Universidade Federal de Minas Gerais

ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

projeto
do produto
Apostila do Curso – 8ª edição

2006

Eduardo Romeiro Filho
Designer Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ,
Doutor em Ciências em Engenharia de Produção pela COPPE/ UFRJ
Professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG

Belo Horizonte, agosto de 2006.

projeto do produto

Universidade Federal de Minas Gerais
ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

Romeiro Filho, Eduardo. 2006. Projeto do
Produto - Apostila do Curso. Segundo semestre
de 2006. 8ª Edição. Belo Horizonte:
LIDEP/ DEP/ EE/ UFMG, 2004.

Editado em Agosto/Setembro de 2000, primeira impressão dia 14 de setembro de 2000.
Segunda edição em Março de 2001, revista e ampliada, impressa aos 13 dias do mês.
Terceira edição em Agosto de 2001, revista e ampliada, impressa aos 14 dias do mês.
Quarta edição em Junho de 2002, revista e ampliada, impressa aos 20 dias do mês.
Quinta edição em maio de 2003, revista e ampliada, impressa aos 16 dias do mês.
Sexta edição em março de 2004, revista, impressa aos 29 dias do mês.
Sétima edição em agosto de 2004, revista e ampliada
Oitava edição em agosto de 2006, revista e ampliada.

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se
tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma
personalidade. E necessário que adquira um sentimento, um
senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo
que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um
cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente
desenvolvida.”

“Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas
quimeras e suas angústias, para determinar com exatidão seu
lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade”.

EINSTEIN. “Como eu Vejo o Mundo”.
Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1981.

Aos alunos, que este material justifique o tempo de leitura.

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projeto do produto

Sumário:
Introdução.

Primeira Parte: o Conceito.
Conceitos Preliminares.
Os nossos Tupinambás.
Processo de Desenvolvimento do Produto
Terminologia
Modelos de Referência de PDP
Projeto - Terminologia
Métodos de Projeto
Sistemas informatizados de apoio ao projeto: Projeto Auxiliado por Computador - CAD
O Ciclo de Vida do Produto
Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto:
1. Ciclo de Vida de Produto: Uma Idéia Perigosa
2. Liberte-se do ciclo de vida do produto
Ciclo de vida do produto: Um exemplo
Marketing: Abrangência e Ferramentas.
Análise ou marketing mix
Adaptação
Ativação
Avaliação
Um Exemplo de Marketing...
Havaianas são vendidas por até R$ 500 em Londres
Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos
Introdução
O que vem a ser marketing?
Relações entre marketing e desenvolvimento de produtos baseado na orientação da empresa
em relação ao mercado
Marketing e pesquisa e desenvolvimento – cooperação
Conclusão
Bibliografia

Medindo a Satisfação dos Clientes
Uma Questão de Sobrevivência
Objetivos deste Trabalho.
Os Primeiros Passos
Rumo à Excelência
Considerações Finais
Bibliografia
Marketing - Contraponto
Eu, etiqueta.
Propriedade Intelectual
Propriedade Industrial: Patentes.
Um gênio brasileiro, anônimo e sem fortuna
Inventor pode mover ação nos EUA
Um Caso Exemplar: Indígena da Guiné Teve Célula "Patenteada"
Informações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente
Definições
Preparo de um Pedido de Patente
Depósito do Pedido de Patente
Bibliografia
Situgrafia
Patentes - Coréia dá de dez.

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projeto do produto

Segunda Parte: o objeto
Design, Competitividade e Inovação
Introdução
Empresas Inovadoras
O que é Design?
Quais os aspectos atuais da competitividade?
Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ?
Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ?
O que é Qualidade?
Como Incorporar Qualidade ao Produto?
Bibliografia
O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto.
Para que Metodologia de Projeto.
Origens do Método na Concepção de Projetos
Evolução da Metodologia & Evolução Industrial
Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto
Metodologias de Projeto de Produtos.
Proposta de BONSIEPE.
Processo metodológico proposto por ASIMOW.
Metodologia proposta por MEDEIROS.
O Computador no Processo Projetual.
Bibliografia Recomendada
Criação: Libere sua Criatividade.
Brainstorming
O design de produtos como forma de in(ex)clusão social
Introdução
Globalização, mercado e novos produtos.
A abordagem do design industrial.
Novos produtos, novas tecnologias, novas interfaces. novos usuários?
Conclusões
Bibliografia
Desenho e Engenharia “Brigam” por todos os Milímetros da Criação
Design: Viva a diferença!
O que é design?
Deficiência
Bauhaus.
Os Estados Unidos redescobrem o design.
Engenharia de Usabilidade.
Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário
Demandas específicas
Usabilidade
Bibliografia
Ergonomia aplicada ao projeto de produto.
Ergonomia, Alguns Exemplos:
Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte.
A Ergonomia Adverte: Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode Ser Prejudicial à Saúde
Valor
Análise do valor
Novos Cenários para a Atividade Projetual:
Ferramentas DFX desdobradas para DFM, DFA e DFE.
Design for “X”.
Projeto para Meio Ambiente
Projeto para Remanufatura
Projeto para Eficiência de Energia
Projeto para Modularidade
Projeto para Reciclagem
Referências
DFMA - Design for Manufacturing and Assembly
DFM: Design para Montagem, um exemplo. 6 Milhões de Combinações

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Novas tecnologias e o produto Estado da técnica Considerações Referências bibliográficas Aplicação de Tecnologias CAD/CAE/CAM em Desenvolvimento de Produtos. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. Agradecimentos. A representação (ou expressão) gráfica. Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea. Introdução Metodologia de projeto de produtos. Introdução. A Pesquisa: Discussões e conclusão. Bibliografia © 2004 eduardo romeiro filho 5 ufmg . As novas ferramentas de representação Ferramentas de Representação: O Desenho Livre (Croqui) O Desenho Técnico A Perspectiva O Protótipo Virtual (ou maquete eletrônica) O Mockup A Maquete Exemplos de Projeto: Cadeira CEM Semeadora-Adubadora a Tração Animal Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão. Introdução Projeto do produto Projeto do produto para meio ambiente Inclusão do DFE no projeto do produto Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Conclusões Referências Terceira Parte: a técnica A Representação do Produto e sua Importância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. Metodologia. Uso de Tecnologia Multidisciplinar. Introdução.depto engenharia de produção . Introdução. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. Bibliografia. projeto do produto Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas Informações Necessárias.

além do desenvolvimento simulado de um produto. .Concepção: Análise de especificações. com o objetivo de avaliar quais as características mais importantes para os novos graduados em engenharia mecânica naquele país. segundo a diretriz 2210 da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. são objetivos da disciplina Projeto do Produto. projetos de variações e projetos normalizados e fixos. O processo de elaboração de projetos pode ser. quando são discutidas as diferentes etapas e observados os desafios encontrados durante o projeto. vivenciar. O que é importante a um engenheiro hoje? Pesquisa realizada pela ASME International e pela National Science Foundation entre empresas e universidades americanas. Desenvolver estas habilidades. compilação de variações de soluções e sua avaliação. demonstrou que a capacidade de trabalho em equipe e comunicação são os principais aspectos profissionais no mercado norte-americano. adaptação de já existentes. a partir da mesma diretriz (citada por SCHEER. pela elaboração de novos projetos.depto engenharia de produção . A estruturação da disciplina busca. construção de modelos. Posição Indústria Universidade 1º Trabalho em equipe (94%) Trabalho em equipe (92%) 2º Comunicação (89%) Comunicação (92%) 3º Design para manufatura (88%) Criatividade (87%) 4º Sistemas CAD (86%) Inspeção de projeto (86%) 5º Ética profissional (85%) Sistemas CAD (86%) Fonte: ASME International/National Science Foundation. projeto em escala. além da exposição de temas relacionados ao projeto. Associação dos Engenheiros Alemães). 1993). avaliação de soluções.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. © 2004 eduardo romeiro filho 6 ufmg . projeto do produto I ntrodução.Desenvolvimento: Especificações do conceito de solução. além do conhecimento acerca de princípios da atividade projetual. Estes objetivos devem ser alcançados por meio de aulas teóricas e exercícios em sala. as diferentes etapas do desenvolvimento de produtos e as diversas atividades relacionadas ao setor de projetos de uma empresa de natureza industrial. O setor de projetos em uma empresa é basicamente responsável. na medida do possível. subdividido da seguinte forma: . . citado por VALENTI (1996).

A proposta central da disciplina está no micro? Já teve dores nas costas ao varrer sua casa? Já desenvolvimento de um produto de baixa ou média esqueceu de puxar o freio de mão de seu carro? Todos complexidade técnica. such as a piece of wire. mas o rigor e a consistência do método sentiu falta de um suporte para livros. triangular. Johan Vaaler.html de papel. estavam proibidos de usar símbolos nacionais. um olhar mais apurado em nosso ambiente cotidiano pode Um produto descrito como "um pedaço de metal. sujeitos à ocupação nazista. Pequenos problemas do dia-a-dia também estejam em sua maior parte centrados no requerem soluções de excelência. fabricáveis em para abrir uma garrafa com tampa de rosca. de 1899. Outro aspecto interessante sobre este produto está no fato de que. Em sinal de protesto. ou à complexidade do É um exercício interessante imaginar alguma produto. como um nos trazer uma série de situações onde não existem arame. por exemplo? série. a excelência do projeto não está diretamente ligada à tecnologia utilizada. embora as complexidade do problema. cem anos depois de ser inventado? Se transporte coletivo (em especial se o usuário é idoso ou você já utilizou um clipe de papel.depto engenharia de produção . anterior: patente da máquina de produção de clipes. mas que requerem ainda soluções adequadas. uma versão importantes" ou "simples demais". Recebeu a patente por seu projeto na Alemanha em 1899 e nos EUA em 1901. um inventor norueguês graduado em ciências. tendo em vista que estes eram efetivamente um “produto nacional”. a partir de uma necessidade de estes pequenos problemas (além de muitos outros) foram mercado observada pelos alunos. Você já teve problemas desenvolvimento de produtos industriais. the end parts of which wire piece form members or tongues lying side by side in contrary directions. Na página movimentos. certamente pode possui limitações físicas). figura da primeira Este produto está detalhadamente descrito em patente do clipe http://web. Hitler chegou a ordenar a prisão de algumas pessoas diante desta situação. Além disso.edu/newsoffice/nr/1999/pageturner. Por outro lado. em soluções adequadas de projeto para atendimento de formato retangular. Normalmente. se você considera estes problemas "pouco Ao lado. ou um produto complexo? Teria ele sucesso? açucareiro em locais públicos (como bares ou Seria ele lembrado e homenageado com um selo restaurantes). utilizar uma tesoura ou abridor concordar! de latas (se você é canhoto) são situações aparentemente simples. projeto do produto Qualquer objeto . enquanto está no utilizado. Neste caso.um parafuso. destinado a músicos e pessoas com limitações de original. e nem pode ser assim. os noruegueses. o importante para o desenvolvimento Já viu alguém se queimar com gordura. mas foi impossível conter o protesto. em casa? Já foi da atividade projetual não é necessariamente o produto a incomodado por ruídos da rua enquanto estudava? Já ser desenvolvido. embora já existissem alguns modelos menos eficientes.mit. that is bent to a rectangular. Utilizar um produto. fazendo os pesquisadores do MIT. durante a II Grande Guerra. prestigiosa instituição muito semelhante ao norte americana: um “virador de páginas automático”." Vaaler foi o primeiro patentear o clipe. veja o que estão recente do antigo produto. "necessidade de mercado" a ser atendida. com o seguinte resumo: "It consists of forming same of a spring material. passaram a utilizar. um prédio. embarcar ou desembarcar em sistemas de comemorativo. Algumas pessoas associam excelência da solução à concebido pelo homem é um produto. um avião . Projeto de Produto. Ao lado. inventou o clipe de papel em 1899. em direções opostas. or otherwise shaped hoop. eletrônica e matemática. retorcido três vezes. o que não é necessariamente metodologias e processos apresentados durante o curso correto. clipes como símbolos contra a ocupação. triangular ou arredondado" é um bom algumas necessidades aparentemente triviais. Vale a pena lembrar objeto de soluções propostas por alunos da disciplina que muitas vezes esta não é clara. visto que “que mal poderia causar um pedaço de metal preso à roupa?” © 2004 eduardo romeiro filho 7 ufmg . na lapela.

1982) DIREÇÃO DA EMPRESA MARKETING DESENHO INDUSTRIAL ENGENHARIA Analisar Preparar Definir o Especificações o Produto Mercado Gerais Analisar Analisar Técnica aspectos de ANTEPROJETO Funcional e Engenharia Humanas e materiais Verificar Criar Aspectos alternativas de propriedade Industrial Prever custos e prazos de Fabricação Analisar Escolher Aprovar Viabilidade a melhor Anteprojeto Econômica e desenvolver Mercado Anteprojeto Rever Especificações Gerais Estudar aspectos Ergonômicos e Formais Selecionar Materiais e processos PROJETO Projetar Desenhar Embalagem melhor Alternativa Elaborar Construir Detalhar Estratégia de Modelo e/ou Planos de Lançamento Mock-up Fabricação Construir Protótipo Autorizar Produção Elaborar Experimental Roteiro de Produção Controlar a Produção Experimental © 2004 eduardo romeiro filho 8 ufmg . (Fonte: BARROSO.depto engenharia de produção . projeto do produto Áreas da empresa tradicionalmente envolvidas com o projeto do produto e principais etapas do processo.

utilizado e descartado o futuro produto. © 2004 eduardo romeiro filho 9 ufmg . projeto do produto Primeira Parte: o conceito A mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original. compilação de variações de soluções e sua avaliação. Nesta fase. Não se deve esperar. Albert Einstein Esta primeira etapa consta basicamente da concepção do conceito do produto: Análise de especificações. soluções de projeto neste momento. mas entender as necessidades e oportunidades que vão gerar o produto. entretanto. seus concorrentes e características do mercado.depto engenharia de produção . espera-se que o conceito do produto esteja formado. vendido. é necessário um amplo “reconhecimento do ambiente” no qual será desenvolvido o projeto e onde será fabricado. Ao seu final. o importante nesta fase não é “desenhar” ou “buscar uma solução”a priori. Por estranho que pareça. quais suas funções seus possíveis usuários.

não cabem mais métodos intuitivos ou não estruturados de projeto. como compreendida nos dias de hoje. seja pelas novas condições de mercado.depto engenharia de produção . mas sim a aplicação de novos e sofisticados conjuntos de procedimentos para desenvolvimento de produtos. projeto do produto Conceitos Preliminares. bem como apresentar uma contribuição à reflexão sobre o tema. é relativamente recente. pela globalização de produtos e dos meios de produção ou por novas regras de legislação que buscam proteger os direitos dos consumidores diante da indústria. que tem seu poder de barganha progressivamente consolidado. a necessidade de interação de diferentes competências em equipes multidisciplinares são respostas das empresas às demandas cada vez mais sofisticadas por parte de usuários. Neste contexto. © 2004 eduardo romeiro filho 10 ufmg . Discutir o processo que levou a esta nova situação. Estes são os objetivos deste item. A atividade projetual. As formas de organização e condições do trabalho trazidas pela aplicação de metodologias e ferramentas de projeto.

do inimigo). seqüência clássica do filme de Kubrick ligados às diferentes formas de atendimento às (MGM/Polaris. melhores resultados. no atual Iraque. como ceramistas. por exemplo) e aos diversos tipos de necessidades associados a formas de organização social cada vez mais complexas. Instrumentos como o arco e flecha representam.depto engenharia de produção . pela primazia diante conhecimento”. com uma crescente sofisticação da divisão de trabalho entre seus membros. para realização de um objetivo vital. Melhores ferramentas. neste caso. equilibrados. como o de uma fonte de água. de ser indefeso. os avanços tecnológicos ligados à agricultura (como o arado. até o surgimento de uma solução adequada. as variáveis envolvidas (a tribo oponente). técnica”: a necessidade (do acesso à fonte). 1968) necessidades humanas. Os dois grupos desenvolvimento de uma ferramenta (ou a encontram-se. a partir daí. “2001 – Além da força dramática da cena. Surgem desta forma grupos de indivíduos com conhecimentos específicos. objetos construídos e/ou manipulados pelo homem. São notáveis. o da obtenção de alimento. projeto do produto No clássico filme de Stanley Kubrick. as primeiras cenas dizer que esta representa de forma bastante desenvolvem-se em torno da disputa. este processo de busca de soluções adequadas para necessidades observadas. melhores instrumentos. aplicando um situação está no processo que gerou a “solução golpe fatal em um dos oponentes. ainda caçador. por dois interessante uma “metáfora sobre o grupos de “hominídeos”. Acima. uma notável "vantagem competitiva" na caça. o que acaba por levar o homem. até geração do conhecimento necessário para tal) que um membro de uma das tribos percebe que pode representar uma diferença fundamental. este é o princípio básico do processo de concepção de soluções para quaisquer problemas. depois estendendo-se pelo Oriente Médio. ou seja. © 2004 eduardo romeiro filho 11 ufmg . poder-se-ia Uma Odisséia no Espaço”. ou seja. que cada vez mais caracteriza-se pela perenidade de sua localização geográfica. Pode-se dizer que. Em última análise. A evolução da civilização acaba por trazer modificações ao modo de vida da tribo. um osso de fêmur poderia se transformar em Uma outra abordagem interessante para esta uma ferramenta de combate. que leve à eliminação do problema (no caso. guardando-se as devidas proporções. O mesmo pode-se dizer das primeiras ferramentas humanas. ao domínio e supremacia em seu meio ambiente. a geração de alternativas (diversos tipos de ação sobre o inimigo). As aldeias tiveram notável desenvolvimento a partir da agricultura. o desenvolvimento de produtos atende a esta lógica. grosso modo. em princípio na região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. melhor qualidade de vida. . atendimento a uma necessidade básica. Europa e assim sucessivamente.

mais calcada no aprendizado do ofício junto a um "mestre" do que na concepção de "novos" Artesanato – Produto “focado produtos. corrigindo eventuais falhas de concepção e produção do objeto. O cliente é. Poderia-se dizer. interessantes referentes a esse período. desde a escolha da argila adequada (normalmente identificando locais onde esta é disponível). uma roca de fiar. um artesão ceramista possui o conhecimento (tácito. Um mestre de obras possui formas de competência bastante desenvolvidas e peculiares a suas funções. o domínio da da própria aldeia. conhecimentos sobre madeira. que o artesanato representou. normalmente. guias etc. uma nova O artesanato possui como característica básica forma de encaixe. um artesão graduado. uso doméstico. a base para aquisição do tornar-se oficial. experiência no trabalho. é caracterizado pelo civil. alguém artesão possuía. portanto não relacionado a modelos formais de aprendizado) necessário à execução de seu produto. das Ainda hoje.. venda e entrega. interesse esta fase está no fato de que o mestre pessoal etc. ponta de flecha etc. Apesar disso. podem ser observadas características incremento comercial. próximos mata o material para seu arco possui que estavam do artesão. às corporações de ofício. Acima. é possível ao primeiro acompanhar a utilização do produto oferecido. que ia ao longo do Evolução e adequação dos produtos. como pás. Minas Gerais. caracterizando um sistema de atividade de construção de produtos é muito produção que dá origem ao artesanato. que possuíam uma estrutura de aprendizado Diversas regiões no Brasil ainda guardam resquícios das profissional bastante complexa. teoricamente. os processos de moldagem. artesão é agora o responsável pela confecção Controle dos meios de produção. Um novo friso. © 2004 eduardo romeiro filho 12 ufmg . Tendo em vista a costumeira proximidade entre artesão e comprador. este domínio passa ao artesão esse atendimento fosse normalmente objeto de e. um novo elemento o domínio da tecnologia de projeto e produção decorativo eram incorporados ao produto com por uma única pessoa. em setores como o da construção grandes navegações. na época. cozimento. Neste caso. seria exagero afirmar que os produtos não sofreriam. O severas negociações. Na medida que seu tempo. posteriormente. e conhecimento necessário à construção do mestre. até mesmo por sugestões e relativamente restrito. A competência para a seleção dos aprendizes era bastante complexa. embora nas sociedades. Um pedreiro oficial possui o domínio de sua técnica. materiais grosso modo. século XIV. fibras.. níveis.depto engenharia de produção . por fim. em para corda. O grande de objetos. projeto do produto carpinteiros etc. No tempo passando por diversos estágios até artesanato. A objeto é a tradição. embora o comércio seja uma competência requerida para sua função e o atividade crescente. capaz de ensinar outros aprendizes. as corporações de ofício. decoração e. O formas de produção artesanal. Os artesãos formavam grupos de acordo com a competência. O caçador que busca na adaptações aos próprios “clientes”. e do acompanhamento do mestre pelo aprendiz. no cliente”? qualquer evolução. e na maioria das vezes os instrumentos necessários ao seu trabalho. sejam estes de caça. em especial a partir do controle dos meios de produção necessários. uma forma de atendimento é observada uma crescente divisão do trabalho adequado às necessidades do cliente. O período do renascimento. que por sinal guardam extrema semelhança com determinados instrumentos bastante antigos. ou por um grupo o passar do tempo.. conhecimento era passado por meio da no Vale do Jequitinhonha.

projeto do produto Embora a utilização de meios físicos como o papel (ou pergaminho) para o registro de produtos date do séc. colonização foi outro ponto importante para o desenvolvimento da construção de produtos e O período das grandes navegações foi da atividade projetual. com objetivo de visualização da solução final. Já naquela época os artesãos organizavam-se em corporações. Embora ainda hoje utilize diversos princípios de natureza artesanal. A Evolução na Atividade Projetual. Acima. O conhecimento. dentre 1485 e 1490 (Biblioteca do Instituto de França. XVIII. Pode-se dizer que o papel (introduzido na Europa no séc. no sentido de preservarem seu conhecimento e defenderem seus interesses Acima: Caravelas portuguesas do século XV profissionais. e muitas vezes obedecia a laços familiares e formas de relação bastante rígidas. no séc. Paris). onde não existia tradição em diversas formas de competência. que meios de produção que acabará por propiciar guarda uma interessante semelhança com a condições para o início da Revolução Escola de Sagres. a construção das caravelas constitui-se me um marco.depto engenharia de produção . e até hoje podem ser observadas formas de aprendizado calcadas nos sistemas de ofício (um bom profissional não ensina o "pulo do gato" a qualquer um). na medida que permitem o registro gráfico de uma solução concebida em um meio físico (o papel) por meio de uma ferramenta descritiva eficiente (a perspectiva). inicia-se um gargalo nos atual programa de exploração espacial. Industrial. A arte de construir navios envolvia colônias. As novas perspectivas marcante para o desenvolvimento da atividade comerciais representadas pelos habitantes das projetual. basta imaginar um paralelo com o produtos. Some-se a isso a invenção da imprensa e conseqüente redução nos custos de reprodução da informação. Como enorme crescimento da demanda por novos exemplo. pela utilização de desenhos construtivos em perspectiva. a construção de edifícios foi a primeira atividade a descrever previamente os objetos concebidos. possuía fundamental importância. A partir daí. XIV. já naquela época. em um determinadas formas de artesanato. XIII) foram importantes neste processo. XI) e o estudo da perspectiva (que intensifica-se no séc. como o objetivo expresso de documentar a construção do barco e transmitir informações entre os diversos envolvidos. levou a um trabalho conjunto altamente sofisticado. Processo Histórico de Colonização. feitos por Leonardo da Vinci para uma igreja com cúpula. alguns dos primeiros registros de estudos arquitetônicos. © 2004 eduardo romeiro filho 13 ufmg .

venda e cresceu no séc. pode-se observar que os unidades até 1900. mesmo para a época.000 (cinqüenta milhões) de exemplares vendidos até 1930 e é produzida Acima: Anúncio da fábrica THONET em um jornal alemão. desenvolvidos. existem excelentes exemplos de comércio internacional. que (acima) publicado em jornal alemão no final vendeu 400. antigas que ainda persistem no mercado. Curiosamente. em grande parte grandes manufaturas e. As diversas formas de imperialismo uma evidente leveza também contribuíram decisivamente para a construtiva e agradável solução estética (até concentração do capital e para o surgimento de hoje bastante atraente). No. manufatura. a produção da fábrica THONET em fins do séc.depto engenharia de produção . bem antes dos designers manutenção. elementos estruturais aproximadamente. Em termos de produtos em fins do século XIX. THONET fossem resultado de uma notável proporcionou condições para o aumento nos inovação tecnológica (o desenvolvimento de níveis de produção e redução dos custos dos técnicas de curvatura da madeira à quente). remetem © 2004 eduardo romeiro filho 14 ufmg . diferentes modelos utilizam soluções que. mais pelo desenvolvimento de novas tecnologias importante. Data de 1700. embora esteticamente distintas. I deologia e Utopia. apresentava a fantástica marca de 50. projeto do produto A revolução Industrial foi a grande evidentemente ao responsável pela difusão de novos produtos. o que atividade de design. Estes do início do século XX e de escolas como a fatores foram. que no grandes fábricas. a primeira referência à semelhantes. inovadoras está na linha de Cadeiras Thonet. além de fomentar ainda mais o sistemas de produção eram bastante arcaicos.000 trabalho. Ao lado.14 da Máquina Singer. como no caso da cadeira dos irmãos THONET e Acima. XIX.000. XIX. A divisão internacional do início do século XX possuía em torno de 3. posteriormente. representando basicamente os sistemas de manufatura (veja foto abaixo). e mesmo autor e. o de número 14. utilizam aplicadas à manufatura. concepção.000 do século XIX. por um facilita em muito as especialista. embora os móveis consumidoras de bens industriais. além de Bauhaus. soluções bastante Design: História. A importância dessa atividade montagem. os produtos. até os dias de hoje. de novos produtos para a etapas de concepção. concebido em 1859. responsáveis pelo sucesso da empresa. reservando às colônias o papel de funcionários. a Thonet Em anúncio da fábrica de cadeiras THONET. Seu mais conhecido exemplar. Um dos mais interessantes exemplos de mostrando como a produtos onde o sucesso pode ser explicado adequação do projeto à por meio de uma feliz associação entre novas sua função e objetivos tecnologias de produção e soluções estéticas pode atingir o sucesso.

a partir de uma introdução de conceitos de “melhoria orientação voltada para uma retomada dos contínua” em produtos. da Evolução do Projeto de Produtos na Sears Roebuck. naturalizado americano Loewy teve importante Abaixo. representa um marco. Apesar de inúmeros percalços. nos anos 50. O francês em soluções de projeto. na Alemanha (veja texto complementar). Loewy também foi um dos responsáveis pela Já a partir de meados do século XIX. tendo em vista principalmente a Acima. dois modelos de geladeiras Coldspot. Embora este conceito possa ausência de uma tradição "artesanal"). e mesmo sobre as primeiras escolas de Design brasileiras é evidente. levando ao desejo pela aquisição de de desenvolvimento histórico (inclusive a um novo modelo. criada em 1919. Seu © 2004 eduardo romeiro filho 15 ufmg . situação política e econômica na Alemanha da introduzidos por Loewy na década de 1930. representa "de massa". representavam significativa vantagem para o Nos EUA. a Bauhaus conseguiu desenvolver ampla variedade de trabalhos. com lançamentos ideais "do artesanato". a Bauhaus foi a primeira escola de Design na história. que depois evoluíram periódicos de novos modelos que para um enfoque voltado para empresa. Na Europa. ser (e efetivamente é) fonte de muitas críticas. o design de produtos assume feições distintas nos dois continentes: Mais ligada à arte.depto engenharia de produção . Sua influência sobre a forma e sobre a Escola de Ulm. baseada mais bonito que existe é o do aumento na fortemente na produção de bens em sistemas curva de vendas”. "limpos" e seus estudos em aerodinâmica. desenvolveu uma história diferente em termos por ser associado ao marketing (“o desenho de desenvolvimento de produtos. e à indústria nos EUA. Europa e nos EUA. uma síntese da evolução do esquema construtivo papel neste sentido. tendo em vista questões específicas usuário. O design esteve sempre ligado à muitas vezes a busca constante pela excelência indústria e ao marketing. tendo funcionado até 1933. na Europa. dizia Loewy). época. projeto do produto novo desenho para as geladeiras Coldspot. com sua visão de produtos das geladeiras nas décadas de 20/30.

Para seus filhos se os têm.Sim. Martins Editora. Este discurso. 187 também nutrirá. agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos. espelhos e os selvagens pouco cuidadosos nas coisas deste outras mercadorias do que podeis imaginar e um só mundo. por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam ? . 3 edição.Sim. mostra como esses pobres selvagens americanos. que reputamos "Os nossos tupinambás muito se admiram dos bárbaros. como quanto escasseiam entre os nativos. morre como os outros. Hans Staden." deles compra todo pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. tesouras. mas estamos certos Tupinambás em ritual antropofágico. com vergonha nossa. continuou o velho. pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos. respondi-lhe.Na verdade. Em português só veio a ser impressa em 1889. desprezam àqueles que com perigo de franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho vida atravessam os mares em busca de pau-brasil e de buscarem o seu arabutan. Por mais obtusos que sejam. São Paulo. atribuem perguntou-me: Por que vinde vós outros. e que não a queimávamos. como já disse. na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. Os tupinambás. Esta obra teve a primeira edição em francês em 1578. 1942. que. respondi. como vereis. p. os selvagens para serem atormentados como por Retrucou o velho imediatamente: e demônios. mães e filhos a quem amamos. Duas viagens ao Brasil. Era necessário que eu fizesse esta pois no nosso país existem negociantes que digressão. maírs e esses selvagens maior importância à natureza e à perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão fertilidade da terra do que nós ao poder e à longe para vos aquecer? Não tendes madeira em providência divina. disse eu. e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais. substância alheia. tu me contas maravilhas. São Paulo : Soc. aqui resumido. Hans. a fim de justificar possuem mais panos. Jean de Léry. insurgem-se contra esses piratas vossa terra? Respondi que tínhamos muita mas não que se dizem cristãos e abundam na Europa tanto daquela qualidade. selvagem. de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu Fonte: Staden. 1960. . odeiam moralmente os avarentos e tal qual o faziam eles com os seus cordões de provera Deus que estes fossem todos lançados entre algodão e suas plumas. projeto do produto Os nossos Tupinambás Trecho extraído do livro Viagem à Terra do Brasil. por isso descansamos sem maiores cuidados. não era nenhum tolo. como dizeis quando aqui chegais. facas. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim. já que só cuidam de sugar o sangue e a porventura precisais de muito?. acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem tão rico de que me falas não morre? . . Uma vez um velho de riquezas. mas dela extraíamos tinta para tingir.depto engenharia de produção .Ah! Retrucou o © 2004 eduardo romeiro filho 16 ufmg . ele o supunha.

1991). afirmando que esses não são os únicos processos a serem considerados e que sua a atividade isolada é insuficiente para o sucesso da empresa. Processo de Inteligência de Marketing. projeto do produto Processo de Desenvolvimento do Produto No início dos anos 90 do século passado. se deve a quatro processos principais: . estratégia. Processo de planejamento da estratégia de Marketing e . eles afirmam ainda que o que define o sucesso é o padrão de consistência presente em todo o sistema de desenvolvimento de produtos. com a demora no lançamento. estrutura organizacional. Processo de gerenciamento do desenvolvimento de novos produtos. as habilidades técnicas. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Operações (Manufatura). Esses autores completam. Assim. Essa consistência e coerência estariam presentes não apenas na arquitetura do sistema de desenvolvimento como também no detalhamento das atividades executadas. incluindo a estrutura organizacional. inclusive com a estratégia de negócios da companhia. estando associado à cooperação entre Marketing. A figura mostra estes seis fatores e seus componentes. OLSON et al. os processos para solução de problemas. Processo de geração de idéias. MOSEY et al. já se podiam identificar empresas com efetiva capacidade para desenvolver produtos enquanto outras se defrontavam com os elevados custos alcançados. especialmente no que tange ao grau de inovação dos produtos e aos momentos em que se dá tal integração. informação e administração. © 2006 eduardo romeiro filho 17 ufmg . processo. . um processo eficiente de desenvolvimento de produtos é algo difícil de se realizar. . a cultura e a estratégia. GRIFFIN (1997) também procura identificar as práticas mais comumente associadas às empresas em diferentes setores da economia com sucesso em desenvolvimento de produtos e a sua evolução e afirma que sem a manutenção de processos de desenvolvimento atualizados as empresa sofrem uma crescente desvantagem competitiva. e sem ele as empresas estão provavelmente fadadas ao fracasso. De acordo com esses autores. objeto de sua pesquisa em diferentes nichos. o bom desempenho do produto seria uma conseqüência da consistência na organização e gerenciamento do seu próprio desenvolvimento. identificados por intermédio de uma revisão da literatura realizada pelo autor.depto engenharia de produção . (2001) afirmam que o Processo de Desenvolvimento de Produto é um processo multidisciplinar em essência. se nas etapas iniciais de desenvolvimento ou nas fases posteriores. HART apud RIMOLI (2001) identificou seis fatores chaves de sucesso: pessoas. sendo que essa cooperação liga-se diretamente ao sucesso de um produto. Dessa forma. com os problemas de qualidade ou mesmo com a falta de mercado para o produto desenvolvido (CLARK e FUJIMOTO. e assim tais processos devem se integrar entre si e com outros processos empresariais. com o fraco desempenho. (2000) apud Freixo (2004) afirmam que o sucesso de diversas empresas.

ou mesmo um problema de projeto ou de produção. concepção. Terminologia Sabe-se que uma parcela significativa do sucesso econômico das empresas está associada às habilidades destas em identificar as necessidades dos clientes e rapidamente criar produtos que atendam a essas necessidades e que possam ser produzidos a um custo relativamente baixo. conforme aponta Codinhoto (2003). que envolve essas e outras funções. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo que converte necessidades e requisitos dos clientes em informação para que um produto ou sistema técnico possa ser produzido. . EPPINGER. definições. projeto do sistema. Desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma as informações de oportunidades de mercado e de possibilidades tecnológicas em informações vantajosas para a fabricação de um produto. do processo e a transmissão das informações sobre o projeto e o produto para todas as áreas funcionais da empresa (ROSENFELD. dos diversos projetistas.. 2005). © 2006 eduardo romeiro filho 18 ufmg . projeto detalhado. EPPINGER. necessários para a formulação de requisitos. 1991).depto engenharia de produção . há diversas definições para o PDP: . detalhamentos e aperfeiçoamentos (SMITH. das equipes de produção. 1994) e projeto e desenvolvimento do produto (ULRICH. PAHL et al. Projeto e Desenvolvimento do Produto refere-se ao conjunto de atividades interdisciplinares que começa com a percepção da oportunidade de mercado e termina com a produção. trata-se de um problema de desenvolvimento do produto. atingir essa meta não é somente um problema de marketing. desenvolvimento do conceito. de acordo com Ulrich e Eppinger (2000). 2003). projeto do produto Figura : Fatores chaves para o sucesso em desenvolvimento de produtos. 2000). MORROW. bem como de testes e análises de uso do produto. projeto de engenharia (CROSS. 2001). venda e entrega de um produto. sendo que. 1999 apud CODINHOTO. Assim. teste. Somando-se a isso. . . refinamento e produção-piloto (ULRICH. AMARAL. a empresa terá maior ou menor sucesso com a colocação do mesmo no mercado (CLARK e FUJIMOTO. Sendo um processo que faz uso das informações do mercado. passando pelo planejamento. Fonte: HART apud RIMOLI (2001). 2000). de acordo com a estratégia. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo de negócio compreendendo desde a idéia inicial e o levantamento de informações do mercado até a homologação final do produto. termos tais como: processo de planejamento e projeto (PAHL e BEITZ. 1996. a forma de organização e de gestão do desenvolvimento de produto. São vários os termos utilizados para se referir ao processo de desenvolvimento do produto (PDP).

1996. apresente um objetivo a ser atingido. 2001. 1993). Desenvolvimento de Novo Produto ou Processo de Desenvolvimento compreende um complexo conjunto de atividades. possibilitando o estabelecimento de pontos de verificação e controle que contribuem para aumentar a eficácia do gerenciamento desse processo. ULRICH e EPPINGER. que envolve mais funções em um negócio.) são claramente estabelecidas. forma. Desenvolvimento de Produto compreende o desenvolvimento de um projeto de um novo produto em coerência com os planos para a sua produção. Ainda analisando os modelos propostos para o PDP (CLARK e FUJIMOTO. .2005). segundo os diferentes autores. da elaboração de soluções iniciais. Pode- se observar que a denominação dada às fases. Pahl e Beitz (1996) colocam que a divisão do PDP em fases e em grupos de atividades é uma das maneiras utilizadas para lidar com a complexidade desse processo. Portanto.. CUNHA. introdução no mercado e gerenciamento do ciclo de vida (URBAN e HAUSER. projeto. Nota-se também que não há limites claros entre as fases. PAHL et al. somando-se essa colocação à análise das definições para o PDP. planejamento do produto. segundo Codinhoto (2003). pode-se verificar que não há uma regra previamente definida para a divisão desse processo. da construção de estruturas modulares para a documentação final do produto (PAHL e BEITZ. projeto do produto . embora cada fase. 2000 apud CODINHOTO..depto engenharia de produção . assim como a sua divisão. 2000. parece ser consensual que o produto seja desenvolvido ao longo de fases. Desse modo. maturidade do projeto é o momento em que o projeto (como produto) está definido suficientemente de modo a ser liberado para análise e utilização em atividades subseqüentes. ROSENFELD e AMARAL. sem que haja a possibilidade de ocorrer retrabalhos nas fases seguintes devido ao que foi entregue. 1993).1995). uma nova fase é iniciada. e ao produto (desempenho desejado. etc. Codinhoto (2003) apresenta diversas propostas de divisão do PDP em etapas que são ilustradas na Figura. PAHL et al.1995.2005). CRAWFORD e BENEDETTO. 2001. é bastante variável. URBAN e HAUSER. 1993. Processo de Desenvolvimento de novos produtos é um processo decisório de cinco passos: identificação da oportunidade de mercado. distribuição e vendas (ROOZENBURG e EEKELS. . teste. CLARK e WHEELWRIGHT. PAHL e BEITZ. dispondo de fases de atividade em um projeto de desenvolvimento típico – desenvolvimento do conceito. Processo de Planejamento e Projeto é atividade multifacetada e interdisciplinar que tem como resultado o planejamento e esclarecimento de tarefas. engenharia do produto e do processo. 1993. 1991. 2003. produção-piloto e lançamento (CLARK e WHEELWRIGHT. ROOZENBURG e EEKELS. © 2006 eduardo romeiro filho 19 ufmg . assim observa-se que é comum a divisão do PDP em função do grau de maturidade. BUSS. em geral. . De acordo com O’brien e Smith (1994) apud Codinhoto (2003). através da identificação de funções requeridas. à empresa (recursos e investimentos necessários). à medida que as definições relacionadas ao mercado (tamanho e exigências dos consumidores). 1996.

ROMANO et al. como por exemplo.). cumprindo seu papel de mantenedor da competitividade da empresa. Esses autores apresentam diversos modelos de referência de PDP oriundos de pesquisas realizadas nas áreas de Marketing. o aeroespacial. Assim. administrativos etc. (2001) coloca que para que o Processo de Desenvolvimento de Produtos ocorra satisfatoriamente. contribuindo para a integração da empresa em torno de uma visão única e focalizada num tipo de negócio. De acordo com ROZENFELD (1999). de diversas pessoas com formações diferentes. que não é possível pensar em desenvolvimento de produto como processo isolado. de acordo com esses autores. influenciando e sendo influenciado por outros processos de negócios da empresa (comerciais. para descrever um processo de negócio podem ser utilizados modelos de referência que representem setores industriais específicos. projeto do produto Figura : Divisão do PDP em fases segundo alguns autores pesquisados. o automotivo. 2002). direcionado-a para um determinado mercado ou cliente. as atividades nele executadas dependem de diversos departamentos. um modelo do processo de negócio pode ajudar a materializar as políticas e estratégias gerenciais e racionalizar o fluxo de informações e de documentos durante o desenvolvimento de produtos. etc. no entanto. e ). comumente representado como um processo de negócio. de acordo com Freixo (2004). com visões diferentes. Desse modo. ele deve ser executado de maneira integrada. servindo de parâmetro de comparação para as empresas avaliarem e incorporarem melhorias em seus processos.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 20 ufmg . Engenharia de Produção e Design (figuras . resultando no chamado Desenvolvimento Integrado de Produtos (DIP). Fonte: CODINHOTO (2003). de informações advindas de diversas áreas da organização.. Modelos de referência de PDP Sabe-se. Alguns modelos referenciais são oferecidos por áreas que têm como objeto de estudo o Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP) (BUSS e CUNHA.

projeto do produto Figura : Modelos de PDP em Marketing. Figura : Modelos de PDP em Engenharia de Produção. © 2006 eduardo romeiro filho 21 ufmg . Fonte: Buss e Cunha (2002). Fonte: Buss e Cunha (2002).depto engenharia de produção .

projeto do produto

Figura : Modelos de PDP em Design. Fonte: Buss e Cunha (2002).

Cabe ressaltar que dentre os modelos propostos por esses autores, alguns se limitam apenas ao processo de
projeto, como, por exemplo, o modelo proposto por Pahl e Beitz (1996), enquanto os outros consideram o PDP
como um processo de negócios que vai além da simples especificação técnica do produto.

A Administração, através de seus braços em Marketing e na Produção, preocupa-se com os aspectos
mercadológicos e de organização e controle da produção; a Engenharia, através de sua linha em Engenharia da
Produção, foca basicamente os aspectos referentes à engenharia do produto e ao desenvolvimento de seu projeto
técnico; e o Design preocupa-se principalmente com a caracterização do problema e com a investigação de
alternativas possíveis (BUSS e CUNHA, 2002).

Para KRISHNAN e ULRICH (2001), essas diferenças de abordagens e pontos de vista ocasionam uma
desconexão entre os modelos apresentados pela literatura. O quadro apresenta essas diferentes perspectivas em
relação ao PDP.

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projeto do produto

Quadro : Comparação das perspectivas das comunidades acadêmicas de Marketing, Organizações, Engenharia e Administração da Produção. Fonte: Krishnan e
Ulrich (2001).

E, portanto, de acordo com Roozenburg e Eekels (1995), o desenvolvimento de produto é um processo mais
amplo em que está incluso o projeto do produto.

Projeto - Terminologia
Ao se buscar a etimologia da palavra projeto, de acordo com Ferreira (1986), encontra-se a sua origem no latim
projectu que significa “lançado a diante”, ou seja, “idéia que se forma de executar ou realizar algo no futuro;
plano, intento, desígnio”; “empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema”.

Assim, “Estes são os significados mais puros para o termo ‘projeto’: intenção desígnio, idéia de fazer algo no
futuro, delineamento, esboço, etc. Entretanto, ao se evoluir das intenções para a ação, o termo projeto passou a
designar também o conjunto dos esforços que visam à realização do ‘projeto/intento’, do ‘projeto/esboço’ ou do
‘projeto/desígnio’ etc. Ou seja, o termo projeto passa a abranger também a fase de execução daquilo que foi
imaginado, desejado ou delineado, compreendendo um número, às vezes extremamente grande, de tarefas
interligadas e de complexidades variáveis. E mais, o projeto, assim entendido, passa a incorporar os meios que
lhe foram destinados para sua execução: escritório, gerente, equipe, materiais etc. O projeto, em uma acepção
ampla, passa a ser uma organização, ainda que transitória: tem estrutura, regras de funcionamento, objetivos,
gerência, equipe, insumos etc” (VALERIANO, 2004).

O termo projeto não detém um significado único. De acordo com Cassarotto Filho, Fávero e Castro (1999), o
termo projeto é comumente relacionado com um conjunto de planos, especificações e desenhos de engenharia.
Para esses autores, tal conjunto é chamado de projeto de engenharia, recebendo na língua inglesa a alcunha de
design.

No entanto, buscando um sentido mais amplo e dentro do contexto de desenvolvimento de produtos
(entendendo-se produtos como bens físicos e/ou serviços (GRIFFIN e PAGE, 1996)), Cassarotto Filho, Fávero e
Castro (1999) colocam projeto como sendo um conjunto de atividades interdisciplinares, finitas e não repetitivas
que visa uma meta definida com cronogramas e orçamentos preestabelecidos, ou seja, um empreendimento; e

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projeto do produto

recebendo, na língua inglesa, a designação de project. Contudo, os próprios Cassarotto Filho, Fávero e Castro
(1999) ressaltam que o desenvolvimento de um projeto de engenharia constitui, também, um projeto.

No PMBOK (2004), projeto é definido como um esforço temporário com ponto de início estabelecido e com
objetivos definidos para produzir um produto. O COED (Concise Oxford English Dictionary) citado por Dingle
(1997) define projeto como “um plano, tema, uma realização planejada”.

Dingle (1997) cita a Association of Project Managers (UK) que denota ao termo ‘projeto’ o significado de um
conjunto de tarefas inter-relacionadas que são realizadas por uma organização para atingir objetivos definidos,
tendo definidos início e final, delimitadas pelo custo e tendo especificado as necessidades requeridas e os
recursos. Esse autor também cita o British Standard Guide to Project Management que define projeto como “um
único conjunto ordenado de atividades, com pontos inicial e final definidos, realizadas por um indivíduo ou
organização para atingir objetivos específicos dentro cronograma, custo e parâmetros de desempenho definidos”.

Já, Prado (2003) elabora um interessante quadro em que se pode realizar uma comparação entre alguns termos
empregados em várias línguas com os seus correspondentes em inglês.
Inglês Project Design Drawing
Projeto / empreendimento /
Português (BR) Projeto / Desenho / Design Desenho
investimento / obra
Português (POR) Projecto Concepção Esboço
Italiano Projecto/Comessa Projectazione Disegno
Alemão Projekt Ausfuhrung Zeichnen
Francês Projet Desin Dessin
Espanhol Project Disegno Dibujo
Quadro : Comparativo de termos empregados relacionados com seus correspondentes em língua inglesa. Fonte: Adaptado de Prado (2003).

Sobre a utilização desses termos relacionados ao projeto e seus correspondentes em língua inglesa, Valeriano
(2004) faz um importante apontamento, como um dos sinônimos para projeto é “desígnio” do latim “designiu”
(FERREIRA, 1986) que significa “intento, plano, projeto, propósito”, a palavra design na língua inglesa tem a
origem na mesma raiz latina, no entanto, esta palavra tem outras acepções que correspondem à parte criativa,
cerebral e conceitual de atividades incrementais e/ou inovadoras, sendo amplamente empregada, não se
limitando apenas à engenharia. Isso, por vezes, acaba por provocar confusões; já que no âmbito na engenharia, o
design corresponderia ao projeto desprovido de suas partes gerenciais e materiais; o que em língua portuguesa
acaba por não se encontrar uma palavra com o mesmo significado, o que é reforçado pela análise elaborada por
Valeriano (op. cit.).

Métodos de Projeto

Pode-se considerar que o projeto encontra-se na interface entre a empresa e o mercado, cabendo a ele
desenvolver um produto que atenda às expectativas de mercado em termos de qualidade total do produto, no
tempo adequado, ou seja, mais rápido que os concorrentes, e a um custo de projeto compatível. Além disso, deve
também assegurar a ‘manufaturabilidade’ do produto desenvolvido, ou seja, a facilidade de produzi-lo
atendendo a restrições de custos e de qualidade.
Desse modo, Fachinello (2004) afirma que com a análise dos diferentes modelos referenciais apresentados na
literatura, pode-se perceber que, de maneira geral, as atividades consideradas pelos diferentes autores são
semelhantes em sua concepção, diferindo apenas em termos de sua apresentação e denominação. E como uma
forma de endossar sua afirmação, a autora adapta de Buss e Cunha (2002) uma tabela que ilustra os tais modelos
referenciais de alguns autores, como se observa a seguir.

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projeto do produto

Clark e Fujimoto Krishnan e Ulrich Pahl e Beitz Kaminski (2000) Crawford (2000) Kotler (1998) Bonsiepe (1984)
(1991) (2001) (1996)

Conceito Desenvolvimento do Especificação do Especificação da Identificação de Geração de idéias Problematização
conceito Projeto necessidade oportunidades

Planejamento do Projeto da cadeia de Concepção de Estudo de Geração de Conceito Triagem de idéias Análise
Produto suprimentos Projeto viabilidade

Engenharia do Desenvolvimento do Projeto Projeto básico Avaliação de Projeto Desenvolvimento e Definição do
Produto produto Preliminar Teste problema

Projeto do Teste e validação de Projeto Projeto executivo Desenvolvimento Estratégia de Anteprojeto
Processo desempenho Detalhado técnico Marketing

Produção Piloto Lançamento Planej. Produção Lançamento Análise Comercial Avaliação

Execução Desenvolvimento Realização

Testes de Mercado Análise final

Comercialização

Tabela : Modelos Referenciais das áreas de Engenharia de Produção, Marketing e Design - Fonte: Adaptado de Buss e Cunha (2002) apud Fachinello (2004).

Com a análise do que está colocado na tabela acima, observa-se que o projeto pode ser visto como uma
seqüência de atividades interligadas em que ocorre basicamente o processamento de informações. Segundo
Medeiros (1981), métodos de projeto de produto são definidos como sistemáticos ou intuitivos, sendo utilizados
de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido.

"A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para
que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas, inclusive pessoas não
pertencentes à equipe de projeto; para que se possa produzir uma maior qualidade, e não só quantidade de
soluções; e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções" (MEDEIROS,
1981).

Sistemas informatizados de apoio ao projeto
Projeto Auxiliado por Computador - CAD
De acordo com Pugh (1991), o âmago do projeto consiste em análise de mercado (necessidades do usuário),
especificação do projeto do produto, projeto conceitual, projeto detalhado, fabricação e vendas. Dessa forma,
para esse autor, todo projeto começa ou deveria começar com a necessidade, quando satisfeita, ajustará um
mercado existente ou criará um mercado para o produto. E assim, para fazer com que o projeto torne-se eficaz e
eficiente, deve-se utilizar técnicas diretamente relacionadas com a essência do projeto. O autor coloca que essas
técnicas compõem a “caixa de ferramentas” do projetista, ela pode ser de dois tipos: dependente da
disciplina/tecnologia e independente da disciplina/tecnologia. Sendo a primeira diretamente ligada à Engenharia
e à aplicação de seus conhecimentos no projeto.

Pugh (op. cit) também afirma que o projeto do produto representa a materialização do processo pelo qual a
empresa converte oportunidades de mercado em informações para sua fabricação, concretizando idéias,
conceitos e necessidades em um modelo físico para teste e avaliação. Dentro desse contexto, Back (1982) coloca
que o desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em
representações bi ou tridimensionais. Contudo, com base na bibliografia levantada, os meios para que essa
materialização ocorra são os sistemas informatizados de apoio ao projeto, sistemas CAD (Computer Aided
Design ou Projeto Auxiliado por Computador). Conforme coloca Medeiros (1981), o projeto do produto consiste
em identificar uma necessidade, definir as especificações do projeto incluindo todo o ciclo de vida que vai desde
a fabricação, produção, difusão, uso e desativação, e ferramentas informatizadas como CAE/CAD/CAM
fornecem um suporte técnico a fim de garantir a qualidade, rapidez e sucesso do processo.

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Essa generalização é referendada por Rembold. à atividade de desenho e. de acordo com Malhotra. uma tecnologia multidisciplinar. 1988. . A velocidade de compreensão gráfica pode alcançar uma proporção 50. (4) Análise e Otimização. 1995). Avaliação através da revisão de projeto e da realização de testes de fabricação e utilização virtuais que permitem esses sistemas.cit. Apresentação graças ao desenho automatizado e a possibilidade de comunicação de dados de projeto por meios digitais que esses sistemas propiciam. Mas. sobretudo em termos industriais. que afirma: “A atividade principal de transformação (de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais) ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. 1996. (2) Definição do problema. pode-se generalizar o processo projetual em seis etapas que devem ser seguidas seqüencialmente para se projetar novos produtos ou melhorar produtos já lançados: (1) Reconhecimento da necessidade. usando gráficos computadorizados para fornecer desenhos de componentes ou produtos como um todo. sistemas CAD podem ser aplicados em quatro delas: . assimilação. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. por um lado. . Dentro dessas seis etapas para projeto colocadas. O CAD é um sistema tecnológico bem conhecido que combina hardware e software. LUONG. e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto”.depto engenharia de produção . ou seja. o uso dos sistemas CAD tem transformado as práticas normais de trabalho de projetistas e engenheiros na indústria. à sua utilização em conjunto com sistemas informatizados de auxílio à produção (CAM. desenhos realizados manualmente vem sendo substituídos por representações gráficas elaboradas através de computador. Esses autores afirmam que em geral. o CAD tem três aplicações: (1) Geração de desenhos de Engenharia. (3) Síntese. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. HEINE e GROVER. Os sistemas CAD formam um conjunto bastante amplo de recursos tecnológicos de apoio às atividades peculiares envolvidas nas diferentes fases do processo projetual. ou Computer Aided Manufacturing. análise e síntese.000 vezes maior que a de uma leitura (GONÇALVES. Análise e Otimização através da análise de Engenharia que pode realizada por meios computacionais. ainda que associadas. na forma de sistemas CAD/CAM). Heine e Grover (2001). MALHOTRA. 1995. graças à grande e diversificada aplicação e à sua flexibilidade que facilita a realização de um projeto (GERELLE e STARK. ANUMBA. 1997 A e B). por outro. . Contudo. (6) Apresentação. projeto do produto A partir da análise realizada por Medeiros (1981). Síntese através da modelagem geométrica. GROOVER e ZIMMERS. 1998. Assim.). © 2006 eduardo romeiro filho 26 ufmg . 2001). sabe-se que o desenho técnico tem sido parte integrante da indústria há muitos anos e é o elo de ligação entre a Engenharia de Projetos e a Produção. CAULLIRAUX e COSTA. nos últimos trinta anos. Nnaji e Storr (1993) e por Romeiro (op. adota-se o conceito segundo o qual o CAD é: “se considerado de forma bastante ampla.1984. o método de representação manual vem sendo substituído pelo Projeto Auxiliado por Computador (CAD). (5) Avaliação. Todavia.

escalas e áreas. levando em consideração a organização das pessoas. Já. Definição do problema – no início dessa atividade. Modelagem geométrica – isso envolve o uso do computador empregando uma descrição matemática computacional da geometria do objeto em sua representação. o fluxo de informações e os materiais dentro da empresa ou da indústria. dispondo assim de sistemas computadorizados e máquinas que não se comunicam com outras de outros setores). . os recursos. banco de dados etc). NNAJI. ferramentas. 2001). No entanto. O computador permite que se verifique a possibilidade de manufatura e montagem do produto projetado. Muitos sistemas permitem a modelagem por elementos finitos e o cálculo de desempenho dinâmico do projeto. Análise de Engenharia – isso é normalmente requerido por projetista. de forma que uma determinada atividade seja processada de forma modular dentro de cada equipe sem que aja contado ou interação com as outras equipes. deixando saídas como consumo de energia. tais como os sistemas CAD. O CAD propicia o dimensionamento automatizado do desenho. interferência. funções. Nnaji e Storr (op. cabe aos gerentes e supervisores de projeto atuar buscando a cooperação. o computador torna-se uma ferramenta inestimável. Essa descrição matemática possibilita a animação do objeto. A integração e a flexibilidade como funções de projeto galgadas com a implantação de sistemas CAD só são alcançadas se a empresa promover um sério movimento de reestruturação organizacional. segundo Scheer (1993). a adequação a processos de operação padronização e também o custo de produção. deve-se evitar que as diferentes equipes da empresa sejam separadas “por muros”. já que ele pode sugerir um projeto existente e procurar por componentes e processos de manufatura padronizados. podendo ser em duas ou três dimensões. Rembold. STORR. Avaliação projetual – o projeto deve seguir regras específicas previamente estabelecidas e é isso que determina a eficácia do projeto. a comunicação e a troca de informações (REMBOLD. já que isso requer a experiência humana. o planejamento de processos. aliado à aquisição de um sistema que troque dados com os outros sistemas da empresa. mostrando as características de sua operação e com essa animação é possível detectar problemas e sugerir ações corretivas. entre outros. HEINE. se o produto já tiver sido projetado anteriormente. projeto do produto (2) Análise conceptual de projeto. A adoção de sistemas CAD em projeto de produtos visa. clientes e fornecedores. Portanto. evitando. Daí. o desempenho e a aparência do produto. Contudo. desgaste. o projetista deve ser muito criativo para determinar as funções. cit) afirmam que a aplicação do computador para projeto pode ser dividida em cinco áreas: . de forma que as atividades e informações de projeto afetadas foquem-se nos objetivos do negócio da empresa. © 2006 eduardo romeiro filho 27 ufmg . Aqui. conclui-se que o processo para adoção. os equipamentos. o computador não é de grande ajuda. entre outras coisas. a formação das chamadas “ilhas de automação” (setores da empresa que realizam a sua informatização. permitindo a análise e a otimização do projeto. implantação e utilização de um sistema CAD em projeto do produto pode ser compreendido como uma seqüência de atividades que se destinam à adoção e utilização do sistema (aplicativos. programação de equipamento de manufatura. . E esses dados podem ser coletados.depto engenharia de produção . os procedimentos. ainda que não haja um consenso entre os autores que tratam do assunto no que se refere à definição de um conceito para sistemas CAD. alheios às necessidades da empresa e de outros setores e a um planejamento estratégico e de longo prazo. . Percebe-se que o processo projetual se vincula e se relaciona cada vez mais a sistemas informatizados de auxílio. 1993 e MALHORTA. perspectivas. por fim a esses “muros” dentro do setor de projetos e deste com o restante da empresa e para que o CAD tenha realmente esse papel de integração. Automatização do desenho . as atividades projetuais são vinculadas às ferramentas e aos aplicativos de tais sistemas na mesma medida que a tecnologia evolui. a geração de desenhos em diferentes vistas. .isso diz respeito à produção de desenhos detalhados de trabalho usado para a comunicação de informações de projeto para o processamento. (3) Comunicação com importantes departamentos da empresa. GROVER. transferência de calor.

a taxa de crescimento das vendas diminui e tende a se estabilizar. pois o consumidor já se acostumou ao produto e começa a pressionar por redução de preços. 1 Fonte: http://www. É um momento em que as vendas brutas se mantêm no nível do crescimento do mercado. Pode-se assim promover um interessante mapeamento do mercado atual. Etapa de Crescimento: ocorre a partir do momento em que a demanda pelo produto aumenta. Desta forma. maturação e declínio. os preços costumam ser mais altos em razão da baixa produtividade e custos tecnológicos de produção e as margens são apertadas em função do valor que o mercado se dispõe a pagar. em uma analogia com os seres vivos. crescimento.br/dinamica_artigo.depto engenharia de produção . projeto do produto O Ciclo de Vida do Produto Pode–se dizer que o produto. Produtos que incorporam muita tecnologia tendem a decair mais rapidamente e normalmente são retirados do mercado pelo fabricante. bem como o de concorrentes.com. Nesta etapa.asp?tipo_tabela=artigo&id=29 Acesso em 15 de agosto de 2006 © 2006 eduardo romeiro filho 28 ufmg . A relação entre promoção e vendas melhora em função do aumento nas vendas. dos produtos fabricados e de sua posição no mercado (bem como da situação da própria empresa). Etapa introdutória: caracteriza-se pelas elevadas despesas de promoção e pelo grande esforço por tornar a marca reconhecida pelo mercado. Etapa de Maturação: neste estágio. Cada estágio apresenta as seguintes características1. Etapa de Declínio: esta etapa marca o processo de desaparecimento do produto no mercado em função do declínio insustentável nas vendas. A velocidade com que isso ocorre depende de características do produto.planodenegocios. é possível especificar em qual estágio do ciclo de vida encontram-se os produtos da sua empresa. passa por quatro etapas de desenvolvimento: introdução (nascimento).

o projeto do produto continua após o lançamento. os investimentos com projeto e montagem da linha de produção serão amortizados ao logo do ciclo de vida do produto. apresentada por diversos autores das áreas de desenvolvimento de produtos. as alterações. na prática. seqüenciais entre si. ou seja.depto engenharia de produção . Desta forma. uma americana e outra japonesa. como pode ser visto na figura abaixo: Também o projeto possui seu ciclo de vida. M ontadora Am eric ana Mudanças de Projeto M ontadora Japonesa 90% do total de m udanças completadas MESES 20~24 14~17 1~3 3 Antes do lançam ento A pós o lanç am ento © 2006 eduardo romeiro filho 29 ufmg . revela o numero de alterações realizadas em projetos de automóveis por duas montadoras. no caso da empresa americana. A figura ao lado. É interessante perceber que. o que demonstra que as fases do ciclo de vida não são. que por muitas vezes estende-se até após o lançamento do produto. ao longo do desenvolvimento de seus produtos. projeto do produto As fases do ciclo de vida podem ser relacionadas também a fatores como custos de produção e lucros advindos do produto.

De fato. etc. sem novos picos e quedas. © 2006 eduardo romeiro filho 30 ufmg . que tem expectativas de vida e desenvolvimentos predeterminados geneticamente e de curso incontrolável. Acesso em 15 de agosto de 2006. Clancy e Peter C. serviços e. E este é um erro perigoso e caro de se cometer. o termo aplica um conceito biológico a marcas. ou talvez seja um nivelamento das vendas. nós estimamos que a média de expectativa de vida é de 13 anos. a produtos. da maturidade ao declínio. Ciclo de Vida de Produto: Uma I déia Perigosa Por Kevin J. talvez com uma maior limitação de distribuição. não há nenhuma estatística publicada quanto a media de vida de marcas. tudo que um profissional de marketing tem que fazer é identificar em que estágio sua marca se encontra e seguir as estratégias prescritas a fim de maximizar seus lucros naquele estágio. planos de ação incluem aprimorar a qualidade do produto ou adicionar mais características a ele. Camel. No estágio de declínio. do crescimento a maturidade. entrar em novos segmentos de mercado ou expandir a distribuição. Mencionado pela primeira vez em 1920 por economistas referindo-se à indústria automobilística. Como o profissional de marketing deve saber em que padrão sua marca se encaixa? Se o profissional de marketing não sabe qual o padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. O ciclo de vida do produto faz com que os profissionais de marketing cometam erros por causa da premissa básica do conceito de que produtos requerem estratégias diferentes para estágios diferentes no seu ciclo de vida. Se considerarmos que a grande maioria de novos produtos e serviços não dura até seu 3º.copernicusmarketing. BrandWeek O ciclo de vida do produto é um dos conceitos mais conhecidos no planeta.depto engenharia de produção . muitos acreditam que é totalmente absurdo tentar determinar uma semelhança entre seres vivos. aniversário (porém outros vivem bem mais de 100 anos). eletrônicos—realmente qualquer produto imaginável—classificando cada um em fases do nascimento ao crescimento. planos de ação incluem cortar preços e reduzir recursos de marketing. ela pode retornar. Talvez a marca esteja apenas passando por um leve declínio antes de um forte impulso em outro período de crescimento. os adeptos explicam. Coca Cola e Gillette. desde carros. Diferente de seres vivos. Budweiser. pois seus gerentes cortam seus recursos ou literalmente saem do negócio). American Express. Bem gerenciada. Mas este número é realmente sem sentido uma vez que marcas não necessariamente têm um fim. Para aplicar o ciclo de vida do produto à sua marca. Por exemplo. apenas uma maturidade contínua. como poderá por em pratica ações prescritas de cortar recursos de marketing. fabricantes e modelos de bens de consumo diversos. independentemente se já estava indo ou não nesta direção. seguem firmes em suas categorias tendo passados 100 anos ou até mais. este conceito não é unanimemente aceito. Existe o padrão "crescimento-declínio-maturidade". a uma marca. revistas. Krieg2 Marços 2004. da qual a "vida" está completamente nas mãos de seus gerentes e concorrentes. em geral ou por categorias. em particular. 17— padrões diferentes de ciclo de vida do produto. 2 Fonte: http://www. mas veja que pesquisadores identificaram pelo menos 17—isso mesmo. Porém. uma marca poderia viver para sempre. Parece muito fácil. Mesmo que uma marca "morra" (figurativamente falando. quase o mesmo que leões e tigres. apesar de ser universalmente conhecido. a curva clássica em "S". projeto do produto Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto: 1. e por fim a morte. o padrão "ciclo-novo ciclo". por exemplo.com/copernicus-port/articulos/ciclo_de_vida_de_produto. Corte seus recursos e a marca irá para o fundo.htm. durante o estágio de crescimento.

br/materias/harvard/2280501-2281000/2280882/2280882_1. Também tenha em mente que as ações recomendadas a cada estagio são baseadas puramente em observações e estórias do que outras empresas fizeram. a fim de identificar se está em seus momentos finais ou se ainda está em forma. é comum adotarem uma solução parecida de posicionamento de produtos e serviços em cada fase do ciclo. Lemon e Zeithaml. apenas recentemente outra opção de avaliação e quantificação da saúde da marca. Se uma marca tem um baixo valor. "o ciclo de vida do produto é uma variável dependente determinada pelas ações de marketing. pode ou não ser relevante para uma determinada marca. o valor dos clientes para uma marca—é uma medida muito mais preditiva de quanto é provável que uma marca "viva" se a empresa mantiver o status quo (Se desejar saber mais sobre o assunto recomendamos o premiado livro Driving Customer Equity.xml Acesso em 15 de agosto de 2006. existem muitas coisas que você pode fazer para duplicar a expectativa de vida de uma marca. projeto do produto Simplesmente não tem como um profissional de marketing saber que padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. e certamente não está diretamente relacionado ao incremento de lucratividade. E. Hoje. se tornou disponível—uma opção cientificamente embasada e realmente útil para os profissionais de marketing. Num clássico publicado pela Harvard Business Review em 1965. Com isso. inútil e perigoso conceito de ciclo de vida do produto. relativamente a seus concorrentes. Como Nariman Dhalla e Sonia Yuseph escreveram para o Harvard Business Review há quase 30 anos. © 2006 eduardo romeiro filho 31 ufmg . Uma conseqüência dessa visão limitada é um reflexo competitivo que leva o produto a “crescer” à medida que amadurece. O movimento contra o conceito de ciclo de vida do produto tem existido há anos. o marketing sobrepõe novos recursos aos atributos que o produto já tem. numa luta sem fim para diferenciar e rejuvenescer o artigo. A primeira coisa é parar de usar o antiquado. Um fabricante de creme dental antigamente ponderava só duas dimensões — 3 Fonte: http://ultimosegundo. Theodore Levitt apresentou a profissionais de marketing o conceito de ciclo de vida de produtos e mostrou como torná-lo um “instrumento de força competitiva”. Enquanto não há nada que você possa fazer para que um cão viva 75 anos. Quanto mais valor uma marca tem. que tende a enxergar só uma trajetória possível para produtos de sucesso: avanço inexorável ao longo da citada curva. Em geral. rejuvenesce categorias e cria novos mercados. auxiliando na gestão do avanço metódico de produtos ao longo de uma curva de sino — do lançamento e crescimento à maturidade e declínio.depto engenharia de produção . mais ela irá "viver" independentemente de sua vida cronológica. Esta é inclusive uma ferramenta muito mais prescritiva. já que toda empresa vê o ciclo de vida do produto de modo similar. o conceito é central em estratégias de marketing e de posicionamento da maioria das empresas. Liberte-se do ciclo de vida do produto 3 Por Youngme Moon Não há nada de inevitável no ciclo de vida de um produto. 2.com. não uma variável independente à qual as empresas devem adequar seus programas de marketing". por mais útil que tenha sido nos últimos 40 anos. no qual baseamos muito do nosso próprio trabalho de customer equity). Porém. o marketing está mexendo no próprio conceito de ciclo e redefinindo fronteiras entre tipos de produto. seus gerentes sabem que precisarão de uma dose séria de marketing transformacional a fim de fazê-la saudável novamente e prolongar sua vida. Customer Equity—ou seja. bem como não existe uma forma cientifica de medir e indicar a sua localização exata no ciclo. o modelo estreitou a visão do pessoal de marketing.ig. Apesar disso. Não existe nada especifico sobre isso. Até hoje. de Rust.

em Boston. hoje. A figura 15 mostra a evolução no mundo dos dois tipos de monitores no período entre 2002 a 2008. e não a novas tecnologias. Trabalho de Graduação em Engenharia Mecânica. catapultar novos produtos para tal fase de crescimento. uma empresa pode usar tais técnicas para partir para a ofensiva e transformar uma categoria com a demolição de fronteiras tradicionais. muitas vezes. portanto. uma progressiva substituição da antiga tecnologia predominante por outra. Ciclo de vida do produto: Um exemplo . O Mercado Mundial e Nacional de Monitores Nesta seção será mostrada a tendência nacional e mundial sobre o mercado de monitores de CRT e LCD. É duro vencer uma disputa dessas. De modo análogo. Clayton Christensen mostra como tecnologias inusitadas e simples podem revirar o mercado. Petterson Eduardo Bernardes de Paula.br/conteudo/downloads/Samsung. a placa bacteriana. a empresa pode alterar o modo como o consumidor mentalmente os categoriza. Nas circunstâncias certas. ainda. e o posicionamento camuflado oculta a verdadeira natureza do produto para habituar o público desconfiado à novidade. desde “previne doenças na gengiva” a “branqueador” a “remove a placa bacteriana”. o posicionamento inovador associa o produto a uma categoria radicalmente distinta. Casos semelhantes podem ser identificados na substituição dos discos de vinil pelos CDs. Pode.pdf acesso em 09 de agosto de 2005. o ambiente competitivo de um produto. Belo Horizonte: UFMG. reposicionar — seus produtos de forma inesperada. Pode ser observado no gráfico um crescimento constante das unidades de monitores de LCD. descrevo três estratégias de posicionamento usadas pelo marketing para promover a mudança mental do consumidor: o posicionamento reverso subtrai recursos “sagrados” do produto e acrescenta novos. Disponível na internet URL:http://www.com. bem como no caso da mudança do videocassete para sistemas DVD. Empresas que conseguem gerar ruptura numa categoria com o reposicionamento criam um ambiente lucrativo para oferecer sua mercadoria — e podem deixar totalmente perdidas as líderes da categoria. © 2006 eduardo romeiro filho 32 ufmg . Neste caso. Online. ser novamente turbinado para seguir competitivo. Ao adotar por instinto o velho paradigma do ciclo de vida. gerador de ruptura. em proveito próprio. Com isso. Em seu modelo de inovação. a partir do declínio da tecnologia de vídeos CRT (de Tudo de Raios Catódicos) e LCD (Monitor de Cristal Líquido). descobri que suas estratégias convergiam num ponto: ao posicionar — ou. enquanto os monitores de CRT sofrem um declínio também constante. Daí qualquer creme dental remover. Youngme Moon é professor associado de marketing na Harvard Business School. o marketing condena desnecessariamente o produto a seguir a curva que leva da maturidade ao declínio. 4 A seguir é apresentado um exemplo de análise de mercado a partir do ciclo de vida do produto. Outra observação a ser feita é que a tendência do aumento das unidades de monitores de LCD durante os anos de 2002 a 2008 é maior do que o declínio dos monitores de CRT. "Um Estudo Ergonômico e Econômico Sobre a Substituição dos Monitores de CRT Por Monitores de LCD na Escola de Engenharia". é obrigado a oferecer uma série crescente de atributos. Nos últimos cinco anos. A proliferação de recursos e atributos que ocorre à medida que o ciclo de vida avança pode criar excessos que deixam o produto vulnerável a uma rival disruptiva com tecnologia mais simples. pode ser observa da trajetória de mudança de tecnologia. Mas não precisa ficar só nisso. pode resgatar itens que estão claudicando na fase de maturidade e devolvê-los à fase de crescimento do ciclo de vida. evitando obstáculos que poderiam retardar a aceitação pelo público. Hoje. Em entrevistas com os executivos por trás desses êxitos. Uma empresa pode usar cada uma das estratégias para alterar. 4 PEREIRA. Junho de 2006 5 Todas as figuras deste item possuem como fonte: RESELLER CONFERENCE. analisei dezenas de empresas e produtos de sucesso que desafiaram as “regras” do ciclo de vida. Com o tempo. como em outros casos. projeto do produto “hálito refrescante” e “combate a cáries” — para enfrentar a concorrência.resellerconference. Neste artigo. Observa- se. as estratégias de que falo podem explorar a vulnerabilidade de categorias já estabelecidas a um novo posicionamento. o produto amplificado vira o produto esperado e precisa. mais moderna.depto engenharia de produção .

depto engenharia de produção . Pode ser observado que todos os monitores de LCD. 2003-2008 A figura 2 mostra a evolução do preço médio no mundo dos monitores de LCD no período ente 2003 a 2008. para seus diferentes tamanhos. O crescimento da aquisição de monitores de LCD é bem mais elevado do que a taxa de queda dos monitores de CRT. Figura 2 – Evolução do Preço Médio no Mundo LCD. No mercado Brasileiro de monitores também apresenta uma tendência para o aumento das unidades de monitores de LCD no país. 2003-2008. Conforme o tamanho da tela diminui a queda nos preços praticamente não apresenta grandes alterações. Outra observação s ser feita é que os monitores de maior tamanho mostram uma queda nos seus preços mais significativa dos que os modelos de menor tamanho. projeto do produto Figura 1 – Evolução no Mundo (Unidades) CRT x LCD. © 2006 eduardo romeiro filho 33 ufmg . apresentam uma redução no seu valor conforme os anos passam. isso fica ilustrado na figura 3.

depto engenharia de produção . Figura 4 – Preço Médio do Monitor LCD por tamanho de Tela (Brasil x Mundo). Pode ser observado na tabela que os modelos convencionais de 15 e © 2006 eduardo romeiro filho 34 ufmg . 2004 A figura 5 mostra uma previsão do mercado Brasileiro de monitores de CRT por tamanho de tela entre os anos de 2003 a 2008. projeto do produto Figura 3 – Evolução do Mercado Brasileiro de Monitores por Tipo de Tela (CRT x LCD). Também fica claramente observado que. conforme o tamanho da tela aumenta a diferença entre os preços dos monitores comparados entre o Brasil e o mundo cresce. Pode se observado que os preços dos monitores de LCD no Brasil são mais caro do que os comparados mundialmente para os diferentes tamanhos de tela. 2003-2008 A figura 4 mostra uma comparação entre o Brasil e o mundo a respeito do preço médio do monitor LCD por tamanho de tela em 2004.

projeto do produto 17 polegadas apresentarão queda após 2005.depto engenharia de produção . os monitores de 15 e 17 polegadas apresentaram um crescimento equivalente após 2003 e somam 94 % de participação no mercando em 2008. Observando a tabela 3. Figura 5 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores CRT por Modelo. os monitores de 19 polegadas tendem a apresentar um pequeno aumento na sua participação entre os anos de 2003 a 2008. Da mesma forma. sendo mais pronunciada para o monitor de 15 polegadas.6 fica evidente que a participação de monitores de LCD com tamanho de tela inferior a 15 polegadas não terá utilidade no mercado. No entanto. a qual começou em 2003 e se estendeu até 2005. 2003-2008 © 2006 eduardo romeiro filho 35 ufmg . sendo os modelos mais requisitados. Após 2005. apresentarão um leve aumento na sua taxa de crescimento. atingindo no máximo 8 % em 2008. Entretanto. Figura 6 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores de LCD por Modelo. 2003-2008 A figura 6 mostra a previsão do mercado Brasileiro de monitores de LCD por modelo entre os anos de 2003 a 2008. Porém. os modelos maiores do que 18 polegadas terão uma participação bem restrita no mercando. de tela plana de 17 polegadas. existe uma tendência no aumento das unidades de monitores de tela plana de 17 polegadas. esses monitores.

Johnston. como um dos efeitos da disseminação da produção em massa. © 2006 eduardo romeiro filho 36 ufmg . Harrison.. ao lado das áreas (ou funções) de produção e desenvolvimento de produtos.. A partir desta abordagem ampla. projeto do produto Marketing: Abrangência e Ferramentas. surgiu de forma estruturada após a Segunda Guerra Mundial. muitas vezes contribuindo para sua implantação. Divulgação e Promoção.. Pesquisas de Mercado. incluindo o próprio desenvolvimento do produto como uma das atribuições do marketing (como abaixo). as funções ligadas ao Marketing incluem O Projeto do Produto I .depto engenharia de produção . C. O marketing (ou mercadologia. Neste caso. Distribuição. não se trata apenas de compreender os desejos dos consumidores. avaliar as ações da concorrência. mapear as tendências em termos de desenvolvimento tecnológico e preparar estratégias que venham a atender aos interesses da empresa em sua atuação no mercado. 2002. S. Presidência Produção Vendas/ Administração/ Marketing Finanças Desta forma. Harland. Chambers. São Paulo: Editora Atlas. aspectos como Compra e Venda. mas também acompanhar a evolução da empresa. É o conjunto de atividades sistemáticas de uma organização humana (empresa) voltadas à busca de realização de trocas para com seu meio ambiente O que o Marketing sugeriu. a fim de atingir o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis”. Outros autores vão além. R.. ... O Marketing pode ser definido como o “esforço contínuo de coordenar diversas variáveis (acima) a partir de determinados objetivos voltados à transação de bens e serviços. área de ação onde o marketing é mais evidente. o marketing (ou mercadologia) é responsável pelas diferentes formas de interação entre as empresas e o meio ambiente no qual estão inseridas. Administração da Produção. 6 A situação do Setor de Marketing nas Empresas é definida por autores como Slack et all (2002) como uma das três funções essenciais ao funcionamento da empresa. 6 Slack. Política de Produtos. Abrange (segundo definição da Associação Americana de Marketing) todas as atividades que envolvem o fluxo de bens e serviços entre produtor e consumidor. ou mercadização). N. A. seja na compreensão das forças atuantes neste ambiente..

são aspectos normalmente pouco valorizados pelas empresas. listados a seguir. provenientes de abordagens voltadas à melhoria da qualidade: 1. Os quatro “A” do Marketing Análise ou marketing mix Vale considerar que as etapas ligadas às etapas de Análise e Avaliação são executadas por grupos ligados a funções de apoio e staff. Neste caso. mas tendo em vista a complexidade das informações a serem coletadas e analisadas. é normalmente de difícil elaboração e compreensão. projeto do produto (outras empresas). em especial a primeira. Entretanto. Ativação – como o conjunto de medidas destinadas a fazer com que o produto atinja os mercados pré- definidos e seja adquirido pelos compradores com a freqüência desejada. Análise ou marketing mix – ação voltada para compreender as forças vigentes no mercado em que a empresa opera ou pretende operar no futuro. Estas etapas visam à formação do SIM – Sistema de Informações Mercadológicas. 4. 3. que são claramente inspirados nos ciclos PDCA. A forma de coleta de dados. 2. da própria avaliação destes resultados. interromperam um ciclo da indústria que se baseava em premissas de tendências de mercado que o tempo demonstrou equivocadas: petróleo abundante e barato. Estas crises. dinheiro fácil e facilidades para aquisição de bens a crédito. Entre as principais atribuições do marketing estão os “quatro A”. Avaliação – que se propõe a exercer controles sobre os processos de comercialização e de interpretar seus resultados a fim de racionalizar os futuros processos de marketing. o que costuma resultar em estratégias de ação muitas vezes equivocadas e resultados desastrosos. a competência da indústria automobilística japonesa para projeto e fabricação de © 2006 eduardo romeiro filho 37 ufmg . Como exemplo. O SIM é fundamental para o sucesso da empresa. peça fundamental à análise do mercado e preparação da empresa. bem como a análise criteriosa das informações resultantes. visando benefícios específicos (mercadológicos). pode-se indicar o impacto sobre a indústria automobilística mundial das duas grandes crises do petróleo.depto engenharia de produção . em 1973 e 1978. em última análise. Adaptação – atividades desenvolvidas com o intuito de ajustar a oferta da empresa – sua linha de produtos e/ou serviços às forças externas detectadas através da análise. seria injusto atribuir à área de marketing a responsabilidade pela previsão de tendências de mercado que muitas vezes estão além de meras ações da concorrência. seja em nível estratégico como na implementação de ações que visem à melhoria dos resultados obtidos e.

que incluem aspectos como vendas por segmento. normalmente a empresa enfrenta problemas para a elaboração deste sistema de informações. quase trinta anos depois. ou por outro lado a existência de relatórios e dados abundantes. como estatísticas e histórico de vendas. dentre as quais possíveis tendências sócio-econômico-culturais. deve-se considerar que é essencial a organização das informações. A análise pode ser considerada. Neste caso. Decisões de investimento ou “desinvestimento”. mas somente daquelas que se mostrarem relevantes para a compreensão das forças que levaram a mudanças no mercado onde a empresa atua. como a investigação do mercado. projeto do produto automóveis compactos (considerados pouco desejáveis até então). que acabaram por levar. Controle das atividades básicas da empresa. 3. à consolidação da Toyota como maior fabricante de automóveis do mundo. sua área de atuação.depto engenharia de produção . de maneira muito sucinta. porém mal utilizados. 2. bem como sua capacidade de rápida resposta às mudanças de mercado na forma de novos produtos com características adequadas aos novos tempos mostraram-se implacáveis para a conquista de novos mercados (em especial nos EUA). Entretanto. que inclui dados relativos à empresa. informações econômico/sociais e outras. tendo em vista a escassez e “bagunça” dos dados. contribui para a formação do SIM. 4. Esta análise. Prognósticos e previsões. participação no mercado. Ainda assim. concorrentes e consumidores. © 2006 eduardo romeiro filho 38 ufmg . bem como o acompanhamento de avanços tecnológicos. e apesar de inúmeros exemplos onde os instrumentos de análise do mercado mostram-se limitados. Confrontos entre planos e parâmetros. por meio de técnicas diversas e sofisticadas. esta atividade é cada vez mais importante para a definição de estratégias de ação para as empresas. Sistema de I nformações de Marketing Dentre as principais aplicações do Sistema de Informações de Marketing estão: 1.

à medida que contribuem para a reflexão contínua da equipe sobre seu trabalho. Neste ponto se inicia a integração da equipe de marketing com outras áreas da empresa. para uma ou duas pessoas apenas). se estes conflitos não forem gerenciados de forma conveniente podem gerar uma série de confrontos e ressentimentos quase sempre prejudiciais. contando inclusive com cotações específicas. imagem e capacidade de ser relembrada pelo consumidor. sem grandes exageros. muito bem explorados pela publicidade. estimulando o desenvolvimento de novas alternativas e soluções. que pode ser traduzido como uma série de atributos de qualidade. levando a resultados abaixo das expectativas da empresa. com a mínima adição de conservantes. no sentido de adaptá-los à realidade observada durante a fase de análise. por meio de algumas “Ferramentas de Adaptação” do produto ao mercado. Conflitos de opinião entre membros de diferentes equipes na empresa (e mesmo entre aqueles de uma mesma equipe) são considerados normais e até benéficos. Nesta fase são especialmente importantes boas relações entre as áreas de Marketing e as de Produto e Fabricação. que consideram aspectos tradição. como o maior patrimônio da empresa. O Projeto do Produto I I I . A marca é muitas vezes considerada. por meio da adequação de forças controláveis (aspectos e forças internas da empresa) às incontroláveis (meio ambiente no qual a empresa está inserida). Isto se dá em função de uma imagem associada ao produto (e à marca). É correto afirmar que a marca é um dos componentes mais importantes para a decisão do consumidor na hora da compra. psicólogos e outros profissionais) é responsável basicamente pela transformação de informações verbais coletadas e estruturadas pelo marketing em sua análise do mercado em soluções técnicas (ou serviços) que atendam às especificações levantadas. As diferentes versões de comida congelada. arquitetos. Até o início do século XX. onde sua atuação é mais evidente.depto engenharia de produção . Entretanto. Neste caso. odor e sabor.. administradores.. no caso de produtos duráveis. é importante ressaltar que a interação entre equipes é fundamental para o sucesso do design. Outra tendência interessante é esta redução de porções: é cada vez mais comum que biscoitos sejam vendidos em embalagens de até oito unidades. podemos citar diferentes casos onde os produtos alcançam o sucesso por sua adequação às características de mercado. alimentos. conflitos estes que poderão gerar uma série de atritos. o que é particularmente interessante ao projeto de novos produtos. que fazem sucesso atualmente. aspectos como cor. nem sempre claramente tangíveis. bem como a clareza e completude das informações levantadas durante a análise de mercado. e a produtos de baixo apelo aos consumidores. Já naquela época as características de qualidade © 2006 eduardo romeiro filho 39 ufmg . Entre as principais funções da marca está a identificação da origem. Marca.. Este é um reflexo de mudanças no padrão social que leva um número cada vez maior de pessoas a realizar pequenos lanches fora de casa. as mercadorias eram normalmente associadas à tradição artesanal e os critérios de escolha (com exceção do preço) eram basicamente identificados pelo cliente: detalhes de acabamento e materiais utilizados. A equipe de design. em trabalho conjunto ao marketing. A equipe de design da empresa (neste caso é equivocado imaginar que esta equipe seja formada apenas por designers industriais. Normalmente estão envolvidos também engenheiros. e embalagens adequadas a porções individuais). projeto do produto Adaptação As atividades de adaptação são aquelas executadas pela empresa que visam ajustar as características do produto (bem ou serviço) às forças do mercado. mas requer um envolvimento com toda a política de produtos da empresa. visando a redução de conflitos entre os diferentes grupos na empresa. deve compreender o efeito de tendências (como o desejo de alimentação saudável e de baixo custo) para o desenvolvimento de novos produtos (linhas de alimentos que mantenham suas características de composição ao longo do tempo.. O tempo de consolidação da marca e a confiabilidade que ela expressa podem ser observados em inúmeros casos. Neste ponto torna-se claro que o marketing vai muito além das funções ligadas à área de vendas. Como exemplo. ideais para um pequeno lanche e para apenas uma pessoa. no caso de Como foi projetado pela Engenharia. que serão rapidamente descritas a seguir: Design. Uma análise incorreta e/ou incompleta normalmente leva a resultados limitados em termos de design. são decorrentes de alterações sociais que vão desde o movimento feminista (que levou as mulheres a valorizar o trabalho fora de casa) até a redução do número de filhos (que torna as porções cada vez menores.

em materiais mistos. quando se tratava de objetos de luxo. bem como com a oferta de brindes (que muitas vezes são novos produtos do mesmo fabricante). Embalagem. Estas políticas são particularmente úteis se associadas à publicidade. em confronto ao tratamento UHT. Desta forma. Por fim.. podendo ser inclusive considerado como um produto à parte. mas ainda de forma genérica. Cada uma destas embalagens requer um tratamento específico para o produto (pasteurização ou processo UHT – Ultra High Temperature) e proporciona condições distintas para transporte e no que se refere à conservação. Preço É comum se imaginar que o preço é um componente do produto determinado pela empresa fabricante. muitas vezes o xampu possui abertura na parte superior da embalagem. pois podem vincular toda uma linha de produtos a determinado perfil de consumidores. fossem os custos controlados ou não e. à robustez. A embalagem tem por função básica proteger o produto. As embalagens servem também para a promoção de vendas. tem sua abertura na parte inferior. enquanto o creme rinse. as características associadas à marca passaram a ser determinantes para a escolha pelo consumidor. merecedor de um tratamento de projeto muitas vezes mais sofisticado do que o próprio produto. fosse a qualidade controlada ou não. Algumas embalagens. de três litros. projeto do produto eram associadas à origem (o Vinho do Porto. o leite pasteurizado requer refrigeração constante e garante o produto por alguns dias. Além disso. a marca atua como importante elemento de concorrência pela empresa. mais denso.. de 200ml até embalagens “tamanho família”. Sendo muitas vezes a principal interface com o usuário. passando por 290ml. Um exemplo ainda na área de cosméticos são as embalagens de xampu e cremes para cabelo. 2 litros e outros. pois serve para a proteção contra imitações. A embalagem tornou-se um componente extremamente importante para o produto. nos tempos áureos da produção em massa (que vão até a década de 1960 nos países centrais e até 1980 no Brasil). era possível à empresa determinar o preço em função de seus custos de produção. a embalagem contribui também para facilitar o manuseio de produto. em garrafas de vidro (atualmente praticamente extintas). As embalagens são também essenciais para a proteção do produto e para a garantia de sua integridade durante o transporte e armazenagem até o consumo. como a da Coca-Cola. como ocorre uma verdadeira “guerra” entre as embalagens expostas nas gôndolas. serve também para realçar o produto. diferencia a empresa de seus concorrentes (como nas gôndolas de supermercados) e é a base da imagem do produto. por exemplo. a equação era bastante simples: O preço é igual ao custo. Neste sentido. foi definido como de origem controlada já no século XVIII). 600ml. em vidro ou plástico). em função de uma demanda sempre maior do que a oferta. em papel. Mesmo em produtos de uma mesma linha. Embalagens para líquidos e cosméticos são cada vez mais elaboradas e servem como principal interface entre produto e consumidor. como por exemplo com ofertas do tipo “leve 3 e pague 2”. Neste caso. em especial em um mercado onde a concorrência é cada vez mais acentuada.. fosse esta produção eficiente ou não. fabricantes de produtos em série para um público cada vez maior. em latas (em algumas cidades do interior do Brasil ou no caso do leite em pó). seja durante o transporte como em seu período de exposição no ponto de venda. É fácil perceber. tornava-se simples para a empresa absorver os altos custos de sistemas O que foi produzido. onde embalagens e rótulos semelhantes determinam famílias de produtos que vão desde perfumes a cremes para pele. que permite armazenagem por meses. A embalagem também contribui para o fortalecimento da imagem da marca ou da empresa. xampus e sabonetes. estimulando a fidelidade do consumidor. O Projeto do Produto I V. mas com aumento de custos para embalagem. Casos como estes são comuns em produtos como linha de perfumes. à esportividade. ou ao autor. Neste caso. pior.depto engenharia de produção . Um bom exemplo desta situação está nas diferentes embalagens para o leite: plásticas. seja no transporte ou durante o próprio uso. Com efeito. Na indústria automobilística surgiram marcas associadas ao luxo. não restava ao consumidor opção senão a de arcar com os custos de produção do fabricante. por meio de uma simples visita ao supermercado. A partir do surgimento de grandes empresas. 1 litro. tornaram-se ícones comparáveis ao próprio produto. Como a demanda era exagerada. acrescido do lucro desejado (P=C+L). o que facilita a retirada do produto no momento da aplicação. © 2006 eduardo romeiro filho 40 ufmg . à performance. a embalagem oferece vantagens como a economia por meio da utilização de refil e da variedade de tamanhos em função das necessidades do consumidor (como no caso de refrigerantes que vão desde o “caçulinha”.. à economia etc.

sob pena de tornar-se inviável para a empresa. em médio prazo. o último grande caso de “ágio” em automóveis no Brasil ocorreu com o lançamento do modelo Corsa pela General Motors. o que trazia uma série de distorções. a situação começou a mudar. A distribuição tem sofrido grande influência das novas tecnologias de comunicação. Escolha. em termos. para que esta ocorra de maneira adequada. a demanda por automóveis sempre foi superior à oferta. Ativação As atividades ligadas à ativação (ou composto de comunicação) são aquelas que visam à satisfação das necessidades dos consumidores em termos de colocação do produto no mercado. apesar de altos investimentos em publicidade. é atualmente bem distinta: o produto deve ter seu preço ao consumidor final adequado às características do mercado e àqueles praticados pela concorrência. com novos modelos (nacionais e importados) à disposição. uma nova equação deve ser aplicada: O Lucro é resultante do Preço. os diferentes serviços de atendimento ao cliente apresentam-se como oportunidades de melhoria do produto e da imagem da empresa perante seus clientes. foi o da indústria automobilística. mal implantados. de “ágio”. em 1994. mas estes podem transformar-se em ferramentas especialmente úteis para detecção de problemas e/ou tendências que tenham passado despercebidos durante a análise de mercado. A situação. ou seja. em função da entrada de novos fabricantes e de mudanças progressivas no mercado interno brasileiro. a insatisfação de consumidores com produtos ruins e. os diferentes serviços de atendimento ao cliente foram encarados pelas empresas como uma forma de atendimento diferenciado. as funções associadas ao marketing são basicamente encontrar “nichos” de mercado e preencher estes nichos com o mínimo de custos e recursos. para que problemas ocorridos com produtos atualmente no mercado possam ser antecipados em futuros lançamentos. O grande sucesso do novo automóvel gerou uma imediata corrida às revendas. levando a uma espantosa escassez do produto. para cada cliente que entra em contato com a empresa em busca de ajuda. a criação de anedotas e “slogans negativos” a partir de experiências de consumidores com produtos. entretanto. principalmente. o que apenas chamou a atenção para uma situação que começava a mudar: o mercado tornava-se mais maduro. o que gerou a cobrança. o que acaba por muitas vezes “enterrar” definitivamente a marca. de um “sobre preço”. pois estes custos eram facilmente transferidos aos clientes. A Como a Manutenção instalou. controlado pela empresa (L=P-C). Neste caso. o que elevará seu preço. Não há publicidade capaz de compensar. O Projeto do Produto V. pelas concessionárias. dentre as quais duas particularmente perversas: a existência de “ágio” para determinados modelos e a idéia (falsa) de que o automóvel poderia ser uma forma de investimento. como se este fosse de extrema necessidade. Desta forma. projeto do produto de produção pouco eficientes. Com efeito. cabe à empresa (1) reduzir seus custos ou (2) tornar o produto mais atraente ao consumidor. seja tendo em vista questões de legislação (como leis de defesa do consumidor) ou de aumento da concorrência. Assistência ao Cliente Por muito tempo.. menos o Custo que pode ser.. Neste caso. e ainda hoje. Tendo em vista as características do mercado interno. Os principais aspectos da ativação são: Distribuição. é importante que o serviço de atendimento ao cliente esteja em sintonia com a equipe de projeto. pior situação possível. com novos competidores e novos produtos em oferta. o que levou os consumidores à até então inédita (e confortável) situação de um amplo poder de escolha. Entretanto. © 2006 eduardo romeiro filho 41 ufmg . especialmente necessário no caso de produtos que requeiram conhecimentos específicos (bens de capital ou serviços). A partir da década de 1990. em especial da Internet. Com efeito.depto engenharia de produção . em hora e local apropriados. Neste caso. Esta situação levou à declarações de ministros de estado sobre o assunto e a uma grande discussão sobre o tema. existe um número maior que simplesmente abandona o produto ou o utiliza de maneira limitada e/ou equivocada. Atualmente o mercado brasileiro possui mais de dez opções de modelos no segmento dos sub-compactos (segmento onde o modelo Corsa ainda concorre). até meados da década de 1980. Naturalmente um produto ruim não poderá ser compensado por serviços de atendimento ao cliente. era comum a cotação de automóveis em dólar e a compra e venda com lucro (os preços de modelos antigos subiam ao invés de cair). o que era causado pelo pequeno número de fabricantes e modelos disponíveis no país. É razoavelmente simples perceber que.. Um dos melhores exemplos desta situação no Brasil.. atendimento e controle dos intermediários para distribuição. determinado pelo mercado. e não um bem de consumo. É notório o poder destrutivo (para a empresa) de produtos ou serviços mal elaborados e. atendendo às necessidades de conservação e condições de uso.

544 pp. projeto do produto figura do caixeiro viajante. Que não é meu de batismo ou de cartório. como jornais. Na busca da exposição de seus produtos. Esta crítica pode ser justificada por meio de uma de valorização do novo. A partir disso. Forma recente de publicidade é a utilização de anúncios como parte do cenário de jogos eletrônicos. que percorria grandes distâncias para apresentação e venda de produtos que seriam posteriormente entregues em pontos de venda distribuídos em grandes regiões geográficas. mais caro. Apesar disso. Também sobre o tema. Objetivo – Analise corretamente as reais oportunidades de mercado. Logística. Tradução de Ryta Vinagre. muitas vezes. Nestes casos. ETIQUETA” (colocado na íntegra adiante). ou mesmo na criação de jogos baseados ou fortemente relacionados a produtos de mercado.. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador.depto engenharia de produção . seja em meios de comunicação tradicionais. A questão parece estar não nos recursos. por uma pretensa relação direta explorada pela publicidade entre a felicidade e o sucesso econômico. O que Cliente desejava! 2. Um nome. tendo em vista novos canais de distribuição e novas formas de apresentação de produtos e serviços. que em seu início já indica os efeitos da publicidade: “Em minha calça está grudado um nome. Responsável pela informação. Entrega de lotes econômicos em localizações pré-determinadas nas quantidades. O Marketing. tema muito bem 7 explorado por Klein (2002) . O problema. Preparo e organização dos responsáveis pela venda direta. o que vem ocorrendo de forma cada vez mais complexa. de mercado e de configuração de produtos tornam os sistemas logísticos componentes fundamentais para o sucesso de empresas e produtos. agindo para que estas necessidades sejam deliberadamente criadas. tornando possível a atuação da empresa em mercados não imaginados até então. neste caso. 2002. muito popular no Brasil. Publicidade. Naomi. SEM LOGO – A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido. os investimentos em marketing e publicidade aumentam a cada ano. especialmente importantes em casos de bens e capital. função que vem se tornando crucial para o sucesso das empresas no mercado e tende a tornar-se ainda mais importante no futuro. a publicidade é responsável pela visibilidade do produto. envolvendo cifras progressivamente mais altas e recursos muitas vezes inovadores. Desta forma. revistas. distorcida.. torna-se necessária a formação adequada de grupos de vendedores especializados. devem ser lembradas as sete principais diretrizes do Marketing: 1.. A utilização de contêineres para transporte de mercadorias trouxe uma série de vantagens para processos de importação e exportação e facilidades adicionais para utilização de diferentes meios de transporte. produtos especialmente sensíveis como flores e frutas podem ser transportados a grandes distâncias em prazos extremamente curtos. bem como em diversos casos de vendas para o comércio. é talvez a área mais evidente e distorcida do marketing. as empresas buscam sempre novas formas de publicidade. Venda Pessoal. mais moderno. tem sido acusado de romper suas funções originais de detectar necessidades do consumidor. acompanhamento de tendências e correta avaliação das necessidades a serem atendidas pela empresa parecem ter a mesma (ou mesmo maior) importância de boas campanhas de divulgação. é hoje praticamente extinto. O Projeto do Produto VI ( final) . mas é necessário que se tenha o que há de mais novo. Análises de mercado. épocas e condições desejadas. não basta ter. Neste caso. Rio de Janeiro: Editora Record. divulgação e promoção da oferta de idéias. em especial pelas políticas cada vez mais agressivas de publicidade. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “EU. mas extrapola o escopo deste texto. Análise – Avalie se seus objetivos estão claros e 7 KLEIN. muitas vezes com formação técnica. mas na forma de sua aplicação. está na visão deturpada do marketing e na utilização de suas ferramentas de maneira isolada e. que requerem uma abordagem específica de acordo com as necessidades de um número limitado de clientes. estranho”. Muitas vezes confundida com o próprio marketing. Esta discussão é extremamente rica. © 2006 eduardo romeiro filho 42 ufmg . Mudanças tecnológicas. rádio e televisão. como em novos formatos..

mas devem ser sempre necessários. Uma adequada determinação dos padrões de controle. projeto do produto se estes são aceitos. Detecção de falhas no processo.. Elaboração de recomendações. 2. Acompanhamento dos desvios entre resultados e padrões. 2. publicidade dirigida ao público infantil nos anos 1980. Normas de desvio aceitáveis. em tempo hábil.. Grau de desvio que deve oferecer indícios. Não há controle se definição de metas. sem a coleta e processamento de dados inúteis. 5. 8. Para que a auditoria atinja seus objetivos. Avaliação Nesta última etapa. tendo em vista o plano estratégico da empresa e a evolução do mercado. Adaptação – Ajuste as características de sua oferta às necessidades do mercado. 7. 7. 3. são necessários: 1. Ativação – Garanta que o produto certo esteja no lugar certo. técnicas e equipamentos) de controle. 5. Para esta avaliação. Existem padrões mais ou menos óbvios. são necessários: 1. portanto referência de hábitos e costumes de qualquer sociedade. 3. sem esforços redundantes e. Para que estes objetivos sejam alcançados. Padrões de confronto planejado x executado. de maneira que as informações necessárias sejam levantadas de forma adequada. Avaliação – Exerça o controle contínuo sobre as ações e mensure os resultados. 3. é fundamental a preocupação contínua em melhorar a relação custo/benefício das atividades. incluindo a concorrência. Definição dos elementos de controle. 4. principalmente. 4. 6. A escolha dos padrões é função dos objetivos de mercado. 6. a partir do aprendizado constante e da busca de novas soluções para problemas eventualmente encontrados. formais e imparciais de todas as operações de marketing na empresa. Acima. ou Sistema de Auditoria Mercadológica. exames periódicos. Recomendação de ações corretivas. 2. Retrato de uma época. ou seja. tendo por base critérios consistentes e objetivos factíveis a partir dos recursos existentes. deve ser prevista uma série de auditorias mercadológicas. 3. A publicidade é por muitos considerada um reflexo de padrões sociais vigentes. Recursos – Assegure a disponibilidade de meios racionais para o objetivo proposto. Para que esta auditoria atinja seus resultados. Esta etapa é também chamada de SAM. na hora exata. Disposição de meios (pessoas.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 43 ufmg . Definição dos períodos de controle. retratando com fidelidade a época que representam. é necessário que sejam seguidas determinadas regras. que servirão de guia para as ações da empresa no futuro: 1. Feedback – Utilize sua experiência no aprendizado para o futuro.

com eçar a vender para a classe m édia" . t er Havaianas era quase com o exibir um at est ado de pobreza. m odelos brasileiras e t am bém est rangeiras que visit avam o Brasil. em Londres As sandálias havaianas viraram m oda na Europa e chegam a ser vendidas por cerca de 100 libras ( R$ 478) por est ilist as na capit al brit ânica. desde a década de 1960 ( à esquerda) . segundo o slogan " não deform am . Mas conseguim os t ransform ar as sandálias no calçado m ais dem ocrát ico do Brasil. a m et a é export ar 5 m ilhões de pares. gerent e de export ações da São Paulo Alpargat as. " Depois disso. acom panhando a evolução do m ercado" .. Font e: ht t p: / / www1. a m oda no ext erior foi im pulsionada por m odelos brasileiras e est rangeiras que carregavam as sandálias na m ala quando deixavam o Brasil. acabaram divulgando as havaianas no ext erior. as havaianas são a últ im a palavra da m oda para os pés. disse Port o. Segundo Port o. se rendeu ao sucesso dos chinelos de borracha: " A sandália de quem t em m uit o dinheiro e nada para provar" . que decoram as t iras dos chinelos de borracha com pedras.O sucesso das " legít im as" j á virou t em a de report agens nas principais revist as e j ornais do m undo. declarou Roza.br/ folha/ bbc/ ult 272u21499. as vendas no ext erior devem chegar pert o de 10 m ilhões. " Fui ao Brasil recent em ent e e com prei sandálias para t odos os m eus am igos. não t em cheiro e não solt am as t iras" . disse a escrit ora inglesa Kat e Pem bert on. est am pou na m anchet e que o calçado das favelas conquist ou as vít im as da m oda. O sucesso das legít im as é t ant o que fábricas na Argent ina e na África j á com eçaram a copiar as sandálias. " Tínham os esse receio no Brasil. Em 2003. " Com o ainda não est am os explorando esse segm ent o. j á disse várias vezes ser fã das havaianas" . afirm ou Port o. da BBC. o valor m édio de 20 libras ( R$ 96) cobrado pelas sandálias em loj as com o a Urban Out fit t ers e a Whist les é. Nosso depart am ent o j urídico est á t endo t rabalho com isso.com . no m ínim o.folha. do cust o das sandálias. Apesar do alt o preço cobrado pelos est ilist as. é claro. dez vezes superior ao encont rado no Brasil. ainda assim . Eles adoraram e não querem m ais usar nenhum out ro sapat o. as export ações da sandália t êm dobrado a cada ano. da França. Cla sse m é dia . disse Ali I net t . É o ít em de m aior sucesso dest e verão" . cent ro de Londres. de olho num m ercado que não pára de crescer. Mas querem os m ant er as sandálias com o um produt o de elit e no m om ent o para. disse Carlos Roza. acrescent ou a inglesa.uol. andam de havaianas o t em po t odo" . post eriorm ent e. © 2006 eduardo romeiro filho 44 ufmg . usado t ant o pela faxineira que lim pa a piscina. O " Le Monde" .fina que t om a sol na m esm a piscina".Segundo o diret or de com unicação da São Paulo Alpargat as. é possível encont rar Havaianas m ais barat as em Londres. Ele lem brou que a fam a dos chinelos que. chegou ao ápice quando 61 pares das sandálias foram dados de present e para t odos os indicados ao Oscar dest e ano. "Tenho quat ro Havaianas e não m e canso delas" . acaba sobrando espaço para ação dos pirat as. disse o j ornal. quant o pela grã. É o preço da nossa fam a" . D e u n o " N ew Yor k Tim es" . que com binava um vest ido m arrom com um sandália da m esm a cor. 1970 e em cam panhas recent es. crist ais e m içangas. por exem plo. gerent e da Whist les de Covent Garden. M oda pa ssa ge ir a . que fabrica as havaianas há 41 anos. " Elas são caras. H a va ia n a s sã o ve n dida s por a t é R$ 5 0 0 e m Lon dr e s SI LVI A SALEK. o " Financial Tim es" . quando as havaianas passaram a ser um art igo fashion há alguns anos. M ode los . Lançam os sem pre novas cores e m odelos. m as não páram de vender.sht m l Acessada em 13/ 06/ 2003 . A Naom i. Para o " New York Tim es". Mas isso não acont eceu. " No passado. projeto do produto Um exem plo de m arket ing.Para Rui Port o. além . a em presa est á at ent a para o risco de virar um art igo de m oda passageiro e perder o espaço conquist ado at é ent ão quando a m oda passar.depto engenharia de produção . "Poderíam os est ar export ando m uit o m ais. Rui Port o. no ano que vem . que poderá t est ar em breve a prom essa do slogan: " não t em cheiro" .07h37 Anúncios das sandálias havaianas.Desde 2001. o acordo ent re a em presa e os organizadores da fest a do Oscar não t eve nenhum cust o para a São Paulo Alpargat as. da em balagem e do t ransport e. At é o principal j ornal de econom ia do Reino Unido. com o Naom i Cam pbell. disse Port o..

desejos e demandas. isto é. A necessidade de cooperação entre as atividades de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento é analisada através de pesquisas realizadas mundialmente. existem na necessidade similar. Desejos e Demandas Estes produtos são obtíveis de diversas Uma distinção útil pode ser destacada maneiras: autoprodução. são suas definições. desejos de forma competitiva e rentável. (KOTLER. coerção. As especializam-se em produzir produtos pessoas exigem alimento. produtos. sentimento de posse. custo e satisfação. através da criação. Diversas procuram satisfazer a suas necessidades. Uma breve discussão sobre estes muitos produtos podem satisfazer certa conceitos é elaborada a seguir: necessidade. troca. as empresas não podem potenciais. auto-estima que necessitam. vestuário. valor. A maioria das sociedades modernas Necessidade humana é um estado de trabalha sob o princípio da troca. troca. oferta e troca de produtos Marketing é a função da empresa encarregada de valor com outros. Marketing coordena © 2006 eduardo romeiro filho 45 ufmg . Necessidades. a escolha do produto é guiada pelos conceitos de valor. simplesmente fazendo um bom trabalho. Philip. analisando as maneiras como as empresas se orientam para o mercado e quais são seus impactos na relação entre marketing e desenvolvimento de produtos.” de definir os consumidores-alvo e a melhor Esta definição esta fundamentada nos maneira de satisfazer suas necessidades e seguintes conceitos centrais: necessidades.depto engenharia de produção . 1997) sobreviver. custo e Marketing tem suas origens no fato de satisfação. esmola e entre necessidades. Mercado é um Estas necessidades não são criadas pela grupo de pessoas que compartilha uma sociedade ou pelas empresas. específicos e trocá-los por outras coisas de segurança. marketing e praticantes de possuem necessidades e desejos. Pessoas privação de alguma satisfação básica. tenta realizar trocas Hoje. entretanto usaremos o Estudos recentes têm demonstrado que a conceito de Kotler: “Marketing é um processo chave do sucesso de empresas rentáveis é social e gerencial pelo qual indivíduos e conhecer e satisfazer os consumidores-alvo grupos obtêm o que necessitam e desejam com ofertas competitivamente superiores. projeto do produto Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos Oswaldo Henrique Castro de Jesus Curso de Mestrado em Engenharia de Produção Universidade Federal de Minas Gerais O propósito deste artigo é fornecer uma visão geral sobre os conceitos centrais subjacentes a disciplina de marketing. Desde que marketing. Elas devem fazer um trabalho O QUE VEM A SER MARKETING? excelente se quiserem ser bem sucedidas nos mercados de crescente concorrência global. desejos e demandas. A fim de se realizar uma pesquisa Consumidores e compradores organizacionais aprofundada sobre o assunto é necessário enfrentam abundância de fornecedores que assumir um conceito para Marketing. construção de relacionamentos. transações e que os seres humanos são criaturas que relacionamentos. abrigo. INTRODUÇÃO aquelas atividades envolvidas no trabalho com mercados. Engajam-se em transações e e algumas outras coisas para a sobrevivência.

Transações e Relacionamentos. o Marketing consiste de ações adotadas mais importante. As profissional de marketing é vender os empresas ágeis tentam construir. o Os especialistas de marketing. com grande decidem satisfazer necessidades e desejos utilização na área de logística. Este conceito esta intimamente ligado ao conceito atual “Supply Chain Management” ou Troca. A troca é uma das quatro © 2006 eduardo romeiro filho 46 ufmg .depto engenharia de produção . Troca é o ato de obter específicas para atender a estas necessidades um produto desejado de alguém. oferecido para uma audiência alvo. cometem o erro de prestar mais atenção a O Marketing de transação descrito seus produtos físicos do que aos serviços acima é parte de uma idéia mais ampla oferecidos pelos mesmos. Se este é atingido. um evento. O marketing de Valor é a estimativa do consumidor em relação relacionamento reduz os custos de transação à capacidade global de produto satisfazer a e o tempo. trata- dos produtos físicos não reside apenas em se do comércio eletrônico. Desejos tornam-se demandas quando dizemos que ocorreu uma transação. seus desejos são depende das duas partes concordarem sobre muitos. Para lo. confiança e relacionamentos “ganha- físicos. Os desejos humanos são as condições de troca que deixará ambas em continuamente moldados e remoldados por melhor situação do que a anterior. A importância e entre empresas e seus consumidores. Isto é realizado com a promessa e entrega de alta Valor. em vez de apenas descrever suas ganha” com clientes. sendo as demais autoprodução. Uma apoiados por poder de compra. os fabricantes revolucionando as práticas atuais. Pode-se classificar os produtos. distribuidores. famílias e empresas. Cada produto envolve um negociadas individualmente passam a ser custo específico. quantas pessoas desejam seu produto. a longo benefícios ou serviços contidos em produtos prazo. Situações de troca despertam desejos. técnicos e sociais fortes capacidades de satisfazer às necessidades. características físicas. “Business-to-Consumer” (B2C) vem Freqüentemente. desta forma as transação consiste na negociação de valores empresas devem mensurar não apenas entre duas partes. oferecendo- mais profundas. Produtos podem ser definidos como Ultimamente tem se consolidado um novo algo que pode ser oferecido para satisfazer a meio de se efetuar transações entre empresas uma necessidade ou desejo. entre as partes envolvidas. sua ocorrência pessoas sejam poucas. junto profissional de marketing analisa o quê cada com outros influenciadores da sociedade. parte espera dar e receber. revendedores e fornecedores valiosos. Alguns relacionamento é a construção de um ativo teóricos do comportamento do consumidor vão exclusivo da empresa denominado rede de além das limitadas pressuposições marketing. mas também nos serviços seus conceitos “Business-to-Business” (B2B) e oferecidos pelo mesmo. esta deve forças e instituições sociais como igrejas. Desejos são carências por satisfações coerção e mendicância. efetuar mudanças bem-sucedidas. realmente para obter-se respostas a algum objeto estariam dispostas e habilitadas para comprá. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. embora as necessidades das se algo em contrapartida. foco deste trabalho e não serão abordadas. quantas pessoas. simples podem ser mapeadas. que através de sua posse. distribuidores e julgamentos de valor e fazem escolha de clientes. desta forma as escolhas são rotinizadas. feitas em função dos produtos que produzem O resultado final do marketing de maior valor por dinheiro despendido. bons serviços e preço justo. produtos. e Marketing surge quando as pessoas recentemente o E-supply chain. mas. nas melhores situações transações suas necessidades. Uma rede de marketing consiste na econômicas de como consumidores fazem empresa e seus fornecedores. ser vista como um processo. direção a um acordo. Obtém-se resultados favoráveis construindo- ordenando-os de acordo com suas se laços econômicos. projeto do produto delicada textura biológica e são inerentes à maneiras pelas quais as pessoas podem obter condição humana. com os quais constrói produto. Demandas são desejos por produtos Duas partes estão engajadas na troca específicos que são respaldados pela se estiverem negociando e movendo-se em habilidade e disposição de comprá-los. mostrando-se dois atores e os desejos e ofertas fluindo entre Produtos eles. entretanto estas teorias não são o relacionamentos comerciais sólidos e seguros. através da troca. em vez de como escolas. O trabalho do denominada marketing de relacionamento. Custo e Satisfação qualidade.

o departamento interesses entre pesos atribuídos a financeiro fixa o preço e os departamentos de organização. àqueles produtos que estão amplamente Assim. Confiam que seus engenheiros saberão como planejar ou RELAÇÕES ENTRE MARKETING E melhorar o produto e muito freqüentemente. o sistema de produção em produtos. constituindo a indústria e os compradores como constituindo o mercado. 1997) de mercado. a fábrica o constrói. Estas depende do número de pessoas que mostram organizações são orientadas para a produção a mesma necessidade. têm recursos que concentram-se em atingir alta eficiência interessam a outros e estão dispostas a produtiva e ampla coberturas de distribuição. projeto do produto Mercados organizações conduzem sua atividade de O conceito de troca leva ao conceito marketing. produtos com pouca ou nenhuma contribuição do consumidor. características inovadoras. chamamos a tornando-se vítimas da falácia denominada primeira de praticante de marketing e a “melhor ratoeira”. ao círculo amplo do conceito de marketing. Estas organizações focam sua energia em fazer Marketing e Praticantes de Marketing produtos superiores e melhora-los ao longo do O conceito de marketing conduz-nos tempo. (KOTLER. clientes e sociedade. Conceito de Produção uma necessidade ou desejo específico. deixar de observar que o mercado pode estar Se uma parte é mais ativa para menos preocupado com a qualidade oferecida. entretanto. eficiente e eficaz. Um praticante de marketing é caminho até a porta da empresa. Há desejavam e nuca consultava as pessoas cinco conceitos distintos sob os quais as © 2006 eduardo romeiro filho 47 ufmg . Conceito de Produto de um país e do mundo inteiro consistem de O conceito de produto assume que os complexos conjuntos de mercados inter. Não que as atividades de marketing e projeto de é de admirar que o carro exigia tanto esforço produto sejam desempenhadas em uma de venda do revendedor! A GM errou ao não filosofia bem fundamentada. procurar uma troca do que outra. as empresas pessoa e que está disposto a oferecer algo de orientadas para produto planejam seus valor em troca. Tais organizações acreditam que os Marketing significa a atividade humana que compradores admiram produtos bem feitos e ocorre em relação a mercados. Marketing podem avaliar a qualidade e o desempenho significa trabalhar com mercados para realizar dos mesmos. exigindo marketing e de vendas tentam vendê-los. desempenho ou troca. o tamanho do mercado disponíveis e são de baixo custo.depto engenharia de produção . unidos através de processos de que oferecem mais qualidade. oferecer estes recursos em troca do que Desta maneira os responsáveis pelo desejam. Muito desenvolveram os planos para um novo carro. O conceito de produto parte do dispostos e habilitados para fazer uma troca princípio de qua os clientes darão preferência que satisfaça essa necessidade ou desejo. freqüentemente existem conflitos de Depois. DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS não examinam os produtos dos concorrentes BASEADO NA ORIENTAÇÃO DA EMPRESA porque “não foram inventados em suas EM RELAÇÃO AO MERCADO fábricas”. onde acreditam que uma segunda parte de cliente ou consumidor melhor ratoeira levará as pessoas a abrir um potencial.O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de 1. alguém que busca um recurso de outra Freqüentemente. Internamente os envolvidos na trocas potenciais para o propósito de concepção e fabricação de produtos passam a satisfazer a necessidades e desejos humanos. As economias 2. consumidores favorecerão aqueles produtos relacionados. os profissionais de massa é muito utilizado neste tipo de marketing vêem os vendedores como organizações. Um executivo da General Motors A administração de marketing e o afirmou anos atrás: “Como o público pode desenvolvimento de novos produtos são saber que tipo de carro deseja. antes de ver o descritos como o esforço consciente para que está disponível no mercado?” Os atingir as mudanças de resultados desejados designers e engenheiros da GM em relação aos mercados-alvo. através de um perguntar aos consumidores o que eles marketing responsável. Os economistas usam o termo desenvolvimento de produtos e produção mercado quando se referem a um grupo de colocam seus esforços para aumentar o compradores e vendedores que transacionam volume de produção e buscar alternativas para em torno de um produto ou classe de reduzir custos.

Idealmente. Conceito de Marketing Societal O conceito pressupõe que Em anos recentes. Como resultado. Seu propósito é vender o nos melhores interesses a longo prazo desses que fabricam. Depois. necessidades dos consumidores.” Assim. para fora. será MARKETING E PESQUISA E necessário apenas tornar o produto ou serviço DESENVOLVIMENTO . estas observações sugerem coordenado e rentabilidade. Assim. preço várias pesquisas buscaram entender a origem e distribuição. Este mas duas observações são claras. Os compradores potenciais são marketing coloca lado a lado os conflitos bombardeados com comerciais de televisão.COOPERAÇÃO disponível. marketing Juntas. 5. foca sobre O conceito de produto leva a “miopia os produtos existentes na empresa e exige em marketing”. idéias originadas de consumidores e se em quatro pilares principais: mercado-alvo. serviço se venda sozinho. empregar um esforço agressivo de venda e de promoção. desejos e Segundo declarado por Druker (1973): interesses de mercados-alvo e atender às “Haverá sempre alguém assumindo que satisfações desejadas mais eficaz e alguma venda será necessária. o O conceito de marketing societal público identifica marketing como venda afirma que a tarefa da organização é agressiva e propaganda. As metodologias variaram. 3.. Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. escassez de recursos. Conceito de Marketing lançados por 100 indústrias em vários países O conceito de marketing é uma foram estudados a fim de determinar o papel filosofia empresaria que desafia os conceitos relativo a Marketing e Pesquisa e anteriores. coordena consumidores. de inovações tecnológicas que tiveram sucesso no mercado. O conceito de marketing parte de uma perspectiva de fora para dentro. necessariamente. em vez de o que o mercado consumidores e da sociedade? O conceito de deseja. todos um arsenal de ferramentas de vendas e explosão do crescimento populacional. Entretanto o eficientemente do que os concorrentes. As empresas fazem um A maioria das empresas pratica o excesso de trabalho para satisfazer os desejos conceito de venda quando tem capacidade de de consumidores. projeto do produto envolvidas em marketing para ajudar a venda parte de uma perspectiva de dentro projetar o tipo de carro que venderiam. desenvolvimento de produto. marketing. agindo. sólidos nos meados dos anos 50. vender alguma coisa. Existe sempre alguém tentando longo prazo. mala direta e visitas de consumidores e o bem estar da sociedade a vendedores. determinar as necessidades. de propósito de marketing é conhecer e entender maneira a preservar ou ampliar o bem estar o consumidor tão bem que o produto ou dos consumidores e da sociedade.depto engenharia de produção . Conceito de Venda Começa com um mercado bem definido. freqüentes e prováveis de acontecer para O conceito de marketing fundamenta. o esforço de marketing deve resultar em um consumidor disposto a comprar. Mais de 2000 produtos 4. não todas as atividades que afetarão estes comprarão suficientemente os produtos da consumidores e produz lucros através da organização. O conceito de que tanto Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) © 2006 eduardo romeiro filho 48 ufmg . Começa com a fábrica. assume que a chave para atingir as metas 60 a 80% de produtos com sucesso organizacionais consiste em determinar as foram lançados em resposta a demandas de e necessidades e desejos dos mercados-alvo e necessidades de mercado oferecer as satisfações desejadas de forma Melhorias nas vendas são mais mais eficaz e eficiente do que os concorrentes. a organização deve obtenção de satisfação dos mesmos. negligenciados. se deixados sozinhos. pesquisa. foca O conceito de venda assume que os a necessidade dos consumidores. fome e promoção eficazes para estimular mais a pobreza mundial e serviços sociais compra. Seus pontos centrais tornaram-se Desenvolvimento. potenciais entre os desejos e interesses dos anúncios em jornais.. a venda para ser eficaz. resultados rentáveis. produção excessiva. um foco no produto em vez de ênfase em venda e promoção para gerar na necessidade do consumidor”. algumas pessoas consumidores típicos mostram inércia ou têm questionado se o conceito de marketing é resistência e têm que ser persuadidos a uma filosofia apropriada em um período de comprar mais e que a empresa dispões de deterioração ambiental. deve Com o objetivo de fundamentar a ser precedida de diversas atividades de relação de cooperação que deve existir entre marketing como avaliação de necessidades.

Design and Entretanto existe também uma evidencia que Marketing of New Products. existiram pouca cooperação e Row. O promovem benefícios que satisfazem e automóvel acima. variando de acordo com a filosofia adotada e sua maneira como se posiciona perante o mercado. Trabalhando juntos.. 1993 novos produtos. Dougherty (1989) revelou que produtos com sucesso se originam em KOTLER. foi lançado pela excedem as necessidades dos consumidores. p. consumidores e capacidades de tecnologia. New York: Harper & falhas. Glen L. funções e relacionamentos entre marketing e projeto de produto. cada uma definindo os papéis. Planejamento e Controle. URBAN. Ela também descobriu que nos casos de DRUCKER. entretanto. 1º Congresso Brasileiro em plano de negócios. © 2006 eduardo romeiro filho 49 ufmg . e se comunicaram em todos aspectos do Notas de palestras. Marketing identifica a pesquisa as necessidades dos consumidores. Administração de Marketing. Tempos depois de lançado. sobre 16 projetos de desenvolvimento de From voice of Customer to Task Deployment. Volkswagen do Brasil em meados dos anos 1960. P&D e Engenharia podem Nem sempre o lançamento de um produto de levar a organização desenvolver produtos que excelência significa sucesso comercial. projeto do produto quanto Marketing (Orientado para o BIBLIOGRAFIA consumidor) conduzem ao sucesso no desenvolvimento de novos produtos. que nada tinha a ver com suas que o Marketing esta intimamente ligado com características técnicas: fora apelidado (em virtude a atividade de Desenvolvimento de Produtos de sua abertura no teto) de “Cornowagen”. Peter. 64-65 comunicação em pelo menos um destes aspectos. o simpático carrinho foi retirado de linha num estrondoso Através deste estudo pode-se concluir fracasso. necessidades dos Logística e Comércio Eletrônico. responsabilities. HAUSER. John R. A tecnologia sozinha não é suficiente.depto engenharia de produção . Marketing. nem P&D nem marketing podem se conduzir em separado. associado ao seu tradicional bom CONCLUSÂO humor. practices. tropical. A idéia parecia boa: o Fusca já era um enorme necessidades dos consumidores e tecnologia sucesso de vendas e a abertura superior era devem ser integradas se o sucesso é o extremamente adequada a um país de clima objetivo. Evidencia-se que uma boa estratégia de novos produtos requer uma integração efetiva de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. com teto solar. com o “machismo” do público brasileiro. P&D e Engenharia desenvolvem os meios de satisfazer a estas necessidades. em um estudo MAZUR. QFD for Service Industries. situações onde marketing e P&D cooperaram Análise. Management: tasks.. Por exemplo. Gleen H. Cinco filosofias alternativas podem guiar as organizações no cumprimento de seu trabalho de marketing. P&D desenvolve novos níveis de desempenho tecnológico que permitem criar novos benefícios aos consumidores. 1997. Os engenheiros alemães não contavam. Philip. As filosofias que mais se destacam na atualidade são caracterizadas por ter uma grande integração e cooperação entre marketing e projeto de produto. 2000. 1973. em uma empresa.

depto engenharia de produção . Kjell B. Zandin and Harold B. projeto do produto Fonte: Maynard’s Industrial Engineering Handbook. Mc Graw Hill © 2006 eduardo romeiro filho 50 ufmg . Maynard.

proporcionando sua plena satisfação. um produto que venha ao encontro de suas expectativas.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 51 ufmg . disponíveis e com preços atraentes. uma empresa com outra. compara um produto com outro. “Conheça as expectativas do cliente” (Deming. no que poderíamos chamar de fluxo da sobrevivência: Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro Para que o faturamento seja alto e crescente. O lucro é resultado desta combinação alto faturamento e baixos custos. Não é suficiente ter clientes meramente satisfeitos. Ele aprende rapidamente. Uma Questão de Sobrevivência Garantir a permanência de uma empresa no mercado. A busca pela sobrevivência consiste da busca pela competitividade. ou seja. As expectativas dos clientes não são estáticas. a baixos custos. elas se alteram de acordo com as novas ofertas do mercado. colocadas à margem da preferência dos consumidores. Uma empresa competitiva é aquela que tem a capacidade de conquistar a preferência dos consumidores. 1996). mantendo e reconquistando seus próprios clientes e atraindo outros novos. A empresa americana Ceridian Corporation sintetizou estas idéias. são gradativamente substituídos por melhores opções disponíveis no mercado. um cliente satisfeito pode te abandonar. em Novembro/1998. e estas empresas são. No entanto. Para que os preços dos produtos sejam atraentes e a empresa seja lucrativa. Por que não? Ele pode encontrar uma opção melhor com a mudança” (Deming. sua sobrevivência a longo prazo está ameaçada. o volume de vendas deve sempre superar patamares elevados. e dependerá da qualidade do produto que ele adquire. Daí a importância de equiparar e superar a concorrência. resultado de uma empresa produtiva que é capaz de captar e manter uma fatia significativa do mercado. Se esta situação não é revertida. a empresa tem que estar sempre inovando para permanecer no “páreo”. projeto do produto Medindo a Satisfação dos Clientes Viviane Ribeiro Branco de Oliveira8 Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG I. e por isso devem ser continuamente investigadas. exige um esforço constante de equiparar e superar a concorrência. 8 Este trabalho é destinado à avaliação final da disciplina “Tópicos em Organização da Produção: Metodologia do Projeto” do curso de mestrado em Engenharia de Produção. “O cliente espera apenas o que você e seu concorrente tenham levado-o a esperar. elas produzem de forma econômica produtos de alta qualidade. a manutenção de uma posição sempre competitiva. a longo prazo. Os produtos e serviços oferecidos por empresas que não perseguem e alcançam este objetivo. nada mais natural. os custos devem ser baixos. consequentemente. supondo que os preços dos produtos sejam atraentes. Empresas competitivas sempre viabilizam a oferta de produtos desejáveis. com ofertas melhores que as disponíveis no mercado. 1996). isto significa conquista da preferência dos consumidores. esta deve ser uma atividade contínua. A satisfação do consumidor final é portanto o alvo primordial das empresas competitivas (princípio do conceito de “foco no cliente”).

conhecer os motivos que levaram um cliente a optar por outro fornecedor. o que confere à ferramenta caráter qualitativo. não significa que tudo esteja bem. voltam a comprar novamente. Uma empresa competitiva deve possuir um programa contínuo de avaliação da satisfação dos clientes. o importante é priorizar a solução da reclamação. Quando as informações forem oriundas de questões abertas. ou seja. aumentar o percentual de retorno deste sinalizador de problemas. é oferecido pelas empresas através de centrais telefônicas e endereços eletrônicos. três aspectos são fundamentais: fácil acesso ao serviço. A estabilidade em oferecer produtos e serviços com um mesmo nível de qualidade considerada indispensável. a resposta ao cliente é geralmente imediata e suficiente. é o alicerce que a empresa deve garantir sempre. com a intenção de esclarecer dúvidas e captar reclamações.1 Atendimento a Reclamações O serviço de atendimento ao cliente. E a qualidade deste processo é que vai dizer o quanto a empresa compreende o valor de uma reclamação. rede de distribuição e fornecedores. O registro e o tratamento adequado de reclamações dos clientes não são apenas uma satisfação que a empresa se dispõe a prestar aos reclamantes. Análise das Informações’ dentro das ‘pesquisas da satisfação dos clientes’. Quanto ao atendimento dispensado aos reclamantes. contato pessoal com vendedores. este serviço fornece evidências dos pontos críticos que precisam ser tratados. é necessário fazer um bom registro da reclamação. a maioria absoluta deles não entra em contato com a empresa para reclamar. de forma resumida. De acordo com o programa americano de assistência técnica a pesquisa (TARP). Já no caso do emprego de questões fechadas que permitam ordenações e cálculos numéricos. as ferramentas serão do tipo qualitativas.). A parte ‘V. Rumo à Excelência’.) as informações devem receber o mesmo encaminhamento. o emprego de técnicas estatísticas será demonstrado no item ‘6. etc. Com este propósito são acompanhados uma infinidade de parâmetros de desempenho de processos e produtos. Apesar do formulário já poder trazer impresso alternativas para enquadramento e desdobramento da reclamação. o fato de a empresa não ter recebido nenhuma reclamação. No caso das reclamações. que lhe permita acompanhar todas as tendências do mercado do ponto de vista dos próprios consumidores. primeiro anular os sintomas para depois atacar as © 2006 eduardo romeiro filho 52 ufmg . as ferramentas quantitativas serão utilizadas. Os Primeiros Passos A manutenção da carteira atual de clientes deve ser a base para qualquer avanço. Em relação à coleta dos dados. em formulário padrão que solicite todos os detalhes necessários às etapas posteriores do processo (nome e contato do cliente. como novas exigências do mercado. Para implementar um programa como este. medir a satisfação dos clientes. Este trabalho apresenta. Segundo a própria TARP. ao passo que apenas 17% dos reclamantes descontentes. O cliente é envolvido neste estágio. e sim em detectar o tamanho e as causas do problema. estas ferramentas dividem-se em dois grandes grupos: qualitativas e quantitativas. Deve-se “incentivar reclamações”. agilidade no retorno e na resolução da reclamação e solução satisfatória para o cliente. usual SAC. em média 4% dos clientes insatisfeitos reclamam. para em seguida disparar contramedidas que impeçam sua reincidência. as principais ferramentas utilizadas com este objetivo. durante determinado período. através do serviço de atendimento a reclamações e das pesquisas com clientes perdidos. Considerações Finais’ conclui com questões importantes para o sucesso das intenções da empresa. projeto do produto II. áreas da empresa diretamente envolvidas. Receber uma reclamação é ter acesso a uma oportunidade de melhoria. como no caso das ‘entrevistas individuais’. Em relação a análise dos dados. Para que seja possível prestar um serviço satisfatório. cujos reflexos irão alcançar um universo significativo de clientes. III. Objetivos deste Trabalho. III. Em seguida. revelará tanto deficiências no desempenho dos próprios produtos e serviços. 73% dos reclamantes bem assistidos voltam a comprar da empresa. No caso do esclarecimento de dúvidas. ou da livre iniciativa do cliente por meio do serviço de ‘atendimento de reclamações’ (ambas abordadas neste trabalho) ou ainda provenientes da observação dos clientes comprando ou utilizando o produto. o trabalho foi dividido em duas partes: ‘III. etc. Os Primeiros Passos’ e ‘IV. Para abordar estas ferramentas. Por isso. será necessário empregar eficientemente ferramentas de captação e análise de informações. como por exemplo as que serão apresenta. Da mesma forma. ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ e ‘pesquisa com clientes da concorrência’. O grande objetivo do processo de resolução de reclamações não consiste em responder satisfatoriamente aos reclamantes.depto engenharia de produção . Mesmo que o cliente se utilize de outros meios de comunicação (carta. número da reclamação. será indispensável dar ao cliente condições (liberdade) para apresentação de problemas e comentários inusitados. Este serviço pode tornar-se uma válvula de perda rápida e fácil de clientes.das neste trabalho. o serviço é apenas o ponto de partida para todo um processo de resolução. principalmente. ‘grupos foco’ e ‘pesquisas com clientes perdidos’.

projeto do produto causas. “Clientes insatisfeitos contaminam toda a vizinhança”. 1996). muita informação poderá ser extraída para impedir novas perdas de clientes (evitando que os mesmos erros sejam novamente cometidos) e para tornar conhecidas as ofertas da concorrência. Juntamente a um bom serviço de atendimento às reclamações. IV. O retorno do ex- cliente como novo comprador poderá ocorrer em decorrência da habilidade do entrevistador em manipular as informações (contornar o problema e fazer contra-propostas) que forem adquiridas na oportunidade do contato. contornar discordâncias. comentário. alterações nos serviços e produtos existentes ou estratégias de marketing. Outro retorno extremamente positivo desta pesquisas é a volta do cliente. A partir daí. pois isto poderia gerar constrangimentos. principalmen. e vice-versa. como num efeito cascata. A simples indiferença de um atendente pode originar uma decepção que seria facilmente contornada. uma pesquisa que conduza a posteriores medidas de melhoria. incentivar idéias. Esta questão será esclarecida no tópico IV. crítica. é recomendável que estas pessoas não sejam os vendedores antes responsáveis pelo atendimento aos clientes pesquisados. E a solução oferecida (mesmo que seja trocar o produto ou indenizar o cliente) certamente terá um custo menor do que perdê-lo. A questão é evitar causas de reclamação e perda de clientes. não desviar do assunto foco. e a pesquisa da satisfação dos clientes como um sensor da percepção do cliente. Em relação ao esclarecimento de dúvidas. será indispensável todo o cuidado para evitar um novo afastamento. de trâmite fácil dentro da empresa e com poder de decisão igual ou maior que os dos envolvidos diretamente com o serviço de reclamações. mas que.). e pior que isto. III. na maioria das vezes não chega ao conhecimento do serviço de reclamações. o mais rápido possível. algum tema de interesse da empresa. Estas técnicas são. Quando a satisfação dos clientes decresce. IV. Nesta oportunidade. Com o objetivo de conduzir esta reunião apropriadamente (permitir a participação de todos.1 Grupos Foco Grupo foco é um grupo de clientes. esclarecê-las e encaminhá-las às áreas da empresa diretamente relacionadas à questão apresentada pelo cliente. sim. a pesquisa com clientes da concorrência como balizador externo. elogio ou debate é bem vindo. por exemplo novos serviços e produtos.te. Por meio destas pesquisas. e das pesquisas com clientes perdidos. pode afastar diversos clientes. Estas dúvidas podem sugerir pequenas melhorias. Portanto. toda opinião. “É sete vezes mais fácil reconquistar um cliente perdido do que conquistar um novo cliente” (Kessler.2 Pesquisa com Clientes Perdidos Muitos dos clientes insatisfeitos. isto vai depender do conceito de cliente perdido para cada ramo de negócio específico. as pesquisas da satisfação dos clientes podem ser consideradas como caso geral. as empresas lançam mão de técnicas de captação da voz do cliente que vão além da disponibilização de um bom serviço de reclamações. Não existe uma definição genérica de de quanto em quanto tempo exatamente este tipo de pesquisa deva ser realizado. sugestão. o serviço de atendimento ao cliente é uma fonte inesgotável de informações para melhoria da empresa e garantia da satisfação dos clientes. pesquisa com clientes das concorrência e pesquisa da satisfação dos clientes. Daí a importância de alocar para este trabalho pessoas muito bem preparadas. um especialista no assunto foco é previamente selecionado pela empresa para atuar como © 2006 eduardo romeiro filho 53 ufmg . quais as vantagens que o concorrente ofereceu para atrair o cliente.3. a partir do qual as demais opções de pesquisas quantitativas são derivadas. preferem trocar de fornecedor do produto ou serviço adquirido. apresentar vários aspectos do tema para apreciação do grupo. Rumo à Excelência Na corrida pela disputa da preferência do consumidor. A entrevista vai sendo conduzida de acordo com os argumentos apresentados pelo ex-cliente a partir de alguma pergunta aberta inicial do tipo: “Gostaríamos de saber por que a empresa/cliente X não adquire mais os nossos produtos e/ou serviços?”. O reclamante deve ser atendido com urgência.depto engenharia de produção . a empresa deve realizar periodicamente pesquisas com clientes perdidos. etc. Não é confeccionado para este tipo de entrevista nenhum formulário padrão de questões fechadas. Além disso. pois trarão grandes contribuições. Os grupos foco funcionam como um veículo de geração de idéias. caso o cliente retorne. grupos foco. em muitos dos casos os clientes são reconquistados. a intenção não é um contato para fazer negócios e. assumir uma postura mais agressiva de interação com o consumidor que redundem em benefícios que o seduzam. é igualmente importante registrá-las. geralmente seis a dez pessoas. além de não registrarem formalmente nenhuma reclamação. o faturamento e o “market share” seguem o mesmo caminho. Certamente eles vão passar adiante a experiência desagradável que tiveram. A postura do entrevistador deve ser a de ouvir o cliente. é apresentado como assunto foco da reunião. como um “paciente em estado grave”. Mas depois de realizada. cuidadosamente escolhidos e convidados pela empresa para uma seção de “brainstorming”. Apesar de utilizada para se detectar as tendências de exigência dos próprios clientes. A pesquisa da satisfação dos clientes é um sinalizador de possíveis ganhos e perdas.

que são: “benchmarking” interno e das melhores práticas. não é apenas nestes casos que o cliente perdido pode ser © 2006 eduardo romeiro filho 54 ufmg . tudo é gravado e filmado. é comum a participação de alguns funcionários influentes diretamente envolvidos no assunto foco. o termo ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ é usualmente utilizado de forma genérica para se referir a qualquer pesquisa de caráter quantitativo direcionada ao mercado consumidor (clientes finais. será indispensável a consulta aos clientes da concorrência.2 Pesquisa com Clientes da Concorrência Este tipo de pesquisa é utilizado como estratégia de “benchmarking” competitivo. pois se apenas os clientes próprios forem ouvidos. Apesar do custo de realização de grupos foco ser baixo e do retorno das informações ser rápido. no caso de uma ordenação por exemplo. detectar seus pontos fortes e fracos do ponto de vista do consumidor global. Portanto. apenas a sua própria posição é informada. a empresa terá condições de posicionar-se no mercado. Além dos clientes e do mediador. a pesquisa assume caráter qualitativo. Isto porque as etapas básicas de realização da pesquisa. com a autorização do grupo e. No entanto. no entanto. investigar as vantagens do concorrente a fim de incorporá-las. Para que este tipo de pesquisa seja eficiente. quando é a vez do cliente da concorrência também ser ouvido.depto engenharia de produção . Já as entrevistas individuais funcionam da mesma forma que os grupos foco. o anonimato da empresa que está conduzindo a pesquisa é pré-requisito fundamental. Para que nenhuma idéia seja perdida. Por este motivo. Em muitos casos. atuais. a fim de induzir a manifestação de toda sorte de idéias. é costume a contração de firmas especializadas em pesquisas de opinião para conduzirem uma única pesquisa que atenda a todos. Como este é um interesse comum de todas as organizações que lidam com o mesmo negócio. As questões relacionadas ao tema são abertamente apresentadas pelo mediador. elaboração do questionário. por meio da identificação dos atributos dos produtos e serviços que os clientes realmente percebem e valorizam. análise das informações e apresentação dos resultados. No entanto. para conhecer suas expectativas. os grupos foco assumem também outras atribuições. além do competitivo. tanto em perfil quanto principalmente em quantidade. ou seja. algumas empresas. que permitam isolar câmeras e ouvintes dos clientes e mediador. representantes. Estes atributos é que irão direcionar as perguntas do questionário. distribuidores. serão as mesmas: definição dos objetivos. subestimada. a posição competitiva será superestimada e se apenas os clientes da concorrência. em qualquer parte do mundo. no estilo de entrevista individual com cada cliente que se afastou da empresa. As diferenças residem nas adaptações que forem sendo realizadas ao longo do cumprimento das etapas para perfeita adequação aos objetivos. exclusivamente). como por exemplo a elaboração de um questionário realmente útil. Neste caso. ou seja. É especificamente direcionada aos seus próprios clientes. a subjetividade inerente ao processo é grande. Ela deve-se principalmente à escolha dos participantes. Vale mencionar que existem outros dois tipos de “benchmarking”. isto deve ser levado em consideração na elaboração do questionário a ser utilizado. busca identificar as melhores práticas do mercado em qualquer tipo de indústria ou negócio. a referência básica é a própria empresa e não dependerá necessariamente de pesquisas de opinião. os próprios clientes não são exclusivos. para adquirir maior segurança quanto as decisões que poderão ser tomadas. Por meio da inclusão destes ao público alvo investigado. a pesquisa incluirá clientes próprios. projeto do produto mediador. definição do universo a ser investigado. preparam salas especiais para o evento. Estas informações poderão ser extraídas de publicações ou visitas às empresas consideradas de classe mundial. IV. esta participação se limitará apenas a ouvir a sessão. independente do público. No relatório final os resultados desta pesquisa serão diferenciados por empresa contratante da seguinte forma: uma não tem acesso às informações sobre a outra. como o próprio nome já diz. implicando em menor custo por empresa envolvida na contratação do serviço. sem opções fixas de respostas. no intuito de não inibir a participação dos clientes. levantamento dos dados. na entrevista e na análise dos dados. Já no caso do “benchmarking” competitivo. ao público e aos recursos disponíveis. pois o contrário poderia viciar as respostas fornecidas.3 Pesquisa da Satisfação dos Clientes A pesquisa da satisfação dos clientes é mais uma iniciativa da empresa no sentido de descobrir o que os clientes pensam e querem de sua organização e produtos. IV. da concorrência e potenciais. definição dos métodos de pesquisa. muitas vezes é interesse da empresa realizar uma posterior pesquisa da satisfação dos clientes. Os clientes podem não ser representativos do mercado alvo tencionado. é indispensável que o entrevistado não identifique a empresa responsável pela pesquisa. estabelecer comparações com o concorrente. No caso da ‘pesquisa com clientes perdidos’ da forma como foi apresentada neste trabalho (questões abertas. e o mediador pode introduzir tendências. Portanto. definição da abordagem da pesquisa. O “benchmarking” das melhores práticas. as demais empresas não são identificadas pelos nomes. perdidos. têm outros fornecedores concorrentes. a diferença é que apenas um cliente será a fonte das informações à respeito do assunto foco. da concorrência e potenciais). O interno é realizado estabelecendo-se sempre novas metas sobre o patamar de desempenho já alcançado.

como por exemplo a natureza do cliente (atual. da concorrência. que dependerá da composição das perguntas elaboradas. sua apresentação deve ser impecável e amigável. Por Cotas © 2006 eduardo romeiro filho 55 ufmg . Ou seja. por meio da utilização dos grupos foco. a escolha recai sobre a segunda opção. avaliar se os esforços de melhoria da empresa estão repercutindo em incremento da satisfação do cliente. tanto os clientes atuais. Conforme mencionado. Estas etapas serão apresentadas a seguir. Todos os objetivos da pesquisa devem ser contemplados de forma simples. Como mencionado. no caso do “benchmarking” competitivo. detectar pontos fortes e fracos da concorrência.1 Principais Planos de Amostragem Aleatória Todos os clientes são considerados como grupo homogêneo e possuirão igual chance de serem selecionados para compor a amostra. típica das ‘pesquisas de marketing’. o primeiro passo na realização de uma pesquisa é a definição detalhada de seus objetivos: conhecer as necessidades. de forma resumida. Estratificada Diversos grupos de clientes (estratos) são diferenciados em relação a alguma característica importante para a empresa. Definição do Universo a ser Investigado (População) Acessar a satisfação dos clientes dependerá naturalmente do conhecimento de quem são os clientes. pode-se dar seqüência às demais etapas. inclusive. Dentro de cada estrato a seleção dos clientes poderá ser aleatória. etc.depto engenharia de produção . etc. a amostragem é a única escolha. quando as limitações dos recursos disponíveis impedem a realização do censu. Neste caso. projeto do produto investigado. Cada um destes grupos fornecerá um conjunto de informações diferenciadas que poderão ser utilizadas no plano de estratégias da empresa. abordando questões básicas importantes que permitirão realizar a pesquisa de forma eficiente. quanto os clientes perdidos (ex-clientes). No entanto.). Esta abordagem permitirá planejar estratégias ‘customizadas’. Muitas vezes uma breve consulta ao próprio mercado será necessária para a definição das categorias de resposta para as “questões fechadas”. a ordem de apresentação das perguntas deve ser cuidadosamente avaliada e. Esta escolha dependerá. A validade diz respeito principalmente à real obtenção das informações pretendidas. simplesmente saber identificá-los. 1. Por Conglomerados A região geográfica considerada na pesquisa pode ser dividida em várias áreas para facilitar o processo de entrevistas (acesso aos clientes). uma listagem completa de nomes e endereços/telefones dos clientes é indispensável. volume médio de compras. Quando a intenção é estimar as informações desejadas. Portanto. 3. preferências e prioridades dos clientes. Os planos de amostragem por conglomerados e estratificada podem ser realizadas simultaneamente. caso o entrevistado tenha contato com o formulário utilizado. O número de questões deve ser o mínimo necessário. Há diversos mecanismos de aleatorização fáceis de implementar. os clientes potenciais e os clientes da concorrência. 3. Em princípio. cada área corresponderá a um conglomerado. Definição da Abordagem da Pesquisa Realizar um censu com todos os integrantes da população ou fazer uma amostragem com alguns deles são diferentes abordagens que podem ser utilizadas em uma pesquisa. estratificando-se dentro dos conglomerados. da interação entrevistador- entrevistado e da seqüência em que as questões forem propostas. Contudo. dentre outros fatores. além de obter as informações pretendidas. Vale mencionar que uma preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião refere-se à validade das informações capturadas. Uma boa definição dos clientes é um dos pontos de partida para a realização de uma pesquisa realmente útil. novos produtos e serviços. tempo de contrato com a empresa. permitirá identificar e sanar problemas específicos de cada cliente. É imprescindível que as perguntas certas sejam realizadas da forma certa. objetiva. Elaboração do Questionário “A elaboração de questionários é uma combinação de ciência e arte”. localidade. é recomendável a realização dos census para que a empresa possa. adquirir direcionamento para melhorias. 2. sua inclusão pode acontecer em qualquer outro momento de uma ‘pesquisa da satisfação dos clientes’. podem ser incluídos na pesquisa. esta definição será necessária para se saber como contactá-los. A partir da definição dos objetivos específicos da pesquisa. etc. sem ambigüidades e tendências. de uma questão de propósito. personalizar seu atendimento.

caso o trabalho não seja terceirizado (contratação de empresa especializada no ramo). Outro fator importante é a precisão desejada para o resultado (estimativa). da velocidade de acesso a estas informações e da natureza das perguntas propostas. Quanto mais semelhante for o ponto de vista dos clientes (menor variação). do questionário que será utilizado e do método de pesquisa escolhido. o plano de amostragem empregado também direcionará os cálculos. é possível chegar a um intervalo que não contenha a informação real. método de pesquisa escolhido e tempo médio necessário para a realização de uma entrevista. deve-se considerar a possibilidade de se oferecer incentivos à participação dos clientes. menor precisará ser o tamanho da amostra. Cada entrevistador possui uma cota. disquetes ou Internet. projeto do produto Quando deseja-se realizar uma estratificação mas não se dispõe das informações necessárias para tal. Fax. é importante que o pré-teste seja realizado pelos próprios entrevistadores já treinados. é indispensável a realização de um pré-teste. 5. Definição do Método de Pesquisa Esta etapa refere-se à definição da forma de retorno das informações. se os recursos (dinheiro e pessoas) disponibilizados forem abundantes. Portanto. da coleta definitiva das informações. Caso a pesquisa seja realizada via correspondência. 4. ou seja. Entretanto. Como as chances disto ocorrer devam ser mínimas. deve-se estabelecer um nível de confiança para este intervalo de estimação. O número de entrevistadores necessário dependerá da extensão da pesquisa (número de entrevistas). a magnitude da variação entre os clientes será determinante. a melhor opção dependerá principalmente da conveniência para o cliente. Outro fator que influenciará nesta decisão é o tipo de questionário que será utilizado. número total de clientes com determinado perfil. E por fim. No caso da seleção interna. o tempo dispensado a este treinamento dependerá das habilidades do grupo selecionado. A seleção destas pessoas pode ser interna ou externa à empresa. o tempo disponível para a realização da pesquisa é um fator de grande importância. Questionários extensos e complexos resultarão em baixas taxas de retorno. O nível de confiança. Se o tempo é curto. via contato telefônico. alguns dos próprios funcionários da empresa conduzem o trabalho mediante a liberação de seus afazeres diários. Antes. Ambos precisarão ser submetidos à treinamento sobre os vários aspectos da pesquisa.depto engenharia de produção . que só poderão ser compensadas por um grande número de questionários enviados. © 2006 eduardo romeiro filho 56 ufmg . mesmo que várias revisões já tenham sido feitas antes. quanto maior a precisão desejada maior será o tamanho da amostra necessária. Em relação às considerações técnicas. Desta forma pretende-se identificar qualquer deficiência que porventura possa ocorrer desde a coleta até a análise. muito provavelmente o tamanho da amostra será reduzido. grandes amostras. como o próprio nome já diz. como a característica de interesse se distribui no universo pretendido. Todas possuirão vantagens e desvantagens. Além destas informações. haverá a necessidade de formação e treinamento de uma equipe de entrevistadores. Por isso. pessoal (entrevista face-a-face). Em relação à adequação do questionário. A segunda opção seria a seleção de entrevistadores ‘free-lances’ do mercado. o nível de confiança estabelecido na prática nunca é inferior a 90%. O pré- teste é uma “miniatura” da pesquisa a ser realizada e tem como objetivo revisar todo o projeto. da qualidade das informações capturadas. As fórmulas estatísticas empregadas no cálculo do tamanho da amostra levam em consideração a variação. da taxa de retorno das informações. consiste em uma limitação devido à urgência de obtenção de resultados. porém. corresponde à largura do intervalo de estimação (conjunto de valores possíveis para a característica populacional que está sendo estimada. conhecido também como intervalo de confiança). 3. Os transtornos advindos desta liberação são geralmente os responsáveis pelo abandono desta alternativa. a precisão e o nível de confiança. Intuitivamente é possível perceber que. Em relação às considerações de ordem prática. sua validação é realizada em situação real de uso. a amostragem por cotas é aconselhável. uma grande amostra poderá ser rapidamente observada. A empresa pode estabelecer um orçamento máximo para a realização da pesquisa que não permita a coleta de grandes amostras. a fim de aumentar a taxa de retorno dos questionários. outro fator de grande importância é a disponibilidade de recursos. A precisão é uma medida da qualidade da estimativa. é o quanto poderemos confiar em nossas conclusões. a menos que a empresa já possua uma equipe dedicada ao assunto.2 Dimensionamento da Amostra A determinação do tamanho da amostra é uma decisão que requer uma série de considerações de ordens técnica e prática. Levantamento dos Dados Dependendo do método de pesquisa escolhido. ou seja. e não encerra as entrevistas enquanto não a atinge. As alternativas serão basicamente: via correspondência simples (correios). que não é uma tarefa simples. disquetes ou Internet. Fax. Mesmo que a precisão seja alta.

tipo/marca de produtos. cartas de controle. quanto maior o nível. Exemplo: nível de satisfação dos clientes. Razão Esta escala acrescenta o referencial zero.: Como esta escala permite contagem (quantas categorias são iguais. além da validade. análise de correlação. mapa de percepção. gráfico de Pareto. conforme a escala de medidas permitir. medidas descritivas (porcentagem. ou seja. portanto. ou seja. é muito comum a sua representação em tabelas de freqüência (quantas vezes apareceu cada rótulo). testes 2. desvio padrão. como rótulos de identificação (exemplo: sexo masculino recebe rótulo 1 e sexo feminino. com o objetivo de determinar a percepção que eles possuíam da qualidade do serviço oferecido pela sua rede de clínicas conveniadas.). O importante nesta escala não são os valores propriamente ditos. projeto do produto Outra preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião. A operação de subtração já passa a fazer sentido. pois as medidas passam a ser baseadas em uma escala de intervalos iguais.: o atendimento da recepcionista da clínica foi cortês. os softwares de suporte a esta etapa devem ser cuidadosa-mente escolhidos visando o tipo de análise que será realizada. quando comparados entre si. a distância entre um número e outro agora tem significado. A confiabilidade diz respeito a possibilidade de obtenção dos mesmos resultados caso a pesquisa fosse igualmente repetida. regressão múltipla. o consultório estava limpo. considerou-se uma taxa de retorno de 25% (mesmo com os incentivos oferecidos). foram enviados 176 questionários para assegurar o retorno de. permitem operações de comparação do tipo > ou <.1. análise de componentes principais. empregando-se a fórmula apropriada de cálculo estatístico e considerando implicações de ordem prática. sem entrar no mérito de sua construção e cálculo. etc. 6. A fim de garantir que todos os dentistas receberiam uma avaliação confiável (com base em um número representativo de pacientes) de seu próprio desempenho. receberam o mesmo rótulo de classificação). a maior parte delas com 5 opções de resposta: ‘concordo fortemente’ até ‘descordo fortemente’ em relação a uma afirmativa proposta (ex. como será ilustrado do tópico 6. 6. histograma. pois ela não possui um referencial zero. temperatura. o dentista explicou satisfatoriamente o tratamento que eu precisaria receber. etc. pelo menos. rótulo 2). além de uma última opção ‘não se aplica’. testes de hipóteses. 44 deles (por dentista). além de = ou . análise de cluster). Ordinal Usa números para ordenar objetos de acordo com alguma característica (exemplo: nível de escolaridade. Vale mencionar que. gráfico de setores. Obs. etc. no entanto. média. e sim seus valores relativos. Intervalar Os números também são utilizados para ordenar objetos como na escala ordinal.) onde os números são utilizados apenas para diferenciá-las. Os resultados de ambas é então comparado para uma avaliação da consistência das informações. A escala de medidas utilizada nas perguntas foi do tipo intervalar. análise de variância. um questionário de 26 perguntas fechadas foi desenvolvido para entrevistar os pacientes mais recentes de qualquer tipo de tratamento dentário. A única operação permitida nesta categoria é a comparação = ou . será apresentado a seguir uma adaptação simplificada da análise dos dados de dois exemplos extraídos de Hayes (1998). poderão ser várias: Intervalos de confiança. por isso todas as operações aritméticas são lícitas (exemplo: comprimento. As técnicas estatísticas geralmente empregadas. é a confiabilidade. Análise das Informações A análise das informações coletadas por meio do questionário dependerá da escala de medida que houver sido utilizada e dos objetivos da pesquisa. Com base em pesquisas semelhantes que ela própria já havia realizado e nas recomendações da literatura técnica mais atualizada. etc. análise multivariada (análise fatorial. valores monetários). Os números representam grandezas e. maior o número a ele atribuído). Com o objetivo de ilustrar o emprego de algumas destas técnicas.). © 2006 eduardo romeiro filho 57 ufmg . Como a coleta dos dados seria realizada por correspondência. foi calculado o tamanho da amostra necessário por dentista: 44 pacientes.depto engenharia de produção . no caso de críticas e sugestões. Por exemplo.1 Exemplo 1: Satisfação de Pacientes de Tratamento Odontológico Uma seguradora de tratamentos odontológicos desenvolveu uma pesquisa de satisfação junto aos seus clientes. As principais escalas de medida utilizadas são: Nominal É uma escala de categorias (objetos: nomes dos clientes. É possível avaliar a confiabilidade por meio de algumas reentrevistas.

para a questão: Os instrumentos utilizados no consultório eram esterilizados. a seguradora decidiu investir primeiramente neste aspecto para melhorar seus serviços.73 Competência técnica 3. 8. facilitando bastante a visualização das informações. 5. a técnica de análise de regressão. foi possível conhecer a contribuição de cada componente principal sobre as questões de satisfação global. por exemplo. entre parênteses.50 0. Os 4 fatores resultantes. Por exemplo. o número inicial de questões a poucos fatores (componentes principais). Esta técnica permite formar subconjuntos de questões relativas aos mesmos aspectos da qualidade. o agrupamento de atributos do produto em dimensões da qualidade. projeto do produto Durante o período de um trimestre foram recebidos 14.78 Obs. O histograma é um gráfico de barras. tanto a satisfação total com a seguradora quanto a satisfação total com a clínica estavam altamente relacionadas à disposição de indicá-las a amigos. 18. 4. Higienização do ambiente (7. até ‘descordo fortemente’ nota 1. por exemplo. A partir de então. porém de forma mais compacta e informativa. O fator ‘higienização do ambiente’ apresentou-se como o menos importante sobre todas as questões de satisfação global. onde cada barra corresponde a uma opção de resposta (ou intervalo de valores) e possui área proporcional à frequência da opção (intervalo) que representa.62 Qualidade do seguro 3. e combinadas para predizer as quantidades de interesse. quando todos os pacientes (14. 11. foram correlacionados com as últimas 4 questões de caráter global (grau de satisfação total dos pacientes com a seguradora e a clínica e disposição de indicar a seguradora e a clínica a amigos). Como o ‘atendimento’ destacou-se como o fator mais influente para a satisfação global do cliente. Atendimento (1. foram calculados a média e o desvio padrão. os componentes principais como variáveis explicativas e as questões de satisfação global como variáveis resposta).94 0. de maneira que a maior nota fosse associada a um maior grau de satisfação. ela é utilizada para o agrupamento de objetos. ‘concordo’ nota 4.depto engenharia de produção . 20) Os nomes atribuídos aos fatores dizem respeito ao conteúdo das questões por eles representadas e são definidos de acordo com a criatividade dos pesquisadores. inclusive quando esta contribuição era de fato relevante. foram: 1.Como uma série de outras correlações poderia ser importante. A análise de regressão fornece um modelo (equação) que represente o relacionamento entre as variáveis em estudo (no caso. Por meio do emprego da análise de correlação.062) optassem por ‘concordo fortemente’. foi empregada. para cada questão. o percentual de escolha de cada opção de resposta. o fator ‘atendimento’ altamente relacionado à satisfação total com a clínica e à disposição de indicá-la a amigos (inclusive.062 questionários preenchidos. A intenção era saber quais os principais responsáveis pela satisfação global dos clientes. a média e o desvio padrão. O ‘atendimento’ e a ‘competência técnica’ foram ambas significativamente importantes para predizer a satisfação com a clínica e sua indicação. e os dados foram ‘escaniados’ para uma planilha eletrônica.: A técnica de análise de cluster também permite o agrupamento de variáveis em um número reduzido de estratos. Além disto.: Neste exemplo histogramas do ‘período de espera pelo dia da consulta’ e do ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’ poderiam ter sido construídos para visualização do comportamento deste dados (que inclusive não foram incluídos na análise de regressão). a opção ‘concordo fortemente’ recebeu nota 5. estes 4 fatores juntamente com outras duas questões referentes ao ‘período de espera pelo dia da consulta’(em semanas) e ao ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’(em minutos). o agrupamento de clientes em segmentos de mercado. 12. 13.81 Higienização do ambiente 4. 9. Por meio desta ferramenta. assim por diante. 16) 3. 3. 15) 2. Em seguida. a interpretação dos dados seria simplificada e mais objetiva.03 0. mais “poderosa” e conclusiva para este tipo de análise. Para cada fator. tanto a ‘qualidade do seguro’ quanto o ‘atendimento’ foram significativamente importantes para a satisfação com o plano.34 0. No melhor das hipótese para este exemplo. Com isso. como era de se esperar). 19. muito utilizado para medidas numéricas de escala contínua. foram calculados. Com o objetivo de agrupar as primeiras 20 questões em alguns poucos fatores que refletissem igualmente a qualidade do serviço. © 2006 eduardo romeiro filho 58 ufmg . juntamente com o número das questões que representam. Os cálculos da média e do desvio foram possíveis graças à atribuição de notas para as opções de resposta. conforme é apresentado a seguir: Fator Média Desvio Padrão Atendimento 4. 10) 4. Competência técnica (2. Obs. foi aplicada a técnica de análise de componentes principais. Da mesma forma. reduzindo assim. a média não ultrapassaria o valor 5. 6. 14. foi possível concluir que o fator ‘qualidade do seguro’ estava altamente relacionado à satisfação total com a seguradora e à disposição de indicá-la a amigos. Qualidade do seguro (17.

Já as cartas de controle são utilizadas para monitorar alguma variável (exemplo: nível de satisfação global) ou atributo (exemplo: percentual de respostas negativas dentre todas as respostas possíveis) de interesse ao longo do tempo. para as primeiras 11 questões. por exemplo. desvio padrão.5% solteiros). onde cada fatia é uma categoria com tamanho proporcional a sua freqüência. Utilizando esta nova medida. que de fato é o que deseja-se conhecer. Os resultados da análise de variância revelaram que leitores cujo cônjuge também lia o jornal manifestaram maior nível de satisfação que aqueles cujo cônjuge não lia. É muito utilizado quando a única operação permitida é a contagem e o número de opções de resposta é menor ou igual a quatro. Por exemplo. no intuito de determinar se existia ou não algum relacionamento entre elas. decidiu-se reuni-las em uma só medida nomeada ‘satisfação global dos leitores’. decidiu realizar uma pesquisa de satisfação dos clientes a fim de conhecer o perfil de seus leitores: estilo de vida. O nível de satisfação global não alterava em função da freqüência com que o jornal era lido (mensalmente. etc. Foi calculado.5% casados. 2) ‘As manchetes do jornal são interessantes’ e 3) ‘Eu gosto de ler o The Parent’. determinar se existe diferença entre as diversas categorias de idade ou escolaridade em relação à satisfação global com o jornal. Com base nesta pesquisa os editores puderam direcionar melhor as reportagens publicadas e a estratégia de marketing empregada. Apesar de não ter sido ilustrado nos exemplos apresentados. Os intervalos de confiança são um conjunto de valores.20 Questão 2) 4. foram feitas uma série de comparações com as demais questões do questionário. projeto do produto 6. Com base no teste será possível identificar qual das duas hipóteses é verdadeira. estou satisfeito (a) com a qualidade do jornal’. procedeu-se a análise seguinte. hipótese 1: a média da satisfação global de todos os leitores com o jornal é igual a 4 pontos e hipótese 2: a média é diferente de 4. De posse destas estatísticas (média e desvio padrão da amostra para cada uma das 3 questões) foi possível calcular intervalos de confiança para a média de toda a população alvo da pesquisa.03 a 4. Para isto foi utilizada a técnica de análise de variância. o gráfico de setores poderia ter sido construído para ilustrar. Para isso um questionário de 14 perguntas foi confeccionado. Após o recebimento de 201 questionários preenchidos. levantada sobre alguma medida de interesse da população.: Neste exemplo. Por exemplo. Por isso.23 Questão 3) 4. a hipótese 1 seria confirmada caso o teste fosse realizado. As reclamações mais freqüentes ou mais graves (por motivo de segurança ou custo) serão facilmente evidenciadas por meio da análise deste gráfico. publicado mensalmente. e anexado a todos os exemplares de uma das edições do jornal.2 Exemplo 2: Satisfação dos Leitores do Jornal “The Parent” O pequeno jornal “The Parent”.21 a 4. Eles examinam se existem evidências na amostra que corroborem para a comprovação de alguma hipótese. Como mostrou o intervalo de confiança para a questão 1). Leitores mais satisfeitos com o jornal gastavam mais tempo lendo-o que os menos satisfeitos. que muito provavelmente (95% de chance) incluem a verdadeira média (ou outra medida de interesse) da população. da mesma forma que não © 2006 eduardo romeiro filho 59 ufmg . Com o auxílio desta técnica a empresa não é confundida por variações aleatórias que atuam em qualquer indicador de desempenho. Especificamente os problemas levantados pelos clientes. com base em pesquisas anteriores. em relação ao estado civil: 85. o percentual de homens e mulheres entrevistados na amostra. no serviço de atendimento às reclamações. mês sim/mês não.00 a 4. na escala intervalar de 5 opções: ‘concordo fortemente’ nota 5 até ‘descordo fortemente’ nota 1. permitindo a percepção de oscilações significantes no desempenho do indicador acompanhado. Questão 1) 4. por incrível que pareça. e o seu nível de satisfação geral com o jornal. cuja média.0% divorciados/separados/viúvos e 5. A análise de variância é utilizada para comparar vários grupos de interesse e verificar se existem diferenças significativas entre eles. mínimo e máximo foram calculados (com base em todos os resultados apresentados pelas três questões 1) 2) e 3)).. através dos correios.78 (quanto mais próximo de -1 ou +1 mais correlacionadas) indicando uma sobreposição de informação (devido a alta correlação).41 A partir destes resultados. inclusive atrair anunciantes pela divulgação dos resultados da pesquisa. já que todos intervalos (com alta precisão) sugerem uma pontuação média superior a quatro pontos.: Os testes de hipóteses são muito parecidos em essência com os intervalos de confiança. o gráfico de Pareto é muito utilizado para priorizar problemas. Obs. menos que mês sim/mês não).depto engenharia de produção . foi possível concluir que o nível de satisfação dos clientes é alto.74 a 0. Este gráfico é muito semelhante a uma pizza. Obs. 9. Também foram calculados a média e o desvio padrão para as 3 últimas questões referentes à satisfação global dos clientes. Estas questões eram: 1) ‘De maneira geral. hábitos. por exemplo. o percentual de escolha de cada opção de resposta (exemplo. A correlação entre as três questões de satisfação geral variou de 0.

contrariados. este conhecimento deve permear toda a empresa. Quando a satisfação dos empregados cresce.mento. Para finalizar. em medidas de melhoria. após prévia consulta ao mercado. a satisfação dos empregados também está baixa. Quando a perda de empregados é grande. cada ferramenta oferece uma contribuição diferente. aborrecidos e querem deixar a empresa. com base em algumas de suas características mais importantes (geralmente fatores extraídos de prévia análise de componentes principais). se não direcionar metas e planos. E este relacionamento vai além de atitudes e percepções. a satisfação dos clientes também cresce. tem feito toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa. A divulgação junto aos próprios clientes também será importante para estreitar o relacionamento com a empresa. reuniões. a qualidade do produto é fatalmente comprometida em função do grau de insatisfação dos empregados. localizar estrategicamente novos produtos em relação aos concorrentes. o fluxo da sobrevivência poderia ser complementado da seguinte forma: © 2006 eduardo romeiro filho 60 ufmg . devido a própria estrutura de questões fechadas em que se baseiam. Este conceito. Porém. quando a perda de empregados é pequena. aplicação e principalmente integração das ferramentas é que compõem um bom sistema de avaliação da satisfação dos clientes. por exemplo. A perfeita compreensão. por meio da realização do teste. a perda de clientes também é grande. Por este motivo. pelo contrário. Ele será o ponto de partida para a análise das medidas que poderão ser adotadas para melhorar o desempenho da empresa. é um sintoma importante de percepção do conceito “foco no cliente”. muitas decisões tomadas com base no emprego destas ferramentas. ou seja. Ele tem o objetivo de representar a percepção dos clientes em relação aos produtos. Outra técnica muito utilizada. Por exemplo. emergente nos anos 40. afinal de contas ele é contínuo. Não que o programa tenha fim. Para finalizar. se não fizer parte integrante do gerenciamento da organização. quando do cruzamento de tabelas de freqüência (conhecidas como tabelas 2x2). projeto do produto atribuirá a aleatoriedade flutuações que representem mudanças de comportamento do mercado. a de clientes também é pequena. promover novas críticas e sugestões e permitir um tratamento diferenciado para cada cliente. a preocupação da empresa com a satisfação dos clientes tem que se estender às medidas administrativas de envolvimento dos seus trabalhadores.). vantagens e limitações. Além dos cuidados que exige para funcionar bem. A divulgação dos resultados da análise dos dados gerados pela aplicação das ferramentas de coleta. De nada vai valer o conhecimento adquirido se não for utilizado como base na tomada de decisões. é o mapa de percepção. principalmente durante o planejamento de novos produtos. Por isto os especialistas aconselham: o sistema de avaliação da satisfação dos clientes deve ser tratado com a mesma seriedade e rigor que o sistema de controle financeiro da empresa.. a perda poderia ser menor se houvesse maior rigor no emprego das ferramentas. Quando este sistema é programado para funcionar devida e continuamente a empresa terá maiores chances de ser competitiva. Isto se deve à transferência do estado de satisfação dos empregados para a qualidade dos produtos que será percebida pelo cliente. 7. bem como seus resultados. Somente as pesquisas de satisfação são muito superficiais. podem levar a desperdícios de tempo e recursos (como é o caso de novos produtos que são rejeitados). começam onde o programa termina. ou seja. os grupos foco vão mais a fundo nas questões fundamentais. V. Apesar dos riscos que envolvem grandes investimentos para conquistar clientes. Considerações Finais O interesse de uma empresa em medir a satisfação dos clientes. etc. suas atitudes e comportamento afetam os clientes causando neles as mesmos efeitos” (Naumann. Os esforços em direção à satisfação das expectativas dos clientes e superação destes expectativas. mas seus resultados têm de ser revertidos em ação. Quando os empregados percebem a qualidade do produto/serviço. a satisfação dos clientes não deve ser desassociada da satisfação dos empregados.. Apresentação dos Resultados O relatório final de uma pesquisa é seu produto principal. porém pecam pela falta de representatividade da população de interesse. Quando a satisfação dos clientes está baixa. A direção da relação causal é do empregado para o cliente. a menos quando se trata de projetos confidenciais. os testes 2 são muito úteis para indicar relação de dependência entre categorias. Quando os empregados estão insatisfeitos. não redundam em ganhos. podendo inclusive.depto engenharia de produção . demonstrado pela utilização das ferramentas apropriadas para coleta e análise de informações provenientes do mercado. um cruzamento entre o perfil do cliente (residencial ou comercial) e a presença de alguma característica do produto (presente ou ausente) pode esclarecer dúvidas de preferência. Com este recurso a empresa pode. painéis. “As atitudes dos empregados está diretamente relacionada às atitudes dos clientes. os clientes também percebem.(. chega ao nível do comporta. congressos. deve acontecer em todos os níveis da organização por meio de boletins. Apesar de ser um grupo específico que vai trabalhar diretamente o conhecimento adquirido (times de melhoria). 1995). todos os esclarecimentos sobre o planejamento e a condução da pesquisa devem ser registrados com muita clareza.

Naumann. Milwaukee: ASQC Quality Press. Oliveira. Inc. W. Belmont: Wadsworth. Going for de Gold. E. Vagra. Improving your Measurement of Customer Satisfaction. T. J. 2nd ed. 2nd ed. 1993. 1997. & Giel. Cincinnati: Thomson Executive Press. Survey Design. Kessler. K. Trabalho destinado à avaliação final da disciplina “Gestão da Qualidade Industrial”. 1995. V. Desing and Marketing of New Produts. The New Economics for Industry. 2nd ed. G. Government. B. projeto do produto Satisfação dos Empregados Qualidade Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro VI. 1996. & Hauser. Customer Satisfaction Measurement and Management. © 2006 eduardo romeiro filho 61 ufmg . 1996.depto engenharia de produção . A Estatística como Fator de Promoção da Competitividade das Empresas. Educantion. B. Measuring and Managing Customer Satisfaction. Hayes. Milwaukee: ASQC Quality Press. Deming. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology Center for Advanced Educational Service. Survey Research Methods. 2en ed. R. Use.E. S. G. E. Measuring Customer Satisfaction. 1990. 1996. Milwaukee: ASQC Quality Press. and Statistical Analysis Methods. Bibliografia Babbie. L. 1998. E. R. Urban. New Jersey: Prentice-Hall.

cada olhar.virtualave. tão mim-mesmo. E cada gesto.depto engenharia de produção .html http://www. reincidências. mas artigo industrial. EU. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer. hábito. http://www. Meu isso.angelfire. Escravo da matéria anunciada. Peço que meu nome retifiquem. Hoje sou costurado. meu relóglo. De ser não eu. estranho.com. até hoje não fumei. projeto do produto E fazem de mim homem-anúncio itinerante. São mensagens. invencível condição. Todos os logotipos do mercado.com. premência. http://demolay. nesta vida.com/md/olobo/antologia1. Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher. sou tecido. Que se oferece como signo de outros Meu tênis é proclama colorido Objetos estáticos.. Minhas meias falam de produto Da vitrina me tiram.br/html/carlos_drummond_de_a Costume. Carlos Drummond de Andrade Que moda ou suborno algum a compromete. sentinte e solidário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana.Contraponto: De ser veste e sandália de uma essência Tão viva. Em minha calça está grudado um nome Tão minhas que no rosto se espelhavam.html Gritos visuais. Meu lenço. É duro andar na moda. Sites sobre o poeta: Letras falantes. Que nunca experimentei Objeto pulsante mas objeto Mas são comunicados a meus pés. não de casa.palavra. Saio da estamparia. ndrade.. Trocá-la por mil. Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro. http://www. ainda que a moda Seja negar minha identidade. Que não fumo.net/ Ordens de uso. Ser pensante. Meu nome novo é Coisa. a marca de cigarro Sou gravado de forma universal. minha xícara. coisamente. recolocam. Cada vinco da roupa Meu blusão traz lembrete de bebida Resumia uma estética? Que jamais pus na boca. Minha toalha de banho e sabonete. abuso. De alguma coisa não provada Por me ostentar assim.carlosdrummond. Não sou—vê lá—anuncio contratado. ETI QUETA. independente. Estou. Minha gravata e cinto e escova e pente. © 2006 eduardo romeiro filho 62 ufmg . açambarcando Todas as marcas registradas. Desde a cabeça ao bico dos sapatos. Eu é que mimosamente pago Para anunciar. Minhas idiossincrasias tão pessoais. para vender Em bares festas praias pérgulas piscinas. meu chaveiro. Que não é meu de batismo ou de cartório. Eu sou a Coisa. meu aquilo.br/ Indispensabilidade. tarifados. Um nome. tão orgulhoso Por este provador de longa idade. principalmente). tiro glória De minha anulação. estou na moda. E nisto me comprazo. E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste Marketing . Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros. Já nao me convém o título de homem Meu copo. Em minha camiseta.

depto engenharia de produção . Direitos Autorais É importante que o depositante verifique a Cultivares presença dos requisitos acima. conferindo importante deste relatório é a suficiência descritiva. desenho industrial e concorrência é o potencial industrial. a pesquisa realizada. Caso a invenção tenha tempo de prática e aprimoramento do invento. Territorialidade: a patente conferida pelo forma. a fim de diminuir os A Propriedade Industrial tem importante riscos de indeferimento do pedido. O requisito mais introduzidas em objetos conhecidos. o requerente terá 12 meses após a deve ser capaz de entender o objeto do pedido de primeira publicação para depositar o pedido de proteção. reivindicações. Depreende-se daí que o objeto da com a mesma precisão pois ele não terá o mesmo proteção deve ser inédito.e a Declaração de homem. Tem relação com modificações e detalhada do que é a invenção. Ela confere valor São princípios informadores do sistema de comercial a ativos intangíveis. projeto do produto Propriedade I ntelectual A Propriedade Intelectual abrange qualquer descaracterizar totalmente a novidade. pesquisa e Estado tem validade somente dentro dos limites desenvolvimento em valor agregado para as territoriais do país que a concede. possa ser protegido. Caso é um gênero. O conhecimento tem que desleal. é necessário também o tecnológico e econômico do País. não haverá produto do intelecto humano que. Termo de Participação -. O título é conferido ao inventor ou a proteção da tecnologia em âmbito internacional até quem este ceder seus direitos. O terceiro requisito geográficas.onde os inventores A patente de invenção é uma concepção definem o percentual de divisão de recursos resultante do exercício da capacidade de criação do provenientes da tecnologia -. Unionista: o titular do depósito de pedido temporária sobre uma invenção ou modelo de de patente tem garantida a prioridade para realizar a utilidade. o titular tem que detalhar com alta Quando do depósito. função no mercado atualmente. uma melhor utilização para o fim a que se destina. Ou seja. O primeiro deles é a suficientes para repetir o ato inventivo. como a UFMG. não será (invenção e modelo de utilidade). através de um título de propriedade 3. é resultante da capacidade de observação do O relatório descritivo é uma expressão escrita homem. Já a patente de modelo de utilidade Universidade. um técnico no assunto consiga demonstrar que a São elas: dita tecnologia decorreu de uma conclusão óbvia ou Propriedade Industrial: Marcas. ser passível de industrialização e lançamento no Software mercado. O direito de descritivo. deve a alguns requisitos. Como 12 (doze) meses após proteção no país de origem. resumo e desenhos. contraprestação. empresas e produtos. Período de Graça não será considerado estado da técnica a matéria divulgada pelo inventor Patente ou por terceiro que dele tenha obtido informações sobre a tecnologia que se deseja patentear até 12 A patente é proteção do conhecimento feita meses da data de divulgação. Em exclusividade concedido pelo Estado tem a algumas Universidades Públicas. finalidade de promover o desenvolvimento além destes documentos. na qual os inventores declaram ter ciência específico que pode ser fabricado ou utilizado de que a tecnologia é de propriedade da industrialmente. Talvez não novidade. Este conceito tecnologia ser fruto de atividade inventiva. solução para um problema técnico Inventor. composto por quatro modalidades. a sua leitura deve proporcionar ao Existem três requisitos básicos para depositar examinador especialista no assunto dados um pedido de patente. Dessa 1. patente. Em seguida. como o patentes: conhecimento aplicado. a petição deve ser suficiência e precisão seu invento ou modelo de instruída com os seguintes documentos: relatório utilidade a ser protegido pela patente. 2. atendendo a deferimento pelo INPI. Ainda assim. indicações possível proteger como patente. ela transforma conhecimento. pelo Estado. se a publicação © 2006 eduardo romeiro filho 63 ufmg . patentes de uma descoberta de algo já existente. mas sido publicada.

grandes componentes para marca. no Brasil. acesso em agosto de 2006. invenção é de 20 (vinte) anos a partir da data do A marca é um sinal visualmente perceptível e depósito. Findo este sinal distintivo. Os direitos do autor são válidos por 50 que consiste a invenção e quais são suas vantagens (cinqüenta anos contados a partir do dia 1 de em relação aos processos ou produtos existentes janeiro do ano subseqüente ao da "Data de (caso haja). Entretanto. Essência da Marca: sãos atributos coleção de informação tecnológica classificada percebidos pelos usuários ou consumidores.ufmg. Atualmente. com a proteção do código fonte. O procedimento é simples. é um reflexo da reputação de alguns produtos. bem existente. existem três (quinze) anos contados da data de depósito. Nelas o requerente demonstra quais os Quando o software é protegido. Quanto maior produto. ainda que de concorrentes. Tanto que alguns Nos termos da Lei 9609/98.Sala 7005 | BH .MG CEP: 31270-901 | Telefone: (31) 3499-4033 / 3499-4774 © 2006 eduardo romeiro filho 64 ufmg . marca é todo durante o prazo de dezoito meses. Já no caso de patente de modelo de deve ter distintividade.depto engenharia de produção . são chamados softwares passou a ser feita na forma de direito pelo nome da marca mais expressiva no meio. mais importante será ele original na sua configuração externa e que possa e sua marca. o pedido ficará em sigilo Nos termos da lei brasileira. que período. o requerente deve mostrar em Industrial. servir de tipo de fabricação industrial. proporcionando resultado visual novo e a necessidade do produto. certifica a conformidade dos mesmos com O prazo de vigência de uma patente de determinadas normas ou especificações técnicas. Para tanto. ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental 3. estímulo e. no Brasil. que é aquela na qual o programa torna-se estado da técnica e o estado da arte. Identidade da Marca: os sinais. traduzindo um determinado produto O desenho industrial é a forma plástica ou serviço prestado. que realmente causa. devem ser mencionados o Criação".Reitoria .Instituto Nacional da Propriedade Texto extraído do site da CT&IT/UFMG: http://www. duração do direito é de 10 anos renováveis A proteção dos programas é feita. e o prazo de do programa.br/prpq/ctit_arquivos/propriedade_intelectual.CT&IT | Av. diferenciar produto utilidade ou desenho industrial. o prazo será de 15 ou serviço prestado. autoral. Antônio Carlos. Importância da Marca: é o grau de de linhas e cores que possa ser aplicado a um necessidade do produto no mercado. haverá publicação do pedido e o identifica e distingue produtos e serviços de outros depositante terá vinte e quatro meses para requerer análogos. O registro de uma marca é feito. invenção. bem como o exame técnico. em alguns prévia para saber se há algum registro anterior. 2. projeto do produto No relatório. chega a valer mais do que os bens que a empresa possui. 6627 . Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica . relação bem estreita com o mundo empresarial. são em torno de quarenta a impressão que a marca quer causar e com aquela milhões de pedidos. Para tanto. este detalhes e características da invenção que se deseja procedimento já realiza também a proteção do título proteger. com imenso valor comercial e como a história que a marca traz. O resumo é uma prévia para que o examinador forme uma idéia do campo de assunto Marca do objeto do pedido. normalmente. símbolos e Desenho Industrial caracteres que a tornam reconhecível pelos consumidores. sucessivamente. isso não exclui a proteção pela patente de aplicação pelo INPI. A é aconselhável que o interessado realize uma busca marca gera concorrência. A cultura do registro de marcas tem uma Para registrar um desenho industrial no INPI. casos. do programa. de procedência diversa. pelo INPI . quais sejam: Os documentos de patentes são a maior 1. visualmente perceptível. a proteção de deles. Softwares A marca. Tem relação com tecnológico. ou seja.htm. capaz de executar todas as funções para as quais foi As reivindicações são a caracterização da criado. Após depósito.

inventores brasileiros. pode anos. maiores resistências às minhas invenções . impostos para o Brasil. Nada disso resulta em renda para ele ou do Bina apenas nos telefones celulares brasileiros. anônimo e sem fortuna Ascânio Seleme BRASÍLIA. segundo Nicolai.depto engenharia de produção . ouvido durante a conversa telefônica e Intelectual Property Organization).Idéias precisam de dinheiro para serem rapidamente o guindaram à condição de gênio. Foi grandes telefônicas do planeta dispõem desse esnobado no Brasil e jamais foi recebido pelos serviço. Não só pela genialidade. princípio que inventou produtos que poderiam render milhões de permitiu a difusão mundial dos números 0900. Qual o valor de uma patente? Veja este texto do Jornal "O Globo" de 1º de agosto de 1999. como um homem que interferência da prestadora do serviço. Comércio e Justiça. 58 anos. por exemplo. que comprou suas invenções. Seria o fim dos hackers. 35% usam o Bina.lamenta. Um gênio brasileiro. Nenhuma paga royalties ao brasileiro. A idéia é tão simples quanto revolucionária. entidade que anuncia que alguém está ligando. Algo como 65 Número de A). que lá é chamado de Batizou-o de Bina (sigla para B Identifica o caller id. ministros de Ciência e Tecnologia. lançadas ao longo de 15 O princípio do Bina. que pode ser acabou por se transformar num dos maiores pendurada na parede da cozinha como um armário. Salto (Sinal de Advertência para Linha Telefônica Em 96 ele ganhou o prêmio da Wipo (World Ocupada).diz. mas pela desenvolveu um software que permite ao fortuna que poderiam ter lhe rendido. dólares de receitas e criar empregos . Parecia coisa de maluco. poderia embolsar algo em torno de R$ 5 milhões . Foi Nicolai Santa Catarina. Indústria e São criações dele também os Micro-PABX. Ele inventou. Nicolai é um homem invasões que vier a sofrer. desconhecido de classe média. uma de futebol tornou-se técnico de telecomunicações e geladeira transversal. deveriam ter transformado Nicolai num Bill revolucionar também a informática. Ele Gates nacional. instalados. Apenas recentemente aliou-se à divisores de linhas e sistemas de acionamento de uma indústria de equipamentos de telefonia de serviços de emergência (190. Mas nada computador identificar a origem de cada uma das disso aconteceu. Um homem que até os 25 anos apenas financeira o impede até mesmo de desenvolver jogava bola e acreditava que poderia ser um craque outras idéias.diz Também é invenção de Nicolai a tecnologia do Nicolai. 1982. ou identidade do chamador. Cálculos de Nicolai indicam que o mundo nunca conseguiu receber dinheiro pelo uso da movimenta por mês US$ 1 bilhão com suas tecnologia. As telefônicas cobram outras invenções que patenteou no Instituto pelo serviço prestado mas não pagam nada ao Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Se recebesse direitos autorais pelo uso criações. recebesse um dólar por mês por aparelho instalado. Nicolai deveria ter ficado milionário com essa e faturaria US$ 65 milhões. Mas ele inventor. mas com o milhões de terminais têm o identificador de tempo a invenção se tornou um revolucionário chamadas inventado pelo brasileiro. Todas essas novidades.E o pior é que é no Brasil onde encontro as mensais.Não consigo entender. de várias portas. Nélio José Nicolai. criou uma série de tecnologias telefônicas que . Sua situação © 2006 eduardo romeiro filho 65 ufmg . 191 etc). projeto do produto Propriedade Industrial: Patentes. Em transformadas em realidade . dos 135 milhões de terminais o número do telefone que estava chamando outro. Todas as internacional de propriedade intelectual. quem inventou a tecnologia que permite . Se ele instrumento da telefonia e se difundiu pelo mundo. Nicolai inventou um aparelho para identificar Nos Estados Unidos. Acho que o Brasil deveria contabilizar diretamente as chamadas sem a me tratar como herói.

397. depois que o órgão obteve o direito de Em 1990. liderados pelo Prêmio ''mundo exterior'' em 1983. Carleton Gajdusek. 15/6/1997 chamado HTLV-1. foram inventadas pelo brasileiro Nélio José Nicolai seria mover um processo contra as Nicolai. O mesmo grupo que patenteou a célula do Em 1985. que fizeram sua população se reduzir EUA. Devido a problemas de Nobel de Medicina de 1976. por exemplo. as saúde. States Patent and Trademark Office (PTO) em 14 Os hagahais. grupo. http://www. No ano infectadas com HTLV-1. grupo não norte-americano . A história da patente dessas células . A equipe foi acompanhada leucemias.S. suas invenções não estão registradas ali. ligado ao Instituto de Pesquisas Médicas Gajdusek foi preso pelo FBI em 1996.oglobo. apesar da contaminação. o Bina. além de ser marcas e patentes. se surpreendeu com a vendido em todo o país. os para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Jenkins pediu financiamento à hagahai também solicitou a patente de células de National Geographic Society para estudar esse grupos das Ilhas Salomão. disse a funcionária. em média. Jenkins.a proposta de patente sobre uma linhagem celular de primeira concedida para material humano de um um dos doadores hagahais. nos as missões. O próprio Governo costas dele . membros. bem como de outros Salomão. tiveram seu primeiro contato com o Segundo os pesquisadores. O sangue foi estudado e descobriu-se que estava infectado com um vírus parente do HIV.I nventor pode mover ação nos EUA José Meirelles Passos Correspondente WASHINGTON. Afinal. Fonte: Folha de São Paulo. O pesquisador teria levado pelo menos 54 males contraídos depois de ter passado a freqüentar menores da Micronésia e Papua para sua casa. brasileiro poderia ser um veículo das queixas do depois de dizer que "para azar do senhor Nicolai.comentou uma porta-voz da agência. Um Caso Exemplar I ndígena da Guiné Teve Célula "Patenteada" Em março de 1995.696.com. Mas uma notificação dos grupo peculiar pelos baixíssimos índices de NIH afirmou que não seriam divulgados os natalidade. perdeu dos hagahais e o vírus que as infectava. associado a algumas formas de Acessado em 29/06/2002: leucemia.terra. de Papua (IMR). hoje reduzidos a cerca de 260 de março de 1995. sob o número US 5.br/cartacapital/122/destaque. O U. de Papua-Nova Guiné (Oceania).com. entre elas o Bina e o US$ 4 mensais. EUA. talvez por ingenuidade dele". dos hagahais se mantinham saudáveis. cientistas dos NIH http://www. mas também a fonte de uma cura para pelo antropólogo e médico norte-americano Carol essa doença. um homem de 20 anos. poderiam ser úteis no seguinte. tentando os direitos sobre o seu próprio material genético descobrir por que. bruscamente. Patent and Trademark Se estivessem.Alguém deve estar ganhando muito dinheiro nas sem pagar-lhe um tostão.br/ © Todos os direitos reservados a O Globo e Agência O Globo. o governo papua resolveu fazer um censo desenvolvimento de testes de diagnóstico de da população hagahai. Quatro anos depois. um indígena do grupo também começaram a estudar as células sanguíneas hagahai. Eles descobriram que os hagahais acusado de abuso sexual contra crianças das Ilhas sofriam de doenças endêmicas.começou há cerca de O pedido só foi publicado oficialmente pelo United 14 anos. escritório federal americano que registra bilionário. o IMR coletou propósitos da patente por se tratar de ''segredo amostras de sangue de 24 homens e mulheres do comercial''. a saída de Salto. telecomunicações no país. ele seria Office. e inventor.htm . é oferecido pelas informação de que várias engenhocas usadas nas companhias telefônicas aos usuários por. Segundo a repartição. Em meados de 1989. missionários batistas próximos à sua aldeia. começaram a visitar acampamentos de células T do sistema de defesa desse homem. o órgão fez um pedido de explorá-lo. empresas estrangeiras que absorveram seu invento .

atividade inventiva Antes de depositar o seu pedido de patente. denominado "CARTA contato com um dos técnicos do INPI (sede). Definições dispositivos legais. ou seja. PATENTE". entre em Esse documento oficial.279 e Ato Normativo 127. Um examinador especialmente treinado aperfeiçoamento introduzido na matéria irá selecionar os campos correspondentes ao seu requerida por você em um pedido ou invento. atividade inventou ("o escopo da invenção"). uma reserva de Diretoria de Patentes: (021) 271-5592/5806 / FAX: mercado. INVENÇÃO (PI) . ou parte deste. fabricação. 7 . envolvendo ato inventivo. não pode ser considerado novo e a patente não será sendo os direitos e as obrigações do inventor concedida. ao titular.É patenteável a invenção existe ("o estado de técnica") e o quanto você que atenda aos requisitos de novidade.1. que resulte o resultado para você. que Descritivo do seu pedido de patente! representem um avanço em relação ao estado da técnica. as cópias são pagas a parte. que apresente nova forma ou poderá solicitar ao próprio INPI que a faça e remeta disposição. é um monopólio.2. 5º andar do Edifício Sede do INPI (Praça Mauá. Existe também o Certificado de Adição de Rio de Janeiro). destinando-se ao auxílio dos usuários no preparo de um pedido de patente. MODELO DE UTILIDADE (MU) .gov. projeto do produto I nformações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente Fonte: INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial: www.1. O custo Para que a "CARTA PATENTE" seja concedida. ele NOVIDADE e APLICAÇÃO INDUSTRIAL. assunto possa reproduzi-lo. aplicação industrial. definitiva ou temporariamente. com relação à redação de seu pedido. Recomenda-se. sejam produtos ou processos.2. podendo ser: Busca Prévia Privilégio de Invenção (PI) . Para tanto dirija-se ao funcional no objeto.br Legislação em vigor. uma atenta leitura dos 1.depto engenharia de produção . é altamente recomendável que você faça primeiro Modelo de Utilidade (MU) . NATUREZA DAS PATENTES documentos vão ser úteis para determinar o que já 1. de forma a permitir que um técnico no patentes (tanto brasileiros quanto de outros países).Objeto Busca Isolada de uso prático. Caso existam documentos Em todos os casos são necessários os requisitos de mostrando objetos iguais ao que você inventou.br A Natureza da Patente vai ser determinada em função das diferenças existentes. Qualquer informações deverão constar do Relatório concepção nova.gov. seja algo Caso haja necessidade de maiores esclarecimentos inédito ou aperfeiçoado. em especial a Lei Nº 9. manusear um número mínimo de pastas. © 2006 eduardo romeiro filho 67 ufmg . Estes 1. da sua duração.inpi.2. uma vez que o presente 1. a propriedade de sua invenção. Estas inventiva e aplicação industrial. suscetível de Caso você não possa fazer esta busca pessoalmente. a qual será cobrada em em melhoria funcional no seu uso ou em sua função da quantidade de documentos pesquisados. para o titular. E-mail: patente@inpi. 1. PATENTE trabalho não esgota todas as possibilidades de É um documento através do qual o Governo garante entendimento e interpretação da Legislação. é desta busca é pequeno. que tratam de assunto semelhante ao seu. onde se localiza o nosso Banco de Invenção.gov.melhoria uma busca de anterioridades. necessário que o objeto da mesma seja descrito Você receberá as pastas contendo os documentos de claramente. para proteger um Patentes. de modo que você somente tenha que mesmo na patente já concedida.br O presente trabalho constitui-se numa síntese da E-mail: cedin@inpi.2. que pode ser transferido a (021) 253-4091 terceiros. entretanto.

1 RELATÓRIO DESCRITIVO Utilizar somente (... forma de utilização e tudo o mais que for etc). de forma a permitir o exame estabelecer o inter-relacionamento entre elas. a solução para o problema desenhos apresentados. medidas etc.. Desenhos..Relatório Descritivo. 2". ex: reivindicações. CONTÍNUO. Iniciar com a expressão "Patente de ... Fig. construtivas. título e a expressão "caracterizado por". podendo também podem ser apresentadas variantes conter apenas termos indicativos (tais como "água". 1". ou ". RESUMO Fig.". conter a expressão "caracterizado por" seguida das 2.. corte "AA". o que quer dizer que então com o ponto final. Uma forma de realização do da patente.2. em traços firmes. são consideradas inconsistentes possíveis alternativas no pedido. Reivindicação.. terminando-se O relatório deve ser suficiente. aquelas que não existem nas Patente anterioridades. no caso de circuitos importante.279 de 14/05/96. Cada parte. seguidas: Não podem conter texto descritivo. contendo Descrever pormenorizadamente o objeto entre 50 e duzentas palavras. etc. FÓRMULAS QUÍMICAS Por outro lado. ressaltando suas vantagens e MOLDURA nos desenhos. Resumo e. Não vale deve-se ter o cuidado de apresentar os detalhes simplesmente catalogar todas as partes: é preciso técnicos da invenção. mesmo elemento só pode ter um nome. sendo numerados consecutivamente. em tinta indelével e. o que irá evitar e indefinidas e não são aceitas como definição de que algum concorrente venha a reivindicar essas um objeto. reportando-se às descrito e seus principais usos. A linguagem usada deve ser consistente: um reivindicação que descreva o objeto integralmente. tendo como referências numéricas de cada parte do finalidade principal facilitar a busca do pesquisador desenho.representa uma vista frontal do objeto. Informe os materiais envolvidos. 1 . sem rubricas ou Todo Relatório Descritivo tem que começar com o timbres. ou que já existe. sem expressões do tipo ".) ou (. aplicação e campo números indicativos de todos os seus de utilização. é necessário que se incluam as meio da peça (5).".. próprio nome (e número indicativo). INVENÇÃO ... alternativas. Deve-se ainda destacar as partes já conhecidas. 2. a peça (3).. conter referências numéricas. DESENHOS. bem como nas descrevendo o seu significado. uniformes.". corretamente o objeto. de acordo com os características técnicas. o problema que vem solucionar. ou seja.. 2.depto engenharia de produção . 2 . e palavras-chave. projeto do produto definidos pela Lei da Propriedade Industrial (LPI) .. E tem mais: a reivindicação deve ser escrita de CONTEÚDO DAS PATENTES modo afirmativo. p.3. "Fig. SEM PONTO PARÁGRAFO. Expressões do tipo ". além dos Descrever a finalidade. Descrição sumária do objeto da patente. deverá ser para permitir a um técnico da área reproduzir o apresentada preferentemente uma única objeto. devendo englobar as do pedido de patente. REIVINDICAÇÕES © 2006 eduardo romeiro filho 68 ufmg . Descritivo... elementos Comparar o objeto a ser patenteado com o Não colocar cotas.representa uma perspectiva do objeto.. "vapor d’água".". caracterizado por não possuir . do pedido. se for o caso.) no texto. que não 2. conforme mostrado na Para que a invenção tenha uma proteção fig. vantagens ou formas de utilizar. Preparo de um Pedido de características técnicas genuínas da invenção ou do modelo. nem descrição de Reivindicações.. que precisam ser estabelecidas entre o Ao iniciar a descrição de um pedido de patente. deve conter todos os detalhes que sejam necessários No caso de Modelo de Utilidade. deverá Relacionar os desenhos apresentados. que se liga à peça (4).4. diagramas em bloco. elétricos. Deve ser sempre iniciado pelo título escolhido para descrever sua invenção. rubricas ou timbres. cada elemento deve ter o seu Os desenhos deverão ser apresentados com clareza. exceto "Fig. mas isentos de textos. "aberto". DIAGRAMAS OU pode ser usado para designar outra parte do objeto. no Banco de Patentes. fluxogramas e Como sugestão as seguintes etapas devem ser gráficos... Variações podem ser apresentadas em MODELO DE UTILIDADE . O Quadro Reivindicatório precisa descrever Lei 9. Desenhos e Cada reivindicação deverá ser em texto Resumo. "fechado". ser invento ou modelo deve sempre ser descrita. peça ou elemento do desenho. por abrangente. 2. as quais deverão ser numerando-os consecutivamente e descritas no relatório descritivo. serão tantos quantos Título do pedido (que não pode ser uma marca ou forem necessários à perfeita compreensão do objeto nome de fantasia).Relatório reivindicações dependentes.

quitada. para efeitos legais. 2.31/31) . conforme tabela em vigor. 3. projeto do produto Nota (1) . para se evitar um possível com algarismos arábicos no arquivamento irrecorrível e é de inteira centro da parte superior. no prazo de 36 meses contados da Normativo AN l27 de 05/03/97. de patente junto às Revistas da Propriedade reivindicações e resumo deverão Industrial . utilizando-se do 3. INPI Toda a matéria descrita no pedido de patente. de Janeiro – CEP:20081-240). sendo permitido. excetuando-se os se possível o envio do pedido de patente por desenhos. podendo. com devem ser datilografados ou as assinaturas qualificadas.02. liso. 2 cm do limite da folha. as linhas são via postal. mediante "A4". tornou- processo. Publicado o arquivamento. é ANUIDADE devida. ainda.12/31 . no prazo de 03 (três) meses. em tinta preta. com aviso de recebimento numeradas de 05 em 05. entre 1 e responsabilidade do depositante. 87 da LPI. ao COMPLETAR 24 item 15. ser feito necessário que o mesmo seja datilografado ou independentemente de notificação. as folhas 2.3. Nota (2) . Para se depositar um pedido de patente. no tamanho 210 X 297 mm.279. Caso o depositante não seja o inventor. que as fórmulas químicas e/ou equações matemáticas sejam manuscritas Importante ou desenhadas.AN 127 O pedido de patente.2 mm.3. dentro dos impresso em papel branco. 7 – centro .O relatório descritivo. pagamento de retribuição adicional e a não comprovação do respectivo pagamento junto ao INPI. REQUERIMENTO formulário modelo 1.10B. sob pena do arquivamento do GUIA DE RECOLHIMENTO devidamente pedido (art. devidamente impressos com caracteres de. com indicação do código DPV (Depósito Via Postal). deve obedecer as margens definidas na Nota (4).3.1. a partir da mínima de 3. o depositante ou titular poderá requerer a Patente restauração. se solicitado. à da página e o número total de disposição do público no INPI. preferencialmente indicando o nº Esse acompanhamento deverá ser feito nas RPI.2.As folhas relativas ao O acompanhamento da tramitação do pedido relatório descritivo. Em todo o Com a entrada em vigor da Lei 9. ou seja.1 mm de altura e. SOLICITE AS 01(UM) ORIGINAL + 03 (TRÊS) cópias do INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS JUNTO AO pedido. de oblíqua (por exemplo: caso o Qualquer petição deverá ter a taxa paga e relatório descritivo tivesse 31 comprovada em tempo hábil junto ao INPI páginas.RPI -. iniciará o período destinado ao Nota (3) . AUTORIZAÇÃO DO INVENTOR © 2006 eduardo romeiro filho 69 ufmg . 33 da LPI). data de aniversário. A CONTAR DA DATA DE DEPÓSITO. Mauá. deverá ser apresentada procuração indelével. quando necessário.12. para o recolhimento da Para a apresentação do material acima descrito. deverá ser as reivindicações e o resumo apresentado documento hábil para o depósito.Os números e letras pagamento da ANUIDADE correspondente (3ª nos desenhos devem ter altura anuidade). MESES. O prazo é de 03 meses. é de FUNDAMENTAL ser numeradas consecutivamente importância. Junto ao requerimento. no 3. nos termos do art. é O exame do pedido de patente deverá ser necessário que seja apresentado um requerimento requerido pelo depositante ou por qualquer em formulário padronizado. poderá acarretar o arquivamento do 3. instituído pelo Ato interessado. NO PADRÃO 06 (seis) meses subseqüentes. TODOS em papel tamanho A4. Depósito do Pedido de pedido. a partir endereçado à Diretoria de Patentes - do titulo. requerente.depto engenharia de produção .31 seriam: através de protocolo. 2/31 . sem Não sendo o pedido depositado pelo próprio entrelinhas.Rio a cada folha (ver exemplo anexo). iniciando-se a contagem DIRPA/SAAPAT (Pça. remetida ao endereço do partes) separados por uma barra interessado. mínimo. ou através de páginas (de cada uma destas assinatura periódica. juntamente com a data do depósito. deverão ser apresentados PARA MAIORES DETALHES. recente. no reconhecidas. espaço 1 ½. PROCURAÇÃO mínimo.

Rio de Janeiro. 1996. http://normas. OMPI. Links para busca de patentes no Brasil e para grande número de escritórios de patentes em todo o mundo. A Nova Lei de Patentes e o Futuro do Brasil na Área Tecnológica. Ministério da Indústria. nº 10. GENEBRA.net/ Site da UFPB com direitos e deveres do Designer. Inclui informações básicas sobre direito autoral. Site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. (mai-jun) 1997. Organização Mundial da Propiedade Industrial. sempre vale lembrar.br/ O básico. mesmo sendo do conhecimento da maioria. Lei da Propiedade Industrial. do Comércio e do Turismo. marcas e patentes. M. http://www.gov. Sendo assim.Bibliografia BRASIL. CRUZ Fº. Situgrafia O tema patentes e propriedade industrial sempre volta à tona e tem sua relevância sempre demonstrada.. informamos alguns endereços que. Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). .cjb. 10-17. 1993. In: Revista CREA RJ.inpi. Instituto Nacional de Propiedade Industrial. p.

da Europa e do contingente de doutores. No mundo globalizado. a quase totalidade desse Enquanto empresas dos Estados Unidos. 17/ junho/ 2001 Avião da Embraer: a tecnologia nacional pode ser bem-sucedida O Brasil tem inegável capacidade de formar doutores. Quem vende só repassa o que não é mais estratégico". que é viver das migalhas dos países desenvolvidos. o Brasil. o competitividade. que durante Todos os anos. a da escala acadêmica.Veja. os empresários bancas apresentar a tese de doutorado. que em outros países.000 brasileiros vão às décadas os protegeu da concorrência. a Inglaterra. significa ganho de produtividade e maior quando se viu frente a frente com a abertura comercial. com raras e honrosas exceções. por muito tempo não deu a devida importância à interação com a iniciativa privada. por seu governamentais. O preço que o país está pagando por essa brasileiro não tinha parâmetros para comparar os opção é alto. onde tecnologia produtos fabricados aqui com os lá de fora. É um resultado muito bom. pacientemente. já desprezadas às universidades e aos institutos de pesquisa por seus produtores. uma média de 5. problema nessa história. o Brasil se inferior à oferecida nos países avançados. distorção provocada pelo hábito secular das empresas brasileiras de virar as costas para a pesquisa e a produção Funcionou tudo muito bem enquanto o consumidor tecnológica. Para se ter uma idéia. Só há um de melhorar a competitividade de seus produtos.Coréia dá de dez O Tigre Asiático surra o Brasil na feroz corrida pelas patentes industriais por Consuelo Dieguez . não havia concorrência que justificasse o esforço mesmo número de doutores que o Brasil. "Quem só compra tecnologia está condenado ao atraso. empresariado brasileiro começou a se dar conta do risco entra na corrida científica em franca desvantagem. forma. lado. Contudo. anualmente. Acomodados a uma economia fechada. fica confinada contentava com tecnologias ultrapassadas. o barato. Além de esse procedimento ser mais tem sólida tradição científica. É uma grave para melhorar a formação dos estudantes. projeto do produto Patentes . um fator essencial Apenas a minoria está na iniciativa privada. em hora em que poderiam comprar a tecnologia produzida vários aspectos. chegando ao topo nacionais se acostumaram a aguardar. © 2006 eduardo romeiro filho 71 ufmg . A universidade brasileira.depto engenharia de produção . além de ter recebido formação Japão gastavam fortunas em pesquisa. Aqui.

presidente da Fapesp e diretor do Instituto de Física da Unicamp. em São José dos Campos. Atualmente. A cultura de soja. A © 2006 eduardo romeiro filho 72 ufmg . lamenta descobrir como não é tão difícil assim tomar as rédeas do Brito. tecnologia. explica José Graça Aranha. No ano passado. Na Coréia. 80% dos recursos em pesquisa são processo tecnológico. A Petrobras é líder mundial em prospecção de petróleo em águas profundas. o montante é em torno de 3%. o mais respeitado órgão de financiamento à pesquisa no país. Um caso emblemático da importância do desenvolvimento de pesquisa no Brasil é a Embraer. após pesados investimentos públicos e privados em investir um pouco mais em cérebros. diz Carlos Henrique de Brito Cruz. Os projetos trabalha para sensibilizar as empresas para a importância de seus aviões são resultado de anos de pesquisa de seus do investimento em tecnologia própria. que maiores companhias de aviação do mundo. Pode-se imaginar o salto Tigre Asiático tinha uma situação semelhante à do Brasil. Embora conte com muitos doutores. esse aguerrido desembolsados pelas empresas.000 cientistas. "O Estado faz um não há nenhuma pretensão de confrontar o Brasil com a esforço enorme para qualificar profissionais em suas gigantesca potência científica que são os Estados Unidos. enquanto seu mais próximo competidor já havia ultrapassado a marca das 3. No entanto. Brito reconhece que as empresas estão acordando para a necessidade da pesquisa e têm procurado o órgão e as universidades públicas em busca de parcerias. cientistas. 70% são envolvidos com algum tipo de pesquisa. "Todas as companhias que estão investindo em pesquisa vêm alcançando enormes ganhos de produtividade". que o Brasil daria se a iniciativa privada decidisse Hoje. necessidades. do total investido. Nos Estados situação é exatamente inversa. por exemplo. Nos Estados Unidos. aumentou a produtividade em 55% nos últimos vinte anos. também um dos principais produtos de exportação brasileiros. de-obra nas universidades. todo o processo de cultivo foi desenvolvido com tecnologia nacional. "Reconhecimento de patente significa divisas para o país. É evidente que desembolsados pelos cofres públicos. universidades e institutos. Hoje. o Brasil tem patente de menos. e não universidade. Companhias como a Vale do Rio Doce e a Petrobras também obtêm êxito graças aos enormes investimentos em pesquisa. pois quem produz patente é empresa.depto engenharia de produção . O batalhão de 962. Os outros 89% estão em instituições públicas parte do Estado brasileiro em estimular o de ensino superior. a de 1. Há duas décadas. a venda de aviões é o primeiro item da pauta das exportações brasileiras. O resultado do esforço pode ser medido na produção de patentes. Brasil e Coréia tinham quase exatamente o mesmo número de propriedades industriais registradas nos Estados Unidos: em torno de trinta. Do impressionante Unidos e no Japão. o Brasil possuía 96. É uma equação perversa. 87% estão nas empresas problema é que. Na cultura de soja. e as companhias brasileiras Mas basta uma comparação com a Coréia do Sul para simplesmente desperdiçam esse potencial".4% do PIB em pesquisa científica. O Brasil tem investido cerca regime de dedicação exclusiva. E há farta mão. Vinte anos atrás. Desenvolvimento e canadense Bombardier. projeto do produto afirma José Miguel Chaddad. trabalhando como professores em desenvolvimento científico.000. a maioria saída do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). diretor executivo da empresa brasileira. desponta como uma das grandes estrelas do mundo científico. quer chamar a atenção das empresas nacionais.000 cientistas brasileiros são absorvidos pelas Não se pode dizer que não haja empenho por empresas. aqui. a grande virada se dará quando elas perceberem Um dos pontos de partida nessa tarefa árdua é fazer o que é fundamental contratar profissionais para empresariado compreender a importância de contratar desenvolver pesquisa especificamente para suas cientistas para desenvolver esse trabalho. só 11% dos mais de 77. está atualmente entre as quatro Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). que desbancou até a poderosa Associação Nacional de Pesquisa. já que todos que de alguma forma se aproveitam da invenção são obrigados a pagar pelo uso da idéia". É para essas experiências bem-sucedidas que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

projeto em escala. todo o conceito do produto esteja bem fundamentado e a análise do mercado seja consistente. Segunda Parte: o objeto Todo ato de criação é. de natureza gráfica e criativa. todas as características do objeto projetado devem estar definidas. Afinal. como diria Thomas Edson. avaliação de soluções. antes do início da geração de alternativas de solução por meio de desenhos. um ato de destruição. é essencial para que sejam atingidos bons resultados que. Pablo Picasso Nesta etapa concentram-se as atividades ligadas ao Desenvolvimento do Produto: Especificações do conceito de solução. com a atividade de projeto como um todo. Ao final desta etapa. Tal como acontece com a publicidade em relação ao marketing. sejam soluções formais. materiais utilizados ou processos de fabricação. construção de modelos. Itens como embalagens e rótulos devem também ser considerados. Na verdade. antes de tudo. muitos confundem esta fase. “a criatividade é 99% transpiração e 1% inspiração”. .

ela tem sob seu controle somente cerca de 10 a 30% deste custo.g. custo de desenvolvimento) ainda é muito baixo. outros fatores tais como a capacidade de se responder mais rapidamente as novas exigências do mercado consumidor. Logo após a crise do petróleo. planejamento e concepção). projeto do produto Design. por exemplo.Introdução O cenário competitivo mundial vem se modificando rapidamente nas últimas décadas. A figura 1-1 destaca tais estimativas indicando que as decisões tomadas nas etapas iniciais do desenvolvimento de produtos (e. tais como a qualidade e a durabilidade dos produtos. optimised production tecnology (OPT) e materials requirements planning (MRP) surgiram como formas de ganho de competitividade. a eficiência da produção se tornou um aspecto primordial e a vantagem competitiva era alcançada com a redução dos custos de produção através da utilização de novas tecnologias. ao invés de melhor analisar o desenvolvimento de seu Design. pouca atenção tem sido dada à etapa do Design do produto. Competitividade & I novação Prof. foram se tornando parâmetros importantes para se avaliar a competitividade industrial. onde as possibilidades de ganho de competitividade são ainda bem maiores. Entretanto. Porém.depto engenharia de produção . Enquanto isso. © 2006 eduardo romeiro filho 74 ufmg . custo orçado) tais como. tem muita influência no seu custo final (i. Por exemplo. outros fatores além do custo. Reidson Pereira Gouvinhas 1-1 .e. quando uma empresa decide reduzir o custo final de seus produtos concentrando-se somente em aspectos de melhoria da produção. algumas estimativas indicam que 70 a 90% do custo final de um produto são considerados na etapa do Design. o custo de desenvolvimento do produto (i. o tipo de material a ser empregado e os processos de fabricação e montagem a serem utilizados. novas técnicas de gerenciamento da produção tais como just-in- time (JIT). O que se observa neste contexto é que. nos anos 70. também vem se tornando fundamentais neste novo ambiente competitivo. Desta forma. Isto significa que poucas são as empresas que reconhecem a importância da atividade de Design como um fator primordial para o seu sucesso comercial. aspectos como a redução de custos e melhoria da qualidade continuaram a ser considerados como fatores importantes na busca da competitividade. aliado a uma contínua agregação de valores a produtos e serviços.e. a partir do final dos anos 80. Com a evolução do processo de globalização. Já nos anos 80. apesar de muitas empresas terem alcançado resultados bastante positivos na melhoria do seu processo produtivo.

uma nova imagem pode ser criada com o objetivo de manter o interesse do mercado consumidor ao novo produto ou ainda conseguir-se alcançar novos mercados. Portanto. no sentido de se manterem competitivos. Esta melhoria é observada ao se projetar um produto que atenda às exigências do mercado consumidor (e.). Cada vez mais. garantir que sua manutenção seja simples e barata etc. 1-2 – Empresa Inovadora Para que uma empresa seja inovadora é importante que haja um ambiente favorável à inovação. ao modificar-se o Design de um produto. desenvolver um produto durável e fácil de ser usado. Em outras palavras. favorável à criatividade. Em síntese. mas também no sentido de se contribuir de forma significativa no estabelecimento de novas estratégias de mercado que são fundamentais para que as empresas se tornem cada vez mais competitivas.depto engenharia de produção . Desta forma. forma e embalagem do produto. utilizando-se de novos materiais e introduzindo inovações tecnológicas. as empresas estão sendo pressionadas a atender clientes mais exigentes e que estão a procura de produtos diferenciados aos já existentes no mercado. ou seja. a melhoria da qualidade tem muito mais possibilidade de ser realmente alcançada através de mudanças no Design do produto. Um outro benefício do Design é seu impacto positivo no que se refere ao atendimento mais rápido às diversas demandas do mercado consumidor. Isso tudo contribui para a criação de © 2006 eduardo romeiro filho 75 ufmg . é de fundamental importância que as empresas continuem aprimorando seus produtos de acordo com essas novas exigências através de ações inovadoras tais como mudanças na cor. Esse ambiente criativo deve ser estimulado por uma gerência participativa envolvendo os diversos funcionários da empresa.g. projeto do produto Custo Orçado Custo (%) Custo de Desenvolvimento uração o o ament s e ament jeto gem ação Venda jeto ptual ção ojeto d o Pré- Projet d e P ro Produ Monta do Pro Fabric Config Conce Detalh Planej Pr Baixo Custo Alto Beneficio Alto Custo Baixo Beneficio Figura 1-1 – Relação de Custos nas diversas etapas do Desenvolvimento de Produtos O Design de um produto apresenta também uma grande influência no aspecto de melhoria da qualidade. a atividade de Design deve ser vista não só como uma ferramenta importante para se reduzir os custos e melhorar a qualidade dos produtos.

as empresas procuram aproveitar essa oportunidade de forma um tanto quanto ao acaso. Tais estratégias podem ser classificadas. é necessário que as pessoas envolvidas no processo criativo estejam trabalhando em equipes interdisciplinares com representantes dos diversos setores da empresa (i. Isto porque não existe uma atividade de planejamento estratégico na empresa que organize a utilização desses recursos da melhor forma possível. além de correr o risco de abrir novos mercados. Desta forma.e. A utilização desse tipo de estratégia vai depender da habilidade e rapidez com que a empresa consegue absorver as inovações lançadas pelas outras empresas e introduzir melhorias nesses produtos pioneiros. deixam que as outras empresas arquem com os custos maiores de desenvolvimento. O Gerenciamento da Inovação na Empresa Nível Atividades de Inovação Gerencial Entradas Transformação Resultados Prioridade e Uso dos procedimentos Plano estratégico Administração critérios para formais de indicando os produtos Superior aceitação de novas desenvolvimento de desejados idéias produto Elaboração das Responsabilidades pelas Envolvimento continuo Equipe Inter. A interação entre a gerência e o processo de inovação é mostrada na Tabela 1-1. em quatro tipos: Estratégias ofensivas – Onde a empresa deseja ser a líder do mercado colocando-se sempre à frente de seus concorrentes. inspeção etc. recursos humanos e financeiros podem ser desperdiçados ao serem remanejados com esse objetivo. deliberadamente. para que essas metas ou missões sejam alcançadas. algumas entradas são transformadas dentro da empresa para produzir resultados. 1-2-1 – Estratégia Corporativa Muitas vezes. Estratégia defensiva – Estratégia geralmente utilizada por empresas que desejam seguir as líderes do mercado. Tabela 1-1 . produção. Geralmente. que geralmente aparecem em forma de novos produtos. projeto do produto uma “cultura inovadora” dentro da empresa. ao vislumbrar uma oportunidade de inovação. Além disso. facilitando assim todo o processo de criatividade. Para que se obtenha ideais viáveis. normalmente. marketing. Tais empresas realizam pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento no sentido de introduzir ações completamente inovadoras em seus produtos. que lhe garante o monopólio do mercado durante um certo período de tempo.). Ou seja. uma gerência conscientizada com este aspecto procura encorajar novas idéias dando liberdade para se criar.depto engenharia de produção . Empresas desse tipo costumam dar grande importância às patentes. © 2006 eduardo romeiro filho 76 ufmg . essas entradas são idéias criativas apresentadas pelos membros da empresa. é importante estabelecer uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos. Assim. uma apresentação clara a todos os envolvidos no processo sobre quais os produtos se deseja desenvolver. O planejamento estratégico deve estabelecer as metas ou missões que uma empresa deve alcançar e definir as estratégias ou ações que devam ser realizadas. Essas empresas. designers. especificações e decisões sobre novas durante todo o ciclo de Disciplinar busca de novas idéias vida do produto idéias Liberdade de criar Envolvimento e Reconhecimento e Indivíduo e apresentar suas compromisso para a recompensas pelo idéias apresentação de novas sucesso idéias Neste processo de inovação.

e. Ou seja. as inovações são pouco relevantes contando-se com mudanças “incrementais” nos produtos. espera-se que haja uma certa redução no volume de vendas do produto. Por exemplo. Em vista disso. Assim. Uma segunda técnica avalia a performance de uma empresa com relação às empresas concorrentes. Estratégia dependente – Geralmente adotada por empresas que não tenham autonomia para lançar seus próprios produtos. para enfrentar esse perigo. Essa auditoria do risco de produtos é realizada em duas fases. existe pouca demanda no mercado por mudanças). Esse procedimento é útil para integrar os diferentes aspectos da estratégia de desenvolvimento de produto. Para um planejamento mais longo. A primeira delas examina a linha atual de produtos da empresa com o objetivo de analisar o nível de “maturidade” dos mesmos (i. estão diretamente associadas ao planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. Alternativamente. Esta capacidade é representada por um conjunto de pessoas. Esses produtos podem ser então “atualizados” com adoção de medidas inovadoras que garantem uma extra vida ao produto. Na primeira. existem três técnicas que podem ser usadas na estratégia do desenvolvimento de produtos. Tais estratégias procuram definir o processo de planejamento corporativo da empresa e que. maior deve ser a capacidade do desenvolvimento de produto para identificar os riscos de sua atividade. procura-se entender um pouco melhor sobre o desempenho das empresas concorrentes e estabelecer quais as mudanças necessárias para se aumentar o nível de competitividade da empresa. Neste caso. 1-2-2 – Estratégia para o Desenvolvimento de Novos Produtos O planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos está relacionado com a política de produtos da empresa. a custos reduzidos. Tais empresas são pouco equipadas para introduzir inovações. mesmo que sejam forçadas a isso por razões de competitividade. No caso de um planejamento em curto prazo. geralmente objetivando a redução de custos e melhoria da produtividade e qualidade do produto. Tal analise dará subsídios para se estabelecer um planejamento estratégico de desenvolvimento de produtos para que se possam enfrentar tais ameaças. procedimentos e recursos financeiros entre outros. estima-se a capacidade de desenvolvimento do produto. que a empresa pode mobilizar para o desenvolvimento de produtos. que fabricam componentes de acordo com as especificações estabelecidas pelas grandes montadoras. pode-se melhor avaliar a profundidade da mudança que deve ser introduzida no produto. © 2006 eduardo romeiro filho 77 ufmg . pois dependem da matriz e/ou cliente para introduzir inovações tecnológicas. tais produtos podem ser substituídos por novos produtos para se manter o poder competitivo da empresa. este planejamento estratégico deve indicar quais os produtos a serem desenvolvidos com o intuito de se atender os objetivos da empresa. Desta forma. avaliar o atual estágio de vida do produto). estima-se o custo de falha do produto em termos do impacto que isso provoca sobre os negócios da empresa. a efetividade de diferente estratégias pode ser analisada no papel.e. Basicamente. A figura 1-2 apresenta os diversos aspectos a serem considerados no planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. em muitos casos.depto engenharia de produção . esta avaliação objetiva compreender as estratégias adotadas por empresas concorrentes de tal forma a identificar possíveis ameaças. Finalmente. projeto do produto Estratégia tradicional – Tipo de estratégia geralmente utilizada por empresas que atuam em mercados estáticos (i. Exemplo dessas empresas são as industrias de auto peças. Quanto mais a falha de um produto ameaça a sobrevivência da empresa. pode-se estabelecer uma auditoria em produtos com o intuito de estimar o custo de uma possível falha do mesmo. Na segunda fase. ao se atingir um certo nível de maturidade no mercado. é ele que leva à escolha do produto especifico a ser desenvolvido.

Na verdade. entre outras. tais como o Web Design. a embalagem. a percepção do Design está geralmente associada aos diferentes aspectos observados nos produtos. Avalia-se que este processo de desenvolvimento deve apresentar algumas características fundamentais. inovação etc. desenvolvidos cientificamente. tal estratégia está intimamente ligada ao tipo de estratégia adotada no desenvolvimento de produtos. o baixo consumo de energia associado a um determinado produto. o estilo. Uma terceira associação que se faz ao Design é aquela relacionada aos aspectos mercadológicos como o logotipo da empresa. a performance. Por exemplo. é importante avaliar quais os aspectos que influenciam o sucesso comercial de um produto. Tal procedimento ajuda o projetista a avaliar com mais eficácia cada © 2006 eduardo romeiro filho 78 ufmg . como por exemplo a eficiência. projeto do produto Questões Especificas Métodos Respostas Decisões Qual é a necessidade de novos produtos ? Em que fases do ciclo de Analise da vida se situam os produtos Maturidade dos atuais ? produtos A necessidade de Objetivos do Como os produtos atuais Analise dos desenvolvimento de novos desenvolvimento se situam em relação aos concorrentes produtos é importante. serão abordados os principais aspectos que influenciam no sucesso de novos produtos. Mais adiante. a cor. ao preço de venda etc. com o intuito de guiar o projetista a soluções rápidas e precisas.depto engenharia de produção . o acabamento etc. Na maioria dos casos. o desenho industrial e a moda. é importante que a empresa estabeleça uma estratégia corporativa para que a mesma se mantenha competitiva no mercado.Aspectos a serem considerados no Planejamento Estratégico do Desenvolvimento de Produtos Como se vê. desenho de interior e arquitetura. em todos os aspectos discutidos até agora. uma vez que engloba as mais variadas áreas do conhecimento tais como a engenharia. o Design está associado ao produto final e não ao seu processo de desenvolvimento. a funcionalidade. Dentro desta estratégia. ou de produtos concorrentes ? urgente. passando pelo desenho gráfico. ao se considerar os aspectos relacionados com a forma do produto tais como a aparência. Novas visões de Design vêm surgindo com o avanço da tecnologia. durabilidade. Ocorre que. 1-3 – O que é Design? O termo ‘Design’ geralmente é interpretado de varias formas. ou ambos Qual é a velocidade de Analise do mercado mudança dos negócios ? Estático/Dinâmico Qual é a capacidade para desenvolvimento de novos produtos ? Pessoal ? Auditoria de risco Correção das falhas do Estratégia do Procedimentos ? dos produtos produto desenvolvimento Recursos Financeiros ? de produtos Outros recursos ? Figura 1-2 . O Design é também geralmente associado aos aspectos tecnológicos dos produtos. tais como ser: Sistemático – O desenvolvimento do Design deve ser sistemático no sentido de se utilizar procedimentos metodológicos.

Devido a essa característica multidisciplinar. com o objetivo de se concretizar uma idéia e/ou demanda do mercado consumidor em um produto e/ou serviço. desenvolver produtos que estejam em conformidade com as expectativas (i.depto engenharia de produção . melhoria dos padrões de qualidade e produtividade e redução dos custos. Ao se desenvolver um produto. surgiu-se a necessidade de adotar novos mecanismos de gestão e atualizar tecnologicamente as empresas. aspectos © 2006 eduardo romeiro filho 79 ufmg . montado. podem e devem ser revistas em etapas subsequentes. Na verdade. decisões tomadas em etapas iniciais no Design de produtos. Desta forma. além de baixo investimento em inovação. no sentido de antecipar possíveis problemas que possam ocorrer nas etapas subsequentes do desenvolvimento de produtos. inspecionado. diferenciar seus produtos daqueles oferecidos pelos concorrentes. produção. a probabilidade de “erros” e subsequente revisões no projeto. o mercado atualmente encontra-se na constante busca de produtos de qualidade a preços competitivos e que sejam diferenciados da concorrência. inspeção. Isto pode ser feito através da agregação de valores tangíveis (e. é importante o envolvimento dos diversos departamentos da empresa como por exemplo marketing. Tais ganhos de produtividade e qualidade fizeram com que a competitividade entre as empresas se tornasse mais intensa e o mercado consumidor mais exigente. Entretanto. não existia qualquer mecanismo de defesa do consumidor com consequente falta de preocupação com a qualidade dos produtos ofertados. projeto. Isto significa que as empresas se deparam com a necessidade de ao mesmo tempo atender aos seguintes desafios: Melhoria da qualidade dos produtos – Em outras palavras. transportado entre outros. desenvolver produtos que sejam mais fáceis de serem fabricados e montados. Neste sentido procura-se desenvolver técnicas que possam auxiliar o projetista na proposição de novas soluções a novos e/ou antigos problemas. vendas. Criativo – O processo de Design deve também ser criativo.e. Pró-Ativo – O Design também deve ser visto como um processo pró-ativo. 1-4 – Quais os aspectos atuais de Competitividade? Diversas transformações econômicas vêm ocorrendo no mercado mundial nos últimos dez/quinze anos e que tem afetado diretamente o ambiente competitivo das empresas. demandas) do mercado consumidor. com o advento da “globalização” e o crescente dinamismo do mercado consumidor. para que este seja bem sucedido comercialmente. pesquisa e desenvolvimento. Além disso. Apresentar soluções criativas é atualmente um dos mais importantes aspectos de competitividade. o mercado era caracterizado por uma política industrial protecionista. com oferta menor que a demanda tendo como conseqüência preços mais elevados do que similares importados. projeto do produto etapa do desenvolvimento de produtos reduzindo assim. Isto é. Reduzir os custos de produção – Por exemplo. pensar antecipadamente em como o produto será fabricado. Iterativo – Deve-se destacar que este processo deve ser iterativo. Em essência. o Design deve ser visto como um processo que engloba todos os aspectos vistos até agora. Multidisciplinar – O trabalho do desenvolvimento do Design não deve ser atribuído a um único profissional somente. assistência-técnica etc. não se deve esperar que as diversas etapas do desenvolvimento de produtos sejam realizadas de forma independente. Desta forma. Agregar valores aos produtos – Ou seja. com conseqüente otimização da produção.g. a atividade de Design tem uma grande influência nas diversas etapas do desenvolvimento de um produto. Todo o processo deve ser reavaliado constantemente com o intuito de reduzir o maior numero de “erros” possíveis. Particularmente no caso brasileiro. pode ajudar na avaliação do desenvolvimento de um produto.

Dentro deste cenário difícil. Tabela 1-2 . Reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos – Com o avanço da concorrência e constantes mudanças no mercado consumidor. Do ponto de vista dos consumidores e usuários. O Papel do Design na Competitividade Fatores de Competitividade Influência do Design Relacionados ao Preço Preço de Venda Produto de fácil fabricação e montagem Custo de uso do produto Produto que requer pouca ou nenhuma manutenção. fazer com que o produto traga um certo nível de “status” ao usuário). embalagem) etc. Serviço pós-venda Produto fácil de se realizar assistência pós- venda. Isso é chamado de custo de oportunidade. Investimentos em Design podem trazer grandes benefícios para empresas de uma forma geral. pelo menos a longo prazo. além daquelas sugeridas pela Tabela 1-2. de concorrência acirrada. na sua participação do mercado. existem diferentes aspectos que podem ser agregados durante o desenvolvimento de produtos e que tem influência nas diversas etapas da compra e uso de produtos. ergonomia. por ter desperdiçado a oportunidade. o Design tem um papel fundamental influenciando diretamente na competitividade das industrias. Ou seja. baixo consumo de energia Relacionados aos aspectos “subjetivos” do produto Especificação do Produto e Qualidade Produto que apresente qualidade. projeto do produto tecnológicos) e intangíveis (e.g. que não é propriamente um custo.g. 1-5 – Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ? O principal aspecto de decisão para um industria é o de julgar dentre as mais variadas opções de investimento. Isto porque as decisões tomadas nas diversas etapas do Design de um produto. qual daquelas é a mais provável para se obter o melhor retorno. Isto é observado na Tabela 1-3. influenciando diretamente nas vendas. como indicado na Tabela 1-2. durabilidade.depto engenharia de produção . afetam diretamente em como os produtos são percebidos pelo mercado consumidor. agregar novas tecnologias). Isto significa que o Design tem influência direta nos fatores relacionados ao preço e a aspectos “subjetivos” da empresa e do produto. um concorrente que pode lançar um produto semelhante e sair na frente. no lucro e no crescimento contínuo. manuais de fácil entendimento etc. O Design tem outras influências na competitividade. apresentação do produto vendas (e. boa aparência. Atender rapidamente as diversas Produto fácil de se agregar novos valores de demandas do mercado consumidor mercado (i. preenchendo a oportunidade que se pensava em apresentar. performance. Relacionados aos aspectos “subjetivos” da Empresa Associados à imagem da empresa e Logotipo da empresa.e. facilidade de uso etc. mas aquilo que a empresa deixou de faturar. surge a necessidade de se dispor novos produtos no mercado a um intervalo de tempo cada vez menor. © 2006 eduardo romeiro filho 80 ufmg .

foram identificados alguns fatores chaves que influenciaram para o sucesso no lançamento de novos produtos. material. geração de emprego e renda). prolongada facilidade de manutenção. Estados Unidos e Canada analisaram o processo de desenvolvimento de novos produtos.). investimentos em Design podem ter um grande impacto no sucesso comercial de uma empresa e se o mesmo for verificado para um grupo maior de empresas. já que o que se deseja é desenvolver produtos diferenciados.e. Diversos estudos realizados na Inglaterra. Finalmente. marketing e vendas. Além dessa contribuição social (i. observa-se que produtos bem projetados podem contribuir de forma significativa para a competitividade industrial.Influência do Design na Percepção dos Consumidores Tabela 1-3 nas diversas etapas de Compra e Uso do Produto Etapas de Compra e Fatores de Influência do Design Uso do Produto Antes Características da Brochura . informação sobre aparência e performance. acabamento. Segundo pesquisas realizadas pela London Business School (LBS) e apoiada pelo Governo Britânico. Portanto. Um outro benefício do Design é o de melhorar a imagem da empresa pela agregação de valores aos produtos desenvolvidos. preço etc. tal investimento pode resultar em uma melhoria substancial para toda economia de um país. Desta forma. Utilização Características de Performance .e. inicial facilidade de utilização. custos de utilização (e. Desta análise.Confiabilidade. projeto do produto . envolvendo vários departamentos como gerência. Investimentos em Design também promovem a gerência participativa uma vez que esta é uma atividade multidisciplinar (i. a indústria britânica investe atualmente 10 bilhões de libras (aproximadamente 30 bilhões de reais) no Design de novos produtos. o Design contribui diretamente para o aumento do lucro das empresas através do aumento das vendas e da redução dos custos de produção dos produtos. produção.g. imagem da companhia etc.Especificações da Compra fornecidas pelo fabricante. 1-6 – Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ? O desenvolvimento de novos produtos é uma atividade importante e arriscada. marketing etc.depto engenharia de produção . consumo de energia) etc. características específicas (e. no sentido de identificar como ocorre este processo e qual a influência do mesmo no sucesso comercial do produto. projeto.Aparência geral do Design e Da Compra qualidade.Performance inicial.g. A figura 1-2 mostra a influência desses fatores que foram classificados em três grupos principais: © 2006 eduardo romeiro filho 81 ufmg . controle de temperatura e pressão). No ato Características Aparentes . durabilidade. produção. O Design é também responsável por promover ações inovadoras. além de formar um papel central nas suas estratégias de mercado. investimentos em Design ajudam as empresas a serem mais competitivas no mercado exportador. Tais investimentos significam um numero estimado de 173000 profissionais que estão direta ou indiretamente envolvidos em Design na industria de manufatura. Em essência. observa-se que o investimento no Design de novos produtos apresenta uma grande influência na competitividade da maioria das empresas. Utilização Características que Agreguem Valor . segurança etc.

projeto do produto Forte orientação para o mercado.) tinham 3. quando se registra um grande nível de cooperação entre o pessoal técnico e de marketing. as chances de sucesso são 2.5x Forte orientação Planejamento Antecipado Aspectos da para o Mercado & Correta Especificação Empresa • Benefícios significantes O produto deve ser: • Excelente habilidades aos usuários • Bem definido e segmentado Técnicas e de Marketing • Alto valor agregado • Especificado com precisão • Alta sinergia entre para os consumidores desde os estágios iniciais de aspectos seu desenvolvimento Técnicos e de Marketing Figura 1-3 – Fatores de Sucesso no Desenvolvimento de Novos Produtos Essas informações irão dar suporte no sentido de se definir as oportunidades de desenvolvimentos de novos produtos. Mais especificamente. Tal demanda de mercado pode ser reconhecida de duas formas. Desta forma. tinham cerca de 5 vezes mais chances de obter sucesso do que aqueles que eram considerados apenas marginalmente superiores. O fator mais importante é o produto ter uma diferenciação com relação aos seus concorrentes. A pesquisa de mercado irá fornecer informações com respeito a demanda e desejos dos consumidores. baseados em estudos de viabilidade técnica e econômica tinham cerca de 2. as chances de sucesso comercial são 2. além de apresentar características que sejam valorizadas pelos consumidores. produtos que eram percebidos como sendo substancialmente melhor que os competidores e apresentavam alto valor agregado.depto engenharia de produção .e. produtos que eram bem definidos com especificações técnicas bem estabelecidas (i. Foi observado que os produtos que eram cuidadosamente planejados. quando a qualidade técnica da equipe esta adequada às necessidades de desenvolvimento do novo produto. abrindo novos mercados e estimulando o © 2006 eduardo romeiro filho 82 ufmg .7 maiores em relação a outros sem esta harmonia.3 vezes mais chances de obter sucesso no mercado do aqueles sem essas especificações. Por último. Essa oportunidade pode ser classificada em duas categorias: a) Demanda de mercado . Estudos de viabilidade e especificação. A primeira delas em os produtos concorrentes podem estar a frente dos produtos desenvolvidos em sua empresa. potência etc. a concorrência exercida pelos produtos existentes e as oportunidades tecnológicas existentes para o projeto e fabricação de novos produtos. Na verdade.8 vezes maiores. para que um produto alcance sucesso comercial é extremamente importante que esses três aspectos sejam bem coordenados durante o desenvolvimento do produto. Qualidade no Desenvolvimento de Produtos.4 vezes mais chances de sucesso do que aqueles sem qualquer estudo de viabilidade. as chances de sucesso do novo produto são 2. Probabilidade de sucesso de Novos Produtos 5x 5x 3x 3x 2.5 maiores.5x 2.3 vezes maiores. Além disso. Além disso.que refere-se à procura pelo mercado de produtos ou características do produto que ainda não são oferecidos pela sua empresa. as chances são 2. função do produto. tamanho. quando as atividades de marketing e vendas estão bem coordenadas com a equipe de desenvolvimento de produtos. Nas situações em que se consegue manter uma alta qualidade das atividades técnicas ligadas ao desenvolvimento de novos produtos.

Muitas pessoas aceitam a idéia de controlar a qualidade de tarefas industriais ou administrativas bem estruturadas e de natureza repetitiva. Ou seja. b) Oferta tecnológica – que refere-se à disponibilidade de novas tecnologias. Essa nova tecnologia pode ser. Desta forma. Elas devem representar os desejos e ansiedades identificados na pesquisa de mercado.depto engenharia de produção . Esses podem ser documentados de várias formas como. pode-se então. Essas especificações técnicas do produto são na verdade os dados técnicos necessários para se desenvolver os produtos. Entretanto. é a tradução em dados técnicos dos desejos dos consumidores. para certificar que o avanço tecnológico está servindo para preencher uma necessidade real do consumidor. Segurança Manufatura Ergonomia Embalagem Patentes Peso Custo Qualidade Tempo Política Processo DESIGN Mercado Tamanho Documentação Competidores Instalação Meio Ambiente Armazenagem Performance Material Figura 1-4 – Especificações Técnicas É importante garantir que este processo de identificação de oportunidades de mercado e geração de especificações técnicas do produto seja feito com qualidade. projeto do produto desenvolvimento de novos produtos de forma a tornar a sua empresa mais competitiva. um novo material. por exemplo. montagem e venda do produto final. novos processos de fabricação ou novos conceitos de projeto. elas evoluem gerando outras ou novas especificações a medida que o desenvolvimento do produto também evolui. Significa apenas que não se pode somente confiar no avanço tecnológico para projetar produtos de sucesso. desde a analise do mercado passando-se pelo projeto conceitual e detalhado até a fabricação. Ela deve ser complementada com uma pesquisa sobre as necessidades de mercado. Isso não diminui a importância da oferta de tecnologia para o desenvolvimento de novos produtos. Ou seja. © 2006 eduardo romeiro filho 83 ufmg . Um produto pode ser muito avançado tecnicamente. por exemplo. desenhos técnicos acompanhados de documentação técnica especifica do produto. São essas especificações que controlarão todo o desenvolvimento do produto. Na verdade essas duas etapas devem ser desenvolvidas concomitantemente. A segunda delas seria identificação de uma necessidade de mercado que ainda não é satisfeita por nenhum dos produtos existentes. É importante notar porém que essas especificações não são fixas com o tempo. quando se trata do desenvolvimento de novos produtos essa tarefa não é fácil. mas não será bem sucedido se os consumidores não quiseram comprá-lo. definir as especificações técnicas de projeto para o desenvolvimento de novos produtos. gerando oportunidades de inovação do produto. as especificações técnicas apresentadas e discutidas na etapa inicial do projeto conceitual podem não ser as mesmas nas etapas subsequentes de um projeto mais detalhado. Um vez coletadas essas informações. A figura 1-4 apresenta alguns dos diversos aspectos que podem e devem ser considerados no desenvolvimento de especificações de projeto.

para se selecionar as melhores alternativas. a especificação do projeto se transforma em especificação de controle do processo produtivo. projeto do produto Mas como se pode determinar as metas para o controle de qualidade. deve-se considerar a percepção do consumidor para se definir o que seja a qualidade de um produto. A figura 1-5. mostra um modelo de percepção de qualidade. em relação aos concorrentes ? Como os consumidores serão induzidos a preferir esse novo produto ? Quais as estimativas iniciais de custo e a margem de lucro ? Qual é o volume esperado de vendas e qual é o retorno do investimento ao longo da vida útil do produto no mercado? Em seguida vem a especificação do projeto. 1-7 – O que é Qualidade? O termo qualidade apresenta diferentes significados para diferentes pessoas. padrão para comparação de todas as alternativas geradas durante o desenvolvimento de projeto. qualidade pode ser a facilidade de fabricação e montagem de produtos com níveis de refugos abaixo dos especificados. é importante definir o que se entende pelo termo qualidade para então possamos trabalhar no sentido de incorpora-la no desenvolvimento de novos produtos. Quais são os aspectos diferenciados desse novo produto. para um engenheiro qualidade pode significar a adequação dos objetivos do produto e sua resistência para suportar faixas de trabalho preestabelecidas. refletindo os interesses de marketing. Esta técnica será abordada logo adiante. Neste caso. é nessa etapa que são fixadas as metas técnicas para o novo produto. Para que toda essa evolução possa ser bem controlada no sentido de garantir qualidade ao produto desenvolvido. então. numa visão mais abrangente. montagem dos circuitos elétricos e assim por diante. Uma das metodologias mais utilizadas é a do Desdobramento da Função Qualidade ou QFD. Observa-se que quanto maior a incorporação de características desejadas pelos consumidores maior será o seu nível de satisfação. Espera-se que qualquer produto que atenda a essas especificações seja bem sucedido comercialmente. onde se realiza o controle da qualidade mais importante. sua aparência até a embalagem e distribuição. na recepção da matéria-prima. Eventualmente. Já para um gerente de produção. as configurações e os protótipos podem ser avaliados em relação a esse padrão. Entretanto. A especificação do projeto deve ser um documento de consenso. até a montagem final do produto. Todos esses aspectos são importantes para se definir o que seja a qualidade de um produto. por exemplo. Por exemplo. projeto e desenvolvimento e a engenharia de produção da empresa. vendas.depto engenharia de produção . Como mencionado anteriormente. a medida que o projeto vai evoluindo passando a etapas de configuração e detalhamento. Esse documento deve conter também o critério para se avaliar o sucesso comercial do produto. antes disso. Entretanto. Por exemplo. Assim. quando o desenvolvimento do produto chega a etapa de fabricação. © 2006 eduardo romeiro filho 84 ufmg . Como se viu anteriormente. foram desenvolvidas diversas técnicas metodológicas que ajudam a equipe de projetos nesta árdua tarefa. contendo as metas comerciais básicas para o novo produto. sem mesmo conhecer o produto que se deseja controlar ? O primeiro controle é exercido sobre as especificações de oportunidade. que em inglês significa Quality Function Deployment. devem ser determinados os pontos de controle da qualidade a serem realizados durante o processo de fabricação que podem ser. as especificações técnicas devem ser convertidas no sentido de atender cada uma dessas etapas. os conceitos. abrangendo desde as funções básicas. As especificações tornam-se.

projeto do produto Satisfação do consumidor Incorporação das características desejadas Figura 1-5 – Modelo Simples de Qualidade Seguindo um mesmo raciocínio. Desta forma. © 2006 eduardo romeiro filho 85 ufmg . pode significar um aspecto normal e não contribui para aumentar o nível de satisfação do consumidor (Figura 1-7). existem algumas expectativas básicas sobre um produto que as vezes nem são percebidas. a ausência de certas características.depto engenharia de produção . enquanto que a sua presença. implicará numa insatisfação proporcional no consumidor como indicado na figura 1-6. Na verdade. Satisfação Algumas Todas Incorporação das características desejadas Insatisfação Figura 1-6 – Modelo Melhorado de Qualidade Ocorre que a satisfação do consumidor nem sempre apresenta um comportamento linear como mostrado nas figuras 1-5 e 1-6. a ausência destas expectativas pode causar uma grande insatisfação.

projeto do produto Satisfação consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação Figura 1-7 – Expectativas Básicas da Qualidade Por exemplo. A © 2006 eduardo romeiro filho 86 ufmg . enquanto que a sua presença não provoca satisfação. Tais características são interpretadas como fatores de excitação. chamado de performance. Num outro extremo. ao comprar um veículo automotor espera-se que este venha suprido de rodas. existem certas características que são incorporadas a um produto que provocam um grande nível de satisfação quando estão presentes mas que a sua ausência não causa insatisfação. são requisitos adicionais aos produtos que excedem aqueles da expectativa básica (Figura 1-8). necessidades que os próprios consumidores não sabiam inicialmente que as tinham. Os fatores de performance cobrem as qualidades que os consumidores declararam esperar dos produtos. Os fatores de excitação são capazes de satisfazer as necessidades “latentes” dos consumidores. Ou seja. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação Insatisfação Figura 1-8 – Fatores de Excitação A figura 1-9 mostra o modelo Kano de qualidade indicando as expectativas básicas e os fatores de excitação. A sua ausência implicará num grande nível de insatisfação. Ou seja.depto engenharia de produção . Kano sugere que há um outro fator de satisfação do consumidor situado entre as expectativas básicas e os fatores de excitação.

encontram-se aqueles ditos básicos (os que são considerados evidentes pelos consumidores) e aqueles considerados de excitação (aqueles ainda não experimentados pelos consumidores). 2 – Atendimento as necessidades básicas . Existe um tendência da satisfação do consumidor aumentar a medida que as características que causam excitação são incorporadas ao produto. Desta forma. 3 – Atendimento aos fatores de excitação. O modelo Kano de qualidade indica que os fatores de performance aumentam o nível de satisfação dos consumidores. o consumidor não valorizará proporcionalmente este fator. a partir de um certo nível de atendimento. Isto significa que. baixo consumo de combustível. Por exemplo na visão dos consumidores. uma vez que esta curva tende a um nível de saturação. © 2006 eduardo romeiro filho 87 ufmg . 4 – Atendimento aos fatores de performance. Dentro desta categoria. Portanto. Atender as necessidades básicas é um pré-requisito para o sucesso de um novo produto. mínima manutenção etc. aceleração rápida. direção hidráulica. Ou seja. 1 – Desejos não declarados pelos consumidores. Um carro que tenha todas essas características provocara satisfação no consumidor. poucos ruídos. O modelo Kano indica ainda que ao ser alcançado um certo nível dos fatores de performance. quanto mais fatores que causam excitação forem incorporados aos produtos maior será o nível de satisfação dos consumidores. fatores que foram considerados de excitação no passado. mas não de forma tão acintosa quanto os fatores de excitação. manobra fácil. Deve-se observar que a classificação dessas necessidades se modificam ao longo do tempo. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação PERFORMANCE Figura 1-9 – Modelo Kano de Qualidade Existem quatro aspectos no modelo Kano para qualidade que devem ser considerados no desenvolvimento do produto. podem agora ser considerados como fatores de performance ou mesmo apenas uma necessidade básica. projeto do produto percepção do consumidor sobre a qualidade varia na proporção direta do grau em que a performance ideal ou máxima do produto seja alcançada. Existem alguns desejos que não são verbalizados pelos consumidores e portanto são muito difíceis de serem identificados em uma pesquisa de mercado. Um carro que não tenha nenhuma delas causará insatisfação. um carro ideal deve apresentar algumas características como ter um bom estilo. todo o esforço extra exigido aos fatores de excitação terá maior retorno. não é vantajoso realizar-se altos investimentos para se satisfazer uma necessidade básica. por exemplo.depto engenharia de produção .

& Riedel J. N. buscar diferenciação no mercado como foi abordado anteriormente. ou seja. U. U. John Wiley. Charles Scribner’s Sons. (1997) Design Methods for Production Machinery Companies. London. especificação da fabricação e montagem do produto. Integrated Manufacturing Systems. New York. Guinta. Pawar. Fox.K. é de fundamental importância entender as necessidades do consumidor de forma a satisfazê-las ao se desenvolver um novo produto. UK. 35. © 2006 eduardo romeiro filho 88 ufmg . G. como por exemplo. além de seu transporte e distribuição. B.F. Jr. de modo que os produtos considerados insatisfatórios sejam rapidamente eliminados logo no inicio do desenvolvimento quando grande volumes de recursos ainda não foram investidos. a elaboração das especificações técnicas a partir da identificação das necessidades do mercado consumidor é essencial para que se tenha um rígido controle de qualidade durante o desenvolvimento do produto. ed. U. Quality Through Design . C.Springer-Verlag. & Beitz. (1993). USA. USA. M. Syan. Osborn. Working Paper.A Systematic Approach . deve-se ressaltar que os fatores de excitação funcionam uma única vez. The Design Council. John Wiley & Sons. incorporar qualidade a um produto significa desenvolvê-lo de forma a atender as necessidades do mercado consumidor e sempre que possível. (Editors) Concurrent Engineering .K.. (1963) Applied Imagination – Principles and Procedures of Creative Thinking. D. A.London. & Praizler.S.P. Chapman & Hall. (1997).K. Uma das metodologias mais utilizadas com o intuito de garantir de que as necessidades do consumidor estejam incorporadas aos produtos é a conhecida técnica do Desdobramento da Função Qualidade (Quality Function Deployment. Infelizmente. J.K.10 .. New York. J.depto engenharia de produção . essa conversão das necessidades do consumidor em aspectos técnicos para o produto deve ocorrer antes mesmo que o projeto seja iniciado. U. Van Nostrand Reinold. Workingham. que será mais detalhada nas seções posteriores. K. G. pp 14-22. The Mechanical Design Process. Pahl. 1 st edition ed. C. The Contribution of Design to the U. Menon. pois logo são incorporados a muitos fatores de performance do produto.K. Na verdade. no. R.K.The Team Approach to Solving Problems and Satisfying Customers Through Quality Function Deployment AMACOM Books.K.(1993). U.. J. U. L. New York. (1995). Sentance. Ullman. vol 5. Corbett. Desta forma. Jones. New York. Mc Graw-Hill. M. & Clarke. Addison Wesley Publications Ltd. tais necessidades nem sempre chegam a equipe de projetos na forma de uma linguagem técnica e portanto é importante saber interpretá-las.Bibliografia Baxter. tentar superá-las. The QFD Book . R. second edition. Tood. U. devem ser levados em consideração. Butler & Tanner Ltd. Portanto.The Key to Successful Product Delivery Mc Graw-Hill. C. (1994).Concepts. Engineering Design. (1994) Time to Market. U. projeto do produto Além disso. Oakley. 1. Implementation and Practice. Somerset. (Editor) Design Management. U. A. no sentido de se conseguir esse controle é necessário que esse desenvolvimento seja bem planejado. (1984). em inglês) ou simplesmente.Como Incorporar Qualidade ao Produto? Como foi visto. London. 1-8 . Esse controle é muito difícil de ser executado uma vez que vários fatores técnicos. W. (1970) Design Methods. S. no. Isso significa que os fabricantes devem procurar continuamente introduzir novos fatores de excitação. S. Este controle é importante para que se possa identificar e corrigir eventuais desvios. PhD Thesis. U. N.K. Para que esse planejamento possa ser bem executado. Annals of the CIRP. 1994. QFD. vol.1.World-Class Manufacturing. Pugh. H. (1987). Gouvinhas. (1995).K.C. J. 1. Chapman & Hall. London. Mc Graw-Hill Book Company. Second Edition. Total Design. Cross. K. é importante utilizar-se de algumas metodologias que ajudam no sequenciamento desta execução. USA. Cranfield. Desta forma. Economy. Product Design – Practical Methods for the systematic development of new products. USA. Cranfield University. J. Design for Economic Manufacture. Chichester. London. USA. Techniques of Structural Problem Solving. Van Gundy. pp 93-97. (1986). Engineering Design Methods. and Menon. (1992). A. USA. New York.

que seja belo (segundo o conceito de um grupo específico ao qual este produto será destinado) ou adequado à sua função principal. 1. além dos já citados. Neste contexto. arquitetos. os vendedores. manutenção. específicas da nossa época. assim como todos os demais seres vivos. São grandes os riscos de fracasso no lançamento de novos produtos. em sua forma mais ampla. mas a criação de um produto que seja adequado aos diversos níveis de usuários.Industrial. questões de vendas e transporte. que lutam por formas de responder o mais rápido possível às tendências verificadas entre os compradores. Para que Metodologia de Projeto. com o aparecimento de pessoas especializadas no desenvolvimento e construção de toda a variedade de objetos. matérias primas utilizadas. mesmo que estas não estejam claras ou (como acontece algumas vezes) nem existam ainda. usuários de seus produtos. que incluem.depto engenharia de produção . mas ainda assim as empresas são levadas a gastar milhões (de dólares) em pesquisa e desenvolvimento. uma diferenciação a partir do momento em que o homem passa a impor modificações ao que lhe é oferecido. Diversos autores propõem metodologias próprias para o desenvolvimento de produtos. os consumidores e a própria sociedade. O objetivo final do designer9 não é. os distribuidores. os fornecedores. sendo que esta visão é hoje amplamente aceita. O designer deve compreender a relação entre estes diversos usuários e antecipa-las no caso do desenvolvimento de novos produtos. 2. projeto do produto O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto. pois diante destes riscos existe um ainda maior. porém. servindo para todo e qualquer profissional envolvido em atividades de concepção e/ou projeto. Não basta criar um produto. © 2006 eduardo romeiro filho 89 ufmg . Origens do Método na Concepção de Projetos A espécie humana sempre buscou na natureza a satisfação de suas necessidades. Dentro de um mercado altamente competitivo como o que se apresenta hoje a nível mundial. dependentes de novos lançamentos que atendam às exigências e necessidades do mercado. pois ele deve conhecer o resultado final do projeto antes de tê-lo concluído. projetistas. a atividade projetual assume características próprias. É certo que estas metodologias não devem ser entendidas ao pé da letra. Nesta perspectiva. mas assume uma conotação mais ampla. como engenheiros. embora existam muitas discussões a respeito de qual ou quais seriam os métodos mais adequados de auxílio à projetação. os produtores. Ocorre.ou Desenho . vários teóricos do desenho industrial levantaram a inadequação dos métodos tradicionais e empíricos da concepção de produtos. os responsáveis pelos setores de projeto assumem um papel fundamental para o sucesso (ou fracasso) de suas empresas. desenhistas. Devido a esta crescente complexidade da atividade do designer. etc. como o cliente. Isto levou ao desenvolvimento de uma série de campos de conhecimento específicos. portanto. o termo "designer" não se restringe às atividades ligadas ao Design . Aí reside sua grande dificuldade. algumas mais gerais e outras bastante específicas. etc. e existem inúmeros exemplos desse tipo. criando artefatos que lhe são mais adaptados e convenientes ao uso. o pronto desenvolvimento e lançamento de produtos que venham a atender as necessidades e os anseios dos consumidores tem se mostrado imprescindível ao crescimento e à própria sobrevivência das empresas. Existe um grande número de parâmetros que devem ser levados em consideração. os meios de fabricação. somente a produção de desenhos para a aprovação do cliente e orientação do fabricante. sendo estes também 9 Neste caso. muitas vezes mesclando diversos pontos das várias metodologias criadas pelos mestres. como formas rígidas de se nortear o processo de projetação. o da perda dos mercados (e dos lucros). mas como uma maneira didática de orientação para os estudantes ou iniciantes em design até que consigam eles próprios desenvolver um método próprio de concepção orientado para suas necessidades específicas.

A utilização de uma destas metodologias vai depender basicamente do tipo de trabalho desenvolvido. com pessoas ocupadas exclusivamente com este fim. treinado e formado pelo artesão oficial. inclusive pessoas não pertencentes à equipe de projeto. que procuram delinear de forma mais ou menos específica as maneiras mais convenientes de desenvolvimento de projetos de produtos. Além disso. mas que apresentava consideráveis dificuldades em se tratando de produtos maiores e mais complexos. Esta era uma situação relativamente simples quando se tratava da fabricação de artigos de cerâmica. tem início a atividade específica de projetação. que poderia ser considerado como uma espécie de mercado consumidor. todo o processo de construção do objeto. além das ferramentas tradicionais. através de uma estrutura hierarquizada de aprendizagem. Pode-se dizer que o aumento populacional na Europa a partir do séc. bem como a ampliação dos mercados consumidores através das grandes descobertas forçaram um aumento na produção de bens. com o tempo. como na especificação das dimensões e aspectos formais antes mesmo de sua primeira versão concluída. sendo que as tarefas mais simples eram executadas normalmente por aprendizes. Hoje existem diversas metodologias propostas. segundo MEDEIROS (1981) podem ser definidos como sistemáticos ou intuitivos. através da utilização cada vez maior de métodos específicos para o desenvolvimento de produtos. desde que as dimensões das peças fossem corretamente demarcadas. já que a produção tem que ser mais e mais ampliada. Era também o artesão responsável pelas modificações dos produtos no decorrer do tempo. ou seja. em diferentes níveis de detalhamento e especificidade. um método próprio. próprias de cada atividade. projeto do produto responsáveis pela formação de novos profissionais. como inadequados diante da crescente complexidade dos meios de produção. A utilização de desenhos como forma de representação de projetos leva a uma grande facilidade na definição das características finais do produto. A partir deste momento a atividade projetual ocupa um espaço importante na produção. pelos teóricos do desenho industrial. da montagem do produto e da coordenação dos trabalhos. Esta divisão. sendo de seu inteiro conhecimento.depto engenharia de produção . XVI. trazendo de novo a necessidade de desenhos e informações detalhadas. por exemplo. A progressiva divisão de tarefas também foi facilitada pela utilização de desenhos de representação. 3. de forma a facilitar o controle de suas diversas variáveis. levava a um aumento na produtividade. em que o artesão era ao mesmo tempo responsável pela concepção do produto e pela sua fabricação. já que o número cada vez maior de variáveis envolvidas levam a uma grande dificuldade para seu adequado controle. Este processo. Anteriormente era necessário um modelo. na qual o iniciante era selecionado. o que levou a uma série de tentativas de agilização da produção. a partir de mudanças ocorridas no âmbito social e econômico de seu grupo populacional. segundo regras peculiares e tradicionais. Evolução da Metodologia & Evolução I ndustrial Com a crescente complexidade dos produtos e dos meios de produção fez-se necessária a descrição em meios físicos do projeto e de sua concepção. Os métodos intuitivos são considerados. enquanto os oficiais se encarregavam das peças de maior complexidade. o trabalho foi sendo progressivamente dividido. bem como suas caracterísicas formais e de uso eram definidas mentalmente pelo artesão. para que na montagem houvesse um perfeito encaixe. além de facilitar a construção. Na confecção de um produto que se utilizava de várias peças. sendo utilizados de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido: "A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas. © 2006 eduardo romeiro filho 90 ufmg . já que as variáveis envolvidas eram em número cada vez maior. de forma a atender aos objetivos de acumulação capitalista. levando o designer a desenvolver. que envolvia uma revisão e o desenvolvimento das formas usuais de produção e de concepção de produtos. Os suportes de auxílio ao ofício constituíam-se quase que exclusivamente de gabaritos e apetrechos desse tipo. que já não estava completo na mente do artesão seu criador. de seu nível de complexidade e de uma escolha pessoal do designer pelo processo de trabalho mais adequado às suas necessidades. Estes métodos. Este ponto de vista é amplamente aceito e dispensa maiores justificativas. levando a um desenvolvimento cada vez mais rápido de novos produtos. e não só quantidade de soluções. e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções". um objeto pronto que servisse de exemplo para os demais. Daí o surgimento de diversas "metodologias de projeto". com o fim de auxiliar o designer durante o processo de projetação. Com a consolidação da Revolução Industrial e a crescente sofisticação da produção. foi se tornando cada vez mais difícil a execução do produto diretamente. Com a revolução industrial este movimento se torna mais abrangente. era caracterizado pela ausência de qualquer tipo de projeto descrito em suportes físicos. para que se possa produzir uma maior qualidade. sendo que quase sempre o que ocorre é uma adaptação de uma ou mais metodologias às características específicas do trabalho.

embora as metodologias e processos apresentados estejam em sua maior parte centrados no desenvolvimento de produtos industriais. como os colocados na condição de novos projetos (e não da adaptação ou melhoria de produtos já existentes).um parafuso. torna-se interessante uma investigação um pouco mais profunda das funções deste setor e das diferentes metodologias utilizadas para a concepção de produtos. Adaptada de “Modelo de Ciclo de Vida do Produto”. © 2006 eduardo romeiro filho 91 ufmg . EXECUÇÃO PRODUTO DIFUSÃO USO DESATIVAÇÃO RECICLAGEM Figura 2.depto engenharia de produção . A seguir estão colocadas de forma sucinta as principais formas de contribuição de sistemas informatizados à atividade projetual.concebido pelo homem é um produto. qualquer objeto . Segundo este raciocínio. projeto do produto O desenvolvimento de produtos é bem mais complexo do que pode parecer em princípio. um avião . Modelo de Ciclo de Vida do Produto e Principais Recursos Informatizados: ETAPAS DE PROJETO: NECESSIDADE FORMULAÇÃO ANÁLISE CAE/CAD ESPECIFICAÇÕES SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS CAPP CONCEPÇÃO AVALIAÇÃO SELEÇÃO CAM FABRICAÇÃO . Fonte: MEDEIROS. principalmente nos casos de produtos que possuam níveis relevantes de inovação. um prédio. Sendo assim. 1995. fabricáveis em série. colocados aqui de maneira bastante ampla.

ameaçado pelo aparecimento das primeiras impressoras de tecnologia laser. no entanto. apesar de custos bastante elevados. O mercado foi até o início da década de noventa basicamente dominada por impressoras do tipo matricial. assimilação. O desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais. A tecnologia laser associada à impressão pode ser considerada como uma forma de projeto por inovação. Se as impressoras de tecnologia laser não foram suficientes para abalar definitivamente o © 2006 eduardo romeiro filho 92 ufmg . O surgimento das impressoras de tecnologia laser não representou. na área da informática. A atividade principal de transformação ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. A partir das características de cada produto concebido. análise e síntese. O que houve foi uma segmentação deste mercado. com as impressoras laser ocupando determinados nichos onde a qualidade de impressão representava um fator fundamental e onde havia a necessidade de grandes tiragens de documentos personalizados (extratos bancários para envio pelo correio. e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto. principalmente. de forma semelhante aos processos de resolução de problemas de qualquer tipo: Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto FORMULAÇÃO ANÁLISE SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS AVALIAÇÃO SELEÇÃO EXECUÇÃO Figura 3. Um exemplo deste tipo. que ofereciam significativo aumento na qualidade de impressão. com diferentes modelos cuja crescente sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. Fonte: MEDEIROS. por exemplo). por inovação. sem que haja entretanto modificações radicais nos princípios tecnológicos do produto. uma definitiva ameaça ao mercado das matriciais devido. ao alto custo representado pelas novas impressoras em relação àquelas já existentes. 1981. entretanto. Este mercado foi. O processo projetual pode desta forma ser dividido em etapas. é o das impressoras. BACK (1983) diferencia dois tipos de projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. PROJETOS POR EVOLUÇÃO E INOVAÇÃO. projeto do produto PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETO DE PRODUTO. onde uma nova tecnologia rompe com as condições do mercado. Os projetos por evolução seriam aqueles nos quais as descobertas científicas e tecnológicas são agregadas a modelos precedentes.depto engenharia de produção .

350 300 250 Em Milhares de 200 Unidades 150 100 50 Maticial 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. com o objetivo de criar obras densas e de concepção pessoal. MUNARI (1975) apresenta uma visão de metodologia aplicada à comunicação visual. principalmente.depto engenharia de produção . sociais e econômicos da população usuária. © 2006 eduardo romeiro filho 93 ufmg . las técnicas precisas y con la forma que corresponda a la función (incluida la función psicológica). a série de projetos evolutivos das impressoras matriciais está praticamente suplantada pelo impacto de projetos baseados em inovação. entretanto. Pode-se dizer que.) Neste caso. equipamentos periféricos de sistemas CAD responsáveis pelo traçado em elementos físicos (papel. op. objetivo deste trabalho discutir este assunto. “Pero el diseñador. a preços cada vez mais baixos. competindo diretamente em nichos de mercado pertencentes às duas outras tecnologias. atualmente. seja no caso das impressoras a laser como. como aspectos culturais.” (MUNARI. oferecendo uma impressão de alta qualidade (embora não atinja ainda os níveis de algumas das impressoras a laser). mas que atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos.) Laser Figura 4.) que também enfrentam a concorrência da tecnologia de impressão a jato de tinta. projeto do produto mercado das matriciais. Segundo o autor. como meios tecnológicos disponíveis para fabricação. nas baseadas em jato de tinta (para aplicações domésticas e de pequenos usuários. O mesmo ocorre em relação os plotters. viabilidade econômica e de materiais. será necessário um projeto que não somente possua qualidades estéticas10 e que seja compreensível para seu público. mas que possui uma natural similaridade com diversos conceitos do design e das engenharias. fonte: RIMA Impressoras. por exemplo. citado por INFORMÁTICA EXAME (1996) METODOLOGIAS DE PROJETO DE PRODUTOS. Não é. pois depende de fatores por demais complexos.cit. o crescente desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato de tinta parece trazer este perigo. Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. acetato etc. que começa a tornar-se economicamente viável nesta área. mas apenas chamar a atenção para sua existência e sua inegável importância. no denominado mercado SOHO . dado que ha de utilizar toda clase de materiais y toda clase de técnicas sin prejuicios artísticos. embora apresente um enfoque especial às características estéticas e visuais do produto. ha de disponer de un método que le permita realizar su proyecto de forma adecuada. Vendas desde 1992 e estimativas para 1996.Small Office and House Office). o artista projeta suas obras utilizando- se de regras clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. entre (muitos) outros. O autor apresenta 10 O termo “qualidade estética” pode gerar uma interminável fonte de discussões.

Durabilidade prevista para o produto. seguindo as sugestões de Asimow. apresentando um produto com variável grau de inovação. fonte: MUNARI. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. sob pena de todo o processo de concepção ser alterado por uma definição equivocada da questão a ser atendida. seja esta análise realizada pela empresa (pelo departamento de marketing.depto engenharia de produção . de tamanho natural ou em escala. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. com a construção de um ou mais protótipos. pois deve levar a uma síntese das necessidade e dos elementos identificados. Modelos. Limites para o projeto. em níveis crescentes de detalhamento e sofisticação. sem contudo atuar fora dos limites previamente impostos. que atenda as necessidades levantadas e dentro dos limites existentes. Disponibilidade técnica. Da síntese criativa nascem os modelos. por exemplo). exigências e características do mercado. O componente físico (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. que apresenta estreitas semelhanças com a maioria dos métodos para solução de problemas: © 2006 eduardo romeiro filho 94 ufmg . Esquemas Metodológicos apresentados por MUNARI Archer Fallon Sidal programação preparação definição do problema levantamento de dados informação exame de soluções possíveis análise valoração limites síntese criatividade análise técnica desenvolvimento seleção otimização comunicação projeto cálculo protótipos testes modificações finais Figura 5. Fallon e Sidal. Identificação dos aspectos e funções. 1975 A partir deste exemplo pode-se ter uma idéia bastante simplificada de como funciona o processo projetual. até atingirem a forma do produto final. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. de acordo com a análise das necessidades. enquanto o psicológico (aspectos culturais. Elemento central do processo de concepção. levando a uma “solução ótima” para o produto. projeto do produto uma metodologia baseada nos esquemas de Archer. O problema deve ser analisado a partir de dois componentes principais: o físico e o psicológico. possui os seguintes pontos principais: Enunciado do problema. utilização de componentes já existentes. e que. por exemplo) ou pelo próprio designer. O problema a ser abordado deve estar bem definido. Criatividade.

o que torna cada uma delas apropriada a determinado tipo de problema (ou produto). levantamento de informações. Naturalmente um produto tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. mesmo devido ao fato de que na maioria dos casos.Econômica Aspectos .Funções Histórico .Geográfica Física Psicológica Tempo de Uso LIMITES DO PROJETO Regras Partes Existentes Mercado Identificação dos Elementos de Projetação Materiais e Disponibilidades Tecnológicas Instrumentos CRIATIVIDADE Código do Usuário Síntese MODELOS Primeira Comprovação Soluções Possíveis A MAIS ADEQUADA Programa de Projetos PROTÓTIPO Figura 6. os processos de concepção e tecnologias de fabricação de produtos mais "simples" estão amplamente disseminados. entretanto. determinação da solução e detalhamento. Pode-se dizer que o nível de sofisticação e detalhamento do processo metodológico adotado obedece às características do produto a ser desenvolvido. As formas de aplicação destas metodologias. Enunciado do Problema Verificação Identificação Verificação Cultural Técnico . geração de alternativa.depto engenharia de produção . concepção. apresentam diferenças importantes. projeto do produto necessidade. fonte: MUNARI. sendo muitas vezes possível seu inteiro domínio (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou mesmo por uma só pessoa. por exemplo) não necessitará do rigor metodológico de produtos mais sofisticados (como um avião ou uma planta industrial). 1975 © 2006 eduardo romeiro filho 95 ufmg . como no caso da produção artesanal. PROCESSO METODOLÓGICO PROPOSTO POR MUNARI (1975).

Fracionamento do problema. Localizar Parâmetros. foram desenvolvidos diferentes processos metodológicos. Análise. Convergência. Protótipo. através da determinação de parâmetros e geração de alternativas. Escolher Solução (Design) Final. A partir daí. Formulação. © 2006 eduardo romeiro filho 96 ufmg . Problema. Transformação Percepção ou Transformação da Estrutura do Síntese. transformação e convergência). cujos diagramas comparativos (bastante simplificados) encontram-se a seguir: Metodologias de Projeto de Produto Metodologia proposta por JONES: Divergência. Desenvolvimento Identificar Contradições. Embora não aborde outras etapas de projeto como detalhamento do produto e construção de modelos e/ou protótipos. até que se chegue a uma solução final de design. Análise de soluções existentes. Formulação. que muito mais do que devaneios de concepção artística funcionam como recursos de extrema importância para a geração de alternativas (especialmente com relação a aspectos formais do produto) e desenvolvimento de inovações significativas. Finalidade particular do produto. Informação Primária. Revisão. 1981. com determinadas características bastante específicas e adequados a diferentes situações. Finalidade geral do projeto. Fabricação da Pré-série Execução. Desenvolvimento de alternativas Concepção e desenvolvimento Verificação e seleção de alternativas. que poderão levar a diferentes soluções. Figura 7. Características do produto. Estruturada em três fases (divergência. Formulações particularizadas do problema Síntese. fonte: MEDEIROS. BONSIEPE e ASIMOW (além de uma de sua autoria). Modificação do protótipo. Exploração da Situação do Projeto Análise. Execução. 1981. Avaliação e solução. através da transformação dos dados obtidos na etapa de informação primária. Avaliação. Projeto. pode-se perceber neste caso o “movimento” existente no processo de concepção. a metodologia de JONES indica etapas importantes da atividade de concepção: partindo-se de uma situação bastante definida (o problema). Formulação geral do problema. Avaliação e Solução. abrem-se diversos caminhos. Elaboração de detalhes particulares. problema Projetual Valoração da necessidade. o processo de concepção levará a uma “filtragem” das soluções possíveis. MEDEIROS (1981) apresenta algumas destas metodologias para a atividade projetual. Combinar Sub-Soluções em Alternativas Avaliar Alternativas. Concepção e Descrever Sub-Soluções. Figura 8. Hierarquização dos problemas parciais. Requisitos específicos e funcionais. projeto do produto Seguindo este processo básico de raciocínio. fonte: MEDEIROS. desenvolvidas por JONES. mais ou menos adequadas.depto engenharia de produção . Proposta de BONSIEPE: Estruturação do Descobrimento de uma necessidade.

bem como um aspecto cíclico que aparece como uma constante durante o processo. © 2006 eduardo romeiro filho 97 ufmg . Execução. Formulação. Revisão. 1981. Análise de estabilidade. Em um crescente nível de detalhamento. determinando etapas desde o descobrimento e valoração da necessidade até a fabricação em pré-série. Pode-se notar a separação entre duas etapas fundamentais: a estruturação do problema projetual e o projeto propriamente dito. Etapas como avaliação e revisão repetem-se ao longo do projeto. Revisão. sejam estabelecidos parâmetros para novos projetos com base em erros e acertos do projetos desenvolvidos. designer alemão. Análise de compatibilidade. Avaliação Análise econômica. Modelos matemáticos. apresenta uma metodologia mais elaborada. Desenvolvimento. Análise das necessidades. Identificação do problema. Seleção de concepção. projeto do produto GUI BONSIEPE. etapas importantes para que. Projeções para o futuro. apresentando menores ou maiores peculiaridades em função de características próprias do produto a ser concebido e do público ao qual é destinado. Concepção para o projeto. Avaliação. chamando a atenção para o fato de que o processo projetual não é estático ou linear. BONSIEPE chama desta forma a atenção para a importância de um firme enfoque em relação ao problema a ser atendido como forma de tornar consistente a solução adotada. através de um processo de feed back. Análise e revisão. Projeto geral de componentes. Previsão do comportamento do sistema.depto engenharia de produção . Análise de sensibilidade. Projeto geral de sub-sistemas. Re-projeto. Concepção. Projeto Detalhado. Otimização formal. Verificação da concepção do projeto. a metodologia apresentada por JONES tem como características principais uma abordagem mais ampla do processo projetual em relação às anteriores. Processo metodológico proposto por ASIMOW: Estudo de Exeqüibilidade. Simplificação do projeto. Projeto Preliminar. Análise física. Programa de testes. Análise financeira. Análise e síntese. Figura 9. Avaliação. fonte: MEDEIROS. que inclui etapas como construção de protótipos e fabricação da pré-série. Desenhos de montagem. Neste caso é observada uma maior amplitude em relação ao processo projetual. Preparação para o projeto. Construção experimental. Projeto detalhado das partes.

do produto ou sistema de produtos. Detalhamento da solução para cada componente. pode-se observar um cuidado do autor em determinar os diferentes níveis do projeto. Desenvolvimento da concepção formal . processos de solução. Tese de Mestrado. “de acordo com a equipe e o tempo disponíveis”. Análise dos fatores de difusão. Análise das tarefas de manutenção. Etapa de Testes. Desenvolvimento de alternativas para cada componente. 10: Metodologias de Projeto (Jones. Detalhamento da solução para cada peça. N. dos Requisitos.). Asimow e Medeiros) Fonte: MEDEIROS. Viabilização do projeto. Programação da etapa seguinte. E. apresenta como característica marcante um alto nível de detalhamento. Análise e avaliação dos produtos existentes. 9. Neste ponto estão dois elementos cruciais no desenvolvimento projetual: a equipe responsável e o tempo disponível.). sub-sistemas e funções técnicas do produto. Revisão de documentação.avaliação da compatibilização dos sub-sistemas . Etapa de Definição Definição dos requisitos e restrições. Figuras 7. 8.depto engenharia de produção . entre seqüências predominantemente lineares ou aquelas em que há o desenvolvimento paralelo de várias etapas. Na metodologia apresentada. obsolescência). Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto. Análise das condições ambientais. Ora. Desenvolvimento Avaliação e seleção de alternativas de concepção. Identificação inicial do contexto de projeto (situação do projeto. produtos e política existentes. freqüência e tempo de uso). Análise dos fatores antropométricos.cit. Fracionamento e hierarquização dos sub-sistemas do produto. Análise do processo de trabalho. projeto do produto Metodologia proposta por MEDEIROS: Etapa de Identificação. 1981. Avaliação e seleção de alternativas para cada peça. Planejamento do trabalho (definição do escopo do projeto.execução de modelos e desenhos. desde sistemas completos até peças isoladas. Etapa de Análise. Desenvolvimento de alternativas para cada sub-sistema. Construção de protótipo(s) das solução(ões) adotada(s). A metodologia proposta por MEDEIROS (op. Análise dos fatores de operação (sistema. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. Etapa de Desenvolvimento de alternativas de concepção do produto como um todo. em especial na etapa de análise. mercado e normas de legislação). Avaliação e seleção de alternativas para o produto. Análise dos fatores morfológicos. Definição de características e sub-sistemas do produto. é sugerida a possibilidade de que a etapa referente às diversas análises realizadas possa ser realizada de forma paralela. Além disso. O autor apresenta diversas formas de desenvolvimento do processo projetual. Avaliação e seleção de alternativas para cada componente. Revisão de Projetos. Identificação dos fabricantes e usuários. Análise dos fatores de produção. Detalhamento da solução para cada sub-sistema. Análise das tarefas de comando (importância. Bonsiepe. a crescente complexidade tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente © 2006 eduardo romeiro filho 98 ufmg . Desenvolvimento de alternativas para cada peça. Estes dois aspectos representam uma importante referência para alguns problemas bastante sérios.

projeto do produto

eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção e apresenta soluções sem a
utilização de uma metodologia definida11. Em seu lugar surgem equipes cada vez maiores, especializadas no
desenvolvimento de projetos em suas várias especialidades.
Se a criação de equipes ou centros de pesquisa torna-se um recurso inestimável à atividade projetual,
traz em se bojo uma série de complicações, basicamente relacionadas à necessidade de um efetivo e adequado
gerenciamento de todo o pessoal envolvido e, principalmente, da informação que circula entre os diferentes
grupos.
As questões apontadas sugerem, em princípio, a concentração de tarefas em pequenos grupos, formados
por elementos de diferentes especialidades ou, por outro lado, a criação de estruturas que permitam a interação
de diferentes equipes. A formação de uma pequena equipe de projeto apresenta a inegável vantagem da
circulação das informações de forma praticamente imediata. A realização de reuniões periódicas, neste caso, é
bastante facilitada, tendo em vista a proximidade física e a na maior parte das vezes estreita relação profissional
existente entre os diferentes membros12.
Esta solução, entretanto, apresenta seus limites tendo em vista a limitação prática da abrangência
tecnológica do produto. Projetos de mobiliário, por exemplo, podem ser desenvolvidos por pequenos grupos de
projeto (ou mesmo individualmente), tendo em vista as características específicas da tecnologia utilizada na
fabricação do produto. No caso de um automóvel, por outro lado, estão envolvidas no mais das vezes centenas de
pessoas, em diferentes empresas e países, com responsabilidades diversas sobre o produto final, desde a
concepção da carroceria até o dimensionamento de pequenos parafusos para fixação de componentes.
A complexidade verificada na maioria dos projetos de design e engenharia atuais, portanto, acaba por
impedir na prática que o trabalho seja inteiramente desenvolvido por um único grupo, de forma isolada. Diversas
equipes cooperam entre si, e contribuem para um bom resultado de conjunto final. Durante o desenvolvimento
do empreendimento, uma grande quantidade de informação circula entre os participantes. Relatórios técnicos,
memoriais de cálculo, memoriais descritivos, especificações, plantas, esquemas, desenhos técnicos de
detalhamento e montagem exemplificam o conjunto de documentos que compõem um projeto.
O projeto um automóvel americano demandava, nos anos oitenta, mais de sessenta meses de trabalho
por 900 pessoas, em um total de 3,1 milhões de horas. Na mesma época, projeto semelhante desenvolvido pela
indústria japonesa ocupava 1,7 milhões de horas de trabalho em 46 meses, por 500 pessoas13 (CLARK,
FUJIMOTO e CHEW, 1987, e FUJIMOTO, 1989). Apesar de números bem menores, ainda assim tratam-se
cifras impressionantes. A partir destes exemplos, podem-se avaliar as dificuldades advindas do gerenciamento de
desenvolvimento de produtos. Em casos como estes torna-se impossível, na prática, a centralização do projeto
em pequenas equipes dedicadas.
Outro problema extremamente sério neste campo está na questão do tempo de desenvolvimento de
projeto. Utilizando-se ainda o exemplo anterior, pode-se perceber que, em comparação com a indústria japonesa,
nos EUA leva-se (ou levava-se, na década de oitenta) o dobro do tempo (em horas de trabalho) para o
desenvolvimento do projeto de um automóvel, com quase o dobro de pessoas envolvidas.
Neste caso, não é de forma alguma surpreendente o sucesso conseguido pela indústria automobilística
japonesa, tendo em vista o fato de que ela é capaz de responder aos anseios dos consumidores (futuros usuários
de seus produtos) com muito mais rapidez. Embora de uma forma bastante simplista, pode-se dizer que, na
década de oitenta, os carros japoneses eram lançados três anos antes do que os americanos cuja concepção se
iniciava na mesma época, ou seja, os automóveis americanos já chegavam três anos mais velhos ao mercado.
O papel do design e da engenharia nestes casos é flagrante. Um processo projetual estruturado e bem
conduzido é uma peça-chave para a conquista e manutenção de mercados. O processo de design e o
desenvolvimento de novos produtos assumem importância crescente em um cenário de alta competitividade a
nível mundial como vem ocorrendo desde o início da década de oitenta. Com a globalização da produção, de
nada adiantarão produtos obsoletos, cuja vantagem competitiva seja sustentada somente pelo fator preço de

11
Esta imagem, que JONES (1970) define como “a visão do designer como um mago” é muita bem representada
por personagens amalucados de histórias de ficção, sempre às voltas com novos inventos, como o Prof. Pardal,
criação de Carl Barks para os Estúdios Disney.
12
Mesmo nos casos de equipes relativamente grandes, a proximidade física pode ser bastante positiva em termos
de circulação de informação. Em uma das empresas pesquisadas, mesmo a partir da implantação de uma rede
local a concentração das diferentes equipes de projeto em um mesmo espaço físico foi considerada positiva,
tanto pela gerência como pelos projetistas, em função de uma maior "sinergia" entre o grupo.
13
No Japão, o tempo de fabricação do protótipo é de 6,2 meses, em média, exatamente a metade do tempo
utilizado nos EUA.

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projeto do produto

compra. O destino destes produtos será cada vez mais os mercados marginais, seja interna ou externamente ao
país produtor.
Para a agilização do processo projetual como um todo, no caso de produtos que envolvam grandes
equipes e a necessidade de interação e integração entre diferentes setores, ou mesmo entre várias empresas,
torna-se crucial um fluxo eficiente de informações (ou de conhecimento). O conhecimento deve estar disponível
em tempo hábil e destinada à pessoa certa, para que o processo tenha andamento eficiente. De nada adiantará
uma difusão descontrolada de informações, se cada um dos envolvidos não possuir meios de determinar e
localizar as formas de conhecimento de seu interesse.
Há um outro exemplo que ilustra bem o problema do desenvolvimento de projetos envolvendo
tecnologias sofisticadas e processos “globalizados” de produção. O novo avião Boeing 777 possui componentes
fabricados em países tão diferentes como Austrália, Brasil, Japão, Itália, Canadá, França, Coréia do Sul,
Singapura14 e Irlanda. Como gerenciar equipes de projeto das diferentes empresas envolvidas, situadas a tão
grande distância e de tão diferentes “procedimentos culturais”?
A utilização de sistemas CAD pode auxiliar em muito a difusão e intercâmbio de informações em
tempo real, mesmo a grandes distâncias. Neste caso, a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus
fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça, bem como sugerir alterações
pertinentes. As vantagens trazidas pela adoção do CAD, entretanto, somente poderão ser efetivamente
observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual, adequando-o às novas
ferramentas tecnológicas.
Os sistemas CAD permitem, desta forma, o desenvolvimento simultâneo de diversas fases do
projeto, a partir de um compartilhamento adequado das informações geradas. O CAD torna-se nestes casos uma
poderosa ferramenta de integração, permitindo já na fase de projeto, se obter uma representação bastante precisa
do aspecto final do sistema, simular sua operação e prever eventuais erros de projeto. Desta forma, o CAD vem
de encontro às necessidades de uma forma específica de desenvolvimento de projeto, denominado Engenharia
Simultânea15.

O COMPUTADOR NO PROCESSO PROJETUAL16.
O projeto de produtos é, portanto, uma atividade extremamente complexa, que não deve ser restrita a uma forma
de arte, ciência ou engenharia, pois se trata de um meio híbrido que para ter êxito exige uma perfeita combinação
das três especialidades. Coloca-se hoje como fundamental um perfeito domínio de uma grande quantidade de
informações, bem como uma perfeita comunicação e transmissão constante de dados entre os diversos elementos
da equipe de projeto, entre as diversas equipes de projeto e entre estas e os demais setores da fábrica, como
marketing, produção, etc.

Para que isto ocorra de forma satisfatória, em muito auxilia (ou deveria auxiliar) a utilização de
meios informatizados. Entretanto, o que pode ser constatado na maioria dos casos reais é que este auxílio não
existe, ou existe de forma bastante limitada, se for levado em consideração o potencial oferecido pelos sistemas
CAD ao setor de projetos. Enquanto nas áreas administrativa e afins a utilização da informática já se apresenta
como relativamente consolidada, nos setores de projeto e produção o caminho apenas começa a ser traçado, o
que tem trazido diversos entraves para implantação e utilização dos sistemas informatizados.
No caso específico da atividade projetual, as inovações trazidas pela informatização não podem ser
resumidas à mera utilização de novos instrumentos, já que a concepção de todo o projeto e a definição dos
processos de trabalho não depende agora somente do designer, engenheiro ou arquiteto, mas também do
computador, de sua capacidade, do software e dos especialistas em informática (17), que interferem nestes
processos com o desenvolvimento dos equipamentos hardware, sua manutenção e na criação de software que
devem adequar-se à atuação de outros profissionais.

14
Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: "As grafias erradas Cingapura e cingapurense provêm
de um texto das "Peregrinações" de Fernão Mendes Pinto, do séc. XV, época em que não se cogitava dos
problemas ortográficos. (...) Singapura vem do sânsc. sinh (leão) e pura (cidade)."
15
Também denominada Engenharia Concorrente (MOREIRA, 1993) ou Paralela (KOVESI 1993).
16
"Primeiro, enfie em sua cabeça que computadores são máquinas de escrever e calcular grandes, caras,
rápidas e idiotas." (TOWNSEND, 1984).
17
"Depois, convença-se de que os técnicos em computadores que você provavelmente chegará a conhecer ou
contratar são, em sua maior parte, complicadores, e não simplificadores. Eles tentam fazer a coisa parecer
difícil. (...) Usando seu jargão, estão engendrando uma mística, um sacerdócio, seu próprio ritual de
"blablablá" para evitar que você saiba o que eles - e você - estão fazendo." (TOWNSEND, op.cit.)

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projeto do produto

Os sistemas de projeto assistido por computador apresentam-se hoje como de inegável vantagem para
diversos campos da arte e das atividades de projeto, em especial para aquelas ligadas às engenharias. Além do
CAD, de outras formas o computador auxilia o projeto, tais como para arquivo de dados e/ou imagens e o
processamento destes dados segundo critérios pré-estabelecidos. Este é um aspecto importante para a fase
anterior ao projeto, durante o levantamento de dados.
"Um computador não cria, a qualidade da solução depende sempre do designer e
estou convencido de que no futuro também será assim. Só que, se antes algumas tarefas eram
deixadas de lado por falta de tempo ou pelo seu custo, hoje, através da computação, elas
podem ser realizadas (...) Não há nenhum programa que traga qualquer contribuição ao
designer, além daquela de ser um instrumento de trabalho mais versátil, que pode economizar
tempo. Não estamos ainda em situação em que determinadas fases do projeto possam ser
facilitadas através da computação. Ela é sempre ainda um mero instrumento de trabalho.
Tanto quanto antes é preciso definir características e só então há sentido em utilizar o
computador." (NAGEL, in BONFIM, 1987).

Após a definição do produto, com base nos dados levantados, o computador pode ser utilizado para a
confecção dos desenhos bidimensionais. É possível também gerar imagens tridimensionais do produto (neste
caso, produto tem uma conotação ampla, podendo variar desde um parafuso até um avião), permitindo uma
melhor visualização do objeto por pessoas estranhas aos tradicionais sistemas de vistas ortogonais. Podem ser
também realizados testes e simulações de esforços estruturais sem a necessidade de construção de maquetes.
Entretanto, dentro de uma visão mais abrangente de projeto, sendo este um exercício de concepção,
pode-se dizer que o CAD funciona ainda principalmente como um banco de dados, de soluções de projeto
existentes, ainda não apresentando-se como uma fonte de soluções consideráveis de concepção, sendo este
exercício, a concepção/criação do objeto, ainda um privilégio do usuário, fato que muitas vezes passa
despercebido quando se fala em sistemas de projeto assistido por computador. Este, pelo menos por enquanto,
continua funcionando apenas como um apoio à fase posterior, ou seja, a da descrição da idéia concebida. O que
não deixa de ser um grande avanço.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
BONSIEPE, Gui. Teoría y práctica del diseño industrial - Elementos para uma manualística crítica. Colección
Comunicacion Visual. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1978.
JONES, Christopher J. Métodos de Diseño. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1976.
MEDEIROS, Estevão Neiva de. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto.
Rio de Janeiro, COPPE/UFRJ, Tese de Mestrado, 1981.
MOORE, Gary T. et alii. Emerging Methods in Environmental Design and Planning. The Massachusets Institute
of Technology, 1973.
PUGH,S. CAD/CAM - Its Effect on Design Understanding and Progress. Tucson, Robotics and Automation
Conf. 1985.
TOWNSEND, R. Further up the Organization. New York, Alfred A. Knopf, Inc., 1984.
ROMEIRO FILHO, E. O CAD na Indústria - Implantação e Gerenciamento. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ,
1997.

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projeto do produto

Criação:
Libere sua Criatividade.
Condensado de: Psychology Today (jul/ago, 1996), (c) 1996 por Sussex Publishers, Inc., 49 e.
21 st, New York N.Y. 10010.

Robert Epstein (Diretor emeritus do Cambridge Center for Behavioral Studies em
Massachusetts e autor de Creativity Games for Trainers.)

VOCÊ É CRIATIVO? Se é como a Feche os olhos. Deixe que sua mente
maioria das pessoas, provavelmente acha que não. vagueie livremente por uns minutos. Relaxe e
Durante toda a vida nos dizem que a criatividade é permita que seus pensamentos fluam sem dirigi-los.
coisa rara e misteriosa, que somente os artistas são Você saiu do quarto? Deixou a terra? Vagou até as
criativos, que é uma função do "cérebro direito", estrelas? Se tiver bastante tempo e nenhuma
seja o que for isso. Mas depois de quase 20 anos de distração, todo mundo vê, ouve ou experimenta
pesquisas em laboratório, cheguei à conclusão de coisas impossíveis de experimentar na realidade.
que a criatividade está ao alcance de qualquer um - Já dirigi esse exercício por toda parte,
sem exceção. Nos últimos anos tenho aplicado com inclusive no Japão, onde, talvez por motivos
sucesso algumas lições do laboratório a situações culturais, poucas pessoas se dizem criativas. Mas
da vida real, com crianças e professores, pais e depois de alguns minutos, as platéias japonesas
executivos de companhias. relatam sonhos tão ricos quanto os de Salvador
Para liberar o seu potencial criativo, Dali. Um homem disse: "Voei ao topo do prédio ao
domine essas estratégias. Pode ser que seja só isso lado e vi este prédio se desmoronando enquanto
que está entre você e algumas das pessoas mais comia um sanduíche. (A IBM ocupava o prédio ao
criativas da história. lado. Estaria ele em busca de um emprego melhor?)
Captação. As novas idéias são fugidias, Captar é mais fácil em certos ambientes e
como coelhos correndo pela sua consciência. Se em certas ocasiões. Para algumas pessoas, há três
você não as agarrar depressa, em geral desaparecem condições para a criatividade que são especialmente
para sempre. As pessoas que levam a sério a férteis: cama, banho e ônibus - especialmente se
exploração de sua capacidade criadora aprenderam você tiver sempre material para escrever à mão
meios de prestar atenção nas idéias e conservá-las. nesses lugares. Outros precisam sentar-se junto de
Essas pessoas têm a habilidade da "captação". um poço ou uma cabana solitária no mato.
Salvador Dali, o grande surrealista, Desafio. Um meio de acelerar o fluxo de
captava idéias do estado fértil do meio sono novas idéias é colocar-se em situações difíceis, em
chamado hipnagógico. Ele ficava sentado numa que você provavelmente fracassará. O espantoso é
poltrona com uma chave na mão, por cima de um que o fracasso pode ser um manancial de
prato colocado no chão. Quando adormecia, o ruído criatividade - se for bem manejado!
da chave batendo no prato o despertava. Tipicamente, quando não conseguimos
Imediatamente, ele desenhava as imagens bizarras fazer alguma coisa, nos sentimos frustrados e - o
que estava vendo. mais importante para a criatividade - começamos a
Todos nós temos incríveis experiências experimentar outros procedimentos. Muitas idéias
perceptivas nos momentos antes de adormecermos competem vigorosamente, intensificando muito o
profundamente. Dali apenas inventou um meio de processo criativo.
agarrar algumas delas. Os pintores trazem sempre Digamos que você comece a girar uma
consigo seus blocos de desenho. Os inventores e maçaneta que sempre girou com facilidade. Ela não
escritores levam blocos de notas ou computadores se mexe. Você torce com mais força. Aí você a
portáteis, ou tomam notas em guardanapos e papéis puxa para cima ou empurra para baixo. Talvez a
de balas. sacuda. Depois, pode ser que você empurre a porta
Eis um exercício simples que criei para com o ombro ou lhe dê um pontapé. Poderá até
convencer as pessoas de seu potencial de gritar por auxilio. Esses esforços - colhidos de
criatividade. Eu chamo a isso "capturando um procedimentos estabelecidos - provavelmente
devaneio". levarão a novas soluções. Em resumo, a

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OECH. Um "Toc" na Cuca . Apllied Imagination. Sob um microscópio. 1963).velcro combinou anos de seremos capazes de resolver melhor os pequenos treinamento como engenheiro à sua curiosidade problemas que nos afligem no dia-a-dia.ou apenas rearrume algumas coisas Elimine o envelhecimento. projeto do produto criatividade não é mística: é uma extensão do que Inúmeros progressos foram possibilitados você já sabe. amigos ou colegas. prefira a quantidade à qualidade. consoante as pessoas e a dificuldade do tema. Usando suas simples. está na companhia dos maiores poetas. Com filhos. por exemplo. todos O produto final .(jul/ago) 1996. pegue um enfático "sim"! Se você estiver se sentindo livro de História. No carro. New York: Sussex Publishers.que se mova de sessões às suas calças. Mas produção criativa. Criada por Osborn em 1963. Osborn (Scribner's. esses desafios insolúveis vão estimular uma porção A maneira de você reagir aos outros é de idéias novas e interessantes. viu pequenos particulares a reuniões em grupo . Estímulos variados e que estão um atraso de vida. Nós queremos sabe coisa alguma e nem quer saber. resultante explosão de idéias e realizações poderia fazer as do Renascimento parecerem um passeio numa bicicleta parada. Inc. aprenda sobre assuntos de que não acelerar a produção da criatividade. Libere sua Criatividade. É disso mude para um programa educativo. procure Ambiente.gera tipicamente "ganchos" nos carrapichos. o líder da sessão deve manter um ambiente relaxante e propício à geração de novas idéias. você tiver e quanto mais diversos forem esses funcionam até certo ponto porque expõem os conhecimentos. São Paulo: Livraria Cultura Editora Ltda. Condensado de: Psychology Today. F.e. Quanto mais conhecimentos debates livres em reuniões. você pode intensificar passar 15 minutos por semana resolvendo o a sua criatividade cercando-se de diversos seguinte: estímulos . © 2006 eduardo romeiro filho 103 ufmg . uma sessão de brainstorming pode durar desde alguns minutos até várias horas. também uma forma de "ambiente" criativo. em mudando esses estímulos regularmente. Por quê? Porque a criatividade é sempre experiências em muitos setores. em vez compositores e inventores de todos os tempos. o que é ainda mais importante - Tome-se um milionário. Coloque objetos fora do comum na sua Arranje um jeito de nunca mesa de manhã .Técnicas para quem quer ter mais criatividade na vida. procure as estações de rádio que você não conheça.. Em regra. A sobre a botânica. mas dinâmicas e diversas.um boné. De Mestral um processo individual. e não respeite a propriedade intelectual.depto engenharia de produção . Se em geral chega em casa e liga bloqueado. porque seus criadores tinham experiência em vários Enormes problemas . O brainstorming tem quatro regras de ouro: nunca critique uma sugestão. em seu quarto. que tinham agarrado o dobro de idéias do que o grupo dos debates alças de fibras da fazenda. de A. Roger Von.desafios abertos. Se você quiser intensificar a sua própria não têm solução . sempre mudando ajudam a promover idéias sempre Você não encontrará soluções. Brainstorming É uma técnica para reuniões de grupo que visa ajudar os participantes a vencer as suas limitações em termos de inovação e criatividade. descobri que um ficou aborrecido ao ver uns carrapichos agarrados grupo "móvel" . encoraje as idéias bizarras. Robert. o engenheiro suíço George indivíduos à desaprovação.também podem ser usados para criatividade. de Mestral estava voltando de um bosque quando Nas minhas pesquisas. as reuniões não costumam ultrapassar os 30 minutos. Bibliografia. bem provável que esteja à beira de uma nova idéia. também inibem a criatividade porque expõem os Nos anos 40. uma semana. Além de zelar para que todos os participantes (geralmente entre 6 e 12 pessoas) cumpram as regras. 1988. que setores. Com novos poderes criativos. um alicate e uma vela. Por fim. por exemplo . claro. EPSTEIN. mais ter de fazer uma tarefa doméstica. começou a tentar criar "ganchos e alças" artificiais. a TV para assistir a uma partida de futebol. maior o seu potencial para uma participantes da equipe a estímulos múltiplos. Os Ampliação. Se você realmente nos colocar em situações frustrantes? Um normalmente só lê romances policiais.

uma vantagem para os usuários. e. ou seja. são os principais objetivos deste item. outubro de 2001 © 2006 eduardo romeiro filho 104 ufmg . Criar um produto “amigável” é produtos tem sido tradicionalmente associados a atualmente um dos maiores desafios do design com uma forma eficiente de inclusão social. A formação de um forte mercado consumidor é considerado. em princípio financeira PRODUTOS. com a abertura do mercado assunto e apontar elementos que contribuam para interno a inúmeros produtos estrangeiros. sociais e econômicos ocorridos produtos disponíveis no Brasil. que pode ser lido produto e. países de industrialização recente do antigo entretanto. que podem representar um verdadeiro “labirinto” para o usuário. segundo a oferta de novos produtos tem se acelerado a partir ADLER e WINOGRAD. nem sempre significam. Globalização e o Totalitarismo. mas inclusive. mais recentemente. não somente aos consumidores (compradores). O geógrafo Milton 18 Artigo apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Economia Doméstica. dentro de conceitos de desenvolvimento econômico de um país. Viçosa/MG. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora Diversos autores preferem tratar a uma nova interface. dos próprios meios de produção e processos produtivos tem trazido A partir de uma série de acontecimentos modificações importantes na configuração dos políticos. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora uma nova interface. Muitas "terceiro mundo"). nem sempre significam. um aspecto-chave para o também aos usuários. vezes o resultado é o oposto. Muitas vezes o resultado é o oposto. A formação vistas à criação de produtos que sejam acessíveis de um forte mercado consumidor é considerado. observadas significativas mudanças nas estruturas de produção e nas formas de organização vigentes. entretanto. inclusive. inibindo a adequada utilização do introduzido por Ignácio Ramonet. que normalmente apresentam inovações tecnológicas em níveis diversos. novas funções e formas de uso. sua discussão são os principais objetivos deste item. a incorporação dos do ponto de vista político como a síntese entre a benefícios oferecidos por este pelo consumidor. sejam nacionais ou principalmente a partir da década de oitenta. uma vantagem para os usuários. Esta GLOBALIZAÇÃO. Levantar este assunto e apontar elementos que contribuam para sua discussão. “usabilidade” (do inglês “usability”. em última análise. em última análise.depto engenharia de produção . novas funções e formas de uso. Posteriormente é observada a progressiva modernização dos modelos e aumento nas opções de bens de consumo fabricados no Brasil. que seja nos países centrais como nos chamados normalmente apresentam inovações tecnológicas emergentes (nova terminologia adotada para alguns em níveis diversos. Levantar este da década de noventa. Segundo que podem representar um verdadeiro “labirinto” TAVARES (1997) globalitarismo é um neologismo para o usuário. são importados. "globalização" por "globalitarismo". ou seja. INTRODUÇÃO Ao designer industrial cabe a concepção de objetos e a elaboração de interfaces mais O acesso ao consumo e utilização de adequadas. inibindo a adequada utilização do produto e. Os novos produtos. a partir de uma abordagem do design industrial. Estas novas configurações. 1992). No Brasil. um aspecto-chave para o desenvolvimento econômico de um país. a incorporação dos benefícios oferecidos por este pelo consumidor. projeto do produto O DESI GN DE PRODUTOS COMO FORMA DE I N( EX) CLUSÃO SOCI AL 18 O acesso ao consumo e utilização de produtos tem sido tradicionalmente associados a uma forma eficiente de inclusão social. MERCADO E NOVOS crescente “Globalização”.

os países "satélites". Parece as mudanças ocorridas. que teve seu início inventem-se outras como critérios marcado pelos governos Reagan (nos EUA) e sanitários. © 2006 eduardo romeiro filho 105 ufmg . o modelo T ser vendido a dos portos às nações amigas" promovida por D. As tarifas sobre bens industriais importados por países ricos são agora menos de 10% das impostas em 1947. Embora as discussões acerca da 1998). existe também o impacto causado ricos). esta ponto de vista devem ser encarados também os situação pode ser em parte explicada por novas planos para a formação de áreas de livre comércio formas de gestão da produção e de 19 20 Em verdade. o comércio mais livre não é sinônimo de um processo de longo prazo mais amplo.depto engenharia de produção . O mercado mundial sofre desta Washington”. onde empresas. antes da primeira das oito rodadas de negociações multilaterais do GATT (Acordo Geral sobre O acesso ao consumo nem sempre representa Tarifas e Comércio). Paradoxalmente. situação esta que é ainda mais fazendo com que o lançamento de novos produtos acentuada a partir da globalização financeira ocorra com a mesma facilidade com que são (PRZEWORSKI. 1995). este processo ocorre em necessidade de maior produtividade por parte das um momento de aparente estabilidade política. desaparecendo. com uma diminuição geral das barreiras alfandegárias. na Ásia. Sob este cada vez mais segmentados. “Ao mesmo tempo em que é um sinal vital de globalização. criação de grandes blocos comerciais remontem aos anos 60. criou uma série de novas obra que bloqueiam importações. pode-se dizer que muitos dos Esta frase. o que vem a deve ser mínimo e as liberdades econômicas acirrar ainda mais disputas comerciais e aumentar a máximas. em 1993. em especial na América definitivamente encerrada a era da produção em Latina. projeto do produto Santos também utiliza o termo (AMARAL et all. desde que esta maneira inequívoca o chamado “consenso de seja o preto20. segundo o qual o papel do Estado maneira significativas modificações. Aparentemente ocorre aqui um paradoxo. comparados àqueles do Imperialismo do séc. 1997) coisas reduz em muito o poder de barganha dos Além das questões econômicas ligadas à trabalhadores e sindicatos (mesmo nos países Globalização. atribuída a Henry Ford. preços que permitiriam lucros de apenas dois João VI em 1808? dólares por unidade (NOBREGA. extremamente eficiente até a década de 20. condições econômicas e sociais. em 1924. os sistemas de governo pautam-se por princípios pois produtos globais devem atender a mercados (pelo menos aparentemente) democráticos. nas bases da Comunidade Européia. como a ALCA. embora A onda neoliberal. Entretanto. que entre outras (Ricupero e Gall. da Rodada Uruguai de negociações. As velhas melhoria nas condições de vida de uma população. 2001). restrições quantitativas estão Acima. XIX. técnicos e de mão-de- Thatcher (Inglaterra). o aumento do comércio é hoje a tônica das relações internacionais. acentua diferenças entre países e impõe pelas inovações dos sistemas fabris que permitem novas (ou muito antigas19) formas de controle sobre uma flexibilidade inédita nas linhas de produção. A Como não comparar a abertura indiscriminada do compulsão pela economia de escala tornava os mercado brasileiro realizada pela administração produtos Ford irresistíveis em termos de preço ao federal no início da década de 90 com a "abertura ponto de. mas parecem-nos claras determinados grupos de clientes. tendendo a criar um único mercado do tamanho do planeta. demonstra de princípios defendidos pelos países ricos podem ser maneira evidente a política estratégica da empresa. Não pretende-se aqui atendidas as necessidades peculiares de aprofundar esta discussão. rio coberto de garrafas. O crescimento do comércio internacional acelerou-se depois da conclusão. onde os Estados de forma geral aceitam de massa e dos carros de qualquer cor.

que permitam o menor modelos diferentes a partir de uma mesma planta impacto possível ao meio ambiente e o surgimento fabril. diferenciados e adequados às necessidades dos Segundo o Professor Robert Maynes. da reciclagem do produto e/ou absorver o impactos physiological and sociological de seus resíduos na biosfera. devem ser analisados as principais se alteram em favor do consumidor. O baixo preço final é em qualidade. até seus usuários characteristics. apresenta Design © 2006 eduardo romeiro filho 106 ufmg . Esta abordagem requer Societies of Industrial Design. O Japão. o maior anos atrás. hierarquizar e perceived by the user are coordenar o atendimento das necessidades dos essential industrial design diversos níveis de usuários (ou clientes) envolvidos resources.depto engenharia de produção . oferta e demanda se estabilizam e progressivamente Neste sentido. desativação e até. o design é arma fundamental para o aumento da competitividade. tactile. alvos principais das ações de marketing) requires specialized e todos aqueles envolvidos no ciclo de vida do understanding of visual.. cada vez mais. formação e organização assumem produtos e conquista (ou manutenção) de mercados. o concorrência. aqueles que irão cuidar anticipating psychological. como a disso.) The industrial adequados aos diversos níveis de usuários. de soluções criativas e diferenciadas em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada.. as empresas competiam em preço. A ação do design nos de um número limitado de componentes. que Desde a década de 70. que possui armas que cada país dispõe para enfrentar a cada vez mais opções de escolha diferenciadas. o que visando a adequada solução para problemas que são permite a criação de sistemas diferenciados a partir progressivamente complexos. vendas. o Society of America (grifo nosso): que demostra que. dentro de uma abordagem cada vez Já o ICSID. designer's unique contribution incluindo desde o cliente que efetivamente places emphasis on those aspects encomenda o projeto (como um industrial of the product or system that interessado no aumento de suas vendas através da relate most directly to human melhoria de seus produtos). estabelecendo uma industrialização avançada demonstram que a interface que privilegie o usuário em situações reais excelência na concepção de produtos é uma das de utilização. Neste caso. em O desenvolvimento destes produtos mercados cada vez mais exigentes e competitivos.(. eis a oferecida pela Industrial Designers determinante nesta busca por constante melhoria. juntamente com a Business School. with concern for the user. parece ter cedido aos apelos da qualidade e das características de interface dos produtos. International Council of mais ampla. factors that influence and are Cabe ao designer identificar. importância fundamental. This contribution produtos. estão incluídos os safety and convenience criteria. século. Amanhã será em Design”. sistemas mais eficientes de produção necessidade cada vez maior de atributos permitem uma maior flexibilidade e a fabricação de “sustentáveis” ao produto. value and appearance Existem diversas definições e conceitos of products and systems for the ligados ao Design (ou Desenho) Industrial. produto. da Harvard consumidores parece ser. Além dias atuais incorpora novas variáveis. e a forma Dentre as definições para Design como estes produtos são concebidos e projetados é Industrial. sejam estes pelo processo de reunificação tenda a ofuscar seus funcionais e/ou estéticos e (2) adequação dos níveis de crescimento global. specifications that optimize the function. Produtos que agora necessariamente formas peculiares de ação.” com o produto. bem possuem bases globais de produção e seguem como a aplicação de metodologias próprias. Hoje objetivo da indústria atual. chaves da competição internacional. manutenção. projeto do produto desenvolvimento de produtos. needs and diretos (não confundir com os compradores dos interests. embora o alto custo representado atributos de valor aos produtos. Industrial design is the professional service of creating and developing concepts and A ABORDAGEM DO DESIGN INDUSTRIAL. Apresenta-se a excelência de seu produtos. quando as relações passaram a ser os principais atributos de escolha. apesar da crise surge como uma nação onde em especial em países desenvolvidos. responsáveis pela fabricação e montagem. grande vedete do final do design é levado a graus crescentes de importância. além dos níveis de como ferramenta fundamental para melhoria dos educação. A mais mutual benefit of both user and comum está relacionada à concepção de produtos manufacturer. padrões definidos de utilização de peças. Outros países de produtos às funções de uso. dentro de uma Education and experience in perspectiva contemporânea. em declaração de 1997: “Quinze "neurose por produtos ecológicos". A Alemanha segue o através principalmente da (1) criação de novos mesmo caminho.

da introdução da micro-eletrônica nos “Design seeks to discover and assess produtos. design e arquitetura de interiores. 1998. Com o desenvolvimento da informática.” Doméstico”). Como atender conhecimento aos quais a introdução de meios às necessidades dos usuários de. a partir da redução de mecanismos internos. design is the central factor of innovative assunto ver HESKETT. visto como todo aquele que interage com o Esta “revolução da informação” trazida produto em seus diversos níveis. principalmente aqueles baseados significado bastante amplo. onde o contínuo aparecimento de ser concebido. especial atenção para o A quebra deste paradigma ocorre. bem como nos produtos a elas de um enfoque centrado na adequação. functional. TECNOLOGIAS. Isto industrial. traz voltados para o mercado de consumo. dando margens a em novas tecnologias. Esta associados. seja ergonômica. A market protagonists (social ethics) liberdade formal e de concepção da interface física • supporting cultural diversity despite the e de software é quase total. conseqüências diretas para todos os cidadãos.” Naturalmente se hoje em um processo de acentuado aumento dos existem diversas abordagens ligadas ao design níveis de desenvolvimento técnico e científico. tendo em vista o grande impacto da divulgação. dos novos materiais e meios de produção. NOVAS INTERFACES. não human community. especialmente nos etc.. vem trazendo modificações diversas definições.) em um NOVOS PRODUTOS. A maior rapidez no atividades ligadas à concepção e desenvolvimento desenvolvimento de novos produtos. por exemplo. Os produtos não with the task of: estão. em especial aqueles projeto e de vida são cada vez mais curtos. seja nos produtos como • giving products. mais ou menos amplos.” forma a serem adequados aos “antigos” ou Além destas. serviços através de toda a sociedade. usuário. Entretanto. que Neste caso. O próprio termo “produto” é de novos produtos. dentre as quais as ligadas à comunicação reflete-se diretamente nas formas de produção e visual. producers and requeiram espaços ou formatos pré-definidos. apud. adequação. © 2006 eduardo romeiro filho 107 ufmg . que são chamadas “tarefas” do design: entretanto. NOVAS processo interdisciplinar da evolução dos produtos. formal à concepção dos designers. variando em função da natureza do produto a países centrais. structural. em environmental protection (global ethics) especial. restritos pelas formas impostas pelos • enhancing global sustainability and dispositivos técnicos. nos novos meios de produção flexível é fascinante. Aparelhos eletrônicos. por exemplo. those forms that are expressive of Entretanto. Um telefone celular. projeto do produto como “a creative activity whose aim is to establish podemos verificar facilmente que as configurações the multi-faceted qualities of objects.depto engenharia de produção . e sempre foi limitada pelas informática. conforme pela crescente adoção de computadores e colocado anteriormente. simbólica. vem fascinando o público em geral. agora. A situação proposta globalization of the world (cultural ethics) pelas novas tecnologias. subordinadas às restrições tecnológicas (sobre este Therefore. que permitem uma até então inédita liberdade expressive and economic relationships. podemos encontrar diversos “recentes” usuários? conceitos na literatura. informatizados pode propiciar uma inegável eletrodomésticos no início do século XX. individual and possui mecanismos mecânicos internos que collective final users. 1969): “O Design reúne (. psicologia e estética. cujos ciclos de de produtos industriais. para escopo deste importantes nos padrões e no modo de vida da trabalho.. cultural. KLAUS e BUHR. estéticas (externas) dos produtos sempre estiveram services and their systems in whole life-cycles. em especial o humanization of technologies and the crucial factor capítulo 9: “Inovação Tecnológica de Design of cultural and economic exchange. tradicionalmente centrada no novos processos de informação. da economia e sociologia. services and systems. notadamente aquelas ligadas à do design industrial. dos potenciais benefícios da atenções do design. trazem alguns problemas também (semiology) and coherent with (aesthetics) inéditos: como configurar estes novos produtos de their proper complexity. Esta visão característica de microprocessadores em praticamente todas as design privilegia uma ação multidisciplinar. É realmente impressionante o grande características tecnológicas dos sistema técnicos número de atividades produtivas e campos do nos quais os produtos são baseados. processes. cognitiva ou semiológica. diante das vantagem. está no centro das pela mídia. da fisiologia e É bastante evidente que o mundo encontra- medicina. não oferecem mais este limite de forma • giving benefits and freedom to the entire restritiva. funções e informações das ciências naturais e da NOVOS USUÁRIOS? técnica. organizational. Nesta definição. limitações tecnológicas impostas? Desta forma. chamamos a atenção para a são influenciados de diferentes formas por estas visão de projeto de produtos a partir da abordagem novas tecnologias. entendemos design industrial como as sociedade como um todo. como o citado por SELLE (1975. dentro atividades humanas.

tendo em vista a grande computador. Levantar de aparelhos de vídeo cassete. Observam-se diferenças entre as nações (conforme KURZ. projeto do produto criam-se condições inéditas para o desenvolvimento população dos serviços prestados. Além disso. enfrentar filas para o atendimento por um número cada vez menor de funcionários. A nova interface.depto engenharia de produção . Entretanto. por conhecimento torna-se cada vez mais uma diferentes razões. se for analisada a nas diferentes áreas da micro-eletrônica. esta Parte expressiva da população idosa. servindo de principal mote para diversas Acima. aí resultados opostos do desenvolvimento científico 1993). campanhas publicitárias de instituições financeiras. como aquelas relacionadas ao desenvolvimento. 21 Agregando funções ao cliente. conforme colocado por COELHO tecnologias. Um bom exemplo desta modificação pode ser observado nos processos de informatização bancária. que tem no computador pessoal talvez o melhor exemplo. condições estas que apresentam diferenças pessoal efetivo para atendimento ao público traz importantes em relação à antiga situação. Para o cliente. através da utilização de sistemas informatizados. O uma série de aborrecimentos àqueles21 que. Pode-se considerar que estes conceitos são parcelas da população que encontram-se à margem bastante compatíveis com a aparente realidade das dos processos de informatização acabam por populações abastadas dos países centrais. uma parcela cada nações mais desenvolvidas. público informatização acaba por potencialmente alijar (ou leigo. agora representada pelo caixa eletrônica. retirar extratos. Nestes casos. associam- vez maior da população idosa sofre com se a estas condições padrões de conforto qualidade dificuldades no uso de novos produtos e novas de vida proporcionados pela utilização de novas tecnologias. produtos antes indisponíveis. por exemplo). Neste caso. em especial quando da utilização de (1993). mas uma radical revisão de todo este processo. pelo cliente. efetuar saques e outras de controles torna sua utilização um tormento para transações podem agora ser realizados diretamente as pessoas leigas (não necessariamente idosas). optam ou são obrigados a fundamental fonte de riqueza para as nações. a partir dos sistemas de caixas automáticos: não houve uma melhoria na organização do processo anterior. o cliente acaba por tornar-se o apenas 3% dos usuários americanos de videocassete responsável pela execução de um serviço que no sabiam como programar seus aparelhos para gravar processo anterior era realizado por funcionários do banco. pessoas de menor instrução ou aqueles que dificultar o acesso) uma expressiva parcela da simplesmente preferem ser atendidos por seres humanos. eliminando a figura do caixa e modificando a relação cliente x banco. no sentido de que a informática funciona e tecnológico: ao mesmo tempo que a medicina como um acelerador do progresso técnico e alcança resultados positivos no prolongamento da científico já tradicionalmente concentrados nas vida e em tratamentos geriátricos. © 2006 eduardo romeiro filho 108 ufmg . onde todo o processo de trabalho e de atendimento é radicalmente modificado pela informática. numa evidente transferência de funções. parte do painel de um automóvel. torna-se bastante perceber que hoje pessoas relativamente jovens claro que a adoção destas novas tecnologias tem encontram-se em ambientes tecnológicos quase que contribuído também para uma acentuação nas totalmente estranhos à sua formação. complicações ao usuário. além de agregar novos (como serviços por linha telefônica e via “Internet”. Segundo pesquisa citada por MORAES (1991). É fácil situação mundial como um todo. sem o auxílio de qualquer funcionário. altera de forma radical as relações do cliente com o banco e altera bastante a forma de prestação dos serviços. encontram-se já bastante velocidade observada nas transformações ocorridas disseminadas. por trás de aparentes facilidades está na verdade a agregação de tarefas que antes eram Um exemplo muito comum é o do ajuste realizadas por funcionários do banco. consigo. muitas vezes. onde as tornarem-se cada vez mais distantes de seu novas tecnologias. A redução do humano. A automação bancária é um exemplo claro em que a informatização é As novas funções agregadas ao produto trazem colocada como elemento facilitador pela mídia. Também nas relações e na interação entre as empresas e o público a informatização provoca modificações consideráveis. cujo grande número saldos.

ano 35. 1996: evidente que aqueles que não tiverem um efetivo http://www.htm domínio de ferramentas tecnológicas estarão excluídos da utilização dos sistemas existentes. Ainda com relação ao compreensão do universo relacionado ao usuário.br/~imprimat/entrevista/mi estar arcando com custos relativos a funções de uso lton-santos. Marina. 21 de fevereiro. Sérgio Pinto de. Estamos desta vídeo cassete (por exemplo. “Aceleração Tecnológica Encurta as Gerações”. em muitos casos. estão fora do alcance do repertório de CHAILLOUX. pois este usuário. Trad.htm#Entrevista que desconhece e/ou não consegue utilizar. em suas novas versões. Clemente. “Botão Vira Paranóia nos EUA”. NORO. São Paulo. RICUPERO e GALL. objetos. com sistemas de controle pesadelo”. BOURDOUKAN. os novos aparelhos de DVD e Usability: Turning Technologies into Tools outros inúmeros exemplos de produtos que Oxford: Oxford University Press. Não se pode Informática. 1993. vídeo cassete. incorporam novas tecnologias em funções que. 244 pp. o treinamento é a maneira mais adequada de Exame. p 6-2.cfh. 1992. visto que o produto é um bem de capital e seu uso é direcionado à situações de PRZEWORSKI. O Colapso da Modernização.org/iddefinition.. Robert. A sociedade atual impõe de maneira Industrial Designers Society of America. para a compreensão da lógica dos sistema estará impossibilitado do acesso adequado à tecnologia. quando a liberdade nos é oferecida para que possamos criar verdadeiros “objetos de A lista pode ser estendida a diversos sonho”. por exemplo. 20-21.ufsc. CHAILLOUX (1992) levanta uma como psicólogos. Nestes NOBREGA. In casos.depto engenharia de produção . Marcelo. e com a © 2006 eduardo romeiro filho 109 ufmg . In Folha de São Paulo. e WINOGRAD.. ano 28. Marina. FREIRE. Caderno a situações de uso específicas. aquele que não detém em seu Derrocada do Socialismo de Caserna à Crise da repertório uma “experiência tecnológica” suficiente Economia Mundial. Inc. AMARAL. por exemplo. Por outro lado. Editora Abril usuário “típico” que passe por treinamentos a cada S.html onda”. 1995. ICSID International Council of Societies of Industrial no qual as pessoas são levadas a cada vez mais Design 1996-2001: “antenarem-se” e manterem-se “na crista da http://www. (19/jun) São Paulo: Folha de São conceber.idsa. (no caso de CDs). entretanto. Leo Gilson. desconheciam a função forma diante de uma oportunidade única na história de receptor de sinais do vídeo).icsid. mesmo que SOUZA. 2001. Quais são os limites da competição Cabe desta forma ao designer e demais e da segurança? Globalismo e localismo. Cabe aos envolvidos na concepção destes aparelhos domésticos que. ou seja. seria exigir demais de um in Revista VEJA . envolvidos com o desenvolvimento de produtos. fornos de microondas com lógicas próprias de funcionamento. ainda assim estará impossibilitado de Revista Caros Amigos nº 17 de agosto de 1998. arquitetos etc. Aparelhos de não se transforme em uma “realidade de televisão. Terry A 1992. Edição 1414. “O Pai de Todos”. 1993. por exemplo.A. sociólogos. Sérgio de. usufruir plenamente de seus benefícios. São Paulo. trabalho. Da Desta forma. In: conhecimentos de parcela expressiva dos usuários. romper esta barreira.10. muitas vezes. p 4-8. KURZ. ALMEIDA. São Paulo: Ed. projeto do produto programas de televisão. nº 4. onde estejamos em um mundo que nos é remoto que controlam a maior parte das funções. João. 210 pp. em São Paulo. Editora Abril. Adam. aparelhos sonoros com BIBLIOGRAFIA funções de memória para programação de músicas ADLER. “Ergonomie et Produits "Grand Public" une Rencontre a Réussir”. Problemas como estes chamam a atenção Caderno Ilustrada. . 1998 “O Território Revela que o Brasil é uma País não Governado - possua condições econômicas para a aquisição de Entrevista com o Professor Milton Santos” In: produtos.org/whatis/definition. cada vez mais desconhecido e. especial se associadas ao atual padrão de sociedade. forma de exclusão. K. ao produto nos qual ela se baseia. Paz e Terra. Performances Humanes & Techniques (abr) Paris. P. impossibilidade de acesso acaba tornando-se uma Georges. da tecnologia. 7 troca de aparelho de telefonia móvel. Roberto. economistas pesquisa realizada na França segundo a qual três domésticos etc. que não podem mais ser controladas no próprio ameaçador. (28/abr) São Paulo: Folha de para um aspecto cruel das novas tecnologias. "O Futuro Será Melhor".. CONCLUSÕES COELHO. Karen Elsabe Barbosa. Paul S. In: Folha de São Paulo. compreender as reais necessidades quartos dos usuários destes produtos possuíam uma e limitações dos diversos grupos de usuários ao representação incompleta do sistema televisão + conceber produtos de uso cotidiano. Copyright 1997 Instituto Fernand Braudel de como engenheiros. nº 42 (18/out). pp. que um médico não utilize Paulo. Esta RIBEIRO. sistemas de diagnósticos avançados por limitações no aprendizado do usa dos equipamentos. além de http://www. Não seria problema se estes produtos fossem destinados MORAES. cuidar para que esta perspectiva utilizam-se de novas tecnologias. aparelho. 1991. Edição 734.

No final da página. servem como referências de “delírios estéticos” de determinadas épocas. que pode ser imediatamente associadas à visão de modernidade da época. estes “sonhos” tomam as ruas e efetivamente contribuem para a renovação criativa da indústria. Pour L’Integration du Point http://www.com. o que seria associado aos “rabos de peixe” comuns nos carros daquela época.org.com. como no caso do New Beetle. Ao lado. © 2006 eduardo romeiro filho 110 ufmg . Brigitte. apresentado inicialmente como um “carro conceito”. Abaixo.abordo. carros-conceito desenhados pela Ford na década de 1950.br/mctavares/art1_97. htm Colección Comunicacion Visual. engenheiros e designers dos principais fabricantes da indústria automobilística realizam exercícios criativos procurando antever tendências. modelo de 1949. Barcelona: Editorial Gustavo Gili. em especial relacionadas ao estilo dos próximos anos. Em outros casos.braudel. 1958. modelo de Acima. projeto do produto Economia Mundial.br/paper17. http://www. Ideología e Utopia del Diseño. Gert. início da corrida espacial. Desde muito cedo. “foguete” de 1959. 24/10/99 SELLE. TAVARES (1997) Maria da Conceição Tavares http://www. estudo de 1956. Sem data. com detalhe abaixo.htm Globalitarismo e Neobobismo Publicado na Folha de São Paulo em 30/03/97 RUEF. auge da guerra fria e da idéia de mísseis e velocidade supersônica. Algumas vezes. alguns exemplos deste caso. Chama-se a atenção para a visão “futurista” dos automóveis e das roupas.h de Vue des Utilizateurs dans le Processus de tm Conception des Produits (mimeo) Paris: Laboratoire d’Etude de l’Usage des Produits TAVARES (1999) Maria da Conceição Tavares de Consommation Capitalismo Regressivo e Ideologia Folha de São Paulo. O sonho do automóvel do futuro.depto engenharia de produção . Contribuición a la teoria del diseño industrial. Não é recente a preocupação da indústria automobilística em relação ao futuro do automóvel. Acima e abaixo.br/mctavares/art10_99.abordo. 1975.

depto engenharia de produção . Barone relembra que. projeto do produto Desenho e engenharia “brigam” por todos os milímetros de criação Design automobilístico . © 2006 eduardo romeiro filho 111 ufmg . em São Paulo. comenta Barone . engenheiros e arquitetos podem. independentemente da escala. passou a ser export ado para a Europa j á no início de 2004. lançado em m eados de 2003. fala sobre sua missão de coordenar as áreas de tecnologia. testado e analisado. É nesse tom descontraído que o designer industrial. Gerson Barone. A idéia de com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos int eriores para o ext erior do veículo.Volksw agen do Brasil O m odelo Fox. Como exemplo. deve ser minuciosamente desenhado. “brigar por todos os milímetros de suas criações”. no projeto do Cross Fox. E cada detalhe. formado pela Fundação Armando Álvares Penteado. criação e acabamentos.observação reveladora do elevado nível de complexidade que envolve o processo do qual resulta um veículo. São necessários ao menos 38 meses para o desenvolvimento de um novo modelo. processo denom inado Designed Around Passengers O gerente de Design da Volkswagen do Brasil. considera-se um arquiteto frustrado. período em que designers. a fabricação de uma peça do painel frontal teve que ser completamente reformulada porque o acabamento texturizado poderia desfiar tecidos delicados. literalmente. que integram a equipe brasileira de uma das mais importantes montadoras mundiais de automóveis.

O briefing dá subsídios à linguagem do veículo. complementa Barone. processo denom inado Designed Around Passengers Ao mesmo tempo. coluna frontal inclinada. Os 12 integrantes do quadro atual da equipe iniciam suas criações das mais variadas formas. são quantificadas em pré-requisitos mecânicos e ergonômicos. de aventura e jovial do briefing do Fox. Modelo conceit ual Fox Pepper. O m odelo Fox. distância entre eixos e chassis. por sua vez. social. amplia a visibilidade e a sensação de segurança para quem dirige. entre outras informações . divulgado pela Volkswagen do Brasil ant es m esm o do lançam ent o do Fox Em seguida. modelo totalmente criado e produzido no Brasil. quase sempre feitos à mão. projeto do produto No entanto. de grande aceit ação no m ercado ext erno int eriores para o ext erior do veículo. É nessa fase. por exemplo. essas premissas estruturais são acompanhadas por abrangente processo de pesquisas. por sua vez. volumétricos e mecânicos. ou seja. Os componentes esportivo. da diretoria. os profissionais do Design Shape dão início à acirrada concorrência interna. que alterna o uso urbano com o lazer fora da cidade. o perfil de um farol. deram margem à criação de design externo elevado. A partir de um briefing . econômico e tecnológico do lançamento do automóvel”. passou a ser O Fox Europa t em com o diferenciais a grade diant eira. o desenvolvimento do novo veículo tem início no setor de Package. volume. finalidade de uso e público estimado. é direcionado ao público jovem. “Como os projetos são sempre muito longos. o detalhe de uma lateral. Mudanças na posição do assento do motorista . de estudos de campo. de uma maçaneta. entre outros -. brinca Barone.elevado 60 milímetros e deslocado para a frente outros 29 milímetros - propiciam mais espaço para os passageiros do banco traseiro. O Fox. de equipes de marketing. por exemplo. Nessa fase são definidos os parâmetros iniciais. lançado em m eados de 2003.que pode vir da matriz alemã. grandes perspectivas. temos que antever os cenários cultural. explica Barone. “em clima de guerra”. que os requisitos do package ganham forma. entre outros belos desenhos. existem etapas de criação bem definidas. A idéia de a m arca VW t eve cont ornos acent uados. Pequenos croquis. convivem lado a lado no extenso painel negro que interliga todas as mesas de trabalho.depto engenharia de produção . qual será sua capacidade de passageiros. que envolve todas as áreas do design. Por isso seu conceito de utilitário esportivo compacto partiu do requisito de transporte confortável de cinco passageiros. “emoção”. A posição elevada.que. em que export ado para a Europa j á no início de 2004. © 2006 eduardo romeiro filho 112 ufmg . portanto. det alhes de lant ernas e com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos a cor am arela. tração. como potência do motor.

Essas maquetes são submetidas à análise dos responsáveis pelo projeto e ao menos duas delas seguirão para a etapa seguinte. e partida ao meio para que duas versões distintas do mesmo veículo sejam visualizadas através da reflexão em um espelho central longitudinal. traseira truncada para sugerir a dimensão compacta. corrigidos através do computador. Além da verificação ergonômica e formal. As fotografias dos modelos são transformadas em superfícies vetoriais. de poucos elem ent os Finalizada essa etapa. mas nós não podemos permitir que o usuário bata a cabeça no teto porque há pouco espaço interno”. que é rígida à temperatura ambiente. Desenvolvida pela equipe do Design Services. com poucos elementos. sejam elas executadas na própria fábrica ou por empresas terceirizadas. Isso porque falta © 2006 eduardo romeiro filho 113 ufmg . projeto do produto acompanhando o desenho do teto. o alisamento matemático possibilita o estudo de reflexos. após a escolha final. O banco t raseiro pode ser deslocado sobre t rilhos. nesse estágio. Essas superfícies terão os contornos e curvaturas “alisados”. Faltam. a análise da interação da forma do veículo com cores e iluminação. de form a a perm it ir t am anhos variáveis de port a.depto engenharia de produção . ou seja. Denominados DKM. agora na escala 1:1. assim como interiores de design simples. pintura e efeitos de luminosidade. eles têm detalhes de acessórios. os esboços dos designers evoluem para o clay. e é realizada com a interferência de um software específico. Ficam expostos em um dos pátios que contornam o Departamento de Design e. “Essa etapa é fundamental porque os designers sempre tentam ganhar milímetros. Designer t rabalhando no m odelo em escala 1: 1 O design int erno do Fox t em linguagem sim ples. Trata-se de uma maquete maciça modelada na escala 1:4 com argila especial. Com essas idéias em mente. entre outros pormenores. grande trabalho pela frente. cerca de 19 meses para o lançamento do veículo e os membros do Design Services passam a fornecer as matrizes para a produção das peças. que se denomina alisamento matemático de superfícies. processo conhecido como fotogrametria. ilustra Barone. capô com fortes vincos para transmitir a idéia de força e fluidez. é realizado novo alisamento matemático.m alas O painel de inst rum ent os concent ra t odas as inform ações e o desenho facilit a a leit ura pelo usuário A equipe de Color & Trim ainda tem. são construídos novos modelos. nessa etapa. essa fase trata da correção de imperfeições ergonômicas ou de execução do clay.

em vez de simplesmente importar soluções”. “A finalidade do design na Volkswagen é buscar novas soluções. Text o resum ido a part ir de report agem de Eve lise Gr u n ow . o que é expresso por texturas de orvalho. couro e mata em tecidos e peças plásticas. desenvolver tecnologia compatível ao contexto local. Os modelos Fox e Cross Fox. como textura visual e tátil de peças plásticas e tecidos. por exemplo. novos materiais.CDs A hast e de cont role j unt o ao m ot orist a perm it e fácil acesso aos com andos de ilum inação © 2006 eduardo romeiro filho 114 ufmg . assim como cores e padronagens. a equipe pesquisou e viabilizou a alternativa de produção com a fibra de abacaxi. projeto do produto definir os detalhes de acabamento. conclui Barone. Como o tecido importado necessário à aplicação dessas texturas era inviável financeiramente.depto engenharia de produção . Publicada originalm ent e em PROJETODESI GN Edição 308 Out ubro de 2005 Aproveit am ent o de espaços: o vão abaixo do cont role do ar. buscaram inspiração em elementos naturais.condicionado pode receber um port a.

projeto do produto © 2006 eduardo romeiro filho 115 ufmg .depto engenharia de produção .

começou a ter dificuldades para cozinhar por aquelas que têm deficiências temporárias ou causa de uma artrite nas mãos. Tucker Viemeister (ele ganhou esse cotidiano do casal e Farber voltou para Nova York nome porque seu pai trabalhou no projeto do carro determinado a produzir objetos que contemplassem Tucker.) São Paulo: Editora Abril. diz o vice-presidente da Privar-se do prazer da cozinha afetou o Smart Design. uma empresa de mil unidades. colheres e abridores de latas. © 2006 eduardo romeiro filho 116 ufmg . espremedores de alho. um material macio e que não escorrega esquecidas para resolver os problemas de todos. que advoga prestar a empunhadura mais grossa que a habitual. O sucesso foi imediato. "Viva a diferença!" in: Revista SuperInteressante. Só que sua mulher. feita de muita atenção em problemas específicos de faixas santoprene. o Oxo vendeu 750 de 39 anos à frente da Copco. o faturamento foi de US$ companhia por US$ 1. computadores ou tesouras. mas nos produtos. 1990. uma linha design internacional de objetos. falta de habilidade). ano 11.4 milhões. No primeiro resolveu que era tempo de gozar a vida. Adélia.. Foundation e pela geriatra Patricia Moore.depto engenharia de produção . os Ele é uma voz dentro de uma corrente crescente no designers chegaram aos Good Grips. percepção vão decaindo". pressentindo que o relatado em filme por Francis Ford Coppola). panelas e artigos de cozinha em Nova York. em abril de 1990. auxiliados pela Arthritis discriminatório: disabilities. Plano perfeito. projeto ao escritório Smart Design. quando a força.3 milhão e mudou-se para o 3. problema não estava nela. BORGES. Depois de o termo parece bem menos pesado e longos estudos. O empresário norte-americano Sam Farber nas mãos. a coordenação e o senso de feitos para pessoas com destreza manual perfeita. pias. Vendeu a ano de comercialização. Abriu Viemeister diz que "são os produtos e a a empresa Oxo International e encomendou um arquitetura que definem as deficiências" (em inglês. de equipamentos.. manusear as facas. sejam carros. destro."Os Good Grips são atraentes. nº 6 (nov. que a impedia de permanentes. um sonho falido do design norte-americano dificuldades como as de Betsy. Depois lançamento. como descascadores de batatas. Só na feira de conseguiu realizar o sonho de muita gente. ou para as que estão envelhecendo. saudáveis e tornam o ato de cozinhar possível para Betsy. para ser colecionador de arte em divertidos e confortáveis de usar pelas pessoas tempo integral. projeto do produto DESIGN: Viva a diferença! Concepções radicalmente novas mudam a forma dos produtos industriais. facas. tesouras. O objetivo é ir além do consumidor padrão — adulto. nem alto nem baixo e em plena capacidade física — e também respeitar as diferenças entre as pessoas. sul da França. completa de utensílios de cozinha cujo "segredo" é de edifícios e de áreas urbanas.

marcam os obstáculos concurso anual da Industrial Design Societies of enfrentados pelos canhotos. e só aí começa a brincar junto. aciona um diferentes e desprezíveis. Ela é toda deprecia aos olhos dos "normais". O motor motoras. As peças são feitas de uretano flexível. O sequer imagina que banalidades do tipo abrir uma carácter de seu design é menos de um produto lata ou usar uma tesoura exigem muito suor. de Michigan.Uma das questões mais importantes atende a um antigo desejo de pessoas com no design para pessoas de idade e hábitos diferentes problemas de locomoção. do Art Center College quanto por canhotos têm uma penetração crescente of Desing. Quem é destro nem America. durável e retardador de chamas. Coloca-se na Mas a estigmatização é ainda mais posição vertical no meio de uma multidão num jogo dolorosa quando ela é exercida sobre as crianças de futebol. mas a numa tela acoplada na cadeira (o sistema também simplicidade das formas e a clareza de como elas se funciona acoplado a um sintetizador de voz ou a agrupam permitem que sejam deixadas nas casas uma impressora de computador). pode torná-la "inteligente": com as crianças. que automática. Esse modelo está estourando em vendas nos convencional de 40% ao empurrar uma roda. podendo voltada para ativar a independência de quem a usa. através do qual pode escrever sentenças concebido para ser usado por terpeutas que vão de com ligeiros movimentos de mão e mostrá-las casa em casa para trabalhar com as crianças. Além Produtos que podem ser usados tanto por destros disso. Sentado. sistema computadorizado e faz tudo. permitindo. institucional e mais de uma "mountain bike". ou quando quer falar "de igual para com problemas. Coloca-se na verem. EUA. Um de seus especialmente manufaturadas. contra a média mãos. provocar até repulsa. "Enfocar a satisfação dos © 2006 eduardo romeiro filho 117 ufmg . com dificuldade de fala. à elétrico é exatamente silencioso. Clarkson. apresentada no Museu de Arte pessoal de transporte urbano. desde cedo acostumadas a se igual" com um parceiro de negócios. que acaba de ganhar a medalha de ouro no Idea 92. escreveu a curadora Cara McCarty no nos países desenvolvidos é cada vez mais catálogo para a exposição "Design para uma vida considerar a cadeira de rodas como um veículo independente". e quase sempre horrorosas — já são inadequação das pessoas com deficiências. é difícil desejar estilo. A altura regulável infantil que passa ao largo da discriminação. Segundo tenha ido mais longe neste conceito seja o McCarty. há o acessório Alpha deitada ou inclinada. reparar no grau de dificuldade que podem ter Outro exemplo de aparência não atividades que antes se faziam de maneira quase discriminatória é a cadeira de rodas New Move. Para usuários montadas para colocar a criança na posição sentada. usou componente normais no mercado. fazendo-a querer dos outros para atos corriqueiros. como seres posição deitada para descansar. A New Move tem no meio do teclado com fácil acesso para ambas as eficiência de 100% na tração. projeto do produto Quem já quebrou o braço ou a perna um produto para deficientes e provavelmente atrair alguma vez. que mais expressam essa instalado no braço da cadeira. pelos olhos dos outros. e não o seu problema. Leve e portátil o Tadpole foi Writer. Estados Unidos no ano passado. Talvez o modelo que Moderna de Nova York em 1988. Um exemplo é o computador portátil de bicicletas e tubos padrão em vez de peças Powerbook Apple/Macintosh. usadas para disputar torneios esportivos Já era hora contribuindo para a sua estigmatização pela de tê-las também em "estilo esportivo". as Através de um joystick igual ao dos video-games crianças usualmente são a. um conjunto de peças macias inverso (mudar a pia da cozinha ou a mesa do e moldadas usado para exercícios físicos com escritório). A Bissel Healthcare elevador para pegar uma lata de cerveja no alto da Company. podem ser livremente concerto depois que ele começou. levando em conta a preferência de quem as produtos que têm "escrito na cara" o fato de serem usa — formal? Informal? Pós-moderno? As dirigidos a pessoas "anormais". sabe como é desagradável depender a atenção de qualquer criança. Vai para onde queira: anda na neve. E com para que os pais continuem a fazer os exercícios modificações na casa. que a pessoa chegue a um Fixadas com velcro. que o empresa norte-americana Permobil. freqüentemente é o equipamento usado desenvolvido por médicos e designers suecos para a pelo deficiente. da Califórnia. poucos percebem. e Estados Unidos. Douglas D. o usuário aciona um repulsa que os adultos procuram disfarçar.depto engenharia de produção . lançou uma linha prateleira do supermercado. Um permite adaptar-se às alturas das coisas e não o dos itens é o Tadpole. Com sua espontaneidade. e uma das aumenta o som do estéreo e abre ou fecha portas qualidades apontadas pelo júri foi a de não parecer sem ter que se deslocar. O Tadpole ganhou um prêmio nos com o controle remoto. o que torna sua diferenciais é ter o mouse posicionado exatamente produção extremamente barata. com o apoio da Business Week. como prova d'água. Há uma infinidade de é a busca de uma estética não discriminatória Num modelos de cadeiras normais disponíveis no mundo em que os meios de comunicação e a mercado e a escolha de uma delas passa por propaganda exaltam o tempo todo o ideal da critérios como conforto e preço mas também pelo juventude e do esplendor físico. diz a propaganda. faz chamadas telefônicas. Essas dificuldades "invisíveis".A tendência sociedade". "Designs pesados e cadeiras de rodas — que sempre foram mais ou embaraçosos reforçam sentimentos de isolamento e menos iguais. em crianças com paralisia cerebral ou outras disfunções terrenos com pedras e até sobe morro.

locomovendo-se em Belo Horizonte com acontecem acidentes dentro de uma casa. a inteligente. Mesmo porque o tema do design universal pintada em sete cores diferentes. não vai querer pisar num "tapete" que emite sons? restaurantes. Em 1990 concluiu um A expectativa de vida de seus habitantes é mestrado na Universidade de Nova York sobre um dos indicadores do grau de desenvolvimento de design sem. Nada mal: você entra. os sua Parati adaptada. de sair mais para se divertir. ou reais de conforto. Ele cita exemplos: O espaço adicional portadores de deficiências. porque a pessoa passa a ser produtiva". De volta. extremamente compacto e conversível. velhos. Em restaurantes com piso liso e vazamentos. controle auditivo de volume. Mas isso público Inax. Mais fácil de guiar do que os automóveis Guilherme de Avelar Rosa. Tóquio. Figueiredo usa prótese nas pernas e muletas. usando bengalas. As Nacional de Design. para designar a produção para com piso de textura antiderrapante telefones com pessoas com "cabelos prateados" (entre nós. os veículos de deficiências. © 2006 eduardo romeiro filho 118 ufmg . com números é bem mais amplo — chega à escala da arquitetura arábicos feitos de lixa colado na superfície. já que as ruas. inglês. os edifícios públicos (museus.Um dos projetos vencedores desse prêmio é propaganda é toda baseada na autonomia dos um belo exemplar de design universal. "É a visão capitalista recente sobre design universal. barras de apoio para corrimãos seja. bolou uma normais. sinais sonoros produzidos eletronicamente (uma É claro que esse é um privilégio caro. masculino. de seria muito constrangedor para os outros. porque aqui não se prevê a acomoda-se num assento dobrável e fecha a porta. etc. jovens. agora usada são sempre bem acolhidas. Na justificativa de voto. de Wisconsin. a Business Week. em qualidade ambiental. Atentos ao fato de aulas na Universidade e tem uma vida social que o banheiro é um dos locais onde mais intensa. Os japoneses em longos corredores ou escadas de poucos degraus cunharam a expressão silver industry. Mas ele acha que teve mais designers da Kohler. muitas vezes ele fica censores inflam automaticamente para impedir em casa. Não é o que acontece em outros projetos para portadores de deficiências gera 10 países. Efeito similar se obtém no mundo todo." Eles a melhoria qualidade ambientar para todos os desenvolveram quatro modelos: para uso exclusivo usuários". diz o arquiteto mineiro Marcelo Pinto feminino. O objetivo foi prover "espaço. como os Estados Unidos. projetado pelo GK Design. Os estudos demográficos mostram um acionadas pelo cotovelo em vez de mãos ocupadas. cuja Gerais. Apesar da vontade Quando a banheira começa a se encher de água. além de ou até do desenho das cidades. dá destacou a banheira Precedence. de Betim. Um dos lançamentos recentes para esse Instituto dos Arquitetos do Brasil — Seção Minas mercado é o Microcar Vessa. É o que diz o sociólogo mineiro Paulo papel: os empresários brasileiros consultados por Saturnino Figueiredo. barreiras. os jurados do com a impressão de que nos países desenvolvidos prêmio salientaram que esse projeto estimula a há mais deficientes que no Brasil. Isso é obtido através de internos como os shoppings. revista de negócios mais lida em todo o mundo. pressionadas fácil acesso por pessoas com bagagem. conforto e Várias prefeituras brasileiras. O jogo tecnológica que o design de produtos pode propriamente dito é feito de placas de compensado alcançar. por Deficiências. projetaram uma mobilidade quando viveu em cidades européias do banheira com porta. Mas mesmo os modelos para manobrar cadeiras de rodas em pequenos normais prevêem facilidade de utilização para apartamentos assegura que a especulação pessoas com diferentes graus de dificuldades físicas imobiliária respeite como mínimas as dimensões e são o que eles chamam de "transgeracionais". e de consultaria necessidade de melhorar a auto-suficiência. Foi consultor do Prêmio mobilidade e qualidade de vida dos velhos. servem para diferentes idades. promovido no ano passado pelo exemplo. para placa de circuito eletrônico reproduz um bip com poucos. ambos os sexos e para Guimarães. circulação de pessoas como ele. nesse tema no Brasil. Qual é a criança com visão normal que transporte coletivo. O estudante idosos. E os países desenvolvidos estão atentos à de projetos em arquitetura e design. ou maçanetas brancos). mas ele mostra o grau de sofisticação sete tonalidades. Em reportagem dólares de imposto. ou ainda em desníveis. a única saída Outra inovação neste campo é o banheiro para ele se movimentar seria engatinhar. o adaptação do tradicional jogo de amarelinha para Microcar pode ser usado sob chuva ou sol. com por movimentos de portadores de deficiências. que se surpreendeu ao ouvir ele não se sensibilizaram com a idéia de produzir nos Estados Unidos que cada dólar investido em para o "diferente". Ledo engano! E integração entre portadores e não-portadores de que lá eles saem mais. derrapante. abriu uma empresa um país. projeto do produto portadores de deficiências é uma forma de garantir crianças. em geral superior ao dos jovens.depto engenharia de produção . do grave ao agudo). números em braile de cabeça redonda fixados na Muita gente que viaja ao exterior volta placa. escolas) estão mais preparados para O projeto de Avelar Rosa ainda está no recebê-los. Pesquisa e Adequação do indústrias também estão de olho no poder aquisitivo Mobiliário Urbano à Pessoa Portadora de dos idosos. aumento da porcentagem de idosos na composição Guimarães é uma das maiores autoridades das populações. que no Brasil. no que as crianças cegas ou que enxerguem mal campo e na cidade — inclusive em ambientes também possam brincar.

não encontraram uma tradução à altura para a palavra design. http://www. Vejam-se as peças do Tadpole. Nesse facilitam a vida das mães que empurram carrinho caso.ufmg. ele criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. as pessoas não precisarão mais sair às ruas com um aparelho que as rotula como diferentes. Isso não tem nada a ver com um simples desenho ou projeto. e. até se transformaram em acessório de moda. Deficiência Os óculos são uma demonstração viva de como é frágil a percepção das pessoas sobre aquilo que é e o que não é "normal" — pois há muito tempo eles deixaram de ser vistos como "aparelhos para deficientes visuais". levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer.depto engenharia de produção . animais) que podem ser trocadas como se fossem brincos. criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao homem. se são bonitos. têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar. Por isso os designers escolheram um bom material com essas características: o uretano. Pisos de bebê. projeto do produto começam a seguir o exemplo do exterior. desde que se siga a máxima de que no fundo o que conta é a aparência. No Brasil. a Feira de Frankfurt este ano premiou um aparelho para deficientes auditivos cuja parte interna é a mesma dos aparelhos existentes. no sentido pejorativo. do qual existem centenas de modelos charmosos e cobiçáveis. por último mas não menos importante. Por exemplo: eles também têm que se preocupar com os materiais empregados num produto. Na Alemanha. © 2006 eduardo romeiro filho 119 ufmg . Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos. cujo trabalho consiste em imaginar. Estes têm que adaptar suas idéias ao métodos produtivos existentes. têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível. e seus usuários são vistos com toda a naturalidade por qualquer um. atendia ainda à exigência de ser macio e leve. vai muito além do mero ato de desenhar. em qualquer lugar. mas também Para saber mais: SITE DA OXO: http://www. Nada impede que o mesmo ocorra com outros aparelhos.oxo.br/produto/design. A novidade é forma externa: divertidas figuras (pessoas. Com esse projeto da designer Katryn Müller. por exemplo. acabam ganhando todos os cidadãos. assim como outras preocupações dos designers. permitem a abarrotado. ou de quem sai da feira com o carrinho rebaixados nas calçadas. O GÊNIO DAS APARÊNCIAS Pioneiro do desenho industrial. Isso dá uma idéia sobre esses modernos profissionais.com RAYMOND LOEWY. planejamento". da mesma forma.dep. o mestre Aurélio adota em seu Novíssimo Dicionário a expressão inglesa design e a define como "concepção de um produto ou modelo. circulação de cadeiras de rodas. Como foram feitas para crianças. havia a necessidade de torná-las à prova de água e retardadoras de fogo. os designers. A habilidade dos profissionais da área.htm O que é design? Mesmo os povos mais ciosos de sua língua. como os franceses e os japoneses. Em vez disso.

havia liberdade de criação. Lá construi-se uma universidade seguindo os planos de Walter Gropius. O currículo da Bauhaus previa três fases: o primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. foto de 1925. Concluída esta fase. Ele havia elaborado um método de ensino para libertar os estudantes de preconceitos em relação ao "belo" e à "estética" adquiridos nas escolas primárias e nos ginásios. que incluía os mais diferentes tipos de criação. que foi fechada pelos nazistas em 1932. seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos. a principal tarefa das artes plásticas. além de publicações. a fotografia e o teatro. a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva. publicado em 1919. desde que obedecendo convicções filosóficas comuns. eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados.00. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. pintura. mas todo artista Walter Gropius. numa época em que o mundo enfrentava séria crise econômica. escultura. obrigando sua transferência para outra cidade. da Academia de Stuttgart. no leste da Alemanha. o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Hoje.html Acesso em 3 de agosto de 2004 © 2006 eduardo romeiro filho 120 ufmg . antigamente. Quando a perseguição nazista se acirrou. arte publicitária. a música. Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora. a dança. também no leste Acima: Cartaz da Bauhaus. pregava o Bauhaus. Fundador da deve necessariamente possuir competência técnica". o arquiteto Walter Gropius inaugurou a escola Bauhaus em Weimar. arte cênica e dança. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior. Ao fundar o movimento Bauhaus – que significa "casa de construção" – o arquiteto Walter Gropius criou uma instituição de ensino com idéias vanguardistas. Completá-la e embelezá-la foi.dw-world. "Não há diferença entre o artesão e o artista. a Bauhaus de Weimar é uma escola superior. Entre professores e alunos. Dessau.3367. o governo cortou os subsídios à escola.de/brazil/0. 1923 alemão. No primeiro manifesto da Bauhaus. enquanto a de Dessau abriga a Fundação Bauhaus. 1925 22 Fonte: DW World Deutsche Welle: http://www. Gaby Reucher/rw Cadeira Breuer. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel. Em 1925. como projetos industriais.2192_A_782396. Era a preparação intelectual para a próxima fase. teatro. Para Gropius.depto engenharia de produção . como a pintura. fundador da Bauhaus. projeto do produto Bauhaus22 No dia 21 de março de 1919. Na segunda etapa.

Constant Nieuwenhuys. Antigamente o design quinto desse total foi gasto com produtos para era um privilégio da elite. mas inspirou a criação de inúmeros Bem-vindos à economia do design. projeto do produto Os Estados Unidos redescobrem o design O gosto pelo estilo deixou de ser um privilégio da elite e conquistou o cotidiano dos norte-americanos Frank Gibney e Belinda Luscombe Nos anos 60. negócio. poder aquisitivo em ascensão. americanos estão comprando computadores coloridos. por menos o mais bonito. catalisador das transformações pelas quais está passando o mercado de automóveis. As Os norte-americanos sabem o que é estilo. mas mais crítico". produzidos por prosperidade e a tecnologia se misturam com empresas como Dell. o público ficou não para reconquistar o prazer de viver. a tecnologia nos deixaria tão alienados que passaríamos a reinventar o espaço ao nosso redor na esperança de recuperar o prazer de viver. Em um mundo uniformizado. os Estados Unidos vivem seu mais longo período de prosperidade. "Com a melhora da paisagem. "essa é a nova era de ouro do design". "O design está veículos encalhados nos pátios. previu que no futuro todos nós nos tornaríamos arquitetos. as pessoas estão Nelson pela inovação no design de móveis. A produção eficiente e a competição acirrada dos nossos dias O novo Fusca resgatou a imagem da transformaram os "artigos chiques" em ítens Volkswagen há dois anos e tornou-se um não apenas acessíveis.depto engenharia de produção . Não estamos assim tão alienados. não apenas ajudou a revitalizar a Apple. um crítico cultural holandês pouco conhecido. No meio dessa loucura. afirma Karim Rashid. é preciso ter também o melhor -ou pelo O enorme sucesso do colorido iMac. presidente da Sociedade de Com o nível de desemprego lá embaixo e o Desenhistas Industriais dos Estados Unidos. onde a computadores estilizados. Apenas no ano passado. mas obrigatórios. que no ano passado ganhou o prêmio George © 2006 eduardo romeiro filho 121 ufmg . Gateway e Compaq. Mas terminou se o lar. E mais ávido também. tornando um artigo popular. e quase um bilionário da Internet. os norte. simplesmente para atender às demandas da sociedade de consumo. mesmo procurando recriar o espaço ao redor. acrescenta. ninguém precisa ser um trilhões em bens e serviços. Às portas do século 21. os norte- americanos desembolsaram cerca de US$ 6 Para se exibir. sendo democratizado". carros compactos e telefones O design se transformou em um grande celulares cromados. a cultura e o marketing. Como afirma Mark Dziersk. Não basta ter mais. Os norte- americanos estão conectados globalmente via Internet e consomem com avidez as novidades tecnológicas antes mesmo de aprender a usá-las. montadoras resolveram caprichar no visual de seja na arquitetura de um hotel moderno ou seus produtos para não ter de ver seus numa escova de limpeza. exemplo. Nieuwenhuys errou em apenas um ponto.

além de arquitetos Antigamente. Há também novos investidores. tudo é tecnologia. deu um ar de elegância aos ônibus da empresa Greyhound Mas ninguém tem apostado no novo apetite e fez as vendas da Sears dispararem em 1934 norte-americano para o design como o quando colocou um friso na geladeira empresário britânico Terence Conran. cuja companhia aérea. numa época em que ninguém sofás violeta (US$ 3. repetindo o preceito introduzido nos anos 30 por Raymond Loewy. mas o negócio naufragou durante o governo Bush. Na estilo de vida de seus ocupantes. briga pelo mercado. O mesmo acontece com os fabricantes de quase tudo que se possa imaginar. começa a operar este mês prometendo elegância sem afetação. Em dezembro desde então. estava disposto a pagar para consumir. Como filiais em O design de qualidade aliou-se ao comércio Londres. projeto do produto Jasper Morrison e Marc Newson. capacidade industrial do pós-guerra. O novo apetite pelo design se deve. com o aqui. Hoje. o desenho conquistaram.depto engenharia de produção . Na década de 50. à onda de prosperidade no país. É preciso agora decorar investidores decididos a ganhar dinheiro as casas novas com produtos que definam o criando produtos modernos e atraentes. "Novos ventos estão soprando por confortáveis. cautelosamente otimista ambientes domésticos elegantes. "Quando preço e funcionalidade não são mais motivos de competição entre as indústrias. criou comenta Conran. a partir dos anos 60. ou ainda empresários como David Neeleman. a Terence Conran durante a Depressão dos anos 30. Costumava dizer que a curva mais bonita era a dos gráficos do crescimento de vendas. dava status ter um sofá caro. Ford e Philips. Charles e Ray Eames lideraram "Ainda não entendi por que o design não um consórcio de californianos que. pai do desenho industrial (foto acima).550). Vinte Coldspot. o Starck. como importante é adquirir produtos mais © 2006 eduardo romeiro filho 122 ufmg . E não se pode esquecer de Martha Stewart. Nos Estados Unidos. onde de Loewy decolou porque ele criava produtos se vendem de relógios digitais (US$ 17) a irresistíveis. Paris e Tóquio. em parte. o único diferencial que conta é o design". a rainha do estilo nos Estados Unidos. Stewart ajudou a tirar do vermelho a rede de lojas de departamentos K Mart. que soube transformar seu gosto apurado num negócio bilionário.100 metros quadrados em Manhattan." industrial amargou décadas de ostracismo até emergir novamente na década de 90. funcionais e desta vez. de móveis com seu nome. a Jet Blue. e a carreira Shop é um verdadeiro bazar de design. e designers como o iconoclasta Philippe assinado por um designer famoso. diz Dziersk. Agora Conran está de volta. abriu uma loja de 2. e consumidor norte-americano querendo os norte-americanos têm orgulho do que comprar mais e pagar menos. A explosão Hoje o mundo do design está se expandindo na construção de habitações alcançou com uma mistura eclética de empresários e proporções históricas. passado. ele inaugurou uma rede de lojas concorrentes (foto ao lado). Loewy foi quem imortalizou o design do maço de cigarros Lucky Strike. disposto a Esse é o pensamento que tem prevalecido embarcar na nova onda. Mas. tornando-a mais moderna que suas anos atrás. Com sua linha de produtos para o lar. estão grandes empresas como Sony. usando a decolou há mais tempo nos Estados Unidos".

Quando trabalhava na indústria italiana da moda. adotando Moss diz que precisou renovar seu estoque 11 uma fórmula simples: contratar um grande vezes no ano passado (a maioria dos designer para projetar cópias baratas dos comerciantes se contenta em esvaziar suas mesmos produtos vendidos para o público prateleiras 4 vezes). Decidiram então remodelar a loja. butique on-line RedEnvelope. em grande parte. E no banheiro? Uma dos maiores sucessos do momento são as peças em aço inoxidável (inclusive o assento sanitário). diz Moss. ou a cadeira contratar um decorador de interiores para ter Conrad. Murray Moss construiu um pequeno e lucrativo império. © 2006 eduardo romeiro filho 123 ufmg . que Partindo da premissa de que não é necessário lembra uma asa de avião. a Target não luminárias feitas com garrafas de leite e uma dava muita atenção às tendências da moda. ele conheceu o trabalho de diversos designers europeus. maciça para varandas e espátulas estilizadas A ironia é que a revolução do design recebeu para a Target. projetados originalmente para uso em penitenciárias. uma loja-museu que exibe e venera suas mercadorias. Os clientes da Moss são. que não sai por menos de US$ 385. Se qualquer um ou um belo Apple G3 preto. se dizia que a roupa faz o Com preços relativamente acessíveis. diz Bill Faust.depto engenharia de produção . banheiro em Minneapolis e acho que as passou a fornecer chaleiras de aço inoxidável pessoas vão gostar dos modelos que tenho (foto na página anterior). Foi assim que surgiu a Moss. um notebook VAIO da Sony que o design é importante. "As pessoas compravam revistas com belas casas e De Nova York a Los Angeles. Estados Unidos. feita de cortiça de Bora Bora. projeto do produto personalizados. Ohio. E ajudaram a difundir a idéia de carrega um iBook. Além de por redes como a Wal-Mart. daquilo. explica Hilary Billings. que conquistaram a classe média norte-americana nos anos 90. mas não podiam comprar nada estão lucrando com os caprichos das pessoas. em Nova York." Antigamente. Michael Graves. O homem moderno não sabe se de decoração. quadruplicar a área da loja em cinco anos. Antigamente. os clientes estar nas novas lojas Target espalhadas pelos encontram vasos flexíveis de borracha. de zinco e Mas seus executivos perceberam que não aço. os empresários interiores. podiam mais competir com o preço oferecido Um sucesso? Com certeza. "Imagino que se usem escovas para trabalho para firmas como a italiana Alessi. vendendo toda sorte de objetos com design de qualidade. Hoje em dia. sofisticado do SoHo. essas homem. mesa de passar roupa dobrável. um empurrão de lojas populares como a Pottery Barn e a sueca Ikea. No bairro do SoHo. essas lojas democratizaram a decoração. como o novíssimo cortador de um bom sofá precisa custar caro? grama Husqvarna ou o medidor de corrente i410 da Fluke Corporation. "Com a prosperidade econômica. móveis de madeira aqui na loja". são os acessórios que lojas ensinaram os clientes a driblar problemas contam. vice-presidente americana". por que ter um sofá O design está tomando conta também das estropiado no meio da sala? E quem disse que ferramentas. como a Mosquito Table. uma casa bonita. uma consultoria de design de produtos da Pottery Barn e atual diretora da com sede em Columbus. As respostas para essas perguntas podem Entre os artigos à venda. pode decorar bem a própria casa comprando no shopping do bairro. as pessoas estão ansiosas para expressar sua "Havia uma divisão na cultura norte- individualidade". ex-criadora executivo da Fitch. designer conhecido por seu turistas.

além da jovem equipe Blu Firmas alemãs de design. projeto do produto As torradeiras de Graves (acima). Madison Avenue. podem se dar ao luxo de investir em modelos excêntricos como o novo Echo E o povo correu para a Target. "Agora a tecnologia está Majestic. visual arrojado. Quando perguntam a Alberto Alessi se ele se chateia com o fato de Graves estar reciclando suas criações. como a japonesa objetivo real deveria ser falar com o povo". mas os melhorando sua qualidade e facilitando sua fabricantes começaram a criar acessórios manutenção. da cidade natal da Target. Louisiana. produto lucrativo. temos de agradecer ao prateleiras das lojas norte-americanas no ano desenvolvimento tecnológico por esse passado.depto engenharia de produção . diz Ron Johnson. podem alterar as cores de cem novos artigos de plástico este ano." Os hóspedes do hotel londrino St. com sede em Minneapolis." Bogalusa. explica Dziersk. e no oeste do Texas. as conchas para sorvete e a escova produtos bonitos". Nova York e hotel-butique. diz que © 2006 eduardo romeiro filho 124 ufmg . Não é de se estranhar que essa rede de lojas Nada representa tão bem a revolução de departamentos. com os pés em forma de ovo. a Target deve inaugurar sua especial. Esse plástico pode ser moldado de milésima loja. desde que os produtos de Graves invadiram as prateleiras no ano passado. Há muito tempo o tenha chamado a atenção dos executivos da produto não fazia tanto sucesso. Para fortalecer os investimentos forma tão suave que chega a ser sensual. plástico usado desde os anos 50. Os computadores e os novos materiais baratearam a fabricação de muitos produtos. Mas o novo gosto pelo design trasnformou-o num artigo Este ano. diz o "Não tinha dúvida de que esses produtos hoteleiro Ian Schrager. Talvez seja apenas coincidência. a empresa resolveu capaz de fixar tintura tão bem quanto a seda. um paraíso de estilo e conforto Boston". onde se concentram as maiores empresas de publicidade dos Estados O polipropileno. A demanda por novas estratégias de design está aumentando. como a Authentics e Dot. "Os clientes A Sony conseguiu salvar sua divisão de consomem produtos que envolvem uma idéia computadores introduzindo o ultrafino Vaio. presidente da a preços acessíveis. "Mas eles também estão vendendo em usar. E é na área de design. Martin's Tanto é verdade que Zivin está trazendo mais Lane.500. são um verdadeiro sucesso. "Trata-se de a Koziol. privilégio. onde as (acima). outro favorito de Alessi. da Fitch. tecnológica como o plástico. pioneiro da moda do venderiam bem em Chicago. ex-vice-presidente da uma máquina prateada e lilás que exerce as Target. responsável pelo lançamento da linha mesmas funções de um laptop -mas com um Graves. distribuidora norte-americana da nos dando produtos que nem sabemos como Koziol. por exemplo. de Schrager. Os garfos de macarrão arte Bauhaus: todo mundo deve ter acesso a da Koziol. ser uma obrigação e se tornaram uma forma de expressão pessoal. a forma não precisa divertidos para o lar pouco depois que os mais acompanhar a função para tornar um homens passaram a dividir as tarefas da casa. Bill Faust. "Antes sonhávamos em ter tecnologia para fazer as coisas". nova". de limpar pratos são alguns dos mais de 300 "utensílios graciosos" que desapareceram das Em parte. Por isso. Toyota. incluir muitos acessórios no veículo e vendas cresceram dois dígitos percentuais ainda vendê-lo por menos de US$ 10. As seus quartos simplesmente pressionando um compras de produtos para o lar deixaram de botão próximo à cama. estão faturando alto com seus um princípio que começou com a escola de produtos de plástico. também contratar Philippe Starck. diz Elliott Zivin. o italiano desconversa: "Nosso Fabricantes de automóveis. é um tipo de Unidos.

pontos ou espirais. A General Mills Inevitavelmente. alguns projetos acabam não está planejando mudanças para suas refletindo a sensibilidade do artista. "A função agora está associada à estão correndo para contratar bons psicologia e à emoção. as palavras de Constant desenhou uma escova de dentes transparente Nieuwenhuys continuarão valendo como para a Fluocaril. E nem precisam durar muito. projeto do produto seu escritório de projetos de decoração foi design de qualidade deve ser uma produto procurado por um número tão grande de comercial. Philippe Starck foi um dos primeiros a perceber essa tendência em 1989. raladores de queijo. Resta saber se a economia do novo Fusca da Volkswagen. preta e a Swingline resolveu estilizar seu diz Susan Yelavich. clientes que ele se viu obrigado a aprimorar seus conhecimentos sobre administração de Starck afirma que toda vez que projeta uma empresas. "Os produtos design irá se sustentar quando a maré de precisam refletir o gosto dos consumidores." consultores. Raymond Loewy nos de expressar sua personalidade sem um faria lembrar que seu trabalho começou compromisso maior do que uma boa higiene durante a Depressão dos anos 30 e que talvez bucal. quando Se for o caso. todos os tipos no mercado: trançadas. Museu Cooper-Hewitt. diretora assistente do tradicional grampeador. mundo tenha os melhores produtos pelo preço assinala Faust. com faixas. ela acaba saindo mais barata do vez mais convidados para as reuniões e são que o modelo anterior. sulcos. a Kodak pecam pela falta de funcionalidade. fundador da SHR Perceptual Management. "Os fabricantes estão cientes de que os consumidores querem mais do que Ou como afirma Karim Rashid: "Quanto mais benefícios funcionais". a verdadeira revolução do design ainda esteja por vir. tempo passamos na frente do computador. São artigos baratos. Fonte: www. de qualquer porcaria do supermercado". que abriu na semana passada sua primeira exposição trienal de As empresas sem designers em seus quadros design. Data: 15 de março de 2000. o © 2006 eduardo romeiro filho 125 ufmg . Para ele.depto engenharia de produção . "Quero que todo ouvidos na hora em que se tomam decisões".com atraentes e descartáveis. afirma Barry Shepard. "Os designers estão sendo cada nova cadeira.cnnemportugues. cujos espremedores de fruta e abridores de garrafa contribuíram muito para a atual paixão dos Estados Unidos pelo design. Agora existem escovas de profecia. maior a importância do visual de nossa xícara consultora de design que ajudou a conceber o de café". escovas de banheiro e Artigo retirado da Revista Time. É exatamente isso que agrada a Starck. Outros embalagens de cereais matinais. Comprar uma escova de dentes descolada é uma maneira Se ainda estivesse vivo. mas a preços acessíveis. -Reportagem de Juli Rawe/Nova York e Sheila Gribben/Chicago A mesma filosofia se aplica a dezenas de produtos normalmente considerados banais." prosperidade norte-americana recuar e todos voltarem a modelos funcionais e antiquados. Ninguém escapa dessa onda. como latas de lixo. diz. "A aposentou a máquina fotográfica de caixa funcionalidade se tornou mais dimensional".

ainda. o qual. Observa-se em diversos estudos dedicados à interação entre pessoas e produto a necessidade de se inserirem mais elementos relacionados aos usuários nas fases iniciais do projeto/design do produto. um dos objetivos da Engenharia de Produto consiste em tratar das interfaces homem-material ou homem-objeto (H-O). à medida que mais produtos complexos foram sendo introduzidos. ao projetar um produto. desde aquele que decide pela compra e que o utilizará efetivamente. que.depto engenharia de produção . então o projetista teria sido bem sucedido. Neste caso. anúncio de câmera Kodak dos anos 1930. e também de se coletarem dados de situações reais de uso para aperfeiçoar novas gerações de produtos. até os que se relacionarão com o produto nas fases finais de seu ciclo de vida. é importante que o Projeto de Produto busque formas de aperfeiçoar seus métodos e ferramentas a fim de melhorar tais interfaces. o conceito de Projeto de Produto pode ser ampliado. com o usuário: Ao lado. visto. cadeira de dentista do século XIX. Nesse sentido. Ressaltava. individualmente ou em massa. durante a Revolução Industrial. era preciso ter em mente que este seria manuseado. Sem dúvida. satisfação. em 1955. se o ponto de contato entre produto e pessoa fosse um ponto de atrito. que enfatiza a facilidade de uso. estudos em diversos campos da ciência foram © 2006 eduardo romeiro filho 126 ufmg . Tal preocupação também pode ser observada por Henry Dreyfuss. conforto. Segundo Lindbeck. Nesse sentido. projeto do produto Engenharia de Usabilidade Sérgio Figueiredo Costa O desenvolvimento de produtos destinados a atender às necessidades humanas é observado desde os primórdios da humanidade e. enfatizou-se a busca por formas eficientes de se fabricarem produtos que atendessem às necessidades dos consumidores e. tais como descarte e reciclagem. Abaixo. e homem-equipamento ou homem-máquina (H-M). são notados cada vez mais esforços. Alguns exemplos de produtos com a preocupação. eficiência. já ressaltava que. se tal contato produzisse um efeito positivo em segurança. no sentido de melhor atendê-las. ao passo que. iniciou-se a preocupação sobre a maneira como tais produtos afetariam o usuário. em diferentes formas (e com diferentes níveis de sucesso). relacionando a interface do produto a todos aqueles usuários com os quais este interage durante seu ciclo de vida. operado e utilizado por pessoas. então seu projetista teria falhado.

como salienta Rubin. relacionado à maneira como um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. e à medida que a interação entre operadores e produtos se expandia. constituem ferramentas eficazes para apoiar os projetistas em suas iniciativas de desenvolvimento de produtos. que será analisado com maior profundidade adiante. Importante também. Esta disciplina. capacidades e limitações. que o tema central de projeto (design) para uso humano é o reconhecimento das capacidades. 1 Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário Segundo Lindbeck. Garante-se. expandiu-se além dos aspectos cognitivos do Projeto de Produto. Observamos também o conceito de Usabilidade (o qual será também discutido adiante). um dos primeiros a aplicar de forma sistemática princípios de Projeto para o Usuário e Ergonomia. ainda. a filosofia que coloca o usuário como centro do processo de projeto. os quais. identificando que a falha em conjugar equipamentos sofisticados com as habilidades dos operadores era a contribuição principal para a ocorrência destes acidentes. Justamente pelo reconhecimento da importância dos usuários. mais indivíduos se envolviam com os estudos. ter-se em conta que UCD não representa apenas técnicas. se aplicados adequadamente. Lindbeck define como Fatores Humanos o estudo das interações entre pessoas e produtos que estas utilizam nos ambientes em que trabalham e vivem. psicólogos começaram a estudar as causas de numerosos acidentes aéreos com pilotos militares. Henry Dreyfuss. bem como as avaliações de usabilidade do produto. A partir do momento em que se considera o usuário como centro do processo de Projeto de Produto. métodos. mas. As discussões acerca das percepções do usuário em relação a produtos são observadas em vários estudos. dentro de uma visão de projeto centrado no usuário. passando a incluir também as características físicas e as limitações dos operadores. principalmente. © 2006 eduardo romeiro filho 127 ufmg . segundo Rubin. porém. assim. alguns produtos desenvolvidos em seu escritório. Ao lado. Abaixo. então. como eletrodomésticos. Começava aí o que conhecemos como engenharia de fatores humanos. e dos contextos em que estes se relacionarão com o produto. processos e procedimentos para projetar produtos e sistemas usáveis. Nesse sentido. uma maior participação do usuário no desenvolvimento do produto. diversos autores e trabalhos propõem que a utilização de métodos e testes de Usabilidade. é resumidamente definido como a propriedade com que as características físicas de um objeto ou ambiente influenciam sua função. Designer e Engenheiro americano. devendo englobar sua relação durante todo o ciclo de vida do produto. no tempo apropriado do ciclo de vida do desenvolvimento de produto. suas necessidades. mas citamos aqui o termo “Affordance”. na década de 40.depto engenharia de produção . tornam-se fatores de importância capital para o sucesso das iniciativas de desenvolvimento as percepções do usuário ante ao produto. projeto do produto desenvolvidos nestas interfaces. para possibilitar a melhor interação entre pessoas e produtos. eficiência e satisfação num dado contexto de uso (ISO 9241-11:1998). foram propostas metodologias de Projeto de Produto centradas no usuário (UCD – User-Centred Design). Defende. telefones e máquinas agrícolas. necessidades e limitações humanas.

bens duráveis e de características técnicas. Manutenção. pelos aspectos estéticos e culturais. a aplicação de métodos para melhorar a usabilidade dos produtos é pertinente e benéfica ao projeto destes e a seus usuários. os produtos. baseada em sua vasta experiência. painel do Spitfire. e aplicada em todo problema de projeto. produto. Nigel Cross destaca. Custo. projeto do produto Ao lado. as pessoas refletem estas mudanças nos artefatos disponíveis. pela mudança das necessidades das pessoas © 2006 eduardo romeiro filho 128 ufmg . artefatos e ferramentas visando a atender às suas necessidades. os demais quatro pontos estão fortemente relacionados à interface com os usuários. a Engenharia de Usabilidade é talvez uma das mais utilizadas e das que podem proporcionar resultados neste sentido.depto engenharia de produção . dentre os vários campos dedicados ao aperfeiçoamento da interface produto- usuário. aparafusadeiras elétricas e. tais como máquinas de usinagem CNC. utilizada por Henry Dreyfuss em seu escritório de projeto. podemos considerar que à exceção do Custo. em cada época. equipamentos médicos. Apelo de Vendas e Aparência. Podemos considerar que as pessoas sempre desenvolveram objetos. embasam o contexto para o estilo e períodos dos objetos. acoplados aos sensos culturais e estéticos prevalecentes. Nielsen afirma ser possível que qualquer objeto. a especialização e o progresso tecnológico. a posição da cadeira do piloto. como uma das características básicas dos seres humanos. sugerindo também que. também. principalmente. Observa-se. caça inglês que foi um dos marcos da aplicação de conceitos ligados à ergonomia. apesar de os operadores destes equipamentos receberem treinamento. a capacidade destes de desenvolver uma vasta gama de ferramentas e outros artefatos que satisfaçam às suas necessidades próprias. Atualmente. Assim. ou serviço que será utilizado por humanos possua potenciais problemas de usabilidade e que deveria. sistema. são influenciados pela capacidade técnica disponível. pelo progresso tecnológico. refinando-os e concebendo outros novos. sendo baseada em: Utilidade e Segurança. principalmente relacionados a desenvolvimento de software. 2 Demandas específicas Apesar de haver mais referências de estudos relacionados à interface produto-usuário para bens de consumo. Segundo Lindbeck. desde os primórdios da humanidade. Abaixo. a fórmula dos cinco pontos. ser submetido a alguma forma de engenharia de usabilidade. Desta fórmula. existem estudos dedicados a equipamentos. À medida que tais necessidades mudam. portanto.

e assim nas fábricas os produtos são manufaturados conforme um projeto preparado pelo departamento de projeto ou por um projetista externo. Da mesma forma. geralmente ressentiam da dimensão analítica e. a partir da identificação das necessidades do Mercado e do Usuário. Com a evolução do pensamento humano. Vamos analisar a seguir este processo de Projeto de Produto. estes fatores também determinam a evolução e o desenvolvimento dos novos produtos. nas sociedades industriais modernas. e para o qual diversas metodologias foram propostas. adicionalmente. pela imperativa adequação ao meio ambiente. que o produto resulta do processo de desenvolvimento. projeto do produto e. Em abordagens mais abrangentes. deve- se chamar a atenção para o fato de que o produto possui diferentes usuários a cada uma das etapas de seu ciclo de vida. culturais. devido ao conhecimento ainda primitivo. como a atividade sistemática necessária. Entretanto. das transformações sócio-culturais. é necessário considerar uma sorte de fatores envolvidos na atividade de projeto. como se observa em diversas definições em que são consideradas também as influências do contexto histórico. alguns autores identificam o Projeto de Produto como uma atividade sistêmica. sociais ou ecológicos.depto engenharia de produção . e não um fim. as pessoas adicionaram ao processo de desenvolvimento as observações e experiências advindas do uso e dos requerimentos das ferramentas. principalmente tecnológicos. ergonômicos e ambientais. que propõe o Projeto de Produto “Total”. ergonômicos e ambientais. as quais. Podemos citar Stuart Pugh. Em algum momento adiante na história. cujo rumo é definido por diversas condições e decisões. 3 Projeto de Produto Existem diversas definições de projeto (ou design) de produto. as primeiras iniciativas de desenvolvimento de produtos. Devemos observar. e dos requisitos sociais. referem- se ao processo de planejar objetos físicos que apresentam uma nova forma. Devemos observar também que Projeto de Produto deve ser entendido como um meio de satisfazer as necessidades humanas. como visto anteriormente. Entretanto. um processo que engloba as pessoas e a organização onde se realiza tal atividade. as atividades de projeto e produção de produtos são normalmente separadas. mais recentemente. principalmente artefatos e ferramentas. em que as transformações sociais e culturais. as iniciativas de desenvolvimento foram sendo sistematizadas. influenciado por diversos fatores. das limitações da tecnologia e da produção. algo isolado em suas próprias atividades. tais iniciativas eram essencialmente uma questão de tentativa e erro. até que atualmente. Ilustração representando o ciclo de projeto e o ciclo de vida do produto: o uso como centro do processo de desenvolvimento. até a venda bem © 2006 eduardo romeiro filho 129 ufmg . sociais. o contexto histórico e as limitações da técnica e da produção. Apesar de notáveis. desempenham um papel de igual importância aos requisitos ergonômicos. basicamente. em resposta a algumas necessidades predeterminadas.

suas metas. como citado anteriormente. design and conduct effective tests”. e ambiente. operação. New York: John Wiley & Sons. © 2006 eduardo romeiro filho 130 ufmg . com o mínimo de desgaste e o máximo de eficiência. ainda. conforme proposto por Gould e Lewis para UCD. projeto do produto sucedida do produto que satisfaça tais necessidades. conforme citado anteriormente. contexto. é sugerido o contato direto. Em complementação a esta abordagem sistêmica. como a Woodson. sistematizado e estruturado entre usuários e projetistas. em que UCD seria a prática de projetar produtos de forma que os usuários poderiam desempenhar seu uso. Rubin enumera três aspectos básicos desta abordagem. pessoas e organização. Observa-se. pois o mesmo se relaciona fortemente com os processos utilizados para sua produção. com as organizações onde são realizados e com as pessoas que o desenvolvem e. o que é definido como Projeto de Produto Centrado no Usuário. existe também a preocupação em se ampliar o espectro considerado no Projeto de Produto a todo seu ciclo de vida e aos seus usuários com os quais este se relaciona. principalmente. nesta definição. que o Projeto de Produto ultrapassa o entorno do produto.11) Algumas definições propõem que o produto deveria se adaptar ao usuário. visando coletar o máximo de informações que possa auxiliar no desenvolvimento de produtos. Neste caso. Assim. p. serviço e tarefas de apoio. a necessidade da inclusão do usuário no projeto do produto. Inc. Jeffrey. Entretanto. “Handbook of usability testing: how to plan.. processo. este é considerado o cerne do processo de desenvolvimento de produto e. ao ponto onde outro produto é comprado ou o corrente é atualizado. até toda a duração da propriedade. este se caracteriza como atividade sistêmica e não isolada dentro de um laboratório. durante todo o ciclo de vida do produto. 1994. Detalhamento Conteúdo da tarefa Contexto da Tarefa Metas USUÁRIOS Objetivos Fluxo Desenvolvimento da Organização Tarefa da tarefa Figura 1 – Projeto centrado no usuário (adaptado de RUBIN. são derivados do ponto de vista do usuário. a saber: Foco antecipado em usuários e tarefas: neste caso. Emerge também desta abordagem. desde o contato de marketing e vendas iniciais.depto engenharia de produção . este conceito representa. Rubin observa que tal conceito deveria ser expandido além do projeto de produto. Princípios Básicos de UCD Dentre os princípios do projeto centrado no usuário. objetivos. na filosofia de considerar o usuário no centro do processo de projeto. principalmente. e para alguns autores isto deve ser feito no cerne do processo. 3 Projeto do Produto centrado no usuário No projeto de produto centrado no usuário. incluindo todo o processo de interação com potenciais clientes. encampando produto. bem como todos os aspectos das tarefas a serem realizadas com o produto. o utilizam.

modificado. © 2006 eduardo romeiro filho 131 ufmg . projeto do produto Medições empíricas do uso do produto: através do desenvolvimento e teste de protótipos com usuários. empregando ciclos de testes iterativos. que objetivam sempre inserir o usuário como o centro deste processo. advindas do contato sistematizado e estruturado nas várias fases do projeto. que o coloca no centro do processo desde o início. e assim por diante (iterações). tipicamente empregado nos estágios iniciais do projeto para avaliar conceitos preliminares utilizando usuários representativos. menos formal. ênfase na participação do usuário em todo o processo caracteriza esta abordagem.2 Métodos e Técnicas de UCD Adicionalmente em sua análise sobre projeto centrado no usuário. testado. Projeto iterativo: através das informações e observações dos usuários e tarefas. são mais efetivos que outros desprovidos de tal conhecimento. explorando seu conhecimento. A seguir. de que formas são inaceitáveis ou insatisfatórios. Pesquisas tipo “grupos focados” (focus group): Este tipo de pesquisa. Este autor ressalta que tais métodos principais auxiliam a proporcionar o contexto para os testes de usabilidade. o primeiro tipo envolvendo testes formais conduzidos como experimentos verdadeiros. e o segundo. devem ser realizadas medições quanto à aprendizagem e uso. normalmente por um especialista em usabilidade ou fatores humanos que possua pouco ou nenhum envolvimento no projeto. empregada pelo produto. Os testes podem ser divididos dois tipos básicos de abordagem. Testes de usabilidade: Estes testes empregam técnicas para coletar dados empíricos enquanto observam usuários finais representativos utilizando o produto para realizar tarefas específicas. e como estes podem ser mais aceitáveis.depto engenharia de produção . objetivando confirmar ou refutar hipóteses específicas. Rubin cita que estudos recentes indicaram que um especialista “duplo”. tem como objetivo identificar quão aceitáveis são os conceitos. pretendendo expor deficiências de usabilidade e gradualmente moldar o produto em questão. Projeto Participativo: Neste caso. 2. tais métodos são brevemente abordados.3. “Surveys”: são empregados para a compreensão das preferências de uma vasta base de usuários de um produto existente ou potencial. que inclusive consiste em um destes métodos. que também é especialista em uma tecnologia em particular. ou seja. Rubin identifica alguns dos principais métodos e técnicas utilizados nos processos de desenvolvimento de produtos. suas habilidades e até suas reações emocionais ao projeto. Avaliações de especialistas: Consistem na revisão de um produto ou sistema. o produto é projetado.

Informações como padrões de uso. Salzman discute que uma estratégia efetiva para tecnologia necessita incluir novos princípios do projeto baseado em competências. este autor se vale da comparação de dois exemplos de projetos de centros de máquinas. porém ocorre após o lançamento formal do produto. requerem mais. Para ilustrar tal conceito e seus princípios. No primeiro caso. Rubin aponta que estudos de acompanhamento estruturados são provavelmente as mais verídicas e mais acuradas avaliações de usabilidade. se esperando. onde o papel dos operadores é diferenciado dentro do processo de projeto de cada empresa. As máquinas compradas foram projetadas para serem programadas pelos operadores. Em processos mais rotineiros.depto engenharia de produção . a realização de modificações nos programas para assegurar resultados de alta qualidade. dificuldades e atitudes do usuário são coletadas. dentro de sua capacidade. bem como interagir com os equipamentos. sob a perspectiva do projeto baseado em competência. Estudos de Acompanhamento: Este tipo de estudo é similar ao estudo de campo. e as máquinas selecionadas para não permitir que o operador realize a programação. e ambiente. entrevistas e observações. ou outro tipo de ambiente real. de parte destes. principalmente quanto à possibilidade de controlar e intervir no processo. na segunda empresa. desde que o verdadeiro usuário. © 2006 eduardo romeiro filho 132 ufmg . mas irá proporcionar operadores com informações da produção que lhes permita controlar o processo efetivamente e responder aos problemas de forma competente. competências e capacidade de julgamento dos operadores. particularmente de sistemas computacionais. projeto do produto Estudos de Campo: Tal método consiste na revisão de um produto que tenha sido colocado em seu cenário natural. Assim. 2.4 Projeto baseado em Competências versus Projeto baseado em Tecnologia A partir da consideração que a efetiva implementação de novas tecnologias. o centro de máquinas for projetado sem a participação dos trabalhadores porque se esperava pouca contribuição destes nas decisões de projeto. pode resultar na completa eliminação das reais atividades de fabricação. O sistema foi projetado para o controle centralizado de toda a programação. os operadores são envolvidos no início do processo de projeto e na seleção de equipamentos. ainda que isto possa envolver uma mudança no tipo de competências utilizadas. como um escritório. sendo que a idéia é coletar informações para uma próxima versão. Por outro lado. se utilizando pesquisas. pouco antes de seu lançamento. e não menos. o projeto baseado em competências. e os resultados são utilizados para refinar o produto antes de seu lançamento. estão em posição e interagindo entre si. residência. os projetistas vêem a eliminação ou simplificação das tarefas mais rotineiras e mecânicas como uma oportunidade para os trabalhadores assumirem um papel amplo no processo de produção. Observa-se nestes casos a mudança na participação dos operadores. produto.

De outra forma. através do desenvolvimento competente de forma e elementos. A forma proposta pelos autores de alcançar a mudança de perspectiva é integrar as percepções da semiótica (resumidamente estudo do significado). Artefatos bem projetados indicam às pessoas que funções desempenham. com a intenção de proporcionar recursos às pessoas para perceberem e construírem a usabilidade por si próprios. Affordance O conceito de affordance tem sido alvo de atenção em psicologia há algum tempo. podemos observar alguns princípios de projeto de produto utilizados para tal finalidade. definida como projeto de experiências significativas através da produção de uma emergente e evocativa integração entre forma e ação. Isto implica na mudança da perspectiva de projeto como a aplicação “post-hoc” de forma e aparência para uma funcionalidade. O desenvolvimento de produtos usáveis e desejáveis demanda o entendimento de como usuários constroem relações com os objetos e de como estas relações podem ser controladas pelos projetistas.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 133 ufmg . Como citado anteriormente. Assim. significa projetar objetos que produzirão ou evocarão eventos específicos que levam a experiências específicas em situações específicas. Rheinfrank et al.6 Princípios de projeto de produto aplicáveis à usabilidade No sentido de apoiar as iniciativas de desenvolvimento de produto. Tais eventos se referem a ações dinâmicas e não a situações estáticas. aproximando-as do usuário. Numa análise ampla. A partir destas constatações.5 Projeto para usabilidade Como abordado anteriormente. através do projeto. Lidwell observa que o conceito de “affordance” está relacionado com a maneira que as características físicas do objeto ou ambiente influenciam sua função. quando tal propriedade corresponde à função pretendida do objeto. Galvão e Sato comparam os principais conceitos de “affordance” encontrados na literatura. através do projeto dos objetos. 2. a que se referem como o projeto do uso de um artefato através do projeto de sua presença física no mundo. 2. relacionando-os às dependências de percepção e de ação. o termo “affordance” se refere às propriedades reais e percebidas de um objeto. o projeto apresentará uma performance mais eficientemente e será mais fácil de ser usado. Para Donald Norman. propõem o projeto para usabilidade. Ainda mais importante. a semântica do produto (a expressão do significado através da forma) e a semântica do contexto (a expressão do significado através da ação). Uma aproximação prática de tal perspectiva de projeto do ponto de vista experimental. para a perspectiva de projeto como a criação consciente da usabilidade.6. primariamente aquelas propriedades fundamentais que determinam como é possível utilizar um objeto. 2. os artefatos bem projetados também podem participar na construção da experiência dos usuários. como as desempenham e. e à susceptibilidade da mudança. com a intenção de comunicar tal funcionalidade. projeto do produto O elegante e eficiente (do ponto de vista técnico) caça Spitfire. formando a idéia de semântica experimental. estes foram projetados e não meramente produzidos ou criados.1. por esta razão. seria como transformar conceitos inovadores em operações universais e do dia-a-dia. porém apenas recentemente tem sido aplicado na comunidade de projeto. produtos e artefatos são desenvolvidos para atender às necessidades humanas.

através do nosso conhecimento desta situação e do mundo. “Affordances in product architecture: linking technical functions and users’ tasks”. 2. sabe- se como se comportar em restaurante. Long Beach: Proceedings of ASME 2005 International Design Engineering Technical Conferences & Computers and Information in Engineering Conference. tais “affordances” são instantâneas. de ações desejáveis que possam ser realizadas obviamente. resultam da deliberação consciente. não havendo princípios físicos ou culturais. Dependente das ações Independente da percepção Imutável. acordo com as propostas de mecanismo utilidade 2003 projeto Tabela 1 – Comparação dos significados atribuídos ao conceito de “affordance” (adaptado de GALVÃO. e podem ser conceituados como as ações ou omissões de ação que proporcionam resultados indesejáveis. existe no ambiente 1979 possíveis Mutável. p. Quando os usuários realizam suas ações. podendo mudar de Norman. entretanto. Dependente da percepção e possíveis. projeto do produto Dependência de percepção Dependência de ação Susceptibilidade à mudança Gibson. 2005.2 Restrições Lidwell define como restrições o método para limitar as ações que podem ser desempenhadas em um sistema. pelo menos. Cada cultura possui um conjunto de ações permitidas para situações sociais e. & SATO. assim. Outras restrições se referem a convenções culturais aceitas. quando uma ação subconsciente cuja intenção é satisfazer nosso objetivo é desviada em seu caminho. mas existe uma relação lógica entre a disposição espacial ou funcional dos componentes e os objetos que afetam ou pelos quais são afetados.6. com o uso apropriado de restrições físicas haverão um número limitado de ações possíveis ou. mesmo sem nunca ter estado em um anteriormente. O mapeamento natural funciona provendo restrições lógicas. podendo mudar de Warren. Dependente da percepção e das Dependente das habilidades acordo com as habilidades 1984 limitações físicas individuais individuais Dependente das ações Mutável. físicas. Também referidos como erros de ação ou erros de execução. A compreensão das causas dos erros sugere estratégias específicas de projeto que possam reduzir sensivelmente sua freqüência e severidade. Keiichi. que nos permite chegar a conclusões © 2006 eduardo romeiro filho 134 ufmg .depto engenharia de produção . contudo podem ser classificados em duas categorias fundamentais: deslizes e equívoco. Adriano B. 2. culturais e lógicas. Restrições semânticas se inserem sobre o significado da situação para controlar um conjunto de ações possíveis. os autores ressaltam que estes podem orientar aos projetistas a considerar “affordances” em três instâncias: “Affordances” estão compreendidas nos produtos. Deslizes resultam do comportamento automático. Norman estabelece uma classificação de quatro tipos principais de restrições. assim. semânticas. Limitações físicas restringem operações possíveis e. Os erros podem ocorrer em diversas formas. Os atributos perceptíveis destas “affordances” no modelo mental dos usuários. mesmo que não afetem a operação física ou semântica do objeto.3) Após analisar tais conceitos. O mesmo processo que nos torna criativos e perspicazes por nos permitir enxergar relações entre coisas desvinculadas. ocorrem quando uma ação não obtém o resultado pretendido.3 Erros Erros ocorrem na vida das pessoas com alguma freqüência.6. habilidades acordo com a experiência do 1988 cultura individuais e de aspectos usuário culturais Maier & Mutável. podendo mudar de Dependente de sentir o Dependente da percepção de Fadel. e sua a aplicação apropriada pode resultar em um projeto mais fácil de utilizar e reduzir significativamente a probabilidade de erros durante a interação. Equívocos.

6. Confirmação: verificação da intenção requerida antes que ações críticas são permitidas (por exemplo. e sensibilidade de contextos. Organização hierárquica. os sistemas são mais usáveis quando indicam claramente seus respectivos estados. Reversibilidade de Ações: uma ou mais ações que podem ser revertidas se um erro acontecer ou a intenção da pessoa mude (por exemplo: função desfazer em programas de computador). placas nas estradas que advertem uma curva acentuada adiante). 2. e minimizam as conseqüências negativas dos erros quando estes ocorrem. © 2006 eduardo romeiro filho 135 ufmg .depto engenharia de produção . a saber: “Affordances”: características físicas do projeto que influenciam sua correta utilização (por exemplo um plugue com formato único que somente pode ser inserida em uma tomada adequada). são boas soluções para gerenciar a complexidade enquanto se preserva a visibilidade. o assento ejetável de uma aeronave). Referidos algumas vezes como erros de intenção ou erros de planejamento. De acordo com este princípio. reversibilidade de ações e rede de segurança.6. 2.“Forgiveness” O conceito de perdão em projeto de produto ajuda a prevenir erros antes que estes aconteçam. as confirmações são menos necessárias. que dispõe controles e informações em categorias lógicas.4. projeto do produto corretas baseados em evindências parciais ou mesmo vagas. ocorrem quando a intenção é inapropriada. Algumas estratégias contribuem para incorporar o “perdão” no projeto de produto. documentação ou ajuda telefônica). Rede de segurança: dispositivo ou processo que minimiza conseqüências negativas de um erro catastrófico ou de uma falha (por exemplo. Perdão . a ajuda será menos necessária. Ajuda: informações que assistem a operações básicas. também nos pode nos levar a cometer erros. se as ações são reversíveis. lembretes ou alarmes usados para advertir perigos iminentes (por exemplo. Advertências: placas.5 Visibilidade O princípio de visibilidade é baseado no fato de que as pessoas são melhores para reconhecer soluções quando as selecionam entre um conjunto de opções. advertências e ajuda. as ações que são possíveis de serem realizadas. Abaixo. e se a rede de segurança é robusta. e as conseqüências destas ações quando estas forem realizadas. as advertências são menos necessárias. que revela e oculta controles baseados em diferentes contextos. o exemplo do painel do Boeing 777. Neste caso. se o produto têm boas “affordances”. diagnósticos ou correção de erros (por exemplo. posto que reduzem a necessidade de confirmações. Para atingir o perdão no projeto de produto é preferível que se utilize os métodos de “affordance”. trava que necessita ser aberta antes de algum equipamento ser ativado). ao invés de ter relembrar tais soluções por sua própria memória.

usuário. eficiência e satisfação num dado contexto de uso. podemos considerar que todas as definições são complementares e têm em comum o fato de se situarem na interface produto-usuário. e caso estes aconteçam. uma vez que o usuário já aprendeu a utiliza-lo. Memorização: o sistema ou produto deve ser relembrado facilmente. como àquele que utiliza o produto esporadicamente. que deve ser reduzida e cujos efeitos não podem ser catastróficos. Nielsen ressalta que Usabilidade não é uma simples propriedade. Encontramos na literatura diversas definições. devem ser de fácil correção. tanto para avaliar a usabilidade de produtos em casos específicos como no sentido de discutir métodos e ferramentas para tais avaliações. que havia adquirido uma série de indesejáveis conotações vagas e subjetivas. mas possui atributos que determinarão sua usabilidade para um usuário particular. Satisfação: uso do produto livre de desconforto e com atitudes positivas. apresentando múltiplos componentes. pode afetar a usabilidade. devendo haver facilidade para sua correção. unidimensional da interface usuário-produto. e trabalhos dedicados à avaliação de aspectos de usabilidade de cadeiras para crianças e para usabilidade e segurança da terceira idade. o que também se justifica por este se tratar de tema relativamente recente. usuário. a relação produto e usuário. Nesta definição podemos observar a inserção dos conceitos de efetividade. ainda. Ao final. que segundo a norma são: Efetividade: acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. de forma que os usuários se satisfaçam subjetivamente ao usá-lo. incluindo aí todas as suas características. Entretanto. um alto nível de produtividade é possibilitado. De forma mais ampla. se eliminando-se a necessidade de se aprender tudo novamente após um período sem uso. eficiência e satisfação na utilização do produto pelos usuários. satisfação e aceitabilidade do usuário. como será discutido logo a seguir. atividade e o contexto em que tal relação ocorre. e que a usabilidade é determinada pelos atributos do produto. quais sejam: Aprendizagem: a utilização do sistema ou produto deve ser fácil de se aprender. mas todas as características do produto em seu uso. tarefa ou ambiente. Dentre as avaliações de usabilidade de produtos. Tais atributos incluem não apenas características ergonômicas específicas. Diversos estudos e trabalhos têm sido realizados sobre o tema. relacionando produto. Bevan propõe que a Usabilidade está na interação entre o usuário e o produto ou sistema. funcionando de forma eficaz em uma dada gama de situações reais de trabalho. Eficiência: o sistema ou produto deve ser eficiente para o uso e. incluindo os aspectos como eficiência e confiabilidade que afetam a facilidade de uso. Observa-se nessa última definição a ampliação do termo usabilidade a atributos como a aprendizagem do uso de um produto. e sendo associada a cinco atributos. sempre estão considerados nestas definições. permitindo a utilização casual por um usuário. em um certo ambiente. Ademais. Adler e Winograd definem usabilidade como a habilidade de um produto ou equipamento de tirar vantagem das competências de seus usuários. conferindo importância ao usuário. encontramos em maior quantidade estudos dedicados a sistemas computacionais e páginas de internet. produtos eletrônicos de consumo e equipamentos médicos também. O autor ressalta. dependendo do usuário. Finalmente. Eficiência: relação entre os recursos despendidos e a acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. em um dado contexto e para uma certa tarefa. Esta definição aborda dois pontos importantes: o produto não é usável por si próprio. de forma que o usuário possa rapidamente iniciar algum trabalho. Satisfação: a utilização do sistema ou produto deve ser agradável. Diversos conceitos e definições de Usabilidade são encontrados na literatura. pois um produto não é usável por si próprio. A norma ISO 9241-11:1998 conceitua Usabilidade como a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. Erros: o sistema ou produto deve proporcionar baixas taxas de erros durante o uso. mas há estudos que tratam de equipamentos e ferramentas técnicas. e somente pode ser medida através da avaliação da performance. tanto àquele usuário que o utiliza constantemente. tarefa e ambiente em que ocorre sua utilização. que qualquer mudança nas características do produto ou sistema. definindo como um atributo do produto a ocorrência de erros. projeto do produto USABILIDADE O termo usabilidade foi criado no início dos anos 80 em substituição ao termo “user-friendly”. Outro ponto importante ressaltado por Nielsen é a preocupação com os erros. uma dada tarefa. à tarefa e ao contexto em que este © 2006 eduardo romeiro filho 136 ufmg . erros catastróficos não devem ocorrer. objetivando contribuir para o Projeto de Produtos que atendam a todos os grupos de usuários.depto engenharia de produção .

devendo tal utilização ser eficaz.3 Atributos de usabilidade Para projetar um sistema ou produto usável. engloba a gama de tarefas para as quais um sistema é projetado. e freqüentemente os usuários não podem se manter atualizados de todas as inovações. Para refletir a componente subjetiva da Usabilidade. 3. Quando tecnologia não levar em conta peculiaridades individuais. através de atributos. enquanto para Nielsen trata-se de um atributo independente de usabilidade. Shackel introduz uma característica de flexibilidade que implica na adaptação do sistema à variações nas tarefas.ao começar a utilizar uma nova tecnologia. que garantiria utilização bem sucedida de tecnologia por qualquer cidadão. Para tanto. Ao final. descrevendo isto como a habilidade do produto ou sistema ser aprendido rapidamente. Neste contexto. este vazio é preenchido facilmente quando há ambientes comuns e padronizados. de forma que um usuário inicie a trabalhar com o produto ou sistema em um período curto de tempo. e apresentando também uma série de atributos necessários para projetar um produto que seria aceito pelo usuário. como Nielsen. os erros são indicadores importantes de efetividade de tecnologia do produto. com algumas sobreposições (por exemplo efetividade e eficiência). Atualmente a característica principal de tecnologia é evolução ou mudança rápida. normalmente expressas de forma qualitativa. e assim por diante. Shneiderman propõe o conceito de Usabilidade universal. por sua própria natureza. devemos considerar que a Usabilidade. incluíram usabilidade nos modelos gerais de aceitação do produto pelo usuário.. Segundo esta visão. também constam em normas. Nielsen adiciona o critério de memorização que poderia ser considerado como um aspecto de aprendizagem. poderá se tornar uma barreira em lugar de um meio de acesso para informação. Mais adiante. podendo dividir sociedade em ricos e pobres de informação. renda. que. quanto às atitudes do usuário. uma característica de retenção específica de aprendizagem. adicionando treinamento e materiais de apoio. têm caráter subjetivo. para outros pesquisadores. certas tentativas para definir Usabilidade foram relacionadas à criação de métricas para sua avaliação. Às vezes. Por isto. É importante observar que Usabilidade universal não deve ser entendida como acesso universal. decorrentes às novas formas de manipular um sistema ou produto. o usuário sempre necessita superar um certo vazio em seu conhecimento. pois depende em parte de características individuais de usuários. características pessoais. Amplamente aceitos na literatura. chegando até a criar resistência à nova tecnologia. os critérios de efetividade e eficiência de um produto ou sistema. gênero. que define eficiência como a relação entre recursos despendidos e os objetivos alcançados. é introduzido o critério de atitude de usuário. predeterminam o modo e a extensão que um indivíduo utilizará a tecnologia. em outras palavras. inaptidões etc. eficiente e satisfatória. se discute a necessidade de haver critérios mensuráveis para referência durante o processo de desenvolvimento. idade. o conceito de Usabilidade engloba dimensões objetiva e subjetiva. como por exemplo a Norma ISO 9241-11: Orientação em Usabilidade (1998). Memorização trata da possibilidade re-aprender ou se relembrar rapidamente como usar o produto ou sistema. ou. projeto do produto utiliza o produto. os atributos do produto devem permitir que se atinjam tais objetivos. mas em outros casos se leva muito tempo e produz situações estressantes. Shneiderman vai além de acesso universal e constrói o modelo de Usabilidade universal em três desafios principais: Diversidade tecnológica – aspectos tecnológicos que abrangem hardware.os projetistas poderiam facilitar tal passo proporcionando aos usuários interfaces estruturadas de acordo com seu nível de conhecimento (variando de novato a perito). ele não oferece uma descrição de componentes de Usabilidade mas uma vasta agenda de pesquisa. a primeira expressa através de atributos que poderiam ser convertidos a indicadores quantitativos e medidos. podendo chegar a situações onde eles não podem usar alguns serviços baseados nas mais recentes soluções tecnológicos.depto engenharia de produção . 3. Assim . Diversidade de Usuários – as características individuais dos usuários. como Shackel. Alguns dos pioneiros nesta área. © 2006 eduardo romeiro filho 137 ufmg . e efetividade indica como a acuidade e perfeição com que os usuários conseguem alcançar os objetivos específicos. quando este for novamente utilizado após um certo período de tempo. que por si só não assegura tecnologias usáveis. e alguns deles enfatizam aspectos específicos. “Gaps” no conhecimento de usuário . Há então uma necessidade de proporcionar equipamentos flexíveis e compatíveis para os usuários. Os erros na utilização do produto ou sistema são outro atributo importante. software e redes. tais como habilidades. Alguns destes atributos identificaram características que podem ser colocadas em níveis hierárquicos diferentes. e a dimensão subjetiva. cultura. O atributo geralmente mais mencionado de um produto utilizável é a aprendizagem. ou incluídos e excluídos.4 Usabilidade universal Considerando que a tecnologia como um meio universalmente aceito em qualquer campo de atividade humana na era de informação e a migração de serviços públicos e comerciais para espaço digital.

6 Normas de usabilidade Uma série de normas ISO sobre usabilidade já está publicada. no intuito de guiar a colaboração de fabricantes e outras partes interessadas. um dos campos onde o tema usabilidade foi mais estudado. englobando características de contexto específicas. o foco está na integração da usabilidade ao processo de desenvolvimento de produtos. são conhecidas duas abordagens comuns: Abordagem orientada ao produto – neste caso a usabilidade é tratada como uma série de exigências que sistemas ou produtos deveriam satisfazer para ficar usável (por exemplo.com) é conhecida por aplicar princípios de design universa em produtos de extrema elegância e beleza. sendo focada principalmente ao desenvolvimento de sistemas computacionais e equipamentos de informática. ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999). Esta abordagem procura compensar a fragilidade do Projeto de Produto ao se orientar por uma série pré-determinada de características do usuário. As abordagens orientadas a produto e a processo são complementares e deveriam ser explorados ambos em todas as fases de desenvolvimento. porém não mencionando no que consiste a usabilidade. projeto do produto O progressivo envelhecimento da população é um desafio ao projetista. o que pode ser avaliado pelo usuário em testes). apontando as atividades necessárias para se assegurar um sistema ou produto usável ao cada fase de produção e uso. observa-se que uma das definições amplamente aceita de usabilidade é proposta na norma ISO 9241-11. esta abordagem oferece freqüentemente apenas algumas sugestões que ajudam administrar o processo de avaliação de usabilidade. visando especificar atributos que possam antever o comportamento do usuário. Então. o modo como alcançam metas específicas.oxo. Entretanto. Glosiene e Manzuch propõem que na literatura sobre usabilidade. a usabilidade é alcançada quando o processo de Projeto de Produto for centrado no usuário. como os exemplos ao lado. Podemos citar as seguintes normas sobre o tema em análise: ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). os conceitos analisados nestas normas podem ser utilizados em outros campos. © 2006 eduardo romeiro filho 138 ufmg . 3. tarefas e ambiente.5 Abordagens de usabilidade orientadas ao produto e ao processo Em sua revisão do estado da arte sobre o tema. Abordagem orientada a processo – neste caso. Porém. em um dado contexto de trabalho. muitas vezes com variados graus de limitação. posto que existem similaridades entre métodos e objetivos nas iniciativas.pois exige novas soluções que permitam a utilização adequada de produtos por idosos. como o usuário. e que deveriam facilitar a administração do desenvolvimento de produtos. Neste sentido. A empresa fabricante de utensílios de cozinha OXO (www.depto engenharia de produção . 3. Esta abordagem é pertinente pois visa estabelecer métodos de trabalho que proporcionem alcançar o desenvolvimento de produtos usáveis. em certos casos.

Desenvolver e utilizar meios e procedimentos eficazes de coletar. empregando conhecimentos de ergonomia e fatores humanos. capacidades e limitações do usuário e da tecnologia. Neste caso. baseada em fatores como as características. Os fatores ambientais podem ser divididos em técnicos (por exemplo. projeto do produto ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002). tarefa e ambiente. Alocação apropriada de funções entre usuário e produto. O ambiente que engloba os fatores externos que envolvem o usuário e sua interação com o produto ou sistema. As metas ou objetivos do usuário durante a interação com produtos ou sistemas são cruciais para determinar os contornos dos produtos ou sistemas. etc. mas também participantes de outras áreas e funções. eficiência e satisfação. o objetivo é desta norma é direcionar as atividades de desenvolvimento de sistemas interativos sob a perspectiva do projeto centrado no ser humano. físicos (por exemplo. onde estão compreendidos o usuário. As fases principais propostas para o processo de projeto centrado no ser humano são descritas a seguir e se relacionam às metas ou objetivos do usuário e ao contexto de uso. Esta norma estabelece uma estrutura básica de Usabilidade. Assim. que proporcionem a coleta e aproveitamento contínuo de informações dos usuários durante as fases do projeto. ambientais (por exemplo. conhecimento. entre outras) é necessário para distinguir tipos diferentes de indivíduos que interagem com o produto ou sistema. Gerenciamento do tempo. Incluir responsáveis por esta inclusão desde os níveis hierárquicos superiores. experiência. enfatizando metas ou objetivos do usuário e contexto de uso como componentes que direcionam qualquer atividade de avaliação de Usabilidade. organização do trabalho). e no ajuste do produto ou sistema ao ambiente e as tarefas. e provêem valiosa informação para definir requerimentos dos produtos ou sistemas. as avaliações de usabilidade devem considerar as metas ou objetivos do usuário e o contexto de uso. envolvendo não só usuários e projetistas.depto engenharia de produção . relativos às atividades relacionadas com o usuário. buscando propiciar haja equilíbrio entre estes. ambos propostos na norma ISO 9241-11. comunicar e registrar opiniões dos usuários. Além destas fases principais.5. Pontos de interação ao longo do desenvolvimento do projeto. idade. Outro componente na avaliação da usabilidade é o contexto de uso. umidade. O conhecimento das características do usuário (tais como atributos físicos. características do lugar onde se executa a tarefa). ensejando a participação destes em todos estágios do processo de desenvolvimento. Fase 2: Especificar os requisitos do usuário e organizacionais. tarefa e o ambiente.5. 3. calor.). 3. conjugando as necessidades dos usuários e recursos organizacionais. que outros sistemas e produtos são usados). a fase inicial de planejamento é muito importante.1 Norma ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). bem como para antever seu comportamento. Esta norma propõe ainda que as organizações que pretendem implementar estes princípios de projeto centrado no ser humano em seu processo de desenvolvimento de produtos deveriam realizar tarefas preparatórias e planejar atividades futuras que devem incluir: Atividades de projeto centradas no usuário. em relação à critérios e medidas apropriadas de efetividade. pode afetar a usabilidade. Incluir marcos no processo. Procedimentos para integrar tais atividades nas demais atividades de desenvolvimento. sociais e culturais (por exemplo. Esta filosofia de Projeto de Produto é multidisciplinar e concebida para suportar o desenvolvimento de produtos usáveis. assistindo na formulação e refinamento de soluções. e até mesmo as funções mais concretas que atendem as necessidades de usuário. © 2006 eduardo romeiro filho 139 ufmg . Fase 1: Entender e especificar o contexto de uso. ajudam entender como os usuários alcançam suas metas ou objetivos.2 ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999) Com base na filosofia e definição de usabilidade da norma ISO 9241-11. A análise e descrição de tarefas do usuário. principalmente para levantamento de recursos necessários. educação. a norma propõe que o Projeto de Produto centrado no ser humano deve ser embasado em quatro princípios: Envolvimento ativo de usuários e compreensão dos requisitos das tarefas e usuários. Human-centred lifecycle process descriptions (2000). As tarefas compreendem uma sucessão de ações específicas necessárias alcançar as metas desejadas pelo usuário. coletando informações detalhadas do usuário. Equipes multidisciplinares de projeto. na identificação e prevenção de problemas.

porém também devem ser consideradas a seleção adequada de métodos e as condições disponíveis para aplicação. O foco do projeto do produto é obter informações do usuário. g) Nível de conhecimento em ergonomia dos participantes. através da medição ou coleta de dados a partir do desempenho ou preferência do usuário. principalmente o conhecimento. Cada método é descrito com suas vantagens. A utilização de vários métodos deve proporcionar melhores resultados. 3. as avaliações são meios para se identificar problemas e devem ser empregadas ao longo do ciclo de vida do produto. porém não são enumeradas e comparadas vantagens e desvantagens para sua adoção. no intuito de apoiar àqueles envolvidos no projeto. como proposta na norma ISO 13407.5. todos os métodos são analisados separadamente. empregando conhecimento multidisciplinar existente. Além disto.4 ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002) A proposta deste relatório é auxiliar aos profissionais na tomada de decisões sobre a escolha de métodos de usabilidade no apoio às atividades de projeto centrado no ser humano. Fase 4: Avaliar as soluções em relação aos requisitos. Este relatório propõe sete processos. diferindo quanto ao foco. onde aplicável. Human-centred lifecycle process descriptions (2000) Esta publicação explora a Norma ISO 13407. desvantagens. d) Disponibilidade e características dos usuários. conforme citado na norma ISO 13407. saídas e informações utilizadas e produzidas. Em contrapartida. Este trabalho traz uma avaliação dos métodos existentes de usabilidade que podem ser utilizados individualmente ou em combinação para suportar as atividades de projeto e avaliação.5. b) Fase do ciclo de vida do produto. mas também porque é a forma de monitorar aspectos organizacionais. A norma ISO 13407 expande os princípios da norma ISO 9241-11. Também estão incluídas implicações referentes ao estágio do projeto e do ciclo de vida do produto para a seleção do método. e) Características dos produtos. o foco da avaliação do produto está na verificação do seu projeto em uma dimensão particular ou ante a um padrão. ou ainda.depto engenharia de produção . Os métodos de usabilidade descritos neste relatório são aplicáveis tanto ao projeto do produto como para avaliação deste. c) Restrições de tempo e recursos. envolvendo usuários em potencial. para diversas finalidades. em alguns casos de forma conjunta ou seqüencial. e outros fatores relevantes em para sua seleção e uso. principalmente porque é a forma de obter informações do usuário e aperfeiçoar protótipos. apresentando definições de processos que compreendem a abordagem de projeto centrado no ser humano e listando seus componentes. projeto do produto Fase 3: Produzir soluções de projeto. máquinas e programas. até que os objetivos sejam atingidos. legais e normativos. capacidade e limitações deste em relação à tarefa e contexto específicos para o qual o produto está sendo projetado. o que está disponível na norma e será abordado adiante. gerando e testando interativamente modelos e protótipos de futuros sistemas ou produtos. Entretanto. A intenção da norma é informar modelos de processos aos usuários que desejem considerar a processos centrados no ser humano no ciclo de vida de sistemas. © 2006 eduardo romeiro filho 140 ufmg .3 ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. e sua descrição resumida. f) Características das tarefas a serem executadas. aplicados em algumas das quatro fases indicadas na norma ISO 13407. 3. A escolha ou seleção específica destes métodos depende dos seguintes fatores: a) Fase do projeto. máquinas e programas. uso e avaliação do ciclo de vida de sistemas. detalhes e métodos para implementação das atividades propostas permanecem obscuros. explorando em detalhe cada um destes processos e seus componentes. bem como as recomendações de sua adoção ante aos fatores informados acima. As atividades de avaliação devem ser utilizadas em todas as fases e para atender a diversos propósitos. podendo utilizados desta forma. Neste caso. A tabela abaixo traz os métodos constantes no relatório técnico ISO/TR 16982. proporcionando diretrizes para organizações incorporarem usabilidade como um objetivo no processo de desenvolvimento de produtos baseados em tecnologia.

expectativa. Métodos Criativos Métodos que envolvem dedução de características de novos produtos e sistemas. 2002) 3. Mais que isso. No contexto de abordagens centradas no ser humano.. etc. onde a interface usuário- produto é apenas inserida antes do lançamento do produto. descobertas. durante a utilização do sistema em teste. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário.5 Complementaridade entre as normas ISO As normas e relatórios ISO aqui abordadas resumidamente são complementares. projeto do produto Nome do Método Descrição Resumida Observação de Coleta de forma precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a usuários performance dos usuários. Op. Pensando alto Consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. Estes documentos formam uma estrutura de usabilidade conforme esquema proposto por Glosiene e Manzuch (quadro 1. antes da interface com o usuário ser projetada. onde produtos são lançados em várias versões ao longo do tempo.) colaborar na avaliação e projeto de sistemas. devendo ser aplicada a famílias de produtos e projetos extensos. Projeto e avaliação Métodos que permitem tipos diferentes de participantes (usuários. Cit. Entrevistas Similares aos questionários com grande flexibilidade e envolvendo interação face a face com o entrevistado. performance Análise de Coleta sistemática de eventos específicos. etc. dúvidas. Avaliação Algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em automatizada ergonomia que diagnosticam as deficiências do sistema comparado a regras predeterminadas.6 O ciclo de vida da engenharia de usabilidade A engenharia de usabilidade não deve ser tratada como um tópico isolado. © 2006 eduardo romeiro filho 141 ufmg .5. Da mesma forma. colaborativa especialistas em fatores humanos. normalmente extraídos através de interações em grupo. Tabela 2 – Descrição Resumida de Métodos (adaptado da Norma ISSO 16982:2002. incidentes críticos Questionários Método indireto de avaliação que coleta opiniões dos usuários sobre a interface do usuário em questionários predefinidos.. crenças. Métodos baseados Exame de documentos existentes por um especialista em usabilidade para formar um em documentos parecer profissional do sistema.depto engenharia de produção . com atividades significativas ocorrendo nos estágios iniciais. 3. projetistas. revelando diversos aspectos de implementação de usabilidade. Assim. o planejamento de futuras versões é também uma razão para se acompanhar o lançamento do produto com estudos de campo de sua utilização real. a engenharia de usabilidade engloba um conjunto de atividades que deveriam estar contidas ao longo de todo ciclo de vida do produto. habilidade e experiência prática em ergonomia do Perito especialista em usabilidade. Medições Coleta de medições de performance quantificáveis para compreender o impacto de relacionadas à aspectos de usabilidade. diferindo pelo nível de abstração da informação proporcionada. na página seguinte). Avaliação de Avaliação baseada no conhecimento. os membros de tais grupos freqüentemente são usuários. Métodos baseados Utilizam modelos que são representações abstratas para o produto avaliado a fim de em modelos permitir a previsão da performance do usuário. a usabilidade não deve ser vista isoladamente do amplo contexto corporativo de desenvolvimento de produtos.

2004) ISO 9241-11: Guidance on usability Escopo de Usabilidade: objetivos. i d l j li ã l b i é d i i é d b d Ao se considerar a usabilidade em todas as fases do ciclo de desenvolvimento do produto. eficiência.cit. devem ser estabelecidos critérios de avaliação para cada atributo. Usability methods supporting user-centred design Métodos: observação de usuários. Para avaliar o atendimento destas prioridades. sendo necessário identificar os atributos desejados. análise de incidentes críticos. Op. Avaliação ante aos conteúdo de e níveis de decisões requirsitos soluções de ISO/TR 18529 HCD na estratégia 2. Produzir 6. Assegurar o 3. © 2006 eduardo romeiro filho 142 ufmg . Zinaida. processo de HCD 4. antes mesmo do projeto ser iniciado. com o objetivo de identificar seus pontos fortes e fracos. satisfação ISO 13407: Human-centred design processes for interactive systems II. os resultados obtidos provavelmente serão melhores que a aplicação isolada em determinada fase. e proporcionar idéias para o desenvolvimento de um novo produto. Produzir IV. contexto de uso Medidas de Usabilidade: efetividade. sobre as tarefas atuais e desejadas pelos usuários (análise da tarefa). as quais sejam: Conhecer o usuário: nesta fase devem ser coletadas informações sobre as características dos usuários. estabelecendo prioridades para o produto em desenvolvimento com base na análise dos usuários e suas tarefas. Projeto em paralelo: tem por objetivo explorar diferentes alternativas de projeto antes de definir aquela que será detalhadamente desenvolvida e submetida a atividades de usabilidade pormenorizadas. Nielsen propõe onze fases para o ciclo de vida da engenharia de usabilidade. sobre as funções do produto (análise funcional). Avaliação usuário e especificação do ante aos preliminares: requerimentos soluções de contexto de uso requisitos planejamento organizacionais projeto 1. através de avaliações heurísticas e realizar testes empíricos com estes produtos. questionários. medicos de performance. tarefas. principalmente se a usabilidade estiver incluída nas atividades iniciais do desenvolvimento. Audrone & MANZUCH. e sobre a evolução do usuário e da tarefa. relacionadas com o desenvolvimento do produto.depto engenharia de produção . Compreensão e III. usabilidade não consiste em um atributo unidimensional. Planejar e gerenciar o 7. uma vez que evitará futuras mudanças neste para atender às recomendações de usabilidade.Especificar os requisitos organizacionais 5.. Especificação do Atividades I. Compreender e Introduzir especificar contexto ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction. Aliás. Análise competitiva: consiste em analisar produtos concorrentes existentes. esta é apontada como a forma mais econômica para que o projeto do produto seja influenciado pela usabilidade. projeto do produto QUADRO 1 – COMPLEMENTARIDADE DE NORMAS ISO (adaptado de GLOUSIENE. Estabelecimento de metas: como discutido anteriormente. visando a antecipar eventuais mudanças.

Estudos de acompanhamento de sistemas instalados: o principal objetivo do trabalho de usabilidade.6. Neste caso.2. Prototipagem: avaliações de usabilidade iniciais podem ser baseadas em protótipos que podem ser desenvolvidos mais rápida e economicamente. e que assim podem ser modificados várias vezes antes da melhor compreensão da interface com o usuário ser alcançada. é importante considerar os usuários e suas diferenças ao realizar estudos de usabilidade. Assim. devem ser inseridos testes com usuários reais dos produtos durante seu desenvolvimento. suas experiências ante ao produto.1 Categorias de Usuários e Diferenças entre Usuários Dentre os aspectos mais importantes para usabilidade estão as tarefas dos usuários e suas características e diferenças individuais. e à missão dos projetistas de atender às necessidades dos usuários em dados contextos. o projetista pode ainda não conhecê-lo suficientemente bem a ponto de poder responder todas as questões levantadas durante a execução do projeto. Para Jakob © 2006 eduardo romeiro filho 143 ufmg . deve-se ter cuidado ao generalizar os resultados de quaisquer avaliações de usabilidade para outro contexto. Por outro lado. uma vez que a natureza das informações de grupos diferentes pode ser diferente. 3. A experiência do usuário com uma determinada interface seria a dimensão que normalmente se refere à habilidade do usuário. Garmer et al. e as ações sobre estes devem objetivar a redução de ambos.depto engenharia de produção . Usuários experientes teriam competência e autoconfiança para ser críticos e sugerir melhorias baseados em suas experiências práticas. de forma que a interface criada seja consistente. Projeto Iterativo: baseado nos problemas e oportunidades de usabilidade descobertos através de testes empíricos. permitindo que as informações sejam mais abreviadas e condensadas pois o maior conhecimento do usuário permitirá que este as analise e processe com eficácia. julgam importante considerar os grupos de usuários pretendidos quando da execução de testes de usabilidade. e ao nível de conhecimento da tarefa. o projeto iterativo. pois terão melhor percepção das características do sistema e de como este trata diversas situações. Neste caso. Assim. Nesta dimensão. e podem. a dimensão que considera o conhecimento da tarefa a ser executada pelo usuário. ao invés de se realizar seu lançamento sem qualquer avaliação. Mesmo que a recomendação de conhecer o usuário tenha sido seguida antes de iniciar o projeto. muitas vezes pode levar a decisões entre os grupos de usuários que se privilegiar. é necessário haver coordenação entre todas as áreas envolvidas no projeto. que devem ser observados durante o desenvolvimento. mesmo com interfaces otimizadas. após o lançamento do produto. ou ainda num patamar intermediário. consiste em coletar dados de usabilidade para as próximas versões e novos produtos. Diretrizes e avaliação heurística: definir diretrizes que listem princípios bem conhecidos para o projeto de interfaces. seriam considerados usuários com níveis de habilidade ou conhecimento distintos utilizando um mesmo sistema ou produto. tarefas e ambientes. usuários com menor conhecimento necessitarão que o sistema explique o que está fazendo e o que significam as diferentes opções. Decisões de Usabilidade Face às diferentes características entre usuários. proporcionar maior percepção que não estaria facilmente disponível em estudos de laboratório. quanto à experiência com sistemas ou produtos em geral. Por este motivo. é possível se produzir uma nova versão da interface. podem ser muito maiores do que os benefícios incrementais de se utilizarem exatamente os métodos corretos para um dado projeto. porém diferem quanto à habilidade ou experiência em um dado campo de forma geral (por exemplo informática). 3. assim. Neste sentido. e a terminologia utilizada não poderá ser tão abreviada e densa como para especialistas. Estudos da utilização do produto em campo avaliam como usuários reais utilizam a interface para tarefas realizadas em seu ambiente real de trabalho. usuários com experiência mais extensa normalmente terão melhores resultados que outros com experiência reduzida. ao meio de produtos. e em relação ao domínio da tarefa a ser executada. aqueles que possuem maior habilidade acabam por se sair melhor ao utilizar o novo sistema ou produto. aproveitando-se de resultados das constantes iterações com o usuário pode apresentar excelentes resultados. Nielsen propõe que as diferenças entre usuários ocorrem em três dimensões: quanto à experiência do usuário. Coordenando a Interface Total: neste caso. Finalmente. que pode envolver significativamente distintos tipos de usuários. Há também que se considerar a situação que usuários têm a mesma habilidade ou conhecimento em um novo sistema ou produto. sendo este classificado entre novato e perito. Avaliação da interface: os benefícios de se empregarem razoavelmente métodos de engenharia de usabilidade para avaliar a interface produto-usuário. Usuários novatos são importantes pois estes encontram muitos dos problemas sérios e cometem a maioria dos erros. tais avaliações devem ter como critério a severidade dos problemas e freqüência de sua ocorrência. projeto do produto Projeto participativo: neste caso. e assim.6.

Observam-se como vantagens deste método: A coleta das causas dos problemas. Os incidentes são então agrupados e categorizados. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. incluindo medidas quantificáveis como tempo gasto para completar uma tarefa. Decisões são inerentes a qualquer processo de projeto e se aplicam também à interface com o usuário. que podem ter ocorrido no passado ou em certo período de tempo. a Norma ISO/TR 16982:2002 aborda tais métodos. Neste caso. são apontados como suas desvantagens ou restrições: O tempo necessário para analisar os dados. Em contrapartida. tal método é relacionado a efetividade e eficiência. entre outros. que definirá a quais atributos são mais importantes nas circunstâncias específicas do projeto. o próprio autor reconhece que nem sempre é possível atingir resultados ótimos em todos os atributos de usabilidade simultaneamente. 3. A facilidade de comparação de resultados. e fatores para sua seleção e uso. número de erros. permitindo que as pessoas colaborem em suas respostas. 3. ou formatos fechados com escalas para resposta. projeto do produto Nielsen.7. número de tarefas que pode ser realizado em um tempo determinado.7. discutindo suas vantagens e desvantagens. © 2006 eduardo romeiro filho 144 ufmg .depto engenharia de produção .3 Análise de incidentes críticos Este método consiste na coleta sistemática de eventos que sobressaem ante ao contexto de performance do usuário. também há as desvantagens ou restrições: Não necessariamente permite descobrir as causas dos problemas Exige uma versão operativa do produto ou sistema. objetivando a observação da interação. As vantagens do método são: Pode ser aplicado em cenários reais. Entretanto. Conforme citado anteriormente.7 Principais métodos de usabilidade A literatura disponível sobre o tema propõe e discute diversos métodos de usabilidade. 3. A ausência de conexão direta com o processamento mental. são apontadas como as desvantagens ou restrições da utilização do método: Pode requerer bastante tempo para ser concluído. a decisão entre propiciar aprendizagem para usuários novatos e eficiência para usuários peritos pode ser resolvida em alguns casos em benefício de ambos os grupos. Por outro lado. Entretanto.7. positivos ou negativos. o dilema deve ser resolvido segundo a direção estabelecida pela metas de usabilidade definidas para projeto. o método de incidentes críticos permite a análise de eventos significativos. Os incidentes são descritos no formato de pequenos relatórios que proporcionam obter os fatos do entorno do incidente.2 Medições relacionadas à performance Também chamado de medições relacionadas à tarefa. tempo gasto para correção de erros. A necessidade de habilidade para sua interpretação. Questionários padronizados podem ser utilizados para comparações sistemáticas. que possuem a vantagem de evitar respostas enigmáticas.4 Questionários Em diversas situações durante o desenvolvimento de produto. A seguir os métodos e suas características principais serão retratados com base na análise realizada na Norma ISO 16982:2002. pode ser útil a utilização de questionários para coletar informações dos usuários. 3.1 Observação de usuários Este método consiste na coleta precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a performance dos usuários. que podem ser conduzidos em situações reais ou laboratórios. podendo apresentar formatos abertos. Os dados podem ser coletados através de entrevistas com o usuário. 3. A atividade real é relatada. muitas vezes com nomes e procedimentos similares. O fato de se focalizar os eventos onde as demandas dos usuários são maiores. Enquanto em medições relacionadas à performance o foco de interesse está nas tarefas correntes e situações existentes. A atividade real é reportada.7. A insuficiência de eventos relatados pode afetar a validação da análise. As vantagens deste método são: A coleta de dados confiáveis. Tal observação é estruturada e baseada em classificações de comportamentos de usuários pré-definidos.

entretanto que métodos qualitativos são geralmente indiretos. características e quantificações dos usuários em relação a um sistema. consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. durante a execução da tarefa. A análise detalhada pode consumir muito tempo.depto engenharia de produção . mas apenas opiniões dos usuários em relação à interface do produto. tais como opiniões. Flexibilidade. etc. As vantagens e desvantagens deste método são listadas a seguir. Assegura a comunicação e aprendizado entre usuários. As vantagens observadas neste método são: Coletar rapidamente uma visão geral da opinião dos usuários. porém com maior flexibilidade devido interação face a face com o entrevistado. Vantagens: Permite descobrir preferências subjetivas. É aberta a influências. entre produtos competidores. Não permite coletar informações de performance da tarefa durante o uso do método. pois o entrevistador pode explicar mais profundamente ou reformular questões difíceis para os usuários. Este método apresenta a vantagem de ser mais flexível. provendo informações valiosas com respeito às razões que levam aos usuários a realizar determinadas ações. permitindo explorar as respostas dos usuários. Da mesma forma que os questionários. Desvantagens: Avaliações próprias podem não ser confiáveis como medidas de performance. expectativa.7. Pode ser usado desde os estágios iniciais do projeto.7 Projeto e avaliação colaborativa Métodos colaborativos ressaltam a importância do usuário desempenhar um papel ativo no projeto e na avaliação do produto. Coleta percepções do processo mental do usuário. uma vez que não estudam a interação. Adicionalmente. tanto nas perguntas como nas respostas. ou retrospectivas.5 Entrevistas As entrevistas se assemelham aos questionários. As vantagens indicadas pela Norma ISO/TR 16982:2002 são: Rapidez na condução. o método denominado aqui pensando alto. evitando que os usuários sejam seletivos em seu relato ou introduzam outras razões após a ação. Normalmente é preferível que tais verbalizações sejam realizadas simultaneamente. Relativa facilidade de gerenciar. 3. projeto do produto como por exemplo. ou ainda o fato de que os usuários podem ter dificuldade em expressar suas reais necessidades ou requisitos no processo de desenvolvimento.6 Pensando alto Conforme citado anteriormente. quando o relato do usuário ocorre após a realização da tarefa através da análise da filmagem das ações realizadas. descobertas. especialistas em usabilidade.7. durante a utilização do sistema ou produto. Os itens dos questionários podem influenciar tanto as questões como as respostas. 3. Flexível. permite explorar as respostas dos usuários. tradução literal do termo “thinking aloud”. o entrevistador pode explorar mais as respostas que requererem mais investigação ou que levarem a novas constatações que não tenham sido previstas na preparação das entrevistas. São indicadas com desvantagens: Análise detalhada exige tempo. © 2006 eduardo romeiro filho 145 ufmg . As desvantagens ou restrições indicadas são: Podem ser desconfortáveis para alguns usuários. Observa-se. sugestões.7. A razão para tanto é que o contexto de uso e/ou as tarefas dos usuários podem ser de difícil compreensão para o projetista ou responsável pelo desenvolvimento. São apontadas como vantagens: Rapidez na condução. As verbalizações podem ser simultâneas. isto é. projetistas e responsáveis pelo desenvolvimento. Diversos tipos de dados podem ser coletados. Condução pode ser em tempo reduzido. Exige habilidade para interpretação acurada dos dados. as entrevistas podem utilizar desde formatos abertos até altamente estruturados.. dúvidas. 3. crenças.

projeto do produto Entretanto.7. Integração antecipada com abordagens de engenharia. e a segunda. são indicadas: Demanda tempo.7. 3. Pode identificar problemas específicos e recomendar soluções. Pode ignorar problemas importantes.10 Métodos baseados em modelos Basicamente a Norma ISO 16982:2002 descreve dois tipos de abordagem. e demonstrações comprovadas experimentalmente). Pode ser baseado no estado da arte do conhecimento.7.7. se realizada exaustivamente. Aperfeiçoa na comunicação entre usuários. Não permite coletar dados sobre a performance na execução da tarefa. proporcionando maior consistência.11 Avaliação de especialista Avaliações de especialistas são baseadas na experiência e conhecimento do especialista. © 2006 eduardo romeiro filho 146 ufmg . também são apontadas desvantagens e restrições. Padronizam comparações e antevêem performance. As desvantagens ou restrições apontadas são: Não compreendem todos os aspectos da interação do usuário com o sistema. realiza uma análise com base em documentos existentes (tais como normas. que permitem predizer a performance do usuário. através de métodos formais baseados em modelos de usuários e tarefas. projetistas e especialistas em usabilidade.depto engenharia de produção . como todos os métodos.9 Métodos baseados em documentos Neste método. Pode consumir muito tempo. podendo haver diferenças entre diagnósticos de especialistas distintos. estes métodos são limitados pela competência dos especialistas em usabilidade. As vantagens observadas para estes métodos são: Amplamente disponíveis. se referindo a um modelo de interface homem-máquina otimizado que tenha em mente. Como desvantagens e restrições. Entretanto. sendo usados em muitas áreas para gerar uma lista de idéias para criar novos produtos e/ou solucionar problemas através da mudança de perspectivas e considerando opiniões alternativas. 3. Necessidade habilidade para construir e interpretar modelos. tais métodos que visam a dedução de características de novos produtos e sistemas. Como vantagens ou restrições são citados: Análise detalhada consome tempo. um especialista em usabilidade. a primeira que consiste na especificação da interface do usuário e métodos de projeto que permitem a modelagem do comportamento dos usuários. As vantagens citadas para este método são: Rápido para conduzir.8 Métodos criativos Citados resumidamente anteriormente. Bem adaptado aos estágios iniciais do projeto. Bem adaptado às fases iniciais do projeto. para avaliar o sistema ou produto. a saber: Necessidade de competências em ergonomia. Esta avaliação pode levar à rápida identificação de problemas potenciais e pode também ser usado para eliminar as causas dos problemas. Tais métodos ajudam a criar e definir novos produtos. Vantagens citadas para este método são: São necessárias competências mais amplamente disponíveis que outras requeridas por métodos ergonômicos mais específicos. Como vantagens são apontados: Não requer experiência. Tais métodos proporcionam meios para identificar problemas de usabilidade conhecidos e podem ser aplicados no início do ciclo de vida. que identifica os problemas mais freqüentemente observados. juntamente com seu próprio julgamento. ainda que isto propicie melhores resultados. Entretanto. 3. suas funcionalidades e suas interfaces. 3. são apontadas as seguintes desvantagens ou restrições ao método: Pode revelar conflitos entre as partes. normalmente extraídos através de interações em grupo. Permite influências. Permite influências.

tais matrizes são retratadas neste trabalho. às restrições de projeto. A Norma ISO/TR 16982:2002 analisa a seleção dos principais métodos de usabilidade em relação ao ciclo vida. pois as mesmas também embasaram a seleção dos métodos utilizados.depto engenharia de produção . Em contrapartida.8 Seleção de métodos de usabilidade A flexibilidade de muitos métodos implica na possibilidade de utilizá-los para diversos tipos de sistemas e ao longo de diversos estágios de desenvolvimento. e à participação do usuário. A vantagem da aplicação deste método está na consistência da avaliação ao longo do projeto. 3. O fato de o contexto de uso não ser considerado nestas abordagens implica no uso complementar de outros métodos. são apontadas como desvantagens ou restrições: Pode ignorar problemas importantes. projeto do produto 3. Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Fase do Ciclo de modelos críticos Vida Aquisição ++ + + + + + ++ + Desenvolvimento - Análise dos ++ + + ++ ++ ++ + + + + + requisitos Desenvolvimento - Arquitetura do + ++ + + ++ + ++ ++ + + + projeto Desenvolvimento - Testes de + ++ + ++ ++ + + + + + + qualificação Manutenção e + + ++ + + + + Operação Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral .7. Requer uma versão operativa do protótipo. Op.12 Avaliações automatizadas Baseados em algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em ergonomia. Não recomendado NA Não aplicável Tabela 3 – Métodos relacionados aos principais estagios do ciclo de vida (adaptado da Norma ISO 16982:2002. A seguir. estabelecendo matrizes que correlacionam os métodos e tais fatores. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 147 ufmg . Cit.. as avaliações automatizadas podem diagnosticar as deficiências de um sistema comparado a regras predeterminadas.

Não recomendado NA Não aplicável Tabela 4 – Métodos relacionados às restrições do projeto (adaptado da Norma ISO 16982:2002..depto engenharia de produção .requisito dominante Necessidade antecipada de + + ++ + + + informação/feedbac k/ diagnóstico Especificações + + + + + + ++ + altamente evoluídas Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 148 ufmg . . Cit. Op. + . 2002) Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos usuário Não pode ser + + + + acessado Pode ser acessado ++ ++ + ++ ++ + ++ + + + + + Possui deficiência ++ + + + ++ + ++ + + . ++ + Controle de . . . . + - significativa Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . .. projeto do produto Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos projeto Tempo reduzido . + custo/preço Alto nível de qualidade do ++ ++ + ++ ++ + + + + + + + produto . . . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 5 – Métodos relacionados à participação do usuário (adaptado da Norma ISO 16982:2002. ++ . Cit. Op. .

ROOZENBURG. tradicionalmente. “Usability: Turning Technologies into tools”. 1992. Kritina e BUTLER. In Design Management – A handbook of issues and methods”. utilização da linguagem do usuário. RUBIN. ADLER. BURDEK. proporcionou resultados eficazes. 2004. Jeffrey. na análise da tarefa. Elsevier Science Ltd.1764). os usuários permitem ao observador compreender o que fazem e o que não fazem.A. Ben & FABRYCKY. Nielsen propõe o método da engenharia de usabilidade descontado. Englewood Cliffs: Prentice-Hall.. “Usability Engineering”. “Product design: fundamentals and methods”. Journal of Biomedical Informatics. Avaliação heurística simplificada: apesar de existirem diversas diretrizes para este tipo de avaliação.M. and conduct effective tests”. 1994 NIELSEN. Inc. consistindo em reduzir sua complexidade através da eliminação de partes e funções do sistema ou produto. New York: John Wiley & Sons. de forma silenciosa. por acreditarem ser necessária. J. “Design for people”. & WINOGRAD. “Using qualitative studies to improve the usability of an EMR”.. levando-os a abandonar a usabilidade. Barcelona: Editora Gustavo Gili S. Neste sentido. pois muitas vezes os pesquisadores se deparam com a limitação de recursos e de acesso às técnicas e métodos. enquanto este “pensa alto” ao realizar tais tarefas. Vol. SHINNO. “Life cycle design. Tokyo: Japanese Society of Mechanical Engineering. & EEKELS. Universal Principles of Design. Henry.depto engenharia de produção . 1994. 1. DREYFUSS. E. 1996. 31. Hidenori. para a engenharia de usabilidade. neste caso. Elsevier Science Ltd. HOLDEN. em um dado período.. 2001. LIDWELL. New York: Allworth Press. projeto do produto 3. há trabalhos onde a aplicação simplificada de técnicas de usabilidade. BLANCHARD. “Engineering design methods”. LIMA. Outro fator importante consiste na redução dos recursos necessários para sua utilização. Ao verbalizar seus pensamentos. FREUND. e analisados por psicólogos ou especialistas. “Pensando alto” simplificado: basicamente consiste em se ter um usuário realizando determinadas tarefas. Nigel. Gloucester: Rockport Publishers. segundo o qual “o melhor é inimigo do bom” (“Le mieux est l’ennemi du bien”. Willian. O método da engenharia de usabilidade descontado proposto por Nielsen é baseado em quatro técnicas: Observação do usuário e da tarefa: o princípio básico do foco antecipado no usuário deve ser seguido e. ROSE. no. 2002. teoría y practica del diseño industrial”. DEP/UFMG. design. Francisco de P. N. © 2006 eduardo romeiro filho 149 ufmg . “Effects of two ergonomic aids on the usability of an in-line screwdriver”. porém a aplicação deste pode propiciar uma oportunidade ampla em face da reduzida necessidade de recursos. mesmo sem experiência. Applied Ergonomics. simulando apenas a interface com o usuário. o que facilita a adoção deste método. “Product development methodology for Machine Tools”. London: Blackwell References. pois. BIBLIOGRAFIA LINDBECK. entre outras. 1995. London: Academic Press. É importante ressaltar que o próprio autor reconhece as limitações deste método ao citar Voltaire. ROMEIRO Fo. o próprio pesquisador realiza a análise com base em suas anotações. CROSS. e que eventualmente pode ser melhor utilizar métodos mais indicados em um contexto. enquanto. Wolt. Revista Produção. 1991.. Jil. feedback. In “Dictionnaire Philosophique”. New York: Oxford University Press. New York: John Wiley & Sons.9 Engenharia de Usabilidade Descontada Baseado no pensamento de Voltaire. “O design de produtos como forma de in(ex)clusão social”. Jakob.. Paul S.. et al. B. Também é necessário considerar que os métodos planejados podem exigir modificações face mudanças nas condições contextuais. uma vez que a terminologia estranha e configurações de laboratório muito elaboradas podem intimidar os profissionais. “Diseño: historia. 1955.F. et al. “Da natureza e do objeto da engenharia de produção”.. Alan F. 2003. no. Julho de 1994. mensagens claras de erros. Terry A. Belo Horizonte. uma teoria impenetrável. Nielsen propõe uma série de princípios. quando trabalham normalmente. a aplicação deste método é realizada com o auxílio de gravações de vídeo dos testes.A. 2000. tais como diálogo simples e natural. John R. “Product design and manufacture”.. 4. 1993. que podem ser utilizados para avaliar uma grande quantidade de problemas que no projeto de interfaces para o usuário. sem interferência. O termo simplificado é utilizado.. Jouni. do falhar ao atendo-se a métodos já conhecidos. et al. “Handbook of usability testing: how to plan. New York: John Wiley & Sons. 1990. os usuários devem ser observados. Cenários: que são tipos de protótipos especialmente baratos. Eduardo.

2002. GLOSIENE. Victor. “Error by design: methods for predicting device usability”. MAGUIRE. 2001. Vilnius: CALIMERA Usability Workshop.. Beverly A. 1994. RUDIN-BROWN.. Accident Analysis & Prevention. 2001. 2004. 48. 20. “A methodology for evaluating the usability of audiovisual consumer electronic products”. BECKER. “Technology induced error and usability: the relantionship between usability problems and prescription errors when using a handheld application”. “Usability of ICT-based systems”. International Journal of Industrial Ergonomics”. Elsevier Science Ltd. 2005. SULLIVAN. Journal of Clinical Monitoring and Computing. Nigel. 2002.. Brenda A. 32. André W. Nigel & MACLEOD. & MOTTAY. Carmen et al. SNPTEE – Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica. International Journal of Industrial Ergonomics. Usability testing of a frequently used infusion pump and a new user interface for an infusion pump developed with a Human Factors approach”. “Usability net methods for user centred design”. RUSSO. Karin et al. Anna-Lisa. No. no. Middlesex: Crown Copyright. 35. “State of the Art Survey on Spacers and Spacers Dampers: Part 1 – General Description”. Terry & MATSON. 1988. 28. 2003. ACM Paper: 1-58113-652-8/03/0006. apud NIELSEN. 2004. 2003. no. no. Miles.. IEEE Paper: 0885/8985/03. Elsevier Ireland Ltd. Rebecca.. Proceedings of IFIP 17th World Computer Congress. Zinaida. BELLOTI.depto engenharia de produção .. & JONGSEO. Sung H.. London: Serco Usability Services. Design Studies. David R. “A global perspective on web site usability”. “Application of usability testing to the development of medical equipment. ACM Paper: 1-58113-314-6/00/11. Susan. Academic Press. Kim. KLOCK. Elsevier Science Ltd.36. Christopher. Elsevier Science Ltd. “Implications of current design pratices of HCI techniques”. 2002. et al. © 2006 eduardo romeiro filho 150 ufmg .. KUSHNIRUK. International Journal of Medical Informatics.. no. “Third age usability and safety – an ergonomics contribution to design”. 23. “Usability issues in web site design”. “Connecting usability education and research with industry needs and practices”. “User requirement analysis: a review of supporting methods”. 2002. projeto do produto CARROL. International Journal of Industrial Ergonomics. Elsevier Science Ltd. Karin et al. Kristina & ARNOLDY. Karin et al. IEEE Transactions on Professional Communication. no. “Ergonomic and Usability of na electrically adjustable shower trolley. 2002. no. 2005. Florence E. 74. Anamaria de... Nigel. Androne & MANZUCH. “Usability of consumer electronic products”. 2005. Vol. Elsevier Science Ltd. HAN. IEEE Paper: 0-78703-7949-7/03. V. IEEE Paper: 0-7803- 7591-2/02. 2004. GARMER. “Interface and usability assessment of imaging systems”. HAN. 2003. Computer Methods and Programs in Biomedicine. et al. 2003. Nigel. Christina M. Roger A. International Journal of Human Computer Studies.. Neville A. YAMAMURA. RICKS. Kluver Academic Publishers. BEVAN. 2004. Elsevier Science Ltd. “Usability evaluation of a GUI prototype for a ventilator machine”. CIGRÉ – SC22-WG11-TF5. Martin & BEVAN. Journal of Clinical Monitoring and Computing. Elsevier Science Ltd. 13.”A comparison of screening methods: selecting important design variables for modeling product usability”.. GRICE. Applied Ergonomics. BEECHER. Montreal: Kluwer Academic Publishers.... 55. “Involving users in the design and usability evaluation of a clinical decision support system”. Jiyoung... Lynne & MINGS. “The lack of usability in design icons: an effective case study about juicy salif”. “Aplicação de espaçadores em linhas de transmissão: uma visão crítica da CTEEP”.. Beatriz & MORAES. Kluver Academic Publishers. GARMER. “How to conduct your own usability study”. HAN. COOKE. BEVAN. GARMER. “User participation in requirements elicitation comparing focus group interviews and usability tests for eliciting usability for medical equipment: a case study ”. Shirley A.. Gilberto M. “Survey instrument for the design of consumer products”. STANTON. Nina & TAMMINEN-PETER. 33. International Journal of Industrial Ergonomics. 2000. Sung H. 2003. London: Serco Usabilty Services.. “Arguing the need of triangulation and iteration when designing medical equipment”. no. 2001. no. 2002. 2003. Elsevier Science Ltd. 2003. Valerie & PAQUET. Sung H. NEVALA... 2002. BEVAN. “Barriers to use: usability and content accessibility on web’s most popular sites”. & KWAHK. IEEE Software.. Elsevier Science Ltd. et al. “Usability issues concerning child restraint system harness design”. HITCHCOCK. & BABER. Applied Ergonomics.. 2004.. Elsevier Science Ltd. International Journal of Industrial Ergonomics. “Usability measurement in context”. et al. Yuanhua & OSVALDER. LIU. “Comparison of cost and effectiveness of several different usability evaluation methods: a classroom case study”. et al.. Leena. Behaviour and Information Technology. no.

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Projeto do produto. Transporte urbano. © 2006 eduardo romeiro filho 152 ufmg . Altura excessiva dos assentos localizados sobre as rodas (justamente aqueles que são destinados a grávidas. 23 Palavras-chave: Ergonomia. Dentre as principais queixas estão as más condições da grande maioria do veículos destinados ao transporte coletivo. Roletas dimensionadas (teoricamente) para a média da população. O transporte urbano de massa. Saliências e arestas metálicas agressivas. Degraus de acesso com altura excessiva. projeto do produto Ergonomia. III Seminário de Ergonomia da Bahia. Ausência de informações sobre trajeto. IX Congresso Brasileiro de Ergonomia. Alguns Exemplos: Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte .depto engenharia de produção . no Brasil.. As empresas de ônibus. além de seu muitas vezes precário estado de conservação. Janelas que não abrem mais do que 20% de sua superfície (com a metade de baixo fixa na maioria dos casos). Barulho e calor gerados pelo motor. Dificuldade para entrada de bagagem. idosos e deficientes físicos). eis alguns pontos já levantados: Largura insuficiente das portas.V Congresso Latino-Americano de Ergonomia. Total falta de espaço previamente destinado à bagagem. 23 Artigos originalmente apresentados no ABERGO99 . é realizado quase que em sua totalidade através de meios rodoviários. Altura excessiva do acionamento da campainha. conexões etc. formadoras de um sistema privado de transporte (porém concessionárias de um serviço público). possuem tradicionalmente uma justificada fama de prestarem péssimos serviços à população usuária. Em relação às características do ônibus em si. Ônibus. Existência de grades em volta das roletas.

cabe indagar: Qual a importância do projeto de um produto direcionado aos meios de transporte coletivo (neste caso. como por exemplo limitações de acesso a partes do motor e de outros sistemas mecânicos. ineficiente do ponto de vista ergonômico. as diversas caraterísticas do ônibus urbano e sua adequação aos usuários finais (passageiros) em condições de uso em situações reais. como agente normativo e fiscalizador dos meios de transporte? Partindo-se da hipótese de que grande parte dos fatores que levam à insatisfação dos usuários e. em última análise. por hipótese. 1991. projeto do produto Falta de careza sobre a utilização de dispositivos de emergência. Diante deste quadro. a partir da ergonomia. além das características do produto. LIMA. ou seja. tomando-se por referência a região metropolitana de Belo Horizonte. 1987. e investigadas as razões pelas quais o projeto é. O método a ser utilizado nesta fase da pesquisa é baseado nas metodologias de análise dos processos de trabalho adotadas em estudos ergonômicos e de organização do trabalho (WISNER. esta pesquisa procura levantar e discutir algumas destas questões. Para tanto. à ineficiência do sistema são determinados por características do produto definidas em projeto. o atendimento satisfatório da população em seus meios de transporte. regem o serviço de transporte público urbano e definem critérios básicos para o projeto. Na pesquisa serão analisadas. o papel das normas e da legislação existente para efeitos de padronização do sistema de transporte. O objetivo final do trabalho é fornecer subsídios à reflexão acerca das normas públicas que. será levantado um panorama "sistêmico" da situação do transporte público urbano. das maiores do Brasil e terceiro pólo econômico do país. Além desta longa lista. além da eficiência muitas vezes discutível desses dispositivos.. serão analisados aspectos ligados à eficiência e adequação das normas vigentes à obtenção do fim proposto. após um primeiro levantamento já realizado acerca de algumas das características básicas dos ônibus urbanos. dos ônibus urbanos) para a definição das condições de trânsito e de vida da população usuária? Qual o real papel do design e da ergonomia para a evolução deste meio de transporte de forma a atender às reais necessidades de uma larga faixa populacional? Como princípios ergonômicos aplicados ao desenvolvimento de um produto como o ônibus urbano podem colaborar para uma melhoria efetiva dos serviços prestados? Qual a importância da interferência do poder público nesta questão. © 2006 eduardo romeiro filho 153 ufmg . além das dificuldades de manutenção ocasionadas por deficiências de projeto. exercida pelo poder público.depto engenharia de produção . 1996a e 1996b). Serão avaliadas também as formas de adequação do projeto a estes usuários. por conseqüência. É considerada inicialmente a normalização adotada para o transporte urbano. podem ser citados também os postos de trabalho do motorista e trocador. buscando contribuir para uma reflexão acerca do tema. e de que formas esta normalização. interfere na definição de características do produto "ônibus". GUERIN et al. Com base em dados antropométricos e pesquisa de campo (com a utilização de princípios metodológicos da Análise Ergonômica do Trabalho). Pretende abordar.

projeto do produto

Espera-se que esta contribuição leve ao refinamento dessas normas tendo em vista as
condições de utilização do sistema de transporte público em situação real.

Bibliografia:

GUÉRIN, F. et all, (1991) Comprende le Travail pour le Transformer. Paris: Éditions de
l’ANACT.
IIDA, Itiro et all. (1977) Aspectos Ergonômicos do Ônibus Urbano. Rio de Janeiro:
COPPE/UFRJ - MIC/STI/Desenho Industrial.
IIDA, Itiro. 1990 Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda.
465pp.
LIMA, F.P.A. (1996) Introdução à Análise Ergonômica do Trabalho (notas de aula). Belo
Horizonte: UFMG
REDIG, Joaquim. (1993) "Respeito Público = Design Público" in Design & Interiores 38.
(nov/dez) p.80-81. São Paulo: RAL Editora Ltda.
WISNER, Alain, (1987). Por Dentro do Trabalho - Ergonomia: Método & Técnica. São
Paulo: FTD - Oboré.

© 2006 eduardo romeiro filho 154 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

A Ergonomia Adverte:
Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode
Ser Prejudicial à Saúde
Cristiana Barreto Aorta
Ivi Juventino Dias
Renata Vilanova Lima
Design Industrial - Departamento de Artes - PUC-Rio

Eduardo Romeiro Filho, Orientador
UFMG - Departamento de Engenharia de Produção
Caixa Postal 209 - 30161.970 - Belo Horizonte - MG - 031 499 4892
romeiro@dep.ufmg.br

Palavras-Chave: Ergonomia, Comunicação Visual, Rótulos, Indústria Farmacêutica.

Este trabalho surgiu a partir de um acidente envolvendo um dos autores, após confundir os
rótulos de dois frascos contendo substâncias completamente diferentes (uma delas tóxica). Pode-se
perceber, a partir de exemplos como este, a importância da observação de critérios claros de
diferenciação de produtos através de rotulação. Observa-se também que em inúmeros exemplos,
notadamente relacionados a indústrias farmacêuticas e de cosméticos, existem graus de semelhança
bastante altos entre embalagens e rótulos de diversos produtos, o que dificulta a correta seleção e, em
última análise, a correta utilização desses produtos. Este trabalho pretende demonstrar com alguns
exemplos como a aplicação de princípios da comunicação visual pode (ou poderia) contribuir para a
melhoria da interface entre produtos e usuários, a partir de uma abordagem ergonômica.

A concepção de embalagens e rótulos apropriados é fator de relevada importância para a
adequada interface entre o produto e seus usuários (muitas vezes pessoas sem formação ou mesmo
analfabetas). Os fabricantes e designers envolvidos com projetos de embalagens e/ou rótulos devem,
desta forma, ter como principal preocupação a concepção de uma interface (neste caso, rótulo e
embalagem) adequada adaptada às características e necessidades dos usuários, bem como às formas de
uso do produto. Por mais que as embalagens atendam às necessidades específicas de proteção e
conservação dos produtos, é evidente a necessidade de promoverem-se formas eficazes de
identificação e distinção que atendam a algo mais do que às estratégias de marketing das empresas.

Neste trabalho, foram levantados diversos exemplos, facilmente reconhecíveis no mercado, de
produtos que possuem características de similaridades em suas embalagens, o que contribui para a
confusão por parte dos usuários. Procurou-se evitar casos de produtos propositadamente "copiados",
com a real intenção de enganar o consumidor e/ou usuário dos produtos originais, o que pode levar a
problemas cuja expressão mais tradicional é a de "gato por lebre". Embora esta possa ser considerada
origem para o mesmo problema, não será, entretanto, o objetivo deste trabalho. As marcas comerciais
serão, na medida do possível, evitadas:

© 2006 eduardo romeiro filho 155 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

Remédios homeopáticos: A maior parte das farmácias
homeopáticas utiliza embalagens padronizadas em seus
compostos. Ora, se esta padronização atende a requisitos
econômicos (custo para confecção de rótulos) e formais
(padronização de projeto gráfico), muitas vezes pode levar a
confusões extremamente perigosas, pelo fato de tratarem-se de
produtos químicos. Este foi o caso ocorrido com um dos
membros do grupo que desenvolveu este trabalho.

Remédios - caso A: Aqui a semelhança pode ser
atribuída a questões de padronização gráfica de
embalagens pela indústria farmacêutica. Entretanto,
tratam-se de compostos totalmente distintos: um
remédio geriátrico e um anticoncepcional. Chama-se
a atenção para natural dificuldade de leitura e
redução da capacidade visual observada entre os
Adoçante e colírio: neste caso, uma idosos (usuários de um dos remédios), o que torna
interessante similaridade extrema entre dois este problema crítico.
produtos industriais totalmente diferentes.
Se nos dois casos anteriores a similaridade
poderia ser explicada por razões
econômicas, devido ao fato de tratarem-se
de micro e pequenas empresas, isto não
ocorre neste caso, em que as embalagens
são idênticas.

Não é objetivo deste trabalho esgotar o tema, e nem seria possível diante de tantos exemplos.
Entretanto, algumas recomendações podem ser elaboradas, no campo da comunicação visual, cuja
implantação teria custos relativamente baixos tendo em vista a relevância do tema. Sem dúvida uma
das soluções está na legislação, a quem cabe estabelecer normas de rotulação de produtos (em especial
aqueles que tenham potencial efeito danoso sobre a saúde, como remédios), como, por exemplo,
diferenciação por cores (como no caso dos inseticidas, que possuem tarjas indicando nível de toxidade,
do azul ao vermelho) e/ou aplicação de sinais gráficos que evidenciem o risco ou identifiquem
indubitavelmente o produto.

Além disso, os próprios fabricantes podem desenvolver rótulos que estabeleçam diferenças
marcantes às embalagens (como o uso de cores e logotipia diferenciada). Nem sempre o melhor

© 2006 eduardo romeiro filho 156 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

projeto gráfico é aquele que estabelece um "padrão" por demais rígido, que torne a família de produtos
uma sucessão de "clones". Foi observado o caso de um laboratório farmacêutico que já adota
diferenciação por cores em função do tipo de medicamento, o que é, sem dúvida, uma salutar
iniciativa.

BIBLIOGRAFIA:

LAUGHERY, K. R.; WOGALTER, M. S.; YOUNG, S. L. (Ed.) Human factors perspectives on
warnings. Santa Monica: Human Factors and Ergonomics Society, 1994. 282 p.

Roche do Brasil, 1999, http://www.roche.com.br

Creme de barbear e Creme dental: Ambos tem consistência similar, sendo acondicionadas em tubos, embalagens que
possuem formato e cores muitas vezes semelhantes. O grande número de marcas existentes no mercado aumenta a
confusão, que é agravada pelo fato dos dois produtos serem muitas vezes guardados no mesmo lugar.

Remédios - caso B: Um exemplo que
não poderia ser deixado de lado é o
destes comprimidos, que tem
envelopes que guardam entre si
semelhanças de cor e formato: um
deles é um anti-histamínico,
analgésico e antiemético e o outro um
laxativo e purgativo. Neste caso, os
efeitos da troca podem ser imaginados
com inevitável tom de anedota,
embora a semelhança possa vir a ser
efetivamente uma fonte de problemas.

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projeto do produto

Valor

Os valores são a chave para a evolução de uma sociedade
sustentável não apenas porque influenciam o
comportamento, mas também porque determinam as
prioridades desta sociedade, habilitando-a, assim, a
sobreviver. Ao longo do tempo, os valores mudam de
acordo com as circunstâncias. Se assim não fosse, a
sociedade não perduraria (BROWN, 1995).

A metodologia da Análise de Valor para as atividades de desenvolvimento de produto tem a sua origem
no período da II Guerra Mundial, para promover a economia no uso de materiais nobres que passaram a ser
destinados unicamente para a indústria bélica. A indústria sentiu a necessidade de encontrar materiais
alternativos que mantivessem a mesma capacidade de produção e preço do produto. Esta metodologia foi
desenvolvida na General Eletric., por Laurence D. Milles, com o objetivo de obter redução de custos e melhorias
de qualidade e desempenho dos produtos, e é considerada de grande importância para as empresas que queiram
criar novas oportunidades de negócios e dar continuidade aos seus empreendimentos (CSILLAG, 1991).
A diferença entre Análise de Valor e Engenharia de Valor é basicamente o momento em que se está
aplicando. A análise de valor é um conjunto sistematizado de esforços e métodos destinados a reduzir o custo
total de um produto, processo ou serviço, mantendo ou melhorando sua qualidade. A engenharia de valor
refere-se a produtos, processos e serviços novos ainda na fase de projeto (IETEC, 2006). A Análise de Valor
atua durante o início do processo de produção até a venda e apuração do resultado. O plano de trabalho da
Análise de Valor é orientado por uma seqüência metodológica que consiste na coleta e análise de informações,
abordagem funcional, geração de idéias, seleção de idéias e implementações, seqüência semelhante àquelas
encontradas nas metodologias de design de produto (BAXTER, 1995) e do processo criativo (CARVALHO,
1988).
Os valores são circunstanciais, isto é, dependem da situação ou do estado do consumidor, de acordo
com o momento. Um produto deve realizar as necessidades ou desejos do consumidor a fim de ter valor24
(FOWLER, 1990). A aceitação do consumidor é a medida direta do valor25. A aquisição e conservação de bens
materiais são escolhas do consumidor baseada no valor, um termo adotado nas atividades de desenvolvimento de
produto sob várias perspectivas. CSILLAG (1991) apresenta os seguintes conceitos sob o ponto de vista
econômico:
- Valor de custo, como sendo o total de recursos medido em dinheiro, necessário para produzir/obter um
objeto;
- Valor de uso, como a medida monetária das propriedades ou qualidades que possibilitam o
desempenho de uso, trabalho ou serviço;
- Valor de estima, com a medida monetária das propriedades, características ou atratividades que
tornam desejável sua posse;
- Valor de troca, como a medida monetária das propriedades ou qualidades de um item que possibilitam
sua troca por outra coisa.

Valor é um atributo agregado. Segundo a definição no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999), valor
agregado significa valor adicionado. No dicionário Michaellis (1998) significa algo com benefício extra para o

24
A product must fulfill a user’s need or want in order to have value. (FOWLER, 1990).
25
This user acceptance is a direct measure of worth. (FOWLER, Op. cit.).

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projeto do produto

usuário. O valor de um produto, seja qual for a atividade desempenhada por ele, é baseado em duas funções
elementares – a função de uso e a função de estima. Uma função é definida como toda e qualquer atividade que
um produto desempenha (CSILLAG, Op. cit). A função de uso está diretamente relacionada com o valor de uso
do produto e envolve atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função de estima está
diretamente relacionada com o valor de prestígio do produto, envolvendo atividades que auxiliam as vendas do
produto, dotando-o de beleza, status, moda, etc, ou seja, tornando desejável a sua posse.
O valor de uso é a capacidade de um bem de satisfazer necessidades humanas (FERREIRA, 1999), está
relacionado à funcionalidade prática. Segundo MARX (1980), a utilidade de uma coisa faz dela valor de uso, e
este só se realiza com a utilização ou o consumo. O valor de estima é dotado de qualidades mais subjetivas,
condicionadas à hermenêutica, a disciplina da interpretação, ou seja, à semântica. De acordo com
KRIPPENDORFF (1990):
A forma de um artefato, suas superfícies reflexivas, pode ser o que uma câmera responde, mas
para nós seres humanos, isto é sempre interpretado como tendo um nome, tendo uma história de uso
reconhecida, como sendo composto de outras coisas ou sendo capaz de amparar um modo de viver. Se
o significado de um objeto não está claro para nós, nós podemos nos sentir convidados a explorar ou
brincar com ele até que tenhamos adquirido uma compreensão prática sobre ele. Desta forma, o
significado de algo não reside na sua superfície. Ele emerge no uso, com a prática, a prática de viver o
ambiente e contextos específicos, toda vez que nós cognitivamente conectamos nossas ações e
percepções em uma perspectiva circular. Os significados então construídos apóiam nosso modo de
viver, penetrando a superfície tão fundo quanto nosso conhecimento pode chegar e envolvendo nossa
capacidade cognitiva quanto mais interagimos com ele (significado).26

O valor de estima muitas vezes está acima do valor de uso. Em situações corriqueiras este fato se
destaca, como por exemplo, conforme coloca MARTINS (1973): é mais gostoso o beiju cuja massa é sessada27
na peneira fina de taquara; o peixe tratado na gamela rasa de imburana; a feijoada servida em vasilha de
barro; o arroz afogado em frigideira de pedra. É mais gostoso tomar um cafezinho numa caneca de esmalte
(figura 10). A sensação bucólica satisfaz o consumidor, mesmo quando existe uma inadequação funcional. A
caneca de esmalte foi desenvolvida para acompanhar o bule, recipiente para acondicionar o café e que
geralmente ficava à beira do fogão de lenha, preservando uma temperatura morna para a bebida, o que era
conveniente para os materiais utilizados na fabricação destes utensílios. Atualmente o café é acondicionado em
garrafas térmicas, que mantém a bebida mais quente por mais tempo, fazendo com que muitas pessoas queimem
os lábios ao utilizar esta canequinha.
MANZINI e VEZZOLI (2002) lembram o significado (ou melhor, os significados) de vida útil de um
produto: a vida útil dá a medida do tempo – de um produto e seus materiais, em condições normais de uso (com
isto se entende: bem mantido, e não, posto em condições de stress além dos limites aceitáveis). Quando a vida
útil de um produto chega ao fim, é a fase de eliminação. Ainda segundo estes autores, as principais razões que
levam à eliminação dos produtos são: a degradação de suas propriedades ou a fadiga estrutural, causada pelo uso
intensivo, a degradação, devido a causas naturais ou químicas, e os danos causados por incidentes ou uso
impróprio. Mas também por: obsolescência tecnológica, e obsolescência cultural e estética. Os objetos de moda
são os mais sujeitos a tal tipo de envelhecimento. Segundo CALDAS (2004):
Moda, em estatística, é o elemento mais freqüente de uma amostra. Usada no plural, denota
fenômenos em qualquer esfera da sociedade e da cultura. É um fenômeno social ou cultural, de caráter
mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da
necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social.

26
The form of an artifact, its reflecting surfaces, may be what a camera responds to, but for us as human users,
it always already is interpreted by having a name, by having a recognizable history of use, by being composed of
other things or by being able to support a practice of living. If the meaning of an object is not clear to us, we
may feel invited to explore or play with it until it is, until we have acquired a practical understanding. Thus, the
meaning of something does not lie on its surface. It emerges in use, with practice, the practice of living with our
environment and in particular contexts, whenever we cognitively connect our actions and perceptions in an
experiential circle use. The meanings thus constructed support our practice of living by penetrating a surface as
deep as our understanding goes and by involving as much of our cognition as participates in interaction with it
(KRIPPENDORFF, 1990).
27
Sessada: peneirada (FERREIRA, 1999)

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projeto do produto

Figura. Caneca esmaltada e copinho descartável de plástico. Fonte: arquivo pessoal. 2006.

O valor de um produto artesanal, atualmente, parece que tem sido caracterizado mais pela estima do que
pelo uso. Poderíamos dizer que é um produto de caráter estesiogênico, isto é, que provoca sensações e
sentimentos (FERREIRA, 1999). O produto artesanal é dotado da expressão pessoal do artesão, fruto da sua
criatividade e habilidade técnica (DORMER, 1995), e também fruto da relação com a sua sociedade de
procedência. Neste sentido, CALDAS (Op. cit.) define:
Um valor cultural, diferentemente do gosto pessoal, é uma idéia compartilhada socialmente
que permite criar categorias entre as coisas, em termos de desejos e méritos. Influenciam diretamente o
modo como as pessoas escolhem. O quadro de valores é mutante: alguns evoluem rapidamente, outros
permanecem inalterados por longos períodos de tempo.

Análise do valor
Jacqueline Elizabeth Rutkowski
Universidade Federal de Ouro Preto

Uma das funções do projetista é garantir partir da função desempenhada, com objetivo de
um projeto econômico do produto, ou seja, garantir reduzir custos”. As técnicas foram usadas pela
que o produto poderá ser comercializado com lucro. primeira vez nos EUA, durante a II Guerra
Isto é, os produtos deverão ser projetados de forma Mundial, quando a escassez de recursos incentivou
que possam ser fabricados, usando material, mão de os esforços para busca de soluções criativas para
obra e equipamentos disponíveis, a um custo menor possibilitar o suprimento de produtos apesar da
do que o preço que o consumidor está disposto a falta de determinadas matérias primas e acabou
pagar, adequado para deixar uma margem de lucro mostrando-se uma excelente técnica para reduzir-se
necessária para ser dividida em partes do impostos, custos de produtos. A partir de então a técnica
do empresário e do reinvestimento. Os produtos passou a ser mais e mais usada na industria, até que
devem ser tecnicamente, esteticamente, ergonômica em 1959 foi criada a Sociedade Americana de
e economicamente satisfatórios. Desse modo, o Engenharia do Valor. Em 1977 o senado americano
engenheiro deve pensar tanto em custo quanto em votou uma resolução tornando seu uso obrigatório
desempenho quando está projetando algo. A isso se nos Ministérios do Governo. Na mesma época a
dá o nome de “valoração”. técnica começou a ser utilizada nos países
Uma das formas de se buscar reduzir europeus. No Brasil a técnica vem sendo usada
custos de produtos é através da “análise de valor”, desde a década de 60, mas seu uso intensificou-se
que podemos definir como um “método de análise somente a partir da década de 80.
de bens, serviços ou formas de gerenciamento, a

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serviço. Em geral aumenta com maiores valores de centígrafos). no primeiro produto ou serviço perderá seu valor e.J. com as mais diversas técnicas e no Valor de Troca: medida monetária das combate aos bloqueios mentais que às vezes nos propriedades ou qualidades de um item que impedem de aceitar e buscar mudanças. Assim. e que foi Gerenciamento do valor foi utilizado para produzida usando-se os mais modernos materiais e identificar e resolver problemas gerenciais. para cada nova aplicação.depto engenharia de produção . métodos não prover tal função ao menor custo total. desde que pertinente. caso e Heller. o valor de um Definições básicas: produto indica quanto seu desempenho deve custar Engenharia do Valor é a aplicação sistemática de e serve como base de comparação com os custos técnicas para identificar a função de um produto ou reais. têm ou tinham tipos de valores econômicos: uma finalidade. considerando que todo A Metodologia do Valor identifica quatro objeto ou toda ação. necessárias e desnecessárias. O objetivo básico da sendo desempenhada. Value Management: value que ajudam o produto a ser vendido mas não são engineering and cost reduction. Engenharia do valor desempenhar confiavelmente as funções. deve-se atentar para que um subsistemas.29 custo mais baixo possível de uma função requerida. podendo ser obtida por um aumento na item. secundárias. Ed.op. Para utilizar-se a análise de valor o ou ainda. características ou atratividades que A metodologia baseia-se ainda no uso da tornam desejável a posse de um produto. Assim.M. substantivo (objeto sobre o qual o verbo atua) – processo ou sistema é sempre uma entidade amplificar corrente (ampere).J. Visa a engenharia do valor é determinar onde termina o um resultado e deve sempre ser definida por duas desempenho satisfatório e onde começa o excesso palavras: um verbo (atuando sobre algo) e um de desempenho.1991. métodos de manufatura. estabelecem desempenhar certa função. Uma função é o funcionais que o fazem adequável (e vendável) para objetivo de uma ação ou de uma atividade que está uma finalidade específica. essenciais para seu uso.Addison. Ao se definir uma função deve-se uso e de estima e diminui com o crescimento do ter o cuidado para não explicar o modo de valor de custo. não é a própria ação. desempenhada de várias outras formas. Conforme “valor” que pode ser definido como o custo mínimo Csillag28. Assim. disponíveis na organização e pertinentes ao produto Valor de estima: medida monetária das em discussão sejam utilizados a contento. O valor corresponde consciente de um conjunto de técnicas. especificações desnecessárias de desempenho (mais do que o desejo do mercado consumidor) irão Engenharia de valor é a aplicação sistemática. As funções 29 Csillag. essencial de uma finalidade. a representação do menor gasto produto é avaliado através da função desempenhada necessário para prover a função requerida conforme por ele e/ou por cada um de seus componentes ou definida.Análise de valor. foram sendo de uma peça ou produto acabado. obter um item. para existirem. sem econômicos de produção e características ou degradação. tanto para o fabricante valores para as mesmas e desenvolvem alternativas quanto para o usuário.1971.Massachusetts. ou a característica de um item ou serviço que função. do ponto de vista do © 2006 eduardo romeiro filho 161 ufmg . que ao menor sacrifício ou dispêndio de recursos para identificam funções necessárias. criatividade. necessário para produzir. projeto do produto Desenvolvida inicialmente para análise de Devido a relatividade do valor a AV produtos simples. Função é a finalidade ou aumento de valor não significa uma redução de motivo da existência de um item ou parte de um custo. Porém. propriedades. estabelecer um valor para aquela função e Materiais não apropriados. o para desempenhá-las ao mínimo custo. reduzir o valor de um produto.cit. Podem também ser Wesley. prejuízo das especificações requeridas. possibilitam sua troca por outra coisa. etc. ou ainda. trabalho ou serviço. a análise do valor foi adquirindo definiu um valor-padrão. desempenhar a função. função que pode ser 28 Csillag.Atlas. O desempenho de um produto pode ser A abordagem funcional reduz o projeto a definido como o conjunto específico de habilidades requisitos chamados funções.M. SP. doravante chamado de novos nomes ao longo do tempo.sem a qual o Associação das Indústrias Eletrônicas. ou em outras palavras. para que todos ou qualidades que possibilitam o desempenho de os conhecimentos especializados e as habilidades uso. que irá utilizados nomes diferentes.E. ou a característica de desempenho a ser Componentes básicos da metodologia : possuída por um item ou serviço para funcionar ou Abordagem funcional – determinação da natureza vender. atinge as necessidades e desejos do comprador e/ou usuário. sem passou a ser dado para produtos novos. – caso dos soldados e do canhão Valor de custo: o total de recursos medido em Esforço multidisciplinar – a atividade deve ser dinheiro. isolar calor (graus relativa. como parafusar plaqueta ao invés de prender plaqueta. desenvolvida por uma equipe composta de pessoas Valor de uso: medida monetária das propriedades de várias formações e treinamentos. o valor real de um produto.citando definição dada pela devem ser classificadas em básicas.

porém sem regras determinadas. o próprio uso flexível de cada fase do deve ser desempenhado em função das Plano de Trabalho deverá ser feito características e propriedades desejadas e as convenientemente. etc. alternativas devem ser geradas. sendo regras d) Fase de análise.ex. o uso da criatividade é fundamental para a responsabilidades específicas em termos de metodologia e aplicar técnicas que a favorecem é quem faz o que. nos operadores. ao processo de manufatura. projeto do produto usuário mas não do ponto de vista do fabricante. f) Fase de execução de programa na qual A avaliação funcional pode ser feita respondendo. na qual geram-se alternativas cada caso em particular. dependendo da Como nos lembra Csillag. Quais as funções básicas e secundárias? ferramental. decidindo-se o que deve ser Qual o valor da função básica? mudado. isto é à por parte do usuário. na qual se estabelece. empregar boas relações humanas. Quanto custarão essas formas alternativas? g) Fase de resumo e conclusões do trabalho. pois. devendo essa diferença ser em torno de uma alternância de fases em que se mensurável para permitir uma quantificação aplicam técnicas que auxiliam desde a identificação dos resultados. Podem ainda ser de uso – aquelas que se estabelece um programa de investigações possibilitam o funcionamento. nas quais várias técnicas devem ser usadas. além do uso adequado de a) Fase de orientação. alternativa(s) a ser(em) aplicada(s).p. inspirar a equipe de trabalho. do problema. indicar hora. quem deve fazê-lo. como forma de melhorar o seu. Várias alternativas são geradas. materiais.. Aqui deve-se considerar o que deve De quantas outras formas alternativas pode ser ser feito.depto engenharia de produção .ex. quando. quantidade. seqüência. São elas: decide-se quais alterantivas deverão ter evitar generalidades. para se proceder à escolha h) Fase de Implementação: na qual se daquela do menor custo que satisfaça a função. © 2006 eduardo romeiro filho 162 ufmg . confirmam-se especificações e o impacto se as seguintes perguntas: quanto a qualidade. reais necessidades do comprador. algumas mais simples de se satisfazer à função vezes até simultaneamente. etc. análise das idéias geradas. Trabalho divididos em fases. verifica-se que tipos de problemas estão As várias etapas de um Plano aproximam-se ocorrendo e escolhe-se qual será tratado. o uso de um Plano finalidade e das circunstâncias. objetivo é chegar-se à definição do problema. Também qual a escolha da alternativa adequada é feita para coletam-se todas as informações quanto a posterior implementação. quando e onde e desempenhada a função básica? finalmente como será pago o projeto. recomendável. na qual se decide o que técnicas. p. os Planos de Trabalho orbitam e o que se deseja. Nessa fase P. se para em seguida mergulhar na fase criativa. promover estética. desenvolve um plano que designa Assim. Procede-se a uma específico. fornecedores. Definição de planos de execução e verificação O método em si constitui-se em um Plano de da resolução do problema. complementando-se. p. definindo-se maneiras serem usadas conforme a necessidade.111 custos. etc. de Trabalho não garante por si só o sucesso de um As fases do Plano são : projeto de AV/EV. concentrando-se no prioridades de estudo. O delas anteriores caso isso pareça necessário. embalagem. Um das técnicas de solução de problemas e apesar das problema é uma diferença entre o estado atual múltiplas variações. a coleta de informações pertinentes. deve Qual o custo de cada uma delas? ser avaliado. Também não há um sistema definitivo para através de pesquisa e coleta de informações selecionar a melhor técnica a cada momento e para c) Fase criativa. clientes.ex. utilizados. Várias quem deve decidir sobre sua implementação. na qual cada idéia é analisada de bom senso e procedimentos a serem cuidadosamente e quantificada. Ao final. como. para prover informações técnicas inerentes a ou de estima – que resultam na vontade da posse concretização de cada função. visando sua apresentação. quando p. a) Técnicas de suporte – regras heurísticas cujo verificando-se a existência de alguma possível uso facilita a solução de problemas surgidos na solução pronta ou a ser criada aplicação do Plano de Trabalho. testadas e quantificadas. métodos de manufatura. após a define e avaliam-se as funções. algumas vezes envolvendo o responsável. Normalmente as fases são usadas em investimentos. etc. escolhendo a(s) usar apenas informações da melhor fonte. onde. e) Fase de planejamento do programa. mecânica. elétrica.88. Tendo o Muitas vezes é pertinente fazer essa análise não planejamento definido ações preventivas e só do seu produto mas também do produto do contingentes ele deverá ser recomendado a concorrente. requerida e/ou eliminam-se as funções As técnicas podem ser classificadas em: desnecessárias. manufatura. Elas são ferramentas para para as funções básicas. b) Fase de informação. mas pode-se ter que voltar em alguma controle de qualidade.

1988. entre especialistas sobre um tópico por meio de b) Técnicas de análise global – permitem uma série anônima de questionários enviados abordar situações na sua totalidade. método de custear todas as idéias. como o brainstorm. São bloqueios que em geral impedem que se técnicas úteis na fase de preparação.125 coloquem em prática as novas idéias . Análise do Valor. João Mário. p.160 onde começar.depto engenharia de produção . projeto do produto identificar e contornar bloqueios mentais. © 2006 eduardo romeiro filho 163 ufmg . técnica de livre associação. e) Técnicas de seleção e avaliação – como a usar o critério “eu despenderia meu dinheiro técnica da vantagem-desvantagem.. P. fornecedores e 149 processos especializados. São Paulo: Editora Atlas. P. P 130 d) Técnicas de geração de idéias – para uso CSILLAG.167 que se chegue a uma solução. o representar um problema de forma a facilitar “brainstorm” invertido.165) . brainwriting. como a técnica da função – fonte: verbo e substantivo e o fluxograma. sendo o gráfico de Pareto. (p. recorrer a especialistas. através de um melhor entendimento do mesmo com uma nova As páginas citadas no texto referem-se a seguinte forma de abordá-lo. ajudam a técnicas de planejamento como o PERT. como as c) Técnicas reestruturantes . individual ou em grupo. o uso f) Técnicas de implementação – para romper de indicadores específicos. exemplos. método dessa maneira ?” delphi – método para desenvolver consenso aplicar critérios profissionais de julgamento. hierarquizando os problemas e decidindo por etc.p. etc.

em última análise. em termos de energia e matéria-prima. parte do mundo usufrua da riqueza e da tecnologia. que considere inventário. Entre estas. considerar não somente o cliente (do ponto de vista do marketing) ou o usuário (sob a perspectiva do DFE. mas todo o ciclo de vida do produto. que requer possível “quantificar” impactos ambientais de agora (e cada vez mais) uma visão sistêmica de diferentes processos de produção e. em especial nos minimização de efluentes tóxicos e eventual anos de pós-guerra. seja durante a destacadas: produção como na utilização do produto. historicamente. dos padrões observados entre os norte-americanos DFS. em especial a simplicidade na montagem. redução do número e partir da adoção maciça de estratégias de marketing padronização dos componentes. selecionar aqueles que sejam menos toda a vida do produto. design for environment: Busca o projeto de design). menores produção em massa contemporâneos tem levado a custos. Ora. design for service: Leva em consideração a pelo resto da população mundial. Parte do pressuposto de que é e novas estratégias de gestão do projeto. seja uma abordagem necessariamente mais ampla e durante os processos de produção como durante a sofisticada. manutenção. Este fato de uma exploração continuada que. que requer novas ferramentas de projeto vida útil do produto. redução de custos e da consolidação do capitalismo e dos sistemas de com remontagem. a partir de um todo o ciclo de projeto e produção. pois o que é inviável a longo prazo. maior confiabilidade. porém por outro lado busca satisfazer emergentes demandas do mercado em termos de Sendo assim. design for disassembly: origina-se da desafios em termos de projeto de produtos. sistemas necessidade de gerenciamento de resíduos e de produção e. do próprio componentes resultantes da montagem e modelo de vida proposto pela revolução industrial.depto engenharia de produção . Objetiva a otimização atingido (teoricamente) pela sociedade americana dos recursos. devido à sua intrínseca insustentabilidade e a novos DFD. contradiz as perspectivas de lucros empresariais não se mostra o melhor caminho. podem ser agressivos ao meio ambiente. com seu “american way of life”. a não ser por meio prolonga o período de sua utilização. imediatos. Aumento do consumo de recursos Estratégias de Demanda Aumento do consumo de energia Produção e artificial Aumento da produção de resíduos Marketing exagerada Aumento da produção de emissões A aceleração do ritmo de consumo. em produtos que leva à redução de resíduos. Reduz a demanda pela substituição do produto. projeto do produto Novos Cenários para a Atividade Projetual: Aceleração do ritmo de consumo. DFMA. prevê a busca da instrumentos como esses no sentido de formar um © 2006 eduardo romeiro filho 164 ufmg . a insustentablidade do disposição de resíduos oriundos dos processos modelo vem da total impossibilidade de produtivos. o preocupação com serviços de manutenção durante a modelo proposto somente admite que uma pequena vida útil do produto e do seu recondicionamento. Desta forma. situações que pressupõe a falência do modelo atual. a excelência de projeto passa agora a crescentes restrições de caráter ecológico. design for manufacture and assembly: São necessários esforços no sentido de combinar criada ainda na década de 1970. matérias-primas e energia. desmontagem do produto.

Ferramentas DFX desdobradas para DFM. DFA e DFE. controle da qualidade.depto engenharia de produção . considerados os possíveis destinos dos resíduos reutilização. de forma direta. DFA e DFE e seus um meio artificial disponível a organizações de respectivos papéis na integração do processo de manufatura (e aos indivíduos nela inseridos) com o desenvolvimento de produtos. produto e do processo quanto ao custo. Cássia Vilani Ferramentas de suporte ao A seguir são apresentadas conceitualmente as desenvolvimento de produtos são entendidas como ferramentas DFX-DFM. evitando erros manipular informações de diferentes origens e com e acelerando o processo. manutenção. restrições das linhas de produção em forma que englobando as diferentes fases do ciclo de vida. quando vinculadas aos filosofia que coloca um produto no mercado de propósitos da ES . Todas estas objetivo de auxiliar o entendimento. da interação entre o projeto do produto e o fases do projeto e não durante a produção (Melhado projeto de fabricação. pois eliminam ciclos processos e sistemas. Esse sistema deverá a linha de produção. desmontagem. O autor produção. 1995). 2005). para que ARAUJO. permita rápida interpretação. ou seja. estas para “a qualidade total” (HUANG. associados a do tempo de desenvolvimento. uso. Estas ferramentas problemas potenciais de produção causados pelo reafirmam a necessidade. contribuem para comunicação e cooperação. 1996) é uma ferramentas metodológicas. qualidade e DFX produtividade. a constante revisão de passando pelo fornecimento de matérias-primas. estoques.Engenharia Simultânea (ver forma rápida e satisfatória pelo incentivo à texto adiante sobre o assunto). BIOSFERA SISTEMA DE Matéria-prima Energia PRODUÇÃO E Emissões Recursos Naturais CONSUMO Resíduos e Humanos Co-produtos Transportes. desativação etc. apud momento (right-first-time for production). a definição. segundo Melhado et al projeto sejam solucionados ainda nas primeiras (2005). diferentes fins: a documentação das capacidades e O projeto do produto também se amplia. constituindo a mais eficiente de retrabalho e impactam de forma positiva na ferramenta para implementação da ES. TRABASSO. componentes e processos no sentido de aprimorar montagem e desmontagem. na tentativa de otimização do et al. onde poderão ser sua montagem. transmissão de informações do setor de projeto para Entradas e saídas do Sistema de Produção e Consumo. a gerados em seu uso e após sua desativação. a terminologias designam o que se entende por um execução ou o controle de tarefas e atividades e a projeto voltado à produção. projetar solução de problemas no contexto do pensando-se na sua produção desde o primeiro desenvolvimento de produtos (ARAUJO. projeto do produto sistema eficiente de gestão. DFX (Design for excellence) ou projeto voltado Juntamente com o suporte computacional. caracterizado como um redução do custo total do ciclo de vida do produto e projeto simultâneo de produtos. considera que as ferramentas bem sucedidas do DFX são aquelas que racionalizam o produto e o © 2006 eduardo romeiro filho 165 ufmg . reciclabilidade.

vida do produto e do tempo de desenvolvimento. enfatizando dessa em etapas posteriores. Seus benefícios podem ser orientado para a manufatura (DFM) engloba classificados em três categorias: considerações de manufatura no projeto. que envolve a definição de procedimentos e seqüências HUANG ainda enumera as principais ações desta de trabalho. 2003). CANCIGLIERI. aumento IAROZINSKI. pode ser então substituída por projeto (STOLL apud FABRICIO & MELHADO. (BANDEIRA.Categoria 2: inclui a melhoria e a racionalização (GOMES. ultimamente. © 2006 eduardo romeiro filho 166 ufmg . produto e do processo de fabricação. uma inicial para o que se deseja projetar. incluindo melhoria da qualidade e do produto (BOOTHROYD et al. Ambiente etc. 2005). Desmontagem. processo. Assembly). DFA e DFE. O autor reforça que o conceito de Projeto Manufatura.Esclarece e analisa as relações entre produto e fabricação ao desenvolvimento do produto. segundo Huang (1996). respectivos processos. o objetivo de um projeto recursos. simplificando e aperfeiçoando a simultaneidade e transparência das atividades.depto engenharia de produção . forma uma integração dos processos de manufatura . tornando-os modelos pragmáticos e Os conceitos de Projeto Orientado para a facilmente assimilados pelos seus usuários. o que . 1997). processos e Segundo estes autores. qualidade do produto” (JURAN. ferramentas e materiais e .Categoria 1: onde os benefícios estão diretamente um sistema de manufatura.Avalia o seu desempenho. Meio para Manufatura (DFM) tem. requisitos para acomodar as necessidades e requisitos dos clientes ainda na fase conceitual do .Design for Manufacturing) e caracterizados como “projetos de produto Projeto Orientado à Montagem (DFA .Design for simultâneos associados a processos e sistemas”. 2005). 1992). local de um programa que avalia os produtos em função de trabalho onde predomine tranqüilidade e interesse sua facilidade de montagem.Propõe revisões onde o projeto pode ser desenvolvimento do produto. Já o DFA é da flexibilidade. bem como dos recursos materiais ferramenta num projeto de produto: necessários. projeto do produto processo. pois elimina ciclos de retrabalho. Manufatura (DFM . integração e otimização global do ciclo de produção de produtos. Isto nos remete à fornecedores.Categoria 3: melhor comunicação entre os e o projeto do produto. fabricação dos componentes que formarão o melhoria no relacionamento entre usuários e produto depois de montado.Realiza as melhorias necessárias. seja 1998). têm sido utilizados como ferramenta de Isto permite que a equipe de projetos veja os integração entre as áreas de projeto e fabricação no problemas de diferentes perspectivas sem perder o contexto da Engenharia Simultânea. das decisões no projeto do produto. permitindo que o relacionados com as medidas para tornar o produto projeto seja adaptado a cada estágio da realização competitivo. de forma a introduzir alternativas nas voltado para a manufatura é identificar na fase etapas iniciais. máquinas. Reciclagem. redução do ciclo de vida. O projeto foco principal.Reúne e apresenta os fatos sobre o produto e seus componentes necessários (FARAH. variáveis são consideradas ainda no momento de A letra X. São descritas a enfatizado a importância de se desenvolver seguir algumas ferramentas desdobradas a partir do simultaneamente produtos e processos para a DFX: DFM. desenvolvimento de um produto de definição dos meios específicos a serem usados racionalizado e bem estruturado. maior facilidade no gerenciamento do definição de projeto de produção como “a atividade projeto. o que poderá reduzir concepção os meios para se obter uma fabricação significativamente as possibilidades de mudança do produto de forma mais fácil. Esta integração melhorado e prevê seu resultado. para que haja comunicação entre todos os componentes de .Evidencia as falhas e compara as alternativas promove uma re-alimentação eficiente dos possíveis. satisfação dos clientes.Permite a interação entre os participantes. promoção da pelas forças operacionais para atingir as metas de prática da engenharia simultânea. Esta integração do planejamento do processo de . as peças que podem ser utilizadas ou eliminadas . A figura a seguir relaciona os objetivos das ferramentas DFM e DFA aos DFM E DFA objetivos dos projetos para produção. apud produtividade. contribui para redução do custo total do ciclo de . pressupõe a participação sistemática das equipes de desenvolvimento do . em DFX. e sugere ao projetista por parte dos operários. quando todas as . do produto. assegurando de maneira participantes através do estabelecimento de uma eficaz a união das necessidades e os requerimentos equipe de trabalho na elaboração do projeto.

Projetos para produção. Melhado et al (2005). caracterizada pela inserção de todos os Projetar componentes para serem componentes de um conjunto de tal maneira que multifuncionais. a criação de uma equipe multidisciplinar de projeto. A utilização automação. que simplifiquem os processos de fabricação e de Eliminar parafusos. elaboração de projetos com soluções e nível de detalhamento compatíveis com o adequado Ter sempre em mente as possibilidades de desenvolvimento da fase de execução. Trabasso (2005). chicotes montagem. recomendações e check-lists que orientem a análise Utilizar e promover o trabalho em equipe. Eliminar ajustes. 2001). Existem algumas regras de boa conduta sugeridos pelo DFMA: Nas figuras seguintes.DFA . integrada e coordenada. assim seus custos. roldanas. que levem à componentes. segundo de fios. Desenvolver uma abordagem de projeto Modular. Nos mesmos moldes conceituais na Engenharia Simultânea e dos projetos para produção. acabamentos e dos projetos para a produção. Na figura 1 temos a "montagem por cima". Facilitar alinhamento e inserção de todos os visando à concepção e a definição de parâmetros componentes.depto engenharia de produção . molas. Fonte: Adaptado de Araújo. e uso de métodos adequados de desenvolvimento Procurar padronizar materiais. No entanto é necessária. para a Utilizar uma montagem empilhada/Uni- realização do “DFA/DFM” é necessária a direcional. do método “DFA/DFM” baseia-se em diretrizes. para redução de custos e de tempo de montagem (PEREIRA. MANKE. extraídas de BRALLA (1986). integração dos projetistas de processos e produtos nas fases iniciais de análise do projeto de produto. reduzindo componentes. projeto do produto PROMOVER A REDUZIR INTERAÇÃO DFM RETRABALHO SATISFAZER O PROMOVER O CLIENTE APRENDIZADO DFA REDUZIR FALHAS FACILITAR A INOVAÇÃO PROJETOS PARA ANTECIPAR PRODUÇÃO ADOTAR AÇÕES PREVENTIVAS FASES DO CVP I dentificação de objetivos comuns DFM . eles se encaixem um sobre o outro. © 2006 eduardo romeiro filho 167 ufmg . Utilizar componentes e processos padronizados. observam-se regras de projeto visando Projetar para um número mínimo de maximizar a facilidade da montagem.

depto engenharia de produção . Inc. © 2006 eduardo romeiro filho 168 ufmg . não existe essa necessidade Figura 1 .Montagem utilizando o auto- alinhamento. projeto do produto Figura 3 . Figura 4 .Uso de indicações para facilitar a possibilidades de montagem. http://www.Peças simétricas em relação a suas Figura 2 . Na figura 2 observamos a utilização de indicações para orientar a montagem de componentes assimétricos.Design for Manufacture and Assembly Home Page by Boothroyd Dewhurst. onde para facilitar o encaixe entre componentes é Para outras informações: realizado desde perfis arredondados a chanfros ou então furos guias. montagem em peças assimétricas E na figura 3 temos o "auto alinhamento". No caso de simétricos.dfma.com/ DFMA . como na figura 4.Montagem dos componentes por cima.

desmontagem e reciclagem. 2001). 1994 apud HUANG. segundo. embora o número seja ainda muito pequeno. o uso do DFA tem alcançado benefícios substanciais. p. desmontagem. têm levado ao aparecimento de vários tipos de abordagens do DFX. aeroespacial. considerados novos paradigmas. reciclagem. especificamente nos motores automotivos e buscado o desenvolvimento recente em várias direções: primeiro. KUO et al. 1996). reduziu os custos e aumentou a produtividade (WOMACK et al. tais como a produção. etc. elétrica. seu objetivo é reduzir o tempo para o mercado. A proliferação e a expansão do DFA e do DFM. tais como ferramentas de qualidade. como mostra a FIG. 1998). tornando-as facilmente ajustáveis. eletrônica. quarto.15 pois focaliza. mais e melhores ferramentas DFA têm surgido. O DFX é uma abordagem integrada para projetar produtos e processos para efeito de custo. O termo DFX é considerado como Design for Anything – Projeto para Algo. o que facilitou a montagem dos seus carros. serviços de manutenção. de tal forma que ele possa ser economicamente montado correta e eficientemente (KUO. etc. A partir da produção. como meio ambiente. a História mostra que já havia algumas alternativas de uma montagem eficiente desde o início do século passado. etc. 1996. Um exemplo relevante foi Henry Ford que. 2001): 15 Engenharia simultânea ou engenharia paralela é uma filosofia utilizada no desenvolvimento de projeto de produto em que vários processos são realizados simultaneamente por uma equipe de projeto multidisciplinar . 7 (GRAEDEL. ALLENBY. Segundo Huang (1998). análise de mercado dentre outras. tanques de óleo) até produtos mais simples (fusíveis) (HUANG. meio ambiente. Huang (1996. Como já foi mencionado anteriormente. terceiro. O DFX tem sido usado nas indústrias de produção. As aplicações são feitas desde os produtos mais sofisticados (aeronaves. mediante serviço e manutenção. projeto do produto DESI GN FOR “X” Rose Mary Rosa de Lima O DFX é uma das técnicas mais efetivas para implementação da Engenharia Simultânea. que normalmente são tratados simultaneamente no processo de projeto como Projeto para Manufatura e Montagem – DFMA. O “D” em DFX ou o “Projeto” em “Projeto para X” é interpretado como projeto do produto no contexto do DFA.. automóveis. (DUARTE. GUPTA. tais como integração. 1997). © 2006 eduardo romeiro filho 169 ufmg . O “X” em DFX representa a característica de um produto que deve ser maximizada. custos. e em indústrias multinacionais ou pequenas empresas. novas ferramentas têm sido introduzidas em outras etapas do ciclo de vida do produto. E ultimamente. HUANG. flexibilidade. ao mesmo tempo. outras ferramentas têm emergido para maiores investigações. comparado ao número total de indústrias que desenvolvem projetos de produtos ou utilizam ferramentas de design. significando o projeto do produto para a facilidade da montagem (BOOTHROYD et al.depto engenharia de produção . um número limitado de elementos fundamentais (HUANG. em 1908. operações com fluxo de alta qualidade. o que pode torná-las mais competitivas. Boothroyd e Dewhurst foram os pioneiros nos estudos sobre o Projeto para Montagem (DFA) e basearam-se no argumento de que o custo mais baixo da montagem pode ser alcançado através do projeto de um produto. Para maiores detalhes ver JAGOU (1993). apesar de em sua maioria consistirem de sistemas de pesquisa ou ensino. necessitando demonstração. 14) considera o DFX uma filosofia e uma metodologia que pode auxiliar as empresas a gerenciar o desenvolvimento de um produto. Graedel e Allenby (1996) consideram o DFX como abordagens modernas de projeto que o projetista tem que utilizar para considerar os atributos relacionados ao produto. 1996). nos campos de engenharia mecânica. O DFX nasceu a partir do sucesso e da proliferação do DFA. automotiva. 1992). Embora esses autores tenham sido considerados pioneiros nos estudos sobre o DFA. novas ferramentas têm surgido para melhorias na competitividade. baixar o custo e aumentar a qualidade do produto (GUNGOR. 1998. 1998). o DFA tem encontrado mais usuários. foi capaz de desenvolver projetos reduzindo o número de peças necessárias.

1994 apud HANFT. Projeto para Manutenção16 – Design for Maintainability (DFMt): projetar para “fácil” manutenção. com isso. no movimento do material. KROLL. projeto do produto DFA DFM DFMA Design for X . projetar um produto robusto que ultrapasse as expectativas do cliente. apud KUO et al. LAMBERSON. reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso. Projeto para Teste – Design for Test (DFT): projetar para facilitar teste de fábrica e de campo em todos os níveis de complexidade do sistema: equipamentos. sem qualquer dificuldade e. 2. O DFE utiliza os conceitos de ciclo de vida juntamente com 16 Manutenção é definida como “a probabilidade que um sistema danificado possa ser reparado em um intervalo específico de tempo reduzido” (KAPUR. Projeto para Meio Ambiente – Design for Environment (DFE): projetar considerando os aspectos ambientais em todo o ciclo de vida do produto.DFX DFC DFQ DFS DFMC DFMt DFT DFE FIGURA 7 – Tipos de abordagens do DFX Projeto para Conformidade – Design for Compliance (DFC): projetar levando em consideração as conformidades regulares exigidas para fabricação e uso do produto. Segundo Prates (1998). p.1 Projeto para Meio Ambiente O Projeto para Meio Ambiente (PPMA) – Design for Environment (DFE) é uma aproximação abrangente para o desenvolvimento do produto que considera os impactos ambientais de um produto em todo seu ciclo de vida (FISKEL et al. assegurando que o produto possa ser mantido em todo seu ciclo de vida útil. 11). com despesas razoáveis. 2001. © 2006 eduardo romeiro filho 170 ufmg . permitir o prolongamento de utilização do produto. nas considerações de gerenciamento e nas aplicações correspondentes aos componentes e aos materiais.4. Projeto para Serviço – Design for Service (DFS): projetar para facilitar a instalação inicial. Esta é a abordagem na qual está inserida o principal assunto deste trabalho. bem como o reparo e a modificação dos produtos no campo ou nos centros de serviços.depto engenharia de produção . placas de circuitos. 1996). etc. um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho ambiental do produto. Projeto para Qualidade – Design for Quality (DFQ): projetar de acordo com as exigências do cliente. Projeto para Logística do Material e Aplicação de Componente – Design for Material Logistics and Component Applicability (DFMC): centraliza-se na fábrica. 1977.

12. ver GOUVINHAS. produtos de limpeza e solventes. 7. Lindbeck (1995) traça algumas diretrizes para o DFE: 1. para facilitar a limpeza antes da reciclagem. Projetar produtos utilizando materiais simples. Incluir informação sobre os métodos descartáveis de todas as embalagens de lixo industrial e doméstico. comparados aos plásticos “não degradáveis”. Os projetistas devem especificar os processos de produção. Desenvolvimento de projeto conceptual Otimização da 1 vida final do Otimização de aspectos físicos sistema 7 2 Otimização do Redução do 6 3 material usado impacto ambiental durante uso 5 4 Otimização da Otimização da distribuição produção FIGURA 8 – A “Roda Estratégica” do DFE FONTE – GOUVINHAS (2002) 17 “Roda Estratégica” do DFE. O Projeto para o Meio Ambiente força os engenheiros a avaliar a fabricação do produto. 2002). © 2006 eduardo romeiro filho 171 ufmg . considerados perigosos. e o seu uso não tem o apoio pela maioria dos grupos de meio ambiente. 2. 4. 8. Propiciar a conservação prática do material. produção. o uso e o controle com relação ao meio ambiente. Várias estratégias relacionadas aos aspectos ambientais podem ser adotadas pelos projetistas no projeto de seus produtos. facilitando a reciclagem e os processos de produção. Projetar produtos para uma segunda vida. 10. Agregar informação de estudos atuais sobre a tecnologia e a reciclagem de materiais e aplicá-las ao projeto do produto. Especificar o uso de materiais reciclados e recicláveis nos projetos. o vidro e o metal contaminado baixam o valor dos plásticos reciclados. projeto do produto alguns princípios-chave como a minimização de recursos materiais e de energia para redução do impacto ambiental. Em contribuição aos projetistas. Evitar materiais de plástico “degradáveis” em projetos de produto. 2002. baterias de uso doméstico de mercúrio etc. Envolver especialistas ambientais em estágios anteriores ao processo do projeto. Exemplos incluem solventes e tintas não tóxicas. Desenvolver recipientes de plásticos com aberturas maiores. Essas estratégias podem ser vistas por meio da “Roda Estratégica” para o DFE17. os materiais e a estrutura do produto de forma “ecologicamente correta”. para rever todo o ciclo de vida do produto.depto engenharia de produção . Identificar todas as peças plásticas com o símbolo SPI de codificação correta. com durabilidade. 11. 3. Especificar ecologicamente os materiais mais amigáveis em todos os projetos do produto. não decompõem facilmente. Projetar produtos para fácil desmontagem. interferem na reciclagem do plástico. considerada uma ferramenta que pode ser utilizada de forma sistemática. A “Roda Estratégica” do DFE inicia-se com a concepção de um novo produto e abrange todas as etapas subseqüentes. 6. 5. São caros. Conceber rótulos. uso até o final da vida útil do produto. 13. como mostra a FIG 8 (GOUVINHAS. como projeto. etiquetas e outros adesivos para uma remoção mais fácil. Para maiores detalhes. A quantidade de embalagem do produto pode ser facilmente e justificadamente reduzida através do projeto. com tampas feitas do mesmo material do produto. 9. tais como pesticidas. seleção de materiais. distribuição. O papel.

atingiu uma redução de 50-70% do consumo de energia. Bitencourt (2001) apresenta uma metodologia de Reprojeto para Meio Ambiente – REPMA. para um estado de baixa energia. os ajustes. A remanufatura envolve o reaproveitamento de produtos obsoletos. 14). Segundo Fleichman et al. Projeto para Reúso (Design for Reuse). os reparos e a substituição das peças necessárias. ALLENBY. Nos Estados Unidos. O processo de remanufatura do produto requer as seguintes tarefas: desmontagem. ALLENBY. cujas abordagens são: Projeto para Modularidade (Design for Modularity – DFM).1. De acordo com os autores. 1998. com o objetivo de fazer modificações na concepção do produto para reduzir os impactos ambientais. GUPTA. principalmente nos computadores laptop. limpeza. 2. como mostra a FIG. fabricação de outros produtos e componentes e para venda ao comércio externo (GUNGOR. Projeto para Desmontagem (Design for Disassembly – DFD) e Projeto para a Reciclagem (Design for Recycling – DFR). dependendo do grau de dificuldade que o produto pode ter para ser desmontado ou modificado (GRAEDEL.1 Projeto para Remanufatura O Projeto para Remanufatura ou Projeto para Recuperação do produto – Design for Remanufacture – consiste em projetar produtos para a durabilidade. teste. por exemplo. substituição ou reparo dos componentes em más condições. automaticamente. porque pode tornar- se impossível e/ou inviável. O Projeto para Remanufatura exige um processo bem planejado. 9. a remanufatura é o processo de trazer os produtos usados de volta às “condições novas”. p. remontagem e inspeção. p. Design for X . 19). Os produtos/peças recuperados são usados para reparo. apud Gungor e Gupta (1998). 95). pela renovação de peças usadas e pela introdução de componentes de substituição (idênticos ao original ou com melhorias). Projeto para Remanufatura (Design for Remanufacture). fazendo-se as operações necessárias como a desmontagem. Na avaliação da concepção da cafeteira elétrica.2 Projeto para Eficiência de Energia O Projeto para Eficiência de Energia – Design for Energy Efficiency – consiste em elaborar processos e produtos que demandam um menor consumo de energia durante seu uso. recondicionamento. 1996. projetar o produto para o prolongamento de sua vida útil ou para a fácil reciclagem.depto engenharia de produção . projeto do produto O DFE vem se expandindo.4.DFX Projeto para Meio Ambiente Projeto Projeto para Projeto Projeto Projeto Projeto para Eficiência de para para para para Remanufatur Energia Modularidad Reúso desmontagem Reciclagem FIGURA 9 – Tipos de abordagens do DFE 2.4. de forma geral. quando estivesse ocioso. Essas abordagens visam. com o objetivo de estimular a produção de computadores desktop e acessórios com a capacidade de mudar. transformar energia elétrica em calor e aquecer a água. p. separação. e com isso está se tornando um módulo do DFX.1. A quantidade de energia consumida pelas indústrias em seus processos de produção de determinados produtos de consumo contribuem consideravelmente para os problemas ambientais. a EPA dos Estados Unidos iniciou em 1992 o Energy Star Computers Program. por meio de peças que podem receber manutenção. Alguns programas e métodos vêm sendo desenvolvidos para solucionar esses problemas. as seguintes funções foram destacadas: manter o café aquecido. A introdução dessa tecnologia. As principais modificações © 2006 eduardo romeiro filho 172 ufmg . 1996. as atividades de produção são responsáveis por cerca de 30% de toda energia consumida no mundo (GRAEDEL. O método é aplicado em uma cafeteira elétrica.

Atualmente. É usada na reciclagem e na reprodução. principalmente as peças dos materiais perigosos. Esse tipo de mudança pode ter ocorrido em virtude dos altos custos com transportes para recolhimento e retorno das embalagens ao fabricante. A carroceria é composta de peças de termoplástico fornecidas pela GE Plastics Corporation. que pode ser completamente desmontada em 20 minutos. p. Duarte (1997) ressalta que o projeto do produto deve prever a desmontagem visando a viabilidade da remanufatura. os quais podem ser direcionados para a reciclagem. etc. permitindo a reciclagem. O autor concluiu que “a concepção modificada para a cafeteira elétrica proporciona uma redução no principal impacto ambiental deste produto. Outro exemplo pode ser visto nas embalagens de vidro para requeijão cremoso e para maionese – a primeira. Um exemplo. projeto do produto adotadas pelo reprojeto foram: utilização de duas resistências para manter o aquecimento da água e do café e um selecionador manual que indica qual a configuração de resistência deve ser utilizada pelo usuário. desenvolvida pela Polymen Solutions Inc. que ocorria no passado.depto engenharia de produção .1. para a desmontagem e para o reaproveitamento de produtos. neste último caso. de materiais plásticos. As peças de encaixe do produto permitem fácil desmontagem para a reciclagem das mesmas e também para o reaproveitamento do produto. A capacidade de elaborar produtos por meio da combinação de peças modulares traz grandes benefícios para o DFE. desmontagem sem ferramentas. possibilita aumentar a faixa de recuperação do produto. por exemplo. projeto de estrutura simples do produto. 98). após ser utilizada. desenvolvido pela BMW. a segunda pode ser reutilizada para guardar alimentos não perecíveis. Esse tipo de projeto possibilita o reúso do produto para a mesma finalidade ou qualquer outra. era o processo das embalagens de vidro utilizadas para refrigerantes e cervejas que eram retornadas ao fabricante para serem reutilizadas com a mesma finalidade. componentes e subconjuntos de um produto. A desmontagem pode ser definida como o método sistemático para a separação de peças. o tubo de aquecimento de água é envolvido pelas resistências. como em operações que possibilitem © 2006 eduardo romeiro filho 173 ufmg .1.4.1. O DFD é uma das estratégias disponíveis para a concepção de produtos cuja reciclagem seja economicamente justificada. Este poderá optar pela menor resistência. 2.. 621-622) ressaltam que a desmontagem do produto deve incluir os seguintes conceitos: desmontagem sem força. pode ser reaproveitada como copo.4 Projeto para Reúso O Projeto para Reúso – Design for Reuse é uma estratégia utilizada para prolongar a vida útil do produto. 1996. fácil identificação dos pontos de desmontagem. a chaleira com peças modulares. O projeto demonstrou ser de grande eficácia.3 Projeto para Modularidade O Projeto para Modularidade – Design for Modularity – visa projetar produtos utilizando peças ou componentes modulares. possibilitando melhor transmissão de calor. 2. Alguns projetos para a modularidade têm sido desenvolvidos. Outro exemplo é o projeto do carro esporte Z1. Mok e Moon (1997. através da separação seletiva de peças e materiais. a maioria dessas embalagens foi substituída por embalagens descartáveis.4. que possui a carroceria modular de peças de plástico. Por outro lado. o reaproveitamento de componentes e a reciclagem de materiais. ALLENBY. 2. O DFD envolve o desenvolvimento de produtos fáceis de desmontar. uma junção da GE e da Fitch Richardson Smith (GRAEDEL. os custos são repassados aos usuários pelos danos causados ao meio ambiente. O produto dever ser. concebido de forma tal que os processos ligados ao reaproveitamento de seus componentes sejam facilitados. pois as peças são de fácil desmontagem e recicláveis e as danificadas podem ser facilmente removidas e substituídas por outras. p.4. nenhum uso de materiais tóxicos nos produtos. desta maneira. obtendo um menor consumo de energia para manter o café aquecido. desmontagem por mecanismo simples.5 Projeto para Desmontagem O Projeto para Desmontagem – Design for Disassembly (DFD) – é considerado um componente-chave para qualquer estrutura de trabalho do DFE. pois. as peças danificadas podem ser substituídas ou reparadas. que é o consumo de energia para manter o café aquecido”.

Leonard (1991) considera os métodos de desmontagem não destrutiva e destrutiva como montagem reversa e força bruta. 1996. que é incompatível com o plástico PET (politereftalato de etileno). 1995. constituídos de várias peças de um mesmo termoplástico18). PS. 146). esses plásticos amolecem. Quanto maior for o número de etapas para desmontar o produto. fácil manuseio das peças retiradas. no sentido de selecionar cada tipo de material para a reciclagem. p. ALLENBY. operações de desmontagem simples e rápidas. A tampa da embalagem. o custo da desmontagem pode ser maior ou menor do que a disposição em aterro sanitário. p. Quando submetidos ao aquecimento a temperaturas adequadas. PEBD.depto engenharia de produção . p. Por outro lado. respectivamente. é necessária a destruição do produto. ALLENBY.” Exemplos: PEAD. por ser um material incompatível com o plástico. fundem e podem ser novamente moldados. Para a remoção da lâmina. 271). projeto do produto desencaixe de componentes e/ou reciclagem conjunta de sistemas (por exemplo. por ser constituída de plástico PEAD (polietileno de alta densidade). Um exemplo da desmontagem não destrutiva ou montagem reversa pode ser visto mediante a desmontagem de uma embalagem “PET”. 2000. em um mesmo produto. a desmontagem destrutiva é o processo de separação dos materiais de uma montagem. Desmontagem não destrutiva é o processo de remoção sistemática das peças desejáveis. que constitui uma montagem. PVC e outros (IPT. PP. Dependendo do número de etapas necessárias para separar os módulos. as peças ou os componentes. e redução na variabilidade do produto. Segundo Gupta e Maclean (1996). As vantagens do DFD são (GUPTA. O outro exemplo. p. redução do trabalho necessário na recuperação das peças e dos materiais recicláveis. pode ser removida por intermédio da rosca. como mostra o Gráfico 1 (GRAEDEL. existem dois tipos de desmontagem: a desmontagem não destrutiva e a desmontagem destrutiva. desde que não haja destruição das peças por causa do processo. © 2006 eduardo romeiro filho 174 ufmg . como tipos de plásticos diferentes. mais difícil e mais inviável será o reaproveitamento e a reciclagem do mesmo. no caso da desmontagem destrutiva ou força bruta. Esses dois tipos de desmontagem são necessários quando. facilidade na separação e tratamento dos materiais e resíduos retirados. existem materiais considerados incompatíveis. é a desmontagem do aparelho de barbear de plástico descartável. Um dos grandes obstáculos da desmontagem para o reaproveitamento e para a reciclagem do produto está no alto custo do processo. MAcLEAN. 226): uniformização e prevenção na configuração de um produto. PET. 18 Termoplásticos “são materiais que podem ser reprocessados várias vezes pelo mesmo ou por outro processo de transformação. Cust o par a at er r o C U S T O Cust o da desmont agem 0 Número de passos para desmontagem do produto di GRÁFICO 1 – Custo para a desmontagem e bl custo de aterro do produto dependendo do número de passos de desmontagem executados FONTE – GRAENDEL. 1995. 271.

De forma geral. Os autores ressaltam que. Veerakamolmal et al (1997) apresentam uma abordagem gráfica para alcançar um plano de processo de desmontagem eficiente. Atualmente. pois muitos produtos projetados para uma fácil montagem muitas vezes são difíceis de ser desmontados. que exigem pouco esforço para fechá-las. Em seguida. Modo e análise do efeito: a terceira etapa leva em consideração as incertezas do processo da desmontagem. o descarte no aterro pode ser a melhor opção do ponto de vista financeiro. concluiu-se que houve um melhor reaproveitamento das peças por facilidade da desmontagem. as técnicas de desmontagem destrutiva são. Determinação da estratégia de desmontagem: na etapa final é definido se será usada a desmontagem destrutiva ou a não destrutiva. ambos são bem diferentes. Hanft e Kroll (1996) apresentam um procedimento para avaliação da fácil desmontagem para a reciclagem do produto. o método analisa as fraquezas do projeto. na qual devem ser definidos os materiais e as peças reusáveis ou valiosas do produto. embora a intenção do DFD e do DFA possa parecer semelhante. O mecanismo de desmontagem entre as peças e os subconjuntos é analisado no sentido de avaliar a © 2006 eduardo romeiro filho 175 ufmg . subconjuntos e elementos de ligação usados no automóvel. quando utilizadas para comparar projetos alternativos do mesmo produto. recuperar e reusar os componentes úteis. O estudo demonstrou a necessidade de modificação no projeto. várias abordagens têm sido descritas na literatura para avaliar um produto no projeto para desmontagem. p. o uso do produto em ambiente úmido pode provocar corrosão). se a desmontagem do produto for muito complexa. É criado um algoritmo que é aplicado para proporcionar o melhor plano de desmontagem. Os resultados difíceis resultantes da análise de medição do trabalho da desmontagem-padrão fornecem meios para identificar as fraquezas no projeto e as alternativas para comparação. 271). Segundo Kroll e Carver (1999. p. na prática. Os autores apontaram duas sugestões: agrupamentos dos componentes elétricos/eletrônicos e o uso de presilhas especiais para ligar a tampa. Análise da montagem: na segunda etapa. Kroll e Carver (1999) apresentam uma análise de desmontagem do produto utilizando o método de estimativa de tempo de desmontagem com o objetivo de auxiliar os projetistas a identificar as fraquezas do projeto. os meios mais eficientes para a recuperação de peças e de componentes e que o DFD exige que os projetistas adotem uma nova perspectiva no projeto do produto. normalmente. o projetista pode reduzir o custo da desmontagem do produto se esta for considerada desde o início do projeto. a hierarquia dos componentes e as seqüências da primeira montagem são analisadas. O autor ressalta que o método utilizado fornece medidas importantes para a facilidade de desmontagem. Outro algoritmo é utilizado por Mok e Moon (1997) para analisar a desmontagem do produto. Ambas as sugestões foram apontadas para possibilitar a fácil desmontagem. p. mas torna-se. a partir de seu estado original (por exemplo. muitas vezes. deve ser identificada a desmontagem satisfatória. do ponto de vista da desmontagem. Os autores analisaram as características dos materiais e as características geométricas das peças. com a finalidade de desmontar as placas. parece que o DFD está seguindo uma evolução semelhante ao DFA. Após a finalização da modificação do projeto.depto engenharia de produção . Para maximizar o retorno aos projetistas. A maioria das abordagens utiliza métodos quantitativos e/ou simulações feitas pelo computador. apud Gupta e Mclean (1996. O algoritmo é usado para reduzir a divisão dos processos de desmontagem dentro de um componente do sistema de recuperação. O algoritmo é usado com a aplicação da regra de projeto em um painel de um automóvel. enfatizando um assunto muito abrangente. Hentschel. Por outro lado. Um exemplo pode ser visto em juntas de encaixe por pressão. projeto do produto Segundo Graendel e Allenby (1995. Os autores ressaltam que a mesma metodologia pode ser aplicada aos processos de desmontagem robótica e em outros produtos. capturando as fontes de dificuldades na performance de cada tarefa. por meio de uma submontagem. gerando possíveis desvios de um produto usado. 227) propõe as seguintes etapas para o desenvolvimento de um plano de processo de desmontagem: Análise do produto: esta é a primeira etapa do processo de desmontagem. Kriwet et al (1995) propõem um estudo onde é analisada a desmontagem de uma máquina de lavar roupas. 1993. O modelo é aplicado em placas de circuito impresso com chips montados de computador. A avaliação baseada no tempo de desmontagem é aplicada em uma broca elétrica e as dificuldades associadas com a criação de outras métricas de desmontagem são discutidas. a junção dos elementos. O procedimento é demonstrado através da avaliação de um teclado de computador e consiste de um gráfico de avaliação de desmontagem correspondente às tarefas difíceis. nesses casos. com vistas na reciclagem dos materiais. impossível removê-las por falta de ferramentas adequadas. 192). que é o descarte do produto em seu fim de vida e que tem sido aplicada para analisar diversos produtos diferentes visando à reciclagem ou recuperação.

p. Neves (2002) apresenta um estudo sobre a desmontagem do produto para a reciclagem. Após a desmontagem do produto. p. Os autores ressaltam que o painel deve ser projetado tanto para facilitar a inserção da ferramenta quanto para facilitar a desmontagem das peças. é apresentada a abordagem que possui a melhor seqüência de montagem entre todas as seqüências possíveis. Essa ferramenta é baseada em uma árvore de decisão com o objetivo de planejar e otimizar a desmontagem do produto para sua recuperação. Vujosevic et al (1995) apresentam uma abordagem para a simulação. apud ROMEIRO. o lucro das peças recicladas e reusadas. Outros métodos. CAD “é uma tecnologia multidisciplinar. conforme já foi mencionado anteriormente. O processo manual foi comparado a um processo que utiliza ferramentas elétricas ou pneumáticas. 1984. 1997. Embora esse tipo de desmontagem seja uma prática recente. 621) apresentam várias atividades internacionais sobre a desmontagem do automóvel. por exemplo. O autor conclui que esse método é eficiente para avaliar o processo de recuperação do produto. p. o tempo e os custos da desmontagem. análise e/ou otimização de um projeto” (GROOVER. Arai e Iwata (1993) propõem a utilização do sistema CAD19 para simular a montagem/desmontagem de um produto. Os autores desenvolvem o método com a presunção de que a seqüência de montagem é o reverso da seqüência de desmontagem. © 2006 eduardo romeiro filho 176 ufmg .depto engenharia de produção . a montagem reversa não pode ser sempre usada como estratégia de desmontagem do produto. Mok e Moon (1997. Navin-Chandra (1993) desenvolveu uma ferramenta de projeto auxiliado por computador para avaliar o processo de recuperação do produto. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. A tecnologia CAD pode ser definida como “a utilização de um sistema computacional para o auxílio na criação. 27). 10. modificação. Ao final. animação e análise da desmontagem. Essa presunção não é totalmente válida. Fez-se uma análise da desmontagem manual de um refrigerador doméstico (marca CONSUL) para verificar as dificuldades do processo. O método simula todos os movimentos possíveis para a desmontagem de todo subconjunto do produto. como os simulados por computador. o tipo de agrupamentos de peças usadas e como cada peça é presa. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. 28). cada material foi agrupado. 19 CAD (Computer Aided Design) – Projeto Assistido por Computador. pois. a tendência de um rápido crescimento na produção será inevitável no futuro. O estudo demonstrou que a viabilidade econômica da desmontagem sistematizada do produto induz os novos projetos de produtos a facilitar a sua desmontagem. O projetista apresenta informações sobre a estrutura de um produto em uma tabela. O DFD pode ser visto também pela desmontagem nas indústrias de automóvel. Todas as seqüências geometricamente possíveis de desmontagem são criadas no sentido de identificar a seqüência de desmontagem que reduz o seu tempo e o seu custo. De uma forma geral. Os autores também observam os problemas crescentes relacionados ao operador durante a desmontagem. projeto do produto desmontagem de peças recicláveis em automóveis sucateados. Os pontos fracos identificados neste estudo foram: dificuldade de inserir uma ferramenta para desmontar peças em pontos de pressão e a dificuldade de sustentação da força por causa da força de pressão nas juntas. são encontrados na literatura. 1997. ZIMMERS. pesado e valorado de acordo com o valor de mercado. como mostra a FIG. Por meio de um algoritmo calcula-se o tipo de desmontagem mais lucrativo usando base de dados incluindo os custos de disposição.

p. na Carnegie Mellon University. p. 150 milhões de computadores obsoletos. p. 621. (Japão) Japonesa – Criação de alternativas para desmontagem. aproximadamente. Vários fabricantes de automóveis americanos. – Desenvolvimento do sistema de Aschen Eversheim avaliação para desmontagem. © 2006 eduardo romeiro filho 177 ufmg . (Alemanha) – Estação da estratégia para desmontagem. do ponto de vista ambiental. IWO – Célula de instalação da desmontagem Munique utilizando-se robôs industriais. “esse esquema. porque a quantidade de produtos usados e descartados no meio ambiente tem aumentado dramaticamente. Segundo os autores.4. pois. projeto do produto Instituto Engenharia de Sênior de CONTEÚDO Pesquisa Pesquisa WZL Prof. Medina e Gomes (2002b. TP Associação – Avaliação do sistema para Gerenciamento de Eficiência desmontagem. 1996. estariam descartados em lixeiras (GRAEDEL e ALLENBY. chamado de plataformas integradas ou consorciadas. facilita a desmontagem e a reciclagem com ganhos de escala”. 2) ressaltam que um dos aspectos que têm favorecido a indústria automobilística. 89). &Bayer – Melhoramento da estrutura.1.6 Projeto para Reciclagem O Projeto para Reciclagem – Design for Recycling (DFR) significa projetar um produto prevendo a sua reciclagem com o objetivo de facilitar a sua desmontagem para recuperação do material.depto engenharia de produção . entre eles a Ford. a reciclagem tornou-se uma ênfase na maioria dos países industrializados. já possuem fábricas de desmontagem com a finalidade de reciclar alguns componentes (GUPTA e McLEAN. atualmente. Foi estimado que. Esse aumento pode ser visto pelo resultado de uma pesquisa realizada em 1991. Chrisler e General Motors. p. (Alemanha) – Estudo sobre a estrutura do produto para desmontagem. Esta ciclização de materiais somente pode ocorrer se os materiais que atingiram o final da sua vida útil. dos mesmos sistemas e dos mesmos materiais em vários modelos. por volta de 2005. que permite a utilização das mesmas peças. e de nível de utilidade é de fundamental importância. sem nenhuma possibilidade de materiais recuperáveis. 20 Ecologia industrial é um dos conceitos no qual a ciclização de materiais. é a redução do número de plataformas. (USA) FIGURA 10 – Atividades internacionais sobre desmontagem FONTE – MOK e MOON. 1996. 20 O DFR é considerado um dos aspectos mais importantes da ecologia industrial. voltarem à corrente do fluxo industrial e serem incorporados a novos produtos (GRAEDEL e ALLENBY. em sua maior pureza possível. 89). 1997. 1996). Mobay – Desenvolvimento para o assento do automóvel. 2.

Simon (1991) ressalta que a desmontagem do produto exige o conhecimento do destino ou a possibilidade de reciclagem das peças ou componentes desmontados. prolongamento da vida útil de aterros sanitários. Exemplos comuns são também a reutilização de óleos. quando estas são novamente fundidas e reprocessadas no mesmo ciclo de produção. por exemplo.4. as rebarbas de papel são utilizadas na fabricação de papéis “menos nobres’. etc. Como exemplo temos o aproveitamento de rebarbas durante a fabricação de peças de alumínio. Os principais objetivos para se projetar um produto visando à reciclagem são: economia de energia. reciclagem de materiais. ou seja. resto de moldagem. TIPOS DE RECICLAGEM Looping Aberto Looping Fechado 5 1 5 1 4 4 6 2 6 2 3 7 3 FIGURA 11 – Tipos de reciclagem FONTE – Adaptado de CHEHEBE. de maneira que os materiais e os componentes individuais possam ser reusados ou reciclados. primeiramente. porém. Segundo Magalhães (1998). Essa reciclagem. Existem dois grandes problemas de projeto associados ao DFR: os custos da reciclagem e as técnicas de desmontagem. O mesmo ocorre em relação às garrafas do tipo “PET”. 2. Reciclagem após o uso do produto: no estágio de fim de vida. Reciclagem durante o uso do produto: uso contínuo do produto. reutilização de componentes. como papel-jornal. 1998. por exemplo. O looping fechado ocorre quando um ou mais resíduos de um sistema produtivo são coletados e retornam ao mesmo sistema. após seu reparo ou sua refabricação. projeto do produto A reciclagem é o processo de recuperação dos materiais e componentes de produtos usados que são utilizados em novos produtos. O looping aberto ocorre quando determinado rejeito de um sistema é utilizado por outro sistema produtivo. é realizada em outro sistema de produção. as peças valiosas e maximizar a “produção” de cada operação de desmontagem. Na indústria gráfica. p. existem três tipos de opções de reciclagem (KRIWET. 11). redução de material. o produto é transformado em um novo produto. que © 2006 eduardo romeiro filho 178 ufmg . É necessária a desmontagem do produto.1 Tipos de reciclagem No ciclo de vida de um produto. refrigeradores. Este tipo de opção é o tópico principal desta investigação. O autor sugere duas alternativas para solucionar esses problemas: retirar.depto engenharia de produção . a reciclagem pode ser dividida em dois sistemas distintos: o looping (ciclo) fechado e o looping aberto (FIG.1. são reutilizados sem deixar o sistema produtivo de origem. 62.1995): Reciclagem de sucata: quando utiliza resíduos da produção.6.

com o objetivo de escolher projetos de produtos mais adequados à reciclagem. no sentido de reduzir a quantidade de lixo e aumentar os benefícios obtidos da reciclagem. preocupação aumentada do equilíbrio do ciclo de vida e das despesas do reprocessamento. ou seja. em diferentes aplicações. Zussman (1995) faz uma análise de custo para desmontagem. as quais afetam a reciclabilidade do produto. onde se observa um notável crescimento em termos de reutilização de materiais e produtos. etc. 18. fáceis de aplicar e de avaliar na estrutura de trabalho da rede do projeto para a reciclagem. para tipos específicos de produtos. reciclagem e recuperação do produto. por intermédio de um gráfico denominado “Gráfico de Recuperação”. A rede de reciclagem trabalha junto com o ciclo de vida do sistema e fornece as informações relevantes a cada fase. materiais e a história do produto. 12). fácil separação dos materiais diferentes. auxiliando o projetista a incorporar no projeto de seus produtos. Partindo do estágio do projeto conceitual. Esses dois tipos de enfoque vêm sendo cada vez mais utilizados pelas indústrias. utilização de partes de fácil desmontagem e que possam ser reusadas. projeto do produto não podem ser reutilizadas na fabricação do mesmo produto. recicladores e fornecedores) e entre o sistema de reciclagem (FIG. A troca de informação que ocorre na rede é sobre assuntos ambientais e financeiros. como fabricação de fios. ou para produtos gerais. Os dados para cada tarefa são determinados pelos estudos de tempo e movimento em uma desmontagem feita em laboratório. Essa métrica é calculada a partir do tempo exigido para executar uma tarefa de desmontagem-padrão. características que os tornem de fácil reciclagem. Gungor e Gupta (1998) relatam sobre um estudo feito por Zussman et al (1994). Simon (1993) desenvolveu um método em que utiliza a árvore de decisão em combinação com os índices do projeto. Reciclad o r C o nsum id o r Pr o jet ist a C o nt r o le Base d e d ad o s Fo r neced o r FIGURA 12 – Rede de reciclagem FONTE – KRIWET et al.. Os autores apresentam diretrizes simples. número reduzido de materiais diferentes em um simples produto. embora sejam reaproveitadas de forma crescente. onde é introduzida uma rede de reciclagem definindo diferentes tipos de mensagens entre o “servidor” (projetista) e os “clientes” (consumidores. em que os autores introduzem uma ferramenta de análise quantitativa. 1995. levando em consideração as incertezas dos processos de reciclagem. vassouras. medidas quantitativas das características do projeto. processos de reciclagem. inclusive no Brasil. Algumas características gerais do Projeto para Reciclagem são descritas por Gungor e Gupta (1998): longa vida do produto e uso reduzido das matérias-primas. p. por exemplo. a tarefa de desparafusar. Vários estudos apresentam diretrizes para o projeto de reciclagem. a rede permite aos projetistas representar e comunicar a informação pertinente ao projeto. São analisadas também as opções do fim de vida dos produtos.depto engenharia de produção . O custo da desmontagem é um fator relevante. por exemplo. poucas operações secundárias. Referências: © 2006 eduardo romeiro filho 179 ufmg . Kriwet et al (1995) apresentam uma abordagem da reciclagem através de uma integração sistemática. na base de dados ambientais são fornecidas informações sobre legislação. reduzindo a quantidade de sucata e simplificando o processo de recuperação.

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projeto do produto D FA: D e sign for Asse m bly. a m ont adora reduziu o corria o risco de perder fat ias vit ais de núm ero de alt ernat ivas no cat álogo. t odos os países em a Coréia do Sul. cerca de 100 m odelos de cam inhão.com. Os dest inados à foi buscar inspiração no Lego. por exem plo. na Suécia. m ais exigent e. Com o obj et ivo de t ornar a Scania não t inha m uit as alt ernat ivas. Os veículos export ados para Holanda e na França. a com binações. um a das líderes na de ruído ext ras por causa da legislação venda de cam inhões pesados no Brasil. O sist em a. É conseguiu baixar os cust os de essa variedade que perm it e à fábrica em est ocagem . Fonte: http://www. veículos. http://veja. vender cam inhões sob m edida m ont agem dos m esm os produt os no para países espalhados por t odos os Brasil.depto engenharia de produção . o principal m ercado na que a em presa t em fábricas.br/280503/p_052. na cont inent es. na Argent ina. 6 M ilh õe s de Com bin a çõe s A Sca n ia fa z u m m ode lo m u ndia l qu e é a " ve r sã o Le go" dos ca m in h õe s pe sa dos Marco de Bari30 A sueca Scania. a Por ser um a em presa de t am anho m édio Scania pode fazer 6 m ilhões de no set or aut om obilíst ico m undial. para criar um auxiliar que perm it e esquent ar a cabine sist em a m odular de fabricação de m esm o com o m ot or desligado. ou D e sign pa r a M on t a ge m .html Acesso em 26 de maio de 2003.000. Ou operação viável do pont o de vist a apost ava t udo no sist em a m odular ou com ercial. Com a redução do núm ero de m ant eve a quant idade de opções em peças de cerca de 30.com.abril. na Grande São m odular em âm bit o m undial perm it iu a Paulo.28 de maio de 2003. local.000 para 12.scania. Junt ando as diferent es peças.htm © 2006 eduardo romeiro filho 182 ufmg . Texto “Sistema Modular”. u m e x e m plo. Já a aplicação do sist em a São Bernardo do Cam po. m as m ercado.Edição 1 804 . recebem abafadores que t am bém inclui um a rede de 500 30 Fonte: VEJA on line . o Europa t êm um sist em a de aquecim ent o brinquedo de m ont ar. Ásia.br/brasil/empresa/eng_e_prod/sist_modular.

ser prorrogado. Naquela época. Ganha também a produção. Preocupados com as barreiras ao componentes.depto engenharia de produção . por mais diferente que seja o modelo de veículo Scania. Esse conceito de produção baseia-se na combinação de um número limitado de componentes para montar um grande número de modelos de veículos.com ércio medida". est ava Enfoque no segmento de funcionando em m archa lent a desde veículos pesados. grande vantagem é na hora da manutenção: president e m undial da Scania. 1998. E a acont eça" . seus componentes e estrutura serão sempre semelhantes. m as recebeu os últ im os acert os e ganhou im pulso no ano passado. Sistema Modular O sistema modular de produtos é uma solução de engenharia tradicional na Scania. com ent re o Mercosul e a União Européia mais versatilidade e rapidez de montagem. o resultado prático é a possibilidade de ter um caminhão específico para suas necessidades. Esse processo. dessa forma. projeto do produto fornecedores m undiais. Para o cliente. possibilitando mais combinações. O prazo para que componentes. será em m eados de 2004. Em vez do fim dest e ano. iniciado na década de 40. Pois. baseado em três princípios essenciais: © 2006 eduardo romeiro filho 183 ufmg . disse a VEJA Leif Öst ling. cam inhões pesados export ados pelo Padronização de Brasil. quando Definição do caminhão como a Scania respondeu por 58% dos produto principal da empresa. Apesar com o sistema modular fica mais fácil e prático dos progressos. um considerável ganho de escala na fabricação. Tam bém no ano que vem expira out ra dat a espinhosa para a Scania. fluxo de peças ent re suas fábricas. Os clientes " Est am os fazendo lobby em Bruxelas podem contar com veículos feitos "sob para que o acordo de livre. além da rapidez e da facilidade da manutenção. o engenheiro sueco Carl- Bertel Nathhorst desenvolveu para a Scania a receita para produtos modulares. com conseqüente redução de custo. os veículos passaram a ter um negociações ent re os blocos econôm icos. Por causa de um a decisão do órgão responsável pela concorrência econôm ica na Europa. Com esse sistema. é possível t odas as m et as de redução de cust os em ter apenas uma pequena variedade de artigos escala m undial fossem at ingidas t eve de em estoque. tem sido um fator chave do sucesso da Scania desde então. intercâmbio maior de componentes. nem t udo t em saído de qualquer tipo de reparo ou substituição de acordo com o script . os suecos da Scania est ão at ent os às Com a Série 4. Há. a AB Volvo t em at é abril para se desfazer dos 46% de ações da Scania que possui.

como mostra a Figura 1. podendo enfrentar alguns problemas como (BACK. “o projeto do produto começa com o estabelecimento de um problema. transferidos para outras. e natureza das fontes)? Como poderá obter as informações (acessibilidade. Rose Mary Rosa de Lima (UFMG) rmrlima@bol. o Processo Logístico Reverso é definido como o planejamento. distribuição. Com o advento das preocupações ambientais. produção.com. 1. relevância e precisão)? Como interpretar as informações (significado e aplicabilidade)? São suficientes (quantidades e variedade)? Qual é a decisão em função do resultado (sim. autenticidade. Nessa fase inicial de desenvolvimento do projeto do produto. Informações ambientais. o que torna tarefa complexa para o projetista. 1993. As informações levantadas mostram que a seleção de material é considerada um fator-chave durante todo o ciclo de vida do produto. Palavras chave: Projeto para meio ambiente. simplesmente.ufmg. logística. o projetista necessita de um grande volume de informações. para evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. chegando ao cliente final (consumidor) – sendo considerado um processo divergente. simplesmente.br Este artigo apresenta informações necessárias direcionadas aos projetistas para o desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente.depto engenharia de produção .br Eduardo Romeiro Filho (UFMG) romeiro@dep. p. não. estoque em processo e produtos acabados do ponto de consumo até o ponto de origem. implementação e controle de fluxo de matérias-primas. transferidos para outras. projeto do produto O Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas I nformações Necessárias. 32). p. passa por um processo natural – suprimento. direcionadas aos projetistas para as considerações de variáveis ambientais no desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. reciclagem e outras. O objetivo deste artigo é reunir informações necessárias que se encontram dispersas na literatura. pois pode-se evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. Segundo Lacerda (2002). produção e distribuição. Reciclagem. materiais. © 2006 eduardo romeiro filho 184 ufmg . localização. Esse processo é denominado Processo Logístico Direto ou Distribuição Direta. Faz-se necessário obter informações ambientais em todo o ciclo de vida. surgiu um novo conceito de processo de produção – Processo Logístico Reverso ou Distribuição Reversa. pode ser e mais tarde)? 2. Esse processo gera materiais reaproveitáveis que podem retornar ao processo tradicional de suprimento. O objetivo deste artigo é reunir um conjunto de informações ambientais que se encontram dispersas na literatura para orientar os projetistas no sentido de incorporar as variáveis “desmontagem” e “reciclagem” no projeto do produto. com o objetivo de recapturar o valor agregado ao produto ou realizar um descarte adequado. 2. cuja expressão mais comum é um conjunto de necessidades das pessoas (físicas ou jurídicas) que se relacionam com o problema apresentado”. Introdução O projetista necessita de informações ambientais para o desenvolvimento de projeto do produto com o objetivo de atender às exigências advindas de pressões ambientais que as indústrias vêm enfrentando.1 Desenvolvimento do produto O desenvolvimento de um produto a partir de materiais novos. O atendimento dessas exigências demanda uma grande quantidade de informações provenientes de áreas distintas. Projeto do produto Segundo Bitencourt (2001. 23): Onde poderá obter informações (disponibilidade. tais como meio ambiente. desde a concepção até a destinação final do produto. em especial desde a década de 1990. custo e demora)? Estas informações são confiáveis (credibilidade.

Zr Relativamente comum (10-99 ppm) Cr. 60): Classe Elementos Abundante (> 0. revenda. Sr. O Quadro 1 mostra as cinco principais classes baseadas nas abundâncias elementares (GRAEDEL e ALLENBY. 2002. p. Projeto do produto para meio ambiente Durante o estágio do projeto do produto para meio ambiente.) Figura 2 . W Raro (< 1 ppm) Ag. p. K. Li. Ni. Mo. reciclagem ou de descarte. Na. Si. Ta. Sb Fonte: GRAEDEL e ALLENBY. Zn Não comum (1-9 ppm) B. Rb.Representação esquemática dos processos logísticos: direto e reverso O processo logístico reverso envolve uma série de etapas para destinar o produto (usado. As etapas desse processo são: coletar. A estratégia pode ser direcionada para aumentar a reciclabilidade. Para qualquer uma das estratégias escolhidas. o ponto de partida para determinar os tipos de materiais é verificar sua disponibilidade em relação à abundância de elementos e compostos encontrados em nosso Planeta. Mn. 1996. Ca. para reduzir os impactos sobre o meio ambiente etc. Sc.1 %) Al. Dessa forma. Co. com propriedades físicas e químicas adequadas ao projeto é limitada por sua disponibilidade e seu custo. separar/desmontar. P. Be. Ti Comum (> 100 ppm) Ba. Sn. obsoleto) do ponto pós-consumo até os locais de retorno. 60. Retornar ao fornecedor Materiais Revender Secundários Remanufaturar Embalar/ Separar/ Coletar expedir desmontar Reciclar Descartar Processo Logístico Reverso Fonte: (adaptado de Lacerda. projeto do produto Materiais Novos Processo Logístico Direto Suprimento Produção Distribuição Materiais Processo Logístico Reverso Reaproveitado Fonte: Lacerda. Quadro 1 – Classe de abundância dos elementos © 2006 eduardo romeiro filho 185 ufmg . Cd. 1996.Atividades típicas do processo logístico reverso 3. Au. Cu. danificado. Ga. remanufatura. Th. Pb. dependendo da estratégia de fim de vida do produto. Hg. para facilitar a desmontagem. Figura 1 . a seleção de material é considerada um fator-chave e envolve uma série de fatores como: • Escolha de material –A escolha do material. pelo projetista. embalar e expedir (Figura 2). Pb. Fe. Mg.depto engenharia de produção . existem objetivos distintos que o projetista pode focar. V. 2002. U.

1996. zinco e ferro reduziu e a quantidade de plástico. p. • Substituição de material –A substituição de material é uma estratégia que deve ser considerada no projeto do produto. os novos modelos estão sendo projetados com essa finalidade.depto engenharia de produção . p. a fase mais influente é o projeto. montagem. sempre que possível. para todo o ciclo de vida. não apenas o produto deve ser considerado. Ciclo de vida do produto: inicia-se com a identificação de cada uma das necessidades e estende-se por todo o projeto. Nas últimas décadas. o planejamento do processo de produção tem como objetivo reduzir os gastos e descobrir caminhos para © 2006 eduardo romeiro filho 186 ufmg . e o seu peso total (Tabela 1) diminuiu em aproximadamente 11% (GRAEDEL e ALLENBY. Essa iniciativa já vem sendo utilizada na indústria de embalagens e na indústria automobilística. p. Para a reciclagem. Ciclo de vida do processo: inicia-se com a definição da tarefa de produção por intermédio do projeto do produto. 2. 65. Kriwet et al (1995. a quantidade de material utilizado em um projeto deve. projeto do produto • Redução de material –Independentemente da disponibilidade do material em abundância e em fornecimento. principalmente no caso dos não tradicionais. opções de reciclagem etc). 1996. a identificação por meio de símbolos é uma realidade. mesmo que o produto seja totalmente descartado. devem ser planejados e considerados. Um exemplo de sucesso. fim de vida e estágios de reciclagem. Pode-se observar que. No caso dos automóveis. Material 1978 1988 % Alteração Aço carbono 870 654 -25 Aço de alta resistência 60 105 74 Aço inoxidável 12 14 19 Outros aços 25 20 -19 Ferro 232 207 -11 Plástico 82 101 23 Líquidos 90 81 -10 Borracha 67 61 -8 Alunínio 51 68 32 Vidro 39 38 -2 Cobre 17 22 32 Zinco fundido 14 9 -33 Outros 62 57 -9 Total 1621 1437 -11 Fonte: Graedel e Allenby. mas também seu processo de produção (uso. significa que uma menor taxa de resíduo será encaminhada ao meio ambiente. no período de 1978 a 1988. No caso das embalagens plásticas. 2002) 4. produção. Essa consideração talvez seja uma das mais importantes a ser considerada no projeto do produto. a quantidade de aço carbono. capacidade de manutenção. antecipadamente. Em relação à reciclagem. pois ele determina as opções de reciclagem e dos processos de reciclagem do produto e também do apoio logístico no estágio de fim de vida. A redução de material pode ser feita tanto para diminuir o peso do produto quanto para reduzir o número de materiais não compatíveis. que engloba a substituição e a redução de materiais em um mesmo produto é o da indústria automobilística. 17) apresentam três elementos do sistema do ciclo de vida que devem ser considerados simultaneamente durante as fases de aquisição. visando a uma separação futura. planejamento. Agrupa o projeto de produção e sistemas de reciclagem e processos. 64). em quilogramas. pois. mesmo após uma redução de material. Tabela 1 . além de demandar menor quantidade de recurso natural. ser reduzida. uso. no sentido de formar um sistema ecologicamente completo.Alteração do material em um automóvel típico dos EUA. • Identificação de material – A identificação correta e clara do material é um fator importante utilizado no projeto do produto. por exemplo. alumínio e cobre aumentou significativamente. Os aspectos ecológicos de um produto. houve uma redução e substituição de materiais no automóvel típico dos Estados Unidos. utilização e reciclagem (Figura 3): 1. Inclusão do DFE no projeto do produto Quando uma indústria adota a abordagem do DFE. A competitividade e a eficiência não podem ser alcançadas por esforços aplicados após o estágio do projeto do produto. principalmente no que se refere à padronização de símbolos dos materiais plásticos (MEDINA et al.

como todos os outros aspectos do projeto. Um exemplo relevante é o just in time de entrega de suprimentos – uma técnica que reduz o custo de armazenagem e aumenta a qualidade do produto. são levadas em consideração. redução de custo e outras não podem ser alcançadas no processo de produção sem a participação ativa de um dos fornecedores da corporação. Projeto detalhado do produto – É o estágio no qual as considerações do DFX. a transferência dos materiais e dos componentes usados para a produção dos novos produtos. os caminhos referentes àqueles materiais são incorporados no produto. Nesse estágio. meio ambiente. as metas do DFE podem ser alcançadas somente se os projetistas do processo trabalharem mais próximo aos projetistas de produto. Esse estágio é a especificidade central dos projetistas. como por exemplo. t Figura 3 . como confiabilidade. o DFE deverá ser. o apoio ao consumidor e a manutenção durante o uso do produto. e o apoio à reciclagem do produto. os atributos ambientais de um produto podem ser identificados e inseridos no projeto. fornecendo informações para as indústrias de reciclagem. Projeto Projeto Projeto Produção Uso e Reciclagem Produto conceitual preliminar detalhado fim de vida Projeto de produção Processo de Processos de e reciclagem produção reciclagem Processo Apoio Apoio à produção e ao Apoio e Apoio à Logístico projeto do produto manutenção reciclagem Estágio de aquisição Estágio de Estágio de utilização reciclagem Fonte – Kriwet et al. para fornecer as ferramentas de produção necessárias e tornar os produtos “ambientalmente amigáveis”. utilidade. 17. um componente da definição do produto e um ciclo de criação. qualidade. Tais projetos são razoáveis somente se a resolução final puder ser alcançada e houver ferramentas de produção disponíveis. a composição dos materiais e. etc. como componentes de reposição. custo. Os pontos principais para a reciclagem são a coleta e o transporte dos produtos pós-uso. Do ponto de vista ambiental. materiais e energia para um uso posterior. A inclusão do DFE nesse estágio exigirá um esforço por parte do projetista e. Interações entre produto e processo – No caso de muitos produtos novos. 3. tornou-se óbvio que as metas de confiabilidade. os projetistas possuem uma certa autonomia nas diretrizes de definição referente à escolha de materiais. p. enquanto reduzem os esforços da reciclagem. as escolhas feitas anteriormente no processo do projeto estão longe de um custo efetivo. 16-17) apresentam alguns procedimentos para incluir as características do DFE no projeto do produto: Definição do produto – A definição de um produto é o estágio inicial e muito importante no processo de seu desenvolvimento. 1995. qualidade. Com relação ao sistema de reciclagem. automaticamente.depto engenharia de produção . projeto do produto reciclar o produto. Da mesma forma. se possível. Gerenciamento do material – Geralmente. incluindo principalmente o DFE. Ciclo de vida do apoio logístico: engloba o apoio durante os estágios do projeto e produção. p. Os projetos inevitavelmente envolvem problemas entre tais atributos. em que há uma contínua evolução para projetar produtos usando-se resoluções cada vez mais apuradas nos circuitos integrados. eles não podem ser produzidos sem uma evolução paralela aos processos industriais. eficiência.Sistema do ciclo de vida Graedel e Allenby (1996. Interações com o fornecedor – Após décadas. Uma vez que estas escolhas sejam feitas. Um exemplo é a indústria de produtos eletrônicos. o objetivo é descobrir os processos que levam ao valor máximo do fim de vida. Para um projeto responsável “ambientalmente”. esses relacionamentos podem ser usados para fornecer © 2006 eduardo romeiro filho 187 ufmg . no sentido de aumentar a velocidade e reduzir o tamanho.

p. Os componentes principais originados do Projeto para Meio Ambiente são: materiais. nos aditivos e nos corantes. 5. A importância dessa consideração é mais relevante para os produtos que possuem grande quantidade e diversidade de materiais e componentes. projeto do produto informações sobre materiais reciclados. de processos não destrutivos) ou que possa ser reciclado integralmente em um mesmo processo. No caso do descarte. p. 1998). é o produto industrializado que possui o maior número de materiais. o que inviabiliza. menos tóxico ou. fornecer informações sobre os aspectos ambientais relacionados aos produtos e os tipos de reciclagens disponíveis. o projetista deve levar em consideração o tipo de material que será descartado. 92) descrevem algumas considerações gerais de reciclagem para serem usadas pelos projetistas nos projetos do produto: Uma das considerações mais importantes é reduzir o número de materiais diferentes e o número de componentes individuais usados no projeto. Toda vez que um projetista utilizar materiais não semelhantes juntos. se eventualmente este produto for reciclado. com o objetivo de tornar um resíduo menos volumoso. processamento. Exemplo típico são produtos plásticos que. o automóvel.depto engenharia de produção . Desta forma.Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Na execução do projeto para meio ambiente. 2001). sempre que possível. Segundo Medina (2001). em decorrência a certas restrições. fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas. as direções serão diferenciadas. particularmente lixo domiciliar que. Interações de marketing – Os projetistas e os gerentes do produto podem promover metas industriais ecológicas por meio dos compradores e fornecedores. são construídos de forma que a desmontagem é impossível ou economicamente onerosa. o reaproveitamento e a reciclagem de materiais. é importante estabelecer que o prejuízo ambiental resultante do uso da reciclagem de um material é menor que o resultante do uso de um material virgem. A compatibilidade é ponto relevante no agrupamento e interfere na reciclagem do produto. o projetista pode melhorar a embalagem do produto (incluindo embalagem para devolução ou embalagem reciclável). facilmente separáveis. permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e proteção de saúde pública” (IPT. na prática. dos materiais usados e dos métodos disponíveis para os mesmos. p. Além de considerar as características do produto para a reciclagem. é essencial ao adequado processo de reciclagem que o produto seja facilmente desmontado (por intermédio. 1996. aterro sanitário e reciclagem. ele deve ter em mente que. em alguns casos. 386). embora tenham componentes isoladamente recicláveis. Após a vida útil do produto. Por outro lado. se a meta do projetista é a reciclagem e se os componentes do agrupamento não são compatíveis. cada um contendo variações na composição. Somente em materiais plásticos são encontrados 40 tipos diferentes. O agrupamento é um conjunto de componentes e/ou subconjuntos que formam uma característica comum em determinado produto. os materiais deverão ser facilmente separados. • Aterro sanitário: “É um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo. O agrupamento de componentes é também considerado fator importante para reciclagem. • Reciclagem: “Corresponde ao processode re-transformação industrial do material em uma nova matéria-prima a ser processada” (PEREIRA. uso e descarte. Se a meta do projetista é o descarte em aterros. dependendo do tipo do produto. pois estes devem ser menos agressivos ao meio ambiente. as considerações de desmontagem não são importantes (KUO et al. porque os custos dos serviços tendem a ser uma das barreiras mais significantes para a reciclagem do produto. reduzindo o transporte desnecessário. Quando os materiais tóxicos necessitam ser utilizados em um projeto. © 2006 eduardo romeiro filho 188 ufmg . eles deverão ser facilmente identificáveis e os componentes que os contém. Esta consideração é muito importante. em quantidade e diversidade. Graedel e Allenby (1996. por exemplo. removíveis manualmente ou a partir da utilizaçãondo ferramentas ou equipamentos adequados à separação. o projetista pode necessitar de agrupar componentes que não sejam compatíveis. a reciclagem é ambientalmente a opção mais sensata (HUANG. 252). como as baterias níquel e cádmio e relés de mercúrio. eliminá-lo” (BRANDT et al. 2002). quando a reciclagem é especificada como meta pretendida do descarte. criar mercados para resíduos de produtos recicláveis e padrões e especificações para os itens comprados. Neste caso. Dissociar materiais distintos – O projetista não deve juntar materiais que não sejam semelhantes em produtos cuja separação torna-se difícil. No projeto do produto. • Incineração: “É um método de tratamento que utiliza decomposição térmica via oxidação. podendo ser especificada como meta pretendida no projeto: incineração. 2000. de forma que esta reciclagem seja cada vez mais facilitada. normalmente. têm de ser consideradas também as condições de trabalho dos envolvidos na atividade de desmontagem. isto é. as ligações entre estes deverão ser facilmente desmontadas. No caso do uso de recursos não renováveis. Evitar o uso de materiais tóxicos é também outra consideração importante.

Centro de Estudos em Logística – COPPEAD – UFRJ. deve-se. no caso dos aços. Cinco regras que devem ser levadas em consideração no projeto. B. HUANG. Florianópolis. (1983) . Rio de Janeiro: Guanabara Dois.Design for X: concurrent engineering imperatives. em princípio. New Jersey: Prentice Hall. se num conjunto de construção têm-se peças de aço e ferro fundido. para um produto ou um conjunto de construção deve ser adotado um único material ou ao menos o menor número de materiais diferentes ou. uma reciclagem sem que haja necessidade de desmontagens consideráveis ou separação ou dissociação de materiais. London: Champman & Hail. evitar ou reduzir ao mínimo materiais considerados impurezas para a reciclagem do material principal. entretanto. E. p.Metodologia de projeto de produtos industriais. Antônio Carlos P. e esta tendência parece clara e. que poderão ser refundidos. Referências BACK. LACERDA. em primeiro lugar.(1998) . A questão econômica. Minas Gerais. 175 p. Em contraponto.Logística reversa – uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. 1983. Conclusões Neste artigo. T. No levantamento das informações ambientais. R. reuniu-se um conjunto de informações ambientais por meio de considerações. acabarão por tornar a preocupação ambiental uma variável essencial ao projeto. Usar um único material normalmente é impossível. que poderão ser moídos e misturados a matérias-primas na injeção de plásticos. por exemplo. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica. Quinta regra: as peças. pode-se dizer que crescentes pressões sociais. 6. 343): Primeira regra: tanto quanto possível. Universidade Federal de Santa Catarina. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. São Paulo. Muitas vezes a redução de custos acaba por sobrepor-se a alternativas de projeto ambientalmente mais adequadas. Quando não é possível evitar retalhos. © 2006 eduardo romeiro filho 189 ufmg . FONSECA. Wilfred. BITENCOURT. Upper Saddle River.Ecolatina’98 – curso internacional de resíduos sólidos. projeto do produto O reaproveitamento e a reciclagem de materiais dependem de como estes foram especificados no projeto. simplesmente. irreversível. percebeu-se que a seleção de material é um fator fundamental a ser considerado no projeto do produto. A partir da pesquisa ficou claro que a abordagem ambiental torna-se cada vez relevante. George Q. transferidos para outras. 2001. IPT. é ainda justificativa para opções relacionadas ao projeto voltado para o meio ambiente. pois pode-se evitar que problemas ambientais advindos de uma fase do ciclo de vida sejam. GRAEDEL. canais de alimentação ou massalotes. considera-se o problema da limpeza de materiais e de produtos usados e disponíveis à reciclagem. 2ª edição. materiais como o cobre e o zinco não podem ser separados na fusão. o máximo de aberturas para limpeza. 2000. inclusive através da criação de legislação específica.Design for environment. então. Belo Horizonte. são apontadas a seguir (BACK. verificar se estes podem ser utilizados para outras peças. Da mesma forma que a segurança do produto e o atendimento ao consumidor foram progressivamente considerados e hoje são critérios básicos de escolha e itens comuns a produtos que buscam excelência. BRANDT. regras e procedimentos que se encontram dispersos na literatura. E BRUNETTI. Dinalva C. Como exemplo. o mínimo de diferença entre eles.depto engenharia de produção . Assim. Parece evidente que a consideração de variáveis como os processos de desmontagem ainda na fase inicial do projeto do produto propiciam uma maior eficiência no processo de reciclagem. Leonardo. Por exemplo. Nelson. Se isso ainda não é possível. espera-se que itens como não agressão ao meio ambiente e meios adequados para reciclagem sejam corriqueiros em um futuro próximo. ainda. do ponto de vista da reciclagem dos materiais. 370 p. com o objetivo de orientar os projetistas no sentido de incorporá-las ao projeto do produto. por exemplo. mas. 489 p. Charlie. refugos e retalhos de plásticos. após seu uso. e ALLENBY. Lixo municipal: manual de gerenciamento de lixo. (2002) . procura-se outra forma de reciclagem. cavacos. os grupos de construção ou os produtos deverão ser identificados quanto ao tipo de material e o modo de reciclagem. o projetista deve considerar este requisito durante todo o ciclo de vida do produto. Desenvolvimento de uma metodologia de reprojeto para o meio ambiente. pois interfere no processo de desmontagem e reciclagem do mesmo. tampas facilmente removíveis e poucos cantos vivos ou espaços cegos de difícil limpeza. Quarta regra: no projeto de produtos ou grupos de construção. para a bucha de um mancal de escorregamento deve-se estudar a possibilidade de adotar o ferro fundido em substituição ao bronze. (1996) . Os produtos deverão ser projetados de tal forma que haja o máximo de superfícies planas. Segunda regra: selecionar materiais e processos de fabricação que não resultam em retalhos ou a um mínimo destes. Terceira regra: os produtos deverão permitir. (1996) .

(2002) . Maria Cecília Loschiavo dos.3. (2001) . HUANG. Computers & Industrial Engineering. G.Vol. PEREIRA.15-22. Rio de Janeiro: CETEM. Dennys Enry Barreto. Heloisa V. levando em conta a complexidade sistêmica da coleta e triagem. n. 38. p. © 2006 eduardo romeiro filho 190 ufmg . Anais do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design .Gestão ambiental na indústria automobilística: o caso da reciclagem de materiais.P&D Design. A. ZUSSMAN E.Systematic integration of design-for-recycling into product design.Design for continuous Innovation: a case study on the sustainability of the automobile for the 21th century. (2002) . projeto do produto MEDINA.Design pré-reciclagem e pós- reciclagem: contribuição à discussão do problema do lixo urbano de embalagem.depto engenharia de produção .Design for manufacture and design for “X”: concepts. applications and perspectives. and SELIGER. Andréa Franco e SANTOS. Brasília. Heloisa V. Vol. de. International Journal of Production Economics.241-260. Distrito Federal.. p. de e GOMES. KRIWET. EUA. Samuel A. KUO. 41. In: Conference at Washington and Lee University.. Hong-C. MEDINA. and ZHANG. (2001) . in 10th octobre. (1995) . Tsai-C.

O ideal artesanal.) como imagem visual. esquemas etc.depto engenharia de produção . o que leva as empresas a adotares equipes cada vez maiores para seu desenvolvimento.. ( . projeto do produto Terceira Parte: a técnica Vinham-me idéias que ( .) me cativavam de tal maneira que as queria absolutamente transmitir a outros. parece definitivamente sepultado para produtos em série. Fazem parte desta fase também os modelos de teste. altos níveis de tecnologia agregada. em sua grande maioria. do domínio do processo de concepção e construção por um só indivíduo. elementos fundamentais para a validação do projeto antes de seu lançamento no mercado. mas sim “imagens de pensamentos” que só se poderiam tornar compreensíveis aos outros.. torna-se essencial à equipe de projeto prover meios eficientes para que o produto concebido possa ser construído de maneira fiel.. sejam estes gráficos (desenhos. Para isso é necessário que a documentação de projeto seja constituída por todos os elementos necessários..) ou não gráficos (como listas de materiais e descrição de processos de fabricação) para a efetiva construção e reprodução do objeto concebido. os produtos possuem. I sto não podia acontecer com palavras. © 2006 eduardo romeiro filho 191 ufmg . Na atual sociedade industrial. como maquetes e protótipos. Mauritis Cornelis Escher Esta fase concentra as atividades ligadas ao Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. Neste caso. pois não eram pensamentos literários.

INTRODUÇÃO. cursos extracurriculares. sem a pretensão de esgotar o tema. em dinâmicas) de um mercado de trabalho cada vez um interessante impasse: por um lado. Por outro lado. Cabe ao mais garante a excelência de conhecimento e um aluno. em especial dos novos Engenheiros de Produção. Um curso universitário não pós-graduação. uma mais exigente! quantidade cada vez maior de informação e uma Este aparente paradoxo pode parcialmente inédita facilidade de acesso a esta informação. de liderança. e por fim uma disposição maior exigência com relação a aspectos acadêmicos eterna para a constante atualização e reflexão. em períodos curtos. os Pode-se dizer que o perfil mais adequado aos professores são colocados cada vez mais "contra a alunos nas atuais condições é o de pessoas parede". o explicar a necessidade de formas complementares que torna a formação profissional um objetivo e/ou paralelas de formação. uma ansiedade constante lugar de destaque no mercado de trabalho. Desta 1. Há cada pelo conhecimento. É hoje intensa a discussão com relação às características adequadas à formação de novos profissionais em qualquer área do conhecimento. uma constante preocupação com as perspectivas do capacidade criativa. tendo sua formação e critérios muitas "levemente neuróticas" pelo conhecimento (para vezes questionados diante de um "público" sempre utilizar uma expressão que pode ser considerada mais exigente. o que leva a que agregue conhecimentos de línguas estrangeiras. mestrado profissional etc. No que se refere ao estudo da engenharia. competitividade no mercado de trabalho e inovações tecnológicas disponíveis. como programas de constante que não pode ser restrito à formação iniciação científica. "pós-técnicos" (que não serão tratados neste trabalho). tendo em vista alterações dinâmicas na Por outro lado. sendo assim. no que tange aos conhecimentos relativos à "Representação Gráfica" e à utilização de novas ferramentas. ao lado de propõe a flexibilização curricular e um progressivo importantes modificações na legislação proposta enxugamento dos cursos de graduação. com estrutura flexível. que pode ser traduzida em vez mais a necessidade de uma "formação flexível". como por exemplo na adoção de sistemas CAD (Computer Aided Design. de maneira geral. a introdução de novas tecnologias informatizadas nos processos de projeto trazem forte influência. inclusive © 2006 eduardo romeiro filho 192 ufmg . maneira. é necessária uma formação consistente. instável. projeto do produto A Representação do Produto e sua I mportância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. dos cursos de graduação. postura "pró. com o A formação profissional em qualquer área do objetivo de atender a demandas específicas (e conhecimento encontra-se. neste novo cenário. tendo em vista a crescente facilidade de acesso à informação. O cenário demonstra-se desta forma provocativa). a uma ativa" e empreendedora. com a criação de cursos mais curtos.depto engenharia de produção . ou Projeto Auxiliado por Computador) Este artigo busca trazer subsídios à discussão acerca das características adequadas à formação dos engenheiros. (futuro) mercado de trabalho e. de acadêmica tradicional. o Ministério da Educação sociedade e no mercado de trabalho. exigências e necessidades crescentes.

projeto do produto pelo MEC. este cenário não é. os três primeiros capítulos são tecnologias informatizadas. tira- se deve esperar que o engenheiro ocupe-se. área ainda relativamente nova entre as periféricos. das atribuições profissionais. modelos. e o nível ainda superficial de conhecimento destes sempre foi. A partir da utilização profissional desejado. Não preparado (através da seleção imposta pelo se trata mais de uma tarefa de execução de vestibular) e especialmente sensível às próprias desenhos ou concepção de objetos. por outro lado. são imprescindíveis ao desenho em CAD (embora planejamento e desenvolvimento da atividade. French. menos complexo. mas se interpõe necessidades em temos de formação. sendo o quarto apenas para a conseqüências mais importantes do que pode-se construção de letras e algarismos. do âmbito das sistemas pela maioria de seus usuários e o sistema engenharias. os procedimentos de construção do desenho e formas de concepção do 2. por linhas31 etc. nos diversos campos máquina (sistema hardware) e pelos programas do conhecimento. esquadros. em especial de sistemas voltados para escolha e manejo dos instrumentos CAD (sigla inglesa para Computer Aided Design. Por outro entre o projetista e seu objeto (concebido) uma lado. da mera elaboração de desenhos conhecimento está sendo substituído pela técnicos para documentação de projeto. publicado orignalmente nos engenharia a partir da introdução de novas EUA em 1939. não trabalho ligadas a diferenças na concepção. ou Projeto Auxiliado por Computador) representam por exemplo). atua de forma muitas vezes Produção etc. existe uma Muitos fatores ligados à informática alteram expectativa extremamente interessante por parte do consideravelmente as formas de interação entre o mercado de trabalho. Não é razoável supor um engenheiro de aprendizado de desenho técnico ou de que não conheça os princípios básicos de desenho e representação gráfica em engenharia. seja definição das características adequadas ao perfil ele engenheiro ou projetista. o que torna o (ao menos significativa sobre os níveis da carga de trabalho à teoricamente) corpo discente potencialmente qual o usuário de sistemas CAD está exposto. A entre o estágio tecnológico atual em sistemas CAD representação de objetos. Diversos as normas relacionadas às diferentes formas de livros de ensino de desenho técnico. (software). engenharias. Desta maneira. se um curso de desenho Engenheiro de Produção (e dos demais técnico poderia levar anos para tornar plenamente engenheiros) nesta área do conhecimento e. preparo e manejo dos um médico sem conhecimentos de anatomia. (como as diferentes formas de se apontar um lápis. desta necessário ao efetivo domínio destas novas forma. completamente diferente da tradicional. especialmente. Neste cenário. Este tipo de perceber a princípio. por excelência. sistemas.depto engenharia de produção . 1990) denominou de caracterizem a formação do Engenheiro de "barreira informática". A REPRESENTAÇÃO (OU EXPRESSÃO) projeto acabam por submeterem-se à configuração GRÁFICA. bem como a habilidade no traço. Os diferentes meios de promissores (senão o mais promissor) dentre as trabalho e produção interferem de maneira diversas engenharias. Não materiais como lápis. como o representação de projetos (ou do objeto concebido). dedicam capítulos da mesma forma que não seria razoável imaginar importantes à escolha. Ora. principal agente daquilo que modelos de formação. deve-se levar em consideração que o tempo Neste trabalho a discussão concentra-se. alguns dos novos aspectos a serem observados nos Em relação ao campo específico da processo de trabalho em CAD. © 2006 eduardo romeiro filho 193 ufmg . As modificações 31 No tradicional livro "Desenho Técnico". ao lápis. O computador. do equipamento e ao nível de aprendizado do operador. ainda discute campos de atuação. bem como do teor das do CAD. continuem pertinentes. todo o desenvolvimento da tarefa é diversas disciplinas oferecidas à formação realizado a partir das condições delimitadas pela adequada deste Engenheiro. Engenharia de Produção. nas ferramentas que devem servir de base a este conhecimento. que aparentemente é dos mais engenheiro e sua tarefa. Alterações nas cargas de conhecimento. compassos. Desta forma. o corpo docente envolvido com a Engenharia nova interface representada pelo computador e seus de Produção. tradicional FRENCH (1971). o que necessidade de domínio da tecnologia informática e representa uma lamentável queda e séria distorção dos diferentes programas utilizados. que não foram assimiladas pela maioria utilização constante de sistemas informatizados são das Universidades e Cursos de Graduação. É possível dizer que este tipo de outro lado. visto que o computador nem novas exigências posturais e problemas advindos da sempre está disponível). estruturas mínimas que BAGNARA (in REBECCHI. este problema torna-se especialmente complexo: Por um lado. torna-se urgente a decisiva sobre os procedimentos do operador. no conteúdo e na extensão dos tecnologias possui relação com o domínio da antiga conhecimentos necessários à formação do interface. Pode-se. No que diz respeito à representação (ou expressão) gráfica em especial. de verificadas nos processos de trabalho em Thomas E. fazer uma analogia como poderia-se supor.

1996).depto engenharia de produção . faz com que a reprodução torne-se atividade corriqueira. tradicionais de desenho em prancheta. formulários. representações gráficas. tendo por controle e efetivamente mais livre para o finalidade modernizar e tornar mais eficiente o engenheiro. continuam essenciais apresentada pelo computador. cartas. Por outro lado. por mais simples e à formação dos desenhistas). por exemplo. no século XV33. e um estágio conclusivo no qual exemplo. praticamente ilimitada e de alta 32 No atual estágio tecnológico. como fator de transformação das sociedades. projeto do produto habilitado um projetista. toda a vida profissional. a etapa fundamental da concepção do série de modificações nas características produto permanece como privilégio eminentemente necessárias ao trabalho do pessoal envolvido em humano. existe ainda um qualidade. desenhar um objeto em representações bi ou tridimensionais. além de matemática. © 2006 eduardo romeiro filho 194 ufmg . Não se trata apenas principal de transformação ocorre entre um estágio de aprender a produzir boas inicial de busca de informações. Cartas circulares por correio conhecimento os efeitos da implantação de novas eletrônico (ou e-mail). Pode-se dizer que esta mudança nos agravante: embora a tecnologia CAD já esteja meios de impressão e difusão de informações só amplamente disponível. porém. AS NOVAS FERRAMENTAS DE novos conhecimentos. o processo de concepção de técnica de desenho necessitam agora ter esta veículos é uma atividade predominantemente orientação questionada (deve-se notar. que ponto estas tecnologias modificam as "Antigamente o que se necessidades da formação em engenharia de aprendia podia ser aplicado por produção nesta área. 1988). por análise e síntese. assimilação. projeto e em sua formação. e vários tipos de documentos poderiam ser substituídos por meios informatizados Com estas alterações nas exigências de de comunicação. o bom projetista ainda não encontra paralelo na introdução dos tipos móveis pode se dar ao luxo de desconhecer as formas por Gutemberg. por transformação de idéias e informações em exemplo. fichas e formulários por tecnologias sobre o pessoal da área de projeto tem sistemas de cartão magnético etc. fazendo com que desenhistas. por que esperar que com a atual tecnologia informática permite a realização da informática este processo seja mais rápido32? maioria das atividades corriqueiras da atividade de desenho e mesmo de projeto. mas de avaliar até mão-de-obra qualificada. tendo em vista questões de interface conhecimentos como desenho técnico e teoria do (conforme retratado em SOBEK. nosso trabalho exige sempre 3. que manual. Programas e currículos grandes vedetes na utilização de sistemas CAD que sempre enfatizaram o desenvolvimento da desde os anos 60. ainda úteis 33 em diversas situações (como. A reprodução agora é imediata. in BONFIM. o que leva a A partir desta constatação. também de fundamental importância: se a concepção de documentos. A contribuição do Com a informatização. ou seja. os currículos não copiadoras e impressoras em escritórios. pois ainda trouxeram uma inédita facilidade de acesso e segundo NAGEL (op. meio físico para digital. Com efeito. Torna-se. de aplicar essas novas as decisões tomadas são organizadas num tipo de técnicas que a computação linguagem que possibilite a comunicação e oferece também na produção de arquivamento dos dados e a fabricação do produto. A atividade perspectiva. Não se trata naturalmente de discutir as sistema de ensino e assim acelerar a formação de aplicações das novas tecnologias. Mesmo nas indústrias automobilísticas. A correspondem mais às necessidades da vida mudança do "documento original". No início REPRESENTAÇÃO da formação acadêmica.) "Hoje os jovens reprodução de documentos. transformado de profissional". colocou-se a expectativa do virtual fim representação gráfica." (NAGEL. de cópias físicas de documentos. portanto. mas. Hoje. sido intensas. provavelmente também tivemos A representação gráfica no desenvolvimento dificuldades em aprender a de projeto de produto consiste basicamente na utilizar um esquadro para. de melhor cursos ligados à atividade de projeto. A interface projeto. objetos. especialmente em computador vai além da fase de escritórios. Uma interessante análise do papel da técnica eventuais panes do sistema informatizado).cit. não pode ser comparada àquela importante uma análise de todo o currículo dos oferecida pelo conjunto lápis/papel. como cálculos e A implementação do CAD leva a uma simulações. a informatização e a projetistas e engenheiros tenham necessidade de modernização dos sistemas de comunicação alguma forma de treinamento especial. deve-se chegar à modificações nos processos de trabalho e na outra. fenômeno caracterizado designers ainda se formam sem ter o conhecimento pela cada vez maior presença de máquinas do uso dessa técnica. avançada que seja.

é evidente que a aquisição considerados fundamentais. ocupando as principais do CAD não elimina (e provavelmente não posições seja na visão da Indústria como da eliminará a curto prazo) a necessidade de desenhos Universidade. em especial para aqueles mais mais importantes para os novos graduados em velhos. O recurso utilizado pelos usuários dos Com a melhoria dos sistemas de sistemas CAD é a alocação de papéis em mesas comunicação e o advento de redes de informação. 34 Um desenho originalmente em A0. demonstra que aspectos ainda seja um dos principais argumentos para a como trabalho em equipe e comunicação são venda de sistemas CAD. op. Em uma das conhecimento. ao ampliar determinada porção deste desenho (através do recurso de aproximação ou "zoom") perde-se a noção de conjunto. pode-se discutir até que pela National Science Foundation (VALENTI. cit. são alcançados. para que estes objetivos sejam em papel. Além auxílio de fita adesiva) os desenhos de referência. gerenciamento. impressas com o objetivo de seja. entretanto. o número e a quantidade de colocação destes desenhos. que assemelha-se a uma físicos. a eliminação do papel passado recente. o que torna ainda mais informações disponíveis aumenta dia-a-dia. A perfil profissional e nos processos de formação de realidade demonstra que da mesma forma como diferentes classes profissionais. naturalmente apresenta dificuldades para legibilidade. ou desenvolvimento. © 2006 eduardo romeiro filho 195 ufmg . dos postos de trabalho em sistemas CAD tornando até certo ponto "trivial" um levantamento desconsideram em sua grande maioria as de informações em nível mundial. privilegiando de forma exagerada a adoção "overdose de informações". quando reduzido o suficiente para que caiba em um monitor de 14". Por outro lado. no colo. a representação gráfica adequada do objeto proporcionar melhores condições de concebido. Ora. é realizada por LÉVY (1995). menos capazes de prosseguir neste "eterno engenharia mecânica naquele país demonstrou que processo de formação". gráficas não possuem local determinado para a Além disso. no chão ou quantidade antes considerada imensa de mesmo nas paredes próximas. muitas vezes são utilizados físicas (em papel) de documentos nos escritórios (vários) croquis e/ou desenhos de referência para a não somente não diminuiu. complexa sua visualização e manipulação tornando cada vez mais difícil seu adequado (ROMEIRO. projeto do produto Com estas facilidades. a realidade demonstra que uma em setores de projeto ainda é um objetivo de longo permanente formação e reciclagem será prazo. acompanhamento do trabalho realizado no monitor34.depto engenharia de produção . Em todas as empresas pesquisadas. e TAVARES e MORAES. 1992). o número de cópias Além disso. disso. mas vem crescendo construção de um novo desenho. na atividade projetual a essenciais por 86% das empresas e universidades situação não é diferente. sendo considerados como físicos de representação. acaba por interferir no do computador como forma de expressão. necessidades da utilização de desenhos em meios Este fenômeno. 1996). Se a existência de ocorre com os processos de informatização dos "cursos de atualização" era desejável até um escritórios de maneira geral. tomando por exemplo a introdução da informática e de seus efeitos sobre a linguagem. ponto o clima de alta competitividade representado 1996) entre empresas e universidades americanas por este cenário poderá ser suportável para os com o objetivo de avaliar quais as características trabalhadores. serviços de acesso a bancos de dados no Estes fatos demonstram como a concepção exterior tornam-se cada vez mais acessíveis. As estações consideravelmente (PFAFFENBERGER. A solução para este caso esta na localização de detalhes e orientação durante a impressão de um cópia física. pois nestas eram afixados (com o extensa e trabalhosa pesquisa bibliográfica. imprescindível para a futura manutenção do Pesquisa realizada pela ASME International e emprego. auxiliares (improvisadas para este fim). sobre torna-se possível o acesso imediato a uma equipamentos da estação. que auxiliará na execução da tarefa. Embora a idéia de um (ver introdução desta apostila). A observação dos "projeto concebido diretamente no computador" resultados. Por outro lado. Uma simples consulta à rede empresas pesquisadas foi verificada uma constante Internet ou a bancos de dados digitais pode prover disputa pelas estações gráficas situadas próximo uma quantidade de informações equivalente à das paredes. conhecimentos acerca de sistemas CAD ocupam Em relação à larga utilização de meios posição de destaque. é crucial que os engenheiros possuam utilizadas cópias físicas dos desenhos em domínio de sua forma clássica de comunicação.

como este do dinamarquês Toftebjerg Medborgerhus (fonte: http://www. propiciando a geração de diferentes versões de produtos. como no caso desta cadeira para dentistas (veja outras versões abaixo.free.toftebjergmedborgerhus. O croqui permite uma rápida visualização da idéia e dá subsídios aos primeiros estudos. sem grandes preocupações dimensionais.dk/) © 2006 eduardo romeiro filho 196 ufmg . nesta página. (fonte: http://farenc. Possui como principais vantagens a facilidade e rapidez de execução.depto engenharia de produção .design. A solução final está abaixo. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Livre ( Croqui) Os croquis permitem a visualização rápida de soluções propostas. além da utilização de material menos nobre (normalmente papel e lápis comum).html) O croqui pode ser considerado como um desenho a mão livre. em CAD.fr/ergonomie1.

projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Técnico © 2006 eduardo romeiro filho 197 ufmg .depto engenharia de produção .

de esquemas de montagem. possibilitando a imediata visualização de soluções propostas. precedendo ao renascimento e. projeto do produto Ferramentas de Representação: Perspectiva Os estudos de perspectiva. Oferecem importantes recursos para a representação de objetos ou. © 2006 eduardo romeiro filho 198 ufmg . apresentam notável desenvolvimento desta técnica) foram retomados a partir do século XIII. em última análise.depto engenharia de produção . a atividade de projeto como conhecemos atualmente. iniciados na antiguidade (os afrescos de Pompéia. na Itália. por exemplo. como no caso acima.

A integração destes sistemas. Neste caso. encaixes etc.depto engenharia de produção . com separação de componentes por cores. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Protótipo Virtual ( ou maquete eletrônica) Com a crescente sofisticação dos sistemas CAD (de Computer Aided Design. ao lado: um aparelho sonoro. simulações de funcionamento. parcialmente transparente. Ao lado: simulação do painel de um automóvel. novos recursos foram incorporados ao desenvolvimento de produtos. é denominada de forma genérica Integração via CAE/CAD/CAM (Engenharia. de origens diferentes. Abaixo: teste de elementos finitos em um quadro de bicicleta. como a prototipagem virtual. permitindo que sejam visualizadas soluções de design. Outra vantagem para o desenvolvimento de produtos desta forma está na utilização de dados de projeto em outras fases da produção. Abaixo. Projeto e Manufatura Auxiliados por Computador). o produto é gerado tridimensionalmente no CAD. ou Projeto Auxiliado por Computador). aplicação de cores. © 2006 eduardo romeiro filho 199 ufmg . como teste de engenharia ou geração de dados para manufatura.

Acima. ao Design e à Engenharia (para verificação de interferências. A maquete eletrônica serve também para simulação realista da aplicação de produtos ou soluções arquitetônicas. © 2006 eduardo romeiro filho 200 ufmg . produção de moldes etc. por exemplo). projeto do produto Acima: As duas imagens da batedeira foram geradas pelo mesmo arquivo. simulação de um “stand” para acesso à Internet. servindo ao Marketing (para alguns testes de aceitação do produto). como máquinas de comando numérico. Este mesmo aquivo poderá gerar dados para manufatura.depto engenharia de produção .

que tem por objetivo simular alguns aspectos como estética. como validação das soluções de projeto e base para decisões da equipe. © 2006 eduardo romeiro filho 201 ufmg . projeto do produto Ferramentas de Representação: O Mockup O mockup pode ser considerado como uma representação tridimensional do produto. simulação de um painel de aeronave. especialmente relacionadas à posição dos instrumentos e do piloto e questões como visibilidade e legibilidade dos instrumentos. madeira etc. Os mockups nem sempre são resultado de trabalho primoroso. não funcional. neste caso. soluções para avaliação do interior de uma aeronave. dimensionamento e ergonomia. O mockup serve. como papel.depto engenharia de produção . Normalmente feito em material facilmente moldável e d baixo custo. poliuretano. Ao lado e abaixo. Abaixo alguns exemplos: Acima.

O modelo testado é feito em madeira. Acima. inclusive avaliação das soluções de estilo junto a possíveis compradores.depto engenharia de produção .mit. como simulações de uso e avaliações de natureza ergonômica.edu/ne/whatmatters/200403/index. projeto do produto A indústria automobilística utiliza-se de mockups para diversos testes. © 2006 eduardo romeiro filho 202 ufmg . uma nova proposta para o transporte urbano (fonte: http://alum.html). O mockup pode ser utilizado em experimentos diversos em projeto do produto. Nas fotos acima. o modelo de um misturador portátil (mixer) que permite que seu acionamento seja realizado a partir de diferentes empunhaduras.

na maioria das vezes. em escala reduzida. modelo em escala reduzida de uma catapulta medieval. projeto do produto Ferramentas de Representação: A Maquete A maquete é um meio de representação tridimensional. concordâncias dimensionais (são importantes em maquetes de edifícios e plantas industriais. por exemplo) e aprovação de soluções estético-formais. Abaixo.depto engenharia de produção . não funcional e. exemplo da maquete (em escala de 1:5) de uma semeadora-adubadora a tração animal (que tem seu projeto detalhado a seguir). © 2006 eduardo romeiro filho 203 ufmg . Sua principal função está no apoio à avaliação geral do projeto. Acima.

© 2006 eduardo romeiro filho 204 ufmg . projeto do produto Exemplos de Projeto: Cadeira CEM A proposta deste projeto é uma cadeira de estrutura tubular. fotografado junto ao MAM. Na parte de cima da página.depto engenharia de produção . abaixo. para uso doméstico. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. reclinável e multiuso. o protótipo. maquete em escala 1:5.

Divisão de Engenharia Agrícola do Instituto Agronômico de Campinas. apresentando o projeto de uma semeadora-adubadora. realizado com apoio da DEA/IAC . adequando o produto aos diferentes biótipos do trabalhador rural brasileiro. © 2006 eduardo romeiro filho 205 ufmg . projeto do produto Exemplos de Projeto: Semeadora-Adubadora a Tração Animal Este projeto. com o objetivo de facilitar a aceitação e aumentar a produtividade desse equipamento.depto engenharia de produção . que não necessita de uma máquina específica para cada atividade. desenvolvido pelo DE/IAC. capaz de trabalhar em até três linhas de plantio simultaneamente. tanto nos aspectos antropométrico como sócio-cultural. manutenção e depósito do equipamento. O sistema representa economia para o agricultor. levanta algumas das características da agricultura brasileira e da tração animal. o que reduz os custos de aquisição. foi dada ênfase ao estudo ergonômico. Além de melhorias técnicas no mecanismo do equipamento. A semeadora foi projetada a partir de um "Chassi Porta-Implementos Triangular" básico. em que são acopladas diversas ferramentas utilizadas nas atividades do meio rural.

protótipo do chassi porta implementos em testes de campo. © 2006 eduardo romeiro filho 206 ufmg . projeto do produto Ao lado e abaixo.depto engenharia de produção . protótipos mecânicos da semeadora-adubadora. Abaixo.

iniciou seus investimentos em Projeto de Produto no final da década de 1980. processo de fabricação e atividades de marketing. fortalecimento da imagem da empresa em um mercado cada vez mais competitivo e uma visão integrada de produtos. incluindo mesas. com melhorias na papelaria. na empresa. Logo após investiu na melhoria de sua Imagem Corporativa. © 2006 eduardo romeiro filho 207 ufmg . identidade visual e implementação de uma linguagem comum que abrange desde os produtos até caminhões de entrega e Showroom. foi denominado GESTÃO DE DESIGN. resultante do que. Entre os resultados.depto engenharia de produção . com o desenvolvimento de linhas como a Futura (ao lado. de sistemas completos. melhorias nos resultados financeiros. armários e painéis divisórios. fabricante de móveis para escritório. abaixo). projeto do produto Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães Esta média empresa carioca.

o que permite diversas combinações e possibilita grande vendagem. é composta por um sistema modular.depto engenharia de produção . página do “folder” com os diferentes componentes da linha em estrutura lateral metálica. © 2006 eduardo romeiro filho 208 ufmg . perspectiva do layout do showroom para o lançamento da linha (foto menor. e algumas das versões derivadas podem ser vista abaixo. No alto da página. projeto do produto A linha FUTURA.As diferentes linhas possuem versões com laterais metálicas e em madeira. vem da família tipográfica utilizado na logomarca do produto. lançada no final dos anos 1980. Ao lado. O produto original está na página anterior. Uma curiosidade: o nome “Futura”. acima). que permite a produção de linhas diferenciadas a partir de um mesmo produto “Plataforma”.

projeto do produto Linha GAMA: A linha de cadeiras Gama possui forte estruturação em critérios de conforto e ergonomia. o que levou à conquista do primeiro prêmio no Salão Design Movelsul 96. A diferenciação dos níveis hierárquicos se dá pela agregação de módulos. categoria móveis de escritório. que permitiu uma grande liberdade formal e bons resultados de projeto. graças a implantação da tecnologia de moldagem de poliuretano. © 2006 eduardo romeiro filho 209 ufmg . o que garante uma extensa linha de produtos a partir de um número bastante reduzido de componentes. caracterizado pela estrutura modular do assento.depto engenharia de produção . que possui as mesmas dimensões em todos os modelos da linha e em todos os níveis hierárquicos.

a partir de revisão bibliográfica sobre o assunto. Associação na condição de novos projetos (e não da adaptação dos Engenheiros Alemães). São Carlos. citada por SCHEER ou melhoria de produtos já existentes).Bairro Ouro Preto . O setor de projetos em uma empresa é principalmente nos casos de produtos que possuam basicamente responsável. SP: UFSCar. colocados aqui de maneira bastante subdividido da seguinte forma: ampla. assim.Departamento de Engenharia de Produção Rua Mantena. difusão e intercâmbio de informações em tempo real. Neste caso. por inovação. mesmo a grandes distâncias. 35 Eduardo Romeiro Filho Universidade Federal de Minas Gerais . As vantagens trazidas. bem como sugerir alterações pertinentes. desenvolvidos e construídos compilação de variações de soluções e sua pelo homem. edifício. Este artigo busca apresentar e discutir algumas destas ferramentas. adequando-o às novas ferramentas tecnológicas. ou Projeto Auxiliado por Computador). somente poderão ser efetivamente observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual. projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro.30310. Esta visão acerca do processo projetual. Colocam-se como produtos. simplificada.1. O papel do setor de projetos é bem 1. . projeto do produto O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão .Concepção: Análise de especificações. pontos relevantes para o desenvolvimento projetual no atual estágio de desenvolvimento econômico e diante do atual quadro competitivo. .Belo Horizonte . avaliação de soluções.MG romeiro@dep. artefatos concebidos. tratamento. o diferentes metodologias utilizadas para a concepção processo de elaboração de projetos pode ser de produtos.430 . INTRODUÇÃO mais complexo do que pode parecer em princípio. BACK (1983) diferencia dois tipos de solução. como os colocados da VDI (Verein Deutscher Ingenieure.depto engenharia de produção . 334/304 . A partir das características de cada produto . Projetos por Evolução e Inovação. nos parece demasiadamente quais as descobertas científicas e tecnológicas são 35 Artigo originalmente apresentado no II Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. projeto em escala. CAD (Computer Aided Design. Os projetos por evolução são aqueles nos apesar de pertinente. Sendo (1993). PALAVRAS-CHAVE: Projeto do produto. torna-se interessante uma investigação um adaptação de já existentes. desde um parafuso até um navio ou avaliação. a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça. notadamente aquelas ligadas à comunicação e à integração entre diferentes equipes de projeto. entretanto. projetos de variações e pouco mais profunda das funções deste setor e das projetos normalizados e fixos. construção de modelos. Segundo o autor. Agosto de 2000. segundo a diretriz 2210 níveis relevantes de inovação.br RESUMO: A utilização de novas tecnologias de base microinformática pode auxiliar em muito a geração.Desenvolvimento: Especificações do conceito de concebido. © 2006 eduardo romeiro filho 210 ufmg . desta forma.ufmg. Engenharia Simultânea. 1. pela elaboração de novos projetos.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções.

no entanto.” (MUNARI. mas que pelas novas impressoras em relação àquelas já atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. objetivo deste trabalho discutir este foram suficientes para abalar definitivamente o assunto. que ofereciam significativo que possui uma natural similaridade com diversos aumento na qualidade de impressão. sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. Se as impressoras de tecnologia laser não entretanto. pois necessidade de grandes tiragens de documentos depende de fatores por demais complexos. acetato etc. projeto do produto agregadas a modelos precedentes. ao alto custo representado seja compreensível para seu público. será necessário um projeto que definitiva ameaça ao mercado das matriciais não somente possua “qualidades estéticas” e que devido. usuários. competindo diretamente em nichos de Enunciado do problema. clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. O termo “qualidade estética” pode representava um fator fundamental e onde havia a gerar uma interminável fonte de discussões. 200 Em Milhares de Unidades 150 ha de disponer de un método que 100 le permita realizar su proyecto de Maticial 50 forma adecuada. a série de seja esta análise realizada pela empresa projetos evolutivos das impressoras matriciais está (pelo departamento de marketing. é o das impressoras. isso ocorre com o existência e sua inegável importância). “Pero el diseñador. Segundo o autor. Fallon e Sidal. viabilidade econômica e de materiais. o uma forma de projeto por inovação. como personalizados (extratos bancários para envio pelo aspectos culturais. sem que haja O mesmo ocorre em relação os plotters.cit. Pode-se dizer que.Small Identificação dos aspectos e funções. atualmente. O (papel. de concepção pessoal. abordado deve estar bem definido. principalmente. embora custos bastante elevados. com diferentes modelos cuja crescente área.depto engenharia de produção . com o objetivo de criar obras densas e Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. las técnicas 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. de porém atingindo diretamente as matriciais. O problema a ser mercado pertencentes às duas outras tecnologias.) tecnologia laser não representou. Este mercado foi. onde uma nova artista projeta suas obras utilizando-se de regras tecnologia rompe com as condições do mercado. 2. Restam às matriciais deve ser analisado a partir de dois aplicações bastante específicas.) precisas y con la forma que Laser corresponda a la función (incluida la función O surgimento das impressoras de psicológica). psicológico. determinados nichos onde a qualidade de impressão por exemplo. entre (muitos) outros (Não é. mas apenas chamar a atenção para sua mercado das matriciais. Um exemplo deste tipo. com as impressoras laser ocupando fabricação. possui os algumas das impressoras a laser) a preços cada vez seguintes pontos principais: mais baixos. principalmente.) que também enfrentam a mercado foi até o início da década de noventa concorrência da tecnologia de impressão a jato de basicamente dominada por impressoras do tipo tinta. entretanto modificações radicais nos princípios equipamentos periféricos de sistemas CAD tecnológicos do produto. O que houve foi uma segmentação deste como meios tecnológicos disponíveis para mercado. sob inovação. desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato O autor apresenta uma metodologia de tinta que oferece uma impressão de alta baseada nos esquemas de Archer. apesar de conceitos do design e das engenharias. no denominado mercado SOHO . população usuária. O problema Office and House Office). nas baseadas em jato de tinta alterado por uma definição equivocada da (para aplicações domésticas e de pequenos questão a ser atendida. por exemplo). seguindo as sugestões de Asimow. O componente físico © 2006 eduardo romeiro filho 211 ufmg . entretanto. responsáveis pelo traçado em elementos físicos na área da informática. existentes. como impressão de componentes principais: o físico e o notas fiscais. que torna-se economicamente viável nesta matricial. sociais e econômicos da correio. mas tecnologia laser. op. ameaçado MUNARI (1975) apresenta uma visão de pelo aparecimento das primeiras impressoras de metodologia aplicada à comunicação visual. Vendas desde 1992 e estimativas para 1996. acordo com a análise das necessidades. Metodologia de Projeto de Produtos. A tecnologia laser apresente um enfoque especial às características associada à impressão pode ser considerada como estéticas e visuais do produto. e qualidade (embora não atinja ainda os níveis de que. seja no caso das impressoras a laser pena de todo o processo de concepção ser como. 350 dado que ha de utilizar toda clase 300 de materiais y toda clase de 250 técnicas sin prejuicios artísticos. uma Neste caso. por suplantada pelo impacto de projetos baseados em exemplo) ou pelo próprio designer.

tendo em vista a cada uma delas apropriada a determinado tipo de proximidade física e a na maior parte das vezes problema (ou produto). sendo pessoas. Da síntese criativa nascem os modelos.1. Em seu lugar surgem equipes uma “solução ótima” para o produto. Disponibilidade técnica. tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção © 2006 eduardo romeiro filho 212 ufmg . enquanto o psicológico (aspectos culturais. Elemento central do processo de uma etapa essencial. Para o projeto de produtos. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. mais protótipos. O Processo Projetual As questões apontadas sugerem. exigências e características do mercado. produto com variável grau de inovação. Acima. em diferentes empresas e países. especializadas no atenda as necessidades levantadas e dentro desenvolvimento de projetos em suas várias dos limites existentes. como no caso da dimensionamento de pequenos parafusos para produção artesanal. basicamente relacionadas à sofisticação. em atividade projetual. em A partir deste exemplo pode-se ter uma princípio. que apresenta estreitas especialidades ou. Observam-se. o que torna caso. A formação de uma pequena equipe de de informações. da informação que circula entre os diferentes grupos. por mobiliário. por exemplo. Projetos de tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. traz em se bojo uma série de níveis crescentes de detalhamento e complicações. Se a criação de equipes ou centros de Modelos. A crescente complexidade fixação de componentes. com muitas vezes possível seu inteiro domínio responsabilidades diversas sobre o produto final. com a construção de um ou gerenciamento de todo o pessoal envolvido e. levando a metodologia definida. concepção. pesquisa torna-se um recurso inestimável à de tamanho natural ou em escala. (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou desde a concepção da carroceria até o mesmo por uma só pessoa. Durabilidade prevista para o produto. ao fundo. a concentração de tarefas em pequenos idéia bastante simplificada de como funciona o grupos. 2. As formas circulação das informações de forma praticamente de aplicação destas metodologias. pois deve levar a uma síntese Scania. tendo em vista as características planta industrial). a confecção de modelos é Criatividade. neste apresentam diferenças importantes. metodológico adotado obedece às características do Esta solução. utilização de componentes já existentes. A realização de reuniões periódicas. projeto do produto (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. imediata. principalmente.depto engenharia de produção . sem contudo atuar fora dos e apresenta soluções sem a utilização de uma limites previamente impostos. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. geração de alternativa. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. No caso de um automóvel. por exemplo). a criação de semelhanças com a maioria dos métodos para estruturas que permitam a interação de diferentes solução de problemas: necessidade. apresentando um especialidades. formados por elementos de diferentes processo projetual. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. levantamento equipes. podem ser desenvolvidos exemplo) não necessitará do rigor metodológico de por pequenos grupos de projeto (ou mesmo produtos mais sofisticados (como um avião ou uma individualmente). projeto apresenta a inegável vantagem da determinação da solução e detalhamento. por outro lado. diversos desenhos. das necessidades e dos elementos identificados. tecnologias de fabricação de produtos mais estão envolvidas no mais das vezes centenas de "simples" estão amplamente disseminados. Limites para o projeto. os processos de concepção e produto. entretanto. entretanto. Pode-se dizer que o nível de estreita relação profissional existente entre os sofisticação e detalhamento do processo diferentes membros. por outro lado. maquete de um caminhão concepção. é bastante facilitada. mesmo devido ao fato de que na específicas da tecnologia utilizada na fabricação do maioria dos casos. que cada vez maiores. até atingirem a forma do necessidade de um efetivo e adequado produto final. limites tendo em vista a limitação prática da Naturalmente um produto abrangência tecnológica do produto. apresenta seus produto a ser desenvolvido.

embraer (veja quadro acima) acaba por impedir na prática que o trabalho seja O papel do design e da engenharia nestes inteiramente desenvolvido por um único grupo. no caso de produtos que envolvam possui componentes fabricados em países tão grandes equipes e a necessidade de interação e diferentes como Austrália. seja interna problema do desenvolvimento de projetos ou externamente ao país produtor. Com a globalização da produção. Brasil. torna-se crucial um fluxo eficiente Como gerenciar equipes de projeto das diferentes de informações (ou de conhecimento). ou mesmo entre Canadá. O avião Boeing 777 como um todo. O final. para que o processo tenha andamento eficiente. de casos é flagrante. Diversas equipes cooperam entre si. memoriais de cálculo. situadas a tão grande conhecimento deve estar disponível em tempo hábil distância e de tão diferentes “procedimentos e destinada à pessoa certa. Um processo projetual forma isolada. estruturado e bem conduzido é uma peça-chave e contribuem para um bom resultado de conjunto para a conquista e manutenção de mercados. desenhos técnicos de detalhamento e adiantarão produtos obsoletos. de nada esquemas. Coréia do Sul. cenário de alta competitividade a nível mundial Relatórios técnicos. especificações. cuja vantagem montagem exemplificam o conjunto de documentos competitiva seja sustentada somente pelo fator que compõem um projeto. NOVAS TECNOLOGIAS E O culturais”? Podem-se avaliar as dificuldades PRODUTO advindas da gestão de desenvolvimento de A complexidade verificada na maioria dos produtos. projeto do produto 3. uma grande quantidade de produtos assume importância crescente em um informação circula entre os participantes. Singapura e Irlanda. preço de compra. envolvendo tecnologias sofisticadas e processos Para a agilização do processo projetual “globalizados” de produção. França. várias empresas. como vem ocorrendo desde o início da década de memoriais descritivos.depto engenharia de produção . O mesmo ocorre com empresas como a projetos de design e engenharia atuais. Durante o desenvolvimento do processo de design e o desenvolvimento de novos empreendimento. O destino destes produtos será Há um exemplo que ilustra bem o cada vez mais os mercados marginais. portanto. O empresas envolvidas. oitenta. integração entre diferentes setores. De nada adiantará uma © 2006 eduardo romeiro filho 213 ufmg . Itália. Japão. plantas.

reduzindo os A utilização de novas tecnologias de base ganhos ou. seja entre diferentes níveis hierárquicos como dentro de um mesmo nível. desde compõe (satisfação no trabalho e qualidade de vida. sem no ferramentas tecnológicas. pode-se dizer que os efeitos informatização. em última análise. ou do “futuro da empresa”. em função de um melhor aproveitamento dos entretanto. ou melhor dos envolvidos não possuir meios de determinar e dizendo. que possui especial descontínua e incerta. Este não é. antigas formas de competência. um objetivo da informática sobre seus usuários. como o Brasil (FLEURY. a novos materiais. acabando na maior parte dos importância em países chamados “de casos por tornar-se um imenso “quebra-cabeças industrialização recente”. modernização. projeto do produto difusão descontrolada de informações. adequando-o às novas à adoção de sistemas informatizados. ou mesmo da empresa invés de fruto de um programa estruturado de como um todo. seja esta individual.depto engenharia de produção . todo o processo de modernização. As vantagens trazidas. pior ainda. acarretando altos custos para microinformática pode auxiliar em muito a difusão eventuais “correções de rumo” no futuro. seus efeitos sobre a empresa até suas conseqüências em termos de saúde. se cada um correspondem às necessidades de outro.” (RODRIGUES et al. coloca a capacidade de inovar como fator estratégico para sobrevivência das empresas. VANDRAMETO. As soluções tecnológicas mais adequadas a serem 1994). também alterações pertinentes. BARCELLOS. ao de cada equipe ou setor. A experiência vem demonstrando que. Setores e observadas a partir de modificações implantadas no departamentos inteiros são modificados com vistas próprio processo projetual. entretanto. A estratégia adotada por um número cada mesmo a grandes distâncias. uma efetiva reestruturação no mercado. os equipamentos mais indicados são workstations. entretanto. servindo muitas vezes apenas como uma “fachada” para a manutenção da situação já existente. “O advento de sistemas notadamente aquelas ligadas à comunicação e à de produção mais flexíveis e de integração entre diferentes equipes de projeto. a empresa vez maior de empresas para a manutenção de seus que desenvolve o projeto poderá consultar seus mercados e. tecnológico” (CAULLIRAUX e VALLE. o processo de informatização nas Este cenário traz à tona o problema da empresas normalmente ocorre de forma formação profissional. e intercâmbio de informações em tempo real. Naturalmente Embora muitos sistemas CAD possam ser utilizados em uma reestruturação profunda irá provocar. 1995. Estratégias de Informatização de ingênuo imaginar-se que. somente poderão ser efetivamente recursos da tecnologia da informação. bem como sugerir reestruturação em maior ou menor grau. Neste caso. 1994. embora sejam que possa ser facilmente atingido. conjugados à partir de revisão bibliográfica sobre o assunto. entre diferentes grupos ou pessoas. o que acaba por truncar interesse. para a própria fornecedores a respeito das características sobrevivência tem sido baseada em processos de mecânicas de determinada peça. em PCs. mudanças relevantes nas como a mostrada acima relações de poder. competitividade a longo prazo e deve envolver e compreender os impactos das lucratividade) e para o conjunto de indivíduos que a novas tecnologias em seus diversos níveis. possuem um traço em comum: a ser informatizada. 1994) Estas modificações. qualquer empresa.1. diante das evidentemente diferentes caso a caso e assim necessidades peculiares envolvidas em cada função devam ser tratados. a cada indivíduo influenciado e trazem sempre modificações de impacto sobre a cada setor a ser integrado. 1991). não possuem garantias quanto à sua efetiva contribuição para a solução dos antigos problemas. emprego e rendimentos) deve sobre os usuários diretos (e indiretos) destes novos ser o objetivo de um política consistente de sistemas.. Neste caso. em uma situação de crise Projeto todos se unirão e facilmente abrirão mão de Uma estratégia que atenda às diferentes privilégios pessoais ou formas de poder em função necessidades de forma a trazer uma solução do “bem comum”. aceleração no ritmo de mudanças nos produtos e à internacionalização dos mercados. de © 2006 eduardo romeiro filho 214 ufmg . Este artigo busca entanto obterem resultados expressivos. Aos graves problemas já existentes com adotadas por determinado setor nem sempre relação à educação no país vem unir-se mais um. É extremamente 3. consistente a médio prazo para a empresa (presença Além disso. as melhores soluções isoladas nem sempre localizar as formas de conhecimento de seu são compatíveis entre si. apresentar e discutir algumas destas ferramentas.

setores. 1997) avalia processos de questão de uma forma prática. nem sempre apresentavam resultados satisfatórios.depto engenharia de produção . o destino desenvolvimento de novos e adequados produtos) daqueles por ela influenciados está de certa forma são requisitos básicos ao sucesso de qualquer relacionado aos resultados obtidos por esta Entre as principais aplicações CAD estão aquelas voltadas para a indústria automobilística. ou Projeto Assistido por Computador) em cada dois anos. constituem-se até empresas diferentes (SCHEER. Para isso é fundamental a existência de automobilístico. ao menos até o final dos anos 80. levando-se em consideração situação na qual são realizados vultosos a constante evolução destes sistemas. © 2006 eduardo romeiro filho 215 ufmg . Mesmo em países manutenção dos antigos) mercados estará na desenvolvidos as experiências de implantação de capacidade de cada empresa de descobrir e atender sistemas CAD e em indústrias de ponta na o mais breve possível às necessidades de seus aplicação desta tecnologia. projeto do produto vital importância: como formar pessoas aptas a empreendimento. como as mostradas nesta página. sem que se perca o conhecimento empresas no Brasil (além de diversos outros anterior? descritos pela literatura. como as do ramo clientes. partindo-se investimentos em informática. Pelo contrário. mesmo diante de do fato de que é difícil levar princípios de educação resultados não muito animadores. á direita). Os sistemas CAD podem representar desde peças da carroceria (como ao lado). Neste caso. como formar pessoal implantação de sistemas CAD (Computer Aided capacitado para operar sistemas que são trocados a Design. a partir de uma perspctiva de aplicação de forças easpectos ergonômicos. utilizarem-se de meios informatizados em seus Cabe indagar que razões levaram a uma processos de trabalho. O grande benefício da informatização para demonstrando que na maioria dos casos estes os próximos anos reside em um enorme resultados. equipes. canais rápidos e seguros de comunicação. 1993). imediato atendimento aos clientes) e capacidade de É bastante simples perceber que a partir da comunicação interna à empresa (para o rápido implantação de uma nova tecnologia. Capacidade de comunicar-se com o mercado (para conforme demonstra ROBERTSON (1989). bem como as razões para o relativo crescimento na capacidade de comunicação e na fracasso na utilização do sistema não são objeto de conseqüente facilidade para troca de informações uma discussão séria nas empresas acerca da política entre indivíduos. no país e no exterior). departamentos e de informatização. ou mesmo simular a utilização pelos usuários. até sistemas completos (como os pedais no alto. como acirradores de disputas internas em torno das o diferencial para a conquista de novos (e novas tecnologias e seus rumos. Nosso trabalho básica à grande parte da população? Colocando a (ROMEIRO.

não só por parte de seus usuários ferramentas de apoio direto ao projeto. foi possível perceber que as disputas internas e terão aumentadas suas áreas de soluções apresentadas pelas empresas de influência e círculos de poder. mas principalmente com o crescente expressivas do corpo gerencial. de vendas.. como sistemas de reestruturação da organização visando a adequada apoio ao trabalho em grupo. que levam a perspectiva de planejamento. organizacional) é levado a tornar-se um instrumento de ação política interna à empresa. como nas imagens ao lado. tecnologia. CAPP etc. como diretos. como faz-se necessário um detalhado e criterioso CAE. além de um grande conhecimento um processo integrado de projeto. conforme já colocado. seus A partir do estudo do Estado da Técnica patrocinadores terão certamente vantagens em sobre o assunto. mais do que um simples ocorra igualmente nos diversos níveis envolvidos. No 4. ficam claras as razões pelas quais a teoricamente) de forma bastante extensa às várias implantação de novas tecnologias informatizadas necessidades apresentadas pelas diversas etapas do tende a trazer consigo problemas relacionados a processo projetual. Para que decisão. Em um cenário informática podem atender (ao menos como este. Pode também simular situações de montagem de componentes. desenvolvimento de soluções para auxílio a Para que haja um efetivo sucesso na atividades complementares.depto engenharia de produção . mas também por parcelas muitas vezes sistemas CAD. para transmissão de nos vários níveis da empresa. além dos vários sistemas de apoio estas modificações tragam os resultados esperados. mas também de design. o CAD (ou de forma que se evite a manutenção de antigos qualquer outra forma inovação tecnológica e/ou problemas. Mais do dentro de conceitos CIM. muitas relevantes nos processo envolvidos. projeto do produto Os sitemas CAD mais complexos podem inclusive contribuir para simulação de sistemas de manufatura. faz-se sistemas de gerenciamento de documentos (como necessário que ocorram modificações consistentes os sistemas EDI e EDMS). antes e depois das modificações propostas. ESTADO DA TÉCNICA caso de sucesso do novo sistema. CAM. administração e acerca dos processos e tecnologias envolvidos. geograficamente afastadas. é importante que esta reestruturação © 2006 eduardo romeiro filho 216 ufmg . trazendo alterações dados on-line entre grandes organizações. fabricação através de sistemas informatizados. administração. ou workgroup. Processos estes vezes espalhadas em diversas unidades não somente de produção. etc. processo de modernização tecnológica. que isso. computadorizado às atividades da empresa. Não somente em se tratando de resistências. Desta maneira. software de apoio à de projeto. como no caso abaixo. utilização da tecnologia da informação.

Suas Segundo ZUTSHI (1993). sendo suplantado contrário. Segundo as perspectivas apresentadas. como se capacidade do que aqueles destinados a. Destes. gerenciamento de documentos e 4. em 1991. redirecionar as mensagens no divisão do mercado mundial de sistemas CAD para caso de ausência do destinatário principal aplicação em engenharia mecânica na virada do e/ou devolver respostas padronizadas. por estivessem diante da mesma folha de exemplo. que arquivos. que imagens digitalizadas ou arquivos representam custos menos elevados e maior editáveis no padrão dos aplicativos. Com base nos dados apresentados pelo que quando um pedido de mercadorias seja autor pode-se perceber também que. agregam-se funções como teleconferência. a por exemplo. mecânica.depto engenharia de produção . em um sistema de correio eletrônico. sistemas CAD com aplicação para engenharia Alguns possuem recursos que possibilitam. o software AutoCAD (produzido pela disponível. pela indústria. programação de Sistemas. apesar de feito. à produção. dado o constante lançamento de sistemas de apoio ao trabalho em grupo (também novos software e (principalmente) aplicativos de chamados de workgroup computing. está sofrendo alterações importantes.) estava no início do s anos 90 apenas expedição e para o faturamento. ou programas já existentes. Este quadro. visto que um levantamento o sistema da empresa. projeto do produto Destacando-se entre os citados acima. detalhado deste mercado constitui-se como tarefa © 2006 eduardo romeiro filho 217 ufmg . permite o final do século). desenvolver a aplicação a ele relacionada. A utilização de sistemas de menor busca automaticamente horários livres para porte significa uma cada vez maior popularização reuniões entre um grupo de pessoas. conveniente. Segundo o específica. (registrada também por pesquisa de campo). Esta evolução possui um significado Agenda de grupo: Além de administrar os fundamental para a aplicação de sistemas CAD compromissos pessoais de cada usuário. Vale lembrar que os usuários dialogam através do computador sistemas de apoio ao projeto em engenharia e podem fazer anotações sobre um mecânica normalmente requerem maior potencial e documento exibido na tela. Esta tendência foi papel. este vá direto para o estoque. Computervision. Em caso em quinto lugar em faturamento. três casos.1. É também apresentado um computação colaborativa) apóiam-se. muitas vezes. um aviso é enviado pela IBM (1º lugar). Se a mercadoria estiver vendidas. Uma equipamentos para o encontro. os inviável na prática. em detrimento daqueles baseados em encontros de trabalho. Além de mensagens. Situação do Mercado e Principais de formulários eletrônicos. é possível atualmente aos soluções oferecidas no mercado brasileiro (e funcionários "treinar em casa". século estaria da seguinte forma: Europa (40%). Gerenciador de formulários: Possui ferramentas Região do Pacífico (39%). quase rápido panorama do mercado de sistemas CAD a sempre. desocupando assim internacional). ele. um bilhão relativo a enviar documentos de qualquer tipo. EUA (20%) e resto do gráficas que permitem desenhar e mundo (1%). Por exemplo. O autor observa uma tendência à podendo alimentar o banco de dados modificação do perfil de mercado de sistemas corporativo ou do grupo. a ordem segue para a Autodesk Inc. com o progressivo crescimento da faixa Teleconferência: Permite reduzir a necessidade de ocupada por sistemas baseado em PC e deslocamento das pessoas para reuniões ou workstations. Sobre nível mundial. foram levantadas algumas das principais entrevistado. devido à Banco de dados compartilhado: Pode armazenar observada migração para sistemas de menor porte documentos em um formato próprio. ferramentas facilitam a pesquisa formação de pessoal. entretanto. agenda de grupo. via campeão em número absoluto de unidades correio eletrônico. Hewlett- automaticamente ao vendedor e. que agora podem ser Também pode reservar salas e utilizados inclusive residencialmente. Também permite transferir confirmada por posterior pesquisa de campo. projetos de arquitetura. constatou uma expressiva migração para a Workflow: Ferramenta que permite a execução utilização de sistemas CAD baseados em PCs nas automática de determinados empresas visitadas. CAD. o mercado principais funções podem ser desta forma descritas: mundial de sistemas CAD envolvia. das informações. workflow e compartilhamento de informações. dos programas CAD. algo Correio Eletrônico (Eletronic Mail ou e-mail): É em torno de seis bilhões de dólares em todo o um item básico de qualquer ambiente mundo (com a perspectiva de dobrar este valor até workgroup. Nos facilidade para manutenção e. se Packard e Schlumberger. procedimentos padronizados. empresa pesquisada colocou este como um fator decisivo para a migração de um sistema de médio Acerca dos sistemas CAD de forma porte para um baseado em PCs. Dois ou mais computadores de grande porte.

projeto do produto Não é objetivo deste trabalho tecer pessoal passou por uma brutal evolução tornando- comentários acerca das questões éticas envolvidas se muito mais poderosa. a formação é bastante mainframe-based CAD/CAM facilitada. o solution. © 2006 eduardo romeiro filho 218 ufmg . numerical control and em termos de processamento. em uma forma mais ou menos velada e "New features are extensão da jornada. with CAD. In fact. ela exige que a empresa software low-end (na extremidade baixa . repouso. Haveriam os software “clássicos” produtores de software (ainda segundo GREGO. expostos mais e mais à clip. desenvolvidos ainda Reduced Instruction Set Computer e sistemas na década de 60. usuária a manter-se fiel ao fornecedor. o que pode continuaram por longo tempo restritos aos limitar em muito a aplicação do sistema CAD (além computadores de maior capacidade. the market dynamics. por suas de acordo com o fabricante. em se tratando de aplicações Desta forma. ainda não atingem os as good or better. e produtos mais recentes criados operacionais UNIX. que acabam por estender o muito menor a diferença (sendo esta muitas vezes período de trabalho já realizado na empresa por bastante tênue) entre as duas classes de sistemas algumas horas teoricamente reservadas ao hardware. no entanto. em versões mais ou menos database. Os sistemas mainframe caíram em desuso como A outra alternativa é a convivência. do tipo IBM PC. power/cost relationship of Um outro fator importante. acessíveis somente a database management. numerous functions associated Em seu princípio. mesmo ambiente. not just serving as a complexas. sistemas de pequeno porte. confiável de ótimo formavam o grupo high-end.) está em workstations de tecnologia RISC - dos primeiros sistemas CAD. a de acordo com a plataforma (sistema hardware) plataforma considerada ideal por grande parte dos que utilizassem. capazes de gerar aplicações em repository of geometry and equipamentos de menor porte. como workstations manufacturing data. Além (Computer Aided Engineering." (ZUTSHI. Os sistemas CAE complexidade exagerada para o usuário final. Naquela época. into a grandes empresas.depto engenharia de produção . segundo GREGO (1995). Nos anos setenta surgem sistemas of a complete product definition CAD mais evoluídos. wiped out by simplicidade dos programas utilizados que. Desta forma. apesar packages for the desktop that are da crescente sofisticação. os de média complexidade (como as típicas da software CAD e CAM poderiam ser classificados indústria metal-mecânica. de sistemas de diversas origens (e ao mesmo tempo que as workstations tiveram características). tornou-se em decisões desse tipo. Por outro lado existia o grupo de Por outro lado.do mercado) desenvolvidos para UNIX. CAD de utilização e partilhamento dos recursos packages are assuming the role informatizados. no plataformas para aplicativos de computação gráfica. computadores centrais das empresas.ou possua pessoal técnico capacitado em sistemas "popular" . os sistemas CAD eram. e. o que obriga e empresa maiores necessidades em termos de processamento. There is a níveis dos sistemas de "topo do mercado" ("high. rather than being a que na maior parte das vezes levava a complicações purely technical tool. que em geral apresenta características de computadores pessoais.cit. such as finite element devido a sua inerente complexidade e altos custos analysis. trend toward integrating the end"). mas também pela maior in a few years. que considerada segura. a implantação dos antigos sistemas turn-key). o que dificulta ainda mais a vida do acentuada queda em seus preços e a computação usuário. ou de produtos de desempenho. Auxiliada por Computador). baseados em mainframes e resultados da evolução op. até mesmo 1993) computadores pessoais. The reason is that the atividade junto a terminais informatizados. o UNIX é encontrado em diferentes versões. por exemplo). Vale somente chamar a showing up in mechanical CAD atenção sobre os efeitos danosos desta política software at an ever increasing sobre a saúde dos usuários. de criar uma situação semelhante à observada com Esta divisão atualmente é bem mais sutil. como as da indústria single seamless package. This is automobilística e aeroespacial. os systems are increasingly sistemas (em sua grande maioria constituídos de providing more of a technical sistemas turnkey) eram basicamente ligados a information management mainframes. está na maior facilidade para que sejam encontrados Workstations and PCs are the usuários de sistemas CAD. a partir do início dos anos oitenta. usuárias destes one reason why CAD/CAM sistemas por excelência. Com a utilização de platforms of choice. que formam uma combinação para as workstations (estações de trabalho). não somente pela popularização dos systems are expected to disappear equipamentos. topo de mercado. Atualmente. segundo o desktop computers has changed gerente de projetos de outra empresa pesquisada. ou Engenharia disso. da equipe de suporte e da própria empresa.

O primeiro. projeto do produto Além disso. como ferramentaria. o que acaba por ou CAM. o CATIA/CADAM Solutions V4. enquanto o Micro para utilização em mainframes. soluções definitivas e também módulos bastante específicos para adequadas a amplos grupos de empresas. inviabilizar na prática o trabalho conjunto. o Cadam pode ser considerado recursos nativos de visualização tridimensional. O CadKey. Sistemas Low-End. além da maior parte dos investimentos em CAD. CAPP etc. para os investimentos necessários à utilização O segundo grupo. Muitas vezes aparecerá automaticamente nos desenhos estes software são versões desenvolvidas a partir bidimensionais. em alguns casos. CONSIDERAÇÕES tendo ambos uma presença expressiva na indústria A partir da avaliação dos dispositivos automobilística. IBM Micro Cadam e o necessidades (e capacidade de investimento) da Unicad (software destinada à indústria metal. irmão mais novo. AutoCAD que podem ser agregados a partir das diferentes (Autodesk). metal-mecânica com maior grau de com ele e mais extensa bibliografia a seu respeito. engenharia © 2006 eduardo romeiro filho 219 ufmg . o que consideradas clássicas: indústrias automobilísticas. 1997) com possuem normalmente recursos menos sofisticados aproximadamente uma centena de módulos e apresentam um custo mais baixo. o se às aplicações CAD que poderiam ser mais difundido software CAD do mercado.). e. CAM fases do projeto através de sistemas informatizados. prototipagem rápida. e arquitetura. como o "modelo" para todos os sistemas muito úteis na visualização de produtos mais CAE/CAD/CAM atuais. planejamento para implantação e utilização dos estes sistemas são. empresa cliente. são específicos para aplicações ligadas adequada. aquelas de pequeno e médio portes. Embora vendidos em menor número de constante necessidade de extenso e delicado cópias e a um número bastante restrito de clientes. responsáveis pela sistemas informatizados disponíveis. O AutoCAD é. a grosso modo. desta forma. Possuem Entretanto. como mecânica. de integração dos outros.). entre gerenciamento de documentos. O Unicad possui como principal dos programas mais antigos. restringir suas aplicações a grandes empresas de tecnologia de ponta e disponibilidade financeira 4. Cada um dos software CAD para PC existentes no mercado possui características 4. denominado low-end (produtos na faixa mais baixa Um dos software mais sofisticados do do mercado) é formado por programas criados mercado. Os altos custos e a funções etc. por originalmente para o ambiente IBM PC. o Catia. entre outros. tem como pontos Criado pela fábrica de aviões Lockheed fortes uma boa integração com bancos de dados e nos anos sessenta. acaba por especial nos países mais desenvolvidos. CadKey. esse produto e seu complexos. o Cadam. cada aplicação específica. ainda não são cálculo de resistência de materiais. mecânica que talvez seja o único sistema CAD sistemas de modelamento geométrico. "lido" por outro. que o tornam mais ou menos atraente para O mercado de software CAD divide-se. conta (segundo FREITAS. Micro Cadam e Unicad. o Cimatron. como os (número este que cresce a medida de 20 por ano) software Microstation (da Bentley). por grandes Cadam é uma evolução de um sistema de grande empresas. Todos são sistemas CAD desenvolvidos em determinado sistema não seja capazes de operar em micro-computadores tipo PC. seguramente. simulação de disponíveis no mercado. sofisticação etc. em dois grupos básicos. 5. o indiretas (sistemas de trabalho em grupo. seja através Euclid. líder na área de CIM. de Intergraph EMS e o Parametric Pro/Engineer. que exemplo. pode-se Estes software possuem normalmente dizer que. O CadKey. O AutoCAD e o parametrização.3. que muitas vezes não possuem interface técnica ao contrário. ou que a conversão de dados seja e podem fornecer informações para sistemas CAE feita de foram "truncada". Sistemas CAD High-End. desenvolvido no Brasil). CAM. sistemas técnicos da organização etc. esta situação acaba por trazer Microstation são software genéricos. eletrônica de integração entre as várias versões de sistemas. e que incluem. que concentra os programas mais sofisticados. são desenvolvidos pela Dassault francesa e comercializados pela IBM. Também neste grupo estão o Matra técnicos de apoio à atividade projetual.2. como aplicações em indústrias de injeção de plástico. o Delcam Duct. Hoje. próprias. significa que há mais profissionais familiarizados aeroespacial. que poderia ser destes sistemas. por exemplo. entretanto. porte. de origem israelense. criados originalmente vantagem a parametrização.depto engenharia de produção . possui grandes recursos de tridimensionalidade. por sua vez. Neste grupo estão aqueles que prestam. também CAE. ou Uma modificação realizada no modelo 3D high-end ("de topo") do mercado. o que faz com que projetos à área de mecânica. como CAE. O MicroStation. em necessidade de aplicativos específicos. utilizados em problemas adicionais e bastante sérios aos objetivos diversas especialidades. adotado pela fábrica de automóveis francesa da contribuição direta (sistemas CAD e tecnologias Renault. é tecnologicamente pacotes com dezenas de módulos que atendem a possível a realização da integração nas diversas funções mais ou menos específicas de CAD.

.fpabramo. In: automobilísticas. 1975. e seus altos custos podem explicar CADware Technology Ano 2.T. P. onde a IBM (fornecedora do X5 Ltda CATIA/CADAM) possui o primeiro lugar.A. São atender às necessidades da empresa. CIM: Evoluindo para a Fábrica do Futuro. Comando Numérico.627.. e VASCONCELOS. J. 1993. Rio de Janeiro: LCNPA . M. 1983.60. Maurício.org. MIT. David. S. 1997 CAD na Indústria: Industrial. 1989 CAD Systems in the Design Engineering Process. BACK. p. recursos humanos para automação Programa de Engenharia de Produção industrial". Rio de Janeiro. considerado como obsoleto. "Formação de Produção Automatizada. in: SBRAGIA. in Informática Exame.L. ROBERTSON. não foram considerados aqui investimentos em formação de MUNARI. Brasileiro de Automação Industrial. A. “high-end” é característico de empresas CATIA/CADAM Solutions V4. 1991. São Paulo: Editora Atlas S. "What's hot and what's not". R. 3ª edição.Lab. RODRIGUES. In: Machine Design v 65 n 10 (May. Cambridge: 1. pode ser LEITE José Corrêa. CAULLIRAUX. Anais do XVIII Simpósio de Gestão da capacitação de recursos humanos para a Inovação Tecnológica. Ano 10. (CD ROM) São Paulo: SOBRACON . (CD ROM) São Paulo: Implantação e Gerenciamento. 616 . Aroop. SCHEER. e FLEURY. e VALLE. 361 p. 1995. Congresso Brasileiro de Automação ROMEIRO Filho. H. Nelson. 54 . p 76-77 © 2006 eduardo romeiro filho 220 ufmg .Sociedade Brasileira de Janeiro: Editora da UFRJ. 1994. quatro setores industriais)”. e GARCIA. nº 108 (Mar). Metodologia de Projeto de OLIVEIRA. proposta educacional básica para a efetiva E. Rio de Janeiro: Editora “Condições para Inovação Uum estudo em Guanabara Dois S. 1993. Produtos Industriais. Paulo: Editora Abril.A. 1994. Coréia e Brasil. Automação Industrial e Computação Gráfica. "Novas Armas Para a do número evidente baixo de empresas usuárias do Engenharia". permanece a questão dos Pp. projeto do produto “reversa” e ferramentas workgroup. Brasileira de Comando Numérico. Aprendizagem e Inovação Organizacional: Automação Industrial e Computação Gráfica. São Paulo: automação flexível" In: Anais do Segundo USP/NPGCT/FIA/PACTo. não por deixar de In: Revista Teoria & Debate.P. nº 40..br/td/td40/td40. 4 a situação de faturamento dos fornecedores de (mar/mai). o equipamento em si.F. "Uma R. Além disso.P. mas por estar Paulo: fev/mar/abr 1999 definitivamente suplantado pela novas tecnologias http://www. Estratégias Qualitymark Editora. 1995.A. Desta forma. MARCOVITCH. didáctica. B. August-Wilhelm.depto engenharia de produção . “Milton Santos.. Incrementais de Automação. 1997.htm surgida no mercado. Rio de SOBRACON . apesar GREGO. n. CAMARGOS. Controle Numérico e VANDRAMETO. 28) 1993. In: Anais do Segundo Congresso (xerox). As Experiências de Japão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IMVP International Policy Forum. Entrevista”. São sistema.C. Paulo César de Araújo. 7pp. 1994. COPPE/UFRJ . I.. após dois ou três anos de uso. Diseño e Cominicación Visual: Contribución a una metodología usuários e reestruturação do processo projetual visando melhor aproveitamento desta tecnologia. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli que podem significar valores ainda maiores do que S. I.F. Este software FREITAS. Rubens Eduardo Braga. Oduvaldo. ZUTSHI.M. São Paulo: Comercial e Editora sistemas CAD. altos custos referentes a aquisição de um sistema que.Sociedade FLEURY. E. BARCELLOS.

projeto do produto Aplicação de Tecnologias CAD/ CAE/ CAM em Desenvolvimento de Produtos . © 2006 eduardo romeiro filho 221 ufmg . as empresas buscam cada vez mais garantir diferenciais competitivos em todas as etapas do ciclo de vida de seus produtos. This work discusses the utilization of the CAD/CAE/CAM tools as facilitators of the process of simultaneous engineering. nitsche@dep.ufmg. Departamento de Engenharia de Produção – DEP. também denominada Concorrente ou Paralela. 6627 – Pampulha – B. uma posição sustentável no mercado. CAD/CAE/CAM. Antônio Carlos. product development. de forma duradoura. 6627 – Pampulha – B. mostly in the small size companies. Av. Mestrando Departamento de Engenharia de Produção – DEP.com. Hte – Minas Gerais. 36 Alexander Thorsten Nitsche. maiores as chances de se alcançarem os diferenciais competitivos esperados. This communication has its efficiency maximized when they use CAE/CAD/CAM tools that allow several computational analyses besides the creation of three-dimensional visualizations that facilitates the communication between the professionals of different areas. 1995) como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais. by the result of a research. 1.br Abstract More and more the competitiveness has turned the products development administration a constant preoccupation for companies of all kinds. mesmo nestes 36 Artigo originalmente apresentado no XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. It can be observed. Uma apropriada gestão do desenvolvimento do produto torna-se assim indispensável para aquelas empresas que querem manter sua posição ou conquistar novos nichos no mercado. 31 3499 4892 – romeiro@dep. Introdução. Key words: Concurrent engineering. however. uma vez que quanto mais planejado e metódico for este desenvolvimento. nitsche@ig. developed in an auto parts vendor company . Dentro do atual contexto de globalização e aumento da concorrência. que lhe permitam ampliar ou conservar. Dr. Seu uso é hoje amplamente difundido a partir de experiências em grandes empresas do setor automobilístico e aeronáutico. Tel.br Eduardo Romeiro Filho.depto engenharia de produção . Curitiba. A competitividade pode ser definida (FERRAZ et al.br. Av. quando a demanda encontra-se em processo de saturação em grande parte dos mercados. porém os métodos de sua aplicação ainda necessitam de maturação. that this administration process still needs ripeness. Hte – Minas Gerais. Prof. Assim o desenvolvimento de produtos toma papel de destaque neste processo. In the products development administration one of the main philosophies is the concurrent engineering. which try to guarantee the competitive differentials of their products in all stages of life cycle. Uma das filosofias mais difundidas para que este objetivo seja alcançado é a Engenharia Simultânea. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. which has as main focus the efficient communication between different departments and even between several companies. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.: ABEPRO outubro de 2002.ufmg. Antônio Carlos.

que se utilize uma padronização no projeto possibilitando assim uma comunicação mais eficiente entre as diversas áreas. Evolução do processo de design de 1970 a 1990. No caso específico deste © 2006 eduardo romeiro filho 222 ufmg . CAE e CAM respectivamente). Esta troca eficiente de informações é ainda mais exigida onde há a participação sistemática dos fornecedores no processo de desenvolvimento de produto. 2000). ergonômico. Engenharia e Manufatura Auxiliados por Computador (CAD.depto engenharia de produção . O método proposto para este trabalho. e mesmo entre empresas diferentes. no uso e no descarte). 2000). Sua aplicação. O adequado gerenciamento deste fluxo de informações torna-se crucial para a ES (ROMEIRO. foi adaptado de Romeiro (1997) e consiste na investigação dos efeitos da utilização de novas tecnologias em ambientes de projeto. entre outras. Sua utilização é importante também. etc). a equipe de projeto. assim como a utilização de ferramentas como o Design for “X”. Nos últimos anos a crescente concorrência. aliada à crescente preocupação das autoridades e dos consumidores com questões de caráter ambiental. o que faz com que se tenha um aumento significativo no tempo da análise do produto pelos projetistas de diversas áreas. projeto do produto setores. a relação entre as diversas equipes envolvidas e entre o setor de projetos e demais setores da empresa. sua melhor definição e redução no “lead time” de fabricação (GAO et al. detalhado na Tabela 2.1. Para que o processo de ES seja mais eficiente. Figura 1. A mudança no paradigma no processo de projeto é demonstrada na Figura 1. 1999). apesar de sua implantação levar a um aumento no tempo destinado às etapas iniciais deste processo. em especial naquelas relacionadas à elaboração do conceito do produto. Desta forma é necessário que se utilizem Sistemas de Projeto. devido a recursos como a possibilidade de visualização em escala e simulação tridimensional que oferecem. estético-formal. mas especialmente nas pequenas e médias empresas. Metodologia. 2. reutilização. interação com o usuário e facilidade de uso (questões ergonômicas). meio ambiente (poluição na fabricação. prática que tem se disseminado por diversas indústrias nesta década (Amaral et al. QFD. Em função disto ampliou em muito o número de ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de produtos. O uso da ES implica em se fazer uma combinação de métodos e ferramentas que promovam todos os tipos necessários de fluxos de informações ao longo do ciclo de vida do produto (Schneider et al. porém as empresas ainda não as dominam ou mesmo desconhecem algumas delas. Fonte: Bossak. dos principais aspectos relacionados à sua implantação e utilização nos níveis macro. ou mesmo exigem. 2000). Estes garantem. principalmente.1. redução do número de falhas do produto. resulta no aumento nos níveis de qualidade do produto obtidos. entre outras levou à necessidade da incorporação de novas características ao produto. diversas técnicas são necessárias para alcançar uma condição de “best-practice” na Engenharia Simultânea – ES. meso e micro e das formas de integração propiciadas pela adoção de sistemas CAD. Serão objetos de análise deste estudo as conseqüências destes sistemas sobre o usuário (indivíduo). Engenharia do Valor etc. Conforme observado por Maffin et al (2001). no lugar certo. FMEA. A ES permite agilizar e “enxugar” o desenvolvimento do produto. DFMA. 1998. O produto adequado às demandas atuais deve incorporar características que observam pontos relevantes com relação à facilidade de montagem. O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos em tempo hábil e. reciclagem (descarte. além de reduzir o tempo total de desenvolvimento.1.

1 .Sistemas de comunicação. . como forma de modernização da empresa como um todo a partir do desenvolvimento integrado de novos produtos e novos meios de produção. Micro . Os principais tópicos abordados: . Trabalho . Deve ser levantado o papel do sistema em um proposto plano estratégico de informatização da empresa em longo prazo.Interface entre Software.Aspectos Levantados pela Pesquisa. .Redes locais.Integração entre empresas (vistas como . . etc. as investigações estarão concentradas nas formas de integração intra empresa. . . Níveis de Visão Predominantemente Técnica Visão Centrada no Usuário Abordagem Macro . . Setores de . Tabela 2.Manutenção do sistema etc. . mobiliário.Relações de poder. .O papel do sistema como fator de integração para a empresa.Visão estratégica da empresa com relação à integração entre projeto e produção através de aplicações CAE. Empresa . através de entrevistas pessoais.Ansiedade. São também avaliados os efeitos das condições sócio- econômicas do país sobre a empresa e as influências geradas por programas de reestruturação organizacional nas empresas. . . Os dados nesta fase são coletados a partir de acesso a documentos não sigilosos relacionados aos sistemas nas empresas pesquisadas. 2.Competências. . Segundo Diferentes Níveis de Abordagem.Compatibilidade. tensão emocional. CAD. Indivíduo . .Formas de comunicação entre usuários e/ou equipes. . através da intensiva e adequada utilização de recursos informatizados. .Hard/software locais.Condições de trabalho.Integração entre empresas.Downsizing.Cultura técnica da organização. e Mercado . CAM. etc. grupos humanos). sendo avaliados primordialmente os aspectos “meso” desta integração. projeto do produto artigo. O levantamento dos aspectos macro ligados ao sistema tem por objetivo a elaboração e compreensão do pano de fundo onde ocorrerão as principais modificações nas formas e nas relações de trabalho a partir da utilização de diferentes sistemas informatizados.depto engenharia de produção .Funcionamento técnico. 2.Software.Políticas estratégicas em informática. . .Otimização do empreendimento. Meso .Aspectos ergonômicos clássicos.Interface entre sistemas.Novos paradigmas gerenciais. . . Podem ser entrevistados diferentes atores envolvidos neste fluxo.Telecomunicações. -Aspectos culturais dos grupos envolvidos etc.Integração entre equipes. bem como as relações previstas entre os diversos sistemas informatizados na empresa. etc. a pesquisa se concentrada em aspectos predominantemente organizacionais da implementação de sistemas informatizados e de seu gerenciamento. . bem como do ponto de vista da administração a respeito dos conceitos ligados às tecnologias CIM (Computer Integrated Manufacturing). . bem como levantados os procedimentos utilizados para comunicação. bem como da gestão de projetos a partir de sua utilização.Reestruturação do processo produtivo.Integração individual etc. . dentro de uma visão estratégica de informatização de todo o processo produtivo.Viabilização de aplicativos.Planejamento estratégico da empresa.Efeitos sociais da informatização . .2 Aspectos Meso: Equipes de Trabalho. para avaliação dos níveis de eficiência no intercâmbio e fluxo de informações através da empresa.1 Aspectos Macro e Macro Ampliado: Empresa e Mercado. como processos de reestruturação empresarial.Segurança de sistemas. bem como a importância atribuída a cada um nesta estratégia.Melhoria da qualidade do produto. Equipes e . © 2006 eduardo romeiro filho 223 ufmg . entrevistas abertas semi- estruturadas junto a elementos do corpo gerencial. Neste nível. Serão apreciados desta forma os efeitos dos sistemas informatizados nos processos de comunicação intra e entre equipes de projeto. . .Compatibilidade.Postura.Novos atores dos processos.Organização do trabalho. Nesta fase serão analisados: .

bem como na interação entre os diversos atores envolvidos. 3. abordando os seguintes tópicos: . bem como para avaliação das deficiências desta interface. O processo de design de novos produtos. 2. através da observação das interfaces dos diferentes programas em uso nas empresas pesquisadas. além de gerenciar o ciclo de vida do produto (Schutzer et al. . 4. com especial atenção para aspectos antropométricos do mobiliário. É avaliada a relação entre as formas de comunicação prescritas e a comunicação real. Unigraphics. suspensão. A área de back-up destinada a projetos finalizados. O processo de co-design. Pro-engineer e Patram. onde cada uma é responsável por uma área de projeto específica: tanque. uma vez que estes são em sua maioria terceirizados. calibrar. Na geração do plano de métodos que tem por objetivo definir as operações necessárias para se chegar ao produto final. Ex. Neste nível a análise da tarefa e dos processos de trabalho em sistemas informatizados em seus aspectos micro. formar. . conjunto estampado e acessórios e uma plataforma suporte que é responsável pela manutenção tanto de hardware e software. A de trabalho. evitando assim problemas de conversão. dentro da linha de produtos da empresa estão itens como: portas.3 Aspectos Micro: Indivíduo e Estação de Trabalho. foi feita em uma empresa fornecedora de componentes para a indústria automobilística. realizada em duas etapas. carroceria. E na segunda foram realizadas entrevistas com um Analista de Suporte Pleno (Plataforma de PDM).Interface usuário x sistema. © 2006 eduardo romeiro filho 224 ufmg . Autoform. um Gestor de Desenvolvimento de Produto (Plataforma tanque) e um Projetista (Pré-CAM) O departamento de projetos possui atualmente 30 estações gráficas rodando os seguintes softwares de CAD/CAE. conjuntos montado. Os sistemas de PDM são ferramentas responsáveis pelo gerenciamento de toda a informação relacionada com produtos da empresa. . Também é discutido o nível de adequação da estrutura existente à nova realidade trazida pelas aplicações informatizadas. A Pesquisa: A pesquisa piloto. Esta análise é realizada a fim de levantar de que forma pode ser agilizado o processo de trabalho.Efeitos dos Sistemas Informatizados sobre o ciclo de vida do produto. que consiste no recebimento de um projeto direto da montadora e a partir daí a empresa sugere e implementa modificações em função da sua experiência. como pelo gerenciamento dos dados do setor. onde as estações realizam os projetos remotamente. e de que formas a organização do trabalho interfere nos processos de comunicação. Na verificação dos projetos de ferramentais que a empresa recebe. onde foram apresentados os departamentos de projeto e o de construção de ferramentas. 2. como iluminação e temperatura. será avaliada a influência dos sistemas sobre os procedimentos de desenvolvimento de produto e produção. em especial do trabalho em equipe e dos procedimentos adotados para inserção do sistema no grupo de desenvolvimento de projetos. para compreensão e visualização dos efeitos dos sistemas sobre a empresa de uma forma bastante ampla. etc. Este departamento é divido em plataformas de trabalho. A de transferência onde os arquivos são disponibilizados para compartilhamento. 3. . Através de entrevistas e análise de documentação das empresas. são avaliados os recursos de comunicação entre usuários diretos de sistemas e entre estes e demais usuários (indiretos). CADDS 5. Praticamente todos os programas utilizados em montadoras de automóveis.Organização do trabalho. Áreas estas intimamente ligadas através do uso de ferramentas de CAE/CAD.Formas de comunicação. como elemento de ligação entre equipes e integração das diversas etapas do ciclo de produção. O trabalho realizado pelas plataformas de projeto consiste basicamente em quatro etapas: 1. arquivos digitais.“Usabilidade” do software. cortar blank. bem como na metodologia de desenvolvimento projetual e processos de fabricação. 2. entre outros. A plataforma de gerenciamento de dados realiza o controle dos dados trabalhados através do servidor que é dividido em três áreas: 1. 3. Catia V4. estarão desta forma centrados na estação de trabalho.depto engenharia de produção . registros de banco de dados. bem como para fatores ambientais que interferem na execução da tarefa. E a segunda através de entrevistas realizadas “in loco” na empresa.Organização e fluxograma de trabalho. Neste caso (nível micro). furar. PDM – product data management. dentro dos conceitos adotados pela ergonomia. .Avaliação do posto de trabalho. 1999). capô. Catia V5. Levantamento dos procedimentos adotados para comunicação intra e entre equipes de projetos. notadamente em casos onde coexistam sistemas distintos. projeto do produto . bem como entre o setor de projeto e demais setores da empresa. e dos programas de formação adotados para os diversos usuários de sistemas informatizados. Em alguns casos o projeto e detalhamento das ferramentas são realizados por este setor. Na primeira etapa foi realizada uma visita técnica às instalações da empresa. repuxar. I-deas. teto.

Este programa apresenta o número de cada operação (OF’s) que direciona e prioriza a manufatura. sendo oito de CAD e quatro de CAM. renderizar e verificar o modelo. O total de estações de trabalho de ambos é de doze. FORD – I- deas. com exceção da área de fabricação dos ferramentais onde estes são mais utilizados. essa nova configuração. Para evitar a necessidade de conversão. um dos problemas mais comumente encontrados no relacionamento cliente-fornecedor. carregar o modelo tridimensional recebido do Pré-CAM. A peça é então balanceada na ferramenta. a descentralização trouxe uma maior autonomia aos projetistas que podem gerenciar seu próprio trabalho em sua plataforma. GM – Unigraphics. Pode-se perceber num primeiro momento que o processo de desenvolvimento de produtos na empresa encontra-se muito bem estruturado. Primeiramente a peça é enviada pela montadora em um desenho tridimensional na posição do veículo. fazer a programação do processo de trabalho e a simulação da mesma para evitar possíveis falhas. O departamento de CAM é dividido em dois outros departamentos. É interessante observar que praticamente não são utilizados desenhos em duas dimensões. 4.1. através de acesso restrito. entre outras. Através deste são realizadas as seguintes tarefas. tolerâncias. o andamento do processo sem o risco de alterações inadequadas. etc. O sistema descrito esta representado na Figura 3. Como desvantagem. Diferente do sistema antigo onde um único setor de CAD concentrava o design e a manutenção. recebe um cronograma onde consta a documentação gerada com as descrições gerais do processo. Onde o servidor é dividido em três áreas para facilitar o processo de transferência de arquivos e possibilitar. Através da utilização de ferramentas de CAD/CAE/CAM todo o processo de fabricação é integrado. enviar o programa gerado via rede para as máquinas que vão realizar o serviço e preparar a documentação necessária para o processo de usinagem. Através do desenho recebido tem-se toda a informação a cerca do produto. como normas técnicas. É feita então a análise do plano de métodos e gerado o perfil da ferramenta. é gerenciado pela plataforma de PDM. Discussões e conclusão. desde a geração do produto até a fabricação do ferramental. O departamento de CAM utiliza o software CAMPEADOR. Este sistema. o eixo de referência XYZ na posição do carro é rotacionado para o eixo XYZ na posição da ferramenta. Estas são independentes entre si devido ao maior rendimento apresentado nesta configuração. o operador do equipamento. o de Pré-CAM e o de CAM. gerando conflitos devido à ordem de desenvolvimento e priorização. Todas estas etapas têm seu desenvolvimento em rede. ex. FIAT – CATIA. enquanto os arquivos na área de transferência podem ser acessados por todos. Figura 3.depto engenharia de produção . não tem como realizar projetos de © 2006 eduardo romeiro filho 225 ufmg . porém não são passíveis de alteração e a área de back-up cujos dados só são acessados pela equipe da plataforma de PDM. a empresa optou por usar todos os softwares que as montadoras usam como padrão. A função do departamento de Pré-CAM consiste na análise da peça e da inserção desta na ferramenta. O back-up nestes departamentos é interno a cada um deles e são disponibilizados na rede através de acesso restrito para edição. projeto do produto Os arquivos na área de trabalho estão disponíveis somente para a plataforma especifica daquele projeto. no departamento de projeto. ou seja. O sistema dividido por plataformas utilizado pelo setor de desenvolvimento de produtos foi implementado a cerca de dois anos por exigência da diretoria.1 Esquema do gerenciamento de dados pela plataforma de PDM. Junto com o programa recebido em rede.

SOUZA N. chegando a receber em um mesmo dia até três modificações no projeto do produto. D. F. In: Primeiro Congresso de Gestão de Desenvolvimento de Produto. Em um caso citado um veículo que foi reestilizado a cerca de dois anos estará novamente passando por este processo em um período de tempo considerado curto para o desenvolvimento de um produto complexo como um automóvel. A Integração da Empresa Através da Utilização de Sistemas Informatizados de Apoio ao Projeto. BOSSAK.C. Simulation Based Design. G. A filosofia da ES está presente em todas as etapas do desenvolvimento do produto.. 76. Vol.. 107. 1998. 201-208. KYRATSIS. TOLEDO. permite que produtos anteriormente desenvolvidos de 5 a 8 anos em média. uma vez que as plataformas não usam todos os softwares disponíveis. p... Anais 1998. BRAIDEN. tenham o seu ciclo de desenvolvimento reduzido a cerca de 2 anos. associado ao uso de ferramentas de CAD/CAE/CAM torna possível o desenvolvimento de produtos simultaneamente entre clientes e fornecedores de uma maneira muito eficiente. Engenharia de Produção. A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea. Agosto de 1999. 5. 6. A filosofia da engenharia simultânea. Possibilitando a integração de todo os sistemas produtivos das empresas. MANSON.. 205-213. projeto do produto todas as montadoras. Implementation of Concurrent Engineering in the suppliers to the automotive industry. AMARAL. Minas Gerais.C. Um Modelo para o Avaliação do Métodos e Ferramentas da Engenharia Simultânea. FERRAZ.depto engenharia de produção . Tese de Doutorado. em um exemplo citado.M. K. F. onde é possível visualizar de forma rápida a modificação proposta.. Journal of Materials Processing Technology. 18. HAGUENAUER. Journal of Materials Processing Technology. Vol. SCHUTZER. H. Vol..A. I Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. Agradecimentos. São Carlos – SP. Agosto de 1999. J.X. J. Esta dificuldade causa o cruzamento de serviços entre as plataformas durante o desenvolvimento dos projetos.. E. P. M. A. J. só pôde ser realizada devido à utilização de ferramentas de CAD/CAE.. International Journal of Production Economics. Niterói – RJ. L. B. L. Belo Horizonte. 2000 MAFFIN. GAO. Campus. Pode-se observar que esta simultaneidade... Belo Horizonte – MG. 302pp. Manufacturing and Supplier Roles in Product Development. Rio de Janeiro. E. Agosto de 2000. P. a empresa desenvolveu a ferramenta simultaneamente ao desenvolvimento do produto pela montadora. D.. 1997 ROMEIRO. In: ENEGEP 98 – Encontro Nacional de Engenharia de Produção.. © 2006 eduardo romeiro filho 226 ufmg . KUPFER. 2001 ROMEIRO. Em função disto o ciclo de vida dos produtos se torna muito mais ágil do que os observados nas décadas de 80 e até mesmo na de 90. testar esta modificação e se for necessário propor uma nova. 8-11. 69. Na fabricação do ferramental. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. Desde o processo de design e de co-design até o projeto dos ferramentais. Bibliografia. Colaboração Cliente-Fornecedor e Qualidade no Processo de Desenvolvimento de Produto. p. Made in Brazil: desafios competitivos para o Brasil. SCHNEIDER. A empresa Aethra Componentes Automotivos pela colaboração e apoio a pesquisa e pelo envolvimento de seus profissionais na realização deste artigo.. In: Segundo Congresso Brasileiro de Gestão do Desenvolvimento de Produto. PLONSKI. M. Implantação do “Digital Mock-up” na indústria automobilística: conquistando vantagens competitivas. D. C. p. 1995 (Capítulo 1).

realizado em Belo Horizonte. 37 Abstract: The Concurrent Engineering is a new model of management for projects. segundo COSTA (1994). This paper want to demonstrate the CAD (Computer Aided Design) systems can be employed for the Concurrent Engineering implementation. “Engenharia concorrente é um método sistematizado para o projeto concorrente e integrado de produtos com seus processos. Esta abordagem procura considerar. outubro de 1999. projeto do produto Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para I mplantação da Engenharia Simultânea . Este artigo tem por objetivo demonstrar como as diversas ferramentas CAD (Computer Aided Design) podem ser utilizadas na implantação deste processo. em princípio. usando um time de projeto multidisciplinar e dinâmico e ferramentas automatizadas para a realização dos processos componentes. 1. independentemente da estrutura organizacional da empresa. when the information diffusion between the design's teams and a major enveloping by the designers and engineers are crucial for the project success. © 2006 eduardo romeiro filho 227 ufmg . Introdução.depto engenharia de produção . Resumo: A Engenharia Simultânea consiste em um modelo de gerenciamento de projetos que ao mesmo tempo que permite maior difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das equipes envolvidas. exige maior rigor projetual. todos os 37 Artigo originalmente apresentado 1º Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto." Por "time de projeto multidisciplinar e dinâmico" deve-se entender: um determinado conjunto de pessoas com conhecimentos em várias áreas concernentes ao projeto em desenvolvimento. que é alocado para vários projetos ao mesmo tempo. incluindo produção e suporte. como: "Uma metodologia para desenvolvimento de projetos que propõe a realização de muitos processos pertencentes ao ciclo de vida do produto de forma simultânea (paralela). A Engenharia Simultânea (também denominada concorrente ou paralela) pode ser considerada.

1992) A Engenharia Simultânea consiste basicamente de um modelo de gerenciamento de projetos. projeto do produto elementos do ciclo de vida de um produto. é. © 2006 eduardo romeiro filho 228 ufmg . expressão da língua inglesa que pode ser traduzida como "Projeto Assistido por Computador". As equipes devem ter acesso privilegiado a informações pertinentes ao desenvolvimento de suas tarefas específicas. no entanto. Computer Aided Design (CAD). Assim como na implantação de sistemas CAD. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. possibilidades de reciclagem. cada vez mais. uma tecnologia multidisciplinar. da concepção até a distribuição38” (REIMANN e HUQ. ligado à atividade de projeto como um todo. porém. exija um rigor mais apurado e um maior controle em seu desenvolvimento.depto engenharia de produção . a utilização de uma base da dados comum permite que sejam acessadas informações de projeto que antes só estariam disponíveis após a finalização do trabalho por determinada equipe. também CAD. muito mais do que um conjunto de inovações tecnológicas. 38 Uma pequena discordância em relação ao ponto de vista do autor: o ciclo de vida do produto não pode ser considerado como limitado à sua distribuição. desuso e. sob pena de que surjam conflitos de competências e obrigação entre os diversos atores. mas levar em consideração aspectos ligados às formas de uso. não deve ser entendida como uma difusão de informação realizada de maneira indiscriminada. Neste Trabalho. 39 Há autores que consideram os sistemas CAD como uma forma de auxílio às etapas do projeto ligadas à aspectos gráficos. é utilizado um conceito mais amplo de CAD. Esta disponibilidade. se considerado de forma bastante ampla. Este caso requer uma forma de organização que ao mesmo tempo que permita a liberdade para a difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das várias equipes envolvidas no projeto. denominados Computer Automatic Drafting ("Desenho Automático por Computador"). bem como ao controle e gestão deste processo39. inclusive com diferenciação de níveis de acesso e permissão para realização de alterações. Este conceito parece mais apropriado aos tipos de sistemas de auxílio ao desenho.

alterações pertinentes ao projeto. projeto do produto Desta forma. problemas ligados a questões de segredo industrial e segurança são críticas41. por exemplo. isto é. Além disso. potencialmente maior o tempo demandado para que seja encontrada a informação desejada. não se trata de tornar mais rápido o processo existente (como na automação industrial rígida). Com todas as alterações propostas pela Engenharia Simultânea. tornando a empresa capaz de responder mais rapidamente às necessidades colocadas por seus clientes. a ausência de dados relevantes levará à perda de tempo em sua busca e.depto engenharia de produção . a melhoria na interface entre os diferentes atores envolvidos no processo projetual trará benefícios importantes como a redução dos custos de projeto. principalmente. 41 Um dos entrevistados relatou o caso de uma empresa alemã (na qual trabalhou no início dos anos 90) que concentrava suas atividades de projeto em equipes de prancheta. A atividade projetual caracteriza-se pela necessidade de rápidos e eficientes processos de geração e difusão de conhecimento. Ao mesmo tempo que a difusão da informação é fundamental. Não basta disponibilizar a informação. que o intercâmbio entre as diferentes equipes envolvidas ocorra de forma eficiente. É fundamental. O adequado gerenciamento deste fluxo de informação torna-se crucial para o sucesso da Engenharia Simultânea. 40 "Real Time". ou o processamento imediato dos dados inseridos. Na verdade. mas possibilitar sua flexibilização e agilização para uma atividade de projetação mais rápida e eficiente. Nestes casos. A informatização da atividade projetual é muito mais do que a automação de procedimentos. devido à menor necessidade de repetição de tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda de informações durante o ciclo de vida do produto. somente utilizando-se de sistemas CAD após a © 2006 eduardo romeiro filho 229 ufmg . bem como devem ser definidas estratégias para que todos sejam informados de quaisquer alterações de projeto que lhes possam ser pertinentes. quanto maior a complexidade de cada projeto. A informatização nestes casos deve ter por objetivo principal o suporte à criatividade e ao intercâmbio de informações entre diferentes projetistas envolvido no projeto. o que acarretará maiores dificuldades para seleção das informações pertinentes recebidas por qualquer dos envolvidos. 2. apresenta oportunidades inéditas. permitindo que as informações estejam imediatamente disponíveis em outros terminais de um mesmo sistema. em "workgroups" (ou grupos de trabalho). Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. Por outro lado. capaz de absorver mais rapidamente as modificações impostas no decorrer do processo de desenvolvimento de produtos e tornando este processo mais adequado às características do mercado. A difusão irrestrita pode levar a uma situação de "congestionamento" no fluxo de informações pela empresa. mas também fazer com que isso ocorra em tempo hábil e. sem que haja perda de tempo. O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos. no lugar certo. como a possibilidade de trabalho conjunto entre grandes grupos e o intercâmbio de informações em tempo real40. deve estar bem claro o papel de cada um no processo projetual. portanto. seja na espera por informações como na repetição do trabalho devido a informações fornecidas incorretamente acerca de. A sobrecarga de informações a cada um dos envolvidos tornará muitas vezes difícil e demorada a seleção daquela necessária ao desenvolvimento do projeto. o ciclo projetual acaba por tornar-se mais ágil.

WALLACE (1994) e BOURKE (1993). Uso de Tecnologia Multidisciplinar. Principal motivo: busca de maior segurança pela dificuldade de reprodução de desenhos em meios físicos (é naturalmente muito mais fácil copiar detalhes de projeto através de disquetes). além de todos os esforços relacionados ao desenvolvimento de sistemas de gerenciamento eletrônico de documentos. para que estas circulem de forma eficiente pelas equipes envolvidas. parece caminhar para algumas soluções interessantes. textos. inclusive. bancos de dados e até mesmo. Antes da implantação do CAD. já permitia a transformação de um arquivo de desenho em um sistema hipertexto. de qualquer forma. 1994) estão voltados para o desenvolvimento de software específicos para a implantação de sistemas de engenharia simultânea. 1992. mais do que conhecê-lo. pelo responsável pelo suporte técnico.depto engenharia de produção . atuando no gerenciamento das informações pertinentes. Todas as cópias em sistemas magnético ou meio físico são geradas somente através do servidor. OKAWA et al. por exemplo. Vários estudos (como por exemplo SHA. sons. como textos. efetivamente controlá-lo) é um princípio dos métodos de melhoria da qualidade que é muito freqüentemente citado como fundamental para obtenção de sucesso em processos de implantação de sistemas informatizados. pode ser criado um banco de dados associado. É portanto sintomático o expressivo número de estudos relacionados ao desenvolvimento de softwares específicos para apoio à implantação da Engenharia Simultânea através da aplicação de sistemas informatizados (notadamente sistemas CAD). Além disso. É importante notar. que a adoção de sistemas informatizados de apoio à atividade de projeto e à transferência de informações entre os vários setores da fábrica deve ser precedida por um estudo consistente acerca do método de projeto utilizado. imagens. nenhuma das estações gráficas possuía “drivers” para disquetes. bancos de dados etc.) necessárias à adequada manipulação e arquivo de cada informação gerada. Sons. RUECKER. devem ser capazes de suportar as diversas mídias (desenhos. mais difundido software "low-end" do mercado.. Apesar de exemplos como este. conforme os artigos citados. entre outros. © 2006 eduardo romeiro filho 230 ufmg . projeto do produto A organização. em que as informações estejam disponíveis de forma muito mais eficiente. entretanto. a engenharia simultânea deve ser vista muito mais uma metodologia gerencial e de projeto do que um conjunto de ferramentas tecnológicas. Pode-se afirmar. embora sua aplicação não esteja de forma alguma condicionada à utilização da informática. Em uma empresa pesquisada. extremamente úteis em situações de projeto que envolvem grandes equipes e extrema necessidade de gerenciamento de informações. A crescente "intercambiabilidade" entre diferentes softwares parece também indicar soluções. Essa postura. que este método é mais adequado às novas ferramentas informatizadas do que os métodos tradicionais (seqüenciais) de desenvolvimento de projetos. disponíveis em outros meios que sejam incorporados ao desenho dados relativos a outros meios. 1993. de que é necessário conhecer profundamente o processo para que se possa aprimorá- lo (e. faz-se necessária uma revisão e organização do processo adotado. 3. gráficos. com ligações diretas a outros arquivos. A versão Release 13 do AutoCAD. Do ponto de vista técnico. mais do que um problema gerencial. maquetes eletrônicas. Este aspecto. este parece ser o maior entrave à Engenharia Simultânea. planilhas. simulação dos processos de fabricação e uma definição do produto e partida para a produção. dotada de um sistema de rede local. como MILLS (1995). proporcionando rápido acesso. Desta forma. acaba por tornar-se uma questão de implicações tecnológicas. Estes programas tem por objetivo fornecer suporte à difusão de dados e interface entre equipes envolvidas no processo de desenvolvimento de projetos.

capazes de suportar as diferentes mídias envolvidas no processo e facilitar desta forma um adequado gerenciamento do projeto. a padronização deve ser implantada prioritariamente. a questão principal não é gerenciar bases de dados gráficas geradas em softwares diferentes (o que é ainda um grande desafio de base tecnológica). algumas novas tecnologias como bases de dados relacionais e sistemas em rede podem oferecer uma alternativa a este problema. chama a atenção para a necessidade de domínio e dificuldades de interação entre várias linguagens e tecnologias informacionais para a gerência de processo. FRANZOSA (1992). projeto do produto enorme quantidade de informação podem acompanhar o "desenho técnico" em meios informatizados. Também para o gerenciamento de diferentes bases de dados envolvidos em projeto são sugeridos sistemas de hipermídia (LEUNG. sob pena do sistema se tornar inviável a curto prazo. Se a © 2006 eduardo romeiro filho 231 ufmg . Hoje um arquivo CAD não é somente uma versão eletrônica de um desenho realizado em prancheta (como é tratado na imensa maioria dos casos). Em verdade. A base técnica para isso. já é disponível. dentre outros fatores. mas agregar de forma adequada todas as informações de projeto às novas mídias. que pode agregar um imenso número de informações relacionadas ao projeto em desenvolvimento. MATTOS (1991) adverte: “Em qualquer sistema CAD. Acima: O processo de Design com a aplicação de sistemas CAD na Indústria Automobilística 4. sem o que qualquer tentativa de informatização esbarrará em uma mistura de diferentes “estilos de trabalho”. mas sim um elemento multimídia. Em relação a este assunto. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. o conhecimento e o adequado controle do processo projetual ocorre. como fator importante para a implantação de engenharia simultânea. 1995). Segundo o autor. o que era antes impossível através de meios físicos. embora complexa.depto engenharia de produção . através de uma consistente normalização técnica e padronização de procedimentos. No caso dos sistemas CAD.

bem como outras formas de tecnologia informatizada. Entretanto. na verdade. uma ferramenta essencial à modernidade. Sendo assim. O princípio do caminho para o sucesso parece estar em uma definição correta do problema a ser enfrentado. Em muitas empresas. um exemplo de duas etapas da construção (virtual) do modelo de um automóvel. tudo ocorre devido a uma série de relações basicamente pessoais. que procuram demonstrar que a utilização de sistemas CAD. deve-se levar em consideração que o CAD. os sistemas CAD. Com relação ao primeiro aspecto. mais do que uma fonte de benefícios para a empresa é. Os sistemas CAD atuais possuem aplicações bastante interessantes na simulação de produtos.depto engenharia de produção . devem ser analisados dois aspectos básicos: (1) quais as formas de contribuição que estes sistemas realmente oferecem ao processo projetual como um todo. são vistos como soluções técnicas miraculosas para o desenvolvimento de projetos. Acima. se utilizado sem critério. © 2006 eduardo romeiro filho 232 ufmg . Para uma eficiente aplicação dos recursos disponíveis nos sistemas CAD em processos de engenharia simultânea. mas como uma fonte adicional de problemas. mas pode-se desconfiar de relatos como “após dois anos de experiência. dificilmente atingirá resultados consistentes. Esta visão é naturalmente distorcida pela imagem gerada pelos fabricantes desses equipamentos. não é por si só elemento de melhoria de qualquer solução. o processo de implantação do CAD foi reestruturado em função de um novo sistema” ou “para ampliação do sistema foi adotada uma nova solução. de uma forma geral e (2) quais as formas específicas de contribuição para os problemas peculiares à empresa. Muitas vezes a comunicação deixa de ocorrer de forma adequada devido a entraves ligados à estrutura da empresa ou. o sistema não surge como uma solução. não é estranho encontrar empresas que buscam aplicações adequadas ao CAD somente após a aquisição do sistema. Desta forma. de nada adiantará a adoção de modernos sistemas informatizados se a empresa não estiver preparada para um efetivo gerenciamento da informação gerada durante os processos de projeto e produção. que ocorrem à revelia das limitações impostas pela estrutura organizacional. assim como qualquer sistema informatizado. Nestes casos. projeto do produto empresa não possui uma cultura de padrões e normas já implementada para os processos manuais. radicalmente diferente da anterior”. mas simplesmente multiplicador da solução existente. a implantação de sistemas de informação apenas servirá para trazer à tona uma série de problemas antes (mais facilmente) escamoteados. é melhor adiar a aquisição do CAD até que esta cultura esteja solidificada”. por outro lado. Naturalmente que não é tarefa simples encontrar empresas (que admitam estar) nesta situação. Se esta é inadequada e apresenta deficiências.

foram observadas formas mais ou menos veladas de posturas contrárias à implantação de novas tecnologias por parte do corpo gerencial responsável pelo setor de projeto. projeto do produto Desta forma. que muitas vezes teme pela perda de seu poder na empresa. fica claro que os conceitos ligados à engenharia simultânea somente poderão ser aplicados de forma consistente após uma reestruturação organizacional com vistas à permitir que todos os envolvidos no processo projetual42 possam receber e fornecer informações pertinentes ao desenvolvimento do projeto. bem como áreas como vendas. fazendo com que os esforços para validação do sistema e sua justificativa de aquisição fossem voltados quase que exclusivamente para aspectos ligados à aceleração pura e simples de determinadas etapas da atividade projetual (ou das atividades relacionadas ao desenho) como anteriormente desenvolvida. até mesmo. determinada muitas vezes por tentativas de manutenção do "status quo" daqueles que serão evidentemente afetados pela mudança. tendo em vista o fato de que o "saber tecnológico" da empresa muitas vezes vai além da utilização das novas ferramentas. os desenhistas e projetistas de prancheta. marketing etc. mas também do planejamento e controle da produção e do chão de fábrica. são afetados diretamente pelo novo sistema. na estrutura da empresa ou mesmo do setor de projetos após a implantação do CAD. Entretanto. em princípio. Somente após a consolidação deste ambiente propício à integração a implantação de novas tecnologias como sistemas CAD poderá surtir efeitos consistentes no que tange à integração e à Engenharia Simultânea. pode-se considerar que os conhecimentos "não acadêmicos" adquiridos pelos antigos funcionários são essenciais ao desenvolvimento adequado da produção e que serão inevitavelmente perdidos no processo de modernização. os novos profissionais de projeto representam séria ameaça em potencial. pessoal de suporte. mas é o ponto de vista deste trabalho que as pessoas. a sua própria permanência em um mercado cada vez mais competitivo e próximo de padrões mundiais de preço e qualidade) e por outro a resistência. todo o corpo técnico foi trocado (da mesma forma que os equipamentos!). podendo por isso atuar decisivamente para os resultados da aplicação de novas tecnologias e novos processos gerenciais (seja para seu sucesso ou para seu fracasso). Na maior parte dos casos avaliados. Costuma-se imaginar que estas resistências são oriundas principalmente daqueles que. em uma situação na qual palavras como "reengenharia". Entretanto. 43 Foi relatada por um entrevistado a situação em uma empresa pesquisada na qual. ou seja. Naturalmente esta ameaça nem sempre é real. menos perceptíveis e de mais difícil eliminação durante os processos de implantação de sistemas CAD. pois possuem um domínio muito mais desenvolvido da novas ferramentas tecnológicas. Além destes. especialmente diante da inserção de novos atores (analistas. "globalização" e outras de conteúdo semelhante passam a fazer parte do dia a dia do mercado profissional qualquer ameaça torna-se preocupante43. Desta forma dificilmente um processo de implantação de sistemas CAD ou dos princípios ligados à engenharia simultânea poderá surtir resultados se não contar com o 42 Não somente o pessoal de projeto de produto. © 2006 eduardo romeiro filho 233 ufmg . As formas de resistência por parte do staff gerencial são muitas vezes mais eficientes.depto engenharia de produção . de uma forma diferente das máquinas. não devem ser consideradas como "obsoletas" ou destinadas à "sucata". ao ser realizada a renovação de equipamentos industriais do chão-de-fábrica. Além disso. deve-se levar em consideração uma situação conflitante existente na maioria dos casos levantados: por um lado a necessidade de modificações estruturais na empresa com vistas à modernização de seu setor de projetos (ou. as empresas não introduziram modificações relevantes no processo projetual. Pode-se dizer que "são os efeitos da globalização" (argumento da alta administração). gerentes específicos para os sistemas CAD) no processo projetual. Entretanto. pois partem de pessoas que possuem na maior parte das vezes amplo poder decisório na empresa.

"New solutions for old problems: product data management and configurator systems". "Reengenharia do processo de desenvolvimento de produtos baseada em engenharia simultânea e na tecnologia Workgroup Computing". após mais de quinze anos de carreira esperavam ter atingido um patamar de segurança que as constantes inovações insistem em demonstrar que não existe. In: Annual International Conference Proceedings . Nestes casos. A pesquisa realizada. de cima para baixo. transporte. em nossa opinião. Este processo deve acontecer. que seja capaz de determinar. é fundamental que as empresas possuam um forte grupo de projeto. em muito poderão contribuir (embora de forma isolada não constituam fatores determinantes) a adequada utilização de recursos informatizados de apoio ao projeto e os princípios da Engenharia Simultânea. a realidade vem demostrando que as empresas necessitam cada vez mais de inovações para a manutenção de seus mercados e seu crescimento diante de formas de concorrência cada vez mais acirrada. Bibliografia BOURKE. Ainda segundo nossa opinião.depto engenharia de produção . projeto do produto patrocínio ostensivo da alta administração e a compreensão do corpo gerencial. organizar e gerenciar o elevado número de informações necessárias à uma adequada atividade projetual. Richard W. Clayton Pires da. demonstra que isso nem sempre acontece. desativação e reciclagem. torna-se ainda mais difícil promover grandes modificações que levam a níveis de intensiva utilização de sistemas CAD como forma de adoção da Engenharia Simultânea. entretanto.. Publ by APICS. de efeito limitado diante do número cada vez maior de novos e melhores produtos disponíveis no mercado. Ainda assim. seria necessário promover modificações de vulto na estrutura e métodos de trabalho da empresa. devido em muito à situação de insegurança que a aquisição de novas tecnologias costuma trazer para aqueles que. sejam estes os consumidores finais como todos os demais envolvidos nas diversas etapas do ciclo de vida dos produtos: concepção. pelo menos em seu estágio inicial. Para que isso seja possível. 1993. Para que estes objetivos sejam alcançados. 1994. o que é extremamente difícil a partir da situação atual. as empresas brasileiras somente conseguirão atingir um patamar que torne o país industrialmente desenvolvido quando estiverem voltadas para o desenvolvimento de produtos avançados tecnologicamente e apropriados às necessidades de seus usuários. Em um cenário como este. Falls Church. VA. As formas de reestruturação centradas na redução de custos são. A compreensão por parte dos escalões intermediários das empresas é essencial devido à importância de sua participação e de seu poder de difusão.American Production and Inventory Control Society 1993. fabricação. In: Anais do 5º Congresso © 2006 eduardo romeiro filho 234 ufmg . p 514-577 COSTA. manutenção. USA.

"Reengenharia pode Provocar "Anorexia". USA. 1991.. viver não é preciso. Takao. MI. projeto do produto Nacional de Automação . Horris C. A. John A.. "CAPP: Manufacturing Data Management for Concurrent Engineering". 1994. Charles M. p 185-189..CONAI’94 (CD Rom) São Paulo: SOBRACON . FRANZOSA.. In Flexible Automation and Information Management. In NEC Research & Development v 35 n 2 (Apr).. "Collaborative manufacturing environment with the use of hypermedia". D. Scott. E. Gilson. In Byte v 19 n 7 (Jul). p 357-360 REIMANN.. Richard G. J. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ. SCHWARTZ. 1992. p 121-129. 180 pp. "Accelerating engineering design". Automação Industrial e Computação Gráfica. 1994. Dearborn.. p 22-13-30. Rio de Janeiro: Microequipo Computação Gráfica. David A." In: Computers & Industrial Engineering v 27 n 1-4 (Sep). ASME. HARAGUCHI. In: Folha de São Paulo (9/jul) São Paulo.FAIM (Jul) New York. Conference Proceedings 1992. VA. 1994. Publ by SME. "Concurrent engineering design and production". Gerência de Projetos em CAD. APICS. p 62-76. In CAE-COMPUT-AIDED-ENG. 1992. Robert. "Integration management system for technical information".. 14. MATTOS. Seizen. THOMAS. 2. 4ª edição.H. NY. 1995. Koonce. ROMEIRO Filho. Rabelo. In: Software Systems in Engineering 1995 American Society of Mechanical Engineers.depto engenharia de produção . Robert. 1995. 1997.. no. Sauter. New York. M. LEUNG. MILLS. F. 4pp. "Model-based manufacturing integration: A paradigm for virtual manufacturing systems engineering. USA. © 2006 eduardo romeiro filho 235 ufmg . "Comparative Analisys Approach for Evaluating the Effect that Concurrent Engineering has on Product Life Cycle Cost".V. 1995 "CAD/CAM in Aerospace".. Kenzo. Vol. Petroleum Division (Publication) PD v 67. Falls Church. p 205-215 PARKS. OKAWA. Judd.. P. In: AUTOFACT. e HUQ. Luis C.American Production and Inventory Control Society 1994. SATO.Sociedade Brasileira de Comando Numérico.. CAD na Indústria: Implantação e Gerenciamento. Manufacturing Engineering. WALLACE. USA. Merle Jr. Publisher. Navegar é preciso. 1994. In: Annual International Conference Proceedings .

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