Universidade Federal de Minas Gerais

ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

projeto
do produto
Apostila do Curso – 8ª edição

2006

Eduardo Romeiro Filho
Designer Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ,
Doutor em Ciências em Engenharia de Produção pela COPPE/ UFRJ
Professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG

Belo Horizonte, agosto de 2006.

projeto do produto

Universidade Federal de Minas Gerais
ESCOLA DE ENGENHARI A
Departamento de Engenharia de Produção

Romeiro Filho, Eduardo. 2006. Projeto do
Produto - Apostila do Curso. Segundo semestre
de 2006. 8ª Edição. Belo Horizonte:
LIDEP/ DEP/ EE/ UFMG, 2004.

Editado em Agosto/Setembro de 2000, primeira impressão dia 14 de setembro de 2000.
Segunda edição em Março de 2001, revista e ampliada, impressa aos 13 dias do mês.
Terceira edição em Agosto de 2001, revista e ampliada, impressa aos 14 dias do mês.
Quarta edição em Junho de 2002, revista e ampliada, impressa aos 20 dias do mês.
Quinta edição em maio de 2003, revista e ampliada, impressa aos 16 dias do mês.
Sexta edição em março de 2004, revista, impressa aos 29 dias do mês.
Sétima edição em agosto de 2004, revista e ampliada
Oitava edição em agosto de 2006, revista e ampliada.

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se
tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma
personalidade. E necessário que adquira um sentimento, um
senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo
que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um
cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente
desenvolvida.”

“Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas
quimeras e suas angústias, para determinar com exatidão seu
lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade”.

EINSTEIN. “Como eu Vejo o Mundo”.
Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1981.

Aos alunos, que este material justifique o tempo de leitura.

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projeto do produto

Sumário:
Introdução.

Primeira Parte: o Conceito.
Conceitos Preliminares.
Os nossos Tupinambás.
Processo de Desenvolvimento do Produto
Terminologia
Modelos de Referência de PDP
Projeto - Terminologia
Métodos de Projeto
Sistemas informatizados de apoio ao projeto: Projeto Auxiliado por Computador - CAD
O Ciclo de Vida do Produto
Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto:
1. Ciclo de Vida de Produto: Uma Idéia Perigosa
2. Liberte-se do ciclo de vida do produto
Ciclo de vida do produto: Um exemplo
Marketing: Abrangência e Ferramentas.
Análise ou marketing mix
Adaptação
Ativação
Avaliação
Um Exemplo de Marketing...
Havaianas são vendidas por até R$ 500 em Londres
Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos
Introdução
O que vem a ser marketing?
Relações entre marketing e desenvolvimento de produtos baseado na orientação da empresa
em relação ao mercado
Marketing e pesquisa e desenvolvimento – cooperação
Conclusão
Bibliografia

Medindo a Satisfação dos Clientes
Uma Questão de Sobrevivência
Objetivos deste Trabalho.
Os Primeiros Passos
Rumo à Excelência
Considerações Finais
Bibliografia
Marketing - Contraponto
Eu, etiqueta.
Propriedade Intelectual
Propriedade Industrial: Patentes.
Um gênio brasileiro, anônimo e sem fortuna
Inventor pode mover ação nos EUA
Um Caso Exemplar: Indígena da Guiné Teve Célula "Patenteada"
Informações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente
Definições
Preparo de um Pedido de Patente
Depósito do Pedido de Patente
Bibliografia
Situgrafia
Patentes - Coréia dá de dez.

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projeto do produto

Segunda Parte: o objeto
Design, Competitividade e Inovação
Introdução
Empresas Inovadoras
O que é Design?
Quais os aspectos atuais da competitividade?
Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ?
Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ?
O que é Qualidade?
Como Incorporar Qualidade ao Produto?
Bibliografia
O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto.
Para que Metodologia de Projeto.
Origens do Método na Concepção de Projetos
Evolução da Metodologia & Evolução Industrial
Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto
Metodologias de Projeto de Produtos.
Proposta de BONSIEPE.
Processo metodológico proposto por ASIMOW.
Metodologia proposta por MEDEIROS.
O Computador no Processo Projetual.
Bibliografia Recomendada
Criação: Libere sua Criatividade.
Brainstorming
O design de produtos como forma de in(ex)clusão social
Introdução
Globalização, mercado e novos produtos.
A abordagem do design industrial.
Novos produtos, novas tecnologias, novas interfaces. novos usuários?
Conclusões
Bibliografia
Desenho e Engenharia “Brigam” por todos os Milímetros da Criação
Design: Viva a diferença!
O que é design?
Deficiência
Bauhaus.
Os Estados Unidos redescobrem o design.
Engenharia de Usabilidade.
Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário
Demandas específicas
Usabilidade
Bibliografia
Ergonomia aplicada ao projeto de produto.
Ergonomia, Alguns Exemplos:
Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte.
A Ergonomia Adverte: Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode Ser Prejudicial à Saúde
Valor
Análise do valor
Novos Cenários para a Atividade Projetual:
Ferramentas DFX desdobradas para DFM, DFA e DFE.
Design for “X”.
Projeto para Meio Ambiente
Projeto para Remanufatura
Projeto para Eficiência de Energia
Projeto para Modularidade
Projeto para Reciclagem
Referências
DFMA - Design for Manufacturing and Assembly
DFM: Design para Montagem, um exemplo. 6 Milhões de Combinações

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A Pesquisa: Discussões e conclusão. As novas ferramentas de representação Ferramentas de Representação: O Desenho Livre (Croqui) O Desenho Técnico A Perspectiva O Protótipo Virtual (ou maquete eletrônica) O Mockup A Maquete Exemplos de Projeto: Cadeira CEM Semeadora-Adubadora a Tração Animal Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão. Introdução Projeto do produto Projeto do produto para meio ambiente Inclusão do DFE no projeto do produto Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Conclusões Referências Terceira Parte: a técnica A Representação do Produto e sua Importância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. projeto do produto Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas Informações Necessárias. Agradecimentos. Introdução Metodologia de projeto de produtos. Bibliografia © 2004 eduardo romeiro filho 5 ufmg . Metodologia. Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea.depto engenharia de produção . Introdução. Introdução. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. A representação (ou expressão) gráfica. Bibliografia. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. Introdução. Uso de Tecnologia Multidisciplinar. Novas tecnologias e o produto Estado da técnica Considerações Referências bibliográficas Aplicação de Tecnologias CAD/CAE/CAM em Desenvolvimento de Produtos.

além do conhecimento acerca de princípios da atividade projetual. as diferentes etapas do desenvolvimento de produtos e as diversas atividades relacionadas ao setor de projetos de uma empresa de natureza industrial. compilação de variações de soluções e sua avaliação. Desenvolver estas habilidades. com o objetivo de avaliar quais as características mais importantes para os novos graduados em engenharia mecânica naquele país. O setor de projetos em uma empresa é basicamente responsável. pela elaboração de novos projetos.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. subdividido da seguinte forma: . . construção de modelos. citado por VALENTI (1996). Posição Indústria Universidade 1º Trabalho em equipe (94%) Trabalho em equipe (92%) 2º Comunicação (89%) Comunicação (92%) 3º Design para manufatura (88%) Criatividade (87%) 4º Sistemas CAD (86%) Inspeção de projeto (86%) 5º Ética profissional (85%) Sistemas CAD (86%) Fonte: ASME International/National Science Foundation.Desenvolvimento: Especificações do conceito de solução. a partir da mesma diretriz (citada por SCHEER. segundo a diretriz 2210 da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. demonstrou que a capacidade de trabalho em equipe e comunicação são os principais aspectos profissionais no mercado norte-americano.depto engenharia de produção . são objetivos da disciplina Projeto do Produto. adaptação de já existentes. projeto do produto I ntrodução. na medida do possível. O processo de elaboração de projetos pode ser. .Concepção: Análise de especificações. © 2004 eduardo romeiro filho 6 ufmg . O que é importante a um engenheiro hoje? Pesquisa realizada pela ASME International e pela National Science Foundation entre empresas e universidades americanas. além do desenvolvimento simulado de um produto. além da exposição de temas relacionados ao projeto. projetos de variações e projetos normalizados e fixos. avaliação de soluções. quando são discutidas as diferentes etapas e observados os desafios encontrados durante o projeto. 1993). projeto em escala. Estes objetivos devem ser alcançados por meio de aulas teóricas e exercícios em sala. Associação dos Engenheiros Alemães). A estruturação da disciplina busca. vivenciar.

um avião . embora já existissem alguns modelos menos eficientes. Normalmente. certamente pode possui limitações físicas). the end parts of which wire piece form members or tongues lying side by side in contrary directions. projeto do produto Qualquer objeto . mas foi impossível conter o protesto. passaram a utilizar. destinado a músicos e pessoas com limitações de original. em casa? Já foi da atividade projetual não é necessariamente o produto a incomodado por ruídos da rua enquanto estudava? Já ser desenvolvido. sujeitos à ocupação nazista. Utilizar um produto. enquanto está no utilizado. Ao lado. triangular. Pequenos problemas do dia-a-dia também estejam em sua maior parte centrados no requerem soluções de excelência.mit. embarcar ou desembarcar em sistemas de comemorativo.html de papel. uma versão importantes" ou "simples demais". that is bent to a rectangular. fabricáveis em para abrir uma garrafa com tampa de rosca. Outro aspecto interessante sobre este produto está no fato de que. durante a II Grande Guerra. anterior: patente da máquina de produção de clipes.um parafuso. A proposta central da disciplina está no micro? Já teve dores nas costas ao varrer sua casa? Já desenvolvimento de um produto de baixa ou média esqueceu de puxar o freio de mão de seu carro? Todos complexidade técnica. tendo em vista que estes eram efetivamente um “produto nacional”. fazendo os pesquisadores do MIT. estavam proibidos de usar símbolos nacionais. em soluções adequadas de projeto para atendimento de formato retangular. um inventor norueguês graduado em ciências. Você já teve problemas desenvolvimento de produtos industriais. cem anos depois de ser inventado? Se transporte coletivo (em especial se o usuário é idoso ou você já utilizou um clipe de papel. um prédio. e nem pode ser assim. Na página movimentos. mas que requerem ainda soluções adequadas. a partir de uma necessidade de estes pequenos problemas (além de muitos outros) foram mercado observada pelos alunos. Johan Vaaler. figura da primeira Este produto está detalhadamente descrito em patente do clipe http://web. ou à complexidade do É um exercício interessante imaginar alguma produto. Por outro lado. embora as complexidade do problema. ou um produto complexo? Teria ele sucesso? açucareiro em locais públicos (como bares ou Seria ele lembrado e homenageado com um selo restaurantes). de 1899. os noruegueses. "necessidade de mercado" a ser atendida. prestigiosa instituição muito semelhante ao norte americana: um “virador de páginas automático”. Hitler chegou a ordenar a prisão de algumas pessoas diante desta situação.depto engenharia de produção . o importante para o desenvolvimento Já viu alguém se queimar com gordura. com o seguinte resumo: "It consists of forming same of a spring material. clipes como símbolos contra a ocupação. um olhar mais apurado em nosso ambiente cotidiano pode Um produto descrito como "um pedaço de metal. a excelência do projeto não está diretamente ligada à tecnologia utilizada. utilizar uma tesoura ou abridor concordar! de latas (se você é canhoto) são situações aparentemente simples. como um nos trazer uma série de situações onde não existem arame. visto que “que mal poderia causar um pedaço de metal preso à roupa?” © 2004 eduardo romeiro filho 7 ufmg .edu/newsoffice/nr/1999/pageturner. eletrônica e matemática. Projeto de Produto. Além disso. o que não é necessariamente metodologias e processos apresentados durante o curso correto. Em sinal de protesto. em direções opostas. inventou o clipe de papel em 1899. por exemplo? série. Neste caso. Vale a pena lembrar objeto de soluções propostas por alunos da disciplina que muitas vezes esta não é clara. or otherwise shaped hoop. veja o que estão recente do antigo produto. na lapela. such as a piece of wire. se você considera estes problemas "pouco Ao lado. retorcido três vezes." Vaaler foi o primeiro patentear o clipe. Recebeu a patente por seu projeto na Alemanha em 1899 e nos EUA em 1901. Algumas pessoas associam excelência da solução à concebido pelo homem é um produto. mas o rigor e a consistência do método sentiu falta de um suporte para livros. triangular ou arredondado" é um bom algumas necessidades aparentemente triviais.

(Fonte: BARROSO. 1982) DIREÇÃO DA EMPRESA MARKETING DESENHO INDUSTRIAL ENGENHARIA Analisar Preparar Definir o Especificações o Produto Mercado Gerais Analisar Analisar Técnica aspectos de ANTEPROJETO Funcional e Engenharia Humanas e materiais Verificar Criar Aspectos alternativas de propriedade Industrial Prever custos e prazos de Fabricação Analisar Escolher Aprovar Viabilidade a melhor Anteprojeto Econômica e desenvolver Mercado Anteprojeto Rever Especificações Gerais Estudar aspectos Ergonômicos e Formais Selecionar Materiais e processos PROJETO Projetar Desenhar Embalagem melhor Alternativa Elaborar Construir Detalhar Estratégia de Modelo e/ou Planos de Lançamento Mock-up Fabricação Construir Protótipo Autorizar Produção Elaborar Experimental Roteiro de Produção Controlar a Produção Experimental © 2004 eduardo romeiro filho 8 ufmg . projeto do produto Áreas da empresa tradicionalmente envolvidas com o projeto do produto e principais etapas do processo.depto engenharia de produção .

Nesta fase. Por estranho que pareça. quais suas funções seus possíveis usuários. projeto do produto Primeira Parte: o conceito A mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original. espera-se que o conceito do produto esteja formado. utilizado e descartado o futuro produto. vendido. compilação de variações de soluções e sua avaliação. Não se deve esperar. Ao seu final. é necessário um amplo “reconhecimento do ambiente” no qual será desenvolvido o projeto e onde será fabricado. entretanto.depto engenharia de produção . seus concorrentes e características do mercado. o importante nesta fase não é “desenhar” ou “buscar uma solução”a priori. soluções de projeto neste momento. © 2004 eduardo romeiro filho 9 ufmg . mas entender as necessidades e oportunidades que vão gerar o produto. Albert Einstein Esta primeira etapa consta basicamente da concepção do conceito do produto: Análise de especificações.

mas sim a aplicação de novos e sofisticados conjuntos de procedimentos para desenvolvimento de produtos. é relativamente recente. seja pelas novas condições de mercado. Neste contexto. projeto do produto Conceitos Preliminares. a necessidade de interação de diferentes competências em equipes multidisciplinares são respostas das empresas às demandas cada vez mais sofisticadas por parte de usuários. que tem seu poder de barganha progressivamente consolidado. © 2004 eduardo romeiro filho 10 ufmg . Estes são os objetivos deste item. como compreendida nos dias de hoje. pela globalização de produtos e dos meios de produção ou por novas regras de legislação que buscam proteger os direitos dos consumidores diante da indústria. Discutir o processo que levou a esta nova situação. bem como apresentar uma contribuição à reflexão sobre o tema. não cabem mais métodos intuitivos ou não estruturados de projeto.depto engenharia de produção . As formas de organização e condições do trabalho trazidas pela aplicação de metodologias e ferramentas de projeto. A atividade projetual.

melhores instrumentos. Os dois grupos desenvolvimento de uma ferramenta (ou a encontram-se. que leve à eliminação do problema (no caso. por exemplo) e aos diversos tipos de necessidades associados a formas de organização social cada vez mais complexas. a partir daí. a geração de alternativas (diversos tipos de ação sobre o inimigo). o da obtenção de alimento. São notáveis. este é o princípio básico do processo de concepção de soluções para quaisquer problemas. Acima. 1968) necessidades humanas. ou seja. uma notável "vantagem competitiva" na caça. por dois interessante uma “metáfora sobre o grupos de “hominídeos”. as primeiras cenas dizer que esta representa de forma bastante desenvolvem-se em torno da disputa. atendimento a uma necessidade básica. do inimigo). equilibrados. poder-se-ia Uma Odisséia no Espaço”. melhor qualidade de vida. ao domínio e supremacia em seu meio ambiente. O mesmo pode-se dizer das primeiras ferramentas humanas. Surgem desta forma grupos de indivíduos com conhecimentos específicos. ainda caçador. grosso modo. os avanços tecnológicos ligados à agricultura (como o arado. depois estendendo-se pelo Oriente Médio. seqüência clássica do filme de Kubrick ligados às diferentes formas de atendimento às (MGM/Polaris. em princípio na região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. as variáveis envolvidas (a tribo oponente). que cada vez mais caracteriza-se pela perenidade de sua localização geográfica. neste caso. A evolução da civilização acaba por trazer modificações ao modo de vida da tribo. Melhores ferramentas. de ser indefeso. técnica”: a necessidade (do acesso à fonte). este processo de busca de soluções adequadas para necessidades observadas. como ceramistas. projeto do produto No clássico filme de Stanley Kubrick.depto engenharia de produção . o desenvolvimento de produtos atende a esta lógica. até o surgimento de uma solução adequada. As aldeias tiveram notável desenvolvimento a partir da agricultura. ou seja. Instrumentos como o arco e flecha representam. Europa e assim sucessivamente. melhores resultados. para realização de um objetivo vital. no atual Iraque. como o de uma fonte de água. um osso de fêmur poderia se transformar em Uma outra abordagem interessante para esta uma ferramenta de combate. . Pode-se dizer que. até geração do conhecimento necessário para tal) que um membro de uma das tribos percebe que pode representar uma diferença fundamental. “2001 – Além da força dramática da cena. © 2004 eduardo romeiro filho 11 ufmg . Em última análise. guardando-se as devidas proporções. aplicando um situação está no processo que gerou a “solução golpe fatal em um dos oponentes. objetos construídos e/ou manipulados pelo homem. o que acaba por levar o homem. com uma crescente sofisticação da divisão de trabalho entre seus membros. pela primazia diante conhecimento”.

O cliente é. experiência no trabalho. a base para aquisição do tornar-se oficial. guias etc.. posteriormente. sejam estes de caça. em especial a partir do controle dos meios de produção necessários. as corporações de ofício. um novo elemento o domínio da tecnologia de projeto e produção decorativo eram incorporados ao produto com por uma única pessoa. projeto do produto carpinteiros etc. A competência para a seleção dos aprendizes era bastante complexa. os processos de moldagem. que por sinal guardam extrema semelhança com determinados instrumentos bastante antigos. um artesão ceramista possui o conhecimento (tácito. que o artesanato representou. Um novo friso. O severas negociações. cozimento. Minas Gerais. às corporações de ofício. Tendo em vista a costumeira proximidade entre artesão e comprador. A objeto é a tradição. em setores como o da construção grandes navegações. que possuíam uma estrutura de aprendizado Diversas regiões no Brasil ainda guardam resquícios das profissional bastante complexa. conhecimento era passado por meio da no Vale do Jequitinhonha. interessantes referentes a esse período.. que ia ao longo do Evolução e adequação dos produtos.depto engenharia de produção . Na medida que seu tempo. embora o comércio seja uma competência requerida para sua função e o atividade crescente. alguém artesão possuía. Apesar disso. uso doméstico. em para corda. podem ser observadas características incremento comercial. No tempo passando por diversos estágios até artesanato. caracterizando um sistema de atividade de construção de produtos é muito produção que dá origem ao artesanato. mais calcada no aprendizado do ofício junto a um "mestre" do que na concepção de "novos" Artesanato – Produto “focado produtos. interesse esta fase está no fato de que o mestre pessoal etc. seria exagero afirmar que os produtos não sofreriam. normalmente. este domínio passa ao artesão esse atendimento fosse normalmente objeto de e. desde a escolha da argila adequada (normalmente identificando locais onde esta é disponível). o domínio da da própria aldeia. das Ainda hoje. na época. um artesão graduado. Acima. © 2004 eduardo romeiro filho 12 ufmg . ponta de flecha etc. O grande de objetos.. portanto não relacionado a modelos formais de aprendizado) necessário à execução de seu produto. venda e entrega. teoricamente. até mesmo por sugestões e relativamente restrito. níveis. O período do renascimento. por fim. como pás. fibras. decoração e. Um pedreiro oficial possui o domínio de sua técnica. O caçador que busca na adaptações aos próprios “clientes”. Os artesãos formavam grupos de acordo com a competência. e do acompanhamento do mestre pelo aprendiz. conhecimentos sobre madeira. capaz de ensinar outros aprendizes. é caracterizado pelo civil. Um mestre de obras possui formas de competência bastante desenvolvidas e peculiares a suas funções. corrigindo eventuais falhas de concepção e produção do objeto. O formas de produção artesanal. e conhecimento necessário à construção do mestre. uma forma de atendimento é observada uma crescente divisão do trabalho adequado às necessidades do cliente. ou por um grupo o passar do tempo. Poderia-se dizer. Neste caso. no cliente”? qualquer evolução. embora nas sociedades. século XIV. próximos mata o material para seu arco possui que estavam do artesão. e na maioria das vezes os instrumentos necessários ao seu trabalho. materiais grosso modo. uma roca de fiar. artesão é agora o responsável pela confecção Controle dos meios de produção. uma nova O artesanato possui como característica básica forma de encaixe. é possível ao primeiro acompanhar a utilização do produto oferecido.

que meios de produção que acabará por propiciar guarda uma interessante semelhança com a condições para o início da Revolução Escola de Sagres. A arte de construir navios envolvia colônias. e até hoje podem ser observadas formas de aprendizado calcadas nos sistemas de ofício (um bom profissional não ensina o "pulo do gato" a qualquer um). Já naquela época os artesãos organizavam-se em corporações. XIV. O conhecimento. Some-se a isso a invenção da imprensa e conseqüente redução nos custos de reprodução da informação. A Evolução na Atividade Projetual. no séc. Paris). e muitas vezes obedecia a laços familiares e formas de relação bastante rígidas. basta imaginar um paralelo com o produtos. © 2004 eduardo romeiro filho 13 ufmg . a construção das caravelas constitui-se me um marco. Embora ainda hoje utilize diversos princípios de natureza artesanal. Acima. projeto do produto Embora a utilização de meios físicos como o papel (ou pergaminho) para o registro de produtos date do séc. Como enorme crescimento da demanda por novos exemplo. possuía fundamental importância. onde não existia tradição em diversas formas de competência. no sentido de preservarem seu conhecimento e defenderem seus interesses Acima: Caravelas portuguesas do século XV profissionais. com objetivo de visualização da solução final. XVIII. na medida que permitem o registro gráfico de uma solução concebida em um meio físico (o papel) por meio de uma ferramenta descritiva eficiente (a perspectiva). Industrial. feitos por Leonardo da Vinci para uma igreja com cúpula. a construção de edifícios foi a primeira atividade a descrever previamente os objetos concebidos. levou a um trabalho conjunto altamente sofisticado. Processo Histórico de Colonização. dentre 1485 e 1490 (Biblioteca do Instituto de França. As novas perspectivas marcante para o desenvolvimento da atividade comerciais representadas pelos habitantes das projetual. alguns dos primeiros registros de estudos arquitetônicos. em um determinadas formas de artesanato.depto engenharia de produção . como o objetivo expresso de documentar a construção do barco e transmitir informações entre os diversos envolvidos. Pode-se dizer que o papel (introduzido na Europa no séc. colonização foi outro ponto importante para o desenvolvimento da construção de produtos e O período das grandes navegações foi da atividade projetual. pela utilização de desenhos construtivos em perspectiva. XI) e o estudo da perspectiva (que intensifica-se no séc. inicia-se um gargalo nos atual programa de exploração espacial. já naquela época. XIII) foram importantes neste processo. A partir daí.

embora esteticamente distintas. concepção. elementos estruturais aproximadamente. mesmo para a época. concebido em 1859. por um facilita em muito as especialista. que no grandes fábricas. antigas que ainda persistem no mercado. existem excelentes exemplos de comércio internacional. a produção da fábrica THONET em fins do séc. além de Bauhaus. Curiosamente. utilizam aplicadas à manufatura. soluções bastante Design: História. venda e cresceu no séc.depto engenharia de produção . desenvolvidos. a Thonet Em anúncio da fábrica de cadeiras THONET.000 trabalho. XIX. No. Data de 1700. mais pelo desenvolvimento de novas tecnologias importante. remetem © 2004 eduardo romeiro filho 14 ufmg . Seu mais conhecido exemplar. e mesmo autor e. como no caso da cadeira dos irmãos THONET e Acima. bem antes dos designers manutenção. diferentes modelos utilizam soluções que. posteriormente. As diversas formas de imperialismo uma evidente leveza também contribuíram decisivamente para a construtiva e agradável solução estética (até concentração do capital e para o surgimento de hoje bastante atraente). o que atividade de design. apresentava a fantástica marca de 50. responsáveis pelo sucesso da empresa.14 da Máquina Singer. A divisão internacional do início do século XX possuía em torno de 3. Um dos mais interessantes exemplos de mostrando como a produtos onde o sucesso pode ser explicado adequação do projeto à por meio de uma feliz associação entre novas sua função e objetivos tecnologias de produção e soluções estéticas pode atingir o sucesso.000 do século XIX. que (acima) publicado em jornal alemão no final vendeu 400.000. os produtos. A importância dessa atividade montagem. reservando às colônias o papel de funcionários. até os dias de hoje. em grande parte grandes manufaturas e. inovadoras está na linha de Cadeiras Thonet. pode-se observar que os unidades até 1900. Em termos de produtos em fins do século XIX. manufatura. projeto do produto A revolução Industrial foi a grande evidentemente ao responsável pela difusão de novos produtos. além de fomentar ainda mais o sistemas de produção eram bastante arcaicos. THONET fossem resultado de uma notável proporcionou condições para o aumento nos inovação tecnológica (o desenvolvimento de níveis de produção e redução dos custos dos técnicas de curvatura da madeira à quente). embora os móveis consumidoras de bens industriais. de novos produtos para a etapas de concepção. a primeira referência à semelhantes. Estes do início do século XX e de escolas como a fatores foram.000 (cinqüenta milhões) de exemplares vendidos até 1930 e é produzida Acima: Anúncio da fábrica THONET em um jornal alemão. I deologia e Utopia. Ao lado. o de número 14. representando basicamente os sistemas de manufatura (veja foto abaixo). XIX.

dizia Loewy). Embora este conceito possa ausência de uma tradição "artesanal"). Seu © 2004 eduardo romeiro filho 15 ufmg . ser (e efetivamente é) fonte de muitas críticas. na Europa. representa "de massa". a Bauhaus conseguiu desenvolver ampla variedade de trabalhos. e à indústria nos EUA. e mesmo sobre as primeiras escolas de Design brasileiras é evidente. época. naturalizado americano Loewy teve importante Abaixo. tendo em vista principalmente a Acima. baseada mais bonito que existe é o do aumento na fortemente na produção de bens em sistemas curva de vendas”. criada em 1919. uma síntese da evolução do esquema construtivo papel neste sentido. o design de produtos assume feições distintas nos dois continentes: Mais ligada à arte. situação política e econômica na Alemanha da introduzidos por Loewy na década de 1930. a Bauhaus foi a primeira escola de Design na história. representa um marco. Europa e nos EUA.depto engenharia de produção . na Alemanha (veja texto complementar). com sua visão de produtos das geladeiras nas décadas de 20/30. representavam significativa vantagem para o Nos EUA. Na Europa. projeto do produto novo desenho para as geladeiras Coldspot. O design esteve sempre ligado à muitas vezes a busca constante pela excelência indústria e ao marketing. levando ao desejo pela aquisição de de desenvolvimento histórico (inclusive a um novo modelo. dois modelos de geladeiras Coldspot. O francês em soluções de projeto. Loewy também foi um dos responsáveis pela Já a partir de meados do século XIX. tendo funcionado até 1933. "limpos" e seus estudos em aerodinâmica. Sua influência sobre a forma e sobre a Escola de Ulm. que depois evoluíram periódicos de novos modelos que para um enfoque voltado para empresa. nos anos 50. da Evolução do Projeto de Produtos na Sears Roebuck. Apesar de inúmeros percalços. com lançamentos ideais "do artesanato". tendo em vista questões específicas usuário. desenvolveu uma história diferente em termos por ser associado ao marketing (“o desenho de desenvolvimento de produtos. a partir de uma introdução de conceitos de “melhoria orientação voltada para uma retomada dos contínua” em produtos.

São Paulo. a fim de justificar possuem mais panos. Uma vez um velho de riquezas. Os tupinambás. projeto do produto Os nossos Tupinambás Trecho extraído do livro Viagem à Terra do Brasil. . selvagem. acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem tão rico de que me falas não morre? . Hans. desprezam àqueles que com perigo de franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho vida atravessam os mares em busca de pau-brasil e de buscarem o seu arabutan. por isso descansamos sem maiores cuidados. agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos. ele o supunha. substância alheia. mães e filhos a quem amamos. que. insurgem-se contra esses piratas vossa terra? Respondi que tínhamos muita mas não que se dizem cristãos e abundam na Europa tanto daquela qualidade. Martins Editora. Este discurso." deles compra todo pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. Esta obra teve a primeira edição em francês em 1578. que reputamos "Os nossos tupinambás muito se admiram dos bárbaros. espelhos e os selvagens pouco cuidadosos nas coisas deste outras mercadorias do que podeis imaginar e um só mundo. pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos. e que não a queimávamos.depto engenharia de produção . tesouras. . aqui resumido. Jean de Léry. 3 edição.Na verdade. como vereis. de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu Fonte: Staden. odeiam moralmente os avarentos e tal qual o faziam eles com os seus cordões de provera Deus que estes fossem todos lançados entre algodão e suas plumas. e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais. Duas viagens ao Brasil. mostra como esses pobres selvagens americanos.Sim. facas. mas estamos certos Tupinambás em ritual antropofágico. os selvagens para serem atormentados como por Retrucou o velho imediatamente: e demônios. como dizeis quando aqui chegais.Para seus filhos se os têm. disse eu. mas dela extraíamos tinta para tingir. maírs e esses selvagens maior importância à natureza e à perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão fertilidade da terra do que nós ao poder e à longe para vos aquecer? Não tendes madeira em providência divina. tu me contas maravilhas. 1942. por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam ? . Hans Staden. 1960. São Paulo : Soc. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim. Por mais obtusos que sejam. continuou o velho. como já disse. p. Era necessário que eu fizesse esta pois no nosso país existem negociantes que digressão. Em português só veio a ser impressa em 1889. com vergonha nossa. não era nenhum tolo. morre como os outros. 187 também nutrirá. respondi. como quanto escasseiam entre os nativos.Ah! Retrucou o © 2004 eduardo romeiro filho 16 ufmg .Sim. respondi-lhe. na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. já que só cuidam de sugar o sangue e a porventura precisais de muito?. atribuem perguntou-me: Por que vinde vós outros.

se deve a quatro processos principais: .depto engenharia de produção . A figura mostra estes seis fatores e seus componentes. estando associado à cooperação entre Marketing. eles afirmam ainda que o que define o sucesso é o padrão de consistência presente em todo o sistema de desenvolvimento de produtos. e assim tais processos devem se integrar entre si e com outros processos empresariais. informação e administração. identificados por intermédio de uma revisão da literatura realizada pelo autor. . o bom desempenho do produto seria uma conseqüência da consistência na organização e gerenciamento do seu próprio desenvolvimento. se nas etapas iniciais de desenvolvimento ou nas fases posteriores. Assim. com a demora no lançamento. processo. Processo de gerenciamento do desenvolvimento de novos produtos. os processos para solução de problemas. especialmente no que tange ao grau de inovação dos produtos e aos momentos em que se dá tal integração. Processo de Inteligência de Marketing. MOSEY et al. com os problemas de qualidade ou mesmo com a falta de mercado para o produto desenvolvido (CLARK e FUJIMOTO.1991). © 2006 eduardo romeiro filho 17 ufmg . projeto do produto Processo de Desenvolvimento do Produto No início dos anos 90 do século passado. estratégia. HART apud RIMOLI (2001) identificou seis fatores chaves de sucesso: pessoas. um processo eficiente de desenvolvimento de produtos é algo difícil de se realizar. incluindo a estrutura organizacional. já se podiam identificar empresas com efetiva capacidade para desenvolver produtos enquanto outras se defrontavam com os elevados custos alcançados. objeto de sua pesquisa em diferentes nichos. a cultura e a estratégia. e sem ele as empresas estão provavelmente fadadas ao fracasso. OLSON et al. Processo de geração de idéias. Esses autores completam. sendo que essa cooperação liga-se diretamente ao sucesso de um produto. com o fraco desempenho. as habilidades técnicas. Dessa forma. inclusive com a estratégia de negócios da companhia. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Operações (Manufatura). Processo de planejamento da estratégia de Marketing e . (2000) apud Freixo (2004) afirmam que o sucesso de diversas empresas. De acordo com esses autores. Essa consistência e coerência estariam presentes não apenas na arquitetura do sistema de desenvolvimento como também no detalhamento das atividades executadas. GRIFFIN (1997) também procura identificar as práticas mais comumente associadas às empresas em diferentes setores da economia com sucesso em desenvolvimento de produtos e a sua evolução e afirma que sem a manutenção de processos de desenvolvimento atualizados as empresa sofrem uma crescente desvantagem competitiva. estrutura organizacional. . afirmando que esses não são os únicos processos a serem considerados e que sua a atividade isolada é insuficiente para o sucesso da empresa. (2001) afirmam que o Processo de Desenvolvimento de Produto é um processo multidisciplinar em essência.

. venda e entrega de um produto. teste. desenvolvimento do conceito. Assim. 1991). Processo de Desenvolvimento do produto é o processo de negócio compreendendo desde a idéia inicial e o levantamento de informações do mercado até a homologação final do produto.. EPPINGER. ou mesmo um problema de projeto ou de produção. do processo e a transmissão das informações sobre o projeto e o produto para todas as áreas funcionais da empresa (ROSENFELD. Terminologia Sabe-se que uma parcela significativa do sucesso econômico das empresas está associada às habilidades destas em identificar as necessidades dos clientes e rapidamente criar produtos que atendam a essas necessidades e que possam ser produzidos a um custo relativamente baixo. Fonte: HART apud RIMOLI (2001). bem como de testes e análises de uso do produto. que envolve essas e outras funções. . projeto do produto Figura : Fatores chaves para o sucesso em desenvolvimento de produtos. sendo que. a forma de organização e de gestão do desenvolvimento de produto. 2001). conforme aponta Codinhoto (2003). . projeto do sistema. Processo de Desenvolvimento do produto é o processo que converte necessidades e requisitos dos clientes em informação para que um produto ou sistema técnico possa ser produzido. MORROW. © 2006 eduardo romeiro filho 18 ufmg . projeto detalhado. EPPINGER. 1994) e projeto e desenvolvimento do produto (ULRICH. detalhamentos e aperfeiçoamentos (SMITH. de acordo com Ulrich e Eppinger (2000). 1999 apud CODINHOTO. 2000).depto engenharia de produção . há diversas definições para o PDP: . atingir essa meta não é somente um problema de marketing. concepção. AMARAL. dos diversos projetistas. a empresa terá maior ou menor sucesso com a colocação do mesmo no mercado (CLARK e FUJIMOTO. Sendo um processo que faz uso das informações do mercado. São vários os termos utilizados para se referir ao processo de desenvolvimento do produto (PDP). 2000). necessários para a formulação de requisitos. projeto de engenharia (CROSS. de acordo com a estratégia. PAHL et al. 2005). definições. trata-se de um problema de desenvolvimento do produto. termos tais como: processo de planejamento e projeto (PAHL e BEITZ. refinamento e produção-piloto (ULRICH. passando pelo planejamento. das equipes de produção. Projeto e Desenvolvimento do Produto refere-se ao conjunto de atividades interdisciplinares que começa com a percepção da oportunidade de mercado e termina com a produção. 2003). Somando-se a isso. Desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma as informações de oportunidades de mercado e de possibilidades tecnológicas em informações vantajosas para a fabricação de um produto. 1996.

1993). 1993.2005). da elaboração de soluções iniciais. à medida que as definições relacionadas ao mercado (tamanho e exigências dos consumidores). dispondo de fases de atividade em um projeto de desenvolvimento típico – desenvolvimento do conceito. URBAN e HAUSER. . 1996.. Processo de Planejamento e Projeto é atividade multifacetada e interdisciplinar que tem como resultado o planejamento e esclarecimento de tarefas. PAHL et al. PAHL et al. . ROOZENBURG e EEKELS. e ao produto (desempenho desejado. que envolve mais funções em um negócio. PAHL e BEITZ. 2001. assim observa-se que é comum a divisão do PDP em função do grau de maturidade. sem que haja a possibilidade de ocorrer retrabalhos nas fases seguintes devido ao que foi entregue.2005). produção-piloto e lançamento (CLARK e WHEELWRIGHT. De acordo com O’brien e Smith (1994) apud Codinhoto (2003). da construção de estruturas modulares para a documentação final do produto (PAHL e BEITZ. CUNHA. ROSENFELD e AMARAL. apresente um objetivo a ser atingido. ULRICH e EPPINGER.) são claramente estabelecidas. CLARK e WHEELWRIGHT. maturidade do projeto é o momento em que o projeto (como produto) está definido suficientemente de modo a ser liberado para análise e utilização em atividades subseqüentes. Ainda analisando os modelos propostos para o PDP (CLARK e FUJIMOTO. etc. 1993). em geral. CRAWFORD e BENEDETTO. . parece ser consensual que o produto seja desenvolvido ao longo de fases.depto engenharia de produção . projeto do produto . pode-se verificar que não há uma regra previamente definida para a divisão desse processo. uma nova fase é iniciada. planejamento do produto. projeto. 2000 apud CODINHOTO. forma. 1996. possibilitando o estabelecimento de pontos de verificação e controle que contribuem para aumentar a eficácia do gerenciamento desse processo. à empresa (recursos e investimentos necessários). BUSS. 2001. segundo Codinhoto (2003). é bastante variável. 1993. Processo de Desenvolvimento de novos produtos é um processo decisório de cinco passos: identificação da oportunidade de mercado. © 2006 eduardo romeiro filho 19 ufmg .1995. 2000.1995).. engenharia do produto e do processo. através da identificação de funções requeridas. Pode- se observar que a denominação dada às fases. Pahl e Beitz (1996) colocam que a divisão do PDP em fases e em grupos de atividades é uma das maneiras utilizadas para lidar com a complexidade desse processo. distribuição e vendas (ROOZENBURG e EEKELS. Desse modo. 1991. assim como a sua divisão. introdução no mercado e gerenciamento do ciclo de vida (URBAN e HAUSER. 2003. segundo os diferentes autores. Codinhoto (2003) apresenta diversas propostas de divisão do PDP em etapas que são ilustradas na Figura. Desenvolvimento de Novo Produto ou Processo de Desenvolvimento compreende um complexo conjunto de atividades. Portanto. Desenvolvimento de Produto compreende o desenvolvimento de um projeto de um novo produto em coerência com os planos para a sua produção. Nota-se também que não há limites claros entre as fases. teste. somando-se essa colocação à análise das definições para o PDP. embora cada fase.

© 2006 eduardo romeiro filho 20 ufmg .depto engenharia de produção . de acordo com esses autores. cumprindo seu papel de mantenedor da competitividade da empresa. comumente representado como um processo de negócio. de acordo com Freixo (2004). ele deve ser executado de maneira integrada. como por exemplo. 2002). para descrever um processo de negócio podem ser utilizados modelos de referência que representem setores industriais específicos. o automotivo. de diversas pessoas com formações diferentes.). resultando no chamado Desenvolvimento Integrado de Produtos (DIP). com visões diferentes. Esses autores apresentam diversos modelos de referência de PDP oriundos de pesquisas realizadas nas áreas de Marketing.. as atividades nele executadas dependem de diversos departamentos. Modelos de referência de PDP Sabe-se. Desse modo. um modelo do processo de negócio pode ajudar a materializar as políticas e estratégias gerenciais e racionalizar o fluxo de informações e de documentos durante o desenvolvimento de produtos. o aeroespacial. no entanto. projeto do produto Figura : Divisão do PDP em fases segundo alguns autores pesquisados. administrativos etc. De acordo com ROZENFELD (1999). influenciando e sendo influenciado por outros processos de negócios da empresa (comerciais. ROMANO et al. Engenharia de Produção e Design (figuras . que não é possível pensar em desenvolvimento de produto como processo isolado. direcionado-a para um determinado mercado ou cliente. servindo de parâmetro de comparação para as empresas avaliarem e incorporarem melhorias em seus processos. contribuindo para a integração da empresa em torno de uma visão única e focalizada num tipo de negócio. etc. Fonte: CODINHOTO (2003). e ). Alguns modelos referenciais são oferecidos por áreas que têm como objeto de estudo o Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP) (BUSS e CUNHA. de informações advindas de diversas áreas da organização. (2001) coloca que para que o Processo de Desenvolvimento de Produtos ocorra satisfatoriamente. Assim.

Fonte: Buss e Cunha (2002). © 2006 eduardo romeiro filho 21 ufmg .depto engenharia de produção . Fonte: Buss e Cunha (2002). Figura : Modelos de PDP em Engenharia de Produção. projeto do produto Figura : Modelos de PDP em Marketing.

projeto do produto

Figura : Modelos de PDP em Design. Fonte: Buss e Cunha (2002).

Cabe ressaltar que dentre os modelos propostos por esses autores, alguns se limitam apenas ao processo de
projeto, como, por exemplo, o modelo proposto por Pahl e Beitz (1996), enquanto os outros consideram o PDP
como um processo de negócios que vai além da simples especificação técnica do produto.

A Administração, através de seus braços em Marketing e na Produção, preocupa-se com os aspectos
mercadológicos e de organização e controle da produção; a Engenharia, através de sua linha em Engenharia da
Produção, foca basicamente os aspectos referentes à engenharia do produto e ao desenvolvimento de seu projeto
técnico; e o Design preocupa-se principalmente com a caracterização do problema e com a investigação de
alternativas possíveis (BUSS e CUNHA, 2002).

Para KRISHNAN e ULRICH (2001), essas diferenças de abordagens e pontos de vista ocasionam uma
desconexão entre os modelos apresentados pela literatura. O quadro apresenta essas diferentes perspectivas em
relação ao PDP.

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projeto do produto

Quadro : Comparação das perspectivas das comunidades acadêmicas de Marketing, Organizações, Engenharia e Administração da Produção. Fonte: Krishnan e
Ulrich (2001).

E, portanto, de acordo com Roozenburg e Eekels (1995), o desenvolvimento de produto é um processo mais
amplo em que está incluso o projeto do produto.

Projeto - Terminologia
Ao se buscar a etimologia da palavra projeto, de acordo com Ferreira (1986), encontra-se a sua origem no latim
projectu que significa “lançado a diante”, ou seja, “idéia que se forma de executar ou realizar algo no futuro;
plano, intento, desígnio”; “empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema”.

Assim, “Estes são os significados mais puros para o termo ‘projeto’: intenção desígnio, idéia de fazer algo no
futuro, delineamento, esboço, etc. Entretanto, ao se evoluir das intenções para a ação, o termo projeto passou a
designar também o conjunto dos esforços que visam à realização do ‘projeto/intento’, do ‘projeto/esboço’ ou do
‘projeto/desígnio’ etc. Ou seja, o termo projeto passa a abranger também a fase de execução daquilo que foi
imaginado, desejado ou delineado, compreendendo um número, às vezes extremamente grande, de tarefas
interligadas e de complexidades variáveis. E mais, o projeto, assim entendido, passa a incorporar os meios que
lhe foram destinados para sua execução: escritório, gerente, equipe, materiais etc. O projeto, em uma acepção
ampla, passa a ser uma organização, ainda que transitória: tem estrutura, regras de funcionamento, objetivos,
gerência, equipe, insumos etc” (VALERIANO, 2004).

O termo projeto não detém um significado único. De acordo com Cassarotto Filho, Fávero e Castro (1999), o
termo projeto é comumente relacionado com um conjunto de planos, especificações e desenhos de engenharia.
Para esses autores, tal conjunto é chamado de projeto de engenharia, recebendo na língua inglesa a alcunha de
design.

No entanto, buscando um sentido mais amplo e dentro do contexto de desenvolvimento de produtos
(entendendo-se produtos como bens físicos e/ou serviços (GRIFFIN e PAGE, 1996)), Cassarotto Filho, Fávero e
Castro (1999) colocam projeto como sendo um conjunto de atividades interdisciplinares, finitas e não repetitivas
que visa uma meta definida com cronogramas e orçamentos preestabelecidos, ou seja, um empreendimento; e

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projeto do produto

recebendo, na língua inglesa, a designação de project. Contudo, os próprios Cassarotto Filho, Fávero e Castro
(1999) ressaltam que o desenvolvimento de um projeto de engenharia constitui, também, um projeto.

No PMBOK (2004), projeto é definido como um esforço temporário com ponto de início estabelecido e com
objetivos definidos para produzir um produto. O COED (Concise Oxford English Dictionary) citado por Dingle
(1997) define projeto como “um plano, tema, uma realização planejada”.

Dingle (1997) cita a Association of Project Managers (UK) que denota ao termo ‘projeto’ o significado de um
conjunto de tarefas inter-relacionadas que são realizadas por uma organização para atingir objetivos definidos,
tendo definidos início e final, delimitadas pelo custo e tendo especificado as necessidades requeridas e os
recursos. Esse autor também cita o British Standard Guide to Project Management que define projeto como “um
único conjunto ordenado de atividades, com pontos inicial e final definidos, realizadas por um indivíduo ou
organização para atingir objetivos específicos dentro cronograma, custo e parâmetros de desempenho definidos”.

Já, Prado (2003) elabora um interessante quadro em que se pode realizar uma comparação entre alguns termos
empregados em várias línguas com os seus correspondentes em inglês.
Inglês Project Design Drawing
Projeto / empreendimento /
Português (BR) Projeto / Desenho / Design Desenho
investimento / obra
Português (POR) Projecto Concepção Esboço
Italiano Projecto/Comessa Projectazione Disegno
Alemão Projekt Ausfuhrung Zeichnen
Francês Projet Desin Dessin
Espanhol Project Disegno Dibujo
Quadro : Comparativo de termos empregados relacionados com seus correspondentes em língua inglesa. Fonte: Adaptado de Prado (2003).

Sobre a utilização desses termos relacionados ao projeto e seus correspondentes em língua inglesa, Valeriano
(2004) faz um importante apontamento, como um dos sinônimos para projeto é “desígnio” do latim “designiu”
(FERREIRA, 1986) que significa “intento, plano, projeto, propósito”, a palavra design na língua inglesa tem a
origem na mesma raiz latina, no entanto, esta palavra tem outras acepções que correspondem à parte criativa,
cerebral e conceitual de atividades incrementais e/ou inovadoras, sendo amplamente empregada, não se
limitando apenas à engenharia. Isso, por vezes, acaba por provocar confusões; já que no âmbito na engenharia, o
design corresponderia ao projeto desprovido de suas partes gerenciais e materiais; o que em língua portuguesa
acaba por não se encontrar uma palavra com o mesmo significado, o que é reforçado pela análise elaborada por
Valeriano (op. cit.).

Métodos de Projeto

Pode-se considerar que o projeto encontra-se na interface entre a empresa e o mercado, cabendo a ele
desenvolver um produto que atenda às expectativas de mercado em termos de qualidade total do produto, no
tempo adequado, ou seja, mais rápido que os concorrentes, e a um custo de projeto compatível. Além disso, deve
também assegurar a ‘manufaturabilidade’ do produto desenvolvido, ou seja, a facilidade de produzi-lo
atendendo a restrições de custos e de qualidade.
Desse modo, Fachinello (2004) afirma que com a análise dos diferentes modelos referenciais apresentados na
literatura, pode-se perceber que, de maneira geral, as atividades consideradas pelos diferentes autores são
semelhantes em sua concepção, diferindo apenas em termos de sua apresentação e denominação. E como uma
forma de endossar sua afirmação, a autora adapta de Buss e Cunha (2002) uma tabela que ilustra os tais modelos
referenciais de alguns autores, como se observa a seguir.

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projeto do produto

Clark e Fujimoto Krishnan e Ulrich Pahl e Beitz Kaminski (2000) Crawford (2000) Kotler (1998) Bonsiepe (1984)
(1991) (2001) (1996)

Conceito Desenvolvimento do Especificação do Especificação da Identificação de Geração de idéias Problematização
conceito Projeto necessidade oportunidades

Planejamento do Projeto da cadeia de Concepção de Estudo de Geração de Conceito Triagem de idéias Análise
Produto suprimentos Projeto viabilidade

Engenharia do Desenvolvimento do Projeto Projeto básico Avaliação de Projeto Desenvolvimento e Definição do
Produto produto Preliminar Teste problema

Projeto do Teste e validação de Projeto Projeto executivo Desenvolvimento Estratégia de Anteprojeto
Processo desempenho Detalhado técnico Marketing

Produção Piloto Lançamento Planej. Produção Lançamento Análise Comercial Avaliação

Execução Desenvolvimento Realização

Testes de Mercado Análise final

Comercialização

Tabela : Modelos Referenciais das áreas de Engenharia de Produção, Marketing e Design - Fonte: Adaptado de Buss e Cunha (2002) apud Fachinello (2004).

Com a análise do que está colocado na tabela acima, observa-se que o projeto pode ser visto como uma
seqüência de atividades interligadas em que ocorre basicamente o processamento de informações. Segundo
Medeiros (1981), métodos de projeto de produto são definidos como sistemáticos ou intuitivos, sendo utilizados
de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido.

"A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para
que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas, inclusive pessoas não
pertencentes à equipe de projeto; para que se possa produzir uma maior qualidade, e não só quantidade de
soluções; e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções" (MEDEIROS,
1981).

Sistemas informatizados de apoio ao projeto
Projeto Auxiliado por Computador - CAD
De acordo com Pugh (1991), o âmago do projeto consiste em análise de mercado (necessidades do usuário),
especificação do projeto do produto, projeto conceitual, projeto detalhado, fabricação e vendas. Dessa forma,
para esse autor, todo projeto começa ou deveria começar com a necessidade, quando satisfeita, ajustará um
mercado existente ou criará um mercado para o produto. E assim, para fazer com que o projeto torne-se eficaz e
eficiente, deve-se utilizar técnicas diretamente relacionadas com a essência do projeto. O autor coloca que essas
técnicas compõem a “caixa de ferramentas” do projetista, ela pode ser de dois tipos: dependente da
disciplina/tecnologia e independente da disciplina/tecnologia. Sendo a primeira diretamente ligada à Engenharia
e à aplicação de seus conhecimentos no projeto.

Pugh (op. cit) também afirma que o projeto do produto representa a materialização do processo pelo qual a
empresa converte oportunidades de mercado em informações para sua fabricação, concretizando idéias,
conceitos e necessidades em um modelo físico para teste e avaliação. Dentro desse contexto, Back (1982) coloca
que o desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em
representações bi ou tridimensionais. Contudo, com base na bibliografia levantada, os meios para que essa
materialização ocorra são os sistemas informatizados de apoio ao projeto, sistemas CAD (Computer Aided
Design ou Projeto Auxiliado por Computador). Conforme coloca Medeiros (1981), o projeto do produto consiste
em identificar uma necessidade, definir as especificações do projeto incluindo todo o ciclo de vida que vai desde
a fabricação, produção, difusão, uso e desativação, e ferramentas informatizadas como CAE/CAD/CAM
fornecem um suporte técnico a fim de garantir a qualidade, rapidez e sucesso do processo.

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por outro. assimilação.cit. Heine e Grover (2001). GROOVER e ZIMMERS. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. Avaliação através da revisão de projeto e da realização de testes de fabricação e utilização virtuais que permitem esses sistemas. . o uso dos sistemas CAD tem transformado as práticas normais de trabalho de projetistas e engenheiros na indústria.depto engenharia de produção . . uma tecnologia multidisciplinar. de acordo com Malhotra. Dentro dessas seis etapas para projeto colocadas. O CAD é um sistema tecnológico bem conhecido que combina hardware e software. 1996. 1998. usando gráficos computadorizados para fornecer desenhos de componentes ou produtos como um todo. 1995). bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. (5) Avaliação. por um lado. sabe-se que o desenho técnico tem sido parte integrante da indústria há muitos anos e é o elo de ligação entre a Engenharia de Projetos e a Produção. (3) Síntese. sistemas CAD podem ser aplicados em quatro delas: . graças à grande e diversificada aplicação e à sua flexibilidade que facilita a realização de um projeto (GERELLE e STARK. sobretudo em termos industriais. HEINE e GROVER. A velocidade de compreensão gráfica pode alcançar uma proporção 50. . Análise e Otimização através da análise de Engenharia que pode realizada por meios computacionais. © 2006 eduardo romeiro filho 26 ufmg . Mas. Esses autores afirmam que em geral. Nnaji e Storr (1993) e por Romeiro (op. análise e síntese. desenhos realizados manualmente vem sendo substituídos por representações gráficas elaboradas através de computador. 1988. 1997 A e B). LUONG. Assim. ou Computer Aided Manufacturing. projeto do produto A partir da análise realizada por Medeiros (1981). Essa generalização é referendada por Rembold. na forma de sistemas CAD/CAM). ainda que associadas. adota-se o conceito segundo o qual o CAD é: “se considerado de forma bastante ampla. Síntese através da modelagem geométrica. MALHOTRA. 1995. CAULLIRAUX e COSTA. pode-se generalizar o processo projetual em seis etapas que devem ser seguidas seqüencialmente para se projetar novos produtos ou melhorar produtos já lançados: (1) Reconhecimento da necessidade. o CAD tem três aplicações: (1) Geração de desenhos de Engenharia. o método de representação manual vem sendo substituído pelo Projeto Auxiliado por Computador (CAD). Apresentação graças ao desenho automatizado e a possibilidade de comunicação de dados de projeto por meios digitais que esses sistemas propiciam.). (4) Análise e Otimização. ANUMBA. 2001). à sua utilização em conjunto com sistemas informatizados de auxílio à produção (CAM. que afirma: “A atividade principal de transformação (de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais) ocorre entre um estágio inicial de busca de informações.1984. Contudo. ou seja. Os sistemas CAD formam um conjunto bastante amplo de recursos tecnológicos de apoio às atividades peculiares envolvidas nas diferentes fases do processo projetual. e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto”. (6) Apresentação. Todavia. nos últimos trinta anos. (2) Definição do problema. à atividade de desenho e.000 vezes maior que a de uma leitura (GONÇALVES.

mostrando as características de sua operação e com essa animação é possível detectar problemas e sugerir ações corretivas. as atividades projetuais são vinculadas às ferramentas e aos aplicativos de tais sistemas na mesma medida que a tecnologia evolui. entre outras coisas. O CAD propicia o dimensionamento automatizado do desenho. ainda que não haja um consenso entre os autores que tratam do assunto no que se refere à definição de um conceito para sistemas CAD. entre outros. 2001). Nnaji e Storr (op. por fim a esses “muros” dentro do setor de projetos e deste com o restante da empresa e para que o CAD tenha realmente esse papel de integração. Percebe-se que o processo projetual se vincula e se relaciona cada vez mais a sistemas informatizados de auxílio. GROVER.isso diz respeito à produção de desenhos detalhados de trabalho usado para a comunicação de informações de projeto para o processamento. levando em consideração a organização das pessoas. tais como os sistemas CAD. © 2006 eduardo romeiro filho 27 ufmg . Modelagem geométrica – isso envolve o uso do computador empregando uma descrição matemática computacional da geometria do objeto em sua representação. NNAJI. o fluxo de informações e os materiais dentro da empresa ou da indústria. os procedimentos. permitindo a análise e a otimização do projeto. podendo ser em duas ou três dimensões. Definição do problema – no início dessa atividade. funções. (3) Comunicação com importantes departamentos da empresa. Automatização do desenho . desgaste. deixando saídas como consumo de energia. Muitos sistemas permitem a modelagem por elementos finitos e o cálculo de desempenho dinâmico do projeto. Contudo. dispondo assim de sistemas computadorizados e máquinas que não se comunicam com outras de outros setores). os equipamentos. Essa descrição matemática possibilita a animação do objeto. deve-se evitar que as diferentes equipes da empresa sejam separadas “por muros”. a adequação a processos de operação padronização e também o custo de produção.depto engenharia de produção . A integração e a flexibilidade como funções de projeto galgadas com a implantação de sistemas CAD só são alcançadas se a empresa promover um sério movimento de reestruturação organizacional. Rembold. os recursos. Aqui. projeto do produto (2) Análise conceptual de projeto. . de forma que as atividades e informações de projeto afetadas foquem-se nos objetivos do negócio da empresa. evitando. aliado à aquisição de um sistema que troque dados com os outros sistemas da empresa. 1993 e MALHORTA. . No entanto. programação de equipamento de manufatura. a geração de desenhos em diferentes vistas. o computador não é de grande ajuda. O computador permite que se verifique a possibilidade de manufatura e montagem do produto projetado. . STORR. se o produto já tiver sido projetado anteriormente. escalas e áreas. clientes e fornecedores. Daí. o projetista deve ser muito criativo para determinar as funções. a comunicação e a troca de informações (REMBOLD. implantação e utilização de um sistema CAD em projeto do produto pode ser compreendido como uma seqüência de atividades que se destinam à adoção e utilização do sistema (aplicativos. cabe aos gerentes e supervisores de projeto atuar buscando a cooperação. Já. segundo Scheer (1993). o planejamento de processos. Avaliação projetual – o projeto deve seguir regras específicas previamente estabelecidas e é isso que determina a eficácia do projeto. de forma que uma determinada atividade seja processada de forma modular dentro de cada equipe sem que aja contado ou interação com as outras equipes. conclui-se que o processo para adoção. HEINE. cit) afirmam que a aplicação do computador para projeto pode ser dividida em cinco áreas: . perspectivas. A adoção de sistemas CAD em projeto de produtos visa. . o computador torna-se uma ferramenta inestimável. já que ele pode sugerir um projeto existente e procurar por componentes e processos de manufatura padronizados. ferramentas. banco de dados etc). transferência de calor. Análise de Engenharia – isso é normalmente requerido por projetista. já que isso requer a experiência humana. interferência. o desempenho e a aparência do produto. alheios às necessidades da empresa e de outros setores e a um planejamento estratégico e de longo prazo. E esses dados podem ser coletados. a formação das chamadas “ilhas de automação” (setores da empresa que realizam a sua informatização. Portanto.

Etapa de Maturação: neste estágio. A relação entre promoção e vendas melhora em função do aumento nas vendas. dos produtos fabricados e de sua posição no mercado (bem como da situação da própria empresa). a taxa de crescimento das vendas diminui e tende a se estabilizar.depto engenharia de produção .planodenegocios. Etapa introdutória: caracteriza-se pelas elevadas despesas de promoção e pelo grande esforço por tornar a marca reconhecida pelo mercado. projeto do produto O Ciclo de Vida do Produto Pode–se dizer que o produto. pois o consumidor já se acostumou ao produto e começa a pressionar por redução de preços. Produtos que incorporam muita tecnologia tendem a decair mais rapidamente e normalmente são retirados do mercado pelo fabricante. Cada estágio apresenta as seguintes características1. em uma analogia com os seres vivos. Pode-se assim promover um interessante mapeamento do mercado atual.asp?tipo_tabela=artigo&id=29 Acesso em 15 de agosto de 2006 © 2006 eduardo romeiro filho 28 ufmg .br/dinamica_artigo. os preços costumam ser mais altos em razão da baixa produtividade e custos tecnológicos de produção e as margens são apertadas em função do valor que o mercado se dispõe a pagar. Nesta etapa. Etapa de Crescimento: ocorre a partir do momento em que a demanda pelo produto aumenta.com. maturação e declínio. crescimento. bem como o de concorrentes. 1 Fonte: http://www. é possível especificar em qual estágio do ciclo de vida encontram-se os produtos da sua empresa. passa por quatro etapas de desenvolvimento: introdução (nascimento). A velocidade com que isso ocorre depende de características do produto. É um momento em que as vendas brutas se mantêm no nível do crescimento do mercado. Desta forma. Etapa de Declínio: esta etapa marca o processo de desaparecimento do produto no mercado em função do declínio insustentável nas vendas.

Desta forma. A figura ao lado. os investimentos com projeto e montagem da linha de produção serão amortizados ao logo do ciclo de vida do produto. revela o numero de alterações realizadas em projetos de automóveis por duas montadoras. na prática. as alterações. ou seja. É interessante perceber que. apresentada por diversos autores das áreas de desenvolvimento de produtos. ao longo do desenvolvimento de seus produtos. o projeto do produto continua após o lançamento. como pode ser visto na figura abaixo: Também o projeto possui seu ciclo de vida.depto engenharia de produção . seqüenciais entre si. projeto do produto As fases do ciclo de vida podem ser relacionadas também a fatores como custos de produção e lucros advindos do produto. M ontadora Am eric ana Mudanças de Projeto M ontadora Japonesa 90% do total de m udanças completadas MESES 20~24 14~17 1~3 3 Antes do lançam ento A pós o lanç am ento © 2006 eduardo romeiro filho 29 ufmg . que por muitas vezes estende-se até após o lançamento do produto. no caso da empresa americana. uma americana e outra japonesa. o que demonstra que as fases do ciclo de vida não são.

uma marca poderia viver para sempre. durante o estágio de crescimento. planos de ação incluem cortar preços e reduzir recursos de marketing. Acesso em 15 de agosto de 2006.copernicusmarketing. a curva clássica em "S". Por exemplo. E este é um erro perigoso e caro de se cometer. Mesmo que uma marca "morra" (figurativamente falando. serviços e. Parece muito fácil. Se considerarmos que a grande maioria de novos produtos e serviços não dura até seu 3º. No estágio de declínio. quase o mesmo que leões e tigres. Camel. Ciclo de Vida de Produto: Uma I déia Perigosa Por Kevin J. Mencionado pela primeira vez em 1920 por economistas referindo-se à indústria automobilística. BrandWeek O ciclo de vida do produto é um dos conceitos mais conhecidos no planeta. sem novos picos e quedas. etc. projeto do produto Dois diferentes pontos de vista sobre o Ciclo de Vida do Produto: 1. da maturidade ao declínio. © 2006 eduardo romeiro filho 30 ufmg . seguem firmes em suas categorias tendo passados 100 anos ou até mais. fabricantes e modelos de bens de consumo diversos. e por fim a morte. Como o profissional de marketing deve saber em que padrão sua marca se encaixa? Se o profissional de marketing não sabe qual o padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. apesar de ser universalmente conhecido.depto engenharia de produção . a produtos. o padrão "ciclo-novo ciclo". nós estimamos que a média de expectativa de vida é de 13 anos. Mas este número é realmente sem sentido uma vez que marcas não necessariamente têm um fim. entrar em novos segmentos de mercado ou expandir a distribuição.com/copernicus-port/articulos/ciclo_de_vida_de_produto. a uma marca. mas veja que pesquisadores identificaram pelo menos 17—isso mesmo. o termo aplica um conceito biológico a marcas. Coca Cola e Gillette. pois seus gerentes cortam seus recursos ou literalmente saem do negócio). da qual a "vida" está completamente nas mãos de seus gerentes e concorrentes. independentemente se já estava indo ou não nesta direção. ela pode retornar. em particular. revistas.htm. por exemplo. Budweiser. eletrônicos—realmente qualquer produto imaginável—classificando cada um em fases do nascimento ao crescimento. planos de ação incluem aprimorar a qualidade do produto ou adicionar mais características a ele. Bem gerenciada. Porém. Krieg2 Marços 2004. talvez com uma maior limitação de distribuição. não há nenhuma estatística publicada quanto a media de vida de marcas. muitos acreditam que é totalmente absurdo tentar determinar uma semelhança entre seres vivos. desde carros. 17— padrões diferentes de ciclo de vida do produto. Existe o padrão "crescimento-declínio-maturidade". Corte seus recursos e a marca irá para o fundo. De fato. ou talvez seja um nivelamento das vendas. O ciclo de vida do produto faz com que os profissionais de marketing cometam erros por causa da premissa básica do conceito de que produtos requerem estratégias diferentes para estágios diferentes no seu ciclo de vida. em geral ou por categorias. como poderá por em pratica ações prescritas de cortar recursos de marketing. aniversário (porém outros vivem bem mais de 100 anos). tudo que um profissional de marketing tem que fazer é identificar em que estágio sua marca se encontra e seguir as estratégias prescritas a fim de maximizar seus lucros naquele estágio. do crescimento a maturidade. apenas uma maturidade contínua. Talvez a marca esteja apenas passando por um leve declínio antes de um forte impulso em outro período de crescimento. 2 Fonte: http://www. que tem expectativas de vida e desenvolvimentos predeterminados geneticamente e de curso incontrolável. Diferente de seres vivos. este conceito não é unanimemente aceito. os adeptos explicam. Clancy e Peter C. American Express. Para aplicar o ciclo de vida do produto à sua marca.

existem muitas coisas que você pode fazer para duplicar a expectativa de vida de uma marca. já que toda empresa vê o ciclo de vida do produto de modo similar. Porém. Com isso. 2. se tornou disponível—uma opção cientificamente embasada e realmente útil para os profissionais de marketing. o conceito é central em estratégias de marketing e de posicionamento da maioria das empresas. pode ou não ser relevante para uma determinada marca.com. o marketing está mexendo no próprio conceito de ciclo e redefinindo fronteiras entre tipos de produto. Lemon e Zeithaml. e certamente não está diretamente relacionado ao incremento de lucratividade. numa luta sem fim para diferenciar e rejuvenescer o artigo. a fim de identificar se está em seus momentos finais ou se ainda está em forma. rejuvenesce categorias e cria novos mercados. bem como não existe uma forma cientifica de medir e indicar a sua localização exata no ciclo. Como Nariman Dhalla e Sonia Yuseph escreveram para o Harvard Business Review há quase 30 anos. relativamente a seus concorrentes. O movimento contra o conceito de ciclo de vida do produto tem existido há anos. Apesar disso.xml Acesso em 15 de agosto de 2006. o modelo estreitou a visão do pessoal de marketing. Uma conseqüência dessa visão limitada é um reflexo competitivo que leva o produto a “crescer” à medida que amadurece. Liberte-se do ciclo de vida do produto 3 Por Youngme Moon Não há nada de inevitável no ciclo de vida de um produto.depto engenharia de produção . Se uma marca tem um baixo valor. Customer Equity—ou seja. auxiliando na gestão do avanço metódico de produtos ao longo de uma curva de sino — do lançamento e crescimento à maturidade e declínio. projeto do produto Simplesmente não tem como um profissional de marketing saber que padrão de ciclo de vida do produto se aplica a sua marca. mais ela irá "viver" independentemente de sua vida cronológica. que tende a enxergar só uma trajetória possível para produtos de sucesso: avanço inexorável ao longo da citada curva. o valor dos clientes para uma marca—é uma medida muito mais preditiva de quanto é provável que uma marca "viva" se a empresa mantiver o status quo (Se desejar saber mais sobre o assunto recomendamos o premiado livro Driving Customer Equity. A primeira coisa é parar de usar o antiquado. Até hoje. Não existe nada especifico sobre isso. Enquanto não há nada que você possa fazer para que um cão viva 75 anos. é comum adotarem uma solução parecida de posicionamento de produtos e serviços em cada fase do ciclo. Quanto mais valor uma marca tem. Um fabricante de creme dental antigamente ponderava só duas dimensões — 3 Fonte: http://ultimosegundo. apenas recentemente outra opção de avaliação e quantificação da saúde da marca. inútil e perigoso conceito de ciclo de vida do produto. Num clássico publicado pela Harvard Business Review em 1965. Também tenha em mente que as ações recomendadas a cada estagio são baseadas puramente em observações e estórias do que outras empresas fizeram. © 2006 eduardo romeiro filho 31 ufmg . de Rust. "o ciclo de vida do produto é uma variável dependente determinada pelas ações de marketing. Theodore Levitt apresentou a profissionais de marketing o conceito de ciclo de vida de produtos e mostrou como torná-lo um “instrumento de força competitiva”.br/materias/harvard/2280501-2281000/2280882/2280882_1. no qual baseamos muito do nosso próprio trabalho de customer equity).ig. não uma variável independente à qual as empresas devem adequar seus programas de marketing". o marketing sobrepõe novos recursos aos atributos que o produto já tem. Esta é inclusive uma ferramenta muito mais prescritiva. por mais útil que tenha sido nos últimos 40 anos. Hoje. Em geral. E. seus gerentes sabem que precisarão de uma dose séria de marketing transformacional a fim de fazê-la saudável novamente e prolongar sua vida.

descobri que suas estratégias convergiam num ponto: ao posicionar — ou. o produto amplificado vira o produto esperado e precisa. Uma empresa pode usar cada uma das estratégias para alterar. o ambiente competitivo de um produto. pode resgatar itens que estão claudicando na fase de maturidade e devolvê-los à fase de crescimento do ciclo de vida.com. pode ser observa da trajetória de mudança de tecnologia. muitas vezes. Com isso. Outra observação a ser feita é que a tendência do aumento das unidades de monitores de LCD durante os anos de 2002 a 2008 é maior do que o declínio dos monitores de CRT.br/conteudo/downloads/Samsung. uma empresa pode usar tais técnicas para partir para a ofensiva e transformar uma categoria com a demolição de fronteiras tradicionais. Clayton Christensen mostra como tecnologias inusitadas e simples podem revirar o mercado. Trabalho de Graduação em Engenharia Mecânica. Petterson Eduardo Bernardes de Paula. Ciclo de vida do produto: Um exemplo . como em outros casos. "Um Estudo Ergonômico e Econômico Sobre a Substituição dos Monitores de CRT Por Monitores de LCD na Escola de Engenharia". o posicionamento inovador associa o produto a uma categoria radicalmente distinta. Casos semelhantes podem ser identificados na substituição dos discos de vinil pelos CDs. hoje. Belo Horizonte: UFMG. ser novamente turbinado para seguir competitivo. a partir do declínio da tecnologia de vídeos CRT (de Tudo de Raios Catódicos) e LCD (Monitor de Cristal Líquido).depto engenharia de produção . a placa bacteriana. 4 PEREIRA. Daí qualquer creme dental remover. Junho de 2006 5 Todas as figuras deste item possuem como fonte: RESELLER CONFERENCE. descrevo três estratégias de posicionamento usadas pelo marketing para promover a mudança mental do consumidor: o posicionamento reverso subtrai recursos “sagrados” do produto e acrescenta novos. catapultar novos produtos para tal fase de crescimento. Observa- se. enquanto os monitores de CRT sofrem um declínio também constante. Youngme Moon é professor associado de marketing na Harvard Business School.pdf acesso em 09 de agosto de 2005. Disponível na internet URL:http://www. ainda. e não a novas tecnologias. Hoje. Nas circunstâncias certas. © 2006 eduardo romeiro filho 32 ufmg . desde “previne doenças na gengiva” a “branqueador” a “remove a placa bacteriana”.resellerconference. a empresa pode alterar o modo como o consumidor mentalmente os categoriza. uma progressiva substituição da antiga tecnologia predominante por outra. Em entrevistas com os executivos por trás desses êxitos. Neste caso. Pode ser observado no gráfico um crescimento constante das unidades de monitores de LCD. mais moderna. é obrigado a oferecer uma série crescente de atributos. Online. O Mercado Mundial e Nacional de Monitores Nesta seção será mostrada a tendência nacional e mundial sobre o mercado de monitores de CRT e LCD. Mas não precisa ficar só nisso. analisei dezenas de empresas e produtos de sucesso que desafiaram as “regras” do ciclo de vida. 4 A seguir é apresentado um exemplo de análise de mercado a partir do ciclo de vida do produto. evitando obstáculos que poderiam retardar a aceitação pelo público. Ao adotar por instinto o velho paradigma do ciclo de vida. A proliferação de recursos e atributos que ocorre à medida que o ciclo de vida avança pode criar excessos que deixam o produto vulnerável a uma rival disruptiva com tecnologia mais simples. De modo análogo. Com o tempo. Neste artigo. o marketing condena desnecessariamente o produto a seguir a curva que leva da maturidade ao declínio. gerador de ruptura. A figura 15 mostra a evolução no mundo dos dois tipos de monitores no período entre 2002 a 2008. as estratégias de que falo podem explorar a vulnerabilidade de categorias já estabelecidas a um novo posicionamento. em proveito próprio. Nos últimos cinco anos. em Boston. É duro vencer uma disputa dessas. bem como no caso da mudança do videocassete para sistemas DVD. Em seu modelo de inovação. Pode. e o posicionamento camuflado oculta a verdadeira natureza do produto para habituar o público desconfiado à novidade. Empresas que conseguem gerar ruptura numa categoria com o reposicionamento criam um ambiente lucrativo para oferecer sua mercadoria — e podem deixar totalmente perdidas as líderes da categoria. projeto do produto “hálito refrescante” e “combate a cáries” — para enfrentar a concorrência. reposicionar — seus produtos de forma inesperada. portanto.

apresentam uma redução no seu valor conforme os anos passam. 2003-2008 A figura 2 mostra a evolução do preço médio no mundo dos monitores de LCD no período ente 2003 a 2008. No mercado Brasileiro de monitores também apresenta uma tendência para o aumento das unidades de monitores de LCD no país. para seus diferentes tamanhos. Conforme o tamanho da tela diminui a queda nos preços praticamente não apresenta grandes alterações. Pode ser observado que todos os monitores de LCD. projeto do produto Figura 1 – Evolução no Mundo (Unidades) CRT x LCD. isso fica ilustrado na figura 3. Outra observação s ser feita é que os monitores de maior tamanho mostram uma queda nos seus preços mais significativa dos que os modelos de menor tamanho.depto engenharia de produção . O crescimento da aquisição de monitores de LCD é bem mais elevado do que a taxa de queda dos monitores de CRT. 2003-2008. Figura 2 – Evolução do Preço Médio no Mundo LCD. © 2006 eduardo romeiro filho 33 ufmg .

Pode se observado que os preços dos monitores de LCD no Brasil são mais caro do que os comparados mundialmente para os diferentes tamanhos de tela. conforme o tamanho da tela aumenta a diferença entre os preços dos monitores comparados entre o Brasil e o mundo cresce. Pode ser observado na tabela que os modelos convencionais de 15 e © 2006 eduardo romeiro filho 34 ufmg .depto engenharia de produção . Também fica claramente observado que. 2003-2008 A figura 4 mostra uma comparação entre o Brasil e o mundo a respeito do preço médio do monitor LCD por tamanho de tela em 2004. Figura 4 – Preço Médio do Monitor LCD por tamanho de Tela (Brasil x Mundo). projeto do produto Figura 3 – Evolução do Mercado Brasileiro de Monitores por Tipo de Tela (CRT x LCD). 2004 A figura 5 mostra uma previsão do mercado Brasileiro de monitores de CRT por tamanho de tela entre os anos de 2003 a 2008.

Figura 6 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores de LCD por Modelo. sendo os modelos mais requisitados. sendo mais pronunciada para o monitor de 15 polegadas. Da mesma forma. atingindo no máximo 8 % em 2008. existe uma tendência no aumento das unidades de monitores de tela plana de 17 polegadas.6 fica evidente que a participação de monitores de LCD com tamanho de tela inferior a 15 polegadas não terá utilidade no mercado. os monitores de 15 e 17 polegadas apresentaram um crescimento equivalente após 2003 e somam 94 % de participação no mercando em 2008. projeto do produto 17 polegadas apresentarão queda após 2005. a qual começou em 2003 e se estendeu até 2005. Porém. 2003-2008 A figura 6 mostra a previsão do mercado Brasileiro de monitores de LCD por modelo entre os anos de 2003 a 2008. Após 2005. de tela plana de 17 polegadas. esses monitores. os monitores de 19 polegadas tendem a apresentar um pequeno aumento na sua participação entre os anos de 2003 a 2008. os modelos maiores do que 18 polegadas terão uma participação bem restrita no mercando. 2003-2008 © 2006 eduardo romeiro filho 35 ufmg . Figura 5 – Previsão do Mercado Brasileiro de Monitores CRT por Modelo. No entanto.depto engenharia de produção . Observando a tabela 3. apresentarão um leve aumento na sua taxa de crescimento. Entretanto.

Distribuição. seja na compreensão das forças atuantes neste ambiente. mapear as tendências em termos de desenvolvimento tecnológico e preparar estratégias que venham a atender aos interesses da empresa em sua atuação no mercado. área de ação onde o marketing é mais evidente. 6 A situação do Setor de Marketing nas Empresas é definida por autores como Slack et all (2002) como uma das três funções essenciais ao funcionamento da empresa. ou mercadização). Johnston. N. não se trata apenas de compreender os desejos dos consumidores. O marketing (ou mercadologia.. Pesquisas de Mercado.. surgiu de forma estruturada após a Segunda Guerra Mundial. a fim de atingir o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis”. Chambers. S.. A partir desta abordagem ampla. incluindo o próprio desenvolvimento do produto como uma das atribuições do marketing (como abaixo). 2002. como um dos efeitos da disseminação da produção em massa. muitas vezes contribuindo para sua implantação. C. © 2006 eduardo romeiro filho 36 ufmg ...depto engenharia de produção . A. o marketing (ou mercadologia) é responsável pelas diferentes formas de interação entre as empresas e o meio ambiente no qual estão inseridas. Política de Produtos. Administração da Produção. Presidência Produção Vendas/ Administração/ Marketing Finanças Desta forma.. 6 Slack. Abrange (segundo definição da Associação Americana de Marketing) todas as atividades que envolvem o fluxo de bens e serviços entre produtor e consumidor. as funções ligadas ao Marketing incluem O Projeto do Produto I . Harland. . projeto do produto Marketing: Abrangência e Ferramentas. R. Neste caso. Harrison. São Paulo: Editora Atlas. ao lado das áreas (ou funções) de produção e desenvolvimento de produtos. Outros autores vão além. mas também acompanhar a evolução da empresa.. É o conjunto de atividades sistemáticas de uma organização humana (empresa) voltadas à busca de realização de trocas para com seu meio ambiente O que o Marketing sugeriu. Divulgação e Promoção. aspectos como Compra e Venda. O Marketing pode ser definido como o “esforço contínuo de coordenar diversas variáveis (acima) a partir de determinados objetivos voltados à transação de bens e serviços. avaliar as ações da concorrência.

mas tendo em vista a complexidade das informações a serem coletadas e analisadas. dinheiro fácil e facilidades para aquisição de bens a crédito. seja em nível estratégico como na implementação de ações que visem à melhoria dos resultados obtidos e. visando benefícios específicos (mercadológicos). peça fundamental à análise do mercado e preparação da empresa. provenientes de abordagens voltadas à melhoria da qualidade: 1. pode-se indicar o impacto sobre a indústria automobilística mundial das duas grandes crises do petróleo. em especial a primeira. O SIM é fundamental para o sucesso da empresa. o que costuma resultar em estratégias de ação muitas vezes equivocadas e resultados desastrosos.depto engenharia de produção . são aspectos normalmente pouco valorizados pelas empresas. Avaliação – que se propõe a exercer controles sobre os processos de comercialização e de interpretar seus resultados a fim de racionalizar os futuros processos de marketing. Neste caso. 2. que são claramente inspirados nos ciclos PDCA. Entretanto. é normalmente de difícil elaboração e compreensão. 4. Os quatro “A” do Marketing Análise ou marketing mix Vale considerar que as etapas ligadas às etapas de Análise e Avaliação são executadas por grupos ligados a funções de apoio e staff. Entre as principais atribuições do marketing estão os “quatro A”. bem como a análise criteriosa das informações resultantes. Adaptação – atividades desenvolvidas com o intuito de ajustar a oferta da empresa – sua linha de produtos e/ou serviços às forças externas detectadas através da análise. seria injusto atribuir à área de marketing a responsabilidade pela previsão de tendências de mercado que muitas vezes estão além de meras ações da concorrência. a competência da indústria automobilística japonesa para projeto e fabricação de © 2006 eduardo romeiro filho 37 ufmg . Estas crises. Como exemplo. Ativação – como o conjunto de medidas destinadas a fazer com que o produto atinja os mercados pré- definidos e seja adquirido pelos compradores com a freqüência desejada. A forma de coleta de dados. projeto do produto (outras empresas). interromperam um ciclo da indústria que se baseava em premissas de tendências de mercado que o tempo demonstrou equivocadas: petróleo abundante e barato. 3. da própria avaliação destes resultados. Estas etapas visam à formação do SIM – Sistema de Informações Mercadológicas. listados a seguir. em 1973 e 1978. Análise ou marketing mix – ação voltada para compreender as forças vigentes no mercado em que a empresa opera ou pretende operar no futuro. em última análise.

A análise pode ser considerada. concorrentes e consumidores. e apesar de inúmeros exemplos onde os instrumentos de análise do mercado mostram-se limitados. que inclui dados relativos à empresa. tendo em vista a escassez e “bagunça” dos dados. que acabaram por levar. Decisões de investimento ou “desinvestimento”. © 2006 eduardo romeiro filho 38 ufmg . esta atividade é cada vez mais importante para a definição de estratégias de ação para as empresas. Entretanto. contribui para a formação do SIM. sua área de atuação. à consolidação da Toyota como maior fabricante de automóveis do mundo.depto engenharia de produção . participação no mercado. 3. Confrontos entre planos e parâmetros. como estatísticas e histórico de vendas. de maneira muito sucinta. mas somente daquelas que se mostrarem relevantes para a compreensão das forças que levaram a mudanças no mercado onde a empresa atua. 4. Ainda assim. por meio de técnicas diversas e sofisticadas. Sistema de I nformações de Marketing Dentre as principais aplicações do Sistema de Informações de Marketing estão: 1. que incluem aspectos como vendas por segmento. deve-se considerar que é essencial a organização das informações. 2. informações econômico/sociais e outras. normalmente a empresa enfrenta problemas para a elaboração deste sistema de informações. ou por outro lado a existência de relatórios e dados abundantes. bem como o acompanhamento de avanços tecnológicos. como a investigação do mercado. porém mal utilizados. Prognósticos e previsões. Esta análise. quase trinta anos depois. dentre as quais possíveis tendências sócio-econômico-culturais. projeto do produto automóveis compactos (considerados pouco desejáveis até então). Controle das atividades básicas da empresa. Neste caso. bem como sua capacidade de rápida resposta às mudanças de mercado na forma de novos produtos com características adequadas aos novos tempos mostraram-se implacáveis para a conquista de novos mercados (em especial nos EUA).

Este é um reflexo de mudanças no padrão social que leva um número cada vez maior de pessoas a realizar pequenos lanches fora de casa. projeto do produto Adaptação As atividades de adaptação são aquelas executadas pela empresa que visam ajustar as características do produto (bem ou serviço) às forças do mercado. à medida que contribuem para a reflexão contínua da equipe sobre seu trabalho. alimentos. por meio da adequação de forças controláveis (aspectos e forças internas da empresa) às incontroláveis (meio ambiente no qual a empresa está inserida). Normalmente estão envolvidos também engenheiros. As diferentes versões de comida congelada. onde sua atuação é mais evidente. ideais para um pequeno lanche e para apenas uma pessoa. A equipe de design da empresa (neste caso é equivocado imaginar que esta equipe seja formada apenas por designers industriais.. se estes conflitos não forem gerenciados de forma conveniente podem gerar uma série de confrontos e ressentimentos quase sempre prejudiciais. sem grandes exageros. conflitos estes que poderão gerar uma série de atritos. A marca é muitas vezes considerada. e a produtos de baixo apelo aos consumidores. Neste caso. nem sempre claramente tangíveis. O tempo de consolidação da marca e a confiabilidade que ela expressa podem ser observados em inúmeros casos.depto engenharia de produção . arquitetos. administradores. Outra tendência interessante é esta redução de porções: é cada vez mais comum que biscoitos sejam vendidos em embalagens de até oito unidades. no caso de produtos duráveis. O Projeto do Produto I I I . A equipe de design. Já naquela época as características de qualidade © 2006 eduardo romeiro filho 39 ufmg . que consideram aspectos tradição. são decorrentes de alterações sociais que vão desde o movimento feminista (que levou as mulheres a valorizar o trabalho fora de casa) até a redução do número de filhos (que torna as porções cada vez menores. com a mínima adição de conservantes. as mercadorias eram normalmente associadas à tradição artesanal e os critérios de escolha (com exceção do preço) eram basicamente identificados pelo cliente: detalhes de acabamento e materiais utilizados. odor e sabor. Como exemplo. no sentido de adaptá-los à realidade observada durante a fase de análise. Uma análise incorreta e/ou incompleta normalmente leva a resultados limitados em termos de design. Até o início do século XX. como o maior patrimônio da empresa. Neste ponto torna-se claro que o marketing vai muito além das funções ligadas à área de vendas. e embalagens adequadas a porções individuais). Nesta fase são especialmente importantes boas relações entre as áreas de Marketing e as de Produto e Fabricação. muito bem explorados pela publicidade. Isto se dá em função de uma imagem associada ao produto (e à marca). psicólogos e outros profissionais) é responsável basicamente pela transformação de informações verbais coletadas e estruturadas pelo marketing em sua análise do mercado em soluções técnicas (ou serviços) que atendam às especificações levantadas. que serão rapidamente descritas a seguir: Design.. no caso de Como foi projetado pela Engenharia. aspectos como cor. Entretanto. visando a redução de conflitos entre os diferentes grupos na empresa. mas requer um envolvimento com toda a política de produtos da empresa. Entre as principais funções da marca está a identificação da origem. para uma ou duas pessoas apenas). podemos citar diferentes casos onde os produtos alcançam o sucesso por sua adequação às características de mercado. em trabalho conjunto ao marketing. levando a resultados abaixo das expectativas da empresa. imagem e capacidade de ser relembrada pelo consumidor.. Marca. o que é particularmente interessante ao projeto de novos produtos. Neste ponto se inicia a integração da equipe de marketing com outras áreas da empresa. Conflitos de opinião entre membros de diferentes equipes na empresa (e mesmo entre aqueles de uma mesma equipe) são considerados normais e até benéficos. por meio de algumas “Ferramentas de Adaptação” do produto ao mercado.. que fazem sucesso atualmente. é importante ressaltar que a interação entre equipes é fundamental para o sucesso do design. contando inclusive com cotações específicas. que pode ser traduzido como uma série de atributos de qualidade. É correto afirmar que a marca é um dos componentes mais importantes para a decisão do consumidor na hora da compra. estimulando o desenvolvimento de novas alternativas e soluções. bem como a clareza e completude das informações levantadas durante a análise de mercado. deve compreender o efeito de tendências (como o desejo de alimentação saudável e de baixo custo) para o desenvolvimento de novos produtos (linhas de alimentos que mantenham suas características de composição ao longo do tempo.

Além disso. a equação era bastante simples: O preço é igual ao custo. a marca atua como importante elemento de concorrência pela empresa. pior. Um bom exemplo desta situação está nas diferentes embalagens para o leite: plásticas. à esportividade. a embalagem oferece vantagens como a economia por meio da utilização de refil e da variedade de tamanhos em função das necessidades do consumidor (como no caso de refrigerantes que vão desde o “caçulinha”. as características associadas à marca passaram a ser determinantes para a escolha pelo consumidor. projeto do produto eram associadas à origem (o Vinho do Porto. passando por 290ml. Por fim. fabricantes de produtos em série para um público cada vez maior. quando se tratava de objetos de luxo. mas com aumento de custos para embalagem. Neste caso. a embalagem contribui também para facilitar o manuseio de produto. diferencia a empresa de seus concorrentes (como nas gôndolas de supermercados) e é a base da imagem do produto. podendo ser inclusive considerado como um produto à parte. seja durante o transporte como em seu período de exposição no ponto de venda. o que facilita a retirada do produto no momento da aplicação. As embalagens são também essenciais para a proteção do produto e para a garantia de sua integridade durante o transporte e armazenagem até o consumo. à economia etc. tornava-se simples para a empresa absorver os altos custos de sistemas O que foi produzido. muitas vezes o xampu possui abertura na parte superior da embalagem. Com efeito. fosse esta produção eficiente ou não. xampus e sabonetes.. em confronto ao tratamento UHT. seja no transporte ou durante o próprio uso. o leite pasteurizado requer refrigeração constante e garante o produto por alguns dias. em papel.. mas ainda de forma genérica. pois serve para a proteção contra imitações. A embalagem tornou-se um componente extremamente importante para o produto. à robustez. pois podem vincular toda uma linha de produtos a determinado perfil de consumidores. em materiais mistos. em função de uma demanda sempre maior do que a oferta. Na indústria automobilística surgiram marcas associadas ao luxo. Embalagem. nos tempos áureos da produção em massa (que vão até a década de 1960 nos países centrais e até 1980 no Brasil).depto engenharia de produção . mais denso. bem como com a oferta de brindes (que muitas vezes são novos produtos do mesmo fabricante). ou ao autor. à performance. por meio de uma simples visita ao supermercado. merecedor de um tratamento de projeto muitas vezes mais sofisticado do que o próprio produto. enquanto o creme rinse. 2 litros e outros. © 2006 eduardo romeiro filho 40 ufmg . Cada uma destas embalagens requer um tratamento específico para o produto (pasteurização ou processo UHT – Ultra High Temperature) e proporciona condições distintas para transporte e no que se refere à conservação. Preço É comum se imaginar que o preço é um componente do produto determinado pela empresa fabricante. que permite armazenagem por meses. Neste sentido. A embalagem tem por função básica proteger o produto. A embalagem também contribui para o fortalecimento da imagem da marca ou da empresa. foi definido como de origem controlada já no século XVIII). não restava ao consumidor opção senão a de arcar com os custos de produção do fabricante. Sendo muitas vezes a principal interface com o usuário. serve também para realçar o produto. estimulando a fidelidade do consumidor. Algumas embalagens. Mesmo em produtos de uma mesma linha. tornaram-se ícones comparáveis ao próprio produto. acrescido do lucro desejado (P=C+L). de 200ml até embalagens “tamanho família”. por exemplo. Como a demanda era exagerada. tem sua abertura na parte inferior. As embalagens servem também para a promoção de vendas. onde embalagens e rótulos semelhantes determinam famílias de produtos que vão desde perfumes a cremes para pele. Desta forma. Neste caso. em vidro ou plástico). era possível à empresa determinar o preço em função de seus custos de produção. em especial em um mercado onde a concorrência é cada vez mais acentuada.. em garrafas de vidro (atualmente praticamente extintas). 600ml. O Projeto do Produto I V. Um exemplo ainda na área de cosméticos são as embalagens de xampu e cremes para cabelo. fossem os custos controlados ou não e. Casos como estes são comuns em produtos como linha de perfumes. como a da Coca-Cola. É fácil perceber. como ocorre uma verdadeira “guerra” entre as embalagens expostas nas gôndolas. Estas políticas são particularmente úteis se associadas à publicidade. como por exemplo com ofertas do tipo “leve 3 e pague 2”. de três litros. Embalagens para líquidos e cosméticos são cada vez mais elaboradas e servem como principal interface entre produto e consumidor.. 1 litro. em latas (em algumas cidades do interior do Brasil ou no caso do leite em pó). A partir do surgimento de grandes empresas. fosse a qualidade controlada ou não.

sob pena de tornar-se inviável para a empresa. atendendo às necessidades de conservação e condições de uso. e ainda hoje. a criação de anedotas e “slogans negativos” a partir de experiências de consumidores com produtos. com novos competidores e novos produtos em oferta. para cada cliente que entra em contato com a empresa em busca de ajuda. seja tendo em vista questões de legislação (como leis de defesa do consumidor) ou de aumento da concorrência. Tendo em vista as características do mercado interno. como se este fosse de extrema necessidade. Atualmente o mercado brasileiro possui mais de dez opções de modelos no segmento dos sub-compactos (segmento onde o modelo Corsa ainda concorre). em hora e local apropriados. até meados da década de 1980. dentre as quais duas particularmente perversas: a existência de “ágio” para determinados modelos e a idéia (falsa) de que o automóvel poderia ser uma forma de investimento. É notório o poder destrutivo (para a empresa) de produtos ou serviços mal elaborados e. Um dos melhores exemplos desta situação no Brasil. O Projeto do Produto V. controlado pela empresa (L=P-C). Neste caso. de “ágio”. em especial da Internet. a demanda por automóveis sempre foi superior à oferta. o que trazia uma série de distorções. apesar de altos investimentos em publicidade. O grande sucesso do novo automóvel gerou uma imediata corrida às revendas. ou seja.depto engenharia de produção . Neste caso. Desta forma. o último grande caso de “ágio” em automóveis no Brasil ocorreu com o lançamento do modelo Corsa pela General Motors. em termos. A partir da década de 1990. pelas concessionárias. é importante que o serviço de atendimento ao cliente esteja em sintonia com a equipe de projeto. projeto do produto de produção pouco eficientes. para que esta ocorra de maneira adequada. o que elevará seu preço. Os principais aspectos da ativação são: Distribuição. atendimento e controle dos intermediários para distribuição. cabe à empresa (1) reduzir seus custos ou (2) tornar o produto mais atraente ao consumidor. mas estes podem transformar-se em ferramentas especialmente úteis para detecção de problemas e/ou tendências que tenham passado despercebidos durante a análise de mercado. para que problemas ocorridos com produtos atualmente no mercado possam ser antecipados em futuros lançamentos. A distribuição tem sofrido grande influência das novas tecnologias de comunicação.. Assistência ao Cliente Por muito tempo. menos o Custo que pode ser. o que era causado pelo pequeno número de fabricantes e modelos disponíveis no país. Com efeito. em 1994. Esta situação levou à declarações de ministros de estado sobre o assunto e a uma grande discussão sobre o tema.. A Como a Manutenção instalou. Naturalmente um produto ruim não poderá ser compensado por serviços de atendimento ao cliente. mal implantados. Com efeito. e não um bem de consumo. a insatisfação de consumidores com produtos ruins e. Entretanto. uma nova equação deve ser aplicada: O Lucro é resultante do Preço. Não há publicidade capaz de compensar. em médio prazo. pior situação possível. principalmente. o que gerou a cobrança. a situação começou a mudar. foi o da indústria automobilística. Ativação As atividades ligadas à ativação (ou composto de comunicação) são aquelas que visam à satisfação das necessidades dos consumidores em termos de colocação do produto no mercado. A situação. Escolha. © 2006 eduardo romeiro filho 41 ufmg . levando a uma espantosa escassez do produto. existe um número maior que simplesmente abandona o produto ou o utiliza de maneira limitada e/ou equivocada.. em função da entrada de novos fabricantes e de mudanças progressivas no mercado interno brasileiro. os diferentes serviços de atendimento ao cliente apresentam-se como oportunidades de melhoria do produto e da imagem da empresa perante seus clientes. as funções associadas ao marketing são basicamente encontrar “nichos” de mercado e preencher estes nichos com o mínimo de custos e recursos. É razoavelmente simples perceber que. especialmente necessário no caso de produtos que requeiram conhecimentos específicos (bens de capital ou serviços). o que acaba por muitas vezes “enterrar” definitivamente a marca. o que apenas chamou a atenção para uma situação que começava a mudar: o mercado tornava-se mais maduro. os diferentes serviços de atendimento ao cliente foram encarados pelas empresas como uma forma de atendimento diferenciado. entretanto. o que levou os consumidores à até então inédita (e confortável) situação de um amplo poder de escolha. com novos modelos (nacionais e importados) à disposição.. Neste caso. determinado pelo mercado. é atualmente bem distinta: o produto deve ter seu preço ao consumidor final adequado às características do mercado e àqueles praticados pela concorrência. era comum a cotação de automóveis em dólar e a compra e venda com lucro (os preços de modelos antigos subiam ao invés de cair). de um “sobre preço”. pois estes custos eram facilmente transferidos aos clientes.

o que vem ocorrendo de forma cada vez mais complexa. ETIQUETA” (colocado na íntegra adiante). épocas e condições desejadas. seja em meios de comunicação tradicionais. torna-se necessária a formação adequada de grupos de vendedores especializados. tornando possível a atuação da empresa em mercados não imaginados até então. a publicidade é responsável pela visibilidade do produto. Análise – Avalie se seus objetivos estão claros e 7 KLEIN. as empresas buscam sempre novas formas de publicidade. Esta discussão é extremamente rica. por uma pretensa relação direta explorada pela publicidade entre a felicidade e o sucesso econômico. de mercado e de configuração de produtos tornam os sistemas logísticos componentes fundamentais para o sucesso de empresas e produtos. é hoje praticamente extinto. não basta ter. O que Cliente desejava! 2. como jornais. 544 pp. O Projeto do Produto VI ( final) . tema muito bem 7 explorado por Klein (2002) . mas é necessário que se tenha o que há de mais novo. os investimentos em marketing e publicidade aumentam a cada ano. Apesar disso. bem como em diversos casos de vendas para o comércio. mais moderno. muito popular no Brasil. Publicidade. O problema. muitas vezes com formação técnica. está na visão deturpada do marketing e na utilização de suas ferramentas de maneira isolada e. Tradução de Ryta Vinagre.. estranho”. Preparo e organização dos responsáveis pela venda direta. Venda Pessoal. Um nome. tem sido acusado de romper suas funções originais de detectar necessidades do consumidor. A utilização de contêineres para transporte de mercadorias trouxe uma série de vantagens para processos de importação e exportação e facilidades adicionais para utilização de diferentes meios de transporte.. que percorria grandes distâncias para apresentação e venda de produtos que seriam posteriormente entregues em pontos de venda distribuídos em grandes regiões geográficas. Rio de Janeiro: Editora Record. mas na forma de sua aplicação. que em seu início já indica os efeitos da publicidade: “Em minha calça está grudado um nome. que requerem uma abordagem específica de acordo com as necessidades de um número limitado de clientes. Que não é meu de batismo ou de cartório. Logística. projeto do produto figura do caixeiro viajante. envolvendo cifras progressivamente mais altas e recursos muitas vezes inovadores. agindo para que estas necessidades sejam deliberadamente criadas. Entrega de lotes econômicos em localizações pré-determinadas nas quantidades. distorcida. mais caro. SEM LOGO – A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido. Nestes casos. revistas.. Neste caso. é talvez a área mais evidente e distorcida do marketing. Desta forma.. função que vem se tornando crucial para o sucesso das empresas no mercado e tende a tornar-se ainda mais importante no futuro. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador. mas extrapola o escopo deste texto. O Marketing. acompanhamento de tendências e correta avaliação das necessidades a serem atendidas pela empresa parecem ter a mesma (ou mesmo maior) importância de boas campanhas de divulgação. Responsável pela informação. © 2006 eduardo romeiro filho 42 ufmg . como em novos formatos. Análises de mercado. muitas vezes. ou mesmo na criação de jogos baseados ou fortemente relacionados a produtos de mercado. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “EU. Naomi.depto engenharia de produção . A questão parece estar não nos recursos. Muitas vezes confundida com o próprio marketing. produtos especialmente sensíveis como flores e frutas podem ser transportados a grandes distâncias em prazos extremamente curtos. especialmente importantes em casos de bens e capital. rádio e televisão. Objetivo – Analise corretamente as reais oportunidades de mercado. Também sobre o tema. neste caso. divulgação e promoção da oferta de idéias. Forma recente de publicidade é a utilização de anúncios como parte do cenário de jogos eletrônicos. 2002. Na busca da exposição de seus produtos. tendo em vista novos canais de distribuição e novas formas de apresentação de produtos e serviços. devem ser lembradas as sete principais diretrizes do Marketing: 1. em especial pelas políticas cada vez mais agressivas de publicidade. Esta crítica pode ser justificada por meio de uma de valorização do novo. Mudanças tecnológicas. A partir disso.

são necessários: 1. projeto do produto se estes são aceitos. sem a coleta e processamento de dados inúteis. © 2006 eduardo romeiro filho 43 ufmg . 6.. tendo em vista o plano estratégico da empresa e a evolução do mercado.. Adaptação – Ajuste as características de sua oferta às necessidades do mercado. 4. Para que esta auditoria atinja seus resultados. em tempo hábil. Existem padrões mais ou menos óbvios. Recursos – Assegure a disponibilidade de meios racionais para o objetivo proposto. formais e imparciais de todas as operações de marketing na empresa.depto engenharia de produção . ou Sistema de Auditoria Mercadológica. 5. 3. portanto referência de hábitos e costumes de qualquer sociedade. 3. 5. tendo por base critérios consistentes e objetivos factíveis a partir dos recursos existentes. 4. Uma adequada determinação dos padrões de controle. incluindo a concorrência. principalmente. ou seja. Retrato de uma época. Feedback – Utilize sua experiência no aprendizado para o futuro. Definição dos elementos de controle. 2. 3. deve ser prevista uma série de auditorias mercadológicas. A publicidade é por muitos considerada um reflexo de padrões sociais vigentes. 7. Ativação – Garanta que o produto certo esteja no lugar certo. é fundamental a preocupação contínua em melhorar a relação custo/benefício das atividades. Para que estes objetivos sejam alcançados. Grau de desvio que deve oferecer indícios. mas devem ser sempre necessários. retratando com fidelidade a época que representam. são necessários: 1. Acompanhamento dos desvios entre resultados e padrões. Esta etapa é também chamada de SAM. Para que a auditoria atinja seus objetivos. Acima. Normas de desvio aceitáveis. 2. Padrões de confronto planejado x executado. técnicas e equipamentos) de controle. Disposição de meios (pessoas. A escolha dos padrões é função dos objetivos de mercado. Avaliação Nesta última etapa. de maneira que as informações necessárias sejam levantadas de forma adequada. Avaliação – Exerça o controle contínuo sobre as ações e mensure os resultados. publicidade dirigida ao público infantil nos anos 1980. Não há controle se definição de metas. 3. exames periódicos. a partir do aprendizado constante e da busca de novas soluções para problemas eventualmente encontrados. que servirão de guia para as ações da empresa no futuro: 1. 7. 2. Detecção de falhas no processo. sem esforços redundantes e. Recomendação de ações corretivas. na hora exata. é necessário que sejam seguidas determinadas regras. 8. Elaboração de recomendações. 6. Definição dos períodos de controle. Para esta avaliação.

" Com o ainda não est am os explorando esse segm ent o.O sucesso das " legít im as" j á virou t em a de report agens nas principais revist as e j ornais do m undo. " Fui ao Brasil recent em ent e e com prei sandálias para t odos os m eus am igos. que fabrica as havaianas há 41 anos. Mas isso não acont eceu. At é o principal j ornal de econom ia do Reino Unido. H a va ia n a s sã o ve n dida s por a t é R$ 5 0 0 e m Lon dr e s SI LVI A SALEK. Lançam os sem pre novas cores e m odelos. disse Ali I net t . " No passado. A Naom i.uol. Apesar do alt o preço cobrado pelos est ilist as. o valor m édio de 20 libras ( R$ 96) cobrado pelas sandálias em loj as com o a Urban Out fit t ers e a Whist les é. " Depois disso. afirm ou Port o. post eriorm ent e. Rui Port o. projeto do produto Um exem plo de m arket ing.com .07h37 Anúncios das sandálias havaianas. o " Financial Tim es" . acaba sobrando espaço para ação dos pirat as. que poderá t est ar em breve a prom essa do slogan: " não t em cheiro" . por exem plo. no ano que vem . crist ais e m içangas. que com binava um vest ido m arrom com um sandália da m esm a cor. com o Naom i Cam pbell. disse Port o. disse Port o. desde a década de 1960 ( à esquerda) . as export ações da sandália t êm dobrado a cada ano. o acordo ent re a em presa e os organizadores da fest a do Oscar não t eve nenhum cust o para a São Paulo Alpargat as.fina que t om a sol na m esm a piscina". em Londres As sandálias havaianas viraram m oda na Europa e chegam a ser vendidas por cerca de 100 libras ( R$ 478) por est ilist as na capit al brit ânica.br/ folha/ bbc/ ult 272u21499. Font e: ht t p: / / www1..Para Rui Port o. as havaianas são a últ im a palavra da m oda para os pés. cent ro de Londres. M ode los . ainda assim . Eles adoraram e não querem m ais usar nenhum out ro sapat o. as vendas no ext erior devem chegar pert o de 10 m ilhões.. dez vezes superior ao encont rado no Brasil. disse a escrit ora inglesa Kat e Pem bert on. declarou Roza. Mas querem os m ant er as sandálias com o um produt o de elit e no m om ent o para. Segundo Port o. chegou ao ápice quando 61 pares das sandálias foram dados de present e para t odos os indicados ao Oscar dest e ano. quant o pela grã. disse o j ornal. É o preço da nossa fam a" . andam de havaianas o t em po t odo" . " Tínham os esse receio no Brasil. est am pou na m anchet e que o calçado das favelas conquist ou as vít im as da m oda. m odelos brasileiras e t am bém est rangeiras que visit avam o Brasil. a m et a é export ar 5 m ilhões de pares. acrescent ou a inglesa. "Tenho quat ro Havaianas e não m e canso delas" .sht m l Acessada em 13/ 06/ 2003 . Ele lem brou que a fam a dos chinelos que.Segundo o diret or de com unicação da São Paulo Alpargat as. além . gerent e de export ações da São Paulo Alpargat as. é claro. da França. j á disse várias vezes ser fã das havaianas" . m as não páram de vender. Cla sse m é dia . Para o " New York Tim es". É o ít em de m aior sucesso dest e verão" . da BBC. © 2006 eduardo romeiro filho 44 ufmg . se rendeu ao sucesso dos chinelos de borracha: " A sandália de quem t em m uit o dinheiro e nada para provar" . M oda pa ssa ge ir a . acom panhando a evolução do m ercado" . com eçar a vender para a classe m édia" .Desde 2001. " Elas são caras. que decoram as t iras dos chinelos de borracha com pedras. usado t ant o pela faxineira que lim pa a piscina. Nosso depart am ent o j urídico est á t endo t rabalho com isso.folha. acabaram divulgando as havaianas no ext erior. do cust o das sandálias. O " Le Monde" . é possível encont rar Havaianas m ais barat as em Londres. gerent e da Whist les de Covent Garden. no m ínim o. 1970 e em cam panhas recent es. "Poderíam os est ar export ando m uit o m ais. a m oda no ext erior foi im pulsionada por m odelos brasileiras e est rangeiras que carregavam as sandálias na m ala quando deixavam o Brasil. t er Havaianas era quase com o exibir um at est ado de pobreza. não t em cheiro e não solt am as t iras" . da em balagem e do t ransport e. de olho num m ercado que não pára de crescer. disse Carlos Roza. segundo o slogan " não deform am . quando as havaianas passaram a ser um art igo fashion há alguns anos. a em presa est á at ent a para o risco de virar um art igo de m oda passageiro e perder o espaço conquist ado at é ent ão quando a m oda passar. Em 2003. Mas conseguim os t ransform ar as sandálias no calçado m ais dem ocrát ico do Brasil. O sucesso das legít im as é t ant o que fábricas na Argent ina e na África j á com eçaram a copiar as sandálias.depto engenharia de produção . D e u n o " N ew Yor k Tim es" .

custo e Marketing tem suas origens no fato de satisfação. específicos e trocá-los por outras coisas de segurança. Desde que marketing. Uma breve discussão sobre estes muitos produtos podem satisfazer certa conceitos é elaborada a seguir: necessidade. Mercado é um Estas necessidades não são criadas pela grupo de pessoas que compartilha uma sociedade ou pelas empresas. Pessoas privação de alguma satisfação básica. vestuário. desejos e demandas. 1997) sobreviver. As especializam-se em produzir produtos pessoas exigem alimento. construção de relacionamentos.depto engenharia de produção . são suas definições. A necessidade de cooperação entre as atividades de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento é analisada através de pesquisas realizadas mundialmente. Elas devem fazer um trabalho O QUE VEM A SER MARKETING? excelente se quiserem ser bem sucedidas nos mercados de crescente concorrência global. desejos e demandas. isto é. (KOTLER. entretanto usaremos o Estudos recentes têm demonstrado que a conceito de Kotler: “Marketing é um processo chave do sucesso de empresas rentáveis é social e gerencial pelo qual indivíduos e conhecer e satisfazer os consumidores-alvo grupos obtêm o que necessitam e desejam com ofertas competitivamente superiores. abrigo. A fim de se realizar uma pesquisa Consumidores e compradores organizacionais aprofundada sobre o assunto é necessário enfrentam abundância de fornecedores que assumir um conceito para Marketing. valor. Desejos e Demandas Estes produtos são obtíveis de diversas Uma distinção útil pode ser destacada maneiras: autoprodução. existem na necessidade similar. INTRODUÇÃO aquelas atividades envolvidas no trabalho com mercados. Engajam-se em transações e e algumas outras coisas para a sobrevivência. projeto do produto Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos Oswaldo Henrique Castro de Jesus Curso de Mestrado em Engenharia de Produção Universidade Federal de Minas Gerais O propósito deste artigo é fornecer uma visão geral sobre os conceitos centrais subjacentes a disciplina de marketing.” de definir os consumidores-alvo e a melhor Esta definição esta fundamentada nos maneira de satisfazer suas necessidades e seguintes conceitos centrais: necessidades. auto-estima que necessitam. Diversas procuram satisfazer a suas necessidades. analisando as maneiras como as empresas se orientam para o mercado e quais são seus impactos na relação entre marketing e desenvolvimento de produtos. as empresas não podem potenciais. sentimento de posse. troca. a escolha do produto é guiada pelos conceitos de valor. Marketing coordena © 2006 eduardo romeiro filho 45 ufmg . transações e que os seres humanos são criaturas que relacionamentos. produtos. A maioria das sociedades modernas Necessidade humana é um estado de trabalha sob o princípio da troca. Philip. marketing e praticantes de possuem necessidades e desejos. tenta realizar trocas Hoje. coerção. oferta e troca de produtos Marketing é a função da empresa encarregada de valor com outros. troca. custo e satisfação. através da criação. simplesmente fazendo um bom trabalho. Necessidades. esmola e entre necessidades. desejos de forma competitiva e rentável.

Este conceito esta intimamente ligado ao conceito atual “Supply Chain Management” ou Troca. cometem o erro de prestar mais atenção a O Marketing de transação descrito seus produtos físicos do que aos serviços acima é parte de uma idéia mais ampla oferecidos pelos mesmos. O trabalho do denominada marketing de relacionamento. Isto é realizado com a promessa e entrega de alta Valor. foco deste trabalho e não serão abordadas. trata- dos produtos físicos não reside apenas em se do comércio eletrônico. famílias e empresas. mas também nos serviços seus conceitos “Business-to-Business” (B2B) e oferecidos pelo mesmo. Desejos tornam-se demandas quando dizemos que ocorreu uma transação.depto engenharia de produção . bons serviços e preço justo. Para lo. Alguns relacionamento é a construção de um ativo teóricos do comportamento do consumidor vão exclusivo da empresa denominado rede de além das limitadas pressuposições marketing. feitas em função dos produtos que produzem O resultado final do marketing de maior valor por dinheiro despendido. técnicos e sociais fortes capacidades de satisfazer às necessidades. em vez de como escolas. confiança e relacionamentos “ganha- físicos. parte espera dar e receber. sua ocorrência pessoas sejam poucas. embora as necessidades das se algo em contrapartida. quantas pessoas. nas melhores situações transações suas necessidades. junto profissional de marketing analisa o quê cada com outros influenciadores da sociedade. Se este é atingido. distribuidores e julgamentos de valor e fazem escolha de clientes. através da troca. entretanto estas teorias não são o relacionamentos comerciais sólidos e seguros. Os desejos humanos são as condições de troca que deixará ambas em continuamente moldados e remoldados por melhor situação do que a anterior. esta deve forças e instituições sociais como igrejas. realmente para obter-se respostas a algum objeto estariam dispostas e habilitadas para comprá. Desejos são carências por satisfações coerção e mendicância. distribuidores. As profissional de marketing é vender os empresas ágeis tentam construir. O marketing de Valor é a estimativa do consumidor em relação relacionamento reduz os custos de transação à capacidade global de produto satisfazer a e o tempo. Transações e Relacionamentos. Uma rede de marketing consiste na econômicas de como consumidores fazem empresa e seus fornecedores. em vez de apenas descrever suas ganha” com clientes. a longo benefícios ou serviços contidos em produtos prazo. Situações de troca despertam desejos. os fabricantes revolucionando as práticas atuais. Demandas são desejos por produtos Duas partes estão engajadas na troca específicos que são respaldados pela se estiverem negociando e movendo-se em habilidade e disposição de comprá-los. Custo e Satisfação qualidade. A troca é uma das quatro © 2006 eduardo romeiro filho 46 ufmg . que através de sua posse. Troca é o ato de obter específicas para atender a estas necessidades um produto desejado de alguém. com os quais constrói produto. produtos. seus desejos são depende das duas partes concordarem sobre muitos. Produtos podem ser definidos como Ultimamente tem se consolidado um novo algo que pode ser oferecido para satisfazer a meio de se efetuar transações entre empresas uma necessidade ou desejo. oferecendo- mais profundas. um evento. e Marketing surge quando as pessoas recentemente o E-supply chain. Cada produto envolve um negociadas individualmente passam a ser custo específico. mostrando-se dois atores e os desejos e ofertas fluindo entre Produtos eles. características físicas. A importância e entre empresas e seus consumidores. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. desta forma as escolhas são rotinizadas. sendo as demais autoprodução. revendedores e fornecedores valiosos. o Marketing consiste de ações adotadas mais importante. entre as partes envolvidas. “Business-to-Consumer” (B2C) vem Freqüentemente. Uma apoiados por poder de compra. ser vista como um processo. Obtém-se resultados favoráveis construindo- ordenando-os de acordo com suas se laços econômicos. direção a um acordo. oferecido para uma audiência alvo. efetuar mudanças bem-sucedidas. projeto do produto delicada textura biológica e são inerentes à maneiras pelas quais as pessoas podem obter condição humana. desta forma as transação consiste na negociação de valores empresas devem mensurar não apenas entre duas partes. com grande decidem satisfazer necessidades e desejos utilização na área de logística. quantas pessoas desejam seu produto. Pode-se classificar os produtos. simples podem ser mapeadas. mas. o Os especialistas de marketing.

o departamento interesses entre pesos atribuídos a financeiro fixa o preço e os departamentos de organização. Um executivo da General Motors A administração de marketing e o afirmou anos atrás: “Como o público pode desenvolvimento de novos produtos são saber que tipo de carro deseja. Conceito de Produção uma necessidade ou desejo específico. unidos através de processos de que oferecem mais qualidade. freqüentemente existem conflitos de Depois. eficiente e eficaz. Os economistas usam o termo desenvolvimento de produtos e produção mercado quando se referem a um grupo de colocam seus esforços para aumentar o compradores e vendedores que transacionam volume de produção e buscar alternativas para em torno de um produto ou classe de reduzir custos. 1997) de mercado. Um praticante de marketing é caminho até a porta da empresa. As economias 2. os profissionais de massa é muito utilizado neste tipo de marketing vêem os vendedores como organizações. através de um perguntar aos consumidores o que eles marketing responsável. têm recursos que concentram-se em atingir alta eficiência interessam a outros e estão dispostas a produtiva e ampla coberturas de distribuição. o sistema de produção em produtos. oferecer estes recursos em troca do que Desta maneira os responsáveis pelo desejam. produtos com pouca ou nenhuma contribuição do consumidor. Conceito de Produto de um país e do mundo inteiro consistem de O conceito de produto assume que os complexos conjuntos de mercados inter. ao círculo amplo do conceito de marketing. Internamente os envolvidos na trocas potenciais para o propósito de concepção e fabricação de produtos passam a satisfazer a necessidades e desejos humanos. procurar uma troca do que outra. desempenho ou troca. características inovadoras. projeto do produto Mercados organizações conduzem sua atividade de O conceito de troca leva ao conceito marketing. consumidores favorecerão aqueles produtos relacionados. DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS não examinam os produtos dos concorrentes BASEADO NA ORIENTAÇÃO DA EMPRESA porque “não foram inventados em suas EM RELAÇÃO AO MERCADO fábricas”.O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de 1. Estas depende do número de pessoas que mostram organizações são orientadas para a produção a mesma necessidade. exigindo marketing e de vendas tentam vendê-los. deixar de observar que o mercado pode estar Se uma parte é mais ativa para menos preocupado com a qualidade oferecida. àqueles produtos que estão amplamente Assim. Marketing podem avaliar a qualidade e o desempenho significa trabalhar com mercados para realizar dos mesmos. constituindo a indústria e os compradores como constituindo o mercado. onde acreditam que uma segunda parte de cliente ou consumidor melhor ratoeira levará as pessoas a abrir um potencial. o tamanho do mercado disponíveis e são de baixo custo. Muito desenvolveram os planos para um novo carro. Há desejavam e nuca consultava as pessoas cinco conceitos distintos sob os quais as © 2006 eduardo romeiro filho 47 ufmg . a fábrica o constrói. O conceito de produto parte do dispostos e habilitados para fazer uma troca princípio de qua os clientes darão preferência que satisfaça essa necessidade ou desejo. Estas organizações focam sua energia em fazer Marketing e Praticantes de Marketing produtos superiores e melhora-los ao longo do O conceito de marketing conduz-nos tempo. Tais organizações acreditam que os Marketing significa a atividade humana que compradores admiram produtos bem feitos e ocorre em relação a mercados.depto engenharia de produção . entretanto. alguém que busca um recurso de outra Freqüentemente. clientes e sociedade. antes de ver o descritos como o esforço consciente para que está disponível no mercado?” Os atingir as mudanças de resultados desejados designers e engenheiros da GM em relação aos mercados-alvo. (KOTLER. chamamos a tornando-se vítimas da falácia denominada primeira de praticante de marketing e a “melhor ratoeira”. Não que as atividades de marketing e projeto de é de admirar que o carro exigia tanto esforço produto sejam desempenhadas em uma de venda do revendedor! A GM errou ao não filosofia bem fundamentada. Confiam que seus engenheiros saberão como planejar ou RELAÇÕES ENTRE MARKETING E melhorar o produto e muito freqüentemente. as empresas pessoa e que está disposto a oferecer algo de orientadas para produto planejam seus valor em troca.

O conceito de marketing parte de uma perspectiva de fora para dentro. Este mas duas observações são claras. empregar um esforço agressivo de venda e de promoção. idéias originadas de consumidores e se em quatro pilares principais: mercado-alvo. Mais de 2000 produtos 4. não todas as atividades que afetarão estes comprarão suficientemente os produtos da consumidores e produz lucros através da organização. coordena consumidores. Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. um foco no produto em vez de ênfase em venda e promoção para gerar na necessidade do consumidor”. Depois. todos um arsenal de ferramentas de vendas e explosão do crescimento populacional. desejos e Segundo declarado por Druker (1973): interesses de mercados-alvo e atender às “Haverá sempre alguém assumindo que satisfações desejadas mais eficaz e alguma venda será necessária. Idealmente. projeto do produto envolvidas em marketing para ajudar a venda parte de uma perspectiva de dentro projetar o tipo de carro que venderiam.COOPERAÇÃO disponível. freqüentes e prováveis de acontecer para O conceito de marketing fundamenta. O conceito de que tanto Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) © 2006 eduardo romeiro filho 48 ufmg . marketing. preço várias pesquisas buscaram entender a origem e distribuição. para fora. se deixados sozinhos. desenvolvimento de produto. vender alguma coisa. As empresas fazem um A maioria das empresas pratica o excesso de trabalho para satisfazer os desejos conceito de venda quando tem capacidade de de consumidores. o esforço de marketing deve resultar em um consumidor disposto a comprar. potenciais entre os desejos e interesses dos anúncios em jornais.” Assim. pesquisa. necessidades dos consumidores. Conceito de Marketing lançados por 100 indústrias em vários países O conceito de marketing é uma foram estudados a fim de determinar o papel filosofia empresaria que desafia os conceitos relativo a Marketing e Pesquisa e anteriores. foca O conceito de venda assume que os a necessidade dos consumidores. de inovações tecnológicas que tiveram sucesso no mercado. Conceito de Venda Começa com um mercado bem definido. marketing Juntas. 3. escassez de recursos. Existe sempre alguém tentando longo prazo. a venda para ser eficaz.. Entretanto o eficientemente do que os concorrentes. serviço se venda sozinho. assume que a chave para atingir as metas 60 a 80% de produtos com sucesso organizacionais consiste em determinar as foram lançados em resposta a demandas de e necessidades e desejos dos mercados-alvo e necessidades de mercado oferecer as satisfações desejadas de forma Melhorias nas vendas são mais mais eficaz e eficiente do que os concorrentes. Seu propósito é vender o nos melhores interesses a longo prazo desses que fabricam. necessariamente. de propósito de marketing é conhecer e entender maneira a preservar ou ampliar o bem estar o consumidor tão bem que o produto ou dos consumidores e da sociedade. fome e promoção eficazes para estimular mais a pobreza mundial e serviços sociais compra. Assim. o O conceito de marketing societal público identifica marketing como venda afirma que a tarefa da organização é agressiva e propaganda. determinar as necessidades. algumas pessoas consumidores típicos mostram inércia ou têm questionado se o conceito de marketing é resistência e têm que ser persuadidos a uma filosofia apropriada em um período de comprar mais e que a empresa dispões de deterioração ambiental. 5. As metodologias variaram. a organização deve obtenção de satisfação dos mesmos. agindo. Conceito de Marketing Societal O conceito pressupõe que Em anos recentes. Seus pontos centrais tornaram-se Desenvolvimento. mala direta e visitas de consumidores e o bem estar da sociedade a vendedores. sólidos nos meados dos anos 50. produção excessiva. Como resultado.. deve Com o objetivo de fundamentar a ser precedida de diversas atividades de relação de cooperação que deve existir entre marketing como avaliação de necessidades. em vez de o que o mercado consumidores e da sociedade? O conceito de deseja. Começa com a fábrica. Os compradores potenciais são marketing coloca lado a lado os conflitos bombardeados com comerciais de televisão. foca sobre O conceito de produto leva a “miopia os produtos existentes na empresa e exige em marketing”. negligenciados. estas observações sugerem coordenado e rentabilidade.depto engenharia de produção . será MARKETING E PESQUISA E necessário apenas tornar o produto ou serviço DESENVOLVIMENTO . resultados rentáveis.

A tecnologia sozinha não é suficiente. A idéia parecia boa: o Fusca já era um enorme necessidades dos consumidores e tecnologia sucesso de vendas e a abertura superior era devem ser integradas se o sucesso é o extremamente adequada a um país de clima objetivo. P&D e Engenharia podem Nem sempre o lançamento de um produto de levar a organização desenvolver produtos que excelência significa sucesso comercial. Dougherty (1989) revelou que produtos com sucesso se originam em KOTLER. responsabilities. em um estudo MAZUR. Design and Entretanto existe também uma evidencia que Marketing of New Products. Administração de Marketing. Philip. p. 64-65 comunicação em pelo menos um destes aspectos. Tempos depois de lançado. consumidores e capacidades de tecnologia. Evidencia-se que uma boa estratégia de novos produtos requer uma integração efetiva de Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento. necessidades dos Logística e Comércio Eletrônico. Ela também descobriu que nos casos de DRUCKER. Por exemplo. cada uma definindo os papéis. Cinco filosofias alternativas podem guiar as organizações no cumprimento de seu trabalho de marketing. existiram pouca cooperação e Row. 1º Congresso Brasileiro em plano de negócios. P&D desenvolve novos níveis de desempenho tecnológico que permitem criar novos benefícios aos consumidores. e se comunicaram em todos aspectos do Notas de palestras. Marketing identifica a pesquisa as necessidades dos consumidores. Peter. P&D e Engenharia desenvolvem os meios de satisfazer a estas necessidades. practices. tropical. variando de acordo com a filosofia adotada e sua maneira como se posiciona perante o mercado. o simpático carrinho foi retirado de linha num estrondoso Através deste estudo pode-se concluir fracasso. 1997. Glen L. 1973. Volkswagen do Brasil em meados dos anos 1960. situações onde marketing e P&D cooperaram Análise. Planejamento e Controle. funções e relacionamentos entre marketing e projeto de produto. projeto do produto quanto Marketing (Orientado para o BIBLIOGRAFIA consumidor) conduzem ao sucesso no desenvolvimento de novos produtos. Os engenheiros alemães não contavam. entretanto. 1993 novos produtos. As filosofias que mais se destacam na atualidade são caracterizadas por ter uma grande integração e cooperação entre marketing e projeto de produto. URBAN. 2000. © 2006 eduardo romeiro filho 49 ufmg . QFD for Service Industries. em uma empresa. sobre 16 projetos de desenvolvimento de From voice of Customer to Task Deployment. com teto solar. John R. com o “machismo” do público brasileiro. Management: tasks. que nada tinha a ver com suas que o Marketing esta intimamente ligado com características técnicas: fora apelidado (em virtude a atividade de Desenvolvimento de Produtos de sua abertura no teto) de “Cornowagen”. O promovem benefícios que satisfazem e automóvel acima. HAUSER. nem P&D nem marketing podem se conduzir em separado. Marketing.depto engenharia de produção . associado ao seu tradicional bom CONCLUSÂO humor. New York: Harper & falhas. foi lançado pela excedem as necessidades dos consumidores... Trabalhando juntos. Gleen H.

depto engenharia de produção . Maynard. Mc Graw Hill © 2006 eduardo romeiro filho 50 ufmg . projeto do produto Fonte: Maynard’s Industrial Engineering Handbook. Zandin and Harold B. Kjell B.

projeto do produto Medindo a Satisfação dos Clientes Viviane Ribeiro Branco de Oliveira8 Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG I. os custos devem ser baixos. o volume de vendas deve sempre superar patamares elevados. a baixos custos. exige um esforço constante de equiparar e superar a concorrência. Ele aprende rapidamente. resultado de uma empresa produtiva que é capaz de captar e manter uma fatia significativa do mercado. No entanto. Uma empresa competitiva é aquela que tem a capacidade de conquistar a preferência dos consumidores. um cliente satisfeito pode te abandonar. consequentemente. um produto que venha ao encontro de suas expectativas. proporcionando sua plena satisfação. nada mais natural. esta deve ser uma atividade contínua. Uma Questão de Sobrevivência Garantir a permanência de uma empresa no mercado. O lucro é resultado desta combinação alto faturamento e baixos custos. no que poderíamos chamar de fluxo da sobrevivência: Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro Para que o faturamento seja alto e crescente. 8 Este trabalho é destinado à avaliação final da disciplina “Tópicos em Organização da Produção: Metodologia do Projeto” do curso de mestrado em Engenharia de Produção. ou seja. compara um produto com outro. Empresas competitivas sempre viabilizam a oferta de produtos desejáveis. Para que os preços dos produtos sejam atraentes e a empresa seja lucrativa. são gradativamente substituídos por melhores opções disponíveis no mercado. uma empresa com outra. A satisfação do consumidor final é portanto o alvo primordial das empresas competitivas (princípio do conceito de “foco no cliente”).depto engenharia de produção . Se esta situação não é revertida. a longo prazo. supondo que os preços dos produtos sejam atraentes. elas produzem de forma econômica produtos de alta qualidade. 1996). sua sobrevivência a longo prazo está ameaçada. isto significa conquista da preferência dos consumidores. As expectativas dos clientes não são estáticas. com ofertas melhores que as disponíveis no mercado. colocadas à margem da preferência dos consumidores. Daí a importância de equiparar e superar a concorrência. elas se alteram de acordo com as novas ofertas do mercado. © 2006 eduardo romeiro filho 51 ufmg . Por que não? Ele pode encontrar uma opção melhor com a mudança” (Deming. e por isso devem ser continuamente investigadas. “Conheça as expectativas do cliente” (Deming. e dependerá da qualidade do produto que ele adquire. A busca pela sobrevivência consiste da busca pela competitividade. Os produtos e serviços oferecidos por empresas que não perseguem e alcançam este objetivo. Não é suficiente ter clientes meramente satisfeitos. “O cliente espera apenas o que você e seu concorrente tenham levado-o a esperar. A empresa americana Ceridian Corporation sintetizou estas idéias. a empresa tem que estar sempre inovando para permanecer no “páreo”. e estas empresas são. em Novembro/1998. a manutenção de uma posição sempre competitiva. 1996). disponíveis e com preços atraentes. mantendo e reconquistando seus próprios clientes e atraindo outros novos.

73% dos reclamantes bem assistidos voltam a comprar da empresa. o emprego de técnicas estatísticas será demonstrado no item ‘6. o serviço é apenas o ponto de partida para todo um processo de resolução. não significa que tudo esteja bem. é necessário fazer um bom registro da reclamação. Análise das Informações’ dentro das ‘pesquisas da satisfação dos clientes’. Receber uma reclamação é ter acesso a uma oportunidade de melhoria. Quando as informações forem oriundas de questões abertas. número da reclamação. revelará tanto deficiências no desempenho dos próprios produtos e serviços. é oferecido pelas empresas através de centrais telefônicas e endereços eletrônicos. Apesar do formulário já poder trazer impresso alternativas para enquadramento e desdobramento da reclamação. Segundo a própria TARP. através do serviço de atendimento a reclamações e das pesquisas com clientes perdidos. III. ou seja. como novas exigências do mercado. contato pessoal com vendedores. voltam a comprar novamente. durante determinado período. etc. No caso das reclamações. as ferramentas quantitativas serão utilizadas. o importante é priorizar a solução da reclamação. Em seguida. Os Primeiros Passos’ e ‘IV. etc. áreas da empresa diretamente envolvidas. Rumo à Excelência’. Para implementar um programa como este. rede de distribuição e fornecedores. a resposta ao cliente é geralmente imediata e suficiente. as ferramentas serão do tipo qualitativas. em formulário padrão que solicite todos os detalhes necessários às etapas posteriores do processo (nome e contato do cliente. Para abordar estas ferramentas. Este trabalho apresenta. principalmente. o trabalho foi dividido em duas partes: ‘III. De acordo com o programa americano de assistência técnica a pesquisa (TARP). como por exemplo as que serão apresenta. conhecer os motivos que levaram um cliente a optar por outro fornecedor. ou da livre iniciativa do cliente por meio do serviço de ‘atendimento de reclamações’ (ambas abordadas neste trabalho) ou ainda provenientes da observação dos clientes comprando ou utilizando o produto.1 Atendimento a Reclamações O serviço de atendimento ao cliente. é o alicerce que a empresa deve garantir sempre. O registro e o tratamento adequado de reclamações dos clientes não são apenas uma satisfação que a empresa se dispõe a prestar aos reclamantes. medir a satisfação dos clientes. para em seguida disparar contramedidas que impeçam sua reincidência. que lhe permita acompanhar todas as tendências do mercado do ponto de vista dos próprios consumidores. A parte ‘V. No caso do esclarecimento de dúvidas.das neste trabalho.). em média 4% dos clientes insatisfeitos reclamam. este serviço fornece evidências dos pontos críticos que precisam ser tratados. ‘grupos foco’ e ‘pesquisas com clientes perdidos’. III. Em relação à coleta dos dados. com a intenção de esclarecer dúvidas e captar reclamações. será indispensável dar ao cliente condições (liberdade) para apresentação de problemas e comentários inusitados. de forma resumida.depto engenharia de produção .) as informações devem receber o mesmo encaminhamento. e sim em detectar o tamanho e as causas do problema. E a qualidade deste processo é que vai dizer o quanto a empresa compreende o valor de uma reclamação. Mesmo que o cliente se utilize de outros meios de comunicação (carta. a maioria absoluta deles não entra em contato com a empresa para reclamar. cujos reflexos irão alcançar um universo significativo de clientes. Deve-se “incentivar reclamações”. O cliente é envolvido neste estágio. projeto do produto II. como no caso das ‘entrevistas individuais’. ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ e ‘pesquisa com clientes da concorrência’. Os Primeiros Passos A manutenção da carteira atual de clientes deve ser a base para qualquer avanço. será necessário empregar eficientemente ferramentas de captação e análise de informações. usual SAC. agilidade no retorno e na resolução da reclamação e solução satisfatória para o cliente. Objetivos deste Trabalho. aumentar o percentual de retorno deste sinalizador de problemas. Uma empresa competitiva deve possuir um programa contínuo de avaliação da satisfação dos clientes. o que confere à ferramenta caráter qualitativo. três aspectos são fundamentais: fácil acesso ao serviço. Este serviço pode tornar-se uma válvula de perda rápida e fácil de clientes. primeiro anular os sintomas para depois atacar as © 2006 eduardo romeiro filho 52 ufmg . Considerações Finais’ conclui com questões importantes para o sucesso das intenções da empresa. A estabilidade em oferecer produtos e serviços com um mesmo nível de qualidade considerada indispensável. Da mesma forma. Para que seja possível prestar um serviço satisfatório. estas ferramentas dividem-se em dois grandes grupos: qualitativas e quantitativas. as principais ferramentas utilizadas com este objetivo. o fato de a empresa não ter recebido nenhuma reclamação. ao passo que apenas 17% dos reclamantes descontentes. O grande objetivo do processo de resolução de reclamações não consiste em responder satisfatoriamente aos reclamantes. Quanto ao atendimento dispensado aos reclamantes. Já no caso do emprego de questões fechadas que permitam ordenações e cálculos numéricos. Em relação a análise dos dados. Com este propósito são acompanhados uma infinidade de parâmetros de desempenho de processos e produtos. Por isso.

como num efeito cascata. Juntamente a um bom serviço de atendimento às reclamações.2 Pesquisa com Clientes Perdidos Muitos dos clientes insatisfeitos. O retorno do ex- cliente como novo comprador poderá ocorrer em decorrência da habilidade do entrevistador em manipular as informações (contornar o problema e fazer contra-propostas) que forem adquiridas na oportunidade do contato. Estas dúvidas podem sugerir pequenas melhorias. Daí a importância de alocar para este trabalho pessoas muito bem preparadas. Com o objetivo de conduzir esta reunião apropriadamente (permitir a participação de todos. muita informação poderá ser extraída para impedir novas perdas de clientes (evitando que os mesmos erros sejam novamente cometidos) e para tornar conhecidas as ofertas da concorrência. e vice-versa.depto engenharia de produção . por exemplo novos serviços e produtos. a partir do qual as demais opções de pesquisas quantitativas são derivadas. o serviço de atendimento ao cliente é uma fonte inesgotável de informações para melhoria da empresa e garantia da satisfação dos clientes. além de não registrarem formalmente nenhuma reclamação. as empresas lançam mão de técnicas de captação da voz do cliente que vão além da disponibilização de um bom serviço de reclamações. e das pesquisas com clientes perdidos. “Clientes insatisfeitos contaminam toda a vizinhança”. Nesta oportunidade.te. será indispensável todo o cuidado para evitar um novo afastamento.1 Grupos Foco Grupo foco é um grupo de clientes. quais as vantagens que o concorrente ofereceu para atrair o cliente. sim. a empresa deve realizar periodicamente pesquisas com clientes perdidos. é apresentado como assunto foco da reunião. geralmente seis a dez pessoas. pois isto poderia gerar constrangimentos. de trâmite fácil dentro da empresa e com poder de decisão igual ou maior que os dos envolvidos diretamente com o serviço de reclamações. Mas depois de realizada. Os grupos foco funcionam como um veículo de geração de idéias. Apesar de utilizada para se detectar as tendências de exigência dos próprios clientes. apresentar vários aspectos do tema para apreciação do grupo. sugestão. Por meio destas pesquisas. etc. pois trarão grandes contribuições. projeto do produto causas. A entrevista vai sendo conduzida de acordo com os argumentos apresentados pelo ex-cliente a partir de alguma pergunta aberta inicial do tipo: “Gostaríamos de saber por que a empresa/cliente X não adquire mais os nossos produtos e/ou serviços?”. comentário. o mais rápido possível. A postura do entrevistador deve ser a de ouvir o cliente. o faturamento e o “market share” seguem o mesmo caminho. em muitos dos casos os clientes são reconquistados. uma pesquisa que conduza a posteriores medidas de melhoria. grupos foco. pesquisa com clientes das concorrência e pesquisa da satisfação dos clientes. A partir daí. Outro retorno extremamente positivo desta pesquisas é a volta do cliente. pode afastar diversos clientes. caso o cliente retorne. A simples indiferença de um atendente pode originar uma decepção que seria facilmente contornada. IV. Certamente eles vão passar adiante a experiência desagradável que tiveram. “É sete vezes mais fácil reconquistar um cliente perdido do que conquistar um novo cliente” (Kessler. isto vai depender do conceito de cliente perdido para cada ramo de negócio específico. Esta questão será esclarecida no tópico IV. elogio ou debate é bem vindo. 1996). incentivar idéias. a intenção não é um contato para fazer negócios e. e pior que isto. O reclamante deve ser atendido com urgência. e a pesquisa da satisfação dos clientes como um sensor da percepção do cliente. III.3. Em relação ao esclarecimento de dúvidas. esclarecê-las e encaminhá-las às áreas da empresa diretamente relacionadas à questão apresentada pelo cliente. Além disso.). cuidadosamente escolhidos e convidados pela empresa para uma seção de “brainstorming”. toda opinião. Não é confeccionado para este tipo de entrevista nenhum formulário padrão de questões fechadas. Não existe uma definição genérica de de quanto em quanto tempo exatamente este tipo de pesquisa deva ser realizado. a pesquisa com clientes da concorrência como balizador externo. A pesquisa da satisfação dos clientes é um sinalizador de possíveis ganhos e perdas. mas que. Estas técnicas são. na maioria das vezes não chega ao conhecimento do serviço de reclamações. IV. um especialista no assunto foco é previamente selecionado pela empresa para atuar como © 2006 eduardo romeiro filho 53 ufmg . A questão é evitar causas de reclamação e perda de clientes. contornar discordâncias. assumir uma postura mais agressiva de interação com o consumidor que redundem em benefícios que o seduzam. como um “paciente em estado grave”. é igualmente importante registrá-las. crítica. principalmen. Portanto. não desviar do assunto foco. é recomendável que estas pessoas não sejam os vendedores antes responsáveis pelo atendimento aos clientes pesquisados. Quando a satisfação dos clientes decresce. Rumo à Excelência Na corrida pela disputa da preferência do consumidor. alterações nos serviços e produtos existentes ou estratégias de marketing. algum tema de interesse da empresa. as pesquisas da satisfação dos clientes podem ser consideradas como caso geral. preferem trocar de fornecedor do produto ou serviço adquirido. E a solução oferecida (mesmo que seja trocar o produto ou indenizar o cliente) certamente terá um custo menor do que perdê-lo.

e o mediador pode introduzir tendências. em qualquer parte do mundo. As diferenças residem nas adaptações que forem sendo realizadas ao longo do cumprimento das etapas para perfeita adequação aos objetivos. Portanto. Para que este tipo de pesquisa seja eficiente. levantamento dos dados. análise das informações e apresentação dos resultados. pois o contrário poderia viciar as respostas fornecidas. tudo é gravado e filmado. Além dos clientes e do mediador. Vale mencionar que existem outros dois tipos de “benchmarking”. definição dos métodos de pesquisa. estabelecer comparações com o concorrente. detectar seus pontos fortes e fracos do ponto de vista do consumidor global. No entanto. Por este motivo. exclusivamente). Por meio da inclusão destes ao público alvo investigado. No relatório final os resultados desta pesquisa serão diferenciados por empresa contratante da seguinte forma: uma não tem acesso às informações sobre a outra. Isto porque as etapas básicas de realização da pesquisa. no estilo de entrevista individual com cada cliente que se afastou da empresa. É especificamente direcionada aos seus próprios clientes. têm outros fornecedores concorrentes. é costume a contração de firmas especializadas em pesquisas de opinião para conduzirem uma única pesquisa que atenda a todos. investigar as vantagens do concorrente a fim de incorporá-las. elaboração do questionário. serão as mesmas: definição dos objetivos. IV. a posição competitiva será superestimada e se apenas os clientes da concorrência. os próprios clientes não são exclusivos. que permitam isolar câmeras e ouvintes dos clientes e mediador. Estas informações poderão ser extraídas de publicações ou visitas às empresas consideradas de classe mundial. Já no caso do “benchmarking” competitivo. esta participação se limitará apenas a ouvir a sessão. independente do público. Os clientes podem não ser representativos do mercado alvo tencionado. como o próprio nome já diz. a empresa terá condições de posicionar-se no mercado. representantes. a pesquisa incluirá clientes próprios. no entanto. tanto em perfil quanto principalmente em quantidade. isto deve ser levado em consideração na elaboração do questionário a ser utilizado.3 Pesquisa da Satisfação dos Clientes A pesquisa da satisfação dos clientes é mais uma iniciativa da empresa no sentido de descobrir o que os clientes pensam e querem de sua organização e produtos.depto engenharia de produção . da concorrência e potenciais). distribuidores. definição da abordagem da pesquisa. Em muitos casos. o anonimato da empresa que está conduzindo a pesquisa é pré-requisito fundamental. os grupos foco assumem também outras atribuições. implicando em menor custo por empresa envolvida na contratação do serviço. No caso da ‘pesquisa com clientes perdidos’ da forma como foi apresentada neste trabalho (questões abertas. a pesquisa assume caráter qualitativo. algumas empresas. pois se apenas os clientes próprios forem ouvidos. é indispensável que o entrevistado não identifique a empresa responsável pela pesquisa. sem opções fixas de respostas. Apesar do custo de realização de grupos foco ser baixo e do retorno das informações ser rápido. na entrevista e na análise dos dados. no caso de uma ordenação por exemplo. é comum a participação de alguns funcionários influentes diretamente envolvidos no assunto foco. que são: “benchmarking” interno e das melhores práticas. Ela deve-se principalmente à escolha dos participantes. Já as entrevistas individuais funcionam da mesma forma que os grupos foco. será indispensável a consulta aos clientes da concorrência. subestimada. além do competitivo. ou seja. para adquirir maior segurança quanto as decisões que poderão ser tomadas. preparam salas especiais para o evento. No entanto. projeto do produto mediador. a fim de induzir a manifestação de toda sorte de idéias. quando é a vez do cliente da concorrência também ser ouvido. Portanto. as demais empresas não são identificadas pelos nomes. As questões relacionadas ao tema são abertamente apresentadas pelo mediador. ao público e aos recursos disponíveis. da concorrência e potenciais. o termo ‘pesquisa da satisfação dos clientes’ é usualmente utilizado de forma genérica para se referir a qualquer pesquisa de caráter quantitativo direcionada ao mercado consumidor (clientes finais. Para que nenhuma idéia seja perdida. Neste caso. como por exemplo a elaboração de um questionário realmente útil. muitas vezes é interesse da empresa realizar uma posterior pesquisa da satisfação dos clientes. apenas a sua própria posição é informada. O interno é realizado estabelecendo-se sempre novas metas sobre o patamar de desempenho já alcançado.2 Pesquisa com Clientes da Concorrência Este tipo de pesquisa é utilizado como estratégia de “benchmarking” competitivo. no intuito de não inibir a participação dos clientes. a subjetividade inerente ao processo é grande. atuais. com a autorização do grupo e. por meio da identificação dos atributos dos produtos e serviços que os clientes realmente percebem e valorizam. busca identificar as melhores práticas do mercado em qualquer tipo de indústria ou negócio. a referência básica é a própria empresa e não dependerá necessariamente de pesquisas de opinião. Estes atributos é que irão direcionar as perguntas do questionário. IV. definição do universo a ser investigado. ou seja. não é apenas nestes casos que o cliente perdido pode ser © 2006 eduardo romeiro filho 54 ufmg . O “benchmarking” das melhores práticas. Como este é um interesse comum de todas as organizações que lidam com o mesmo negócio. a diferença é que apenas um cliente será a fonte das informações à respeito do assunto foco. para conhecer suas expectativas. perdidos.

pode-se dar seqüência às demais etapas. Estas etapas serão apresentadas a seguir. sua inclusão pode acontecer em qualquer outro momento de uma ‘pesquisa da satisfação dos clientes’. Muitas vezes uma breve consulta ao próprio mercado será necessária para a definição das categorias de resposta para as “questões fechadas”. Estratificada Diversos grupos de clientes (estratos) são diferenciados em relação a alguma característica importante para a empresa. Contudo. o primeiro passo na realização de uma pesquisa é a definição detalhada de seus objetivos: conhecer as necessidades. Ou seja. avaliar se os esforços de melhoria da empresa estão repercutindo em incremento da satisfação do cliente. Quando a intenção é estimar as informações desejadas. detectar pontos fortes e fracos da concorrência. No entanto. quanto os clientes perdidos (ex-clientes). Por Cotas © 2006 eduardo romeiro filho 55 ufmg .1 Principais Planos de Amostragem Aleatória Todos os clientes são considerados como grupo homogêneo e possuirão igual chance de serem selecionados para compor a amostra. etc. Conforme mencionado. Definição do Universo a ser Investigado (População) Acessar a satisfação dos clientes dependerá naturalmente do conhecimento de quem são os clientes. A partir da definição dos objetivos específicos da pesquisa. de uma questão de propósito. Elaboração do Questionário “A elaboração de questionários é uma combinação de ciência e arte”. preferências e prioridades dos clientes. sem ambigüidades e tendências. objetiva. dentre outros fatores. de forma resumida. etc. tanto os clientes atuais. 3. Os planos de amostragem por conglomerados e estratificada podem ser realizadas simultaneamente. personalizar seu atendimento. caso o entrevistado tenha contato com o formulário utilizado. a amostragem é a única escolha. etc. abordando questões básicas importantes que permitirão realizar a pesquisa de forma eficiente. Cada um destes grupos fornecerá um conjunto de informações diferenciadas que poderão ser utilizadas no plano de estratégias da empresa. projeto do produto investigado. esta definição será necessária para se saber como contactá-los. volume médio de compras. cada área corresponderá a um conglomerado. estratificando-se dentro dos conglomerados.). Em princípio. Há diversos mecanismos de aleatorização fáceis de implementar. 1. A validade diz respeito principalmente à real obtenção das informações pretendidas. que dependerá da composição das perguntas elaboradas. adquirir direcionamento para melhorias. sua apresentação deve ser impecável e amigável. É imprescindível que as perguntas certas sejam realizadas da forma certa. quando as limitações dos recursos disponíveis impedem a realização do censu. O número de questões deve ser o mínimo necessário. inclusive. 2. Todos os objetivos da pesquisa devem ser contemplados de forma simples. Definição da Abordagem da Pesquisa Realizar um censu com todos os integrantes da população ou fazer uma amostragem com alguns deles são diferentes abordagens que podem ser utilizadas em uma pesquisa. tempo de contrato com a empresa. Como mencionado. podem ser incluídos na pesquisa. típica das ‘pesquisas de marketing’. como por exemplo a natureza do cliente (atual. localidade. da concorrência. Vale mencionar que uma preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião refere-se à validade das informações capturadas. Uma boa definição dos clientes é um dos pontos de partida para a realização de uma pesquisa realmente útil. a escolha recai sobre a segunda opção. Neste caso. novos produtos e serviços. por meio da utilização dos grupos foco. Dentro de cada estrato a seleção dos clientes poderá ser aleatória. a ordem de apresentação das perguntas deve ser cuidadosamente avaliada e. da interação entrevistador- entrevistado e da seqüência em que as questões forem propostas. Esta abordagem permitirá planejar estratégias ‘customizadas’. Por Conglomerados A região geográfica considerada na pesquisa pode ser dividida em várias áreas para facilitar o processo de entrevistas (acesso aos clientes). além de obter as informações pretendidas. é recomendável a realização dos census para que a empresa possa. os clientes potenciais e os clientes da concorrência. Esta escolha dependerá. no caso do “benchmarking” competitivo. uma listagem completa de nomes e endereços/telefones dos clientes é indispensável. Portanto.depto engenharia de produção . 3. simplesmente saber identificá-los. permitirá identificar e sanar problemas específicos de cada cliente.

Levantamento dos Dados Dependendo do método de pesquisa escolhido. disquetes ou Internet. e não encerra as entrevistas enquanto não a atinge. porém. Como as chances disto ocorrer devam ser mínimas. O nível de confiança. © 2006 eduardo romeiro filho 56 ufmg . A seleção destas pessoas pode ser interna ou externa à empresa.depto engenharia de produção . 3. O pré- teste é uma “miniatura” da pesquisa a ser realizada e tem como objetivo revisar todo o projeto. Todas possuirão vantagens e desvantagens. Em relação às considerações técnicas. mesmo que várias revisões já tenham sido feitas antes. Antes. Mesmo que a precisão seja alta. Outro fator importante é a precisão desejada para o resultado (estimativa). Em relação à adequação do questionário. menor precisará ser o tamanho da amostra. como o próprio nome já diz. Portanto. consiste em uma limitação devido à urgência de obtenção de resultados. No caso da seleção interna.2 Dimensionamento da Amostra A determinação do tamanho da amostra é uma decisão que requer uma série de considerações de ordens técnica e prática. a magnitude da variação entre os clientes será determinante. a melhor opção dependerá principalmente da conveniência para o cliente. Os transtornos advindos desta liberação são geralmente os responsáveis pelo abandono desta alternativa. projeto do produto Quando deseja-se realizar uma estratificação mas não se dispõe das informações necessárias para tal. método de pesquisa escolhido e tempo médio necessário para a realização de uma entrevista. ou seja. via contato telefônico. sua validação é realizada em situação real de uso. quanto maior a precisão desejada maior será o tamanho da amostra necessária. disquetes ou Internet. número total de clientes com determinado perfil. 5. é importante que o pré-teste seja realizado pelos próprios entrevistadores já treinados. Ambos precisarão ser submetidos à treinamento sobre os vários aspectos da pesquisa. Além destas informações. deve-se considerar a possibilidade de se oferecer incentivos à participação dos clientes. da qualidade das informações capturadas. o nível de confiança estabelecido na prática nunca é inferior a 90%. corresponde à largura do intervalo de estimação (conjunto de valores possíveis para a característica populacional que está sendo estimada. E por fim. Fax. a menos que a empresa já possua uma equipe dedicada ao assunto. é possível chegar a um intervalo que não contenha a informação real. pessoal (entrevista face-a-face). que só poderão ser compensadas por um grande número de questionários enviados. a precisão e o nível de confiança. O número de entrevistadores necessário dependerá da extensão da pesquisa (número de entrevistas). do questionário que será utilizado e do método de pesquisa escolhido. Caso a pesquisa seja realizada via correspondência. 4. Intuitivamente é possível perceber que. Cada entrevistador possui uma cota. Desta forma pretende-se identificar qualquer deficiência que porventura possa ocorrer desde a coleta até a análise. A segunda opção seria a seleção de entrevistadores ‘free-lances’ do mercado. conhecido também como intervalo de confiança). Outro fator que influenciará nesta decisão é o tipo de questionário que será utilizado. Por isso. uma grande amostra poderá ser rapidamente observada. a amostragem por cotas é aconselhável. Em relação às considerações de ordem prática. haverá a necessidade de formação e treinamento de uma equipe de entrevistadores. o plano de amostragem empregado também direcionará os cálculos. é indispensável a realização de um pré-teste. Entretanto. da coleta definitiva das informações. A empresa pode estabelecer um orçamento máximo para a realização da pesquisa que não permita a coleta de grandes amostras. alguns dos próprios funcionários da empresa conduzem o trabalho mediante a liberação de seus afazeres diários. As alternativas serão basicamente: via correspondência simples (correios). outro fator de grande importância é a disponibilidade de recursos. grandes amostras. o tempo disponível para a realização da pesquisa é um fator de grande importância. Definição do Método de Pesquisa Esta etapa refere-se à definição da forma de retorno das informações. muito provavelmente o tamanho da amostra será reduzido. como a característica de interesse se distribui no universo pretendido. o tempo dispensado a este treinamento dependerá das habilidades do grupo selecionado. Fax. a fim de aumentar a taxa de retorno dos questionários. da velocidade de acesso a estas informações e da natureza das perguntas propostas. Se o tempo é curto. Quanto mais semelhante for o ponto de vista dos clientes (menor variação). As fórmulas estatísticas empregadas no cálculo do tamanho da amostra levam em consideração a variação. deve-se estabelecer um nível de confiança para este intervalo de estimação. A precisão é uma medida da qualidade da estimativa. Questionários extensos e complexos resultarão em baixas taxas de retorno. se os recursos (dinheiro e pessoas) disponibilizados forem abundantes. ou seja. que não é uma tarefa simples. da taxa de retorno das informações. é o quanto poderemos confiar em nossas conclusões. caso o trabalho não seja terceirizado (contratação de empresa especializada no ramo).

é a confiabilidade. cartas de controle. etc. gráfico de Pareto. Os resultados de ambas é então comparado para uma avaliação da consistência das informações. tipo/marca de produtos. © 2006 eduardo romeiro filho 57 ufmg . As principais escalas de medida utilizadas são: Nominal É uma escala de categorias (objetos: nomes dos clientes. a maior parte delas com 5 opções de resposta: ‘concordo fortemente’ até ‘descordo fortemente’ em relação a uma afirmativa proposta (ex. média. conforme a escala de medidas permitir.1 Exemplo 1: Satisfação de Pacientes de Tratamento Odontológico Uma seguradora de tratamentos odontológicos desenvolveu uma pesquisa de satisfação junto aos seus clientes. portanto.) onde os números são utilizados apenas para diferenciá-las. análise de cluster). medidas descritivas (porcentagem. gráfico de setores. será apresentado a seguir uma adaptação simplificada da análise dos dados de dois exemplos extraídos de Hayes (1998). é muito comum a sua representação em tabelas de freqüência (quantas vezes apareceu cada rótulo). desvio padrão. etc. Vale mencionar que. A operação de subtração já passa a fazer sentido. O importante nesta escala não são os valores propriamente ditos. pois ela não possui um referencial zero. Como a coleta dos dados seria realizada por correspondência. Razão Esta escala acrescenta o referencial zero. regressão múltipla. análise multivariada (análise fatorial. pelo menos. foram enviados 176 questionários para assegurar o retorno de. histograma. 6. etc. permitem operações de comparação do tipo > ou <. o dentista explicou satisfatoriamente o tratamento que eu precisaria receber. Exemplo: nível de satisfação dos clientes. poderão ser várias: Intervalos de confiança. A escala de medidas utilizada nas perguntas foi do tipo intervalar. um questionário de 26 perguntas fechadas foi desenvolvido para entrevistar os pacientes mais recentes de qualquer tipo de tratamento dentário. no caso de críticas e sugestões. rótulo 2). Com base em pesquisas semelhantes que ela própria já havia realizado e nas recomendações da literatura técnica mais atualizada.). análise de componentes principais. A única operação permitida nesta categoria é a comparação = ou . os softwares de suporte a esta etapa devem ser cuidadosa-mente escolhidos visando o tipo de análise que será realizada. além de = ou . como rótulos de identificação (exemplo: sexo masculino recebe rótulo 1 e sexo feminino. Com o objetivo de ilustrar o emprego de algumas destas técnicas. maior o número a ele atribuído). Análise das Informações A análise das informações coletadas por meio do questionário dependerá da escala de medida que houver sido utilizada e dos objetivos da pesquisa. 6. Intervalar Os números também são utilizados para ordenar objetos como na escala ordinal. É possível avaliar a confiabilidade por meio de algumas reentrevistas. foi calculado o tamanho da amostra necessário por dentista: 44 pacientes. A confiabilidade diz respeito a possibilidade de obtenção dos mesmos resultados caso a pesquisa fosse igualmente repetida. como será ilustrado do tópico 6. mapa de percepção. sem entrar no mérito de sua construção e cálculo. além de uma última opção ‘não se aplica’.depto engenharia de produção . análise de variância. Os números representam grandezas e. etc. ou seja. o consultório estava limpo. Ordinal Usa números para ordenar objetos de acordo com alguma característica (exemplo: nível de escolaridade. A fim de garantir que todos os dentistas receberiam uma avaliação confiável (com base em um número representativo de pacientes) de seu próprio desempenho. quando comparados entre si. As técnicas estatísticas geralmente empregadas. e sim seus valores relativos.). além da validade.: o atendimento da recepcionista da clínica foi cortês. Por exemplo. empregando-se a fórmula apropriada de cálculo estatístico e considerando implicações de ordem prática.1. temperatura.: Como esta escala permite contagem (quantas categorias são iguais. receberam o mesmo rótulo de classificação). projeto do produto Outra preocupação fundamental relacionada ao planejamento de pesquisas de opinião. testes 2. análise de correlação. a distância entre um número e outro agora tem significado. Obs. considerou-se uma taxa de retorno de 25% (mesmo com os incentivos oferecidos). pois as medidas passam a ser baseadas em uma escala de intervalos iguais. valores monetários). no entanto. com o objetivo de determinar a percepção que eles possuíam da qualidade do serviço oferecido pela sua rede de clínicas conveniadas. 44 deles (por dentista). ou seja. quanto maior o nível. por isso todas as operações aritméticas são lícitas (exemplo: comprimento. testes de hipóteses.

a interpretação dos dados seria simplificada e mais objetiva. foi empregada. foram: 1. foi possível concluir que o fator ‘qualidade do seguro’ estava altamente relacionado à satisfação total com a seguradora e à disposição de indicá-la a amigos.50 0. Os 4 fatores resultantes. e os dados foram ‘escaniados’ para uma planilha eletrônica. por exemplo. O histograma é um gráfico de barras. 11. 12. foram calculados a média e o desvio padrão. estes 4 fatores juntamente com outras duas questões referentes ao ‘período de espera pelo dia da consulta’(em semanas) e ao ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’(em minutos). foi aplicada a técnica de análise de componentes principais.062 questionários preenchidos.78 Obs. Qualidade do seguro (17. Higienização do ambiente (7.34 0. Atendimento (1. © 2006 eduardo romeiro filho 58 ufmg . Com isso. Por exemplo. 16) 3. a seguradora decidiu investir primeiramente neste aspecto para melhorar seus serviços. até ‘descordo fortemente’ nota 1. Os cálculos da média e do desvio foram possíveis graças à atribuição de notas para as opções de resposta. foram calculados. onde cada barra corresponde a uma opção de resposta (ou intervalo de valores) e possui área proporcional à frequência da opção (intervalo) que representa. quando todos os pacientes (14. A partir de então. inclusive quando esta contribuição era de fato relevante. facilitando bastante a visualização das informações. o agrupamento de atributos do produto em dimensões da qualidade. ‘concordo’ nota 4.depto engenharia de produção . para cada questão. a média e o desvio padrão. 3. a média não ultrapassaria o valor 5. 13.81 Higienização do ambiente 4. o número inicial de questões a poucos fatores (componentes principais). 18. o agrupamento de clientes em segmentos de mercado. porém de forma mais compacta e informativa. a técnica de análise de regressão. Esta técnica permite formar subconjuntos de questões relativas aos mesmos aspectos da qualidade. reduzindo assim. mais “poderosa” e conclusiva para este tipo de análise. Em seguida. de maneira que a maior nota fosse associada a um maior grau de satisfação. muito utilizado para medidas numéricas de escala contínua. 15) 2. como era de se esperar). Da mesma forma.062) optassem por ‘concordo fortemente’. o fator ‘atendimento’ altamente relacionado à satisfação total com a clínica e à disposição de indicá-la a amigos (inclusive. ela é utilizada para o agrupamento de objetos. tanto a satisfação total com a seguradora quanto a satisfação total com a clínica estavam altamente relacionadas à disposição de indicá-las a amigos. 4. 9.73 Competência técnica 3.: A técnica de análise de cluster também permite o agrupamento de variáveis em um número reduzido de estratos. 8. Por meio desta ferramenta.62 Qualidade do seguro 3. No melhor das hipótese para este exemplo. projeto do produto Durante o período de um trimestre foram recebidos 14. a opção ‘concordo fortemente’ recebeu nota 5. O fator ‘higienização do ambiente’ apresentou-se como o menos importante sobre todas as questões de satisfação global. Obs. 6. juntamente com o número das questões que representam. conforme é apresentado a seguir: Fator Média Desvio Padrão Atendimento 4.: Neste exemplo histogramas do ‘período de espera pelo dia da consulta’ e do ‘tempo gasto na sala de espera pelo atendimento do dentista’ poderiam ter sido construídos para visualização do comportamento deste dados (que inclusive não foram incluídos na análise de regressão). foram correlacionados com as últimas 4 questões de caráter global (grau de satisfação total dos pacientes com a seguradora e a clínica e disposição de indicar a seguradora e a clínica a amigos). A análise de regressão fornece um modelo (equação) que represente o relacionamento entre as variáveis em estudo (no caso. entre parênteses. 5. Competência técnica (2. tanto a ‘qualidade do seguro’ quanto o ‘atendimento’ foram significativamente importantes para a satisfação com o plano. O ‘atendimento’ e a ‘competência técnica’ foram ambas significativamente importantes para predizer a satisfação com a clínica e sua indicação. por exemplo. 10) 4. foi possível conhecer a contribuição de cada componente principal sobre as questões de satisfação global.Como uma série de outras correlações poderia ser importante. 20) Os nomes atribuídos aos fatores dizem respeito ao conteúdo das questões por eles representadas e são definidos de acordo com a criatividade dos pesquisadores. Como o ‘atendimento’ destacou-se como o fator mais influente para a satisfação global do cliente. o percentual de escolha de cada opção de resposta. e combinadas para predizer as quantidades de interesse. 19. 14. A intenção era saber quais os principais responsáveis pela satisfação global dos clientes.94 0. para a questão: Os instrumentos utilizados no consultório eram esterilizados. os componentes principais como variáveis explicativas e as questões de satisfação global como variáveis resposta). assim por diante. Além disto.03 0. Por meio do emprego da análise de correlação. Com o objetivo de agrupar as primeiras 20 questões em alguns poucos fatores que refletissem igualmente a qualidade do serviço. Para cada fator.

00 a 4. por incrível que pareça. levantada sobre alguma medida de interesse da população. com base em pesquisas anteriores. já que todos intervalos (com alta precisão) sugerem uma pontuação média superior a quatro pontos. A correlação entre as três questões de satisfação geral variou de 0.74 a 0.78 (quanto mais próximo de -1 ou +1 mais correlacionadas) indicando uma sobreposição de informação (devido a alta correlação). para as primeiras 11 questões.5% solteiros). que muito provavelmente (95% de chance) incluem a verdadeira média (ou outra medida de interesse) da população. inclusive atrair anunciantes pela divulgação dos resultados da pesquisa.20 Questão 2) 4. Por exemplo. permitindo a percepção de oscilações significantes no desempenho do indicador acompanhado. em relação ao estado civil: 85. por exemplo.03 a 4. projeto do produto 6. menos que mês sim/mês não).2 Exemplo 2: Satisfação dos Leitores do Jornal “The Parent” O pequeno jornal “The Parent”. através dos correios. O nível de satisfação global não alterava em função da freqüência com que o jornal era lido (mensalmente. o gráfico de setores poderia ter sido construído para ilustrar. e anexado a todos os exemplares de uma das edições do jornal. Obs. que de fato é o que deseja-se conhecer.41 A partir destes resultados. onde cada fatia é uma categoria com tamanho proporcional a sua freqüência.21 a 4. estou satisfeito (a) com a qualidade do jornal’. o percentual de homens e mulheres entrevistados na amostra.: Neste exemplo. Este gráfico é muito semelhante a uma pizza. Questão 1) 4. Com base nesta pesquisa os editores puderam direcionar melhor as reportagens publicadas e a estratégia de marketing empregada. Estas questões eram: 1) ‘De maneira geral..5% casados. determinar se existe diferença entre as diversas categorias de idade ou escolaridade em relação à satisfação global com o jornal. As reclamações mais freqüentes ou mais graves (por motivo de segurança ou custo) serão facilmente evidenciadas por meio da análise deste gráfico. Também foram calculados a média e o desvio padrão para as 3 últimas questões referentes à satisfação global dos clientes. Com o auxílio desta técnica a empresa não é confundida por variações aleatórias que atuam em qualquer indicador de desempenho. Eles examinam se existem evidências na amostra que corroborem para a comprovação de alguma hipótese. Os intervalos de confiança são um conjunto de valores. cuja média. 2) ‘As manchetes do jornal são interessantes’ e 3) ‘Eu gosto de ler o The Parent’. decidiu realizar uma pesquisa de satisfação dos clientes a fim de conhecer o perfil de seus leitores: estilo de vida. decidiu-se reuni-las em uma só medida nomeada ‘satisfação global dos leitores’. etc. o percentual de escolha de cada opção de resposta (exemplo. no serviço de atendimento às reclamações. da mesma forma que não © 2006 eduardo romeiro filho 59 ufmg . De posse destas estatísticas (média e desvio padrão da amostra para cada uma das 3 questões) foi possível calcular intervalos de confiança para a média de toda a população alvo da pesquisa. Os resultados da análise de variância revelaram que leitores cujo cônjuge também lia o jornal manifestaram maior nível de satisfação que aqueles cujo cônjuge não lia. hipótese 1: a média da satisfação global de todos os leitores com o jornal é igual a 4 pontos e hipótese 2: a média é diferente de 4. Já as cartas de controle são utilizadas para monitorar alguma variável (exemplo: nível de satisfação global) ou atributo (exemplo: percentual de respostas negativas dentre todas as respostas possíveis) de interesse ao longo do tempo.23 Questão 3) 4. hábitos. Com base no teste será possível identificar qual das duas hipóteses é verdadeira. Obs. o gráfico de Pareto é muito utilizado para priorizar problemas.0% divorciados/separados/viúvos e 5. Apesar de não ter sido ilustrado nos exemplos apresentados. no intuito de determinar se existia ou não algum relacionamento entre elas. procedeu-se a análise seguinte. Especificamente os problemas levantados pelos clientes. a hipótese 1 seria confirmada caso o teste fosse realizado.depto engenharia de produção . Por exemplo. É muito utilizado quando a única operação permitida é a contagem e o número de opções de resposta é menor ou igual a quatro. mês sim/mês não. foram feitas uma série de comparações com as demais questões do questionário. Para isto foi utilizada a técnica de análise de variância. e o seu nível de satisfação geral com o jornal. por exemplo. A análise de variância é utilizada para comparar vários grupos de interesse e verificar se existem diferenças significativas entre eles.: Os testes de hipóteses são muito parecidos em essência com os intervalos de confiança. mínimo e máximo foram calculados (com base em todos os resultados apresentados pelas três questões 1) 2) e 3)). Como mostrou o intervalo de confiança para a questão 1). na escala intervalar de 5 opções: ‘concordo fortemente’ nota 5 até ‘descordo fortemente’ nota 1. Por isso. desvio padrão. Após o recebimento de 201 questionários preenchidos. publicado mensalmente. foi possível concluir que o nível de satisfação dos clientes é alto. Para isso um questionário de 14 perguntas foi confeccionado. Utilizando esta nova medida. Leitores mais satisfeitos com o jornal gastavam mais tempo lendo-o que os menos satisfeitos. 9. Foi calculado.

é um sintoma importante de percepção do conceito “foco no cliente”. Por este motivo. este conhecimento deve permear toda a empresa. Com este recurso a empresa pode. pelo contrário. os testes 2 são muito úteis para indicar relação de dependência entre categorias. De nada vai valer o conhecimento adquirido se não for utilizado como base na tomada de decisões. congressos. 1995). promover novas críticas e sugestões e permitir um tratamento diferenciado para cada cliente. após prévia consulta ao mercado. porém pecam pela falta de representatividade da população de interesse. Ele será o ponto de partida para a análise das medidas que poderão ser adotadas para melhorar o desempenho da empresa. chega ao nível do comporta. A divulgação junto aos próprios clientes também será importante para estreitar o relacionamento com a empresa. devido a própria estrutura de questões fechadas em que se baseiam. Quando a satisfação dos clientes está baixa. bem como seus resultados. Porém. cada ferramenta oferece uma contribuição diferente. contrariados. podendo inclusive.). Quando este sistema é programado para funcionar devida e continuamente a empresa terá maiores chances de ser competitiva. Ele tem o objetivo de representar a percepção dos clientes em relação aos produtos. ou seja. A direção da relação causal é do empregado para o cliente. E este relacionamento vai além de atitudes e percepções. A perfeita compreensão. a satisfação dos clientes também cresce. Quando os empregados percebem a qualidade do produto/serviço. Quando os empregados estão insatisfeitos. V. demonstrado pela utilização das ferramentas apropriadas para coleta e análise de informações provenientes do mercado. “As atitudes dos empregados está diretamente relacionada às atitudes dos clientes. etc. 7. Não que o programa tenha fim. vantagens e limitações. Apresentação dos Resultados O relatório final de uma pesquisa é seu produto principal. projeto do produto atribuirá a aleatoriedade flutuações que representem mudanças de comportamento do mercado. principalmente durante o planejamento de novos produtos. a satisfação dos clientes não deve ser desassociada da satisfação dos empregados. se não direcionar metas e planos. Isto se deve à transferência do estado de satisfação dos empregados para a qualidade dos produtos que será percebida pelo cliente. Além dos cuidados que exige para funcionar bem. ou seja. por exemplo. muitas decisões tomadas com base no emprego destas ferramentas. Outra técnica muito utilizada. se não fizer parte integrante do gerenciamento da organização. o fluxo da sobrevivência poderia ser complementado da seguinte forma: © 2006 eduardo romeiro filho 60 ufmg . é o mapa de percepção. com base em algumas de suas características mais importantes (geralmente fatores extraídos de prévia análise de componentes principais). a preocupação da empresa com a satisfação dos clientes tem que se estender às medidas administrativas de envolvimento dos seus trabalhadores. Quando a perda de empregados é grande. suas atitudes e comportamento afetam os clientes causando neles as mesmos efeitos” (Naumann. os grupos foco vão mais a fundo nas questões fundamentais. a de clientes também é pequena. Por exemplo. localizar estrategicamente novos produtos em relação aos concorrentes. tem feito toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa. a perda poderia ser menor se houvesse maior rigor no emprego das ferramentas. começam onde o programa termina. podem levar a desperdícios de tempo e recursos (como é o caso de novos produtos que são rejeitados). um cruzamento entre o perfil do cliente (residencial ou comercial) e a presença de alguma característica do produto (presente ou ausente) pode esclarecer dúvidas de preferência. aplicação e principalmente integração das ferramentas é que compõem um bom sistema de avaliação da satisfação dos clientes.. deve acontecer em todos os níveis da organização por meio de boletins. afinal de contas ele é contínuo. Os esforços em direção à satisfação das expectativas dos clientes e superação destes expectativas. Somente as pesquisas de satisfação são muito superficiais. aborrecidos e querem deixar a empresa. a qualidade do produto é fatalmente comprometida em função do grau de insatisfação dos empregados.(. painéis. emergente nos anos 40. Por isto os especialistas aconselham: o sistema de avaliação da satisfação dos clientes deve ser tratado com a mesma seriedade e rigor que o sistema de controle financeiro da empresa. quando do cruzamento de tabelas de freqüência (conhecidas como tabelas 2x2). mas seus resultados têm de ser revertidos em ação. os clientes também percebem. Apesar de ser um grupo específico que vai trabalhar diretamente o conhecimento adquirido (times de melhoria). Quando a satisfação dos empregados cresce. A divulgação dos resultados da análise dos dados gerados pela aplicação das ferramentas de coleta. reuniões. todos os esclarecimentos sobre o planejamento e a condução da pesquisa devem ser registrados com muita clareza.depto engenharia de produção . Para finalizar. Este conceito. quando a perda de empregados é pequena. Considerações Finais O interesse de uma empresa em medir a satisfação dos clientes. a menos quando se trata de projetos confidenciais. a satisfação dos empregados também está baixa. Apesar dos riscos que envolvem grandes investimentos para conquistar clientes..mento. não redundam em ganhos. a perda de clientes também é grande. em medidas de melhoria. Para finalizar. por meio da realização do teste.

Customer Satisfaction Measurement and Management. G. Kessler. Deming. Desing and Marketing of New Produts. 1998. V. and Statistical Analysis Methods. A Estatística como Fator de Promoção da Competitividade das Empresas. Cincinnati: Thomson Executive Press. Milwaukee: ASQC Quality Press. R. W. B. The New Economics for Industry. Bibliografia Babbie. Trabalho destinado à avaliação final da disciplina “Gestão da Qualidade Industrial”. Going for de Gold. Milwaukee: ASQC Quality Press. Measuring and Managing Customer Satisfaction. R. Naumann. 1996. 1990. 1996. 2nd ed. Hayes. Belmont: Wadsworth. Urban. © 2006 eduardo romeiro filho 61 ufmg . T. J. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology Center for Advanced Educational Service. Measuring Customer Satisfaction. & Hauser. 2en ed. 1997. Milwaukee: ASQC Quality Press. Survey Research Methods. S. E. Survey Design. 2nd ed. Vagra. Improving your Measurement of Customer Satisfaction. B. 2nd ed.depto engenharia de produção . Educantion. New Jersey: Prentice-Hall. Use. 1993. L. Government. G. projeto do produto Satisfação dos Empregados Qualidade Satisfação do Cliente Sucesso Competitivo Aumento do Faturamento Lucro VI. K. Inc. E. 1995. 1996. & Giel. Oliveira.E. E.

coisamente. Que se oferece como signo de outros Meu tênis é proclama colorido Objetos estáticos. E nisto me comprazo. Em minha calça está grudado um nome Tão minhas que no rosto se espelhavam. nesta vida. tarifados.palavra. Escravo da matéria anunciada. Ser pensante.com/md/olobo/antologia1.depto engenharia de produção . Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher. São mensagens. sentinte e solidário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana. cada olhar. E cada gesto. Um nome.virtualave. Minha toalha de banho e sabonete. http://www. Que nunca experimentei Objeto pulsante mas objeto Mas são comunicados a meus pés. Em minha camiseta. Que não é meu de batismo ou de cartório. ainda que a moda Seja negar minha identidade.Contraponto: De ser veste e sandália de uma essência Tão viva. http://www. ndrade.angelfire. a marca de cigarro Sou gravado de forma universal. Desde a cabeça ao bico dos sapatos. De ser não eu. recolocam. meu chaveiro. não de casa. meu relóglo..br/html/carlos_drummond_de_a Costume. Saio da estamparia. Trocá-la por mil. projeto do produto E fazem de mim homem-anúncio itinerante.net/ Ordens de uso. Não sou—vê lá—anuncio contratado. abuso.html http://www. Minhas meias falam de produto Da vitrina me tiram.html Gritos visuais. É duro andar na moda. açambarcando Todas as marcas registradas.br/ Indispensabilidade. Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros. premência. © 2006 eduardo romeiro filho 62 ufmg . Estou. Peço que meu nome retifiquem. Carlos Drummond de Andrade Que moda ou suborno algum a compromete. Meu isso. reincidências. Eu é que mimosamente pago Para anunciar. Todos os logotipos do mercado. hábito. Eu sou a Coisa. Cada vinco da roupa Meu blusão traz lembrete de bebida Resumia uma estética? Que jamais pus na boca. E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste Marketing . Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro. estou na moda. principalmente). invencível condição. Minha gravata e cinto e escova e pente.com. Hoje sou costurado. EU. mas artigo industrial. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer. tão mim-mesmo. tão orgulhoso Por este provador de longa idade. até hoje não fumei. minha xícara. para vender Em bares festas praias pérgulas piscinas.carlosdrummond. sou tecido. http://demolay. meu aquilo. estranho. Meu lenço. independente. De alguma coisa não provada Por me ostentar assim.com.. Já nao me convém o título de homem Meu copo. ETI QUETA. Meu nome novo é Coisa. Que não fumo. Sites sobre o poeta: Letras falantes. tiro glória De minha anulação. Minhas idiossincrasias tão pessoais.

Ainda assim. O conhecimento tem que desleal. contraprestação. na qual os inventores declaram ter ciência específico que pode ser fabricado ou utilizado de que a tecnologia é de propriedade da industrialmente. empresas e produtos. O primeiro deles é a suficientes para repetir o ato inventivo. é necessário também o tecnológico e econômico do País. finalidade de promover o desenvolvimento além destes documentos. Termo de Participação -. o titular tem que detalhar com alta Quando do depósito. O requisito mais introduzidas em objetos conhecidos. reivindicações. mas sido publicada. resumo e desenhos. se a publicação © 2006 eduardo romeiro filho 63 ufmg . solução para um problema técnico Inventor. a petição deve ser suficiência e precisão seu invento ou modelo de instruída com os seguintes documentos: relatório utilidade a ser protegido pela patente. uma melhor utilização para o fim a que se destina. Caso é um gênero. Já a patente de modelo de utilidade Universidade. Período de Graça não será considerado estado da técnica a matéria divulgada pelo inventor Patente ou por terceiro que dele tenha obtido informações sobre a tecnologia que se deseja patentear até 12 A patente é proteção do conhecimento feita meses da data de divulgação. função no mercado atualmente. Em exclusividade concedido pelo Estado tem a algumas Universidades Públicas. Ela confere valor São princípios informadores do sistema de comercial a ativos intangíveis. não será (invenção e modelo de utilidade). como a UFMG. patentes de uma descoberta de algo já existente. um técnico no assunto consiga demonstrar que a São elas: dita tecnologia decorreu de uma conclusão óbvia ou Propriedade Industrial: Marcas. Como 12 (doze) meses após proteção no país de origem.e a Declaração de homem. o requerente terá 12 meses após a deve ser capaz de entender o objeto do pedido de primeira publicação para depositar o pedido de proteção. O título é conferido ao inventor ou a proteção da tecnologia em âmbito internacional até quem este ceder seus direitos. como o patentes: conhecimento aplicado. O terceiro requisito geográficas. Em seguida. atendendo a deferimento pelo INPI. 2. conferindo importante deste relatório é a suficiência descritiva. Unionista: o titular do depósito de pedido temporária sobre uma invenção ou modelo de de patente tem garantida a prioridade para realizar a utilidade. ela transforma conhecimento. através de um título de propriedade 3. indicações possível proteger como patente. Territorialidade: a patente conferida pelo forma. a pesquisa realizada. Talvez não novidade. pelo Estado. Direitos Autorais É importante que o depositante verifique a Cultivares presença dos requisitos acima. ser passível de industrialização e lançamento no Software mercado. Dessa 1. patente. a fim de diminuir os A Propriedade Industrial tem importante riscos de indeferimento do pedido.onde os inventores A patente de invenção é uma concepção definem o percentual de divisão de recursos resultante do exercício da capacidade de criação do provenientes da tecnologia -. composto por quatro modalidades. Ou seja. Depreende-se daí que o objeto da com a mesma precisão pois ele não terá o mesmo proteção deve ser inédito. deve a alguns requisitos. pesquisa e Estado tem validade somente dentro dos limites desenvolvimento em valor agregado para as territoriais do país que a concede. Caso a invenção tenha tempo de prática e aprimoramento do invento.depto engenharia de produção . O direito de descritivo. Este conceito tecnologia ser fruto de atividade inventiva. possa ser protegido. não haverá produto do intelecto humano que. é resultante da capacidade de observação do O relatório descritivo é uma expressão escrita homem. a sua leitura deve proporcionar ao Existem três requisitos básicos para depositar examinador especialista no assunto dados um pedido de patente. desenho industrial e concorrência é o potencial industrial. Tem relação com modificações e detalhada do que é a invenção. projeto do produto Propriedade I ntelectual A Propriedade Intelectual abrange qualquer descaracterizar totalmente a novidade.

A cultura do registro de marcas tem uma Para registrar um desenho industrial no INPI. no Brasil. ainda que de concorrentes.ufmg. acesso em agosto de 2006. haverá publicação do pedido e o identifica e distingue produtos e serviços de outros depositante terá vinte e quatro meses para requerer análogos. o requerente deve mostrar em Industrial. O resumo é uma prévia para que o examinador forme uma idéia do campo de assunto Marca do objeto do pedido. Nelas o requerente demonstra quais os Quando o software é protegido. Softwares A marca. são chamados softwares passou a ser feita na forma de direito pelo nome da marca mais expressiva no meio. que realmente causa. Já no caso de patente de modelo de deve ter distintividade. capaz de executar todas as funções para as quais foi As reivindicações são a caracterização da criado.Reitoria . do programa. sucessivamente. Atualmente. projeto do produto No relatório. A é aconselhável que o interessado realize uma busca marca gera concorrência. Para tanto. é um reflexo da reputação de alguns produtos.Instituto Nacional da Propriedade Texto extraído do site da CT&IT/UFMG: http://www.CT&IT | Av. no Brasil. proporcionando resultado visual novo e a necessidade do produto. grandes componentes para marca. bem existente. isso não exclui a proteção pela patente de aplicação pelo INPI. existem três (quinze) anos contados da data de depósito. Entretanto.htm. Findo este sinal distintivo. que período. que é aquela na qual o programa torna-se estado da técnica e o estado da arte. 2. invenção é de 20 (vinte) anos a partir da data do A marca é um sinal visualmente perceptível e depósito.MG CEP: 31270-901 | Telefone: (31) 3499-4033 / 3499-4774 © 2006 eduardo romeiro filho 64 ufmg . são em torno de quarenta a impressão que a marca quer causar e com aquela milhões de pedidos. Antônio Carlos. e o prazo de do programa. invenção. traduzindo um determinado produto O desenho industrial é a forma plástica ou serviço prestado. a proteção de deles. servir de tipo de fabricação industrial. normalmente. Quanto maior produto. o prazo será de 15 ou serviço prestado. ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental 3. símbolos e Desenho Industrial caracteres que a tornam reconhecível pelos consumidores. de procedência diversa. casos. Para tanto. este detalhes e características da invenção que se deseja procedimento já realiza também a proteção do título proteger. Essência da Marca: sãos atributos coleção de informação tecnológica classificada percebidos pelos usuários ou consumidores. com a proteção do código fonte. chega a valer mais do que os bens que a empresa possui. Importância da Marca: é o grau de de linhas e cores que possa ser aplicado a um necessidade do produto no mercado. o pedido ficará em sigilo Nos termos da lei brasileira. autoral. visualmente perceptível. relação bem estreita com o mundo empresarial. duração do direito é de 10 anos renováveis A proteção dos programas é feita. ou seja. devem ser mencionados o Criação". pelo INPI . quais sejam: Os documentos de patentes são a maior 1. certifica a conformidade dos mesmos com O prazo de vigência de uma patente de determinadas normas ou especificações técnicas. diferenciar produto utilidade ou desenho industrial. Os direitos do autor são válidos por 50 que consiste a invenção e quais são suas vantagens (cinqüenta anos contados a partir do dia 1 de em relação aos processos ou produtos existentes janeiro do ano subseqüente ao da "Data de (caso haja). Tanto que alguns Nos termos da Lei 9609/98.Sala 7005 | BH . em alguns prévia para saber se há algum registro anterior. bem como o exame técnico. com imenso valor comercial e como a história que a marca traz. Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica . marca é todo durante o prazo de dezoito meses. mais importante será ele original na sua configuração externa e que possa e sua marca. Após depósito. estímulo e.br/prpq/ctit_arquivos/propriedade_intelectual. Identidade da Marca: os sinais.depto engenharia de produção . Tem relação com tecnológico. O procedimento é simples. 6627 . O registro de uma marca é feito.

As telefônicas cobram outras invenções que patenteou no Instituto pelo serviço prestado mas não pagam nada ao Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A idéia é tão simples quanto revolucionária. Ele inventou. Um gênio brasileiro. projeto do produto Propriedade Industrial: Patentes.diz. dólares de receitas e criar empregos . Acho que o Brasil deveria contabilizar diretamente as chamadas sem a me tratar como herói. Ele Gates nacional. Se recebesse direitos autorais pelo uso criações. Todas essas novidades. ministros de Ciência e Tecnologia. 1982. deveriam ter transformado Nicolai num Bill revolucionar também a informática. Apenas recentemente aliou-se à divisores de linhas e sistemas de acionamento de uma indústria de equipamentos de telefonia de serviços de emergência (190. uma de futebol tornou-se técnico de telecomunicações e geladeira transversal.diz Também é invenção de Nicolai a tecnologia do Nicolai. quem inventou a tecnologia que permite .lamenta. Mas ele inventor. 35% usam o Bina.Não consigo entender. anônimo e sem fortuna Ascânio Seleme BRASÍLIA. Se ele instrumento da telefonia e se difundiu pelo mundo. Nicolai inventou um aparelho para identificar Nos Estados Unidos. por exemplo. que pode ser acabou por se transformar num dos maiores pendurada na parede da cozinha como um armário. Nicolai deveria ter ficado milionário com essa e faturaria US$ 65 milhões. Nada disso resulta em renda para ele ou do Bina apenas nos telefones celulares brasileiros. Nenhuma paga royalties ao brasileiro.depto engenharia de produção . Indústria e São criações dele também os Micro-PABX. que comprou suas invenções. Não só pela genialidade. Seria o fim dos hackers. de várias portas. instalados. que lá é chamado de Batizou-o de Bina (sigla para B Identifica o caller id. mas pela desenvolveu um software que permite ao fortuna que poderiam ter lhe rendido. ou identidade do chamador. Parecia coisa de maluco. poderia embolsar algo em torno de R$ 5 milhões . lançadas ao longo de 15 O princípio do Bina. Todas as internacional de propriedade intelectual. impostos para o Brasil. criou uma série de tecnologias telefônicas que . Nélio José Nicolai. pode anos. como um homem que interferência da prestadora do serviço. dos 135 milhões de terminais o número do telefone que estava chamando outro. recebesse um dólar por mês por aparelho instalado. Foi Nicolai Santa Catarina.Idéias precisam de dinheiro para serem rapidamente o guindaram à condição de gênio. desconhecido de classe média. 191 etc). Salto (Sinal de Advertência para Linha Telefônica Em 96 ele ganhou o prêmio da Wipo (World Ocupada). Qual o valor de uma patente? Veja este texto do Jornal "O Globo" de 1º de agosto de 1999. maiores resistências às minhas invenções . Comércio e Justiça. segundo Nicolai. Foi grandes telefônicas do planeta dispõem desse esnobado no Brasil e jamais foi recebido pelos serviço. Sua situação © 2006 eduardo romeiro filho 65 ufmg . Um homem que até os 25 anos apenas financeira o impede até mesmo de desenvolver jogava bola e acreditava que poderia ser um craque outras idéias. entidade que anuncia que alguém está ligando. Em transformadas em realidade . Cálculos de Nicolai indicam que o mundo nunca conseguiu receber dinheiro pelo uso da movimenta por mês US$ 1 bilhão com suas tecnologia.E o pior é que é no Brasil onde encontro as mensais. Algo como 65 Número de A). mas com o milhões de terminais têm o identificador de tempo a invenção se tornou um revolucionário chamadas inventado pelo brasileiro. princípio que inventou produtos que poderiam render milhões de permitiu a difusão mundial dos números 0900. inventores brasileiros. 58 anos. ouvido durante a conversa telefônica e Intelectual Property Organization). Nicolai é um homem invasões que vier a sofrer. Mas nada computador identificar a origem de cada uma das disso aconteceu.

além de ser marcas e patentes. Fonte: Folha de São Paulo.comentou uma porta-voz da agência. talvez por ingenuidade dele". tiveram seu primeiro contato com o Segundo os pesquisadores. cientistas dos NIH http://www. tentando os direitos sobre o seu próprio material genético descobrir por que. A equipe foi acompanhada leucemias. se surpreendeu com a vendido em todo o país. ele seria Office. Afinal.br/cartacapital/122/destaque. as saúde. nos as missões. associado a algumas formas de Acessado em 29/06/2002: leucemia. foram inventadas pelo brasileiro Nélio José Nicolai seria mover um processo contra as Nicolai. sob o número US 5. O pesquisador teria levado pelo menos 54 males contraídos depois de ter passado a freqüentar menores da Micronésia e Papua para sua casa.I nventor pode mover ação nos EUA José Meirelles Passos Correspondente WASHINGTON. apesar da contaminação. telecomunicações no país.S. o órgão fez um pedido de explorá-lo. ligado ao Instituto de Pesquisas Médicas Gajdusek foi preso pelo FBI em 1996. Carleton Gajdusek. os para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH). começaram a visitar acampamentos de células T do sistema de defesa desse homem. a saída de Salto. 15/6/1997 chamado HTLV-1. membros. disse a funcionária. hoje reduzidos a cerca de 260 de março de 1995.Alguém deve estar ganhando muito dinheiro nas sem pagar-lhe um tostão. Devido a problemas de Nobel de Medicina de 1976. No ano infectadas com HTLV-1. o governo papua resolveu fazer um censo desenvolvimento de testes de diagnóstico de da população hagahai. Em meados de 1989. um indígena do grupo também começaram a estudar as células sanguíneas hagahai. liderados pelo Prêmio ''mundo exterior'' em 1983. o IMR coletou propósitos da patente por se tratar de ''segredo amostras de sangue de 24 homens e mulheres do comercial''. Jenkins pediu financiamento à hagahai também solicitou a patente de células de National Geographic Society para estudar esse grupos das Ilhas Salomão. de Papua (IMR).696. Um Caso Exemplar I ndígena da Guiné Teve Célula "Patenteada" Em março de 1995. Patent and Trademark Se estivessem. depois que o órgão obteve o direito de Em 1990. bruscamente. http://www. em média. Quatro anos depois. States Patent and Trademark Office (PTO) em 14 Os hagahais.br/ © Todos os direitos reservados a O Globo e Agência O Globo. Mas uma notificação dos grupo peculiar pelos baixíssimos índices de NIH afirmou que não seriam divulgados os natalidade. escritório federal americano que registra bilionário. A história da patente dessas células . e inventor. Segundo a repartição. dos hagahais se mantinham saudáveis. que fizeram sua população se reduzir EUA. Jenkins. um homem de 20 anos. perdeu dos hagahais e o vírus que as infectava. por exemplo. suas invenções não estão registradas ali.com. o Bina. grupo não norte-americano .terra.oglobo.397. O mesmo grupo que patenteou a célula do Em 1985. grupo. missionários batistas próximos à sua aldeia.com. EUA. Eles descobriram que os hagahais acusado de abuso sexual contra crianças das Ilhas sofriam de doenças endêmicas. brasileiro poderia ser um veículo das queixas do depois de dizer que "para azar do senhor Nicolai. entre elas o Bina e o US$ 4 mensais. bem como de outros Salomão. é oferecido pelas informação de que várias engenhocas usadas nas companhias telefônicas aos usuários por. O sangue foi estudado e descobriu-se que estava infectado com um vírus parente do HIV. poderiam ser úteis no seguinte. de Papua-Nova Guiné (Oceania). mas também a fonte de uma cura para pelo antropólogo e médico norte-americano Carol essa doença. O próprio Governo costas dele .htm .a proposta de patente sobre uma linhagem celular de primeira concedida para material humano de um um dos doadores hagahais. O U. empresas estrangeiras que absorveram seu invento .começou há cerca de O pedido só foi publicado oficialmente pelo United 14 anos.

podendo ser: Busca Prévia Privilégio de Invenção (PI) . atividade inventou ("o escopo da invenção").gov. ou parte deste.gov. não pode ser considerado novo e a patente não será sendo os direitos e as obrigações do inventor concedida. uma reserva de Diretoria de Patentes: (021) 271-5592/5806 / FAX: mercado. sejam produtos ou processos. Para tanto dirija-se ao funcional no objeto.1. ao titular.279 e Ato Normativo 127.atividade inventiva Antes de depositar o seu pedido de patente. de forma a permitir que um técnico no patentes (tanto brasileiros quanto de outros países). manusear um número mínimo de pastas. entre em Esse documento oficial. é desta busca é pequeno.br A Natureza da Patente vai ser determinada em função das diferenças existentes.inpi. é um monopólio. definitiva ou temporariamente. a qual será cobrada em em melhoria funcional no seu uso ou em sua função da quantidade de documentos pesquisados. assunto possa reproduzi-lo. MODELO DE UTILIDADE (MU) . as cópias são pagas a parte. onde se localiza o nosso Banco de Invenção. PATENTE trabalho não esgota todas as possibilidades de É um documento através do qual o Governo garante entendimento e interpretação da Legislação. Estas inventiva e aplicação industrial. denominado "CARTA contato com um dos técnicos do INPI (sede). é altamente recomendável que você faça primeiro Modelo de Utilidade (MU) .br Legislação em vigor. destinando-se ao auxílio dos usuários no preparo de um pedido de patente. 1. com relação à redação de seu pedido. fabricação. Definições dispositivos legais.2. para proteger um Patentes. PATENTE". O custo Para que a "CARTA PATENTE" seja concedida. uma atenta leitura dos 1.melhoria uma busca de anterioridades. Existe também o Certificado de Adição de Rio de Janeiro). uma vez que o presente 1. em especial a Lei Nº 9. 7 .gov. Qualquer informações deverão constar do Relatório concepção nova.1.É patenteável a invenção existe ("o estado de técnica") e o quanto você que atenda aos requisitos de novidade. para o titular. a propriedade de sua invenção. envolvendo ato inventivo. da sua duração. entretanto.Objeto Busca Isolada de uso prático. Recomenda-se.2. de modo que você somente tenha que mesmo na patente já concedida. suscetível de Caso você não possa fazer esta busca pessoalmente. Estes 1. © 2006 eduardo romeiro filho 67 ufmg . INVENÇÃO (PI) .2.depto engenharia de produção . ele NOVIDADE e APLICAÇÃO INDUSTRIAL. que Descritivo do seu pedido de patente! representem um avanço em relação ao estado da técnica. Caso existam documentos Em todos os casos são necessários os requisitos de mostrando objetos iguais ao que você inventou.br O presente trabalho constitui-se numa síntese da E-mail: cedin@inpi. aplicação industrial. que pode ser transferido a (021) 253-4091 terceiros. que apresente nova forma ou poderá solicitar ao próprio INPI que a faça e remeta disposição. Um examinador especialmente treinado aperfeiçoamento introduzido na matéria irá selecionar os campos correspondentes ao seu requerida por você em um pedido ou invento. E-mail: patente@inpi. que tratam de assunto semelhante ao seu. seja algo Caso haja necessidade de maiores esclarecimentos inédito ou aperfeiçoado.2. necessário que o objeto da mesma seja descrito Você receberá as pastas contendo os documentos de claramente. NATUREZA DAS PATENTES documentos vão ser úteis para determinar o que já 1. que resulte o resultado para você. 5º andar do Edifício Sede do INPI (Praça Mauá. ou seja. projeto do produto I nformações Básicas para Elaboração de um Pedido de Patente Fonte: INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial: www.

O Quadro Reivindicatório precisa descrever Lei 9. que não 2. tendo como referências numéricas de cada parte do finalidade principal facilitar a busca do pesquisador desenho. 2". Uma forma de realização do da patente.. CONTÍNUO. Não vale deve-se ter o cuidado de apresentar os detalhes simplesmente catalogar todas as partes: é preciso técnicos da invenção. conforme mostrado na Para que a invenção tenha uma proteção fig. SEM PONTO PARÁGRAFO. o problema que vem solucionar. Deve-se ainda destacar as partes já conhecidas. Reivindicação. deverá Relacionar os desenhos apresentados. Descritivo. ou ". A linguagem usada deve ser consistente: um reivindicação que descreva o objeto integralmente.1 RELATÓRIO DESCRITIVO Utilizar somente (. sem expressões do tipo ". seguidas: Não podem conter texto descritivo. Informe os materiais envolvidos. mas isentos de textos. conter a expressão "caracterizado por" seguida das 2.. p. caracterizado por não possuir . peça ou elemento do desenho. vantagens ou formas de utilizar. em tinta indelével e. e palavras-chave.4. são consideradas inconsistentes possíveis alternativas no pedido. em traços firmes. exceto "Fig. que se liga à peça (4). que precisam ser estabelecidas entre o Ao iniciar a descrição de um pedido de patente. Preparo de um Pedido de características técnicas genuínas da invenção ou do modelo. forma de utilização e tudo o mais que for etc). cada elemento deve ter o seu Os desenhos deverão ser apresentados com clareza. "Fig. a solução para o problema desenhos apresentados... podendo também podem ser apresentadas variantes conter apenas termos indicativos (tais como "água". "aberto".. o que irá evitar e indefinidas e não são aceitas como definição de que algum concorrente venha a reivindicar essas um objeto. além dos Descrever a finalidade.. etc.. Resumo e. INVENÇÃO . deve conter todos os detalhes que sejam necessários No caso de Modelo de Utilidade.". ser invento ou modelo deve sempre ser descrita. Desenhos. reportando-se às descrito e seus principais usos. devendo englobar as do pedido de patente. corte "AA". nem descrição de Reivindicações. fluxogramas e Como sugestão as seguintes etapas devem ser gráficos. título e a expressão "caracterizado por". Deve ser sempre iniciado pelo título escolhido para descrever sua invenção...representa uma perspectiva do objeto. as quais deverão ser numerando-os consecutivamente e descritas no relatório descritivo. DIAGRAMAS OU pode ser usado para designar outra parte do objeto.". ou que já existe.Relatório Descritivo. é necessário que se incluam as meio da peça (5). elétricos.. Desenhos e Cada reivindicação deverá ser em texto Resumo. de acordo com os características técnicas.Relatório reivindicações dependentes. projeto do produto definidos pela Lei da Propriedade Industrial (LPI) .. uniformes. "vapor d’água". próprio nome (e número indicativo). FÓRMULAS QUÍMICAS Por outro lado. rubricas ou timbres. elementos Comparar o objeto a ser patenteado com o Não colocar cotas.representa uma vista frontal do objeto. Fig. contendo Descrever pormenorizadamente o objeto entre 50 e duzentas palavras.3. aplicação e campo números indicativos de todos os seus de utilização. no Banco de Patentes.. deverá ser para permitir a um técnico da área reproduzir o apresentada preferentemente uma única objeto. 1". 2. "fechado".". mesmo elemento só pode ter um nome.) no texto.. ex: reivindicações.279 de 14/05/96. corretamente o objeto. o que quer dizer que então com o ponto final.. alternativas. Iniciar com a expressão "Patente de . aquelas que não existem nas Patente anterioridades. por abrangente. Expressões do tipo ".2. a peça (3). se for o caso. 2 .. 1 . medidas etc. REIVINDICAÇÕES © 2006 eduardo romeiro filho 68 ufmg . de forma a permitir o exame estabelecer o inter-relacionamento entre elas. ou seja.".) ou (. Cada parte. E tem mais: a reivindicação deve ser escrita de CONTEÚDO DAS PATENTES modo afirmativo. serão tantos quantos Título do pedido (que não pode ser uma marca ou forem necessários à perfeita compreensão do objeto nome de fantasia). no caso de circuitos importante.. bem como nas descrevendo o seu significado. diagramas em bloco.. terminando-se O relatório deve ser suficiente. 2. construtivas. RESUMO Fig.. ressaltando suas vantagens e MOLDURA nos desenhos. Variações podem ser apresentadas em MODELO DE UTILIDADE . DESENHOS. sendo numerados consecutivamente. Descrição sumária do objeto da patente.. conter referências numéricas. sem rubricas ou Todo Relatório Descritivo tem que começar com o timbres.depto engenharia de produção .. do pedido. 2.

se solicitado.1 mm de altura e. as linhas são via postal. iniciará o período destinado ao Nota (3) .Os números e letras pagamento da ANUIDADE correspondente (3ª nos desenhos devem ter altura anuidade). é O exame do pedido de patente deverá ser necessário que seja apresentado um requerimento requerido pelo depositante ou por qualquer em formulário padronizado.As folhas relativas ao O acompanhamento da tramitação do pedido relatório descritivo. ou através de páginas (de cada uma destas assinatura periódica. 7 – centro . NO PADRÃO 06 (seis) meses subseqüentes. poderá acarretar o arquivamento do 3.10B.3. Publicado o arquivamento. preferencialmente indicando o nº Esse acompanhamento deverá ser feito nas RPI.31 seriam: através de protocolo. deverá ser as reivindicações e o resumo apresentado documento hábil para o depósito. a partir da mínima de 3. que as fórmulas químicas e/ou equações matemáticas sejam manuscritas Importante ou desenhadas. requerente. quando necessário.2 mm. dentro dos impresso em papel branco.RPI -. no prazo de 36 meses contados da Normativo AN l27 de 05/03/97. quitada. Junto ao requerimento. para o recolhimento da Para a apresentação do material acima descrito. mediante "A4". de Janeiro – CEP:20081-240). de patente junto às Revistas da Propriedade reivindicações e resumo deverão Industrial . para efeitos legais. remetida ao endereço do partes) separados por uma barra interessado. ser feito necessário que o mesmo seja datilografado ou independentemente de notificação. Para se depositar um pedido de patente.3. SOLICITE AS 01(UM) ORIGINAL + 03 (TRÊS) cópias do INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS JUNTO AO pedido. juntamente com a data do depósito. O prazo é de 03 meses. iniciando-se a contagem DIRPA/SAAPAT (Pça. ou seja. no prazo de 03 (três) meses.2. recente. podendo. deve obedecer as margens definidas na Nota (4). mínimo. no tamanho 210 X 297 mm.AN 127 O pedido de patente. para se evitar um possível com algarismos arábicos no arquivamento irrecorrível e é de inteira centro da parte superior. tornou- processo.12. PROCURAÇÃO mínimo.12/31 .3. TODOS em papel tamanho A4. ao COMPLETAR 24 item 15. pagamento de retribuição adicional e a não comprovação do respectivo pagamento junto ao INPI. espaço 1 ½. 2 cm do limite da folha. liso. de oblíqua (por exemplo: caso o Qualquer petição deverá ter a taxa paga e relatório descritivo tivesse 31 comprovada em tempo hábil junto ao INPI páginas. é ANUIDADE devida. à da página e o número total de disposição do público no INPI. nos termos do art. entre 1 e responsabilidade do depositante. devidamente impressos com caracteres de. REQUERIMENTO formulário modelo 1. Caso o depositante não seja o inventor. MESES. INPI Toda a matéria descrita no pedido de patente. no reconhecidas. 2/31 . com aviso de recebimento numeradas de 05 em 05. data de aniversário. em tinta preta.Rio a cada folha (ver exemplo anexo).02. com devem ser datilografados ou as assinaturas qualificadas. Mauá. sem Não sendo o pedido depositado pelo próprio entrelinhas. excetuando-se os se possível o envio do pedido de patente por desenhos. com indicação do código DPV (Depósito Via Postal). 3. a partir endereçado à Diretoria de Patentes - do titulo. sendo permitido. sob pena do arquivamento do GUIA DE RECOLHIMENTO devidamente pedido (art. instituído pelo Ato interessado.depto engenharia de produção .1. deverão ser apresentados PARA MAIORES DETALHES. 33 da LPI). Em todo o Com a entrada em vigor da Lei 9. A CONTAR DA DATA DE DEPÓSITO. 2. é de FUNDAMENTAL ser numeradas consecutivamente importância. projeto do produto Nota (1) . deverá ser apresentada procuração indelével.31/31) . no 3. Depósito do Pedido de pedido.O relatório descritivo. as folhas 2. Nota (2) . o depositante ou titular poderá requerer a Patente restauração.279. ainda. conforme tabela em vigor. utilizando-se do 3. AUTORIZAÇÃO DO INVENTOR © 2006 eduardo romeiro filho 69 ufmg . 87 da LPI.

Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). Site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial.inpi. Ministério da Indústria. do Comércio e do Turismo. 1996.net/ Site da UFPB com direitos e deveres do Designer. Lei da Propiedade Industrial.br/ O básico.Bibliografia BRASIL. Organização Mundial da Propiedade Industrial. mesmo sendo do conhecimento da maioria. CRUZ Fº. (mai-jun) 1997. p. Sendo assim. OMPI.. M. . http://normas. informamos alguns endereços que. Instituto Nacional de Propiedade Industrial. 10-17. Rio de Janeiro. GENEBRA.gov. Links para busca de patentes no Brasil e para grande número de escritórios de patentes em todo o mundo. 1993.cjb. http://www. sempre vale lembrar. Inclui informações básicas sobre direito autoral. A Nova Lei de Patentes e o Futuro do Brasil na Área Tecnológica. nº 10. Situgrafia O tema patentes e propriedade industrial sempre volta à tona e tem sua relevância sempre demonstrada. In: Revista CREA RJ. marcas e patentes.

que em outros países. a da escala acadêmica. a Inglaterra. pacientemente. onde tecnologia produtos fabricados aqui com os lá de fora. uma média de 5. Só há um de melhorar a competitividade de seus produtos. já desprezadas às universidades e aos institutos de pesquisa por seus produtores. a quase totalidade desse Enquanto empresas dos Estados Unidos. anualmente. chegando ao topo nacionais se acostumaram a aguardar. © 2006 eduardo romeiro filho 71 ufmg . Aqui. Quem vende só repassa o que não é mais estratégico". um fator essencial Apenas a minoria está na iniciativa privada. distorção provocada pelo hábito secular das empresas brasileiras de virar as costas para a pesquisa e a produção Funcionou tudo muito bem enquanto o consumidor tecnológica. Para se ter uma idéia. Acomodados a uma economia fechada. projeto do produto Patentes . o competitividade. lado. não havia concorrência que justificasse o esforço mesmo número de doutores que o Brasil.depto engenharia de produção . com raras e honrosas exceções. A universidade brasileira. fica confinada contentava com tecnologias ultrapassadas. o barato. significa ganho de produtividade e maior quando se viu frente a frente com a abertura comercial. Contudo. 17/ junho/ 2001 Avião da Embraer: a tecnologia nacional pode ser bem-sucedida O Brasil tem inegável capacidade de formar doutores.Coréia dá de dez O Tigre Asiático surra o Brasil na feroz corrida pelas patentes industriais por Consuelo Dieguez . além de ter recebido formação Japão gastavam fortunas em pesquisa. por muito tempo não deu a devida importância à interação com a iniciativa privada. da Europa e do contingente de doutores. No mundo globalizado. É uma grave para melhorar a formação dos estudantes. empresariado brasileiro começou a se dar conta do risco entra na corrida científica em franca desvantagem. os empresários bancas apresentar a tese de doutorado. que é viver das migalhas dos países desenvolvidos. Além de esse procedimento ser mais tem sólida tradição científica. "Quem só compra tecnologia está condenado ao atraso. O preço que o país está pagando por essa brasileiro não tinha parâmetros para comparar os opção é alto. É um resultado muito bom. o Brasil se inferior à oferecida nos países avançados. forma. que durante Todos os anos. em hora em que poderiam comprar a tecnologia produzida vários aspectos.Veja. o Brasil. por seu governamentais.000 brasileiros vão às décadas os protegeu da concorrência. problema nessa história.

É para essas experiências bem-sucedidas que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). que maiores companhias de aviação do mundo. "Todas as companhias que estão investindo em pesquisa vêm alcançando enormes ganhos de produtividade". E há farta mão. trabalhando como professores em desenvolvimento científico. aqui. Hoje. Do impressionante Unidos e no Japão. Brasil e Coréia tinham quase exatamente o mesmo número de propriedades industriais registradas nos Estados Unidos: em torno de trinta. Há duas décadas. Embora conte com muitos doutores. Os outros 89% estão em instituições públicas parte do Estado brasileiro em estimular o de ensino superior. 87% estão nas empresas problema é que. 80% dos recursos em pesquisa são processo tecnológico. O resultado do esforço pode ser medido na produção de patentes. o Brasil tem patente de menos. Pode-se imaginar o salto Tigre Asiático tinha uma situação semelhante à do Brasil.000 cientistas. Na cultura de soja. diz Carlos Henrique de Brito Cruz. também um dos principais produtos de exportação brasileiros.depto engenharia de produção . universidades e institutos.000 cientistas brasileiros são absorvidos pelas Não se pode dizer que não haja empenho por empresas. No ano passado. É evidente que desembolsados pelos cofres públicos. a maioria saída do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. necessidades.4% do PIB em pesquisa científica. só 11% dos mais de 77. Companhias como a Vale do Rio Doce e a Petrobras também obtêm êxito graças aos enormes investimentos em pesquisa. e as companhias brasileiras Mas basta uma comparação com a Coréia do Sul para simplesmente desperdiçam esse potencial". Brito reconhece que as empresas estão acordando para a necessidade da pesquisa e têm procurado o órgão e as universidades públicas em busca de parcerias. todo o processo de cultivo foi desenvolvido com tecnologia nacional. Atualmente. Um caso emblemático da importância do desenvolvimento de pesquisa no Brasil é a Embraer. cientistas. a de 1. está atualmente entre as quatro Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). Desenvolvimento e canadense Bombardier. "O Estado faz um não há nenhuma pretensão de confrontar o Brasil com a esforço enorme para qualificar profissionais em suas gigantesca potência científica que são os Estados Unidos. o montante é em torno de 3%. 70% são envolvidos com algum tipo de pesquisa. do total investido. enquanto seu mais próximo competidor já havia ultrapassado a marca das 3. desponta como uma das grandes estrelas do mundo científico. o Brasil possuía 96. de-obra nas universidades. já que todos que de alguma forma se aproveitam da invenção são obrigados a pagar pelo uso da idéia". O Brasil tem investido cerca regime de dedicação exclusiva. Na Coréia. Vinte anos atrás. explica José Graça Aranha. lamenta descobrir como não é tão difícil assim tomar as rédeas do Brito. Nos Estados Unidos. por exemplo. Os projetos trabalha para sensibilizar as empresas para a importância de seus aviões são resultado de anos de pesquisa de seus do investimento em tecnologia própria. que desbancou até a poderosa Associação Nacional de Pesquisa. a grande virada se dará quando elas perceberem Um dos pontos de partida nessa tarefa árdua é fazer o que é fundamental contratar profissionais para empresariado compreender a importância de contratar desenvolver pesquisa especificamente para suas cientistas para desenvolver esse trabalho. aumentou a produtividade em 55% nos últimos vinte anos. após pesados investimentos públicos e privados em investir um pouco mais em cérebros. Nos Estados situação é exatamente inversa. A Petrobras é líder mundial em prospecção de petróleo em águas profundas. É uma equação perversa. e não universidade. em São José dos Campos. O batalhão de 962. presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). que o Brasil daria se a iniciativa privada decidisse Hoje. pois quem produz patente é empresa. tecnologia. diretor executivo da empresa brasileira. A © 2006 eduardo romeiro filho 72 ufmg .000. quer chamar a atenção das empresas nacionais. a venda de aviões é o primeiro item da pauta das exportações brasileiras. projeto do produto afirma José Miguel Chaddad. esse aguerrido desembolsados pelas empresas. presidente da Fapesp e diretor do Instituto de Física da Unicamp. "Reconhecimento de patente significa divisas para o país. o mais respeitado órgão de financiamento à pesquisa no país. No entanto. A cultura de soja.

avaliação de soluções. materiais utilizados ou processos de fabricação. Afinal. muitos confundem esta fase. sejam soluções formais. todas as características do objeto projetado devem estar definidas. . antes do início da geração de alternativas de solução por meio de desenhos. projeto em escala. Pablo Picasso Nesta etapa concentram-se as atividades ligadas ao Desenvolvimento do Produto: Especificações do conceito de solução. Ao final desta etapa. Tal como acontece com a publicidade em relação ao marketing. Na verdade. “a criatividade é 99% transpiração e 1% inspiração”. antes de tudo. como diria Thomas Edson. é essencial para que sejam atingidos bons resultados que. construção de modelos. Segunda Parte: o objeto Todo ato de criação é. um ato de destruição. Itens como embalagens e rótulos devem também ser considerados. com a atividade de projeto como um todo. de natureza gráfica e criativa. todo o conceito do produto esteja bem fundamentado e a análise do mercado seja consistente.

Competitividade & I novação Prof. optimised production tecnology (OPT) e materials requirements planning (MRP) surgiram como formas de ganho de competitividade. a partir do final dos anos 80. nos anos 70. foram se tornando parâmetros importantes para se avaliar a competitividade industrial. © 2006 eduardo romeiro filho 74 ufmg . Enquanto isso. por exemplo. O que se observa neste contexto é que. A figura 1-1 destaca tais estimativas indicando que as decisões tomadas nas etapas iniciais do desenvolvimento de produtos (e. ela tem sob seu controle somente cerca de 10 a 30% deste custo. aliado a uma contínua agregação de valores a produtos e serviços.e. o tipo de material a ser empregado e os processos de fabricação e montagem a serem utilizados. a eficiência da produção se tornou um aspecto primordial e a vantagem competitiva era alcançada com a redução dos custos de produção através da utilização de novas tecnologias. também vem se tornando fundamentais neste novo ambiente competitivo. quando uma empresa decide reduzir o custo final de seus produtos concentrando-se somente em aspectos de melhoria da produção. onde as possibilidades de ganho de competitividade são ainda bem maiores. projeto do produto Design. aspectos como a redução de custos e melhoria da qualidade continuaram a ser considerados como fatores importantes na busca da competitividade. tais como a qualidade e a durabilidade dos produtos. Desta forma. Isto significa que poucas são as empresas que reconhecem a importância da atividade de Design como um fator primordial para o seu sucesso comercial. o custo de desenvolvimento do produto (i. apesar de muitas empresas terem alcançado resultados bastante positivos na melhoria do seu processo produtivo. novas técnicas de gerenciamento da produção tais como just-in- time (JIT).g. algumas estimativas indicam que 70 a 90% do custo final de um produto são considerados na etapa do Design. planejamento e concepção). custo de desenvolvimento) ainda é muito baixo.e.Introdução O cenário competitivo mundial vem se modificando rapidamente nas últimas décadas. Porém.depto engenharia de produção . ao invés de melhor analisar o desenvolvimento de seu Design. Com a evolução do processo de globalização. outros fatores além do custo. Reidson Pereira Gouvinhas 1-1 . pouca atenção tem sido dada à etapa do Design do produto. tem muita influência no seu custo final (i. Logo após a crise do petróleo. outros fatores tais como a capacidade de se responder mais rapidamente as novas exigências do mercado consumidor. Por exemplo. Entretanto. Já nos anos 80. custo orçado) tais como.

Um outro benefício do Design é seu impacto positivo no que se refere ao atendimento mais rápido às diversas demandas do mercado consumidor. Esse ambiente criativo deve ser estimulado por uma gerência participativa envolvendo os diversos funcionários da empresa. é de fundamental importância que as empresas continuem aprimorando seus produtos de acordo com essas novas exigências através de ações inovadoras tais como mudanças na cor. Em síntese. forma e embalagem do produto. as empresas estão sendo pressionadas a atender clientes mais exigentes e que estão a procura de produtos diferenciados aos já existentes no mercado. uma nova imagem pode ser criada com o objetivo de manter o interesse do mercado consumidor ao novo produto ou ainda conseguir-se alcançar novos mercados. favorável à criatividade. Cada vez mais.). Desta forma. no sentido de se manterem competitivos.g. utilizando-se de novos materiais e introduzindo inovações tecnológicas. Esta melhoria é observada ao se projetar um produto que atenda às exigências do mercado consumidor (e. projeto do produto Custo Orçado Custo (%) Custo de Desenvolvimento uração o o ament s e ament jeto gem ação Venda jeto ptual ção ojeto d o Pré- Projet d e P ro Produ Monta do Pro Fabric Config Conce Detalh Planej Pr Baixo Custo Alto Beneficio Alto Custo Baixo Beneficio Figura 1-1 – Relação de Custos nas diversas etapas do Desenvolvimento de Produtos O Design de um produto apresenta também uma grande influência no aspecto de melhoria da qualidade. a atividade de Design deve ser vista não só como uma ferramenta importante para se reduzir os custos e melhorar a qualidade dos produtos.depto engenharia de produção . ao modificar-se o Design de um produto. desenvolver um produto durável e fácil de ser usado. 1-2 – Empresa Inovadora Para que uma empresa seja inovadora é importante que haja um ambiente favorável à inovação. mas também no sentido de se contribuir de forma significativa no estabelecimento de novas estratégias de mercado que são fundamentais para que as empresas se tornem cada vez mais competitivas. ou seja. a melhoria da qualidade tem muito mais possibilidade de ser realmente alcançada através de mudanças no Design do produto. Isso tudo contribui para a criação de © 2006 eduardo romeiro filho 75 ufmg . Portanto. garantir que sua manutenção seja simples e barata etc. Em outras palavras.

para que essas metas ou missões sejam alcançadas. designers. Além disso. essas entradas são idéias criativas apresentadas pelos membros da empresa.). Assim. normalmente. Geralmente. é necessário que as pessoas envolvidas no processo criativo estejam trabalhando em equipes interdisciplinares com representantes dos diversos setores da empresa (i. que lhe garante o monopólio do mercado durante um certo período de tempo. A interação entre a gerência e o processo de inovação é mostrada na Tabela 1-1. em quatro tipos: Estratégias ofensivas – Onde a empresa deseja ser a líder do mercado colocando-se sempre à frente de seus concorrentes. Estratégia defensiva – Estratégia geralmente utilizada por empresas que desejam seguir as líderes do mercado. Tais estratégias podem ser classificadas.depto engenharia de produção . Empresas desse tipo costumam dar grande importância às patentes. Para que se obtenha ideais viáveis. que geralmente aparecem em forma de novos produtos. além de correr o risco de abrir novos mercados. Tabela 1-1 . as empresas procuram aproveitar essa oportunidade de forma um tanto quanto ao acaso. Desta forma. algumas entradas são transformadas dentro da empresa para produzir resultados. deixam que as outras empresas arquem com os custos maiores de desenvolvimento. 1-2-1 – Estratégia Corporativa Muitas vezes. inspeção etc. facilitando assim todo o processo de criatividade. é importante estabelecer uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos. produção. O Gerenciamento da Inovação na Empresa Nível Atividades de Inovação Gerencial Entradas Transformação Resultados Prioridade e Uso dos procedimentos Plano estratégico Administração critérios para formais de indicando os produtos Superior aceitação de novas desenvolvimento de desejados idéias produto Elaboração das Responsabilidades pelas Envolvimento continuo Equipe Inter. marketing. uma apresentação clara a todos os envolvidos no processo sobre quais os produtos se deseja desenvolver. © 2006 eduardo romeiro filho 76 ufmg . Essas empresas. especificações e decisões sobre novas durante todo o ciclo de Disciplinar busca de novas idéias vida do produto idéias Liberdade de criar Envolvimento e Reconhecimento e Indivíduo e apresentar suas compromisso para a recompensas pelo idéias apresentação de novas sucesso idéias Neste processo de inovação. ao vislumbrar uma oportunidade de inovação. uma gerência conscientizada com este aspecto procura encorajar novas idéias dando liberdade para se criar. deliberadamente. projeto do produto uma “cultura inovadora” dentro da empresa.e. Ou seja. O planejamento estratégico deve estabelecer as metas ou missões que uma empresa deve alcançar e definir as estratégias ou ações que devam ser realizadas. Tais empresas realizam pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento no sentido de introduzir ações completamente inovadoras em seus produtos. Isto porque não existe uma atividade de planejamento estratégico na empresa que organize a utilização desses recursos da melhor forma possível. A utilização desse tipo de estratégia vai depender da habilidade e rapidez com que a empresa consegue absorver as inovações lançadas pelas outras empresas e introduzir melhorias nesses produtos pioneiros. recursos humanos e financeiros podem ser desperdiçados ao serem remanejados com esse objetivo.

espera-se que haja uma certa redução no volume de vendas do produto. existe pouca demanda no mercado por mudanças). pois dependem da matriz e/ou cliente para introduzir inovações tecnológicas. Basicamente. maior deve ser a capacidade do desenvolvimento de produto para identificar os riscos de sua atividade. este planejamento estratégico deve indicar quais os produtos a serem desenvolvidos com o intuito de se atender os objetivos da empresa. No caso de um planejamento em curto prazo. estima-se o custo de falha do produto em termos do impacto que isso provoca sobre os negócios da empresa. pode-se melhor avaliar a profundidade da mudança que deve ser introduzida no produto. Alternativamente. avaliar o atual estágio de vida do produto). Esses produtos podem ser então “atualizados” com adoção de medidas inovadoras que garantem uma extra vida ao produto. Esta capacidade é representada por um conjunto de pessoas. que fabricam componentes de acordo com as especificações estabelecidas pelas grandes montadoras. Por exemplo. © 2006 eduardo romeiro filho 77 ufmg . procedimentos e recursos financeiros entre outros. é ele que leva à escolha do produto especifico a ser desenvolvido. Esse procedimento é útil para integrar os diferentes aspectos da estratégia de desenvolvimento de produto. Quanto mais a falha de um produto ameaça a sobrevivência da empresa. mesmo que sejam forçadas a isso por razões de competitividade. Uma segunda técnica avalia a performance de uma empresa com relação às empresas concorrentes. A primeira delas examina a linha atual de produtos da empresa com o objetivo de analisar o nível de “maturidade” dos mesmos (i. Assim. estima-se a capacidade de desenvolvimento do produto. estão diretamente associadas ao planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. Para um planejamento mais longo. a efetividade de diferente estratégias pode ser analisada no papel. Tais empresas são pouco equipadas para introduzir inovações. Tais estratégias procuram definir o processo de planejamento corporativo da empresa e que. tais produtos podem ser substituídos por novos produtos para se manter o poder competitivo da empresa. Desta forma. que a empresa pode mobilizar para o desenvolvimento de produtos. Finalmente.e. Exemplo dessas empresas são as industrias de auto peças. em muitos casos. Na primeira. A figura 1-2 apresenta os diversos aspectos a serem considerados no planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos. existem três técnicas que podem ser usadas na estratégia do desenvolvimento de produtos. ao se atingir um certo nível de maturidade no mercado. Estratégia dependente – Geralmente adotada por empresas que não tenham autonomia para lançar seus próprios produtos. as inovações são pouco relevantes contando-se com mudanças “incrementais” nos produtos. Essa auditoria do risco de produtos é realizada em duas fases. Em vista disso. Neste caso. Tal analise dará subsídios para se estabelecer um planejamento estratégico de desenvolvimento de produtos para que se possam enfrentar tais ameaças. Na segunda fase. Ou seja. para enfrentar esse perigo.e. pode-se estabelecer uma auditoria em produtos com o intuito de estimar o custo de uma possível falha do mesmo. esta avaliação objetiva compreender as estratégias adotadas por empresas concorrentes de tal forma a identificar possíveis ameaças. a custos reduzidos. geralmente objetivando a redução de custos e melhoria da produtividade e qualidade do produto. procura-se entender um pouco melhor sobre o desempenho das empresas concorrentes e estabelecer quais as mudanças necessárias para se aumentar o nível de competitividade da empresa. projeto do produto Estratégia tradicional – Tipo de estratégia geralmente utilizada por empresas que atuam em mercados estáticos (i.depto engenharia de produção . 1-2-2 – Estratégia para o Desenvolvimento de Novos Produtos O planejamento estratégico do desenvolvimento de produtos está relacionado com a política de produtos da empresa.

Na maioria dos casos. a cor. durabilidade. Dentro desta estratégia. com o intuito de guiar o projetista a soluções rápidas e precisas. em todos os aspectos discutidos até agora. o baixo consumo de energia associado a um determinado produto. tais como ser: Sistemático – O desenvolvimento do Design deve ser sistemático no sentido de se utilizar procedimentos metodológicos. a embalagem. o acabamento etc. desenvolvidos cientificamente. desenho de interior e arquitetura. Mais adiante. Por exemplo. ao preço de venda etc. tais como o Web Design. inovação etc. como por exemplo a eficiência. é importante que a empresa estabeleça uma estratégia corporativa para que a mesma se mantenha competitiva no mercado. é importante avaliar quais os aspectos que influenciam o sucesso comercial de um produto. Novas visões de Design vêm surgindo com o avanço da tecnologia. o desenho industrial e a moda. uma vez que engloba as mais variadas áreas do conhecimento tais como a engenharia. projeto do produto Questões Especificas Métodos Respostas Decisões Qual é a necessidade de novos produtos ? Em que fases do ciclo de Analise da vida se situam os produtos Maturidade dos atuais ? produtos A necessidade de Objetivos do Como os produtos atuais Analise dos desenvolvimento de novos desenvolvimento se situam em relação aos concorrentes produtos é importante. tal estratégia está intimamente ligada ao tipo de estratégia adotada no desenvolvimento de produtos. ao se considerar os aspectos relacionados com a forma do produto tais como a aparência. O Design é também geralmente associado aos aspectos tecnológicos dos produtos.Aspectos a serem considerados no Planejamento Estratégico do Desenvolvimento de Produtos Como se vê. a performance. Avalia-se que este processo de desenvolvimento deve apresentar algumas características fundamentais. a funcionalidade. serão abordados os principais aspectos que influenciam no sucesso de novos produtos. Uma terceira associação que se faz ao Design é aquela relacionada aos aspectos mercadológicos como o logotipo da empresa. Na verdade. 1-3 – O que é Design? O termo ‘Design’ geralmente é interpretado de varias formas. a percepção do Design está geralmente associada aos diferentes aspectos observados nos produtos. o Design está associado ao produto final e não ao seu processo de desenvolvimento.depto engenharia de produção . ou de produtos concorrentes ? urgente. entre outras. Tal procedimento ajuda o projetista a avaliar com mais eficácia cada © 2006 eduardo romeiro filho 78 ufmg . ou ambos Qual é a velocidade de Analise do mercado mudança dos negócios ? Estático/Dinâmico Qual é a capacidade para desenvolvimento de novos produtos ? Pessoal ? Auditoria de risco Correção das falhas do Estratégia do Procedimentos ? dos produtos produto desenvolvimento Recursos Financeiros ? de produtos Outros recursos ? Figura 1-2 . o estilo. Ocorre que. passando pelo desenho gráfico.

Além disso. com o objetivo de se concretizar uma idéia e/ou demanda do mercado consumidor em um produto e/ou serviço. assistência-técnica etc. o mercado era caracterizado por uma política industrial protecionista. a probabilidade de “erros” e subsequente revisões no projeto. demandas) do mercado consumidor. é importante o envolvimento dos diversos departamentos da empresa como por exemplo marketing. inspeção. o Design deve ser visto como um processo que engloba todos os aspectos vistos até agora. vendas. Apresentar soluções criativas é atualmente um dos mais importantes aspectos de competitividade. Todo o processo deve ser reavaliado constantemente com o intuito de reduzir o maior numero de “erros” possíveis. desenvolver produtos que sejam mais fáceis de serem fabricados e montados. Particularmente no caso brasileiro. além de baixo investimento em inovação. Na verdade.depto engenharia de produção . com conseqüente otimização da produção. pensar antecipadamente em como o produto será fabricado. Neste sentido procura-se desenvolver técnicas que possam auxiliar o projetista na proposição de novas soluções a novos e/ou antigos problemas. Criativo – O processo de Design deve também ser criativo. projeto. Pró-Ativo – O Design também deve ser visto como um processo pró-ativo. Devido a essa característica multidisciplinar. pode ajudar na avaliação do desenvolvimento de um produto. Agregar valores aos produtos – Ou seja. Isto pode ser feito através da agregação de valores tangíveis (e. Tais ganhos de produtividade e qualidade fizeram com que a competitividade entre as empresas se tornasse mais intensa e o mercado consumidor mais exigente. surgiu-se a necessidade de adotar novos mecanismos de gestão e atualizar tecnologicamente as empresas. a atividade de Design tem uma grande influência nas diversas etapas do desenvolvimento de um produto. Isto significa que as empresas se deparam com a necessidade de ao mesmo tempo atender aos seguintes desafios: Melhoria da qualidade dos produtos – Em outras palavras.g. Iterativo – Deve-se destacar que este processo deve ser iterativo. Em essência. desenvolver produtos que estejam em conformidade com as expectativas (i. Ao se desenvolver um produto.e. produção. para que este seja bem sucedido comercialmente. decisões tomadas em etapas iniciais no Design de produtos. com oferta menor que a demanda tendo como conseqüência preços mais elevados do que similares importados. Desta forma. no sentido de antecipar possíveis problemas que possam ocorrer nas etapas subsequentes do desenvolvimento de produtos. não existia qualquer mecanismo de defesa do consumidor com consequente falta de preocupação com a qualidade dos produtos ofertados. Isto é. melhoria dos padrões de qualidade e produtividade e redução dos custos. Entretanto. não se deve esperar que as diversas etapas do desenvolvimento de produtos sejam realizadas de forma independente. Desta forma. 1-4 – Quais os aspectos atuais de Competitividade? Diversas transformações econômicas vêm ocorrendo no mercado mundial nos últimos dez/quinze anos e que tem afetado diretamente o ambiente competitivo das empresas. com o advento da “globalização” e o crescente dinamismo do mercado consumidor. projeto do produto etapa do desenvolvimento de produtos reduzindo assim. Reduzir os custos de produção – Por exemplo. aspectos © 2006 eduardo romeiro filho 79 ufmg . Multidisciplinar – O trabalho do desenvolvimento do Design não deve ser atribuído a um único profissional somente. podem e devem ser revistas em etapas subsequentes. diferenciar seus produtos daqueles oferecidos pelos concorrentes. o mercado atualmente encontra-se na constante busca de produtos de qualidade a preços competitivos e que sejam diferenciados da concorrência. transportado entre outros. montado. inspecionado. pesquisa e desenvolvimento.

fazer com que o produto traga um certo nível de “status” ao usuário).depto engenharia de produção . apresentação do produto vendas (e. existem diferentes aspectos que podem ser agregados durante o desenvolvimento de produtos e que tem influência nas diversas etapas da compra e uso de produtos. mas aquilo que a empresa deixou de faturar. ergonomia.g. surge a necessidade de se dispor novos produtos no mercado a um intervalo de tempo cada vez menor. que não é propriamente um custo. como indicado na Tabela 1-2. pelo menos a longo prazo. O Design tem outras influências na competitividade. baixo consumo de energia Relacionados aos aspectos “subjetivos” do produto Especificação do Produto e Qualidade Produto que apresente qualidade. preenchendo a oportunidade que se pensava em apresentar.g. Investimentos em Design podem trazer grandes benefícios para empresas de uma forma geral. agregar novas tecnologias). embalagem) etc. afetam diretamente em como os produtos são percebidos pelo mercado consumidor. © 2006 eduardo romeiro filho 80 ufmg . manuais de fácil entendimento etc. Ou seja. influenciando diretamente nas vendas. por ter desperdiçado a oportunidade. Isso é chamado de custo de oportunidade. na sua participação do mercado. de concorrência acirrada. Do ponto de vista dos consumidores e usuários. um concorrente que pode lançar um produto semelhante e sair na frente. Isto significa que o Design tem influência direta nos fatores relacionados ao preço e a aspectos “subjetivos” da empresa e do produto.e. Dentro deste cenário difícil. Atender rapidamente as diversas Produto fácil de se agregar novos valores de demandas do mercado consumidor mercado (i. Isto é observado na Tabela 1-3. além daquelas sugeridas pela Tabela 1-2. Relacionados aos aspectos “subjetivos” da Empresa Associados à imagem da empresa e Logotipo da empresa. Isto porque as decisões tomadas nas diversas etapas do Design de um produto. Reduzir o tempo de desenvolvimento de produtos – Com o avanço da concorrência e constantes mudanças no mercado consumidor. performance. facilidade de uso etc. durabilidade. no lucro e no crescimento contínuo. projeto do produto tecnológicos) e intangíveis (e. 1-5 – Qual a Influência do Design na Competitividade de um Produto ? O principal aspecto de decisão para um industria é o de julgar dentre as mais variadas opções de investimento. Serviço pós-venda Produto fácil de se realizar assistência pós- venda. o Design tem um papel fundamental influenciando diretamente na competitividade das industrias. O Papel do Design na Competitividade Fatores de Competitividade Influência do Design Relacionados ao Preço Preço de Venda Produto de fácil fabricação e montagem Custo de uso do produto Produto que requer pouca ou nenhuma manutenção. boa aparência. qual daquelas é a mais provável para se obter o melhor retorno. Tabela 1-2 .

O Design é também responsável por promover ações inovadoras. material. durabilidade. Investimentos em Design também promovem a gerência participativa uma vez que esta é uma atividade multidisciplinar (i.Aparência geral do Design e Da Compra qualidade. No ato Características Aparentes . prolongada facilidade de manutenção. Tais investimentos significam um numero estimado de 173000 profissionais que estão direta ou indiretamente envolvidos em Design na industria de manufatura. o Design contribui diretamente para o aumento do lucro das empresas através do aumento das vendas e da redução dos custos de produção dos produtos.Confiabilidade. A figura 1-2 mostra a influência desses fatores que foram classificados em três grupos principais: © 2006 eduardo romeiro filho 81 ufmg . inicial facilidade de utilização. Finalmente. marketing etc. Segundo pesquisas realizadas pela London Business School (LBS) e apoiada pelo Governo Britânico. marketing e vendas.Especificações da Compra fornecidas pelo fabricante. além de formar um papel central nas suas estratégias de mercado. Estados Unidos e Canada analisaram o processo de desenvolvimento de novos produtos.g. Em essência. segurança etc. geração de emprego e renda). produção. projeto do produto .e. Utilização Características de Performance . envolvendo vários departamentos como gerência. já que o que se deseja é desenvolver produtos diferenciados.Influência do Design na Percepção dos Consumidores Tabela 1-3 nas diversas etapas de Compra e Uso do Produto Etapas de Compra e Fatores de Influência do Design Uso do Produto Antes Características da Brochura . informação sobre aparência e performance. Diversos estudos realizados na Inglaterra. consumo de energia) etc. Portanto. observa-se que o investimento no Design de novos produtos apresenta uma grande influência na competitividade da maioria das empresas. Utilização Características que Agreguem Valor . produção.). observa-se que produtos bem projetados podem contribuir de forma significativa para a competitividade industrial.Performance inicial. Desta forma. tal investimento pode resultar em uma melhoria substancial para toda economia de um país. a indústria britânica investe atualmente 10 bilhões de libras (aproximadamente 30 bilhões de reais) no Design de novos produtos. no sentido de identificar como ocorre este processo e qual a influência do mesmo no sucesso comercial do produto. projeto. imagem da companhia etc. Desta análise. características específicas (e. preço etc.g. 1-6 – Quais os Aspectos que Influenciam no Sucesso Comercial de Novos Produtos ? O desenvolvimento de novos produtos é uma atividade importante e arriscada.e.depto engenharia de produção . foram identificados alguns fatores chaves que influenciaram para o sucesso no lançamento de novos produtos. acabamento. investimentos em Design ajudam as empresas a serem mais competitivas no mercado exportador. Além dessa contribuição social (i. Um outro benefício do Design é o de melhorar a imagem da empresa pela agregação de valores aos produtos desenvolvidos. investimentos em Design podem ter um grande impacto no sucesso comercial de uma empresa e se o mesmo for verificado para um grupo maior de empresas. controle de temperatura e pressão). custos de utilização (e.

produtos que eram bem definidos com especificações técnicas bem estabelecidas (i. Probabilidade de sucesso de Novos Produtos 5x 5x 3x 3x 2.5x Forte orientação Planejamento Antecipado Aspectos da para o Mercado & Correta Especificação Empresa • Benefícios significantes O produto deve ser: • Excelente habilidades aos usuários • Bem definido e segmentado Técnicas e de Marketing • Alto valor agregado • Especificado com precisão • Alta sinergia entre para os consumidores desde os estágios iniciais de aspectos seu desenvolvimento Técnicos e de Marketing Figura 1-3 – Fatores de Sucesso no Desenvolvimento de Novos Produtos Essas informações irão dar suporte no sentido de se definir as oportunidades de desenvolvimentos de novos produtos. projeto do produto Forte orientação para o mercado. Por último. Estudos de viabilidade e especificação.5 maiores.que refere-se à procura pelo mercado de produtos ou características do produto que ainda não são oferecidos pela sua empresa. Nas situações em que se consegue manter uma alta qualidade das atividades técnicas ligadas ao desenvolvimento de novos produtos. Além disso. as chances são 2. tamanho. quando as atividades de marketing e vendas estão bem coordenadas com a equipe de desenvolvimento de produtos.3 vezes mais chances de obter sucesso no mercado do aqueles sem essas especificações. produtos que eram percebidos como sendo substancialmente melhor que os competidores e apresentavam alto valor agregado. potência etc.8 vezes maiores. as chances de sucesso comercial são 2. Qualidade no Desenvolvimento de Produtos. baseados em estudos de viabilidade técnica e econômica tinham cerca de 2. a concorrência exercida pelos produtos existentes e as oportunidades tecnológicas existentes para o projeto e fabricação de novos produtos. abrindo novos mercados e estimulando o © 2006 eduardo romeiro filho 82 ufmg . Essa oportunidade pode ser classificada em duas categorias: a) Demanda de mercado . Tal demanda de mercado pode ser reconhecida de duas formas.e. além de apresentar características que sejam valorizadas pelos consumidores. as chances de sucesso são 2.7 maiores em relação a outros sem esta harmonia. A primeira delas em os produtos concorrentes podem estar a frente dos produtos desenvolvidos em sua empresa. Mais especificamente.5x 2. Além disso. tinham cerca de 5 vezes mais chances de obter sucesso do que aqueles que eram considerados apenas marginalmente superiores.depto engenharia de produção . Na verdade. Foi observado que os produtos que eram cuidadosamente planejados. A pesquisa de mercado irá fornecer informações com respeito a demanda e desejos dos consumidores. Desta forma. para que um produto alcance sucesso comercial é extremamente importante que esses três aspectos sejam bem coordenados durante o desenvolvimento do produto. as chances de sucesso do novo produto são 2.4 vezes mais chances de sucesso do que aqueles sem qualquer estudo de viabilidade.) tinham 3. O fator mais importante é o produto ter uma diferenciação com relação aos seus concorrentes. função do produto.3 vezes maiores. quando a qualidade técnica da equipe esta adequada às necessidades de desenvolvimento do novo produto. quando se registra um grande nível de cooperação entre o pessoal técnico e de marketing.

gerando oportunidades de inovação do produto. um novo material. por exemplo. A segunda delas seria identificação de uma necessidade de mercado que ainda não é satisfeita por nenhum dos produtos existentes. Elas devem representar os desejos e ansiedades identificados na pesquisa de mercado. Ou seja. Um produto pode ser muito avançado tecnicamente. montagem e venda do produto final. São essas especificações que controlarão todo o desenvolvimento do produto. projeto do produto desenvolvimento de novos produtos de forma a tornar a sua empresa mais competitiva. as especificações técnicas apresentadas e discutidas na etapa inicial do projeto conceitual podem não ser as mesmas nas etapas subsequentes de um projeto mais detalhado. Um vez coletadas essas informações. mas não será bem sucedido se os consumidores não quiseram comprá-lo. Significa apenas que não se pode somente confiar no avanço tecnológico para projetar produtos de sucesso. Essas especificações técnicas do produto são na verdade os dados técnicos necessários para se desenvolver os produtos.depto engenharia de produção . Muitas pessoas aceitam a idéia de controlar a qualidade de tarefas industriais ou administrativas bem estruturadas e de natureza repetitiva. pode-se então. Esses podem ser documentados de várias formas como. © 2006 eduardo romeiro filho 83 ufmg . Essa nova tecnologia pode ser. para certificar que o avanço tecnológico está servindo para preencher uma necessidade real do consumidor. Ela deve ser complementada com uma pesquisa sobre as necessidades de mercado. elas evoluem gerando outras ou novas especificações a medida que o desenvolvimento do produto também evolui. quando se trata do desenvolvimento de novos produtos essa tarefa não é fácil. desenhos técnicos acompanhados de documentação técnica especifica do produto. por exemplo. b) Oferta tecnológica – que refere-se à disponibilidade de novas tecnologias. Na verdade essas duas etapas devem ser desenvolvidas concomitantemente. É importante notar porém que essas especificações não são fixas com o tempo. definir as especificações técnicas de projeto para o desenvolvimento de novos produtos. Ou seja. A figura 1-4 apresenta alguns dos diversos aspectos que podem e devem ser considerados no desenvolvimento de especificações de projeto. Desta forma. Entretanto. é a tradução em dados técnicos dos desejos dos consumidores. novos processos de fabricação ou novos conceitos de projeto. Isso não diminui a importância da oferta de tecnologia para o desenvolvimento de novos produtos. desde a analise do mercado passando-se pelo projeto conceitual e detalhado até a fabricação. Segurança Manufatura Ergonomia Embalagem Patentes Peso Custo Qualidade Tempo Política Processo DESIGN Mercado Tamanho Documentação Competidores Instalação Meio Ambiente Armazenagem Performance Material Figura 1-4 – Especificações Técnicas É importante garantir que este processo de identificação de oportunidades de mercado e geração de especificações técnicas do produto seja feito com qualidade.

é importante definir o que se entende pelo termo qualidade para então possamos trabalhar no sentido de incorpora-la no desenvolvimento de novos produtos. Como se viu anteriormente. padrão para comparação de todas as alternativas geradas durante o desenvolvimento de projeto. as especificações técnicas devem ser convertidas no sentido de atender cada uma dessas etapas. Entretanto. então. Todos esses aspectos são importantes para se definir o que seja a qualidade de um produto. em relação aos concorrentes ? Como os consumidores serão induzidos a preferir esse novo produto ? Quais as estimativas iniciais de custo e a margem de lucro ? Qual é o volume esperado de vendas e qual é o retorno do investimento ao longo da vida útil do produto no mercado? Em seguida vem a especificação do projeto. Assim. Esta técnica será abordada logo adiante. Quais são os aspectos diferenciados desse novo produto. mostra um modelo de percepção de qualidade. vendas. quando o desenvolvimento do produto chega a etapa de fabricação. A figura 1-5. projeto do produto Mas como se pode determinar as metas para o controle de qualidade. Para que toda essa evolução possa ser bem controlada no sentido de garantir qualidade ao produto desenvolvido. que em inglês significa Quality Function Deployment. Já para um gerente de produção. Por exemplo. os conceitos. a especificação do projeto se transforma em especificação de controle do processo produtivo. é nessa etapa que são fixadas as metas técnicas para o novo produto. Uma das metodologias mais utilizadas é a do Desdobramento da Função Qualidade ou QFD. Neste caso. por exemplo. devem ser determinados os pontos de controle da qualidade a serem realizados durante o processo de fabricação que podem ser. Espera-se que qualquer produto que atenda a essas especificações seja bem sucedido comercialmente. para se selecionar as melhores alternativas. © 2006 eduardo romeiro filho 84 ufmg . contendo as metas comerciais básicas para o novo produto. onde se realiza o controle da qualidade mais importante. Por exemplo. numa visão mais abrangente. até a montagem final do produto. na recepção da matéria-prima. sem mesmo conhecer o produto que se deseja controlar ? O primeiro controle é exercido sobre as especificações de oportunidade. as configurações e os protótipos podem ser avaliados em relação a esse padrão. Eventualmente. Como mencionado anteriormente. para um engenheiro qualidade pode significar a adequação dos objetivos do produto e sua resistência para suportar faixas de trabalho preestabelecidas. deve-se considerar a percepção do consumidor para se definir o que seja a qualidade de um produto. qualidade pode ser a facilidade de fabricação e montagem de produtos com níveis de refugos abaixo dos especificados. antes disso. As especificações tornam-se. abrangendo desde as funções básicas. A especificação do projeto deve ser um documento de consenso.depto engenharia de produção . sua aparência até a embalagem e distribuição. 1-7 – O que é Qualidade? O termo qualidade apresenta diferentes significados para diferentes pessoas. Esse documento deve conter também o critério para se avaliar o sucesso comercial do produto. refletindo os interesses de marketing. foram desenvolvidas diversas técnicas metodológicas que ajudam a equipe de projetos nesta árdua tarefa. montagem dos circuitos elétricos e assim por diante. Observa-se que quanto maior a incorporação de características desejadas pelos consumidores maior será o seu nível de satisfação. projeto e desenvolvimento e a engenharia de produção da empresa. a medida que o projeto vai evoluindo passando a etapas de configuração e detalhamento. Entretanto.

a ausência destas expectativas pode causar uma grande insatisfação.depto engenharia de produção . projeto do produto Satisfação do consumidor Incorporação das características desejadas Figura 1-5 – Modelo Simples de Qualidade Seguindo um mesmo raciocínio. Na verdade. implicará numa insatisfação proporcional no consumidor como indicado na figura 1-6. © 2006 eduardo romeiro filho 85 ufmg . enquanto que a sua presença. existem algumas expectativas básicas sobre um produto que as vezes nem são percebidas. a ausência de certas características. Desta forma. Satisfação Algumas Todas Incorporação das características desejadas Insatisfação Figura 1-6 – Modelo Melhorado de Qualidade Ocorre que a satisfação do consumidor nem sempre apresenta um comportamento linear como mostrado nas figuras 1-5 e 1-6. pode significar um aspecto normal e não contribui para aumentar o nível de satisfação do consumidor (Figura 1-7).

Os fatores de performance cobrem as qualidades que os consumidores declararam esperar dos produtos. enquanto que a sua presença não provoca satisfação. Tais características são interpretadas como fatores de excitação. ao comprar um veículo automotor espera-se que este venha suprido de rodas. Kano sugere que há um outro fator de satisfação do consumidor situado entre as expectativas básicas e os fatores de excitação. chamado de performance. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação Insatisfação Figura 1-8 – Fatores de Excitação A figura 1-9 mostra o modelo Kano de qualidade indicando as expectativas básicas e os fatores de excitação. Os fatores de excitação são capazes de satisfazer as necessidades “latentes” dos consumidores. Ou seja. são requisitos adicionais aos produtos que excedem aqueles da expectativa básica (Figura 1-8). A sua ausência implicará num grande nível de insatisfação. Ou seja.depto engenharia de produção . Num outro extremo. A © 2006 eduardo romeiro filho 86 ufmg . necessidades que os próprios consumidores não sabiam inicialmente que as tinham. existem certas características que são incorporadas a um produto que provocam um grande nível de satisfação quando estão presentes mas que a sua ausência não causa insatisfação. projeto do produto Satisfação consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação Figura 1-7 – Expectativas Básicas da Qualidade Por exemplo.

uma vez que esta curva tende a um nível de saturação. Um carro que tenha todas essas características provocara satisfação no consumidor. manobra fácil. Um carro que não tenha nenhuma delas causará insatisfação. Por exemplo na visão dos consumidores. projeto do produto percepção do consumidor sobre a qualidade varia na proporção direta do grau em que a performance ideal ou máxima do produto seja alcançada. mínima manutenção etc. 4 – Atendimento aos fatores de performance. encontram-se aqueles ditos básicos (os que são considerados evidentes pelos consumidores) e aqueles considerados de excitação (aqueles ainda não experimentados pelos consumidores).depto engenharia de produção . Isto significa que. O modelo Kano de qualidade indica que os fatores de performance aumentam o nível de satisfação dos consumidores. Satisfação EXCITAÇÃO consumidor Algumas Todas Incorporação das características desejadas do Satisfação BÁSICO Insatisfação PERFORMANCE Figura 1-9 – Modelo Kano de Qualidade Existem quatro aspectos no modelo Kano para qualidade que devem ser considerados no desenvolvimento do produto. mas não de forma tão acintosa quanto os fatores de excitação. quanto mais fatores que causam excitação forem incorporados aos produtos maior será o nível de satisfação dos consumidores. direção hidráulica. Ou seja. podem agora ser considerados como fatores de performance ou mesmo apenas uma necessidade básica. Portanto. 2 – Atendimento as necessidades básicas . © 2006 eduardo romeiro filho 87 ufmg . fatores que foram considerados de excitação no passado. a partir de um certo nível de atendimento. Existe um tendência da satisfação do consumidor aumentar a medida que as características que causam excitação são incorporadas ao produto. poucos ruídos. um carro ideal deve apresentar algumas características como ter um bom estilo. Dentro desta categoria. 1 – Desejos não declarados pelos consumidores. baixo consumo de combustível. todo o esforço extra exigido aos fatores de excitação terá maior retorno. aceleração rápida. o consumidor não valorizará proporcionalmente este fator. 3 – Atendimento aos fatores de excitação. não é vantajoso realizar-se altos investimentos para se satisfazer uma necessidade básica. por exemplo. Existem alguns desejos que não são verbalizados pelos consumidores e portanto são muito difíceis de serem identificados em uma pesquisa de mercado. Deve-se observar que a classificação dessas necessidades se modificam ao longo do tempo. O modelo Kano indica ainda que ao ser alcançado um certo nível dos fatores de performance. Desta forma. Atender as necessidades básicas é um pré-requisito para o sucesso de um novo produto.

tais necessidades nem sempre chegam a equipe de projetos na forma de uma linguagem técnica e portanto é importante saber interpretá-las. USA. (1995). Oakley. New York. J. The QFD Book . Este controle é importante para que se possa identificar e corrigir eventuais desvios. no.K. (1994) Time to Market. The Contribution of Design to the U. Working Paper. Chapman & Hall. Fox. & Beitz. Desta forma. Isso significa que os fabricantes devem procurar continuamente introduzir novos fatores de excitação.London. Sentance.K. Syan. second edition. projeto do produto Além disso. J. H. QFD. Addison Wesley Publications Ltd.(1993). Portanto. W. K. C. pp 93-97. Product Design – Practical Methods for the systematic development of new products. Jr.K.World-Class Manufacturing. U. New York. USA. John Wiley & Sons.K. Corbett. Cross.Bibliografia Baxter. London. USA. London. 1994. U.K. & Riedel J. deve-se ressaltar que os fatores de excitação funcionam uma única vez. Pahl. Infelizmente. K.S. especificação da fabricação e montagem do produto. pois logo são incorporados a muitos fatores de performance do produto. J. Pugh. New York. Para que esse planejamento possa ser bem executado. New York. 1. U. Chichester. incorporar qualidade a um produto significa desenvolvê-lo de forma a atender as necessidades do mercado consumidor e sempre que possível. Gouvinhas. The Mechanical Design Process. A. R.K. que será mais detalhada nas seções posteriores. Tood. pp 14-22. (1984). (1994). USA.K. no sentido de se conseguir esse controle é necessário que esse desenvolvimento seja bem planejado. a elaboração das especificações técnicas a partir da identificação das necessidades do mercado consumidor é essencial para que se tenha um rígido controle de qualidade durante o desenvolvimento do produto. Mc Graw-Hill.P. Mc Graw-Hill Book Company. and Menon. Economy. U. Somerset. Na verdade. Total Design. U. é importante utilizar-se de algumas metodologias que ajudam no sequenciamento desta execução. G. Engineering Design Methods.1. Quality Through Design . U. (1995). N. (1987)... Workingham. New York. L. M. S. USA. Desta forma. como por exemplo. (Editors) Concurrent Engineering . J. Cranfield University. Techniques of Structural Problem Solving. London. B. Design for Economic Manufacture. Uma das metodologias mais utilizadas com o intuito de garantir de que as necessidades do consumidor estejam incorporadas aos produtos é a conhecida técnica do Desdobramento da Função Qualidade (Quality Function Deployment.K. buscar diferenciação no mercado como foi abordado anteriormente. (1970) Design Methods. além de seu transporte e distribuição. essa conversão das necessidades do consumidor em aspectos técnicos para o produto deve ocorrer antes mesmo que o projeto seja iniciado. U. vol 5. S. 1-8 . Ullman. Esse controle é muito difícil de ser executado uma vez que vários fatores técnicos. 1 st edition ed. Implementation and Practice. (1992).F. 1. devem ser levados em consideração. é de fundamental importância entender as necessidades do consumidor de forma a satisfazê-las ao se desenvolver um novo produto. em inglês) ou simplesmente. Chapman & Hall. vol. (Editor) Design Management. Guinta. Butler & Tanner Ltd. U.Concepts. (1997). J. Engineering Design. Integrated Manufacturing Systems. tentar superá-las. no.. Second Edition. (1963) Applied Imagination – Principles and Procedures of Creative Thinking. Jones. PhD Thesis. C. John Wiley. USA. 35. U.Springer-Verlag.depto engenharia de produção . Annals of the CIRP. U. Van Gundy. N. D.K. Menon. ed.The Key to Successful Product Delivery Mc Graw-Hill. G.Como Incorporar Qualidade ao Produto? Como foi visto. de modo que os produtos considerados insatisfatórios sejam rapidamente eliminados logo no inicio do desenvolvimento quando grande volumes de recursos ainda não foram investidos. © 2006 eduardo romeiro filho 88 ufmg . & Praizler. (1997) Design Methods for Production Machinery Companies. C. Pawar. The Design Council. & Clarke. Cranfield. A. Charles Scribner’s Sons. Osborn.A Systematic Approach . (1986).10 . UK. M. R. London.C. ou seja. Van Nostrand Reinold.The Team Approach to Solving Problems and Satisfying Customers Through Quality Function Deployment AMACOM Books. (1993). A.

Dentro de um mercado altamente competitivo como o que se apresenta hoje a nível mundial. 1. Existe um grande número de parâmetros que devem ser levados em consideração.Industrial. 2. portanto. o pronto desenvolvimento e lançamento de produtos que venham a atender as necessidades e os anseios dos consumidores tem se mostrado imprescindível ao crescimento e à própria sobrevivência das empresas. a atividade projetual assume características próprias. específicas da nossa época. somente a produção de desenhos para a aprovação do cliente e orientação do fabricante. Nesta perspectiva.ou Desenho . os fornecedores. algumas mais gerais e outras bastante específicas. Diversos autores propõem metodologias próprias para o desenvolvimento de produtos. os vendedores. O objetivo final do designer9 não é. Não basta criar um produto. sendo estes também 9 Neste caso. dependentes de novos lançamentos que atendam às exigências e necessidades do mercado. assim como todos os demais seres vivos. o termo "designer" não se restringe às atividades ligadas ao Design . Ocorre. É certo que estas metodologias não devem ser entendidas ao pé da letra. os distribuidores. os produtores. o da perda dos mercados (e dos lucros). Origens do Método na Concepção de Projetos A espécie humana sempre buscou na natureza a satisfação de suas necessidades. os responsáveis pelos setores de projeto assumem um papel fundamental para o sucesso (ou fracasso) de suas empresas. desenhistas. mesmo que estas não estejam claras ou (como acontece algumas vezes) nem existam ainda. matérias primas utilizadas. com o aparecimento de pessoas especializadas no desenvolvimento e construção de toda a variedade de objetos. pois ele deve conhecer o resultado final do projeto antes de tê-lo concluído. além dos já citados. e existem inúmeros exemplos desse tipo. em sua forma mais ampla. Aí reside sua grande dificuldade. O designer deve compreender a relação entre estes diversos usuários e antecipa-las no caso do desenvolvimento de novos produtos. como o cliente. mas a criação de um produto que seja adequado aos diversos níveis de usuários.depto engenharia de produção . mas assume uma conotação mais ampla. muitas vezes mesclando diversos pontos das várias metodologias criadas pelos mestres. porém. vários teóricos do desenho industrial levantaram a inadequação dos métodos tradicionais e empíricos da concepção de produtos. que lutam por formas de responder o mais rápido possível às tendências verificadas entre os compradores. São grandes os riscos de fracasso no lançamento de novos produtos. mas ainda assim as empresas são levadas a gastar milhões (de dólares) em pesquisa e desenvolvimento. mas como uma maneira didática de orientação para os estudantes ou iniciantes em design até que consigam eles próprios desenvolver um método próprio de concepção orientado para suas necessidades específicas. Neste contexto. usuários de seus produtos. sendo que esta visão é hoje amplamente aceita. como formas rígidas de se nortear o processo de projetação. embora existam muitas discussões a respeito de qual ou quais seriam os métodos mais adequados de auxílio à projetação. os consumidores e a própria sociedade. Para que Metodologia de Projeto. questões de vendas e transporte. manutenção. © 2006 eduardo romeiro filho 89 ufmg . que incluem. pois diante destes riscos existe um ainda maior. etc. etc. projetistas. criando artefatos que lhe são mais adaptados e convenientes ao uso. servindo para todo e qualquer profissional envolvido em atividades de concepção e/ou projeto. Devido a esta crescente complexidade da atividade do designer. Isto levou ao desenvolvimento de uma série de campos de conhecimento específicos. os meios de fabricação. como engenheiros. arquitetos. projeto do produto O Uso do Método: Metodologias de Projeto de Produto. uma diferenciação a partir do momento em que o homem passa a impor modificações ao que lhe é oferecido. que seja belo (segundo o conceito de um grupo específico ao qual este produto será destinado) ou adequado à sua função principal.

com o fim de auxiliar o designer durante o processo de projetação. com o tempo. Este processo. na qual o iniciante era selecionado. um objeto pronto que servisse de exemplo para os demais. inclusive pessoas não pertencentes à equipe de projeto. Hoje existem diversas metodologias propostas. já que o número cada vez maior de variáveis envolvidas levam a uma grande dificuldade para seu adequado controle.depto engenharia de produção . A utilização de uma destas metodologias vai depender basicamente do tipo de trabalho desenvolvido. segundo regras peculiares e tradicionais. era caracterizado pela ausência de qualquer tipo de projeto descrito em suportes físicos. tem início a atividade específica de projetação. por exemplo. de seu nível de complexidade e de uma escolha pessoal do designer pelo processo de trabalho mais adequado às suas necessidades. bem como a ampliação dos mercados consumidores através das grandes descobertas forçaram um aumento na produção de bens. levando o designer a desenvolver. próprias de cada atividade. e para que se possa acelerar o tempo gasto no processo de criar e avaliar soluções". Os suportes de auxílio ao ofício constituíam-se quase que exclusivamente de gabaritos e apetrechos desse tipo. segundo MEDEIROS (1981) podem ser definidos como sistemáticos ou intuitivos. © 2006 eduardo romeiro filho 90 ufmg . sendo de seu inteiro conhecimento. que envolvia uma revisão e o desenvolvimento das formas usuais de produção e de concepção de produtos. de forma a facilitar o controle de suas diversas variáveis. levando a um desenvolvimento cada vez mais rápido de novos produtos. o que levou a uma série de tentativas de agilização da produção. A partir deste momento a atividade projetual ocupa um espaço importante na produção. Com a revolução industrial este movimento se torna mais abrangente. foi se tornando cada vez mais difícil a execução do produto diretamente. Era também o artesão responsável pelas modificações dos produtos no decorrer do tempo. todo o processo de construção do objeto. que já não estava completo na mente do artesão seu criador. treinado e formado pelo artesão oficial. 3. A utilização de desenhos como forma de representação de projetos leva a uma grande facilidade na definição das características finais do produto. mas que apresentava consideráveis dificuldades em se tratando de produtos maiores e mais complexos. Esta era uma situação relativamente simples quando se tratava da fabricação de artigos de cerâmica. projeto do produto responsáveis pela formação de novos profissionais. como na especificação das dimensões e aspectos formais antes mesmo de sua primeira versão concluída. Com a consolidação da Revolução Industrial e a crescente sofisticação da produção. enquanto os oficiais se encarregavam das peças de maior complexidade. para que na montagem houvesse um perfeito encaixe. pelos teóricos do desenho industrial. Além disso. que poderia ser considerado como uma espécie de mercado consumidor. um método próprio. Este ponto de vista é amplamente aceito e dispensa maiores justificativas. A progressiva divisão de tarefas também foi facilitada pela utilização de desenhos de representação. a partir de mudanças ocorridas no âmbito social e econômico de seu grupo populacional. Os métodos intuitivos são considerados. da montagem do produto e da coordenação dos trabalhos. em diferentes níveis de detalhamento e especificidade. Pode-se dizer que o aumento populacional na Europa a partir do séc. desde que as dimensões das peças fossem corretamente demarcadas. já que a produção tem que ser mais e mais ampliada. Estes métodos. que procuram delinear de forma mais ou menos específica as maneiras mais convenientes de desenvolvimento de projetos de produtos. bem como suas caracterísicas formais e de uso eram definidas mentalmente pelo artesão. o trabalho foi sendo progressivamente dividido. Na confecção de um produto que se utilizava de várias peças. Anteriormente era necessário um modelo. como inadequados diante da crescente complexidade dos meios de produção. em que o artesão era ao mesmo tempo responsável pela concepção do produto e pela sua fabricação. além de facilitar a construção. Daí o surgimento de diversas "metodologias de projeto". XVI. sendo que quase sempre o que ocorre é uma adaptação de uma ou mais metodologias às características específicas do trabalho. com pessoas ocupadas exclusivamente com este fim. Esta divisão. já que as variáveis envolvidas eram em número cada vez maior. levava a um aumento na produtividade. para que se possa produzir uma maior qualidade. através de uma estrutura hierarquizada de aprendizagem. além das ferramentas tradicionais. sendo que as tarefas mais simples eram executadas normalmente por aprendizes. ou seja. sendo utilizados de acordo com o nível de complexidade do problema a ser resolvido: "A utilização de métodos sistemáticos se justifica na medida em que a explicitação do processo contribua para que se criem soluções levando em conta a experiência de um maior número de pessoas. trazendo de novo a necessidade de desenhos e informações detalhadas. Evolução da Metodologia & Evolução I ndustrial Com a crescente complexidade dos produtos e dos meios de produção fez-se necessária a descrição em meios físicos do projeto e de sua concepção. de forma a atender aos objetivos de acumulação capitalista. e não só quantidade de soluções. através da utilização cada vez maior de métodos específicos para o desenvolvimento de produtos.

projeto do produto O desenvolvimento de produtos é bem mais complexo do que pode parecer em princípio. um avião . EXECUÇÃO PRODUTO DIFUSÃO USO DESATIVAÇÃO RECICLAGEM Figura 2.um parafuso. Sendo assim. torna-se interessante uma investigação um pouco mais profunda das funções deste setor e das diferentes metodologias utilizadas para a concepção de produtos. colocados aqui de maneira bastante ampla. qualquer objeto . Fonte: MEDEIROS. um prédio. A seguir estão colocadas de forma sucinta as principais formas de contribuição de sistemas informatizados à atividade projetual. fabricáveis em série. 1995. principalmente nos casos de produtos que possuam níveis relevantes de inovação. © 2006 eduardo romeiro filho 91 ufmg . embora as metodologias e processos apresentados estejam em sua maior parte centrados no desenvolvimento de produtos industriais.depto engenharia de produção . como os colocados na condição de novos projetos (e não da adaptação ou melhoria de produtos já existentes). Modelo de Ciclo de Vida do Produto e Principais Recursos Informatizados: ETAPAS DE PROJETO: NECESSIDADE FORMULAÇÃO ANÁLISE CAE/CAD ESPECIFICAÇÕES SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS CAPP CONCEPÇÃO AVALIAÇÃO SELEÇÃO CAM FABRICAÇÃO .concebido pelo homem é um produto. Segundo este raciocínio. Adaptada de “Modelo de Ciclo de Vida do Produto”.

sem que haja entretanto modificações radicais nos princípios tecnológicos do produto. é o das impressoras. com as impressoras laser ocupando determinados nichos onde a qualidade de impressão representava um fator fundamental e onde havia a necessidade de grandes tiragens de documentos personalizados (extratos bancários para envio pelo correio. Os projetos por evolução seriam aqueles nos quais as descobertas científicas e tecnológicas são agregadas a modelos precedentes. no entanto. BACK (1983) diferencia dois tipos de projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro. O que houve foi uma segmentação deste mercado. análise e síntese. onde uma nova tecnologia rompe com as condições do mercado. A partir das características de cada produto concebido. e um estágio conclusivo no qual as decisões tomadas são organizadas num tipo de linguagem que possibilite a comunicação e arquivamento dos dados e a fabricação do produto. ao alto custo representado pelas novas impressoras em relação àquelas já existentes. com diferentes modelos cuja crescente sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. projeto do produto PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETO DE PRODUTO. ameaçado pelo aparecimento das primeiras impressoras de tecnologia laser. por inovação. O processo projetual pode desta forma ser dividido em etapas. de forma semelhante aos processos de resolução de problemas de qualquer tipo: Processo de Desenvolvimento de Projeto de Produto FORMULAÇÃO ANÁLISE SÍNTESE GERAÇÃO DE IDÉIAS AVALIAÇÃO SELEÇÃO EXECUÇÃO Figura 3. entretanto. Este mercado foi. O mercado foi até o início da década de noventa basicamente dominada por impressoras do tipo matricial. por exemplo). A atividade principal de transformação ocorre entre um estágio inicial de busca de informações. principalmente. PROJETOS POR EVOLUÇÃO E INOVAÇÃO. O desenvolvimento de projeto de produto consiste basicamente na transformação de idéias e informações em representações bi ou tridimensionais. que ofereciam significativo aumento na qualidade de impressão. apesar de custos bastante elevados. assimilação. 1981. Fonte: MEDEIROS. Se as impressoras de tecnologia laser não foram suficientes para abalar definitivamente o © 2006 eduardo romeiro filho 92 ufmg . uma definitiva ameaça ao mercado das matriciais devido. A tecnologia laser associada à impressão pode ser considerada como uma forma de projeto por inovação. na área da informática.depto engenharia de produção . Um exemplo deste tipo. O surgimento das impressoras de tecnologia laser não representou.

equipamentos periféricos de sistemas CAD responsáveis pelo traçado em elementos físicos (papel.) Laser Figura 4. © 2006 eduardo romeiro filho 93 ufmg . viabilidade econômica e de materiais. las técnicas precisas y con la forma que corresponda a la función (incluida la función psicológica). dado que ha de utilizar toda clase de materiais y toda clase de técnicas sin prejuicios artísticos.cit. a série de projetos evolutivos das impressoras matriciais está praticamente suplantada pelo impacto de projetos baseados em inovação. op. fonte: RIMA Impressoras. 350 300 250 Em Milhares de 200 Unidades 150 100 50 Maticial 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est.) Neste caso. Segundo o autor. acetato etc. o artista projeta suas obras utilizando- se de regras clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares.) que também enfrentam a concorrência da tecnologia de impressão a jato de tinta. atualmente. pois depende de fatores por demais complexos.Small Office and House Office). que começa a tornar-se economicamente viável nesta área. mas que possui uma natural similaridade com diversos conceitos do design e das engenharias. entretanto. a preços cada vez mais baixos. oferecendo uma impressão de alta qualidade (embora não atinja ainda os níveis de algumas das impressoras a laser). com o objetivo de criar obras densas e de concepção pessoal. Não é. ha de disponer de un método que le permita realizar su proyecto de forma adecuada. Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. como meios tecnológicos disponíveis para fabricação. será necessário um projeto que não somente possua qualidades estéticas10 e que seja compreensível para seu público. entre (muitos) outros. objetivo deste trabalho discutir este assunto. no denominado mercado SOHO . Vendas desde 1992 e estimativas para 1996.” (MUNARI. como aspectos culturais. O autor apresenta 10 O termo “qualidade estética” pode gerar uma interminável fonte de discussões.depto engenharia de produção . principalmente. mas que atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. competindo diretamente em nichos de mercado pertencentes às duas outras tecnologias. Pode-se dizer que. projeto do produto mercado das matriciais. citado por INFORMÁTICA EXAME (1996) METODOLOGIAS DE PROJETO DE PRODUTOS. embora apresente um enfoque especial às características estéticas e visuais do produto. “Pero el diseñador. O mesmo ocorre em relação os plotters. mas apenas chamar a atenção para sua existência e sua inegável importância. seja no caso das impressoras a laser como. MUNARI (1975) apresenta uma visão de metodologia aplicada à comunicação visual. sociais e econômicos da população usuária. o crescente desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato de tinta parece trazer este perigo. por exemplo. nas baseadas em jato de tinta (para aplicações domésticas e de pequenos usuários.

Modelos. O problema deve ser analisado a partir de dois componentes principais: o físico e o psicológico. Elemento central do processo de concepção.depto engenharia de produção . pois deve levar a uma síntese das necessidade e dos elementos identificados. Durabilidade prevista para o produto. enquanto o psicológico (aspectos culturais. exigências e características do mercado. que atenda as necessidades levantadas e dentro dos limites existentes. apresentando um produto com variável grau de inovação. Criatividade. Disponibilidade técnica. fonte: MUNARI. em níveis crescentes de detalhamento e sofisticação. sob pena de todo o processo de concepção ser alterado por uma definição equivocada da questão a ser atendida. que apresenta estreitas semelhanças com a maioria dos métodos para solução de problemas: © 2006 eduardo romeiro filho 94 ufmg . por exemplo). possui os seguintes pontos principais: Enunciado do problema. utilização de componentes já existentes. Identificação dos aspectos e funções. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. de tamanho natural ou em escala. e que. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. seguindo as sugestões de Asimow. com a construção de um ou mais protótipos. seja esta análise realizada pela empresa (pelo departamento de marketing. Limites para o projeto. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. até atingirem a forma do produto final. sem contudo atuar fora dos limites previamente impostos. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. levando a uma “solução ótima” para o produto. de acordo com a análise das necessidades. Esquemas Metodológicos apresentados por MUNARI Archer Fallon Sidal programação preparação definição do problema levantamento de dados informação exame de soluções possíveis análise valoração limites síntese criatividade análise técnica desenvolvimento seleção otimização comunicação projeto cálculo protótipos testes modificações finais Figura 5. O problema a ser abordado deve estar bem definido. Da síntese criativa nascem os modelos. projeto do produto uma metodologia baseada nos esquemas de Archer. O componente físico (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. 1975 A partir deste exemplo pode-se ter uma idéia bastante simplificada de como funciona o processo projetual. Fallon e Sidal. por exemplo) ou pelo próprio designer.

PROCESSO METODOLÓGICO PROPOSTO POR MUNARI (1975). determinação da solução e detalhamento. levantamento de informações. mesmo devido ao fato de que na maioria dos casos. apresentam diferenças importantes. entretanto. 1975 © 2006 eduardo romeiro filho 95 ufmg . Pode-se dizer que o nível de sofisticação e detalhamento do processo metodológico adotado obedece às características do produto a ser desenvolvido. Enunciado do Problema Verificação Identificação Verificação Cultural Técnico . geração de alternativa. sendo muitas vezes possível seu inteiro domínio (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou mesmo por uma só pessoa. por exemplo) não necessitará do rigor metodológico de produtos mais sofisticados (como um avião ou uma planta industrial).Econômica Aspectos . fonte: MUNARI. projeto do produto necessidade. como no caso da produção artesanal.Funções Histórico .Geográfica Física Psicológica Tempo de Uso LIMITES DO PROJETO Regras Partes Existentes Mercado Identificação dos Elementos de Projetação Materiais e Disponibilidades Tecnológicas Instrumentos CRIATIVIDADE Código do Usuário Síntese MODELOS Primeira Comprovação Soluções Possíveis A MAIS ADEQUADA Programa de Projetos PROTÓTIPO Figura 6. o que torna cada uma delas apropriada a determinado tipo de problema (ou produto). os processos de concepção e tecnologias de fabricação de produtos mais "simples" estão amplamente disseminados.depto engenharia de produção . As formas de aplicação destas metodologias. concepção. Naturalmente um produto tecnologicamente simples (um vaso cerâmico.

Formulação. Projeto. Figura 8. mais ou menos adequadas. Combinar Sub-Soluções em Alternativas Avaliar Alternativas. cujos diagramas comparativos (bastante simplificados) encontram-se a seguir: Metodologias de Projeto de Produto Metodologia proposta por JONES: Divergência. desenvolvidas por JONES. Desenvolvimento Identificar Contradições. Modificação do protótipo. Formulação geral do problema. Requisitos específicos e funcionais. Avaliação e Solução. Avaliação. que poderão levar a diferentes soluções. A partir daí. transformação e convergência). Localizar Parâmetros. Avaliação e solução. abrem-se diversos caminhos. MEDEIROS (1981) apresenta algumas destas metodologias para a atividade projetual. problema Projetual Valoração da necessidade. a metodologia de JONES indica etapas importantes da atividade de concepção: partindo-se de uma situação bastante definida (o problema). Análise. projeto do produto Seguindo este processo básico de raciocínio. que muito mais do que devaneios de concepção artística funcionam como recursos de extrema importância para a geração de alternativas (especialmente com relação a aspectos formais do produto) e desenvolvimento de inovações significativas. Transformação Percepção ou Transformação da Estrutura do Síntese. Análise de soluções existentes. através da determinação de parâmetros e geração de alternativas. Finalidade geral do projeto. 1981. Revisão. Desenvolvimento de alternativas Concepção e desenvolvimento Verificação e seleção de alternativas. Características do produto. Exploração da Situação do Projeto Análise. Proposta de BONSIEPE: Estruturação do Descobrimento de uma necessidade.depto engenharia de produção . Embora não aborde outras etapas de projeto como detalhamento do produto e construção de modelos e/ou protótipos. Hierarquização dos problemas parciais. fonte: MEDEIROS. Fabricação da Pré-série Execução. Escolher Solução (Design) Final. Formulações particularizadas do problema Síntese. Figura 7. com determinadas características bastante específicas e adequados a diferentes situações. Elaboração de detalhes particulares. através da transformação dos dados obtidos na etapa de informação primária. 1981. Estruturada em três fases (divergência. até que se chegue a uma solução final de design. Concepção e Descrever Sub-Soluções. Problema. Fracionamento do problema. Execução. pode-se perceber neste caso o “movimento” existente no processo de concepção. foram desenvolvidos diferentes processos metodológicos. Protótipo. Convergência. © 2006 eduardo romeiro filho 96 ufmg . BONSIEPE e ASIMOW (além de uma de sua autoria). o processo de concepção levará a uma “filtragem” das soluções possíveis. Formulação. Finalidade particular do produto. fonte: MEDEIROS. Informação Primária.

Concepção para o projeto. projeto do produto GUI BONSIEPE. designer alemão. Avaliação. Formulação. Re-projeto. Projeto geral de sub-sistemas. Construção experimental. Análise das necessidades. Etapas como avaliação e revisão repetem-se ao longo do projeto. Figura 9. Processo metodológico proposto por ASIMOW: Estudo de Exeqüibilidade. Verificação da concepção do projeto. Projeto Preliminar. Análise de estabilidade. Análise financeira. Análise e revisão. apresenta uma metodologia mais elaborada. fonte: MEDEIROS. sejam estabelecidos parâmetros para novos projetos com base em erros e acertos do projetos desenvolvidos. Pode-se notar a separação entre duas etapas fundamentais: a estruturação do problema projetual e o projeto propriamente dito. Análise de compatibilidade. Programa de testes. Análise de sensibilidade. etapas importantes para que. a metodologia apresentada por JONES tem como características principais uma abordagem mais ampla do processo projetual em relação às anteriores. apresentando menores ou maiores peculiaridades em função de características próprias do produto a ser concebido e do público ao qual é destinado. Revisão. Em um crescente nível de detalhamento. Modelos matemáticos. Preparação para o projeto. Projeções para o futuro. BONSIEPE chama desta forma a atenção para a importância de um firme enfoque em relação ao problema a ser atendido como forma de tornar consistente a solução adotada. © 2006 eduardo romeiro filho 97 ufmg . determinando etapas desde o descobrimento e valoração da necessidade até a fabricação em pré-série. através de um processo de feed back. bem como um aspecto cíclico que aparece como uma constante durante o processo. Avaliação Análise econômica. Desenhos de montagem. Neste caso é observada uma maior amplitude em relação ao processo projetual. Revisão. Projeto Detalhado. Desenvolvimento. que inclui etapas como construção de protótipos e fabricação da pré-série. chamando a atenção para o fato de que o processo projetual não é estático ou linear. Concepção. Otimização formal. Avaliação. Execução. Seleção de concepção. Identificação do problema. Projeto geral de componentes. Projeto detalhado das partes. Previsão do comportamento do sistema. Análise física. Simplificação do projeto. Análise e síntese.depto engenharia de produção . 1981.

Programação da etapa seguinte. Análise das tarefas de comando (importância. Desenvolvimento de alternativas para cada peça. apresenta como característica marcante um alto nível de detalhamento. em especial na etapa de análise. 1981. dos Requisitos. 9. Figuras 7. Etapa de Definição Definição dos requisitos e restrições. Análise dos fatores de produção. Asimow e Medeiros) Fonte: MEDEIROS. Desenvolvimento Avaliação e seleção de alternativas de concepção. Neste ponto estão dois elementos cruciais no desenvolvimento projetual: a equipe responsável e o tempo disponível. Definição de características e sub-sistemas do produto. Viabilização do projeto. Desenvolvimento da concepção formal . produtos e política existentes. desde sistemas completos até peças isoladas. Fracionamento e hierarquização dos sub-sistemas do produto. mercado e normas de legislação). freqüência e tempo de uso). Etapa de Análise.). Na metodologia apresentada. Identificação dos fabricantes e usuários. processos de solução. Análise das tarefas de manutenção. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto. Detalhamento da solução para cada componente.avaliação da compatibilização dos sub-sistemas . Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ.cit. sub-sistemas e funções técnicas do produto. a crescente complexidade tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente © 2006 eduardo romeiro filho 98 ufmg . E. entre seqüências predominantemente lineares ou aquelas em que há o desenvolvimento paralelo de várias etapas. Além disso. Planejamento do trabalho (definição do escopo do projeto. Análise e avaliação dos produtos existentes. Avaliação e seleção de alternativas para o produto. Revisão de Projetos. Análise dos fatores antropométricos. Revisão de documentação. Etapa de Testes. Estes dois aspectos representam uma importante referência para alguns problemas bastante sérios. Detalhamento da solução para cada sub-sistema. Análise dos fatores de difusão. Identificação inicial do contexto de projeto (situação do projeto. Análise dos fatores de operação (sistema. Análise dos fatores morfológicos. Etapa de Desenvolvimento de alternativas de concepção do produto como um todo. Ora.). Tese de Mestrado. é sugerida a possibilidade de que a etapa referente às diversas análises realizadas possa ser realizada de forma paralela. Detalhamento da solução para cada peça. Desenvolvimento de alternativas para cada componente. “de acordo com a equipe e o tempo disponíveis”.execução de modelos e desenhos. O autor apresenta diversas formas de desenvolvimento do processo projetual. Análise do processo de trabalho. Avaliação e seleção de alternativas para cada componente. obsolescência). projeto do produto Metodologia proposta por MEDEIROS: Etapa de Identificação. do produto ou sistema de produtos.depto engenharia de produção . Construção de protótipo(s) das solução(ões) adotada(s). Avaliação e seleção de alternativas para cada peça. 8. N. Bonsiepe. pode-se observar um cuidado do autor em determinar os diferentes níveis do projeto. Análise das condições ambientais. Desenvolvimento de alternativas para cada sub-sistema. A metodologia proposta por MEDEIROS (op. 10: Metodologias de Projeto (Jones.

projeto do produto

eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção e apresenta soluções sem a
utilização de uma metodologia definida11. Em seu lugar surgem equipes cada vez maiores, especializadas no
desenvolvimento de projetos em suas várias especialidades.
Se a criação de equipes ou centros de pesquisa torna-se um recurso inestimável à atividade projetual,
traz em se bojo uma série de complicações, basicamente relacionadas à necessidade de um efetivo e adequado
gerenciamento de todo o pessoal envolvido e, principalmente, da informação que circula entre os diferentes
grupos.
As questões apontadas sugerem, em princípio, a concentração de tarefas em pequenos grupos, formados
por elementos de diferentes especialidades ou, por outro lado, a criação de estruturas que permitam a interação
de diferentes equipes. A formação de uma pequena equipe de projeto apresenta a inegável vantagem da
circulação das informações de forma praticamente imediata. A realização de reuniões periódicas, neste caso, é
bastante facilitada, tendo em vista a proximidade física e a na maior parte das vezes estreita relação profissional
existente entre os diferentes membros12.
Esta solução, entretanto, apresenta seus limites tendo em vista a limitação prática da abrangência
tecnológica do produto. Projetos de mobiliário, por exemplo, podem ser desenvolvidos por pequenos grupos de
projeto (ou mesmo individualmente), tendo em vista as características específicas da tecnologia utilizada na
fabricação do produto. No caso de um automóvel, por outro lado, estão envolvidas no mais das vezes centenas de
pessoas, em diferentes empresas e países, com responsabilidades diversas sobre o produto final, desde a
concepção da carroceria até o dimensionamento de pequenos parafusos para fixação de componentes.
A complexidade verificada na maioria dos projetos de design e engenharia atuais, portanto, acaba por
impedir na prática que o trabalho seja inteiramente desenvolvido por um único grupo, de forma isolada. Diversas
equipes cooperam entre si, e contribuem para um bom resultado de conjunto final. Durante o desenvolvimento
do empreendimento, uma grande quantidade de informação circula entre os participantes. Relatórios técnicos,
memoriais de cálculo, memoriais descritivos, especificações, plantas, esquemas, desenhos técnicos de
detalhamento e montagem exemplificam o conjunto de documentos que compõem um projeto.
O projeto um automóvel americano demandava, nos anos oitenta, mais de sessenta meses de trabalho
por 900 pessoas, em um total de 3,1 milhões de horas. Na mesma época, projeto semelhante desenvolvido pela
indústria japonesa ocupava 1,7 milhões de horas de trabalho em 46 meses, por 500 pessoas13 (CLARK,
FUJIMOTO e CHEW, 1987, e FUJIMOTO, 1989). Apesar de números bem menores, ainda assim tratam-se
cifras impressionantes. A partir destes exemplos, podem-se avaliar as dificuldades advindas do gerenciamento de
desenvolvimento de produtos. Em casos como estes torna-se impossível, na prática, a centralização do projeto
em pequenas equipes dedicadas.
Outro problema extremamente sério neste campo está na questão do tempo de desenvolvimento de
projeto. Utilizando-se ainda o exemplo anterior, pode-se perceber que, em comparação com a indústria japonesa,
nos EUA leva-se (ou levava-se, na década de oitenta) o dobro do tempo (em horas de trabalho) para o
desenvolvimento do projeto de um automóvel, com quase o dobro de pessoas envolvidas.
Neste caso, não é de forma alguma surpreendente o sucesso conseguido pela indústria automobilística
japonesa, tendo em vista o fato de que ela é capaz de responder aos anseios dos consumidores (futuros usuários
de seus produtos) com muito mais rapidez. Embora de uma forma bastante simplista, pode-se dizer que, na
década de oitenta, os carros japoneses eram lançados três anos antes do que os americanos cuja concepção se
iniciava na mesma época, ou seja, os automóveis americanos já chegavam três anos mais velhos ao mercado.
O papel do design e da engenharia nestes casos é flagrante. Um processo projetual estruturado e bem
conduzido é uma peça-chave para a conquista e manutenção de mercados. O processo de design e o
desenvolvimento de novos produtos assumem importância crescente em um cenário de alta competitividade a
nível mundial como vem ocorrendo desde o início da década de oitenta. Com a globalização da produção, de
nada adiantarão produtos obsoletos, cuja vantagem competitiva seja sustentada somente pelo fator preço de

11
Esta imagem, que JONES (1970) define como “a visão do designer como um mago” é muita bem representada
por personagens amalucados de histórias de ficção, sempre às voltas com novos inventos, como o Prof. Pardal,
criação de Carl Barks para os Estúdios Disney.
12
Mesmo nos casos de equipes relativamente grandes, a proximidade física pode ser bastante positiva em termos
de circulação de informação. Em uma das empresas pesquisadas, mesmo a partir da implantação de uma rede
local a concentração das diferentes equipes de projeto em um mesmo espaço físico foi considerada positiva,
tanto pela gerência como pelos projetistas, em função de uma maior "sinergia" entre o grupo.
13
No Japão, o tempo de fabricação do protótipo é de 6,2 meses, em média, exatamente a metade do tempo
utilizado nos EUA.

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projeto do produto

compra. O destino destes produtos será cada vez mais os mercados marginais, seja interna ou externamente ao
país produtor.
Para a agilização do processo projetual como um todo, no caso de produtos que envolvam grandes
equipes e a necessidade de interação e integração entre diferentes setores, ou mesmo entre várias empresas,
torna-se crucial um fluxo eficiente de informações (ou de conhecimento). O conhecimento deve estar disponível
em tempo hábil e destinada à pessoa certa, para que o processo tenha andamento eficiente. De nada adiantará
uma difusão descontrolada de informações, se cada um dos envolvidos não possuir meios de determinar e
localizar as formas de conhecimento de seu interesse.
Há um outro exemplo que ilustra bem o problema do desenvolvimento de projetos envolvendo
tecnologias sofisticadas e processos “globalizados” de produção. O novo avião Boeing 777 possui componentes
fabricados em países tão diferentes como Austrália, Brasil, Japão, Itália, Canadá, França, Coréia do Sul,
Singapura14 e Irlanda. Como gerenciar equipes de projeto das diferentes empresas envolvidas, situadas a tão
grande distância e de tão diferentes “procedimentos culturais”?
A utilização de sistemas CAD pode auxiliar em muito a difusão e intercâmbio de informações em
tempo real, mesmo a grandes distâncias. Neste caso, a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus
fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça, bem como sugerir alterações
pertinentes. As vantagens trazidas pela adoção do CAD, entretanto, somente poderão ser efetivamente
observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual, adequando-o às novas
ferramentas tecnológicas.
Os sistemas CAD permitem, desta forma, o desenvolvimento simultâneo de diversas fases do
projeto, a partir de um compartilhamento adequado das informações geradas. O CAD torna-se nestes casos uma
poderosa ferramenta de integração, permitindo já na fase de projeto, se obter uma representação bastante precisa
do aspecto final do sistema, simular sua operação e prever eventuais erros de projeto. Desta forma, o CAD vem
de encontro às necessidades de uma forma específica de desenvolvimento de projeto, denominado Engenharia
Simultânea15.

O COMPUTADOR NO PROCESSO PROJETUAL16.
O projeto de produtos é, portanto, uma atividade extremamente complexa, que não deve ser restrita a uma forma
de arte, ciência ou engenharia, pois se trata de um meio híbrido que para ter êxito exige uma perfeita combinação
das três especialidades. Coloca-se hoje como fundamental um perfeito domínio de uma grande quantidade de
informações, bem como uma perfeita comunicação e transmissão constante de dados entre os diversos elementos
da equipe de projeto, entre as diversas equipes de projeto e entre estas e os demais setores da fábrica, como
marketing, produção, etc.

Para que isto ocorra de forma satisfatória, em muito auxilia (ou deveria auxiliar) a utilização de
meios informatizados. Entretanto, o que pode ser constatado na maioria dos casos reais é que este auxílio não
existe, ou existe de forma bastante limitada, se for levado em consideração o potencial oferecido pelos sistemas
CAD ao setor de projetos. Enquanto nas áreas administrativa e afins a utilização da informática já se apresenta
como relativamente consolidada, nos setores de projeto e produção o caminho apenas começa a ser traçado, o
que tem trazido diversos entraves para implantação e utilização dos sistemas informatizados.
No caso específico da atividade projetual, as inovações trazidas pela informatização não podem ser
resumidas à mera utilização de novos instrumentos, já que a concepção de todo o projeto e a definição dos
processos de trabalho não depende agora somente do designer, engenheiro ou arquiteto, mas também do
computador, de sua capacidade, do software e dos especialistas em informática (17), que interferem nestes
processos com o desenvolvimento dos equipamentos hardware, sua manutenção e na criação de software que
devem adequar-se à atuação de outros profissionais.

14
Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: "As grafias erradas Cingapura e cingapurense provêm
de um texto das "Peregrinações" de Fernão Mendes Pinto, do séc. XV, época em que não se cogitava dos
problemas ortográficos. (...) Singapura vem do sânsc. sinh (leão) e pura (cidade)."
15
Também denominada Engenharia Concorrente (MOREIRA, 1993) ou Paralela (KOVESI 1993).
16
"Primeiro, enfie em sua cabeça que computadores são máquinas de escrever e calcular grandes, caras,
rápidas e idiotas." (TOWNSEND, 1984).
17
"Depois, convença-se de que os técnicos em computadores que você provavelmente chegará a conhecer ou
contratar são, em sua maior parte, complicadores, e não simplificadores. Eles tentam fazer a coisa parecer
difícil. (...) Usando seu jargão, estão engendrando uma mística, um sacerdócio, seu próprio ritual de
"blablablá" para evitar que você saiba o que eles - e você - estão fazendo." (TOWNSEND, op.cit.)

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projeto do produto

Os sistemas de projeto assistido por computador apresentam-se hoje como de inegável vantagem para
diversos campos da arte e das atividades de projeto, em especial para aquelas ligadas às engenharias. Além do
CAD, de outras formas o computador auxilia o projeto, tais como para arquivo de dados e/ou imagens e o
processamento destes dados segundo critérios pré-estabelecidos. Este é um aspecto importante para a fase
anterior ao projeto, durante o levantamento de dados.
"Um computador não cria, a qualidade da solução depende sempre do designer e
estou convencido de que no futuro também será assim. Só que, se antes algumas tarefas eram
deixadas de lado por falta de tempo ou pelo seu custo, hoje, através da computação, elas
podem ser realizadas (...) Não há nenhum programa que traga qualquer contribuição ao
designer, além daquela de ser um instrumento de trabalho mais versátil, que pode economizar
tempo. Não estamos ainda em situação em que determinadas fases do projeto possam ser
facilitadas através da computação. Ela é sempre ainda um mero instrumento de trabalho.
Tanto quanto antes é preciso definir características e só então há sentido em utilizar o
computador." (NAGEL, in BONFIM, 1987).

Após a definição do produto, com base nos dados levantados, o computador pode ser utilizado para a
confecção dos desenhos bidimensionais. É possível também gerar imagens tridimensionais do produto (neste
caso, produto tem uma conotação ampla, podendo variar desde um parafuso até um avião), permitindo uma
melhor visualização do objeto por pessoas estranhas aos tradicionais sistemas de vistas ortogonais. Podem ser
também realizados testes e simulações de esforços estruturais sem a necessidade de construção de maquetes.
Entretanto, dentro de uma visão mais abrangente de projeto, sendo este um exercício de concepção,
pode-se dizer que o CAD funciona ainda principalmente como um banco de dados, de soluções de projeto
existentes, ainda não apresentando-se como uma fonte de soluções consideráveis de concepção, sendo este
exercício, a concepção/criação do objeto, ainda um privilégio do usuário, fato que muitas vezes passa
despercebido quando se fala em sistemas de projeto assistido por computador. Este, pelo menos por enquanto,
continua funcionando apenas como um apoio à fase posterior, ou seja, a da descrição da idéia concebida. O que
não deixa de ser um grande avanço.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
BONSIEPE, Gui. Teoría y práctica del diseño industrial - Elementos para uma manualística crítica. Colección
Comunicacion Visual. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1978.
JONES, Christopher J. Métodos de Diseño. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1976.
MEDEIROS, Estevão Neiva de. Uma Proposta de Metodologia para o Desenvolvimento de Projeto de Produto.
Rio de Janeiro, COPPE/UFRJ, Tese de Mestrado, 1981.
MOORE, Gary T. et alii. Emerging Methods in Environmental Design and Planning. The Massachusets Institute
of Technology, 1973.
PUGH,S. CAD/CAM - Its Effect on Design Understanding and Progress. Tucson, Robotics and Automation
Conf. 1985.
TOWNSEND, R. Further up the Organization. New York, Alfred A. Knopf, Inc., 1984.
ROMEIRO FILHO, E. O CAD na Indústria - Implantação e Gerenciamento. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ,
1997.

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projeto do produto

Criação:
Libere sua Criatividade.
Condensado de: Psychology Today (jul/ago, 1996), (c) 1996 por Sussex Publishers, Inc., 49 e.
21 st, New York N.Y. 10010.

Robert Epstein (Diretor emeritus do Cambridge Center for Behavioral Studies em
Massachusetts e autor de Creativity Games for Trainers.)

VOCÊ É CRIATIVO? Se é como a Feche os olhos. Deixe que sua mente
maioria das pessoas, provavelmente acha que não. vagueie livremente por uns minutos. Relaxe e
Durante toda a vida nos dizem que a criatividade é permita que seus pensamentos fluam sem dirigi-los.
coisa rara e misteriosa, que somente os artistas são Você saiu do quarto? Deixou a terra? Vagou até as
criativos, que é uma função do "cérebro direito", estrelas? Se tiver bastante tempo e nenhuma
seja o que for isso. Mas depois de quase 20 anos de distração, todo mundo vê, ouve ou experimenta
pesquisas em laboratório, cheguei à conclusão de coisas impossíveis de experimentar na realidade.
que a criatividade está ao alcance de qualquer um - Já dirigi esse exercício por toda parte,
sem exceção. Nos últimos anos tenho aplicado com inclusive no Japão, onde, talvez por motivos
sucesso algumas lições do laboratório a situações culturais, poucas pessoas se dizem criativas. Mas
da vida real, com crianças e professores, pais e depois de alguns minutos, as platéias japonesas
executivos de companhias. relatam sonhos tão ricos quanto os de Salvador
Para liberar o seu potencial criativo, Dali. Um homem disse: "Voei ao topo do prédio ao
domine essas estratégias. Pode ser que seja só isso lado e vi este prédio se desmoronando enquanto
que está entre você e algumas das pessoas mais comia um sanduíche. (A IBM ocupava o prédio ao
criativas da história. lado. Estaria ele em busca de um emprego melhor?)
Captação. As novas idéias são fugidias, Captar é mais fácil em certos ambientes e
como coelhos correndo pela sua consciência. Se em certas ocasiões. Para algumas pessoas, há três
você não as agarrar depressa, em geral desaparecem condições para a criatividade que são especialmente
para sempre. As pessoas que levam a sério a férteis: cama, banho e ônibus - especialmente se
exploração de sua capacidade criadora aprenderam você tiver sempre material para escrever à mão
meios de prestar atenção nas idéias e conservá-las. nesses lugares. Outros precisam sentar-se junto de
Essas pessoas têm a habilidade da "captação". um poço ou uma cabana solitária no mato.
Salvador Dali, o grande surrealista, Desafio. Um meio de acelerar o fluxo de
captava idéias do estado fértil do meio sono novas idéias é colocar-se em situações difíceis, em
chamado hipnagógico. Ele ficava sentado numa que você provavelmente fracassará. O espantoso é
poltrona com uma chave na mão, por cima de um que o fracasso pode ser um manancial de
prato colocado no chão. Quando adormecia, o ruído criatividade - se for bem manejado!
da chave batendo no prato o despertava. Tipicamente, quando não conseguimos
Imediatamente, ele desenhava as imagens bizarras fazer alguma coisa, nos sentimos frustrados e - o
que estava vendo. mais importante para a criatividade - começamos a
Todos nós temos incríveis experiências experimentar outros procedimentos. Muitas idéias
perceptivas nos momentos antes de adormecermos competem vigorosamente, intensificando muito o
profundamente. Dali apenas inventou um meio de processo criativo.
agarrar algumas delas. Os pintores trazem sempre Digamos que você comece a girar uma
consigo seus blocos de desenho. Os inventores e maçaneta que sempre girou com facilidade. Ela não
escritores levam blocos de notas ou computadores se mexe. Você torce com mais força. Aí você a
portáteis, ou tomam notas em guardanapos e papéis puxa para cima ou empurra para baixo. Talvez a
de balas. sacuda. Depois, pode ser que você empurre a porta
Eis um exercício simples que criei para com o ombro ou lhe dê um pontapé. Poderá até
convencer as pessoas de seu potencial de gritar por auxilio. Esses esforços - colhidos de
criatividade. Eu chamo a isso "capturando um procedimentos estabelecidos - provavelmente
devaneio". levarão a novas soluções. Em resumo, a

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ou apenas rearrume algumas coisas Elimine o envelhecimento. de A.um boné. a TV para assistir a uma partida de futebol. aprenda sobre assuntos de que não acelerar a produção da criatividade.. Estímulos variados e que estão um atraso de vida.velcro combinou anos de seremos capazes de resolver melhor os pequenos treinamento como engenheiro à sua curiosidade problemas que nos afligem no dia-a-dia. Além de zelar para que todos os participantes (geralmente entre 6 e 12 pessoas) cumpram as regras. consoante as pessoas e a dificuldade do tema. Criada por Osborn em 1963. New York: Sussex Publishers.gera tipicamente "ganchos" nos carrapichos. resultante explosão de idéias e realizações poderia fazer as do Renascimento parecerem um passeio numa bicicleta parada. as reuniões não costumam ultrapassar os 30 minutos. começou a tentar criar "ganchos e alças" artificiais. esses desafios insolúveis vão estimular uma porção A maneira de você reagir aos outros é de idéias novas e interessantes. maior o seu potencial para uma participantes da equipe a estímulos múltiplos. Usando suas simples. o líder da sessão deve manter um ambiente relaxante e propício à geração de novas idéias. Coloque objetos fora do comum na sua Arranje um jeito de nunca mesa de manhã . que tinham agarrado o dobro de idéias do que o grupo dos debates alças de fibras da fazenda. OECH.Técnicas para quem quer ter mais criatividade na vida. De Mestral um processo individual. Se você quiser intensificar a sua própria não têm solução . em vez compositores e inventores de todos os tempos. Apllied Imagination.depto engenharia de produção . Um "Toc" na Cuca . também inibem a criatividade porque expõem os Nos anos 40. que setores. Os Ampliação. amigos ou colegas. Osborn (Scribner's. F. Se você realmente nos colocar em situações frustrantes? Um normalmente só lê romances policiais. projeto do produto criatividade não é mística: é uma extensão do que Inúmeros progressos foram possibilitados você já sabe. Robert. sempre mudando ajudam a promover idéias sempre Você não encontrará soluções.que se mova de sessões às suas calças. também uma forma de "ambiente" criativo. Com filhos. e não respeite a propriedade intelectual. Por quê? Porque a criatividade é sempre experiências em muitos setores. prefira a quantidade à qualidade. 1963). bem provável que esteja à beira de uma nova idéia. © 2006 eduardo romeiro filho 103 ufmg . mas dinâmicas e diversas. de Mestral estava voltando de um bosque quando Nas minhas pesquisas. É disso mude para um programa educativo. procure Ambiente. Brainstorming É uma técnica para reuniões de grupo que visa ajudar os participantes a vencer as suas limitações em termos de inovação e criatividade. encoraje as idéias bizarras. em seu quarto. mais ter de fazer uma tarefa doméstica. uma sessão de brainstorming pode durar desde alguns minutos até várias horas. o engenheiro suíço George indivíduos à desaprovação. Se em geral chega em casa e liga bloqueado. pegue um enfático "sim"! Se você estiver se sentindo livro de História. em mudando esses estímulos regularmente. todos O produto final . EPSTEIN. o que é ainda mais importante - Tome-se um milionário.também podem ser usados para criatividade. claro.e. Com novos poderes criativos. Por fim. por exemplo. Roger Von. por exemplo . O brainstorming tem quatro regras de ouro: nunca critique uma sugestão. Inc. um alicate e uma vela. A sobre a botânica. está na companhia dos maiores poetas. procure as estações de rádio que você não conheça. Bibliografia. viu pequenos particulares a reuniões em grupo . Quanto mais conhecimentos debates livres em reuniões. No carro. você pode intensificar passar 15 minutos por semana resolvendo o a sua criatividade cercando-se de diversos seguinte: estímulos . porque seus criadores tinham experiência em vários Enormes problemas . Mas produção criativa.desafios abertos. você tiver e quanto mais diversos forem esses funcionam até certo ponto porque expõem os conhecimentos. Em regra. Sob um microscópio. descobri que um ficou aborrecido ao ver uns carrapichos agarrados grupo "móvel" . Condensado de: Psychology Today. Libere sua Criatividade. São Paulo: Livraria Cultura Editora Ltda. 1988. uma semana. Nós queremos sabe coisa alguma e nem quer saber.(jul/ago) 1996.

a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora uma nova interface. vezes o resultado é o oposto. A formação de um forte mercado consumidor é considerado. que pode ser lido produto e. ou seja. a nova configuração ou tecnologia normalmente incorpora Diversos autores preferem tratar a uma nova interface. Posteriormente é observada a progressiva modernização dos modelos e aumento nas opções de bens de consumo fabricados no Brasil. Viçosa/MG. 1992). “usabilidade” (do inglês “usability”. observadas significativas mudanças nas estruturas de produção e nas formas de organização vigentes. projeto do produto O DESI GN DE PRODUTOS COMO FORMA DE I N( EX) CLUSÃO SOCI AL 18 O acesso ao consumo e utilização de produtos tem sido tradicionalmente associados a uma forma eficiente de inclusão social. a incorporação dos benefícios oferecidos por este pelo consumidor. Criar um produto “amigável” é produtos tem sido tradicionalmente associados a atualmente um dos maiores desafios do design com uma forma eficiente de inclusão social. outubro de 2001 © 2006 eduardo romeiro filho 104 ufmg . inibindo a adequada utilização do introduzido por Ignácio Ramonet. dos próprios meios de produção e processos produtivos tem trazido A partir de uma série de acontecimentos modificações importantes na configuração dos políticos. não somente aos consumidores (compradores). mais recentemente. nem sempre significam. e. um aspecto-chave para o também aos usuários. são os principais objetivos deste item. sua discussão são os principais objetivos deste item. que normalmente apresentam inovações tecnológicas em níveis diversos. Segundo que podem representar um verdadeiro “labirinto” TAVARES (1997) globalitarismo é um neologismo para o usuário. que seja nos países centrais como nos chamados normalmente apresentam inovações tecnológicas emergentes (nova terminologia adotada para alguns em níveis diversos. a partir de uma abordagem do design industrial. novas funções e formas de uso. Levantar este assunto e apontar elementos que contribuam para sua discussão. nem sempre significam. com a abertura do mercado assunto e apontar elementos que contribuam para interno a inúmeros produtos estrangeiros. um aspecto-chave para o desenvolvimento econômico de um país. inibindo a adequada utilização do produto e. Levantar este da década de noventa. uma vantagem para os usuários. que podem representar um verdadeiro “labirinto” para o usuário. segundo a oferta de novos produtos tem se acelerado a partir ADLER e WINOGRAD. a incorporação dos do ponto de vista político como a síntese entre a benefícios oferecidos por este pelo consumidor. ou seja. uma vantagem para os usuários. entretanto. são importados. sociais e econômicos ocorridos produtos disponíveis no Brasil.depto engenharia de produção . em última análise. sejam nacionais ou principalmente a partir da década de oitenta. Globalização e o Totalitarismo. novas funções e formas de uso. países de industrialização recente do antigo entretanto. mas inclusive. O geógrafo Milton 18 Artigo apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Economia Doméstica. dentro de conceitos de desenvolvimento econômico de um país. Os novos produtos. "globalização" por "globalitarismo". INTRODUÇÃO Ao designer industrial cabe a concepção de objetos e a elaboração de interfaces mais O acesso ao consumo e utilização de adequadas. A formação vistas à criação de produtos que sejam acessíveis de um forte mercado consumidor é considerado. em princípio financeira PRODUTOS. MERCADO E NOVOS crescente “Globalização”. Muitas "terceiro mundo"). No Brasil. Estas novas configurações. Muitas vezes o resultado é o oposto. inclusive. em última análise. Esta GLOBALIZAÇÃO.

os sistemas de governo pautam-se por princípios pois produtos globais devem atender a mercados (pelo menos aparentemente) democráticos. “Ao mesmo tempo em que é um sinal vital de globalização. como a ALCA. criação de grandes blocos comerciais remontem aos anos 60. antes da primeira das oito rodadas de negociações multilaterais do GATT (Acordo Geral sobre O acesso ao consumo nem sempre representa Tarifas e Comércio). esta ponto de vista devem ser encarados também os situação pode ser em parte explicada por novas planos para a formação de áreas de livre comércio formas de gestão da produção e de 19 20 Em verdade. com uma diminuição geral das barreiras alfandegárias. situação esta que é ainda mais fazendo com que o lançamento de novos produtos acentuada a partir da globalização financeira ocorra com a mesma facilidade com que são (PRZEWORSKI. Paradoxalmente. 2001). preços que permitiriam lucros de apenas dois João VI em 1808? dólares por unidade (NOBREGA. este processo ocorre em necessidade de maior produtividade por parte das um momento de aparente estabilidade política. Embora as discussões acerca da 1998). o comércio mais livre não é sinônimo de um processo de longo prazo mais amplo. o modelo T ser vendido a dos portos às nações amigas" promovida por D. segundo o qual o papel do Estado maneira significativas modificações. da Rodada Uruguai de negociações. O mercado mundial sofre desta Washington”. © 2006 eduardo romeiro filho 105 ufmg . acentua diferenças entre países e impõe pelas inovações dos sistemas fabris que permitem novas (ou muito antigas19) formas de controle sobre uma flexibilidade inédita nas linhas de produção. 1997) coisas reduz em muito o poder de barganha dos Além das questões econômicas ligadas à trabalhadores e sindicatos (mesmo nos países Globalização. Entretanto. extremamente eficiente até a década de 20. restrições quantitativas estão Acima. onde empresas. A Como não comparar a abertura indiscriminada do compulsão pela economia de escala tornava os mercado brasileiro realizada pela administração produtos Ford irresistíveis em termos de preço ao federal no início da década de 90 com a "abertura ponto de. O crescimento do comércio internacional acelerou-se depois da conclusão. nas bases da Comunidade Européia. em 1924. tendendo a criar um único mercado do tamanho do planeta.depto engenharia de produção . técnicos e de mão-de- Thatcher (Inglaterra). onde os Estados de forma geral aceitam de massa e dos carros de qualquer cor. 1995). As velhas melhoria nas condições de vida de uma população. atribuída a Henry Ford. demonstra de princípios defendidos pelos países ricos podem ser maneira evidente a política estratégica da empresa. o que vem a deve ser mínimo e as liberdades econômicas acirrar ainda mais disputas comerciais e aumentar a máximas. criou uma série de novas obra que bloqueiam importações. em 1993. Aparentemente ocorre aqui um paradoxo. As tarifas sobre bens industriais importados por países ricos são agora menos de 10% das impostas em 1947. na Ásia. os países "satélites". desaparecendo. que entre outras (Ricupero e Gall. existe também o impacto causado ricos). pode-se dizer que muitos dos Esta frase. Sob este cada vez mais segmentados. em especial na América definitivamente encerrada a era da produção em Latina. Parece as mudanças ocorridas. Não pretende-se aqui atendidas as necessidades peculiares de aprofundar esta discussão. condições econômicas e sociais. desde que esta maneira inequívoca o chamado “consenso de seja o preto20. embora A onda neoliberal. o aumento do comércio é hoje a tônica das relações internacionais. projeto do produto Santos também utiliza o termo (AMARAL et all. que teve seu início inventem-se outras como critérios marcado pelos governos Reagan (nos EUA) e sanitários. comparados àqueles do Imperialismo do séc. XIX. rio coberto de garrafas. mas parecem-nos claras determinados grupos de clientes.

responsáveis pela fabricação e montagem. factors that influence and are Cabe ao designer identificar. Outros países de produtos às funções de uso. quando as relações passaram a ser os principais atributos de escolha. dentro de uma abordagem cada vez Já o ICSID. diferenciados e adequados às necessidades dos Segundo o Professor Robert Maynes. Neste caso. o maior anos atrás. padrões definidos de utilização de peças. parece ter cedido aos apelos da qualidade e das características de interface dos produtos. o design é arma fundamental para o aumento da competitividade. alvos principais das ações de marketing) requires specialized e todos aqueles envolvidos no ciclo de vida do understanding of visual.) The industrial adequados aos diversos níveis de usuários. vendas. as empresas competiam em preço.(. importância fundamental. que Desde a década de 70. value and appearance Existem diversas definições e conceitos of products and systems for the ligados ao Design (ou Desenho) Industrial. de soluções criativas e diferenciadas em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada. apresenta Design © 2006 eduardo romeiro filho 106 ufmg . O Japão. devem ser analisados as principais se alteram em favor do consumidor. em declaração de 1997: “Quinze "neurose por produtos ecológicos". estão incluídos os safety and convenience criteria. A Alemanha segue o através principalmente da (1) criação de novos mesmo caminho. formação e organização assumem produtos e conquista (ou manutenção) de mercados. International Council of mais ampla. sistemas mais eficientes de produção necessidade cada vez maior de atributos permitem uma maior flexibilidade e a fabricação de “sustentáveis” ao produto. O baixo preço final é em qualidade.” com o produto. século.. o concorrência. o Society of America (grifo nosso): que demostra que. cada vez mais. como a disso.depto engenharia de produção . até seus usuários characteristics. da reciclagem do produto e/ou absorver o impactos physiological and sociological de seus resíduos na biosfera. chaves da competição internacional. oferta e demanda se estabilizam e progressivamente Neste sentido. designer's unique contribution incluindo desde o cliente que efetivamente places emphasis on those aspects encomenda o projeto (como um industrial of the product or system that interessado no aumento de suas vendas através da relate most directly to human melhoria de seus produtos). needs and diretos (não confundir com os compradores dos interests. specifications that optimize the function. embora o alto custo representado atributos de valor aos produtos. juntamente com a Business School. dentro de uma Education and experience in perspectiva contemporânea.. hierarquizar e perceived by the user are coordenar o atendimento das necessidades dos essential industrial design diversos níveis de usuários (ou clientes) envolvidos resources. em O desenvolvimento destes produtos mercados cada vez mais exigentes e competitivos. que permitam o menor modelos diferentes a partir de uma mesma planta impacto possível ao meio ambiente e o surgimento fabril. Esta abordagem requer Societies of Industrial Design. Industrial design is the professional service of creating and developing concepts and A ABORDAGEM DO DESIGN INDUSTRIAL. Produtos que agora necessariamente formas peculiares de ação. A ação do design nos de um número limitado de componentes. apesar da crise surge como uma nação onde em especial em países desenvolvidos. tactile. Amanhã será em Design”. manutenção. e a forma Dentre as definições para Design como estes produtos são concebidos e projetados é Industrial. aqueles que irão cuidar anticipating psychological. Além dias atuais incorpora novas variáveis. Apresenta-se a excelência de seu produtos. Hoje objetivo da indústria atual. bem possuem bases globais de produção e seguem como a aplicação de metodologias próprias. da Harvard consumidores parece ser. o que visando a adequada solução para problemas que são permite a criação de sistemas diferenciados a partir progressivamente complexos. que possui armas que cada país dispõe para enfrentar a cada vez mais opções de escolha diferenciadas. eis a oferecida pela Industrial Designers determinante nesta busca por constante melhoria. estabelecendo uma industrialização avançada demonstram que a interface que privilegie o usuário em situações reais excelência na concepção de produtos é uma das de utilização. sejam estes pelo processo de reunificação tenda a ofuscar seus funcionais e/ou estéticos e (2) adequação dos níveis de crescimento global. grande vedete do final do design é levado a graus crescentes de importância. A mais mutual benefit of both user and comum está relacionada à concepção de produtos manufacturer. projeto do produto desenvolvimento de produtos. além dos níveis de como ferramenta fundamental para melhoria dos educação. with concern for the user. desativação e até. produto. This contribution produtos.

Nesta definição. tendo em vista o grande impacto da divulgação. seja nos produtos como • giving products. Com o desenvolvimento da informática. NOVAS INTERFACES. Aparelhos eletrônicos. Esta associados. onde o contínuo aparecimento de ser concebido. adequação. Isto industrial. formal à concepção dos designers. podemos encontrar diversos “recentes” usuários? conceitos na literatura. those forms that are expressive of Entretanto.. em environmental protection (global ethics) especial. notadamente aquelas ligadas à do design industrial. entendemos design industrial como as sociedade como um todo. subordinadas às restrições tecnológicas (sobre este Therefore. como o citado por SELLE (1975. trazem alguns problemas também (semiology) and coherent with (aesthetics) inéditos: como configurar estes novos produtos de their proper complexity. Os produtos não with the task of: estão. seja ergonômica. informatizados pode propiciar uma inegável eletrodomésticos no início do século XX. services and systems. usuário. A market protagonists (social ethics) liberdade formal e de concepção da interface física • supporting cultural diversity despite the e de software é quase total. traz voltados para o mercado de consumo. cultural. que são chamadas “tarefas” do design: entretanto. É realmente impressionante o grande características tecnológicas dos sistema técnicos número de atividades produtivas e campos do nos quais os produtos são baseados. Esta visão característica de microprocessadores em praticamente todas as design privilegia uma ação multidisciplinar. vem fascinando o público em geral. A situação proposta globalization of the world (cultural ethics) pelas novas tecnologias. especial atenção para o A quebra deste paradigma ocorre.” forma a serem adequados aos “antigos” ou Além destas. simbólica. apud. KLAUS e BUHR. por exemplo. design e arquitetura de interiores. structural. visto como todo aquele que interage com o Esta “revolução da informação” trazida produto em seus diversos níveis. tradicionalmente centrada no novos processos de informação.” Naturalmente se hoje em um processo de acentuado aumento dos existem diversas abordagens ligadas ao design níveis de desenvolvimento técnico e científico. design is the central factor of innovative assunto ver HESKETT. processes. limitações tecnológicas impostas? Desta forma. não human community. NOVAS processo interdisciplinar da evolução dos produtos. cognitiva ou semiológica. agora. producers and requeiram espaços ou formatos pré-definidos. e sempre foi limitada pelas informática. © 2006 eduardo romeiro filho 107 ufmg . da fisiologia e É bastante evidente que o mundo encontra- medicina. individual and possui mecanismos mecânicos internos que collective final users. vem trazendo modificações diversas definições. TECNOLOGIAS. 1998. variando em função da natureza do produto a países centrais. funções e informações das ciências naturais e da NOVOS USUÁRIOS? técnica. chamamos a atenção para a são influenciados de diferentes formas por estas visão de projeto de produtos a partir da abordagem novas tecnologias. organizational.) em um NOVOS PRODUTOS. por exemplo. da introdução da micro-eletrônica nos “Design seeks to discover and assess produtos. dos potenciais benefícios da atenções do design. serviços através de toda a sociedade. projeto do produto como “a creative activity whose aim is to establish podemos verificar facilmente que as configurações the multi-faceted qualities of objects. cujos ciclos de de produtos industriais. diante das vantagem. em especial aqueles projeto e de vida são cada vez mais curtos. A maior rapidez no atividades ligadas à concepção e desenvolvimento desenvolvimento de novos produtos. principalmente aqueles baseados significado bastante amplo. mais ou menos amplos. dando margens a em novas tecnologias. que permitem uma até então inédita liberdade expressive and economic relationships. para escopo deste importantes nos padrões e no modo de vida da trabalho. dos novos materiais e meios de produção. restritos pelas formas impostas pelos • enhancing global sustainability and dispositivos técnicos. psicologia e estética. conforme pela crescente adoção de computadores e colocado anteriormente. Entretanto.” Doméstico”). conseqüências diretas para todos os cidadãos. a partir da redução de mecanismos internos. nos novos meios de produção flexível é fascinante. bem como nos produtos a elas de um enfoque centrado na adequação. O próprio termo “produto” é de novos produtos. em especial o humanization of technologies and the crucial factor capítulo 9: “Inovação Tecnológica de Design of cultural and economic exchange. da economia e sociologia. dentre as quais as ligadas à comunicação reflete-se diretamente nas formas de produção e visual. que Neste caso. está no centro das pela mídia.. Como atender conhecimento aos quais a introdução de meios às necessidades dos usuários de. dentro atividades humanas.depto engenharia de produção . functional. especialmente nos etc. não oferecem mais este limite de forma • giving benefits and freedom to the entire restritiva. estéticas (externas) dos produtos sempre estiveram services and their systems in whole life-cycles. 1969): “O Design reúne (. Um telefone celular.

conforme colocado por COELHO tecnologias. torna-se bastante perceber que hoje pessoas relativamente jovens claro que a adoção destas novas tecnologias tem encontram-se em ambientes tecnológicos quase que contribuído também para uma acentuação nas totalmente estranhos à sua formação. O uma série de aborrecimentos àqueles21 que. público informatização acaba por potencialmente alijar (ou leigo. A automação bancária é um exemplo claro em que a informatização é As novas funções agregadas ao produto trazem colocada como elemento facilitador pela mídia. aí resultados opostos do desenvolvimento científico 1993). complicações ao usuário. Observam-se diferenças entre as nações (conforme KURZ. A nova interface. Pode-se considerar que estes conceitos são parcelas da população que encontram-se à margem bastante compatíveis com a aparente realidade das dos processos de informatização acabam por populações abastadas dos países centrais. altera de forma radical as relações do cliente com o banco e altera bastante a forma de prestação dos serviços. enfrentar filas para o atendimento por um número cada vez menor de funcionários. sem o auxílio de qualquer funcionário. tendo em vista a grande computador. mas uma radical revisão de todo este processo. Além disso. por trás de aparentes facilidades está na verdade a agregação de tarefas que antes eram Um exemplo muito comum é o do ajuste realizadas por funcionários do banco. retirar extratos. em especial quando da utilização de (1993). pessoas de menor instrução ou aqueles que dificultar o acesso) uma expressiva parcela da simplesmente preferem ser atendidos por seres humanos. a partir dos sistemas de caixas automáticos: não houve uma melhoria na organização do processo anterior. como aquelas relacionadas ao desenvolvimento. condições estas que apresentam diferenças pessoal efetivo para atendimento ao público traz importantes em relação à antiga situação. além de agregar novos (como serviços por linha telefônica e via “Internet”. que tem no computador pessoal talvez o melhor exemplo. A redução do humano. por exemplo). consigo. se for analisada a nas diferentes áreas da micro-eletrônica. Nestes casos. optam ou são obrigados a fundamental fonte de riqueza para as nações. parte do painel de um automóvel. projeto do produto criam-se condições inéditas para o desenvolvimento população dos serviços prestados. associam- vez maior da população idosa sofre com se a estas condições padrões de conforto qualidade dificuldades no uso de novos produtos e novas de vida proporcionados pela utilização de novas tecnologias. servindo de principal mote para diversas Acima. onde todo o processo de trabalho e de atendimento é radicalmente modificado pela informática. Entretanto. Levantar de aparelhos de vídeo cassete. muitas vezes. no sentido de que a informática funciona e tecnológico: ao mesmo tempo que a medicina como um acelerador do progresso técnico e alcança resultados positivos no prolongamento da científico já tradicionalmente concentrados nas vida e em tratamentos geriátricos. Segundo pesquisa citada por MORAES (1991). eliminando a figura do caixa e modificando a relação cliente x banco. através da utilização de sistemas informatizados. Um bom exemplo desta modificação pode ser observado nos processos de informatização bancária. © 2006 eduardo romeiro filho 108 ufmg . onde as tornarem-se cada vez mais distantes de seu novas tecnologias.depto engenharia de produção . numa evidente transferência de funções. efetuar saques e outras de controles torna sua utilização um tormento para transações podem agora ser realizados diretamente as pessoas leigas (não necessariamente idosas). por conhecimento torna-se cada vez mais uma diferentes razões. É fácil situação mundial como um todo. Também nas relações e na interação entre as empresas e o público a informatização provoca modificações consideráveis. esta Parte expressiva da população idosa. encontram-se já bastante velocidade observada nas transformações ocorridas disseminadas. produtos antes indisponíveis. Neste caso. o cliente acaba por tornar-se o apenas 3% dos usuários americanos de videocassete responsável pela execução de um serviço que no sabiam como programar seus aparelhos para gravar processo anterior era realizado por funcionários do banco. Para o cliente. campanhas publicitárias de instituições financeiras. 21 Agregando funções ao cliente. pelo cliente. agora representada pelo caixa eletrônica. uma parcela cada nações mais desenvolvidas. cujo grande número saldos.

1996: evidente que aqueles que não tiverem um efetivo http://www.htm#Entrevista que desconhece e/ou não consegue utilizar. economistas pesquisa realizada na França segundo a qual três domésticos etc. que um médico não utilize Paulo. Roberto. João. em São Paulo.htm domínio de ferramentas tecnológicas estarão excluídos da utilização dos sistemas existentes. . mesmo que SOUZA.html onda”. pois este usuário. os novos aparelhos de DVD e Usability: Turning Technologies into Tools outros inúmeros exemplos de produtos que Oxford: Oxford University Press. 20-21. que não podem mais ser controladas no próprio ameaçador. Performances Humanes & Techniques (abr) Paris. BOURDOUKAN. estão fora do alcance do repertório de CHAILLOUX. ao produto nos qual ela se baseia. ano 28. São Paulo. São Paulo: Ed.. Karen Elsabe Barbosa. Aparelhos de não se transforme em uma “realidade de televisão. A sociedade atual impõe de maneira Industrial Designers Society of America. aparelhos sonoros com BIBLIOGRAFIA funções de memória para programação de músicas ADLER.depto engenharia de produção .org/whatis/definition. em muitos casos. especial se associadas ao atual padrão de sociedade. Inc. “O Pai de Todos”. o treinamento é a maneira mais adequada de Exame. aquele que não detém em seu Derrocada do Socialismo de Caserna à Crise da repertório uma “experiência tecnológica” suficiente Economia Mundial. sistemas de diagnósticos avançados por limitações no aprendizado do usa dos equipamentos. Edição 1414. 1993. (19/jun) São Paulo: Folha de São conceber.br/~imprimat/entrevista/mi estar arcando com custos relativos a funções de uso lton-santos. ainda assim estará impossibilitado de Revista Caros Amigos nº 17 de agosto de 1998. e WINOGRAD.idsa. 21 de fevereiro. seria exigir demais de um in Revista VEJA . "O Futuro Será Melhor". e com a © 2006 eduardo romeiro filho 109 ufmg . incorporam novas tecnologias em funções que. “Botão Vira Paranóia nos EUA”. 1998 “O Território Revela que o Brasil é uma País não Governado - possua condições econômicas para a aquisição de Entrevista com o Professor Milton Santos” In: produtos. desconheciam a função forma diante de uma oportunidade única na história de receptor de sinais do vídeo). “Aceleração Tecnológica Encurta as Gerações”. objetos. Sérgio Pinto de.icsid. In: conhecimentos de parcela expressiva dos usuários. Marcelo. cada vez mais desconhecido e. vídeo cassete. (no caso de CDs). ou seja. Marina. 1991. usufruir plenamente de seus benefícios. Ainda com relação ao compreensão do universo relacionado ao usuário. compreender as reais necessidades quartos dos usuários destes produtos possuíam uma e limitações dos diversos grupos de usuários ao representação incompleta do sistema televisão + conceber produtos de uso cotidiano.. pp. Terry A 1992. Quais são os limites da competição Cabe desta forma ao designer e demais e da segurança? Globalismo e localismo. envolvidos com o desenvolvimento de produtos. Copyright 1997 Instituto Fernand Braudel de como engenheiros. da tecnologia. RICUPERO e GALL. cuidar para que esta perspectiva utilizam-se de novas tecnologias. quando a liberdade nos é oferecida para que possamos criar verdadeiros “objetos de A lista pode ser estendida a diversos sonho”. Por outro lado. P. ICSID International Council of Societies of Industrial no qual as pessoas são levadas a cada vez mais Design 1996-2001: “antenarem-se” e manterem-se “na crista da http://www. Da Desta forma. nº 42 (18/out). 1993. p 4-8. In: Folha de São Paulo. em suas novas versões. FREIRE. 2001. AMARAL. impossibilidade de acesso acaba tornando-se uma Georges. onde estejamos em um mundo que nos é remoto que controlam a maior parte das funções. muitas vezes. 1992. Editora Abril. CONCLUSÕES COELHO. Edição 734. por exemplo.ufsc. Caderno a situações de uso específicas. 7 troca de aparelho de telefonia móvel. CHAILLOUX (1992) levanta uma como psicólogos. Trad. com sistemas de controle pesadelo”. Adam. além de http://www. ano 35. KURZ.A. K. p 6-2. Sérgio de. Paz e Terra. Clemente. por exemplo. “Ergonomie et Produits "Grand Public" une Rencontre a Réussir”. nº 4. Estamos desta vídeo cassete (por exemplo. Marina.. fornos de microondas com lógicas próprias de funcionamento. In Folha de São Paulo. Editora Abril usuário “típico” que passe por treinamentos a cada S. entretanto. para a compreensão da lógica dos sistema estará impossibilitado do acesso adequado à tecnologia. 1995. Cabe aos envolvidos na concepção destes aparelhos domésticos que. Paul S. Robert. visto que o produto é um bem de capital e seu uso é direcionado à situações de PRZEWORSKI. Esta RIBEIRO. projeto do produto programas de televisão. Não se pode Informática. Problemas como estes chamam a atenção Caderno Ilustrada. romper esta barreira. ALMEIDA.org/iddefinition. sociólogos. O Colapso da Modernização. In casos. 210 pp.10. São Paulo. Nestes NOBREGA. 244 pp.cfh. por exemplo. trabalho. aparelho. (28/abr) São Paulo: Folha de para um aspecto cruel das novas tecnologias. arquitetos etc. Leo Gilson. NORO. Não seria problema se estes produtos fossem destinados MORAES. forma de exclusão.

br/paper17. Abaixo. O sonho do automóvel do futuro. Não é recente a preocupação da indústria automobilística em relação ao futuro do automóvel. Contribuición a la teoria del diseño industrial.br/mctavares/art1_97. Gert.braudel.h de Vue des Utilizateurs dans le Processus de tm Conception des Produits (mimeo) Paris: Laboratoire d’Etude de l’Usage des Produits TAVARES (1999) Maria da Conceição Tavares de Consommation Capitalismo Regressivo e Ideologia Folha de São Paulo. “foguete” de 1959. Ao lado.htm Globalitarismo e Neobobismo Publicado na Folha de São Paulo em 30/03/97 RUEF. carros-conceito desenhados pela Ford na década de 1950. o que seria associado aos “rabos de peixe” comuns nos carros daquela época. com detalhe abaixo. que pode ser imediatamente associadas à visão de modernidade da época. início da corrida espacial. Desde muito cedo. Brigitte. 1958. servem como referências de “delírios estéticos” de determinadas épocas.abordo. como no caso do New Beetle.depto engenharia de produção . TAVARES (1997) Maria da Conceição Tavares http://www. Algumas vezes. htm Colección Comunicacion Visual. Ideología e Utopia del Diseño. modelo de 1949. apresentado inicialmente como um “carro conceito”. em especial relacionadas ao estilo dos próximos anos. Chama-se a atenção para a visão “futurista” dos automóveis e das roupas. estes “sonhos” tomam as ruas e efetivamente contribuem para a renovação criativa da indústria. 1975. projeto do produto Economia Mundial. Barcelona: Editorial Gustavo Gili. Sem data. estudo de 1956. © 2006 eduardo romeiro filho 110 ufmg .com.br/mctavares/art10_99. 24/10/99 SELLE. No final da página. Pour L’Integration du Point http://www.org. Acima e abaixo. modelo de Acima. engenheiros e designers dos principais fabricantes da indústria automobilística realizam exercícios criativos procurando antever tendências. alguns exemplos deste caso. Em outros casos. auge da guerra fria e da idéia de mísseis e velocidade supersônica.com. http://www.abordo.

A idéia de com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos int eriores para o ext erior do veículo. testado e analisado.Volksw agen do Brasil O m odelo Fox. em São Paulo. © 2006 eduardo romeiro filho 111 ufmg .observação reveladora do elevado nível de complexidade que envolve o processo do qual resulta um veículo. literalmente. criação e acabamentos. Gerson Barone. É nesse tom descontraído que o designer industrial. projeto do produto Desenho e engenharia “brigam” por todos os milímetros de criação Design automobilístico . São necessários ao menos 38 meses para o desenvolvimento de um novo modelo.depto engenharia de produção . engenheiros e arquitetos podem. lançado em m eados de 2003. formado pela Fundação Armando Álvares Penteado. no projeto do Cross Fox. que integram a equipe brasileira de uma das mais importantes montadoras mundiais de automóveis. passou a ser export ado para a Europa j á no início de 2004. comenta Barone . deve ser minuciosamente desenhado. Barone relembra que. considera-se um arquiteto frustrado. E cada detalhe. Como exemplo. processo denom inado Designed Around Passengers O gerente de Design da Volkswagen do Brasil. “brigar por todos os milímetros de suas criações”. independentemente da escala. período em que designers. fala sobre sua missão de coordenar as áreas de tecnologia. a fabricação de uma peça do painel frontal teve que ser completamente reformulada porque o acabamento texturizado poderia desfiar tecidos delicados.

da diretoria. “em clima de guerra”. O Fox. que alterna o uso urbano com o lazer fora da cidade. o detalhe de uma lateral.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 112 ufmg . o desenvolvimento do novo veículo tem início no setor de Package. É nessa fase. A partir de um briefing . de uma maçaneta. existem etapas de criação bem definidas. A idéia de a m arca VW t eve cont ornos acent uados. Nessa fase são definidos os parâmetros iniciais. Os componentes esportivo. econômico e tecnológico do lançamento do automóvel”. volume. são quantificadas em pré-requisitos mecânicos e ergonômicos. como potência do motor. complementa Barone. Modelo conceit ual Fox Pepper. deram margem à criação de design externo elevado. amplia a visibilidade e a sensação de segurança para quem dirige. quase sempre feitos à mão.que pode vir da matriz alemã. que os requisitos do package ganham forma. entre outras informações . que envolve todas as áreas do design. de aventura e jovial do briefing do Fox. em que export ado para a Europa j á no início de 2004. divulgado pela Volkswagen do Brasil ant es m esm o do lançam ent o do Fox Em seguida. essas premissas estruturais são acompanhadas por abrangente processo de pesquisas. coluna frontal inclinada. qual será sua capacidade de passageiros. O briefing dá subsídios à linguagem do veículo. explica Barone. portanto. Por isso seu conceito de utilitário esportivo compacto partiu do requisito de transporte confortável de cinco passageiros. de grande aceit ação no m ercado ext erno int eriores para o ext erior do veículo. é direcionado ao público jovem. finalidade de uso e público estimado. “Como os projetos são sempre muito longos. o perfil de um farol. Pequenos croquis. convivem lado a lado no extenso painel negro que interliga todas as mesas de trabalho. tração. volumétricos e mecânicos. projeto do produto No entanto. O m odelo Fox. de estudos de campo.elevado 60 milímetros e deslocado para a frente outros 29 milímetros - propiciam mais espaço para os passageiros do banco traseiro. os profissionais do Design Shape dão início à acirrada concorrência interna. social. lançado em m eados de 2003. det alhes de lant ernas e com pact o esport ivo fez com que o design part isse dos a cor am arela. por sua vez. brinca Barone. passou a ser O Fox Europa t em com o diferenciais a grade diant eira. de equipes de marketing.que. temos que antever os cenários cultural. por exemplo. modelo totalmente criado e produzido no Brasil. grandes perspectivas. entre outros belos desenhos. Mudanças na posição do assento do motorista . distância entre eixos e chassis. A posição elevada. Os 12 integrantes do quadro atual da equipe iniciam suas criações das mais variadas formas. processo denom inado Designed Around Passengers Ao mesmo tempo. por sua vez. “emoção”. ou seja. entre outros -. por exemplo.

e é realizada com a interferência de um software específico. Ficam expostos em um dos pátios que contornam o Departamento de Design e. assim como interiores de design simples. a análise da interação da forma do veículo com cores e iluminação. eles têm detalhes de acessórios. Trata-se de uma maquete maciça modelada na escala 1:4 com argila especial. Essas superfícies terão os contornos e curvaturas “alisados”. após a escolha final. Isso porque falta © 2006 eduardo romeiro filho 113 ufmg . de form a a perm it ir t am anhos variáveis de port a. ou seja. traseira truncada para sugerir a dimensão compacta. processo conhecido como fotogrametria. Além da verificação ergonômica e formal. Desenvolvida pela equipe do Design Services. projeto do produto acompanhando o desenho do teto. capô com fortes vincos para transmitir a idéia de força e fluidez. entre outros pormenores. que é rígida à temperatura ambiente. sejam elas executadas na própria fábrica ou por empresas terceirizadas. Designer t rabalhando no m odelo em escala 1: 1 O design int erno do Fox t em linguagem sim ples. cerca de 19 meses para o lançamento do veículo e os membros do Design Services passam a fornecer as matrizes para a produção das peças. essa fase trata da correção de imperfeições ergonômicas ou de execução do clay. grande trabalho pela frente. Faltam. e partida ao meio para que duas versões distintas do mesmo veículo sejam visualizadas através da reflexão em um espelho central longitudinal. pintura e efeitos de luminosidade. nessa etapa. o alisamento matemático possibilita o estudo de reflexos. Denominados DKM. com poucos elementos. O banco t raseiro pode ser deslocado sobre t rilhos. mas nós não podemos permitir que o usuário bata a cabeça no teto porque há pouco espaço interno”.depto engenharia de produção . As fotografias dos modelos são transformadas em superfícies vetoriais. nesse estágio. “Essa etapa é fundamental porque os designers sempre tentam ganhar milímetros. é realizado novo alisamento matemático. corrigidos através do computador. Essas maquetes são submetidas à análise dos responsáveis pelo projeto e ao menos duas delas seguirão para a etapa seguinte. são construídos novos modelos. ilustra Barone. que se denomina alisamento matemático de superfícies.m alas O painel de inst rum ent os concent ra t odas as inform ações e o desenho facilit a a leit ura pelo usuário A equipe de Color & Trim ainda tem. os esboços dos designers evoluem para o clay. agora na escala 1:1. Com essas idéias em mente. de poucos elem ent os Finalizada essa etapa.

como textura visual e tátil de peças plásticas e tecidos. o que é expresso por texturas de orvalho. couro e mata em tecidos e peças plásticas. conclui Barone. por exemplo. desenvolver tecnologia compatível ao contexto local. assim como cores e padronagens. projeto do produto definir os detalhes de acabamento. Como o tecido importado necessário à aplicação dessas texturas era inviável financeiramente. a equipe pesquisou e viabilizou a alternativa de produção com a fibra de abacaxi. em vez de simplesmente importar soluções”.depto engenharia de produção . Os modelos Fox e Cross Fox. buscaram inspiração em elementos naturais. Text o resum ido a part ir de report agem de Eve lise Gr u n ow .condicionado pode receber um port a. “A finalidade do design na Volkswagen é buscar novas soluções.CDs A hast e de cont role j unt o ao m ot orist a perm it e fácil acesso aos com andos de ilum inação © 2006 eduardo romeiro filho 114 ufmg . Publicada originalm ent e em PROJETODESI GN Edição 308 Out ubro de 2005 Aproveit am ent o de espaços: o vão abaixo do cont role do ar. novos materiais.

depto engenharia de produção . projeto do produto © 2006 eduardo romeiro filho 115 ufmg .

em abril de 1990. No primeiro resolveu que era tempo de gozar a vida. completa de utensílios de cozinha cujo "segredo" é de edifícios e de áreas urbanas. O sucesso foi imediato. espremedores de alho.. os Ele é uma voz dentro de uma corrente crescente no designers chegaram aos Good Grips. Só que sua mulher. Depois lançamento. de equipamentos. como descascadores de batatas. O objetivo é ir além do consumidor padrão — adulto. uma linha design internacional de objetos. auxiliados pela Arthritis discriminatório: disabilities. uma empresa de mil unidades. projeto do produto DESIGN: Viva a diferença! Concepções radicalmente novas mudam a forma dos produtos industriais. feita de muita atenção em problemas específicos de faixas santoprene.depto engenharia de produção . computadores ou tesouras. 1990. "Viva a diferença!" in: Revista SuperInteressante. Tucker Viemeister (ele ganhou esse cotidiano do casal e Farber voltou para Nova York nome porque seu pai trabalhou no projeto do carro determinado a produzir objetos que contemplassem Tucker. para ser colecionador de arte em divertidos e confortáveis de usar pelas pessoas tempo integral. projeto ao escritório Smart Design. ou para as que estão envelhecendo. Adélia. que a impedia de permanentes. mas nos produtos. Depois de o termo parece bem menos pesado e longos estudos. Plano perfeito.. pias. © 2006 eduardo romeiro filho 116 ufmg ."Os Good Grips são atraentes. um sonho falido do design norte-americano dificuldades como as de Betsy. falta de habilidade). sul da França. facas. manusear as facas.4 milhões. ano 11. nem alto nem baixo e em plena capacidade física — e também respeitar as diferenças entre as pessoas. Foundation e pela geriatra Patricia Moore. Só na feira de conseguiu realizar o sonho de muita gente. que advoga prestar a empunhadura mais grossa que a habitual. O empresário norte-americano Sam Farber nas mãos. Vendeu a ano de comercialização. panelas e artigos de cozinha em Nova York. Abriu Viemeister diz que "são os produtos e a a empresa Oxo International e encomendou um arquitetura que definem as deficiências" (em inglês.) São Paulo: Editora Abril. o Oxo vendeu 750 de 39 anos à frente da Copco.3 milhão e mudou-se para o 3. diz o vice-presidente da Privar-se do prazer da cozinha afetou o Smart Design. problema não estava nela. sejam carros. o faturamento foi de US$ companhia por US$ 1. a coordenação e o senso de feitos para pessoas com destreza manual perfeita. começou a ter dificuldades para cozinhar por aquelas que têm deficiências temporárias ou causa de uma artrite nas mãos. tesouras. pressentindo que o relatado em filme por Francis Ford Coppola). percepção vão decaindo". quando a força. um material macio e que não escorrega esquecidas para resolver os problemas de todos. BORGES. colheres e abridores de latas. nº 6 (nov. saudáveis e tornam o ato de cozinhar possível para Betsy. destro.

que acaba de ganhar a medalha de ouro no Idea 92. Além Produtos que podem ser usados tanto por destros disso. fazendo-a querer dos outros para atos corriqueiros. institucional e mais de uma "mountain bike". poucos percebem. Com sua espontaneidade. Esse modelo está estourando em vendas nos convencional de 40% ao empurrar uma roda. com dificuldade de fala. através do qual pode escrever sentenças concebido para ser usado por terpeutas que vão de com ligeiros movimentos de mão e mostrá-las casa em casa para trabalhar com as crianças. podem ser livremente concerto depois que ele começou. ou quando quer falar "de igual para com problemas. Quem é destro nem America. provocar até repulsa. Sentado. EUA. o usuário aciona um repulsa que os adultos procuram disfarçar. e quase sempre horrorosas — já são inadequação das pessoas com deficiências. Para usuários montadas para colocar a criança na posição sentada. Há uma infinidade de é a busca de uma estética não discriminatória Num modelos de cadeiras normais disponíveis no mundo em que os meios de comunicação e a mercado e a escolha de uma delas passa por propaganda exaltam o tempo todo o ideal da critérios como conforto e preço mas também pelo juventude e do esplendor físico. freqüentemente é o equipamento usado desenvolvido por médicos e designers suecos para a pelo deficiente. que a pessoa chegue a um Fixadas com velcro. Coloca-se na Mas a estigmatização é ainda mais posição vertical no meio de uma multidão num jogo dolorosa quando ela é exercida sobre as crianças de futebol. marcam os obstáculos concurso anual da Industrial Design Societies of enfrentados pelos canhotos. permitindo. A Bissel Healthcare elevador para pegar uma lata de cerveja no alto da Company. Douglas D. durável e retardador de chamas. desde cedo acostumadas a se igual" com um parceiro de negócios. O motor motoras. Clarkson. Estados Unidos no ano passado.Uma das questões mais importantes atende a um antigo desejo de pessoas com no design para pessoas de idade e hábitos diferentes problemas de locomoção. E com para que os pais continuem a fazer os exercícios modificações na casa. mas a numa tela acoplada na cadeira (o sistema também simplicidade das formas e a clareza de como elas se funciona acoplado a um sintetizador de voz ou a agrupam permitem que sejam deixadas nas casas uma impressora de computador). que automática. levando em conta a preferência de quem as produtos que têm "escrito na cara" o fato de serem usa — formal? Informal? Pós-moderno? As dirigidos a pessoas "anormais". Um permite adaptar-se às alturas das coisas e não o dos itens é o Tadpole. que o empresa norte-americana Permobil. em crianças com paralisia cerebral ou outras disfunções terrenos com pedras e até sobe morro. A New Move tem no meio do teclado com fácil acesso para ambas as eficiência de 100% na tração. projeto do produto Quem já quebrou o braço ou a perna um produto para deficientes e provavelmente atrair alguma vez. é difícil desejar estilo. O sequer imagina que banalidades do tipo abrir uma carácter de seu design é menos de um produto lata ou usar uma tesoura exigem muito suor. usou componente normais no mercado. e Estados Unidos. um conjunto de peças macias inverso (mudar a pia da cozinha ou a mesa do e moldadas usado para exercícios físicos com escritório). A altura regulável infantil que passa ao largo da discriminação. Coloca-se na verem. sistema computadorizado e faz tudo. reparar no grau de dificuldade que podem ter Outro exemplo de aparência não atividades que antes se faziam de maneira quase discriminatória é a cadeira de rodas New Move. As peças são feitas de uretano flexível. há o acessório Alpha deitada ou inclinada. e só aí começa a brincar junto. de Michigan.A tendência sociedade". aciona um diferentes e desprezíveis. e uma das aumenta o som do estéreo e abre ou fecha portas qualidades apontadas pelo júri foi a de não parecer sem ter que se deslocar. "Enfocar a satisfação dos © 2006 eduardo romeiro filho 117 ufmg . que mais expressam essa instalado no braço da cadeira. do Art Center College quanto por canhotos têm uma penetração crescente of Desing. como prova d'água. sabe como é desagradável depender a atenção de qualquer criança.depto engenharia de produção . Talvez o modelo que Moderna de Nova York em 1988. Ela é toda deprecia aos olhos dos "normais". Leve e portátil o Tadpole foi Writer. faz chamadas telefônicas. as Através de um joystick igual ao dos video-games crianças usualmente são a. Um de seus especialmente manufaturadas. O Tadpole ganhou um prêmio nos com o controle remoto. Essas dificuldades "invisíveis". escreveu a curadora Cara McCarty no nos países desenvolvidos é cada vez mais catálogo para a exposição "Design para uma vida considerar a cadeira de rodas como um veículo independente". à elétrico é exatamente silencioso. podendo voltada para ativar a independência de quem a usa. o que torna sua diferenciais é ter o mouse posicionado exatamente produção extremamente barata. pelos olhos dos outros. da Califórnia. diz a propaganda. usadas para disputar torneios esportivos Já era hora contribuindo para a sua estigmatização pela de tê-las também em "estilo esportivo". "Designs pesados e cadeiras de rodas — que sempre foram mais ou embaraçosos reforçam sentimentos de isolamento e menos iguais. contra a média mãos. pode torná-la "inteligente": com as crianças. Vai para onde queira: anda na neve. lançou uma linha prateleira do supermercado. como seres posição deitada para descansar. e não o seu problema. com o apoio da Business Week. Um exemplo é o computador portátil de bicicletas e tubos padrão em vez de peças Powerbook Apple/Macintosh. Segundo tenha ido mais longe neste conceito seja o McCarty. apresentada no Museu de Arte pessoal de transporte urbano.

depto engenharia de produção . aumento da porcentagem de idosos na composição Guimarães é uma das maiores autoridades das populações. barras de apoio para corrimãos seja. conforto e Várias prefeituras brasileiras. porque a pessoa passa a ser produtiva". não vai querer pisar num "tapete" que emite sons? restaurantes. a inteligente. Em restaurantes com piso liso e vazamentos. pressionadas fácil acesso por pessoas com bagagem. Foi consultor do Prêmio mobilidade e qualidade de vida dos velhos. os sua Parati adaptada. O objetivo foi prover "espaço. Um dos lançamentos recentes para esse Instituto dos Arquitetos do Brasil — Seção Minas mercado é o Microcar Vessa. Ledo engano! E integração entre portadores e não-portadores de que lá eles saem mais." Eles a melhoria qualidade ambientar para todos os desenvolveram quatro modelos: para uso exclusivo usuários". do grave ao agudo). escolas) estão mais preparados para O projeto de Avelar Rosa ainda está no recebê-los. com números é bem mais amplo — chega à escala da arquitetura arábicos feitos de lixa colado na superfície. Tóquio. ambos os sexos e para Guimarães. E os países desenvolvidos estão atentos à de projetos em arquitetura e design. promovido no ano passado pelo exemplo. Os estudos demográficos mostram um acionadas pelo cotovelo em vez de mãos ocupadas. locomovendo-se em Belo Horizonte com acontecem acidentes dentro de uma casa. os jurados do com a impressão de que nos países desenvolvidos prêmio salientaram que esse projeto estimula a há mais deficientes que no Brasil. projetado pelo GK Design. Mesmo porque o tema do design universal pintada em sete cores diferentes. Mas isso público Inax. mas ele mostra o grau de sofisticação sete tonalidades. barreiras. abriu uma empresa um país. para placa de circuito eletrônico reproduz um bip com poucos. de Betim. Não é o que acontece em outros projetos para portadores de deficiências gera 10 países. de sair mais para se divertir. e de consultaria necessidade de melhorar a auto-suficiência. Isso é obtido através de internos como os shoppings. nesse tema no Brasil. ou reais de conforto. agora usada são sempre bem acolhidas. Apesar da vontade Quando a banheira começa a se encher de água. além de ou até do desenho das cidades. revista de negócios mais lida em todo o mundo. Mas mesmo os modelos para manobrar cadeiras de rodas em pequenos normais prevêem facilidade de utilização para apartamentos assegura que a especulação pessoas com diferentes graus de dificuldades físicas imobiliária respeite como mínimas as dimensões e são o que eles chamam de "transgeracionais". dá destacou a banheira Precedence. Figueiredo usa prótese nas pernas e muletas. bolou uma normais. Ele cita exemplos: O espaço adicional portadores de deficiências. a Business Week. Os japoneses em longos corredores ou escadas de poucos degraus cunharam a expressão silver industry. sinais sonoros produzidos eletronicamente (uma É claro que esse é um privilégio caro. os veículos de deficiências. É o que diz o sociólogo mineiro Paulo papel: os empresários brasileiros consultados por Saturnino Figueiredo. extremamente compacto e conversível. O jogo tecnológica que o design de produtos pode propriamente dito é feito de placas de compensado alcançar. por Deficiências. etc. velhos. Pesquisa e Adequação do indústrias também estão de olho no poder aquisitivo Mobiliário Urbano à Pessoa Portadora de dos idosos. ou ainda em desníveis. porque aqui não se prevê a acomoda-se num assento dobrável e fecha a porta. no que as crianças cegas ou que enxerguem mal campo e na cidade — inclusive em ambientes também possam brincar. inglês. usando bengalas. servem para diferentes idades. o adaptação do tradicional jogo de amarelinha para Microcar pode ser usado sob chuva ou sol. números em braile de cabeça redonda fixados na Muita gente que viaja ao exterior volta placa. Atentos ao fato de aulas na Universidade e tem uma vida social que o banheiro é um dos locais onde mais intensa. cuja Gerais. Mais fácil de guiar do que os automóveis Guilherme de Avelar Rosa. que se surpreendeu ao ouvir ele não se sensibilizaram com a idéia de produzir nos Estados Unidos que cada dólar investido em para o "diferente". jovens. em qualidade ambiental. já que as ruas. de Wisconsin. "É a visão capitalista recente sobre design universal. © 2006 eduardo romeiro filho 118 ufmg . para designar a produção para com piso de textura antiderrapante telefones com pessoas com "cabelos prateados" (entre nós. Em reportagem dólares de imposto. Nada mal: você entra. Qual é a criança com visão normal que transporte coletivo. muitas vezes ele fica censores inflam automaticamente para impedir em casa. de seria muito constrangedor para os outros. como os Estados Unidos. projetaram uma mobilidade quando viveu em cidades européias do banheira com porta. As Nacional de Design.Um dos projetos vencedores desse prêmio é propaganda é toda baseada na autonomia dos um belo exemplar de design universal. Na justificativa de voto. ou maçanetas brancos). diz o arquiteto mineiro Marcelo Pinto feminino. O estudante idosos. circulação de pessoas como ele. a única saída Outra inovação neste campo é o banheiro para ele se movimentar seria engatinhar. Efeito similar se obtém no mundo todo. derrapante. De volta. com por movimentos de portadores de deficiências. que no Brasil. controle auditivo de volume. Mas ele acha que teve mais designers da Kohler. masculino. projeto do produto portadores de deficiências é uma forma de garantir crianças. os edifícios públicos (museus. em geral superior ao dos jovens. Em 1990 concluiu um A expectativa de vida de seus habitantes é mestrado na Universidade de Nova York sobre um dos indicadores do grau de desenvolvimento de design sem.

Em vez disso. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos.oxo. Na Alemanha. cujo trabalho consiste em imaginar. no sentido pejorativo.com RAYMOND LOEWY. atendia ainda à exigência de ser macio e leve. Isso não tem nada a ver com um simples desenho ou projeto. Pisos de bebê. Por exemplo: eles também têm que se preocupar com os materiais empregados num produto. a Feira de Frankfurt este ano premiou um aparelho para deficientes auditivos cuja parte interna é a mesma dos aparelhos existentes. Com esse projeto da designer Katryn Müller. Deficiência Os óculos são uma demonstração viva de como é frágil a percepção das pessoas sobre aquilo que é e o que não é "normal" — pois há muito tempo eles deixaram de ser vistos como "aparelhos para deficientes visuais". Nada impede que o mesmo ocorra com outros aparelhos. http://www. planejamento". Por isso os designers escolheram um bom material com essas características: o uretano. não encontraram uma tradução à altura para a palavra design. da mesma forma. até se transformaram em acessório de moda. do qual existem centenas de modelos charmosos e cobiçáveis. Vejam-se as peças do Tadpole. O GÊNIO DAS APARÊNCIAS Pioneiro do desenho industrial. e seus usuários são vistos com toda a naturalidade por qualquer um.ufmg. acabam ganhando todos os cidadãos. A novidade é forma externa: divertidas figuras (pessoas.depto engenharia de produção . as pessoas não precisarão mais sair às ruas com um aparelho que as rotula como diferentes. © 2006 eduardo romeiro filho 119 ufmg . animais) que podem ser trocadas como se fossem brincos. ele criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. A habilidade dos profissionais da área. Nesse facilitam a vida das mães que empurram carrinho caso. havia a necessidade de torná-las à prova de água e retardadoras de fogo. mas também Para saber mais: SITE DA OXO: http://www. como os franceses e os japoneses. têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar. projeto do produto começam a seguir o exemplo do exterior. assim como outras preocupações dos designers. levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer. Isso dá uma idéia sobre esses modernos profissionais. Como foram feitas para crianças. em qualquer lugar. permitem a abarrotado.br/produto/design.dep. o mestre Aurélio adota em seu Novíssimo Dicionário a expressão inglesa design e a define como "concepção de um produto ou modelo. e. têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível. por último mas não menos importante. os designers. criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao homem.htm O que é design? Mesmo os povos mais ciosos de sua língua. circulação de cadeiras de rodas. por exemplo. se são bonitos. desde que se siga a máxima de que no fundo o que conta é a aparência. No Brasil. vai muito além do mero ato de desenhar. Estes têm que adaptar suas idéias ao métodos produtivos existentes. ou de quem sai da feira com o carrinho rebaixados nas calçadas.

como projetos industriais. o arquiteto Walter Gropius inaugurou a escola Bauhaus em Weimar. Para Gropius. 1925 22 Fonte: DW World Deutsche Welle: http://www. que incluía os mais diferentes tipos de criação. a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva. a fotografia e o teatro. mas todo artista Walter Gropius. Lá construi-se uma universidade seguindo os planos de Walter Gropius. 1923 alemão. a principal tarefa das artes plásticas. antigamente.3367. publicado em 1919. pintura. seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos. o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Completá-la e embelezá-la foi. Era a preparação intelectual para a próxima fase. Ao fundar o movimento Bauhaus – que significa "casa de construção" – o arquiteto Walter Gropius criou uma instituição de ensino com idéias vanguardistas. da Academia de Stuttgart. a música. Hoje. enquanto a de Dessau abriga a Fundação Bauhaus. que foi fechada pelos nazistas em 1932. além de publicações. o governo cortou os subsídios à escola. pregava o Bauhaus. escultura. Entre professores e alunos. obrigando sua transferência para outra cidade. havia liberdade de criação. "Não há diferença entre o artesão e o artista. Concluída esta fase. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel. desde que obedecendo convicções filosóficas comuns.2192_A_782396. Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora.dw-world. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. Gaby Reucher/rw Cadeira Breuer. fundador da Bauhaus. No primeiro manifesto da Bauhaus. como a pintura. numa época em que o mundo enfrentava séria crise econômica. arte publicitária. eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados. teatro.depto engenharia de produção .html Acesso em 3 de agosto de 2004 © 2006 eduardo romeiro filho 120 ufmg . a Bauhaus de Weimar é uma escola superior. Ele havia elaborado um método de ensino para libertar os estudantes de preconceitos em relação ao "belo" e à "estética" adquiridos nas escolas primárias e nos ginásios. foto de 1925. também no leste Acima: Cartaz da Bauhaus. Quando a perseguição nazista se acirrou.de/brazil/0. Na segunda etapa. no leste da Alemanha. a dança. Em 1925. O currículo da Bauhaus previa três fases: o primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior. projeto do produto Bauhaus22 No dia 21 de março de 1919. Dessau.00. arte cênica e dança. Fundador da deve necessariamente possuir competência técnica".

depto engenharia de produção . onde a computadores estilizados. Mas terminou se o lar. Constant Nieuwenhuys. afirma Karim Rashid. Às portas do século 21. a cultura e o marketing. "Com a melhora da paisagem. a tecnologia nos deixaria tão alienados que passaríamos a reinventar o espaço ao nosso redor na esperança de recuperar o prazer de viver. Nieuwenhuys errou em apenas um ponto. mas mais crítico". projeto do produto Os Estados Unidos redescobrem o design O gosto pelo estilo deixou de ser um privilégio da elite e conquistou o cotidiano dos norte-americanos Frank Gibney e Belinda Luscombe Nos anos 60. é preciso ter também o melhor -ou pelo O enorme sucesso do colorido iMac. ninguém precisa ser um trilhões em bens e serviços. exemplo. A produção eficiente e a competição acirrada dos nossos dias O novo Fusca resgatou a imagem da transformaram os "artigos chiques" em ítens Volkswagen há dois anos e tornou-se um não apenas acessíveis. Apenas no ano passado. Como afirma Mark Dziersk. Em um mundo uniformizado. Gateway e Compaq. mas inspirou a criação de inúmeros Bem-vindos à economia do design. mesmo procurando recriar o espaço ao redor. produzidos por prosperidade e a tecnologia se misturam com empresas como Dell. as pessoas estão Nelson pela inovação no design de móveis. catalisador das transformações pelas quais está passando o mercado de automóveis. E mais ávido também. poder aquisitivo em ascensão. e quase um bilionário da Internet. acrescenta. Antigamente o design quinto desse total foi gasto com produtos para era um privilégio da elite. carros compactos e telefones O design se transformou em um grande celulares cromados. Não basta ter mais. Os norte- americanos estão conectados globalmente via Internet e consomem com avidez as novidades tecnológicas antes mesmo de aprender a usá-las. "essa é a nova era de ouro do design". por menos o mais bonito. montadoras resolveram caprichar no visual de seja na arquitetura de um hotel moderno ou seus produtos para não ter de ver seus numa escova de limpeza. mas obrigatórios. "O design está veículos encalhados nos pátios. o público ficou não para reconquistar o prazer de viver. negócio. As Os norte-americanos sabem o que é estilo. americanos estão comprando computadores coloridos. que no ano passado ganhou o prêmio George © 2006 eduardo romeiro filho 121 ufmg . sendo democratizado". não apenas ajudou a revitalizar a Apple. os norte- americanos desembolsaram cerca de US$ 6 Para se exibir. No meio dessa loucura. presidente da Sociedade de Com o nível de desemprego lá embaixo e o Desenhistas Industriais dos Estados Unidos. os norte. um crítico cultural holandês pouco conhecido. previu que no futuro todos nós nos tornaríamos arquitetos. os Estados Unidos vivem seu mais longo período de prosperidade. simplesmente para atender às demandas da sociedade de consumo. Não estamos assim tão alienados. tornando um artigo popular.

usando a decolou há mais tempo nos Estados Unidos". dava status ter um sofá caro. e consumidor norte-americano querendo os norte-americanos têm orgulho do que comprar mais e pagar menos. a Terence Conran durante a Depressão dos anos 30. capacidade industrial do pós-guerra. ou ainda empresários como David Neeleman. Mas. a Jet Blue. criou comenta Conran. Charles e Ray Eames lideraram "Ainda não entendi por que o design não um consórcio de californianos que.depto engenharia de produção . e designers como o iconoclasta Philippe assinado por um designer famoso. Stewart ajudou a tirar do vermelho a rede de lojas de departamentos K Mart. que soube transformar seu gosto apurado num negócio bilionário. numa época em que ninguém sofás violeta (US$ 3. Paris e Tóquio. abriu uma loja de 2. Ford e Philips. Há também novos investidores. repetindo o preceito introduzido nos anos 30 por Raymond Loewy. onde de Loewy decolou porque ele criava produtos se vendem de relógios digitais (US$ 17) a irresistíveis. o único diferencial que conta é o design". começa a operar este mês prometendo elegância sem afetação. o Starck. "Quando preço e funcionalidade não são mais motivos de competição entre as indústrias. diz Dziersk. Na estilo de vida de seus ocupantes. cautelosamente otimista ambientes domésticos elegantes. funcionais e desta vez. "Novos ventos estão soprando por confortáveis. deu um ar de elegância aos ônibus da empresa Greyhound Mas ninguém tem apostado no novo apetite e fez as vendas da Sears dispararem em 1934 norte-americano para o design como o quando colocou um friso na geladeira empresário britânico Terence Conran. É preciso agora decorar investidores decididos a ganhar dinheiro as casas novas com produtos que definam o criando produtos modernos e atraentes. Com sua linha de produtos para o lar. pai do desenho industrial (foto acima). à onda de prosperidade no país. Loewy foi quem imortalizou o design do maço de cigarros Lucky Strike. estava disposto a pagar para consumir. cuja companhia aérea.100 metros quadrados em Manhattan. Na década de 50. Vinte Coldspot. briga pelo mercado." industrial amargou décadas de ostracismo até emergir novamente na década de 90. além de arquitetos Antigamente. como importante é adquirir produtos mais © 2006 eduardo romeiro filho 122 ufmg . tudo é tecnologia. projeto do produto Jasper Morrison e Marc Newson. em parte. tornando-a mais moderna que suas anos atrás. Agora Conran está de volta. Em dezembro desde então. a rainha do estilo nos Estados Unidos. e a carreira Shop é um verdadeiro bazar de design. O mesmo acontece com os fabricantes de quase tudo que se possa imaginar. de móveis com seu nome. a partir dos anos 60. passado. ele inaugurou uma rede de lojas concorrentes (foto ao lado). A explosão Hoje o mundo do design está se expandindo na construção de habitações alcançou com uma mistura eclética de empresários e proporções históricas. O novo apetite pelo design se deve.550). disposto a Esse é o pensamento que tem prevalecido embarcar na nova onda. Como filiais em O design de qualidade aliou-se ao comércio Londres. mas o negócio naufragou durante o governo Bush. com o aqui. Costumava dizer que a curva mais bonita era a dos gráficos do crescimento de vendas. Nos Estados Unidos. estão grandes empresas como Sony. E não se pode esquecer de Martha Stewart. o desenho conquistaram. Hoje.

quadruplicar a área da loja em cinco anos. daquilo. © 2006 eduardo romeiro filho 123 ufmg . ou a cadeira contratar um decorador de interiores para ter Conrad. Quando trabalhava na indústria italiana da moda. a Target não luminárias feitas com garrafas de leite e uma dava muita atenção às tendências da moda. mas não podiam comprar nada estão lucrando com os caprichos das pessoas. uma loja-museu que exibe e venera suas mercadorias. butique on-line RedEnvelope. Além de por redes como a Wal-Mart. sofisticado do SoHo. Michael Graves. um empurrão de lojas populares como a Pottery Barn e a sueca Ikea. projeto do produto personalizados. que conquistaram a classe média norte-americana nos anos 90. banheiro em Minneapolis e acho que as passou a fornecer chaleiras de aço inoxidável pessoas vão gostar dos modelos que tenho (foto na página anterior). móveis de madeira aqui na loja". uma consultoria de design de produtos da Pottery Barn e atual diretora da com sede em Columbus. em Nova York. Foi assim que surgiu a Moss. As respostas para essas perguntas podem Entre os artigos à venda. mesa de passar roupa dobrável. "As pessoas compravam revistas com belas casas e De Nova York a Los Angeles. uma casa bonita. que não sai por menos de US$ 385. são os acessórios que lojas ensinaram os clientes a driblar problemas contam. Murray Moss construiu um pequeno e lucrativo império. em grande parte. vendendo toda sorte de objetos com design de qualidade." Antigamente. que Partindo da premissa de que não é necessário lembra uma asa de avião. projetados originalmente para uso em penitenciárias. como o novíssimo cortador de um bom sofá precisa custar caro? grama Husqvarna ou o medidor de corrente i410 da Fluke Corporation. Os clientes da Moss são. Se qualquer um ou um belo Apple G3 preto. os empresários interiores. podiam mais competir com o preço oferecido Um sucesso? Com certeza. essas homem. Antigamente. um notebook VAIO da Sony que o design é importante. "Imagino que se usem escovas para trabalho para firmas como a italiana Alessi. diz Bill Faust. No bairro do SoHo. de zinco e Mas seus executivos perceberam que não aço. "Com a prosperidade econômica. Hoje em dia. O homem moderno não sabe se de decoração. os clientes estar nas novas lojas Target espalhadas pelos encontram vasos flexíveis de borracha. essas lojas democratizaram a decoração. E no banheiro? Uma dos maiores sucessos do momento são as peças em aço inoxidável (inclusive o assento sanitário). explica Hilary Billings. vice-presidente americana". feita de cortiça de Bora Bora. por que ter um sofá O design está tomando conta também das estropiado no meio da sala? E quem disse que ferramentas. adotando Moss diz que precisou renovar seu estoque 11 uma fórmula simples: contratar um grande vezes no ano passado (a maioria dos designer para projetar cópias baratas dos comerciantes se contenta em esvaziar suas mesmos produtos vendidos para o público prateleiras 4 vezes). designer conhecido por seu turistas. se dizia que a roupa faz o Com preços relativamente acessíveis. pode decorar bem a própria casa comprando no shopping do bairro. ele conheceu o trabalho de diversos designers europeus.depto engenharia de produção . maciça para varandas e espátulas estilizadas A ironia é que a revolução do design recebeu para a Target. Decidiram então remodelar a loja. ex-criadora executivo da Fitch. Ohio. como a Mosquito Table. Estados Unidos. as pessoas estão ansiosas para expressar sua "Havia uma divisão na cultura norte- individualidade". diz Moss. E ajudaram a difundir a idéia de carrega um iBook.

E é na área de design. "Agora a tecnologia está Majestic. As seus quartos simplesmente pressionando um compras de produtos para o lar deixaram de botão próximo à cama. diz o "Não tinha dúvida de que esses produtos hoteleiro Ian Schrager. tecnológica como o plástico. pioneiro da moda do venderiam bem em Chicago. "Mas eles também estão vendendo em usar. a forma não precisa divertidos para o lar pouco depois que os mais acompanhar a função para tornar um homens passaram a dividir as tarefas da casa. incluir muitos acessórios no veículo e vendas cresceram dois dígitos percentuais ainda vendê-lo por menos de US$ 10. Martin's Tanto é verdade que Zivin está trazendo mais Lane." Os hóspedes do hotel londrino St. onde as (acima). da Fitch. Talvez seja apenas coincidência. ex-vice-presidente da uma máquina prateada e lilás que exerce as Target. de limpar pratos são alguns dos mais de 300 "utensílios graciosos" que desapareceram das Em parte. podem alterar as cores de cem novos artigos de plástico este ano. Há muito tempo o tenha chamado a atenção dos executivos da produto não fazia tanto sucesso. responsável pelo lançamento da linha mesmas funções de um laptop -mas com um Graves. Esse plástico pode ser moldado de milésima loja. também contratar Philippe Starck. nova".500. estão faturando alto com seus um princípio que começou com a escola de produtos de plástico. é um tipo de Unidos. um paraíso de estilo e conforto Boston". Não é de se estranhar que essa rede de lojas Nada representa tão bem a revolução de departamentos. desde que os produtos de Graves invadiram as prateleiras no ano passado. Toyota. "Trata-se de a Koziol. são um verdadeiro sucesso. como a Authentics e Dot. por exemplo. distribuidora norte-americana da nos dando produtos que nem sabemos como Koziol. com os pés em forma de ovo. privilégio.depto engenharia de produção . projeto do produto As torradeiras de Graves (acima). da cidade natal da Target. Quando perguntam a Alberto Alessi se ele se chateia com o fato de Graves estar reciclando suas criações. Para fortalecer os investimentos forma tão suave que chega a ser sensual. temos de agradecer ao prateleiras das lojas norte-americanas no ano desenvolvimento tecnológico por esse passado. Bill Faust. Madison Avenue. a empresa resolveu capaz de fixar tintura tão bem quanto a seda. Por isso. ser uma obrigação e se tornaram uma forma de expressão pessoal. Mas o novo gosto pelo design trasnformou-o num artigo Este ano. Os computadores e os novos materiais baratearam a fabricação de muitos produtos. A demanda por novas estratégias de design está aumentando. o italiano desconversa: "Nosso Fabricantes de automóveis. produto lucrativo. diz Elliott Zivin. "Os clientes A Sony conseguiu salvar sua divisão de consomem produtos que envolvem uma idéia computadores introduzindo o ultrafino Vaio. as conchas para sorvete e a escova produtos bonitos"." Bogalusa. diz que © 2006 eduardo romeiro filho 124 ufmg . de Schrager. Os garfos de macarrão arte Bauhaus: todo mundo deve ter acesso a da Koziol. com sede em Minneapolis. outro favorito de Alessi. "Antes sonhávamos em ter tecnologia para fazer as coisas". e no oeste do Texas. a Target deve inaugurar sua especial. podem se dar ao luxo de investir em modelos excêntricos como o novo Echo E o povo correu para a Target. presidente da a preços acessíveis. visual arrojado. além da jovem equipe Blu Firmas alemãs de design. diz Ron Johnson. como a japonesa objetivo real deveria ser falar com o povo". Nova York e hotel-butique. mas os melhorando sua qualidade e facilitando sua fabricantes começaram a criar acessórios manutenção. Louisiana. explica Dziersk. onde se concentram as maiores empresas de publicidade dos Estados O polipropileno. plástico usado desde os anos 50.

Museu Cooper-Hewitt. Data: 15 de março de 2000. diretora assistente do tradicional grampeador. pontos ou espirais. Para ele. a Kodak pecam pela falta de funcionalidade. todos os tipos no mercado: trançadas. mundo tenha os melhores produtos pelo preço assinala Faust. Fonte: www. São artigos baratos. fundador da SHR Perceptual Management. que abriu na semana passada sua primeira exposição trienal de As empresas sem designers em seus quadros design.cnnemportugues. sulcos. ela acaba saindo mais barata do vez mais convidados para as reuniões e são que o modelo anterior.depto engenharia de produção ." consultores. tempo passamos na frente do computador. a verdadeira revolução do design ainda esteja por vir. de qualquer porcaria do supermercado". clientes que ele se viu obrigado a aprimorar seus conhecimentos sobre administração de Starck afirma que toda vez que projeta uma empresas. É exatamente isso que agrada a Starck. quando Se for o caso. "Quero que todo ouvidos na hora em que se tomam decisões". diz. raladores de queijo. maior a importância do visual de nossa xícara consultora de design que ajudou a conceber o de café". "A aposentou a máquina fotográfica de caixa funcionalidade se tornou mais dimensional". -Reportagem de Juli Rawe/Nova York e Sheila Gribben/Chicago A mesma filosofia se aplica a dezenas de produtos normalmente considerados banais. projeto do produto seu escritório de projetos de decoração foi design de qualidade deve ser uma produto procurado por um número tão grande de comercial. Comprar uma escova de dentes descolada é uma maneira Se ainda estivesse vivo. A General Mills Inevitavelmente. Raymond Loewy nos de expressar sua personalidade sem um faria lembrar que seu trabalho começou compromisso maior do que uma boa higiene durante a Depressão dos anos 30 e que talvez bucal. Agora existem escovas de profecia.com atraentes e descartáveis. mas a preços acessíveis. E nem precisam durar muito. "Os fabricantes estão cientes de que os consumidores querem mais do que Ou como afirma Karim Rashid: "Quanto mais benefícios funcionais". "Os produtos design irá se sustentar quando a maré de precisam refletir o gosto dos consumidores. com faixas. "Os designers estão sendo cada nova cadeira." prosperidade norte-americana recuar e todos voltarem a modelos funcionais e antiquados. "A função agora está associada à estão correndo para contratar bons psicologia e à emoção. afirma Barry Shepard. o © 2006 eduardo romeiro filho 125 ufmg . as palavras de Constant desenhou uma escova de dentes transparente Nieuwenhuys continuarão valendo como para a Fluocaril. cujos espremedores de fruta e abridores de garrafa contribuíram muito para a atual paixão dos Estados Unidos pelo design. escovas de banheiro e Artigo retirado da Revista Time. Outros embalagens de cereais matinais. Resta saber se a economia do novo Fusca da Volkswagen. alguns projetos acabam não está planejando mudanças para suas refletindo a sensibilidade do artista. preta e a Swingline resolveu estilizar seu diz Susan Yelavich. Ninguém escapa dessa onda. Philippe Starck foi um dos primeiros a perceber essa tendência em 1989. como latas de lixo.

operado e utilizado por pessoas. durante a Revolução Industrial. ao passo que. projeto do produto Engenharia de Usabilidade Sérgio Figueiredo Costa O desenvolvimento de produtos destinados a atender às necessidades humanas é observado desde os primórdios da humanidade e. se o ponto de contato entre produto e pessoa fosse um ponto de atrito. então o projetista teria sido bem sucedido. se tal contato produzisse um efeito positivo em segurança. estudos em diversos campos da ciência foram © 2006 eduardo romeiro filho 126 ufmg . tais como descarte e reciclagem. é importante que o Projeto de Produto busque formas de aperfeiçoar seus métodos e ferramentas a fim de melhorar tais interfaces. Sem dúvida. eficiência. à medida que mais produtos complexos foram sendo introduzidos. desde aquele que decide pela compra e que o utilizará efetivamente. então seu projetista teria falhado. enfatizou-se a busca por formas eficientes de se fabricarem produtos que atendessem às necessidades dos consumidores e. anúncio de câmera Kodak dos anos 1930. em 1955. são notados cada vez mais esforços. até os que se relacionarão com o produto nas fases finais de seu ciclo de vida. já ressaltava que. Segundo Lindbeck. Abaixo. no sentido de melhor atendê-las. e homem-equipamento ou homem-máquina (H-M). Observa-se em diversos estudos dedicados à interação entre pessoas e produto a necessidade de se inserirem mais elementos relacionados aos usuários nas fases iniciais do projeto/design do produto. Alguns exemplos de produtos com a preocupação. conforto. iniciou-se a preocupação sobre a maneira como tais produtos afetariam o usuário. Nesse sentido. Ressaltava. que enfatiza a facilidade de uso. um dos objetivos da Engenharia de Produto consiste em tratar das interfaces homem-material ou homem-objeto (H-O). individualmente ou em massa. ao projetar um produto. ainda. em diferentes formas (e com diferentes níveis de sucesso). cadeira de dentista do século XIX. relacionando a interface do produto a todos aqueles usuários com os quais este interage durante seu ciclo de vida. Tal preocupação também pode ser observada por Henry Dreyfuss. o conceito de Projeto de Produto pode ser ampliado. o qual. visto. com o usuário: Ao lado. satisfação. Nesse sentido. era preciso ter em mente que este seria manuseado. Neste caso. que.depto engenharia de produção . e também de se coletarem dados de situações reais de uso para aperfeiçoar novas gerações de produtos.

Garante-se. Ao lado. como salienta Rubin. relacionado à maneira como um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. é resumidamente definido como a propriedade com que as características físicas de um objeto ou ambiente influenciam sua função. que o tema central de projeto (design) para uso humano é o reconhecimento das capacidades. e dos contextos em que estes se relacionarão com o produto. mas citamos aqui o termo “Affordance”. dentro de uma visão de projeto centrado no usuário. uma maior participação do usuário no desenvolvimento do produto. os quais. foram propostas metodologias de Projeto de Produto centradas no usuário (UCD – User-Centred Design). porém. alguns produtos desenvolvidos em seu escritório. Começava aí o que conhecemos como engenharia de fatores humanos. necessidades e limitações humanas. se aplicados adequadamente. expandiu-se além dos aspectos cognitivos do Projeto de Produto. constituem ferramentas eficazes para apoiar os projetistas em suas iniciativas de desenvolvimento de produtos. devendo englobar sua relação durante todo o ciclo de vida do produto. diversos autores e trabalhos propõem que a utilização de métodos e testes de Usabilidade. tornam-se fatores de importância capital para o sucesso das iniciativas de desenvolvimento as percepções do usuário ante ao produto. no tempo apropriado do ciclo de vida do desenvolvimento de produto. projeto do produto desenvolvidos nestas interfaces. então. Observamos também o conceito de Usabilidade (o qual será também discutido adiante). a filosofia que coloca o usuário como centro do processo de projeto. suas necessidades. © 2006 eduardo romeiro filho 127 ufmg . Designer e Engenheiro americano. Lindbeck define como Fatores Humanos o estudo das interações entre pessoas e produtos que estas utilizam nos ambientes em que trabalham e vivem.depto engenharia de produção . na década de 40. A partir do momento em que se considera o usuário como centro do processo de Projeto de Produto. passando a incluir também as características físicas e as limitações dos operadores. bem como as avaliações de usabilidade do produto. mas. As discussões acerca das percepções do usuário em relação a produtos são observadas em vários estudos. métodos. segundo Rubin. Importante também. Henry Dreyfuss. telefones e máquinas agrícolas. eficiência e satisfação num dado contexto de uso (ISO 9241-11:1998). ter-se em conta que UCD não representa apenas técnicas. Abaixo. assim. Justamente pelo reconhecimento da importância dos usuários. capacidades e limitações. que será analisado com maior profundidade adiante. Nesse sentido. identificando que a falha em conjugar equipamentos sofisticados com as habilidades dos operadores era a contribuição principal para a ocorrência destes acidentes. e à medida que a interação entre operadores e produtos se expandia. psicólogos começaram a estudar as causas de numerosos acidentes aéreos com pilotos militares. Defende. processos e procedimentos para projetar produtos e sistemas usáveis. para possibilitar a melhor interação entre pessoas e produtos. principalmente. um dos primeiros a aplicar de forma sistemática princípios de Projeto para o Usuário e Ergonomia. como eletrodomésticos. mais indivíduos se envolviam com os estudos. 1 Demanda por Melhores Interfaces Produto-Usuário Segundo Lindbeck. Esta disciplina. ainda.

À medida que tais necessidades mudam. projeto do produto Ao lado. aparafusadeiras elétricas e. principalmente relacionados a desenvolvimento de software. produto. Manutenção. Abaixo. Custo. também. a especialização e o progresso tecnológico. são influenciados pela capacidade técnica disponível. Observa-se. refinando-os e concebendo outros novos. os demais quatro pontos estão fortemente relacionados à interface com os usuários. em cada época. dentre os vários campos dedicados ao aperfeiçoamento da interface produto- usuário. embasam o contexto para o estilo e períodos dos objetos. pela mudança das necessidades das pessoas © 2006 eduardo romeiro filho 128 ufmg . portanto. Atualmente. equipamentos médicos. pelo progresso tecnológico. Assim. bens duráveis e de características técnicas. pelos aspectos estéticos e culturais. apesar de os operadores destes equipamentos receberem treinamento. principalmente. tais como máquinas de usinagem CNC. sendo baseada em: Utilidade e Segurança. Segundo Lindbeck.depto engenharia de produção . desde os primórdios da humanidade. as pessoas refletem estas mudanças nos artefatos disponíveis. sugerindo também que. Apelo de Vendas e Aparência. Nigel Cross destaca. painel do Spitfire. sistema. Nielsen afirma ser possível que qualquer objeto. ou serviço que será utilizado por humanos possua potenciais problemas de usabilidade e que deveria. artefatos e ferramentas visando a atender às suas necessidades. Desta fórmula. baseada em sua vasta experiência. existem estudos dedicados a equipamentos. podemos considerar que à exceção do Custo. a aplicação de métodos para melhorar a usabilidade dos produtos é pertinente e benéfica ao projeto destes e a seus usuários. acoplados aos sensos culturais e estéticos prevalecentes. Podemos considerar que as pessoas sempre desenvolveram objetos. e aplicada em todo problema de projeto. 2 Demandas específicas Apesar de haver mais referências de estudos relacionados à interface produto-usuário para bens de consumo. ser submetido a alguma forma de engenharia de usabilidade. como uma das características básicas dos seres humanos. utilizada por Henry Dreyfuss em seu escritório de projeto. a fórmula dos cinco pontos. caça inglês que foi um dos marcos da aplicação de conceitos ligados à ergonomia. a capacidade destes de desenvolver uma vasta gama de ferramentas e outros artefatos que satisfaçam às suas necessidades próprias. a Engenharia de Usabilidade é talvez uma das mais utilizadas e das que podem proporcionar resultados neste sentido. os produtos. a posição da cadeira do piloto.

Com a evolução do pensamento humano. Da mesma forma. as pessoas adicionaram ao processo de desenvolvimento as observações e experiências advindas do uso e dos requerimentos das ferramentas. até que atualmente. Entretanto. o contexto histórico e as limitações da técnica e da produção. Em algum momento adiante na história. Devemos observar também que Projeto de Produto deve ser entendido como um meio de satisfazer as necessidades humanas. sociais. que o produto resulta do processo de desenvolvimento. pela imperativa adequação ao meio ambiente. as quais. como visto anteriormente. em que as transformações sociais e culturais. alguns autores identificam o Projeto de Produto como uma atividade sistêmica. até a venda bem © 2006 eduardo romeiro filho 129 ufmg . ergonômicos e ambientais. Ilustração representando o ciclo de projeto e o ciclo de vida do produto: o uso como centro do processo de desenvolvimento. devido ao conhecimento ainda primitivo. sociais ou ecológicos. das limitações da tecnologia e da produção. as atividades de projeto e produção de produtos são normalmente separadas. deve- se chamar a atenção para o fato de que o produto possui diferentes usuários a cada uma das etapas de seu ciclo de vida. Entretanto. tais iniciativas eram essencialmente uma questão de tentativa e erro. cujo rumo é definido por diversas condições e decisões. que propõe o Projeto de Produto “Total”. projeto do produto e. basicamente. nas sociedades industriais modernas. em resposta a algumas necessidades predeterminadas. geralmente ressentiam da dimensão analítica e. as primeiras iniciativas de desenvolvimento de produtos. 3 Projeto de Produto Existem diversas definições de projeto (ou design) de produto.depto engenharia de produção . como se observa em diversas definições em que são consideradas também as influências do contexto histórico. e para o qual diversas metodologias foram propostas. desempenham um papel de igual importância aos requisitos ergonômicos. principalmente tecnológicos. como a atividade sistemática necessária. Podemos citar Stuart Pugh. as iniciativas de desenvolvimento foram sendo sistematizadas. algo isolado em suas próprias atividades. e não um fim. Em abordagens mais abrangentes. a partir da identificação das necessidades do Mercado e do Usuário. referem- se ao processo de planejar objetos físicos que apresentam uma nova forma. Vamos analisar a seguir este processo de Projeto de Produto. adicionalmente. estes fatores também determinam a evolução e o desenvolvimento dos novos produtos. Apesar de notáveis. Devemos observar. ergonômicos e ambientais. mais recentemente. um processo que engloba as pessoas e a organização onde se realiza tal atividade. das transformações sócio-culturais. influenciado por diversos fatores. principalmente artefatos e ferramentas. e assim nas fábricas os produtos são manufaturados conforme um projeto preparado pelo departamento de projeto ou por um projetista externo. e dos requisitos sociais. é necessário considerar uma sorte de fatores envolvidos na atividade de projeto. culturais.

pessoas e organização. a saber: Foco antecipado em usuários e tarefas: neste caso. este conceito representa. visando coletar o máximo de informações que possa auxiliar no desenvolvimento de produtos.11) Algumas definições propõem que o produto deveria se adaptar ao usuário. com o mínimo de desgaste e o máximo de eficiência. 1994. objetivos. Em complementação a esta abordagem sistêmica. em que UCD seria a prática de projetar produtos de forma que os usuários poderiam desempenhar seu uso. e ambiente. conforme proposto por Gould e Lewis para UCD. design and conduct effective tests”. Detalhamento Conteúdo da tarefa Contexto da Tarefa Metas USUÁRIOS Objetivos Fluxo Desenvolvimento da Organização Tarefa da tarefa Figura 1 – Projeto centrado no usuário (adaptado de RUBIN. são derivados do ponto de vista do usuário. e para alguns autores isto deve ser feito no cerne do processo. como citado anteriormente. durante todo o ciclo de vida do produto. ainda. pois o mesmo se relaciona fortemente com os processos utilizados para sua produção. Entretanto. Rubin observa que tal conceito deveria ser expandido além do projeto de produto. projeto do produto sucedida do produto que satisfaça tais necessidades. na filosofia de considerar o usuário no centro do processo de projeto. ao ponto onde outro produto é comprado ou o corrente é atualizado. p. “Handbook of usability testing: how to plan. principalmente. Neste caso. operação. Emerge também desta abordagem. principalmente. a necessidade da inclusão do usuário no projeto do produto. o utilizam. conforme citado anteriormente. Observa-se. contexto. sistematizado e estruturado entre usuários e projetistas. encampando produto. incluindo todo o processo de interação com potenciais clientes. existe também a preocupação em se ampliar o espectro considerado no Projeto de Produto a todo seu ciclo de vida e aos seus usuários com os quais este se relaciona. desde o contato de marketing e vendas iniciais. que o Projeto de Produto ultrapassa o entorno do produto. Inc. Rubin enumera três aspectos básicos desta abordagem. processo. este é considerado o cerne do processo de desenvolvimento de produto e. é sugerido o contato direto. o que é definido como Projeto de Produto Centrado no Usuário. nesta definição. 3 Projeto do Produto centrado no usuário No projeto de produto centrado no usuário. Princípios Básicos de UCD Dentre os princípios do projeto centrado no usuário. este se caracteriza como atividade sistêmica e não isolada dentro de um laboratório.. Jeffrey. bem como todos os aspectos das tarefas a serem realizadas com o produto.depto engenharia de produção . com as organizações onde são realizados e com as pessoas que o desenvolvem e. New York: John Wiley & Sons. serviço e tarefas de apoio. até toda a duração da propriedade. suas metas. © 2006 eduardo romeiro filho 130 ufmg . Assim. como a Woodson.

Projeto Participativo: Neste caso. de que formas são inaceitáveis ou insatisfatórios. devem ser realizadas medições quanto à aprendizagem e uso. Projeto iterativo: através das informações e observações dos usuários e tarefas. © 2006 eduardo romeiro filho 131 ufmg . são mais efetivos que outros desprovidos de tal conhecimento. Avaliações de especialistas: Consistem na revisão de um produto ou sistema. pretendendo expor deficiências de usabilidade e gradualmente moldar o produto em questão. projeto do produto Medições empíricas do uso do produto: através do desenvolvimento e teste de protótipos com usuários. “Surveys”: são empregados para a compreensão das preferências de uma vasta base de usuários de um produto existente ou potencial. o produto é projetado. que o coloca no centro do processo desde o início. e assim por diante (iterações). objetivando confirmar ou refutar hipóteses específicas.depto engenharia de produção . suas habilidades e até suas reações emocionais ao projeto. o primeiro tipo envolvendo testes formais conduzidos como experimentos verdadeiros. menos formal. e como estes podem ser mais aceitáveis. Pesquisas tipo “grupos focados” (focus group): Este tipo de pesquisa. 2. explorando seu conhecimento. Rubin identifica alguns dos principais métodos e técnicas utilizados nos processos de desenvolvimento de produtos. testado. que inclusive consiste em um destes métodos. Este autor ressalta que tais métodos principais auxiliam a proporcionar o contexto para os testes de usabilidade. e o segundo.2 Métodos e Técnicas de UCD Adicionalmente em sua análise sobre projeto centrado no usuário. empregada pelo produto. normalmente por um especialista em usabilidade ou fatores humanos que possua pouco ou nenhum envolvimento no projeto. ou seja. advindas do contato sistematizado e estruturado nas várias fases do projeto. Rubin cita que estudos recentes indicaram que um especialista “duplo”. que objetivam sempre inserir o usuário como o centro deste processo.3. modificado. Os testes podem ser divididos dois tipos básicos de abordagem. tipicamente empregado nos estágios iniciais do projeto para avaliar conceitos preliminares utilizando usuários representativos. Testes de usabilidade: Estes testes empregam técnicas para coletar dados empíricos enquanto observam usuários finais representativos utilizando o produto para realizar tarefas específicas. que também é especialista em uma tecnologia em particular. ênfase na participação do usuário em todo o processo caracteriza esta abordagem. tem como objetivo identificar quão aceitáveis são os conceitos. tais métodos são brevemente abordados. A seguir. empregando ciclos de testes iterativos.

Estudos de Acompanhamento: Este tipo de estudo é similar ao estudo de campo.4 Projeto baseado em Competências versus Projeto baseado em Tecnologia A partir da consideração que a efetiva implementação de novas tecnologias. e os resultados são utilizados para refinar o produto antes de seu lançamento. onde o papel dos operadores é diferenciado dentro do processo de projeto de cada empresa. Para ilustrar tal conceito e seus princípios. estão em posição e interagindo entre si. © 2006 eduardo romeiro filho 132 ufmg . este autor se vale da comparação de dois exemplos de projetos de centros de máquinas. Por outro lado. No primeiro caso. ou outro tipo de ambiente real. As máquinas compradas foram projetadas para serem programadas pelos operadores. e as máquinas selecionadas para não permitir que o operador realize a programação. mas irá proporcionar operadores com informações da produção que lhes permita controlar o processo efetivamente e responder aos problemas de forma competente. e ambiente. particularmente de sistemas computacionais. residência. requerem mais. principalmente quanto à possibilidade de controlar e intervir no processo. de parte destes. dentro de sua capacidade. sob a perspectiva do projeto baseado em competência. Em processos mais rotineiros. entrevistas e observações. dificuldades e atitudes do usuário são coletadas. Rubin aponta que estudos de acompanhamento estruturados são provavelmente as mais verídicas e mais acuradas avaliações de usabilidade. os projetistas vêem a eliminação ou simplificação das tarefas mais rotineiras e mecânicas como uma oportunidade para os trabalhadores assumirem um papel amplo no processo de produção. pode resultar na completa eliminação das reais atividades de fabricação. ainda que isto possa envolver uma mudança no tipo de competências utilizadas.depto engenharia de produção . se esperando. produto. 2. e não menos. o centro de máquinas for projetado sem a participação dos trabalhadores porque se esperava pouca contribuição destes nas decisões de projeto. desde que o verdadeiro usuário. projeto do produto Estudos de Campo: Tal método consiste na revisão de um produto que tenha sido colocado em seu cenário natural. bem como interagir com os equipamentos. porém ocorre após o lançamento formal do produto. competências e capacidade de julgamento dos operadores. Assim. Observa-se nestes casos a mudança na participação dos operadores. pouco antes de seu lançamento. O sistema foi projetado para o controle centralizado de toda a programação. Informações como padrões de uso. os operadores são envolvidos no início do processo de projeto e na seleção de equipamentos. a realização de modificações nos programas para assegurar resultados de alta qualidade. como um escritório. sendo que a idéia é coletar informações para uma próxima versão. o projeto baseado em competências. se utilizando pesquisas. Salzman discute que uma estratégia efetiva para tecnologia necessita incluir novos princípios do projeto baseado em competências. na segunda empresa.

depto engenharia de produção . Rheinfrank et al. com a intenção de comunicar tal funcionalidade. projeto do produto O elegante e eficiente (do ponto de vista técnico) caça Spitfire. significa projetar objetos que produzirão ou evocarão eventos específicos que levam a experiências específicas em situações específicas. Artefatos bem projetados indicam às pessoas que funções desempenham. com a intenção de proporcionar recursos às pessoas para perceberem e construírem a usabilidade por si próprios.5 Projeto para usabilidade Como abordado anteriormente. porém apenas recentemente tem sido aplicado na comunidade de projeto. Para Donald Norman. Numa análise ampla. seria como transformar conceitos inovadores em operações universais e do dia-a-dia. Como citado anteriormente.6 Princípios de projeto de produto aplicáveis à usabilidade No sentido de apoiar as iniciativas de desenvolvimento de produto. aproximando-as do usuário. a que se referem como o projeto do uso de um artefato através do projeto de sua presença física no mundo. propõem o projeto para usabilidade. formando a idéia de semântica experimental. o projeto apresentará uma performance mais eficientemente e será mais fácil de ser usado. Ainda mais importante. De outra forma. o termo “affordance” se refere às propriedades reais e percebidas de um objeto. primariamente aquelas propriedades fundamentais que determinam como é possível utilizar um objeto. definida como projeto de experiências significativas através da produção de uma emergente e evocativa integração entre forma e ação. A forma proposta pelos autores de alcançar a mudança de perspectiva é integrar as percepções da semiótica (resumidamente estudo do significado). através do projeto. produtos e artefatos são desenvolvidos para atender às necessidades humanas. e à susceptibilidade da mudança. por esta razão. como as desempenham e. a semântica do produto (a expressão do significado através da forma) e a semântica do contexto (a expressão do significado através da ação). Assim. relacionando-os às dependências de percepção e de ação.6. os artefatos bem projetados também podem participar na construção da experiência dos usuários. © 2006 eduardo romeiro filho 133 ufmg . Galvão e Sato comparam os principais conceitos de “affordance” encontrados na literatura.1. 2. 2. O desenvolvimento de produtos usáveis e desejáveis demanda o entendimento de como usuários constroem relações com os objetos e de como estas relações podem ser controladas pelos projetistas. Isto implica na mudança da perspectiva de projeto como a aplicação “post-hoc” de forma e aparência para uma funcionalidade. quando tal propriedade corresponde à função pretendida do objeto. estes foram projetados e não meramente produzidos ou criados. através do desenvolvimento competente de forma e elementos. A partir destas constatações. Affordance O conceito de affordance tem sido alvo de atenção em psicologia há algum tempo. Tais eventos se referem a ações dinâmicas e não a situações estáticas. Uma aproximação prática de tal perspectiva de projeto do ponto de vista experimental. Lidwell observa que o conceito de “affordance” está relacionado com a maneira que as características físicas do objeto ou ambiente influenciam sua função. para a perspectiva de projeto como a criação consciente da usabilidade. 2. podemos observar alguns princípios de projeto de produto utilizados para tal finalidade. através do projeto dos objetos.

2 Restrições Lidwell define como restrições o método para limitar as ações que podem ser desempenhadas em um sistema. ocorrem quando uma ação não obtém o resultado pretendido. quando uma ação subconsciente cuja intenção é satisfazer nosso objetivo é desviada em seu caminho. 2. Dependente da percepção e possíveis. pelo menos. e podem ser conceituados como as ações ou omissões de ação que proporcionam resultados indesejáveis. Adriano B. de ações desejáveis que possam ser realizadas obviamente. 2.3) Após analisar tais conceitos. Deslizes resultam do comportamento automático. tais “affordances” são instantâneas. os autores ressaltam que estes podem orientar aos projetistas a considerar “affordances” em três instâncias: “Affordances” estão compreendidas nos produtos. 2005. O mesmo processo que nos torna criativos e perspicazes por nos permitir enxergar relações entre coisas desvinculadas. culturais e lógicas. e sua a aplicação apropriada pode resultar em um projeto mais fácil de utilizar e reduzir significativamente a probabilidade de erros durante a interação. Keiichi. existe no ambiente 1979 possíveis Mutável. p. A compreensão das causas dos erros sugere estratégias específicas de projeto que possam reduzir sensivelmente sua freqüência e severidade. Dependente da percepção e das Dependente das habilidades acordo com as habilidades 1984 limitações físicas individuais individuais Dependente das ações Mutável. acordo com as propostas de mecanismo utilidade 2003 projeto Tabela 1 – Comparação dos significados atribuídos ao conceito de “affordance” (adaptado de GALVÃO. Os atributos perceptíveis destas “affordances” no modelo mental dos usuários. entretanto. Também referidos como erros de ação ou erros de execução. mas existe uma relação lógica entre a disposição espacial ou funcional dos componentes e os objetos que afetam ou pelos quais são afetados. habilidades acordo com a experiência do 1988 cultura individuais e de aspectos usuário culturais Maier & Mutável. não havendo princípios físicos ou culturais. semânticas. sabe- se como se comportar em restaurante. Limitações físicas restringem operações possíveis e. & SATO. podendo mudar de Dependente de sentir o Dependente da percepção de Fadel. resultam da deliberação consciente. que nos permite chegar a conclusões © 2006 eduardo romeiro filho 134 ufmg . assim. Os erros podem ocorrer em diversas formas.3 Erros Erros ocorrem na vida das pessoas com alguma freqüência. O mapeamento natural funciona provendo restrições lógicas. através do nosso conhecimento desta situação e do mundo.6. podendo mudar de Warren. com o uso apropriado de restrições físicas haverão um número limitado de ações possíveis ou. mesmo que não afetem a operação física ou semântica do objeto. podendo mudar de Norman. assim. contudo podem ser classificados em duas categorias fundamentais: deslizes e equívoco. mesmo sem nunca ter estado em um anteriormente. Dependente das ações Independente da percepção Imutável. Quando os usuários realizam suas ações. Long Beach: Proceedings of ASME 2005 International Design Engineering Technical Conferences & Computers and Information in Engineering Conference.depto engenharia de produção . Norman estabelece uma classificação de quatro tipos principais de restrições. Equívocos.6. Cada cultura possui um conjunto de ações permitidas para situações sociais e. projeto do produto Dependência de percepção Dependência de ação Susceptibilidade à mudança Gibson. “Affordances in product architecture: linking technical functions and users’ tasks”. físicas. Restrições semânticas se inserem sobre o significado da situação para controlar um conjunto de ações possíveis. Outras restrições se referem a convenções culturais aceitas.

que revela e oculta controles baseados em diferentes contextos. ocorrem quando a intenção é inapropriada. trava que necessita ser aberta antes de algum equipamento ser ativado). reversibilidade de ações e rede de segurança. os sistemas são mais usáveis quando indicam claramente seus respectivos estados. Neste caso. projeto do produto corretas baseados em evindências parciais ou mesmo vagas.5 Visibilidade O princípio de visibilidade é baseado no fato de que as pessoas são melhores para reconhecer soluções quando as selecionam entre um conjunto de opções. são boas soluções para gerenciar a complexidade enquanto se preserva a visibilidade. Ajuda: informações que assistem a operações básicas. se o produto têm boas “affordances”. lembretes ou alarmes usados para advertir perigos iminentes (por exemplo. © 2006 eduardo romeiro filho 135 ufmg .6. 2. e se a rede de segurança é robusta. Organização hierárquica. Abaixo. Referidos algumas vezes como erros de intenção ou erros de planejamento. Para atingir o perdão no projeto de produto é preferível que se utilize os métodos de “affordance”. as advertências são menos necessárias. Confirmação: verificação da intenção requerida antes que ações críticas são permitidas (por exemplo.depto engenharia de produção . diagnósticos ou correção de erros (por exemplo.4. advertências e ajuda. Reversibilidade de Ações: uma ou mais ações que podem ser revertidas se um erro acontecer ou a intenção da pessoa mude (por exemplo: função desfazer em programas de computador). De acordo com este princípio. se as ações são reversíveis. a saber: “Affordances”: características físicas do projeto que influenciam sua correta utilização (por exemplo um plugue com formato único que somente pode ser inserida em uma tomada adequada). posto que reduzem a necessidade de confirmações. ao invés de ter relembrar tais soluções por sua própria memória.6. que dispõe controles e informações em categorias lógicas. também nos pode nos levar a cometer erros. e sensibilidade de contextos. a ajuda será menos necessária. documentação ou ajuda telefônica). e as conseqüências destas ações quando estas forem realizadas. placas nas estradas que advertem uma curva acentuada adiante).“Forgiveness” O conceito de perdão em projeto de produto ajuda a prevenir erros antes que estes aconteçam. as confirmações são menos necessárias. e minimizam as conseqüências negativas dos erros quando estes ocorrem. as ações que são possíveis de serem realizadas. Advertências: placas. 2. Rede de segurança: dispositivo ou processo que minimiza conseqüências negativas de um erro catastrófico ou de uma falha (por exemplo. Algumas estratégias contribuem para incorporar o “perdão” no projeto de produto. o exemplo do painel do Boeing 777. Perdão . o assento ejetável de uma aeronave).

O autor ressalta. como será discutido logo a seguir. Satisfação: uso do produto livre de desconforto e com atitudes positivas. de forma que os usuários se satisfaçam subjetivamente ao usá-lo. Erros: o sistema ou produto deve proporcionar baixas taxas de erros durante o uso. Outro ponto importante ressaltado por Nielsen é a preocupação com os erros. tanto para avaliar a usabilidade de produtos em casos específicos como no sentido de discutir métodos e ferramentas para tais avaliações. se eliminando-se a necessidade de se aprender tudo novamente após um período sem uso. e sendo associada a cinco atributos. sempre estão considerados nestas definições. o que também se justifica por este se tratar de tema relativamente recente. que deve ser reduzida e cujos efeitos não podem ser catastróficos. Nielsen ressalta que Usabilidade não é uma simples propriedade. Diversos conceitos e definições de Usabilidade são encontrados na literatura. Memorização: o sistema ou produto deve ser relembrado facilmente. usuário. dependendo do usuário. que segundo a norma são: Efetividade: acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. em um dado contexto e para uma certa tarefa. mas todas as características do produto em seu uso. tanto àquele usuário que o utiliza constantemente. de forma que o usuário possa rapidamente iniciar algum trabalho. incluindo os aspectos como eficiência e confiabilidade que afetam a facilidade de uso. a relação produto e usuário. Esta definição aborda dois pontos importantes: o produto não é usável por si próprio. incluindo aí todas as suas características. Ao final. mas há estudos que tratam de equipamentos e ferramentas técnicas. como àquele que utiliza o produto esporadicamente. tarefa ou ambiente. uma vez que o usuário já aprendeu a utiliza-lo. apresentando múltiplos componentes. Entretanto. atividade e o contexto em que tal relação ocorre. permitindo a utilização casual por um usuário. projeto do produto USABILIDADE O termo usabilidade foi criado no início dos anos 80 em substituição ao termo “user-friendly”. ainda. uma dada tarefa. produtos eletrônicos de consumo e equipamentos médicos também. erros catastróficos não devem ocorrer. Eficiência: o sistema ou produto deve ser eficiente para o uso e. à tarefa e ao contexto em que este © 2006 eduardo romeiro filho 136 ufmg . pois um produto não é usável por si próprio. encontramos em maior quantidade estudos dedicados a sistemas computacionais e páginas de internet. A norma ISO 9241-11:1998 conceitua Usabilidade como a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir objetivos especificados com efetividade. e que a usabilidade é determinada pelos atributos do produto. Adler e Winograd definem usabilidade como a habilidade de um produto ou equipamento de tirar vantagem das competências de seus usuários. satisfação e aceitabilidade do usuário. mas possui atributos que determinarão sua usabilidade para um usuário particular. unidimensional da interface usuário-produto. podemos considerar que todas as definições são complementares e têm em comum o fato de se situarem na interface produto-usuário. Tais atributos incluem não apenas características ergonômicas específicas. devendo haver facilidade para sua correção. Finalmente. Observa-se nessa última definição a ampliação do termo usabilidade a atributos como a aprendizagem do uso de um produto. definindo como um atributo do produto a ocorrência de erros. objetivando contribuir para o Projeto de Produtos que atendam a todos os grupos de usuários. Eficiência: relação entre os recursos despendidos e a acuidade e perfeição com os usuários conseguem atingir os objetivos especificados. usuário. em um certo ambiente. que qualquer mudança nas características do produto ou sistema. Ademais. relacionando produto. Bevan propõe que a Usabilidade está na interação entre o usuário e o produto ou sistema. funcionando de forma eficaz em uma dada gama de situações reais de trabalho. que havia adquirido uma série de indesejáveis conotações vagas e subjetivas. quais sejam: Aprendizagem: a utilização do sistema ou produto deve ser fácil de se aprender. De forma mais ampla. Nesta definição podemos observar a inserção dos conceitos de efetividade. um alto nível de produtividade é possibilitado. eficiência e satisfação num dado contexto de uso. e trabalhos dedicados à avaliação de aspectos de usabilidade de cadeiras para crianças e para usabilidade e segurança da terceira idade. tarefa e ambiente em que ocorre sua utilização. Encontramos na literatura diversas definições. Satisfação: a utilização do sistema ou produto deve ser agradável.depto engenharia de produção . e caso estes aconteçam. conferindo importância ao usuário. Diversos estudos e trabalhos têm sido realizados sobre o tema. e somente pode ser medida através da avaliação da performance. Dentre as avaliações de usabilidade de produtos. pode afetar a usabilidade. eficiência e satisfação na utilização do produto pelos usuários. devem ser de fácil correção.

o usuário sempre necessita superar um certo vazio em seu conhecimento.3 Atributos de usabilidade Para projetar um sistema ou produto usável. como por exemplo a Norma ISO 9241-11: Orientação em Usabilidade (1998). eficiente e satisfatória. “Gaps” no conhecimento de usuário .4 Usabilidade universal Considerando que a tecnologia como um meio universalmente aceito em qualquer campo de atividade humana na era de informação e a migração de serviços públicos e comerciais para espaço digital. chegando até a criar resistência à nova tecnologia. para outros pesquisadores. 3. e efetividade indica como a acuidade e perfeição com que os usuários conseguem alcançar os objetivos específicos. os atributos do produto devem permitir que se atinjam tais objetivos. por sua própria natureza. projeto do produto utiliza o produto. engloba a gama de tarefas para as quais um sistema é projetado. ou incluídos e excluídos. em outras palavras. Alguns destes atributos identificaram características que podem ser colocadas em níveis hierárquicos diferentes. idade.depto engenharia de produção . enquanto para Nielsen trata-se de um atributo independente de usabilidade. e apresentando também uma série de atributos necessários para projetar um produto que seria aceito pelo usuário. este vazio é preenchido facilmente quando há ambientes comuns e padronizados. Mais adiante. Alguns dos pioneiros nesta área. incluíram usabilidade nos modelos gerais de aceitação do produto pelo usuário. características pessoais. o conceito de Usabilidade engloba dimensões objetiva e subjetiva. e alguns deles enfatizam aspectos específicos. Shackel introduz uma característica de flexibilidade que implica na adaptação do sistema à variações nas tarefas. É importante observar que Usabilidade universal não deve ser entendida como acesso universal. Às vezes.. Amplamente aceitos na literatura. descrevendo isto como a habilidade do produto ou sistema ser aprendido rapidamente. Neste contexto. poderá se tornar uma barreira em lugar de um meio de acesso para informação. podendo chegar a situações onde eles não podem usar alguns serviços baseados nas mais recentes soluções tecnológicos. a primeira expressa através de atributos que poderiam ser convertidos a indicadores quantitativos e medidos.os projetistas poderiam facilitar tal passo proporcionando aos usuários interfaces estruturadas de acordo com seu nível de conhecimento (variando de novato a perito). é introduzido o critério de atitude de usuário. também constam em normas. Memorização trata da possibilidade re-aprender ou se relembrar rapidamente como usar o produto ou sistema. de forma que um usuário inicie a trabalhar com o produto ou sistema em um período curto de tempo. os erros são indicadores importantes de efetividade de tecnologia do produto. mas em outros casos se leva muito tempo e produz situações estressantes. certas tentativas para definir Usabilidade foram relacionadas à criação de métricas para sua avaliação. devemos considerar que a Usabilidade. como Shackel. através de atributos. Para refletir a componente subjetiva da Usabilidade. devendo tal utilização ser eficaz. 3. Atualmente a característica principal de tecnologia é evolução ou mudança rápida. Diversidade de Usuários – as características individuais dos usuários. inaptidões etc. decorrentes às novas formas de manipular um sistema ou produto. Quando tecnologia não levar em conta peculiaridades individuais. © 2006 eduardo romeiro filho 137 ufmg . predeterminam o modo e a extensão que um indivíduo utilizará a tecnologia. renda. e assim por diante.ao começar a utilizar uma nova tecnologia. Nielsen adiciona o critério de memorização que poderia ser considerado como um aspecto de aprendizagem. Shneiderman propõe o conceito de Usabilidade universal. software e redes. que por si só não assegura tecnologias usáveis. Há então uma necessidade de proporcionar equipamentos flexíveis e compatíveis para os usuários. pois depende em parte de características individuais de usuários. com algumas sobreposições (por exemplo efetividade e eficiência). tais como habilidades. os critérios de efetividade e eficiência de um produto ou sistema. ou. que. que define eficiência como a relação entre recursos despendidos e os objetivos alcançados. Segundo esta visão. podendo dividir sociedade em ricos e pobres de informação. têm caráter subjetivo. gênero. se discute a necessidade de haver critérios mensuráveis para referência durante o processo de desenvolvimento. e freqüentemente os usuários não podem se manter atualizados de todas as inovações. quando este for novamente utilizado após um certo período de tempo. Assim . normalmente expressas de forma qualitativa. uma característica de retenção específica de aprendizagem. cultura. O atributo geralmente mais mencionado de um produto utilizável é a aprendizagem. e a dimensão subjetiva. Os erros na utilização do produto ou sistema são outro atributo importante. Ao final. adicionando treinamento e materiais de apoio. Para tanto. quanto às atitudes do usuário. que garantiria utilização bem sucedida de tecnologia por qualquer cidadão. Por isto. ele não oferece uma descrição de componentes de Usabilidade mas uma vasta agenda de pesquisa. Shneiderman vai além de acesso universal e constrói o modelo de Usabilidade universal em três desafios principais: Diversidade tecnológica – aspectos tecnológicos que abrangem hardware. como Nielsen.

posto que existem similaridades entre métodos e objetivos nas iniciativas. tarefas e ambiente. apontando as atividades necessárias para se assegurar um sistema ou produto usável ao cada fase de produção e uso. sendo focada principalmente ao desenvolvimento de sistemas computacionais e equipamentos de informática. porém não mencionando no que consiste a usabilidade.5 Abordagens de usabilidade orientadas ao produto e ao processo Em sua revisão do estado da arte sobre o tema. em um dado contexto de trabalho. os conceitos analisados nestas normas podem ser utilizados em outros campos. © 2006 eduardo romeiro filho 138 ufmg . esta abordagem oferece freqüentemente apenas algumas sugestões que ajudam administrar o processo de avaliação de usabilidade. o que pode ser avaliado pelo usuário em testes). 3. como o usuário. Então. são conhecidas duas abordagens comuns: Abordagem orientada ao produto – neste caso a usabilidade é tratada como uma série de exigências que sistemas ou produtos deveriam satisfazer para ficar usável (por exemplo. ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999). em certos casos. o modo como alcançam metas específicas.pois exige novas soluções que permitam a utilização adequada de produtos por idosos.com) é conhecida por aplicar princípios de design universa em produtos de extrema elegância e beleza. a usabilidade é alcançada quando o processo de Projeto de Produto for centrado no usuário. Podemos citar as seguintes normas sobre o tema em análise: ISO 9241-11: Guidance on usability (1998).depto engenharia de produção . 3. projeto do produto O progressivo envelhecimento da população é um desafio ao projetista. e que deveriam facilitar a administração do desenvolvimento de produtos. visando especificar atributos que possam antever o comportamento do usuário. muitas vezes com variados graus de limitação. englobando características de contexto específicas. Neste sentido. Esta abordagem procura compensar a fragilidade do Projeto de Produto ao se orientar por uma série pré-determinada de características do usuário. Abordagem orientada a processo – neste caso. Esta abordagem é pertinente pois visa estabelecer métodos de trabalho que proporcionem alcançar o desenvolvimento de produtos usáveis. um dos campos onde o tema usabilidade foi mais estudado. no intuito de guiar a colaboração de fabricantes e outras partes interessadas. o foco está na integração da usabilidade ao processo de desenvolvimento de produtos. observa-se que uma das definições amplamente aceita de usabilidade é proposta na norma ISO 9241-11. Entretanto. A empresa fabricante de utensílios de cozinha OXO (www.oxo.6 Normas de usabilidade Uma série de normas ISO sobre usabilidade já está publicada. Glosiene e Manzuch propõem que na literatura sobre usabilidade. As abordagens orientadas a produto e a processo são complementares e deveriam ser explorados ambos em todas as fases de desenvolvimento. Porém. como os exemplos ao lado.

mas também participantes de outras áreas e funções. 3. Outro componente na avaliação da usabilidade é o contexto de uso. a fase inicial de planejamento é muito importante. conjugando as necessidades dos usuários e recursos organizacionais. Incluir responsáveis por esta inclusão desde os níveis hierárquicos superiores. Esta norma estabelece uma estrutura básica de Usabilidade. baseada em fatores como as características. Fase 2: Especificar os requisitos do usuário e organizacionais.). Os fatores ambientais podem ser divididos em técnicos (por exemplo. umidade.2 ISO 13407: Human-centred design process for interactive systems (1999) Com base na filosofia e definição de usabilidade da norma ISO 9241-11. ambos propostos na norma ISO 9241-11. onde estão compreendidos o usuário. Fase 1: Entender e especificar o contexto de uso. Alocação apropriada de funções entre usuário e produto. ensejando a participação destes em todos estágios do processo de desenvolvimento. que outros sistemas e produtos são usados). buscando propiciar haja equilíbrio entre estes. que proporcionem a coleta e aproveitamento contínuo de informações dos usuários durante as fases do projeto. coletando informações detalhadas do usuário. o objetivo é desta norma é direcionar as atividades de desenvolvimento de sistemas interativos sob a perspectiva do projeto centrado no ser humano. bem como para antever seu comportamento. O ambiente que engloba os fatores externos que envolvem o usuário e sua interação com o produto ou sistema. Assim. capacidades e limitações do usuário e da tecnologia. empregando conhecimentos de ergonomia e fatores humanos. e até mesmo as funções mais concretas que atendem as necessidades de usuário. Gerenciamento do tempo. e no ajuste do produto ou sistema ao ambiente e as tarefas. Esta norma propõe ainda que as organizações que pretendem implementar estes princípios de projeto centrado no ser humano em seu processo de desenvolvimento de produtos deveriam realizar tarefas preparatórias e planejar atividades futuras que devem incluir: Atividades de projeto centradas no usuário. enfatizando metas ou objetivos do usuário e contexto de uso como componentes que direcionam qualquer atividade de avaliação de Usabilidade. Esta filosofia de Projeto de Produto é multidisciplinar e concebida para suportar o desenvolvimento de produtos usáveis. as avaliações de usabilidade devem considerar as metas ou objetivos do usuário e o contexto de uso. Desenvolver e utilizar meios e procedimentos eficazes de coletar. na identificação e prevenção de problemas. entre outras) é necessário para distinguir tipos diferentes de indivíduos que interagem com o produto ou sistema. ambientais (por exemplo. e provêem valiosa informação para definir requerimentos dos produtos ou sistemas. conhecimento. A análise e descrição de tarefas do usuário. Human-centred lifecycle process descriptions (2000). projeto do produto ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction.1 Norma ISO 9241-11: Guidance on usability (1998). Incluir marcos no processo.depto engenharia de produção . assistindo na formulação e refinamento de soluções. físicos (por exemplo. © 2006 eduardo romeiro filho 139 ufmg . Procedimentos para integrar tais atividades nas demais atividades de desenvolvimento. experiência. Neste caso. As fases principais propostas para o processo de projeto centrado no ser humano são descritas a seguir e se relacionam às metas ou objetivos do usuário e ao contexto de uso. a norma propõe que o Projeto de Produto centrado no ser humano deve ser embasado em quatro princípios: Envolvimento ativo de usuários e compreensão dos requisitos das tarefas e usuários. ajudam entender como os usuários alcançam suas metas ou objetivos. idade. 3. Equipes multidisciplinares de projeto. etc. O conhecimento das características do usuário (tais como atributos físicos.5.5. calor. educação. em relação à critérios e medidas apropriadas de efetividade. Pontos de interação ao longo do desenvolvimento do projeto. Além destas fases principais. tarefa e o ambiente. ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002). As metas ou objetivos do usuário durante a interação com produtos ou sistemas são cruciais para determinar os contornos dos produtos ou sistemas. envolvendo não só usuários e projetistas. características do lugar onde se executa a tarefa). principalmente para levantamento de recursos necessários. As tarefas compreendem uma sucessão de ações específicas necessárias alcançar as metas desejadas pelo usuário. organização do trabalho). eficiência e satisfação. relativos às atividades relacionadas com o usuário. comunicar e registrar opiniões dos usuários. tarefa e ambiente. sociais e culturais (por exemplo. pode afetar a usabilidade.

podendo utilizados desta forma. A utilização de vários métodos deve proporcionar melhores resultados. O foco do projeto do produto é obter informações do usuário. no intuito de apoiar àqueles envolvidos no projeto.4 ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction (2002) A proposta deste relatório é auxiliar aos profissionais na tomada de decisões sobre a escolha de métodos de usabilidade no apoio às atividades de projeto centrado no ser humano. aplicados em algumas das quatro fases indicadas na norma ISO 13407. e outros fatores relevantes em para sua seleção e uso. bem como as recomendações de sua adoção ante aos fatores informados acima. 3. legais e normativos. diferindo quanto ao foco. 3. até que os objetivos sejam atingidos. Os métodos de usabilidade descritos neste relatório são aplicáveis tanto ao projeto do produto como para avaliação deste.5. d) Disponibilidade e características dos usuários. © 2006 eduardo romeiro filho 140 ufmg . máquinas e programas. c) Restrições de tempo e recursos. f) Características das tarefas a serem executadas. projeto do produto Fase 3: Produzir soluções de projeto. A intenção da norma é informar modelos de processos aos usuários que desejem considerar a processos centrados no ser humano no ciclo de vida de sistemas.depto engenharia de produção . As atividades de avaliação devem ser utilizadas em todas as fases e para atender a diversos propósitos. e) Características dos produtos. o que está disponível na norma e será abordado adiante. máquinas e programas. as avaliações são meios para se identificar problemas e devem ser empregadas ao longo do ciclo de vida do produto. explorando em detalhe cada um destes processos e seus componentes. principalmente o conhecimento. empregando conhecimento multidisciplinar existente. Fase 4: Avaliar as soluções em relação aos requisitos. conforme citado na norma ISO 13407. apresentando definições de processos que compreendem a abordagem de projeto centrado no ser humano e listando seus componentes. A norma ISO 13407 expande os princípios da norma ISO 9241-11. porém também devem ser consideradas a seleção adequada de métodos e as condições disponíveis para aplicação. Neste caso. porém não são enumeradas e comparadas vantagens e desvantagens para sua adoção. em alguns casos de forma conjunta ou seqüencial. g) Nível de conhecimento em ergonomia dos participantes. A escolha ou seleção específica destes métodos depende dos seguintes fatores: a) Fase do projeto. Entretanto. Este trabalho traz uma avaliação dos métodos existentes de usabilidade que podem ser utilizados individualmente ou em combinação para suportar as atividades de projeto e avaliação. desvantagens. Em contrapartida. o foco da avaliação do produto está na verificação do seu projeto em uma dimensão particular ou ante a um padrão. capacidade e limitações deste em relação à tarefa e contexto específicos para o qual o produto está sendo projetado. A tabela abaixo traz os métodos constantes no relatório técnico ISO/TR 16982. ou ainda. como proposta na norma ISO 13407. Também estão incluídas implicações referentes ao estágio do projeto e do ciclo de vida do produto para a seleção do método. onde aplicável. proporcionando diretrizes para organizações incorporarem usabilidade como um objetivo no processo de desenvolvimento de produtos baseados em tecnologia. Human-centred lifecycle process descriptions (2000) Esta publicação explora a Norma ISO 13407. b) Fase do ciclo de vida do produto. todos os métodos são analisados separadamente. Cada método é descrito com suas vantagens. detalhes e métodos para implementação das atividades propostas permanecem obscuros. envolvendo usuários em potencial.5. mas também porque é a forma de monitorar aspectos organizacionais. gerando e testando interativamente modelos e protótipos de futuros sistemas ou produtos. Este relatório propõe sete processos. saídas e informações utilizadas e produzidas. Além disto. e sua descrição resumida. uso e avaliação do ciclo de vida de sistemas.3 ISO/TR 18529: Ergonomics of human-system interaction. para diversas finalidades. principalmente porque é a forma de obter informações do usuário e aperfeiçoar protótipos. através da medição ou coleta de dados a partir do desempenho ou preferência do usuário.

depto engenharia de produção . na página seguinte). Assim. a engenharia de usabilidade engloba um conjunto de atividades que deveriam estar contidas ao longo de todo ciclo de vida do produto. expectativa. 3. com atividades significativas ocorrendo nos estágios iniciais.) colaborar na avaliação e projeto de sistemas. Cit. a usabilidade não deve ser vista isoladamente do amplo contexto corporativo de desenvolvimento de produtos. devendo ser aplicada a famílias de produtos e projetos extensos.6 O ciclo de vida da engenharia de usabilidade A engenharia de usabilidade não deve ser tratada como um tópico isolado. revelando diversos aspectos de implementação de usabilidade. Avaliação de Avaliação baseada no conhecimento. o planejamento de futuras versões é também uma razão para se acompanhar o lançamento do produto com estudos de campo de sua utilização real. 2002) 3. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário. onde a interface usuário- produto é apenas inserida antes do lançamento do produto. Mais que isso.5. etc. Projeto e avaliação Métodos que permitem tipos diferentes de participantes (usuários. Estes documentos formam uma estrutura de usabilidade conforme esquema proposto por Glosiene e Manzuch (quadro 1.. No contexto de abordagens centradas no ser humano. performance Análise de Coleta sistemática de eventos específicos. Avaliação Algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em automatizada ergonomia que diagnosticam as deficiências do sistema comparado a regras predeterminadas. Medições Coleta de medições de performance quantificáveis para compreender o impacto de relacionadas à aspectos de usabilidade. crenças. projetistas. normalmente extraídos através de interações em grupo. Métodos Criativos Métodos que envolvem dedução de características de novos produtos e sistemas. antes da interface com o usuário ser projetada. projeto do produto Nome do Método Descrição Resumida Observação de Coleta de forma precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a usuários performance dos usuários. durante a utilização do sistema em teste.5 Complementaridade entre as normas ISO As normas e relatórios ISO aqui abordadas resumidamente são complementares. colaborativa especialistas em fatores humanos. habilidade e experiência prática em ergonomia do Perito especialista em usabilidade. Op. dúvidas. Tabela 2 – Descrição Resumida de Métodos (adaptado da Norma ISSO 16982:2002. Pensando alto Consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. Da mesma forma. etc. Métodos baseados Exame de documentos existentes por um especialista em usabilidade para formar um em documentos parecer profissional do sistema. Métodos baseados Utilizam modelos que são representações abstratas para o produto avaliado a fim de em modelos permitir a previsão da performance do usuário. descobertas. incidentes críticos Questionários Método indireto de avaliação que coleta opiniões dos usuários sobre a interface do usuário em questionários predefinidos. os membros de tais grupos freqüentemente são usuários. © 2006 eduardo romeiro filho 141 ufmg . onde produtos são lançados em várias versões ao longo do tempo.. Entrevistas Similares aos questionários com grande flexibilidade e envolvendo interação face a face com o entrevistado. diferindo pelo nível de abstração da informação proporcionada.

Avaliação usuário e especificação do ante aos preliminares: requerimentos soluções de contexto de uso requisitos planejamento organizacionais projeto 1. análise de incidentes críticos. © 2006 eduardo romeiro filho 142 ufmg . uma vez que evitará futuras mudanças neste para atender às recomendações de usabilidade.cit.. Produzir IV. Usability methods supporting user-centred design Métodos: observação de usuários. com o objetivo de identificar seus pontos fortes e fracos. Estabelecimento de metas: como discutido anteriormente. projeto do produto QUADRO 1 – COMPLEMENTARIDADE DE NORMAS ISO (adaptado de GLOUSIENE. relacionadas com o desenvolvimento do produto.Especificar os requisitos organizacionais 5. devem ser estabelecidos critérios de avaliação para cada atributo. Compreender e Introduzir especificar contexto ISO/TR 16982: Ergonomics of human-system interaction. eficiência. i d l j li ã l b i é d i i é d b d Ao se considerar a usabilidade em todas as fases do ciclo de desenvolvimento do produto. antes mesmo do projeto ser iniciado. e sobre a evolução do usuário e da tarefa. Audrone & MANZUCH. 2004) ISO 9241-11: Guidance on usability Escopo de Usabilidade: objetivos. através de avaliações heurísticas e realizar testes empíricos com estes produtos. Op. Zinaida. Compreensão e III. sendo necessário identificar os atributos desejados. e proporcionar idéias para o desenvolvimento de um novo produto. satisfação ISO 13407: Human-centred design processes for interactive systems II. Para avaliar o atendimento destas prioridades. processo de HCD 4. questionários. tarefas. usabilidade não consiste em um atributo unidimensional. medicos de performance. Aliás. Planejar e gerenciar o 7. Nielsen propõe onze fases para o ciclo de vida da engenharia de usabilidade. esta é apontada como a forma mais econômica para que o projeto do produto seja influenciado pela usabilidade. Especificação do Atividades I. estabelecendo prioridades para o produto em desenvolvimento com base na análise dos usuários e suas tarefas. visando a antecipar eventuais mudanças.depto engenharia de produção . Análise competitiva: consiste em analisar produtos concorrentes existentes. contexto de uso Medidas de Usabilidade: efetividade. Projeto em paralelo: tem por objetivo explorar diferentes alternativas de projeto antes de definir aquela que será detalhadamente desenvolvida e submetida a atividades de usabilidade pormenorizadas. principalmente se a usabilidade estiver incluída nas atividades iniciais do desenvolvimento. sobre as tarefas atuais e desejadas pelos usuários (análise da tarefa). Assegurar o 3. Produzir 6. as quais sejam: Conhecer o usuário: nesta fase devem ser coletadas informações sobre as características dos usuários. Avaliação ante aos conteúdo de e níveis de decisões requirsitos soluções de ISO/TR 18529 HCD na estratégia 2. sobre as funções do produto (análise funcional). os resultados obtidos provavelmente serão melhores que a aplicação isolada em determinada fase.

o projeto iterativo. muitas vezes pode levar a decisões entre os grupos de usuários que se privilegiar. seriam considerados usuários com níveis de habilidade ou conhecimento distintos utilizando um mesmo sistema ou produto. é possível se produzir uma nova versão da interface. sendo este classificado entre novato e perito. podem ser muito maiores do que os benefícios incrementais de se utilizarem exatamente os métodos corretos para um dado projeto. julgam importante considerar os grupos de usuários pretendidos quando da execução de testes de usabilidade.6. é necessário haver coordenação entre todas as áreas envolvidas no projeto. Decisões de Usabilidade Face às diferentes características entre usuários. quanto à experiência com sistemas ou produtos em geral. Nielsen propõe que as diferenças entre usuários ocorrem em três dimensões: quanto à experiência do usuário. 3.1 Categorias de Usuários e Diferenças entre Usuários Dentre os aspectos mais importantes para usabilidade estão as tarefas dos usuários e suas características e diferenças individuais. Diretrizes e avaliação heurística: definir diretrizes que listem princípios bem conhecidos para o projeto de interfaces. de forma que a interface criada seja consistente. permitindo que as informações sejam mais abreviadas e condensadas pois o maior conhecimento do usuário permitirá que este as analise e processe com eficácia. Usuários novatos são importantes pois estes encontram muitos dos problemas sérios e cometem a maioria dos erros. Estudos da utilização do produto em campo avaliam como usuários reais utilizam a interface para tarefas realizadas em seu ambiente real de trabalho. Assim. Prototipagem: avaliações de usabilidade iniciais podem ser baseadas em protótipos que podem ser desenvolvidos mais rápida e economicamente. e podem. deve-se ter cuidado ao generalizar os resultados de quaisquer avaliações de usabilidade para outro contexto. Usuários experientes teriam competência e autoconfiança para ser críticos e sugerir melhorias baseados em suas experiências práticas. e à missão dos projetistas de atender às necessidades dos usuários em dados contextos. e assim. Neste sentido. Por este motivo. Estudos de acompanhamento de sistemas instalados: o principal objetivo do trabalho de usabilidade. assim. ao invés de se realizar seu lançamento sem qualquer avaliação. devem ser inseridos testes com usuários reais dos produtos durante seu desenvolvimento. Garmer et al. ao meio de produtos. A experiência do usuário com uma determinada interface seria a dimensão que normalmente se refere à habilidade do usuário. a dimensão que considera o conhecimento da tarefa a ser executada pelo usuário. e em relação ao domínio da tarefa a ser executada. Coordenando a Interface Total: neste caso. Nesta dimensão. e que assim podem ser modificados várias vezes antes da melhor compreensão da interface com o usuário ser alcançada. que pode envolver significativamente distintos tipos de usuários. Neste caso. e as ações sobre estes devem objetivar a redução de ambos.2. Finalmente. uma vez que a natureza das informações de grupos diferentes pode ser diferente. 3. Por outro lado. tais avaliações devem ter como critério a severidade dos problemas e freqüência de sua ocorrência. porém diferem quanto à habilidade ou experiência em um dado campo de forma geral (por exemplo informática). ou ainda num patamar intermediário. Projeto Iterativo: baseado nos problemas e oportunidades de usabilidade descobertos através de testes empíricos. usuários com menor conhecimento necessitarão que o sistema explique o que está fazendo e o que significam as diferentes opções. consiste em coletar dados de usabilidade para as próximas versões e novos produtos. proporcionar maior percepção que não estaria facilmente disponível em estudos de laboratório. é importante considerar os usuários e suas diferenças ao realizar estudos de usabilidade.6. usuários com experiência mais extensa normalmente terão melhores resultados que outros com experiência reduzida. Há também que se considerar a situação que usuários têm a mesma habilidade ou conhecimento em um novo sistema ou produto. aproveitando-se de resultados das constantes iterações com o usuário pode apresentar excelentes resultados. Mesmo que a recomendação de conhecer o usuário tenha sido seguida antes de iniciar o projeto. Assim. tarefas e ambientes. e ao nível de conhecimento da tarefa. Para Jakob © 2006 eduardo romeiro filho 143 ufmg . Neste caso. que devem ser observados durante o desenvolvimento.depto engenharia de produção . Avaliação da interface: os benefícios de se empregarem razoavelmente métodos de engenharia de usabilidade para avaliar a interface produto-usuário. e a terminologia utilizada não poderá ser tão abreviada e densa como para especialistas. após o lançamento do produto. projeto do produto Projeto participativo: neste caso. mesmo com interfaces otimizadas. aqueles que possuem maior habilidade acabam por se sair melhor ao utilizar o novo sistema ou produto. pois terão melhor percepção das características do sistema e de como este trata diversas situações. o projetista pode ainda não conhecê-lo suficientemente bem a ponto de poder responder todas as questões levantadas durante a execução do projeto. suas experiências ante ao produto.

são apontadas como as desvantagens ou restrições da utilização do método: Pode requerer bastante tempo para ser concluído.7 Principais métodos de usabilidade A literatura disponível sobre o tema propõe e discute diversos métodos de usabilidade. As vantagens do método são: Pode ser aplicado em cenários reais. que definirá a quais atributos são mais importantes nas circunstâncias específicas do projeto. A facilidade de comparação de resultados.7. Os incidentes são descritos no formato de pequenos relatórios que proporcionam obter os fatos do entorno do incidente. discutindo suas vantagens e desvantagens. Em contrapartida.3 Análise de incidentes críticos Este método consiste na coleta sistemática de eventos que sobressaem ante ao contexto de performance do usuário. A seguir os métodos e suas características principais serão retratados com base na análise realizada na Norma ISO 16982:2002. o método de incidentes críticos permite a análise de eventos significativos. A necessidade de habilidade para sua interpretação. Os dados podem ser coletados através de entrevistas com o usuário. no contexto de tarefas específicas durante a atividade do usuário.depto engenharia de produção . que podem ter ocorrido no passado ou em certo período de tempo. Enquanto em medições relacionadas à performance o foco de interesse está nas tarefas correntes e situações existentes. 3. tempo gasto para correção de erros. incluindo medidas quantificáveis como tempo gasto para completar uma tarefa. projeto do produto Nielsen. Observam-se como vantagens deste método: A coleta das causas dos problemas. a Norma ISO/TR 16982:2002 aborda tais métodos. A insuficiência de eventos relatados pode afetar a validação da análise. permitindo que as pessoas colaborem em suas respostas. 3. que podem ser conduzidos em situações reais ou laboratórios. a decisão entre propiciar aprendizagem para usuários novatos e eficiência para usuários peritos pode ser resolvida em alguns casos em benefício de ambos os grupos. que possuem a vantagem de evitar respostas enigmáticas. Entretanto. pode ser útil a utilização de questionários para coletar informações dos usuários.4 Questionários Em diversas situações durante o desenvolvimento de produto. Por outro lado. Decisões são inerentes a qualquer processo de projeto e se aplicam também à interface com o usuário. muitas vezes com nomes e procedimentos similares. Entretanto. Questionários padronizados podem ser utilizados para comparações sistemáticas. A atividade real é relatada. objetivando a observação da interação. A atividade real é reportada. A ausência de conexão direta com o processamento mental. As vantagens deste método são: A coleta de dados confiáveis. 3. também há as desvantagens ou restrições: Não necessariamente permite descobrir as causas dos problemas Exige uma versão operativa do produto ou sistema. O fato de se focalizar os eventos onde as demandas dos usuários são maiores. Os incidentes são então agrupados e categorizados.7. tal método é relacionado a efetividade e eficiência.7. 3. positivos ou negativos. entre outros.2 Medições relacionadas à performance Também chamado de medições relacionadas à tarefa. 3. podendo apresentar formatos abertos. e fatores para sua seleção e uso. o próprio autor reconhece que nem sempre é possível atingir resultados ótimos em todos os atributos de usabilidade simultaneamente. o dilema deve ser resolvido segundo a direção estabelecida pela metas de usabilidade definidas para projeto. Tal observação é estruturada e baseada em classificações de comportamentos de usuários pré-definidos. Neste caso. © 2006 eduardo romeiro filho 144 ufmg . ou formatos fechados com escalas para resposta. número de erros.1 Observação de usuários Este método consiste na coleta precisa e sistemática de informações sobre o comportamento e a performance dos usuários. são apontados como suas desvantagens ou restrições: O tempo necessário para analisar os dados.7. número de tarefas que pode ser realizado em um tempo determinado. Conforme citado anteriormente.

A análise detalhada pode consumir muito tempo. Adicionalmente. © 2006 eduardo romeiro filho 145 ufmg . As verbalizações podem ser simultâneas. 3. projetistas e responsáveis pelo desenvolvimento. isto é. crenças. permitindo explorar as respostas dos usuários. Relativa facilidade de gerenciar. São apontadas como vantagens: Rapidez na condução. A razão para tanto é que o contexto de uso e/ou as tarefas dos usuários podem ser de difícil compreensão para o projetista ou responsável pelo desenvolvimento. 3. Flexibilidade. Vantagens: Permite descobrir preferências subjetivas. As vantagens e desvantagens deste método são listadas a seguir. pois o entrevistador pode explicar mais profundamente ou reformular questões difíceis para os usuários. projeto do produto como por exemplo. sugestões. durante a execução da tarefa. o entrevistador pode explorar mais as respostas que requererem mais investigação ou que levarem a novas constatações que não tenham sido previstas na preparação das entrevistas. As vantagens indicadas pela Norma ISO/TR 16982:2002 são: Rapidez na condução. As vantagens observadas neste método são: Coletar rapidamente uma visão geral da opinião dos usuários. Assegura a comunicação e aprendizado entre usuários. Pode ser usado desde os estágios iniciais do projeto. Os itens dos questionários podem influenciar tanto as questões como as respostas. consiste em ter usuários continuamente verbalizando suas idéias. Normalmente é preferível que tais verbalizações sejam realizadas simultaneamente. características e quantificações dos usuários em relação a um sistema. entre produtos competidores. descobertas. São indicadas com desvantagens: Análise detalhada exige tempo. evitando que os usuários sejam seletivos em seu relato ou introduzam outras razões após a ação.. porém com maior flexibilidade devido interação face a face com o entrevistado. durante a utilização do sistema ou produto.7 Projeto e avaliação colaborativa Métodos colaborativos ressaltam a importância do usuário desempenhar um papel ativo no projeto e na avaliação do produto. As desvantagens ou restrições indicadas são: Podem ser desconfortáveis para alguns usuários. Flexível. etc. Condução pode ser em tempo reduzido.depto engenharia de produção . dúvidas. expectativa. Observa-se. ou ainda o fato de que os usuários podem ter dificuldade em expressar suas reais necessidades ou requisitos no processo de desenvolvimento. Da mesma forma que os questionários. Coleta percepções do processo mental do usuário. mas apenas opiniões dos usuários em relação à interface do produto. Este método apresenta a vantagem de ser mais flexível. provendo informações valiosas com respeito às razões que levam aos usuários a realizar determinadas ações.7. 3.7.6 Pensando alto Conforme citado anteriormente. Diversos tipos de dados podem ser coletados. quando o relato do usuário ocorre após a realização da tarefa através da análise da filmagem das ações realizadas. tais como opiniões. uma vez que não estudam a interação. Desvantagens: Avaliações próprias podem não ser confiáveis como medidas de performance. Exige habilidade para interpretação acurada dos dados. Não permite coletar informações de performance da tarefa durante o uso do método.7. as entrevistas podem utilizar desde formatos abertos até altamente estruturados.5 Entrevistas As entrevistas se assemelham aos questionários. o método denominado aqui pensando alto. tanto nas perguntas como nas respostas. É aberta a influências. permite explorar as respostas dos usuários. entretanto que métodos qualitativos são geralmente indiretos. tradução literal do termo “thinking aloud”. ou retrospectivas. especialistas em usabilidade.

são apontadas as seguintes desvantagens ou restrições ao método: Pode revelar conflitos entre as partes. 3. Permite influências. realiza uma análise com base em documentos existentes (tais como normas. suas funcionalidades e suas interfaces. As vantagens citadas para este método são: Rápido para conduzir. As vantagens observadas para estes métodos são: Amplamente disponíveis. Permite influências. para avaliar o sistema ou produto. que permitem predizer a performance do usuário. um especialista em usabilidade.7. tais métodos que visam a dedução de características de novos produtos e sistemas.11 Avaliação de especialista Avaliações de especialistas são baseadas na experiência e conhecimento do especialista. Tais métodos proporcionam meios para identificar problemas de usabilidade conhecidos e podem ser aplicados no início do ciclo de vida. que identifica os problemas mais freqüentemente observados. estes métodos são limitados pela competência dos especialistas em usabilidade. são indicadas: Demanda tempo. Entretanto. ainda que isto propicie melhores resultados. juntamente com seu próprio julgamento. se referindo a um modelo de interface homem-máquina otimizado que tenha em mente. projetistas e especialistas em usabilidade. © 2006 eduardo romeiro filho 146 ufmg . As desvantagens ou restrições apontadas são: Não compreendem todos os aspectos da interação do usuário com o sistema.7. Entretanto.depto engenharia de produção . e demonstrações comprovadas experimentalmente). Tais métodos ajudam a criar e definir novos produtos. normalmente extraídos através de interações em grupo. 3. Esta avaliação pode levar à rápida identificação de problemas potenciais e pode também ser usado para eliminar as causas dos problemas.10 Métodos baseados em modelos Basicamente a Norma ISO 16982:2002 descreve dois tipos de abordagem. Aperfeiçoa na comunicação entre usuários. Como desvantagens e restrições.7.9 Métodos baseados em documentos Neste método. se realizada exaustivamente. também são apontadas desvantagens e restrições. sendo usados em muitas áreas para gerar uma lista de idéias para criar novos produtos e/ou solucionar problemas através da mudança de perspectivas e considerando opiniões alternativas. podendo haver diferenças entre diagnósticos de especialistas distintos. Integração antecipada com abordagens de engenharia. e a segunda. Não permite coletar dados sobre a performance na execução da tarefa. Como vantagens são apontados: Não requer experiência. Necessidade habilidade para construir e interpretar modelos. Pode ignorar problemas importantes. Bem adaptado às fases iniciais do projeto. Pode consumir muito tempo. proporcionando maior consistência. Pode ser baseado no estado da arte do conhecimento. 3. Vantagens citadas para este método são: São necessárias competências mais amplamente disponíveis que outras requeridas por métodos ergonômicos mais específicos. através de métodos formais baseados em modelos de usuários e tarefas. a saber: Necessidade de competências em ergonomia. projeto do produto Entretanto. como todos os métodos. Padronizam comparações e antevêem performance.8 Métodos criativos Citados resumidamente anteriormente. Bem adaptado aos estágios iniciais do projeto. Pode identificar problemas específicos e recomendar soluções. Como vantagens ou restrições são citados: Análise detalhada consome tempo. 3. a primeira que consiste na especificação da interface do usuário e métodos de projeto que permitem a modelagem do comportamento dos usuários.7.

estabelecendo matrizes que correlacionam os métodos e tais fatores. O fato de o contexto de uso não ser considerado nestas abordagens implica no uso complementar de outros métodos. às restrições de projeto. são apontadas como desvantagens ou restrições: Pode ignorar problemas importantes. projeto do produto 3. Cit. as avaliações automatizadas podem diagnosticar as deficiências de um sistema comparado a regras predeterminadas. Op.7. A Norma ISO/TR 16982:2002 analisa a seleção dos principais métodos de usabilidade em relação ao ciclo vida.. e à participação do usuário. 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 147 ufmg . Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Fase do Ciclo de modelos críticos Vida Aquisição ++ + + + + + ++ + Desenvolvimento - Análise dos ++ + + ++ ++ ++ + + + + + requisitos Desenvolvimento - Arquitetura do + ++ + + ++ + ++ ++ + + + projeto Desenvolvimento - Testes de + ++ + ++ ++ + + + + + + qualificação Manutenção e + + ++ + + + + Operação Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . pois as mesmas também embasaram a seleção dos métodos utilizados. A vantagem da aplicação deste método está na consistência da avaliação ao longo do projeto.12 Avaliações automatizadas Baseados em algoritmos focados em critérios de usabilidade ou uso de sistemas baseados em ergonomia. 3. Requer uma versão operativa do protótipo. Não recomendado NA Não aplicável Tabela 3 – Métodos relacionados aos principais estagios do ciclo de vida (adaptado da Norma ISO 16982:2002. A seguir.depto engenharia de produção . Em contrapartida.8 Seleção de métodos de usabilidade A flexibilidade de muitos métodos implica na possibilidade de utilizá-los para diversos tipos de sistemas e ao longo de diversos estágios de desenvolvimento. tais matrizes são retratadas neste trabalho.

projeto do produto Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos projeto Tempo reduzido . ++ . Cit. . .. . . + custo/preço Alto nível de qualidade do ++ ++ + ++ ++ + + + + + + + produto . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 5 – Métodos relacionados à participação do usuário (adaptado da Norma ISO 16982:2002. 2002) Método Medições relacionadas à Avaliação automatizada Observação de usuários Análise de incidentes Métodos baseados em Métodos baseados em Avaliação de Perito Projeto e avaliação Métodos Criativos Pensando alto Questionários performance colaborativa documentos Entrevistas Características do modelos críticos usuário Não pode ser + + + + acessado Pode ser acessado ++ ++ + ++ ++ + ++ + + + + + Possui deficiência ++ + + + ++ + ++ + + . Cit. ++ + Controle de .requisito dominante Necessidade antecipada de + + ++ + + + informação/feedbac k/ diagnóstico Especificações + + + + + + ++ + altamente evoluídas Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . .depto engenharia de produção .. + - significativa Legenda: ++ Recomendado + Apropriado Vazio Neutral . . Op. . + . Não recomendado NA Não aplicável Tabela 4 – Métodos relacionados às restrições do projeto (adaptado da Norma ISO 16982:2002. . 2002) © 2006 eduardo romeiro filho 148 ufmg . Op.

ADLER. Ben & FABRYCKY. e analisados por psicólogos ou especialistas. New York: Allworth Press. É importante ressaltar que o próprio autor reconhece as limitações deste método ao citar Voltaire. no. consistindo em reduzir sua complexidade através da eliminação de partes e funções do sistema ou produto. Francisco de P. projeto do produto 3. Kritina e BUTLER. HOLDEN. “Pensando alto” simplificado: basicamente consiste em se ter um usuário realizando determinadas tarefas. sem interferência. o próprio pesquisador realiza a análise com base em suas anotações. 2003. o que facilita a adoção deste método. Wolt. FREUND. Journal of Biomedical Informatics. 1996.1764). uma vez que a terminologia estranha e configurações de laboratório muito elaboradas podem intimidar os profissionais. tradicionalmente. In Design Management – A handbook of issues and methods”. ROOZENBURG. RUBIN. J. 1993. Jouni.. simulando apenas a interface com o usuário. porém a aplicação deste pode propiciar uma oportunidade ampla em face da reduzida necessidade de recursos. BIBLIOGRAFIA LINDBECK. O termo simplificado é utilizado.. feedback. 31. neste caso.. no. 1995. uma teoria impenetrável. O método da engenharia de usabilidade descontado proposto por Nielsen é baseado em quatro técnicas: Observação do usuário e da tarefa: o princípio básico do foco antecipado no usuário deve ser seguido e. Vol. “Product design: fundamentals and methods”. “Diseño: historia. e que eventualmente pode ser melhor utilizar métodos mais indicados em um contexto. John R. et al. 2002. 2000. BLANCHARD.. a aplicação deste método é realizada com o auxílio de gravações de vídeo dos testes. 1991. ROSE.. na análise da tarefa. LIMA. “Usability: Turning Technologies into tools”. “Effects of two ergonomic aids on the usability of an in-line screwdriver”. et al. utilização da linguagem do usuário. 4. Paul S.. tais como diálogo simples e natural. SHINNO. por acreditarem ser necessária. levando-os a abandonar a usabilidade. & EEKELS. Outro fator importante consiste na redução dos recursos necessários para sua utilização. In “Dictionnaire Philosophique”. Eduardo.M. London: Academic Press. 1. quando trabalham normalmente. © 2006 eduardo romeiro filho 149 ufmg . 1994 NIELSEN. Terry A. “Life cycle design. para a engenharia de usabilidade. “Product development methodology for Machine Tools”. Também é necessário considerar que os métodos planejados podem exigir modificações face mudanças nas condições contextuais. 2001.. Alan F. Avaliação heurística simplificada: apesar de existirem diversas diretrizes para este tipo de avaliação. em um dado período. 1992. design. “Design for people”. “O design de produtos como forma de in(ex)clusão social”. segundo o qual “o melhor é inimigo do bom” (“Le mieux est l’ennemi du bien”. DREYFUSS. Henry. Elsevier Science Ltd. Cenários: que são tipos de protótipos especialmente baratos. New York: John Wiley & Sons. Nigel. os usuários permitem ao observador compreender o que fazem e o que não fazem. Inc. E. “Usability Engineering”. London: Blackwell References. Gloucester: Rockport Publishers. DEP/UFMG. Jeffrey. 2004. & WINOGRAD. Universal Principles of Design. entre outras. Willian. “Product design and manufacture”. New York: John Wiley & Sons. Tokyo: Japanese Society of Mechanical Engineering. Julho de 1994. “Da natureza e do objeto da engenharia de produção”. Nielsen propõe o método da engenharia de usabilidade descontado. teoría y practica del diseño industrial”. há trabalhos onde a aplicação simplificada de técnicas de usabilidade. Jakob. “Handbook of usability testing: how to plan. Hidenori. Belo Horizonte. pois muitas vezes os pesquisadores se deparam com a limitação de recursos e de acesso às técnicas e métodos.9 Engenharia de Usabilidade Descontada Baseado no pensamento de Voltaire. pois. “Engineering design methods”.. que podem ser utilizados para avaliar uma grande quantidade de problemas que no projeto de interfaces para o usuário. “Using qualitative studies to improve the usability of an EMR”.depto engenharia de produção . B. BURDEK. ROMEIRO Fo. os usuários devem ser observados. Englewood Cliffs: Prentice-Hall. 1994. New York: John Wiley & Sons. et al. 1955. proporcionou resultados eficazes.. de forma silenciosa. Jil. Elsevier Science Ltd. Ao verbalizar seus pensamentos.A. N. do falhar ao atendo-se a métodos já conhecidos. and conduct effective tests”. Nielsen propõe uma série de princípios. Neste sentido. mensagens claras de erros. CROSS. Barcelona: Editora Gustavo Gili S. enquanto. enquanto este “pensa alto” ao realizar tais tarefas. Applied Ergonomics. Revista Produção.F. 1990. New York: Oxford University Press.A. mesmo sem experiência. LIDWELL.

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nómos. Sage Publications Inc. 1981 YIN. = 'regra'.gov. ou. para obtenção do título de Mestre Profissional em Engenharia da Computação.. A. Verbete: erg(o).depto engenharia de produção .R. 2003..br.Itaipu Binacional.+ -ia.] 1. de R.ibge. “The case study crisis: some answers” in Administrative Science Quarterly. Ergonomia aplicada ao projeto de produto Ergonomia: Verbete: ergonomia [De erg(o). “A formalização de procedimentos e seu papel na integração da atividade projetual”. ONS – Operador Nacional do Sistema. 1.ons. Inc.A. Trabalho final apresentado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT. Informação disponível em http://www. Infomação disponível em: http://www.] S.aneel. 'que regula': ERGONOMIA FISIOLOGIA PSICOLOGIA ANTROPOMETRIA COGNIÇÃO BIOMECÂNICA SEMIÓTICA ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO © 2006 eduardo romeiro filho 151 ufmg ..com. Informação disponível em: http://www. 1979. Departamento de Engenharia de Produção. ou. Conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina. Tese de Mestrado.+ -nom(o). 2005 ZANCHETA. Rose M.] nomo-[Do gr. “Transmission Line Reference Book – Wind-induced conductor motion”. projeto do produto LIMA. Informação disponível em: http://www2. Cornel University.gov.br ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.br. “Case study research – design and methods”.. 1998 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Departamento de Engenharia de Produção. Robert. MARQUES. Verbete: nomo erg(o[Do gr.. YIN. f. Informação disponível em http://www.itaipu. São Paulo.. Ergonomic requirements for office work with visual display terminals. June F.petrobras. Tese de Mestrado. Robert K. PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S.gov. Fernando A. “Requisitos de usabilidade para interfaces homem-computador destinadas a usuários de chão de fábrica”. Palo Alto: EPRI – Electric Power Research Institute.. “Aplicação da AET como contribuição ao projeto para o meio ambiente com ênfase em reciclagem”. Belo Horizonte: UFMG. érgon.. = 'trabalho': 1.br.br. 2004 ISO 9241-11. Genève: International Organization for Standartzation.gov. ITAIPU . HARD. 'lei'. Belo Horizonte: UFMG. 1989.

Ônibus. III Seminário de Ergonomia da Bahia. Ausência de informações sobre trajeto. 23 Palavras-chave: Ergonomia. Altura excessiva do acionamento da campainha. Dificuldade para entrada de bagagem. IX Congresso Brasileiro de Ergonomia. 23 Artigos originalmente apresentados no ABERGO99 . Alguns Exemplos: Enfoque Ergonômico do “Ônibus Urbano" no Brasil: o Exemplo de Belo Horizonte . Projeto do produto. possuem tradicionalmente uma justificada fama de prestarem péssimos serviços à população usuária. além de seu muitas vezes precário estado de conservação. é realizado quase que em sua totalidade através de meios rodoviários. As empresas de ônibus. conexões etc. Transporte urbano. Roletas dimensionadas (teoricamente) para a média da população. no Brasil.. Dentre as principais queixas estão as más condições da grande maioria do veículos destinados ao transporte coletivo. O transporte urbano de massa. Total falta de espaço previamente destinado à bagagem. Existência de grades em volta das roletas. Saliências e arestas metálicas agressivas. Barulho e calor gerados pelo motor. projeto do produto Ergonomia. idosos e deficientes físicos). © 2006 eduardo romeiro filho 152 ufmg . Altura excessiva dos assentos localizados sobre as rodas (justamente aqueles que são destinados a grávidas. Janelas que não abrem mais do que 20% de sua superfície (com a metade de baixo fixa na maioria dos casos). formadoras de um sistema privado de transporte (porém concessionárias de um serviço público).V Congresso Latino-Americano de Ergonomia. Em relação às características do ônibus em si. eis alguns pontos já levantados: Largura insuficiente das portas.depto engenharia de produção . Degraus de acesso com altura excessiva.

cabe indagar: Qual a importância do projeto de um produto direcionado aos meios de transporte coletivo (neste caso. podem ser citados também os postos de trabalho do motorista e trocador. as diversas caraterísticas do ônibus urbano e sua adequação aos usuários finais (passageiros) em condições de uso em situações reais. 1987. Pretende abordar. além das dificuldades de manutenção ocasionadas por deficiências de projeto. ou seja. 1991. após um primeiro levantamento já realizado acerca de algumas das características básicas dos ônibus urbanos. como por exemplo limitações de acesso a partes do motor e de outros sistemas mecânicos. Na pesquisa serão analisadas. LIMA. esta pesquisa procura levantar e discutir algumas destas questões. exercida pelo poder público. Além desta longa lista. em última análise. à ineficiência do sistema são determinados por características do produto definidas em projeto. será levantado um panorama "sistêmico" da situação do transporte público urbano. Serão avaliadas também as formas de adequação do projeto a estes usuários. e investigadas as razões pelas quais o projeto é. regem o serviço de transporte público urbano e definem critérios básicos para o projeto. Com base em dados antropométricos e pesquisa de campo (com a utilização de princípios metodológicos da Análise Ergonômica do Trabalho). das maiores do Brasil e terceiro pólo econômico do país. GUERIN et al. © 2006 eduardo romeiro filho 153 ufmg .. o papel das normas e da legislação existente para efeitos de padronização do sistema de transporte. tomando-se por referência a região metropolitana de Belo Horizonte. serão analisados aspectos ligados à eficiência e adequação das normas vigentes à obtenção do fim proposto. por hipótese. como agente normativo e fiscalizador dos meios de transporte? Partindo-se da hipótese de que grande parte dos fatores que levam à insatisfação dos usuários e. a partir da ergonomia. além da eficiência muitas vezes discutível desses dispositivos. interfere na definição de características do produto "ônibus". projeto do produto Falta de careza sobre a utilização de dispositivos de emergência. e de que formas esta normalização. O método a ser utilizado nesta fase da pesquisa é baseado nas metodologias de análise dos processos de trabalho adotadas em estudos ergonômicos e de organização do trabalho (WISNER. 1996a e 1996b). além das características do produto. buscando contribuir para uma reflexão acerca do tema. ineficiente do ponto de vista ergonômico. dos ônibus urbanos) para a definição das condições de trânsito e de vida da população usuária? Qual o real papel do design e da ergonomia para a evolução deste meio de transporte de forma a atender às reais necessidades de uma larga faixa populacional? Como princípios ergonômicos aplicados ao desenvolvimento de um produto como o ônibus urbano podem colaborar para uma melhoria efetiva dos serviços prestados? Qual a importância da interferência do poder público nesta questão. o atendimento satisfatório da população em seus meios de transporte. por conseqüência. O objetivo final do trabalho é fornecer subsídios à reflexão acerca das normas públicas que. É considerada inicialmente a normalização adotada para o transporte urbano. Diante deste quadro. Para tanto.depto engenharia de produção .

projeto do produto

Espera-se que esta contribuição leve ao refinamento dessas normas tendo em vista as
condições de utilização do sistema de transporte público em situação real.

Bibliografia:

GUÉRIN, F. et all, (1991) Comprende le Travail pour le Transformer. Paris: Éditions de
l’ANACT.
IIDA, Itiro et all. (1977) Aspectos Ergonômicos do Ônibus Urbano. Rio de Janeiro:
COPPE/UFRJ - MIC/STI/Desenho Industrial.
IIDA, Itiro. 1990 Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda.
465pp.
LIMA, F.P.A. (1996) Introdução à Análise Ergonômica do Trabalho (notas de aula). Belo
Horizonte: UFMG
REDIG, Joaquim. (1993) "Respeito Público = Design Público" in Design & Interiores 38.
(nov/dez) p.80-81. São Paulo: RAL Editora Ltda.
WISNER, Alain, (1987). Por Dentro do Trabalho - Ergonomia: Método & Técnica. São
Paulo: FTD - Oboré.

© 2006 eduardo romeiro filho 154 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

A Ergonomia Adverte:
Não Prestar Atenção ao Rótulo Pode
Ser Prejudicial à Saúde
Cristiana Barreto Aorta
Ivi Juventino Dias
Renata Vilanova Lima
Design Industrial - Departamento de Artes - PUC-Rio

Eduardo Romeiro Filho, Orientador
UFMG - Departamento de Engenharia de Produção
Caixa Postal 209 - 30161.970 - Belo Horizonte - MG - 031 499 4892
romeiro@dep.ufmg.br

Palavras-Chave: Ergonomia, Comunicação Visual, Rótulos, Indústria Farmacêutica.

Este trabalho surgiu a partir de um acidente envolvendo um dos autores, após confundir os
rótulos de dois frascos contendo substâncias completamente diferentes (uma delas tóxica). Pode-se
perceber, a partir de exemplos como este, a importância da observação de critérios claros de
diferenciação de produtos através de rotulação. Observa-se também que em inúmeros exemplos,
notadamente relacionados a indústrias farmacêuticas e de cosméticos, existem graus de semelhança
bastante altos entre embalagens e rótulos de diversos produtos, o que dificulta a correta seleção e, em
última análise, a correta utilização desses produtos. Este trabalho pretende demonstrar com alguns
exemplos como a aplicação de princípios da comunicação visual pode (ou poderia) contribuir para a
melhoria da interface entre produtos e usuários, a partir de uma abordagem ergonômica.

A concepção de embalagens e rótulos apropriados é fator de relevada importância para a
adequada interface entre o produto e seus usuários (muitas vezes pessoas sem formação ou mesmo
analfabetas). Os fabricantes e designers envolvidos com projetos de embalagens e/ou rótulos devem,
desta forma, ter como principal preocupação a concepção de uma interface (neste caso, rótulo e
embalagem) adequada adaptada às características e necessidades dos usuários, bem como às formas de
uso do produto. Por mais que as embalagens atendam às necessidades específicas de proteção e
conservação dos produtos, é evidente a necessidade de promoverem-se formas eficazes de
identificação e distinção que atendam a algo mais do que às estratégias de marketing das empresas.

Neste trabalho, foram levantados diversos exemplos, facilmente reconhecíveis no mercado, de
produtos que possuem características de similaridades em suas embalagens, o que contribui para a
confusão por parte dos usuários. Procurou-se evitar casos de produtos propositadamente "copiados",
com a real intenção de enganar o consumidor e/ou usuário dos produtos originais, o que pode levar a
problemas cuja expressão mais tradicional é a de "gato por lebre". Embora esta possa ser considerada
origem para o mesmo problema, não será, entretanto, o objetivo deste trabalho. As marcas comerciais
serão, na medida do possível, evitadas:

© 2006 eduardo romeiro filho 155 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

Remédios homeopáticos: A maior parte das farmácias
homeopáticas utiliza embalagens padronizadas em seus
compostos. Ora, se esta padronização atende a requisitos
econômicos (custo para confecção de rótulos) e formais
(padronização de projeto gráfico), muitas vezes pode levar a
confusões extremamente perigosas, pelo fato de tratarem-se de
produtos químicos. Este foi o caso ocorrido com um dos
membros do grupo que desenvolveu este trabalho.

Remédios - caso A: Aqui a semelhança pode ser
atribuída a questões de padronização gráfica de
embalagens pela indústria farmacêutica. Entretanto,
tratam-se de compostos totalmente distintos: um
remédio geriátrico e um anticoncepcional. Chama-se
a atenção para natural dificuldade de leitura e
redução da capacidade visual observada entre os
Adoçante e colírio: neste caso, uma idosos (usuários de um dos remédios), o que torna
interessante similaridade extrema entre dois este problema crítico.
produtos industriais totalmente diferentes.
Se nos dois casos anteriores a similaridade
poderia ser explicada por razões
econômicas, devido ao fato de tratarem-se
de micro e pequenas empresas, isto não
ocorre neste caso, em que as embalagens
são idênticas.

Não é objetivo deste trabalho esgotar o tema, e nem seria possível diante de tantos exemplos.
Entretanto, algumas recomendações podem ser elaboradas, no campo da comunicação visual, cuja
implantação teria custos relativamente baixos tendo em vista a relevância do tema. Sem dúvida uma
das soluções está na legislação, a quem cabe estabelecer normas de rotulação de produtos (em especial
aqueles que tenham potencial efeito danoso sobre a saúde, como remédios), como, por exemplo,
diferenciação por cores (como no caso dos inseticidas, que possuem tarjas indicando nível de toxidade,
do azul ao vermelho) e/ou aplicação de sinais gráficos que evidenciem o risco ou identifiquem
indubitavelmente o produto.

Além disso, os próprios fabricantes podem desenvolver rótulos que estabeleçam diferenças
marcantes às embalagens (como o uso de cores e logotipia diferenciada). Nem sempre o melhor

© 2006 eduardo romeiro filho 156 ufmg - depto engenharia de produção

projeto do produto

projeto gráfico é aquele que estabelece um "padrão" por demais rígido, que torne a família de produtos
uma sucessão de "clones". Foi observado o caso de um laboratório farmacêutico que já adota
diferenciação por cores em função do tipo de medicamento, o que é, sem dúvida, uma salutar
iniciativa.

BIBLIOGRAFIA:

LAUGHERY, K. R.; WOGALTER, M. S.; YOUNG, S. L. (Ed.) Human factors perspectives on
warnings. Santa Monica: Human Factors and Ergonomics Society, 1994. 282 p.

Roche do Brasil, 1999, http://www.roche.com.br

Creme de barbear e Creme dental: Ambos tem consistência similar, sendo acondicionadas em tubos, embalagens que
possuem formato e cores muitas vezes semelhantes. O grande número de marcas existentes no mercado aumenta a
confusão, que é agravada pelo fato dos dois produtos serem muitas vezes guardados no mesmo lugar.

Remédios - caso B: Um exemplo que
não poderia ser deixado de lado é o
destes comprimidos, que tem
envelopes que guardam entre si
semelhanças de cor e formato: um
deles é um anti-histamínico,
analgésico e antiemético e o outro um
laxativo e purgativo. Neste caso, os
efeitos da troca podem ser imaginados
com inevitável tom de anedota,
embora a semelhança possa vir a ser
efetivamente uma fonte de problemas.

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projeto do produto

Valor

Os valores são a chave para a evolução de uma sociedade
sustentável não apenas porque influenciam o
comportamento, mas também porque determinam as
prioridades desta sociedade, habilitando-a, assim, a
sobreviver. Ao longo do tempo, os valores mudam de
acordo com as circunstâncias. Se assim não fosse, a
sociedade não perduraria (BROWN, 1995).

A metodologia da Análise de Valor para as atividades de desenvolvimento de produto tem a sua origem
no período da II Guerra Mundial, para promover a economia no uso de materiais nobres que passaram a ser
destinados unicamente para a indústria bélica. A indústria sentiu a necessidade de encontrar materiais
alternativos que mantivessem a mesma capacidade de produção e preço do produto. Esta metodologia foi
desenvolvida na General Eletric., por Laurence D. Milles, com o objetivo de obter redução de custos e melhorias
de qualidade e desempenho dos produtos, e é considerada de grande importância para as empresas que queiram
criar novas oportunidades de negócios e dar continuidade aos seus empreendimentos (CSILLAG, 1991).
A diferença entre Análise de Valor e Engenharia de Valor é basicamente o momento em que se está
aplicando. A análise de valor é um conjunto sistematizado de esforços e métodos destinados a reduzir o custo
total de um produto, processo ou serviço, mantendo ou melhorando sua qualidade. A engenharia de valor
refere-se a produtos, processos e serviços novos ainda na fase de projeto (IETEC, 2006). A Análise de Valor
atua durante o início do processo de produção até a venda e apuração do resultado. O plano de trabalho da
Análise de Valor é orientado por uma seqüência metodológica que consiste na coleta e análise de informações,
abordagem funcional, geração de idéias, seleção de idéias e implementações, seqüência semelhante àquelas
encontradas nas metodologias de design de produto (BAXTER, 1995) e do processo criativo (CARVALHO,
1988).
Os valores são circunstanciais, isto é, dependem da situação ou do estado do consumidor, de acordo
com o momento. Um produto deve realizar as necessidades ou desejos do consumidor a fim de ter valor24
(FOWLER, 1990). A aceitação do consumidor é a medida direta do valor25. A aquisição e conservação de bens
materiais são escolhas do consumidor baseada no valor, um termo adotado nas atividades de desenvolvimento de
produto sob várias perspectivas. CSILLAG (1991) apresenta os seguintes conceitos sob o ponto de vista
econômico:
- Valor de custo, como sendo o total de recursos medido em dinheiro, necessário para produzir/obter um
objeto;
- Valor de uso, como a medida monetária das propriedades ou qualidades que possibilitam o
desempenho de uso, trabalho ou serviço;
- Valor de estima, com a medida monetária das propriedades, características ou atratividades que
tornam desejável sua posse;
- Valor de troca, como a medida monetária das propriedades ou qualidades de um item que possibilitam
sua troca por outra coisa.

Valor é um atributo agregado. Segundo a definição no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999), valor
agregado significa valor adicionado. No dicionário Michaellis (1998) significa algo com benefício extra para o

24
A product must fulfill a user’s need or want in order to have value. (FOWLER, 1990).
25
This user acceptance is a direct measure of worth. (FOWLER, Op. cit.).

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projeto do produto

usuário. O valor de um produto, seja qual for a atividade desempenhada por ele, é baseado em duas funções
elementares – a função de uso e a função de estima. Uma função é definida como toda e qualquer atividade que
um produto desempenha (CSILLAG, Op. cit). A função de uso está diretamente relacionada com o valor de uso
do produto e envolve atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função de estima está
diretamente relacionada com o valor de prestígio do produto, envolvendo atividades que auxiliam as vendas do
produto, dotando-o de beleza, status, moda, etc, ou seja, tornando desejável a sua posse.
O valor de uso é a capacidade de um bem de satisfazer necessidades humanas (FERREIRA, 1999), está
relacionado à funcionalidade prática. Segundo MARX (1980), a utilidade de uma coisa faz dela valor de uso, e
este só se realiza com a utilização ou o consumo. O valor de estima é dotado de qualidades mais subjetivas,
condicionadas à hermenêutica, a disciplina da interpretação, ou seja, à semântica. De acordo com
KRIPPENDORFF (1990):
A forma de um artefato, suas superfícies reflexivas, pode ser o que uma câmera responde, mas
para nós seres humanos, isto é sempre interpretado como tendo um nome, tendo uma história de uso
reconhecida, como sendo composto de outras coisas ou sendo capaz de amparar um modo de viver. Se
o significado de um objeto não está claro para nós, nós podemos nos sentir convidados a explorar ou
brincar com ele até que tenhamos adquirido uma compreensão prática sobre ele. Desta forma, o
significado de algo não reside na sua superfície. Ele emerge no uso, com a prática, a prática de viver o
ambiente e contextos específicos, toda vez que nós cognitivamente conectamos nossas ações e
percepções em uma perspectiva circular. Os significados então construídos apóiam nosso modo de
viver, penetrando a superfície tão fundo quanto nosso conhecimento pode chegar e envolvendo nossa
capacidade cognitiva quanto mais interagimos com ele (significado).26

O valor de estima muitas vezes está acima do valor de uso. Em situações corriqueiras este fato se
destaca, como por exemplo, conforme coloca MARTINS (1973): é mais gostoso o beiju cuja massa é sessada27
na peneira fina de taquara; o peixe tratado na gamela rasa de imburana; a feijoada servida em vasilha de
barro; o arroz afogado em frigideira de pedra. É mais gostoso tomar um cafezinho numa caneca de esmalte
(figura 10). A sensação bucólica satisfaz o consumidor, mesmo quando existe uma inadequação funcional. A
caneca de esmalte foi desenvolvida para acompanhar o bule, recipiente para acondicionar o café e que
geralmente ficava à beira do fogão de lenha, preservando uma temperatura morna para a bebida, o que era
conveniente para os materiais utilizados na fabricação destes utensílios. Atualmente o café é acondicionado em
garrafas térmicas, que mantém a bebida mais quente por mais tempo, fazendo com que muitas pessoas queimem
os lábios ao utilizar esta canequinha.
MANZINI e VEZZOLI (2002) lembram o significado (ou melhor, os significados) de vida útil de um
produto: a vida útil dá a medida do tempo – de um produto e seus materiais, em condições normais de uso (com
isto se entende: bem mantido, e não, posto em condições de stress além dos limites aceitáveis). Quando a vida
útil de um produto chega ao fim, é a fase de eliminação. Ainda segundo estes autores, as principais razões que
levam à eliminação dos produtos são: a degradação de suas propriedades ou a fadiga estrutural, causada pelo uso
intensivo, a degradação, devido a causas naturais ou químicas, e os danos causados por incidentes ou uso
impróprio. Mas também por: obsolescência tecnológica, e obsolescência cultural e estética. Os objetos de moda
são os mais sujeitos a tal tipo de envelhecimento. Segundo CALDAS (2004):
Moda, em estatística, é o elemento mais freqüente de uma amostra. Usada no plural, denota
fenômenos em qualquer esfera da sociedade e da cultura. É um fenômeno social ou cultural, de caráter
mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da
necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social.

26
The form of an artifact, its reflecting surfaces, may be what a camera responds to, but for us as human users,
it always already is interpreted by having a name, by having a recognizable history of use, by being composed of
other things or by being able to support a practice of living. If the meaning of an object is not clear to us, we
may feel invited to explore or play with it until it is, until we have acquired a practical understanding. Thus, the
meaning of something does not lie on its surface. It emerges in use, with practice, the practice of living with our
environment and in particular contexts, whenever we cognitively connect our actions and perceptions in an
experiential circle use. The meanings thus constructed support our practice of living by penetrating a surface as
deep as our understanding goes and by involving as much of our cognition as participates in interaction with it
(KRIPPENDORFF, 1990).
27
Sessada: peneirada (FERREIRA, 1999)

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projeto do produto

Figura. Caneca esmaltada e copinho descartável de plástico. Fonte: arquivo pessoal. 2006.

O valor de um produto artesanal, atualmente, parece que tem sido caracterizado mais pela estima do que
pelo uso. Poderíamos dizer que é um produto de caráter estesiogênico, isto é, que provoca sensações e
sentimentos (FERREIRA, 1999). O produto artesanal é dotado da expressão pessoal do artesão, fruto da sua
criatividade e habilidade técnica (DORMER, 1995), e também fruto da relação com a sua sociedade de
procedência. Neste sentido, CALDAS (Op. cit.) define:
Um valor cultural, diferentemente do gosto pessoal, é uma idéia compartilhada socialmente
que permite criar categorias entre as coisas, em termos de desejos e méritos. Influenciam diretamente o
modo como as pessoas escolhem. O quadro de valores é mutante: alguns evoluem rapidamente, outros
permanecem inalterados por longos períodos de tempo.

Análise do valor
Jacqueline Elizabeth Rutkowski
Universidade Federal de Ouro Preto

Uma das funções do projetista é garantir partir da função desempenhada, com objetivo de
um projeto econômico do produto, ou seja, garantir reduzir custos”. As técnicas foram usadas pela
que o produto poderá ser comercializado com lucro. primeira vez nos EUA, durante a II Guerra
Isto é, os produtos deverão ser projetados de forma Mundial, quando a escassez de recursos incentivou
que possam ser fabricados, usando material, mão de os esforços para busca de soluções criativas para
obra e equipamentos disponíveis, a um custo menor possibilitar o suprimento de produtos apesar da
do que o preço que o consumidor está disposto a falta de determinadas matérias primas e acabou
pagar, adequado para deixar uma margem de lucro mostrando-se uma excelente técnica para reduzir-se
necessária para ser dividida em partes do impostos, custos de produtos. A partir de então a técnica
do empresário e do reinvestimento. Os produtos passou a ser mais e mais usada na industria, até que
devem ser tecnicamente, esteticamente, ergonômica em 1959 foi criada a Sociedade Americana de
e economicamente satisfatórios. Desse modo, o Engenharia do Valor. Em 1977 o senado americano
engenheiro deve pensar tanto em custo quanto em votou uma resolução tornando seu uso obrigatório
desempenho quando está projetando algo. A isso se nos Ministérios do Governo. Na mesma época a
dá o nome de “valoração”. técnica começou a ser utilizada nos países
Uma das formas de se buscar reduzir europeus. No Brasil a técnica vem sendo usada
custos de produtos é através da “análise de valor”, desde a década de 60, mas seu uso intensificou-se
que podemos definir como um “método de análise somente a partir da década de 80.
de bens, serviços ou formas de gerenciamento, a

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J. o valor real de um produto. sem econômicos de produção e características ou degradação.Atlas. Porém. têm ou tinham tipos de valores econômicos: uma finalidade. podendo ser obtida por um aumento na item.E. função que pode ser 28 Csillag. atinge as necessidades e desejos do comprador e/ou usuário.M. desempenhada de várias outras formas. a representação do menor gasto produto é avaliado através da função desempenhada necessário para prover a função requerida conforme por ele e/ou por cada um de seus componentes ou definida. que irá utilizados nomes diferentes. possibilitam sua troca por outra coisa. prejuízo das especificações requeridas. estabelecer um valor para aquela função e Materiais não apropriados. Engenharia do valor desempenhar confiavelmente as funções. deve-se atentar para que um subsistemas. características ou atratividades que A metodologia baseia-se ainda no uso da tornam desejável a posse de um produto.sem a qual o Associação das Indústrias Eletrônicas. serviço. Para utilizar-se a análise de valor o ou ainda. reduzir o valor de um produto. considerando que todo A Metodologia do Valor identifica quatro objeto ou toda ação.M. e que foi Gerenciamento do valor foi utilizado para produzida usando-se os mais modernos materiais e identificar e resolver problemas gerenciais. foram sendo de uma peça ou produto acabado. Em geral aumenta com maiores valores de centígrafos). Conforme “valor” que pode ser definido como o custo mínimo Csillag28. especificações desnecessárias de desempenho (mais do que o desejo do mercado consumidor) irão Engenharia de valor é a aplicação sistemática.1971. Assim.Addison. Value Management: value que ajudam o produto a ser vendido mas não são engineering and cost reduction. métodos não prover tal função ao menor custo total. SP.citando definição dada pela devem ser classificadas em básicas. não é a própria ação. estabelecem desempenhar certa função. disponíveis na organização e pertinentes ao produto Valor de estima: medida monetária das em discussão sejam utilizados a contento. substantivo (objeto sobre o qual o verbo atua) – processo ou sistema é sempre uma entidade amplificar corrente (ampere). projeto do produto Desenvolvida inicialmente para análise de Devido a relatividade do valor a AV produtos simples. ou a característica de desempenho a ser Componentes básicos da metodologia : possuída por um item ou serviço para funcionar ou Abordagem funcional – determinação da natureza vender. sem passou a ser dado para produtos novos. ou ainda. ou em outras palavras. Função é a finalidade ou aumento de valor não significa uma redução de motivo da existência de um item ou parte de um custo. necessário para produzir. O desempenho de um produto pode ser A abordagem funcional reduz o projeto a definido como o conjunto específico de habilidades requisitos chamados funções. para cada nova aplicação.Massachusetts.J. As funções 29 Csillag. O valor corresponde consciente de um conjunto de técnicas. desde que pertinente. Podem também ser Wesley. do ponto de vista do © 2006 eduardo romeiro filho 161 ufmg . ou a característica de um item ou serviço que função. isolar calor (graus relativa. Ao se definir uma função deve-se uso e de estima e diminui com o crescimento do ter o cuidado para não explicar o modo de valor de custo. tanto para o fabricante valores para as mesmas e desenvolvem alternativas quanto para o usuário. no primeiro produto ou serviço perderá seu valor e. Uma função é o funcionais que o fazem adequável (e vendável) para objetivo de uma ação ou de uma atividade que está uma finalidade específica. para existirem. o para desempenhá-las ao mínimo custo. Assim. caso e Heller.depto engenharia de produção .29 custo mais baixo possível de uma função requerida. com as mais diversas técnicas e no Valor de Troca: medida monetária das combate aos bloqueios mentais que às vezes nos propriedades ou qualidades de um item que impedem de aceitar e buscar mudanças. essenciais para seu uso. secundárias. – caso dos soldados e do canhão Valor de custo: o total de recursos medido em Esforço multidisciplinar – a atividade deve ser dinheiro. desenvolvida por uma equipe composta de pessoas Valor de uso: medida monetária das propriedades de várias formações e treinamentos. necessárias e desnecessárias. obter um item. Assim.op.1991. Visa a engenharia do valor é determinar onde termina o um resultado e deve sempre ser definida por duas desempenho satisfatório e onde começa o excesso palavras: um verbo (atuando sobre algo) e um de desempenho. que ao menor sacrifício ou dispêndio de recursos para identificam funções necessárias. Ed. como parafusar plaqueta ao invés de prender plaqueta. trabalho ou serviço.Análise de valor. para que todos ou qualidades que possibilitam o desempenho de os conhecimentos especializados e as habilidades uso. O objetivo básico da sendo desempenhada. métodos de manufatura. o valor de um Definições básicas: produto indica quanto seu desempenho deve custar Engenharia do Valor é a aplicação sistemática de e serve como base de comparação com os custos técnicas para identificar a função de um produto ou reais. essencial de uma finalidade. etc. propriedades.cit. criatividade. desempenhar a função. a análise do valor foi adquirindo definiu um valor-padrão. doravante chamado de novos nomes ao longo do tempo.

seqüência. etc. São elas: decide-se quais alterantivas deverão ter evitar generalidades. os Planos de Trabalho orbitam e o que se deseja. Um das técnicas de solução de problemas e apesar das problema é uma diferença entre o estado atual múltiplas variações. etc. projeto do produto usuário mas não do ponto de vista do fabricante. f) Fase de execução de programa na qual A avaliação funcional pode ser feita respondendo. algumas mais simples de se satisfazer à função vezes até simultaneamente. e) Fase de planejamento do programa. além do uso adequado de a) Fase de orientação. O delas anteriores caso isso pareça necessário. Podem ainda ser de uso – aquelas que se estabelece um programa de investigações possibilitam o funcionamento. análise das idéias geradas. após a define e avaliam-se as funções. inspirar a equipe de trabalho. como forma de melhorar o seu. o uso de um Plano finalidade e das circunstâncias. reais necessidades do comprador. Ao final. nos operadores. se para em seguida mergulhar na fase criativa. na qual cada idéia é analisada de bom senso e procedimentos a serem cuidadosamente e quantificada.. complementando-se. nas quais várias técnicas devem ser usadas.ex. dependendo da Como nos lembra Csillag. materiais. onde. mecânica. objetivo é chegar-se à definição do problema.ex. recomendável. como. deve Qual o custo de cada uma delas? ser avaliado. Normalmente as fases são usadas em investimentos. utilizados. ao processo de manufatura. na qual se estabelece. manufatura. alternativas devem ser geradas. algumas vezes envolvendo o responsável. Quanto custarão essas formas alternativas? g) Fase de resumo e conclusões do trabalho. escolhendo a(s) usar apenas informações da melhor fonte. Tendo o Muitas vezes é pertinente fazer essa análise não planejamento definido ações preventivas e só do seu produto mas também do produto do contingentes ele deverá ser recomendado a concorrente. embalagem. p. para prover informações técnicas inerentes a ou de estima – que resultam na vontade da posse concretização de cada função. de Trabalho não garante por si só o sucesso de um As fases do Plano são : projeto de AV/EV. quando. a) Técnicas de suporte – regras heurísticas cujo verificando-se a existência de alguma possível uso facilita a solução de problemas surgidos na solução pronta ou a ser criada aplicação do Plano de Trabalho. concentrando-se no prioridades de estudo. clientes. confirmam-se especificações e o impacto se as seguintes perguntas: quanto a qualidade. Também qual a escolha da alternativa adequada é feita para coletam-se todas as informações quanto a posterior implementação. etc. desenvolve um plano que designa Assim.depto engenharia de produção . Nessa fase P. do problema. requerida e/ou eliminam-se as funções As técnicas podem ser classificadas em: desnecessárias. na qual geram-se alternativas cada caso em particular. sendo regras d) Fase de análise. pois. quantidade. b) Fase de informação. decidindo-se o que deve ser Qual o valor da função básica? mudado. verifica-se que tipos de problemas estão As várias etapas de um Plano aproximam-se ocorrendo e escolhe-se qual será tratado. etc. fornecedores. Várias alternativas são geradas. definindo-se maneiras serem usadas conforme a necessidade. devendo essa diferença ser em torno de uma alternância de fases em que se mensurável para permitir uma quantificação aplicam técnicas que auxiliam desde a identificação dos resultados. métodos de manufatura. quando e onde e desempenhada a função básica? finalmente como será pago o projeto. o uso da criatividade é fundamental para a responsabilidades específicas em termos de metodologia e aplicar técnicas que a favorecem é quem faz o que. quem deve fazê-lo. quando p. o próprio uso flexível de cada fase do deve ser desempenhado em função das Plano de Trabalho deverá ser feito características e propriedades desejadas e as convenientemente. na qual se decide o que técnicas. a coleta de informações pertinentes. empregar boas relações humanas. testadas e quantificadas. © 2006 eduardo romeiro filho 162 ufmg .88. mas pode-se ter que voltar em alguma controle de qualidade. Procede-se a uma específico. Definição de planos de execução e verificação O método em si constitui-se em um Plano de da resolução do problema.p.ex. isto é à por parte do usuário. p. Elas são ferramentas para para as funções básicas. Também não há um sistema definitivo para através de pesquisa e coleta de informações selecionar a melhor técnica a cada momento e para c) Fase criativa. visando sua apresentação. indicar hora. para se proceder à escolha h) Fase de Implementação: na qual se daquela do menor custo que satisfaça a função. elétrica. Trabalho divididos em fases. porém sem regras determinadas.111 custos. promover estética. Quais as funções básicas e secundárias? ferramental. alternativa(s) a ser(em) aplicada(s). Aqui deve-se considerar o que deve De quantas outras formas alternativas pode ser ser feito. Várias quem deve decidir sobre sua implementação.

técnica de livre associação. P. São bloqueios que em geral impedem que se técnicas úteis na fase de preparação.depto engenharia de produção . P. João Mário. © 2006 eduardo romeiro filho 163 ufmg . exemplos. hierarquizando os problemas e decidindo por etc. fornecedores e 149 processos especializados. o uso f) Técnicas de implementação – para romper de indicadores específicos. Análise do Valor. como a técnica da função – fonte: verbo e substantivo e o fluxograma. ajudam a técnicas de planejamento como o PERT. P 130 d) Técnicas de geração de idéias – para uso CSILLAG.125 coloquem em prática as novas idéias . método de custear todas as idéias. (p.160 onde começar. entre especialistas sobre um tópico por meio de b) Técnicas de análise global – permitem uma série anônima de questionários enviados abordar situações na sua totalidade. como as c) Técnicas reestruturantes . projeto do produto identificar e contornar bloqueios mentais. como o brainstorm. etc. e) Técnicas de seleção e avaliação – como a usar o critério “eu despenderia meu dinheiro técnica da vantagem-desvantagem. sendo o gráfico de Pareto. recorrer a especialistas. individual ou em grupo. o representar um problema de forma a facilitar “brainstorm” invertido.165) ..167 que se chegue a uma solução. método dessa maneira ?” delphi – método para desenvolver consenso aplicar critérios profissionais de julgamento. brainwriting. São Paulo: Editora Atlas. através de um melhor entendimento do mesmo com uma nova As páginas citadas no texto referem-se a seguinte forma de abordá-lo. p. 1988.p.

do próprio componentes resultantes da montagem e modelo de vida proposto pela revolução industrial. devido à sua intrínseca insustentabilidade e a novos DFD. em última análise. contradiz as perspectivas de lucros empresariais não se mostra o melhor caminho. Entre estas. Desta forma. redução de custos e da consolidação do capitalismo e dos sistemas de com remontagem. design for environment: Busca o projeto de design). desmontagem do produto. prevê a busca da instrumentos como esses no sentido de formar um © 2006 eduardo romeiro filho 164 ufmg . com seu “american way of life”. matérias-primas e energia. a insustentablidade do disposição de resíduos oriundos dos processos modelo vem da total impossibilidade de produtivos. situações que pressupõe a falência do modelo atual. em termos de energia e matéria-prima. parte do mundo usufrua da riqueza e da tecnologia. em especial nos minimização de efluentes tóxicos e eventual anos de pós-guerra. porém por outro lado busca satisfazer emergentes demandas do mercado em termos de Sendo assim. DFMA. a não ser por meio prolonga o período de sua utilização. design for manufacture and assembly: São necessários esforços no sentido de combinar criada ainda na década de 1970. pois o que é inviável a longo prazo. maior confiabilidade. considerar não somente o cliente (do ponto de vista do marketing) ou o usuário (sob a perspectiva do DFE. a excelência de projeto passa agora a crescentes restrições de caráter ecológico. historicamente. imediatos. dos padrões observados entre os norte-americanos DFS. projeto do produto Novos Cenários para a Atividade Projetual: Aceleração do ritmo de consumo. Aumento do consumo de recursos Estratégias de Demanda Aumento do consumo de energia Produção e artificial Aumento da produção de resíduos Marketing exagerada Aumento da produção de emissões A aceleração do ritmo de consumo. que requer novas ferramentas de projeto vida útil do produto. seja uma abordagem necessariamente mais ampla e durante os processos de produção como durante a sofisticada. manutenção. design for service: Leva em consideração a pelo resto da população mundial. redução do número e partir da adoção maciça de estratégias de marketing padronização dos componentes. Este fato de uma exploração continuada que. seja durante a destacadas: produção como na utilização do produto. podem ser agressivos ao meio ambiente. menores produção em massa contemporâneos tem levado a custos.depto engenharia de produção . que requer possível “quantificar” impactos ambientais de agora (e cada vez mais) uma visão sistêmica de diferentes processos de produção e. em especial a simplicidade na montagem. que considere inventário. mas todo o ciclo de vida do produto. Parte do pressuposto de que é e novas estratégias de gestão do projeto. design for disassembly: origina-se da desafios em termos de projeto de produtos. o preocupação com serviços de manutenção durante a modelo proposto somente admite que uma pequena vida útil do produto e do seu recondicionamento. sistemas necessidade de gerenciamento de resíduos e de produção e. em produtos que leva à redução de resíduos. Objetiva a otimização atingido (teoricamente) pela sociedade americana dos recursos. selecionar aqueles que sejam menos toda a vida do produto. a partir de um todo o ciclo de projeto e produção. Reduz a demanda pela substituição do produto. Ora.

apud momento (right-first-time for production). DFA e DFE. a constante revisão de passando pelo fornecimento de matérias-primas. uso. TRABASSO. ou seja. estoques. Cássia Vilani Ferramentas de suporte ao A seguir são apresentadas conceitualmente as desenvolvimento de produtos são entendidas como ferramentas DFX-DFM. desmontagem. 1995). Estas ferramentas problemas potenciais de produção causados pelo reafirmam a necessidade. caracterizado como um redução do custo total do ciclo de vida do produto e projeto simultâneo de produtos. considerados os possíveis destinos dos resíduos reutilização. manutenção. produto e do processo quanto ao custo. desativação etc. na tentativa de otimização do et al. projetar solução de problemas no contexto do pensando-se na sua produção desde o primeiro desenvolvimento de produtos (ARAUJO. qualidade e DFX produtividade. Esse sistema deverá a linha de produção. constituindo a mais eficiente de retrabalho e impactam de forma positiva na ferramenta para implementação da ES. associados a do tempo de desenvolvimento. componentes e processos no sentido de aprimorar montagem e desmontagem. evitando erros manipular informações de diferentes origens e com e acelerando o processo. controle da qualidade. quando vinculadas aos filosofia que coloca um produto no mercado de propósitos da ES . estas para “a qualidade total” (HUANG. projeto do produto sistema eficiente de gestão. diferentes fins: a documentação das capacidades e O projeto do produto também se amplia. contribuem para comunicação e cooperação. para que ARAUJO. restrições das linhas de produção em forma que englobando as diferentes fases do ciclo de vida. 1996) é uma ferramentas metodológicas. 2005). transmissão de informações do setor de projeto para Entradas e saídas do Sistema de Produção e Consumo. a gerados em seu uso e após sua desativação. a terminologias designam o que se entende por um execução ou o controle de tarefas e atividades e a projeto voltado à produção. reciclabilidade. DFA e DFE e seus um meio artificial disponível a organizações de respectivos papéis na integração do processo de manufatura (e aos indivíduos nela inseridos) com o desenvolvimento de produtos. da interação entre o projeto do produto e o fases do projeto e não durante a produção (Melhado projeto de fabricação. onde poderão ser sua montagem. a definição. de forma direta. considera que as ferramentas bem sucedidas do DFX são aquelas que racionalizam o produto e o © 2006 eduardo romeiro filho 165 ufmg . Todas estas objetivo de auxiliar o entendimento. segundo Melhado et al projeto sejam solucionados ainda nas primeiras (2005).depto engenharia de produção . pois eliminam ciclos processos e sistemas.Engenharia Simultânea (ver forma rápida e satisfatória pelo incentivo à texto adiante sobre o assunto). BIOSFERA SISTEMA DE Matéria-prima Energia PRODUÇÃO E Emissões Recursos Naturais CONSUMO Resíduos e Humanos Co-produtos Transportes. permita rápida interpretação. DFX (Design for excellence) ou projeto voltado Juntamente com o suporte computacional. Ferramentas DFX desdobradas para DFM. O autor produção.

do produto. o objetivo de um projeto recursos. fabricação dos componentes que formarão o melhoria no relacionamento entre usuários e produto depois de montado. assegurando de maneira participantes através do estabelecimento de uma eficaz a união das necessidades e os requerimentos equipe de trabalho na elaboração do projeto.Realiza as melhorias necessárias. em DFX.Esclarece e analisa as relações entre produto e fabricação ao desenvolvimento do produto. projeto do produto processo. das decisões no projeto do produto.Categoria 1: onde os benefícios estão diretamente um sistema de manufatura. enfatizando dessa em etapas posteriores. pressupõe a participação sistemática das equipes de desenvolvimento do .Evidencia as falhas e compara as alternativas promove uma re-alimentação eficiente dos possíveis. apud produtividade. satisfação dos clientes. segundo Huang (1996). máquinas. DFA e DFE. promoção da pelas forças operacionais para atingir as metas de prática da engenharia simultânea. qualidade do produto” (JURAN. quando todas as . requisitos para acomodar as necessidades e requisitos dos clientes ainda na fase conceitual do . Manufatura (DFM . Desmontagem.Permite a interação entre os participantes. Isto nos remete à fornecedores.Design for Manufacturing) e caracterizados como “projetos de produto Projeto Orientado à Montagem (DFA . incluindo melhoria da qualidade e do produto (BOOTHROYD et al. o que . 2005). seja 1998). Assembly). processos e Segundo estes autores.depto engenharia de produção . integração e otimização global do ciclo de produção de produtos. as peças que podem ser utilizadas ou eliminadas . vida do produto e do tempo de desenvolvimento. uma inicial para o que se deseja projetar. CANCIGLIERI.Categoria 2: inclui a melhoria e a racionalização (GOMES.Avalia o seu desempenho. 1997). Já o DFA é da flexibilidade. permitindo que o relacionados com as medidas para tornar o produto projeto seja adaptado a cada estágio da realização competitivo. bem como dos recursos materiais ferramenta num projeto de produto: necessários. desenvolvimento de um produto de definição dos meios específicos a serem usados racionalizado e bem estruturado. tornando-os modelos pragmáticos e Os conceitos de Projeto Orientado para a facilmente assimilados pelos seus usuários.Categoria 3: melhor comunicação entre os e o projeto do produto.Propõe revisões onde o projeto pode ser desenvolvimento do produto. (BANDEIRA. O autor reforça que o conceito de Projeto Manufatura. Seus benefícios podem ser orientado para a manufatura (DFM) engloba classificados em três categorias: considerações de manufatura no projeto. de forma a introduzir alternativas nas voltado para a manufatura é identificar na fase etapas iniciais. O projeto foco principal. produto e do processo de fabricação. A figura a seguir relaciona os objetivos das ferramentas DFM e DFA aos DFM E DFA objetivos dos projetos para produção. local de um programa que avalia os produtos em função de trabalho onde predomine tranqüilidade e interesse sua facilidade de montagem.Design for simultâneos associados a processos e sistemas”. respectivos processos. processo. simplificando e aperfeiçoando a simultaneidade e transparência das atividades. Esta integração melhorado e prevê seu resultado. São descritas a enfatizado a importância de se desenvolver seguir algumas ferramentas desdobradas a partir do simultaneamente produtos e processos para a DFX: DFM. maior facilidade no gerenciamento do definição de projeto de produção como “a atividade projeto. © 2006 eduardo romeiro filho 166 ufmg . que envolve a definição de procedimentos e seqüências HUANG ainda enumera as principais ações desta de trabalho. aumento IAROZINSKI. Reciclagem. contribui para redução do custo total do ciclo de . forma uma integração dos processos de manufatura . 2005). ferramentas e materiais e . ultimamente. redução do ciclo de vida. 1992). têm sido utilizados como ferramenta de Isto permite que a equipe de projetos veja os integração entre as áreas de projeto e fabricação no problemas de diferentes perspectivas sem perder o contexto da Engenharia Simultânea. e sugere ao projetista por parte dos operários. para que haja comunicação entre todos os componentes de . Esta integração do planejamento do processo de . pois elimina ciclos de retrabalho.Reúne e apresenta os fatos sobre o produto e seus componentes necessários (FARAH. variáveis são consideradas ainda no momento de A letra X. 2003). Ambiente etc. pode ser então substituída por projeto (STOLL apud FABRICIO & MELHADO. Meio para Manufatura (DFM) tem. o que poderá reduzir concepção os meios para se obter uma fabricação significativamente as possibilidades de mudança do produto de forma mais fácil.

Fonte: Adaptado de Araújo. molas. integração dos projetistas de processos e produtos nas fases iniciais de análise do projeto de produto. segundo de fios. Melhado et al (2005). roldanas. projeto do produto PROMOVER A REDUZIR INTERAÇÃO DFM RETRABALHO SATISFAZER O PROMOVER O CLIENTE APRENDIZADO DFA REDUZIR FALHAS FACILITAR A INOVAÇÃO PROJETOS PARA ANTECIPAR PRODUÇÃO ADOTAR AÇÕES PREVENTIVAS FASES DO CVP I dentificação de objetivos comuns DFM . que simplifiquem os processos de fabricação e de Eliminar parafusos. A utilização automação. No entanto é necessária. integrada e coordenada. do método “DFA/DFM” baseia-se em diretrizes. Na figura 1 temos a "montagem por cima". observam-se regras de projeto visando Projetar para um número mínimo de maximizar a facilidade da montagem. recomendações e check-lists que orientem a análise Utilizar e promover o trabalho em equipe. caracterizada pela inserção de todos os Projetar componentes para serem componentes de um conjunto de tal maneira que multifuncionais. Nos mesmos moldes conceituais na Engenharia Simultânea e dos projetos para produção. 2001). para a Utilizar uma montagem empilhada/Uni- realização do “DFA/DFM” é necessária a direcional.depto engenharia de produção . que levem à componentes. extraídas de BRALLA (1986). Facilitar alinhamento e inserção de todos os visando à concepção e a definição de parâmetros componentes. © 2006 eduardo romeiro filho 167 ufmg . para redução de custos e de tempo de montagem (PEREIRA. Trabasso (2005). Existem algumas regras de boa conduta sugeridos pelo DFMA: Nas figuras seguintes. elaboração de projetos com soluções e nível de detalhamento compatíveis com o adequado Ter sempre em mente as possibilidades de desenvolvimento da fase de execução. e uso de métodos adequados de desenvolvimento Procurar padronizar materiais. Desenvolver uma abordagem de projeto Modular. chicotes montagem. Utilizar componentes e processos padronizados. eles se encaixem um sobre o outro. Eliminar ajustes. acabamentos e dos projetos para a produção. MANKE. reduzindo componentes.DFA . a criação de uma equipe multidisciplinar de projeto. assim seus custos.Projetos para produção.

não existe essa necessidade Figura 1 .com/ DFMA . No caso de simétricos. © 2006 eduardo romeiro filho 168 ufmg . Figura 4 .Montagem dos componentes por cima. Na figura 2 observamos a utilização de indicações para orientar a montagem de componentes assimétricos. projeto do produto Figura 3 .Peças simétricas em relação a suas Figura 2 .Design for Manufacture and Assembly Home Page by Boothroyd Dewhurst. Inc. http://www. como na figura 4. onde para facilitar o encaixe entre componentes é Para outras informações: realizado desde perfis arredondados a chanfros ou então furos guias.depto engenharia de produção .dfma.Montagem utilizando o auto- alinhamento.Uso de indicações para facilitar a possibilidades de montagem. montagem em peças assimétricas E na figura 3 temos o "auto alinhamento".

custos. 1996. A proliferação e a expansão do DFA e do DFM. etc. GUPTA. © 2006 eduardo romeiro filho 169 ufmg . operações com fluxo de alta qualidade. 1996). significando o projeto do produto para a facilidade da montagem (BOOTHROYD et al. 1998). aeroespacial. etc. tais como ferramentas de qualidade. reciclagem. Um exemplo relevante foi Henry Ford que.depto engenharia de produção . tais como integração. serviços de manutenção. como mostra a FIG. O DFX nasceu a partir do sucesso e da proliferação do DFA. Para maiores detalhes ver JAGOU (1993). Como já foi mencionado anteriormente. mediante serviço e manutenção. 1996). p. comparado ao número total de indústrias que desenvolvem projetos de produtos ou utilizam ferramentas de design. 1998). Embora esses autores tenham sido considerados pioneiros nos estudos sobre o DFA. necessitando demonstração. O DFX é uma abordagem integrada para projetar produtos e processos para efeito de custo. meio ambiente. apesar de em sua maioria consistirem de sistemas de pesquisa ou ensino. 14) considera o DFX uma filosofia e uma metodologia que pode auxiliar as empresas a gerenciar o desenvolvimento de um produto. embora o número seja ainda muito pequeno. segundo. 2001): 15 Engenharia simultânea ou engenharia paralela é uma filosofia utilizada no desenvolvimento de projeto de produto em que vários processos são realizados simultaneamente por uma equipe de projeto multidisciplinar . etc. terceiro. nos campos de engenharia mecânica. elétrica. a História mostra que já havia algumas alternativas de uma montagem eficiente desde o início do século passado. um número limitado de elementos fundamentais (HUANG. O “D” em DFX ou o “Projeto” em “Projeto para X” é interpretado como projeto do produto no contexto do DFA. O “X” em DFX representa a característica de um produto que deve ser maximizada. têm levado ao aparecimento de vários tipos de abordagens do DFX. flexibilidade. HUANG. de tal forma que ele possa ser economicamente montado correta e eficientemente (KUO. Huang (1996. o uso do DFA tem alcançado benefícios substanciais. novas ferramentas têm surgido para melhorias na competitividade. A partir da produção. mais e melhores ferramentas DFA têm surgido. 1994 apud HUANG. 1998. KUO et al. automóveis. ALLENBY. especificamente nos motores automotivos e buscado o desenvolvimento recente em várias direções: primeiro.15 pois focaliza. 1992). considerados novos paradigmas. baixar o custo e aumentar a qualidade do produto (GUNGOR. foi capaz de desenvolver projetos reduzindo o número de peças necessárias. como meio ambiente. o DFA tem encontrado mais usuários. automotiva. projeto do produto DESI GN FOR “X” Rose Mary Rosa de Lima O DFX é uma das técnicas mais efetivas para implementação da Engenharia Simultânea. em 1908. 2001). outras ferramentas têm emergido para maiores investigações. tornando-as facilmente ajustáveis. ao mesmo tempo. e em indústrias multinacionais ou pequenas empresas. As aplicações são feitas desde os produtos mais sofisticados (aeronaves. (DUARTE. 1997). análise de mercado dentre outras. 7 (GRAEDEL. tais como a produção. Graedel e Allenby (1996) consideram o DFX como abordagens modernas de projeto que o projetista tem que utilizar para considerar os atributos relacionados ao produto. que normalmente são tratados simultaneamente no processo de projeto como Projeto para Manufatura e Montagem – DFMA. E ultimamente. O termo DFX é considerado como Design for Anything – Projeto para Algo. Segundo Huang (1998). quarto. Boothroyd e Dewhurst foram os pioneiros nos estudos sobre o Projeto para Montagem (DFA) e basearam-se no argumento de que o custo mais baixo da montagem pode ser alcançado através do projeto de um produto. novas ferramentas têm sido introduzidas em outras etapas do ciclo de vida do produto. desmontagem. eletrônica. desmontagem e reciclagem.. reduziu os custos e aumentou a produtividade (WOMACK et al. o que facilitou a montagem dos seus carros. o que pode torná-las mais competitivas. O DFX tem sido usado nas indústrias de produção. tanques de óleo) até produtos mais simples (fusíveis) (HUANG. seu objetivo é reduzir o tempo para o mercado.

apud KUO et al. KROLL. projeto do produto DFA DFM DFMA Design for X . no movimento do material.DFX DFC DFQ DFS DFMC DFMt DFT DFE FIGURA 7 – Tipos de abordagens do DFX Projeto para Conformidade – Design for Compliance (DFC): projetar levando em consideração as conformidades regulares exigidas para fabricação e uso do produto. sem qualquer dificuldade e. Projeto para Manutenção16 – Design for Maintainability (DFMt): projetar para “fácil” manutenção. 1994 apud HANFT. assegurando que o produto possa ser mantido em todo seu ciclo de vida útil. Projeto para Serviço – Design for Service (DFS): projetar para facilitar a instalação inicial. 11). permitir o prolongamento de utilização do produto. Segundo Prates (1998).1 Projeto para Meio Ambiente O Projeto para Meio Ambiente (PPMA) – Design for Environment (DFE) é uma aproximação abrangente para o desenvolvimento do produto que considera os impactos ambientais de um produto em todo seu ciclo de vida (FISKEL et al. placas de circuitos. Projeto para Logística do Material e Aplicação de Componente – Design for Material Logistics and Component Applicability (DFMC): centraliza-se na fábrica. reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso. Projeto para Meio Ambiente – Design for Environment (DFE): projetar considerando os aspectos ambientais em todo o ciclo de vida do produto. O DFE utiliza os conceitos de ciclo de vida juntamente com 16 Manutenção é definida como “a probabilidade que um sistema danificado possa ser reparado em um intervalo específico de tempo reduzido” (KAPUR. © 2006 eduardo romeiro filho 170 ufmg . um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho ambiental do produto.depto engenharia de produção . 1977.4. projetar um produto robusto que ultrapasse as expectativas do cliente. com isso. LAMBERSON. 2. nas considerações de gerenciamento e nas aplicações correspondentes aos componentes e aos materiais. com despesas razoáveis. 2001. Esta é a abordagem na qual está inserida o principal assunto deste trabalho. 1996). etc. Projeto para Teste – Design for Test (DFT): projetar para facilitar teste de fábrica e de campo em todos os níveis de complexidade do sistema: equipamentos. p. Projeto para Qualidade – Design for Quality (DFQ): projetar de acordo com as exigências do cliente. bem como o reparo e a modificação dos produtos no campo ou nos centros de serviços.

Evitar materiais de plástico “degradáveis” em projetos de produto. Exemplos incluem solventes e tintas não tóxicas. 4. 12. como projeto. Os projetistas devem especificar os processos de produção. São caros. considerada uma ferramenta que pode ser utilizada de forma sistemática. Várias estratégias relacionadas aos aspectos ambientais podem ser adotadas pelos projetistas no projeto de seus produtos. produtos de limpeza e solventes. Incluir informação sobre os métodos descartáveis de todas as embalagens de lixo industrial e doméstico. seleção de materiais. ver GOUVINHAS. O papel. Lindbeck (1995) traça algumas diretrizes para o DFE: 1. Projetar produtos utilizando materiais simples. como mostra a FIG 8 (GOUVINHAS. e o seu uso não tem o apoio pela maioria dos grupos de meio ambiente. Envolver especialistas ambientais em estágios anteriores ao processo do projeto. baterias de uso doméstico de mercúrio etc. Propiciar a conservação prática do material. com tampas feitas do mesmo material do produto. 7. © 2006 eduardo romeiro filho 171 ufmg . 2002. comparados aos plásticos “não degradáveis”. considerados perigosos. Conceber rótulos. para rever todo o ciclo de vida do produto. produção. 8. tais como pesticidas. uso até o final da vida útil do produto.depto engenharia de produção . projeto do produto alguns princípios-chave como a minimização de recursos materiais e de energia para redução do impacto ambiental. Para maiores detalhes. os materiais e a estrutura do produto de forma “ecologicamente correta”. Essas estratégias podem ser vistas por meio da “Roda Estratégica” para o DFE17. para facilitar a limpeza antes da reciclagem. A quantidade de embalagem do produto pode ser facilmente e justificadamente reduzida através do projeto. 6. etiquetas e outros adesivos para uma remoção mais fácil. 13. O Projeto para o Meio Ambiente força os engenheiros a avaliar a fabricação do produto. Agregar informação de estudos atuais sobre a tecnologia e a reciclagem de materiais e aplicá-las ao projeto do produto. Especificar ecologicamente os materiais mais amigáveis em todos os projetos do produto. Projetar produtos para uma segunda vida. com durabilidade. 11. interferem na reciclagem do plástico. o vidro e o metal contaminado baixam o valor dos plásticos reciclados. Especificar o uso de materiais reciclados e recicláveis nos projetos. 9. distribuição. Desenvolver recipientes de plásticos com aberturas maiores. Em contribuição aos projetistas. A “Roda Estratégica” do DFE inicia-se com a concepção de um novo produto e abrange todas as etapas subseqüentes. Projetar produtos para fácil desmontagem. 3. 5. Desenvolvimento de projeto conceptual Otimização da 1 vida final do Otimização de aspectos físicos sistema 7 2 Otimização do Redução do 6 3 material usado impacto ambiental durante uso 5 4 Otimização da Otimização da distribuição produção FIGURA 8 – A “Roda Estratégica” do DFE FONTE – GOUVINHAS (2002) 17 “Roda Estratégica” do DFE. o uso e o controle com relação ao meio ambiente. 10. Identificar todas as peças plásticas com o símbolo SPI de codificação correta. facilitando a reciclagem e os processos de produção. não decompõem facilmente. 2. 2002).

Projeto para Desmontagem (Design for Disassembly – DFD) e Projeto para a Reciclagem (Design for Recycling – DFR). separação. fabricação de outros produtos e componentes e para venda ao comércio externo (GUNGOR. porque pode tornar- se impossível e/ou inviável. limpeza. projeto do produto O DFE vem se expandindo. p. por exemplo. Projeto para Reúso (Design for Reuse). Design for X . remontagem e inspeção. A remanufatura envolve o reaproveitamento de produtos obsoletos. 19). GUPTA. a EPA dos Estados Unidos iniciou em 1992 o Energy Star Computers Program. transformar energia elétrica em calor e aquecer a água. p. De acordo com os autores. fazendo-se as operações necessárias como a desmontagem. as seguintes funções foram destacadas: manter o café aquecido.1 Projeto para Remanufatura O Projeto para Remanufatura ou Projeto para Recuperação do produto – Design for Remanufacture – consiste em projetar produtos para a durabilidade. Nos Estados Unidos. ALLENBY. para um estado de baixa energia. Bitencourt (2001) apresenta uma metodologia de Reprojeto para Meio Ambiente – REPMA.1. os reparos e a substituição das peças necessárias. a remanufatura é o processo de trazer os produtos usados de volta às “condições novas”. Segundo Fleichman et al. A quantidade de energia consumida pelas indústrias em seus processos de produção de determinados produtos de consumo contribuem consideravelmente para os problemas ambientais.depto engenharia de produção .2 Projeto para Eficiência de Energia O Projeto para Eficiência de Energia – Design for Energy Efficiency – consiste em elaborar processos e produtos que demandam um menor consumo de energia durante seu uso. projetar o produto para o prolongamento de sua vida útil ou para a fácil reciclagem. Projeto para Remanufatura (Design for Remanufacture). Alguns programas e métodos vêm sendo desenvolvidos para solucionar esses problemas. e com isso está se tornando um módulo do DFX. A introdução dessa tecnologia. por meio de peças que podem receber manutenção. 1996. As principais modificações © 2006 eduardo romeiro filho 172 ufmg . 9. 95).4. dependendo do grau de dificuldade que o produto pode ter para ser desmontado ou modificado (GRAEDEL. com o objetivo de fazer modificações na concepção do produto para reduzir os impactos ambientais. cujas abordagens são: Projeto para Modularidade (Design for Modularity – DFM). ALLENBY. 2. Os produtos/peças recuperados são usados para reparo.DFX Projeto para Meio Ambiente Projeto Projeto para Projeto Projeto Projeto Projeto para Eficiência de para para para para Remanufatur Energia Modularidad Reúso desmontagem Reciclagem FIGURA 9 – Tipos de abordagens do DFE 2. 14). principalmente nos computadores laptop. como mostra a FIG. p. 1996. 1998. teste. substituição ou reparo dos componentes em más condições. Na avaliação da concepção da cafeteira elétrica.1. O método é aplicado em uma cafeteira elétrica. O Projeto para Remanufatura exige um processo bem planejado. apud Gungor e Gupta (1998). com o objetivo de estimular a produção de computadores desktop e acessórios com a capacidade de mudar. pela renovação de peças usadas e pela introdução de componentes de substituição (idênticos ao original ou com melhorias).4. atingiu uma redução de 50-70% do consumo de energia. de forma geral. as atividades de produção são responsáveis por cerca de 30% de toda energia consumida no mundo (GRAEDEL. Essas abordagens visam. recondicionamento. quando estivesse ocioso. os ajustes. O processo de remanufatura do produto requer as seguintes tarefas: desmontagem. automaticamente.

desenvolvido pela BMW. através da separação seletiva de peças e materiais. 621-622) ressaltam que a desmontagem do produto deve incluir os seguintes conceitos: desmontagem sem força.depto engenharia de produção . por exemplo. os custos são repassados aos usuários pelos danos causados ao meio ambiente. as peças danificadas podem ser substituídas ou reparadas. O projeto demonstrou ser de grande eficácia. o tubo de aquecimento de água é envolvido pelas resistências. após ser utilizada. como em operações que possibilitem © 2006 eduardo romeiro filho 173 ufmg . projeto do produto adotadas pelo reprojeto foram: utilização de duas resistências para manter o aquecimento da água e do café e um selecionador manual que indica qual a configuração de resistência deve ser utilizada pelo usuário. p. a maioria dessas embalagens foi substituída por embalagens descartáveis. para a desmontagem e para o reaproveitamento de produtos.4. O DFD envolve o desenvolvimento de produtos fáceis de desmontar.4. desmontagem por mecanismo simples. etc. possibilitando melhor transmissão de calor. A carroceria é composta de peças de termoplástico fornecidas pela GE Plastics Corporation. fácil identificação dos pontos de desmontagem. 2. É usada na reciclagem e na reprodução. Mok e Moon (1997. componentes e subconjuntos de um produto. O DFD é uma das estratégias disponíveis para a concepção de produtos cuja reciclagem seja economicamente justificada. p. concebido de forma tal que os processos ligados ao reaproveitamento de seus componentes sejam facilitados. a segunda pode ser reutilizada para guardar alimentos não perecíveis. 1996.1. obtendo um menor consumo de energia para manter o café aquecido.3 Projeto para Modularidade O Projeto para Modularidade – Design for Modularity – visa projetar produtos utilizando peças ou componentes modulares. A capacidade de elaborar produtos por meio da combinação de peças modulares traz grandes benefícios para o DFE. projeto de estrutura simples do produto. desmontagem sem ferramentas. Esse tipo de mudança pode ter ocorrido em virtude dos altos custos com transportes para recolhimento e retorno das embalagens ao fabricante. Por outro lado. ALLENBY. O produto dever ser. 98).1. os quais podem ser direcionados para a reciclagem. Um exemplo.1. a chaleira com peças modulares. principalmente as peças dos materiais perigosos. pois as peças são de fácil desmontagem e recicláveis e as danificadas podem ser facilmente removidas e substituídas por outras. Duarte (1997) ressalta que o projeto do produto deve prever a desmontagem visando a viabilidade da remanufatura. que ocorria no passado. 2. o reaproveitamento de componentes e a reciclagem de materiais. As peças de encaixe do produto permitem fácil desmontagem para a reciclagem das mesmas e também para o reaproveitamento do produto. que pode ser completamente desmontada em 20 minutos. Outro exemplo é o projeto do carro esporte Z1. nenhum uso de materiais tóxicos nos produtos. que é o consumo de energia para manter o café aquecido”. Esse tipo de projeto possibilita o reúso do produto para a mesma finalidade ou qualquer outra.5 Projeto para Desmontagem O Projeto para Desmontagem – Design for Disassembly (DFD) – é considerado um componente-chave para qualquer estrutura de trabalho do DFE. Este poderá optar pela menor resistência. pois. Outro exemplo pode ser visto nas embalagens de vidro para requeijão cremoso e para maionese – a primeira.4. neste último caso. pode ser reaproveitada como copo. 2. desenvolvida pela Polymen Solutions Inc. Atualmente. que possui a carroceria modular de peças de plástico. Alguns projetos para a modularidade têm sido desenvolvidos. uma junção da GE e da Fitch Richardson Smith (GRAEDEL. O autor concluiu que “a concepção modificada para a cafeteira elétrica proporciona uma redução no principal impacto ambiental deste produto. era o processo das embalagens de vidro utilizadas para refrigerantes e cervejas que eram retornadas ao fabricante para serem reutilizadas com a mesma finalidade. A desmontagem pode ser definida como o método sistemático para a separação de peças.4 Projeto para Reúso O Projeto para Reúso – Design for Reuse é uma estratégia utilizada para prolongar a vida útil do produto. possibilita aumentar a faixa de recuperação do produto. permitindo a reciclagem. desta maneira.. de materiais plásticos.

por ser um material incompatível com o plástico.depto engenharia de produção . Um dos grandes obstáculos da desmontagem para o reaproveitamento e para a reciclagem do produto está no alto custo do processo. Segundo Gupta e Maclean (1996). mais difícil e mais inviável será o reaproveitamento e a reciclagem do mesmo. p. fundem e podem ser novamente moldados. projeto do produto desencaixe de componentes e/ou reciclagem conjunta de sistemas (por exemplo. é a desmontagem do aparelho de barbear de plástico descartável. as peças ou os componentes. redução do trabalho necessário na recuperação das peças e dos materiais recicláveis. que é incompatível com o plástico PET (politereftalato de etileno). 1996. ALLENBY. p. respectivamente. O outro exemplo. que constitui uma montagem. 271). 1995. por ser constituída de plástico PEAD (polietileno de alta densidade). A tampa da embalagem. p. como mostra o Gráfico 1 (GRAEDEL. PP. Dependendo do número de etapas necessárias para separar os módulos. Para a remoção da lâmina. 226): uniformização e prevenção na configuração de um produto. em um mesmo produto. pode ser removida por intermédio da rosca. PEBD. operações de desmontagem simples e rápidas.” Exemplos: PEAD. PS. 2000. © 2006 eduardo romeiro filho 174 ufmg . 271. facilidade na separação e tratamento dos materiais e resíduos retirados. MAcLEAN. PVC e outros (IPT. 18 Termoplásticos “são materiais que podem ser reprocessados várias vezes pelo mesmo ou por outro processo de transformação. Por outro lado. no caso da desmontagem destrutiva ou força bruta. Quando submetidos ao aquecimento a temperaturas adequadas. a desmontagem destrutiva é o processo de separação dos materiais de uma montagem. o custo da desmontagem pode ser maior ou menor do que a disposição em aterro sanitário. como tipos de plásticos diferentes. existem materiais considerados incompatíveis. ALLENBY. existem dois tipos de desmontagem: a desmontagem não destrutiva e a desmontagem destrutiva. esses plásticos amolecem. no sentido de selecionar cada tipo de material para a reciclagem. As vantagens do DFD são (GUPTA. 1995. Quanto maior for o número de etapas para desmontar o produto. constituídos de várias peças de um mesmo termoplástico18). Desmontagem não destrutiva é o processo de remoção sistemática das peças desejáveis. Um exemplo da desmontagem não destrutiva ou montagem reversa pode ser visto mediante a desmontagem de uma embalagem “PET”. fácil manuseio das peças retiradas. e redução na variabilidade do produto. Esses dois tipos de desmontagem são necessários quando. é necessária a destruição do produto. Cust o par a at er r o C U S T O Cust o da desmont agem 0 Número de passos para desmontagem do produto di GRÁFICO 1 – Custo para a desmontagem e bl custo de aterro do produto dependendo do número de passos de desmontagem executados FONTE – GRAENDEL. p. Leonard (1991) considera os métodos de desmontagem não destrutiva e destrutiva como montagem reversa e força bruta. PET. 146). desde que não haja destruição das peças por causa do processo.

o projetista pode reduzir o custo da desmontagem do produto se esta for considerada desde o início do projeto. 192). que é o descarte do produto em seu fim de vida e que tem sido aplicada para analisar diversos produtos diferentes visando à reciclagem ou recuperação. na prática. Por outro lado. por meio de uma submontagem. Atualmente. os meios mais eficientes para a recuperação de peças e de componentes e que o DFD exige que os projetistas adotem uma nova perspectiva no projeto do produto. na qual devem ser definidos os materiais e as peças reusáveis ou valiosas do produto. com vistas na reciclagem dos materiais. Os autores apontaram duas sugestões: agrupamentos dos componentes elétricos/eletrônicos e o uso de presilhas especiais para ligar a tampa. várias abordagens têm sido descritas na literatura para avaliar um produto no projeto para desmontagem. com a finalidade de desmontar as placas. Modo e análise do efeito: a terceira etapa leva em consideração as incertezas do processo da desmontagem. mas torna-se. gerando possíveis desvios de um produto usado. Os resultados difíceis resultantes da análise de medição do trabalho da desmontagem-padrão fornecem meios para identificar as fraquezas no projeto e as alternativas para comparação. a hierarquia dos componentes e as seqüências da primeira montagem são analisadas. Hanft e Kroll (1996) apresentam um procedimento para avaliação da fácil desmontagem para a reciclagem do produto. normalmente. O modelo é aplicado em placas de circuito impresso com chips montados de computador. A avaliação baseada no tempo de desmontagem é aplicada em uma broca elétrica e as dificuldades associadas com a criação de outras métricas de desmontagem são discutidas. muitas vezes. o uso do produto em ambiente úmido pode provocar corrosão). A maioria das abordagens utiliza métodos quantitativos e/ou simulações feitas pelo computador. impossível removê-las por falta de ferramentas adequadas. o descarte no aterro pode ser a melhor opção do ponto de vista financeiro. 227) propõe as seguintes etapas para o desenvolvimento de um plano de processo de desmontagem: Análise do produto: esta é a primeira etapa do processo de desmontagem. p. a partir de seu estado original (por exemplo. se a desmontagem do produto for muito complexa. Veerakamolmal et al (1997) apresentam uma abordagem gráfica para alcançar um plano de processo de desmontagem eficiente. p. É criado um algoritmo que é aplicado para proporcionar o melhor plano de desmontagem. Em seguida. Ambas as sugestões foram apontadas para possibilitar a fácil desmontagem. Determinação da estratégia de desmontagem: na etapa final é definido se será usada a desmontagem destrutiva ou a não destrutiva. o método analisa as fraquezas do projeto. Segundo Kroll e Carver (1999. Os autores analisaram as características dos materiais e as características geométricas das peças. De forma geral. subconjuntos e elementos de ligação usados no automóvel. 271). O procedimento é demonstrado através da avaliação de um teclado de computador e consiste de um gráfico de avaliação de desmontagem correspondente às tarefas difíceis. Um exemplo pode ser visto em juntas de encaixe por pressão. recuperar e reusar os componentes úteis. capturando as fontes de dificuldades na performance de cada tarefa. projeto do produto Segundo Graendel e Allenby (1995. a junção dos elementos. O estudo demonstrou a necessidade de modificação no projeto. Outro algoritmo é utilizado por Mok e Moon (1997) para analisar a desmontagem do produto. que exigem pouco esforço para fechá-las. Kriwet et al (1995) propõem um estudo onde é analisada a desmontagem de uma máquina de lavar roupas. enfatizando um assunto muito abrangente. Os autores ressaltam que a mesma metodologia pode ser aplicada aos processos de desmontagem robótica e em outros produtos. Hentschel. O algoritmo é usado com a aplicação da regra de projeto em um painel de um automóvel. O algoritmo é usado para reduzir a divisão dos processos de desmontagem dentro de um componente do sistema de recuperação.depto engenharia de produção . p. embora a intenção do DFD e do DFA possa parecer semelhante. do ponto de vista da desmontagem. parece que o DFD está seguindo uma evolução semelhante ao DFA. O mecanismo de desmontagem entre as peças e os subconjuntos é analisado no sentido de avaliar a © 2006 eduardo romeiro filho 175 ufmg . Para maximizar o retorno aos projetistas. pois muitos produtos projetados para uma fácil montagem muitas vezes são difíceis de ser desmontados. O autor ressalta que o método utilizado fornece medidas importantes para a facilidade de desmontagem. ambos são bem diferentes. Após a finalização da modificação do projeto. concluiu-se que houve um melhor reaproveitamento das peças por facilidade da desmontagem. deve ser identificada a desmontagem satisfatória. 1993. quando utilizadas para comparar projetos alternativos do mesmo produto. Kroll e Carver (1999) apresentam uma análise de desmontagem do produto utilizando o método de estimativa de tempo de desmontagem com o objetivo de auxiliar os projetistas a identificar as fraquezas do projeto. nesses casos. Os autores ressaltam que. Análise da montagem: na segunda etapa. apud Gupta e Mclean (1996. as técnicas de desmontagem destrutiva são.

O DFD pode ser visto também pela desmontagem nas indústrias de automóvel. como os simulados por computador. a tendência de um rápido crescimento na produção será inevitável no futuro. Neves (2002) apresenta um estudo sobre a desmontagem do produto para a reciclagem. Outros métodos. 27). © 2006 eduardo romeiro filho 176 ufmg . p. 1997. Ao final. 19 CAD (Computer Aided Design) – Projeto Assistido por Computador. o lucro das peças recicladas e reusadas. Os autores ressaltam que o painel deve ser projetado tanto para facilitar a inserção da ferramenta quanto para facilitar a desmontagem das peças. são encontrados na literatura. projeto do produto desmontagem de peças recicláveis em automóveis sucateados. é apresentada a abordagem que possui a melhor seqüência de montagem entre todas as seqüências possíveis.depto engenharia de produção . 621) apresentam várias atividades internacionais sobre a desmontagem do automóvel. O método simula todos os movimentos possíveis para a desmontagem de todo subconjunto do produto. bem como ao controle e gestão deste processo” (ROMEIRO. modificação. Essa presunção não é totalmente válida. Navin-Chandra (1993) desenvolveu uma ferramenta de projeto auxiliado por computador para avaliar o processo de recuperação do produto. apud ROMEIRO. O autor conclui que esse método é eficiente para avaliar o processo de recuperação do produto. por exemplo. Fez-se uma análise da desmontagem manual de um refrigerador doméstico (marca CONSUL) para verificar as dificuldades do processo. Por meio de um algoritmo calcula-se o tipo de desmontagem mais lucrativo usando base de dados incluindo os custos de disposição. o tipo de agrupamentos de peças usadas e como cada peça é presa. 1984. animação e análise da desmontagem. pesado e valorado de acordo com o valor de mercado. De uma forma geral. ZIMMERS. O processo manual foi comparado a um processo que utiliza ferramentas elétricas ou pneumáticas. p. p. 10. Vujosevic et al (1995) apresentam uma abordagem para a simulação. o tempo e os custos da desmontagem. Todas as seqüências geometricamente possíveis de desmontagem são criadas no sentido de identificar a seqüência de desmontagem que reduz o seu tempo e o seu custo. a montagem reversa não pode ser sempre usada como estratégia de desmontagem do produto. O estudo demonstrou que a viabilidade econômica da desmontagem sistematizada do produto induz os novos projetos de produtos a facilitar a sua desmontagem. Após a desmontagem do produto. Arai e Iwata (1993) propõem a utilização do sistema CAD19 para simular a montagem/desmontagem de um produto. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. CAD “é uma tecnologia multidisciplinar. pois. A tecnologia CAD pode ser definida como “a utilização de um sistema computacional para o auxílio na criação. como mostra a FIG. Os pontos fracos identificados neste estudo foram: dificuldade de inserir uma ferramenta para desmontar peças em pontos de pressão e a dificuldade de sustentação da força por causa da força de pressão nas juntas. cada material foi agrupado. 1997. Essa ferramenta é baseada em uma árvore de decisão com o objetivo de planejar e otimizar a desmontagem do produto para sua recuperação. O projetista apresenta informações sobre a estrutura de um produto em uma tabela. Os autores também observam os problemas crescentes relacionados ao operador durante a desmontagem. 28). Mok e Moon (1997. conforme já foi mencionado anteriormente. Os autores desenvolvem o método com a presunção de que a seqüência de montagem é o reverso da seqüência de desmontagem. análise e/ou otimização de um projeto” (GROOVER. Embora esse tipo de desmontagem seja uma prática recente.

e de nível de utilidade é de fundamental importância. (Alemanha) – Estação da estratégia para desmontagem. p. por volta de 2005. do ponto de vista ambiental. é a redução do número de plataformas. 1996). em sua maior pureza possível. facilita a desmontagem e a reciclagem com ganhos de escala”. 150 milhões de computadores obsoletos. porque a quantidade de produtos usados e descartados no meio ambiente tem aumentado dramaticamente. que permite a utilização das mesmas peças. 20 O DFR é considerado um dos aspectos mais importantes da ecologia industrial. 89). aproximadamente. 20 Ecologia industrial é um dos conceitos no qual a ciclização de materiais. (USA) FIGURA 10 – Atividades internacionais sobre desmontagem FONTE – MOK e MOON. (Alemanha) – Estudo sobre a estrutura do produto para desmontagem. p. Segundo os autores. a reciclagem tornou-se uma ênfase na maioria dos países industrializados. já possuem fábricas de desmontagem com a finalidade de reciclar alguns componentes (GUPTA e McLEAN. dos mesmos sistemas e dos mesmos materiais em vários modelos. (Japão) Japonesa – Criação de alternativas para desmontagem. Foi estimado que. Esta ciclização de materiais somente pode ocorrer se os materiais que atingiram o final da sua vida útil. atualmente. 1996.4. Mobay – Desenvolvimento para o assento do automóvel. Medina e Gomes (2002b. &Bayer – Melhoramento da estrutura. chamado de plataformas integradas ou consorciadas. IWO – Célula de instalação da desmontagem Munique utilizando-se robôs industriais. Vários fabricantes de automóveis americanos. TP Associação – Avaliação do sistema para Gerenciamento de Eficiência desmontagem.1. voltarem à corrente do fluxo industrial e serem incorporados a novos produtos (GRAEDEL e ALLENBY. na Carnegie Mellon University. Chrisler e General Motors. projeto do produto Instituto Engenharia de Sênior de CONTEÚDO Pesquisa Pesquisa WZL Prof.6 Projeto para Reciclagem O Projeto para Reciclagem – Design for Recycling (DFR) significa projetar um produto prevendo a sua reciclagem com o objetivo de facilitar a sua desmontagem para recuperação do material. 89). p. pois. 621. sem nenhuma possibilidade de materiais recuperáveis. 2) ressaltam que um dos aspectos que têm favorecido a indústria automobilística. estariam descartados em lixeiras (GRAEDEL e ALLENBY. 1996. “esse esquema. 2. Esse aumento pode ser visto pelo resultado de uma pesquisa realizada em 1991. p. © 2006 eduardo romeiro filho 177 ufmg .depto engenharia de produção . – Desenvolvimento do sistema de Aschen Eversheim avaliação para desmontagem. 1997. entre eles a Ford.

depto engenharia de produção . Segundo Magalhães (1998). reciclagem de materiais. a reciclagem pode ser dividida em dois sistemas distintos: o looping (ciclo) fechado e o looping aberto (FIG. É necessária a desmontagem do produto. Como exemplo temos o aproveitamento de rebarbas durante a fabricação de peças de alumínio. projeto do produto A reciclagem é o processo de recuperação dos materiais e componentes de produtos usados que são utilizados em novos produtos. 62. existem três tipos de opções de reciclagem (KRIWET. O looping fechado ocorre quando um ou mais resíduos de um sistema produtivo são coletados e retornam ao mesmo sistema. redução de material. Simon (1991) ressalta que a desmontagem do produto exige o conhecimento do destino ou a possibilidade de reciclagem das peças ou componentes desmontados. as peças valiosas e maximizar a “produção” de cada operação de desmontagem. Reciclagem após o uso do produto: no estágio de fim de vida. que © 2006 eduardo romeiro filho 178 ufmg . de maneira que os materiais e os componentes individuais possam ser reusados ou reciclados. Na indústria gráfica.4.1. após seu reparo ou sua refabricação.1995): Reciclagem de sucata: quando utiliza resíduos da produção. Os principais objetivos para se projetar um produto visando à reciclagem são: economia de energia. as rebarbas de papel são utilizadas na fabricação de papéis “menos nobres’. por exemplo. ou seja. é realizada em outro sistema de produção. por exemplo. Reciclagem durante o uso do produto: uso contínuo do produto. primeiramente. refrigeradores.1 Tipos de reciclagem No ciclo de vida de um produto. etc. quando estas são novamente fundidas e reprocessadas no mesmo ciclo de produção. 1998. 11). o produto é transformado em um novo produto. Este tipo de opção é o tópico principal desta investigação.6. p. porém. O mesmo ocorre em relação às garrafas do tipo “PET”. resto de moldagem. O looping aberto ocorre quando determinado rejeito de um sistema é utilizado por outro sistema produtivo. reutilização de componentes. O autor sugere duas alternativas para solucionar esses problemas: retirar. Essa reciclagem. 2. são reutilizados sem deixar o sistema produtivo de origem. como papel-jornal. Existem dois grandes problemas de projeto associados ao DFR: os custos da reciclagem e as técnicas de desmontagem. prolongamento da vida útil de aterros sanitários. TIPOS DE RECICLAGEM Looping Aberto Looping Fechado 5 1 5 1 4 4 6 2 6 2 3 7 3 FIGURA 11 – Tipos de reciclagem FONTE – Adaptado de CHEHEBE. Exemplos comuns são também a reutilização de óleos.

na base de dados ambientais são fornecidas informações sobre legislação. Gungor e Gupta (1998) relatam sobre um estudo feito por Zussman et al (1994). reduzindo a quantidade de sucata e simplificando o processo de recuperação. Partindo do estágio do projeto conceitual. medidas quantitativas das características do projeto. p. levando em consideração as incertezas dos processos de reciclagem. por intermédio de um gráfico denominado “Gráfico de Recuperação”. Essa métrica é calculada a partir do tempo exigido para executar uma tarefa de desmontagem-padrão.depto engenharia de produção . 18. como fabricação de fios.. a tarefa de desparafusar. poucas operações secundárias. O custo da desmontagem é um fator relevante. onde é introduzida uma rede de reciclagem definindo diferentes tipos de mensagens entre o “servidor” (projetista) e os “clientes” (consumidores. Kriwet et al (1995) apresentam uma abordagem da reciclagem através de uma integração sistemática. Zussman (1995) faz uma análise de custo para desmontagem. projeto do produto não podem ser reutilizadas na fabricação do mesmo produto. para tipos específicos de produtos. características que os tornem de fácil reciclagem. ou seja. no sentido de reduzir a quantidade de lixo e aumentar os benefícios obtidos da reciclagem. fácil separação dos materiais diferentes. com o objetivo de escolher projetos de produtos mais adequados à reciclagem. Esses dois tipos de enfoque vêm sendo cada vez mais utilizados pelas indústrias. onde se observa um notável crescimento em termos de reutilização de materiais e produtos. por exemplo. por exemplo. vassouras. 12). etc. Referências: © 2006 eduardo romeiro filho 179 ufmg . Simon (1993) desenvolveu um método em que utiliza a árvore de decisão em combinação com os índices do projeto. materiais e a história do produto. Reciclad o r C o nsum id o r Pr o jet ist a C o nt r o le Base d e d ad o s Fo r neced o r FIGURA 12 – Rede de reciclagem FONTE – KRIWET et al. em diferentes aplicações. Os dados para cada tarefa são determinados pelos estudos de tempo e movimento em uma desmontagem feita em laboratório. fáceis de aplicar e de avaliar na estrutura de trabalho da rede do projeto para a reciclagem. A rede de reciclagem trabalha junto com o ciclo de vida do sistema e fornece as informações relevantes a cada fase. processos de reciclagem. Vários estudos apresentam diretrizes para o projeto de reciclagem. ou para produtos gerais. número reduzido de materiais diferentes em um simples produto. a rede permite aos projetistas representar e comunicar a informação pertinente ao projeto. 1995. embora sejam reaproveitadas de forma crescente. Os autores apresentam diretrizes simples. preocupação aumentada do equilíbrio do ciclo de vida e das despesas do reprocessamento. as quais afetam a reciclabilidade do produto. São analisadas também as opções do fim de vida dos produtos. reciclagem e recuperação do produto. A troca de informação que ocorre na rede é sobre assuntos ambientais e financeiros. auxiliando o projetista a incorporar no projeto de seus produtos. Algumas características gerais do Projeto para Reciclagem são descritas por Gungor e Gupta (1998): longa vida do produto e uso reduzido das matérias-primas. em que os autores introduzem uma ferramenta de análise quantitativa. inclusive no Brasil. utilização de partes de fácil desmontagem e que possam ser reusadas. recicladores e fornecedores) e entre o sistema de reciclagem (FIG.

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cerca de 100 m odelos de cam inhão. a com binações. Fonte: http://www. ou D e sign pa r a M on t a ge m .com. Ásia. o principal m ercado na que a em presa t em fábricas.000 para 12. O sist em a. local. na cont inent es. o Europa t êm um sist em a de aquecim ent o brinquedo de m ont ar. na Argent ina. na Grande São m odular em âm bit o m undial perm it iu a Paulo.br/280503/p_052. um a das líderes na de ruído ext ras por causa da legislação venda de cam inhões pesados no Brasil. m as m ercado.000. para criar um auxiliar que perm it e esquent ar a cabine sist em a m odular de fabricação de m esm o com o m ot or desligado. m ais exigent e. u m e x e m plo. a Por ser um a em presa de t am anho m édio Scania pode fazer 6 m ilhões de no set or aut om obilíst ico m undial. É conseguiu baixar os cust os de essa variedade que perm it e à fábrica em est ocagem . Os dest inados à foi buscar inspiração no Lego.htm © 2006 eduardo romeiro filho 182 ufmg .depto engenharia de produção . Os veículos export ados para Holanda e na França. Com o obj et ivo de t ornar a Scania não t inha m uit as alt ernat ivas. Texto “Sistema Modular”. Já a aplicação do sist em a São Bernardo do Cam po.br/brasil/empresa/eng_e_prod/sist_modular. Junt ando as diferent es peças.html Acesso em 26 de maio de 2003. na Suécia. projeto do produto D FA: D e sign for Asse m bly. a m ont adora reduziu o corria o risco de perder fat ias vit ais de núm ero de alt ernat ivas no cat álogo. http://veja.Edição 1 804 .scania. recebem abafadores que t am bém inclui um a rede de 500 30 Fonte: VEJA on line . 6 M ilh õe s de Com bin a çõe s A Sca n ia fa z u m m ode lo m u ndia l qu e é a " ve r sã o Le go" dos ca m in h õe s pe sa dos Marco de Bari30 A sueca Scania. Ou operação viável do pont o de vist a apost ava t udo no sist em a m odular ou com ercial. t odos os países em a Coréia do Sul.abril.com. vender cam inhões sob m edida m ont agem dos m esm os produt os no para países espalhados por t odos os Brasil.28 de maio de 2003. por exem plo. Com a redução do núm ero de m ant eve a quant idade de opções em peças de cerca de 30. veículos.

Pois. seus componentes e estrutura serão sempre semelhantes. est ava Enfoque no segmento de funcionando em m archa lent a desde veículos pesados. dessa forma. Em vez do fim dest e ano. Esse processo. por mais diferente que seja o modelo de veículo Scania. Ganha também a produção. Preocupados com as barreiras ao componentes. disse a VEJA Leif Öst ling. a AB Volvo t em at é abril para se desfazer dos 46% de ações da Scania que possui. cam inhões pesados export ados pelo Padronização de Brasil. possibilitando mais combinações. Os clientes " Est am os fazendo lobby em Bruxelas podem contar com veículos feitos "sob para que o acordo de livre. será em m eados de 2004. ser prorrogado. um considerável ganho de escala na fabricação. grande vantagem é na hora da manutenção: president e m undial da Scania. com ent re o Mercosul e a União Européia mais versatilidade e rapidez de montagem. projeto do produto fornecedores m undiais. O prazo para que componentes. quando Definição do caminhão como a Scania respondeu por 58% dos produto principal da empresa. Naquela época. 1998. Sistema Modular O sistema modular de produtos é uma solução de engenharia tradicional na Scania. com conseqüente redução de custo. Por causa de um a decisão do órgão responsável pela concorrência econôm ica na Europa.depto engenharia de produção . Tam bém no ano que vem expira out ra dat a espinhosa para a Scania. o engenheiro sueco Carl- Bertel Nathhorst desenvolveu para a Scania a receita para produtos modulares. fluxo de peças ent re suas fábricas. baseado em três princípios essenciais: © 2006 eduardo romeiro filho 183 ufmg . Há. o resultado prático é a possibilidade de ter um caminhão específico para suas necessidades. m as recebeu os últ im os acert os e ganhou im pulso no ano passado. iniciado na década de 40. tem sido um fator chave do sucesso da Scania desde então. E a acont eça" . nem t udo t em saído de qualquer tipo de reparo ou substituição de acordo com o script . Esse conceito de produção baseia-se na combinação de um número limitado de componentes para montar um grande número de modelos de veículos. os veículos passaram a ter um negociações ent re os blocos econôm icos. além da rapidez e da facilidade da manutenção. Apesar com o sistema modular fica mais fácil e prático dos progressos. é possível t odas as m et as de redução de cust os em ter apenas uma pequena variedade de artigos escala m undial fossem at ingidas t eve de em estoque. Com esse sistema. Para o cliente. os suecos da Scania est ão at ent os às Com a Série 4. intercâmbio maior de componentes.com ércio medida".

relevância e precisão)? Como interpretar as informações (significado e aplicabilidade)? São suficientes (quantidades e variedade)? Qual é a decisão em função do resultado (sim. projeto do produto O Projeto do Produto para o Meio Ambiente: Algumas I nformações Necessárias. podendo enfrentar alguns problemas como (BACK. Palavras chave: Projeto para meio ambiente. e natureza das fontes)? Como poderá obter as informações (acessibilidade. localização. O atendimento dessas exigências demanda uma grande quantidade de informações provenientes de áreas distintas. o que torna tarefa complexa para o projetista. Com o advento das preocupações ambientais. 2. reciclagem e outras. Esse processo gera materiais reaproveitáveis que podem retornar ao processo tradicional de suprimento. autenticidade. materiais.br Eduardo Romeiro Filho (UFMG) romeiro@dep. simplesmente. o Processo Logístico Reverso é definido como o planejamento. passa por um processo natural – suprimento. Esse processo é denominado Processo Logístico Direto ou Distribuição Direta. simplesmente. o projetista necessita de um grande volume de informações. chegando ao cliente final (consumidor) – sendo considerado um processo divergente. Projeto do produto Segundo Bitencourt (2001. Faz-se necessário obter informações ambientais em todo o ciclo de vida.com. cuja expressão mais comum é um conjunto de necessidades das pessoas (físicas ou jurídicas) que se relacionam com o problema apresentado”. em especial desde a década de 1990. pode ser e mais tarde)? 2. O objetivo deste artigo é reunir informações necessárias que se encontram dispersas na literatura. produção. p. produção e distribuição.br Este artigo apresenta informações necessárias direcionadas aos projetistas para o desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente. surgiu um novo conceito de processo de produção – Processo Logístico Reverso ou Distribuição Reversa. com o objetivo de recapturar o valor agregado ao produto ou realizar um descarte adequado. para evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. p. direcionadas aos projetistas para as considerações de variáveis ambientais no desenvolvimento de projeto do produto para meio ambiente.ufmg. não. “o projeto do produto começa com o estabelecimento de um problema. Introdução O projetista necessita de informações ambientais para o desenvolvimento de projeto do produto com o objetivo de atender às exigências advindas de pressões ambientais que as indústrias vêm enfrentando.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 184 ufmg . transferidos para outras. 32). Informações ambientais. distribuição. Nessa fase inicial de desenvolvimento do projeto do produto. como mostra a Figura 1. 23): Onde poderá obter informações (disponibilidade. transferidos para outras. tais como meio ambiente. O objetivo deste artigo é reunir um conjunto de informações ambientais que se encontram dispersas na literatura para orientar os projetistas no sentido de incorporar as variáveis “desmontagem” e “reciclagem” no projeto do produto. As informações levantadas mostram que a seleção de material é considerada um fator-chave durante todo o ciclo de vida do produto. 1993. Segundo Lacerda (2002). Reciclagem. implementação e controle de fluxo de matérias-primas. desde a concepção até a destinação final do produto. pois pode-se evitar que os impactos ambientais de uma etapa sejam. Rose Mary Rosa de Lima (UFMG) rmrlima@bol. custo e demora)? Estas informações são confiáveis (credibilidade. estoque em processo e produtos acabados do ponto de consumo até o ponto de origem. logística.1 Desenvolvimento do produto O desenvolvimento de um produto a partir de materiais novos. 1.

60): Classe Elementos Abundante (> 0. para reduzir os impactos sobre o meio ambiente etc.depto engenharia de produção . Para qualquer uma das estratégias escolhidas. Ni. Dessa forma. Ca. Figura 1 . Pb. Fe. separar/desmontar. remanufatura. danificado. a seleção de material é considerada um fator-chave e envolve uma série de fatores como: • Escolha de material –A escolha do material. Retornar ao fornecedor Materiais Revender Secundários Remanufaturar Embalar/ Separar/ Coletar expedir desmontar Reciclar Descartar Processo Logístico Reverso Fonte: (adaptado de Lacerda. Mo. Sb Fonte: GRAEDEL e ALLENBY. Mn. Projeto do produto para meio ambiente Durante o estágio do projeto do produto para meio ambiente. Zr Relativamente comum (10-99 ppm) Cr. O Quadro 1 mostra as cinco principais classes baseadas nas abundâncias elementares (GRAEDEL e ALLENBY. Mg. embalar e expedir (Figura 2). U. para facilitar a desmontagem. Si. 1996. p. pelo projetista.) Figura 2 . K. Zn Não comum (1-9 ppm) B. reciclagem ou de descarte. Ti Comum (> 100 ppm) Ba. Sr. Be. 60. 2002. Sc. V. Ga. com propriedades físicas e químicas adequadas ao projeto é limitada por sua disponibilidade e seu custo. Quadro 1 – Classe de abundância dos elementos © 2006 eduardo romeiro filho 185 ufmg . revenda.Representação esquemática dos processos logísticos: direto e reverso O processo logístico reverso envolve uma série de etapas para destinar o produto (usado. Cd. dependendo da estratégia de fim de vida do produto. Na. obsoleto) do ponto pós-consumo até os locais de retorno. 2002. W Raro (< 1 ppm) Ag. Ta. Hg. existem objetivos distintos que o projetista pode focar. projeto do produto Materiais Novos Processo Logístico Direto Suprimento Produção Distribuição Materiais Processo Logístico Reverso Reaproveitado Fonte: Lacerda. As etapas desse processo são: coletar. A estratégia pode ser direcionada para aumentar a reciclabilidade. Au. Cu. o ponto de partida para determinar os tipos de materiais é verificar sua disponibilidade em relação à abundância de elementos e compostos encontrados em nosso Planeta. Sn. Th. 1996. Rb. Li. p. Pb. Co.Atividades típicas do processo logístico reverso 3. P.1 %) Al.

produção. p. o planejamento do processo de produção tem como objetivo reduzir os gastos e descobrir caminhos para © 2006 eduardo romeiro filho 186 ufmg . planejamento. os novos modelos estão sendo projetados com essa finalidade. Essa consideração talvez seja uma das mais importantes a ser considerada no projeto do produto. Ciclo de vida do processo: inicia-se com a definição da tarefa de produção por intermédio do projeto do produto. principalmente no caso dos não tradicionais. montagem. Kriwet et al (1995. Pode-se observar que. fim de vida e estágios de reciclagem. Nas últimas décadas. uso. Material 1978 1988 % Alteração Aço carbono 870 654 -25 Aço de alta resistência 60 105 74 Aço inoxidável 12 14 19 Outros aços 25 20 -19 Ferro 232 207 -11 Plástico 82 101 23 Líquidos 90 81 -10 Borracha 67 61 -8 Alunínio 51 68 32 Vidro 39 38 -2 Cobre 17 22 32 Zinco fundido 14 9 -33 Outros 62 57 -9 Total 1621 1437 -11 Fonte: Graedel e Allenby. ser reduzida. 64). a fase mais influente é o projeto. pois. Para a reciclagem. Tabela 1 . • Substituição de material –A substituição de material é uma estratégia que deve ser considerada no projeto do produto. por exemplo. 2002) 4. no sentido de formar um sistema ecologicamente completo. Inclusão do DFE no projeto do produto Quando uma indústria adota a abordagem do DFE. alumínio e cobre aumentou significativamente. não apenas o produto deve ser considerado. p.Alteração do material em um automóvel típico dos EUA. • Identificação de material – A identificação correta e clara do material é um fator importante utilizado no projeto do produto. além de demandar menor quantidade de recurso natural. visando a uma separação futura. No caso dos automóveis. Um exemplo de sucesso. No caso das embalagens plásticas. para todo o ciclo de vida. zinco e ferro reduziu e a quantidade de plástico. sempre que possível. 65. Agrupa o projeto de produção e sistemas de reciclagem e processos. antecipadamente. 1996. 2. A competitividade e a eficiência não podem ser alcançadas por esforços aplicados após o estágio do projeto do produto. principalmente no que se refere à padronização de símbolos dos materiais plásticos (MEDINA et al. p. mesmo após uma redução de material. em quilogramas. mesmo que o produto seja totalmente descartado.depto engenharia de produção . A redução de material pode ser feita tanto para diminuir o peso do produto quanto para reduzir o número de materiais não compatíveis. 1996. opções de reciclagem etc). mas também seu processo de produção (uso. a quantidade de aço carbono. Ciclo de vida do produto: inicia-se com a identificação de cada uma das necessidades e estende-se por todo o projeto. que engloba a substituição e a redução de materiais em um mesmo produto é o da indústria automobilística. significa que uma menor taxa de resíduo será encaminhada ao meio ambiente. e o seu peso total (Tabela 1) diminuiu em aproximadamente 11% (GRAEDEL e ALLENBY. devem ser planejados e considerados. no período de 1978 a 1988. a quantidade de material utilizado em um projeto deve. houve uma redução e substituição de materiais no automóvel típico dos Estados Unidos. Essa iniciativa já vem sendo utilizada na indústria de embalagens e na indústria automobilística. 17) apresentam três elementos do sistema do ciclo de vida que devem ser considerados simultaneamente durante as fases de aquisição. utilização e reciclagem (Figura 3): 1. Os aspectos ecológicos de um produto. projeto do produto • Redução de material –Independentemente da disponibilidade do material em abundância e em fornecimento. Em relação à reciclagem. a identificação por meio de símbolos é uma realidade. pois ele determina as opções de reciclagem e dos processos de reciclagem do produto e também do apoio logístico no estágio de fim de vida. capacidade de manutenção.

materiais e energia para um uso posterior. projeto do produto reciclar o produto. Projeto detalhado do produto – É o estágio no qual as considerações do DFX. custo. como todos os outros aspectos do projeto. Interações entre produto e processo – No caso de muitos produtos novos. para fornecer as ferramentas de produção necessárias e tornar os produtos “ambientalmente amigáveis”. fornecendo informações para as indústrias de reciclagem. Um exemplo é a indústria de produtos eletrônicos. eles não podem ser produzidos sem uma evolução paralela aos processos industriais. enquanto reduzem os esforços da reciclagem. se possível. t Figura 3 . Esse estágio é a especificidade central dos projetistas. Os pontos principais para a reciclagem são a coleta e o transporte dos produtos pós-uso. Para um projeto responsável “ambientalmente”. Projeto Projeto Projeto Produção Uso e Reciclagem Produto conceitual preliminar detalhado fim de vida Projeto de produção Processo de Processos de e reciclagem produção reciclagem Processo Apoio Apoio à produção e ao Apoio e Apoio à Logístico projeto do produto manutenção reciclagem Estágio de aquisição Estágio de Estágio de utilização reciclagem Fonte – Kriwet et al. tornou-se óbvio que as metas de confiabilidade. como componentes de reposição. as metas do DFE podem ser alcançadas somente se os projetistas do processo trabalharem mais próximo aos projetistas de produto. Nesse estágio. os caminhos referentes àqueles materiais são incorporados no produto. Ciclo de vida do apoio logístico: engloba o apoio durante os estágios do projeto e produção. meio ambiente. esses relacionamentos podem ser usados para fornecer © 2006 eduardo romeiro filho 187 ufmg . Com relação ao sistema de reciclagem. Da mesma forma. Gerenciamento do material – Geralmente. 16-17) apresentam alguns procedimentos para incluir as características do DFE no projeto do produto: Definição do produto – A definição de um produto é o estágio inicial e muito importante no processo de seu desenvolvimento. um componente da definição do produto e um ciclo de criação. 3. os projetistas possuem uma certa autonomia nas diretrizes de definição referente à escolha de materiais. incluindo principalmente o DFE. etc. a transferência dos materiais e dos componentes usados para a produção dos novos produtos. qualidade. eficiência. as escolhas feitas anteriormente no processo do projeto estão longe de um custo efetivo. Os projetos inevitavelmente envolvem problemas entre tais atributos. como confiabilidade.depto engenharia de produção . o objetivo é descobrir os processos que levam ao valor máximo do fim de vida. p. 17. a composição dos materiais e.Sistema do ciclo de vida Graedel e Allenby (1996. A inclusão do DFE nesse estágio exigirá um esforço por parte do projetista e. o DFE deverá ser. e o apoio à reciclagem do produto. Uma vez que estas escolhas sejam feitas. Do ponto de vista ambiental. em que há uma contínua evolução para projetar produtos usando-se resoluções cada vez mais apuradas nos circuitos integrados. 1995. os atributos ambientais de um produto podem ser identificados e inseridos no projeto. o apoio ao consumidor e a manutenção durante o uso do produto. como por exemplo. automaticamente. p. Tais projetos são razoáveis somente se a resolução final puder ser alcançada e houver ferramentas de produção disponíveis. redução de custo e outras não podem ser alcançadas no processo de produção sem a participação ativa de um dos fornecedores da corporação. qualidade. no sentido de aumentar a velocidade e reduzir o tamanho. são levadas em consideração. Interações com o fornecedor – Após décadas. Um exemplo relevante é o just in time de entrega de suprimentos – uma técnica que reduz o custo de armazenagem e aumenta a qualidade do produto. utilidade.

386). fornecer informações sobre os aspectos ambientais relacionados aos produtos e os tipos de reciclagens disponíveis. No caso do uso de recursos não renováveis. o que inviabiliza. Neste caso. porque os custos dos serviços tendem a ser uma das barreiras mais significantes para a reciclagem do produto. de forma que esta reciclagem seja cada vez mais facilitada. 1996. • Reciclagem: “Corresponde ao processode re-transformação industrial do material em uma nova matéria-prima a ser processada” (PEREIRA. em decorrência a certas restrições. facilmente separáveis. ele deve ter em mente que. por exemplo. 252). eles deverão ser facilmente identificáveis e os componentes que os contém. isto é. as considerações de desmontagem não são importantes (KUO et al. 5. cada um contendo variações na composição. Somente em materiais plásticos são encontrados 40 tipos diferentes. Evitar o uso de materiais tóxicos é também outra consideração importante. O agrupamento é um conjunto de componentes e/ou subconjuntos que formam uma característica comum em determinado produto. é importante estabelecer que o prejuízo ambiental resultante do uso da reciclagem de um material é menor que o resultante do uso de um material virgem. o projetista pode melhorar a embalagem do produto (incluindo embalagem para devolução ou embalagem reciclável). uso e descarte. com o objetivo de tornar um resíduo menos volumoso. 2002). 2001). Após a vida útil do produto. se eventualmente este produto for reciclado. aterro sanitário e reciclagem. 92) descrevem algumas considerações gerais de reciclagem para serem usadas pelos projetistas nos projetos do produto: Uma das considerações mais importantes é reduzir o número de materiais diferentes e o número de componentes individuais usados no projeto. a reciclagem é ambientalmente a opção mais sensata (HUANG. processamento. em quantidade e diversidade. Interações de marketing – Os projetistas e os gerentes do produto podem promover metas industriais ecológicas por meio dos compradores e fornecedores. Se a meta do projetista é o descarte em aterros. Dissociar materiais distintos – O projetista não deve juntar materiais que não sejam semelhantes em produtos cuja separação torna-se difícil. dos materiais usados e dos métodos disponíveis para os mesmos. O agrupamento de componentes é também considerado fator importante para reciclagem.Considerações da reciclagem no Projeto para Meio Ambiente Na execução do projeto para meio ambiente. o projetista pode necessitar de agrupar componentes que não sejam compatíveis. é essencial ao adequado processo de reciclagem que o produto seja facilmente desmontado (por intermédio. de processos não destrutivos) ou que possa ser reciclado integralmente em um mesmo processo. as direções serão diferenciadas. A importância dessa consideração é mais relevante para os produtos que possuem grande quantidade e diversidade de materiais e componentes. Os componentes principais originados do Projeto para Meio Ambiente são: materiais. Graedel e Allenby (1996. particularmente lixo domiciliar que. A compatibilidade é ponto relevante no agrupamento e interfere na reciclagem do produto. 2000. 1998). permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e proteção de saúde pública” (IPT. normalmente. projeto do produto informações sobre materiais reciclados. p. dependendo do tipo do produto. Quando os materiais tóxicos necessitam ser utilizados em um projeto. o projetista deve levar em consideração o tipo de material que será descartado. No projeto do produto. têm de ser consideradas também as condições de trabalho dos envolvidos na atividade de desmontagem. são construídos de forma que a desmontagem é impossível ou economicamente onerosa. removíveis manualmente ou a partir da utilizaçãondo ferramentas ou equipamentos adequados à separação. eliminá-lo” (BRANDT et al. No caso do descarte. © 2006 eduardo romeiro filho 188 ufmg . o reaproveitamento e a reciclagem de materiais. é o produto industrializado que possui o maior número de materiais. Por outro lado.depto engenharia de produção . Esta consideração é muito importante. nos aditivos e nos corantes. sempre que possível. • Incineração: “É um método de tratamento que utiliza decomposição térmica via oxidação. fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas. criar mercados para resíduos de produtos recicláveis e padrões e especificações para os itens comprados. Exemplo típico são produtos plásticos que. como as baterias níquel e cádmio e relés de mercúrio. p. Segundo Medina (2001). o automóvel. Além de considerar as características do produto para a reciclagem. Desta forma. p. • Aterro sanitário: “É um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo. menos tóxico ou. em alguns casos. pois estes devem ser menos agressivos ao meio ambiente. embora tenham componentes isoladamente recicláveis. quando a reciclagem é especificada como meta pretendida do descarte. reduzindo o transporte desnecessário. podendo ser especificada como meta pretendida no projeto: incineração. se a meta do projetista é a reciclagem e se os componentes do agrupamento não são compatíveis. Toda vez que um projetista utilizar materiais não semelhantes juntos. as ligações entre estes deverão ser facilmente desmontadas. na prática. os materiais deverão ser facilmente separados.

projeto do produto O reaproveitamento e a reciclagem de materiais dependem de como estes foram especificados no projeto. Os produtos deverão ser projetados de tal forma que haja o máximo de superfícies planas. inclusive através da criação de legislação específica. E BRUNETTI. canais de alimentação ou massalotes. (1983) . e ALLENBY. pois interfere no processo de desmontagem e reciclagem do mesmo. do ponto de vista da reciclagem dos materiais. Cinco regras que devem ser levadas em consideração no projeto. Dinalva C. p. Quinta regra: as peças. irreversível. uma reciclagem sem que haja necessidade de desmontagens consideráveis ou separação ou dissociação de materiais. os grupos de construção ou os produtos deverão ser identificados quanto ao tipo de material e o modo de reciclagem. Quando não é possível evitar retalhos. Conclusões Neste artigo. tampas facilmente removíveis e poucos cantos vivos ou espaços cegos de difícil limpeza. 2ª edição. E. (1996) . o projetista deve considerar este requisito durante todo o ciclo de vida do produto. em princípio. pode-se dizer que crescentes pressões sociais. reuniu-se um conjunto de informações ambientais por meio de considerações. espera-se que itens como não agressão ao meio ambiente e meios adequados para reciclagem sejam corriqueiros em um futuro próximo. (2002) . No levantamento das informações ambientais. Usar um único material normalmente é impossível.depto engenharia de produção . se num conjunto de construção têm-se peças de aço e ferro fundido. A partir da pesquisa ficou claro que a abordagem ambiental torna-se cada vez relevante. Em contraponto. Por exemplo. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica. mas. R. London: Champman & Hail. Minas Gerais. são apontadas a seguir (BACK. 2001. Universidade Federal de Santa Catarina. New Jersey: Prentice Hall. regras e procedimentos que se encontram dispersos na literatura. Belo Horizonte. e esta tendência parece clara e. Segunda regra: selecionar materiais e processos de fabricação que não resultam em retalhos ou a um mínimo destes. é ainda justificativa para opções relacionadas ao projeto voltado para o meio ambiente. que poderão ser refundidos. por exemplo. 175 p. evitar ou reduzir ao mínimo materiais considerados impurezas para a reciclagem do material principal. então. o mínimo de diferença entre eles. Muitas vezes a redução de custos acaba por sobrepor-se a alternativas de projeto ambientalmente mais adequadas. IPT. materiais como o cobre e o zinco não podem ser separados na fusão.Ecolatina’98 – curso internacional de resíduos sólidos. Centro de Estudos em Logística – COPPEAD – UFRJ. GRAEDEL. Terceira regra: os produtos deverão permitir. 2000. com o objetivo de orientar os projetistas no sentido de incorporá-las ao projeto do produto. A questão econômica. Da mesma forma que a segurança do produto e o atendimento ao consumidor foram progressivamente considerados e hoje são critérios básicos de escolha e itens comuns a produtos que buscam excelência. pois pode-se evitar que problemas ambientais advindos de uma fase do ciclo de vida sejam. © 2006 eduardo romeiro filho 189 ufmg . B. FONSECA. BITENCOURT. 1983. Desenvolvimento de uma metodologia de reprojeto para o meio ambiente. Como exemplo.Logística reversa – uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. Quarta regra: no projeto de produtos ou grupos de construção. deve-se.Metodologia de projeto de produtos industriais. George Q. Se isso ainda não é possível.Design for environment. Leonardo. (1996) . Charlie. para a bucha de um mancal de escorregamento deve-se estudar a possibilidade de adotar o ferro fundido em substituição ao bronze. Wilfred. verificar se estes podem ser utilizados para outras peças. considera-se o problema da limpeza de materiais e de produtos usados e disponíveis à reciclagem. 343): Primeira regra: tanto quanto possível. percebeu-se que a seleção de material é um fator fundamental a ser considerado no projeto do produto. refugos e retalhos de plásticos. 489 p.Design for X: concurrent engineering imperatives. acabarão por tornar a preocupação ambiental uma variável essencial ao projeto. BRANDT. para um produto ou um conjunto de construção deve ser adotado um único material ou ao menos o menor número de materiais diferentes ou. São Paulo. HUANG. em primeiro lugar. Florianópolis. simplesmente. no caso dos aços. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. Assim. Upper Saddle River. Antônio Carlos P. que poderão ser moídos e misturados a matérias-primas na injeção de plásticos. Parece evidente que a consideração de variáveis como os processos de desmontagem ainda na fase inicial do projeto do produto propiciam uma maior eficiência no processo de reciclagem. entretanto. ainda. Referências BACK. LACERDA. 6. após seu uso. Lixo municipal: manual de gerenciamento de lixo. cavacos. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. o máximo de aberturas para limpeza. Nelson. por exemplo. procura-se outra forma de reciclagem. T. transferidos para outras.(1998) . 370 p.

Distrito Federal. G. de e GOMES. Samuel A. 38.P&D Design. and ZHANG. Anais do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design . de. Heloisa V. In: Conference at Washington and Lee University. Dennys Enry Barreto. KRIWET. KUO. (2002) . Computers & Industrial Engineering. Rio de Janeiro: CETEM. PEREIRA. p. EUA.Design pré-reciclagem e pós- reciclagem: contribuição à discussão do problema do lixo urbano de embalagem. Brasília.241-260. 41. Vol. in 10th octobre. Andréa Franco e SANTOS.Systematic integration of design-for-recycling into product design. p. ZUSSMAN E.Design for continuous Innovation: a case study on the sustainability of the automobile for the 21th century. Heloisa V..Vol.Gestão ambiental na indústria automobilística: o caso da reciclagem de materiais.Design for manufacture and design for “X”: concepts. MEDINA. (2001) . levando em conta a complexidade sistêmica da coleta e triagem. n. and SELIGER. (1995) . International Journal of Production Economics. projeto do produto MEDINA. HUANG.3. Maria Cecília Loschiavo dos. A. applications and perspectives.15-22. (2002) .depto engenharia de produção . (2001) .. Tsai-C. Hong-C. © 2006 eduardo romeiro filho 190 ufmg .

do domínio do processo de concepção e construção por um só indivíduo.) me cativavam de tal maneira que as queria absolutamente transmitir a outros. em sua grande maioria. como maquetes e protótipos. ( . elementos fundamentais para a validação do projeto antes de seu lançamento no mercado. I sto não podia acontecer com palavras. Neste caso. Mauritis Cornelis Escher Esta fase concentra as atividades ligadas ao Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções.. sejam estes gráficos (desenhos. esquemas etc..) ou não gráficos (como listas de materiais e descrição de processos de fabricação) para a efetiva construção e reprodução do objeto concebido. mas sim “imagens de pensamentos” que só se poderiam tornar compreensíveis aos outros. © 2006 eduardo romeiro filho 191 ufmg .) como imagem visual. Na atual sociedade industrial. altos níveis de tecnologia agregada.. projeto do produto Terceira Parte: a técnica Vinham-me idéias que ( . Fazem parte desta fase também os modelos de teste.depto engenharia de produção .. torna-se essencial à equipe de projeto prover meios eficientes para que o produto concebido possa ser construído de maneira fiel. parece definitivamente sepultado para produtos em série. O ideal artesanal. o que leva as empresas a adotares equipes cada vez maiores para seu desenvolvimento. os produtos possuem. Para isso é necessário que a documentação de projeto seja constituída por todos os elementos necessários. pois não eram pensamentos literários.

No que se refere ao estudo da engenharia. em dinâmicas) de um mercado de trabalho cada vez um interessante impasse: por um lado. em especial dos novos Engenheiros de Produção. e por fim uma disposição maior exigência com relação a aspectos acadêmicos eterna para a constante atualização e reflexão. maneira. cursos extracurriculares. de acadêmica tradicional. inclusive © 2006 eduardo romeiro filho 192 ufmg . INTRODUÇÃO. "pós-técnicos" (que não serão tratados neste trabalho). como por exemplo na adoção de sistemas CAD (Computer Aided Design. com a criação de cursos mais curtos. Há cada pelo conhecimento. sem a pretensão de esgotar o tema. como programas de constante que não pode ser restrito à formação iniciação científica. dos cursos de graduação. no que tange aos conhecimentos relativos à "Representação Gráfica" e à utilização de novas ferramentas. o que leva a que agregue conhecimentos de línguas estrangeiras. ao lado de propõe a flexibilização curricular e um progressivo importantes modificações na legislação proposta enxugamento dos cursos de graduação. o Ministério da Educação sociedade e no mercado de trabalho. uma mais exigente! quantidade cada vez maior de informação e uma Este aparente paradoxo pode parcialmente inédita facilidade de acesso a esta informação. tendo sua formação e critérios muitas "levemente neuróticas" pelo conhecimento (para vezes questionados diante de um "público" sempre utilizar uma expressão que pode ser considerada mais exigente. em períodos curtos. com estrutura flexível. mestrado profissional etc. (futuro) mercado de trabalho e. neste novo cenário. Um curso universitário não pós-graduação. a uma ativa" e empreendedora. O cenário demonstra-se desta forma provocativa).depto engenharia de produção . tendo em vista alterações dinâmicas na Por outro lado. que pode ser traduzida em vez mais a necessidade de uma "formação flexível". o explicar a necessidade de formas complementares que torna a formação profissional um objetivo e/ou paralelas de formação. sendo assim. postura "pró. tendo em vista a crescente facilidade de acesso à informação. com o A formação profissional em qualquer área do objetivo de atender a demandas específicas (e conhecimento encontra-se. instável. os Pode-se dizer que o perfil mais adequado aos professores são colocados cada vez mais "contra a alunos nas atuais condições é o de pessoas parede". ou Projeto Auxiliado por Computador) Este artigo busca trazer subsídios à discussão acerca das características adequadas à formação dos engenheiros. Desta 1. É hoje intensa a discussão com relação às características adequadas à formação de novos profissionais em qualquer área do conhecimento. a introdução de novas tecnologias informatizadas nos processos de projeto trazem forte influência. uma ansiedade constante lugar de destaque no mercado de trabalho. uma constante preocupação com as perspectivas do capacidade criativa. de maneira geral. é necessária uma formação consistente. exigências e necessidades crescentes. de liderança. Por outro lado. Cabe ao mais garante a excelência de conhecimento e um aluno. projeto do produto A Representação do Produto e sua I mportância na Formação de Engenheiros de Produção: Uma Contribuição à Reflexão. competitividade no mercado de trabalho e inovações tecnológicas disponíveis.

deve-se levar em consideração que o tempo Neste trabalho a discussão concentra-se. tira- se deve esperar que o engenheiro ocupe-se. Não preparado (através da seleção imposta pelo se trata mais de uma tarefa de execução de vestibular) e especialmente sensível às próprias desenhos ou concepção de objetos. 1990) denominou de caracterizem a formação do Engenheiro de "barreira informática". visto que o computador nem novas exigências posturais e problemas advindos da sempre está disponível). que não foram assimiladas pela maioria utilização constante de sistemas informatizados são das Universidades e Cursos de Graduação. sendo o quarto apenas para a conseqüências mais importantes do que pode-se construção de letras e algarismos. de verificadas nos processos de trabalho em Thomas E. este problema torna-se especialmente complexo: Por um lado. nas ferramentas que devem servir de base a este conhecimento. em especial de sistemas voltados para escolha e manejo dos instrumentos CAD (sigla inglesa para Computer Aided Design. continuem pertinentes. nos diversos campos máquina (sistema hardware) e pelos programas do conhecimento. no conteúdo e na extensão dos tecnologias possui relação com o domínio da antiga conhecimentos necessários à formação do interface. Neste cenário.depto engenharia de produção . torna-se urgente a decisiva sobre os procedimentos do operador. dedicam capítulos da mesma forma que não seria razoável imaginar importantes à escolha. alguns dos novos aspectos a serem observados nos Em relação ao campo específico da processo de trabalho em CAD. É possível dizer que este tipo de outro lado. por outro lado. Ora. esquadros. tradicional FRENCH (1971). ao lápis. bem como do teor das do CAD. área ainda relativamente nova entre as periféricos. seja definição das características adequadas ao perfil ele engenheiro ou projetista. são imprescindíveis ao desenho em CAD (embora planejamento e desenvolvimento da atividade. menos complexo. A REPRESENTAÇÃO (OU EXPRESSÃO) projeto acabam por submeterem-se à configuração GRÁFICA. Não é razoável supor um engenheiro de aprendizado de desenho técnico ou de que não conheça os princípios básicos de desenho e representação gráfica em engenharia. especialmente. compassos. os procedimentos de construção do desenho e formas de concepção do 2. não trabalho ligadas a diferenças na concepção. e o nível ainda superficial de conhecimento destes sempre foi. do âmbito das sistemas pela maioria de seus usuários e o sistema engenharias. das atribuições profissionais. As modificações 31 No tradicional livro "Desenho Técnico". ainda discute campos de atuação. No que diz respeito à representação (ou expressão) gráfica em especial. o que necessidade de domínio da tecnologia informática e representa uma lamentável queda e séria distorção dos diferentes programas utilizados. os três primeiros capítulos são tecnologias informatizadas. preparo e manejo dos um médico sem conhecimentos de anatomia. este cenário não é. A entre o estágio tecnológico atual em sistemas CAD representação de objetos. Desta forma. do equipamento e ao nível de aprendizado do operador. Não materiais como lápis. Diversos as normas relacionadas às diferentes formas de livros de ensino de desenho técnico. Desta maneira. sistemas. Alterações nas cargas de conhecimento. completamente diferente da tradicional. existe uma Muitos fatores ligados à informática alteram expectativa extremamente interessante por parte do consideravelmente as formas de interação entre o mercado de trabalho. que aparentemente é dos mais engenheiro e sua tarefa. mas se interpõe necessidades em temos de formação. Os diferentes meios de promissores (senão o mais promissor) dentre as trabalho e produção interferem de maneira diversas engenharias. engenharias. todo o desenvolvimento da tarefa é diversas disciplinas oferecidas à formação realizado a partir das condições delimitadas pela adequada deste Engenheiro. desta necessário ao efetivo domínio destas novas forma. principal agente daquilo que modelos de formação. o corpo docente envolvido com a Engenharia nova interface representada pelo computador e seus de Produção. bem como a habilidade no traço. fazer uma analogia como poderia-se supor. (software). ou Projeto Auxiliado por Computador) representam por exemplo). © 2006 eduardo romeiro filho 193 ufmg . projeto do produto pelo MEC. Engenharia de Produção. publicado orignalmente nos engenharia a partir da introdução de novas EUA em 1939. como o representação de projetos (ou do objeto concebido). French. o que torna o (ao menos significativa sobre os níveis da carga de trabalho à teoricamente) corpo discente potencialmente qual o usuário de sistemas CAD está exposto. por linhas31 etc. modelos. (como as diferentes formas de se apontar um lápis. O computador. Pode-se. atua de forma muitas vezes Produção etc. por excelência. estruturas mínimas que BAGNARA (in REBECCHI. A partir da utilização profissional desejado. Por outro entre o projetista e seu objeto (concebido) uma lado. da mera elaboração de desenhos conhecimento está sendo substituído pela técnicos para documentação de projeto. se um curso de desenho Engenheiro de Produção (e dos demais técnico poderia levar anos para tornar plenamente engenheiros) nesta área do conhecimento e. Este tipo de perceber a princípio.

cit. especialmente em computador vai além da fase de escritórios. representações gráficas. por que esperar que com a atual tecnologia informática permite a realização da informática este processo seja mais rápido32? maioria das atividades corriqueiras da atividade de desenho e mesmo de projeto. Cartas circulares por correio conhecimento os efeitos da implantação de novas eletrônico (ou e-mail). provavelmente também tivemos A representação gráfica no desenvolvimento dificuldades em aprender a de projeto de produto consiste basicamente na utilizar um esquadro para. o bom projetista ainda não encontra paralelo na introdução dos tipos móveis pode se dar ao luxo de desconhecer as formas por Gutemberg. tradicionais de desenho em prancheta. mas. Por outro lado. o que leva a A partir desta constatação. Não se trata apenas principal de transformação ocorre entre um estágio de aprender a produzir boas inicial de busca de informações." (NAGEL. No início REPRESENTAÇÃO da formação acadêmica. sido intensas. Torna-se. colocou-se a expectativa do virtual fim representação gráfica. © 2006 eduardo romeiro filho 194 ufmg . que manual. tendo em vista questões de interface conhecimentos como desenho técnico e teoria do (conforme retratado em SOBEK. também de fundamental importância: se a concepção de documentos. A contribuição do Com a informatização.) "Hoje os jovens reprodução de documentos. os currículos não copiadoras e impressoras em escritórios. praticamente ilimitada e de alta 32 No atual estágio tecnológico. 1988). pois ainda trouxeram uma inédita facilidade de acesso e segundo NAGEL (op. fichas e formulários por tecnologias sobre o pessoal da área de projeto tem sistemas de cartão magnético etc. in BONFIM. assimilação. objetos. a etapa fundamental da concepção do série de modificações nas características produto permanece como privilégio eminentemente necessárias ao trabalho do pessoal envolvido em humano. A atividade perspectiva. avançada que seja. transformado de profissional". desenhar um objeto em representações bi ou tridimensionais. deve-se chegar à modificações nos processos de trabalho e na outra. como cálculos e A implementação do CAD leva a uma simulações. além de matemática. Mesmo nas indústrias automobilísticas. de melhor cursos ligados à atividade de projeto. não pode ser comparada àquela importante uma análise de todo o currículo dos oferecida pelo conjunto lápis/papel. 1996). projeto do produto habilitado um projetista. o processo de concepção de técnica de desenho necessitam agora ter esta veículos é uma atividade predominantemente orientação questionada (deve-se notar. toda a vida profissional. a informatização e a projetistas e engenheiros tenham necessidade de modernização dos sistemas de comunicação alguma forma de treinamento especial. Não se trata naturalmente de discutir as sistema de ensino e assim acelerar a formação de aplicações das novas tecnologias. como fator de transformação das sociedades. cartas. existe ainda um qualidade. A interface projeto. ainda úteis 33 em diversas situações (como. A correspondem mais às necessidades da vida mudança do "documento original". Hoje. formulários. Uma interessante análise do papel da técnica eventuais panes do sistema informatizado). faz com que a reprodução torne-se atividade corriqueira. Pode-se dizer que esta mudança nos agravante: embora a tecnologia CAD já esteja meios de impressão e difusão de informações só amplamente disponível. por análise e síntese. de cópias físicas de documentos.depto engenharia de produção . A reprodução agora é imediata. nosso trabalho exige sempre 3. mas de avaliar até mão-de-obra qualificada. de aplicar essas novas as decisões tomadas são organizadas num tipo de técnicas que a computação linguagem que possibilite a comunicação e oferece também na produção de arquivamento dos dados e a fabricação do produto. por transformação de idéias e informações em exemplo. tendo por controle e efetivamente mais livre para o finalidade modernizar e tornar mais eficiente o engenheiro. por exemplo. portanto. por mais simples e à formação dos desenhistas). ou seja. Com efeito. continuam essenciais apresentada pelo computador. fenômeno caracterizado designers ainda se formam sem ter o conhecimento pela cada vez maior presença de máquinas do uso dessa técnica. AS NOVAS FERRAMENTAS DE novos conhecimentos. Programas e currículos grandes vedetes na utilização de sistemas CAD que sempre enfatizaram o desenvolvimento da desde os anos 60. fazendo com que desenhistas. que ponto estas tecnologias modificam as "Antigamente o que se necessidades da formação em engenharia de aprendia podia ser aplicado por produção nesta área. no século XV33. projeto e em sua formação. meio físico para digital. e um estágio conclusivo no qual exemplo. porém. e vários tipos de documentos poderiam ser substituídos por meios informatizados Com estas alterações nas exigências de de comunicação.

Ora. serviços de acesso a bancos de dados no Estes fatos demonstram como a concepção exterior tornam-se cada vez mais acessíveis. dos postos de trabalho em sistemas CAD tornando até certo ponto "trivial" um levantamento desconsideram em sua grande maioria as de informações em nível mundial. Por outro lado. mas vem crescendo construção de um novo desenho. projeto do produto Com estas facilidades. pode-se discutir até que pela National Science Foundation (VALENTI. para que estes objetivos sejam em papel. 1992). Se a existência de ocorre com os processos de informatização dos "cursos de atualização" era desejável até um escritórios de maneira geral. privilegiando de forma exagerada a adoção "overdose de informações". a representação gráfica adequada do objeto proporcionar melhores condições de concebido. auxiliares (improvisadas para este fim). op. impressas com o objetivo de seja. naturalmente apresenta dificuldades para legibilidade. gerenciamento. Embora a idéia de um (ver introdução desta apostila). quando reduzido o suficiente para que caiba em um monitor de 14". no colo. disso. muitas vezes são utilizados físicas (em papel) de documentos nos escritórios (vários) croquis e/ou desenhos de referência para a não somente não diminuiu. o número de cópias Além disso. demonstra que aspectos ainda seja um dos principais argumentos para a como trabalho em equipe e comunicação são venda de sistemas CAD. Em uma das conhecimento. sendo considerados como físicos de representação. o que torna ainda mais informações disponíveis aumenta dia-a-dia. a eliminação do papel passado recente. no chão ou quantidade antes considerada imensa de mesmo nas paredes próximas. ao ampliar determinada porção deste desenho (através do recurso de aproximação ou "zoom") perde-se a noção de conjunto. é realizada por LÉVY (1995). o número e a quantidade de colocação destes desenhos. A observação dos "projeto concebido diretamente no computador" resultados. ocupando as principais do CAD não elimina (e provavelmente não posições seja na visão da Indústria como da eliminará a curto prazo) a necessidade de desenhos Universidade. © 2006 eduardo romeiro filho 195 ufmg . ou desenvolvimento. Além auxílio de fita adesiva) os desenhos de referência. gráficas não possuem local determinado para a Além disso. é evidente que a aquisição considerados fundamentais. e TAVARES e MORAES. que auxiliará na execução da tarefa. que assemelha-se a uma físicos. é crucial que os engenheiros possuam utilizadas cópias físicas dos desenhos em domínio de sua forma clássica de comunicação. A perfil profissional e nos processos de formação de realidade demonstra que da mesma forma como diferentes classes profissionais. são alcançados. imprescindível para a futura manutenção do Pesquisa realizada pela ASME International e emprego. conhecimentos acerca de sistemas CAD ocupam Em relação à larga utilização de meios posição de destaque. sobre torna-se possível o acesso imediato a uma equipamentos da estação.depto engenharia de produção . Em todas as empresas pesquisadas. O recurso utilizado pelos usuários dos Com a melhoria dos sistemas de sistemas CAD é a alocação de papéis em mesas comunicação e o advento de redes de informação. em especial para aqueles mais mais importantes para os novos graduados em velhos. Por outro lado. tomando por exemplo a introdução da informática e de seus efeitos sobre a linguagem. acompanhamento do trabalho realizado no monitor34. menos capazes de prosseguir neste "eterno engenharia mecânica naquele país demonstrou que processo de formação". ponto o clima de alta competitividade representado 1996) entre empresas e universidades americanas por este cenário poderá ser suportável para os com o objetivo de avaliar quais as características trabalhadores. pois nestas eram afixados (com o extensa e trabalhosa pesquisa bibliográfica. necessidades da utilização de desenhos em meios Este fenômeno. na atividade projetual a essenciais por 86% das empresas e universidades situação não é diferente. As estações consideravelmente (PFAFFENBERGER. a realidade demonstra que uma em setores de projeto ainda é um objetivo de longo permanente formação e reciclagem será prazo. acaba por interferir no do computador como forma de expressão. cit. 34 Um desenho originalmente em A0. entretanto. complexa sua visualização e manipulação tornando cada vez mais difícil seu adequado (ROMEIRO. 1996). Uma simples consulta à rede empresas pesquisadas foi verificada uma constante Internet ou a bancos de dados digitais pode prover disputa pelas estações gráficas situadas próximo uma quantidade de informações equivalente à das paredes. A solução para este caso esta na localização de detalhes e orientação durante a impressão de um cópia física.

como este do dinamarquês Toftebjerg Medborgerhus (fonte: http://www. O croqui permite uma rápida visualização da idéia e dá subsídios aos primeiros estudos.free.html) O croqui pode ser considerado como um desenho a mão livre.fr/ergonomie1. além da utilização de material menos nobre (normalmente papel e lápis comum). propiciando a geração de diferentes versões de produtos. como no caso desta cadeira para dentistas (veja outras versões abaixo. em CAD.design.toftebjergmedborgerhus.dk/) © 2006 eduardo romeiro filho 196 ufmg . projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Livre ( Croqui) Os croquis permitem a visualização rápida de soluções propostas. (fonte: http://farenc. sem grandes preocupações dimensionais. Possui como principais vantagens a facilidade e rapidez de execução. nesta página.depto engenharia de produção . A solução final está abaixo.

depto engenharia de produção . projeto do produto Ferramentas de Representação: O Desenho Técnico © 2006 eduardo romeiro filho 197 ufmg .

apresentam notável desenvolvimento desta técnica) foram retomados a partir do século XIII. por exemplo. precedendo ao renascimento e.depto engenharia de produção . Oferecem importantes recursos para a representação de objetos ou. em última análise. como no caso acima. na Itália. © 2006 eduardo romeiro filho 198 ufmg . projeto do produto Ferramentas de Representação: Perspectiva Os estudos de perspectiva. a atividade de projeto como conhecemos atualmente. de esquemas de montagem. iniciados na antiguidade (os afrescos de Pompéia. possibilitando a imediata visualização de soluções propostas.

encaixes etc. simulações de funcionamento. Outra vantagem para o desenvolvimento de produtos desta forma está na utilização de dados de projeto em outras fases da produção. Abaixo: teste de elementos finitos em um quadro de bicicleta.depto engenharia de produção . A integração destes sistemas. de origens diferentes. permitindo que sejam visualizadas soluções de design. aplicação de cores. Neste caso. com separação de componentes por cores. como a prototipagem virtual. ou Projeto Auxiliado por Computador). © 2006 eduardo romeiro filho 199 ufmg . como teste de engenharia ou geração de dados para manufatura. é denominada de forma genérica Integração via CAE/CAD/CAM (Engenharia. Projeto e Manufatura Auxiliados por Computador). ao lado: um aparelho sonoro. Abaixo. novos recursos foram incorporados ao desenvolvimento de produtos. Ao lado: simulação do painel de um automóvel. o produto é gerado tridimensionalmente no CAD. projeto do produto Ferramentas de Representação: O Protótipo Virtual ( ou maquete eletrônica) Com a crescente sofisticação dos sistemas CAD (de Computer Aided Design. parcialmente transparente.

servindo ao Marketing (para alguns testes de aceitação do produto). Este mesmo aquivo poderá gerar dados para manufatura. simulação de um “stand” para acesso à Internet. por exemplo). como máquinas de comando numérico.depto engenharia de produção . projeto do produto Acima: As duas imagens da batedeira foram geradas pelo mesmo arquivo. ao Design e à Engenharia (para verificação de interferências. produção de moldes etc. A maquete eletrônica serve também para simulação realista da aplicação de produtos ou soluções arquitetônicas. Acima. © 2006 eduardo romeiro filho 200 ufmg .

Ao lado e abaixo. dimensionamento e ergonomia. especialmente relacionadas à posição dos instrumentos e do piloto e questões como visibilidade e legibilidade dos instrumentos. como papel. poliuretano. Normalmente feito em material facilmente moldável e d baixo custo.depto engenharia de produção . neste caso. © 2006 eduardo romeiro filho 201 ufmg . projeto do produto Ferramentas de Representação: O Mockup O mockup pode ser considerado como uma representação tridimensional do produto. que tem por objetivo simular alguns aspectos como estética. simulação de um painel de aeronave. Os mockups nem sempre são resultado de trabalho primoroso. como validação das soluções de projeto e base para decisões da equipe. soluções para avaliação do interior de uma aeronave. madeira etc. O mockup serve. Abaixo alguns exemplos: Acima. não funcional.

uma nova proposta para o transporte urbano (fonte: http://alum. Acima.mit. O modelo testado é feito em madeira. O mockup pode ser utilizado em experimentos diversos em projeto do produto. Nas fotos acima. como simulações de uso e avaliações de natureza ergonômica. projeto do produto A indústria automobilística utiliza-se de mockups para diversos testes. inclusive avaliação das soluções de estilo junto a possíveis compradores.depto engenharia de produção .edu/ne/whatmatters/200403/index. © 2006 eduardo romeiro filho 202 ufmg .html). o modelo de um misturador portátil (mixer) que permite que seu acionamento seja realizado a partir de diferentes empunhaduras.

depto engenharia de produção . modelo em escala reduzida de uma catapulta medieval. concordâncias dimensionais (são importantes em maquetes de edifícios e plantas industriais. exemplo da maquete (em escala de 1:5) de uma semeadora-adubadora a tração animal (que tem seu projeto detalhado a seguir). projeto do produto Ferramentas de Representação: A Maquete A maquete é um meio de representação tridimensional. na maioria das vezes. Sua principal função está no apoio à avaliação geral do projeto. não funcional e. em escala reduzida. por exemplo) e aprovação de soluções estético-formais. Abaixo. © 2006 eduardo romeiro filho 203 ufmg . Acima.

Na parte de cima da página. fotografado junto ao MAM. abaixo. reclinável e multiuso. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. para uso doméstico. maquete em escala 1:5. o protótipo. projeto do produto Exemplos de Projeto: Cadeira CEM A proposta deste projeto é uma cadeira de estrutura tubular.depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 204 ufmg .

tanto nos aspectos antropométrico como sócio-cultural. manutenção e depósito do equipamento. capaz de trabalhar em até três linhas de plantio simultaneamente. adequando o produto aos diferentes biótipos do trabalhador rural brasileiro. desenvolvido pelo DE/IAC. O sistema representa economia para o agricultor. em que são acopladas diversas ferramentas utilizadas nas atividades do meio rural. © 2006 eduardo romeiro filho 205 ufmg . que não necessita de uma máquina específica para cada atividade. A semeadora foi projetada a partir de um "Chassi Porta-Implementos Triangular" básico. apresentando o projeto de uma semeadora-adubadora.depto engenharia de produção .Divisão de Engenharia Agrícola do Instituto Agronômico de Campinas. com o objetivo de facilitar a aceitação e aumentar a produtividade desse equipamento. foi dada ênfase ao estudo ergonômico. levanta algumas das características da agricultura brasileira e da tração animal. Além de melhorias técnicas no mecanismo do equipamento. o que reduz os custos de aquisição. realizado com apoio da DEA/IAC . projeto do produto Exemplos de Projeto: Semeadora-Adubadora a Tração Animal Este projeto.

depto engenharia de produção . projeto do produto Ao lado e abaixo. protótipo do chassi porta implementos em testes de campo. © 2006 eduardo romeiro filho 206 ufmg . protótipos mecânicos da semeadora-adubadora. Abaixo.

fabricante de móveis para escritório. armários e painéis divisórios. com melhorias na papelaria. Entre os resultados. abaixo). iniciou seus investimentos em Projeto de Produto no final da década de 1980. resultante do que. Logo após investiu na melhoria de sua Imagem Corporativa. foi denominado GESTÃO DE DESIGN. melhorias nos resultados financeiros. identidade visual e implementação de uma linguagem comum que abrange desde os produtos até caminhões de entrega e Showroom. © 2006 eduardo romeiro filho 207 ufmg .depto engenharia de produção . processo de fabricação e atividades de marketing. na empresa. fortalecimento da imagem da empresa em um mercado cada vez mais competitivo e uma visão integrada de produtos. com o desenvolvimento de linhas como a Futura (ao lado. de sistemas completos. projeto do produto Gestão de Design em Empresa Brasileira: Caso ML Magalhães Esta média empresa carioca. incluindo mesas.

que permite a produção de linhas diferenciadas a partir de um mesmo produto “Plataforma”.depto engenharia de produção . e algumas das versões derivadas podem ser vista abaixo. O produto original está na página anterior. Ao lado. perspectiva do layout do showroom para o lançamento da linha (foto menor. lançada no final dos anos 1980. No alto da página. o que permite diversas combinações e possibilita grande vendagem. projeto do produto A linha FUTURA. é composta por um sistema modular.As diferentes linhas possuem versões com laterais metálicas e em madeira. vem da família tipográfica utilizado na logomarca do produto. © 2006 eduardo romeiro filho 208 ufmg . página do “folder” com os diferentes componentes da linha em estrutura lateral metálica. acima). Uma curiosidade: o nome “Futura”.

projeto do produto Linha GAMA: A linha de cadeiras Gama possui forte estruturação em critérios de conforto e ergonomia. o que levou à conquista do primeiro prêmio no Salão Design Movelsul 96. que permitiu uma grande liberdade formal e bons resultados de projeto. categoria móveis de escritório. A diferenciação dos níveis hierárquicos se dá pela agregação de módulos. o que garante uma extensa linha de produtos a partir de um número bastante reduzido de componentes. © 2006 eduardo romeiro filho 209 ufmg . que possui as mesmas dimensões em todos os modelos da linha e em todos os níveis hierárquicos.depto engenharia de produção . graças a implantação da tecnologia de moldagem de poliuretano. caracterizado pela estrutura modular do assento.

O setor de projetos em uma empresa é principalmente nos casos de produtos que possuam basicamente responsável. Neste caso. projeto: aquele desenvolvido por evolução e outro.ufmg. assim. BACK (1983) diferencia dois tipos de solução. pontos relevantes para o desenvolvimento projetual no atual estágio de desenvolvimento econômico e diante do atual quadro competitivo. colocados aqui de maneira bastante subdividido da seguinte forma: ampla.30310.430 . projeto do produto O Setor de Projetos e as Novas Tecnologias: Elementos para uma Discussão . edifício. © 2006 eduardo romeiro filho 210 ufmg . PALAVRAS-CHAVE: Projeto do produto. a partir de revisão bibliográfica sobre o assunto.Belo Horizonte . Associação na condição de novos projetos (e não da adaptação dos Engenheiros Alemães). notadamente aquelas ligadas à comunicação e à integração entre diferentes equipes de projeto. Os projetos por evolução são aqueles nos apesar de pertinente. . SP: UFSCar. entretanto. citada por SCHEER ou melhoria de produtos já existentes).depto engenharia de produção . O papel do setor de projetos é bem 1.Bairro Ouro Preto .Desenvolvimento: Especificações do conceito de concebido. Este artigo busca apresentar e discutir algumas destas ferramentas. desenvolvidos e construídos compilação de variações de soluções e sua pelo homem. Segundo o autor. 1.1. somente poderão ser efetivamente observadas a partir de modificações implantadas no próprio processo projetual. As vantagens trazidas. desde um parafuso até um navio ou avaliação.Concepção: Análise de especificações. Colocam-se como produtos. INTRODUÇÃO mais complexo do que pode parecer em princípio. mesmo a grandes distâncias. desta forma. 334/304 .br RESUMO: A utilização de novas tecnologias de base microinformática pode auxiliar em muito a geração. nos parece demasiadamente quais as descobertas científicas e tecnológicas são 35 Artigo originalmente apresentado no II Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. . segundo a diretriz 2210 níveis relevantes de inovação.Departamento de Engenharia de Produção Rua Mantena. Sendo (1993). tratamento.Detalhamento: Representação das partes individuais e avaliação de soluções. adequando-o às novas ferramentas tecnológicas. Engenharia Simultânea. bem como sugerir alterações pertinentes. ou Projeto Auxiliado por Computador). pela elaboração de novos projetos. difusão e intercâmbio de informações em tempo real. São Carlos. artefatos concebidos. 35 Eduardo Romeiro Filho Universidade Federal de Minas Gerais . a empresa que desenvolve o projeto poderá consultar seus fornecedores a respeito das características mecânicas de determinada peça. torna-se interessante uma investigação um adaptação de já existentes. Projetos por Evolução e Inovação. projetos de variações e pouco mais profunda das funções deste setor e das projetos normalizados e fixos.MG romeiro@dep. Agosto de 2000. CAD (Computer Aided Design. por inovação. projeto em escala. o diferentes metodologias utilizadas para a concepção processo de elaboração de projetos pode ser de produtos. simplificada. A partir das características de cada produto . construção de modelos. Esta visão acerca do processo projetual. como os colocados da VDI (Verein Deutscher Ingenieure. avaliação de soluções.

uma Neste caso. o uma forma de projeto por inovação. acordo com a análise das necessidades. como personalizados (extratos bancários para envio pelo aspectos culturais. ameaçado MUNARI (1975) apresenta uma visão de pelo aparecimento das primeiras impressoras de metodologia aplicada à comunicação visual. mas tecnologia laser. com diferentes modelos cuja crescente área. a série de seja esta análise realizada pela empresa projetos evolutivos das impressoras matriciais está (pelo departamento de marketing. existentes.Small Identificação dos aspectos e funções. Este mercado foi. que torna-se economicamente viável nesta matricial. de porém atingindo diretamente as matriciais.cit. e qualidade (embora não atinja ainda os níveis de que. sob inovação. como impressão de componentes principais: o físico e o notas fiscais. atualmente. Metodologia de Projeto de Produtos. Se as impressoras de tecnologia laser não entretanto. viabilidade econômica e de materiais. Pode-se dizer que. seja no caso das impressoras a laser pena de todo o processo de concepção ser como. entretanto modificações radicais nos princípios equipamentos periféricos de sistemas CAD tecnológicos do produto. mas apenas chamar a atenção para sua mercado das matriciais. sem que haja O mesmo ocorre em relação os plotters. desenvolvimento da tecnologia de impressão a jato O autor apresenta uma metodologia de tinta que oferece uma impressão de alta baseada nos esquemas de Archer. 350 dado que ha de utilizar toda clase 300 de materiais y toda clase de 250 técnicas sin prejuicios artísticos. Fallon e Sidal. responsáveis pelo traçado em elementos físicos na área da informática. onde uma nova artista projeta suas obras utilizando-se de regras tecnologia rompe com as condições do mercado. O (papel. com o objetivo de criar obras densas e Evolução do Mercado de Impressoras no Brasil. “Pero el diseñador. O problema Office and House Office). psicológico. 2. que ofereciam significativo que possui uma natural similaridade com diversos aumento na qualidade de impressão. op. principalmente. no entanto. objetivo deste trabalho discutir este foram suficientes para abalar definitivamente o assunto. apesar de conceitos do design e das engenharias. com as impressoras laser ocupando fabricação. no denominado mercado SOHO . isso ocorre com o existência e sua inegável importância). é o das impressoras. Segundo o autor. entre (muitos) outros (Não é. usuários. embora custos bastante elevados. determinados nichos onde a qualidade de impressão por exemplo. pois necessidade de grandes tiragens de documentos depende de fatores por demais complexos. O componente físico © 2006 eduardo romeiro filho 211 ufmg . 200 Em Milhares de Unidades 150 ha de disponer de un método que 100 le permita realizar su proyecto de Maticial 50 forma adecuada.) precisas y con la forma que Laser corresponda a la función (incluida la función O surgimento das impressoras de psicológica). acetato etc. nas baseadas em jato de tinta alterado por uma definição equivocada da (para aplicações domésticas e de pequenos questão a ser atendida. ao alto custo representado seja compreensível para seu público. por suplantada pelo impacto de projetos baseados em exemplo) ou pelo próprio designer. seguindo as sugestões de Asimow. sociais e econômicos da correio. O problema a ser mercado pertencentes às duas outras tecnologias. abordado deve estar bem definido. possui os algumas das impressoras a laser) a preços cada vez seguintes pontos principais: mais baixos.) tecnologia laser não representou. O que houve foi uma segmentação deste como meios tecnológicos disponíveis para mercado. por exemplo). clássicas e de acordo com as técnicas que lhe são familiares. las técnicas 0 Jato de Tinta 1992 1993 1994 1995 1996 (Est. de concepção pessoal.) que também enfrentam a mercado foi até o início da década de noventa concorrência da tecnologia de impressão a jato de basicamente dominada por impressoras do tipo tinta. sofisticação refletia uma evolução tecnológica constante. entretanto. projeto do produto agregadas a modelos precedentes. Vendas desde 1992 e estimativas para 1996.depto engenharia de produção . será necessário um projeto que definitiva ameaça ao mercado das matriciais não somente possua “qualidades estéticas” e que devido. A tecnologia laser apresente um enfoque especial às características associada à impressão pode ser considerada como estéticas e visuais do produto. população usuária. Um exemplo deste tipo. Restam às matriciais deve ser analisado a partir de dois aplicações bastante específicas. mas que pelas novas impressoras em relação àquelas já atenda satisfatoriamente a vários outros requisitos. competindo diretamente em nichos de Enunciado do problema.” (MUNARI. principalmente. O termo “qualidade estética” pode representava um fator fundamental e onde havia a gerar uma interminável fonte de discussões.

Acima. por outro lado. sem contudo atuar fora dos e apresenta soluções sem a utilização de uma limites previamente impostos. visando a obtenção do melhor resultado com o menor custo. especializadas no atenda as necessidades levantadas e dentro desenvolvimento de projetos em suas várias dos limites existentes. 2. projeto do produto (viabilidade técnica e econômica) se refere à forma do produto. a concentração de tarefas em pequenos idéia bastante simplificada de como funciona o grupos. A realização de reuniões periódicas. entretanto. pois deve levar a uma síntese Scania. levando a metodologia definida. Projetos de tecnologicamente simples (um vaso cerâmico. por exemplo. exigências e características do mercado. tendo em vista as características planta industrial). geração de alternativa. como no caso da dimensionamento de pequenos parafusos para produção artesanal. das necessidades e dos elementos identificados. históricos e geográficos) aborda a relação entre o produto e seu usuário. maquete de um caminhão concepção. por exemplo). Observam-se. apresentando um especialidades. até atingirem a forma do necessidade de um efetivo e adequado produto final. neste apresentam diferenças importantes. os processos de concepção e produto. tendo em vista a cada uma delas apropriada a determinado tipo de proximidade física e a na maior parte das vezes problema (ou produto). traz em se bojo uma série de níveis crescentes de detalhamento e complicações. limites legais (proibições de determinados produtos ou substâncias. que apresenta estreitas especialidades ou. apresenta seus produto a ser desenvolvido. com a construção de um ou gerenciamento de todo o pessoal envolvido e. Elemento central do processo de uma etapa essencial. (concepção e fabricação) por um pequeno grupo ou desde a concepção da carroceria até o mesmo por uma só pessoa. levantamento equipes. Durabilidade prevista para o produto. utilização de componentes já existentes. concepção. projeto apresenta a inegável vantagem da determinação da solução e detalhamento. que cada vez maiores. é bastante facilitada. As formas circulação das informações de forma praticamente de aplicação destas metodologias. Disponibilidade técnica. imediata. principalmente. da informação que circula entre os diferentes grupos. a criação de semelhanças com a maioria dos métodos para estruturas que permitam a interação de diferentes solução de problemas: necessidade. podem ser desenvolvidos exemplo) não necessitará do rigor metodológico de por pequenos grupos de projeto (ou mesmo produtos mais sofisticados (como um avião ou uma individualmente). por outro lado. por mobiliário. Limites para o projeto. em diferentes empresas e países. em atividade projetual. ao fundo.1. mesmo devido ao fato de que na específicas da tecnologia utilizada na fabricação do maioria dos casos. o que torna caso. Pode-se dizer que o nível de estreita relação profissional existente entre os sofisticação e detalhamento do processo diferentes membros. Se a criação de equipes ou centros de Modelos. pesquisa torna-se um recurso inestimável à de tamanho natural ou em escala.depto engenharia de produção . com muitas vezes possível seu inteiro domínio responsabilidades diversas sobre o produto final. diversos desenhos. entretanto. Da síntese criativa nascem os modelos. tecnologias de fabricação de produtos mais estão envolvidas no mais das vezes centenas de "simples" estão amplamente disseminados. Para o projeto de produtos. a confecção de modelos é Criatividade. basicamente relacionadas à sofisticação. A formação de uma pequena equipe de de informações. Em seu lugar surgem equipes uma “solução ótima” para o produto. A crescente complexidade fixação de componentes. enquanto o psicológico (aspectos culturais. produto com variável grau de inovação. O Processo Projetual As questões apontadas sugerem. mais protótipos. em A partir deste exemplo pode-se ter uma princípio. formados por elementos de diferentes processo projetual. limites tendo em vista a limitação prática da Naturalmente um produto abrangência tecnológica do produto. sendo pessoas. metodológico adotado obedece às características do Esta solução. No caso de um automóvel. Deve-se ter pleno conhecimento dos processos e materiais a serem utilizados. tecnológica dos produtos desenvolvidos tem praticamente eliminado a figura do “inventor solitário” que domina todo o processo de concepção © 2006 eduardo romeiro filho 212 ufmg .

Durante o desenvolvimento do processo de design e o desenvolvimento de novos empreendimento. Com a globalização da produção. cenário de alta competitividade a nível mundial Relatórios técnicos. memoriais de cálculo. torna-se crucial um fluxo eficiente Como gerenciar equipes de projeto das diferentes de informações (ou de conhecimento). projeto do produto 3. uma grande quantidade de produtos assume importância crescente em um informação circula entre os participantes. cuja vantagem montagem exemplificam o conjunto de documentos competitiva seja sustentada somente pelo fator que compõem um projeto. integração entre diferentes setores. embraer (veja quadro acima) acaba por impedir na prática que o trabalho seja O papel do design e da engenharia nestes inteiramente desenvolvido por um único grupo. Diversas equipes cooperam entre si. envolvendo tecnologias sofisticadas e processos Para a agilização do processo projetual “globalizados” de produção. O empresas envolvidas. como vem ocorrendo desde o início da década de memoriais descritivos. Singapura e Irlanda. especificações. várias empresas. preço de compra. Itália. situadas a tão grande conhecimento deve estar disponível em tempo hábil distância e de tão diferentes “procedimentos e destinada à pessoa certa. O avião Boeing 777 como um todo. ou mesmo entre Canadá. Um processo projetual forma isolada. NOVAS TECNOLOGIAS E O culturais”? Podem-se avaliar as dificuldades PRODUTO advindas da gestão de desenvolvimento de A complexidade verificada na maioria dos produtos. estruturado e bem conduzido é uma peça-chave e contribuem para um bom resultado de conjunto para a conquista e manutenção de mercados. seja interna problema do desenvolvimento de projetos ou externamente ao país produtor. oitenta. O destino destes produtos será Há um exemplo que ilustra bem o cada vez mais os mercados marginais. plantas. Brasil. de nada esquemas. de casos é flagrante. França. para que o processo tenha andamento eficiente. Japão. O final. portanto. O mesmo ocorre com empresas como a projetos de design e engenharia atuais.depto engenharia de produção . De nada adiantará uma © 2006 eduardo romeiro filho 213 ufmg . no caso de produtos que envolvam possui componentes fabricados em países tão grandes equipes e a necessidade de interação e diferentes como Austrália. Coréia do Sul. desenhos técnicos de detalhamento e adiantarão produtos obsoletos.

1994. acarretando altos custos para microinformática pode auxiliar em muito a difusão eventuais “correções de rumo” no futuro. “O advento de sistemas notadamente aquelas ligadas à comunicação e à de produção mais flexíveis e de integração entre diferentes equipes de projeto. mudanças relevantes nas como a mostrada acima relações de poder. desde compõe (satisfação no trabalho e qualidade de vida. bem como sugerir reestruturação em maior ou menor grau. pior ainda. servindo muitas vezes apenas como uma “fachada” para a manutenção da situação já existente. reduzindo os A utilização de novas tecnologias de base ganhos ou. adequando-o às novas à adoção de sistemas informatizados. entretanto. embora sejam que possa ser facilmente atingido. apresentar e discutir algumas destas ferramentas. de © 2006 eduardo romeiro filho 214 ufmg . projeto do produto difusão descontrolada de informações. a empresa vez maior de empresas para a manutenção de seus que desenvolve o projeto poderá consultar seus mercados e. a novos materiais. que possui especial descontínua e incerta. sem no ferramentas tecnológicas. conjugados à partir de revisão bibliográfica sobre o assunto. 1991). 1994) Estas modificações. possuem um traço em comum: a ser informatizada.1. Este não é. aceleração no ritmo de mudanças nos produtos e à internacionalização dos mercados. somente poderão ser efetivamente recursos da tecnologia da informação. emprego e rendimentos) deve sobre os usuários diretos (e indiretos) destes novos ser o objetivo de um política consistente de sistemas. em função de um melhor aproveitamento dos entretanto. seja esta individual. pode-se dizer que os efeitos informatização. em PCs. entretanto.depto engenharia de produção . ou mesmo da empresa invés de fruto de um programa estruturado de como um todo. As soluções tecnológicas mais adequadas a serem 1994).” (RODRIGUES et al. Este artigo busca entanto obterem resultados expressivos. coloca a capacidade de inovar como fator estratégico para sobrevivência das empresas. ou melhor dos envolvidos não possuir meios de determinar e dizendo. não possuem garantias quanto à sua efetiva contribuição para a solução dos antigos problemas. A experiência vem demonstrando que. em uma situação de crise Projeto todos se unirão e facilmente abrirão mão de Uma estratégia que atenda às diferentes privilégios pessoais ou formas de poder em função necessidades de forma a trazer uma solução do “bem comum”. Estratégias de Informatização de ingênuo imaginar-se que. como o Brasil (FLEURY. a cada indivíduo influenciado e trazem sempre modificações de impacto sobre a cada setor a ser integrado. qualquer empresa. modernização. se cada um correspondem às necessidades de outro. É extremamente 3. um objetivo da informática sobre seus usuários. as melhores soluções isoladas nem sempre localizar as formas de conhecimento de seu são compatíveis entre si. competitividade a longo prazo e deve envolver e compreender os impactos das lucratividade) e para o conjunto de indivíduos que a novas tecnologias em seus diversos níveis. o processo de informatização nas Este cenário traz à tona o problema da empresas normalmente ocorre de forma formação profissional. todo o processo de modernização. para a própria fornecedores a respeito das características sobrevivência tem sido baseada em processos de mecânicas de determinada peça. antigas formas de competência. ao de cada equipe ou setor. VANDRAMETO. também alterações pertinentes. Aos graves problemas já existentes com adotadas por determinado setor nem sempre relação à educação no país vem unir-se mais um. entre diferentes grupos ou pessoas. Naturalmente Embora muitos sistemas CAD possam ser utilizados em uma reestruturação profunda irá provocar. o que acaba por truncar interesse. Neste caso. 1995. acabando na maior parte dos importância em países chamados “de casos por tornar-se um imenso “quebra-cabeças industrialização recente”. consistente a médio prazo para a empresa (presença Além disso. BARCELLOS. As vantagens trazidas. tecnológico” (CAULLIRAUX e VALLE. Setores e observadas a partir de modificações implantadas no departamentos inteiros são modificados com vistas próprio processo projetual. os equipamentos mais indicados são workstations. seja entre diferentes níveis hierárquicos como dentro de um mesmo nível. em última análise.. uma efetiva reestruturação no mercado. A estratégia adotada por um número cada mesmo a grandes distâncias. Neste caso. diante das evidentemente diferentes caso a caso e assim necessidades peculiares envolvidas em cada função devam ser tratados. e intercâmbio de informações em tempo real. seus efeitos sobre a empresa até suas conseqüências em termos de saúde. ou do “futuro da empresa”.

utilizarem-se de meios informatizados em seus Cabe indagar que razões levaram a uma processos de trabalho. partindo-se investimentos em informática. Os sistemas CAD podem representar desde peças da carroceria (como ao lado). Capacidade de comunicar-se com o mercado (para conforme demonstra ROBERTSON (1989). Mesmo em países manutenção dos antigos) mercados estará na desenvolvidos as experiências de implantação de capacidade de cada empresa de descobrir e atender sistemas CAD e em indústrias de ponta na o mais breve possível às necessidades de seus aplicação desta tecnologia. bem como as razões para o relativo crescimento na capacidade de comunicação e na fracasso na utilização do sistema não são objeto de conseqüente facilidade para troca de informações uma discussão séria nas empresas acerca da política entre indivíduos. ao menos até o final dos anos 80. 1993).depto engenharia de produção . © 2006 eduardo romeiro filho 215 ufmg . canais rápidos e seguros de comunicação. Pelo contrário. levando-se em consideração situação na qual são realizados vultosos a constante evolução destes sistemas. projeto do produto vital importância: como formar pessoas aptas a empreendimento. ou mesmo simular a utilização pelos usuários. sem que se perca o conhecimento empresas no Brasil (além de diversos outros anterior? descritos pela literatura. 1997) avalia processos de questão de uma forma prática. O grande benefício da informatização para demonstrando que na maioria dos casos estes os próximos anos reside em um enorme resultados. departamentos e de informatização. equipes. constituem-se até empresas diferentes (SCHEER. nem sempre apresentavam resultados satisfatórios. a partir de uma perspctiva de aplicação de forças easpectos ergonômicos. mesmo diante de do fato de que é difícil levar princípios de educação resultados não muito animadores. no país e no exterior). ou Projeto Assistido por Computador) em cada dois anos. Neste caso. Nosso trabalho básica à grande parte da população? Colocando a (ROMEIRO. como formar pessoal implantação de sistemas CAD (Computer Aided capacitado para operar sistemas que são trocados a Design. setores. imediato atendimento aos clientes) e capacidade de É bastante simples perceber que a partir da comunicação interna à empresa (para o rápido implantação de uma nova tecnologia. como acirradores de disputas internas em torno das o diferencial para a conquista de novos (e novas tecnologias e seus rumos. Para isso é fundamental a existência de automobilístico. como as do ramo clientes. á direita). como as mostradas nesta página. o destino desenvolvimento de novos e adequados produtos) daqueles por ela influenciados está de certa forma são requisitos básicos ao sucesso de qualquer relacionado aos resultados obtidos por esta Entre as principais aplicações CAD estão aquelas voltadas para a indústria automobilística. até sistemas completos (como os pedais no alto.

foi possível perceber que as disputas internas e terão aumentadas suas áreas de soluções apresentadas pelas empresas de influência e círculos de poder. mais do que um simples ocorra igualmente nos diversos níveis envolvidos. Processos estes vezes espalhadas em diversas unidades não somente de produção. etc. como sistemas de reestruturação da organização visando a adequada apoio ao trabalho em grupo. No 4. utilização da tecnologia da informação. computadorizado às atividades da empresa. mas também por parcelas muitas vezes sistemas CAD. ESTADO DA TÉCNICA caso de sucesso do novo sistema.. Não somente em se tratando de resistências. desenvolvimento de soluções para auxílio a Para que haja um efetivo sucesso na atividades complementares. geograficamente afastadas. software de apoio à de projeto. ficam claras as razões pelas quais a teoricamente) de forma bastante extensa às várias implantação de novas tecnologias informatizadas necessidades apresentadas pelas diversas etapas do tende a trazer consigo problemas relacionados a processo projetual. muitas relevantes nos processo envolvidos. que isso. organizacional) é levado a tornar-se um instrumento de ação política interna à empresa. como no caso abaixo. como diretos. que levam a perspectiva de planejamento. Desta maneira. mas principalmente com o crescente expressivas do corpo gerencial. CAM. processo de modernização tecnológica. projeto do produto Os sitemas CAD mais complexos podem inclusive contribuir para simulação de sistemas de manufatura. faz-se sistemas de gerenciamento de documentos (como necessário que ocorram modificações consistentes os sistemas EDI e EDMS). além dos vários sistemas de apoio estas modificações tragam os resultados esperados. Mais do dentro de conceitos CIM. como faz-se necessário um detalhado e criterioso CAE. antes e depois das modificações propostas. fabricação através de sistemas informatizados.depto engenharia de produção . conforme já colocado. além de um grande conhecimento um processo integrado de projeto. para transmissão de nos vários níveis da empresa. ou workgroup. tecnologia. Pode também simular situações de montagem de componentes. administração e acerca dos processos e tecnologias envolvidos. trazendo alterações dados on-line entre grandes organizações. mas também de design. Em um cenário informática podem atender (ao menos como este. Para que decisão. de vendas. o CAD (ou de forma que se evite a manutenção de antigos qualquer outra forma inovação tecnológica e/ou problemas. seus A partir do estudo do Estado da Técnica patrocinadores terão certamente vantagens em sobre o assunto. não só por parte de seus usuários ferramentas de apoio direto ao projeto. administração. como nas imagens ao lado. é importante que esta reestruturação © 2006 eduardo romeiro filho 216 ufmg . CAPP etc.

empresa pesquisada colocou este como um fator decisivo para a migração de um sistema de médio Acerca dos sistemas CAD de forma porte para um baseado em PCs. em detrimento daqueles baseados em encontros de trabalho.1. procedimentos padronizados. agregam-se funções como teleconferência. É também apresentado um computação colaborativa) apóiam-se. permite o final do século). com o progressivo crescimento da faixa Teleconferência: Permite reduzir a necessidade de ocupada por sistemas baseado em PC e deslocamento das pessoas para reuniões ou workstations. projetos de arquitetura. a por exemplo. apesar de feito. Dois ou mais computadores de grande porte. a ordem segue para a Autodesk Inc. mecânica.depto engenharia de produção . Segundo o específica. Com base nos dados apresentados pelo que quando um pedido de mercadorias seja autor pode-se perceber também que. um aviso é enviado pela IBM (1º lugar). muitas vezes. Além de mensagens. este vá direto para o estoque. dado o constante lançamento de sistemas de apoio ao trabalho em grupo (também novos software e (principalmente) aplicativos de chamados de workgroup computing. entretanto. Hewlett- automaticamente ao vendedor e. Vale lembrar que os usuários dialogam através do computador sistemas de apoio ao projeto em engenharia e podem fazer anotações sobre um mecânica normalmente requerem maior potencial e documento exibido na tela. via campeão em número absoluto de unidades correio eletrônico. Segundo as perspectivas apresentadas. O autor observa uma tendência à podendo alimentar o banco de dados modificação do perfil de mercado de sistemas corporativo ou do grupo. em um sistema de correio eletrônico. se Packard e Schlumberger. à produção. um bilhão relativo a enviar documentos de qualquer tipo. como se capacidade do que aqueles destinados a. por estivessem diante da mesma folha de exemplo. desenvolver a aplicação a ele relacionada. Nos facilidade para manutenção e. EUA (20%) e resto do gráficas que permitem desenhar e mundo (1%). Esta tendência foi papel. gerenciamento de documentos e 4.) estava no início do s anos 90 apenas expedição e para o faturamento. agenda de grupo. Gerenciador de formulários: Possui ferramentas Região do Pacífico (39%). Em caso em quinto lugar em faturamento. em 1991. Suas Segundo ZUTSHI (1993). visto que um levantamento o sistema da empresa. dos programas CAD. está sofrendo alterações importantes. Também permite transferir confirmada por posterior pesquisa de campo. workflow e compartilhamento de informações. o mercado principais funções podem ser desta forma descritas: mundial de sistemas CAD envolvia. o software AutoCAD (produzido pela disponível. Esta evolução possui um significado Agenda de grupo: Além de administrar os fundamental para a aplicação de sistemas CAD compromissos pessoais de cada usuário. sistemas CAD com aplicação para engenharia Alguns possuem recursos que possibilitam. três casos. pela indústria. ou programas já existentes. sendo suplantado contrário. redirecionar as mensagens no divisão do mercado mundial de sistemas CAD para caso de ausência do destinatário principal aplicação em engenharia mecânica na virada do e/ou devolver respostas padronizadas. desocupando assim internacional). que imagens digitalizadas ou arquivos representam custos menos elevados e maior editáveis no padrão dos aplicativos. Destes. os inviável na prática. Sobre nível mundial. devido à Banco de dados compartilhado: Pode armazenar observada migração para sistemas de menor porte documentos em um formato próprio. que arquivos. é possível atualmente aos soluções oferecidas no mercado brasileiro (e funcionários "treinar em casa". quase rápido panorama do mercado de sistemas CAD a sempre. Se a mercadoria estiver vendidas. conveniente. (registrada também por pesquisa de campo). Este quadro. constatou uma expressiva migração para a Workflow: Ferramenta que permite a execução utilização de sistemas CAD baseados em PCs nas automática de determinados empresas visitadas. detalhado deste mercado constitui-se como tarefa © 2006 eduardo romeiro filho 217 ufmg . Uma equipamentos para o encontro. ele. ferramentas facilitam a pesquisa formação de pessoal. século estaria da seguinte forma: Europa (40%). CAD. Por exemplo. das informações. foram levantadas algumas das principais entrevistado. projeto do produto Destacando-se entre os citados acima. A utilização de sistemas de menor busca automaticamente horários livres para porte significa uma cada vez maior popularização reuniões entre um grupo de pessoas. Situação do Mercado e Principais de formulários eletrônicos. Computervision. programação de Sistemas. que agora podem ser Também pode reservar salas e utilizados inclusive residencialmente. algo Correio Eletrônico (Eletronic Mail ou e-mail): É em torno de seis bilhões de dólares em todo o um item básico de qualquer ambiente mundo (com a perspectiva de dobrar este valor até workgroup.

numerous functions associated Em seu princípio. de sistemas de diversas origens (e ao mesmo tempo que as workstations tiveram características). projeto do produto Não é objetivo deste trabalho tecer pessoal passou por uma brutal evolução tornando- comentários acerca das questões éticas envolvidas se muito mais poderosa. Os sistemas mainframe caíram em desuso como A outra alternativa é a convivência. tornou-se em decisões desse tipo. os sistemas CAD eram. the market dynamics. está na maior facilidade para que sejam encontrados Workstations and PCs are the usuários de sistemas CAD. rather than being a que na maior parte das vezes levava a complicações purely technical tool. This is automobilística e aeroespacial. no entanto. desenvolvidos ainda Reduced Instruction Set Computer e sistemas na década de 60. Os sistemas CAE complexidade exagerada para o usuário final. que em geral apresenta características de computadores pessoais. mas também pela maior in a few years." (ZUTSHI. do tipo IBM PC. In fact. em uma forma mais ou menos velada e "New features are extensão da jornada. a implantação dos antigos sistemas turn-key). There is a níveis dos sistemas de "topo do mercado" ("high. capazes de gerar aplicações em repository of geometry and equipamentos de menor porte. ou de produtos de desempenho. not just serving as a complexas. power/cost relationship of Um outro fator importante.do mercado) desenvolvidos para UNIX. Haveriam os software “clássicos” produtores de software (ainda segundo GREGO. topo de mercado. de criar uma situação semelhante à observada com Esta divisão atualmente é bem mais sutil. e. que considerada segura. usuárias destes one reason why CAD/CAM sistemas por excelência. o que dificulta ainda mais a vida do acentuada queda em seus preços e a computação usuário. o que obriga e empresa maiores necessidades em termos de processamento. Por outro lado existia o grupo de Por outro lado. CAD de utilização e partilhamento dos recursos packages are assuming the role informatizados. a de acordo com a plataforma (sistema hardware) plataforma considerada ideal por grande parte dos que utilizassem. que formam uma combinação para as workstations (estações de trabalho). with CAD. no plataformas para aplicativos de computação gráfica. Desta forma. Auxiliada por Computador). os de média complexidade (como as típicas da software CAD e CAM poderiam ser classificados indústria metal-mecânica. wiped out by simplicidade dos programas utilizados que. © 2006 eduardo romeiro filho 218 ufmg . o solution. into a grandes empresas. até mesmo 1993) computadores pessoais. Além (Computer Aided Engineering. sistemas de pequeno porte. segundo o desktop computers has changed gerente de projetos de outra empresa pesquisada. o que pode continuaram por longo tempo restritos aos limitar em muito a aplicação do sistema CAD (além computadores de maior capacidade. Naquela época. repouso. Vale somente chamar a showing up in mechanical CAD atenção sobre os efeitos danosos desta política software at an ever increasing sobre a saúde dos usuários. Nos anos setenta surgem sistemas of a complete product definition CAD mais evoluídos. numerical control and em termos de processamento. mesmo ambiente. Com a utilização de platforms of choice. The reason is that the atividade junto a terminais informatizados.depto engenharia de produção . por suas de acordo com o fabricante. trend toward integrating the end"). segundo GREGO (1995). computadores centrais das empresas. acessíveis somente a database management. como workstations manufacturing data. da equipe de suporte e da própria empresa. que acabam por estender o muito menor a diferença (sendo esta muitas vezes período de trabalho já realizado na empresa por bastante tênue) entre as duas classes de sistemas algumas horas teoricamente reservadas ao hardware. ou Engenharia disso. em versões mais ou menos database. such as finite element devido a sua inerente complexidade e altos custos analysis. expostos mais e mais à clip.) está em workstations de tecnologia RISC - dos primeiros sistemas CAD. não somente pela popularização dos systems are expected to disappear equipamentos. os systems are increasingly sistemas (em sua grande maioria constituídos de providing more of a technical sistemas turnkey) eram basicamente ligados a information management mainframes. a formação é bastante mainframe-based CAD/CAM facilitada. usuária a manter-se fiel ao fornecedor. baseados em mainframes e resultados da evolução op. a partir do início dos anos oitenta. como as da indústria single seamless package. confiável de ótimo formavam o grupo high-end. e produtos mais recentes criados operacionais UNIX.ou possua pessoal técnico capacitado em sistemas "popular" . em se tratando de aplicações Desta forma. por exemplo).cit. ela exige que a empresa software low-end (na extremidade baixa . apesar packages for the desktop that are da crescente sofisticação. ainda não atingem os as good or better. o UNIX é encontrado em diferentes versões. Atualmente.

de integração dos outros. metal-mecânica com maior grau de com ele e mais extensa bibliografia a seu respeito. como mecânica. como CAE. entre gerenciamento de documentos. que exemplo. por exemplo. como ferramentaria. como aplicações em indústrias de injeção de plástico. em necessidade de aplicativos específicos. IBM Micro Cadam e o necessidades (e capacidade de investimento) da Unicad (software destinada à indústria metal. próprias. e. denominado low-end (produtos na faixa mais baixa Um dos software mais sofisticados do do mercado) é formado por programas criados mercado. que poderia ser destes sistemas. que o tornam mais ou menos atraente para O mercado de software CAD divide-se. o que faz com que projetos à área de mecânica. é tecnologicamente pacotes com dezenas de módulos que atendem a possível a realização da integração nas diversas funções mais ou menos específicas de CAD. possui grandes recursos de tridimensionalidade. o Delcam Duct. sistemas técnicos da organização etc. irmão mais novo. acaba por especial nos países mais desenvolvidos. Neste grupo estão aqueles que prestam. O AutoCAD e o parametrização.depto engenharia de produção . Todos são sistemas CAD desenvolvidos em determinado sistema não seja capazes de operar em micro-computadores tipo PC. o Cadam. o que consideradas clássicas: indústrias automobilísticas. empresa cliente. Hoje. engenharia © 2006 eduardo romeiro filho 219 ufmg . esta situação acaba por trazer Microstation são software genéricos. CAPP etc. além da maior parte dos investimentos em CAD.). por sua vez. como os (número este que cresce a medida de 20 por ano) software Microstation (da Bentley). sofisticação etc. Também neste grupo estão o Matra técnicos de apoio à atividade projetual. significa que há mais profissionais familiarizados aeroespacial. O MicroStation. aquelas de pequeno e médio portes.). e arquitetura. também CAE. que concentra os programas mais sofisticados. e que incluem. o que acaba por ou CAM. ainda não são cálculo de resistência de materiais. 5. Micro Cadam e Unicad. que muitas vezes não possuem interface técnica ao contrário. seja através Euclid. Sistemas Low-End. a grosso modo. eletrônica de integração entre as várias versões de sistemas. Possuem Entretanto. o indiretas (sistemas de trabalho em grupo. O Unicad possui como principal dos programas mais antigos. utilizados em problemas adicionais e bastante sérios aos objetivos diversas especialidades. O CadKey. conta (segundo FREITAS. simulação de disponíveis no mercado. ou Uma modificação realizada no modelo 3D high-end ("de topo") do mercado. O CadKey. restringir suas aplicações a grandes empresas de tecnologia de ponta e disponibilidade financeira 4. mecânica que talvez seja o único sistema CAD sistemas de modelamento geométrico. O primeiro. ou que a conversão de dados seja e podem fornecer informações para sistemas CAE feita de foram "truncada". entre outros. entretanto. em dois grupos básicos. Embora vendidos em menor número de constante necessidade de extenso e delicado cópias e a um número bastante restrito de clientes. esse produto e seu complexos. enquanto o Micro para utilização em mainframes. criados originalmente vantagem a parametrização. prototipagem rápida. são específicos para aplicações ligadas adequada. desta forma.3. planejamento para implantação e utilização dos estes sistemas são. por originalmente para o ambiente IBM PC. porte. por grandes Cadam é uma evolução de um sistema de grande empresas. AutoCAD que podem ser agregados a partir das diferentes (Autodesk). "lido" por outro. o Cimatron. CONSIDERAÇÕES tendo ambos uma presença expressiva na indústria A partir da avaliação dos dispositivos automobilística. como o "modelo" para todos os sistemas muito úteis na visualização de produtos mais CAE/CAD/CAM atuais. adotado pela fábrica de automóveis francesa da contribuição direta (sistemas CAD e tecnologias Renault. CadKey. O AutoCAD é. 1997) com possuem normalmente recursos menos sofisticados aproximadamente uma centena de módulos e apresentam um custo mais baixo. projeto do produto Além disso. desenvolvido no Brasil). Cada um dos software CAD para PC existentes no mercado possui características 4. para os investimentos necessários à utilização O segundo grupo. pode-se Estes software possuem normalmente dizer que. o Cadam pode ser considerado recursos nativos de visualização tridimensional. tem como pontos Criado pela fábrica de aviões Lockheed fortes uma boa integração com bancos de dados e nos anos sessenta. líder na área de CIM. Os altos custos e a funções etc.2. em alguns casos. são desenvolvidos pela Dassault francesa e comercializados pela IBM. CAM fases do projeto através de sistemas informatizados. Sistemas CAD High-End. soluções definitivas e também módulos bastante específicos para adequadas a amplos grupos de empresas. de Intergraph EMS e o Parametric Pro/Engineer. cada aplicação específica. o CATIA/CADAM Solutions V4. de origem israelense. CAM. seguramente. o Catia. responsáveis pela sistemas informatizados disponíveis. Muitas vezes aparecerá automaticamente nos desenhos estes software são versões desenvolvidas a partir bidimensionais. inviabilizar na prática o trabalho conjunto. o se às aplicações CAD que poderiam ser mais difundido software CAD do mercado.

“Milton Santos.60. p 76-77 © 2006 eduardo romeiro filho 220 ufmg . São atender às necessidades da empresa. Entrevista”.A. Além disso. Brasileiro de Automação Industrial. Rio de Janeiro: LCNPA .F. considerado como obsoleto. e VALLE. e seus altos custos podem explicar CADware Technology Ano 2. in: SBRAGIA. P. 3ª edição. não por deixar de In: Revista Teoria & Debate. 1994. Maurício. B. nº 108 (Mar). Incrementais de Automação.fpabramo. I. São sistema. August-Wilhelm. projeto do produto “reversa” e ferramentas workgroup.. 1997 CAD na Indústria: Industrial.. SCHEER. "Uma R. Coréia e Brasil. Produtos Industriais. 1993. apesar GREGO. BARCELLOS. S. 1991. permanece a questão dos Pp. Congresso Brasileiro de Automação ROMEIRO Filho. 1995.M. ZUTSHI. Desta forma. 4 a situação de faturamento dos fornecedores de (mar/mai). in Informática Exame. I. p. Estratégias Qualitymark Editora.. 1994. E. Rio de Janeiro: Editora “Condições para Inovação Uum estudo em Guanabara Dois S. Rio de Janeiro. e VASCONCELOS. Aprendizagem e Inovação Organizacional: Automação Industrial e Computação Gráfica. 1993. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IMVP International Policy Forum. 28) 1993. BACK. H.L. n. São Paulo: automação flexível" In: Anais do Segundo USP/NPGCT/FIA/PACTo. Cambridge: 1.A. após dois ou três anos de uso. "Novas Armas Para a do número evidente baixo de empresas usuárias do Engenharia". Ano 10. J. In: automobilísticas. A. M.Sociedade FLEURY. (CD ROM) São Paulo: SOBRACON . (CD ROM) São Paulo: Implantação e Gerenciamento. Aroop.Sociedade Brasileira de Janeiro: Editora da UFRJ. 1994.P. São Paulo: Comercial e Editora sistemas CAD.P. Controle Numérico e VANDRAMETO. Oduvaldo.627. não foram considerados aqui investimentos em formação de MUNARI. quatro setores industriais)”. 616 . e FLEURY. In: Anais do Segundo Congresso (xerox). 1983.br/td/td40/td40.F.T.depto engenharia de produção . o equipamento em si. “high-end” é característico de empresas CATIA/CADAM Solutions V4. São Paulo: Editora Atlas S. Metodologia de Projeto de OLIVEIRA. Este software FREITAS. "Formação de Produção Automatizada. Automação Industrial e Computação Gráfica.A. Paulo César de Araújo. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli que podem significar valores ainda maiores do que S. Rubens Eduardo Braga. 54 . 1997.Lab.org. pode ser LEITE José Corrêa. COPPE/UFRJ . MIT. CAMARGOS. CIM: Evoluindo para a Fábrica do Futuro. Comando Numérico. nº 40. mas por estar Paulo: fev/mar/abr 1999 definitivamente suplantado pela novas tecnologias http://www. e GARCIA. RODRIGUES. In: Machine Design v 65 n 10 (May. onde a IBM (fornecedora do X5 Ltda CATIA/CADAM) possui o primeiro lugar. 1995. "What's hot and what's not". recursos humanos para automação Programa de Engenharia de Produção industrial". 361 p. 1975. 1989 CAD Systems in the Design Engineering Process. Diseño e Cominicación Visual: Contribución a una metodología usuários e reestruturação do processo projetual visando melhor aproveitamento desta tecnologia. Brasileira de Comando Numérico. Nelson.. Anais do XVIII Simpósio de Gestão da capacitação de recursos humanos para a Inovação Tecnológica. ROBERTSON.htm surgida no mercado. Rio de SOBRACON .C. MARCOVITCH. proposta educacional básica para a efetiva E. Paulo: Editora Abril. As Experiências de Japão. didáctica. CAULLIRAUX. altos custos referentes a aquisição de um sistema que. 7pp.. R. David.

which try to guarantee the competitive differentials of their products in all stages of life cycle. Uma apropriada gestão do desenvolvimento do produto torna-se assim indispensável para aquelas empresas que querem manter sua posição ou conquistar novos nichos no mercado. Dentro do atual contexto de globalização e aumento da concorrência. Av. uma posição sustentável no mercado. This communication has its efficiency maximized when they use CAE/CAD/CAM tools that allow several computational analyses besides the creation of three-dimensional visualizations that facilitates the communication between the professionals of different areas. que lhe permitam ampliar ou conservar. 1995) como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais. Key words: Concurrent engineering. Seu uso é hoje amplamente difundido a partir de experiências em grandes empresas do setor automobilístico e aeronáutico. Assim o desenvolvimento de produtos toma papel de destaque neste processo.: ABEPRO outubro de 2002. It can be observed. projeto do produto Aplicação de Tecnologias CAD/ CAE/ CAM em Desenvolvimento de Produtos . 6627 – Pampulha – B. quando a demanda encontra-se em processo de saturação em grande parte dos mercados. Departamento de Engenharia de Produção – DEP. 31 3499 4892 – romeiro@dep. mesmo nestes 36 Artigo originalmente apresentado no XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Antônio Carlos.br.ufmg. Av. mostly in the small size companies. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. by the result of a research. nitsche@ig.com. também denominada Concorrente ou Paralela. that this administration process still needs ripeness. 6627 – Pampulha – B. 36 Alexander Thorsten Nitsche.br Abstract More and more the competitiveness has turned the products development administration a constant preoccupation for companies of all kinds. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Antônio Carlos. however. as empresas buscam cada vez mais garantir diferenciais competitivos em todas as etapas do ciclo de vida de seus produtos. © 2006 eduardo romeiro filho 221 ufmg . Curitiba. Tel. porém os métodos de sua aplicação ainda necessitam de maturação. 1. Uma das filosofias mais difundidas para que este objetivo seja alcançado é a Engenharia Simultânea. A competitividade pode ser definida (FERRAZ et al.ufmg. Dr. CAD/CAE/CAM. maiores as chances de se alcançarem os diferenciais competitivos esperados. nitsche@dep. de forma duradoura. which has as main focus the efficient communication between different departments and even between several companies.depto engenharia de produção .br Eduardo Romeiro Filho. This work discusses the utilization of the CAD/CAE/CAM tools as facilitators of the process of simultaneous engineering. Introdução. developed in an auto parts vendor company . In the products development administration one of the main philosophies is the concurrent engineering. Hte – Minas Gerais. uma vez que quanto mais planejado e metódico for este desenvolvimento. Hte – Minas Gerais. product development. Prof. Mestrando Departamento de Engenharia de Produção – DEP.

DFMA. prática que tem se disseminado por diversas indústrias nesta década (Amaral et al. No caso específico deste © 2006 eduardo romeiro filho 222 ufmg . foi adaptado de Romeiro (1997) e consiste na investigação dos efeitos da utilização de novas tecnologias em ambientes de projeto. O adequado gerenciamento deste fluxo de informações torna-se crucial para a ES (ROMEIRO. principalmente. Em função disto ampliou em muito o número de ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de produtos. redução do número de falhas do produto. Desta forma é necessário que se utilizem Sistemas de Projeto. ergonômico. A ES permite agilizar e “enxugar” o desenvolvimento do produto. O uso da ES implica em se fazer uma combinação de métodos e ferramentas que promovam todos os tipos necessários de fluxos de informações ao longo do ciclo de vida do produto (Schneider et al. 1998.1. que se utilize uma padronização no projeto possibilitando assim uma comunicação mais eficiente entre as diversas áreas. etc). 1999). 2000). A mudança no paradigma no processo de projeto é demonstrada na Figura 1. Fonte: Bossak. e mesmo entre empresas diferentes. no uso e no descarte).1. Esta troca eficiente de informações é ainda mais exigida onde há a participação sistemática dos fornecedores no processo de desenvolvimento de produto. Engenharia do Valor etc. Para que o processo de ES seja mais eficiente. Conforme observado por Maffin et al (2001). entre outras. apesar de sua implantação levar a um aumento no tempo destinado às etapas iniciais deste processo. QFD. Sua utilização é importante também. no lugar certo. dos principais aspectos relacionados à sua implantação e utilização nos níveis macro.1. detalhado na Tabela 2. Serão objetos de análise deste estudo as conseqüências destes sistemas sobre o usuário (indivíduo). entre outras levou à necessidade da incorporação de novas características ao produto. o que faz com que se tenha um aumento significativo no tempo da análise do produto pelos projetistas de diversas áreas. 2. reciclagem (descarte. meso e micro e das formas de integração propiciadas pela adoção de sistemas CAD. Evolução do processo de design de 1970 a 1990. assim como a utilização de ferramentas como o Design for “X”. O produto adequado às demandas atuais deve incorporar características que observam pontos relevantes com relação à facilidade de montagem. projeto do produto setores. interação com o usuário e facilidade de uso (questões ergonômicas). O método proposto para este trabalho. FMEA. aliada à crescente preocupação das autoridades e dos consumidores com questões de caráter ambiental. Nos últimos anos a crescente concorrência. resulta no aumento nos níveis de qualidade do produto obtidos. Sua aplicação. a equipe de projeto. 2000). estético-formal. a relação entre as diversas equipes envolvidas e entre o setor de projetos e demais setores da empresa. Engenharia e Manufatura Auxiliados por Computador (CAD. meio ambiente (poluição na fabricação. diversas técnicas são necessárias para alcançar uma condição de “best-practice” na Engenharia Simultânea – ES. devido a recursos como a possibilidade de visualização em escala e simulação tridimensional que oferecem.depto engenharia de produção . O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos em tempo hábil e. sua melhor definição e redução no “lead time” de fabricação (GAO et al. CAE e CAM respectivamente). porém as empresas ainda não as dominam ou mesmo desconhecem algumas delas. Estes garantem. 2000). além de reduzir o tempo total de desenvolvimento. reutilização. em especial naquelas relacionadas à elaboração do conceito do produto. Figura 1. ou mesmo exigem. mas especialmente nas pequenas e médias empresas. Metodologia.

Integração entre equipes.Integração entre empresas (vistas como .Reestruturação do processo produtivo. bem como a importância atribuída a cada um nesta estratégia. Trabalho .Relações de poder. Setores de .Novos atores dos processos. .2 Aspectos Meso: Equipes de Trabalho.O papel do sistema como fator de integração para a empresa.Compatibilidade. etc. Segundo Diferentes Níveis de Abordagem. . . . . Níveis de Visão Predominantemente Técnica Visão Centrada no Usuário Abordagem Macro . . . entrevistas abertas semi- estruturadas junto a elementos do corpo gerencial. etc. O levantamento dos aspectos macro ligados ao sistema tem por objetivo a elaboração e compreensão do pano de fundo onde ocorrerão as principais modificações nas formas e nas relações de trabalho a partir da utilização de diferentes sistemas informatizados. bem como as relações previstas entre os diversos sistemas informatizados na empresa. . projeto do produto artigo. . bem como da gestão de projetos a partir de sua utilização.Integração entre empresas. . Deve ser levantado o papel do sistema em um proposto plano estratégico de informatização da empresa em longo prazo. bem como do ponto de vista da administração a respeito dos conceitos ligados às tecnologias CIM (Computer Integrated Manufacturing). .Postura.Aspectos Levantados pela Pesquisa. bem como levantados os procedimentos utilizados para comunicação.Downsizing. .Melhoria da qualidade do produto. . através da intensiva e adequada utilização de recursos informatizados. e Mercado . através de entrevistas pessoais. como processos de reestruturação empresarial. Os principais tópicos abordados: . . Empresa . grupos humanos). 2.Funcionamento técnico. .Otimização do empreendimento.Ansiedade. Podem ser entrevistados diferentes atores envolvidos neste fluxo. Indivíduo .Interface entre Software.Hard/software locais.Redes locais.Condições de trabalho. etc.1 .Segurança de sistemas.Visão estratégica da empresa com relação à integração entre projeto e produção através de aplicações CAE.Compatibilidade. Nesta fase serão analisados: . Micro . Serão apreciados desta forma os efeitos dos sistemas informatizados nos processos de comunicação intra e entre equipes de projeto. .Telecomunicações. a pesquisa se concentrada em aspectos predominantemente organizacionais da implementação de sistemas informatizados e de seu gerenciamento. .Integração individual etc. . . Os dados nesta fase são coletados a partir de acesso a documentos não sigilosos relacionados aos sistemas nas empresas pesquisadas. para avaliação dos níveis de eficiência no intercâmbio e fluxo de informações através da empresa.Cultura técnica da organização. Equipes e .Sistemas de comunicação. . . Neste nível.Manutenção do sistema etc. como forma de modernização da empresa como um todo a partir do desenvolvimento integrado de novos produtos e novos meios de produção.Novos paradigmas gerenciais.Viabilização de aplicativos. © 2006 eduardo romeiro filho 223 ufmg .depto engenharia de produção . sendo avaliados primordialmente os aspectos “meso” desta integração. mobiliário.Aspectos ergonômicos clássicos. .Software. 2. as investigações estarão concentradas nas formas de integração intra empresa. CAM.Formas de comunicação entre usuários e/ou equipes.Planejamento estratégico da empresa. São também avaliados os efeitos das condições sócio- econômicas do país sobre a empresa e as influências geradas por programas de reestruturação organizacional nas empresas. CAD.Políticas estratégicas em informática. -Aspectos culturais dos grupos envolvidos etc. tensão emocional.Organização do trabalho. Tabela 2. Meso .Competências.1 Aspectos Macro e Macro Ampliado: Empresa e Mercado. . dentro de uma visão estratégica de informatização de todo o processo produtivo.Interface entre sistemas.Efeitos sociais da informatização . .

A área de back-up destinada a projetos finalizados. . A de trabalho.3 Aspectos Micro: Indivíduo e Estação de Trabalho. e dos programas de formação adotados para os diversos usuários de sistemas informatizados. A de transferência onde os arquivos são disponibilizados para compartilhamento. A plataforma de gerenciamento de dados realiza o controle dos dados trabalhados através do servidor que é dividido em três áreas: 1. com especial atenção para aspectos antropométricos do mobiliário. 3. Na geração do plano de métodos que tem por objetivo definir as operações necessárias para se chegar ao produto final. entre outros. dentro dos conceitos adotados pela ergonomia. através da observação das interfaces dos diferentes programas em uso nas empresas pesquisadas. I-deas.Interface usuário x sistema. 3. 2.“Usabilidade” do software. Levantamento dos procedimentos adotados para comunicação intra e entre equipes de projetos.Efeitos dos Sistemas Informatizados sobre o ciclo de vida do produto. em especial do trabalho em equipe e dos procedimentos adotados para inserção do sistema no grupo de desenvolvimento de projetos. etc. . CADDS 5. Autoform. abordando os seguintes tópicos: . E na segunda foram realizadas entrevistas com um Analista de Suporte Pleno (Plataforma de PDM). A Pesquisa: A pesquisa piloto. notadamente em casos onde coexistam sistemas distintos. Neste caso (nível micro). como elemento de ligação entre equipes e integração das diversas etapas do ciclo de produção. calibrar. E a segunda através de entrevistas realizadas “in loco” na empresa. Na verificação dos projetos de ferramentais que a empresa recebe.Formas de comunicação. furar. teto.depto engenharia de produção . O trabalho realizado pelas plataformas de projeto consiste basicamente em quatro etapas: 1. bem como para fatores ambientais que interferem na execução da tarefa. Catia V4. estarão desta forma centrados na estação de trabalho.Organização do trabalho. arquivos digitais. 3. conjunto estampado e acessórios e uma plataforma suporte que é responsável pela manutenção tanto de hardware e software. será avaliada a influência dos sistemas sobre os procedimentos de desenvolvimento de produto e produção. e de que formas a organização do trabalho interfere nos processos de comunicação. para compreensão e visualização dos efeitos dos sistemas sobre a empresa de uma forma bastante ampla. Através de entrevistas e análise de documentação das empresas. Em alguns casos o projeto e detalhamento das ferramentas são realizados por este setor. um Gestor de Desenvolvimento de Produto (Plataforma tanque) e um Projetista (Pré-CAM) O departamento de projetos possui atualmente 30 estações gráficas rodando os seguintes softwares de CAD/CAE. evitando assim problemas de conversão. bem como para avaliação das deficiências desta interface. Este departamento é divido em plataformas de trabalho. . 4. foi feita em uma empresa fornecedora de componentes para a indústria automobilística. projeto do produto . formar. Catia V5. © 2006 eduardo romeiro filho 224 ufmg . PDM – product data management. bem como na interação entre os diversos atores envolvidos. Unigraphics.Organização e fluxograma de trabalho. realizada em duas etapas. uma vez que estes são em sua maioria terceirizados. Pro-engineer e Patram. . 2. como iluminação e temperatura. capô. onde as estações realizam os projetos remotamente. É avaliada a relação entre as formas de comunicação prescritas e a comunicação real. Esta análise é realizada a fim de levantar de que forma pode ser agilizado o processo de trabalho. suspensão. carroceria. Os sistemas de PDM são ferramentas responsáveis pelo gerenciamento de toda a informação relacionada com produtos da empresa. 2.Avaliação do posto de trabalho. . O processo de design de novos produtos. cortar blank. que consiste no recebimento de um projeto direto da montadora e a partir daí a empresa sugere e implementa modificações em função da sua experiência. são avaliados os recursos de comunicação entre usuários diretos de sistemas e entre estes e demais usuários (indiretos). repuxar. bem como na metodologia de desenvolvimento projetual e processos de fabricação. Ex. como pelo gerenciamento dos dados do setor. 1999). Na primeira etapa foi realizada uma visita técnica às instalações da empresa. Também é discutido o nível de adequação da estrutura existente à nova realidade trazida pelas aplicações informatizadas. onde foram apresentados os departamentos de projeto e o de construção de ferramentas. dentro da linha de produtos da empresa estão itens como: portas. onde cada uma é responsável por uma área de projeto específica: tanque. registros de banco de dados. conjuntos montado. Praticamente todos os programas utilizados em montadoras de automóveis. bem como entre o setor de projeto e demais setores da empresa. Neste nível a análise da tarefa e dos processos de trabalho em sistemas informatizados em seus aspectos micro. Áreas estas intimamente ligadas através do uso de ferramentas de CAE/CAD. além de gerenciar o ciclo de vida do produto (Schutzer et al. O processo de co-design.

A função do departamento de Pré-CAM consiste na análise da peça e da inserção desta na ferramenta. Estas são independentes entre si devido ao maior rendimento apresentado nesta configuração. um dos problemas mais comumente encontrados no relacionamento cliente-fornecedor. a descentralização trouxe uma maior autonomia aos projetistas que podem gerenciar seu próprio trabalho em sua plataforma. O sistema descrito esta representado na Figura 3. como normas técnicas. Este sistema. com exceção da área de fabricação dos ferramentais onde estes são mais utilizados. é gerenciado pela plataforma de PDM. O back-up nestes departamentos é interno a cada um deles e são disponibilizados na rede através de acesso restrito para edição. O total de estações de trabalho de ambos é de doze. Como desvantagem. etc. Primeiramente a peça é enviada pela montadora em um desenho tridimensional na posição do veículo.1. não tem como realizar projetos de © 2006 eduardo romeiro filho 225 ufmg . o andamento do processo sem o risco de alterações inadequadas. Pode-se perceber num primeiro momento que o processo de desenvolvimento de produtos na empresa encontra-se muito bem estruturado. 4. projeto do produto Os arquivos na área de trabalho estão disponíveis somente para a plataforma especifica daquele projeto. através de acesso restrito. FIAT – CATIA. renderizar e verificar o modelo. Todas estas etapas têm seu desenvolvimento em rede. Figura 3. O departamento de CAM é dividido em dois outros departamentos. Através da utilização de ferramentas de CAD/CAE/CAM todo o processo de fabricação é integrado. enquanto os arquivos na área de transferência podem ser acessados por todos.depto engenharia de produção .1 Esquema do gerenciamento de dados pela plataforma de PDM. carregar o modelo tridimensional recebido do Pré-CAM. FORD – I- deas. É interessante observar que praticamente não são utilizados desenhos em duas dimensões. o operador do equipamento. tolerâncias. fazer a programação do processo de trabalho e a simulação da mesma para evitar possíveis falhas. o de Pré-CAM e o de CAM. recebe um cronograma onde consta a documentação gerada com as descrições gerais do processo. desde a geração do produto até a fabricação do ferramental. Este programa apresenta o número de cada operação (OF’s) que direciona e prioriza a manufatura. O sistema dividido por plataformas utilizado pelo setor de desenvolvimento de produtos foi implementado a cerca de dois anos por exigência da diretoria. a empresa optou por usar todos os softwares que as montadoras usam como padrão. A peça é então balanceada na ferramenta. Diferente do sistema antigo onde um único setor de CAD concentrava o design e a manutenção. ou seja. Através deste são realizadas as seguintes tarefas. É feita então a análise do plano de métodos e gerado o perfil da ferramenta. Para evitar a necessidade de conversão. porém não são passíveis de alteração e a área de back-up cujos dados só são acessados pela equipe da plataforma de PDM. no departamento de projeto. Onde o servidor é dividido em três áreas para facilitar o processo de transferência de arquivos e possibilitar. Através do desenho recebido tem-se toda a informação a cerca do produto. O departamento de CAM utiliza o software CAMPEADOR. entre outras. Discussões e conclusão. Junto com o programa recebido em rede. enviar o programa gerado via rede para as máquinas que vão realizar o serviço e preparar a documentação necessária para o processo de usinagem. o eixo de referência XYZ na posição do carro é rotacionado para o eixo XYZ na posição da ferramenta. GM – Unigraphics. ex. essa nova configuração. sendo oito de CAD e quatro de CAM. gerando conflitos devido à ordem de desenvolvimento e priorização.

© 2006 eduardo romeiro filho 226 ufmg . FERRAZ.. F. Minas Gerais. 1997 ROMEIRO. Em função disto o ciclo de vida dos produtos se torna muito mais ágil do que os observados nas décadas de 80 e até mesmo na de 90. GAO. J. uma vez que as plataformas não usam todos os softwares disponíveis... In: Segundo Congresso Brasileiro de Gestão do Desenvolvimento de Produto. P.. associado ao uso de ferramentas de CAD/CAE/CAM torna possível o desenvolvimento de produtos simultaneamente entre clientes e fornecedores de uma maneira muito eficiente. Bibliografia. Em um caso citado um veículo que foi reestilizado a cerca de dois anos estará novamente passando por este processo em um período de tempo considerado curto para o desenvolvimento de um produto complexo como um automóvel. J. M. 2001 ROMEIRO. Agosto de 2000.. Tese de Doutorado. 201-208. Niterói – RJ. Implantação do “Digital Mock-up” na indústria automobilística: conquistando vantagens competitivas. BRAIDEN. só pôde ser realizada devido à utilização de ferramentas de CAD/CAE. B.A. Vol.. testar esta modificação e se for necessário propor uma nova. A empresa Aethra Componentes Automotivos pela colaboração e apoio a pesquisa e pelo envolvimento de seus profissionais na realização deste artigo. 2000 MAFFIN. PLONSKI. 205-213. KUPFER. L. Made in Brazil: desafios competitivos para o Brasil. Possibilitando a integração de todo os sistemas produtivos das empresas. 76. em um exemplo citado. E. A filosofia da ES está presente em todas as etapas do desenvolvimento do produto. Agosto de 1999.. chegando a receber em um mesmo dia até três modificações no projeto do produto. 107.C. Colaboração Cliente-Fornecedor e Qualidade no Processo de Desenvolvimento de Produto. D. AMARAL. 1995 (Capítulo 1). SCHNEIDER. HAGUENAUER. G. onde é possível visualizar de forma rápida a modificação proposta. L. SOUZA N. Journal of Materials Processing Technology. Simulation Based Design. E. A filosofia da engenharia simultânea. Manufacturing and Supplier Roles in Product Development. A Contribuição do CAD para Implantação da Engenharia Simultânea. 18. Journal of Materials Processing Technology. 5. Implementation of Concurrent Engineering in the suppliers to the automotive industry.. C. Desde o processo de design e de co-design até o projeto dos ferramentais. Agosto de 1999. 1998. D. projeto do produto todas as montadoras. Agradecimentos. KYRATSIS. 6. SCHUTZER. p. TOLEDO. Engenharia de Produção. In: Primeiro Congresso de Gestão de Desenvolvimento de Produto. In: ENEGEP 98 – Encontro Nacional de Engenharia de Produção. H. a empresa desenvolveu a ferramenta simultaneamente ao desenvolvimento do produto pela montadora. Campus. Rio de Janeiro. Vol. BOSSAK.. A. International Journal of Production Economics. Na fabricação do ferramental. Pode-se observar que esta simultaneidade. Belo Horizonte – MG. Anais 1998.X. Um Modelo para o Avaliação do Métodos e Ferramentas da Engenharia Simultânea.depto engenharia de produção . p. Esta dificuldade causa o cruzamento de serviços entre as plataformas durante o desenvolvimento dos projetos. 69. I Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. F. p. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ. A Integração da Empresa Através da Utilização de Sistemas Informatizados de Apoio ao Projeto.C. tenham o seu ciclo de desenvolvimento reduzido a cerca de 2 anos.M. 8-11. D.. P... J. Belo Horizonte. MANSON. permite que produtos anteriormente desenvolvidos de 5 a 8 anos em média.. São Carlos – SP.. K. 302pp. Vol. M.

depto engenharia de produção . realizado em Belo Horizonte. Este artigo tem por objetivo demonstrar como as diversas ferramentas CAD (Computer Aided Design) podem ser utilizadas na implantação deste processo. segundo COSTA (1994). independentemente da estrutura organizacional da empresa. © 2006 eduardo romeiro filho 227 ufmg . This paper want to demonstrate the CAD (Computer Aided Design) systems can be employed for the Concurrent Engineering implementation. when the information diffusion between the design's teams and a major enveloping by the designers and engineers are crucial for the project success. A Engenharia Simultânea (também denominada concorrente ou paralela) pode ser considerada. que é alocado para vários projetos ao mesmo tempo. Esta abordagem procura considerar. 1. exige maior rigor projetual. outubro de 1999. como: "Uma metodologia para desenvolvimento de projetos que propõe a realização de muitos processos pertencentes ao ciclo de vida do produto de forma simultânea (paralela). todos os 37 Artigo originalmente apresentado 1º Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. Resumo: A Engenharia Simultânea consiste em um modelo de gerenciamento de projetos que ao mesmo tempo que permite maior difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das equipes envolvidas. projeto do produto Novas formas de Gestão de Projetos: A Contribuição do CAD para I mplantação da Engenharia Simultânea . usando um time de projeto multidisciplinar e dinâmico e ferramentas automatizadas para a realização dos processos componentes. incluindo produção e suporte. “Engenharia concorrente é um método sistematizado para o projeto concorrente e integrado de produtos com seus processos." Por "time de projeto multidisciplinar e dinâmico" deve-se entender: um determinado conjunto de pessoas com conhecimentos em várias áreas concernentes ao projeto em desenvolvimento. 37 Abstract: The Concurrent Engineering is a new model of management for projects. Introdução. em princípio.

também CAD. expressão da língua inglesa que pode ser traduzida como "Projeto Assistido por Computador". 1992) A Engenharia Simultânea consiste basicamente de um modelo de gerenciamento de projetos. porém. desuso e. Esta disponibilidade. cada vez mais. inclusive com diferenciação de níveis de acesso e permissão para realização de alterações. denominados Computer Automatic Drafting ("Desenho Automático por Computador"). 39 Há autores que consideram os sistemas CAD como uma forma de auxílio às etapas do projeto ligadas à aspectos gráficos. Este caso requer uma forma de organização que ao mesmo tempo que permita a liberdade para a difusão da informação e tomada de iniciativa por parte das várias equipes envolvidas no projeto. sob pena de que surjam conflitos de competências e obrigação entre os diversos atores. Este conceito parece mais apropriado aos tipos de sistemas de auxílio ao desenho. não deve ser entendida como uma difusão de informação realizada de maneira indiscriminada. Neste Trabalho. a utilização de uma base da dados comum permite que sejam acessadas informações de projeto que antes só estariam disponíveis após a finalização do trabalho por determinada equipe. As equipes devem ter acesso privilegiado a informações pertinentes ao desenvolvimento de suas tarefas específicas. no entanto. muito mais do que um conjunto de inovações tecnológicas. é. mas levar em consideração aspectos ligados às formas de uso. se considerado de forma bastante ampla. da concepção até a distribuição38” (REIMANN e HUQ. 38 Uma pequena discordância em relação ao ponto de vista do autor: o ciclo de vida do produto não pode ser considerado como limitado à sua distribuição. © 2006 eduardo romeiro filho 228 ufmg . uma tecnologia multidisciplinar. Assim como na implantação de sistemas CAD. Computer Aided Design (CAD). possibilidades de reciclagem. exija um rigor mais apurado e um maior controle em seu desenvolvimento. ligado à atividade de projeto como um todo. um conjunto de ferramentas utilizadas por todas as áreas em que existe uma forma desenvolvida de interação do computador digital à atividade de projeto. projeto do produto elementos do ciclo de vida de um produto. bem como ao controle e gestão deste processo39. é utilizado um conceito mais amplo de CAD.depto engenharia de produção .

o ciclo projetual acaba por tornar-se mais ágil. no lugar certo. sem que haja perda de tempo. somente utilizando-se de sistemas CAD após a © 2006 eduardo romeiro filho 229 ufmg . devido à menor necessidade de repetição de tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda de informações durante o ciclo de vida do produto. problemas ligados a questões de segredo industrial e segurança são críticas41. em "workgroups" (ou grupos de trabalho). o que acarretará maiores dificuldades para seleção das informações pertinentes recebidas por qualquer dos envolvidos. Nestes casos. O adequado gerenciamento deste fluxo de informação torna-se crucial para o sucesso da Engenharia Simultânea. bem como devem ser definidas estratégias para que todos sejam informados de quaisquer alterações de projeto que lhes possam ser pertinentes. A sobrecarga de informações a cada um dos envolvidos tornará muitas vezes difícil e demorada a seleção daquela necessária ao desenvolvimento do projeto. apresenta oportunidades inéditas. que o intercâmbio entre as diferentes equipes envolvidas ocorra de forma eficiente. Por outro lado. não se trata de tornar mais rápido o processo existente (como na automação industrial rígida). tornando a empresa capaz de responder mais rapidamente às necessidades colocadas por seus clientes. potencialmente maior o tempo demandado para que seja encontrada a informação desejada. Além disso. É fundamental. Inovações Tecnológicas e a Engenharia Simultânea. principalmente. por exemplo. Não basta disponibilizar a informação. Na verdade. isto é. a ausência de dados relevantes levará à perda de tempo em sua busca e.depto engenharia de produção . ou o processamento imediato dos dados inseridos. A informatização da atividade projetual é muito mais do que a automação de procedimentos. capaz de absorver mais rapidamente as modificações impostas no decorrer do processo de desenvolvimento de produtos e tornando este processo mais adequado às características do mercado. 2. mas possibilitar sua flexibilização e agilização para uma atividade de projetação mais rápida e eficiente. A informatização nestes casos deve ter por objetivo principal o suporte à criatividade e ao intercâmbio de informações entre diferentes projetistas envolvido no projeto. a melhoria na interface entre os diferentes atores envolvidos no processo projetual trará benefícios importantes como a redução dos custos de projeto. deve estar bem claro o papel de cada um no processo projetual. como a possibilidade de trabalho conjunto entre grandes grupos e o intercâmbio de informações em tempo real40. A atividade projetual caracteriza-se pela necessidade de rápidos e eficientes processos de geração e difusão de conhecimento. Com todas as alterações propostas pela Engenharia Simultânea. O grande número de informações relacionadas ao projeto devem ser direcionadas de forma a atender aos interesses de cada um dos envolvidos. projeto do produto Desta forma. alterações pertinentes ao projeto. 41 Um dos entrevistados relatou o caso de uma empresa alemã (na qual trabalhou no início dos anos 90) que concentrava suas atividades de projeto em equipes de prancheta. Ao mesmo tempo que a difusão da informação é fundamental. A difusão irrestrita pode levar a uma situação de "congestionamento" no fluxo de informações pela empresa. permitindo que as informações estejam imediatamente disponíveis em outros terminais de um mesmo sistema. quanto maior a complexidade de cada projeto. 40 "Real Time". portanto. seja na espera por informações como na repetição do trabalho devido a informações fornecidas incorretamente acerca de. mas também fazer com que isso ocorra em tempo hábil e.

RUECKER. Estes programas tem por objetivo fornecer suporte à difusão de dados e interface entre equipes envolvidas no processo de desenvolvimento de projetos. Pode-se afirmar. pelo responsável pelo suporte técnico. É portanto sintomático o expressivo número de estudos relacionados ao desenvolvimento de softwares específicos para apoio à implantação da Engenharia Simultânea através da aplicação de sistemas informatizados (notadamente sistemas CAD). Em uma empresa pesquisada. sons. em que as informações estejam disponíveis de forma muito mais eficiente. disponíveis em outros meios que sejam incorporados ao desenho dados relativos a outros meios. É importante notar. A crescente "intercambiabilidade" entre diferentes softwares parece também indicar soluções. OKAWA et al. faz-se necessária uma revisão e organização do processo adotado. Antes da implantação do CAD. textos. Apesar de exemplos como este. para que estas circulem de forma eficiente pelas equipes envolvidas. embora sua aplicação não esteja de forma alguma condicionada à utilização da informática. entretanto. entre outros. Todas as cópias em sistemas magnético ou meio físico são geradas somente através do servidor.) necessárias à adequada manipulação e arquivo de cada informação gerada. 1994) estão voltados para o desenvolvimento de software específicos para a implantação de sistemas de engenharia simultânea. mais difundido software "low-end" do mercado. imagens. Desta forma. conforme os artigos citados. mais do que conhecê-lo. com ligações diretas a outros arquivos. proporcionando rápido acesso. devem ser capazes de suportar as diversas mídias (desenhos. por exemplo. a engenharia simultânea deve ser vista muito mais uma metodologia gerencial e de projeto do que um conjunto de ferramentas tecnológicas. efetivamente controlá-lo) é um princípio dos métodos de melhoria da qualidade que é muito freqüentemente citado como fundamental para obtenção de sucesso em processos de implantação de sistemas informatizados. acaba por tornar-se uma questão de implicações tecnológicas. Além disso. © 2006 eduardo romeiro filho 230 ufmg . Uso de Tecnologia Multidisciplinar. de que é necessário conhecer profundamente o processo para que se possa aprimorá- lo (e. Sons. A versão Release 13 do AutoCAD.depto engenharia de produção . extremamente úteis em situações de projeto que envolvem grandes equipes e extrema necessidade de gerenciamento de informações. WALLACE (1994) e BOURKE (1993). que a adoção de sistemas informatizados de apoio à atividade de projeto e à transferência de informações entre os vários setores da fábrica deve ser precedida por um estudo consistente acerca do método de projeto utilizado. bancos de dados e até mesmo. Este aspecto. gráficos. parece caminhar para algumas soluções interessantes.. dotada de um sistema de rede local. Principal motivo: busca de maior segurança pela dificuldade de reprodução de desenhos em meios físicos (é naturalmente muito mais fácil copiar detalhes de projeto através de disquetes). Essa postura. além de todos os esforços relacionados ao desenvolvimento de sistemas de gerenciamento eletrônico de documentos. Vários estudos (como por exemplo SHA. nenhuma das estações gráficas possuía “drivers” para disquetes. atuando no gerenciamento das informações pertinentes. inclusive. que este método é mais adequado às novas ferramentas informatizadas do que os métodos tradicionais (seqüenciais) de desenvolvimento de projetos. 1993. este parece ser o maior entrave à Engenharia Simultânea. simulação dos processos de fabricação e uma definição do produto e partida para a produção. de qualquer forma. projeto do produto A organização. mais do que um problema gerencial. planilhas. como textos. 3. pode ser criado um banco de dados associado. já permitia a transformação de um arquivo de desenho em um sistema hipertexto. bancos de dados etc. maquetes eletrônicas. 1992. como MILLS (1995). Do ponto de vista técnico.

No caso dos sistemas CAD. Em verdade. sob pena do sistema se tornar inviável a curto prazo. Também para o gerenciamento de diferentes bases de dados envolvidos em projeto são sugeridos sistemas de hipermídia (LEUNG. a questão principal não é gerenciar bases de dados gráficas geradas em softwares diferentes (o que é ainda um grande desafio de base tecnológica). Se a © 2006 eduardo romeiro filho 231 ufmg . que pode agregar um imenso número de informações relacionadas ao projeto em desenvolvimento. Segundo o autor. FRANZOSA (1992). capazes de suportar as diferentes mídias envolvidas no processo e facilitar desta forma um adequado gerenciamento do projeto.depto engenharia de produção . A base técnica para isso. a padronização deve ser implantada prioritariamente. Hoje um arquivo CAD não é somente uma versão eletrônica de um desenho realizado em prancheta (como é tratado na imensa maioria dos casos). projeto do produto enorme quantidade de informação podem acompanhar o "desenho técnico" em meios informatizados. através de uma consistente normalização técnica e padronização de procedimentos. Em relação a este assunto. sem o que qualquer tentativa de informatização esbarrará em uma mistura de diferentes “estilos de trabalho”. dentre outros fatores. o conhecimento e o adequado controle do processo projetual ocorre. Acima: O processo de Design com a aplicação de sistemas CAD na Indústria Automobilística 4. Aplicação Intensiva de Sistemas CAD. MATTOS (1991) adverte: “Em qualquer sistema CAD. embora complexa. como fator importante para a implantação de engenharia simultânea. algumas novas tecnologias como bases de dados relacionais e sistemas em rede podem oferecer uma alternativa a este problema. mas sim um elemento multimídia. chama a atenção para a necessidade de domínio e dificuldades de interação entre várias linguagens e tecnologias informacionais para a gerência de processo. o que era antes impossível através de meios físicos. 1995). mas agregar de forma adequada todas as informações de projeto às novas mídias. já é disponível.

dificilmente atingirá resultados consistentes. projeto do produto empresa não possui uma cultura de padrões e normas já implementada para os processos manuais.depto engenharia de produção . que ocorrem à revelia das limitações impostas pela estrutura organizacional. bem como outras formas de tecnologia informatizada. deve-se levar em consideração que o CAD. de nada adiantará a adoção de modernos sistemas informatizados se a empresa não estiver preparada para um efetivo gerenciamento da informação gerada durante os processos de projeto e produção. Se esta é inadequada e apresenta deficiências. a implantação de sistemas de informação apenas servirá para trazer à tona uma série de problemas antes (mais facilmente) escamoteados. na verdade. Com relação ao primeiro aspecto. é melhor adiar a aquisição do CAD até que esta cultura esteja solidificada”. Sendo assim. mas pode-se desconfiar de relatos como “após dois anos de experiência. de uma forma geral e (2) quais as formas específicas de contribuição para os problemas peculiares à empresa. radicalmente diferente da anterior”. Naturalmente que não é tarefa simples encontrar empresas (que admitam estar) nesta situação. se utilizado sem critério. não é estranho encontrar empresas que buscam aplicações adequadas ao CAD somente após a aquisição do sistema. uma ferramenta essencial à modernidade. O princípio do caminho para o sucesso parece estar em uma definição correta do problema a ser enfrentado. Para uma eficiente aplicação dos recursos disponíveis nos sistemas CAD em processos de engenharia simultânea. devem ser analisados dois aspectos básicos: (1) quais as formas de contribuição que estes sistemas realmente oferecem ao processo projetual como um todo. Desta forma. são vistos como soluções técnicas miraculosas para o desenvolvimento de projetos. Entretanto. não é por si só elemento de melhoria de qualquer solução. os sistemas CAD. Nestes casos. que procuram demonstrar que a utilização de sistemas CAD. por outro lado. Em muitas empresas. tudo ocorre devido a uma série de relações basicamente pessoais. Acima. Muitas vezes a comunicação deixa de ocorrer de forma adequada devido a entraves ligados à estrutura da empresa ou. assim como qualquer sistema informatizado. © 2006 eduardo romeiro filho 232 ufmg . o processo de implantação do CAD foi reestruturado em função de um novo sistema” ou “para ampliação do sistema foi adotada uma nova solução. mas como uma fonte adicional de problemas. Os sistemas CAD atuais possuem aplicações bastante interessantes na simulação de produtos. mas simplesmente multiplicador da solução existente. mais do que uma fonte de benefícios para a empresa é. Esta visão é naturalmente distorcida pela imagem gerada pelos fabricantes desses equipamentos. um exemplo de duas etapas da construção (virtual) do modelo de um automóvel. o sistema não surge como uma solução.

deve-se levar em consideração uma situação conflitante existente na maioria dos casos levantados: por um lado a necessidade de modificações estruturais na empresa com vistas à modernização de seu setor de projetos (ou. pois partem de pessoas que possuem na maior parte das vezes amplo poder decisório na empresa. ao ser realizada a renovação de equipamentos industriais do chão-de-fábrica. bem como áreas como vendas. Costuma-se imaginar que estas resistências são oriundas principalmente daqueles que. podendo por isso atuar decisivamente para os resultados da aplicação de novas tecnologias e novos processos gerenciais (seja para seu sucesso ou para seu fracasso). tendo em vista o fato de que o "saber tecnológico" da empresa muitas vezes vai além da utilização das novas ferramentas. marketing etc. de uma forma diferente das máquinas. pois possuem um domínio muito mais desenvolvido da novas ferramentas tecnológicas. Naturalmente esta ameaça nem sempre é real. Na maior parte dos casos avaliados. "globalização" e outras de conteúdo semelhante passam a fazer parte do dia a dia do mercado profissional qualquer ameaça torna-se preocupante43. Além destes. gerentes específicos para os sistemas CAD) no processo projetual. mas é o ponto de vista deste trabalho que as pessoas. até mesmo. as empresas não introduziram modificações relevantes no processo projetual. determinada muitas vezes por tentativas de manutenção do "status quo" daqueles que serão evidentemente afetados pela mudança. Somente após a consolidação deste ambiente propício à integração a implantação de novas tecnologias como sistemas CAD poderá surtir efeitos consistentes no que tange à integração e à Engenharia Simultânea. todo o corpo técnico foi trocado (da mesma forma que os equipamentos!). a sua própria permanência em um mercado cada vez mais competitivo e próximo de padrões mundiais de preço e qualidade) e por outro a resistência. os novos profissionais de projeto representam séria ameaça em potencial. Desta forma dificilmente um processo de implantação de sistemas CAD ou dos princípios ligados à engenharia simultânea poderá surtir resultados se não contar com o 42 Não somente o pessoal de projeto de produto. não devem ser consideradas como "obsoletas" ou destinadas à "sucata". pode-se considerar que os conhecimentos "não acadêmicos" adquiridos pelos antigos funcionários são essenciais ao desenvolvimento adequado da produção e que serão inevitavelmente perdidos no processo de modernização. os desenhistas e projetistas de prancheta. Entretanto. fica claro que os conceitos ligados à engenharia simultânea somente poderão ser aplicados de forma consistente após uma reestruturação organizacional com vistas à permitir que todos os envolvidos no processo projetual42 possam receber e fornecer informações pertinentes ao desenvolvimento do projeto. projeto do produto Desta forma. 43 Foi relatada por um entrevistado a situação em uma empresa pesquisada na qual. mas também do planejamento e controle da produção e do chão de fábrica. na estrutura da empresa ou mesmo do setor de projetos após a implantação do CAD. Entretanto. © 2006 eduardo romeiro filho 233 ufmg . ou seja. em princípio. que muitas vezes teme pela perda de seu poder na empresa. pessoal de suporte. Além disso.depto engenharia de produção . menos perceptíveis e de mais difícil eliminação durante os processos de implantação de sistemas CAD. Entretanto. foram observadas formas mais ou menos veladas de posturas contrárias à implantação de novas tecnologias por parte do corpo gerencial responsável pelo setor de projeto. Pode-se dizer que "são os efeitos da globalização" (argumento da alta administração). em uma situação na qual palavras como "reengenharia". fazendo com que os esforços para validação do sistema e sua justificativa de aquisição fossem voltados quase que exclusivamente para aspectos ligados à aceleração pura e simples de determinadas etapas da atividade projetual (ou das atividades relacionadas ao desenho) como anteriormente desenvolvida. são afetados diretamente pelo novo sistema. especialmente diante da inserção de novos atores (analistas. As formas de resistência por parte do staff gerencial são muitas vezes mais eficientes.

American Production and Inventory Control Society 1993. em muito poderão contribuir (embora de forma isolada não constituam fatores determinantes) a adequada utilização de recursos informatizados de apoio ao projeto e os princípios da Engenharia Simultânea. Clayton Pires da. p 514-577 COSTA.depto engenharia de produção . Para que estes objetivos sejam alcançados. "New solutions for old problems: product data management and configurator systems". pelo menos em seu estágio inicial. Ainda segundo nossa opinião. devido em muito à situação de insegurança que a aquisição de novas tecnologias costuma trazer para aqueles que. Para que isso seja possível. "Reengenharia do processo de desenvolvimento de produtos baseada em engenharia simultânea e na tecnologia Workgroup Computing". seria necessário promover modificações de vulto na estrutura e métodos de trabalho da empresa. as empresas brasileiras somente conseguirão atingir um patamar que torne o país industrialmente desenvolvido quando estiverem voltadas para o desenvolvimento de produtos avançados tecnologicamente e apropriados às necessidades de seus usuários. Ainda assim. após mais de quinze anos de carreira esperavam ter atingido um patamar de segurança que as constantes inovações insistem em demonstrar que não existe. 1994. A compreensão por parte dos escalões intermediários das empresas é essencial devido à importância de sua participação e de seu poder de difusão. A pesquisa realizada. projeto do produto patrocínio ostensivo da alta administração e a compreensão do corpo gerencial. transporte. Richard W. In: Anais do 5º Congresso © 2006 eduardo romeiro filho 234 ufmg . Em um cenário como este. VA. torna-se ainda mais difícil promover grandes modificações que levam a níveis de intensiva utilização de sistemas CAD como forma de adoção da Engenharia Simultânea. desativação e reciclagem. fabricação. manutenção. sejam estes os consumidores finais como todos os demais envolvidos nas diversas etapas do ciclo de vida dos produtos: concepção. a realidade vem demostrando que as empresas necessitam cada vez mais de inovações para a manutenção de seus mercados e seu crescimento diante de formas de concorrência cada vez mais acirrada. o que é extremamente difícil a partir da situação atual. de efeito limitado diante do número cada vez maior de novos e melhores produtos disponíveis no mercado. Este processo deve acontecer. em nossa opinião. que seja capaz de determinar. entretanto. Bibliografia BOURKE. USA. é fundamental que as empresas possuam um forte grupo de projeto. In: Annual International Conference Proceedings . demonstra que isso nem sempre acontece. 1993. Nestes casos. Falls Church.. As formas de reestruturação centradas na redução de custos são. de cima para baixo. Publ by APICS. organizar e gerenciar o elevado número de informações necessárias à uma adequada atividade projetual.

APICS. USA. Gerência de Projetos em CAD... Robert. John A. 1995 "CAD/CAM in Aerospace". Seizen. 1995. Merle Jr.FAIM (Jul) New York. Kenzo. p 62-76. 1994. p 205-215 PARKS.depto engenharia de produção . "Reengenharia pode Provocar "Anorexia". New York. 1994. LEUNG. 1992. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ. 1997. "Comparative Analisys Approach for Evaluating the Effect that Concurrent Engineering has on Product Life Cycle Cost".CONAI’94 (CD Rom) São Paulo: SOBRACON . 14. Sauter. E.. THOMAS. 2. ASME. F. FRANZOSA. Gilson. "Integration management system for technical information". SCHWARTZ.. "CAPP: Manufacturing Data Management for Concurrent Engineering". MI. VA.American Production and Inventory Control Society 1994. 180 pp. © 2006 eduardo romeiro filho 235 ufmg . "Model-based manufacturing integration: A paradigm for virtual manufacturing systems engineering. P. Conference Proceedings 1992. "Accelerating engineering design". "Concurrent engineering design and production". OKAWA. MATTOS. Navegar é preciso.. SATO. no. HARAGUCHI. Dearborn. p 357-360 REIMANN.. D. Horris C. USA." In: Computers & Industrial Engineering v 27 n 1-4 (Sep). In CAE-COMPUT-AIDED-ENG. USA. Koonce. Scott. In: Software Systems in Engineering 1995 American Society of Mechanical Engineers. J. 4pp. Richard G. MILLS.V. Takao. M. 1992.. Rabelo. Publisher. 4ª edição. David A. In Flexible Automation and Information Management. NY. 1991. 1994. Charles M. In NEC Research & Development v 35 n 2 (Apr). In Byte v 19 n 7 (Jul)... Manufacturing Engineering.. 1994. Luis C.H. Publ by SME. In: AUTOFACT. p 121-129. Falls Church. "Collaborative manufacturing environment with the use of hypermedia". ROMEIRO Filho. projeto do produto Nacional de Automação . Petroleum Division (Publication) PD v 67..Sociedade Brasileira de Comando Numérico. In: Folha de São Paulo (9/jul) São Paulo. e HUQ. p 185-189. Robert. Rio de Janeiro: Microequipo Computação Gráfica. Automação Industrial e Computação Gráfica. CAD na Indústria: Implantação e Gerenciamento. 1995. p 22-13-30. Vol. In: Annual International Conference Proceedings . viver não é preciso. A.. Judd. WALLACE.

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