Vous êtes sur la page 1sur 10

PROCEDIMENTOS DE APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE

ELABORAÇÕES DO OUTRO NOS TRABALHOS CIENTÍFICOS

Milan Puh

Capítulo 1 - a Rainha de Alice chega ao jardim e se depara com
jardineiros aparentemente iguais

Este trabalho1 incidirá sobre o modo como o pesquisador inclui/exclui o Outro em um
trabalho científico, ao fazer apropriações indevidas do discurso deste Outro.
Em primeiro lugar, nosso objetivo é o de identificar e classificar diferentes
modos de apropriação indevida do discurso do Outro, passando pelos procedimentos de
apropriação textuais e discursivos. Assim, procuramos mostrar até que ponto o
pesquisador, como autor do texto, diminui ou circunscreve a presença de terceiros no
intuito de estabelecer um aparente equilíbrio entre a autoria e coautoria.
Em segundo lugar, o trabalho é norteado pela seguinte questão de pesquisa: Os
pesquisadores que recorrem ao discurso elaborado por terceiros trilham um percurso
que poderá ser identificado e definido como uma massificação? Desse modo,
procuramos mostrar de que modo estes pesquisadores, ao tentar definir posições
subjetivas próprias (e correlacioná-las com as de outros), acabam por fazer apropriações
indevidas de autores e do discurso elaborado por eles, transformando o processo
individual de criação em um produto massificado.
A nossa intenção é evidenciar de que modo a Rainha2 poderia ter identificado
quem eram as cartas viradas de costas para ela. Pois, acreditamos que, com um olhar
mais agudo e perspicaz, tanto nós, quanto a Rainha, conseguiríamos identificar os
jardineiros-cartas pela maneira como cultivam as suas roseiras, mesmo se tivessem uma
aparência que nos parecesse igual. Aproveitando essa referência ficcional literária,
tomando o lugar da Rainha, procuraríamos compreender de que modo alguns
jardineiros, apropriando-se de trabalhos feitos por outros jardineiros criativos,

1O texto foi apresentado dentro do Workshop VII do GEPPEP. Na ocasião, buscávamos entender de que modo o
pesquisador se inscreve em uma determinada teoria ou área de conhecimento. Este, porém, não será nosso objetivo
aqui. pretendemos dar continuidade ao trabalho feito no Workshop de 2011, porém, não buscaremos entender de que
modo o pesquisador se inscreve em uma determinada teoria ou área de conhecimento.

2
As referências a Rainha feitas neste trabalho são resultado da leitura coletiva do livro Alice no país das
maravilhas de Louis Carrol pelos integrantes do GEPPEP dos quais nós fazemos parte.

em um processo de transformação que produz produtos artesanais. a saber: se uma indevida apropriação textual e discursiva elaborada por outros leva a uma massificação. 2010) e metodologicas de Roig (2006). Para conseguir resolver o nosso questionamento e para responder a nossa hipótese. a qual nos possibilitará identificar e classificar diferentes modos de apropriação do discurso do Outro. por meio de um aparato conceitual dentro do qual faremos a análise de um trabalho científico em que encontramos elementos de apropriações . neste trabalho utilizaremos as contribuições teóricas de Wittgenstein para conseguirmos avançar na proposta de evidenciar de que modo acontecem as apropriações indevidas (textuais e discursivas) dentro de um texto acadêmico. utilizaremos o raciocínio lógico e as contribuições teóricas de Wittgenstein (2000. Cabe (2003).as rosas - assemelham-se uns aos outros. Isso porque acreditamos que qualquer outra denominação poderia nos levar a lugares e discussões que não fazem parte da proposta deste trabalho. até o ponto do não reconhecimento do próprio jardineiro. discursivos e filosóficos. por parte da própria Rainha. ou seja. de Louis Carrol) onde existem jardineiros que trabalham da tal maneira que seus produtos . calcada no encadeamento lógico da filosofia de Wittgenstein. como poderíamos transformar essa jardinagem que oculta a personalidade e a aparência das cartas. recorreremos ao pensamento lógico do Wittgenstein para nos ajudar a construir um mundo que fará sentido para o leitor. Esse conhecimento nos possibilitará entender como funciona nosso “reino”. Por estarmos em um mundo estranho e desconhecido pelo leitor. Optamos pelo uso do termo apropriações textuais e discursivas indevidas. passando pelos procedimentos de apropriação textuais.transformam a jardinagem artística em uma massificação de produtos reproduzidos. propomos ao leitor a entrada no mundo da Rainha (aquela que conhecemos no livro Alice no País das Maravilhas. principalmente em relação à questão jurídica delineada pelo termo plágio. visando não sair do âmbito da análise linguístico-discursiva. Após esta curta introdução. Capítulo 2 – a Rainha percebe que as roseiras estão ficando muito iguais Como mencionado anteriormente. técnicos. utilizada por outros autores.

Porém. segundo a terminologia de Wittgenstein. Isto significa que todos os procedimentos de transposição de uma palavra ou conceito de um para outro contexto pressupõem certa regularidade passível de ser reconhecida. segundo a terminologia de Wittgenstein (2010).indevidas. ou seja. pelos qual colocaremos em relação lógica e evidente o original e as apropriações realizadas indevidamente. é necessário levar em consideração que somente os elementos de uma apropriação do discurso de terceiros não são suficientes para definir tal apropriação como indevida. explica Wittgenstein (2000). antes de entrar na discussão filosófico-linguística sobre as apropriações indevidas. um trabalho posterior ao Tractatus. casos do mundo. na instabilidade do significado das palavras. a nossa mira criteriosa transformará em fatos de um mundo. de afiguração. segundo Wittgenstein. essa regularidade só é validada para o contexto em que está evidenciada. presentes no trabalho a ser analisado posteriormente. dentro de um contexto. as quais. são como coisas ou objetos do mundo. reconhecê-las e projetá-las em diferentes contextos. pretendemos utilizar um dos conceitos usados por Wittgenstein em Investigações Filosóficas. Entendemos o conceito de critério como modo de determinar se algo satisfaz o conceito X. Porém. Ou seja. Na construção de novos mundos. O filósofo afirma que não há possibilidade de dissociação entre um plano linguístico e extralinguístico. como mencionado acima. nós transformaremos em fatos pela definição da relação de cada um deles dentro do estado de coisas. pensamos necessário discorrer rapidamente sobre os conceitos básicos e o modo como eles serão utilizados na constituição de um mundo (massificado). não há fixidez absoluta de todos os elementos e suas regras de interligação. constituído por nós. Por isso. uma vez que é preciso definir um estado de coisas especifico para que estes casos sejam transformados em fatos. A esse processo chamaremos. Para isso. assim a gramática e critérios são interligados. precisamos ter cuidado . as quais parecem como rosas plastificadas em um mundo de jardineiros massificados. pois não há nada exterior às nossas práticas linguisticamente articuladas. Os critérios determinam a maneira como falamos de objetos e a própria essência deles expressa linguisticamente. definidos pelo filósofo austríaco como critério. A gramática e as regras nos permitem. consideramos que os elementos linguísticos e discursivos. são evidências que evidenciam que algo é X. isto é. A gramática é entendida como regras de uso de uma linguagem entendida como um fenômeno regulado. Os dados do corpus vistos como objetos.

. Em nossa opinião. para saber o que é um caso. essa busca pelos critérios nos faz pensar como funcionaria um mundo em que a rainha tivesse que olhar muito bem para os jardineiros para discernir qual deles está. Nesse sentido. defendemos a tese de que não há necessidade de confirmar uma apropriação indevida. de fato. Por isso. se conseguirmos mostrar qual é o jogo de linguagem utilizado em momentos de apropriação do discurso do Outro. Com esse pensamento. concebidos pelo filósofo austríaco como: autoria original comprovada. no nível textual e discursivo. pois através desse jogo de procedimentos lingüísticos. discrepâncias súbitas de estilo etc. são válidos para definir o que seria uma apropriação indevida. senti-lo. é importante entender qual é esse jogo de linguagem.porque as mesmas regras. Inspirados na afirmação do Wittgenstein (2000). ou seja. poderemos entender se os critérios. fazendo jardinagem e qual deles está “fingindo” trabalhar. pensando nas apropriações do discurso do Outro. pois é suficiente definir ou exemplificar a especificação linguística em que ela ocorre. seguimos para a definição de um aparato teórico com que poderíamos ajudar a Rainha de Alice a ter uma visão mais clara do que está acontecendo em seu reino. preciso conhecer quais são os critérios (práticas sociais e culturais) para conseguir enxergá-lo. Sem dúvida. de acordo com a terminologia wittgensteiniana.A rainha pede um óculos especial para enxergar melhor as roseiras . podem não constituir os mesmos mundos. ou seja. Apresentaremos agora o jogo da linguagem utilizado em um trabalho científico no qual percebemos possíveis apropriações indevidas de terceiros. os critérios são válidos. Definindo bem o jogo. indícios de má intenção. cortando (virado de costas) as rosas todas iguais. coincidência de ideias. coincidência de forma. Capítulo 3 . acreditamos que temos as condições de definir como válido algum dos critérios. uma apropriação indevida. aproveitando-nos da terminologia de Wittgenstein (2010) para definir se nossos critérios são ou não válidos. Pensamos ser necessário apresentar os procedimentos linguísticos para poder exemplificar os critérios de um trabalho em que existem apropriações indevidas. escolhidos por nós.

Assim. está ligado. apresentaremos as subcategorias que exemplificam o que acontece no nível linguístico. Roig as divide em 6 tipos de técnicas usadas para plagiar. Mas. preocupar-nos-emos com as técnicas. ou seja. gostaríamos de refletir brevemente sobre as 4 categorias localizadas no primeiro quadro. Dessa maneira. para entender esta relação. de certo modo. sem a necessidade de se apropriar do próprio texto desse Outro. apropriamo-nos daquilo que entendemos como a filosofia subjacente do discurso. nas seguintes linhas apresentaremos os procedimentos e técnicas que fazem parte desse jogo. isto é. apresentados por nós. uma vez que (como já explicamos anteriormente) preferimos não entrar no âmbito judicial ao qual o conceito plágio. por acreditarmos que. os quais não definimos como o objetivo deste trabalho. É importante esclarecer que as quatro primeiras categorias se referem aos procedimentos empregados em textos acadêmicos e as últimas duas à relação o indivíduo e a comunidade a qual pertence. pelo seguinte quadro: Quadro 1: Técnicas (procedimentos) de Relação indivíduo/comunidade apropriação indevida Ideias (filosófico) Colaboração (comunitário) Texto copiado (textual) Auto-plágio (pessoal) Sumarização (técnico) Paráfrase (discursivo) Nesse trabalho. na visão de Roig (2006). procedimentos de apropriação indevida. teríamos que ampliar e direcionar nossa análise para outros caminhos. refere-se à possibilidade de nos apropriarmos de ideias que estão presentes discursivamente no texto do Outro. . para entender melhor essas categorias que se referem a procedimentos no nível textual/discursivo. No trabalho de Roig (2006) encontramos várias categorias que nos ajudarão a entender quais são as possíveis categorias pelas quais poderíamos indicar a existência de apropriações indevidas. Já na segunda categoria. as quais nós definiremos como 6 categorias de procedimentos que podem indicar a existência de apropriações indevidas. as quais tomaremos como base para fazer observações acerca dos procedimentos acima mencionados. A primeira categoria. deixando de lado a relação que o individuo estabelece com seu trabalho e com o da comunidade científica. antes de apresentá-las.

é um procedimento que diz respeito a um procedimento técnico que visa à formação de um tipo de resumo que pressupõe apropriações indevidas de vários elementos. alterando ou modificando o discurso do Outro através de apropriações usadas para redizer o que já está dito. aspectos do texto e/ou discurso do Outro. Para nós isto significa que ela pode ser usada para validar nossa hipótese ou.material é copiado com organização invertida das frases e palavras em comparação com original.material de grande volume é copiado sem atribuição ou o uso de aspas. pois. de uma ou mais frases. focaremos nas subcategorias que incidem diretamente sobre os procedimentos linguísticos que nos ajudarão a compreender de que modo poderemos aplicar as categorias de ordem maior para identificar e. como entendemos em Roig (idem). p. pode indicar uma massificação. exemplificada por Roig (idem) como paráfrase.adjetivos ou advérbios) inseridos no material da fonte original. em termos wittgensteinianos. na medida em que for repetida com recorrência. . posteriormente.2-4) e as respectivas explicações dadas pelo autor: a) Plágio Direto . Após essa breve apresentação das principais categorias. c) Excisão .material é copiado com palavras ou expressões acrescentadas (muitas vezes qualificadores . texto copiado certamente pode indicar uma apropriação indevida. f) Inversão . alterados e apresentados em uma ordem diferente. então. mostrar a existência de critérios que são válidos para o entendimento de apropriações indevidas. e) Reorganização . denominada por Roig (idem) como a sumarização. Já a quarta categoria trata de procedimentos que entram na esfera do discurso. uma seleção de categorias taxonômicas de Cabe (2003. A terceira categoria.material é copiado com o encurtamento do original pela supressão de palavras e/ou abertura ou fechamento de frases. para validar o critério de que a apropriação indevida. sem os devidos créditos.material é copiado com uma ou mais palavras suprimidas no meio das frases.focamos no aspecto textual da apropriação que estamos analisando. o qual é essencial para que ela faça sentido e tenha efeito. b) Truncamento . d) Inserções .material é copiado com os elementos morfológicos e/ou sintáticos. Essa massificação eliminaria o caráter inédito e criativo de toda a produção escrita científica. Segue.

Fizemos a seleção tendo em vista aquelas subcategorias que.material é copiado com utilizando um sinônimo ou uma frase do mesmo campo semântico para substituir as palavras ou frases do original. a segunda com o procedimento de apropriação das elaborações do texto original utilizado em relação ao segundo texto analisado com a indicação sobre o lugar onde ocorreu a apropriação por meio de setas. Achamos importante registrar que somente as partes (nos dois trabalhos) grifadas por nós apresentam elementos de diferença. 2) citação indireta não é indicada pelo uso de itálico. i) Mudança de voz . Sendo assim. a terceira com o segundo texto.material é copiado com frases na voz ativa é passiva. passemos para a etapa seguinte deste trabalho. que é a introdução do quadro em que apresentamos uma análise comparativa entre um trecho de um trabalho científico e um trecho de um outro trabalho científico em que houve apropriações indevidas do primeiro. . com o título muito parecido ao primeiro.1) material é copiado com utilização de aspas. deixando como incentivo para que o leitor vá e busque mais informações no texto de Cabe (2003). mas algumas das palavras de origem original ou frases alteradas sem nenhuma indicação feita por parte do autor. sendo que o restante do texto 3 é uma apropriação indevida direta do texto original. seriam utilizadas na análise posterior. Capítulo 4 .a Rainha inspeciona as roseiras para descobrir o que os “supostos” jardineiros estão fazendo A análise abaixo foi realizada por meio de apresentação de um quadro dividido em 3 colunas: a primeira com o texto original publicado em forma de artigo científico sobre a aquisição de língua. de fato. h) Uso inadequado de aspas . apresentado como trabalho final para uma disciplina com apropriações do original. g) Substituição . ou vice-versa.

1997. culturais e ideológicos da sociedade/comunidade em que está inserida. o significado do que está sendo falado ou a situação na quando a criança já capta. mas através do uso.. os reorganização e mudança de voz (estão adquirindo . durante o reorganização (mas também) psicologicamente e socialmente em um ambiente ideológico e processo de aquisição de linguagem. adquire também todos excisão (também) que. mas também uma língua. BOGGS. de algum modo.. a bastante sensível ao contexto.” (CORES. assim como A criança não está aprendendo simplesmente o que dizer.] assistência das pessoas que delas cuidam. p. De acordo pessoas que negociam. ao adquirir uma língua. mas também os aspectos apropriados da gramática de parece mais capaz de captar não apenas o léxico. adquirindo uma língua. papel de espectador.que é social.]. interacionais” (PETERS. [. condutas e procedimentos usuais que que constituem tal sistema de suporte à aquisição da constituem tal sistema de suporte à aquisição da linguagem linguagem são essenciais para esse processo. A linguagem é adquirida não no como. mas interação com eles [. que cresce e se e se desenvolve biologicamente. a construção do excisão (ainda) De acordo com Georgina (1997). Esses eventos são essenciais para esse processo.. mas através do uso. de algum contexto. a construção do indivíduo e indivíduo e da sociedade é dialógica e construída por meio da mudança verbal (adquirindo – ao adquirir) da sociedade é dialógica e construída por meio da língua que língua que é social. culturais e ideológicos da excisão (sociedade) todos os aspectos sociais. a criança parece mais capaz de captar não apenas o ocorrendo. . mas como.67). psicologicamente e inserção (não só) desenvolve não só biologicamente..] a aquisição da linguagem pela de ações não verbais e requer algumas respostas (limitadas) criança requer muito mais assistência das pessoas que delas de um ou mais participantes dessa interação porque: [. 1999. Através de uma apreciação do contexto.81) que se configuram em uma algumas respostas (limitadas) de um ou mais participantes sequência de trocas na qual um falante diz algo acompanhado dessa interação. ou seja. p. A linguagem é a ação Linguagem. para quem e sob que circunstâncias. que os indivíduos indivíduos estão adquirindo várias visões de mundo..] a plágio direto da sequência com citação cuidam.] A criança 1997. [. adquire os aspectos sociais. o que quer dizer que ela progride muito melhor substituição (progride . a aquisição de uma primeira língua é nas duas línguas? Assim. assim como interação com eles [. p. sobretudo nesse caso em que Pensamos ser semelhante o processo que se dá na aquisição ambas aconteceram ao mesmo tempo. Através de uma apreciação do que está sendo falado ou a situação na qual a fala está contexto. Dessa forma.. não está aprendendo simplesmente o que dizer. a criança léxico. mas também socialmente em um ambiente ideológico e que..Texto original Procedimento de apropriação indevida Texto com apropriações do original Em relação a esse assunto. Acredita-se ser semelhante o processo que se dá os aspectos apropriados da gramática de uma língua.67). Nesse caso. porque:“[. de acordo será que essa criança adquiriu os aspectos mencionados truncamento (frase inteira no final do parágrafo) com Cores (1997). ou seja. De acordo ainda com Georgina (1997). o que quer dizer que ela se aquisição de uma primeira língua é bastante sensível ao desenvolve muito melhor quando a criança já capta.81) falante diz algo acompanhado de ações não verbais e requer SEABRIGO. de outra língua. para quem e sob que circunstâncias. substituição (assim . eventos.se desenvolve) modo. condutas e procedimentos usuais (1997). p. que cresce excisão (também) constituição da subjetividade da criança. ou interagem.]. Esses eventos são o que excisão (são o que chamamos também de “rotinas que se configuram em uma sequência de trocas na qual um chamamos também de “rotinas interacionais” (PEPÉ.dessa forma) comunidade em que está inserida. (CORES. De acordo com Cores com Cores (1997). onde. durante o processo de aquisição de linguagem. A linguagem é aquisição da linguagem pela criança requer muito mais adquirida não no papel de espectador.. ou interagem. é igualmente a ação entre duas truncamento (início da frase) entre duas pessoas que negociam. onde. substituição (pensamos – acredita-se) na aquisição de outra língua. Georgina (1997) enfatiza como as trocas verbais “definem” a formação das ideologias e a uso inapropriado de aspas (definem) trocas verbais definem a formação das ideologias e a constituição da subjetividade também da criança.. de acordo com Cores (1997).. para nós. eventos. adquirem) adquirem várias visões de mundo. o significado do qual a fala está ocorrendo.. sobretudo nesse caso em que ambas aconteceram ao mesmo tempo. Georgina (1997) enfatiza como as Em relação a esse assunto. 1999..

elaboradas por Roig (2006). acreditamos na afirmação de Wittgenstein (2000) de que certas coisas não precisam ser ditas. indica uma postura que favorece a massificação de produção científica. através deste quadro. Estes dois critérios são: coincidência de forma e coincidência de ideias. Afirmamos isso porque no quadro é apresentada a coincidência de forma e de ideias entre os dois trabalhos em diversos momentos e de diversas ordens. fazendo com que pudéssemos perceber uma má vontade. um percurso de apropriações indevidas que. Como o leitor pode perceber. de certo modo. pois além de vermos a quantidade de textos copiados. feitos. Além disso. sintático até o nível discursivo e de ideias. isto é. por parte do autor do segundo texto. indicando que tipo de apropriação indevida ocorreu. em termos wittgensteinianos. afiguradas como um estado de coisas. Nossa intenção não é passar por todos os exemplos. visto que no texto posterior ao original são eliminados conceitos e concepções inteiras ou são omitidas sequências inteiras que modificam o discurso proferido inicialmente. o que quer dizer que preferimos possibilitar ferramentas para que as Rainhas do nosso mundo acadêmico possam saber quais seriam os possíveis critérios para a definição o que seria uma apropriação indevida. no trecho indicado. por uma massa de jardineiros que acabam parecendo a Rainha todos iguais. cujos resquícios utilizados para “esconder” a presença do Outro somente reforçam o fato de que as apropriações indevidas resultam em trabalhos de massa. para que possam enxergar melhor quem são de fato os jardineiros que fazem parte do reino em que elas atuam. é possível perceber pelo menos dois critérios estipulados por Wittgenstein (2000) como necessários para definir o texto de algum trabalho científico como apropriação indevida de elaborações do Outro. A predominância de repetições dos mesmos elementos textuais faz com que o discurso do segundo texto pareça um produto massificado. O trabalho deles. as próprias ideias e o discurso estabelecidos originalmente são distorcidos nas apropriações. pois a contraposição de objetos dos dois estados de coisas (dois trabalhos científicos) transformou-os em fatos que mostram que esses critérios são validos para os seus fins predefinidos. tal como a define Wittgenstein (2000). desde o nível de morfológico. o seu modo de ser. obviamente. sem a possibilidade de reconhecermos a individualidade. então. . pois acreditamos na capacidade do leitor de entender que existe. dezescrevendo. para evitar que o Outro apareça de modo mais visível. é uma mistura de quatro categorias. mas sim mostradas.

mais rápida e fácil. WITTGENSTEIN. pois definimos os critérios e as categorias e subcategorias que. São Paulo: EDUSP. Essas ligações são feitas pelo sujeito no ato da escrita. ao serem exemplificadas. Taxonomia de procedimentos de plágio. 2010. que. ROIG. são nomes diferentes dados aos mesmos objetos.cfm>.edu/~roigm/plagiarism/>. Capítulo 5 – a Rainha percebe.stjohns.09. Quem se apropria do conhecimento do outro e não procura dar outros nomes para constituir outros estados de coisas.skidmore.09. M. em vez de somente dizer ou afirmar. acaba transformando a jardinagem artística em uma massificação sem limites. Ludwig (1921). porém. Investigações filosóficas. P. Nova Cultural (Col. não passam de um baralho de cartas fabricado Esperamos ter deixado claro para o leitor que este trabalho procurou mostrar de que modo podemos entender produções acadêmicas nas quais aparecem apropriações indevidas de elaborações do Outro. Acreditamos ser essa uma maneira de chegar a conclusões a respeito de determinado tema. Acesso em: 09.2012 CABE. Os Pensadores – trad. Ludwig. Tractactus Logicus Filosoficus.edu/psychology/resources/student/tips. formando ligações entre nomes e objetos. Acesso em: 09. ainda depende. especialmente quando se trata de temas e momentos em que conclusões baseadas em afirmações aparentemente óbvias podem nos levar a lugares onde não será possível uma discussão acadêmica. tornam esses critérios válidos e passíveis de serem usados na leitura de qualquer trabalho científico. 2000. Portanto. uma vez que elas seguem certo padrão de massificação de procedimentos de incorporação e reelaboração deste conhecimento. pela aparência das roseiras. no nosso caso. constatamos que é possível classificar as apropriações de conhecimento do Outro. Disponível em : <http://facpub.: José Carlos Bruni). seguindo a proposta de Wittgenstein. São Paulo: Ed. que os jardineiros que estão tentando se apresentar como diferentes. Para terminar. Evitando plágio. Essa massificação. auto-plágio e outras práticas de escrita questionáveis. Bibliografia: WITTGENSTEIN. Disponível em: <http://cms.2012 . retomando a lógica de Wittgenstein. do estado de coisas definido por ligações existentes de objetos. esperamos que o percurso realizado para chegarmos às conclusões apresentadas abaixo também possa servir como um modo para refletirmos sobre a possibilidade de mostrar o que percebemos ou pensamos.