Vous êtes sur la page 1sur 80

Revista da Estrutura de Aço | Volume 3 | Número

Revista da Estrutura de Aço | Volume 3 | Número 3

Revista da Estrutura de Aço | Volume 5 | Número 1

3 Revista da Estrutura de Aço | Volume 5 | Número 1 Volume 5 | Número

Volume 5 | Número 1

Abril de 2016

Estrutura de Aço | Volume 5 | Número 1 Volume 5 | Número 1 Abril de
Estrutura de Aço | Volume 5 | Número 1 Volume 5 | Número 1 Abril de

CBCA

Centro Brasileiro da Construção em Aço

Revista da Estrutura de Aço | Volume 5 | Número 1

ARTIGOS

Análise numérica de ligação em luva parafusada para perfis tubulares circulares

Rodrigo Cuberos Vieira, João Alberto Venegas Requena, Arlene Maria Sarmanho e Afonso Henrique Mascarenhas de Araújo

01
01

Comportamento de sistemas estruturais de linhas de transmissão submetidos ao vento

Hermes Carvalho, Gilson Queiroz e Ricardo Hallal Fakury

21
21

Sobre o dimensionamento de laje mista de aço e concreto em situação de incêndio

Leila C. S. Cordeiro, Valdir Pignatta Silva

39
39

Análise estrutural de pórticos metálicos: Estudo com- parativo entre Eurocódigo EN 1993-1-1:2010 e ABNT NBR 8800:2008

Thiago Silva, Paulo Vila Real, Nuno Lopes, Carlos Couto e Hizadora Constanza Medina D´Ambros

59
59

recebido: 12/02/2014

aprovado: 16/06/2015

Volume 5. Número 1 (abril/2016). p. 1-20

Revista indexada no Latindex e Diadorim/IBICTo

ISSN 2238-9377

Análise numérica de ligação em luva parafusada para perfis tubulares circulares

Rodrigo Cuberos Vieira 1* , João Alberto Venegas Requena 2 , Arlene Maria Sarmanho 3 e Afonso Henrique Mascarenhas de Araújo 4

1 Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Av. Albert Einstein, 951, 13083-852, Campinas-SP, rodrigocvieira@gmail.com

2 Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Av. Albert Einstein, 951, 13083-852, Campinas-SP, requena@fec.unicamp.br

3 Escola de Minas, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Ouro Preto, Morro do Cruzeiro, s/nº, 35400-000, Ouro Preto-MG, arlene@em.ufop.br

4 Vallourec Tubos do Brasil S.A., Avenida Olinto Meireles, 65 - Belo Horizonte - MG - 30640-010, afonso.araujo@vallourec.com

Numerical analysis of circular hollow section bolted sleeve connection

Resumo Este trabalho apresenta um estudo sobre um modelo inovador de ligação do tipo luva parafusada para emendas de perfis tubulares circulares. A ligação consiste em dois tubos externos submetidos à tração, conectados por um tubo interno, de diâmetro inferior aos tubos externos, e parafusos que atravessam ambos os tubos. Para analisar o comportamento desta ligação e seus possíveis modos de falha, foi desenvolvido um modelo numérico via método dos elementos finitos. A validação do modelo numérico utilizou resultados de análises experimentais realizadas na Universidade Federal de Ouro Preto. Este estudo permitiu obter um modelo numérico calibrado para a ligação, capaz de prever os modos de falha e suas respectivas cargas de ruptura, além de demonstrar o bom comportamento e a viabilidade da utilização deste modelo inovador de ligação.

Palavras-chave: estruturas metálicas, perfis tubulares, ligações, análise numérica

Abstract This paper presents a study of an innovative bolted sleeve connection model used to splice circular hollow sections. The proposed connection consists of two external tubes under tension, connected by an internal tube with smaller diameter than the external ones, and bolts passing through both tubes. The finite element method was used to develop a numerical model that allowed the behavior analysis of this connection and its possible failure modes. The numerical model was verified against results of experimental analyses conducted at Universidade Federal de Ouro Preto. This study allowed the calibration of a numerical model for the connection, being able to predict the failure modes with their respective loads, and demonstrated the good behavior and feasibility of this innovative connection model.

Keywords: steel structures, hollow sections, connections, numerical analyses

* Correspondent Author

1

Introdução

O uso das estruturas metálicas está se consolidando cada vez mais em todo o mundo

como uma ótima solução na construção civil, devido à sua grande resistência mecânica e sua rapidez de execução. Dentre as obras que mais empregam as estruturas metálicas estão as de médio e grande porte, onde existe a necessidade de grandes vãos livres. Nesses casos é usual o emprego de treliças metálicas, onde as barras estão submetidas essencialmente a esforços axiais, tirando o máximo proveito da boa resistência dos perfis metálicos aos esforços de tração e compressão. Os perfis tubulares têm sido muito empregados em treliças devido às suas vantagens estruturais e estéticas. Do ponto de vista estrutural, quando comparados com os perfis de seção aberta, os perfis tubulares apresentam uma resistência à torção muito maior, principalmente os perfis tubulares circulares, evitando que a flambagem lateral com torção governe o dimensionamento do perfil. Além disso, os perfis tubulares circulares e quadrados também são vantajosos quando submetidos à flexão oblíqua, já que não possuem um eixo de menor inércia, evitando assim que a flambagem em torno de um dos eixos governe o dimensionamento. Com relação às vantagens estéticas, os perfis tubulares são muito requisitados pelos arquitetos por proporcionar maior harmonia com o ambiente, podendo ficar aparente sem prejudicar a beleza da obra. O fato de possuírem pequena área de pintura e ausência de cantos e arestas proporciona economia na proteção à corrosão e na manutenção, evitando o acumulo de sujeira e poeira. As ligações entre perfis tubulares têm sido alvo de muitos estudos atualmente no mundo todo, com a realização de análises numéricas e experimentais de ligações com e sem chapa. Porém, para a emenda de barras de perfis tubulares a única ligação estudada e empregada atualmente é a do tipo flange. Visando oferecer uma alternativa a esse tipo de ligação, este trabalho trata de uma ligação inovadora do tipo luva parafusada para emendas de perfis tubulares circulares.

A ligação estudada consiste em unir dois tubos externos com um tubo interno de

diâmetro inferior utilizando parafusos que atravessam tanto os tubos externos quanto o interno, conforme a Figura 1. Esta ligação apresenta vantagens estéticas e econômicas em relação à ligação do tipo flange. Do ponto de vista estético, os parafusos da ligação

em luva ficam praticamente imperceptíveis à distância, dando a impressão de um tubo

2

contínuo, diferente da liga ção do tipo flange, onde é possível nota r claramente a

interrupção dos tubos com nenhuma interferência com telhas de cobertura, o que

esteja muito próxima do tub o.

pode ocorrer no caso da ligação do tipo flan ge, caso a telha

por exemplo, as

as chapas. Além disso, a ligação em lu va não provoca

outros elementos da construção, como,

lu va não provoca outros elementos da construção, como, Figura 1 – Ligação em luva parafusada

Figura 1 – Ligação em luva parafusada para perfis tubulares cir culares

dois elementos

adicionais para unir os tubo s, sendo eles os parafusos e um tubo intern o, enquanto que as ligações do tipo flange u tilizam três materiais adicionais: chapas, sol das e parafusos.

a sua fabricação:

a ligação do tipo

flange necessita de quatro

luva parafusada

material e de tempo de execução. Como s e trata de uma

ligação, o que de um modelo

motivou a realização dest e trabalho. Visando o desenvolvimento

numérico para as ligações análises numéricas dessas

quatro parafusos. Em am bas foram utilizados tubos e parafusos c om as mesmas dimensões, conforme a Tab ela 1. Com esse trabalho foram obtidos os p rimeiro modelos numéricos da ligação tubul ar em luva parafusada, identificando o mo do de falha por ruptura da seção líquida do tubo e destacando a importância do cálcul o do coeficiente de redução da área líquida ( C t ) para a determinação da resistência à tra ção da ligação. A Figura 2 apresenta o model o numérico e a distribuição de tensões de vo n Mises no tubo externo para uma das ligaçõ es.

Além disso, a ligação em luv a necessita de apenas três processos para

corte do tubo interno, furaç ão dos tubos e colocação dos parafusos. Já

processos: corte das chapas, furação das c hapas, solda das

chapas nos tubos e fixaçã o dos parafusos. Ou seja, a ligação em

Do ponto de vista econômi co, as ligações em luva parafusada utilizam

proporciona economia de ligação inovadora, poucos

estudos foram desenvolvidos sobre esta

em luva parafusada, Vieira et al. (2011) a presentam duas ligações submetidas à tração, uma com tr ês e outra com

Tabela 1 – Caracterí sticas dos modelos numéricos de Vieira et a l. (2011)

Tubo externo

Tubo inter no

Diâmetro dos

Diâmetro dos furos

Distânc ia entre furos e

(mm)

(mm)

parafusos (mm)

(mm)

entre fu ro e borda (mm)

60,3 x 3,6

51

x 4,7 5

19

20,5

57

3

(a) (b) Figura 2 – Análise numérica desenvolvida por Vieira et al. (2011) – (a)

(a)

(b)

Figura 2 – Análise numérica desenvolvida por Vieira et al. (2011) – (a) Modelo Numérico,

(b) Tensões de von Mises no tubo externo

Com os resultados obtidos por Vieira et al. (2011), foi possível planejar as análises

experimentais das ligações em luva parafusada submetidas à tração, desenvolvidas no

trabalho de Silva (2012). As análises experimentais permitiram identificar os modos de

falha e a capacidade de carga das ligações, além de observar o seu comportamento real.

Maiores detalhes sobre as análises experimentais serão apresentadas a seguir, já que os

seus resultados foram utilizados na validação do modelo numérico desenvolvido neste

trabalho. Diferentemente dos trabalhos sobre ligações tubulares em luva parafusada

desenvolvidos anteriormente, este trabalho une as análises numérica e experimental,

tendo como objetivo a obtenção de um modelo numérico da ligação em luva parafusada

submetida à tração, validado pela comparação dos resultados numéricos com os

experimentais de Silva (2012), permitindo a análise do comportamento, verificação dos

modos de falha, deslocamentos e resistência dessas ligações. Com o modelo numérico

obtido, foi possível avaliar a viabilidade da utilização deste tipo de ligação, prevendo o

seu modo de falha e sua carga de ruptura.

2 Análise experimental

Para a validação do modelo numérico, foram utilizados os resultados das análises

experimentais realizadas por Silva (2012). Devido à simetria da ligação, foram

confeccionados protótipos em escala real de metade da ligação, constituídos por um

tubo externo e o tubo interno, conectados pelos parafusos. Para a fixação do protótipo

4

nas garras da máquina de ensaio, foi soldado um perfil T nas extremidades dos tubos, conforme a Figura 3 (a). A aplicação da carga de tração foi feita com controle de deslocamento a uma velocidade de 0,4 mm por minuto, sendo utilizada uma prensa servohidráulica controlada por computador com capacidade de 2000 kN. Todos os protótipos foram instrumentados com um transdutor de deslocamento (LVDT), fixado entre as mesas dos perfis T, conforme a Figura 3 (b). Dessa forma foi possível medir o deslocamento longitudinal da ligação, ou seja, o deslocamento da extremidade do tubo interno em relação à extremidade do tubo externo.

(a)
(a)
(b)
(b)

Figura 3 – Análise experimental – (a) Protótipos de um modelo de ligação, (b) Ensaio de um dos protótipos da ligação

Foram ensaiados 28 protótipos de 10 modelos diferentes de ligações, variando-se alguns parâmetros, conforme a Tabela 2. Em todos os modelos foram utilizados parafusos de 12,7 mm de diâmetro de aço ASTM A325, com espaçamentos e diâmetros dos furos conforme a Figura 4. Os valores das tensões de escoamento e de ruptura dos tubos, apresentados na Tabela 2, foram obtidos através do ensaio de caracterização feito pela empresa fabricante dos tubos, Vallourec Tubos do Brasil S.A.

Tabela 2 - Características dos modelos ensaiados

 

Número

Número

 

Tubo externo

   

Tubo interno

 

Modelo

de

de

Diâmetro

Espessura

Comprimento

fy

fu

Diâmetro

Espessura

Comprimento

fy

fu

protótipos

parafusos

(mm)

(mm)

(mm)

(MPa)

(MPa)

(mm)

(mm)

(mm)

(MPa)

(MPa)

A-2

1

2

73,0

5,5

415,0

399,5

539,5

60,3

5,5

415,0

381,0

479,0

A-3

2

3

73,0

5,5

415,0

399,5

539,5

60,3

5,5

415,0

381,0

479,0

A-4

2

4

73,0

5,5

415,0

399,5

539,5

60,3

5,5

415,0

381,0

479,0

A-5

2

5

73,0

5,5

415,0

399,5

539,5

60,3

5,5

415,0

381,0

479,0

B-4

1

4

76,1

3,6

355,0

386,0

545,0

60,3

3,6

355,0

424,0

535,0

C-4

3

4

76,1

3,6

315,0

386,0

545,0

60,3

5,5

415,0

381,0

479,0

D-5

6

5

88,9

4,8

435,0

369,0

535,0

73,0

5,2

395,0

303,0

448,0

E-5

3

5

88,9

4,8

435,0

403,0

544,5

73,0

5,5

435,0

399,5

539,5

E-6

3

6

88,9

4,8

435,0

403,0

544,5

73,0

5,5

435,0

399,5

539,5

F-5

5

5

88,9

5,5

395,0

375,0

474,0

73,0

5,5

415,0

399,5

539,5

5

A caracterização dos parafusos também foi feita pela sua fabricante, A. Friedberg do

Brasil, cujos resultados encontram-se na Tabela 3. Foram empregados parafusos com

dois comprimentos diferentes, dependendo do diâmetro do tubo do modelo ensaiado.

Os resultados das análises experimentais serão apresentados posteriormente, em

conjunto com os resultados das análises numéricas.

35   40   40 40

35

35   40   40 40
 

40

35   40   40 40
 

40

35   40   40 40

40

35   40   40 40
                     

Ø14,3

 
 
 
 
 

Figura 4 – Diâmetro dos furos e distância entre furos e entre furo e borda do tubo (medidas em mm) Tabela 3 – Dados dos parafusos

Comprimento do parafuso

Carga de ruptura (N)

fu (MPa)

4" (101,6 mm)

90250

950

4 1/2" (114,3 mm)

80400

846

3 Análise numérica

Visando obter resultados confiáveis com pequeno tempo de processamento

computacional, e por se tratar do primeiro trabalho de validação entre modelos

numéricos e experimentais para as ligações em luvas parafusadas, buscou-se

desenvolver um modelo numérico com algumas simplificações em relação aos

protótipos ensaiados. Entretanto, as simplificações só foram adotadas após a verificação

de que não influenciariam significativamente nos resultados numéricos, permitindo a

obtenção de resultados compatíveis com as análises experimentais.

Para a realização da análise numérica foi utilizado o programa de elementos finitos

ANSYS v13.0 (2010). Foram modelados os 10 protótipos de ligações em luva parafusada

ensaiados por Silva (2012), com as mesmas características dos modelos experimentais,

apresentadas na Tabela 2.

3.1 Geometria do modelo numérico

Devido à simetria longitudinal da ligação, foram modelados apenas um tubo externo e o

tubo interno, com os respectivos parafusos unindo ambos os tubos. Também foi tirado

proveito da simetria transversal da ligação, sendo modelada apenas metade dos tubos e

parafusos, conforme a Figura 5 (a).

6

modelagem das

cabeças dos parafusos na re gião da área lateral de cada parafuso. A Figu ra 5 (b) ilustra a

Uma das simplificações feit as no modelo numérico diz respeito a não

curva Carga x Deslocament o de dois modelos, um com e outro sem a

modelagem da

cabeça dos parafusos, de u ma ligação com as mesmas características

do modelo E-6.

Ambos os casos atingiram

apresentando comportame ntos muito semelhantes. Assim, já que nest e tipo de ligação

ruptura da seção líquida com carga em to rno de 450 kN,

os parafusos estão subme tidos essencialmente ao cisalhamento, op tou-se por não

modelar as cabeças dos par afusos, simplificando a modelagem numéric a e diminuindo o

tempo de processamento

modelo numérico. Outra sim plificação adotada diz respeito a não model agem do perfil T

devido a menor quantidade de elemento s existentes no

soldado na extremidade d e cada tubo, existentes nos protótipos. A

comparação do

comportamento de modelo s com e sem o perfil T foi praticamente o

mesmo, muito

semelhante ao observado

na Figura 5 (b), apenas aumentando a

quantidade de

elementos do modelo numé rico. Dessa forma, a sua modelagem não é j ustificável.

parafusos foram

movidos 0,8 mm também n essa mesma direção, eliminando a folga ex istente entre os

forma o contato

parafusos e os furos antes

O tubo interno foi previam ente movido 1,6 mm na direção y e os

de iniciar a tração do tubo interno. Dessa

entre os parafusos e os tub os já fica estabelecido desde o começo da a nálise numérica,

assim como ocorre logo no

tubo interno, representando

início do ensaio, quando uma mínima traç ão é aplicada no

bem o que ocorre na realidade.

(a)
(a)
600 500 400 300 200 Sem cabeça d o parafuso 100 Com cabeça d o
600
500
400
300
200
Sem cabeça d o parafuso
100
Com cabeça d o parafuso
0
0
10
20
30
40
Deslocamento (mm)
Carga (kN)

(b)

Figura 5 – (a) Modelo numé rico, (b) Comparação entre modelos com e s em a cabeça dos

parafusos

7

3.2

Elementos empregados

A modelagem dos parafusos pode ser feita com elementos do tipo sólido, já a

modelagem dos tubos pode ser feita com elementos do tipo sólido ou do tipo casca. Para a definição dos elementos empregados na modelagem numérica, foram testados

os elementos SOLID185, que possui oito nós com três graus de liberdade em cada nó,

correspondentes às translações nas direções x, y e z, SHELL181, que possui quatro nós com seis graus de liberdade em cada nó, correspondentes às translações e rotações nos

eixos x, y e z, além dos elementos SOLID186 nos parafusos e SHELL281 nos tubos, que são elementos de ordem superior, com 20 e 8 nós respectivamente.

Esses elementos foram avaliados em um modelo com tubo externo de 88,9 mm de diâmetro e 5,6 mm de espessura, tubo interno de 73,0 mm de diâmetro e 10,0 mm de espessura, e três parafusos de 31,75 mm de diâmetro. O comportamento da ligação foi muito semelhante em todos os casos, conforme os resultados da Figura 6 (a), apresentando os mesmos modos de falha e valores de carga de ruptura (em torno de 390 kN para essa ligação) com uma diferença de apenas 1,0%. Porém, o emprego dos elementos SOLID186 e SHELL281 foi descartado por apresentarem tempo de processamento muito maior.

A modelagem dos tubos com elementos do tipo sólido, com várias camadas de

elementos ao longo da espessura do tubo, como no trabalho de Martinez-Saucedo et al. (2006), elevou o tempo de processamento em 59,2% em relação ao modelo com

elementos do tipo casca. Essa situação é indicada no caso de existir uma grande variação de tensões ao longo da espessura do material, que não é o caso deste trabalho,

já que está sendo aplicada apenas uma carga na direção axial dos tubos. Dessa forma,

para a modelagem dos parafusos foi utilizado o elemento SOLID185, enquanto que para a modelagem dos tubos foi empregado o elemento SHELL181.

Foram empregados os elementos TARGE170 e CONTA175 para fazer o contato entre os nós dos furos dos tubos com a superfície do fuste dos parafusos. Cada parafuso possui dois pares de contato, um com os nós do furo do tubo interno e outro com os nós do furo do tubo externo, ilustrados na Figura 6 (b), onde é possível identificar a superfície alvo (fuste do parafuso) e os nós de contato (nós do furo do tubo) de ambos. Apesar de a ligação em questão não estar submetida ao atrito, foi utilizado o valor de 0,35 para o

8

coeficiente de atrito dos p ares de contato, valor recomendado pela (2008) para superfícies lami nadas, limpas e sem pintura.

NBR8800:2008

superfícies lami nadas, limpas e sem pintura. NBR8800:2008 (a ) 1º par de conta to Nós

(a )

1º par de conta to

Nós de contato (tubo externo)

alvo Nó s de contato (t ubo interno)
alvo
Nó s de contato
(t ubo interno)

Superfície

2º par de con tato

(b)

Figura 6 – (a) Comparativo entre modelos com diferentes tipos de elem entos, (b) Pares de contato e ntre um parafuso e os tubos externo e intern o

3.3 Não linearidade do m odelo numérico

Os modelos foram rodados l evando-se em conta a não linearidade física e geométrica. A existência de elementos de contato também exige que seja feita uma a nálise não linear,

em apenas um

já que inicialmente o cont ato entre um tubo e um parafuso ocorre

ponto, mas conforme o tub o é tracionado, o furo se deforma, aumentan do os pontos de

contato com o parafuso. C om relação a não linearidade geométrica, f oi empregado o

contato a cada

iteração, e utilização da fe rramenta "Line Search" para melhorar a c onvergência dos modelos. Um deslocamen to de 30 mm foi aplicado no tubo int erno de forma

incrementos foi

definido automaticamente

pelo programa, conforme a necessidade p ara uma melhor

convergência, limitando o t amanho máximo dos incrementos em 1 mm . Já com relação

três pontos para

a não linearidade do materi al, foi adotado um modelo multilinear com

representar a curva tensão -deformação do aço dos tubos e parafusos , resultando em

quatro trechos lineares, co nforme a Figura 7. Para uma melhor re presentação dos

método iterativo de Newto n-Raphson, com atualização da rigidez do

incremental, com o primeir o passo de 0,2 mm. O tamanho dos demais

materiais, foi feita a correç ão dos valores das tensões e deformações

de engenharia,

fornecidos pela caracterizaç ão dos tubos e parafusos, para os valores

reais, conforme

Willibald et al. (2004). Foi

adotado um modelo com patamar de esco amento para os

9

tubos e um modelo sem pat amar de escoamento, mas com limite de pr oporcionalidade a 70% da tensão de esco amento, para os parafusos, seguindo rec omendações de Salmon & Johnson (1996).

seguindo rec omendações de Salmon & Johnson (1996). 3.4 Malha Figura 7 – Modelo constitutivo: (a)

3.4

Malha

Figura 7 –

Modelo constitutivo: (a) tubos, (b) parafusos

parafusos,

no caso dos elementos do tipo casca, e he xaedros no caso

dos elementos do tipo sólid o. Foi realizado um estudo de malha para d efinir o tamanho

dos elementos a serem emp regados, sendo que algumas das malhas tes tadas podem ser observadas na Figura 8, re ferentes a uma ligação com as mesmas c aracterísticas do modelo E-6.

Foram utilizadas malhas empregando quadriláteros

mapeadas

para

representar

os

tubos

e

os

Parafusos: 4 mm Tubos: 10 mm Pa rafusos: 4 mm Tubos: 8 mm Parafusos: 4
Parafusos: 4 mm
Tubos: 10 mm
Pa rafusos: 4 mm
Tubos: 8 mm
Parafusos: 4 mm
Tubos: 4 mm
Paraf usos: 2 mm
Tub os: 6 mm

Figura 8 – Malhas testadas

durante o estudo de malha, com os respect ivos tamanhos dos elementos

alha dos tubos

constante, o refinamento d as malhas dos parafusos não altera a carg a de ruptura da

quantidade de elementos. Já o refinament o da malha dos carga de ruptura da ligação. A maior red ução ocorreu ao

Conforme os resultados ap resentados na Tabela 4, mantendo-se a m

ligação, apenas aumenta a tubos reduz ligeiramente a

10

reduzir o tamanho dos elementos de 10 mm para 8 mm. Nos demais casos a redução da carga foi muito pequena, em torno de 1%, porém com um grande aumento da quantidade de elementos. Dessa forma foram utilizadas malhas de elementos com 4 mm de tamanho para os parafusos e 8 mm para os tubos, pois apresentaram bons resultados com relação à carga de ruptura e ao comportamento da ligação, com uma quantidade razoável de elementos. Na Figura 9 podem ser observadas as curvas Carga x Deslocamento de quatro modelos testados no estudo de malha. Todos os demais modelos apresentaram comportamento semelhante.

Tabela 4 - Estudos das malhas dos parafusos e dos tubos

 

Estudo da malha dos parafusos

 

Tamanho dos elementos (mm)

Quantidade

Carga de

 

Estudo da malha dos tubos

 

Parafusos

Tubos

de elementos

ruptura (kN)

Tamanho dos elementos (mm)

Quantidade

Carga de

4

8

9840

457,58

Parafusos

Tubos

de elementos

ruptura (kN)

3

8

12144

457,46

4

10

8460

473,30

2

8

30648

457,74

4

8

9840

457,58

4

6

11096

453,36

4

6

11096

453,36

3

6

13400

453,22

4

4

15852

447,22

2

6

31904

453,24

4 4 15852 447,22 2 6 31904 453,24 Figura 9 – Comparativo entre os modelos testados

Figura 9 – Comparativo entre os modelos testados no estudo de malha

3.5 Condições de contorno

Para simular a fixação dos tubos na prensa utilizada nos ensaios, os nós da base do tubo externo tiveram os seus deslocamentos impedidos em todas as direções, enquanto que os nós do topo do tubo interno tiveram os seus deslocamentos nas direções x e z impedidos. Na direção y dos nós do topo do tubo interno foi aplicado um deslocamento de 30 mm de tração, simulando o deslocamento médio dos protótipos ao final dos ensaios de Silva (2012) após a tração aplicada pela prensa. Os deslocamentos dos nós das áreas laterais dos parafusos nas direções x e z foram impedidos, deixando o deslocamento livre na direção y. Esse procedimento foi adotado já que as cabeças dos parafusos não foram modeladas. Na Figura 10 podem ser observadas as deformações

11

em um dos parafusos do modelo E-6 após o ensaio e para três situações distintas da

análise numérica: com a modelagem da cabeça do parafuso, com as áreas laterais dos

parafusos impedidas de deslocar nas direções x e z, e com as áreas laterais dos

parafusos livres, sendo apresentadas as configurações deformada e indeformada dos

parafusos.

as configurações deformada e indeformada dos parafusos. E n s a i o Deslocamentos das áreas

Ensaio

deformada e indeformada dos parafusos. E n s a i o Deslocamentos das áreas laterais impedidos

Deslocamentos das áreas laterais impedidos

E n s a i o Deslocamentos das áreas laterais impedidos Com as cabeças dos parafusos

Com as cabeças dos parafusos

das áreas laterais impedidos Com as cabeças dos parafusos Deslocamentos das áreas laterais livres Figura 10

Deslocamentos das áreas laterais livres

Figura 10 – Deformações dos parafusos para o modelo E-6

No ensaio as deformações no parafuso foram praticamente imperceptíveis. No modelo

numérico com a modelagem das cabeças dos parafusos, a flexão e os deslocamentos

foram pequenos, pois ao sofrer uma flexão, a região inferior da cabeça do parafuso

entra em contato com a superfície do tubo, impedindo que grandes deslocamentos

ocorram. Optou-se pelo modelo com deslocamentos das áreas laterais impedidos, pois

ele conseguiu simular melhor o comportamento do modelo que possui as cabeças dos

parafusos do que o modelo com os deslocamentos das áreas laterais livres, que

apresentou flexão e deslocamentos maiores.

3.6 Critérios de falha

Conforme os trabalhos de Forti (2010) e Minchillo (2011) foram definidos dois critérios

de falha para a determinação da carga de ruptura dos modelos: pico de carga no

diagrama Carga x Deslocamento e deformação de von Mises superior à deformação de

ruptura do material em algum ponto da malha. A ocorrência de um desses dois critérios

indica a ruptura da ligação.

4 Resultados e validação do modelo numérico

Todos os modelos numéricos tiveram comportamento compatível com o esperado,

permitindo identificar os seus modos de falha. A semelhança entre as configurações

12

deformadas dos modelos n uméricos A-2 e A-3 com os protótipos ens aiados por Silva

(2012) pode ser observada

cisalhamento dos parafusos e do esmagamento dos furos dos tubos ex terno e interno,

devido ao abaulamento de

da seção líquida do tubo int erno, devido ao alongamento do primeiro f uro e à estricção

um dos lados dos furos. Já no modelo A-3 n ota-se a ruptura

a ocorrência do

na Figura 11. No modelo A-2 nota-se

da seção transversal do tu bo. Também ocorre o esmagamento dos

furos dos tubos

externo e interno. Como nã o foi implementada no modelo numérico,

a propagação de

fratura ocorre no modelo re al, mas não no modelo numérico.

ocorre no modelo re al, mas não no modelo numérico. (a) (b) Figura 11 – Configuraç
(a)
(a)
(b)
(b)

Figura 11 – Configuraç ões deformadas dos modelos numérico e ex perimental:

(a) A-2, (b) A-3

Todos os demais modelos

modelo A-3, evidenciando a

a configuração deformada observada no m odelo numérico

foi muito semelhante à obs ervada no modelo experimental, com exceç ão dos modelos

ocorrência da ruptura da seção líquida no tubo externo ou

interno. Em todos os casos

apresentaram configurações deformadas se melhantes à do

E-5 e E-6, que apresentara m falha por ruptura da seção líquida nos d ois tubos, sendo

mais evidente no tubo inte rno, enquanto que nos protótipos ficou ev idente apenas a

falha por ruptura da seção l íquida no tubo externo. Também foram feit as comparações

Deslocamento dos modelos numérico e e xperimental. As

curvas dos modelos experim entais foram corrigidas conforme a Figura 1 2, para eliminar

entre os diagramas Carga x

o trecho inicial de acomod ação dos parafusos que não existe no m odelo numérico

devido ao deslocamento pr évio dos parafusos e tubo interno, eliminan do a folga entre

furos e parafusos. A compa ração entre as curvas Carga x Deslocamen to dos modelos

numéricos e experimentais

encontra-se na Figura 13. Segundo Silva (2 012), o ensaio 2

13

do modelo A-3 e o ensaio d o modelo B-4 apresentaram resultados ruins , e portanto não foram aproveitados para a v alidação do modelo numérico.

00 00 00 00 Ensaio 00 Corrigido 0 0 10 20 30 40 Deslocamento (mm)
00
00
00
00
Ensaio
00
Corrigido
0
0
10
20
30
40
Deslocamento (mm)
Acomodação
dos parafusos

Figura 12 – Co rreção das curvas dos modelos experimenta is

30 40 Deslocamento (mm) Acomodação dos parafusos Figura 12 – Co rreção das curvas dos modelos

14

Figura 13 – Diagramas Carga x Deslocamento Pelos resultados da Figura 1 3, é possível

Figura

13 – Diagramas Carga x Deslocamento

Pelos resultados da Figura 1 3, é possível notar que os comportamento s das curvas dos modelos numérico e expe rimental são semelhantes. O formato da s curvas muda

predominante na ligação. No caso do mod elo A-2, que não por ruptura da seção líquida do tubo, no ta-se um trecho

linear inicial pequeno seg uido de um trecho curvo. Já nos demai s modelos, que

apresentaram o modo de fa lha por ruptura da seção líquida do tubo, po de-se, de forma

simplificada, dividir a curva

horizontal, que

coincide com a carga de esc oamento de um dos tubos, seguido de um t recho linear com inclinação maior que zer o, até chegar ao ponto de carga máxi ma da ligação.

dos modelos numéricos com as curva s dos modelos

lineares iniciais

são coincidentes, e em outr os existe uma pequena diferença, ficando b em próximas ao

conjunto das curvas dos m odelos experimentais. Assim, pode-se concl uir que a rigidez do modelo numérico está c ompatível com a rigidez dos modelos experi mentais. Após o trecho linear inicial, as cur vas dos modelos numérico e experimenta l começam a se distanciar um pouco mais, c om diferença máxima entre as curvas varian do entre 19% no caso do modelo E-5, e 5,6 % no caso do modelo F-5. Apenas os mo delos E-5 e E-6

das curvas dos

15

apresentam curvas dos mo delos numéricos consideravelmente acima

Comparando-se as curvas experimentais, nota-se que

em quatro trecho lineares: um trecho linea r inicial seguido

de um pequeno trecho lin ear com redução da inclinação, um trecho

conforme o modo de falha apresentou modo de falha

em alguns casos as inclinações dos trechos

modelos experimentais. Testes realizados para o modelo E-6 utilizando um aço com tensão de escoamento de 15% a 25% menor para o tubo externo apresentaram curvas muito mais próximas às dos modelos experimentais, além de evidenciar a falha por ruptura da seção líquida do tubo externo, como observado na configuração deformada do modelo experimental. Esses fatos indicam a possibilidade de que o aço utilizado nas análises experimentais dos modelos E-5 e E-6 possui uma tensão de escoamento menor do que a fornecida pela caracterização do material. Pelos diagramas da Figura 13 nota- se que a diferença entre as curvas dos modelos numérico e experimental fica mais acentuada no trecho não linear de todos os modelos, que é quando o processo de falha da ligação se inicia. Como no modelo numérico não foi implementada a propagação da fratura, a redistribuição dos esforços que ocorre no modelo real quando a fratura se inicia é diferente da que ocorre no modelo numérico, provocando essa diferença no trecho não linear. Entretanto, como para a segurança da ligação é desejável que ela trabalhe sempre com cargas inferiores à que provoque o início de um modo de falha, caso a diferença entre o modelo numérico e experimental seja pequena no momento em que essa carga é atingida, pode-se garantir que o modelo numérico está representando bem a realidade até o ponto de interesse deste estudo, sendo possível prever a carga de ruptura da ligação com o modelo numérico. Para verificar a diferença de carga entre os modelos numérico e experimental antes da ocorrência do colapso da ligação, foi identificado o momento em que se inicia a falha em cada modelo numérico, através dos critérios de falha estabelecidos previamente. Na Figura 14 é possível notar a ocorrência da ruptura da seção líquida no furo superior do tubo interno para o modelo D-5, já que a deformação de von Mises nas laterais desse furo está acima da deformação de ruptura do aço do tubo, que é 0,18232. Nos demais modelos essa identificação foi feita da mesma forma. Na maioria dos modelos numéricos foi possível identificar a ocorrência de mais de um modo de falha, conforme apresentado na Tabela 5. Também estão inclusos os valores do deslocamento no topo do tubo interno e a carga atuante no modelo numérico no momento em que se verifica o respectivo modo de falha.

16

Figura 14 – Início da falha do modelo D-5 A carga do modelo numérico foi

Figura 14 – Início da falha do modelo D-5

A carga do modelo numérico foi comparada com a carga obtida no modelo experimental para um mesmo valor de deslocamento do topo do tubo interno. No caso dos modelos com mais de um ensaio, foi feita a média das cargas de todos os modelos experimentais, com exceção do ensaio 2 do modelo A-3, que foi desprezado por não apresentar bons resultados.

Tabela 5 - Modos de falha dos modelos numéricos

 

Modelo Numérico

Modelo Experimental

Diferença entre as cargas

Modelo

Modo de falha

Deslocamento

Carga (kN)

Carga para o mesmo

(mm)

deslocamento (kN)

 
 

1º: Esmagamento do furo do tubo interno

3,83

225,62

249,15

9,4%

A-2

2º: Esmagamento do furo do tubo externo

4,83

243,24

268,63

9,5%

3º: Cisalhamento dos parafusos

7,83

274,22

307,01

10,7%

 

1º: Esmagamento do furo do tubo interno

4,83

324,10

358,73

9,7%

A-3

2º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

6,83

343,92

383,65

10,4%

3º: Esmagamento do furo do tubo externo

6,83

343,92

383,65

10,4%

A-4

Ruptura da seção líquida do tubo interno

5,83

349,94

375,12

6,7%

A-5

Ruptura da seção líquida do tubo interno

4,50

342,76

373,25

8,2%

 

1º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

5,28

258,06

200,00

29,0%

B-4

2º: Esmagamento do furo do tubo externo

10,28

271,84

240,00

13,3%

 

1º: Esmagamento do furo do tubo externo

3,50

282,40

276,35

2,2%

C-4

2º: Ruptura da seção líquida do tubo externo

7,00

315,36

325,76

3,2%

3º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

18,00

343,10

357,83

4,1%

D-5

Ruptura da seção líquida do tubo interno

9,58

343,02

370,71

7,5%

 

1º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

6,80

461,20

387,79

18,9%

E-5

2º: Esmagamento do furo do tubo externo

11,80

469,82

393,18

19,5%

3º: Ruptura da seção líquida do tubo externo

24,80

506,74

441,79

14,7%

 

1º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

5,83

461,36

388,32

18,8%

E-6

2º: Ruptura da seção líquida do tubo externo

20,83

505,42

447,23

13,0%

F-5

1º: Ruptura da seção líquida do tubo interno

6,09

461,00

433,71

6,3%

2º: Esmagamento do furo do tubo externo

14,09

483,38

466,53

3,6%

Nos modelos em que foram identificados mais de um modo de falha, nem sempre o primeiro modo coincide com o modo de falha mais evidente na análise experimental. No caso do modelo A-3, o primeiro modo de falha observado no modelo numérico foi o esmagamento do furo do tubo interno, enquanto que o modo de falha mais evidente na Figura 11 (b) foi a ruptura da seção líquida do tubo interno. Apesar de evidenciar um dos

17

modos de falha, a Figura 11 (b) também permite observar a ocorrência do esmagamento dos furos dos tubos. Ou seja, antes de atingir o modo de falha mais evidente, o modelo real também passou pelos demais modos observados no modelo numérico. Em todos os modelos de ligação analisados, o modo de falha mais evidente no modelo experimental também ocorreu no modelo numérico, independente de ser o primeiro modo de falha ou não. Pelos valores em destaque na Tabela 5, nota-se que, até o início do primeiro modo de falha, as diferenças entre as cargas dos modelos numérico e experimental estão abaixo de 10% em todos os modelos, desconsiderando-se os modelos E-5 e E-6 que aparentemente foram ensaiados com um aço de menor resistência, e o modelo B-4, cuja análise experimental não apresentou bons resultados. Fazendo-se a média desses valores, obtém-se uma diferença de 7,1%, que é um valor aceitável, levando-se em conta o ineditismo do estudo, as simplificações adotadas no modelo numérico e as imperfeições e erros inerentes do processo da análise experimental. A maioria (sete) dos modelos numéricos apresentou o modo de falha por ruptura da seção líquida como sendo o mais crítico. Comparando os valores das cargas de ruptura apresentados na Tabela 5 para esses modelos com os valores característicos das cargas de ruptura obtidas com as formulações da ABNT NBR 8800:2008, apresentados na Tabela 6, para esse mesmo modo de falha, considerando-se C t = 1,0, nota-se que em todos eles a carga de ruptura do modelo numérico é menor do que a carga obtida pela formulação da ABNT NBR 8800:2008. Isso indica que o coeficiente de redução da área líquida existe também nas ligações tubulares em luva parafusada, e tem valor inferior à unidade, devendo, portanto, ser calculado para determinar a resistência da ligação ao modo de falha por ruptura da seção líquida. Nos outros três modelos que apresentaram o modo de falha por esmagamento da parede do furo como sendo o mais crítico, a carga de ruptura dos modelos numéricos está sempre abaixo da carga de ruptura obtida pela formulação da ABNT NBR 8800:2008 para o modo de falha por pressão de contato. Isso indica que o comportamento do esmagamento da parede do furo em uma chapa curva, como um tubo, é diferente do que ocorre em uma chapa reta, na qual está baseada a formulação da ABNT NBR 8800:2008 para o modo de falha por pressão de contato. Dessa forma, seria necessário fazer alguns ajustes nessas formulações para que possam ser empregadas em chapas curvas.

18

Tabela 6 – Valores Característicos da Carga de Ruptura (ABNT NBR 8800:2008)

   

Valores Característicos da Carga de Ruptura - NBR 8800:2008 (kN)

 

Modelo

Cisalhamento do

Pressão de Contato (Esmagamento com Rasgamento)

Tubo Interno

Tubo Externo

       
   

Escoamento da

Ruptura da Seção Líquida C t =1,0

Escoamento da

Ruptura da Seção Líquida C t =1,0

Parafuso

Área Bruta

Área Bruta

A-2

240,69

261,76

360,76

378,21

465,94

544,36

A-3

361,03

392,65

360,76

378,21

465,94

544,36

A-4

481,37

523,53

360,76

378,21

465,94

544,36

A-5

601,72

654,41

360,76

378,21

465,94

544,36

B-4

481,37

382,73

271,90

287,99

316,50

390,76

C-4

481,37

389,89

360,76

378,21

316,50

390,76

D-5

535,84

578,67

335,60

429,58

467,97

605,04

E-5

535,84

649,22

465,94

544,36

511,08

615,78

E-6

643,01

779,06

465,94

544,36

511,08

615,78

F-5

535,84

647,58

465,94

544,36

540,39

608,50

5 Considerações finais

Para analisar o comportamento de uma emenda inovadora de barras de perfis tubulares circulares, foi desenvolvido um estudo numérico comparado com o experimental que possibilitou obter informações sobre a resistência e os modos de falha da ligação. A utilização do método dos elementos finitos empregando elementos do tipo casca nos tubos, além de algumas simplificações, permitiu obter um modelo numérico com uma quantidade razoável de elementos, cuja análise pôde ser realizada rapidamente. Além da rapidez, o modelo numérico apresentou bons resultados quando comparado com as análises experimentais de Silva (2012) para esse mesmo tipo de ligação, demonstrando ser um modelo numérico eficiente. Os modelos numéricos conseguiram reproduzir os mesmos modos de falha observados nas análises experimentais, apresentando configurações deformadas muito parecidas. As curvas Carga x Deslocamento dos modelos numérico e experimental apresentaram comportamentos semelhantes, e em todos os casos, a rigidez do modelo numérico foi compatível com a rigidez dos ensaios realizados. A modelagem numérica permitiu identificar o instante em que se inicia o colapso da ligação e qual modo de falha está ocorrendo. Até o momento em que se verifica o início de um modo de falha no modelo numérico, a diferença entre os níveis de carga dos modelos numérico e experimental ficou dentro do limite aceitável, abaixo de 10%, o que permite estimar a resistência da ligação. Com esses resultados, pode-se dizer que o modelo numérico está validado para representar o comportamento da ligação em luva parafusada com tubos circulares até o instante de início do colapso da ligação, que é o momento de maior interesse para a determinação da sua resistência. Com o modelo numérico calibrado obtido neste trabalho, um estudo paramétrico

19

complementar está em desenvolvimento para determinar a resistência e os modos de falha das ligações em luva parafusada para outros tipos de perfis tubulares circulares. Este estudo permitiu obter um modelo numérico calibrado com o experimental para a ligação, capaz de prever os modos de falha e suas respectivas cargas de ruptura, além de demonstrar o bom comportamento e a viabilidade da utilização deste modelo inovador de ligação. Também foi possível identificar a existência do coeficiente de redução da área líquida com valor inferior à unidade na ligação tubular em luva parafusada, destacando a importância do cálculo deste coeficiente para a determinação da resistência da ligação.

6 Agradecimentos

Os autores agradecem a Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e a Vallourec Tubos do Brasil S.A., pelo suporte ao desenvolvimento desta pesquisa.

7 Referências bibliográficas

ANSYS, Inc. ANSYS documentation for release 13.0, 2010. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8800: Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro, 2008. FORTI, Nádia Cazarim da Silva. Estudo paramétrico de estruturas tubulares com ligações multiplanares. Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010. MARTINEZ-SAUCEDO, Gilberto; PACKER, Jeffrey A.; WILLIBALD, Silke. Parametric finite element study of slotted end connections to circular hollow sections. Engineering Structures, v. 28, p. 1956-1971, 2006. MINCHILLO, Daniela Grintaci Vasconcellos. Estudo de ligações pinadas com chapa de topo para aplicações em estruturas metálicas treliçadas tubulares planas. Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2011. SALMON, Charles G.; JOHNSON, John E. Steel Structures: Design and Behavior, 4th ed., New York, HarperCollins College Publishers, 1996. SILVA, Janaína Maria. Análise teórica-experimental de ligações tubulares tipo "luva". Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2012. VIEIRA, Rodrigo Cuberos; VIEIRA, Rosilene de Fátima; REQUENA, João Alberto Venegas; ARAÚJO, Afonso Henrique Mascarenhas. Numerical analysis of CHS bolted sleeve connections. In: 6th European Conference on Steel and Composite Structures - EUROSTEEL, Budapest, v. A, p. 243- 248, 2011. WILLIBALD, Silke; PACKER, Jeffrey A.; MARTINEZ-SAUCEDO, Gilberto; PUTHLI, Ram S. Shear lag in slotted gusset plate connections to tubes. In: Connections in Steel Structures V, Amsterdam, p. 445-455, 2004.

20

recebido: 26/04/2015

aprovado: 18/08/2015

Volume 5. Número 1 (março/2016). p. 21-38

Revista indexada no Latindex e Diadorim/IBICTo

ISSN 2238-9377

Comportamento de sistemas estruturais de linhas de transmissão submetidos ao vento

Behavior of structural systems of transmission lines under the wind

Hermes Carvalho 1 , Gílson Queiroz 2 e Ricardo Hallal Fakury 2

1 Doutorando do Departamento de Engenharia de Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, hermesc2000@yahoo.com.br

2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Antônio Carlos, 6627 – Bloco 1 – 4º Andar, Belo Horizonte/MG, gilsonmaque@gmail.com e fakury@dees.com.br

Resumo

Tradicionalmente, a análise de sistemas estruturais de linhas de transmissão submetidos ao vento é realizada usando uma análise estática equivalente e sem a consideração das não linearidades geométricas. Entretanto, a ocorrência de inúmeros acidentes com esses sistemas estruturais sem que a velocidade de projeto tenha sido atingida indica que o colapso pode ter sido causado por ações dinâmicas ou devido à não consideração de efeitos de não linearidades geométricas ocasionadas por deslocamentos ou assimetrias de carregamento do sistema. O objetivo deste artigo é apresentar uma metodologia para a análise estática e dinâmica de sistemas estruturais com cabos submetidos ao vento, considerando as não-linearidades geométricas e o amortecimento aerodinâmico, validando os resultados obtidos através de comparação com os resultados de outros pesquisadores.

Palavras-chave: Linhas de Transmissão, análise dinâmica de cabos, amortecimento aerodinâmico, não linearidade geométrica de cabos.

Abstract

Traditionally, the analysis of power transmission lines under wind loading is performed using an equivalent static analysis and without consideration of the geometric nonlinear effects. Considering that several accidents involving cables have occurred, although the wind speed used in the project has not been reached, the collapse might have been caused by dynamic actions or due to not taking into account nonlinearities geometric effects caused by displacement or load asymmetries in the system. The objective of this paper is to present a methodology for static and dynamic analysis of cables under wind, considering the geometric nonlinearity and the aerodynamic damping. The validation of the proposed procedure is performed by comparison with results obtained by other researchers and with experimental results in the wind tunnel.

Keywords. Transmission lines, dynamic analysis of cables, aerodynamic damping, geometric nonlinear analysis of cables.

1

Introdução

No Brasil, a crescente demanda de energia elétrica e a riqueza de recursos hídricos indicaram a necessidade da instalação de redes de distribuição de energia baseadas em linhas aéreas de transmissão (LT’s), geralmente suportadas por torres metálicas treliçadas. Por serem essas torres estruturas esbeltas e de baixo peso, o vento representa o principal agente dentre as ações consideradas no projeto das LT’s (Holmes, 2015). No entanto, observa-se um aumento do número de acidentes nas torres, muitos destes relacionados à incidência de ventos mais intensos (Blessmann, 2005). Dentro desse contexto, é de fundamental importância uma adequada avaliação dos efeitos do vento nessas estruturas. Albermania et al. (2003) desenvolveram modelos numéricos para a análise do comportamento de torres de transmissão. Efeitos como o vento e temperatura foram avaliados.

Outros pesquisadores desenvolveram trabalhos envolvendo análises de falhas em estruturas de torres de linhas de transmissão, entre eles Lam et al. (2011) e Albermania et al. (2009). Para a observação do comportamento dessas estruturas submetidas ao vento, estudos em túnel de vento foram desenvolvidos por Wang et al. (2015), Yang et al. (2015), Henriques et al. (2015) e Loredo Souza et al. (2003). Atualmente, no Brasil, existem duas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ambas da década de 1980, que apresentam diretrizes para a estimativa de forças devidas ao vento: a ABNT NBR 5422:1985, que fixa as condições necessárias para o projeto completo de LT’s de energia elétrica, e fornece procedimentos específicos para a determinação das forças de vento que atuam em estruturas treliçadas, cadeias de isoladores e cabos condutores, e a ABNT NBR 6123:1988, que fixa as condições exigíveis na consideração das forças estáticas e dinâmicas do vento para dimensionamento de edificações. A norma ABNT NBR 5422:1985 considera somente ações de vento estáticas equivalentes, admitindo que tais ações não produzam forças de inércia significativas no sistema.

Com essa simplificação, a movimentação dos condutores é ignorada, levando-se em conta somente as trações estáticas. No entanto, um número significativo de acidentes tem ocorrido para velocidades de vento inferiores às máximas recomendadas nas normas de projeto e, na maioria das vezes, sem apresentar ruptura dos cabos

22

elétricos, os quais caem apenas em virtude da queda das torres. Esse padrão de comportamento indica que esses sistemas estruturais podem ser susceptíveis aos efeitos das não linearidades geométricas e ou efeitos dinâmicos devidos à turbulência atmosférica. Estudos como os apresentados por Blessmann (2001) e Carvalho (2010) confrontaram as prescrições das duas normas brasileiras, onde se concluiu que as forças devidas ao vento com as considerações da ABNT NBR 6123:1988 são mais elevadas em relação a ABNT NBR 5422:1985. Diante do exposto, consideram-se as forças de vento da ABNT NBR 6123:1988 neste trabalho. Neste trabalho é apresentada uma metodologia para a análise estática não linear de linhas aéreas de transmissão. Em conjunto com a análise estática, é proposta uma metodologia para a avaliação dinâmica dos cabos de linhas aéreas de transmissão submetidos ao vento, considerando o amortecimento aerodinâmico (interação entre o fluido e a estrutura).

2 Metodologia desenvolvida

2.1 Análise não linear estática do sistema estrutural

O comportamento não linear do sistema estrutural é avaliado utilizando-se um modelo numérico de um trecho da linha de transmissão denominada LT Taquaril – Santa Bárbara. A torre treliçada em análise é de aço e do tipo suspensão em alinhamento reto. Essa torre pertence a um sistema de transmissão de potência de 138 kV, composto por três condutores elétricos tipo Linnet 336.4 MCM e um cabo para-raios HS 5/16 in. Os vãos do trecho analisado são de 400 e 882 metros. A Figura 1 apresenta as principais dimensões da estrutura da torre e do trecho da linha de transmissão analisada.

da torre e do trecho da linha de transmissão analisada. Figura 1. Dimensões principais do trecho
da torre e do trecho da linha de transmissão analisada. Figura 1. Dimensões principais do trecho

Figura 1. Dimensões principais do trecho da linha de transmissão em estudo [m].

23

Para a avaliação da metodologia proposta, foram elaborados dois modelos numéricos distintos, sendo um completo (torre, cadeias de isoladores e cabos) e um simplificado

(somente torre).

No modelo simplificado, as forças horizontais devidas ao vento serão aplicadas nas mísulas, no ponto de fixação das cadeias de isoladores. No modelo completo, as forças de vento serão aplicadas na forma de pressão sobre os cabos. Uma vez que a solução do modelo é iterativa, a aplicação de pressão sobre os cabos ocorre de maneira incremental, sobre o sistema deformado devido ao pré-tensionamento dos cabos e à atuação do peso próprio do conjunto. Para efeito de interação solo-estrutura, um modelo em elementos finitos foi analisado por Rodrigues (2004) e os resultados comprovaram que, para análises estáticas e dinâmicas de torres sob ação do vento, não importa a rigidez da fundação utilizada podendo, portanto, serem adotados apoios fixos indeslocáveis.

2.2 Análise dinâmica de um cabo isolado

Com o intuito de avaliar a premissa de utilização do carregamento de vento como forças estáticas equivalentes, foram realizadas análises dinâmicas em um modelo tridimensional de um cabo isolado, com a consideração das não linearidades geométricas e do amortecimento aerodinâmico. Um trabalho semelhante foi desenvolvido por Battista et al. (2003), porém o amortecimento aerodinâmico não foi considerado. Outros autores já avaliaram a importância da consideração do amortecimento aerodinâmico no comportamento dinâmico de cabos suspensos e desenvolveram trabalhos experimentais, como Stengel et al. (2015). Para a consideração do amortecimento aerodinâmico foi proposto um procedimento baseado em uma análise dinâmica no domínio do tempo (“time-history”) que considera o cálculo das pressões aerodinâmicas a partir de velocidades relativas entre o cabo e o vento (CARVALHO, 2015). O carregamento do vento foi modelado através de um processo randômico, a partir das suas propriedades estatísticas. Para que os efeitos dinâmicos se pronunciem, é importante avaliar casos em que os cabos assumam velocidades elevadas, próximas às do vento. Para a validação do procedimento proposto com a consideração do amortecimento aerodinâmico no movimento dos cabos, foram realizadas comparações com resultados obtidos através

24

da formulação proposta por Davenport (1988) e Vickery (1992), e com ensaios realizados em túnel de vento por Loredo-Souza (1996). O efeito da consideração do amortecimento aerodinâmico no movimento dos cabos foi avaliado por meio da comparação entre análises dinâmicas com e sem a consideração desse amortecimento. Para a realização das avaliações e comparações foi construído um modelo de um condutor simples, com apoios nivelados e vão igual a 400 metros. Os apoios foram considerados indeslocáveis. Tal simplificação foi avaliada e considerada aceitável em Carvalho (2015), com base em comparações entre os resultados obtidos nesse trabalho e resultados de análises dinâmicas realizadas por Oliveira (2006), com cabos apoiados sobre bases flexíveis. Os valores máximos das respostas dinâmicas foram comparados com as respostas obtidas através da análise estática realizada conforme as prescrições da ABNT NBR 6123:1988, com a utilização de forças equivalentes. Para a comparação com os resultados experimentais apresentados por Loredo-Souza (1996), foi construído um modelo semelhante, porém com vão de 150 metros, e demais características conforme o protótipo utilizado no trabalho.

3 Resultados obtidos para a análise estática

3.1 Comparação entre o modelo simplificado e o modelo completo

As figuras 2 e 3 apresentam os esforços normais nos elementos da torre obtidos com o modelo simplificado e com o modelo completo, respectivamente, considerando os carregamentos de peso próprio e vento. Comparando ambos os resultados obtidos, observa-se a mesma distribuição de esforços de tração e compressão. Foram obtidos grandes deslocamentos nos cabos da linha de transmissão, porém, as forças transversais devidas ao vento que os mesmos aplicam nas torres são idênticas às consideradas na modelo simplificado por questão de equilíbrio dos cabos em torno do eixo que liga as duas extremidades.

A partir dos resultados do modelo completo é possível determinar as trações máximas atuantes nos vãos dos cabos do sistema de transmissão bem como o ângulo máximo de balanço da cadeia, quando da atuação do vento.

25

1 ELEMENT SOLUTION STEP=2 SUB =12 TIME=2 SMIS1 DMX =126.006 SMN =-100200 SMX =84956 MX
1
ELEMENT SOLUTION
STEP=2
SUB =12
TIME=2
SMIS1
DMX =126.006
SMN =-100200
SMX =84956
MX Y
MN
Z
X
-100200 -79627 -59055 -38482 -17909 2664
23237
64383
43810
84956

Figura 2. Esforços normais devidos à aplicação das reações horizontais na mísula (modelo simplificado) [N].

1 ELEMENT SOLUTION STEP=2 SUB =12 TIME=2 SMIS1 DMX =51682 SMN =-99893 SMX =84574 MX
1
ELEMENT SOLUTION
STEP=2
SUB =12
TIME=2
SMIS1
DMX =51682
SMN =-99893
SMX =84574
MX MN
Y
Z
X
-99893 -79397 -58900 -38404 -17908 2589
23085
64078
43581
84574

Figura 3. Esforços normais devidos à aplicação direta de pressão de vento sobre os cabos (modelo completo) [N].

3.2 Avaliação das forças longitudinais devidas à diferença de tração entre cabos

A fim de avaliar a influência de cada variável (disposição geométrica, carregamento e

não linearidades) sobre os resultados, outras análises foram desenvolvidas. No modelo

original avaliado no item 3.1, a resultante longitudinal foi reduzida, devido à pequena

diferença entre as forças transversais de vento aplicadas aos cabos ocasionada pelos

diferentes tempos de integração adotados, conforme o Anexo A da ABNT NBR

6123:1988. Porém, existem situações em que essa diferença pode ser maior, como no

26

caso do cálculo das forças de vento sem a utilização desse anexo, que permite a

redução das forças de vento para estruturas com grandes extensões. Outra situação

possível de carregamento é a consideração da atuação do vento em somente um dos

vãos dos cabos, sendo o outro vão pouco afetado. Essa consideração é bastante

razoável, uma vez que os comprimentos envolvidos nos sistemas de transmissão são

geralmente elevados. A Figura 4 apresenta as forças normais na estrutura da torre

para a consideração do peso próprio e das forças de vento atuantes somente em um

dos vãos da linha de transmissão.

1 ELEMENT SOLUTION STEP=2 SUB =12 TIME=2 SMIS1 DMX =54897 SMN =-149808 SMX =139102 MN
1
ELEMENT SOLUTION
STEP=2
SUB =12
TIME=2
SMIS1
DMX =54897
SMN =-149808
SMX =139102
MN
Y
MX
Z X
-149808 -117707 -85606 -53505 -21404 10697 42798 74899 107000 139102

Figura 4. Forças normais na torre do modelo completo com atuação do vento em somente um vão dos cabos [N].

A Tabela 1 apresenta a comparação entre as reações nas bases da torre do modelo

simplificado e do modelo completo, com a mesma consideração de carregamento, ou

seja, torres niveladas, vãos de 882 metros simétricos e vento atuando em somente um

dos vãos da linha de transmissão.

O somatório das resultantes nas direções Y e Z apresentaram o mesmo valor para

ambos os modelos, porém, a força de máxima de tração da fundação (-141490 N)

superou em 120% o valor da força de tração do modelo simplificado (-63526 N). Essa

diferença ocorre devido ao aparecimento de uma reação na direção longitudinal de

valor elevado, ocasionada pelo desequilíbrio entre os vãos dos cabos do sistema

estrutural.

27

Tabela 1. Reações das bases da torre do modelo completo e simplificado considerando as forças de vento somente em um dos vãos da linha.

 

Modelo completo

Modelo simplificado

Direções

X

Y

Z

X

Y

Z

Base 1 [N]

9208

-141490

12646

0

-63526

6512

Base 2 [N]

236

15837

4296

0

84249

7394

Base 3 [N]

12411

155750

10782

0

82677

7413

Base 4 [N]

162

11677

24

0

-61611

6421

Resultante [N]

22017

41774

27748

0

41789

27741

3.3 Interação dos efeitos de segunda ordem com o desnivelamento entre torres

Com a atuação das forças de vento nos cabos do sistema estrutural ocorre a

movimentação do centro geométrico das catenárias. Se a torre em estudo se situa

abaixo das adjacentes, o centro geométrico se desloca no sentido das torres

adjacentes, causando uma diminuição das resultantes verticais nas bases dessa torre e,

consequentemente, um aumento nas adjacentes. Em uma simulação de primeira

ordem, com o modelo simplificado, tal efeito não poderia ser captado, uma vez que a

consideração das cargas verticais dos cabos na posição deformada do sistema não é

considerada na análise.

4 Procedimento numérico para a análise dinâmica de cabos

4.1 Descrição geral

Neste trabalho, a modelagem dos cabos foi realizada utilizando o elemento de treliça

não linear (link 10) do programa comercial ANSYS®, com a utilização do keyoption 3

igual a 0, impondo assim aos elementos somente a possibilidade de forças normais de

tração. A formulação de grandes gradientes de deslocamentos e valores de

deformação inicial para os elementos de treliça devem ser considerados no cálculo dos

deslocamentos. A análise dinâmica do cabo envolve as seguintes etapas:

1ª Etapa: As forças gravitacionais são aplicadas gradualmente, sendo a configuração

final dos cabos obtida a partir de uma análise não linear estática (os efeitos dinâmicos

são desativados nessa etapa de carregamento no programa computacional utilizado).

2ª Etapa: As forças aerodinâmicas correspondentes à parcela média da velocidade do

vento são aplicadas aos cabos como forças nodais. A análise já é dinâmica nessa etapa,

28

o que implica alguns cuidados. As ações devem ser introduzidas lentamente, em

pequenos incrementos, de forma que as velocidades assumidas pelo cabo, nessa

etapa, não sejam expressivas e, portanto, não interfiram nos resultados da etapa

seguinte de carregamento.

3ª Etapa: As forças de vento, compostas pela parcela média e pela parcela flutuante,

são incluídas, como uma função arbitrária do tempo, para cada nó do cabo. É

processada, então, a análise dinâmica em regime transiente.

4.2 Amortecimento Aerodinâmico

O amortecimento aerodinâmico é definido como uma força retardadora derivada do

movimento relativo entre a estrutura e o ar. Para o cálculo desse amortecimento, no

caso de estruturas prismáticas tais como cabos, em escoamento uniforme e

movimento na direção do vento (arrasto), foi proposta por Davenport (1988) e Vickery

(1992) a seguinte expressão:

onde:

=

4

(3.1)

é o amortecimento aerodinâmico do j-ésimo modo;

é o coeficiente de arrasto;

é a densidade do ar;

é o diâmetro do cabo;

é a massa por unidade de comprimento do cabo;

é a velocidade do vento;

é a j-ésima frequência natural do cabo em Hz.

A formulação para o amortecimento aerodinâmico proposta neste trabalho é

considerada diretamente no cálculo das pressões de vento, com a utilização das

velocidades relativas entre a estrutura e o vento. A formulação básica para o

cálculo das pressões de vento e da velocidade relativa é apresentada nas equações

a seguir:

29

onde:

= 0,613

= ( ( ) −

)

( ) = + ( )

= ( /10)

é a pressão dinâmica do vento;

(3.2)

(3.3)

(3.4)

(3.5)

é a velocidade relativa entre o vento e a estrutura, no nó considerado;

( ) é velocidade do vento;

é velocidade da estrutura, na direção do vento, no nó considerado;

( ) é a componente flutuante da velocidade do vento;

é a componente média da velocidade longitudinal de projeto, em 10 minutos;

é a velocidade média de projeto a 10 metros de altura, com média em 10 minutos;

é a altura em relação ao solo do ponto em estudo, em m;

é o coeficiente exponencial relativo à rugosidade do terreno.

Neste trabalho, serão adotadas as prescrições da norma ABNT NBR 6123:1988, que

sugere a utilização da velocidade média calculada em um intervalo de tempo igual a 10

minutos para a realização de análises dinâmicas, conforme descrito pela equação a

seguir:

onde:

= 0,69

(3.6)

é a velocidade de rajada, calculada sobre um intervalo de tempo igual a 3 segundos;

é o fator topográfico associado ao relevo, conforme a ABNT NBR 6123:1988;

é o fator estatístico associado à probabilidade de ruína, conforme a norma ABNT

NBR 6123:1988.

30

Com essa formulação, o procedimento para o cálculo do amortecimento aerodinâmico torna-se genérico, independente das características dinâmicas da estrutura, podendo, basicamente, ser aplicado a qualquer tipo de estrutura excitada pelo vento.

4.3 Simulação, no tempo, da componente flutuante da velocidade do vento

Para a realização da análise dinâmica não determinística no domínio do tempo, é necessária a geração de funções temporais para a parcela flutuante da velocidade longitudinal do vento. Neste trabalho utiliza-se para a geração do sinal aleatório de média igual a zero, a partir de um dado espectro de energia, o método da série de Fourier. Sendo assim, o processo ( ) pode ser gerado segundo a equação abaixo, conforme Pfeil (1995):

onde:

( ) = 2 ( )∆ (2 + )

( ) é a função densidade espectral;

(3.7)

é o número de intervalos de frequências considerado no espectro;

é a frequência i, em Hz;

é o tempo, em segundos;

é o incremento de frequência, em Hz;

é o ângulo de fase aleatório, compreendido entre 0 e 2π.

Ao proceder à divisão do espectro, deve-se ter a precaução de incluir nas frequências as frequências naturais da estrutura de modo a não subestimar sua resposta. O modelo ora adotado é bastante dispendioso computacionalmente pois, para cada instante de tempo, é considerada a divisão do espectro e realizado o somatório da equação anterior.

4.4 Espectro de potência da turbulência

A principal aplicação do espectro de potência é para a determinação da composição, em frequência, de um processo aleatório. Para a definição da função densidade

31

espectral (PSDF – “Power spectral density functions”), utiliza-se a formulação

proposta por Kaimal, conforme Blessmann (2005), mostrada na equação a seguir:

onde:

( , )

200

/ ; , =

1 + 50

=

é a frequência, em Hz;

(3.8)

é a velocidade de fricção ou tangencial, em m/s;

é a altura em relação ao solo do ponto em estudo, em m.

A velocidade de fricção pode ser descrita como:

onde:

=

/

(3.9)

é a constante de Kárman, aproximadamente igual a 0,4;

é a medida de rugosidade do terreno.

4.5 Características estatísticas da interdependência entre processos aleatórios

Para estruturas com grandes dimensões, faz-se necessária a geração de não somente

uma série temporal, mas de várias, correlacionadas entre si no espaço.

Conforme Davenport (1962) considera-se que a distribuição probabilística das

velocidades de vento seja uma distribuição normal. Tomando-se dois processos

aleatórios e , representando, por exemplo, as flutuações de velocidade de vento

em dois pontos 1 e 2 de uma estrutura, pode-se medir a sua interdependência pelas

funções densidade espectral cruzada e correlação cruzada, apresentadas nas seguintes

equações, respectivamente:

, =

, =

,

(3.10)

(3.11)

onde τ é um intervalo de tempo arbitrário.A função é expressa por:

32

= ( ) + ( ) / (10)

onde:

,

respectivamente;

,

são

as

coordenadas

horizontais

e

verticais

dos

pontos

(3.12)

1

e

2,

são os coeficientes de decaimento nas direções horizontal transversal ao

vento e vertical.

Ensaios em túnel de vento indicaram que os valores dos coeficientes de decaimento

são função de vários fatores, dentre eles a velocidade média, a rugosidade do terreno

e a altura acima da superfície. Simiu e Scanlan (1986) sugerem valores de = 16 e

= 10 para a prática usual de projetos.

Considerando duas séries temporais (v (t) e v (t)) ocorrendo nos pontos 1 e 2

simultaneamente, ou seja τ = 0, obtém-se a função de correlação cruzada C 1 :

= , 0 =

(3.13)

Calculando o valor de C 1 para diferentes larguras ( = ou ) de

faixas de atuação, é possível construir um gráfico que relaciona os coeficientes (C 1 )

assim obtidos com as larguras de faixa (ΔL), conforme Figura 5.

C 1 ΔL Largura da Faixa Correlação Cruzada
C
1
ΔL
Largura da Faixa
Correlação Cruzada

Figura 5. Função de correlação cruzada C 1 (τ = 0) para diferentes larguras de faixa

A função de autocorrelação dos processos (no mesmo ponto) é dada por:

=

= cos 2

33

(3.14)

Conhecendo o valor da função de autocorrelação dos processos, é possível determinar

o tempo τ para o qual a autocorrelação se iguale à correlação cruzada calculada

considerando τ nulo (valor de C 1 mostrado na Figura 2), conforme ilustrado na Figura

6. Assim, as funções temporais nos pontos 1 e 2, correlacionadas espacialmente, podem ser expressas através de uma mesma série temporal, com defasagem de um intervalo de tempo igual a τ .

com defasagem de um intervalo de tempo igual a τ . Figura 6. Função de autocorrelação.

Figura 6. Função de autocorrelação.

A seguir, uma breve descrição das etapas que devem ser seguidas para obtenção da

correlação espacial entre séries temporais vizinhas:

a) definição da largura da faixa ΔL das séries temporais;

b) determinação do valor da correlação cruzada C 1 ;

c) determinação do intervalo de tempo τ ;

d) geração das séries temporais conforme o subitem 3.3, defasadas entre si de um intervalo de tempo igual a τ .

5 Resultados obtidos para a análise dinâmica de um cabo isolado

5.1 Procedimento proposto versus formulação de Davenport e Vickery

As figuras 7 e 8 apresentam a evolução temporal dos deslocamentos do nó central do cabo e das reações de apoio na direção transversal ao cabo (direção do vento) para a metodologia proposta neste trabalho, a metodologia proposta por Davenport (1988) e Vickery (1992) e a simulação sem a consideração do amortecimento aerodinâmico, para uma velocidade de rajada igual a 32 m/s.

34

18 Sem interação entre o fluido e a estrutura Com interação entre o fluido e
18
Sem interação entre o fluido e a estrutura
Com interação entre o fluido e a estrutura
16
Com amortecimento aerodinâmico (Davenport e Vickery)
14
12
10
8
6
4
2
0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
-2
Deslocamento U y [m]

Tempo [s]

Figura 7. Evolução temporal dos deslocamentos do nó central do cabo com e sem a consideração do amortecimento aerodinâmico, por diferentes metodologias

1 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 -1 -2
1
0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
-1
-2
-3
-4
-5
Sem interação entre o fluido e a estrutura
-6
Com interação entre o fluido e a estrutura
Com amortecimento aerodinâmico (Davenport e Vickery)
-7
Reação de apoio (Fy) [kN]

Tempo [s]

Figura 8. Evolução temporal das reações transversais com e sem a consideração do amortecimento aerodinâmico, por diferentes metodologias

5.2 Procedimento proposto versus análise estática conforme ABNT NBR 6123:1988

A Tabela 2 apresenta a comparação das reações máximas do cabo para uma

velocidade de rajada igual a 50 m/s, obtidas através da análise dinâmica com a

metodologia proposta para o amortecimento aerodinâmico e as obtidas com o uso da

análise estática com forças equivalentes, realizada conforme as prescrições da ABNT

NBR 6123:1988.

Tabela 2: Comparação entre as reações obtidas com o procedimento proposto e com a análise estática conforme ABNT NBR 6123:1988

Reações

Procedimento proposto

ABNT NBR 6123 1988

Fx [kN]

55,51

48,52

Fy [kN]

7,82

7,34

Fz [kN]

1,26

1,35

35

5.3

Procedimento proposto versus resultados experimentais por Loredo-Souza

A Figura 9 apresenta a evolução temporal das reações transversais ao cabo, na direção

do vento, para o procedimento proposto, aplicado ao modelo testado em túnel de

vento por Loredo-Souza (1996). A Tabela 3 apresenta a comparação dos valores

obtidos nas simulações com os obtidos nos ensaios de túnel de vento.

-1 -2 -3 -4 -5 60 70 80 90 100 110 120 Reação de apoio
-1
-2
-3
-4
-5
60
70
80
90
100
110
120
Reação de apoio (Fy) [kN]

Tempo [s]

Figura 9. Evolução temporal da reação transversal para o procedimento proposto

Tabela 3: Comparação entre as reações transversais ao cabo obtidas por meio do procedimento proposto com as obtidas em túnel de vento por Loredo-Souza (1996)

Fy

Valores experimentais obtidos por Loredo-Souza

Valores obtidos com o procedimento proposto

Erro [%]

Mínima [kN]

1,7

1,5

11,8

Média [kN]

3,0

2,9

3,3

Máxima [kN]

4,5

4,3

4,4

6

Conclusões

Para a análise estática do sistema estrutural foram comparados dois modelos

numéricos, sendo um simplificado e outro completo. Basicamente, observou-se que o

sistema estrutural está sujeito a efeitos de segunda ordem geométricos, oriundos de

carregamentos assimétricos, de configurações geométricas e das elevadas rotações do

sistema quando submetido ao vento, e tendem a se pronunciar em sistemas com vãos

mais elevados. O modelo completo permite, além da determinação dos esforços na

torre, o cálculo do ângulo de balanço das cadeias de isoladores e dos esforços

máximos de tração nos cabos. O modelo simplificado tem sua utilização limitada, uma

vez que não é capaz de avaliar todos os efeitos de segunda ordem mencionados.

36

Para a avaliação do comportamento dinâmico dos cabos submetidos ao vento, foi

proposto um procedimento para a consideração do amortecimento aerodinâmico

baseado no cálculo das pressões aerodinâmicas a partir das velocidades relativas entre

o vento e o cabo. Os resultados obtidos com a utilização desse procedimento foram

comparados com os resultados obtidos com a formulação proposta por Davenport

(1988) e Vickery (1992) e por ensaios em túnel de vento, realizados por Loredo-Souza

(1996). Ambas as comparações apresentaram-se satisfatórias.

Avaliando o comportamento dinâmico dos cabos, observou-se uma grande redução da

magnitude das respostas para a situação com amortecimento aerodinâmico. Isso

indica que análises dinâmicas de cabos submetidos ao vento não devem ser realizadas

sem a consideração do amortecimento.

Mesmo com a redução dos valores devido ao amortecimento aerodinâmico, os valores

máximos das reações de apoio nas direções horizontais apresentaram-se um pouco

superiores aos valores obtidos por meio da análise estática com forças equivalentes

conforme a ABNT NBR 6123:1988. Por essa razão, para o projeto das estruturas

suporte, sugere-se a revisão das práticas usuais considerando-se a análise dinâmica do

conjunto estrutural formado por torres, cadeias de isolares e cabos.

7 Referências bibliográficas

Albermania, F.G.A.; Kitipornchai, S. Numerical simulation of structural behaviour of transmission towers. Thin-Walled Structures, Elservier, v.41, p. 167-177, 2003. Albermania, F.G.A.; Kitipornchaib, S.; Chanb, R.W.K. Failure analysis of transmission towers. Engineering Failure Analysis, v. 16, p. 1922-1928, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 5422: Projeto de Linhas Aéreas de Transmissão de Energia Elétrica. Rio de Janeiro, 1985 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6123: Forças devidas ao Vento em Edificações. Rio de Janeiro, 1988. Battista, R.C., Pfeil, M.S., Rodrigues, R.S. Dynamic behavior and stability of transmission line towers under wind forces. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, v. 91, p. 1051-1067, 2003. Blessmann, Joaquim. Acidentes causados pelo vento, 2. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/ UFRGS, 2001. Blessmann, Joaquim. Introdução as estudo das ações dinâmicas do vento, 2. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/ UFRGS, 2005. Carvalho, H. Efeitos do vento em linhas de transmissão. 2015. Tese (Doutorado) - Programa de pós-graduação em Engenharia de Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

37

Carvalho, H. Metodologias para análise estática do efeito do vento em linhas de transmissão. 2010. Dissertação (Mestrado) - Programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Davenport, A. Buffeting of a suspension bridge by stormy winds. Journal of the Structural Division, ASCE, v. 88, n. ST3, 1962. Davenport, A.G. The response of tensions structures to turbulent Wind: the role of aerodynamic damping. In: 1st International Oleg Kerensky Memorial Conference on Tension Structures, London, june, 1988. Henriques, J.; Paiva, F.; Barros, R. Wind action in the tower testing station. International Conference on Wind Engineering, Porto Alegre, 2015. Holmes, J. D. Wind loading of structures. (3 Ed.) Florida: CRC Press. 2015. 384p. Lam, H.F.; Tin, T. Dynamic reduction-based structural damage detection of transmission towers: Practical issues and experimental verification. Engineering Structures, v. 33, p. 1459-1478, 2011. Loredo-Souza, A.M. The Behaviour of Transmission Lines Under High Winds. 1996. Tese (Doutorado) - Faculty of Engineering Science Department of Civil Engineering, The University of Western Ontario, Ontário.

LOREDO-SOUZA, A.M.; DAVENPORT, A.G. The influence of the design methodology in the response of transmission towers to wind loading. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, v.91, p. 955-1005, 2003. Nagao, F. et al. Basic study on spatial correlations of fluctuating lifts acting on plates. Journal of Wing Engineering, v. 91, p. 1349-1361, 2003 Oliveira, M.I.R. Análise estrutural de torres de transmissão de energia submetidas aos efeitos dinâmicos induzidos pelo vento. 2006. Dissertação (Mestrado) - Departamento de Engenharia Civil, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Pfeil, M.S. Battista, R.C. Aerodynamic stability analysis of cable-stayed bridges. Journal of Structural Engineering, v. 121, p. 1784-1788, 1995. Simiu, E.; Scanlan, R.H. Wind Effects on Structures: Na Introduction to Wind Engineering, 2. ed. New York: John Wiley and Sons, 1986. Stengel, D.; Thiele, K.; Clobes, M.; Mehdianpour, M. Aerodynamic damping of nonlinear movement of conductor cables in laminar and turbulent wind flow. International Conference on Wind Engineering, Porto Alegre, 2015. Vickery, B.J. Advanced structural dynamics I. (Engineering Science 610) Course notes. The University of Western Ontario, Canadá, 1992. Wang, D.; Li, K.; Liang. S. Wind tunnel tests on aeroelastic dynamic tension effects of overhead transmission. International Conference on Wind Engineering, Porto Alegre,

2015.

Yang, F.; Yang, J.; Niu, H., Zhang, H. Design wind loads for tubular-angle steel cross- arms of transmission towers under skewed wind loading. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, v. 140, p. 10-18, 2015.

38

recebido: 19/11/2014

aprovado: 02/08/2015

Volume 5. Número 1 (abril/2016). p. 39-58

Revista indexada no Latindex e Diadorim/IBICTo

ISSN 2238-9377

Sobre o dimensionamento de laje mista de aço e concreto em situação de incêndio

Leila C. S. Cordeiro 1 , Valdir Pignatta Silva 2*

1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, leila.cds@gmail.com 2 Professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, valpigss@usp.br

On the composite steel and concrete slab fire design

Resumo Neste trabalho apresentam-se três maneiras de se dimensionar uma laje mista de aço e concreto. Para isso, optou-se por aplicar os métodos disponíveis a um caso real. Pelo mezanino da Estação de metrô Butantã, São Paulo, circulam mais de 20 000 pessoas por dia. Segundo a IT8 do CBPMESP, esse mezanino é isento de verificação das estruturas em incêndio. Mesmo assim, a Companhia do Metropolitano de São Paulo especificou um tempo requerido de resistência ao fogo de 90 min para a estrutura do mezanino que é composto de vigas de aço e laje mista. Todas as vigas foram revestidas para resistir 90 min de incêndio-padrão conforme resultados de ensaios em função do TRRF e do fator de massividade. Neste trabalho será verificada a resistência ao fogo da laje mista, conforme ABNT NBR 14323:2013, pelo método simplificado de Bailey (2000, 2000a) que inclui o efeito de membrana e por modelagem empregando o programa de computador Vulcan. O objetivo deste trabalho é comparar os resultados e verificar se há necessidade de alguma intervenção na construção, ou se poderiam ser elaborados projetos mais econômicos. Palavras-chave: laje mista, incêndio, membrana, Bailey, Vulcan.

Abstract In this paper three methods to design a composite steel-concrete slab are presented. The methods are applied to a real case. On the mezzanine of the subway station Butantã, Sao Paulo, are more than 20,000 people a day. According to the Fire Department of Sao Paulo State, Brazil, this mezzanine is exempt from the examination of the structures in fire. Even so, the Company of the Sao Paulo Metropolitan specified a time required for fire resistance of 90 min for the structure of the mezzanine which is composed of steel beams and composite steel-concrete slab. All the steel beams are protected to 90 min of ISO-fire according tests results in function of the section factor and fire resistance. In this paper, the fire resistance of the composite slab is verified according to procedures provided by the Brazilian standard ABNT NBR 14323: 2012, to the simplified method proposed by Bailey (2000, 2000a) including the membrane effect and modeling it with the software Vulcan. The objective is to compare the results from the three methods Keywords: composite slab, fire, membrane, Bailey, Vulcan.

* Correspondent Author

Lista de símbolos:

a: relação L/

: área da seção transversal do perfil de aço

A s : área das barras da armadura b, k: parâmetros que definem a magnitude da força de membrana b ef , b 1 , b 2 , b b , t c , h F , h ef : dimensões da seção transversal da laje c 0 a c 5 : coeficientes utilizados na determinação da temperatura na armadura d 0 a d 4 : coeficientes utilizados na determinação da temperatura-limite d’: distância do plano médio da malha à face superior da laje E: módulo de elasticidade do aço

e 1,m , e 2,m , e 1,b , e 2,b : fatores de majoração devido à ação de membrana nos Elementos 1 e 2

majoração devido à ação de membrana nos Elementos 1 e 2 e: fator de majoração global

e:

fator de majoração global devido à ação de membrana

f:

flecha da laje do painel de piso

f y : resistência ao escoamento das barras da armadura

g 0,1 , g 02 : parâmetros que determinam a profundidade do bloco de tensão de compressão quando nenhuma força de membrana está presente

: altura da laje comprimida em situação de incêndio

K: relação entre as taxas de armadura empregadas no menor vão e no maior vão

L,

L, : maior e menor vão da laje

: maior e menor vão da laje

M

fi,Rd : momento fletor resistente de cálculo na seção de largura unitária da laje

M

fi,Rd,viga : momento fletor resistente de cálculo da viga mista interna com menor resistência em

situação de incêndio

, , ,

: momentos fletores resistentes positivo e negativo

: força de tração proporcionada pela armadura negativa

n: parâmetro que define a charneira plástica n ub : número de vigas secundárias não revestidas consideradas no painel estudado

q fi,Rd : força uniformemente distribuída resistente de cálculo a uma temperatura específica de um

painel

q fi,Sd : força uniformemente distribuída solicitante de cálculo de um painel q fi,Rd,Laje : força uniformemente distribuída de cálculo no painel resistida pela laje mista

q fi,,Rd,viga : força uniformemente distribuída de cálculo no painel resistida pelas vigas mistas

internas

u , u , u : menores distânciasdo eixo da barra da armadura em relação à fôrma de aço y f + : altura do bloco de concreto comprimido z 0 : fator que indica a posição da armadura

A/L r : relação entre a área da seção transversal de concreto dentro da nervura e a superfície da

nervura

α: ângulo entre a alma da forma e o eixo horizontal em graus α c : coeficiente de dilatação térmica do concreto, igual a 10 -5 C -1 γ g ,γ q : fatores de ponderação

coeficiente de ortotropia θ c1 , θ c2 : temperaturas nas faces superior e inferior da laje

:

: parâmetro que define a largura do painel sob influência da viga mista

θ s , θ i , θ lim : temperaturas na armadura inferior, fôrma de aço e limite

:
:

fator de vista da mesa superior da fôrma

40

1 Introdução

O método tradicional para o dimensionamento de uma laje mista com fôrma de aço incorporada para a situação de incêndio prevê a aplicação de revestimento contra fogo nas vigas de aço e o dimensionamento da laje mista conforme ABNT NBR 14323:2013. Isso exige grande consumo de material de revestimento e de armaduras de aço. Bailey (2000, 2000a) propôs um método simplificado para definir a capacidade de carregamento considerando o efeito de membrana em lajes de concreto sob grandes deslocamentos. Esse método considera que procedimentos correntes de dimensionamento desprezam o efeito de membrana no desempenho das lajes mistas em situação de incêndio, subestimando sua capacidade resistente. Nos métodos tradicionais, cada elemento é analisado isoladamente. Já no método proposto por Bailey ocorre a interação entre todos os elementos, com melhoria significativa do desempenho graças à habilidade das lajes mistas armadas conectadas a vigas de aço secundárias afetadas pelo incêndio, não revestidas contra fogo, transferirem o carregamento - a partir do efeito de membrana - para as partes não danificadas da estrutura de aço, que recebeu revestimento. Dessa forma, é possível reduzir a quantidade de material de revestimento nos pisos mistos, criando painéis nos quais as vigas do contorno, geralmente ligadas aos pilares, são revestidas, mas as vigas internas ao painel ficam sem revestimento. Neste texto, o termo “painel” será usado para designar certa divisão da laje. Um painel consiste em uma laje que incorpora vigas não revestidas e vigas do contorno revestidas ou dimensionadas para suportar o carregamento durante o incêndio, tal como apresentado na Figura 1. A vantagem mais significativa do método é a flexibilidade e a liberdade proporcionadas ao estruturista, com a opção de substituição do revestimento contra fogo pelo aumento da armadura, aumento da altura da laje ou aumento das seções dos perfis de aço. Com o intuito de comparar resultados, neste trabalho será realizado o dimensionamento como recomendado pela ABNT NBR 14323:2013 para uma laje mista com vigas revestidas para 90 min de incêndio-padrão, empregando o método de Bailey retirando-se o revestimento de algumas vigas secundárias e substituindo-se as armaduras e por meio de modelagem utilizando o programa de computador Vulcan versão 10.12.0. Para as duas últimas verificações se admitirá que algumas vigas secundárias não recebam revestimento. Para esse estudo,

41

optou-se por usar uma laj e mista existente. Será analisado um pis o misto de um

mezanino de 21,46 m por apresenta respectivamente

Figuras 3 e 4 apresentam fot os do mezanino já executado.

a seção do mezanino e da laje mista, confo rme projeto. As

6,20 m, com vigas transversais a cada 2,6 8 m. A Figura 2

As 6,20 m, com vigas transversais a cada 2,6 8 m. A Figura 2 Figura 1

Figura 1 - Modelo de painel

a cada 2,6 8 m. A Figura 2 Figura 1 - Modelo de painel a) Seção
a cada 2,6 8 m. A Figura 2 Figura 1 - Modelo de painel a) Seção

a) Seção transversal do

Mezanino

b) Seção da laje m ista

Figura 2 - Mezanino

A laje tem altura total de 1 30 mm. Possui fôrma trapezoidal de aço inc orporada "Steel

ZAR-280 - f y = 28

MPa). O catálogo da Metfo rm indica que laje de 130 mm é adequa da para lajes de

forro. No entanto, um val or mínimo de altura de laje não é enco ntrado nem em

catálogos de outros fabrica ntes, nem na norma brasileira. Para não

estrutura foi verificada em

Foi executada com concr eto de densidade normal e resistência

compressão de 35 MPa. seguintes: perfis, chapas e superiores (negativas): ф 8

mm 2 ) por nervura de aço C A50. A soma das armaduras positivas e neg ativas (264,42 +

haver dúvidas, a

situação de incêndio e, neste texto, será a ceita como piso.

característica à

Os demais materiais empregados na estr utura foram os

barras: aço ASTM – A36; tubos: ASTM – A 120; armaduras

c/ 19, aço CA50; armaduras inferiores (posit ivas): 2 Ф 8 (100

Deck" MF-75 (nervura de 75

mm de altura, espessura de 1,25 mm, aço

42

364,96 = 629,38 mm 2 /m) resulta 629,4 mm 2 /m, todas dispostas paralelamente às nervuras. A ABNT NBR 14323:2013 recomenda colocar armadura de retração ortogonal às nervuras, porém, não afetará a formulação empregada para o dimensionamento. Para o método de Bailey e programa Vulcan serão previstas alternativas de disposição de armaduras, conforme os métodos exigem.

de disposição de armaduras, conforme os métodos exigem. Figura 3 - Mezanino em execução Figura 4

Figura 3 - Mezanino em execução

os métodos exigem. Figura 3 - Mezanino em execução Figura 4 - Mezanino executado A Figura

Figura 4 - Mezanino executado

A Figura 5 apresenta o modelo simplificado da laje empregado neste artigo. Para a

análise via Vulcan foram incorporadas ao modelo as vigas das escadas que contribuirão para o equilíbrio do mezanino.

escadas que contribuirão para o equilíbrio do mezanino. Figura 5 - Mezanino - Piso misto de

Figura 5 - Mezanino - Piso misto de 21,46 m por 6,20 m

2 Verificação conforme ABNT NBR 14323:2013

A seguir é apresentada a verificação da laje mista de acordo com a ABNT NBR

14323:2013 utilizando armaduras Φ 8 c/ 19 (face superior da laje) e 2 Φ 8 por nervura, conforme pode ser observado na Figura 2b.

2.1 Isolamento e estanqueidade

Segundo a ABNT NBR 14323:2013, uma laje mista tem a estanqueidade garantida pela presença da fôrma de aço. Para que seja atendido o critério de isolamento térmico, a

43

espessura efetiva da laje, h ef , deve ser maior ou igual ao valor fornecido na norma

brasileira em função do tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF). Para TRRF = 90

min, h ef ≥ 100 mm. Na equação a seguir é determinado o valor de h ef, sendo que os

parâmetros geométricos usados são definidos nas Figuras 2b e 6.

=

+

= 55 +

= 93

definidos nas Figuras 2b e 6. ℎ = + = 55 + = 9 3 Figura
definidos nas Figuras 2b e 6. ℎ = + = 55 + = 9 3 Figura

Figura 6 - Dimensões da seção transversal da laje (ABNT 14323:2013)

No entanto, deve ser considerado que há um revestimento sobre a laje com espessura

de 70 mm. Dessa forma, o critério de isolamento térmico é atendido.

Figura 7 - Posição geométrica da armadura (ABNT NBR 14323:2013)

2.2 Condição de segurança

Para a segurança em situação de incêndio ser verificada, deve-se ter: q fi,Sd ≤ q fi,Rd . Para

laje com armaduras negativas nos dois apoios e armadura positiva, tem-se a condição

necessária indicada na Equação 1, válida para o último vão da laje contínua.

,

,

= ,

+

0,45 ,

,

, = ,

, ,

1

O valor característico do carregamento é constituído pelos pesos próprios da laje mista,

das vigas de aço e do revestimento, iguais a 2,33 kN/m 2 , 1,47 kN/m 2 e 2,00 kN/m 2 , e

sobrecarga de 5,00 kN/m 2 , considerada pelo Metrô de São Paulo para áreas de acesso

ao público. Para determinar o valor de cálculo em incêndio, emprega-se a combinação

excepcional de ações com os fatores de ponderação γ g igual a 1,10 para o peso próprio

de estruturas metálicas, 1,15 para estruturas pré-moldadas e moldadas no local e

elementos construtivos industrializados, 1,20 de elementos construtivos industrializados

com adições “in loco”, e γ q igual a 0,28, fator de ponderação das ações decorrentes do

uso (elevadas concentrações de pessoas). Para obtenção do carregamento

uniformemente distribuído na laje tem-se:

q fi,Sd = [1,10 (1,47) + 1,15 (2,33) + 1,20 (2,00)+0,28 (5,00)] = 8,10 kN/m 2

44

2.3 Determinação do momento positivo resistente

A força proporcionada pela armadura positiva é igual ao produto de sua área pela resistência ao escoamento do aço à temperatura θ s dada pela Equação 2.

Na Equação 2,

=

+

+ +

+ +

=

, ∝= arctan

e

=

+

+

(2)

Os fatores c i são apresentados na Tabela 1 (ABNT NBR 14323:2013). As características geométricas da armadura e laje mista são apresentadas na Tabela 2.

Tabela 1 - Coeficientes c 0 a c 5 – Determinação da temperatura na armadura

c

0 ( o C)

c

1 ( o C)

c

2 ( o C.mm 0,5 )

c

3 ( o C.mm -1 )

c

4 ( o C/ o )

c

5 ( o C.mm)

1342

-256

 

-235

 

-5,30

 

1,39

 

-1267

Tabela 2 – Características geométricas da armadura e laje mista

u

f1</