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CONVERSÃO E RECONVERSÃO DE PADRES

artigo
NO MARANHÃO1

CONVERSION AND RECONVERSION OFF PRIEST
IN MARANHÃO

Wheriston Silva Neris*

Introdução cação, quanto dos fatores que explicariam
a reconversão dos padres rurais face à crise
Em La vocation: conversion et recon- brutal de vocações ocorrida nesse marco
version des prêtres ruraux (1978), Charles temporal. No cerne do trabalho encontra-
Suaud analisou a situação da província de se a perspectiva de que essa crise resultaria
Vendée (diocese de Luçon) como uma área da própria transformação das estratégias de
privilegiada para o estudo das transfor- reprodução dos grupos rurais e, em particu-
mações ocorridas na formação de habitus lar, da expansão das oportunidades de es-
profissionais e religiosos, correlativamente colarização e destinos profissionais, o que
às reconversões econômicas ocorridas nes- teria incidido sobre a atratividade, a função
sa área, a partir da década de 1960. Para e o estatuto ocupado pelo sacerdote dentro
isso, Suaud se dedicou tanto à compreen- da comunidade rural.
são dos condicionantes sociais e institu- Focalizando as mutações no processo de
cionais da conversão religiosa, ou seja, os aquisição da competência religiosa, Charles
determinantes que permitiriam explicar o Suaud (1978) distinguiu então a existên-
surgimento da vocação sacerdotal como cia de três gerações sacerdotais: os padres
um fenômeno social e suscetível de expli- tradicionalistas; os sacerdotes preparados

* Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe. Professor do Colegiado de Ciências Huma-
nas da Universidade Federal do Maranhão – Campus III (Bacabal/MA/BR). wheristoneris@yahoo.com.br.
1. Uma versão inicial deste trabalho foi apresentada no Grupo de Trabalho “Elites e espaços de poder” do
39º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)
em outubro de 2015. Esta versão beneficiou-se das críticas e comentários realizados na ocasião e também
das argutas sugestões dos pareceristas da REPOCS, pelo que sou grato.

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para a crise e a geração dos padres da nova dos a viver sua atividade profissional como
Igreja. A primeira categoria abrangia os sa- diretamente política e socialmente engaja-
cerdotes com mais de 50 anos, inadaptados da, tendo como referencial de análise um
às novas condições de exercício do papel espaço empírico representado pelo Mara-
religioso e praticamente impermeáveis às nhão, a partir da segunda metade do século
transformações em curso. A segunda ge- XX (NERIS, 2014b). Com base em proce-
ração, por outro lado, socializada entre os dimentos metodológicos variados, o estudo
anos 1960-1965, incluía os agentes religio- buscou então compreender como a institui-
sos formados em um momento de relati- ção eclesiástica se tornou um lugar de po-
vização das formas instituídas e cujos ha- litização de indivíduos, por meio da obje-
bitus seriam caracterizados pela disposição tivação das formas e mecanismos que sus-
ao duplo-jogo, ou seja, ao mesmo tempo citaram o trânsito de lógicas entre esferas
em que saberiam agir para transformar a de atividade, promovidos por determinados
instituição quando possível, esses agentes agentes que desafiaram as definições e os
poderiam autocensurar-se quando conside- limites legitimados da ação religiosa cató-
rassem necessário. A terceira geração, for- lica. Por essa via, ainda, ao escolher como
mada entre 1965-1970, englobaria os agen- objeto de estudo um componente institu-
tes que se consideravam porta-vozes de cional periférico, pretendíamos reconstituir
uma renovação necessária do campo ecle- as modalidades concretas e contingentes de
sial, assumindo um combate aberto contra transação entre os fenômenos religiosos e
todos aqueles que nesse espaço defendiam políticos, atentando para as configurações
concepções conservadoras sobre a Igreja e históricas, sociais e institucionais particu-
os papéis sacerdotais (a este respeito, ver lares e, inclusive, para os discursos produ-
também: RAISON DU CLEZIOU, 2011). Para zidos por um pequeno número de indiví-
Suaud (1978), em suma, se o aggiornamen- duos que explorou novas vias de definição
to católico recebeu a adesão de uma parcela do papel sacerdotal. A estratégia metodoló-
específica do clero, essa “recepção” só foi gica adotada incluía desde a realização de
possível devido às transformações na for- entrevistas biográficas com religiosos re-
mação sacerdotal e ao processo mesmo de conhecidos pelo seu engajamento passado
diversificação dos habitus religiosos. Nesse em causas sociais na região, até o recurso
sentido, como também o observou Yann a uma rede articulada de materiais empíri-
Raison du Cleziou (2011), a produção de cos, tais como: publicações de caráter his-
habitus sacerdotais, diferenciados das ge- toriográfico, fontes documentais da insti-
rações anteriores, era precisamente o que tuição (correspondências, livros de registro,
habilitava aos padres socializados no novo relatórios), jornais de circulação regional,
modelo a perceberem as recentes propos- produções de teor biográfico e memorialís-
tas teológicas e as inovações sacerdotais da tico, bem como dados estatísticos variados
Igreja pós-conciliar como relevantes. (IBGE, Anuários Católicos).
Com essa inspiração de fundo, a inves- Com efeito, a tentativa de tornar inte-
tigação que está na base deste artigo teve ligível como esses religiosos foram condu-
como preocupação central examinar as me- zidos a transgredir os limites legítimos da
diações concretas por meio das quais certos ação religiosa tem nos conduzido, desde
membros do corpo clerical foram conduzi- então, a identificar diferentes matrizes do

264 Repocs, v.14, n.28, jul/dez. 2017

texto pretendo discutir a sociogênese da Tendo em vista essas diferentes dimen- politização do engajamento religioso. 2015a) –. Em seguida.). cio do papel religioso. Em militantes de clérigos diocesanos2 de ori. Conversão e reconversão de padres no Maranhão 265 . Por fim. claramente inspirada no tra. supondo ainda um trabalho discursivo de sionários Combonianos do Coração de Je. sus (MCCJ) (NERIS. formação de disposições adquiridas ante- posições das formas de exercício religioso riormente constituiu eixo importante neste na igreja maranhense se associam às re. pessoal etc. como também apro- cantamento ou até mesmo como ascensões fundar a compreensão sobre um processo de fulgurantes. que escolheram uma definição composição social do clero atuante na região do ofício como socialmente engajada no até o último quartel do século XX. não somente as condições inseparavelmente versões possam ser concebidas em termos individuais e coletivas de requalificação das de histórias edificantes. exploramos são de padres. os Mis. do. pretende-se demarcar Sylvie Tissot (2005). Cabe esclarecer que o clero secular (também conhecido como diocesano) é composto pelo conjunto de sacerdotes vinculados a uma Igreja particular. de confluência entre percursos individuais lico e às experiências de deslocamento de e as próprias recomposições do espaço reli- clérigos em situação de missão no exterior gioso no recorte em pauta. através da balho de reconstrução de si (SUAUD.processo de politização religiosa. justificação e de redefinição de si (TISSOT. 1991). há que se levar em conta (NERIS. resultantes dos investimentos justamente esse processo de incorporação e institucionais em direção a novos públicos. Desse ângulo. designa aqui das religiosas. ambíguas. tido forte”. se exame contextualizado e contextualizante já tivemos a oportunidade de sublinhar em das condições de possibilidade de trans- trabalhos recentes o quanto essas recom. examinamos as mutações na gem local. Assim. os chamados padres Fidei Donum de redefinição. a uma figura jurídica em torno de um bispo (Ar- quidiocese. neste texto examina-se o processo de atenção às modificações nas condições de dupla conversão de padres maranhenses a possibilidade e realização de reconversões partir de três dimensões interconectadas. SEIDL. demarcar as condições de crise de recruta- A dinâmica entre conversão e reconver. ao analisar gerações de cepção de que. um instituto de origem italiana. tentando Maranhão contemporâneo. exploração da narrativa biográfica de uma Por essa razão. 2015b. neste 2005). ou mesmo também que as reconversões geralmente a evolução da perspectiva religiosa em englobam deslocamentos no espaço social. SEIDL. administração apostólica. prelazia territorial. contraincorporação de disposições sacerdo. atividades religiosas. elas podem dar lugar também reconversão religiosa realizada em seu “sen- a experiências inconstantes. mento sacerdotal. o Saint-Martin. e organizacionais favorecem esse processo geiras. 2015c). embora essas recon. os efeitos da emergência de novas deman- balho de Charles Suaud (1978). como bem esclarece Monique de lorosas e/ou problemáticas. se certos contextos políticos sacerdotes vinculados a dioceses estran. com sões. como também esclarece trajetória sacerdotal. primeiro lugar. formas de (re)en. a saber: como “uma forma de 2. Trata-se da con- – por exemplo. trabalho para captar a dinâmica complexa configurações do internacionalismo cató. sobre as modalidades legítimas de exercí- tais que envolve sempre um alongado tra. diocese. ou seja.

A partir de 1945. 1901 e 1918 foram ordenados apenas quatro essa tendência já era anterior. sacerdotais não cessou de aumentar entre to da elite eclesiástica regional na segunda 1918 e 1944. ou mesmo de ofícios dos grupos recursos em bases diferentes. 2012. consideração que os três primeiros bispa- culo XX. décadas de 1960-1970. do início do perío- do republicano até a década de 1960. 2014a). obser- a uma diminuição do peso dos recrutados va-se um decréscimo nos índices de ordena- entre as “grandes famílias”. 1978.28. ruptura com a herança. embora levemos em te no Maranhão desde os primórdios do sé. como concluíamos. p. uma dissolução dos dades de zonas rurais relativamente pobres antigos recursos e uma recomposição destes do interior. 2017 . v. n. SEIDL. assistiu-se a um ção. Posteriormente. no entanto. alcançando o seu ponto mais crítico nas incremento na representação daqueles “alu. essa 1. consultar: SUAUD. de vocações de finais do século XIX (entre tólico com o universo rural3. em pauta. nos brilhantes” vindos de pequenas comuni- 3. Nesse maior produção de vocações sacerdotais na período. jul/dez. social. Na realidade. como pude. 65). 266 Repocs. o fato é que a curva dos efetivos mos constatar em outra pesquisa a respei. paralelamente região. bem como uma dominados. cujo acesso à carreira eclesial reconstrução identitária” (SAINT-MARTIN. Para o estudo desse processo em outros contextos. Além disso. sacerdotes). A seleção e recrutamento dos efetivos tendência se manteve contínua entre os 78 clericais no Maranhão clérigos diocesanos maranhense ordenados ao longo de oito sucessões episcopais na Ar- Acompanhando as transformações na quidiocese do Maranhão. significava uma possibilidade de ascensão 2008. dentro do recorte composição social do clero diocesano atuan. o que se nota é o aprofundamento dos ainda se ressentiam dos efeitos da crise do vínculo do sistema de recrutamento ca.14. quando ocorreu o período de metade do século XIX (NERIS.

Eliud Nunes Arouche. 3 ordenados no período de vacância: Francisco Dourado e Sil- Vacância 1945-1946 va. Dom Santino Maria 1906 Transferido para Belém antes da sagração da Silva Coutinho Dom Francisco de 3 sacerdotes: Gentil de Moura Viana. Valter de Castro Abreu 6 ordenações: José Albino Campos. Em 1947-1951 cioli Sobral Caxias foram ordenados dois presbíteros: Leonel Carvalho.Quadro I . Raimundo Raul 1918-1922 de Oliveira Ramos. Arias Almeida Cruz. Pe. Sidney Castelo 1951-1963 Delgado Branco Furtado. Pedro Rodrigues da de Vasconcelos Mota Cunha Santos. Benedito Chaves de Lima. Ladislau Papp. Odorico Braga Nogueira. Benedito Co- elho Estrela. Manuel Prestes de Li- Dom José de Medeiros ma. Pau- lo Monteiro Sampaio. Alteredo Soeiro Mesquita. José de Ribamar Car- Dom Adalberto Ac. Cicero de Jesus Silva. Fernando de Albuquerque Vasconcelos. Benedito Ewerton Costa. Wilson Nu- nes Cordeiro. Alfredo Furtado Bacellar Filho. 26 ordenados (23 maranhenses): João Severo Ramos de Oli- veira. Frederico Pires Chaves. José de Ri- Dom Otaviano Pereira 1922-1935 bamar Montelo Rapôso.Ordenações sacerdotais x sucessões episcopais na Arquidiocese maranhense. José Poly- Dom Helvécio Gomes carpo Seabra Ayres. Newton de Carvalho Neves. Helio Maranhão. José de Freitas Costa. Constantino Trancoso Vieira. Luis Mario Lula. João Batista Costa. Dom Xisto Albano 1901-1905 1 ordenado: Padre Gregorio Luiz de Barros. Oton Salazar. Raimundo de Amorim Carvalho. Eider Furtado da Silva. Artur Lo- pes Gonçalves. Luiz Gonzaga Monteiro da Silva. Heitor Pieda- de Filho. Antonio Edson Lobão Nolêto. Flávio de Sousa Barros Fontes: PACHECO (1969) e Livro de Registro do Clero no Maranhão Conversão e reconversão de padres no Maranhão 267 . Clodomir Brandt e Silva. José Alexandre Pereira da Silveira. Gerson Nunes Freire. Joel Barbosa Ribeiro. Eurico Pinheiro Bógea. 8 ordenações: João Possidonio da Senna Monteiro. Jo- sé Xavier de Almeida Júnior. Raimundo Romualdo Martins. Eurico de Freitas Silva. João Miguel Moha- na. Jocy Neves Rodrigues. Cincinato Ribeiro Rêgo. Os- mar Palhano de Jesus. Manoel Nu- de Albuquerque nes Arouche. Delfino da Silva Júnior. Gilberto de Almeida Barbosa. 13 ordenações: José de Jesus Travassos Furtado. Joaquim de Jesus Dourado. Luis Mota. Astholpho de Barros Serra. Newton Ignácio Pereira. Felipe Benício Condurú 1907-1918 Paula e Silva Pacheco. valho. Dom Carlos Carmelo 1935-1944 12 Ordenados: Padres René Carvalho. Francisco Soares de Sousa. José Wigh. Nestor de Carvalho Cunha. Clovis Vidigal. Manoel de Jesus Soares. Carlos do Bonfim Couto Bacelar. Julio de Freitas Costa.

de Vocações Sacerdotais (doravante. 2003). se levarmos dos e severidade disciplinar. RIBEIRO. dotal continuou. esses jovens deviam auxiliar na produção de vocações que. dis- (1904). Após consistiu em organismo criado no início uma breve passagem pelas escolas primá. horários rígi. Sacerdotais” ou “Associação de São José” Embora a representação do métier sa- para o financiamento de vocações entre cerdotal assumisse feições cada vez mais as camadas populares e locais. Idealizado biam no seminário diocesano regional. pelo papel no (BEOZZO. a formação de um contingente de padres gação da Missão (Lazaristas ou Vicen. a concentrar-se do se passa à análise da importância dessa gradativamente sobre os segmentos sociais instituição no sistema de reprodução do mais desprovidos de recursos econômicos e corpo clerical no Maranhão. cipal fundo de financiamento sacerdotal na normas e condutas institucionais: distan. com mentos poderia ser atribuído pelo menos ênfase no preparo intelectual. NERIS. (MICELI. PACHECO. cuja função a dois fatores fundamentais. 1988. e sintonizados tinos) – família religiosa vinda para a com as pretensões de poder e influência da região a convite de Dom Antônio Xisto Igreja nos primórdios do período republica- Albano (1901-1906). n.28. 2003.14. 1988. 2017 . o primeiro as. quan. Esse aumento na curva dos recruta. a submeter-se então a um rígido treinamento princípio. (RIBEIRO. jul/dez. ção dotada de parcos recursos e meramente A partir do ingresso. Essa Obra funcionou até a década de 1960 Tratava-se aqui de um modelo de (re)so. É o que se pode notar quando se pecto que se ressalta nos itinerários desses analisa a importância assumida pela Obra sacerdotes diocesanos é a forte ligação en. tomista etc. para a formação de sacerdotes pobres. região em pouco mais de uma década. do século XX (1906) para angariar fundos rias de povoados e paróquias do interior. de uma associa- calizado na capital do estado do Maranhão. realização de em conta que nem todos os estudantes que numerosas disciplinas clássicas. orientação tiveram seus estudos pagos pela associação filosófica com base na tradição aristotélico. Segundo. que independentemente de suas origens sociais. Em primeiro cimento subjetivo à instituição. culturais. 1986. lo. SERBIN. leais à autoridade episcopal. conseguiu afirmar-se como prin- “tridentino” para apropriação dos valores. MICELI. OVS) tre a formação promovida pelo Seminário para a produção de vocações locais. a reabertura e reestruturação do que se mostraria necessário para formar Seminário Diocesano de Santo Antônio uma comunidade religiosa homogênea. desempenhado pela “Obra de Vocações 2014b. localizado na cidade de São Luís tinta e unificada. 2008). como dito. v. contribuindo ainda para do Maranhão e sob a direção da Congre. Tudo isso lugar. eruditas e elitistas com a estruturação do Quanto ao papel desempenhado pelo seminário regional. cialização fortemente padronizado. por um lazarista francês. chegaram a investir na carreira sacerdotal. realidade. res até a formação sacerdotal. não dispunham de recursos suficientes para os estudos da quase totalidade desses clé. que vale a seria promover um sentimento de perten- pena explorar brevemente. 1969) 268 Repocs. até bem mais amplo e difuso. custear seus estudos secundários e superio- rigos se resumiram à formação que rece. A OVS e a opção pela carreira eclesiástica. o impacto dessa associação foi longo período de formação. o recrutamento sacer- Seminário Diocesano Santo Antônio. Na ciamento progressivo do núcleo familiar.

Os primeiros relatórios davam conta equipamento (DELGADO. Em uma das Associação de São José. matricularam-se 256 se- ção as 22 ordenações de que temos notícia. que nessa mesma época se tornava o maior celeiro de vocações na América Latina (SEI- DL. destas rurais. De grande auxílio passagens desse plano de evangelização. 2003). em 1937. de Medeiros Delgado (1951-1963) indicava Com a Obra de Vocações Sacerdotais. tantes institucionais esforços crescentes. Porém. que reorganizei em 1952. 17 vinham de localidades no interior do sendo deste 32 no Seminário maior. va. do aumento do número de seminaristas. por seu turno. nário e não permitem melhorar as condições se padres lazaristas e sacerdotes diocesanos de instalação do edifício e do seu adequado locais. cio. as ordenado mais de 21 sacerdotes e mantinha mais rotineiras. descritos por Con. Em 1940. levando em considera. para o perío- do de 1945 a 1963. atraindo cada vez menos alunos. no Rio grande do Sul. o a Obra. de teologia e filosofia para outros seminários 4. proporção em que a situação se deteriora- nuas de bispos e sacerdotes para o empe. entre 72 seminaristas inscritos. foi fechado o Seminário Maior em A classe média e a classe rica (pouco nume. giu o seu pico de intensidade colocando Vinte anos depois. Entre 1952 e 1962. e exigindo dos represen- outros 21. os relatórios já apontavam que 40 Anuário Estatístico do Brasil de 1952 (IBGE. Em criação. naram-se nestes 10 anos. o percentual de sacerdotes havia se outro relatório sobre a situação do recruta- elevado notavelmente. 1962). que em e outros 14 recebiam meia pensão. e 16 no maior4. esse declínio atin- 21 em 1918. Orde- estado. Conversão e reconversão de padres no Maranhão 269 . Ilustrativo disso. À frente dessa associação alternaram. gotar seus recursos na manutenção do Semi- ção. os seminários crutar majoritariamente o clero diocesano terminaram sendo simples colégios paro- no universo das camadas populares e mo. ele- vando-se de 8 em 1907. na mero de associados e as solicitações contí. nar a escassez de vocações. alunos eram pagos pela Associação São José 1952) mencionava. Vale mencionar que esse quadro se contrastava fortemente com o caso do Seminário de Viamão. minaristas no Seminário de Santo Antônio. para 20 em 1913 e Já na década de 1960. Dom José os primeiros decênios do século XX. os que apesar dos investimentos para solucio- seminários diocesanos puderam então re. Por deficiência de alunos. A pobreza e a deficiência econômica da durú Pacheco (1969). 14 padres. em pouco mais de três décadas de em seminários menores. a Obra já havia problemas para a realização das tarefas. Os relatórios da OVS. foi para o seminário a Procuradoria da Mes- pode-se encontrar a seguinte avaliação: se. 1953. podem ser utilizados maioria dos candidatos obrigam a OVS a es- para explicitar a importância dessa agremia. um relatório de 1962 mos. Entre as poucas fontes compulsadas que nho dos fiéis na produção de recursos para davam informações sobre os seminaristas. quando foram transferidos os alunos rosa) quase não dão candidatos ao sacerdó. Devido todo o Maranhão havia somente 55 inscritos à OVS. em comparação com mento sacerdotal no Maranhão. 12 dos trava que essa tendência de crescimento já quais mantidos total ou parcialmente pela apresentava sinais de desgaste. com a elevação do nú. quiais.

1970-1976). 777). criando-se o quadro abaixo. sanos. p. SEIDL. o número de alunos de aproximadamente 99. Em relação às dioceses de Pinheiro e Viana. Entre 1952 e 1962. além da informação sobre os clérigos atuando na estrutura diocesana (fossem eles sacerdotes ou regulares). em 1963. com o gregações religiosas de outros países para que a Cúria obtinha uma fonte de renda au. França. consultar Neris (2014b). da de 19506 se dirigiram. e suas dependências a diversos episcopados (Canadá. Espanha) e a con- de eventos.. lares ou diocesanos (NERIS. Se entre 1963 e 1968 o número de sacerdotes diocesanos (incluindo nacionais Entre 1960 e 1963. as iniciativas encabeçadas por prelados de ção dessa instituição. e reabriu em 1962 com o curso de filosofia (5 principalmente para os dois primeiros pe- anos). ríodos (1963-1968. talvez os dados produzidos pelo Anuário Pontifício e sistematizados em diversos sites da internet constituam as melhores fontes de informação sobre a evolução numérica dos contingentes clericais em nível regional. conforme dice decrescente de perseverança. a título pessoal. 2015c).14. Estados passaram a ser alugadas para a realização Unidos. da evolução dos efetivos presbiterais dioce- ção sacerdotal (PACHECO. 777). “[. os batizados. 1969. ticamente sem alunos. É nesse sentido. 2014b). 5. v. o que xiliar (MEIRELLES. paróquias e números de religiosos masculinos e femininos. entre os fundos estatísticos examinados. esses efetivos fo- matriculados no seminário de Santo Antô.. eles apresentam informações sobre a população. enviarem religiosos ao Maranhão.] dos (NERIS. jul/dez. pra. em pouco dioceses maranhenses que desde a déca- tempo o seminário fechou suas portas. 2017 .28. Com efeito. ram reduzidos ainda mais entre 1970-1976 nio foi reduzido de 68 para 20. observa-se um ín. Levando-se em contribuiu para aprofundar a dependência conta os decênios de 1960 a 1980. 6. Para o caso da arquidiocese. Com a saída dos Lazaristas da dire. 270 Repocs. in- quais apenas 2 cursam filosofia no seu 3º clusive. é possível notar a timidez um hiatus de 6 anos sem nenhuma ordena. Bélgica. congressos e simpósios. fossem eles regu- as estatísticas não estejam padronizadas5. n. 1977). que se podem melhor compreender ano”. conforme Condurú e estrangeiros) atuantes no Maranhão era Pacheco (1969. p. Uma vez que não dispusemos de dados precisos sobre a evolução das ordenações entre 1960-1980. embora de clérigos estrangeiros. consultar Meirelles (1977).

comerciantes etc. membros Nessas condições. coadjuto- berais. o ingresso na cor- esses sacerdotes acumulavam. . . RIBEIRO.Sacerdotes diocesanos no Maranhão Circunscrição Eclesiástica 1963-1968 1970-1976 1980 1989 Arquidiocese de São Luís 1965 – 51 1976 – 17 21 18 Grajaú . 2015c. em razão da cultura que do cabido diocesano). 10 14 Imperatriz . 4 4 Candido Mendes/Ze Doca 1968 – 6 1976 – 6 8 6 1965 – 7 Viana 1976 – 7 3 10 1968 – 9 1970 – 2 Bacabal . 106 114 Fonte: http://www. .). como também favorecia a sua Superado o duro processo de sociali. ao universo religioso (vigários. fracamente diferen. aproximação com as frações das classes do- zação institucional a que se submetiam os minantes e seus interesses materiais e sim- futuros presbíteros recrutados na região. Uma elite cultural e militante (1920/1940) e para os núcleos familiares de onde eram originados. 1971 – 20 9 9 Coroatá . NERIS. 1976 – 2 18 6 Caxias 1967 – 13 1974 – 11 11 13 1970 – 17 Pinheiro 1966 – 20 14 15 1976 – 17 Balsas . políticos.org/. 2 5 Carolina . 2. a bólicos. res.catholic-hierarchy. empresários. 6 Totais Aprox. professores de seminários. Em 1920/40 parecem ter interiorizado essa fun- parte. 99 Aprox. 6 8 1976 – 5 Brejo . das relações entre Igreja. elites do estado. de um núcleo bem restrito (proprietários de Com efeito. 2003). ção de reconquista de posições no espaço do trutura social regional. além dos postos internos terra. SEIDL. 2012. poder local e de reivindicação do status de ciada. “elite dirigente” e “autoridade moral” (NE- ção de capitais políticos e culturais em torno RIS. o ingresso no poração eclesiástica franqueava a esses corpo eclesial não apenas garantia prestígio sacerdotes a possibilidade de se fazerem e distinção social para os seus ocupantes presentes simultaneamente em diversos Conversão e reconversão de padres no Maranhão 271 . Formados nesse estado particular profissionalização sacerdotal abria para es. os clérigos ordenados entre as décadas de oportunidades de investimento exógeno. . profissionais li. caracterizada pela forte monopoliza.Quadro II . 85 Aprox. isso se devia ao próprio estado da es. sociedade e políti- ses jovens postulantes um notável leque de ca. .

14. do. 2014b.). de resto. gência de novos estilos sacerdotais e mo- lho intelectual de produção escrita permitiu dalidades de militância institucional que. não é fortuito que alguns deles sociais e institucionais de produção de vo- também tenham se engajado na produção cações e de exercício do sacerdócio permi- literária e até mesmo na formulação de tem apoiar a tese do surgimento de uma interpretações sobre a história regional e nova configuração eclesiástica no Mara- da instituição ao qual estavam vinculados nhão. 2001. Trata. entre múltiplas de mediação que o sacerdócio outros) e nas disputas pelo controle da vida assumia naquela configuração (BATALHA. também constitui ou. elegeu. 2017 . políti. integrar-se 1943). timados socialmente entre os grupos diri- Por outro lado. 2000). 2006). na condição de celebrante. (RAPOSO. a partir de meados do século passa- (MELO. A gestação de uma nova configuração o mais importante das disputas por afirma. or. a Igreja (MICELI. NERIS. CALDEIRA. 2014b). zava tanto a reunir a população como tam- co-administrativo. para entrar com sucesso Brandt (nascido em 1917 e ordenado em no jogo propriamente político. a instâncias legitimadas de consagração tro exemplo desse processo de mobilização e reprodução cultural (Ensino Superior. domínios (educacional. Cabe esclarecer que emprego o termo se aqui. p. Constantino Trancoso Vieira o padre se encontrava então em situação (nascido em 1901 e ordenado em 1925). onde se concentrava 3. por seu turno. onde bém. al. lístico (fosse em jornais políticos. v. angariar os dividendos pela sua pretensão sem modificar a arquitetura global da Igre- de influência tanto dentro quanto fora da ja. pois. NERIS. além de sacerdotes in.28. intelectual. 16 fev. dições de mobilizar competências de tipo denado em 1925 e filiado à Aliança Liberal. redação. manipu- ocupou por um breve período a posição de lação da assembleia). intelectual e da produção de saberes legi- 2011. jul/dez. NUNES. comuns a Interventor do Maranhão em 1931 (ABREU outras categorias profissionais como advo- et. 2012. configuração aqui para designar essa emer- po eclesiástico cujo investimento no traba. por privilegiada para o exercício da mediação exemplo. eclesiástica ção intelectual e legitimação de interven- ções sociopolíticas. tervirem recorrentemente em âmbito jorna. difusão de posições críticas e a adoção de Em função da cultura acumulada e pelo estratégias inéditas (LAGROYE. Astolfo Serra (1900-1978). Não se estranha. 2013. a falar em seus engajamentos apresentavam múltiplas nome e no lugar da comunidade local –. para caracterizar essa nova configu- 272 Repocs. 2013. gentes locais (MELO. MELO. 2014b). 1981). de competências eclesiais para inserção Academia Maranhense de Letras. do em meio às comunidades dispersas no se suplente do Senador Clodomir Cardoso interior do estado. posto. sobretu- paróquia de Pastos Bons de 1930. de forma contínua ou Algumas modificações nas condições ocasional. que diversos sacerdotes estivessem em con- 1964. NERIS. sem dúvida. daquela fração do cor. n. Jornal do Maranhão. Clodomir gados e jornalistas. 2013. 1). eclesial (técnicas de fala. favoreceram a subversão das rotinas. associativo etc. pouco tempo depois de assumir a entre diferentes categorias sociais. s/d. modalidades. Isto próprio exercício do culto – que o autori. Instituto destacada na esfera política e das formas Histórico e Geográfico do Maranhão. 1988). de opi- nião ou corporativos).

e inicialmente. a partir da década de 1940 o que se em curso um processo de transformação observa é uma nítida elevação das faixas no sistema de recrutamento e no perfil etárias de aquisição do estado presbiteral. Entre os padres ordenados nesse recorte. a década de 1940. o que se expressaria por Quadro III .Idades de ordenação de sacerdotes a partir da década de 1940. para o seminário. Conversão e reconversão de padres no Maranhão 273 .ração pode-se começar pela já mencionada um ingresso mais tardio. Assim. essa Habitualmente. pelo incremento regional da a respeito dos quais foi possível identifi- quantidade de vocações adultas ou tardias. travam majoritariamente entre 23 e 25 Paralelamente. Padre Localidade de Origem Nasc. no estrato geracional dos anos 1920-1930 tica da atratividade pela carreira eclesiás. s/d. enquanto crise de recrutamento e a diminuição drás. Ord. no entanto. Qtd. também entrou anos. car a idade de ordenação (ao todo. o que se pode notar. Idade 1 Alteredo Soeiro Mesquita Codó 1907 1943 36 2 João Batista Costa São Vicente Ferrer 1913 1943 30 3 Clodomir Brandt Picos/Colinas 1917 1944 27 4 Julio de Freitas Costa Buriti 1918 1945 27 5 Walter de Castro Abreu Pinheiro 1922 1945 23 6 José Albino Campos São Vicente Ferrer 1922 1947 25 7 José de Ribamar Carvalho Codó 1923 1947 24 8 Benedito Ewerton Costa Codó 1924 1948 24 9 Eider Furtado da Silva Barro Vermelho 1917 1948 31 10 Leonel Carvalho São Luís 1927 1950 23 11 Oton Salazar St Rita Codó 1922 1950 28 12 José de Jesus Travassos Furtado Viana 1925 1952 27 13 Wilson Nunes Cordeiro Matinha 1922 1952 30 14 Benedito Chaves de Lima Buriti 1926 1953 27 15 Manuel Prestes de Lima Brejo dos Anapurus 1929 1953 24 16 Heitor Piedade Filho São Luís 1928 1954 26 17 Flávio de Sousa Barros Vitória do Mearim 1928 1954 26 18 Helio Maranhão Barra do Corda 1930 1956 26 19 Sidney Castelo Branco Furtado Matinha 1925 1957 32 20 João Miguel Mohana Bacabal 1925 1960 35 Fonte: Livro de matrícula do Clero. definem-se como vocações tendência se verifica pelo fato de que 14 adultas aquelas que não resultam de uma agentes foram ordenados dentro da faixa passagem imediata dos estudos primários etária de 26-36 anos. as faixas etárias de ordenação se concen- tica desde. dos novos sacerdotes. pelo menos. 20).

2013). em um período no qual trocas eclesiás- e seu auxiliar. de investimento poderia ser remontada à to Sidney Castelo Branco foi encaminhado ampliação da presença de organismos con- para a Nova Escócia (costa atlântica do Ca. o Padre Bonfim estreitamento de vínculos da Igreja mara.14. a circulação de agentes religiosos em a Roma para estudar teologia” (NETO. fessionais de abrangência internacional. tradução nossa). Dom Antonio Fragoso (1957. terogêneos com finalidades religiosas.. 2014b) 274 Repocs. Saint Hyacinte (São Jacinto) e Sher- brooke para a Prelazia de Pinheiro (a esse respeito. nesse sentido. jul/dez. Manuel portante mencionar. nadá) com o “objetivo de estudar os sistemas ficação da circulação internacional dentro cooperativos na Universidade São Francisco do estrato geracional mais jovem do cor. 2017 . ocorreu uma nítida intensi.] presentea- de imigração de religiosos para o Maranhão do com um curso de teologia em Roma. eclesiásticas existentes. beneficiado como foi pelo 2013. n. SOUSA. anos depois de sua ordenação cal por meio da segmentação das unidades (1947) foi enviado para fazer cursos de Pe. sentido inverso. por seu tre as soluções encontradas pelo arcebispo turno. ou seja. tendo ainda passagens mente a adoção de iniciativas pastorais por cursos de Administração e Supervisão direcionadas a públicos cada vez mais he- Escolar (Washington/EUA) e em Administra. enquanto se aprofundava o processo Hélio Maranhão também foi “[. quer algumas considerações. MONTENEGRO. po clerical local. Além disso. 2014b). Pode-se que entra aqui em questão não é somente citar alguns casos desse tipo de trânsito: a a problemática da recomposição nas estra- começar pelo caso de José de Ribamar Car. como já tivemos dagogia e Psicologia na França e na Itália a oportunidade de indicar. Xavier de Antagonish” (LAVOIE. particularmente popular junto aos brasilei- lio a dioceses e congregações estrangeiras. da religiosa no recorte em pauta. ver: NERIS.. incrementou-se. A princípio. 53. 1969). o turais valorizados dentro da Igreja. que essa nação se tornava uma destinação mento encontrava-se a solicitação de auxí. 7. seguiu em setembro de 1957 para fazer cur- nhense com centros de formação religiosa sos de Sociologia na Sorbonne e no Instituto e intelectual em nível internacional. ros7 (LAVOIE. Enquan. que en. ticas eram correntes entre diversos países e 1963). v. daqueles sacerdotes Outra dimensão fundamental desse nascidos na região que começaram a obter processo de reconfiguração institucional estágios de curta ou média duração em cen. mas principal- entre 1959 e 1960. se vinculou à evolução social da deman- tros de reflexão localizados fora do Brasil. tégias de presença territorial da Igreja lo- valho que. por outro por ter sido “[.. Vale ressaltar que o início da cooperação da Igreja local com dioceses situadas no Canadá teve início quando estas começaram a enviar missionários das Igrejas de Nicolet. 2007). É im. onde constituindo um universo clerical dividido e fez bacharelado em teologia pela Universi- majoritariamente composto por estrangeiros dade Gregoriana de Roma”. para a situação de crise de recruta. p. de Jesus Soares e Luís Mario Lula. o que re- por meio dos quais adquiriam recursos cul. 2005).] o primeiro padre mandado lado. Católico de Paris (PACHECO.28. foram enviados também para o Cana- Dom José de Medeiros Delgado (1951-1963) dá. O sacerdote Assim. orgulhando-se (NERIS. a gênese dessas novas frentes (FARIA. Na ção Universitária em Houston (Texas/1972) realidade. SOUSA..

poneses. NERIS. implantação do Movimento Educacional de tuíram em veículos privilegiados para a Base (MEB). 2014b). no sociedade política. FA. ações articuladas. LUNA. já que se tradu. União dos Moços mento Universitário de Rádio. o fato é capital do estado (MEIRELLES. 1996) etc. (NERIS. 1981). Igreja sobre essas novas frações foi se inten- Conversão e reconversão de padres no Maranhão 275 . cuja atuação foi iniciada na re- ampliação da presença católica em meio à gião a partir de 1961 (RAPOSO. 1981. pudemos constatar que di. que a influência de alguns setores dentro da RIA. Tratava-se de movimen. dos às elites. mas uma maior diferenciação 1963) que. tais como a criação da como autênticos grupos de pressão e defesa Cooperativa Banco Rural do Maranhão. Embora diversas dessas novas medidas ção do número de faculdades e a fundação institucionais tenham sofrido nítida retração da Universidade Católica do Maranhão na desde o final da década de 1960. por ser voltado para categorias so. tiplicação dessas iniciativas. em seus diversos setores. versos deles constituíram detonadores lo. Imprensa e Católicos (1924). âmbito comunicacional. ao las Rurais. o de interesses religiosos junto às instâncias Movimento Intermunicipal Rural Arquidio- convencionais da política ‒ a Liga Eleitoral cesano (MIRA) e a realização de experiên- Católica (1933) (PACHECO. 2012). a adoção das experiências das Cape- tes e concentrados na capital do estado. (RE- o sexo dos aderentes ‒ Pia União das Filhas MAR). de esses movimentos confessionais estarem 1981. Ruralismo. no entanto. destaca-se a cria- tos que poderiam diferenciar-se conforme ção da Rádio Educadora Rural Ltda. o Núcleo Noelista São Luís adquirida em 1962. a criação de um ambicioso projeto e/ou caritativo ‒ o Apostolado da Oração de intervenção econômica denominado de (1880). COSTA. moradores de periferia) ziu concretamente pela criação de diversas portadoras de demandas religiosos inéditas. mais decisivas foram é que elas não representaram exatamente as iniciativas promovidas pelo Arcebispo uma diminuição dos investimentos dirigi- Dom José de Medeiros Delgado (1951. a criação do Departa- Reis de França (1934). 1969). MONTENEGRO. como estratégia de descentra- acompanharmos sua evolução de conjunto lização das vastas paróquias do interior e (NERIS. 1969). a promoção da Ação Católica Especializada notadamente a partir da década de 1930. 1984). por Livro (DURIL) para cuidar da imprensa dio- assumir caráter mais abertamente religioso cesana. RAPOSO. sos no espaço regional. com o incremento deu início a um programa de intervenção de empreendimentos institucionalizados que poderia muito bem ser definido pelo direcionados para frações do laicato (cam- seu caráter multissetorial. conforme o mo- os quais apresentavam uma multiplicidade delo belga e francês (PACHECO. a de princípios de classificação e se consti. 1994.nacional ou local na região maranhense. inicialmente. operários. entre as quais: a amplia. 2014b). ou até mesmo por servir versa de atividades. inspirado pelos preceitos do dos destinatários dos investimentos religio- Humanismo Integral de Jacques Maritain. predominantemente voltados para as eli. mente. 1994. 2005. cuja concessão como emissora foi de Maria (1913). Apesar cias-piloto de reforma agrária (ALMEIDA. Sem que seja possível analisar cais para um tipo de engajamento religioso aqui com maior detalhe esses investimentos que passava pela mediação do social. auxílio no trabalho pastoral (ADRIANCE. o que importa reter da mul- Para o que nos interessa mais direta. o qual combinava uma série di- cioprofissionais. Ação Católica (1936).

14. a maior bene. Conselho promoveu modificações importantes no Indigenista Missionário. fato de que esse recurso representava.28. suscitando contexto. n. resultante do novo lu- se tornara. organismos e iniciativas pastorais renova- cas nominalmente confessionais. certo ponto. pro- Aliás. caberia ainda aqui a ressalva feita por blemas e demandas do laicato. laicato). religiosos. multiengajamento e o trânsito de lógicas e Por outro lado. Vale dizer que diversos desses orga. da mesma for- quer através do importante desenvolvimento ma “[. Porém.) vale a pena destacar: primeiramente. objetiva das relações de autoridade pro- divergências e tensões envolvendo suas li. essa aproximação criou registros. sificando ainda mais nos decênios seguintes. 2003). tais como a Cáritas e a Misereor. que nos interessa assinalar é que essa cres- paroquiais e organismos militantes criados cente aproximação pastoral da Igreja com pela Igreja ou com vínculos com ela (CEBs. até 2011).. quando alertava que se o caráter a incorporação de novas categorias de aná- não confessional de um organismo não diz lise e exigência do ofício religioso. MACHADO. nada acerca dos investimentos religiosos a complexificação da rede organizacional 276 Repocs. Sindicatos Rurais. também condições para que religiosos se pertórios de mobilização em vários sentidos. chegando das. o instalação de uma série de ministérios extra. iniciativas pastorais. quanto a complexifi- relativamente fluídas. 2014b). Além disso. provavelmente. no entanto. Quer dizer. na medida nais (DELLA CAVA. para outro das categorias mais politizadas.. PEREIRA. cação do trabalho de gestão dos bens de posicionalidade dos agentes. 101). maranhense. sobretudo Johanna Siméant (2009. quer por meio da criação e/ou Independentemente disso. etc.] seria ilusório presumir que as obras das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) confessionais permitiriam usos unicamente e sua crescente politização no espaço rural religiosos aos seus membros”. deu-se tanto a redefinição na estrutura mesmo a haver diversas zonas de fricção. 2017 . v. as situações de salvação (NERIS. quanto pelo (NERIS. A internacionais de financiamento de projetos questão é que passa a entrar em curso aqui sociais. 2012. os grupos de leigos mais afastados de seus Comissão Pastoral da Terra. gar assumido por aqueles no seio da Igreja ficiária da filantropia e da canalização de local e para o desenvolvimento de novas recursos promovidos pelas redes transnacio. elas conformaram em conjunto institucional católica (padres. interior da configuração institucional que bradeiras de Coco. cabe em que diferentes categorias de leigos pas- ressaltar que muito embora algumas dessas saram a ser encarregadas pela condução de organizações não exibissem característi. novas tendências em curso dentro do es- to de convênios com agências nacionais e paço católico nacional ou internacional. é pre- conformando uma rede organizacional que ciso considerar que esse apelo ao laicato se beneficiava da forte capilaridade social e foi se tornando indispensável tanto pela política da instituição eclesiástica na região carência de efetivos religiosos. uma nítida diminuição da dissimetria entre em um período no qual a Igreja brasileira leigos e religiosos. de que ele pode ser objeto. Movimento de Que. modalidades de interpretação e re. tornassem mais sensíveis aos apelos. p. Federação de investimentos tradicionais pouco a pouco Assistência Social e Educacional. 2014b. uma tentativa de adequação às nismos se beneficiavam do estabelecimen. priamente religiosa dentro da configuração deranças. um espaço de engajamento com fronteiras episcopado. favorecendo a multi. jul/dez.

sentativa desta modalidade de politização ção do engajamento religioso regionalmente ligada a uma trajetória social ascendente. 2014b). outros puderam Piauí para o interior do Maranhão em 1926 desbravar vias heterogêneas de politização e de uma dona de casa. Conversão e reconversão de padres no Maranhão 277 . ampliando os trânsitos e cru- zamento de lógicas religiosas e políticas em Entre as diversas carreiras religiosas vários sentidos (MACHADO. 2014b). selecio- e de emergência de diversas mobilizações nei o caso de Luís Mario Lula tanto pelo no campo e na cidade (CARNEIRO. res. grupo mais jovem de presbíteros brasileiros a reorientações de trajetória e a uma re- ordenados em meados do século XX. disposições religiosas em posições sociais e to para a politização de segmentos sociais culturais inovadoras na região. bastaria dizer que essa rede transcorreu precisamente no período de exerceu um papel de suma importância tan. 359). 2008). constitui um instrumento profícuo para cional. SOUSA. Em uma marcadas pelo engajamento em causas so- conjuntura de intensificação dos conflitos ciais no Maranhão (NERIS. relação à instituição – com destaque aos re. a trajetória analisada ligiosos de origem estrangeira que ocuparam a seguir pode ser tomada então como repre- posições decisivas no processo de politiza. sua biografia (LAVOYE. 2013. contando com avós por baixo. não muito dições e tensões (BOURDIEU. 2012). diferente do que haviam feito os seus an. Luís Mario Lula8 nasceu em 1935. clivados. quanto pela sua representatividade perfil distinto das ‘elites’ estabelecidas social no tocante às formas de reconversão de e politicamente” (REIS. Além dis- diversos no Maranhão. gestação dessa nova configuração institu- to para a constituição de lideranças “com cional. 2001). Conversão e reconversão de um outsider de militante. como também fo- mentou a criação de canais de sociabilida. sendo o 12º filho de uma linha- 8. Filho de um comerciante que veio do tecessores (NERIS. geradores de toda sorte de contra- cionalmente vinculadas às elites. SOUSA. 2013) mais distantes do universo político conven. 4. Entre outros aspectos. composição do universo dos possíveis que quanto alguns deles se notabilizaram pelo está no princípio da constituição de habitus investimento em instâncias e esferas tradi. quan. 2013. p. em gem social humilde. en. no que concerne ao sub. sobretudo aqueles so. 2014b). 2012). em itálico. (NERIS. fato de que seu ingresso no corpo eclesial BORGES. 2014. 1995). enquanto descobriam formas comerciantes em ambos os ramos familia- renovadas de conciliação entre a sua ori. as condições objetivas Araioses. os sentimentos ambivalentes que afe- (NERIS. SEIDL. na escala de um indiví- seriam improváveis sem esse tipo de apoio duo. tam a esses agentes submetidos a pressões Nesse quadro. de mundos sociais diferentes (ELIAS. 2015c) –. Nessa reconstituição do itinerário de Luís Mario Lula recorremos principalmente à biografia de LA- VOYE. e cujas condições de mobilização tentarmos captar.gravitando em torno da Igreja não apenas das paróquias pobres do interior em que se erigiu uma estrutura com postos e atividades encontravam e as novas perspectivas teo- mais atrativos às expectativas de religiosos lógicas em curso nos meios eclesiais na at- dispondo de habitus mais distanciados em mosfera pré e pós-conciliar (NERIS. intercalando a exposição com as falas do biografado.

Quando estava con. cê-las. jul/dez. tive a chance de viver Lula não mantinham boas relações com o com professores que tinham a capacidade de pároco local. suas ori. É que diferentemente da Conselho Municipal. a falência dos negócios paternos marcadores da vocação. como pai havia sido expulso da Igreja por con. eu fra- dessas tias paternas. Embora nessas condições os de meus estudos eram pagos pela Associação motivos que o levaram a optar pelo sacer.28. Desde então. sob a direção dos La- esse ambiente de encontros entre jovens e zaristas. cluindo o primário e se preparava para os quando o pároco atentava basicamente exames de admissão no ensino secundário. cuja passagem pelo seminário repre. o que pôs fim à subvenção financeiro e logístico se mostraria determi. de discussões de temas e socializa. Não havia muito tempo. a experiência de Lula no etc. ao contrário da maioria de seus sava sobre dois eixos: o acadêmico e a espi- contemporâneos. 2017 . seu transmitir não somente as matérias. loja de localizado na capital do estado do Mara- tecidos. os pais de lo Seminário Menor. Vindo de uma família pobre. porém. A partir de então. ao passo em que descobriam nidade. devido ro grande recurso utilizado em prol de seu às numerosas mudanças de minha família e ingresso no seminário foi a intervenção também a outras razões. desses seminaristas vindos do interior para ção no sentido largo do termo. que recebia e colocou em perigo minha per- nante tanto no ingresso. A formação dos seminaristas do Seminário sentava uma das alternativas mais palpáveis Menor e Seminário Maior. depois uma loja de variedades. São José que pagou enquanto obtive sucesso dócio se revelem opacos em sua avaliação sobre o plano acadêmico. um hotel geração. o con- momentos de seu processo de socialização selho dos padres lazaristas se interrogou so- 278 Repocs. ções. quando da escolha pelo ritualidade. progressivamente ativados sob a óti- que seu pai sempre foi engajado na comu. também nos inculcavam o desejo de conhe- ta de seu espírito “subversivo e comunis. Durante todo meu percurso pe- ingresso no seminário diocesano. mudava totalmente a pers- Embora a Igreja constituísse um dos pectiva dos aprendizados que tinha feito até principais pontos de referência em sua co. então. v. lembra que a infância era marcada por seminário diocesano. candidatos ao sacerdócio desse mesmo pe- ríodo. esclarece. pode-se dizer que o primei. para princípios ético-religiosos como de- no entanto. chegando a tornar-se Secretário do um novo mundo. Lula fez. gem de 19 crianças vivas entre vinte gesta. no seminário esses demarcou o início de uma fase difícil para a critérios de competência religiosa deveriam família de Lula. Com 13 anos. devotas. sem dúvida. todas as minhas lacunas acadêmicas. toda a formação repou- munidade. um nhão. ilustra com clareza as dificuldades adultos. ca da escola. Levando em conta retrospectiva. institucional. E isto poderia adequar-se aos mecanismos de seleção reli- ser atribuído. combinar-se obrigatoriamente com “boas gens sociais já não destoavam dos demais notas” e “sucesso escolar”. o custo ta”.14. dres Lazaristas. Semelhante a diversos outros de sua bar contíguo à residência familiar. a cargo dos pa- para ascensão social. primeira seleção na paróquia de origem. então. No internato. quanto em outros manência no seminário. em grande medida. n. ao fato de giosa. cujo apoio cassei um ano. Acompanhando desde cedo os vários sua primeira viagem de avião com destina- negócios que seu pai abriu para garantir o ção ao afamado Seminário Santo Antônio. sustento da família (loja de roupas.).

no estado da Paraíba. onde monsenhor Carlos Bacelar exigia que vação. este não faz parte da hierarquia eclesiástica. É importante ressalvar que. 2013. invocando minha falta tarde. p. Dom lidar com os monsenhores das paróquias José de Medeiros Delgado. encorajado pelos re- de vocação. quase todas as vante. O entusiasmo de Mario Lula era. decidiu que Lula de- maneceu confiante em minhas capacidades veria compor aquela fração dos sacerdotes e solicitou ao resto do conselho que me des. os agentes que tinham esse compromissos financeiros em relação à ins. de suas ações. bre a pertinência de me manter como estu. vários deles eram vetados. a As. ção que esse sacerdote teve de aprender a ção de brilhar ou de deixar o seminário. Esse foi domínio. seram a pagar para mim. acompanhar o bispo em uma de suas visi- nário Menor. ponto por ponto. criaram um sentimento de obriga. por foi lá que eu retomei confiança ele apresentasse toda semana um programa em mim (LAVOYE. arcebispo de São para as quais foi designado – é que nes- Luís. Animado pelas experiências acumuladas exposto como estava a uma imagem nega. minha sal. o dade como o seu pai havia feito. para o Seminário paróquias eram dirigidas por monsenhores9 Maior de João Pessoa. no interior da Arquidiocese. Cura. foi com olhar dos outros colegas. sendo que tradução nossa). mação no exterior (teologia no Canadá). “A hierarquia era constituída assim: o bispo ou arce- bispo à frente da diocese. a atitude dos padres surpresa e até mesmo com certa indigna- comigo. Primeiro na cidade de Morros. auxiliar de bispo. o Monsenhor. locais selecionados para prosseguir sua for- sem uma chance. um único padre per. 48-49. decidiu. Cônego. 69). to de uma forte pressão psicológica e moral. 9. dora. seus resultados escolares e sua autoestima dante. Monsenhor era o padre que se atribuía uma superioridade altiva (arrogante) em suas relações com a comunidade. embora Luís Mário Lula percebesse assim o papel do Monsenhor. A falta de confiança. padre subalterno ao Cura” (LAVOIE. Esse foi para mim o momen. Dom Delgado. p. Felizmente. sultados inesperados. A maioria dos membros do conselho foram se modificando sensivelmente. meu primeiro exílio e igualmente. não sei por quais razões. Segundo o próprio Luís Mario Lula. no Canadá e esperando atuar na comuni- tiva de mim mesmo. Mais decidiu me expulsar. tipo de passagem em seus percursos sacer- tituição. que se comportavam como os senhores do para fazer meus estudos de filosofia. como esclarece. Enquanto repetidor. se período. retornou ao Bra- favoravelmente a comunidade lazarista e me sil em setembro do mesmo ano a fim de permitiu terminar meu último ano no Semi. SOUSA. enviar-me. em 1955. sendo apenas um título honorífico conferido pelo papa. De sociação não tinha mais que respeitar seus maneira geral. ao curso dos quatro anos e tornasse um simples administrador de sa- meio em que permaneceu nessa instituição. tas a cavalo. cramentos. 2013. padre responsável de uma paróquia. cura que era recompensado por sua contribuição particular à Igreja. Por outro lado. Conversão e reconversão de padres no Maranhão 279 . minhas tias pater. Vigário. a pedido do bispo. uma vez que o Cura desejava limitar [suas] atividades às Enviado em 1955 para o Seminário de pessoas idosas e que o jovem sacerdote se João Pessoa. SOUSA. o que influenciou Ordenado em 1961. dotais gozavam de certa proximidade com nas que trabalhavam nos Correios se dispu. os círculos eclesiásticos arquidiocesanos.

Lula tinha que apresentar re. 2013. seja conduzindo lu- mais velho do Deputado Federal Osvaldo tas mais subterrâneas. dres e outras categorias do laicato. no de homologia entre as posições desses pa- entanto. Lula fez saber então ao arcebis. relati. tração material da paróquia que ao con- nâmica e aberta sobre a coletividade. 280 Repocs. bater-papo sobre Ao se comparar a trajetória de Luís Ma- nomeações e as reputações de paróquias rio Lula com a de outros sacerdotes com ou dos seus Curas. v. Adotando estratégias de engajamento. seja evitando levar da Costa Nunes Freire. o jovem diversas passagens de sua biografia. podendo como segue. foi deslocado. adquiriu maior liberdade de ação. jul/dez. Lula finalmente quando o contexto fosse julgado oportuno. Em 10. quanto exigiu a habilidade de jogar den- latórios semanais sobre as suas ações para tro dos limites permitidos pelas relações de o Monsenhor Gerson Nunes Freire [irmão força na Igreja local. era possível conversar. Com discrição. como cultura religiosa. fazer progredir a comunidade sacerdote atribuía mais tempo à adminis- em direção a uma prática cristã mais di. finalmente ir ao encontro daquelas deman- Após cinco meses de frustrações e de das religiosas que não possuíam condições desilusões. Em junto da pastoral. 68-69). como também se exibe eficazes para o relaxamento do controle um inabitual senso de oportunidade para exercido por esse representante do clero implementar ações sacerdotais renovadas dominante na Igreja local. tinham tido a mesma formação dores. gias inéditas que se mostravam contrárias Como antes. SOUSA. o sacerdote deixava entender que “tinha relações íntimas com uma mulher”. não realizar seus sonhos de administrador mais apenas vem à tona a percepção de que o livremente. 2017 . Dessa tentativa de aproximação com outros sendo deslocado em 1962 para outro mu. o que influência destes colegas de geração que se constata é que as tentativas desses jo- ele resolveu adotar medidas táticas na sua vens clérigos de implementar uma nova relação com esses monsenhores que. de que se sentiam porta- os avaliava. sacerdote foi incitando esse Monsenhor a vas a esse período de inserção inicial. tanto suscitou a adoção de estraté- e tinham sido feitos nos mesmos moldes. representava um novo desafio. porém notou que esse velho conjunturas se mostrassem favoráveis. na medida em que recorria a essa ex- pressão. de serem exprimidas até então na Igreja. Foi precisamente por perfil de engajamento semelhante. Cada localidade. o qual viria ainda demasiado adiante conflitos. po que tinha um “caso de consciência”10. 2014b). na nova paróquia para o qual às rotinas e normas de conduta instituídas. metia apresentar um balanço semanal das se inadequado para as novas exigências atividades pastorais. o que geralmente fa- zia com que um bispo providenciasse uma modificação de posto (LAVOIE. os quais como seus colegas padres o fizeram saber.14. à medida em que se compro- funcionamento da instituição mostrava. p. favoreciam a crescente heteronomização da em um daqueles encontros ocasionais onde instituição eclesial (NERIS. Tratou-se de um estratagema para mudança de paróquia pois. n. ou dispondo- a se tornar Governador do Maranhão entre se a combates abertos somente quando as 1975-1979].28. universos sociais resultou diversos efeitos nicípio. no entanto. de Pedreiras.

Todavia. Paralela- ção.boa medida. çado na prostituição logo após o suicídio ras. o que. coordenou 187). ob- trar em contato com as pessoas e as situa. descontentamento entre os proprietários de do para mim a banalização de meus ideais e casas de prostituição na região (LAVOYE. sentia que tradução nossa). começou Era para mim um novo desafio e uma nova a oferecer então um curso de alfabetização ocasião para provar meu engajamento jun. para ria indagá-las a respeito do que esperavam impor sobre um terreno desfavorável as que ele fizesse. um encontro no mesmo Sindicato reunindo dos de habitus mais maleáveis suscetíveis 86 mulheres provenientes de diversas ca- de colocar em ação tanto práticas sacer. que havia sido preparado. para gas às dos padres preparados para a crise. Entre várias proposições. Em uma oportunidade. sas locais. que eles desaprovavam o que fazer ou até mesmo o que propor. quando de seu do marido. suas disposições eram análo. p. mente. 48-49. de 1963. com as pros. tusiasmado. então com a disposição de um curso de al- cional que acabava de conseguir em Pe. contando to aos mais pobres. Mais do que isso. dar início a mais uma atividade. uma vida de mediocridade. quando de Data desse mesmo período o início de uma visita a uma tia materna em estado sua aproximação dos problemas das mu. SOUSA. sentia-se fora de quia religiosa me obrigava a usar de tato e sua zona de conforto. bastaria ela reunir um grupo. teve máquinas de costura. que lhe parecia mais adequado tuição). porém. convite para animar três dias de encontros A data escolhida para início das novas do Sindicato dos Estivadores local (situado atividades na paróquia foi o dia 27 de maio nas proximidades de um bairro de prosti. foi providenciado com bas- de que falava Charles Suaud (1978. Contando com o apoio de sim- dreiras. quase clandestinas. incentivava as mulheres a reivindi- ples administração de sacramentos. Eu tinha o desejo de en. Na data marcada. não sem causar certo me nessa tarefa. disposições inovadoras que haviam incor. Nessa nova aventura. 2013. quanto acionar estratégias Decidiu então que o mais conveniente se- de luta realistas. também com a colaboração do prefeito. e tendo à sua disposi- ção as dependências do Sindicato. a hierar. noutro contexto. nessa longa fazia uma reunião com elas. p. Não era para isso SOUSA. 96. transparece quando Lula avalia o contexto Seu primeiro engajamento nessa causa foi de relativa emancipação da tutela institu. fabetização. ou se opunham. com o que pôde ções que exigiriam de mim maior implica. p. Em seguida. para prostituídas. sua surpresa. decadente e agonizante e que havia se lan- lheres prostituídas na localidade de Pedrei. ele foi interpelado por uma mulher para recordar para sempre [sua] aliança que desejava saber por que ele também não com o mundo da exclusão. um consenso se constituiu: aprender a ler porado. marcha para tornar mais humanas as rea- titutas. tradução nossa). 182. os quais eram dota. tante rapidez. Eu desejava fazer mais do que a sim. É justamente esse senso tático que e a escrever e também aprender um ofício. carem seus direitos. sem saber no final das contas dotais tradicionais. teria significa. como segue: patizantes da causa. unicamente. 2013. Foi com embaraço que afirmou que Conversão e reconversão de padres no Maranhão 281 . feliz e en- paciência (LAVOYE. essa era a oportunidade para cumprir uma promessa que havia feito a si. Deter.

Chegando em Dom histórias sórdidas. Da mesma titutas da cidade (em um bairro chamado forma.28. ao mesmo tempo em que Pedro em 1965. as duas partes se sentem igua. temente discriminatórios (LAVOYE. De um impasse político que chegou a envolver certa maneira. 97. suas primeiras pa- começava a ser tratado como comunista. frequentemente e quase sem. SOUSA.14. qual proferiu diversas conferências com o 282 Repocs. o que resistência de Lula o tornou então objeto de consequentemente forçou a sua saída da tentativas de minar sua reputação. É nesse sentido que vale pastoral de ajudar os mais pobres assim co- a pena transcrever o trecho abaixo pelo seu mo meu modo direto de intervir no conjun- potencial elucidativo do processo de politi. Frente à continuidade de seu engaja- dade. Em pre vítimas de nossos pré-julgamentos for- janeiro de 1964. o bispo tomou começaram a fazer pressão para que fosse como medida a sua designação como Vi- dado fim ao trabalho com as prostitutas. 2013. Eu comecei a compreender que quando nos engajamos junto aos excluídos. A gário da paróquia de Dom Pedro. Essa situação criou mento que vivem as pessoas ostracizadas. SOUSA. e o bispo tólica na região. contratou ção passaram a reprovar o comportamento uma delas para realizar serviços de limpeza mais autônomo das mulheres que partici. é necessário Foi então que os notáveis da região de- esperar ser também marginalizado e critica. jovens militantes da Juventude Agrária Ca- tiram também no espaço eclesial. v. jul/dez. porém. de morte para Lula. ele participou da funda. Porém. Lula decidiu par- recusar o compromisso proposto pelo bispo tir para o Canadá. de Molho de Vara). gerando. p. na casa paroquial. Minha posição face à sua posição na Igreja com aquela das mu. Eis por que escolhi de ca e de risco potencial. Foi em uma si. inclusive. tradução nossa). Para ele. p. a fim de visitar as redes e que optei de caminhar de mãos dadas com de amigos que possuía. oportunidade na essas mulheres. uma tal ação não combinava com Esse episódio da acolhida de uma prostituí- minha função. o trabalho que realizava com um grupo de As hostilidades na comunidade repercu. perturbando o desenvolvimento de assim um modo de melhor apreender o sofri. proprietários das casas de prostitui. lidades dessas mulheres ostracizadas. n. tradução nossa). 109. to dos problemas da paróquia incomodavam zação que está em pauta: a elite local (LAVOYE. lavras e visitas públicas na nova localidade assim as reuniões do CRESMAN passaram foram realizadas justamente entre as pros- a ser consideradas subversivas. atividades religiosas. ção do Centro de Recuperação Santa Maria 2013. 2017 . Além disso. com a ex- tensão das iniciativas do Centro na locali. como conta. bem como para apoiar pavam do Centro. Madalena (CRESMAN). ameaças litárias em seu sofrimento e elas se solidari. cidiram abrir um bar nas proximidades da do como a clientela que se deseja ajudar. problemática da prostituição. da no presbitério foi o prelúdio de uma lu- tuação de confrontação com o bispo que ta encarnada da classe dominante de encon- Lula deu-se conta então da homologia de tro ao meu ministério. e alvo de paróquia de Pedreiras. Nessa situação críti- zam em seu caminho. o governador. personalidades influentes da cidade mento junto às mulheres. É Igreja. Como recorda: exigiu que esse engajamento fosse cessado. minha escolha lheres prostituídas.

Lula afirma que vam o estado imediatamente anterior da Conversão e reconversão de padres no Maranhão 283 . ção da Igreja no Brasil e de politização do tes situações de risco de morte. territoriais em disputa. 2014). dades de adaptação às novas condições de teira em São Luís onde ele tinha um empre. 2015b. Confluctus. Foi no decurso tantes para tornar inteligível a politização desse novo período que Lula ficou dividido de padres brasileiros em seu contexto de entre o sacerdócio e a vida laica. que poderia modificar invariavelmente os de uma tentativa de apreender tanto as mo- costumes estabelecidos pelos [seus] prede. afiguravam-se como cada vez mais no Canadá. exercício dos papéis religiosos em um terri- go no Ministério da Educação). após tudo. justamente em ção dos processos de transformação ins- um momento no qual padres amigos foram titucional da Igreja através desse peque- presos e até mesmo torturados. no componente objetivado levou então a rando todos esses acontecimentos. foi encarregado pelo Arcebispo de animar Considerações finais a população da diocese de Bacabal em re- lação à intenção de criação de uma diocese Inscrito em um conjunto mais amplo de na região. Cutrim. dificações contínuas na arquitetura global cessores que colaboravam com as dinastias desse componente da Igreja. atual Centro. recontactou uma antiga nhão. NE- da. a RIS. foram fundamentais para a construção do eu incomodei as normas existentes. Gozando de grande liberdade das transformações históricas sucessivas de de ação como Vigário (o Cura B. SEIDL. venção do corpo eclesial que caracteriza- liava seu próprio itinerário. neste artigo procuramos avançar na zão da insegurança em Bacabal. engajamento religioso (NERIS. decidiu identificar uma série de aspectos impor- então partir para o Canadá. tuação e transformação. passava a semana in. 1950. no quadro organizadas. A começar pelo fato de que dição de professor. vivenciando diferen. visitou concretos aos processos de institucionaliza- diversas localidades. Lula sentia tório missionário. lações objetivas que uniam esses diferentes acuado pelas diversas ameaças de morte e elementos e que asseguravam a sua perpe- submetido à vigilância pelas redes de co. quanto oferecer ele- Novamente sentindo-se marginalizado mentos concretos para a avaliação das re- por conta de seus engajamentos pastorais. na con. deslocando-se para a cidade de Codó. afirma que objetivação das formas e mecanismos que concentrou sua ação em direção aos bair. uma Igreja distante de Roma e das modali- como era conhecido. onde habita até hoje. esses recursos posto que em cada paróquia onde eu passei. talvez. seu nome é. Logo em seguida. Quando de sua visita os modos de exercício religioso no Mara- ao Brasil em 1975. o avanço na reconstitui- tão deixar o país em 1971. as estratégias familiares dominantes na cidade. SEIDL. Juntamente com os militantes da pesquisas dedicadas a conferir contornos Juventude Agrária Cristã (JUAC). Conside. notadamente a partir da década de amiga com a qual veio a se casar em 1977. decidiu en.propósito de recolher fundos para o CRES. municação da ditadura (SNI). De regresso ao Brasil. Tratou-se aqui. portanto. Em uma distintos em relação às lógicas de inter- das passagens de sua biografia em que ava. Em segui. convite do Abade Benedito Cutrim e em ra. em 1968. possibilidade. MAN. 2015a. 2015c. suscitaram a transgressão dos limites legí- ros pobres que se tornaram paróquias bem timos da ação religiosa católica. 2014b. Nesse quadro.

quanto ampliou o espectro de de integração ao sacerdócio e as situações 11. exigindo a mobi. da trajetória de Luís Mario Lula mostrou-se a recomposição nas estratégias de presença rica em elementos para compreender como territorial da Igreja local. quer tização religiosa e de conciliação entre dis. notavelmente o espectro de inserção socio. que tanto contribuiu radas e as exigências institucionais. esses rebentos de camadas empobrecidas lização de diferentes agentes (leigos e es. em relação ao meio social de origem. CONTAMIN. esses outsiders eram expostos então a institucionais. princípios de distribuição de poder vigen. “a fidelidade é um investimento reflexivo na instituição tornado necessário pelo desajustamento entre o ha- bitus e a instituição. 2011) ligada a trajetórias região se conectaram a uma multiplicidade de mobilidade social ascendente em uma de fatores. Centrando o foco sobre os clérigos se- tes em uma sociedade pouco diferenciada culares recrutados na região maranhense. diversas sanções negativas (formas de es- riências concretas de clérigos em atividades tigmatização. a dissonância entre as estruturas mentais e o espaço social”. Em assim sendo. Em conjunto. BENNANI-CHRAÏ- modos de exercício do ofício religioso na BI. paralelamente ao aprofundamen. quanto dos esses fatores contribuíram para ampliar aquelas do meio em que se encontravam. e organizada economicamente em torno da pudemos delimitar mais claramente uma terra. engajamentos e carreiras ção. e flutuação dos critérios objetivos de per- tucional. n. por sua dupla situação política de clérigos. sentimentos de sobre as quais a hierarquia não tinha pleno descompasso) resultantes da defasagem ex- controle foi-se gestando uma nova confi. p. ção de si para permitir a aculturação a um mente aos padres. pela via das expe. quer golpe. quando havia fidelidades e as modalidades de militância um maior ajustamento entre a Igreja e os institucional no espaço católico11. trajetória seria uma prova disso). para desestruturar as cadeias tradicionais Em suma. 2017 . como esclarece Yann Raison du Cleziou (2011. jul/dez. 284 Repocs. perimentada entre as disposições incorpo- guração institucional.28. como também jovens do corpo eclesial local. Maranhão às redes transnacionais católicas tanto as do mundo social (a sua própria (NERIS. Produto de uma tentativa de reajustamento. tais como: as modificações nas conjuntura crítica de subversão de rotinas condições de produção e socialização insti. 271). legitimando. humilhação. tencimento. novo meio social ‒ não apenas incorpora- culação internacional entre as frações mais ram disposições tradicionais. matriz importante das “carreiras de poli- 2015c). como a maranhense (NERIS. a exploração de novas vias de poli. v. to. configuração eclesiástica. as transformações nos tização” (AÏT-AOUDIA. a intensificação da cir. ao passo em desenvolveram uma forte predisposição que se estreitavam os vínculos da Igreja no ao questionamento das normas em vigor.14. notadamente) para a execução alongado e custoso processo de reconstru- de tarefas outrora reservadas exclusiva. o imperativo Igreja local. a um só de deslocamento espacial e cultural. É nesse sentido que a análise to da crise de reprodução do clero local. posicionados entre a fidelida- de transmissão da autoridade no seio da de ao grupo social de origem. SEIDL. ‒ cujo ingresso na instituição exigia um trangeiros. 2015) etc. Como visto. SEIDL. Ou seja. no que concerne ao novo espaço de inser- posições sociais.

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Reconstrução identitária. The main issue of this article is the actual blema das mediações concretas por meio mediations through which members of the das quais certos membros do corpo clerical clerical body were led to cross the tradi- foram conduzidos a transgredir os limites tional boundaries of the Catholic action. tradicionais da ação religiosa católica. Recebido em: 11/02/16 Aprovado em: 14/07/16 Conversão e reconversão de padres no Maranhão 289 . The context-based analysis of social ascendente em uma conjuntura ins. A partir da of the changes in the composition of the exploração das transformações na compo. as expe. A análise contextualizada sion of social dispositions experienced by do trabalho de incorporação e reconversão those priests brought to light ambivalences. Padres. clergy and in the ecclesiastical structure. esses agentes adquirissem um lugar próprio no mundo eclesial. o texto delimita uma matriz Those trajectories were connected to up- importante das reconversões militantes de ward social mobility in a critical institutio- padres ligada a trajetórias de mobilidade nal situation. Based on the study segunda metade do século XX. as sição do clero atuante na região. the work revealed an important narrativa biográfica de um sacerdote de array of militant reconversion of priests. Priests. origem local. quering of their own place in the ecclesias- construção identitária. necessários para que tical world. ten. PALAVRAS-CHAVE KEYWORDS Maranhão. de disposições desses religiosos permite painful experiences. identity reconstruction required to the con- riências dolorosas e o longo processo de re. Reconversões militants. and a long process of apreender então as ambivalências. well as on the biographical narrative of a tações na configuração eclesiástica e da local priest. Maranhão. Militant reconversion. The analysis focused on the Brazilian State do como referencial de análise uma unida. of Maranhão from the second half of the de representada pelo Maranhão a partir da twentieth century on. Identity reconstruction. das mu. the process of internalization and conver- titucional crítica.RESUMO ABSTRACT O texto tem como questão central o pro.

290 Repocs. v. 2017 . jul/dez. n.28.14.