material é um fator fundamental a ser considerado no projeto do produto. (2002) . Cinco regras que devem ser levadas em consideração no projeto. pode-se dizer que crescentes pressões sociais. do ponto de vista da reciclagem dos materiais. HUANG. então.depto engenharia de produção . E. 175 p. e esta tendência parece clara e. GRAEDEL. 489 p. projeto do produto O reaproveitamento e a reciclagem de materiais dependem de como estes foram especificados no projeto. Quarta regra: no projeto de produtos ou grupos de construção. reuniu-se um conjunto de informações ambientais por meio de considerações. o mínimo de diferença entre eles.

Heloisa V.Gestão ambiental na indústria automobilística: o caso da reciclagem de materiais. Rio de Janeiro: CETEM. Dennys Enry Barreto. A. and SELIGER. KRIWET. MEDINA.P&D Design. Brasília.3.Design pré-reciclagem e pós- reciclagem: contribuição à discussão do problema do lixo urbano de embalagem. (2002) . p.. Tsai-C.241-260..depto engenharia de produção . Computers & Industrial Engineering. HUANG. 38.Vol. Samuel A. Anais do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design .Design for manufacture and design for “X”: concepts. n. PEREIRA. International Journal of Production Economics. and ZHANG. EUA. de. p. (2002) . projeto do produto MEDINA. (2001) . (1995) . Hong-C. ZUSSMAN E. 41. © 2006 eduardo romeiro filho 190 ufmg .Design for continuous Innovation: a case study on the sustainability of the automobile for the 21th century. KUO.15-22. applications and perspectives. Heloisa V. Vol. In: Conference at Washington and Lee University. Maria Cecília Loschiavo dos. G. in 10th octobre. (2001) . levando em conta a complexidade sistêmica da coleta e triagem. Distrito Federal. de e GOMES. Andréa Franco e SANTOS.Systematic integration of design-for-recycling into product design.

o que leva as empresas a adotares equipes cada vez maiores para seu desenvolvimento. projeto do produto Terceira Parte: a técnica Vinham-me idéias que ( . ( .. Na atual sociedade industrial.depto engenharia de produção . como maquetes e protótipos. Mauritis Cornelis Escher Esta fase concentra as atividades ligadas ao Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. O ideal artesanal. I sto não podia acontecer com palavras.) me cativavam de tal maneira que as queria absolutamente transmitir a outros. sejam estes gráficos (desenhos.) ou não gráficos (como listas de materiais e descrição de processos de fabricação) para a efetiva construção e reprodução do objeto concebido.) como imagem visual. os produtos possuem. em sua grande maioria. Fazem parte desta fase também os modelos de teste. © 2006 eduardo romeiro filho 191 ufmg . Neste caso. do domínio do processo de concepção e construção por um só indivíduo. parece definitivamente sepultado para produtos em série. torna-se essencial à equipe de projeto prover meios eficientes para que o produto concebido possa ser construído de maneira fiel.. Para isso é necessário que a documentação de projeto seja constituída por todos os elementos necessários.. elementos fundamentais para a validação do projeto antes de seu lançamento no mercado. mas sim “imagens de pensamentos” que só se poderiam tornar compreensíveis aos outros. esquemas etc. pois não eram pensamentos literários. altos níveis de tecnologia agregada..

em dinâmicas) de um mercado de trabalho cada vez um interessante impasse: por um lado. neste novo cenário. e por fim uma disposição maior exigência com relação a aspectos acadêmicos eterna para a constante atualização e reflexão. de liderança. de maneira geral. (futuro) mercado de trabalho e. tendo em vista a crescente facilidade de acesso à informação. a uma ativa" e empreendedora. tendo sua formação e critérios muitas "levemente neuróticas" pelo conhecimento (para vezes questionados diante de um "público" sempre utilizar uma expressão que pode ser considerada mais exigente. dos cursos de graduação. Há cada pelo conhecimento. uma ansiedade constante lugar de destaque no mercado de trabalho. é necessária uma formação consistente. como por exemplo na adoção de sistemas CAD (Computer Aided Design. o que leva a que agregue conhecimentos de línguas estrangeiras. Um curso universitário não pós-graduação. É hoje intensa a discussão com relação às características adequadas à formação de novos profissionais em qualquer área do conhecimento. competitividade no mercado de trabalho e inovações tecnológicas disponíveis. cursos extracurriculares. projeto do produto A Representação do Produto e sua I mportância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. que pode ser traduzida em vez mais a necessidade de uma "formação flexível". uma constante preocupação com as perspectivas do capacidade criativa. com o A formação profissional em qualquer área do objetivo de atender a demandas específicas (e conhecimento encontra-se. no que tange aos conhecimentos relativos à "Representação Gráfica" e à utilização de novas ferramentas. com a criação de cursos mais curtos. Desta 1. como programas de constante que não pode ser restrito à formação iniciação científica. os Pode-se dizer que o perfil mais adequado aos professores são colocados cada vez mais "contra a alunos nas atuais condições é o de pessoas parede". ao lado de propõe a flexibilização curricular e um progressivo importantes modificações na legislação proposta enxugamento dos cursos de graduação. postura "pró. inclusive © 2006 eduardo romeiro filho 192 ufmg . INTRODUÇÃO. instável. sem a pretensão de esgotar o tema. de acadêmica tradicional. a introdução de novas tecnologias informatizadas nos processos de projeto trazem forte influência. exigências e necessidades crescentes. Cabe ao mais garante a excelência de conhecimento e um aluno. em especial dos novos Engenheiros de Produção. com estrutura flexível. tendo em vista alterações dinâmicas na Por outro lado.depto engenharia de produção . "pós-técnicos" (que não serão tratados neste trabalho). em períodos curtos. uma mais exigente! quantidade cada vez maior de informação e uma Este aparente paradoxo pode parcialmente inédita facilidade de acesso a esta informação. maneira. ou Projeto Auxiliado por Computador) Este artigo busca trazer subsídios à discussão acerca das características adequadas à formação dos engenheiros. No que se refere ao estudo da engenharia. sendo assim. o Ministério da Educação sociedade e no mercado de trabalho. mestrado profissional etc. Por outro lado. o explicar a necessidade de formas complementares que torna a formação profissional um objetivo e/ou paralelas de formação. O cenário demonstra-se desta forma provocativa).

existe uma Muitos fatores ligados à informática alteram expectativa extremamente interessante por parte do consideravelmente as formas de interação entre o mercado de trabalho. no conteúdo e na extensão dos tecnologias possui relação com o domínio da antiga conhecimentos necessários à formação do interface. de verificadas nos processos de trabalho em Thomas E. compassos. Pode-se. principal agente daquilo que modelos de formação. Neste cenário. visto que o computador nem novas exigências posturais e problemas advindos da sempre está disponível). nas ferramentas que devem servir de base a este conhecimento. esquadros. O computador. são imprescindíveis ao desenho em CAD (embora planejamento e desenvolvimento da atividade. atua de forma muitas vezes Produção etc. Desta forma. mas se interpõe necessidades em temos de formação. preparo e manejo dos um médico sem conhecimentos de anatomia. do equipamento e ao nível de aprendizado do operador. estruturas mínimas que BAGNARA (in REBECCHI. completamente diferente da tradicional. por linhas31 etc. o que necessidade de domínio da tecnologia informática e representa uma lamentável queda e séria distorção dos diferentes programas utilizados. engenharias. Por outro entre o projetista e seu objeto (concebido) uma lado. ou Projeto Auxiliado por Computador) representam por exemplo).depto engenharia de produção . por outro lado. seja definição das características adequadas ao perfil ele engenheiro ou projetista. Os diferentes meios de promissores (senão o mais promissor) dentre as trabalho e produção interferem de maneira diversas engenharias. sendo o quarto apenas para a conseqüências mais importantes do que pode-se construção de letras e algarismos. No que diz respeito à representação (ou expressão) gráfica em especial. o que torna o (ao menos significativa sobre os níveis da carga de trabalho à teoricamente) corpo discente potencialmente qual o usuário de sistemas CAD está exposto. French. sistemas. As modificações 31 No tradicional livro "Desenho Técnico". este problema torna-se especialmente complexo: Por um lado. os procedimentos de construção do desenho e formas de concepção do 2. do âmbito das sistemas pela maioria de seus usuários e o sistema engenharias. A REPRESENTAÇÃO (OU EXPRESSÃO) projeto acabam por submeterem-se à configuração GRÁFICA. os três primeiros capítulos são tecnologias informatizadas. nos diversos campos máquina (sistema hardware) e pelos programas do conhecimento. projeto do produto pelo MEC. da mera elaboração de desenhos conhecimento está sendo substituído pela técnicos para documentação de projeto. desta necessário ao efetivo domínio destas novas forma. torna-se urgente a decisiva sobre os procedimentos do operador. Ora. área ainda relativamente nova entre as periféricos. A partir da utilização profissional desejado. não trabalho ligadas a diferenças na concepção. Desta maneira. ao lápis. das atribuições profissionais. deve-se levar em consideração que o tempo Neste trabalho a discussão concentra-se. todo o desenvolvimento da tarefa é diversas disciplinas oferecidas à formação realizado a partir das condições delimitadas pela adequada deste Engenheiro. Não é razoável supor um engenheiro de aprendizado de desenho técnico ou de que não conheça os princípios básicos de desenho e representação gráfica em engenharia. como o representação de projetos (ou do objeto concebido). Diversos as normas relacionadas às diferentes formas de livros de ensino de desenho técnico. modelos. 1990) denominou de caracterizem a formação do Engenheiro de "barreira informática". em especial de sistemas voltados para escolha e manejo dos instrumentos CAD (sigla inglesa para Computer Aided Design. continuem pertinentes. bem como a habilidade no traço. (software). Não preparado (através da seleção imposta pelo se trata mais de uma tarefa de execução de vestibular) e especialmente sensível às próprias desenhos ou concepção de objetos. e o nível ainda superficial de conhecimento destes sempre foi. (como as diferentes formas de se apontar um lápis. que aparentemente é dos mais engenheiro e sua tarefa. que não foram assimiladas pela maioria utilização constante de sistemas informatizados são das Universidades e Cursos de Graduação. Não materiais como lápis. tira- se deve esperar que o engenheiro ocupe-se. © 2006 eduardo romeiro filho 193 ufmg . o corpo docente envolvido com a Engenharia nova interface representada pelo computador e seus de Produção. bem como do teor das do CAD. ainda discute campos de atuação. especialmente. Alterações nas cargas de conhecimento. A entre o estágio tecnológico atual em sistemas CAD representação de objetos. por excelência. dedicam capítulos da mesma forma que não seria razoável imaginar importantes à escolha. publicado orignalmente nos engenharia a partir da introdução de novas EUA em 1939. este cenário não é. fazer uma analogia como poderia-se supor. Engenharia de Produção. menos complexo. tradicional FRENCH (1971). Este tipo de perceber a princípio. alguns dos novos aspectos a serem observados nos Em relação ao campo específico da processo de trabalho em CAD. É possível dizer que este tipo de outro lado. se um curso de desenho Engenheiro de Produção (e dos demais técnico poderia levar anos para tornar plenamente engenheiros) nesta área do conhecimento e.

) "Hoje os jovens reprodução de documentos.cit. fazendo com que desenhistas. assimilação. por que esperar que com a atual tecnologia informática permite a realização da informática este processo seja mais rápido32? maioria das atividades corriqueiras da atividade de desenho e mesmo de projeto. por exemplo. faz com que a reprodução torne-se atividade corriqueira. além de matemática. Programas e currículos grandes vedetes na utilização de sistemas CAD que sempre enfatizaram o desenvolvimento da desde os anos 60. nosso trabalho exige sempre 3. tradicionais de desenho em prancheta. de aplicar essas novas as decisões tomadas são organizadas num tipo de técnicas que a computação linguagem que possibilite a comunicação e oferece também na produção de arquivamento dos dados e a fabricação do produto. Uma interessante análise do papel da técnica eventuais panes do sistema informatizado). 1988). como fator de transformação das sociedades. colocou-se a expectativa do virtual fim representação gráfica. objetos. A contribuição do Com a informatização. e um estágio conclusivo no qual exemplo. sido intensas. toda a vida profissional. a informatização e a projetistas e engenheiros tenham necessidade de modernização dos sistemas de comunicação alguma forma de treinamento especial. que manual. por análise e síntese. mas de avaliar até mão-de-obra qualificada. A interface projeto. no século XV33. também de fundamental importância: se a concepção de documentos. como cálculos e A implementação do CAD leva a uma simulações. praticamente ilimitada e de alta 32 No atual estágio tecnológico. tendo por controle e efetivamente mais livre para o finalidade modernizar e tornar mais eficiente o engenheiro.depto engenharia de produção . Torna-se. ou seja. © 2006 eduardo romeiro filho 194 ufmg . fichas e formulários por tecnologias sobre o pessoal da área de projeto tem sistemas de cartão magnético etc. 1996). representações gráficas. Cartas circulares por correio conhecimento os efeitos da implantação de novas eletrônico (ou e-mail). Hoje. No início REPRESENTAÇÃO da formação acadêmica. avançada que seja. projeto e em sua formação. Por outro lado. desenhar um objeto em representações bi ou tridimensionais. A reprodução agora é imediata. provavelmente também tivemos A representação gráfica no desenvolvimento dificuldades em aprender a de projeto de produto consiste basicamente na utilizar um esquadro para. meio físico para digital. Pode-se dizer que esta mudança nos agravante: embora a tecnologia CAD já esteja meios de impressão e difusão de informações só amplamente disponível. fenômeno caracterizado designers ainda se formam sem ter o conhecimento pela cada vez maior presença de máquinas do uso dessa técnica. in BONFIM. pois ainda trouxeram uma inédita facilidade de acesso e segundo NAGEL (op. de cópias físicas de documentos. A atividade perspectiva. projeto do produto habilitado um projetista. continuam essenciais apresentada pelo computador. por transformação de idéias e informações em exemplo. transformado de profissional". ainda úteis 33 em diversas situações (como. por mais simples e à formação dos desenhistas). tendo em vista questões de interface conhecimentos como desenho técnico e teoria do (conforme retratado em SOBEK. existe ainda um qualidade. porém. o processo de concepção de técnica de desenho necessitam agora ter esta veículos é uma atividade predominantemente orientação questionada (deve-se notar. portanto." (NAGEL. Mesmo nas indústrias automobilísticas. deve-se chegar à modificações nos processos de trabalho e na outra. de melhor cursos ligados à atividade de projeto. não pode ser comparada àquela importante uma análise de todo o currículo dos oferecida pelo conjunto lápis/papel. mas. AS NOVAS FERRAMENTAS DE novos conhecimentos. e vários tipos de documentos poderiam ser substituídos por meios informatizados Com estas alterações nas exigências de de comunicação. especialmente em computador vai além da fase de escritórios. os currículos não copiadoras e impressoras em escritórios. formulários. o bom projetista ainda não encontra paralelo na introdução dos tipos móveis pode se dar ao luxo de desconhecer as formas por Gutemberg. a etapa fundamental da concepção do série de modificações nas características produto permanece como privilégio eminentemente necessárias ao trabalho do pessoal envolvido em humano. Com efeito. cartas. Não se trata apenas principal de transformação ocorre entre um estágio de aprender a produzir boas inicial de busca de informações. que ponto estas tecnologias modificam as "Antigamente o que se necessidades da formação em engenharia de aprendia podia ser aplicado por produção nesta área. A correspondem mais às necessidades da vida mudança do "documento original". Não se trata naturalmente de discutir as sistema de ensino e assim acelerar a formação de aplicações das novas tecnologias. o que leva a A partir desta constatação.

Além auxílio de fita adesiva) os desenhos de referência. no colo. no chão ou quantidade antes considerada imensa de mesmo nas paredes próximas. cit. ocupando as principais do CAD não elimina (e provavelmente não posições seja na visão da Indústria como da eliminará a curto prazo) a necessidade de desenhos Universidade. é evidente que a aquisição considerados fundamentais. Ora. Em uma das conhecimento. sobre torna-se possível o acesso imediato a uma equipamentos da estação. gerenciamento. quando reduzido o suficiente para que caiba em um monitor de 14". 1996). Em todas as empresas pesquisadas. na atividade projetual a essenciais por 86% das empresas e universidades situação não é diferente. em especial para aqueles mais mais importantes para os novos graduados em velhos. pois nestas eram afixados (com o extensa e trabalhosa pesquisa bibliográfica. e TAVARES e MORAES. é realizada por LÉVY (1995). mas vem crescendo construção de um novo desenho. o número de cópias Além disso. ou desenvolvimento. acompanhamento do trabalho realizado no monitor34. 34 Um desenho originalmente em A0. demonstra que aspectos ainda seja um dos principais argumentos para a como trabalho em equipe e comunicação são venda de sistemas CAD. para que estes objetivos sejam em papel. disso. dos postos de trabalho em sistemas CAD tornando até certo ponto "trivial" um levantamento desconsideram em sua grande maioria as de informações em nível mundial. necessidades da utilização de desenhos em meios Este fenômeno. A perfil profissional e nos processos de formação de realidade demonstra que da mesma forma como diferentes classes profissionais. op. muitas vezes são utilizados físicas (em papel) de documentos nos escritórios (vários) croquis e/ou desenhos de referência para a não somente não diminuiu.depto engenharia de produção . Uma simples consulta à rede empresas pesquisadas foi verificada uma constante Internet ou a bancos de dados digitais pode prover disputa pelas estações gráficas situadas próximo uma quantidade de informações equivalente à das paredes. tomando por exemplo a introdução da informática e de seus efeitos sobre a linguagem. A solução para este caso esta na localização de detalhes e orientação durante a impressão de um cópia física. impressas com o objetivo de seja. gráficas não possuem local determinado para a Além disso. 1992). complexa sua visualização e manipulação tornando cada vez mais difícil seu adequado (ROMEIRO. © 2006 eduardo romeiro filho 195 ufmg . acaba por interferir no do computador como forma de expressão. a eliminação do papel passado recente. As estações consideravelmente (PFAFFENBERGER. ao ampliar determinada porção deste desenho (através do recurso de aproximação ou "zoom") perde-se a noção de conjunto. que assemelha-se a uma físicos. menos capazes de prosseguir neste "eterno engenharia mecânica naquele país demonstrou que processo de formação". A observação dos "projeto concebido diretamente no computador" resultados. Se a existência de ocorre com os processos de informatização dos "cursos de atualização" era desejável até um escritórios de maneira geral. Por outro lado. Embora a idéia de um (ver introdução desta apostila). naturalmente apresenta dificuldades para legibilidade. são alcançados. a realidade demonstra que uma em setores de projeto ainda é um objetivo de longo permanente formação e reciclagem será prazo. o número e a quantidade de colocação destes desenhos. que auxiliará na execução da tarefa. conhecimentos acerca de sistemas CAD ocupam Em relação à larga utilização de meios posição de destaque. a representação gráfica adequada do objeto proporcionar melhores condições de concebido. entretanto. O recurso utilizado pelos usuários dos Com a melhoria dos sistemas de sistemas CAD é a alocação de papéis em mesas comunicação e o advento de redes de informação. projeto do produto Com estas facilidades. Por outro lado. o que torna ainda mais informações disponíveis aumenta dia-a-dia. imprescindível para a futura manutenção do Pesquisa realizada pela ASME International e emprego. sendo considerados como físicos de representação. privilegiando de forma exagerada a adoção "overdose de informações". serviços de acesso a bancos de dados no Estes fatos demonstram como a concepção exterior tornam-se cada vez mais acessíveis. ponto o clima de alta competitividade representado 1996) entre empresas e universidades americanas por este cenário poderá ser suportável para os com o objetivo de avaliar quais as características trabalhadores. pode-se discutir até que pela National Science Foundation (VALENTI. é crucial que os engenheiros possuam utilizadas cópias físicas dos desenhos em domínio de sua forma clássica de comunicação. auxiliares (improvisadas para este fim).

O croqui permite uma rápida visualização da idéia e dá subsídios aos primeiros estudos.html) O croqui pode ser considerado como um desenho a mão livre. além da utilização de material menos nobre (normalmente papel e lápis comum). projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Livre ( Croqui) Os croquis permitem a visualização rápida de soluções propostas.design. (fonte: http://farenc.dk/) © 2006 eduardo romeiro filho 196 ufmg . sem grandes preocupações dimensionais.fr/ergonomie1.free. em CAD. como no caso desta cadeira para dentistas (veja outras versões abaixo. nesta página.toftebjergmedborgerhus.depto engenharia de produção . como este do dinamarquês Toftebjerg Medborgerhus (fonte: http://www. Possui como principais vantagens a facilidade e rapidez de execução. propiciando a geração de diferentes versões de produtos. A solução final está abaixo.

projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Técnico © 2006 eduardo romeiro filho 197 ufmg .depto engenharia de produção .

projeto do produto Ferramentas de Representação: Perspectiva Os estudos de perspectiva. na Itália. Oferecem importantes recursos para a representação de objetos ou. © 2006 eduardo romeiro filho 198 ufmg . possibilitando a imediata visualização de soluções propostas.depto engenharia de produção . de esquemas de montagem. apresentam notável desenvolvimento desta técnica) foram retomados a partir do século XIII. em última análise. a atividade de projeto como conhecemos atualmente. iniciados na antiguidade (os afrescos de Pompéia. precedendo ao renascimento e. por exemplo. como no caso acima.

parcialmente transparente. com separação de componentes por cores. é denominada de forma genérica Integração via CAE/CAD/CAM (Engenharia. de origens diferentes. Abaixo: teste de elementos finitos em um quadro de bicicleta. como a prototipagem virtual. © 2006 eduardo romeiro filho 199 ufmg . Neste caso. encaixes etc. Ao lado: simulação do painel de um automóvel. novos recursos foram incorporados ao desenvolvimento de produtos. ou Projeto Auxiliado por Computador). simulações de funcionamento. A integração destes sistemas. permitindo que sejam visualizadas soluções de design. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Protótipo Virtual ( ou maquete eletrônica) Com a crescente sofisticação dos sistemas CAD (de Computer Aided Design. Abaixo. Outra vantagem para o desenvolvimento de produtos desta forma está na utilização de dados de projeto em outras fases da produção. aplicação de cores. ao lado: um aparelho sonoro.depto engenharia de produção . Projeto e Manufatura Auxiliados por Computador). o produto é gerado tridimensionalmente no CAD. como teste de engenharia ou geração de dados para manufatura.

A maquete eletrônica serve também para simulação realista da aplicação de produtos ou soluções arquitetônicas. © 2006 eduardo romeiro filho 200 ufmg . projeto do produto Acima: As duas imagens da batedeira foram geradas pelo mesmo arquivo. Este mesmo aquivo poderá gerar dados para manufatura. ao Design e à Engenharia (para verificação de interferências. Acima. produção de moldes etc. servindo ao Marketing (para alguns testes de aceitação do produto). como máquinas de comando numérico. por exemplo). simulação de um “stand” para acesso à Internet.depto engenharia de produção .

depto engenharia de produção . Ao lado e abaixo. dimensionamento e ergonomia. como validação das soluções de projeto e base para decisões da equipe. © 2006 eduardo romeiro filho 201 ufmg . não funcional. soluções para avaliação do interior de uma aeronave. madeira etc. O mockup serve. especialmente relacionadas à posição dos instrumentos e do piloto e questões como visibilidade e legibilidade dos instrumentos. como papel. Abaixo alguns exemplos: Acima. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Mockup O mockup pode ser considerado como uma representação tridimensional do produto. Normalmente feito em material facilmente moldável e d baixo custo. poliuretano. neste caso. que tem por objetivo simular alguns aspectos como estética. Os mockups nem sempre são resultado de trabalho primoroso. simulação de um painel de aeronave.

Acima. O modelo testado é feito em madeira. uma nova proposta para o transporte urbano (fonte: http://alum. o modelo de um misturador portátil (mixer) que permite que seu acionamento seja realizado a partir de diferentes empunhaduras.mit. como simulações de uso e avaliações de natureza ergonômica. © 2006 eduardo romeiro filho 202 ufmg .html). Nas fotos acima.depto engenharia de produção . O mockup pode ser utilizado em experimentos diversos em projeto do produto.edu/ne/whatmatters/200403/index. projeto do produto A indústria automobilística utiliza-se de mockups para diversos testes. inclusive avaliação das soluções de estilo junto a possíveis compradores.

modelo em escala reduzida de uma catapulta medieval.depto engenharia de produção . em escala reduzida. não funcional e. © 2006 eduardo romeiro filho 203 ufmg . exemplo da maquete (em escala de 1:5) de uma semeadora-adubadora a tração animal (que tem seu projeto detalhado a seguir). por exemplo) e aprovação de soluções estético-formais. projeto do produto Ferramentas de Representação: A Maquete A maquete é um meio de representação tridimensional. na maioria das vezes. Acima. Sua principal função está no apoio à avaliação geral do projeto. concordâncias dimensionais (são importantes em maquetes de edifícios e plantas industriais. Abaixo.

para uso doméstico. o protótipo. projeto do produto Exemplos de Projeto: Cadeira CEM A proposta deste projeto é uma cadeira de estrutura tubular. maquete em escala 1:5. © 2006 eduardo romeiro filho 204 ufmg . fotografado junto ao MAM. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na parte de cima da página. reclinável e multiuso. abaixo.depto engenharia de produção .

Divisão de Engenharia Agrícola do Instituto Agronômico de Campinas. projeto do produto Exemplos de Projeto: Semeadora-Adubadora a Tração Animal Este projeto. manutenção e depósito do equipamento. O sistema representa economia para o agricultor.depto engenharia de produção . Além de melhorias técnicas no mecanismo do equipamento. realizado com apoio da DEA/IAC . tanto nos aspectos antropométrico como sócio-cultural. levanta algumas das características da agricultura brasileira e da tração animal. que não necessita de uma máquina específica para cada atividade. © 2006 eduardo romeiro filho 205 ufmg . o que reduz os custos de aquisição. adequando o produto aos diferentes biótipos do trabalhador rural brasileiro. em que são acopladas diversas ferramentas utilizadas nas atividades do meio rural. com o objetivo de facilitar a aceitação e aumentar a produtividade desse equipamento. A semeadora foi projetada a partir de um "Chassi Porta-Implementos Triangular" básico. foi dada ênfase ao estudo ergonômico. capaz de trabalhar em até três linhas de plantio simultaneamente. desenvolvido pelo DE/IAC. apresentando o projeto de uma semeadora-adubadora.

depto engenharia de produção . protótipo do chassi porta implementos em testes de campo. Abaixo. © 2006 eduardo romeiro filho 206 ufmg . projeto do produto Ao lado e abaixo. protótipos mecânicos da semeadora-adubadora.

fabricante de móveis para escritório. Entre os resultados. projeto do produto Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães Esta média empresa carioca. melhorias nos resultados financeiros. Logo após investiu na melhoria de sua Imagem Corporativa. de sistemas completos. © 2006 eduardo romeiro filho 207 ufmg . na empresa. com melhorias na papelaria. armários e painéis divisórios.depto engenharia de produção . foi denominado GESTÃO DE DESIGN. com o desenvolvimento de linhas como a Futura (ao lado. abaixo). iniciou seus investimentos em Projeto de Produto no final da década de 1980. incluindo mesas. processo de fabricação e atividades de marketing. identidade visual e implementação de uma linguagem comum que abrange desde os produtos até caminhões de entrega e Showroom. fortalecimento da imagem da empresa em um mercado cada vez mais competitivo e uma visão integrada de produtos. resultante do que.

depto engenharia de produção . perspectiva do layout do showroom para o lançamento da linha (foto menor. Ao lado. é composta por um sistema modular. vem da família tipográfica utilizado na logomarca do produto. o que permite diversas combinações e possibilita grande vendagem. No alto da página. lançada no final dos anos 1980. e algumas das versões derivadas podem ser vista abaixo. página do “folder” com os diferentes componentes da linha em estrutura lateral metálica. acima). Uma curiosidade: o nome “Futura”. projeto do produto A linha FUTURA. © 2006 eduardo romeiro filho 208 ufmg .As diferentes linhas possuem versões com laterais metálicas e em madeira. O produto original está na página anterior. que permite a produção de linhas diferenciadas a partir de um mesmo produto “Plataforma”.

graças a implantação da tecnologia de moldagem de poliuretano. categoria móveis de escritório. que possui as mesmas dimensões em todos os modelos da linha e em todos os níveis hierárquicos. A diferenciação dos níveis hierárquicos se dá pela agregação de módulos. o que levou à conquista do primeiro prêmio no Salão Design Movelsul 96. caracterizado pela estrutura modular do assento. projeto do produto Linha GAMA: A linha de cadeiras Gama possui forte estruturação em critérios de conforto e ergonomia.depto engenharia de produção . que permitiu uma grande liberdade formal e bons resultados de projeto. © 2006 eduardo romeiro filho 209 ufmg . o que garante uma extensa linha de produtos a partir de um número bastante reduzido de componentes.

São Carlos. por inovação.depto engenharia de produção . mesmo a grandes distâncias. PALAVRAS-CHAVE: Projeto do produto. projeto do produto O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão . BACK (1983) diferencia dois tipos de solução. Projetos por Evolução e Inovação. Sendo (1993). a partir de revisão bibliográfica sobre o assunto.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. adequando-o às novas ferramentas tecnológicas. O papel do setor de projetos é bem 1. o diferentes metodologias utilizadas para a concepção processo de elaboração de projetos pode ser de produtos. citada por SCHEER ou melhoria de produtos já existentes). 1. 35 Eduardo Romeiro Filho Universidade Federal de Minas Gerais . pontos relevantes para o desenvolvimento projetual no atual estágio de desenvolvimento econômico e diante do atual quadro competitivo. Segundo o autor.Desenvolvimento: Especificações do conceito de concebido. bem como sugerir alterações pertinentes. CAD (Computer Aided Design. entretanto.br RESUMO: A utilização de novas tecnologias de base microinformática pode auxiliar em muito a geração. Este artigo busca apresentar e discutir algumas destas ferramentas. nos parece demasiadamente quais as descobertas científicas e tecnológicas são 35 Artigo originalmente apresentado no II Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto.Belo Horizonte . .430 .Departamento de Engenharia de Produção Rua Mantena. torna-se interessante uma investigação um adaptação de já existentes. projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. avaliação de soluções. As vantagens trazidas. Associação na condição de novos projetos (e não da adaptação dos Engenheiros Alemães). O setor de projetos em uma empresa é principalmente nos casos de produtos que possuam basicamente responsável. Esta visão acerca do processo projetual. assim. somente poderão ser efetivamente observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual.30310. Colocam-se como produtos. desta forma. pela elaboração de novos projetos. colocados aqui de maneira bastante subdividido da seguinte forma: ampla. Agosto de 2000.Concepção: Análise de especificações. 334/304 . edifício. .MG romeiro@dep. difusão e intercâmbio de informações em tempo real.Bairro Ouro Preto . tratamento. como os colocados da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. A partir das características de cada produto . simplificada. desenvolvidos e construídos compilação de variações de soluções e sua pelo homem. construção de modelos. © 2006 eduardo romeiro filho 210 ufmg . Engenharia Simultânea. Neste caso. notadamente aquelas ligadas à comunicação e à integração entre diferentes equipes de projeto. a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça. desde um parafuso até um navio ou avaliação.ufmg.1. segundo a diretriz 2210 níveis relevantes de inovação. artefatos concebidos. ou Projeto Auxiliado por Computador). projeto em escala. INTRODUÇÃO mais complexo do que pode parecer em princípio. projetos de variações e pouco mais profunda das funções deste setor e das projetos normalizados e fixos. SP: UFSCar. Os projetos por evolução são aqueles nos apesar de pertinente.

ao alto custo representado seja compreensível para seu público. onde uma nova artista projeta suas obras utilizando-se de regras tecnologia rompe com as condições do mercado. responsáveis pelo traçado em elementos físicos na área da informática. competindo diretamente em nichos de Enunciado do problema. sem que haja O mesmo ocorre em relação os plotters. determinados nichos onde a qualidade de impressão por exemplo. seguindo as sugestões de Asimow.) que também enfrentam a mercado foi até o início da década de noventa concorrência da tecnologia de impressão a jato de basicamente dominada por impressoras do tipo tinta. sociais e econômicos da correio. objetivo deste trabalho discutir este foram suficientes para abalar definitivamente o assunto.) precisas y con la forma que Laser corresponda a la función (incluida la función O surgimento das impressoras de psicológica). Se as impressoras de tecnologia laser não entretanto. A tecnologia laser apresente um enfoque especial às características associada à impressão pode ser considerada como estéticas e visuais do produto. Pode-se dizer que. de concepção pessoal. abordado deve estar bem definido. no denominado mercado SOHO . com o objetivo de criar obras densas e Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil.) tecnologia laser não representou. entre (muitos) outros (Não é. no entanto. como personalizados (extratos bancários para envio pelo aspectos culturais.cit. projeto do produto agregadas a modelos precedentes. Metodologia de Projeto de Produtos. op.depto engenharia de produção . que torna-se economicamente viável nesta matricial. existentes. embora custos bastante elevados. sob inovação. pois necessidade de grandes tiragens de documentos depende de fatores por demais complexos. é o das impressoras. O componente físico © 2006 eduardo romeiro filho 211 ufmg . Fallon e Sidal. Este mercado foi. mas apenas chamar a atenção para sua mercado das matriciais. 350 dado que ha de utilizar toda clase 300 de materiais y toda clase de 250 técnicas sin prejuicios artísticos.Small Identificação dos aspectos e funções. O problema a ser mercado pertencentes às duas outras tecnologias. O termo “qualidade estética” pode representava um fator fundamental e onde havia a gerar uma interminável fonte de discussões. O (papel. acetato etc. psicológico. mas tecnologia laser. de porém atingindo diretamente as matriciais. 200 Em Milhares de Unidades 150 ha de disponer de un método que 100 le permita realizar su proyecto de Maticial 50 forma adecuada. principalmente. ameaçado MUNARI (1975) apresenta uma visão de pelo aparecimento das primeiras impressoras de metodologia aplicada à comunicação visual. possui os algumas das impressoras a laser) a preços cada vez seguintes pontos principais: mais baixos. que ofereciam significativo que possui uma natural similaridade com diversos aumento na qualidade de impressão. nas baseadas em jato de tinta alterado por uma definição equivocada da (para aplicações domésticas e de pequenos questão a ser atendida. viabilidade econômica e de materiais. Um exemplo deste tipo. população usuária. e qualidade (embora não atinja ainda os níveis de que. O que houve foi uma segmentação deste como meios tecnológicos disponíveis para mercado. sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. mas que pelas novas impressoras em relação àquelas já atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. las técnicas 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. será necessário um projeto que definitiva ameaça ao mercado das matriciais não somente possua “qualidades estéticas” e que devido. entretanto modificações radicais nos princípios equipamentos periféricos de sistemas CAD tecnológicos do produto. Restam às matriciais deve ser analisado a partir de dois aplicações bastante específicas. 2. como impressão de componentes principais: o físico e o notas fiscais. clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. com as impressoras laser ocupando fabricação. usuários. apesar de conceitos do design e das engenharias. por suplantada pelo impacto de projetos baseados em exemplo) ou pelo próprio designer. o uma forma de projeto por inovação. uma Neste caso. Vendas desde 1992 e estimativas para 1996. isso ocorre com o existência e sua inegável importância). O problema Office and House Office).” (MUNARI. com diferentes modelos cuja crescente área. Segundo o autor. entretanto. principalmente. seja no caso das impressoras a laser pena de todo o processo de concepção ser como. acordo com a análise das necessidades. “Pero el diseñador. atualmente. por exemplo). desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato O autor apresenta uma metodologia de tinta que oferece uma impressão de alta baseada nos esquemas de Archer. a série de seja esta análise realizada pela empresa projetos evolutivos das impressoras matriciais está (pelo departamento de marketing.

tecnologias de fabricação de produtos mais estão envolvidas no mais das vezes centenas de "simples" estão amplamente disseminados.1. apresenta seus produto a ser desenvolvido. levantamento equipes. entretanto. tendo em vista as características planta industrial). por outro lado. o que torna caso. No caso de um automóvel. tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção © 2006 eduardo romeiro filho 212 ufmg . A formação de uma pequena equipe de de informações. Em seu lugar surgem equipes uma “solução ótima” para o produto. Pode-se dizer que o nível de estreita relação profissional existente entre os sofisticação e detalhamento do processo diferentes membros. a confecção de modelos é Criatividade. entretanto. a criação de semelhanças com a maioria dos métodos para estruturas que permitam a interação de diferentes solução de problemas: necessidade. O Processo Projetual As questões apontadas sugerem. mais protótipos. projeto apresenta a inegável vantagem da determinação da solução e detalhamento. levando a metodologia definida. Elemento central do processo de uma etapa essencial. por outro lado. As formas circulação das informações de forma praticamente de aplicação destas metodologias. neste apresentam diferenças importantes. projeto do produto (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. limites tendo em vista a limitação prática da Naturalmente um produto abrangência tecnológica do produto. apresentando um especialidades. por exemplo. Acima. da informação que circula entre os diferentes grupos.depto engenharia de produção . especializadas no atenda as necessidades levantadas e dentro desenvolvimento de projetos em suas várias dos limites existentes. maquete de um caminhão concepção. (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou desde a concepção da carroceria até o mesmo por uma só pessoa. Projetos de tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. que apresenta estreitas especialidades ou. com muitas vezes possível seu inteiro domínio responsabilidades diversas sobre o produto final. que cada vez maiores. A crescente complexidade fixação de componentes. os processos de concepção e produto. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. por exemplo). a concentração de tarefas em pequenos idéia bastante simplificada de como funciona o grupos. 2. enquanto o psicológico (aspectos culturais. A realização de reuniões periódicas. em A partir deste exemplo pode-se ter uma princípio. diversos desenhos. Durabilidade prevista para o produto. concepção. produto com variável grau de inovação. ao fundo. Para o projeto de produtos. podem ser desenvolvidos exemplo) não necessitará do rigor metodológico de por pequenos grupos de projeto (ou mesmo produtos mais sofisticados (como um avião ou uma individualmente). principalmente. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. como no caso da dimensionamento de pequenos parafusos para produção artesanal. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. metodológico adotado obedece às características do Esta solução. sendo pessoas. basicamente relacionadas à sofisticação. até atingirem a forma do necessidade de um efetivo e adequado produto final. mesmo devido ao fato de que na específicas da tecnologia utilizada na fabricação do maioria dos casos. Da síntese criativa nascem os modelos. Se a criação de equipes ou centros de Modelos. traz em se bojo uma série de níveis crescentes de detalhamento e complicações. pois deve levar a uma síntese Scania. em diferentes empresas e países. geração de alternativa. por mobiliário. tendo em vista a cada uma delas apropriada a determinado tipo de proximidade física e a na maior parte das vezes problema (ou produto). das necessidades e dos elementos identificados. sem contudo atuar fora dos e apresenta soluções sem a utilização de uma limites previamente impostos. em atividade projetual. imediata. pesquisa torna-se um recurso inestimável à de tamanho natural ou em escala. com a construção de um ou gerenciamento de todo o pessoal envolvido e. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. exigências e características do mercado. Disponibilidade técnica. utilização de componentes já existentes. Limites para o projeto. é bastante facilitada. formados por elementos de diferentes processo projetual. Observam-se.

ou mesmo entre Canadá. estruturado e bem conduzido é uma peça-chave e contribuem para um bom resultado de conjunto para a conquista e manutenção de mercados. integração entre diferentes setores. projeto do produto 3. envolvendo tecnologias sofisticadas e processos Para a agilização do processo projetual “globalizados” de produção. de casos é flagrante. O destino destes produtos será Há um exemplo que ilustra bem o cada vez mais os mercados marginais. O final. plantas. NOVAS TECNOLOGIAS E O culturais”? Podem-se avaliar as dificuldades PRODUTO advindas da gestão de desenvolvimento de A complexidade verificada na maioria dos produtos. especificações. O mesmo ocorre com empresas como a projetos de design e engenharia atuais. Japão. de nada esquemas. O avião Boeing 777 como um todo. no caso de produtos que envolvam possui componentes fabricados em países tão grandes equipes e a necessidade de interação e diferentes como Austrália. Singapura e Irlanda. França. Coréia do Sul. embraer (veja quadro acima) acaba por impedir na prática que o trabalho seja O papel do design e da engenharia nestes inteiramente desenvolvido por um único grupo. uma grande quantidade de produtos assume importância crescente em um informação circula entre os participantes. seja interna problema do desenvolvimento de projetos ou externamente ao país produtor. situadas a tão grande conhecimento deve estar disponível em tempo hábil distância e de tão diferentes “procedimentos e destinada à pessoa certa. O empresas envolvidas. Diversas equipes cooperam entre si. Itália. várias empresas. portanto. para que o processo tenha andamento eficiente. Um processo projetual forma isolada. preço de compra. De nada adiantará uma © 2006 eduardo romeiro filho 213 ufmg . memoriais de cálculo. Brasil. Durante o desenvolvimento do processo de design e o desenvolvimento de novos empreendimento. desenhos técnicos de detalhamento e adiantarão produtos obsoletos.depto engenharia de produção . torna-se crucial um fluxo eficiente Como gerenciar equipes de projeto das diferentes de informações (ou de conhecimento). Com a globalização da produção. cenário de alta competitividade a nível mundial Relatórios técnicos. oitenta. cuja vantagem montagem exemplificam o conjunto de documentos competitiva seja sustentada somente pelo fator que compõem um projeto. como vem ocorrendo desde o início da década de memoriais descritivos.

Este artigo busca entanto obterem resultados expressivos. conjugados à partir de revisão bibliográfica sobre o assunto.1. se cada um correspondem às necessidades de outro. como o Brasil (FLEURY. todo o processo de modernização. embora sejam que possa ser facilmente atingido. As vantagens trazidas.depto engenharia de produção . seja esta individual. ao de cada equipe ou setor. 1991). em função de um melhor aproveitamento dos entretanto. a cada indivíduo influenciado e trazem sempre modificações de impacto sobre a cada setor a ser integrado. possuem um traço em comum: a ser informatizada. pior ainda. e intercâmbio de informações em tempo real. pode-se dizer que os efeitos informatização. em última análise. adequando-o às novas à adoção de sistemas informatizados. antigas formas de competência. a novos materiais. “O advento de sistemas notadamente aquelas ligadas à comunicação e à de produção mais flexíveis e de integração entre diferentes equipes de projeto. as melhores soluções isoladas nem sempre localizar as formas de conhecimento de seu são compatíveis entre si. de © 2006 eduardo romeiro filho 214 ufmg . desde compõe (satisfação no trabalho e qualidade de vida. É extremamente 3. não possuem garantias quanto à sua efetiva contribuição para a solução dos antigos problemas. emprego e rendimentos) deve sobre os usuários diretos (e indiretos) destes novos ser o objetivo de um política consistente de sistemas. Setores e observadas a partir de modificações implantadas no departamentos inteiros são modificados com vistas próprio processo projetual. bem como sugerir reestruturação em maior ou menor grau. VANDRAMETO. que possui especial descontínua e incerta. ou mesmo da empresa invés de fruto de um programa estruturado de como um todo. 1995. qualquer empresa. Neste caso. também alterações pertinentes. acarretando altos custos para microinformática pode auxiliar em muito a difusão eventuais “correções de rumo” no futuro. Estratégias de Informatização de ingênuo imaginar-se que. Este não é. mudanças relevantes nas como a mostrada acima relações de poder. acabando na maior parte dos importância em países chamados “de casos por tornar-se um imenso “quebra-cabeças industrialização recente”. em uma situação de crise Projeto todos se unirão e facilmente abrirão mão de Uma estratégia que atenda às diferentes privilégios pessoais ou formas de poder em função necessidades de forma a trazer uma solução do “bem comum”. competitividade a longo prazo e deve envolver e compreender os impactos das lucratividade) e para o conjunto de indivíduos que a novas tecnologias em seus diversos níveis. A experiência vem demonstrando que. coloca a capacidade de inovar como fator estratégico para sobrevivência das empresas. diante das evidentemente diferentes caso a caso e assim necessidades peculiares envolvidas em cada função devam ser tratados. entretanto. Aos graves problemas já existentes com adotadas por determinado setor nem sempre relação à educação no país vem unir-se mais um. projeto do produto difusão descontrolada de informações. As soluções tecnológicas mais adequadas a serem 1994). consistente a médio prazo para a empresa (presença Além disso.” (RODRIGUES et al. aceleração no ritmo de mudanças nos produtos e à internacionalização dos mercados. modernização. a empresa vez maior de empresas para a manutenção de seus que desenvolve o projeto poderá consultar seus mercados e. tecnológico” (CAULLIRAUX e VALLE. sem no ferramentas tecnológicas. reduzindo os A utilização de novas tecnologias de base ganhos ou. apresentar e discutir algumas destas ferramentas. um objetivo da informática sobre seus usuários. BARCELLOS. os equipamentos mais indicados são workstations. seus efeitos sobre a empresa até suas conseqüências em termos de saúde. o que acaba por truncar interesse. A estratégia adotada por um número cada mesmo a grandes distâncias. entre diferentes grupos ou pessoas. o processo de informatização nas Este cenário traz à tona o problema da empresas normalmente ocorre de forma formação profissional. em PCs. uma efetiva reestruturação no mercado. ou do “futuro da empresa”. 1994. 1994) Estas modificações. Neste caso. entretanto. somente poderão ser efetivamente recursos da tecnologia da informação.. ou melhor dos envolvidos não possuir meios de determinar e dizendo. servindo muitas vezes apenas como uma “fachada” para a manutenção da situação já existente. seja entre diferentes níveis hierárquicos como dentro de um mesmo nível. para a própria fornecedores a respeito das características sobrevivência tem sido baseada em processos de mecânicas de determinada peça. Naturalmente Embora muitos sistemas CAD possam ser utilizados em uma reestruturação profunda irá provocar.

Mesmo em países manutenção dos antigos) mercados estará na desenvolvidos as experiências de implantação de capacidade de cada empresa de descobrir e atender sistemas CAD e em indústrias de ponta na o mais breve possível às necessidades de seus aplicação desta tecnologia. no país e no exterior). departamentos e de informatização. como formar pessoal implantação de sistemas CAD (Computer Aided capacitado para operar sistemas que são trocados a Design. bem como as razões para o relativo crescimento na capacidade de comunicação e na fracasso na utilização do sistema não são objeto de conseqüente facilidade para troca de informações uma discussão séria nas empresas acerca da política entre indivíduos. imediato atendimento aos clientes) e capacidade de É bastante simples perceber que a partir da comunicação interna à empresa (para o rápido implantação de uma nova tecnologia. sem que se perca o conhecimento empresas no Brasil (além de diversos outros anterior? descritos pela literatura. Nosso trabalho básica à grande parte da população? Colocando a (ROMEIRO. Capacidade de comunicar-se com o mercado (para conforme demonstra ROBERTSON (1989). nem sempre apresentavam resultados satisfatórios. ao menos até o final dos anos 80. Para isso é fundamental a existência de automobilístico. o destino desenvolvimento de novos e adequados produtos) daqueles por ela influenciados está de certa forma são requisitos básicos ao sucesso de qualquer relacionado aos resultados obtidos por esta Entre as principais aplicações CAD estão aquelas voltadas para a indústria automobilística. ou Projeto Assistido por Computador) em cada dois anos. constituem-se até empresas diferentes (SCHEER. projeto do produto vital importância: como formar pessoas aptas a empreendimento. á direita). utilizarem-se de meios informatizados em seus Cabe indagar que razões levaram a uma processos de trabalho. como as mostradas nesta página. canais rápidos e seguros de comunicação. Os sistemas CAD podem representar desde peças da carroceria (como ao lado). O grande benefício da informatização para demonstrando que na maioria dos casos estes os próximos anos reside em um enorme resultados. a partir de uma perspctiva de aplicação de forças easpectos ergonômicos. 1993). equipes. mesmo diante de do fato de que é difícil levar princípios de educação resultados não muito animadores. ou mesmo simular a utilização pelos usuários. partindo-se investimentos em informática. até sistemas completos (como os pedais no alto. levando-se em consideração situação na qual são realizados vultosos a constante evolução destes sistemas. como as do ramo clientes. 1997) avalia processos de questão de uma forma prática.depto engenharia de produção . setores. como acirradores de disputas internas em torno das o diferencial para a conquista de novos (e novas tecnologias e seus rumos. Neste caso. Pelo contrário. © 2006 eduardo romeiro filho 215 ufmg .

organizacional) é levado a tornar-se um instrumento de ação política interna à empresa. antes e depois das modificações propostas. No 4. administração e acerca dos processos e tecnologias envolvidos. conforme já colocado. Processos estes vezes espalhadas em diversas unidades não somente de produção. mas principalmente com o crescente expressivas do corpo gerencial. de vendas. ESTADO DA TÉCNICA caso de sucesso do novo sistema. Pode também simular situações de montagem de componentes. ou workgroup. foi possível perceber que as disputas internas e terão aumentadas suas áreas de soluções apresentadas pelas empresas de influência e círculos de poder. que isso. para transmissão de nos vários níveis da empresa. como nas imagens ao lado. como sistemas de reestruturação da organização visando a adequada apoio ao trabalho em grupo. não só por parte de seus usuários ferramentas de apoio direto ao projeto. Para que decisão. Mais do dentro de conceitos CIM. software de apoio à de projeto. o CAD (ou de forma que se evite a manutenção de antigos qualquer outra forma inovação tecnológica e/ou problemas. ficam claras as razões pelas quais a teoricamente) de forma bastante extensa às várias implantação de novas tecnologias informatizadas necessidades apresentadas pelas diversas etapas do tende a trazer consigo problemas relacionados a processo projetual. é importante que esta reestruturação © 2006 eduardo romeiro filho 216 ufmg . Desta maneira. geograficamente afastadas.depto engenharia de produção . além dos vários sistemas de apoio estas modificações tragam os resultados esperados. trazendo alterações dados on-line entre grandes organizações. como no caso abaixo. além de um grande conhecimento um processo integrado de projeto. etc. processo de modernização tecnológica. como diretos. computadorizado às atividades da empresa. CAPP etc.. projeto do produto Os sitemas CAD mais complexos podem inclusive contribuir para simulação de sistemas de manufatura. Não somente em se tratando de resistências. desenvolvimento de soluções para auxílio a Para que haja um efetivo sucesso na atividades complementares. tecnologia. muitas relevantes nos processo envolvidos. Em um cenário informática podem atender (ao menos como este. administração. CAM. fabricação através de sistemas informatizados. mas também por parcelas muitas vezes sistemas CAD. utilização da tecnologia da informação. mais do que um simples ocorra igualmente nos diversos níveis envolvidos. que levam a perspectiva de planejamento. faz-se sistemas de gerenciamento de documentos (como necessário que ocorram modificações consistentes os sistemas EDI e EDMS). seus A partir do estudo do Estado da Técnica patrocinadores terão certamente vantagens em sobre o assunto. mas também de design. como faz-se necessário um detalhado e criterioso CAE.

em um sistema de correio eletrônico. como se capacidade do que aqueles destinados a. desocupando assim internacional). é possível atualmente aos soluções oferecidas no mercado brasileiro (e funcionários "treinar em casa". Segundo as perspectivas apresentadas. agenda de grupo. agregam-se funções como teleconferência. a por exemplo. CAD. programação de Sistemas. entretanto. século estaria da seguinte forma: Europa (40%). Vale lembrar que os usuários dialogam através do computador sistemas de apoio ao projeto em engenharia e podem fazer anotações sobre um mecânica normalmente requerem maior potencial e documento exibido na tela. em 1991. os inviável na prática. constatou uma expressiva migração para a Workflow: Ferramenta que permite a execução utilização de sistemas CAD baseados em PCs nas automática de determinados empresas visitadas. Além de mensagens. Uma equipamentos para o encontro. um bilhão relativo a enviar documentos de qualquer tipo. projeto do produto Destacando-se entre os citados acima. o mercado principais funções podem ser desta forma descritas: mundial de sistemas CAD envolvia. Esta evolução possui um significado Agenda de grupo: Além de administrar os fundamental para a aplicação de sistemas CAD compromissos pessoais de cada usuário. O autor observa uma tendência à podendo alimentar o banco de dados modificação do perfil de mercado de sistemas corporativo ou do grupo. Por exemplo. É também apresentado um computação colaborativa) apóiam-se. Gerenciador de formulários: Possui ferramentas Região do Pacífico (39%). muitas vezes. que arquivos. quase rápido panorama do mercado de sistemas CAD a sempre. Suas Segundo ZUTSHI (1993). via campeão em número absoluto de unidades correio eletrônico. três casos. Com base nos dados apresentados pelo que quando um pedido de mercadorias seja autor pode-se perceber também que. sistemas CAD com aplicação para engenharia Alguns possuem recursos que possibilitam. se Packard e Schlumberger. este vá direto para o estoque. ou programas já existentes. Segundo o específica. procedimentos padronizados. das informações. um aviso é enviado pela IBM (1º lugar). dos programas CAD. Dois ou mais computadores de grande porte. Destes. dado o constante lançamento de sistemas de apoio ao trabalho em grupo (também novos software e (principalmente) aplicativos de chamados de workgroup computing. workflow e compartilhamento de informações. mecânica. por estivessem diante da mesma folha de exemplo. A utilização de sistemas de menor busca automaticamente horários livres para porte significa uma cada vez maior popularização reuniões entre um grupo de pessoas. Este quadro. que imagens digitalizadas ou arquivos representam custos menos elevados e maior editáveis no padrão dos aplicativos. EUA (20%) e resto do gráficas que permitem desenhar e mundo (1%). permite o final do século). Nos facilidade para manutenção e. algo Correio Eletrônico (Eletronic Mail ou e-mail): É em torno de seis bilhões de dólares em todo o um item básico de qualquer ambiente mundo (com a perspectiva de dobrar este valor até workgroup. Em caso em quinto lugar em faturamento. a ordem segue para a Autodesk Inc. Esta tendência foi papel. conveniente. Hewlett- automaticamente ao vendedor e. empresa pesquisada colocou este como um fator decisivo para a migração de um sistema de médio Acerca dos sistemas CAD de forma porte para um baseado em PCs.1. com o progressivo crescimento da faixa Teleconferência: Permite reduzir a necessidade de ocupada por sistemas baseado em PC e deslocamento das pessoas para reuniões ou workstations. ele. Situação do Mercado e Principais de formulários eletrônicos. pela indústria. Computervision. Sobre nível mundial. detalhado deste mercado constitui-se como tarefa © 2006 eduardo romeiro filho 217 ufmg . (registrada também por pesquisa de campo). desenvolver a aplicação a ele relacionada. está sofrendo alterações importantes. em detrimento daqueles baseados em encontros de trabalho. ferramentas facilitam a pesquisa formação de pessoal. projetos de arquitetura. foram levantadas algumas das principais entrevistado. visto que um levantamento o sistema da empresa. à produção. devido à Banco de dados compartilhado: Pode armazenar observada migração para sistemas de menor porte documentos em um formato próprio. sendo suplantado contrário.) estava no início do s anos 90 apenas expedição e para o faturamento. apesar de feito. redirecionar as mensagens no divisão do mercado mundial de sistemas CAD para caso de ausência do destinatário principal aplicação em engenharia mecânica na virada do e/ou devolver respostas padronizadas. que agora podem ser Também pode reservar salas e utilizados inclusive residencialmente. Também permite transferir confirmada por posterior pesquisa de campo.depto engenharia de produção . gerenciamento de documentos e 4. Se a mercadoria estiver vendidas. o software AutoCAD (produzido pela disponível.

e. expostos mais e mais à clip. e produtos mais recentes criados operacionais UNIX.) está em workstations de tecnologia RISC - dos primeiros sistemas CAD. o que pode continuaram por longo tempo restritos aos limitar em muito a aplicação do sistema CAD (além computadores de maior capacidade.ou possua pessoal técnico capacitado em sistemas "popular" . power/cost relationship of Um outro fator importante. os de média complexidade (como as típicas da software CAD e CAM poderiam ser classificados indústria metal-mecânica.cit. trend toward integrating the end"). em uma forma mais ou menos velada e "New features are extensão da jornada. da equipe de suporte e da própria empresa. em se tratando de aplicações Desta forma. os systems are increasingly sistemas (em sua grande maioria constituídos de providing more of a technical sistemas turnkey) eram basicamente ligados a information management mainframes. topo de mercado. © 2006 eduardo romeiro filho 218 ufmg . por exemplo). por suas de acordo com o fabricante. Naquela época. até mesmo 1993) computadores pessoais. In fact. a formação é bastante mainframe-based CAD/CAM facilitada. numerical control and em termos de processamento. Haveriam os software “clássicos” produtores de software (ainda segundo GREGO. Auxiliada por Computador). de criar uma situação semelhante à observada com Esta divisão atualmente é bem mais sutil. que em geral apresenta características de computadores pessoais. não somente pela popularização dos systems are expected to disappear equipamentos. segundo GREGO (1995). apesar packages for the desktop that are da crescente sofisticação. computadores centrais das empresas. capazes de gerar aplicações em repository of geometry and equipamentos de menor porte. segundo o desktop computers has changed gerente de projetos de outra empresa pesquisada. The reason is that the atividade junto a terminais informatizados. Vale somente chamar a showing up in mechanical CAD atenção sobre os efeitos danosos desta política software at an ever increasing sobre a saúde dos usuários. usuárias destes one reason why CAD/CAM sistemas por excelência. acessíveis somente a database management. sistemas de pequeno porte. no plataformas para aplicativos de computação gráfica. repouso. Por outro lado existia o grupo de Por outro lado. into a grandes empresas. numerous functions associated Em seu princípio. está na maior facilidade para que sejam encontrados Workstations and PCs are the usuários de sistemas CAD. como workstations manufacturing data. baseados em mainframes e resultados da evolução op. This is automobilística e aeroespacial. desenvolvidos ainda Reduced Instruction Set Computer e sistemas na década de 60. There is a níveis dos sistemas de "topo do mercado" ("high. ela exige que a empresa software low-end (na extremidade baixa . rather than being a que na maior parte das vezes levava a complicações purely technical tool.depto engenharia de produção . Nos anos setenta surgem sistemas of a complete product definition CAD mais evoluídos. a implantação dos antigos sistemas turn-key). que formam uma combinação para as workstations (estações de trabalho). o que obriga e empresa maiores necessidades em termos de processamento. with CAD." (ZUTSHI. wiped out by simplicidade dos programas utilizados que. Os sistemas mainframe caíram em desuso como A outra alternativa é a convivência. os sistemas CAD eram.do mercado) desenvolvidos para UNIX. mas também pela maior in a few years. projeto do produto Não é objetivo deste trabalho tecer pessoal passou por uma brutal evolução tornando- comentários acerca das questões éticas envolvidas se muito mais poderosa. que considerada segura. confiável de ótimo formavam o grupo high-end. como as da indústria single seamless package. such as finite element devido a sua inerente complexidade e altos custos analysis. Além (Computer Aided Engineering. Atualmente. Com a utilização de platforms of choice. ou Engenharia disso. tornou-se em decisões desse tipo. de sistemas de diversas origens (e ao mesmo tempo que as workstations tiveram características). the market dynamics. usuária a manter-se fiel ao fornecedor. o que dificulta ainda mais a vida do acentuada queda em seus preços e a computação usuário. em versões mais ou menos database. a de acordo com a plataforma (sistema hardware) plataforma considerada ideal por grande parte dos que utilizassem. not just serving as a complexas. ainda não atingem os as good or better. no entanto. Os sistemas CAE complexidade exagerada para o usuário final. Desta forma. o UNIX é encontrado em diferentes versões. que acabam por estender o muito menor a diferença (sendo esta muitas vezes período de trabalho já realizado na empresa por bastante tênue) entre as duas classes de sistemas algumas horas teoricamente reservadas ao hardware. mesmo ambiente. ou de produtos de desempenho. do tipo IBM PC. CAD de utilização e partilhamento dos recursos packages are assuming the role informatizados. a partir do início dos anos oitenta. o solution.

Embora vendidos em menor número de constante necessidade de extenso e delicado cópias e a um número bastante restrito de clientes. mecânica que talvez seja o único sistema CAD sistemas de modelamento geométrico. sistemas técnicos da organização etc. por grandes Cadam é uma evolução de um sistema de grande empresas. "lido" por outro. metal-mecânica com maior grau de com ele e mais extensa bibliografia a seu respeito. utilizados em problemas adicionais e bastante sérios aos objetivos diversas especialidades. O Unicad possui como principal dos programas mais antigos. que o tornam mais ou menos atraente para O mercado de software CAD divide-se. seja através Euclid. esse produto e seu complexos.). esta situação acaba por trazer Microstation são software genéricos. além da maior parte dos investimentos em CAD. a grosso modo. desta forma. entre gerenciamento de documentos. criados originalmente vantagem a parametrização. O AutoCAD e o parametrização. aquelas de pequeno e médio portes. Neste grupo estão aqueles que prestam. Também neste grupo estão o Matra técnicos de apoio à atividade projetual. projeto do produto Além disso. o Cimatron. que exemplo. tem como pontos Criado pela fábrica de aviões Lockheed fortes uma boa integração com bancos de dados e nos anos sessenta. engenharia © 2006 eduardo romeiro filho 219 ufmg . e. desenvolvido no Brasil).2. restringir suas aplicações a grandes empresas de tecnologia de ponta e disponibilidade financeira 4. o que consideradas clássicas: indústrias automobilísticas. o que acaba por ou CAM. Possuem Entretanto. o Cadam. acaba por especial nos países mais desenvolvidos. adotado pela fábrica de automóveis francesa da contribuição direta (sistemas CAD e tecnologias Renault. AutoCAD que podem ser agregados a partir das diferentes (Autodesk). Sistemas Low-End. significa que há mais profissionais familiarizados aeroespacial. ou que a conversão de dados seja e podem fornecer informações para sistemas CAE feita de foram "truncada". denominado low-end (produtos na faixa mais baixa Um dos software mais sofisticados do do mercado) é formado por programas criados mercado. O primeiro.). que poderia ser destes sistemas. CONSIDERAÇÕES tendo ambos uma presença expressiva na indústria A partir da avaliação dos dispositivos automobilística. ainda não são cálculo de resistência de materiais. em necessidade de aplicativos específicos. para os investimentos necessários à utilização O segundo grupo. CadKey. seguramente. IBM Micro Cadam e o necessidades (e capacidade de investimento) da Unicad (software destinada à indústria metal. que muitas vezes não possuem interface técnica ao contrário. conta (segundo FREITAS. porte. Todos são sistemas CAD desenvolvidos em determinado sistema não seja capazes de operar em micro-computadores tipo PC. pode-se Estes software possuem normalmente dizer que. Muitas vezes aparecerá automaticamente nos desenhos estes software são versões desenvolvidas a partir bidimensionais. prototipagem rápida. possui grandes recursos de tridimensionalidade. próprias. de integração dos outros. enquanto o Micro para utilização em mainframes. inviabilizar na prática o trabalho conjunto. o indiretas (sistemas de trabalho em grupo. O MicroStation. o Delcam Duct. que concentra os programas mais sofisticados. como os (número este que cresce a medida de 20 por ano) software Microstation (da Bentley).3. o Catia. O AutoCAD é. entre outros. por sua vez. 5. de origem israelense. como CAE. ou Uma modificação realizada no modelo 3D high-end ("de topo") do mercado. como aplicações em indústrias de injeção de plástico. em dois grupos básicos. o CATIA/CADAM Solutions V4. Micro Cadam e Unicad. como ferramentaria. o Cadam pode ser considerado recursos nativos de visualização tridimensional. 1997) com possuem normalmente recursos menos sofisticados aproximadamente uma centena de módulos e apresentam um custo mais baixo. CAM. sofisticação etc.depto engenharia de produção . de Intergraph EMS e o Parametric Pro/Engineer. é tecnologicamente pacotes com dezenas de módulos que atendem a possível a realização da integração nas diversas funções mais ou menos específicas de CAD. e que incluem. CAM fases do projeto através de sistemas informatizados. também CAE. empresa cliente. O CadKey. em alguns casos. responsáveis pela sistemas informatizados disponíveis. Os altos custos e a funções etc. o que faz com que projetos à área de mecânica. Cada um dos software CAD para PC existentes no mercado possui características 4. entretanto. como mecânica. são desenvolvidos pela Dassault francesa e comercializados pela IBM. por originalmente para o ambiente IBM PC. eletrônica de integração entre as várias versões de sistemas. irmão mais novo. por exemplo. soluções definitivas e também módulos bastante específicos para adequadas a amplos grupos de empresas. Sistemas CAD High-End. e arquitetura. planejamento para implantação e utilização dos estes sistemas são. simulação de disponíveis no mercado. são específicos para aplicações ligadas adequada. Hoje. o se às aplicações CAD que poderiam ser mais difundido software CAD do mercado. O CadKey. como o "modelo" para todos os sistemas muito úteis na visualização de produtos mais CAE/CAD/CAM atuais. líder na área de CIM. CAPP etc. cada aplicação específica.

Brasileiro de Automação Industrial. Cambridge: 1. não por deixar de In: Revista Teoria & Debate. nº 108 (Mar). 3ª edição. M.A. 1993. A. 4 a situação de faturamento dos fornecedores de (mar/mai). Estratégias Qualitymark Editora. (CD ROM) São Paulo: SOBRACON . Controle Numérico e VANDRAMETO. R. H. o equipamento em si. SCHEER. 1994.P. permanece a questão dos Pp. RODRIGUES. 7pp. 1997. Maurício. 1991. Coréia e Brasil. S. Rubens Eduardo Braga.F. e VALLE.P. David. nº 40. após dois ou três anos de uso. e GARCIA. "Uma R. CIM: Evoluindo para a Fábrica do Futuro. 1994. BACK. São Paulo: Comercial e Editora sistemas CAD. 1975. 1997 CAD na Indústria: Industrial. didáctica. August-Wilhelm. quatro setores industriais)”.. MARCOVITCH.org. pode ser LEITE José Corrêa.. p. Desta forma.Lab. Congresso Brasileiro de Automação ROMEIRO Filho. e seus altos custos podem explicar CADware Technology Ano 2. Além disso. "Formação de Produção Automatizada. 616 . Paulo César de Araújo. Produtos Industriais.L. “Milton Santos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IMVP International Policy Forum. I. Rio de Janeiro: Editora “Condições para Inovação Uum estudo em Guanabara Dois S. 1994. Oduvaldo. MIT. In: Anais do Segundo Congresso (xerox).. onde a IBM (fornecedora do X5 Ltda CATIA/CADAM) possui o primeiro lugar. 1995. Ano 10. São atender às necessidades da empresa. n. Brasileira de Comando Numérico.br/td/td40/td40. São sistema. projeto do produto “reversa” e ferramentas workgroup. in Informática Exame. E.60. Rio de SOBRACON . 1995. ROBERTSON. "Novas Armas Para a do número evidente baixo de empresas usuárias do Engenharia". e VASCONCELOS. Rio de Janeiro: LCNPA . 28) 1993. ZUTSHI. não foram considerados aqui investimentos em formação de MUNARI. J. in: SBRAGIA. proposta educacional básica para a efetiva E. São Paulo: Editora Atlas S.Sociedade Brasileira de Janeiro: Editora da UFRJ. recursos humanos para automação Programa de Engenharia de Produção industrial". mas por estar Paulo: fev/mar/abr 1999 definitivamente suplantado pela novas tecnologias http://www. Nelson. Incrementais de Automação.depto engenharia de produção . Entrevista”. Automação Industrial e Computação Gráfica.Sociedade FLEURY. Diseño e Cominicación Visual: Contribución a una metodología usuários e reestruturação do processo projetual visando melhor aproveitamento desta tecnologia. p 76-77 © 2006 eduardo romeiro filho 220 ufmg . "What's hot and what's not". altos custos referentes a aquisição de um sistema que.. I. CAULLIRAUX. B. Rio de Janeiro. Este software FREITAS. COPPE/UFRJ . Paulo: Editora Abril. As Experiências de Japão. In: Machine Design v 65 n 10 (May.627. 54 . 1993. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli que podem significar valores ainda maiores do que S. “high-end” é característico de empresas CATIA/CADAM Solutions V4. CAMARGOS.A. 1989 CAD Systems in the Design Engineering Process. e FLEURY. Metodologia de Projeto de OLIVEIRA. 1983. São Paulo: automação flexível" In: Anais do Segundo USP/NPGCT/FIA/PACTo.. Aprendizagem e Inovação Organizacional: Automação Industrial e Computação Gráfica.M. considerado como obsoleto. P. 361 p.F.htm surgida no mercado. (CD ROM) São Paulo: Implantação e Gerenciamento. Comando Numérico. In: automobilísticas.A.C.fpabramo. apesar GREGO. Anais do XVIII Simpósio de Gestão da capacitação de recursos humanos para a Inovação Tecnológica. BARCELLOS. Aroop.T.

36 Alexander Thorsten Nitsche. Dentro do atual contexto de globalização e aumento da concorrência. Curitiba. which try to guarantee the competitive differentials of their products in all stages of life cycle. Hte – Minas Gerais. Dr. by the result of a research. uma vez que quanto mais planejado e metódico for este desenvolvimento. Introdução.br Eduardo Romeiro Filho. Assim o desenvolvimento de produtos toma papel de destaque neste processo. Hte – Minas Gerais. which has as main focus the efficient communication between different departments and even between several companies. Antônio Carlos. Seu uso é hoje amplamente difundido a partir de experiências em grandes empresas do setor automobilístico e aeronáutico.ufmg. quando a demanda encontra-se em processo de saturação em grande parte dos mercados. In the products development administration one of the main philosophies is the concurrent engineering. 6627 – Pampulha – B. that this administration process still needs ripeness. as empresas buscam cada vez mais garantir diferenciais competitivos em todas as etapas do ciclo de vida de seus produtos. A competitividade pode ser definida (FERRAZ et al. This work discusses the utilization of the CAD/CAE/CAM tools as facilitators of the process of simultaneous engineering. projeto do produto Aplicação de Tecnologias CAD/ CAE/ CAM em Desenvolvimento de Produtos .com. 1. Antônio Carlos. Departamento de Engenharia de Produção – DEP. 31 3499 4892 – romeiro@dep. Uma das filosofias mais difundidas para que este objetivo seja alcançado é a Engenharia Simultânea. 6627 – Pampulha – B. mesmo nestes 36 Artigo originalmente apresentado no XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. developed in an auto parts vendor company .depto engenharia de produção .br Abstract More and more the competitiveness has turned the products development administration a constant preoccupation for companies of all kinds. It can be observed. Uma apropriada gestão do desenvolvimento do produto torna-se assim indispensável para aquelas empresas que querem manter sua posição ou conquistar novos nichos no mercado. © 2006 eduardo romeiro filho 221 ufmg . This communication has its efficiency maximized when they use CAE/CAD/CAM tools that allow several computational analyses besides the creation of three-dimensional visualizations that facilitates the communication between the professionals of different areas.ufmg. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. nitsche@dep. maiores as chances de se alcançarem os diferenciais competitivos esperados. porém os métodos de sua aplicação ainda necessitam de maturação. de forma duradoura. Tel. mostly in the small size companies. product development.br. que lhe permitam ampliar ou conservar. however. Av. CAD/CAE/CAM. nitsche@ig. uma posição sustentável no mercado. Key words: Concurrent engineering. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.: ABEPRO outubro de 2002. 1995) como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais. Av. Prof. também denominada Concorrente ou Paralela. Mestrando Departamento de Engenharia de Produção – DEP.

Estes garantem. meio ambiente (poluição na fabricação.1. Nos últimos anos a crescente concorrência. A ES permite agilizar e “enxugar” o desenvolvimento do produto. no uso e no descarte).depto engenharia de produção . etc). entre outras levou à necessidade da incorporação de novas características ao produto. e mesmo entre empresas diferentes. foi adaptado de Romeiro (1997) e consiste na investigação dos efeitos da utilização de novas tecnologias em ambientes de projeto. Engenharia do Valor etc. DFMA. aliada à crescente preocupação das autoridades e dos consumidores com questões de caráter ambiental. redução do número de falhas do produto. além de reduzir o tempo total de desenvolvimento. Conforme observado por Maffin et al (2001). O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos em tempo hábil e. No caso específico deste © 2006 eduardo romeiro filho 222 ufmg . 2. 1998.1. A mudança no paradigma no processo de projeto é demonstrada na Figura 1. CAE e CAM respectivamente). Engenharia e Manufatura Auxiliados por Computador (CAD. a relação entre as diversas equipes envolvidas e entre o setor de projetos e demais setores da empresa. QFD. interação com o usuário e facilidade de uso (questões ergonômicas). a equipe de projeto. ou mesmo exigem. principalmente. dos principais aspectos relacionados à sua implantação e utilização nos níveis macro. Sua utilização é importante também. Para que o processo de ES seja mais eficiente. devido a recursos como a possibilidade de visualização em escala e simulação tridimensional que oferecem. prática que tem se disseminado por diversas indústrias nesta década (Amaral et al. projeto do produto setores. Desta forma é necessário que se utilizem Sistemas de Projeto. meso e micro e das formas de integração propiciadas pela adoção de sistemas CAD. reutilização. o que faz com que se tenha um aumento significativo no tempo da análise do produto pelos projetistas de diversas áreas. detalhado na Tabela 2. Serão objetos de análise deste estudo as conseqüências destes sistemas sobre o usuário (indivíduo). 1999). 2000). FMEA. Sua aplicação. mas especialmente nas pequenas e médias empresas. O adequado gerenciamento deste fluxo de informações torna-se crucial para a ES (ROMEIRO. Em função disto ampliou em muito o número de ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de produtos.1. Metodologia. O uso da ES implica em se fazer uma combinação de métodos e ferramentas que promovam todos os tipos necessários de fluxos de informações ao longo do ciclo de vida do produto (Schneider et al. entre outras. porém as empresas ainda não as dominam ou mesmo desconhecem algumas delas. sua melhor definição e redução no “lead time” de fabricação (GAO et al. assim como a utilização de ferramentas como o Design for “X”. 2000). O produto adequado às demandas atuais deve incorporar características que observam pontos relevantes com relação à facilidade de montagem. diversas técnicas são necessárias para alcançar uma condição de “best-practice” na Engenharia Simultânea – ES. estético-formal. O método proposto para este trabalho. Evolução do processo de design de 1970 a 1990. ergonômico. 2000). em especial naquelas relacionadas à elaboração do conceito do produto. resulta no aumento nos níveis de qualidade do produto obtidos. Figura 1. Esta troca eficiente de informações é ainda mais exigida onde há a participação sistemática dos fornecedores no processo de desenvolvimento de produto. Fonte: Bossak. reciclagem (descarte. que se utilize uma padronização no projeto possibilitando assim uma comunicação mais eficiente entre as diversas áreas. apesar de sua implantação levar a um aumento no tempo destinado às etapas iniciais deste processo. no lugar certo.

entrevistas abertas semi- estruturadas junto a elementos do corpo gerencial.Hard/software locais.2 Aspectos Meso: Equipes de Trabalho. 2.1 . como processos de reestruturação empresarial. . a pesquisa se concentrada em aspectos predominantemente organizacionais da implementação de sistemas informatizados e de seu gerenciamento. e Mercado .Melhoria da qualidade do produto.Visão estratégica da empresa com relação à integração entre projeto e produção através de aplicações CAE. .Telecomunicações.Integração entre empresas (vistas como . Os principais tópicos abordados: .Reestruturação do processo produtivo. através de entrevistas pessoais.Software. . Deve ser levantado o papel do sistema em um proposto plano estratégico de informatização da empresa em longo prazo.Competências. Podem ser entrevistados diferentes atores envolvidos neste fluxo. tensão emocional.Integração entre equipes. etc. . Equipes e . . .Otimização do empreendimento. Neste nível. Indivíduo . . O levantamento dos aspectos macro ligados ao sistema tem por objetivo a elaboração e compreensão do pano de fundo onde ocorrerão as principais modificações nas formas e nas relações de trabalho a partir da utilização de diferentes sistemas informatizados.Integração entre empresas.Segurança de sistemas. projeto do produto artigo.Manutenção do sistema etc.Viabilização de aplicativos.Ansiedade.Interface entre sistemas. . grupos humanos).Novos paradigmas gerenciais. Tabela 2. as investigações estarão concentradas nas formas de integração intra empresa. . Setores de . . Micro .Sistemas de comunicação. .Postura. bem como as relações previstas entre os diversos sistemas informatizados na empresa.Novos atores dos processos.Aspectos ergonômicos clássicos. Os dados nesta fase são coletados a partir de acesso a documentos não sigilosos relacionados aos sistemas nas empresas pesquisadas. . São também avaliados os efeitos das condições sócio- econômicas do país sobre a empresa e as influências geradas por programas de reestruturação organizacional nas empresas. para avaliação dos níveis de eficiência no intercâmbio e fluxo de informações através da empresa. sendo avaliados primordialmente os aspectos “meso” desta integração.Formas de comunicação entre usuários e/ou equipes. . -Aspectos culturais dos grupos envolvidos etc.Relações de poder. . mobiliário. . bem como do ponto de vista da administração a respeito dos conceitos ligados às tecnologias CIM (Computer Integrated Manufacturing). . . 2. CAD.Condições de trabalho. como forma de modernização da empresa como um todo a partir do desenvolvimento integrado de novos produtos e novos meios de produção. Meso .O papel do sistema como fator de integração para a empresa. . Níveis de Visão Predominantemente Técnica Visão Centrada no Usuário Abordagem Macro . Trabalho . bem como da gestão de projetos a partir de sua utilização.Compatibilidade. . etc. © 2006 eduardo romeiro filho 223 ufmg . . bem como a importância atribuída a cada um nesta estratégia.Aspectos Levantados pela Pesquisa.Compatibilidade.Políticas estratégicas em informática. .Integração individual etc.Redes locais.1 Aspectos Macro e Macro Ampliado: Empresa e Mercado.Cultura técnica da organização. .Planejamento estratégico da empresa.Interface entre Software. Empresa . Nesta fase serão analisados: .Funcionamento técnico. CAM. através da intensiva e adequada utilização de recursos informatizados. Segundo Diferentes Níveis de Abordagem.Downsizing. .depto engenharia de produção . Serão apreciados desta forma os efeitos dos sistemas informatizados nos processos de comunicação intra e entre equipes de projeto. etc.Organização do trabalho.Efeitos sociais da informatização . bem como levantados os procedimentos utilizados para comunicação. . dentro de uma visão estratégica de informatização de todo o processo produtivo.

Efeitos dos Sistemas Informatizados sobre o ciclo de vida do produto. evitando assim problemas de conversão. bem como entre o setor de projeto e demais setores da empresa. repuxar.depto engenharia de produção .Avaliação do posto de trabalho. com especial atenção para aspectos antropométricos do mobiliário. como elemento de ligação entre equipes e integração das diversas etapas do ciclo de produção. em especial do trabalho em equipe e dos procedimentos adotados para inserção do sistema no grupo de desenvolvimento de projetos. furar. uma vez que estes são em sua maioria terceirizados. Autoform. dentro dos conceitos adotados pela ergonomia. onde foram apresentados os departamentos de projeto e o de construção de ferramentas. . cortar blank. e dos programas de formação adotados para os diversos usuários de sistemas informatizados. foi feita em uma empresa fornecedora de componentes para a indústria automobilística. teto. Na verificação dos projetos de ferramentais que a empresa recebe. CADDS 5. © 2006 eduardo romeiro filho 224 ufmg . abordando os seguintes tópicos: . 2. onde as estações realizam os projetos remotamente. arquivos digitais.Interface usuário x sistema. Este departamento é divido em plataformas de trabalho. suspensão. Ex. 3. Catia V5. além de gerenciar o ciclo de vida do produto (Schutzer et al. Esta análise é realizada a fim de levantar de que forma pode ser agilizado o processo de trabalho. Na primeira etapa foi realizada uma visita técnica às instalações da empresa. 4. E na segunda foram realizadas entrevistas com um Analista de Suporte Pleno (Plataforma de PDM). formar. calibrar. etc. A área de back-up destinada a projetos finalizados.“Usabilidade” do software.3 Aspectos Micro: Indivíduo e Estação de Trabalho. notadamente em casos onde coexistam sistemas distintos. Através de entrevistas e análise de documentação das empresas. através da observação das interfaces dos diferentes programas em uso nas empresas pesquisadas. será avaliada a influência dos sistemas sobre os procedimentos de desenvolvimento de produto e produção. . . como iluminação e temperatura. Em alguns casos o projeto e detalhamento das ferramentas são realizados por este setor. 1999).Organização do trabalho. Praticamente todos os programas utilizados em montadoras de automóveis. estarão desta forma centrados na estação de trabalho. E a segunda através de entrevistas realizadas “in loco” na empresa. 2. e de que formas a organização do trabalho interfere nos processos de comunicação. Neste nível a análise da tarefa e dos processos de trabalho em sistemas informatizados em seus aspectos micro.Formas de comunicação. conjuntos montado. Pro-engineer e Patram.Organização e fluxograma de trabalho. 3. que consiste no recebimento de um projeto direto da montadora e a partir daí a empresa sugere e implementa modificações em função da sua experiência. Levantamento dos procedimentos adotados para comunicação intra e entre equipes de projetos. capô. O processo de design de novos produtos. registros de banco de dados. . O trabalho realizado pelas plataformas de projeto consiste basicamente em quatro etapas: 1. projeto do produto . realizada em duas etapas. bem como para avaliação das deficiências desta interface. como pelo gerenciamento dos dados do setor. É avaliada a relação entre as formas de comunicação prescritas e a comunicação real. bem como para fatores ambientais que interferem na execução da tarefa. A de trabalho. Catia V4. Áreas estas intimamente ligadas através do uso de ferramentas de CAE/CAD. Também é discutido o nível de adequação da estrutura existente à nova realidade trazida pelas aplicações informatizadas. . são avaliados os recursos de comunicação entre usuários diretos de sistemas e entre estes e demais usuários (indiretos). A plataforma de gerenciamento de dados realiza o controle dos dados trabalhados através do servidor que é dividido em três áreas: 1. conjunto estampado e acessórios e uma plataforma suporte que é responsável pela manutenção tanto de hardware e software. para compreensão e visualização dos efeitos dos sistemas sobre a empresa de uma forma bastante ampla. PDM – product data management. Os sistemas de PDM são ferramentas responsáveis pelo gerenciamento de toda a informação relacionada com produtos da empresa. dentro da linha de produtos da empresa estão itens como: portas. O processo de co-design. A Pesquisa: A pesquisa piloto. um Gestor de Desenvolvimento de Produto (Plataforma tanque) e um Projetista (Pré-CAM) O departamento de projetos possui atualmente 30 estações gráficas rodando os seguintes softwares de CAD/CAE. Unigraphics. carroceria. Neste caso (nível micro). bem como na interação entre os diversos atores envolvidos. entre outros. A de transferência onde os arquivos são disponibilizados para compartilhamento. onde cada uma é responsável por uma área de projeto específica: tanque. Na geração do plano de métodos que tem por objetivo definir as operações necessárias para se chegar ao produto final. bem como na metodologia de desenvolvimento projetual e processos de fabricação. 2. 3. I-deas.

1 Esquema do gerenciamento de dados pela plataforma de PDM. não tem como realizar projetos de © 2006 eduardo romeiro filho 225 ufmg . A função do departamento de Pré-CAM consiste na análise da peça e da inserção desta na ferramenta. Primeiramente a peça é enviada pela montadora em um desenho tridimensional na posição do veículo. O sistema descrito esta representado na Figura 3.depto engenharia de produção . Estas são independentes entre si devido ao maior rendimento apresentado nesta configuração. renderizar e verificar o modelo. desde a geração do produto até a fabricação do ferramental. É interessante observar que praticamente não são utilizados desenhos em duas dimensões. A peça é então balanceada na ferramenta. É feita então a análise do plano de métodos e gerado o perfil da ferramenta. através de acesso restrito. o eixo de referência XYZ na posição do carro é rotacionado para o eixo XYZ na posição da ferramenta. a descentralização trouxe uma maior autonomia aos projetistas que podem gerenciar seu próprio trabalho em sua plataforma. FIAT – CATIA. Pode-se perceber num primeiro momento que o processo de desenvolvimento de produtos na empresa encontra-se muito bem estruturado. carregar o modelo tridimensional recebido do Pré-CAM. O sistema dividido por plataformas utilizado pelo setor de desenvolvimento de produtos foi implementado a cerca de dois anos por exigência da diretoria. FORD – I- deas. Este sistema. O departamento de CAM é dividido em dois outros departamentos. tolerâncias. como normas técnicas. Onde o servidor é dividido em três áreas para facilitar o processo de transferência de arquivos e possibilitar. enviar o programa gerado via rede para as máquinas que vão realizar o serviço e preparar a documentação necessária para o processo de usinagem. a empresa optou por usar todos os softwares que as montadoras usam como padrão. Discussões e conclusão. Através do desenho recebido tem-se toda a informação a cerca do produto. no departamento de projeto. enquanto os arquivos na área de transferência podem ser acessados por todos. Diferente do sistema antigo onde um único setor de CAD concentrava o design e a manutenção. sendo oito de CAD e quatro de CAM. essa nova configuração. entre outras. o operador do equipamento. Através deste são realizadas as seguintes tarefas. etc. fazer a programação do processo de trabalho e a simulação da mesma para evitar possíveis falhas. porém não são passíveis de alteração e a área de back-up cujos dados só são acessados pela equipe da plataforma de PDM. Como desvantagem. um dos problemas mais comumente encontrados no relacionamento cliente-fornecedor. o de Pré-CAM e o de CAM. Junto com o programa recebido em rede. Através da utilização de ferramentas de CAD/CAE/CAM todo o processo de fabricação é integrado. ex. com exceção da área de fabricação dos ferramentais onde estes são mais utilizados. gerando conflitos devido à ordem de desenvolvimento e priorização. GM – Unigraphics. ou seja. O back-up nestes departamentos é interno a cada um deles e são disponibilizados na rede através de acesso restrito para edição.1. recebe um cronograma onde consta a documentação gerada com as descrições gerais do processo. projeto do produto Os arquivos na área de trabalho estão disponíveis somente para a plataforma especifica daquele projeto. O total de estações de trabalho de ambos é de doze. Figura 3. é gerenciado pela plataforma de PDM. Todas estas etapas têm seu desenvolvimento em rede. o andamento do processo sem o risco de alterações inadequadas. 4. Este programa apresenta o número de cada operação (OF’s) que direciona e prioriza a manufatura. Para evitar a necessidade de conversão. O departamento de CAM utiliza o software CAMPEADOR.

testar esta modificação e se for necessário propor uma nova.. associado ao uso de ferramentas de CAD/CAE/CAM torna possível o desenvolvimento de produtos simultaneamente entre clientes e fornecedores de uma maneira muito eficiente. Niterói – RJ. permite que produtos anteriormente desenvolvidos de 5 a 8 anos em média. A empresa Aethra Componentes Automotivos pela colaboração e apoio a pesquisa e pelo envolvimento de seus profissionais na realização deste artigo. PLONSKI. Vol. Engenharia de Produção. Desde o processo de design e de co-design até o projeto dos ferramentais. 2000 MAFFIN. H.C. KYRATSIS. L. D. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ.. Rio de Janeiro. Esta dificuldade causa o cruzamento de serviços entre as plataformas durante o desenvolvimento dos projetos. M. p. 1997 ROMEIRO.. Colaboração Cliente-Fornecedor e Qualidade no Processo de Desenvolvimento de Produto. BOSSAK.. G.. BRAIDEN. A filosofia da ES está presente em todas as etapas do desenvolvimento do produto. HAGUENAUER. 201-208. p. Made in Brazil: desafios competitivos para o Brasil. In: Primeiro Congresso de Gestão de Desenvolvimento de Produto. 8-11. 76. P. J. Em um caso citado um veículo que foi reestilizado a cerca de dois anos estará novamente passando por este processo em um período de tempo considerado curto para o desenvolvimento de um produto complexo como um automóvel. Implantação do “Digital Mock-up” na indústria automobilística: conquistando vantagens competitivas. 1995 (Capítulo 1). 5. Agosto de 1999. A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea.. Vol. Implementation of Concurrent Engineering in the suppliers to the automotive industry. 302pp. Em função disto o ciclo de vida dos produtos se torna muito mais ágil do que os observados nas décadas de 80 e até mesmo na de 90. 2001 ROMEIRO. Belo Horizonte. SCHUTZER. Anais 1998. em um exemplo citado. A Integração da Empresa Através da Utilização de Sistemas Informatizados de Apoio ao Projeto.. M. Belo Horizonte – MG. só pôde ser realizada devido à utilização de ferramentas de CAD/CAE. Possibilitando a integração de todo os sistemas produtivos das empresas. FERRAZ. Agradecimentos.. Agosto de 2000. E. D.. L. Manufacturing and Supplier Roles in Product Development. I Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto.M.X.. 205-213. J. projeto do produto todas as montadoras. Pode-se observar que esta simultaneidade. Um Modelo para o Avaliação do Métodos e Ferramentas da Engenharia Simultânea. SOUZA N. J. p. E. a empresa desenvolveu a ferramenta simultaneamente ao desenvolvimento do produto pela montadora. F. 1998. Simulation Based Design.. © 2006 eduardo romeiro filho 226 ufmg . 69. F.depto engenharia de produção . AMARAL. A filosofia da engenharia simultânea. chegando a receber em um mesmo dia até três modificações no projeto do produto. Journal of Materials Processing Technology. KUPFER. Journal of Materials Processing Technology. 6. Campus.. 18. uma vez que as plataformas não usam todos os softwares disponíveis. C. B. onde é possível visualizar de forma rápida a modificação proposta. TOLEDO. In: Segundo Congresso Brasileiro de Gestão do Desenvolvimento de Produto. In: ENEGEP 98 – Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Bibliografia. tenham o seu ciclo de desenvolvimento reduzido a cerca de 2 anos. A. International Journal of Production Economics.. Minas Gerais. K. SCHNEIDER. Tese de Doutorado. GAO..C. São Carlos – SP. P.A. Na fabricação do ferramental. Vol. MANSON. D. 107. Agosto de 1999.

independentemente da estrutura organizacional da empresa. em princípio. This paper want to demonstrate the CAD (Computer Aided Design) systems can be employed for the Concurrent Engineering implementation. incluindo produção e suporte. Este artigo tem por objetivo demonstrar como as diversas ferramentas CAD (Computer Aided Design) podem ser utilizadas na implantação deste processo. Esta abordagem procura considerar." Por "time de projeto multidisciplinar e dinâmico" deve-se entender: um determinado conjunto de pessoas com conhecimentos em várias áreas concernentes ao projeto em desenvolvimento. 37 Abstract: The Concurrent Engineering is a new model of management for projects. como: "Uma metodologia para desenvolvimento de projetos que propõe a realização de muitos processos pertencentes ao ciclo de vida do produto de forma simultânea (paralela). Introdução. outubro de 1999. Resumo: A Engenharia Simultânea consiste em um modelo de gerenciamento de projetos que ao mesmo tempo que permite maior difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das equipes envolvidas. 1. exige maior rigor projetual. projeto do produto Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para I mplantação da Engenharia Simultânea . A Engenharia Simultânea (também denominada concorrente ou paralela) pode ser considerada. segundo COSTA (1994).depto engenharia de produção . que é alocado para vários projetos ao mesmo tempo. “Engenharia concorrente é um método sistematizado para o projeto concorrente e integrado de produtos com seus processos. realizado em Belo Horizonte. todos os 37 Artigo originalmente apresentado 1º Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. usando um time de projeto multidisciplinar e dinâmico e ferramentas automatizadas para a realização dos processos componentes. when the information diffusion between the design's teams and a major enveloping by the designers and engineers are crucial for the project success. © 2006 eduardo romeiro filho 227 ufmg .

também CAD. 39 Há autores que consideram os sistemas CAD como uma forma de auxílio às etapas do projeto ligadas à aspectos gráficos. 38 Uma pequena discordância em relação ao ponto de vista do autor: o ciclo de vida do produto não pode ser considerado como limitado à sua distribuição. © 2006 eduardo romeiro filho 228 ufmg . é utilizado um conceito mais amplo de CAD. cada vez mais. no entanto. bem como ao controle e gestão deste processo39. Este caso requer uma forma de organização que ao mesmo tempo que permita a liberdade para a difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das várias equipes envolvidas no projeto. se considerado de forma bastante ampla. Neste Trabalho. porém. a utilização de uma base da dados comum permite que sejam acessadas informações de projeto que antes só estariam disponíveis após a finalização do trabalho por determinada equipe.depto engenharia de produção . é. muito mais do que um conjunto de inovações tecnológicas. expressão da língua inglesa que pode ser traduzida como "Projeto Assistido por Computador". ligado à atividade de projeto como um todo. projeto do produto elementos do ciclo de vida de um produto. mas levar em consideração aspectos ligados às formas de uso. possibilidades de reciclagem. Esta disponibilidade. Assim como na implantação de sistemas CAD. uma tecnologia multidisciplinar. Este conceito parece mais apropriado aos tipos de sistemas de auxílio ao desenho. sob pena de que surjam conflitos de competências e obrigação entre os diversos atores. desuso e. denominados Computer Automatic Drafting ("Desenho Automático por Computador"). Computer Aided Design (CAD). da concepção até a distribuição38” (REIMANN e HUQ. 1992) A Engenharia Simultânea consiste basicamente de um modelo de gerenciamento de projetos. As equipes devem ter acesso privilegiado a informações pertinentes ao desenvolvimento de suas tarefas específicas. exija um rigor mais apurado e um maior controle em seu desenvolvimento. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. inclusive com diferenciação de níveis de acesso e permissão para realização de alterações. não deve ser entendida como uma difusão de informação realizada de maneira indiscriminada.

O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos. Por outro lado. devido à menor necessidade de repetição de tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda de informações durante o ciclo de vida do produto. no lugar certo. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. por exemplo. potencialmente maior o tempo demandado para que seja encontrada a informação desejada. Além disso. capaz de absorver mais rapidamente as modificações impostas no decorrer do processo de desenvolvimento de produtos e tornando este processo mais adequado às características do mercado. a melhoria na interface entre os diferentes atores envolvidos no processo projetual trará benefícios importantes como a redução dos custos de projeto. principalmente. Não basta disponibilizar a informação. ou o processamento imediato dos dados inseridos. somente utilizando-se de sistemas CAD após a © 2006 eduardo romeiro filho 229 ufmg . A informatização da atividade projetual é muito mais do que a automação de procedimentos. mas possibilitar sua flexibilização e agilização para uma atividade de projetação mais rápida e eficiente. 40 "Real Time". Com todas as alterações propostas pela Engenharia Simultânea.depto engenharia de produção . 2. alterações pertinentes ao projeto. o ciclo projetual acaba por tornar-se mais ágil. A sobrecarga de informações a cada um dos envolvidos tornará muitas vezes difícil e demorada a seleção daquela necessária ao desenvolvimento do projeto. tornando a empresa capaz de responder mais rapidamente às necessidades colocadas por seus clientes. deve estar bem claro o papel de cada um no processo projetual. portanto. não se trata de tornar mais rápido o processo existente (como na automação industrial rígida). isto é. apresenta oportunidades inéditas. A atividade projetual caracteriza-se pela necessidade de rápidos e eficientes processos de geração e difusão de conhecimento. O adequado gerenciamento deste fluxo de informação torna-se crucial para o sucesso da Engenharia Simultânea. A informatização nestes casos deve ter por objetivo principal o suporte à criatividade e ao intercâmbio de informações entre diferentes projetistas envolvido no projeto. problemas ligados a questões de segredo industrial e segurança são críticas41. sem que haja perda de tempo. projeto do produto Desta forma. mas também fazer com que isso ocorra em tempo hábil e. 41 Um dos entrevistados relatou o caso de uma empresa alemã (na qual trabalhou no início dos anos 90) que concentrava suas atividades de projeto em equipes de prancheta. quanto maior a complexidade de cada projeto. que o intercâmbio entre as diferentes equipes envolvidas ocorra de forma eficiente. permitindo que as informações estejam imediatamente disponíveis em outros terminais de um mesmo sistema. o que acarretará maiores dificuldades para seleção das informações pertinentes recebidas por qualquer dos envolvidos. Na verdade. Ao mesmo tempo que a difusão da informação é fundamental. bem como devem ser definidas estratégias para que todos sejam informados de quaisquer alterações de projeto que lhes possam ser pertinentes. a ausência de dados relevantes levará à perda de tempo em sua busca e. A difusão irrestrita pode levar a uma situação de "congestionamento" no fluxo de informações pela empresa. como a possibilidade de trabalho conjunto entre grandes grupos e o intercâmbio de informações em tempo real40. seja na espera por informações como na repetição do trabalho devido a informações fornecidas incorretamente acerca de. Nestes casos. É fundamental. em "workgroups" (ou grupos de trabalho).

além de todos os esforços relacionados ao desenvolvimento de sistemas de gerenciamento eletrônico de documentos. Pode-se afirmar. pelo responsável pelo suporte técnico. que este método é mais adequado às novas ferramentas informatizadas do que os métodos tradicionais (seqüenciais) de desenvolvimento de projetos. entretanto. gráficos. Além disso. a engenharia simultânea deve ser vista muito mais uma metodologia gerencial e de projeto do que um conjunto de ferramentas tecnológicas. parece caminhar para algumas soluções interessantes. de qualquer forma. Estes programas tem por objetivo fornecer suporte à difusão de dados e interface entre equipes envolvidas no processo de desenvolvimento de projetos. mais do que conhecê-lo.) necessárias à adequada manipulação e arquivo de cada informação gerada. bancos de dados e até mesmo. É importante notar. que a adoção de sistemas informatizados de apoio à atividade de projeto e à transferência de informações entre os vários setores da fábrica deve ser precedida por um estudo consistente acerca do método de projeto utilizado. em que as informações estejam disponíveis de forma muito mais eficiente. © 2006 eduardo romeiro filho 230 ufmg . para que estas circulem de forma eficiente pelas equipes envolvidas. com ligações diretas a outros arquivos. Desta forma. como textos. efetivamente controlá-lo) é um princípio dos métodos de melhoria da qualidade que é muito freqüentemente citado como fundamental para obtenção de sucesso em processos de implantação de sistemas informatizados. Uso de Tecnologia Multidisciplinar. acaba por tornar-se uma questão de implicações tecnológicas. pode ser criado um banco de dados associado. textos. Sons. A versão Release 13 do AutoCAD. inclusive. RUECKER. proporcionando rápido acesso. de que é necessário conhecer profundamente o processo para que se possa aprimorá- lo (e. embora sua aplicação não esteja de forma alguma condicionada à utilização da informática. Principal motivo: busca de maior segurança pela dificuldade de reprodução de desenhos em meios físicos (é naturalmente muito mais fácil copiar detalhes de projeto através de disquetes). extremamente úteis em situações de projeto que envolvem grandes equipes e extrema necessidade de gerenciamento de informações. A crescente "intercambiabilidade" entre diferentes softwares parece também indicar soluções. Essa postura. 3. este parece ser o maior entrave à Engenharia Simultânea. Em uma empresa pesquisada. disponíveis em outros meios que sejam incorporados ao desenho dados relativos a outros meios. como MILLS (1995). Todas as cópias em sistemas magnético ou meio físico são geradas somente através do servidor. projeto do produto A organização.depto engenharia de produção .. bancos de dados etc. planilhas. mais do que um problema gerencial. Antes da implantação do CAD. simulação dos processos de fabricação e uma definição do produto e partida para a produção. nenhuma das estações gráficas possuía “drivers” para disquetes. por exemplo. entre outros. atuando no gerenciamento das informações pertinentes. devem ser capazes de suportar as diversas mídias (desenhos. Este aspecto. já permitia a transformação de um arquivo de desenho em um sistema hipertexto. mais difundido software "low-end" do mercado. 1992. imagens. maquetes eletrônicas. Do ponto de vista técnico. Vários estudos (como por exemplo SHA. dotada de um sistema de rede local. faz-se necessária uma revisão e organização do processo adotado. É portanto sintomático o expressivo número de estudos relacionados ao desenvolvimento de softwares específicos para apoio à implantação da Engenharia Simultânea através da aplicação de sistemas informatizados (notadamente sistemas CAD). 1993. sons. OKAWA et al. conforme os artigos citados. 1994) estão voltados para o desenvolvimento de software específicos para a implantação de sistemas de engenharia simultânea. Apesar de exemplos como este. WALLACE (1994) e BOURKE (1993).

Em verdade. 1995). embora complexa. chama a atenção para a necessidade de domínio e dificuldades de interação entre várias linguagens e tecnologias informacionais para a gerência de processo. FRANZOSA (1992). Hoje um arquivo CAD não é somente uma versão eletrônica de um desenho realizado em prancheta (como é tratado na imensa maioria dos casos). Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. o conhecimento e o adequado controle do processo projetual ocorre. capazes de suportar as diferentes mídias envolvidas no processo e facilitar desta forma um adequado gerenciamento do projeto. Segundo o autor. sem o que qualquer tentativa de informatização esbarrará em uma mistura de diferentes “estilos de trabalho”. a padronização deve ser implantada prioritariamente. mas sim um elemento multimídia. já é disponível. Também para o gerenciamento de diferentes bases de dados envolvidos em projeto são sugeridos sistemas de hipermídia (LEUNG. projeto do produto enorme quantidade de informação podem acompanhar o "desenho técnico" em meios informatizados. como fator importante para a implantação de engenharia simultânea. A base técnica para isso. Em relação a este assunto. No caso dos sistemas CAD. Acima: O processo de Design com a aplicação de sistemas CAD na Indústria Automobilística 4. algumas novas tecnologias como bases de dados relacionais e sistemas em rede podem oferecer uma alternativa a este problema. Se a © 2006 eduardo romeiro filho 231 ufmg . mas agregar de forma adequada todas as informações de projeto às novas mídias. a questão principal não é gerenciar bases de dados gráficas geradas em softwares diferentes (o que é ainda um grande desafio de base tecnológica). através de uma consistente normalização técnica e padronização de procedimentos. o que era antes impossível através de meios físicos. que pode agregar um imenso número de informações relacionadas ao projeto em desenvolvimento. MATTOS (1991) adverte: “Em qualquer sistema CAD. sob pena do sistema se tornar inviável a curto prazo. dentre outros fatores.depto engenharia de produção .

não é estranho encontrar empresas que buscam aplicações adequadas ao CAD somente após a aquisição do sistema. mais do que uma fonte de benefícios para a empresa é.depto engenharia de produção . a implantação de sistemas de informação apenas servirá para trazer à tona uma série de problemas antes (mais facilmente) escamoteados. Muitas vezes a comunicação deixa de ocorrer de forma adequada devido a entraves ligados à estrutura da empresa ou. O princípio do caminho para o sucesso parece estar em uma definição correta do problema a ser enfrentado. que procuram demonstrar que a utilização de sistemas CAD. Nestes casos. © 2006 eduardo romeiro filho 232 ufmg . de nada adiantará a adoção de modernos sistemas informatizados se a empresa não estiver preparada para um efetivo gerenciamento da informação gerada durante os processos de projeto e produção. os sistemas CAD. radicalmente diferente da anterior”. Acima. Naturalmente que não é tarefa simples encontrar empresas (que admitam estar) nesta situação. o sistema não surge como uma solução. tudo ocorre devido a uma série de relações basicamente pessoais. um exemplo de duas etapas da construção (virtual) do modelo de um automóvel. Os sistemas CAD atuais possuem aplicações bastante interessantes na simulação de produtos. Sendo assim. deve-se levar em consideração que o CAD. não é por si só elemento de melhoria de qualquer solução. Se esta é inadequada e apresenta deficiências. são vistos como soluções técnicas miraculosas para o desenvolvimento de projetos. o processo de implantação do CAD foi reestruturado em função de um novo sistema” ou “para ampliação do sistema foi adotada uma nova solução. por outro lado. que ocorrem à revelia das limitações impostas pela estrutura organizacional. Esta visão é naturalmente distorcida pela imagem gerada pelos fabricantes desses equipamentos. bem como outras formas de tecnologia informatizada. mas simplesmente multiplicador da solução existente. Em muitas empresas. é melhor adiar a aquisição do CAD até que esta cultura esteja solidificada”. uma ferramenta essencial à modernidade. Para uma eficiente aplicação dos recursos disponíveis nos sistemas CAD em processos de engenharia simultânea. se utilizado sem critério. projeto do produto empresa não possui uma cultura de padrões e normas já implementada para os processos manuais. Com relação ao primeiro aspecto. Desta forma. dificilmente atingirá resultados consistentes. Entretanto. mas como uma fonte adicional de problemas. na verdade. devem ser analisados dois aspectos básicos: (1) quais as formas de contribuição que estes sistemas realmente oferecem ao processo projetual como um todo. mas pode-se desconfiar de relatos como “após dois anos de experiência. assim como qualquer sistema informatizado. de uma forma geral e (2) quais as formas específicas de contribuição para os problemas peculiares à empresa.

Na maior parte dos casos avaliados.depto engenharia de produção . Entretanto. Além destes. ou seja. não devem ser consideradas como "obsoletas" ou destinadas à "sucata". marketing etc. os novos profissionais de projeto representam séria ameaça em potencial. tendo em vista o fato de que o "saber tecnológico" da empresa muitas vezes vai além da utilização das novas ferramentas. fica claro que os conceitos ligados à engenharia simultânea somente poderão ser aplicados de forma consistente após uma reestruturação organizacional com vistas à permitir que todos os envolvidos no processo projetual42 possam receber e fornecer informações pertinentes ao desenvolvimento do projeto. os desenhistas e projetistas de prancheta. Além disso. especialmente diante da inserção de novos atores (analistas. gerentes específicos para os sistemas CAD) no processo projetual. Naturalmente esta ameaça nem sempre é real. em uma situação na qual palavras como "reengenharia". de uma forma diferente das máquinas. podendo por isso atuar decisivamente para os resultados da aplicação de novas tecnologias e novos processos gerenciais (seja para seu sucesso ou para seu fracasso). fazendo com que os esforços para validação do sistema e sua justificativa de aquisição fossem voltados quase que exclusivamente para aspectos ligados à aceleração pura e simples de determinadas etapas da atividade projetual (ou das atividades relacionadas ao desenho) como anteriormente desenvolvida. as empresas não introduziram modificações relevantes no processo projetual. mas também do planejamento e controle da produção e do chão de fábrica. pois partem de pessoas que possuem na maior parte das vezes amplo poder decisório na empresa. todo o corpo técnico foi trocado (da mesma forma que os equipamentos!). pessoal de suporte. As formas de resistência por parte do staff gerencial são muitas vezes mais eficientes. Pode-se dizer que "são os efeitos da globalização" (argumento da alta administração). bem como áreas como vendas. Somente após a consolidação deste ambiente propício à integração a implantação de novas tecnologias como sistemas CAD poderá surtir efeitos consistentes no que tange à integração e à Engenharia Simultânea. deve-se levar em consideração uma situação conflitante existente na maioria dos casos levantados: por um lado a necessidade de modificações estruturais na empresa com vistas à modernização de seu setor de projetos (ou. 43 Foi relatada por um entrevistado a situação em uma empresa pesquisada na qual. pode-se considerar que os conhecimentos "não acadêmicos" adquiridos pelos antigos funcionários são essenciais ao desenvolvimento adequado da produção e que serão inevitavelmente perdidos no processo de modernização. "globalização" e outras de conteúdo semelhante passam a fazer parte do dia a dia do mercado profissional qualquer ameaça torna-se preocupante43. Entretanto. até mesmo. Desta forma dificilmente um processo de implantação de sistemas CAD ou dos princípios ligados à engenharia simultânea poderá surtir resultados se não contar com o 42 Não somente o pessoal de projeto de produto. menos perceptíveis e de mais difícil eliminação durante os processos de implantação de sistemas CAD. Costuma-se imaginar que estas resistências são oriundas principalmente daqueles que. em princípio. a sua própria permanência em um mercado cada vez mais competitivo e próximo de padrões mundiais de preço e qualidade) e por outro a resistência. projeto do produto Desta forma. foram observadas formas mais ou menos veladas de posturas contrárias à implantação de novas tecnologias por parte do corpo gerencial responsável pelo setor de projeto. ao ser realizada a renovação de equipamentos industriais do chão-de-fábrica. são afetados diretamente pelo novo sistema. mas é o ponto de vista deste trabalho que as pessoas. que muitas vezes teme pela perda de seu poder na empresa. Entretanto. pois possuem um domínio muito mais desenvolvido da novas ferramentas tecnológicas. determinada muitas vezes por tentativas de manutenção do "status quo" daqueles que serão evidentemente afetados pela mudança. © 2006 eduardo romeiro filho 233 ufmg . na estrutura da empresa ou mesmo do setor de projetos após a implantação do CAD.

a realidade vem demostrando que as empresas necessitam cada vez mais de inovações para a manutenção de seus mercados e seu crescimento diante de formas de concorrência cada vez mais acirrada. VA. Bibliografia BOURKE. Para que estes objetivos sejam alcançados. organizar e gerenciar o elevado número de informações necessárias à uma adequada atividade projetual. pelo menos em seu estágio inicial. transporte. manutenção. o que é extremamente difícil a partir da situação atual. as empresas brasileiras somente conseguirão atingir um patamar que torne o país industrialmente desenvolvido quando estiverem voltadas para o desenvolvimento de produtos avançados tecnologicamente e apropriados às necessidades de seus usuários. sejam estes os consumidores finais como todos os demais envolvidos nas diversas etapas do ciclo de vida dos produtos: concepção. Ainda assim. In: Annual International Conference Proceedings . em nossa opinião. seria necessário promover modificações de vulto na estrutura e métodos de trabalho da empresa. é fundamental que as empresas possuam um forte grupo de projeto.depto engenharia de produção . Clayton Pires da. Falls Church. de cima para baixo. 1993. Publ by APICS. após mais de quinze anos de carreira esperavam ter atingido um patamar de segurança que as constantes inovações insistem em demonstrar que não existe. A compreensão por parte dos escalões intermediários das empresas é essencial devido à importância de sua participação e de seu poder de difusão.American Production and Inventory Control Society 1993. Ainda segundo nossa opinião. devido em muito à situação de insegurança que a aquisição de novas tecnologias costuma trazer para aqueles que. USA. Para que isso seja possível. A pesquisa realizada. torna-se ainda mais difícil promover grandes modificações que levam a níveis de intensiva utilização de sistemas CAD como forma de adoção da Engenharia Simultânea. "New solutions for old problems: product data management and configurator systems". In: Anais do 5º Congresso © 2006 eduardo romeiro filho 234 ufmg . projeto do produto patrocínio ostensivo da alta administração e a compreensão do corpo gerencial. Este processo deve acontecer. demonstra que isso nem sempre acontece. fabricação.. 1994. desativação e reciclagem. Nestes casos. As formas de reestruturação centradas na redução de custos são. em muito poderão contribuir (embora de forma isolada não constituam fatores determinantes) a adequada utilização de recursos informatizados de apoio ao projeto e os princípios da Engenharia Simultânea. que seja capaz de determinar. entretanto. de efeito limitado diante do número cada vez maior de novos e melhores produtos disponíveis no mercado. "Reengenharia do processo de desenvolvimento de produtos baseada em engenharia simultânea e na tecnologia Workgroup Computing". Em um cenário como este. p 514-577 COSTA. Richard W.

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