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OS TEXTOS TEATRAIS COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL

PEDAGÓGICA NO JORNAL “A MÃI DE FAMILIA”1: MULHER, INFÂNCIA E


JUVENTUDE NO RIO DE JANEIRO (1879 A 1888).

Leonardo Antonio Thürler


Pedagogo e Pesquisador em História da Educação
Liephei/Niphei
FFP / UERJ

Infância, juventude e família

Introdução

O periódico A Mãi de família, originário do Rio de Janeiro e com tiragens quinzenais


entre o período de janeiro de 1879 a dezembro de 1888, teve ainda sua circulação pelas
províncias de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, dentre outros. Criado e dirigido pelo
médico Carlos Costa, o jornal tinha como principal objetivo propagar conselhos e
orientações relacionados à saúde, ao bem estar, a proteção e a prevenção da família.
O interesse em analisar os textos teatrais publicados entre os anos de 1883 a 1888 no
jornal A Mãi de família surgiu em meio a outro movimento investigativo realizado ainda
como bolsista do projeto “Por uma Cruzada Civilizatória: Educação, Assistência e
Proteção à Infância Menorizada no Rio de Janeiro de 1890 a 1940”; coordenado pela
Professora Doutora Sônia Câmara.2 Ao manusear o jornal A Mãi de familia, nos
arquivos de obras raras da Biblioteca Nacional, pude perceber a presença de onze textos
teatrais, publicados em coluna intitulada Recreio, criada com intuito de promover e
divulgar os textos literários.

Ha alguns annos a esta parte, as directoras de collegio de meninas, desta corte


e do interior, adoptaram festejar o encerramento das aulas fazendo as
alumnas representar comedias, sainetas3, e outras pequenas peças de theatro.

1
COSTA, Carlos. Palestra do médico. Jornal A Mai de família. Educação da infância, higiene da família.
Rio de Janeiro: Typ. Lith. De Lombaerts & Comp, 1º ano, número 1, Janeiro de 1879.
2
O projeto acima referido tem como objetivo geral promover uma análise histórica acerca das políticas
públicas de assistência, proteção e tutela à infância desenvolvidas no Distrito Federal, no período de
1890 a 1940, no que tange aos campos médico e jurídico. Ligado ao Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa
em História da Educação e Infância (NIPHEI/LIEPHEI).
3
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Definição de Sainetas: Pequena peça teatral em que há
bailado. Disponível em: http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=sainetas , acesso em: 21 de
março de 2008.

1
Parece-nos excellente e utilissima a pratica adoptada pelas Sras. Directoras
de collegio.4

No que concerne ao primeiro texto teatral, A Herança, cujo autor é J.A. Guyet5, circulou
no Jornal, e segundo Carlos Costa fora encenado por meninas de um colégio 6 da Corte e
do interior, por iniciativa das diretoras do colégio. Chamou-nos atenção o texto A
Herança, não somente por ter sido, o primeiro a abrir a coluna Recreio do periódico,
mas também por sua função pedagógica e pelas temáticas valorizadas e entremeadas nos
diálogos das personagens. Embasado nos aspectos apresentados resolvemos utilizá-lo
como objeto central de análise e reflexão nesse artigo a fim de compreender quais os
motivos que levaram o médico Carlos Costa a instituir a criação da coluna e que
motivos o guiaram na escolha desse texto. Tal ação nos faz crer no reconhecimento do
texto literário como conteúdo teórico e prático extremamente interessante e propício ao
que se pretendia como projeto naquele momento, mesmo porque a prática de apresentá-
lo nas escolas de meninas da época é por ele elogiada, além de suscitar questões
relevantes quanto ao movimento de intervenção higienista e educacionais desenvolvidas
naquele período.
O artigo se organiza em três movimentos, a saber: o primeiro intitulado, Medicina,
educação e formação dos indivíduos na cidade do Rio de Janeiro em meados do
século XIX, discorrerei sobre a medicina e sua função educativa. No segundo, A
educação no século XIX pelo viés higienista, examinarei o jornal A Mãi de familia
como objeto e fonte de pesquisa com olhar no projeto de educação higienista. Quanto ao
terceiro, Os Textos Literários Teatrais, objetiva historicizar e analisar o conteúdo
temático educacional tratado nos artigos e textos teatrais, publicado em 1883, em coluna
intitulada Recreio, com foco no texto a Herança.

Medicina, educação e formação dos indivíduos na cidade do Rio de Janeiro em


meados do século XIX.

A história da Educação tem demonstrado o quanto o papel da medicina se confunde


com o da educação no processo de formação dos indivíduos e das cidades. Portanto, até

4
COSTA, Carlos. Palestra do médico. Jornal A Mai de família. Educação da infância, higiene da família.
Rio de Janeiro: Typ. Lith. De Lombaerts & Comp, 1º ano, número 1, Janeiro de 1879, p.2.
5
Encontramos indícios sobre J.A. Guyet em Almanaques e Catálogos franceses publicados no século XIX
na França, além da referência a ele feita no jornal A Mãi de familia. Ver imagens inseridas no anexo.
6
Até o momento da investigação não se fez possível identificar quais colégios foram apresentados os
espetáculos teatrais, nem mesmo os Theatros de Salão citados como espaço para a apresentação de alguns
dos textos.

2
1808, como afirma Gondra, no Brasil, “(...) os cuidados com a saúde e as estratégias de
cura eram atividades partilhadas por diversos sujeitos: físicos, cirurgiões, curiosos e
feiticeiros. Cada um deles recorria a um conjunto de experiências diferenciadas.”7
O século XIX constituiu-se por meio de discursos e projetos religiosos, médicos,
políticos e intelectuais, no sentido de erguer uma cidade moderna, num movimento de
desconstrução da cidade de São Sebastião, conhecida hoje como a cidade do Rio de
Janeiro. Uma cidade constituída em meio a práticas pedagógicas diversas e que se viu,
em início dos oitocentos, num processo de transformação espacial, social, econômico e
cultural a partir de diferentes proposições e discursos de (re)construção de uma cidade
capaz de promover in lócus o progresso do país.
Como protagonistas no projeto de edificação de um futuro, higienistas utilizando-se do
campo da medicina se apresentam como propositores de projetos de saúde e, como
principal agente da ação higienizadora da sociedade. Durante o século XIX, os médicos
chamam para si a responsabilidade, autoridade e legitimidade no sentido de atuar na
vida e na morte dos indivíduos, como sendo este um dos primeiros passos dados no
processo de desconstrução de uma “Sebastianópolis” 8 para a construção de uma cidade
moderna que desse conta de atingir o progresso, visto como prática inevitável.
O século XIX é reconhecido por historiadores como sendo um tempo propositivo, onde
inúmeras propostas, projetos e ideais se fizeram como caminhos sobre “o que se queria
superar, a incidência do discurso negativo, da crítica; e sobre o que se queria construir,
discursos positivos, de projetos”9. Mas, o Brasil estava muito aquém do projeto de
civilizar, expandir e industrializar desenvolvidos pelos dois países tidos como referência
de modernidade.
Na estratégia de institucionalização da medicina os médicos higienistas decidiram atuar
sobre as cidades e seus indivíduos em prol da saúde do corpo, da alma, do habitar social
e do progresso do país. Nesse contexto temos a estratégia conceituada por Certeau, onde

Chamo de estratégia o cálculo (ou a manipulação) das relações de forças que


se torna possível a partir do momento em que o sujeito de querer e poder
(uma empresa, um exército, uma cidade, uma instituição científica) pode ser
isolado. A estratégia postula um lugar suscetível de ser circunscrito como
algo próprio e ser a base de onde se podem gerir relações com uma
exterioridade de alvos ou ameaças (os clientes ou os concorrentes, os
inimigos, o campo em torno da cidade, os objetivos e objetos da pesquisa

7
GONDRA, José Gonçalves. Artes de civilizar: medicina, higiene e educação escolar na Corte imperial.
Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004, p. 25.
8
Ibidem, p. 19.
9
Ibidem, pp. 19-20.

3
etc.). Como na administração de empresas, toda racionalização “estratégica”
procura em primeiro lugar distinguir de um “ambiente” um “próprio”, isto é,
o lugar do poder e do querer próprios. O “próprio” é uma vitória do lugar
sobre o tempo. É também um domínio dos lugares pela vista.10

Certeau se refere aos espaços legíveis, onde as relações de lutas e embates se fazem
presentes no cotidiano, como sendo, o lócus onde se pretende em meio a diferentes
estratégias legitimar e distinguir o poder do saber metamorfoseando as incertezas da
história. Portanto seria mais pontual reconhecermos nas “estratégias” uma
especificidade de saber, que dá a sustentabilidade e demarca o poder de subjugar o
próprio lugar e, contudo, proporciona transformações em diversos nichos sociais.
Percebemos em Luz, a importância da medicina no processo de formação dos
indivíduos e das cidades no século XIX, bem como na relação com a constituição do
Estado Nacional brasileiro, atuando como interventora política e socialmente. Nesta
direção, a autora afirma que,

A medicina é, desde suas origens institucionais na sociedade brasileira do século XIX,


nitidamente, não só uma forma de conhecer – através do organismo humano – o corpo
social, mas também uma forma específica de intervir politicamente neste corpo. Trata-
se de cuidar não só da saúde dos cidadãos, mas também da saúde das cidades. As regras
de higiene propostas, as normas de moral e costumes prescritos, sexuais, alimentares, de
habitação e de comportamentos sociais fazem parte, desde a constituição do primeiro
império brasileiro, da maioria das propostas que os médicos submetem ao Estado, do
qual são consultores, assessores, conselheiros, críticos.11

As instituições médicas, por meio de seus representantes legais, assumem publicamente


o compromisso com a sociedade a que se pretende transformar. Compromisso como o
que fora assumido pelo Dr. Carlos Costa, em palestra publicada no jornal A Mãi de
familia, onde afirma que, “Aquelles a quem incumbe o elevado encargo de cuidar da
saúde publica, ao médico, cabe a sublime missão de aconselhar, por todas as formas
possíveis, os meios de tornar regular o funcionalismo do órgão ao qual foi confiada a
direcção dos actos physicos.”12, indiciando ser esse um viés de institucionalização da
figura do médico e do campo da medicina em fins do século XIX e início do século XX.
Conscientes da responsabilidade de intervir nos comportamentos individuais e coletivos
da sociedade, os médicos Carlos Costa, José Ricardo Pires de Almeida, Gama Roza,
Galvey D’Alger, Prosper de Pietra Santa, Pedro José de Almeida, Felippe Neri Collaço,

10
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Tradução de Ephraim Ferreira
Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994, pp. 99-100.
11
LUZ, Madel Terezinha. Medicina e ordem política brasileira: políticas e instituições de saúde (1850 –
1930). Rio de Janeiro: Edições Graal, 1982. (Biblioteca de saúde e sociedade; v.9), p.13.
12
COSTA, op. cit., nota 4, p.1.

4
dentre outros, recorriam à escrita com o propósito de transmitir seus conhecimentos
advindos de práticas empíricas visando intervir em hábitos que durante séculos
constituíram-se como práticas sociais. Alguns dispositivos estratégicos como jornais,
teses, livros, etc., foram concebidos como ferramentas nesse processo. Contudo, os
médicos passam a exigir, de maneira incansável dos governos, uma ação política
efetiva, responsabilizando o Estado e cobrando uma participação efetiva e contínua, no
que concerne a saúde, a fim de atuar na prevenção e na cura das doenças individuais e
coletivas da cidade.
A intervenção médica se apresentava através de diferentes movimentos estratégicos
como, por exemplo, a do periódico A Mãi de familia. O movimento de criação do jornal
nasce com o propósito de vulgarizar saberes empíricos, na intenção de aconselhar e
orientar as mulheres, em especial as mães, em seu processo de educar as crianças. Ao
apontar o imaginário da criança no processo de civilização do indivíduo, Veiga diz ser

A elaboração de um imaginário da infância adequado a uma nação que se pretendia


civilizada relacionou-se tanto com acções governamentais e instituições de produção da
criança como dependência social, como com as prescrições de redirecionamento dos
processos de dependência funcional. Essa questão teve como centralidade a família e a
educação da mulher associada à difusão dos saberes de higienismo e da medicina. 13

As ações estratégicas advindas do governo e das instituições de produção da criança


como dependência social, vinham recheadas de conselhos, orientações, receituários,
palestras e discursos médicos e intervinham no processo de (re)construção do sujeito e
do ambiente ao qual ele pertencia. Essa era apenas uma dentre as inúmeras ações
movidas em benefício da saúde do corpo e da mente em prol do progresso.
Em meio aos discursos divergentes e as ações políticas e institucionais sabe-se, porém,
do importante papel exercido pela medicina no processo histórico de constituição das
instituições médicas, como Academias, Associações, Faculdades e Institutos de
proteção à infância, no país. Levando em consideração o contexto e as condições sociais
e de saúde o qual a sociedade brasileira se submetia. É importante frisar que dos anos
setenta do século XIX aos anos vinte do século XX o empirismo predominava como
prática no campo da medicina e por vias do conhecimento adquirido nessas práticas se
exprimiam determinados modelos de conhecimento que deveriam ser fomentados a

13
VEIGA, Cynthia Greive. Cultura escrita e educação: representações de criança e imaginário de
infância, Brasil, século XIX. In: FERNANDES, Rogério; LOPES, Alberto; FARIA FILHO, Luciano
Mendes (orgs.), Para a compreensão histórica da infância. Porto, Portugal: Campo das Letras, 2006, p.
68.

5
sociedade. O que assegura que tais propostas de práticas de intervenção saneadora e
reorganizadora dos espaços físicos deveriam ser inseridas no contexto social da cidade
com o intento de transformar os indivíduos por meio do corpo, da mente e da alma em
“sujeitos higiênicos, higienizados e higienizadores”14, produtores de um novo país.
Segundo Costa,

(...) as práticas discursivas que os integram compõem-se dos “elementos teóricos” que
reforçam, no nível do conhecimento e da racionalidade, as técnicas de dominação. Estes
elementos são criados a partir dos saberes disponíveis – enunciados científicos,
concepções filosóficas, figuras literárias, princípios religiosos, etc... – e articulados
segundo as táticas e os objetivos do poder. As práticas não-discursivas são formadas
pelo conjunto de instrumentos que materializam o dispositivo: técnicas físicas de
controle corporal; regulamentos administrativos de controle do tempo dos indivíduos ou
instituições; técnicas de organização arquitetônica dos espaços; técnicas de criação de
necessidades físicas e emocionais etc.15

Em A Mãi de familia indiciamos tais discursos, principalmente nos artigos “Palestra do


médico”. Discurso médico que se encontra direcionado à elite letrada que detinha
condições para educar seus filhos e aliar-se ao Estado. A urgência suscitada pelo Dr.
Carlos Costa diz respeito à ação médica a ser tomada com relação à saúde física das
crianças, bem como a responsabilização da família por sua prole tornando-os seguidores
dos preceitos da medicina. Os ambientes públicos e privados foram aos poucos sendo
resignificados visando a formação do novo cidadão. A higiene, que inicialmente surgiu
como arte de conservar a saúde, teve seus discursos e práticas, redefinidos aos olhos da
ciência. Uma higiene compreendida no período de forma generalizada, mas que
devemos entendê-la como ações de saúde coletiva e individual. Compreendemos aqui a
ciência que se ocupa da saúde individual como higiene privada e a coletiva como
higiene pública.

A educação no século XIX pelo viés higienista.

Que educação se fazia idealizada pelos médicos higienistas? Com o avanço da


medicina, nem a escola nem a formação superior são esquecidas. Pais e professores se
faziam personagens principais no projeto médico-pedagógico que tinha como foco de
14
Cadernos Cedes 59: Educação pela higiene: histórias de muitas cruzadas. In: GONDRA, José
Gonçalves. Homo Hygienicus: educação, higiene e a reinvenção do homem. Vol.1, n.1 (1980), São Paulo:
Cortez; Campinas, p.26.
15
No que concernem as práticas discursivas e seus elementos teóricos, recomendo ao estudo mais
pormenorizado do capítulo III - A higiene da família em COSTA, Jurandir F. Ordem médica e Norma
familiar. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1999, p.50.

6
intervenção educativa a família e a infância. Tais intervenções nos espaços públicos e
privados como vielas e casas se fizeram extremamente necessárias no processo de
higienização da cidade. Segundo Gondra à escolarização inicial tratada na trama do
discurso médico nos faz refletir quanto

A educação escolar representada no interior da ordem médica pode ser compreendida


em uma grade que defende tanto a necessidade de escolas como um modo moderno ou
iluminista de instalação desse modelo de formação de homens e mulheres. (...) Educar,
pois, nessa nova perspectiva, passava a exigir a invenção de uma nova organização a ser
instalada em obediência aos imperativos dessa nova sociedade que se queria fundar;
para qual a escola deveria concorrer favorecendo o estabelecimento de um processo de
formação de longo prazo, durante o qual os indivíduos fossem educados pelas (e para)
as práticas desse mundo fabricado pela razão ilustrada e que se constituísse em uma
experiência útil à nova ordem.16

Durante o século XIX e inicio do século XX as preocupações médico-higienistas


também se encontravam diretamente relacionadas às questões de educação escolar, bem
como a sistematização de um modelo hegemônico para a escola. Gondra, afirma ainda
que durante o século XIX existia um “amplo projeto de constituição do Brasil como
Estado Nacional Independente”.17 No viés de um discurso onde a ignorância é
apresentada por médicos higienistas como um mal na vida do indivíduo e da nova
sociedade a qual se pretende construir, fincada num projeto burguês de progresso para
um novo país, se vê urgir nesse contexto a necessidade de investir na salubridade da
sociedade, via família e escola.
Para Gondra a medicina e a educação andaram juntas naquele que seria o “projeto do
século XIX”, de higienização dos indivíduos e das cidades. Educação e medicina
configuravam-se como projeto de reforma. Nesta direção afirma Schueler que

Desde meados do século XIX, a educação das crianças, jovens e adultos das camadas
populares livres, nacionais e estrangeiras, e libertas, constituiu um dos projetos de
reforma insistentemente discutido pelos dirigentes do Estado e por outros setores da
sociedade Imperial. A ênfase na instrução e na educação popular, viabilizadas pela
construção de escolas públicas e colégios, e pelo desenvolvimento da escolarização,
acompanhavam outros planos de intervenção dos poderes públicos na vida da população
e nos espaços das cidades, como a construção de ferrovias e bondes, a instalação da
iluminação pública, os projetos de saneamento, ajardinamento e cercamento de praças, a
regulamentação das festas, além da “ideologia da higiene”, responsável pela prevenção
e erradicação das doenças como febre amarela, que atingiam em cheio os setores mais
pobres da população.18
16
GONDRA, José G. Medicina, higiene e educação escolar. In LOPES, Eliane N., FARIA FILHO,
Luciano; VEIGA, Cynthia (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000, p.
526.
17
Ibidem, p.519.
18
SCHUELER, Alessandra F. Martinez de. Artigo: Crianças e escolas na passagem do Império para a
República. Revista Brasileira de História. Vol. 19, n.37, São Paulo, 1999, p.4.

7
Nesse contexto “ideológico da higiene”, proposto e projetado pela medicina, a família
se faz inserida como lócus da educação higienista, por se estabelecerem relações de
complexidade em seu interior o que também acontece por diferentes formas de
dependências no setor privado e público. Esse movimento cria um laço social de ligação
e organização dos indivíduos em torno da retenção de uma determinada situação
declarada e legitimada por setores sociais sem restrições.
O encadeamento de relações sociais sofre por meio da política de intervenção higienista,
em meio à relação de “poder” instituída pelo Estado e suas instituições públicas e
privadas, ações práticas permeadas de violência simbólica. Relação de “poder” que para
Foucault encontra-se inserida num escopo ideológico em meio aos discursos e práticas
sociais e que se constituiu historicamente. As ações práticas higienistas de incitar o
Estado a intervir através da norma na esfera do direito privado é citada por Donzelot.

A totalidade das medidas relativas à higiene pública e privada, à educação e á proteção


dos indivíduos, terá inicialmente efeito ao nível dos problemas colocados para a
economia pela gestão ampliada da população que ela ocupa; problemas de conservação
como também de integração e, a partir disso, elas se irradiarão, fazendo da esfera
industrial o ponto de aplicação e o suporte de uma civilização dos costumes, de uma
integração dos cidadãos. É com esse espírito de preservação da sociedade liberal através
da adaptação positiva dos indivíduos a seu regime, e somente nesse sentido, que os
higienistas incitarão o Estado a intervir através da norma, na esfera do direito privado.19

A moralização, a normalização, o contrato e a tutela estudados por Donzelot, nos trazem


esclarecimentos quanto à atuação do governo no meio familiar. As práticas em meio aos
códigos estabelecidos intervêm no cenário social perpetuando uma violência simbólica.
Diferentes personagens são convocados a entrar em cena e se tornar protagonistas na
transformação do indivíduo e da cidade por meio da educação e da medicina, dentre
alguns desses atores protagonistas encontramos a mulher, a criança e a família, ampla
população que compõem o Rio de Janeiro do século XIX.

Os Textos Literários Teatrais: estratégia pedagógica nos espaços escolares.

O movimento higienista promovido pelo campo da medicina trouxe a cena o jornal A


Mãi de familia e, os textos teatrais concebidos, por nós como estratégia utilizada para o

19
DONZELOT, Jacques. A Polícia das famílias. Tradução de M. T. da Costa Albuquerque; revisão
técnica de J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2ª ed., 1986, p. 57.

8
progresso. Identificamos no jornal publicado no período de 1883 a 1888, o foco central.
Especialmente do primeiro texto publicado, intitulado A herança, de J.A. Guyet20,
dramaturgo Francês, que escreveu diversas obras teatrais, como o drama “Clémence, ou
le Doig de Dieu”, além da “Patrimoine” que em português recebe o título de “Herança”.
No Catalogue Génerále de la Librairie française de 1840, encontramos referências
sobre o autor.

Imagem 3 - Texto: “A herança”


Autor: J.A. Guyet
Jornal A Mãi de familia de janeiro de 1879.
Acervo: Biblioteca Nacional

A prática pedagógica das diretoras de um dos colégios de meninas da Corte 21 foi um


incentivador na ação tomada pelo doutor Carlos Costa e seus colaboradores no que se
refere a escrever e publicar os textos teatrais. Os textos deveriam fazer parte do
processo educacional higienista, introduzindo neles valores (re)significados que aos
olhos dos autores cabiam ser inseridos no primeiro momento aos seios familiares pelo
viés feminino e paralelamente aos espaços sociais. Mediante as diferentes estratégias
utilizadas pelos médicos no sentido de propagar suas experiências empíricas e suas
idéias quanto a um novo modelo educacional de higiene, os doutores Carlos Costa e
Pires de Almeida, investiram no esforço de escrever textos teatrais e publicá-los por um
período de cinco anos.

20
Catalogue Génerále de la Librairie française, depois 1840, p. 622. Ver Anexo.
21
No periódico encontramos apenas o trecho supracitado que tece somente um elogio a prática realizada
pelas diretoras de um colégio da corte naquele período. Não nos foi possível até o momento identificar o
nome do colégio, o endereço e nem o nome das diretoras. O movimento de identificação dos personagens
e espaços escolares continua independente do fechamento desse trabalho.

9
No Brasil do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro, o teatro apresenta-se, entre
outros, como estratégia no processo de (trans)formação dos indivíduos e das famílias
atuando nos espaços sociais, como por exemplo nas escolas; residências e teatros.
Operando através de diferentes estratégias, médicos se utilizavam de mais uma
ferramenta com o propósito de codificar as relações entre pais e filhos segundo regras
bem precisas. Relações que segundo Foucault.

São certamente mantidas, e com poucas alterações, as relações de submissão e o sistema


de signos que elas exigem, mas elas devem estar regidas, doravante, por todo um
conjunto de obrigações que se impõe tanto aos pais quanto aos filhos: obrigações de
ordem física (cuidados, contatos, higiene, limpeza, proximidade atenta); amamentação
das crianças pelas mães; preocupação com um vestuário sadio; exercícios físicos para
assegurar o bom desenvolvimento do organismo: corpo a corpo permanente e coercitivo
entre adultos e crianças. A família não deve ser mais apenas uma teia de relações que se
inscreve em um estatuto social, em um sistema de parentesco, em um mecanismo de
transmissão de bens. Deve-se tornar um meio físico denso, saturado, permanente,
contínuo que envolva, mantenha e favoreça o corpo da criança.22

Em meio ao olhar atento e preocupado a medicina move-se em direção a uma


conscientização coletiva da família no sentido de cuidar e educar seus filhos quanto à
saúde dos mesmos, bem como a do próprio seio familiar. A família é vista como lócus
primário de transformação da sociedade no que concerne a saúde da cidade, conceitos
que estiveram presentes nos discursos médicos a partir dos fins do século XVIII e
durante todo o período oitocentista.
O texto a Herança tem como trama principal a realização de um “exame scientifico”,
promovido por Mme Mérillon, personagem que o autor intitula como rendeira. Com o
propósito de identificar nas sobrinhas de Mme Révissac, Carolina, Isabel e Virginia as
virtudes adquiridas em seu processo educacional. Tais virtudes se apresentam no texto
como sendo valores sociais extremamente importantes no processo educacional e de
formação da família naquele período.
O interesse e a adesão dos médicos na criação de novos textos, em especial a do doutor
Carlos Costa e a do doutor José Ricardo Pires de Almeida, que reforçavam a nossa
crença de que os autores acreditavam no recurso interpretativo e na literatura teatral
como ferramenta educativa e fomentadora de virtudes e valores numa mudança de
hábitos sociais necessárias e essenciais ao processo de intervenção higienista.
Porque utilizar-se do teatro como recurso no processo educacional da infância e da
família? Ao refletir sobre a questão levando em consideração o contexto da época e

22
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. MACHADO, Roberto (Org. e Trad.). Rio de Janeiro:
Edições Graal, 1979, p.199.

10
principalmente as ações médicas higienistas quanto a se inserir no processo como
autores teatrais. Entendemos como sendo clara, a intenção do autor em promover novos
hábitos, costumes e valores que, aos olhos dos médicos deveriam ser socializados, a
priori no espaço privado da família. Não é por acaso que a personagem principal é a
mulher, mãe de família. A imprensa como estratégia política, ideológica e educacional
agindo num viés de mudanças de hábitos e costumes, sociais ou privados, intervém nos
espaços familiares, bem como nas poucas escolas da Corte direcionadas as meninas.
Neste cenário, a literatura teatral surge como ferramenta educativa para gerar agentes,
mães ou mesmo futuras mães, de família e, assim promover as ações práticas que se
deseja aos diferentes meios sociais.
Na perspectiva de apoiar o projeto literário teatral desenvolvido nos espaços escolares e
ao mesmo tempo se utilizar como veículo de propagação dos valores políticos
educacionais, além da publicação dos textos, que visavam contribuir nos moldes de uma
educação burguesa e plebéia pelo mesmo viés da medicina higienista, os médicos,
segundo Gondra buscaram atuar como conselheiros nos espaços públicos sociais, bem
como nos privados (sociedade familiar) intervindo na “prática educativa” e no processo
de criação das crianças.

(...) a expressão “prática educativa” também se aplica a população carioca do século


XIX, que é referida, nas teses, como objeto de intervenção da ciência médica
mobilizada no tratamento dos temas. Ou seja: a população em geral e os alunos dos
colégios em particular são os objetos a serem tratados – em sentido médico – pelos
modelos e preceitos científicos mobilizados para expor matérias propriamente médicas.
Os modelos e preceitos são irradiados, por assim dizer, em uma operação que
perspectiva o social pelo crivo da doença, prescrevendo a saúde do corpo e sinônimos
da mesma para a alma, como a moral, por meio da ordenação racional do espaço
urbano, da organização metódica do tempo e saneamento físico ou higiênico como ação
civilizatória.23

A prescrição higiênica civilizatória que teve como ferramenta de intervenção os textos


teatrais atuou nas diferentes classes como política de entretenimento, mas
principalmente como objeto de inculcação de virtudes, modéstias, piedade e brandura de
gênio intervindo nos hábitos sociais e agindo na prática do “produzir sujeitos higiênicos,
higienizados e higienizadores.”24

23
GONDRA, José G. Artes de civilizar: medicina, higiene e educação escolar na Corte imperial. In.
CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Prefácio. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004, p.12.
24
Cadernos Cedes 59. Educação pela higiene: histórias de muitas cruzadas. Vol. 1, n. 1. In: GONDRA,
José Gonçalves. Homo hygienicus: educação, higiene e reinvenção do homem. São Paulo: Cortez;
Campinas, CEDES, 1980, p.26.

11
Entendemos ainda que a dramatização dos textos teatrais, além de proporcionar o
exercício intelectual das crianças as colocava em movimento corporal fazendo com que
os atores do espetáculo trabalhassem não somente as questões relacionadas a sua
intelectualidade mais também os “actos physicos”, que segundo doutor Carlos Costa
“garantirão a força das gerações futuras”. Acreditamos que este seja apenas um dos
motivos pelos quais os médicos higienistas tenham se prontificado a apoiar a ação das
diretoras dos colégios e buscado fomentar mais ações nesse sentido ao escrever os
textos teatrais como forma também de propagação dos seus “saberes científicos”.
Em resumo o texto de Guyet é rico em suas temáticas de valores sociais que para as
diretoras do colégio e os médicos propositores de uma higienização da cidade e da
família se faz essencial no que diz respeito à educação das mulheres, das crianças e da
família.
No cerne das inúmeras questões que não podemos deixar de refletir, a que diz respeito
aos leitores privilegiados se apresenta como uma das mais relevantes. Nem o
significativo percentual de analfabetos existentes no país inviabilizou o médico e
redator-chefe de tornar realidade o seu empreendimento, pois a elite daquele período se
fazia propagadora de notícias e discursos fomentados pelos periódicos e multiplicados
pelos leitores e ouvintes. Burguesia essa que seria a responsável na política de
multiplicação da nova educação e no surgimento de uma nova sociedade. No que se
refere a classe popular e a educação uma preocupação maior suscitava naquele
momento e dizia respeito principalmente aos escravos libertos e aos pobres quanto a sua
colocação na sociedade, a prevenção dos mesmos à criminalidade e a educação à qual
ele teria de ter.
No entanto o educar significava muito mais do que previnir a criminalidade e as
“desordens sociais”, afirma Schueler em seu artigo “Crianças e escolas na passagem do
Império para a República” publicado pela Revista Brasileira de História na
Universidade Federal Fluminense em 1999.
O doutor Carlos Costa em seus artigos, Palestra do Médico, indicia como sendo a
população da época, na sua maioria, independente da classe, ignorante no que se refere
a manutenção da saúde física e mental, colocando as mães como ignorantes no que diz
respeito a educação e cuidados com os filhos, uma visão higienista na época, onde
muitas creanças eram largadas a própria sorte.
Médicos, higienistas e intelectuais, como os doutores Pires de Almeida, Agárico e
Carlos Costa buscaram contribuir principalmente com aquelas que se tornariam mães,

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como por exemplo, as meninas dos colégios femininos da época. Em meio as inúmeras
questões que permeiam o objeto de pesquisa e movimentam a investigação no objetivo
de analisar os diferentes textos teatrais procuro identificar a relação do teatro com
processo de educação da época e o projeto de intervenção médica higienista do Rio de
Janeiro na formulação de uma idéia de progresso do país, pois para doutor Carlos Costa
tal progresso perpassa pela reeducação dessa mãe no sentido de proteger e melhor
cuidar, bem como na responsabilidade principal de educar seus filhos.

Considerações Finais

Ao investir esforços no objeto de análise teórica, o jornal A Mãi de familia, com foco
nos textos teatrais, norteado por uma perspectiva educativa e higienista do século XIX
no Rio de Janeiro, procuramos entender o real motivo pelos quais os médicos
higienistas resolveram atuar na escrita e na publicação de textos teatrais. Na busca por
compreender e clarear as questões suscitadas em meio ao processo de pesquisa, com
relação a medicina, a higiene, a educação e os textos literários teatrais, entendemos que
os textos surgem como uma crítica social, ao mesmo tempo, em que se procuravam
impor uma mudança de hábitos familiares inculcando valores virtuais que possibilitava
avanço salutar na sociedade. Acreditamos ainda que na visão dos higienistas o que
tornava os textos teatrais próprios e adequados as representações nas férias escolares
educacionais, era exatamente a possibilidade de trazer a cena questões que
incomodavam os higienistas quanto aos cuidados com a saúde da mulher, da mãe, da
criança, da família e da cidade.
As ações realizadas pelos médicos, no sentido de escrever e publicar os textos literários
teatrais indicia uma manifestação consciente no sentido de fomentar o desenvolvimento
do Estado. Mesmo ciente da existência de um alto índice de analfabetos e que alguns
poucos intelectuais no país são privilegiados quanto a leitura, sabe-se, porém, que havia
uma prática dos plebeus de se fazerem ouvintes das leituras desses privilegiados, o que
proporcionava portanto a fomentação e ampliação da informação desejada pelos
higienistas e a inculcação dos propósitos educacionais estabelecidos pelos médicos
higienistas, utilizando-se do sentido da audição.
Quanto aos textos literários teatrais a que se propõe escrever os médicos Carlos Costa e
Pires de Almeida encontram-se fundamentados em experiências empíricas focadas

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numa atualidade social das quais os mesmos são propositores de mudanças urgentes em
prol do progresso que se objetiva para o país.
No que concerne às questões problematizadoras e mobilizadoras do artigo esperamos ter
possibilitado, no decorrer do processo de investigação, desenvolver o entendimento ou
pelo menos ampliar as questões e o interesse sobre o tema. Não temos nenhuma
pretensão de responder com a verdade as questões suscitadas, é claro. Mas, esperamos
ter provocado o interesse nos assuntos tratados na pesquisa, em especial pelo teatro
como ferramenta pedagógica capaz de intervir e auxiliar no processo educacional do
sujeito, bem como na mudança de comportamento de toda e qualquer sociedade.

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