Universidade Federal de Minas Gerais

ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

projeto
do produto
Apostila do Curso – 8ª edição

2006

Eduardo Romeiro Filho
Designer Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ,
Doutor em Ciências em Engenharia de Produção pela COPPE/ UFRJ
Professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG

Belo Horizonte, agosto de 2006.

projeto do produto

Universidade Federal de Minas Gerais
ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

Romeiro Filho, Eduardo. 2006. Projeto do
Produto - Apostila do Curso. Segundo semestre
de 2006. 8ª Edição. Belo Horizonte:
LIDEP/ DEP/ EE/ UFMG, 2004.

Editado em Agosto/Setembro de 2000, primeira impressão dia 14 de setembro de 2000.
Segunda edição em Março de 2001, revista e ampliada, impressa aos 13 dias do mês.
Terceira edição em Agosto de 2001, revista e ampliada, impressa aos 14 dias do mês.
Quarta edição em Junho de 2002, revista e ampliada, impressa aos 20 dias do mês.
Quinta edição em maio de 2003, revista e ampliada, impressa aos 16 dias do mês.
Sexta edição em março de 2004, revista, impressa aos 29 dias do mês.
Sétima edição em agosto de 2004, revista e ampliada
Oitava edição em agosto de 2006, revista e ampliada.

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se
tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma
personalidade. E necessário que adquira um sentimento, um
senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo
que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um
cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente
desenvolvida.”

“Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas
quimeras e suas angústias, para determinar com exatidão seu
lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade”.

EINSTEIN. “Como eu Vejo o Mundo”.
Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1981.

Aos alunos, que este material justifique o tempo de leitura.

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projeto do produto

Sumário:
Introdução.

Primeira Parte: o Conceito.
Conceitos Preliminares.
Os nossos Tupinambás.
Processo de Desenvolvimento do Produto
Terminologia
Modelos de Referência de PDP
Projeto - Terminologia
Métodos de Projeto
Sistemas informatizados de apoio ao projeto: Projeto Auxiliado por Computador - CAD
O Ciclo de Vida do Produto
Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto:
1. Ciclo de Vida de Produto: Uma Idéia Perigosa
2. Liberte-se do ciclo de vida do produto
Ciclo de vida do produto: Um exemplo
Marketing: Abrangência e Ferramentas.
Análise ou marketing mix
Adaptação
Ativação
Avaliação
Um Exemplo de Marketing...
Havaianas são vendidas por até R$ 500 em Londres
Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos
Introdução
O que vem a ser marketing?
Relações entre marketing e desenvolvimento de produtos baseado na orientação da empresa
em relação ao mercado
Marketing e pesquisa e desenvolvimento – cooperação
Conclusão
Bibliografia

Medindo a Satisfação dos Clientes
Uma Questão de Sobrevivência
Objetivos deste Trabalho.
Os Primeiros Passos
Rumo à Excelência
Considerações Finais
Bibliografia
Marketing - Contraponto
Eu, etiqueta.
Propriedade Intelectual
Propriedade Industrial: Patentes.
Um gênio brasileiro, anônimo e sem fortuna
Inventor pode mover ação nos EUA
Um Caso Exemplar: Indígena da Guiné Teve Célula "Patenteada"
Informações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente
Definições
Preparo de um Pedido de Patente
Depósito do Pedido de Patente
Bibliografia
Situgrafia
Patentes - Coréia dá de dez.

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projeto do produto

Segunda Parte: o objeto
Design, Competitividade e Inovação
Introdução
Empresas Inovadoras
O que é Design?
Quais os aspectos atuais da competitividade?
Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ?
Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ?
O que é Qualidade?
Como Incorporar Qualidade ao Produto?
Bibliografia
O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto.
Para que Metodologia de Projeto.
Origens do Método na Concepção de Projetos
Evolução da Metodologia & Evolução Industrial
Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto
Metodologias de Projeto de Produtos.
Proposta de BONSIEPE.
Processo metodológico proposto por ASIMOW.
Metodologia proposta por MEDEIROS.
O Computador no Processo Projetual.
Bibliografia Recomendada
Criação: Libere sua Criatividade.
Brainstorming
O design de produtos como forma de in(ex)clusão social
Introdução
Globalização, mercado e novos produtos.
A abordagem do design industrial.
Novos produtos, novas tecnologias, novas interfaces. novos usuários?
Conclusões
Bibliografia
Desenho e Engenharia “Brigam” por todos os Milímetros da Criação
Design: Viva a diferença!
O que é design?
Deficiência
Bauhaus.
Os Estados Unidos redescobrem o design.
Engenharia de Usabilidade.
Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário
Demandas específicas
Usabilidade
Bibliografia
Ergonomia aplicada ao projeto de produto.
Ergonomia, Alguns Exemplos:
Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte.
A Ergonomia Adverte: Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode Ser Prejudicial à Saúde
Valor
Análise do valor
Novos Cenários para a Atividade Projetual:
Ferramentas DFX desdobradas para DFM, DFA e DFE.
Design for “X”.
Projeto para Meio Ambiente
Projeto para Remanufatura
Projeto para Eficiência de Energia
Projeto para Modularidade
Projeto para Reciclagem
Referências
DFMA - Design for Manufacturing and Assembly
DFM: Design para Montagem, um exemplo. 6 Milhões de Combinações

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A Pesquisa: Discussões e conclusão.depto engenharia de produção . Introdução. Novas tecnologias e o produto Estado da técnica Considerações Referências bibliográficas Aplicação de Tecnologias CAD/CAE/CAM em Desenvolvimento de Produtos. Metodologia. Introdução. Bibliografia © 2004 eduardo romeiro filho 5 ufmg . Agradecimentos. As novas ferramentas de representação Ferramentas de Representação: O Desenho Livre (Croqui) O Desenho Técnico A Perspectiva O Protótipo Virtual (ou maquete eletrônica) O Mockup A Maquete Exemplos de Projeto: Cadeira CEM Semeadora-Adubadora a Tração Animal Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão. Bibliografia. Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea. Uso de Tecnologia Multidisciplinar. Introdução Projeto do produto Projeto do produto para meio ambiente Inclusão do DFE no projeto do produto Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Conclusões Referências Terceira Parte: a técnica A Representação do Produto e sua Importância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. Introdução. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. Introdução Metodologia de projeto de produtos. A representação (ou expressão) gráfica. projeto do produto Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas Informações Necessárias.

quando são discutidas as diferentes etapas e observados os desafios encontrados durante o projeto. vivenciar. compilação de variações de soluções e sua avaliação. Associação dos Engenheiros Alemães). além do desenvolvimento simulado de um produto. .Desenvolvimento: Especificações do conceito de solução. além da exposição de temas relacionados ao projeto. citado por VALENTI (1996). demonstrou que a capacidade de trabalho em equipe e comunicação são os principais aspectos profissionais no mercado norte-americano. Estes objetivos devem ser alcançados por meio de aulas teóricas e exercícios em sala. O que é importante a um engenheiro hoje? Pesquisa realizada pela ASME International e pela National Science Foundation entre empresas e universidades americanas. com o objetivo de avaliar quais as características mais importantes para os novos graduados em engenharia mecânica naquele país. avaliação de soluções. O setor de projetos em uma empresa é basicamente responsável. subdividido da seguinte forma: .depto engenharia de produção . projeto do produto I ntrodução.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. são objetivos da disciplina Projeto do Produto. a partir da mesma diretriz (citada por SCHEER. Desenvolver estas habilidades. na medida do possível. O processo de elaboração de projetos pode ser. 1993). A estruturação da disciplina busca. projeto em escala. além do conhecimento acerca de princípios da atividade projetual. segundo a diretriz 2210 da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. as diferentes etapas do desenvolvimento de produtos e as diversas atividades relacionadas ao setor de projetos de uma empresa de natureza industrial. Posição Indústria Universidade 1º Trabalho em equipe (94%) Trabalho em equipe (92%) 2º Comunicação (89%) Comunicação (92%) 3º Design para manufatura (88%) Criatividade (87%) 4º Sistemas CAD (86%) Inspeção de projeto (86%) 5º Ética profissional (85%) Sistemas CAD (86%) Fonte: ASME International/National Science Foundation. construção de modelos. adaptação de já existentes. . © 2004 eduardo romeiro filho 6 ufmg . pela elaboração de novos projetos.Concepção: Análise de especificações. projetos de variações e projetos normalizados e fixos.

o que não é necessariamente metodologias e processos apresentados durante o curso correto. por exemplo? série. the end parts of which wire piece form members or tongues lying side by side in contrary directions. ou à complexidade do É um exercício interessante imaginar alguma produto. utilizar uma tesoura ou abridor concordar! de latas (se você é canhoto) são situações aparentemente simples. embarcar ou desembarcar em sistemas de comemorativo. triangular. Ao lado. se você considera estes problemas "pouco Ao lado. "necessidade de mercado" a ser atendida. um inventor norueguês graduado em ciências. um olhar mais apurado em nosso ambiente cotidiano pode Um produto descrito como "um pedaço de metal. de 1899. cem anos depois de ser inventado? Se transporte coletivo (em especial se o usuário é idoso ou você já utilizou um clipe de papel.html de papel. em direções opostas. tendo em vista que estes eram efetivamente um “produto nacional”. Recebeu a patente por seu projeto na Alemanha em 1899 e nos EUA em 1901. um prédio. Hitler chegou a ordenar a prisão de algumas pessoas diante desta situação. em soluções adequadas de projeto para atendimento de formato retangular. o importante para o desenvolvimento Já viu alguém se queimar com gordura. retorcido três vezes. Vale a pena lembrar objeto de soluções propostas por alunos da disciplina que muitas vezes esta não é clara. destinado a músicos e pessoas com limitações de original." Vaaler foi o primeiro patentear o clipe. Neste caso. Johan Vaaler. eletrônica e matemática. or otherwise shaped hoop. projeto do produto Qualquer objeto . com o seguinte resumo: "It consists of forming same of a spring material. that is bent to a rectangular. mas foi impossível conter o protesto.mit. certamente pode possui limitações físicas). os noruegueses. Por outro lado. embora as complexidade do problema. mas o rigor e a consistência do método sentiu falta de um suporte para livros. Utilizar um produto. figura da primeira Este produto está detalhadamente descrito em patente do clipe http://web. Além disso. such as a piece of wire.depto engenharia de produção . fazendo os pesquisadores do MIT. a partir de uma necessidade de estes pequenos problemas (além de muitos outros) foram mercado observada pelos alunos. mas que requerem ainda soluções adequadas. embora já existissem alguns modelos menos eficientes. triangular ou arredondado" é um bom algumas necessidades aparentemente triviais. anterior: patente da máquina de produção de clipes. Na página movimentos. Pequenos problemas do dia-a-dia também estejam em sua maior parte centrados no requerem soluções de excelência.um parafuso. ou um produto complexo? Teria ele sucesso? açucareiro em locais públicos (como bares ou Seria ele lembrado e homenageado com um selo restaurantes). como um nos trazer uma série de situações onde não existem arame. visto que “que mal poderia causar um pedaço de metal preso à roupa?” © 2004 eduardo romeiro filho 7 ufmg . durante a II Grande Guerra. prestigiosa instituição muito semelhante ao norte americana: um “virador de páginas automático”. sujeitos à ocupação nazista. passaram a utilizar. Você já teve problemas desenvolvimento de produtos industriais. Outro aspecto interessante sobre este produto está no fato de que. estavam proibidos de usar símbolos nacionais. Em sinal de protesto. veja o que estão recente do antigo produto. inventou o clipe de papel em 1899. Normalmente. clipes como símbolos contra a ocupação.edu/newsoffice/nr/1999/pageturner. Algumas pessoas associam excelência da solução à concebido pelo homem é um produto. enquanto está no utilizado. Projeto de Produto. na lapela. em casa? Já foi da atividade projetual não é necessariamente o produto a incomodado por ruídos da rua enquanto estudava? Já ser desenvolvido. A proposta central da disciplina está no micro? Já teve dores nas costas ao varrer sua casa? Já desenvolvimento de um produto de baixa ou média esqueceu de puxar o freio de mão de seu carro? Todos complexidade técnica. e nem pode ser assim. a excelência do projeto não está diretamente ligada à tecnologia utilizada. fabricáveis em para abrir uma garrafa com tampa de rosca. um avião . uma versão importantes" ou "simples demais".

1982) DIREÇÃO DA EMPRESA MARKETING DESENHO INDUSTRIAL ENGENHARIA Analisar Preparar Definir o Especificações o Produto Mercado Gerais Analisar Analisar Técnica aspectos de ANTEPROJETO Funcional e Engenharia Humanas e materiais Verificar Criar Aspectos alternativas de propriedade Industrial Prever custos e prazos de Fabricação Analisar Escolher Aprovar Viabilidade a melhor Anteprojeto Econômica e desenvolver Mercado Anteprojeto Rever Especificações Gerais Estudar aspectos Ergonômicos e Formais Selecionar Materiais e processos PROJETO Projetar Desenhar Embalagem melhor Alternativa Elaborar Construir Detalhar Estratégia de Modelo e/ou Planos de Lançamento Mock-up Fabricação Construir Protótipo Autorizar Produção Elaborar Experimental Roteiro de Produção Controlar a Produção Experimental © 2004 eduardo romeiro filho 8 ufmg .depto engenharia de produção . projeto do produto Áreas da empresa tradicionalmente envolvidas com o projeto do produto e principais etapas do processo. (Fonte: BARROSO.

quais suas funções seus possíveis usuários. Nesta fase. compilação de variações de soluções e sua avaliação. mas entender as necessidades e oportunidades que vão gerar o produto. utilizado e descartado o futuro produto.depto engenharia de produção . seus concorrentes e características do mercado. soluções de projeto neste momento. Por estranho que pareça. projeto do produto Primeira Parte: o conceito A mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original. espera-se que o conceito do produto esteja formado. Não se deve esperar. entretanto. Ao seu final. vendido. o importante nesta fase não é “desenhar” ou “buscar uma solução”a priori. Albert Einstein Esta primeira etapa consta basicamente da concepção do conceito do produto: Análise de especificações. é necessário um amplo “reconhecimento do ambiente” no qual será desenvolvido o projeto e onde será fabricado. © 2004 eduardo romeiro filho 9 ufmg .

© 2004 eduardo romeiro filho 10 ufmg . mas sim a aplicação de novos e sofisticados conjuntos de procedimentos para desenvolvimento de produtos. pela globalização de produtos e dos meios de produção ou por novas regras de legislação que buscam proteger os direitos dos consumidores diante da indústria. A atividade projetual. que tem seu poder de barganha progressivamente consolidado. projeto do produto Conceitos Preliminares. Discutir o processo que levou a esta nova situação. bem como apresentar uma contribuição à reflexão sobre o tema.depto engenharia de produção . Estes são os objetivos deste item. a necessidade de interação de diferentes competências em equipes multidisciplinares são respostas das empresas às demandas cada vez mais sofisticadas por parte de usuários. seja pelas novas condições de mercado. não cabem mais métodos intuitivos ou não estruturados de projeto. é relativamente recente. As formas de organização e condições do trabalho trazidas pela aplicação de metodologias e ferramentas de projeto. Neste contexto. como compreendida nos dias de hoje.

Surgem desta forma grupos de indivíduos com conhecimentos específicos. uma notável "vantagem competitiva" na caça. pela primazia diante conhecimento”. ao domínio e supremacia em seu meio ambiente. o da obtenção de alimento. Os dois grupos desenvolvimento de uma ferramenta (ou a encontram-se. até geração do conhecimento necessário para tal) que um membro de uma das tribos percebe que pode representar uma diferença fundamental. guardando-se as devidas proporções. Europa e assim sucessivamente. como ceramistas. © 2004 eduardo romeiro filho 11 ufmg . melhores instrumentos. melhor qualidade de vida. . ainda caçador. ou seja. ou seja. a partir daí. Pode-se dizer que. por dois interessante uma “metáfora sobre o grupos de “hominídeos”. o desenvolvimento de produtos atende a esta lógica. as variáveis envolvidas (a tribo oponente). para realização de um objetivo vital. As aldeias tiveram notável desenvolvimento a partir da agricultura. Melhores ferramentas. O mesmo pode-se dizer das primeiras ferramentas humanas. 1968) necessidades humanas. poder-se-ia Uma Odisséia no Espaço”. projeto do produto No clássico filme de Stanley Kubrick. a geração de alternativas (diversos tipos de ação sobre o inimigo). Instrumentos como o arco e flecha representam. equilibrados. o que acaba por levar o homem. Acima. de ser indefeso. no atual Iraque. até o surgimento de uma solução adequada. as primeiras cenas dizer que esta representa de forma bastante desenvolvem-se em torno da disputa.depto engenharia de produção . em princípio na região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. do inimigo). grosso modo. um osso de fêmur poderia se transformar em Uma outra abordagem interessante para esta uma ferramenta de combate. A evolução da civilização acaba por trazer modificações ao modo de vida da tribo. que cada vez mais caracteriza-se pela perenidade de sua localização geográfica. objetos construídos e/ou manipulados pelo homem. depois estendendo-se pelo Oriente Médio. São notáveis. por exemplo) e aos diversos tipos de necessidades associados a formas de organização social cada vez mais complexas. como o de uma fonte de água. atendimento a uma necessidade básica. neste caso. Em última análise. este processo de busca de soluções adequadas para necessidades observadas. os avanços tecnológicos ligados à agricultura (como o arado. com uma crescente sofisticação da divisão de trabalho entre seus membros. seqüência clássica do filme de Kubrick ligados às diferentes formas de atendimento às (MGM/Polaris. melhores resultados. este é o princípio básico do processo de concepção de soluções para quaisquer problemas. que leve à eliminação do problema (no caso. técnica”: a necessidade (do acesso à fonte). “2001 – Além da força dramática da cena. aplicando um situação está no processo que gerou a “solução golpe fatal em um dos oponentes.

as corporações de ofício. teoricamente.depto engenharia de produção . A competência para a seleção dos aprendizes era bastante complexa. Apesar disso. Um pedreiro oficial possui o domínio de sua técnica. A objeto é a tradição. é possível ao primeiro acompanhar a utilização do produto oferecido. © 2004 eduardo romeiro filho 12 ufmg . Os artesãos formavam grupos de acordo com a competência. caracterizando um sistema de atividade de construção de produtos é muito produção que dá origem ao artesanato. guias etc. podem ser observadas características incremento comercial. próximos mata o material para seu arco possui que estavam do artesão. O formas de produção artesanal. que por sinal guardam extrema semelhança com determinados instrumentos bastante antigos. experiência no trabalho. um artesão ceramista possui o conhecimento (tácito. Um mestre de obras possui formas de competência bastante desenvolvidas e peculiares a suas funções. embora nas sociedades. embora o comércio seja uma competência requerida para sua função e o atividade crescente. em para corda. No tempo passando por diversos estágios até artesanato. Poderia-se dizer. o domínio da da própria aldeia. O período do renascimento. um artesão graduado. normalmente. às corporações de ofício. materiais grosso modo. interesse esta fase está no fato de que o mestre pessoal etc. O severas negociações. Tendo em vista a costumeira proximidade entre artesão e comprador. e conhecimento necessário à construção do mestre. alguém artesão possuía. até mesmo por sugestões e relativamente restrito. das Ainda hoje. em especial a partir do controle dos meios de produção necessários. uma forma de atendimento é observada uma crescente divisão do trabalho adequado às necessidades do cliente. este domínio passa ao artesão esse atendimento fosse normalmente objeto de e. Minas Gerais. por fim. que o artesanato representou. a base para aquisição do tornar-se oficial. século XIV. em setores como o da construção grandes navegações. Acima. conhecimentos sobre madeira. como pás. Na medida que seu tempo. Um novo friso. portanto não relacionado a modelos formais de aprendizado) necessário à execução de seu produto. O grande de objetos. conhecimento era passado por meio da no Vale do Jequitinhonha. cozimento. os processos de moldagem. níveis. artesão é agora o responsável pela confecção Controle dos meios de produção.. ponta de flecha etc. decoração e.. uso doméstico. e na maioria das vezes os instrumentos necessários ao seu trabalho. e do acompanhamento do mestre pelo aprendiz. corrigindo eventuais falhas de concepção e produção do objeto. que ia ao longo do Evolução e adequação dos produtos. que possuíam uma estrutura de aprendizado Diversas regiões no Brasil ainda guardam resquícios das profissional bastante complexa. capaz de ensinar outros aprendizes. O cliente é. seria exagero afirmar que os produtos não sofreriam. uma nova O artesanato possui como característica básica forma de encaixe. projeto do produto carpinteiros etc. no cliente”? qualquer evolução. ou por um grupo o passar do tempo. uma roca de fiar. posteriormente. O caçador que busca na adaptações aos próprios “clientes”. um novo elemento o domínio da tecnologia de projeto e produção decorativo eram incorporados ao produto com por uma única pessoa. sejam estes de caça. mais calcada no aprendizado do ofício junto a um "mestre" do que na concepção de "novos" Artesanato – Produto “focado produtos.. Neste caso. venda e entrega. interessantes referentes a esse período. é caracterizado pelo civil. na época. fibras. desde a escolha da argila adequada (normalmente identificando locais onde esta é disponível).

como o objetivo expresso de documentar a construção do barco e transmitir informações entre os diversos envolvidos. no séc. basta imaginar um paralelo com o produtos. O conhecimento. já naquela época. © 2004 eduardo romeiro filho 13 ufmg . Processo Histórico de Colonização. XVIII. com objetivo de visualização da solução final. A partir daí. projeto do produto Embora a utilização de meios físicos como o papel (ou pergaminho) para o registro de produtos date do séc. e muitas vezes obedecia a laços familiares e formas de relação bastante rígidas. possuía fundamental importância. XIV. levou a um trabalho conjunto altamente sofisticado. Embora ainda hoje utilize diversos princípios de natureza artesanal. dentre 1485 e 1490 (Biblioteca do Instituto de França. a construção de edifícios foi a primeira atividade a descrever previamente os objetos concebidos. Acima. em um determinadas formas de artesanato. Pode-se dizer que o papel (introduzido na Europa no séc. que meios de produção que acabará por propiciar guarda uma interessante semelhança com a condições para o início da Revolução Escola de Sagres. inicia-se um gargalo nos atual programa de exploração espacial. alguns dos primeiros registros de estudos arquitetônicos. na medida que permitem o registro gráfico de uma solução concebida em um meio físico (o papel) por meio de uma ferramenta descritiva eficiente (a perspectiva). Some-se a isso a invenção da imprensa e conseqüente redução nos custos de reprodução da informação. Paris). feitos por Leonardo da Vinci para uma igreja com cúpula. e até hoje podem ser observadas formas de aprendizado calcadas nos sistemas de ofício (um bom profissional não ensina o "pulo do gato" a qualquer um). XI) e o estudo da perspectiva (que intensifica-se no séc. A Evolução na Atividade Projetual. A arte de construir navios envolvia colônias. As novas perspectivas marcante para o desenvolvimento da atividade comerciais representadas pelos habitantes das projetual.depto engenharia de produção . colonização foi outro ponto importante para o desenvolvimento da construção de produtos e O período das grandes navegações foi da atividade projetual. onde não existia tradição em diversas formas de competência. XIII) foram importantes neste processo. Já naquela época os artesãos organizavam-se em corporações. a construção das caravelas constitui-se me um marco. Como enorme crescimento da demanda por novos exemplo. pela utilização de desenhos construtivos em perspectiva. Industrial. no sentido de preservarem seu conhecimento e defenderem seus interesses Acima: Caravelas portuguesas do século XV profissionais.

I deologia e Utopia. de novos produtos para a etapas de concepção. Data de 1700. embora os móveis consumidoras de bens industriais. posteriormente. a Thonet Em anúncio da fábrica de cadeiras THONET. soluções bastante Design: História. e mesmo autor e. venda e cresceu no séc. concepção. projeto do produto A revolução Industrial foi a grande evidentemente ao responsável pela difusão de novos produtos. além de fomentar ainda mais o sistemas de produção eram bastante arcaicos.depto engenharia de produção . o de número 14. responsáveis pelo sucesso da empresa. embora esteticamente distintas. os produtos. existem excelentes exemplos de comércio internacional. XIX. além de Bauhaus. a produção da fábrica THONET em fins do séc.000 do século XIX. antigas que ainda persistem no mercado. As diversas formas de imperialismo uma evidente leveza também contribuíram decisivamente para a construtiva e agradável solução estética (até concentração do capital e para o surgimento de hoje bastante atraente). inovadoras está na linha de Cadeiras Thonet. concebido em 1859. XIX. Ao lado.000 trabalho. THONET fossem resultado de uma notável proporcionou condições para o aumento nos inovação tecnológica (o desenvolvimento de níveis de produção e redução dos custos dos técnicas de curvatura da madeira à quente). A divisão internacional do início do século XX possuía em torno de 3. diferentes modelos utilizam soluções que. utilizam aplicadas à manufatura. Em termos de produtos em fins do século XIX. bem antes dos designers manutenção.000 (cinqüenta milhões) de exemplares vendidos até 1930 e é produzida Acima: Anúncio da fábrica THONET em um jornal alemão. que (acima) publicado em jornal alemão no final vendeu 400. por um facilita em muito as especialista.14 da Máquina Singer. o que atividade de design. remetem © 2004 eduardo romeiro filho 14 ufmg . como no caso da cadeira dos irmãos THONET e Acima. desenvolvidos. pode-se observar que os unidades até 1900. mesmo para a época. apresentava a fantástica marca de 50. A importância dessa atividade montagem. que no grandes fábricas. em grande parte grandes manufaturas e. mais pelo desenvolvimento de novas tecnologias importante. a primeira referência à semelhantes. representando basicamente os sistemas de manufatura (veja foto abaixo).000. Um dos mais interessantes exemplos de mostrando como a produtos onde o sucesso pode ser explicado adequação do projeto à por meio de uma feliz associação entre novas sua função e objetivos tecnologias de produção e soluções estéticas pode atingir o sucesso. até os dias de hoje. manufatura. elementos estruturais aproximadamente. reservando às colônias o papel de funcionários. Estes do início do século XX e de escolas como a fatores foram. No. Curiosamente. Seu mais conhecido exemplar.

situação política e econômica na Alemanha da introduzidos por Loewy na década de 1930. nos anos 50. "limpos" e seus estudos em aerodinâmica. representavam significativa vantagem para o Nos EUA. dois modelos de geladeiras Coldspot. o design de produtos assume feições distintas nos dois continentes: Mais ligada à arte. O design esteve sempre ligado à muitas vezes a busca constante pela excelência indústria e ao marketing. a partir de uma introdução de conceitos de “melhoria orientação voltada para uma retomada dos contínua” em produtos. da Evolução do Projeto de Produtos na Sears Roebuck. Na Europa. Seu © 2004 eduardo romeiro filho 15 ufmg . representa um marco. naturalizado americano Loewy teve importante Abaixo. e à indústria nos EUA. na Europa. tendo em vista questões específicas usuário. a Bauhaus foi a primeira escola de Design na história. tendo em vista principalmente a Acima. e mesmo sobre as primeiras escolas de Design brasileiras é evidente. Embora este conceito possa ausência de uma tradição "artesanal"). com lançamentos ideais "do artesanato". com sua visão de produtos das geladeiras nas décadas de 20/30. Apesar de inúmeros percalços. representa "de massa". Europa e nos EUA.depto engenharia de produção . época. levando ao desejo pela aquisição de de desenvolvimento histórico (inclusive a um novo modelo. Sua influência sobre a forma e sobre a Escola de Ulm. projeto do produto novo desenho para as geladeiras Coldspot. a Bauhaus conseguiu desenvolver ampla variedade de trabalhos. baseada mais bonito que existe é o do aumento na fortemente na produção de bens em sistemas curva de vendas”. ser (e efetivamente é) fonte de muitas críticas. tendo funcionado até 1933. que depois evoluíram periódicos de novos modelos que para um enfoque voltado para empresa. dizia Loewy). Loewy também foi um dos responsáveis pela Já a partir de meados do século XIX. uma síntese da evolução do esquema construtivo papel neste sentido. na Alemanha (veja texto complementar). criada em 1919. desenvolveu uma história diferente em termos por ser associado ao marketing (“o desenho de desenvolvimento de produtos. O francês em soluções de projeto.

p. e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais. continuou o velho. a fim de justificar possuem mais panos. projeto do produto Os nossos Tupinambás Trecho extraído do livro Viagem à Terra do Brasil. de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu Fonte: Staden. espelhos e os selvagens pouco cuidadosos nas coisas deste outras mercadorias do que podeis imaginar e um só mundo. atribuem perguntou-me: Por que vinde vós outros. tu me contas maravilhas. 3 edição. 187 também nutrirá. os selvagens para serem atormentados como por Retrucou o velho imediatamente: e demônios. como dizeis quando aqui chegais. mas dela extraíamos tinta para tingir. como quanto escasseiam entre os nativos. respondi-lhe.Ah! Retrucou o © 2004 eduardo romeiro filho 16 ufmg . que. pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos.Na verdade. São Paulo : Soc. com vergonha nossa.depto engenharia de produção . já que só cuidam de sugar o sangue e a porventura precisais de muito?. aqui resumido. selvagem. mas estamos certos Tupinambás em ritual antropofágico. na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. como vereis. Hans Staden. por isso descansamos sem maiores cuidados. substância alheia. por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam ? . respondi. facas. Hans. desprezam àqueles que com perigo de franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho vida atravessam os mares em busca de pau-brasil e de buscarem o seu arabutan. Jean de Léry. e que não a queimávamos. Os tupinambás. insurgem-se contra esses piratas vossa terra? Respondi que tínhamos muita mas não que se dizem cristãos e abundam na Europa tanto daquela qualidade. Era necessário que eu fizesse esta pois no nosso país existem negociantes que digressão. ele o supunha. tesouras. como já disse. não era nenhum tolo. odeiam moralmente os avarentos e tal qual o faziam eles com os seus cordões de provera Deus que estes fossem todos lançados entre algodão e suas plumas. . Uma vez um velho de riquezas. agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos. mães e filhos a quem amamos. 1942. disse eu. São Paulo. mostra como esses pobres selvagens americanos. Este discurso. Martins Editora. Duas viagens ao Brasil. morre como os outros. Em português só veio a ser impressa em 1889. Esta obra teve a primeira edição em francês em 1578. .Sim." deles compra todo pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. Por mais obtusos que sejam.Para seus filhos se os têm. acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem tão rico de que me falas não morre? . 1960.Sim. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim. que reputamos "Os nossos tupinambás muito se admiram dos bárbaros. maírs e esses selvagens maior importância à natureza e à perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão fertilidade da terra do que nós ao poder e à longe para vos aquecer? Não tendes madeira em providência divina.

HART apud RIMOLI (2001) identificou seis fatores chaves de sucesso: pessoas. as habilidades técnicas. Processo de Inteligência de Marketing. Processo de planejamento da estratégia de Marketing e . projeto do produto Processo de Desenvolvimento do Produto No início dos anos 90 do século passado. Processo de geração de idéias. objeto de sua pesquisa em diferentes nichos. MOSEY et al. a cultura e a estratégia.1991). identificados por intermédio de uma revisão da literatura realizada pelo autor. . (2001) afirmam que o Processo de Desenvolvimento de Produto é um processo multidisciplinar em essência. Esses autores completam. GRIFFIN (1997) também procura identificar as práticas mais comumente associadas às empresas em diferentes setores da economia com sucesso em desenvolvimento de produtos e a sua evolução e afirma que sem a manutenção de processos de desenvolvimento atualizados as empresa sofrem uma crescente desvantagem competitiva. inclusive com a estratégia de negócios da companhia. os processos para solução de problemas. se deve a quatro processos principais: . © 2006 eduardo romeiro filho 17 ufmg . processo. com o fraco desempenho. incluindo a estrutura organizacional. com os problemas de qualidade ou mesmo com a falta de mercado para o produto desenvolvido (CLARK e FUJIMOTO. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Operações (Manufatura). o bom desempenho do produto seria uma conseqüência da consistência na organização e gerenciamento do seu próprio desenvolvimento. informação e administração. . sendo que essa cooperação liga-se diretamente ao sucesso de um produto. já se podiam identificar empresas com efetiva capacidade para desenvolver produtos enquanto outras se defrontavam com os elevados custos alcançados. e sem ele as empresas estão provavelmente fadadas ao fracasso. Processo de gerenciamento do desenvolvimento de novos produtos. Assim. De acordo com esses autores. OLSON et al. estratégia. (2000) apud Freixo (2004) afirmam que o sucesso de diversas empresas. Dessa forma. Essa consistência e coerência estariam presentes não apenas na arquitetura do sistema de desenvolvimento como também no detalhamento das atividades executadas. estrutura organizacional.depto engenharia de produção . especialmente no que tange ao grau de inovação dos produtos e aos momentos em que se dá tal integração. afirmando que esses não são os únicos processos a serem considerados e que sua a atividade isolada é insuficiente para o sucesso da empresa. se nas etapas iniciais de desenvolvimento ou nas fases posteriores. estando associado à cooperação entre Marketing. e assim tais processos devem se integrar entre si e com outros processos empresariais. com a demora no lançamento. um processo eficiente de desenvolvimento de produtos é algo difícil de se realizar. eles afirmam ainda que o que define o sucesso é o padrão de consistência presente em todo o sistema de desenvolvimento de produtos. A figura mostra estes seis fatores e seus componentes.

definições. São vários os termos utilizados para se referir ao processo de desenvolvimento do produto (PDP). 1999 apud CODINHOTO. projeto do produto Figura : Fatores chaves para o sucesso em desenvolvimento de produtos. de acordo com Ulrich e Eppinger (2000). 2000). Projeto e Desenvolvimento do Produto refere-se ao conjunto de atividades interdisciplinares que começa com a percepção da oportunidade de mercado e termina com a produção. desenvolvimento do conceito. detalhamentos e aperfeiçoamentos (SMITH.. EPPINGER. bem como de testes e análises de uso do produto. 1991). dos diversos projetistas. conforme aponta Codinhoto (2003). 2001). 2000). ou mesmo um problema de projeto ou de produção. teste. AMARAL. há diversas definições para o PDP: . a empresa terá maior ou menor sucesso com a colocação do mesmo no mercado (CLARK e FUJIMOTO. venda e entrega de um produto.depto engenharia de produção . 2003). projeto detalhado. 1994) e projeto e desenvolvimento do produto (ULRICH. que envolve essas e outras funções. Terminologia Sabe-se que uma parcela significativa do sucesso econômico das empresas está associada às habilidades destas em identificar as necessidades dos clientes e rapidamente criar produtos que atendam a essas necessidades e que possam ser produzidos a um custo relativamente baixo. . do processo e a transmissão das informações sobre o projeto e o produto para todas as áreas funcionais da empresa (ROSENFELD. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo que converte necessidades e requisitos dos clientes em informação para que um produto ou sistema técnico possa ser produzido. atingir essa meta não é somente um problema de marketing. Assim. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo de negócio compreendendo desde a idéia inicial e o levantamento de informações do mercado até a homologação final do produto. refinamento e produção-piloto (ULRICH. a forma de organização e de gestão do desenvolvimento de produto. Desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma as informações de oportunidades de mercado e de possibilidades tecnológicas em informações vantajosas para a fabricação de um produto. Fonte: HART apud RIMOLI (2001). PAHL et al. trata-se de um problema de desenvolvimento do produto. 2005). termos tais como: processo de planejamento e projeto (PAHL e BEITZ. necessários para a formulação de requisitos. das equipes de produção. MORROW. Sendo um processo que faz uso das informações do mercado. de acordo com a estratégia. projeto de engenharia (CROSS. Somando-se a isso. © 2006 eduardo romeiro filho 18 ufmg . projeto do sistema. 1996. sendo que. passando pelo planejamento. concepção. . . EPPINGER.

ROSENFELD e AMARAL. embora cada fase. 1993. à empresa (recursos e investimentos necessários).2005). CLARK e WHEELWRIGHT. 2001.. 2003. Desenvolvimento de Produto compreende o desenvolvimento de um projeto de um novo produto em coerência com os planos para a sua produção. CUNHA.) são claramente estabelecidas. PAHL et al.2005). planejamento do produto. é bastante variável. Portanto. ROOZENBURG e EEKELS. da elaboração de soluções iniciais. à medida que as definições relacionadas ao mercado (tamanho e exigências dos consumidores). Desse modo. Pode- se observar que a denominação dada às fases. . 1991. . CRAWFORD e BENEDETTO. Nota-se também que não há limites claros entre as fases. teste. etc. assim como a sua divisão. pode-se verificar que não há uma regra previamente definida para a divisão desse processo. apresente um objetivo a ser atingido. produção-piloto e lançamento (CLARK e WHEELWRIGHT. BUSS. engenharia do produto e do processo. parece ser consensual que o produto seja desenvolvido ao longo de fases. introdução no mercado e gerenciamento do ciclo de vida (URBAN e HAUSER. maturidade do projeto é o momento em que o projeto (como produto) está definido suficientemente de modo a ser liberado para análise e utilização em atividades subseqüentes. Processo de Planejamento e Projeto é atividade multifacetada e interdisciplinar que tem como resultado o planejamento e esclarecimento de tarefas. segundo os diferentes autores. distribuição e vendas (ROOZENBURG e EEKELS.1995. PAHL e BEITZ. e ao produto (desempenho desejado. 1993). através da identificação de funções requeridas. em geral. Desenvolvimento de Novo Produto ou Processo de Desenvolvimento compreende um complexo conjunto de atividades. 1993). 2001. © 2006 eduardo romeiro filho 19 ufmg . segundo Codinhoto (2003). projeto. 1996. 2000 apud CODINHOTO. Processo de Desenvolvimento de novos produtos é um processo decisório de cinco passos: identificação da oportunidade de mercado. . forma.1995). uma nova fase é iniciada. da construção de estruturas modulares para a documentação final do produto (PAHL e BEITZ.. dispondo de fases de atividade em um projeto de desenvolvimento típico – desenvolvimento do conceito. somando-se essa colocação à análise das definições para o PDP. De acordo com O’brien e Smith (1994) apud Codinhoto (2003). sem que haja a possibilidade de ocorrer retrabalhos nas fases seguintes devido ao que foi entregue. PAHL et al.depto engenharia de produção . projeto do produto . 2000. que envolve mais funções em um negócio. Ainda analisando os modelos propostos para o PDP (CLARK e FUJIMOTO. URBAN e HAUSER. Pahl e Beitz (1996) colocam que a divisão do PDP em fases e em grupos de atividades é uma das maneiras utilizadas para lidar com a complexidade desse processo. Codinhoto (2003) apresenta diversas propostas de divisão do PDP em etapas que são ilustradas na Figura. 1996. ULRICH e EPPINGER. assim observa-se que é comum a divisão do PDP em função do grau de maturidade. possibilitando o estabelecimento de pontos de verificação e controle que contribuem para aumentar a eficácia do gerenciamento desse processo. 1993.

Desse modo. ROMANO et al. influenciando e sendo influenciado por outros processos de negócios da empresa (comerciais. © 2006 eduardo romeiro filho 20 ufmg . para descrever um processo de negócio podem ser utilizados modelos de referência que representem setores industriais específicos. ele deve ser executado de maneira integrada. Fonte: CODINHOTO (2003). com visões diferentes. de acordo com esses autores. cumprindo seu papel de mantenedor da competitividade da empresa. projeto do produto Figura : Divisão do PDP em fases segundo alguns autores pesquisados. que não é possível pensar em desenvolvimento de produto como processo isolado. no entanto. Assim. servindo de parâmetro de comparação para as empresas avaliarem e incorporarem melhorias em seus processos. as atividades nele executadas dependem de diversos departamentos. como por exemplo. Esses autores apresentam diversos modelos de referência de PDP oriundos de pesquisas realizadas nas áreas de Marketing. um modelo do processo de negócio pode ajudar a materializar as políticas e estratégias gerenciais e racionalizar o fluxo de informações e de documentos durante o desenvolvimento de produtos. (2001) coloca que para que o Processo de Desenvolvimento de Produtos ocorra satisfatoriamente.depto engenharia de produção . direcionado-a para um determinado mercado ou cliente. e ). administrativos etc. comumente representado como um processo de negócio. contribuindo para a integração da empresa em torno de uma visão única e focalizada num tipo de negócio.). Alguns modelos referenciais são oferecidos por áreas que têm como objeto de estudo o Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP) (BUSS e CUNHA. etc. De acordo com ROZENFELD (1999). Engenharia de Produção e Design (figuras . o aeroespacial. de informações advindas de diversas áreas da organização. de diversas pessoas com formações diferentes. 2002). o automotivo. de acordo com Freixo (2004). Modelos de referência de PDP Sabe-se.. resultando no chamado Desenvolvimento Integrado de Produtos (DIP).

Fonte: Buss e Cunha (2002).depto engenharia de produção . Fonte: Buss e Cunha (2002). projeto do produto Figura : Modelos de PDP em Marketing. © 2006 eduardo romeiro filho 21 ufmg . Figura : Modelos de PDP em Engenharia de Produção.

projeto do produto

Figura : Modelos de PDP em Design. Fonte: Buss e Cunha (2002).

Cabe ressaltar que dentre os modelos propostos por esses autores, alguns se limitam apenas ao processo de
projeto, como, por exemplo, o modelo proposto por Pahl e Beitz (1996), enquanto os outros consideram o PDP
como um processo de negócios que vai além da simples especificação técnica do produto.

A Administração, através de seus braços em Marketing e na Produção, preocupa-se com os aspectos
mercadológicos e de organização e controle da produção; a Engenharia, através de sua linha em Engenharia da
Produção, foca basicamente os aspectos referentes à engenharia do produto e ao desenvolvimento de seu projeto
técnico; e o Design preocupa-se principalmente com a caracterização do problema e com a investigação de
alternativas possíveis (BUSS e CUNHA, 2002).

Para KRISHNAN e ULRICH (2001), essas diferenças de abordagens e pontos de vista ocasionam uma
desconexão entre os modelos apresentados pela literatura. O quadro apresenta essas diferentes perspectivas em
relação ao PDP.

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projeto do produto

Quadro : Comparação das perspectivas das comunidades acadêmicas de Marketing, Organizações, Engenharia e Administração da Produção. Fonte: Krishnan e
Ulrich (2001).

E, portanto, de acordo com Roozenburg e Eekels (1995), o desenvolvimento de produto é um processo mais
amplo em que está incluso o projeto do produto.

Projeto - Terminologia
Ao se buscar a etimologia da palavra projeto, de acordo com Ferreira (1986), encontra-se a sua origem no latim
projectu que significa “lançado a diante”, ou seja, “idéia que se forma de executar ou realizar algo no futuro;
plano, intento, desígnio”; “empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema”.

Assim, “Estes são os significados mais puros para o termo ‘projeto’: intenção desígnio, idéia de fazer algo no
futuro, delineamento, esboço, etc. Entretanto, ao se evoluir das intenções para a ação, o termo projeto passou a
designar também o conjunto dos esforços que visam à realização do ‘projeto/intento’, do ‘projeto/esboço’ ou do
‘projeto/desígnio’ etc. Ou seja, o termo projeto passa a abranger também a fase de execução daquilo que foi
imaginado, desejado ou delineado, compreendendo um número, às vezes extremamente grande, de tarefas
interligadas e de complexidades variáveis. E mais, o projeto, assim entendido, passa a incorporar os meios que
lhe foram destinados para sua execução: escritório, gerente, equipe, materiais etc. O projeto, em uma acepção
ampla, passa a ser uma organização, ainda que transitória: tem estrutura, regras de funcionamento, objetivos,
gerência, equipe, insumos etc” (VALERIANO, 2004).

O termo projeto não detém um significado único. De acordo com Cassarotto Filho, Fávero e Castro (1999), o
termo projeto é comumente relacionado com um conjunto de planos, especificações e desenhos de engenharia.
Para esses autores, tal conjunto é chamado de projeto de engenharia, recebendo na língua inglesa a alcunha de
design.

No entanto, buscando um sentido mais amplo e dentro do contexto de desenvolvimento de produtos
(entendendo-se produtos como bens físicos e/ou serviços (GRIFFIN e PAGE, 1996)), Cassarotto Filho, Fávero e
Castro (1999) colocam projeto como sendo um conjunto de atividades interdisciplinares, finitas e não repetitivas
que visa uma meta definida com cronogramas e orçamentos preestabelecidos, ou seja, um empreendimento; e

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projeto do produto

recebendo, na língua inglesa, a designação de project. Contudo, os próprios Cassarotto Filho, Fávero e Castro
(1999) ressaltam que o desenvolvimento de um projeto de engenharia constitui, também, um projeto.

No PMBOK (2004), projeto é definido como um esforço temporário com ponto de início estabelecido e com
objetivos definidos para produzir um produto. O COED (Concise Oxford English Dictionary) citado por Dingle
(1997) define projeto como “um plano, tema, uma realização planejada”.

Dingle (1997) cita a Association of Project Managers (UK) que denota ao termo ‘projeto’ o significado de um
conjunto de tarefas inter-relacionadas que são realizadas por uma organização para atingir objetivos definidos,
tendo definidos início e final, delimitadas pelo custo e tendo especificado as necessidades requeridas e os
recursos. Esse autor também cita o British Standard Guide to Project Management que define projeto como “um
único conjunto ordenado de atividades, com pontos inicial e final definidos, realizadas por um indivíduo ou
organização para atingir objetivos específicos dentro cronograma, custo e parâmetros de desempenho definidos”.

Já, Prado (2003) elabora um interessante quadro em que se pode realizar uma comparação entre alguns termos
empregados em várias línguas com os seus correspondentes em inglês.
Inglês Project Design Drawing
Projeto / empreendimento /
Português (BR) Projeto / Desenho / Design Desenho
investimento / obra
Português (POR) Projecto Concepção Esboço
Italiano Projecto/Comessa Projectazione Disegno
Alemão Projekt Ausfuhrung Zeichnen
Francês Projet Desin Dessin
Espanhol Project Disegno Dibujo
Quadro : Comparativo de termos empregados relacionados com seus correspondentes em língua inglesa. Fonte: Adaptado de Prado (2003).

Sobre a utilização desses termos relacionados ao projeto e seus correspondentes em língua inglesa, Valeriano
(2004) faz um importante apontamento, como um dos sinônimos para projeto é “desígnio” do latim “designiu”
(FERREIRA, 1986) que significa “intento, plano, projeto, propósito”, a palavra design na língua inglesa tem a
origem na mesma raiz latina, no entanto, esta palavra tem outras acepções que correspondem à parte criativa,
cerebral e conceitual de atividades incrementais e/ou inovadoras, sendo amplamente empregada, não se
limitando apenas à engenharia. Isso, por vezes, acaba por provocar confusões; já que no âmbito na engenharia, o
design corresponderia ao projeto desprovido de suas partes gerenciais e materiais; o que em língua portuguesa
acaba por não se encontrar uma palavra com o mesmo significado, o que é reforçado pela análise elaborada por
Valeriano (op. cit.).

Métodos de Projeto

Pode-se considerar que o projeto encontra-se na interface entre a empresa e o mercado, cabendo a ele
desenvolver um produto que atenda às expectativas de mercado em termos de qualidade total do produto, no
tempo adequado, ou seja, mais rápido que os concorrentes, e a um custo de projeto compatível. Além disso, deve
também assegurar a ‘manufaturabilidade’ do produto desenvolvido, ou seja, a facilidade de produzi-lo
atendendo a restrições de custos e de qualidade.
Desse modo, Fachinello (2004) afirma que com a análise dos diferentes modelos referenciais apresentados na
literatura, pode-se perceber que, de maneira geral, as atividades consideradas pelos diferentes autores são
semelhantes em sua concepção, diferindo apenas em termos de sua apresentação e denominação. E como uma
forma de endossar sua afirmação, a autora adapta de Buss e Cunha (2002) uma tabela que ilustra os tais modelos
referenciais de alguns autores, como se observa a seguir.

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projeto do produto

Clark e Fujimoto Krishnan e Ulrich Pahl e Beitz Kaminski (2000) Crawford (2000) Kotler (1998) Bonsiepe (1984)
(1991) (2001) (1996)

Conceito Desenvolvimento do Especificação do Especificação da Identificação de Geração de idéias Problematização
conceito Projeto necessidade oportunidades

Planejamento do Projeto da cadeia de Concepção de Estudo de Geração de Conceito Triagem de idéias Análise
Produto suprimentos Projeto viabilidade

Engenharia do Desenvolvimento do Projeto Projeto básico Avaliação de Projeto Desenvolvimento e Definição do
Produto produto Preliminar Teste problema

Projeto do Teste e validação de Projeto Projeto executivo Desenvolvimento Estratégia de Anteprojeto
Processo desempenho Detalhado técnico Marketing

Produção Piloto Lançamento Planej. Produção Lançamento Análise Comercial Avaliação

Execução Desenvolvimento Realização

Testes de Mercado Análise final

Comercialização

Tabela : Modelos Referenciais das áreas de Engenharia de Produção, Marketing e Design - Fonte: Adaptado de Buss e Cunha (2002) apud Fachinello (2004).

Com a análise do que está colocado na tabela acima, observa-se que o projeto pode ser visto como uma
seqüência de atividades interligadas em que ocorre basicamente o processamento de informações. Segundo
Medeiros (1981), métodos de projeto de produto são definidos como sistemáticos ou intuitivos, sendo utilizados
de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido.

"A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para
que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas, inclusive pessoas não
pertencentes à equipe de projeto; para que se possa produzir uma maior qualidade, e não só quantidade de
soluções; e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções" (MEDEIROS,
1981).

Sistemas informatizados de apoio ao projeto
Projeto Auxiliado por Computador - CAD
De acordo com Pugh (1991), o âmago do projeto consiste em análise de mercado (necessidades do usuário),
especificação do projeto do produto, projeto conceitual, projeto detalhado, fabricação e vendas. Dessa forma,
para esse autor, todo projeto começa ou deveria começar com a necessidade, quando satisfeita, ajustará um
mercado existente ou criará um mercado para o produto. E assim, para fazer com que o projeto torne-se eficaz e
eficiente, deve-se utilizar técnicas diretamente relacionadas com a essência do projeto. O autor coloca que essas
técnicas compõem a “caixa de ferramentas” do projetista, ela pode ser de dois tipos: dependente da
disciplina/tecnologia e independente da disciplina/tecnologia. Sendo a primeira diretamente ligada à Engenharia
e à aplicação de seus conhecimentos no projeto.

Pugh (op. cit) também afirma que o projeto do produto representa a materialização do processo pelo qual a
empresa converte oportunidades de mercado em informações para sua fabricação, concretizando idéias,
conceitos e necessidades em um modelo físico para teste e avaliação. Dentro desse contexto, Back (1982) coloca
que o desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em
representações bi ou tridimensionais. Contudo, com base na bibliografia levantada, os meios para que essa
materialização ocorra são os sistemas informatizados de apoio ao projeto, sistemas CAD (Computer Aided
Design ou Projeto Auxiliado por Computador). Conforme coloca Medeiros (1981), o projeto do produto consiste
em identificar uma necessidade, definir as especificações do projeto incluindo todo o ciclo de vida que vai desde
a fabricação, produção, difusão, uso e desativação, e ferramentas informatizadas como CAE/CAD/CAM
fornecem um suporte técnico a fim de garantir a qualidade, rapidez e sucesso do processo.

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000 vezes maior que a de uma leitura (GONÇALVES. sobretudo em termos industriais. LUONG. à sua utilização em conjunto com sistemas informatizados de auxílio à produção (CAM. o uso dos sistemas CAD tem transformado as práticas normais de trabalho de projetistas e engenheiros na indústria. CAULLIRAUX e COSTA. (3) Síntese. 1995. 1988. Síntese através da modelagem geométrica. (2) Definição do problema. Heine e Grover (2001). MALHOTRA. análise e síntese. HEINE e GROVER. O CAD é um sistema tecnológico bem conhecido que combina hardware e software. Análise e Otimização através da análise de Engenharia que pode realizada por meios computacionais. 1998. pode-se generalizar o processo projetual em seis etapas que devem ser seguidas seqüencialmente para se projetar novos produtos ou melhorar produtos já lançados: (1) Reconhecimento da necessidade. Assim. © 2006 eduardo romeiro filho 26 ufmg . . nos últimos trinta anos. 1997 A e B). 2001). Mas. Essa generalização é referendada por Rembold. (4) Análise e Otimização. desenhos realizados manualmente vem sendo substituídos por representações gráficas elaboradas através de computador. Avaliação através da revisão de projeto e da realização de testes de fabricação e utilização virtuais que permitem esses sistemas. (5) Avaliação. Contudo.depto engenharia de produção . GROOVER e ZIMMERS. projeto do produto A partir da análise realizada por Medeiros (1981). e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto”. Todavia. 1995). o CAD tem três aplicações: (1) Geração de desenhos de Engenharia. o método de representação manual vem sendo substituído pelo Projeto Auxiliado por Computador (CAD). que afirma: “A atividade principal de transformação (de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais) ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. Esses autores afirmam que em geral. Dentro dessas seis etapas para projeto colocadas. na forma de sistemas CAD/CAM). ou seja. por outro. sabe-se que o desenho técnico tem sido parte integrante da indústria há muitos anos e é o elo de ligação entre a Engenharia de Projetos e a Produção. à atividade de desenho e. Os sistemas CAD formam um conjunto bastante amplo de recursos tecnológicos de apoio às atividades peculiares envolvidas nas diferentes fases do processo projetual. ANUMBA. Nnaji e Storr (1993) e por Romeiro (op. usando gráficos computadorizados para fornecer desenhos de componentes ou produtos como um todo. 1996. ou Computer Aided Manufacturing. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. de acordo com Malhotra. . sistemas CAD podem ser aplicados em quatro delas: . uma tecnologia multidisciplinar.). Apresentação graças ao desenho automatizado e a possibilidade de comunicação de dados de projeto por meios digitais que esses sistemas propiciam. ainda que associadas. por um lado.cit. graças à grande e diversificada aplicação e à sua flexibilidade que facilita a realização de um projeto (GERELLE e STARK. (6) Apresentação. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. adota-se o conceito segundo o qual o CAD é: “se considerado de forma bastante ampla.1984. A velocidade de compreensão gráfica pode alcançar uma proporção 50. . assimilação.

aliado à aquisição de um sistema que troque dados com os outros sistemas da empresa. de forma que uma determinada atividade seja processada de forma modular dentro de cada equipe sem que aja contado ou interação com as outras equipes. o projetista deve ser muito criativo para determinar as funções. mostrando as características de sua operação e com essa animação é possível detectar problemas e sugerir ações corretivas. Já. NNAJI. conclui-se que o processo para adoção. implantação e utilização de um sistema CAD em projeto do produto pode ser compreendido como uma seqüência de atividades que se destinam à adoção e utilização do sistema (aplicativos. evitando. já que ele pode sugerir um projeto existente e procurar por componentes e processos de manufatura padronizados. Nnaji e Storr (op. o fluxo de informações e os materiais dentro da empresa ou da indústria. Modelagem geométrica – isso envolve o uso do computador empregando uma descrição matemática computacional da geometria do objeto em sua representação. as atividades projetuais são vinculadas às ferramentas e aos aplicativos de tais sistemas na mesma medida que a tecnologia evolui. Análise de Engenharia – isso é normalmente requerido por projetista. tais como os sistemas CAD. © 2006 eduardo romeiro filho 27 ufmg . já que isso requer a experiência humana. Muitos sistemas permitem a modelagem por elementos finitos e o cálculo de desempenho dinâmico do projeto. . . Percebe-se que o processo projetual se vincula e se relaciona cada vez mais a sistemas informatizados de auxílio. a formação das chamadas “ilhas de automação” (setores da empresa que realizam a sua informatização. banco de dados etc). transferência de calor. . Aqui. perspectivas. cabe aos gerentes e supervisores de projeto atuar buscando a cooperação.depto engenharia de produção . desgaste. A adoção de sistemas CAD em projeto de produtos visa. o planejamento de processos. ferramentas. STORR. dispondo assim de sistemas computadorizados e máquinas que não se comunicam com outras de outros setores). Contudo. o desempenho e a aparência do produto. 2001).isso diz respeito à produção de desenhos detalhados de trabalho usado para a comunicação de informações de projeto para o processamento. levando em consideração a organização das pessoas. interferência. projeto do produto (2) Análise conceptual de projeto. programação de equipamento de manufatura. escalas e áreas. a comunicação e a troca de informações (REMBOLD. clientes e fornecedores. GROVER. por fim a esses “muros” dentro do setor de projetos e deste com o restante da empresa e para que o CAD tenha realmente esse papel de integração. Essa descrição matemática possibilita a animação do objeto. os equipamentos. os recursos. entre outras coisas. de forma que as atividades e informações de projeto afetadas foquem-se nos objetivos do negócio da empresa. . podendo ser em duas ou três dimensões. funções. No entanto. O computador permite que se verifique a possibilidade de manufatura e montagem do produto projetado. 1993 e MALHORTA. permitindo a análise e a otimização do projeto. ainda que não haja um consenso entre os autores que tratam do assunto no que se refere à definição de um conceito para sistemas CAD. Rembold. Avaliação projetual – o projeto deve seguir regras específicas previamente estabelecidas e é isso que determina a eficácia do projeto. o computador torna-se uma ferramenta inestimável. o computador não é de grande ajuda. entre outros. O CAD propicia o dimensionamento automatizado do desenho. HEINE. os procedimentos. se o produto já tiver sido projetado anteriormente. a adequação a processos de operação padronização e também o custo de produção. A integração e a flexibilidade como funções de projeto galgadas com a implantação de sistemas CAD só são alcançadas se a empresa promover um sério movimento de reestruturação organizacional. deve-se evitar que as diferentes equipes da empresa sejam separadas “por muros”. Portanto. cit) afirmam que a aplicação do computador para projeto pode ser dividida em cinco áreas: . Daí. deixando saídas como consumo de energia. (3) Comunicação com importantes departamentos da empresa. Definição do problema – no início dessa atividade. E esses dados podem ser coletados. Automatização do desenho . alheios às necessidades da empresa e de outros setores e a um planejamento estratégico e de longo prazo. a geração de desenhos em diferentes vistas. segundo Scheer (1993).

com.depto engenharia de produção . dos produtos fabricados e de sua posição no mercado (bem como da situação da própria empresa). crescimento. Etapa de Declínio: esta etapa marca o processo de desaparecimento do produto no mercado em função do declínio insustentável nas vendas. Etapa de Maturação: neste estágio. Produtos que incorporam muita tecnologia tendem a decair mais rapidamente e normalmente são retirados do mercado pelo fabricante. É um momento em que as vendas brutas se mantêm no nível do crescimento do mercado.planodenegocios. Desta forma. A relação entre promoção e vendas melhora em função do aumento nas vendas. Etapa introdutória: caracteriza-se pelas elevadas despesas de promoção e pelo grande esforço por tornar a marca reconhecida pelo mercado. bem como o de concorrentes. pois o consumidor já se acostumou ao produto e começa a pressionar por redução de preços. A velocidade com que isso ocorre depende de características do produto. Pode-se assim promover um interessante mapeamento do mercado atual.asp?tipo_tabela=artigo&id=29 Acesso em 15 de agosto de 2006 © 2006 eduardo romeiro filho 28 ufmg . em uma analogia com os seres vivos. os preços costumam ser mais altos em razão da baixa produtividade e custos tecnológicos de produção e as margens são apertadas em função do valor que o mercado se dispõe a pagar.br/dinamica_artigo. Nesta etapa. Etapa de Crescimento: ocorre a partir do momento em que a demanda pelo produto aumenta. maturação e declínio. projeto do produto O Ciclo de Vida do Produto Pode–se dizer que o produto. é possível especificar em qual estágio do ciclo de vida encontram-se os produtos da sua empresa. Cada estágio apresenta as seguintes características1. passa por quatro etapas de desenvolvimento: introdução (nascimento). a taxa de crescimento das vendas diminui e tende a se estabilizar. 1 Fonte: http://www.

na prática. seqüenciais entre si. como pode ser visto na figura abaixo: Também o projeto possui seu ciclo de vida. uma americana e outra japonesa.depto engenharia de produção . ao longo do desenvolvimento de seus produtos. apresentada por diversos autores das áreas de desenvolvimento de produtos. que por muitas vezes estende-se até após o lançamento do produto. os investimentos com projeto e montagem da linha de produção serão amortizados ao logo do ciclo de vida do produto. o projeto do produto continua após o lançamento. projeto do produto As fases do ciclo de vida podem ser relacionadas também a fatores como custos de produção e lucros advindos do produto. É interessante perceber que. M ontadora Am eric ana Mudanças de Projeto M ontadora Japonesa 90% do total de m udanças completadas MESES 20~24 14~17 1~3 3 Antes do lançam ento A pós o lanç am ento © 2006 eduardo romeiro filho 29 ufmg . A figura ao lado. revela o numero de alterações realizadas em projetos de automóveis por duas montadoras. Desta forma. no caso da empresa americana. as alterações. o que demonstra que as fases do ciclo de vida não são. ou seja.

Mesmo que uma marca "morra" (figurativamente falando. Como o profissional de marketing deve saber em que padrão sua marca se encaixa? Se o profissional de marketing não sabe qual o padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. No estágio de declínio. em geral ou por categorias. Porém. este conceito não é unanimemente aceito. ou talvez seja um nivelamento das vendas. apesar de ser universalmente conhecido. Existe o padrão "crescimento-declínio-maturidade". E este é um erro perigoso e caro de se cometer. que tem expectativas de vida e desenvolvimentos predeterminados geneticamente e de curso incontrolável. O ciclo de vida do produto faz com que os profissionais de marketing cometam erros por causa da premissa básica do conceito de que produtos requerem estratégias diferentes para estágios diferentes no seu ciclo de vida. eletrônicos—realmente qualquer produto imaginável—classificando cada um em fases do nascimento ao crescimento. Diferente de seres vivos. Talvez a marca esteja apenas passando por um leve declínio antes de um forte impulso em outro período de crescimento. projeto do produto Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto: 1. o termo aplica um conceito biológico a marcas. Krieg2 Marços 2004. a curva clássica em "S". e por fim a morte. Por exemplo. Acesso em 15 de agosto de 2006. seguem firmes em suas categorias tendo passados 100 anos ou até mais. serviços e. Clancy e Peter C. aniversário (porém outros vivem bem mais de 100 anos). American Express.depto engenharia de produção . Se considerarmos que a grande maioria de novos produtos e serviços não dura até seu 3º. os adeptos explicam. como poderá por em pratica ações prescritas de cortar recursos de marketing. 2 Fonte: http://www. o padrão "ciclo-novo ciclo". Corte seus recursos e a marca irá para o fundo. planos de ação incluem aprimorar a qualidade do produto ou adicionar mais características a ele. não há nenhuma estatística publicada quanto a media de vida de marcas. independentemente se já estava indo ou não nesta direção. © 2006 eduardo romeiro filho 30 ufmg . Mencionado pela primeira vez em 1920 por economistas referindo-se à indústria automobilística. De fato. do crescimento a maturidade. Camel. Parece muito fácil. por exemplo. talvez com uma maior limitação de distribuição.htm. Para aplicar o ciclo de vida do produto à sua marca. fabricantes e modelos de bens de consumo diversos. desde carros. sem novos picos e quedas. planos de ação incluem cortar preços e reduzir recursos de marketing. pois seus gerentes cortam seus recursos ou literalmente saem do negócio). muitos acreditam que é totalmente absurdo tentar determinar uma semelhança entre seres vivos. apenas uma maturidade contínua. a uma marca. em particular. revistas. da maturidade ao declínio.copernicusmarketing. BrandWeek O ciclo de vida do produto é um dos conceitos mais conhecidos no planeta. Ciclo de Vida de Produto: Uma I déia Perigosa Por Kevin J. nós estimamos que a média de expectativa de vida é de 13 anos. entrar em novos segmentos de mercado ou expandir a distribuição. etc. ela pode retornar. Coca Cola e Gillette. Bem gerenciada.com/copernicus-port/articulos/ciclo_de_vida_de_produto. Mas este número é realmente sem sentido uma vez que marcas não necessariamente têm um fim. Budweiser. 17— padrões diferentes de ciclo de vida do produto. mas veja que pesquisadores identificaram pelo menos 17—isso mesmo. tudo que um profissional de marketing tem que fazer é identificar em que estágio sua marca se encontra e seguir as estratégias prescritas a fim de maximizar seus lucros naquele estágio. durante o estágio de crescimento. a produtos. da qual a "vida" está completamente nas mãos de seus gerentes e concorrentes. uma marca poderia viver para sempre. quase o mesmo que leões e tigres.

o marketing sobrepõe novos recursos aos atributos que o produto já tem. projeto do produto Simplesmente não tem como um profissional de marketing saber que padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. O movimento contra o conceito de ciclo de vida do produto tem existido há anos. Theodore Levitt apresentou a profissionais de marketing o conceito de ciclo de vida de produtos e mostrou como torná-lo um “instrumento de força competitiva”. seus gerentes sabem que precisarão de uma dose séria de marketing transformacional a fim de fazê-la saudável novamente e prolongar sua vida. Lemon e Zeithaml.ig. auxiliando na gestão do avanço metódico de produtos ao longo de uma curva de sino — do lançamento e crescimento à maturidade e declínio. o valor dos clientes para uma marca—é uma medida muito mais preditiva de quanto é provável que uma marca "viva" se a empresa mantiver o status quo (Se desejar saber mais sobre o assunto recomendamos o premiado livro Driving Customer Equity.com. Esta é inclusive uma ferramenta muito mais prescritiva. mais ela irá "viver" independentemente de sua vida cronológica. Como Nariman Dhalla e Sonia Yuseph escreveram para o Harvard Business Review há quase 30 anos. existem muitas coisas que você pode fazer para duplicar a expectativa de vida de uma marca. Porém. Em geral. Também tenha em mente que as ações recomendadas a cada estagio são baseadas puramente em observações e estórias do que outras empresas fizeram.br/materias/harvard/2280501-2281000/2280882/2280882_1. já que toda empresa vê o ciclo de vida do produto de modo similar. se tornou disponível—uma opção cientificamente embasada e realmente útil para os profissionais de marketing. é comum adotarem uma solução parecida de posicionamento de produtos e serviços em cada fase do ciclo. e certamente não está diretamente relacionado ao incremento de lucratividade. Num clássico publicado pela Harvard Business Review em 1965. Apesar disso. Quanto mais valor uma marca tem. no qual baseamos muito do nosso próprio trabalho de customer equity).xml Acesso em 15 de agosto de 2006. inútil e perigoso conceito de ciclo de vida do produto. o conceito é central em estratégias de marketing e de posicionamento da maioria das empresas. pode ou não ser relevante para uma determinada marca. que tende a enxergar só uma trajetória possível para produtos de sucesso: avanço inexorável ao longo da citada curva. apenas recentemente outra opção de avaliação e quantificação da saúde da marca. de Rust. Com isso. E. rejuvenesce categorias e cria novos mercados. bem como não existe uma forma cientifica de medir e indicar a sua localização exata no ciclo. Uma conseqüência dessa visão limitada é um reflexo competitivo que leva o produto a “crescer” à medida que amadurece. 2. Enquanto não há nada que você possa fazer para que um cão viva 75 anos. a fim de identificar se está em seus momentos finais ou se ainda está em forma. Não existe nada especifico sobre isso. o marketing está mexendo no próprio conceito de ciclo e redefinindo fronteiras entre tipos de produto. Até hoje. numa luta sem fim para diferenciar e rejuvenescer o artigo. o modelo estreitou a visão do pessoal de marketing. A primeira coisa é parar de usar o antiquado. Hoje. Um fabricante de creme dental antigamente ponderava só duas dimensões — 3 Fonte: http://ultimosegundo. "o ciclo de vida do produto é uma variável dependente determinada pelas ações de marketing. relativamente a seus concorrentes. Customer Equity—ou seja.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 31 ufmg . Liberte-se do ciclo de vida do produto 3 Por Youngme Moon Não há nada de inevitável no ciclo de vida de um produto. Se uma marca tem um baixo valor. não uma variável independente à qual as empresas devem adequar seus programas de marketing". por mais útil que tenha sido nos últimos 40 anos.

pode ser observa da trajetória de mudança de tecnologia. gerador de ruptura. descrevo três estratégias de posicionamento usadas pelo marketing para promover a mudança mental do consumidor: o posicionamento reverso subtrai recursos “sagrados” do produto e acrescenta novos. "Um Estudo Ergonômico e Econômico Sobre a Substituição dos Monitores de CRT Por Monitores de LCD na Escola de Engenharia". Nos últimos cinco anos. a partir do declínio da tecnologia de vídeos CRT (de Tudo de Raios Catódicos) e LCD (Monitor de Cristal Líquido). Youngme Moon é professor associado de marketing na Harvard Business School. ainda. Trabalho de Graduação em Engenharia Mecânica. Neste artigo. o ambiente competitivo de um produto. uma progressiva substituição da antiga tecnologia predominante por outra. projeto do produto “hálito refrescante” e “combate a cáries” — para enfrentar a concorrência. A figura 15 mostra a evolução no mundo dos dois tipos de monitores no período entre 2002 a 2008. Ciclo de vida do produto: Um exemplo . Daí qualquer creme dental remover. portanto. 4 PEREIRA. o produto amplificado vira o produto esperado e precisa. Online. como em outros casos. Com isso. pode resgatar itens que estão claudicando na fase de maturidade e devolvê-los à fase de crescimento do ciclo de vida. e não a novas tecnologias. descobri que suas estratégias convergiam num ponto: ao posicionar — ou. é obrigado a oferecer uma série crescente de atributos. e o posicionamento camuflado oculta a verdadeira natureza do produto para habituar o público desconfiado à novidade. uma empresa pode usar tais técnicas para partir para a ofensiva e transformar uma categoria com a demolição de fronteiras tradicionais. 4 A seguir é apresentado um exemplo de análise de mercado a partir do ciclo de vida do produto. De modo análogo. hoje. mais moderna. Junho de 2006 5 Todas as figuras deste item possuem como fonte: RESELLER CONFERENCE. Uma empresa pode usar cada uma das estratégias para alterar. muitas vezes. Em seu modelo de inovação.br/conteudo/downloads/Samsung.pdf acesso em 09 de agosto de 2005. enquanto os monitores de CRT sofrem um declínio também constante. o marketing condena desnecessariamente o produto a seguir a curva que leva da maturidade ao declínio. Mas não precisa ficar só nisso. Outra observação a ser feita é que a tendência do aumento das unidades de monitores de LCD durante os anos de 2002 a 2008 é maior do que o declínio dos monitores de CRT.depto engenharia de produção . Nas circunstâncias certas. Pode ser observado no gráfico um crescimento constante das unidades de monitores de LCD. analisei dezenas de empresas e produtos de sucesso que desafiaram as “regras” do ciclo de vida. Pode. Ao adotar por instinto o velho paradigma do ciclo de vida. Neste caso. Em entrevistas com os executivos por trás desses êxitos. Casos semelhantes podem ser identificados na substituição dos discos de vinil pelos CDs. © 2006 eduardo romeiro filho 32 ufmg .resellerconference. Disponível na internet URL:http://www. O Mercado Mundial e Nacional de Monitores Nesta seção será mostrada a tendência nacional e mundial sobre o mercado de monitores de CRT e LCD. a empresa pode alterar o modo como o consumidor mentalmente os categoriza. reposicionar — seus produtos de forma inesperada. Belo Horizonte: UFMG. bem como no caso da mudança do videocassete para sistemas DVD. evitando obstáculos que poderiam retardar a aceitação pelo público. Petterson Eduardo Bernardes de Paula. Clayton Christensen mostra como tecnologias inusitadas e simples podem revirar o mercado. em proveito próprio. catapultar novos produtos para tal fase de crescimento. a placa bacteriana. o posicionamento inovador associa o produto a uma categoria radicalmente distinta. Hoje. Empresas que conseguem gerar ruptura numa categoria com o reposicionamento criam um ambiente lucrativo para oferecer sua mercadoria — e podem deixar totalmente perdidas as líderes da categoria. em Boston. as estratégias de que falo podem explorar a vulnerabilidade de categorias já estabelecidas a um novo posicionamento. desde “previne doenças na gengiva” a “branqueador” a “remove a placa bacteriana”. A proliferação de recursos e atributos que ocorre à medida que o ciclo de vida avança pode criar excessos que deixam o produto vulnerável a uma rival disruptiva com tecnologia mais simples. Com o tempo. ser novamente turbinado para seguir competitivo. Observa- se.com. É duro vencer uma disputa dessas.

Pode ser observado que todos os monitores de LCD. Figura 2 – Evolução do Preço Médio no Mundo LCD. isso fica ilustrado na figura 3. Conforme o tamanho da tela diminui a queda nos preços praticamente não apresenta grandes alterações. apresentam uma redução no seu valor conforme os anos passam.depto engenharia de produção . 2003-2008 A figura 2 mostra a evolução do preço médio no mundo dos monitores de LCD no período ente 2003 a 2008. 2003-2008. © 2006 eduardo romeiro filho 33 ufmg . projeto do produto Figura 1 – Evolução no Mundo (Unidades) CRT x LCD. para seus diferentes tamanhos. O crescimento da aquisição de monitores de LCD é bem mais elevado do que a taxa de queda dos monitores de CRT. No mercado Brasileiro de monitores também apresenta uma tendência para o aumento das unidades de monitores de LCD no país. Outra observação s ser feita é que os monitores de maior tamanho mostram uma queda nos seus preços mais significativa dos que os modelos de menor tamanho.

2003-2008 A figura 4 mostra uma comparação entre o Brasil e o mundo a respeito do preço médio do monitor LCD por tamanho de tela em 2004. Também fica claramente observado que. Pode se observado que os preços dos monitores de LCD no Brasil são mais caro do que os comparados mundialmente para os diferentes tamanhos de tela. 2004 A figura 5 mostra uma previsão do mercado Brasileiro de monitores de CRT por tamanho de tela entre os anos de 2003 a 2008. Figura 4 – Preço Médio do Monitor LCD por tamanho de Tela (Brasil x Mundo). projeto do produto Figura 3 – Evolução do Mercado Brasileiro de Monitores por Tipo de Tela (CRT x LCD).depto engenharia de produção . conforme o tamanho da tela aumenta a diferença entre os preços dos monitores comparados entre o Brasil e o mundo cresce. Pode ser observado na tabela que os modelos convencionais de 15 e © 2006 eduardo romeiro filho 34 ufmg .

os monitores de 19 polegadas tendem a apresentar um pequeno aumento na sua participação entre os anos de 2003 a 2008. de tela plana de 17 polegadas.depto engenharia de produção . Observando a tabela 3. a qual começou em 2003 e se estendeu até 2005. os monitores de 15 e 17 polegadas apresentaram um crescimento equivalente após 2003 e somam 94 % de participação no mercando em 2008. existe uma tendência no aumento das unidades de monitores de tela plana de 17 polegadas. sendo mais pronunciada para o monitor de 15 polegadas. projeto do produto 17 polegadas apresentarão queda após 2005. os modelos maiores do que 18 polegadas terão uma participação bem restrita no mercando. 2003-2008 © 2006 eduardo romeiro filho 35 ufmg . sendo os modelos mais requisitados. No entanto. Da mesma forma. Figura 6 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores de LCD por Modelo. Entretanto. esses monitores. Após 2005. Figura 5 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores CRT por Modelo. Porém.6 fica evidente que a participação de monitores de LCD com tamanho de tela inferior a 15 polegadas não terá utilidade no mercado. 2003-2008 A figura 6 mostra a previsão do mercado Brasileiro de monitores de LCD por modelo entre os anos de 2003 a 2008. atingindo no máximo 8 % em 2008. apresentarão um leve aumento na sua taxa de crescimento.

seja na compreensão das forças atuantes neste ambiente.depto engenharia de produção . muitas vezes contribuindo para sua implantação. A... Harrison. . Outros autores vão além. ao lado das áreas (ou funções) de produção e desenvolvimento de produtos. projeto do produto Marketing: Abrangência e Ferramentas. mas também acompanhar a evolução da empresa. surgiu de forma estruturada após a Segunda Guerra Mundial. C. ou mercadização). O Marketing pode ser definido como o “esforço contínuo de coordenar diversas variáveis (acima) a partir de determinados objetivos voltados à transação de bens e serviços. mapear as tendências em termos de desenvolvimento tecnológico e preparar estratégias que venham a atender aos interesses da empresa em sua atuação no mercado. S. Johnston. incluindo o próprio desenvolvimento do produto como uma das atribuições do marketing (como abaixo). 6 A situação do Setor de Marketing nas Empresas é definida por autores como Slack et all (2002) como uma das três funções essenciais ao funcionamento da empresa. Neste caso. O marketing (ou mercadologia. © 2006 eduardo romeiro filho 36 ufmg . a fim de atingir o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis”. Harland. Abrange (segundo definição da Associação Americana de Marketing) todas as atividades que envolvem o fluxo de bens e serviços entre produtor e consumidor. as funções ligadas ao Marketing incluem O Projeto do Produto I . área de ação onde o marketing é mais evidente. Administração da Produção... N. R. Chambers.. Distribuição. É o conjunto de atividades sistemáticas de uma organização humana (empresa) voltadas à busca de realização de trocas para com seu meio ambiente O que o Marketing sugeriu. 6 Slack. Presidência Produção Vendas/ Administração/ Marketing Finanças Desta forma. não se trata apenas de compreender os desejos dos consumidores. aspectos como Compra e Venda. como um dos efeitos da disseminação da produção em massa. A partir desta abordagem ampla. Política de Produtos. 2002. avaliar as ações da concorrência. São Paulo: Editora Atlas.. Divulgação e Promoção.. o marketing (ou mercadologia) é responsável pelas diferentes formas de interação entre as empresas e o meio ambiente no qual estão inseridas. Pesquisas de Mercado.

Adaptação – atividades desenvolvidas com o intuito de ajustar a oferta da empresa – sua linha de produtos e/ou serviços às forças externas detectadas através da análise. da própria avaliação destes resultados. Ativação – como o conjunto de medidas destinadas a fazer com que o produto atinja os mercados pré- definidos e seja adquirido pelos compradores com a freqüência desejada. bem como a análise criteriosa das informações resultantes. é normalmente de difícil elaboração e compreensão. 3. Entre as principais atribuições do marketing estão os “quatro A”. visando benefícios específicos (mercadológicos). interromperam um ciclo da indústria que se baseava em premissas de tendências de mercado que o tempo demonstrou equivocadas: petróleo abundante e barato. mas tendo em vista a complexidade das informações a serem coletadas e analisadas. Análise ou marketing mix – ação voltada para compreender as forças vigentes no mercado em que a empresa opera ou pretende operar no futuro. são aspectos normalmente pouco valorizados pelas empresas. dinheiro fácil e facilidades para aquisição de bens a crédito. projeto do produto (outras empresas). em última análise. em 1973 e 1978. seja em nível estratégico como na implementação de ações que visem à melhoria dos resultados obtidos e.depto engenharia de produção . que são claramente inspirados nos ciclos PDCA. provenientes de abordagens voltadas à melhoria da qualidade: 1. Entretanto. 2. o que costuma resultar em estratégias de ação muitas vezes equivocadas e resultados desastrosos. peça fundamental à análise do mercado e preparação da empresa. listados a seguir. Neste caso. O SIM é fundamental para o sucesso da empresa. Avaliação – que se propõe a exercer controles sobre os processos de comercialização e de interpretar seus resultados a fim de racionalizar os futuros processos de marketing. a competência da indústria automobilística japonesa para projeto e fabricação de © 2006 eduardo romeiro filho 37 ufmg . pode-se indicar o impacto sobre a indústria automobilística mundial das duas grandes crises do petróleo. Os quatro “A” do Marketing Análise ou marketing mix Vale considerar que as etapas ligadas às etapas de Análise e Avaliação são executadas por grupos ligados a funções de apoio e staff. em especial a primeira. A forma de coleta de dados. Como exemplo. Estas crises. seria injusto atribuir à área de marketing a responsabilidade pela previsão de tendências de mercado que muitas vezes estão além de meras ações da concorrência. Estas etapas visam à formação do SIM – Sistema de Informações Mercadológicas. 4.

Prognósticos e previsões. Entretanto. tendo em vista a escassez e “bagunça” dos dados. esta atividade é cada vez mais importante para a definição de estratégias de ação para as empresas.depto engenharia de produção . participação no mercado. sua área de atuação. que acabaram por levar. informações econômico/sociais e outras. à consolidação da Toyota como maior fabricante de automóveis do mundo. bem como sua capacidade de rápida resposta às mudanças de mercado na forma de novos produtos com características adequadas aos novos tempos mostraram-se implacáveis para a conquista de novos mercados (em especial nos EUA). e apesar de inúmeros exemplos onde os instrumentos de análise do mercado mostram-se limitados. que incluem aspectos como vendas por segmento. bem como o acompanhamento de avanços tecnológicos. quase trinta anos depois. Esta análise. 2. como estatísticas e histórico de vendas. Controle das atividades básicas da empresa. porém mal utilizados. contribui para a formação do SIM. concorrentes e consumidores. projeto do produto automóveis compactos (considerados pouco desejáveis até então). 3. Confrontos entre planos e parâmetros. de maneira muito sucinta. Ainda assim. por meio de técnicas diversas e sofisticadas. © 2006 eduardo romeiro filho 38 ufmg . Sistema de I nformações de Marketing Dentre as principais aplicações do Sistema de Informações de Marketing estão: 1. 4. normalmente a empresa enfrenta problemas para a elaboração deste sistema de informações. dentre as quais possíveis tendências sócio-econômico-culturais. como a investigação do mercado. Decisões de investimento ou “desinvestimento”. que inclui dados relativos à empresa. Neste caso. ou por outro lado a existência de relatórios e dados abundantes. deve-se considerar que é essencial a organização das informações. A análise pode ser considerada. mas somente daquelas que se mostrarem relevantes para a compreensão das forças que levaram a mudanças no mercado onde a empresa atua.

conflitos estes que poderão gerar uma série de atritos. Outra tendência interessante é esta redução de porções: é cada vez mais comum que biscoitos sejam vendidos em embalagens de até oito unidades. como o maior patrimônio da empresa. alimentos. Marca. onde sua atuação é mais evidente. Conflitos de opinião entre membros de diferentes equipes na empresa (e mesmo entre aqueles de uma mesma equipe) são considerados normais e até benéficos. Até o início do século XX. O tempo de consolidação da marca e a confiabilidade que ela expressa podem ser observados em inúmeros casos. que consideram aspectos tradição. Entre as principais funções da marca está a identificação da origem. com a mínima adição de conservantes. A equipe de design. administradores.. Isto se dá em função de uma imagem associada ao produto (e à marca). sem grandes exageros. estimulando o desenvolvimento de novas alternativas e soluções. que pode ser traduzido como uma série de atributos de qualidade. Neste caso.. deve compreender o efeito de tendências (como o desejo de alimentação saudável e de baixo custo) para o desenvolvimento de novos produtos (linhas de alimentos que mantenham suas características de composição ao longo do tempo. são decorrentes de alterações sociais que vão desde o movimento feminista (que levou as mulheres a valorizar o trabalho fora de casa) até a redução do número de filhos (que torna as porções cada vez menores. contando inclusive com cotações específicas. Neste ponto torna-se claro que o marketing vai muito além das funções ligadas à área de vendas. por meio da adequação de forças controláveis (aspectos e forças internas da empresa) às incontroláveis (meio ambiente no qual a empresa está inserida). As diferentes versões de comida congelada. no sentido de adaptá-los à realidade observada durante a fase de análise. Entretanto. ideais para um pequeno lanche e para apenas uma pessoa. podemos citar diferentes casos onde os produtos alcançam o sucesso por sua adequação às características de mercado. as mercadorias eram normalmente associadas à tradição artesanal e os critérios de escolha (com exceção do preço) eram basicamente identificados pelo cliente: detalhes de acabamento e materiais utilizados. se estes conflitos não forem gerenciados de forma conveniente podem gerar uma série de confrontos e ressentimentos quase sempre prejudiciais. A equipe de design da empresa (neste caso é equivocado imaginar que esta equipe seja formada apenas por designers industriais. que fazem sucesso atualmente. que serão rapidamente descritas a seguir: Design. em trabalho conjunto ao marketing. odor e sabor. arquitetos. Como exemplo. imagem e capacidade de ser relembrada pelo consumidor. aspectos como cor. no caso de Como foi projetado pela Engenharia. levando a resultados abaixo das expectativas da empresa. bem como a clareza e completude das informações levantadas durante a análise de mercado. É correto afirmar que a marca é um dos componentes mais importantes para a decisão do consumidor na hora da compra. por meio de algumas “Ferramentas de Adaptação” do produto ao mercado. e embalagens adequadas a porções individuais). Este é um reflexo de mudanças no padrão social que leva um número cada vez maior de pessoas a realizar pequenos lanches fora de casa. psicólogos e outros profissionais) é responsável basicamente pela transformação de informações verbais coletadas e estruturadas pelo marketing em sua análise do mercado em soluções técnicas (ou serviços) que atendam às especificações levantadas. A marca é muitas vezes considerada. projeto do produto Adaptação As atividades de adaptação são aquelas executadas pela empresa que visam ajustar as características do produto (bem ou serviço) às forças do mercado. Neste ponto se inicia a integração da equipe de marketing com outras áreas da empresa.. para uma ou duas pessoas apenas). é importante ressaltar que a interação entre equipes é fundamental para o sucesso do design. à medida que contribuem para a reflexão contínua da equipe sobre seu trabalho. visando a redução de conflitos entre os diferentes grupos na empresa. mas requer um envolvimento com toda a política de produtos da empresa. no caso de produtos duráveis. O Projeto do Produto I I I . muito bem explorados pela publicidade. e a produtos de baixo apelo aos consumidores. o que é particularmente interessante ao projeto de novos produtos. Nesta fase são especialmente importantes boas relações entre as áreas de Marketing e as de Produto e Fabricação.depto engenharia de produção . Normalmente estão envolvidos também engenheiros. Uma análise incorreta e/ou incompleta normalmente leva a resultados limitados em termos de design. nem sempre claramente tangíveis. Já naquela época as características de qualidade © 2006 eduardo romeiro filho 39 ufmg ..

nos tempos áureos da produção em massa (que vão até a década de 1960 nos países centrais e até 1980 no Brasil). fossem os custos controlados ou não e. mas ainda de forma genérica. pois serve para a proteção contra imitações. Embalagens para líquidos e cosméticos são cada vez mais elaboradas e servem como principal interface entre produto e consumidor. era possível à empresa determinar o preço em função de seus custos de produção. em função de uma demanda sempre maior do que a oferta. à robustez. não restava ao consumidor opção senão a de arcar com os custos de produção do fabricante. As embalagens são também essenciais para a proteção do produto e para a garantia de sua integridade durante o transporte e armazenagem até o consumo. Neste caso. diferencia a empresa de seus concorrentes (como nas gôndolas de supermercados) e é a base da imagem do produto. em vidro ou plástico). Preço É comum se imaginar que o preço é um componente do produto determinado pela empresa fabricante. em materiais mistos. onde embalagens e rótulos semelhantes determinam famílias de produtos que vão desde perfumes a cremes para pele. que permite armazenagem por meses.. em garrafas de vidro (atualmente praticamente extintas). a marca atua como importante elemento de concorrência pela empresa. fosse a qualidade controlada ou não. em especial em um mercado onde a concorrência é cada vez mais acentuada. seja no transporte ou durante o próprio uso. serve também para realçar o produto. por meio de uma simples visita ao supermercado. Com efeito. A embalagem tornou-se um componente extremamente importante para o produto. estimulando a fidelidade do consumidor. Desta forma. bem como com a oferta de brindes (que muitas vezes são novos produtos do mesmo fabricante). Embalagem. muitas vezes o xampu possui abertura na parte superior da embalagem. Neste caso. A embalagem também contribui para o fortalecimento da imagem da marca ou da empresa. em latas (em algumas cidades do interior do Brasil ou no caso do leite em pó). de três litros. enquanto o creme rinse. mais denso. 600ml. A embalagem tem por função básica proteger o produto. à performance. Sendo muitas vezes a principal interface com o usuário... merecedor de um tratamento de projeto muitas vezes mais sofisticado do que o próprio produto. xampus e sabonetes. Estas políticas são particularmente úteis se associadas à publicidade. a equação era bastante simples: O preço é igual ao custo. em papel. por exemplo. Por fim.depto engenharia de produção . pior. Mesmo em produtos de uma mesma linha. Algumas embalagens. seja durante o transporte como em seu período de exposição no ponto de venda. O Projeto do Produto I V. à esportividade. © 2006 eduardo romeiro filho 40 ufmg . quando se tratava de objetos de luxo. passando por 290ml. em confronto ao tratamento UHT. É fácil perceber. como por exemplo com ofertas do tipo “leve 3 e pague 2”. ou ao autor. Como a demanda era exagerada. como ocorre uma verdadeira “guerra” entre as embalagens expostas nas gôndolas.. à economia etc. acrescido do lucro desejado (P=C+L). pois podem vincular toda uma linha de produtos a determinado perfil de consumidores. 2 litros e outros. o que facilita a retirada do produto no momento da aplicação. Neste sentido. Um bom exemplo desta situação está nas diferentes embalagens para o leite: plásticas. tornaram-se ícones comparáveis ao próprio produto. A partir do surgimento de grandes empresas. 1 litro. a embalagem oferece vantagens como a economia por meio da utilização de refil e da variedade de tamanhos em função das necessidades do consumidor (como no caso de refrigerantes que vão desde o “caçulinha”. Um exemplo ainda na área de cosméticos são as embalagens de xampu e cremes para cabelo. as características associadas à marca passaram a ser determinantes para a escolha pelo consumidor. fosse esta produção eficiente ou não. tem sua abertura na parte inferior. Cada uma destas embalagens requer um tratamento específico para o produto (pasteurização ou processo UHT – Ultra High Temperature) e proporciona condições distintas para transporte e no que se refere à conservação. As embalagens servem também para a promoção de vendas. como a da Coca-Cola. fabricantes de produtos em série para um público cada vez maior. a embalagem contribui também para facilitar o manuseio de produto. tornava-se simples para a empresa absorver os altos custos de sistemas O que foi produzido. o leite pasteurizado requer refrigeração constante e garante o produto por alguns dias. Além disso. Casos como estes são comuns em produtos como linha de perfumes. de 200ml até embalagens “tamanho família”. mas com aumento de custos para embalagem. foi definido como de origem controlada já no século XVIII). Na indústria automobilística surgiram marcas associadas ao luxo. podendo ser inclusive considerado como um produto à parte. projeto do produto eram associadas à origem (o Vinho do Porto.

era comum a cotação de automóveis em dólar e a compra e venda com lucro (os preços de modelos antigos subiam ao invés de cair). e não um bem de consumo. apesar de altos investimentos em publicidade. Escolha. a demanda por automóveis sempre foi superior à oferta. projeto do produto de produção pouco eficientes. É notório o poder destrutivo (para a empresa) de produtos ou serviços mal elaborados e. principalmente. o que elevará seu preço.. Naturalmente um produto ruim não poderá ser compensado por serviços de atendimento ao cliente. menos o Custo que pode ser. Não há publicidade capaz de compensar. mal implantados.depto engenharia de produção . Neste caso. para que problemas ocorridos com produtos atualmente no mercado possam ser antecipados em futuros lançamentos. A situação. em função da entrada de novos fabricantes e de mudanças progressivas no mercado interno brasileiro. Ativação As atividades ligadas à ativação (ou composto de comunicação) são aquelas que visam à satisfação das necessidades dos consumidores em termos de colocação do produto no mercado. para que esta ocorra de maneira adequada. levando a uma espantosa escassez do produto. de um “sobre preço”. foi o da indústria automobilística. Neste caso. pior situação possível. com novos modelos (nacionais e importados) à disposição.. o último grande caso de “ágio” em automóveis no Brasil ocorreu com o lançamento do modelo Corsa pela General Motors. os diferentes serviços de atendimento ao cliente foram encarados pelas empresas como uma forma de atendimento diferenciado. Um dos melhores exemplos desta situação no Brasil. determinado pelo mercado. até meados da década de 1980. em especial da Internet. O Projeto do Produto V. Neste caso. a situação começou a mudar. como se este fosse de extrema necessidade. é atualmente bem distinta: o produto deve ter seu preço ao consumidor final adequado às características do mercado e àqueles praticados pela concorrência. o que levou os consumidores à até então inédita (e confortável) situação de um amplo poder de escolha. o que gerou a cobrança. dentre as quais duas particularmente perversas: a existência de “ágio” para determinados modelos e a idéia (falsa) de que o automóvel poderia ser uma forma de investimento. o que era causado pelo pequeno número de fabricantes e modelos disponíveis no país. ou seja. o que acaba por muitas vezes “enterrar” definitivamente a marca. controlado pela empresa (L=P-C). cabe à empresa (1) reduzir seus custos ou (2) tornar o produto mais atraente ao consumidor. existe um número maior que simplesmente abandona o produto ou o utiliza de maneira limitada e/ou equivocada. em 1994. seja tendo em vista questões de legislação (como leis de defesa do consumidor) ou de aumento da concorrência. entretanto.. é importante que o serviço de atendimento ao cliente esteja em sintonia com a equipe de projeto. O grande sucesso do novo automóvel gerou uma imediata corrida às revendas. Esta situação levou à declarações de ministros de estado sobre o assunto e a uma grande discussão sobre o tema. A Como a Manutenção instalou. Entretanto. os diferentes serviços de atendimento ao cliente apresentam-se como oportunidades de melhoria do produto e da imagem da empresa perante seus clientes. Com efeito. A partir da década de 1990. atendimento e controle dos intermediários para distribuição. para cada cliente que entra em contato com a empresa em busca de ajuda. pois estes custos eram facilmente transferidos aos clientes. Com efeito.. o que apenas chamou a atenção para uma situação que começava a mudar: o mercado tornava-se mais maduro. com novos competidores e novos produtos em oferta. A distribuição tem sofrido grande influência das novas tecnologias de comunicação. Desta forma. Atualmente o mercado brasileiro possui mais de dez opções de modelos no segmento dos sub-compactos (segmento onde o modelo Corsa ainda concorre). em médio prazo. Os principais aspectos da ativação são: Distribuição. atendendo às necessidades de conservação e condições de uso. em hora e local apropriados. o que trazia uma série de distorções. as funções associadas ao marketing são basicamente encontrar “nichos” de mercado e preencher estes nichos com o mínimo de custos e recursos. a insatisfação de consumidores com produtos ruins e. em termos. sob pena de tornar-se inviável para a empresa. pelas concessionárias. uma nova equação deve ser aplicada: O Lucro é resultante do Preço. Tendo em vista as características do mercado interno. a criação de anedotas e “slogans negativos” a partir de experiências de consumidores com produtos. de “ágio”. É razoavelmente simples perceber que. Assistência ao Cliente Por muito tempo. especialmente necessário no caso de produtos que requeiram conhecimentos específicos (bens de capital ou serviços). e ainda hoje. © 2006 eduardo romeiro filho 41 ufmg . mas estes podem transformar-se em ferramentas especialmente úteis para detecção de problemas e/ou tendências que tenham passado despercebidos durante a análise de mercado.

O Marketing. tema muito bem 7 explorado por Klein (2002) . Análises de mercado. muitas vezes com formação técnica. Preparo e organização dos responsáveis pela venda direta. Entrega de lotes econômicos em localizações pré-determinadas nas quantidades. produtos especialmente sensíveis como flores e frutas podem ser transportados a grandes distâncias em prazos extremamente curtos. O problema. Logística. A questão parece estar não nos recursos. que percorria grandes distâncias para apresentação e venda de produtos que seriam posteriormente entregues em pontos de venda distribuídos em grandes regiões geográficas. Apesar disso. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “EU. O que Cliente desejava! 2. revistas.. muito popular no Brasil. Análise – Avalie se seus objetivos estão claros e 7 KLEIN. Mudanças tecnológicas. neste caso. Neste caso. Um nome. não basta ter. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador.. bem como em diversos casos de vendas para o comércio. as empresas buscam sempre novas formas de publicidade. os investimentos em marketing e publicidade aumentam a cada ano. mas extrapola o escopo deste texto. Objetivo – Analise corretamente as reais oportunidades de mercado. tem sido acusado de romper suas funções originais de detectar necessidades do consumidor. a publicidade é responsável pela visibilidade do produto. como em novos formatos. que em seu início já indica os efeitos da publicidade: “Em minha calça está grudado um nome. mais moderno. Rio de Janeiro: Editora Record. agindo para que estas necessidades sejam deliberadamente criadas. seja em meios de comunicação tradicionais. SEM LOGO – A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido. por uma pretensa relação direta explorada pela publicidade entre a felicidade e o sucesso econômico. torna-se necessária a formação adequada de grupos de vendedores especializados. Esta crítica pode ser justificada por meio de uma de valorização do novo. Na busca da exposição de seus produtos. distorcida. O Projeto do Produto VI ( final) . A utilização de contêineres para transporte de mercadorias trouxe uma série de vantagens para processos de importação e exportação e facilidades adicionais para utilização de diferentes meios de transporte. ou mesmo na criação de jogos baseados ou fortemente relacionados a produtos de mercado. © 2006 eduardo romeiro filho 42 ufmg . tendo em vista novos canais de distribuição e novas formas de apresentação de produtos e serviços. Forma recente de publicidade é a utilização de anúncios como parte do cenário de jogos eletrônicos. é talvez a área mais evidente e distorcida do marketing.depto engenharia de produção . acompanhamento de tendências e correta avaliação das necessidades a serem atendidas pela empresa parecem ter a mesma (ou mesmo maior) importância de boas campanhas de divulgação. devem ser lembradas as sete principais diretrizes do Marketing: 1. Que não é meu de batismo ou de cartório. mais caro. Tradução de Ryta Vinagre. como jornais. ETIQUETA” (colocado na íntegra adiante). muitas vezes. rádio e televisão. Também sobre o tema. em especial pelas políticas cada vez mais agressivas de publicidade. mas na forma de sua aplicação. Naomi. é hoje praticamente extinto. Venda Pessoal. divulgação e promoção da oferta de idéias. especialmente importantes em casos de bens e capital. Esta discussão é extremamente rica. Desta forma. envolvendo cifras progressivamente mais altas e recursos muitas vezes inovadores. projeto do produto figura do caixeiro viajante. estranho”.. Publicidade. Nestes casos. mas é necessário que se tenha o que há de mais novo. 544 pp. 2002. Responsável pela informação. de mercado e de configuração de produtos tornam os sistemas logísticos componentes fundamentais para o sucesso de empresas e produtos.. que requerem uma abordagem específica de acordo com as necessidades de um número limitado de clientes. Muitas vezes confundida com o próprio marketing. função que vem se tornando crucial para o sucesso das empresas no mercado e tende a tornar-se ainda mais importante no futuro. tornando possível a atuação da empresa em mercados não imaginados até então. épocas e condições desejadas. está na visão deturpada do marketing e na utilização de suas ferramentas de maneira isolada e. A partir disso. o que vem ocorrendo de forma cada vez mais complexa.

3. principalmente. 3. incluindo a concorrência. formais e imparciais de todas as operações de marketing na empresa. publicidade dirigida ao público infantil nos anos 1980. © 2006 eduardo romeiro filho 43 ufmg . 7. 2. Definição dos períodos de controle. Esta etapa é também chamada de SAM. na hora exata. A publicidade é por muitos considerada um reflexo de padrões sociais vigentes. portanto referência de hábitos e costumes de qualquer sociedade. Grau de desvio que deve oferecer indícios. Retrato de uma época. Acompanhamento dos desvios entre resultados e padrões. Para esta avaliação. A escolha dos padrões é função dos objetivos de mercado. é necessário que sejam seguidas determinadas regras. Feedback – Utilize sua experiência no aprendizado para o futuro. Existem padrões mais ou menos óbvios. 3. que servirão de guia para as ações da empresa no futuro: 1. Para que a auditoria atinja seus objetivos. 7. de maneira que as informações necessárias sejam levantadas de forma adequada.. 2. Padrões de confronto planejado x executado. Avaliação – Exerça o controle contínuo sobre as ações e mensure os resultados. técnicas e equipamentos) de controle. são necessários: 1. Uma adequada determinação dos padrões de controle. 2. Detecção de falhas no processo. exames periódicos. Acima. deve ser prevista uma série de auditorias mercadológicas. 6. 4. 5. em tempo hábil. Recomendação de ações corretivas.. Para que esta auditoria atinja seus resultados. projeto do produto se estes são aceitos. 8. sem a coleta e processamento de dados inúteis. ou seja. Ativação – Garanta que o produto certo esteja no lugar certo. a partir do aprendizado constante e da busca de novas soluções para problemas eventualmente encontrados. retratando com fidelidade a época que representam. mas devem ser sempre necessários. 6. é fundamental a preocupação contínua em melhorar a relação custo/benefício das atividades. Elaboração de recomendações. Recursos – Assegure a disponibilidade de meios racionais para o objetivo proposto. Para que estes objetivos sejam alcançados. tendo por base critérios consistentes e objetivos factíveis a partir dos recursos existentes. Adaptação – Ajuste as características de sua oferta às necessidades do mercado. 4. tendo em vista o plano estratégico da empresa e a evolução do mercado. Definição dos elementos de controle. Normas de desvio aceitáveis.depto engenharia de produção . ou Sistema de Auditoria Mercadológica. Não há controle se definição de metas. Avaliação Nesta última etapa. 3. sem esforços redundantes e. 5. são necessários: 1. Disposição de meios (pessoas.

dez vezes superior ao encont rado no Brasil. Mas isso não acont eceu.07h37 Anúncios das sandálias havaianas. por exem plo. acom panhando a evolução do m ercado" . At é o principal j ornal de econom ia do Reino Unido. segundo o slogan " não deform am . as vendas no ext erior devem chegar pert o de 10 m ilhões.fina que t om a sol na m esm a piscina". o valor m édio de 20 libras ( R$ 96) cobrado pelas sandálias em loj as com o a Urban Out fit t ers e a Whist les é. est am pou na m anchet e que o calçado das favelas conquist ou as vít im as da m oda. " Depois disso.O sucesso das " legít im as" j á virou t em a de report agens nas principais revist as e j ornais do m undo. © 2006 eduardo romeiro filho 44 ufmg . além . Cla sse m é dia . é claro. H a va ia n a s sã o ve n dida s por a t é R$ 5 0 0 e m Lon dr e s SI LVI A SALEK. A Naom i. " Com o ainda não est am os explorando esse segm ent o. Font e: ht t p: / / www1. Mas conseguim os t ransform ar as sandálias no calçado m ais dem ocrát ico do Brasil. acaba sobrando espaço para ação dos pirat as. quando as havaianas passaram a ser um art igo fashion há alguns anos. da França. Rui Port o. " Tínham os esse receio no Brasil. "Tenho quat ro Havaianas e não m e canso delas" . Nosso depart am ent o j urídico est á t endo t rabalho com isso. Para o " New York Tim es". no m ínim o. Mas querem os m ant er as sandálias com o um produt o de elit e no m om ent o para. usado t ant o pela faxineira que lim pa a piscina. a m et a é export ar 5 m ilhões de pares. disse Ali I net t . projeto do produto Um exem plo de m arket ing. do cust o das sandálias. m as não páram de vender.depto engenharia de produção . t er Havaianas era quase com o exibir um at est ado de pobreza.com . andam de havaianas o t em po t odo" . que poderá t est ar em breve a prom essa do slogan: " não t em cheiro" . disse Port o. " Fui ao Brasil recent em ent e e com prei sandálias para t odos os m eus am igos. desde a década de 1960 ( à esquerda) . o acordo ent re a em presa e os organizadores da fest a do Oscar não t eve nenhum cust o para a São Paulo Alpargat as. o " Financial Tim es" . 1970 e em cam panhas recent es. que decoram as t iras dos chinelos de borracha com pedras.br/ folha/ bbc/ ult 272u21499. gerent e da Whist les de Covent Garden.Segundo o diret or de com unicação da São Paulo Alpargat as. É o preço da nossa fam a" . post eriorm ent e. D e u n o " N ew Yor k Tim es" . com eçar a vender para a classe m édia" . M oda pa ssa ge ir a . "Poderíam os est ar export ando m uit o m ais. acabaram divulgando as havaianas no ext erior. M ode los . O sucesso das legít im as é t ant o que fábricas na Argent ina e na África j á com eçaram a copiar as sandálias. Eles adoraram e não querem m ais usar nenhum out ro sapat o. Em 2003. disse o j ornal. crist ais e m içangas. É o ít em de m aior sucesso dest e verão" . " No passado. as havaianas são a últ im a palavra da m oda para os pés. acrescent ou a inglesa. quant o pela grã. j á disse várias vezes ser fã das havaianas" . Apesar do alt o preço cobrado pelos est ilist as. Lançam os sem pre novas cores e m odelos. afirm ou Port o. disse Port o. m odelos brasileiras e t am bém est rangeiras que visit avam o Brasil. O " Le Monde" . se rendeu ao sucesso dos chinelos de borracha: " A sandália de quem t em m uit o dinheiro e nada para provar" . as export ações da sandália t êm dobrado a cada ano. declarou Roza. Ele lem brou que a fam a dos chinelos que.folha. em Londres As sandálias havaianas viraram m oda na Europa e chegam a ser vendidas por cerca de 100 libras ( R$ 478) por est ilist as na capit al brit ânica. da BBC.. Segundo Port o. que fabrica as havaianas há 41 anos. disse a escrit ora inglesa Kat e Pem bert on.sht m l Acessada em 13/ 06/ 2003 .uol. " Elas são caras. não t em cheiro e não solt am as t iras" . disse Carlos Roza.Desde 2001. no ano que vem . a m oda no ext erior foi im pulsionada por m odelos brasileiras e est rangeiras que carregavam as sandálias na m ala quando deixavam o Brasil. chegou ao ápice quando 61 pares das sandálias foram dados de present e para t odos os indicados ao Oscar dest e ano.. da em balagem e do t ransport e.Para Rui Port o. a em presa est á at ent a para o risco de virar um art igo de m oda passageiro e perder o espaço conquist ado at é ent ão quando a m oda passar. com o Naom i Cam pbell. gerent e de export ações da São Paulo Alpargat as. ainda assim . é possível encont rar Havaianas m ais barat as em Londres. de olho num m ercado que não pára de crescer. que com binava um vest ido m arrom com um sandália da m esm a cor. cent ro de Londres.

a escolha do produto é guiada pelos conceitos de valor. A fim de se realizar uma pesquisa Consumidores e compradores organizacionais aprofundada sobre o assunto é necessário enfrentam abundância de fornecedores que assumir um conceito para Marketing. (KOTLER. marketing e praticantes de possuem necessidades e desejos. sentimento de posse. vestuário. desejos e demandas. A necessidade de cooperação entre as atividades de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento é analisada através de pesquisas realizadas mundialmente. Diversas procuram satisfazer a suas necessidades. específicos e trocá-los por outras coisas de segurança. coerção. simplesmente fazendo um bom trabalho. As especializam-se em produzir produtos pessoas exigem alimento. oferta e troca de produtos Marketing é a função da empresa encarregada de valor com outros. abrigo. Elas devem fazer um trabalho O QUE VEM A SER MARKETING? excelente se quiserem ser bem sucedidas nos mercados de crescente concorrência global. entretanto usaremos o Estudos recentes têm demonstrado que a conceito de Kotler: “Marketing é um processo chave do sucesso de empresas rentáveis é social e gerencial pelo qual indivíduos e conhecer e satisfazer os consumidores-alvo grupos obtêm o que necessitam e desejam com ofertas competitivamente superiores. valor. esmola e entre necessidades. desejos e demandas. troca. transações e que os seres humanos são criaturas que relacionamentos. Desde que marketing. Necessidades. através da criação.” de definir os consumidores-alvo e a melhor Esta definição esta fundamentada nos maneira de satisfazer suas necessidades e seguintes conceitos centrais: necessidades. produtos. Philip. auto-estima que necessitam. custo e Marketing tem suas origens no fato de satisfação. existem na necessidade similar. A maioria das sociedades modernas Necessidade humana é um estado de trabalha sob o princípio da troca. isto é. Marketing coordena © 2006 eduardo romeiro filho 45 ufmg . analisando as maneiras como as empresas se orientam para o mercado e quais são seus impactos na relação entre marketing e desenvolvimento de produtos. as empresas não podem potenciais. Desejos e Demandas Estes produtos são obtíveis de diversas Uma distinção útil pode ser destacada maneiras: autoprodução. Mercado é um Estas necessidades não são criadas pela grupo de pessoas que compartilha uma sociedade ou pelas empresas. 1997) sobreviver. Engajam-se em transações e e algumas outras coisas para a sobrevivência.depto engenharia de produção . troca. projeto do produto Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos Oswaldo Henrique Castro de Jesus Curso de Mestrado em Engenharia de Produção Universidade Federal de Minas Gerais O propósito deste artigo é fornecer uma visão geral sobre os conceitos centrais subjacentes a disciplina de marketing. são suas definições. desejos de forma competitiva e rentável. Uma breve discussão sobre estes muitos produtos podem satisfazer certa conceitos é elaborada a seguir: necessidade. tenta realizar trocas Hoje. custo e satisfação. INTRODUÇÃO aquelas atividades envolvidas no trabalho com mercados. Pessoas privação de alguma satisfação básica. construção de relacionamentos.

“Business-to-Consumer” (B2C) vem Freqüentemente. características físicas. realmente para obter-se respostas a algum objeto estariam dispostas e habilitadas para comprá. que através de sua posse. e Marketing surge quando as pessoas recentemente o E-supply chain. distribuidores. sendo as demais autoprodução.depto engenharia de produção . ser vista como um processo. Os desejos humanos são as condições de troca que deixará ambas em continuamente moldados e remoldados por melhor situação do que a anterior. efetuar mudanças bem-sucedidas. famílias e empresas. Obtém-se resultados favoráveis construindo- ordenando-os de acordo com suas se laços econômicos. produtos. projeto do produto delicada textura biológica e são inerentes à maneiras pelas quais as pessoas podem obter condição humana. Demandas são desejos por produtos Duas partes estão engajadas na troca específicos que são respaldados pela se estiverem negociando e movendo-se em habilidade e disposição de comprá-los. Custo e Satisfação qualidade. desta forma as escolhas são rotinizadas. parte espera dar e receber. junto profissional de marketing analisa o quê cada com outros influenciadores da sociedade. A troca é uma das quatro © 2006 eduardo romeiro filho 46 ufmg . confiança e relacionamentos “ganha- físicos. nas melhores situações transações suas necessidades. distribuidores e julgamentos de valor e fazem escolha de clientes. Pode-se classificar os produtos. Este conceito esta intimamente ligado ao conceito atual “Supply Chain Management” ou Troca. Situações de troca despertam desejos. em vez de como escolas. O trabalho do denominada marketing de relacionamento. os fabricantes revolucionando as práticas atuais. bons serviços e preço justo. seus desejos são depende das duas partes concordarem sobre muitos. As profissional de marketing é vender os empresas ágeis tentam construir. a longo benefícios ou serviços contidos em produtos prazo. mas também nos serviços seus conceitos “Business-to-Business” (B2B) e oferecidos pelo mesmo. quantas pessoas desejam seu produto. com grande decidem satisfazer necessidades e desejos utilização na área de logística. oferecendo- mais profundas. Cada produto envolve um negociadas individualmente passam a ser custo específico. Desejos tornam-se demandas quando dizemos que ocorreu uma transação. cometem o erro de prestar mais atenção a O Marketing de transação descrito seus produtos físicos do que aos serviços acima é parte de uma idéia mais ampla oferecidos pelos mesmos. A importância e entre empresas e seus consumidores. com os quais constrói produto. um evento. Se este é atingido. Alguns relacionamento é a construção de um ativo teóricos do comportamento do consumidor vão exclusivo da empresa denominado rede de além das limitadas pressuposições marketing. Desejos são carências por satisfações coerção e mendicância. desta forma as transação consiste na negociação de valores empresas devem mensurar não apenas entre duas partes. Para lo. trata- dos produtos físicos não reside apenas em se do comércio eletrônico. técnicos e sociais fortes capacidades de satisfazer às necessidades. direção a um acordo. embora as necessidades das se algo em contrapartida. Produtos podem ser definidos como Ultimamente tem se consolidado um novo algo que pode ser oferecido para satisfazer a meio de se efetuar transações entre empresas uma necessidade ou desejo. Troca é o ato de obter específicas para atender a estas necessidades um produto desejado de alguém. mas. esta deve forças e instituições sociais como igrejas. oferecido para uma audiência alvo. Transações e Relacionamentos. Uma rede de marketing consiste na econômicas de como consumidores fazem empresa e seus fornecedores. quantas pessoas. mostrando-se dois atores e os desejos e ofertas fluindo entre Produtos eles. foco deste trabalho e não serão abordadas. sua ocorrência pessoas sejam poucas. Uma apoiados por poder de compra. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. o Marketing consiste de ações adotadas mais importante. o Os especialistas de marketing. simples podem ser mapeadas. feitas em função dos produtos que produzem O resultado final do marketing de maior valor por dinheiro despendido. revendedores e fornecedores valiosos. entre as partes envolvidas. em vez de apenas descrever suas ganha” com clientes. O marketing de Valor é a estimativa do consumidor em relação relacionamento reduz os custos de transação à capacidade global de produto satisfazer a e o tempo. entretanto estas teorias não são o relacionamentos comerciais sólidos e seguros. Isto é realizado com a promessa e entrega de alta Valor. através da troca.

clientes e sociedade. O conceito de produto parte do dispostos e habilitados para fazer uma troca princípio de qua os clientes darão preferência que satisfaça essa necessidade ou desejo. Os economistas usam o termo desenvolvimento de produtos e produção mercado quando se referem a um grupo de colocam seus esforços para aumentar o compradores e vendedores que transacionam volume de produção e buscar alternativas para em torno de um produto ou classe de reduzir custos. deixar de observar que o mercado pode estar Se uma parte é mais ativa para menos preocupado com a qualidade oferecida. Um praticante de marketing é caminho até a porta da empresa. eficiente e eficaz. As economias 2. características inovadoras. unidos através de processos de que oferecem mais qualidade. têm recursos que concentram-se em atingir alta eficiência interessam a outros e estão dispostas a produtiva e ampla coberturas de distribuição. entretanto. através de um perguntar aos consumidores o que eles marketing responsável. DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS não examinam os produtos dos concorrentes BASEADO NA ORIENTAÇÃO DA EMPRESA porque “não foram inventados em suas EM RELAÇÃO AO MERCADO fábricas”. Muito desenvolveram os planos para um novo carro. Não que as atividades de marketing e projeto de é de admirar que o carro exigia tanto esforço produto sejam desempenhadas em uma de venda do revendedor! A GM errou ao não filosofia bem fundamentada. o departamento interesses entre pesos atribuídos a financeiro fixa o preço e os departamentos de organização. Estas depende do número de pessoas que mostram organizações são orientadas para a produção a mesma necessidade. consumidores favorecerão aqueles produtos relacionados. projeto do produto Mercados organizações conduzem sua atividade de O conceito de troca leva ao conceito marketing. Tais organizações acreditam que os Marketing significa a atividade humana que compradores admiram produtos bem feitos e ocorre em relação a mercados. exigindo marketing e de vendas tentam vendê-los. ao círculo amplo do conceito de marketing. o tamanho do mercado disponíveis e são de baixo custo. os profissionais de massa é muito utilizado neste tipo de marketing vêem os vendedores como organizações. Um executivo da General Motors A administração de marketing e o afirmou anos atrás: “Como o público pode desenvolvimento de novos produtos são saber que tipo de carro deseja. constituindo a indústria e os compradores como constituindo o mercado. a fábrica o constrói.depto engenharia de produção . Conceito de Produto de um país e do mundo inteiro consistem de O conceito de produto assume que os complexos conjuntos de mercados inter. chamamos a tornando-se vítimas da falácia denominada primeira de praticante de marketing e a “melhor ratoeira”. freqüentemente existem conflitos de Depois. Há desejavam e nuca consultava as pessoas cinco conceitos distintos sob os quais as © 2006 eduardo romeiro filho 47 ufmg . desempenho ou troca. produtos com pouca ou nenhuma contribuição do consumidor. oferecer estes recursos em troca do que Desta maneira os responsáveis pelo desejam. procurar uma troca do que outra.O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de 1. Internamente os envolvidos na trocas potenciais para o propósito de concepção e fabricação de produtos passam a satisfazer a necessidades e desejos humanos. Confiam que seus engenheiros saberão como planejar ou RELAÇÕES ENTRE MARKETING E melhorar o produto e muito freqüentemente. o sistema de produção em produtos. alguém que busca um recurso de outra Freqüentemente. 1997) de mercado. antes de ver o descritos como o esforço consciente para que está disponível no mercado?” Os atingir as mudanças de resultados desejados designers e engenheiros da GM em relação aos mercados-alvo. (KOTLER. Marketing podem avaliar a qualidade e o desempenho significa trabalhar com mercados para realizar dos mesmos. as empresas pessoa e que está disposto a oferecer algo de orientadas para produto planejam seus valor em troca. Conceito de Produção uma necessidade ou desejo específico. onde acreditam que uma segunda parte de cliente ou consumidor melhor ratoeira levará as pessoas a abrir um potencial. àqueles produtos que estão amplamente Assim. Estas organizações focam sua energia em fazer Marketing e Praticantes de Marketing produtos superiores e melhora-los ao longo do O conceito de marketing conduz-nos tempo.

Mais de 2000 produtos 4. marketing. necessariamente. negligenciados. empregar um esforço agressivo de venda e de promoção. Depois. Idealmente. não todas as atividades que afetarão estes comprarão suficientemente os produtos da consumidores e produz lucros através da organização.. serviço se venda sozinho. foca O conceito de venda assume que os a necessidade dos consumidores. As metodologias variaram. resultados rentáveis. determinar as necessidades. Seu propósito é vender o nos melhores interesses a longo prazo desses que fabricam. de inovações tecnológicas que tiveram sucesso no mercado. marketing Juntas. deve Com o objetivo de fundamentar a ser precedida de diversas atividades de relação de cooperação que deve existir entre marketing como avaliação de necessidades. fome e promoção eficazes para estimular mais a pobreza mundial e serviços sociais compra. estas observações sugerem coordenado e rentabilidade. necessidades dos consumidores. o O conceito de marketing societal público identifica marketing como venda afirma que a tarefa da organização é agressiva e propaganda. Conceito de Marketing Societal O conceito pressupõe que Em anos recentes. sólidos nos meados dos anos 50. foca sobre O conceito de produto leva a “miopia os produtos existentes na empresa e exige em marketing”. escassez de recursos. Existe sempre alguém tentando longo prazo. desenvolvimento de produto. coordena consumidores. o esforço de marketing deve resultar em um consumidor disposto a comprar. Conceito de Marketing lançados por 100 indústrias em vários países O conceito de marketing é uma foram estudados a fim de determinar o papel filosofia empresaria que desafia os conceitos relativo a Marketing e Pesquisa e anteriores. 3. O conceito de que tanto Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) © 2006 eduardo romeiro filho 48 ufmg . As empresas fazem um A maioria das empresas pratica o excesso de trabalho para satisfazer os desejos conceito de venda quando tem capacidade de de consumidores. Este mas duas observações são claras. projeto do produto envolvidas em marketing para ajudar a venda parte de uma perspectiva de dentro projetar o tipo de carro que venderiam.COOPERAÇÃO disponível. de propósito de marketing é conhecer e entender maneira a preservar ou ampliar o bem estar o consumidor tão bem que o produto ou dos consumidores e da sociedade. Começa com a fábrica. idéias originadas de consumidores e se em quatro pilares principais: mercado-alvo.” Assim. Como resultado. se deixados sozinhos. a venda para ser eficaz.. algumas pessoas consumidores típicos mostram inércia ou têm questionado se o conceito de marketing é resistência e têm que ser persuadidos a uma filosofia apropriada em um período de comprar mais e que a empresa dispões de deterioração ambiental. preço várias pesquisas buscaram entender a origem e distribuição. potenciais entre os desejos e interesses dos anúncios em jornais. vender alguma coisa. produção excessiva. será MARKETING E PESQUISA E necessário apenas tornar o produto ou serviço DESENVOLVIMENTO . O conceito de marketing parte de uma perspectiva de fora para dentro. mala direta e visitas de consumidores e o bem estar da sociedade a vendedores. assume que a chave para atingir as metas 60 a 80% de produtos com sucesso organizacionais consiste em determinar as foram lançados em resposta a demandas de e necessidades e desejos dos mercados-alvo e necessidades de mercado oferecer as satisfações desejadas de forma Melhorias nas vendas são mais mais eficaz e eficiente do que os concorrentes. Os compradores potenciais são marketing coloca lado a lado os conflitos bombardeados com comerciais de televisão. 5. Entretanto o eficientemente do que os concorrentes. todos um arsenal de ferramentas de vendas e explosão do crescimento populacional. pesquisa. freqüentes e prováveis de acontecer para O conceito de marketing fundamenta. Assim. a organização deve obtenção de satisfação dos mesmos.depto engenharia de produção . para fora. em vez de o que o mercado consumidores e da sociedade? O conceito de deseja. Seus pontos centrais tornaram-se Desenvolvimento. agindo. desejos e Segundo declarado por Druker (1973): interesses de mercados-alvo e atender às “Haverá sempre alguém assumindo que satisfações desejadas mais eficaz e alguma venda será necessária. Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. um foco no produto em vez de ênfase em venda e promoção para gerar na necessidade do consumidor”. Conceito de Venda Começa com um mercado bem definido.

practices. P&D desenvolve novos níveis de desempenho tecnológico que permitem criar novos benefícios aos consumidores. nem P&D nem marketing podem se conduzir em separado. p. Dougherty (1989) revelou que produtos com sucesso se originam em KOTLER. projeto do produto quanto Marketing (Orientado para o BIBLIOGRAFIA consumidor) conduzem ao sucesso no desenvolvimento de novos produtos. As filosofias que mais se destacam na atualidade são caracterizadas por ter uma grande integração e cooperação entre marketing e projeto de produto.. consumidores e capacidades de tecnologia. Philip. o simpático carrinho foi retirado de linha num estrondoso Através deste estudo pode-se concluir fracasso. com teto solar. Marketing. Glen L. Evidencia-se que uma boa estratégia de novos produtos requer uma integração efetiva de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. 1993 novos produtos. 1997. Ela também descobriu que nos casos de DRUCKER. Design and Entretanto existe também uma evidencia que Marketing of New Products. © 2006 eduardo romeiro filho 49 ufmg . QFD for Service Industries. Trabalhando juntos. Tempos depois de lançado. necessidades dos Logística e Comércio Eletrônico.depto engenharia de produção . responsabilities. New York: Harper & falhas. entretanto. Management: tasks. Volkswagen do Brasil em meados dos anos 1960. associado ao seu tradicional bom CONCLUSÂO humor. Marketing identifica a pesquisa as necessidades dos consumidores. 64-65 comunicação em pelo menos um destes aspectos. Cinco filosofias alternativas podem guiar as organizações no cumprimento de seu trabalho de marketing. P&D e Engenharia podem Nem sempre o lançamento de um produto de levar a organização desenvolver produtos que excelência significa sucesso comercial. Planejamento e Controle. A idéia parecia boa: o Fusca já era um enorme necessidades dos consumidores e tecnologia sucesso de vendas e a abertura superior era devem ser integradas se o sucesso é o extremamente adequada a um país de clima objetivo.. 1973. que nada tinha a ver com suas que o Marketing esta intimamente ligado com características técnicas: fora apelidado (em virtude a atividade de Desenvolvimento de Produtos de sua abertura no teto) de “Cornowagen”. foi lançado pela excedem as necessidades dos consumidores. Administração de Marketing. tropical. existiram pouca cooperação e Row. 1º Congresso Brasileiro em plano de negócios. em um estudo MAZUR. e se comunicaram em todos aspectos do Notas de palestras. Por exemplo. Gleen H. 2000. URBAN. John R. situações onde marketing e P&D cooperaram Análise. variando de acordo com a filosofia adotada e sua maneira como se posiciona perante o mercado. funções e relacionamentos entre marketing e projeto de produto. cada uma definindo os papéis. HAUSER. Peter. em uma empresa. Os engenheiros alemães não contavam. A tecnologia sozinha não é suficiente. P&D e Engenharia desenvolvem os meios de satisfazer a estas necessidades. com o “machismo” do público brasileiro. sobre 16 projetos de desenvolvimento de From voice of Customer to Task Deployment. O promovem benefícios que satisfazem e automóvel acima.

Zandin and Harold B. Maynard. Kjell B.depto engenharia de produção . projeto do produto Fonte: Maynard’s Industrial Engineering Handbook. Mc Graw Hill © 2006 eduardo romeiro filho 50 ufmg .

“O cliente espera apenas o que você e seu concorrente tenham levado-o a esperar. Uma empresa competitiva é aquela que tem a capacidade de conquistar a preferência dos consumidores. “Conheça as expectativas do cliente” (Deming. resultado de uma empresa produtiva que é capaz de captar e manter uma fatia significativa do mercado. nada mais natural. esta deve ser uma atividade contínua. Não é suficiente ter clientes meramente satisfeitos. a baixos custos. colocadas à margem da preferência dos consumidores. Se esta situação não é revertida. No entanto. exige um esforço constante de equiparar e superar a concorrência. mantendo e reconquistando seus próprios clientes e atraindo outros novos. © 2006 eduardo romeiro filho 51 ufmg . sua sobrevivência a longo prazo está ameaçada. O lucro é resultado desta combinação alto faturamento e baixos custos. e estas empresas são. isto significa conquista da preferência dos consumidores. As expectativas dos clientes não são estáticas. Para que os preços dos produtos sejam atraentes e a empresa seja lucrativa. os custos devem ser baixos. com ofertas melhores que as disponíveis no mercado. A busca pela sobrevivência consiste da busca pela competitividade. compara um produto com outro. Uma Questão de Sobrevivência Garantir a permanência de uma empresa no mercado. um cliente satisfeito pode te abandonar. e dependerá da qualidade do produto que ele adquire. proporcionando sua plena satisfação. disponíveis e com preços atraentes. projeto do produto Medindo a Satisfação dos Clientes Viviane Ribeiro Branco de Oliveira8 Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG I. 1996). ou seja. 1996). Ele aprende rapidamente. um produto que venha ao encontro de suas expectativas. Por que não? Ele pode encontrar uma opção melhor com a mudança” (Deming. Os produtos e serviços oferecidos por empresas que não perseguem e alcançam este objetivo. A empresa americana Ceridian Corporation sintetizou estas idéias. Empresas competitivas sempre viabilizam a oferta de produtos desejáveis. A satisfação do consumidor final é portanto o alvo primordial das empresas competitivas (princípio do conceito de “foco no cliente”). o volume de vendas deve sempre superar patamares elevados. 8 Este trabalho é destinado à avaliação final da disciplina “Tópicos em Organização da Produção: Metodologia do Projeto” do curso de mestrado em Engenharia de Produção. no que poderíamos chamar de fluxo da sobrevivência: Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro Para que o faturamento seja alto e crescente. elas se alteram de acordo com as novas ofertas do mercado. são gradativamente substituídos por melhores opções disponíveis no mercado. supondo que os preços dos produtos sejam atraentes. Daí a importância de equiparar e superar a concorrência. e por isso devem ser continuamente investigadas. a longo prazo. uma empresa com outra. a manutenção de uma posição sempre competitiva.depto engenharia de produção . elas produzem de forma econômica produtos de alta qualidade. a empresa tem que estar sempre inovando para permanecer no “páreo”. em Novembro/1998. consequentemente.

Quando as informações forem oriundas de questões abertas. como no caso das ‘entrevistas individuais’. No caso das reclamações. etc. Os Primeiros Passos’ e ‘IV. O registro e o tratamento adequado de reclamações dos clientes não são apenas uma satisfação que a empresa se dispõe a prestar aos reclamantes.das neste trabalho. contato pessoal com vendedores. para em seguida disparar contramedidas que impeçam sua reincidência. O grande objetivo do processo de resolução de reclamações não consiste em responder satisfatoriamente aos reclamantes. Objetivos deste Trabalho. as ferramentas quantitativas serão utilizadas. usual SAC. que lhe permita acompanhar todas as tendências do mercado do ponto de vista dos próprios consumidores. ou da livre iniciativa do cliente por meio do serviço de ‘atendimento de reclamações’ (ambas abordadas neste trabalho) ou ainda provenientes da observação dos clientes comprando ou utilizando o produto. será indispensável dar ao cliente condições (liberdade) para apresentação de problemas e comentários inusitados. áreas da empresa diretamente envolvidas. Receber uma reclamação é ter acesso a uma oportunidade de melhoria. o que confere à ferramenta caráter qualitativo. Análise das Informações’ dentro das ‘pesquisas da satisfação dos clientes’. ou seja. como novas exigências do mercado. Com este propósito são acompanhados uma infinidade de parâmetros de desempenho de processos e produtos. revelará tanto deficiências no desempenho dos próprios produtos e serviços. o importante é priorizar a solução da reclamação.) as informações devem receber o mesmo encaminhamento. A parte ‘V. este serviço fornece evidências dos pontos críticos que precisam ser tratados.depto engenharia de produção . o emprego de técnicas estatísticas será demonstrado no item ‘6. A estabilidade em oferecer produtos e serviços com um mesmo nível de qualidade considerada indispensável. como por exemplo as que serão apresenta. voltam a comprar novamente. III. Este trabalho apresenta.). através do serviço de atendimento a reclamações e das pesquisas com clientes perdidos. ‘grupos foco’ e ‘pesquisas com clientes perdidos’. Para implementar um programa como este. primeiro anular os sintomas para depois atacar as © 2006 eduardo romeiro filho 52 ufmg . Considerações Finais’ conclui com questões importantes para o sucesso das intenções da empresa. e sim em detectar o tamanho e as causas do problema. é oferecido pelas empresas através de centrais telefônicas e endereços eletrônicos. O cliente é envolvido neste estágio. De acordo com o programa americano de assistência técnica a pesquisa (TARP). aumentar o percentual de retorno deste sinalizador de problemas. etc. Este serviço pode tornar-se uma válvula de perda rápida e fácil de clientes. estas ferramentas dividem-se em dois grandes grupos: qualitativas e quantitativas. Mesmo que o cliente se utilize de outros meios de comunicação (carta. é o alicerce que a empresa deve garantir sempre. conhecer os motivos que levaram um cliente a optar por outro fornecedor. o fato de a empresa não ter recebido nenhuma reclamação. III. não significa que tudo esteja bem. as ferramentas serão do tipo qualitativas. Em relação à coleta dos dados. cujos reflexos irão alcançar um universo significativo de clientes. é necessário fazer um bom registro da reclamação. ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ e ‘pesquisa com clientes da concorrência’. durante determinado período. Por isso. a resposta ao cliente é geralmente imediata e suficiente. as principais ferramentas utilizadas com este objetivo. Para abordar estas ferramentas. ao passo que apenas 17% dos reclamantes descontentes. E a qualidade deste processo é que vai dizer o quanto a empresa compreende o valor de uma reclamação. Em seguida. Quanto ao atendimento dispensado aos reclamantes. a maioria absoluta deles não entra em contato com a empresa para reclamar. em média 4% dos clientes insatisfeitos reclamam. No caso do esclarecimento de dúvidas.1 Atendimento a Reclamações O serviço de atendimento ao cliente. Rumo à Excelência’. Segundo a própria TARP. com a intenção de esclarecer dúvidas e captar reclamações. número da reclamação. será necessário empregar eficientemente ferramentas de captação e análise de informações. o trabalho foi dividido em duas partes: ‘III. Deve-se “incentivar reclamações”. rede de distribuição e fornecedores. Já no caso do emprego de questões fechadas que permitam ordenações e cálculos numéricos. agilidade no retorno e na resolução da reclamação e solução satisfatória para o cliente. projeto do produto II. Da mesma forma. Uma empresa competitiva deve possuir um programa contínuo de avaliação da satisfação dos clientes. o serviço é apenas o ponto de partida para todo um processo de resolução. Em relação a análise dos dados. Para que seja possível prestar um serviço satisfatório. Apesar do formulário já poder trazer impresso alternativas para enquadramento e desdobramento da reclamação. em formulário padrão que solicite todos os detalhes necessários às etapas posteriores do processo (nome e contato do cliente. três aspectos são fundamentais: fácil acesso ao serviço. 73% dos reclamantes bem assistidos voltam a comprar da empresa. Os Primeiros Passos A manutenção da carteira atual de clientes deve ser a base para qualquer avanço. de forma resumida. principalmente. medir a satisfação dos clientes.

apresentar vários aspectos do tema para apreciação do grupo. é apresentado como assunto foco da reunião. a partir do qual as demais opções de pesquisas quantitativas são derivadas. é igualmente importante registrá-las. Não é confeccionado para este tipo de entrevista nenhum formulário padrão de questões fechadas. Quando a satisfação dos clientes decresce. Esta questão será esclarecida no tópico IV. será indispensável todo o cuidado para evitar um novo afastamento.2 Pesquisa com Clientes Perdidos Muitos dos clientes insatisfeitos. “Clientes insatisfeitos contaminam toda a vizinhança”. em muitos dos casos os clientes são reconquistados. mas que. é recomendável que estas pessoas não sejam os vendedores antes responsáveis pelo atendimento aos clientes pesquisados. A simples indiferença de um atendente pode originar uma decepção que seria facilmente contornada. III. Juntamente a um bom serviço de atendimento às reclamações. Portanto. incentivar idéias. e das pesquisas com clientes perdidos. as pesquisas da satisfação dos clientes podem ser consideradas como caso geral. o faturamento e o “market share” seguem o mesmo caminho. quais as vantagens que o concorrente ofereceu para atrair o cliente. Com o objetivo de conduzir esta reunião apropriadamente (permitir a participação de todos. grupos foco. de trâmite fácil dentro da empresa e com poder de decisão igual ou maior que os dos envolvidos diretamente com o serviço de reclamações. etc. Outro retorno extremamente positivo desta pesquisas é a volta do cliente. o mais rápido possível. Não existe uma definição genérica de de quanto em quanto tempo exatamente este tipo de pesquisa deva ser realizado. E a solução oferecida (mesmo que seja trocar o produto ou indenizar o cliente) certamente terá um custo menor do que perdê-lo. Apesar de utilizada para se detectar as tendências de exigência dos próprios clientes. pois trarão grandes contribuições. Estas dúvidas podem sugerir pequenas melhorias. uma pesquisa que conduza a posteriores medidas de melhoria. crítica. Em relação ao esclarecimento de dúvidas. um especialista no assunto foco é previamente selecionado pela empresa para atuar como © 2006 eduardo romeiro filho 53 ufmg . Mas depois de realizada. não desviar do assunto foco. O retorno do ex- cliente como novo comprador poderá ocorrer em decorrência da habilidade do entrevistador em manipular as informações (contornar o problema e fazer contra-propostas) que forem adquiridas na oportunidade do contato. assumir uma postura mais agressiva de interação com o consumidor que redundem em benefícios que o seduzam. e pior que isto. elogio ou debate é bem vindo. Os grupos foco funcionam como um veículo de geração de idéias. alterações nos serviços e produtos existentes ou estratégias de marketing. como num efeito cascata. pois isto poderia gerar constrangimentos. A entrevista vai sendo conduzida de acordo com os argumentos apresentados pelo ex-cliente a partir de alguma pergunta aberta inicial do tipo: “Gostaríamos de saber por que a empresa/cliente X não adquire mais os nossos produtos e/ou serviços?”. A questão é evitar causas de reclamação e perda de clientes. Por meio destas pesquisas. “É sete vezes mais fácil reconquistar um cliente perdido do que conquistar um novo cliente” (Kessler. por exemplo novos serviços e produtos. isto vai depender do conceito de cliente perdido para cada ramo de negócio específico. caso o cliente retorne. a empresa deve realizar periodicamente pesquisas com clientes perdidos. sim. preferem trocar de fornecedor do produto ou serviço adquirido.depto engenharia de produção . A partir daí. Além disso. toda opinião. além de não registrarem formalmente nenhuma reclamação. Certamente eles vão passar adiante a experiência desagradável que tiveram. o serviço de atendimento ao cliente é uma fonte inesgotável de informações para melhoria da empresa e garantia da satisfação dos clientes. Rumo à Excelência Na corrida pela disputa da preferência do consumidor. como um “paciente em estado grave”. IV. Estas técnicas são. O reclamante deve ser atendido com urgência. Nesta oportunidade.1 Grupos Foco Grupo foco é um grupo de clientes. Daí a importância de alocar para este trabalho pessoas muito bem preparadas. a pesquisa com clientes da concorrência como balizador externo. A postura do entrevistador deve ser a de ouvir o cliente. pode afastar diversos clientes. a intenção não é um contato para fazer negócios e. algum tema de interesse da empresa. comentário.te. pesquisa com clientes das concorrência e pesquisa da satisfação dos clientes. contornar discordâncias. sugestão. projeto do produto causas. IV. esclarecê-las e encaminhá-las às áreas da empresa diretamente relacionadas à questão apresentada pelo cliente. principalmen. A pesquisa da satisfação dos clientes é um sinalizador de possíveis ganhos e perdas. geralmente seis a dez pessoas. 1996). as empresas lançam mão de técnicas de captação da voz do cliente que vão além da disponibilização de um bom serviço de reclamações. muita informação poderá ser extraída para impedir novas perdas de clientes (evitando que os mesmos erros sejam novamente cometidos) e para tornar conhecidas as ofertas da concorrência.). e a pesquisa da satisfação dos clientes como um sensor da percepção do cliente. cuidadosamente escolhidos e convidados pela empresa para uma seção de “brainstorming”.3. e vice-versa. na maioria das vezes não chega ao conhecimento do serviço de reclamações.

no intuito de não inibir a participação dos clientes. pois se apenas os clientes próprios forem ouvidos. análise das informações e apresentação dos resultados. apenas a sua própria posição é informada. em qualquer parte do mundo. será indispensável a consulta aos clientes da concorrência. projeto do produto mediador. detectar seus pontos fortes e fracos do ponto de vista do consumidor global. os grupos foco assumem também outras atribuições. têm outros fornecedores concorrentes. tudo é gravado e filmado. ou seja. O interno é realizado estabelecendo-se sempre novas metas sobre o patamar de desempenho já alcançado. Em muitos casos. para conhecer suas expectativas. definição do universo a ser investigado. subestimada. Os clientes podem não ser representativos do mercado alvo tencionado. quando é a vez do cliente da concorrência também ser ouvido. definição dos métodos de pesquisa. Por meio da inclusão destes ao público alvo investigado. a diferença é que apenas um cliente será a fonte das informações à respeito do assunto foco. representantes. sem opções fixas de respostas. ou seja. Para que nenhuma idéia seja perdida. Para que este tipo de pesquisa seja eficiente. e o mediador pode introduzir tendências. pois o contrário poderia viciar as respostas fornecidas. independente do público. como por exemplo a elaboração de um questionário realmente útil. Estas informações poderão ser extraídas de publicações ou visitas às empresas consideradas de classe mundial. como o próprio nome já diz. Isto porque as etapas básicas de realização da pesquisa. muitas vezes é interesse da empresa realizar uma posterior pesquisa da satisfação dos clientes. levantamento dos dados. o termo ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ é usualmente utilizado de forma genérica para se referir a qualquer pesquisa de caráter quantitativo direcionada ao mercado consumidor (clientes finais. No caso da ‘pesquisa com clientes perdidos’ da forma como foi apresentada neste trabalho (questões abertas. a pesquisa assume caráter qualitativo. não é apenas nestes casos que o cliente perdido pode ser © 2006 eduardo romeiro filho 54 ufmg . a empresa terá condições de posicionar-se no mercado.depto engenharia de produção . As diferenças residem nas adaptações que forem sendo realizadas ao longo do cumprimento das etapas para perfeita adequação aos objetivos. tanto em perfil quanto principalmente em quantidade. isto deve ser levado em consideração na elaboração do questionário a ser utilizado. Por este motivo. O “benchmarking” das melhores práticas. preparam salas especiais para o evento. é comum a participação de alguns funcionários influentes diretamente envolvidos no assunto foco. na entrevista e na análise dos dados. a pesquisa incluirá clientes próprios. com a autorização do grupo e. As questões relacionadas ao tema são abertamente apresentadas pelo mediador. No relatório final os resultados desta pesquisa serão diferenciados por empresa contratante da seguinte forma: uma não tem acesso às informações sobre a outra. as demais empresas não são identificadas pelos nomes. perdidos. da concorrência e potenciais). IV. no estilo de entrevista individual com cada cliente que se afastou da empresa. definição da abordagem da pesquisa. algumas empresas. que são: “benchmarking” interno e das melhores práticas. Ela deve-se principalmente à escolha dos participantes. implicando em menor custo por empresa envolvida na contratação do serviço. é indispensável que o entrevistado não identifique a empresa responsável pela pesquisa. a referência básica é a própria empresa e não dependerá necessariamente de pesquisas de opinião. elaboração do questionário.3 Pesquisa da Satisfação dos Clientes A pesquisa da satisfação dos clientes é mais uma iniciativa da empresa no sentido de descobrir o que os clientes pensam e querem de sua organização e produtos. esta participação se limitará apenas a ouvir a sessão. a posição competitiva será superestimada e se apenas os clientes da concorrência. Apesar do custo de realização de grupos foco ser baixo e do retorno das informações ser rápido. serão as mesmas: definição dos objetivos. busca identificar as melhores práticas do mercado em qualquer tipo de indústria ou negócio. Portanto. da concorrência e potenciais. Já as entrevistas individuais funcionam da mesma forma que os grupos foco. no entanto. Portanto.2 Pesquisa com Clientes da Concorrência Este tipo de pesquisa é utilizado como estratégia de “benchmarking” competitivo. atuais. Estes atributos é que irão direcionar as perguntas do questionário. No entanto. No entanto. a subjetividade inerente ao processo é grande. no caso de uma ordenação por exemplo. a fim de induzir a manifestação de toda sorte de idéias. o anonimato da empresa que está conduzindo a pesquisa é pré-requisito fundamental. que permitam isolar câmeras e ouvintes dos clientes e mediador. os próprios clientes não são exclusivos. estabelecer comparações com o concorrente. exclusivamente). distribuidores. para adquirir maior segurança quanto as decisões que poderão ser tomadas. além do competitivo. Já no caso do “benchmarking” competitivo. Como este é um interesse comum de todas as organizações que lidam com o mesmo negócio. Vale mencionar que existem outros dois tipos de “benchmarking”. por meio da identificação dos atributos dos produtos e serviços que os clientes realmente percebem e valorizam. É especificamente direcionada aos seus próprios clientes. IV. investigar as vantagens do concorrente a fim de incorporá-las. Além dos clientes e do mediador. ao público e aos recursos disponíveis. é costume a contração de firmas especializadas em pesquisas de opinião para conduzirem uma única pesquisa que atenda a todos. Neste caso.

A validade diz respeito principalmente à real obtenção das informações pretendidas. além de obter as informações pretendidas. Contudo. da concorrência. simplesmente saber identificá-los. de forma resumida. sua inclusão pode acontecer em qualquer outro momento de uma ‘pesquisa da satisfação dos clientes’. Estratificada Diversos grupos de clientes (estratos) são diferenciados em relação a alguma característica importante para a empresa. de uma questão de propósito. volume médio de compras. Todos os objetivos da pesquisa devem ser contemplados de forma simples. Definição do Universo a ser Investigado (População) Acessar a satisfação dos clientes dependerá naturalmente do conhecimento de quem são os clientes. Uma boa definição dos clientes é um dos pontos de partida para a realização de uma pesquisa realmente útil. Como mencionado. personalizar seu atendimento. estratificando-se dentro dos conglomerados.1 Principais Planos de Amostragem Aleatória Todos os clientes são considerados como grupo homogêneo e possuirão igual chance de serem selecionados para compor a amostra. Dentro de cada estrato a seleção dos clientes poderá ser aleatória. avaliar se os esforços de melhoria da empresa estão repercutindo em incremento da satisfação do cliente. o primeiro passo na realização de uma pesquisa é a definição detalhada de seus objetivos: conhecer as necessidades. A partir da definição dos objetivos específicos da pesquisa. Por Conglomerados A região geográfica considerada na pesquisa pode ser dividida em várias áreas para facilitar o processo de entrevistas (acesso aos clientes). detectar pontos fortes e fracos da concorrência. Muitas vezes uma breve consulta ao próprio mercado será necessária para a definição das categorias de resposta para as “questões fechadas”. é recomendável a realização dos census para que a empresa possa. Elaboração do Questionário “A elaboração de questionários é uma combinação de ciência e arte”. tanto os clientes atuais. tempo de contrato com a empresa. Conforme mencionado.). como por exemplo a natureza do cliente (atual. etc. É imprescindível que as perguntas certas sejam realizadas da forma certa. O número de questões deve ser o mínimo necessário. abordando questões básicas importantes que permitirão realizar a pesquisa de forma eficiente. No entanto. Em princípio. Vale mencionar que uma preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião refere-se à validade das informações capturadas. a amostragem é a única escolha. Os planos de amostragem por conglomerados e estratificada podem ser realizadas simultaneamente. a ordem de apresentação das perguntas deve ser cuidadosamente avaliada e. 1. Ou seja. Por Cotas © 2006 eduardo romeiro filho 55 ufmg . quando as limitações dos recursos disponíveis impedem a realização do censu. Definição da Abordagem da Pesquisa Realizar um censu com todos os integrantes da população ou fazer uma amostragem com alguns deles são diferentes abordagens que podem ser utilizadas em uma pesquisa. uma listagem completa de nomes e endereços/telefones dos clientes é indispensável. cada área corresponderá a um conglomerado. Estas etapas serão apresentadas a seguir. etc. esta definição será necessária para se saber como contactá-los. adquirir direcionamento para melhorias. Esta abordagem permitirá planejar estratégias ‘customizadas’. Neste caso. 3. 2. típica das ‘pesquisas de marketing’. objetiva. 3. da interação entrevistador- entrevistado e da seqüência em que as questões forem propostas. os clientes potenciais e os clientes da concorrência. quanto os clientes perdidos (ex-clientes). etc. sem ambigüidades e tendências. preferências e prioridades dos clientes. podem ser incluídos na pesquisa. que dependerá da composição das perguntas elaboradas. por meio da utilização dos grupos foco. a escolha recai sobre a segunda opção. no caso do “benchmarking” competitivo. Há diversos mecanismos de aleatorização fáceis de implementar. localidade.depto engenharia de produção . Portanto. projeto do produto investigado. Esta escolha dependerá. inclusive. sua apresentação deve ser impecável e amigável. caso o entrevistado tenha contato com o formulário utilizado. Quando a intenção é estimar as informações desejadas. dentre outros fatores. Cada um destes grupos fornecerá um conjunto de informações diferenciadas que poderão ser utilizadas no plano de estratégias da empresa. pode-se dar seqüência às demais etapas. permitirá identificar e sanar problemas específicos de cada cliente. novos produtos e serviços.

Fax. Portanto. que só poderão ser compensadas por um grande número de questionários enviados. Mesmo que a precisão seja alta. é importante que o pré-teste seja realizado pelos próprios entrevistadores já treinados. O nível de confiança. Além destas informações. menor precisará ser o tamanho da amostra. Antes. ou seja. corresponde à largura do intervalo de estimação (conjunto de valores possíveis para a característica populacional que está sendo estimada. a precisão e o nível de confiança. Fax. Os transtornos advindos desta liberação são geralmente os responsáveis pelo abandono desta alternativa. Como as chances disto ocorrer devam ser mínimas. Entretanto. a amostragem por cotas é aconselhável. O número de entrevistadores necessário dependerá da extensão da pesquisa (número de entrevistas). da taxa de retorno das informações. Se o tempo é curto. o tempo dispensado a este treinamento dependerá das habilidades do grupo selecionado. Caso a pesquisa seja realizada via correspondência. o nível de confiança estabelecido na prática nunca é inferior a 90%. Definição do Método de Pesquisa Esta etapa refere-se à definição da forma de retorno das informações. disquetes ou Internet. é o quanto poderemos confiar em nossas conclusões. e não encerra as entrevistas enquanto não a atinge. da coleta definitiva das informações. a fim de aumentar a taxa de retorno dos questionários. Questionários extensos e complexos resultarão em baixas taxas de retorno. a magnitude da variação entre os clientes será determinante. E por fim. da qualidade das informações capturadas. a melhor opção dependerá principalmente da conveniência para o cliente. é possível chegar a um intervalo que não contenha a informação real. o tempo disponível para a realização da pesquisa é um fator de grande importância. via contato telefônico. No caso da seleção interna. porém. do questionário que será utilizado e do método de pesquisa escolhido. quanto maior a precisão desejada maior será o tamanho da amostra necessária. o plano de amostragem empregado também direcionará os cálculos. número total de clientes com determinado perfil. O pré- teste é uma “miniatura” da pesquisa a ser realizada e tem como objetivo revisar todo o projeto. se os recursos (dinheiro e pessoas) disponibilizados forem abundantes. As alternativas serão basicamente: via correspondência simples (correios). A segunda opção seria a seleção de entrevistadores ‘free-lances’ do mercado. Cada entrevistador possui uma cota. que não é uma tarefa simples. © 2006 eduardo romeiro filho 56 ufmg . da velocidade de acesso a estas informações e da natureza das perguntas propostas. como a característica de interesse se distribui no universo pretendido. a menos que a empresa já possua uma equipe dedicada ao assunto. Em relação às considerações de ordem prática. As fórmulas estatísticas empregadas no cálculo do tamanho da amostra levam em consideração a variação. ou seja. método de pesquisa escolhido e tempo médio necessário para a realização de uma entrevista. é indispensável a realização de um pré-teste. 3.2 Dimensionamento da Amostra A determinação do tamanho da amostra é uma decisão que requer uma série de considerações de ordens técnica e prática. A precisão é uma medida da qualidade da estimativa. Ambos precisarão ser submetidos à treinamento sobre os vários aspectos da pesquisa. consiste em uma limitação devido à urgência de obtenção de resultados. alguns dos próprios funcionários da empresa conduzem o trabalho mediante a liberação de seus afazeres diários. Em relação à adequação do questionário. Todas possuirão vantagens e desvantagens. Levantamento dos Dados Dependendo do método de pesquisa escolhido. Por isso. deve-se estabelecer um nível de confiança para este intervalo de estimação. Outro fator importante é a precisão desejada para o resultado (estimativa). projeto do produto Quando deseja-se realizar uma estratificação mas não se dispõe das informações necessárias para tal. A seleção destas pessoas pode ser interna ou externa à empresa. disquetes ou Internet. Desta forma pretende-se identificar qualquer deficiência que porventura possa ocorrer desde a coleta até a análise. outro fator de grande importância é a disponibilidade de recursos.depto engenharia de produção . muito provavelmente o tamanho da amostra será reduzido. 5. como o próprio nome já diz. uma grande amostra poderá ser rapidamente observada. deve-se considerar a possibilidade de se oferecer incentivos à participação dos clientes. Quanto mais semelhante for o ponto de vista dos clientes (menor variação). Em relação às considerações técnicas. sua validação é realizada em situação real de uso. mesmo que várias revisões já tenham sido feitas antes. 4. caso o trabalho não seja terceirizado (contratação de empresa especializada no ramo). Outro fator que influenciará nesta decisão é o tipo de questionário que será utilizado. Intuitivamente é possível perceber que. grandes amostras. A empresa pode estabelecer um orçamento máximo para a realização da pesquisa que não permita a coleta de grandes amostras. conhecido também como intervalo de confiança). pessoal (entrevista face-a-face). haverá a necessidade de formação e treinamento de uma equipe de entrevistadores.

no entanto. testes de hipóteses. Ordinal Usa números para ordenar objetos de acordo com alguma característica (exemplo: nível de escolaridade. análise de componentes principais. rótulo 2). a maior parte delas com 5 opções de resposta: ‘concordo fortemente’ até ‘descordo fortemente’ em relação a uma afirmativa proposta (ex. quando comparados entre si. etc. É possível avaliar a confiabilidade por meio de algumas reentrevistas. ou seja. Exemplo: nível de satisfação dos clientes. poderão ser várias: Intervalos de confiança. A escala de medidas utilizada nas perguntas foi do tipo intervalar. maior o número a ele atribuído). além da validade.) onde os números são utilizados apenas para diferenciá-las. como será ilustrado do tópico 6.1 Exemplo 1: Satisfação de Pacientes de Tratamento Odontológico Uma seguradora de tratamentos odontológicos desenvolveu uma pesquisa de satisfação junto aos seus clientes. foi calculado o tamanho da amostra necessário por dentista: 44 pacientes. por isso todas as operações aritméticas são lícitas (exemplo: comprimento. o dentista explicou satisfatoriamente o tratamento que eu precisaria receber. cartas de controle. valores monetários). como rótulos de identificação (exemplo: sexo masculino recebe rótulo 1 e sexo feminino. A única operação permitida nesta categoria é a comparação = ou . é a confiabilidade. Com o objetivo de ilustrar o emprego de algumas destas técnicas. análise de variância. Intervalar Os números também são utilizados para ordenar objetos como na escala ordinal.).: Como esta escala permite contagem (quantas categorias são iguais. Vale mencionar que. Os resultados de ambas é então comparado para uma avaliação da consistência das informações. e sim seus valores relativos. 6. um questionário de 26 perguntas fechadas foi desenvolvido para entrevistar os pacientes mais recentes de qualquer tipo de tratamento dentário. foram enviados 176 questionários para assegurar o retorno de. etc. As técnicas estatísticas geralmente empregadas. Com base em pesquisas semelhantes que ela própria já havia realizado e nas recomendações da literatura técnica mais atualizada.). 6. O importante nesta escala não são os valores propriamente ditos. com o objetivo de determinar a percepção que eles possuíam da qualidade do serviço oferecido pela sua rede de clínicas conveniadas. média. tipo/marca de produtos. além de uma última opção ‘não se aplica’. Por exemplo. Análise das Informações A análise das informações coletadas por meio do questionário dependerá da escala de medida que houver sido utilizada e dos objetivos da pesquisa. sem entrar no mérito de sua construção e cálculo. Como a coleta dos dados seria realizada por correspondência. além de = ou . gráfico de Pareto. testes 2. A confiabilidade diz respeito a possibilidade de obtenção dos mesmos resultados caso a pesquisa fosse igualmente repetida. desvio padrão. Razão Esta escala acrescenta o referencial zero. no caso de críticas e sugestões. projeto do produto Outra preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião. gráfico de setores. © 2006 eduardo romeiro filho 57 ufmg . o consultório estava limpo. A operação de subtração já passa a fazer sentido. etc. permitem operações de comparação do tipo > ou <.: o atendimento da recepcionista da clínica foi cortês. ou seja. pois ela não possui um referencial zero. a distância entre um número e outro agora tem significado. Obs. Os números representam grandezas e. histograma. análise multivariada (análise fatorial. portanto. é muito comum a sua representação em tabelas de freqüência (quantas vezes apareceu cada rótulo). As principais escalas de medida utilizadas são: Nominal É uma escala de categorias (objetos: nomes dos clientes. pois as medidas passam a ser baseadas em uma escala de intervalos iguais. 44 deles (por dentista). A fim de garantir que todos os dentistas receberiam uma avaliação confiável (com base em um número representativo de pacientes) de seu próprio desempenho. mapa de percepção. receberam o mesmo rótulo de classificação). regressão múltipla. será apresentado a seguir uma adaptação simplificada da análise dos dados de dois exemplos extraídos de Hayes (1998). empregando-se a fórmula apropriada de cálculo estatístico e considerando implicações de ordem prática. medidas descritivas (porcentagem. os softwares de suporte a esta etapa devem ser cuidadosa-mente escolhidos visando o tipo de análise que será realizada. temperatura.1. quanto maior o nível. análise de correlação. etc.depto engenharia de produção . considerou-se uma taxa de retorno de 25% (mesmo com os incentivos oferecidos). pelo menos. conforme a escala de medidas permitir. análise de cluster).

tanto a ‘qualidade do seguro’ quanto o ‘atendimento’ foram significativamente importantes para a satisfação com o plano. foi possível concluir que o fator ‘qualidade do seguro’ estava altamente relacionado à satisfação total com a seguradora e à disposição de indicá-la a amigos. a média não ultrapassaria o valor 5. O fator ‘higienização do ambiente’ apresentou-se como o menos importante sobre todas as questões de satisfação global. Por exemplo. conforme é apresentado a seguir: Fator Média Desvio Padrão Atendimento 4. juntamente com o número das questões que representam. a média e o desvio padrão.73 Competência técnica 3. Como o ‘atendimento’ destacou-se como o fator mais influente para a satisfação global do cliente. Qualidade do seguro (17.062 questionários preenchidos. 20) Os nomes atribuídos aos fatores dizem respeito ao conteúdo das questões por eles representadas e são definidos de acordo com a criatividade dos pesquisadores. O histograma é um gráfico de barras. até ‘descordo fortemente’ nota 1.62 Qualidade do seguro 3. 11. Atendimento (1. o agrupamento de atributos do produto em dimensões da qualidade. reduzindo assim. 6. 13. 3. ela é utilizada para o agrupamento de objetos. Com o objetivo de agrupar as primeiras 20 questões em alguns poucos fatores que refletissem igualmente a qualidade do serviço. © 2006 eduardo romeiro filho 58 ufmg .: A técnica de análise de cluster também permite o agrupamento de variáveis em um número reduzido de estratos. Por meio desta ferramenta. Obs. Higienização do ambiente (7. Além disto. inclusive quando esta contribuição era de fato relevante. foi empregada. foram correlacionados com as últimas 4 questões de caráter global (grau de satisfação total dos pacientes com a seguradora e a clínica e disposição de indicar a seguradora e a clínica a amigos). a seguradora decidiu investir primeiramente neste aspecto para melhorar seus serviços. mais “poderosa” e conclusiva para este tipo de análise. Da mesma forma. facilitando bastante a visualização das informações. muito utilizado para medidas numéricas de escala contínua. para a questão: Os instrumentos utilizados no consultório eram esterilizados. 12. Competência técnica (2. o agrupamento de clientes em segmentos de mercado.50 0.78 Obs. quando todos os pacientes (14. o número inicial de questões a poucos fatores (componentes principais). assim por diante.Como uma série de outras correlações poderia ser importante. a interpretação dos dados seria simplificada e mais objetiva. estes 4 fatores juntamente com outras duas questões referentes ao ‘período de espera pelo dia da consulta’(em semanas) e ao ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’(em minutos). a opção ‘concordo fortemente’ recebeu nota 5. Esta técnica permite formar subconjuntos de questões relativas aos mesmos aspectos da qualidade. por exemplo. 16) 3. Por meio do emprego da análise de correlação. 9. foram: 1. de maneira que a maior nota fosse associada a um maior grau de satisfação. No melhor das hipótese para este exemplo.94 0. 14. A partir de então. onde cada barra corresponde a uma opção de resposta (ou intervalo de valores) e possui área proporcional à frequência da opção (intervalo) que representa. Os cálculos da média e do desvio foram possíveis graças à atribuição de notas para as opções de resposta. e os dados foram ‘escaniados’ para uma planilha eletrônica. como era de se esperar). o percentual de escolha de cada opção de resposta. tanto a satisfação total com a seguradora quanto a satisfação total com a clínica estavam altamente relacionadas à disposição de indicá-las a amigos.81 Higienização do ambiente 4.: Neste exemplo histogramas do ‘período de espera pelo dia da consulta’ e do ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’ poderiam ter sido construídos para visualização do comportamento deste dados (que inclusive não foram incluídos na análise de regressão).062) optassem por ‘concordo fortemente’. 10) 4. foram calculados a média e o desvio padrão. 8. foram calculados. entre parênteses. A análise de regressão fornece um modelo (equação) que represente o relacionamento entre as variáveis em estudo (no caso. 19. ‘concordo’ nota 4. 18. Os 4 fatores resultantes. por exemplo. Para cada fator. foi aplicada a técnica de análise de componentes principais.depto engenharia de produção . Com isso. O ‘atendimento’ e a ‘competência técnica’ foram ambas significativamente importantes para predizer a satisfação com a clínica e sua indicação. A intenção era saber quais os principais responsáveis pela satisfação global dos clientes. 4. projeto do produto Durante o período de um trimestre foram recebidos 14. Em seguida. os componentes principais como variáveis explicativas e as questões de satisfação global como variáveis resposta). foi possível conhecer a contribuição de cada componente principal sobre as questões de satisfação global. porém de forma mais compacta e informativa. o fator ‘atendimento’ altamente relacionado à satisfação total com a clínica e à disposição de indicá-la a amigos (inclusive.03 0. e combinadas para predizer as quantidades de interesse. 5. 15) 2.34 0. para cada questão. a técnica de análise de regressão.

Como mostrou o intervalo de confiança para a questão 1). publicado mensalmente.03 a 4. foi possível concluir que o nível de satisfação dos clientes é alto.5% solteiros).00 a 4. decidiu-se reuni-las em uma só medida nomeada ‘satisfação global dos leitores’. por incrível que pareça. cuja média. Leitores mais satisfeitos com o jornal gastavam mais tempo lendo-o que os menos satisfeitos. por exemplo. decidiu realizar uma pesquisa de satisfação dos clientes a fim de conhecer o perfil de seus leitores: estilo de vida. mês sim/mês não.depto engenharia de produção .: Os testes de hipóteses são muito parecidos em essência com os intervalos de confiança. já que todos intervalos (com alta precisão) sugerem uma pontuação média superior a quatro pontos. e o seu nível de satisfação geral com o jornal. para as primeiras 11 questões. desvio padrão. no intuito de determinar se existia ou não algum relacionamento entre elas.21 a 4. no serviço de atendimento às reclamações. Os resultados da análise de variância revelaram que leitores cujo cônjuge também lia o jornal manifestaram maior nível de satisfação que aqueles cujo cônjuge não lia. Por exemplo. hábitos. menos que mês sim/mês não). mínimo e máximo foram calculados (com base em todos os resultados apresentados pelas três questões 1) 2) e 3)). hipótese 1: a média da satisfação global de todos os leitores com o jornal é igual a 4 pontos e hipótese 2: a média é diferente de 4. Também foram calculados a média e o desvio padrão para as 3 últimas questões referentes à satisfação global dos clientes. Para isto foi utilizada a técnica de análise de variância. determinar se existe diferença entre as diversas categorias de idade ou escolaridade em relação à satisfação global com o jornal. É muito utilizado quando a única operação permitida é a contagem e o número de opções de resposta é menor ou igual a quatro. Estas questões eram: 1) ‘De maneira geral. Após o recebimento de 201 questionários preenchidos. Este gráfico é muito semelhante a uma pizza. em relação ao estado civil: 85. etc.5% casados. O nível de satisfação global não alterava em função da freqüência com que o jornal era lido (mensalmente. que muito provavelmente (95% de chance) incluem a verdadeira média (ou outra medida de interesse) da população. Com base nesta pesquisa os editores puderam direcionar melhor as reportagens publicadas e a estratégia de marketing empregada.78 (quanto mais próximo de -1 ou +1 mais correlacionadas) indicando uma sobreposição de informação (devido a alta correlação). 2) ‘As manchetes do jornal são interessantes’ e 3) ‘Eu gosto de ler o The Parent’. Com o auxílio desta técnica a empresa não é confundida por variações aleatórias que atuam em qualquer indicador de desempenho.2 Exemplo 2: Satisfação dos Leitores do Jornal “The Parent” O pequeno jornal “The Parent”. o percentual de homens e mulheres entrevistados na amostra. Foi calculado. Os intervalos de confiança são um conjunto de valores. por exemplo. onde cada fatia é uma categoria com tamanho proporcional a sua freqüência.0% divorciados/separados/viúvos e 5. Questão 1) 4.20 Questão 2) 4. Eles examinam se existem evidências na amostra que corroborem para a comprovação de alguma hipótese. projeto do produto 6. As reclamações mais freqüentes ou mais graves (por motivo de segurança ou custo) serão facilmente evidenciadas por meio da análise deste gráfico.23 Questão 3) 4. o gráfico de Pareto é muito utilizado para priorizar problemas. Apesar de não ter sido ilustrado nos exemplos apresentados.: Neste exemplo. com base em pesquisas anteriores.41 A partir destes resultados. A correlação entre as três questões de satisfação geral variou de 0. Obs. que de fato é o que deseja-se conhecer.74 a 0. Obs. A análise de variância é utilizada para comparar vários grupos de interesse e verificar se existem diferenças significativas entre eles. 9. da mesma forma que não © 2006 eduardo romeiro filho 59 ufmg . o gráfico de setores poderia ter sido construído para ilustrar. estou satisfeito (a) com a qualidade do jornal’. Utilizando esta nova medida. inclusive atrair anunciantes pela divulgação dos resultados da pesquisa. procedeu-se a análise seguinte. foram feitas uma série de comparações com as demais questões do questionário. Por exemplo. através dos correios. levantada sobre alguma medida de interesse da população. a hipótese 1 seria confirmada caso o teste fosse realizado. o percentual de escolha de cada opção de resposta (exemplo. Com base no teste será possível identificar qual das duas hipóteses é verdadeira. Por isso. De posse destas estatísticas (média e desvio padrão da amostra para cada uma das 3 questões) foi possível calcular intervalos de confiança para a média de toda a população alvo da pesquisa.. Especificamente os problemas levantados pelos clientes. permitindo a percepção de oscilações significantes no desempenho do indicador acompanhado. e anexado a todos os exemplares de uma das edições do jornal. Já as cartas de controle são utilizadas para monitorar alguma variável (exemplo: nível de satisfação global) ou atributo (exemplo: percentual de respostas negativas dentre todas as respostas possíveis) de interesse ao longo do tempo. na escala intervalar de 5 opções: ‘concordo fortemente’ nota 5 até ‘descordo fortemente’ nota 1. Para isso um questionário de 14 perguntas foi confeccionado.

os testes 2 são muito úteis para indicar relação de dependência entre categorias. tem feito toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa. Somente as pesquisas de satisfação são muito superficiais. a perda poderia ser menor se houvesse maior rigor no emprego das ferramentas. porém pecam pela falta de representatividade da população de interesse. ou seja. principalmente durante o planejamento de novos produtos. muitas decisões tomadas com base no emprego destas ferramentas. emergente nos anos 40. etc. os clientes também percebem. mas seus resultados têm de ser revertidos em ação. Este conceito. Os esforços em direção à satisfação das expectativas dos clientes e superação destes expectativas. ou seja. 7. a qualidade do produto é fatalmente comprometida em função do grau de insatisfação dos empregados.(. a perda de clientes também é grande.depto engenharia de produção . contrariados. um cruzamento entre o perfil do cliente (residencial ou comercial) e a presença de alguma característica do produto (presente ou ausente) pode esclarecer dúvidas de preferência. A perfeita compreensão. Considerações Finais O interesse de uma empresa em medir a satisfação dos clientes. Apesar dos riscos que envolvem grandes investimentos para conquistar clientes. se não fizer parte integrante do gerenciamento da organização. devido a própria estrutura de questões fechadas em que se baseiam. demonstrado pela utilização das ferramentas apropriadas para coleta e análise de informações provenientes do mercado.. a de clientes também é pequena.). localizar estrategicamente novos produtos em relação aos concorrentes. vantagens e limitações. a satisfação dos clientes também cresce. projeto do produto atribuirá a aleatoriedade flutuações que representem mudanças de comportamento do mercado. não redundam em ganhos. por meio da realização do teste. Quando os empregados estão insatisfeitos. chega ao nível do comporta. Apesar de ser um grupo específico que vai trabalhar diretamente o conhecimento adquirido (times de melhoria). este conhecimento deve permear toda a empresa. Ele será o ponto de partida para a análise das medidas que poderão ser adotadas para melhorar o desempenho da empresa. aborrecidos e querem deixar a empresa. De nada vai valer o conhecimento adquirido se não for utilizado como base na tomada de decisões. Quando a satisfação dos clientes está baixa. Isto se deve à transferência do estado de satisfação dos empregados para a qualidade dos produtos que será percebida pelo cliente. cada ferramenta oferece uma contribuição diferente. “As atitudes dos empregados está diretamente relacionada às atitudes dos clientes.mento. promover novas críticas e sugestões e permitir um tratamento diferenciado para cada cliente. é o mapa de percepção. a preocupação da empresa com a satisfação dos clientes tem que se estender às medidas administrativas de envolvimento dos seus trabalhadores.. Quando a perda de empregados é grande. a satisfação dos clientes não deve ser desassociada da satisfação dos empregados. E este relacionamento vai além de atitudes e percepções. Apresentação dos Resultados O relatório final de uma pesquisa é seu produto principal. em medidas de melhoria. Ele tem o objetivo de representar a percepção dos clientes em relação aos produtos. deve acontecer em todos os níveis da organização por meio de boletins. 1995). Além dos cuidados que exige para funcionar bem. os grupos foco vão mais a fundo nas questões fundamentais. painéis. Para finalizar. Por isto os especialistas aconselham: o sistema de avaliação da satisfação dos clientes deve ser tratado com a mesma seriedade e rigor que o sistema de controle financeiro da empresa. Quando a satisfação dos empregados cresce. pelo contrário. se não direcionar metas e planos. Não que o programa tenha fim. a satisfação dos empregados também está baixa. com base em algumas de suas características mais importantes (geralmente fatores extraídos de prévia análise de componentes principais). por exemplo. Com este recurso a empresa pode. a menos quando se trata de projetos confidenciais. Por este motivo. V. bem como seus resultados. reuniões. Para finalizar. Outra técnica muito utilizada. suas atitudes e comportamento afetam os clientes causando neles as mesmos efeitos” (Naumann. Quando este sistema é programado para funcionar devida e continuamente a empresa terá maiores chances de ser competitiva. podendo inclusive. começam onde o programa termina. quando a perda de empregados é pequena. afinal de contas ele é contínuo. A direção da relação causal é do empregado para o cliente. Quando os empregados percebem a qualidade do produto/serviço. Por exemplo. A divulgação junto aos próprios clientes também será importante para estreitar o relacionamento com a empresa. congressos. A divulgação dos resultados da análise dos dados gerados pela aplicação das ferramentas de coleta. o fluxo da sobrevivência poderia ser complementado da seguinte forma: © 2006 eduardo romeiro filho 60 ufmg . é um sintoma importante de percepção do conceito “foco no cliente”. quando do cruzamento de tabelas de freqüência (conhecidas como tabelas 2x2). todos os esclarecimentos sobre o planejamento e a condução da pesquisa devem ser registrados com muita clareza. após prévia consulta ao mercado. podem levar a desperdícios de tempo e recursos (como é o caso de novos produtos que são rejeitados). Porém. aplicação e principalmente integração das ferramentas é que compõem um bom sistema de avaliação da satisfação dos clientes.

G. Measuring Customer Satisfaction. Measuring and Managing Customer Satisfaction. W. 1996. A Estatística como Fator de Promoção da Competitividade das Empresas. T. K. 2en ed. 2nd ed. 2nd ed. & Hauser. E. 1996. Improving your Measurement of Customer Satisfaction. Trabalho destinado à avaliação final da disciplina “Gestão da Qualidade Industrial”. Naumann. Inc. J. Educantion. Cincinnati: Thomson Executive Press. 1993. 1997. Milwaukee: ASQC Quality Press. & Giel. © 2006 eduardo romeiro filho 61 ufmg . Survey Design. Hayes. R. L. New Jersey: Prentice-Hall. Oliveira. Desing and Marketing of New Produts. E. The New Economics for Industry. V. S. Belmont: Wadsworth. Urban. 1998.E. Kessler. Customer Satisfaction Measurement and Management. projeto do produto Satisfação dos Empregados Qualidade Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro VI. Use. B.depto engenharia de produção . Milwaukee: ASQC Quality Press. 1995. Deming. 1996. and Statistical Analysis Methods. Government. Going for de Gold. B. Survey Research Methods. Vagra. E. 1990. 2nd ed. Bibliografia Babbie. Milwaukee: ASQC Quality Press. G. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology Center for Advanced Educational Service. R.

depto engenharia de produção . Já nao me convém o título de homem Meu copo. Eu é que mimosamente pago Para anunciar. reincidências.carlosdrummond. principalmente). não de casa.br/html/carlos_drummond_de_a Costume. EU. meu relóglo. Minha gravata e cinto e escova e pente. Carlos Drummond de Andrade Que moda ou suborno algum a compromete. coisamente. Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher. ETI QUETA.com. Que não fumo. tão mim-mesmo. É duro andar na moda. independente.Contraponto: De ser veste e sandália de uma essência Tão viva. Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro. E cada gesto. tarifados. estranho. Saio da estamparia. Ser pensante. E nisto me comprazo. meu chaveiro. Meu isso...virtualave. http://www. Que se oferece como signo de outros Meu tênis é proclama colorido Objetos estáticos. Que nunca experimentei Objeto pulsante mas objeto Mas são comunicados a meus pés. ndrade. recolocam. Desde a cabeça ao bico dos sapatos. mas artigo industrial. sou tecido. hábito. Escravo da matéria anunciada.html http://www. Em minha calça está grudado um nome Tão minhas que no rosto se espelhavam. Estou. até hoje não fumei. ainda que a moda Seja negar minha identidade. © 2006 eduardo romeiro filho 62 ufmg . a marca de cigarro Sou gravado de forma universal. Peço que meu nome retifiquem. http://demolay. http://www. projeto do produto E fazem de mim homem-anúncio itinerante. premência.palavra. invencível condição. Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros. São mensagens.net/ Ordens de uso. nesta vida. Minha toalha de banho e sabonete. Minhas idiossincrasias tão pessoais. meu aquilo.angelfire. abuso. Cada vinco da roupa Meu blusão traz lembrete de bebida Resumia uma estética? Que jamais pus na boca. sentinte e solidário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana. Em minha camiseta. Meu lenço. Meu nome novo é Coisa. Não sou—vê lá—anuncio contratado. Sites sobre o poeta: Letras falantes.html Gritos visuais. tão orgulhoso Por este provador de longa idade.com. Minhas meias falam de produto Da vitrina me tiram. Que não é meu de batismo ou de cartório. E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste Marketing . Hoje sou costurado. tiro glória De minha anulação. cada olhar. açambarcando Todas as marcas registradas. De ser não eu. minha xícara. Todos os logotipos do mercado. para vender Em bares festas praias pérgulas piscinas. Um nome. estou na moda. De alguma coisa não provada Por me ostentar assim. Eu sou a Coisa.com/md/olobo/antologia1. Trocá-la por mil. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer.br/ Indispensabilidade.

Como 12 (doze) meses após proteção no país de origem. Termo de Participação -. a fim de diminuir os A Propriedade Industrial tem importante riscos de indeferimento do pedido. Territorialidade: a patente conferida pelo forma.depto engenharia de produção . Em seguida. Período de Graça não será considerado estado da técnica a matéria divulgada pelo inventor Patente ou por terceiro que dele tenha obtido informações sobre a tecnologia que se deseja patentear até 12 A patente é proteção do conhecimento feita meses da data de divulgação. possa ser protegido. projeto do produto Propriedade I ntelectual A Propriedade Intelectual abrange qualquer descaracterizar totalmente a novidade. como o patentes: conhecimento aplicado. O terceiro requisito geográficas. contraprestação. indicações possível proteger como patente. não haverá produto do intelecto humano que. a petição deve ser suficiência e precisão seu invento ou modelo de instruída com os seguintes documentos: relatório utilidade a ser protegido pela patente. Ainda assim. ser passível de industrialização e lançamento no Software mercado. não será (invenção e modelo de utilidade). uma melhor utilização para o fim a que se destina. finalidade de promover o desenvolvimento além destes documentos. patente. desenho industrial e concorrência é o potencial industrial. Ela confere valor São princípios informadores do sistema de comercial a ativos intangíveis. O primeiro deles é a suficientes para repetir o ato inventivo. o titular tem que detalhar com alta Quando do depósito. Tem relação com modificações e detalhada do que é a invenção. Ou seja.e a Declaração de homem. Unionista: o titular do depósito de pedido temporária sobre uma invenção ou modelo de de patente tem garantida a prioridade para realizar a utilidade. é necessário também o tecnológico e econômico do País. Este conceito tecnologia ser fruto de atividade inventiva. ela transforma conhecimento. empresas e produtos. é resultante da capacidade de observação do O relatório descritivo é uma expressão escrita homem. O conhecimento tem que desleal. O requisito mais introduzidas em objetos conhecidos. reivindicações. patentes de uma descoberta de algo já existente. 2. Já a patente de modelo de utilidade Universidade. pelo Estado. função no mercado atualmente. Dessa 1. composto por quatro modalidades. um técnico no assunto consiga demonstrar que a São elas: dita tecnologia decorreu de uma conclusão óbvia ou Propriedade Industrial: Marcas. O direito de descritivo. a pesquisa realizada. atendendo a deferimento pelo INPI. Direitos Autorais É importante que o depositante verifique a Cultivares presença dos requisitos acima. a sua leitura deve proporcionar ao Existem três requisitos básicos para depositar examinador especialista no assunto dados um pedido de patente. mas sido publicada. na qual os inventores declaram ter ciência específico que pode ser fabricado ou utilizado de que a tecnologia é de propriedade da industrialmente. solução para um problema técnico Inventor.onde os inventores A patente de invenção é uma concepção definem o percentual de divisão de recursos resultante do exercício da capacidade de criação do provenientes da tecnologia -. Talvez não novidade. deve a alguns requisitos. Em exclusividade concedido pelo Estado tem a algumas Universidades Públicas. se a publicação © 2006 eduardo romeiro filho 63 ufmg . Depreende-se daí que o objeto da com a mesma precisão pois ele não terá o mesmo proteção deve ser inédito. conferindo importante deste relatório é a suficiência descritiva. como a UFMG. através de um título de propriedade 3. Caso a invenção tenha tempo de prática e aprimoramento do invento. Caso é um gênero. o requerente terá 12 meses após a deve ser capaz de entender o objeto do pedido de primeira publicação para depositar o pedido de proteção. O título é conferido ao inventor ou a proteção da tecnologia em âmbito internacional até quem este ceder seus direitos. pesquisa e Estado tem validade somente dentro dos limites desenvolvimento em valor agregado para as territoriais do país que a concede. resumo e desenhos.

o requerente deve mostrar em Industrial. ainda que de concorrentes. sucessivamente. estímulo e. relação bem estreita com o mundo empresarial. capaz de executar todas as funções para as quais foi As reivindicações são a caracterização da criado. O resumo é uma prévia para que o examinador forme uma idéia do campo de assunto Marca do objeto do pedido. invenção é de 20 (vinte) anos a partir da data do A marca é um sinal visualmente perceptível e depósito. Tanto que alguns Nos termos da Lei 9609/98. Para tanto. visualmente perceptível.ufmg. haverá publicação do pedido e o identifica e distingue produtos e serviços de outros depositante terá vinte e quatro meses para requerer análogos. que é aquela na qual o programa torna-se estado da técnica e o estado da arte. O registro de uma marca é feito. são em torno de quarenta a impressão que a marca quer causar e com aquela milhões de pedidos. Quanto maior produto. símbolos e Desenho Industrial caracteres que a tornam reconhecível pelos consumidores. autoral.br/prpq/ctit_arquivos/propriedade_intelectual. e o prazo de do programa. casos. Essência da Marca: sãos atributos coleção de informação tecnológica classificada percebidos pelos usuários ou consumidores. que período. marca é todo durante o prazo de dezoito meses. invenção. grandes componentes para marca. Tem relação com tecnológico. O procedimento é simples. Antônio Carlos. ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental 3. no Brasil. Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica . em alguns prévia para saber se há algum registro anterior. o pedido ficará em sigilo Nos termos da lei brasileira.MG CEP: 31270-901 | Telefone: (31) 3499-4033 / 3499-4774 © 2006 eduardo romeiro filho 64 ufmg .CT&IT | Av. o prazo será de 15 ou serviço prestado. Após depósito. A cultura do registro de marcas tem uma Para registrar um desenho industrial no INPI. bem como o exame técnico. é um reflexo da reputação de alguns produtos. 6627 . do programa. Para tanto. certifica a conformidade dos mesmos com O prazo de vigência de uma patente de determinadas normas ou especificações técnicas. Softwares A marca. Entretanto. traduzindo um determinado produto O desenho industrial é a forma plástica ou serviço prestado. Identidade da Marca: os sinais. ou seja. devem ser mencionados o Criação". A é aconselhável que o interessado realize uma busca marca gera concorrência. Os direitos do autor são válidos por 50 que consiste a invenção e quais são suas vantagens (cinqüenta anos contados a partir do dia 1 de em relação aos processos ou produtos existentes janeiro do ano subseqüente ao da "Data de (caso haja). projeto do produto No relatório. Atualmente. proporcionando resultado visual novo e a necessidade do produto. com a proteção do código fonte. são chamados softwares passou a ser feita na forma de direito pelo nome da marca mais expressiva no meio. isso não exclui a proteção pela patente de aplicação pelo INPI.Instituto Nacional da Propriedade Texto extraído do site da CT&IT/UFMG: http://www. normalmente. este detalhes e características da invenção que se deseja procedimento já realiza também a proteção do título proteger.Sala 7005 | BH . 2. pelo INPI . Nelas o requerente demonstra quais os Quando o software é protegido. Já no caso de patente de modelo de deve ter distintividade. acesso em agosto de 2006. no Brasil. bem existente.htm. a proteção de deles. de procedência diversa. que realmente causa. Findo este sinal distintivo.depto engenharia de produção .Reitoria . chega a valer mais do que os bens que a empresa possui. existem três (quinze) anos contados da data de depósito. mais importante será ele original na sua configuração externa e que possa e sua marca. duração do direito é de 10 anos renováveis A proteção dos programas é feita. Importância da Marca: é o grau de de linhas e cores que possa ser aplicado a um necessidade do produto no mercado. quais sejam: Os documentos de patentes são a maior 1. com imenso valor comercial e como a história que a marca traz. diferenciar produto utilidade ou desenho industrial. servir de tipo de fabricação industrial.

princípio que inventou produtos que poderiam render milhões de permitiu a difusão mundial dos números 0900. criou uma série de tecnologias telefônicas que .lamenta. Um homem que até os 25 anos apenas financeira o impede até mesmo de desenvolver jogava bola e acreditava que poderia ser um craque outras idéias. poderia embolsar algo em torno de R$ 5 milhões . Não só pela genialidade.depto engenharia de produção . Nada disso resulta em renda para ele ou do Bina apenas nos telefones celulares brasileiros. maiores resistências às minhas invenções . Comércio e Justiça.Não consigo entender. desconhecido de classe média. Um gênio brasileiro. 191 etc). mas com o milhões de terminais têm o identificador de tempo a invenção se tornou um revolucionário chamadas inventado pelo brasileiro. projeto do produto Propriedade Industrial: Patentes. Nicolai inventou um aparelho para identificar Nos Estados Unidos. Todas as internacional de propriedade intelectual. Se recebesse direitos autorais pelo uso criações. Qual o valor de uma patente? Veja este texto do Jornal "O Globo" de 1º de agosto de 1999. A idéia é tão simples quanto revolucionária. Ele Gates nacional. que lá é chamado de Batizou-o de Bina (sigla para B Identifica o caller id. Nélio José Nicolai. Acho que o Brasil deveria contabilizar diretamente as chamadas sem a me tratar como herói. Algo como 65 Número de A). mas pela desenvolveu um software que permite ao fortuna que poderiam ter lhe rendido. ou identidade do chamador. recebesse um dólar por mês por aparelho instalado. de várias portas. Em transformadas em realidade . Apenas recentemente aliou-se à divisores de linhas e sistemas de acionamento de uma indústria de equipamentos de telefonia de serviços de emergência (190. anônimo e sem fortuna Ascânio Seleme BRASÍLIA. que comprou suas invenções. As telefônicas cobram outras invenções que patenteou no Instituto pelo serviço prestado mas não pagam nada ao Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Ele inventou. Foi grandes telefônicas do planeta dispõem desse esnobado no Brasil e jamais foi recebido pelos serviço. que pode ser acabou por se transformar num dos maiores pendurada na parede da cozinha como um armário. Parecia coisa de maluco. ministros de Ciência e Tecnologia. uma de futebol tornou-se técnico de telecomunicações e geladeira transversal. Salto (Sinal de Advertência para Linha Telefônica Em 96 ele ganhou o prêmio da Wipo (World Ocupada). dólares de receitas e criar empregos . Todas essas novidades. pode anos. por exemplo. Indústria e São criações dele também os Micro-PABX. impostos para o Brasil. Mas nada computador identificar a origem de cada uma das disso aconteceu. deveriam ter transformado Nicolai num Bill revolucionar também a informática. lançadas ao longo de 15 O princípio do Bina. Nicolai é um homem invasões que vier a sofrer.Idéias precisam de dinheiro para serem rapidamente o guindaram à condição de gênio. 35% usam o Bina. Sua situação © 2006 eduardo romeiro filho 65 ufmg . quem inventou a tecnologia que permite . Se ele instrumento da telefonia e se difundiu pelo mundo.diz. dos 135 milhões de terminais o número do telefone que estava chamando outro.E o pior é que é no Brasil onde encontro as mensais. Foi Nicolai Santa Catarina. entidade que anuncia que alguém está ligando. instalados. Seria o fim dos hackers. como um homem que interferência da prestadora do serviço. ouvido durante a conversa telefônica e Intelectual Property Organization). 1982. Cálculos de Nicolai indicam que o mundo nunca conseguiu receber dinheiro pelo uso da movimenta por mês US$ 1 bilhão com suas tecnologia. Nenhuma paga royalties ao brasileiro. Nicolai deveria ter ficado milionário com essa e faturaria US$ 65 milhões.diz Também é invenção de Nicolai a tecnologia do Nicolai. 58 anos. inventores brasileiros. segundo Nicolai. Mas ele inventor.

br/cartacapital/122/destaque. O mesmo grupo que patenteou a célula do Em 1985. Carleton Gajdusek. cientistas dos NIH http://www. Quatro anos depois. tiveram seu primeiro contato com o Segundo os pesquisadores. talvez por ingenuidade dele".começou há cerca de O pedido só foi publicado oficialmente pelo United 14 anos. por exemplo. Um Caso Exemplar I ndígena da Guiné Teve Célula "Patenteada" Em março de 1995. tentando os direitos sobre o seu próprio material genético descobrir por que. e inventor. Patent and Trademark Se estivessem. apesar da contaminação. além de ser marcas e patentes. telecomunicações no país. O pesquisador teria levado pelo menos 54 males contraídos depois de ter passado a freqüentar menores da Micronésia e Papua para sua casa. hoje reduzidos a cerca de 260 de março de 1995. ele seria Office.I nventor pode mover ação nos EUA José Meirelles Passos Correspondente WASHINGTON. se surpreendeu com a vendido em todo o país. membros. é oferecido pelas informação de que várias engenhocas usadas nas companhias telefônicas aos usuários por. liderados pelo Prêmio ''mundo exterior'' em 1983. bem como de outros Salomão. missionários batistas próximos à sua aldeia. empresas estrangeiras que absorveram seu invento . o órgão fez um pedido de explorá-lo. grupo.com.com. as saúde. No ano infectadas com HTLV-1. ligado ao Instituto de Pesquisas Médicas Gajdusek foi preso pelo FBI em 1996.comentou uma porta-voz da agência. 15/6/1997 chamado HTLV-1. O sangue foi estudado e descobriu-se que estava infectado com um vírus parente do HIV. Eles descobriram que os hagahais acusado de abuso sexual contra crianças das Ilhas sofriam de doenças endêmicas. Jenkins pediu financiamento à hagahai também solicitou a patente de células de National Geographic Society para estudar esse grupos das Ilhas Salomão. em média. States Patent and Trademark Office (PTO) em 14 Os hagahais. nos as missões. O próprio Governo costas dele .S. poderiam ser úteis no seguinte. brasileiro poderia ser um veículo das queixas do depois de dizer que "para azar do senhor Nicolai. escritório federal americano que registra bilionário.br/ © Todos os direitos reservados a O Globo e Agência O Globo. começaram a visitar acampamentos de células T do sistema de defesa desse homem. Fonte: Folha de São Paulo.terra. Afinal.696. um indígena do grupo também começaram a estudar as células sanguíneas hagahai. Segundo a repartição. um homem de 20 anos. entre elas o Bina e o US$ 4 mensais. Jenkins. EUA. bruscamente. O U. Mas uma notificação dos grupo peculiar pelos baixíssimos índices de NIH afirmou que não seriam divulgados os natalidade. a saída de Salto. dos hagahais se mantinham saudáveis. http://www. o Bina.Alguém deve estar ganhando muito dinheiro nas sem pagar-lhe um tostão. A equipe foi acompanhada leucemias. de Papua (IMR). depois que o órgão obteve o direito de Em 1990. perdeu dos hagahais e o vírus que as infectava. de Papua-Nova Guiné (Oceania). sob o número US 5. disse a funcionária. foram inventadas pelo brasileiro Nélio José Nicolai seria mover um processo contra as Nicolai. os para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH). grupo não norte-americano . suas invenções não estão registradas ali. A história da patente dessas células . o IMR coletou propósitos da patente por se tratar de ''segredo amostras de sangue de 24 homens e mulheres do comercial''.oglobo.htm .397. o governo papua resolveu fazer um censo desenvolvimento de testes de diagnóstico de da população hagahai.a proposta de patente sobre uma linhagem celular de primeira concedida para material humano de um um dos doadores hagahais. associado a algumas formas de Acessado em 29/06/2002: leucemia. que fizeram sua população se reduzir EUA. mas também a fonte de uma cura para pelo antropólogo e médico norte-americano Carol essa doença. Em meados de 1989. Devido a problemas de Nobel de Medicina de 1976.

entretanto.atividade inventiva Antes de depositar o seu pedido de patente. Recomenda-se. para o titular. ao titular. Qualquer informações deverão constar do Relatório concepção nova.inpi.br Legislação em vigor. Um examinador especialmente treinado aperfeiçoamento introduzido na matéria irá selecionar os campos correspondentes ao seu requerida por você em um pedido ou invento. não pode ser considerado novo e a patente não será sendo os direitos e as obrigações do inventor concedida.2. definitiva ou temporariamente. ele NOVIDADE e APLICAÇÃO INDUSTRIAL. Estes 1. atividade inventou ("o escopo da invenção"). envolvendo ato inventivo. que tratam de assunto semelhante ao seu. fabricação. é desta busca é pequeno. sejam produtos ou processos. que apresente nova forma ou poderá solicitar ao próprio INPI que a faça e remeta disposição.depto engenharia de produção .melhoria uma busca de anterioridades. da sua duração. denominado "CARTA contato com um dos técnicos do INPI (sede). onde se localiza o nosso Banco de Invenção. de forma a permitir que um técnico no patentes (tanto brasileiros quanto de outros países). com relação à redação de seu pedido. E-mail: patente@inpi. aplicação industrial.gov. suscetível de Caso você não possa fazer esta busca pessoalmente. Estas inventiva e aplicação industrial.1. que pode ser transferido a (021) 253-4091 terceiros. Definições dispositivos legais. MODELO DE UTILIDADE (MU) . é altamente recomendável que você faça primeiro Modelo de Utilidade (MU) . Caso existam documentos Em todos os casos são necessários os requisitos de mostrando objetos iguais ao que você inventou. que Descritivo do seu pedido de patente! representem um avanço em relação ao estado da técnica. necessário que o objeto da mesma seja descrito Você receberá as pastas contendo os documentos de claramente.2.br O presente trabalho constitui-se numa síntese da E-mail: cedin@inpi. uma reserva de Diretoria de Patentes: (021) 271-5592/5806 / FAX: mercado. projeto do produto I nformações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente Fonte: INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial: www. Existe também o Certificado de Adição de Rio de Janeiro). 5º andar do Edifício Sede do INPI (Praça Mauá. seja algo Caso haja necessidade de maiores esclarecimentos inédito ou aperfeiçoado. uma vez que o presente 1.gov. em especial a Lei Nº 9.Objeto Busca Isolada de uso prático.2. assunto possa reproduzi-lo. entre em Esse documento oficial. PATENTE". a qual será cobrada em em melhoria funcional no seu uso ou em sua função da quantidade de documentos pesquisados. ou parte deste. Para tanto dirija-se ao funcional no objeto.1. destinando-se ao auxílio dos usuários no preparo de um pedido de patente.br A Natureza da Patente vai ser determinada em função das diferenças existentes. 1. de modo que você somente tenha que mesmo na patente já concedida. INVENÇÃO (PI) .gov. podendo ser: Busca Prévia Privilégio de Invenção (PI) . PATENTE trabalho não esgota todas as possibilidades de É um documento através do qual o Governo garante entendimento e interpretação da Legislação. que resulte o resultado para você. 7 . O custo Para que a "CARTA PATENTE" seja concedida. ou seja. © 2006 eduardo romeiro filho 67 ufmg .É patenteável a invenção existe ("o estado de técnica") e o quanto você que atenda aos requisitos de novidade.2. manusear um número mínimo de pastas. NATUREZA DAS PATENTES documentos vão ser úteis para determinar o que já 1. é um monopólio. para proteger um Patentes.279 e Ato Normativo 127. as cópias são pagas a parte. uma atenta leitura dos 1. a propriedade de sua invenção.

SEM PONTO PARÁGRAFO. próprio nome (e número indicativo).. 2.) ou (. elétricos.". a peça (3). Não vale deve-se ter o cuidado de apresentar os detalhes simplesmente catalogar todas as partes: é preciso técnicos da invenção. 2 . Fig. do pedido..representa uma perspectiva do objeto..". Uma forma de realização do da patente. peça ou elemento do desenho. Expressões do tipo ".. contendo Descrever pormenorizadamente o objeto entre 50 e duzentas palavras. ou que já existe.. Iniciar com a expressão "Patente de . por abrangente.. CONTÍNUO. seguidas: Não podem conter texto descritivo. em tinta indelével e. Deve-se ainda destacar as partes já conhecidas. se for o caso. "aberto". E tem mais: a reivindicação deve ser escrita de CONTEÚDO DAS PATENTES modo afirmativo.. bem como nas descrevendo o seu significado. INVENÇÃO . elementos Comparar o objeto a ser patenteado com o Não colocar cotas. projeto do produto definidos pela Lei da Propriedade Industrial (LPI) . serão tantos quantos Título do pedido (que não pode ser uma marca ou forem necessários à perfeita compreensão do objeto nome de fantasia). Descrição sumária do objeto da patente.) no texto. conter referências numéricas. medidas etc. Cada parte. deverá Relacionar os desenhos apresentados. ou ". p. Resumo e. no caso de circuitos importante. terminando-se O relatório deve ser suficiente. é necessário que se incluam as meio da peça (5). corte "AA". "Fig. aplicação e campo números indicativos de todos os seus de utilização.. ou seja. que se liga à peça (4). construtivas. Reivindicação.".depto engenharia de produção . 1 . exceto "Fig. 2.4.. conter a expressão "caracterizado por" seguida das 2. que não 2.representa uma vista frontal do objeto. Desenhos e Cada reivindicação deverá ser em texto Resumo. que precisam ser estabelecidas entre o Ao iniciar a descrição de um pedido de patente. mesmo elemento só pode ter um nome. tendo como referências numéricas de cada parte do finalidade principal facilitar a busca do pesquisador desenho... sendo numerados consecutivamente. 2. diagramas em bloco. sem rubricas ou Todo Relatório Descritivo tem que começar com o timbres. 2". corretamente o objeto. alternativas. rubricas ou timbres.. vantagens ou formas de utilizar. as quais deverão ser numerando-os consecutivamente e descritas no relatório descritivo. conforme mostrado na Para que a invenção tenha uma proteção fig. Desenhos. Informe os materiais envolvidos. DESENHOS. 1". ressaltando suas vantagens e MOLDURA nos desenhos.. título e a expressão "caracterizado por".. Descritivo.. e palavras-chave.Relatório reivindicações dependentes.. devendo englobar as do pedido de patente. "vapor d’água"... além dos Descrever a finalidade. aquelas que não existem nas Patente anterioridades. nem descrição de Reivindicações. RESUMO Fig. uniformes. REIVINDICAÇÕES © 2006 eduardo romeiro filho 68 ufmg . ser invento ou modelo deve sempre ser descrita. DIAGRAMAS OU pode ser usado para designar outra parte do objeto. de acordo com os características técnicas.279 de 14/05/96. sem expressões do tipo ". a solução para o problema desenhos apresentados. Preparo de um Pedido de características técnicas genuínas da invenção ou do modelo.. ex: reivindicações. Variações podem ser apresentadas em MODELO DE UTILIDADE . deve conter todos os detalhes que sejam necessários No caso de Modelo de Utilidade.1 RELATÓRIO DESCRITIVO Utilizar somente (. no Banco de Patentes. em traços firmes. podendo também podem ser apresentadas variantes conter apenas termos indicativos (tais como "água". cada elemento deve ter o seu Os desenhos deverão ser apresentados com clareza. de forma a permitir o exame estabelecer o inter-relacionamento entre elas. fluxogramas e Como sugestão as seguintes etapas devem ser gráficos. o que irá evitar e indefinidas e não são aceitas como definição de que algum concorrente venha a reivindicar essas um objeto. caracterizado por não possuir . "fechado". forma de utilização e tudo o mais que for etc). reportando-se às descrito e seus principais usos. Deve ser sempre iniciado pelo título escolhido para descrever sua invenção. O Quadro Reivindicatório precisa descrever Lei 9. o que quer dizer que então com o ponto final.3. FÓRMULAS QUÍMICAS Por outro lado. deverá ser para permitir a um técnico da área reproduzir o apresentada preferentemente uma única objeto.2. são consideradas inconsistentes possíveis alternativas no pedido. mas isentos de textos. A linguagem usada deve ser consistente: um reivindicação que descreva o objeto integralmente. etc. o problema que vem solucionar."..Relatório Descritivo.

devidamente impressos com caracteres de. ou seja. a partir endereçado à Diretoria de Patentes - do titulo. requerente. ainda. utilizando-se do 3. que as fórmulas químicas e/ou equações matemáticas sejam manuscritas Importante ou desenhadas.31 seriam: através de protocolo. no reconhecidas.3. no prazo de 36 meses contados da Normativo AN l27 de 05/03/97. sendo permitido. Para se depositar um pedido de patente. à da página e o número total de disposição do público no INPI.12/31 . o depositante ou titular poderá requerer a Patente restauração.2. deve obedecer as margens definidas na Nota (4). quitada. NO PADRÃO 06 (seis) meses subseqüentes. se solicitado. 87 da LPI. Mauá. 3. no prazo de 03 (três) meses. INPI Toda a matéria descrita no pedido de patente. com indicação do código DPV (Depósito Via Postal). Nota (2) . para efeitos legais. 33 da LPI). com aviso de recebimento numeradas de 05 em 05.3. tornou- processo. recente. deverá ser apresentada procuração indelével.1 mm de altura e. para se evitar um possível com algarismos arábicos no arquivamento irrecorrível e é de inteira centro da parte superior. sob pena do arquivamento do GUIA DE RECOLHIMENTO devidamente pedido (art. deverá ser as reivindicações e o resumo apresentado documento hábil para o depósito. SOLICITE AS 01(UM) ORIGINAL + 03 (TRÊS) cópias do INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS JUNTO AO pedido. remetida ao endereço do partes) separados por uma barra interessado. as linhas são via postal. podendo. mínimo. quando necessário.31/31) . 7 – centro . A CONTAR DA DATA DE DEPÓSITO. preferencialmente indicando o nº Esse acompanhamento deverá ser feito nas RPI. espaço 1 ½. a partir da mínima de 3. mediante "A4". MESES. pagamento de retribuição adicional e a não comprovação do respectivo pagamento junto ao INPI. em tinta preta. O prazo é de 03 meses.3.10B. Em todo o Com a entrada em vigor da Lei 9. é de FUNDAMENTAL ser numeradas consecutivamente importância. liso. de patente junto às Revistas da Propriedade reivindicações e resumo deverão Industrial . no tamanho 210 X 297 mm.12. ser feito necessário que o mesmo seja datilografado ou independentemente de notificação.02. conforme tabela em vigor. excetuando-se os se possível o envio do pedido de patente por desenhos. PROCURAÇÃO mínimo. iniciará o período destinado ao Nota (3) .depto engenharia de produção . nos termos do art. no 3.Rio a cada folha (ver exemplo anexo). AUTORIZAÇÃO DO INVENTOR © 2006 eduardo romeiro filho 69 ufmg . é O exame do pedido de patente deverá ser necessário que seja apresentado um requerimento requerido pelo depositante ou por qualquer em formulário padronizado. TODOS em papel tamanho A4.2 mm. Junto ao requerimento. sem Não sendo o pedido depositado pelo próprio entrelinhas. deverão ser apresentados PARA MAIORES DETALHES. 2/31 . Depósito do Pedido de pedido.As folhas relativas ao O acompanhamento da tramitação do pedido relatório descritivo. ao COMPLETAR 24 item 15. é ANUIDADE devida. de Janeiro – CEP:20081-240).279.AN 127 O pedido de patente. as folhas 2. entre 1 e responsabilidade do depositante. com devem ser datilografados ou as assinaturas qualificadas. dentro dos impresso em papel branco. juntamente com a data do depósito.RPI -. REQUERIMENTO formulário modelo 1. instituído pelo Ato interessado.1. 2 cm do limite da folha.O relatório descritivo. projeto do produto Nota (1) . ou através de páginas (de cada uma destas assinatura periódica. Caso o depositante não seja o inventor.Os números e letras pagamento da ANUIDADE correspondente (3ª nos desenhos devem ter altura anuidade). iniciando-se a contagem DIRPA/SAAPAT (Pça. para o recolhimento da Para a apresentação do material acima descrito. poderá acarretar o arquivamento do 3. de oblíqua (por exemplo: caso o Qualquer petição deverá ter a taxa paga e relatório descritivo tivesse 31 comprovada em tempo hábil junto ao INPI páginas. data de aniversário. Publicado o arquivamento. 2.

marcas e patentes. sempre vale lembrar.. informamos alguns endereços que. Links para busca de patentes no Brasil e para grande número de escritórios de patentes em todo o mundo. mesmo sendo do conhecimento da maioria. do Comércio e do Turismo. Sendo assim. nº 10. A Nova Lei de Patentes e o Futuro do Brasil na Área Tecnológica. Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). Situgrafia O tema patentes e propriedade industrial sempre volta à tona e tem sua relevância sempre demonstrada.cjb. OMPI.gov.inpi. Instituto Nacional de Propiedade Industrial. Rio de Janeiro.Bibliografia BRASIL. GENEBRA. In: Revista CREA RJ. Organização Mundial da Propiedade Industrial. p. 10-17. Ministério da Indústria. CRUZ Fº. Site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. . Inclui informações básicas sobre direito autoral. 1993. (mai-jun) 1997. M. Lei da Propiedade Industrial. http://normas. http://www.br/ O básico. 1996.net/ Site da UFPB com direitos e deveres do Designer.

No mundo globalizado. É um resultado muito bom. uma média de 5. Além de esse procedimento ser mais tem sólida tradição científica. com raras e honrosas exceções. A universidade brasileira. significa ganho de produtividade e maior quando se viu frente a frente com a abertura comercial. Para se ter uma idéia. Aqui. © 2006 eduardo romeiro filho 71 ufmg . não havia concorrência que justificasse o esforço mesmo número de doutores que o Brasil. por seu governamentais. O preço que o país está pagando por essa brasileiro não tinha parâmetros para comparar os opção é alto. É uma grave para melhorar a formação dos estudantes. os empresários bancas apresentar a tese de doutorado. da Europa e do contingente de doutores. o barato. "Quem só compra tecnologia está condenado ao atraso. distorção provocada pelo hábito secular das empresas brasileiras de virar as costas para a pesquisa e a produção Funcionou tudo muito bem enquanto o consumidor tecnológica. o competitividade. o Brasil. Quem vende só repassa o que não é mais estratégico". Acomodados a uma economia fechada. projeto do produto Patentes . além de ter recebido formação Japão gastavam fortunas em pesquisa. chegando ao topo nacionais se acostumaram a aguardar. Contudo. anualmente. que em outros países.depto engenharia de produção . por muito tempo não deu a devida importância à interação com a iniciativa privada.Veja. em hora em que poderiam comprar a tecnologia produzida vários aspectos. forma. a Inglaterra. já desprezadas às universidades e aos institutos de pesquisa por seus produtores.000 brasileiros vão às décadas os protegeu da concorrência. lado. onde tecnologia produtos fabricados aqui com os lá de fora. o Brasil se inferior à oferecida nos países avançados. problema nessa história. pacientemente. empresariado brasileiro começou a se dar conta do risco entra na corrida científica em franca desvantagem.Coréia dá de dez O Tigre Asiático surra o Brasil na feroz corrida pelas patentes industriais por Consuelo Dieguez . que durante Todos os anos. fica confinada contentava com tecnologias ultrapassadas. 17/ junho/ 2001 Avião da Embraer: a tecnologia nacional pode ser bem-sucedida O Brasil tem inegável capacidade de formar doutores. Só há um de melhorar a competitividade de seus produtos. a quase totalidade desse Enquanto empresas dos Estados Unidos. um fator essencial Apenas a minoria está na iniciativa privada. que é viver das migalhas dos países desenvolvidos. a da escala acadêmica.

diz Carlos Henrique de Brito Cruz. a de 1. O batalhão de 962. por exemplo. 80% dos recursos em pesquisa são processo tecnológico. trabalhando como professores em desenvolvimento científico. cientistas. Na cultura de soja. É uma equação perversa. que o Brasil daria se a iniciativa privada decidisse Hoje. quer chamar a atenção das empresas nacionais. universidades e institutos. aqui. 87% estão nas empresas problema é que. só 11% dos mais de 77. a venda de aviões é o primeiro item da pauta das exportações brasileiras. É evidente que desembolsados pelos cofres públicos. enquanto seu mais próximo competidor já havia ultrapassado a marca das 3. O Brasil tem investido cerca regime de dedicação exclusiva.000 cientistas brasileiros são absorvidos pelas Não se pode dizer que não haja empenho por empresas. Há duas décadas. Embora conte com muitos doutores. tecnologia. Vinte anos atrás. Os outros 89% estão em instituições públicas parte do Estado brasileiro em estimular o de ensino superior. "Reconhecimento de patente significa divisas para o país. E há farta mão. pois quem produz patente é empresa. projeto do produto afirma José Miguel Chaddad. "O Estado faz um não há nenhuma pretensão de confrontar o Brasil com a esforço enorme para qualificar profissionais em suas gigantesca potência científica que são os Estados Unidos. Do impressionante Unidos e no Japão. Hoje. A cultura de soja. de-obra nas universidades. após pesados investimentos públicos e privados em investir um pouco mais em cérebros. a maioria saída do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. No ano passado. todo o processo de cultivo foi desenvolvido com tecnologia nacional. Pode-se imaginar o salto Tigre Asiático tinha uma situação semelhante à do Brasil. O resultado do esforço pode ser medido na produção de patentes. desponta como uma das grandes estrelas do mundo científico. presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). aumentou a produtividade em 55% nos últimos vinte anos. também um dos principais produtos de exportação brasileiros. está atualmente entre as quatro Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). a grande virada se dará quando elas perceberem Um dos pontos de partida nessa tarefa árdua é fazer o que é fundamental contratar profissionais para empresariado compreender a importância de contratar desenvolver pesquisa especificamente para suas cientistas para desenvolver esse trabalho. presidente da Fapesp e diretor do Instituto de Física da Unicamp. necessidades. esse aguerrido desembolsados pelas empresas. o Brasil possuía 96. Companhias como a Vale do Rio Doce e a Petrobras também obtêm êxito graças aos enormes investimentos em pesquisa. do total investido. Atualmente. 70% são envolvidos com algum tipo de pesquisa. Nos Estados Unidos. Brasil e Coréia tinham quase exatamente o mesmo número de propriedades industriais registradas nos Estados Unidos: em torno de trinta. "Todas as companhias que estão investindo em pesquisa vêm alcançando enormes ganhos de produtividade". e não universidade.000 cientistas. que maiores companhias de aviação do mundo. É para essas experiências bem-sucedidas que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).depto engenharia de produção .000. Nos Estados situação é exatamente inversa. A Petrobras é líder mundial em prospecção de petróleo em águas profundas. que desbancou até a poderosa Associação Nacional de Pesquisa. explica José Graça Aranha. diretor executivo da empresa brasileira. o Brasil tem patente de menos. A © 2006 eduardo romeiro filho 72 ufmg . Um caso emblemático da importância do desenvolvimento de pesquisa no Brasil é a Embraer. No entanto. Brito reconhece que as empresas estão acordando para a necessidade da pesquisa e têm procurado o órgão e as universidades públicas em busca de parcerias. o mais respeitado órgão de financiamento à pesquisa no país.4% do PIB em pesquisa científica. Na Coréia. e as companhias brasileiras Mas basta uma comparação com a Coréia do Sul para simplesmente desperdiçam esse potencial". Os projetos trabalha para sensibilizar as empresas para a importância de seus aviões são resultado de anos de pesquisa de seus do investimento em tecnologia própria. lamenta descobrir como não é tão difícil assim tomar as rédeas do Brito. Desenvolvimento e canadense Bombardier. o montante é em torno de 3%. em São José dos Campos. já que todos que de alguma forma se aproveitam da invenção são obrigados a pagar pelo uso da idéia".

um ato de destruição. Itens como embalagens e rótulos devem também ser considerados. é essencial para que sejam atingidos bons resultados que. todas as características do objeto projetado devem estar definidas. sejam soluções formais. todo o conceito do produto esteja bem fundamentado e a análise do mercado seja consistente. Segunda Parte: o objeto Todo ato de criação é. Pablo Picasso Nesta etapa concentram-se as atividades ligadas ao Desenvolvimento do Produto: Especificações do conceito de solução. Ao final desta etapa. materiais utilizados ou processos de fabricação. Tal como acontece com a publicidade em relação ao marketing. construção de modelos. Na verdade. de natureza gráfica e criativa. como diria Thomas Edson. . Afinal. antes do início da geração de alternativas de solução por meio de desenhos. “a criatividade é 99% transpiração e 1% inspiração”. antes de tudo. muitos confundem esta fase. avaliação de soluções. projeto em escala. com a atividade de projeto como um todo.

outros fatores além do custo. ao invés de melhor analisar o desenvolvimento de seu Design. Enquanto isso. o custo de desenvolvimento do produto (i. quando uma empresa decide reduzir o custo final de seus produtos concentrando-se somente em aspectos de melhoria da produção. © 2006 eduardo romeiro filho 74 ufmg . ela tem sob seu controle somente cerca de 10 a 30% deste custo.e. Porém. tais como a qualidade e a durabilidade dos produtos. custo de desenvolvimento) ainda é muito baixo. também vem se tornando fundamentais neste novo ambiente competitivo.Introdução O cenário competitivo mundial vem se modificando rapidamente nas últimas décadas. O que se observa neste contexto é que. Reidson Pereira Gouvinhas 1-1 . Isto significa que poucas são as empresas que reconhecem a importância da atividade de Design como um fator primordial para o seu sucesso comercial. Com a evolução do processo de globalização. o tipo de material a ser empregado e os processos de fabricação e montagem a serem utilizados. apesar de muitas empresas terem alcançado resultados bastante positivos na melhoria do seu processo produtivo. planejamento e concepção). projeto do produto Design. optimised production tecnology (OPT) e materials requirements planning (MRP) surgiram como formas de ganho de competitividade. onde as possibilidades de ganho de competitividade são ainda bem maiores. novas técnicas de gerenciamento da produção tais como just-in- time (JIT). aliado a uma contínua agregação de valores a produtos e serviços. pouca atenção tem sido dada à etapa do Design do produto.g. Por exemplo. Desta forma. A figura 1-1 destaca tais estimativas indicando que as decisões tomadas nas etapas iniciais do desenvolvimento de produtos (e. outros fatores tais como a capacidade de se responder mais rapidamente as novas exigências do mercado consumidor. aspectos como a redução de custos e melhoria da qualidade continuaram a ser considerados como fatores importantes na busca da competitividade. por exemplo. Competitividade & I novação Prof.depto engenharia de produção . Logo após a crise do petróleo. custo orçado) tais como. a partir do final dos anos 80. tem muita influência no seu custo final (i. Entretanto. foram se tornando parâmetros importantes para se avaliar a competitividade industrial. Já nos anos 80. algumas estimativas indicam que 70 a 90% do custo final de um produto são considerados na etapa do Design.e. a eficiência da produção se tornou um aspecto primordial e a vantagem competitiva era alcançada com a redução dos custos de produção através da utilização de novas tecnologias. nos anos 70.

Isso tudo contribui para a criação de © 2006 eduardo romeiro filho 75 ufmg . ou seja. Em outras palavras. desenvolver um produto durável e fácil de ser usado. forma e embalagem do produto. garantir que sua manutenção seja simples e barata etc. mas também no sentido de se contribuir de forma significativa no estabelecimento de novas estratégias de mercado que são fundamentais para que as empresas se tornem cada vez mais competitivas. é de fundamental importância que as empresas continuem aprimorando seus produtos de acordo com essas novas exigências através de ações inovadoras tais como mudanças na cor. as empresas estão sendo pressionadas a atender clientes mais exigentes e que estão a procura de produtos diferenciados aos já existentes no mercado. utilizando-se de novos materiais e introduzindo inovações tecnológicas. Cada vez mais. Esta melhoria é observada ao se projetar um produto que atenda às exigências do mercado consumidor (e. Esse ambiente criativo deve ser estimulado por uma gerência participativa envolvendo os diversos funcionários da empresa. ao modificar-se o Design de um produto.depto engenharia de produção . a melhoria da qualidade tem muito mais possibilidade de ser realmente alcançada através de mudanças no Design do produto. a atividade de Design deve ser vista não só como uma ferramenta importante para se reduzir os custos e melhorar a qualidade dos produtos. 1-2 – Empresa Inovadora Para que uma empresa seja inovadora é importante que haja um ambiente favorável à inovação. Desta forma. uma nova imagem pode ser criada com o objetivo de manter o interesse do mercado consumidor ao novo produto ou ainda conseguir-se alcançar novos mercados. no sentido de se manterem competitivos.g. Em síntese.). favorável à criatividade. Um outro benefício do Design é seu impacto positivo no que se refere ao atendimento mais rápido às diversas demandas do mercado consumidor. projeto do produto Custo Orçado Custo (%) Custo de Desenvolvimento uração o o ament s e ament jeto gem ação Venda jeto ptual ção ojeto d o Pré- Projet d e P ro Produ Monta do Pro Fabric Config Conce Detalh Planej Pr Baixo Custo Alto Beneficio Alto Custo Baixo Beneficio Figura 1-1 – Relação de Custos nas diversas etapas do Desenvolvimento de Produtos O Design de um produto apresenta também uma grande influência no aspecto de melhoria da qualidade. Portanto.

Tabela 1-1 . projeto do produto uma “cultura inovadora” dentro da empresa.). uma apresentação clara a todos os envolvidos no processo sobre quais os produtos se deseja desenvolver. é necessário que as pessoas envolvidas no processo criativo estejam trabalhando em equipes interdisciplinares com representantes dos diversos setores da empresa (i.depto engenharia de produção . algumas entradas são transformadas dentro da empresa para produzir resultados. além de correr o risco de abrir novos mercados. designers. em quatro tipos: Estratégias ofensivas – Onde a empresa deseja ser a líder do mercado colocando-se sempre à frente de seus concorrentes. Além disso. essas entradas são idéias criativas apresentadas pelos membros da empresa. normalmente. Empresas desse tipo costumam dar grande importância às patentes. Assim.e. as empresas procuram aproveitar essa oportunidade de forma um tanto quanto ao acaso. Essas empresas. especificações e decisões sobre novas durante todo o ciclo de Disciplinar busca de novas idéias vida do produto idéias Liberdade de criar Envolvimento e Reconhecimento e Indivíduo e apresentar suas compromisso para a recompensas pelo idéias apresentação de novas sucesso idéias Neste processo de inovação. O Gerenciamento da Inovação na Empresa Nível Atividades de Inovação Gerencial Entradas Transformação Resultados Prioridade e Uso dos procedimentos Plano estratégico Administração critérios para formais de indicando os produtos Superior aceitação de novas desenvolvimento de desejados idéias produto Elaboração das Responsabilidades pelas Envolvimento continuo Equipe Inter. deliberadamente. Tais empresas realizam pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento no sentido de introduzir ações completamente inovadoras em seus produtos. deixam que as outras empresas arquem com os custos maiores de desenvolvimento. produção. Para que se obtenha ideais viáveis. A interação entre a gerência e o processo de inovação é mostrada na Tabela 1-1. A utilização desse tipo de estratégia vai depender da habilidade e rapidez com que a empresa consegue absorver as inovações lançadas pelas outras empresas e introduzir melhorias nesses produtos pioneiros. Ou seja. para que essas metas ou missões sejam alcançadas. marketing. que lhe garante o monopólio do mercado durante um certo período de tempo. recursos humanos e financeiros podem ser desperdiçados ao serem remanejados com esse objetivo. ao vislumbrar uma oportunidade de inovação. que geralmente aparecem em forma de novos produtos. Isto porque não existe uma atividade de planejamento estratégico na empresa que organize a utilização desses recursos da melhor forma possível. © 2006 eduardo romeiro filho 76 ufmg . O planejamento estratégico deve estabelecer as metas ou missões que uma empresa deve alcançar e definir as estratégias ou ações que devam ser realizadas. Desta forma. uma gerência conscientizada com este aspecto procura encorajar novas idéias dando liberdade para se criar. Geralmente. facilitando assim todo o processo de criatividade. é importante estabelecer uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos. 1-2-1 – Estratégia Corporativa Muitas vezes. inspeção etc. Estratégia defensiva – Estratégia geralmente utilizada por empresas que desejam seguir as líderes do mercado. Tais estratégias podem ser classificadas.

projeto do produto Estratégia tradicional – Tipo de estratégia geralmente utilizada por empresas que atuam em mercados estáticos (i. maior deve ser a capacidade do desenvolvimento de produto para identificar os riscos de sua atividade. a efetividade de diferente estratégias pode ser analisada no papel. pois dependem da matriz e/ou cliente para introduzir inovações tecnológicas. pode-se estabelecer uma auditoria em produtos com o intuito de estimar o custo de uma possível falha do mesmo.depto engenharia de produção . existe pouca demanda no mercado por mudanças). Na segunda fase. que a empresa pode mobilizar para o desenvolvimento de produtos. A figura 1-2 apresenta os diversos aspectos a serem considerados no planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. esta avaliação objetiva compreender as estratégias adotadas por empresas concorrentes de tal forma a identificar possíveis ameaças. Desta forma. ao se atingir um certo nível de maturidade no mercado. Esses produtos podem ser então “atualizados” com adoção de medidas inovadoras que garantem uma extra vida ao produto. 1-2-2 – Estratégia para o Desenvolvimento de Novos Produtos O planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos está relacionado com a política de produtos da empresa. estão diretamente associadas ao planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. Tais empresas são pouco equipadas para introduzir inovações. é ele que leva à escolha do produto especifico a ser desenvolvido. que fabricam componentes de acordo com as especificações estabelecidas pelas grandes montadoras.e. Por exemplo. Esta capacidade é representada por um conjunto de pessoas. para enfrentar esse perigo. este planejamento estratégico deve indicar quais os produtos a serem desenvolvidos com o intuito de se atender os objetivos da empresa. No caso de um planejamento em curto prazo. existem três técnicas que podem ser usadas na estratégia do desenvolvimento de produtos. Neste caso. procedimentos e recursos financeiros entre outros. Basicamente. estima-se a capacidade de desenvolvimento do produto. geralmente objetivando a redução de custos e melhoria da produtividade e qualidade do produto. Finalmente. espera-se que haja uma certa redução no volume de vendas do produto. Na primeira. Quanto mais a falha de um produto ameaça a sobrevivência da empresa. Uma segunda técnica avalia a performance de uma empresa com relação às empresas concorrentes. a custos reduzidos. mesmo que sejam forçadas a isso por razões de competitividade. Estratégia dependente – Geralmente adotada por empresas que não tenham autonomia para lançar seus próprios produtos. procura-se entender um pouco melhor sobre o desempenho das empresas concorrentes e estabelecer quais as mudanças necessárias para se aumentar o nível de competitividade da empresa. Tais estratégias procuram definir o processo de planejamento corporativo da empresa e que. avaliar o atual estágio de vida do produto). Tal analise dará subsídios para se estabelecer um planejamento estratégico de desenvolvimento de produtos para que se possam enfrentar tais ameaças. Alternativamente. tais produtos podem ser substituídos por novos produtos para se manter o poder competitivo da empresa. em muitos casos. as inovações são pouco relevantes contando-se com mudanças “incrementais” nos produtos. Em vista disso. Para um planejamento mais longo. A primeira delas examina a linha atual de produtos da empresa com o objetivo de analisar o nível de “maturidade” dos mesmos (i. estima-se o custo de falha do produto em termos do impacto que isso provoca sobre os negócios da empresa. Ou seja.e. © 2006 eduardo romeiro filho 77 ufmg . Esse procedimento é útil para integrar os diferentes aspectos da estratégia de desenvolvimento de produto. Essa auditoria do risco de produtos é realizada em duas fases. pode-se melhor avaliar a profundidade da mudança que deve ser introduzida no produto. Assim. Exemplo dessas empresas são as industrias de auto peças.

a performance. com o intuito de guiar o projetista a soluções rápidas e precisas. inovação etc. em todos os aspectos discutidos até agora. o acabamento etc. entre outras. 1-3 – O que é Design? O termo ‘Design’ geralmente é interpretado de varias formas.depto engenharia de produção . Dentro desta estratégia. Mais adiante. ou de produtos concorrentes ? urgente. projeto do produto Questões Especificas Métodos Respostas Decisões Qual é a necessidade de novos produtos ? Em que fases do ciclo de Analise da vida se situam os produtos Maturidade dos atuais ? produtos A necessidade de Objetivos do Como os produtos atuais Analise dos desenvolvimento de novos desenvolvimento se situam em relação aos concorrentes produtos é importante. como por exemplo a eficiência. passando pelo desenho gráfico. Na maioria dos casos. o estilo. o Design está associado ao produto final e não ao seu processo de desenvolvimento. durabilidade. é importante que a empresa estabeleça uma estratégia corporativa para que a mesma se mantenha competitiva no mercado. a embalagem. desenvolvidos cientificamente. é importante avaliar quais os aspectos que influenciam o sucesso comercial de um produto. uma vez que engloba as mais variadas áreas do conhecimento tais como a engenharia. a cor. serão abordados os principais aspectos que influenciam no sucesso de novos produtos. a percepção do Design está geralmente associada aos diferentes aspectos observados nos produtos. a funcionalidade. o desenho industrial e a moda. O Design é também geralmente associado aos aspectos tecnológicos dos produtos. desenho de interior e arquitetura. tal estratégia está intimamente ligada ao tipo de estratégia adotada no desenvolvimento de produtos. Ocorre que. Uma terceira associação que se faz ao Design é aquela relacionada aos aspectos mercadológicos como o logotipo da empresa. tais como o Web Design. Novas visões de Design vêm surgindo com o avanço da tecnologia. o baixo consumo de energia associado a um determinado produto. Por exemplo. Tal procedimento ajuda o projetista a avaliar com mais eficácia cada © 2006 eduardo romeiro filho 78 ufmg . Avalia-se que este processo de desenvolvimento deve apresentar algumas características fundamentais. ou ambos Qual é a velocidade de Analise do mercado mudança dos negócios ? Estático/Dinâmico Qual é a capacidade para desenvolvimento de novos produtos ? Pessoal ? Auditoria de risco Correção das falhas do Estratégia do Procedimentos ? dos produtos produto desenvolvimento Recursos Financeiros ? de produtos Outros recursos ? Figura 1-2 . ao preço de venda etc. Na verdade. ao se considerar os aspectos relacionados com a forma do produto tais como a aparência. tais como ser: Sistemático – O desenvolvimento do Design deve ser sistemático no sentido de se utilizar procedimentos metodológicos.Aspectos a serem considerados no Planejamento Estratégico do Desenvolvimento de Produtos Como se vê.

não se deve esperar que as diversas etapas do desenvolvimento de produtos sejam realizadas de forma independente. para que este seja bem sucedido comercialmente. surgiu-se a necessidade de adotar novos mecanismos de gestão e atualizar tecnologicamente as empresas. Multidisciplinar – O trabalho do desenvolvimento do Design não deve ser atribuído a um único profissional somente. é importante o envolvimento dos diversos departamentos da empresa como por exemplo marketing. o Design deve ser visto como um processo que engloba todos os aspectos vistos até agora. Todo o processo deve ser reavaliado constantemente com o intuito de reduzir o maior numero de “erros” possíveis. com conseqüente otimização da produção. podem e devem ser revistas em etapas subsequentes. desenvolver produtos que sejam mais fáceis de serem fabricados e montados. Devido a essa característica multidisciplinar. o mercado atualmente encontra-se na constante busca de produtos de qualidade a preços competitivos e que sejam diferenciados da concorrência. Entretanto. além de baixo investimento em inovação. Em essência. Desta forma. desenvolver produtos que estejam em conformidade com as expectativas (i. diferenciar seus produtos daqueles oferecidos pelos concorrentes. pensar antecipadamente em como o produto será fabricado. transportado entre outros. o mercado era caracterizado por uma política industrial protecionista. Apresentar soluções criativas é atualmente um dos mais importantes aspectos de competitividade. Na verdade. assistência-técnica etc. montado. projeto do produto etapa do desenvolvimento de produtos reduzindo assim. Além disso.depto engenharia de produção . Isto significa que as empresas se deparam com a necessidade de ao mesmo tempo atender aos seguintes desafios: Melhoria da qualidade dos produtos – Em outras palavras. aspectos © 2006 eduardo romeiro filho 79 ufmg . Pró-Ativo – O Design também deve ser visto como um processo pró-ativo. produção. Particularmente no caso brasileiro. Criativo – O processo de Design deve também ser criativo. Tais ganhos de produtividade e qualidade fizeram com que a competitividade entre as empresas se tornasse mais intensa e o mercado consumidor mais exigente. melhoria dos padrões de qualidade e produtividade e redução dos custos.e. projeto. com o advento da “globalização” e o crescente dinamismo do mercado consumidor. a probabilidade de “erros” e subsequente revisões no projeto. pesquisa e desenvolvimento. vendas. Reduzir os custos de produção – Por exemplo. Ao se desenvolver um produto.g. inspeção. Isto é. Iterativo – Deve-se destacar que este processo deve ser iterativo. decisões tomadas em etapas iniciais no Design de produtos. Isto pode ser feito através da agregação de valores tangíveis (e. não existia qualquer mecanismo de defesa do consumidor com consequente falta de preocupação com a qualidade dos produtos ofertados. com oferta menor que a demanda tendo como conseqüência preços mais elevados do que similares importados. pode ajudar na avaliação do desenvolvimento de um produto. a atividade de Design tem uma grande influência nas diversas etapas do desenvolvimento de um produto. no sentido de antecipar possíveis problemas que possam ocorrer nas etapas subsequentes do desenvolvimento de produtos. Desta forma. inspecionado. 1-4 – Quais os aspectos atuais de Competitividade? Diversas transformações econômicas vêm ocorrendo no mercado mundial nos últimos dez/quinze anos e que tem afetado diretamente o ambiente competitivo das empresas. Agregar valores aos produtos – Ou seja. demandas) do mercado consumidor. Neste sentido procura-se desenvolver técnicas que possam auxiliar o projetista na proposição de novas soluções a novos e/ou antigos problemas. com o objetivo de se concretizar uma idéia e/ou demanda do mercado consumidor em um produto e/ou serviço.

qual daquelas é a mais provável para se obter o melhor retorno. apresentação do produto vendas (e. O Design tem outras influências na competitividade. na sua participação do mercado. Atender rapidamente as diversas Produto fácil de se agregar novos valores de demandas do mercado consumidor mercado (i. projeto do produto tecnológicos) e intangíveis (e. existem diferentes aspectos que podem ser agregados durante o desenvolvimento de produtos e que tem influência nas diversas etapas da compra e uso de produtos. Do ponto de vista dos consumidores e usuários. Tabela 1-2 . Investimentos em Design podem trazer grandes benefícios para empresas de uma forma geral. preenchendo a oportunidade que se pensava em apresentar. de concorrência acirrada. Serviço pós-venda Produto fácil de se realizar assistência pós- venda. pelo menos a longo prazo. além daquelas sugeridas pela Tabela 1-2. Relacionados aos aspectos “subjetivos” da Empresa Associados à imagem da empresa e Logotipo da empresa.g. agregar novas tecnologias). Isto significa que o Design tem influência direta nos fatores relacionados ao preço e a aspectos “subjetivos” da empresa e do produto. Reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos – Com o avanço da concorrência e constantes mudanças no mercado consumidor. mas aquilo que a empresa deixou de faturar.g. por ter desperdiçado a oportunidade. baixo consumo de energia Relacionados aos aspectos “subjetivos” do produto Especificação do Produto e Qualidade Produto que apresente qualidade. no lucro e no crescimento contínuo. como indicado na Tabela 1-2. embalagem) etc. Isso é chamado de custo de oportunidade. que não é propriamente um custo. 1-5 – Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ? O principal aspecto de decisão para um industria é o de julgar dentre as mais variadas opções de investimento. performance. Ou seja. © 2006 eduardo romeiro filho 80 ufmg . um concorrente que pode lançar um produto semelhante e sair na frente. manuais de fácil entendimento etc.depto engenharia de produção . ergonomia. fazer com que o produto traga um certo nível de “status” ao usuário). boa aparência. o Design tem um papel fundamental influenciando diretamente na competitividade das industrias. Dentro deste cenário difícil. surge a necessidade de se dispor novos produtos no mercado a um intervalo de tempo cada vez menor. durabilidade. influenciando diretamente nas vendas. Isto é observado na Tabela 1-3. O Papel do Design na Competitividade Fatores de Competitividade Influência do Design Relacionados ao Preço Preço de Venda Produto de fácil fabricação e montagem Custo de uso do produto Produto que requer pouca ou nenhuma manutenção. facilidade de uso etc. Isto porque as decisões tomadas nas diversas etapas do Design de um produto.e. afetam diretamente em como os produtos são percebidos pelo mercado consumidor.

Performance inicial.g.). imagem da companhia etc. Tais investimentos significam um numero estimado de 173000 profissionais que estão direta ou indiretamente envolvidos em Design na industria de manufatura. prolongada facilidade de manutenção. características específicas (e. produção. Além dessa contribuição social (i. Desta análise. tal investimento pode resultar em uma melhoria substancial para toda economia de um país. Desta forma. produção.Aparência geral do Design e Da Compra qualidade. segurança etc. acabamento.depto engenharia de produção . controle de temperatura e pressão). marketing etc. No ato Características Aparentes . Utilização Características de Performance . Utilização Características que Agreguem Valor . A figura 1-2 mostra a influência desses fatores que foram classificados em três grupos principais: © 2006 eduardo romeiro filho 81 ufmg . projeto. Segundo pesquisas realizadas pela London Business School (LBS) e apoiada pelo Governo Britânico. Estados Unidos e Canada analisaram o processo de desenvolvimento de novos produtos. investimentos em Design podem ter um grande impacto no sucesso comercial de uma empresa e se o mesmo for verificado para um grupo maior de empresas. material. projeto do produto .Especificações da Compra fornecidas pelo fabricante. já que o que se deseja é desenvolver produtos diferenciados. observa-se que produtos bem projetados podem contribuir de forma significativa para a competitividade industrial.Influência do Design na Percepção dos Consumidores Tabela 1-3 nas diversas etapas de Compra e Uso do Produto Etapas de Compra e Fatores de Influência do Design Uso do Produto Antes Características da Brochura . Portanto. Em essência. marketing e vendas. informação sobre aparência e performance. consumo de energia) etc. durabilidade. Investimentos em Design também promovem a gerência participativa uma vez que esta é uma atividade multidisciplinar (i. custos de utilização (e. geração de emprego e renda). investimentos em Design ajudam as empresas a serem mais competitivas no mercado exportador. o Design contribui diretamente para o aumento do lucro das empresas através do aumento das vendas e da redução dos custos de produção dos produtos. Finalmente. envolvendo vários departamentos como gerência. 1-6 – Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ? O desenvolvimento de novos produtos é uma atividade importante e arriscada. a indústria britânica investe atualmente 10 bilhões de libras (aproximadamente 30 bilhões de reais) no Design de novos produtos. Um outro benefício do Design é o de melhorar a imagem da empresa pela agregação de valores aos produtos desenvolvidos. O Design é também responsável por promover ações inovadoras. Diversos estudos realizados na Inglaterra. além de formar um papel central nas suas estratégias de mercado.g. foram identificados alguns fatores chaves que influenciaram para o sucesso no lançamento de novos produtos. observa-se que o investimento no Design de novos produtos apresenta uma grande influência na competitividade da maioria das empresas. inicial facilidade de utilização.e. preço etc. no sentido de identificar como ocorre este processo e qual a influência do mesmo no sucesso comercial do produto.e.Confiabilidade.

produtos que eram percebidos como sendo substancialmente melhor que os competidores e apresentavam alto valor agregado.) tinham 3.e.depto engenharia de produção . projeto do produto Forte orientação para o mercado. quando as atividades de marketing e vendas estão bem coordenadas com a equipe de desenvolvimento de produtos. as chances de sucesso comercial são 2. A primeira delas em os produtos concorrentes podem estar a frente dos produtos desenvolvidos em sua empresa. as chances de sucesso são 2. Estudos de viabilidade e especificação. Nas situações em que se consegue manter uma alta qualidade das atividades técnicas ligadas ao desenvolvimento de novos produtos. tinham cerca de 5 vezes mais chances de obter sucesso do que aqueles que eram considerados apenas marginalmente superiores.que refere-se à procura pelo mercado de produtos ou características do produto que ainda não são oferecidos pela sua empresa. as chances de sucesso do novo produto são 2. Por último. as chances são 2. Tal demanda de mercado pode ser reconhecida de duas formas.5 maiores. Desta forma. O fator mais importante é o produto ter uma diferenciação com relação aos seus concorrentes.3 vezes mais chances de obter sucesso no mercado do aqueles sem essas especificações.5x Forte orientação Planejamento Antecipado Aspectos da para o Mercado & Correta Especificação Empresa • Benefícios significantes O produto deve ser: • Excelente habilidades aos usuários • Bem definido e segmentado Técnicas e de Marketing • Alto valor agregado • Especificado com precisão • Alta sinergia entre para os consumidores desde os estágios iniciais de aspectos seu desenvolvimento Técnicos e de Marketing Figura 1-3 – Fatores de Sucesso no Desenvolvimento de Novos Produtos Essas informações irão dar suporte no sentido de se definir as oportunidades de desenvolvimentos de novos produtos. potência etc. a concorrência exercida pelos produtos existentes e as oportunidades tecnológicas existentes para o projeto e fabricação de novos produtos. A pesquisa de mercado irá fornecer informações com respeito a demanda e desejos dos consumidores.4 vezes mais chances de sucesso do que aqueles sem qualquer estudo de viabilidade. função do produto.8 vezes maiores. tamanho. Mais especificamente. quando se registra um grande nível de cooperação entre o pessoal técnico e de marketing.3 vezes maiores.7 maiores em relação a outros sem esta harmonia. baseados em estudos de viabilidade técnica e econômica tinham cerca de 2. Probabilidade de sucesso de Novos Produtos 5x 5x 3x 3x 2. Qualidade no Desenvolvimento de Produtos. produtos que eram bem definidos com especificações técnicas bem estabelecidas (i.5x 2. Essa oportunidade pode ser classificada em duas categorias: a) Demanda de mercado . Na verdade. além de apresentar características que sejam valorizadas pelos consumidores. quando a qualidade técnica da equipe esta adequada às necessidades de desenvolvimento do novo produto. para que um produto alcance sucesso comercial é extremamente importante que esses três aspectos sejam bem coordenados durante o desenvolvimento do produto. Além disso. Além disso. abrindo novos mercados e estimulando o © 2006 eduardo romeiro filho 82 ufmg . Foi observado que os produtos que eram cuidadosamente planejados.

A figura 1-4 apresenta alguns dos diversos aspectos que podem e devem ser considerados no desenvolvimento de especificações de projeto. Elas devem representar os desejos e ansiedades identificados na pesquisa de mercado. mas não será bem sucedido se os consumidores não quiseram comprá-lo. Um produto pode ser muito avançado tecnicamente. Essa nova tecnologia pode ser. é a tradução em dados técnicos dos desejos dos consumidores. Segurança Manufatura Ergonomia Embalagem Patentes Peso Custo Qualidade Tempo Política Processo DESIGN Mercado Tamanho Documentação Competidores Instalação Meio Ambiente Armazenagem Performance Material Figura 1-4 – Especificações Técnicas É importante garantir que este processo de identificação de oportunidades de mercado e geração de especificações técnicas do produto seja feito com qualidade. Entretanto. Ela deve ser complementada com uma pesquisa sobre as necessidades de mercado. Essas especificações técnicas do produto são na verdade os dados técnicos necessários para se desenvolver os produtos. projeto do produto desenvolvimento de novos produtos de forma a tornar a sua empresa mais competitiva. quando se trata do desenvolvimento de novos produtos essa tarefa não é fácil. desde a analise do mercado passando-se pelo projeto conceitual e detalhado até a fabricação. pode-se então. gerando oportunidades de inovação do produto. Um vez coletadas essas informações. Isso não diminui a importância da oferta de tecnologia para o desenvolvimento de novos produtos.depto engenharia de produção . Muitas pessoas aceitam a idéia de controlar a qualidade de tarefas industriais ou administrativas bem estruturadas e de natureza repetitiva. novos processos de fabricação ou novos conceitos de projeto. São essas especificações que controlarão todo o desenvolvimento do produto. por exemplo. desenhos técnicos acompanhados de documentação técnica especifica do produto. por exemplo. Na verdade essas duas etapas devem ser desenvolvidas concomitantemente. montagem e venda do produto final. definir as especificações técnicas de projeto para o desenvolvimento de novos produtos. b) Oferta tecnológica – que refere-se à disponibilidade de novas tecnologias. Desta forma. um novo material. para certificar que o avanço tecnológico está servindo para preencher uma necessidade real do consumidor. Significa apenas que não se pode somente confiar no avanço tecnológico para projetar produtos de sucesso. © 2006 eduardo romeiro filho 83 ufmg . as especificações técnicas apresentadas e discutidas na etapa inicial do projeto conceitual podem não ser as mesmas nas etapas subsequentes de um projeto mais detalhado. É importante notar porém que essas especificações não são fixas com o tempo. Ou seja. A segunda delas seria identificação de uma necessidade de mercado que ainda não é satisfeita por nenhum dos produtos existentes. Esses podem ser documentados de várias formas como. elas evoluem gerando outras ou novas especificações a medida que o desenvolvimento do produto também evolui. Ou seja.

é importante definir o que se entende pelo termo qualidade para então possamos trabalhar no sentido de incorpora-la no desenvolvimento de novos produtos. Esta técnica será abordada logo adiante. Assim. para se selecionar as melhores alternativas. em relação aos concorrentes ? Como os consumidores serão induzidos a preferir esse novo produto ? Quais as estimativas iniciais de custo e a margem de lucro ? Qual é o volume esperado de vendas e qual é o retorno do investimento ao longo da vida útil do produto no mercado? Em seguida vem a especificação do projeto. deve-se considerar a percepção do consumidor para se definir o que seja a qualidade de um produto. Por exemplo. as especificações técnicas devem ser convertidas no sentido de atender cada uma dessas etapas. © 2006 eduardo romeiro filho 84 ufmg . Esse documento deve conter também o critério para se avaliar o sucesso comercial do produto. os conceitos. A especificação do projeto deve ser um documento de consenso. Uma das metodologias mais utilizadas é a do Desdobramento da Função Qualidade ou QFD. sua aparência até a embalagem e distribuição. onde se realiza o controle da qualidade mais importante. Já para um gerente de produção. numa visão mais abrangente. padrão para comparação de todas as alternativas geradas durante o desenvolvimento de projeto. Todos esses aspectos são importantes para se definir o que seja a qualidade de um produto. projeto do produto Mas como se pode determinar as metas para o controle de qualidade. antes disso. qualidade pode ser a facilidade de fabricação e montagem de produtos com níveis de refugos abaixo dos especificados. As especificações tornam-se. quando o desenvolvimento do produto chega a etapa de fabricação. então. contendo as metas comerciais básicas para o novo produto. Para que toda essa evolução possa ser bem controlada no sentido de garantir qualidade ao produto desenvolvido. refletindo os interesses de marketing. por exemplo. vendas. que em inglês significa Quality Function Deployment. foram desenvolvidas diversas técnicas metodológicas que ajudam a equipe de projetos nesta árdua tarefa. Neste caso. mostra um modelo de percepção de qualidade. Observa-se que quanto maior a incorporação de características desejadas pelos consumidores maior será o seu nível de satisfação. montagem dos circuitos elétricos e assim por diante. Como se viu anteriormente. Espera-se que qualquer produto que atenda a essas especificações seja bem sucedido comercialmente. devem ser determinados os pontos de controle da qualidade a serem realizados durante o processo de fabricação que podem ser. Entretanto. 1-7 – O que é Qualidade? O termo qualidade apresenta diferentes significados para diferentes pessoas. a especificação do projeto se transforma em especificação de controle do processo produtivo. Entretanto. as configurações e os protótipos podem ser avaliados em relação a esse padrão. projeto e desenvolvimento e a engenharia de produção da empresa. abrangendo desde as funções básicas. Eventualmente. Por exemplo. até a montagem final do produto. A figura 1-5. Como mencionado anteriormente. Quais são os aspectos diferenciados desse novo produto. sem mesmo conhecer o produto que se deseja controlar ? O primeiro controle é exercido sobre as especificações de oportunidade. para um engenheiro qualidade pode significar a adequação dos objetivos do produto e sua resistência para suportar faixas de trabalho preestabelecidas. na recepção da matéria-prima. a medida que o projeto vai evoluindo passando a etapas de configuração e detalhamento. é nessa etapa que são fixadas as metas técnicas para o novo produto.depto engenharia de produção .

a ausência de certas características. existem algumas expectativas básicas sobre um produto que as vezes nem são percebidas.depto engenharia de produção . Desta forma. © 2006 eduardo romeiro filho 85 ufmg . Satisfação Algumas Todas Incorporação das características desejadas Insatisfação Figura 1-6 – Modelo Melhorado de Qualidade Ocorre que a satisfação do consumidor nem sempre apresenta um comportamento linear como mostrado nas figuras 1-5 e 1-6. pode significar um aspecto normal e não contribui para aumentar o nível de satisfação do consumidor (Figura 1-7). projeto do produto Satisfação do consumidor Incorporação das características desejadas Figura 1-5 – Modelo Simples de Qualidade Seguindo um mesmo raciocínio. Na verdade. implicará numa insatisfação proporcional no consumidor como indicado na figura 1-6. a ausência destas expectativas pode causar uma grande insatisfação. enquanto que a sua presença.

Num outro extremo. ao comprar um veículo automotor espera-se que este venha suprido de rodas. Os fatores de excitação são capazes de satisfazer as necessidades “latentes” dos consumidores. existem certas características que são incorporadas a um produto que provocam um grande nível de satisfação quando estão presentes mas que a sua ausência não causa insatisfação. projeto do produto Satisfação consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação Figura 1-7 – Expectativas Básicas da Qualidade Por exemplo. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação Insatisfação Figura 1-8 – Fatores de Excitação A figura 1-9 mostra o modelo Kano de qualidade indicando as expectativas básicas e os fatores de excitação. Kano sugere que há um outro fator de satisfação do consumidor situado entre as expectativas básicas e os fatores de excitação. A © 2006 eduardo romeiro filho 86 ufmg .depto engenharia de produção . Tais características são interpretadas como fatores de excitação. são requisitos adicionais aos produtos que excedem aqueles da expectativa básica (Figura 1-8). necessidades que os próprios consumidores não sabiam inicialmente que as tinham. enquanto que a sua presença não provoca satisfação. Os fatores de performance cobrem as qualidades que os consumidores declararam esperar dos produtos. Ou seja. Ou seja. A sua ausência implicará num grande nível de insatisfação. chamado de performance.

Um carro que tenha todas essas características provocara satisfação no consumidor. Ou seja. 4 – Atendimento aos fatores de performance. quanto mais fatores que causam excitação forem incorporados aos produtos maior será o nível de satisfação dos consumidores. podem agora ser considerados como fatores de performance ou mesmo apenas uma necessidade básica. manobra fácil. Isto significa que. mínima manutenção etc. o consumidor não valorizará proporcionalmente este fator. não é vantajoso realizar-se altos investimentos para se satisfazer uma necessidade básica. 2 – Atendimento as necessidades básicas . aceleração rápida. Deve-se observar que a classificação dessas necessidades se modificam ao longo do tempo. O modelo Kano de qualidade indica que os fatores de performance aumentam o nível de satisfação dos consumidores. O modelo Kano indica ainda que ao ser alcançado um certo nível dos fatores de performance. a partir de um certo nível de atendimento. Por exemplo na visão dos consumidores. 3 – Atendimento aos fatores de excitação. Existe um tendência da satisfação do consumidor aumentar a medida que as características que causam excitação são incorporadas ao produto. Desta forma. uma vez que esta curva tende a um nível de saturação. poucos ruídos. Atender as necessidades básicas é um pré-requisito para o sucesso de um novo produto. Existem alguns desejos que não são verbalizados pelos consumidores e portanto são muito difíceis de serem identificados em uma pesquisa de mercado. baixo consumo de combustível. por exemplo. Dentro desta categoria. direção hidráulica. 1 – Desejos não declarados pelos consumidores. todo o esforço extra exigido aos fatores de excitação terá maior retorno. um carro ideal deve apresentar algumas características como ter um bom estilo. Portanto. projeto do produto percepção do consumidor sobre a qualidade varia na proporção direta do grau em que a performance ideal ou máxima do produto seja alcançada. mas não de forma tão acintosa quanto os fatores de excitação. encontram-se aqueles ditos básicos (os que são considerados evidentes pelos consumidores) e aqueles considerados de excitação (aqueles ainda não experimentados pelos consumidores). fatores que foram considerados de excitação no passado. Um carro que não tenha nenhuma delas causará insatisfação. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação PERFORMANCE Figura 1-9 – Modelo Kano de Qualidade Existem quatro aspectos no modelo Kano para qualidade que devem ser considerados no desenvolvimento do produto. © 2006 eduardo romeiro filho 87 ufmg .depto engenharia de produção .

Butler & Tanner Ltd. (1995). Charles Scribner’s Sons. London. UK. 1. & Beitz. U.A Systematic Approach .depto engenharia de produção . Gouvinhas. The QFD Book . U. PhD Thesis. pp 93-97. Quality Through Design . New York. Techniques of Structural Problem Solving. M.K. de modo que os produtos considerados insatisfatórios sejam rapidamente eliminados logo no inicio do desenvolvimento quando grande volumes de recursos ainda não foram investidos. (1994). incorporar qualidade a um produto significa desenvolvê-lo de forma a atender as necessidades do mercado consumidor e sempre que possível. 1994. & Riedel J. (1995). New York.Bibliografia Baxter. Pahl. A. (Editor) Design Management. 1 st edition ed. USA. G. Ullman. J. S. no. K.. U. (1997). ed. além de seu transporte e distribuição.K. Addison Wesley Publications Ltd. pp 14-22.Springer-Verlag. J. (1963) Applied Imagination – Principles and Procedures of Creative Thinking. Chapman & Hall. Guinta. deve-se ressaltar que os fatores de excitação funcionam uma única vez. Jones. R. Esse controle é muito difícil de ser executado uma vez que vários fatores técnicos. 35.K. em inglês) ou simplesmente. Second Edition. a elaboração das especificações técnicas a partir da identificação das necessidades do mercado consumidor é essencial para que se tenha um rígido controle de qualidade durante o desenvolvimento do produto. Somerset.. é de fundamental importância entender as necessidades do consumidor de forma a satisfazê-las ao se desenvolver um novo produto. Design for Economic Manufacture. A. Product Design – Practical Methods for the systematic development of new products. (Editors) Concurrent Engineering .K. Osborn. Engineering Design Methods. Tood. U. Cross. pois logo são incorporados a muitos fatores de performance do produto.The Key to Successful Product Delivery Mc Graw-Hill. U. D. USA.S.1. second edition. London. Mc Graw-Hill Book Company. M. Syan. Mc Graw-Hill. The Mechanical Design Process.C.Como Incorporar Qualidade ao Produto? Como foi visto. Menon. John Wiley & Sons. U. Corbett. Economy. (1987). como por exemplo. G. Isso significa que os fabricantes devem procurar continuamente introduzir novos fatores de excitação. (1986).K. Van Gundy. New York. Cranfield University. Implementation and Practice. A. é importante utilizar-se de algumas metodologias que ajudam no sequenciamento desta execução. QFD. especificação da fabricação e montagem do produto. London. Van Nostrand Reinold. The Contribution of Design to the U. Oakley. no sentido de se conseguir esse controle é necessário que esse desenvolvimento seja bem planejado. no. J. Infelizmente. J.K. vol 5. (1997) Design Methods for Production Machinery Companies. buscar diferenciação no mercado como foi abordado anteriormente.P. J. Fox. vol. L.K. Na verdade. (1970) Design Methods. John Wiley. Desta forma. Chapman & Hall. Annals of the CIRP. essa conversão das necessidades do consumidor em aspectos técnicos para o produto deve ocorrer antes mesmo que o projeto seja iniciado. New York. U. N. 1. & Praizler. N. Pugh. The Design Council. devem ser levados em consideração. C. R. London. K.K. que será mais detalhada nas seções posteriores. C. Engineering Design. Uma das metodologias mais utilizadas com o intuito de garantir de que as necessidades do consumidor estejam incorporadas aos produtos é a conhecida técnica do Desdobramento da Função Qualidade (Quality Function Deployment. Chichester. projeto do produto Além disso. C. Este controle é importante para que se possa identificar e corrigir eventuais desvios. U. USA. © 2006 eduardo romeiro filho 88 ufmg .F. Cranfield. Total Design. (1992). (1994) Time to Market. USA. (1984). Jr. and Menon. New York. tentar superá-las. Workingham. H. B. Pawar.Concepts. Portanto. Integrated Manufacturing Systems. Working Paper. (1993). S. U. tais necessidades nem sempre chegam a equipe de projetos na forma de uma linguagem técnica e portanto é importante saber interpretá-las.London. U. 1-8 .(1993).The Team Approach to Solving Problems and Satisfying Customers Through Quality Function Deployment AMACOM Books.World-Class Manufacturing. Sentance.10 . & Clarke.K. Desta forma. Para que esse planejamento possa ser bem executado. ou seja. W. USA. USA..

como formas rígidas de se nortear o processo de projetação. mas assume uma conotação mais ampla. pois diante destes riscos existe um ainda maior. mesmo que estas não estejam claras ou (como acontece algumas vezes) nem existam ainda. o da perda dos mercados (e dos lucros). dependentes de novos lançamentos que atendam às exigências e necessidades do mercado. 1. Diversos autores propõem metodologias próprias para o desenvolvimento de produtos. que lutam por formas de responder o mais rápido possível às tendências verificadas entre os compradores. mas a criação de um produto que seja adequado aos diversos níveis de usuários. É certo que estas metodologias não devem ser entendidas ao pé da letra. Aí reside sua grande dificuldade. o pronto desenvolvimento e lançamento de produtos que venham a atender as necessidades e os anseios dos consumidores tem se mostrado imprescindível ao crescimento e à própria sobrevivência das empresas. São grandes os riscos de fracasso no lançamento de novos produtos. vários teóricos do desenho industrial levantaram a inadequação dos métodos tradicionais e empíricos da concepção de produtos. assim como todos os demais seres vivos. criando artefatos que lhe são mais adaptados e convenientes ao uso. que incluem. Dentro de um mercado altamente competitivo como o que se apresenta hoje a nível mundial. desenhistas. em sua forma mais ampla. Ocorre. projetistas. como o cliente. os distribuidores. específicas da nossa época. Não basta criar um produto. questões de vendas e transporte. mas como uma maneira didática de orientação para os estudantes ou iniciantes em design até que consigam eles próprios desenvolver um método próprio de concepção orientado para suas necessidades específicas. os meios de fabricação. algumas mais gerais e outras bastante específicas. Isto levou ao desenvolvimento de uma série de campos de conhecimento específicos. etc. Neste contexto. uma diferenciação a partir do momento em que o homem passa a impor modificações ao que lhe é oferecido. portanto. o termo "designer" não se restringe às atividades ligadas ao Design . projeto do produto O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto. Existe um grande número de parâmetros que devem ser levados em consideração. sendo estes também 9 Neste caso.Industrial. etc. embora existam muitas discussões a respeito de qual ou quais seriam os métodos mais adequados de auxílio à projetação. a atividade projetual assume características próprias. os consumidores e a própria sociedade. além dos já citados. © 2006 eduardo romeiro filho 89 ufmg . os fornecedores. sendo que esta visão é hoje amplamente aceita.depto engenharia de produção . Para que Metodologia de Projeto. com o aparecimento de pessoas especializadas no desenvolvimento e construção de toda a variedade de objetos. somente a produção de desenhos para a aprovação do cliente e orientação do fabricante. pois ele deve conhecer o resultado final do projeto antes de tê-lo concluído.ou Desenho . 2. O designer deve compreender a relação entre estes diversos usuários e antecipa-las no caso do desenvolvimento de novos produtos. arquitetos. Origens do Método na Concepção de Projetos A espécie humana sempre buscou na natureza a satisfação de suas necessidades. como engenheiros. manutenção. servindo para todo e qualquer profissional envolvido em atividades de concepção e/ou projeto. que seja belo (segundo o conceito de um grupo específico ao qual este produto será destinado) ou adequado à sua função principal. Nesta perspectiva. porém. usuários de seus produtos. O objetivo final do designer9 não é. e existem inúmeros exemplos desse tipo. mas ainda assim as empresas são levadas a gastar milhões (de dólares) em pesquisa e desenvolvimento. os responsáveis pelos setores de projeto assumem um papel fundamental para o sucesso (ou fracasso) de suas empresas. muitas vezes mesclando diversos pontos das várias metodologias criadas pelos mestres. matérias primas utilizadas. os vendedores. Devido a esta crescente complexidade da atividade do designer. os produtores.

com pessoas ocupadas exclusivamente com este fim. para que se possa produzir uma maior qualidade. através de uma estrutura hierarquizada de aprendizagem. 3. para que na montagem houvesse um perfeito encaixe. Esta divisão. bem como a ampliação dos mercados consumidores através das grandes descobertas forçaram um aumento na produção de bens. que poderia ser considerado como uma espécie de mercado consumidor. em diferentes níveis de detalhamento e especificidade. e não só quantidade de soluções. como na especificação das dimensões e aspectos formais antes mesmo de sua primeira versão concluída. bem como suas caracterísicas formais e de uso eram definidas mentalmente pelo artesão. Evolução da Metodologia & Evolução I ndustrial Com a crescente complexidade dos produtos e dos meios de produção fez-se necessária a descrição em meios físicos do projeto e de sua concepção. com o fim de auxiliar o designer durante o processo de projetação. Os suportes de auxílio ao ofício constituíam-se quase que exclusivamente de gabaritos e apetrechos desse tipo. Estes métodos. na qual o iniciante era selecionado. Este ponto de vista é amplamente aceito e dispensa maiores justificativas. Os métodos intuitivos são considerados. Daí o surgimento de diversas "metodologias de projeto". um objeto pronto que servisse de exemplo para os demais. segundo regras peculiares e tradicionais. em que o artesão era ao mesmo tempo responsável pela concepção do produto e pela sua fabricação. Este processo. foi se tornando cada vez mais difícil a execução do produto diretamente. levando a um desenvolvimento cada vez mais rápido de novos produtos. Anteriormente era necessário um modelo. tem início a atividade específica de projetação. A partir deste momento a atividade projetual ocupa um espaço importante na produção. através da utilização cada vez maior de métodos específicos para o desenvolvimento de produtos. com o tempo. o trabalho foi sendo progressivamente dividido. a partir de mudanças ocorridas no âmbito social e econômico de seu grupo populacional. já que o número cada vez maior de variáveis envolvidas levam a uma grande dificuldade para seu adequado controle. levava a um aumento na produtividade. Com a consolidação da Revolução Industrial e a crescente sofisticação da produção. e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções". já que as variáveis envolvidas eram em número cada vez maior.depto engenharia de produção . A utilização de desenhos como forma de representação de projetos leva a uma grande facilidade na definição das características finais do produto. Hoje existem diversas metodologias propostas. sendo que as tarefas mais simples eram executadas normalmente por aprendizes. XVI. inclusive pessoas não pertencentes à equipe de projeto. Pode-se dizer que o aumento populacional na Europa a partir do séc. de forma a atender aos objetivos de acumulação capitalista. sendo que quase sempre o que ocorre é uma adaptação de uma ou mais metodologias às características específicas do trabalho. sendo utilizados de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido: "A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas. já que a produção tem que ser mais e mais ampliada. todo o processo de construção do objeto. trazendo de novo a necessidade de desenhos e informações detalhadas. Era também o artesão responsável pelas modificações dos produtos no decorrer do tempo. desde que as dimensões das peças fossem corretamente demarcadas. Além disso. Na confecção de um produto que se utilizava de várias peças. da montagem do produto e da coordenação dos trabalhos. ou seja. enquanto os oficiais se encarregavam das peças de maior complexidade. projeto do produto responsáveis pela formação de novos profissionais. © 2006 eduardo romeiro filho 90 ufmg . o que levou a uma série de tentativas de agilização da produção. que já não estava completo na mente do artesão seu criador. pelos teóricos do desenho industrial. por exemplo. além de facilitar a construção. que procuram delinear de forma mais ou menos específica as maneiras mais convenientes de desenvolvimento de projetos de produtos. treinado e formado pelo artesão oficial. A progressiva divisão de tarefas também foi facilitada pela utilização de desenhos de representação. de seu nível de complexidade e de uma escolha pessoal do designer pelo processo de trabalho mais adequado às suas necessidades. era caracterizado pela ausência de qualquer tipo de projeto descrito em suportes físicos. que envolvia uma revisão e o desenvolvimento das formas usuais de produção e de concepção de produtos. de forma a facilitar o controle de suas diversas variáveis. Com a revolução industrial este movimento se torna mais abrangente. A utilização de uma destas metodologias vai depender basicamente do tipo de trabalho desenvolvido. um método próprio. além das ferramentas tradicionais. Esta era uma situação relativamente simples quando se tratava da fabricação de artigos de cerâmica. mas que apresentava consideráveis dificuldades em se tratando de produtos maiores e mais complexos. como inadequados diante da crescente complexidade dos meios de produção. sendo de seu inteiro conhecimento. segundo MEDEIROS (1981) podem ser definidos como sistemáticos ou intuitivos. levando o designer a desenvolver. próprias de cada atividade.

um parafuso. como os colocados na condição de novos projetos (e não da adaptação ou melhoria de produtos já existentes). fabricáveis em série.concebido pelo homem é um produto. embora as metodologias e processos apresentados estejam em sua maior parte centrados no desenvolvimento de produtos industriais. 1995. um avião . © 2006 eduardo romeiro filho 91 ufmg . colocados aqui de maneira bastante ampla. A seguir estão colocadas de forma sucinta as principais formas de contribuição de sistemas informatizados à atividade projetual. EXECUÇÃO PRODUTO DIFUSÃO USO DESATIVAÇÃO RECICLAGEM Figura 2. um prédio. Adaptada de “Modelo de Ciclo de Vida do Produto”.depto engenharia de produção . Sendo assim. torna-se interessante uma investigação um pouco mais profunda das funções deste setor e das diferentes metodologias utilizadas para a concepção de produtos. principalmente nos casos de produtos que possuam níveis relevantes de inovação. Fonte: MEDEIROS. Modelo de Ciclo de Vida do Produto e Principais Recursos Informatizados: ETAPAS DE PROJETO: NECESSIDADE FORMULAÇÃO ANÁLISE CAE/CAD ESPECIFICAÇÕES SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS CAPP CONCEPÇÃO AVALIAÇÃO SELEÇÃO CAM FABRICAÇÃO . Segundo este raciocínio. projeto do produto O desenvolvimento de produtos é bem mais complexo do que pode parecer em princípio. qualquer objeto .

O processo projetual pode desta forma ser dividido em etapas. Este mercado foi. com diferentes modelos cuja crescente sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. projeto do produto PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETO DE PRODUTO. O que houve foi uma segmentação deste mercado. 1981. apesar de custos bastante elevados. ameaçado pelo aparecimento das primeiras impressoras de tecnologia laser. e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto. ao alto custo representado pelas novas impressoras em relação àquelas já existentes. PROJETOS POR EVOLUÇÃO E INOVAÇÃO. por inovação. BACK (1983) diferencia dois tipos de projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. assimilação. no entanto. com as impressoras laser ocupando determinados nichos onde a qualidade de impressão representava um fator fundamental e onde havia a necessidade de grandes tiragens de documentos personalizados (extratos bancários para envio pelo correio. A atividade principal de transformação ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. por exemplo). O surgimento das impressoras de tecnologia laser não representou. entretanto.depto engenharia de produção . Fonte: MEDEIROS. sem que haja entretanto modificações radicais nos princípios tecnológicos do produto. de forma semelhante aos processos de resolução de problemas de qualquer tipo: Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto FORMULAÇÃO ANÁLISE SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS AVALIAÇÃO SELEÇÃO EXECUÇÃO Figura 3. A partir das características de cada produto concebido. Os projetos por evolução seriam aqueles nos quais as descobertas científicas e tecnológicas são agregadas a modelos precedentes. O mercado foi até o início da década de noventa basicamente dominada por impressoras do tipo matricial. análise e síntese. Um exemplo deste tipo. que ofereciam significativo aumento na qualidade de impressão. na área da informática. Se as impressoras de tecnologia laser não foram suficientes para abalar definitivamente o © 2006 eduardo romeiro filho 92 ufmg . onde uma nova tecnologia rompe com as condições do mercado. A tecnologia laser associada à impressão pode ser considerada como uma forma de projeto por inovação. O desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais. é o das impressoras. uma definitiva ameaça ao mercado das matriciais devido. principalmente.

Vendas desde 1992 e estimativas para 1996.depto engenharia de produção . acetato etc.cit. no denominado mercado SOHO . O autor apresenta 10 O termo “qualidade estética” pode gerar uma interminável fonte de discussões. que começa a tornar-se economicamente viável nesta área. entre (muitos) outros.) Laser Figura 4. ha de disponer de un método que le permita realizar su proyecto de forma adecuada. principalmente. MUNARI (1975) apresenta uma visão de metodologia aplicada à comunicação visual. embora apresente um enfoque especial às características estéticas e visuais do produto. projeto do produto mercado das matriciais. mas que possui uma natural similaridade com diversos conceitos do design e das engenharias. seja no caso das impressoras a laser como.” (MUNARI. como meios tecnológicos disponíveis para fabricação. las técnicas precisas y con la forma que corresponda a la función (incluida la función psicológica). entretanto. atualmente. op. o artista projeta suas obras utilizando- se de regras clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. a série de projetos evolutivos das impressoras matriciais está praticamente suplantada pelo impacto de projetos baseados em inovação. por exemplo. com o objetivo de criar obras densas e de concepção pessoal. será necessário um projeto que não somente possua qualidades estéticas10 e que seja compreensível para seu público. mas que atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. objetivo deste trabalho discutir este assunto. competindo diretamente em nichos de mercado pertencentes às duas outras tecnologias. dado que ha de utilizar toda clase de materiais y toda clase de técnicas sin prejuicios artísticos. Pode-se dizer que. © 2006 eduardo romeiro filho 93 ufmg . 350 300 250 Em Milhares de 200 Unidades 150 100 50 Maticial 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. mas apenas chamar a atenção para sua existência e sua inegável importância. o crescente desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato de tinta parece trazer este perigo.) Neste caso. pois depende de fatores por demais complexos. Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. fonte: RIMA Impressoras. sociais e econômicos da população usuária. Não é.Small Office and House Office). O mesmo ocorre em relação os plotters. citado por INFORMÁTICA EXAME (1996) METODOLOGIAS DE PROJETO DE PRODUTOS. como aspectos culturais. nas baseadas em jato de tinta (para aplicações domésticas e de pequenos usuários. viabilidade econômica e de materiais. a preços cada vez mais baixos.) que também enfrentam a concorrência da tecnologia de impressão a jato de tinta. oferecendo uma impressão de alta qualidade (embora não atinja ainda os níveis de algumas das impressoras a laser). equipamentos periféricos de sistemas CAD responsáveis pelo traçado em elementos físicos (papel. Segundo o autor. “Pero el diseñador.

por exemplo) ou pelo próprio designer. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. projeto do produto uma metodologia baseada nos esquemas de Archer.depto engenharia de produção . Da síntese criativa nascem os modelos. Elemento central do processo de concepção. levando a uma “solução ótima” para o produto. até atingirem a forma do produto final. Disponibilidade técnica. Modelos. Criatividade. por exemplo). Identificação dos aspectos e funções. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. que apresenta estreitas semelhanças com a maioria dos métodos para solução de problemas: © 2006 eduardo romeiro filho 94 ufmg . com a construção de um ou mais protótipos. enquanto o psicológico (aspectos culturais. fonte: MUNARI. seguindo as sugestões de Asimow. 1975 A partir deste exemplo pode-se ter uma idéia bastante simplificada de como funciona o processo projetual. Durabilidade prevista para o produto. que atenda as necessidades levantadas e dentro dos limites existentes. O problema deve ser analisado a partir de dois componentes principais: o físico e o psicológico. em níveis crescentes de detalhamento e sofisticação. pois deve levar a uma síntese das necessidade e dos elementos identificados. Limites para o projeto. de acordo com a análise das necessidades. exigências e características do mercado. O problema a ser abordado deve estar bem definido. O componente físico (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. sem contudo atuar fora dos limites previamente impostos. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. possui os seguintes pontos principais: Enunciado do problema. Esquemas Metodológicos apresentados por MUNARI Archer Fallon Sidal programação preparação definição do problema levantamento de dados informação exame de soluções possíveis análise valoração limites síntese criatividade análise técnica desenvolvimento seleção otimização comunicação projeto cálculo protótipos testes modificações finais Figura 5. utilização de componentes já existentes. apresentando um produto com variável grau de inovação. de tamanho natural ou em escala. e que. sob pena de todo o processo de concepção ser alterado por uma definição equivocada da questão a ser atendida. seja esta análise realizada pela empresa (pelo departamento de marketing. Fallon e Sidal.

projeto do produto necessidade. 1975 © 2006 eduardo romeiro filho 95 ufmg . PROCESSO METODOLÓGICO PROPOSTO POR MUNARI (1975). determinação da solução e detalhamento.Geográfica Física Psicológica Tempo de Uso LIMITES DO PROJETO Regras Partes Existentes Mercado Identificação dos Elementos de Projetação Materiais e Disponibilidades Tecnológicas Instrumentos CRIATIVIDADE Código do Usuário Síntese MODELOS Primeira Comprovação Soluções Possíveis A MAIS ADEQUADA Programa de Projetos PROTÓTIPO Figura 6. o que torna cada uma delas apropriada a determinado tipo de problema (ou produto).depto engenharia de produção . As formas de aplicação destas metodologias. Enunciado do Problema Verificação Identificação Verificação Cultural Técnico . mesmo devido ao fato de que na maioria dos casos.Funções Histórico . sendo muitas vezes possível seu inteiro domínio (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou mesmo por uma só pessoa. Pode-se dizer que o nível de sofisticação e detalhamento do processo metodológico adotado obedece às características do produto a ser desenvolvido.Econômica Aspectos . os processos de concepção e tecnologias de fabricação de produtos mais "simples" estão amplamente disseminados. levantamento de informações. por exemplo) não necessitará do rigor metodológico de produtos mais sofisticados (como um avião ou uma planta industrial). concepção. fonte: MUNARI. geração de alternativa. apresentam diferenças importantes. como no caso da produção artesanal. entretanto. Naturalmente um produto tecnologicamente simples (um vaso cerâmico.

Modificação do protótipo. Avaliação. Informação Primária. transformação e convergência). Desenvolvimento Identificar Contradições. através da transformação dos dados obtidos na etapa de informação primária. a metodologia de JONES indica etapas importantes da atividade de concepção: partindo-se de uma situação bastante definida (o problema). Execução. até que se chegue a uma solução final de design. problema Projetual Valoração da necessidade. Formulação geral do problema. o processo de concepção levará a uma “filtragem” das soluções possíveis. Transformação Percepção ou Transformação da Estrutura do Síntese. Convergência. que muito mais do que devaneios de concepção artística funcionam como recursos de extrema importância para a geração de alternativas (especialmente com relação a aspectos formais do produto) e desenvolvimento de inovações significativas. Hierarquização dos problemas parciais. Figura 7. BONSIEPE e ASIMOW (além de uma de sua autoria). fonte: MEDEIROS. Protótipo. 1981. Embora não aborde outras etapas de projeto como detalhamento do produto e construção de modelos e/ou protótipos. Localizar Parâmetros. Revisão. © 2006 eduardo romeiro filho 96 ufmg . Projeto. Combinar Sub-Soluções em Alternativas Avaliar Alternativas. Características do produto. mais ou menos adequadas. Proposta de BONSIEPE: Estruturação do Descobrimento de uma necessidade. Requisitos específicos e funcionais. A partir daí. Formulações particularizadas do problema Síntese. Fabricação da Pré-série Execução. Análise de soluções existentes. 1981. Fracionamento do problema. Formulação. com determinadas características bastante específicas e adequados a diferentes situações. Avaliação e Solução. Concepção e Descrever Sub-Soluções. MEDEIROS (1981) apresenta algumas destas metodologias para a atividade projetual. através da determinação de parâmetros e geração de alternativas. Formulação. Avaliação e solução. abrem-se diversos caminhos. cujos diagramas comparativos (bastante simplificados) encontram-se a seguir: Metodologias de Projeto de Produto Metodologia proposta por JONES: Divergência. que poderão levar a diferentes soluções. Exploração da Situação do Projeto Análise. Figura 8. Finalidade particular do produto. Escolher Solução (Design) Final. Análise. Finalidade geral do projeto. desenvolvidas por JONES. fonte: MEDEIROS. Elaboração de detalhes particulares. Estruturada em três fases (divergência. Problema. projeto do produto Seguindo este processo básico de raciocínio. Desenvolvimento de alternativas Concepção e desenvolvimento Verificação e seleção de alternativas.depto engenharia de produção . foram desenvolvidos diferentes processos metodológicos. pode-se perceber neste caso o “movimento” existente no processo de concepção.

Processo metodológico proposto por ASIMOW: Estudo de Exeqüibilidade. Concepção para o projeto. Pode-se notar a separação entre duas etapas fundamentais: a estruturação do problema projetual e o projeto propriamente dito. Construção experimental. Projeto detalhado das partes. etapas importantes para que. projeto do produto GUI BONSIEPE.depto engenharia de produção . Identificação do problema. chamando a atenção para o fato de que o processo projetual não é estático ou linear. Análise física. Seleção de concepção. © 2006 eduardo romeiro filho 97 ufmg . Projeto geral de sub-sistemas. Re-projeto. Desenhos de montagem. Desenvolvimento. apresenta uma metodologia mais elaborada. Análise de estabilidade. designer alemão. Projeto Preliminar. fonte: MEDEIROS. Preparação para o projeto. através de um processo de feed back. que inclui etapas como construção de protótipos e fabricação da pré-série. Análise e síntese. Análise das necessidades. Simplificação do projeto. Otimização formal. Previsão do comportamento do sistema. Verificação da concepção do projeto. Análise financeira. Avaliação Análise econômica. Revisão. Programa de testes. Avaliação. sejam estabelecidos parâmetros para novos projetos com base em erros e acertos do projetos desenvolvidos. bem como um aspecto cíclico que aparece como uma constante durante o processo. Modelos matemáticos. Projeto geral de componentes. Formulação. Avaliação. Concepção. apresentando menores ou maiores peculiaridades em função de características próprias do produto a ser concebido e do público ao qual é destinado. Neste caso é observada uma maior amplitude em relação ao processo projetual. a metodologia apresentada por JONES tem como características principais uma abordagem mais ampla do processo projetual em relação às anteriores. Em um crescente nível de detalhamento. Projeções para o futuro. Execução. BONSIEPE chama desta forma a atenção para a importância de um firme enfoque em relação ao problema a ser atendido como forma de tornar consistente a solução adotada. Análise e revisão. Figura 9. Etapas como avaliação e revisão repetem-se ao longo do projeto. Análise de compatibilidade. Revisão. determinando etapas desde o descobrimento e valoração da necessidade até a fabricação em pré-série. Análise de sensibilidade. Projeto Detalhado. 1981.

Identificação inicial do contexto de projeto (situação do projeto. do produto ou sistema de produtos.avaliação da compatibilização dos sub-sistemas . projeto do produto Metodologia proposta por MEDEIROS: Etapa de Identificação. Programação da etapa seguinte. Análise do processo de trabalho. Identificação dos fabricantes e usuários. Análise das tarefas de manutenção. Estes dois aspectos representam uma importante referência para alguns problemas bastante sérios. 9. Viabilização do projeto. é sugerida a possibilidade de que a etapa referente às diversas análises realizadas possa ser realizada de forma paralela. desde sistemas completos até peças isoladas. freqüência e tempo de uso). Análise das condições ambientais. Fracionamento e hierarquização dos sub-sistemas do produto. em especial na etapa de análise. Avaliação e seleção de alternativas para cada componente. O autor apresenta diversas formas de desenvolvimento do processo projetual. Desenvolvimento de alternativas para cada sub-sistema. apresenta como característica marcante um alto nível de detalhamento. Tese de Mestrado. dos Requisitos. Etapa de Testes. Detalhamento da solução para cada sub-sistema. Desenvolvimento de alternativas para cada componente. “de acordo com a equipe e o tempo disponíveis”. processos de solução. Além disso. Desenvolvimento da concepção formal . Análise dos fatores de produção.cit. Análise e avaliação dos produtos existentes. 8. Bonsiepe.execução de modelos e desenhos. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto. mercado e normas de legislação). Avaliação e seleção de alternativas para o produto. Etapa de Desenvolvimento de alternativas de concepção do produto como um todo. Revisão de documentação. Análise dos fatores de difusão.depto engenharia de produção . Etapa de Definição Definição dos requisitos e restrições. Construção de protótipo(s) das solução(ões) adotada(s). Etapa de Análise. Análise dos fatores antropométricos. Figuras 7. Detalhamento da solução para cada peça. E. 10: Metodologias de Projeto (Jones. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. Planejamento do trabalho (definição do escopo do projeto. Na metodologia apresentada. Neste ponto estão dois elementos cruciais no desenvolvimento projetual: a equipe responsável e o tempo disponível. Análise dos fatores morfológicos. a crescente complexidade tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente © 2006 eduardo romeiro filho 98 ufmg . produtos e política existentes. Ora. Avaliação e seleção de alternativas para cada peça. Asimow e Medeiros) Fonte: MEDEIROS. obsolescência). Desenvolvimento de alternativas para cada peça. pode-se observar um cuidado do autor em determinar os diferentes níveis do projeto. sub-sistemas e funções técnicas do produto. Desenvolvimento Avaliação e seleção de alternativas de concepção. A metodologia proposta por MEDEIROS (op. Revisão de Projetos. N. Detalhamento da solução para cada componente. 1981.). Análise das tarefas de comando (importância.). Análise dos fatores de operação (sistema. Definição de características e sub-sistemas do produto. entre seqüências predominantemente lineares ou aquelas em que há o desenvolvimento paralelo de várias etapas.

projeto do produto

eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção e apresenta soluções sem a
utilização de uma metodologia definida11. Em seu lugar surgem equipes cada vez maiores, especializadas no
desenvolvimento de projetos em suas várias especialidades.
Se a criação de equipes ou centros de pesquisa torna-se um recurso inestimável à atividade projetual,
traz em se bojo uma série de complicações, basicamente relacionadas à necessidade de um efetivo e adequado
gerenciamento de todo o pessoal envolvido e, principalmente, da informação que circula entre os diferentes
grupos.
As questões apontadas sugerem, em princípio, a concentração de tarefas em pequenos grupos, formados
por elementos de diferentes especialidades ou, por outro lado, a criação de estruturas que permitam a interação
de diferentes equipes. A formação de uma pequena equipe de projeto apresenta a inegável vantagem da
circulação das informações de forma praticamente imediata. A realização de reuniões periódicas, neste caso, é
bastante facilitada, tendo em vista a proximidade física e a na maior parte das vezes estreita relação profissional
existente entre os diferentes membros12.
Esta solução, entretanto, apresenta seus limites tendo em vista a limitação prática da abrangência
tecnológica do produto. Projetos de mobiliário, por exemplo, podem ser desenvolvidos por pequenos grupos de
projeto (ou mesmo individualmente), tendo em vista as características específicas da tecnologia utilizada na
fabricação do produto. No caso de um automóvel, por outro lado, estão envolvidas no mais das vezes centenas de
pessoas, em diferentes empresas e países, com responsabilidades diversas sobre o produto final, desde a
concepção da carroceria até o dimensionamento de pequenos parafusos para fixação de componentes.
A complexidade verificada na maioria dos projetos de design e engenharia atuais, portanto, acaba por
impedir na prática que o trabalho seja inteiramente desenvolvido por um único grupo, de forma isolada. Diversas
equipes cooperam entre si, e contribuem para um bom resultado de conjunto final. Durante o desenvolvimento
do empreendimento, uma grande quantidade de informação circula entre os participantes. Relatórios técnicos,
memoriais de cálculo, memoriais descritivos, especificações, plantas, esquemas, desenhos técnicos de
detalhamento e montagem exemplificam o conjunto de documentos que compõem um projeto.
O projeto um automóvel americano demandava, nos anos oitenta, mais de sessenta meses de trabalho
por 900 pessoas, em um total de 3,1 milhões de horas. Na mesma época, projeto semelhante desenvolvido pela
indústria japonesa ocupava 1,7 milhões de horas de trabalho em 46 meses, por 500 pessoas13 (CLARK,
FUJIMOTO e CHEW, 1987, e FUJIMOTO, 1989). Apesar de números bem menores, ainda assim tratam-se
cifras impressionantes. A partir destes exemplos, podem-se avaliar as dificuldades advindas do gerenciamento de
desenvolvimento de produtos. Em casos como estes torna-se impossível, na prática, a centralização do projeto
em pequenas equipes dedicadas.
Outro problema extremamente sério neste campo está na questão do tempo de desenvolvimento de
projeto. Utilizando-se ainda o exemplo anterior, pode-se perceber que, em comparação com a indústria japonesa,
nos EUA leva-se (ou levava-se, na década de oitenta) o dobro do tempo (em horas de trabalho) para o
desenvolvimento do projeto de um automóvel, com quase o dobro de pessoas envolvidas.
Neste caso, não é de forma alguma surpreendente o sucesso conseguido pela indústria automobilística
japonesa, tendo em vista o fato de que ela é capaz de responder aos anseios dos consumidores (futuros usuários
de seus produtos) com muito mais rapidez. Embora de uma forma bastante simplista, pode-se dizer que, na
década de oitenta, os carros japoneses eram lançados três anos antes do que os americanos cuja concepção se
iniciava na mesma época, ou seja, os automóveis americanos já chegavam três anos mais velhos ao mercado.
O papel do design e da engenharia nestes casos é flagrante. Um processo projetual estruturado e bem
conduzido é uma peça-chave para a conquista e manutenção de mercados. O processo de design e o
desenvolvimento de novos produtos assumem importância crescente em um cenário de alta competitividade a
nível mundial como vem ocorrendo desde o início da década de oitenta. Com a globalização da produção, de
nada adiantarão produtos obsoletos, cuja vantagem competitiva seja sustentada somente pelo fator preço de

11
Esta imagem, que JONES (1970) define como “a visão do designer como um mago” é muita bem representada
por personagens amalucados de histórias de ficção, sempre às voltas com novos inventos, como o Prof. Pardal,
criação de Carl Barks para os Estúdios Disney.
12
Mesmo nos casos de equipes relativamente grandes, a proximidade física pode ser bastante positiva em termos
de circulação de informação. Em uma das empresas pesquisadas, mesmo a partir da implantação de uma rede
local a concentração das diferentes equipes de projeto em um mesmo espaço físico foi considerada positiva,
tanto pela gerência como pelos projetistas, em função de uma maior "sinergia" entre o grupo.
13
No Japão, o tempo de fabricação do protótipo é de 6,2 meses, em média, exatamente a metade do tempo
utilizado nos EUA.

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projeto do produto

compra. O destino destes produtos será cada vez mais os mercados marginais, seja interna ou externamente ao
país produtor.
Para a agilização do processo projetual como um todo, no caso de produtos que envolvam grandes
equipes e a necessidade de interação e integração entre diferentes setores, ou mesmo entre várias empresas,
torna-se crucial um fluxo eficiente de informações (ou de conhecimento). O conhecimento deve estar disponível
em tempo hábil e destinada à pessoa certa, para que o processo tenha andamento eficiente. De nada adiantará
uma difusão descontrolada de informações, se cada um dos envolvidos não possuir meios de determinar e
localizar as formas de conhecimento de seu interesse.
Há um outro exemplo que ilustra bem o problema do desenvolvimento de projetos envolvendo
tecnologias sofisticadas e processos “globalizados” de produção. O novo avião Boeing 777 possui componentes
fabricados em países tão diferentes como Austrália, Brasil, Japão, Itália, Canadá, França, Coréia do Sul,
Singapura14 e Irlanda. Como gerenciar equipes de projeto das diferentes empresas envolvidas, situadas a tão
grande distância e de tão diferentes “procedimentos culturais”?
A utilização de sistemas CAD pode auxiliar em muito a difusão e intercâmbio de informações em
tempo real, mesmo a grandes distâncias. Neste caso, a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus
fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça, bem como sugerir alterações
pertinentes. As vantagens trazidas pela adoção do CAD, entretanto, somente poderão ser efetivamente
observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual, adequando-o às novas
ferramentas tecnológicas.
Os sistemas CAD permitem, desta forma, o desenvolvimento simultâneo de diversas fases do
projeto, a partir de um compartilhamento adequado das informações geradas. O CAD torna-se nestes casos uma
poderosa ferramenta de integração, permitindo já na fase de projeto, se obter uma representação bastante precisa
do aspecto final do sistema, simular sua operação e prever eventuais erros de projeto. Desta forma, o CAD vem
de encontro às necessidades de uma forma específica de desenvolvimento de projeto, denominado Engenharia
Simultânea15.

O COMPUTADOR NO PROCESSO PROJETUAL16.
O projeto de produtos é, portanto, uma atividade extremamente complexa, que não deve ser restrita a uma forma
de arte, ciência ou engenharia, pois se trata de um meio híbrido que para ter êxito exige uma perfeita combinação
das três especialidades. Coloca-se hoje como fundamental um perfeito domínio de uma grande quantidade de
informações, bem como uma perfeita comunicação e transmissão constante de dados entre os diversos elementos
da equipe de projeto, entre as diversas equipes de projeto e entre estas e os demais setores da fábrica, como
marketing, produção, etc.

Para que isto ocorra de forma satisfatória, em muito auxilia (ou deveria auxiliar) a utilização de
meios informatizados. Entretanto, o que pode ser constatado na maioria dos casos reais é que este auxílio não
existe, ou existe de forma bastante limitada, se for levado em consideração o potencial oferecido pelos sistemas
CAD ao setor de projetos. Enquanto nas áreas administrativa e afins a utilização da informática já se apresenta
como relativamente consolidada, nos setores de projeto e produção o caminho apenas começa a ser traçado, o
que tem trazido diversos entraves para implantação e utilização dos sistemas informatizados.
No caso específico da atividade projetual, as inovações trazidas pela informatização não podem ser
resumidas à mera utilização de novos instrumentos, já que a concepção de todo o projeto e a definição dos
processos de trabalho não depende agora somente do designer, engenheiro ou arquiteto, mas também do
computador, de sua capacidade, do software e dos especialistas em informática (17), que interferem nestes
processos com o desenvolvimento dos equipamentos hardware, sua manutenção e na criação de software que
devem adequar-se à atuação de outros profissionais.

14
Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: "As grafias erradas Cingapura e cingapurense provêm
de um texto das "Peregrinações" de Fernão Mendes Pinto, do séc. XV, época em que não se cogitava dos
problemas ortográficos. (...) Singapura vem do sânsc. sinh (leão) e pura (cidade)."
15
Também denominada Engenharia Concorrente (MOREIRA, 1993) ou Paralela (KOVESI 1993).
16
"Primeiro, enfie em sua cabeça que computadores são máquinas de escrever e calcular grandes, caras,
rápidas e idiotas." (TOWNSEND, 1984).
17
"Depois, convença-se de que os técnicos em computadores que você provavelmente chegará a conhecer ou
contratar são, em sua maior parte, complicadores, e não simplificadores. Eles tentam fazer a coisa parecer
difícil. (...) Usando seu jargão, estão engendrando uma mística, um sacerdócio, seu próprio ritual de
"blablablá" para evitar que você saiba o que eles - e você - estão fazendo." (TOWNSEND, op.cit.)

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projeto do produto

Os sistemas de projeto assistido por computador apresentam-se hoje como de inegável vantagem para
diversos campos da arte e das atividades de projeto, em especial para aquelas ligadas às engenharias. Além do
CAD, de outras formas o computador auxilia o projeto, tais como para arquivo de dados e/ou imagens e o
processamento destes dados segundo critérios pré-estabelecidos. Este é um aspecto importante para a fase
anterior ao projeto, durante o levantamento de dados.
"Um computador não cria, a qualidade da solução depende sempre do designer e
estou convencido de que no futuro também será assim. Só que, se antes algumas tarefas eram
deixadas de lado por falta de tempo ou pelo seu custo, hoje, através da computação, elas
podem ser realizadas (...) Não há nenhum programa que traga qualquer contribuição ao
designer, além daquela de ser um instrumento de trabalho mais versátil, que pode economizar
tempo. Não estamos ainda em situação em que determinadas fases do projeto possam ser
facilitadas através da computação. Ela é sempre ainda um mero instrumento de trabalho.
Tanto quanto antes é preciso definir características e só então há sentido em utilizar o
computador." (NAGEL, in BONFIM, 1987).

Após a definição do produto, com base nos dados levantados, o computador pode ser utilizado para a
confecção dos desenhos bidimensionais. É possível também gerar imagens tridimensionais do produto (neste
caso, produto tem uma conotação ampla, podendo variar desde um parafuso até um avião), permitindo uma
melhor visualização do objeto por pessoas estranhas aos tradicionais sistemas de vistas ortogonais. Podem ser
também realizados testes e simulações de esforços estruturais sem a necessidade de construção de maquetes.
Entretanto, dentro de uma visão mais abrangente de projeto, sendo este um exercício de concepção,
pode-se dizer que o CAD funciona ainda principalmente como um banco de dados, de soluções de projeto
existentes, ainda não apresentando-se como uma fonte de soluções consideráveis de concepção, sendo este
exercício, a concepção/criação do objeto, ainda um privilégio do usuário, fato que muitas vezes passa
despercebido quando se fala em sistemas de projeto assistido por computador. Este, pelo menos por enquanto,
continua funcionando apenas como um apoio à fase posterior, ou seja, a da descrição da idéia concebida. O que
não deixa de ser um grande avanço.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
BONSIEPE, Gui. Teoría y práctica del diseño industrial - Elementos para uma manualística crítica. Colección
Comunicacion Visual. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1978.
JONES, Christopher J. Métodos de Diseño. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1976.
MEDEIROS, Estevão Neiva de. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto.
Rio de Janeiro, COPPE/UFRJ, Tese de Mestrado, 1981.
MOORE, Gary T. et alii. Emerging Methods in Environmental Design and Planning. The Massachusets Institute
of Technology, 1973.
PUGH,S. CAD/CAM - Its Effect on Design Understanding and Progress. Tucson, Robotics and Automation
Conf. 1985.
TOWNSEND, R. Further up the Organization. New York, Alfred A. Knopf, Inc., 1984.
ROMEIRO FILHO, E. O CAD na Indústria - Implantação e Gerenciamento. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ,
1997.

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projeto do produto

Criação:
Libere sua Criatividade.
Condensado de: Psychology Today (jul/ago, 1996), (c) 1996 por Sussex Publishers, Inc., 49 e.
21 st, New York N.Y. 10010.

Robert Epstein (Diretor emeritus do Cambridge Center for Behavioral Studies em
Massachusetts e autor de Creativity Games for Trainers.)

VOCÊ É CRIATIVO? Se é como a Feche os olhos. Deixe que sua mente
maioria das pessoas, provavelmente acha que não. vagueie livremente por uns minutos. Relaxe e
Durante toda a vida nos dizem que a criatividade é permita que seus pensamentos fluam sem dirigi-los.
coisa rara e misteriosa, que somente os artistas são Você saiu do quarto? Deixou a terra? Vagou até as
criativos, que é uma função do "cérebro direito", estrelas? Se tiver bastante tempo e nenhuma
seja o que for isso. Mas depois de quase 20 anos de distração, todo mundo vê, ouve ou experimenta
pesquisas em laboratório, cheguei à conclusão de coisas impossíveis de experimentar na realidade.
que a criatividade está ao alcance de qualquer um - Já dirigi esse exercício por toda parte,
sem exceção. Nos últimos anos tenho aplicado com inclusive no Japão, onde, talvez por motivos
sucesso algumas lições do laboratório a situações culturais, poucas pessoas se dizem criativas. Mas
da vida real, com crianças e professores, pais e depois de alguns minutos, as platéias japonesas
executivos de companhias. relatam sonhos tão ricos quanto os de Salvador
Para liberar o seu potencial criativo, Dali. Um homem disse: "Voei ao topo do prédio ao
domine essas estratégias. Pode ser que seja só isso lado e vi este prédio se desmoronando enquanto
que está entre você e algumas das pessoas mais comia um sanduíche. (A IBM ocupava o prédio ao
criativas da história. lado. Estaria ele em busca de um emprego melhor?)
Captação. As novas idéias são fugidias, Captar é mais fácil em certos ambientes e
como coelhos correndo pela sua consciência. Se em certas ocasiões. Para algumas pessoas, há três
você não as agarrar depressa, em geral desaparecem condições para a criatividade que são especialmente
para sempre. As pessoas que levam a sério a férteis: cama, banho e ônibus - especialmente se
exploração de sua capacidade criadora aprenderam você tiver sempre material para escrever à mão
meios de prestar atenção nas idéias e conservá-las. nesses lugares. Outros precisam sentar-se junto de
Essas pessoas têm a habilidade da "captação". um poço ou uma cabana solitária no mato.
Salvador Dali, o grande surrealista, Desafio. Um meio de acelerar o fluxo de
captava idéias do estado fértil do meio sono novas idéias é colocar-se em situações difíceis, em
chamado hipnagógico. Ele ficava sentado numa que você provavelmente fracassará. O espantoso é
poltrona com uma chave na mão, por cima de um que o fracasso pode ser um manancial de
prato colocado no chão. Quando adormecia, o ruído criatividade - se for bem manejado!
da chave batendo no prato o despertava. Tipicamente, quando não conseguimos
Imediatamente, ele desenhava as imagens bizarras fazer alguma coisa, nos sentimos frustrados e - o
que estava vendo. mais importante para a criatividade - começamos a
Todos nós temos incríveis experiências experimentar outros procedimentos. Muitas idéias
perceptivas nos momentos antes de adormecermos competem vigorosamente, intensificando muito o
profundamente. Dali apenas inventou um meio de processo criativo.
agarrar algumas delas. Os pintores trazem sempre Digamos que você comece a girar uma
consigo seus blocos de desenho. Os inventores e maçaneta que sempre girou com facilidade. Ela não
escritores levam blocos de notas ou computadores se mexe. Você torce com mais força. Aí você a
portáteis, ou tomam notas em guardanapos e papéis puxa para cima ou empurra para baixo. Talvez a
de balas. sacuda. Depois, pode ser que você empurre a porta
Eis um exercício simples que criei para com o ombro ou lhe dê um pontapé. Poderá até
convencer as pessoas de seu potencial de gritar por auxilio. Esses esforços - colhidos de
criatividade. Eu chamo a isso "capturando um procedimentos estabelecidos - provavelmente
devaneio". levarão a novas soluções. Em resumo, a

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ou apenas rearrume algumas coisas Elimine o envelhecimento. No carro. por exemplo . viu pequenos particulares a reuniões em grupo . Libere sua Criatividade. Quanto mais conhecimentos debates livres em reuniões.velcro combinou anos de seremos capazes de resolver melhor os pequenos treinamento como engenheiro à sua curiosidade problemas que nos afligem no dia-a-dia. projeto do produto criatividade não é mística: é uma extensão do que Inúmeros progressos foram possibilitados você já sabe. EPSTEIN. o engenheiro suíço George indivíduos à desaprovação. É disso mude para um programa educativo. de Mestral estava voltando de um bosque quando Nas minhas pesquisas. um alicate e uma vela. e não respeite a propriedade intelectual. consoante as pessoas e a dificuldade do tema.. Apllied Imagination. maior o seu potencial para uma participantes da equipe a estímulos múltiplos. Se em geral chega em casa e liga bloqueado. a TV para assistir a uma partida de futebol. OECH. as reuniões não costumam ultrapassar os 30 minutos. em vez compositores e inventores de todos os tempos.e. de A.também podem ser usados para criatividade. Mas produção criativa. bem provável que esteja à beira de uma nova idéia. claro. Osborn (Scribner's. Coloque objetos fora do comum na sua Arranje um jeito de nunca mesa de manhã . © 2006 eduardo romeiro filho 103 ufmg .desafios abertos. Por quê? Porque a criatividade é sempre experiências em muitos setores. prefira a quantidade à qualidade. pegue um enfático "sim"! Se você estiver se sentindo livro de História. em seu quarto. Um "Toc" na Cuca . Os Ampliação. Com novos poderes criativos. você tiver e quanto mais diversos forem esses funcionam até certo ponto porque expõem os conhecimentos. Nós queremos sabe coisa alguma e nem quer saber.gera tipicamente "ganchos" nos carrapichos. Criada por Osborn em 1963. em mudando esses estímulos regularmente. Estímulos variados e que estão um atraso de vida. esses desafios insolúveis vão estimular uma porção A maneira de você reagir aos outros é de idéias novas e interessantes. Além de zelar para que todos os participantes (geralmente entre 6 e 12 pessoas) cumpram as regras. F. A sobre a botânica. procure as estações de rádio que você não conheça. o que é ainda mais importante - Tome-se um milionário. Em regra. Se você realmente nos colocar em situações frustrantes? Um normalmente só lê romances policiais. Se você quiser intensificar a sua própria não têm solução . amigos ou colegas. sempre mudando ajudam a promover idéias sempre Você não encontrará soluções. que setores. Bibliografia. Roger Von. New York: Sussex Publishers. uma sessão de brainstorming pode durar desde alguns minutos até várias horas. o líder da sessão deve manter um ambiente relaxante e propício à geração de novas idéias. Com filhos.Técnicas para quem quer ter mais criatividade na vida. mas dinâmicas e diversas. mais ter de fazer uma tarefa doméstica. você pode intensificar passar 15 minutos por semana resolvendo o a sua criatividade cercando-se de diversos seguinte: estímulos . uma semana. resultante explosão de idéias e realizações poderia fazer as do Renascimento parecerem um passeio numa bicicleta parada. está na companhia dos maiores poetas. Robert. procure Ambiente. O brainstorming tem quatro regras de ouro: nunca critique uma sugestão. que tinham agarrado o dobro de idéias do que o grupo dos debates alças de fibras da fazenda. aprenda sobre assuntos de que não acelerar a produção da criatividade. 1963). também uma forma de "ambiente" criativo. Condensado de: Psychology Today. Sob um microscópio. Brainstorming É uma técnica para reuniões de grupo que visa ajudar os participantes a vencer as suas limitações em termos de inovação e criatividade. Inc. encoraje as idéias bizarras. também inibem a criatividade porque expõem os Nos anos 40.um boné. Por fim.que se mova de sessões às suas calças. por exemplo.depto engenharia de produção . descobri que um ficou aborrecido ao ver uns carrapichos agarrados grupo "móvel" . Usando suas simples. De Mestral um processo individual. São Paulo: Livraria Cultura Editora Ltda. 1988. porque seus criadores tinham experiência em vários Enormes problemas . começou a tentar criar "ganchos e alças" artificiais.(jul/ago) 1996. todos O produto final .

com a abertura do mercado assunto e apontar elementos que contribuam para interno a inúmeros produtos estrangeiros. observadas significativas mudanças nas estruturas de produção e nas formas de organização vigentes. países de industrialização recente do antigo entretanto. inclusive. inibindo a adequada utilização do produto e. Os novos produtos. em princípio financeira PRODUTOS. MERCADO E NOVOS crescente “Globalização”. um aspecto-chave para o também aos usuários. Esta GLOBALIZAÇÃO. nem sempre significam. vezes o resultado é o oposto.depto engenharia de produção . INTRODUÇÃO Ao designer industrial cabe a concepção de objetos e a elaboração de interfaces mais O acesso ao consumo e utilização de adequadas. segundo a oferta de novos produtos tem se acelerado a partir ADLER e WINOGRAD. Muitas "terceiro mundo"). Segundo que podem representar um verdadeiro “labirinto” TAVARES (1997) globalitarismo é um neologismo para o usuário. nem sempre significam. são os principais objetivos deste item. entretanto. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora Diversos autores preferem tratar a uma nova interface. A formação vistas à criação de produtos que sejam acessíveis de um forte mercado consumidor é considerado. Criar um produto “amigável” é produtos tem sido tradicionalmente associados a atualmente um dos maiores desafios do design com uma forma eficiente de inclusão social. dos próprios meios de produção e processos produtivos tem trazido A partir de uma série de acontecimentos modificações importantes na configuração dos políticos. mas inclusive. novas funções e formas de uso. mais recentemente. ou seja. Levantar este da década de noventa. Posteriormente é observada a progressiva modernização dos modelos e aumento nas opções de bens de consumo fabricados no Brasil. uma vantagem para os usuários. a partir de uma abordagem do design industrial. projeto do produto O DESI GN DE PRODUTOS COMO FORMA DE I N( EX) CLUSÃO SOCI AL 18 O acesso ao consumo e utilização de produtos tem sido tradicionalmente associados a uma forma eficiente de inclusão social. não somente aos consumidores (compradores). Estas novas configurações. 1992). em última análise. Muitas vezes o resultado é o oposto. sejam nacionais ou principalmente a partir da década de oitenta. Viçosa/MG. novas funções e formas de uso. uma vantagem para os usuários. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora uma nova interface. O geógrafo Milton 18 Artigo apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Economia Doméstica. “usabilidade” (do inglês “usability”. outubro de 2001 © 2006 eduardo romeiro filho 104 ufmg . Levantar este assunto e apontar elementos que contribuam para sua discussão. Globalização e o Totalitarismo. "globalização" por "globalitarismo". são importados. que podem representar um verdadeiro “labirinto” para o usuário. sociais e econômicos ocorridos produtos disponíveis no Brasil. dentro de conceitos de desenvolvimento econômico de um país. inibindo a adequada utilização do introduzido por Ignácio Ramonet. um aspecto-chave para o desenvolvimento econômico de um país. que seja nos países centrais como nos chamados normalmente apresentam inovações tecnológicas emergentes (nova terminologia adotada para alguns em níveis diversos. A formação de um forte mercado consumidor é considerado. ou seja. a incorporação dos benefícios oferecidos por este pelo consumidor. sua discussão são os principais objetivos deste item. que normalmente apresentam inovações tecnológicas em níveis diversos. No Brasil. em última análise. que pode ser lido produto e. a incorporação dos do ponto de vista político como a síntese entre a benefícios oferecidos por este pelo consumidor. e.

onde empresas. com uma diminuição geral das barreiras alfandegárias. antes da primeira das oito rodadas de negociações multilaterais do GATT (Acordo Geral sobre O acesso ao consumo nem sempre representa Tarifas e Comércio). As tarifas sobre bens industriais importados por países ricos são agora menos de 10% das impostas em 1947. preços que permitiriam lucros de apenas dois João VI em 1808? dólares por unidade (NOBREGA. na Ásia. 2001). comparados àqueles do Imperialismo do séc. demonstra de princípios defendidos pelos países ricos podem ser maneira evidente a política estratégica da empresa. projeto do produto Santos também utiliza o termo (AMARAL et all. pode-se dizer que muitos dos Esta frase. existe também o impacto causado ricos). em 1924. em 1993. os sistemas de governo pautam-se por princípios pois produtos globais devem atender a mercados (pelo menos aparentemente) democráticos. como a ALCA. As velhas melhoria nas condições de vida de uma população. condições econômicas e sociais. onde os Estados de forma geral aceitam de massa e dos carros de qualquer cor. Embora as discussões acerca da 1998). O crescimento do comércio internacional acelerou-se depois da conclusão. desaparecendo. Aparentemente ocorre aqui um paradoxo. este processo ocorre em necessidade de maior produtividade por parte das um momento de aparente estabilidade política. nas bases da Comunidade Européia. restrições quantitativas estão Acima. criou uma série de novas obra que bloqueiam importações. segundo o qual o papel do Estado maneira significativas modificações. acentua diferenças entre países e impõe pelas inovações dos sistemas fabris que permitem novas (ou muito antigas19) formas de controle sobre uma flexibilidade inédita nas linhas de produção. tendendo a criar um único mercado do tamanho do planeta. que teve seu início inventem-se outras como critérios marcado pelos governos Reagan (nos EUA) e sanitários. XIX. os países "satélites". © 2006 eduardo romeiro filho 105 ufmg . da Rodada Uruguai de negociações. atribuída a Henry Ford. Não pretende-se aqui atendidas as necessidades peculiares de aprofundar esta discussão. embora A onda neoliberal. mas parecem-nos claras determinados grupos de clientes. técnicos e de mão-de- Thatcher (Inglaterra). 1997) coisas reduz em muito o poder de barganha dos Além das questões econômicas ligadas à trabalhadores e sindicatos (mesmo nos países Globalização. rio coberto de garrafas. o comércio mais livre não é sinônimo de um processo de longo prazo mais amplo. que entre outras (Ricupero e Gall. extremamente eficiente até a década de 20. desde que esta maneira inequívoca o chamado “consenso de seja o preto20. esta ponto de vista devem ser encarados também os situação pode ser em parte explicada por novas planos para a formação de áreas de livre comércio formas de gestão da produção e de 19 20 Em verdade. Paradoxalmente. Sob este cada vez mais segmentados. o que vem a deve ser mínimo e as liberdades econômicas acirrar ainda mais disputas comerciais e aumentar a máximas. o aumento do comércio é hoje a tônica das relações internacionais. “Ao mesmo tempo em que é um sinal vital de globalização. situação esta que é ainda mais fazendo com que o lançamento de novos produtos acentuada a partir da globalização financeira ocorra com a mesma facilidade com que são (PRZEWORSKI. 1995). Entretanto. Parece as mudanças ocorridas.depto engenharia de produção . criação de grandes blocos comerciais remontem aos anos 60. O mercado mundial sofre desta Washington”. A Como não comparar a abertura indiscriminada do compulsão pela economia de escala tornava os mercado brasileiro realizada pela administração produtos Ford irresistíveis em termos de preço ao federal no início da década de 90 com a "abertura ponto de. o modelo T ser vendido a dos portos às nações amigas" promovida por D. em especial na América definitivamente encerrada a era da produção em Latina.

em declaração de 1997: “Quinze "neurose por produtos ecológicos". importância fundamental. devem ser analisados as principais se alteram em favor do consumidor.) The industrial adequados aos diversos níveis de usuários. Produtos que agora necessariamente formas peculiares de ação. Amanhã será em Design”. sistemas mais eficientes de produção necessidade cada vez maior de atributos permitem uma maior flexibilidade e a fabricação de “sustentáveis” ao produto. tactile. embora o alto custo representado atributos de valor aos produtos.. cada vez mais. specifications that optimize the function.depto engenharia de produção . o maior anos atrás.(. apresenta Design © 2006 eduardo romeiro filho 106 ufmg . diferenciados e adequados às necessidades dos Segundo o Professor Robert Maynes. grande vedete do final do design é levado a graus crescentes de importância. além dos níveis de como ferramenta fundamental para melhoria dos educação. o design é arma fundamental para o aumento da competitividade. até seus usuários characteristics. da Harvard consumidores parece ser. estão incluídos os safety and convenience criteria. desativação e até. o concorrência. que possui armas que cada país dispõe para enfrentar a cada vez mais opções de escolha diferenciadas.” com o produto.. formação e organização assumem produtos e conquista (ou manutenção) de mercados. eis a oferecida pela Industrial Designers determinante nesta busca por constante melhoria. e a forma Dentre as definições para Design como estes produtos são concebidos e projetados é Industrial. dentro de uma abordagem cada vez Já o ICSID. Além dias atuais incorpora novas variáveis. vendas. bem possuem bases globais de produção e seguem como a aplicação de metodologias próprias. produto. oferta e demanda se estabilizam e progressivamente Neste sentido. as empresas competiam em preço. This contribution produtos. como a disso. o que visando a adequada solução para problemas que são permite a criação de sistemas diferenciados a partir progressivamente complexos. factors that influence and are Cabe ao designer identificar. em O desenvolvimento destes produtos mercados cada vez mais exigentes e competitivos. Esta abordagem requer Societies of Industrial Design. sejam estes pelo processo de reunificação tenda a ofuscar seus funcionais e/ou estéticos e (2) adequação dos níveis de crescimento global. Hoje objetivo da indústria atual. International Council of mais ampla. alvos principais das ações de marketing) requires specialized e todos aqueles envolvidos no ciclo de vida do understanding of visual. juntamente com a Business School. padrões definidos de utilização de peças. with concern for the user. projeto do produto desenvolvimento de produtos. O baixo preço final é em qualidade. manutenção. quando as relações passaram a ser os principais atributos de escolha. responsáveis pela fabricação e montagem. aqueles que irão cuidar anticipating psychological. needs and diretos (não confundir com os compradores dos interests. Industrial design is the professional service of creating and developing concepts and A ABORDAGEM DO DESIGN INDUSTRIAL. designer's unique contribution incluindo desde o cliente que efetivamente places emphasis on those aspects encomenda o projeto (como um industrial of the product or system that interessado no aumento de suas vendas através da relate most directly to human melhoria de seus produtos). A Alemanha segue o através principalmente da (1) criação de novos mesmo caminho. hierarquizar e perceived by the user are coordenar o atendimento das necessidades dos essential industrial design diversos níveis de usuários (ou clientes) envolvidos resources. value and appearance Existem diversas definições e conceitos of products and systems for the ligados ao Design (ou Desenho) Industrial. O Japão. A mais mutual benefit of both user and comum está relacionada à concepção de produtos manufacturer. século. chaves da competição internacional. parece ter cedido aos apelos da qualidade e das características de interface dos produtos. da reciclagem do produto e/ou absorver o impactos physiological and sociological de seus resíduos na biosfera. Apresenta-se a excelência de seu produtos. estabelecendo uma industrialização avançada demonstram que a interface que privilegie o usuário em situações reais excelência na concepção de produtos é uma das de utilização. de soluções criativas e diferenciadas em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada. apesar da crise surge como uma nação onde em especial em países desenvolvidos. o Society of America (grifo nosso): que demostra que. que permitam o menor modelos diferentes a partir de uma mesma planta impacto possível ao meio ambiente e o surgimento fabril. Neste caso. Outros países de produtos às funções de uso. A ação do design nos de um número limitado de componentes. dentro de uma Education and experience in perspectiva contemporânea. que Desde a década de 70.

restritos pelas formas impostas pelos • enhancing global sustainability and dispositivos técnicos. adequação. chamamos a atenção para a são influenciados de diferentes formas por estas visão de projeto de produtos a partir da abordagem novas tecnologias. processes. Aparelhos eletrônicos. cognitiva ou semiológica. psicologia e estética. KLAUS e BUHR. A maior rapidez no atividades ligadas à concepção e desenvolvimento desenvolvimento de novos produtos. NOVAS INTERFACES. podemos encontrar diversos “recentes” usuários? conceitos na literatura. entendemos design industrial como as sociedade como um todo. visto como todo aquele que interage com o Esta “revolução da informação” trazida produto em seus diversos níveis. por exemplo. vem fascinando o público em geral. Como atender conhecimento aos quais a introdução de meios às necessidades dos usuários de. em especial aqueles projeto e de vida são cada vez mais curtos. e sempre foi limitada pelas informática. em environmental protection (global ethics) especial.) em um NOVOS PRODUTOS. dos potenciais benefícios da atenções do design. Nesta definição. principalmente aqueles baseados significado bastante amplo. A market protagonists (social ethics) liberdade formal e de concepção da interface física • supporting cultural diversity despite the e de software é quase total. que são chamadas “tarefas” do design: entretanto. Os produtos não with the task of: estão. design e arquitetura de interiores.. informatizados pode propiciar uma inegável eletrodomésticos no início do século XX. apud. notadamente aquelas ligadas à do design industrial. vem trazendo modificações diversas definições. seja nos produtos como • giving products. Um telefone celular. da fisiologia e É bastante evidente que o mundo encontra- medicina. funções e informações das ciências naturais e da NOVOS USUÁRIOS? técnica. Entretanto.” forma a serem adequados aos “antigos” ou Além destas. producers and requeiram espaços ou formatos pré-definidos. conseqüências diretas para todos os cidadãos. que permitem uma até então inédita liberdade expressive and economic relationships. a partir da redução de mecanismos internos. traz voltados para o mercado de consumo. usuário. A situação proposta globalization of the world (cultural ethics) pelas novas tecnologias. por exemplo. não human community. para escopo deste importantes nos padrões e no modo de vida da trabalho. cultural. 1969): “O Design reúne (. cujos ciclos de de produtos industriais. 1998. seja ergonômica. dos novos materiais e meios de produção.depto engenharia de produção .” Naturalmente se hoje em um processo de acentuado aumento dos existem diversas abordagens ligadas ao design níveis de desenvolvimento técnico e científico. tendo em vista o grande impacto da divulgação. serviços através de toda a sociedade. em especial o humanization of technologies and the crucial factor capítulo 9: “Inovação Tecnológica de Design of cultural and economic exchange. services and systems. Com o desenvolvimento da informática. estéticas (externas) dos produtos sempre estiveram services and their systems in whole life-cycles. mais ou menos amplos. Isto industrial.” Doméstico”). dentre as quais as ligadas à comunicação reflete-se diretamente nas formas de produção e visual. nos novos meios de produção flexível é fascinante. não oferecem mais este limite de forma • giving benefits and freedom to the entire restritiva. agora. que Neste caso. trazem alguns problemas também (semiology) and coherent with (aesthetics) inéditos: como configurar estes novos produtos de their proper complexity. dando margens a em novas tecnologias. diante das vantagem. NOVAS processo interdisciplinar da evolução dos produtos. O próprio termo “produto” é de novos produtos. functional. da economia e sociologia. onde o contínuo aparecimento de ser concebido. especialmente nos etc. como o citado por SELLE (1975. TECNOLOGIAS. individual and possui mecanismos mecânicos internos que collective final users. conforme pela crescente adoção de computadores e colocado anteriormente. projeto do produto como “a creative activity whose aim is to establish podemos verificar facilmente que as configurações the multi-faceted qualities of objects. organizational. those forms that are expressive of Entretanto. subordinadas às restrições tecnológicas (sobre este Therefore. Esta visão característica de microprocessadores em praticamente todas as design privilegia uma ação multidisciplinar. da introdução da micro-eletrônica nos “Design seeks to discover and assess produtos. variando em função da natureza do produto a países centrais. bem como nos produtos a elas de um enfoque centrado na adequação. design is the central factor of innovative assunto ver HESKETT. formal à concepção dos designers. simbólica. structural.. dentro atividades humanas. © 2006 eduardo romeiro filho 107 ufmg . tradicionalmente centrada no novos processos de informação. limitações tecnológicas impostas? Desta forma. É realmente impressionante o grande características tecnológicas dos sistema técnicos número de atividades produtivas e campos do nos quais os produtos são baseados. Esta associados. está no centro das pela mídia. especial atenção para o A quebra deste paradigma ocorre.

É fácil situação mundial como um todo. Um bom exemplo desta modificação pode ser observado nos processos de informatização bancária. além de agregar novos (como serviços por linha telefônica e via “Internet”. por exemplo). uma parcela cada nações mais desenvolvidas. enfrentar filas para o atendimento por um número cada vez menor de funcionários. campanhas publicitárias de instituições financeiras. projeto do produto criam-se condições inéditas para o desenvolvimento população dos serviços prestados. Pode-se considerar que estes conceitos são parcelas da população que encontram-se à margem bastante compatíveis com a aparente realidade das dos processos de informatização acabam por populações abastadas dos países centrais. sem o auxílio de qualquer funcionário. parte do painel de um automóvel. através da utilização de sistemas informatizados. o cliente acaba por tornar-se o apenas 3% dos usuários americanos de videocassete responsável pela execução de um serviço que no sabiam como programar seus aparelhos para gravar processo anterior era realizado por funcionários do banco. altera de forma radical as relações do cliente com o banco e altera bastante a forma de prestação dos serviços. Para o cliente. numa evidente transferência de funções. Segundo pesquisa citada por MORAES (1991). produtos antes indisponíveis. A automação bancária é um exemplo claro em que a informatização é As novas funções agregadas ao produto trazem colocada como elemento facilitador pela mídia.depto engenharia de produção . mas uma radical revisão de todo este processo. público informatização acaba por potencialmente alijar (ou leigo. cujo grande número saldos. que tem no computador pessoal talvez o melhor exemplo. torna-se bastante perceber que hoje pessoas relativamente jovens claro que a adoção destas novas tecnologias tem encontram-se em ambientes tecnológicos quase que contribuído também para uma acentuação nas totalmente estranhos à sua formação. servindo de principal mote para diversas Acima. A redução do humano. 21 Agregando funções ao cliente. agora representada pelo caixa eletrônica. em especial quando da utilização de (1993). como aquelas relacionadas ao desenvolvimento. O uma série de aborrecimentos àqueles21 que. associam- vez maior da população idosa sofre com se a estas condições padrões de conforto qualidade dificuldades no uso de novos produtos e novas de vida proporcionados pela utilização de novas tecnologias. Além disso. aí resultados opostos do desenvolvimento científico 1993). complicações ao usuário. se for analisada a nas diferentes áreas da micro-eletrônica. A nova interface. conforme colocado por COELHO tecnologias. pessoas de menor instrução ou aqueles que dificultar o acesso) uma expressiva parcela da simplesmente preferem ser atendidos por seres humanos. eliminando a figura do caixa e modificando a relação cliente x banco. a partir dos sistemas de caixas automáticos: não houve uma melhoria na organização do processo anterior. condições estas que apresentam diferenças pessoal efetivo para atendimento ao público traz importantes em relação à antiga situação. Nestes casos. muitas vezes. Entretanto. consigo. Também nas relações e na interação entre as empresas e o público a informatização provoca modificações consideráveis. onde todo o processo de trabalho e de atendimento é radicalmente modificado pela informática. optam ou são obrigados a fundamental fonte de riqueza para as nações. esta Parte expressiva da população idosa. pelo cliente. Observam-se diferenças entre as nações (conforme KURZ. por conhecimento torna-se cada vez mais uma diferentes razões. encontram-se já bastante velocidade observada nas transformações ocorridas disseminadas. Levantar de aparelhos de vídeo cassete. tendo em vista a grande computador. Neste caso. no sentido de que a informática funciona e tecnológico: ao mesmo tempo que a medicina como um acelerador do progresso técnico e alcança resultados positivos no prolongamento da científico já tradicionalmente concentrados nas vida e em tratamentos geriátricos. retirar extratos. © 2006 eduardo romeiro filho 108 ufmg . por trás de aparentes facilidades está na verdade a agregação de tarefas que antes eram Um exemplo muito comum é o do ajuste realizadas por funcionários do banco. onde as tornarem-se cada vez mais distantes de seu novas tecnologias. efetuar saques e outras de controles torna sua utilização um tormento para transações podem agora ser realizados diretamente as pessoas leigas (não necessariamente idosas).

Marina. p 4-8. Aparelhos de não se transforme em uma “realidade de televisão. Edição 1414. Não se pode Informática. Robert. Inc. “Ergonomie et Produits "Grand Public" une Rencontre a Réussir”. pois este usuário. Esta RIBEIRO. os novos aparelhos de DVD e Usability: Turning Technologies into Tools outros inúmeros exemplos de produtos que Oxford: Oxford University Press. para a compreensão da lógica dos sistema estará impossibilitado do acesso adequado à tecnologia. arquitetos etc. 1992. desconheciam a função forma diante de uma oportunidade única na história de receptor de sinais do vídeo). FREIRE. da tecnologia.10. São Paulo. Copyright 1997 Instituto Fernand Braudel de como engenheiros. Trad. 20-21. Nestes NOBREGA. cuidar para que esta perspectiva utilizam-se de novas tecnologias. entretanto.org/iddefinition. compreender as reais necessidades quartos dos usuários destes produtos possuíam uma e limitações dos diversos grupos de usuários ao representação incompleta do sistema televisão + conceber produtos de uso cotidiano. aparelho. Terry A 1992. aparelhos sonoros com BIBLIOGRAFIA funções de memória para programação de músicas ADLER. muitas vezes. 2001. ainda assim estará impossibilitado de Revista Caros Amigos nº 17 de agosto de 1998. In: Folha de São Paulo. em suas novas versões. Sérgio de. Problemas como estes chamam a atenção Caderno Ilustrada. São Paulo: Ed. A sociedade atual impõe de maneira Industrial Designers Society of America. onde estejamos em um mundo que nos é remoto que controlam a maior parte das funções. sociólogos. Marina. que não podem mais ser controladas no próprio ameaçador. com sistemas de controle pesadelo”. incorporam novas tecnologias em funções que. Roberto. São Paulo. romper esta barreira.. fornos de microondas com lógicas próprias de funcionamento. mesmo que SOUZA. Paz e Terra.. O Colapso da Modernização. Editora Abril usuário “típico” que passe por treinamentos a cada S. 7 troca de aparelho de telefonia móvel. CONCLUSÕES COELHO. ano 35. AMARAL. Quais são os limites da competição Cabe desta forma ao designer e demais e da segurança? Globalismo e localismo. In Folha de São Paulo. pp. Por outro lado. (no caso de CDs). que um médico não utilize Paulo. vídeo cassete. 1995. 1993. João. por exemplo. “Botão Vira Paranóia nos EUA”. 1991.org/whatis/definition. sistemas de diagnósticos avançados por limitações no aprendizado do usa dos equipamentos. Cabe aos envolvidos na concepção destes aparelhos domésticos que.br/~imprimat/entrevista/mi estar arcando com custos relativos a funções de uso lton-santos. In: conhecimentos de parcela expressiva dos usuários.htm domínio de ferramentas tecnológicas estarão excluídos da utilização dos sistemas existentes. economistas pesquisa realizada na França segundo a qual três domésticos etc. projeto do produto programas de televisão. Performances Humanes & Techniques (abr) Paris. ano 28. envolvidos com o desenvolvimento de produtos. objetos. p 6-2. BOURDOUKAN. em São Paulo. ou seja. Paul S. 244 pp. “Aceleração Tecnológica Encurta as Gerações”. o treinamento é a maneira mais adequada de Exame. ao produto nos qual ela se baseia. forma de exclusão. estão fora do alcance do repertório de CHAILLOUX. Marcelo. NORO. Karen Elsabe Barbosa. quando a liberdade nos é oferecida para que possamos criar verdadeiros “objetos de A lista pode ser estendida a diversos sonho”. In casos. (19/jun) São Paulo: Folha de São conceber. 210 pp.cfh.idsa. ICSID International Council of Societies of Industrial no qual as pessoas são levadas a cada vez mais Design 1996-2001: “antenarem-se” e manterem-se “na crista da http://www. especial se associadas ao atual padrão de sociedade.html onda”. nº 4. Adam. seria exigir demais de um in Revista VEJA . P. CHAILLOUX (1992) levanta uma como psicólogos.ufsc. (28/abr) São Paulo: Folha de para um aspecto cruel das novas tecnologias. por exemplo. Da Desta forma. 1993. aquele que não detém em seu Derrocada do Socialismo de Caserna à Crise da repertório uma “experiência tecnológica” suficiente Economia Mundial. cada vez mais desconhecido e. K.htm#Entrevista que desconhece e/ou não consegue utilizar. 1998 “O Território Revela que o Brasil é uma País não Governado - possua condições econômicas para a aquisição de Entrevista com o Professor Milton Santos” In: produtos. Sérgio Pinto de. "O Futuro Será Melhor". RICUPERO e GALL. Leo Gilson. KURZ. além de http://www.A. .depto engenharia de produção .icsid. Caderno a situações de uso específicas. visto que o produto é um bem de capital e seu uso é direcionado à situações de PRZEWORSKI. Ainda com relação ao compreensão do universo relacionado ao usuário. nº 42 (18/out). impossibilidade de acesso acaba tornando-se uma Georges.. e com a © 2006 eduardo romeiro filho 109 ufmg . ALMEIDA. Não seria problema se estes produtos fossem destinados MORAES. por exemplo. Editora Abril. em muitos casos. 21 de fevereiro. 1996: evidente que aqueles que não tiverem um efetivo http://www. Clemente. “O Pai de Todos”. Edição 734. e WINOGRAD. usufruir plenamente de seus benefícios. trabalho. Estamos desta vídeo cassete (por exemplo.

auge da guerra fria e da idéia de mísseis e velocidade supersônica. 24/10/99 SELLE.com. como no caso do New Beetle.br/mctavares/art10_99. estudo de 1956. Sem data. Em outros casos. http://www. Barcelona: Editorial Gustavo Gili. estes “sonhos” tomam as ruas e efetivamente contribuem para a renovação criativa da indústria. modelo de 1949. 1975. TAVARES (1997) Maria da Conceição Tavares http://www. carros-conceito desenhados pela Ford na década de 1950.htm Globalitarismo e Neobobismo Publicado na Folha de São Paulo em 30/03/97 RUEF. Pour L’Integration du Point http://www. Gert. engenheiros e designers dos principais fabricantes da indústria automobilística realizam exercícios criativos procurando antever tendências.org. htm Colección Comunicacion Visual. Ao lado. Contribuición a la teoria del diseño industrial. O sonho do automóvel do futuro.abordo. que pode ser imediatamente associadas à visão de modernidade da época. servem como referências de “delírios estéticos” de determinadas épocas. “foguete” de 1959. Chama-se a atenção para a visão “futurista” dos automóveis e das roupas.depto engenharia de produção .com. Abaixo. Brigitte. em especial relacionadas ao estilo dos próximos anos. com detalhe abaixo. 1958. Ideología e Utopia del Diseño. o que seria associado aos “rabos de peixe” comuns nos carros daquela época. Acima e abaixo. Algumas vezes.h de Vue des Utilizateurs dans le Processus de tm Conception des Produits (mimeo) Paris: Laboratoire d’Etude de l’Usage des Produits TAVARES (1999) Maria da Conceição Tavares de Consommation Capitalismo Regressivo e Ideologia Folha de São Paulo. projeto do produto Economia Mundial. Desde muito cedo. início da corrida espacial.br/mctavares/art1_97. © 2006 eduardo romeiro filho 110 ufmg . alguns exemplos deste caso. apresentado inicialmente como um “carro conceito”.abordo. modelo de Acima.br/paper17.braudel. Não é recente a preocupação da indústria automobilística em relação ao futuro do automóvel. No final da página.

© 2006 eduardo romeiro filho 111 ufmg . período em que designers.depto engenharia de produção . considera-se um arquiteto frustrado. lançado em m eados de 2003. engenheiros e arquitetos podem. Barone relembra que. no projeto do Cross Fox. passou a ser export ado para a Europa j á no início de 2004. a fabricação de uma peça do painel frontal teve que ser completamente reformulada porque o acabamento texturizado poderia desfiar tecidos delicados. projeto do produto Desenho e engenharia “brigam” por todos os milímetros de criação Design automobilístico . testado e analisado. literalmente. A idéia de com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos int eriores para o ext erior do veículo. que integram a equipe brasileira de uma das mais importantes montadoras mundiais de automóveis. formado pela Fundação Armando Álvares Penteado. em São Paulo. processo denom inado Designed Around Passengers O gerente de Design da Volkswagen do Brasil. Como exemplo. E cada detalhe. independentemente da escala. deve ser minuciosamente desenhado. Gerson Barone. comenta Barone . criação e acabamentos. São necessários ao menos 38 meses para o desenvolvimento de um novo modelo. É nesse tom descontraído que o designer industrial. fala sobre sua missão de coordenar as áreas de tecnologia.observação reveladora do elevado nível de complexidade que envolve o processo do qual resulta um veículo. “brigar por todos os milímetros de suas criações”.Volksw agen do Brasil O m odelo Fox.

o detalhe de uma lateral. entre outros belos desenhos. A idéia de a m arca VW t eve cont ornos acent uados. “Como os projetos são sempre muito longos. por exemplo. ou seja.depto engenharia de produção . deram margem à criação de design externo elevado. é direcionado ao público jovem. distância entre eixos e chassis.elevado 60 milímetros e deslocado para a frente outros 29 milímetros - propiciam mais espaço para os passageiros do banco traseiro. o perfil de um farol. volumétricos e mecânicos. coluna frontal inclinada. © 2006 eduardo romeiro filho 112 ufmg . Os componentes esportivo. O briefing dá subsídios à linguagem do veículo. lançado em m eados de 2003. o desenvolvimento do novo veículo tem início no setor de Package. que envolve todas as áreas do design. Mudanças na posição do assento do motorista . A partir de um briefing . volume. entre outras informações . Os 12 integrantes do quadro atual da equipe iniciam suas criações das mais variadas formas. projeto do produto No entanto. como potência do motor. “em clima de guerra”. entre outros -. “emoção”. complementa Barone. convivem lado a lado no extenso painel negro que interliga todas as mesas de trabalho. É nessa fase. quase sempre feitos à mão. por sua vez. que os requisitos do package ganham forma. finalidade de uso e público estimado. Modelo conceit ual Fox Pepper. tração.que pode vir da matriz alemã. de uma maçaneta. passou a ser O Fox Europa t em com o diferenciais a grade diant eira. grandes perspectivas. de aventura e jovial do briefing do Fox. qual será sua capacidade de passageiros. Por isso seu conceito de utilitário esportivo compacto partiu do requisito de transporte confortável de cinco passageiros. social. amplia a visibilidade e a sensação de segurança para quem dirige. de estudos de campo. O m odelo Fox. da diretoria. O Fox. em que export ado para a Europa j á no início de 2004. modelo totalmente criado e produzido no Brasil. os profissionais do Design Shape dão início à acirrada concorrência interna. Nessa fase são definidos os parâmetros iniciais. de equipes de marketing. A posição elevada. existem etapas de criação bem definidas. divulgado pela Volkswagen do Brasil ant es m esm o do lançam ent o do Fox Em seguida. econômico e tecnológico do lançamento do automóvel”. por sua vez.que. Pequenos croquis. que alterna o uso urbano com o lazer fora da cidade. brinca Barone. portanto. explica Barone. são quantificadas em pré-requisitos mecânicos e ergonômicos. essas premissas estruturais são acompanhadas por abrangente processo de pesquisas. det alhes de lant ernas e com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos a cor am arela. temos que antever os cenários cultural. processo denom inado Designed Around Passengers Ao mesmo tempo. de grande aceit ação no m ercado ext erno int eriores para o ext erior do veículo. por exemplo.

m alas O painel de inst rum ent os concent ra t odas as inform ações e o desenho facilit a a leit ura pelo usuário A equipe de Color & Trim ainda tem. Essas superfícies terão os contornos e curvaturas “alisados”. Além da verificação ergonômica e formal. que se denomina alisamento matemático de superfícies. que é rígida à temperatura ambiente. Trata-se de uma maquete maciça modelada na escala 1:4 com argila especial. de form a a perm it ir t am anhos variáveis de port a. e é realizada com a interferência de um software específico. mas nós não podemos permitir que o usuário bata a cabeça no teto porque há pouco espaço interno”. projeto do produto acompanhando o desenho do teto. é realizado novo alisamento matemático. Desenvolvida pela equipe do Design Services. Com essas idéias em mente. “Essa etapa é fundamental porque os designers sempre tentam ganhar milímetros. após a escolha final. capô com fortes vincos para transmitir a idéia de força e fluidez. grande trabalho pela frente. entre outros pormenores. Ficam expostos em um dos pátios que contornam o Departamento de Design e. Faltam. os esboços dos designers evoluem para o clay. essa fase trata da correção de imperfeições ergonômicas ou de execução do clay. Essas maquetes são submetidas à análise dos responsáveis pelo projeto e ao menos duas delas seguirão para a etapa seguinte. de poucos elem ent os Finalizada essa etapa. ilustra Barone. assim como interiores de design simples. traseira truncada para sugerir a dimensão compacta. O banco t raseiro pode ser deslocado sobre t rilhos. corrigidos através do computador. Designer t rabalhando no m odelo em escala 1: 1 O design int erno do Fox t em linguagem sim ples. agora na escala 1:1. ou seja. As fotografias dos modelos são transformadas em superfícies vetoriais.depto engenharia de produção . sejam elas executadas na própria fábrica ou por empresas terceirizadas. Denominados DKM. Isso porque falta © 2006 eduardo romeiro filho 113 ufmg . o alisamento matemático possibilita o estudo de reflexos. são construídos novos modelos. eles têm detalhes de acessórios. a análise da interação da forma do veículo com cores e iluminação. e partida ao meio para que duas versões distintas do mesmo veículo sejam visualizadas através da reflexão em um espelho central longitudinal. pintura e efeitos de luminosidade. processo conhecido como fotogrametria. nessa etapa. com poucos elementos. nesse estágio. cerca de 19 meses para o lançamento do veículo e os membros do Design Services passam a fornecer as matrizes para a produção das peças.

em vez de simplesmente importar soluções”. Como o tecido importado necessário à aplicação dessas texturas era inviável financeiramente. o que é expresso por texturas de orvalho. desenvolver tecnologia compatível ao contexto local. por exemplo.depto engenharia de produção . projeto do produto definir os detalhes de acabamento. assim como cores e padronagens. como textura visual e tátil de peças plásticas e tecidos. buscaram inspiração em elementos naturais. couro e mata em tecidos e peças plásticas. Os modelos Fox e Cross Fox. conclui Barone. novos materiais. Publicada originalm ent e em PROJETODESI GN Edição 308 Out ubro de 2005 Aproveit am ent o de espaços: o vão abaixo do cont role do ar. a equipe pesquisou e viabilizou a alternativa de produção com a fibra de abacaxi. Text o resum ido a part ir de report agem de Eve lise Gr u n ow . “A finalidade do design na Volkswagen é buscar novas soluções.CDs A hast e de cont role j unt o ao m ot orist a perm it e fácil acesso aos com andos de ilum inação © 2006 eduardo romeiro filho 114 ufmg .condicionado pode receber um port a.

depto engenharia de produção . projeto do produto © 2006 eduardo romeiro filho 115 ufmg .

saudáveis e tornam o ato de cozinhar possível para Betsy. como descascadores de batatas. © 2006 eduardo romeiro filho 116 ufmg . percepção vão decaindo". espremedores de alho. o faturamento foi de US$ companhia por US$ 1. Abriu Viemeister diz que "são os produtos e a a empresa Oxo International e encomendou um arquitetura que definem as deficiências" (em inglês. projeto ao escritório Smart Design. em abril de 1990. problema não estava nela. 1990. feita de muita atenção em problemas específicos de faixas santoprene. panelas e artigos de cozinha em Nova York. um sonho falido do design norte-americano dificuldades como as de Betsy. ou para as que estão envelhecendo. Vendeu a ano de comercialização. de equipamentos. Tucker Viemeister (ele ganhou esse cotidiano do casal e Farber voltou para Nova York nome porque seu pai trabalhou no projeto do carro determinado a produzir objetos que contemplassem Tucker. No primeiro resolveu que era tempo de gozar a vida.) São Paulo: Editora Abril. um material macio e que não escorrega esquecidas para resolver os problemas de todos.depto engenharia de produção . a coordenação e o senso de feitos para pessoas com destreza manual perfeita. Só que sua mulher..3 milhão e mudou-se para o 3. Foundation e pela geriatra Patricia Moore. os Ele é uma voz dentro de uma corrente crescente no designers chegaram aos Good Grips.4 milhões.. ano 11. diz o vice-presidente da Privar-se do prazer da cozinha afetou o Smart Design. Adélia. pias. Só na feira de conseguiu realizar o sonho de muita gente. computadores ou tesouras. Depois de o termo parece bem menos pesado e longos estudos. colheres e abridores de latas. "Viva a diferença!" in: Revista SuperInteressante. completa de utensílios de cozinha cujo "segredo" é de edifícios e de áreas urbanas. O sucesso foi imediato. tesouras. manusear as facas. para ser colecionador de arte em divertidos e confortáveis de usar pelas pessoas tempo integral. O objetivo é ir além do consumidor padrão — adulto. BORGES. nº 6 (nov. mas nos produtos. destro. Depois lançamento. falta de habilidade). sul da França. Plano perfeito. quando a força. uma empresa de mil unidades. projeto do produto DESIGN: Viva a diferença! Concepções radicalmente novas mudam a forma dos produtos industriais. sejam carros. O empresário norte-americano Sam Farber nas mãos. o Oxo vendeu 750 de 39 anos à frente da Copco. pressentindo que o relatado em filme por Francis Ford Coppola). que a impedia de permanentes. uma linha design internacional de objetos. que advoga prestar a empunhadura mais grossa que a habitual. auxiliados pela Arthritis discriminatório: disabilities."Os Good Grips são atraentes. nem alto nem baixo e em plena capacidade física — e também respeitar as diferenças entre as pessoas. facas. começou a ter dificuldades para cozinhar por aquelas que têm deficiências temporárias ou causa de uma artrite nas mãos.

levando em conta a preferência de quem as produtos que têm "escrito na cara" o fato de serem usa — formal? Informal? Pós-moderno? As dirigidos a pessoas "anormais". e quase sempre horrorosas — já são inadequação das pessoas com deficiências. Ela é toda deprecia aos olhos dos "normais". através do qual pode escrever sentenças concebido para ser usado por terpeutas que vão de com ligeiros movimentos de mão e mostrá-las casa em casa para trabalhar com as crianças. E com para que os pais continuem a fazer os exercícios modificações na casa. com o apoio da Business Week. Um de seus especialmente manufaturadas. institucional e mais de uma "mountain bike". Além Produtos que podem ser usados tanto por destros disso. Vai para onde queira: anda na neve. permitindo. de Michigan. Estados Unidos no ano passado. A altura regulável infantil que passa ao largo da discriminação. usou componente normais no mercado. durável e retardador de chamas. pelos olhos dos outros. em crianças com paralisia cerebral ou outras disfunções terrenos com pedras e até sobe morro. sistema computadorizado e faz tudo. e Estados Unidos.depto engenharia de produção . que acaba de ganhar a medalha de ouro no Idea 92. EUA. ou quando quer falar "de igual para com problemas. "Designs pesados e cadeiras de rodas — que sempre foram mais ou embaraçosos reforçam sentimentos de isolamento e menos iguais. Com sua espontaneidade. Um exemplo é o computador portátil de bicicletas e tubos padrão em vez de peças Powerbook Apple/Macintosh. usadas para disputar torneios esportivos Já era hora contribuindo para a sua estigmatização pela de tê-las também em "estilo esportivo". Coloca-se na Mas a estigmatização é ainda mais posição vertical no meio de uma multidão num jogo dolorosa quando ela é exercida sobre as crianças de futebol. e não o seu problema. um conjunto de peças macias inverso (mudar a pia da cozinha ou a mesa do e moldadas usado para exercícios físicos com escritório). Um permite adaptar-se às alturas das coisas e não o dos itens é o Tadpole. como prova d'água. projeto do produto Quem já quebrou o braço ou a perna um produto para deficientes e provavelmente atrair alguma vez. provocar até repulsa. podem ser livremente concerto depois que ele começou. é difícil desejar estilo. As peças são feitas de uretano flexível. Há uma infinidade de é a busca de uma estética não discriminatória Num modelos de cadeiras normais disponíveis no mundo em que os meios de comunicação e a mercado e a escolha de uma delas passa por propaganda exaltam o tempo todo o ideal da critérios como conforto e preço mas também pelo juventude e do esplendor físico. marcam os obstáculos concurso anual da Industrial Design Societies of enfrentados pelos canhotos. A New Move tem no meio do teclado com fácil acesso para ambas as eficiência de 100% na tração. freqüentemente é o equipamento usado desenvolvido por médicos e designers suecos para a pelo deficiente. Sentado. Coloca-se na verem. as Através de um joystick igual ao dos video-games crianças usualmente são a. poucos percebem. há o acessório Alpha deitada ou inclinada. lançou uma linha prateleira do supermercado. e uma das aumenta o som do estéreo e abre ou fecha portas qualidades apontadas pelo júri foi a de não parecer sem ter que se deslocar. aciona um diferentes e desprezíveis. Para usuários montadas para colocar a criança na posição sentada. que a pessoa chegue a um Fixadas com velcro. A Bissel Healthcare elevador para pegar uma lata de cerveja no alto da Company. sabe como é desagradável depender a atenção de qualquer criança. Douglas D. e só aí começa a brincar junto. que automática. "Enfocar a satisfação dos © 2006 eduardo romeiro filho 117 ufmg . fazendo-a querer dos outros para atos corriqueiros. apresentada no Museu de Arte pessoal de transporte urbano. diz a propaganda. O Tadpole ganhou um prêmio nos com o controle remoto. Esse modelo está estourando em vendas nos convencional de 40% ao empurrar uma roda. O motor motoras. da Califórnia. pode torná-la "inteligente": com as crianças. podendo voltada para ativar a independência de quem a usa. do Art Center College quanto por canhotos têm uma penetração crescente of Desing. o usuário aciona um repulsa que os adultos procuram disfarçar. O sequer imagina que banalidades do tipo abrir uma carácter de seu design é menos de um produto lata ou usar uma tesoura exigem muito suor. Quem é destro nem America. contra a média mãos. mas a numa tela acoplada na cadeira (o sistema também simplicidade das formas e a clareza de como elas se funciona acoplado a um sintetizador de voz ou a agrupam permitem que sejam deixadas nas casas uma impressora de computador). escreveu a curadora Cara McCarty no nos países desenvolvidos é cada vez mais catálogo para a exposição "Design para uma vida considerar a cadeira de rodas como um veículo independente". reparar no grau de dificuldade que podem ter Outro exemplo de aparência não atividades que antes se faziam de maneira quase discriminatória é a cadeira de rodas New Move. como seres posição deitada para descansar. com dificuldade de fala. o que torna sua diferenciais é ter o mouse posicionado exatamente produção extremamente barata. Segundo tenha ido mais longe neste conceito seja o McCarty. Leve e portátil o Tadpole foi Writer. que mais expressam essa instalado no braço da cadeira. desde cedo acostumadas a se igual" com um parceiro de negócios. Talvez o modelo que Moderna de Nova York em 1988. Clarkson. que o empresa norte-americana Permobil. Essas dificuldades "invisíveis". à elétrico é exatamente silencioso.A tendência sociedade". faz chamadas telefônicas.Uma das questões mais importantes atende a um antigo desejo de pessoas com no design para pessoas de idade e hábitos diferentes problemas de locomoção.

do grave ao agudo). os sua Parati adaptada. masculino. projetaram uma mobilidade quando viveu em cidades européias do banheira com porta. etc. a inteligente. © 2006 eduardo romeiro filho 118 ufmg . o adaptação do tradicional jogo de amarelinha para Microcar pode ser usado sob chuva ou sol. Em restaurantes com piso liso e vazamentos.Um dos projetos vencedores desse prêmio é propaganda é toda baseada na autonomia dos um belo exemplar de design universal. Foi consultor do Prêmio mobilidade e qualidade de vida dos velhos. Na justificativa de voto. "É a visão capitalista recente sobre design universal." Eles a melhoria qualidade ambientar para todos os desenvolveram quatro modelos: para uso exclusivo usuários". por Deficiências. barras de apoio para corrimãos seja. ambos os sexos e para Guimarães. O jogo tecnológica que o design de produtos pode propriamente dito é feito de placas de compensado alcançar. Os japoneses em longos corredores ou escadas de poucos degraus cunharam a expressão silver industry. Não é o que acontece em outros projetos para portadores de deficiências gera 10 países. Mas mesmo os modelos para manobrar cadeiras de rodas em pequenos normais prevêem facilidade de utilização para apartamentos assegura que a especulação pessoas com diferentes graus de dificuldades físicas imobiliária respeite como mínimas as dimensões e são o que eles chamam de "transgeracionais". pressionadas fácil acesso por pessoas com bagagem. Em reportagem dólares de imposto. Efeito similar se obtém no mundo todo. de Wisconsin. números em braile de cabeça redonda fixados na Muita gente que viaja ao exterior volta placa. nesse tema no Brasil. E os países desenvolvidos estão atentos à de projetos em arquitetura e design. Ledo engano! E integração entre portadores e não-portadores de que lá eles saem mais. servem para diferentes idades. Isso é obtido através de internos como os shoppings. em qualidade ambiental. Em 1990 concluiu um A expectativa de vida de seus habitantes é mestrado na Universidade de Nova York sobre um dos indicadores do grau de desenvolvimento de design sem. de Betim. jovens. As Nacional de Design. ou reais de conforto. diz o arquiteto mineiro Marcelo Pinto feminino. com números é bem mais amplo — chega à escala da arquitetura arábicos feitos de lixa colado na superfície. derrapante. porque aqui não se prevê a acomoda-se num assento dobrável e fecha a porta. abriu uma empresa um país. inglês. agora usada são sempre bem acolhidas. Mesmo porque o tema do design universal pintada em sete cores diferentes. usando bengalas. de seria muito constrangedor para os outros. De volta. O estudante idosos. Apesar da vontade Quando a banheira começa a se encher de água. e de consultaria necessidade de melhorar a auto-suficiência. O objetivo foi prover "espaço. os edifícios públicos (museus. não vai querer pisar num "tapete" que emite sons? restaurantes. Mas ele acha que teve mais designers da Kohler. como os Estados Unidos. Os estudos demográficos mostram um acionadas pelo cotovelo em vez de mãos ocupadas. Um dos lançamentos recentes para esse Instituto dos Arquitetos do Brasil — Seção Minas mercado é o Microcar Vessa. a única saída Outra inovação neste campo é o banheiro para ele se movimentar seria engatinhar. Atentos ao fato de aulas na Universidade e tem uma vida social que o banheiro é um dos locais onde mais intensa. Pesquisa e Adequação do indústrias também estão de olho no poder aquisitivo Mobiliário Urbano à Pessoa Portadora de dos idosos. Figueiredo usa prótese nas pernas e muletas. promovido no ano passado pelo exemplo. que no Brasil. revista de negócios mais lida em todo o mundo. Ele cita exemplos: O espaço adicional portadores de deficiências. projetado pelo GK Design. de sair mais para se divertir. controle auditivo de volume. aumento da porcentagem de idosos na composição Guimarães é uma das maiores autoridades das populações. escolas) estão mais preparados para O projeto de Avelar Rosa ainda está no recebê-los. velhos. Nada mal: você entra. que se surpreendeu ao ouvir ele não se sensibilizaram com a idéia de produzir nos Estados Unidos que cada dólar investido em para o "diferente". no que as crianças cegas ou que enxerguem mal campo e na cidade — inclusive em ambientes também possam brincar. circulação de pessoas como ele. bolou uma normais. conforto e Várias prefeituras brasileiras. projeto do produto portadores de deficiências é uma forma de garantir crianças. locomovendo-se em Belo Horizonte com acontecem acidentes dentro de uma casa. em geral superior ao dos jovens. a Business Week.depto engenharia de produção . porque a pessoa passa a ser produtiva". ou maçanetas brancos). extremamente compacto e conversível. mas ele mostra o grau de sofisticação sete tonalidades. É o que diz o sociólogo mineiro Paulo papel: os empresários brasileiros consultados por Saturnino Figueiredo. sinais sonoros produzidos eletronicamente (uma É claro que esse é um privilégio caro. os jurados do com a impressão de que nos países desenvolvidos prêmio salientaram que esse projeto estimula a há mais deficientes que no Brasil. barreiras. além de ou até do desenho das cidades. ou ainda em desníveis. para designar a produção para com piso de textura antiderrapante telefones com pessoas com "cabelos prateados" (entre nós. com por movimentos de portadores de deficiências. Mais fácil de guiar do que os automóveis Guilherme de Avelar Rosa. Qual é a criança com visão normal que transporte coletivo. muitas vezes ele fica censores inflam automaticamente para impedir em casa. já que as ruas. para placa de circuito eletrônico reproduz um bip com poucos. os veículos de deficiências. cuja Gerais. Tóquio. dá destacou a banheira Precedence. Mas isso público Inax.

Nada impede que o mesmo ocorra com outros aparelhos.oxo. Em vez disso. Isso não tem nada a ver com um simples desenho ou projeto. da mesma forma. no sentido pejorativo. A novidade é forma externa: divertidas figuras (pessoas. planejamento". Deficiência Os óculos são uma demonstração viva de como é frágil a percepção das pessoas sobre aquilo que é e o que não é "normal" — pois há muito tempo eles deixaram de ser vistos como "aparelhos para deficientes visuais". Estes têm que adaptar suas idéias ao métodos produtivos existentes.ufmg. mas também Para saber mais: SITE DA OXO: http://www. Com esse projeto da designer Katryn Müller. projeto do produto começam a seguir o exemplo do exterior. se são bonitos. animais) que podem ser trocadas como se fossem brincos. como os franceses e os japoneses. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos. circulação de cadeiras de rodas.com RAYMOND LOEWY.depto engenharia de produção . Isso dá uma idéia sobre esses modernos profissionais. Como foram feitas para crianças. as pessoas não precisarão mais sair às ruas com um aparelho que as rotula como diferentes. ou de quem sai da feira com o carrinho rebaixados nas calçadas. No Brasil. permitem a abarrotado. desde que se siga a máxima de que no fundo o que conta é a aparência. os designers. A habilidade dos profissionais da área. atendia ainda à exigência de ser macio e leve. acabam ganhando todos os cidadãos. têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível. têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar. http://www.htm O que é design? Mesmo os povos mais ciosos de sua língua. em qualquer lugar. assim como outras preocupações dos designers. vai muito além do mero ato de desenhar. até se transformaram em acessório de moda. e. Vejam-se as peças do Tadpole. ele criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. do qual existem centenas de modelos charmosos e cobiçáveis. e seus usuários são vistos com toda a naturalidade por qualquer um. por último mas não menos importante.dep.br/produto/design. não encontraram uma tradução à altura para a palavra design. Por exemplo: eles também têm que se preocupar com os materiais empregados num produto. O GÊNIO DAS APARÊNCIAS Pioneiro do desenho industrial. criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao homem. a Feira de Frankfurt este ano premiou um aparelho para deficientes auditivos cuja parte interna é a mesma dos aparelhos existentes. levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer. havia a necessidade de torná-las à prova de água e retardadoras de fogo. © 2006 eduardo romeiro filho 119 ufmg . Na Alemanha. Por isso os designers escolheram um bom material com essas características: o uretano. o mestre Aurélio adota em seu Novíssimo Dicionário a expressão inglesa design e a define como "concepção de um produto ou modelo. por exemplo. cujo trabalho consiste em imaginar. Pisos de bebê. Nesse facilitam a vida das mães que empurram carrinho caso.

"Não há diferença entre o artesão e o artista. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel.de/brazil/0. Na segunda etapa. Ao fundar o movimento Bauhaus – que significa "casa de construção" – o arquiteto Walter Gropius criou uma instituição de ensino com idéias vanguardistas. arte cênica e dança. 1923 alemão. havia liberdade de criação.html Acesso em 3 de agosto de 2004 © 2006 eduardo romeiro filho 120 ufmg . Gaby Reucher/rw Cadeira Breuer. antigamente. arte publicitária. a música. Para Gropius. no leste da Alemanha. Concluída esta fase. fundador da Bauhaus. obrigando sua transferência para outra cidade. o governo cortou os subsídios à escola. Completá-la e embelezá-la foi.dw-world. a principal tarefa das artes plásticas. Fundador da deve necessariamente possuir competência técnica".2192_A_782396. publicado em 1919. o arquiteto Walter Gropius inaugurou a escola Bauhaus em Weimar. a Bauhaus de Weimar é uma escola superior. além de publicações. o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Dessau. como a pintura. Ele havia elaborado um método de ensino para libertar os estudantes de preconceitos em relação ao "belo" e à "estética" adquiridos nas escolas primárias e nos ginásios. foto de 1925. Em 1925. também no leste Acima: Cartaz da Bauhaus. teatro. Lá construi-se uma universidade seguindo os planos de Walter Gropius. eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados. que foi fechada pelos nazistas em 1932. O currículo da Bauhaus previa três fases: o primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior. enquanto a de Dessau abriga a Fundação Bauhaus. pintura. que incluía os mais diferentes tipos de criação.3367. pregava o Bauhaus. 1925 22 Fonte: DW World Deutsche Welle: http://www. a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva. como projetos industriais. Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora. a dança. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. Era a preparação intelectual para a próxima fase. da Academia de Stuttgart. mas todo artista Walter Gropius. numa época em que o mundo enfrentava séria crise econômica. No primeiro manifesto da Bauhaus. escultura.depto engenharia de produção . Hoje. seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos.00. Entre professores e alunos. a fotografia e o teatro. desde que obedecendo convicções filosóficas comuns. projeto do produto Bauhaus22 No dia 21 de março de 1919. Quando a perseguição nazista se acirrou.

carros compactos e telefones O design se transformou em um grande celulares cromados. No meio dessa loucura. as pessoas estão Nelson pela inovação no design de móveis. produzidos por prosperidade e a tecnologia se misturam com empresas como Dell. os norte. tornando um artigo popular. não apenas ajudou a revitalizar a Apple. e quase um bilionário da Internet. um crítico cultural holandês pouco conhecido. afirma Karim Rashid. "O design está veículos encalhados nos pátios. sendo democratizado". catalisador das transformações pelas quais está passando o mercado de automóveis. mas obrigatórios. montadoras resolveram caprichar no visual de seja na arquitetura de um hotel moderno ou seus produtos para não ter de ver seus numa escova de limpeza. E mais ávido também. Não estamos assim tão alienados.depto engenharia de produção . presidente da Sociedade de Com o nível de desemprego lá embaixo e o Desenhistas Industriais dos Estados Unidos. Nieuwenhuys errou em apenas um ponto. ninguém precisa ser um trilhões em bens e serviços. por menos o mais bonito. a tecnologia nos deixaria tão alienados que passaríamos a reinventar o espaço ao nosso redor na esperança de recuperar o prazer de viver. Antigamente o design quinto desse total foi gasto com produtos para era um privilégio da elite. Não basta ter mais. mas inspirou a criação de inúmeros Bem-vindos à economia do design. Como afirma Mark Dziersk. que no ano passado ganhou o prêmio George © 2006 eduardo romeiro filho 121 ufmg . a cultura e o marketing. os norte- americanos desembolsaram cerca de US$ 6 Para se exibir. "essa é a nova era de ouro do design". Mas terminou se o lar. o público ficou não para reconquistar o prazer de viver. é preciso ter também o melhor -ou pelo O enorme sucesso do colorido iMac. Apenas no ano passado. simplesmente para atender às demandas da sociedade de consumo. A produção eficiente e a competição acirrada dos nossos dias O novo Fusca resgatou a imagem da transformaram os "artigos chiques" em ítens Volkswagen há dois anos e tornou-se um não apenas acessíveis. os Estados Unidos vivem seu mais longo período de prosperidade. negócio. Os norte- americanos estão conectados globalmente via Internet e consomem com avidez as novidades tecnológicas antes mesmo de aprender a usá-las. mas mais crítico". "Com a melhora da paisagem. acrescenta. Constant Nieuwenhuys. poder aquisitivo em ascensão. Às portas do século 21. exemplo. As Os norte-americanos sabem o que é estilo. Em um mundo uniformizado. onde a computadores estilizados. mesmo procurando recriar o espaço ao redor. previu que no futuro todos nós nos tornaríamos arquitetos. projeto do produto Os Estados Unidos redescobrem o design O gosto pelo estilo deixou de ser um privilégio da elite e conquistou o cotidiano dos norte-americanos Frank Gibney e Belinda Luscombe Nos anos 60. americanos estão comprando computadores coloridos. Gateway e Compaq.

que soube transformar seu gosto apurado num negócio bilionário. a partir dos anos 60.depto engenharia de produção . estão grandes empresas como Sony.100 metros quadrados em Manhattan. Hoje. ele inaugurou uma rede de lojas concorrentes (foto ao lado). e designers como o iconoclasta Philippe assinado por um designer famoso. cuja companhia aérea. E não se pode esquecer de Martha Stewart. Charles e Ray Eames lideraram "Ainda não entendi por que o design não um consórcio de californianos que. cautelosamente otimista ambientes domésticos elegantes. funcionais e desta vez. pai do desenho industrial (foto acima). de móveis com seu nome. à onda de prosperidade no país. abriu uma loja de 2. em parte. tornando-a mais moderna que suas anos atrás. Loewy foi quem imortalizou o design do maço de cigarros Lucky Strike. Nos Estados Unidos. deu um ar de elegância aos ônibus da empresa Greyhound Mas ninguém tem apostado no novo apetite e fez as vendas da Sears dispararem em 1934 norte-americano para o design como o quando colocou um friso na geladeira empresário britânico Terence Conran. a Jet Blue. e consumidor norte-americano querendo os norte-americanos têm orgulho do que comprar mais e pagar menos. Costumava dizer que a curva mais bonita era a dos gráficos do crescimento de vendas. O mesmo acontece com os fabricantes de quase tudo que se possa imaginar. Na estilo de vida de seus ocupantes. O novo apetite pelo design se deve. "Novos ventos estão soprando por confortáveis. Stewart ajudou a tirar do vermelho a rede de lojas de departamentos K Mart. repetindo o preceito introduzido nos anos 30 por Raymond Loewy. capacidade industrial do pós-guerra. usando a decolou há mais tempo nos Estados Unidos". Ford e Philips. diz Dziersk. Na década de 50. dava status ter um sofá caro. onde de Loewy decolou porque ele criava produtos se vendem de relógios digitais (US$ 17) a irresistíveis. disposto a Esse é o pensamento que tem prevalecido embarcar na nova onda." industrial amargou décadas de ostracismo até emergir novamente na década de 90. tudo é tecnologia. projeto do produto Jasper Morrison e Marc Newson. o desenho conquistaram. a Terence Conran durante a Depressão dos anos 30. Com sua linha de produtos para o lar. começa a operar este mês prometendo elegância sem afetação. mas o negócio naufragou durante o governo Bush. Vinte Coldspot. Paris e Tóquio. A explosão Hoje o mundo do design está se expandindo na construção de habitações alcançou com uma mistura eclética de empresários e proporções históricas.550). como importante é adquirir produtos mais © 2006 eduardo romeiro filho 122 ufmg . Agora Conran está de volta. Em dezembro desde então. É preciso agora decorar investidores decididos a ganhar dinheiro as casas novas com produtos que definam o criando produtos modernos e atraentes. o Starck. a rainha do estilo nos Estados Unidos. com o aqui. "Quando preço e funcionalidade não são mais motivos de competição entre as indústrias. criou comenta Conran. briga pelo mercado. ou ainda empresários como David Neeleman. além de arquitetos Antigamente. o único diferencial que conta é o design". Há também novos investidores. e a carreira Shop é um verdadeiro bazar de design. numa época em que ninguém sofás violeta (US$ 3. passado. Mas. estava disposto a pagar para consumir. Como filiais em O design de qualidade aliou-se ao comércio Londres.

a Target não luminárias feitas com garrafas de leite e uma dava muita atenção às tendências da moda. banheiro em Minneapolis e acho que as passou a fornecer chaleiras de aço inoxidável pessoas vão gostar dos modelos que tenho (foto na página anterior). ou a cadeira contratar um decorador de interiores para ter Conrad. podiam mais competir com o preço oferecido Um sucesso? Com certeza. "As pessoas compravam revistas com belas casas e De Nova York a Los Angeles. "Com a prosperidade econômica. por que ter um sofá O design está tomando conta também das estropiado no meio da sala? E quem disse que ferramentas. O homem moderno não sabe se de decoração. designer conhecido por seu turistas. projetados originalmente para uso em penitenciárias. móveis de madeira aqui na loja". que não sai por menos de US$ 385. Se qualquer um ou um belo Apple G3 preto. se dizia que a roupa faz o Com preços relativamente acessíveis. vice-presidente americana". vendendo toda sorte de objetos com design de qualidade. pode decorar bem a própria casa comprando no shopping do bairro. feita de cortiça de Bora Bora. Decidiram então remodelar a loja. Os clientes da Moss são. um notebook VAIO da Sony que o design é importante. as pessoas estão ansiosas para expressar sua "Havia uma divisão na cultura norte- individualidade". de zinco e Mas seus executivos perceberam que não aço. que conquistaram a classe média norte-americana nos anos 90. uma consultoria de design de produtos da Pottery Barn e atual diretora da com sede em Columbus." Antigamente. Hoje em dia. como o novíssimo cortador de um bom sofá precisa custar caro? grama Husqvarna ou o medidor de corrente i410 da Fluke Corporation. uma casa bonita. butique on-line RedEnvelope. E ajudaram a difundir a idéia de carrega um iBook. Quando trabalhava na indústria italiana da moda. Antigamente. essas lojas democratizaram a decoração. os empresários interiores. As respostas para essas perguntas podem Entre os artigos à venda. adotando Moss diz que precisou renovar seu estoque 11 uma fórmula simples: contratar um grande vezes no ano passado (a maioria dos designer para projetar cópias baratas dos comerciantes se contenta em esvaziar suas mesmos produtos vendidos para o público prateleiras 4 vezes). © 2006 eduardo romeiro filho 123 ufmg . Estados Unidos. Murray Moss construiu um pequeno e lucrativo império. são os acessórios que lojas ensinaram os clientes a driblar problemas contam. Michael Graves. essas homem. os clientes estar nas novas lojas Target espalhadas pelos encontram vasos flexíveis de borracha. uma loja-museu que exibe e venera suas mercadorias. projeto do produto personalizados. sofisticado do SoHo. mas não podiam comprar nada estão lucrando com os caprichos das pessoas. em grande parte. explica Hilary Billings.depto engenharia de produção . Foi assim que surgiu a Moss. ex-criadora executivo da Fitch. Além de por redes como a Wal-Mart. No bairro do SoHo. diz Bill Faust. ele conheceu o trabalho de diversos designers europeus. em Nova York. E no banheiro? Uma dos maiores sucessos do momento são as peças em aço inoxidável (inclusive o assento sanitário). "Imagino que se usem escovas para trabalho para firmas como a italiana Alessi. quadruplicar a área da loja em cinco anos. como a Mosquito Table. maciça para varandas e espátulas estilizadas A ironia é que a revolução do design recebeu para a Target. mesa de passar roupa dobrável. um empurrão de lojas populares como a Pottery Barn e a sueca Ikea. que Partindo da premissa de que não é necessário lembra uma asa de avião. Ohio. daquilo. diz Moss.

plástico usado desde os anos 50. da Fitch. "Mas eles também estão vendendo em usar. desde que os produtos de Graves invadiram as prateleiras no ano passado. responsável pelo lançamento da linha mesmas funções de um laptop -mas com um Graves. explica Dziersk. nova". como a japonesa objetivo real deveria ser falar com o povo". incluir muitos acessórios no veículo e vendas cresceram dois dígitos percentuais ainda vendê-lo por menos de US$ 10. E é na área de design. Esse plástico pode ser moldado de milésima loja. produto lucrativo. outro favorito de Alessi. A demanda por novas estratégias de design está aumentando. projeto do produto As torradeiras de Graves (acima). com sede em Minneapolis.500. Mas o novo gosto pelo design trasnformou-o num artigo Este ano. Quando perguntam a Alberto Alessi se ele se chateia com o fato de Graves estar reciclando suas criações. Louisiana. Madison Avenue. podem alterar as cores de cem novos artigos de plástico este ano. são um verdadeiro sucesso. visual arrojado. podem se dar ao luxo de investir em modelos excêntricos como o novo Echo E o povo correu para a Target. "Os clientes A Sony conseguiu salvar sua divisão de consomem produtos que envolvem uma idéia computadores introduzindo o ultrafino Vaio. Toyota. Os garfos de macarrão arte Bauhaus: todo mundo deve ter acesso a da Koziol. diz Elliott Zivin. tecnológica como o plástico. "Antes sonhávamos em ter tecnologia para fazer as coisas". Os computadores e os novos materiais baratearam a fabricação de muitos produtos. da cidade natal da Target. Por isso. Nova York e hotel-butique. ser uma obrigação e se tornaram uma forma de expressão pessoal. "Agora a tecnologia está Majestic. Há muito tempo o tenha chamado a atenção dos executivos da produto não fazia tanto sucesso. por exemplo. distribuidora norte-americana da nos dando produtos que nem sabemos como Koziol. e no oeste do Texas. é um tipo de Unidos. ex-vice-presidente da uma máquina prateada e lilás que exerce as Target.depto engenharia de produção . As seus quartos simplesmente pressionando um compras de produtos para o lar deixaram de botão próximo à cama. o italiano desconversa: "Nosso Fabricantes de automóveis. diz o "Não tinha dúvida de que esses produtos hoteleiro Ian Schrager. mas os melhorando sua qualidade e facilitando sua fabricantes começaram a criar acessórios manutenção. "Trata-se de a Koziol. presidente da a preços acessíveis. de Schrager. a Target deve inaugurar sua especial. Não é de se estranhar que essa rede de lojas Nada representa tão bem a revolução de departamentos. onde as (acima). diz que © 2006 eduardo romeiro filho 124 ufmg . diz Ron Johnson. a empresa resolveu capaz de fixar tintura tão bem quanto a seda. como a Authentics e Dot." Os hóspedes do hotel londrino St. onde se concentram as maiores empresas de publicidade dos Estados O polipropileno." Bogalusa. estão faturando alto com seus um princípio que começou com a escola de produtos de plástico. além da jovem equipe Blu Firmas alemãs de design. também contratar Philippe Starck. Talvez seja apenas coincidência. com os pés em forma de ovo. Bill Faust. Para fortalecer os investimentos forma tão suave que chega a ser sensual. de limpar pratos são alguns dos mais de 300 "utensílios graciosos" que desapareceram das Em parte. Martin's Tanto é verdade que Zivin está trazendo mais Lane. a forma não precisa divertidos para o lar pouco depois que os mais acompanhar a função para tornar um homens passaram a dividir as tarefas da casa. as conchas para sorvete e a escova produtos bonitos". privilégio. temos de agradecer ao prateleiras das lojas norte-americanas no ano desenvolvimento tecnológico por esse passado. pioneiro da moda do venderiam bem em Chicago. um paraíso de estilo e conforto Boston".

projeto do produto seu escritório de projetos de decoração foi design de qualidade deve ser uma produto procurado por um número tão grande de comercial. Data: 15 de março de 2000. Resta saber se a economia do novo Fusca da Volkswagen. que abriu na semana passada sua primeira exposição trienal de As empresas sem designers em seus quadros design. E nem precisam durar muito. as palavras de Constant desenhou uma escova de dentes transparente Nieuwenhuys continuarão valendo como para a Fluocaril. Philippe Starck foi um dos primeiros a perceber essa tendência em 1989. Raymond Loewy nos de expressar sua personalidade sem um faria lembrar que seu trabalho começou compromisso maior do que uma boa higiene durante a Depressão dos anos 30 e que talvez bucal. "Os designers estão sendo cada nova cadeira. de qualquer porcaria do supermercado". sulcos. São artigos baratos. pontos ou espirais. A General Mills Inevitavelmente. ela acaba saindo mais barata do vez mais convidados para as reuniões e são que o modelo anterior. Agora existem escovas de profecia. "Os fabricantes estão cientes de que os consumidores querem mais do que Ou como afirma Karim Rashid: "Quanto mais benefícios funcionais". diz." prosperidade norte-americana recuar e todos voltarem a modelos funcionais e antiquados. Para ele. tempo passamos na frente do computador. diretora assistente do tradicional grampeador. "Quero que todo ouvidos na hora em que se tomam decisões".depto engenharia de produção . quando Se for o caso. Ninguém escapa dessa onda. a verdadeira revolução do design ainda esteja por vir. como latas de lixo. "Os produtos design irá se sustentar quando a maré de precisam refletir o gosto dos consumidores. clientes que ele se viu obrigado a aprimorar seus conhecimentos sobre administração de Starck afirma que toda vez que projeta uma empresas. "A função agora está associada à estão correndo para contratar bons psicologia e à emoção. mundo tenha os melhores produtos pelo preço assinala Faust. raladores de queijo. "A aposentou a máquina fotográfica de caixa funcionalidade se tornou mais dimensional". afirma Barry Shepard.com atraentes e descartáveis. -Reportagem de Juli Rawe/Nova York e Sheila Gribben/Chicago A mesma filosofia se aplica a dezenas de produtos normalmente considerados banais. Comprar uma escova de dentes descolada é uma maneira Se ainda estivesse vivo." consultores. Outros embalagens de cereais matinais. fundador da SHR Perceptual Management. preta e a Swingline resolveu estilizar seu diz Susan Yelavich. com faixas. todos os tipos no mercado: trançadas. mas a preços acessíveis. alguns projetos acabam não está planejando mudanças para suas refletindo a sensibilidade do artista. cujos espremedores de fruta e abridores de garrafa contribuíram muito para a atual paixão dos Estados Unidos pelo design. escovas de banheiro e Artigo retirado da Revista Time. maior a importância do visual de nossa xícara consultora de design que ajudou a conceber o de café". Museu Cooper-Hewitt. a Kodak pecam pela falta de funcionalidade. É exatamente isso que agrada a Starck. Fonte: www.cnnemportugues. o © 2006 eduardo romeiro filho 125 ufmg .

Segundo Lindbeck. Sem dúvida. já ressaltava que. o conceito de Projeto de Produto pode ser ampliado. até os que se relacionarão com o produto nas fases finais de seu ciclo de vida. Alguns exemplos de produtos com a preocupação.depto engenharia de produção . então seu projetista teria falhado. que enfatiza a facilidade de uso. e também de se coletarem dados de situações reais de uso para aperfeiçoar novas gerações de produtos. que. ainda. um dos objetivos da Engenharia de Produto consiste em tratar das interfaces homem-material ou homem-objeto (H-O). no sentido de melhor atendê-las. Abaixo. anúncio de câmera Kodak dos anos 1930. e homem-equipamento ou homem-máquina (H-M). tais como descarte e reciclagem. relacionando a interface do produto a todos aqueles usuários com os quais este interage durante seu ciclo de vida. em 1955. Ressaltava. desde aquele que decide pela compra e que o utilizará efetivamente. Neste caso. estudos em diversos campos da ciência foram © 2006 eduardo romeiro filho 126 ufmg . se tal contato produzisse um efeito positivo em segurança. enfatizou-se a busca por formas eficientes de se fabricarem produtos que atendessem às necessidades dos consumidores e. Nesse sentido. eficiência. à medida que mais produtos complexos foram sendo introduzidos. o qual. iniciou-se a preocupação sobre a maneira como tais produtos afetariam o usuário. é importante que o Projeto de Produto busque formas de aperfeiçoar seus métodos e ferramentas a fim de melhorar tais interfaces. individualmente ou em massa. Observa-se em diversos estudos dedicados à interação entre pessoas e produto a necessidade de se inserirem mais elementos relacionados aos usuários nas fases iniciais do projeto/design do produto. durante a Revolução Industrial. Nesse sentido. operado e utilizado por pessoas. ao passo que. ao projetar um produto. então o projetista teria sido bem sucedido. projeto do produto Engenharia de Usabilidade Sérgio Figueiredo Costa O desenvolvimento de produtos destinados a atender às necessidades humanas é observado desde os primórdios da humanidade e. em diferentes formas (e com diferentes níveis de sucesso). se o ponto de contato entre produto e pessoa fosse um ponto de atrito. conforto. cadeira de dentista do século XIX. com o usuário: Ao lado. era preciso ter em mente que este seria manuseado. visto. Tal preocupação também pode ser observada por Henry Dreyfuss. são notados cada vez mais esforços. satisfação.

Importante também. tornam-se fatores de importância capital para o sucesso das iniciativas de desenvolvimento as percepções do usuário ante ao produto. é resumidamente definido como a propriedade com que as características físicas de um objeto ou ambiente influenciam sua função. no tempo apropriado do ciclo de vida do desenvolvimento de produto. uma maior participação do usuário no desenvolvimento do produto. © 2006 eduardo romeiro filho 127 ufmg . os quais. Observamos também o conceito de Usabilidade (o qual será também discutido adiante). métodos. processos e procedimentos para projetar produtos e sistemas usáveis. principalmente. na década de 40. a filosofia que coloca o usuário como centro do processo de projeto. para possibilitar a melhor interação entre pessoas e produtos. como eletrodomésticos. se aplicados adequadamente. Nesse sentido. telefones e máquinas agrícolas. bem como as avaliações de usabilidade do produto. mais indivíduos se envolviam com os estudos. Designer e Engenheiro americano. Abaixo.depto engenharia de produção . dentro de uma visão de projeto centrado no usuário. Defende. eficiência e satisfação num dado contexto de uso (ISO 9241-11:1998). Ao lado. Lindbeck define como Fatores Humanos o estudo das interações entre pessoas e produtos que estas utilizam nos ambientes em que trabalham e vivem. Henry Dreyfuss. porém. ainda. expandiu-se além dos aspectos cognitivos do Projeto de Produto. ter-se em conta que UCD não representa apenas técnicas. e à medida que a interação entre operadores e produtos se expandia. projeto do produto desenvolvidos nestas interfaces. segundo Rubin. passando a incluir também as características físicas e as limitações dos operadores. identificando que a falha em conjugar equipamentos sofisticados com as habilidades dos operadores era a contribuição principal para a ocorrência destes acidentes. diversos autores e trabalhos propõem que a utilização de métodos e testes de Usabilidade. psicólogos começaram a estudar as causas de numerosos acidentes aéreos com pilotos militares. constituem ferramentas eficazes para apoiar os projetistas em suas iniciativas de desenvolvimento de produtos. Garante-se. que o tema central de projeto (design) para uso humano é o reconhecimento das capacidades. que será analisado com maior profundidade adiante. relacionado à maneira como um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. devendo englobar sua relação durante todo o ciclo de vida do produto. suas necessidades. Esta disciplina. como salienta Rubin. Justamente pelo reconhecimento da importância dos usuários. capacidades e limitações. foram propostas metodologias de Projeto de Produto centradas no usuário (UCD – User-Centred Design). As discussões acerca das percepções do usuário em relação a produtos são observadas em vários estudos. A partir do momento em que se considera o usuário como centro do processo de Projeto de Produto. Começava aí o que conhecemos como engenharia de fatores humanos. necessidades e limitações humanas. mas citamos aqui o termo “Affordance”. mas. e dos contextos em que estes se relacionarão com o produto. um dos primeiros a aplicar de forma sistemática princípios de Projeto para o Usuário e Ergonomia. alguns produtos desenvolvidos em seu escritório. 1 Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário Segundo Lindbeck. assim. então.

bens duráveis e de características técnicas. como uma das características básicas dos seres humanos. utilizada por Henry Dreyfuss em seu escritório de projeto. e aplicada em todo problema de projeto. são influenciados pela capacidade técnica disponível. também. Custo. Segundo Lindbeck. painel do Spitfire. as pessoas refletem estas mudanças nos artefatos disponíveis. principalmente. principalmente relacionados a desenvolvimento de software. desde os primórdios da humanidade. acoplados aos sensos culturais e estéticos prevalecentes. pelo progresso tecnológico. ou serviço que será utilizado por humanos possua potenciais problemas de usabilidade e que deveria. equipamentos médicos. dentre os vários campos dedicados ao aperfeiçoamento da interface produto- usuário. a fórmula dos cinco pontos. Apelo de Vendas e Aparência. sistema. a Engenharia de Usabilidade é talvez uma das mais utilizadas e das que podem proporcionar resultados neste sentido. Abaixo. a posição da cadeira do piloto. 2 Demandas específicas Apesar de haver mais referências de estudos relacionados à interface produto-usuário para bens de consumo. existem estudos dedicados a equipamentos. aparafusadeiras elétricas e. baseada em sua vasta experiência. pelos aspectos estéticos e culturais. portanto. sugerindo também que. embasam o contexto para o estilo e períodos dos objetos. caça inglês que foi um dos marcos da aplicação de conceitos ligados à ergonomia. pela mudança das necessidades das pessoas © 2006 eduardo romeiro filho 128 ufmg . os demais quatro pontos estão fortemente relacionados à interface com os usuários.depto engenharia de produção . sendo baseada em: Utilidade e Segurança. Nigel Cross destaca. a capacidade destes de desenvolver uma vasta gama de ferramentas e outros artefatos que satisfaçam às suas necessidades próprias. Desta fórmula. Manutenção. Nielsen afirma ser possível que qualquer objeto. Observa-se. Atualmente. À medida que tais necessidades mudam. refinando-os e concebendo outros novos. Assim. a especialização e o progresso tecnológico. podemos considerar que à exceção do Custo. ser submetido a alguma forma de engenharia de usabilidade. Podemos considerar que as pessoas sempre desenvolveram objetos. produto. em cada época. a aplicação de métodos para melhorar a usabilidade dos produtos é pertinente e benéfica ao projeto destes e a seus usuários. apesar de os operadores destes equipamentos receberem treinamento. projeto do produto Ao lado. os produtos. tais como máquinas de usinagem CNC. artefatos e ferramentas visando a atender às suas necessidades.

Com a evolução do pensamento humano. adicionalmente. das transformações sócio-culturais. nas sociedades industriais modernas. 3 Projeto de Produto Existem diversas definições de projeto (ou design) de produto. as quais. e dos requisitos sociais. desempenham um papel de igual importância aos requisitos ergonômicos. Devemos observar também que Projeto de Produto deve ser entendido como um meio de satisfazer as necessidades humanas. Da mesma forma. Entretanto. referem- se ao processo de planejar objetos físicos que apresentam uma nova forma. principalmente tecnológicos. que o produto resulta do processo de desenvolvimento. sociais ou ecológicos. Apesar de notáveis. Devemos observar. cujo rumo é definido por diversas condições e decisões. algo isolado em suas próprias atividades. Entretanto. é necessário considerar uma sorte de fatores envolvidos na atividade de projeto. Podemos citar Stuart Pugh. culturais. até a venda bem © 2006 eduardo romeiro filho 129 ufmg . e não um fim. ergonômicos e ambientais. devido ao conhecimento ainda primitivo. Em abordagens mais abrangentes.depto engenharia de produção . as pessoas adicionaram ao processo de desenvolvimento as observações e experiências advindas do uso e dos requerimentos das ferramentas. a partir da identificação das necessidades do Mercado e do Usuário. geralmente ressentiam da dimensão analítica e. tais iniciativas eram essencialmente uma questão de tentativa e erro. ergonômicos e ambientais. como visto anteriormente. até que atualmente. em que as transformações sociais e culturais. que propõe o Projeto de Produto “Total”. e para o qual diversas metodologias foram propostas. e assim nas fábricas os produtos são manufaturados conforme um projeto preparado pelo departamento de projeto ou por um projetista externo. como se observa em diversas definições em que são consideradas também as influências do contexto histórico. deve- se chamar a atenção para o fato de que o produto possui diferentes usuários a cada uma das etapas de seu ciclo de vida. basicamente. as primeiras iniciativas de desenvolvimento de produtos. alguns autores identificam o Projeto de Produto como uma atividade sistêmica. mais recentemente. principalmente artefatos e ferramentas. sociais. em resposta a algumas necessidades predeterminadas. das limitações da tecnologia e da produção. Em algum momento adiante na história. as iniciativas de desenvolvimento foram sendo sistematizadas. pela imperativa adequação ao meio ambiente. estes fatores também determinam a evolução e o desenvolvimento dos novos produtos. como a atividade sistemática necessária. um processo que engloba as pessoas e a organização onde se realiza tal atividade. projeto do produto e. o contexto histórico e as limitações da técnica e da produção. as atividades de projeto e produção de produtos são normalmente separadas. influenciado por diversos fatores. Vamos analisar a seguir este processo de Projeto de Produto. Ilustração representando o ciclo de projeto e o ciclo de vida do produto: o uso como centro do processo de desenvolvimento.

nesta definição. Detalhamento Conteúdo da tarefa Contexto da Tarefa Metas USUÁRIOS Objetivos Fluxo Desenvolvimento da Organização Tarefa da tarefa Figura 1 – Projeto centrado no usuário (adaptado de RUBIN. Jeffrey. ainda. pessoas e organização. Rubin enumera três aspectos básicos desta abordagem. Observa-se. Emerge também desta abordagem. principalmente. Assim. operação. a saber: Foco antecipado em usuários e tarefas: neste caso. como citado anteriormente. contexto. é sugerido o contato direto. são derivados do ponto de vista do usuário. projeto do produto sucedida do produto que satisfaça tais necessidades. conforme proposto por Gould e Lewis para UCD. o que é definido como Projeto de Produto Centrado no Usuário. Inc. 3 Projeto do Produto centrado no usuário No projeto de produto centrado no usuário. este conceito representa. incluindo todo o processo de interação com potenciais clientes. © 2006 eduardo romeiro filho 130 ufmg . na filosofia de considerar o usuário no centro do processo de projeto. este se caracteriza como atividade sistêmica e não isolada dentro de um laboratório. durante todo o ciclo de vida do produto. New York: John Wiley & Sons. com as organizações onde são realizados e com as pessoas que o desenvolvem e. e para alguns autores isto deve ser feito no cerne do processo. Rubin observa que tal conceito deveria ser expandido além do projeto de produto. que o Projeto de Produto ultrapassa o entorno do produto. este é considerado o cerne do processo de desenvolvimento de produto e. existe também a preocupação em se ampliar o espectro considerado no Projeto de Produto a todo seu ciclo de vida e aos seus usuários com os quais este se relaciona. o utilizam. até toda a duração da propriedade. Em complementação a esta abordagem sistêmica.depto engenharia de produção . visando coletar o máximo de informações que possa auxiliar no desenvolvimento de produtos. 1994. bem como todos os aspectos das tarefas a serem realizadas com o produto.. com o mínimo de desgaste e o máximo de eficiência. principalmente. design and conduct effective tests”. desde o contato de marketing e vendas iniciais. Princípios Básicos de UCD Dentre os princípios do projeto centrado no usuário. em que UCD seria a prática de projetar produtos de forma que os usuários poderiam desempenhar seu uso.11) Algumas definições propõem que o produto deveria se adaptar ao usuário. suas metas. objetivos. Entretanto. ao ponto onde outro produto é comprado ou o corrente é atualizado. a necessidade da inclusão do usuário no projeto do produto. “Handbook of usability testing: how to plan. encampando produto. conforme citado anteriormente. serviço e tarefas de apoio. Neste caso. e ambiente. p. sistematizado e estruturado entre usuários e projetistas. processo. como a Woodson. pois o mesmo se relaciona fortemente com os processos utilizados para sua produção.

Rubin cita que estudos recentes indicaram que um especialista “duplo”. e assim por diante (iterações). objetivando confirmar ou refutar hipóteses específicas.2 Métodos e Técnicas de UCD Adicionalmente em sua análise sobre projeto centrado no usuário. e como estes podem ser mais aceitáveis. empregando ciclos de testes iterativos. “Surveys”: são empregados para a compreensão das preferências de uma vasta base de usuários de um produto existente ou potencial. que inclusive consiste em um destes métodos. o primeiro tipo envolvendo testes formais conduzidos como experimentos verdadeiros. advindas do contato sistematizado e estruturado nas várias fases do projeto. Rubin identifica alguns dos principais métodos e técnicas utilizados nos processos de desenvolvimento de produtos. tipicamente empregado nos estágios iniciais do projeto para avaliar conceitos preliminares utilizando usuários representativos. são mais efetivos que outros desprovidos de tal conhecimento. normalmente por um especialista em usabilidade ou fatores humanos que possua pouco ou nenhum envolvimento no projeto. Projeto iterativo: através das informações e observações dos usuários e tarefas. 2. Testes de usabilidade: Estes testes empregam técnicas para coletar dados empíricos enquanto observam usuários finais representativos utilizando o produto para realizar tarefas específicas. e o segundo. ênfase na participação do usuário em todo o processo caracteriza esta abordagem. testado. modificado. devem ser realizadas medições quanto à aprendizagem e uso. Projeto Participativo: Neste caso. empregada pelo produto. Os testes podem ser divididos dois tipos básicos de abordagem. Este autor ressalta que tais métodos principais auxiliam a proporcionar o contexto para os testes de usabilidade.3. © 2006 eduardo romeiro filho 131 ufmg . suas habilidades e até suas reações emocionais ao projeto. que o coloca no centro do processo desde o início. menos formal.depto engenharia de produção . pretendendo expor deficiências de usabilidade e gradualmente moldar o produto em questão. que também é especialista em uma tecnologia em particular. ou seja. A seguir. que objetivam sempre inserir o usuário como o centro deste processo. Avaliações de especialistas: Consistem na revisão de um produto ou sistema. tem como objetivo identificar quão aceitáveis são os conceitos. Pesquisas tipo “grupos focados” (focus group): Este tipo de pesquisa. tais métodos são brevemente abordados. projeto do produto Medições empíricas do uso do produto: através do desenvolvimento e teste de protótipos com usuários. de que formas são inaceitáveis ou insatisfatórios. o produto é projetado. explorando seu conhecimento.

se esperando. Observa-se nestes casos a mudança na participação dos operadores. No primeiro caso. este autor se vale da comparação de dois exemplos de projetos de centros de máquinas. e não menos. os operadores são envolvidos no início do processo de projeto e na seleção de equipamentos. a realização de modificações nos programas para assegurar resultados de alta qualidade.4 Projeto baseado em Competências versus Projeto baseado em Tecnologia A partir da consideração que a efetiva implementação de novas tecnologias. Assim. pode resultar na completa eliminação das reais atividades de fabricação. bem como interagir com os equipamentos. As máquinas compradas foram projetadas para serem programadas pelos operadores. O sistema foi projetado para o controle centralizado de toda a programação. ou outro tipo de ambiente real. ainda que isto possa envolver uma mudança no tipo de competências utilizadas. 2. Rubin aponta que estudos de acompanhamento estruturados são provavelmente as mais verídicas e mais acuradas avaliações de usabilidade. produto. se utilizando pesquisas. principalmente quanto à possibilidade de controlar e intervir no processo. sendo que a idéia é coletar informações para uma próxima versão. dentro de sua capacidade. sob a perspectiva do projeto baseado em competência. onde o papel dos operadores é diferenciado dentro do processo de projeto de cada empresa. competências e capacidade de julgamento dos operadores. porém ocorre após o lançamento formal do produto.depto engenharia de produção . o centro de máquinas for projetado sem a participação dos trabalhadores porque se esperava pouca contribuição destes nas decisões de projeto. entrevistas e observações. e as máquinas selecionadas para não permitir que o operador realize a programação. o projeto baseado em competências. requerem mais. Salzman discute que uma estratégia efetiva para tecnologia necessita incluir novos princípios do projeto baseado em competências. como um escritório. Para ilustrar tal conceito e seus princípios. projeto do produto Estudos de Campo: Tal método consiste na revisão de um produto que tenha sido colocado em seu cenário natural. e os resultados são utilizados para refinar o produto antes de seu lançamento. mas irá proporcionar operadores com informações da produção que lhes permita controlar o processo efetivamente e responder aos problemas de forma competente. particularmente de sistemas computacionais. na segunda empresa. Estudos de Acompanhamento: Este tipo de estudo é similar ao estudo de campo. e ambiente. de parte destes. dificuldades e atitudes do usuário são coletadas. residência. os projetistas vêem a eliminação ou simplificação das tarefas mais rotineiras e mecânicas como uma oportunidade para os trabalhadores assumirem um papel amplo no processo de produção. Em processos mais rotineiros. estão em posição e interagindo entre si. pouco antes de seu lançamento. desde que o verdadeiro usuário. Informações como padrões de uso. © 2006 eduardo romeiro filho 132 ufmg . Por outro lado.

relacionando-os às dependências de percepção e de ação. os artefatos bem projetados também podem participar na construção da experiência dos usuários. o termo “affordance” se refere às propriedades reais e percebidas de um objeto. primariamente aquelas propriedades fundamentais que determinam como é possível utilizar um objeto. A forma proposta pelos autores de alcançar a mudança de perspectiva é integrar as percepções da semiótica (resumidamente estudo do significado). a semântica do produto (a expressão do significado através da forma) e a semântica do contexto (a expressão do significado através da ação). A partir destas constatações. definida como projeto de experiências significativas através da produção de uma emergente e evocativa integração entre forma e ação. significa projetar objetos que produzirão ou evocarão eventos específicos que levam a experiências específicas em situações específicas. Ainda mais importante. 2. produtos e artefatos são desenvolvidos para atender às necessidades humanas. O desenvolvimento de produtos usáveis e desejáveis demanda o entendimento de como usuários constroem relações com os objetos e de como estas relações podem ser controladas pelos projetistas. Lidwell observa que o conceito de “affordance” está relacionado com a maneira que as características físicas do objeto ou ambiente influenciam sua função. 2. seria como transformar conceitos inovadores em operações universais e do dia-a-dia. 2. quando tal propriedade corresponde à função pretendida do objeto. por esta razão. Artefatos bem projetados indicam às pessoas que funções desempenham. com a intenção de proporcionar recursos às pessoas para perceberem e construírem a usabilidade por si próprios. podemos observar alguns princípios de projeto de produto utilizados para tal finalidade. porém apenas recentemente tem sido aplicado na comunidade de projeto. e à susceptibilidade da mudança. Numa análise ampla. formando a idéia de semântica experimental. De outra forma.5 Projeto para usabilidade Como abordado anteriormente.6 Princípios de projeto de produto aplicáveis à usabilidade No sentido de apoiar as iniciativas de desenvolvimento de produto. Galvão e Sato comparam os principais conceitos de “affordance” encontrados na literatura. o projeto apresentará uma performance mais eficientemente e será mais fácil de ser usado. Como citado anteriormente. © 2006 eduardo romeiro filho 133 ufmg . com a intenção de comunicar tal funcionalidade.6. Isto implica na mudança da perspectiva de projeto como a aplicação “post-hoc” de forma e aparência para uma funcionalidade. Assim.depto engenharia de produção . aproximando-as do usuário. através do projeto dos objetos. estes foram projetados e não meramente produzidos ou criados. Rheinfrank et al. através do desenvolvimento competente de forma e elementos. projeto do produto O elegante e eficiente (do ponto de vista técnico) caça Spitfire. Tais eventos se referem a ações dinâmicas e não a situações estáticas. Uma aproximação prática de tal perspectiva de projeto do ponto de vista experimental. a que se referem como o projeto do uso de um artefato através do projeto de sua presença física no mundo. Para Donald Norman. Affordance O conceito de affordance tem sido alvo de atenção em psicologia há algum tempo.1. como as desempenham e. propõem o projeto para usabilidade. através do projeto. para a perspectiva de projeto como a criação consciente da usabilidade.

Keiichi. 2005. podendo mudar de Dependente de sentir o Dependente da percepção de Fadel. Norman estabelece uma classificação de quatro tipos principais de restrições. Cada cultura possui um conjunto de ações permitidas para situações sociais e. Long Beach: Proceedings of ASME 2005 International Design Engineering Technical Conferences & Computers and Information in Engineering Conference. mesmo que não afetem a operação física ou semântica do objeto.6. Também referidos como erros de ação ou erros de execução. sabe- se como se comportar em restaurante. p. físicas. Dependente das ações Independente da percepção Imutável. ocorrem quando uma ação não obtém o resultado pretendido. assim. com o uso apropriado de restrições físicas haverão um número limitado de ações possíveis ou. tais “affordances” são instantâneas. Adriano B. Quando os usuários realizam suas ações. projeto do produto Dependência de percepção Dependência de ação Susceptibilidade à mudança Gibson. Limitações físicas restringem operações possíveis e.3) Após analisar tais conceitos. e sua a aplicação apropriada pode resultar em um projeto mais fácil de utilizar e reduzir significativamente a probabilidade de erros durante a interação. Dependente da percepção e das Dependente das habilidades acordo com as habilidades 1984 limitações físicas individuais individuais Dependente das ações Mutável. os autores ressaltam que estes podem orientar aos projetistas a considerar “affordances” em três instâncias: “Affordances” estão compreendidas nos produtos. pelo menos.6. mesmo sem nunca ter estado em um anteriormente. culturais e lógicas. O mesmo processo que nos torna criativos e perspicazes por nos permitir enxergar relações entre coisas desvinculadas. contudo podem ser classificados em duas categorias fundamentais: deslizes e equívoco. acordo com as propostas de mecanismo utilidade 2003 projeto Tabela 1 – Comparação dos significados atribuídos ao conceito de “affordance” (adaptado de GALVÃO. resultam da deliberação consciente. “Affordances in product architecture: linking technical functions and users’ tasks”.2 Restrições Lidwell define como restrições o método para limitar as ações que podem ser desempenhadas em um sistema. Equívocos. Restrições semânticas se inserem sobre o significado da situação para controlar um conjunto de ações possíveis. A compreensão das causas dos erros sugere estratégias específicas de projeto que possam reduzir sensivelmente sua freqüência e severidade.3 Erros Erros ocorrem na vida das pessoas com alguma freqüência. Dependente da percepção e possíveis. habilidades acordo com a experiência do 1988 cultura individuais e de aspectos usuário culturais Maier & Mutável. que nos permite chegar a conclusões © 2006 eduardo romeiro filho 134 ufmg . semânticas. podendo mudar de Norman. e podem ser conceituados como as ações ou omissões de ação que proporcionam resultados indesejáveis. não havendo princípios físicos ou culturais. 2. entretanto. mas existe uma relação lógica entre a disposição espacial ou funcional dos componentes e os objetos que afetam ou pelos quais são afetados. Deslizes resultam do comportamento automático. de ações desejáveis que possam ser realizadas obviamente. assim. 2. quando uma ação subconsciente cuja intenção é satisfazer nosso objetivo é desviada em seu caminho. Os erros podem ocorrer em diversas formas. O mapeamento natural funciona provendo restrições lógicas. através do nosso conhecimento desta situação e do mundo. podendo mudar de Warren. Outras restrições se referem a convenções culturais aceitas. existe no ambiente 1979 possíveis Mutável.depto engenharia de produção . & SATO. Os atributos perceptíveis destas “affordances” no modelo mental dos usuários.

“Forgiveness” O conceito de perdão em projeto de produto ajuda a prevenir erros antes que estes aconteçam. também nos pode nos levar a cometer erros. De acordo com este princípio. as advertências são menos necessárias.4. as confirmações são menos necessárias.6. Ajuda: informações que assistem a operações básicas. © 2006 eduardo romeiro filho 135 ufmg . ocorrem quando a intenção é inapropriada. Abaixo. Para atingir o perdão no projeto de produto é preferível que se utilize os métodos de “affordance”. projeto do produto corretas baseados em evindências parciais ou mesmo vagas.depto engenharia de produção . Confirmação: verificação da intenção requerida antes que ações críticas são permitidas (por exemplo. lembretes ou alarmes usados para advertir perigos iminentes (por exemplo. e se a rede de segurança é robusta. ao invés de ter relembrar tais soluções por sua própria memória. reversibilidade de ações e rede de segurança. 2. a saber: “Affordances”: características físicas do projeto que influenciam sua correta utilização (por exemplo um plugue com formato único que somente pode ser inserida em uma tomada adequada).5 Visibilidade O princípio de visibilidade é baseado no fato de que as pessoas são melhores para reconhecer soluções quando as selecionam entre um conjunto de opções. e minimizam as conseqüências negativas dos erros quando estes ocorrem. e sensibilidade de contextos. diagnósticos ou correção de erros (por exemplo. o assento ejetável de uma aeronave). 2. Neste caso. as ações que são possíveis de serem realizadas. Organização hierárquica. a ajuda será menos necessária. Rede de segurança: dispositivo ou processo que minimiza conseqüências negativas de um erro catastrófico ou de uma falha (por exemplo. documentação ou ajuda telefônica). Advertências: placas. que revela e oculta controles baseados em diferentes contextos. se o produto têm boas “affordances”. se as ações são reversíveis. placas nas estradas que advertem uma curva acentuada adiante). os sistemas são mais usáveis quando indicam claramente seus respectivos estados. Perdão . posto que reduzem a necessidade de confirmações. trava que necessita ser aberta antes de algum equipamento ser ativado). Algumas estratégias contribuem para incorporar o “perdão” no projeto de produto. e as conseqüências destas ações quando estas forem realizadas. que dispõe controles e informações em categorias lógicas. advertências e ajuda. são boas soluções para gerenciar a complexidade enquanto se preserva a visibilidade. o exemplo do painel do Boeing 777. Referidos algumas vezes como erros de intenção ou erros de planejamento. Reversibilidade de Ações: uma ou mais ações que podem ser revertidas se um erro acontecer ou a intenção da pessoa mude (por exemplo: função desfazer em programas de computador).6.

se eliminando-se a necessidade de se aprender tudo novamente após um período sem uso. à tarefa e ao contexto em que este © 2006 eduardo romeiro filho 136 ufmg . o que também se justifica por este se tratar de tema relativamente recente. em um dado contexto e para uma certa tarefa. a relação produto e usuário. quais sejam: Aprendizagem: a utilização do sistema ou produto deve ser fácil de se aprender. Encontramos na literatura diversas definições. Memorização: o sistema ou produto deve ser relembrado facilmente. Nesta definição podemos observar a inserção dos conceitos de efetividade. usuário. uma vez que o usuário já aprendeu a utiliza-lo. Eficiência: relação entre os recursos despendidos e a acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. Bevan propõe que a Usabilidade está na interação entre o usuário e o produto ou sistema. projeto do produto USABILIDADE O termo usabilidade foi criado no início dos anos 80 em substituição ao termo “user-friendly”. Ao final. unidimensional da interface usuário-produto. eficiência e satisfação na utilização do produto pelos usuários. e sendo associada a cinco atributos. Entretanto. O autor ressalta. e que a usabilidade é determinada pelos atributos do produto. Observa-se nessa última definição a ampliação do termo usabilidade a atributos como a aprendizagem do uso de um produto. e somente pode ser medida através da avaliação da performance. incluindo os aspectos como eficiência e confiabilidade que afetam a facilidade de uso. encontramos em maior quantidade estudos dedicados a sistemas computacionais e páginas de internet. podemos considerar que todas as definições são complementares e têm em comum o fato de se situarem na interface produto-usuário. sempre estão considerados nestas definições. atividade e o contexto em que tal relação ocorre. apresentando múltiplos componentes. uma dada tarefa. permitindo a utilização casual por um usuário. e trabalhos dedicados à avaliação de aspectos de usabilidade de cadeiras para crianças e para usabilidade e segurança da terceira idade. funcionando de forma eficaz em uma dada gama de situações reais de trabalho. Diversos estudos e trabalhos têm sido realizados sobre o tema. tarefa e ambiente em que ocorre sua utilização. De forma mais ampla. Satisfação: uso do produto livre de desconforto e com atitudes positivas. de forma que o usuário possa rapidamente iniciar algum trabalho. um alto nível de produtividade é possibilitado. ainda. satisfação e aceitabilidade do usuário. Nielsen ressalta que Usabilidade não é uma simples propriedade. eficiência e satisfação num dado contexto de uso. A norma ISO 9241-11:1998 conceitua Usabilidade como a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. incluindo aí todas as suas características. dependendo do usuário. Diversos conceitos e definições de Usabilidade são encontrados na literatura. Dentre as avaliações de usabilidade de produtos. Erros: o sistema ou produto deve proporcionar baixas taxas de erros durante o uso. devem ser de fácil correção. Satisfação: a utilização do sistema ou produto deve ser agradável. Outro ponto importante ressaltado por Nielsen é a preocupação com os erros. Eficiência: o sistema ou produto deve ser eficiente para o uso e. tanto para avaliar a usabilidade de produtos em casos específicos como no sentido de discutir métodos e ferramentas para tais avaliações. usuário. como àquele que utiliza o produto esporadicamente. pois um produto não é usável por si próprio. tarefa ou ambiente. em um certo ambiente. Esta definição aborda dois pontos importantes: o produto não é usável por si próprio. como será discutido logo a seguir. mas possui atributos que determinarão sua usabilidade para um usuário particular. relacionando produto. que deve ser reduzida e cujos efeitos não podem ser catastróficos. e caso estes aconteçam. conferindo importância ao usuário. que havia adquirido uma série de indesejáveis conotações vagas e subjetivas. definindo como um atributo do produto a ocorrência de erros. Tais atributos incluem não apenas características ergonômicas específicas. erros catastróficos não devem ocorrer. mas há estudos que tratam de equipamentos e ferramentas técnicas. Ademais. devendo haver facilidade para sua correção. tanto àquele usuário que o utiliza constantemente. pode afetar a usabilidade. que segundo a norma são: Efetividade: acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. Adler e Winograd definem usabilidade como a habilidade de um produto ou equipamento de tirar vantagem das competências de seus usuários. de forma que os usuários se satisfaçam subjetivamente ao usá-lo. Finalmente.depto engenharia de produção . que qualquer mudança nas características do produto ou sistema. mas todas as características do produto em seu uso. objetivando contribuir para o Projeto de Produtos que atendam a todos os grupos de usuários. produtos eletrônicos de consumo e equipamentos médicos também.

para outros pesquisadores. Há então uma necessidade de proporcionar equipamentos flexíveis e compatíveis para os usuários. enquanto para Nielsen trata-se de um atributo independente de usabilidade. “Gaps” no conhecimento de usuário . Quando tecnologia não levar em conta peculiaridades individuais. predeterminam o modo e a extensão que um indivíduo utilizará a tecnologia. Os erros na utilização do produto ou sistema são outro atributo importante.depto engenharia de produção . descrevendo isto como a habilidade do produto ou sistema ser aprendido rapidamente. em outras palavras. © 2006 eduardo romeiro filho 137 ufmg . que garantiria utilização bem sucedida de tecnologia por qualquer cidadão. adicionando treinamento e materiais de apoio. ele não oferece uma descrição de componentes de Usabilidade mas uma vasta agenda de pesquisa. uma característica de retenção específica de aprendizagem. Para tanto. Mais adiante.3 Atributos de usabilidade Para projetar um sistema ou produto usável. chegando até a criar resistência à nova tecnologia. características pessoais. e alguns deles enfatizam aspectos específicos. Alguns destes atributos identificaram características que podem ser colocadas em níveis hierárquicos diferentes. Amplamente aceitos na literatura. devendo tal utilização ser eficaz.os projetistas poderiam facilitar tal passo proporcionando aos usuários interfaces estruturadas de acordo com seu nível de conhecimento (variando de novato a perito). os atributos do produto devem permitir que se atinjam tais objetivos. É importante observar que Usabilidade universal não deve ser entendida como acesso universal. poderá se tornar uma barreira em lugar de um meio de acesso para informação. também constam em normas. e apresentando também uma série de atributos necessários para projetar um produto que seria aceito pelo usuário. incluíram usabilidade nos modelos gerais de aceitação do produto pelo usuário. Atualmente a característica principal de tecnologia é evolução ou mudança rápida. de forma que um usuário inicie a trabalhar com o produto ou sistema em um período curto de tempo. Memorização trata da possibilidade re-aprender ou se relembrar rapidamente como usar o produto ou sistema. através de atributos. Neste contexto. engloba a gama de tarefas para as quais um sistema é projetado. o usuário sempre necessita superar um certo vazio em seu conhecimento. O atributo geralmente mais mencionado de um produto utilizável é a aprendizagem. ou incluídos e excluídos. os critérios de efetividade e eficiência de um produto ou sistema. software e redes. que define eficiência como a relação entre recursos despendidos e os objetivos alcançados. Às vezes. podendo dividir sociedade em ricos e pobres de informação. como Nielsen. Shneiderman propõe o conceito de Usabilidade universal. Diversidade de Usuários – as características individuais dos usuários. e assim por diante. Para refletir a componente subjetiva da Usabilidade. que por si só não assegura tecnologias usáveis.ao começar a utilizar uma nova tecnologia. eficiente e satisfatória. inaptidões etc. 3. como Shackel. projeto do produto utiliza o produto. têm caráter subjetivo. Por isto. como por exemplo a Norma ISO 9241-11: Orientação em Usabilidade (1998). devemos considerar que a Usabilidade. e freqüentemente os usuários não podem se manter atualizados de todas as inovações. com algumas sobreposições (por exemplo efetividade e eficiência). que. Segundo esta visão. é introduzido o critério de atitude de usuário. por sua própria natureza. certas tentativas para definir Usabilidade foram relacionadas à criação de métricas para sua avaliação. mas em outros casos se leva muito tempo e produz situações estressantes. pois depende em parte de características individuais de usuários. Shackel introduz uma característica de flexibilidade que implica na adaptação do sistema à variações nas tarefas. os erros são indicadores importantes de efetividade de tecnologia do produto. 3. decorrentes às novas formas de manipular um sistema ou produto. Ao final.4 Usabilidade universal Considerando que a tecnologia como um meio universalmente aceito em qualquer campo de atividade humana na era de informação e a migração de serviços públicos e comerciais para espaço digital.. Nielsen adiciona o critério de memorização que poderia ser considerado como um aspecto de aprendizagem. e a dimensão subjetiva. Assim . este vazio é preenchido facilmente quando há ambientes comuns e padronizados. se discute a necessidade de haver critérios mensuráveis para referência durante o processo de desenvolvimento. e efetividade indica como a acuidade e perfeição com que os usuários conseguem alcançar os objetivos específicos. Shneiderman vai além de acesso universal e constrói o modelo de Usabilidade universal em três desafios principais: Diversidade tecnológica – aspectos tecnológicos que abrangem hardware. idade. quanto às atitudes do usuário. quando este for novamente utilizado após um certo período de tempo. renda. gênero. normalmente expressas de forma qualitativa. Alguns dos pioneiros nesta área. ou. podendo chegar a situações onde eles não podem usar alguns serviços baseados nas mais recentes soluções tecnológicos. a primeira expressa através de atributos que poderiam ser convertidos a indicadores quantitativos e medidos. o conceito de Usabilidade engloba dimensões objetiva e subjetiva. tais como habilidades. cultura.

Entretanto. posto que existem similaridades entre métodos e objetivos nas iniciativas. esta abordagem oferece freqüentemente apenas algumas sugestões que ajudam administrar o processo de avaliação de usabilidade. porém não mencionando no que consiste a usabilidade. e que deveriam facilitar a administração do desenvolvimento de produtos.oxo.com) é conhecida por aplicar princípios de design universa em produtos de extrema elegância e beleza. Porém. visando especificar atributos que possam antever o comportamento do usuário. projeto do produto O progressivo envelhecimento da população é um desafio ao projetista. © 2006 eduardo romeiro filho 138 ufmg . são conhecidas duas abordagens comuns: Abordagem orientada ao produto – neste caso a usabilidade é tratada como uma série de exigências que sistemas ou produtos deveriam satisfazer para ficar usável (por exemplo. a usabilidade é alcançada quando o processo de Projeto de Produto for centrado no usuário. englobando características de contexto específicas. Glosiene e Manzuch propõem que na literatura sobre usabilidade. 3. A empresa fabricante de utensílios de cozinha OXO (www. os conceitos analisados nestas normas podem ser utilizados em outros campos. apontando as atividades necessárias para se assegurar um sistema ou produto usável ao cada fase de produção e uso.6 Normas de usabilidade Uma série de normas ISO sobre usabilidade já está publicada. o que pode ser avaliado pelo usuário em testes). observa-se que uma das definições amplamente aceita de usabilidade é proposta na norma ISO 9241-11. em certos casos. o foco está na integração da usabilidade ao processo de desenvolvimento de produtos. ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999). como os exemplos ao lado. em um dado contexto de trabalho.depto engenharia de produção . no intuito de guiar a colaboração de fabricantes e outras partes interessadas. As abordagens orientadas a produto e a processo são complementares e deveriam ser explorados ambos em todas as fases de desenvolvimento. como o usuário. Esta abordagem é pertinente pois visa estabelecer métodos de trabalho que proporcionem alcançar o desenvolvimento de produtos usáveis. sendo focada principalmente ao desenvolvimento de sistemas computacionais e equipamentos de informática. tarefas e ambiente. o modo como alcançam metas específicas. 3. Esta abordagem procura compensar a fragilidade do Projeto de Produto ao se orientar por uma série pré-determinada de características do usuário. Podemos citar as seguintes normas sobre o tema em análise: ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). Neste sentido. um dos campos onde o tema usabilidade foi mais estudado.pois exige novas soluções que permitam a utilização adequada de produtos por idosos. Então.5 Abordagens de usabilidade orientadas ao produto e ao processo Em sua revisão do estado da arte sobre o tema. Abordagem orientada a processo – neste caso. muitas vezes com variados graus de limitação.

1 Norma ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). tarefa e o ambiente.depto engenharia de produção . que outros sistemas e produtos são usados). © 2006 eduardo romeiro filho 139 ufmg . Fase 1: Entender e especificar o contexto de uso. e até mesmo as funções mais concretas que atendem as necessidades de usuário. Incluir responsáveis por esta inclusão desde os níveis hierárquicos superiores. ambientais (por exemplo. bem como para antever seu comportamento. a fase inicial de planejamento é muito importante. Pontos de interação ao longo do desenvolvimento do projeto. umidade. e no ajuste do produto ou sistema ao ambiente e as tarefas.5. principalmente para levantamento de recursos necessários. sociais e culturais (por exemplo. calor. características do lugar onde se executa a tarefa). comunicar e registrar opiniões dos usuários. Outro componente na avaliação da usabilidade é o contexto de uso. Os fatores ambientais podem ser divididos em técnicos (por exemplo. experiência. pode afetar a usabilidade. buscando propiciar haja equilíbrio entre estes. entre outras) é necessário para distinguir tipos diferentes de indivíduos que interagem com o produto ou sistema. em relação à critérios e medidas apropriadas de efetividade. envolvendo não só usuários e projetistas. conhecimento. a norma propõe que o Projeto de Produto centrado no ser humano deve ser embasado em quatro princípios: Envolvimento ativo de usuários e compreensão dos requisitos das tarefas e usuários. As metas ou objetivos do usuário durante a interação com produtos ou sistemas são cruciais para determinar os contornos dos produtos ou sistemas.2 ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999) Com base na filosofia e definição de usabilidade da norma ISO 9241-11. organização do trabalho). que proporcionem a coleta e aproveitamento contínuo de informações dos usuários durante as fases do projeto. ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002). Esta norma estabelece uma estrutura básica de Usabilidade. enfatizando metas ou objetivos do usuário e contexto de uso como componentes que direcionam qualquer atividade de avaliação de Usabilidade. Fase 2: Especificar os requisitos do usuário e organizacionais. O ambiente que engloba os fatores externos que envolvem o usuário e sua interação com o produto ou sistema. baseada em fatores como as características. Esta norma propõe ainda que as organizações que pretendem implementar estes princípios de projeto centrado no ser humano em seu processo de desenvolvimento de produtos deveriam realizar tarefas preparatórias e planejar atividades futuras que devem incluir: Atividades de projeto centradas no usuário. assistindo na formulação e refinamento de soluções. e provêem valiosa informação para definir requerimentos dos produtos ou sistemas. o objetivo é desta norma é direcionar as atividades de desenvolvimento de sistemas interativos sob a perspectiva do projeto centrado no ser humano. coletando informações detalhadas do usuário. mas também participantes de outras áreas e funções. Procedimentos para integrar tais atividades nas demais atividades de desenvolvimento. Neste caso. educação. A análise e descrição de tarefas do usuário. 3. onde estão compreendidos o usuário. físicos (por exemplo.5. Human-centred lifecycle process descriptions (2000). Gerenciamento do tempo. eficiência e satisfação. Além destas fases principais. na identificação e prevenção de problemas.). ensejando a participação destes em todos estágios do processo de desenvolvimento. 3. capacidades e limitações do usuário e da tecnologia. tarefa e ambiente. As fases principais propostas para o processo de projeto centrado no ser humano são descritas a seguir e se relacionam às metas ou objetivos do usuário e ao contexto de uso. etc. Assim. as avaliações de usabilidade devem considerar as metas ou objetivos do usuário e o contexto de uso. idade. Esta filosofia de Projeto de Produto é multidisciplinar e concebida para suportar o desenvolvimento de produtos usáveis. Alocação apropriada de funções entre usuário e produto. As tarefas compreendem uma sucessão de ações específicas necessárias alcançar as metas desejadas pelo usuário. O conhecimento das características do usuário (tais como atributos físicos. Equipes multidisciplinares de projeto. conjugando as necessidades dos usuários e recursos organizacionais. relativos às atividades relacionadas com o usuário. Desenvolver e utilizar meios e procedimentos eficazes de coletar. Incluir marcos no processo. ajudam entender como os usuários alcançam suas metas ou objetivos. ambos propostos na norma ISO 9241-11. projeto do produto ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. empregando conhecimentos de ergonomia e fatores humanos.

g) Nível de conhecimento em ergonomia dos participantes. gerando e testando interativamente modelos e protótipos de futuros sistemas ou produtos. o que está disponível na norma e será abordado adiante. proporcionando diretrizes para organizações incorporarem usabilidade como um objetivo no processo de desenvolvimento de produtos baseados em tecnologia. A escolha ou seleção específica destes métodos depende dos seguintes fatores: a) Fase do projeto. onde aplicável. através da medição ou coleta de dados a partir do desempenho ou preferência do usuário. porém também devem ser consideradas a seleção adequada de métodos e as condições disponíveis para aplicação. Este trabalho traz uma avaliação dos métodos existentes de usabilidade que podem ser utilizados individualmente ou em combinação para suportar as atividades de projeto e avaliação. O foco do projeto do produto é obter informações do usuário. ou ainda.depto engenharia de produção . A intenção da norma é informar modelos de processos aos usuários que desejem considerar a processos centrados no ser humano no ciclo de vida de sistemas.4 ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002) A proposta deste relatório é auxiliar aos profissionais na tomada de decisões sobre a escolha de métodos de usabilidade no apoio às atividades de projeto centrado no ser humano. 3. A utilização de vários métodos deve proporcionar melhores resultados. capacidade e limitações deste em relação à tarefa e contexto específicos para o qual o produto está sendo projetado. saídas e informações utilizadas e produzidas. Fase 4: Avaliar as soluções em relação aos requisitos. diferindo quanto ao foco. explorando em detalhe cada um destes processos e seus componentes. máquinas e programas. para diversas finalidades. como proposta na norma ISO 13407. bem como as recomendações de sua adoção ante aos fatores informados acima. empregando conhecimento multidisciplinar existente.3 ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. no intuito de apoiar àqueles envolvidos no projeto. d) Disponibilidade e características dos usuários. até que os objetivos sejam atingidos. © 2006 eduardo romeiro filho 140 ufmg . c) Restrições de tempo e recursos.5. principalmente o conhecimento. todos os métodos são analisados separadamente. Cada método é descrito com suas vantagens. e outros fatores relevantes em para sua seleção e uso. legais e normativos. Human-centred lifecycle process descriptions (2000) Esta publicação explora a Norma ISO 13407. projeto do produto Fase 3: Produzir soluções de projeto. em alguns casos de forma conjunta ou seqüencial. o foco da avaliação do produto está na verificação do seu projeto em uma dimensão particular ou ante a um padrão. e) Características dos produtos. e sua descrição resumida. 3. porém não são enumeradas e comparadas vantagens e desvantagens para sua adoção. A norma ISO 13407 expande os princípios da norma ISO 9241-11. b) Fase do ciclo de vida do produto. desvantagens. Em contrapartida. Também estão incluídas implicações referentes ao estágio do projeto e do ciclo de vida do produto para a seleção do método. as avaliações são meios para se identificar problemas e devem ser empregadas ao longo do ciclo de vida do produto. máquinas e programas. Os métodos de usabilidade descritos neste relatório são aplicáveis tanto ao projeto do produto como para avaliação deste. mas também porque é a forma de monitorar aspectos organizacionais. Entretanto. conforme citado na norma ISO 13407. f) Características das tarefas a serem executadas. principalmente porque é a forma de obter informações do usuário e aperfeiçoar protótipos. podendo utilizados desta forma.5. As atividades de avaliação devem ser utilizadas em todas as fases e para atender a diversos propósitos. A tabela abaixo traz os métodos constantes no relatório técnico ISO/TR 16982. apresentando definições de processos que compreendem a abordagem de projeto centrado no ser humano e listando seus componentes. aplicados em algumas das quatro fases indicadas na norma ISO 13407. Este relatório propõe sete processos. envolvendo usuários em potencial. Neste caso. uso e avaliação do ciclo de vida de sistemas. detalhes e métodos para implementação das atividades propostas permanecem obscuros. Além disto.

Mais que isso. Cit.. normalmente extraídos através de interações em grupo. Avaliação de Avaliação baseada no conhecimento. diferindo pelo nível de abstração da informação proporcionada. projetistas. projeto do produto Nome do Método Descrição Resumida Observação de Coleta de forma precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a usuários performance dos usuários. a engenharia de usabilidade engloba um conjunto de atividades que deveriam estar contidas ao longo de todo ciclo de vida do produto. expectativa. com atividades significativas ocorrendo nos estágios iniciais. performance Análise de Coleta sistemática de eventos específicos. Medições Coleta de medições de performance quantificáveis para compreender o impacto de relacionadas à aspectos de usabilidade. antes da interface com o usuário ser projetada. © 2006 eduardo romeiro filho 141 ufmg .depto engenharia de produção . colaborativa especialistas em fatores humanos. o planejamento de futuras versões é também uma razão para se acompanhar o lançamento do produto com estudos de campo de sua utilização real. durante a utilização do sistema em teste. Estes documentos formam uma estrutura de usabilidade conforme esquema proposto por Glosiene e Manzuch (quadro 1. No contexto de abordagens centradas no ser humano. Avaliação Algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em automatizada ergonomia que diagnosticam as deficiências do sistema comparado a regras predeterminadas.5. dúvidas. Entrevistas Similares aos questionários com grande flexibilidade e envolvendo interação face a face com o entrevistado. Da mesma forma. revelando diversos aspectos de implementação de usabilidade. etc. 2002) 3. devendo ser aplicada a famílias de produtos e projetos extensos. Métodos baseados Exame de documentos existentes por um especialista em usabilidade para formar um em documentos parecer profissional do sistema. crenças. descobertas. Projeto e avaliação Métodos que permitem tipos diferentes de participantes (usuários.5 Complementaridade entre as normas ISO As normas e relatórios ISO aqui abordadas resumidamente são complementares. 3. os membros de tais grupos freqüentemente são usuários. onde a interface usuário- produto é apenas inserida antes do lançamento do produto. incidentes críticos Questionários Método indireto de avaliação que coleta opiniões dos usuários sobre a interface do usuário em questionários predefinidos. a usabilidade não deve ser vista isoladamente do amplo contexto corporativo de desenvolvimento de produtos. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. Tabela 2 – Descrição Resumida de Métodos (adaptado da Norma ISSO 16982:2002. etc. Assim. Op. habilidade e experiência prática em ergonomia do Perito especialista em usabilidade. Métodos Criativos Métodos que envolvem dedução de características de novos produtos e sistemas.) colaborar na avaliação e projeto de sistemas. Métodos baseados Utilizam modelos que são representações abstratas para o produto avaliado a fim de em modelos permitir a previsão da performance do usuário. onde produtos são lançados em várias versões ao longo do tempo. Pensando alto Consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias.6 O ciclo de vida da engenharia de usabilidade A engenharia de usabilidade não deve ser tratada como um tópico isolado. na página seguinte)..

Assegurar o 3. Estabelecimento de metas: como discutido anteriormente. Produzir 6. Especificação do Atividades I. Usability methods supporting user-centred design Métodos: observação de usuários..cit. esta é apontada como a forma mais econômica para que o projeto do produto seja influenciado pela usabilidade. antes mesmo do projeto ser iniciado. através de avaliações heurísticas e realizar testes empíricos com estes produtos. Para avaliar o atendimento destas prioridades. Op. sobre as tarefas atuais e desejadas pelos usuários (análise da tarefa). Compreensão e III. eficiência. medicos de performance. i d l j li ã l b i é d i i é d b d Ao se considerar a usabilidade em todas as fases do ciclo de desenvolvimento do produto. Avaliação usuário e especificação do ante aos preliminares: requerimentos soluções de contexto de uso requisitos planejamento organizacionais projeto 1. Audrone & MANZUCH. as quais sejam: Conhecer o usuário: nesta fase devem ser coletadas informações sobre as características dos usuários. questionários.depto engenharia de produção . contexto de uso Medidas de Usabilidade: efetividade. Nielsen propõe onze fases para o ciclo de vida da engenharia de usabilidade. Zinaida. Projeto em paralelo: tem por objetivo explorar diferentes alternativas de projeto antes de definir aquela que será detalhadamente desenvolvida e submetida a atividades de usabilidade pormenorizadas. © 2006 eduardo romeiro filho 142 ufmg . projeto do produto QUADRO 1 – COMPLEMENTARIDADE DE NORMAS ISO (adaptado de GLOUSIENE. Compreender e Introduzir especificar contexto ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction. relacionadas com o desenvolvimento do produto. Análise competitiva: consiste em analisar produtos concorrentes existentes. principalmente se a usabilidade estiver incluída nas atividades iniciais do desenvolvimento. sobre as funções do produto (análise funcional). Produzir IV. usabilidade não consiste em um atributo unidimensional. uma vez que evitará futuras mudanças neste para atender às recomendações de usabilidade. e proporcionar idéias para o desenvolvimento de um novo produto. tarefas. análise de incidentes críticos. os resultados obtidos provavelmente serão melhores que a aplicação isolada em determinada fase. devem ser estabelecidos critérios de avaliação para cada atributo. 2004) ISO 9241-11: Guidance on usability Escopo de Usabilidade: objetivos. satisfação ISO 13407: Human-centred design processes for interactive systems II. e sobre a evolução do usuário e da tarefa. estabelecendo prioridades para o produto em desenvolvimento com base na análise dos usuários e suas tarefas.Especificar os requisitos organizacionais 5. Planejar e gerenciar o 7. Aliás. visando a antecipar eventuais mudanças. Avaliação ante aos conteúdo de e níveis de decisões requirsitos soluções de ISO/TR 18529 HCD na estratégia 2. sendo necessário identificar os atributos desejados. processo de HCD 4. com o objetivo de identificar seus pontos fortes e fracos.

proporcionar maior percepção que não estaria facilmente disponível em estudos de laboratório. consiste em coletar dados de usabilidade para as próximas versões e novos produtos. Coordenando a Interface Total: neste caso. após o lançamento do produto. ao meio de produtos.6. projeto do produto Projeto participativo: neste caso. Para Jakob © 2006 eduardo romeiro filho 143 ufmg . Por outro lado. pois terão melhor percepção das características do sistema e de como este trata diversas situações. e as ações sobre estes devem objetivar a redução de ambos. usuários com experiência mais extensa normalmente terão melhores resultados que outros com experiência reduzida. Estudos da utilização do produto em campo avaliam como usuários reais utilizam a interface para tarefas realizadas em seu ambiente real de trabalho. é importante considerar os usuários e suas diferenças ao realizar estudos de usabilidade. Neste caso. 3. tais avaliações devem ter como critério a severidade dos problemas e freqüência de sua ocorrência. é possível se produzir uma nova versão da interface. suas experiências ante ao produto. Neste sentido. tarefas e ambientes. e em relação ao domínio da tarefa a ser executada. usuários com menor conhecimento necessitarão que o sistema explique o que está fazendo e o que significam as diferentes opções.6.2. Assim. permitindo que as informações sejam mais abreviadas e condensadas pois o maior conhecimento do usuário permitirá que este as analise e processe com eficácia. Há também que se considerar a situação que usuários têm a mesma habilidade ou conhecimento em um novo sistema ou produto. e ao nível de conhecimento da tarefa. Mesmo que a recomendação de conhecer o usuário tenha sido seguida antes de iniciar o projeto.1 Categorias de Usuários e Diferenças entre Usuários Dentre os aspectos mais importantes para usabilidade estão as tarefas dos usuários e suas características e diferenças individuais. Usuários experientes teriam competência e autoconfiança para ser críticos e sugerir melhorias baseados em suas experiências práticas. o projeto iterativo. Assim. muitas vezes pode levar a decisões entre os grupos de usuários que se privilegiar. devem ser inseridos testes com usuários reais dos produtos durante seu desenvolvimento. Nielsen propõe que as diferenças entre usuários ocorrem em três dimensões: quanto à experiência do usuário. a dimensão que considera o conhecimento da tarefa a ser executada pelo usuário. Projeto Iterativo: baseado nos problemas e oportunidades de usabilidade descobertos através de testes empíricos. Estudos de acompanhamento de sistemas instalados: o principal objetivo do trabalho de usabilidade. sendo este classificado entre novato e perito. A experiência do usuário com uma determinada interface seria a dimensão que normalmente se refere à habilidade do usuário. porém diferem quanto à habilidade ou experiência em um dado campo de forma geral (por exemplo informática). deve-se ter cuidado ao generalizar os resultados de quaisquer avaliações de usabilidade para outro contexto. e podem. quanto à experiência com sistemas ou produtos em geral. Neste caso. aqueles que possuem maior habilidade acabam por se sair melhor ao utilizar o novo sistema ou produto. Diretrizes e avaliação heurística: definir diretrizes que listem princípios bem conhecidos para o projeto de interfaces. mesmo com interfaces otimizadas. Por este motivo. seriam considerados usuários com níveis de habilidade ou conhecimento distintos utilizando um mesmo sistema ou produto. uma vez que a natureza das informações de grupos diferentes pode ser diferente. 3. Finalmente. ao invés de se realizar seu lançamento sem qualquer avaliação.depto engenharia de produção . julgam importante considerar os grupos de usuários pretendidos quando da execução de testes de usabilidade. Nesta dimensão. e assim. e à missão dos projetistas de atender às necessidades dos usuários em dados contextos. aproveitando-se de resultados das constantes iterações com o usuário pode apresentar excelentes resultados. e que assim podem ser modificados várias vezes antes da melhor compreensão da interface com o usuário ser alcançada. é necessário haver coordenação entre todas as áreas envolvidas no projeto. Decisões de Usabilidade Face às diferentes características entre usuários. Garmer et al. que pode envolver significativamente distintos tipos de usuários. de forma que a interface criada seja consistente. podem ser muito maiores do que os benefícios incrementais de se utilizarem exatamente os métodos corretos para um dado projeto. Prototipagem: avaliações de usabilidade iniciais podem ser baseadas em protótipos que podem ser desenvolvidos mais rápida e economicamente. que devem ser observados durante o desenvolvimento. ou ainda num patamar intermediário. o projetista pode ainda não conhecê-lo suficientemente bem a ponto de poder responder todas as questões levantadas durante a execução do projeto. e a terminologia utilizada não poderá ser tão abreviada e densa como para especialistas. assim. Usuários novatos são importantes pois estes encontram muitos dos problemas sérios e cometem a maioria dos erros. Avaliação da interface: os benefícios de se empregarem razoavelmente métodos de engenharia de usabilidade para avaliar a interface produto-usuário.

3.3 Análise de incidentes críticos Este método consiste na coleta sistemática de eventos que sobressaem ante ao contexto de performance do usuário. O fato de se focalizar os eventos onde as demandas dos usuários são maiores. o próprio autor reconhece que nem sempre é possível atingir resultados ótimos em todos os atributos de usabilidade simultaneamente. As vantagens deste método são: A coleta de dados confiáveis. são apontadas como as desvantagens ou restrições da utilização do método: Pode requerer bastante tempo para ser concluído. a Norma ISO/TR 16982:2002 aborda tais métodos. Decisões são inerentes a qualquer processo de projeto e se aplicam também à interface com o usuário. pode ser útil a utilização de questionários para coletar informações dos usuários. tal método é relacionado a efetividade e eficiência. projeto do produto Nielsen. 3. objetivando a observação da interação.2 Medições relacionadas à performance Também chamado de medições relacionadas à tarefa. Em contrapartida. que possuem a vantagem de evitar respostas enigmáticas. discutindo suas vantagens e desvantagens.7 Principais métodos de usabilidade A literatura disponível sobre o tema propõe e discute diversos métodos de usabilidade. Os dados podem ser coletados através de entrevistas com o usuário.1 Observação de usuários Este método consiste na coleta precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a performance dos usuários. A seguir os métodos e suas características principais serão retratados com base na análise realizada na Norma ISO 16982:2002. incluindo medidas quantificáveis como tempo gasto para completar uma tarefa. A ausência de conexão direta com o processamento mental. entre outros. Observam-se como vantagens deste método: A coleta das causas dos problemas. Os incidentes são então agrupados e categorizados. são apontados como suas desvantagens ou restrições: O tempo necessário para analisar os dados. que podem ser conduzidos em situações reais ou laboratórios. 3. Neste caso. ou formatos fechados com escalas para resposta. e fatores para sua seleção e uso. o dilema deve ser resolvido segundo a direção estabelecida pela metas de usabilidade definidas para projeto. 3. muitas vezes com nomes e procedimentos similares. Por outro lado. Conforme citado anteriormente. que definirá a quais atributos são mais importantes nas circunstâncias específicas do projeto. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. Questionários padronizados podem ser utilizados para comparações sistemáticas.7. Os incidentes são descritos no formato de pequenos relatórios que proporcionam obter os fatos do entorno do incidente. número de tarefas que pode ser realizado em um tempo determinado. Enquanto em medições relacionadas à performance o foco de interesse está nas tarefas correntes e situações existentes. que podem ter ocorrido no passado ou em certo período de tempo. Tal observação é estruturada e baseada em classificações de comportamentos de usuários pré-definidos.7. As vantagens do método são: Pode ser aplicado em cenários reais.4 Questionários Em diversas situações durante o desenvolvimento de produto. também há as desvantagens ou restrições: Não necessariamente permite descobrir as causas dos problemas Exige uma versão operativa do produto ou sistema. Entretanto. A necessidade de habilidade para sua interpretação. permitindo que as pessoas colaborem em suas respostas.depto engenharia de produção .7. positivos ou negativos. o método de incidentes críticos permite a análise de eventos significativos. A facilidade de comparação de resultados. a decisão entre propiciar aprendizagem para usuários novatos e eficiência para usuários peritos pode ser resolvida em alguns casos em benefício de ambos os grupos. A atividade real é reportada. 3.7. A atividade real é relatada. Entretanto. A insuficiência de eventos relatados pode afetar a validação da análise. tempo gasto para correção de erros. © 2006 eduardo romeiro filho 144 ufmg . número de erros. podendo apresentar formatos abertos.

durante a utilização do sistema ou produto. Normalmente é preferível que tais verbalizações sejam realizadas simultaneamente. consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. permitindo explorar as respostas dos usuários. o entrevistador pode explorar mais as respostas que requererem mais investigação ou que levarem a novas constatações que não tenham sido previstas na preparação das entrevistas. Coleta percepções do processo mental do usuário. projeto do produto como por exemplo. isto é. A razão para tanto é que o contexto de uso e/ou as tarefas dos usuários podem ser de difícil compreensão para o projetista ou responsável pelo desenvolvimento. as entrevistas podem utilizar desde formatos abertos até altamente estruturados. As desvantagens ou restrições indicadas são: Podem ser desconfortáveis para alguns usuários. uma vez que não estudam a interação. sugestões. Da mesma forma que os questionários. Diversos tipos de dados podem ser coletados. A análise detalhada pode consumir muito tempo. 3. características e quantificações dos usuários em relação a um sistema. especialistas em usabilidade. Não permite coletar informações de performance da tarefa durante o uso do método. © 2006 eduardo romeiro filho 145 ufmg . Vantagens: Permite descobrir preferências subjetivas. Flexível. São apontadas como vantagens: Rapidez na condução. 3. mas apenas opiniões dos usuários em relação à interface do produto.7. As vantagens indicadas pela Norma ISO/TR 16982:2002 são: Rapidez na condução. crenças. Relativa facilidade de gerenciar.7. porém com maior flexibilidade devido interação face a face com o entrevistado. As vantagens e desvantagens deste método são listadas a seguir.7 Projeto e avaliação colaborativa Métodos colaborativos ressaltam a importância do usuário desempenhar um papel ativo no projeto e na avaliação do produto. tais como opiniões. descobertas. tradução literal do termo “thinking aloud”. As verbalizações podem ser simultâneas. durante a execução da tarefa. expectativa. ou retrospectivas. dúvidas. pois o entrevistador pode explicar mais profundamente ou reformular questões difíceis para os usuários. Adicionalmente. Observa-se. Este método apresenta a vantagem de ser mais flexível.6 Pensando alto Conforme citado anteriormente.7. Pode ser usado desde os estágios iniciais do projeto. São indicadas com desvantagens: Análise detalhada exige tempo. permite explorar as respostas dos usuários.depto engenharia de produção . Os itens dos questionários podem influenciar tanto as questões como as respostas. Flexibilidade. projetistas e responsáveis pelo desenvolvimento. etc. entre produtos competidores. Desvantagens: Avaliações próprias podem não ser confiáveis como medidas de performance.. tanto nas perguntas como nas respostas. 3. É aberta a influências. Assegura a comunicação e aprendizado entre usuários. ou ainda o fato de que os usuários podem ter dificuldade em expressar suas reais necessidades ou requisitos no processo de desenvolvimento. entretanto que métodos qualitativos são geralmente indiretos. Exige habilidade para interpretação acurada dos dados. evitando que os usuários sejam seletivos em seu relato ou introduzam outras razões após a ação. Condução pode ser em tempo reduzido. quando o relato do usuário ocorre após a realização da tarefa através da análise da filmagem das ações realizadas. o método denominado aqui pensando alto.5 Entrevistas As entrevistas se assemelham aos questionários. As vantagens observadas neste método são: Coletar rapidamente uma visão geral da opinião dos usuários. provendo informações valiosas com respeito às razões que levam aos usuários a realizar determinadas ações.

um especialista em usabilidade. Não permite coletar dados sobre a performance na execução da tarefa. Vantagens citadas para este método são: São necessárias competências mais amplamente disponíveis que outras requeridas por métodos ergonômicos mais específicos. realiza uma análise com base em documentos existentes (tais como normas. como todos os métodos. que permitem predizer a performance do usuário. 3. Permite influências. sendo usados em muitas áreas para gerar uma lista de idéias para criar novos produtos e/ou solucionar problemas através da mudança de perspectivas e considerando opiniões alternativas. Permite influências. através de métodos formais baseados em modelos de usuários e tarefas. Bem adaptado aos estágios iniciais do projeto. Entretanto. As vantagens citadas para este método são: Rápido para conduzir.8 Métodos criativos Citados resumidamente anteriormente. Aperfeiçoa na comunicação entre usuários. que identifica os problemas mais freqüentemente observados. © 2006 eduardo romeiro filho 146 ufmg .7. 3. normalmente extraídos através de interações em grupo. Entretanto.11 Avaliação de especialista Avaliações de especialistas são baseadas na experiência e conhecimento do especialista.depto engenharia de produção . são indicadas: Demanda tempo. Esta avaliação pode levar à rápida identificação de problemas potenciais e pode também ser usado para eliminar as causas dos problemas. As vantagens observadas para estes métodos são: Amplamente disponíveis. e demonstrações comprovadas experimentalmente). juntamente com seu próprio julgamento. também são apontadas desvantagens e restrições. Pode consumir muito tempo.7. projeto do produto Entretanto. a primeira que consiste na especificação da interface do usuário e métodos de projeto que permitem a modelagem do comportamento dos usuários.10 Métodos baseados em modelos Basicamente a Norma ISO 16982:2002 descreve dois tipos de abordagem. 3. se referindo a um modelo de interface homem-máquina otimizado que tenha em mente.7.9 Métodos baseados em documentos Neste método. ainda que isto propicie melhores resultados. e a segunda. proporcionando maior consistência. podendo haver diferenças entre diagnósticos de especialistas distintos. a saber: Necessidade de competências em ergonomia. são apontadas as seguintes desvantagens ou restrições ao método: Pode revelar conflitos entre as partes. Necessidade habilidade para construir e interpretar modelos. para avaliar o sistema ou produto. Como desvantagens e restrições. 3.7. Pode ser baseado no estado da arte do conhecimento. estes métodos são limitados pela competência dos especialistas em usabilidade. Tais métodos ajudam a criar e definir novos produtos. suas funcionalidades e suas interfaces. Bem adaptado às fases iniciais do projeto. Como vantagens são apontados: Não requer experiência. projetistas e especialistas em usabilidade. Pode identificar problemas específicos e recomendar soluções. Pode ignorar problemas importantes. tais métodos que visam a dedução de características de novos produtos e sistemas. se realizada exaustivamente. Padronizam comparações e antevêem performance. As desvantagens ou restrições apontadas são: Não compreendem todos os aspectos da interação do usuário com o sistema. Como vantagens ou restrições são citados: Análise detalhada consome tempo. Integração antecipada com abordagens de engenharia. Tais métodos proporcionam meios para identificar problemas de usabilidade conhecidos e podem ser aplicados no início do ciclo de vida.

7. as avaliações automatizadas podem diagnosticar as deficiências de um sistema comparado a regras predeterminadas. estabelecendo matrizes que correlacionam os métodos e tais fatores. Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Fase do Ciclo de modelos críticos Vida Aquisição ++ + + + + + ++ + Desenvolvimento - Análise dos ++ + + ++ ++ ++ + + + + + requisitos Desenvolvimento - Arquitetura do + ++ + + ++ + ++ ++ + + + projeto Desenvolvimento - Testes de + ++ + ++ ++ + + + + + + qualificação Manutenção e + + ++ + + + + Operação Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . Requer uma versão operativa do protótipo. e à participação do usuário.8 Seleção de métodos de usabilidade A flexibilidade de muitos métodos implica na possibilidade de utilizá-los para diversos tipos de sistemas e ao longo de diversos estágios de desenvolvimento.. Op. às restrições de projeto.12 Avaliações automatizadas Baseados em algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em ergonomia. são apontadas como desvantagens ou restrições: Pode ignorar problemas importantes. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 147 ufmg . A Norma ISO/TR 16982:2002 analisa a seleção dos principais métodos de usabilidade em relação ao ciclo vida. Em contrapartida. Cit. O fato de o contexto de uso não ser considerado nestas abordagens implica no uso complementar de outros métodos. A vantagem da aplicação deste método está na consistência da avaliação ao longo do projeto. A seguir. tais matrizes são retratadas neste trabalho. 3.depto engenharia de produção . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 3 – Métodos relacionados aos principais estagios do ciclo de vida (adaptado da Norma ISO 16982:2002. projeto do produto 3. pois as mesmas também embasaram a seleção dos métodos utilizados.

Não recomendado NA Não aplicável Tabela 4 – Métodos relacionados às restrições do projeto (adaptado da Norma ISO 16982:2002. Cit. . . + custo/preço Alto nível de qualidade do ++ ++ + ++ ++ + + + + + + + produto . Op. . . . projeto do produto Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos projeto Tempo reduzido .. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 148 ufmg .. ++ . Cit. + - significativa Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral .depto engenharia de produção . . + .requisito dominante Necessidade antecipada de + + ++ + + + informação/feedbac k/ diagnóstico Especificações + + + + + + ++ + altamente evoluídas Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . 2002) Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos usuário Não pode ser + + + + acessado Pode ser acessado ++ ++ + ++ ++ + ++ + + + + + Possui deficiência ++ + + + ++ + ++ + + . Op. Não recomendado NA Não aplicável Tabela 5 – Métodos relacionados à participação do usuário (adaptado da Norma ISO 16982:2002. . . ++ + Controle de .

B. “Product design and manufacture”. para a engenharia de usabilidade. por acreditarem ser necessária. design. New York: John Wiley & Sons. mesmo sem experiência. Julho de 1994.. J. “O design de produtos como forma de in(ex)clusão social”.9 Engenharia de Usabilidade Descontada Baseado no pensamento de Voltaire. pois muitas vezes os pesquisadores se deparam com a limitação de recursos e de acesso às técnicas e métodos. “Pensando alto” simplificado: basicamente consiste em se ter um usuário realizando determinadas tarefas. Applied Ergonomics. “Usability Engineering”. Journal of Biomedical Informatics. levando-os a abandonar a usabilidade. “Usability: Turning Technologies into tools”. na análise da tarefa. New York: John Wiley & Sons.. In “Dictionnaire Philosophique”. mensagens claras de erros. simulando apenas a interface com o usuário. e analisados por psicólogos ou especialistas. New York: Oxford University Press.. Neste sentido. ROMEIRO Fo. 1993. em um dado período. ROSE. et al. RUBIN. New York: Allworth Press. “Using qualitative studies to improve the usability of an EMR”. 2002. Gloucester: Rockport Publishers. 1990. o que facilita a adoção deste método. CROSS.. In Design Management – A handbook of issues and methods”. 1991. Francisco de P. BURDEK. Jeffrey. Willian. Henry. Elsevier Science Ltd. uma vez que a terminologia estranha e configurações de laboratório muito elaboradas podem intimidar os profissionais. & EEKELS. Revista Produção. “Engineering design methods”.A. 2004. John R. Terry A. utilização da linguagem do usuário. os usuários devem ser observados. Elsevier Science Ltd. New York: John Wiley & Sons. and conduct effective tests”.A. London: Blackwell References. Tokyo: Japanese Society of Mechanical Engineering. London: Academic Press. 31. teoría y practica del diseño industrial”. no. do falhar ao atendo-se a métodos já conhecidos. Ben & FABRYCKY. LIMA. “Design for people”.F. feedback. LIDWELL. 4. O termo simplificado é utilizado. 2001. Eduardo.1764).. N. pois. segundo o qual “o melhor é inimigo do bom” (“Le mieux est l’ennemi du bien”. O método da engenharia de usabilidade descontado proposto por Nielsen é baseado em quatro técnicas: Observação do usuário e da tarefa: o princípio básico do foco antecipado no usuário deve ser seguido e. 1994 NIELSEN. Barcelona: Editora Gustavo Gili S.. os usuários permitem ao observador compreender o que fazem e o que não fazem. 1994. 1992. & WINOGRAD. o próprio pesquisador realiza a análise com base em suas anotações. Jakob. É importante ressaltar que o próprio autor reconhece as limitações deste método ao citar Voltaire. DEP/UFMG. et al. há trabalhos onde a aplicação simplificada de técnicas de usabilidade.. ROOZENBURG. que podem ser utilizados para avaliar uma grande quantidade de problemas que no projeto de interfaces para o usuário. quando trabalham normalmente. tais como diálogo simples e natural. projeto do produto 3. entre outras. e que eventualmente pode ser melhor utilizar métodos mais indicados em um contexto. Nielsen propõe uma série de princípios. porém a aplicação deste pode propiciar uma oportunidade ampla em face da reduzida necessidade de recursos. Universal Principles of Design. Inc. 1955. et al. Belo Horizonte. Ao verbalizar seus pensamentos. Nigel. uma teoria impenetrável. 2003. Também é necessário considerar que os métodos planejados podem exigir modificações face mudanças nas condições contextuais. “Handbook of usability testing: how to plan. “Diseño: historia. “Product development methodology for Machine Tools”. Kritina e BUTLER. “Da natureza e do objeto da engenharia de produção”. neste caso. DREYFUSS. Outro fator importante consiste na redução dos recursos necessários para sua utilização. Avaliação heurística simplificada: apesar de existirem diversas diretrizes para este tipo de avaliação. “Product design: fundamentals and methods”. ADLER. Jouni. BLANCHARD. Paul S. Wolt.depto engenharia de produção . FREUND. Cenários: que são tipos de protótipos especialmente baratos.M. enquanto este “pensa alto” ao realizar tais tarefas. 1996. BIBLIOGRAFIA LINDBECK. © 2006 eduardo romeiro filho 149 ufmg . proporcionou resultados eficazes. SHINNO. consistindo em reduzir sua complexidade através da eliminação de partes e funções do sistema ou produto. no. tradicionalmente. a aplicação deste método é realizada com o auxílio de gravações de vídeo dos testes. enquanto.. “Life cycle design. 2000. 1. Alan F. Vol. E. “Effects of two ergonomic aids on the usability of an in-line screwdriver”. sem interferência. de forma silenciosa. 1995. Jil. Hidenori. Englewood Cliffs: Prentice-Hall. HOLDEN.. Nielsen propõe o método da engenharia de usabilidade descontado.

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Trabalho final apresentado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT..] 1. MARQUES.gov.br.itaipu. June F..br. “Requisitos de usabilidade para interfaces homem-computador destinadas a usuários de chão de fábrica”. = 'trabalho': 1.aneel. “Transmission Line Reference Book – Wind-induced conductor motion”.. Informação disponível em: http://www2. HARD. Rose M.] S. A. ONS – Operador Nacional do Sistema. 1981 YIN. = 'regra'. Informação disponível em http://www. Palo Alto: EPRI – Electric Power Research Institute.gov. 2005 ZANCHETA. de R. Fernando A. São Paulo. Informação disponível em: http://www..br.br.] nomo-[Do gr. YIN. Belo Horizonte: UFMG.gov. Ergonomia aplicada ao projeto de produto Ergonomia: Verbete: ergonomia [De erg(o).gov.ons. ou. Ergonomic requirements for office work with visual display terminals.Itaipu Binacional. Cornel University.. para obtenção do título de Mestre Profissional em Engenharia da Computação. Conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina. Inc. Departamento de Engenharia de Produção. érgon. Genève: International Organization for Standartzation. “Aplicação da AET como contribuição ao projeto para o meio ambiente com ênfase em reciclagem”.com.+ -nom(o).petrobras. Robert K. “A formalização de procedimentos e seu papel na integração da atividade projetual”.. ITAIPU . Infomação disponível em: http://www.depto engenharia de produção . projeto do produto LIMA. Verbete: nomo erg(o[Do gr. Tese de Mestrado. “The case study crisis: some answers” in Administrative Science Quarterly. nómos. Robert..ibge.br ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Belo Horizonte: UFMG. 1989. 1979. 2004 ISO 9241-11. ou.R. Sage Publications Inc. Verbete: erg(o). Informação disponível em http://www.A. Tese de Mestrado. “Case study research – design and methods”. Departamento de Engenharia de Produção. 1998 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. 'lei'. f. 2003.+ -ia.. 1. PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S. 'que regula': ERGONOMIA FISIOLOGIA PSICOLOGIA ANTROPOMETRIA COGNIÇÃO BIOMECÂNICA SEMIÓTICA ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO © 2006 eduardo romeiro filho 151 ufmg .

Projeto do produto. conexões etc. As empresas de ônibus. Transporte urbano. além de seu muitas vezes precário estado de conservação. Ônibus. é realizado quase que em sua totalidade através de meios rodoviários. Altura excessiva do acionamento da campainha. Total falta de espaço previamente destinado à bagagem. possuem tradicionalmente uma justificada fama de prestarem péssimos serviços à população usuária. Saliências e arestas metálicas agressivas. Barulho e calor gerados pelo motor. Altura excessiva dos assentos localizados sobre as rodas (justamente aqueles que são destinados a grávidas. Roletas dimensionadas (teoricamente) para a média da população. formadoras de um sistema privado de transporte (porém concessionárias de um serviço público). IX Congresso Brasileiro de Ergonomia.depto engenharia de produção . III Seminário de Ergonomia da Bahia. Em relação às características do ônibus em si. Degraus de acesso com altura excessiva. 23 Palavras-chave: Ergonomia. Dentre as principais queixas estão as más condições da grande maioria do veículos destinados ao transporte coletivo. projeto do produto Ergonomia. Dificuldade para entrada de bagagem. Janelas que não abrem mais do que 20% de sua superfície (com a metade de baixo fixa na maioria dos casos). Alguns Exemplos: Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte . O transporte urbano de massa. 23 Artigos originalmente apresentados no ABERGO99 .V Congresso Latino-Americano de Ergonomia. Ausência de informações sobre trajeto. Existência de grades em volta das roletas.. eis alguns pontos já levantados: Largura insuficiente das portas. no Brasil. © 2006 eduardo romeiro filho 152 ufmg . idosos e deficientes físicos).

projeto do produto Falta de careza sobre a utilização de dispositivos de emergência. LIMA. buscando contribuir para uma reflexão acerca do tema. regem o serviço de transporte público urbano e definem critérios básicos para o projeto. além das características do produto. tomando-se por referência a região metropolitana de Belo Horizonte. 1987. Além desta longa lista. O objetivo final do trabalho é fornecer subsídios à reflexão acerca das normas públicas que. além da eficiência muitas vezes discutível desses dispositivos. e investigadas as razões pelas quais o projeto é. das maiores do Brasil e terceiro pólo econômico do país. Diante deste quadro. por conseqüência. à ineficiência do sistema são determinados por características do produto definidas em projeto. É considerada inicialmente a normalização adotada para o transporte urbano. as diversas caraterísticas do ônibus urbano e sua adequação aos usuários finais (passageiros) em condições de uso em situações reais. Serão avaliadas também as formas de adequação do projeto a estes usuários. O método a ser utilizado nesta fase da pesquisa é baseado nas metodologias de análise dos processos de trabalho adotadas em estudos ergonômicos e de organização do trabalho (WISNER. a partir da ergonomia. ineficiente do ponto de vista ergonômico. exercida pelo poder público. 1996a e 1996b). Na pesquisa serão analisadas. será levantado um panorama "sistêmico" da situação do transporte público urbano. 1991. cabe indagar: Qual a importância do projeto de um produto direcionado aos meios de transporte coletivo (neste caso. interfere na definição de características do produto "ônibus".depto engenharia de produção .. dos ônibus urbanos) para a definição das condições de trânsito e de vida da população usuária? Qual o real papel do design e da ergonomia para a evolução deste meio de transporte de forma a atender às reais necessidades de uma larga faixa populacional? Como princípios ergonômicos aplicados ao desenvolvimento de um produto como o ônibus urbano podem colaborar para uma melhoria efetiva dos serviços prestados? Qual a importância da interferência do poder público nesta questão. como agente normativo e fiscalizador dos meios de transporte? Partindo-se da hipótese de que grande parte dos fatores que levam à insatisfação dos usuários e. © 2006 eduardo romeiro filho 153 ufmg . serão analisados aspectos ligados à eficiência e adequação das normas vigentes à obtenção do fim proposto. como por exemplo limitações de acesso a partes do motor e de outros sistemas mecânicos. Pretende abordar. em última análise. podem ser citados também os postos de trabalho do motorista e trocador. Com base em dados antropométricos e pesquisa de campo (com a utilização de princípios metodológicos da Análise Ergonômica do Trabalho). além das dificuldades de manutenção ocasionadas por deficiências de projeto. Para tanto. e de que formas esta normalização. o atendimento satisfatório da população em seus meios de transporte. por hipótese. GUERIN et al. após um primeiro levantamento já realizado acerca de algumas das características básicas dos ônibus urbanos. o papel das normas e da legislação existente para efeitos de padronização do sistema de transporte. esta pesquisa procura levantar e discutir algumas destas questões. ou seja.

projeto do produto

Espera-se que esta contribuição leve ao refinamento dessas normas tendo em vista as
condições de utilização do sistema de transporte público em situação real.

Bibliografia:

GUÉRIN, F. et all, (1991) Comprende le Travail pour le Transformer. Paris: Éditions de
l’ANACT.
IIDA, Itiro et all. (1977) Aspectos Ergonômicos do Ônibus Urbano. Rio de Janeiro:
COPPE/UFRJ - MIC/STI/Desenho Industrial.
IIDA, Itiro. 1990 Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda.
465pp.
LIMA, F.P.A. (1996) Introdução à Análise Ergonômica do Trabalho (notas de aula). Belo
Horizonte: UFMG
REDIG, Joaquim. (1993) "Respeito Público = Design Público" in Design & Interiores 38.
(nov/dez) p.80-81. São Paulo: RAL Editora Ltda.
WISNER, Alain, (1987). Por Dentro do Trabalho - Ergonomia: Método & Técnica. São
Paulo: FTD - Oboré.

© 2006 eduardo romeiro filho 154 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

A Ergonomia Adverte:
Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode
Ser Prejudicial à Saúde
Cristiana Barreto Aorta
Ivi Juventino Dias
Renata Vilanova Lima
Design Industrial - Departamento de Artes - PUC-Rio

Eduardo Romeiro Filho, Orientador
UFMG - Departamento de Engenharia de Produção
Caixa Postal 209 - 30161.970 - Belo Horizonte - MG - 031 499 4892
romeiro@dep.ufmg.br

Palavras-Chave: Ergonomia, Comunicação Visual, Rótulos, Indústria Farmacêutica.

Este trabalho surgiu a partir de um acidente envolvendo um dos autores, após confundir os
rótulos de dois frascos contendo substâncias completamente diferentes (uma delas tóxica). Pode-se
perceber, a partir de exemplos como este, a importância da observação de critérios claros de
diferenciação de produtos através de rotulação. Observa-se também que em inúmeros exemplos,
notadamente relacionados a indústrias farmacêuticas e de cosméticos, existem graus de semelhança
bastante altos entre embalagens e rótulos de diversos produtos, o que dificulta a correta seleção e, em
última análise, a correta utilização desses produtos. Este trabalho pretende demonstrar com alguns
exemplos como a aplicação de princípios da comunicação visual pode (ou poderia) contribuir para a
melhoria da interface entre produtos e usuários, a partir de uma abordagem ergonômica.

A concepção de embalagens e rótulos apropriados é fator de relevada importância para a
adequada interface entre o produto e seus usuários (muitas vezes pessoas sem formação ou mesmo
analfabetas). Os fabricantes e designers envolvidos com projetos de embalagens e/ou rótulos devem,
desta forma, ter como principal preocupação a concepção de uma interface (neste caso, rótulo e
embalagem) adequada adaptada às características e necessidades dos usuários, bem como às formas de
uso do produto. Por mais que as embalagens atendam às necessidades específicas de proteção e
conservação dos produtos, é evidente a necessidade de promoverem-se formas eficazes de
identificação e distinção que atendam a algo mais do que às estratégias de marketing das empresas.

Neste trabalho, foram levantados diversos exemplos, facilmente reconhecíveis no mercado, de
produtos que possuem características de similaridades em suas embalagens, o que contribui para a
confusão por parte dos usuários. Procurou-se evitar casos de produtos propositadamente "copiados",
com a real intenção de enganar o consumidor e/ou usuário dos produtos originais, o que pode levar a
problemas cuja expressão mais tradicional é a de "gato por lebre". Embora esta possa ser considerada
origem para o mesmo problema, não será, entretanto, o objetivo deste trabalho. As marcas comerciais
serão, na medida do possível, evitadas:

© 2006 eduardo romeiro filho 155 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

Remédios homeopáticos: A maior parte das farmácias
homeopáticas utiliza embalagens padronizadas em seus
compostos. Ora, se esta padronização atende a requisitos
econômicos (custo para confecção de rótulos) e formais
(padronização de projeto gráfico), muitas vezes pode levar a
confusões extremamente perigosas, pelo fato de tratarem-se de
produtos químicos. Este foi o caso ocorrido com um dos
membros do grupo que desenvolveu este trabalho.

Remédios - caso A: Aqui a semelhança pode ser
atribuída a questões de padronização gráfica de
embalagens pela indústria farmacêutica. Entretanto,
tratam-se de compostos totalmente distintos: um
remédio geriátrico e um anticoncepcional. Chama-se
a atenção para natural dificuldade de leitura e
redução da capacidade visual observada entre os
Adoçante e colírio: neste caso, uma idosos (usuários de um dos remédios), o que torna
interessante similaridade extrema entre dois este problema crítico.
produtos industriais totalmente diferentes.
Se nos dois casos anteriores a similaridade
poderia ser explicada por razões
econômicas, devido ao fato de tratarem-se
de micro e pequenas empresas, isto não
ocorre neste caso, em que as embalagens
são idênticas.

Não é objetivo deste trabalho esgotar o tema, e nem seria possível diante de tantos exemplos.
Entretanto, algumas recomendações podem ser elaboradas, no campo da comunicação visual, cuja
implantação teria custos relativamente baixos tendo em vista a relevância do tema. Sem dúvida uma
das soluções está na legislação, a quem cabe estabelecer normas de rotulação de produtos (em especial
aqueles que tenham potencial efeito danoso sobre a saúde, como remédios), como, por exemplo,
diferenciação por cores (como no caso dos inseticidas, que possuem tarjas indicando nível de toxidade,
do azul ao vermelho) e/ou aplicação de sinais gráficos que evidenciem o risco ou identifiquem
indubitavelmente o produto.

Além disso, os próprios fabricantes podem desenvolver rótulos que estabeleçam diferenças
marcantes às embalagens (como o uso de cores e logotipia diferenciada). Nem sempre o melhor

© 2006 eduardo romeiro filho 156 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

projeto gráfico é aquele que estabelece um "padrão" por demais rígido, que torne a família de produtos
uma sucessão de "clones". Foi observado o caso de um laboratório farmacêutico que já adota
diferenciação por cores em função do tipo de medicamento, o que é, sem dúvida, uma salutar
iniciativa.

BIBLIOGRAFIA:

LAUGHERY, K. R.; WOGALTER, M. S.; YOUNG, S. L. (Ed.) Human factors perspectives on
warnings. Santa Monica: Human Factors and Ergonomics Society, 1994. 282 p.

Roche do Brasil, 1999, http://www.roche.com.br

Creme de barbear e Creme dental: Ambos tem consistência similar, sendo acondicionadas em tubos, embalagens que
possuem formato e cores muitas vezes semelhantes. O grande número de marcas existentes no mercado aumenta a
confusão, que é agravada pelo fato dos dois produtos serem muitas vezes guardados no mesmo lugar.

Remédios - caso B: Um exemplo que
não poderia ser deixado de lado é o
destes comprimidos, que tem
envelopes que guardam entre si
semelhanças de cor e formato: um
deles é um anti-histamínico,
analgésico e antiemético e o outro um
laxativo e purgativo. Neste caso, os
efeitos da troca podem ser imaginados
com inevitável tom de anedota,
embora a semelhança possa vir a ser
efetivamente uma fonte de problemas.

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projeto do produto

Valor

Os valores são a chave para a evolução de uma sociedade
sustentável não apenas porque influenciam o
comportamento, mas também porque determinam as
prioridades desta sociedade, habilitando-a, assim, a
sobreviver. Ao longo do tempo, os valores mudam de
acordo com as circunstâncias. Se assim não fosse, a
sociedade não perduraria (BROWN, 1995).

A metodologia da Análise de Valor para as atividades de desenvolvimento de produto tem a sua origem
no período da II Guerra Mundial, para promover a economia no uso de materiais nobres que passaram a ser
destinados unicamente para a indústria bélica. A indústria sentiu a necessidade de encontrar materiais
alternativos que mantivessem a mesma capacidade de produção e preço do produto. Esta metodologia foi
desenvolvida na General Eletric., por Laurence D. Milles, com o objetivo de obter redução de custos e melhorias
de qualidade e desempenho dos produtos, e é considerada de grande importância para as empresas que queiram
criar novas oportunidades de negócios e dar continuidade aos seus empreendimentos (CSILLAG, 1991).
A diferença entre Análise de Valor e Engenharia de Valor é basicamente o momento em que se está
aplicando. A análise de valor é um conjunto sistematizado de esforços e métodos destinados a reduzir o custo
total de um produto, processo ou serviço, mantendo ou melhorando sua qualidade. A engenharia de valor
refere-se a produtos, processos e serviços novos ainda na fase de projeto (IETEC, 2006). A Análise de Valor
atua durante o início do processo de produção até a venda e apuração do resultado. O plano de trabalho da
Análise de Valor é orientado por uma seqüência metodológica que consiste na coleta e análise de informações,
abordagem funcional, geração de idéias, seleção de idéias e implementações, seqüência semelhante àquelas
encontradas nas metodologias de design de produto (BAXTER, 1995) e do processo criativo (CARVALHO,
1988).
Os valores são circunstanciais, isto é, dependem da situação ou do estado do consumidor, de acordo
com o momento. Um produto deve realizar as necessidades ou desejos do consumidor a fim de ter valor24
(FOWLER, 1990). A aceitação do consumidor é a medida direta do valor25. A aquisição e conservação de bens
materiais são escolhas do consumidor baseada no valor, um termo adotado nas atividades de desenvolvimento de
produto sob várias perspectivas. CSILLAG (1991) apresenta os seguintes conceitos sob o ponto de vista
econômico:
- Valor de custo, como sendo o total de recursos medido em dinheiro, necessário para produzir/obter um
objeto;
- Valor de uso, como a medida monetária das propriedades ou qualidades que possibilitam o
desempenho de uso, trabalho ou serviço;
- Valor de estima, com a medida monetária das propriedades, características ou atratividades que
tornam desejável sua posse;
- Valor de troca, como a medida monetária das propriedades ou qualidades de um item que possibilitam
sua troca por outra coisa.

Valor é um atributo agregado. Segundo a definição no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999), valor
agregado significa valor adicionado. No dicionário Michaellis (1998) significa algo com benefício extra para o

24
A product must fulfill a user’s need or want in order to have value. (FOWLER, 1990).
25
This user acceptance is a direct measure of worth. (FOWLER, Op. cit.).

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projeto do produto

usuário. O valor de um produto, seja qual for a atividade desempenhada por ele, é baseado em duas funções
elementares – a função de uso e a função de estima. Uma função é definida como toda e qualquer atividade que
um produto desempenha (CSILLAG, Op. cit). A função de uso está diretamente relacionada com o valor de uso
do produto e envolve atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função de estima está
diretamente relacionada com o valor de prestígio do produto, envolvendo atividades que auxiliam as vendas do
produto, dotando-o de beleza, status, moda, etc, ou seja, tornando desejável a sua posse.
O valor de uso é a capacidade de um bem de satisfazer necessidades humanas (FERREIRA, 1999), está
relacionado à funcionalidade prática. Segundo MARX (1980), a utilidade de uma coisa faz dela valor de uso, e
este só se realiza com a utilização ou o consumo. O valor de estima é dotado de qualidades mais subjetivas,
condicionadas à hermenêutica, a disciplina da interpretação, ou seja, à semântica. De acordo com
KRIPPENDORFF (1990):
A forma de um artefato, suas superfícies reflexivas, pode ser o que uma câmera responde, mas
para nós seres humanos, isto é sempre interpretado como tendo um nome, tendo uma história de uso
reconhecida, como sendo composto de outras coisas ou sendo capaz de amparar um modo de viver. Se
o significado de um objeto não está claro para nós, nós podemos nos sentir convidados a explorar ou
brincar com ele até que tenhamos adquirido uma compreensão prática sobre ele. Desta forma, o
significado de algo não reside na sua superfície. Ele emerge no uso, com a prática, a prática de viver o
ambiente e contextos específicos, toda vez que nós cognitivamente conectamos nossas ações e
percepções em uma perspectiva circular. Os significados então construídos apóiam nosso modo de
viver, penetrando a superfície tão fundo quanto nosso conhecimento pode chegar e envolvendo nossa
capacidade cognitiva quanto mais interagimos com ele (significado).26

O valor de estima muitas vezes está acima do valor de uso. Em situações corriqueiras este fato se
destaca, como por exemplo, conforme coloca MARTINS (1973): é mais gostoso o beiju cuja massa é sessada27
na peneira fina de taquara; o peixe tratado na gamela rasa de imburana; a feijoada servida em vasilha de
barro; o arroz afogado em frigideira de pedra. É mais gostoso tomar um cafezinho numa caneca de esmalte
(figura 10). A sensação bucólica satisfaz o consumidor, mesmo quando existe uma inadequação funcional. A
caneca de esmalte foi desenvolvida para acompanhar o bule, recipiente para acondicionar o café e que
geralmente ficava à beira do fogão de lenha, preservando uma temperatura morna para a bebida, o que era
conveniente para os materiais utilizados na fabricação destes utensílios. Atualmente o café é acondicionado em
garrafas térmicas, que mantém a bebida mais quente por mais tempo, fazendo com que muitas pessoas queimem
os lábios ao utilizar esta canequinha.
MANZINI e VEZZOLI (2002) lembram o significado (ou melhor, os significados) de vida útil de um
produto: a vida útil dá a medida do tempo – de um produto e seus materiais, em condições normais de uso (com
isto se entende: bem mantido, e não, posto em condições de stress além dos limites aceitáveis). Quando a vida
útil de um produto chega ao fim, é a fase de eliminação. Ainda segundo estes autores, as principais razões que
levam à eliminação dos produtos são: a degradação de suas propriedades ou a fadiga estrutural, causada pelo uso
intensivo, a degradação, devido a causas naturais ou químicas, e os danos causados por incidentes ou uso
impróprio. Mas também por: obsolescência tecnológica, e obsolescência cultural e estética. Os objetos de moda
são os mais sujeitos a tal tipo de envelhecimento. Segundo CALDAS (2004):
Moda, em estatística, é o elemento mais freqüente de uma amostra. Usada no plural, denota
fenômenos em qualquer esfera da sociedade e da cultura. É um fenômeno social ou cultural, de caráter
mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da
necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social.

26
The form of an artifact, its reflecting surfaces, may be what a camera responds to, but for us as human users,
it always already is interpreted by having a name, by having a recognizable history of use, by being composed of
other things or by being able to support a practice of living. If the meaning of an object is not clear to us, we
may feel invited to explore or play with it until it is, until we have acquired a practical understanding. Thus, the
meaning of something does not lie on its surface. It emerges in use, with practice, the practice of living with our
environment and in particular contexts, whenever we cognitively connect our actions and perceptions in an
experiential circle use. The meanings thus constructed support our practice of living by penetrating a surface as
deep as our understanding goes and by involving as much of our cognition as participates in interaction with it
(KRIPPENDORFF, 1990).
27
Sessada: peneirada (FERREIRA, 1999)

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projeto do produto

Figura. Caneca esmaltada e copinho descartável de plástico. Fonte: arquivo pessoal. 2006.

O valor de um produto artesanal, atualmente, parece que tem sido caracterizado mais pela estima do que
pelo uso. Poderíamos dizer que é um produto de caráter estesiogênico, isto é, que provoca sensações e
sentimentos (FERREIRA, 1999). O produto artesanal é dotado da expressão pessoal do artesão, fruto da sua
criatividade e habilidade técnica (DORMER, 1995), e também fruto da relação com a sua sociedade de
procedência. Neste sentido, CALDAS (Op. cit.) define:
Um valor cultural, diferentemente do gosto pessoal, é uma idéia compartilhada socialmente
que permite criar categorias entre as coisas, em termos de desejos e méritos. Influenciam diretamente o
modo como as pessoas escolhem. O quadro de valores é mutante: alguns evoluem rapidamente, outros
permanecem inalterados por longos períodos de tempo.

Análise do valor
Jacqueline Elizabeth Rutkowski
Universidade Federal de Ouro Preto

Uma das funções do projetista é garantir partir da função desempenhada, com objetivo de
um projeto econômico do produto, ou seja, garantir reduzir custos”. As técnicas foram usadas pela
que o produto poderá ser comercializado com lucro. primeira vez nos EUA, durante a II Guerra
Isto é, os produtos deverão ser projetados de forma Mundial, quando a escassez de recursos incentivou
que possam ser fabricados, usando material, mão de os esforços para busca de soluções criativas para
obra e equipamentos disponíveis, a um custo menor possibilitar o suprimento de produtos apesar da
do que o preço que o consumidor está disposto a falta de determinadas matérias primas e acabou
pagar, adequado para deixar uma margem de lucro mostrando-se uma excelente técnica para reduzir-se
necessária para ser dividida em partes do impostos, custos de produtos. A partir de então a técnica
do empresário e do reinvestimento. Os produtos passou a ser mais e mais usada na industria, até que
devem ser tecnicamente, esteticamente, ergonômica em 1959 foi criada a Sociedade Americana de
e economicamente satisfatórios. Desse modo, o Engenharia do Valor. Em 1977 o senado americano
engenheiro deve pensar tanto em custo quanto em votou uma resolução tornando seu uso obrigatório
desempenho quando está projetando algo. A isso se nos Ministérios do Governo. Na mesma época a
dá o nome de “valoração”. técnica começou a ser utilizada nos países
Uma das formas de se buscar reduzir europeus. No Brasil a técnica vem sendo usada
custos de produtos é através da “análise de valor”, desde a década de 60, mas seu uso intensificou-se
que podemos definir como um “método de análise somente a partir da década de 80.
de bens, serviços ou formas de gerenciamento, a

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Assim. ou ainda.M. reduzir o valor de um produto. disponíveis na organização e pertinentes ao produto Valor de estima: medida monetária das em discussão sejam utilizados a contento. estabelecer um valor para aquela função e Materiais não apropriados. desde que pertinente. a análise do valor foi adquirindo definiu um valor-padrão. Porém. e que foi Gerenciamento do valor foi utilizado para produzida usando-se os mais modernos materiais e identificar e resolver problemas gerenciais. o valor de um Definições básicas: produto indica quanto seu desempenho deve custar Engenharia do Valor é a aplicação sistemática de e serve como base de comparação com os custos técnicas para identificar a função de um produto ou reais. não é a própria ação. ou a característica de desempenho a ser Componentes básicos da metodologia : possuída por um item ou serviço para funcionar ou Abordagem funcional – determinação da natureza vender. que ao menor sacrifício ou dispêndio de recursos para identificam funções necessárias. substantivo (objeto sobre o qual o verbo atua) – processo ou sistema é sempre uma entidade amplificar corrente (ampere). Para utilizar-se a análise de valor o ou ainda. a representação do menor gasto produto é avaliado através da função desempenhada necessário para prover a função requerida conforme por ele e/ou por cada um de seus componentes ou definida. podendo ser obtida por um aumento na item. obter um item.M. Ao se definir uma função deve-se uso e de estima e diminui com o crescimento do ter o cuidado para não explicar o modo de valor de custo. Ed.1971. projeto do produto Desenvolvida inicialmente para análise de Devido a relatividade do valor a AV produtos simples. Visa a engenharia do valor é determinar onde termina o um resultado e deve sempre ser definida por duas desempenho satisfatório e onde começa o excesso palavras: um verbo (atuando sobre algo) e um de desempenho. O desempenho de um produto pode ser A abordagem funcional reduz o projeto a definido como o conjunto específico de habilidades requisitos chamados funções. essencial de uma finalidade. no primeiro produto ou serviço perderá seu valor e. sem econômicos de produção e características ou degradação. deve-se atentar para que um subsistemas. possibilitam sua troca por outra coisa. criatividade. trabalho ou serviço. Assim.J. secundárias.J. SP.E. Value Management: value que ajudam o produto a ser vendido mas não são engineering and cost reduction. Em geral aumenta com maiores valores de centígrafos). do ponto de vista do © 2006 eduardo romeiro filho 161 ufmg . Uma função é o funcionais que o fazem adequável (e vendável) para objetivo de uma ação ou de uma atividade que está uma finalidade específica. características ou atratividades que A metodologia baseia-se ainda no uso da tornam desejável a posse de um produto. O valor corresponde consciente de um conjunto de técnicas. Função é a finalidade ou aumento de valor não significa uma redução de motivo da existência de um item ou parte de um custo. sem passou a ser dado para produtos novos. necessário para produzir. desenvolvida por uma equipe composta de pessoas Valor de uso: medida monetária das propriedades de várias formações e treinamentos. como parafusar plaqueta ao invés de prender plaqueta. Assim.Análise de valor.29 custo mais baixo possível de uma função requerida. para existirem.sem a qual o Associação das Indústrias Eletrônicas. considerando que todo A Metodologia do Valor identifica quatro objeto ou toda ação. o para desempenhá-las ao mínimo custo. ou a característica de um item ou serviço que função. para que todos ou qualidades que possibilitam o desempenho de os conhecimentos especializados e as habilidades uso. atinge as necessidades e desejos do comprador e/ou usuário. ou em outras palavras. serviço. foram sendo de uma peça ou produto acabado. O objetivo básico da sendo desempenhada. que irá utilizados nomes diferentes. As funções 29 Csillag. Conforme “valor” que pode ser definido como o custo mínimo Csillag28. Podem também ser Wesley. estabelecem desempenhar certa função. prejuízo das especificações requeridas. necessárias e desnecessárias. métodos de manufatura.depto engenharia de produção . desempenhada de várias outras formas. caso e Heller. Engenharia do valor desempenhar confiavelmente as funções. o valor real de um produto. isolar calor (graus relativa.cit. doravante chamado de novos nomes ao longo do tempo. função que pode ser 28 Csillag. – caso dos soldados e do canhão Valor de custo: o total de recursos medido em Esforço multidisciplinar – a atividade deve ser dinheiro.1991. etc. essenciais para seu uso. propriedades.Atlas. com as mais diversas técnicas e no Valor de Troca: medida monetária das combate aos bloqueios mentais que às vezes nos propriedades ou qualidades de um item que impedem de aceitar e buscar mudanças.citando definição dada pela devem ser classificadas em básicas.Addison. métodos não prover tal função ao menor custo total.op. especificações desnecessárias de desempenho (mais do que o desejo do mercado consumidor) irão Engenharia de valor é a aplicação sistemática.Massachusetts. desempenhar a função. para cada nova aplicação. têm ou tinham tipos de valores econômicos: uma finalidade. tanto para o fabricante valores para as mesmas e desenvolvem alternativas quanto para o usuário.

embalagem. algumas mais simples de se satisfazer à função vezes até simultaneamente. nos operadores. etc. análise das idéias geradas. a coleta de informações pertinentes. definindo-se maneiras serem usadas conforme a necessidade. isto é à por parte do usuário. seqüência. Quais as funções básicas e secundárias? ferramental. e) Fase de planejamento do programa. decidindo-se o que deve ser Qual o valor da função básica? mudado.111 custos. Definição de planos de execução e verificação O método em si constitui-se em um Plano de da resolução do problema. quantidade. Procede-se a uma específico. após a define e avaliam-se as funções. os Planos de Trabalho orbitam e o que se deseja. Nessa fase P. etc. na qual se estabelece.. onde.depto engenharia de produção . sendo regras d) Fase de análise. elétrica. algumas vezes envolvendo o responsável. como. fornecedores. f) Fase de execução de programa na qual A avaliação funcional pode ser feita respondendo. Tendo o Muitas vezes é pertinente fazer essa análise não planejamento definido ações preventivas e só do seu produto mas também do produto do contingentes ele deverá ser recomendado a concorrente. métodos de manufatura. Ao final. etc. Elas são ferramentas para para as funções básicas. ao processo de manufatura. utilizados. o uso de um Plano finalidade e das circunstâncias. além do uso adequado de a) Fase de orientação. inspirar a equipe de trabalho. complementando-se. quando. na qual geram-se alternativas cada caso em particular. desenvolve um plano que designa Assim. na qual se decide o que técnicas. requerida e/ou eliminam-se as funções As técnicas podem ser classificadas em: desnecessárias. deve Qual o custo de cada uma delas? ser avaliado. manufatura. Quanto custarão essas formas alternativas? g) Fase de resumo e conclusões do trabalho. quem deve fazê-lo. mas pode-se ter que voltar em alguma controle de qualidade. mecânica. b) Fase de informação. recomendável. Um das técnicas de solução de problemas e apesar das problema é uma diferença entre o estado atual múltiplas variações. pois. visando sua apresentação. concentrando-se no prioridades de estudo. se para em seguida mergulhar na fase criativa. nas quais várias técnicas devem ser usadas.ex. Também não há um sistema definitivo para através de pesquisa e coleta de informações selecionar a melhor técnica a cada momento e para c) Fase criativa. Também qual a escolha da alternativa adequada é feita para coletam-se todas as informações quanto a posterior implementação. para prover informações técnicas inerentes a ou de estima – que resultam na vontade da posse concretização de cada função. verifica-se que tipos de problemas estão As várias etapas de um Plano aproximam-se ocorrendo e escolhe-se qual será tratado.ex. do problema.ex. o próprio uso flexível de cada fase do deve ser desempenhado em função das Plano de Trabalho deverá ser feito características e propriedades desejadas e as convenientemente. O delas anteriores caso isso pareça necessário. p. devendo essa diferença ser em torno de uma alternância de fases em que se mensurável para permitir uma quantificação aplicam técnicas que auxiliam desde a identificação dos resultados. escolhendo a(s) usar apenas informações da melhor fonte. Várias quem deve decidir sobre sua implementação. Aqui deve-se considerar o que deve De quantas outras formas alternativas pode ser ser feito. Normalmente as fases são usadas em investimentos. confirmam-se especificações e o impacto se as seguintes perguntas: quanto a qualidade. São elas: decide-se quais alterantivas deverão ter evitar generalidades. o uso da criatividade é fundamental para a responsabilidades específicas em termos de metodologia e aplicar técnicas que a favorecem é quem faz o que. porém sem regras determinadas. indicar hora. Várias alternativas são geradas. etc. © 2006 eduardo romeiro filho 162 ufmg . dependendo da Como nos lembra Csillag. para se proceder à escolha h) Fase de Implementação: na qual se daquela do menor custo que satisfaça a função. como forma de melhorar o seu. Podem ainda ser de uso – aquelas que se estabelece um programa de investigações possibilitam o funcionamento. quando p. materiais. de Trabalho não garante por si só o sucesso de um As fases do Plano são : projeto de AV/EV. a) Técnicas de suporte – regras heurísticas cujo verificando-se a existência de alguma possível uso facilita a solução de problemas surgidos na solução pronta ou a ser criada aplicação do Plano de Trabalho. clientes.88. reais necessidades do comprador.p. quando e onde e desempenhada a função básica? finalmente como será pago o projeto. promover estética. p. alternativas devem ser geradas. testadas e quantificadas. Trabalho divididos em fases. empregar boas relações humanas. projeto do produto usuário mas não do ponto de vista do fabricante. alternativa(s) a ser(em) aplicada(s). na qual cada idéia é analisada de bom senso e procedimentos a serem cuidadosamente e quantificada. objetivo é chegar-se à definição do problema.

fornecedores e 149 processos especializados.depto engenharia de produção . etc. como a técnica da função – fonte: verbo e substantivo e o fluxograma. João Mário.p. São Paulo: Editora Atlas. © 2006 eduardo romeiro filho 163 ufmg . sendo o gráfico de Pareto. São bloqueios que em geral impedem que se técnicas úteis na fase de preparação. recorrer a especialistas. técnica de livre associação. individual ou em grupo.. P. e) Técnicas de seleção e avaliação – como a usar o critério “eu despenderia meu dinheiro técnica da vantagem-desvantagem. 1988. através de um melhor entendimento do mesmo com uma nova As páginas citadas no texto referem-se a seguinte forma de abordá-lo.125 coloquem em prática as novas idéias . método de custear todas as idéias. projeto do produto identificar e contornar bloqueios mentais.165) . p. Análise do Valor. o representar um problema de forma a facilitar “brainstorm” invertido. (p. método dessa maneira ?” delphi – método para desenvolver consenso aplicar critérios profissionais de julgamento. hierarquizando os problemas e decidindo por etc. brainwriting. P. P 130 d) Técnicas de geração de idéias – para uso CSILLAG.167 que se chegue a uma solução. exemplos. o uso f) Técnicas de implementação – para romper de indicadores específicos. ajudam a técnicas de planejamento como o PERT. como o brainstorm. entre especialistas sobre um tópico por meio de b) Técnicas de análise global – permitem uma série anônima de questionários enviados abordar situações na sua totalidade.160 onde começar. como as c) Técnicas reestruturantes .

redução de custos e da consolidação do capitalismo e dos sistemas de com remontagem. historicamente. Desta forma. em especial nos minimização de efluentes tóxicos e eventual anos de pós-guerra. desmontagem do produto. DFMA. seja uma abordagem necessariamente mais ampla e durante os processos de produção como durante a sofisticada. em última análise. podem ser agressivos ao meio ambiente. parte do mundo usufrua da riqueza e da tecnologia. que requer possível “quantificar” impactos ambientais de agora (e cada vez mais) uma visão sistêmica de diferentes processos de produção e. imediatos. seja durante a destacadas: produção como na utilização do produto. o preocupação com serviços de manutenção durante a modelo proposto somente admite que uma pequena vida útil do produto e do seu recondicionamento. design for environment: Busca o projeto de design). a excelência de projeto passa agora a crescentes restrições de caráter ecológico. do próprio componentes resultantes da montagem e modelo de vida proposto pela revolução industrial. devido à sua intrínseca insustentabilidade e a novos DFD. pois o que é inviável a longo prazo. considerar não somente o cliente (do ponto de vista do marketing) ou o usuário (sob a perspectiva do DFE. a não ser por meio prolonga o período de sua utilização. a insustentablidade do disposição de resíduos oriundos dos processos modelo vem da total impossibilidade de produtivos. prevê a busca da instrumentos como esses no sentido de formar um © 2006 eduardo romeiro filho 164 ufmg . redução do número e partir da adoção maciça de estratégias de marketing padronização dos componentes. situações que pressupõe a falência do modelo atual. maior confiabilidade.depto engenharia de produção . em especial a simplicidade na montagem. Objetiva a otimização atingido (teoricamente) pela sociedade americana dos recursos. que considere inventário. projeto do produto Novos Cenários para a Atividade Projetual: Aceleração do ritmo de consumo. design for service: Leva em consideração a pelo resto da população mundial. que requer novas ferramentas de projeto vida útil do produto. Entre estas. Este fato de uma exploração continuada que. manutenção. Aumento do consumo de recursos Estratégias de Demanda Aumento do consumo de energia Produção e artificial Aumento da produção de resíduos Marketing exagerada Aumento da produção de emissões A aceleração do ritmo de consumo. selecionar aqueles que sejam menos toda a vida do produto. design for manufacture and assembly: São necessários esforços no sentido de combinar criada ainda na década de 1970. mas todo o ciclo de vida do produto. em termos de energia e matéria-prima. em produtos que leva à redução de resíduos. Reduz a demanda pela substituição do produto. Parte do pressuposto de que é e novas estratégias de gestão do projeto. porém por outro lado busca satisfazer emergentes demandas do mercado em termos de Sendo assim. dos padrões observados entre os norte-americanos DFS. a partir de um todo o ciclo de projeto e produção. com seu “american way of life”. design for disassembly: origina-se da desafios em termos de projeto de produtos. Ora. matérias-primas e energia. sistemas necessidade de gerenciamento de resíduos e de produção e. menores produção em massa contemporâneos tem levado a custos. contradiz as perspectivas de lucros empresariais não se mostra o melhor caminho.

DFA e DFE e seus um meio artificial disponível a organizações de respectivos papéis na integração do processo de manufatura (e aos indivíduos nela inseridos) com o desenvolvimento de produtos. uso. TRABASSO. restrições das linhas de produção em forma que englobando as diferentes fases do ciclo de vida. segundo Melhado et al projeto sejam solucionados ainda nas primeiras (2005). a constante revisão de passando pelo fornecimento de matérias-primas. reciclabilidade. qualidade e DFX produtividade. da interação entre o projeto do produto e o fases do projeto e não durante a produção (Melhado projeto de fabricação. contribuem para comunicação e cooperação. Estas ferramentas problemas potenciais de produção causados pelo reafirmam a necessidade. evitando erros manipular informações de diferentes origens e com e acelerando o processo. transmissão de informações do setor de projeto para Entradas e saídas do Sistema de Produção e Consumo. constituindo a mais eficiente de retrabalho e impactam de forma positiva na ferramenta para implementação da ES. a definição. desmontagem. diferentes fins: a documentação das capacidades e O projeto do produto também se amplia. 1995). desativação etc. na tentativa de otimização do et al. BIOSFERA SISTEMA DE Matéria-prima Energia PRODUÇÃO E Emissões Recursos Naturais CONSUMO Resíduos e Humanos Co-produtos Transportes. estas para “a qualidade total” (HUANG. permita rápida interpretação. considera que as ferramentas bem sucedidas do DFX são aquelas que racionalizam o produto e o © 2006 eduardo romeiro filho 165 ufmg . DFX (Design for excellence) ou projeto voltado Juntamente com o suporte computacional. manutenção. controle da qualidade. associados a do tempo de desenvolvimento. Esse sistema deverá a linha de produção. a gerados em seu uso e após sua desativação. a terminologias designam o que se entende por um execução ou o controle de tarefas e atividades e a projeto voltado à produção. 2005). caracterizado como um redução do custo total do ciclo de vida do produto e projeto simultâneo de produtos. pois eliminam ciclos processos e sistemas. Cássia Vilani Ferramentas de suporte ao A seguir são apresentadas conceitualmente as desenvolvimento de produtos são entendidas como ferramentas DFX-DFM. O autor produção. projetar solução de problemas no contexto do pensando-se na sua produção desde o primeiro desenvolvimento de produtos (ARAUJO. 1996) é uma ferramentas metodológicas. estoques. apud momento (right-first-time for production). quando vinculadas aos filosofia que coloca um produto no mercado de propósitos da ES . Todas estas objetivo de auxiliar o entendimento. considerados os possíveis destinos dos resíduos reutilização. DFA e DFE. produto e do processo quanto ao custo. ou seja. de forma direta. para que ARAUJO.Engenharia Simultânea (ver forma rápida e satisfatória pelo incentivo à texto adiante sobre o assunto). Ferramentas DFX desdobradas para DFM. componentes e processos no sentido de aprimorar montagem e desmontagem.depto engenharia de produção . projeto do produto sistema eficiente de gestão. onde poderão ser sua montagem.

1997). e sugere ao projetista por parte dos operários. para que haja comunicação entre todos os componentes de . vida do produto e do tempo de desenvolvimento. Seus benefícios podem ser orientado para a manufatura (DFM) engloba classificados em três categorias: considerações de manufatura no projeto.Realiza as melhorias necessárias. simplificando e aperfeiçoando a simultaneidade e transparência das atividades. produto e do processo de fabricação. São descritas a enfatizado a importância de se desenvolver seguir algumas ferramentas desdobradas a partir do simultaneamente produtos e processos para a DFX: DFM. Isto nos remete à fornecedores. CANCIGLIERI. ferramentas e materiais e . desenvolvimento de um produto de definição dos meios específicos a serem usados racionalizado e bem estruturado.Propõe revisões onde o projeto pode ser desenvolvimento do produto. Manufatura (DFM . segundo Huang (1996). assegurando de maneira participantes através do estabelecimento de uma eficaz a união das necessidades e os requerimentos equipe de trabalho na elaboração do projeto. Desmontagem.Esclarece e analisa as relações entre produto e fabricação ao desenvolvimento do produto. © 2006 eduardo romeiro filho 166 ufmg . satisfação dos clientes. em DFX. projeto do produto processo. aumento IAROZINSKI. do produto. que envolve a definição de procedimentos e seqüências HUANG ainda enumera as principais ações desta de trabalho. Esta integração melhorado e prevê seu resultado.Avalia o seu desempenho. 1992). fabricação dos componentes que formarão o melhoria no relacionamento entre usuários e produto depois de montado. respectivos processos. O projeto foco principal. 2003).Reúne e apresenta os fatos sobre o produto e seus componentes necessários (FARAH. Já o DFA é da flexibilidade.Categoria 1: onde os benefícios estão diretamente um sistema de manufatura. as peças que podem ser utilizadas ou eliminadas . O autor reforça que o conceito de Projeto Manufatura. de forma a introduzir alternativas nas voltado para a manufatura é identificar na fase etapas iniciais. processos e Segundo estes autores.Categoria 2: inclui a melhoria e a racionalização (GOMES.Evidencia as falhas e compara as alternativas promove uma re-alimentação eficiente dos possíveis. incluindo melhoria da qualidade e do produto (BOOTHROYD et al. 2005). pode ser então substituída por projeto (STOLL apud FABRICIO & MELHADO. promoção da pelas forças operacionais para atingir as metas de prática da engenharia simultânea. apud produtividade. Reciclagem. 2005).Permite a interação entre os participantes. uma inicial para o que se deseja projetar. quando todas as . local de um programa que avalia os produtos em função de trabalho onde predomine tranqüilidade e interesse sua facilidade de montagem. forma uma integração dos processos de manufatura . Ambiente etc. DFA e DFE. pressupõe a participação sistemática das equipes de desenvolvimento do . variáveis são consideradas ainda no momento de A letra X. Assembly). A figura a seguir relaciona os objetivos das ferramentas DFM e DFA aos DFM E DFA objetivos dos projetos para produção. enfatizando dessa em etapas posteriores. das decisões no projeto do produto.depto engenharia de produção . têm sido utilizados como ferramenta de Isto permite que a equipe de projetos veja os integração entre as áreas de projeto e fabricação no problemas de diferentes perspectivas sem perder o contexto da Engenharia Simultânea. tornando-os modelos pragmáticos e Os conceitos de Projeto Orientado para a facilmente assimilados pelos seus usuários. processo. máquinas. redução do ciclo de vida. seja 1998). pois elimina ciclos de retrabalho. qualidade do produto” (JURAN.Categoria 3: melhor comunicação entre os e o projeto do produto. bem como dos recursos materiais ferramenta num projeto de produto: necessários. integração e otimização global do ciclo de produção de produtos. o que . ultimamente. o objetivo de um projeto recursos. (BANDEIRA. contribui para redução do custo total do ciclo de . permitindo que o relacionados com as medidas para tornar o produto projeto seja adaptado a cada estágio da realização competitivo. requisitos para acomodar as necessidades e requisitos dos clientes ainda na fase conceitual do . o que poderá reduzir concepção os meios para se obter uma fabricação significativamente as possibilidades de mudança do produto de forma mais fácil. Esta integração do planejamento do processo de .Design for Manufacturing) e caracterizados como “projetos de produto Projeto Orientado à Montagem (DFA .Design for simultâneos associados a processos e sistemas”. maior facilidade no gerenciamento do definição de projeto de produção como “a atividade projeto. Meio para Manufatura (DFM) tem.

roldanas. acabamentos e dos projetos para a produção. segundo de fios. eles se encaixem um sobre o outro. observam-se regras de projeto visando Projetar para um número mínimo de maximizar a facilidade da montagem. © 2006 eduardo romeiro filho 167 ufmg . 2001). para a Utilizar uma montagem empilhada/Uni- realização do “DFA/DFM” é necessária a direcional. assim seus custos. Na figura 1 temos a "montagem por cima". integração dos projetistas de processos e produtos nas fases iniciais de análise do projeto de produto. para redução de custos e de tempo de montagem (PEREIRA. reduzindo componentes. do método “DFA/DFM” baseia-se em diretrizes. que levem à componentes. Existem algumas regras de boa conduta sugeridos pelo DFMA: Nas figuras seguintes. molas. chicotes montagem. No entanto é necessária. Melhado et al (2005). extraídas de BRALLA (1986). Nos mesmos moldes conceituais na Engenharia Simultânea e dos projetos para produção. integrada e coordenada. projeto do produto PROMOVER A REDUZIR INTERAÇÃO DFM RETRABALHO SATISFAZER O PROMOVER O CLIENTE APRENDIZADO DFA REDUZIR FALHAS FACILITAR A INOVAÇÃO PROJETOS PARA ANTECIPAR PRODUÇÃO ADOTAR AÇÕES PREVENTIVAS FASES DO CVP I dentificação de objetivos comuns DFM .Projetos para produção. Facilitar alinhamento e inserção de todos os visando à concepção e a definição de parâmetros componentes. Fonte: Adaptado de Araújo. Utilizar componentes e processos padronizados. recomendações e check-lists que orientem a análise Utilizar e promover o trabalho em equipe. e uso de métodos adequados de desenvolvimento Procurar padronizar materiais. Desenvolver uma abordagem de projeto Modular. Eliminar ajustes. a criação de uma equipe multidisciplinar de projeto. Trabasso (2005). A utilização automação.depto engenharia de produção . elaboração de projetos com soluções e nível de detalhamento compatíveis com o adequado Ter sempre em mente as possibilidades de desenvolvimento da fase de execução. que simplifiquem os processos de fabricação e de Eliminar parafusos. MANKE.DFA . caracterizada pela inserção de todos os Projetar componentes para serem componentes de um conjunto de tal maneira que multifuncionais.

como na figura 4. Na figura 2 observamos a utilização de indicações para orientar a montagem de componentes assimétricos. montagem em peças assimétricas E na figura 3 temos o "auto alinhamento". Figura 4 .Montagem dos componentes por cima.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 168 ufmg . Inc.com/ DFMA .Design for Manufacture and Assembly Home Page by Boothroyd Dewhurst.dfma. projeto do produto Figura 3 . onde para facilitar o encaixe entre componentes é Para outras informações: realizado desde perfis arredondados a chanfros ou então furos guias.Uso de indicações para facilitar a possibilidades de montagem. http://www. não existe essa necessidade Figura 1 .Peças simétricas em relação a suas Figura 2 . No caso de simétricos.Montagem utilizando o auto- alinhamento.

Para maiores detalhes ver JAGOU (1993). embora o número seja ainda muito pequeno. HUANG. Um exemplo relevante foi Henry Ford que. mais e melhores ferramentas DFA têm surgido. 1998). 1998). a História mostra que já havia algumas alternativas de uma montagem eficiente desde o início do século passado. tornando-as facilmente ajustáveis. 1992). 1994 apud HUANG. projeto do produto DESI GN FOR “X” Rose Mary Rosa de Lima O DFX é uma das técnicas mais efetivas para implementação da Engenharia Simultânea.15 pois focaliza. 14) considera o DFX uma filosofia e uma metodologia que pode auxiliar as empresas a gerenciar o desenvolvimento de um produto. como mostra a FIG. análise de mercado dentre outras. flexibilidade. o que facilitou a montagem dos seus carros. o que pode torná-las mais competitivas. tais como a produção. e em indústrias multinacionais ou pequenas empresas. ao mesmo tempo. 7 (GRAEDEL. outras ferramentas têm emergido para maiores investigações. aeroespacial. reciclagem. um número limitado de elementos fundamentais (HUANG. reduziu os custos e aumentou a produtividade (WOMACK et al. Embora esses autores tenham sido considerados pioneiros nos estudos sobre o DFA. novas ferramentas têm surgido para melhorias na competitividade. de tal forma que ele possa ser economicamente montado correta e eficientemente (KUO. 2001). automóveis. serviços de manutenção. Como já foi mencionado anteriormente. nos campos de engenharia mecânica. O DFX é uma abordagem integrada para projetar produtos e processos para efeito de custo. desmontagem. como meio ambiente. etc. Graedel e Allenby (1996) consideram o DFX como abordagens modernas de projeto que o projetista tem que utilizar para considerar os atributos relacionados ao produto. em 1908. terceiro. etc. 1996).depto engenharia de produção . O “D” em DFX ou o “Projeto” em “Projeto para X” é interpretado como projeto do produto no contexto do DFA. tanques de óleo) até produtos mais simples (fusíveis) (HUANG. custos. seu objetivo é reduzir o tempo para o mercado. apesar de em sua maioria consistirem de sistemas de pesquisa ou ensino. comparado ao número total de indústrias que desenvolvem projetos de produtos ou utilizam ferramentas de design. o DFA tem encontrado mais usuários. E ultimamente. novas ferramentas têm sido introduzidas em outras etapas do ciclo de vida do produto. O “X” em DFX representa a característica de um produto que deve ser maximizada. tais como integração. operações com fluxo de alta qualidade. 1996. Boothroyd e Dewhurst foram os pioneiros nos estudos sobre o Projeto para Montagem (DFA) e basearam-se no argumento de que o custo mais baixo da montagem pode ser alcançado através do projeto de um produto. KUO et al. As aplicações são feitas desde os produtos mais sofisticados (aeronaves. 1997).. significando o projeto do produto para a facilidade da montagem (BOOTHROYD et al. (DUARTE. têm levado ao aparecimento de vários tipos de abordagens do DFX. A proliferação e a expansão do DFA e do DFM. © 2006 eduardo romeiro filho 169 ufmg . tais como ferramentas de qualidade. A partir da produção. desmontagem e reciclagem. etc. Huang (1996. elétrica. que normalmente são tratados simultaneamente no processo de projeto como Projeto para Manufatura e Montagem – DFMA. quarto. O DFX tem sido usado nas indústrias de produção. O DFX nasceu a partir do sucesso e da proliferação do DFA. mediante serviço e manutenção. baixar o custo e aumentar a qualidade do produto (GUNGOR. automotiva. meio ambiente. 1996). foi capaz de desenvolver projetos reduzindo o número de peças necessárias. necessitando demonstração. eletrônica. p. 2001): 15 Engenharia simultânea ou engenharia paralela é uma filosofia utilizada no desenvolvimento de projeto de produto em que vários processos são realizados simultaneamente por uma equipe de projeto multidisciplinar . considerados novos paradigmas. segundo. GUPTA. especificamente nos motores automotivos e buscado o desenvolvimento recente em várias direções: primeiro. ALLENBY. o uso do DFA tem alcançado benefícios substanciais. 1998. O termo DFX é considerado como Design for Anything – Projeto para Algo. Segundo Huang (1998).

2001.DFX DFC DFQ DFS DFMC DFMt DFT DFE FIGURA 7 – Tipos de abordagens do DFX Projeto para Conformidade – Design for Compliance (DFC): projetar levando em consideração as conformidades regulares exigidas para fabricação e uso do produto. Segundo Prates (1998). nas considerações de gerenciamento e nas aplicações correspondentes aos componentes e aos materiais. apud KUO et al. com despesas razoáveis. LAMBERSON. etc. Projeto para Logística do Material e Aplicação de Componente – Design for Material Logistics and Component Applicability (DFMC): centraliza-se na fábrica.1 Projeto para Meio Ambiente O Projeto para Meio Ambiente (PPMA) – Design for Environment (DFE) é uma aproximação abrangente para o desenvolvimento do produto que considera os impactos ambientais de um produto em todo seu ciclo de vida (FISKEL et al. com isso. placas de circuitos.4. O DFE utiliza os conceitos de ciclo de vida juntamente com 16 Manutenção é definida como “a probabilidade que um sistema danificado possa ser reparado em um intervalo específico de tempo reduzido” (KAPUR. 2. bem como o reparo e a modificação dos produtos no campo ou nos centros de serviços. p. um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho ambiental do produto. 1996). KROLL.depto engenharia de produção . Projeto para Qualidade – Design for Quality (DFQ): projetar de acordo com as exigências do cliente. 1977. projeto do produto DFA DFM DFMA Design for X . Projeto para Meio Ambiente – Design for Environment (DFE): projetar considerando os aspectos ambientais em todo o ciclo de vida do produto. projetar um produto robusto que ultrapasse as expectativas do cliente. Projeto para Manutenção16 – Design for Maintainability (DFMt): projetar para “fácil” manutenção. permitir o prolongamento de utilização do produto. sem qualquer dificuldade e. Projeto para Serviço – Design for Service (DFS): projetar para facilitar a instalação inicial. reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso. © 2006 eduardo romeiro filho 170 ufmg . Projeto para Teste – Design for Test (DFT): projetar para facilitar teste de fábrica e de campo em todos os níveis de complexidade do sistema: equipamentos. Esta é a abordagem na qual está inserida o principal assunto deste trabalho. 11). no movimento do material. 1994 apud HANFT. assegurando que o produto possa ser mantido em todo seu ciclo de vida útil.

distribuição. Envolver especialistas ambientais em estágios anteriores ao processo do projeto. Essas estratégias podem ser vistas por meio da “Roda Estratégica” para o DFE17. facilitando a reciclagem e os processos de produção. Projetar produtos para uma segunda vida. Para maiores detalhes. Incluir informação sobre os métodos descartáveis de todas as embalagens de lixo industrial e doméstico. Os projetistas devem especificar os processos de produção. como mostra a FIG 8 (GOUVINHAS. 7. 13. uso até o final da vida útil do produto. Desenvolver recipientes de plásticos com aberturas maiores. 10. Em contribuição aos projetistas. Identificar todas as peças plásticas com o símbolo SPI de codificação correta. tais como pesticidas. o vidro e o metal contaminado baixam o valor dos plásticos reciclados. e o seu uso não tem o apoio pela maioria dos grupos de meio ambiente. 8. para facilitar a limpeza antes da reciclagem. 2. 4. Várias estratégias relacionadas aos aspectos ambientais podem ser adotadas pelos projetistas no projeto de seus produtos. interferem na reciclagem do plástico. 9. com tampas feitas do mesmo material do produto. 2002. Lindbeck (1995) traça algumas diretrizes para o DFE: 1. Propiciar a conservação prática do material. Especificar o uso de materiais reciclados e recicláveis nos projetos. 3. © 2006 eduardo romeiro filho 171 ufmg . Projetar produtos para fácil desmontagem. não decompõem facilmente. considerados perigosos. Conceber rótulos. produção. como projeto.depto engenharia de produção . comparados aos plásticos “não degradáveis”. baterias de uso doméstico de mercúrio etc. A quantidade de embalagem do produto pode ser facilmente e justificadamente reduzida através do projeto. para rever todo o ciclo de vida do produto. Agregar informação de estudos atuais sobre a tecnologia e a reciclagem de materiais e aplicá-las ao projeto do produto. projeto do produto alguns princípios-chave como a minimização de recursos materiais e de energia para redução do impacto ambiental. 6. produtos de limpeza e solventes. ver GOUVINHAS. 5. 2002). São caros. o uso e o controle com relação ao meio ambiente. 12. O Projeto para o Meio Ambiente força os engenheiros a avaliar a fabricação do produto. O papel. os materiais e a estrutura do produto de forma “ecologicamente correta”. Projetar produtos utilizando materiais simples. com durabilidade. Exemplos incluem solventes e tintas não tóxicas. Evitar materiais de plástico “degradáveis” em projetos de produto. Desenvolvimento de projeto conceptual Otimização da 1 vida final do Otimização de aspectos físicos sistema 7 2 Otimização do Redução do 6 3 material usado impacto ambiental durante uso 5 4 Otimização da Otimização da distribuição produção FIGURA 8 – A “Roda Estratégica” do DFE FONTE – GOUVINHAS (2002) 17 “Roda Estratégica” do DFE. A “Roda Estratégica” do DFE inicia-se com a concepção de um novo produto e abrange todas as etapas subseqüentes. Especificar ecologicamente os materiais mais amigáveis em todos os projetos do produto. seleção de materiais. etiquetas e outros adesivos para uma remoção mais fácil. 11. considerada uma ferramenta que pode ser utilizada de forma sistemática.

fabricação de outros produtos e componentes e para venda ao comércio externo (GUNGOR. 1996. com o objetivo de fazer modificações na concepção do produto para reduzir os impactos ambientais. 2. os reparos e a substituição das peças necessárias. cujas abordagens são: Projeto para Modularidade (Design for Modularity – DFM). 19). com o objetivo de estimular a produção de computadores desktop e acessórios com a capacidade de mudar. como mostra a FIG. pela renovação de peças usadas e pela introdução de componentes de substituição (idênticos ao original ou com melhorias). separação.2 Projeto para Eficiência de Energia O Projeto para Eficiência de Energia – Design for Energy Efficiency – consiste em elaborar processos e produtos que demandam um menor consumo de energia durante seu uso. O método é aplicado em uma cafeteira elétrica. as atividades de produção são responsáveis por cerca de 30% de toda energia consumida no mundo (GRAEDEL. teste. A introdução dessa tecnologia. 95). Na avaliação da concepção da cafeteira elétrica. substituição ou reparo dos componentes em más condições. ALLENBY. p. O processo de remanufatura do produto requer as seguintes tarefas: desmontagem. Projeto para Remanufatura (Design for Remanufacture). atingiu uma redução de 50-70% do consumo de energia. Essas abordagens visam. os ajustes. as seguintes funções foram destacadas: manter o café aquecido. por exemplo.DFX Projeto para Meio Ambiente Projeto Projeto para Projeto Projeto Projeto Projeto para Eficiência de para para para para Remanufatur Energia Modularidad Reúso desmontagem Reciclagem FIGURA 9 – Tipos de abordagens do DFE 2. porque pode tornar- se impossível e/ou inviável. remontagem e inspeção. apud Gungor e Gupta (1998). De acordo com os autores. projetar o produto para o prolongamento de sua vida útil ou para a fácil reciclagem. 1998. limpeza.1. Projeto para Reúso (Design for Reuse). GUPTA. 9. Bitencourt (2001) apresenta uma metodologia de Reprojeto para Meio Ambiente – REPMA. 1996. 14).depto engenharia de produção . Segundo Fleichman et al.1 Projeto para Remanufatura O Projeto para Remanufatura ou Projeto para Recuperação do produto – Design for Remanufacture – consiste em projetar produtos para a durabilidade. Os produtos/peças recuperados são usados para reparo. por meio de peças que podem receber manutenção. a EPA dos Estados Unidos iniciou em 1992 o Energy Star Computers Program. Nos Estados Unidos. para um estado de baixa energia.4. A remanufatura envolve o reaproveitamento de produtos obsoletos. e com isso está se tornando um módulo do DFX. A quantidade de energia consumida pelas indústrias em seus processos de produção de determinados produtos de consumo contribuem consideravelmente para os problemas ambientais. dependendo do grau de dificuldade que o produto pode ter para ser desmontado ou modificado (GRAEDEL. principalmente nos computadores laptop. recondicionamento. de forma geral. O Projeto para Remanufatura exige um processo bem planejado. p. a remanufatura é o processo de trazer os produtos usados de volta às “condições novas”. ALLENBY. Design for X .4. As principais modificações © 2006 eduardo romeiro filho 172 ufmg . Projeto para Desmontagem (Design for Disassembly – DFD) e Projeto para a Reciclagem (Design for Recycling – DFR). automaticamente. Alguns programas e métodos vêm sendo desenvolvidos para solucionar esses problemas. fazendo-se as operações necessárias como a desmontagem. p.1. projeto do produto O DFE vem se expandindo. quando estivesse ocioso. transformar energia elétrica em calor e aquecer a água.

que é o consumo de energia para manter o café aquecido”.1.depto engenharia de produção . obtendo um menor consumo de energia para manter o café aquecido.. uma junção da GE e da Fitch Richardson Smith (GRAEDEL. a maioria dessas embalagens foi substituída por embalagens descartáveis. O projeto demonstrou ser de grande eficácia. pois as peças são de fácil desmontagem e recicláveis e as danificadas podem ser facilmente removidas e substituídas por outras. desenvolvida pela Polymen Solutions Inc.3 Projeto para Modularidade O Projeto para Modularidade – Design for Modularity – visa projetar produtos utilizando peças ou componentes modulares. desmontagem por mecanismo simples.4 Projeto para Reúso O Projeto para Reúso – Design for Reuse é uma estratégia utilizada para prolongar a vida útil do produto. desenvolvido pela BMW. neste último caso. a segunda pode ser reutilizada para guardar alimentos não perecíveis. permitindo a reciclagem. desmontagem sem ferramentas.4.1. que pode ser completamente desmontada em 20 minutos. O DFD é uma das estratégias disponíveis para a concepção de produtos cuja reciclagem seja economicamente justificada. os custos são repassados aos usuários pelos danos causados ao meio ambiente. 1996. O produto dever ser. Mok e Moon (1997. O autor concluiu que “a concepção modificada para a cafeteira elétrica proporciona uma redução no principal impacto ambiental deste produto. de materiais plásticos.1. Alguns projetos para a modularidade têm sido desenvolvidos. etc. A desmontagem pode ser definida como o método sistemático para a separação de peças. Atualmente. Outro exemplo pode ser visto nas embalagens de vidro para requeijão cremoso e para maionese – a primeira. 2. que ocorria no passado. Esse tipo de projeto possibilita o reúso do produto para a mesma finalidade ou qualquer outra. por exemplo. era o processo das embalagens de vidro utilizadas para refrigerantes e cervejas que eram retornadas ao fabricante para serem reutilizadas com a mesma finalidade. que possui a carroceria modular de peças de plástico. possibilitando melhor transmissão de calor. projeto de estrutura simples do produto.4. As peças de encaixe do produto permitem fácil desmontagem para a reciclagem das mesmas e também para o reaproveitamento do produto. principalmente as peças dos materiais perigosos. Este poderá optar pela menor resistência. 621-622) ressaltam que a desmontagem do produto deve incluir os seguintes conceitos: desmontagem sem força. Por outro lado. para a desmontagem e para o reaproveitamento de produtos. o tubo de aquecimento de água é envolvido pelas resistências. A capacidade de elaborar produtos por meio da combinação de peças modulares traz grandes benefícios para o DFE. É usada na reciclagem e na reprodução. os quais podem ser direcionados para a reciclagem. p. possibilita aumentar a faixa de recuperação do produto. 2. Um exemplo. p. componentes e subconjuntos de um produto. como em operações que possibilitem © 2006 eduardo romeiro filho 173 ufmg . ALLENBY. A carroceria é composta de peças de termoplástico fornecidas pela GE Plastics Corporation. Outro exemplo é o projeto do carro esporte Z1. Esse tipo de mudança pode ter ocorrido em virtude dos altos custos com transportes para recolhimento e retorno das embalagens ao fabricante. concebido de forma tal que os processos ligados ao reaproveitamento de seus componentes sejam facilitados. após ser utilizada. O DFD envolve o desenvolvimento de produtos fáceis de desmontar. 98). 2. nenhum uso de materiais tóxicos nos produtos. a chaleira com peças modulares.5 Projeto para Desmontagem O Projeto para Desmontagem – Design for Disassembly (DFD) – é considerado um componente-chave para qualquer estrutura de trabalho do DFE. Duarte (1997) ressalta que o projeto do produto deve prever a desmontagem visando a viabilidade da remanufatura. pode ser reaproveitada como copo. as peças danificadas podem ser substituídas ou reparadas. pois. fácil identificação dos pontos de desmontagem.4. desta maneira. através da separação seletiva de peças e materiais. o reaproveitamento de componentes e a reciclagem de materiais. projeto do produto adotadas pelo reprojeto foram: utilização de duas resistências para manter o aquecimento da água e do café e um selecionador manual que indica qual a configuração de resistência deve ser utilizada pelo usuário.

p. constituídos de várias peças de um mesmo termoplástico18). 226): uniformização e prevenção na configuração de um produto. 1995. PET. ALLENBY. fundem e podem ser novamente moldados. Segundo Gupta e Maclean (1996). 271. mais difícil e mais inviável será o reaproveitamento e a reciclagem do mesmo. PVC e outros (IPT. Desmontagem não destrutiva é o processo de remoção sistemática das peças desejáveis. p. facilidade na separação e tratamento dos materiais e resíduos retirados. Por outro lado. a desmontagem destrutiva é o processo de separação dos materiais de uma montagem. ALLENBY. © 2006 eduardo romeiro filho 174 ufmg . pode ser removida por intermédio da rosca. operações de desmontagem simples e rápidas. no sentido de selecionar cada tipo de material para a reciclagem. existem dois tipos de desmontagem: a desmontagem não destrutiva e a desmontagem destrutiva. existem materiais considerados incompatíveis. PS. e redução na variabilidade do produto. o custo da desmontagem pode ser maior ou menor do que a disposição em aterro sanitário.depto engenharia de produção . Dependendo do número de etapas necessárias para separar os módulos. PP. 271). desde que não haja destruição das peças por causa do processo. As vantagens do DFD são (GUPTA. que constitui uma montagem. projeto do produto desencaixe de componentes e/ou reciclagem conjunta de sistemas (por exemplo. esses plásticos amolecem. Quando submetidos ao aquecimento a temperaturas adequadas. Esses dois tipos de desmontagem são necessários quando. em um mesmo produto. respectivamente. PEBD. como mostra o Gráfico 1 (GRAEDEL. no caso da desmontagem destrutiva ou força bruta. é necessária a destruição do produto.” Exemplos: PEAD. p. que é incompatível com o plástico PET (politereftalato de etileno). 1996. 146). as peças ou os componentes. Leonard (1991) considera os métodos de desmontagem não destrutiva e destrutiva como montagem reversa e força bruta. Cust o par a at er r o C U S T O Cust o da desmont agem 0 Número de passos para desmontagem do produto di GRÁFICO 1 – Custo para a desmontagem e bl custo de aterro do produto dependendo do número de passos de desmontagem executados FONTE – GRAENDEL. Quanto maior for o número de etapas para desmontar o produto. como tipos de plásticos diferentes. fácil manuseio das peças retiradas. Para a remoção da lâmina. A tampa da embalagem. Um exemplo da desmontagem não destrutiva ou montagem reversa pode ser visto mediante a desmontagem de uma embalagem “PET”. O outro exemplo. 1995. é a desmontagem do aparelho de barbear de plástico descartável. 18 Termoplásticos “são materiais que podem ser reprocessados várias vezes pelo mesmo ou por outro processo de transformação. redução do trabalho necessário na recuperação das peças e dos materiais recicláveis. Um dos grandes obstáculos da desmontagem para o reaproveitamento e para a reciclagem do produto está no alto custo do processo. 2000. MAcLEAN. por ser constituída de plástico PEAD (polietileno de alta densidade). por ser um material incompatível com o plástico. p.

192). na prática. o projetista pode reduzir o custo da desmontagem do produto se esta for considerada desde o início do projeto. o uso do produto em ambiente úmido pode provocar corrosão). parece que o DFD está seguindo uma evolução semelhante ao DFA. a hierarquia dos componentes e as seqüências da primeira montagem são analisadas. Outro algoritmo é utilizado por Mok e Moon (1997) para analisar a desmontagem do produto. 227) propõe as seguintes etapas para o desenvolvimento de um plano de processo de desmontagem: Análise do produto: esta é a primeira etapa do processo de desmontagem. várias abordagens têm sido descritas na literatura para avaliar um produto no projeto para desmontagem. a partir de seu estado original (por exemplo. Ambas as sugestões foram apontadas para possibilitar a fácil desmontagem. Um exemplo pode ser visto em juntas de encaixe por pressão. O autor ressalta que o método utilizado fornece medidas importantes para a facilidade de desmontagem. Os autores ressaltam que a mesma metodologia pode ser aplicada aos processos de desmontagem robótica e em outros produtos. deve ser identificada a desmontagem satisfatória. Em seguida. Análise da montagem: na segunda etapa. Os autores analisaram as características dos materiais e as características geométricas das peças. com vistas na reciclagem dos materiais. Para maximizar o retorno aos projetistas. O algoritmo é usado para reduzir a divisão dos processos de desmontagem dentro de um componente do sistema de recuperação. O algoritmo é usado com a aplicação da regra de projeto em um painel de um automóvel. O procedimento é demonstrado através da avaliação de um teclado de computador e consiste de um gráfico de avaliação de desmontagem correspondente às tarefas difíceis. enfatizando um assunto muito abrangente. ambos são bem diferentes. apud Gupta e Mclean (1996. O estudo demonstrou a necessidade de modificação no projeto. O modelo é aplicado em placas de circuito impresso com chips montados de computador. p. concluiu-se que houve um melhor reaproveitamento das peças por facilidade da desmontagem.depto engenharia de produção . embora a intenção do DFD e do DFA possa parecer semelhante. nesses casos. Os autores ressaltam que. Atualmente. capturando as fontes de dificuldades na performance de cada tarefa. subconjuntos e elementos de ligação usados no automóvel. O mecanismo de desmontagem entre as peças e os subconjuntos é analisado no sentido de avaliar a © 2006 eduardo romeiro filho 175 ufmg . os meios mais eficientes para a recuperação de peças e de componentes e que o DFD exige que os projetistas adotem uma nova perspectiva no projeto do produto. por meio de uma submontagem. do ponto de vista da desmontagem. que exigem pouco esforço para fechá-las. impossível removê-las por falta de ferramentas adequadas. que é o descarte do produto em seu fim de vida e que tem sido aplicada para analisar diversos produtos diferentes visando à reciclagem ou recuperação. Hanft e Kroll (1996) apresentam um procedimento para avaliação da fácil desmontagem para a reciclagem do produto. muitas vezes. quando utilizadas para comparar projetos alternativos do mesmo produto. recuperar e reusar os componentes úteis. Segundo Kroll e Carver (1999. com a finalidade de desmontar as placas. Kroll e Carver (1999) apresentam uma análise de desmontagem do produto utilizando o método de estimativa de tempo de desmontagem com o objetivo de auxiliar os projetistas a identificar as fraquezas do projeto. Kriwet et al (1995) propõem um estudo onde é analisada a desmontagem de uma máquina de lavar roupas. mas torna-se. É criado um algoritmo que é aplicado para proporcionar o melhor plano de desmontagem. p. normalmente. Os resultados difíceis resultantes da análise de medição do trabalho da desmontagem-padrão fornecem meios para identificar as fraquezas no projeto e as alternativas para comparação. Modo e análise do efeito: a terceira etapa leva em consideração as incertezas do processo da desmontagem. projeto do produto Segundo Graendel e Allenby (1995. A avaliação baseada no tempo de desmontagem é aplicada em uma broca elétrica e as dificuldades associadas com a criação de outras métricas de desmontagem são discutidas. 1993. Veerakamolmal et al (1997) apresentam uma abordagem gráfica para alcançar um plano de processo de desmontagem eficiente. A maioria das abordagens utiliza métodos quantitativos e/ou simulações feitas pelo computador. se a desmontagem do produto for muito complexa. pois muitos produtos projetados para uma fácil montagem muitas vezes são difíceis de ser desmontados. o descarte no aterro pode ser a melhor opção do ponto de vista financeiro. as técnicas de desmontagem destrutiva são. Determinação da estratégia de desmontagem: na etapa final é definido se será usada a desmontagem destrutiva ou a não destrutiva. 271). a junção dos elementos. o método analisa as fraquezas do projeto. gerando possíveis desvios de um produto usado. Os autores apontaram duas sugestões: agrupamentos dos componentes elétricos/eletrônicos e o uso de presilhas especiais para ligar a tampa. Hentschel. Por outro lado. p. De forma geral. na qual devem ser definidos os materiais e as peças reusáveis ou valiosas do produto. Após a finalização da modificação do projeto.

1984. são encontrados na literatura. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. Neves (2002) apresenta um estudo sobre a desmontagem do produto para a reciclagem. apud ROMEIRO. 28). o lucro das peças recicladas e reusadas. Após a desmontagem do produto. Os autores ressaltam que o painel deve ser projetado tanto para facilitar a inserção da ferramenta quanto para facilitar a desmontagem das peças. Mok e Moon (1997. conforme já foi mencionado anteriormente. modificação. a tendência de um rápido crescimento na produção será inevitável no futuro. 10. Embora esse tipo de desmontagem seja uma prática recente. Os autores desenvolvem o método com a presunção de que a seqüência de montagem é o reverso da seqüência de desmontagem. Arai e Iwata (1993) propõem a utilização do sistema CAD19 para simular a montagem/desmontagem de um produto. O estudo demonstrou que a viabilidade econômica da desmontagem sistematizada do produto induz os novos projetos de produtos a facilitar a sua desmontagem. p. como os simulados por computador. Os pontos fracos identificados neste estudo foram: dificuldade de inserir uma ferramenta para desmontar peças em pontos de pressão e a dificuldade de sustentação da força por causa da força de pressão nas juntas. Os autores também observam os problemas crescentes relacionados ao operador durante a desmontagem. Outros métodos. O método simula todos os movimentos possíveis para a desmontagem de todo subconjunto do produto. por exemplo. Navin-Chandra (1993) desenvolveu uma ferramenta de projeto auxiliado por computador para avaliar o processo de recuperação do produto. Todas as seqüências geometricamente possíveis de desmontagem são criadas no sentido de identificar a seqüência de desmontagem que reduz o seu tempo e o seu custo. 1997. O autor conclui que esse método é eficiente para avaliar o processo de recuperação do produto. O processo manual foi comparado a um processo que utiliza ferramentas elétricas ou pneumáticas. Por meio de um algoritmo calcula-se o tipo de desmontagem mais lucrativo usando base de dados incluindo os custos de disposição. O DFD pode ser visto também pela desmontagem nas indústrias de automóvel. Vujosevic et al (1995) apresentam uma abordagem para a simulação. a montagem reversa não pode ser sempre usada como estratégia de desmontagem do produto.depto engenharia de produção . p. 19 CAD (Computer Aided Design) – Projeto Assistido por Computador. é apresentada a abordagem que possui a melhor seqüência de montagem entre todas as seqüências possíveis. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. como mostra a FIG. CAD “é uma tecnologia multidisciplinar. O projetista apresenta informações sobre a estrutura de um produto em uma tabela. cada material foi agrupado. Essa ferramenta é baseada em uma árvore de decisão com o objetivo de planejar e otimizar a desmontagem do produto para sua recuperação. Essa presunção não é totalmente válida. o tempo e os custos da desmontagem. ZIMMERS. 621) apresentam várias atividades internacionais sobre a desmontagem do automóvel. De uma forma geral. análise e/ou otimização de um projeto” (GROOVER. Ao final. pois. 1997. o tipo de agrupamentos de peças usadas e como cada peça é presa. p. animação e análise da desmontagem. 27). © 2006 eduardo romeiro filho 176 ufmg . projeto do produto desmontagem de peças recicláveis em automóveis sucateados. A tecnologia CAD pode ser definida como “a utilização de um sistema computacional para o auxílio na criação. Fez-se uma análise da desmontagem manual de um refrigerador doméstico (marca CONSUL) para verificar as dificuldades do processo. pesado e valorado de acordo com o valor de mercado.

depto engenharia de produção . em sua maior pureza possível. 2) ressaltam que um dos aspectos que têm favorecido a indústria automobilística. por volta de 2005. facilita a desmontagem e a reciclagem com ganhos de escala”. Esta ciclização de materiais somente pode ocorrer se os materiais que atingiram o final da sua vida útil. TP Associação – Avaliação do sistema para Gerenciamento de Eficiência desmontagem.1. &Bayer – Melhoramento da estrutura. Esse aumento pode ser visto pelo resultado de uma pesquisa realizada em 1991. a reciclagem tornou-se uma ênfase na maioria dos países industrializados. 1996). porque a quantidade de produtos usados e descartados no meio ambiente tem aumentado dramaticamente. e de nível de utilidade é de fundamental importância. © 2006 eduardo romeiro filho 177 ufmg . atualmente. do ponto de vista ambiental. (USA) FIGURA 10 – Atividades internacionais sobre desmontagem FONTE – MOK e MOON. 150 milhões de computadores obsoletos.6 Projeto para Reciclagem O Projeto para Reciclagem – Design for Recycling (DFR) significa projetar um produto prevendo a sua reciclagem com o objetivo de facilitar a sua desmontagem para recuperação do material. Foi estimado que. 2. IWO – Célula de instalação da desmontagem Munique utilizando-se robôs industriais. é a redução do número de plataformas. Medina e Gomes (2002b. na Carnegie Mellon University. entre eles a Ford. pois. projeto do produto Instituto Engenharia de Sênior de CONTEÚDO Pesquisa Pesquisa WZL Prof. dos mesmos sistemas e dos mesmos materiais em vários modelos. “esse esquema. 1996. (Alemanha) – Estudo sobre a estrutura do produto para desmontagem. que permite a utilização das mesmas peças. p. p. – Desenvolvimento do sistema de Aschen Eversheim avaliação para desmontagem.4. Mobay – Desenvolvimento para o assento do automóvel. 20 O DFR é considerado um dos aspectos mais importantes da ecologia industrial. chamado de plataformas integradas ou consorciadas. já possuem fábricas de desmontagem com a finalidade de reciclar alguns componentes (GUPTA e McLEAN. p. aproximadamente. estariam descartados em lixeiras (GRAEDEL e ALLENBY. Vários fabricantes de automóveis americanos. p. Segundo os autores. 89). 1996. sem nenhuma possibilidade de materiais recuperáveis. (Alemanha) – Estação da estratégia para desmontagem. (Japão) Japonesa – Criação de alternativas para desmontagem. 89). 621. voltarem à corrente do fluxo industrial e serem incorporados a novos produtos (GRAEDEL e ALLENBY. Chrisler e General Motors. 1997. 20 Ecologia industrial é um dos conceitos no qual a ciclização de materiais.

a reciclagem pode ser dividida em dois sistemas distintos: o looping (ciclo) fechado e o looping aberto (FIG. Essa reciclagem. existem três tipos de opções de reciclagem (KRIWET. reutilização de componentes. após seu reparo ou sua refabricação. reciclagem de materiais. primeiramente. Existem dois grandes problemas de projeto associados ao DFR: os custos da reciclagem e as técnicas de desmontagem. Os principais objetivos para se projetar um produto visando à reciclagem são: economia de energia. por exemplo. 1998. as rebarbas de papel são utilizadas na fabricação de papéis “menos nobres’.6. resto de moldagem. O looping fechado ocorre quando um ou mais resíduos de um sistema produtivo são coletados e retornam ao mesmo sistema.1 Tipos de reciclagem No ciclo de vida de um produto. as peças valiosas e maximizar a “produção” de cada operação de desmontagem. Reciclagem durante o uso do produto: uso contínuo do produto. É necessária a desmontagem do produto. Como exemplo temos o aproveitamento de rebarbas durante a fabricação de peças de alumínio. prolongamento da vida útil de aterros sanitários. 62.1. quando estas são novamente fundidas e reprocessadas no mesmo ciclo de produção. O looping aberto ocorre quando determinado rejeito de um sistema é utilizado por outro sistema produtivo. são reutilizados sem deixar o sistema produtivo de origem. Exemplos comuns são também a reutilização de óleos. de maneira que os materiais e os componentes individuais possam ser reusados ou reciclados. que © 2006 eduardo romeiro filho 178 ufmg .4.1995): Reciclagem de sucata: quando utiliza resíduos da produção. é realizada em outro sistema de produção. porém. Segundo Magalhães (1998). projeto do produto A reciclagem é o processo de recuperação dos materiais e componentes de produtos usados que são utilizados em novos produtos. por exemplo. Simon (1991) ressalta que a desmontagem do produto exige o conhecimento do destino ou a possibilidade de reciclagem das peças ou componentes desmontados. Na indústria gráfica. p. etc. Este tipo de opção é o tópico principal desta investigação. 2. como papel-jornal. refrigeradores. ou seja. o produto é transformado em um novo produto. 11).depto engenharia de produção . redução de material. O mesmo ocorre em relação às garrafas do tipo “PET”. O autor sugere duas alternativas para solucionar esses problemas: retirar. Reciclagem após o uso do produto: no estágio de fim de vida. TIPOS DE RECICLAGEM Looping Aberto Looping Fechado 5 1 5 1 4 4 6 2 6 2 3 7 3 FIGURA 11 – Tipos de reciclagem FONTE – Adaptado de CHEHEBE.

levando em consideração as incertezas dos processos de reciclagem. em diferentes aplicações. na base de dados ambientais são fornecidas informações sobre legislação. onde se observa um notável crescimento em termos de reutilização de materiais e produtos. São analisadas também as opções do fim de vida dos produtos. 12). com o objetivo de escolher projetos de produtos mais adequados à reciclagem. 18. Esses dois tipos de enfoque vêm sendo cada vez mais utilizados pelas indústrias. auxiliando o projetista a incorporar no projeto de seus produtos. utilização de partes de fácil desmontagem e que possam ser reusadas. Referências: © 2006 eduardo romeiro filho 179 ufmg . embora sejam reaproveitadas de forma crescente. por exemplo. a tarefa de desparafusar. poucas operações secundárias. por intermédio de um gráfico denominado “Gráfico de Recuperação”. inclusive no Brasil. fáceis de aplicar e de avaliar na estrutura de trabalho da rede do projeto para a reciclagem. Algumas características gerais do Projeto para Reciclagem são descritas por Gungor e Gupta (1998): longa vida do produto e uso reduzido das matérias-primas. Reciclad o r C o nsum id o r Pr o jet ist a C o nt r o le Base d e d ad o s Fo r neced o r FIGURA 12 – Rede de reciclagem FONTE – KRIWET et al. no sentido de reduzir a quantidade de lixo e aumentar os benefícios obtidos da reciclagem. a rede permite aos projetistas representar e comunicar a informação pertinente ao projeto. Vários estudos apresentam diretrizes para o projeto de reciclagem. ou para produtos gerais. vassouras. onde é introduzida uma rede de reciclagem definindo diferentes tipos de mensagens entre o “servidor” (projetista) e os “clientes” (consumidores. Os autores apresentam diretrizes simples. características que os tornem de fácil reciclagem. A rede de reciclagem trabalha junto com o ciclo de vida do sistema e fornece as informações relevantes a cada fase. projeto do produto não podem ser reutilizadas na fabricação do mesmo produto. fácil separação dos materiais diferentes. reduzindo a quantidade de sucata e simplificando o processo de recuperação. materiais e a história do produto. em que os autores introduzem uma ferramenta de análise quantitativa. para tipos específicos de produtos.. Kriwet et al (1995) apresentam uma abordagem da reciclagem através de uma integração sistemática. 1995. as quais afetam a reciclabilidade do produto.depto engenharia de produção . O custo da desmontagem é um fator relevante. A troca de informação que ocorre na rede é sobre assuntos ambientais e financeiros. número reduzido de materiais diferentes em um simples produto. Simon (1993) desenvolveu um método em que utiliza a árvore de decisão em combinação com os índices do projeto. Gungor e Gupta (1998) relatam sobre um estudo feito por Zussman et al (1994). p. reciclagem e recuperação do produto. por exemplo. ou seja. etc. medidas quantitativas das características do projeto. Os dados para cada tarefa são determinados pelos estudos de tempo e movimento em uma desmontagem feita em laboratório. Partindo do estágio do projeto conceitual. recicladores e fornecedores) e entre o sistema de reciclagem (FIG. processos de reciclagem. Zussman (1995) faz uma análise de custo para desmontagem. preocupação aumentada do equilíbrio do ciclo de vida e das despesas do reprocessamento. como fabricação de fios. Essa métrica é calculada a partir do tempo exigido para executar uma tarefa de desmontagem-padrão.

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com.Edição 1 804 .br/280503/p_052. o principal m ercado na que a em presa t em fábricas. na Suécia. por exem plo.28 de maio de 2003. Já a aplicação do sist em a São Bernardo do Cam po. Texto “Sistema Modular”.html Acesso em 26 de maio de 2003. http://veja. um a das líderes na de ruído ext ras por causa da legislação venda de cam inhões pesados no Brasil. na Grande São m odular em âm bit o m undial perm it iu a Paulo. m as m ercado. local. na cont inent es. Os veículos export ados para Holanda e na França. ou D e sign pa r a M on t a ge m . a Por ser um a em presa de t am anho m édio Scania pode fazer 6 m ilhões de no set or aut om obilíst ico m undial.000. Com o obj et ivo de t ornar a Scania não t inha m uit as alt ernat ivas. para criar um auxiliar que perm it e esquent ar a cabine sist em a m odular de fabricação de m esm o com o m ot or desligado. cerca de 100 m odelos de cam inhão. u m e x e m plo. Os dest inados à foi buscar inspiração no Lego. Ásia. O sist em a. Fonte: http://www. a m ont adora reduziu o corria o risco de perder fat ias vit ais de núm ero de alt ernat ivas no cat álogo. Com a redução do núm ero de m ant eve a quant idade de opções em peças de cerca de 30. É conseguiu baixar os cust os de essa variedade que perm it e à fábrica em est ocagem . t odos os países em a Coréia do Sul. Ou operação viável do pont o de vist a apost ava t udo no sist em a m odular ou com ercial. recebem abafadores que t am bém inclui um a rede de 500 30 Fonte: VEJA on line .000 para 12. veículos. vender cam inhões sob m edida m ont agem dos m esm os produt os no para países espalhados por t odos os Brasil. projeto do produto D FA: D e sign for Asse m bly. 6 M ilh õe s de Com bin a çõe s A Sca n ia fa z u m m ode lo m u ndia l qu e é a " ve r sã o Le go" dos ca m in h õe s pe sa dos Marco de Bari30 A sueca Scania.abril. Junt ando as diferent es peças. na Argent ina. o Europa t êm um sist em a de aquecim ent o brinquedo de m ont ar.com. m ais exigent e.br/brasil/empresa/eng_e_prod/sist_modular.htm © 2006 eduardo romeiro filho 182 ufmg .depto engenharia de produção .scania. a com binações.

Sistema Modular O sistema modular de produtos é uma solução de engenharia tradicional na Scania. o resultado prático é a possibilidade de ter um caminhão específico para suas necessidades. Apesar com o sistema modular fica mais fácil e prático dos progressos. grande vantagem é na hora da manutenção: president e m undial da Scania. Para o cliente. iniciado na década de 40. além da rapidez e da facilidade da manutenção. Com esse sistema. Pois. Em vez do fim dest e ano. baseado em três princípios essenciais: © 2006 eduardo romeiro filho 183 ufmg . Esse processo. a AB Volvo t em at é abril para se desfazer dos 46% de ações da Scania que possui. os suecos da Scania est ão at ent os às Com a Série 4. dessa forma. Ganha também a produção. com ent re o Mercosul e a União Européia mais versatilidade e rapidez de montagem. com conseqüente redução de custo. Preocupados com as barreiras ao componentes. Naquela época.depto engenharia de produção . projeto do produto fornecedores m undiais. tem sido um fator chave do sucesso da Scania desde então. seus componentes e estrutura serão sempre semelhantes. por mais diferente que seja o modelo de veículo Scania. 1998. os veículos passaram a ter um negociações ent re os blocos econôm icos. m as recebeu os últ im os acert os e ganhou im pulso no ano passado.com ércio medida". um considerável ganho de escala na fabricação. é possível t odas as m et as de redução de cust os em ter apenas uma pequena variedade de artigos escala m undial fossem at ingidas t eve de em estoque. possibilitando mais combinações. Esse conceito de produção baseia-se na combinação de um número limitado de componentes para montar um grande número de modelos de veículos. est ava Enfoque no segmento de funcionando em m archa lent a desde veículos pesados. ser prorrogado. O prazo para que componentes. cam inhões pesados export ados pelo Padronização de Brasil. será em m eados de 2004. E a acont eça" . disse a VEJA Leif Öst ling. intercâmbio maior de componentes. nem t udo t em saído de qualquer tipo de reparo ou substituição de acordo com o script . Os clientes " Est am os fazendo lobby em Bruxelas podem contar com veículos feitos "sob para que o acordo de livre. fluxo de peças ent re suas fábricas. Tam bém no ano que vem expira out ra dat a espinhosa para a Scania. o engenheiro sueco Carl- Bertel Nathhorst desenvolveu para a Scania a receita para produtos modulares. Por causa de um a decisão do órgão responsável pela concorrência econôm ica na Europa. Há. quando Definição do caminhão como a Scania respondeu por 58% dos produto principal da empresa.

tais como meio ambiente. Informações ambientais. pois pode-se evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. como mostra a Figura 1. estoque em processo e produtos acabados do ponto de consumo até o ponto de origem.br Eduardo Romeiro Filho (UFMG) romeiro@dep. produção. 2. © 2006 eduardo romeiro filho 184 ufmg . direcionadas aos projetistas para as considerações de variáveis ambientais no desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. 1993. O objetivo deste artigo é reunir um conjunto de informações ambientais que se encontram dispersas na literatura para orientar os projetistas no sentido de incorporar as variáveis “desmontagem” e “reciclagem” no projeto do produto. com o objetivo de recapturar o valor agregado ao produto ou realizar um descarte adequado. logística. 1. para evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. e natureza das fontes)? Como poderá obter as informações (acessibilidade. Com o advento das preocupações ambientais. Esse processo é denominado Processo Logístico Direto ou Distribuição Direta. O atendimento dessas exigências demanda uma grande quantidade de informações provenientes de áreas distintas.1 Desenvolvimento do produto O desenvolvimento de um produto a partir de materiais novos. passa por um processo natural – suprimento. O objetivo deste artigo é reunir informações necessárias que se encontram dispersas na literatura. Esse processo gera materiais reaproveitáveis que podem retornar ao processo tradicional de suprimento. o Processo Logístico Reverso é definido como o planejamento. cuja expressão mais comum é um conjunto de necessidades das pessoas (físicas ou jurídicas) que se relacionam com o problema apresentado”.ufmg. simplesmente. não. pode ser e mais tarde)? 2. p. Rose Mary Rosa de Lima (UFMG) rmrlima@bol. Segundo Lacerda (2002). projeto do produto O Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas I nformações Necessárias. 32). Introdução O projetista necessita de informações ambientais para o desenvolvimento de projeto do produto com o objetivo de atender às exigências advindas de pressões ambientais que as indústrias vêm enfrentando. produção e distribuição. transferidos para outras.br Este artigo apresenta informações necessárias direcionadas aos projetistas para o desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. chegando ao cliente final (consumidor) – sendo considerado um processo divergente. Nessa fase inicial de desenvolvimento do projeto do produto. materiais. custo e demora)? Estas informações são confiáveis (credibilidade. Reciclagem. p. relevância e precisão)? Como interpretar as informações (significado e aplicabilidade)? São suficientes (quantidades e variedade)? Qual é a decisão em função do resultado (sim. podendo enfrentar alguns problemas como (BACK.com. Palavras chave: Projeto para meio ambiente. transferidos para outras. Faz-se necessário obter informações ambientais em todo o ciclo de vida. surgiu um novo conceito de processo de produção – Processo Logístico Reverso ou Distribuição Reversa. “o projeto do produto começa com o estabelecimento de um problema. reciclagem e outras. distribuição. 23): Onde poderá obter informações (disponibilidade. o que torna tarefa complexa para o projetista. As informações levantadas mostram que a seleção de material é considerada um fator-chave durante todo o ciclo de vida do produto. o projetista necessita de um grande volume de informações. desde a concepção até a destinação final do produto. localização. Projeto do produto Segundo Bitencourt (2001. implementação e controle de fluxo de matérias-primas. em especial desde a década de 1990. simplesmente.depto engenharia de produção . autenticidade.

Ga. Para qualquer uma das estratégias escolhidas. Zn Não comum (1-9 ppm) B. U. 60. Sb Fonte: GRAEDEL e ALLENBY. Sc. a seleção de material é considerada um fator-chave e envolve uma série de fatores como: • Escolha de material –A escolha do material. Cu. Ta. Cd. Fe. Th. obsoleto) do ponto pós-consumo até os locais de retorno. W Raro (< 1 ppm) Ag. Ca. Mg. remanufatura.Atividades típicas do processo logístico reverso 3. Li. projeto do produto Materiais Novos Processo Logístico Direto Suprimento Produção Distribuição Materiais Processo Logístico Reverso Reaproveitado Fonte: Lacerda. p. 2002. Pb. K. Na. 60): Classe Elementos Abundante (> 0. p. Retornar ao fornecedor Materiais Revender Secundários Remanufaturar Embalar/ Separar/ Coletar expedir desmontar Reciclar Descartar Processo Logístico Reverso Fonte: (adaptado de Lacerda. 1996. A estratégia pode ser direcionada para aumentar a reciclabilidade. Be. com propriedades físicas e químicas adequadas ao projeto é limitada por sua disponibilidade e seu custo. para facilitar a desmontagem. reciclagem ou de descarte. Hg. Au. embalar e expedir (Figura 2). Ti Comum (> 100 ppm) Ba.Representação esquemática dos processos logísticos: direto e reverso O processo logístico reverso envolve uma série de etapas para destinar o produto (usado. dependendo da estratégia de fim de vida do produto. existem objetivos distintos que o projetista pode focar. Si. separar/desmontar. Rb. Dessa forma. O Quadro 1 mostra as cinco principais classes baseadas nas abundâncias elementares (GRAEDEL e ALLENBY. As etapas desse processo são: coletar. 2002.depto engenharia de produção . Ni. revenda. danificado.) Figura 2 . Mo. Projeto do produto para meio ambiente Durante o estágio do projeto do produto para meio ambiente. o ponto de partida para determinar os tipos de materiais é verificar sua disponibilidade em relação à abundância de elementos e compostos encontrados em nosso Planeta. Zr Relativamente comum (10-99 ppm) Cr.1 %) Al. P. pelo projetista. Sn. 1996. Pb. Figura 1 . Mn. Sr. para reduzir os impactos sobre o meio ambiente etc. V. Quadro 1 – Classe de abundância dos elementos © 2006 eduardo romeiro filho 185 ufmg . Co.

projeto do produto • Redução de material –Independentemente da disponibilidade do material em abundância e em fornecimento. não apenas o produto deve ser considerado. que engloba a substituição e a redução de materiais em um mesmo produto é o da indústria automobilística. mas também seu processo de produção (uso. pois. 65. os novos modelos estão sendo projetados com essa finalidade. visando a uma separação futura. por exemplo. Em relação à reciclagem. Pode-se observar que. Inclusão do DFE no projeto do produto Quando uma indústria adota a abordagem do DFE. capacidade de manutenção. devem ser planejados e considerados. 1996. No caso dos automóveis. significa que uma menor taxa de resíduo será encaminhada ao meio ambiente. p. para todo o ciclo de vida. 17) apresentam três elementos do sistema do ciclo de vida que devem ser considerados simultaneamente durante as fases de aquisição. principalmente no caso dos não tradicionais. Essa consideração talvez seja uma das mais importantes a ser considerada no projeto do produto.depto engenharia de produção . ser reduzida. em quilogramas. fim de vida e estágios de reciclagem. • Substituição de material –A substituição de material é uma estratégia que deve ser considerada no projeto do produto. Nas últimas décadas. A competitividade e a eficiência não podem ser alcançadas por esforços aplicados após o estágio do projeto do produto. além de demandar menor quantidade de recurso natural. Ciclo de vida do produto: inicia-se com a identificação de cada uma das necessidades e estende-se por todo o projeto. a identificação por meio de símbolos é uma realidade. 64). Tabela 1 . Ciclo de vida do processo: inicia-se com a definição da tarefa de produção por intermédio do projeto do produto. produção. p. houve uma redução e substituição de materiais no automóvel típico dos Estados Unidos. o planejamento do processo de produção tem como objetivo reduzir os gastos e descobrir caminhos para © 2006 eduardo romeiro filho 186 ufmg . a fase mais influente é o projeto. Os aspectos ecológicos de um produto. 2002) 4. sempre que possível. Kriwet et al (1995. e o seu peso total (Tabela 1) diminuiu em aproximadamente 11% (GRAEDEL e ALLENBY. opções de reciclagem etc). principalmente no que se refere à padronização de símbolos dos materiais plásticos (MEDINA et al. 1996. pois ele determina as opções de reciclagem e dos processos de reciclagem do produto e também do apoio logístico no estágio de fim de vida. Material 1978 1988 % Alteração Aço carbono 870 654 -25 Aço de alta resistência 60 105 74 Aço inoxidável 12 14 19 Outros aços 25 20 -19 Ferro 232 207 -11 Plástico 82 101 23 Líquidos 90 81 -10 Borracha 67 61 -8 Alunínio 51 68 32 Vidro 39 38 -2 Cobre 17 22 32 Zinco fundido 14 9 -33 Outros 62 57 -9 Total 1621 1437 -11 Fonte: Graedel e Allenby. Agrupa o projeto de produção e sistemas de reciclagem e processos.Alteração do material em um automóvel típico dos EUA. Um exemplo de sucesso. Essa iniciativa já vem sendo utilizada na indústria de embalagens e na indústria automobilística. p. mesmo após uma redução de material. a quantidade de aço carbono. No caso das embalagens plásticas. 2. utilização e reciclagem (Figura 3): 1. zinco e ferro reduziu e a quantidade de plástico. Para a reciclagem. montagem. no período de 1978 a 1988. • Identificação de material – A identificação correta e clara do material é um fator importante utilizado no projeto do produto. uso. A redução de material pode ser feita tanto para diminuir o peso do produto quanto para reduzir o número de materiais não compatíveis. mesmo que o produto seja totalmente descartado. planejamento. antecipadamente. a quantidade de material utilizado em um projeto deve. alumínio e cobre aumentou significativamente. no sentido de formar um sistema ecologicamente completo.

p. Uma vez que estas escolhas sejam feitas. 1995. Esse estágio é a especificidade central dos projetistas.Sistema do ciclo de vida Graedel e Allenby (1996. como componentes de reposição. como todos os outros aspectos do projeto. 3. Um exemplo relevante é o just in time de entrega de suprimentos – uma técnica que reduz o custo de armazenagem e aumenta a qualidade do produto. as escolhas feitas anteriormente no processo do projeto estão longe de um custo efetivo. eficiência. Do ponto de vista ambiental. Os pontos principais para a reciclagem são a coleta e o transporte dos produtos pós-uso. como por exemplo. fornecendo informações para as indústrias de reciclagem. o objetivo é descobrir os processos que levam ao valor máximo do fim de vida. os projetistas possuem uma certa autonomia nas diretrizes de definição referente à escolha de materiais. Da mesma forma. o DFE deverá ser. eles não podem ser produzidos sem uma evolução paralela aos processos industriais. automaticamente. t Figura 3 . projeto do produto reciclar o produto. Interações entre produto e processo – No caso de muitos produtos novos. os atributos ambientais de um produto podem ser identificados e inseridos no projeto. a transferência dos materiais e dos componentes usados para a produção dos novos produtos. um componente da definição do produto e um ciclo de criação. se possível.depto engenharia de produção . Projeto detalhado do produto – É o estágio no qual as considerações do DFX. para fornecer as ferramentas de produção necessárias e tornar os produtos “ambientalmente amigáveis”. custo. como confiabilidade. Ciclo de vida do apoio logístico: engloba o apoio durante os estágios do projeto e produção. qualidade. Tais projetos são razoáveis somente se a resolução final puder ser alcançada e houver ferramentas de produção disponíveis. os caminhos referentes àqueles materiais são incorporados no produto. Os projetos inevitavelmente envolvem problemas entre tais atributos. utilidade. em que há uma contínua evolução para projetar produtos usando-se resoluções cada vez mais apuradas nos circuitos integrados. Para um projeto responsável “ambientalmente”. enquanto reduzem os esforços da reciclagem. A inclusão do DFE nesse estágio exigirá um esforço por parte do projetista e. a composição dos materiais e. Com relação ao sistema de reciclagem. Gerenciamento do material – Geralmente. p. 17. redução de custo e outras não podem ser alcançadas no processo de produção sem a participação ativa de um dos fornecedores da corporação. e o apoio à reciclagem do produto. no sentido de aumentar a velocidade e reduzir o tamanho. tornou-se óbvio que as metas de confiabilidade. Projeto Projeto Projeto Produção Uso e Reciclagem Produto conceitual preliminar detalhado fim de vida Projeto de produção Processo de Processos de e reciclagem produção reciclagem Processo Apoio Apoio à produção e ao Apoio e Apoio à Logístico projeto do produto manutenção reciclagem Estágio de aquisição Estágio de Estágio de utilização reciclagem Fonte – Kriwet et al. qualidade. as metas do DFE podem ser alcançadas somente se os projetistas do processo trabalharem mais próximo aos projetistas de produto. esses relacionamentos podem ser usados para fornecer © 2006 eduardo romeiro filho 187 ufmg . Nesse estágio. o apoio ao consumidor e a manutenção durante o uso do produto. meio ambiente. incluindo principalmente o DFE. 16-17) apresentam alguns procedimentos para incluir as características do DFE no projeto do produto: Definição do produto – A definição de um produto é o estágio inicial e muito importante no processo de seu desenvolvimento. Interações com o fornecedor – Após décadas. são levadas em consideração. etc. materiais e energia para um uso posterior. Um exemplo é a indústria de produtos eletrônicos.

Esta consideração é muito importante. as direções serão diferenciadas. o projetista deve levar em consideração o tipo de material que será descartado. o reaproveitamento e a reciclagem de materiais. 386). pois estes devem ser menos agressivos ao meio ambiente. p. Interações de marketing – Os projetistas e os gerentes do produto podem promover metas industriais ecológicas por meio dos compradores e fornecedores. Quando os materiais tóxicos necessitam ser utilizados em um projeto. o projetista pode melhorar a embalagem do produto (incluindo embalagem para devolução ou embalagem reciclável). na prática. embora tenham componentes isoladamente recicláveis. projeto do produto informações sobre materiais reciclados. Após a vida útil do produto. Toda vez que um projetista utilizar materiais não semelhantes juntos. o automóvel. No caso do descarte. 2002). A importância dessa consideração é mais relevante para os produtos que possuem grande quantidade e diversidade de materiais e componentes. fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas. é importante estabelecer que o prejuízo ambiental resultante do uso da reciclagem de um material é menor que o resultante do uso de um material virgem. Neste caso. © 2006 eduardo romeiro filho 188 ufmg . 252). Segundo Medina (2001). ele deve ter em mente que. de forma que esta reciclagem seja cada vez mais facilitada. eliminá-lo” (BRANDT et al. 2001). uso e descarte.depto engenharia de produção . de processos não destrutivos) ou que possa ser reciclado integralmente em um mesmo processo. Os componentes principais originados do Projeto para Meio Ambiente são: materiais. Evitar o uso de materiais tóxicos é também outra consideração importante. com o objetivo de tornar um resíduo menos volumoso. processamento. p. as considerações de desmontagem não são importantes (KUO et al. • Aterro sanitário: “É um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo. permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e proteção de saúde pública” (IPT. é essencial ao adequado processo de reciclagem que o produto seja facilmente desmontado (por intermédio. em decorrência a certas restrições. Exemplo típico são produtos plásticos que. em quantidade e diversidade. se eventualmente este produto for reciclado. 92) descrevem algumas considerações gerais de reciclagem para serem usadas pelos projetistas nos projetos do produto: Uma das considerações mais importantes é reduzir o número de materiais diferentes e o número de componentes individuais usados no projeto. O agrupamento é um conjunto de componentes e/ou subconjuntos que formam uma característica comum em determinado produto. os materiais deverão ser facilmente separados. cada um contendo variações na composição. é o produto industrializado que possui o maior número de materiais. a reciclagem é ambientalmente a opção mais sensata (HUANG. nos aditivos e nos corantes. como as baterias níquel e cádmio e relés de mercúrio. se a meta do projetista é a reciclagem e se os componentes do agrupamento não são compatíveis. Por outro lado. 1998). fornecer informações sobre os aspectos ambientais relacionados aos produtos e os tipos de reciclagens disponíveis. porque os custos dos serviços tendem a ser uma das barreiras mais significantes para a reciclagem do produto. quando a reciclagem é especificada como meta pretendida do descarte. o que inviabiliza. Graedel e Allenby (1996. facilmente separáveis. dependendo do tipo do produto. Desta forma. Se a meta do projetista é o descarte em aterros. normalmente. criar mercados para resíduos de produtos recicláveis e padrões e especificações para os itens comprados.Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Na execução do projeto para meio ambiente. aterro sanitário e reciclagem. • Reciclagem: “Corresponde ao processode re-transformação industrial do material em uma nova matéria-prima a ser processada” (PEREIRA. as ligações entre estes deverão ser facilmente desmontadas. 5. • Incineração: “É um método de tratamento que utiliza decomposição térmica via oxidação. 1996. Além de considerar as características do produto para a reciclagem. dos materiais usados e dos métodos disponíveis para os mesmos. eles deverão ser facilmente identificáveis e os componentes que os contém. por exemplo. No caso do uso de recursos não renováveis. têm de ser consideradas também as condições de trabalho dos envolvidos na atividade de desmontagem. o projetista pode necessitar de agrupar componentes que não sejam compatíveis. são construídos de forma que a desmontagem é impossível ou economicamente onerosa. 2000. em alguns casos. Dissociar materiais distintos – O projetista não deve juntar materiais que não sejam semelhantes em produtos cuja separação torna-se difícil. isto é. particularmente lixo domiciliar que. Somente em materiais plásticos são encontrados 40 tipos diferentes. podendo ser especificada como meta pretendida no projeto: incineração. O agrupamento de componentes é também considerado fator importante para reciclagem. menos tóxico ou. sempre que possível. reduzindo o transporte desnecessário. p. No projeto do produto. removíveis manualmente ou a partir da utilizaçãondo ferramentas ou equipamentos adequados à separação. A compatibilidade é ponto relevante no agrupamento e interfere na reciclagem do produto.

Como exemplo. do ponto de vista da reciclagem dos materiais. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica. B. após seu uso. é ainda justificativa para opções relacionadas ao projeto voltado para o meio ambiente. Terceira regra: os produtos deverão permitir. em primeiro lugar. A questão econômica. evitar ou reduzir ao mínimo materiais considerados impurezas para a reciclagem do material principal. canais de alimentação ou massalotes. p. FONSECA. Leonardo. Desenvolvimento de uma metodologia de reprojeto para o meio ambiente. verificar se estes podem ser utilizados para outras peças. LACERDA. pois pode-se evitar que problemas ambientais advindos de uma fase do ciclo de vida sejam.depto engenharia de produção . transferidos para outras. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Wilfred. inclusive através da criação de legislação específica. simplesmente. Universidade Federal de Santa Catarina. (2002) . Muitas vezes a redução de custos acaba por sobrepor-se a alternativas de projeto ambientalmente mais adequadas.Design for environment. mas. pois interfere no processo de desmontagem e reciclagem do mesmo. Usar um único material normalmente é impossível. E. Quando não é possível evitar retalhos. com o objetivo de orientar os projetistas no sentido de incorporá-las ao projeto do produto. R. Quinta regra: as peças. para a bucha de um mancal de escorregamento deve-se estudar a possibilidade de adotar o ferro fundido em substituição ao bronze. George Q. entretanto. (1996) . Referências BACK. E BRUNETTI. Se isso ainda não é possível. procura-se outra forma de reciclagem. Nelson. percebeu-se que a seleção de material é um fator fundamental a ser considerado no projeto do produto. e ALLENBY. Parece evidente que a consideração de variáveis como os processos de desmontagem ainda na fase inicial do projeto do produto propiciam uma maior eficiência no processo de reciclagem. (1983) . São Paulo. Quarta regra: no projeto de produtos ou grupos de construção. Por exemplo. IPT. Antônio Carlos P. No levantamento das informações ambientais. London: Champman & Hail. Upper Saddle River. são apontadas a seguir (BACK. uma reciclagem sem que haja necessidade de desmontagens consideráveis ou separação ou dissociação de materiais. Em contraponto. Os produtos deverão ser projetados de tal forma que haja o máximo de superfícies planas. se num conjunto de construção têm-se peças de aço e ferro fundido. T. 489 p. 2000. Rio de Janeiro: Guanabara Dois.(1998) . 2ª edição. regras e procedimentos que se encontram dispersos na literatura. para um produto ou um conjunto de construção deve ser adotado um único material ou ao menos o menor número de materiais diferentes ou. Da mesma forma que a segurança do produto e o atendimento ao consumidor foram progressivamente considerados e hoje são critérios básicos de escolha e itens comuns a produtos que buscam excelência. Segunda regra: selecionar materiais e processos de fabricação que não resultam em retalhos ou a um mínimo destes. A partir da pesquisa ficou claro que a abordagem ambiental torna-se cada vez relevante. então. e esta tendência parece clara e. que poderão ser refundidos. deve-se. em princípio. projeto do produto O reaproveitamento e a reciclagem de materiais dependem de como estes foram especificados no projeto. pode-se dizer que crescentes pressões sociais. Assim. reuniu-se um conjunto de informações ambientais por meio de considerações. BITENCOURT. acabarão por tornar a preocupação ambiental uma variável essencial ao projeto. 6. GRAEDEL. refugos e retalhos de plásticos.Logística reversa – uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. 175 p. Charlie.Metodologia de projeto de produtos industriais. ainda. tampas facilmente removíveis e poucos cantos vivos ou espaços cegos de difícil limpeza. New Jersey: Prentice Hall. Centro de Estudos em Logística – COPPEAD – UFRJ.Design for X: concurrent engineering imperatives. materiais como o cobre e o zinco não podem ser separados na fusão. espera-se que itens como não agressão ao meio ambiente e meios adequados para reciclagem sejam corriqueiros em um futuro próximo. Minas Gerais. 1983. que poderão ser moídos e misturados a matérias-primas na injeção de plásticos. Conclusões Neste artigo. por exemplo. Belo Horizonte. 370 p. HUANG. os grupos de construção ou os produtos deverão ser identificados quanto ao tipo de material e o modo de reciclagem. Dinalva C. 343): Primeira regra: tanto quanto possível. BRANDT.Ecolatina’98 – curso internacional de resíduos sólidos. (1996) . © 2006 eduardo romeiro filho 189 ufmg . 2001. Lixo municipal: manual de gerenciamento de lixo. por exemplo. irreversível. o máximo de aberturas para limpeza. o projetista deve considerar este requisito durante todo o ciclo de vida do produto. Florianópolis. no caso dos aços. o mínimo de diferença entre eles. cavacos. considera-se o problema da limpeza de materiais e de produtos usados e disponíveis à reciclagem. Cinco regras que devem ser levadas em consideração no projeto.

Design for manufacture and design for “X”: concepts. MEDINA. and ZHANG.Design for continuous Innovation: a case study on the sustainability of the automobile for the 21th century. KRIWET. KUO. Vol.. p. Heloisa V. Computers & Industrial Engineering. Anais do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design . Andréa Franco e SANTOS. (1995) .Gestão ambiental na indústria automobilística: o caso da reciclagem de materiais.241-260.3.15-22. Brasília. de e GOMES. Dennys Enry Barreto. levando em conta a complexidade sistêmica da coleta e triagem.Systematic integration of design-for-recycling into product design. (2002) . Maria Cecília Loschiavo dos. applications and perspectives. 41.P&D Design. Tsai-C. 38. PEREIRA. EUA. In: Conference at Washington and Lee University. A. Distrito Federal. HUANG. Samuel A. (2001) . © 2006 eduardo romeiro filho 190 ufmg .. Rio de Janeiro: CETEM. (2001) . ZUSSMAN E. n. Hong-C. Heloisa V.Design pré-reciclagem e pós- reciclagem: contribuição à discussão do problema do lixo urbano de embalagem. G. de. in 10th octobre. and SELIGER.Vol.depto engenharia de produção . (2002) . p. projeto do produto MEDINA. International Journal of Production Economics.

. sejam estes gráficos (desenhos. Para isso é necessário que a documentação de projeto seja constituída por todos os elementos necessários. Fazem parte desta fase também os modelos de teste.depto engenharia de produção .) ou não gráficos (como listas de materiais e descrição de processos de fabricação) para a efetiva construção e reprodução do objeto concebido. pois não eram pensamentos literários. em sua grande maioria. projeto do produto Terceira Parte: a técnica Vinham-me idéias que ( . parece definitivamente sepultado para produtos em série. Na atual sociedade industrial. Mauritis Cornelis Escher Esta fase concentra as atividades ligadas ao Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. o que leva as empresas a adotares equipes cada vez maiores para seu desenvolvimento. I sto não podia acontecer com palavras. mas sim “imagens de pensamentos” que só se poderiam tornar compreensíveis aos outros.) me cativavam de tal maneira que as queria absolutamente transmitir a outros. os produtos possuem. ( .. esquemas etc.. do domínio do processo de concepção e construção por um só indivíduo. Neste caso.) como imagem visual. elementos fundamentais para a validação do projeto antes de seu lançamento no mercado. O ideal artesanal. torna-se essencial à equipe de projeto prover meios eficientes para que o produto concebido possa ser construído de maneira fiel. altos níveis de tecnologia agregada. como maquetes e protótipos.. © 2006 eduardo romeiro filho 191 ufmg .

tendo em vista a crescente facilidade de acesso à informação. neste novo cenário. no que tange aos conhecimentos relativos à "Representação Gráfica" e à utilização de novas ferramentas. o explicar a necessidade de formas complementares que torna a formação profissional um objetivo e/ou paralelas de formação. em especial dos novos Engenheiros de Produção. com a criação de cursos mais curtos. No que se refere ao estudo da engenharia. uma mais exigente! quantidade cada vez maior de informação e uma Este aparente paradoxo pode parcialmente inédita facilidade de acesso a esta informação. projeto do produto A Representação do Produto e sua I mportância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. tendo sua formação e critérios muitas "levemente neuróticas" pelo conhecimento (para vezes questionados diante de um "público" sempre utilizar uma expressão que pode ser considerada mais exigente. é necessária uma formação consistente. e por fim uma disposição maior exigência com relação a aspectos acadêmicos eterna para a constante atualização e reflexão. (futuro) mercado de trabalho e. com o A formação profissional em qualquer área do objetivo de atender a demandas específicas (e conhecimento encontra-se. os Pode-se dizer que o perfil mais adequado aos professores são colocados cada vez mais "contra a alunos nas atuais condições é o de pessoas parede". como programas de constante que não pode ser restrito à formação iniciação científica. postura "pró. cursos extracurriculares.depto engenharia de produção . sem a pretensão de esgotar o tema. INTRODUÇÃO. exigências e necessidades crescentes. Desta 1. É hoje intensa a discussão com relação às características adequadas à formação de novos profissionais em qualquer área do conhecimento. como por exemplo na adoção de sistemas CAD (Computer Aided Design. a uma ativa" e empreendedora. competitividade no mercado de trabalho e inovações tecnológicas disponíveis. em períodos curtos. o Ministério da Educação sociedade e no mercado de trabalho. O cenário demonstra-se desta forma provocativa). ao lado de propõe a flexibilização curricular e um progressivo importantes modificações na legislação proposta enxugamento dos cursos de graduação. Cabe ao mais garante a excelência de conhecimento e um aluno. tendo em vista alterações dinâmicas na Por outro lado. dos cursos de graduação. inclusive © 2006 eduardo romeiro filho 192 ufmg . de acadêmica tradicional. que pode ser traduzida em vez mais a necessidade de uma "formação flexível". ou Projeto Auxiliado por Computador) Este artigo busca trazer subsídios à discussão acerca das características adequadas à formação dos engenheiros. sendo assim. instável. mestrado profissional etc. a introdução de novas tecnologias informatizadas nos processos de projeto trazem forte influência. com estrutura flexível. de liderança. o que leva a que agregue conhecimentos de línguas estrangeiras. de maneira geral. Um curso universitário não pós-graduação. Por outro lado. "pós-técnicos" (que não serão tratados neste trabalho). uma constante preocupação com as perspectivas do capacidade criativa. Há cada pelo conhecimento. em dinâmicas) de um mercado de trabalho cada vez um interessante impasse: por um lado. uma ansiedade constante lugar de destaque no mercado de trabalho. maneira.

por outro lado. Não é razoável supor um engenheiro de aprendizado de desenho técnico ou de que não conheça os princípios básicos de desenho e representação gráfica em engenharia. como o representação de projetos (ou do objeto concebido). deve-se levar em consideração que o tempo Neste trabalho a discussão concentra-se. É possível dizer que este tipo de outro lado. desta necessário ao efetivo domínio destas novas forma. engenharias. dedicam capítulos da mesma forma que não seria razoável imaginar importantes à escolha. visto que o computador nem novas exigências posturais e problemas advindos da sempre está disponível). A entre o estágio tecnológico atual em sistemas CAD representação de objetos. de verificadas nos processos de trabalho em Thomas E.depto engenharia de produção . em especial de sistemas voltados para escolha e manejo dos instrumentos CAD (sigla inglesa para Computer Aided Design. sendo o quarto apenas para a conseqüências mais importantes do que pode-se construção de letras e algarismos. esquadros. sistemas. mas se interpõe necessidades em temos de formação. bem como do teor das do CAD. Este tipo de perceber a princípio. atua de forma muitas vezes Produção etc. A REPRESENTAÇÃO (OU EXPRESSÃO) projeto acabam por submeterem-se à configuração GRÁFICA. este problema torna-se especialmente complexo: Por um lado. Pode-se. o que torna o (ao menos significativa sobre os níveis da carga de trabalho à teoricamente) corpo discente potencialmente qual o usuário de sistemas CAD está exposto. estruturas mínimas que BAGNARA (in REBECCHI. no conteúdo e na extensão dos tecnologias possui relação com o domínio da antiga conhecimentos necessários à formação do interface. por excelência. completamente diferente da tradicional. da mera elaboração de desenhos conhecimento está sendo substituído pela técnicos para documentação de projeto. (como as diferentes formas de se apontar um lápis. menos complexo. Desta maneira. Ora. publicado orignalmente nos engenharia a partir da introdução de novas EUA em 1939. Desta forma. das atribuições profissionais. por linhas31 etc. do âmbito das sistemas pela maioria de seus usuários e o sistema engenharias. o corpo docente envolvido com a Engenharia nova interface representada pelo computador e seus de Produção. e o nível ainda superficial de conhecimento destes sempre foi. não trabalho ligadas a diferenças na concepção. No que diz respeito à representação (ou expressão) gráfica em especial. continuem pertinentes. Neste cenário. este cenário não é. tira- se deve esperar que o engenheiro ocupe-se. preparo e manejo dos um médico sem conhecimentos de anatomia. © 2006 eduardo romeiro filho 193 ufmg . do equipamento e ao nível de aprendizado do operador. ainda discute campos de atuação. todo o desenvolvimento da tarefa é diversas disciplinas oferecidas à formação realizado a partir das condições delimitadas pela adequada deste Engenheiro. Não preparado (através da seleção imposta pelo se trata mais de uma tarefa de execução de vestibular) e especialmente sensível às próprias desenhos ou concepção de objetos. área ainda relativamente nova entre as periféricos. seja definição das características adequadas ao perfil ele engenheiro ou projetista. (software). fazer uma analogia como poderia-se supor. ao lápis. Os diferentes meios de promissores (senão o mais promissor) dentre as trabalho e produção interferem de maneira diversas engenharias. Engenharia de Produção. especialmente. bem como a habilidade no traço. Alterações nas cargas de conhecimento. que não foram assimiladas pela maioria utilização constante de sistemas informatizados são das Universidades e Cursos de Graduação. ou Projeto Auxiliado por Computador) representam por exemplo). compassos. As modificações 31 No tradicional livro "Desenho Técnico". principal agente daquilo que modelos de formação. Diversos as normas relacionadas às diferentes formas de livros de ensino de desenho técnico. O computador. os três primeiros capítulos são tecnologias informatizadas. os procedimentos de construção do desenho e formas de concepção do 2. o que necessidade de domínio da tecnologia informática e representa uma lamentável queda e séria distorção dos diferentes programas utilizados. 1990) denominou de caracterizem a formação do Engenheiro de "barreira informática". nos diversos campos máquina (sistema hardware) e pelos programas do conhecimento. se um curso de desenho Engenheiro de Produção (e dos demais técnico poderia levar anos para tornar plenamente engenheiros) nesta área do conhecimento e. projeto do produto pelo MEC. são imprescindíveis ao desenho em CAD (embora planejamento e desenvolvimento da atividade. modelos. Por outro entre o projetista e seu objeto (concebido) uma lado. nas ferramentas que devem servir de base a este conhecimento. Não materiais como lápis. tradicional FRENCH (1971). A partir da utilização profissional desejado. French. que aparentemente é dos mais engenheiro e sua tarefa. existe uma Muitos fatores ligados à informática alteram expectativa extremamente interessante por parte do consideravelmente as formas de interação entre o mercado de trabalho. alguns dos novos aspectos a serem observados nos Em relação ao campo específico da processo de trabalho em CAD. torna-se urgente a decisiva sobre os procedimentos do operador.

Pode-se dizer que esta mudança nos agravante: embora a tecnologia CAD já esteja meios de impressão e difusão de informações só amplamente disponível. de cópias físicas de documentos. o processo de concepção de técnica de desenho necessitam agora ter esta veículos é uma atividade predominantemente orientação questionada (deve-se notar. os currículos não copiadoras e impressoras em escritórios. cartas. Por outro lado. 1988). porém. e um estágio conclusivo no qual exemplo. que manual. continuam essenciais apresentada pelo computador. de aplicar essas novas as decisões tomadas são organizadas num tipo de técnicas que a computação linguagem que possibilite a comunicação e oferece também na produção de arquivamento dos dados e a fabricação do produto. 1996). tradicionais de desenho em prancheta. o bom projetista ainda não encontra paralelo na introdução dos tipos móveis pode se dar ao luxo de desconhecer as formas por Gutemberg. Cartas circulares por correio conhecimento os efeitos da implantação de novas eletrônico (ou e-mail). fichas e formulários por tecnologias sobre o pessoal da área de projeto tem sistemas de cartão magnético etc. mas de avaliar até mão-de-obra qualificada. especialmente em computador vai além da fase de escritórios. a etapa fundamental da concepção do série de modificações nas características produto permanece como privilégio eminentemente necessárias ao trabalho do pessoal envolvido em humano. fazendo com que desenhistas. também de fundamental importância: se a concepção de documentos. provavelmente também tivemos A representação gráfica no desenvolvimento dificuldades em aprender a de projeto de produto consiste basicamente na utilizar um esquadro para. que ponto estas tecnologias modificam as "Antigamente o que se necessidades da formação em engenharia de aprendia podia ser aplicado por produção nesta área. nosso trabalho exige sempre 3. a informatização e a projetistas e engenheiros tenham necessidade de modernização dos sistemas de comunicação alguma forma de treinamento especial. A reprodução agora é imediata.) "Hoje os jovens reprodução de documentos. como fator de transformação das sociedades. tendo por controle e efetivamente mais livre para o finalidade modernizar e tornar mais eficiente o engenheiro. toda a vida profissional. A contribuição do Com a informatização. ou seja. mas. por transformação de idéias e informações em exemplo. no século XV33. desenhar um objeto em representações bi ou tridimensionais. não pode ser comparada àquela importante uma análise de todo o currículo dos oferecida pelo conjunto lápis/papel. objetos. por exemplo. Programas e currículos grandes vedetes na utilização de sistemas CAD que sempre enfatizaram o desenvolvimento da desde os anos 60. avançada que seja. existe ainda um qualidade. transformado de profissional". portanto. o que leva a A partir desta constatação. por análise e síntese. Com efeito. projeto do produto habilitado um projetista. meio físico para digital. Não se trata apenas principal de transformação ocorre entre um estágio de aprender a produzir boas inicial de busca de informações. sido intensas.cit. Torna-se. assimilação. AS NOVAS FERRAMENTAS DE novos conhecimentos.depto engenharia de produção . de melhor cursos ligados à atividade de projeto." (NAGEL. Não se trata naturalmente de discutir as sistema de ensino e assim acelerar a formação de aplicações das novas tecnologias. por mais simples e à formação dos desenhistas). ainda úteis 33 em diversas situações (como. praticamente ilimitada e de alta 32 No atual estágio tecnológico. faz com que a reprodução torne-se atividade corriqueira. deve-se chegar à modificações nos processos de trabalho e na outra. A interface projeto. Uma interessante análise do papel da técnica eventuais panes do sistema informatizado). pois ainda trouxeram uma inédita facilidade de acesso e segundo NAGEL (op. como cálculos e A implementação do CAD leva a uma simulações. Mesmo nas indústrias automobilísticas. formulários. Hoje. colocou-se a expectativa do virtual fim representação gráfica. in BONFIM. fenômeno caracterizado designers ainda se formam sem ter o conhecimento pela cada vez maior presença de máquinas do uso dessa técnica. A correspondem mais às necessidades da vida mudança do "documento original". projeto e em sua formação. além de matemática. © 2006 eduardo romeiro filho 194 ufmg . e vários tipos de documentos poderiam ser substituídos por meios informatizados Com estas alterações nas exigências de de comunicação. tendo em vista questões de interface conhecimentos como desenho técnico e teoria do (conforme retratado em SOBEK. representações gráficas. por que esperar que com a atual tecnologia informática permite a realização da informática este processo seja mais rápido32? maioria das atividades corriqueiras da atividade de desenho e mesmo de projeto. No início REPRESENTAÇÃO da formação acadêmica. A atividade perspectiva.

A observação dos "projeto concebido diretamente no computador" resultados. menos capazes de prosseguir neste "eterno engenharia mecânica naquele país demonstrou que processo de formação". conhecimentos acerca de sistemas CAD ocupam Em relação à larga utilização de meios posição de destaque. Ora. Embora a idéia de um (ver introdução desta apostila). serviços de acesso a bancos de dados no Estes fatos demonstram como a concepção exterior tornam-se cada vez mais acessíveis. ocupando as principais do CAD não elimina (e provavelmente não posições seja na visão da Indústria como da eliminará a curto prazo) a necessidade de desenhos Universidade. e TAVARES e MORAES. para que estes objetivos sejam em papel. auxiliares (improvisadas para este fim). que assemelha-se a uma físicos. são alcançados. 1992). As estações consideravelmente (PFAFFENBERGER. Por outro lado. necessidades da utilização de desenhos em meios Este fenômeno. ao ampliar determinada porção deste desenho (através do recurso de aproximação ou "zoom") perde-se a noção de conjunto. a realidade demonstra que uma em setores de projeto ainda é um objetivo de longo permanente formação e reciclagem será prazo. dos postos de trabalho em sistemas CAD tornando até certo ponto "trivial" um levantamento desconsideram em sua grande maioria as de informações em nível mundial. Além auxílio de fita adesiva) os desenhos de referência. sendo considerados como físicos de representação. 1996). Uma simples consulta à rede empresas pesquisadas foi verificada uma constante Internet ou a bancos de dados digitais pode prover disputa pelas estações gráficas situadas próximo uma quantidade de informações equivalente à das paredes. A solução para este caso esta na localização de detalhes e orientação durante a impressão de um cópia física. © 2006 eduardo romeiro filho 195 ufmg . no chão ou quantidade antes considerada imensa de mesmo nas paredes próximas. na atividade projetual a essenciais por 86% das empresas e universidades situação não é diferente. naturalmente apresenta dificuldades para legibilidade. demonstra que aspectos ainda seja um dos principais argumentos para a como trabalho em equipe e comunicação são venda de sistemas CAD. Se a existência de ocorre com os processos de informatização dos "cursos de atualização" era desejável até um escritórios de maneira geral. Em todas as empresas pesquisadas. a representação gráfica adequada do objeto proporcionar melhores condições de concebido. o número e a quantidade de colocação destes desenhos. imprescindível para a futura manutenção do Pesquisa realizada pela ASME International e emprego. disso. muitas vezes são utilizados físicas (em papel) de documentos nos escritórios (vários) croquis e/ou desenhos de referência para a não somente não diminuiu. gerenciamento. ponto o clima de alta competitividade representado 1996) entre empresas e universidades americanas por este cenário poderá ser suportável para os com o objetivo de avaliar quais as características trabalhadores. sobre torna-se possível o acesso imediato a uma equipamentos da estação. acaba por interferir no do computador como forma de expressão. impressas com o objetivo de seja. tomando por exemplo a introdução da informática e de seus efeitos sobre a linguagem. O recurso utilizado pelos usuários dos Com a melhoria dos sistemas de sistemas CAD é a alocação de papéis em mesas comunicação e o advento de redes de informação. A perfil profissional e nos processos de formação de realidade demonstra que da mesma forma como diferentes classes profissionais. Por outro lado. Em uma das conhecimento. op. pode-se discutir até que pela National Science Foundation (VALENTI. em especial para aqueles mais mais importantes para os novos graduados em velhos. o número de cópias Além disso. no colo. projeto do produto Com estas facilidades. cit. pois nestas eram afixados (com o extensa e trabalhosa pesquisa bibliográfica.depto engenharia de produção . 34 Um desenho originalmente em A0. complexa sua visualização e manipulação tornando cada vez mais difícil seu adequado (ROMEIRO. acompanhamento do trabalho realizado no monitor34. ou desenvolvimento. que auxiliará na execução da tarefa. a eliminação do papel passado recente. é evidente que a aquisição considerados fundamentais. entretanto. mas vem crescendo construção de um novo desenho. privilegiando de forma exagerada a adoção "overdose de informações". quando reduzido o suficiente para que caiba em um monitor de 14". gráficas não possuem local determinado para a Além disso. é realizada por LÉVY (1995). é crucial que os engenheiros possuam utilizadas cópias físicas dos desenhos em domínio de sua forma clássica de comunicação. o que torna ainda mais informações disponíveis aumenta dia-a-dia.

html) O croqui pode ser considerado como um desenho a mão livre. como no caso desta cadeira para dentistas (veja outras versões abaixo. Possui como principais vantagens a facilidade e rapidez de execução.design.free. nesta página. (fonte: http://farenc.fr/ergonomie1. O croqui permite uma rápida visualização da idéia e dá subsídios aos primeiros estudos.dk/) © 2006 eduardo romeiro filho 196 ufmg . projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Livre ( Croqui) Os croquis permitem a visualização rápida de soluções propostas. A solução final está abaixo. além da utilização de material menos nobre (normalmente papel e lápis comum).toftebjergmedborgerhus. em CAD. propiciando a geração de diferentes versões de produtos. como este do dinamarquês Toftebjerg Medborgerhus (fonte: http://www. sem grandes preocupações dimensionais.depto engenharia de produção .

projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Técnico © 2006 eduardo romeiro filho 197 ufmg .depto engenharia de produção .

projeto do produto Ferramentas de Representação: Perspectiva Os estudos de perspectiva. iniciados na antiguidade (os afrescos de Pompéia. possibilitando a imediata visualização de soluções propostas. como no caso acima.depto engenharia de produção . Oferecem importantes recursos para a representação de objetos ou. precedendo ao renascimento e. por exemplo. apresentam notável desenvolvimento desta técnica) foram retomados a partir do século XIII. em última análise. a atividade de projeto como conhecemos atualmente. de esquemas de montagem. © 2006 eduardo romeiro filho 198 ufmg . na Itália.

Neste caso. novos recursos foram incorporados ao desenvolvimento de produtos. Abaixo: teste de elementos finitos em um quadro de bicicleta. Ao lado: simulação do painel de um automóvel. com separação de componentes por cores. Outra vantagem para o desenvolvimento de produtos desta forma está na utilização de dados de projeto em outras fases da produção. o produto é gerado tridimensionalmente no CAD. parcialmente transparente. como a prototipagem virtual. encaixes etc. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Protótipo Virtual ( ou maquete eletrônica) Com a crescente sofisticação dos sistemas CAD (de Computer Aided Design.depto engenharia de produção . ao lado: um aparelho sonoro. Abaixo. aplicação de cores. como teste de engenharia ou geração de dados para manufatura. de origens diferentes. permitindo que sejam visualizadas soluções de design. Projeto e Manufatura Auxiliados por Computador). é denominada de forma genérica Integração via CAE/CAD/CAM (Engenharia. simulações de funcionamento. © 2006 eduardo romeiro filho 199 ufmg . ou Projeto Auxiliado por Computador). A integração destes sistemas.

A maquete eletrônica serve também para simulação realista da aplicação de produtos ou soluções arquitetônicas. Este mesmo aquivo poderá gerar dados para manufatura. como máquinas de comando numérico. ao Design e à Engenharia (para verificação de interferências. servindo ao Marketing (para alguns testes de aceitação do produto). Acima. © 2006 eduardo romeiro filho 200 ufmg . por exemplo). projeto do produto Acima: As duas imagens da batedeira foram geradas pelo mesmo arquivo. simulação de um “stand” para acesso à Internet. produção de moldes etc.depto engenharia de produção .

Normalmente feito em material facilmente moldável e d baixo custo. neste caso. que tem por objetivo simular alguns aspectos como estética. © 2006 eduardo romeiro filho 201 ufmg . poliuretano. Ao lado e abaixo.depto engenharia de produção . como validação das soluções de projeto e base para decisões da equipe. madeira etc. Abaixo alguns exemplos: Acima. como papel. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Mockup O mockup pode ser considerado como uma representação tridimensional do produto. O mockup serve. simulação de um painel de aeronave. soluções para avaliação do interior de uma aeronave. Os mockups nem sempre são resultado de trabalho primoroso. não funcional. especialmente relacionadas à posição dos instrumentos e do piloto e questões como visibilidade e legibilidade dos instrumentos. dimensionamento e ergonomia.

mit. O modelo testado é feito em madeira. O mockup pode ser utilizado em experimentos diversos em projeto do produto. inclusive avaliação das soluções de estilo junto a possíveis compradores.depto engenharia de produção . Nas fotos acima. o modelo de um misturador portátil (mixer) que permite que seu acionamento seja realizado a partir de diferentes empunhaduras. © 2006 eduardo romeiro filho 202 ufmg . Acima. como simulações de uso e avaliações de natureza ergonômica. projeto do produto A indústria automobilística utiliza-se de mockups para diversos testes.edu/ne/whatmatters/200403/index.html). uma nova proposta para o transporte urbano (fonte: http://alum.

na maioria das vezes. Sua principal função está no apoio à avaliação geral do projeto. Acima. concordâncias dimensionais (são importantes em maquetes de edifícios e plantas industriais. Abaixo. não funcional e. em escala reduzida. exemplo da maquete (em escala de 1:5) de uma semeadora-adubadora a tração animal (que tem seu projeto detalhado a seguir). modelo em escala reduzida de uma catapulta medieval. projeto do produto Ferramentas de Representação: A Maquete A maquete é um meio de representação tridimensional. © 2006 eduardo romeiro filho 203 ufmg . por exemplo) e aprovação de soluções estético-formais.depto engenharia de produção .

para uso doméstico. Na parte de cima da página. fotografado junto ao MAM. maquete em escala 1:5. © 2006 eduardo romeiro filho 204 ufmg . o protótipo. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.depto engenharia de produção . abaixo. projeto do produto Exemplos de Projeto: Cadeira CEM A proposta deste projeto é uma cadeira de estrutura tubular. reclinável e multiuso.

depto engenharia de produção .Divisão de Engenharia Agrícola do Instituto Agronômico de Campinas. O sistema representa economia para o agricultor. com o objetivo de facilitar a aceitação e aumentar a produtividade desse equipamento. foi dada ênfase ao estudo ergonômico. © 2006 eduardo romeiro filho 205 ufmg . manutenção e depósito do equipamento. que não necessita de uma máquina específica para cada atividade. levanta algumas das características da agricultura brasileira e da tração animal. realizado com apoio da DEA/IAC . A semeadora foi projetada a partir de um "Chassi Porta-Implementos Triangular" básico. em que são acopladas diversas ferramentas utilizadas nas atividades do meio rural. projeto do produto Exemplos de Projeto: Semeadora-Adubadora a Tração Animal Este projeto. adequando o produto aos diferentes biótipos do trabalhador rural brasileiro. desenvolvido pelo DE/IAC. apresentando o projeto de uma semeadora-adubadora. o que reduz os custos de aquisição. capaz de trabalhar em até três linhas de plantio simultaneamente. tanto nos aspectos antropométrico como sócio-cultural. Além de melhorias técnicas no mecanismo do equipamento.

protótipos mecânicos da semeadora-adubadora. © 2006 eduardo romeiro filho 206 ufmg .depto engenharia de produção . Abaixo. protótipo do chassi porta implementos em testes de campo. projeto do produto Ao lado e abaixo.

Entre os resultados. com melhorias na papelaria. abaixo). melhorias nos resultados financeiros. foi denominado GESTÃO DE DESIGN. projeto do produto Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães Esta média empresa carioca. iniciou seus investimentos em Projeto de Produto no final da década de 1980. na empresa. Logo após investiu na melhoria de sua Imagem Corporativa. processo de fabricação e atividades de marketing. © 2006 eduardo romeiro filho 207 ufmg . de sistemas completos. resultante do que.depto engenharia de produção . identidade visual e implementação de uma linguagem comum que abrange desde os produtos até caminhões de entrega e Showroom. fabricante de móveis para escritório. fortalecimento da imagem da empresa em um mercado cada vez mais competitivo e uma visão integrada de produtos. incluindo mesas. com o desenvolvimento de linhas como a Futura (ao lado. armários e painéis divisórios.

que permite a produção de linhas diferenciadas a partir de um mesmo produto “Plataforma”. página do “folder” com os diferentes componentes da linha em estrutura lateral metálica.depto engenharia de produção . acima). o que permite diversas combinações e possibilita grande vendagem. e algumas das versões derivadas podem ser vista abaixo. lançada no final dos anos 1980.As diferentes linhas possuem versões com laterais metálicas e em madeira. Uma curiosidade: o nome “Futura”. Ao lado. © 2006 eduardo romeiro filho 208 ufmg . perspectiva do layout do showroom para o lançamento da linha (foto menor. No alto da página. vem da família tipográfica utilizado na logomarca do produto. projeto do produto A linha FUTURA. O produto original está na página anterior. é composta por um sistema modular.

graças a implantação da tecnologia de moldagem de poliuretano.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 209 ufmg . projeto do produto Linha GAMA: A linha de cadeiras Gama possui forte estruturação em critérios de conforto e ergonomia. que permitiu uma grande liberdade formal e bons resultados de projeto. A diferenciação dos níveis hierárquicos se dá pela agregação de módulos. caracterizado pela estrutura modular do assento. o que garante uma extensa linha de produtos a partir de um número bastante reduzido de componentes. que possui as mesmas dimensões em todos os modelos da linha e em todos os níveis hierárquicos. o que levou à conquista do primeiro prêmio no Salão Design Movelsul 96. categoria móveis de escritório.

Desenvolvimento: Especificações do conceito de concebido. desde um parafuso até um navio ou avaliação. projeto do produto O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão . Este artigo busca apresentar e discutir algumas destas ferramentas. somente poderão ser efetivamente observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual. assim. Projetos por Evolução e Inovação. difusão e intercâmbio de informações em tempo real. projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. simplificada. citada por SCHEER ou melhoria de produtos já existentes). Engenharia Simultânea. construção de modelos.Concepção: Análise de especificações. por inovação.1. O setor de projetos em uma empresa é principalmente nos casos de produtos que possuam basicamente responsável. como os colocados da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. notadamente aquelas ligadas à comunicação e à integração entre diferentes equipes de projeto. Colocam-se como produtos. Esta visão acerca do processo projetual. projetos de variações e pouco mais profunda das funções deste setor e das projetos normalizados e fixos. 1. A partir das características de cada produto . artefatos concebidos. As vantagens trazidas.Departamento de Engenharia de Produção Rua Mantena.430 .Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. pontos relevantes para o desenvolvimento projetual no atual estágio de desenvolvimento econômico e diante do atual quadro competitivo. Segundo o autor. pela elaboração de novos projetos. mesmo a grandes distâncias. projeto em escala. Neste caso. desta forma. Sendo (1993). avaliação de soluções.br RESUMO: A utilização de novas tecnologias de base microinformática pode auxiliar em muito a geração. a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça.MG romeiro@dep. desenvolvidos e construídos compilação de variações de soluções e sua pelo homem. ou Projeto Auxiliado por Computador). segundo a diretriz 2210 níveis relevantes de inovação. torna-se interessante uma investigação um adaptação de já existentes. CAD (Computer Aided Design. © 2006 eduardo romeiro filho 210 ufmg . adequando-o às novas ferramentas tecnológicas.Bairro Ouro Preto . SP: UFSCar. 334/304 . o diferentes metodologias utilizadas para a concepção processo de elaboração de projetos pode ser de produtos. BACK (1983) diferencia dois tipos de solução. Os projetos por evolução são aqueles nos apesar de pertinente. nos parece demasiadamente quais as descobertas científicas e tecnológicas são 35 Artigo originalmente apresentado no II Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. .ufmg. a partir de revisão bibliográfica sobre o assunto.Belo Horizonte . colocados aqui de maneira bastante subdividido da seguinte forma: ampla. São Carlos. 35 Eduardo Romeiro Filho Universidade Federal de Minas Gerais . entretanto. Agosto de 2000. tratamento. .depto engenharia de produção . bem como sugerir alterações pertinentes. Associação na condição de novos projetos (e não da adaptação dos Engenheiros Alemães). PALAVRAS-CHAVE: Projeto do produto.30310. edifício. INTRODUÇÃO mais complexo do que pode parecer em princípio. O papel do setor de projetos é bem 1.

pois necessidade de grandes tiragens de documentos depende de fatores por demais complexos. de porém atingindo diretamente as matriciais. entre (muitos) outros (Não é. com o objetivo de criar obras densas e Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil.) tecnologia laser não representou. embora custos bastante elevados. uma Neste caso. clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. possui os algumas das impressoras a laser) a preços cada vez seguintes pontos principais: mais baixos. com as impressoras laser ocupando fabricação. responsáveis pelo traçado em elementos físicos na área da informática. psicológico. de concepção pessoal. O problema Office and House Office). desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato O autor apresenta uma metodologia de tinta que oferece uma impressão de alta baseada nos esquemas de Archer. existentes. op. Fallon e Sidal. sem que haja O mesmo ocorre em relação os plotters. principalmente. sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. mas que pelas novas impressoras em relação àquelas já atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. mas apenas chamar a atenção para sua mercado das matriciais. Se as impressoras de tecnologia laser não entretanto. por exemplo). las técnicas 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. Segundo o autor. no denominado mercado SOHO . por suplantada pelo impacto de projetos baseados em exemplo) ou pelo próprio designer. 350 dado que ha de utilizar toda clase 300 de materiais y toda clase de 250 técnicas sin prejuicios artísticos. ao alto custo representado seja compreensível para seu público. ameaçado MUNARI (1975) apresenta uma visão de pelo aparecimento das primeiras impressoras de metodologia aplicada à comunicação visual. competindo diretamente em nichos de Enunciado do problema. usuários. Um exemplo deste tipo. Vendas desde 1992 e estimativas para 1996. e qualidade (embora não atinja ainda os níveis de que.” (MUNARI. objetivo deste trabalho discutir este foram suficientes para abalar definitivamente o assunto. acordo com a análise das necessidades. 200 Em Milhares de Unidades 150 ha de disponer de un método que 100 le permita realizar su proyecto de Maticial 50 forma adecuada. a série de seja esta análise realizada pela empresa projetos evolutivos das impressoras matriciais está (pelo departamento de marketing. que torna-se economicamente viável nesta matricial. apesar de conceitos do design e das engenharias. O problema a ser mercado pertencentes às duas outras tecnologias.) precisas y con la forma que Laser corresponda a la función (incluida la función O surgimento das impressoras de psicológica). no entanto. O que houve foi uma segmentação deste como meios tecnológicos disponíveis para mercado. o uma forma de projeto por inovação. seja no caso das impressoras a laser pena de todo o processo de concepção ser como. como impressão de componentes principais: o físico e o notas fiscais. Restam às matriciais deve ser analisado a partir de dois aplicações bastante específicas. como personalizados (extratos bancários para envio pelo aspectos culturais. entretanto. onde uma nova artista projeta suas obras utilizando-se de regras tecnologia rompe com as condições do mercado. Este mercado foi. população usuária. seguindo as sugestões de Asimow. que ofereciam significativo que possui uma natural similaridade com diversos aumento na qualidade de impressão.depto engenharia de produção . 2. Pode-se dizer que. sociais e econômicos da correio. é o das impressoras. será necessário um projeto que definitiva ameaça ao mercado das matriciais não somente possua “qualidades estéticas” e que devido. A tecnologia laser apresente um enfoque especial às características associada à impressão pode ser considerada como estéticas e visuais do produto. com diferentes modelos cuja crescente área. acetato etc. sob inovação. O componente físico © 2006 eduardo romeiro filho 211 ufmg . atualmente. nas baseadas em jato de tinta alterado por uma definição equivocada da (para aplicações domésticas e de pequenos questão a ser atendida.) que também enfrentam a mercado foi até o início da década de noventa concorrência da tecnologia de impressão a jato de basicamente dominada por impressoras do tipo tinta. determinados nichos onde a qualidade de impressão por exemplo. Metodologia de Projeto de Produtos. principalmente. “Pero el diseñador. viabilidade econômica e de materiais. O (papel. projeto do produto agregadas a modelos precedentes.cit. isso ocorre com o existência e sua inegável importância).Small Identificação dos aspectos e funções. O termo “qualidade estética” pode representava um fator fundamental e onde havia a gerar uma interminável fonte de discussões. mas tecnologia laser. abordado deve estar bem definido. entretanto modificações radicais nos princípios equipamentos periféricos de sistemas CAD tecnológicos do produto.

levantamento equipes. como no caso da dimensionamento de pequenos parafusos para produção artesanal. que cada vez maiores. mais protótipos. Pode-se dizer que o nível de estreita relação profissional existente entre os sofisticação e detalhamento do processo diferentes membros. sem contudo atuar fora dos e apresenta soluções sem a utilização de uma limites previamente impostos. mesmo devido ao fato de que na específicas da tecnologia utilizada na fabricação do maioria dos casos. A realização de reuniões periódicas. Elemento central do processo de uma etapa essencial. por outro lado. imediata. em atividade projetual. levando a metodologia definida. O Processo Projetual As questões apontadas sugerem. 2. projeto do produto (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. geração de alternativa. sendo pessoas. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. das necessidades e dos elementos identificados. com a construção de um ou gerenciamento de todo o pessoal envolvido e. Em seu lugar surgem equipes uma “solução ótima” para o produto. especializadas no atenda as necessidades levantadas e dentro desenvolvimento de projetos em suas várias dos limites existentes. principalmente. em diferentes empresas e países. pois deve levar a uma síntese Scania. Durabilidade prevista para o produto. apresenta seus produto a ser desenvolvido. Projetos de tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. a confecção de modelos é Criatividade. é bastante facilitada. metodológico adotado obedece às características do Esta solução. No caso de um automóvel. apresentando um especialidades. que apresenta estreitas especialidades ou. formados por elementos de diferentes processo projetual. As formas circulação das informações de forma praticamente de aplicação destas metodologias. tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção © 2006 eduardo romeiro filho 212 ufmg . Disponibilidade técnica. Acima. tecnologias de fabricação de produtos mais estão envolvidas no mais das vezes centenas de "simples" estão amplamente disseminados. Da síntese criativa nascem os modelos. maquete de um caminhão concepção. A crescente complexidade fixação de componentes. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. projeto apresenta a inegável vantagem da determinação da solução e detalhamento. traz em se bojo uma série de níveis crescentes de detalhamento e complicações. Para o projeto de produtos. até atingirem a forma do necessidade de um efetivo e adequado produto final. utilização de componentes já existentes. pesquisa torna-se um recurso inestimável à de tamanho natural ou em escala. entretanto. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. por outro lado. da informação que circula entre os diferentes grupos. neste apresentam diferenças importantes. em A partir deste exemplo pode-se ter uma princípio. diversos desenhos. tendo em vista a cada uma delas apropriada a determinado tipo de proximidade física e a na maior parte das vezes problema (ou produto). por exemplo). a criação de semelhanças com a maioria dos métodos para estruturas que permitam a interação de diferentes solução de problemas: necessidade. podem ser desenvolvidos exemplo) não necessitará do rigor metodológico de por pequenos grupos de projeto (ou mesmo produtos mais sofisticados (como um avião ou uma individualmente). (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou desde a concepção da carroceria até o mesmo por uma só pessoa. A formação de uma pequena equipe de de informações. Observam-se. o que torna caso. concepção. limites tendo em vista a limitação prática da Naturalmente um produto abrangência tecnológica do produto. os processos de concepção e produto. entretanto. tendo em vista as características planta industrial). exigências e características do mercado.depto engenharia de produção . Limites para o projeto. ao fundo. produto com variável grau de inovação. enquanto o psicológico (aspectos culturais. por exemplo. basicamente relacionadas à sofisticação. com muitas vezes possível seu inteiro domínio responsabilidades diversas sobre o produto final. a concentração de tarefas em pequenos idéia bastante simplificada de como funciona o grupos.1. Se a criação de equipes ou centros de Modelos. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. por mobiliário.

como vem ocorrendo desde o início da década de memoriais descritivos. plantas. de nada esquemas. O destino destes produtos será Há um exemplo que ilustra bem o cada vez mais os mercados marginais. de casos é flagrante. seja interna problema do desenvolvimento de projetos ou externamente ao país produtor. embraer (veja quadro acima) acaba por impedir na prática que o trabalho seja O papel do design e da engenharia nestes inteiramente desenvolvido por um único grupo. O final. ou mesmo entre Canadá. O mesmo ocorre com empresas como a projetos de design e engenharia atuais. memoriais de cálculo. projeto do produto 3. Japão. Singapura e Irlanda. Coréia do Sul. envolvendo tecnologias sofisticadas e processos Para a agilização do processo projetual “globalizados” de produção. Um processo projetual forma isolada. integração entre diferentes setores. portanto. De nada adiantará uma © 2006 eduardo romeiro filho 213 ufmg . uma grande quantidade de produtos assume importância crescente em um informação circula entre os participantes.depto engenharia de produção . especificações. O avião Boeing 777 como um todo. no caso de produtos que envolvam possui componentes fabricados em países tão grandes equipes e a necessidade de interação e diferentes como Austrália. preço de compra. situadas a tão grande conhecimento deve estar disponível em tempo hábil distância e de tão diferentes “procedimentos e destinada à pessoa certa. Durante o desenvolvimento do processo de design e o desenvolvimento de novos empreendimento. estruturado e bem conduzido é uma peça-chave e contribuem para um bom resultado de conjunto para a conquista e manutenção de mercados. oitenta. Brasil. cuja vantagem montagem exemplificam o conjunto de documentos competitiva seja sustentada somente pelo fator que compõem um projeto. O empresas envolvidas. torna-se crucial um fluxo eficiente Como gerenciar equipes de projeto das diferentes de informações (ou de conhecimento). cenário de alta competitividade a nível mundial Relatórios técnicos. para que o processo tenha andamento eficiente. NOVAS TECNOLOGIAS E O culturais”? Podem-se avaliar as dificuldades PRODUTO advindas da gestão de desenvolvimento de A complexidade verificada na maioria dos produtos. desenhos técnicos de detalhamento e adiantarão produtos obsoletos. Com a globalização da produção. várias empresas. Itália. Diversas equipes cooperam entre si. França.

não possuem garantias quanto à sua efetiva contribuição para a solução dos antigos problemas. se cada um correspondem às necessidades de outro. Setores e observadas a partir de modificações implantadas no departamentos inteiros são modificados com vistas próprio processo projetual. seus efeitos sobre a empresa até suas conseqüências em termos de saúde. As vantagens trazidas. ou melhor dos envolvidos não possuir meios de determinar e dizendo.depto engenharia de produção . 1994. Neste caso. diante das evidentemente diferentes caso a caso e assim necessidades peculiares envolvidas em cada função devam ser tratados.” (RODRIGUES et al.1. embora sejam que possa ser facilmente atingido. todo o processo de modernização. seja esta individual. em uma situação de crise Projeto todos se unirão e facilmente abrirão mão de Uma estratégia que atenda às diferentes privilégios pessoais ou formas de poder em função necessidades de forma a trazer uma solução do “bem comum”. também alterações pertinentes. consistente a médio prazo para a empresa (presença Além disso. como o Brasil (FLEURY. um objetivo da informática sobre seus usuários. Este não é. entretanto. antigas formas de competência. Este artigo busca entanto obterem resultados expressivos. os equipamentos mais indicados são workstations. coloca a capacidade de inovar como fator estratégico para sobrevivência das empresas. ou do “futuro da empresa”. somente poderão ser efetivamente recursos da tecnologia da informação. Estratégias de Informatização de ingênuo imaginar-se que. A estratégia adotada por um número cada mesmo a grandes distâncias. que possui especial descontínua e incerta. projeto do produto difusão descontrolada de informações. a novos materiais. 1994) Estas modificações. Naturalmente Embora muitos sistemas CAD possam ser utilizados em uma reestruturação profunda irá provocar. VANDRAMETO.. As soluções tecnológicas mais adequadas a serem 1994). e intercâmbio de informações em tempo real. Neste caso. Aos graves problemas já existentes com adotadas por determinado setor nem sempre relação à educação no país vem unir-se mais um. uma efetiva reestruturação no mercado. para a própria fornecedores a respeito das características sobrevivência tem sido baseada em processos de mecânicas de determinada peça. acarretando altos custos para microinformática pode auxiliar em muito a difusão eventuais “correções de rumo” no futuro. reduzindo os A utilização de novas tecnologias de base ganhos ou. seja entre diferentes níveis hierárquicos como dentro de um mesmo nível. entre diferentes grupos ou pessoas. BARCELLOS. de © 2006 eduardo romeiro filho 214 ufmg . em função de um melhor aproveitamento dos entretanto. A experiência vem demonstrando que. a cada indivíduo influenciado e trazem sempre modificações de impacto sobre a cada setor a ser integrado. tecnológico” (CAULLIRAUX e VALLE. bem como sugerir reestruturação em maior ou menor grau. em PCs. 1991). aceleração no ritmo de mudanças nos produtos e à internacionalização dos mercados. conjugados à partir de revisão bibliográfica sobre o assunto. adequando-o às novas à adoção de sistemas informatizados. qualquer empresa. acabando na maior parte dos importância em países chamados “de casos por tornar-se um imenso “quebra-cabeças industrialização recente”. mudanças relevantes nas como a mostrada acima relações de poder. ao de cada equipe ou setor. entretanto. 1995. a empresa vez maior de empresas para a manutenção de seus que desenvolve o projeto poderá consultar seus mercados e. desde compõe (satisfação no trabalho e qualidade de vida. pior ainda. o que acaba por truncar interesse. competitividade a longo prazo e deve envolver e compreender os impactos das lucratividade) e para o conjunto de indivíduos que a novas tecnologias em seus diversos níveis. É extremamente 3. em última análise. possuem um traço em comum: a ser informatizada. modernização. sem no ferramentas tecnológicas. pode-se dizer que os efeitos informatização. emprego e rendimentos) deve sobre os usuários diretos (e indiretos) destes novos ser o objetivo de um política consistente de sistemas. o processo de informatização nas Este cenário traz à tona o problema da empresas normalmente ocorre de forma formação profissional. ou mesmo da empresa invés de fruto de um programa estruturado de como um todo. “O advento de sistemas notadamente aquelas ligadas à comunicação e à de produção mais flexíveis e de integração entre diferentes equipes de projeto. apresentar e discutir algumas destas ferramentas. as melhores soluções isoladas nem sempre localizar as formas de conhecimento de seu são compatíveis entre si. servindo muitas vezes apenas como uma “fachada” para a manutenção da situação já existente.

o destino desenvolvimento de novos e adequados produtos) daqueles por ela influenciados está de certa forma são requisitos básicos ao sucesso de qualquer relacionado aos resultados obtidos por esta Entre as principais aplicações CAD estão aquelas voltadas para a indústria automobilística. como as do ramo clientes. Pelo contrário. 1993). Neste caso. Nosso trabalho básica à grande parte da população? Colocando a (ROMEIRO. O grande benefício da informatização para demonstrando que na maioria dos casos estes os próximos anos reside em um enorme resultados. nem sempre apresentavam resultados satisfatórios. equipes. Para isso é fundamental a existência de automobilístico. no país e no exterior). Os sistemas CAD podem representar desde peças da carroceria (como ao lado). mesmo diante de do fato de que é difícil levar princípios de educação resultados não muito animadores. partindo-se investimentos em informática. utilizarem-se de meios informatizados em seus Cabe indagar que razões levaram a uma processos de trabalho. departamentos e de informatização. 1997) avalia processos de questão de uma forma prática. projeto do produto vital importância: como formar pessoas aptas a empreendimento. até sistemas completos (como os pedais no alto. sem que se perca o conhecimento empresas no Brasil (além de diversos outros anterior? descritos pela literatura. setores. Capacidade de comunicar-se com o mercado (para conforme demonstra ROBERTSON (1989). como formar pessoal implantação de sistemas CAD (Computer Aided capacitado para operar sistemas que são trocados a Design. como acirradores de disputas internas em torno das o diferencial para a conquista de novos (e novas tecnologias e seus rumos. a partir de uma perspctiva de aplicação de forças easpectos ergonômicos. Mesmo em países manutenção dos antigos) mercados estará na desenvolvidos as experiências de implantação de capacidade de cada empresa de descobrir e atender sistemas CAD e em indústrias de ponta na o mais breve possível às necessidades de seus aplicação desta tecnologia. ou Projeto Assistido por Computador) em cada dois anos.depto engenharia de produção . canais rápidos e seguros de comunicação. levando-se em consideração situação na qual são realizados vultosos a constante evolução destes sistemas. ou mesmo simular a utilização pelos usuários. como as mostradas nesta página. imediato atendimento aos clientes) e capacidade de É bastante simples perceber que a partir da comunicação interna à empresa (para o rápido implantação de uma nova tecnologia. á direita). ao menos até o final dos anos 80. © 2006 eduardo romeiro filho 215 ufmg . bem como as razões para o relativo crescimento na capacidade de comunicação e na fracasso na utilização do sistema não são objeto de conseqüente facilidade para troca de informações uma discussão séria nas empresas acerca da política entre indivíduos. constituem-se até empresas diferentes (SCHEER.

foi possível perceber que as disputas internas e terão aumentadas suas áreas de soluções apresentadas pelas empresas de influência e círculos de poder. que isso. Para que decisão. que levam a perspectiva de planejamento. trazendo alterações dados on-line entre grandes organizações. mas também de design. CAM. fabricação através de sistemas informatizados. conforme já colocado. Pode também simular situações de montagem de componentes. mas principalmente com o crescente expressivas do corpo gerencial. mas também por parcelas muitas vezes sistemas CAD. tecnologia. além dos vários sistemas de apoio estas modificações tragam os resultados esperados. como sistemas de reestruturação da organização visando a adequada apoio ao trabalho em grupo. CAPP etc. processo de modernização tecnológica. ou workgroup. não só por parte de seus usuários ferramentas de apoio direto ao projeto. etc. Em um cenário informática podem atender (ao menos como este. administração e acerca dos processos e tecnologias envolvidos. utilização da tecnologia da informação. é importante que esta reestruturação © 2006 eduardo romeiro filho 216 ufmg . antes e depois das modificações propostas. ficam claras as razões pelas quais a teoricamente) de forma bastante extensa às várias implantação de novas tecnologias informatizadas necessidades apresentadas pelas diversas etapas do tende a trazer consigo problemas relacionados a processo projetual. projeto do produto Os sitemas CAD mais complexos podem inclusive contribuir para simulação de sistemas de manufatura. como no caso abaixo. muitas relevantes nos processo envolvidos. Não somente em se tratando de resistências. o CAD (ou de forma que se evite a manutenção de antigos qualquer outra forma inovação tecnológica e/ou problemas. de vendas. seus A partir do estudo do Estado da Técnica patrocinadores terão certamente vantagens em sobre o assunto.. software de apoio à de projeto. como diretos. No 4. desenvolvimento de soluções para auxílio a Para que haja um efetivo sucesso na atividades complementares. organizacional) é levado a tornar-se um instrumento de ação política interna à empresa. como faz-se necessário um detalhado e criterioso CAE. além de um grande conhecimento um processo integrado de projeto.depto engenharia de produção . como nas imagens ao lado. computadorizado às atividades da empresa. mais do que um simples ocorra igualmente nos diversos níveis envolvidos. Processos estes vezes espalhadas em diversas unidades não somente de produção. Mais do dentro de conceitos CIM. geograficamente afastadas. Desta maneira. administração. para transmissão de nos vários níveis da empresa. faz-se sistemas de gerenciamento de documentos (como necessário que ocorram modificações consistentes os sistemas EDI e EDMS). ESTADO DA TÉCNICA caso de sucesso do novo sistema.

se Packard e Schlumberger. Vale lembrar que os usuários dialogam através do computador sistemas de apoio ao projeto em engenharia e podem fazer anotações sobre um mecânica normalmente requerem maior potencial e documento exibido na tela.) estava no início do s anos 90 apenas expedição e para o faturamento. A utilização de sistemas de menor busca automaticamente horários livres para porte significa uma cada vez maior popularização reuniões entre um grupo de pessoas. Segundo as perspectivas apresentadas. dos programas CAD. como se capacidade do que aqueles destinados a. É também apresentado um computação colaborativa) apóiam-se. que agora podem ser Também pode reservar salas e utilizados inclusive residencialmente. projetos de arquitetura. algo Correio Eletrônico (Eletronic Mail ou e-mail): É em torno de seis bilhões de dólares em todo o um item básico de qualquer ambiente mundo (com a perspectiva de dobrar este valor até workgroup. desocupando assim internacional). mecânica. Com base nos dados apresentados pelo que quando um pedido de mercadorias seja autor pode-se perceber também que. a por exemplo. Situação do Mercado e Principais de formulários eletrônicos. Se a mercadoria estiver vendidas. Destes. via campeão em número absoluto de unidades correio eletrônico. devido à Banco de dados compartilhado: Pode armazenar observada migração para sistemas de menor porte documentos em um formato próprio. projeto do produto Destacando-se entre os citados acima. é possível atualmente aos soluções oferecidas no mercado brasileiro (e funcionários "treinar em casa". Além de mensagens. ou programas já existentes. que imagens digitalizadas ou arquivos representam custos menos elevados e maior editáveis no padrão dos aplicativos. das informações. Gerenciador de formulários: Possui ferramentas Região do Pacífico (39%). visto que um levantamento o sistema da empresa. Nos facilidade para manutenção e. com o progressivo crescimento da faixa Teleconferência: Permite reduzir a necessidade de ocupada por sistemas baseado em PC e deslocamento das pessoas para reuniões ou workstations. empresa pesquisada colocou este como um fator decisivo para a migração de um sistema de médio Acerca dos sistemas CAD de forma porte para um baseado em PCs. constatou uma expressiva migração para a Workflow: Ferramenta que permite a execução utilização de sistemas CAD baseados em PCs nas automática de determinados empresas visitadas. o mercado principais funções podem ser desta forma descritas: mundial de sistemas CAD envolvia. CAD. redirecionar as mensagens no divisão do mercado mundial de sistemas CAD para caso de ausência do destinatário principal aplicação em engenharia mecânica na virada do e/ou devolver respostas padronizadas. Uma equipamentos para o encontro. Esta evolução possui um significado Agenda de grupo: Além de administrar os fundamental para a aplicação de sistemas CAD compromissos pessoais de cada usuário.1. muitas vezes. ferramentas facilitam a pesquisa formação de pessoal. desenvolver a aplicação a ele relacionada. em 1991. Sobre nível mundial. o software AutoCAD (produzido pela disponível. permite o final do século). Segundo o específica.depto engenharia de produção . apesar de feito. workflow e compartilhamento de informações. entretanto. Dois ou mais computadores de grande porte. está sofrendo alterações importantes. em detrimento daqueles baseados em encontros de trabalho. que arquivos. Computervision. agenda de grupo. Também permite transferir confirmada por posterior pesquisa de campo. século estaria da seguinte forma: Europa (40%). Hewlett- automaticamente ao vendedor e. um bilhão relativo a enviar documentos de qualquer tipo. Suas Segundo ZUTSHI (1993). Este quadro. ele. Por exemplo. três casos. programação de Sistemas. por estivessem diante da mesma folha de exemplo. Esta tendência foi papel. dado o constante lançamento de sistemas de apoio ao trabalho em grupo (também novos software e (principalmente) aplicativos de chamados de workgroup computing. detalhado deste mercado constitui-se como tarefa © 2006 eduardo romeiro filho 217 ufmg . agregam-se funções como teleconferência. à produção. este vá direto para o estoque. um aviso é enviado pela IBM (1º lugar). quase rápido panorama do mercado de sistemas CAD a sempre. conveniente. procedimentos padronizados. (registrada também por pesquisa de campo). O autor observa uma tendência à podendo alimentar o banco de dados modificação do perfil de mercado de sistemas corporativo ou do grupo. foram levantadas algumas das principais entrevistado. a ordem segue para a Autodesk Inc. pela indústria. Em caso em quinto lugar em faturamento. em um sistema de correio eletrônico. os inviável na prática. sistemas CAD com aplicação para engenharia Alguns possuem recursos que possibilitam. gerenciamento de documentos e 4. sendo suplantado contrário. EUA (20%) e resto do gráficas que permitem desenhar e mundo (1%).

Além (Computer Aided Engineering. em versões mais ou menos database. em uma forma mais ou menos velada e "New features are extensão da jornada.) está em workstations de tecnologia RISC - dos primeiros sistemas CAD. Atualmente. numerous functions associated Em seu princípio. Vale somente chamar a showing up in mechanical CAD atenção sobre os efeitos danosos desta política software at an ever increasing sobre a saúde dos usuários. with CAD. apesar packages for the desktop that are da crescente sofisticação. de criar uma situação semelhante à observada com Esta divisão atualmente é bem mais sutil. como as da indústria single seamless package. ou de produtos de desempenho. topo de mercado. em se tratando de aplicações Desta forma. power/cost relationship of Um outro fator importante. a partir do início dos anos oitenta. que considerada segura. numerical control and em termos de processamento. no plataformas para aplicativos de computação gráfica. Desta forma. Os sistemas mainframe caíram em desuso como A outra alternativa é a convivência. segundo GREGO (1995). que acabam por estender o muito menor a diferença (sendo esta muitas vezes período de trabalho já realizado na empresa por bastante tênue) entre as duas classes de sistemas algumas horas teoricamente reservadas ao hardware. do tipo IBM PC. Nos anos setenta surgem sistemas of a complete product definition CAD mais evoluídos. usuárias destes one reason why CAD/CAM sistemas por excelência. wiped out by simplicidade dos programas utilizados que. CAD de utilização e partilhamento dos recursos packages are assuming the role informatizados. ela exige que a empresa software low-end (na extremidade baixa . acessíveis somente a database management. o que pode continuaram por longo tempo restritos aos limitar em muito a aplicação do sistema CAD (além computadores de maior capacidade. o que obriga e empresa maiores necessidades em termos de processamento. a de acordo com a plataforma (sistema hardware) plataforma considerada ideal por grande parte dos que utilizassem. tornou-se em decisões desse tipo. por suas de acordo com o fabricante. capazes de gerar aplicações em repository of geometry and equipamentos de menor porte. a implantação dos antigos sistemas turn-key). a formação é bastante mainframe-based CAD/CAM facilitada. por exemplo). such as finite element devido a sua inerente complexidade e altos custos analysis. into a grandes empresas. e produtos mais recentes criados operacionais UNIX. mas também pela maior in a few years. sistemas de pequeno porte. Auxiliada por Computador). como workstations manufacturing data. ainda não atingem os as good or better. ou Engenharia disso. baseados em mainframes e resultados da evolução op. confiável de ótimo formavam o grupo high-end. os de média complexidade (como as típicas da software CAD e CAM poderiam ser classificados indústria metal-mecânica. está na maior facilidade para que sejam encontrados Workstations and PCs are the usuários de sistemas CAD. que formam uma combinação para as workstations (estações de trabalho). o solution. os systems are increasingly sistemas (em sua grande maioria constituídos de providing more of a technical sistemas turnkey) eram basicamente ligados a information management mainframes. Por outro lado existia o grupo de Por outro lado. rather than being a que na maior parte das vezes levava a complicações purely technical tool. Com a utilização de platforms of choice. segundo o desktop computers has changed gerente de projetos de outra empresa pesquisada. In fact. que em geral apresenta características de computadores pessoais. the market dynamics. da equipe de suporte e da própria empresa. o UNIX é encontrado em diferentes versões. This is automobilística e aeroespacial. computadores centrais das empresas. no entanto.cit. e. de sistemas de diversas origens (e ao mesmo tempo que as workstations tiveram características). os sistemas CAD eram.ou possua pessoal técnico capacitado em sistemas "popular" .depto engenharia de produção . usuária a manter-se fiel ao fornecedor. mesmo ambiente. trend toward integrating the end"). Haveriam os software “clássicos” produtores de software (ainda segundo GREGO. The reason is that the atividade junto a terminais informatizados. expostos mais e mais à clip. até mesmo 1993) computadores pessoais. Naquela época. repouso. not just serving as a complexas. desenvolvidos ainda Reduced Instruction Set Computer e sistemas na década de 60. não somente pela popularização dos systems are expected to disappear equipamentos. © 2006 eduardo romeiro filho 218 ufmg . There is a níveis dos sistemas de "topo do mercado" ("high." (ZUTSHI. Os sistemas CAE complexidade exagerada para o usuário final.do mercado) desenvolvidos para UNIX. projeto do produto Não é objetivo deste trabalho tecer pessoal passou por uma brutal evolução tornando- comentários acerca das questões éticas envolvidas se muito mais poderosa. o que dificulta ainda mais a vida do acentuada queda em seus preços e a computação usuário.

Também neste grupo estão o Matra técnicos de apoio à atividade projetual. mecânica que talvez seja o único sistema CAD sistemas de modelamento geométrico. como aplicações em indústrias de injeção de plástico. como CAE. pode-se Estes software possuem normalmente dizer que. o Cadam. entre gerenciamento de documentos. que poderia ser destes sistemas. desenvolvido no Brasil). é tecnologicamente pacotes com dezenas de módulos que atendem a possível a realização da integração nas diversas funções mais ou menos específicas de CAD. responsáveis pela sistemas informatizados disponíveis. CAPP etc.). enquanto o Micro para utilização em mainframes. Possuem Entretanto. em dois grupos básicos. também CAE. por sua vez. 1997) com possuem normalmente recursos menos sofisticados aproximadamente uma centena de módulos e apresentam um custo mais baixo. seguramente. metal-mecânica com maior grau de com ele e mais extensa bibliografia a seu respeito. que o tornam mais ou menos atraente para O mercado de software CAD divide-se. o se às aplicações CAD que poderiam ser mais difundido software CAD do mercado. para os investimentos necessários à utilização O segundo grupo. em necessidade de aplicativos específicos. irmão mais novo. IBM Micro Cadam e o necessidades (e capacidade de investimento) da Unicad (software destinada à indústria metal. restringir suas aplicações a grandes empresas de tecnologia de ponta e disponibilidade financeira 4. denominado low-end (produtos na faixa mais baixa Um dos software mais sofisticados do do mercado) é formado por programas criados mercado. o que faz com que projetos à área de mecânica. além da maior parte dos investimentos em CAD. "lido" por outro. utilizados em problemas adicionais e bastante sérios aos objetivos diversas especialidades. esse produto e seu complexos. CAM fases do projeto através de sistemas informatizados. por originalmente para o ambiente IBM PC. Neste grupo estão aqueles que prestam. entretanto. esta situação acaba por trazer Microstation são software genéricos. ou Uma modificação realizada no modelo 3D high-end ("de topo") do mercado. ainda não são cálculo de resistência de materiais. o que consideradas clássicas: indústrias automobilísticas. Todos são sistemas CAD desenvolvidos em determinado sistema não seja capazes de operar em micro-computadores tipo PC. O CadKey. de integração dos outros. que muitas vezes não possuem interface técnica ao contrário. a grosso modo. soluções definitivas e também módulos bastante específicos para adequadas a amplos grupos de empresas. Sistemas Low-End. Embora vendidos em menor número de constante necessidade de extenso e delicado cópias e a um número bastante restrito de clientes. significa que há mais profissionais familiarizados aeroespacial. próprias. por grandes Cadam é uma evolução de um sistema de grande empresas. Sistemas CAD High-End. são específicos para aplicações ligadas adequada. conta (segundo FREITAS. o indiretas (sistemas de trabalho em grupo. acaba por especial nos países mais desenvolvidos. ou que a conversão de dados seja e podem fornecer informações para sistemas CAE feita de foram "truncada". como ferramentaria. o Cimatron. como mecânica. cada aplicação específica. possui grandes recursos de tridimensionalidade. são desenvolvidos pela Dassault francesa e comercializados pela IBM. O AutoCAD é. porte. O CadKey. simulação de disponíveis no mercado. empresa cliente. sistemas técnicos da organização etc. como o "modelo" para todos os sistemas muito úteis na visualização de produtos mais CAE/CAD/CAM atuais. por exemplo. O Unicad possui como principal dos programas mais antigos. aquelas de pequeno e médio portes. e que incluem. Muitas vezes aparecerá automaticamente nos desenhos estes software são versões desenvolvidas a partir bidimensionais. que concentra os programas mais sofisticados. entre outros. Micro Cadam e Unicad. AutoCAD que podem ser agregados a partir das diferentes (Autodesk). líder na área de CIM. engenharia © 2006 eduardo romeiro filho 219 ufmg . o Delcam Duct.). o Cadam pode ser considerado recursos nativos de visualização tridimensional. e arquitetura. planejamento para implantação e utilização dos estes sistemas são. de origem israelense. O AutoCAD e o parametrização. eletrônica de integração entre as várias versões de sistemas. de Intergraph EMS e o Parametric Pro/Engineer. O MicroStation. CAM. CONSIDERAÇÕES tendo ambos uma presença expressiva na indústria A partir da avaliação dos dispositivos automobilística. tem como pontos Criado pela fábrica de aviões Lockheed fortes uma boa integração com bancos de dados e nos anos sessenta.depto engenharia de produção . adotado pela fábrica de automóveis francesa da contribuição direta (sistemas CAD e tecnologias Renault. Hoje. sofisticação etc. seja através Euclid. o CATIA/CADAM Solutions V4. CadKey. o que acaba por ou CAM. e. prototipagem rápida. em alguns casos. Os altos custos e a funções etc. desta forma. 5. o Catia. que exemplo. projeto do produto Além disso. Cada um dos software CAD para PC existentes no mercado possui características 4.2. inviabilizar na prática o trabalho conjunto. criados originalmente vantagem a parametrização. como os (número este que cresce a medida de 20 por ano) software Microstation (da Bentley).3. O primeiro.

mas por estar Paulo: fev/mar/abr 1999 definitivamente suplantado pela novas tecnologias http://www. Anais do XVIII Simpósio de Gestão da capacitação de recursos humanos para a Inovação Tecnológica. 616 . 4 a situação de faturamento dos fornecedores de (mar/mai). "What's hot and what's not".P. p 76-77 © 2006 eduardo romeiro filho 220 ufmg .627. não por deixar de In: Revista Teoria & Debate. Aroop.A. Controle Numérico e VANDRAMETO. B. 1989 CAD Systems in the Design Engineering Process. quatro setores industriais)”. RODRIGUES. considerado como obsoleto. in Informática Exame. 1994.M. Rio de Janeiro: Editora “Condições para Inovação Uum estudo em Guanabara Dois S. Rubens Eduardo Braga.P.. Comando Numérico. e GARCIA. Paulo: Editora Abril. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IMVP International Policy Forum. M. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli que podem significar valores ainda maiores do que S. São atender às necessidades da empresa. 28) 1993. R. P. São Paulo: automação flexível" In: Anais do Segundo USP/NPGCT/FIA/PACTo. 1983.Lab. David. Estratégias Qualitymark Editora. 1994.br/td/td40/td40. "Novas Armas Para a do número evidente baixo de empresas usuárias do Engenharia". A.T. proposta educacional básica para a efetiva E. in: SBRAGIA. 1994. Entrevista”. 1997 CAD na Indústria: Industrial.org. Coréia e Brasil. onde a IBM (fornecedora do X5 Ltda CATIA/CADAM) possui o primeiro lugar. Rio de SOBRACON . Incrementais de Automação.htm surgida no mercado. 1993. MARCOVITCH. In: Machine Design v 65 n 10 (May. apesar GREGO. São Paulo: Comercial e Editora sistemas CAD. MIT. 3ª edição. São Paulo: Editora Atlas S.A.depto engenharia de produção . e FLEURY. H. didáctica. CAULLIRAUX.C. ROBERTSON. “high-end” é característico de empresas CATIA/CADAM Solutions V4. Congresso Brasileiro de Automação ROMEIRO Filho.. pode ser LEITE José Corrêa. Rio de Janeiro. 1995. "Uma R. In: automobilísticas.60. Diseño e Cominicación Visual: Contribución a una metodología usuários e reestruturação do processo projetual visando melhor aproveitamento desta tecnologia. Metodologia de Projeto de OLIVEIRA. Este software FREITAS. nº 40. BACK. I.. Produtos Industriais. BARCELLOS. recursos humanos para automação Programa de Engenharia de Produção industrial". Ano 10. Além disso. 1993. após dois ou três anos de uso.. Cambridge: 1. ZUTSHI. Maurício.. 361 p.Sociedade Brasileira de Janeiro: Editora da UFRJ. Paulo César de Araújo. SCHEER.L.fpabramo. permanece a questão dos Pp. (CD ROM) São Paulo: Implantação e Gerenciamento. e seus altos custos podem explicar CADware Technology Ano 2. Brasileiro de Automação Industrial. Oduvaldo. S. J.F. Automação Industrial e Computação Gráfica. In: Anais do Segundo Congresso (xerox).F. nº 108 (Mar). Brasileira de Comando Numérico. CIM: Evoluindo para a Fábrica do Futuro. 1975. projeto do produto “reversa” e ferramentas workgroup. não foram considerados aqui investimentos em formação de MUNARI. August-Wilhelm. 1995. p. Desta forma. I. (CD ROM) São Paulo: SOBRACON . “Milton Santos. "Formação de Produção Automatizada. 1991. 54 . altos custos referentes a aquisição de um sistema que. o equipamento em si. E. n. COPPE/UFRJ . São sistema. Aprendizagem e Inovação Organizacional: Automação Industrial e Computação Gráfica. 7pp. Rio de Janeiro: LCNPA . As Experiências de Japão. CAMARGOS.A.Sociedade FLEURY. Nelson. 1997. e VALLE. e VASCONCELOS.

ufmg. mesmo nestes 36 Artigo originalmente apresentado no XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção.com. nitsche@ig. mostly in the small size companies. uma posição sustentável no mercado. maiores as chances de se alcançarem os diferenciais competitivos esperados.: ABEPRO outubro de 2002. Seu uso é hoje amplamente difundido a partir de experiências em grandes empresas do setor automobilístico e aeronáutico. Hte – Minas Gerais.br Eduardo Romeiro Filho. 1995) como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais. A competitividade pode ser definida (FERRAZ et al. Antônio Carlos. 36 Alexander Thorsten Nitsche. Curitiba.ufmg. também denominada Concorrente ou Paralela. Assim o desenvolvimento de produtos toma papel de destaque neste processo. This communication has its efficiency maximized when they use CAE/CAD/CAM tools that allow several computational analyses besides the creation of three-dimensional visualizations that facilitates the communication between the professionals of different areas. Av. Mestrando Departamento de Engenharia de Produção – DEP. Uma apropriada gestão do desenvolvimento do produto torna-se assim indispensável para aquelas empresas que querem manter sua posição ou conquistar novos nichos no mercado. projeto do produto Aplicação de Tecnologias CAD/ CAE/ CAM em Desenvolvimento de Produtos . 6627 – Pampulha – B.br Abstract More and more the competitiveness has turned the products development administration a constant preoccupation for companies of all kinds. In the products development administration one of the main philosophies is the concurrent engineering. uma vez que quanto mais planejado e metódico for este desenvolvimento. que lhe permitam ampliar ou conservar. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. 6627 – Pampulha – B. 31 3499 4892 – romeiro@dep. nitsche@dep. Hte – Minas Gerais. Uma das filosofias mais difundidas para que este objetivo seja alcançado é a Engenharia Simultânea. developed in an auto parts vendor company . which try to guarantee the competitive differentials of their products in all stages of life cycle. This work discusses the utilization of the CAD/CAE/CAM tools as facilitators of the process of simultaneous engineering. Key words: Concurrent engineering. Dr. It can be observed. Av. Introdução. quando a demanda encontra-se em processo de saturação em grande parte dos mercados. Dentro do atual contexto de globalização e aumento da concorrência. as empresas buscam cada vez mais garantir diferenciais competitivos em todas as etapas do ciclo de vida de seus produtos. Tel. Departamento de Engenharia de Produção – DEP. which has as main focus the efficient communication between different departments and even between several companies. product development. 1. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. © 2006 eduardo romeiro filho 221 ufmg .depto engenharia de produção . Prof. however. de forma duradoura. CAD/CAE/CAM. Antônio Carlos. by the result of a research.br. porém os métodos de sua aplicação ainda necessitam de maturação. that this administration process still needs ripeness.

resulta no aumento nos níveis de qualidade do produto obtidos. entre outras levou à necessidade da incorporação de novas características ao produto. A ES permite agilizar e “enxugar” o desenvolvimento do produto. e mesmo entre empresas diferentes. 2000). ergonômico. Evolução do processo de design de 1970 a 1990. Para que o processo de ES seja mais eficiente. O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos em tempo hábil e. Engenharia do Valor etc. aliada à crescente preocupação das autoridades e dos consumidores com questões de caráter ambiental. no lugar certo. meso e micro e das formas de integração propiciadas pela adoção de sistemas CAD. QFD. A mudança no paradigma no processo de projeto é demonstrada na Figura 1. O adequado gerenciamento deste fluxo de informações torna-se crucial para a ES (ROMEIRO. Nos últimos anos a crescente concorrência. Estes garantem. o que faz com que se tenha um aumento significativo no tempo da análise do produto pelos projetistas de diversas áreas. devido a recursos como a possibilidade de visualização em escala e simulação tridimensional que oferecem. etc). detalhado na Tabela 2. Figura 1.1. Fonte: Bossak. DFMA. principalmente. O produto adequado às demandas atuais deve incorporar características que observam pontos relevantes com relação à facilidade de montagem. interação com o usuário e facilidade de uso (questões ergonômicas). mas especialmente nas pequenas e médias empresas. FMEA. Engenharia e Manufatura Auxiliados por Computador (CAD.1. que se utilize uma padronização no projeto possibilitando assim uma comunicação mais eficiente entre as diversas áreas. no uso e no descarte). 2000). porém as empresas ainda não as dominam ou mesmo desconhecem algumas delas. 1998. reciclagem (descarte. Metodologia. entre outras. No caso específico deste © 2006 eduardo romeiro filho 222 ufmg . sua melhor definição e redução no “lead time” de fabricação (GAO et al. reutilização.1. além de reduzir o tempo total de desenvolvimento. CAE e CAM respectivamente). Sua aplicação. Em função disto ampliou em muito o número de ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de produtos. redução do número de falhas do produto. O uso da ES implica em se fazer uma combinação de métodos e ferramentas que promovam todos os tipos necessários de fluxos de informações ao longo do ciclo de vida do produto (Schneider et al. ou mesmo exigem. 1999). apesar de sua implantação levar a um aumento no tempo destinado às etapas iniciais deste processo. dos principais aspectos relacionados à sua implantação e utilização nos níveis macro. foi adaptado de Romeiro (1997) e consiste na investigação dos efeitos da utilização de novas tecnologias em ambientes de projeto. 2000). diversas técnicas são necessárias para alcançar uma condição de “best-practice” na Engenharia Simultânea – ES. Desta forma é necessário que se utilizem Sistemas de Projeto. Esta troca eficiente de informações é ainda mais exigida onde há a participação sistemática dos fornecedores no processo de desenvolvimento de produto. assim como a utilização de ferramentas como o Design for “X”. Serão objetos de análise deste estudo as conseqüências destes sistemas sobre o usuário (indivíduo).depto engenharia de produção . Sua utilização é importante também. estético-formal. projeto do produto setores. Conforme observado por Maffin et al (2001). em especial naquelas relacionadas à elaboração do conceito do produto. meio ambiente (poluição na fabricação. 2. O método proposto para este trabalho. a relação entre as diversas equipes envolvidas e entre o setor de projetos e demais setores da empresa. prática que tem se disseminado por diversas indústrias nesta década (Amaral et al. a equipe de projeto.

São também avaliados os efeitos das condições sócio- econômicas do país sobre a empresa e as influências geradas por programas de reestruturação organizacional nas empresas.2 Aspectos Meso: Equipes de Trabalho. Os dados nesta fase são coletados a partir de acesso a documentos não sigilosos relacionados aos sistemas nas empresas pesquisadas.Aspectos ergonômicos clássicos.Cultura técnica da organização. as investigações estarão concentradas nas formas de integração intra empresa. . 2. © 2006 eduardo romeiro filho 223 ufmg . bem como da gestão de projetos a partir de sua utilização.Downsizing. mobiliário. .Otimização do empreendimento. . através da intensiva e adequada utilização de recursos informatizados. 2. como forma de modernização da empresa como um todo a partir do desenvolvimento integrado de novos produtos e novos meios de produção. projeto do produto artigo. . . Trabalho .Competências.Efeitos sociais da informatização . dentro de uma visão estratégica de informatização de todo o processo produtivo.Visão estratégica da empresa com relação à integração entre projeto e produção através de aplicações CAE. Níveis de Visão Predominantemente Técnica Visão Centrada no Usuário Abordagem Macro .Novos atores dos processos. tensão emocional. Tabela 2. Segundo Diferentes Níveis de Abordagem.Redes locais.Compatibilidade. etc. CAD. etc.Ansiedade. . . para avaliação dos níveis de eficiência no intercâmbio e fluxo de informações através da empresa. .Melhoria da qualidade do produto.Sistemas de comunicação. . . bem como do ponto de vista da administração a respeito dos conceitos ligados às tecnologias CIM (Computer Integrated Manufacturing). -Aspectos culturais dos grupos envolvidos etc.Telecomunicações.Funcionamento técnico. Micro . sendo avaliados primordialmente os aspectos “meso” desta integração. através de entrevistas pessoais. . Empresa . Meso .Relações de poder.Formas de comunicação entre usuários e/ou equipes.Compatibilidade.Integração entre empresas.Condições de trabalho. Equipes e .Integração entre empresas (vistas como . bem como as relações previstas entre os diversos sistemas informatizados na empresa. entrevistas abertas semi- estruturadas junto a elementos do corpo gerencial. . bem como a importância atribuída a cada um nesta estratégia. . Indivíduo .Postura. Neste nível. etc. . Nesta fase serão analisados: .Integração entre equipes.1 . bem como levantados os procedimentos utilizados para comunicação. a pesquisa se concentrada em aspectos predominantemente organizacionais da implementação de sistemas informatizados e de seu gerenciamento.Manutenção do sistema etc.depto engenharia de produção . .1 Aspectos Macro e Macro Ampliado: Empresa e Mercado.Integração individual etc. .Aspectos Levantados pela Pesquisa. CAM. . Setores de .O papel do sistema como fator de integração para a empresa.Viabilização de aplicativos. . . . . Os principais tópicos abordados: .Segurança de sistemas.Organização do trabalho. O levantamento dos aspectos macro ligados ao sistema tem por objetivo a elaboração e compreensão do pano de fundo onde ocorrerão as principais modificações nas formas e nas relações de trabalho a partir da utilização de diferentes sistemas informatizados. grupos humanos).Planejamento estratégico da empresa.Novos paradigmas gerenciais. e Mercado .Interface entre Software. como processos de reestruturação empresarial.Interface entre sistemas. Serão apreciados desta forma os efeitos dos sistemas informatizados nos processos de comunicação intra e entre equipes de projeto.Políticas estratégicas em informática. Deve ser levantado o papel do sistema em um proposto plano estratégico de informatização da empresa em longo prazo.Hard/software locais. . .Software. .Reestruturação do processo produtivo. Podem ser entrevistados diferentes atores envolvidos neste fluxo.

3. 1999). dentro dos conceitos adotados pela ergonomia.Avaliação do posto de trabalho. 3. bem como na metodologia de desenvolvimento projetual e processos de fabricação. para compreensão e visualização dos efeitos dos sistemas sobre a empresa de uma forma bastante ampla. dentro da linha de produtos da empresa estão itens como: portas. bem como na interação entre os diversos atores envolvidos. bem como para fatores ambientais que interferem na execução da tarefa. formar. realizada em duas etapas. Também é discutido o nível de adequação da estrutura existente à nova realidade trazida pelas aplicações informatizadas. . É avaliada a relação entre as formas de comunicação prescritas e a comunicação real. projeto do produto . Ex. através da observação das interfaces dos diferentes programas em uso nas empresas pesquisadas.“Usabilidade” do software. . Levantamento dos procedimentos adotados para comunicação intra e entre equipes de projetos. 2. A plataforma de gerenciamento de dados realiza o controle dos dados trabalhados através do servidor que é dividido em três áreas: 1. Neste caso (nível micro). © 2006 eduardo romeiro filho 224 ufmg . I-deas. Na geração do plano de métodos que tem por objetivo definir as operações necessárias para se chegar ao produto final. O trabalho realizado pelas plataformas de projeto consiste basicamente em quatro etapas: 1. Na primeira etapa foi realizada uma visita técnica às instalações da empresa. como iluminação e temperatura. Pro-engineer e Patram. onde foram apresentados os departamentos de projeto e o de construção de ferramentas.Organização do trabalho. Os sistemas de PDM são ferramentas responsáveis pelo gerenciamento de toda a informação relacionada com produtos da empresa. Este departamento é divido em plataformas de trabalho. Neste nível a análise da tarefa e dos processos de trabalho em sistemas informatizados em seus aspectos micro. teto. e dos programas de formação adotados para os diversos usuários de sistemas informatizados. Praticamente todos os programas utilizados em montadoras de automóveis. são avaliados os recursos de comunicação entre usuários diretos de sistemas e entre estes e demais usuários (indiretos). conjunto estampado e acessórios e uma plataforma suporte que é responsável pela manutenção tanto de hardware e software. suspensão. além de gerenciar o ciclo de vida do produto (Schutzer et al.Formas de comunicação. capô. registros de banco de dados. que consiste no recebimento de um projeto direto da montadora e a partir daí a empresa sugere e implementa modificações em função da sua experiência. Catia V4.depto engenharia de produção .Interface usuário x sistema. Esta análise é realizada a fim de levantar de que forma pode ser agilizado o processo de trabalho. Áreas estas intimamente ligadas através do uso de ferramentas de CAE/CAD. um Gestor de Desenvolvimento de Produto (Plataforma tanque) e um Projetista (Pré-CAM) O departamento de projetos possui atualmente 30 estações gráficas rodando os seguintes softwares de CAD/CAE. Na verificação dos projetos de ferramentais que a empresa recebe. em especial do trabalho em equipe e dos procedimentos adotados para inserção do sistema no grupo de desenvolvimento de projetos. será avaliada a influência dos sistemas sobre os procedimentos de desenvolvimento de produto e produção. 3. etc. Através de entrevistas e análise de documentação das empresas. . repuxar. CADDS 5. conjuntos montado. furar. Unigraphics. abordando os seguintes tópicos: . E na segunda foram realizadas entrevistas com um Analista de Suporte Pleno (Plataforma de PDM). arquivos digitais.3 Aspectos Micro: Indivíduo e Estação de Trabalho. Catia V5. carroceria. 2. calibrar. PDM – product data management. bem como entre o setor de projeto e demais setores da empresa. 2. 4. A de trabalho. Em alguns casos o projeto e detalhamento das ferramentas são realizados por este setor. notadamente em casos onde coexistam sistemas distintos.Efeitos dos Sistemas Informatizados sobre o ciclo de vida do produto. evitando assim problemas de conversão. estarão desta forma centrados na estação de trabalho. com especial atenção para aspectos antropométricos do mobiliário. como elemento de ligação entre equipes e integração das diversas etapas do ciclo de produção. O processo de co-design. E a segunda através de entrevistas realizadas “in loco” na empresa. entre outros. A de transferência onde os arquivos são disponibilizados para compartilhamento. bem como para avaliação das deficiências desta interface. cortar blank. A Pesquisa: A pesquisa piloto. onde cada uma é responsável por uma área de projeto específica: tanque. A área de back-up destinada a projetos finalizados. uma vez que estes são em sua maioria terceirizados. Autoform.Organização e fluxograma de trabalho. . . e de que formas a organização do trabalho interfere nos processos de comunicação. onde as estações realizam os projetos remotamente. foi feita em uma empresa fornecedora de componentes para a indústria automobilística. como pelo gerenciamento dos dados do setor. O processo de design de novos produtos.

enquanto os arquivos na área de transferência podem ser acessados por todos. recebe um cronograma onde consta a documentação gerada com as descrições gerais do processo. porém não são passíveis de alteração e a área de back-up cujos dados só são acessados pela equipe da plataforma de PDM. através de acesso restrito. projeto do produto Os arquivos na área de trabalho estão disponíveis somente para a plataforma especifica daquele projeto. carregar o modelo tridimensional recebido do Pré-CAM. o andamento do processo sem o risco de alterações inadequadas. sendo oito de CAD e quatro de CAM. Diferente do sistema antigo onde um único setor de CAD concentrava o design e a manutenção.1. fazer a programação do processo de trabalho e a simulação da mesma para evitar possíveis falhas. o operador do equipamento. com exceção da área de fabricação dos ferramentais onde estes são mais utilizados. Através deste são realizadas as seguintes tarefas. tolerâncias. no departamento de projeto. O departamento de CAM utiliza o software CAMPEADOR. Onde o servidor é dividido em três áreas para facilitar o processo de transferência de arquivos e possibilitar. É feita então a análise do plano de métodos e gerado o perfil da ferramenta. enviar o programa gerado via rede para as máquinas que vão realizar o serviço e preparar a documentação necessária para o processo de usinagem. Primeiramente a peça é enviada pela montadora em um desenho tridimensional na posição do veículo. essa nova configuração. renderizar e verificar o modelo. Através da utilização de ferramentas de CAD/CAE/CAM todo o processo de fabricação é integrado. Para evitar a necessidade de conversão. 4. Este programa apresenta o número de cada operação (OF’s) que direciona e prioriza a manufatura. como normas técnicas. Todas estas etapas têm seu desenvolvimento em rede. não tem como realizar projetos de © 2006 eduardo romeiro filho 225 ufmg . FIAT – CATIA. ex. Através do desenho recebido tem-se toda a informação a cerca do produto. ou seja. O back-up nestes departamentos é interno a cada um deles e são disponibilizados na rede através de acesso restrito para edição. a empresa optou por usar todos os softwares que as montadoras usam como padrão. o de Pré-CAM e o de CAM. Figura 3. gerando conflitos devido à ordem de desenvolvimento e priorização. O total de estações de trabalho de ambos é de doze. GM – Unigraphics. a descentralização trouxe uma maior autonomia aos projetistas que podem gerenciar seu próprio trabalho em sua plataforma. Este sistema. entre outras. é gerenciado pela plataforma de PDM.depto engenharia de produção . Discussões e conclusão. o eixo de referência XYZ na posição do carro é rotacionado para o eixo XYZ na posição da ferramenta. O sistema dividido por plataformas utilizado pelo setor de desenvolvimento de produtos foi implementado a cerca de dois anos por exigência da diretoria.1 Esquema do gerenciamento de dados pela plataforma de PDM. Pode-se perceber num primeiro momento que o processo de desenvolvimento de produtos na empresa encontra-se muito bem estruturado. um dos problemas mais comumente encontrados no relacionamento cliente-fornecedor. É interessante observar que praticamente não são utilizados desenhos em duas dimensões. Estas são independentes entre si devido ao maior rendimento apresentado nesta configuração. FORD – I- deas. Como desvantagem. A função do departamento de Pré-CAM consiste na análise da peça e da inserção desta na ferramenta. A peça é então balanceada na ferramenta. etc. O departamento de CAM é dividido em dois outros departamentos. Junto com o programa recebido em rede. desde a geração do produto até a fabricação do ferramental. O sistema descrito esta representado na Figura 3.

D. Journal of Materials Processing Technology. J. Em um caso citado um veículo que foi reestilizado a cerca de dois anos estará novamente passando por este processo em um período de tempo considerado curto para o desenvolvimento de um produto complexo como um automóvel. C. Possibilitando a integração de todo os sistemas produtivos das empresas. 1995 (Capítulo 1). In: Primeiro Congresso de Gestão de Desenvolvimento de Produto. 69. A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea. MANSON. permite que produtos anteriormente desenvolvidos de 5 a 8 anos em média. SOUZA N. Bibliografia. © 2006 eduardo romeiro filho 226 ufmg . BOSSAK. D. 6. Made in Brazil: desafios competitivos para o Brasil. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. A. In: ENEGEP 98 – Encontro Nacional de Engenharia de Produção. M. PLONSKI... P. FERRAZ. 205-213. L. 8-11. International Journal of Production Economics. Anais 1998. associado ao uso de ferramentas de CAD/CAE/CAM torna possível o desenvolvimento de produtos simultaneamente entre clientes e fornecedores de uma maneira muito eficiente. Niterói – RJ. Implantação do “Digital Mock-up” na indústria automobilística: conquistando vantagens competitivas. E.. 302pp. I Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. L. BRAIDEN. Journal of Materials Processing Technology. SCHUTZER. Um Modelo para o Avaliação do Métodos e Ferramentas da Engenharia Simultânea.depto engenharia de produção . F. 1997 ROMEIRO. Na fabricação do ferramental. Belo Horizonte. J. F. GAO. Agosto de 1999. Vol.. São Carlos – SP. Esta dificuldade causa o cruzamento de serviços entre as plataformas durante o desenvolvimento dos projetos. chegando a receber em um mesmo dia até três modificações no projeto do produto. Vol. D. testar esta modificação e se for necessário propor uma nova. em um exemplo citado. a empresa desenvolveu a ferramenta simultaneamente ao desenvolvimento do produto pela montadora. AMARAL. A filosofia da ES está presente em todas as etapas do desenvolvimento do produto. A Integração da Empresa Através da Utilização de Sistemas Informatizados de Apoio ao Projeto.C. KYRATSIS.. M. 76.. G. KUPFER. K. Rio de Janeiro. onde é possível visualizar de forma rápida a modificação proposta.X. Em função disto o ciclo de vida dos produtos se torna muito mais ágil do que os observados nas décadas de 80 e até mesmo na de 90.. Minas Gerais.. H. Simulation Based Design. tenham o seu ciclo de desenvolvimento reduzido a cerca de 2 anos.C. uma vez que as plataformas não usam todos os softwares disponíveis.. J. Agosto de 1999. TOLEDO. 1998.. 107. B. Implementation of Concurrent Engineering in the suppliers to the automotive industry. só pôde ser realizada devido à utilização de ferramentas de CAD/CAE.. p. Agradecimentos. Belo Horizonte – MG. Colaboração Cliente-Fornecedor e Qualidade no Processo de Desenvolvimento de Produto. p. Vol. A filosofia da engenharia simultânea. projeto do produto todas as montadoras.. 18. Desde o processo de design e de co-design até o projeto dos ferramentais. Campus.. Manufacturing and Supplier Roles in Product Development. 2000 MAFFIN. p. A empresa Aethra Componentes Automotivos pela colaboração e apoio a pesquisa e pelo envolvimento de seus profissionais na realização deste artigo.M. HAGUENAUER. 201-208. Tese de Doutorado.A. P. SCHNEIDER. In: Segundo Congresso Brasileiro de Gestão do Desenvolvimento de Produto. 2001 ROMEIRO. 5. Engenharia de Produção. Agosto de 2000.. E. Pode-se observar que esta simultaneidade.

Esta abordagem procura considerar. exige maior rigor projetual. 1. “Engenharia concorrente é um método sistematizado para o projeto concorrente e integrado de produtos com seus processos. when the information diffusion between the design's teams and a major enveloping by the designers and engineers are crucial for the project success. em princípio. realizado em Belo Horizonte. 37 Abstract: The Concurrent Engineering is a new model of management for projects. incluindo produção e suporte. independentemente da estrutura organizacional da empresa. This paper want to demonstrate the CAD (Computer Aided Design) systems can be employed for the Concurrent Engineering implementation. Introdução. projeto do produto Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para I mplantação da Engenharia Simultânea ." Por "time de projeto multidisciplinar e dinâmico" deve-se entender: um determinado conjunto de pessoas com conhecimentos em várias áreas concernentes ao projeto em desenvolvimento. usando um time de projeto multidisciplinar e dinâmico e ferramentas automatizadas para a realização dos processos componentes. como: "Uma metodologia para desenvolvimento de projetos que propõe a realização de muitos processos pertencentes ao ciclo de vida do produto de forma simultânea (paralela). que é alocado para vários projetos ao mesmo tempo. © 2006 eduardo romeiro filho 227 ufmg . outubro de 1999. segundo COSTA (1994). Este artigo tem por objetivo demonstrar como as diversas ferramentas CAD (Computer Aided Design) podem ser utilizadas na implantação deste processo. A Engenharia Simultânea (também denominada concorrente ou paralela) pode ser considerada.depto engenharia de produção . todos os 37 Artigo originalmente apresentado 1º Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. Resumo: A Engenharia Simultânea consiste em um modelo de gerenciamento de projetos que ao mesmo tempo que permite maior difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das equipes envolvidas.

Neste Trabalho. é utilizado um conceito mais amplo de CAD. Assim como na implantação de sistemas CAD. Esta disponibilidade. Este caso requer uma forma de organização que ao mesmo tempo que permita a liberdade para a difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das várias equipes envolvidas no projeto. 38 Uma pequena discordância em relação ao ponto de vista do autor: o ciclo de vida do produto não pode ser considerado como limitado à sua distribuição. exija um rigor mais apurado e um maior controle em seu desenvolvimento. desuso e. a utilização de uma base da dados comum permite que sejam acessadas informações de projeto que antes só estariam disponíveis após a finalização do trabalho por determinada equipe. expressão da língua inglesa que pode ser traduzida como "Projeto Assistido por Computador". se considerado de forma bastante ampla. ligado à atividade de projeto como um todo. possibilidades de reciclagem. Este conceito parece mais apropriado aos tipos de sistemas de auxílio ao desenho. 39 Há autores que consideram os sistemas CAD como uma forma de auxílio às etapas do projeto ligadas à aspectos gráficos. porém. inclusive com diferenciação de níveis de acesso e permissão para realização de alterações. 1992) A Engenharia Simultânea consiste basicamente de um modelo de gerenciamento de projetos. bem como ao controle e gestão deste processo39. também CAD. denominados Computer Automatic Drafting ("Desenho Automático por Computador"). projeto do produto elementos do ciclo de vida de um produto. no entanto. muito mais do que um conjunto de inovações tecnológicas. é. Computer Aided Design (CAD). mas levar em consideração aspectos ligados às formas de uso. As equipes devem ter acesso privilegiado a informações pertinentes ao desenvolvimento de suas tarefas específicas. não deve ser entendida como uma difusão de informação realizada de maneira indiscriminada. © 2006 eduardo romeiro filho 228 ufmg . cada vez mais. uma tecnologia multidisciplinar. da concepção até a distribuição38” (REIMANN e HUQ. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. sob pena de que surjam conflitos de competências e obrigação entre os diversos atores.depto engenharia de produção .

bem como devem ser definidas estratégias para que todos sejam informados de quaisquer alterações de projeto que lhes possam ser pertinentes. no lugar certo.depto engenharia de produção . Com todas as alterações propostas pela Engenharia Simultânea. Por outro lado. Ao mesmo tempo que a difusão da informação é fundamental. projeto do produto Desta forma. mas também fazer com que isso ocorra em tempo hábil e. isto é. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. Não basta disponibilizar a informação. como a possibilidade de trabalho conjunto entre grandes grupos e o intercâmbio de informações em tempo real40. por exemplo. o que acarretará maiores dificuldades para seleção das informações pertinentes recebidas por qualquer dos envolvidos. seja na espera por informações como na repetição do trabalho devido a informações fornecidas incorretamente acerca de. 41 Um dos entrevistados relatou o caso de uma empresa alemã (na qual trabalhou no início dos anos 90) que concentrava suas atividades de projeto em equipes de prancheta. tornando a empresa capaz de responder mais rapidamente às necessidades colocadas por seus clientes. não se trata de tornar mais rápido o processo existente (como na automação industrial rígida). A informatização nestes casos deve ter por objetivo principal o suporte à criatividade e ao intercâmbio de informações entre diferentes projetistas envolvido no projeto. devido à menor necessidade de repetição de tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda de informações durante o ciclo de vida do produto. A atividade projetual caracteriza-se pela necessidade de rápidos e eficientes processos de geração e difusão de conhecimento. que o intercâmbio entre as diferentes equipes envolvidas ocorra de forma eficiente. 40 "Real Time". Na verdade. sem que haja perda de tempo. a melhoria na interface entre os diferentes atores envolvidos no processo projetual trará benefícios importantes como a redução dos custos de projeto. O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos. somente utilizando-se de sistemas CAD após a © 2006 eduardo romeiro filho 229 ufmg . deve estar bem claro o papel de cada um no processo projetual. problemas ligados a questões de segredo industrial e segurança são críticas41. É fundamental. apresenta oportunidades inéditas. A informatização da atividade projetual é muito mais do que a automação de procedimentos. mas possibilitar sua flexibilização e agilização para uma atividade de projetação mais rápida e eficiente. portanto. Nestes casos. quanto maior a complexidade de cada projeto. alterações pertinentes ao projeto. 2. potencialmente maior o tempo demandado para que seja encontrada a informação desejada. em "workgroups" (ou grupos de trabalho). ou o processamento imediato dos dados inseridos. O adequado gerenciamento deste fluxo de informação torna-se crucial para o sucesso da Engenharia Simultânea. A difusão irrestrita pode levar a uma situação de "congestionamento" no fluxo de informações pela empresa. capaz de absorver mais rapidamente as modificações impostas no decorrer do processo de desenvolvimento de produtos e tornando este processo mais adequado às características do mercado. A sobrecarga de informações a cada um dos envolvidos tornará muitas vezes difícil e demorada a seleção daquela necessária ao desenvolvimento do projeto. a ausência de dados relevantes levará à perda de tempo em sua busca e. principalmente. o ciclo projetual acaba por tornar-se mais ágil. Além disso. permitindo que as informações estejam imediatamente disponíveis em outros terminais de um mesmo sistema.

de qualquer forma. bancos de dados e até mesmo. imagens. que este método é mais adequado às novas ferramentas informatizadas do que os métodos tradicionais (seqüenciais) de desenvolvimento de projetos. 1994) estão voltados para o desenvolvimento de software específicos para a implantação de sistemas de engenharia simultânea. A versão Release 13 do AutoCAD. Vários estudos (como por exemplo SHA. mais do que conhecê-lo. Pode-se afirmar. para que estas circulem de forma eficiente pelas equipes envolvidas. planilhas. em que as informações estejam disponíveis de forma muito mais eficiente. Essa postura. este parece ser o maior entrave à Engenharia Simultânea. Em uma empresa pesquisada. É portanto sintomático o expressivo número de estudos relacionados ao desenvolvimento de softwares específicos para apoio à implantação da Engenharia Simultânea através da aplicação de sistemas informatizados (notadamente sistemas CAD). a engenharia simultânea deve ser vista muito mais uma metodologia gerencial e de projeto do que um conjunto de ferramentas tecnológicas. RUECKER. como MILLS (1995).depto engenharia de produção . simulação dos processos de fabricação e uma definição do produto e partida para a produção. inclusive. Sons. É importante notar. Apesar de exemplos como este. mais difundido software "low-end" do mercado. 1993. A crescente "intercambiabilidade" entre diferentes softwares parece também indicar soluções. devem ser capazes de suportar as diversas mídias (desenhos. com ligações diretas a outros arquivos. de que é necessário conhecer profundamente o processo para que se possa aprimorá- lo (e. pode ser criado um banco de dados associado. já permitia a transformação de um arquivo de desenho em um sistema hipertexto. OKAWA et al. bancos de dados etc. sons.) necessárias à adequada manipulação e arquivo de cada informação gerada. 1992. gráficos. mais do que um problema gerencial. entre outros. Antes da implantação do CAD. nenhuma das estações gráficas possuía “drivers” para disquetes. Desta forma. pelo responsável pelo suporte técnico. © 2006 eduardo romeiro filho 230 ufmg . Além disso. 3. parece caminhar para algumas soluções interessantes. atuando no gerenciamento das informações pertinentes. Todas as cópias em sistemas magnético ou meio físico são geradas somente através do servidor. Principal motivo: busca de maior segurança pela dificuldade de reprodução de desenhos em meios físicos (é naturalmente muito mais fácil copiar detalhes de projeto através de disquetes). além de todos os esforços relacionados ao desenvolvimento de sistemas de gerenciamento eletrônico de documentos. acaba por tornar-se uma questão de implicações tecnológicas. embora sua aplicação não esteja de forma alguma condicionada à utilização da informática. entretanto. Do ponto de vista técnico. dotada de um sistema de rede local. como textos. disponíveis em outros meios que sejam incorporados ao desenho dados relativos a outros meios. por exemplo. faz-se necessária uma revisão e organização do processo adotado. que a adoção de sistemas informatizados de apoio à atividade de projeto e à transferência de informações entre os vários setores da fábrica deve ser precedida por um estudo consistente acerca do método de projeto utilizado. WALLACE (1994) e BOURKE (1993). Estes programas tem por objetivo fornecer suporte à difusão de dados e interface entre equipes envolvidas no processo de desenvolvimento de projetos. textos. proporcionando rápido acesso. Este aspecto. maquetes eletrônicas.. extremamente úteis em situações de projeto que envolvem grandes equipes e extrema necessidade de gerenciamento de informações. Uso de Tecnologia Multidisciplinar. projeto do produto A organização. conforme os artigos citados. efetivamente controlá-lo) é um princípio dos métodos de melhoria da qualidade que é muito freqüentemente citado como fundamental para obtenção de sucesso em processos de implantação de sistemas informatizados.

Hoje um arquivo CAD não é somente uma versão eletrônica de um desenho realizado em prancheta (como é tratado na imensa maioria dos casos). Também para o gerenciamento de diferentes bases de dados envolvidos em projeto são sugeridos sistemas de hipermídia (LEUNG. algumas novas tecnologias como bases de dados relacionais e sistemas em rede podem oferecer uma alternativa a este problema. a padronização deve ser implantada prioritariamente. já é disponível. através de uma consistente normalização técnica e padronização de procedimentos.depto engenharia de produção . Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. mas sim um elemento multimídia. projeto do produto enorme quantidade de informação podem acompanhar o "desenho técnico" em meios informatizados. A base técnica para isso. a questão principal não é gerenciar bases de dados gráficas geradas em softwares diferentes (o que é ainda um grande desafio de base tecnológica). chama a atenção para a necessidade de domínio e dificuldades de interação entre várias linguagens e tecnologias informacionais para a gerência de processo. o conhecimento e o adequado controle do processo projetual ocorre. No caso dos sistemas CAD. mas agregar de forma adequada todas as informações de projeto às novas mídias. que pode agregar um imenso número de informações relacionadas ao projeto em desenvolvimento. Se a © 2006 eduardo romeiro filho 231 ufmg . dentre outros fatores. 1995). embora complexa. Em verdade. Em relação a este assunto. Acima: O processo de Design com a aplicação de sistemas CAD na Indústria Automobilística 4. sob pena do sistema se tornar inviável a curto prazo. como fator importante para a implantação de engenharia simultânea. MATTOS (1991) adverte: “Em qualquer sistema CAD. sem o que qualquer tentativa de informatização esbarrará em uma mistura de diferentes “estilos de trabalho”. FRANZOSA (1992). o que era antes impossível através de meios físicos. Segundo o autor. capazes de suportar as diferentes mídias envolvidas no processo e facilitar desta forma um adequado gerenciamento do projeto.

Os sistemas CAD atuais possuem aplicações bastante interessantes na simulação de produtos. © 2006 eduardo romeiro filho 232 ufmg . devem ser analisados dois aspectos básicos: (1) quais as formas de contribuição que estes sistemas realmente oferecem ao processo projetual como um todo. mas como uma fonte adicional de problemas. um exemplo de duas etapas da construção (virtual) do modelo de um automóvel. Muitas vezes a comunicação deixa de ocorrer de forma adequada devido a entraves ligados à estrutura da empresa ou. uma ferramenta essencial à modernidade. Esta visão é naturalmente distorcida pela imagem gerada pelos fabricantes desses equipamentos. Nestes casos. tudo ocorre devido a uma série de relações basicamente pessoais. não é estranho encontrar empresas que buscam aplicações adequadas ao CAD somente após a aquisição do sistema. assim como qualquer sistema informatizado. o processo de implantação do CAD foi reestruturado em função de um novo sistema” ou “para ampliação do sistema foi adotada uma nova solução. Sendo assim.depto engenharia de produção . Entretanto. que procuram demonstrar que a utilização de sistemas CAD. Desta forma. mas simplesmente multiplicador da solução existente. de nada adiantará a adoção de modernos sistemas informatizados se a empresa não estiver preparada para um efetivo gerenciamento da informação gerada durante os processos de projeto e produção. a implantação de sistemas de informação apenas servirá para trazer à tona uma série de problemas antes (mais facilmente) escamoteados. Acima. Naturalmente que não é tarefa simples encontrar empresas (que admitam estar) nesta situação. O princípio do caminho para o sucesso parece estar em uma definição correta do problema a ser enfrentado. se utilizado sem critério. mas pode-se desconfiar de relatos como “após dois anos de experiência. Com relação ao primeiro aspecto. de uma forma geral e (2) quais as formas específicas de contribuição para os problemas peculiares à empresa. o sistema não surge como uma solução. Em muitas empresas. dificilmente atingirá resultados consistentes. projeto do produto empresa não possui uma cultura de padrões e normas já implementada para os processos manuais. é melhor adiar a aquisição do CAD até que esta cultura esteja solidificada”. Se esta é inadequada e apresenta deficiências. deve-se levar em consideração que o CAD. que ocorrem à revelia das limitações impostas pela estrutura organizacional. não é por si só elemento de melhoria de qualquer solução. mais do que uma fonte de benefícios para a empresa é. são vistos como soluções técnicas miraculosas para o desenvolvimento de projetos. radicalmente diferente da anterior”. Para uma eficiente aplicação dos recursos disponíveis nos sistemas CAD em processos de engenharia simultânea. os sistemas CAD. bem como outras formas de tecnologia informatizada. na verdade. por outro lado.

todo o corpo técnico foi trocado (da mesma forma que os equipamentos!). menos perceptíveis e de mais difícil eliminação durante os processos de implantação de sistemas CAD. em uma situação na qual palavras como "reengenharia". Entretanto. ao ser realizada a renovação de equipamentos industriais do chão-de-fábrica. os novos profissionais de projeto representam séria ameaça em potencial. Desta forma dificilmente um processo de implantação de sistemas CAD ou dos princípios ligados à engenharia simultânea poderá surtir resultados se não contar com o 42 Não somente o pessoal de projeto de produto. Além destes. projeto do produto Desta forma. foram observadas formas mais ou menos veladas de posturas contrárias à implantação de novas tecnologias por parte do corpo gerencial responsável pelo setor de projeto. fazendo com que os esforços para validação do sistema e sua justificativa de aquisição fossem voltados quase que exclusivamente para aspectos ligados à aceleração pura e simples de determinadas etapas da atividade projetual (ou das atividades relacionadas ao desenho) como anteriormente desenvolvida. pode-se considerar que os conhecimentos "não acadêmicos" adquiridos pelos antigos funcionários são essenciais ao desenvolvimento adequado da produção e que serão inevitavelmente perdidos no processo de modernização. até mesmo. fica claro que os conceitos ligados à engenharia simultânea somente poderão ser aplicados de forma consistente após uma reestruturação organizacional com vistas à permitir que todos os envolvidos no processo projetual42 possam receber e fornecer informações pertinentes ao desenvolvimento do projeto. Na maior parte dos casos avaliados. os desenhistas e projetistas de prancheta. especialmente diante da inserção de novos atores (analistas. Entretanto. Costuma-se imaginar que estas resistências são oriundas principalmente daqueles que. determinada muitas vezes por tentativas de manutenção do "status quo" daqueles que serão evidentemente afetados pela mudança. podendo por isso atuar decisivamente para os resultados da aplicação de novas tecnologias e novos processos gerenciais (seja para seu sucesso ou para seu fracasso). em princípio. Naturalmente esta ameaça nem sempre é real. as empresas não introduziram modificações relevantes no processo projetual. mas é o ponto de vista deste trabalho que as pessoas. "globalização" e outras de conteúdo semelhante passam a fazer parte do dia a dia do mercado profissional qualquer ameaça torna-se preocupante43. são afetados diretamente pelo novo sistema. bem como áreas como vendas. © 2006 eduardo romeiro filho 233 ufmg . tendo em vista o fato de que o "saber tecnológico" da empresa muitas vezes vai além da utilização das novas ferramentas. na estrutura da empresa ou mesmo do setor de projetos após a implantação do CAD. pois possuem um domínio muito mais desenvolvido da novas ferramentas tecnológicas. Entretanto. Somente após a consolidação deste ambiente propício à integração a implantação de novas tecnologias como sistemas CAD poderá surtir efeitos consistentes no que tange à integração e à Engenharia Simultânea. que muitas vezes teme pela perda de seu poder na empresa. Pode-se dizer que "são os efeitos da globalização" (argumento da alta administração). marketing etc. a sua própria permanência em um mercado cada vez mais competitivo e próximo de padrões mundiais de preço e qualidade) e por outro a resistência. As formas de resistência por parte do staff gerencial são muitas vezes mais eficientes. não devem ser consideradas como "obsoletas" ou destinadas à "sucata". deve-se levar em consideração uma situação conflitante existente na maioria dos casos levantados: por um lado a necessidade de modificações estruturais na empresa com vistas à modernização de seu setor de projetos (ou. gerentes específicos para os sistemas CAD) no processo projetual.depto engenharia de produção . mas também do planejamento e controle da produção e do chão de fábrica. pessoal de suporte. ou seja. pois partem de pessoas que possuem na maior parte das vezes amplo poder decisório na empresa. 43 Foi relatada por um entrevistado a situação em uma empresa pesquisada na qual. de uma forma diferente das máquinas. Além disso.

In: Annual International Conference Proceedings . Publ by APICS. a realidade vem demostrando que as empresas necessitam cada vez mais de inovações para a manutenção de seus mercados e seu crescimento diante de formas de concorrência cada vez mais acirrada. Para que estes objetivos sejam alcançados. em muito poderão contribuir (embora de forma isolada não constituam fatores determinantes) a adequada utilização de recursos informatizados de apoio ao projeto e os princípios da Engenharia Simultânea. o que é extremamente difícil a partir da situação atual. Em um cenário como este. é fundamental que as empresas possuam um forte grupo de projeto. sejam estes os consumidores finais como todos os demais envolvidos nas diversas etapas do ciclo de vida dos produtos: concepção. manutenção. seria necessário promover modificações de vulto na estrutura e métodos de trabalho da empresa. Bibliografia BOURKE. que seja capaz de determinar. torna-se ainda mais difícil promover grandes modificações que levam a níveis de intensiva utilização de sistemas CAD como forma de adoção da Engenharia Simultânea. após mais de quinze anos de carreira esperavam ter atingido um patamar de segurança que as constantes inovações insistem em demonstrar que não existe. de cima para baixo. pelo menos em seu estágio inicial. A pesquisa realizada. Para que isso seja possível. Nestes casos. USA. Este processo deve acontecer. de efeito limitado diante do número cada vez maior de novos e melhores produtos disponíveis no mercado. "Reengenharia do processo de desenvolvimento de produtos baseada em engenharia simultânea e na tecnologia Workgroup Computing". Richard W. Clayton Pires da. In: Anais do 5º Congresso © 2006 eduardo romeiro filho 234 ufmg . fabricação. As formas de reestruturação centradas na redução de custos são. A compreensão por parte dos escalões intermediários das empresas é essencial devido à importância de sua participação e de seu poder de difusão. Ainda segundo nossa opinião. demonstra que isso nem sempre acontece. VA. 1993.American Production and Inventory Control Society 1993. devido em muito à situação de insegurança que a aquisição de novas tecnologias costuma trazer para aqueles que. p 514-577 COSTA. Falls Church. Ainda assim. entretanto. transporte.. organizar e gerenciar o elevado número de informações necessárias à uma adequada atividade projetual. desativação e reciclagem. as empresas brasileiras somente conseguirão atingir um patamar que torne o país industrialmente desenvolvido quando estiverem voltadas para o desenvolvimento de produtos avançados tecnologicamente e apropriados às necessidades de seus usuários. em nossa opinião. 1994.depto engenharia de produção . "New solutions for old problems: product data management and configurator systems". projeto do produto patrocínio ostensivo da alta administração e a compreensão do corpo gerencial.

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