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CONTEÚDO

PROFº: FRANCO
03 FORMAÇÃO HISTÓRICO TERRITORIAL BRASILEIRA (CONT.)

A Certeza de Vencer GE010408 – AB(N)

1. A economia Cafeeira do café, a expansão de fazendas transformara o Vale do Paraíba


do Sul. Os cafezais causaram rápido esgotamento dos solos.
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Daí a rápida incorporação das terras do Oeste Paulista. A


O Brasil independente (1822) inaugurou um novo
produção cafeeira seguiu uma trajetória de sucessivas e
desenvolvimento econômico baseado na borracha, no algodão,
crescentes safras.
no cacau e principalmente na cafeicultura.
Já no final do séc. XIX o Brasil passou a conhecer
No final do século XIX e início do século XX deu-se a fase
crises de superprodução de café. Em 1882, a produção mundial
da borracha na Amazônia (1870-1910), a qual ocasionou novo
de café foi maior do que o consumo.O resultado foi à queda do
impulso à ocupação dessa região; promovendo várias
preço do produto no mercado mundial.
modificações-verificadas em um maior fluxo populacional na
região ligadas a coleta do látex (nordestinos), nas novas áreas
que produziam produtos alimentares responsáveis pelo
abastecimento regional e nas várias modificações urbanas em
Belém e Manaus.
Com o declínio das exportações, devido à concorrência da
produção asiática, a prosperidade dessas cidades estagnou.

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1.1. As ferrovias do café e seu papel na ocupação, na
produção e na organização do espaço geográfico.

A maior parte das ferrovias no estado de São Paulo foi


construída somente após o avanço do desmatamento e do
estabelecimento das fazendas, quando a população dos
povoados se tornou numerosa e o volume da produção
Na mesma época o sertão nordestino teve uma maior compensava o investimento no transporte ferroviário. Nos EUA e
ocupação com o desenvolvimento do algodão alcançou preços no Canadá , ao contrário, as linhas férreas foram fatores básicos
altos devido ao pouca oferta no mercado internacional. Diante da para a fundação de cidades e seu povoamento.
importância do mesmo na balança comercial, o governo passou Não podemos, entretanto, subestimar o papel das
a dar mais atenção à região, diante da estiagem que afetava as ferrovias do café. Muitas cidades do Planalto Ocidental Paulista
plantações dando, desde essa época, verbas para amenizar o tiveram como embrião as estações de trens, as pontas de trilhos
problema na área, gerado pela seca. e, ainda, as paradas ao longo do trajeto:Bauru, Tupã,
Ao mesmo tempo, no sul da Bahia, ocorria a ocupação do Votuporanga, Pompéia, São Jose do Rio Preto, Penápolis,
solo com o desenvolvimento do cacau, produto exótico que cada Lucélia, Lins, Adamantina e Araçatuba.
vez mais era consumido na Europa. Para os habitantes do Estado de São Paulo, as vias
No entanto, era a produção do café que liderava nossas férreas assumiram tamanha importância que se tornaram um
exportações. Até a primeira metade do séc. XIX, a economia referencial para se situar ou se deslocar no espaço paulista. Por
cafeeira ainda conservava as características básicas do exemplo, quem ia para acidade de Tupã, no oeste do estado,
período colonial (economia agroexportadora, baseada na servida pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro dizia “Eu
monocultura latifundiária, apoiada na mão-de-obra escrava). Na vou para a Alta Paulista “, referindo-se, desse modo , mais
segunda metade do século XIX, sobretudo a partir de 1860- especificamente ao final da linha, pois esta dividia-se em Baixa,
1870, a cafeicultura passou por profundas transformações, tais Média e Alta Paulista.
VESTIBULAR – 2009

como: substituição da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra Isso ocorria também em relação ao espaço geográfico
assalariada do imigrante, a ocupação de novas áreas (oeste cortado pelas demais ferrovias. Falava-se em Araraquarense,
paulista) e a expansão das ferrovias ligando a produção aos Mojiana, Sorocabana, para referir-se à região “atravessada” por
portos exportadores. A Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico essas ferrovias. A paisagem ou o relevo nunca foram
de negros. A partir desse fato, a escravidão oficial caminhava referenciais do espaço para os paulistas, como ocorre, por
para o seu esgotamento e os desdobramentos gerados no rumo exemplo, com os gaúchos e nordestinos.
de uma economia capitalista. Devido as crescentes exportações
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O gaúcho tem a apreensão de seu espaço calcado na 2. O Arquipélago Econômico (isolamento regional)
natureza ou, mais propriamente, no relevo. Sempre faz
referência ao litoral, a serra, ao planalto e à campanha,
A configuração em arquipélago econômico (ilhas
mostrando não ter perdido essa compreensão do território que,
econômicas) refletia o papel do Brasil como produtor de
sem dúvida, o torna mais ligado afetivamente a seu espaço e
mercadorias para o mercado mundial e como as atividades
aos aspectos naturais da paisagem.
produtivas nesse longo período foram ocupando espacialmente
Hoje, no Estado de São Paulo, não há mais nem
várias áreas do território. As culturas como açúcar, fumo, cacau,
mesmo o referencial dado pelas ferrovias, a não ser para
borracha ou café; desenvolveu-se em áreas diferentes de acordo
gerações passadas. Com o desenvolvimento rodoviário iniciado
as vantagens comparativas naturais e históricas de cada porção
em 1956, as ferrovias perderam a importância e também o papel
do espaço brasileiro. Esse arquipélago mercantil configura-se
de estimuladoras do povoamento e da criação de cidades, bem
como “bacias de drenagens” integradas ao centro em grandes
como de referenciais do espaço.
cidades portuárias, que escoavam a produção ao mercado
O traçado das ferrovias do café mostra a ligação das
externo. Essa organização do território produziu as grandes
áreas produtoras ao porto de Santos, construídas que foram
cidades portuárias do Brasil rural-agrário, centros modernos com
para escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba, da
laços intensos aos centros urbanos europeus. Pode-se citar as
Depressão Periférica Paulista e do Planalto Ocidental Paulista. A
cidades: Belém, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Luís, etc.
primeira delas, a Sociedade de Estradas de Ferro D. Pedro II
As relações econômicas ou demográficas entre essas áreas ou
que mais tarde deu origem à Estrada de Ferro Central do Brasil),
as ilhas eram inexpressivas ou precárias, chegando em vários
ligando o Vale do Paraíba ao porto do Rio de Janeiro, entrou em
períodos há serem inexistentes, pois o crescimento e dinamismo
operação em 1855. Em seguida, em 1867, entrou em operação a
econômico eram diretamente resultado do comércio voltado ao
São PauloRailway Co Ltd, ligando São Paulo à Santos, cujos
mercado mundial.
trilhos foram depois estendidos até a cidade de Jundiaí, dando
origem à Estrada de Ferro Santos----Jundiaí . Em 1872, foi
inaugurada a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, fruto da 2.1. O fim da economia de arquipélago
união de capitais de grandes fazendeiros de Campinas, Araras,
Limeira e Rio Claro. Uma associação de produtores da região de A relação assalariada de trabalho deu o início a um
Moji-Mirim fez o mesmo, dando origem a Companhia Mogiana considerável mercado interno de consumo que
em 1875, mesmo ano da inauguração da Estrada de Ferro conseqüentemente, gerou as bases para um maior crescimento
Sorocabana. Em 1901 foi a vez da Araraquense . industrial no final do século XIX; abrindo dessa forma a
Em 1971, o governo do Estado de São Pulo organizou a possibilidade de circuitos inter-regionais de mercadorias, pois as
Fepasa--- Ferrovia Paulista S.A. ----que englobou as ferrovias necessidades dos trabalhadores, de alimentos, tecidos e
citadas, com exceção da Santos---Jundiaí e da Estrada de Ferro calçados, passaram a ser parcialmente atendidas pela indústria
Central do Brasil, que pertencem a RFFSA – Rede Ferroviária nascente. Ao poucos foi se intensificando a articulação entre as
Federal S.A. regiões, acabando, dessa forma, reduzindo o isolamento
Embora tenham avançado no interior do Estado de São anterior.
Paulo, essas ferrovias não penetraram mais fundo no território
nacional (com exceção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, 3. A industrialização e o novo espaço geográfico
inaugurada em 1905, que liga Bauru a Corumbá, no Mato
Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia ). O mesmo ocorreu nas
O desenvolvimento industrial da região do sudeste,
demais regiões do Brasil.
principalmente do Estado de São Paulo, se beneficiou de
Ao analisarmos o traçado das ferrovias no Brasil
capitais, infra-estrutura de transporte energia, da mão-de-obra,
podemos concluir que:
da urbanização e do mercado consumidor criado pela economia
cafeeira.
--as ferrovias não realizaram efetivamente as integrações
A concentração industrial nos Estados de São Paulo e
nacional e inter-regional, como ocorreu, por exemplo, nos EUA,
Rio de Janeiro transformou a região sudeste no principal pólo
no Canadá e na Rússia ;
econômico do país. A indústria, centro dinâmico da economia
-- no nordeste brasileiro, elas não realizaram nem mesmo a
brasileira a partir da década de 30, criou um novo espaço
integração intra-regional;
geográfico, que em poucas décadas passou a concentrar a
--na Amazônia a densidade ferroviária é bastante baixa,
maior parcela da população e da produção do país: o espaço
contando com a Estrada de Ferro do Amapá, que escoa o
urbano-industrial.
minério de manganês até o porto de Santana, de onde é
A firme disposição do governo federal em estimular a
exportado, e com a Estrada de Ferro Carajás, construída
industrialização do país e a expansão rodoviária desempenhou
recentemente para escoar o minério de ferro da Serra dos
importante papel no processo de integração nacional, que se
Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde também é
afirmou em definitivo a partir da década de 50 com a construção
exportado;
de Brasília.
-- particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, as
A necessidade de ligar a nova capital ao restante do
ferrovias constituíram uma infra-estrutura importante para
país possibilitou a complementação de várias rodovias e a
assegurar o desenvolvimento do capitalismo no Brasil.
incorporação de novas áreas no cenário nacional (Centro-Oeste
e Amazônia).
Podemos, então, afirmar que o traçado das ferrovias no
A crescente integração da economia do Sudeste as
Brasil é periférico, portanto não integrador do espaço. Sua
demais regiões do país teve conseqüências muitas profundas;
função foi a de inserir-nos na economia mundial como país de
de um lado criou um mercado interno nacional e integrou
economia primário-exportadora, no contexto da divisão
economicamente o país, de outro lado, limitou e até subordinou
internacional do trabalho.
o desenvolvimento industrial das outras regiões, transformando-
Sobre os interesses subjacentes ao desenvolvimento da
as em fornecedoras de alimentos, matérias-primas e mão- de-
malha ferroviária no Estado de São Paulo, lembramos as
obra.
VESTIBULAR – 2009

palavras do geógrafo francês Pierre Monbeig:


A indústria integrou o território nacional, porem causou
No norte do Paraná, após a implantação de ramais
também profundas desigualdades sociais e regionais.
ferroviários, a partir do inicio da década de 20, para escoar a
produção de café, ocorreu a revitalização de povoados e a
fundação de muitas cidades: Cornélio Procópio (1924), Londrina
(1929), Arapongas (1938), Maringá(1947) e muitas outras.

FAÇO IMPACTO – A CERTEZA DE VENCER!!!