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OS EFEITOS DAS IMAGENS NA SAÚDE :

IMAGOTERAPIA

Autora: NINA LÚCIA MOOJEN LAZZAROTTO


(número de direitos autorais: 444.934, livro:853, folha: 94)

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ÍNDICE:

Prefácio, 3
Introdução, 5
Caminhando com imagens, 6
O que é Imagoterapia, 12
Radiestesia Quântica e Imagoterapia, 19
O uso do pêndulo radiestésico em Radiestesia Quântica e Imagoterapia, 26
Poluição de Imagens, 36
Imagem e Ambiente, 48
A Imagem Alimenta a Alma, 64
As Imagens no Corpo-Alma-Espírito, 83
Civilização Amarga, 105
Imagens, Sonhos e Símbolos, 125
Alguns Relatos de Casos de Uso das Essências de Imagoterapia, 155
Imagem - Energia – Informação – Ordem, 161
Como Usar as Essências Vibracionais de Imagens de Imagoterapia, 205
Glossário, 220
Bibliografia, 222
Agradecimentos, 236

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Prefácio

Hoje tenho a certeza que construímos uma família biológica e temos uma família espiritual a qual
reencontramos de acordo com a nossa caminhada, neste e em outros planos.

Cada vez que penso, falo, ou encontro, com Nina vejo, claramente, que nesta família terrena ela
veio com a missão de redirecionar a cura sutil e integral do ser humano, que se concretiza através
das imagens de Imagoterapia.

Conheci Nina na farmácia que trabalho e sempre que ela chegava me chamava atenção.

Em 1999 eu estava dentro de uma confusão interna mental, emocional e espiritual e, acompanhada
por uma homeopata, estava desenvolvendo a árdua tarefa de enfrentar a confusão com a tentativa de
descobrir o que eu queria para a minha vida. Como manifestação somática desenvolvi uma reação
alérgica que não conseguia reverter. Foi nesta situação que reencontrei Nina, na farmácia, e ela me
sugeriu que eu tomasse a essência de Imagoterapia “DESTINO MELHOR” (4 conta-gotas manhã e
noite, por 2 meses). No segundo vidro comecei a “clarear” minhas vontades, no terceiro veio a
decisão de que, pela primeira vez na vida, eu deveria me permitir ousar; no quarto, comprei uma
passagem para a Espanha e, no quinto vidro, iniciava a peregrinação do Caminho de Santiago de
Compostela. Mudei minha vibração interna e nunca mais desenvolvi reação alérgica.

Quando voltei do Caminho, reencontrei Nina novamente e participei de alguns encontros de


Imagoterapia onde tive a oportunidade de experienciar imagens projetadas sobre o meu corpo, e
também de estar presente no preparo de algumas imagos em um ambiente tranqüilo com uma bela
música.

A Nina Lazzarotto é uma pesquisadora estudiosa sensata que busca caminhos e respostas
respaldadas na física quântica associada a sua sabedoria milenar e que agora afloram com a certeza
que este é o seu propósito de vida, o seu dom singular, o seu talento de necessária doação.

E quando misturamos esse talento singular com benefícios aos outros, experimentamos o êxtase da
exultação de nosso espírito, compartilhado com o supremo objetivo.

Trabalhamos na farmácia com o kit das essências de Imagoterapia, sendo que sugerimos aos
clientes que escolham a(s) sua(s) essência(s) conforme a intuição focalizada na sua intenção. É
impressionante o retorno, pois as escolhas feitas coincidem diretamente com as necessidades do
cliente; e as respostas são rápidas, objetivas, suaves e duradouras.

Tenho certeza de que a riqueza de informações contidas nas páginas deste livro trará a todos que
tiverem a oportunidade de lê-lo, muitas respostas e insights.

Como afirma Deepak Chopra “O conhecimento é uma prisão. O desconhecido é que é o campo da
potencialidade pura, o campo no qual precisamos entrar”.

Namastê

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Daniela da Rosa Moreira

(Homeopata, farmacêutica e cooproprietária da farmácia de manipulação ENERGIA VITAL de


Porto Alegre e responsável técnica pelo meu produto – as essências de Imagoterapia)

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Introdução

Imagem e saúde estão interligadas além do que nossa imaginação alcança. Não apenas porque a
imagem desprende fótons que absorvemos, mas também porque introjetamos psicossomaticamente
o seu significado, pois a imagem provoca sensações e desejo/ ou aversão. A imagem associada à
marca dos produtos define escalas de valores e estilos de vida, assim como desloca recursos
materiais, humanos e financeiros para certos setores econômicos, determinando a distribuição da
renda e do emprego. Fazendo parte da nossa rede de significados, a imagem é atrelada aos nossos
pensamentos (lembranças, fantasias, crenças e criatividade).

Desde 1984, pesquisei imagens que têm efeito terapêutico sobre as pessoas, tanto a nível
psicológico, como comportamental, e constatei que imagem e destino são inseparáveis. Duas
trilogias são constantemente empregadas neste livro, as quais peguei emprestado de outros autores.
Uma delas é a trilogia informação-matéria-energia de Berger (2003) e a outra é corpo-alma-espírito
de Steiner (1991) e Guillé (1994), esta última, para expressar a inteireza da saúde física, psíquica e
espiritual do Eu. Essas trilogias estão associadas às explicações que se referem aos efeitos das
imagens no destino da saúde humana. Minha abordagem é interdisciplinar, pois todas as disciplinas
têm algo a dizer sobre a imagem, e este sujeito-objeto-fenômeno, que é a imagem, além de ser
inesgotável, está em contínuo desenvolvimento ligado às diversas atividades humanas em vários
domínios. Os demais termos empregados nesse livro são descritos no glossário com o objetivo de
esclarecer sobre que aspecto abordo no meu discurso.

Quanto ao termo Imagoterapia (imago=imagem) escolhi, dentre outros, para intitular meu método
terapêutico, cuja particularidade tem a ver com imprints de imagens terapêuticas em álcool usado
em de homeopatia, manipulados e diluídos em água mineral - em farmácia de manipulação - para
serem ingeridos enquanto essências vibracionais de imagens, que têm por objetivo obter feitos
positivos imediatos no nosso dia a dia, como também corrigir problemas mais profundos ao longo
do tempo.

Na primeira parte desse livro procuro descrever o que consiste a Imagoterapia e Radiestesia; na
segunda parte discorro sobre os efeitos psicológicos e espirituais das imagens em geral na vida das
pessoas; e na última parte, sobre os efeitos eletrobioquímicos. Em anexo há uma lista das essências
vibracionais de imagens terapêuticas com a descrição dos seus efeitos na saúde e no destino.

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CAMINHANDO COM IMAGENS

Meu interesse por imagens vem desde a infância. Na adolescência, comecei a fotografar e montei
um laboratório improvisado na casa dos meus pais para revelar fotos em preto e branco. Na época,
fiz um curso rápido de fotografia, mas não me considero uma fotógrafa, embora sempre tenha tido
prazer em fotografar. Fico tentando encontrar, nos lugares por onde passo, um ângulo, uma luz, uma
forma que me diga alguma coisa, que me informe sobre o que me falta saber sobre mim mesma e o
mundo. É uma busca interminável e pretensiosa, mas apaixonante. Ao mesmo tempo, faz com que
eu me sinta diminuta, porque gosto muito de utilizar também – em Imagoterapia – imagens do
cosmos, como nebulosas, galáxias, fotos que só posso comprar prontas. Ainda bem que existem
fotógrafos apaixonados pelo cosmos, senão, eu teria de me virar do avesso e fazer vidas paralelas
para conseguir as imagens que busco.

Essas imagens de cura precisam tocar minha alma e meu espírito e me tornar sensível a alquimizar
minha vida, me sintonizando com novas possibilidades de movimento que façam mais sentido para
mim. Preciso sentir que a trajetória da vida que me cabe tenha um sentido, um significado, e eu,
como agente do meu destino e ao mesmo tempo como poeira cósmica, reivindico paz, paz para os
tormentos da vida. Sentir-me viva neste lugar e neste tempo e estar consciente – e sem tentar velar
realidades que se desdobram na minha frente – sobretudo sem que isso me doa, é uma tarefa
impossível, a menos que a arte suavize e me atinja de perto. A música e as imagens me cativam os
ouvidos e os olhos. O som do vento nas folhas de uma árvore na primavera, violinos de
Tschaikowsky enquanto dirijo o carro olhando para o mar... Isso são apenas informações de
instantes maravilhosos da vida. A forma que essas imagens tomam, de momentos bons como esses,
tem informação de felicidade.

O que percebi ao longo do tempo e da pesquisa sobre o significado de cada imagem foi que a
imagem quer dizer alguma coisa e pode tocar a alma das pessoas alterando algumas vezes até o
destino delas.

Antes de ser radiestesista e de me interessar por assuntos espirituais e holísticos, eu era economista,
estudiosa do pensamento marxista e completamente impregnada por ele. Considerava, e ainda
considero, o materialismo histórico dialético uma teoria muito elegante. Acho que se Marx tivesse
lido sobre Taoísmo, teria previsto o próprio fim do comunismo, ou jamais teria proposto uma
ditadura do proletariado como solução para pôr fim ao capitalismo. Os seres humanos precisam de
liberdade.

Comecei a me interessar por espiritualidade porque cansei de resistir, negando a sua existência.
Sempre fui sensitiva o bastante para perceber o efeito de forças espirituais, tanto maléficas, quanto
benéficas. Continuando a me ater somente ao ego e ignorando o espírito, só estava negando a parte
mais fundamental de mim mesma, o núcleo da minha identidade e a força propulsora da minha
individuação. Da minha infância até meados da adolescência, eu era o que se podia chamar de
"mais ou menos" católica. O germe da minha espiritualidade atual começou a se ativar no final da
década de 70, início da de 80.

Nessa época, foram as leituras sobre o pensamento de Gurdieff e Gandhi, como também sobre
Taoísmo e mitologia, e o uso do oráculo chinês I Ching, que marcaram meu despertar espiritual. As
leituras de Shri Aurobindo, Jung e Krishnamurti me trouxeram para intensificar minha consciência

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no presente e focalizar as verdades da vida. Até então, eu era apenas uma estudiosa de psicologia e
psicanálise, porque buscava uma explicação para os fenômenos sensitivos que eu presenciava
apenas no nível de minha alma.

De 1984 a 1988 morei na França, cursando seminários sobre Radiestesia e outras terapias holísticas.
Lá, tive contato com um aluno do médico colombiano Francisco Ríos, que tratava seus pacientes
usando imagens de slides. Interessada no método, eu decidi me submeter a alguns tratamentos com
o discípulo, que consistiram em colocar imagens sobre o meu corpo, enquanto eu escutava música.
Seguidamente, ele ministrou-me o que chamava de agüitas, obtidas a partir de algumas imagens
previamente utilizadas.

A partir de então, enquanto radiestesista, (pelo método da Radiestesia Quântica), comecei, por conta
própria e com a ajuda do pêndulo, a fazer uma extensa pesquisa sobre o uso das imagens, não
apenas para a cura, mas também com o intuito de desenvolver a consciência e interferir no destino,
de forma a melhorar a qualidade de vida e reforçar a busca pelo autoconhecimento e individuação.

A possibilidade de usar imagens para conectar as pessoas com o seu próprio íntimo e com o
desenrolar dos seus destinos, incentivou-me a buscar um número cada vez maior, variado e rico de
imagens nas minhas viagens peregrinatórias. Hoje, já possuo um acervo com cerca de 3.000
imagens, que aumenta a cada dia, não só com as viagens que fiz, mas também com a ajuda de meus
queridos amigos.

Quanto mais fui encontrando imagens terapêuticas e combinando-as em grupos, numa certa ordem
especificada pelo pêndulo, percebi que o efeito de cada exposição de Imagoterapia sobre mim era
de serenidade. Um lixo de medos, culpas, raivas, ansiedades, angústias, dores, inquietações,
dúvidas, pressões, trevas, se esvaziava. Minha consciência ficava limpa, como “faxinada”, para dela
brotarem coisas novas, criativas, de forma espontânea. Cada vez sentia mais vivamente minha
conexão com a natureza, com o universo, com uma dimensão de consciência em que meu amor pela
humanidade aumentava mais e meu desejo de contribuir com minha pequena parte crescia e
ganhava significado. Meus valores passaram a partir mais da essência do meu ser e menos de meu
ego.

Percebi que o lixo que eu esvaziava, na verdade, não era importante e nem tinha relevância: era um
excesso, tal como gordura nas artérias, uma coisa a ser eliminada para o fluxo da vida circular
melhor, trazendo-me mais sanidade e lucidez.Essa busca de serenidade não se trata de uma aversão
ao caos, mas de um desejo de conviver com o caos, com presença de espírito e com ferramentas
capazes de criar novos estados de ordem e clareza, que servem de âncora para questionamentos que
me levem a crescer espiritualmente e apaziguar minha alma.Não me tornei uma pessoa perfeita e
nem descobri o elixir da saúde. Encontrei um meio de me sentir melhor, desintoxicando minha
consciência em vários níveis e liberando espaço para a criatividade, reflexão, compaixão, amor,
desapego, humor, contato com meus dons, aumento do meu interesse em meu auto-aperfeiçoamento
e na expansão de minha consciência.

A contemplação de imagens terapêuticas me devolve ao tempo e espaço internos que preciso para
me recarregar de energia, sanidade e lucidez a fim de fazer face à aceleração da vida, à
complexidade crescente, ao acúmulo de informação e às distorções de percepção dessa nossa
condição de vida atual.

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Ao longo de minha luta, avidez e teimosia em querer racionalizar as experiências e conhecer a
natureza das coisas, descobri que, na verdade, quando eu cessava esse esforço e simplesmente
contemplava a experiência e me fundia com ela, sem avaliá-la, numa percepção direta e tranqüila,
os insights brotavam, e só nesse estado de consciência eu realmente estava em contato com a
natureza da vida e podia confiar na intuição sem medo. Percebi que o meu pensamento se ativava
para controlar o medo da transitoriedade das coisas e o que esse medo podia, de fato, era me afastar
da compreensão da natureza delas e frear a fluência da minha espontaneidade criativa. Finalmente
as leituras de Krishnamurti e Aurobindo surtiram o efeito necessário para que isso acontecesse na
minha consciência de fato.

Esse insight me levou a buscar uma forma de criar uma disciplina de atenção e contemplação e
transformar a natureza do meu medo. Passei a usar o medo de perder a unidade com o todo como
uma mola para evitar o fracasso e os desapontamentos. Cada vez que entro em conflito, sofro ou me
debato, tenho a opção de me mover para a contemplação na quietude criativa e fazer as pazes com a
unidade dinâmica e mutável da dança da vida interna e externa. Percebi que a quietude atenta e
interativa é o melhor meio de perceber a natureza do movimento interno e externo, e também
despertar minha criatividade, viver experiências sagradas e conectar com verdades cada vez mais
alargadas.

Hoje, considero que o fenômeno sensitivo que mais me equilibra e me traz paz é o da consciência
da Unidade de tudo que existe em qualquer tempo e em qualquer espaço. É uma pena que este
estado de consciência não seja permanente, e seja perturbado pelas forças caóticas. Mas, ao mesmo
tempo, todos sabemos que o caos estimula a criatividade e a luta pela busca de novos estados de
equilíbrio mais consistentes. No entanto, só ficamos gratos à existência do caos depois que ele já
passou e que percebemos o quanto crescemos e evoluímos com os sofrimentos, conflitos e dor.

A forma de usar as essências e a classificação do poder que cada imagem tem sobre as pessoas foi
estabelecida, de forma organizada, na ocasião em que tive um insight integrador do método em
1993. Posteriormente, foi com a ajuda do pêndulo que eu selecionei o meu kit atual de essências de
imagens de Imagoterapia, cujas características e efeitos serão descritos e enumerados
posteriormente.O processo de buscar de justificativas científicas se acelerou a partir de 2000. Nessa
ocasião eu mostrei meu trabalho para as proprietárias da Farmácia Energia Vital de Porto Alegre
(Daniela e Kátia) e elas se interessaram em manipular minhas essências e vendê-las na farmácia. O
apoio delas foi e tem sido vital para meu trabalho.

Várias pessoas me pediam explicações de como meu método funcionava, pois dei palestras sobre o
assunto, então resolvi escrever um livro, o que não foi fácil para mim, pois além de eu não ter
prática em narrativa de nenhuma espécie - quanto mais científica - foi muito complicado retirar das
leituras que fiz sobre imagens, uma justificativa científica para os efeitos delas nas pessoas. Artigos
científicos na área de imagens terapêuticas quase não existem. Então, comecei a “peregrinar” pela
interdisciplinaridade associada às imagens e seus efeitos sobre as pessoas. E o resultado foi não-
conclusivo, embora tenha sido possível formular algumas hipóteses que, talvez no futuro, sejam
provadas cientificamente. A dificuldade está em “fazer caber” a Imagoterapia no corpo teórico das
disciplinas existentes, pois a cada explicação numa disciplina, entra fatores de outra, assim esbarra
com os limites do nosso conhecimento atual. Embora já estejamos meio imersos no mundo virtual,
não sabemos, com clareza, aonde isso nos levará, pois a imagem parece estar intimamente associada

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ao destino humano, ao devir e ao inconsciente. Alguns autores, como veremos, chegam a afirmar
que podemos ser “possuídos” pelas imagens.

Neste livro uso uma série de expressões relativas à psique humana e à espiritualidade, que podem
ser compreendidas de outra forma que não seja aquela a qual me refiro, por isso as introduzi no
glossário. Acho interessante, portanto dar uma olhada nele antes de prosseguir a leitura. Na área de
pesquisa bibliográfica também contei com amigos para me orientar, corrigir meus textos, questionar
minhas afirmativas e, sobretudo, me incentivarem. A ajuda do físico e matemático, Luiz Augusto
Saeger e da psicóloga Marisa Campio Muller foi inestimável com suas questões, sugestões e
amizade.

Levei tempo para terminar esse livro porque minha mente mergulhou no logos em busca de uma
lógica que explicasse o funcionamento de uma técnica empírica que tem efeito positivo nas pessoas
e animais. Assim, me parecia que se eu explicasse cientificamente a Imagoterapia, o método ficaria
racionalmente validado. Na medida que fui lendo sobre o uso das imagens nas diversas disciplinas
constatei que, motivos racionais, tais como o lucro, estão ligados com o uso das imagens; no
entanto, estes motivos mais parecem irracionais, pois geram desperdício, ilusões e artificialidade.
Certas imagens, portanto, têm efeito nocivo, pois provoca avidez pelo consumo, tornando o nosso
estilo de vida medíocre e egoísta. Seguir o que certas imagens ditam tornou-se um hábito alienante,
modificando o sentido do que é adequado ao ser humano.

Por outro lado, ficou bem claro para mim que certas imagens ditam comportamentos. Vão direto ao
sistema neural, provocando reações bioeletroquímicas no organismo. Imagens de cunho terapêutico
podem, portanto, contribuir para curar a alienação de si nos protegendo de um caminho artificial,
que pode gerar vazio e depressão. Procuro sempre imagens associadas a significados estimulantes,
que levam o sujeito a conduzir seu destino de forma mais sã e digna.

Independente de todo material científico que encontrei ligado às várias disciplinas cada uma com o
seu olhar sobre a imagem, minha experiência de mais de vinte anos com imagens terapêuticas, se
validou por si própria, a despeito de qualquer racionalização que eu tenha consigo elaborar a
respeito dela. Porque nada do que funciona com eficácia em terapia é só ciência. Implica também,
na arte de transformar o caos psicossomático em sucessivas re-organizações mais sãs. E, para isso,
me joguei de corpo-alma-espírito no meu trabalho, na busca do corpo-alma-espírito do paciente,
levando em conta uma integração moral, em que o sujeito (eu, paciente) se comprometa com seu
destino.

O papel das imagens terapêuticas na minha vida foi crucial para a minha sobrevivência ao estresse.
Percebi que só de olhar para a uma paisagem linda ou para um céu estrelado eu já me equilibrava.
Isso, a maior parte das pessoas já percebeu, mas nem sempre se oferece esse presente e acaba se
cercando de cimento e artifícios eletrônicos estressantes. Vivemos desassossegados. Quando nos
ligamos Terra-Cosmos ficamos mais mansos e sossegados no corpo-alma-espírito.

Olhando para a natureza comecei a me ater às propriedades das formas aliadas às cores. A imagem
é luz a varias freqüências de cores mostrando formas, ondas de formas, formatos. A luz e as formas
vão direto ao desejo humano, ao sistema sensório-motor, às decisões e comportamentos. O poder da
sedução da imagem da propaganda, por exemplo, pode despersonalizar a pessoa que deseja
personificar um estilo de vida que não lhe é próprio, mas que está associado a um objeto que lhe dá

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determinado status ou pode produzir um prazer artificial. O sujeito se identifica com o objeto e se
torna objeto de exploração econômica e de enganação. Dissociado de si, torna-se alvo frágil para se
associar com outros objetos e seres objetados. Cai numa armadilha psicológica e econômica, pois
passa a trabalhar para pagar dívidas e juros, apenas para ter um símbolo falso que lhe foi incutido
como um artifício para alimentar seu narcisismo.

A personalidade se distorce com tantas máscaras e artifícios em detrimento do ser genuíno. Os


artifícios são artimanhas para mascarar seu aspecto, e por trás, está o seu estresse psicossomático da
correria que o sujeito fez para poder pagar mais artifícios. É uma corrida Thanatus (de morte) na
fantasia de encontrar o Eros (a vida, o prazer) que nunca satisfaz. As imagens vendedoras desse
estilo de vida penetram no interior da pessoa, fazendo parte da sua persona (máscara) , pois se
supõe necessário incorporar um personagem para não ser excluído do espetáculo, desperdiçando sua
inteligência para realimentar essa atitude artificial dissociada do que seria um ser genuíno na vida
real. Acaba se identificando com esse personagem e passa a tomar anti-depressivos para se suportar
e suportar a vida. Assim, se acostuma e se familiariza com coisas e eventos abusivos, mantendo
uma postura aceitável socialmente.

A pessoa sai de casa e já é espetáculo para os olhos alheios que o avaliam para ver se ele é
descartável ou não. Se a pessoa recebe os outros na sua casa, ela é avaliada pelo bom ou mau gosto
no uso de artifícios que ocupam o espaço em que vive. Assim sendo, é avaliado pelo que mostra que
tem. Objeto olhando objeto. Sujeito objetado pelos artifícios e se sujeitando a essa condição. A
qualidade da pessoa é invalidada, a menos que se sujeite a jogar o papel que lhe é esperado, sendo
que ela pode ser descartada ou não não, conforme as necessidades devidamente racionalizadas,
numa relação destituída de alma, de dignidade moral.

Qualquer sujeito que queira desestruturar essa artificialidade constituída por grandes bancos,
indústrias, sociedades anônimas, agências de publicidade, associações, comunidades científicas,
sistemas jurídicos, etc, é direta, ou artificialmente, descartado como um objeto indesejável,
literalmente desprezado, passando até ser objeto de aversão. A novidade só é aceita se for para
aperfeiçoar as formas da aparência dos atores e dos artifícios por eles utilizados enquanto
personagens, os quais querem mostrar sua imagem no show da vida.

Por trás de toda essa atitude superficial humana existem milhares de trabalhadores desconhecidos a
serviço da manutenção desse espetáculo, como bem fala Baudrillard. Uma pequena parte das
pessoas “faz sucesso ‘, enquanto uma grande parte de “fracassados” fica assistindo, envolvida na
fantasia, ou indignada pelo sofrimento que essa vida artificial lhes causa. A imagem tem sido
associada ao dinheiro que vai para o bolso de quem vende fantasias e artifícios.

Salvam-se as imagens da arte, da ciência da saúde, das paisagens, do cosmos e da beleza que emana
equilíbrio, e outras que atuam no sentido de valorizar o ser humano e sua história, o amor, o
conhecimento transparente, a saúde psicossomática e espiritual. Como diz Enriquez (2007) aonde
há amor existe uma possibilidade de relação e interação humana real.

Consciente do poder da imagem - no bom e no mau sentido - pesquisei e continuo pesquisando


imagens que melhorem a qualidade de vida, usando significados, formas e cores, que sinalizam
saúde psicossomática, moral e espiritual. As informações das imagens terapêuticas de Imagoterapia
são passadas através da luz, do álcool e da água vão penetrar no sistema sensório-motor e neural,

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como uma variável nova, que desestabiliza velhos padrões da persona e bifurca para uma atitude
criativa mais em conformidade com o Eu do sujeito.

Os significados das imagens atentam para valores ligados a um desenvolvimento espiritual mais
consciente. Cada paciente vive em si esse sinal, conforme este é ressonante com seu eu e com seu
contexto. Os resultados são, sobretudo, de natureza qualitativa. Enquanto certas imagens de
propaganda propagam sinais para a formação de um estilo de vida artificial, as imagens terapêuticas
– a Imagoterapia – propagam sinais para um estilo de vida mais natural, pois leva em conta a
natureza humana, sem fazer uso dela para despertar desejos e instintos de aquisição de artifícios;
mas sim, para dar mais autonomia ao sujeito no desenrolar do seu destino. Quem toma as essências
de Imagoterapia passa a prestar mais atenção às nuances de transparência nas relações humanas e
fica acompanhando os acontecimentos mais conscientemente.

Busco o reverso da alienação, o que significa que não quero estar sitiada numa situação e submetida
a contextos indesejáveis e ficar alheia, vivendo fantasias e loucuras estranhas ao meu Eu. Fantasias
de guerra e de divertimentos (prolongamento de brinquedos infantis) em que adultos agem como
adolescentes imaturos, violentos ou preguiçosos, sobretudo distraídos da verdade e do respeito. Esta
atitude alienante marca uma civilização que não amadureceu e que não enfrentou a vida com bom
senso, com arte, com amor, com sabedoria, com respeito, com cuidado e com tudo mais que faria o
sujeito ser digno e ficar satisfeito de estar vivo.

Gurdjieff (in Ouspensky, 1983) afirmava que para nos tornarmos seres evoluídos temos de ter como
propósito buscar a consciência permanente pela observação de si no dia a dia. A partir desse estágio
de observação de si, podemos observar a forma e o ritmo dos efeitos de nossas atitudes sobre os
outros nas situações ligadas ao nosso propósito. Essa técnica de observação de si, define uma
maneira de encarar as facetas de nossa persona – “os pequenos eus” – que nos influenciam criando
conflitos contra ao nosso propósito de ficar consciente. Se experimentarmos tomar recuo e nos
olhar, como uma imagem que vemos de fora, o sistema neural reage de uma forma nova mais
flexível, ficando receptivo a insights que permitem um maior autoconhecimento e uma atitude mais
criativa capaz de modificar pouco a pouco nossa condição e nosso contexto. Também é possível
fazer várias tentativas de um recuo ainda mais amplo e global, como para obter uma prévia de nosso
caminho autobiográfico, acompanhando o fio que se desenrola na teia de na nossa encanação. É um
trabalho sobre si que permite abrir a percepção e que nos torna mais inventivos.

Em busca de ampliar minha consciência me deparei com as imagens e ao, mesmo tempo, meu
caminho com imagens se transformou num caminho em busca de mais consciência.

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O QUE É IMAGOTERAPIA?

"Mudei para o mundo das imagens. As imagens mudam a


alma da pessoa para outra coisa. As imagens tomam a
alma da pessoa".
Fernando Diniz, citado por Nise da Silveira, em O Mundo
das Imagens

Arte, ciência, discurso

Muitas pessoas me questionam sobre o fundamento científico da Imagoterapia. Eu me fiz a mesma


pergunta, ao longo dos anos em que venho pesquisando o efeito das imagens. Embora tenha
encontrado explicações científicas em várias disciplinas, para mim ficou claro que ser
imagoterapeuta, radiestesista, ou ter qualquer outra profissão é muito mais uma arte do que uma
ciência.

A arte provém de vocação e de talento, um dom de criar uma expressão externa a partir de uma
impressão interna, uma visão nova a partir de uma experiência única de vida e da maneira como
articulamos nosso conhecimento. O próprio cientista, que cria teorias e as comprova para a
comunidade científica, o que ele possui, na verdade, é a arte de fazer ciência. É a expressão de sua
paixão pelo conhecimento e do desejo de aprimorar o mundo introduzindo novos conceitos que
abrirão portas para novas aplicações que possam ser úteis para a humanidade.

A ciência empírica é tão transitória quanto nossa passagem pela vida. Ligada ao tempo, a ciência é a
história do movimento e da direção do pensamento e da pesquisa, que vai tomando rumos novos
conforme integra novos insights de sucessivas visões do mundo, mais abrangentes ou mais
profundas. É o conhecimento reconhecido pelo meio acadêmico, que se desatualiza na razão direta
da velocidade das pesquisas e dos experimentos que introduzem novas variáveis e novos enfoques.
Para Pierce (1993), a ciência é coisa viva, pois além de ser uma busca dos homens, está sempre em
metabolismo e crescimento, assim como de sistematizações do conhecimento.O conhecimento
sistematizado está nas prateleiras para ser usado, enquanto o processo vivo de fazer ciência consiste
em distender o arco na direção da verdade, com a atenção no olhar, com energia no braço.(pp14,
1993).

Entendo que é muito difícil lidar com alguma coisa que, por preconceito, não se aceita e nem sequer
se deseja saber mais a respeito, pois as pessoas preferem se defender e deixar de lado, no “arquivo
dos fenômenos inexplicáveis”. A atividade oscilatória do mundo invisível segue acontecendo e
existindo, independente da natureza de nossas crenças e continua sem ser devidamente
compreendida e integrada, como um ponto cego no foco da abordagem científica. A barreira que
existe atualmente contra a pesquisa e a integração desse conhecimento pode ser comparada àquela
que havia na época em que não se aceitava que a Terra é redonda. Tal como se lá longe houvesse
monstros ameaçadores que pudessem nos atacar, ou seja, essa barreira só dá margem a fantasias que
sustentam nossa ignorância. A dificuldade que caminha junto com essa postura está relacionada
também com questões a respeito da energia que anima as coisas, a psique e a vida.

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Foucault afirmava que no discurso, ele prefere, em vez de tomar a palavra, ser envolvido por ela,
como se ela tivesse dado algum sinal para ele prosseguir falando com transparência, permitindo que
as verdades se elevem, sem exclusões (tabus, mascaras, rituais) e sem interdições impostas
(pressões, segregações, rejeições institucionais).Ele demonstra que o discurso não é só manifestação
do desejo, mas é também, o objeto de desejo, que é aquilo pelo que se luta, o poder do qual nós
queremos nos apoderar.(pp.10, 2001). Ao mesmo tempo, o discurso precisa ir de encontro à
vontade de saber e de investigar as verdades. Para ele (1982), não há saber neutro; todo o saber é
político, o qual pode ser registrado, e muitas vezes é transferido para pontos altos da hierarquia do
poder, portanto apropriado.

Para Foulcaut, (1982) aqueles que exercem algum controle e delimitação no discurso, estão
excluindo à parte aquilo que põe em jogo o poder e o desejo. Enfatiza que o autor do discurso
precisa estar por trás da narrativa, com sua experiência pessoal e sua historia real, para poder dar
ordem ao que foi dito e para que se possa formar seu perfil. Mesmo havendo métodos, regras e
técnicas para construir enunciados, é necessário haver possibilidade de formular proposições novas.

As disciplinas, tais como a medicina, para Foucault, são feitas tanto de erros como de verdades, pois
esses erros podem ter tido uma eficácia histórica, com valores simbólicos, virtudes e propriedades
válidas outrora. No entanto, fixar em procedimentos passados, pode restringir e excluir uma
proposição nova para fora da medicina, por não pertencer ao seu horizonte teórico com suas
exigências complexas e pesadas, e assim, a proposição nova, algumas vezes, corre o risco de não
ser reconhecida. (pp.32, 2001).

Foucault comenta que o inovador em ciência biológica emprega métodos teóricos estranhos à
biologia, como foi, por exemplo, o caso das descobertas genéticas de Mendel. Para Foulcaut (2001),
um novo objeto pede novos instrumentos conceituais e novos fundamentos teóricos que põem não
serem “verdadeiros” dentro do discurso biológico de sua época, pois é preciso uma mudança de
escala e um desdobramento de todo um novo plano de objetos e conceitos biológicos. É o que Capra
chamou de novos paradigmas. O que Foucault quer destacar é que não se pode encontrar o
verdadeiro, sem se submeter a certas regras de uma política discursiva, que parece ser sempre uma
re-atualização dessas regras.Isso, para ele, é uma forma de coerção e de restrição.

Outra barreira que limita a inovação é a imposição de exigências específicas de qualificação sujeitas
a determinadas instituições, o que, para Foucault (1982), torna certos discursos impenetráveis e
proibitivos na área em que eles se propõem a atuar. Além disso, ele ressalta que discursos
terapêuticos, entre outros, obedecem a um ritual pré-estabelecido, de comportamentos e gestos que
caracterizam um papel a ser atuado em ambientes restritos, parecendo ser uma ritualizaçao da
palavra, uma qualificação e definição de papéis, em que a sujeição é tácita, sendo que nem sempre
transparece uma ética e nem significados e sentidos transparentes. Nesse contexto, sujeito do
discurso só é reconhecido se ele se submeter às regras.

Para Foucault (2001) existe uma logofobia e um recalque, pois há o temor de que novos discursos
possam causar desordem e descontinuidade num conhecimento aparentemente já estruturado. No
entanto, significado, originalidade, unidade e criação são a marca da história tradicional das idéias,
que acontecem e se disseminam na cultura dos povos. Segundo ele, a descontinuidade rompe um
instante e pede uma reorganização do conhecimento, apesar de golpear uma forma prévia de

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discurso e provocar reações coercitivas, através da crítica, que pretende visar uma exclusão,
delimitação e interdição.

Acredito que a mente tende a se organizar quando existe um movimento em busca de uma
identidade, e/ou de um propósito. Ao mesmo tempo, esse movimento é desencadeado justamente
quando a mente sofre uma descontinuidade e perde o senso de eu e/ou senso de rumo. Às vezes,
podemos pensar que para explicar alguma coisa em ciência, só há um caminho contínuo, no entanto,
veremos mais adiante, por exemplo, que com a imagem, várias disciplinas científicas abordam esse
assunto por enfoques diferentes, que podem dar a entender que há uma descontinuidade no discurso.
No entanto, é essa descontinuidade que me permitiu continuar interrogando e investigando entre
uma disciplina e outra.Foucault (2001) ressalta, por exemplo, o filósofo Jean Hyppolite, o qual
abriu um horizonte infinito e uma tarefa sem término no conhecimento filosófico, ou seja, uma
tarefa sempre recomeçada, retomada e acompanha de uma inquietante re-interrogação, sem dar
continuidade ao edifício da abstração, e sim, rompendo estruturas fechadas.

A imagem emana

Podemos perceber que todos os seres, formas e objetos contêm e emanam energias, pois somos
sistemas abertos em constante movimento e troca com o ambiente e com as pessoas. E se
percebemos que um ou outro está desenergizado é porque alguma coisa emana dele que nos
forneceu esta informação. A emanação parece ser um campo de informação que estaria em torno do
objeto observado, que estimula nossa consciência, nos informa e provoca alguma reação. Existe,
tanto naquilo que observamos, como em nós mesmos, como que um tom vibratório. A imagem tem
o poder de cativar e reanimar. Os psicólogos, artistas, arquitetos, fotógrafos, cineastas e
publicitários sabem que as imagens dizem. Eles entendem a linguagem das formas, das cores e da
iluminação, pois possuem uma inteligência sensitiva apurada. Às vezes, por exemplo, um quadro na
parede pode dar vida a uma sala e outro pode emanar uma energia pesada, tanto que, se retirado,
alivia o ambiente. As imagens contam e provocam reações. Lembranças que temos de bons e maus
momentos nos vêm à memória sob a forma de imagens e provocam reações físicas e psíquicas.

Minha grande preocupação em tornar público meu método é profundamente ética, por isso registrei
o método vinculado ao nome Imagoterapia. Fiz este registro levando em conta a credibilidade do
método. Não é qualquer imagem bonita e aparentemente harmônica que tem valor terapêutico. Em
Imagoterapia, pode-se até usar imagens que não tenham beleza artística. Existe um critério
específico na escolha das imagens, que é vinculado a Radiestesia, pois há imagens que têm efeito
nocivo e outras sem nenhum efeito terapêutico.

As essências vibracionais, tais como os florais e a homeopatia, têm sido usadas em todo o mundo.
Bach (1997), o criador dos florais que têm o seu nome, constatou, pela prática e pela investigação,
que as doenças tinham origem em um plano acima do físico e são resultado do conflito entre Alma e
Mente. Para ele, Alma é o nosso Eu Superior, reflexo da divindade eterna que sabe a origem de
nossa missão e os meios de cumpri-la; e, para que isso ocorra de forma sã, é preciso harmonia entre
os desígnios da alma e da personalidade. Aos conflitos internos e externos que criamos, Bach
(1997), chama de pecado contra a Unidade de todas as coisas, cujo centro é o amor e o bem. Curar
a si mesmo passa pela percepção de onde estamos cometendo erro, pelo esforço sincero de corrigi-
lo, pelo conhecimento do propósito da Alma e pela aceitação desse conhecimento. A saúde, a paz, a
alegria, o alívio do sofrimento dependem da obediência aos ditames da alma e da ação amorosa

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desprovida de egoísmo, em acordo harmônico com a Unidade. Então, se perseguirmos o
desenvolvimento de nossas virtudes, estaremos combatendo nossos erros.

As imagens ativam a memória e as reações inconscientes num espaço-tempo além daquele


momento em que as observamos, pois ativam uma mudança de um estado anterior para um outro a
nível quântico. Ao ver, observar e assimilar a imagem, algo se movimenta e algo se modifica. No
que se refere ao espaço, a imagem fotográfica traz à consciência um registro do passado, uma onda
de forma ativadora de reações vibratórias que podem se desencadear e causar reações em vários
níveis do observador, tanto psíquico como físico e espiritual.

A Imagoterapia

A Imagoterapia é um instrumento terapêutico complementar ao trabalho realizado pelas pessoas que


valorizam o autoconhecimento, o cuidado com o corpo, o motivo espiritual de sua vida, a qualidade
de sua alma, do seu campo consciente e de seu destino. O autoconhecimento pode assustar as
pessoas porque coloca em jogo e golpeia o narcisismo, pois é duro reconhecer em si próprio a
injustiça, a inveja, o pânico de viver, o ódio, a frustração e a decepção. A ignorância de si mesmo
gera auto-fraude e ilusão de que os defeitos estão apenas nos outros e nas coisas. A fuga de si
mesmo protege apenas contra a consciência do que se é.

É um método dirigido para quem tem consciência de que existem elementos na natureza, sobretudo
nas ondas de forma de energia e de luz que nos influenciam e cujo efeito é atuante. Isto é, busca
estabelecer uma conexão sã com o mundo invisível, substrato das diversas dimensões de nossa
consciência, dos relacionamentos e dos padrões vibratórios que ativam os acontecimentos. Ao
mesmo tempo, a Imagoterapia permite um despertar para a consciência daquilo que sutilmente
podemos absorver através do sistema neurosensorial e da constatação do efeito das imagens sobre
nós.

Ao ingerir uma essência vibracional de imagem pode ocorrer uma alquimia na consciência e no
desenrolar do destino, que contribui para o processo da individuação, pois a individuação é um
processo alquímico em que o ego (personalidade) e o núcleo do ser (sua essência) se unem e
transcendem a dualidade, levando esta experiência para a vida cotidiana. O indivíduo passa a viver
em conexão com o poder de transformação, como também, com sua verdade interna e o poder da
sabedoria intuitiva da alma, nas diversas situações complexas da vida.

Desse modo, em Imagoterapia, busca-se ativar, na consciência e atitude, potenciais, aptidões e


intenções inconscientes. Ela demanda uma reflexão atenta e focada para o valor da contemplação,
da relevância de coisas para as quais não estamos prestando atenção e que estamos deixando passar
sem cuidado. Há um mundo de novas possibilidades e chances a ser acessado se pararmos para
contemplar e conectar o espaço-tempo criativo presente que existe fora do automatismo acelerado
de nossa vida. Temos que permitir que nossa inventividade brote e se ative, dar o tempo de
reinventar nossa vida, deixar que nossa consciência encontre um padrão vibratório próprio que a
conecte com a inteligência da vida.

Nossas escolhas, reações e o desenrolar de nosso destino dependem do nosso padrão vibratório e
das vibrações com as quais entramos em ressonância. Por outro lado, se estamos conscientes da
existência da unidade energética que estabelecemos com tudo que está presente no nosso dia-a-dia -

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tanto em nível pessoal, como em nível mais abrangente - e, ao mesmo tempo, atentos de forma
responsável às vibrações que ali circulam, poderemos fazer escolhas que nos protejam do impacto
de muitas influências nocivas e perceber caminhos melhores a percorrer.

O cérebro direito está diretamente ligado ao reconhecimento da imagem, da música, da arte, da


intuição. A contemplação da imagem ativa o cérebro direito, compensando nossa hiper-utilização
do cérebro esquerdo. Além disso, a neurobiologia descobriu que a unidade da experiência visual
acontece com os neurônios do córtex, que vibram em uníssono - na mesma freqüência - quando
observamos uma determinada imagem.

A Imagoterapia contribui para trabalharmos os véus de percepção, desativando as forças internas e


externas que se opõem à nossa tomada de consciência e criatividade. Amplia e eleva a nossa
vibração, criando energia para um salto quântico de consciência, conectando-nos com novas
possibilidades de ser e de realizar, ativando nossos potenciais e nossa ligação com os desígnios da
alma e com o propósito do espírito.

As imagens terapêuticas são campos de ondas de forma e luz, que ativam novos padrões de
comportamento e atraem novas condições de existência mais gratificantes. Quando buscamos
equilibrar nossas freqüências vamos oscilar e mexer na teia quântica a que estamos unidos aos
outros e nossa vibração se espalha por ressonância, ativando conexões com novas ligações de teor
vibratório mais harmônico e integrador, deixando-nos mais despertos e focados para lidar melhor
com as situações que podem gerar caos e dissonância.

Tendo em vista que a proposta da Imagoterapia nasceu desta percepção consciente do efeito
vibratório das imagens sobre nossa saúde, nossa vida, nosso destino, assim podemos dizer que,
como existem imagens tóxicas, existem também imagens medicinais. E como se tratam de
vibrações irradiadas, usa-se o pêndulo radiestésico para selecionar criteriosamente as imagens de
freqüência vibratória de efeito positivo para a saúde e a consciência.

Em Imagoterapia, a questão básica que o radiestesista faz, ao selecionar imagens para uso
terapêutico, é a de saber se a imagem é benéfica e benigna para a saúde física e psico-espiritual dos
pacientes. Num segundo momento, questiona a intensidade deste poder terapêutico, isto é, o
potencial terapêutico da imagem. Num terceiro momento, classifica o significado específico e
principal que a imagem irá atuar no paciente, e, ainda, num quarto momento, de aprofundamento da
pesquisa destas imagens selecionadas, ainda, é possível pesquisar outros efeitos positivos
secundários que essa imagem, já classificada, possui.

Essa seleção de imagens que uso no meu kit foi devidamente testada nos seus efeitos positivos,
entre milhares de imagens de natureza, de arte e arquitetura sagrada, de galáxias, e outras. Foram
escolhidas com o pêndulo aquelas imagens de efeito terapêutico mais potente que foram testadas
com inúmeras pessoas, até se constituir um kit de essências.

Preparação das essências vibracionais de imagens

A preparação das essências é realizada da seguinte forma: enquanto o slide de uma imagem é
projetado, um recipiente de cristal contendo álcool usado em homeopatia é passado na frente da luz
que a imagem emite. O tempo desse processo é determinado pelo pêndulo, pois é o pêndulo que vai

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determinar esse tempo de transferência das informações da imagem para o líquido, de forma que ela
(a informação da imagem) fique completamente impregnada nesse líquido.

Para o consumo humano e animal, estas essências são diluídas em água, na proporção determinada
pelo pêndulo. Este líquido é armazenado em vidrinhos âmbar, de 30ml, com tampa lacrada e conta-
gotas, que são rotulados com o título, especificando para que serve a imagem nele contida.

Duas ou mais essências não podem ser misturadas em um mesmo frasco, pois, como cada imagem
tem uma onda de forma, que ao se misturar cria uma outra onda de forma diferente das originais,
que seria a imagem das imagens superpostas. Por outro lado, o ser humano, que já está habituado a
assimilar rapidamente as imagens que vê, pode tomar mais de uma essência, desde que seja
respeitado um intervalo de pelo menos quinze minutos entre elas, para dar tempo ao organismo de
assimilar a onda de forma de cada imagem.

Projeção de slides de imagens para um grupo de pessoas

As imagens são escolhidas previamente com um pêndulo de Radiestesia, dentre um grupo de 3.000,
tendo em vista as necessidades de harmonia específicas daquele grupo.
Durante a projeção, o pêndulo irá selecionar as imagens que podem ser contempladas ou também
ingeridas, sob a forma de essências, pelas pessoas que formam o grupo. Isso é feito, passando um
recipiente de cristal contendo vinho branco ou água mineral em frente ao projetor de slides, durante
o tempo determinado pelo pêndulo. Em seguida, o copo é passado entre as pessoas, para que elas
possam beber um gole da essência que já contém as informações da imagem. Durante a projeção,
são utilizados música relaxante e incensos.

Recomendo ao grupo que contempla as imagens, que deixem os “olhos escolherem” como olhar a
imagem, o olho que escolhe e sabe onde é melhor se deter mais tempo na imagem que observa e
onde é melhor passar mais rápido, respeitando a sabedoria do inconsciente numa atitude mais
intuitiva. Aviso para que tentem fazer um silêncio interno e se deixem interagir com a imagem.

Pôster de imagens terapêuticas

Imagens enquadradas em posters podem ser usadas nas paredes de hospitais, empresas,
consultórios, dormitórios, salas de reunião, etc. Também são imagens escolhidas pelo pêndulo, pois
são padrões vibratórios específicos para cada tipo de ambiente e intenções que se deseja enfatizar.

Velas vibracionais de imagens

Estas velas de Imagoterapia são preparadas normalmente com parafina, estearina e corante branco,
sendo que contém também uma quantidade específica de essência vibracional da imagem do tipo
que é capaz de ser transmitida por uma chama de vela e, posteriormente, propagada, por ressonância
mórfica e vibratória, no ambiente e nas pessoas que estão nele. Curiosamente, segundo o pêndulo,
imagens usadas para velas não são as mesmas que se usa para serem tomadas. Podemos presumir
que a luz do fogo e o oxigênio liberado na combustão veiculem a imagem.

Recomenda-se acender a vela quando se chega no ambiente desejado e mantê-la acesa até que
acabe, mesmo que a pessoa esteja dormindo ou saia de casa. Num ambiente de trabalho é melhor

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acender no início da jornada, enquanto que, se for usada em casa, é melhor acender no quarto ao
chegar em casa e deixar consumir durante a noite, pois a informação é absorvida nas pessoas e no
ambiente de forma inconsciente. É melhor ter o cuidado de colocar sempre a vela sobre um pires
para que seja queimada com segurança. Não é aconselhável utilizar velas de significado diferente
num mesmo momento. Em Radiestesia o ambiente é cuidado em vários aspectos, sendo que nesse
caso do uso da vela vibracional de Imagoterapia, atua na memória das paredes e no espaço entre
elas.

As imagens terapêuticas são um alimento para a alma. Divulgam uma informação de equilíbrio.
Através da absorção quântica dessa informação de imagens (campos de formas e luz) fortalecemos
nosso sistema imunológico espiritual, reforçando nossa identidade, nossas intenções, assim como
nossa conexão com a energia que move o todo, como também, com aquela que nos liga ao sagrado.

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RADIESTESIA QUÂNTICA E IMAGOTERAPIA

Actually all of us experience reaction-diffusion waves in our


everyday life without been aware of them. The nerve impulses
and waveforms that form the basis for all thought, feeling, and
sensation are actually chemical reaction waves. Paul Laviolette

(Na verdade, todos nós experimentamos ondas de reações-


difusão sem estar conscientes disso. Os impulsos nervosos e
ondas de forma que formam a base de todo o pensamento,
sentimento e sensação são, na verdade ondas de reações
químicas).

Vibrações

Tudo que existe emite vibração, porque tudo é energia. Cada um de nós também emite energia,
conforme o tom vibratório de nossa postura e atitude diante da vida. O cuidado dedicado a esta
atmosfera energética, que criamos e sofremos, poderia ser chamado de ecologia vibratória.A
qualidade daquilo com que nos conectamos física, psíquica e espiritualmente vai determinar a
qualidade da nossa vibração. É de nossa responsabilidade o zelo pelo teor vibratório com que
queremos conviver e emanar, para não sofrermos, nem causarmos, nenhuma ferida vibratória.

Como somos feitos de energia, as vibrações, tanto de alta como de baixa freqüência, influenciam
nossa saúde e nossa consciência. O tipo de convivência que temos, a nossa atitude, assim como, a
atitude dos outros em relação a nós e as atividades que exercemos, tanto no trabalho como nas horas
de lazer, vão determinar nosso estilo de vida vibratório, o qual, por ressonância, atingirá os outros.
Estamos sempre em interação com o todo, quer estejamos ou não conscientes, e atentar para isso é
uma questão basicamente de ética ecológico-vibratória. Trata-se de uma consciência ético-
vibratória que focaliza a qualidade de vida vibratória: aquela à qual nos expomos e a que
oferecemos ao mundo, portanto podemos até desenvolver a capacidade de perceber o teor de
toxidade vibratória proveniente das pessoas e dos ambientes.

Nosso campo energético é o terreno de atuação da nossa psique que, por sua vez, está ligada à
psique coletiva (familiar, social, empresarial, política) consciente e inconsciente. Esta ligação
quântica com o todo faz com que sejamos influenciados por padrões vibratórios inconscientes, que
vão oscilar no nosso organismo como um todo, pois nosso corpo é uma como uma caixa de
ressonância.Independentemente do fato de termos crenças religiosas ou não, cada um de nós pode
constatar que em nossas vidas atuam tanto forças ditas positivas, benéficas e benignas, quanto
forças negativas, maléficas e malignas. Isso pode ser visto no dia-a-dia, observando o desenrolar
dos acontecimentos no mundo externo e interno. Quem, ou quais são os agentes dessas forças
também é assunto de estudo para os apaixonados pelo invisível, para aqueles que usam os olhos da
alma e do espírito para se deterem e contemplarem o que está por trás das aparências e das
constantes mutações dos movimentos interno e externo da vida.

Há forças opostas ao progresso de nossa existência, que podem servir de estímulo à nossa
criatividade e que, ao longo do tempo, servem de meios para mobilizarmos nossa energia no sentido

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de melhorar nossa vida e nosso meio. No entanto, o estresse decorrente do efeito dessas forças, por
vezes, pode ser arrasador para a nossa saúde, em todos os níveis, bloquear nossos planos e paralisar
nossas iniciativas.

Radiestesia Quântica é um método energético de diagnóstico e de cura, de vibrações nefastas de


alta intensidade, criadas no nosso interior ou no nosso ambiente. Ela corrige as vibrações de
pessoas, animais, ambientes domésticos e empresariais públicos e privados, objetos, etc. As
diversas formas existentes, que percebemos ao nosso redor, emitem informações vibratórias, às
quais, em Radiestesia, chamamos de ondas de forma. A qualidade e a intensidade vibratória das
ondas emitidas dependem da qualidade do suporte vibratório que as emite.

A forma segundo Bueckardt (1979), é a síntese das qualidades que constituem a essência de uma
coisa. A forma é impressa na substância, sendo que o espírito é o pólo ativo e a forma (a alma) o
pólo passivo. As ondas de forma são vibrações de ondas de qualidade emanadas pela essência
característica de uma coisa, objeto ou imagem. A matéria é a forma manifesta da marca da
essência. Uma imagem é uma essência que informa e causa uma impressão na alma. As ondas de
forma espalham-se por ressonância vibratória tal como o som. Se convivermos com elas e as
observamos, entramos em interação quântica e, com isso, sofremos sua influência de forma direta.
As imagens ativam e emitem ondas de formas e de luz, que oscilam no ser humano que interage
com elas, produzindo efeitos específicos. Conforme varia o tipo de imagem, variam as oscilações
que ela emite, e a interação que ocorre entre a imagem e o ser humano, produzirá, portanto,
efeitos diferentes.

Fotografias, desenhos, quadros e esculturas são geradores de ondas de formas, como explica Pagot
(1988), afirmando que várias delas são muito potentes, constituindo emanações energéticas que
podem ser benéficas ou não para a saúde. Belizal e Morel (1976) consideram que, sobretudo as
formas geométricas e simétricas, são favoráveis ao equilíbrio dos seres vivos, sendo que diversas
ondas de formas, correspondem a freqüências vibratórias diferentes. Como é o caso das pirâmides,
dos hieróglifos egípcios, da arquitetura sagrada, da composição geométrica de jóias, amuletos e
mandalas.

O bioquímico e radiestesista Guillé (1983, 1994) afirma que o ser humano é um suporte vibratório
que recebe e emite energias vibratórias. É um sistema aberto, que está em troca constante com o
meio, e, portanto, também com energias vindas da terra e do cosmos. Conforme o lugar, o momento
e o nosso estado, entramos em ressonância vibratória com energias vibratórias diferentes. Além de
trocarmos energias com o meio, também trocamos matéria e informação, transformando-nos
durante esse processo, e transformando nossa informação genética. Para ele o ser tem de ser
abordado dentro da tríade corpo-alma-espírito.

Chopra (2005) considera que nosso espírito está relacionado com o campo quântico subjacente, que
ele denomina de virtual, por ser não-local e eterno. A alma se relaciona com o nosso eu e seria uma
emanação local do espírito. A alma está atrelada às atribulações do mundo físico, enquanto a
instancia do espírito é livre disso. Assim, se conseguíssemos viver a vida a partir da perspectiva do
espírito, não sofreríamos tanta angústia, ansiedade, medo e raiva. A alma parece ser desconfiada
que a vida não flua a seu favor, enquanto o espírito é confiante, porque conhece a natureza criativa
potencial das coisas na duração.

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Acumulamos no nosso corpo-alma-espírito não apenas estresses provenientes de energias
ancestrais, mas também, estresses, provenientes de acontecimentos infelizes passados, que
repercutem na nossa vida atual, além disso, há os estresses provocados por expectativas pessimistas
em relação ao futuro. Através de radiações quânticas e mórficas a cada momento recebemos e
emitimos informações de várias freqüências, tal como uma respiração vibratória. Os tratamentos de
Radiestesia Quântica e com as essências vibracionais de Imagoterapia visam dissipar e purificar
esse karma acumulado. Herdamos e compartilhamos karmas, nos enredamos neles porque nem
sempre sabemos transformá-los em dharma (que é a transmutação do karma) . Existe no meu kit a
essência Purificação do Karma e Cura de Imagos Passadas que agem no sentido de dharminizar as
situações.

As dimensões mais complexas de auto-reorganização de informações do planeta são um reflexo das


vibrações negativas do karma da Terra de violência e intimidação que bifurcaram para o caos, numa
faixa vibratória fria de sentimentos que se propaga como um campo de ondas nefastas que
provocam arrepios nas pessoas sensitivas. A energia dos infernos está interpenetrando a noosfera e
a fúria está nas ruas das cidades e nos lugares públicos, às vezes disfarçadas de gestos velados de
malvadeza e pressão, que causam sofrimento e humilhação. As energias sagradas não dão conta em
neutralizar esses campos nocivos, porque a espiritualidade das populações, na sua maior parte, não
está ativa e orientada para a compaixão e a bondade. Tal como acontece com a maldade, a bondade
também precisa das pessoas para se propagar. O dia a dia não é sacralizado o suficiente para
desimpregnar as pessoas desse estilo de vida sem respeito feito as pressas. Através das essências de
Imagoterapia e da Radiestesia Quântica é possível impregnar ambientes e pessoas com energias
benéficas que transmutem as maléficas. Há essências como Respeito Humano, Amor Divino e
Espaço Sagrado que criam uma ambiência em que a convivência humana se torna mais feliz e
mostram outras maneiras mais saudáveis de se conduzir o cotidiano as quais trazem mais satisfação
no nosso corpo-alma-espírito, assim como em quem convivemos, pois as energias benéficas destas
essências de Imagoterapia se propagam por ressonância no nosso ambiente. As velas vibracionais
de Imagoterapia também agem nesse sentido, sobretudo aquelas que contem as essências que
Transmutam Ressentimentos em Harmonia como também a Espaço Sagrado. Quando passamos um
período mais tenso podemos utilizar 7 pipetas da essência Antena de Defesa, pela manhã e a
Desimpregna Energias Negativas, à noite e complementar o tratamento com essas velas.

Quando nossas vibrações são perturbadas, ficamos vulneráveis. Entramos em sintonia com as
influências de energias nefastas de alta intensidade, que produzem aflição, medos, raivas,
comportamentos desarmônicos, situações desfavoráveis, hostilidade, confusão, adversidade,
perdas desnecessárias. Conflitos internos ou externos afetam nossa percepção e comportamento.
A terapia pela Radiestesia Quântica diminui a tensão interna e externa e anula impregnações de
energias negativas de ódio, inveja, difamação, desrespeito, cobiça, proporcionando alívio e maior
clareza para decisões. Por exemplo, quando alguém denigre o outro está maculando tanto sua
alma, quanto à do outro de ondas nocivas de maldade, podendo ter o mesmo feito daquilo que se
costuma chamar de magia negra. Além das ondas nocivas telúricas e cósmicas, há portanto ondas
nocivas psicológicas e espirituais que podem causar danos ao corpo-alma-espírito, tanto para
quem as emite, como para quem as sintoniza e absorve, as vezes, irreparáveis. A maldade conduz
as pessoas para o inferno em vida, e é este inferno que precisa ser exorcizado com vibrações de
mansidão, amor, respeito e bondade.

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Acumulamos no nosso corpo-alma-espírito estresses provenientes de energias ancestrais herdadas,
outros estresses provenientes de acontecimentos infelizes, dizem que até de vidas passadas, como
também da vida uterina até o momento atual, além disso, há os estresses provocados por
expectativas em relação ao futuro. Através de radiações quânticas e mórficas recebemos e emitimos
informações de várias freqüências, nem sempre salutares, a cada momento. Os tratamentos de
Radiestesia Quântica e com as essências vibracionais de Imagoterapia visam dissipar e purificar
também esse karma acumulado. Herdamos e compartilhamos karmas, nos enredamos neles porque
nem sempre sabemos transformá-los em dharma (que é a transmutação do karma) . Existe no meu
kit a essência Purificação do Karma e Cura de Imagos Passadas que agem no sentido de
dharminizar as situações.

As dimensões mais complexas de auto-reorganização de informações do planeta são um reflexo


virtual das vibrações negativas do karma da Terra de violência e intimidação que bifurcaram para o
caos, numa faixa vibratória fria de sentimentos que se propaga como um campo de ondas geladas
que provocam arrepios nas pessoas sensitivas. A energia dos infernos está interpenetrando a
noosfera e a fúria está nas ruas das cidades e nos lugares públicos, às vezes disfarçadas de gestos
velados de malvadeza e pressão, que causam sofrimento e humilhação. As energias sagradas não
dão conta em neutralizar esses campos, porque a espiritualidade das populações não está ativa e
orientada para a compaixão e a bondade. Tal como acontece com a maldade, a bondade também
precisa dos homens para se propagar. O dia a dia não é sacralizado o suficiente para desimpregnar
as pessoas nesse estilo de vida sem respeito feito as pressas. Através das essências de Imagoterapia
e da Radiestesia Quântica é possível impregnar ambientes e pessoas com energias benéficas que
transmutem as maléficas. Há essências como Respeito Humano, Amor Divino e Espaço Sagrado
que criam uma ambiência em que a convivência humana se torna mais feliz e mostram outras
maneiras mais saudáveis de se conduzir o cotidiano as quais trazem mais satisfação no nosso corpo-
alma-espírito, assim como em quem convivemos, pois as energias benéficas destas essências se
propagam por ressonância no ambiente.

O objetivo de um tratamento tanto com Radiestesia Quântica como com a Imagoterapia é fazer
uma ecologia psico-espiritual, através da manutenção de um padrão vibratório saudável, de um
bom rendimento intelectual, do equilíbrio emocional, da conexão Terra-Corpo-Alma-Espírito-
Cosmos, da prosperidade material, da criatividade, das decisões sábias e da qualidade de vida. É
um trabalho vibratório que também ajuda as pessoas e/ou empresas a melhor administrarem
períodos difíceis, em que a percepção pode ser aberta para uma visão mais recuada da
complexidade das variáveis em jogo, diminuindo o impacto causado por situações críticas
estressantes e imprevisíveis.Com a continuidade do tratamento, vai-se firmando um padrão
vibratório capaz de se auto-reorganizar face ás situações difíceis da vida, ao mesmo tempo, nos
coloca em ressonância com situações que fazem mais sentido para nós. Para equilibrar as
vibrações, utiliza-se o pêndulo de Radiestesia para medir o estado vibratório do paciente, para
emitir energias curativas e colocá-lo em ressonância com energias transcendentes, que equilibrem
e integrem a sua psique e o ajudem a evoluir espiritualmente.

O foco do nosso estudo está relacionado diretamente com o efeito vibratório das imagens. Somos
expostos diariamente a inúmeras imagens em alta velocidade, o que Virilio (1994) chama de
exposição persistente de nossa retina à poluição dromosférica. Vamos analisar o quanto isso nos
atinge e afeta em capítulos posteriores.

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Para Guillé (1994), existe uma hierarquia de sistemas energéticos conforme a lei da ressonância
vibratória. Ele nos remete ao místico São Boaventura, que afirmou a existência de três meios pelos
quais podemos ter acesso ao conhecimento: o olho da carne, o olho da razão e o olho da
contemplação. O olho da carne capta o conhecimento através dos sentidos; o olho da razão atua à
luz do intelecto, do mental; enquanto o olho da contemplação é o único que nos permite ter acesso à
realidade transcendente.

Segundo Guillé (1990), a maior parte da humanidade não possui suporte vibratório (condições do
corpo físico) para se adaptar energeticamente a era atual, assim, propõe o uso de linguagens
vibratórias específicas e um caminho alquímico para fazer esta adaptação. A qualidade das
vibrações que recebemos, transmitimos e emitimos, constitui a base da alquimia da vida. A matéria
que constitui nosso corpo é um suporte vibratório de uma energia vibratória que nos anima. O
estresse psicofísico e espiritual afeta o funcionamento e a estrutura das moléculas, podendo ativar
doenças, pois o DNA é suscetível de receber e transmitir, à distância, sinais vibratórios e, portanto,
pode se reestruturar no sentido da doença ou da saúde, conforme o teor vibratório das forças que
agem sobre ele. Ou seja, os sinais vibratórios do meio ambiente e de certas energias cósmicas
afetam os ritmos bioquímicos. Para Guillé a vida resultaria de um equilíbrio dinâmico entre ondas
recebidas e ondas emitidas; e o suporte vibratório – o corpo – vibra em função de energias
recebidas, o que significa que a qualidade de vida depende da qualidade da nossa interação
energética com o meio ambiente, e a preservação da vida e da saúde dependem do cuidado que
temos com nossa energia.

Como pesquisador do código genético, Guillé (1983) afirma que a Radiestesia pode medir e corrigir
as vibrações do organismo, através de técnicas específicas, assim como pode prever a evolução
potencial dessas vibrações. Isso significa que temos de ter consciência da necessidade de um
acompanhamento vibratório, visando preservar a qualidade da energia interna e externa, assim
como a da interação energética que temos com o meio ambiente. Esse autor trabalha basicamente a
energia do DNA e a consciência com vários recursos alquímicos e espirituais, visando aumentar a
freqüência vibratória no sentido de proteger o paciente contra energias nefastas. Como todo
radiestesista, ele leva em conta o estado vibratório de vários de nossos corpos: o físico, o etéreo, o
astral, o mental, o causal, o espiritual e o divino. Guillé tem uma abordagem quântica e espiritual,
fundamentada em estudos profundos de química, biologia, física, alquimia, civilizações antigas e
espiritualidade. Segundo ele, todo ser, objeto, forma, imagem, emite uma freqüência vibratória,
amplitude vibratória e direção que podem ser medidos com o pêndulo e equilibradas segundo
técnicas bem precisas.

Imagens com ondas de formas e luz de sanidade e criatividade, se usadas tanto em locais públicos
como restaurantes, hospitais, prisões e escritórios, como em casa, contribuem para harmonizar o
teor vibratório do ambiente e da consciência das pessoas que ali freqüentam, trazendo-lhes
harmonia e sossego. Ao contrário, se temos uma conexão vibratória por ressonância com uma
determinada desinformação ou experiência nociva desestruturante, ficamos contaminados por ela.

Segundo Raff , a imagem causa doença, e outra imagem tem de ser introduzida para criar a cura,
interagindo com a idéia da doença e dominando-a.(pp. 99, 2002). O contexto em que ele se refere
relaciona-se às imagens primordiais que trazemos da infância e as imagens utilizadas para ilustrar
textos alquímicos antigos que versam sobre a construção da pedra filosofal, sendo que essas últimas
podem ser utilizadas na compreensão do processo de individuação.

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Existem situações difíceis por que passamos, mas, de alguma forma, acabamos por sair delas mais
fortes e melhor estruturados. Portanto, podemos constatar, seja medindo com pêndulo ou
simplesmente observando, que certas experiências traumáticas nos desestruturam de forma nociva a
ponto de, passado o estresse, não recuperarmos a energia perdida e percebemos que perdermos
força. Como decorrência, surgem doenças, problemas do tipo "armadilha", alterações genéticas,
dificuldade de se reerguer, que atrapalham nossa percepção e perturbam nossa capacidade de ter
consciência capaz de assimilar e transcender o que nos ocorre. A Imagoterapia corresponde a
informações vibratórias - via imagem - direcionadas para re-equilibrar e elevar o nível de
consciência, recuperando a energias perdida em desgaste psicossomático, energia que é necessária
para que a conexão com os nossos potenciais criativos de ordem se realize e se concretize. É
necessário persistência no tratamento, pois o que está acontecendo no dia a dia nas cidades causa
muito estresse psicossomático. As oscilações das ondas de forma e de luz das imagens terapêuticas
absorvidas agem como um estímulo para o ser (consciente e inconsciente) se auto-reorganizar de
corpo-alma-espírito, pois são integradoras, auxiliando na busca da consciência da realidade, da
união consciente com o que está acontecendo para se precaver de desgastes desnecessários. A
presença de corpo-alma-espírito no que nos acontece permite uma ação com mais inteireza. E a
negação, leva à fragmentação, à ausência e à alienação.

O objetivo da Imagoterapia, como proposta complementar a todas as terapias que trabalham o corpo
enquanto energia, e que levam em consideração tanto a alma como o espírito, é enfatizar a
contemplação e/ou a ingestão de imagens terapêuticas como um dos meios para transcender nossas
dificuldades e melhorar nossa vida, podendo assim melhorar nossa relação com o coletivo, o
cosmos e instâncias dimensionais internas do nosso ser. Lenna (1994) salienta que sabemos pouco
sobre a ciência das imagens, e que é uma ciência ainda incipiente. Meu trabalho surgiu da
experiência com imagens e de uma mudança de percepção da função delas em nossas vidas e a
minha intenção é mostrar que as imagens terapêuticas têm efeito positivo na vida das pessoas.

Os sinais vibratórios no corpo

Segundo Farhi e Smadja (1996) a água representa mais de 60% do peso corporal, destes 20% se dá
a nível extracelular e 40% dentro da própria célula. A água extracelular está presente no plasma
sangüíneo, nos interstícios das células e dos tecidos, sendo que também se dá a nível transcelular
quando está presente nos sucos digestivos, no líquido encéfalo-raquidiano e na endolinfa. A água,
no organismo humano, é associada aos elementos químicos portadores de carga elétrica tais como o
sódio, o potássio, o cálcio, o magnésio, o cloro, os bicarbonatos, os ácidos orgânicos e as proteínas,
ou seja, ela é associada aos campos eletromagnéticos. Segundo esses autores, os fenômenos
bioquímicos estão associados aos biofísicos, fazendo com que os campos eletromagnéticos estejam
presentes em todas ações vitais.

A condutividade elétrica das células nervosas está associada aos fenômenos de recebimento,
tratamento e envio de informações, através de sinais. O neurônio recebe sinais (fotônicos, elétricos
e mecânicos), os integram, se excitam para produzir influxos nervosos com a finalidade de
transmitir adiante os sinais. Sinais eletromagnéticos estão associados às informações que se
propagam no nosso organismo e que regulam o seu funcionamento, assim como a constituição de
suas estruturas (formas). Os sentidos da visão e gustação - que estão implicados na terapia
vibracional de imagens (Imagoterapia) - também são associados com sinais de informações

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entrelaçadas aos campos eletromagnéticos. Em biofísica, conforme Farhi e Smadja (1996), as
imagens são consideradas como estímulos excitadores convertidos em mensagens sensoriais sempre
entrelaçados ás ondas luminosas que se propagam por vias associadas a fisiologia do corpo, aos
fenômenos subjetivos emocionais e mentais, e às reações psicomotoras.

Ronecker (1998) afirma que ss ondas de forma implicam em propagação de informações que são
irradiadas através de meios que nem sempre são materiais, tais como o nosso próprio pensamento, e
parecem se propagar, quase instantaneamente, no espaço, por ressonância em baixas freqüências,
produzindo efeitos psíquicos e eletrobioquímicos. Este autor considera que o termo ondas de forma
deveria ser substituído por vibrações de energia fraca, embora , por comodidade, ele mantenha o
termo ondas de forma.(pp.7, 1998). Ronecker afirma que as ondas de forma estão presentes em
toda parte e nos penetram, provocando efeitos físicos e psicológicos. Todas as formas
bidimensionais e tridimensionais, segundo esse autor, emitem essas vibrações de energia fraca, que
são chamadas pelos radiestesistas de ondas de forma, e pelo bioquímico Sheldrake (1991), de ondas
de forma que se propagam através de campos mórficos, os quais transmitem significados ligados as
atividades da matéria orgânica e inorgânica.

Ronecker (1998) considera que a energia do corpo humano circula no nosso campo
bioeletromagnético, o qual é afetado por várias energias, entre elas: as ondas de forma, a energia
eletromagnética, assim como, as energias cósmicas e telúricas. Essas ondas podem ser detectadas
através do uso do pêndulo radiestésico, como também, podem ser corrigidas, através de várias
técnicas de Radiestesia. Para Ronecker, as ondas de forma seriam ondas eletromagnéticas de baixa
freqüência entrando em jogo a trilogia matéria-energia-informação, já que as ondas de forma são
ligadas a seres, significados, ambientes e/ou objetos, e seus efeitos energéticos sobre o homem. Esse
autor comenta que quando a energia psíquica é direcionada para o mal, gera ondas de forma
negativas, que afetam o bioeletromagnetismo da vítima, sejam ondas de telepatia (por deliberação),
ou de maldiçoes (por explosões de ódio), por exemplo.

O bioeltromagnetismo do corpo encontra substrato nas ligações químicas, nos metais e nos
meridianos (os quais têm trajetos bem precisos), ou seja, utiliza também, caminhos virtuais. Nosso
corpo parece ser uma caixa de ressonância em constante oscilação, pois se estressa com as
interações com o meio. As imagens emanam ondas de forma e ondas eletromagnéticas que têm
efeito na saúde do nosso corpo-alma-espírito. Nesse sentido, o uso de essências e velas vibracionais
de imagens, de cunho terapêutico (Imagoterapia), pode contribuir para a nossa saúde influindo
positivamente no nosso destino, já que atuam no nosso comportamento e no ambiente. Em
Radiestesia, o uso de imagens de efeito terapêutico, que se tem registro, data dos egípcios e da
China antiga e ainda, se propagou na idade média entre os alquimistas, alguns sacerdotes e alguns
arquitetos (arquitetura sagrada). Atualmente, as imagens tomaram conta do nosso dia, nos
penetrando, afetando nossa maneira de pensar (na nossa escala de valores) e de agir, determinando,
direta ou indiretamente, nosso destino. As imagens terapêuticas usadas em Imagoterapia foram
selecionadas pelo pêndulo e são associadas a significados que contribuem para melhorar nossa
saúde mental e emocional, nossa atitude espiritual e os ambientes que freqüentamos, despoluindo
desinformações e ondas nocivas.

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O USO DO PÊNDULO RADIESTÉSICO EM RADIESTESIA QUÂNTICA E
IMAGOTERAPIA

O uso do pêndulo provém do Egito antigo, divulgado na idade média, sendo que atualmente ele tem
sido muito usado para diagnóstico e terapia principalmente na França, onde eu estudei radiestesia.
Quando cheguei ao Brasil percebi que alguns radiestesistas dizem que fazem radiônica, outros
diziam fazer, radiestesia psíquica. Então, para diferenciar meu método dos demais profissionais,
intitulei-o de radiestesia quântica, sobretudo porque o modo que trabalho depende de técnicas
inspiradas diretamente na física quântica. Não pratico a radiestesia que é relatada nos livros
existentes dessa técnica, pois criei meu próprio método, a partir de cursos que fiz na França, sendo
que um deles foi com a professora Micheline Sauts, a qual passa conhecimentos através de
narrativas orais de cunho hermético. A Imagoterapia deriva da Radiestesia Quântica, pois foi assim
que aconteceu através desses anos de pesquisas e experiências.

Utilizo o pêndulo radiestésico desde 1983 e o que eu observo através da minha experiência é que a
atitude interna necessária do radiestesista ao pendular é de se desvincular do ego e se vincular com
o todo, para assim poder captar informações sobre a natureza dos seres, das coisas e dos
acontecimentos. É uma disponibilidade interna aberta à totalidade em harmonia receptiva com o
inconsciente.

O radiestesista precisa decidir colocar de lado as opiniões do ego e acatar as informações que o
pêndulo aponta. O pêndulo se move porque entra em ressonância vibratória com a informação que o
radiestesista questiona. O radiestesista quer a resposta certa e estando aberto para ela cria,
inconscientemente, uma relação de ressonância com ela formando uma unidade quântica, fazendo
com que a resposta acabe por atrair o pêndulo para ela. A resposta certa expressa um significado
relacionado com a pergunta que se faz e é um conteúdo que apresenta uma vitalidade, que vibra de
forma mais intensa do que qualquer outra resposta falsa. A resposta certa é como um atrator. No
entanto, o radiestesista passa a se responsabilizar moralmente pelo seu diagnóstico, porque tem um
acúmulo de experiências de comprovação de que as respostas indicadas pelo pêndulo coincidem
com a realidade, sendo assim, que se estabelece uma credibilidade.

Na verdade, quando vou pendular, apenas de início pergunto o que está acontecendo com aquele
paciente, em seguida, minha atenção se desestrutura numa espécie de vazio. Na medida que o
pêndulo vai se movendo em direção a determinados itens das folhas de diagnóstico vou mantendo
este estado de consciência, e apenas anoto as respostas para discutí-las com o paciente. Muitas
vezes converso com o paciente enquanto estou pendulando e anoto, justamente, para deixar que o
processo de diagnóstico se desenrole sem nenhuma interferência minha. Deixo o pêndulo me levar.
O importante é que eu capte através do pêndulo, a ressonância entre o paciente e os itens do
diagnóstico.O mesmo acontece quando escolho as imagens de Imagoterapia, pois as imagens
emanam informações e funcionam como um atrator.

Às vezes os pacientes me dizem que passo alguma coisa boa para eles já no momento em que eles
introduzem seus assuntos comigo. Atribuo isso ao fato de que eles entrem em ressonância com meu
estado de consciência, na medida em que eles se desligam dos conflitos porque estão também
dentro do estado de receptividade para acatar as respostas que o pêndulo vai apontar, pois está
aberto para um aconselhamento proveniente de esferas invisíveis à nossa consciência ordinária.

26
De certa forma, como o pêndulo capta o que desconhecemos, ele está numa “posição superior”, pois
é um ponto de vista que aponta para aspectos da realidade, que é desapegado dos nossos
condicionamentos e opiniões. Creio que eu e o paciente acatamos as respostas porque, naquele
momento, o nosso senso de verdade nos diz que a resposta que ele fornece é sensata, e acabamos
por concordar que ele está certo. É nesse sentido que a radiestesia quântica contribui para a
resolução de enigmas e aflições. Em posse de um diagnóstico, pode-se emitir ondas radiestésicas de
informação de equilíbrio que vão aliviar o paciente e deixa-lo mais lúcido e confiante.

O pêndulo serve também para diagnosticar qual a essência que é melhor para o paciente tomar
naquele momento. Costumo dizer que o pêndulo radiestésico sabe mais do que eu. Eu posso desejar
isso ou aquilo que julgo melhor para mim ou para meus pacientes, enquanto o pêndulo aponta para
as necessidades reais, ou seja, para o que a pessoa realmente está precisando. O fato é que o
pêndulo atinge um aspecto da realidade que muitas vezes nem eu e nem o paciente estamos
percebendo. Por isso, acho que para se tornar radiestesista a pessoa precisa ter amor pelo
desconhecido e não, medo ou preconceito. Ao mesmo tempo tem de ter a humildade de querer
realmente investigar coisas invisíveis, mas atuantes, que a nossa razão coloca véus e tabus. O
diagnóstico radiestésico informa sobre as condições vibratórias do paciente e as causas dos seus
desequilíbrios e hesitações.

Quando escolho imagens para serem usadas em Imagoterapia, dentre um conjunto de imagens que
coloco a minha frente, o pêndulo escolhe a que mais convém para fazer essências, velas ou posters,
estes para serem pendurados nas paredes. Quando percorro a lista das essências e das velas do meu
kit , o pêndulo aponta para a essência que sintoniza com o estado psicológico do paciente naquele
momento. Acredito que isso seja possível devido à ressonância vibratória entre o nome do paciente
e a essência necessária para ele naquele momento. Como se fosse uma ressonância de significados.

Alguns radiestesistas consideram que é o Eu Superior de quem pendula que capta as coisas que a
consciência comum do ego não percebe. Simpatizo com a idéia, embora para mim, me pareça mais
ser é que pelo meu método, eu sintonizo, através do pêndulo, significados inconscientes que são
relevantes em terapia. O pêndulo ao diagnosticar expressa como o paciente está naquele momento,
ou por outro lado, qual é a imagem terapêutica mais indicada para ele. Parece não se tratar de uma
avaliação, e sim de uma constatação. Simpatizo mais com as idéias de Bohm (1983) sobre a
realidade. Para esse autor existem dois níveis de realidade: uma dobrada e outra desdobrada. A
realidade dobrada corresponde ao imanifesto que está implícito e inconsciente, enquanto a
desdobrada é explicada e manifesta. Sabemos cientificamente que nem tudo o que existe é
manifesto, a começar pela própria dualidade em que as partículas se comportam, pois ora se
manifestam como ondas, ora como partícula, ou seja, a matéria encerra em si o paradoxo do
invisível.

Para poder captar vibrações, é necessário que o radiestesista, durante o diagnóstico, fique num
estado de consciência receptivo e desestruturado, ou seja, sem nada preconcebido, para assim ser
um canal aberto à comunicação com as dimensões invisíveis. Subliminarmente o radiestesista
trabalha com a intenção de curar.

Na realidade desdobrada ou ordem explicada, os fenômenos podem ser repetidos da mesma forma
com mais facilidade. Em níveis de terapia, os fenômenos não se repetem exatamente da mesma
forma, porque cada pessoa é única e está num momento interno-externo único, portanto, a forma

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generalizada do efeito que uma essência de Imagoterapia atingirá no paciente vai obrigatoriamente
se personalizar e se adequar à sua singularidade individual e às condições pessoais de existência,
consciência, tempo interno-externo, assim como destino, também único.

Raff (2002) relata que os alquimistas de todos os tempos utilizavam imagens para a cura e para
demonstrar o conteúdo simbólico dos processos psico-espirituais tanto pessoais, como aqueles
relacionados com os comportamentos e transformações da matéria no vaso alquímico, na busca do
elixir da pedra filosofal. As imagens alquímicas, no ponto de vista de Jung (1997), representam as
etapas do processo de individuação e ele compara a pedra filosofal com o si-mesmo (o Self). Tudo
leva a crer que o caminho dos alquimistas era também de autoconhecimento, pois consideravam a
igualdade entre microcosmo e macrocosmo, assim como a existência do corpo, da alma e do
espírito. Jung considerava a inteireza como um arquétipo de totalidade que encerra em si a
integração e transcendência do conflito dos opostos. Todo arquétipo é fato psíquico vital e possível
de ser encontrado em toda parte sob a forma de símbolos e imagens tais como o Tao, o Atman, o
Cristo e a Pedra Filosofal.

Inspirada, primeiramente, em escritores cientistas como Steiner, Jung, Bohm, Sheldrake e Capra,
que comecei a constituir meus métodos de trabalho em Radiestesia Quântica e Imagoterapia; e
sempre levei em conta o aspecto espiritual aliado aos aspectos práticos da vida das pessoas, pois
acredito que, por trás de nossa biografia, há um sentido espiritual que nos motiva. Nesse sentido,
acho difícil excluir da percepção direta, a percepção do todo e da inteireza, do manifesto e do
imanifesto, este sempre potencialmente emergente. Filósofos, como Krihsnamurti, Gandhi,
Gurdjieff e Aurobindo - que foram preocupados com a ética de ver e praticar a verdade em todas as
dimensões da vida do ser - sempre salientaram, que a consciência fragmentada distorce a percepção
e nos faz cair em armadilhas indesejáveis.

Apreendi com minha professora de radiestesia, Micheline Sauts que nunca se deve fazer duas vezes
a mesma pergunta para o pêndulo, a menos que as circunstâncias tenham se modificado num
momento posterior. A dúvida e a indecisão são da alçada do ego e o estado de hesitação e de medo
de errar não é o estado de espírito correto para pendular. Algumas pessoas dizem que “não
acreditam no pêndulo” porque fazem duas vezes a mesma pergunta e ele dá respostas diferentes. Ao
que parece, quando a consciência se fragmenta, isso perturba a conexão em ressonância quântica.
Além disso, não é assim que se testa um pêndulo para saber se ele é confiável. Na verdade quem
tem de ser confiável é quem pendula, pois a condição de manter a mente “inestruturada” é
fundamental para obter respostas confiáveis. O importante é ter em mente a interação entre o
pêndulo e aquilo que o paciente, ou a imagem, emana. Em Imagoterapia, há uma interação quântica
entre o pendulo e o que a imagem emana, e o pêndulo se movimenta para um significado específico
sem minha interferência consciente.

Outras pessoas me perguntam se o pêndulo é científico. O pêndulo é um instrumento de trabalho


como qualquer outro. Confeccionar um pêndulo, para que ele seja manipulado por um profissional
em radiestesia, é uma ciência e uma arte. Seria a mesma coisa se alguém perguntasse a um cirurgião
se o bisturi é científico. O mesmo acontece com a confecção dele, pois seu design e certas
particularidades dele exigem ciência e arte. O pêndulo e o bisturi são instrumentos de trabalho que
têm de ser utilizados com maestria, arte e ciência.

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Na verdade, quando pendulo uma imagem, por exemplo, eu olho para a imagem e coloco o pêndulo
diante de uma lista de significados possíveis e deixo que ele aponte para um deles, e só depois disso
é que vou ler a resposta. Deixo que a “sabedoria do inconsciente” se encarregue de me mostrar.
Sabemos que nosso inconsciente contém informações que desconhecemos, e se soubermos como
dialogar com ele, poderemos acessar verdades sobre nós. Por exemplo, se mantivermos em mente
imagens dos nossos sonhos, elas acabarão por nos dizer o que elas significam. O mesmo se dá no
processo de criatividade, em que deixamos idéias “serpentearem” até que surge um insight.
Suponho então, que o pêndulo seja um veículo de comunicação com o inconsciente e funciona na
interface da relação entre a mente consciente e inconsciente, assim como entre a mente e
informação, entre a mente e a matéria; porque parece captar a qualidade vibratória das coisas e dos
seres, como também é capaz de emitir sinais vibratórios terapêuticos à distância, se for manipulado
com a técnica correta.

A questão que se coloca agora é como as informações de uma imagem ficam inscritas na água ou
no álcool. Além das funções mencionadas acima, eu utilizo o pêndulo para acelerar e intensificar a
emissão da informação dos campos de forma e de luz de uma imagem, que é projetada para o
líquido, quando confecciono uma essência pura. Esta técnica empírica, eu descobri através da
experiência, em que tentei várias outras formas de transmitir a emissão de ondas de forma e
eletromagnéticas, até encontrar a maneira mais adequada e eficiente, pelo menos até agora.

O homem é eletromagnético

Emoto (2004) realizou várias experiências com água e conclui que a informação fica retida nela.
Fotografou moléculas d´água congeladas (cristalizadas) e provou que tanto nossas palavras, como
músicas e imagens alteram a forma com que a água se cristaliza. Formas harmônicas e hexagonais
se revelam quando palavras ditas estão associadas a sentimentos elevados, ou com músicas
clássicas, ou com óleos essenciais de flores, ou com imagens de lugares sagrados. Já, ao contrário,
palavras desagradáveis, músicas de rock pesado não formam cristais hexagonais e sim formas
turvas. Ele chegou as mesmas conclusões ao comparar a água de fontes puras com a de rios
poluídos. No seu livro, Emoto, demonstra ter utilizado com as imagens, uma técnica que consiste
em colocar um recipiente com água em cima de uma fotografia. Depois ele congela uma gota dessa
água numa câmara fria e fotografa a cores as moléculas, sendo que cada imagem produz formas
cristalizadas diferentes.

Emoto (2005) afirma que a água pede para ser purificada, já que tanto nosso planeta quanto nosso
corpo contêm cerca de 70% d´água. Nossa saúde depende da qualidade da água. O nosso nível de
consciência, os sons e as imagens interferem por ressonância na qualidade da água que bebemos e
naquela que circula no nosso corpo. Para Emoto a água armazena e transmite informação. Em
homeopatia considera-se que o álcool armazena a informação, e a água transmite. A água só
armazena enquanto o estímulo for continuo e durável. Foi constado pela experiência em
manipulação de remédios homeopáticos que a água só conserva a informação por 24hs, enquanto
que o álcool, por vários meses e, conforme o tipo de solução, até anos.

Segundo as pesquisas de Benveniste (1998-2003) a vida depende dos sinais que as moléculas
trocam. Afirma que as moléculas vibram e cada átomo de cada molécula, assim como cada uma das
ligações químicas e pontes que religam os átomos, emitem um conjunto de freqüências que lhes são

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próprias. Para ele, nas funções bioquímicas, as vibrações moleculares enviam instruções à molécula
seguinte. Comenta que as vibrações das músicas ambientais fazem neuropsicologia.

Benveniste considera que a biologia precisa evoluir levando em conta a informação que circula no
organismo na velocidade da luz e a baixas freqüências hertzianas. Para ele a água perimolecular
serve de suporte e provavelmente de amplificador de sinais.

Atualmente, em psiconeuroimunologia fala-se em Paradigma Interciências que defende a


importância da interdisciplinaridade para explicar e diagnosticar fenômenos biológicos,
psicológicos e imunológicos. A maneira que cada pessoa lida com o estresse influi no
funcionamento do sistema imunológico e no desenvolvimento de doenças crônicas, ou seja, a mente
influi na saúde do corpo. Os sistemas da inteligência do organismo (nervoso central, endócrino e
imunológico) estão em constante troca de sinais através dos neurotransmissores, hormônios e
imunotransmissores.

Informações positivas, tais como imagens terapêuticas, ativam uma melhora psicossomática e na
qualidade de vida dos pacientes. A imagem é um sistema que oscila e que é captado pelo sistema
neurosensorial, indo diretamente à mente do sujeito e, quando elas têm um significado psicológico
relevante, podem provocar alterações bioquímicas e comportamentais.

Smith e Best (1989) escreveram um livro chamado O Homem Eletromagnético em que relatam
diversas pesquisadas científicas realizadas a respeito das vibrações eletromagnéticas no homem.
Consideram, como Alexandre Volta, que a força vital é eletroquímica, ou seja, a bioquímica precisa
da física para explicar os fenômenos biológicos. Eles relatam que Lakhovsky realizou vários
experimentos com campos eletromagnéticos em biologia e concluiu que todo sistema vivo emite
radiações, sendo que a maior parte dos seres vivos é capaz de receber e emitir ondas. Para ele a
saúde e a doença são resultado do equilíbrio ou desequilíbrio oscilatório das células vivas, sendo
que a vida é criada e mantida pela radiação, e pode ser destruída devido a desequilíbrios
oscilatórios.

Smith e Best chamam de neblina eletromagnética, àquela que é produzida por aparelhos
eletromagnéticos nos ambientes. Salientam que para os físicos o homem é um organismo
eletromagnético. As células são medidas em micrometros (1µm=10-6m) e a luz leva um
fentosegundo para atravessa-las (1fs= 10-15). As freqüências da luz são da ordem de 1015 hertz
(1hz=1ciclo por segundo).

Smith e Best (1989) lembram que, segundo Einstein, quando a luz interage com a matéria (átomos e
moléculas) transfere um ou mais quanta de energia. Exemplificam que a freqüência da luz verde é
de 6X1014 Hertz e em um Joule flash da energia da luz verde deve haver 2X1018 de quanta. Nosso
sistema sensório reage aos campos eletromagnéticos porque somos eletromagnéticos também. Para
Smith e Best os seres vivos são equipados para detectar sinais eletromagnéticos. Citam pesquisas e
experiências realizadas sobre a influência eletromagnética em humanos, animais e plantas
provenientes de explosões solares, fases da lua, geomagnetismo, fontes de alta tensão e outras. No
caso do homem foram estudadas as variações eletroquímicas que ocorrem com os
neurotransmissores, o sangue, as ondas cerebrais, as enzimas, as alergias e a glândula pineal. As
enzimas, segundo eles, seriam amplificadoras de sinais. Supõem que temos um sistema regulador

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de sinais eletromagnéticos, sendo que as pessoas que tem alergia possuem alta sensibilidade
eletromagnética e, portanto, um mau funcionamento desse sistema.

No nível celular ocorre comunicação de sinais eletromagnéticos, que modificam a polarização da


membrana, alterando as trocas entre os meios intracelular e extracelular principalmente nas células
nervosas, musculares e nas dos mensageiros químicos. Conforme Smith e Best enfatizam, as células
possuem carga elétrica, então reagem a sinais acústicos e elétricos, variando apenas a velocidade de
propagação. Exames, tais como Eletrocardiograma, Eletromiograma e Eletroencefalograma, captam
os sinais elétricos emitidos pelo organismo, provenientes daquelas áreas examinadas; enquanto os
aparelhos de Ressonância Nuclear Magnética transformam por computador os sinais em imagens.

Smith e Best também citaram as terapias vibracionais, principalmente as pesquisas do Edward Bach
(Florais) e de Jacques Benveniste (Homeopatia), em que concluíram que a água e o álcool têm a
propriedade de lembrar e conservar informações, mesmo depois de retiradas as substâncias do
líquido em que foram inseridas no preparo dos remédios vibracionais. Outra terapia que Smith e
Best citam é a Cromoterapia que utiliza radiações do espectro eletromagnético visível para
estimular oscilações eletromagnéticas no organismo. Salientam que não é necessário ver as cores
para sermos afetados por suas freqüências, pois mesmo pessoas cegas podem apreender a distinguir
as cores pelo tato. No mesmo contexto das terapias vibracionais, eles citam também, as energias de
forma emitidas pelas pirâmides. Para esses autores a Radiestesia, como pode ser feita à distância, é
uma técnica que acontece na interface entre a mente e a matéria.

Por outro lado, existe um questionamento que Von Franz (1993) colocou numa palestra no Instituto
Jung de Zurique em 1959, quando fala da resposta à questão básica sobre a matéria que os
alquimistas não conseguiram resolver e que também, por outro lado, Einstein se questionava no que
diz respeito à capacidade da mente humana de inventar modelos matemáticos sobre a realidade, os
quais, acabam por se ajustarem aos fatos exteriores, sendo que ele considerava como um milagre
que deveria ser aceito como tal. Von Franz relata que Planck não concordava com isso e dizia que
cientista vai fazendo experimentos e construindo modelos até chegar a um fato explicativo o qual
seria resultante deste atrito dialético entre experimento e modelo. A questão que Von Franz colocou
foi sobre se o inconsciente está ligado ou não a matéria: Existem duas explicações possíveis: ou o
inconsciente tem conhecimentos de outras realidades, ou o que chamamos de inconsciente é uma
parte da mesma coisa que chamamos o que constitui a realidade exterior, pois ignoramos como o
inconsciente está ligado a matéria. Se uma idéia maravilhosa sobre como explicar a gravitação me
ocorre desde meu íntimo, poderei afirmar que o inconsciente não-material me está fornecendo uma
idéia maravilhosa acerca da realidade material, ou devo dizer que o inconsciente me dá esta idéia
maravilhosa sobre a realidade exterior porque ele próprio está ligado á matéria, é um fenômeno da
matéria, e a matéria conhece a matéria? (pp.24-26, 1993).

Von Franz (1993) afirma que Jung se inclinava para a hipótese de que o inconsciente tem
provavelmente um aspecto material, o que explicaria porque ele conhece tudo sobre a matéria:
porque é matéria, é matéria que se conhece a si mesma, por assim dizer. Se assim fosse, então
haveria um tênue ou vago fenômeno de consciência, até na matéria inorgânica.

Smith e Best (1989) defendem a existência de uma biocomunicação de sinais em freqüências das
mais variadas. Para esses autores a ciência ainda precisa esclarecer dualidades como a da matéria
bioquímica e oscilações eletromagnéticas do corpo vivo, assim como a do corpo e espírito.

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Afirmam que a informação pode ser eletromagneticamente escrita na água. Além disso, uma das
suas maiores preocupações é com a qualidade da água do meio ambiente. Também considera que
para o homem eletromagnético é importante levar em conta a psique e o espírito.

Os tecidos de alta atividade metabólica, como o sistema nervoso, possuem cerca de 90% d´água. A
água é o solvente universal. Apresenta comportamento polar, como também, tem alta energia
cinética, sendo que suas moléculas são dotadas de grande velocidade de penetração e, como elas são
de dimensões pequenas (0,3nm), circulam livremente no organismo se difundindo através da
membrana celular, conseguindo atravessar até camadas bilipídicas. O potencial da membrana das
células nervosa, muscular e cardíaca se altera rapidamente por que estas células têm a capacidade de
transmitir impulsos elétricos. Os nervos se excitam aos estímulos. Captam informações, traduzem e
transmitem. O fato de que o homem é eletromagnético torna-o capaz de captar e processar
freqüências de luzes (imagens) e sons. Os receptores sensoriais captam sinais que vão direto ao
sistema nervoso, como se este fosse um sistema identificador de sinais. Os sistemas sensitivos
detectam alterações do ambiente, formando imagens sensoriais, que servem de base para a
orientação de ações posteriores.

No nosso caso das imagens terapêuticas (Imagoterapia), existem vários receptores que podem ser
solicitados para processar imagens, pois podemos contemplá-las (fotoreceptores ou receptores
eletromagnéticos), ingeri-las (receptores gustativos) ou projetá-las diretamente no sujeito (vários
receptores). No caso das velas vibracionais de imagens acredito que sejam os receptores
somatosensoriais, pois a captação de sinais parece ser inconsciente, sendo que a pessoa sente seus
efeitos após alguns minutos após acender a vela. Recomendo que a vela fique acesa durante o sono,
pois seus efeitos continuam agindo via inconsciente. As velas vibracionais de imagens são feitas
utilizando essências de imagens misturadas com a parafina, o corante branco e a estearina

Os raios de luz na superfície das imagens são refletidos e absorvidos, sendo que os pigmentos azuis
absorvem comprimentos de onda mais longos (menos o azul) e refletem mais curtos (o azul); e os
vermelhos absorvem comprimentos de ondas mais curtos (menos o vermelho) e refletem mais
longos (o vermelho). No olho, a radiação eletromagnética da luz e das cores é absorvida pelos
fotoreceptores da retina, que são as células bastonetes e as células cones. As células cones
identificam a intensidade luminosa, claro-escuro, do branco ao preto; as células bastonetes captam
os comprimentos de ondas das cores.

Para Oliveira, Wachter e Azambuja (Biofísica para Ciências Médicas) a cor é uma sensação
psicofisiológica que está associada ao comprimento da onda e a maneira de percebê-los. (pp.121,
2004). A cor que a nossa retina capta é aquela refletida pelo objeto, fazendo com que a sensação
visual de uma cor não correspondaao conceito físico da cor. A função das células cones e
bastonetes é a de transformar a energia luminosa em impulsos elétricos, através de reações
fotoquímicas. (pp.129, 2004). Estas reações ocorrem quando os pigmentos da retina se excitam ao
absorver a energia luminosa. A seguir os pigmentos se decompõem e liberam energia química para
o impulso nervoso. Posteriormente, ocorre a regeneração dos pigmentos, os quais são compostos de
proteínas e cromóforos. Cromóforo é um íon ou grupo de átomos que confere cor a um composto
químico. (pp. 130, 2004).

A imagem como um padrão geométrico

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O metabolismo celular se faz num meio aquoso, onde fluxos químicos e energéticos se dão entre os
meios intra e extracelular através da membrana que está sempre em atividade. Capra (2005) salienta
que a vida deve ser compreendida como uma rede metabólica celular. Ele corrobora com os
conceitos da biomatemática que representam padrões geométricos complexos (os atratores) como
propriedade das relações entre sistemas vivos e as informações e condições do ambiente. A célula é
vista como um sistema aberto que funciona por fluxos de energia e matéria e por mudanças de
ordem e de estrutura que podem surgir espontaneamente. O sistema não é estável e pode chegar a
pontos de bifurcação e derivar para um outro estado. Essa teoria dos sistemas abertos, citada por
Capra, origina-se da teoria dissipativa de Prigorgine. Isso significa que a criatividade é uma
propriedade dos sistemas vivos, assim como também o é a capacidade de autorganização. Nesse
sentido, a vida caminha em direção à novidade em que uma variável nova pode introduzir um novo
caminho de evolução.

Podemos observar em nossa vida que um dado novo pode ser capaz de modificar nosso destino em
pequena ou grande escala. Podemos imaginar que uma informação nova, no nosso caso, uma
imagem terapêutica, quando penetra no nosso organismo, pode criar um padrão novo de consciência
e modificar uma situação de vida. Em semiótica da linguagem visual se diz que a imagem provoca
a pessoa, faz despertar sensações e produzir reações químicas. Como uma essência vibracional de
uma imagem terapêutica é um padrão geométrico (campos de formas) e energético (vibrações
eletromagnéticas de luz) “inscritos” na água e no álcool, e sendo o meio celular aquoso, podemos
supor que a informação da imagem se difundiria facilmente no organismo.

Pela experiência prática que tenho tido com os pacientes, aqueles que tomam apenas um ou dois
vidros de uma essência de Imagoterapia, só percebem pequenas modificações no dia a dia. Aqueles
pacientes que tomam um tipo de essência por alguns meses (vários vidros seguidos), percebem
alterações mais significativas e profundas nas suas vidas. Situações, que antes os perturbavam, os
pacientes lidam com mais facilidade, em outros casos, atraem acontecimentos mais desejáveis e, em
geral, se sentem melhor com vida que levam.

No caso das velas vibracionais, a parafina é composta de cadeias de hidrocarbonetos que combinam
com as moléculas que compõem o álcool. Quando uma vela vibracional de imagens é queimada, a
informação da essência contida nela é irradiada pela chama no ar e a absorvemos possivelmente,
pelo nosso sistema sensorial, semelhante ao que acontece quando absorvemos um perfume. Parece
ser algum tipo sutil de processo de simbiose em que há uma participação da mente.

Podemos supor também que as imagens terapêuticas melhoram a qualidade do nosso sistema
cognitivo, na medida em que podem melhorar nossa percepção, aprendizado e comportamento.
Capra (2005) considera como Varela (1997), que a percepção sempre se incorpora numa sensação e
que a consciência é um fenômeno que se dá por ressonância em que vários tipos de neurônios
oscilam se relacionando em sincronia na rede neural.

Supondo então que a informação de uma imagem possa ser de fato inscrita no álcool e na água, ela
percorre um caminho inconsciente e se traduz num resultado na experiência do sujeito. As imagens
utilizadas em Imagoterapia transmitem vibrações de forma e luz. Cada fotografia é única, vinda de
um ângulo específico, tirada num horário preciso, pois é um instantâneo de uma cena. Às vezes, eu
fotografo um rolo inteiro de 36 poses num mesmo lugar em ângulos diferentes e, no entanto,
posteriormente, após terem sido reveladas, verifico com o pêndulo que apenas algumas fotos

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possuem cunho terapêutico. Acredito que alguns ângulos específicos revelam padrões geométricos
(ondas de forma, ou campos mórficos) combinados com padrões vibratórios de luz (cores) que têm
qualidade terapêutica. A particularidade delas é que produzem sensações de bem-estar,
possivelmente porque o significado terapêutico delas chega inconscientemente no sujeito e se
incorpora numa sensação consciente.

Vários pacientes já me relataram que não conseguem explicar como a essência de Imagoterapia
funciona, mas, no entanto, conseguem descrever seus efeitos dentro do contexto em que vivem,
assim como dizem que suas reações se tornam mais criativas. Uma variável nova - a imagem – pode
fazer com que a pessoa e as situações se auto-organizem de uma forma nova, fazendo que não se
repitam velhos padrões indesejáveis. Num contexto de doença, por exemplo, em vez de o paciente
ser vítima das circunstâncias, ele passa atuar com mais ânimo e confiança, o que contribui para que
haja uma melhora mais rápida. Certas condições insuficientes dentro de um contexto de tratamento
de doenças contribuem para estressar a pessoa e retardar sua melhora, por outro lado condições
favoráveis ajudam a melhorar mais rápido. Nesse sentido que imagens terapêuticas podem ter um
papel significativo no bem-estar das pessoas em hospitais, clínicas e lares.

A imagem faz parte do nosso mundo interno e externo, pode ser introjetada e projetada no outro e
no mundo, pois estamos intimamente ligados a ela desde a mais tenra infância. Assim como
palavras certas podem nos fazer bem, o mesmo se dá com imagens. Nesse sentido, creio que
imagens terapêuticas que podem se usadas para curar nossa vida interna e externa, pois a imagem
está atrelada à teia lingüística e à nossa compreensão do mundo. Capra, concorda com Maturama e
Varella (1997) e afirma que que na qualidade de seres humanos, nós existimos dentro da linguagem
e tecemos continuamente a teia lingüística na qual estamos inseridos (pp.68, 2005). Para eles o
mundo em que vivemos é criado por nós juntamente com as outras pessoas. Creio que isso, no caso
das imagens em comunicação, nos confere uma responsabilidade ética no uso da linguagem visual
para influenciar as pessoas.

Capra também concorda com Lakoff e Johnson (1999) afirmando que em nossa mente o
inconsciente cognitivo molda a estrutura do nosso pensamento. Segundo Lakoff e Johnson (citado
por Capra, pp.75, 2005) os mesmos mecanismos cognitivos e neurais que nos permitem perceber as
coisas e nos movimentar no mundo também criam as nossas estruturas conceituais e modos de
raciocínio. E, segundo esses autores, o nosso sistema neurosensorial e motor se estruturam e
funcionam no corpo de forma única para cada pessoa, fazendo com que o nosso modo de pensar
seja de alguma forma encarnado.

A imagem provoca

Além de captar a atenção, a imagem pretende significar, ser um símbolo e seu conteúdo e forma,
criar uma atmosfera, uma impressão sobre o plano das motivações profundas, tendo o poder de
influir no inconsciente, nos afetos e no pensamento. As imagens revelam a continuidade existente
entre o mundo interno e externo. Burnett (2005) defende a idéia de que a interdisciplinaridade
contribui para o entendimento das imagens. Afirma que a imagem provoca a mente humana e tem
um impacto na consciência. Ainda não ficou claro em ciência como a nossa interação com as
imagens, atua ao nível da mente e do corpo e Burnett enfatiza que temos uma relação simbiótica
com as imagens e as tecnologias com elas relacionadas. Ele considera que a imagem e o som são

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ferramentas de poder em comunicação que nos possibilitam a viver novas experiências. Segundo
Burnett o processo de ver uma imagem é um continuum.

Mesmo que desliguemos as tecnologias que veiculam a transmissão de imagens, as transmissões


continuam funcionando. Essa contínua transmissão de informações já não pode mais ser
considerada um simulacro do mundo, para Burnett, elas são o mundo, fazendo desaparecer a
distinção entre o que é natural do que não é, de tanto que estamos imersos nesse ambiente onde
circula as imagens. Para ele, há um diálogo em que a imagem fala ao observador e vice-versa. No
caso dos jogos de computador as imagens despertam no jogador o desejo de entrar no mundo das
imagens e fazer parte dele. Burnett considera que o espectador tem um caso de amor com as
imagens.

A imagem é um instrumento inteligente e necessário que pode ser utilizado para diferentes
propósitos em qualquer discurso ou situação, pois é inerente ao pensamento humano tal como são o
som e a linguagem falada e escrita, como se a imagem estivesse atrelada ao pensamento. Podemos
nos visualizar, visualizar situações, formar opiniões e fazer diagnósticos com as imagens, portanto a
imagem não é apenas uma cópia ou produto. Além disso, fazem parte de nossos sonhos e fantasias.

Para Burnett (2005) as imagens são necessárias tanto como comer e respirar. Ver é uma atividade
criativa ligada ao pensar e ao sentir. Esse autor considera que o observador passivo é um mito e ato
de ver é um engajamento interconectado com a criatividade, interpretação e reflexões críticas.
Burnett prefere usar o termo visualizar, no lugar de ver, pois a imagem é atrelada ao pensamento, à
mente e ao corpo, assim como às escolhas e aos gostos. Afirma que o observador interage com a
imagem, muitas vezes num processo simbiótico semelhante ao que fazemos quando escutamos uma
música em que nos sintonizamos com significados, onde ocorrem reações biológicas e
eletroquímicas, assim como comportamentais. A imagem se liga a consciência e a processos
bioquímicos. Distinções entre interno e externo são menos relevantes já que imagens são partes
inevitáveis do ver e pensar, tal como os sons não podem ser separados do ouvinte.(pp. 54, 2005).

As imagens, músicas e palavras ficam ressoando em nossa memória, continuando a influir na nossa
vida diária, tanto no nosso processo consciente de lembranças, como no inconsciente por trás de
associações e escolhas. Burnett salienta que o continuum entre o real e o virtual tornou-se uma coisa
natural na inter-relação entre o homem as tecnologias visuais, sendo que os ambientes virtuais não
são cortados do mundo e sim, parte integrante da nossa experiência diária e o impacto das imagens
nos meios de comunicação alterou a definição de localidade e de comunidade nas atividades
culturais, científicas e políticas, reforçando o laço inseparável entre o virtual e o real.

35
POLUIÇÃO DE IMAGENS

O ato de ver como um consumo de costumes e saberes

Podemos considerar que a percepção mecanicista deixa o homem cada vez mais só e restrito diante
do objeto que observa. Sua solidão o separa de uma experiência mais ampla, que pode incluir
dimensões, as quais poderiam tornar sua vida emocional mais rica e gratificante, ampliar a
responsabilidade de suas decisões, implicá-lo mais profundamente na experiência do presente, abrir
uma perspectiva menos depressiva do futuro, da qualidade de vida atual e do final do ciclo de nossa
vida. A percepção é um contínuo processo de conscientização, transformando a pessoa e influindo
no seu saber, o que depende da capacidade de uma abertura mais sensível a outras dimensões mais
complexas e profundas.

Abraham (1984) considera a televisão como uma droga eletrônica, que se tornou um vício passivo
de grande parte da população, definindo a cultura de nossa época. As crianças que assistem
televisão de quatro a seis horas por dia estão recebendo a fantasia de outros, sendo que nesse
momento não criam nada, não fazem nenhum exercício, não desenvolvem nenhum projeto, não se
relacionam com outras crianças, além de se nutrirem de imagens e informações sem critério, e
ainda, ficam comendo salgadinhos e doces que causam obesidade.

Para Virilio a transmissão instantânea das imagens faz com que os limites entre o sujeito que olha e
os objetos observados desapareçam; e com isso as noções que temos de espaço e tempo imprimem
velocidade em nossa vida num regime de ofuscação permanente em que o cristalino do olho perde
rapidamente sua amplitude de acomodação, o olhar humano se congela, perde sua velocidade e
sensibilidade natural.(pp.25, 1994). Falando sobre contemplação, comenta que para ser restituída,
a imagem deve ser vista a uma determinada distância, o observador se encarregando de fazer seu
próprio foco. (pp.33, 1994). O material das imagens cinematográficas, que o espectador recebe é
luz. Com a fotografia, a visão do mundo torna-se não somente uma questão de distância espacial,
mas também de distância de tempo a abolir, questão de velocidade, de aceleração ou
desaceleração. (pp.41, 1994). O olho da objetiva capta detalhes do movimento que escapam à
visão.

A percepção persistente de imagens em alta velocidade afeta não só a retina como também o
sistema nervoso e a memória. O tempo de exposição ultra-acelerada engendra uma memorização
(consciente ou não) de acordo com a velocidade das apreensões visuais, daí a possibilidade
reconhecida dos efeitos subliminares. Esse tempo de exposição não nos permite ver realmente. Ele
considera a exposição de imagens ultra-rápidas como máquinas de visão destinadas a ver, a prever
em nosso lugar, afirmando que nossas capacidades visuais são insuficientes para captar no mesmo
ritmo dessas máquinas de visão, devido à limitação de nosso sistema ocular. Virilio (2005) adverte
que com a velocidade não podemos perceber claramente, pois sempre algo nos escapa, podendo nos
provocar medos e insegurança. A Internet e a televisão nos colocam numa situação de um
continuum audiovisual, como num mundo paralelo sem substância, independente do espaço e tempo
real de nossas vidas, sem dar tempo para uma reflexão mais profunda sobre o que está acontecendo
de fato.

Virilio (1994) considera que as imagens das fotos publicitárias (cartaz eletrônico, painéis), dos
anúncios a domicílio e da televisão só provocam avidez de consumo e o espectador não tem poder

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de intervenção. O que se oculta e o que se mostra nos relatos e imagens de televisão sobre as
guerras servem menos para informar e mais como uma estratégia de ameaça. Uma estratégia de
dominação que dá à corrida armamentista uma característica virtual, constituindo uma forma
relativista de conflito. O atual e o virtual tomam o lugar do verdadeiro e do falso e a imagem torna-
se uma munição. O tempo intensivo substituirá o tempo extensivo e as imagens ao vivo, de duração
ultracurta, substitui um futuro que ainda demandaria certo tempo para acontecer.

A própria concepção da eternidade, para Virilio, também se modifica. Outrora, o tempo extensivo
que se referia ao infinitamente grande é agora o tempo infinitamente pequeno numa eternidade
imaginária e instantânea. Com isso, o real é gerado de outra maneira, construindo uma realidade
degenerada. Assim, ele propõe a aceitação de um novo tipo de intervalo, o intervalo da luz, cujo
trajeto é nulo, o que torna a velocidade da luz uma grandeza absoluta.

O insight de Virilio causa um impacto até aterrorizante à medida que serve como alerta para a
humanidade da forma intensa, veloz e instantânea com que podemos ser manipulados e até
atingidos em nossa própria essência e pureza do ser e na nossa saúde psíquica e física. Pode estar
nos chamando a atenção para nosso livre arbítrio, em que nossa consciência vai precisar reagir
rápido, transcendendo esta velocidade de luz que cega. Talvez seria melhor pensarmos que a luz
tem de vir de dentro do nosso espírito e iluminar nossa consciência de muito discernimento e
compaixão pela humanidade. A Imagoterapia propõe uma contemplação de imagens terapêuticas,
dentro do tempo de duração extensiva, para despoluir estas imagens fragmentadas, esvaziar esta
velocidade que nos é induzida e fazer um silêncio interno, um vazio em que a energia que parte do
nosso espírito possa pouco a pouco emergir e dirigir nossa vida.

Que espaço ocupa em nossa consciência toda essa invasão de imagens que nos circunda? Até que
ponto, nossas maneira de ver, de sentir, de pensar e de decidir está ficando cada vez mais tomada
por essas imagens que nos circundam, e que procuramos com nosso olhar? Certamente, há milhares
de imagens que permitimos invadir a nossa memória. Elas se configuram na velocidade do nosso
pensamento, distorcendo a nossa realidade interna; tirando-nos a autoria de nossas escolhas,
roubando espaço de memória de reflexão e criatividade, alterando nossa concepção de vida, nossa
vontade e a medida das coisas.

A velocidade da vida e de imagens e efeitos especiais a que nos submetemos levam a uma crise
ética e estética, dificultando a avaliação e interpretação dos acontecimentos. O observador não tem
mais contato imediato com a realidade observada, pois, na verdade, a realidade vem reeditada pela
mídia, dando margem a interpretações que podem não corresponder aos fatos reais, ocorrendo o que
Virilio (1994) chama de desregulamentação das aparências. As edições e programas de televisão
reorganizam a aparência e a medida do mundo sensível, através de recortes da realidade, podendo,
dessa forma, distorcê-la.

Virilio (1994) denomina de alimentação energética as imagens que recebemos em nossas casas,
através da televisão e do computador, e que chegam até nós sem esforço pessoal, tal como a água, a
corrente elétrica, o gás. Considera que a luz que observamos como uma terceira forma de energia:
a energia cinemática, “energia-em-imagem”, fusão da óptica ondulatória e da cinemática
relativista. (pp.103, 2004). Além disso, as transmissões ao vivo, provenientes do outro lado do
globo, que assistimos pela janela de nossas televisões, transformam nossa casa em uma casa de

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imprensa, concorrendo, segundo esse autor, com as dimensões das atividades diárias e criando um
falso dia eletrônico.

Esse autor considera que precisamos repensar o inconsciente visual, os efeitos do que vimos e do
que nos é oculto pelas demonstrações da tecnologia. As retransmissões ao vivo em cadeia global
desvalorizam a presença real das pessoas nos eventos, o convívio em grupo e com os ambientes,
priorizando aquilo que está ausente sobre aquilo que está presente, priorizando o que está distante
em descrédito do que está próximo. Trazemos para o presente o que está distante, sendo que os
contatos humanos reais e o habitat que nos rodeia são tratados superficialmente. Para Virilio (1999)
está acontecendo uma separação entre o sensível e o inteligível, assim como uma indefinição do que
é dimensão, principalmente no que se refere à imagem e ao espaço.

Para Virilio (1999), é preciso também que tomemos consciência ecológica da poluição nas
dimensões naturais do tempo real causada pelo desenvolvimento da tecnologia. A hiper-velocidade
do trajeto valoriza apenas o instante real da telecomunicação instantânea e desqualifica o mundo
exterior. Considera que o homem corre o risco de perder sua alma, a anima, ou seja, o próprio ser
do movimento e o ser no mundo. Um processo que conduz ao que chama de sedentarismo terminal
e definitiva de uma sociedade ao vivo, intensamente telepresente em todo o mundo, cujo horizonte é
trans-aparente, sem passado e sem futuro, podendo conduzir a uma civilização do esquecimento,
em que funciona apenas uma memória imediata ligada à potência da imagem em tempo real.

O efeito dramático desta poluição de imagens ultra-rápidas ao vivo, que Virilio chama de
dromosférica, é a perda da terra, pois produz uma imperceptível contração do mundo, o que
significa a perda da arte do trajeto, atrofiando e tornando inútil o trajeto, a perda do terreno de
aventura, de identidade do ser no mundo. (pp.115, 1999). O telespectador pode ficar atrofiado até o
ponto em que não se move e nem cria vida, apenas assiste imagens editadas em alta velocidade.

Quando Virilio nos fala sobre a perda da arte do trajeto, devemos lembrar da importância de uma
simples caminhada para a saúde e de uma peregrinação para a alma: a revalorização do trajeto, da
paisagem, da natureza, das formas estéticas da arquitetura, dos contatos humanos, um verdadeiro
alimento para a alma. O contato com a terra, com o ar livre, a quietude e limpeza interna que
acontece na contemplação da beleza da natureza enquanto caminhamos, unidos ao espaço de
tamanho natural e dentro de um ritmo de tempo natural, produzido pelo nosso esforço físico, vai
equilibrar nossas freqüências, expandir nossa consciência e enriquecer nossa experiência sensível.
O tempo e o espaço da trajetória podem mostrar a qualidade da trajetória de nossa vida e do nosso
caminho biográfico.

A vida acelerada e os estímulos visuais também engolem um espaço-tempo interno em que o


homem teria de prestar atenção à sua alma e perceber claramente a sua qualidade, a natureza de suas
aptidões e o tipo de uso que faz delas. Além disso, cada um pode atrair para si a luz do plano
sagrado e se iluminar dela, alinhar-se nessa vibração e purificar sua vida, através do amor e da
compaixão por si mesmo e pela humanidade. Pode-se melhorar a própria vida com a luz, porém,
não poluída, esta que nossa persistência retiniana capta como um atrator caótico. O ser se projeta
na imagem e é seduzido por ela; mesmo que ele se projete na imagem de sucesso dentro do contexto
cultural que dá lucro para o vendedor da imagem, ele estará se espelhando no foco de sua ilusão
persistente e enganando a si próprio a propósito da qualidade da realidade viva com a qual interage.
O que fazemos de nós mesmos para sobreviver e sustentar nossos valores? Que valores são esses? A

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dor do mundo vem televisionada como uma injeção de informações rápidas, só que misturada com
divertimento.

O que vemos nos alimenta, entra por nossa retina, percorre os caminhos visuais e é assimilado pelo
cérebro de forma organizada ou não. A nossa lixeira interna é enorme; fica passeando do plano
inconsciente para o consciente, influindo na percepção, na atitude humana e nos eventos. Ela
contém todas as informações sobre a humanidade, o lixo comum. Neste lixo estão também todas as
vilezas que historicamente o homem foi capaz de fazer para adquirir poder e sobreviver, dentro de
um sistema em que o poder vem do dinheiro e de seus donos e que incentiva um esquecimento dos
valores ecossistêmicos. Só podemos melhorar nossa vida e a daqueles que nos rodeiam através do
nosso trabalho e atitude.

Os caminhos que percorrem os desejos humanos passam por ruas desconhecidas até os endereços de
marcas famosas. Onde está o objeto de desejo humano, está presa, afixada, a sua energia, e este
apetite energético vai servir de mola para perseguir o objeto. É uma concentração de energia
poderosa, que poderia ser materializada para beneficiar a humanidade como um todo. O que vemos,
hoje, ao lado da crueldade da vida, é o reflexo da nossa crueldade, dureza e frieza interna, como
também da nossa capacidade de anestesiarmos a dor com ilusões a propósito do sucesso.

O sucesso deve abranger e beneficiar o todo, senão simboliza o fracasso de uma grande maioria que
não tem poder de interferir, porque não tem dinheiro. Imagens ilusórias de sucesso modelam o
comportamento humano por contaminação. O dinheiro que circula na produção dessas imagens
sustenta valores que não refletem a necessidade urgente de procurar despertar a consciência humana
para tomar consciência da verdade que está por trás das aparências, e perceber a dimensão do tempo
interno do trajeto de uma vida e da finalidade dela. Temos que curar a nossa biografia da ilusão
pura e do auto-engano, caso contrário, estaremos criando um mundo de engodo em que prevalece
um empurre-empuxe na corrida para o sucesso.

A conexão com a unidade do todo envolve a consciência de que podemos usar nosso livre-arbítrio
para escolher de que nos alimentamos e alimentamos os outros em todos os planos da existência.
Temos de ter consciência de se realmente nossa influência pessoal contribui para que o todo
melhore, como também do tipo de escolhas que fazemos ao conduzir nossa vida. Daí a necessidade
de contemplar a nossa trajetória para vermos aonde ela nos leva.

A pesquisa da Imagoterapia nasceu não só da percepção da beleza, harmonia e saúde em certas


imagens, como também da percepção das informações de inteligência espiritual interdimensional.
São ondas de forma e luz que funcionam como um ícone interativo que traz informações de saúde,
sanidade e luz para ajudar as pessoas a transformarem seu destino para melhor. O estado de
contemplação de uma imagem de Imagoterapia pode ser comparado ao estado do que os alquimistas
chamam de prima matéria, em que o olhar curioso do Mercúrio se tornaria flexível para integrar os
opostos, sem se identificar com nenhum dos extremos, mas que, no entanto, está no meio deles com
a predisposição e permissão de relação. É um estado que não há tensão do eu com a imagem que
observa. O contemplador permite, sem nenhuma intenção intelectual, ser informado e penetrado
pelas ondas de luz e forma terapêutica da imagem. O estado de prima matéria é um potencial de
transformação. O que existe é a relação, e depois de uma relação nunca se é mais o mesmo.
Contemplar uma imagem, ou seu interior, ou uma circunstância neste estado de prima matéria
provoca uma transformação no ser e na sua vida, pois fica imbuído de uma consciência nova que

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muda sua atitude e por ressonância muda a atitude dos outros em relação a ele e, com isso, o seu
destino.

A preferência por imagens

As imagens publicitárias têm uma especificidade sintática e em teoria da publicidade elas são
classificadas conforme o que o anunciante quer enfatizar, seja o tipo de produto, seja a forma de
uso, seja o tipo de consumidor. Guzman (1979) afirma que a linguagem visual enfatiza alguma
coisa e que a atribuição à imagem como uma linguagem coloca a imagem no mesmo estatuto do
discurso e dos gestos.

O grande sucesso das revistas em quadrinhos, filmes, desenhos animados, videogames,


computadores, baseia-se no costume que as pessoas vêm adquirindo em comunicar-se através de
imagens, à distância, em detrimento da presença real. O imaginário das pessoas é povoado,
sobretudo, de imagens, pois a psique se alimenta das imagens e dos discursos, para se desenvolver,
criar relações e objetivos na vida. Além disso, o discurso, muitas vezes, trata-se de uma descrição
de uma imagem que a pessoa tem sobre um objeto ou idéia.

Cada um de nós tem como que um banco de imagens no seu cérebro desde a tenra infância, sendo
que aquelas carregadas de emoções e sensações mais fortes ficam profundamente gravadas e são
dificilmente esquecidas. Em PNL (Programação Neuro-Linguística) e em certas técnicas de hipnose
são utilizadas imagens associadas a emoções e sensações para re-programar comportamentos e
reações. Este trabalho com imagens tenta gravar ou imprimir uma imagem em cima da outra no
cérebro, causando um impacto significativo na imagem que a pessoa tem do mundo modificando
suas crenças, com o objetivo de torná-la mais otimista e vibrando positivamente. O pressuposto da
PNL é que certas imagens causam uma modificação nas situações de vida e no destino da pessoa.

Embora o impacto das imagens nas pessoas seja um assunto muito atual, o recurso da imagem, para
transformar situações internas, vêm cativando as pessoas há milênios, sobretudo para fixar crenças
religiosas (“santinhos”, murais) e políticas (panfletos, bandeiras). As imagens sagradas têm o poder
de elevar os sentimentos e pensamentos das pessoas e aquelas políticas despertam sentimentos
(nacionalismo, partidarismo).

Guzman (1979) fala de imagens acústicas, visuais e verbais da mensagem publicitária, cuja tática é
concentrar a interpretação do objetivo persuasivo provocando no leitor uma leitura plurisintática.
Isso pressupõe que se pode tirar da imagem uma leitura sintática (a linguagem dos signos) já que a
imagem tem um significado e quer dizer alguma coisa. Afirma que em retórica da imagem, a
semântica da figura estabelece uma relação entre o signo e a coisa significada. Isso também
pressupõe que a imagem pode ser lida e interpretada no seu significado, pois quer dizer alguma
coisa ao observador.

Percebo que quando faço uma projeção de slides das imagens terapêuticas de Imagoterapia, o
contemplador relata sobre suas associações de significados relativos ao seu processo de
autoconhecimento no dia a dia e sobre suas reações psicossomáticas positivas. A imagem ativa o
imaginário da pessoa, introduzindo um novo significante, que altera a sua rede de significados e tem
efeito fisiológico.

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A publicidade procura expor imagens que tenham uma informação que marque o produto, como
também atraia e motive o consumidor, movimentando-o para consumir, transformando seus hábitos
de consumo, conseqüentemente, até seu destino e sua qualidade de vida. A Imagoterapia procura
escolher a imagem que tenha uma informação de significado de cura de um estado de espírito ou de
uma situação crítica, contribuindo para que a pessoa se movimente para se auto-realizar em alguma
coisa que faça sentido para sua vida, pois reforça seu poder de transformar as situações e, com isso,
seu destino. A publicidade exalta o produto. A Imagoterapia exalta o sujeito, que consome a
essência vibracional de uma ou mais imagens. Ambas tratam com imagens que interferem no
destino das pessoas.

Guzman (1979) salienta que a publicidade tem seus aspectos positivos, pois movimenta a economia
como um todo, afetando o seu rumo, fazendo participar o sistema produtivo, os bancos e
instituições de crédito, os serviços, o governo. Ela informa ao consumidor sobre um novo produto
que pode facilitar sua vida, ou ao contrário, complica-la ainda mais, incitando o consumo de
produtos supérfluos. Uma publicidade bem sucedida, aumenta as vendas, desloca recursos de um
setor para o outro; e, indiretamente, pode gerar empregos e mais investimentos.

A ética do sujeito responsável pelos próprios atos

Foulcaut, nas palestras realizadas no Collège de France em 1982, que foram compiladas no livro
intitulado Hermenêutica do Sujeito (2004) salientou a importância de uma busca da verdade interior
e da consciência do sujeito enquanto autor de seus atos, valorizando com isso os outros e a
sociedade como um todo, assim como, a atitude ética do sujeito face ao poder, à exploração e à
submissão.

Nessas palestras, Foulcaut, ao falar em espiritualidade, considera que o cuidado e o auto-


conhecimento só podem ocorrer através de uma transformação do próprio sujeito no seu ser do
sujeito. (pp.21,2004), ou seja, visando melhorar sua alma (psique) e seu corpo. Para ele o
conhecimento serve como um princípio de conduta para fazer atuar a nossa liberdade, nos
liberarmos dos terrores das crenças que nos incutiram e transformarmos em sujeitos livres e
tranqüilos. Cita Epicuro afirmando que o fisiólogo praticava a parrnesía, como uma técnica e
maestria, que podia ser utilizada por um médico ou um mestre. A técnica visava transformar o
sujeito (o paciente, ou discípulo) de forma que, coisas pertinentes e úteis fossem ditas e feitas para a
melhorá-lo. Trata-se do saber que afeta o sujeito, sendo que para isso que serve o conhecimento da
natureza e o conhecimento de si. Cita, posteriormente Epicteto afirmando que a parrnesía leva em
conta uma maneira de dizer as coisas, tanto na arte do discurso, como no corpo da linguagem e na
ética. Para que o ouvinte, ou o leitor, possa se apropriar do saber, ele precisa ser atingido na sua
subjetividade pela objetividade do discurso que escutou ou leu.(pp.442, 2004).

Foulcaut enfatiza que Galeno (final do século II) relata que a técnica médica deve partir do
princípio de que nunca se pode curar sem se saber do que se deve curar, e para ele isso se passa
através da cura da cegueira em relação às paixões, às ilusões e aos erros, inclusive aqueles do
próprio médico.(pp.480, 2004). Para Galeno, observando a atitude do médico, em relação à lisonja e
ao poder, é que se pode saber se podemos confiar nele para consultá-lo ou não. Além disso, se num
primeiro colóquio com o médico ele não tenha notado nenhuma paixão no paciente, ele não estará
dando sinais que pode curá-lo, pois precisa dar sinais de diretor, porque todos temos necessidade de
ter uma estrutura, por isso é necessária a franqueza e a qualidade moral. Além disso, que ele seja

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um desconhecido, para ter neutralidade suficiente e não dar lugar à indulgência e nem à severidade.
O discurso do médico precisa ser útil e não apenas agradável.

Citando Seneca, Foulcaut (2004) ressalta que o ensinamento não deixa de ser uma maneira de estar
gerenciando a alma do outro, pois o discurso atinge. Além disso, o discurso franco deve
transparecer a presença de quem diz, o que envolve um comprometimento com a verdade e não
apenas uma tática de se adaptar ao outro; isto é: o sujeito do enunciado é o mesmo sujeito do
discurso – o sujeito dos próprios atos – num pacto com a verdade.(pp.495, 2004). Foulcaut comenta
que é por isso que se tem tanta dificuldade de perceber a verdade que está por trás de todas as
conversas e conselhos que ocorrem no dia a dia. Além disso, ele considera que estes filósofos da
Antigüidade transpareciam uma preocupação além de ética, também pedagógica.

Foulcaut (2004) relata que na Antigüidade o conhecimento e o cuidado de si passava por uma
trajetória do ser em que o sujeito faz um deslocamento e um retorno a si próprio, tal como numa
odisséia, pois este movimento de autoconsciência exige ousadia, por isso envolve arte e técnica,
pois a vida é uma trajetória perigosa. Afirma que nos últimos séculos da era pagã e nos primeiros
da era cristã o eu surge como uma trajetória e, ao mesmo tempo, como uma meta. No decorrer dos
séculos até a era moderna o termo retorno a si continuou recorrente, assim como o da ética do eu,
porém com características diversas, por exemplo, em Nietzsche, Schopenhauer, Baudelaire e outros.
Para Foulcaut construir hoje uma ética do eu é uma tarefa urgente e indispensável, mesmo que nos
possa parecer impossível, quando se trata do poder político. Para ele as relações que envolvem
poder e governo, assim como o sujeito que se autogoverna, compõem uma trama e em torno dela
que pode ser possível articular questões de ética e política, assim como sobre a verdade do sujeito
na cultura moderna e a busca de uma ciência do espírito.Foulcaut ressalta que dentro da ótica cristã
o objetivo não é retornar a si ,e sim, uma renúncia de si em obediência a leis, enquanto que, por
outro lado, os gnósticos conservaram um pouco do neoplatonismo, buscando voltar a si para
recuperar a memória da verdade, com o objetivo de reencontrar o ser do sujeito.

Foulcaut (2004) comenta que para os estóicos o sujeito, para ser livre, precisava fugir da servidão
de tudo que pudesse sujeitá-lo, inclusive a servidão a si mesmo. Para Sêneca a liberdade só podia
ser encontrada através do estudo da natureza das coisas e da ordem do mundo, mas não sem antes
examinar a si mesmo para, posteriormente, procurar livrar-se das trevas e da ambigüidade da vida
buscando a luz. Na busca da luz é que se podia, então, penetrar nos segredos do interior da natureza,
assim como conhecer a racionalidade da vida e as razões de Deus, pois vendo o mundo de um ponto
de vista elevado, pode-se ver a si mesmo, onde as ilusões e os falsos esplendores da vida não
contam e nem duram, o que permite tornar-se uma alma virtuosa. Foulcaut cita Seneca, o qual
afirma que nossa existência é apenas um ponto no espaço e um ponto no tempo em que navegamos
e de onde podemos recuar e lançar um olhar sobre si mesmo e para o sistema inteiro.(pp.338, 2004).
Nesse recuo de si podemos compreender a ordem global em que estamos inseridos e sucessivos
recuos cada vez mais amplos permitem a compreensão de onde nossa vida desemboca, como
também que não parece ter havido uma escolha, e o que nos resta é saber se queremos ou não viver
nesse mundo de maravilhas e dores. Foulcaut (2004) relata que para Seneca, o sábio, na velhice,
pode até deliberar se quer ou não permanecer vivo.

A constância do sábio

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Para Sêneca o sábio não pode perder nada: ele tem tudo em si mesmo. (pp. 21, 1962). Como o
sábio possui sua virtude, ele não é atingido pela injustiça, ou por insultos ou pela maldade, nem,
com isso, fica ressentida e procura se vingar. O sábio toma os insultos como se fossem criancices e,
assim, como fazemos com as crianças, o sábio, às vezes, adverte e pune os responsáveis com a
finalidade de corrigir, para que não voltem mais a fazer. Sêneca compara esse tipo de atitude com
os atos que um médico é obrigado a fazer diante dos atos de loucura dos doentes mentais e
encarando, os que insultam, como doentes desequilibrados, como gente sofrida e infeliz, que não é
capaz de encontrar a sensatez.

Para Sêneca (1962) o sábio considera os homens todos iguais em sua loucura, não dando
importância e nem se apegando a situações em que ocorrem insultos e ameaças, porque o sábio não
tem vaidade. Quanto ao consumo, o sábio sabe o que comprar entre as mercadorias que estão à
venda e não segue a opinião geral; vive com simplicidade sem buscar confortos dispensáveis.
Sêneca comenta que quem é capaz de rir de si mesmo não oferece oportunidade que os inimigos
caçoem dele para provocá-lo. Além disso, deve evitar disputas e lutas, colocando sua alma acima
das injúrias, se recolhendo, longe da inveja e das agitações mundanas, preservando assim, sua
tranqüilidade. Para Sêneca, saúde e tranqüilidade são uma e só mesma coisa.

Sêneca era um estóico ortodoxo que se auto-analisava a procura dos próprios defeitos, sobretudo
aqueles que eram persistentes, que considera como inimigos internos e como sintomas. No início do
primeiro milênio, portanto, parecia já ter consciência da neurose de repetição, sendo que, inclusive,
ele temia agir sem ter consciência dos seus atos e com indulgência consigo próprio (ou seja, o que
hoje chamamos de maneira inconsciente). Para Sêneca (1962) a reflexão, a verdade e o respeito
próprio eram as virtudes do sábio que garantiam a sua tranqüilidade (saúde), que podemos hoje
associar à saúde mental.

A conversão a si

Foulcaut ressalta que é que o olhar de retorno a si – a conversão a si – não desqualifica o saber do
mundo, apenas acrescenta espiritualidade a esse saber do mundo e ao saber de si. Esse autor cita,
posteriormente, Rufus afirmando que a ascese, enquanto exercício sobre si para adquirir virtude e
conhecimento, não visa submissão a uma lei, mas sim como um meio de ligação do sujeito com a
verdade, mantendo a ética espiritual visando um compromisso com a verdade.

Foulcaut (2004) atenta para a possibilidade de que vários exercícios gregos de ascese e meditação,
que se desenvolveram a partir do século VII, com a navegação do Mar Negro, sejam de origem
xamânica, pois foi quando os gregos entraram em contato mais íntimo com as civilizações do
Nordeste Europeu. Esses exercícios de ascese foram incorporados à espiritualidade dos séculos XVI
e XVII. Foulcaut considera que a espiritualidade cristã se construiu numa negação da gnose
neoplatônica, cujo exercício concentrava-se em atos que podiam fazer com que a alma se
reconhecesse a si mesma. A espiritualidade cristã era anti-gnóstica e se concentrava na suspeita de
si para encontrar não só Deus em si, mas também o Diabo como é, por exemplo, no exercício
noturno do exame de consciência. Para Foulcaut essa diferença constitui a divisória entre os
exercícios cristãos e os exercícios filosóficos, pois a cristandade é marcada por regras de vida,
enquanto a filosofia obedece a uma forma, um estilo de vida.(pp.514, 2004).

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Foulcaut ressalta que a palavra meditação, tanto em grego, como em latim, designa uma atividade
real que prepara o sujeito para aquilo que ele irá realizar, como um treino. Comenta que Rufus
afirmava o treino e o exercício, em que o corpo e a alma participavam conjugados, servem para
formar coragem e domínio, assim como desenvolver certas virtudes, tais como a moderação, para
suportar os rigores da vida. Platão considerava que os exercícios atléticos de luta, por exemplo,
liberavam o sujeito do medo dos adversários. Já em Musonios, os exercícios de ascese psicomorais
de abstinência (fome, frio, sono) serviam para criar um corpo de paciência e resistência. Foulcaut
relata que Seneca era a favor de exercícios que dessem ao sujeito o poder de ser forte e suportar o
infortúnio.Porém, a abstinência estóica, para ele, não constituía num cumprimento de uma regra e
sim numa maneira de dar forma a vida e criar um desprendimento, fazendo com que o corpo
obedeça, um pouco, a alma.

Nesses exercícios da Antigüidade, Foulcaut ressalta uma diferença entre aqueles de abstinência e
aqueles das provas. Na prova o sujeito se coloca uma interrogação sobre si, sobre sua capacidade de
realiza-la até o fim, podendo medir, então, o seu progresso e saber no fundo o que se é. A prova
não é uma privação voluntária como é a abstinência. Ela inclui uma atitude esclarecida e
consciente, uma atitude face ao real em que o sujeito se interroga sobre si, demarcando sobre seu
progresso em relação àquilo que ele quer chegar, pois para os estóicos a vida é uma prova. (pp.521,
2004). Relata que Plutarco fazia o exercício da prova de não se encolerizar ou de não cometer
nenhuma injustiça durante um mês e oferecia aos deuses.

A prova impõe uma regra de ação. Foulcaut assinala que ela exige também uma atitude interior em
que o sujeito se confronta com o real, ao mesmo tempo, que controla seu pensamento, numa atitude
neutra, se refreando e não alimentando o imaginário com fantasias e desejos, assim como não
deixando ser compelido pelas paixões, dessa forma, evitando o perigo que Epicteto chamava de
diákisis. Este consiste num movimento natural em que as emoções podem fugir ao controle e até
tornarem-se patológicas. Então, o exercício proposto é o do desapego, em que o sujeito ama aqueles
com quem tem laços fortes, mas ao mesmo tempo se diz repetidamente que aquilo não vai durar.
Assemelha-se aos exercícios sufistas, taoístas e budistas sobre a consciência de si, as mutações e a
impermanência das coisas. Mas o que Foulcaut ressalta é o caráter de transformação e
transcendência que o exercício da prova implica na vida do sujeito, pois ela pode e deve tornar-se
uma atitude geral na existência. (pp.531, 2004).

Tanto em Seneca como em Epicteto está claramente formulado que a vida deve ser considerada
como uma prova. Foulcaut (2004) relata que Deus era visto como um pai que ama seus filhos, mas
que, no entanto, é rude, impondo fardos e infortúnios para educar filhos fortes, numa rigidez
pedagógica do pai, que era contraria a indulgência providencial da mãe. Sêneca explicava que os
homens de bem sofrem porque Deus providencia provas, para que se fortaleçam. Quanto aos maus,
Deus negligencia na educação e os abandona no deleite, mesmo porque não eram considerados
dignos de se confrontarem com as provas. Supunha-se que os bons deviam consagrar a vida à
formação de si mesmo, sendo que Deus poderia até coloca-los face à adversários cada vez mais
rudes e dificuldades terríveis para que pudessem triunfar sobre os males e servir de exemplo para os
outros, demonstrando que não há nada a temer. Foulcaut comenta que, segundo Epicteto, os
infortúnios fazem parte da realidade da ordem do mundo. Conforme esse filósofo, é o caduceu de
Hermes que transforma todo o objeto em ouro.(pp.536 e 537, 2004). Os infortúnios eram vistos
com fazendo parte da ordem do encadeamento do mundo, o qual foi organizado por Deus. Assim, o
que acreditamos ser um mal, não é um mal; e é nossa opinião que nos distancia da experiência,

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como também, de uma visão racional de como esta ordem funciona. Foulcaut (2004) cita Cícero
que protesta afirmando que a simples visão racional da ordem das coisas, não impede que o mal nos
atinja e nos afete, nos fazendo sofrer muito.A transfiguração do mal em bem só acontece se o
sofrimento é efetivamente reconhecido como uma prova.

Foulcaut ressalta que a visão de que a vida é um longo tecido de infortúnios pelos quais os homens
são provados é de fato uma velha idéia grega, que inspirou e sustentou a mitologia, onde homens e
deuses se confrontam. Exemplifica que Prometeu embora fulminado pelo infortúnio, sai
engrandecido, mas com a grandeza da reconciliação com os deuses, que é a grandeza da paz
reencontrada.(pp.539,2004). Isso demonstra que em Seneca e em Epicteto, como Foulcaut assinala
que é a benevolência protetora que faz a disposição dos infortúnios.(idem,2004).

Foulcaut questiona sobre as dificuldades teóricas que essa antiga visão filosófica do mundo grego-
cristã apresenta, pois ela não explica para que finalidade Deus prepararia os homens bons, como
também, do porque da discriminação entre homens bons e maus, assim como, porque à estes
últimos era reservado o deleite. Questionava também porque Deus amaria mais uns filhos que
outros.

Para Foulcaut o único sentido do cuidado de si e da prova é formar o eu, para poder ter a
experiência da completude. A maneira de assumir os acontecimentos da vida deve se dar de uma
forma que se tenha consigo a melhor relação possível. (pp554, 2004). Isso significa viver com
suporte ontológico que fundamenta e domina a própria existência, numa relação transparente
consigo. É a relação consigo que tem de ser preservada, não importa o infortúnio. Foulcaut afirma:
vive-se para si.(pp.546,2004). Dessa forma que ele encara que a vida possa ser vista como uma
prova em que se possa usar alguma técnica como uma espécie de preparação permanente para uma
prova que dura tanto quanto a vida. (pp551, 2004).

Para Foulcaut, no ocidente, se pratica três tipos de exercício de reflexibilidade: a memória, a


meditação e o método. A memória se lembra de uma verdade; a meditação busca o sujeito ético da
verdade e o método procura certezas e verdades para organizar e sistematizar um conhecimento. De
Platão à Santo Agostinho o pensamento reflexivo se movimentou apenas da memória à meditação.
A partir dos séculos XVI e XVII se movimentou para o método, principalmente com Descartes,
posteriormente com Husserl e Freud. O imperativo conhece-te a ti mesmo ao longo da história
passou por diferentes formas de cuidado de si e tornou-se uma prática de conhecimento. Ao ver de
Foulcaut, a análise das formas de da reflexibilidade constituem o sujeito como tal, servindo como
suporte e fornecendo um sentido.

Quanto à preocupação com o futuro, para ele está ligada com a memória, pois considera que olhar
para a memória é ao mesmo tempo um olhar para o porvir, sendo que estabelece uma consciência
histórica e uma projeção da imaginação. A ocupação com o porvir foi desqualificada pelo fato de
que o homem não fica atentando para a vida atual e real, e sim para inexistência entregue a
descontinuidade e ao esquecimento, como se estivesse no nada. Para Sêneca, o presente é o campo
das satisfações e para Plutarco existe encanto no porvir e no passado, como a lembrança e a
esperança. Os estóicos meditavam sobre infortúnios futuros apenas para exercitar formas de se
manterem prevenidos e não expostos ao inesperado. Porém Foulcaut considera que essa maneira de
colocar o porvir como se já estivesse presente, acaba por reduzir o imaginário ao real para o qual
esta se voltando.

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A meditação sobre a morte, em Platão e nos Pitagóricos parece ser mais útil, já que ela pode chegar
a qualquer momento, pois se tratava de um olhar sob o ponto de vista da morte sobre o sujeito atual.
Foulcaut (2004) relata que esta meditação consistia em considerar que se estava vivendo o último
dia da existência, o que permitia uma visão do alto instantânea sobre o presente, conferindo um
novo valor ao pensamento e atividade do instante, o que permitia uma abertura para outras opções
melhores. Permitia também, um olhar rápido sobre o que foi nossa vida, sobre o valor dela e
conferir um julgamento, valorizando, com isso, o presente. Aqui podemos fazer um paralelo com os
livros de Castañeda (1997), em que o xamã Dom Juan aconselhava seus discípulos a terem a morte
como companheira, para evitar arrependimento, assim, tendo um cuidado de serem impecáveis em
seus atos.

Jung e a gnose

Segundo Hoeller (1995) a gnose é mais uma filosofia de vida do que uma religião, pois afirma que a
desatenção e a ignorância no dia a dia não conseguem encobrir o elemento transcendente, pois na
verdade, toda a alma, em algum momento, reclama por plenitude. Hoeller salienta que os vegetais e
animais seguem o próprio destino, enquanto o homem trai o seu. Estamos numa época em que os
significados não dão um sentido que alimente a alma; e a falta de sentido gera depressão e
desistência. Hoeller destaca que os arquétipos surgiram na prima matéria do inconsciente coletivo,
quando os deuses e homens se relacionavam.

Gnostiko, em grego, significa conhecimento.Os gnósticos se consideravam conhecedores e não,


religiosos. O que os caracterizava era uma atitude específica perante a vida, que era a de buscar o
conhecimento das verdades autênticas da existência, fazendo uso da intuição e do coração,
buscando uma visão profunda da psique humana, levando em conta, sobretudo, a ética. Hoeller
conta que os teólogos da época os consideravam os gnósticos como hereges e os perseguiram por
séculos. O gnóstico não segue alguém que ele conhece, e sim é um conhecedor. Além disso, tem
tendências ao ecumenismo e à flexibilidade face ao novo.

Os gnósticos, segundo Hoeller (1995), buscavam a transformação da mente pela individuação.


Relata que Jung afirmava que as imagens gnósticas, seguidamente, apareciam nos sonhos de seus
pacientes como símbolos de plenitude e individuação. Hoeller comenta, que tal como Jung, os
gnósticos não só exploraram o consciente e o inconsciente, mas também exploraram empiricamente
as imagens e forças arquetípicas do inconsciente coletivo. Hoeller relata que Jung dizia que a
sombra é o reconhecimento da parte inaceitável e má de nós mesmos - como sendo um processo
gnóstico.(pp.60, 1995). Jung teve um vínculo significativo com a alquimia, a qual era uma tradição
oculta da gnose. As sucessivas transformações graduais da prima matéria negra para chegar ao ouro
da pedra filosofal, são comparadas por Jung (1991) e Raff (2002), às etapas diversas do processo de
inviduação.

A associação entre a imagoterapia e a alquimia pode ser simbolizada como o casamento alquímico
entre o Sol e a Lua, sendo o Sol a luz, e a Lua, a superfície em que luz incide. No caso da confecção
das imagens temos a luz e as formas da imagem incidindo sobre a superfície do slide, em seguida
dentro no álcool de homeopatia e, posteriormente, na água e no organismo humano ou animal.
Quanto à associação junguiana da alquimia com o processo de inviduação, várias essências de
imagoterapia contribuem para acelerar e sedimentar esse processo.

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Retornando à gnose antiga, segundo Hoeller (1995), o ser humano é composto de corpo físico
(hyle), corpo psíquico (psique) e corpo espiritual (pneuma), pois a espiritualidade revela o impulso
humano para a plenitude (Pleroma). Através de imagens e símbolos, podemos nos relacionar mais
intimamente com nossa individualidade.

Para Jung (1986) nossa psique é influenciada por forças cegas e insensatas, que são nossas
projeções e nossas compulsões. Hoeller (1995) afirma que estas forças eram denominadas pelos
antigos gnósticos, de demiurgos e arcontes, que simbolizavam entidades criadoras inferiores ao
deus supremo denominado Abraxas. Essas entidades representavam imagens arquetípicas
universalmente presentes na psique humana. (pp.78, 1995).

Hoeller (1995) destaca que Jung afirmava que quando o ego (pequeno self) se integra com o
inconsciente, o ser humano pode viver a experiência da plenitude do ser dentro do contexto
individual do Self como um todo. E ainda, a individualidade autêntica passa pela integração dos
opostos, luz-sombra, bem-mal, masculino-feminino, consciente-inconsciente; e isso se dá pelo
conflito e eventual reconciliação dos opostos. Hoeller comenta que os gnósticos não têm medo de
algum tirano cósmico, porque estes não têm poder sobre o espírito, pois consideram quem faz o
mal, é inconscientemente compelido, além disso, não possui autoconhecimento e nem consciência
do mal que trazem em si mesmo. Evitar o mal, para os gnósticos, não era seguir regras morais e
sim, perseguir a plenitude.

Segundo Hoeller (1995), o processo de crescimento espiritual exige que valores individuais
substituam valores coletivos, pois ser indivíduo é ser auto-dirigido, além disso, sem liberdade, a
individuação não tem sentido. Nossa liberdade é por ele encarada como uma tarefa lúcida e
responsável de crescimento espiritual; e nossa luz espiritual aparece em nossas obras, e através
delas, deixamos nossa marca. Destaca que, para Jung (1988), as imagens simbólicas marcam
inconscientemente a individuação coletiva de uma época caracterizando a qualidade espiritual de
uma civilização. As imagens de importância universal podem aparecer nos sonhos e fantasias dos
pacientes, como que vindo de um depósito do inconsciente arcaico universal, sendo que essas
imagens possuem uma vitalidade, pois estão ligadas aos arquétipos coletivos e, ainda, podem
possuir a psique.

Para Hoeller, a gnose aparece em toda a parte em imagens que trazem a luz do pleroma à Terra,
para iluminar e curar as almas humanas. (pp.182, 1995). Para os gnósticos, a ignorância de si leva
o sujeito ao fracasso e carrega os outros, consigo. Apenas o autoconhecimento pode melhorar a
qualidade da vida. Comenta que as forças criativas do inconsciente (simbolizadas por Abraxas)
estão acima e as destrutivas (os arcontes) abaixo. Sendo que, na esfera da alma se dão os conflitos e
na esfera do espírito a união com o poder criativo de Deus e apenas o espírito pode dotar a vida de
um significado verdadeiro, pois ele é quem pode dar o critério.

Insisti em falar no gnosticismo devido ao valor que confere à vitalidade das imagens positivas para
a cura e para o autoconhecimento, e pelo fato de enfatizarem a vitalidade de certas imagens, que são
capazes de influir em nossas vidas. Além disso, porque marca a espiritualidade não como uma
religião a ser seguida, e sim como um caminho para uma individuação sã. Para os junguianos
imagem cura imagem.

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IMAGEM E AMBIENTE

A iluminação, a cor e a forma informam e envolvem

Souza (2005) provou cientificamente que as imagens têm efeito observável na bioquímica do
organismo humano, assim como nos eventos comportamentais. Em Imagoterapia, pela minha
experiência de mais de 20 anos, apenas com imagens terapêuticas, tenho percebido que o que conta
na intensidade do valor terapêutico, tem a ver com o que se pode chamar de vitalidade da imagem,
que está ligada ao tipo de energia que ela parece ativar. Gostaria de salientar três aspectos: 1)
Aonde bate a luz na imagem de uma paisagem ou detalhe de um local, há um destaque de forma e
de estrutura na imagem, que faz apelo ao olhar; 2) As formas de cunho terapêutico são muito
especiais, principalmente aquelas da arquitetura e pintura egípcia e gótica, assim como formas da
natureza e do universo, como galáxias, nebulosas; 3) A distribuição e intensidade das cores num
contexto natural ou em ambientes interiores também conta nessa terapia vibracional. A imagem
terapêutica enfatiza a iluminação, a forma, a cor, os contornos, a profundidade, detalhes de nuances,
o significado e a vitalidade. A imagem terapêutica irradia saúde e um sentido de harmonia e
integração, e, além disso, ela atrai o olhar, mesmo porque, em física, a luz é uma energia radiante
que refrata, é absorvida e reflete.

Crowel (1999-2003) relata que a freqüência de uma onda de luz corresponde a uma cor, sendo que,
no espectro visível, a cor violeta corresponde a freqüências mais altas, enquanto a vermelha a
freqüências mais baixas. Além do violeta existem as radiações ultravioletas, os raios X e gama;
abaixo do vermelho estão as radiações infra-vermelhas e as ondas de rádio.

Esse autor afirma que a luz ressoa ondas, sendo que as luzes de alta freqüência têm largura de onda
menor que as de baixa freqüência. A luz é uma onda, mas é uma vibração de campos
eletromagnéticos, embora ela mesma não seja a vibração de um corpo material. A luz viaja em
fótons ou em ondas de freqüência e Crowel salienta que uma onda de luz consiste num padrão de
viajem de campos eletromagnéticos. As ondas de energia da luz, segundo Crowel (1999-2003), são
em parte refletidas na superfície, como as de vidro e a da água; em parte transmitidas, passando
através deles; e, em parte absorvidas neles e convertida em calor.

Imagino que uma imagem projetada num líquido, tal como a água mineral ou o álcool de
homeopatia, de alguma forma altera as nuvens eletrônicas das moléculas desses líquidos, pois
ocorre absorção de luz, portanto, também emissão. Além disso, cada imagem contém formas e cores
diferentes, portanto, oscilam em freqüências diferentes, conforme a sua informação específica. De
certa forma, e dentro deste contexto técnico, em que faço minhas essências, a imagem é absorvida
no líquido, transmitindo uma linguagem vibracional; e, quando esse líquido é ingerido, vai direto ao
nosso sistema neural, o qual está muito familiarizado com imagens, o que faz da imagem muito
fácil de ser assimilada.

As formas são ressonantes

As formas podem ser incorporadas pelo sujeito. Isso se torna mais evidente e observável, quando
vemos um profissional virtuoso em coreografias de danças ou de artes marciais, assim como em
atores com seus personagens no cinema e teatro. A forma é um sinal visual inteligente específico
que informa. Além disso, tem maleabilidade, pois se combina facilmente com outras formas de

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significado para expressar uma arte, ou uma ciência. A forma está ligada ao espetáculo e a exibição,
pois ela pode seduzir o espectador. A forma é um recurso de linguagem que enfatiza e ilustra o que
queremos expressar. A forma sinaliza e parece vibrar, e ela dá dimensão ao objeto observado.

Quando vemos virtuosos da arte do espetáculo, do design, da fotografia, da pintura, da escultura e


da arquitetura sentimos ali a energia do artista que se expressa na forma, tal como se forma e
energia fosse uma coisa só, como numa sinfonia de formas, que fala direto aos nossos sentidos e aos
nossos sentimentos de aprovação ou de desaprovação, o que parece sinalizar de que a forma dialoga
conosco, tanto a nível inconsciente como consciente, pois ela tem algum sentido para nós e é
envolvente. A forma comunica e produz reações em nós, além disso, faz história que marca uma
época, refletindo as inquietações coletivas.

Sheldrake (1985) fala sobre principio formativo que dá aos organismos vivos os propósitos em
direção aos quais seus processos de vida são atraídos. Para esse autor a memória depende de
ressonância mórfica, por exemplo, o campo mórfico de uma tribo conteria as memórias pessoais e
seus membros, assim como a memória ancestral.

Os campos mórficos, para Sheldrake (1985), organizam a atividade de um sistema vivo, baseado em
ressonância mórfica com comportamentos passados, compondo o que ele denomina como memória
coletiva da espécie. Para ele um campo morfogênico tem uma forma específica virtual de um
sistema final que é anterior a forma material que ele ganhará posteriormente. Trata-se de um campo
ativo no plano morfológico, sendo que a ressonância mórfica se daria por um processo de vibração
a freqüências particulares capazes de engendrar características estruturais, modificações de
comportamento nos sistemas vivos, assim como influem nos eventos. Afirma que as partículas
elementares bioquímicas estão em constante oscilação vibratória nos órgãos sensoriais, nos
músculos e nos sistemas nervoso e hormonal. Além disso, os neurônios possuem interações
elétricas e químicas do tipo descrito no âmbito da física e da química.

Sheldrake (1985) salienta que a forma não é medida quantitativamente e sim é reconhecida de
maneira direta. Ela relaciona-se como causas de mudanças de qualidade no desenvolvimento das
formas vivas; e os campos mórficos, tal como os demais campos da física, são reconhecidos apenas
por seus efeitos. Os campos de forma parecem ser mais aspectos e propriedades da matéria do que a
constituição dela. Para Sheldrake cada campo de forma específico tem uma finalidade específica.

As sinapses de nossas células nervosas se comunicam por sinais elétricos e químicos de neurônio
para neurônio, assim como entre os neurônios e os músculos e órgãos. Os receptores sensoriais são
a interface entre o sistema nervoso e o meio, identificam e processam informações visuais,
acústicas, tácteis e olfativas. Isso faz que o organismo participe na relação direta do sujeito com a
imagem que ele observa ou ingere. Na interação imagem-observador, a imagem não existe sozinha
de um lado, e nem o observador do outro, pois quando eles se encontram ocorre, um processo de
interação entre eles, uma atividade eletromagnética que atua na bioquímica do sujeito. O ato de ver
parece ser um processo energético em que um campo de atração se cria vinculando a imagem ao
sujeito num processamento contínuo de informações.

Crowell (1999-2003) leva-nos imaginar como podemos ter consciência da ressonância ao falar
sobre uma flor e um instrumento musical: Dente de Leão. Violoncelo. Leia estas duas palavras, e
seu cérebro faz instantaneamente uma corrente de associações, a mais proeminente delas tem a ver

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com vibrações. Nossa categoria mental de “dentiliãonsice” é fortemente ligada as ondas de luz
colorida que vibram cerca de milhares de vezes por segundo: amarelo. A batida aveludada do
violoncelo tem como sua característica óbvia sua relativa entoação musical baixa – a nota que
você está espontaneamente imaginando exatamente agora pode ser uma vibração repetida a uma
taxa de centenas de vezes por segundo.(pp.11, 1999). Para Crowel, nós podemos julgar cores e tons,
pela taxa de repetição, que é a medida da freqüência.

Nesse sentido, podemos imaginar que cada imagem tem uma freqüência vibratória específica e pode
atuar em nós por ressonância vibratória. Sabendo dessa possibilidade, temos de estar atentos como
organizamos de forma sã o visual dos ambientes em que vivemos, principalmente na área da saúde.
Desde de 1984 pesquiso imagens dirigidas especialmente para a saúde psicossomática, para dar uma
harmonia mental e emocional, assim como para desativar pensamentos negativos e desespero
emocional. Testei e comprovei também durante anos que certas imagens estimulam as pessoas a
reagir de uma forma mais positiva. Colocadas em ambientes ressoam para todas as pessoas que ali
permanecem ou comparecem por algum tempo, por mais curto que seja. Outra coisa que percebi é
que certas imagens têm um poder de atrair coisas positivas para a pessoa, melhorando o destino
delas. É importante discriminar que imagem realmente é adequada para cada tipo de ambiente,
como também, ter em mente, que assim como existem imagens extremamente benéficas, existem
outras nocivas, e outras sem poder nenhum de transmutação para as pessoas.

Já estive internada em alguns hospitais e já visitei amigos e parentes neles. A grande maioria
oferece ao paciente aquela atmosfera hospitalar com paredes de cor de creme ou de gelo, bem
monótonas, relógios que marcam a hora apenas do numero 1 até 12 e televisões ligadas em canais
ao gosto dos enfermeiros de plantão (sobretudo quando o paciente está internado na UTI). Acredito
que isso não seja bom para o paciente, principalmente, porque, ao contrário, existe a possibilidade
de usar imagens que realmente ativavam bem estar e uma esperança.

A imagem quer dizer alguma coisa e ativa alguma coisa em nós. A imagem pode impressionar, pois
ela emana ou propaga uma informação. Existem imagens, que embora belas, não ativam uma
informação específica de saúde psicossomática. Para Jung (1986) psique e imagem quer dizer uma
mesma coisa, pois a imagem parece ser um instrumento máximo da linguagem do inconsciente, seja
nos sonhos, seja no poder da criatividade, seja nas memórias felizes ou traumáticas. No mecanismo
da projeção e da transferência psicológica é uma imagem passada interna distorcida por fantasias
sobre a realidade, que o paciente projeta noutra pessoa e transfere para as mais diversas situações de
sua vida. A imagem passada, nesse caso, surge como um véu na consciência que encobre o real, e
seu significado se atualiza numa situação presente por ressonância.

Atualmente a imagem está sendo muito enfatizada tanto no ensino como na mídia, na publicidade e
nos divertimentos. A imagem tem sido usada para ilustrar eventos, induzir desejos, marcar
informações sobre produtos e distrair as pessoas de si próprias e da vida estressada que elas vivem.
A imagem tem sido usada sem critério e de uma forma nem sempre benéfica para o coletivo. As
imagens publicitárias podem iludir e induzir as pessoas a consumir coisas sem o retorno real do
investimento. Quando usadas em propagandas políticas, podem construir personagens fictícios que
não correspondam ao sujeito real que está se candidatando. As imagens atualmente não só editam
história, como fazem história.

50
Imagoterapia em hospitais: o significado terapêutico da imagem

Num hospital há vários fatores a serem levados em conta, mas o foco principal é o paciente. Ele
precisa se sentir bem amparado, bem cuidado e o mais confortável possível, pois além de ele estar
longe do seu lar e de sua vida normal, ele gostaria tolerar melhor a dor e os procedimentos
necessários à sua recuperação. O que o paciente espera de um hospital é ser bem tratado e sair de lá
curado. O que ele desejaria é que o tempo que ele precisasse ficar lá passasse da melhor forma
possível, que coisas fossem feitas para que ele se sinta harmonizado, assim como sua família. Além
disso, espera que os médicos e enfermeiros o tratem com o máximo de cuidado e passem uma
energia positiva transparecendo uma ética irrefutável.

Nesse sentido a Imagoterapia pode contribuir muito a começar pelo ambiente em que o paciente
fica, seja na UTI, seja num quarto normal. A situação dele geralmente é de ficar deitado, quando
desperto olha paras paredes ou para a televisão. Esta última pode ser prejudicial, pois pode
transmitir sons e imagens nocivos para a saúde. Em UTI a televisão só deveria ser ligada com o
paciente desperto, com o consentimento dele e no canal que ele escolher. O tipo de som ideal para
esses ambientes é uma música, em tom baixo, de Mozart ou Beethoven, que fará tanto bem para ele,
quanto para aqueles que o estão cuidando. Este tipo de música alimenta a alma, porque suas
vibrações são de harmonia e firmeza. Outro fator importante é que o paciente possa ver num relógio
as 24 horas do dia e a data, pois colocar um relógio que não deixe claro se é dia ou noite o
desconecta do tempo real.

Quanto ao espaço é nas paredes, principalmente à sua frente, é mais saudável que ele veja posters
de bom tamanho com imagens da natureza ou do cosmos escolhidas com critério. É interessante
também, colocar imagens nas paredes laterais, pois quando o paciente virar para os lados é muito
bom se defrontar com imagens terapêuticas, ou uma vista da natureza pela janela, que lhe tragam
harmonia, esperança, equilíbrio e o estimulem a melhorar rápido. Paredes nuas são deprimentes, a
menos que sejam num tom verde claro, e quadros escolhidos sem o critério de objetivo para a saúde
podem dar a sensação ruim de se ter de suportar uma imagem que não lhe inspira nada de bom.
Segundo Calazans (1992), a cor usada num ambiente, por exemplo, influi até no apetite e na
velocidade com que a pessoa ingere o alimento, pois as vibrações das cores ativam o sistema
nervoso e têm efeito subliminar no inconsciente e no comportamento das pessoas. O aspecto
principal da imagem que as pessoas têm de um hospital é o da ausência de prazer, como também, da
privação de leveza. Como se curar rápido num ambiente pesado?

As paredes do quarto em que o paciente fica internado são os referenciais limites espaciais com os
quais ele tem de lidar. Para que ele não viva a condição e internado como numa prisão, ele precisa
de referenciais mais motivadores que amenizem sua condição de dependência, fragilidade e
desamparo. Imagens terapêuticas vão atrair seu olhar para um significante ligado a alegria de viver,
amenizando, dessa forma, seu sofrimento e medo.

Além disso, nos hospitais podem ser usadas imagens nas salas dos médicos e enfermeiras, assim
como nos corredores e salas de espera, imagens que ativam coisas positivas vão criar um ambiente
são. Médicos e enfermeiras cumprem plantões e há muita pressão sobre eles, como também
competição ou descaso. A rotina de procedimentos pode ser encarada apenas com um cumprimento
de tarefas, porém cuidado humano significa muito mais e não pode ser uma atitude meramente

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mecânica. Nem todos profissionais de saúde estão ali por vocação e paixão pelo que fazem, como
algumas pessoas podem idealizar a respeito deles.

O médico, ou o enfermeiro pode se envolver com o paciente e com seus colegas de uma forma
muito sã e consciente. Ele precisa estar consciente de corpo e espírito presentes para dar melhor de
si e provocar o mínimo de estresse numa pessoa que já está doente e frágil nas mãos dele. Existe um
processo de co-dependência entre paciente e terapeuta. É uma relação entre duas almas. O paciente
necessita do atendimento correto de quem cuida dele para poder melhorar de fato. Quanto àquele
que cuida do paciente, ele precisa ser virtuoso e se comprometer no seu trabalho, se preocupando
com sua excelência no cumprimento de sua missão e, sobretudo, para depois poder gozar a
satisfação profunda de ver o resultado do seu trabalho no sorriso de gratidão do paciente e dos seus
familiares. O objetivo principal do paciente, de seus familiares e amigos, dos médicos e enfermeiros
é recuperar a saúde o mais rápido possível, de maneira segura, efetiva, harmoniosa e firme.

Outro fator que pesa nas situações de doentes hospitalizados é a condição psicológica da família e
dos amigos mais chegados, os quais ficam às vezes, horas, aflitos e exaustos, desesperados com o
estresse contínuo e da expectativa de ver logo aquela circunstância horrível se terminar de maneira
melhor possível e todos voltarem a vida normal. Estes também podem se beneficiar indiretamente
de imagens de Imagoterapia que podem ficar nos corredores, salas de espera e quartos.

Imagens ativas terapêuticas, que representam cenas da natureza, mobilizam positivamente a pessoa
para a vida dando esperança de dias melhores, assim como, contribuem para distraí-la da rotina
básica de procedimentos dolorosos e desconfortáveis de alguns exames e tratamentos. As imagens
terapêuticas podem ser estímulos que oferecem uma mudança de perspectiva de uma condição
passiva e depressiva para uma condição atuante e confiante, pois o doente se sente estimulado a
melhorar e passa querer participar dessa melhora.

Em musicoterapia já existe uma pesquisa profunda de músicas terapêuticas, não só as clássicas de


Mozart e Bethoven, como também de estudiosos com Steven Halpern, Carlos Nakai, Peter Kater e
outros que, comprovadamente, provocam melhora psicossomática e espiritual nas pessoas. Imagem
e som têm ressonância vibratória em nós, pois os sons vibram em freqüências e intensidades
específicas conforme a melodia, e as imagens, pelo seu lado, têm cores de comprimento de onda e
amplitude vibratória específicas em cada tipo de figura, assim como emite ondas de forma,
conforme o formato do seu conteúdo, como também seu valor simbólico.

Além de imagens distribuídas estrategicamente no interior do hospital existe a possibilidade de se


realizar exposições de slides de imagens terapêuticas acompanhadas de músicas também de cunho
terapêutico - tanto individuais, como para grupos - seja para pacientes, seja para seus familiares,
seja para os seus cuidadores. Nesse caso seriam imagens previamente escolhidas especificamente
destinadas para aquele grupo em particular. São sessões que precisam ser agendadas em tempo de
se selecionar as imagens indicadas para aquela(s) pessoa(s) e para aquela situação naquele momento
preciso. Imagem e contexto estão inter-relacionados num continuum. Nestas sessões o expectador
pode ver as imagens e também tomar um gole – que contém a imagem inscrita na água mineral com
proporção de 20% de álcool de homeopatia.

Além disso, o paciente pode receber uma fotografia (tamanho A4) da imagem específica para a
enfermidade dele para que possa olhá-la quando desejar. O olhar não é fixo, ele percorre a imagem

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seguindo a preferência incitada no momento. Olhar a imagem e ingeri-la é uma maneira mais
intensiva de tratamento, usada em situações específicas emergentes. Portanto, se o paciente ainda
ingerir, sob a forma de essência vibracional a imagem que olha, será mais eficaz ainda. Pode fazer
um tratamento com 7 pipetas de essência vibracional de imagem, tomando-a duas vezes ao dia. As
imagens terapêuticas têm informações de motivação de viver e de seguir um plano de vida mais são
e consciente. Os fotoreceptores da retina recebem a energia luminosa colorida e as formas de
significado positivas para a saúde. O cérebro processa a informação e distribui para o organismo
como um todo. O mais importante nesse tipo de tratamento é que o paciente, além de olhar para a
imagem, tome a essência dessa imagem específica para o seu tipo de enfermidade, duas vezes por
dia, 7 pipetas de cada vez.

A Imagoterapia se atende para o uso ecológico da imagem e com a ética no critério de sua seleção,
visando o bem-estar da saúde humana e dos ambientes. O ato de contemplar a imagem funciona
como uma meditação que alimenta a alma e equilibra a vida da pessoa, na medida em que contribui
para ajustar e organizar a ordem e estrutura de nosso sistema de captação de sinais de forma mais
inteligente e adequada, para que o sujeito possa lidar melhor com o meio em que vive, atraindo,
com isso, mais qualidade de vida consciente e inconsciente.

Segundo Pink (2005), nós estamos entrando numa era conceitual em que o hemisfério direito
cérebro está sendo mais exigido e suas capacidades mais valorizadas. O hemisfério direito lida com
imagens e com o sentido das coisas e da vida, tendendo para fazer sínteses mais amplas
relacionando temas interdisciplinares, enquanto o hemisfério esquerdo lida mais com palavras, com
o significado textual, é mais especialista e analítico. Pink afirma que o H.E. presta atenção ao que é
dito, enquanto o H.D. percebe a maneira como é dito (o tom, os gestos, as feições, a postura). Este
último busca o sentido e o propósito da vida e do que fazemos, tendo a capacidade de criar e
imaginar em cima dos dados que o H.E. acumulou. Atualmente as pessoas já estão se dando conta
que a competição é estressante, portanto podem contar com o H.D. para estabelecer laços empáticos
de cooperação para melhorar sua vida.

Para Pink (2005) a tarefa do médico e do terapeuta é criar um laço de empatia e bom humor com o
paciente, se interessando pela sua história, como também por sua espiritualidade, para poder
diagnosticar e tratar com mais sucesso. Como as pessoas estão mais sensíveis ao visual os
consultórios e hospitais precisam transmitir emoções positivas no paciente. Conta que no hospital
americano em Pittsburg, chamado Montefiore, fizeram uma experiência com dois tipos de design
nos quartos de pacientes recém operados, que deu um resultado bem distinto. Pacientes que ficaram
em quartos do tipo convencional consumiram mais analgésicos e demoraram mais tempo para se
recuperar, do que aqueles que ficaram em quartos com visual mais alegre, leve e convidativo
tomaram menos remédios para dor e se recuperam bem mais rápido. Parece óbvio que o contexto
em que eles foram tratados influiu no resultado. As pessoas gostam de ambientes que proporcionem
um sentido de prazer em estar ali. Sabemos que o prazer é o contrário da dor. O cérebro direito
capta o design e as imagens positivas, como conseqüência o sistema imunológico reage também
positivamente. Dessa forma, a doença é superada mais facilmente.

A publicação Design do século XXI, (2005) reúne quarenta e cinco designers que esperam que seu
trabalho seja reconhecido como uma ciência. Utilizando o mínimo de meios, criam formas novas
visando melhorar e simplificar a vida das pessoas, assim como produzir emoções positivas. Esses
designers pretendem atingir o imaginário das pessoas e provocar uma atração sensória, pois

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consideram que os objetos visuais são meios para atingir um fim, que expresse um sentido, levando
em conta a ética. A maioria desses designers privilegia a beleza e pretende provocar um estilo de
vida mais divertido, com mais conforto, bom humor e bem-estar visando atender as aspirações e
satisfazer os desejos das pessoas de harmonia e alívio do estresse.

Temos em nossa memória imagens de coisas que aconteceram, assim como de conhecimentos e
experiências captadas pelo nosso sistema sensorial. A nossa imaginação combina essas imagens
passadas com um dado novo e transforma em criatividade. A imagem terapêutica é um dado novo a
ser incorporado em nossa história pessoal, fazendo que mudemos nosso comportamento tal como
acontece com qualquer informação nova relevante. Dados novos relevantes nos sensibilizam
ocasionando alterações bioquímicas no nosso organismo e provocando reações novas. Apenas ao
imaginarmos que estamos chupando um limão suculento a nossa salivação se ativa. Quando
imaginamos que as coisas vão piorar para nós, ficamos tensos, mas se, ao contrário, olharmos para
uma bela paisagem, conseguiremos relaxar.

Na imaginação do sujeito, aquilo que representa vida, energia e beleza altera o significado
pessimista da experiência que ele atravessa num contexto de estresse extremo, pois incorpora um
novo referencial de vida. Uma informação positiva dá um significado novo para esse tipo de
situação. No caso de um paciente hospitalizado a expressão compassiva do médico e das
enfermeiras, o sorriso do visitante, assim como imagens positivas contribuem para amenizar sua
dor.

A imagem terapêutica melhora qualquer contexto

O uso de imagens terapêuticas em empresas públicas e privadas pode contribuir para ativar a
criatividade e a qualidade da produção, assim como para manter a mente sã e desperta para resolver
problemas mais rapidamente. Como já vimos, a imagem impulsiona, assim, no contexto empresarial
pode criar uma ambiência favorável ao trabalho.

Outro local em que a imagem terapêutica pode ser útil é em salas de espera de qualquer natureza,
desde consultórios dentários e psiquiátricos até ambientes em que se espera para cumprir
burocracias. Num ambiente com informações visuais de tranqüilidade contribui para diminuir a
ansiedade de expectativa e a impaciência. O mesmo vale para transportes públicos, pois nos
deslocamentos as pessoas se desgastam e ficam olhando apenas para imagens de propaganda que só
enfatizam mais um contexto de sujeição de tempo e espaço que não se pode controlar. Não há
cuidado com a qualidade de vida psíquica do trabalhador, pois nada sugere sossego, apenas
exaustão.

Nas prisões e manicômios a condição é ainda pior, pois se a pessoa está ali para ser recuperada para
voltar à sociedade, não será um ambiente árido que vai contribuir para sua saúde mental. Há
imagens terapêuticas que contribuem para corrigir distorções de caráter e reintegrar a psique
conflituosa, hostil e desesperada, assim como há outras imagens que estimulam atitudes positivas
que vão se refletir no ambiente.

Nossa casa, nosso sossego

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Temos de atentar para a qualidade do ambiente de nossas casas, principalmente da sala aonde
fazemos refeições e aonde dormimos. Os momentos de comer, de ir dormir e de acordar são cruciais
para nossa saúde e nossos estados de humor. Crianças, adolescentes e adultos passam o dia, e parte
da noite, hiper-estimulados pelo ritmo acelerado de vida e por apelos visuais que não contribuem
para a saúde psicossomática. Quando entramos em casa para descansar nem sempre temos sossego,
por isso, é nesse local que poderíamos relaxar melhor e recompor nossas energias. Em nossa casa,
geralmente, temos mais poder de escolha e , portanto, é aonde podemos criar nossa própria
ambiência. Utilizando imagens terapêuticas, assim como, tomando essências vibracionais de
Imagoterapia podemos nos recuperar energeticamente e administrar melhor nossos estados
psíquicos.

Fótons e proteínas

Para Muller, Nunes e Oliveira a cor é uma sensação psicofisiológica que está associada ao
comprimento de onda e a maneira de percebê-los (pp.121, 2004). A cor que nossa retina capta é
aquela refletida pelo objeto, fazendo com que a sensação visual de uma cor não corresponda o
conceito físico da cor. A função das células cones e bastonetes é a de transformar a energia
luminosa em impulsos elétricos, através de reações fotoquímicas (pp.129, 2004). Estas reações
ocorrem quando os pigmentos da retina se excitam ao absorver a energia luminosa. A seguir os
pigmentos se decompõem e liberam a energia química para o impulso nervoso. Posteriormente,
ocorre a regeneração dos pigmentos, os quais são compostos de proteínas e cromóforos. Cromóforo
é um íon ou grupo de átomos que confere cor a um composto químico.(pp.130, 2004). Proteínas
agem em funções celulares tais como catálise, geração de sinais, proteção e barreira a nível
molecular. As proteínas fotoreceptoras convertem luz em sinal formando um dipolo elétrico em que
a proteína muda de cor. A energia luminosa se converte em energia eletroquímica, pois houve
excitação nos seus átomos e transferências de elétrons. No estado excitado, o elétron da penúltima
camada orbital salta para a última camada mais externa.

Segundo Barrère (2007) uma célula dos bastonetes humanos (que distinguem as cores) pode ter seus
elétrons excitados por um só fóton. As células bastonetes contêm proteínas fotoreceptoras nas
estruturas de suas membranas, as quais ficam hiper-polarizadas sob o efeito da luz, fechando seus
canais iônicos dos gradientes eletroquímicos. Esta hiper-polarização é transmitida
eletroquimicamente para os neurônios da retina. As células cones sintetizam três pigmentos
diferentes que apresentam níveis de absorção diferentes, segundo as larguras de onda.

A molécula que é fotossensível é a rodopsina, que contém uma proteína, a opsina, que é
fotoreceptora. A rodopsina tem uma banda de absorção de larguras de onda na região do espectro
do visível. As opsinas já vêm codificadas nos genes humanos. As proteínas fotoreceptoras
convertem luz em movimento iônico e depois em sinal nervoso. No sistema nervoso, segundo
Boudais (2004), a transmissão de informação nervosa ocorre através da liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica, a qual possui proteínas de sinalização, ou seja, de
transmissão de informação de célula para célula.

Quando imaginamos formamos imagens internas (luz e formas) e, com isso, estamos ativando
processos quânticos no cérebro, numa dimensão de energia potencial que pode servir de substrato
para prováveis eventos concretos, pois a imaginação nos motiva a agir no mundo material e, além

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disso, a nível inconsciente, a imaginação atua na nossa dinâmica psicossomática. Imaginar
resultados positivos nos coloca em ressonância com padrões vibratórios de cura.

A cura pela imaginação

Segundo Achterberg (1985), as ondas cerebrais se modificam quando a imaginação é ativada e,


além disso, tanto a bioquímica do organismo é afetada, como a perspectiva do paciente face à
doença se modifica. As imagens e pensamentos são eventos eletroquímicos no cérebro e no corpo.
Sua proposta de trabalho enfatiza o uso da imaginação para a cura e revela que sua eficácia provém
do fato de que a imagem ser anterior a palavra nos primórdios da infância.

A prática da cura pela imaginação, segundo essa autora, provém dos mais antigos xamãs de todo o
planeta e foi reforçada na época dos gregos e na Idade Média, pelos alquimistas, sendo sempre
carregada de rituais e de simbolismo. Menciona que, segundo Paracelso, o processo de cura passa
pelo visível (o corpo) e pelo invisível (a imaginação), pois para ele, a imaginação tem o poder de
curar ou causar doenças, sendo que a alma humana participa nesse processo. Essa concepção se
distorceu com Descartes onde a primazia do racional estabeleceu a dicotomia entre mente e corpo.
Achterberg (1985) considera que, felizmente agora, os físicos quânticos abriram espaço para
recuperamos o sentido da unidade.

Achterberg observa que a imagem, atualmente, está sendo usada tanto para diagnóstico como para
cura. Salienta que a imagem se apodera de nós e que é um acontecimento eletroquímico no corpo,
capaz de desencadear uma série de reações bioquímicas, pois considera que o cérebro é como um
tear que vai tecendo um padrão significativo que se dissipa e está sempre em mutação.

Ressonância eletroquímica com as imagens terapêuticas

Achterberg (1985) fez um inventário de vários estudos científicos realizados sobre o efeito das imagens nas
pessoas a nível físico, psíquico e espiritual conjugados. Descreve detalhadamente o trajeto fisiológico da
imagem nos vários sistemas que se ativam, tais como, o sensorial, o sistema nervoso e vegetativo, os
sistemas endócrino e imunológico. Quanto ao comportamento, afirma que a imagem pode ser vista como a
interface entre o processo da informação e a alteração fisiológica, ao mesmo tempo, que se traduz numa
mudança de atitude do paciente em relação à doença. Afirma que a imagem faz os neurônios dispararem
numa ressonância eletroquímica com o resto do organismo e relata que há evidencias de uma ponte neuro-
anatômica entre imagem-mente-corpo.

Como defensora da psiconeuroimunologia, Achterberg (1985) relata detalhadamente o efeito do


estresse nas pessoas e a importância do uso da imagem para aumentar as defesas do organismo e
equilibrar a psique. Afirma a informação é processada na fenda sináptica entre os neurônios, onde
substâncias químicas são liberadas e as freqüências de ondas neurais são transmitidas de uma célula
nervosa para outra, em cadeia, de maneira instantânea.

Achterberg afirma que a imagem, o comportamento e os concomitantes fisiológicos são um aspecto


unificado de u mesmo fenômeno.(pp.136, 1985). Para essa autora, a imagem está ligada ao somático
(sensações) e ao significado (cognitivo). Além disso, o córtex, o hipotálamo, o sistema límbico, o
sistema endócrino (glândulas pituitária e suprarenais) e o sistema imunológico reagem
conjuntamente às imagens. Achterberg considera que uma imagem pode ser a variável que falta

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para reestruturar o significado de uma situação de estresse e aliviar o sofrimento. Essa autora relata
exemplos em que, nos casos de câncer, as imagens (pela cura através da imaginação) atuaram no
sentido de ativar glóbulos brancos (células T e macrófagos) e contribuíram para provocar uma
remissão no tumor.

A Psiconeuroimunologia: o estresse, o indivíduo enfermo e a imaginação

Segundo Motta (2001) os linfócitos - células T – não produzem anticorpos, mas atacam invasores
externos ou então, agem junto com outras células que têm esta função. Sob estresse essa atividade
diminui. As NK (natural killers) são células do sangue citotóxicas naturais, que perseverantemente
buscam as células que representam perigo para o organismo, afim de destruí-las. Existem ainda as
células T auxialiares (LT Helpers) que ajudam os linfócitos B na produção de anticorpos; assim
como as T supressoras que desativam as LT Helpers quando o número de anticorpos é suficiente.
Essas células associadas produzem os mensageiros químicos necessários ao funcionamento do
sistema imunológico para manter a saúde em ordem.

Segundo Ballow (2001), as células NK são particularmente responsáveis pela vigilância no


organismo contra a formação do câncer e na prevenção de metástases. Afirma que pesquisas
mostraram que pacientes que tiveram apoio psicológico ou terapia pela imaginação mostraram
menos recorrência em metástases e uma sobrevida maior do que aqueles do grupo de controle. No
caso da depressão grave foi observado que a função dos linfócitos T declina consideravelmente. A
Psiconeuroimunologia surgiu da constatação de que o estresse psicológico afeta o sistema
imunológico e este , por outro lado, afeta o cérebro e a conduta humana. Além disso, Motta (2001)
afirma que a mente regula o sistema endócrino e o sistema nervoso autônomo; em contrapartida, o
sistema imunológico se comunica – via neurotransmissores – com o hipotálamo, com os sistemas
nervoso autônomo e endócrino. Motta comenta que os processos mente-corpo podem ser curados
através da modulação mental do sistema imunológico via hipnose, placebos e condicionamentos
comportamentais. Um forte estresse contínuo pode fazer diminuir a eficiência do sistema
imunológico.

Moreira (1999) afirma que o hipotálamo seria a região do SNC (sistema nervoso central) que
funciona de forma determinante na regulação neural da homeostase do organismo. Para ele, a
homeostase envolve fenômenos da área da biofísica, da bioquímica, do tônus muscular, da
cinestesia, das crenças e da psicologia, incluindo ainda, fenômenos bioquímicos nos sistemas
endócrino e imunológico. Moreira destaca que distúrbios de comportamento, condições extremas de
estilo de vida e perturbações no sistema nervoso central alteram o sistema imunológico, pois sob
estresse o organismo humano fica mais facilmente sujeito às infecções, ao câncer e à pressão alta.
Com a psiconeuroimunologia desenvolveu-se o estudo e verificações experimentais que
demonstram a interação entre a psicologia e fisiologia, reforçando a ligação mente-corpo-espírito,
pois as crenças religiosas completam a adaptação do homem no Universo. Ele cita Zubiri, o qual
fala de corpo animado ou alma corporificada no sentido de sobrepujar o dualismo cartesiano psique
x soma.

Para Moreira a interdisciplinaridade, da qual serve a psiconeuroimunologia, enquanto ciência


natural, contribui para uma visão mais holística do ser humano, que inclui também as condições
psicossociais sofridas pelo homem no seu cotidiano. Não se fala mais em doenças, mas sim no
homem que adoeceu. Fala-se também em metafísica da enfermidade. Diferentes constituições

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psicobiológicas dos indivíduos implicam em diferentes reações ao estresse, fazendo variar a
capacidade de manutenção da homeostase do organismo. A história de vida do paciente e o seu
momento histórico e sócio-cultural influem nas possíveis enfermidades atuais. Além disso, o ser
humano passa por vicissitudes existenciais e psico-orgânicas, tais como perdas, violência, dívidas,
frustrações do projeto de vida; cada um desses fatores corresponde às respostas
psiconeuroendocrinoimunes.

Inouye e Pontello (1991) argumentam que choques emocionais e agressões do mundo exterior
abalam a capacidade de resistência ao estresse na medida que atinge o hipotálamo e este informa
aos sistemas endócrino e imunológico, alterando o funcionamento fisiológico do organismo. O
estresse causado por aflições, privações, perdas, angústia e sofrimento podem resultar em doenças
como úlcera gástrica, lombalgia, herpes, eczemas, alergias, desequilíbrio menstrual, infarto, rinite,
impotência, hipertensão, linfomas, leucemia, depressão, artrite reumatóide, lupus e câncer. Esses
autores comentam que o sistema imunológico funciona como um órgão sensorial capaz de detectar
estímulos externos que o sistema nervoso central não consegue identificar prontamente, tais como
vírus, bactérias e células tumorais. As células dos dois sistemas possuem receptores idênticos, que
se relacionam bidirecionalmente com o sistema endócrino, causando alterações na homeostasia.
Estudos mostram a existência de uma base molecular que permite a comunicação bidirecional entre
os sistemas imunológico e endócrino, assim como a correlação corpo-psiquismo.

Bauer (2004) afirma que nas pesquisas mais recentes de psiconeuroimunologia (PNI), foi estudado
o papel dos fatores psicológicos como influenciando o surgimento e progressão do câncer,
principalmente, no que se refere às reações hormonais e imunológicas, devido ao aumento do
cortisol provocado pelo estresse e o conseqüente desequilíbrio na produção de mediadores químicos
que sustentam a homeostase do organismo. Segundo Deitos e Guaspary (1996), o cortisol inibe a
resposta imunológica por ocasião do estresse e/ou depressão, funcionando, portanto, como
imunosupressor, sendo que , em casos extremos, ocasiona sérios danos ao organismo, nos órgãos,
vísceras, no sistema endócrino e no sistema nervoso central.

Bauer considera que é no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal que ocorre o desequilíbrio que afeta o
sistema imunológico (SI). Segundo ele, as NK são as principais a combater a difusão de metástases
das células dos tumores através do sangue. Um déficit na função das NK predispõe o paciente ao
câncer, sendo que os enfermos que possuem carcinomas avançados e melanomas têm esta função
muito reduzida. Além disso, ressalta que o estresse e a depressão contribuem para que os pacientes
percam a capacidade de produzir enzimas para reparar os danos no DNA, assim como, ocasionam
alterações metabólicas que contribuem para acelerar o crescimento tumoral.

Imagens mentais de cura

Quanto ao aspecto psicológico, Bauer afirma que o prognóstico de pacientes, que costumam ter uma
atitude positiva, é bem mais promissor de uma melhora do que aqueles deprimidos e estressados.
Relata que uma pesquisa foi realizada, em pacientes portadoras de câncer de mama, para medir os
efeitos positivos de uma terapia psicológica, usando a construção mental de imagens representativas
de cura, que resultou em melhora no sistema imunológico. Ao longo do tempo mostrou ainda, um
menor índice de remissão do câncer, do que aquelas pacientes do grupo de controle. Para Bauer,
intervenções que possam aliviar o estresse, podem melhorar o funcionamento do sistema
imunológico.

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Para Deitos e Gaspary (1996) estados comportamentais e emocionais, assim como estresses
psicossociais alteram tanto o sistema nervoso, como o endócrino e o imunológico. Para esses
autores o sistema límbico promove a adaptação do organismo com o ambiente externo, modulando
respostas baseadas em experiências passadas e avalia o significado emocional das situações. O
sistema límbico funciona associado ao sistema endócrino, e atuam no sistema nervoso central,
fazendo diminuir a produção de linfócitos, debilitando as funções imunológica e vegetativa,
tornando o organismo suscetível a doenças.

Certos estilos de personalidade e estilos de vida intensos também contribuem, segundo Deitos e
Gaspary (1996), para uma baixa imunológica, principalmente o caso das pessoas solitárias,
ansiosas, deprimidas e sem suporte social. Eles também consideram que perdas, privações,
sofrimento e uso de drogas podem causar imunodeficiência, pois fatores econômicos, qualidade de
vida insatisfatória, angústia e sensação de infelicidade crônica tornam o sujeito suscetível a
infecções, neoplasias e doenças autoimunes. Enfatiza também que a NK são responsáveis pela
destruição de células infectadas, tumorais e pela prevenção de metástases. Deitos e Gaspary
salientam que há necessidade de estudarmos as condições do ambiente hospitalar relacionada com a
psiconeuroimunologia, assim como os efeitos das terapias alternativas aplicadas às enfermidades.

Nesse sentido acredito que a Imagoterapia, que utiliza imagens terapêuticas e essências vibracionais
de imagens, pode servir de grande valia para o corpo-alma-espírito do paciente no hospital e em
tratamento após a alta. O bem-estar proporcionado melhora a atitude face à doença, a percepção de
si e das situações pelas quais precisa passar durante o tratamento, o que influenciará diretamente
numa dinâmica mais sã da homeostase do organismo.

O estresse da submissão

Enquanto imagoterapeuta e radiestesista, considero, ao dizer de Foulcaut (1982), que o sujeito é


incorporado e pode transcender, na medida que se torna sujeito ético da verdade. Nesse contexto o
paciente é visto no seu conjunto corpo-alma-espírito, ou seja, leva em conta a sua vida psíquica,
suas condições materiais e sociais de existência, sua espiritualidade e seu plano de vida. Então,
temos de cuidar para não nos submetermos ao estresse extremo, o qual muitas vezes nos é exigido
ou imposto, e que pode nos levar a doenças lamentáveis. A pressão que causa o estresse pode
atingir tanto o paciente como seu cuidador.

Para Foulcaut (1982) não há saber neutro. Todo o saber é político, pois o saber tem a sua gênese em
relações de poder. Para ele, o poder, atualmente, fabrica o homem dócil e útil à sociedade
capitalista, através da disciplina e do adestramento. Um poder que constrói homens para serem
utilizados ao máximo, com objetivo de aumentar a força econômica e diminuir seu poder político.
Ao sujeito é delimitado um espaço pela sua função na hierarquia; e seu tempo é sentido no corpo,
através da submissão à rapidez máxima de desempenho e eficácia. Além disso, o sujeito é
controlado e vigiado permanentemente – o olhar invisível – na sua elaboração temporal do ato e nos
seus gestos. Finalmente, o sujeito produz um saber que é registrado e transmitido para os pontos
altos da hierarquia do poder. Para Foucault, esse poder não vem do estado que o sufoca, mas das
microestruturas institucionais. Considero também que o sujeito nas instituições (sendo o hospital
uma dessas) é intimidado a se submeter a um ritmo intenso e acelerado sob a ameaça de ser
descartado e ficar sem seu meio de sobrevivência e sem a oportunidade de exercer seus talentos.

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O significado da imagem traz um sentido novo

Criei o método da Imagoterapia com um olhar que busca paz e saúde através das imagens e desde
1984 venho estudando o efeito de imagens terapêuticas sobre as pessoas. Constatei que, na
realidade, nos sentimos melhor face às imagens terapêuticas. As imagens em geral são absorvidas
pelo imaginário do paciente e a dinâmica do seu imaginário se relaciona com reações bioquímicas
de prazer e dor, de ordem e confusão. Barthes (2005) ao observar uma exposição de fotografias de
paisagens feitas por Daniel Boudinet, mencionou que seu corpo respirava melhor e que se sentia
apaziguado e convidado a filosofar. Uma das fotos o fez proclamar: De ordinário a fotografia
“afirma”; esta aqui “produz” paz...mas a Fotografia não é nem pintura, nem...fotografia; é um
Texto, ou seja, uma meditação complexa, extremamente complexa, sobre o sentido.(pp.200, 2005).

Para Barthes certos elementos da imagem são verdadeiras “mensagens”. A seu ver as mensagens
ou signos são uma ciência de âmbito interdisciplinar cuja unidade seria a significação. As imagens
constituem significantes que expressam significados a serem captados pelo expectador. Segundo
esse autor o significado tem um caráter conceitual, é uma idéia; existe na memória do expectador, e
o significante apenas atualiza, tem sobre o significado um poder de apelo. Assim, a relação entre
significado e significante é essencialmente analógica, sendo que, para Barthes, a significação das
imagens é transcendente e não imanente, pois o significado estaria fora delas (no expectador) e
precisa se atualizar.(pp.43, 2005). Barthes considera que a significação abrange os fenômenos de
percepção e os procedimentos de comunicação de signos cognitivos e emotivos que mobilizam a
atividade cerebral e que o expectador vivencia como um dado; ele sofre, portanto, uma mudança
por ressonância psíquica da significação.

Os signos são considerados pelos cientistas de semiótica como sinais. Uma imagem, segundo eles, é
um signo que afirma alguma coisa. Penso que, se fizermos uma analogia a respeito de sinais, por
exemplo, acústicos e visuais, podemos perceber que eles captam nossa atenção. As ondas
vibratórias de um sinal sonoro são captadas pelos nossos ouvidos e aquelas das imagens pelos
nossos olhos. Tanto os sons como as imagens têm efeito ressonante, podendo nos perturbar, causar
prazer, nos emocionar, nos mover. A música e a arte podem melhorar ou piorar nossos momentos,
pois elas nos atingem profundamente, tanto em nossas mais íntimas preferências, como podem ser a
marca e o tom de uma etapa de nossa vida. Imagens e músicas terapêuticas podem ser aplicadas em
ambientes para atenuar momentos difíceis de enfrentamento em certos locais, tais como em
hospitais, em clínicas psiquiátricas e em outras instituições.

A informação visual é uma grande característica de nossa civilização atual e vem sendo motivo de
pesquisa científica. Afirma-se que uma das razões pelas quais não se aprofunda o estudo das
imagens é porque a civilização precisa dela para acumular riquezas. Sabe-se, por exemplo, que até a
década de noventa o uso de imagens na TV e no cinema, com pessoas famosas bebendo e fumando
num contexto de prazer, era muito disseminado e sem limite crítico. Desde então, imagens também
têm sido usadas para mostrar os efeitos nocivos dos vícios nas pessoas.

A arte dos sinais

As imagens têm sido estudadas cientificamente através de uma disciplina chamada semiótica (em
grego significa a arte dos sinais). Começou a ganhar estatuto de ciência com Pierce e Saussaure.

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Segundo Moriaty (1996) existe mundialmente duas correntes nesta ciência: a européia (Saussaure) e
a americana (Pierce). A européia se refere à semiologia e focaliza na linguagem como um sistema
de signos, enquanto a americana fala de semiótica focalizando a lógica do significado e a filosofia
do conhecimento. Moriaty comenta que para Pierce, um signo representa algo para a mente de
alguém, sendo que classifica os signos em três tipos: ícones, índices e símbolos. A imagem
fotográfica é classificada como um ícone, que além de representar seu conteúdo, está aberta á
interpretação; porém também pode ser considerada como um índice, porque representa uma
realidade e podemos perceber e interpretar indícios nela.

Moriaty (1996) fala de imagens como textos e códigos abertos que geram interpretações complexas,
que, ao dizer de Pierce, envolve mecanismos de percepção e cognição, assim como internalização
de sentimentos e sensações em quem a observa. Essa autora enfatiza que imagem cria um impacto
no sistema de percepção e registro sensorial, despertando atenção e seleção. Quanto ao sistema
cognitivo, a imagem ativa o reconhecimento, a organização, classificação e atua como um novo
dado na memória.

Para Sonesson (1993), as imagens são enunciados visuais, tal como são as afirmações verbais,
porém têm sua própria forma de transmitir um significado, pois para esse autor, toda a imagem
afirma e constitui um meio de expressão generalizado. Considero que o significado da imagem faz
da imagem um sinal específico, como uma característica vibratória ressonante também específica.
Por essa razão é que existem imagens que inspiram coisas positivas e outras negativas, assim como
aquelas que são terapêuticas, por ter uma ação psicossomática relevante para a saúde.

Foi a partir dessa constatação, como também da intuição de um senso de verdade, que iniciei, em
1984, e dei continuidade a minha pesquisa por tantos anos. As respostas emocionais e concretas na
vida dos meus pacientes, durante todo esse tempo, me fizeram perseverar assim como o desejo de
mostrar que muitas pessoas podem se beneficiar com esse trabalho. Divulgar minhas descobertas
passou a ser uma responsabilidade. Sempre tive dificuldade em escrever. Algumas vezes tive a
tentação de desistir, pois investi muitos recursos e tempo nesse trabalho minucioso e criterioso,
porém alguém me telefonava e me descrevia o quanto foi positivo em sua vida tomar uma essência
de Imagoterapia. (Por uma “brincadeira cósmica” da sincronicidade, neste instante que eu escrevia
essas frases, alguém me ligou...não tenho como desistir.).

Vários pacientes me dizem pessoalmente como se sentem com as imagens terapêuticas, quando eu
faço projeção de imagens de Imagoterapia para grupos. Nesse trabalho sempre oriento os pacientes
a deixarem o olhar percorrer a imagem ao seu bel prazer, como se ele escolhesse que sinais da
imagem ele prefere se ater. Cada sistema sensório tem sua própria maneira de captar sinais e cada
corpo reage segundo o seu contexto atual de vida. Tive o incentivo da farmácia de manipulação
Energia Vital, em Porto Alegre, que vem acompanhando meu trabalho de perto, desde o ano 2000 e
também lá, no balcão da farmácia, as farmacêuticas me contam que ouvem os relatos entusiastas
dos pacientes que tomam minhas essências de imagens terapêuticas.

Carani (1996-1997), num artigo de uma revista francesa de semiótica visual Livraisons Tematiques
sobre a teoria da imagem, relata que a semiótica visual estuda o significado dos objetos visuais,
sendo a imagem um deles, e esta é considerada um signo, sendo que se fala numa teoria do signo
visual, que é uma metainterpretação da produção de sentido da imagem. Em outro volume dessa
revista há outro artigo de Lafambroise e Lupien (2000-2001) em que comentam também sobre

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modos de apreensão sensíveis que as imagens representam a nível visual, táctil, sonoro, cinestésico,
postural, e consideram a imagem também ao nível do desejo, das necessidades e expectativas
sociais, culturais, políticas, sexuais, assim como da fantasia. Segundo esses autores, as imagens
podem causar sensações e sentimentos, formando um laço que entretêm os observadores.

Moriaty (1996) afirma que o significado de um sinal é internalizado pelo processo de percepção e a
informação é registrada conforme é a pessoa que observa a imagem e é o contexto individual em
que ela vivencia a sua experiência. O que o sinal está relatando entra através de nossos sentidos
num processo natural, sendo que nem sempre se pode traduzir em linguagem verbal aquilo que uma
imagem nos está transmitindo, embora, para ela, o significado possa ser internalizado. Por essa
razão, fica difícil convencionar exatamente o que uma imagem transmite. Inclusive, nesse processo
de internalização, um novo sinal pode ser criado na mente da pessoa por um processo de síntese.

Para Moriarty, o observador de signos faz inferências e associações sobre o que ele representa,
assim como reage através de emoções e atitudes. Menciona que Pierce fala de um tipo de lógica
diferente da indução e dedução, que é a abdução, a qual capta os sinais por indícios, tal como a
lógica de Sherlock Holmes e a dos diagnósticos médicos, que é baseado numa abordagem cognitiva
do tipo Gestalt. A abdução começa com a observação visual para detectar indícios, pistas, no caso
dos médicos, sintomas. Pierce (1993) considerava a inspiração abdutiva como um juízo perceptivo
que vem por insight, o qual resulta de um processo não inteiramente consciente e nem lógico,
portanto não podemos exercer nenhum controle sobre ele, embora seja suscetível de verificação.

Santaella e Nöth (2005) citam Max e Bense, os quais postulam uma linguagem visual de fornemas e
cronemas, que se unem para formar um signo visual, assim como ocorre na língua em que sujeito e
predicado se unem para declarar sobre o objeto e a qualidade dele. Santaella e Nöth salientam o
papel do fotógrafo como agente que tem um instinto de caçador cuja presa é a realidade que ele
capta num gesto quântico, num momentum, um rastro do real. O fotografo é visto como um
descobridor do instante e de uma forma de ver inusitada. Fotografia é vestígio, mas também
revelação.(pp.148, 2005). Seqüestra o tempo e o espaço para a eternidade, pois a imagem
fotográfica grava a informação visual, podendo assim, continuar emanando informação e suscitando
reações psíquicas. Esses autores colocam a fotografia como um protótipo da imagem indexal. A
imagem fotográfica mobiliza a mente para fazer associações, tal como ocorre com as imagens de
nossos sonhos.

A qualidade é que interessa

Em semiótica os analistas de imagens se preocupam com o que a imagem representa, se é um ícone


ou índice, ou se é um ícone indexical ou índice icônico, mas Sonesson (1996) afirma que a imagem
é sobretudo um signo visual e a semiótica visual é uma ciência que fala de qualidade. Como a
fotografia comunica, acredito que por trás dela está também o fotógrafo com sua visão de mundo,
seus valores, sua caminhada, seu olhar observador do instante e da coisa que quer enfatizar. Nas
imagens de fotógrafos, cineastas e publicitários famosos estão pistas que nos fazem reconhecer sua
autoria e identidade, pela qualidade específica e admirável do seu trabalho e a impressão profunda
que eles passam através das suas imagens. O fotógrafo utiliza a linguagem visual com uma intenção
de mostrar e expressar alguma coisa, que com palavras, seria impossível. A imagem parece ser uma
conversa entre o imaginário de duas ou mais pessoas: a que mostra e as que vêm. Ela se dirige a um

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nível de compreensão de significado, de forma, de cor e da composição de um contexto exposto. De
uma certa maneira, ela pretende impressionar.

A lógica de raciocínio por abdução de Pierce, para Moriarty (1996), fornece uma maneira teórica
útil para analisar a interpretação visual. Concordo com essa autora no sentido em que em toda a
minha pesquisa sobre imagens busquei os sinais que as iamgens transmitem, usei também este tipo
de lógica, tanto para fotografar como para fazer triagem de imagens terapêuticas. De uma certa
forma eu preciso farejar quais imagens têm efeito terapêutico, para depois testar a eficácia delas.
Por outro, a imagem mexe com as nossas mais profundas preferências, já que ela pode nos atrair ou
provocar repulsa. As imagens fazem nosso hemisfério direito do cérebro trabalhar, despertando
nossa criatividade. A imagem vai direto no sujeito e se relaciona com o seu Eu.

A semiótica, para Sonesson (1996) é uma ciência nomotética e qualitativa, ou seja, o sentido é
atribuído por leis e regularidades similares a toda uma série de fenômenos, tal como é feito em
ciências naturais e na lingüística. Trata-se de uma ciência de significações. A semiótica das imagens
estuda, nesse sentido, as características que fazem da imagem um signo, um tipo de significação,
sua especificidade em relação aos outros signos e outras significações em relação a uma variedade
de outras imagens.

Em semiótica a qualidade é que interessa, porque o objeto de estudo pode ser único e dotado de
significados também singulares.

Sonesson (1996) acredita que a imagem tem um sentido para os usuários, podendo ser classificadas
em, pelo menos três tipos de categorias: 1) categorias de construção – se refere a maneira que a
expressão está em relação ao conteúdo (pintura, fotografia); 2) categorias de função – resulta de
feitos socialmente intencionados (pornografia, publicidade, caricatura); 3) categorias de circulação
– que depende de canais de circulação social das imagens (postais, posters, quadros).

CITAÇÕES:
Crowel:
pp.11: Dandelion. Cello. Read those two words, and your brain instantly
conjures a stream of associations, the most prominent of which have to do
with vibrations. Our mental category of “dandelion-ness” is strongly linked
to the color of light waves that vibrate about half a million billion times a
second: yellow. The velvety throb of a cello has as its most obvious characteristic
a relatively low musical pitch — the note you are spontaneously
imagining right now might be one whose sound vibrations repeat at a rate
of a hundred times a second.

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A IMAGEM ALIMENTA A ALMA

Nos alimentamos de impressões

Ouspensky (1983), quando fala sobre a teoria de Gurdieff, declara que o homem tem a seu dispor
três alimentos fundamentais: a comida, o ar e as impressões.

As imagens são impressões que nos alimentam, o que significa que temos insistir no fato de
estamos num processo de aceleração no recebimento desse tipo de alimento visual, por isso, é o
momento em que surge a necessidade urgente de formar um critério de seleção ecológico e
responsável a respeito da qualidade dos efeitos das imagens que absorvemos a todo instante. Isso,
não apenas através da mídia, propaganda visual, internet, mas também através dos lugares que
freqüentamos, dos quadros que temos nas paredes, da própria cor das paredes dos ambientes e da
forma dos objetos que nos circundam. Um dos princípios básicos da radiestesia afirma que tudo que
nos cerca emite uma onda de forma que influi de alguma maneira em nós mesmos. Qualquer um
sabe o efeito relaxante que tem, por exemplo, a contemplação da natureza, do mar, do horizonte,
das flores, das árvores e de um céu estrelado. Como também sabe o quanto podemos ficar tensos se
contemplarmos cenas de violência, desrespeito, terror, miséria, ameaça e abuso.

De alguma maneira, podemos afirmar: dize-me, de que impressões te alimentas, e te direi quem és,
ou melhor, no que estás te tornando e, o que é pior, sem mesmo perceber! Além disso, pode haver
desgaste, no que se refere, principalmente, à energia, ao tempo, à bioquímica do organismo, aos
processos de conexões completamente desnecessárias que nossas células nervosas são obrigadas a
fazer no dia a dia. Há um desperdício energético real na assimilação de informações, que podem
prejudicar nosso corpo, nossa consciência e nosso comportamento. E esta energia perdida, assim
como nossa capacidade de assimilação mal utilizada, poderia ter sido dirigida para atividades
físicas, emocionais, mentais e espirituais mais sãs, gratificantes, criativas, de finalidades positivas
pessoais e, também, dirigidas ao bem coletivo.

Segundo Silveira (1992), tanto as imagens nos sonhos, como aquelas desenhadas pelos pacientes
em arte-terapia são autorepresentações de transformações de caráter energético, que refletem a luta
entre o ego e o inconsciente para chegar à individuação. A imagem diz respeito à alma da pessoa.
Em arte-terapia, o terapeuta busca nas configurações plásticas a problemática afetiva do seu doente,
seus sofrimentos, desejos. É uma técnica terapêutica que se baseia no conhecimento e análise dos
conflitos internos que se expressam sob a forma de imagens. O paciente é levado à busca da
explicação do conteúdo simbólico das imagens que cria. O método que Von Franz (1993, 1998)
desenvolveu aborda cada imagem simbólica como um organismo vivo que encerra em seu âmago
profundas significações.

O inconsciente é povoado de imagens e estas são a linguagem dele. Jung (1988) considera que para
atingirmos a individuação, temos que nos livrar doa invólucros da persona e do poder das imagens
primordiais. Os invólucros da persona seriam falsas imagens criadas para responder a uma
exigência em causar uma impressão nos outros e, com isso, sobreviver socialmente. As imagens
primordiais podem ser pessoais e universais; e são muito poderosas. As imagens pessoais são
aquelas que ficam registradas no inconsciente na tenra infância - da mãe e do pai - cujo conteúdo
dissociado desencadeia complexos e projeções, influindo de forma sugestiva na percepção e,
conseqüentemente, no comportamento; enquanto que as imagens universais referem-se aos

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arquétipos do inconsciente coletivo, provenientes dos mitos e símbolos originados na cultura
primordial da humanidade e que são incorporados pelo sujeito. Tal como as imagens pessoais,
também vão determinar atitudes, escolhas, tendências comportamentais, estilo de sobrevivência e
estratégia de vida.

Lembranças de fatos, que atingiram nosso corpo-alma-espirito, nos vêm a consciência através de
imagens mentais. As imagens são uma das principais formas de linguagem do inconsciente com o
consciente. Nesse sentido, podemos imaginar que o caminho inverso também é verdadeiro. Através
do uso de imagens de conteúdo e valor terapêutico, pode-se obter efeitos profundos no inconsciente,
que servirão como um gatilho para atitudes conscientes mais sãs.

O poder da contemplação de imagens terapêuticas reside na hipótese de que se estabeleça uma


conexão quântica, em que o contemplador e a imagem formam um só campo de energia. O
contemplador olha para a imagem terapêutica estabelecendo uma troca energética. A imagem, por
seu próprio conteúdo, desprende para o contemplador a luz com sua informação terapêutica. Basta
deixar os olhos escolherem onde se fixar, dando margem a um contato de dimensões conscientes e
inconscientes, formando, assim, uma ponte. Assim, a contemplação de imagens terapêuticas se dá
com silêncio interno em a pessoa se oferece um tempo para cuidar de si própria.

Sheldrake considera que o olhar desprende partículas que ele chama de visions, e cogita que estas
poderiam ser a anti-partícula do fóton. Acredita que a visão está intimamente relacionada com a luz.
Para ele, uma vision tem a ver com experiência consciente, com propriedades da mente.
Exemplifica indagando por que e como somos capazes de perceber e de sentir-nos atraídos quando
alguém nos fita com insistência, mesmo que estejamos de costas para a pessoa, de tal forma que
acabamos por olhar para trás em busca do que nos atraiu. A vision se movimenta no sentido oposto,
e a sensação de estar sendo olhado fixamente seria a sensação de colisão dessas partículas ou ondas
sobre nós. Haveria uma espécie de pressão do tipo psíquico, exercida neste sentido oposto ao da
luz. (pp.117 e 118, 1994). Afirma também que, do ponto de vista do fóton, nenhum tipo de tempo
transcorre enquanto ele viaja, pois a conexão é instantânea.

Sheldrake comenta, ainda, sobre o bom e o mau olhado, em que uma informação de qualidade
benéfica ou não é dirigida para o objeto. Num livro, que escreveu com Fox (1996), relata sobre a
importância de olhar os outros com bons olhos e da energia positiva que eles passam; e vai mais
além, dizendo quanto bem receberíamos se imaginássemos, apenas por um momento, um arcanjo,
ou qualquer outro arquétipo positivo, nos olhando. E enfatiza, ao contrário, quanto mal faz um
olhar ressentido e invejoso (as visions negativas).

Para Sheldrake, isso se passaria num campo mental e o processo de projeção para fora ocorre por
meio de um movimento inverso ao da luz que chega aos olhos e a cada fóton de luz que entra,
corresponde uma antipartícula que sai, e essas influências movem-se exatamente ao longo de uma
trilha de fótons. Se esse campo mental está em ressonância com o campo eletromagnético da luz,
então ele, com efeito, nos ligará, por meio da luz, com os objetos que estamos vendo. (pp.117 e 118,
1994). Sheldrake enfatiza o papel da ressonância vibratória, afirmando que estamos rodeados por
um verdadeiro oceano de campos: o campo visual que nos circunda, o campo auditivo, o campo
eletromagnético, o campo químico.

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Para McKenna, (1994) a luz aciona quimicamente o organismo; a luz entra pelos olhos, e seguindo
o caminho visual, incide na glândula pineal, transformando a serotonina em melatonina. Isso
significa que nossos neurotransmissores são de fato sensíveis aos fótons. Na verdade, os
neurotransmissores são um exemplo evidente e notável do quanto nosso organismo reage sob o
efeito de estímulos conscientes ou inconscientes à distância. Zohar (1992), afirma que, segundo a
teoria da unificação dos campos e o princípio da não localização, dois objetos ou eventos distantes
um do outro podem ter interligação instantânea. Aspect (1999) provou, através de experimentos,
que a correlação entre fótons é de fato instantânea.

Sheldrake (1994) afirma que nossa imaginação, nossa faculdade de fazer imagens é autoluminosa.
No escuro, ou de olhos fechados, podemos visualizar imagens coloridas e iluminadas. Podemos
perceber, que quando nos lembremos de coisas que nos aconteceram no passado, assim como
imaginamos sobre o futuro, formamos imagens mentais, que ocupam nosso campo consciente e
afetam nosso estado de espírito. Portanto, é necessário que estejamos atentos para o tipo de
lembranças que ficamos alimentando, para não alimentarmos amarguras que nos deixem
deprimidos, pessimistas e enfermos; e nem alimentarmos expectativas pessimistas que,
supostamente, possam ou não vir a nos acontecer. Os movimentos da nossa imaginação representam
eventos na nossa de atividade mental que podem ressoar no ser inteiro e influir no devir.

Há uma forma refinada de autocontemplação em que a pessoa, pode tomar recuo de si e se observar
reagindo a tudo, que contribui para expandir a consciência de forma bem intensa, pois exige que se
fique muito alerta com a atenção redobrada. A contemplação é a oitava superior da meditação. É um
estilo de observação consciente, que busca uma inteireza corpo-alma-espírito para o que está nos
acontecendo. Através desse exercício podemos obter uma imagem mais nítida de nos mesmos nas
situações, através de insights, que revelam dados sobre a qualidade da nossa interação com a
realidade interna e externa. Quando fazemos esse recuo, estamos nos vendo sob uma perspectiva
espiritual, que nosso senso comum não capta.

Nosso olho não vê um micróbio, mas nosso organismo o identifica – ou pelo menos tenta identificar
– e reage a ele, preparando-se organizadamente para combatê-lo, ou se submetendo, entrando em
caos e sucumbindo. Nosso organismo nos fala através de nossas sensações e reações bioquímicas.
Nosso organismo também reage ao bombardeio acelerado que está por trás das imagens sucessivas
que vemos todos os dias na rua e na televisão. Parece que este estilo de vida dessacralisa nossa
vida, pois não deixa de ser um desrespeito à nossa integridade e dignidade. Reações psíquicas
caóticas e atitudes destrutivas podem ser o reflexo deste caos de imagens fragmentadas. Perdemos
tempo se procuramos nos assemelhar à “melhor forma” divulgada pela mídia, pois dessa forma, não
saberemos se realmente somos nós que escolhemos nosso destino ou se apenas reagimos de forma
empática às informações visuais dessa "melhor forma". No entanto, nem sempre queremos perder
nosso tempo para oferecer nossa inteireza corpo-alma-espírito aos outros e nem respeitar essa
inteireza nos outros. Podemos ser tratados como coisas e podemos tratar os outros com objetos para
obter o que desejamos, caso não queiramos nos deter para contemplar e refletir sobre a nossa
interação com o mundo. A imagem que o outro vai ter de nós vai fazer parte de suas lembranças e
de suas impressões sobre o mundo. Certas atitudes humanas causam impacto tão estressante que
afetam a saúde do outro e afetam o seu humor de forma contagiante. Não precisamos ser tão
inconscientes e nem sermos máquinas para que não nos sensibilizemos para a qualidade do convívio
humano. No fim do dia, ao pararmos para relaxar, vamos lembrar de um sorriso carinhoso ou de
uma expressão agressiva ou de uma indiferença fria e cruel de alguém. Esse tipo de recordação nos

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vem por imagens e continuam a atuar por ressonância no nosso estado de espírito, pois influíram na
qualidade daquele dia que passamos.

A preocupação com a imagem que deixamos na memória dos outros parece ser a do aspecto
externo. Já na antiga China, as mulheres amarravam os pés para que eles ficassem pequenos como
nas gravuras delicadas da época. Hoje, os ocidentais se submetem a cirurgias, colocando próteses,
para se parecerem com artistas e modelos de revistas e da televisão. Como fica a auto-imagem e o
destino de alguém, se nenhuma cirurgia pode torná-lo semelhante a esses símbolos da moda? Como
fica a identidade e o destino de quem quer se parecer com uma imagem que não é sua?

A própria auto-estima é influenciada pelas imagens eleitas como as melhores. Para quê lugar de nós
mesmos vai o verdadeiro querer da alma e a natureza real do espírito? O corpo, a alma, o espírito e
os valores internos e externos são sacrificados para manter uma imagem que seduza. É o velho
desejo de agradar, de não ser rejeitado, e de satisfazer a voracidade e o instinto de aquisição.
Consumir, ser consumido e se autoconsumir. O sacrifício de si mesmo para obter uma aprovação
baseada em ilusões, em imagens criadas por uma cultura que consome as pessoas, suga-as e joga a
casca fora.

A proposta da Imagoterapia é a de fazer uma conexão, na qual o espírito participa da vida, e a


alimenta com sua energia, como uma força propulsora que fluirá para a construção de um destino
melhor. Essa conexão pode ser pouco a pouco estabelecida à medida que se desimpregna o lixo
psicoenergético que obscurece e fragmenta a consciência. Quando o espírito norteia a conduta, a
verdade interna proveniente dele dá forças para transcender e compreender a escuridão da alma,
liberar-se do medo desta escuridão, percorrê-la com sua luz própria – lucidez – buscando nela a
energia vital que nos dá motivação.

Tratar-se com Imagoterapia não é apenas olhar para imagens e tomar gotas milagrosas, que num
passe de mágica corrigirão nossa vida num só dia. É um trabalho ecológico perseverante, de
escolha, de para que lado olhar e do que buscar que possa dar apoio a toda uma etapa de
transformação interna necessária, para que cada um desperte a vontade do Self em si, que está
latente. É re-aprender a contemplar o mundo externo e interno para poder re-arranjar a vida; abrir os
espaços da consciência que são relevantes para o espírito, para a auto-estima e para a utilização dos
nossos talentos forma benigna. E isso não se faz num dia, nem em uma "mirada", principalmente
porque todos os dias nós olhamos coisas ilusórias ou nefastas, e já estamos acostumados a essa
multiplicidade de imagens inúteis.

Mezan (2000) aponta como fonte do mal-estar contemporâneo o fato de ser cada vez mais difícil
para as pessoas conseguirem se identificar com os modelos mostrados pela mídia, devido à própria
velocidade com que as coisas mudam e às exigências de desempenho em todas áreas da vida. Esse
ritmo cria expectativas, que ocasionam angústia, sensação de desamparo e desorientação, depressão
com desesperança e desilusão, baixa auto-estima, sensação de que a vida não dá certo e descrença
nas próprias possibilidades. Para ele, nossa fonte de força está no amor e no conhecimento.

Uma das maneiras de começarmos a mudar isso é parar para observar. Krishnamurti (2000) enfatiza
que o ato de observar implica silêncio, sem emitir julgamentos. Para esse autor, o pensamento
atrapalha a observação porque quer interpretar e compreender, escapando à objetividade do que está
acontecendo, e que só a percepção direta é capaz de captar. O pensamento é conflito, e reflete uma

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realidade também de conflito entre o que é e o que deveria ser, pois busca resultado e permanência.
A verdade precisa ser descoberta a cada momento e a cada segundo, o que requer uma mente muito
alerta e quieta. A percepção direta – sem movimentar o pensamento com julgamentos,
categorizações – é um ato puro, com a única intenção de ver e de aquietar a mente, deixando espaço
no campo consciente para que algo novo se crie. Fiz e faço seguidamente essa experiência quando
me deparo com um engarrafamento. A minha primeira reação é de me impacientar, mas logo em
seguida me lembro de observar a vegetação em volta. Olho para as árvores, o vento batendo nelas,
até que sinto que a natureza também está ali e faz parte daquele contexto. Procuro então me
relacionar com ela e logo me vem uma mansidão. Assim me poupo de tencionar meu corpo e de
ficar mal humorada com coisas as quais não posso controlar. Em seguida, começam as trocas de
gentilezas. Dou passagem para alguém, alguém me dá passagem. E me sinto bem.

Os junguianos, assim como os budistas e os alquimistas, afirmam que através de inúmeras


experiências de contemplação de imagens de mandalas sagradas e outras imagens simbólicas,
obtêm efeitos positivos na alma e no espírito. Jung (1986) afirmava que podemos lidar com as
imagens do inconsciente que vemos através dos sonhos, através da meditação sobre elas e da
interpretação delas pois isso nos auxilia a contatar o centro do ser – que ele chama de Self – onde
está a fonte da saúde psíquica, que é fundamental ao processo de individuação.

Para Aizenstat (2003) as imagens dos sonhos falam uma linguagem simbólica e metafórica da
psique multidimensional. Afirma que além do inconsciente pessoal e coletivo existe o inconsciente
do mundo, onde objetos animados e inanimados têm vida própria e, portanto, têm algo a nos dizer
no presente. Acredita que as imagens dos sonhos de entidades, montanhas e rochas, por exemplo,
têm vida, corpo, pulsação e uma subjetividade interna independente do sonhador, pois fazem parte
do inconsciente do mundo.

Aizenstat criou um método (DreamTending) em que podemos nos inclinar frente às imagens dos
sonhos, atentar para e interagir com elas, focalizando, principalmente, aquelas das criaturas, lugares
e coisas pertencentes aos fenômenos da ecologia da anima mundi (imagem do mundo). Se
desenvolvermos uma sensibilidade indígena, podemos participar dos ritmos da psique do mundo,
através das imagens dos sonhos, ou também, através de um contato direto profundo com a natureza,
focalizando nossa atenção e escutando sons, ritmos e a expressão da vida das criaturas e objetos do
nosso ecossistema. Afirma que podemos ter a experiência do olhar mútuo numa receptividade
psíquica e nos sentirmos parte do todo, partilhando dos ritmos da psique de paisagens naturais e
urbanas, em que o espírito do lugar se revela presente na sua especificidade e intenções. Esse tipo
de experiência permite insights sobre a nossa interação e reciprocidade com as imagens, assim
como sobre nós mesmos e sobre o ambiente nas suas múltiplas dimensões de expressão.

Podemos interagir, portanto, de várias maneiras com imagens para melhorar a qualidade da nossa
relação com o mundo. A Imagoterapia permite-nos acompanhar conscientemente nosso caminho e
perceber as nuances evolutivas que acontecem naquele período da vida, contribuindo para
estabelecer um contato mais genuíno com o núcleo do próprio ser, permitindo uma visão mais
definida de nossa conduta face aos acontecimentos.

A imaginação também faz parte daquilo que são nossos fundamentos

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Woodman comenta que seus pacientes em análise, desenvolvem a habilidade de interpretar seus
sonhos através da meditação. Eles compreendem a importância de meditar sobre uma imagem para
poder encontrar o seu poder curador e seu potencial para guia-los em sua vida externa. (pp. 10,
2006). Afirma que podemos estar presos às nossas imagens quando as projetamos nos outros, o que
nos impede de amadurecer e termos relacionamentos genuínos, responsáveis e livres, confiantes no
nosso mundo interno e amando.

As imagens dos sonhos podem mostrar insights de caminhos internos e externos para a consciência
e a vida diária. Isso acontece, se valorizarmos a percepção da nossa imaginação, como um dado da
realidade interna a ser considerado, tal como consideramos os demais dados internos e externos.
Dessa forma a imaginação também faz parte daquilo que são nossos fundamentos. Assim temos de
nos liberar de qualquer tipo de submissão à tirania interna (arquétipos, imagos parentais e crenças) e
externas (valores ultrapassados). O centro que regula a nossa personalidade precisa se reconhecer
como tal e se desenvolver rumo a individuação, tal como Jung preconizava. Woodman (2006)
enfatiza que temos de nos assegurar de que nenhuma autoridade representativa de uma figura
estranha ao nosso self (si-mesmo) nos conduza, porque essas imagens de autoridade desgastadas,
podem inibir nosso crescimento espiritual. Quando o ego se rende à orientação do Self,
tranformamos padrões negativos destrutivos em fluxo criativo de vida.

Essa autora afirma que matéria e espírito se ligam no nosso corpo sutil. O corpo sutil, uma
expressão que Jung tomou da alquimia, é o corpo no qual vivemos, nos movemos e onde nosso ser
se encontra. É através do corpo sutil que temos a experiência e nos relacionamos com nós mesmos
e com os outros em todos os níveis da existência. É nesse corpo que se pode ter a sensação de
felicidade ou infelicidade. A imaginação, por meio da metáfora, faz a ponte que, ao mesmo tempo,
separa e une matéria e espírito. (pp.34, 2006). Woodman afirma que a alma habita o mundo
intermediário entre espírito e matéria; e este mundo é o corpo sutil. A alma compreende a
imaginação; é a alma que compreende as imagens, sobretudo através da contemplação. A alma para
Woodman, é a lacuna entre espírito e matéria.

A assimilação das imagens oníricas pela consciência é fundamental para a nossa rede de
significados, para entendermos verdades que nos libertem, as quais nossa razão aprisiona. A alma é
encarada por Woodman como sendo o nosso receptor feminino que precisa estar aberto aos insights
e ao divertimento. Sem este receptáculo consciente a luz do espírito não pode penetrar na matéria.
Trata-se de um receptáculo capaz de entrar em sintonia com a música, as imagens, os jogos, os
sonhos, com a natureza e com a alma do outro.

Woodman (2006) considera que a pressa em que vivemos nos separa de nossa fonte, pois não dá
espaço para a alma se regozijar no corpo físico, tornando, paradoxalmente, a vida monótona, pois
nossa atitude diante da vida não se altera. Afirma que a alma é nossa consciência feminina no
corpo, a nossa fonte de sabedoria, que tem a função de refinar nossa consciência masculina (a
razão), estabelecendo uma parceria. Quando a alma se abre para o espírito, feminino e masculino
estão criando juntos. (pp. 44, 2006). Comenta que, para não esquecermos nossa fonte, não podemos
deixar que nossa mente sugue a nossa identidade, pois a alma precisa estar presente e se expressar,
em todas as circunstâncias.

Isso me faz lembrar de Virilio (2005) que enfatiza que na velocidade não vemos os que está
acontecendo. Além disso, como bem afirma Lussato (2007) certas imagens podem criar ilusões e

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nos atrair para sistemas de escalas de valores que nos desinformam de nós mesmos. Esses sistemas,
que nos são incutidos, podem entrar em sintonia com alguma parte de nossa personalidade, porém
num processo que recalca o Self, provocando assim, uma negação de Eu, em favor de crenças que
nos são impingidas, com ditames e imagens que passam a ocupar nosso espaço consciente e ditar
nossas escolhas e nosso comportamento.

As imagens criam ambiência

Muitas imagens, pelo seu conteúdo simbólico, criam uma ambiência, e desde o mundo antigo aos
dias atuais são usadas, nesse sentido, em vários locais com objetivos diferentes. Brandão (2004)
relata, por exemplo, que os cretenses acreditavam que os símbolos sagrados criavam ambiência
divina e , por isso, reproduziam representações icônicas dos deuses, principalmente de símbolos
associadas à Grande Mãe, sendo que esse povo não chamava seu país de pátria , mas sim de mátria.
As imagens e esculturas sagradas reforçavam o poder feminino das sacerdotisas e da mulher em
Creta.

Já no cristianismo, são os símbolos da trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; um tripé


sagrado de um lado e do outro, a Nossa Senhora, a mulher como geradora virgem do Filho.
Arquétipo de deus é masculino, peculiar às sociedades patriarcais. Brandão (2004) ressalta que a
Madalena é vista como a prostituta apedrejada que Jesus salvou, que, no entanto, sempre foi
valorizada pelos gnósticos como a companheira de Cristo.

As imagens, em cada cultura ou crença, representam arquétipos de poder, pois enfatizam


qualidades determinadas que são valorizadas no homem, na mulher, nos animais, na natureza e nos
artifícios, fortalecendo um inprint arquetípico peculiar aos costumes daquela cultura ou crença. A
imagem mostra e induz a costumes. Brandão (2004) comenta que já que o arquétipo expressa uma
verdade simbólica que existe a priori, oriunda das culturas primitivas e que se lança no presente
através das imagens na psique coletiva, considera os mitos como linguagem imagística dos
princípios, que têm representação coletiva permanente, gerando movimentos e transformações no
presente, com isso, os mitos ganham o estatuto de verdadeiros, pois se expressam na realidade
através do comportamento das pessoas. São imagens que têm o poder de atuar na psique e no
comportamento humano, influindo, portanto, no destino, podendo até certo ponto, determiná-lo,
pois quando um mito é incorporado pela pessoa, esta se deixa impregnar pelas características dele,
as quais têm conseqüências factuais na sua vida, influindo nas suas decisões.

A imagem pode criar uma ambiência interna, na psique, e externa, no ambiente, sendo parte
integrante no nosso estilo de vida material, emocional e espiritual. Ao mesmo tempo, que criam
uma ambiência, influem diretamente na nossa escala de valores e na nossa visão do mundo.

A imagem se mantém viva na mente

Braun (2005) considera que a imagem contribui para manter vivo no espírito aquilo que ela
representa. As alegorias da igreja católica na idade média (vitrais, tapeçarias, quadros) expressavam
um estilo de vida voltado para a devoção e meditação, pretendendo reavivar na mente da população,
o espírito da vida de Cristo e o propósito de seu sofrimento na cruz. Penetrando na mente dos fiéis,
essas imagens tinham o poder até de encobrir as mentiras que representavam a inquisição. Braun
comenta que, o que se tornava aparente aos olhos do povo, era a beleza da arquitetura e da arte

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sacra, enquanto que as salas de tortura, situavam-se no subsolo. Por trás do que o homem medieval
olhava e fazia objeto de devoção havia um outro aspecto da realidade, que se impunha, e que
oprimia: a exploração da ignorância e da fantasia da salvação da alma através da venda de
indulgências.

Atualmente, os designs de objetos de consumo se mantêm vivos na mente da população


“superinformada” que prefere ignorar que sua alma é objeto de invasão e exploração. A violência e
a crueldade humana são aceitas como naturais, pois foram elevadas ao plano virtual, ocupando um
espaço suspenso no imaginário e na fantasia do poder estar livre delas, como mero espectador,
distante dos fatos. Não fica claro exatamente quem são os inimigos da população, pois eles têm
muitas faces e sutilezas. Os piores inimigos são as contas a pagar. A política é uma encenação, já
desacreditada. A religião é um motivo para dar nome aos inimigos. A fantasia vendida é a
promessa de prazer. A aproximação da morte continua a dar lucro, porém com artifícios que dão
uma imagem que simula juventude.

A forma de edição das imagens das notícias, divertimentos e da publicidade pode ser um meio de
controlar o que podemos ter em nossa memória, que nos serve como dados para lidar com a
realidade. Isso pode dar a impressão de que vida do outro possa ser algo virtual, dissociado do
nosso real e familiar. Ao mesmo tempo nos familiariza com essa virtualidade, com a dissociação do
sofrimento do outro e do nosso próprio, pois nos habituamos a elevá-lo à virtualidade, na medida
que procuramos nos abstrair dele.

A aura das imagens

Benjamim (1996) chama a atenção para a aura das imagens originais e singulares, na sua aparição
única, que pode ser respirada e percebida por nós. Trazendo o perigo da perda de identidade na
massificação e na pressa, a reprodução de imagens em série, faz com que essa aura de autenticidade
seja destruída, empobrecendo nossa experiência sensível e a maneira que nossa percepção se
organiza face às imagens, em que a riqueza de sentido e profundidade se perde. Esse autor observa
que certos fotógrafos virtuosos conseguem captar estados afetivos e a alma de paisagens, objetos e
pessoas, de forma a dar consistência a aura daquela parição única numa fotografia. Esse tipo de
imagem não é para ser assimilada as pressas, mas sim saboreada tal como um alimento raro.

Para Benjamin (1996) a moda também empobrece os costumes, pois pessoas de povos diferentes
vestem-se da mesma maneira porque perderam a sua identidade, resultando em aparências sem
sujeito. A estrutura da experiência das pessoas é afetada pelos dados da sua memória que, nesse
caso, não faz mais do que reproduzir o que é produzido pela moda. O presente, para Benjamin, é
lugar de uma perda, em que o homem é isolado da experiência pela repetição, mecanicidade e
pressa, tornando seus momentos empobrecidos. E a imagem tem o estatuto muito mais de
mercadoria e simulacro, do que de arte. Para esse autor, o que a imagem representa não coincide
com seu significado , porque não há mais espaço e nem tempo para reflexão.

Podemos perceber que, atualmente, a imaginação está sendo mais usada para perseguir o dinheiro
do que para buscar maneiras de fazer uma conexão consciente corpo-alma-espírito nessa busca, ou
seja, tem sido mais usada para construir aparências do que para a construção do sujeito consciente
do seu devir.

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Prolongamentos eletrônicos do homem

Para Mc Luhan (1968) a tecnologia que empregamos é um prolongamento do nosso sistema


neurosensorial. Ele considera que a velocidade da era eletrônica, em que a luz transporta a
informação, contraiu o nosso universo espacial e temporal, provocando angústia, tédio e torpor,
modificando a maneira que se estabeleceram as relações humanas (familiares, sociais, econômicas e
políticas), assim como a nossa percepção dessas relações. Mc Luhan encara a nossa relação com o
dinheiro, o telefone, o automóvel, o cinema, a televisão e com o computador, é diretamente
interligada ao nosso sistema neurosensorial, sendo que no século XX, nosso sistema de idéias e de
organização social sofreu uma transformação inconsciente e irreversível. Estamos nos tornando o
que percebemos instantaneamente e nossa psique se escravizou a esses meios tecnológicos
eletromagnéticos que produzimos. Psique e meios eletromagnéticos formam um campo unitário
global, em que a luz e o sistema neurosensorial constituem essa unidade de prolongamento e de
aceleração da percepção. A psique já está submetida e englobada nesse processo, sendo que o
mesmo acontece com a organização de nossa vida quotidiana. A percepção visual, sonora e táctil
também foi tomada nesse processo, como também todo o nosso sistema nervoso e,
conseqüentemente, a bioquímica de nosso organismo. A maneira que as imagens chegam até nós
nos dá a ilusão de possuí-las, entretanto somos possuídos por elas.

Essas considerações de Mc Luhan parecem dizer que os objetos (coisas e informações) que
criamos, viram em sujeito dentro de nós. Possuímos e somos possuídos por esses prolongamentos
eletrônicos, os quais têm uma mítica e funcionam como arquétipos (no sentido que Jung dá a esse
termo). O texto que acompanha uma imagem publicitária não deve ser considerado como um
enunciado literário, mas como uma expressão mímica da psicopatologia da vida quotidiana.
(pp.227, 1968). A imagem penetra nos nossos costumes através da mídia, da publicidade, do cinema
e da moda, ganhando um estatuto de ícone. O desejo de acordar a imagem à realidade constitui um
novo motivo de viajem. (pp.228, 1968). Ou seja, a imagem motiva nossas escolhas e
comportamentos, pois assalta o nosso inconsciente, tal como pílulas subliminares. Para Mc Luhan,
a aceleração da vida empobrece nossa experiência do mundo, porque modifica os significados,
produzindo pseudo-eventos.

Perturbação da inteligência pelas imagens do circo instantâneo

Já em 1945, Valery (2006) previa nossa condição atual, afirmando que a modernidade escraviza o
homem, sendo que o imediatismo dos eventos vai transformando nossas sensações através da
submissão à tirania dos horários, causando uma desordem de ressonância entre o sujeito, os
eventos, o tempo e o espaço. Eventos distantes que assistimos na mídia, de alguma forma, nos des-
localiza, modifica nossas expectativas, nos colocando num contexto de imprevisibilidade e
indeterminação, tornando difícil planejar, ocasionando desperdício e excessos. Enquanto o homem
desenvolve novas capacidades sensoriais para conviver com a modernidade e o progresso
tecnológico, cada vez mais, ele perde a sensibilidade, pois está intoxicado por uma exigência de
instantaneidade, de novidade e de especialização.

Para Valery, até os fatos perderam seu estatuto, em que o tipo de certeza que emanava da
concordância de opiniões ou testemunhos de um grande número de pessoas, se opõe a objetividade
dos registros interpretados por um grupo de especialistas. (pp. 141, 2006). Esse autor considerava
os homens como cobaias da moda, da publicidade, das invenções, passando a ser possuído e

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determinado por elas. Obviamente a mídia e a publicidade não divulgam as idéias de Valery, pois
lhes é inconveniente. Além disso, fariam a população refletir e se posicionar de outra forma em
relação ao consumo de desinformação, produtos e tecnologia. As obras de Valery, ficam
encerradas nas bibliotecas das universidades de filosofia, tal como as de Virilio, fazendo parte
apenas do domínio filosófico.

A interdisciplinaridade re-organiza as especificidades de cada conhecimento e lhes relaciona para


obter conclusões de caráter mais abrangente, fazendo o papel de divulgar assuntos que podem
interessar a outros especialistas e à evolução do conhecimento cientifico. No entanto, ficar sabendo
o que acontece conosco envolve, também, um constrangimento financeiro grande para os políticos,
os capitalistas, os publicitários e até para as universidades.

Atualmente parece que a população, de alguma forma, sabe que está sendo iludida, mas não se
importa com isso. Somos consumidores de ilusões e nos comportamos como iludidos. Quase
ninguém se importa com o que está acontecendo, como afirma Virilio (2005). Se nos
reconhecemos como cobaias de mercado como realmente somos podemos ficar, de início, sem
norte, mas poderemos restabelecer objetivos de produção e de uso da imagem, que respondam
melhor as necessidades da humanidade e que valorizem a saúde e a dignidade do sujeito que faz
história. Se o planeta não for destruído antes haverá chance de mudar o rumo da história e por fim a
submissão à tirania do contexto de vida que estamos incluídos, também, como co-agentes desse
processo histórico, que se desenvolve instantaneamente. Tudo é tão rápido que dá ilusão de nem
estar acontecendo, parecendo apenas virtualidade. Estamos num mundo rude e grosseiro, com nossa
sensibilidade distorcida e des-localizada para consumir objetos e pessoas; e, com isso, se
autoconsumir no estresse psicossomático que esse ritmo nos causa. O desencanto, a insatisfação, a
raiva e o medo de ser excluído está paralisando até conexões neurais para buscar novas atitudes e
novas soluções para o impasse que chegamos. O cérebro parece estar configurado para se defender
da investigação questões relativas ao sujeito. A imagem que a pessoa tem de ser é a da persona,
enquanto personagem da grande teia dinâmica da história da artificialidade e da anestesia da
capacidade de reflexão.

No meio do século XX, Valery alertava que o novo e o surpreendente são as partes perecíveis das
coisas, modificando a relação e a forma que o homem trabalha, pois não lhe é dado o tempo de
refletir de maneira durável, que convém a produção de uma obra. (pp.194, 2006). Sua imaginação
está intoxicada, sem espaço para a reflexão e para a sensibilidade espiritual. Vive como num jogo
de cartas em que os adversários, segundo Valery, podem apresentar cartas com imagens nunca
vistas, num contexto de imprevisibilidade e surpresa, que pode levar à desordem, pois não há
regras, valores ou virtudes essenciais, que regulem as atividades humanas. Não acontece a atenção,
a potência meditativa e crítica, e aquilo que se pode nomear de pensamento de grande estilo, a
pesquisa aprofundada e conduzida até a expressão mais exata e mais forte de seu objeto. Ou nós
vivemos sob o regime da perturbação de nossas inteligências. A intensidade e a novidade, na nossa
época, se tornaram qualidades. (pp.203, 2006). Assim, estamos constrangidos a não prestar atenção
e a não parar para meditar se esse ritmo convém à nossa inteligência, à nossa sensibilidade, ao
nosso corpo de forma em que haja uma escala de valores de bom senso que faça sentido. Vivemos
num contínuo-descontínuo de um quotidiano tão terrível, como aquele dos tempos precários da
humanidade, em que ficamos constrangidos apenas, à condição de sobrevivência. Isso,
paradoxalmente, segundo Valery, torna nosso quotidiano monótono devido ao vazio do que nos é
essencial.

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As pessoas se exaurem mentalmente vivendo na urgência, e quando param, querem se distrair mais
ainda de si próprias, pois sua capacidade neural de fazer novas conexões criativas alternativas fica
exaurida, preferem então, fingir que está tudo bem e aderir aos divertimentos e fantasias do que
parece ser um novo circo eletromagnético e eletrônico. Perseguem mais imagens para se distraírem
do próprio cotidiano, da integração corpo-alma-espírito, porém, com essa atitude, trazem mais
imagens artificiais para esse cotidiano des-localizado do eu, enquanto sujeito, pois estão viciadas
em se dissociar do real, mantendo um limite defensivo artificial para não caírem em desespero e
desesperança. O caos da desinformação não dá suporte para uma existência que faça sentido. É
preciso parar para repousar e reorganizar as conexões neurais, dar tempo par criar auto-respeito.

Parece que ao substituir a escrita pelo som e as imagens, ficamos viciados em surpresas
organizadas e o dinheiro se deslocou para a indústria do divertimento e para a publicidade, uma
sustentando a outra, como cúmplices de uma quadrilha devoradora de almas. Para Valery (2006),
trata-se de um ritmo devorador de vida, de destino humano, de valores essenciais, causando uma
crise de avaliação, que clama para que nos inquietemos de nós mesmos e do nosso destino.

Nosso espaço interior sensorial e neural é ocupado pelo não-eu. É, pão e circo, como sempre foi.
Continuamos servos despreocupados de uma classe de gente falsificadora e interesseira. Dentro
desse contexto, o que parece ser mais urgente acontecer mesmo é refletir, se sensibilizar e se auto-
respeitar. Quando uma civilização está em decadência o desrespeito humano avança além do limiar
suportável.

Uma maneira de ler imagens

Conforme afirma Baudrillard (1970) na sociedade de consumo, a variedade de produtos a consumir


dá a ilusão de escolha personalizada. A imagem do produto provoca o desejo de aquisição,
concretizando a reprodução em massa do produto. O supérfluo se torna indispensável e o
indispensável perde o seu sentido. O desperdício vem da necessidade do supérfluo.

O consumidor acredita no poder dos signos de felicidade das imagens de publicidade e o consumo é
regido por um pensamento mágico. Imagens, signos, marcas, objetos, modelos, moda, cultura, sexo,
mitos, tecnologia e idéias são consumidos. Baudrillard (1970) comenta que as imagens da
TV/signos, formam um sistema de leitura que pretende dar coerência a esse mundo consumista, em
que o consumidor decodifica e adere aos códigos das mensagens, as quais, lhes dão a sensação de
fazer parte desse mundo mítico, sendo que as pessoas organizam seus mitos e se organizam no
tempo e no espaço, com sacrifício, para fazer parte dele. É um mundo sem descanso em que até as
férias são custosas, podendo, às vezes, até serem decepcionantes.

É uma maneira de ler as imagens do mundo, que parece ser introjetada, indo ao encontro de um
desejo de acreditar, o que supõe uma ingenuidade compartilhada, portanto, uma imaturidade social
e política, resultado de uma imaginação pobre e acelerada, sem tempo e nem espaço de reflexão.

Estamos forçando a barra

Enriquez (2005) afirma que o sujeito se constitui na entrada no social, pois acessamos a
humanidade através do outro, construindo relacionamentos, sendo que o amor é o mais importante

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fator civilizador e deveria ser expresso nas relações de trabalho com objetivos comuns. No entanto,
o que ocorre na realidade são expressões de agressividade, competição, mentira, ódio, exploração e
desprezo, que demonstram a incapacidade e incompetência humana para estabelecer relações de
reciprocidade que contribuem para tessitura contínua da ligação social. (pp.15, 2003). Aqueles
que se inquietam apenas com suas próprias dores e prazeres, indiferentes às dos outros, revelam seu
egoísmo e insensibilidade social.

O sujeito não é senhor de si mesmo, afirma Enriquez (2006), porque além de ser submetido ao
inconsciente e aos seus medos, atualmente, faz do dinheiro o seu fetiche sagrado submetendo-se a
um tipo de racionalidade que valoriza a compra e venda, assim como os contextos das grandes
empresas, sendo que o empregado é constantemente intimidado a perder seu emprego, então se
dopa com antidepressivos e energéticos para renderem mais no trabalho. Enriquez (2005) enfatiza
o crescente desprezo e desrespeito no trato humano, pois as pessoas são tratadas como coisas
descartáveis, sem estabelecer um vínculo social de amor mútuo.

Podemos perceber que as pessoas já se acostumaram e estão bem familiarizados com a grosseria
espiritual. O desconforto de nossas contradições causa dissonância cognitiva entre discurso e
estratégia de ação, tal como se a pessoa pretendesse ser boa, porém age causando algum dano,
acabando por enfatizar é a sua indiferença e insensibilidade, sua incoerência interna e externa, a
expressão do seu egoísmo e narcisismo, que não lhe resulta em felicidade, talvez apenas um prazer
sádico e frio, pois persegue apenas a imagem de “vencedor”. Vemos pessoas físicas e jurídicas que
querem ser vencedoras sobre a desgraça, o dano e o prejuízo alheio, que até sentem prazer em “se
dar bem” e ver, com isso, o outro “se dar mal”, que não têm a mínima sinergia e bondade na
convivência. Causam danos sutis ou deslavadamente expostos, mentem, conspiram e trapaceiam
como se nada fosse, passando por cima da sensibilidade dos outros. Literalmente “forçam a barra”
para se imporem e obterem o que desejam, custe o que custar, praticando grosseria espiritual, moral
e psicossomática.

Outros se divertem com a desgraça alheia, já que muitas notícias da mídia, como bem diz
Baudrillard (2005), estão servindo mais como entretenimento do que como informação, em que, ver
os outros se darem mal, pode até ser motivo de riso. Até parece que nós estamos passando pelo
inferno e cá estamos nele, porque não tivemos competência, nem presença de espírito, sabedoria e
disposição de fazer melhor. Fazemos tudo muito rápido e mal feito. A velocidade, como diz Virilio
(2005) nos impede de ver o que está acontecendo. O que parece bem feito tem mais caráter estético,
do que ético. Acreditamos em coisas erradas, assim como em desinformação, ao dizer de Lussato
(2007).

A delicadeza espiritual

As essências de Imagoterapia atuam na busca de uma coerência interna e externa entre discurso e
ação, pois representam significados positivos que despertam a atenção para o cuidado no trato
humano, contribuindo para desmascarar jogos insensatos de poder. Cada um quer entrar em sintonia
com os outros para fazer coisas em parceria, porém a escolha do que e como fazer tem implicações
éticas a serem reconsideradas continuamente para não praticar e nem sofrer dano espiritual, moral e
psicossomático aos outros, e nem ao ecossistema.

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O que dizemos e como falamos pode ferir, o mesmo vale para o que escutamos e como escutamos.
Temos de estar atentos para não nos submetermos à tirania exercida por pessoas insensíveis e
desonestas sobre nós, sem reagir à altura, de maneira a corrigir definitivamente a situação e
recuperar nossa dignidade. Preocupada com essas fraquezas de espírito, que podem nos ocorrer,
criei duas essências: uma chama-se Recuperação da Dignidade e a outra Quebra Padrão, Verdade
Divina. No meu kit de essências de Imagoterapia há outras essências que podem se associar àquelas,
conforme o contexto da situação em que vivemos.

Há pessoas que tratam os objetos com mais carinho e atenção do que tratam os outros seres. Vemos
pessoas entretidas com seus novos brinquedos eletrônicos (celulares, laptops,etc) ignorando os
assuntos humanos ao seu redor. A delicadeza espiritual é uma meta a ser atingida, uma busca de
sanidade psíquica. Dentro desse contexto acelerado em que vivemos é preciso reconsiderar a nossa
atitude e se dedicar a reparar danos voluntários ou involuntários que possamos causar, com alguma
atitude brusca, que nos escape, pela manifestação de nossa sombra, que, quando é provocada, pode
tomar conta do nosso jeito de ser e agir em algumas situações estressantes que despertem ansiedade,
medo e raiva. Muitas vezes é necessário se deter cuidadosamente para pedir perdão e reparar, com
isso, reconhecer que o outro existe, enquanto sujeito sensível e fazer um exercício de dignidade de
caráter. Ninguém precisa mais passar por cima do outro, nem enganá-lo, para ser ou ter, seja o que
for. Está mais do que provado que essa atitude não traz felicidade, pois os resultados que vemos são
amargos.

Quem procura, de alguma forma, crescer espiritualmente vai continuar se deparando com situações
dissonantes, provocadas pelos outros ou por si mesmo, quando então, cada vez, será necessário
redobrar firmemente seus esforços de cuidado, porque seus meios e valores estão à prova, assim
como sua dignidade e integridade que estão em jogo. Temos de sacralizar nossa vida, ao dizer de
Fox e Sheldrake (1996). Nesse sentido, o tratamento com essências vibracionais de imagens –
Imagoterapia – contribui para melhor administrarmos situações de estresse em que somos
“convidados” a mostrar do que somos feitos, ou seja, a nos co-responsabilizar pelo que está
acontecendo.

A imagem pode desinformar

Para Volkoff a desinformação é uma manipulação em que uma informação é tratada de maneira
distorcida. Trata-se de uma dissimulação, de um logro. Afirma que na realidade, sempre há um
meio de se defender da desinformação. Mas o mais comum, e a gente preferir sucumbir à cegueira,
o que constitui, em termos técnicos, a aquiescência do alvo.(pp. 36, 1999). A desinformação vem
misturada com a informação, seduz emocionalmente o espectador. Volkoff afirma que a
desinformação em publicidade não visa somente fazer o público alvo engolir, pela repetição, o
produto, mas também, fazer o público crer. A tolerância da desinformação é diretamente
proporcional à ignorância da população sobre um dado ponto. Ela é inversamente proporcional
aos pré-julgamentos desfavoráveis à ação da informação. (pp.149, 1999). Quando cria um rumor,
a desinformação transforma o desinformado num desinformante, pois pretende induzí-lo ao erro,
porque atinge o desinformado nas suas convicções e paixões.

Segundo Volkoff (1999) a desinformação pode negar fatos, invertê-los, misturar falso com
verdadeiro, forjar motivos e circunstâncias, se dissolver no meio de outros fatos e circunstâncias
não relacionados, mas que, no entanto, interessam às pessoas . A desinformação é tendenciosa, pois

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pode camuflar fatos, apresentando-os de forma favorável ao desfavorável visando suscitar emoções
através da interpretação parcial dos fatos; assim como pode aparecer junto com generalidades e
ilustrações de outros fatos semelhantes, reforçando aspectos e deliberadamente escondendo outros,
para obter unanimidade. Para Volkoff a desinformação é uma forma de vampirismo, pois visa
distorcer a opinião pública através das palavras e imagens, muitas vezes subliminares, através de
manipulações de freqüências de luz e som, transmite conteúdos que visam forjar emoções e
sensações, intoxicando o espectador e o induzindo a tomar decisões que interessam ao
desinformante.

Para Volkoff a imagem é o mais poderoso meio utilizado para desinformar e fazer crer, já que as
pessoas crêem porque viram, sendo que ela atinge sensorialmente muito mais do que as palavras, e
se presta a edições tendenciosas. Há imagens que desinformam provenientes da televisão ou do
computador que vão direto às nossas casas, ao nosso ambiente interno e externo, criando
sensacionalismo, pois vão de encontro às necessidades que o público têm de viver novas emoções,
sensações, fantasias e curiosidades.

Volkoff afirma que, atualmente, existe uma guerra em que a desinformação é uma das maiores
armas, pois pode motivar as populações a odiar e a matar por motivos tendenciosos induzidos pelos
desinformantes que deturpam as escalas de valores e a noção do que é benéfico e maléfico.
Inclusive, tornou-se um meio de viver, a partir do século XX, atraindo o dinheiro para divulgar
influências que vão determinar a situação econômica, social e política dos países, sendo que a
desinformação despreza o crescimento cultural e psicológico da população.

As multinacionais, agora, transnacionais são também, para Volkoff, divulgadoras de desinformação,


influindo negativamente nos costumes dos consumidores, sobretudo jovens, forjando estilos de vida
que desinformam. Alerta que temos de nos defender da desinformação não caindo no ambiente
ilusório induzido por ela, procurando decodificar os interesses políticos e econômicos que estão por
trás dela, percebendo suas tendências e, ao contrário, exigir mais informação.

Imagens como imprints de ondas de forma de nós semânticos no cérebro

Lussato (2007) considera que a desinformação define o século XXI, através da propaganda e da
intoxicação feita pela mídia, na insistência de manter o espectador ligado nos sensacionalismos
destituídos de sentido e de valores de referência sensatos. Esse autor define a desinformação como
uma mentira baseada em dados verídicos e considera a propaganda como uma intoxicação que
passa, muitas vezes, mensagens mentirosas para forjar a opinião pública.

Para Lussato existem várias fontes de desinformação que tanto se afrontam como se conjugam para
manipular a opinião. (pp. 26, 2007). Considera essas fontes como nós semânticos os quais se
incrustam e se implantam no nosso cérebro direito, que é o hemisfério que dá sentido e registra
emoções. Afirma que, através de saltos e rupturas, as contradições da desinformação nos invadem,
com seu progresso tecnológico de orientação materialista, sustentado pela desigualdade social,
fazendo com que nossa consciência funcione de forma descontínua, além disso, com que
imaginemos utopias ou com que entremos em pânico face à imprevisibilidade e à urgência. A pressa
e a falta de sabedoria e de reflexão nos levam atos reflexos de sobrevivência sem sentido e caóticos.
Sob o caos aparente existem nós densos de poder concentrados e pensados que orientam
subterraneamente o destino do mundo. (pp. 29, 2007).

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A teoria da desinformação de Lussato (2007) considera as mensagens e postulados dos nós
semânticos de desinformação (partículas) e como campos de forma de forte carga simbólica
(ondas), como se fossem vírus capazes de mudar o comportamento humano, os quais, são
propagados pela mídia, internet e eventos artísticos. Funcionam tal como um barulho tóxico, que
provoca regressão cultural, na medida em que distorce a interpretação do real, através de
paradigmas que desinformam.

Lussato (2007) comenta que certas imagens e textos são usados para escamotear os nós semânticos
que emitem o vírus da desinformação, que vão ser substrato das crenças humanas, exemplifica que,
mesmo em ciência, há crenças incrustadas, tais como, a que velocidade da luz não pode ser
ultrapassada, quando, justamente, o cientista Aspect (1999) provou experimentalmente a interação
de partículas à distância em velocidades acima da luz. Lussato compara as crenças em ciência às
crenças em religião, sendo que certos argumentos utilizados em ciência, parecem um engajamento
subjetivo, tal como um ato de fé, podendo, portanto, desinformar e impedir a evolução do
conhecimento.

Imagens e palavras podem significar tanto significados que informam como desinformam. Embora
imaginemos que nossas crenças e comportamentos sejam de bom senso, para Lussato podem não
passar de senso comum, sendo que expressam apenas a nossa limitada compreensão do mundo. E
na compreensão científica dos fenômenos há descontinuidades no que se refere a mudanças de
escala, conforme é a perspectiva do nosso olhar . Postulados, doutrinas e teorias se tornam hábitos,
porém são mais frágeis e provisórios do que imaginamos e precisariam necessariamente ser
sancionados pelos fatos. Há uma tendência a colocar de lado informações que desmintam. Lussato
relata que o mesmo acontece com os níveis de honestidade de comportamento nas organizações
privadas e públicas, tanto que as informações dos computadores podem desmentir, a menos que
sejam programadas pelo homem para enganar.

Duas informações podem entrar em dissonância cognitiva, causando-nos desconforto e incerteza,


principalmente quanto aos critérios referentes à quantidade (hemisfério esquerdo) e qualidades
(hemisfério direito), fazendo com que supervalorizemos certos aspectos e ignoremos outros, para
aliviar a dissonância que nos aflige. Isso ocorre, sobretudo, quando somos manipulados pela ênfase
que nos é dada por informações associadas a desinformações sobre produtos, assuntos e pessoas.
Isso pode ocorrer em qualquer área, tal como na de vendas, ou na área científica, embora mais tarde
os fatos acabem por mostrar que a realidade é outra. Lussato (2007) comenta que a teoria da
dissonância cognitiva de Festinger (1957) – que, por sinal não tem sido re-editada – veio mostrar
como os mecanismos da desinformação funcionam. A desinformação pode ser falsificada a nível
inconsciente e Lussato denomina imprints os mecanismos de formação e transmissão de mensagem,
a distorção delas, e o caminho tortuoso que a consciência faz para considerar mentiras como
verdades.

Imagem e desperdício

Lussato encara a forma como uma entidade imaterial que se encarna no imaginário para dar um
formato. Considera que as formas se hierarquizam de maneira complexa, na medida em que
emergem novos níveis de integração progressivos numa dinâmica neguentrópica (de ordem). As
formas se des-hierarquizam e se des-complexificam quando regredimos nesses níveis, pois

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estaremos des-contruindo e chegando a des-diferenciação, em que coisas e pessoas são reduzidas a
categorias sem levar em conta sua especificidade e seu contexto particular, num contexto de
entropia (de desordem).

As imagens têm o poder de mudar o rumo dos acontecimentos, contribuindo para que eventos
aconteçam e deixem de acontecer, conforme o conteúdo do nó semântico que elas representam e os
meios (magmas) que as divulgam. Lussato chama atenção ao fato de que assistimos a um
amontoado sem fim de formatos desusados e um desperdício imoderado de magma conduzindo a
uma penúria que impede a fabricação de outros formatos.(pp.52,2007). Comenta que nossa psique,
a despeito da nossa parte central, o Eu, tem uma rede de nós semânticos de desinformação,
personalidades parciais que têm comportamento próprio, as quais são vulneráveis à manipulação e à
desinformação, fazendo da psique como que um teatro da mente, um campo de representação. Os
imprints que nos são implantados acabam por fazer parte do nosso referencial de representações e
dos nossos critérios de seleção. Para Lussato, todo objeto, imagem ou crença ganha mais ergia
(termo que ele prefere ao de energia para esse contexto), quanto mais nos identificamos com uma
representação e a permitimos entrar no nosso processo cognitivo, mais nos deixamos determinar por
ela. Em torno de ideologias impostoras são criadas idealizações irresistíveis e emoções envolventes
que atingem a subjetividade do espectador e sua memória, num processo de sedução que parece se
dar além da lógica, pois parece querer ficar cego ao que lhe é deliberadamente ocultado.

A percepção visual é psiconeurológica. Uma imagem se converte em influxo nervoso após passar
pela retina, o que Lussato chama de processo clássico de in-formação, o qual passa por magmas
diversos: desde o magma do emissor da informação, passando pelos magmas da transmissão, até os
magmas do receptor, numa cadeia completa de comunicação. A comunicação da imagem no
receptor não é apenas um processo mecânico biológico e eletroquímico, porque temos de levar em
conta os estados mentais. Há um processo material e outro imaterial. Ao dizer de Lussato, certas
concepções modernas de neurociência reduzem a consciência ao cérebro e a fenômenos hormonais,
estabelecendo dogmas científicos que só enfatizam o aspecto material.

A pressa empobrece a qualidade

Lussato relata que há autores, como Karl Popper, que afirmam que a matéria fixa as formas mas
estas são criadas pelo espírito, sendo que os estados mentais são imateriais e qualitativos. Além dos
emissores e transmissores da informação, ou seja, seus suportes, há que se considerar o significado,
o qual é qualitativo e imaterial . Lussato salienta que fatos psíquicos nem sempre podem ser
repetidos, portanto não podem ser analisados a nível quantitativo, tal como ocorrem com os
fenômenos parapsicológicos. A premonição, por exemplo, o sujeito enxerga imagens (freqüências)
de coisas que ainda não aconteceram, como se sua consciência fosse independente do tempo e do
espaço, e como sua atividade neural se comportasse espontaneamente e conectasse eventos futuros,
dentro de parâmetros quânticos, em que imagens (luz) viajassem em velocidades bizarras e para o
passado.

Para Lussato (2007) o sujeito pode ser capaz de exercer introspecção e reflexão que o capacitam a
se tornar consciente de que é consciente. Existe a possibilidade do sujeito buscar a informação e
colocar-se em posição diversa e retomar criativamente o rumo de suas vidas. Lussato acredita que a
intuição no ato criador, um conhecimento sólido e de uma preparação psicológica adequada

79
permitem uma seleção competente de critérios coerentes pelo subconsciente do criador capacitando-
o a gerar novas formas e estruturas específicas de uma verdadeira obra.

Gurdjief (in : Ouspensky, 1983) dizia aos seguidores que deviam praticar a observação de si em
cada situação, ou seja, o sujeito se ver, por exemplo, fazendo o que esta fazendo nesse instante. Eu
me enxergar digitando e você se observando ao ler essas palavras. O mais difícil é se ver ao lidar
com as pessoas em cada situação da vida enquanto se lida com elas. Se, conseguimos fazer isso,
certamente sairemos dos automatismos e dos comportamentos padrões impingidos pelos nós
semânticos, sobretudo aqueles relativos à pressa, os quais fazem empobrecer nossa experiência.

A inteligência espiritual consiste nesse tipo de atitude interna em que o sujeito consegue se lembrar
de si no quotidiano, como sujeito que cuida da maneira de agir com os seres e as coisas. Trata-se do
sujeito presente na sua atitude e no reflexo dela nos outros e no ambiente. Normalmente olhamos
para uma ínfima parte das conseqüências de nossas atitudes, pois as colocamos rapidamente o que
fizemos no passado e seguimos adiante com pressa. Não somos educados para sermos sensíveis a
ponto de levar sempre em conta e detidamente o que os outros sentem com que fazemos ou
deixamos de fazer, muito menos para se deter no que sentimos quando agimos, pois a sensibilidade
não é valorizada num contexto em que as justificativas e fins racionais são os mais considerados. A
razão ao invés de se servir da sensibilidade para fazer algo que faça mais sentido para os seres e o
planeta, ela sacrifica a sensibilidade, tornando-se uma razão pobre de sentido. Razão sem
sensibilidade torna o homem ignorante de que dispõe de recursos que não são utilizados, além
disso, faz desperdiçar recursos com coisas que o alienam mais de si mesmo e da sua condição.

A preocupação de Lussato está no fato de que os governantes e os detentores de poder econômico


podem utilizar os canais de televisão para atuar na escala de valores das pessoas e barrar os
oponentes e concorrentes, tanto de forma direta como indireta, operando na psique consciente e
inconsciente dos espectadores. Isso se dá pela atribuição de valores positivos às idéias e aos
produtos que desejam impor, assim como a atribuição de valores negativos ao que possa ameaçar a
sua posição de poder. São utilizados recursos semânticos de forte carga emocional que atuam
diretamente nas escolhas humanas, fazendo parecer errado, aquele que escolher o contrário,
causando, portanto, ambivalência, dissonância cognitiva, desvios de comportamento e desgaste para
resolver conflitos. Torna-se mais cômodo para a população inconscientemente aderir a
desinformação que lhes foi induzida. Quem se submete cai em armadilhas de obrigações financeiras
decorrentes de um consumo irracional de bens e serviços buscando a aquisição do que representa
status, falsa juventude e outros artifícios que alimentam seu narcisismo e que significam
desperdício, falsa imagem, desdém pela pobreza material alheia, que, no fundo, refletem sua
pobreza de espírito e seu egoísmo.

O eu e a complexidade

Lussato (2007) afirma que, no entanto, o Eu parece não ter ergia para a sensatez de escolhas
conscientes. Nós não cremos porque vimos, nós cremos o que cremos, nós cremos o que nos fazem
crer. (pp.134, 2007). Gurdjief (in : Ouspensky, 1983) afirmava que, na maior parte do tempo, nós
pensamos que é o EU que comanda, porém é um dos pequenos eus da personalidade é que esta
ativando nossas escolhas. Lussato fala das nossas personalidades múltiplas. Antes de continuarmos,
é preciso então nos curvar sobre os meios pelos quais dispomos para expurgar a possessão de
nossas desinformações internas. (pp.135, 2007). Ele afirma que um espírito livre tem de possuir

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uma ergia fluida capaz de se ligar em várias redes sem se bloquear em nenhuma delas e nem se
deixar vampirizar; além disso, não recalcar informações relevantes ou nem se engajar em dogmas.
Porque a fluidez da ergia permite ao Eu lidar com a complexidade dos sistemas de representação,
integrar várias disciplinas e inventar, ou seja, utilizar as varia ergias para se desenvolver, pois o
todo é superior as partes e a superespecialização ignora dados importantes de outras disciplinas que
podem enriquecer o conhecimento. Superespecialização pode significar também desinformação,
mesmo se fazendo passar por científica ou culturalmente correta.

Tal como Foulcaut (2004) e Morin (2003), Lussato (2007) condena a prática de certas escolas
científicas que não querem mudar seus quadros de referência, agindo de forma dogmática,
combatendo idéias novas que possam contradizer suas crenças, fazendo, com isso, prevaleça a
desinformação e a criação de um nó semântico do tipo acadêmico. A densidade de poder é forte
tanto nas seitas, partidos políticos, modas, doutrinas científicas como correntes artísticas. Para
Lussato, por trás de um nó semântico existe o poder de excluir a informação que o desacredite.

No centro de um nó semântico existe um poder semelhante ao de um buraco negro que emite ondas
de forma para populações inteiras influindo nos seu julgamento; e só quem está fora dele e
estrangeiro ao campo axiológico desse nó semântico, é que consegue perceber que ali ocorre
desinformação. Lussato compara as forças magnéticas dos nós semânticos aos os campos mórficos
de Sheldrake (1985), cuja repetição e espalhamento vai criando uma curva de Waddington (um
atrator caótico). Um nó semântico potente é como um imã que controla o comportamento humano,
pois introduz uma deformação no espaço axiológico (das escalas de valores) causando uma
deformação nas referências do senso critico das populações. As escalas de valores do dominador
são implantadas no psiquismo do dominado. O hemisfério direito do cérebro (que processa imagens
e significados) serve de suporte de ondas de forma e mensagens desinformantes que Lussato chama
de vírus semânticos que se apoderam das almas. A população vai se tornando cada vez menos
imune a eles o que causa uma epidemia de julgamento, pois imprimem uma lógica de costumes que
serve ao sistema o qual representa.

Lussato relata em seu livro, de forma detalhada, como os valores capitalistas, comunistas, nazistas,
mulçumanos e outros se tornaram coletivos e despersonalizaram populações inteiras e, inclusive, as
dividiram geopoliticamente. Esse autor nos alerta que, para obtermos uma informação, precisamos
de várias versões de um fato, por que a desinformação está envolvida em textos e imagens que
escamoteiam o núcleo estruturante dos nós semânticos tendenciosos, .(pp. 291, 2007).

Acostumar-se com as mídias constitui uma verdadeira armadilha. (pp.292, 2007) Os espectadores
se familiarizam com a ênfase dada aos estilos de vida das celebridades e aquela difundida pela
propaganda. Pensam que estão descansando do estresse do dia a dia, mas estão é se distraindo da
reflexão sobre as causas desse estresse, como também, distraindo-se de si próprios. É um costume
que virou um vício como qualquer outro, que distorcem a mente de valores que fazem sentido para
a saúde psicossomática tornando a inteligência medíocre. O julgamento dos fatos é artificialmente
induzido por uma crença num artifício que provoca um comportamento artificial, tal como qualquer
droga, a desinformação intoxica e provoca uma crise nos costumes, os quais, ao dizer de Benjamim
(1996), estão cada vez mais empobrecidos.

CITAÇÕES:

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Mc Luhan:
pp.227: ...ainsi le texte que accompagne une image publicitaire ne doit pas éter consideré comme
un enoncé litteraire, mais comme une expresión mimique de psychopathologie de la vie
quotidienne.
pp.228: Le désir d´accorder l image et la realité constitue un nouveau motif de changement, ainsi
qu´un nouveau motif de voyager.

Valery:
pp.141: A l´espece de certitude qui émanait de la concordance des avis des témoignages d´un grand
nombre de persones, s´oppose l´objetivité des enregistrements controles et interprétés par un petit
nombre des specialistes.
pp.194: ...le nouveau et le surprenant, ce sont les parties périssables des choses.
pp.203: ... l´attention, la puissaince meditative et critique, et ce qu´on peut nommer la pensé de
grand style, la recherché approfondie et conduite jusqu´à l´expresion la plus exacte et la plus forte
de son objet.

Volkoff:
pp.149: La tolérance de la désinformation est limité. Elle est directement proporcionelle aux
prejugés défavorables à l´action de désinformation.

Lussato:
pp.26: ...il existe plutôt plusieurs sources de désinformation qui tantôts´affrontent, tantôt se
conjuguent pour manipuler l´opinion.
pp.29: Sous ce chaos apparent, existent dês noyaux denses de pouvoir concentres et réfléchis
qui orientent souterrainement l ´avenir du monde.
pp.52: On assiste à un entassement de formants désuets et une gaspillage immoderée de magma
aboutissant à une penurie qui empêche la fabrication d´autres formants.
pp.134: ...nous ne croyons pas ce que nous voyons, nous voyons ce que nous croyons, nous croyons
ce qu´on nous fait croire.
pp.135: Avant de poursuivre, il faut donc nous pencher sur les moyens dont nous disposons pour
nous dégager de l´emprise de nos désinformateurs internes.
pp.291: ...dans les images et textes publiés, escamotant le noyau structurant.
pp.292: L´accotumance aux medias constitue un vraie piége.

82
AS IMAGENS NO CORPO-ALMA-ESPÍRITO

O homem como o lugar (suporte) das imagens

Belting (2004) afirma que toda a imagem visível é inscrita num meio (médium) de suporte ou
transmissão, sendo que nosso corpo é um meio vivo que incorpora a imagem numa interação com o
que vemos, imaginamos ou nos recordamos. Para esse antropólogo o homem sempre fabricou
imagens e seguirá fabricando, pois através delas ele mostra sua concepção do mundo aos seus
contemporâneos. Belting analisa a imagem como um fenômeno antropológico sob três aspectos:
imagem -meio (suporte) –olhar, ou imagem-dispositivo-corpo. É um corpo que olha o suporte que
intermedía a imagem, sendo então, um médium vivo que olha imagens mentais (produção icônica
endógena) e externas noutros mediums (fotografia, quadro, vídeo, televisão, cinema).

Para Belting uma imagem é mais que o produto da nossa percepção, já que é também resultado de
uma simbolização pessoal ou coletiva, além disso, vivemos com imagens e compreendemos com
imagens. A própria produção de imagens é um ato simbólico em que a produção de médiums
suportes de representação e transmissão de imagens é inseparável do olhar do expectador na tríade
imagem-dispositivo-corpo vivo médium natural. Segundo Belting a história dos suportes de
representação e transmissão de imagens é crucial para a visão antropológica, mas o homem é um
lugar de imagens seja pela sua imaginação, recordação, cultura constituída, seja como suporte
expectador. (pp.49, 2004).

Belting analisa as imagens desde o ponto de vista arqueológico, da arte, da fotografia, do cinema, da
televisão, até a imagem numérica, como um desenvolvimento de técnicas que vai de encontro ao
desejo de imagens que o homem tem de experimentá-las no corpo, no imaginário. Nossa civilização
valoriza mais o imaginário que o real. Belting comenta que encontrar um vizinho transformou-se
num constrangimento para a convivência, pois é mais fácil imaginá-lo lá longe em sua casa do que
perto em carne e osso. Nós vivemos mais num sistema de informação do que num lugar
determinado. (pp.86, 2004).

Recordar é experimentar imagens e temos a capacidade de transformar e fixar imagens de lugares e


coisas que vivenciamos. Nossa memória por ela própria é um sistema neural endógeno, constituído
por lugares fictícios de lembranças. Ela se edifica a partir de um entrelaçamento de “lugares”
onde nós vamos procurar estas imagens que formam a substância de nossas lembranças. A
experiência física dos lugares que nosso corpo fez do mundo se reproduz no conjunto de lugares
que nosso cérebro estocou. (pp. 92, 2004). A ligação entre imagens e lugares se organizaria numa
fotografia mental de cenas de vida. Belting comenta que os sonhos nos levam a uma estrutura
escondida de nossa memória icônica corporal... O corpo é a fonte de nossas imagens. (pp.98,
2004). Nossa relação com a imagem diretamente pessoal é incorporada, e nossa ligação com a
imagem é simbólica, sendo que a imagem liga todos aqueles que se reconhecem nela, como se fosse
uma âncora no real, enquanto retórica partilhada.

Para Belting, as imagens tecnológicas da realidade virtual são valorizadas em detrimento do espaço
real, modificando os referenciais reais em favor dos fictícios, sendo que nós podemos utilizar e
manipular o médium vídeo como uma prótese de nossa memória visual. (pp. 113, 2004). Belting
questiona sobre o ciberespaço, se somos engolidos por ele, ou se ao contrário, nele adquirimos uma
nova liberdade, pois nele encontramos companheiros de viajem da imaginação...dando a impressão

83
de acessar à uma existência social que não é sujeita à lugares reais. Mas essa existência é uma
existência imaginária, pois ela só é possível em imagem. (pp.117, 2004). Sob o ponto de vista
antropológico o mundo virtual é um lugar de imagens e o homem sempre teve o desejo de se
encarnar em imagens, mesmo depois da morte. Para esse autor a evolução dos suportes da imagem é
um objeto de estudo antropológico que simboliza a percepção que o homem tem do mundo, pois
temos uma relação simbólica e, por vezes, até mágica com as imagens.

Para que o autor ergue sua cabeça

O sujeito se reconhece na imagem e se conhece através dela. Debray (1992) comenta que conforme
a teoria lacaniana, a consciência do Eu se forma no estágio do espelho, ou seja, quando a criança vê
sua imagem no espelho e reage face ao que vê, forma a consciência do Eu, pois a imagem de si
mesmo trás essa consciência. Segundo essa teoria, através do controle de sua imagem no espelho e
do seu reconhecimento nela a criança ganha o estatuto de sujeito.

Debray afirma que a imagem ícone representa, pois torna presente o ausente, não só evocando, mas
o substituindo. A imagem faz bem porque faz ligação. (pp. 60, 1992). Ele se refere ao tipo de
imagem que nos deixa mudo de admiração, tal como as de arte sacra ou um quadro de Van Gogh.
Porém, para esse autor, mostrar não é dizer, pois ler uma foto seria respeitar seu mutismo. Mas a
imagem nos sinaliza, não um enunciado preciso, pois é da inocência semântica da imagem índice. A
representação se refere à imagem ícone a qual é elaborada e deliberada. Já o símbolo é um objeto
convencional.

O divino faz baixar os olhos, o sagrado faz erguer a cabeça. Mais adiante Debray afirma que diante
de toda imagem – foto, quadro, estampa, plano – se perguntar: para que o autor ergueu sua
cabeça? (pp.84, 1992). Comenta que no século XX a imagem foi dessacralizada junto com seu
autor. A imagem é mais contagiosa do que a escrita porque ela no lugar de dizer mostra.
Exemplifica que não haveria Cristo sem a imagem, nem pátria sem bandeira. A imagem movimenta
as pessoas e, para Debray, é fonte de energia e meio de ação. Tendo uma eficácia simbólica lhe é
atribuído um poder tal como o de idéia força, como de uma imagem-força que atinge nossa
sensibilidade e pode ter o efeito de modificar nossa conduta e provocar sensações fortes dentro do
corpo. O segredo da imagem é sem dúvida a força do inconsciente em nós. (pp.155, 1992).

Debray considera o olhar como uma aposta, em que o olho é censor e nosso cérebro trata o sinal
luminoso, ou seja, os neurônios que selecionam a informação. Não há separação entre externos
(raios luminosos e formas percebidas) e o cognitivo interno (a estruturação qualitativa das formas),
sendo que nós projetamos, tanto como o percebemos. (pp154, 1992).

Para Debray há três idades da imagem: a logosfera como era dos ídolos e da imprensa escrita, a
grafosfera que é a era da arte, fotografia, cinema, televisão e a videosfera, ou era visual. Na
logosfera é a presença viva que captura com sua aura sobrenatural e carismática os ídolos, catedrais,
palácios e vitrais. Na grafosfera é a representação física real que cativa. Na videosfera a imagem é
simulação (numérica) virtual que tem uma performance e uma aura lúdica. O objeto de culto na
logosfera é o santo numa relação religiosa, o da grafosfera é a beleza numa relação pessoal e na
videosfera de culto ao novo aos egos e ao dinheiro numa relação econômica. A tendência patológica
na logosfera é paranóica, a da grafosfera é obsessiva e a da videosfera é esquizofrênica.

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Debray (1992) cita que Pierce classifica as imagens conforme elas sinalizam. Então a do tipo índice
é fragmento do objeto, a ícone se parece com o objeto e o símbolo é convencional e arbitrário.
Afirma que a imagem índice tem valor mágico porque fascina. A imagem ícone tem valor artístico e
inspira prazer. A imagem símbolo tem um valor sociológico e requer um recuo. Podemos observar
que todos os três tipos de imagens mobilizam de alguma forma a nossa sensibilidade.

No regime visual a glória é da imagem, enquanto no ídolo está naquilo que ele transcende, já na arte
a glória é partilhada. Essas são as formas em que o olhar se apropria da imagem, e não as que
designam a natureza da imagem. Debray relata que diferente da imagem projetada ou da luz
refletida, a era do visual trouxe a imagem difundida e a luz é emitida e se auto-revela. Antes
estávamos na frente da imagem, hoje estamos no visual, o qual flui fusionado com o sonoro. Antes
havia o espetáculo sobre o palco, agora com a telepresença as distâncias foram abolidas. A imagem
numérica torna-se informação quantificada, expressa num algoritmo. Com os jogos interativos o
paradoxo entra a imagem e o real fica indiscernível, sendo que a interação do sujeito dentro do
visual não necessita um esforço muscular real para transpor espaços virtuais. O sistema motor age
no imaginário e o sensorial no virtual.

Debray (1992) enfatiza que a função do autor (do filme, da obra de arte) tornou-se anacrônica na
imagem numérica, pois pode ser modificada. Salienta, também, que a predominância do visual
telepresente reduziu a escrita infográfica a um trabalho de artesão.O sinal visual para Debray
conduz a um novo tipo de idolatria. A diferença é que se a imagem arcaica e clássica funcionavam
no princípio de realidade, a visual funciona no principio do prazer. Ele (o visual) é, por si só, sua
própria realidade. Inversão, que não corre sem riscos para o equilíbrio mental coletivo.(pp.410,
1992). O visual provoca emoções da presença imediata, sem que seja preciso que o corpo se
desloque e o evento passa ser apenas um ruído.

Uma imagem sem autor e auto-referência se coloca automaticamente em posição de ídolo, e nós de
idólatras, tentados de “adorá-la” diretamente, no lugar de “venerar através dela” a realidade que ela
indica. O ícone cristão remete “sobrenaturalmente” o ser o qual emana, a imagem da arte a
representa “artificialmente”, a imagem ao vivo se dá “naturalmente” para o ser.(pp.412, 1992). Para
Debray a nova divindade é a atualidade. Nosso olho deserta cada vez mais a carne do mundo. Ele
lê os grafismos, ao invés de ver as coisas. (pp.415, 1992). Afirma que o Outro está em vias de
desaparecer, porque o visual está servindo para não olharmos mais para os outros, apenas para os
objetos virtuais, numa falta de mundo exterior com contatos reais, pois o idealismo tecnológico
demarca a solidão do homem branco. A imagem, que era um momento de exceção na vida do dia a
dia, passa a ser normalizada no cotidiano. O espectador do teatro e do cinema forma um público de
encontro único, enquanto o telespectador, segundo Debray, um agregado estatístico, uma parte do
mercado. Além disso, a televisão é um banho visual que comove, mas não rebela. Os pobres e feios
tem o direito (e o dever) de assistir os ricos e belos.(pp.433,1992). A televisão distrai as
populações, por categorias e setores, sem formar uma comunidade, pois obedece a uma lógica de
fragmentação, em que argumentos são cortados pelo meio, devido a emergência do tempo de
programação. Já a imagem projetada obedece uma lógica de totalização e engaja uma moral de
responsabilidade individual.

Debray afirma que esta inflação de imagens icônicas mata a imagem e divide o homem entre a fobia
do ícone e a idolatria do ícone. A televisão remedia a destruição do elo social ocasionado pela
civilização industrial. Esta indústria do imaginário anula o Outro real em favor do Outro virtual,

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portanto, mata também os relacionamentos pessoais. A imagem difundida, segundo Debray, é um
relacionamento social metamorfoseada em emoção individual - prazeirosa ou dolorosa.(pp.472,
1992).

Para Debray o olhar é uma aposta em que o olho é um sensor e nosso cérebro trata o sinal luminoso,
ou seja, os neurônios que selecionam a informação. Não há separação entre externo (raios
luminosos e formas percebidas) e o cognitivo interno (a estruturação qualitativa das formas) ,
sendo que nós projetamos o visível tanto quanto o recebemos. (pp.154. 1992).

Os campos do imaginário, do simbólico e do real

Soler (2007) relata que além do estágio do espelho, Lacan produziu a tese de que o inconsciente é
estruturado como linguagem que opera, sobretudo, pela insistência em repetir certos distúrbios de
conduta do sujeito que têm registros no imaginário, no simbólico e no real. Soler comenta que
Lacan considerava, tal como Freud, que a identificação com as imagos prematuras exerce
causalidade psíquica que produz efeitos psíquicos na vida adulta sob a forma de sintomas. Porém, a
ênfase de Lacan era dada na busca do valor simbólico da linguagem nas palavras ditas. Embora as
imagens de Eu ideal, de Ideal de Outro e dos objetos eróticos tivessem um peso na teoria lacaniana,
conforme salienta Soler (2007), o simbólico era considerado o mestre do imaginário, já que a
psicanálise convida a dizer e, não, a imaginar. Soler afirma que, posteriormente, Lacan considerou
que a imagem poderia servir como substituta de falta do sujeito. Nesse sentido a imagem serve (e
não está a serviço) no contexto em que o real fosse impossível de ser dito. O imaginário serviria
para preencher a inconsistência do Outro; sendo que o imaginário seria barrado por uma imagem do
corpo desfeito em pedaços, representados pelos orifícios eróticos de gozo. Nessa concepção
imaginaríamos oralmente, analmente, etc. O mesmo ocorreria com as imagens ligadas ao horror da
castração.

Soler (2007) prossegue afirmando que há formas imaginárias diferentes na neurose, na perversão e
na psicose. O neurótico imagina o Outro como seu castrador; enquanto o perverso força a barra,
obtendo o gozo com a dor do outro; e o psicótico cultiva imagens apocalípticas e formas narcisistas.
Nesse contexto, a imagem é considerada como ficção sobre a figura do Outro enquanto objeto de
pulsão e desejo. No caso da angústia por detrás do desejo, não haveria uma forma representativa,
pois o desejo, nesse caso, é considerado como um objeto irrepresentável e impossível. Soler afirma
que, conforme Lacan, posteriormente constatou na clinica psicanalítica, a imagem aparece
entrelaçada ao real e ao simbólico, sendo essas três dimensões situadas num mesmo plano.

Segundo Jeanvoine, Frignet et Gorges (1997), o entrelaçamento entre o imaginário, o simbólico e o


real constitui o nó borromeu. Esses autores relatam que Lacan se inspirou na imagem deste nó
representada num brasão, que simbolizava o pacto entre três famílias italianas, sendo que o laço se
romperia caso qualquer uma delas não cumprisse o pacto. Este nó, em três dimensões, entre o
imaginário, o simbólico e o real só faz sentido e consistência enquanto entrelaçado. O simbólico
garante as regras de funcionamento dos três campos juntos. O imaginário permite uma visão de
conjunto do sentido dos segmentos do simbólico. O real é colocado e sustentado pelo
funcionamento de cada um dos três campos, como também do funcionamento relativo deles, os
quais são co-dependentes.

O sujeito através da imagem enuncia para o olhar do outro

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Desgoutte (2003) analisa as distinções entre verbo e imagem enquanto enunciados que produzem
um sentido, não pelo valor intrínseco do signo, mas como uma manifestação de um enunciado e de
uma intersubjetividade. A imagem mostra e comporta tanto o olhar daquele que mostra como o
olhar do espectador. Afirma que o sujeito cotidianamente pode ser absorvido pelo nome e pela
imagem. Sua identidade se revela pelo nome e pela fotografia, como um receptáculo ou destinatário
da atenção do olhar do outro, numa presença simbólica. O sujeito nasce se desdobra e se congela
no desejo e no olhar do outro. Ele é a lembrança que o um e o outro elaboram do seu encontro.
Quer dizer que não sou o produto dos meus atos, mas sim o produto de um desejo negociado com
aqueles os quais eu aceito o olhar. O sujeito se desenvolve pela mediação do outro. (pp. 35, 2003).
Sob esse ponto de vista de Desgoutte, seja qual for estratégia do sujeito, ele nunca é mestre, mas
sim produto de um ato de palavra e do olhar de reconhecimento, um destino de uma atenção e de
uma intenção.

A multimídia simula a escolha do leitor... É na repetição das escolhas que o leitor vai se estruturar
em sujeito. (pp. 38, 2003). Embora quem concebe seja mestre do jogo, o encaminhamento será
imprevisível. O sujeito se manifesta simultaneamente pelo que ele diz e pelo que ele mostra....Ele
propõe então ao seu interlocutor uma imagem de si a qual podemos dizer que ela se divide em dois
componentes, um componente expressivo – involuntário ou espontâneo – e um componente
impressivo, deliberado, intencional. (pp.47, 2003). Desgoutte afirma que o foco de uma troca
verbal e visual entre pessoas, oscila entre os olhares, privilegiando ora o um ora o outro, e pode
haver conflitos de território, afrontamentos, silêncios dando lugar aos pensamentos íntimos. Olhar
é constituir o outro em imagem. A imagem é a memória do olhar. (pp.99, 2003). A imagem é
encarada por esse autor como um ponto de vista do sujeito que possui um conteúdo referencial que
é seu enunciado. É um suporte de representação simbólica do real.

A imagem proibida

Para Besançon (1994) a imagem é vista como um vestígio do que ela pretende expressar, o qual, vai
direto à interioridade do espírito e conduz a alma para além de si própria. Comenta que, a despeito
da ambigüidade bíblica em relação à imagem, o cristianismo se utilizou dela como objeto de
devoção e, com isso, manter o devoto ligado à crença. A imagem, para esse autor, apesar de ser uma
representação, ela se rivaliza com o que representa, sendo, às vezes, até venerada como um ícone.

A imagem pode matar

Mondzain (2002) examina a questão sobre as acusações que são feitas ao uso descontrolado da imagem
como podendo incitar a violência afirmando que a cada um cabe responder as visibilidades que se dá a ver e
que quer partilhar. A seu ver a imagem atende ao desejo de ver o invisível, em outras palavras, Deus. Relata
que no cristianismo atribui-se o poder da imagem da cruz como de purificador das trevas e na magia
etiopiana a imagem é utilizada como um contra-poder, uma inversão de identificação contra o mal. O que
Mondzain ressalta é que a imagem vai de encontro ao olhar e ao desejo de imagens.

A imagem no corpo e no inconsciente cognitivo

Para Lakoff e Johnson (1999) a mente é encarnada, pois não podemos separar a consciência do
corpo que a contém. Eles consideram que a maior parte do nosso pensamento é inconsciente e a

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grande parte dos conceitos abstratos é metafórica. Para esses autores a razão não é completamente
consciente, além disso, é entrelaçada com a emoção, assim como é muito imaginativa e metafórica.
Afirmam que o inconsciente é cognitivo, pois o pensamento inconsciente opera num nível abaixo
da atenção cognitiva inacessível à consciência, operando muito rápido para ser focado. (pp.10,
1999).

Lakoff e Johnson comentam que o pensamento cartesiano separa a mente do corpo, colocando o
pensamento como se fosse num nível transcendente à matéria, quando, na verdade, o pensamento se
passa numa interação de nossos circuitos neurais com o sistema sensorial e com o ambiente,
interagindo continuamente. Esses autores afirmam que os processos sensoriais operam abaixo do
consciente cognitivo, pois não podemos perceber todo o processo neural envolvido nas experiências
sensoriais. Todos os aspectos do pensamento e da linguagem consciente e inconsciente, assim como
o que ocorre com as emoções, a imaginação e as operações motoras, são processos cognitivos,
sendo que os aspectos cognitivos do nosso sistema sensório-motor contribuem para a nossa
habilidade de formar conceitos e raciocinar, como também de inferir significado. Assim, nosso
sistema conceitual inconsciente dá forma à compreensão da nossa experiência e ao nosso não
reflexivo senso comum. O inconsciente cognitivo também está por trás de todas as nossas atitudes
cotidianas, tais como das artimanhas do nosso raciocínio inconsciente corrente, portanto, de nossas
barganhas, erros, mentiras, amizades; como também por trás de nossos valores morais, nossos
planos, nossas ações, nosso pensamento consciente.

Lakoff e Johnson (1999) comentam que a visão dominante na história da cultura do Ocidente
enfatiza a metáfora da ação racional, em que o pensamento é lógico, formal, consciente, desprovido
de paixão e literalmente desencarnado. Prevalece também, a escolha racional e o caminho racional
para chegar onde se deseja, de forma precisa, que servem para modelos de situações ideais
formulados pelo pensamento abstrato. Em economia, por exemplo, por trás da metáfora do bem
estar e riqueza, estão os caminhos racionais e cursos de ação, que utiliza a matemática, para se
ganhar o máximo de dinheiro com os menores custos. Números positivos simbolizam ganhos e
números negativos, perdas, mas isso não significa que todos saiam ganhando. No entanto, estas
estratégias e decisões racionais para chegar ao equilíbrio econômico, parecem supor que os
consumidores, o governo e as empresas realmente agem de acordo com o modelo de equilíbrio,
como também que as histórias reais são sempre trajetórias de equilíbrio.

Para Lakoff e Johnson o significado das metáforas é motivado. O pensamento racional em


economia conceitualiza metaforicamente o tempo como dinheiro (Time is Money), colocando o
tempo com um estatuto de recurso. A natureza também é considerada como um recurso, mas esta
não é um agente racional, além disso, os lucros não retornam para o ecossistema, e sim para as
corporações. Dessa forma, a ação racional resulta numa perda do mundo natural.(pp.531, 1999).

As metáforas que estão por trás das decisões racionais na área da educação transformam o estudante
num consumidor; a sua educação num produto; os professores em recursos laborais. Lakoff e
Johnson afirmam que o conhecimento tornou-se uma mercadoria, pois tem valor de mercado.
Ressaltam que o que é buscado é a melhor educação pelo menor custo financeiro e de maior
eficiência, no entanto, as custas de muito estresse e constrangimento tanto do aluno quanto do
professor. Na área da saúde pública, a medida de eficiência de um médico está relacionada com o
número de pacientes que ele atende num dia, sendo isso parâmetro de sua produtividade, pois o
médico também é uma mercadoria no mercado de trabalho. Isso são exemplos do que escolha

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racional metafórica torna real, a custa de perdas significativas em educação, saúde,
profissionalismo, dedicação, comunidade e dignidade humana. (pp.532, 1999).

Para Lakoff e Johnson os modelos de escolha racional servem para descrever o mundo no lugar de
mudá-lo, sendo que o bem estar é modulado por números comparativos e não pelo seu valor
intrínseco. Em termos de saúde, significa para o homem estresse biológico e em termos morais,
perda de auto-estima, alienação e insensibilidade face ao sofrimento do outro. Além disso, a
imaginação é capturada para constituir um recurso para preservar esse rumo dito racional, fazendo
com que o poder criativo humano migre para onde o dinheiro vai. Nesse sentido o valor do homem
parece ser aquele do uso que se pode fazer dele. As crenças ocidentais de que evoluir é competir na
luta pela sobrevivência, na busca do prazer e na fuga da dor, são egoístas, porque a razão está sendo
usada apenas para interesse pessoal. Lakoff e Johnson (1999) comentam que as escolhas não são
conscientes, pois seguem inconscientemente ditames do que é bom e do que é mau para si próprios,
incompatível com qualquer tipo de altruísmo.

O olhar racional é dissociado da inteireza de olhar

Abstrações racionais são parciais, pois é apenas um tipo de olhar lançado sobre questões humanas.
O homem tem outras faculdades de percepção fazendo com que o olhar racional seja disjunto e
fragmentado do real do que é o homem como um todo, constrangendo-o e frustrando-o a não ser
inteiro. Lakoff e Johnson (1999) comentam que os valores humanos são múltiplos, sendo que por
trás de uma escolha racional existe também uma escolha moral, pois certas decisões políticas, tais
como a de fazer guerra, passam por cima da vontade da maioria, a qual se vê constrangida a assumir
situações de penúria. A razão humana real é encarnada, predominantemente imaginativa e
metafórica e largamente inconsciente e emocionalmente engajada. (pp.536, 1999). Afirmam que
conceitos apreendidos são no longo prazo fixados em nossas sinapses, portanto profundamente
encarnados, o que torna difícil que apenas um simples ato de vontade os desenraize. No entanto,
como somos seres capazes de reflexão, podemos ficar atentos para monitorar o inconsciente
cognitivo observando como ele opera, além disso, temos capacidades para apreender novas
metáforas e re-priorizar nossos conceitos, pois temos flexibilidade cognitiva que permite que isso
ocorra. Segundo esses autores, se não nos habilitarmos para isso seremos escravos do inconsciente
cognitivo. Este contém visões filosóficas arbitrárias que são articuladas ao contexto cultural, as
quais influenciam o nosso entendimento do mundo, trazendo conseqüências indesejáveis no nosso
destino. Certas metáforas reduzem o foco do pensamento para só um valor, sem considerar a
complexidade humana e os múltiplos valores que estão em jogo no cotidiano.

Esses autores afirmam: Um conceito encarnado é uma estrutura neural que é, na verdade, parte do,
ou faz uso do, sistema sensório-motor dos nossos cérebros. Muitas de nossas inferências
conceituais logo, são inferências sensório-motoras. (pp.20, 1999). Um dos exemplos que Lakoff e
Johnson destacam refere-se às cores. Comentam que nossa experiência com as cores é criada por
vários fatores combinados: os comprimentos de onda de luz refletida; as propriedades dos três tipos
de cones da retina, os quais absorvem três tipos de comprimento de onda; e o circuito neural
complexo ligado a esses cones. Assim as imagens e objetos têm em sua superfície propriedades
físicas, que fazem com que reflitam - através de suas cores - a luz em baixas, medias e altas
freqüências. No entanto, os comprimentos de onda refletidos dependem da natureza da luz que
incide na superfície, assim como da habilidade do cérebro de compensar as diferentes fontes de luz.
A luz visível não é colorida, e sim é uma radiação eletromagnética vibrando num certo nível de

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freqüência. A luz nos é visível, quando essa radiação atinge a retina, sendo absorvida pelas células
cones, produzindo um sinal elétrico, que é processado no nosso cérebro. Isso torna a cor uma
representação da realidade externa das propriedades refletoras da superfície de objetos e imagens.

Lakoff e Johnson (1999) afirmam que a cor não é apenas o reflexo da superfície do um objeto e
nem apenas uma coisa ou substância que está lá fora no mundo externo, pois a cor também está
ligada a maneira que a encarnamos. Dessa forma, vários fatores interagem, tais como, as condições
de luz, os comprimentos de onda da radiação eletromagnética, os cones de cores e o processo
neural. Dessa maneira, as cores não são de natureza nem puramente objetiva e nem apenas
subjetiva. Conceitos sobre cores são “interacionais”; eles emergem das interações de nossos
corpos,dos nossos cérebros, das propriedades refletivas dos objetos e da radiação
eletromagnética.(pp.24, 1999).

Esses autores comentam que certas experiências que passamos na infância conectam um tipo de
emoção e de sensação a um contexto, às vezes de forma confusa, sendo que estas emoções e
sensações passam a se repetir cada vez que surge o mesmo tipo de contexto na vida adulta, porque
de alguma forma elas se enraizaram no sistema neural. Para esses autores as metáforas primárias,
assim como as culturais, formam uma imensa parte de nosso sistema conceitual, sendo que afetam o
que pensamos, o que nós damos preferência a cada momento, fazendo com que interfiram no nosso
destino. Consideram que o ser humano é basicamente metafórico, que nosso entendimento é
encarnado, sendo que as metáforas estão presentes no nosso inconsciente cognitivo e atuando em
nossas reações e opiniões sobre as coisas e a vida.

Para Lakoff e Johnson (1999) aquilo que entendemos como sendo verdade é nosso entendimento
encarnado da situação. Verdades fenomenológicas operam também ao mesmo tempo a nível neural.
Comentam que muitas metáforas são usadas para referir ao que o sujeito é, tais como as expressões
“self verdadeiro” e “acordo com a essência”. Contudo afirmam que essas metáforas podem refletir
experiências reais que expressam a luta interna entre o que o sujeito faz e o que ele sente a
propósito disso, como se houvesse uma incompatibilidade com que ele é, fazendo com que ele sinta
vergonha, insatisfação e sentimentos que traiu a si próprio. Metáforas sobre o que é a matéria, o que
é Deus, o que é ideal e outras, também circulam por nosso inconsciente, influenciando nossa visão
da vida. Para esses autores é impossível formar conceitos sem o uso da metáfora, porém os
conceitos só podem ser formados nos sistemas neurais, portanto, no corpo, fazendo com que
pensamento e matéria do cérebro não sejam coisas separadas. Relatam que metáforas são utilizadas
na história da filosofia, na psicanálise e nas teorias da linguagem, que excluem o corpo humano dos
conceitos ontológicos e psicológicos, como se as palavras da linguagem fossem apenas símbolos
com existência independente, não encarnados, sem experiência empírica.

A conexão espiritual ecossistêmica

Para Lakoff e Johnson nossa mente está intimamente ligada aos nossos sentidos (visual, táctil,
auditivo e gustativo), à nossa respiração e ao nosso movimento. Nossa corporalidade faz parte da
corporalidade do mundo.(pp.565, 1999). Além disso, a mente é apaixonada, desejosa e social. As
experiências transcendentes e a imaginação são capacidades do corpo, assim como também são as
sensações de estar presente no mundo e de estar dentro do outro. O mundo faz parte do nosso ser,
pois não existimos fora dele. Somos parte da natureza e a espiritualidade, a qual considera a mente
encarnada, é uma espiritualidade ecológica, que inclui uma conexão com o todo que nos rodeia, os

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outros seres, o mar, a terra, o vento, que são parte de um mundo animado, e não, inanimado. A
espiritualidade para Lakoff e Johnson, é a conexão ética e empática com o mundo físico, dentro de
uma moral responsável pelo ecossistema. Podemos encontrar espiritualidade na paixão, no prazer,
na dor, na música, na dança, na nossa experiência diária, coisas que sentimos na nossa carne, nas
redes neurais e no sistema sensório-motor, onde o sistema cognitivo está estruturado na sua
complexidade, sendo que nele são formados nossos conceitos e nossa linguagem. A argumentação
científica depende da mente encarnada, do inconsciente cognitivo e do pensamento metafórico,
sendo que este último pode ser substituído por novas metáforas fazendo com que seja preciso, às
vezes, refazer todos os conceitos de toda uma disciplina, de forma que, para esses autores, a ciência
só tem a ganhar com isso, pois aumenta a nossa compreensão das coisas.

Para Lakoff e Johnson (1999), com o realismo encarnado, a dicotomia sujeito-objeto deixa de
prevalecer em ciência, pois coloca o cientista acoplado ao mundo por interações encarnadas.
Enfatizam que nossos conceitos e nossa imaginação criativa nascem no corpo, nos nossos circuitos
neurais (sensório-motores e cérebro) em interação com a realidade. Assim, nossa razão é encarnada
e nosso corpo nos possibilita a continuar nossas pesquisas científicas.

A imagem é interacional

Esse entendimento de Lakoff e Johnson nos inspira rever nossos conceitos sobre a relação
interacional que temos com as imagens e dá margem para integrar perspectivas de várias
disciplinas, re-arrumando nossos circuitos neurais e nossa maneira de encarar a imagem num
contexto mais amplo, assim como entender a maneira com que as imagens influenciam na nossa
forma de pensar e de encaminhar nosso destino, assim como a qualidade ética e ecológica que está
por trás do uso que fazemos da imagem. Podemos de maneira sutil ou abertamente, sermos
manipulados por imagens, já que elas colorem nossa concepção de estilo de vida, pois nossas
escolhas fundamentais podem ser afetadas por elas. Assim já que encarnamos as imagens, a nossa
saúde é atingida por elas. Nesse sentido, as imagens, que têm qualidade terapêutica podem nos
ajudar a melhorar a saúde, a ampliar nossa consciência, atuando de forma a reorganizar nossa
psique de forma benigna e estimulante.

Podemos, portanto, considerar que a imagem (terapêutica, publicitária, artística) também é


enraizada no nosso sistema sensório-motor, assim como nos circuitos neurais do cérebro do homem
encarnado, ou seja, a imagem é encarnada. O mesmo vale para a psique consciente e inconsciente
cognitiva. O imaginário, como é entrelaçado ao simbólico e ao real, também é encarnado. Para
Lakoff e Johnson a imaginação é uma propriedade da matéria viva, mais particularmente, da psique
encarnada. Dessa maneira, como o homem encarnado é basicamente psicossomático, a imagem
atinge o homem como um todo, pois sensações, sentimentos, pensamentos e intuições podem se
ativar com determinadas imagens, além disso, podem influenciar em decisões, escolhas, no sistema
cognitivo, nas reações eletrobioquímicas do organismo, portanto, no destino.

O próprio dinheiro é uma imagem onde nela são inscritos numerários e símbolos patrióticos.
Cartões de crédito, contas a pagar, cheques e extratos de contas bancárias, nos vêm com imagens e
símbolos de instituições financeiras e de serviços que, na verdade, vão ser os donos do dinheiro que
passa rápido em nossas mãos. Nas especulações financeiras o dinheiro é praticamente só virtual.
Dinheiro e imagem estão entrelaçados no nosso imaginário, atingindo fundo nos nossos desejos e
instintos de aquisição. A forma com que ganhamos nosso dinheiro, como também gastamos

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dinheiro em consumo, investimentos, aplicações e doações, expõe um aspecto moral relevante, no
que se refere ao grau da ética no nosso comportamento; e demonstra também, nosso grau de
sensibilidade face à auto-estima, à comunidade e ao ecossistema. O dinheiro causa conflitos
internos e externos quando associado a interesses egoístas, a trapaças e a cobiça. Causa dor e
sofrimento físico e moral quando associado à intimidação, à maldade e à violência.

A imagem é entrelaçada ao pensamento e à emoção, e é enraizada no corpo, tanto a nível pessoal,


como a nível coletivo, afetando nosso humor e nossa maneira de agir. Certas imagens contribuem
para desenvolvermos nossa inteligência, pois associadas a conceitos, dinamizam o pensamento,
interferindo no conhecimento que temos das coisas e ativando uma reformulação de idéias e
questionamentos, como também, nos planos que fazemos para o futuro. Há imagens que nos fazem
mover em direção a um objetivo específico, relativo àquilo que ela sugere, ativando, portanto, a
psique e o corpo, além disso influindo no nosso comportamento. As essências vibracionais de
imagens – a Imagoterapia - têm finalidades terapêuticas e podem contribuir para o crescimento
pessoal, motivando interesses e atitudes mais sãs e benéficas.

Presença dentro da experiência

Varela, Thompsom e Rosh (1997) abordam a ciência cognitiva na experiência humana biológica e
fenomenológica, ou seja, os mecanismos cognitivos ocorrem no corpo enquanto estrutura da
experiência vivida. Dentro de um enfoque pragmático esses autores propõem novas possibilidades
transformadoras da experiência humana na cultura científica. Este enfoque é denominado em
espanhol de enactivo (dentro da ação), sendo que aborda a cognição como impossível de ter
fundamentos últimos, pois é uma ação corporificada que se desenvolve historicamente num decurso
natural.

Esses autores exploram a experiência humana e a mente incluindo a visão da atenção meditativa da
consciência aberta e presente, direcionada para a ética e a dignidade humana, levando em conta que
a atenção é um fenômeno neurofisiológico coordenado com a respiração. Enfatizam que a mente
humana, habitualmente, está dissociada do corpo, sendo que através da meditação pode se
compreender a diferença entre estar presente ou não estar presente. Quando o sujeito não está
conectado com a experiência, age de forma automática como mero expectador de uma ação e não
como um sujeito presente na ação. Varela, Thompsom e Rosh (1997) sugerem então, uma mudança
na natureza da reflexão em que a mente esteja presente e aberta à experiência, assim como
funcionando e se expressando no corpo, pois a reflexão alerta e aberta pode quebrar padrões
automáticos de comportamento, porque é capaz de se observar e se contemplar na experiência.

Varela, Thompsom e Rosh (1997) comentam que em psicologia cognitiva as imagens mentais eram
consideradas como fenômenos inacessíveis, como se estivessem numa caixa preta. Citam pesquisas
e experiências que demonstram que as imagens mentais e as visuais rodam em tempo real com
propriedades similares às perceptivas. Outra descoberta da ciência cognitiva é que a cognição pode
operar sem a consciência, o que implica não ser necessário um senso de eu definido na experiência
cognitiva, além disso, revelou a fragmentação do sujeito cognitivo que varia conforme a
modalidade da experiência, como também a impossibilidade de manter uma consciência
permanente do eu na experiência.

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Esses autores comentam que as técnicas de meditação budistas capacitam o sujeito a compreender
que o sofrimento humano provém do fato dele se apegar de forma ferrenha em construir um eu,
quando de fato não há nenhum. Estas formas de meditação se concentram em tornar a atenção mais
aguda para o movimento do pensamento que acompanha as sensações e as emoções na experiência,
justamente para perceber o pouco que o sujeito fica alerta na experiência, como também, age como
se tivesse um eu a preservar e proteger. Medo, fúria e vaidade são expressões desse apego ao eu.

Para Varela, Thompsom e Rosh (1997) os órgãos dos sentidos do nosso corpo captam elementos da
experiência que se expressam em sensações de prazer ou dor. Nossos sentimentos contam para nós.
Sensações e sentimentos mudam a todo instante de acordo com a modalidade da experiência. Esses
autores comentam que dentro da perspectiva budista temos impulsos em relação aos objetos, sendo
que estes podem ser desejáveis, pois provocam paixão ou desejo, ou indesejáveis que provocam
fúria e agressão, ou objetos neutros, que ignoramos ou nos iludimos a respeito deles. Relatam que o
budismo enfoca também, os padrões habituais de pensamento com formações de disposições que se
traduzem em sentimentos e ações conforme seu substrato, se são movidos pelo medo, pela avareza,
pela preocupação, etc. Além disso, nossos hábitos são identificados com o nosso eu, embora esses
mudem continuamente.

Por último, relatam que o enfoque budista prescreve que em cada momento a consciência se liga ao
objeto por cinco fatores: contato, sensação, discernimento, intenção e atenção. A forma com que
esses cinco fatores se combinam vai caracterizar um momento particular da consciência. O estado
Alfa – aquele da meditação – resulta de reverberações tálamo-corticais em que grupos de neurônios
se ativam em sincronia. Varela, Thompsom e Rosh (1997) comentam que para o budismo nossa
personalidade se constitui de agregados de apego com disposições conforme a função, como se
fossem um eu, mas que, no entanto, são vazias de eu. Segundo essa teoria, o que temos consciência
é de nossas experiências sensório-perceptivas, assim como de desejos, motivos e disposições.

Esses autores afirmam que, conforme a teoria dos sistemas complexos, as interconexões neurais
trabalham em cooperação e mudam como resultado da experiência, pois têm aptidões auto-
organizadoras. Os neurônios operam numa conexão global emergente, numa dinâmica de rede
complexa e sinergética, em que propriedades novas podem emergir em contextos novos. Varela,
Thompsom e Rosh (1997) comentam que a teoria interconexionista afirma que um neurônio
participa da vários modelos globais, operando em conjunto, por ressonância.

Esses autores relatam que o enfoque budista da presença plena/ consciência aberta lida com a
experiência de forma direta e designa o karma como acontecimentos decorrentes de causas
psicológicas sendo que a formação e manutenção de hábitos têm motivações de várias fontes co-
dependentes. A primeira delas é a ignorância da experiência pessoal e a crença num eu, cuja
conseqüência faz o sujeito atuar como se eu existisse. A seguir há a dualidade mente-corpo, ou seja,
a ignorância da unidade psicofísica. Nossos sentidos percebem os objetos, com isso, estabelecem
um contato sensorial como estes, produzindo sensações. Em seguida, surgem as reações
automáticas de atração ou aversão. A busca do prazer produz o apego e a pessoa se aferra ao desejo,
trazendo conseqüências futuras, criando situações novas e recomeçando todo o ciclo, o qual é
sustentado pela confusão e a ignorância e que só traz insatisfação. No budismo essa roda cíclica que
incessantemente se repete chama-se samsara. A tradição afirma que foi por essa razão que Buda
criou a técnica da presença plena.

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A visão budista chama de dharma o elemento básico ou realidade última, a qual o aspirante que
medita com as técnicas de meditação pretende alcançar para romper com a cadeia do karma, que é
sustentada pelos apegos e assim chegar à liberdade de ação com a presença plena e obter uma
conduta mais sensível e consciente, aberto às possibilidades da situação presente. Varela,
Thompsom e Rosh (1997) relatam que a teoria das propriedades emergentes também considera que
não existe um eu, e sim que eus emergem a cada situação, abrindo possibilidades de transformações
sucessivas da mente humana.

O eu se constrói fluindo com o movimento

Minha leitura de Varela e Lakoff me leva a crer que essa discussão que gira em torno da existência
ou não de um eu ou Self visam contrapor às concepções que encaram o Self ou a essência como de
caráter imutável e/ou universal. No entanto, no taoísmo e no xamanismo o eu é encarado de forma
dinâmica, que é motivado por suas intenções e propósitos na vida com a compreensão de que a vida
não pode ser descrita racionalmente, pois o homem tem imaginação, criatividade ao interagir com o
ambiente, o que faz da essência algo que evolui para um objetivo transcendente e inclusivo, que
leva em conta as energias dos elementos e seres da natureza, numa relação sinergética e ética com o
movimento da vida. Nesse contexto, o sujeito está sempre em construção, conforme a qualidade da
sua interação com o mundo e as modificações internas e externas que vão emergindo.

O Self pode se autodescobrir, re-examinando sua vida e refletindo sobre o que criou com suas
interferências. Através disso, pode se re-atualizar e se re-organizar como alguém melhor para si e
para o mundo, respondendo assim, de forma mais efetiva a seus parâmetros éticos para consigo e
para com os outros. Dentro desse contexto, realiza um busca consciente de individuação. Cada novo
significado relevante com que interage, o Self pode produzir um novo sentido para si próprio e para
seu ambiente de atuação. Dessa maneira, os significados relacionados com as essências de
Imagoterapia podem contribuir para o enriquecimento da rede simbólica do sujeito, provocando o
surgimento de formas mais sadias de interferir no mundo. Consciente de que pode se automelhorar
como ser humano, o sujeito passa a explorar, de maneira inesgotável, novas experiências, buscando
o que considera qualidade de viver, através do falar e do agir. Com isso, o sujeito quebra velhos
padrões que o despedaçam em conflitos e enfrentamentos desgastantes; e que o tornam preso às
defesas e comportamentos automáticos, pois os padrões nos encerram numa sempre a mesma rede
simbólica inflexível e monótona, por serem repetidos. A introdução de um significado novo e
pertinente, contribui para uma atualização nas formas de interferir nos diversos contextos e
contingências, o que torna a vida mais instigante, na medida que produz novos sentidos.

No taoísmo a essência do sujeito se desenvolve numa espiral enraizada no corpo, numa relação
transcendente com a terra e o cosmos, que transparece de forma ressonante, nos taoístas virtuosos,
na harmonia do seu movimento. No taoísmo o objetivo é ter uma conduta de superioridade ética
para não ferir a natureza e as pessoas. A melhor saída ao se encontrar oposição ferrenha é se afastar
e esperar como o outro procede, antes de agir diferente ou revidar. Mas se for levado a guerra, o
taoísta foi preparado com técnicas marciais para se proteger e afastar o inimigo com veemência. Sua
proteção vem de dentro, da forma que o sujeito armazenou, administrou e canalizou com muita
disciplina, sua energia e as energias do ambiente, no seu sentido mais amplo. Mas há um eu ali que
se constrói a cada instante, que é desejoso e confiante de estar presente no seu corpo percebendo
tudo, usa sua vontade com uma atenção bem desperta à própria energia (sua bioeletricidade), à
energia do outro e àquela do ambiente telúrico e cósmico (as radiações eletromagnéticas). Dentro

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desse contexto, o eu visa estar em harmonia com o todo e partilhar essa harmonia com aqueles que
estão a sua volta, além disso procura administrar seus medos e sua impaciência durante toda a sua
vida, pois as situações e contextos nem sempre são favoráveis, mas o taoísta não tem medo de ser
firme e ativo, ou receptivo e recolhido, quando seu senso de verdade o inspira. Além disso, procura
dançar a dança da vida, sofrendo e causando mutações e transmutações, porém mantendo sua ética
biopsicosocial. O TAO é o todo em movimento, o cheio e o vazio ao mesmo tempo, indefinível, o
indizível, dando assim, margem a incerteza, pois o taoísta não se aferrenha em buscas de certezas
definitivas, mas sim de esclarecimentos e alargamentos cada vez maiores da verdade, pois procura
fluir criativamente com as mudanças, e se sente confortável, tanto em movimento, como em
repouso. O oráculo I Ching mostra justamente as transformações e as possibilidades de
transmutações do sujeito e do seu contexto de vida, conforme ele decide agir de forma superior ou
inferior. A forma superior é virtuosa e leva ao sucesso; e a inferior, por ter sido movida pela raiva,
pelo medo ou pela ansiedade leva ao fracasso.

Já a concepção junguiana do Self o vê como um processo contínuo de individuação, inseparável do


corpo, mas que busca uma instância superior denominada Self Transcendente, a qual representa a
conexão espiritual com a divindade. No Self também está incluído o inconsciente pessoal e o
inconsciente coletivo. A individuação é uma busca de integração e de evolução consciente, que tem
uma conexão simbólica com a confecção da pedra filosofal, em que o ouro alquímico simboliza o
eu que conjugou em si o feminino e o masculino de forma transcendente. O imaginário com seus
sonhos, projeções e criatividade é muito valorizado na teoria junguiana. Os sonhos podem mostrar
pistas importantes para orientar o indivíduo na compreensão de si e de seu destino.

Na maior parte da literatura sobre espiritualidade o eu também é visto como o âmago, como a
verdade interna que deve ser conectada em momentos de escolhas fundamentais . O sujeito precisa
ter uma consciência tanto de si próprio como do ambiente, dos fundamentos éticos dos seus atos no
decorrer do seu destino e na evolução do seu espírito. Assumindo as conseqüências dos seus atos, o
sujeito exercita a sua responsabilidade espiritual.

A mente emerge na ação

Mas o que Varela, Thompsom e Rosh (1997) enfatizam são os apegos, pois assim como nosso eu
muda, o mundo também se modela continuamente como resultado dos atos que nele efetuamos,
portanto, há necessidade de nos desapegarmos dos cimentos internos e externos.

Fazendo a analogia com o ovo e a galinha Varela, Thompsom e Rosh (1997) interrogam sobre
quem veio primeiro, o mundo ou a imagem. Quem acha que foi o mundo externo, considera que
este é uma realidade independente e que o sistema cognitivo deve apreendê-la. Quem pensa que foi
a imagem, supõe que o sistema cognitivo cria seu próprio mundo e que a aparência sólida deste
reflete as leis internas do organismo. O exemplo que esses autores colocam é das cores, se elas
estão lá fora ou aqui dentro de nós. Pelo enfoque enactivo as cores são categorias do âmbito da
experiência e pertencem ao nosso mundo biológico e cultural. O estudo das cores nos permite
apreciar a afirmação óbvia de que a galinha e o ovo, o mundo (e a imagem) e quem o percebem, se
definem reciprocamente. (pp.202, 1997).

Para este enfoque enactivo a mente e o mundo emergem juntos na enaction; e o modo de emergir
em qualquer situação não é arbitrário. (pp. 207, 1997). Isso quer dizer que a cognição e o meio

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ambiente acontecem conjuntamente. Esse enfoque ressalta que as teorias da antropologia e da
psicanálise, entre outras disciplinas, poderiam ser mais consistentes se fossem abordadas sob o
enfoque enactivo. Em biologia e genética o organismo é visto sob esse enfoque como um sistema
que evolui numa rede que se autoreorganiza gerando seleções e mudanças ao interagir com o
ambiente que também muda.

Para esses autores a investigação enactiva, enquanto ação corporificada, está ligada a histórias
vividas em acoplamento sendo que estamos restringidos pelo caminho que traçamos, e não há um
fundamento último que determine os passos que damos, pois sempre nos depararemos com a
incerteza. Para Varela, Thompsom e Rosh não existe um Eu permanente, já que emergimos
historicamente num mundo acoplado em que organismo e meio ambiente se dobram e se
desdobram mutuamente. (pp.251, 1997). Afirmam que não existe substrato (cimento) fixo
permanente e temos de apreender a viver num mundo sem cimentos. Relatam que a tradição budista
ensina a meditação e a contemplação da vacuidade (sunyata) nas experiências cotidianas, realizando
a ausência de eu na experiência, praticando a presença plena/consciência aberta diante dos
fenômenos. Sunyata representa a co-dependência que respeita a naturalidade e a compaixão. Essa
tradição enfoca que o sujeito que vê não está separado do fenômeno que olha e vice-versa. O
observador e o observado emergem simultaneamente. Assim, nada pode ser absolutamente
independente, nem absolutamente objetivo ou subjetivo, nem podemos encontrar algum fundamento
último para emitirmos um julgamento final definitivo sobre os objetos e fenômenos a que possamos
nos apegar ferreamente. A busca de referenciais últimos está relacionada com a busca de poder.

Esses autores comentam que nos ensinamentos budistas existe uma distinção a ser feita entre a
verdade convencionada e a verdade suprema. A verdade convencionada é relativa e velada,
enquanto que a verdade suprema é a vacuidade do mundo fenomênico da verdade relativa. O
praticante de contemplação experimenta isso na sua mente, portanto pode ver além daquilo que é
convencionado em sociedade, ou em ciência. O conceito de enaction leva em conta a metáfora da
vacuidade, pois reconhece que os conceitos são convencionados e fragmentados, além disso,
procura ir além e lida bem com a incerteza. Comentam que a contemplação com a presença
plena/consciência aberta tem um interesse compassivo nos outros, pois está alerta, mas livre de
egocentrismo, o qual gera angústia, irritação e preocupação. Está naturalmente aberta à experiência,
livre de hábitos, de fixações e de sofrimento, pois é incondicional.

A imagem como uma aparição na consciência

Para Husserl (2002) a fantasia e a lembrança correspondem quase a um ato de percepção, a um ato
de ver, tal como uma aparição imaginária que se torna presente na consciência. Para esse autor, a
consciência da imagem vem com conteúdos de sensações, que ativam o imaginário, sendo que a
dialética entre sujeito-imagem e objeto-imagem, está relacionada com conteúdos simbólicos,
afetivos e cognitivos, enquanto apreensões de signos (sinais). A consciência da imagem é vista por
Husserl como um fenômeno psíquico que é reflexo de modificações que ocorrem na consciência na
sua interação com a imagem. Para Husserl (2002) a imagem tem uma implicação intencional na
medida em que modifica o que está acontecendo na consciência, daí sua abordagem
fenomenológica, porém intensamente reflexiva, sobre o que é fantasia, consciência da imagem e
lembrança. Imaginar é interromper a atualidade, pois a imagem não é apenas uma aparição no
espaço, mas também, é uma aparição no tempo atual da consciência. Ver uma imagem é tornar
presente, se transportar no tempo através da fantasia, da lembrança, ou da representação,

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configurando-se como um fenômeno na consciência, que se familiariza nela, num estado de
consciência que dura. Para Husserl (2002) a ilusão é um ato de “fantasmar” (phantasmer). Embora
a fantasia seja decorrente de um ato de percepção, para esse autor, é de natureza ilusória e/ ou
fictícia.

Levando esses conceitos para um nível mais amplo e atual, podemos observar que os mitos e
crenças em que estamos imersos e que ditam parte de nossos costumes relacionados com as
imagens, são por nós percebidas de forma ilusória, e no entanto, se transforma em atitudes reais,
principalmente no ato de comprar e vender artifícios e produtos de desperdício. Pois a fantasia,
como afirma Husserl (2002) visa tornar possível, o edificar e o se efetivar. Por trás da fantasia
existe uma idéia, uma intenção, uma possibilidade, que se entrelaça ao nosso desejo de torná-la
possível.

A imagem como mediadora

Moulin (2007) relata que Bergson (1970) encarava nosso universo, enquanto matéria e realidade
objetiva, como um conjunto de imagens interligadas através do movimento e da experiência da
percepção. A imagem é vista não só como mediadora entre matéria e espírito, mas também, entre o
movimento da memória e da percepção de algo novo, formando analogias e metáforas, para a
criação da novidade, assim como, entre virtualidade e ação atual. Esse processo todo se dá no meio
de uma pluralidade de imagens em constante re-atualização do movimento da consciência. A
imagem nesse contexto, pode ser como um gatilho para o movimento do pensamento.

Imagem-tempo

Para Deleuze (1995) a imagem no cinema moderno tem uma vitalidade singular que, ao atingir a
percepção humana, causa uma transformação, na medida em que altera seus parâmetros e
descentraliza a própria percepção , pois as imagens deslizam numa matéria fluida em velocidades
imprevistas. A imagem no cinema passa ser equivalente ao tempo, como uma luz que vibra em bloco
de espaço-tempo, em que o virtual vai se atualizando em futuros intensivos, num todo aberto e
disperso, vibrando intensamente o que causa rupturas na ligação entre nosso sistema sensório e
motor, causando uma perturbação na percepção humana. A sensibilidade se dissolve e se transforma
em virtualidade pura, em situações óticas e sonoras puras. Deleuze enfatiza que os impulsos
sensoriais não correspondem mais aos motores, sendo que o sensório-motor fica partido por dentro.
O uso dessas imagens-tempo não corresponde a uma resposta viva, não constituindo, portanto
numa ação.

A imagem-tempo coloca o homem em relação apenas com o tempo da virtualidade, fazendo com
que prevaleça, conforme salienta Sauvagnardes (2007), uma nova relação política entre o homem e
o mundo, em que a ação não segue mais a percepção, pois a mente fica suspensa no tempo.
Deleuze afirma que estamos precisando de novos signos, e não de propagações dispersas de clichês
óticos, sonoros, físicos e psíquicos. Nós não acreditamos que uma situação global possa dar lugar
a uma ação capaz de modificá-la. (pp.278, 1983). Nesse sentido, Deleuze considera que não houve
progresso no uso das imagens.

A grosseria espiritual

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O que tornamos possível com o consumo de artifícios e produtos de desperdício, é o lucro de uma
parte da burguesia que é imatura, insensata, irresponsável e imoral, na medida em que não é ética
no uso dos recursos (mão de obra, dinheiro, materiais e alimentos). A imagem está incorporada ao
homem econômico, pois imagem e dinheiro são inseparáveis, assim como também são, o dinheiro
e o beneficio. Quando consumimos insensatamente, beneficiamos toda uma rede de desperdício de
bens e recursos aparentemente sem sujeito responsável, pois nesse tipo de consumo está implícita
uma cumplicidade velada em estética, mas que são representações simbólicas empobrecidas pelo
poder do dinheiro. A arte, aliada à velocidade, está deixando passar despercebidamente intenções
reais, pois arte que está dando dinheiro e a que vende mais é uma arte comprometida, submissa e
obediente no conteúdo e nos meios de comunicação de mensagens à população. A reificação do
objeto faz com que não pareça ilegal ou imoral o sujeito que vende e compra futilidades. Esse tipo
de gente quer é ficar rico para comprar e aparecer cada vez mais, embora não transpareça
caracterizado enquanto pessoas fúteis que são, pois aparecem fantasiados de burgueses bem
sucedidos, como ícones em que grande parte da população quer se espelhar. Mentiras são vendidas
legalmente, pois o sistema jurídico e os governos se encolhem em censurar a futilidade e o
desperdício, já que também lucram com isso. A máscara do que é legal e ilegal é uma piada
indecente. Além disso, cria empregos em que os trabalhadores não se sentem úteis à sociedade,
nem identificados com o que produzem, por isso, adoecem e se deprimem facilmente, e expressam
sua fúria na indelicadeza espiritual no trato humano nas ruas e outros lugares públicos, assim como
em casa. Os ambientes, com isso, emanam vibrações caóticas, que causam tensão de corpo-alma-
espírito. As pessoas são descartáveis quando não têm mais utilidade, tal como acontece com os
objetos. A ausência de inteireza de corpo-alma-espírito, nas relações humanas desencadeia
contatos superficiais e dissociados, por vezes, até desumanos, se configurando em deselegância e
grosseria espirituais. A energia dos infernos do corpo-alma-espírito paira com a indelicadeza
espiritual e a sugação, motivada pela pressa em se obter o que se quer, assim como pela voracidade
e cobiça. Vemos pessoas psicopatas e esquizofrênicas com poder para intimidar e explorar as
populações, espalhando a insegurança, o caos e até o terror. Esse sistema não precisa da
humanidade para sobreviver, pelo contrário, sobrevive a despeito dela, pois pouco se importa com
a pobreza, a educação, o saneamento e com a saúde das populações que se marginalizam nas
periferias. Enquanto alguns colecionam carros e casacos de pele, outros morrem na fome e na
insalubridade. Poucas mansões, muitas favelas e até pessoas sem teto, que só possuem um numero
de identidade, embora não sejam respeitados como indivíduos.

Vivemos discreta ou descaradamente na negação do que está acontecendo e no deslocamento da


atenção para a fantasia sofisticada do mundo artificial alimentado pela tecnologia do desperdício; e
na ausência da afirmação do que é relevante para o corpo-alma-espírito. A inteireza se encolhe
face às múltiplas personalidades que representam nossos medos, ambições e raivas, assim como,
nossa mediocridade espiritual, falsidade, egoísmo e preguiça.

A questão humana mais vital para esse início de milênio está na redistribuição de dinheiro e
recursos para setores que vão resultar numa humanidade mais sadia de corpo-alma-espírito e numa
preservação madura e responsável dos recursos do planeta, visto que a população aumenta e as
relações, em várias partes do mundo, estão caóticas. As populações trabalhadoras estão doentes,
pois gastam sua energia na correria, muitas vezes, para contribuir para produzir artifícios,
futilidades, produtos destrutivos e conhecimento racionalizado para continuar nessa perseguição
cega de ilusões, que leva ao caos e ao vazio das almas humanas. Apenas já parando com o
desperdício de bens e recursos naturais e humanos, nossa civilização poderia ter um destino digno,

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maduro e responsável. Parece ser uma civilização decadente e desgastada, e, ao mesmo tempo,
imatura e insensata, pois só persegue fantasias na ignorância dos potenciais e usos corretos do
corpo-alma-espírito do homem e do planeta. Na insensatez desse sistema produtivo e financeiro, as
imagens têm sido usadas para manter as populações ignorantes dos seus potenciais e usos do seu
corpo-alma-espírito na sua interação com o mundo. A escolha do que produzir e do que vender não
é uma escolha racional e nem sensata, se pensarmos em termos das necessidades prementes das
populações, nem é uma atitude social compassiva, como também, nem é uma escolha ecossistêmica
tendo em vista o desperdício de recursos em futilidades.

Nesse sentido preconizo o uso da imagem – já que esta é um recurso persuasivo – para beneficiar o
corpo-alma-espírito das populações e expandir o uso ecológico dos seus saberes para melhorar a
atitude humana, para uma forma mais sadia, na sua relação sujeito-objeto. Nos identificamos com
determinados objetos desnecessários. O tipo e a quantidade dos objetos de adquirimos, deixa
transparente o nível de compromisso, de sujeição e de cumplicidade com a produção de bens e
serviços de desperdício, e com a circulação especulativa do dinheiro na comunidade global.

O sistema nos pensa, quando nos iludimos que somos nós que pensamos sobre ele. Para Baudrillard (2000)
a linguagem verbal e/ou virtual pensa por nós, tanto quanto pensamos através dela, porque vivemos num
universo de incerteza definitiva. O signo, para esse autor, tem um valor fugaz e móbil. As trocas têm um
lado que é mercado, e outro que é imoral, sendo que o valor dos objetos é mais simbólico que real, pois é
estabelecido através da sedução que desperta o desejo de aquisição por contaminação imediata, obscena e
corrupta, exercendo uma atração imprecisa e ilusória por objetos sem sujeito.

Ambiente, sujeito, significados e imagens emergem num diagnóstico de cunho vibratório

A Radiestesia - instrumento pelo qual a Imagoterapia se serve – é uma ciência empírica que nasceu
da interação vibratória do homem com o ambiente. Desde a antiguidade do Egito e China eram
utilizadas varetas de prospecção ou pêndulos tornando possível vivenciar a experiência de localizar
veios d´água. Posteriormente, no mundo ocidental, essa experiência se estendeu para a busca de
petróleo e jazidas minerais, para escolher medicamentos e finalmente, para diagnosticar problemas
psicossomáticos e para emitir radiações de saúde. Em radiestesia se leva em conta que existem
freqüências compatíveis ou incompatíveis, entre pessoas, entre pessoa e objeto, entre pessoa e
significado, assim como entre pessoa e ambiente. O ato de pendular para escolher imagens
terapêuticas que sejam compatíveis com determinados significados específicos para a saúde
psicossomática, contribui para eliminar julgamentos arbitrários.

Pendular é uma ação que se passa no circuito sensório-motor e neural em interação com o objeto da
pesquisa, num contexto mais amplo, capta elementos do inconsciente cognitivo, pois quando se
pendula deve-se manter a mente na vacuidade e estar aberto a incerteza. Ao mesmo tempo, como o
pêndulo capta e mede ondas de luz e forma as quais não temos consciência, ele contribui para
eliminar justamente o grau de incerteza e de condicionamento cultural. Não se pendula para
confirmar o que já se sabe de antemão. Isso é a primeira coisa que se deve ter em mente, ou seja, a
própria ignorância do significado exato do objeto o qual se pesquisa, pois senão for assim, para quê
pendular se já se sabe aquilo que se pergunta? Muitos leigos que se servem do pêndulo dizem que
ele responde o que se quer e conseqüentemente acaba errando a resposta. Pendular é uma técnica que
exige critério e ética, pois o pêndulo deve servir à saúde, não deve servir para se bisbilhotar a vida
alheia ou causar mal. Quem sabe usar um pêndulo radiestésico, dificilmente vai errar, tal como

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acontece com qualquer outra técnica. Portanto, o amador se almeja ser virtuoso precisa ter isso em
mente.

O pêndulo radiestésico é sujeito e objeto. Sujeito constitutivo da ação, através do ato de pendular do
radiestesista que diagnostica. É objeto dessa ação enquanto instrumento de inferência de
significados (aponta para respostas compatíveis, incompatíveis ou neutras), assim como de
diretrizes de conduta. O pêndulo lida bem com a complexidade, pois na mão de um radiestesista
virtuoso capta, no meio de várias opções, aquela que está em ressonância vibratória com o paciente.
Assim, em Imagoterapia, o pêndulo capta a essência vibracional de imagem que o paciente precisa
tomar para melhorar sua vida. Então, quando se pendula na lista de todas as essências de
Imagoterapia, o pendulo aponta para o título da essência que se refere a um significado, que está em
ressonância com a experiência atual do paciente. O resultado do diagnóstico, com o pêndulo
radiestésico, emerge junto com a experiência do paciente investigado, porém, leva em conta que o
sujeito está traçando uma biografia, quer esteja consciente ou não. E essa biografia, tem um sujeito,
consciente ou não. Como o pêndulo lida com vibrações, lida também com a energia do Self que
quer se auto-realizar.

Nossa presença e nossa atitude no mundo têm um teor vibratório. Aqueles que não sabem o que
querem, que não estão conectados nem consigo próprios e nem tampouco com a sua experiência,
precisam entrar num processo de descoberta de si na experiência do percurso de sua biografia.
Deixamos nossa marca em cada atitude e cada um pode melhorar como ser humano, mas isso exige
reflexão e determinação. Não podemos pensar que não dá tempo para fazer isso, pois o tempo que
temos é agora. A aceleração da vida e as variáveis imprevisíveis que esse processo acarreta está nos
tornando insensíveis e apressados crônicos. Estamos insatisfeitos, cansados e doentes. Então, é
melhor dar uma parada, refletir, e tomar um recuo desse caos, para avaliar o que nos deixa felizes e
pensar que a maneira com que buscamos a felicidade vai influir nos resultados.

O radiestesista precisa estar atento a todas necessidades humanas e estudar muito até poder criar
suas próprias folhas de diagnóstico e suas formas de tratamento, cada vez mais profundas e
dirigidas para o que é próprio da vida dos seus pacientes e dos ambientes. Desse modo, os
diagnósticos formulados emergem junto à experiência do sujeito, na sua interação com os outros e
com o ambiente. As folhas de diagnóstico padrão que estão nos livros de radiestesia servem apenas
como referência para o radiestesista ter como que uma introdução sobre métodos de abordagem de
pacientes e de situações, pois ele precisa se responsabilizar pelo seu enfoque e pela ética no
tratamento que realiza.

Por consenso e pela experiência podemos às vezes perceber o quanto certas imagens podem nos
fazer bem ou mal, mas isso, nós podemos perceber também em relação a pessoas, objetos e
ambientes, se tivermos uma atenção aguda para a experiência da interação. Porém, usando o
pêndulo da forma descrita acima, podemos apontar o que está em jogo nessa experiência para
corrigir as dissonâncias vibratórias, seja com imagens terapêuticas, seja com emissões radiestésicas
benéficas. Radius significa raios, asthesis, significa sensação. As vibrações atingem o corpo-alma-
espírito. As vibrações nos atingem e nos atravessam o tempo todo: as eletromagnéticas, as das
ondas de radio, as das antenas de celulares, as geomagnéticas, as dos raios cósmicos, as dos sons e a
das informações (palavras e imagens, estas, particularmente, atingem a alma, pois significados
podem ser ressonantes). Parte dessas vibrações vão oscilar dentro de nós, pois somos caixas de

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ressonância, sendo que algumas delas, as que são absorvidas, podem desequilibrar o andamento dos
eventos quânticos internos que administram a qualidade da sobrevivência do corpo-alma-espírito.

Muitos elementos emergem em nossa experiência, os quais não nos damos conta por algum motivo,
quase sempre devido aos nossos mecanismos de defesa que usamos para amenizar a intensidade da
nossa sensibilidade emocional face ao que nos acontece. Por outro lado, fazemos muita coisa de
forma automática devido às contingências da própria aceleração da vida, sobretudo, urbana.
Interagimos com pessoas, várias vezes, sem usar nossa sensibilidade e compaixão por elas,
simplesmente porque não dá tempo, assim como não dá tempo também de cuidar adequadamente
de nós próprios. O estresse deixa a nossa percepção mais estreita e nos leva a racionalizar os
motivos da nossa falta de cuidado e isso vai acontecendo indefinidamente até adoecermos. A
doença é a gota d´agua, pois não respeitamos a nossa sensibilidade, ou porque nossa sensibilidade
não foi respeitada pelos outros dentro de certos contextos específicos. Portanto, se usamos e
abusamos do nosso corpo e psique, assim como do corpo e psique dos outros, apenas estamos
entrando no ritmo da aceleração, portanto nos consumimos e consumimos os outros também, atrás
de objetivos, como bem disse Lakoff (1997), puramente racionais. E isso tudo acontece em
sacrifício de valores e necessidades que realmente contam para nós, porque não deu tempo.

O objetivo de um tratamento com Radiestesia Quântica ou com Imagoterapia é justamente


minimizar este impacto do estresse vivido cotidianamente e colocar a mente atenta para a
experiência no sentido de fazer um esforço pessoal consciente de curar sua própria vida e repercutir
positivamente na nossa área de influência. Há situações armadilhas na vida que nos testam, em que
colocamos a persona em jogo em desfavor da inteligência espiritual, aquela que compreende os
motivos que estão por trás da nossa experiência, e que pode nos livrar do sofrimento. A presença de
corpo-alma-espírito conjuga a força da verdade interior. Interagir com o outro no trabalho, em casa
ou na vida social em geral, pode ser muito mais significativo e lúdico pelo próprio fato de se estar
consciente dentro da própria experiência, mesmo que ela não seja fácil de lidar, que surjam
obstáculos e imposições desagradáveis. Mesmo que a experiência não seja confortável, é possível
fazer emergir nossa criatividade e novas variáveis mais gratificantes. As essências vibracionais de
imagens terapêuticas podem desencadear novos eventos internos e externos que fazem mais sentido
para nós. O que nos acontece pode trazer um ensinamento, o qual pode nos escapar, caso não
estejamos atentos, para refletir e, assim, poder transmutar.

Sujeito-individuação-noosfera

Sob o ponto de vista de Morin (2002,vol.1 e 2), além do sujeito sofrer as influências genéticas e
culturais, ele tem de integrar sua própria história e seus valores, interagindo com o contexto em que
vive num processo contínuo de auto-reorganização. Para Morin o processo de individuação é um
processo de construção, em que o sistema cognitivo se desenvolve e o sujeito sofre transformações,
não só psíquicas, mas também físico-químicas ao interagir com os outros e com o ambiente. Nesse
processo é preciso que o sujeito crie estratégias, conforme sejam as condições (por vezes incertas) e
as situações adversas, estando ainda sujeito ao erro, necessitando, portanto, se auto-organizar-se
continuamente face às eventualidades. Assim, o processo de individuação requer também
criatividade e invenção, já que se dá em interação com o meio, dessa maneira, o sujeito inscreve sua
biografia dentro de um contexto de incerteza, em que precisa fazer escolhas e resolver conflitos.

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Para Morin (2002,vol.4) a esfera dos mitos e seres espirituais, os quais acreditamos, tem uma certa
autonomia e experimenta uma certa existência. Afirma que essa esfera, embora seja produto do
cérebro/espírito humano, suas idéias-força representativas revertem sobre os homens numa relação
de mútua interferência. Para esse autor, o suporte físico-energético das atividades dos seres
espirituais é a própria atividade eletroquímica do cérebro, de onde tiram energia psíquica para se
auto-organizarem como entidades. E onde há organização, para Morin, há existência, substância e
essência.

Nessa mesma esfera de influência (a noosfera) e que tem dimensão planetária, além dos mitos e
seres espirituais, estão também as idéias, ideologias, os símbolos, as teorias e as imagens. O que
parece abstrato se torna concreto no homem, através da atividade psíquica e biológica humana. De
alguma forma, todos esses elementos que compõem a noosfera ganham vida própria e sobrevivem,
por vezes, por várias gerações no imaginário coletivo, influenciando a visão simbólica que o
homem tem do mundo, tal como acontece com certos paradigmas.

No entanto, nossa relação com a noosfera é descontínua devido à própria complexidade dos seus
conteúdos, já que há quebras entre religiões, filosofias, ciências e estilos de vida. Se permanecermos
abertos para incluir e integrar o novo, estaremos expandindo essa esfera e enriquecendo o
conhecimento, entendo melhor, portanto, a complexidade da vida, como também, convivendo
melhor com as incertezas e a diversidade.

Sob o ponto de vista de Morin (2002, vol.1), alargamentos da verdade inclui, entre outras coisas,
um aprofundamento do conhecimento da complexidade do que é o sujeito/espírito e de suas
interações com o ambiente. Além disso, tudo que se refere a esse assunto se depara com a incerteza,
com brechas, com a imprevisibilidade, com a incompletude, com a multidimensionalidade, com
contradições, com o indizível, com a pluraridade e com outros fatores, sendo que o processo de
ordem-desordem-reorganização do conhecimento é a maneira de integrar novas variáveis na busca
da verdade, a qual precisa ficar aberta a inclusão do novo.

O conhecimento que temos das relações entre o sujeito e as imagens apresenta ainda
descontinuidades, pois cada disciplina aborda a imagem sob seu ponto de vista, no entanto, já
podemos entender que a imagem atinge o sujeito, pois acontece na sua bioeletroquímica, sendo que
ela é processada na atividade neural, influindo na sua psique, podendo provocar reações
psicossomáticas e comportamentais ressonantes, conforme a natureza e a “vitalidade” do que a
imagem expressa. No caso das imagens terapêuticas (Imagoterapia), elas são específicas para
produzir reações reorganizadoras, conforme o que cada imagem se propõe a provocar, ou seja,
conforme a denominação do seu significado.

Se encararmos a unidade quântica sob o ponto de vista da teoria da complexidade, a


inseparabilidade quântica, não local, passa a ser um conjunto de sistemas e subsistemas
interdependentes em interação e reorganização contínua. Pois, para Morin (2003), a unidade é vista
como uma teia complexa em constante interação, onde há antagonismo, rupturas, dissoluções,
articulações, transformações, encadeamento, ordem e desordem, regeneração, dissipação, incerteza
e, sobretudo, evolução.

Como o objetivo de minha pesquisa é o efeito das imagens sobre nós, creio que as imagens se
inserem na teia complexa de nossa vida, de forma pouco consciente e descontrolada, sem uma

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metavisão ecossistêmica, podendo fazer com que a mente humana absorva imagens da mídia e
passe a se identificar com elas de uma forma meio esquizofrênica. O que parece ocorrer é a
existência de um eu real e um eu persona, sendo que este último, segue os ditames simbólicos da
mídia, ocasionando, com isso, comportamentos contraditórios e inconsistentes. Nesse contexto, a
espiritualidade significa uma cura psíquica, pois exige muita reflexão e atenção desperta para o que
é de fato relevante para nós , enquanto indivíduos.

CITAÇÕES:

Belting:
pp.49 : un lieu des images.
pp.86 : Nous vivons dans um système d´information plutôt que dans un lieu determiné.
pp.92 : Notre memoire est elle-même un système neuronal endogène, constitué par des lieux fictifs
du souvenir. Elle s´edifie à partir d´un entrelacement où nous allons chercher ces images qui forment
la substance de nos souvenirs. L´experience physique de lieux que notre corps a faite dans le monde
se reproduit dans l´assemblage de lieux que notre cerveau a stockés.
pp.98 : ...la structure cachê de notre memoire iconique corporelle...Le corps est la source de nos
images.
pp.113 : Nous pouvons pouvons utiliser et manipuler le médium vidéo comme une prothèse de notre
memoire visuelle.
pp. 117 : ...des compagnons du voyage de l´imagination....donne l´impression d´acceder à une
existence sociale qui n´est plus assujetie à des lieux réels. Mais cette existence est une existence
imaginaire, car elle n´est plus possible qu´en image.

Debray :
pp.60 : L´image fait du bien parce que elle fait lein.
pp.84 : Le divin fait baisser les yeux, le sacrée fait lever la tête....Devant toute image-photo, tableu,
estampe, plan – se demander : vers quoi l´auteur a-t-il levé la tête ?
pp.155 : Le secret de a force des images est sans doute la force de l´inconscient en nous.
pp.154 : ...nous projetons le visible autant que nous recevons.
pp.410 : La différrence est que si l´image arcaïque et classique fonctionnait au principe de realité, le
visuel fonctionne au principe du plaisir. Il est à lui-mêmme sa propre realité. Inversion qui ne va pas
sans risques pour l´equilibre mental du collectif.
pp.412 : Une image sans auteur et autoréférence sa place automatiquement en position d´idole, et
nous les idolâtres, tentés de l´adorer directement, elle, au lieu de vénérer par elle la realité qu´elle
indique. L´icone chretienne renvoie surnaturellement à l´Être dont elle émane, l´image d´art le ré-
presente artifiellement, l´image en direct se donne naturellement our l´Être.
pp.415 : ...la nouvelle divinité, cést l´actualité.....Notre oeil déserte de mieux en mieux la chair du
monde. Il lit de graphismes, au lieu de voir des choses.
pp.433 : ...les pauvres et les moches ont le droit (et le devoir) de regarder les riches et les beaux.
pp.472 : Mais toute image diffusée est en rapport social métamorphosé en emotion individuelle -
plaisante ou douloureuse.

Desgoutte :

103
pp.35 : Le sujet naît et se fige dans le désir et dans le regard de l´autre. Il est le souvenir que l´un et
l´autre élaborent de leur rencontre. C´est dire que je ne suis pas le produit de mes cates mais bien le
produit d´n désir négocié avec ceux dont j´accepte le regard. Le sujet se développe par la mediation
de l´autre.
pp.38 : La multimédia simule le choix du lecteur...C´est dans la répétition des choix que le lecteur va
se structurer en sujet.
pp.47 : Le sujet se manifeste sumultanément par ce qu´il dit et par ce qu´il montre....Il propose donc
à son interlocuteur une image de soi dont on peut dire qu´elle se partage en deux composants, une
composant expressive – involuntaire ou spontanée – et une composante impressive, deliberée,
intentionelle.
pp.99 : Regarder c´est constituer l´autre en image. L´image est la memoire du regard.

Lakoff and Johonson :

pp.10 : …it operates beneath the level of cognitive awareness, inaccessible to consciousness and
operating too quickly to be focused on.
pp.531 : …the loss of the natural world…
pp.532 : …of rational-choice metaphors made real at cost, a cost that is not in the rational-choice
models themselves. What tends to get lost is education, health, professionalism, dedication,
community, and human dignity.
pp.536 : Real human reason is embodied, mostly imaginative and metaphorical, largely
unconscious, and emotionally engaged.
pp.20 : An embodied concept is a neural structure that is actually part of, or makes use of, the
sensorimotor system of our brains. Much of conceptual inference is, therefore, sensorimotor
inference.
pp.24 : Color concepts are “interactional”; they arise from the interactions of our bodies, our
brains, the reflective properties of objects, and electromagnetic radiation.
pp.565 : Our corporeality is part of corporeality of the world.

Varella, Thompson and Rosh:

pp.20 : El estudio del color nos permite apreciar la obvia afirmación de que la gallina y el huevo, el
mundo y quien lo percibe se definen recíprocamente.
pp.207 : En la perspectiva enactiva, aunque la mente y el mundo emergen juntos en la enaction, el
modo de emerger en qualquier situación particular nos es arbitrario.
pp.251 : ...El organismo y el medio ambiente se pliegan y repliegan mutualmente.

Husserl:
pp.347 : …phantasmer...

Deleuze,:
pp.278, Cinema 1...Nous ne croyons plus guère qu´une situation globale puisse donner lieu à une
action capable de la modifier.

104
CIVILIZAÇÃO AMARGA

Os crimes legais e ilegais

O crime, apesar de ser considerado um traço desumano de caráter, é uma das propriedades dos
humanos. Está sempre presente no desenrolar da história dos países, das cidades e das famílias.
Humanos que não cometem crimes tentam viver um universo paralelo como se o crime não
existisse, meio que se acostumando com a presença dos efeitos indiretos dele lá longe na dimensão
do crime até que seja atingido direta e psicologicamente por ele, passando a ser capturado pelas
energias de um caos infernal. O crime é uma manifestação do caos na vida humana em que mentes
dissociadas, infelizes e maléficas adquirem poder e se motivam a destruir a vida de pessoas
supostamente organizadas, felizes e benéficas.

Os motivos dos crimes ilegais e legais se baseiam em justificativas irracionais e racionais, assim
como emocionais, de mentes distorcidas e instáveis, sujeitas à desorganização das forças criadoras
da vida. Criação e destruição são propriedades naturais da vida humana desde o plano físico e
psicológico como no plano das atitudes do humano face às relações familiares, sócio-econômicas,
políticas, morais, e outras. O mesmo ocorre com o paradoxo arcaico da luz e da escuridão das
almas, da manifestação da sombra demoníaca da Imago-Dei, que se projeta continuamente, nas
atividades da vida humana.

Assistimos o maior engolir o menor desde que o mundo é mundo e só sentimos na pele quando
tomamos a posição real do menor. A posição imaginária e simbólica do menor, vive o horror e o
pavor através da dor, da indignação da repulsa da negação e também da dissociação como se aquilo
não fizesse parte de si, pois lhe é intolerável. Para uma mente sã é impossível imaginar como o
criminoso psicopata envolvido por seus motivos distorcidos possa se regozijar com dano causado,
tornando possível o impossível do outro. A impossibilidade e o intolerável orbitam nossa vida como
uma ameaça à reorganização psicossomática humana. A destruição pode partir de outro ser humano,
de um animal, de uma bactéria ou vírus. Estamos desamparados no nível mais básico. Ninguém
escapa, de alguma forma, da entropia (desorganização). O esforço neguentrópico (de organização)
humano tem de ser consciente e maior que o entrópico, para não sermos engolidos pelo caos. A
dicotomia inseparável caos-criatividade, rege o esforço humano de sobrevivência. E cada ser
consciente sabe que seu corpo, um dia, não resistirá mais a entropia, nem a degeneração da morte
física.

Atualmente, com o nível de complexidade e de velocidade da nossa vida, as pessoas tentam tapear
o real, o compondo mal feito, sempre às pressas, portanto, mais frágil, como numa conformidade
com o seu nível de desamparo. Outras pessoas, tentam fugir do real e se agarrar nas demais como se
estivessem caindo ladeira abaixo, onde o fundo é o mar do caos. Outras, se deixam cair e se
envolver por ele e considerá-lo natural; umas surfando nele e outras, provocando seus pequenos, ou
grandes, tsunamis. Cada uma dessas fazendo a sua parte num movimento perigoso e assustador.
Possivelmente quem provoca os tsunamis na vida dos outros, não deve tolerar a si próprio, a sua
própria loucura e a despeja no mundo pensando que vai se livrar dela, mas, no entanto, sofrerá
inevitavelmente o refluxo. Pois não há saída na repetição daquilo que faz mal. Como se o mal
voltasse e tomasse conta do ser e o engolisse conduzindo-o para o ventre do diabo para se tornar
excremento dele, depois servir de adubo inspiração e reflexo para a reconstrução daquilo que faz
bem para o ser psicossomático social.

105
O real é um esqueleto frágil nem sempre flexível para sustentar o poder do imaginário, do
simbólico, do instintivo, dos desejos insaciáveis e insensatos do homem comum. O inconsciente é
inconseqüente e tem poder. A consciência está ocupada com a pressa de chegar lá revelando com
isso, e colocando a descoberta, a imperfeição humana, assim como a sujeição humana às forças que
não controla. No meio da correria fica difícil, o ser humano se atrapalha e não se dedica à reflexão,
a escutar a sua intuição e seus sentimentos, as necessidades da sua realidade interna, então, se apega
a artifícios e próteses e constrói um falso mundo e o deposita no mundo real fingindo que é verdade
e segue correndo.

Pequenas são as chances do ser humano explorar seus potenciais e seus dons nesse ritmo frenético
de não-enfrentamento do real. Crescemos e nos desenvolvemos num real nunca reconhecido como
tal, sempre disfarçado de justificativas e crenças. Podemos estar possuídos por uma grande farsa
que se auto-intitula de civilização. As nossas civilizações e seus motivos insanos, patéticos e
estúpidos. Envolvendo seus cidadãos de mesma categoria numa cumplicidade estonteante. Parece
que o inferno se instalou na Terra e não conseguimos ainda desenvolver habilidades e competência
para re-configurar o conteúdo de nossa vida para sair do limítrofe da catástrofe, do auto-
aniquilamento de corpo-alma-espírito. A energia do inferno interno e externo vem através da
crueldade humana e da brutalidade espiritual. Encontramos crueldade não só na criminalidade, mas
também no tráfego, nos supermercados, nos shoppings, nos hospitais, nos vizinhos, na família e em
certos locais que freqüentamos que chega a ser surpreendente. Pessoas infernizam as outras por
desamor, por dinheiro, pela pressa, por vaidade, por arrogância e intimidação, de forma compulsiva
e quase automática.

Tem muito mais pessoas deixando as coisas como estão, adormecidas, ou tentando salvar a própria
pele, do que pessoas tentando de fato a reorganizar a vida dos seres humanos, sempre partidos,
clivados, frágeis. O sujeito parece se esquecer que é sujeito da história coletiva, portanto co-
responsável. Não se dá o tempo, ou não lhe é simplesmente dada uma ocasião para refletir sobre a
própria imaturidade social. Procura se divertir, mas seus divertimentos se transformam num vício de
distração de si e do contexto real, do que o constitui como sujeito, convivendo com sua culpa moral
através da negação e distorção do real. Não consegue exorcizar seus artifícios, abdicar deles, pois já
está viciado e se vê irremediável na sua impotência e incompetência para ser feliz. Então se castiga
também artificialmente, pois é um ser artificial, de inteligência artificialmente induzida e
programada, para manter um contexto de vida insensato, reflexo de sua ignorância e insanidade .
Sua realidade é cáustica, reflexo do que ele lança, ou deixa de lançar, no mundo. Ele desenvolve
habilidades manipulatórias, pois é cúmplice com a manipulação, com o que é submetido, tornando-
se co-autor da realidade artificial, construída historicamente com dor, sofrimento e escravidão, esta,
sinônimo de perversão espiritual.

Condutas incoerentes sempre encontram alvos frágeis, pois quando o ser humano adquire o poder
de fazer o mal e o bem para o outro, se atrapalha e acaba por sugar o bem do outro para si e cai
numa armadilha moral. Fazer uso do valor do outro envolve uma sutiliza ética de respeito ou de
desrespeito, do dano psicossomático, que possa causar. Cada escolha envolve o corpo-alma-espírito
do outro, a qualidade do limiar da interação com o outro. A escolha envolve fraquezas e
fragilidades. O difícil tem sido usar esse poder que temos de fazer mal e/ou fazer bem. Por trás de
uma ação existe uma escolha moral. Usar movimentos, palavras e imagens é uma escolha moral.

106
Há pessoas que só sorriem quando ao ver dinheiro

Esse tipo de relação superficial – quase virtual – permite que pessoas finjam gostar de outras,
quando interessa e, ao mesmo tempo, armem situações armadilhas para se descartar delas ou de
outras pessoas, sob motivos internos racionais que não são esclarecidos jamais, devido a sua
natureza ambígua e ambivalente. Isso torna várias relações sociais com características doentias,
devido à inabilidade de comunicação, assim como à incapacidade para a sinceridade e para a
compaixão. Há falta de transparência nesse tipo de relações, em que enlaces e desenlaces se
produzem numa espécie de virtualidade afetiva insensível, que acontece junto à presença real de
corpo e mente (esta, dividida), mas com fingimento quanto aos sentimentos e motivações.

Isso funciona tal como se as neuroses das pessoas envolvidas não se combinassem, pois há uma
fragilidade no que se refere à confiança e ao caráter maléfico de certas relações que causam feridas
na alma. Quem tem saúde mental consegue sair inteiro desse tipo de dano, porque o espírito garante
a inteireza. Já quando há fragilidade emocional, o espírito sofre, e essa dor pode até causar algum
tipo de enfermidade psicossomática, ocasionado um dano que relembra outras decepções afetivas e
dores traumáticas sofridas anteriormente. Com isso o padrão da confiança vai sendo danificado,
porque a auto-estima é atingida. Dessa forma, o distanciamento emocional vai ficando crônico,
criando outro padrão, seja de reações defensivas agressivas, seja de recolhimento na melancolia.
Isso ocorre, principalmente, quando há dinheiro em jogo. A perseguição cega do próprio desejo em
desprezo do outro, motivado pela ambição financeira desmesurada, pode se fazer por caminhos de
muito fingimento, trevas e desamor, que causam máculas irreparáveis nas relações e re-sentimentos
das amarguras sofridas.

Em meio à complexidade, sobretudo nos centros urbanos, lidamos com todo tipo de pessoas,
portanto, com todo tipo de desejos, sendo que muitos são egoístas e poucos têm ressonância
cooperativa capaz de estabelecer laços consistentes que condizem com a maturidade afetiva e
espiritual ecossistêmicas, no que diz respeito ao corpo-alma-espírito das pessoas envolvidas.

O trabalho e a imagem que se tem da vida

O que estabelece o preço da mão de obra é o mercado, com a ajuda dos governos e o sistema
judiciário, o que significa que esse sistema produtivo, que criou esse mercado, não garante
qualidade de vida para grande parte das populações e deixa ainda, muita gente à margem do
sistema, produzindo mendigos, subempregados e desempregados, sendo que uns não têm
oportunidade para se qualificarem para o mercado, e outros, mesmos qualificados, não têm
oportunidade de emprego. Por outro lado, dentro das empresas públicas e privadas, há preconceitos,
rivalidades e humilhações nas relações de trabalho. A imagem do chefe se configura numa ameaça
de exclusão, o que conduz à competição, ao estresse e ao desamor. Quando não se consegue
trabalhar em cooperação, não se consegue colocar amor no e ao trabalho. A imagem do que
significa trabalhar fica, então, negativa, tornando as tarefas rotineiras e pouco criativas,
principalmente, se o trabalho não tiver um objetivo social consistente com as necessidades gerais
das populações. O imaginário do trabalhador, dentro desse contexto, se ocupa em olhar o relógio na
expectativa do final do expediente. A insatisfação diária gera sintomas de doenças que vão ficando
crônicas, e isso repercute não só numa diminuição da produtividade no trabalho, como também em
gastos com saúde e em problemas de relacionamentos familiares e no ambiente de trabalho. Nos
casos mais graves, a vida perde a graça e ocorre a depressão psicossomática.

107
Vivemos em meio à ameaça de qualquer coisa ruim possa nos acontecer. Quem é sugado,
desrespeitado, injustiçado, enganado e desvalorizado tem uma imagem de uma vida muito infeliz,
como também, a imagem que tem de si próprio, nessas contingências, é impregnada pelo
sentimento de impunidade e de inutilidade. Poder ser útil ao coletivo e, ao mesmo tempo, ter prazer
de contribuir para melhorar a qualidade da vida, em condições de trabalho salutares a nível
psicossomático, e ainda, viver consciente das conseqüências espirituais positivas dos seus atos, nos
dá uma imagem da vida mais feliz. A imagem que se pode ter consciência do que é vida, sob essa
perspectiva, é uma conseqüência do comportamento espiritual próprio e dos outros. A
espiritualidade levada ao trabalho traz respeito e senso de comunidade cooperativa, que respeita o
valor do trabalho, as condições psicossomáticas de convivência dos trabalhadores e a qualidade do
ambiente de trabalho. Isso torna a imagem, que se tem do trabalho e das relações intersubjetivas
necessárias para sua realização, uma imagem mais satisfatória para o corpo-alma-espírito.

Há executivos executores, que agem como vampiros sugando a saúde da população, a qual trabalha
duramente para produzir riquezas e qualidade de vida, que nunca chegam às suas casas. Atrás dos
seus ternos de marca, de seus prolongamentos e objetos de ostentação, pode estar alguém, portanto,
que não dá a mínima para a saúde e o bem-estar da população. Há todo um discurso racional para
justificar suas atitudes cínicas e insensatas, assim como há procedimentos subterrâneos (corrupção)
que ocorrem por trás das fachadas de certos funcionários públicos e privados. Essa fachada é a
imagem que pode significar – para o imaginário coletivo – como a de sucesso profissional, embora
possa também provocar muito ressentimento e desgosto para quem se dá conta do desperdício de
recursos comparado com sua baixa qualidade de vida. Os executivos executores deviam fazer um
turismo social nas casas dos trabalhadores de baixa renda para aguçar sua sensibilidade econômica
e moral. Como a imagem (campos de forma e luz) tem o poder de introduzir significados que
repercutem nos sistemas neurais das pessoas, faz com que essa dicotomia imagem de sucesso e
ressentimento possa, ao longo dos anos, trazer um sofrimento inimaginável e conseqüências
incontroláveis.

A dissociação na intersubjetividade coletiva

O emprego é oferecido como uma oportunidade, então, empregados se deixam fazer de otários, na
medida em que se deixam sugar e enganar pelos empregadores, os quais ficam cada vez mais ricos e
confortáveis em todas as dimensões, exceto aquela da consciência moral. Como precisam ficar
dissociados de sua vigarice, os ricos têm duas caras. Uma cara é sua imagem corpórea com seus
utensílios e prolongamentos de luxo; a outra cara são as máculas da sujeira das suas almas, pois
exploram os outros por um preço combinado em acordo legal do salário. Essa parte que cada um
recebe por merecimento é baseada numa decisão racional estabelecida no mercado, que torna a
vida de todos irracional e esquizofrênica, fundamentada na cobiça pelo dinheiro, este que compra as
almas. Grande parte do dinheiro é regida pelo princípio de Thanatus (morte), embora o que se
imagina buscar com ele é prazer, pois aonde se acumula e circula mais dinheiro é com as armas,
drogas, especulação, jogo, altas tecnologias, e com supérfluos artificiais. O estado, nesse contexto,
é um cúmplice comprometido que regula o mínimo dos salários e o máximo dos lucros dentro de
uma fachada legal.

Desarmamento é puro fingimento, pois até os particulares têm direito de portar armas, porque
estamos numa guerra civil; sitiados atrás das grades de nossas residências. Além disso, há as

108
guerras internacionais com seus motivos insensatos. O dinheiro aliado às armas significa invasão,
intimidação, morte ou ferimentos, fazendo da riqueza não um bem, mas um karma. Se não há Deus,
ele não está perplexo diante da sua criação. Mesmo que sejamos apenas informação sobre estruturas
neurais e energéticas, ainda não encontramos a saída para o caos.

Grande é a perplexidade de se ver populações inteiras comprometidas em andar na moda e ter um


visual planejado pelos meios audiovisuais. Cada classe recebe seus uniformes e privilégios próprios,
os quais, imagina estar escolhendo. Quem está comprando o que é ruim, é quem não tem dinheiro
para pagar o bom e os confortos. Os confortos estão todos reservados para quem pode pagar. O
desejo pelos confortos cada vez mais sofisticados cria uma demanda que canaliza dinheiro para
investimentos em setores industriais e de serviços de desperdício de recursos, onde circula o
dinheiro não solidário. Inteligências criativas também migram para esses setores, desperdiçando sua
criatividade em atividades superficiais, alimentando a própria vaidade, e o pior, é que têm a
consciência que estão persuadindo as populações, as quais estão em estado de sítio moral, tal como
marionetes num teatro de brinquedos de um menino mau e doente mental.

Cada um mostra para os outros seu retrato moral. E cada um contribui com sua parte para que esse
sistema continue funcionando, prescrevendo assim sua biografia na matriz coletiva. A população
está triste e, quem pode pagar, utiliza antidepressivo, o que não alivia toda a tensão da dissociação e
nem as doenças psicossomáticas. A tristeza é muitas vezes compensada pela euforia dos jogos e da
televisão, que dão a sensação de estar identificado com o coletivo. A maior prova do crescimento
das enfermidades é a grande proliferação de farmácias, sendo que em certos bairros, vê-se uma
farmácia a quase duas quadras da outra. Há mais farmácias que supermercados.

A pressa e as energias infernais

A energia do inferno interno e externo vem através da crueldade humana. Encontramos crueldade
não só na criminalidade, mas também no tráfego, nos supermercados, nos shoppings, nos hospitais,
nos vizinhos. Em meio à velocidade em que vivemos, estamos muito mais sujeitos a
imprevisibilidade, o que pode desencadear caos e acidentes no corpo-alma-espirito.

Como as pessoas se acostumam ao mundo virtual acabam por se relacionar com os outros no mundo
real como se não houvesse sensibilidade. Dá para se sentir a energia infernal por trás da
indelicadeza e da deselegância moral nos lugares públicos, tais como supermercados, lojas,
transportes públicos e outros. Com a pressa, aquele que está na frente vira obstáculo ou entulho a
ser descartado do caminho, ou então, passa ser objeto de expectativa da satisfação de desejos.
Parece existir uma agressividade e uma voracidade no querer se dar bem e voltar correndo para sua
casa ou escritório, onde está a sua telinha. O ego rude ainda demonstra estar inflado em sair
ganhando ao submeter o outro ao seu desprezo e sua indiferença no plano sensível. Alguns, bem
vestidos e bem penteados, vendem uma imagem de falsa elegância quando, espiritualmente, são
extremamente deselegantes e com suas fantasias e artifícios circulam nas cidades, deixando um
rastro de sua sombra rude.

Sairmos de casa significa um risco na convivência de haver desequilíbrios e abusos. Se não


tratarmos um ao outro como uma inteireza corpo-alma-espírito vamos nos impregnar mutuamente
de estresse, e de imagens negativas nas lembranças mútuas. Com isso, também não estaremos sendo
cuidadosos o suficiente para oferecer nossa inteireza. A pressa nos fragmenta e nos torna

109
insensíveis criando uma ambiência de irresponsabilidade, desrespeito e superficialidade. Se
fizermos coisas no automatismo e no descuido do que o outro sente, estaremos provocando
ressentimento, que é uma oscilação de freqüência que se estende e volta para a nossa ambiência
vibratória.

A pressa tornou-se uma boa desculpa para cada um ser rude, já que não dá tempo de reflexão sobre
causa e efeito. Atitudes e palavras têm teor vibratório que faz oscilar o sistema sensório-motor de
quem vê e escuta. O tom emitido nas palavras e o ritmo dos gestos podem provocar reações
agradáveis ou desagradáveis. Mas isso parece não ser objeto de preocupação geral no convívio
humano. Encontramos também disfarces e fingimentos de delicadeza e sensibilidade que são usados
para persuadir e seduzir, com isso, ganhar algum dinheiro ou alguma coisa. O dinheiro e os objetos
estão sempre por trás da pressa. Quase ninguém se apressa em melhorar o convívio humano cuja
qualidade decai, assim como a civilização, pois não dá mais tempo de reerguê-la.

Apreende-se a conviver com a idéia básica da impotência e impossibilidade de se poder mudar o


mundo. O sujeito se vê sitiado no seu círculo de influência. Alguns buscam notoriedade e o poder
do dinheiro para ditar regras de uma vida artificial, baseada em aparências e artifícios de moda e
sucesso. Outros passam a vida tentando imitá-los sem sucesso e acabam caindo na real de sua triste
sorte. A miséria da alma consiste em querer alimentar a vaidade de ter algum poder sobre os outros
e aumentar a sua esfera de influência mesmo que isso cause desperdício e prejuízo psicossomático,
financeiro e moral nos influenciados, os quais se deixam seduzir pelas aparências, como presas
fáceis. Logra-se a si próprio e logra-se o outro, pois fingimento é a encenação de almas medíocres
que irradiam desamor e desrespeito.

Aquele que é jovem, pensa que é cedo, e que tem toda uma vida pela frente, enquanto aquele que é
velho, pensa que é tarde, e que a vida dele ficou para trás. A oportunidade está na maturidade, a
qual é difícil de ser atingida, pois esta não foi um objetivo estabelecido como estratégia de vida. A
sobrevivência moral muito menos, pois a velhice é vista como uma desmoralização já que se fica
flácido e decaído. O velho, para ser respeitado precisa parecer jovem, pois o estatuto de velho
parece ser visto como uma vergonha. A sabedoria e simplicidade também não parecem ser
estratégias de vida, e sim a esperteza e a ostentação de uma imagem inatingível. A ostentação atrai
uma corte de aduladores que procuram imitá-los, pois pensam que ali está a qualidade. Falsidade e
qualidade se combinam aonde tem dinheiro em quantidade, pois nesse contexto, a qualidade é vista
pelo que se tem e não pelo que se é.

Meu foco de estudo é a imagem, o poder que ela pode ter de nos persuadir e nos fazer agir, da ação
da imagem na nossa constituição psicossomática, nas nossas reações fisiológicas ligadas ao
imaginário e aos desejos humanos. Uma imagem terapêutica tem o poder de persuadir o sujeito a
voltar-se para si mesmo antes de agir e, assim, refletir sobre sua realidade interna e externa, como
também de interagir transformando o destino para o melhor e não para o pior, como acontece com
certas propagandas mentirosas e persuasivas, baseadas num nível de contrato artificial, como sendo
aquele o desejável.

A Imagoterapia é uma proposta de uso ecológico da imagem para melhorar o ser humano e seu
destino. Contribui para que impliquemos nossa alma na nossa vida, como sujeitos co-responsáveis
pelas conseqüências dos nossos atos ou omissões, promovendo uma maior coerência, assim como
um controle consciente das situações caóticas, as quais possamos nos confrontar no dia a dia.

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Pessoas mais coerentes com seus motivos e mais conscientes destes, tiram um proveito melhor de
certas essências de Imagoterapia. Por outro lado, quanto menos coerente e insegura a pessoa for,
quanto à sua escala de valores e à sua auto-estima, assim como, quanto mais ela estiver enredada
em certas das armadilhas, mais ela precisa de tratamentos prolongados com uma essência de fundo,
até que seus imprints anteriores percam poder e dêem lugar a atitudes inovadoras.

Desordem de sobrevivência

Pessoas que, para sobreviver, cometem grandes ou pequenas delinqüências disfarçadas de esperteza,
sofrem de uma doença que eu chamaria de desordem de sobrevivência, pois se dissociam dos
escrúpulos que sabem que são incorretos, assim como, se tornam insensíveis, e se conduzem,
compulsivamente, no sentido de obter o que desejam, custe o que custar, causando, com isso, danos
aos outros. Deixam, portanto, máculas de impunidade e de desordem nos campos consciente e
inconsciente coletivo familiar e social, e ainda, tornam a realidade mais dura e fria, tal como
condensassem energia das trevas, formando buracos negros de podridão humana. Ou melhor:
contribuem para formar atratores caóticos que bifurcam para padrões de comportamento danosos.
O dano pode ser apenas moral (visto, assim, de forma dissociada), mas atinge o corpo-alma-espírito
do outro, transformando-se em lembranças de sofrimento, que dão uma perspectiva pessimista da
vida, que vai se acostumando, se tornando familiar, pela repetição, como um costume, ou campo
mórfico de maldade. Daí a grande e premente necessidade humana atual, já salientada por Fox e
Sheldrake (1996), que é a de sacralizar as relações, e com isso a vida.

Uma gramática moral: o reconhecimento do outro

Honnet (2003) preconiza uma gramática moral que abrange três dimensões, tanto da vida pessoal e
familiar, quanto da coletiva. A primeira é o amor, o qual traz a autoconfiança; a segunda é a
dimensão do direito, a que traz o auto-respeito; e, finalmente, a dimensão da solidariedade, a que
produz a auto-estima. Para Honnet, o reconhecimento social não passa apenas pela esfera jurídica,
pois o indivíduo precisa ser visível, ou seja, ser reconhecido afetivamente. O não reconhecimento
afetivo traz sofrimento individual, devido ao desprezo, à indiferença, à vergonha, à humilhação e ao
desrespeito, pois ao ser mal-tratado o indivíduo tem sua dignidade moral e afetiva feridas. O
reconhecimento tem caído no esquecimento, por isso Honnet (2003), julga necessário um re-
aprendizado moral que seja levado para vida cotidiana nas interações sociais, pois sem identificação
afetiva, o outro é lidado como um objeto. A socialização, por esse ponto de vista, parece ser um
aprendizado da bondade, pois tratar o outro com desprezo, é pura maldade e egocentrismo. Cada um
é dado a ser visto, sendo que o sentimento de invisibilidade dá a sensação de estar sendo nadificado.

Estranheza de si e de sua história

Até que ponto nós conseguimos nos sentir confortáveis com a nossa história é uma questão que a
maioria procura fugir, mas que nos incomoda, porque é de vital importância para o nosso imprint
biográfico na teia do todo. Da morte não podemos escapar, embora tenhamos dificuldade de aceitar
o ciclo completo da vida, sobretudo o envelhecimento, que parece cruel na sua inevitabilidade. Em
meio aos jovens superproduzidos, resta aos idosos a invisibilidade. Quando se pensa em vida e em
morte, se pensa em sentido, em gozo, em contribuição pessoal para o modo como as coisas
funcionam. Pode-se pensar também em missão, não apenas num sentido místico, mas sim num
sentido mais abrangente que envolve a nossa participação real através de nossos atos a cada dia e de

111
como isso repercute na vida dos outros e no ecossistema. A morte nos coloca contra a parede, pois a
consciência de que nosso percurso deixa rastros implica numa preocupação com o cuidado. Cuidado
de si, do outro e do meio ambiente. A atitude humana deixa marcas naquilo que entendemos como
eternidade, ou processo histórico da vida do espírito em evolução na dimensão do espaço-tempo.
Nosso rastro, ou imprint, atinge o corpo-alma-espírito das pessoas e atmosfera coletiva, em alguma
medida. Uma delas é na lembrança, tanto aquela que temos de tudo o que fizemos, como aquela que
repercute nas lembranças dos outros. Cada um gostaria de deixar uma imagem positiva, porém
interagir com a diversidade exige uma sensibilidade ecológica do tipo indígena, aquela que busca
harmonia com a comunidade e com a natureza. Infelizmente, nossa civilização se esqueceu dessa
delicadeza de ser. Somos a cada dia lembranças vivas que ressoam dentro e fora de nós. Seremos as
lembranças dos antepassados na memória das futuras gerações.

As lembranças parecem se inscrever no espaço geométrico de imagens holográficas que afloram no


campo consciente espontaneamente, ou através da busca, do querer se lembrar ou ficar sabendo. As
imagens se atrelam as palavras, as músicas, aos barulhos. Esse emaranhado vibratório ressoa no
nosso sistema neural, enquanto atividade do corpo-alma-espírito. No espaço da imaginação tem a
história passada e atividade criativa que procura se lançar no futuro. O eu se inscreve nesse espaço
como sujeito que imagina. A imaginação sobre o presente só é pura se não for contaminada por
nenhum nó semântico. Lussato (2007) nos previne sobre os nós semânticos que, com suas escalas
de valores pré-estabelecidos por minorias, que têm poder econômico, político ou religioso, os quais
funcionam como imprints no nosso sistema neural. Assim, resta-nos distinguir, na nossa escala de
valores, o que é genuíno e o que é imprint.

As imagens que nos atraem e que nós construímos no nosso imaginário podem resultar numa vida
que se revela inadequada à nossa natureza, transformando-nos em pessoas frustradas, infelizes e até
hostis. Circulam nos meios visuais tantas imagens que mostram fantasias, mentiras e artifícios, com
as quais estamos sempre em contato, que isso pode transformar nosso destino em um fato
completamente estranho aos nossos desejos, porque fomos seduzidos por uma concepção
imaginária e simbólica que não se concretiza no real tal como esperamos, porque nosso potencial e
nossa capacidade dentro do contexto em que vivemos não correspondem aqueles ditames artificiais.
Isso pode acontecer se o sujeito, aquele suposto de sua história, foi posto de lado em favor de um
aspecto de sua persona que ficou obcecada por um imprint de uma ilusão de felicidade que fica
depositada num futuro que não chega nunca. O grau de satisfação com o caminho que percorremos
mostra o nosso acordo e desacordo com o que fizemos. Caso estejamos numa condição de
desacordo crônico, há definitivamente um fator inconsciente patológico nos conduzindo e algo está
errado. O Self foi tomado por um Falso-self.

Cada dia é uma oportunidade para retomar uma autoria consciente, responsável e madura por nossa
história. Começando pelo trato humano, é uma questão ecológica espiritual oferecer nossa inteireza
de corpo-alma-espírito ao meio em que vivemos, abrindo mão de padrões nocivos de interação com
os outros e com as coisas no próprio dia a dia. Conscientes no corpo-alma-espírito e conectados
com nossos objetivos espirituais expressaremos uma ética espiritual que purifica o karma. Isso
significa que se nos conectarmos com essa inteireza corpo-alma-espírito e buscarmos isso nos
outros, podemos melhorar o curso de nosso destino e termos mais paz de espírito. Escalas de
valores e crenças impingidas por imprints artificiais nos distanciam de nossas verdadeiras
motivações, inclusive aquelas de viver e de celebrar a vida.

112
Cada dia, também, pode aparecer apelos para nos enredarmos em karmas que podem nos trazer
muito estresse e sofrimento, se não tivermos o bom senso de constatar o quanto podemos nos auto-
iludir e ficarmos obcecados por coisas e pessoas que podem nos trazer muito dano. A imagem que
fazemos de uma situação que ainda não experimentamos pode não corresponder à realidade.
Pressionados pela pressa em sermos felizes podemos arranjar muito sofrimento e arrependimento e,
ao mesmo tempo, negligenciar justamente o que temos de bom dentro de nós que pode representar o
potencial da nossa auto-realização. O inconsciente pessoal já nos influencia com o nosso
desamparo, medo, voracidade, inveja, desejo. E, por sua vez o inconsciente coletivo, também nos
influencia com a atividade do imaginário das populações, dos arquétipos, dos mitos (antigos, atuais
e futuristas). Temos tudo que precisamos para nos confundir e virar uma personificação estranha
ao que poderíamos chamar de sujeito consciente. A consciência de que há erros irreparáveis e que
nosso passado nos acompanha, deve servir para estabelecermos um norte, e não para nos
desesperarmos. O porto seguro está na busca permanente dessa consciência que busca a conjunção
corpo-alma-espírito permanentemente para conduzir o que está acontecendo. E isso exige reflexão,
uma parada, uma lembrança de si próprio agindo na vida diária com essa conjunção em mente. Isso,
sabendo que a qualquer momento o automatismo pode nos tirar o respeito de si e do outro. Atitudes
mecânicas e supostamente racionais, sem sensibilidade, intuição e instinto criativo, podem nos levar
a um grande distanciamento de nós próprios.

Além dessas influências dos nós semânticos da nossa cultura globalizada, nacional e transnacional,
há os arquétipos demoníacos que habitam a noosfera do imaginário espiritual coletivo que, como
todo arquétipo, têm poder de causar danos, estranheza, assim como provocar atitudes bizarras,
cruéis e prejudiciais. Uma psique frágil e influenciável pode ser literalmente devorada e tomada por
motivos estranhos a uma auto-realização sã e consciente, e , além disso, causar danos a si própria e
aos outros. Ficar presente de corpo-alma-espírito é que nos traz de volta para o que é benéfico e
benigno. Usar nosso fôlego, nossa respiração conectada ao nosso movimento proporciona um
assentamento da alma e do espírito no corpo e nas situações , tal como um retorno à fonte de
energia que emana da nossa identidade espiritual que se responsabiliza pelas marcas que deixa nas
pessoas e no mundo. Trata-se de uma decisão interna de vigiar a si próprio, ou de ficar a espreita de
si nas situações e pretender agir com mais inteireza e respeito.

Existem várias essências vibracionais de imagens no kit de Imagoterapia que contribuem para
integrar o sujeito ao seu momento e às circunstâncias de forma mais sã e consciente. Cada uma
dessas essências se encaixa em momentos diferentes pelos quais se está passando, pois as essências
de Imagoterapia tratam o paciente e a situação com o consentimento do sujeito que escolheu não
criar mais karma, ou motivos de arrependimento. É para aquele que não quer ser mais predador e
nem presa. Não há porque colocarmos todo o tempo nosso ego num jogo de competição e
provocação de conflitos, devido a nossa insegurança básica, que nos leva a decisões erradas de
conseqüências lamentáveis. Se isso nos ocorreu algumas vezes, deve servir de exemplo para que
não repita e para que não acabe cavando um creodo de atração para repetição de padrões nocivos.
Daí a necessidade de se auto-vigiar, de se auto-contemplar, tomando recuo de si dentro das
situações de interação com os outros e com as coisas.

A injustiça

Nos conflitos de amor e ódio, que estabelecem em vários tipos de relações, acontecem coisas muito
complexas que só uma mentalidade espiritual lúcida e benigna pode evitar que ocorram danos

113
morais que marquem profundamente a alma. O dano moral pode deixar uma pessoa descrente dessa
vida e de outra qualquer. É muito difícil espiritualmente suportar a injustiça e crer que o mundo
possa melhorar. Nossa integridade espiritual está em jogo e a ilusão está matando a humanidade.
Sobretudo a ilusão que o estilo atual de vida esteja nos fazendo bem.

A ausência de compaixão e respeito implica numa realidade cáustica e fria. Corações gelados
precisam se derreter. O amor lúcido de corpo-alma-espírito pode trazer a felicidade que precisamos.
Estamos fragmentados porque o corpo e coração não agüentam a violência e a miséria do mundo.
Não só física, mas uma violência e miséria espiritual, mental e emocional. A mente não-violenta
não consegue entender o suficiente sobre a mente violenta, e ainda, sofre seus efeitos até por meio
dos pensamentos tenebrosos que circulam na ambiência mental coletiva.

A luz parece não conseguir iluminar a vasta e complexa escuridão, pois vemos num caos
organizado em mentiras que estão nos destruindo. A população mente para si mesmo que nada pode
fazer para que o tudo melhore, pois se deixou tomar pela decepção com o resultados da ação dos
governos. A industrialização aliada ao progresso tecnológico se desenvolveu alimentando a
competição e a rivalidade. A riqueza fluiu para setores produtivos de bens e serviços que atingem
profunda e negativamente a integridade do corpo-alma-espírito. A mente humana não se organiza
inspirada no que é sagrado para a vida, mas sim é inspirada por objetos desnecessários que servem
a vaidade humana e que significam desperdício.

A mentalidade feudal continua disfarçada. Os servos viraram assalariados, mas a servidão continua.
A burguesia continua com a mania dos hábitos supérfluos tal como a nobreza tinha. Os feudos
viraram condomínios fechados, as pontes elevadiças viraram portarias eletrônicas. Uns se protegem
e deixam os outros desprotegidos largados ao desamparo, sujeitos à violência e ao saque. As
polícias não dão conta do crime organizado. A acumulação da riqueza continua só motivada pela
cobiça e é objeto de cobiça. A humanidade não é culta o suficiente para fazer concretizar a
bondade. As modulações de freqüências da teia quântica em que estamos inseridos é
constantemente perturbada por situações caóticas de trevas espirituais que atingem a saúde mental
das populações, as quais parecem ter sido treinadas para se voltar para o divertimento, na preguiça
de não refletir. As pessoas são treinadas para serem insensíveis e fugir para a fantasia. A sombra é
projetada no inimigo. Adoecemos de corpo-alma-espírito na interação com o meio, porque não
conseguimos até hoje criar uma ambiência sã. Não sabemos amar nem a nós mesmos, pois não
cuidamos da nossa felicidade como devíamos. Nos deixamos ficar infelizes, porque não temos
maturidade espiritual para agir com inteireza de corpo –alma-espírito. Muitas ações humanas são
predatórias e devoradoras de corpo-alma-espirito. O poder é exibido para ser respeitado pelos
subjugados. O saldo moral da nossa civilização é negativo.

O dinheiro sofre de sensibilidade virtual

Baudrillard (2005) salienta aspectos sobre o uso da imagem, que são relevantes para a saúde mental
das pessoas, na medida em que adverte para o deserto do corpo, do espaço e do tempo. Isso vem
acontecendo, segundo esse autor, devido ao encantamento messiânico do virtual, sendo que a mídia,
na sua teleimunidade, desmaterializa o poder. A mídia e a classe política estão perdendo credito e
credibilidade. Segundo Baudrillard, criou-se uma ordem mundial indiferente aos valores e
singularidades humanas, sendo que a classe política entedia-se na imunidade e impunidade.
Evoluindo em estado de não-gravidade muito longe do corpo social. (pp.30, 2005). A sociedade

114
real está desconectada da esfera política, sendo que a vontade política aparece apenas na televisão,
através das sondagens estatísticas.

Para Baudrillard, muitas outras coisas fundamentais para a sociedade estão apenas sendo vividas na
órbita virtual. A produção de bens está de um lado, e do outro está o dinheiro virtual da bolsa e da
dívida dos países, sendo que a primeira é regida pelos movimentos virtuais das segundas, ou seja, o
virtual está determinando o real. Para esse autor o virtual elimina a realidade e a imaginação, pois
desestabiliza a verdade e faz dos espectadores desaparecidos potenciais. No meio disso o Estado é
presa dos mercados e fluxos que o dominam de longe. (pp.76, 2005). As moratórias são virtuais e
jamais serão saldadas. Os capitais vivem num universo paralelo, num ritmo acelerado.

O mundo virtual que se criou, distanciou o homem do social e o dissociou também de seus valores
fundamentais, pelos quais vale a pena viver. Para Baudrillard, o homem se tornou um dejeto da
civilização, pois esta vivendo no automatismo cerebral e subdesenvolvimento mental. Os valores
que circulam são valores mundiais: o mercado, o turismo, a informação, a tecnocracia. A
mundialização das trocas põe fim a universalidade dos valores. (pp.112, 2005). Salienta que o
imaginário da catástrofe também é orbital. A exigência de singularidade vem do terrorismo
islâmico, o qual resiste a homogeneização, criando antagonismo.

Baudrillard comenta que as pessoas estão ficando indiferentes, não se revoltam e nem protestam
diante do espetáculo da corrupção que passou a ser uma forma de divertimento público. Afirma que
a regra do jogo é a economia perversa; o desvio do dinheiro público, as drogas, a indústria
armamentista, a publicidade e a loteria. O dinheiro depende do mal por princípio, trabalha para o
mal por destino, e para que se incline na direção do bem, deve ser desviado por vias sutis.(pp.102,
2005). Para esse autor o dinheiro circula na promiscuidade e os signos também. A ordem social
perde a cada dia um pouco mais de credibilidade.(pp.127, 2005).

A Internet é encarada por esse autor como um universo paralelo, onde a informação circula, se
acumula e é armazenada numa proporção que excede a necessidade e a capacidade do indivíduo.
Considera que a informação tornou-se um vírus e que estamos presos no encadeamento das redes e
no virtual, tal como figurantes interativos recebendo transfusão. As redes de comunicação
constituem um campo viral, e a transmissão instantânea é em si mesma um perigo mortal. (pp.123,
2005). Na interatividade com o virtual, a distancia é abolida entre os protagonistas da ação, entre
sujeito e objeto, entre o virtual e o real. Como os acontecimentos são virtuais a possibilidade de
juízo de valor desaparece.

Entramos na vida como numa tela. Vestimos a própria vida como um conjunto digital.
Diferentemente da fotografia, do cinema e da pintura, onde há uma cena e um olhar, a imagem
vídeo, como a tela do computer, induz a uma espécie de imersão, de relação umbilical, de interação
“tátil”, como já dizia McLujan sobre a televisão. Imersão celular, corpuscular: entramos na
substancia fluida da imagem para, eventualmente, modificá-la. (pp. 130, 2005). Baudrillard salienta
que até o texto é também percebido como uma imagem.

Podemos observar com isso, que esse contato tátil com o virtual está substituindo o contato tátil real
que envolve o calor humano, assim como o sentido grupo familiar, social e cultural como era
compreendido antes de haver Internet. O estar junto pessoalmente com o outro dá um sentido de Eu
e do Outro diferente do que ocorre no plano virtual. A expressão corporal e a energia, que a pessoa

115
emana por sua presença física, estão ausentes, o outro é imaginado, mas não realizado. Parece que
nessa imersão perde-se muito do bom senso e da saúde mental também. O virtual está produzindo
emoções que antes eram provocadas por contato direto, com isso perde-se o que era parte do
humano real, que é capturado para o campo virtual, dissociado para a realidade virtual. Esta passa
ser a fonte de satisfação de uma necessidade eletrônica. Nosso desejo é inspirado pelas ofertas da
tela. O fato de que as imagens são instantâneas, as realidades também ficam efêmeras e superficiais
e a consciência acostuma-se a não se aprofundar e não refletir a respeito do que estamos nos
tornando.

Não há mais distinção homem/máquina: a máquina situa-se nos dois lados da interface...o homem
transformado em realidade virtual da máquina. Mais adiante Baudrillard afirma: Tudo se limita ao
automatismo da programação, à declinação automática de todas as possibilidades...A máquina
virtual nos fala; e ela nos pensa. (pp.131 e 132, 2005). Ele considera que o espaço de liberdade na
Internet é simulado, pois sendo fragmentado em sites, a busca é atrelada a respostas pré-
estabelecidas. Não existe uma finalidade no sistema. A informação se transforma numa droga nessa
interação eletrônica e informática. Para esse autor o computador é uma prótese, pois a relação
interativa que temos com ele é tátil e intersensorial e nos tornamos um ectoplasma da tela.
Baudrillard comenta que a identidade não é dos indivíduos, mas da rede, a qual tem prioridade.
Dessa forma vai de encontro ao desejo de desaparecimento e de dissolução numa espécie de
convívio fantasma, com referencias virtuais, e não, a coisas reais.

Podemos pensar que nossa relação com o mundo eletrônico diz respeito à própria natureza dele, a
de elétron em órbita. Não havendo separação entre sujeito (homem) e objeto (máquina), nossos
elétrons interagem com os elétrons da máquina numa interalimentação permanente, em que
entramos em órbita junto com o mundo virtual. A pessoa fica imersa na tela, sendo que o sistema
nervoso (sensorial e motor) está a serviço dessa interação orbital, distante do espaço e dos eventos
ambientais fora da tela, como se o corpo só fosse instrumento dessa interação, ausente, portanto, do
ambiente circundante. A pessoa só desperta desse automatismo, se houverem estímulos inabituais,
principalmente sonoros e táteis. Após várias horas na telinha o corpo fica tenso e dolorido, porque
se ressente da falta do natural. Muitas pessoas ficam com doenças ósseas e musculares crônicas,
devidas à postura sedentária e tensa. Mas talvez também por intoxicação eletrônica. Longe do
mundo natural não só o corpo, mas o sujeito, como um todo, se ressente de não ser mais sujeito em
relação com o mundo natural e de não ter contatos táteis reais que exigem sua presença desperta e
atenta real, pois vira um anônimo artificial e orbital no virtual e se vicia em preferir a virtualidade à
realidade, pois esta o incomoda com suas exigências de responsabilidade de seus atos. Isso parece
demonstrar uma ausência de si mesmo e do mundo natural, numa espécie de autismo eletrônico
prescrevendo essa esquizofrenia atual. Dissociado da natureza, do social, do político, da moral e da
ética, o homem vai se tornando tão orbital quanto o dinheiro.

Nossa alimentação está se tornando também eletromagnética. Caímos na armadilha de uma


escravidão eletrônica, um estilo de vida que não pode mais parar, pois nossas atividades de
sobrevivência dependem dele. A Imagoterapia parte da constatação de que estamos nos alimentado
de campos de freqüências eletromagnéticas e mórficas tóxicas. Propõe um tratamento de
similaridade de princípio, mas não de conteúdo. Utiliza imagens com ondas de luz e formas
terapêuticas que servem de gatilho para quebrar o automatismo, assim como para estimular a
criatividade de forma a lidarmos melhor com a complexidade da vida, trazendo a consciência para a
nossa experiência diária. Estimula a relação de espírito para espírito face às verdades da vida,

116
respeitando a ética nas relações humanas, revertendo a submissão ao automatismo em escolhas mais
sãs e conscientes. No automatismo e na velocidade, perdemos nossa alma de vista, assim como a
percepção ecossistêmica do outro e do ambiente. Se não nos cuidarmos, orbitaremos junto com o
dinheiro e com o mundo da virtualidade social, sendo objeto das situações. Na frente das telas da
televisão e da internet estamos numa janela eletromagnética com informações que vêm
programadas sem grande margem de escolha. Motivos para reflexão e criatividade surgem mais
facilmente com a leitura de livros, debates e conversas de corpo presente.

Baudrillard (2005) comenta que a televisão, o dinheiro, a publicidade e a política giram sem
vergonha em suas próprias órbitas, enquanto as massas ficam cada vez mais sedentas de espetáculos
e de simulações. Sobre a televisão, esse autor afirma que por ter usado e abusado do fato através
das imagens, até ser suspeita de produzí-lo por inteiro, está virtualmente desconectada do mundo e
involui no seu próprio universo como um significante vazio de sentido, buscando desesperadamente
uma ética, na falta de credibilidade, e um estatuto moral, na falta de imaginação (uma vez mais,
vale para a classe política).(pp.142, 2005). Tudo parece indicar que a imagem tem sido usada como
suporte desses valores virtuais orbitais, que representam aparências de uma realidade desprovida de
um sentido que responda às necessidades humanas reais e prementes.

A imagem irradia sentidos

Para Barthes, palavras e sons são signos que compõem a linguagem verbal, no entanto esses signos,
que diferem em todas as línguas atuais, não correspondem à imagem psíquica deles e a relação
analógica entre significante e significado não é evidente, como é no caso da imagem. Para ele a
imagem é um significante que tem um significado e se pode fazer uma relação analógica, embora
ele também afirme que a imagem “irradia” sentidos diferentes. (pp.92, 2005). Barthes é muito
severo na sua crítica à publicidade, pois a considera como um meio abusivo de persuasão, pela
repetição, invasão de palavras e imagens e sobretudo, pela presença imediata e como que cínica do
dinheiro, sendo que as imagens e textos da publicidade não conseguem mascarar seu objetivo
comercial e que só encontraram meios ótimos para se desenvolver e de se integrar exaustivamente
na vida cotidiana das pessoas dentro do sistema capitalista. (pp.98, 2005). A publicidade, para
Barthes, é feita para nos chamar a tenção e nos chega de forma familiar e íntima no meio de outras
informações e divertimentos, soando como respostas aos nossos desejos e sonhos.

Barthes enfatiza que as técnicas publicitárias empregadas pretendem que a excelência do produto
seja vista de forma natural e a própria publicidade como justificada. (pp.106, 2005).As
articulações dos textos e das imagens vão direto ao mundo imaginário do receptor, passando a
habitá-lo, fazendo com que o sujeito se engane sobre si mesmo. (pp.111, 2005). Os assunto de que
se trata a publicidade, segundo Barthes, passam uma atmosfera de tranqüilidade que codificam
estereótipos do que seria a pessoa normal.

Embora a publicidade estimule a economia, vemos muitas pessoas que são muito consumistas se
divertirem assistindo propagandas, e gastam seu dinheiro para enriquecer alguns mais espertos. Elas
se alimentam de desejos e ideais de felicidade induzidos por outros e acumulam prestações para
pagar, o que, no fim, só gera angústia e não diminui o vazio real de suas vidas. Recursos financeiros
poderiam ser deslocados para setores que beneficiassem o homem e o planeta de forma mais ética e
responsável.

117
Nosso imaginário pode ser usado para criar meios genuínos de encontrar bem estar guiados por
valores que realmente contam para nós, se não for tão poluído e povoado por imagens que nos
induzem sobre a forma que gastamos nosso dinheiro e nosso tempo. Certas imagens funcionam para
nós como uma atração irresistível, e certas frases compostas podem se transformar em crenças para
nós. Nesse sentido é que nossa consciência pode ser perturbada e que podemos nos enganar sobre
nós mesmos para parecermos normais. A imagem terapêutica, por outro lado, pode ser usada para
desenvolver nossos potenciais, assim como ampliar nossa consciência e melhorar a nossa saúde
psicossomática.

Os objetos comuns tratados na publicidade, segundo Barthes, são incluídos num contexto de
conforto, euforia e encantamento, um verdadeiro cinema. (pp.114, 2005). Além do imaginário dos
assuntos há o imaginário sobre os temas. Outro truque da publicidade é que ela apela para nosso
saber, ligando o consumidor a signos do seu país e mitos culturais: graças a essas imagens, as
pessoas se sabem “integradas”, atraídas para um quadro social e histórico de relações
humanas....elas se sentem “reconhecidas” pelas instituições que distribuem essa sabedoria e esse
saber. (pp.115, 2005). Além do imaginário, a publicidade faz participar o corpo do espectador, pois
as imagens estimulam todos os seus sentidos sugerindo sensações de prazer antecipado.

As imagens ativam o nosso o nosso desejo e nossa sensação de falta. Podemos nos alienar em
desejos que não são nossos e sermos manipulados como marionetes, nos estressando, sacrificando
nossos desejos reais e nosso verdadeiro potencial que poderia nos levar a um estilo de vida mais
sadio. Se formos sinceros conosco mesmos, temos de reconhecer que nos deixamos envolver e
enganar pelo efeito do poder de certas imagens da propaganda, dirigindo nossos recursos e
intenções para finalidades fúteis. Sabendo que as imagens têm poder de envolver e transformar
nossa consciência, despertar nossos sentidos e desejos, assim como nossa atitude, então, podemos
usá-las de forma mais ecológica e ética, beneficiando as pessoas em vários contextos de suas vidas.

Barthes (2005) também salienta que, em relação às imagens representativas do corpo, como sendo
suscitadoras de fantasias e fetichismo, que enfatizam nos closes de certas partes do corpo num
movimento de sedução, o que para ele representa uma fragmentação do corpo que fraciona em
apenas algumas partes como significantes. Barthes considera que a linguagem publicitária coloca o
sujeito mais na condição de ouvir do que falar. O ato de ver parece ser um consumo de costumes e
saberes. Afirma que é compreensível que a sociedade hesite em discutir os “efeitos” das imagens,
pois precisa dela. (pp.68, 2005).

A abordagem holística da saúde visa a integração corpo-alma-espírito, em que o sujeito valoriza


quem ele é, e o que ele quer se tornar. Visa ser uno com o seu corpo no seu movimento para não
violentar a sua própria natureza, além disso, a percepção holística valoriza a identificação do sujeito
com seu caminho na vida, buscando se responsabilizar por suas escolhas e interferências, pois
considera o outro, a nível pessoal e coletivo, como sagrados, e o planeta como uma coisa viva, que
precisa ser cuidada e amada. Nessa perspectiva o sujeito precisa estar presente e unido ao todo
energeticamente, emocionalmente, mentalmente e espiritualmente. A responsabilidade espiritual é
um compromisso com sua biografia e isso o protege contra o medo do desconhecido e contra
armadilhas de ilusões que podem capturá-lo.

A imagem de ideal de beleza, sucesso e poder funciona como um espelho em que a pessoa se
identifica e se mistura com esse reflexo. De certa forma, a pessoa precisa ser e ter essa imagem,

118
sofrendo a agonia constante da frustração da realidade que não corresponde aos anseios mais
íntimos de ser e ter, onde ocorre uma acumulação de fantasias que possuem ou tocam o imaginário
da pessoa – como um imprint artificial - e manifesta no real num trajeto de busca de um destino
incompatível com a natureza íntima e com as suas condições reais de existência. Trata-se de uma
mecanização de conduta que reinscreve um destino artificial e uma biografia alienada sem autor
genuíno. A nível psicológico a pessoa fica encurralada numa armadilha e cai na desistência de
buscar e realizar o que seria realmente melhor para ela, renunciando a coisas de significado muito
mais relevante para a sua satisfação real, por isso, que muitas vezes, a pessoa se deprime, sofre de
ansiedade e fica desmotivada de viver.

Nossa realidade, mais próxima, pode ser vista como o conjunto de tudo que estamos realizando em
qualquer dimensão da vida de relação. Nossas realizações dependem de uma anterior imaginação da
forma; e elas têm um significado simbólico. Se nossos significados são gerados pelo imaginário da
mídia estaremos artificializando nossa vida. A mídia dita formas e as formas irradiam uma
informação. Em radiestesia estuda-se que as formas irradiam oscilações vibratórias que ressoam nas
pessoas. Nessa perspectiva, a vida é radiação, uma oscilação vibratória viva. Nossas células vibram.
Estamos sempre sofrendo radiações de todo tipo, tais como de raios cósmicos, vibrações
eletromagnéticas, telúricas e outras, que afetam a oscilação celular podendo causar desequilíbrios e
doenças físicas e psíquicas. Sheldrake (1985) enfatiza a importância dos campos de forma que têm a
memória genética, assim como campos dos hábitos dos seres vivos. O campo mórfico dá a forma e
a informação de hábitos na matéria viva.

As informações contidas nas imagens nos chegam por emanação, i.é: a imagem emana uma
informação. A maior evidência disso, como já vimos, pode ser constada na propaganda. A
propaganda propaga a imagem de uma marca que fica registrada na nossa mente. Conforme a
maneira que uma propaganda é feita ela pode até passar uma informação que sugere uma
credibilidade que é introjetada no imaginário das pessoas como se fosse real. Como a imagem
emana uma marca, imagem e marca se equivalem, são, portanto, uma mesma coisa. Como a
imagem emana, suas ondas de emanações são por nós captadas mesmo que não olhemos para elas.
Essas ondas viajam instantaneamente até nós, tal como se afirma no princípio quântico de
correlação instantânea de dois objetos situados a distância, ou tal como a influência dos significados
coletivos inconscientes e conscientes que chegam de certa forma até nós, via inconsciente coletivo.

Conforme a teoria dos sistemas complexos, os campos se interpenetram em hierarquias, sendo que
campos mais sutis envolvem os mais densos, campos mais abrangentes envolvem os mais
específicos. Campos mais antigos,como o dos mitos, são tão fortes, que precisamos um trabalho
psicológico intenso e consciente, para nos livrarmos de suas interferências nas nossas relações
afetivas. Atualmente, estamos envolvidos pelo campo do capitalismo global, que tem recursos
audiovisuais eletromagnéticos para se fortalecerem, pois através da mídia e da propaganda, um
estilo de vida e uma visão do mundo são impressos nosso sistema sensório motor e neural.

O campo quântico em que nos situamos aqui no planeta Terra é um campo que contém informações
de tudo que existe aqui, inclusive memórias históricas e tendências de probabilidade de
acontecimentos futuros. Este campo influencia a realidade tridimensional. A realidade
tridimensional é uma ilusão que nosso cérebro cria para que possamos navegar no mundo material.
Sabemos que quanto mais tentamos analisar a partícula, mais constamos que ela é onda, porque
matéria e energia são uma mesma coisa. (E= mc2). A matéria pode ser considerada como uma

119
vibração, assim como nosso corpo e nossa mente. Tudo em nós está sempre funcionando mesmo
quando estamos dormindo. Somos energia funcionando e estamos em relação com Tudo.
Recebemos e emanamos influências mesmo que não tenhamos consciência disso.

Assim, podemos escolher, ate certo ponto, do que queremos nos influenciar fazendo um certo tipo
de triagem e cuidado, como também podemos cuidar em escolher que tipo de vibrações que
queremos emanar. O Eu Transcendente, tão enfatizado pelos junguianos, é equipado para exercer
este cuidado e nos inspirar. O processo de conhecimento interno e externo passa pela consciência da
experiência das influências das emanações, que recebemos, e das nossas próprias emanações. Na
medida em que nos deixamos tomar, ceder e derrubar as barreiras de crenças profundas internas e
externas que criamos e que nos submetemos, podemos nos individuar e acessar níveis
transcendentes. Transcender no sentido de se permitir conhecer, vencer nossa relutância em
permanecermos ignorantes face à certos aspectos da realidade presente, que são gritantes e estão
além das ilusões das fantasias pessoais e coletivas. É uma decisão interna do Eu, que não quer mais
se prender as imagens passadas dos traumas sofridos e nem deseja mais se prender as imagens
construídas pela pressão acelerada e imposta pelo sistema de vida atual.

Virilio (1994) afirma que estamos nos transformando numa civilização do esquecimento. Através
do esquecimento de verdades, configura-se um destino que se desdobra em inquietações, ameaças
sombrias, culpas sem nome, sentimentos de perseguição, criação de inimigos absurdos, medo da
morte, sentimentos de incompletude.

Os seres gerados por este sistema são pessoas que estão compromissadas com um estilo de vida
num contrato de submissão.

Quanto mais as pessoas se deixarem envolver e poluir por informações que as distancia do seu Self,
estarão reforçando apenas a personalidade (persona=máscara) idealizada pela mídia, permitindo,
com isso, que este sistema de vida continue a se expandir ganhando mais poder. Muita gente finge
que alguns valores relevantes para nós não estão sendo reprimidos e nem frustrados pois,
supostamente, vivemos numa democracia. Parece ironia do demo.

Diariamente sofremos uma lavagem cerebral acelerada. A velocidade da vida atual está
consumindo nossa vitalidade, gerando adrenalina e cortisol que consome a juventude de nossas
células, atuando de forma estressante em todo nosso organismo e em nossa psique. A vida acelerada
cria muita tensão nos fazendo viver em simpaticotonia constante, isto é, nosso sistema
neurovascular se contrai e o endócrino se desorganiza, enquanto nosso sistema cognitivo é
perturbado pelos barulhos da desinformação.

Na verdade, o dinheiro passa rápido pelos consumidores, pois o objetivo é permanecê-lo sob o
controle do sistema bancário e especulativo. Parece que as pessoas passam mais tempo suportando a
vida do que sentindo algum prazer genuíno de viver. Os relacionamentos estão contaminados por
uma espécie de desespero, pois o outro passa a ser o reflexo e o receptáculo das exigências e
carências alimentadas por fantasias, algumas, que só o dinheiro pode pagar. O vazio interno
aumenta, assim como o egoísmo, a falsidade, o desprezo, o desrespeito, o sarcasmo, a arrogância, a
ansiedade, a insatisfação, o medo, a angústia e o ódio, inclusive o ódio de si próprio.

120
É um estilo de vida armadilha, que passa uma mensagem subliminar ameaçadora em que todo
aquele que não se submeter será rejeitado, excluído e fadado ao rótulo de fracassado.

A imagem do sucesso é uma teia de ilusões e, como toda a ilusão, quanto mais a perseguimos, mais
mentiras internas e externas criamos para sustentá-la. A mentira é o sacrifício da verdade. Nosso Eu
é sacrificado, nossa vida, outros Eus, a vida de muitas pessoas. Muitas pessoas na Terra já nascem
predestinadas a morrer de fome, outras a morrer nas guerras de poder econômico, outras na doença.
Isso é resultado do descuido humano e da falta de compaixão. A teia da transcendência é alimentada
pela compaixão e amor. Compaixão para com o chamado de nossa alma e nosso espírito sedento de
verdade. Compaixão por todos aqueles que não tem a chance de fazer escolha, porque são vítimas
de circunstâncias avassaladoras para a vida interna e externa, como é o caso das doenças graves, das
guerras e da miséria.

Através da Imagoterapia podemos utilizar imagens benignas que conectam a pessoa com sua
especificidade, estimulam sua originalidade criativa, sua confiança, sua perseverança para atingir
seus fins viáveis, a harmonia dos seus relacionamentos e momentos. Contribui para deixá-la mais
desperta e bem consigo própria, reintegrando-a ao coletivo de forma mais autêntica e gratificante.
Há imagens de Imagoterapia que vibram de forma a reintegrar a psique, para que o sujeito faça seu
próprio senso de sabedoria, para formar sua própria visão do mundo mais integrada com a realidade
interna e externa, reforçando sua responsabilidade como co-autor de seu destino.

Pessoas querem ser ícones

Através da composição de penteados, vestimentas e acessórios, pessoas de alto poder aquisitivo


querem se passar por ícones, objetos de idolatria. Mesmo pessoas de baixo poder aquisitivo querem
marcar presença pelo seu aspecto externo e, para isso, se endividam, pois o visual que chama
atenção está na moda. Um look casual pode custar muito mais do que grande parte da população
não consegue ganhar em um ano trabalhando duramente. Nosso look é a imagem que mostramos ao
mundo,a qual será avaliada, criticada e categorizada, já a primeira vista. O quanto se gasta com ele
pode mostrar o quanto se pode ser fútil.

Apesar das pessoas se preocuparem com o seu aspecto, parece não se deterem na qualidade do trato
humano. Andar pelas ruas pode exigir grande dose de paciência, pois por toda parte e cada vez
mais, predomina a grosseria espiritual, a qual engloba as varias maneiras de ferir os outros sem um
motivo sensato. A crueldade e frieza de certas pessoas, têm efeito negativo na matriz hologramática
da população, assim como na inteligência eletrobioquímica que regula as modulações de freqüência
que precisam ser compatíveis com condições saudáveis de existência. O que faz com que a
população esteja doente. Estamos irremediavelmente desgastados moralmente, decepcionados com
os resultados do estilo de vida que se instala nesse inicio de milênio.

As pessoas estão apaixonadas pelas máquinas e seus designs. A velocidade das máquinas não é
compatível com um ritmo saudável da vida celular, nem com os mecanismos de informação que
regem a inteligência do organismo. A velocidade e a pressa fazem perder contato com o mundo
natural, habitat que nos permite sobreviver no nosso planeta. Nas cidades passamos rápido, com
nossos calçados, nas calçadas, ruas e dentro das construções de cimento. O contato direto com a
natureza permite que os pés se aterrem e que nos liguemos com o céu (sol e outras estrelas). Permite
uma ligação Terra-Cosmos através da sensação, do imaginário, do uso da respiração e da

121
receptividade de coração que serve como base da vontade de se inserir num contexto maior e mais
natural.

O centro da Terra é a fonte mais profunda da energia Yin. O Yang circunda o planeta com a luz do
sol e das estrelas. A Lua também é Yin, porque é um arquétipo feminino que exerce regulação
sobre vários ciclos fundamentais para a vida humana. A Lua também influi nas emoções humanas.
Conectar-se com ela permite desenvolver nossa sensibilidade, um tipo de sensibilidade indígena que
quer buscar harmonia com a natureza e nela encontrar conforto, desafios, ensinamentos e meios de
suavizar a desumanidade. O Yin-Yang do mundo natural contribui para o equilíbrio Yin-Yang da
nossa psique e do nosso corpo.

Os confortos da vida urbana são disputados por trabalhadores que se conformam com um estilo de
vida muito estressante que paira como uma atmosfera de entropia (desorganização) acelerada. O
desgaste humano na correria com as máquinas está entristecendo as populações. Poucos olhos
brilham na multidão, mesmo os jovens mostram um olhar indiferente e cansado. Somente quem se
produz como ícones artificiais é que chama atenção, mas não pela alegria do olhar, mas pelo reflexo
da sua vaidade e exibicionismo. É raro encontrar um olhar amigo na multidão. Todos correm de um
lado para outro como se o corpo fosse uma máquina. Muitos parecem cansados e quando tentam
descansar acabam se incomodando, pois as promessas de divertimento são ilusórias. Como a maior
parte das relações não se dá de corpo-alma-espírito, ficamos partidos por dentro para suportar o que
se encontra fora.

Entramos nesse milênio com pressa sem demonstrar saber aonde queremos chegar nesse ritmo. A
busca de prazer e conforto pode passar caminhos muito cruéis. Objetos de luxo e de sofisticação
simbolizam o sucesso econômico mas podem refletir também o insucesso moral das pessoas que
buscam coisas superficiais do mundo da high tech e da moda, que as deixam cada vez mais
distraídas do que faz parte do humano, da interioridade de cada um. Nosso mundo interior interage
com o mundo exterior formando uma matriz energética que vibra. Nosso equilíbrio vibratório é
muito perturbado por vibrações de maldade. É preciso muita bondade para parar e refletir, pois é
necessário a auto-permissão de rever conceitos, comportamentos, condutas, para se examinar do
que se é feito.

O campo imaginário coletivo está poluído por desinformação. Assim, informar-se passa ter um
critério ético. Cuidado e respeito pela dignidade e integridade humana é um valor quase não ressoa
nos nossos sistemas neurais, pois há uma contínua transferência de freqüências incompatíveis com o
que é bom e saudável.

Acostumamos a suportar o que é ruim sem rebeldia. São comuns as trocas de freqüências entre
pessoas que têm teor de desrespeito pelas sensibilidades mútuas. Parece que paira sobre as cidades
um clima ruim com mal-entendidos que se expressam em egoísmo e arrogância. Devido ao
ressentimento, as pessoas precisam de mediadores para se entender e mesmo assim as coisas não
ficam claras. Quanto mais esclarecimento se tem, mais é possível diagnosticar problemas de
convivência, para que se possa tentar corrigí-los. A confusão que reina tem autores que parecem
quere confundir mais a mente das pessoas. Esclarecer quais são as verdadeiras necessidades
humanas precisa passar por uma re-visão. Uma delas é tornar a ver por onde anda circulando o
dinheiro, o qual poderia estar financiando condições de existência mais dignas.

122
Nossa dignidade se corrompe com nossos desejos. Tomamos como nossos, os desejos de alguns
prepotentes que querem ficar ricos alimentando desejos artificiais que simulam felicidade a qual
nunca atinge de fato as populações. Parece haver uma imaturidade financeira que paga um estilo de
vida predatório do corpo-alma-espírito e do ecossistema. Quem presume que pode ser feliz
semeando infelicidade está muito enganado, porque a infelicidade é contagiosa e atinge
profundamente a alma humana. A felicidade não é compatível com a intimidação, o
constrangimento e a competição.

A felicidade vem com a bondade e a sinceridade. O desenvolvimento da bondade caminha junto


com a gratidão, formando uma comunhão de amor. Proporcionar felicidade é um aprendizado que
só se adquire na experiência. É necessário um desejo profundo de causar uma impressão positiva na
alma do outro, o que vai repercutir na sua saúde psicossomática mútua.

Torna-se necessário procurar um entendimento maior espiritual sobre como melhorar a qualidade de
nossas almas através da compreensão a partir o corpo-alma-espirito das situações de relação. Com
esclarecimento espiritual a vida fica mais justa. Porque a espiritualidade busca uma ética que visa
despertar um desejo de entendimento maior de como as coisas funcionam nas relações humanas.
Certas crenças podem deturpar a percepção do mundo, pois fragmentam grupos de pessoas e as
bifurcam para o caos. A reorganização só se obtém com um entendimento maior, senão é pura
tapeação de parasitas sociais que ganham dinheiro produzindo direta ou indiretamente crenças e
mais sofrimento humano.

A teia quântica planetária está repleta de ilhotas caóticas. E o buraco negro de atração é a maldade
humana. Maltratar alguém atinge de forma traumática a inteireza quântica do outro. A maldade
despedaça as almas. Os motivos pelos quais alguém explora o outro sem piedade não se justificam a
nível moral. Quem não bem-trata, maltrata, ou passa de longe para não ter contato. A compaixão é
abrir mão da vaidade e do egoísmo. Falta vontade de criar uma atmosfera de amor e agir de maneira
a criá-la. Seria como buscar pretextos consistentes de difundir amor. Se estivermos secos e
ressentidos por dentro, temos de compreender, pelo menos, os motivos do outro e avaliar os
resultados dos seus atos, se são positivos ou não, num nível maior de entendimento.

A supraconsciência não nos captura como um atrator se não bifurcarmos para esse nível de
entendimento. Se criarmos fractais inúteis, só estamos enredando mais a teia quântica a qual
estamos inseridos e emaranhados. Há que fazer um salto do tipo orbital, para deixar de orbitar em
atmosferas mentais mais pesadas. Basta priorizarmos a delicadeza de ser.

Conforme é nosso contexto, conforme serão nossas perspectivas. Há um ponto de vista mental que
pode sempre se superar, se procurarmos ter um conceito cada vez mais re-organizado de nós
próprios e do nosso estilo de vida. A atividade motivada por emoções positivas dá consistência ética
no que diz respeito ao outro, que age por ressonância no campo emocional coletivo. O sossego e a
mansidão proporcionam um prazer inigualável.

Por uma política de civilização

Para Morin (2007) a grande necessidade atual é uma política multidimensional de civilização
fundada na qualidade de vida visando solidariedade social, convívio e produção responsáveis, que
favoreçam a saúde, assim como o retorno à ética, a simplicidade e ao pacifismo. Essa política

123
deverá, ao mesmo tempo, favorecer a criação de empregos ligados à edificação e propagação desses
valores, assim como os da ecologia, os quais, no futuro, se traduzirão numa diminuição de gastos
em saúde, em consumo de calmantes e antidepressivos, que são resultado da exacerbação da
angústia humana face ao estresse causado pelo estilo de vida atual.

124
IMAGENS, SONHOS E SÍMBOLOS

A atividade elétrica do cérebro e as imagens nos sonhos

La Berge (1998) considera que no sonho, o cérebro utiliza informações internas para simular o
mundo exterior fazendo uso, então, de processos mentais e de percepção, assim como fisiológicos,
semelhantes àqueles usados para compreender o mundo quando no estado de vigília. Para esse
autor, para entendermos os sonhos temos de entender a percepção e a consciência. La Berge encara
o sonho como uma manifestação de nossa criatividade em narrativa, independente das limitações de
espaço, tempo e de outros fatores contextuais, os quais a consciência de vigília precisa se submeter.

Comb e Krippner (1998) consideram que tanto estados inconscientes como conscientes recaem em
padrões semelhantes aos atratores caóticos. No caso da produção de imagens e significados nos
sonhos, em que a atividade elétrica e bioquímica se altera, há uma tendência para serem exploradas
outras bacias de atratores, tais como as dos complexos e mitos. Para esses autores estados de
consciência desperta, de meditação, xamânicos e os sonhos são funções psicológicas que se auto-
organizam em padrões peculiares a cada um desses estados, sendo que o corpo reage em
ressonância com esses estados. Afirmam que o estado de consciência desperta é mais relacionado
com percepções sensórias diretas do mundo externo, enquanto que o estado de sonho, quase privado
de estímulos externos, está mais livre para a ativação de memórias de outras áreas do cérebro. As
modulações de freqüência das ondas cerebrais também diferem nesses dois estados fazendo com
que entrem ressonância com os diferentes conteúdos psíquicos.

Hobsom (1998) afirma que diferentes estados neurofisiológicos, eletrofisiológicos e


comportamentais correspondem aos diferentes estados de consciência desperta e aos estados de
sono com sonhos. No estado de consciência desperta a função mente-cérebro se integra
organizadamente para se ocupar do mundo, do corpo e do si mesmo, ativando a sensação,
percepção, atenção, memória, cognição, linguagem, emoção, instinto, vontade e ação. Considera
que no estado de sonho, o cérebro se auto-estimula e se auto-ativa de forma irracional com
processos cognitivos bizarros associados a padrões de atividade elétrica neural de baixa freqüência
e entrando em padrões bioquímicos opostos ao da vigília, que favorecem as intensas alucinações
visuais dos sonhos. Estados de vigília e de sonho apresentam medidas elétricas e fisiológicas bem
diferenciadas.

Outro fator interessante que podemos considerar é que , por um lado, se o sonho é resultado de uma
variação na atividade elétrica do cérebro, supõe-se então, que há um campo eletromagnético para
veicular as imagens sonhadas e que ele é de baixa freqüência (em torno de 20Hz). Ou seja, luz e
informação andam juntas na atividade neural. Por outro lado, as ondas de forma, conforme a
hipótese dos campos mórficos de Sheldrake (1983), são associadas ao significado cujos campos são
também de baixa freqüência. É necessário que a atividade elétrica do cérebro seja de baixa
freqüência para a formação espontânea das imagens nos sonhos. Freqüências de imagens são
associadas a freqüências baixas das cores da luz visível. Nesse contexto observa-se que a trilogia de
Berger (2003) luz-informação-matéria viva parece realizar-se em baixas freqüências
eletromagnéticas e mórficas.

O significado simbólico das imagens

125
No seu livro sobre a vida simbólica, Jung enfatiza que, quando as palavras ou imagens significam
mais do expressam, elas têm um valor simbólico, pois têm um aspecto abrangente inconsciente que
nunca se deixa exaurir ou definir com exatidão.(pp.194, 1988). Dentro do contexto dos sonhos
conceitos e figuras simbólicas transcendem o pensamento racional, exigindo muita reflexão na
interpretação do seu significado. Para Jung nós produzimos espontaneamente símbolos nos nossos
sonhos; e os sintomas neuróticos e os complexos psicológicos também simbolizam alguma coisa.

Dentro dessa forma de pensar sobre imagens, podemos considerar que as imagens terapêuticas
podem simbolizar, subliminarmente, mais do que elas expressam enquanto slides de uma paisagem,
ou de uma galáxia, ou de uma arquitetura gótica. As imagens terapêuticas podem ir direto interagir
com um sintoma ou complexo, para realizar uma transformação simbólica, que vai contribuir para a
pessoa modificar sua vida para melhor e se libertar de velhos padrões. A imagem terapêutica tem
uma vitalidade oposta à vitalidade dos sintomas e complexos contribuindo, dessa forma, para
neutralizá-los e deixar que o self corporal, psicológico e espiritual possa re-emergir. Isso se traduz
numa mudança de atitude no paciente em relação a si mesmo, aos outros e à vida.

Para Jung certas imagens sensoriais significativas contêm energia e permanecem no inconsciente
podendo submergir na consciência, por associação, a qualquer instante de nossa vida, quando a
nossa percepção subliminar estimula nossa memória. Todos os conteúdos da consciência já foram
subliminares, ou podem tornar-se outra vez subliminares, constituindo assim uma parte da esfera
psíquica que chamamos inconsciente.(pp.206, 1988). Cada conteúdo consciente tem sua
correspondência subliminar.

Através da análise com os seus pacientes, Jung percebeu que o inconsciente preserva em sua
memória idéias, mitos e ritos primitivos, que para ele, não são apenas resíduos arcaicos como Freud
chamava, mas, ao contrário, são de interesse vital, precisamente pelo seu caráter histórico.(pp.209,
1988). Trata-se de uma linguagem figurativa que tem a função de traduzir sentimentos e emoções
atuais, pois a linguagem dos sonhos (visual e verbal) tem sua maneira própria de se expressar, já
que o inconsciente funciona de forma autônoma. As imagens dos sonhos, inclusive, produzem
sensações no corpo, pois fazem parte de nossa psique como um todo, expressando assim, conteúdos
dela e instintos que a consciência, normalmente, não consegue captar, mas que, no entanto, são
emergentes.

Jung afirma: A civilização é um processo altamente custoso e suas conquistas tiveram o preço de
perdas enormes cuja dimensão esquecemos na maior parte das vezes ou nunca mensuramos.(pp.
21, 1988). Jung considera que a consciência tem tendência a se deixar atrair por distrações externas
e se desviar por caminhos estranhos e inadequados a sua individualidade. Nesse sentido, as imagens
dos sonhos têm um papel compensador e podem revelar à consciência conteúdos que estavam
incubados no inconsciente, pois essas imagens expressam, simbolicamente, o estado do
inconsciente e vêm acompanhadas de emoções que a consciência não deu atenção.

Para Jung (1988), os sonhos recorrentes nos mostram que temos alguma uma atitude defeituosa de
vida, ou podem ser reflexo de alguma experiência traumática que deixou em nós um preconceito
específico ou, além disso, podem também preceder a algum acontecimento importante do futuro.
Por isso, considera necessário examinar em profundidade o contexto das imagens oníricas. Comenta

126
que os símbolos não aparecem apenas nos sonhos, pois podem aparecer em nossas manifestações
psíquicas e em situações da vida.

As imagens coletivas, para Jung, são manifestações espontâneas de representação coletiva que
simbolizam valores culturais ou religiosos, que têm forte influência em nossa vida. Jung faz uma
distinção entre sinal e símbolo. Para ele o sinal aponta para uma idéia consciente e expressa menos
do que a coisa quer significar; enquanto o símbolo é sempre mais do que podemos entender a
primeira vista.(pp.125, 1988). Para ele, entender a linguagem das imagens oníricas é uma ciência.

Quanto às imagens primordiais, para Jung, representam resíduos primordiais do espírito primitivo
de representações coletivas e da mitologia. Estas imagens, ele denomina de arquétipos que são
tendências hereditárias da psique humana de construir representações míticas onipresentes no
espaço e no tempo, tal como a figura do herói e a rivalidade fraterna, por exemplo. Jung (1988)
considera que os arquétipos têm iniciativa e energia próprias; sua manifestação na consciência
pode vir carregada de emoções fortes tais como a numinosidade e o encanto. Os arquétipos, como
os complexos, influenciam a vida das pessoas, das nações e de uma época, através dos costumes,
rituais, motivações e estilo de vida, assim como podem ocasionar comportamento hostil e falso
entre as nações. Para Jung, os conflitos que enfrentamos estão nos levando para um sentimento de
desamparo que atormenta a consciência ocidental.(pp.246, 1988). Afirma: a pessoa consegue
suportar dificuldades inacreditáveis quando está convencida do significado delas, e se sente
derrotada quando tem de admitir, que, além de sua má sorte, aquilo que faz não tem sentido
nenhum.(pp.248, 1988).

Dentro desse contexto, ninguém pode proteger, de fato, o desamparo do outro, porque todos têm
medo. Além disso, hoje em dia o sentimento de estar amparado está mais fortemente ligado ao
dinheiro do que a falta de qualquer mãe nutridora, pois além da escassez de amor, há escassez de
meios de sobrevivência, que leva muitas pessoas ao ódio mortal, à submissão e a atitudes
desesperadas.

Atualmente, o uso da criatividade de muitas imagens publicitárias que sustentam ilusões e novos
mitos, contribui para alimentar o capitalismo global, particularmente o capital financeiro, pois cria
endividamento, portanto, ganhos com os juros para o dono do capital e perdas para o tomador de
empréstimo. O consumo do supérfluo tem servido para mascarar a vergonha reprimida, face à
miséria humana material, psicológica e espiritual, que assombra e desespera a consciência coletiva.
Se não temêssemos essa miséria, que é nossa, poderíamos encará-la de frente e definir soluções. O
desespero só tem feito enriquecer os laboratórios farmacêuticos, a industria armamentista, a
indústria da moda e da diversão. A violência tem sido banalizada na mídia e no cinema, como um
entretenimento, que insistentemente ocupa o imaginário do expectador.

O último modelo de ser ilusório pode ser perseguido, e acaba por modelar a auto-estima das
pessoas, como que criando uma história esquizofrênica. A mente humana tem a capacidade de criar
mitos distorcidos para congelar seus sentimentos, perseguindo status e poder. Trata-se de um meio
de vida que certas pessoas têm a frieza de usar outros seres como objetos para atingir seus objetivos,
ferindo a dignidade dos outros e se comportando de forma indigna. A inveja, a mentira, a cobiça
parecem ser os sentimentos fortes dominantes desse estilo de vida. Acho difícil que isso aconteça
sem que haja fragmentação do ego para disfarçar as muitas caras que a pessoa faz para se aproveitar
dos outros. Por trás de cada cara tem um desejo secreto inconfessável que se traduz em

127
dissimulação e fingimento, que só é descoberto depois que o objetivo foi atingido. Embora
almejemos deixar nossa marca singular e simbólica no mundo, temos de ter o cuidado com aquilo
que vai caracterizar o caminho que fazemos para firmar essa marca, para que ela não seja uma
ferida profunda ou, ao contrário, apenas adornos descartáveis.

As imagens culturais são internalizadas e podem possuir a pessoa. Quem já tem um forte complexo
de inferioridade, dificilmente se sentirá à altura de ideais preconcebidos, a não ser perseguindo
imagens ilusórias que disfarcem seus fortes sentimentos de inadequação. Jung pensava que
dificilmente se pode controlar o efeito de certas imagens coletivas sobre nós, porém podemos tentar
conhecê-las e nos relacionar conscientemente com elas, ou seja, administrar melhor nosso espaço
imaginário e simbólico para lidarmos com a realidade de forma a curar a nossa vida. Quanto mais
deixarmos nos possuir por falsos valores, menos espaço consciente sobrará para afluir nossos
talentos e a criatividade.

Para Jung (1988), a vida se manifesta em emoções e idéias simbólicas. Além disso, o homem
ocidental perdeu valores espirituais e morais – idéias forças dominantes – desencadeando
desorientação e medo. Ele não participa dos acontecimentos naturais que antes tinham sentido
simbólico relevante. Todos esses valores e costumes desaparecem no seu inconsciente, e essa perda
é compensada através dos símbolos das imagens oníricas. Jung considera que a vida simbólica é
uma necessidade vital para a alma, pois para esse autor, os arquétipos são algo vivo que aparecem
como imagens e emoções que são carregadas de numinosidade – energia psíquica – e de
dinamismo, por isso, produzem conseqüências em nossa vida. A compreensão das imagens dos
arquétipos, segundo ele, pode contribuir para o processo de individuação, pois as imagens
simbólicas têm um sentido, e ainda há muito que conhecer sobre elas.

Jung afirma que nossa consciência precisa do inconsciente, pois ela ainda não sabe sobre aquilo que
ele já está informado.

As imagens circulam no inconsciente e na consciência atreladas a pensamentos, sentimentos,


valores, sensações e intuições. Podemos de alguma forma mais atenta perceber que algumas
imagens têm uma vitalidade que nos impressiona e atraem nossa atenção, como se irradiassem uma
energia, seja pelas formas e cores, seja pelo seu valor simbólico. Parece acontecer que as imagens
terapêuticas atingem nosso inconsciente e emergem na consciência sob a forma de uma atitude
nova, de uma melhora no estado de espírito e no comportamento.

Jung (1988) considerava que a psique consciente e inconsciente é uma mesma coisa que diferem
apenas pela freqüência, isto é, por uma intensidade diferente de energia. A imagem se liga à teia das
nossas memórias míticas e pode ganhar energia para orientar o nosso rumo na vida. As imagens que
têm um sentido relevante para a pessoa dão poder sobre sua jornada na vida.

A linguagem visual com seus formemas e cronemas

Santaella e Nöth afirmam que a imagem é um estímulo visual ou percepto, que insiste e teima na
sua singularidade frente aos nossos sentidos, nos compelindo a atentar para ela. Quando um feixe de
perceptos atinge nossos sentidos, ele é imediatamente convertido em percippum. O percippum é o
percepto já traduzido pelos sentidos. A tradução se dá tanto pela qualidade do sentir e da surpresa,
como pela interpretação automática em que ocorre um juízo de valor.(pp.86, 2005). Comentam que

128
a linguagem visual trata de formemas (forma) e cronemas (cores) que se unem para formar um
signo visual.

Santaella e Nöth (2005) citam Max e Bense, o qual postula uma linguagem visual de fornemas e
cronemas, que se unem para formar um signo visual, assim como ocorre na língua em que sujeito e
predicado se unem para declarar sobre o objeto e a qualidade dele. Eles salientam o papel do
fotógrafo como agente que tem um instinto de caçador cuja pressa é a realidade que ele capta num
gesto quântico, num momentum, um rastro do real. O fotografo é visto como um descobridor do
instante e de uma forma de ver inusitada. Fotografia é vestígio, mas também revelação.(pp.148,
2005). Seqüestra o tempo e o espaço para a eternidade, pois a imagem fotográfica grava a
informação visual, podendo assim, continuar emanando informação e suscitando reações psíquicas.
Santaella coloca a fotografia como um protótipo da imagem indexal. Considero a imagem
terapêutica com um indício de significados positivos, sinalizando saúde. A imagem fotográfica
mobiliza a mente para fazer associações, tal como ocorre com as imagens de nossos sonhos.

Acredito na proposição de Jung de que a imagem e a psique são uma mesma coisa, então, os
elementos dos signos visuais terapêuticos embora possam ser, até certo ponto, interpretados
conscientemente, eles vão ser experimentados no inconsciente, não só como um sentir, mas como
uma informação significante para a psique e o organismo como um todo, o que inclui reações
fisiológicas e psicológicas, porque nossos neurônios entram em atividade elétrica ressonante. A
imagem pode ter o poder de mudar a consciência e o destino do sujeito, porque ela serve ao desejo e
à criatividade humana.

Imagens e inconsciente

Para Jung (1982) os sonhos e os complexos funcionam de forma autônoma, pois não os escolhemos;
brotam do inconsciente até nós sem que controlemos os motivos, a sua fonte e as leis. Alguns
pensamentos que temos tem autonomia, eles vem à consciência e tomam conta dela, mesmo que
queiramos afastá-los, alguns deles, ficam tão insistentes e intensos que se tornam patológicos, tal
como acontece nas fobias e obsessões. Em casos graves vêm sob a forma de delírios e alucinações
(imagens acústicas e visuais). Por isso, vale a pena estarmos atentos ao que se passa no nosso
campo consciente em estado de vigília para solucionarmos nossos problemas e disciplinarmos o
foco de nossa consciência para aquilo que estamos fazendo. E quando fazemos uma parada entre
uma atividade e outra, silenciarmos nossos pensamentos para que a criatividade possa brotar, pois,
dessa maneira, estaremos abrindo portas para o inconsciente e nos relacionando com ele de forma sã
e disciplinada, embora, a criatividade, assim como os insights e a previsão também funcionem, até
certo ponto, de forma autônoma, tal como a sincronicidade.

Outra armadilha, que Jung (1982) ressalta, é a da projeção de nossa subjetividade no outro, o que é
uma distorção de percepção da realidade, pois imaginamos que o outro é aquilo que nó imaginamos
que ele seja, ou aquilo que nos falaram sobre ele. E o pior: tratá-lo através do filtro dessa imagem
distorcida e deficiente que temos dele. Isso, além de ser um desrespeito à alma da pessoa, é uma
ilusão e presunção de nossa parte querer que a, primeira vista, possamos ter o conhecimento do que
alguém é, pois levamos quase toda a nossa a vida para nos auto-conhecer e, muitas vezes, nos
surpreendemos com nossas reações e capacidades latentes que vão emergindo. Agir com alguém
apenas com a imagem que temos dele pode causar problemas de relacionamento e levar a conflitos,
mesmo porque a tendência do outro pode ser a mesma de imaginar coisas sobre nós, que também

129
estão, na verdade, dentro da mente dele. As imagens que cada um forma do outro quase sempre se
referem a qualidades e defeitos que o próprio sujeito que imagina tem.

Este processo de imaginação distorcida, a nível energético tem uma repercussão muito negativa,
porque se projetarmos uma imagem negativa no outro - se formos pensar a nível quântico - sem
dúvida, vai interferir negativamente no outro. Zohar considera que seremos mais inteiros e sadios se
reconhecermos em nós próprios e integrarmos os aspectos negativos ou positivos que vemos nos
outros e afirma: Na visão quântica, toda a relação potencial que eu encontro é uma parte potencial
de mim. Cada outro é uma parte potencial do meu eu; sem ele, sou menos do que poderia ser.(pp.
253, 2000).

Do imaginário emerge o poder

Segundo Irwin (1994), o mundo imaginário dos indígenas americanos é fundamentado nos
fenômenos da mítica sagrada e da natureza vital dos animais, plantas, pedras, montanhas, vento,
trovão, fogo, água, estrelas, etc. Através dos sonhos e das visões, os xamans obtêm poderes e
habilidades de cura e outros poderes necessários à organização e sobrevivência de suas tribos.
Através do poder mítico das imagens dos sonhos e das visões eles obtêm ensinamentos que vão
reger seus costumes. Quando, por exemplo, aparece num sonho ou visão, um animal, o xaman
absorve as características desse animal, suas qualidades e seus defeitos, os quais precisa manter um
domínio na sua aplicação a serviço de sua tribo. As imagens que são vistas em estados alterados de
consciência são reconhecidas pelos povos indígenas e integradas ao seu estilo de vida. Conforme
afirma Irwin (1994), os sonhos e as visões são fonte de conhecimento para os povos indígenas,
porque representam um contato com a realidade imanifesta (ou desconhecida) cujos significados
passam a se manifestarem nos costumes e rituais desses povos. Alem disso, os xamans buscam
locais que julgam terem o poder de facilitar a produção de imagens com ensinamentos. Para o
xaman é do imaginário, que emerge o poder do simbólico, que, posteriormente, será aplicado em
ações no real.

Essas imagens xamânicas atuam como um poder mágico que se efetiva em procedimentos na vida
da tribo desencadeando mudanças, tanto no destino coletivo tribal, quanto no destino pessoal do
xaman, fazendo com que imagem e destino sejam interligados em instâncias míticas, medicinais e
culturais, ou seja, tal como em qualquer população, linguagem visual faz história.

Subjetividade e interações energéticas com o mundo

Para Zohar (1990) nossa subjetividade é um campo eletromagnético em constante transformação,


conforme nossas lembranças e encontros. O processo de pensar e a percepção se dão por impulsos
eletromagnéticos que agitam as moléculas do sistema neural que fomenta energia suficiente para
emitir fótons. Para essa autora, o sentido de eu e de direção evolutiva na vida relaciona-se com uma
coerência quântica que evolui com as interações quânticas com nossas memórias pessoais e
coletivas, com o relacionamento com o outro e com ambiente. Somos influenciados pelo
pensamento dos outros e pela cultura já que somos sistemas quânticos em constante interação e a
todo momento, estamos processando informações. Zohar considera que, conforme afirma Fröhlich
(1988), nossa consciência como uma ordenação coerente de bósons (fótons e fótons virtuais) que se
situam no tecido nervoso e nas suas imediações. Cita também Popp (2001) afirmando que os
sistemas vivos ativam mais seus elétrons e condensam mais fótons que os sistemas não vivos.

130
Comenta que a gravidade é um sistema bosônico que promove ordenação no universo. Oshman
(2005) considera que os sistemas vivos têm parâmetros gravitacionais que podem ser observados na
sua tensão postural e na sua cinética.

Zohar (1990) afirma que os férmions (por exemplo: elétrons e prótons) são unidos aos bósons para
constituir o mundo material, sendo que esses últimos são ligados à consciência. Considera a
consciência como um sistema aberto e auto-organizado o qual depende de um input constante de
relação na sua existência contínua; ou seja, precisamos de relacionamentos e novas informações
para evoluir.

Atentar para evoluir é uma constatação de responsabilidade, que precisa ser conduzida para o
âmago de nossas experiências. Informações acústicas e visuais dão o tom vibratório à nossa
experiência. Isso deve ser levado em conta nos nossos relacionamentos interpessoais (na família,
nas relações sociais e no trabalho) para que preservemos a qualidade da sanidade psicológica e
ética, para não tratar os outros como objetos de nossas ambições egoístas, assim como para ter
cuidado com a qualidade dos ambientes que freqüentamos. A qualidade do nível de relacionamento
interpessoal não se restringe apenas à cidadania, trata-se também de uma filosofia de vida, do
cuidado e respeito à sanidade psicológica e energética, envolvendo questões morais mais profundas.
Dificilmente encontramos pessoas representativas no poder das empresas e do governo, que se
disponham a implantar de fato um novo paradigma moral e ético na sua área de influência. As
pessoas individuais estão sendo diariamente reduzidas a nada no trato humano e, sobretudo, através
de manipulações e obrigações financeiras escandalosas; isso faz com que um sujeito se sinta
destituído de poder para reclamar e ser atendido, o que se torna fonte de pessimismo, depressão,
tristeza e raiva que se reflete na qualidade dos seus relacionamentos e do seu trabalho.

A alma

Jung (1988) considera uma infantilidade o preconceito ocidental que desvaloriza tudo que diz
respeito à alma (o anímico) e supervaloriza o racional, ou que, pelo contrário, fazem afirmações
metafísicas ingênuas a respeito de Deus. Ele coloca o conceito de complexo autônomo, como uma
imagem mitológica dentro da psique que é capaz de possuir o sujeito em estado neurótico ou
psicótico.

Isso quer dizer que a razão é impotente face às imagens simbólicas da alma e aos conteúdos
emergentes do inconsciente. Quer dizer também que temos de lidar com a irracionalidade da nossa
psique que, para Jung, pode ser uma tarefa feita a partir do núcleo do ser (o Self), o qual pode nos
dar referenciais genuínos e confiáveis de apoio. Ele considera que imagem é alma. Segundo
Edinger (1995), no inconsciente, existe um centro transpessoal de latente consciência e de obscura
intencionalidade, que Jung chamou de Self, o qual deve perseverantemente derrotar o ego para
poder se deparar com a Unidade que toma a pessoa como um todo e, assim, compreender o sentido
da sua árdua experiência vivida e chegar a introvisão da psique transpessoal.(pp.11 e12, 1995).

Face aos complexos a razão fracassa e por outro lado, atribuir a vontade de Deus tudo que nos
acontece, além de ser fanatismo, nos exclui como sujeito responsável pelas experiências vividas. A
supervalorização da imagem de Deus (imago dei) e das imagens da razão (logos) são ambas
posições arrogantes, que dão caráter absoluto à imagem que se tem da realidade da vida.

131
Existem essências no meu kit de Imagoterapia que lidam com as questões relativas ao poder de
autonomia dos complexos psicológicos que são: Liberação de Complexos e Cura das Imagos
Passadas. Criei essas essências vibracionais de imagens justamente com a intenção de desativar as
informações psíquicas que bloqueiam e distorcem a percepção e para conectar com o núcleo do ser.
Elas ajudam muito no tratamento do comportamento compulsivo, pois desativam fantasias
primárias que estejam atuando num determinado momento. Aconselho a tomar também, conforme a
pessoa e suas reações: Cuidado Divino, Conexão com a Essência, Percepção Clara e
Responsabilidade Divina. Estas três últimas essências contribuem para o sujeito se auto-conhecer ,
perceber mais claramente, respeitar o outro e a vida, assim como, enxergar o que está por trás das
aparências. Nossas compulsões parecem se originar de numa espécie de falta de significado, que
parece ser uma falta que jamais será preenchida. Em certos estados de meditação e contemplação
esta falta desaparece, enquanto dura a sensação de inteireza quântica, pois neste estado vibratório de
consciência questões de significado e de falta estão ausentes. É o famoso vazio pleno, dinâmico e
quieto do TAO. Como se fluíssemos conscientemente na ordem imanifesta.

No imanifesto está o potencial da existência, pois contém múltiplas possibilidades que


desconhecemos. Se manifestarmos em nossa vida apenas a repetição de velhos padrões, ficamos
estagnados num círculo vicioso. Quando queremos mudar e crescer, temos de lançar um olhar para
o desconhecido e conectar com os nossos potenciais de ser e realizar que estão latentes. Para que
possamos fazer isso, necessitamos reconhecer que estamos ultrapassados e identificar mentiras
contidas na diferença entre o que somos e imaginamos ser. A idéia que temos de nós próprios esta
aquém do que manifestamos. Isso significa que podemos ser mais do que somos e, no entanto, não
estamos sendo, como significa também que nosso orgulho nos impede de ter a humildade de admitir
nosso narcisismo e pretensão.

É fácil observarmos isso em nós, quando sentimos medo da intimidade, pois ficamos a descoberto e
vulneráveis ao julgamento do outro. Se isso nos acontece, é porque somos e fazemos coisas que nós
mesmos reprovamos, ou porque estamos manifestando algum complexo. De maneira geral, até
temos de proteger nossa privacidade, mas com pessoas que amamos, precisamos confiar. A essência
de Imagoterapia, chamada Confiança e Transparência, age no sentido de promover uma
aproximação mais nítida, definir melhor os sentimentos reais e desmascarar armadilhas do
inconsciente.

A fachada da persona que mostramos ao mundo é de fato uma máscara. Vivemos numa
comunidade de mascarados alimentada pela própria sociedade de consumo que fornece adornos
para nos fantasiarmos. Tapeamos para a nossa própria alma que se assim continuarmos, tudo ficará
bem. No entanto, nosso potencial latente de alguma forma clama e pressiona por realização. Isso
cria um conflito que nos divide numa tensão estressante. Ficamos com a sensação que parte de nós
mesmos está sendo negligenciada e, por vezes, nem sabemos nitidamente o que seja e, se o
sabemos, não conseguimos achar tempo e lugar para colocá-la em prática. Como nossos potenciais
foram ficando para trás sem terem sido explorados nossa vida foi edificada sem levá-los em conta,
então, ficamos autos-submetidos por limitações criadas por nós mesmos. Fica faltando alguma coisa
que dá uma sensação de vazio que só tentamos preencher de forma a jamais nos saciar. A não ser
que de fato resolvamos olhar para esta parte, que ficou latente, e que pede manifestação, e lidar com
isso de forma sã, consciente e corajosa, admitindo que estivemos nos enganando e não ficarmos
tristes e amargos com isso, mas sim constatar, simplesmente com isso, abrir espaço para que o novo
se manifeste na nossa vida interna e externa. Essa experiência vai nos dar mais inteireza e plenitude.

132
Wilber (1991) nos remete a Shimotsu, que afirma ser o cérebro uma lente que limita nossa visão da
realidade, a qual só pode ser medida se alterarmos nossos pensamentos mais íntimos. Da mesma
forma, cita Welwood, com sua declaração de que esta lente é uma moldura que se cria nas primeiras
experiências cognitivas sobre fatos e pessoas a eles relacionadas influenciando o foco da percepção.

Campo subjacente e totalidade indivisa

Segundo Capra (1985), através da teoria dos campos unificados, a física moderna contribui para a
consciência da Unidade e inter-relação de todas as coisas. Campo de força é uma condição do
espaço, que apresenta o potencial de produzir uma força. Capra relata que Einstein foi o primeiro a
declarar que os campos eletromagnéticos percorrem o espaço vazio e que a massa é uma forma de
energia associada à velocidade da luz. A teoria quântica define fótons como partículas desprovidas
de massa, que se deslocam na velocidade da luz, o que indica que a matéria não existe em lugares
definidos e os eventos também não ocorrem em instantes definidos. Nesse nível, a matéria apenas
tende a existir e os eventos apenas tendem a ocorrer como ondas de probabilidade, ou seja,
partículas podem ser, ao mesmo tempo, ondas.

As filosofias orientais consideram todas as manifestações unidas numa só realidade última e a


meditação como o meio de chegar a este insight. Capra as compara com a física atual, que constatou
que todos os fenômenos da matéria estão interligados e são interdependentes, ou seja, matéria é um
fenômeno e não uma coisa estática e previsível. Momento e local são probabilidades em que a
matéria tende a existir, dentro de uma realidade instável. O conceito de inter-relação do universo
abrange o observador e o observado numa realidade única em mútua interferência. Observar é
interferir e sofrer interferência. Isso significa que a forma e as condições pelas quais medimos uma
experiência irão interferir nas propriedades dos objetos observados, o que nos leva a concluir que a
forma com que encaramos a realidade influi no movimento dela e na forma com que ela tende a
fluir.

Sob o ponto de vista onda, a partícula é encarada como um padrão vibratório no espaço e no tempo,
que oscila a uma certa freqüência vibratória. Altas freqüências vibratórias, como a da luz violeta,
são associadas a fótons de alta energia. Já com a luz vermelha, em que a freqüência vibratória é
baixa, os fótons são de baixa energia. Capra (1985) menciona que em eletrodinâmica quântica, os
fótons também são ondas eletromagnéticas e, portanto, são campos vibratórios, e as forças
eletromagnéticas desses campos possuem fótons virtuais dentro das partículas carregadas que
interagem nesses campos.

Os elétrons estão sempre interagindo uns com os outros, trocando fótons. Partículas, virtuais e reais
do núcleo do átomo interagem da mesma maneira. Assim, Capra reforça o conceito de unidade,
citando a teoria das variáveis não-locais, que por ressonância vibratória se conectam, produzindo
efeitos subatômicos instantâneos. Esses conceitos de ressonância, campos vibratórios, assim como o
de campos mórficos (Sheldrake) e ordem implicada (Bohm) justificariam o funcionamento e os
efeitos de terapias como a homeopatia, os florais, a acupuntura, a Radiestesia e a Imagoterapia, que
trabalham com influências à distância.

Em física estocástica o campo unificado subjacente é denominado de ponto zero (Zero Point Field -
ZPF). Segundo essa teoria (CIPA, 1994, 2000) o espaço é preenchido com flutuações energéticas de

133
ondas a freqüências específicas que geram ressonância como um fluxo de radiação contínuo que
arrasta consigo outras freqüências de radiação interagindo e se dispersando nesse fluxo. Todas as
formas de radiação consistem em oscilações de campos quânticos. Desacelerações desse campo
geram formas tridimensionais, tais como as partículas, sendo que quando se movimentam em altas
velocidades se comportam como ondas de freqüência.

Ondas de rádio, celular, luz, raios X, raios γ são radiações eletromagnéticas que se propagam no
espaço num estado de campo na velocidade da luz. As ondas carregam energia em direção,
freqüência e estados de polarização específicos. O campo subjacente de luz quântica interpenetra
tudo e experimentamos a vida deslizando nas ondas desse campo sem que possamos perceber
diretamente a profundidade dele. As ondas destes raios nos atravessam a todo instante, sendo que
parte dessa radiação é absorvida no nosso corpo.

O insight do paradigma quântico define a consciência como uma corrente que se forma e se dissolve
num fluxo em movimento, sendo que espírito e matéria são dois aspectos de um todo. Conforme
Bohm (1983), a consciência da unidade do todo em movimento possibilita a consciência do
conteúdo e do processo de nosso pensamento, assim como facilita o acontecimento de insights cada
vez mais abrangentes.

A totalidade indivisa é um mar de energia que está sempre presente em tudo e a todo instante e sua
ordem estaria num plano, chamado por Bohm, de ordem implicada. A ordem que observamos com
nossos instrumentos de medida na região do espaço e do tempo tridimensional seria uma ordem
explicada. O que existe é um campo inteiro que se dobra e se desdobra; quando se desdobra está
explícito aos olhos do observador como uma coisa manifesta; quando dobrado, está unido ao todo e
também presente. O campo dobrado ou implícado é multidimensional, enquanto o explicado se
manifesta em três dimensões. A matéria, que a cada instante observamos, é uma pequena onda ou
ruga no grande mar de energia que compreende o todo e contém a informação sobre o todo.

Kaku (1994) corrobora as teorias de Bohm, comentando sobre o potencial de informação quântica
de organização no campo formativo da ordem implicada que conteria a informação da totalidade. A
consciência é um processo que se dá na ordem implicada e que se manifesta na ordem explicada no
tempo e no espaço. Ele afirma que a consciência da humanidade é una, e o espaço é a base da
existência; desse modo, o espaço não nos separa, e sim, nos une, porque a luz pode levar
informações ao universo inteiro. A matéria, que parece densa, na verdade contém mais espaço vazio
do que aqueles espaços preenchidos por partículas e através desses espaços vazios viajam outras
partículas, sob a forma de ondas. As partículas são concentrações do campo da matéria, constituído
de ondas de vários tipos. Há mais energia no espaço vazio do que naquele ocupado pela partícula.

A onda atua como in-formação, uma forma que provoca uma atividade, que é a sua significação.
Assim se passaria também na Imagoterapia: as imagens terapêuticas são ondas de forma e luz que
servem para fins específicos e atuam na pessoa que as percebe atentamente e as bebe, pois elas são
como ícones de uma informação funcional de saúde e harmonia, que estimula a atividade de um
padrão novo.

No espaço multidimensional as coisas aparentemente afastadas estão ligadas. Talvez seja por esse
meio que uma imagem terapêutica é transferida para o líquido em que é projetada, quando
elaboramos uma essência vibracional de imagem. Poderíamos imaginar que no espaço a que nos

134
referimos é que ocorre a imagem dentro do líquido e depois dentro do sujeito que a bebeu. Assim
como está nesse espaço o caminho que a imagem faz até o sujeito que a percebe e a forma como é
absorvida e processada por ele.Dentro de nossa percepção comum, no entanto, só conseguimos
constatar os efeitos de determinada imagem e a essência vibracional dela através da observação do
comportamento da pessoa que a ingeriu e no relato de suas sensações e percepções.

Sheldrake (1991) afirma que a teoria de Jung, que fala da memória do inconsciente coletivo,
também seria transmitida através de campos mórficos. Os campos mórficos não funcionam apenas
nos organismos vivos, mas também em cristais, em moléculas e em outros sistemas físicos. Os
campos morfogenéticos podem ser considerados semelhantes aos campos conhecidos da física, pois
são capazes de ordenar modificações físicas, mesmo que eles não possam ser observados de forma
direta. São campos imateriais potenciais, capazes de influenciar outros campos à distância, que
agem sobre sistemas materiais, e são campos específicos com características próprias no que se
refere à forma e à organização. Conforme essa teoria, além dos genes, os organismos herdam, por
ressonância mórfica, campos mórficos não materiais, que contêm informações sobre a herança
ancestral e também sobre outros membros da mesma espécie. Assim, o organismo para se
desenvolver, entra em sintonia com os campos de forma de sua espécie para, desse modo, ter à sua
disposição uma memória coletiva ou de grupo, onde colhe informações para seu desenvolvimento.

Para Bohm (1983), os campos de forma são campos de significação; portanto possuem um conteúdo
informacional e organizam a matéria ou a energia. Já para Sheldrake (1991), os campos são a
interface entre matéria e significação. Bohm refere-se à função de onda na mecânica quântica como
a do elétron fornecendo o conteúdo informacional sobre o sistema. A atividade do sistema é a sua
significação, enquanto que os campos se situam num espaço multidimensional e é neles que se
organizariam e se originariam as partículas. Para Bohm e Sheldrake, a essência da consciência é a
significação, e significação é ação.

Quando criamos uma nova significação, seria como se houvesse uma atividade na memória
coletiva no sentido de formar uma significação maior e mais abrangente. Quando há doenças em
algumas pessoas - como cada um de nós está no contexto dos outros – o coletivo também está
doente. Dentro dessa concepção penso que a imagem, conforme o seu conteúdo informacional, que
depende de sua significação, age na pessoa e na sua interação com o coletivo, atuando como um
significante novo capaz de produzir uma mudança no comportamento das pessoas.

A teoria do caos nos chama atenção para a limitação do nosso conhecimento, sendo que sempre
haverá informações ausentes e lacunas de dados que podem ser relevantes. É o reencantamento pelo
mistério que nos remete ao que Briggs e Peat (2000) ressaltam: o incognoscível pulsa dentro do
nosso conhecimento científico. Para esses autores uma alteração de perspectiva de observação altera
a nossa percepção e reorganiza o modo como concebemos o mundo. Enfatizam que a obsessão e
controle pelo conhecido e a negligência, a ignorância e o preconceito face à dimensão do mistério
são um ponto cego que nos deixa na posição frágil em que, tanto o nosso conhecimento assegurado,
assim como, a nossa própria existência, pode se abalar pelo poder imenso daquilo que não sabemos.
As lacunas e informações ausentes são os germes de novas teorias e concepções do mundo, que
sempre mudarão as fronteiras da realidade, assim como alterarão as até então chamadas verdades
científicas. O caráter provisório e a imprevisibilidade assombram a ciência, sobretudo por causa das
variáveis ocultas.

135
Dimensões de densidade vibratória

Como afirma o bioquímico e radiestesista francês Guillé (1994), nós temos de levar em conta que
os mundos vibratórios existem em qualquer aproximação da realidade. Como pesquisador de
genética e de textos antigos esotéricos, Guillé não só leva em conta nossa herança genética familiar,
mas também, diz que temos registros moleculares negativos no nosso patrimônio genético
vibratório, que são antiqüíssimos, e que se ativam quando passamos por estresses muito grandes.
Estes registros, segundo esse autor, podem ser provenientes das civilizações da remota antiguidade.
As influências ancestrais da humanidade de alguma forma estariam inscritas em nós e ativar
doenças.

A teoria junguiana supõe que no estresse psíquico, em pessoas de ego frágil ou desintegrado, a
sombra - a parte negativa do inconsciente – se ativa e pode ganhar autonomia, invadindo a
consciência se apossando dela provocando um ódio incontrolável, como também, pode ser
projetada no outro, transformando-o num inimigo, ou aparecer nos sonhos como imagens de seres
escuros ou ameaçadores. Em casos de psicose a sombra aparece como uma alucinação aterrorizante
e aniquiladora com forma de demônio, de extraterrestre, que persegue a pessoa com o intuito de
destruí-la. Estes surtos psicóticos acontecem em pessoas, que têm ódio reprimido, face à uma mãe
devoradora de identidade. A sombra pode ser ativada a nível coletivo sendo projetada nos inimigos
partidários no próprio país ou num outro país alimentando as guerras. Esta autonomia da sombra
que pode possuir a pessoa ou ser projetada como imagens que, por sua vez, também ganham
autonomia. As imagens dos sonhos também aparecem para nós de forma autônoma e Jung (1988)
considerava importante ler a riqueza simbólica das imagens oníricas. Estas imagens dos sonhos
emergem de nosso inconsciente, tal como acontece com a sombra, o que significa que o
inconsciente é uma dimensão interna e coletiva que tem o poder de criar imagens que têm
informações sobre nós, a nível pessoal e coletivo. Em Radiestesia Quântica e Imagoterapia muitos
desses fenômenos autônomos que assombram a consciência podem ser desativados e transmutados
em criatividade.

O caso das coincidências de pensarmos numa pessoa e logo em seguida ela nos telefonar, ou as
encontrarmos pessoalmente em algum lugar, também nos mostra que existe uma dimensão por onde
esta comunicação se dá. Parece também que estes fatos acontecem quando existe uma carga
emocional que acompanha o pensamento, tal como a saudade ou uma motivação. A saudade atrai e
a motivação move. São coisas que ocorrem como numa dimensão de energia que conectamos,
transmitimos e captamos informações, e até reações bioquímicas de atração, medo, repulsão
causadas por reações também autônomas dos hormônios e neurotransmissores.

Às vezes, basta a lembrança de alguém para que a pessoa se comunique com a gente e vice-versa.
Outras vezes quando se fala num assunto alguém se comunica para falar de uma coisa relacionada
com o mesmo assunto. Quando crio uma essência vibracional e começo a digitar no computador
para que ela serve, a pessoa que precisaria daquela essência me telefona.Comecei me divertir com
isso, pois na hora que estou digitando já começo a rir sozinha só para ver quem vai ligar e é mesmo
engraçado ver como pode coincidir exatamente com o problema daquela pessoa que me telefona.

Nesta dimensão de energia, informações e imagens, habitariam também os mitos que influenciam
em nossas vidas através de complexos psicológicos como o de Édipo e muitos outros, assim como
nos une ao cosmos, sendo o espaço por onde as influências planetárias percorrem e nos atingem,

136
sendo inclusive a densidade de energia que conteriam as imagens dos deuses e demônios que a
humanidade acredita.

Voltando ao assunto dos pensamentos e sentimentos que viajam a distância, os radiestesistas lidam
com a anulação de influencias mentais à distância, que são ondas nocivas psicológicas que uma
pessoa sem ética envia para outra por motivos egoístas no sentido de convencê-la a fazer coisas que
ela não deseja fazer. Estas ondas, tal como as da magia negra, acabam por perturbar a pessoa alvo,
sua vida e até seus familiares.Por isso, sempre bato na mesma tecla, na importância da ética e da
responsabilidade espiritual que deveriam ser ensinadas aos magos neófitos ávidos de conhecimento
e poder.

Os sentimentos também viajam a distância, pois como afirma Crowel (1999-2003) as freqüências
são um padrão de viajem. Não estou dizendo nenhuma novidade ao afirmar que o ódio, tal como o
amor, cria uma ponte vibratória e um campo vibratório entre as pessoas. Sentimentos com muita
carga emocional, acompanhado de pensamentos, viajam até o outro, tais como o ressentimento, a
inveja, a crítica, a cobiça. Por outro lado, a torcida amorosa, a gratidão e a alegria que celebra a
felicidade dos entes queridos. Por esta razão, ao fazer as essências vibracionais de Imagoterapia me
sensibilizei e procurei fazer essências vibracionais que neutralizam ondas nocivas psicológicas e
espirituais que funcionem interna e externamente. Como a informação vem associada à luz e às
formas, significados têm teores vibratórios, conforme a intensidade com que são expressos e
conforme a ressonância em nossa psique; e nosso corpo é uma caixa de ressonância que oscila
conforme a interação com as freqüências do meio.

Independentemente do fato de termos crenças religiosas ou não, cada um de nós pode constatar que
em nossas vidas atuam tanto forças ditas positivas, benéficas e benignas, quanto forças negativas,
maléficas e malignas. Isso pode ser visto no dia-a-dia, observando o desenrolar dos acontecimentos
no mundo externo e interno. Quem, ou quais são, os agentes dessas forças também é assunto de
estudo para os apaixonados pelo invisível, para aqueles que usam os olhos da alma e do espírito
para se deterem e contemplarem o que está por trás das aparências e das constantes mutações dos
movimentos interno e externo da roda de nossa vida.

Ouspensky (1983) comenta que, segundo Gurdjief, a cada ação que tentamos concretizar existe uma
força passiva contrária, que nos coloca num impasse entre desistir, ou redobrar a força e perseverar
na nossa intenção de cumprir todos os passos necessários para chegar ao que queremos de fato.Há
forças opostas ao progresso de nossa existência, que podem servir de estímulo à nossa criatividade e
que, ao longo do tempo, servem de meios para mobilizarmos nossa energia no sentido de melhorar
nossa vida e nosso meio. No entanto, o estresse decorrente do efeito dessas forças, por vezes, pode
ser arrasador para a nossa saúde, em todos os níveis, bloquear nossos planos e paralisar nossas
iniciativas.

Por estas e por outras inúmeras razões tanto para nós, como para as pessoas com que lidamos
diretamente, é melhor, sempre que possível, estabelecermos um contato acolhedor e afetuoso para
criar um campo dimensional vibratório de proteção que neutralize outras forças negativas que
queiram nos atingir provenientes de pessoas que nos desejam mal, por motivos que às vezes nem
sabemos quais sejam. Existem pessoas que guardam rancor, devido a expectativas frustradas
imaginárias delas ao nosso respeito, que ignoramos, ou que realmente não podemos cumprir por
razões tais como a falta de tempo ou por outros limites e erros nossos. Por isso é bom termos a

137
humildade de pedir desculpas e nos responsabilizarmos por nossos erros. Porém nem sempre isso é
possível, pois tem pessoas armadilhas que são tão paranóicas ou agressivas que se torna impossível
e insustentável conversarmos com elas.

A ênfase básica da Imagoterapia é neutralizar os efeitos das forças nefastas paralisantes, que
causam estagnação, bloqueiam nossa percepção do universo interno e externo, impedindo que a
criatividade brote. A maior parte das essências do kit de Imagoterapia interfere no sujeito que a
toma, assim como no contexto em que ele vive, através de mudanças positivas no comportamento
dos outros, pois elas atuam em situações de vida diária.

A meditação, níveis de consciência e espiritualidade

A dimensão da consciência exige espaço no nosso campo psíquico. Satprem (1964) afirma que Shri
Aurobindo propagava a idéia de que a consciência só pode ser obtida se pararmos todas atividades
automáticas internas e externas e prestarmos atenção a nossa respiração num estado de serenidade
atenta. Para ele a consciência é o espaço entre uma expiração e uma inspiração. Ele afirmava que
podemos estar integralmente conscientes em qualquer momento e em qualquer lugar desde que nos
disciplinemos e nos dediquemos a viver realmente conscientes, e com isso, participarmos da vida de
forma consciente.

Essa dimensão da transcendência, para Satprem, é apenas um ponto de partida de novas


experiências que levam para um estado de supraconsciência e percepção da realidade última que é
uma elevação e alargamento cada vez maior da verdade que está no coração das coisas. Para esse
autor, o estado de consciência transcendente é a experiência do silêncio divino. Trata-se de um
estado de consciência em que as inquietações e ilusões desaparecem, que pode ser obtido por
pessoas individuadas ou místicas que conhecem caminhos para dar o salto quântico da ignorância e
chegar ao Eu Transcendente que percebe o Todo e seu lugar no Todo. Este estado de consciência do
ser liberto das ilusões, segundo ele, não é o topo onde não haveria mais nada a ser explorado e sim o
começo da evolução superior em que o intelecto se torna inútil, além disso, não se chega nele por
um salto quântico. O estado de supraconsciência não existe um fim a se chegar e sim uma elevação
e alargamento da Verdade. Dentro dessa concepção, o Eu Transcendente está acordado para o
mundo espiritual, enquanto o Supraconsciente é o homem espiritual que está centrado na
Totalidade, na busca de alargamentos cada vez maiores da verdade.

O alargamento da verdade é o alimento do núcleo do self , o qual vai se desenvolvendo, dando mais
consistência à essência e a energia vital ao corpo físico. Este núcleo evolui em espiral e há
momentos que podemos atingir estados de consciência como se estivéssemos no cume de uma
montanha, de onde se pode ver com mais serenidade os nossos conflitos sem nos deixarmos atingir
por eles. A verdade inclui os aspectos opostos dos conflitos, porque ela contém tudo que está em
jogo. O núcleo do ser não se alimenta das forças de oposição que mantém os conflitos vivos, das
facetas da persona onde mora a dúvida, as fantasias negativas e a escuridão, e sim, se sente
oprimido por elas. As fantasias negativas são fonte de insanidade, pois quando alimentadas, podem
capturar a pessoa de forma neurótica e tirá-la da realidade, minando com a autoconfiança e
autoestima. Se as fantasias ganharem autonomia, podem criar sintomas mentais patológicos, pois
podem também provocar uma cisão no ego em que a pessoa fica desesperada porque se sente
despedaçada.

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Satprem (1964) relata que Shri Aurobindo diferenciava o Eu Transcendente da verdade da
Supraconsciência, porque na transcendência encontramos o conforto na conexão com a divindade e
na supraconsciência tomamos contato direto com a verdade de forma cada vez mais abrangente.
Através da meditação, se pode buscar conectar, também, com o plano sagrado. Nesse plano está a
vibração dos valores simbólicos que são sagrados pra nós. Já a contemplação, permite criar uma
condição vibratória para sermos capturados pela Verdade Alargada. É um estado de dissolução
consciente, difícil de descrever, acredito, no entanto, que as poucas vezes que fui contemplada em
atingir, eu me encontrava num estado interno profundo de sinceridade e humildade, entregue à
eternidade para ser elevada e para revelações. É como eu estivesse mais leve e liberta de qualquer
pretensão, desejo ou conceito, num estado profundo de receptividade e sem expectativa nenhuma. É
necessário voltar o foco para dentro, ver a humanidade em si próprio, nossa falta de humildade e
nosso terror da verdade, deixando os véus e barreiras serem retirados. Neste estado sentimos a
imensidão do cosmos, nosso espírito presente dentro de nós e ligado ao todo e uma sensação
apaziguante, mas viva, em que verdades internas e externas se revelam naturalmente.

Sendo impossível chegar a verdade fundamental só podemos lidar com alargamentos da verdade
nos abrindo para agregar e integrar mais elementos sem se estreitar em uma ideologia, ou crença. O
conhecimento torna-se um devir emergente e incessante, não linear, sujeito à imprevisibilidade.
Num mundo complexo em que vivemos cada vez mais novas variáveis se tornam relevantes e que
não devem ser desconsideradas em sacrifício de uma ideologia ou crença sobre a realidade ou sobre
conteúdos simbólicos pois, a qualquer momento, podem se tornar ultrapassados.

Assim, não se pode refutar fenômenos que não se encaixam nas leis científicas e nas escolas de
pensamento e nem se pode lhes dar o estatuto de irrelevantes ou de alucinação. Negar o que
acontece parece ser alienação, pois se fenômenos acontecem, parece óbvio, que eles querem dizer
alguma coisa. Se prestarmos atenção, acabaremos por constatar que o que fica fora das equações e
ideologias, continua existindo assim mesmo, por mais que tentemos desprezar ou desconsiderar,
despojando do seu conteúdo real e simbólico.

O médico antroposófico Steiner (1914) diz, no prefácio do seu livro Ciência Oculta que o instinto
de verdade ou senso de verdade do conhecimento científico esotérico do mundo invisível obtido
através de técnicas específicas de meditação, concentração e contemplação não se trata de
misticismo. São conhecimentos acessíveis às pessoas que têm o dom de acessar as dimensões
invisíveis ou aqueles que se dedicaram a desenvolver sua alma e sua vida interior através de
técnicas que ele menciona no seu livro. Aquelas pessoas que resolvem lançar um olhar dedicado e
persistente para investigar o mundo invisível ou suprasensível têm o mesmo tipo de experiências e
um senso de verdade que depois para elas fica difícil negar.

Segundo Steiner (1991) o investigador oculto tem uma disposição fundamental de devoção diante
da verdade e do conhecimento e ele precisa deixar ressoar no seu silêncio interno o eco de suas
experiências e aquilo que o mundo externo lhe diz em essência. Através da meditação e da
contemplação podemos desenvolver sentidos de observação capazes de escutar e ver com a alma e o
espírito aquilo que ressoa na alma do outro, das coisas, da natureza, do cosmos e das dimensões
superiores. Nesse estado corre uma transformação na nossa relação com o mundo externo, uma
alteração dimensional na nossa experiência.

139
A nível interno, conseguimos escutar a voz do nosso eu profundo, onde reside nossa verdadeira
vontade e que, por estar unido a tudo, obtém a confirmação da possibilidade de concretização de
nossa intenção de crescimento e realização do nosso propósito fundamental. Nesse nível vibratório
se vive a sensação de inteireza. O sentimento real de estar ligado às dimensões superiores da
existência. Nesse nível vibratório se ativam os campos búdicos e átmicos, ligados à compaixão e à
consciência cósmica. Para Steiner (1991), é o exercício da contemplação que leva à iluminação,
pois conseguimos desenvolver o olho do espírito que é capaz de ver o que o objeto contemplado
emana, seja este uma pedra, uma planta, um animal, uma pessoa.

A consciência de que nós, os outros e as coisas emanam vibrações e informações, desperta tanto um
senso de responsabilidade e de compromisso com a verdade, como também, um sentimento de
compaixão e amor incondicional. Isso reforça nosso corpo búdico e eleva nosso nível de
compreensão das experiências. A inteireza e a unidade não são conceitos meramente intelectuais;
são experiências vividas pelo nosso corpo-alma-espírito ao nível de sensação, sentimento, intuição e
senso de verdade, se assim nos dedicamos a buscar.

A escuta com a alma nos sintoniza com os sons que precisamos ouvir, não só o da música, da
natureza e do movimento da vida, mas também com o som das palavras com conteúdos de
mensagens que outras pessoas nos passam, pois a sincronicidade fica ativada como efeito do
fenômeno da ressonância vibratória. Nossa dificuldade em ficar indefinidamente neste estado de
consciência está no vício em nos mantermos em pontos de vista estreitos da realidade e em escutar
os desejos da personalidade que prefere se enredar na teia superficial da vida. Neste contexto
podemos discernir a diferença entre desejo e vontade, assim como nosso nível de compromisso
autobiográfico.

A dignidade espiritual

Steiner (1991) enfatiza a necessidade de darmos uma direção correta aos nossos sentimentos e
pensamentos para corrigirmos nosso caráter, de forma a manter sempre um nível de respeito à
dignidade e à liberdade; e direcionar a vida para o bem comum. Pensando nisso é que criei as
essências vibracionais de imagens intituladas: Cuidado Divino, Lucidez e Calma, Recuperação da
Dignidade e Integridade de Caráter.

Estamos envolvidos com forças construtivas e destrutivas das teias do universo e temos de manter a
presença de espírito e a coragem para enfrentar as dificuldades e os perigos da vida. Nesse sentido
Steiner nos recomenda a ter uma forte confiança nos poderes da existência. Trata-se de uma
confiança inabalável e perseverança diante de circunstâncias de dor, fracasso e perdas, sem perder a
grandeza da alma. As experiências dolorosas são fontes de aprendizado, pois sinalizam informações
valiosas para o nosso crescimento espiritual; são verdadeiras provas de nossa força interior. Percebi
por experiência própria que existem situações na vida que não nos é permitido desesperar ou fugir,
pois elas exigem que sejamos capazes de provar do que somos feitos realmente, daí a necessidade
de ampliar a percepção e ter cuidado em ter uma atitude sadia face às forças que não podemos
controlar. Se observarmos com mais sutileza, nossa sanidade e caráter são testados quase todos os
dias.

Evoluir criativamente depende de nossa vontade, pois temos de querer nos automelhorar a partir do
sentimento real de que isso é necessário, como também, da decisão de fazê-lo. Podemos, de forma

140
orientada e consciente, melhorar a nossa biografia revendo nossos valores, modificando certos
costumes e nossa forma de relacionar com as coisas e com os outros. Em antroposofia, se considera
que somente o Eu que reconhece a existência do corpo, da alma e do espírito é que pode moldar o
curso de sua vida. Este tipo de consciência unida de corpo-alma-espírito-Eu é que se lembra do seu
norte e do sentido de sua biografia.

Para Steiner (1991), o conhecimento suprasensível tem como instrumento o próprio homem. Pela
observação suprasensorial se percebe o que está oculto, ou seja, quais são as forças que estão por
trás da vida do corpo, da alma e do espírito, como elas funcionam; e como o eu as integra. Ele
afirma que o através de nosso Eu Superior incorporamos ideais, responsabilidade moral, sabedoria e
objetivos superiores. Na alma integramos os impulsos do corpo aos ideais do espírito, daí a
importância da sinceridade dos sentimentos e da vontade, para podermos criar um senso de verdade
no trilhar de nosso destino. Quando o ser reconhece em si a sua essência, sua alma emerge nos
planos espirituais, de onde veio seu ser primordial. O senso de eu se revela nas profundezas da alma
que capta sua natureza pela auto-reflexão. O autoconhecimento é uma auto-revelação, isto é, véus
vão sendo retirados daquilo que estava oculto, que é o seu espírito.

O espírito, para Steiner (1991), é o elemento oculto a tudo que é manifesto. Da mesma forma que o
ser capta nas suas profundezas o espírito, ele pode também se esforçar por captá-lo na atividade do
mundo manifesto. Na medida que nossas decisões começam a se realizar a partir do espírito, a alma
e o corpo vão se tornando cada vez mais sua manifestação; e o sentido de Eu vai se revelando,
sendo que o ser se individua criando condições de melhorar seu caráter e seu temperamento. A
evolução espiritual, segundo Steiner, é um processo que se fundamenta no fato de que o espírito do
homem almeja a união com o espírito cósmico e é através do conhecimento do seu Eu Superior, dos
anseios de elevação e de aprofundamento e no desenvolvimento da percepção suprasensível, aquela
união se torna possível. Conectado com o seu Eu Superior o ser transcende e pode investigar a
verdade sobre as forças que interferem a vida: telúricas, naturais, cósmicas, emocionais, mentais,
etéreas, físicas, espirituais, planetárias, siderais, divinas, sagradas. É um processo científico de
conhecimento e de sua aplicação que torna possível o desenvolvimento e a experiência da
consciência suprasensível, a qual transcende as três dimensões do mundo físico e do intelecto
superficial.

Para Steiner (1991) nossa força de vontade está concentrada no nosso centro de gravidade, no
entanto nossa inteligência coloca este centro em coisas externas. O conhecimento de coisas externas
não corresponde à verdade. Nossa conduta moral e nossas realizações na terra é que determinam o
rumo da vida humana e do planeta. Isso significa que a evolução da vida humana e da nossa
vontade é nossa responsabilidade. Sabemos que as catástrofes planetárias não são apenas resultado
da evolução mineral na estrutura terrestre e da interelação dela com o espaço que a rodeia, mas sim
também resultado do que temos feito sobre a terra. O planeta e a vida dependem da conduta moral
do homem, e a própria evolução cósmica, uma vez que qualquer coisa que a aconteça com terra,
acontece também com o sistema solar e, em alguma medida, com a galáxia e com o cosmos.

Para Steiner, o nosso intelecto insiste em permanecer na superfície e evita penetrar nas verdades
mais profundas para descobrir a natureza essencial das coisas. Considera nosso sistema de vida um
devorador de almas. O que temos de nos dar conta é que vivemos em estado de ilusão quando
perseguimos formas para ornamentar nossa aparência, a aparência da realidade e a do nosso
discurso.

141
Apesar de Steiner ter falado isso antes da primeira guerra mundial, ele continua atual, pois se
formos observar de perto os argumentos intelectuais utilizados hoje para preservar o funcionamento
da economia dos países giram sempre na pretensão de equilibrar taxas, passando por cima da
vontade coletiva. Existem sociedades anônimas, governos vendidos aos bancos, produção
destrutiva, propagandas ilusórias, consumo sem sentido, desperdício, fome, doenças e desamor. As
pessoas já estão acostumadas a serem enganadas e a se auto-enganarem. O progresso é ligado à
modernização superficial da forma material, enquanto a consciência permanece preguiçosa em se
aprofundar permanecendo anestesiada por ilusões. Ilusões jamais matarão a fome que a alma tem de
sentido. O emprego de nossa energia tem a ver com a forma como trilhamos nosso destino, com
enredo da nossa biografia. Nos alienando e nos consumindo para realimentar mais este sistema
devorador que nos consome é pura submissão psicológica e, além de tudo, constitui uma negação e
um sacrifício de valores essenciais.

O livre arbítrio da alma é uma questão de direção de vida, atuando no âmbito da qualidade do ser
que somos e para que servimos. Ou nos identificamos com a persona (máscara) e entorpecidos,
servimos ao subjugo, ou encontramos um sentido nos identificando com as intenções da essência e
servimos à humanidade.

O livre arbítrio é uma escolha espiritual

Para Sanford (1998) a luz e as trevas, o bem e o mal, não vêm dissociados, pois uma circunstância
má traz em si o intuito de curar uma direção errônea que tomamos na vida. Quando o ego se
desenvolve de forma distorcida, ele nos leva para um caminho equivocado, porque estamos
encarando a vida de forma equivocada, a qual nos leva para situações destrutivas, para o perigo e
para a doença física e psico-espiritual. Então, quando a circunstância ruim acontece, temos de
escutar e ver o que nosso self tem a nos dizer e mostrar com isso para corrigir nosso ponto de vista,
nossa atitude e nossa direção. Sanford salienta, por exemplo, que para os índios xamãs não existe
pecado, e sim, comportamento vergonhoso e destituído de sabedoria.

Cabe a cada um o esforço diário de se modificar e assim, modificar também o mundo para melhor.
Algumas pessoas, que leram meus textos deste livro, me perguntaram porque eu misturo minhas
essências vibracionais de Imagoterapia com opiniões políticas e filosóficas, e não me restrinjo
apenas no aspecto terapêutico. A resposta que eu dou é que ao criar minhas essências todas essas
minhas preocupações estão vivas e presentes. Estou sempre me esforçando para melhorar, embora
às vezes eu fracasse, porém isso não me impede de manter meus objetivos vivos, e nem me levou a
desistir de minha pesquisa. O objetivo maior é impregnar os ideais do espírito na alma,
desimpregnar a alma das ilusões, ficar alerta para enxergar a verdade e agir com sabedoria. Quase
todas as minhas essências vibracionais giram em torno deste objetivo. Considero que qualquer
terapia deve também servir para auxiliar a pessoa a fazer o melhor uso do seu livre arbítrio, embora
isso não seja tão simples de se atingir.

Segundo Kenton (1978), no livre arbítrio está em jogo o desejo corporal, a consciência psicológica
e a escolha espiritual. Cada aspecto pesa e limita nossas escolhas e podemos perceber o quanto
através da auto-observação. O corpo reage às ameaças à sobrevivência, às condições de dor e
prazer, aos desejos e aversões, aos exageros de esforço e estresse. A psique está condicionada aos
estados de alma, às inquietações, aos humores e está apoiada no ego. Decisões e escolhas são

142
temperadas de otimismo e pessimismo conforme o dia e o grau de envolvimento nas situações. Os
motivos do ego podem dividir a pessoa limitando a margem de livre arbítrio. Quando o ego
predomina no campo da consciência o ser fraqueja, cede aos medos e se impulsiona pela cólera.
Além disso, o ego se submete às influências exteriores, às exigências dos padrões sócio-culturais,
limitando opções de escolhas mais genuínas. O espírito está na instância profunda do ser e é a sua
essência. Ele quer governar o destino, irradiar sua originalidade, cumprir suas finalidades, quer agir
a partir de sua verdade. Sendo sincero consigo mesmo, o espírito enxerga a verdade da questão e
tem vontade suficiente para sair de uma rotina, por isso, tem arbítrio potente.

Ouspensky (1983) relata que Gurdjieff sempre enfatizou que sem auto-observação não há
autoconhecimento e nem conhecimento dos objetivos da essência do ser. O espírito tem de lidar
com as ilusões do ego e com a preocupação de prazer do corpo, e, se não observarmos estas
limitações do ponto de vista do Eu Superior, dificilmente captaremos e acataremos a vontade do
espírito. Nosso espírito quer saúde física e psíquica, quer viver com tranqüilidade e sem
arrependimentos, pois ele valoriza e respeita a vida humana. Ele é um cuidador da vida.

A contemplação com inteireza

A contemplação da forma como escutamos é um processo receptivo, em que sons e significados nos
penetram. O falar, portanto, é um processo em que informamos e influenciamos o outro. Numa
conversa vários fatores estão em ação: gestos, expressões faciais, postura, tom de voz, perfumes ou
cheiros, atitude, vestimenta, sugestões, intenções, mensagens subliminares, etc. Interagir é um
processo de influência de sons, imagens, sentimentos, sensações e conhecimento.

A maioria de nossas conversas é acelerada e ativa em que o foco de nossa concentração está mais
dirigido para falar e interferir, pois escutamos com a ansiedade de formular uma réplica. Trata-se de
um processo puramente mental e emocional. O teor vibratório do que dizemos e de nossos critérios
vão deixar uma marca, uma impressão consistente no outro se colocarmos corpo-alma-espírito no
diálogo, nossa inteireza, e se falarmos para o coração do outro, no sentido de seu centro, sua
essência. Escutar o ser inteiro e com o ser inteiro dá uma consistência de verdade e de
transparência; além disso, desperta o senso de inteireza em que os conteúdos dos assuntos tratados
ficam mais claros. É a atitude de estar presente com o ser inteiro para despertar o ser inteiro, como
num exercício, cada vez mais freqüente, em que colocamos nossa inteireza para apelar pela
inteireza do outro.

Podemos também usar da contemplação em outras áreas da vida, fazendo uma leitura do momento.
Existe um momento certo para fazermos as coisas de forma que elas fluam mais facilmente, quando
tudo se encaixa em harmonia com o ritmo da vida sem termos de forçar nada. Neste momento,
encontramos colaboração das pessoas sendo que elas ficam satisfeitas em interagir conosco e tudo
acaba bem para todos. Existe também o momento de ficarmos quietos e não agir, ou de
amadurecermos, ou nos aperfeiçoarmos, ou de redobrarmos a força na nossa ação. A filosofia
milenar chinesa do Tao chama atenção do quanto essa atitude contemplativa das transmutações da
vida contribui para termos sucesso no que fazemos, assim como enfatiza que temos de considerar o
começo das coisas, isto é: não apenas começar no momento certo, mas também termos a sabedoria
de estarmos bem preparados e sermos sempre cuidadosos com a qualidade de nossas interferências
no desenrolar do movimento daquilo que começamos para que tudo termine bem. Podemos ler o
momento e sermos, ora firmes e exigentes; ora suaves e penetrantes conforme forem aparecendo

143
resistências ao nosso movimento. A total devoção ao movimento parte do núcleo central do homem
e é o conceito taoísta de liberdade; proporcionando as qualidades que uma pessoa necessita para
melhor servir ao coletivo.

Dentro desta mesma filosofia de contemplação do movimento e da busca de qualidade estão


também o som e o gesto. A observação e a contemplação do que escolhemos para ouvir das outras
pessoas, da mídia, da música e da dança. O tom de nossa voz, nossa expressão facial e nossos gestos
e palavras expressam o que se passa em nosso coração. Observemos o quanto é importante estarmos
presentes no momento de forma desperta, tendo o cuidado em respeitar a alma do outro e a
qualidade das repercussões de nossa atitude. Esta auto-observação é uma disciplina que contribui
muito para o autoconhecimento, consistindo num cuidado de colocarmos nosso coração nas coisas e
de mantermos o núcleo central do ser sempre presente para evitar conflitos internos e externos
desnecessários.

Escolher é um ato de liberdade espiritual em que comprometemos nossa inteireza e expressamos


nosso ser mais profundo e genuíno. Este é um comprometimento que pode nos conduzir a uma
mudança gradativa de ambiente, de amizades, de resultados em nossos trabalhos, de formas de
lazer, que podem trazer muito mais satisfação, viabilidade, motivações de sentido de vida e paz de
espírito. A contemplação das imagens que vemos e de nossa auto-imagem é um meio de evolução
espiritual de valor inestimável. Ao percebermos a qualidade real de nossa auto-imagem estamos
fazendo um exercício que amplia nossa consciência e nos dá uma oportunidade de trabalharmos
nossos defeitos, bloqueios e padrões de comportamento nocivos e automáticos que nos impedem de
viver plenamente e de forma mais sã.

Uma contemplação interna permite também escutar e ver os apelos da alma e tomar consciência de
nossas verdadeiras necessidades, que nos levariam a experiências inovadoras e criativas, que podem
nos proporcionar uma ocasião de realmente sermos co-autores responsáveis de nosso destino. Criei
várias essências que ajudam que ajudam a pessoa a trabalhar seus defeitos, bloqueios e padrões
negativos. Seja qual for a essência que a pessoa escolha para tomar, é bom complementar o
tratamento usando Conexão com a Essência e Caminho do Virtuoso, ambas contribuem para
colocar a pessoa pouco a pouco no eixo e no rumo justos.

Um cuidado básico que precisamos ter neste trabalho de contemplação tem a ver com o uso correto
dela. Muitas pessoas já usam a contemplação de forma errada e negativa, que é contemplar o que o
outro é ou tem, se comparar com ele, e começa a invejar. É um vício nocivo que causa prejuízo
próprio e para o outro. Se estivermos nos comparando com alguém e começarmos a invejá-lo,
estamos perdendo tempo e energia que poderíamos estar usando para nos aprimorar ou fazer algo de
útil. A inveja é uma atitude de quem tem a alma pequena. Somos seres sagrados, não podemos nos
desperdiçar nisso e nem macular a vida do outro. A inveja constitui uma forma de ressentimento
que desprende energia negativa em direção ao outro. Sheldrake (1998) diz que desprendemos
visions negativos, o ordinariamente chamado de mau olhado, que danifica o outro. Celebrando os
ganhos do outro enviamos visions positivos o beneficiando energeticamente, criando com isso uma
atmosfera de alegria contagiosa que nos beneficia também. A inveja, o rancor e o ressentimento
sugam energia positiva do outro sendo, por isso, um comportamento nem um pouco ético. Por essas
razões que criei as essências vibracionais de Imagoterapia que se chamam Dissipa a Inveja e
Ressentimento. Estas duas essências também nos protegem contra a inveja e o ressentimento
provenientes dos outros.

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A contemplação do outro é positiva quando é feita para conhecer sua alma, para melhorar o
relacionamento com ele ou para perceber se é construtivo para ambos manter uma ligação e que
tipo de ligação, assim como, estabelecer os limites e respeitar os limites que ele coloca ou possui.
Quando olhamos e escutamos bem o outro, estamos respeitando sua existência, sacralizando
nossas relações e melhorando nossa comunicação para evitar erros de interpretação e mal-
entendidos; para ver se nos expressamos bem e se entendemos bem o que ele diz. A interpretação
errada pode, às vezes, causar danos difíceis de reparar.

Atualmente estamos todos muito estressados devido ao ritmo de vida acelerado, à violência, às
frustrações, aos engarrafamentos, às preocupações, aos problemas econômicos e à intoxicação de
informações. As pessoas vão acumulando dores, tensão, medo e raiva, ficando defensivas,
agressivas e embrutecidas no trato humano. O comportamento civilizado, a ética e a gentileza são
uma questão de educação e responsabilidade espiritual que marcam como característica cultural de
um povo.

Outra forma de contemplação, que pode ajudar várias pessoas, é a contemplação dos ambientes.
Podemos perceber quanto os ambientes podem ficar pesados, mesmo que não sejam feios, porque
vão acumulando memória das paredes. Isso acontece porque naquele local houve brigas, ou pessoas
com estado de espírito negativo vivem ou passaram por ali. Nos locais onde se acumulam essas
energias negativas, o ideal é colocar imagens de Imagoterapia – selecionadas pelo pêndulo
radiestésico - sob a forma de posters, nas paredes de nossas casas, e em refeitórios, empresas,
escritórios, consultórios, salas de espera, hospitais, prisões, casas geriátricas, colégios,
universidades, aeroportos. Cada ambiente tem uma necessidade específica, seja de equilíbrio,
calma, mansidão, alegria, estímulo da criatividade, minimização de conflitos e hostilidades,
sanidade física e psíquica, vontade de viver, estímulo da bondade, diminuição da ansiedade e da
angústia, lucidez mental, cooperação, sensatez, senso de equipe, respeito humano, civilidade.

A necessidade de transcendência

Wilber (1991) considera que a meditação serve para o ser se desenvolva, cresça e se transforme
através da aceleração da emergência dos conteúdos transpessoais do inconsciente. Os estados
transcendentes não são reprimidos no inconsciente, e sim são emergentes, no entanto, a
racionalidade do ego se defende das verdades últimas, as desconsiderando com justificativas do
intelecto, que são o reflexo de seus medos e preconceitos.

A transcendência parece ser para muita gente um assunto tabu e objeto de sarcasmo de alguns
descrentes. Para outros, supostamente religiosos, acaba sendo um objeto de uso, na medida que
usam as orações para fazer pedidos e para se proteger do medo da morte e do castigo. Ambos fogem
da responsabilidade moral autobiográfica. Foi por essa razão que criei certas essências vibracionais
de imagens como, Verdade Divina, Sentido de Vida, Visão Clara da Missão, Amor Divino,
Purificação do Karma, Responsabilidade Divina, Cuidado Divino, Conexão com o Eu Superior e
Conexão com a Essência. Eu tomo e indico aos pacientes essas essências quando percebo que
alguma coisa está criando barreiras egóicas na consciência e causando sofrimento interno e externo.
Estas essências de Imagoterapia servem como uma ponte para uma visão transpessoal das situações
diárias da vida. O retorno que elas nos dão é a oportunidade de redimir as situações pela ampliação
do nível de consciência. Atualmente, por exemplo, estou tomando Visão Clara da Missão e

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Purificação do Karma. Consegui resolver um conflito familiar, que estava me atormentando e me
sinto de volta para mim mesma, mais centrada e norteando minha vida sem barreiras.

Para Wilber (1991) a meditação e a contemplação de determinados símbolos serve para quebrar a
versão conceitual do ego e para se abrir para uma transformação sutil no inconsciente, que leve a
um estado de absorção de verdades existentes no campo causal, búdico e átmico. Este processo se
reflete na percepção e experiência do dia a dia. No campo (ou corpo) causal se dá o reconhecimento
do self individual, como também, da união com os demais corpos sutis e a consciência da Unidade,
pois a partir da essência do ser que se pode experimentar a inteireza. No campo búdico atuam as
forças da intuição, da sabedoria, do amor incondicional e da compaixão, enquanto que no átmico se
ativam as verdades últimas que alimentam a inteireza do indivíduo. A consciência da maneira que
os fatores transcendentes atuam no ser confere uma perspectiva que realmente dá sentido a cada dia
da pessoa e permite um crescimento real como ser na existência através de transformações na sua
atitude, que trazem uma satisfação íntima profunda.

Ascender espiritualmente, para Wilber (1991), depende de uma necessidade de transcendência que
aparece num nível de compromisso transpessoal do ser, depois que ele fez um caminho de
integração da consciência, de amadurecimento centrado numa constante atualização do self. A
necessidade da transcendência quer chegar na realidade última, da superconsciência da inteireza do
ser em cada situação. Esse autor afirma que a filosofia perene trata a natureza última da realidade
como sunyata ou nirguna, que usualmente é traduzida como vazio ou vacuidade, mas para Wilber
não significa ausência de ocupação ou de características e sim é inconsútil, isto é sem costuras.
Todas coisas e eventos do universo são aspectos de uma inteireza fundamental, a verdadeira fonte
de tudo que constitui a realidade. A experiência da transcendência está acima da separação do
sujeito do objeto. Wilber afirma que a verdadeira iluminação é a consciência de se estar unido a
tudo e agora. A inteireza inclui o sujeito no todo, o que não é tarefa para o ego, pois este tem medo
da separatividade; resiste à experiência da transcendência, prefere se iludir e buscar substitutos
simbólicos para a sua insaciedade.

A versão compartimentada que temos da realidade resulta numa percepção estreita que estabelece
limites e fronteiras em torno de nossa experiência e que causa, segundo Wilber, conflitos e
infelicidade, tornando a vida um sofrimento. Pela ótica de Wilber (1991), o processo criador de
limites é criador de opostos, pois algo fica dentro e algo fora. São limites criados por nossa mente
que criam campos de batalha, pois são irreconciliáveis e excludentes, embora pertençam a uma só
realidade. A existência, sendo um fenômeno vibratório, resulta do fluxo e refluxo de energia que
provém da atividade de uma realidade essencial subjacente e una. Os limites provêm de nossa
percepção seletiva, do nosso ponto de vista, sendo que, numa mesma situação, bem e mal, prazer e
dor, vida e morte, podem estar presentes. Para Wilber a percepção da base transcendente que une os
opostos é a consciência da unidade, pois na realidade suprema tudo está unido sem costuras. Os
limites são ilusórios, pois todas as coisas estão relacionadas com aquilo que não são. Harmonizar-se
com este todo, para esse autor, é a maneira segura de se reconciliar com a vida, e o papel do eu é de
testemunhar que o que está dentro e fora dele é uma mesma coisa, ou seja, não há fronteiras entre
mundo interno e mundo externo, o que existe é a experiência do eu com o mundo.

Percepção direta

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Para Von Franz (1993) a percepção direta obtida sem reflexão fornece um instinto de verdade
obtido num nível de consciência alquímico que corresponde à conexão ego-Self. Quanto mais
desenvolvermos este instinto de verdade, menos cairemos em armadilhas que, às vezes, nos
deixamos cair, quando estamos desatentos, e mais rápidos somos capazes de reagir, evitando
enganos, arrependimentos e auto-censuras, pois sentimos as coisas antes e de longe. Trata-se de um
discernimento de verdade que nos vem por instinto, que é mais confiável que a intuição. O senso de
verdade não se trata apenas de um conceito intelectual do que se passa e sim, de um sentimento de
valor que dá significado e intensidade a nível interno de forma profunda. É um conteúdo integrado
na consciência de forma viva e a integração é resultado da experiência interna da união do intelecto
com o sentimento. Von Franz (1993) afirma, que segundo Jung, é o casamento místico entre Logos
e Eros e se trata de uma união entre deuses, por isso, nos dá a sensação de estado de graça, em que
intuição e realidade se correspondem. A nível mais amplo é a percepção e vivência simultânea do
Self da experiência da quaternidade pensamento-intuição-sentimento-sensação.

A Imagoterapia está relacionada com vibrações emitidas por imagens que têm poder sobre o campo
consciente e inconsciente das pessoas e entra em conexão sincrônica com o movimento da vida que
a pessoa leva. O uso de certas imagens geométricas é comum em radiestesia e radiônica, porque se
baseiam em emissões de ondas de forma. As imagens em Imagoterapia são padrões dinâmicos da
natureza e da arte (ondas de forma), que contêm informações de saúde. As essências Verdade
Divina e Percepção Clara contribuem para ampliar a percepção das situações e das pessoas
envolvidas de maneira integrada.

O que move a matéria orgânica e inorgânica é a energia. Emitimos e recebemos energias emanadas
dos outros, dos ambientes, da natureza, dos objetos, dos sons, etc. Tudo tem um tom vibratório que
poder ser benéfico ou nocivo, inclusive os pensamentos, os sentimentos e as informações. A
imagem é uma informação associada à luz que pode vibrar de forma poderosa. Percebemos isso
principalmente olhando quadros, televisão e fotografias. As imagens influenciam nossa vida cada
vez mais fortemente. Para grande parte das pessoas a auto-imagem vem se tornando uma
preocupação diária que afeta a auto-estima, mobiliza os instintos, é alvo de atração e repulsa,
causando até euforia ou depressão. Certas imagens nos fazem vibrar, mexem com nossa energia e
provocam reações bioquímicas no nosso organismo, tal qual nos fazem os alimentos. Podemos
afirmar que a imagem é também um alimento que pode nos fazer bem ou mal e até nos intoxicar,
principalmente nossa alma e nosso campo mental, deformando a percepção do real. A maior parte
das pessoas está viciada em imagens, pois muitas delas ficam sem assunto e inquietas, se não vêm
televisão, olham revistas, se ligam na internet e se não se olham no espelho. Guardam em mente
logotipos, marcas, formatos, modas e costumes.

Imagens de novelas, filmes e revistas servem de guia de vida afetando nas escolhas de muitas
pessoas. Esse tipo de pessoa que se deixa afetar de forma exagerada por ditames e imagens
externas, deixa de ser genuína e de exercer sua criatividade. As pessoas são até classificadas pelo
tipo de roupa que vestem. Tive essa impressão muito forte uma vez que me sentei no pátio do Chase
Manhatan Bank, em New York, esperando minha prima que trabalhava lá. As pessoas entravam e
saíam do banco, vestidas de forma tão semelhante que pareciam serem sempre as mesmas, que
estavam circulando como figurantes da Matrix. As pessoas das áreas urbanas quase não se
conectam mais com a natureza para perceber que tempo vai fazer, nem para ouvir o silêncio,
perceber os sons e os movimentos dos pássaros e do vento, nem para admirar flores, paisagens, o

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horizonte e o céu. Ficam confinadas e a realidade delas fica reduzida a cimento, vitrines, marcas de
carros e de roupas.

Desde o momento em que comecei a armazenar imagens e catalogar imagens terapêuticas, com o
auxílio do pêndulo radiestésico, meu cuidado foi no sentido de respeitar uma ética transpessoal e
transcendente, numa dimensão de amor que valoriza o ser como um todo. Percebi que podemos
valorizar cada dia e cada momento como algo sagrado, pois o agora parece ter uma dimensão
eterna, pois está sempre presente. O agora precisa ser reconsiderado de forma mais responsável e o
foco de nossa consciência pode ser treinado para perceber isso, se mantivermos também a nossa
intenção e motivação presentes. Nossa alma está decepcionada com ilusões e nos envia apelos com
exigências de uma reflexão que traga um sentido mais consistente com a paz de espírito.
Expectativas ilusórias não satisfazem mais, pois tornam a vida vazia de sentido. Se no fundo de nós
mesmos queremos mais, precisamos mudar nossa atitude e treinar o foco de nossa consciência para
se manter atento ao presente. As essências vibracionais de Imagoterapia enfocam a vida por este
ângulo e ativam a consciência e eventos que nos despertam.

Mesmo nas piores situações podemos tirar delas o melhor se mantivermos em mente que podemos
usar nossa força interna para fazermos transformações, alquimizar o sofrimento e a dor das trevas e
da desintegração; e transmutá-los em um ganho de sabedoria e de conhecimento de si e dos outros,
do movimento da vida, dos nossos limites e potenciais. Por mais que a consciência das pessoas
esteja impregnada de culpa, castigo e sacrifício, a redenção vem pelo autoconhecimento e
conhecimento , como afirmam os gnósticos. Nos momentos em que estamos frágeis e mutilados
conhecemos nossa sombra, a sombra da humanidade, novas dimensões são ativadas e temos de ter o
cuidado de não paralisarmos nossa consciência pela perplexidade e desistência face à maldade
humana e cair na autopiedade, na vitimização, na auto-destruição, nas acusações de bode-expiatório
e nos deixarmos cair de forma desorientada no caos e nas trevas. A nossa força interna e o nosso
foco têm de fazer um realinhamento alquímico e se movimentar na reconstrução e reintegração da
teia viva da Unidade corpo-alma-espírito-Terra-cosmos-sagrado.

As terapias vibracionais constituem um apoio que auxilia nos tratamentos médicos e psicológicos,
pois o ser humano necessita e quer ser valorizado na sua inteireza corpo-alma-espírito e na sua
religação com a Terra-cosmos-sagrado. Todos estes fatores devem ser cuidados com a devida ética
e amor. A Ética do Cuidado precisa ser introduzida e aprofundada em todos os cursos de
profissionais de saúde, assim como nas demais profissões, inclusive, e até, no ensino básico das
crianças, pois estas ficarão mais bem amparadas pois merecem este ensino e cuidado. Podemos ser
melhores do que somos, vibrar e receber vibrações sãs, amorosas, compassivas, equilibradas, para
melhorar o contexto da realidade em que vivemos, criando uma ambiência vibratória ressonante
com o sagrado. As essências de Imagoterapia Espaço Sagrado e Cuidado Divino atuam nesse
sentido.

Lembro-me que a primeira essência vibracional de Imagoterapia que criei foi em 1984, em Paris,
foi a Harmonia Com o Outro, porque em harmonia, sempre damos o melhor de nós mesmos, e a
qualidade da convivência é um cuidado fundamental que mantém em dia nossa esperança. Há
alguns anos criei Conexão com a Essência, para ajudar as pessoas a se conectarem com o seu íntimo
de forma mais consciente. Encaro a nossa essência como uma atividade que emerge continuamente
em busca de sentido, que parte do núcleo do ser, como numa espiral evolutiva.

148
A imagem do nosso núcleo simbólico

Quando nos dispersamos nos desejos de consumo, nas recordações de sofrimentos, nas expectativas
pessimistas, nos conflitos e nas ilusões estamos colocando nosso foco a serviço das inquietudes do
ego. Estas ansiedades e aflições são posições da consciência que nos provocam insatisfação,
dispersão e inquietude. Mesmo que tentemos recorrer a vários tipos de fugas, isso só nos traz
ansiedade e angústia do vazio ou do conflito. Em lugar disso, podemos tentar conseguir nos lembrar
que temos um centro dentro de nós mesmos que sabe tudo a nosso respeito e que pode nos
encaminhar para melhores opções. A essência do ser, o núcleo do self, tem poder e conhecimento
para resolver qualquer tipo de situação, assim como discernir as nossas necessidades verdadeiras.
Assim, se deslocarmos nosso foco para o nosso centro, nos conectaremos com a serenidade, porque
o centro tem a visão do momento certo e da oportunidade real.

Alguns místicos localizam este centro no chamado chakra do coração, outros no terceiro olho.
Dürkheim (1997) localiza este centro a dois centímetros abaixo do umbigo. É o que os japoneses
chamam de Hara e os chineses de Tan Tien, que é o ponto onde se concentra a energia vital do
corpo e do espírito. Neste ponto corpo e espírito se conjugam na união alquímica e nele podemos
construir a nossa pedra filosofal. Ali terra e cosmos se reúnem e, para Dürkheim, é preciso esforço
disciplinar de exercício e concentração para mantê-lo fortalecido e vivo para a partir dele
conduzirmos nossa vida. Exemplifica que podemos fazer nossa voz partir do centro para que ela
tenha fundamento, pois dali partirá nossa sinceridade e inteireza naquele momento, como se a voz
partisse de nossas entranhas. Esse autor relata sobre a postura correta do arqueiro zen, sendo que
este deve manter seu corpo completamente relaxado e fazer com que a força com que coloca o arco
em tensão parta do ponto Tan Tien. E Dürkheim relata que, em harmonia com o ambiente, o
arqueiro sabe que a flecha e o alvo são uma unidade, assim como também são o corpo e o arco.

Jung (1988) afirma que temos um self latente que podemos torná-lo manifesto se nos conectarmos
com ele através da ativação de nossa função transcendente e da imaginação ativa. No núcleo do self
o ego e o inconsciente se unem numa conjunção alquímica de amor. O conflito acaba porque o ego
e o inconsciente se tornam cúmplices, passando a ter uma relação de consideração um pelo o outro e
juntos decidem as coisas e manifestam o núcleo do self na experiência da vida. A sincronicidade
passa acontecer e vai demonstrando que este núcleo existe e está conectado com os movimentos do
destino.

Jung fez o prefácio da primeira edição no ocidente do oráculo do I Ching que demonstra as 64
combinações da relação ego-inconsciente-destino. O oráculo revela o que está acontecendo e avisa
de como a situação se desdobrará caso agirmos com o ego ou com a sabedoria do Self. O ego é o
homem inferior que tem medo e se precipita caindo no infortúnio. O Self é o homem superior, o ser
inteiro, que parou para refletir, que se detém no sentido e significado da situação e que sabe,
portanto, como pode ser bem sucedido.

O Self está sempre em construção. Nossa sanidade e serenidade dependem de concentração e


disciplina, de uma atenção constante em manter o foco no centro do ser, na nossa pedra filosofal e,
com isso, fortalecê-la. Trata-se de ter em mente que podemos deslocar o foco da consciência para o
núcleo de nosso ser e decidir nossa vida a partir dele com a confiança que dali parte a decisão certa.
Deste centro que podemos ter a sensação real de plenitude e da conexão com o sagrado. E é neste
estado que criamos a condição para sermos capturados pelo que Aurobindo (in: Satprem, 1964)

149
chama de supraconsciência, que possibilita o alargamento da verdade interna e externa. Quando
corpo-alma-espírito, em algum momento, se encontram, múltiplas dimensões se revelam, nos
fazendo pressentir como o tudo funciona e, ao mesmo tempo, perceber o quanto nos falta saber.
Podemos, inclusive, falar com as pessoas de espírito para espírito, numa aproximação vibratória de
teor sagrado.

Existe uma forma de meditação cujo método consiste em concentrar o foco no nosso centro e no
movimento da vida. Perceber a energia que nos alimenta e evitar condições internas e externas que
nos sugam e nos retiram do centro. Procurando alimentar este centro com coisas que o fortaleçam,
ele poderá nos proteger em qualquer situação.

Criei as essências de Imagoterapia com esta preocupação de deslocar o foco dos conflitos do ego
para o núcleo integrador e transformador. A essência vibracional que escolhemos tomar revela
aonde nosso ego e inconsciente nos capturaram. Confio que alguma coisa em nós sabe que a única
regra a seguir é respeitar nossa inteireza e a qualidade da nossa interação com o ambiente. É um
caminho de vida confiável que vale o esforço de permanecer nele, pois nele podemos realmente nos
auto-realizar cada dia por inteiro.E o esforço consiste na atenção e contemplação do que se passa na
realidade interna e externa, saindo do automatismo e da pressa. Podemos perceber que quando nos
dispersamos do centro, também podemos utilizar recursos que nos devolvam para ele. É um esforço
contínuo de auto-reorganização.

Dubant e Marguerie (1981 e 1982) escreveram dois livros sobre as histórias de Castaneda com o
xamã Dom Juan; e a mensagem xamânica é justamente considerar a morte como nossa
companheira, pois a vida é um mistério sem fim e o mundo em que vivemos uma loucura.
Enfatizam que pedra filosofal é a morte e temos que transformar o chumbo da vida quotidiana em
ouro mágico, sendo que nossa única liberdade é ser impecável. Nosso prazer é fazer o caminho do
coração, assim não faremos passos falsos. O poder da intenção mais profunda tem de ser alvo de
nossa predileção. Com a essência identificada, nos ancoramos nela para extrair nossa motivação de
viver. Na intenção da essência é que está o impulso de viver, de realizar e de se relacionar.

O mundo em que vivemos, apesar de ter uma “inspiração racional”, é mesmo muito louco, porque
nos coloca numa posição dissociada. Sem querer ser taxativa acho, às vezes, de que se trata de uma
lógica esquizofrênica, pois para as pessoas se encaixarem neste sistema de vida elas têm de se
desdobrar noutra pessoa, acabando por se desconectar de si próprias e se perderem no coletivo.
Podemos observar isso ouvindo as notícias políticas e sociais, ou apenas falando com as pessoas.
Encontro gente que desdenha a existência da alma e do espírito, ou outras que, por outro lado se
fanatizam em religiões. São dois extremos que negam a individualidade. O primeiro é o tipo
presunçoso e arrogante e o segundo, submisso e influenciável, que projetam deus e o demônio fora
deles mesmos.

O apoio do ego na divindade só se torna consistente para o indivíduo se for sob a aquiescência do
Self. O núcleo do ser não se deixa iludir, pois é sensato; tem um senso de verdade que não o
permite cair nas armadilhas do ego e do fanatismo. É a partir da essência que se obtém o
conhecimento genuíno e as experiências da divindade sem fantasias. Em conexão com o núcleo do
ser, nos responsabilizamos; e seguimos com humildade e autenticidade uma ética individual.

150
Dizem que a verdade tem uma vitalidade que persiste no tempo. O que é falso logo perde seu
sentido e se torna fonte de decepção. Por isso os objetos supérfluos de consumo que as pessoas
perseguem para comprar não trazem satisfação real, pelo contrário, pois tudo que não tem
significado para a alma, não encontra ressonância no seu ser. A depressão é resultado de uma alma
desapontada, a qual se perdeu, como também se perderam as verdades que foram deixadas de lado.

Imagem e desejo

Guzman (1979) ao citar Marcuse e Lefèbvre, afirma que a publicidade utiliza a imagem para
associar prazeres e poderes fictícios ao produto que quer vender. O ego que vive de ilusão acredita.
Como a consciência coletiva valoriza os conceitos da persona, o sujeito pode acabar construindo
um personagem, empurrando para o inconsciente o seu self real emergente, criando com isso um
conflito. Como os conflitos dividem e desgastam o sujeito, ele se enfraquece e se estressa numa
perseguição inútil de mitos e ideais que não têm sentido profundo para ele. A tarefa dele dentro
dessa teia de ilusões é descobrir quem ele é por trás desse personagem. No fundo cada um sabe que
as imagens maravilhosas associadas aos produtos da propaganda servem para persuadir o consumo.
A fantasia do produto se encaixa na fantasia do sujeito, que é carente de prazer por natureza. Muitas
vezes as imagens utilizadas são dissociadas da realidade e da prática, assim como de ética
questionável. O ideal é que a responsabilidade acompanhasse a informação.

Na psicologia reichiana se afirma que o sujeito que se bloqueia na área dos olhos sofre de uma
cisão da personalidade podendo ter em sua estrutura psíquica componentes esquizofrênicos e
persecutórios, tendendo ao isolamento autista, se levado ao extremo. Temos visto que os
computadores e a televisão isolam o sujeito do convívio real empobrecendo a partilha de sua vida
emocional. As emoções parecem ser virtuais, pois são emoções muito mais imaginárias do que
reais, assim como também podem ser emoções através da vida dos atores e de pessoas famosas.
Muitos questionamentos e aprofundamentos não são discutidos e partilhados. Faz parte do viver a
transformação através das relações e conhecimentos ao vivo.

O que tem acontecido é que a pressa da vida faz o sujeito correr o dia todo, manter relações
superficiais e voltar para casa para sua televisão, a internet e o telefone. Sua vida real é acelerada e
predominantemente inconsciente, o que o torna vulnerável a todo tipo de influência. Os contatos
agora são feitos, preferencialmente, à distância o que contribui para a pessoa avaliar os outros pelo
imaginário e esfriar emocionalmente. O contato real e presente pode gera calor humano que, no
fundo, é o que as pessoas precisam mais. Parece que o medo do contato ou da rejeição contribui
também para provocar uma tendência a tornar vida cotidiana cada vez mais superficial.

Os publicitários costumam dizer que a imagem vale mais do que mil palavras (frase atribuída ao
Mao Tse Tung, que defendia a idéia de fixar os seus ideais revolucionários através da panfletagem),
pois é ela que vai despertar o desejo do público. Se a imagem da propaganda traduzir a
comunicação do que o produto ou serviço supostamente pode proporcionar, de forma eficicaz, ela
vai ficar marcada no inconsciente dos consumidores e exercer uma influência sobre suas escolhas.
A persona precisa de fantasias, pois é máscara, então, o imaginário vai se ativar em função do
estímulo sedutor da imagem publicitária e se adequar ao tipo de articulações, mecanismos e
caminhos que o pensamento já está habituado a percorrer para substituir o vazio deixado pelos
desejos frustrados mais profundos. Certas imagens têm o poder de capturar o desejo. A meta da
propaganda é propagar e de certa forma criar uma ressonância, uma impregnação; e fazer

151
publicidade é tornar uma informação pública. Se analisarmos do ponto de vista quântico, em que
sujeito e objeto são inseparáveis, a imagem, por ressonância vibratória, vai impregnar a informação
no campo mental do coletivo. A mídia publicitária parece reforçar continuamente a idéia que ser e
ter é a mesma coisa, difundindo mais a fantasia do ideal de ego e de objeto, assim como as
aspirações e expectativas ilusórias de prazer. Isso gera um desconforto da pessoa com sua própria
imagem e um sentimento de inadequação, uma distorção da realidade interna e externa, ou seja, a
vida real é incrementada pelo grande mercado de ilusões que tem alimentado a exploração entre as
pessoas. A imagem alimenta o ideal de ser e de devir pessoal e coletivo. As pessoas, tais como as
ações da bolsa, parecem ser medidas por cotação, cujo valor é impingido por uma crença
disseminada por truques, de enganação. Quem melhor apreende os truques é que tira maior
vantagem aparente.

Dentro desse contexto, não se trata apenas de desejos e valores que são sacrificados, mas também a
alma é sacrificada. Partes do ser, inclusive talentos, são afasiadas, desenergisadas e recalcadas em
nome de ilusões que alimentam a vida real. As informações contidas nas imagens nos chegam por
emanação, isto é, a imagem pode emanar também uma desinformação. Podemos constar que a
propaganda propaga a imagem de uma marca que fica marcada na nossa mente. Conforme a
maneira que uma propaganda é feita ela pode até passar uma informação que sugere uma
credibilidade que é introjetada no imaginário das pessoas como se fosse real.

Recebemos e emanamos influências todo tempo. Até certo ponto podemos escolher o tipo de
influências que queremos nos cercar. Um livre arbítrio reservado pelo nosso Eu. Nosso Eu é uma
singularidade que se constrói sob várias influências e informações. O processo de individuação
passa pela consciência profunda de nossa singularidade e das influências que recebemos até
conseguirmos transcender nossa história pessoal e nos conscientizarmos do tipo de relação que
estamos mantendo com o outro, com o coletivo, com os objetos e com ambiente. Assim, podemos
escolher do que queremos nos influenciar fazendo um certo tipo de triagem e cuidado, como
também podemos cuidar em escolher as vibrações que queremos emanar. O processo de
conhecimento interno e externo passa pela consciência da experiência das influências das
emanações.

Na medida em que nos deixamos tomar, ceder e derrubar as barreiras de crenças profundas internas
e externas de inércia e tirania, que criamos e que nos submetemos, podemos nos individuar e
acessar níveis transcendentes. Transcender é se deixar levar por vias desconhecidas; é se permitir
conhecer, vencer nossa relutância em permanecermos ignorantes face aos níveis de realidade
presente que estão além da teia de ilusões das fantasias pessoais e coletivas. É uma decisão interna
do Eu, que não quer mais se prender as imagens passadas dos traumas sofridos e nem deseja mais se
prender as imagens construídas pela pressão acelerada e imposta de nossa cultura atual pelo sistema
capitalista globalizante. Os seres gerados por este sistema são pessoas que estão compromissados
com um estilo de vida num contrato de submissão. Pessoas que se deixam envolver Por
desinformações ficam distanciadas do Self e reforçam a persona (máscara) para que este sistema
continue a expandir seu império no mundo.

A velocidade da vida atual está consumindo nossa vitalidade, gerando adrenalina e cortisol que
consome a juventude real de nossas células, atuando de forma estressante em todo nosso organismo
e em nossa psique. A vida acelerada cria uma tensão constante que nos faz viver em simpaticotonia
constante, isto é, nossos sistemas neuro-vascular e endócrino se desorganizam perturbando a nosso

152
sistema cognitivo.É um estilo de vida que passa uma mensagem subliminar ameaçadora em que
todo aquele que não se submeter será rejeitado, excluído e fadado ao rótulo de fracassado. A
imagem do sucesso é uma ilusão e como toda a ilusão quanto mais a perseguimos, mais mentiras
internas e externas criamos para sustentá-la. A mentira é o sacrifício da verdade. Nosso Eu é
sacrificado, nossa vida, outros Eus, a vida de muitas pessoas. Muitas pessoas na Terra já nascem
predestinadas a morrer de fome, outras nas guerras de poder econômico, outras na doença. A teia da
transcendência é alimentada pela compaixão para com o chamado de nossa alma e nosso espírito
sedento de verdade. Compaixão por todos aqueles que não tem a chance de fazer escolha, porque
são vítimas de circunstâncias avassaladoras para a vida interna e externa.

A imagem tem uma linguagem que informa. Segundo Guzman (1979), a linguagem visual é
subjacente aos sinais e imagens, pois através dela se diz alguma coisa. Os sinais de trânsito de
proibição, por exemplo, além de proibirem impõem um castigo, que é a ameaça de multa, então eles
intimidam o sujeito a transgredi-los. Eles barram o caminho e a vontade do sujeito de dobrar ou
estacionar, e ele se vê constrangido a obedecer. Por outro lado, estes sinais regulam e organizam a
circulação no espaço urbano. As imagens publicitárias induzem ao consumo e, indiretamente,
regulam os costumes.

Se analisarmos sob o ponto de vista da teoria de Bohm (1983) estas imagens, quando não
manifestas, estariam na ordem implicada ou dobrada (no inconsciente) gerando um potencial de
desdobramento que fazem uma pressão para se explicitar e concretizar na ordem manifesta
(consciência). Acredito também, que elas ganham a mesma autonomia de um mito ou complexo no
inconsciente das pessoas, pois elas criam mitos e valores relativos ao poder, a imagem social, ao
status, ao ideal de beleza, que vão influenciar o comportamento e os sentimentos das pessoas.

Conforme Guzman (1979) a pesquisa em publicidade tem caráter interdisciplinar. Ela se serve da
sociologia para investigar o comportamento de grupos sociais, pois a mensagem publicitária
pretende se introduzir na cultura, nas suas normas, mitos e imagens e modificar o comportamento
do indivíduo. Enquanto intenção persuasiva, na dimensão da psicologia, ela se serve da sugestão,
imaginação, memória, percepção e investigação de motivações. A mensagem publicitária se serve
da lingüística com um sistema de signos usando textos e imagens, tecnicamente elaborados, para
torná-la eficazmente persuasiva no sentido de gravar a mensagem claramente do produto ou serviço
na memória do consumidor e criar a necessidade do seu uso. Além disso, Guzman salienta que a
publicidade influi na distribuição de renda e no desenvolvimento econômico, perturbando os seus
ciclos.

O que quero enfatizar com esses comentários é o fato de que certas imagens persuasivas difundidas
têm o poder de alterar a opinião, o comportamento e o destino das pessoas a nível pessoal e
coletivo, ou seja, a imagem tem poder e tem uma linguagem subjacente que atinge nossa
consciência e nosso inconsciente. A imagem, como linguagem visual, informa e forma um estilo de
vida e influi no estado de espírito das pessoas. Uma obra de arte também diz alguma coisa sobre o
artista ou uma época e desperta sentimentos no contemplador.

A Imagoterapia é uma técnica terapêutica que utiliza criteriosamente imagens que têm poder de
influir positivamente na psique e nas situações da vida, re-conectando o indivíduo com suas
intenções, motivações e anseios profundos. Isso faz criar um espaço para auto-realização e
inventividade, com sensatez, em sincronicidade com o movimento da vida. A ética desta técnica é o

153
uso ecológico e psicoespiritual da imagem. O imagoterapeuta sabe que certas imagens têm poder
benéfico e que outras podem nos prejudicar, nos iludir, nos paralisar, nos influenciar negativamente
e até nos causar mal.

Nesse sentido com a ingestão das essências de Imagoterapia podemos neutralizar estados de espírito
e situações negativas e transformar a vida interna e externa para melhor. Acredito que imagens
terapêuticas usadas publicamente, via mídia ou nos próprios locais onde circulam pessoas, podem
influir positivamente no destino delas. Imagine o bem que faria se imagens de Imagoterapia fossem
usadas em casas hospitais, prisões, escritórios, consultórios, empresas e instituições em geral.

Sendo uma imagoterapeuta pretendo sugerir que é necessário desenvolvermos um discernimento e


uma sensibilidade discriminatória, para que não nos deixemos iludir e impregnar por imprints
visuais que pressionem, alterem, distorçam e desorganizem nossa consciência e nosso inconsciente,
poluindo nosso imaginário, com valores que não fazem sentido real para a alma.

Com isso, não estou querendo dizer aqui que a publicidade e a mídia sejam negativas, pois ambos
são úteis na medida em que informam ao público sobre a existência de novos produtos e serviços,
como também sobre acontecimentos em geral e arte. O que quero alertar é para que o expectador
não deixe que lhe imprimam um estilo de vida e de ser que não correspondam àquilo que na
verdade ele almeja. O que sugiro é uma mudança de mentalidade. Lembremos que a publicidade e a
mídia fazem presidentes que vão determinar o destino das nações e a imagem deles que é vendida,
na prática, encontra obstáculos para se efetivar. A persuasão pode iludir a população, criar
expectativas decepcionantes e trazer confusões.

As essências de Imagoterapia chamadas Verdade Divina e Conexão Com o Eu Superior contribuem


para uma mudança de mentalidade que descarta as fantasias e ilusões a respeito das pessoas,
situações e informações. Já as essências Conexão com a Essência, Visão Clara da Missão e
Reintegração Criativa no Movimento da Vida contribuem para o discernimento, uso melhor do livre
arbítrio e para a auto-realização. Para proteger contra a poluição de imagens negativas recomendo a
essência Protege contra a Alienação.

154
ALGUNS RELATOS DE CASOS DE USO DAS ESSÊNCIAS DE IMAGOTERAPIA

Neste capítulo vou mencionar alguns casos de pacientes que fizeram uso das essências de
Imagoterapia. Em níveis de terapia, o efeito de uma essência nem sempre se repete exatamente da
mesma forma, porque cada pessoa é única e está num momento interno-externo único, portanto, a
forma generalizada do efeito que se quer atingir no paciente vai obrigatoriamente se personalizar e
se adequar à sua singularidade individual e às condições pessoais de existência, consciência, tempo
interno-externo, assim como destino, também único.

C. é uma paciente que me procurou para fazer Radiestesia, com a finalidade de apressar a
elaboração de sua tese de mestrado. Afirmou estar perdida no meio de suas anotações, sentindo que
precisava fazer algumas modificações no texto, mas não sabia como e nem por onde começar. O
pêndulo indicou para ela Visão das Modificações Necessárias, 7 pipetas pela manhã, e Argumento
Inteligente, 7 pipetas à noite. Quando C. voltou, 21 dias depois, para uma segunda avaliação, estava
satisfeita com o resultado e o pêndulo confirmou a necessidade de continuar a tomar a essência.
Essa paciente tomou essas duas essências por mais dois meses e conseguiu terminar seu trabalho.
Enquanto esperava o dia da defesa da tese, continuou a tomar Argumento Inteligente, e Liberação
De Complexos, para superar a insegurança e o medo do fracasso. Defendeu seu trabalho com muito
sucesso e foi muito elogiada.

A paciente A. me ligou, pedindo que indicasse uma essência, sem me fornecer detalhes sobre sua
vida ou suas necessidades. Queria apenas que o pêndulo escolhesse uma essência para ela. O
pêndulo apontou para Visão das Modificações Necessárias. Ela tomou dois vidros, quatro pipetas
de manhã e quatro à noite. Vários dias depois, me telefonou, dizendo que modificara sua rotina de
vida completamente: encontrara novos atalhos, que encurtavam o caminho para o trabalho,
modificara o layout dos seus trabalhos para melhor, passara a sair à noite e iniciara um novo
relacionamento. Estava muito satisfeita porque, anteriormente, levava uma vida muito pacata,
fazendo sempre as mesmas coisas.

À paciente M., artista, o pêndulo indicou Inventividade Ótima. Ela descobriu novas maneiras de
concluir trabalhos com acabamentos aprimorados. Posteriormente obteve ótimos resultados
tomando Caminho do Virtuoso e Escolhas Certas.

O paciente L., vendedor, pediu que eu escolhesse só um vidro de essência. O pêndulo indicou
Escolhas Certas. Ele estava indeciso sobre onde procurar clientes interessados na compra de seus
produtos, na área da cidade que costumava percorrer. Após tomar várias pipetas da essência,
resolveu dar um passeio até um bairro distante, para espairecer. Lá, decidiu oferecer seus produtos e
encontrou novos compradores com sucesso.

A paciente J. estava no meio de um divórcio muito complicado, que envolvia a família toda num
clima de muito ressentimento. O pêndulo indicou Liberação do Destino Familiar e Antena de
Defesa. Ela tomou dois vidros de cada essência, 7 pipetas de um pela manhã e 7 do outro à noite até
terminarem. Depois, informou-me que estava se sentindo mais lúcida, forte, e, sobretudo, mais
independente nas decisões.

Ao paciente S., que estava muito abatido e infeliz, o pêndulo indicou tomar durante quatro meses a
essência Destino Melhor. Ele conseguiu sair de um casamento fracassado, viajou para outro estado,

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onde conheceu uma mulher, com a qual, posteriormente, se casou e teve um filho. Na cidade em
que decidiu trabalhar, tomou Propagação da Luz e Viabilidade. Conseguiu o apoio da mídia para
divulgar seu trabalho, tendo formado uma clientela de bom tamanho. Conseguiu também
estabelecer um vínculo de amizade no estrangeiro, onde tem ido realizar trabalhos de muito sucesso.

O paciente E., já idoso, disse-me que se sentia muito deprimido. Recomendei Entusiasmo de Viver,
4 pipetas pela manhã e quatro à noite. Ele melhorou e, sobretudo, tomou consciência que, na
verdade, as pessoas, com quem ele convivia, é que o contaminavam com seu pessimismo. Fazendo
essa discriminação, conseguiu preservar seu bom humor.

L.A. chegou em casa vindo do trabalho e encontrou um armário vazio sendo que várias coisas
tinham desaparecido, pois sua companheira de quase três anos o abandonou sem nenhuma
explicação. Diz ele que ela não deu nenhum sinal aparente de que faria isso. Para ele foi um golpe
terrível. Ficou extremamente deprimido e desolado. O pêndulo indicou para ele Escolhas Certas (7
pipetas de manhã) e Alívio da Tristeza Profunda (7 pipetas a tarde). Dois vidros dessas essências
seguidos. Ele melhorou consideravelmente e retomou sua vida com coragem e determinação de se
adaptar as novas circunstâncias.

O paciente L. costumava encontrar seus sogros esporadicamente. Cada encontro era carregado de
conflitos e ressentimento. O pêndulo indicou 9 pipetas de Harmonia com o Outro e 9 de
Reencontros Felizes, a serem tomadas um pouco antes de ir encontrar seus parentes. Contou-me,
posteriormente, que as reuniões de família tornaram-se mais leves, agradáveis e até alegres.

G. me telefonou relatando que tem um filho autista de cinco anos, que andava muito agitado e
raivoso. O pêndulo indicou para o menino tomar Ressentimentos, 2 pipetas pela manhã e 2 à noite.
Três dias depois ela me telefonou novamente dizendo que ele já estava mais doce e tranqüilo.

A paciente A estava desmotivada e com vontade de desistir de continuar a executar planos que eram
o seu motivo de viver, mas que, no entanto, não estavam fluindo devido a atrasos e outros motivos.
Ela tomou Conexão com a Essência e ficou mais autoconfiante em perseverar, e, por coincidência,
as barreiras ao seu progresso desanuviaram e as coisas começaram a fluir de forma muito
incentivadora. No caso desta paciente, ela estava no caminho certo, porém desanimada e incrédula
que fosse possível materializar seus desejos mais profundos de auto-realização, mas se este não
fosse o caso, ou seja, se sua atitude não fosse condizente com os desejos profundos da essência, o
resultado seria diferente.

A paciente N. estava com obras em casa e começaram aparecer vários problemas, tais como,
atrasos, vazamentos e com as pessoas contratadas para fazer o serviço. Ela tomou por conta própria
Liberação da Incomodação, 5 pipetas de meia em meia hora. Apareceram novas soluções e ajudas
fazendo com que o trabalho que já havia sido adiado para a semana seguinte, fosse executado no
mesmo dia em duas horas e a obra acabou muito bem.

A essência Liberação da Incomodação funcionou de forma ótima junto com a Liberação do


Destino Familiar com a paciente K. Ela estava sobrecarregada de problemas com o ex-marido que
não queria sair da casa dela, mesmo após o divórcio, como também tem um neto com asma que se
hospitalizava freqüentemente, dando gastos muito altos para a C. Ela tomou estas duas essências 5
pipetas pela manhã e pela noite durante dois meses. O resultado foi que o ex-marido finalmente se

156
mudou e se desligou dela; o neto melhorou de saúde diminuindo muito a freqüência das crises de
asma.

Com o paciente L. aconteceu uma coisa curiosa, pois o pêndulo me surpreendeu escolhendo para
ele a essência Caminho do Virtuoso numa situação que imaginei que a escolha seria completamente
diferente. Esse paciente estava completamente desesperado, pessimista, indignado, arrasado por
uma série de acontecimentos frustrantes e inesperados, decepcionado com a má vontade e falsidade
de pessoas que não tinham sido corretas com ele tratando-o com muita desconsideração. L. só
pensava em desistência, a ponto de mencionar que ele teve até vontade de morrer, pois achava
impossível seguir com seus projetos já que só encontrava obstáculos pela frente. Em resumo, no
primeiro dia que ele tomou 7 pipetas pela manhã, sete a tarde, sua fé na vida voltou e ele se
mobilizou para tocar os projetos para frente, arrumou parceria no seu empreendimento, contornou
os obstáculos com sabedoria e me disse que sua criatividade fluiu, complementando exatamente o
que estava faltando para dar seguimento aos seus propósitos. A essência Caminho do Virtuoso
recoloca a pessoa no rumo certo com confiança na vida, centrada nos seus objetivos reavivando os
potenciais criativos no sentido de aperfeiçoar os alicerces indispensáveis ao sucesso. Muitas vezes
imaginamos estar fazendo bem as coisas e, no entanto, negligenciamos detalhes cruciais e aí é que
entra a necessidade de uma virtuosidade perseverante de conduta para ancorar bem o que desejamos
realizar na vida concreta. No mundo real as coisas fluem de forma diferente do imaginário. A
realidade é uma desfazedora de ilusões.

A paciente D. estava querendo vender umas terras que recebeu de herança e estava desmotivada.
Disse-me que sempre deixava para depois e não sabia por onde começar. O pêndulo receitou para
ela tomar as essências Inteligência Financeira e Propagação da Luz e Viabilidade, a primeira 5
pipetas de manhã e a segunda 5 à tarde. Na semana seguinte, me contou que acabou fazendo outra
coisa. Investiu em fazer um curso de inglês de aperfeiçoamento e aulas de Tai Chi Chuan, e estava
contente de cuidar de si própria e de sua evolução, pois trabalha muito e andava cansada e sem
paciência. Falou que não pensou mais em vender as terras por agora.

V. me telefonou pedindo que eu indicasse uma essência para o filho dela tomar. Trata-se de um
menino de 18 anos que tem problemas neurológicos, que é mentalmente deficiente e hiper-ativo.
Disse-me que ele não parava quieto o dia inteiro. Indiquei a essência Lucidez e Calma para ela dar
para ele tomar 4 pipetas de manhã e 4 à noite. V. me falou que ele melhorou bastante, então,
indiquei de prosseguir este tratamento por mais dois meses pra depois reavaliar a situação. Pretendo
depois manter uma vez ao dia ainda por mais tempo esta mesma essência que já está dando um
resultado bom e acrescentar mais outra, escolhida pelo o pêndulo, para trabalhar outros elementos
que, evidentemente, são necessários num caso como esse.

A empresa M.E., seu chefe me consultou e eles estavam com problemas de tensão nos
relacionamentos e desmotivados. Recomendei Excelência de Desempenho e Presença e Alegria
para todos os empregados e para os sócios proprietários. Um dos empregados me ligou muito alegre
dizendo que eles passaram um período muito bom, pois ficaram com vontade de trabalhar, fazer
tudo bem feito e com satisfação, sendo que isso resultou em bons negócios e harmonia com clientes
que e fornecedores que costumavam dar conflitos. A expressão que ele usou é que estava tudo
fluindo melhor. Nesse caso estas duas essências resolveram o problema, mas em empresas, cada
caso é um caso. O melhor é investigar o que funcionaria melhor naquele grupo específico.

157
A paciente S. tinha problemas de relacionamento com o chefe dela, sendo que discutiam e se
agrediam com palavras, pois ele se comportava de forma arrogante e injusta com ela. O pêndulo
indicou para ela tomar Egrégora do Bem. Ela tomou 3 pipetas de hora em hora e o chefe telefonou
pra ela com delicadeza e ternura elogiando o trabalho dela e reconhecendo o quanto o papel dela era
benéfico para a empresa. Como ele tem um gênio difícil e de vez em quando fica nervoso, e então,
ela repete o tratamento quando necessário.

Esta mesma paciente S. vem tomando durante meses Organização e Prioridades que o pêndulo
indicou porque ela tendia a ser muito consumidora compulsiva, comprava coisas que não precisava,
só por impulso, acumulando dívidas. Contou-me que tem sido muito mais racional no consumo e,
apesar de se encantar com roupas e objetos que vê nas lojas desiste de comprar na última hora. Com
isso, sobrou dinheiro para fazer uma psicoterapia para tratar de seus problemas afetivos.

A paciente E. andava exausta de tanto lidar com um grupo de colegas de trabalho inflexíveis,
“nenhum pouco holísticos”, que só falavam em dinheiro, pois não tinham o mínimo respeito pela
alma e pelo espírito dos outros, e nem por eles próprios. Indiquei para ela tomar Reerguimento de
Postura, 7 pipetas pela manhã e 7 à noite. Uma semana depois ela saiu deste grupo de trabalho sem
arranjar inimigos. Atualmente está se ligando com pessoas interessantes, inovadoras, num projeto
viável a ser realizado no ano próximo e se sente melhor. Mesmo assim ainda indiquei para ela tomar
Reintegração Criativa no Movimento da Vida a fim de harmonizar a vida profissional dela aliada
com pessoas que valorizam o ser humano como ela.

A paciente P. tem um espaço de atividades clínicas e ginásticas terapêuticas, que, volta e meia se
transformava num caos de agitação e barulho. O pêndulo recomendou para ela tomar Espaço
Sagrado 7 pipetas duas vezes ao dia. Além disso, acender uma vela de Imagoterapia que também se
chama Espaço Sagrado, ao menos uma vez por semana, toda segunda-feira. Ela me relatou que já
no primeiro dia que tomou a essência, o ambiente ficou mais tranqüilo e produtivo. Recomendei
que

A paciente M.R. estava insegura e com medo de se envolver com um namorado pelo qual ela estava
apaixonada. Estava pessimista e incomodava com questionamentos de outras pessoas sobre o futuro
da relação. O pêndulo indicou para ela tomar todas as manhãs Confiança e Transparência por
tempo indefinido até que ela se sinta confiante e firme compromisso. Para tomar à tarde, o pendulo
tem indicado para ela cada vez um tipo de essência conforme os acontecimentos se desenrolam na
vida dela no trabalho, amigos e família. Faz vários meses que ela toma essências de Imagoterapia e
hoje pedi um retorno do tratamento. Ela me relatou que, a essência Confiança e Transparência,
contribuiu para curar a relação com o pai dela que se traduzia em medo de abandono e de entrega.
Percebeu que o problema dela era mais ligado com a falta de confiança em si própria. O
relacionamento com o seu namorado melhorou, sendo que ela diz se sentir muito junto dele, numa
intimidade de conversas, que ela nunca conseguiu ter em relacionamentos anteriores. Quanto às
essências que ela vem tomando a tarde eu apenas pedi o retorno da última que se chama Chatice
que, aliás, nos fez rir bastante, pois o título é constrangedor. Esta essência a ajudou a ficar menos
possessiva e ansiosa por controlar, pois às vezes, tem medos e incertezas e ficava fantasiando coisas
que a faziam se sentir sem chão, insegura.

A paciente A. me telefonou me pedindo para pendular uma essência para ela, pois se sentia muito
desmotivada, sempre adiando fazer as coisas que precisava para se sentir melhor e ser mais eficiente

158
no trabalho. O pêndulo indicou para ela Determinação e Objetividade para ser tomada todas as
manhas 7 pipetas durante dois meses. À tarde, durante esse período, ela variava de essência
conforme o pêndulo indicava. O retorno que ela me deu foi que ela conseguiu ter disposição para
fazer exercícios de manhã antes de ir para o trabalho, além disso, resolveu as pendências,
eliminando um comportamento padrão negativo dela no trabalho.

A paciente K. estava com sérias hostilidades e competição no trabalho e seu ex-marido tendia a
magoá-la, quando precisavam conversar sobre finanças e o filho em comum. Ela sentia que tinha de
aturar muitas coisas para não brigar. O pêndulo indicou para ela tomar durante cinco meses
Harmonia com o Outro, 7 pipetas pela manhã. À tarde variava de essências de acordo com o
momento. Contou-me que durante esses cinco meses conseguiu conduzir e suportar melhor as
coisas no ambiente de trabalho com mais harmonia, assim como, as conversas com seu ex-marido
se tornaram bem mais amenas. Logo a seguir o pêndulo indicou para ela tomar todas as manhãs
Reerguimento de Postura que contribui para ela se sentir menos culpada e assumir uma postura
mais firme e, com isso, se liberou de uma situação que a desagradava há muito tempo. Vem
tomando esta essência há dois meses e ainda vai continuar por algum tempo, sendo que a tarde
continua variando o tipo de essência que toma. Disse-me que a Excelência de Desempenho, que esta
tomando atualmente à tarde, lhe ajudou a colocar em dia com muita facilidade as coisas do seu
trabalho.

L. estava desempregado e devendo dinheiro, e me pediu para eu criar uma essência que o deixasse
independente financeiramente. Então, criei a essência vibracional de uma imagem que desencadeou
fatos relevantes ao que se propunha. A essência se chama Altos Rendimentos. Este paciente tomou
duas vezes ao dia 7 pipetas e na primeira semana arranjou um emprego bem remunerado, já pagou
suas contas atrasadas e gerou rendimentos para ele comprar coisas que desejava há algum tempo.
Falou para um amigo dele, que devia uma quantia considerável e tinha um prazo curto para pagar,
que ele tomasse também a essência, e este conseguiu o dinheiro em tempo justo para quitar sua
dívida. Outro amigo dele, vendedor também tomou a mesma essência e fechou negócios ótimos na
primeira semana também. Uma ótima costureira também com problemas financeiros, duplicou sua
clientela em duas semanas tomando também Altos Rendimentos.

Estes são alguns exemplos do uso das essências e dos resultados obtidos. O número maior ou menor
de pipetas, que o pêndulo indica, parece estar relacionado com a intensidade do problema em cada
caso. De qualquer maneira, adultos podem tomar 7 pipetas duas vezes ao dia, já crianças até dez
anos 2 pipetas, de onze a quinze anos 4 pipetas. Para idosos, recomendo 4 pipetas duas vezes ao dia
também.

As essências de imagens podem, tanto serem usadas por motivos práticos e imediatos, como para
questões fundamentais do ser. Em cada momento da vida enfocamos coisas diferentes que ativam
necessidades emergentes. A imagem terapêutica, sendo um signo vibratório, tem o papel de criar
condições vibratórias para lidarmos melhor com os vários tipos de situação com as quais
interagimos, pois ativa a sincronicidade positiva e potencial a nosso favor. Dessa forma atrai novas
possibilidades de ser e realizar, contribuindo para a concretização de nossos sonhos, para que não
entremos em padrões vibratórios de desistência e decadência.

Trata-se de um processo alquímico que visa transcender e transmutar a vida interna e externa para
melhor, que é o desejo vivo que está no coração de cada um. O processo de criação de minhas

159
essências é baseado na escuta e observação das necessidades dos meus pacientes e da coletividade.
Meu desejo profundo é o mesmo de todas pessoas que estão se movimentando para mudar o mundo
interno e externo, que é o de melhorar a qualidade de vida do ser na sua vida pessoal e coletiva.

160
IMAGEM - ENERGIA – INFORMAÇÃO – ORDEM

A essência como um fluxo espiralado

Para Reich (1974) o homem e o cosmos têm a mesma energia comum, a qual ele denomina de
orgônio. Considera que a fluência da bionergia contribui para o equilíbrio psíquico e para a
obtenção de prazer, porém as couraças bloqueiam esse processo, causado dores, conflitos e tensões,
ocasionando também, entraves no destino. Afirma que a energia é como um princípio de
funcionamento comum (PFC) que une o homem ao cosmos.A energia humana, além de se localizar
no corpo físico, se prolonga em torno dele formando um campo bioenergético, portanto o homem
não é apenas biológico. Compara as correntes energéticas espirais das galáxias, dos furacões, com
as da energia humana, todas elas fazendo parte do PFC. Reich integrou o conceito de campo da
física à biologia, à psicologia e à morfologia humana, pois para Reich, a origem dos traumas se
revela no corpo.

Corman (1985) afirma que, os tipos humanos são diferenciados conforme sua constituição física,
sendo que esta provém tanto através da genética como com do teor das experiências vividas desde a
tenra infância até a vida adulta. Em Morfopsicologia pode-se diagnosticar doenças físicas e
psíquicas, tendências de personalidade, os processos inconscientes predominantes que impulsionam
o comportamento, assim como o potencial de energia vital humana através até da análise de uma
fotografia do sujeito. O estudo da forma humana revela a maneira com que a pessoa canaliza sua
energia, como também, onde a bloqueia a nível psicossomático. Energia e forma estão associadas
no organismo humano.

Várias empresas francesas utilizam morfopsicólogos e grafólogos, pois seus diagnósticos


contribuem para selecionar empregados para áreas em que serão mais competentes. Como as formas
estão relacionadas com a energia vital, elas podem ser expressas até no formato da caligrafia do
indivíduo. Teillard (1983) afirma que pelo formato da escrita, as características da alma humana se
revelam ao conhecedor da Grafologia. O médico homeopata Vannier (1976) analisa os tipos
humanos pela constituição psicossomática e pelo temperamento, relacionando-os com os remédios
de homeopatia.

Pierrakos (1997), seguidor de Reich, aborda a pessoa humana como uma unidade psicossomática,
sendo que a fonte de cura reside no interior do Self. Esse autor considera a existência como um todo
que evolui criativamente. Sua abordagem é bioenergética e seu foco de pesquisa está na natureza e
funcionamento intrínseco da força vital. Através de sua experiência com pacientes percebeu, que
tanto a estrutura do corpo humano, quanto a clareza de percepção, são moldados, principalmente,
pela energia interior, ou seja, pela maneira como utilizamos nossa energia para criar nossa própria
vida e levá-la adiante.

Na medida que os pacientes de Pierrakos desbloqueavam energias estagnadas com a terapia


bioenergética, eles mostravam o desejo de uma realização mais profunda, além disso, o contexto em
que viviam também melhorava, como se obtivessem uma unificação maior com a realidade exterior.
Para Pierrakos a unidade e a interação são o elo entre as coisas que existem e o propósito dele era
ajudar os pacientes encontrarem em si próprios essa unidade, no interior do Self (inclusive corporal)
e na interação com o ambiente. Considerava, tal como Reich, que a pessoa, semelhante ao cosmos,
tem como substância básica a energia, sendo que vida é energia pulsante em movimento. Dessa

161
maneira, para que a vida da pessoa possa fluir, é necessário que a energia interna flua sem
bloqueios.

Para Peirrakos a energia viva se movimenta em direção à consciência e cada entidade tem sua
própria forma que a torna identificável, e que é vinculada ao ser que e aos seus atributos. A forma,
para esse autor, provém do movimento (energia) da entidade no tempo e no espaço, cuja coesão é a
consciência. Ao seu ver, energia é consciência, portanto, inclui tanto a matéria orgânica como a
inorgânica, sendo que o material e o imaterial diferem em freqüência vibratória e não em
substância. É por isso que o todo de uma vida, até mesmo o comprimento dos nossos ossos e o grau
de coordenação motora, é literalmente esculpido por sua energia interior. O “escultor” é a
consciência da energia: a consciência integral do gene do espírito. É por isso, também, que o
estado de nossas vidas depende de como agimos para enfrentar os acontecimentos externos, apesar
da realidade externa moldar, em parte, nossa percepção e nossas ações. (pp.19, 1997).

Esse autor afirma que temos um corpo energético que pulsa conforme são nossos pensamentos,
emoções, sensações e intuições, como também o teor de nossas experiências. A sensação de bem
estar, por exemplo, nos informa que nossa energia está fluindo livremente. Nossa parte material
(sensorial) tem uma freqüência vibratória mais lenta que a do espírito (intuitiva). Para Peirrakos
(1997) nossa energia vital se expande para além do corpo físico, criando um campo de energia ou
aura onde nossa fisiologia está também ali presente. Isso faz com que a qualidade de nossas
experiências espirituais, mentais e emocionais afete esse campo energético e, quando muito
intensas, atinja também a carne, pois o ritmo pulsatório do organismo se fragmenta e se bloqueia
com o estresse.

Pierrakos considera que a essência é o núcleo da vida universal individuada. (pp.23, 1997). Cada
elemento vivo (célula), cada entidade (ser), consiste em energia pulsatória consciente que emite
(através do seu centro) e recebe força vital (via periferia), sendo que a totalidade desse centro,
segundo esse autor, é a essência do ser humano. A energia se move do centro para a periferia em
forma de espiral. Quanto mais perto do centro, mais perto se está da essência; por outro lado, quanto
mais longe dele, mais usamos as máscaras do ego. Essas são intermediadas pelas couraças de
caráter e pelos sentimentos primais que originam impulsos inconscientes. Como, ordinariamente,
reprimimos esses impulsos, fazemos um movimento centrípeto contra um centrífugo, frustrando o
fluxo pulsatório comprimindo-o e desacelerando as freqüências. O ego nega os impulsos e o
superego os reprime, causando um impacto negativo no organismo e fragmentando as experiências
humanas. A energia fica aprisionada no perímetro defensivo, criando couraças e alterando a
percepção que o eu tem da realidade.

Pierrakos( 1997) afirma que a força vital da essência se movimenta para fazer contatos positivos e
calorosos de união com o ambiente, alem disso é a essência que tem o senso de verdade. Os
impulsos primais, tais como, a raiva, o pânico e a crueldade, são criados pelas forças energéticas
antagônicas exercidas na psique contra o fluxo afirmativo da essência. Pierrakos relata que vários
problemas psicossomáticos são causados pelo antagonismo de energias, classificando-os conforme
a região do corpo onde a energia está bloqueada e estagnada, que ainda podem ocasionar problemas
de voz e de expressão corporal. Cada couraça numa parte do corpo também transparece na postura
física e psíquica do sujeito. Pierrakos propõe técnicas para desbloquear as couraças, com a
finalidade de integrar o ser e harmonizar o fluxo pulsatório da essência com o mundo exterior.

162
Esse autor enfatiza que existe criatividade por detrás do movimento de energia, e por trás da
criatividade existe algo que sabe. Esse algo é a consciência. (pp. 154, 1997). Nossa expressão no
mundo define a qualidade de nossa energia. A criatividade ocorre quando consciência e energia se
unificam. As emoções são percebidas por nossa consciência, porque algo se move dentro de nós. O
pensamento é ligado à energia e associado às emoções. O corpo encouraçado é rígido porque abafa
as sensações, sentimentos e impulsos da vida, tornando assim a pessoa fria, indiferente,
ambivalente, medrosa, defensiva e agressiva.

Como os seres são modulados por freqüências, a pessoa se sente mal porque se sente pesada, presa,
imobilizada, porque suas freqüências se desaceleraram; e esse nível de energia torna a consciência
distorcida, pouco criativa, cheia de negatividade e a energia do organismo fica estagnada. Pierrakos
(1997) considera a consciência como co-responsável pelo funcionamento do organismo. As defesas
humanas se devem ao medo da dor e da aniquilação e assumem, segundo ele, três formas: o
orgulho, a resistência através da imposição da vontade própria e o medo da vida. São formas de
resistir a vida e de projetar no outro e no mundo suas próprias dificuldades. Para esse autor, se
aceitarmos nossos sentimentos negativos quando eles brotam, tais como o ódio, menos odiamos,
pois logo vai passar e dar lugar a outros sentimentos positivos.

A circulação da energia espiralada através do Tai Chi Chuan: a incorporação de ondas de


formas e de luz

Chia e Li (2005) relatam que pela cosmologia taoísta, no início do universo, era a total vacuidade
chamada Wu Chi (estado sublime de vacuidade). Não havia movimento, porém, por um impulso
desconhecido, o Wu Chi se movimentou na sua expressão primordial do Yin (vazio, receptivo,
negativo) e do Yang (cheio, ativo, positivo) criando todos os fenômenos do universo.

Chi significa força vital, bioeletricidade, energia, vitalidade. O Chi é encontrado no ar que
respiramos, nos alimentos (pela fotossíntese) e nas estrelas. Chi é a essência do que respiramos e
nos alimentamos e essência para os taoístas é energia em movimento espiralado. O Chi se manifesta
nas estações do ano, nos elementos, na natureza e no corpo. O enfoque taoísta considera o TAO
como o Yin e o Yang em movimento O Chi básico é ancestral, proveniente dos nossos pais, também
chamado de Chi Original e se armazena no baço.

Conforme afirmam Chia e Li (2005) a segunda fonte do Chi provém da luz das estrelas (ondas
eletromagnéticas) e das vibrações subsônicas. Relatam que, no taoísmo antigo, as estrelas que se
destacavam eram o Sol, a Estrela Polar e a constelação da Ursa Maior. Hoje sabemos que nessas
proximidades pode-se também observar galáxias importantes, tais como a M51, M81, M82 e outras.
No taoísmo se afirma que a conservação da energia dos seres humanos depende do Chi irradiado
das estrelas, planetas e asteróides. A poeira cósmica também está no ar que respiramos e esse
resíduo de estrelas também penetra no solo terrestre, sendo considerado um importante nutriente.

Segundo Chia e Li (2005) as plantas são os únicos organismos vivos que podem transformar
diretamente a luz em nutrientes....A interação da luz, do ar e da poeira cósmica no solo, juntamente
com a água, forma a base da fotossíntese das plantas. (pp.35, 2005). Os seres humanos absorvem
então a luz através dos vegetais e da carne dos animais que se alimentam de vegetais.

163
O objetivo do taoísta é preservar em si um nível elevado de energia para fortalecer sua conexão com
o universo e consigo próprio. As praticas taoístas buscam a união com a fonte do universo para
armazenar essa energia fundamental do Chi principal, sobretudo, num ponto do corpo, situado a três
dedos abaixo do umbigo denominado Tan Tien. As técnicas do Tai Chi e do Chi Kung preconizam a
realização de movimentos coordenados com a respiração e com a mente conectada com o Cosmos e
a Terra, fazendo o Chi circular em espiral por todo o corpo.

A energia espiralada da Terra sobe pelos pés, através de um ponto do Meridiano do Rim, (R 1) na
sola dos pés. A energia espiralada do Cosmos entra por um ponto do Meridiano Vaso Governador
(VG 20) no topo da cabeça. Assim, o praticante inspira ambas energias espiraladas e as concentra
no Tan Tien ; e expira redistribuindo essas espirais de energia por todo o corpo (passando pelos
órgãos, ossos, tendões nervos, células) até os pés e as mãos. A inspiração é considerada um
movimento Yin e a expiração, Yang. O movimento contínuo Yin Yang é o TAO. Este é considerado
como o todo da energia existente em movimento. Estar em harmonia com o TAO é estar unido às
energias espiraladas do todo. Chia e Li (2005) chamam esta circulação de energia espiralada de
órbita microcósmica, a qual gera mais energia do que gasta, na medida que o praticante vai
armazenando nos seus treinos e na meditação. O Tai Chi também trabalha com sons, cuja vibração
é dirigida para os órgãos do corpo e para os humores. Também utiliza o que Chia e Li chamam de
sorriso interior, que é uma linguagem amistosa de harmonia para o corpo e a alma. Para os taoístas
a consciência não esta apenas no cérebro e sim em todas as células do corpo.

A meta do Tai Chi é equilibrar o organismo o fortalecendo para enfrentar a vida, pois aparecem
várias situações de oposição e obstáculos. Para Chia e Li (2005) se a pessoa é incapaz de perceber
a própria energia, jamais poderá perceber a energia do outro, muito menos o Chi que ativa os
pensamentos do oponente antes que manifestem a ação. O Tai Chi marcial era usado pelos
guerreiros nas batalhas na China antiga. Este consiste em recolher a energia para ser expandida no
ataque, porém ao recolher a energia já se faz um gesto de defesa que protege seu corpo podendo
evitar, e até derrubar o adversário. A energia espiralada é chamada de Fa Tien. A prática do Tai Chi
é uma prática consciente, tanto da absorção das energias cósmicas, telúricas e da liberação das
energias negativas emocionais e mentais, quanto de percepção das energias internas e circundantes,
fazendo com que o sujeito fique mais consciente de si e da realidade que o cerca. É um trabalho de
consciência da interação de energias que produz e que recebe do ambiente. Existem exercícios de
meditação no Tai Chi que são específicos para corporificar esta consciência.

Os movimentos energéticos do Tai Chi são formas e luz incorporadas, numa harmonia integrada
com ao planeta e o cosmos. Segundo Pribam (1995) as imagens (informação de formas e luz) se
distribuem no cérebro de forma holográfica, enquanto Bishop (1998) vai mais além dizendo que a
informação circula no organismo todo através dos campos de biofótons gerados na interação entre o
organismo e o ambiente, sendo que a nível quântico a energia tem forma espiralada.

Coerência quântica dos fótons

Os fótons têm seus padrões de comportamento interligado em sintonia quântica, mesmo havendo
grandes distâncias entre eles (princípio da não-localidade). No caso da imagem e dos impulsos
eletromagnéticos neurais, a correlação parece se dar também por processos quânticos, pois tudo em
que há efeitos eletromagnéticos em nível microscópico é quântico por natureza.

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Zohar (1990) considera que é o aspecto onda da realidade que faz com que haja um relacionamento
quântico entre as pessoas, pessoas e objetos e pessoas e ambiente. Para essa autora o contexto onde
as coisas ocorrem tem importância fundamental no desenrolar dos eventos, pois cada contexto
potencializa uma especificidade. Nesse sentido, imagens terapêuticas num ambiente podem ter um
efeito positivo no bem-estar de quem ali circula ou fica.

Zohar comenta, ao falar dos tecidos vivos, que por serem eletricamente carregados, eles emitem
fótons virtuais. Afirma que Fröhlich demonstrou que, até certo limite, qualquer energia introduzida
a mais no sistema faz com que as moléculas daquele tipo vibrem em uníssono. Elas o fazem cada
vez mais até chegar à forma mais ordenada possível de fase condensada – um condensado de Bose-
Einstein. A característica fundamentalmente singular dos condensados Bose-Einstein é que as
inúmeras partes constitutivas de um sistema ordenado não só se comportam como um todo, mas se
tornam um todo – suas identidades se fundem ou se sobrepõem de tal forma que perdem
completamente a própria individualidade. (pp. 98, 1990).

Nesse contexto, as moléculas biológicas vibram da maneira mais coerente possível de ordem. Zohar
comenta que essa coerência quântica de fótons foi pesquisada pelos cientistas não somente no nível
de microondas, mas também no âmbito da luz visível. Relata que Popp (2001) constatou nas suas
pesquisas que as células vivas emitem fótons associados às suas atividades e processos vitais. O fato
de a luz ser visível e, portanto, observável, não contradiz o fato de que na origem da geração da luz
(lá na célula) o processo seja quântico.

Zohar (1990) supõe que os condensados de coerência quântica dos neurônios sejam a base física da
consciência. As ondulações nesse condensado correspondem a estados de consciência de um
determinado momento, que surgem de um estado fundamental e subjacente, que também está
associado a um sistema de processamento de dados sensoriais, emocionais, fisiológicos, como
também de memórias. Zohar enfatiza que a consciência é um fenômeno quântico, sendo que a
dualidade onda-partícula está relacionada com a relação mente-corpo, em que a consciência pode
ser vista como um fenômeno de onda quântico que reage à vibrações e se comporta de forma
vibratória.

O eletromagnetismo do corpo, além de ligar os elétrons aos átomos, é responsável pelas ligações
químicas dos tecidos vivos. Zohar comenta que os bósons (fóton, fótons virtuais, glúons, grávitons e
outros) são partículas de relacionamento que compõem as moléculas do corpo por superposição de
ondas. Enquanto os férmions (elétrons, prótons) dão o aspecto sólido da matéria viva. Em física, os
bósons são partículas de intermediação de forças, sejam, eletromagnéticas, nucleares ou
gravitacionais; já os férmions, que tem massa, constituem a matéria.

Essa tecelagem do ser no momento a momento, à medida que as funções de onda de seres passados
se mesclam com as funções de onda do ser presente, é o que eu chamo de memória quântica. Ela é
um elo necessário, definitivo, entre nossos seres presentes, passados e futuros, e nos proporciona o
mecanismo através do qual desfrutamos uma identidade pessoal que perdura no tempo. Eu sou, em
parte, a pessoa que era ontem, pois aquela pessoa está agora entrelaçada ao tecido do meu ser. Em
termos mecânico-quânticos, o passado entrou num “relacionamento de fase” com o presente –
porque ambos, passado e presente produzem funções de onda sobre o estado básico da consciência.
(pp. 147, 1990). Para Zohar, os relacionamentos entre seres, e destes com o ambiente, se dão por
superposição de ondas quânticas.

165
Quando falamos sobre imagens, temos de nos reportar a Berger (2003) em que informação, energia
e ser vivo (matéria) estão entrelaçados num continuum. Se a imagem emite fótons e ondas de forma
oscilam a determinadas freqüências, isso torna possível no sistema oscilatório do corpo, o qual
também oscila, e passa oscilar em uníssono com a imagem. As imagens terapêuticas, enquanto
padrões de freqüências, podem interferir nos padrões de freqüências dos neurônios, modificando
estados de espírito e fisiológicos, alterando, por conseqüência, o relacionamento com outros seres e
com o ambiente. Ou seja, a informação de imagens (quântica) atua diretamente na consciência
(quântica), pelo processo físico-quântico padrão de interação entre ondas.

A desordem e a ordem cooperam para reorganizar

Por um lado, a física quântica nos atenta para a ambigüidade entre sujeito e objeto, por outro, a ética
nos atenta para a responsabilidade do sujeito pelos seus atos e ainda, por outro lado, existem
fenômenos irracionalizáveis. Nossa razão pode definir a imagem sob o ponto de vista de cada
disciplina, mas ainda falta muito a ser dito sobre a relação simbiótica do sujeito com a imagem,
assim como do virtual com o real.

Para Morin (2003), a hipercomplexidade relativa aos fenômenos biológicos, assim como da
microfisica, da macrofísica, do psíquico e do social traz a necessidade de antever a possibilidade de
entrar nas caixas pretas, portanto não negar a existência de fendas que existem no nosso
conhecimento, principalmente no que se refere à tentativa de construir uma teoria que permita
revelar a relação entre o universo físico e o biológico, tendo em vista que ela possa ser inalcançável.
Enfatiza que o sujeito observador científico não deve nem colocar fronteiras no seu horizonte
teórico, nem arames farpados e fiscais.

Podemos pensar que a imagem é abordada pelo olhar de várias disciplinas científicas, mas temos de
ter o cuidado de não formar ilhas ou estreitar o nosso foco de observação. A intimidade entre o que
é humano e o que é imagem, está nesse meta-nível de hipercomplexidade, em que várias fendas
existem entre o que é do virtual e aquilo que é o do humano biológico, energético, psíquico, social,
econômico, político, ético, moral e espiritual, assim como o que é do universo multidimensional.

Morin (2003) afirma que as fronteiras da complexidade daquilo que chamamos de real não existem
no território e sim sobre o território. Foulcaut (2001) coloca que cada disciplina tem seu horizonte
teórico e joga para fora dela elementos do real que não cabem no seu corpo teórico, tal como se esse
corpo fosse fechado. A teoria da hipercomplexidade, de que fala Morin (2003), é multidimensional,
considera vários olhares para um mesmo objeto e para desvendar as caixas pretas temos de transpor
as suas fronteiras e lidar com acaso e nos comportar como um sistema aberto à complexidade dos
fenômenos, incluindo novos saberes sem medo. Groff (1997) comenta que estamos numa época
semelhante àquela anterior a Galileu, em que a imaginação humana da época considerava a Terra
como o centro do Universo e que ela seguia plana até se deparar com abismos onde monstros nos
engoliriam.

Para Morin (2003) torna-se necessário, em cada disciplina, uma abertura teórica para alargar os seus
conceitos, incluindo outras disciplinas e assim, torná-las comunicantes. Na perspectiva de Morin,
assim como o biológico é um sistema aberto, aquilo que é teórico deve também ser assim
considerado, pois abrir teorias, além de alargar o conhecimento, permite incluir tanto o mundo

166
como o sujeito na ciência. Com isso, permite também considerar a natureza e as tendências da
matéria nos seus aspectos simultâneos e ambíguos, tais como a entropia (a desordem) e a
organização (constituição de sistemas cada vez mais complexos), encarando o mundo como um
horizonte de realidade que vá além do infinito, onde cada ecossistema está aberto, de alargamento
em alargamento em outros ecossistemas mais vastos estendendo todos os horizontes. (pp.56, 2003).
Essa concepção de Morin considera que o sujeito emerge ao mesmo tempo que o mundo. Segundo
este autor, o termo “auto” traz nele a raiz da subjetividade, para que apareçam sistemas dotados
de tão alta capacidade de auto-organização para que produzam uma misteriosa qualidade
chamada consciência de si (conscious of self awareness). ( pp. 57, 2003). Essa consciência de estar
ciente e atento também foi muito enfatizada por filósofos como Satprem (1964), seguidor de Shri
Aurobindo, com sua busca de alargamentos cada vez maiores da verdade (a supraconsciência) e por
Krishnamurti (2000), com a sua busca incessante da consciência desperta e atenta aos fenômenos
internos e externos, sem se limitar à razão, a qual, ao emitir seus julgamentos, separa e delimita
arbitrariamente o real. Krishnamurti enfatiza o medo que o homem tem de ficar sabendo a verdade
do que pode estar por trás e além dos limites que a razão impõe.

Morin (2003), afirma que a razão precisa dialogar com o irracionalizável. Para este autor o homem
traz nele a brecha, a ruptura, a dissipação, a morte, o além, pois é um ser aberto irresolúvel nele
mesmo e recursivo, sujeito à entropia (desorganização) e à novas auto-organizações. Para Morin, a
nível epistemológico, o sujeito e o mundo são recíprocos e inseparáveis na hipercomplexidade, pois
o homem emerge associado e condicionado por um ecossistema cada vez mais vasto, sendo ambos,
o homem e o ecossistema, sujeitos à entropia (desordem), como também a neguentropia (ordem).
Ambos convergem para um ponto crucial da física e da metafísica, onde sujeito e objeto se
entrelaçam numa teia complexa passível de perturbações e “ruídos”, em que os critérios puramente
objetivos são insuficientes para descrever o sujeito, pois estes colocam o homem como um fantasma
do universo objetivo, assim banido da ciência. Para Morin o sujeito, moralmente é a sede
indispensável de qualquer ética. (pp.59, 2003).

Para Morin (2003), assim como na microfísica o observador perturba o objeto observado, as noções
de sujeito e objeto perturbam uma à outra. Então, ambos devem permanecer abertos e não-
redutíveis. Considera que o conhecimento tem características biológicas, pois se dá nas estruturas
cerebrais e no diálogo com o meio. Este, por sua vez, interfere na concepção que o ser tem do
mundo. A brecha, a incerteza e o irresolúvel abrem perspectiva de inclusão e alargamento do
conhecimento.

Morin afirma que a unidade da ciência só tem sentido se for capaz de apreender unidade e
diversidade, continuidade e rupturas. (pp.74, 2003). Para este autor, transdisciplinar significa
indisciplinar e, além disso, abre espaço para a criatividade. Morin salienta que a desordem e a
ordem, sempre inimigas uma da outra, cooperam de uma certa maneira para organizar o universo.
(pp.89, 2003). A desordem está ligada a qualquer transformação do universo físico. Com a
microfisica, a noção de matéria perdeu sua substância, pois as partículas se comunicam em
velocidades infinitas. Harmonia e desarmonia estão interligadas. Para Morin, ser sujeito, é ser
autônomo, sendo ao mesmo tempo dependente. É ser provisório, vacilante, inseguro, é ser tudo por
si e quase nada para o universo, no entanto, além de sermos possuídos por nós próprios, também
somos possuídos por forças ocultas contraditórias que traduzem a complexidade humana
(inconscientes, culturais, multidimensionais).(pp.96, 2003).

167
O pensar a complexidade, para Morin, segue três princípios: o dialógico, a recursão organizacional
e o princípio hologramático. O princípio dialógico encara a unidade mantendo a dualidade, pois
associa a ordem e a desordem vistas como antagônicas, porém complementares. A minha leitura
desse primeiro princípio de Morin me faz encarar a imagem terapêutica como um objeto virtual
que, no entanto, concretiza eventos no destino. Vista como um padrão geométrico organizado a
imagem terapêutica pode desagregar um padrão comportamento humano e criar outro padrão, tal
como ocorre com a imagem publicitária.

Quanto à recursão organizacional, trata-se de um processo em que produtos e efeitos são


simultaneamente causas e produtores daquilo que os produziu, ou seja, o produto volta sobre o que
produziu, num ciclo que Morin chama de autoconstitutivo, auto-organizador e autoreprodutor.
Dentro desse princípio, podemos encarar a imagem como produzida e produtora. Imagens anteriores
criaram padrões de comportamento nas pessoas criando uma nova visão do mundo, a qual por sua
vez inspira na produção da criação de imagens seguintes, ou seja, a imagem ativa a imaginação; e a
imaginação produz novas imagens.

O princípio hologramático (associado ao holograma fotográfico) dita que a parte está no todo, mas
o todo está na parte. Morin exemplifica que cada célula do organismo biológico contém a totalidade
da informação genética desse organismo. Para esse autor o que é hologramático associa-se ao
recursivo e ao dialógico, sendo que não há uma linearidade, pois pode enriquecer-se o
conhecimento das partes pelo todo e do todo pelas partes, num mesmo movimento produtor de
conhecimentos. (pp. 109, 2003).

Groff (1997) e Pribram(in: Wilber,1995) associam a memória de imagens como podendo funcionar
em nosso cérebro como hologramas. Esse tema se torna muito complexo, porque de qualquer
imagem se pode constituir um holograma e a memória da imagem é por eles encarada como
hologramática. Isso faz com que o virtual e o real sejam constitutivos um do outro. Formamos uma
imagem do real e o modificamos segundo esta imagem, porém o real, anteriormente já nos
modificou ativando nossa imaginação. Ao dizer de Burnnet (2005), a imagem é atrelada ao
pensamento, e este interage com o real num processo contínuo e enriquecedor, além disso, como
afirma Morin, qualquer sistema de pensamento está aberto e comporta uma brecha, uma lacuna na
sua própria abertura, mas temos a possibilidade de ter meta-pontos de vista. O meta-ponto de vista
só é possível se o observador-conceptor se integra na observação e na concepção. (pp.111, 2003).
Se pensarmos do ponto de vista do cotidiano da paisagem urbana, não existiriam prédios e pontes
sem que antes tenham sido desenhadas suas imagens; e novos estilos de construções não existiriam
sem estilos anteriores e a imaginação não funcionasse para recriar um mundo esteticamente mais
contemporâneo ou futurista. A imagem é atrelada a criatividade tanto na arte como na ciência.

A imagem terapêutica é um padrão de ondas de forma e de freqüências de cores, que modifica a


visão costumeira que temos das situações do cotidiano, que nos faz repetir sempre os mesmos
padrões mentais, emocionais, sociais, assim como, éticos. Ela é um dado novo des-construtor de
padrões ultrapassados e reconstrutor de condutas criativas, que reorganiza a vida cotidiana de forma
mais genuína e sadia. Quando olhamos uma imagem, ela já está dentro de nós.

Morin comenta que o mundo nos chega ao cérebro através dos sentidos, portanto está presente no
nosso espírito que, por sua vez, está no interior do nosso mundo, assim o todo está no interior da
parte que está no interior do todo. (pp.128, 2003). Trata-se de uma auto-eco-organização, como ele

168
denomina, que funciona de forma hologramática. Afirma que não existe receita de equilíbrio, sendo
que é necessário aptidão para regeneração permanente para fazer face à degenerescência e a
desintegração. Para esse autor, em qualquer contexto que o ser humano está, este é
multidimensional, pois aliada a sua biologia, está também a sua psicologia e sua forma de interagir
com o mundo. Seja qual for esse contexto o ser precisa ter um ambiente adequado para se auto-eco-
organizar. Podemos pensar, que imagens terapêuticas, adequadas a cada contexto, podem contribuir
para melhorar a qualidade da interação ambiente-homem-ambiente, num sentido transformador,
pois a imagem atinge.

A imagem é tanto objeto de observação quanto sujeito de transformação.

A dificuldade que encontramos de integrar todas as disciplinas que abordam a imagem e de


formular teorias definitivas sobre ela, deve-se ao fato de que a interação imagem-observador-
imagem é muito complexa. Ao dizer de Morin (2003), no conhecimento sempre nos deparamos com
meta-níveis do indizível, da incerteza, da irresolubilidade e, sobretudo, com a irracionalidade e a
evolução do próprio conhecimento, onde, segundo esse autor, estamos sempre nascendo. Morin
afirma que a irracionalidade é profundamente tolerante em relação aos mistérios. (pp.172, 2003).
Para esse autor, nem sempre as teorias convivem bem umas com as outras, pois existem modos
mutiladores e disjuntivos de pensamento, que não abarcam a complexidade. Afirma que o progresso
da civilização é acompanhado por um progresso de barbárie, onde tecnologia e insensibilidade
caminham juntas.

Ao que parece, Morin deixa como legado à ciência e à transdisciplinaridade uma abertura para a
inclusão do novo, assim como estimula a coragem de abrir as caixas pretas. Sujeito é sujeito e
objeto, objeto é objeto e sujeito. Ambos em constante interação. Sem dar primado à razão ele
contribui para abrir e flexibilizar as portas do imaginário para conceber e, ao mesmo tempo, estar
ciente de que é concebido. A complexidade da vida versus imagens, sejam estas passadas, atuais ou
futuras, pode estar querendo nos mostrar o lugar que as imagens ocupam nas nossas escolhas e,
portanto, no nosso destino. Como já foi dito anteriormente, a projeção dos traumas passados
(imagos), a influência da mídia (os ícones), da publicidade, da arte, da ciência e do imaginário
coletivo consciente e inconsciente está sempre atuando, por ressonância, em nós, sendo refletidos
nos nossos atos, os quais por sua vez, atuam também no mundo. Se pensarmos como Foulcaut
(2004), que preconiza a ecologia do sujeito dos nossos próprios atos, temos que estar muito atentos
para refletir sobre quem somos e o que produzimos.

Desordem/Interações/Organização/Ordem, para Morin (Mét.1, 2002), estão sempre em mútua


interdependência. A boa qualidade do ambiente contribui para a reorganização e regeneração da
saúde, nesse sentido, podemos supor que imagens terapêuticas podem atuar promovendo ordem
psicossomática, pois estímulos adequados de cores e formas interagem positivamente com um
paciente que esteja se tratando num hospital ou em sua casa.

O efeito das imagens na bioquímica do organismo

Pesquisando um grupo de 88 pessoas sãs, Souza (2005), demonstrou que durante a observação de
imagens positivas a secreção de imunoglobulina A salivar aumentou na saliva das pessoas, enquanto
imagens de conteúdos desagradáveis causaram elevação no nível de cortisol. Ela afirma que estes

169
estímulos visuais influem no humor e na fisiologia do organismo. Declara que ser possível regular a
resposta de recuperação diante de um estresse agudo

A pesquisa de Souza (2005) foi inspirada em estudos anteriores sobre transtornos de ansiedade,
estímulos de carga afetiva e psiconeuroimunologia. Sua intenção é mostrar que imagens de
conteúdo afetivo podem induzir estados de humor nas pessoas.Salienta que a emoção tem um papel
fundamental nas decisões, no aprendizado, na memória, no comportamento, na resposta fisiológica
(nervosa, endócrina, cardiovascular e imunológica). Enfatiza que as emoções não só afetam a
fisiologia como também os eventos comportamentais.

Certos estados de estresse agudo e crônico podem ter efeitos extremamente negativos na saúde,
principalmente se estes estados persistirem ao longo do tempo, podendo causar câncer, artrite,
doenças cardiovasculares, diabete tipo2 e doenças peridontais. O estresse contínuo está associado ao
aumento de cortisol, que causa alterações no sistema metabólico, vascular, endócrino, nervoso e
imunológico, pois o sistema límbico está relacionado com o córtex cerebral. A pesquisa de Souza
enfatiza que a Imunoglobulina A é produzida pelos linfócitos B; e é o principal anti-corpo
encontrado na secreção das mucosas. No caso da saliva há uma relação direta das glândulas
parótidas, sublinguais e submandibulares com o sistema nervoso autônomo.

Souza (2005) relata que existe na internet um arquivo de imagens agradáveis, neutras e
desagradáveis do Center of Emotion Attention que tem como objetivo pesquisar e apresentar
resultados sobre respostas físicas e psíquicas aos estímulos visuais. Essa autora, cita também vários
autores estrangeiros e brasileiros que fizeram pesquisas sobre reações emocionais e orgânicas à
percepção de imagens. Na sua tese relata detalhadamente o comportamento e os caminhos
bioquímicos em reações emocionais aos estímulos visuais.

Os biofótons e a informação nos sistemas vivos

O IIB (International Institute of Biophysics), com sede em Nuess (Alemanha) , associado à outros
institutos de universidades tais como em Moscou, Beijim, Heidelberg e Londres, desenvolve uma
que focaliza a biocomunicação de fótons – os chamados biofótons – que defende a hipótese de que
a informação nos sistemas vivos é associada à luz.Há vários autores que se destacam no IIB , entre
eles, Popp (2001), professor fundador do IIB, que têm o enfoque interdisciplinar. Focalizam a
atenção para o papel dos campos eletromagnéticos nos sistemas vivos e entre os vários sistemas. A
partir de suas pesquisas e experimentos concluíram que os sistemas biológicos emitem biofótons
(emissão ultrafraca de fótons). Esse tipo de radiação é não-linear e coerente, ou seja, é uma energia
que não despende calor, portanto, não é entrópica, mas sim é criadora de ordem (neguentrópica),
portanto, portadora de informação. É coerente porque são vibrações específicas diferentes em
ressonância cooperativa, o que torna a transferência e transformação da energia sem perdas de calor
e têm habilidade de fazer circular a informação dentro do organismo e entre organismos diferentes.
Esta coerência é condensada em níveis de energia eletrônica que permitem superfluidez e
supercondutividade na temperatura fisiológica dos organismos vivos, tal como afirma Frölisch
(1983).

Popp e Wan (1993) constataram, em seus experimentos, que sinais eletromagnéticos coerentes de
freqüências específicas diferentes estão relacionados com atividades dos sistemas vivos, tais como a
atividade metabólica, imunológica e hormonal. Afirmam que os organismos vivos emitem vários

170
biofótons em freqüências por segundo entre o infravermelho e o ultravioleta, e parte dessa emissão
é reabsorvida de forma coerente pelo sistema. Células saudáveis re-emitem sinais de freqüência
coerentes; enquanto as cancerígenas são incapazes de comunicar-se, e emitem sinais incoerentes.
Popp e Wan acreditam que os sistemas vivos também se comunicam com sinais de luz, sendo que a
luz coerente e a informação, nos sistemas vivos, são interligadas.

Popp e Wan (1993) encaram a natureza como um sistema equilibrado ligado pelo fluxo de energia
cuja fonte principal é o sol. Essa inteireza é de ressonância e intercomunicabilidade. A energia solar
é absorvida nos pacotes individuais, os quanta, chamados fótons de clorofila, dos pigmentos das
folhas verdes que os humanos e os animais consomem. Ou seja, absorvemos, indiretamente, fótons
do sol através dos alimentos e essa energia permite que nossas atividades vitais se realizem, tais
como, o crescimento, as sensações e os movimentos.

Consciência e transferências de informação nos organismos vivos

Popp (1986,1988) sugere que a consciência está ligada a um processo ativo de transformação mútua
entre informação real e potencial. A informação potencial está associada à imaginação, tendo
caráter virtual; e a informação real ao mundo dos eventos e à relevância. Em última instância, os
seres vivos conseguem estabelecer sucessivos estados coerentes (de auto-organizaçao biológica e
/ou de consciência) porque têm a capacidade essencial de otimizar a neguentropia dos raios de sol
na terra. As afirmações de Popp e sua equipe são baseadas em pesquisas científicas e experimentos
consistentes realizados no IIB. O que os autores deixam claro é que a luz (luz solar ou artificial)
excita as moléculas fazendo com que essas emitam campos de biofótons, e estes estão relacionados
com atividades, tais como as celulares (inclusive os neurônios), os ritmos biológicos e a homeostase
do organismo,

Para Popp (2001) os biofótons são responsáveis pela transferência de informação dentro das células
e entre elas, ou seja: pela biocomunicação em diversos níveis hierárquicos de organização dos
organismos vivos, inclusive, da consciência. Os sistemas vivos emitem uma corrente de luz fraca de
alguns fótons por segundo. Esta descoberta foi feita anteriormente por Gurvitch, sendo que este
chamava de emissão mitogênica. A biocomunicação se estabelece em campos coerentes, não
térmicos, na faixa entre o ultravioleta e o infravermelho. Podemos imaginar que esses campos de
fótons podem dar sustentação aos campos mórficos holográficos das imagens terapêuticas.

Para Popp (2003) há um dialogo entre o mundo real e o mundo virtual onde nossa consciência
interage. O mundo da imaginação e o mundo dos eventos, assim como, a informação potencial e a
informação atual, transformam-se um no outro. Assim, tanto o mundo de possibilidades como o
mundo dos eventos atuais preenche a condição para a obtenção de informação relevante. Para esse
autor é necessário que um campo de coerência de biofótons se estabeleça para que exista o
desenvolvimento da consciência. Essa coerência é necessária para a consciência lidar com a
diferenciação de padrões espaciais e temporais, para a tradução da sintática em informação
semântica, para a comunicação intra e extracelular. Nesses processos estão envolvidas as
informações de origem não local, ou seja, instantâneos e à distância..

Como o organismo vivo é um sistema aberto, para Popp (2003), o grau de consciência vem da
informação atual e potencial. Para ele, a consciência está associada a campos de biofótons coerentes
e não entrópicos, que se auto-organizam otimizando a neguentropia dos raios de luz do sol na terra

171
estabelecendo estados coerentes. Sendo assim, a evolução da consciência envolve o
desenvolvimento de estados de coerência em direção a uma ética global.

Emissões coerentes e incoerentes

Popp (2007) afirma que a dificuldade que os cientistas biólogos encontram em aceitar as teorias de
Frölich, (1983), provém do fato de que a química é estudada separadamente da física, sem deixar
evidente de que os fenômenos químicos são regidos por leis físicas, e isso vale também para a
biologia. Na divisão celular - chamada de mitose - formam-se duas cavidades elipsoidais onde
ondas ressonantes atuam, permitindo que o processo de divisão e reprodução celular ocorra. Popp
afirma que se calcularmos as ondas ressonantes dessas cavidades de uma única célula,
encontraremos os comprimentos de onda correspondentes àqueles da luz visível. A estabilidade
dessas cavidades ressonantes se dá numa faixa de comprimento de onda da luz visível. Dessa forma,
a divisão celular conta com processos eletromagnéticos. A vida depende destes, o que torna a
biofísica uma ciência que vai trazer ainda muito mais respostas para explicar e curar a vida.

Dentro dessa perspectiva Popp(2007) afirma que os biofótons existentes dentro das células estão
correlacionados com a taxa de divisão e com o alto grau de coerência quântica. Nos últimos 30
anos, ele enfatiza, ter não somente mostrado a evidência da existência dos biofótons como também
pesquisado suas propriedades. Relata que, além dos biofótons coerentes, existem outras emissões de
fótons não-coerentes devido às reações químicas oxidativas que ocorrem nos sistemas vivos.
Ressalta também que existem, pelo menos, dois tipos de sistemas eletromagnéticos quânticos
associados aos seres vivos. Um deles é o descoberto por Frölisch (1983), que é ligado à ordem de
freqüências de microondas e o outro é o descoberto por Popp relacionado com a emissão
espontânea de biofótons em freqüências da luz visível.

Popp (2007) pesquisou as emissões oscilatórias da pele de uma paciente, durante uma semana.
Concluiu que os biofótons reagem com as funções fisiológicas do organismo como um todo,
participando de forma holística dos ritmos da biologia, como também, que as atividades de
regulação do corpo se dão num ritmo oscilatório permanente com diferentes amplitudes de campos
coerentes. Propõe que um diagnóstico de regulação pode ter aplicação médica. Resultados sobre
outras pesquisas de Popp e sua equipe podem ser encontrados no site do IIB, onde podemos
constatar outros exemplos de casos em que as mudanças dos padrões oscilatórios eletromagnéticos
devido à introdução de substâncias diversas em organismos vivos. Afirma que os estados coerentes
estão ligados à transferência de energia não térmica e essas transferências fazem parte dos padrões
rítmicos de regulação do organismo.

O vácuo biológico

Bischof (1998) também faz parte do IIB e, no que concerne aos fenômenos biológicos, afirma que
para os biofísicos o vácuo quântico se constitui de um campo de pura potencialidade que se
transforma em fato biológico, isto é, um campo de informação onde se atualizam as estruturas e
funções biológicas do organismo humano e da consciência. A atualização da informação genética se
transforma em crescimento e desenvolvimento; o pensamento se transforma em intenção, a ação se
transforma em movimento. Ou seja: realidades pré-fisicas transformam-se em realidades físicas.

172
Bischof (1998) relata que após 1960, com o desenvolvimento da teoria biológica molecular
quântica, o vácuo passou a ser visto como um campo coerente geométrico, diferente, portanto, da
abordagem da teoria do ZPF (zero point field) que considera o vácuo quântico como flutuações
microscópicas, num campo de fótons virtuais a temperatura zero. Bischof relata detalhadamente a
história das diferentes concepções científicas sobre o vácuo quântico. Afirma que Puthoff e Haisch
(1980-CIPA) publicaram uma série de artigos que fazem a ponte entre flutuações do vácuo quântico
microscópico e o vácuo quântico macroscópico.

Para as pesquisas biológicas, segundo Bischof (1998) a descoberta de Dirac (1934) de que as
partículas de matéria são o resultado de sua interação mútua com as flutuações do vácuo,
fazemcom que a matéria deva ser encarada junto com o seu ambiente de vácuo, o qual tem
propriedades dielétricas (polarizado) e é semicondutor. É significativo para a biologia, segundo
Bischof (1998), a teoria quântica dos fenômenos macroscópicos coerentes num ambiente de
superfluidez e supercondutividade, que está em constante interação num vácuo com características
topológicas (geométricas) e por onde a informação circula sem perdas de calor. Esse autor relata
que os conceitos relativos à superfluidez e à supercondutividade referentes à biologia da forma
foram desenvolvidos por Cochram (1971), Sitko e Gizhkof (1991) e outros.

Bischof (1998) menciona também Preparata (1995) afirmando que um campo de radiação
eletromagnética se acopla naturalmente à todos átomos e moléculas podendo dar origem a uma
toda inteireza de interpenetração de um estado coletivo e coerente de superfluidez de matéria
condensada.(pp.16, 1998). O estado coerente está relacionado com partículas virtuais. Bischof
(1998) relata que Popp considera o vácuo como um campo coerente de informação potencial, com
características de superfluidez, dentro dos tecidos vivos; sendo que há a possibilidade de medir
biofótons devido às flutuações desse campo, sendo que o tipo de interação dos sistemas biológicos
com o vácuo é específico desses sistemas. A existência dos biofótons deve-se à ação da matéria
com seu próprio campo de radiação. Os fótons se armazenam na matéria viva devido ao estado de
coerência coletiva existente no campo de fundo. O vácuo é considerado por Popp e Bishop como
um campo potencial de informação coerente. Rein (1993) afirma que as modificações nos campos
quânticos potenciais, ou endógenos, são substratos reguladores dos campos eletromagnéticos, e
estes, por sua vez, são mediadores dos eventos bioquímicos associados às transmissões neurais.

Quanto a biocomunicação, Bischof (1998) afirma que a informação existe e circula em potencial
nos campos coerentes coletivos de fundo e se atualiza em flutuações coerentes desse campo de
biofótons. Isso explica porque os tecidos com câncer e a urina dos fumantes emitem mais fótons
incoerentes, enquanto a vitalidade e a saúde dos tecidos são expressão de coerência nos campos de
biofótons. Nesse sentido, as enfermidades estão ligadas a campos incoerentes, portanto, à
incapacidade de biocomunicação coerente. Em outras palavras, a saúde está relacionada com
informações coerentes e a doença com informações incoerentes e má comunicação. Bactérias e
vírus emitem biofótons incoerentes. Musumeci (1992 e 2001) afirma que as células normais emitem
espontaneamente luz de menor intensidade (40 fótons/cm min.) do que as células cancerígenas
(1400 fótons/cm min.).

Bischof (1998) afirma que os cientistas do IIB estão convictos de que o vácuo é o ingrediente e
fundamento da biofísica holística, sendo que quanto mais entendermos a função e os mecanismos
dos campos eletromagnéticos, principalmente dos biofótons, melhor poderemos entender a
topologia do vácuo. Sugere que a estrutura de superfluidez do vácuo pode ser a ponte entre sua

173
estrutura topológica e as estruturas e funções biológicas observáveis. No entanto, já podemos
deduzir dessas afirmações, é que luz e forma estão associadas na biofísica de nossa inteireza
quântica.

A informação é veiculada pela luz

Para Bischof (1995) todas as células vivas emitem biofótons e o estado funcional dos organismos
vivos pode ser avaliado e discriminado conforme as diferenças típicas dessa emissão de luz
ultrafraca. Afirma que segundo a teoria dos biofótons a luz é armazenada nas células, precisamente
nas moléculas do ADN e há uma constante rede de comunicação dinâmica de luz liberada e
absorvida, que rege a biocomunicação e regulação dos organismos vivos. Relata que essa teoria
explica que processos de morfogênese, crescimento, diferenciação e regeneração seriam
estruturados e regulados pelos campos coerentes de biofótons.

Bischof (1995) afirma que a teoria dos biofótons pode ser o suporte científico para explicar os
efeitos de terapias como a acupuntura e a homeopatia. Considera que tanto a energia do Chi (dos
meridianos de acupuntura) quanto o Prana da yoga é regulada pelos campos coerentes de biofótons.
Esses campos, segundo Bischof, foram inicialmente descobertos, em 1923, pelo médico russo
Gurvitch (2003) que os chamava de raios mitogênicos. Posteriormente, em1974, o biofísico Popp
retomou esse estudo e elaborou a teoria dos biofótons, que foi confirmada por Frölisch e Prigogine
em 1977.

As concepções modernas sobre a vida postulam que, além da matéria e da energia, há um terceiro
fator que é a informação. E esta é veiculada por forças eletromagnéticas ultrafracas (luz) dentro de
contextos específicos dos organismos vivos, assim como entre organismos e dos organismos com o
ambiente, sendo que essas forças se originam da relação entre o sol e a terra. A informação tem
papel considerável na concepção sobre a vida, não apenas devido às descobertas da molécula do
ADN, mas também considerando toda a rede de sinais de biocomunicação dos organismos, entre
organismos e destes com ecossistema. A descoberta dos biofótons coloca a luz inseparável da
informação e da matéria nos organismos vivos.

Imagem e destino humano

A constatação dos biofísicos do IIB de que a luz das moléculas vivas oscila ao receber luz e emitem
luz fraca, estabelecendo uma comunicação (informação) de sinais de freqüência, me faz pensar que
esses tipos de eventos possam estar relacionados com os efeitos da Imagoterapia, já que radiações
coerentes estão relacionadas com informação (significados) e com atividades dos seres vivos.

Podemos considerar que o funcionamento do corpo e da mente, assim como o comportamento, o


qual resulta do processamento de significados (informação), passam a ser inseparáveis dessas forças
eletromagnéticas ultrafracas (luz). Nesse sentido, já que na nossa interação com imagens, reagimos
tanto a nível fisiológico, como comportamental, as imagens terapêuticas podem ser consideradas
como oscilações eletromagnéticas ultrafracas coerentes (luz e informação) que podem influir
positivamente e de forma coerente, nas oscilações eletromagnéticas do nosso organismo e da psique,
e portanto, no nosso destino.

174
Por outro lado, se analisarmos apenas sob o ponto de vista dos significados, poderemos constatar
que a informação impulsiona o destino humano bastando, para isso, observar a influência das
imagens publicitárias e da mídia em geral na nossa visão do mundo e na determinação de nossas
escolhas. Além disso, as imagens utilizadas para fazer diagnósticos em medicina, influem nas
escolhas de procedimentos médicos. Nesse sentido, podemos dizer que, em nossa cultura, imagem e
destino humano já se tornaram inseparáveis, mesmo porque somos sistemas complexos em
constante interação e imersão no mundo das imagens, seja através da televisão, dos computadores,
dos celulares, dos outdoors, das fachadas arquitetônicas de construções, da moda, do design de
objetos e de nosso aspecto, o qual é a imagem que projetamos no mundo. Absorvemos, assimilamos
e transmitimos oscilações de luz o tempo todo.

Podemos incluir ainda nesse nosso universo de imagens: a imagem que temos de nós mesmos, a
imagem que projetamos no outro, a imagem que vemos no espelho, a imagem que o outro tem de
nós, a imagem que temos do mundo, as imagens de nossa imaginação criativa e as imagens de
nossas fantasias e fascínios. Estamos como que intrincados com as imagens; e nosso destino não se
faz sem elas. Tendo em vista o quanto, as imagens influem positiva ou negativamente em nossas
vidas, podemos utilizar imagens terapêuticas de forma criteriosa para melhorar a nossa coerência
psíquica e fisiológica. A imagem terapêutica é um padrão neguentrópico, ou seja, criador de ordem
interna e externa.

Se imaginarmos mais além, podemos ainda, encarar a consciência do eu como uma manifestação
coerente proveniente do campo inconsciente, então os sintomas de doenças mentais seriam
oscilações incoerentes desse campo de fundo. Se o vácuo quântico é geométrico, padrões
geométricos, tais como as imagens terapêuticas, podem se afinar por ressonância mórfica com os
padrões quânticos de coerência da consciência e do inconsciente e podem ter efeitos
psicossomáticos positivos.

Por outro lado, existem muitas coisas para nos distrair de um processo consciente e consistente de
individuação que seja orientado para uma ética global, que enfatize o respeito à dignidade das
pessoas e da natureza. Somos cercados por desinformações incoerentes que não facilitam essa
inteireza ética. O Self está sempre em construção, portanto somos responsáveis em grande parte
pelo que somos e sobre o que informamos. Imagens terapêuticas (Imagoterapia) são padrões
geométricos coerentes de informação-luz que auxiliam na conexão com nosso Self, o qual está
sempre em construção e se reorganizando a cada dado novo relevante.

Como nosso cérebro é capaz de traduzir os comprimentos de onda das cores e como podemos
reproduzi-las mentalmente, através da visualização subjetiva e dos sonhos, provavelmente, nossa
memória é também de natureza eletromagnética como vários autores pensam. A imaginação parece
ser resultado da interação do movimento oscilatório dos nossos neurônios com as oscilações do
ambiente, que lhes servem de estímulo. As imagens que vemos e que formamos mentalmente são
luz e formas em movimento, expressão da atividade de funcionamento complexo de nossa
percepção interna e externa de cores e formas , sendo que as imagens provocam alterações
vibratórias no funcionamento bioeletromagnético do nosso organismo, na organização dos campos
consciente e inconsciente, desencadeando emoções conforme a qualidade dos estímulos. Há mais de
vinte anos pesquiso imagens terapêuticas e os relatos dos pacientes se referem a melhoras no seu
estado geral e na sua relação com as pessoas e o ambiente.

175
A memória da água

Benveniste (2005), através de suas experiências em laboratório, conclui a hipótese da existência, a


nível biológico, de sinais eletromagnéticos emitidos pelas moléculas que se dirigem aos receptores
capazes de reconhecerem as freqüências emitidas. Para esse autor, o termo mensagem molecular,
usado em biologia, deveria ser substituído pelo termo co-ressonância molecular. Sua pesquisa foi
feita com as moléculas de basófilos, assim como com as altas diluições de homeopatia e com a
transmissão à distância, por computador, de sinais moleculares (biologia digital).

As moléculas vibram; sabemos disso há decênios; mas cada átomo de cada molécula e cada uma
das ligações químicas (as “pontes” que ligam os átomos) emite um conjunto de vibrações de uma
freqüência que lhes são próprias. As freqüências específicas de moléculas simples e complexas são
detectadas há milhares de anos-luz graças aos radiotelescópios. Os biofísicos as descrevem como
uma característica essencial física da matéria, mas os biólogos não encaram que raios
eletromagnéticos tenham um papel nas próprias funções moleculares. Em conseqüência, não
encontramos as palavras “freqüência” ou “sinal” num tratado de biologia, muito menos o termo
“eletromagnético”.(pp.181, 2005). Para Benveniste a água transmite a informação, porque possui
uma memória eletromagnética e ressalta que a água constitui o meio ideal para transmitir sinais
eletromagnéticos moleculares, sendo que isso se daria por ondas de baixa freqüência que entram em
ressonância com o receptor.

Ressonância magnética funcional

Esses termos, os quais Benveniste se refere, são usados em biofísica, pois existem aparelhos de
ressonância magnética que captam freqüências, sinais e os biofísicos se servem de termos
eletromagnéticos para explicar seu funcionamento qualificando como um fenômeno quântico.

Gatass afirma: A imagem por ressonância magnética (IRM) é o resultado de sinais de freqüência de
rádio liberados por núcleos de peso atômico par quando voltam ao seu estado de repouso depois
de serem alinhados por um pulso magnético forte e homogêneo. No cérebro, o núcleo do átomo de
hidrogênio da água é a principal fonte de sinal na IRM. A leitura do sinal em momentos distintos
permite visualizar diferencialmente substância cinzenta de substância branca e de fluido
cérebrospinal. Ossos densos, que contêm pouca água, são invisíveis em tais imagens.(pp.1, 2007)

Já os aparelhos de ressonância magnética funcional enviam um pulso de radiofreqüência de ondas


eletromagnéticas semelhantes aos das ondas de radio FM. O efeito desse pulso é de re-alinhar os
spins nucleares do tecido vivo examinado em direção a esse campo o qual adquire magnetização e
emitindo então radiação eletromagnética que gera a formação das imagens. A hemoglobina tem
propriedades magnéticas e quando há um aumento do fluxo de sangue em certas áreas onde há mais
atividade neural sinais são emitidos indicando através das imagens a localização dessas áreas
ativadas. Tendo sido excitados por esse pulso de RF, os spins nucleares tendem a retornar á sua
condição de energia mais baixa, mas, ao fazerem isso, emitem a energia excedente também na
forma de radiação eletromagnética. E essa energia que, ao ser detectada pelo equipamento,
permite a formação de imagens anatômicas.(pp.1,Covolan e outros, 2004). Segundo Covolan, a
área neural ativada consome mais ATP (adenosina trifosfato) ocasionando uma demanda de glicose
e oxigênio. Quando do deslocamento da hemoglobina através dos vasos capilares há uma liberação
de oxigênio ocasionando um aumento no campo magnético na área neural ativada, ocasionando

176
uma alteração de contraste que permite gerar uma imagem que pode ser captada pelos aparelhos de
ressonância magnética funcional de efeito Bold (Oxigenation Level Dependent Effect).

Covolan(2004) comenta que esse tipo de imagens obtidas dessa maneira contribui para diagnósticos
de doenças como epilepsia, mal de Alzeimer, esquizofrenia e outras. Além disso, permite observar
as reações neurais a vários estímulos em indivíduos sãos. Com esse tipo de aparelho podem ser
captadas as atividades elétricas do córtex decorrentes de reações sensório-motoras, emocionais e
cognitivas, sendo que as imagens de ressonância funcional mostram o aumento do campo
magnético nas áreas correspondentes. Adreasen (2005) ilustra em seu livro ressonâncias magnéticas
funcionais de diferentes atividades do córtex por reações quânticas no cérebro face á visão de
imagens positivas e negativas. Através do uso de um aparelho de ressonância magnética funcional e
de um decodificador computacional Gallant e sua equipe (2008) provaram que cada imagem
observada corresponde a um padrão específico de atividade cerebral. Isso confirma a hipótese que
reações humanas e imagens são fenômenos de ressonância quântica. Já Souza (2005) provou ainda,
que se trata de um fenômeno bioquímico, que altera o sistema imunológico e reações de
comportamento.

O homen superluminoso

Para Dutheil (2006) a consciência faz parte da matéria, porém, enquanto campo de matéria
superluminosa, formado de moléculas que ultrapassam a velocidade da luz (tachyons), num
universo de informação e significados, tendendo para a neguentropia (ordem), onde eventos são
ligados pelo sentido. Afirma ser possível que nosso córtex capte as informações que dão origem às
sensações, assim como capta o sentido de signos e sinais de certos eventos sincrônicos, não
relacionados por uma causa comum, porque também pode funcionar a velocidades superluminosas.
Para Dutheil a consciência não seria um epifenômeno do córtex. O córtex funcionaria como uma
interface que capta e analisa freqüências.

Para este físico existiriam três universos intricados um no outro: nosso universo sub-luminoso (do
nosso tempo cronológico), o universo de fótons (na velocidade da luz) e um universo
superluminoso de tachyons (de velocidades instantânea). Abordagens da realidade para Dutheil
podem ser tanto do tipo racional ao modo local e causal, quanto do tipo não racional ao modo não
local e não causal. Dutheil considera sua hipótese próxima àquelas de Pribam (1977) e Bohm
(1983) e acrescenta: O universo superluminoso da consciência que nós descrevemos, na nossa
opinião, seria, o universo fundamental que se projetaria no espaço-tempo sub-luminoso sob a
forma de hologramas. Haveria então correspondência constante entre o espaço-tempo de
informação total e nosso espaço tipo holográfico. (pp.194, 2006).

Dutheil afirma que o primeiro físico a mencionar partículas de massa imaginária que poderiam
ultrapassar a velocidade da luz foi Broglie em 1950. Quanto aos tachyons (taches=rápido) foi
Feinberg, em 1967, quem mencionou a hipótese de sua existência, sendo que ele denomina as
partículas na velocidade da luz de luxons (lux=luz) e aos elétrons e prótons o nome de bradyons
(bradus=lento).

Para Dutheil os fótons poderiam ser formados de uma parte sub-luminosa e outra superluminosa, o
que, segundo ele, explicaria o paradoxo EPR, em que dois fótons se comunicam instantaneamente à
distância, devido ao fato de estarem a velocidades superluminosas. Aspect (1999) provou

177
experimentalmente a inseparabilidade quântica, confirmando que fótons mantêm contato a
distância, instantaneamente, contrariando a hipótese de Einstein de que fótons possam estar numa
realidade física local.

Dutheil (2006) relata que Steyaert (Instituto de Física Nuclear da Universidade de Luovain-La
Neuve), em 1980, numa publicação no World Scientific, colocou em evidência experimental os
tachyons enquanto monopólos magnéticos capazes de produzir corrente elétrica, denominando este
fenômeno de efeito tachyo-elétrico. Posteriormente, em 1989, Dutheil e Steyaert apresentaram no
Congresso Internacional de Relatividade Geral de Barcelona o relatório sobre o efeito tachyo–
elétrico que foi publicado no Word Scientific. Dutheil afirma que Enders e Nimtz da Universidade
de Colônia observaram a propagação de pacotes de ondas ou de fótons mais velozes que a luz
formando um campo de alguns centímetros de espessura (publicado na França em setembro de 1993
no Journal de Psysique).

Dutheil enfatiza também é que: O cálculo mostra que, no universo superluminoso, a ordem
aumenta em permanência, ou para falar de forma mais precisa, a entropia diminui (a entropia
sendo a desordem) e a neguentropia (a informação) aumenta sem cessar. (pp.91, 2006). Para esse
autor no universo superluminoso a informação e os significados estariam em estado puro.

Como o universo superluminosos é intrincado com nosso universo e a informação é neguentrópica,


portanto com menos energia, pode-se supor, que não há necessidade de muita energia para que seus
significados se desloquem no espaço. Se isso for verdade, dentro do contexto da Imagoterapia se
explicaria porque basta projetar a imagem terapêutica de um slide no álcool e na água para que o
significado da imagem passe para o liquido, assim como, basta o sujeito beber do líquido para que
incorpore e propague, por ressonância, o significado da imagem.

O DNA Phanton Effect (o efeito DNA fantasma)

Para Morin (2002) a relação entre in-formação e forma é um mistério a elucidar. Há uma
formidável zona de sombra entre, de um lado, o engrama/arquivo, que é um signo arbitrário
(localizado quimicamente no DNA nucléico e no neurônio cerebral) e, de outro lado, a ressurreição
integral de uma forma existencial, seja sob o modo da reprodução genética, seja sobre o modo da
rememorizaçao mental. Como um ser novo não está pré-formado, nem a lembrança está gravada
como uma foto, a ressurreição e a regeneração das formas permanecem incompreensíveis para
nós. Falta-nos esta “termodinâmica das formas” necessária, segundo Thom (pp.149, 1974). Mas
amplamente, falta-nos esta ciência das formas da qual mais uma vez sentimos necessidade, já
diversamente assinalada por Arcy Thompson (1917), o Gestaltismo, por Spencer Brown (1972) e
pelo próprio Thom (1972). (pp.438, 2002, Método I).

Garaiev e Poponin (2002), com o uso de um expectômetro, descobriram o que eles chamam de
efeito Phanton do DNA. O experimento que realizaram iniciou com uma emissão de fótons numa
câmera de dispersão. Observaram que os fótons se distribuíram aleatoriamente no espaço. A seguir
introduziram na câmera uma molécula de DNA. Observaram que os fótons se organizaram de forma
coerente como a molécula. Retiraram a molécula de DNA da câmera e, para a surpresa de Garaiev
e Poponin, observaram que havia uma formação organizada de fótons com o mesmo formato do
DNA. Concluíram que o campo de Phanton (fantasma) de DNA tem a habilidade de se acoplar aos

178
campos eletromagnéticos e ser detectado, além disso, que o campo subjacente se comporta de
maneira não-linear sob esse efeito.

Após esses autores realizarem esse experimento várias vezes com os meus resultados passaram a
aceitar a hipótese de um novo tipo de excitação ocorrendo no campo subjacente, de forma não
linear e localizada, sendo que os Phantons DNA podem existir ou se propagar lentamente com uma
vida longa, ou seja, por excitações estacionárias do campo subjacente. Além disso, sugerem que
esse tipo de excitações no vácuo possa ter relação com fenômenos de curas energéticas. Garaiev e
Poponin são reconhecidos pelos seus trabalhos sobre a dinâmica não-linear do DNA e as interações
dos campos eletromagnéticos fracos com sistemas biológicos. Ambos fazem parte do Instituto de
Física Bioquímica da Academia de Ciências da Rússia e têm projetos em colaboração com
cientistas da Califórnia, USA.

Esse experimento me parece expressar a ocorrência de uma interação do campo mórfico da


molécula do DNA com os fótons do campo eletromagnético, fez com que tomasse o formato do
DNA por ressonância mórfica, demonstrando também, com isso, que a luz e a forma são
ressonantes.

Informação ótica e ondas de matéria

Avançando em pesquisas de ótica não linear e não local, Hau (2007) em agosto de 2007, em
Harvard, realizou um experimento enviando um pulso ótico (luz) num condensado de Bose-Einstein
(átomos ultrafrios) numa caixa, para outra caixa de características semelhante ligada à primeira. A
luz viajou entre essas duas caixas sob a forma de ondas de matéria e reapareceu na segunda caixa
sob a forma de luz novamente.

A luz coerente viaja, com determinada forma e freqüência (informação), em ondas de matéria e
reaparece em outro local, com a mesma informação, ou seja, dados,mensagens e imagens poderão
ser lidos diretamente da luz, Hau afirma para o jornal Harvard News Office numa entrevista dada a
Cromie (agosto,2007).

As formas surgem da instabilidade

Para Cornu (2007) a matéria e as formas não têm as mesmas leis. Considera ser possível falar de
formas (estruturas globais) fazendo abstração da estrutura de seus constituintes e das regras de base
dos seus substratos e tipo de forças. Conforme a teoria do caos a influencia de uma perturbação
local pode modificar o sistema global. O contexto global é de imprevisibilidade, é sensível a
pequenas perturbações e, dele, pode emergir auto-organização, ou seja, microperturbaçoes podem
gerar macrorganizaçoes. Cornu afirma que tanto a teoria das estruturas dissipativas de
Prigogine(1986) como a teoria da morfogênese de Thom (1999) tratam de sistemas abertos, sendo o
primeiro de instabilidade termodinâmica e o segundo de instabilidade matemática.

A forma surge da descontinuidade, do não-equilíbrio. Segundo Cornu (2007), as formas são


respostas trazidas a uma situação de instabilidade. Da instabilidade local se desdobram fenômenos
globais numa emergência de causalidade ascendente, não linear, bifurcando para um atrator de
natureza diversa daquelas das condições iniciais.

179
A imagem terapêutica é uma estrutura global organizada de formas e cores, que emergiu
instantaneamente como fotografia, capturada dentro de contexto dinâmico e imprevisível, tal como
é o de um slide da natureza, por exemplo. Essa imagem ao interagir com a luz, com a água, com
álcool e com a eletrobioquímica do organismo do paciente, constitui, por sua vez, um fator dentro
de um sistema, que gera auto-organização. Esta organização é manifesta e desdobrada no contexto
de vida do paciente através da atitude deste e do desenrolar dos acontecimentos de sua vida. Como
se o paciente e a situação bifurcassem para outro nível de qualidade de vida. Para se analisar os
efeitos de imagens terapêuticas o foco deve se concentrar mais na qualidade do que na quantidade.
A quantidade refere-se ao número de pipetas a serem tomadas por dia assim como o número de dias
de tratamento e não, a quantos pacientes se beneficiaram exatamente da mesma forma de uma
mesma imagem, porque cada paciente é único, assim como é único o seu contexto. Em
Imagoterapia, a singularidade e a particularidade tornam-se mais importantes do que a
generalização dos efeitos, embora vários pacientes possam estar ingerindo uma imagem terapêutica
de mesmo significado. Se considerarmos a imagem terapêutica como um campo de significado, ela
vai se propagar em campos de significados diferentes, conforme o individuo que a ingerir.
Significados estão relacionados com qualidade.

Se encararmos, como Sheldrake (1985), que as formas geram campos de baixa freqüência, os quais
só percebemos, atualmente, apenas seus efeitos, podemos pensar que ondas de forma afetam os
sistemas. Assim, sistemas instáveis permitiriam modificações induzidas por campos de forma
neguentrópicos que tendem para uma auto-reorganização. A forma parece criar um campo de
atividade, que determina modificações de estado e estrutura, conforme a situação específica. Certas
situações são mais ou menos sensíveis aos campos de formas, dependendo de sua maior ou menor
instabilidade. Na minha experiência com o uso de imagens terapêuticas, a instabilidade psíquica
associada às situações instáveis é mais suscetível de ser re-organizada, com a introdução de um
significado novo (esse expresso no nome da essência de Imagoterapia atribuído à imagem que lhe
deu origem). Ou seja, a instabilidade é um terreno propício ao surgimento de formas novas
tendendo para uma re-organização, como afirma Cornu (2007).

A química do organismo é o aspecto manifesto de suas oscilações eletromagnéticas

Oschman (2000) afirma que a que a química do organismo é o aspecto manifesto de suas oscilações
eletromagnéticas. As moléculas do corpo vibram, pois suas partes eletricamente carregadas emitem
um campo eletromagnético. Esse autor considera que existe uma comunicação eletromagnética no
corpo, que se estende também para fora dele, através dos campos, e essa biocomunicação se dá por
sinais eletromagnéticos. Concorda com as idéias de Beveniste (2005) de que a água e o álcool têm a
propriedade de gravar sinais eletromagnéticos. As imagens, sendo emissoras de sinais
eletromagnéticos podem ficar, portanto, gravadas nesses líquidos. Oschman afirma que pesquisas
realizadas confirmam que terapias, que fazem uso de sinais eletromagnéticos, têm efeito positivo na
saúde, pois as moléculas desses preparados vibracionais vibram emitindo radiação de intensidade
energética e de freqüências específicas.

As moléculas ao vibrarem interagem, por ressonância umas com as outras, num fenômeno coletivo
cooperativo. O resultado desse fenômeno é um campo forte, estável e ordenado. A forma e a função
das moléculas estão co-relacionadas, sendo que as próprias proteínas do corpo mudam de forma
para cumprir funções diferentes. Oschman relata que segundo as pesquisas de Frölich (1988) e de
outros cientistas, a estrutura molecular dos vários tecidos do organismo tem a forma cristalina,

180
porém maleável como cristais líquidos, em constante oscilação vibratória variável de efeito
biológico. Os componentes cristalinos da matriz viva agem como “antenas” moleculares coerentes,
irradiando e recebendo sinais. (pp.131, 2000). Essa comunicação faz com que o corpo seja sistema
integrado e coordenado com todas as suas partes interligadas compondo a biologia do todo.
Estímulos ou distúrbios num grupo de células faz com que o sistema reaja numa cadeia de eventos.
Substâncias extracelulares são também mensageiras de sinais que vão direto ao núcleo da célula.
Oschman (2000) comenta que segundo essas pesquisas ficou confirmado que o reconhecimento e
resposta de sinais moleculares têm a ver com a sua interação energética entre estruturas e
orientações eletrônicas, as quais mudam por ressonância vibratória, como uma “dança eletrônica”,
em que fótons são emitidos e absorvidos.

A informação, para Oschman (2000), é permutada na rede continuada das várias camadas de tecidos
e de água na matriz viva, num sistema energético contínuo de coerência quântica. Da estabilidade
desse sistema depende a saúde humana, sendo que a doença é o reflexo da falta de coerência nesse
sistema de sinais bioelétricos. Por trás dos desequilíbrios químicos patológicos existe um problema
eletromagnético, já que a química do organismo é o aspecto manifesto de suas oscilações
eletromagnéticas. Oschman comenta que o espectroscópio mostra essa dualidade entre estrutura
química e oscilações eletromagnéticas. Enfatiza que os campos energéticos utilizados nas terapias
vibracionais podem ter um profundo efeito biológico e psicológico. Considera que as substâncias
vibracionais têm uma assinatura ou impressão digital eletromagnética de uma informação original
ou de uma substância natural, como é o caso da homeopatia. Essas assinaturas eletromagnéticas
atuam na defesa e reparação de sistemas introduzindo um sinal que cancela as freqüências
patológicas do corpo. Afirma também que certas freqüências de som e luz também têm mesmo
efeito. Dentro desse contexto, creio que a Imagoterapia funciona também nesse sentido, pois
imagens são freqüências de luz e formas.

Os radicais de hidrogênio, segundo Oschman (2000), seguram as moléculas da água juntas numa
estrutura em hélice que age como uma espiral em movimento. A informação eletromagnética é
induzida na água e a faz vibrar, sendo que os sinais vibratórios continuam reverberando mesmo
após a ausência do estimulo indutor.

As correntes elétricas do sistema nervoso geram um campo magnético. O sistema nervoso regula os
movimentos musculares e converte o pensamento em ações. Alem dos neurônios, existe o tecido
perineural, que constitui a maior parte das células do cérebro. A rede perineural envolve cada
neurônio do cérebro e segue cada nervo periférico até sua terminação. Oshcman relata que Becker
(1985, 1990 e 1991) pesquisou a rede perineural e conclui que se trata de um tecido por onde as
ondas cerebrais se propagam, sendo que os impulsos nervosos não perdem energia nessa
propagação pelo organismo. As oscilações das ondas cerebrais se modificam e se modulam por
pequenos campos, associados à atividade do sistema sensório-motor, assim como à dos
pensamentos; e essas atividades se propagam por todo organismo. Oshman (2000) relata que Becker
afirma que esta comunicação oscilatória se dá porque o sistema nervoso é composto tanto de
neurônios, quanto do tecido perineural, sendo que esse tecido é de conexão, pois é condutor da
atividade eletromagnética do cérebro. O tecido perineural, além de condutor de informações
vibratórias de baixa freqüência, tem a função de reparar danos que possam ocorrer com os nervos,
ou seja, as células perineurais entretêm os neurônios. Segundo Becker a rede perineural participa
não só do crescimento e regeneração dos neurônios, mas também dos ritmos biológicos e das
atividades mentais.

181
Oschman (2000) supõe que as informações das terapias pela imaginação formam campos
antecipados que também são conduzidos pela rede perineural. No caso dos atletas, músicos e outros
tipos de performances, quando eles se sentem prontos e focados para atuar, muitos deles dizem que
sentem isso numa zona do corpo que não é o cérebro. Para esse autor a intenção é um campo
antecipado de ação que tem base fisiológica; e isso serve tanto para treinamento de performances
como para campos de cura.

Quanto à passagem de informação de baixa freqüência no organismo, Oschman considera que são
os tecidos semicondutores que envolvem os nervos, as artérias, ossos e músculos que exercem esse
papel. Relata que, segundo as pesquisas de Becker (1985), esses peri-sistemas (perineural,
perivascular, periósteo), assim como a matriz extracelular, têm importante papel na regeneração de
tecidos danificados. Além disso, esses peri-sistemas são a sede de memórias de traumas.

Oschman (2000) relata que muitas moléculas na matriz viva continuada são helicoidais: colágeno,
elastina, queratina, DNA, actina e miosina. A forma de espiral e hélice funciona como uma mola.
Afirma que as moléculas vivas helicoidais são semicondutores pizoelétricos, que têm a capacidade
de emitir e absorver luz e converter a energia em vibrações que se propagam no organismo.
Considera que a dinâmica da matriz viva tem aspectos que são mecânicos, elétricos, magnéticos,
gravitacionais, térmicos, acústicos e fotônicos. Diferentes abordagens terapêuticas focalizam um
ou outro desses fenômenos. Como a matriz viva tem a habilidade de extrair informação de
significado, contida nos vários tipos de campos energéticos, muitas abordagens podem ser efetivas.
(pp. 241, 2000).

Esse autor ressalta a diferença entre eletricidade biológica e eletrônica biológica. A eletricidade está
ligada à polaridade da membrana celular, que é um fenômeno produzido por íons com carga, como
o sódio, potássio, cloro, cálcio e magnésio. A corrente elétrica produzida se espalha em ondas pelo
corpo. A biologia eletrônica lida com elétrons e fótons e é uma energia que é produzida por
circuitos eletrônicos na matriz citoplasmática, que é também chamada de citoesqueleto devido aos
seus filamentos, tubos, fibras e tubérculos, como também, na matriz extracelular. Oshman (2000)
afirma que tensões e movimentos geram sinais bioeletrônicos que se propagam pelos tecidos da
matriz viva, o que faz desta uma rede eletrônica e fotônica. Cada movimento tem sua assinatura
biomagnética, assim como os processos fisiológicos, tais como contrações musculares, secreções
glandulares e atividades cerebrais. Os detectores SQUID (Superconducting Quantum Interference
Device) detectam os campos magnéticos em torno do corpo, nas áreas do corpo onde existe intensa
atividade fisiológica, pois é um aparelho magneticamente ultrasensitivo. Pesquisa foi feita para o
caso das habilidades dos músicos e Oshman considera que o mesmo registro poderia se avaliado
com as terapias manuais e energéticas.

Oshman (2005) cita as pesquisas de Frölich (1988), o qual concluiu que a condutividade eletrônica
dos tecidos vivos depende da água. A água e os íons, associados à molécula viva, formam cadeias
de interação contínua que influenciam tanto a estrutura, quanto à função macromolecular,
permitindo a transferência de energia e informação. As moléculas d´água são eletricamente
carregadas e na sua rotação tendem a originar campos magnéticos que vibram e vão se associar às
proteínas (sobretudo o colágeno) na matriz viva, constituindo uma coerência quântica.

182
As moléculas d´água associadas às proteínas fazem propagar ondas de energia para as moléculas
vizinhas afetando a orientação espacial delas. Quando ocorre uma desorganização oscilatória, em
que uma onda colapsa, uma onda de Frölich (de coerência quântica) é emitida, a qual se propaga
instantaneamente no vácuo quântico. Esse tipo de onda é composto de um campo eletromagnético
(a freqüências próximas à luz visível), e de uma partícula sem massa chamada de bóson de
Goldstone . Oshman (2005) relata que Frölich (1988) descreve como a luz emitida nesse processo
influi na comunicação entre células e tecidos, inclusive na divisão celular e em outros processos
vitais. Os estudos de Frölich sobre essa luz endógena, como tendo papel chave nos processos vitais
de regulação, tornou-se tópico de pesquisa para outros cientistas que viram a vantagem de usar
sinais coerentes de luz para agir na comunicação e regulação biológica, conforme relata Oshman
(2005). Esse autor afirma que a energia na matriz viva está sempre disponível e pode ser transferida
para as partes do corpo onde é necessário, sem perda de calor ou dissipação. Como as estruturas são
geometricamente coerentes, excitações energéticas coerentes se desenvolvem fazendo com que o
organismo vivo se comporte como um cristal único onde circulam campos eletromagnéticos.

A teoria de Frölich (1975) foi citada no sumário do colóquio de Paris de 27 de março de 2004 sobre
As Descobertas Científicas e as Inovações Tecnológicas, no item referente à Teoria Quântica do
Funcionamento do Cérebro. Nesse sumário a coerência quântica nos sistemas biológicos é
associada à teoria de Marshal (1989), que relaciona essa coerência quântica com o sentido unitário
que temos do Eu.

Para Oshman (2005) a matriz viva é uma rede contínua de natureza física e energética, onde a
informação circula por sinais vibratórios a cada atividade fisiológica e a cada atividade da
consciência. Além de ondas eletromagnéticas, Oshman menciona ondas de forma que fazem com
que o organismo inteiro seja visto como um holograma coerente em três dimensões em interação
dinâmica de comunicação interna e com o ambiente. Concorda com Pribam (1969 e 1977) sobre a
hipótese de que a consciência e a memória funcionem sob princípios holográficos, sendo que as
ondas de forma são associadas aos movimentos do corpo e aos processos de aprendizado de
habilidades. Para Oshman, a consciência pode ser encarada como uma propriedade da matéria viva.

Dentro desse contexto de abordagem em que luz e formas são fatores determinantes no
funcionamento das atividades fisiológicas e mentais da matriz viva, imagens terapêuticas podem
ativar vibrações em ambas atividades. Como já vimos na pesquisa de Souza (2005) as imagens
atuam produzindo eventos fisiológicos, psicológicos e comportamentais.

Oshman (2005) cita Charman (1997) que considera que a consciência tem um aspecto onda, e que a
mente pode ser vista como um campo neuromagnético em que os neurônios pulsam em direção as
sinapses. Fótons são constituídos de campos elétricos e/ou magnéticos e Oshman relata que,
segundo Romijn (2002), a consciência possivelmente é constituída de altos padrões organizados de
fótons virtuais que codificam as experiências subjetivas tais como a dor, o prazer e a percepção das
cores.

Atualmente, ainda não temos nenhuma afirmação definitiva a respeito do que é a constituída a
consciência, os significados e a informação, mas o que percebemos é que os significados parecem
se propagar de forma instantânea (transmissão de pensamento), antecipada (intuições, previsões) e
retroativa (flash backs de memórias). Tudo leva a crer que os significados não dependem do tempo
e sim, se alargam espacialmente no tempo, provavelmente, por ressonância.

183
Se os significados forem associados a fenômenos de ressonância, trata-se de campos vibratórios, o
que coloca a consciência, os significados e a informação como fenômenos quânticos ressonantes.
Dentro desse contexto, as ondas de forma de que fala a Radiestesia, assim como a Imagoterapia se
moveriam na dimensão chamada de superluminosa por Dutheil (2006). Pro outro lado, a
informação, aqui no caso, da imagem terapêutica, não é um fenômeno dissociado da luz; e sempre
tem algum suporte (o slide, a água, o álcool, a matriz viva). Ou seja, a trilogia de que fala Berger
(2003), informação-energia-suporte, também faz sentido nesse contexto.

Podemos também relacionar os fenômenos radiestésicos e imagoterapêuticos, tanto à teoria da


ordem dobrada e desdobrada de Bohm (1983), como à teoria dos campos mórficos de Sheldrake
(1985). Emoto (2005) fotografou microscopicamente várias gotas d´água cristalizada que estiveram
em recipientes colocados sobre imagens, demonstrando que as cores e formas das imagens ficam,
de alguma forma, na memória da água. Além disso, a psique e o corpo reagem bioquimicamente
sob o feito de imagens de teor positivo e negativo, conforme provou Souza (2005).

A teoria holográfica

Pribram (1995) questiona sobre a realidade da situação entre a nossa percepção sensorial de sons e
imagens e afirma que o físico e o psicólogo precisam um do outro, um para explicar as condições
que produzem o mundo das aparências e o outro, para explicar o processo psicológico de fazer
observações. Como neurocientista, esse autor afirma que fenômenos psicológicos que ocorrem no
cérebro e no corpo estão em constante interação com o mundo real observado. Para Pribram,
observações e percepções são fenômenos mentais e, então, sugere que as propriedades fundamentais
do Universo sejam mentais e não materiais.

Para Pribram os sinais de entrada provenientes dos sentidos se distribuem de alguma forma no
cérebro, e o objeto percebido é armazenado e registrado como onda sob a forma de imagem, sendo
que as funções de onda são transformações de objetos e suas imagens. (pp.34, 1995). O holograma
é, segundo esta teoria, um receptáculo que armazena um padrão de ondas. Pribram comenta que o
holograma fotográfico é justamente um tal registro congelado de padrões de interferência de
ondulações dos pontos luminosos difratados do objeto dispersados na superfície do filme.

A teoria holográfica propõe o armazenamento de memórias pelo cérebro de forma semelhante aos
registros holográficos. Alem disso, defende a idéia de que o cérebro executa análises no domínio
das freqüências nas junções entre neurônios, tendo em conta que os impulsos nervosos são gerados
dentro deles e que propagam os sinais de informação através das fibras nervosas na rede de
interconexões neurais. Alguns neurônios não produzem sinais e nem fibras nervosas; e são
chamados de circuitos locais que, segundo ele, poderiam conter padrões de interferência
semelhantes aos holográficos.

Pribram afirma que tudo indica que o sistema somato-sensorial - tal como o visual - do cérebro
processa freqüências captadas pelos sentidos, que são codificadas como traços de memória
distribuídos. Ele sugere que as moléculas de proteína na membrana auxiliariam no holograma
fotográfico neural, pois traços específicos de memória são resistentes ao dano cerebral.

184
Para Pribram, a holografia representa a inter-relação entre o domínio das freqüências e o domínio da
imagem/objeto. Para esse autor imagens são construções mentais que envolvem interação cérebro-
sentidos-meio ambiente. A questão para ele, é se a mente é produto da interação organismo com o
meio ambiente, ou se ela reflete a organização básica do universo (inclusive, o cérebro desse
organismo). Afirma que a construção de imagens pode estar ligada não só ao domínio das
freqüências, como também da ordem implicada. No domínio holográfico cada organismo
representa, de certo modo, o Universo, e cada porção do Universo representa de certo modo os
organismos que ele contém. Pribram comenta que se as regras para sintonizar o domínio
holográfico, implicado, pudessem tornar-se explícitas, poderíamos talvez chegar a algum acordo
sobre o que constitui a ordem básica, primária, do Universo. (pp. 37, 1995).

O modelo holográfico e a informação

Para Pribram (1998) e Bohm (1983) a informação na nossa memória é armazenada e organizada em
padrões de interferência, e o cérebro funciona sob os mesmos princípios matemáticos de um
holograma, sendo que nosso aprendizado se dá por processos hologramáticos de auto-organização.
Pribam está de acordo com o que Bohm chama de ordem dobrada (ou implicada) e ordem
desdobrada (ou explicada), sendo que as redes neurais se interconectam operando tal como eventos
quânticos.

Segundo essa teoria, os potenciais humanos estariam na ordem dobrada e os fenômenos mentais
resultam da interação cérebro-corpo-ambiente. A memória holográfica é não local, o que permite
que no caso de lesões em certas áreas do cérebro, outras aéreas passam assumir os mesmos papéis.
A maneira com que experimentamos as imagens está relacionada com padrões holográficos, e o
nosso sistema sensorial tem lentes que filtram freqüências de luz (e outras) que vão ser interpretadas
pelo cérebro.

Bohm (1983) afirma que os pensamentos também são não locais, fazendo com que possamos ter
pensamentos comuns com os outros. Na vida diária nos acontece, por exemplo de pensarmos numa
pessoa e ela nos telefonar. Em psicoterapia acontecem fenômenos de transferência e contra-
transferência também por esse motivo, pois o campo inconsciente do terapeuta e do paciente sofre
mútua interferência. Mesmas descobertas cientificas já ocorreram, que foram feitas por pessoas
diferentes e distantes uma da outra, quase que ao mesmo tempo. Jung (1998) considera que o
inconsciente coletivo nos influencia através dos mitos e de outros estados psíquicos.

O mundo imaginário e simbólico coletivo é um fenômeno não local, como que estivéssemos
embebidos nele, ou como se eles nos envolvesse como uma atmosfera, a noosfera, como salienta
Morrin (2003) influindo nas nossas crenças e estados de espírito. Dutheil (2006) salienta que a
informação viaja mais rápido que a luz, e é um fenômeno não local. Somos envolvidos também
pelas imagens que circulam nos meios audiovisuais, sendo que elas nos influenciam em nossas
escolhas e comportamentos. O mundo das imagens influi cada vez mais no mundo real, fazendo
com que o virtual e o real se confundam, com afirma Burnett (2005). As imagens internas e
externas influem nas nossas reações.

A memória das biomoléculas e das moléculas d´água

185
Se, como afirma Pribam (1998), a memória humana é de natureza holográfica, é possível também
que a memórias de líquidos, como a água mineral e o álcool de homeopatia também o sejam e,
assim sendo apresentar arquiteturas fotônicas de três dimensões. O mesmo ocorreria então, também
com os biofótons - de que fala Popp (2001)-, que poderiam apresentar como que sensores fotônicos
de baixo ruído que permitem outputs mais exatos, ou seja a coerência da informação da imagem
terapêutica seria mantida nas transmissões, da imagem do slide para os líquidos e do liquido da
essência vibracional da imagem para os líquidos do corpo, e destes, finalmente , para as estruturas
neurais ligadas aos campos consciente e inconsciente. Essa terminologia técnica provém de uma
leitura que fiz de Shempp (1993) sobre tecnologia quântica holográfica neural que versa sobre a
visão e as memórias humana e computacional.

Shempp (1993) afirma que as tecnologias híbridas ótico-eletrônicas e neurais utilizam filtros que
carregam a informação através dos fótons e as detecta por bombardeios fotônicos em escalas de
tempo de milissegundos. Isso se relaciona com a trilogia de Berger (2003): luz-informação-
organismo vivo. Se pensarmos a imagem terapêutica sob o ângulo da teoria holográfica, seria: luz-
formas-biomoléculas e moleculas d´água e álcool. Para Shempp (1993), as sinalizações neurais
operam, basicamente, por transmissão eletromagnética, que a propagação de sinais
eletromagnéticos é do âmbito da teoria dos campos quânticos. Shempp considera que os fenômenos
da consciência estão relacionados aos processos neuro-dinâmicos quânticos de auto-organização em
pacotes de diminutas ondas neurais coerentes em interconexão e cooperação de sinais
sincronizados. A geometria de Heisenberg das matrizes entrelaçadas em três dimensões seria o
substrato dessa intercondutividade neural, e que é também fundamento da tecnologia holográfica
quântica neural. Essa abordagem não contraria o principio da não-localidade e considera que não se
distingue uma linha divisória entre a fotônica e a eletrônica.

Jibu e Yasue (1993) afirmam que a vida é um processo totalmente mecânico-quântico de criar
ordem na dinâmica das biomoléculas e das moléculas d´água na matéria viva, sendo que as
memórias são campos de probabilidades macroscópicos (funções de onda) que representam estados
dinâmicos e provocam eventos neurais de acordo com as leis da mecânica quântica. Comentam que
Schrödinger (1994) afirmava que a característica essencial da vida é a de criar ordem (neguentropia)
em meio à desordem (entropia), sendo que a memória é um processo quântico ordenador, porém
não termodinâmico. Jibu e Yasue consideram que o cérebro é essencialmente um sistema dinâmico
quântico microscópico com extensão espacial macroscópica, que é, dinâmica dos campos
quânticos.(pp. 126, 1993). Jibu e Yasue afirmam que na escala microscópica há troca de bósons e
na macroscópica há um sistema dinâmico quântico de córticons. Inputs de energia fraca ativam os
córticons e as trocas de bósons, permitindo a estocagem de imprints nos campos quânticos.

Os córticons, para Jibu e Yasue (1993), são quantas de campos moleculares vibracionais das
biomoléculas, enquanto os bósons de troca são campos moleculares vibracionais das moléculas
d´água. Tanto os córticons, como os bósons de troca, são eletricamente polarizados e estão
correlacionados com a rede tridimensional molecular dos filamentos de proteína junto às sinapses,
assim como, no citoplasma dos dentrites e na matriz extracelular neural. Os processos cerebrais,
para Jibu e Yasue (1993), são dados pelos campos moleculares vibracionais das moléculas d´água e
das biomoléculas.

Esses autores consideram que o vácuo da dinâmica quântica do cérebro é um meio supercondutor e
os inputs dos estímulos externos de energia são transmitidos pelo sistema dinâmico por difusões

186
iônicas ao nível das trans-menbranas. Jibu e Yasue (1993) supõem que nas estruturas das sinapses
existe um grau de liberdade na sua extensão espacial, onde há um número enorme de moléculas
d´água e de biomoléculas fortemente correlacionadas, que emitem campos moleculares
vibracionais. Nas redes sinápticas neurais ocorrem difusões iônicas, que a nível quântico, se
expressam nesses campos moleculares vibracionais.

Com acréscimos de ordem e coerência nos conteúdos dos inputs, vai se criando uma imunidade à
desordem que permite a manutenção das memórias de longo prazo. Segundo Jibu e Yasue (1993),
os inputs de energia coerente podem induzir a criação de diminutas ondas coerentes de propagação
chamadas de bósons de Goldstone, as quais têm um efeito dinâmico coerente que permitem outputs
também coerentes das rememorizações. Esses autores afirmam que as memórias de longo prazo
correspondem ao estado de vácuo quântico, enquanto as memórias instantâneas correspondem à
excitações do vácuo, sendo que as memórias de curto prazo são mantidas pelas relações mais ativas
com estímulos externos.

Jibu e Yasue (1993) comentam que a biodinâmica quântica está relacionada com os biofótons e com
os meridianos de acupuntura, sendo que os campos moleculares vibracionais das biomoléculas e das
moléculas d´água interagem de maneira coerente com os campos eletromagnéticos quantizados,
onde córticons e bósons de troca podem criar ou aniquilar fótons. Esses autores consideram que o
vácuo na dinâmica quântica do cérebro é do tipo de simetria quebrada espontânea, sendo que tem a
propriedade de garantir que os campos vibracionais das biomoléculas e das moléculas d´água sejam
dotados de mecanismos de armazenamento de inputs de energia. Embora o vácuo não altere sua
estrutura quando afetado por baixas energias, bósons de Goldstone são criados, os quais
correspondem a um processo das rememorizações. Já quando se tratam de energias mais altas, o
vácuo se altera e volta a se re-unificar numa nova ordem e, nessa dinâmica ocorre o processo de
imprints de memória.

Para Jibu e Yasue (1993), no vácuo da rede dinâmica quântica do cérebro ocorre o efeito do tipo
Josephson, pois, como é um meio supercondutor de energia fraca, permite a fluência de correntes
elétricas. Segundo Monteiro da Costa e outros (2003), a supercondutividade das junções Josephson
é aplicada na medicina para diagnósticos, como é o caso da ressonância magnética, cujas bobinas
supercondutoras permitem a obtenção de imagens de alta resolução. As aplicações das junções de
Josephson e do SQUID (Superconducting Interference Device) – supercondutor de interferência
quântica – são maneiras de fazer diagnósticos não invasivas e não nocivas, diferentes, portanto, dos
raios X. Além disso, segundo Jibu e Yasue (1993), as junções de Josephson, se usadas em
tecnologia digital nos computadores atuais permitiria uma supercondutividade capaz de aumentar
mil vezes a velocidade do processamento de informações, possibilitando obter, sobretudo, imagens
de alta resolução. Jibu e Yasue (1993) afirmam que meio supercondutor do vácuo quântico
biológico, entre as moléculas biológicas e as da água, facilita a transmissão de informações na rede
neural.

Nesse sentido, podemos supor, que tanto no caso das biomoléculas vibracionais, como no das
moléculas vibracionais d´água, assim como, no vácuo que lhes é subjacente, a supercondutividade
facilitaria a transmissão e o armazenamento também de imagens terapêuticas, seja nos líquidos das
essências vibracionais de imagens de Imagoterapia, seja na rede neural do sujeito que ingere esse
tipo de essência. O mesmo se daria através da visão de imagens conforme explica Schempp (1993),

187
o qual expõe detalhadamente, num capitulo do livro editado por Pribam sobre a memória
holográfica, como os fótons são absorvidos pela visão e transmitidos pela rede neural.

Os argumentos relacionados com os meios supercondutores biológicos de baixas freqüências, tal


como as da luz visível, também são sustentados pelas teorias de Popp (2001 e 2003) sobre os
biofótons. Além disso, a água mineral usada na confecção e manipulação das essências vibracionais
de Imagoterapia, possui metais bons condutores de energias fracas e que também sobejassem num
vácuo do tipo supercondutor, tal como afirmam Jibu e Yasue (1993).

Informação-massa-energia compõem a trilogia da matéria viva

Berger (2003) se refere à medicina bioenergética, a qual leva em conta a elasticidade do corpo, pois
este dilata com a respiração, é móvel e adaptável, porque é percorrido por correntes de energia
(elétrica, eletromagnética e campos magnéticos). Esta medicina estuda a relação e evolução do ser
vivo em interação com o ambiente (de comunicação humana, telúrico e cósmico). A trilogia do ser
vivo para esse autor é constituída pelo tripé: informação, energia e matéria. Considera que a
informação desencadeia os movimentos do organismo e a matéria é o seu suporte vibratório. Afirma
que a matéria viva é polarizada e capaz de absorver e emitir radiação.

O calor no ser vivo é uma energia que se degrada e que mantém a termo-regulação, porém a energia
eletromagnética, elétrica e os campos magnéticos, para Berger, intermediam a informação na
matéria viva. Relata que foi comprovada a eficácia de aparelhos de ondas eletromagnéticas, de
ionizadores de ar, do uso de ímãs, da acupuntura e da homeopatia, pelos seus efeitos positivos na
energia e informação do organismo.

A informação do organismo humano depende de uma informação de base que se expressa na


energia vital. Para Berger (2003) a entropia (desorganização) no organismo ocorre quando a
informação de base se distorce ou desaparece. Esse autor relata que o Dr. Dumetruscu descobriu,
através da convertografia, a existência de uma informação viva, ou campos que dão forma ao
organismo. O convertógrafo mostra a imagem fantasma de partes de folhas cortadas ou de membros
amputados de animais, assim como o campo energético em torno dessa lesão. Berger chama esse
campo de forma que contém a informação do organismo de campo de em-formação (en-formation).
Relata que freqüências de 40Hz acionadas em pontos de acupuntura curam lesões físicas porque
atuam nos ritmos vibratórios do corpo, ou na informação de modulação de energia eletromagnética
do organismo. A informação ritmada ou de baixa freqüência entra em ressonância com os ritmos do
organismo estimulando a inteligência celular.

Berger distingue duas formas de informação no ser vivo: a informação de forma que é a forma
estrutural do individuo (seu holograma protoplásmico) e a informação de modulação (funcional)
que é a informação de comunicação e interação de freqüências entre as partes do organismo. A
forma estrutural se refere à constituição física e orgânica (a morfologia), enquanto a forma
funcional modula o funcionamento bioquímico e eletroquímico do corpo. Esse autor salienta que a
informação não é massa e nem energia, porém precisa destas como suporte, por isso ele afirma que
informação-massa-energia compõem a trilogia da matéria viva, como também da matéria
inorgânica.

188
O eu protoplásmico, para Berger, se expressa energeticamente no corpo sob a forma de espiral e se
modula em ondas eletromagnéticas e campos associados à Terra e ao Cosmos. Essas energias
tendem a ser neguentrópicas (formadoras de ordem), enquanto o calor é entrópico, pois a caloria se
degrada no trabalho que o corpo realiza no metabolismo e no esforço neuro-muscular. A energia
espiralada do Eu também é enfatizada pelos autores da bioenergética reichiana e pelo taoísmo,
como vimos anteriormente, ao comentarmos sobre a construção do self na experiência cotidiana.

Segundo Berger o ser humano que age de acordo consigo próprio e não, contra si mesmo tem uma
imunidade melhor, pois se estressa menos porque sabe dizer não. A imunidade é a expressão do Eu
que ele denomina de protoplásmico, que é o eu da em-formação, do eu sou. A informação de
modulação dos ritmos e recorrências (a funcional) é a do eu escolho. O eu faço se refere ao eu
corporal. Observa-se então que o eu sou está ligado a morfopsicologia do sujeito. A escolha
mobiliza para uma forma de agir, que se concretiza, ou não na ação. Contradições entre essas
instâncias estressam o organismo desorganizando seu ritmo interno e provocando estresse afetando
o sistema imunológico.

A Imagoterapia leva em conta que o sujeito deve agir de acordo consigo próprio, porém com bom
senso e criatividade, pois há circunstâncias na vida que surgem de surpresa que exigem muita
presença de espírito para que não coloquemos a perder coisas que são de vital importância em nossa
vida. As essências vibracionais de imagens enfatizam um teor vibratório que coloca a pessoa no
rumo dos acontecimentos com consciência mais desperta para as variáveis em jogo.

Quanto à matéria (ou suporte)-informação-energia, a imagem terapêutica está intimamente


relacionada com essa trilogia. A imagem pode ser vista como ondas de luz que são portadoras de
ondas de formas. O líquido das essências vibracionais de imagens é o meio material, ou suporte, de
transporte, que contém as freqüências de luz e formas da imagem terapêutica. Assim como o ser
humano também é suporte dessas freqüências quando ingere a essência ou olha para a imagem. A
imagem é uma onda que oscila, que ao entrar num sistema que também oscila, vai interferir nele,
porque introduz uma freqüência nova que se propaga nele.

Imagem em alquimia

Paracelso (1983), levando em conta momentos de configurações astrológicas propícias, associa


imagens, significados, metais e fogo, para compor seus selos de proteção contra doenças e
influências espirituais maléficas. Esse alquimista utilizava então, metais (suporte material)
escolhidos segundo critérios associados aos planetas, sendo que os moldava no fogo (luz) e
inscrevia palavras e imagens de significado mágico (informação) para cura e proteção. Compunha
então, a trilogia matéria-energia-informação, que, nos dias atuais, Berger (2003) considera
inseparável, e que, em alquimia já era usada como meio de atuar no sentido de obter um resultado
capaz de modificar o destino de uma enfermidade psicossomática e espiritual.

As essências vibracionais de imagens de Imagoterapia são feitas de álcool e água mineral (suporte
material) associada a imagens (luz) e significados (informação) para atuar no sentido de produzir
modificações positivas no comportamento e, com isso, no destino.

Os creodos: campos que nos atraem

189
O biólogo Waddington (1971) afirma que, além do homem ser composto de átomos e moléculas,
ele tem a capacidade de auto-organização. Para esse autor, os sistemas tendem para um objetivo,
cujo propósito é inconsciente. Ele menciona que em grego, creodo significa caminho necessário,
que funciona por atração. Waddington comenta que enxergamos objetos tridimensionais, porque as
entidades visuais que vemos são sistemas de creodos, sendo que cada sistema é um centro de
atração e a visão é atraída para esses centros.

Nosso cérebro, segundo Waddington (1971), possui circuitos nervosos, que têm propriedades
creódicas, ou auto-organizadas. Considera que corpo humano vivo é uma mente encarnada, em que
há um propósito inconsciente de preservar a estabilidade do sistema. Afirma também, que não
podemos reconhecer nada em percepção sem nosso sistema de centros de atração; e não existe
separação entre o objetivo e o subjetivo.

Para Waddington, o universo não é apenas um conjunto de átomos e moléculas com características
elétricas, pois, ao seu ver, a matéria viva do nosso corpo possui, ao menos ua proteção da
consciência desperta, embora grande parte das operações mentais seja inconsciente. As operações
neurais não são apenas correntes entre células nervosas, mas, sobretudo, ressonâncias entre
freqüências de oscilações de circuitos, sendo que mesmo pequenas freqüências de energia podem
afetar os circuitos neurais.

Poderíamos supor, que a imagem terapêutica, artística ou publicitária, seria uma dessas pequenas
freqüências, e que, de certa forma, também seria um atrator com propriedades creódicas, e que nos
conduziria a um padrão. Para Waddington (1971) a sensação de exercermos o poder criativo da
vontade individual sugere um sinal de que o sistema está ficando instável, ou seja, isso aconteceria
em situações inesperadas em que a mente não possui creodos firmes que a atrairiam.

Waddingtion comenta que a ética é transmitida pela linguagem, pois faz parte da dimensão da
evolução, embora seja possível haver uma predisposição genética para reconhecer o certo do errado.
Para Waddington, a visão de Darwin da luta pela existência e a teoria de Malthus da sobrevivência
do mais forte, foram desmascaradas por F. Engels, com a crítica a economia capitalista da
competição e acumulação. De certa forma, aquelas teorias originaram uma crença de que aquela era
a melhor opção. Para Waddington, o mesmo aconteceu com a concepção do bem e do mal, assim
como com o mito de Adão e Eva. Para ele, se queremos construir um sistema ético para a vida
humana, teremos de incorporar na nossa cultura novos axiomas éticos.

A forma irradia freqüências

Sheldrake (1994) define campo mórfico como uma região de influência, não material, que se
estende no espaço, no tempo e no tempo-espaço, por ressonância mórfica. Cada sistema possui seu
campo mórfico, tanto os átomos, moléculas e organismos vivos, como sociedades, modos de
pensar, aprendizado, hábitos e instintos. Para Sheldrake os campos mórficos são campos
organizadores que atuam mo desenvolvimento de cada sistema e subsistemas numa hierarquia de
complexidade hologramática. São campos que evoluem, mas que tem ressonância com formas e
comportamentos passados.

A forma parece se situar acima e além dos componentes materiais que a constituem, mas ao mesmo
tempo, ela só pode se manifestar através da organização da matéria e da energia. (pp. 70, 1994).

190
Para esse autor, a forma irradia um campo de matéria quântica, que se comporta como ondas de
natureza probabilística, mas que contém a memória do sistema que ela representa. Forma-energia-
suporte são, portanto, interligados.

Segundo Sheldrake, os campos de forma dos seres vivos têm a tendência de seguir creodos já
estabilizados porque entram em ressonância com estruturas vibratórias já existentes. Esses campos
são responsáveis pelas formas das células, tecidos, órgãos e organismo, como também, pelo
comportamento e pela memória. A hipótese da causalidade formativa de Sheldrake considera que os
campos de forma, associados ao comportamento humano, impõem esquemas de ordem rítmica às
atividades do sistema nervoso. Os campos mórficos agem sobre e através da atividade elétrica do
sistema nervoso.

Sheldrake (1994) não considera que os campos mórficos de comportamento sejam inscritos no
cérebro e, sim, que eles se re-atualizam nele, por ressonância mórfica, tal como acontece, por
exemplo, com os arquétipos do inconsciente coletivo (Jung), os quais ativam atitudes míticas
recorrentes nas pessoas. Para esse autor, as crenças, as tradições e os paradigmas científicos
também se constituem em campos mórficos. Como a mentalidade humana evolui, novos campos
emergem, como saltos quânticos de descontinuidade, em meio à complexidade dos sistemas já
existentes. Posteriormente, esses campos se estabilizam, por ressonância.

A criatividade, sob esse ponto de vista, passa a ser a expressão da própria atividade auto-
organizadora dos sistemas, quando ocorre a descoberta de novos caminhos de atingir os objetivos
habituais. Nesse sentido, podemos supor que novas informações, associadas ao sistema neural,
podem influir e modificar o comportamento humano, como é o caso das imagens terapêuticas.
Certas imagens produzem reações no corpo e no comportamento humano, conforme já constatou a
pesquisa de Souza (2005). E, ao dizer de Berger (2003), informação, energia e matéria formam a
trilogia do ser vivo.

O efeito da irradiação de freqüências de forma de objetos, significados e imagens nos seres vivos e
nos ambientes foi já pesquisado no nível empírico em radiestesia por Bersez e Massom (1992), por
Belizal e Morel (1996) e por Guillé (1990). Em radiestesia se considera que a forma emite um
campo de ondas de formas, o qual atua, tanto no comportamento, como na fisiologia do ser humano.

Neurobiologia Cognitiva Computacional Relativística Quântica

Ribeiro (2007) afirma que as atividades cerebrais se integram numa amplificação do fenômeno
quântico de condensação de Bose-Einsten. Baseia-se na mecânica quântica que considera os
fenômenos físicos macroscópicos quantizados. Relata que Penrose e Hameroff (1996) relacionam a
física com a neurobiologia cognitiva e com a teoria da relatividade geral, sendo que a unidade
cerebral integradora seria um fenômeno neurofisiológico que ocorre, segundo esses autores, nos
microtúbulos citoesqueléticos dos neurônios cerebrais. Este fenômeno tem caráter quântico, sendo
um auto-colapso instantâneo de estados superpostos que ocorrem nas atividades neurais, que são
relacionados também, com fenômenos gravitacionais. Os estados superpostos supõem diferentes
geometrias espaço-temporais superpostas, sendo que a gravidade quântica que provocaria esses
estados superpostos.

191
Ribeiro (2007) relata que para Penrose, numa futura teoria unificada entre mecânica quântica e a
relatividade geral, a consciência deve ser incluída, mas não será computável, porque a capacidade
de atenção da consciência não pode ser simulada computacionalmente. Portanto, a física terá de
levar em conta parâmetros de outras disciplinas integradas, sendo que Ribeiro propõe então, uma
nova disciplina complexa - a Neurobiologia Cognitiva Computacional Relativística Quântica – para
abordar o problema dos diversos estágios de integração da atividade consciente: o psicológico, o
biológico, o bioquímico, o biofísico, o físico gravitacional, o físico quântico, e o computacional
quântico.

Sinais como gatilhos quânticos na atividade neural

Beck (1998) considera que os impulsos nervosos seguem um padrão probabilístico; e o mecanismo
coerente regulador do sistema é como um gatilho quântico nas sinapses, em que a substância
transmissora faz propagar o impulso na membrana da sinapse, provocando uma despolarização pós-
sináptica. Beck fala de sinal eletrônico que é emitido nos microtúbulos para a rede neural, como
resultado dessa despolarização. Ou seja, a regulação da atividade cerebral dá-se na transmissão
sináptica e a nível atômico, por transmissão de elétrons e de carga elétrica entre estados quânticos
da membrana sináptica.

Beck afirma que o processo quântico é importante na relação entre a atividade do cérebro e a ação
consciente. (pp. 619, 1998). Comenta que os estados de consciência na relação mente-cérebro
quântica o que ocorre é a interferência de uma superposição coerente de dois estados sujeitos a
colapsar. Nesse aspecto concorda com Penrose , Stapp e Eccles (1998). Os estados superpostos
ainda não podem ser computados, pois, no momento, um espectômetro não é capaz de captar essa
singularidade quântica em micro-estruturas nas membranas e microtúbulos, que envolvem energias
em escalas entre picosegundos e fentosegundos onde um elétron transfere ou modifica as pontes
moleculares, em que podem ocorrer quebra numa ponte de Hidrogênio.

Beck afirma que transmissão de sinais ocorre na emissão sináptica, tal como um gatilho quântico,
que vão regular a atividade neural fora do neurônio. Esse processo é mediado por campos
(eletromagnéticos- fótons, phonons, moleculares) num espectro de freqüência quase contínuo,
tendendo para estados de coerência quântica. Comenta que Eccles (1994) chama essas unidades de
consciência coerente de psychons.

Os psychons e a intersubjetividade

Se considerarmos, como Eccles (1994), que existem psychons, estes , provavelmente, são
intersubjetivos e funcionam por identificação. Não vem só de dentro e nem só de fora de nós, estão
conosco, na intersubjetividade pessoal, familiar, social, política, coletiva e espiritual, atuando ora
contra ora a favor da nossa tranqüilidade interdimensional. Os atritos e conflitos internos e
externos, assim como nossos motivos maiores de angústia, podem estar relacionados com psycons
de freqüências dissonantes, devido ao fato de que nossas crenças e projeções psicológicas estarem
em alteridade dissonante com significados que realmente fazem sentido para nós, e estarem dentro
de um contexto vibratório em que as contingências internas e externas precisam ser re-organizadas e
re-atualizadas, para sairmos de padrões intersubjetivos patológicos e passarmos a atuar em
freqüências de intersubjetividade saudável - num convívio interno e externo saudável - já que nosso
inconsciente, tanto pessoal quanto coletivo, não é controlável, nas suas múltiplas implicações. Os

192
psychons inconscientes, tanto ancestrais, como prospectivos atuam a nossa revelia, a menos que não
consigamos entrar num acordo consciente com eles (tal como propõe a teoria junguiana), tendo em
vista que são ondas que interpenetram nosso sistema neural e invadem a nossa consciência. Com
são ondas de baixas freqüências, e funcionam de forma caótica, atravessam nosso corpo-alma-
espírito afetando as tentativas re-auto-organizadoras e re-auto-atualizadoras da inteireza de nossa
consciência em qualquer dimensão e em qualquer momento, quer estejamos acordados ou
dormindo. Os psychons podem, então, nos atravessar, tal como nos atravessam também as ondas de
rádio, ondas de telefonia celular, ondas eletromagnéticas, ondas mórficas, ondas telúricas e
cósmicas; ou então, os psycons viajariam com os campos vibratórios dessas ondas.

Podemos também considerar que os psychons possam ser como ondas de significado que contêm
informações. Significados com informações harmônicas, coerentes e consistentes com a saúde
psicossomática, podem nos auxiliar a encontrar estados de equilibro nas situações presentes para
perfazer um destino que nos traga maior satisfação, tal como é o caso do efeito das imagens
terapêuticas.

A hipótese dos psychons faz sentido porque é - em meio à complexidade de muitas informações e
desinformações que atuam no nosso sistema neural - que parece se criar um eu, que tem
características que o identificam. As conexões neurais, sendo quânticas, atuam em velocidades
muito rápidas, podendo se tornar confusas em determinados casos, seja por predisposição genética,
seja por contingências da vida, e afetarem a nossa sanidade mental, criando engramas (padrões de
comportamento negativos) que causam desordem nas relações intersubjetivas a nível familiar,
coletivo e ecossistêmico. O que poderíamos chamar de matriz dos psychons da raça humana é
extremamente complexa, não só por sua antigüidade, como pelo aumento crescente da população do
planeta com toda sua diversidade, portanto não se trata de um campo imaginário linear, e sim
ativamente intermitente, desordenado e imprevisível. Campos com informações coerentes de cura
têm chance de atuar no sentido de provocar re-auto-organizações e re-auto-atualizações dos campos
consciente e inconsciente coletivos. O atrator do caos é como um buraco negro que suga luz
(lucidez) da consciência individual, porque o eu do homem pós-moderno se dispersa no desejo
pelos objetos (sexuais ou não) e com os apelos artificiais (brinquedos eletrônicos dos adultos) sem
levar em conta que a simplicidade e a tranqüilidade, como já pensava Sêneca (1962), que as
considerava como um signo de sabedoria no início do primeiro milênio; porém isso só vem com a
maturidade e transparece no comportamento econômico, social, político, moral e espiritual.

O imaginário pessoal e coletivo precisa se re-organizar e se re-atualizar em sínteses compassivas,


para levar em conta o que se tem negligenciado, que se configura numa falta, o buraco negro da
humanidade. Trata-se de uma falta que se traduz em que o Honnet (1995) chama de falta de
reconhecimento afetivo, que precisa ser levado para o dia a dia da vida das populações. A corrupção
configura-se literalmente na falta de amor e de respeito pelo direito de cada a ter uma vida digna,
pois a virtualidade contribui para levar os afetos humanos cada vez mais para a superfície. Afetos
virtuais podem ser facilmente deletados e enviados para a lixeira, ou postos em cds de backup para
mais tarde, quem sabe, podem ser úteis...

A consciência como evento quântico e biológico

Hameroff (1998) relata que os microtúbulos, das células dos cílios de organismos unicelulares como
a Paramecia, são religados ao seu esqueleto e realizam um comportamento inteligentemente

193
organizado com movimentos, percepções sensórias (reagem à luz), processamento de informações
e, além disso, têm orientação para buscar alimento, evitar obstáculos e predadores, assim como para
formar pares para reprodução, não possuindo , no entanto, nem sinapses, nem rede neural.

Geralmente, os microtúbulos são organizados na forma cilíndrica de cerca de 25nm (10 –9 ) e


situam-se próximos ao núcleo das células, embebidos num líquido denso extremamente
eletronegativo. Em organismos pluricelulares, segundo Hameroff (1998), os microtúbulos estão
envolvidos na comunicação intercelular. Essa comunicação se dá nas fendas de junção (túneis
quânticos) ou sinapses eletrotônicas, estabelecendo uma cooperação dos citoesqueletos de uma
célula com os das outras células vizinhas.

Nesse contexto, Hameroff (1998), comenta que Schröndiger afirma que a habilidade de selecionar
e escolher provém desses organismos já há bilhões de anos, o que faz Hameroff salientar que essa
habilidade seja um indício suficiente de consciência (não computável e imprevisível, tal como o
livre arbítrio humano). Relata que vermes que surgiram há milhares de anos já possuíam alguns
neurônios, porém as funções dos citoesqueletos deles são as mesmas, embora mais complexas.

Hameroff (1998), considera que a experiência da realidade resulta em consciência e a experiência


consciente pode estar no espaço-tempo, como uma informação pura (uma matéria prima
protoconsciente), codificada na geometria espaço-tempo na escala de Planck (10 -34). Essa pequena
escala dos sistemas quânticos é descrita por uma função onda, onde podem ocorrer diferentes
estados ou localizações simultâneos, que Penrose chama de funções de onda superpostas, sendo que
essas colapsam, ou reduzem para um estado de localização definida, além disso, no estado
superposto, a massa se separa de si mesma, se des-localiza, causando curvaturas simultâneas no
espaço-tempo da gravidade quântica em direções opostas que auto-colapsam espontaneamente para
um estado particular escolhido, não computável.

Os eventos cerebrais, segundo Hameroff, ocorrem numa escala de dez mil milisegundos numa
freqüência de 40Hz, que requerem alguns nanogramas de massas neurais superpostas (1
nanograma= 10 –9 g).

No modelo de Penrose e Hameroff (1994 e 1996 a,b) essa superposição quântica coerente ocorre
nas subunidades de proteínas dos microtúbulos dentro dos neurônios do cérebro e nas células gliais,
as quais envolvem e sustentam os nervos do sistema nervoso. É um processo orquestrado chamado
de Redução Objetiva em que as proteínas dos microtúbulos entram em oscilação quântica
harmônica, para depois colapsar e selecionar uma escolha definida de experiência consciente, a qual
estava, anteriormente, pré-consciente. A coerência quântica ocorre numa dinâmica coordenada em
condições de energia bioquímica nos moldes de Fröhlich (1983).

Hameroff (1998) considera que a forma geométrica dos microtúbulos, e de seus centríolos, podem
consistir numa propriedade intrínseca que capacita originar essa coerência quântica auto-
organizadora. Para esse autor a consciência está ligada à coerência quântica, como também, às
reações das células sensíveis a luz. Ressalta também que as moléculas d´água presentes dos
microtúbulos se excitam coletivamente face às radiações da luz e realizam rotações criando fótons
coerentes nos campos eletromagnéticos do microtúbulos, ganhando também, energia térmica. Após
a cessação do estímulo luminoso voltam ao estado inicial.

194
Essas considerações de Hameroff referentes à forma e à luz, ligadas aos eventos quânticos e à
absorção atômica nos líquidos, como também à consciência, me remetem aos processos ligados às
ondas de luz e forma de uma essência de uma imagem na água, no álcool e posteriormente no
paciente, agindo na sua consciência e no seu comportamento.

Imagens nos sonhos

Outro aspecto interessante no que se refere à luz e às formas, é a produção de imagens nos sonhos
associadas às baixas freqüências cerebrais. Do estado consciente a 40Hz, as freqüências cerebrais
caem para 20Hz durante o sono, quando o cérebro produz as imagens dos sonhos, que é uma
produção inconsciente de luz e formas (significados) em movimento resultante de uma atividade
neural espontânea. No sonho há um sonhador que não controla o que vê e sofre no espaço virtual da
sua subjetividade. Imagens brotam num cenário em três dimensões da sua teia onírica, construída
como uma edição de eventos e significados que querem se mostrar ao sujeito que sonha, numa
narrativa livre e auto-iluminada, tal como uma atividade espontânea, tanto eletromagnética e como
informacional, do sistema neural.

As imagens e significados do sonho provocam reações bioquímicas e motoras no corpo, conforme


seu conteúdo, mostrando essa íntima relação da imagem (campos eletromagnético e mórfico) com
as reações psicossomáticas. Imagens que podem provocar medo, aversão, angústia, ansiedade ou
prazer. Ou imagens ligadas das fantasias ligadas aos desejos. Nas alucinações a produção de luz e
formas se projeta para fora, como ser ou objeto independente com vontade própria, que pode
provocar medo persecutório ou devoção religiosa.

Os fenômenos subjetivos e objetivos ligados às imagens formam uma unidade eletromagnética e


informacional envolvendo a psique, o corpo e campos quânticos. Por outro lado, supõe uma
atividade subjacente (talvez do vácuo quântico) que faz emergir freqüências de luz e formas
(significados e informação) associadas à atividade da matéria viva, e à existência do imaginário, do
simbólico e do real, numa teia quântica descontínua, não computável, mas observável enquanto
evento na experiência do viver na teia do nosso destino.

O hidrogênio da água como mediador de informação

Marrin (2006) relata que, em antroposofia, a água é considerada como mediadora entre o éter e
matéria viva via mecanismos vibratórios. Marrin encara a informação (imaterial) como associada à
matéria viva via água. Sendo que esta se liga magneticamente, através de suas pontes de hidrogênio,
ao DNA, às enzimas e às proteínas, hidratando as células e, com isso, garantindo a vida. Acredita
que a forma geométrica tetraédrica da molécula d´ água e as vibrações ultra-rápidas das pontes de
hidrogênio podem ter o papel de transportar energia e informação para outras estruturas
moleculares, co-atuando também nas funções biológicas. Desde ao nível molecular até ao
planetário, a água, para Marrin, funciona como um comunicadora universal, que recebe e transmite
dados nos vários meios por onde circula, através das pontes de hidrogênio.

Marrin (2007) afirma que a água pode ser considerada como sendo ligada à força vital na medida
em que é associada às biomoléculas que sustentam a vida. A nível planetário a água está presente
nos mares e rios, na umidade do ar, regulando o clima da Terra e, além disso, é mediadora da
redistribuição da energia solar e tem papel crucial na formação das rochas. A nível cósmico a água

195
existe sobretudo nos cometas que, provavelmente, transportaram as primeiras moléculas de vida
para a Terra.

A habilidade da água em transformar, transportar e, talvez, até “fundir ritmicamente” energias é


uma conseqüência da maneira pela qual moléculas individuais se organizam em padrões
complexos, os quais são conhecidos coletivamente como redes.(pp.50, 2007). Marrin afirma
também que os componentes das redes moleculares da água são ligados magneticamente por pontes
de hidrogênio a freqüências ultra-rápidas que vibram a trilhões de vezes por segundo, sendo,
portanto, um evento quântico. A geometria tetraédrica da molécula d´água é mantida,
permanecendo espaços vazios, de energia desconhecida, entre seus elementos, fazendo com que a
dinâmica das redes das moléculas d´água pareça etérea.

Marrin (2007) relata que investigações científicas apresentam hipóteses de que a água é capaz de
auto-organizar-se em escalas hierárquicas e comportar-se de forma coerente, sendo que as redes
moleculares da água produzem padrões de formas semelhantes às fractais, os quais se dirigem para
atratores caóticos. Marrin considera esses atratores como provenientes de fontes não-estruturadas
das vibrações das pontes de hidrogênio associadas à molécula de oxigênio, que criam a forma
geométrica da água; e associa os atratores aos mitos antigos que falam sobre o caos original como
tendo dado origem às formas tridimensionais. Povos antigos consideravam a água como uma
mediadora criadora entre os reinos visível e invisível, sendo que hoje, a água pode ser vista como
uma mediadora que equilibra a dicotomia ordem-caos na criação das formas biológicas.

A teoria da complexidade, segundo Marrin (2007), atribui a água comportamentos cognitivos de


relacionamento entre as moléculas individuais d´agua. Para Marrin (2007) a água transfere
informação da escala quântica à escala molecular, no que se refere a sua organização e orientação,
ou seja, transferindo informação entre os reinos: o observável e o não- observável.

Ayrapetyan e outros (2006) consideram que campos eletromagnéticos de baixa freqüência


modificam a estrutura da água de duas maneiras: modificando o ângulo de valência na molécula e
através da vibração mecânica das moléculas dipolo da água. Além disso, esses autores afirmam que
os campos eletromagnéticos influem também na dinâmica molecular dos organismos vivos.
Consideram que a presença de íons na água a torna mais sensível aos efeitos de campos
eletromagnéticos de baixa freqüência, conservando traços de memória dos efeitos desses campos.

Visto pelo ângulo de Marrin e Ayrapetyan, podemos lembrar que a água tem um papel fundamental
na fabricação de remédios homeopáticos e de essências vibracionais de imagens. No caso das
essências de Imagoterapia para consumo humano a informação da imagem (luz e formas) é
transferida para a diluição de água mineral (que contém íons) com o álcool do tipo usado em
homeopatia, este serve como conservante que contribui para que a informação fique por mais tempo
retida no líquido. A informação em diluições em água pura dura 24 horas, enquanto misturadas com
álcool podem durar mais de 6 meses. O álcool contém carbono, oxigênio e uma só ponte de
hidrogênio, fazendo com que seja uma molécula mais estável, já que não tem tanta instabilidade
vibratória como a água, a qual contem duas pontes de hidrogênio.

A radiação eletromagnética da luz (cores da imagem) associada à dinâmica molecular de líquidos


polares como a água e o álcool entram em interação eletromagnética e pode afetar tanto as pontes
de hidrogênio como a atividade dos íons presentes na água mineral. Em física, sabe-se que raios

196
luminosos (fótons) emitidos em direção em líquidos, tais como água ou álcool são, em parte,
absorvidos, parte refletidos e parte os atravessam, o que significa que existe uma interação
eletrônica entre fótons e certos líquidos. A absorção de luz na água e no álcool deve-se em grande
parte aos movimentos de vibração e rotação das suas moléculas. A água mineral contém metais
leves, semicondutores, muito sensíveis à luz.

As células nervosas, musculares e sanguíneas requerem um equilíbrio balanceado de eletrólitos com


o meio extracelular. Os eletrólitos tanto intra, como extracelulares, assim como dos líquidos
intersticiais, participam da homeostase eletrolítica do organismo. Os eletrólitos presentes na água
mineral, tais como o Sódio , Magnésio, Carbonatos e outros, são íons, portanto, possuem carga
elétrica, tornando essa água semicondutora de eletricidade. Interação entre cargas opostas supõe
troca de fótons. A energia eletromagnética da luz das imagens de Imagoterapia interage com a
energia do meio semicondutor da água, que passa a oscilar na mesma freqüência da radiação
incidente e, por sua vez, passa a emitir também radiação. Os comprimentos de ondas das cores das
imagens produzem fracas perturbações oscilatórias na água e no álcool, mas produzem, pelo menos,
deformações na nuvem eletrônica, ou seja, perturbam de alguma forma, a dinâmica rotacional e
translacional das moléculas. A água misturada ao álcool, se polariza ainda mais, formando cadeias
de carbono com átomos iônicos em torno delas.

A radiação das cores da imagem emitida é transferida para a solução empregada na fabricação das
essências de imagens e essa solução passa a emitir também radiação. Se considerarmos a imagem
terapêutica utilizada em Imagoterapia como uma informação, ao projetarmos essa imagem num
líquido, pode-se deduzir que a radiação da imagem ficará , de alguma forma, retida no álcool e na
água, configurando-se numa essência vibracional de imagem.

Outro fator que podemos considerar é que esses raios de luz da imagem vão atuar, mesmo em que
escala mínima, na temperatura, desses líquidos, causando alguma entropia, uma pequena
desorganização na forma geométrica e vibracional das moléculas (como resultado da absorção da
radiação) que, posteriormente, se auto-organizam espontaneamente agregando e integrando, de
alguma maneira, a informação da imagem nesses líquidos.

Isso pode ser possível, porque além das ondas de luz, uma imagem possui também ondas de forma.
As ondas de forma, segundo Sheldrake (1985) formam campos mórficos que se espalham por
ressonância. E os campos mórficos são campos que têm um significado e atuam no comportamento
e nos hábitos humanos. Autores como Pagot (1998),Bersez e Massom (1992) e outros,em
radiestesia, afirmam que as formas agem à distância por ressonância vibratória. Além disso, em
morfopsicolgia, Cormam (1985), afirma que diferenças na forma e na constituição do corpo
implicam em padrões de comportamento específicos diferentes. Em homeopatia, Sananes (1982) e
Vanier (1976) associam determinados remédios homeopáticos a tipologias humanas diferentes. Por
outro lado, em publicidade, semiótica, a psicologia, antropologia, filosofia e nas teorias sobre
informação, a imagem é encarada como um significado, que tem poder sobre os pensamentos e
costumes humanos. Já, em Imagoterapia, cada essência vibracional de imagem possui um
significado que vai atuar, por ressonância, no comportamento e no contexto das situações cotidianas
de quem a ingerir.

Embora ainda não se possa provar que baixas freqüências possam ter forma hologramática podemos
supor que assim o sejam, no que tange a matriz biofotônica do nosso organismo, tendo em vista que

197
a parte é representativa do holomovimemnto do organismo como todo, enquanto matriz biofotônica
de baixas freqüências e, considerando que existam hologramas de ondas de forma e luz de baixa
freqüência, podemos também supor que, o oxigênio presente nas moléculas do álcool, que emite
fótons, poderia se associar à luz do slide da imagem terapêutica, que incide no álcool, e formar um
holograma da imagem terapêutica (baixas freqüências de luz e formas) que poderia, assim, ficar
gravada sob a forma de essência vibracional. Sob esse ponto de vista um vidro de essência de
Imagoterapia conteria o holograma da imagem inteira, que ao ser consumido funcionaria como
uma informação coerente que agiria positivamente na matriz biofotônica do organismo e na rede
memória holográfica do nosso cérebro. Há que considerar aqui também que hologramas de baixa
freqüência teriam caráter não local, tornando o efeito da ressonância de luz e formas facilmente
transferível entre um medium e outro.

O oxigênio e a informação

Voeikov (2001) afirma que o oxigênio tem propriedades específicas que têm papel significativo no
fluxo de energia e de informação nos sistemas vivos, através das trocas eletrônicas nas espécies
reativas ao oxigênio, imitando sinais biomoleculares relativos às funções celulares , e inclusive,
regulando a atividade do genoma. Este autor considera que os radicais livres produzidos pelo
oxigênio provocam recombinações moleculares que liberam fótons do espectro visível e
ultravioleta. Soluções aquosas de açúcares e aminoácidos, por exemplo, oscilam emitindo fótons.

Voeikov (2001) encara que os sistemas vivos sobrevivem num constante desequilíbrio, em que os
mecanismos de defesa anti-oxidantes amenizam a grande produção de radicais livres da matriz viva
intra e extracelular. Nesses mecanismos reativos, em que o oxigênio está presente, ocorre uma
liberação de energia sob a forma de luz. Esse tipo de ritmo oscilatório pode servir como gatilho para
reações bioquímicas metabólicas e para a divisão celular, as quais, necessitam certos quantas de
energia para darem início. Voeikov considera que os fótons emitidos são sinais que têm papel
eficiente no processo da bio-informação na auto-organização da bioenergia das atividades celulares
e extracelulares , em que pequenos campos elétricos estão presentes. Portanto, para Voeikov (2001)
as reações produzidas pelo oxigênio, relacionadas com a água e os fótons, são indispensáveis à
atividade de bio-informação, servindo como gatilho para processos vitais fundamentais.

Como já vimos anteriormente, (Colovan, 2004) as áreas mais oxigenadas do cérebro emitem
radiações que permitem a visualização das imagens por ressonância magnética funcional. Isso faz
com que possamos associar que as emissões coerentes de biofótons sejam capazes de servir de
suporte para veicularem imagens. Pribam (1995) afirma que os sinais vibratórios que captamos são
armazenados como ondas de forma de maneira holográfica.

Bio-campos não locais

O Modelo de Cura pela Energia Quântica, segundo Rein (1998), considera que os campos
bioenergéticos são compostos de campos de força eletromagnética, campos potenciais (vácuo) e
outros campos quânticos. Rein (1998) relata que certas biomoléculas agem como supercondutores e
exibem propriedades não locais a nível quântico. E os sistemas biológicos apresentam camadas de
bio-campos de força, potenciais e quânticos, estes três últimos, interpenetrados.

198
Comparando a teoria da ordem implicada e explicada de Bohm (1983), em que a ordem dobrada
envolve a ordem desdobrada, Rein afirma que os campos eletromagnéticos pertencem à ordem
desdobrada e são envolvidos pelos campos potenciais e os campos quânticos, os quais, constituem a
ordem dobrada. Esta última faz parte de dimensões mais altas, onde a informação de cura se
origina, e que é relacionada com o nível do espírito. Rein afirma, que a Comunidade
Bioeletromagnética considera que os campos quânticos atuam como pontes entre as altas dimensões
do espírito e os campos eletromagnéticos, e estes, regulam a bioquímica do corpo.

Os campos eletromagnéticos endógenos globais e fundamentais participam dos processos de auto-


cura do corpo e regulam os processos bioquímicos. Mudanças no campo bioenergético precedem as
mudanças físico-químicas e podem produzir enfermidades. Para Rein, diagnósticos e tratamentos
podem ser feitos no campo bioenergético para corrigir desequilíbrios quânticos. Rein (1998) afirma
que campos quânticos podem ser equiparados aos que Bohm (1975) denomina de campos sutis de
informação, pois os sistemas biológicos também funcionam a nível quântico. Ressalta que esses
campos quânticos funcionam mesmo em ausência de campos eletromagnéticos, pois a ação dos
campos potenciais se dá através dos campos quânticos. Os campos potenciais funcionam como
pontes entre os campos eletromagnéticos e os campos quânticos.

A informação de cura, segundo Rein (1998), provém de fontes dimensionais mais altas e se propaga
pelas camadas dos bio-campos via campos eletromagnéticos fracos (não térmicos e não iônicos)
produzindo efeitos clínicos , celulares e moleculares. As energias de cura podem ser geradas em
estados de consciência de meditação ou por energias externas que são ressonantes ao nível dos bio-
campos. Rein relata que os campos potenciais transferem a informação de cura que tem efeito na
saúde. Rein (1998) afirma que Smith (1994) provou que os campos potenciais podem produzir
efeitos microscópicos, tal como imprints de informação coerente na água, sendo que esta, é parte
integrante dos sistemas biológicos.

As oscilações dos campos quânticos, segundo Rein (1998), atuam tanto a nível bioquímico como a
nível fisiológico. Esse autor afirma que vários cientistas realizaram experimentos e concluíram que
os campos quânticos têm a forma geométrica espiralada e são capazes de transmitir energia sem
perdas. São campos não locais que atuam em velocidades superluminosas, podendo possuir energia
negativa, como também, ter componentes imaginários e, além disso, podem atuar a distância.

Rein (1992) demonstrou experimentalmente que a cura pode se dar por modulações de freqüências
eletromagnéticas e acústicas, já que a nível atômico e molecular o corpo também estes tipos de
freqüências, que são resultado de oscilações naturais de campos quânticos da dimensão espaço-
tempo. Demonstrou in vitro que campos quânticos modulam a freqüência de células nervosas e
imunológicas, assim como a molécula de do ADN. A pesquisa de Rein abrange também o efeito de
absorção atômica da música e da luz pelo ADN.

Dessa maneira, podemos pensar que imagens terapêuticas (Imagoterapia), como também qualquer
tipo de imagem, podem ter um alcance bio-informacional a ponto de alterar estados de consciência
e de comportamento, assim como provou Souza (2005).

Luz e saúde

199
Curtis e Hurtak (2004) consideram que as recentes descobertas sobre os biofótons, que tratam da luz
biofísica que auto-organiza a informação nos seres humanos, interferindo na comunicação neural,
metabólica e biomolecular, podem ser vistas como a fundação da Medicina da Luz. Afirmam que
experimentos nessa área estão identificando um sistema circulatório de luz que interpenetra o corpo
químico - às vezes também chamado de corpo eletromagnético- e que pode ser veículo da
consciência.

Esses autores fazem uma distinção entre consciência e energia. A consciência e a informação, para
Curtis e Hurtak (2004), estariam num nível mais fundamental de onde a energia-matéria emergiria,
como também, determinariam os eventos quânticos. A radiação biofotônica é considerada como
reflexo da coerência, ou da incoerência, quântica no corpo, produzindo reações intercelulares à
distância, através de uma comunicação de biosinais fotônicos. A origem dessa energia provém das
reações do oxigênio que foram identificadas por Voeikof (2001). Curtis e Hurtak (2004) relatam
que foi verificado que o sangue armazena energia e é uma fonte contínua de biofótons. As
oscilações dos elétrons no sangue se excitam , devido às reações do oxigênio, produzindo luz, sendo
que o sangue, por sua vez, é também sensível a campos fotônicos externos.

As reações quânticas ligadas à informação no corpo acontecem, segundo Curtis e Hurtak (2004),
não linearmente, comprovando a não localidade da comunicação interativa entre fótons à distância
e, com isso a unidade quântica. Aspect (1999) provou experimentalmente a inseparabilidade
quântica, confirmando que fótons mantêm contato à distância, instantaneamente. Curtis e Hurtak
(2004), comentam que as espirais duplas do ADN contêm a radiação dupla necessária à constituição
de um holograma. Seria, então, parte, posteriormente, do holograma do corpo inteiro. Esses autores
relatam que as pesquisas de Garaiev e Poponin (1991) demonstraram que a molécula do ADN emite
sinais de radiofreqüência resultantes das mudanças de polarização da luz.

Luz e formas hologramáticas

Se levarmos para o âmbito da Imagoterapia e considerando as comprovações de Aspect (1999), os


fótons das imagens terapêuticas estabelecem, então, correlação à distância, e a luz seria o veículo
que levaria a informação do significado da imagem no álcool, na água e ser humano. Pela teoria dos
hologramas, a parte contém a luz e as formas do todo, o que me sugere imaginar que uma essência
vibracional de imagem contém como um holograma dessa imagem. Considerando como Pribram
(1995), que o holograma é um receptáculo que armazena um padrão de ondas e que, por outro lado,
Voeikov (1991) provou que o oxigênio emite radiação na água e no organismo, podemos considerar
que luz e formas estão entrelaçadas, provavelmente, de maneira hologramática.

A teoria dos biofótons foi demonstrada experimentalmente e verificou que emissões ultrafracas (da
luz visível) também podem ser coerentes, portanto, provavelmente servir como suporte de formas
hologramáticas. Com isso, podemos pensar que as essências vibracionais de imagens, podem ser
veiculadas, no organismo humano, pelos biofótons. Uma essência pura de imagem é feita com
álcool, que além de conter o carbono , que é elemento essencial à vida, contém também dois
oxigênios (um a mais que a água) e contém apenas um hidrogênio, o que torna a molécula mais
estável para conservar a informação. Posteriormente, essa essência pura é mistura com água, a qual
possui dois hidrogênios, que segundo Marrin (2007), vibram intensamente, facilitando o transporte
da informação para o corpo humano. Segundo Voeikov (1991), 20% do sangue – que contém
oxigênio – situa-se no cérebro, que , de certa forma , poderia garantir, aqui no caso da Imagoterapia,

200
que a informação da imagem seja assimilada a nível neural, fazendo com que passe a fazer parte da
rede de significados do sistema neural e, dessa forma, agir nos estados psíquicos e influir no
comportamento humano.

Podemos, então, imaginar que o imprint das radiações da imagem terapêutica vai funcionar também
por ressonância dos campos, tanto da luz (cores) quanto das formas (campos mórficos), na
consciência de quem ingere a essência de Imagoterapia, contribuindo para a coerência quântica do
campo consciente. Em radiestesia as ondas de forma são associadas à luz, pois esta fornece a
energia para que as formas se manifestem se sustentem e se transformem. A diversidade de formas
existentes deve-se, em certa medida, à quantidade de luz que cada forma (imagem, objeto ou
pensamento-forma) recebe, absorve e emite.

Outra maneira de encarar a transferência da informação de significados para o líquido que vai
compor a essência vibracional de imagem, seria a suposição que a imagem passa para o liquido
criando uma imagem holográfica – como uma cópia dela no líquido – e este holograma seria
formado radiestesicamente por ondas de forma coerentes. Como as formas e a luz estão associadas
aos seus suportes vibratórios, a imagem pode ser retida e transferida nesses suportes, que, no caso
da Imagoterapia, são: o slide da imagem terapêutica, a água e/ou o álcool que re-emitem luz, e,
finalmente, o corpo, que é eletromagnético, possui biofótons, tanta na água como em outras
moléculas, que re-emitem radiação. As ondas de forma - tal como acontece com o Efeito Fantasma
, de Garaiev e Poponin (2002) - se associam a luz, mesmo em ausência da matéria que lhe dava,
anteriormente, suporte. Isso faz com que a imagem terapêutica possa também, com suas ondas de
forma associadas à luz, percorrer o corpo até as redes neurais sob sua forma hologramática,
independente da natureza dos meios que utiliza para percorrer seu caminho até as redes neurais.
Cada gota da essência vibratória de uma imagem terapêutica contém uma fração do holograma
inteiro da imagem terapêutica. Como o pêndulo radiestésico recomenda que o paciente tome várias
pipetas da essência específica que ele necessita para melhorar, assim, o paciente ingere várias
quantidades de imagens para ficarem impressas na sua rede de bio-sinais de informação coerente.

A quantidade de oxigênio que temos no cérebro, faz com que haja produção de luz suficiente para
combinar-se com a luz das imagens e, com isso, absorvermos significados que essas imagens
veiculam e adicioná-las, automaticamente, à nossa maneira de pensar.

Imagem e vida

A energia cósmica é espiralada (galáxias) e o DNA humano também, o que parece significar que
tanto a nível cósmico, como a nível quântico, a luz e a forma espiralada tendem a ocorrer
entrelaçadas. A energia espiralada parece ser suporte de informação da forma e da em-formação no
micro e no macrocosmo. Minha leitura dos vários autores, os quais citei neste livro, me faz pensar
que a energia da em-formação e a da informação, ou seja, luz e informação viajam juntas através
dos eventos quânticos e macroscópicos, inclusive na energia eletromagnética da vida (os biofótons).

Podemos encarar que as imagens nos atravessam o tempo todo, porque irradiam ondas de luz e de
formas. Como já vimos anteriormente, as experiências de Garaiev e Poponin, provaram que a luz e
a forma se entrelaçam. Dessa maneira, faz sentido que a imagem terapêutica (Imagoterapia), com
sua informação e luz, entre no processo de em-formação dos eventos eletrobioquímicos,
psicológicos e comportamentais do organismo humano e animal.

201
São os impulsos eletromagnéticos das células do coração que fornecem energia para seu
funcionamento, tanto que , numa parada cardíaca, o coração pode voltar a bater, através de um
choque eletromagnético na região do peito do paciente enfartado, pois produz vibrações que re-
impulsionam a vida. O sangue, sendo portador de biofótons, mantém as células cardíacas vivas e
oxigenadas. Se estas morrem em uma quantidade excessiva, o paciente morre. Ou seja, sem a
energia eletromagnética (luz) e a informação não há vida.

Se a luz é portadora de informação, poderíamos supor que, quando ocorre a morte, a luz
abandonaria o corpo e poderia tomar a forma hologramática dele e carregar a informação do corpo-
alma-espírito, continuando uma atividade noutra dimensão espaço-tempo, talvez até, passando
através de micro buracos negros cuja hiper-densidade da morte seria a fonte. Ausente do corpo
físico a luz poderia, então, manter um formato, tal como provaram Garaiev e Poponin, com as
experiências que fizeram com a molécula do DNA fantasma , demonstrando que a forma, quando
associada à luz, continua existir, na ausência da molécula.

A luz está presente nos processos quânticos do nosso cérebro nos seus campos eletromagnéticos,
pois quando imaginamos e sonhamos produzimos imagens – luz, formas e significados - que se
ativam espontaneamente, até sem o controle do ego, como resultado de uma atividade do
inconsciente. O inconsciente parece utilizar as ondas de luz e forma para produzir informações que
podem ter um significado simbólico de grande utilidade para a consciência, portanto, poderá influir
direta ou indiretamente no nosso comportamento na vida diária. Luz, formas (imagens e símbolos)
sinalizam significados, estando dessa forma entrelaçados, no processo de viver nossa interioridade,
como também, na nossa atividade interativa com os outros e o ambiente.

O termo ondas de forma faz sentido, porque as formas associadas à vida parecem ser uma atividade
que irradia significado, portanto, informação, provavelmente de baixa freqüência, relacionados com
nossa atividade psicofísica. O termo holomovimento também faz sentido, porque as formas, luz e
significados estão em constante desdobramento e dobramento, fazendo com que nossa vida seja um
processo de transmutação através de sua atividade interna e externa. Imagens terapêuticas
(Imagoterapia) podem, assim, entrar nesse processo, entrelaçadas nele, e produzir eventos internos e
externos, que têm efeito benéfico para a vida do corpo-alma-espírito, assim como para as interações
humanas e ambientais. Nesse sentido, a Imagoterapia contribui positivamente para a saúde e para o
destino.

Sinais eletromagnéticos e mórficos

As nossas células, além de energia e matéria, necessitam para sobreviver de mensagens – sinais –
intra e extracelulares, que regulam as especificidades do funcionamento e interação com as diversas
moléculas do corpo. As células nervosas e as moléculas do DNA lidam com informações que
sinalizam campos de formas (significados) e eletromagnéticos (luz) que parecem ser o substrato do
desenvolvimento humano psicológico e biológico. Os sinais eletromagnéticos e mórficos
necessitam serem precisos e serem interpretados de maneira precisa, para que a informação circule
no sentido de reorganizar continuamente o organismo e a psique para enfrentar as condições e
exigências do meio, na tentativa de otimizar a sobrevivência. Como afirma Berger (2003) matéria-
informação-energia é a tríade que sustenta a vida.

202
Segundo Farjanel, Perret e Borg (2007) as formas das funções químicas têm estrutura
tridimensional. Os campos eletromagnéticos, conforme afirmam Smith e Best (1989) são o suporte
das estruturas e fenômenos bioquímicos. Além disso, conforme afirma Pribam (1998), a nossa
memória – a rede de informações – é estruturada de forma holográfica. Farjanel, Perret e Borg
(2007) afirmam que os álcoois estão entre as diversas substâncias, que são funções químicas que
servem de substrato de funções vitais. Podemos pensar, então, que o álcool informado com
Imagoterapia, vai se agregar facilmente à rede de sinais do nosso organismo, se desdobrando, ao
dizer de Bohm (1983), sob a forma de pensamentos e atitudes.

Baseado na teoria quântica, Campos (2007) afirma que cada tipo de átomo possui um espectro de
absorção formado por uma serie de estreitas raias características devidas a transições eletrônicas
envolvendo os elétrons externos. A maioria dessas transições corresponde a comprimentos de
ondas nas regiões do infravermelho e visível. Uma certa espécie atômica neutra e no estado
fundamental, é capaz de absorver comprimentos de onda iguais aos das radiações que ela, quando
excitada, é capaz de emitir.(pp.1, 2007). Farjanel, Perret e Borg (2007) afirmam que as
propriedades químicas dos átomos dependem, essencialmente, da configuração eletrônica que
define a localização no espaço, assim sendo, a energia, de cada um dos seus elétrons. (pp.13,
2007). Esses três últimos autores, aqui mencionados, afirmam que 96% do corpo humano é
constituído de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, enquanto os 4% restantes, de sódio,
potássio, magnésio, cálcio, fósforo, enxofre e cloro. Os componentes do álcool e da água mineral -
utilizados nas essências vibracionais de imagens terapêuticas (Imagoterapia) – interagem
eletronicamente, portanto, com a rede molecular e informacional do organismo humano e animal.
Os fótons (luz), segundo Farjanel, Perret e Borg (2007), estão presentes no mecanismo quântico da
rotação dos elétrons sobre eles mesmos, fazendo com que a luz, no organismo, seja um fenômeno
orbital presente, portanto, nas estruturas quânticas da matéria viva.

Farjanel, Perret e Borg (2007) salientam que os elementos de maior eletronegatividade perdem
elétrons para os de maior positividade sendo que estes últimos, são os bons condutores de campos
eletromagnéticos. No caso das substancias químicas (álcool de homeopatia e água mineral)
utilizadas na confecção das essências de Imagoterapia, predominam os elementos semicondutores,
nestes, segundo Bishof (1997), a informação e a luz circulam com fluidez. Segundo Popp (2001)
nas reações físico-químicas do nosso organismo ocorre tanto absorção, quanto liberação de fótons
(os biofótons), ou seja, a luz está sempre associada à matéria viva.

Os átomos do álcool têm eletronegatividade alta, portanto, capazes de atrair e absorver os fótons das
imagens terapêuticas que são projetadas nele ao se preparar uma essência de Imagoterapia, pois a
luz projetada num líquido, como álcool ou água, parte é absorvida e parte é emitida. A molécula do
álcool é mais estável do que molécula d´água, embora os elementos presentes na água mineral
conferem uma estabilidade relativamente maior do a simples molécula de água pura. Farjanel,
Perret e Borg (2007) afirmam que o oxigênio aliado ao hidrogênio na molécula do álcool é mais
estável que na água devido a presença do carbono. Isso possibilita o álcool ser um bom conservante
de alimentos e remédios, assim como de imprints vibratórios como é o caso da Homeopatia e da
Imagoterapia. Oschman (2000) afirma que terapias que utilizam imprints eletromagnéticos e
informação dão resultado positivo na saúde, no entanto, só podemos observar diretamente seus
efeitos.

203
Assim, qualquer pesquisa científica que se pode fazer, atualmente, sobre a Imagoterapia, deve ter
caráter qualitativo, ou seja, observando os efeitos das essências vibracionais de imagens
psicossomáticos, comportamentais, assim nos acontecimentos do destino dos pacientes pesquisados.
E isso é que venho fazendo desde de 1984.

CITAÇÕES EM LÍNGUA EXTRANGEIRA:

Farjanel, Perret e Borg:


pp. 13, 2007 : ...les proprietés chimiques des atomes dépendent essencielment de la configuaration
életronique qui definit la localisation dans l´espace, et donc, l´energie, de chacuns des electrons.

Jibu e Yasue
pp. 126, 1993 : ...the brain is essencially a microscopic dynamical system with macroscopic spacial
extend, that is, quantum fiels dynamics.

204
COMO USAR AS ESSÊNCIAS VIBRACIONAIS DE IMAGENS DE
IMAGOTERAPIA

As essências vibracionais, tais como os florais e a homeopatia, têm sido usadas em todo o mundo. O
médico colombiano Francisco Rios, que trabalha em Barcelona, usa essências de imagens e slides,
que coloca sobre os pacientes e vem obtendo ótimos resultados. Em 1984, eu estive em contato com
um aluno dele, com quem fiz alguns tratamentos, e fiquei fascinada com a possibilidade de usar
imagens para a cura. A partir de então, como radiestesista e fotógrafa amadora, comecei por conta
própria e com a ajuda do pêndulo, a fazer uma extensa pesquisa sobre o uso das imagens, não só
para a saúde, mas também com o intuito de desenvolver a consciência e interferir no destino. A
forma de usar as essências e a classificação do poder que cada imagem tem sobre as pessoas foi
estabelecida em 1993. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e abrir a percepção para o
processo alquímico do autoconhecimento e individuação, com isso melhorar a qualidade da alma.
A possibilidade de usar imagens para conectar as pessoas cada vez mais com o próprio íntimo e
com o desenrolar dos seus destinos, me incentivou a buscar um número cada vez maior, variado e
rico de imagens em minhas viagens peregrinatórias. Hoje, em 2006, já possuo um acervo com cerca
de 3000 imagens, que aumenta a cada dia, não só com as viagens que faço, mas também com ajuda
de seus queridos amigos.

As essências de Imagoterapia podem ser tomadas conforme a situação em que a pessoa se encontra.
Pode-se escolher uma essência e tomá-la duas vezes ao dia, ou escolher duas essências e tomar uma
pela manhã e outra à noite, ou ainda, três essências, manhã, tarde, noite. Conforme for a tolerância
ao álcool toma-se 5 ou 9 pipetas cada vez, pois além da vibração da imagem que ela contém, o
líquido consiste em vinte por cento de álcool do tipo usado em homeopatia e o restante em água
mineral. . Uma pipeta consiste na quantidade do líquido de essência que vem na canícula ao apertar
a borracha do conta-gotas.

Existe também a possibilidade da pessoa precisar aumentar a dose nos casos de uma situação
específica de urgência e crise, por exemplo tomar 3 pipetas de hora em hora. A dosagem para
crianças até 12 anos é de dez gotas dissolvidas em meio copo d´água, a serem tomadas duas vezes
ao dia.

Quando uma pessoa tem algum tipo de problema que a acompanha há muito tempo e que se
relacione diretamente com o título de uma essência, aconselha-se a tomar aquela essência durante
dois meses, no mínimo (em certos casos bem mais) sete pipetas toda as manhãs. À tarde e/ou à
noite, pode variar entre as diversas essências, assim que for terminando cada vidro de trinta
mililitros delas, conforme necessitar. Porém, se preferir tomar só uma essência, é melhor tomá-la no
mínimo duas vezes ao dia, de cinco a sete pipetas cada vez.

Para animais a posologia varia com o tamanho e a idade. Os animais são muito sensíveis ao efeito
essências, homeopatia e florais. Eles têm sentimentos e um nível de psique que um dono atento
percebe as suas nuances. Para gatos e cachorros uma pipeta não muito cheia uma vez ao dia,
enquanto para animais de porte maior tais como cavalos, recomenda-se tomar quatro pipetas duas
vezes ao dia.

Quem tem facilidade para utilizar um pêndulo, pode escolher as essências e dosagens fazendo uso
dele. O pêndulo nem sempre aponta para o que o ego quer tomar, mas tende a apontar para o que a

205
pessoa necessita de verdade. As urgências do ego não correspondem às exigências profundas da
alma.

O ideal é uma consulta com o pêndulo. No entanto, existe um procedimento genérico que funciona
muito bem: selecionar de olhos fechados, usando a mão esquerda, apontando entre todas as
essências na bula ou na farmácia um ou mais frascos, e tomar cinco pipetas cheias do conta-gotas
em horários diferentes, duas vezes ao dia. Repetir o procedimento, escolhendo outras essências.
Quando as essências estão todas expostas num lugar acessível, por exemplo, num balcão ou
prateleira de uma farmácia, pode-se escolher uma, ou mais, com a mão esquerda, sem olhar o título
das essências. A mão esquerda é considerada energeticamente como a mão da receptividade; de
alguma forma inconsciente ela capta o que é melhor para a pessoa. É espantoso como este método
de escolha funciona. Ouço relatos que a essência escolhida coincide exatamente com a essência que
o sujeito está precisando tomar. Um fato curioso é que se alguém pensar concentrado numa pessoa
(ou animal) e buscar a essência que ela precisa também coincide com o que a pessoa ( ou animal)
precisa.

Exemplificarei abaixo algumas possibilidades de uso das essências para dar uma idéia melhor do
seu emprego. No entanto é sempre melhor consultar a lista inteira das essências, pois em cada
momento e em cada pessoa ativam-se necessidades profundas a serem levadas em conta.
Recomenda-se, por isso, a leitura atenta da descrição das 75 essências e das 4 velas, ou o uso do
pêndulo para escolher de forma vibratória, afim de usa-las com o máximo de critério.

Volto a dizer: Não é aconselhável tomar duas essências no mesmo instante e jamais se deve
misturar duas essências diferentes num mesmo frasco. As imagens são ondas de forma e duas ondas
de forma misturadas num só frasco significa uma terceira e outra onda de forma diferente das
originais. Também não é aconselhável a pessoas que tenham intolerância ao álcool.

Exemplos de situações adequadas para fazer usos das essências:

– nos casos em que há estresse devido ao acúmulo de tarefas;


– em uma situação em que é preciso organizar a vida financeira;
– quando se deseja fazer uma escolha de sucesso;
– em uma situação de crise aguda com outras pessoas;
– em uma situação de brigas de família;
– em situações de medo e insegurança;
– em situações de desespero;
– em casos de desarmonia na convivência social;
– para os empresários e suas equipes de trabalho;
– para o autoconhecimento;
– para estudos e elaboração de trabalhos;
– em momentos de depressão e pessimismo;
– para desequilíbrio mental e emocional;
– em situações em que existe perigo de violência;
– em situações de emergência;
– quando as coisas se atrasam ou começam a dar errado;
– para melhorar vendas;
– para as pessoas que costumam levar uma vida estressante e sofrem pressões

206
– em casos de doenças físicas e mentais;
– na recuperação de doenças;
– nos processos com a justiça;
– quando ocorre uma situação de inveja;
– para pessoas que não se posicionam no presente, que têm o hábito de remoer a propósito de
coisas passadas e fantasiar sobre o futuro;
– quando a vida parece estagnada, nada acontece e a pessoa fica desorientada;
– nos casos em que ódio interno e externo está muito ativado;
– em trabalhos de grupo escolares e acadêmicos;
– e quando as pessoas estão interessadas em evoluir conscientemente.

Os termos que utilizo ao denominar as essências, tais como, divino e sagrado, são usados no sentido
simbólico, ou seja, sob uma perspectiva mais benéfica e benigna da atitude humana em todos os
planos da vida.

Minhas essências são manipuladas pela farmacêutica e homeopata Daniela Moreira, (responsável
técnica do seu produto, crf:4504) da Energia Vital de Porto Alegre (51-3343.4351). Com a ajuda do
pêndulo, selecionei o meu kit de essências de imagens e velas vibracionais de imagens, cujas
características e efeitos estão descritos e enumerados a seguir:

Lista e descrição das essências vibracionais e velas vibracionais de imagoterapia

1) QUALIDADE DE VIDA E PROSPERIDADE:


- induz a melhorar a qualidade de vida e atrai meios para que isso aconteça
- regenera as forças vitais e as canaliza para criar uma forma de viver mais sã e
gratificante

2) SOLUÇÕES ÓTIMAS / MELHORA DO SISTEMA IMUNOLÓGICO:


- expande a consciência para encontrar melhores soluções e atrai novas soluções
- organiza a inteligência do sistema imunológico
- dá coragem de ousar a realizar coisas que possam melhorar sua vida

3) INVENTIVIDADE ÓTIMA:
- ativa a consciência a inventar e inovar
- dissipa energia das trevas e do caos interno

4) VISÃO NÍTIDA DAS MODIFICAÇÕES NECESSÁRIAS:


- percepção clara do que é preciso mudar no seu trabalho e modo de vida
- afasta energias negativas de seu campo mental

5) DESTINO MELHOR:
- melhora o destino pessoal através de novas possibilidades, novos acontecimentos
atraindo prosperidade e novos relacionamentos sinceros e benéficos
- conecta com pessoas e situações positivas que ajudam a progredir e afasta as
negativas

207
6) ) DISSIPA A AMARGURA
- contribui para dissipar lembranças amargas.
- promove uma atitude nova e mais leve face as experiências passadas.

7) ABRE PORTA
- abre para novas oportunidades de autorealização, melhorando a sorte.

8) ORDENA O CAOS
- ajuda a colocar em ordem situações confusas internas e externas.
- auxilia nas tomadas de decisão promovendo mais clareza.

9) ANTI – ENVELHECIMENTO:
- renova as energias para estudo e trabalho
- aumenta a disposição e motivação

10) ESCOLHAS CERTAS:


- auxilia a escolher certo e dissipas as dúvidas e indecisões
- dissipa sentimentos negativos ligados a experiências passadas negativas que
interferem nas escolhas atuais

11) ARGUMENTO INTELIGENTE:


- aumenta o poder de argumentação bem fundamentada e consistente
- presença de espírito inteligente

12) DEFINIÇÃO DE PLANOS E PROPÓSITOS:


- definição de planos e propósitos viáveis
- formação de estratégias e definição de prioridades
- ativa decisões de acordo com a essência

13) ENTUSIASMO E ÂNIMO DE VIVER:


- reconecta com o ânimo e o entusiasmo de viver
- alivia a angústia, a ansiedade, a preocupação e o sentimento de desamparo
- estimula a criatividade visando um plano de vida mais motivador em que a pessoa coloca
alma no que faz.

14) REENCONTROS FELIZES:


- ativa uma sincronicidade positiva para encontros agradáveis
- protege contra encontros desagradáveis e desgastantes.
- ativa bons momentos com as pessoas em geral

15) LIBERAÇÃO DE COMPLEXOS:


- desativa os medos do ridículo, da rejeição, da crítica desvalorizante, do erro,da inadequação,
do fracasso
- desativa os sentimentos de inferioridade e de culpa
- desativa a força autônoma ativadora dos complexos, melhora a saúde mental e facilita os
relacionamentos

208
16) LIBERAÇÃO DO DESTINO FAMILIAR:
- desativa padrões de comportamentos negativos e a neurose de destino familiar
- confere sanidade mental, discernimento, livre arbítrio para modificar o próprio destino
- abre os olhos para ver aquilo que precisa ser mudado em sua atitude diante dos
relacionamentos familiares e coragem para agir nesse sentido
- desimpregna o ódio e libera daqueles que fazem de sua vida um inferno

17) 89) ESPÍRITO DE EQUIPE E SINERGIA


- estimula a solidariedade visando um alvo superior aos egos particulares
- promove uma sincronia sinergética complementar de ações ótima.
- desativa conflitos irrelevantes ao objeto final.

18) DESIMPREGNA AS ENERGIAS NEGATIVAS:


- desativa e desimpregna energias negativas e reconecta com as positivas
- confere coragem para experimentar aquilo que a pessoa realmente gosta
- contribui para fluir o sucesso afetivo- profissional e para a autorealização

19) ANTENA DE DEFESA:


- confere presença de espírito esperto para reagir evitando o mal e as energias nocivas e
impeditivas antes que elas contaminem a pessoa
- protege contra a vampirização de energia
- alivia a tensão, afasta disputas, dá clareza de direção e atrai energias de amor e harmonia

20) CURA DE IMAGOS PASSADAS:


- desativa fantasias infantis negativas que atuam sob a forma de projeção e transferência
psicológicas
- desimpregna situações passadas negativas que contaminam a percepção atual
- confere uma modificação positiva na forma de se relacionar e sanidade psíquica

21) DESATIVA A AUTODESTRUIÇÃO:


- desativa mecanismos internos destrutivos e insensatos
- conecta a pessoa com o poder e potencial interno de criatividade e construção
- contribui para materializar a verdade interna com harmonia e bom senso

22) SAI DA PARALISIA:


- ativa a força interior de decisão, o impulso para a ação e reforça as motivações
- dá perseverança e coragem na realização de mudanças que ajudem a tornar a sua vida mais
interessante e significativa e a dar os passos para lutar pelo que deseja
- desativa memórias recorrentes e dissipa dúvidas

23) SENTIDO DE VIDA:


- ativa a inteligência espiritual no sentido de encontrar motivação e sentido significativo para
a sua vida prática
- conecta o ser com sua originalidade e dá coragem de ser e de viver
- ajuda a achar novas saídas construtivas para situações caóticas

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24) ANTI-LOOPING
- auxilia no tratamento da neurose de repetição.
- tendência a repetir comportamentos regressivos que atormentam os outros.
- contribui a retirar a projeção psicológica.
- confere maior lucidez nos relacionamentos.

25) ALÍVIO DA ANGÚSTIA:


- acalma a ansiedade, a angústia, o pessimismo, as expectativas negativas, o sentimento de
desamparo e de urgência
- traz coragem, confiança e visão da impermanência
- harmoniza com o tempo que leva para concretizar os seus anseios e com a vida

26) INTELIGÊNCIA FINANCEIRA:


- auxilia na escolha dos melhores investimentos
- freia o desperdício, a compulsão a consumir e a se endividar
- ativa a responsabilidade, a sabedoria e a generosidade com o dinheiro
- contribui para uma ecologia na vida financeira

27) DISSIPA A INVEJA:


- dissipa a inveja e o ressentimento interno e externo
- protege contra a inveja e o ressentimento
- ativa sentimentos positivos

28) HARMONIA COM O OUTRO:


- desativa impulsos internos e externos de hostilidade e de criação de confrontações
- promove uma convivência harmônica e agradável sem desgaste
- preserva a dignidade e ativa a inteligência emocional

29) ALÍVIO DA TRISTEZA PROFUNDA:


- ajuda a cicatrizar feridas profundas da alma de tristeza, arrependimento, frustrações,
rejeição, tormentos e amargura
- direciona o foco da atenção para o presente e para as possibilidades de tornar a vida mais
feliz

30) EXCELÊNCIA DE DESEMPENHO


- quando a pessoa tem varias tarefas a fazer e deseja que saiam bem feitas.
- ótima para colocar tarefas adiadas em dia com prazer, afastando a preguiça.
- estimula a criatividade com novas formas de agir.

31) PROPAGAÇÃO DA LUZ E DA VIABILIDADE:


- contribui para a fluência de oportunidades novas para alcançar o sucesso dos
emprendimentos
- relaxa , descontrai a tensão e expande a luz interna e o brilho pessoal

32) PRESENÇA E ALEGRIA


- aumenta a energia e contribui para ativar a presença de espírito alegre e esperto
- estimula diálogos positivos e transformadores

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- marca a presença e ilumina a aura
- melhora a sorte, traz novidades, criatividade e ativa a confiança na vida

33) DISSIPA O ESGOTAMENTO:


- dissipa a exasperação, irritação, e indelicadeza interna e externa
- dissipa o cansaço e o mau humor
- promove bom humor, gentileza, paciência e habilidade

34) PROJETO COMUM DE SUCESSO:


- atrai gente competente e compromissada, com idéias afins, para realizar trabalhos em
conjunto
- promove comunhão de idéias para criar e realizar projetos em cooperação com sucesso

35) PROTEGE CONTRA A ALIENAÇÃO:


- traz de volta o foco da pessoa para atividades produtivas e criativas de forma perseverante e
concentrada
- contribui para a pessoa tomar consciência e cuidar de partes de si mesma as quais precisam
de atenção
- ajuda a pessoa a dissipar a preguiça, o escapismo, a dispersão e o adiamento

36) DETERMINAÇÃO E OBJETIVIDADE:


- ativa a determinação de cumprir objetivamente as tarefas com prazer
- dissipa a preguiça e a desistência

37) EGRÉGORA DO BEM


- cria uma egrégora de família de almas que buscam crescer e evoluir juntas, em que todas se
fortalecem, desabrocham e se entusiasmam com a união cooperativa para o bem comum
- flui um processo de atração de pessoas amigas para trocas transparentes e prósperas
de beneficio comum
- progresso material dentro de um contexto de amor e sinceridade

38) RESPONSABILIDADE DIVINA


- ativa o senso interno e externo de responsabilidade e compromisso em fazer as coisas bem
feitas e faze-las até o fim, pois aviva a maturidade, a perseverança e o ânimo
- evita arrependimentos futuros
- é uma ótima essência para estudantes e profissionais, pois ajusta o foco da consciência para
o fato de que sem esforço, compromisso, perseverança e sem que não coloquemos a alma
nas coisas, nada se consegue

39) SIMPLIFICAÇÃO DAS COISAS


- ajuda a encontrar o caminho mais simples de fazer as coisas
- confere praticidade e simplicidade diante de questões complexas

40) DISSIPA A HUMILHAÇÃO


- dissipa a compulsão interna e externa a humilhar e ser humilhado
- promove o respeito mútuo

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41) ORGANIZAÇÃO E PRIORIDADES
- motiva a organização e facilita a seleção de prioridades
- abordagem correta e concentração focada e ordenada para melhores resultados

42) PERCEPÇÃO CLARA


- ativa a clareza de percepção das motivações internas e externas
- identifica as melhores oportunidades
- penetração mais profunda na realidade interna e externa

43) DISSIPA O PESSIMISMO


- dissipa o desencantamento com a vida e a desesperança na felicidade
- desimpregna as energias pessimistas vindas do coletivo
- confere perseverança em lutar

44) VISÃO CLARA DA MISSÃO


- dissipa as trevas da alma e o apego aos medos e desejos do ego
- ativa a consciência das necessidades profundas e dos planos de realização da essência
- conecta com pessoas e situações relacionadas com a missão circunstancial ou de longo
prazo

80) 45) CUIDADO DIVINO


- cuidado compassivo e amoroso consigo mesmo e os outros
- sensibilidade interna e externa para cuidar em evitar perdas, doenças, dores, desequilíbrios,
ressentimentos, hostilidades que causam feridas na alma e prejuízos
- cuidado interno e externo para não interferir e agir precipitadamente de forma, dura, danosa,
intimidante, infeliz e destituída de respeito
- ameniza a agressividade exigente interna externa e dá mansidão ativando o chakra do
coração e o sentimento de plenitude da alma
- impregna a pessoa e seu destino de amor, bondade e cuidado.
- quando a pessoa quer ser bem cuidada ou cuidar bem de alguém ou de alguma coisa, pois
evita o descuido

46) LIBERAÇÃO DA INCOMODAÇÃO


- quando a pessoa se sente profundamente incomodada, preocupada e desconsiderada
- contra batalhas internas e externas que impedem o sucesso e a paz
- ativa a criatividade e confere ação mais livre e decidida para desemperrar as coisas

47) INTEGRIDADE DE CARÁTER


- protege contra pessoas dissimuladas e fingidas que estão se comportando de forma pouco
ética em que a pessoa se sente roubada, enganada e prejudicada ajudando a pessoa a
recuperar suas perdas
- limpa o karma de atração por pessoas que acabam sempre nos traindo
- é para ser tomada também quando a própria pessoa precisa corrigir os seus vícios de caráter
- contribui para o comportamento interno e externo ético, digno, sincero e íntegro
- ajuda a dissipar a compulsão doentia e irresistível interna e externa em cometer atitudes
lamentáveis, desprezíveis, prejudiciais e vergonhosas

212
48) REINTEGRAÇÃO CRIATIVA NO MOVIMENTO DA VIDA
- contribui para a pessoa que deseja se integrar à realidade e ao movimento da vida para obter
novos e melhores resultados com um retorno significativo para ela, sem perder de vista de
seus verdadeiros ideais
- ativa os talentos, os potenciais, a criatividade e a atenção para uma melhor participação na
vida de forma mais estimulante, motivadora e gratificante
- atrai novos amigos ligados aos novos propósitos da pessoa

49) ACALMA A ANSIEDADE


- dissipa a agitação interna e externa e o sentimento de urgência
- dissipa expectativas pessimistas e ansiedade de controle
- confere confiança na vida, coragem, presença de espírito calmo e clareza de ação em
harmonia com o tempo

50) ACALMA EXAGEROS EMOCIONAIS


- para situações de intensidade emocional de raiva e medo
- acalma reações emocionais exageradas e inadequadas de desespero, agressividade, crítica
ofensiva, vitimização, implacabilidade, precipitação, imprudência
- confere comportamento responsável e positivo com respeito mútuo

51) INOVAÇÃO POSITIVA NA VIDA


- atrai fatos ou dados novos que introduzem algo novo e positivo
- discernimento e motivação para identificar novas oportunidades viáveis
- introduz modernidade e harmoniza com as inovações

52) MEDOS TERRÍVEIS


- dissipa medos imaginários e reais paralisantes
- confere coragem, autoconfiança, acertividade
- dissipa as crises de pânico e fobias
- protege contra perigos reais

53) BOICOTE E ARMADILHAS


- protege contra boicotes e armadilhas internas e externas
- desperta a atenção para evitar armadilhas e manipulações

54) EXPURGA A INTRIGA


- protege contra intrigas, fofocas, comentários críticos maldosos e prejudiciais
- dissipa a falsidade, o fingimento, a bisbilhotice, a competição negativa, a desconfiança
persecutória mútua

55) REINTEGRAÇÃO DA PSIQUE


- reintegra e elucida a psique em conflitos e caos podendo mostrar a origem real deles
- contribui para retirar a projeção psíquica, recuperar a lucidez e lidar melhor com a realidade
deixando a pessoa mais atenta ao objeto real
- contribui para reintegrar ego-Self-Eu Transcendente
- reintegração do Eu (imaginário-simbólico-real)

213
56) FOCO CONCENTRADO E MEMÓRIA:
- fortalece e ativa a memória para o trabalho e estudo
- facilita a comunicação para palestras e troca de idéias
- confere foco concentrado na atividade presente

57) CONEXÃO COM O EU SUPERIOR:


- conecta com o Eu superior pessoal e com o dos outros
- aproxima as pessoas pelo lado positivo
- atrai aliados para projetos comuns e responsáveis
- dissipa atitudes egóicas e destrutivas

58) REGENERAÇÃO DA VIDA


- contribui para a regeneração da alma devido a estresse ligado a perdas, conflitos e doenças
- realinha corpo-alma-espírito, chakras e corpos sutis para novos começos
- ajuda na regeneração de células danificadas por desgaste ou intervenções cirúrgicas

58) AMOR DIVINO:


- purificação e cura da alma conectando com a energia positiva do amor
- canaliza a energia do amor para a vida interna e externa
- protege contra atitudes de ódio, rancores, amarguras, frieza e ressentimentos

59) CONEXÃO COM A ESSÊNCIA:


- ativa o movimento interno da psique para conectar-se com seu centro
- dissipa o medo e o recalque dos apelos profundos da alma
- desperta a atenção para integrar as exigências de auto-realização e individuação
- revela potenciais e possibilidades de ser e realizar provenientes do núcleo da psique

60) INSIGHT:
- ativa insights necessários e o instinto de verdade
- aquieta a mente e aguça a percepção da realidade interna e interna
- novos entendimentos e novas reações positivas

62) LUCIDEZ E CALMA:


- dissipa a confusão, a ambivalência, a ambigüidade, a hostilidade, as projeções negativas, a
hiperatividade
- dissipa o desespero, o isolamento, a aflição, a insensatez, a precipitação, a agitação
- confere luz e calma para situações difíceis
- comportamento positivo e mansidão

63) VERDADE DIVINA


- alargamento da verdade e conexão com a Supraconsciência
- contribui para expandir a consciência de si e dos acontecimentos
- desvela as verdades e inverdades internas e externas
- esclarece pontos obscuros dos relacionamentos e confere autenticidade recíproca.
- desativa projeções e ilusões e traz o foco para a realidade

64) INTOLERÃNCIA

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- intolerância a barulhos e multidões.
- exigências exageradas, severidade, cólera e tensão
- alergias, irritação, excessos e impaciência
- amansa a agressividade que impede a bondade interna e externa e dissipa os medos que
causam atitudes defensivas que impedem chegar no coração do outro
- dá mansidão para enfrentar pessoas e situações intoleráveis

65) CONFIANÇA E TRANSPARÊNCIA


- sacralização de relacionamentos, ativa o respeito e a sinceridade interno e externo.
- ativa o corpo búdico para proteger contra energias das trevas da mentira
- desativa comportamentos e reações internos e externos baseados em medo, traições,
fingimento, controle, intimidação, manipulação, negligência e culpa
- quando a pessoa está com a confiança profundamente abalada por acontecimentos
traumáticos que feriram sua autoestima e a sua confiança básica

66) RESSENTIMENTOS
- dissipa os ressentimentos e rancores internos e externos, evita palavras e atitudes que ferem
a alma e a dignidade
- eleva o teor vibratório dos relacionamentos para o nível transpessoal
- ativa o perdão e a compaixão, protegendo contra insensatez que causa danos permanentes

67) DESEJOS SATISFEITOS


- insight dos desejos reais vindos da essência criativa de si mesmo
- conexão com meios de realizar os desejos
- identificação e discriminação dos desejos reprimidos e negligenciados

68) PREOCUPAÇÃO OBSESSIVA E ATORMENTADA


- desativa imaginação negativa que afeta a quietude interna e a identificação com fatos e
pessoas desagradáveis e infelizes
- alivia o tormento angustiante e persistente que tira a paz e a confiança na vida
- tranqüiliza o ego e ativa o Eu transcendente

69) REERGUIMENTO DE POSTURA


- confere uma postura adequada ao tipo de situação a ser enfrentada
- postura firme em harmonia e de acordo com sua essência
- atitude desperta e atenta

70) FIRMEZA E FLEXIBILIDADE


- firmeza, força interior, presença de espírito, clareza e autoconfiança sem cair na rigidez e
hostilidade
- diminui a tensão e dá flexibilidade para encarar situações extremas de forma mais sábia e
inteligente
- ajuda a transcender a insegurança, a indecisão, a paralisia, o medo, a raiva, a covardia e o
choque que alguns conflitos e situações provocam

71) PURIFICAÇÃO DO KARMA


- contribui para a transformação do karma em dharma

215
- reconhecimento do sagrado nos seres e coisas ativando o comportamento baseado na
compaixão, no amor e na redenção de forma contagiante
- responsabilidade espiritual na atitude e no foco face às situações fundamentais da vida

72) CAMINHO DO VIRTUOSO


- ajuda a pessoa a insistir em ser perseverante na freqüência da prática de exercícios ou
técnicas e no aprofundamento necessário para ser virtuosa
- pode ser usada tanto em metas místicas transcendentes, como profissionais, que exigem
habilidade e perfeição
- quando a pessoa desanima face ao tempo que leva e às dificuldades que aparecem
no caminho de quem deseja ser virtuoso

73) CHATICE
- protege contra a chatice tanto vinda dos outros , como da própria pessoa
- ativa a sensibilidade interna e externa quanto ao respeito, dignidade e sabedoria
- desativa comportamentos do ego narcisista interno e externo irritantes, insistentes,
entediantes e deselegantes

74) TENSÕES E DORES


- é um relaxante que alivia tensões e dores
- atua na memória da dor podendo mostrar a origem e caminhos de cura.

75) ADAPTAÇÃO CRIATIVA ÀS CIRCUNSTÂNCIAS


- ajuda a pessoa a fluir de forma mais suave, lúcida e firme face às circunstâncias difíceis.
- alivia climas pesados em que somos forçados a estar presentes.

76) TRANSMUTA DOR EM PRAZER

- transmuta dores, sintomas e indisposições em alívio, bem-estar e disposição.


- alivia sintomas físicos, psíquicos espirituais causados por problemas de saúde.
- em sintomas desagradáveis provocados por quimioterapia ou radioterapia é preciso usar
mais de um frasco dessa essência para obter resultados melhores.

77) ENTENDIMENTO MAIOR

- re-alinha o fio condutor da teia não linear de historia individual da pessoa, com a finalidade
de curar sua vida.
- contribui para o entendimento da complexidade da vida interna e externa, promovendo um
contato mais simplificado e amplo com sua biografia e um olhar mais atento para costumes
pessoais e partilhados.
- alivia a angústia espiritual em relação a jornada da alma e ao seu destino.

78) DESAPEGA DOS TRAUMAS


- contribui para a pessoa se aliviar das lembranças de traumas passados, que insistem em
recorrer na memória.
- alivia rancores, autopiedade e culpas relacionadas ao sofrimento.

216
79) ESPAÇO SAGRADO
- essa essência contribui para sacralizar nosso espaço interno e externo
- contribui para criarmos uma atmosfera de impecabilidade e lealdade mútua
- atenta a consciência para o quanto as coisas e as pessoas podem sagradas para nós e nó para
elas.

80) INTERESSE EM APREENDER


- ativa o interesse em apreender, sobretudo como a construção de um saber que nos será útil,
assim como à humanidade
- dá foco e atenção para apreender com mais prazer em ficar sabendo de conhecimentos
necessários à nossa formação profissional, ao desenvolvimento de nossa vocação e à nossa
função no coletivo

81) RESPEITO HUMANO


- respeito como ponto focal na convivência com reciprocidade de respeito à individualidade
- protege contra o desprezo, a grosseria e o mau humor

82) QUEBRA PADRÃO


- contribui para parar de atrair e repetir padrões nocivos e neuróticos

83) RECUPERAÇÃO DA DIGNIDADE


- contribui para a pessoa valorizar a auto-estima e reagir de forma digna, sem se submeter ou
ficar muito afetada ou intimidada
- atitude digna sem alienação do próprio desejo

84) LIVRA DO MAL


- protege contra o dano da maldade e da mentira
- ativa a bondade reparadora
- protege contra erros irremediáveis

85) ALTOS RENDIMENTOS


- conexão com os próprios talentos e eficiência aumentando a produtividade e a qualidade do
trabalho ativando meios de progredir financeiramente trazendo alívio e satisfação
- abdicação das máscaras da persona em favor da verdade interna e externa
- afasta as energias nefastas que obstaculizam o sucesso profissional e que causam
dependência financeira

86) MELHORA A SAÚDE


- dá disposição e melhora o estado geral de saúde

Modo de usar as essências

Modo de usar / Dosagem: O ideal é consultar com o pêndulo. No entanto, existe um procedimento
genérico que funciona muito bem: selecionar de olhos fechados, usando a mão esquerda, apontando
entre todas as essências, na farmácia, um ou mais frascos; e tomar de cinco a sete pipetas cheias do

217
conta-gotas em horários diferentes, duas vezes ao dia. Repita o procedimento escolhendo outras
essências. A dosagem para crianças até 12 anos é de dez gotas dissolvidas em meio copo d´água a
serem tomadas duas vezes ao dia. Para adultos a dose eficaz é de sete pipetas pela manha e sete à
noite. Para pessoas idosas a dose é de cinco pipetas duas vezes ao dia. Para animais uma pipeta por
dia é suficiente. As essências também podem ser escolhidas direta e simplesmente, tal como se usa
fazer com os florais, conforme a pessoa acha que necessita.
No entanto, não é recomendável o uso tópico dessas essências, ou seja, não passar no corpo; além
disso, não usar também em spray para a aura ou para o ambiente. São essências para serem
ingeridas para que se misturem com os líquidos internos do corpo. Para os ambientes, é melhor
utilizar as velas vibracionais de Imagoterapia, pois o fogo da chama da vela contribui mais
adequadamente para transmutar a qualidade do ambiente para melhor.
Uma consulta mais exata, com pêndulo radiestésico, poderá ser estabelecida com Nina Lazzarotto.

VELAS VIBRACIONAIS AMBIENTAIS DE IMAGENS

1) TRANSMUTA RESSENTIMENTOS EM HARMONIA


Transmuta reverberações de ressentimentos passados em harmonia e perdão.

2) TRANSMUTA ANSIEDADE EM CONFIANÇA


Transmuta vibrações de insegurança, ansiedade, desesperança, medo, pessimismo em confiança
na vida.

3) TRANSMUTA AUTODESTRUIÇAO EM AUTOESTIMA


Transmuta padrões destrutivos de compulsão à repetição e de abuso, tanto pessoais como nos
relacionamentos, em padrões positivos e criativos de auto-estima, respeito e amor.

4) TRANSMUTA DOR EM PRAZER

Transmuta dores, sintomas e indisposições em alívio, bem-estar e disposição.É preciso usar


duas velas seguidas, para obter resultados melhores.

5) ESPAÇO SAGRADO (ver essência 79, acima)

Obs.: Para tratamento pessoal, a vela deve, de preferência, ser acesa no quarto de dormir ou
hospitalar, em cima de um pires, e deixada para queimar até o fim. Ela pode ser usada também em
ambientes de trabalho ou na sala de estar, onde várias pessoas possam se beneficiar do seu efeito.

Quem é Nina Lazzarotto

Nina nasceu em Porto Alegre. É Bacharel em Economia na Universidade Federal da Bahia.


Durante o curso de Relações Econômicas Internacionais na Sorbonne, na França, começou a se
interessar por medicinas alternativas e pelos novos paradigmas holísticos.

Cursou seminários de Acupuntura, primeiro no Brasil e posteriormente na França, na Escola


Européia de Acupuntura de Strasbourg. Praticou Tai T´chi Tchuan com vários professores e Anti-
ginástica na Escola de Therèse Bertherat em Paris (1985 e 1986). Formou-se em Morfopsicologia

218
no Institut Libre d´Enseignement Superieur em Paris, quando participou de uma tese conjunta sobre
maturidade , escrevendo um capítulo intitulado "A maturidade em Astrologia Humanista" ( tese sob
a orientação de Luc Buffard intitulada " La Maturité") , em 1985 e 1986. Entre 1984 e 1987 cursou
a formação de Fasciaterapia, Pulsologia e Cranioterapia no Institut Methode Danis Bois e cursou
seminários de Radiestesia no Institut de Medicines de Demain de vários métodos, entre eles o
método de Etienne Guillé, com Jean-Nöel Kerviel; também teve aulas e trabalho conjunto com a
professora Micheline Sauts na França. Participou de vários seminários sobre Terapias de Cristais e
Vidas Passadas com Patrick Drouot e de seminários de Astrologia com Alexander Ruperti. Entre
1996 e 1998 esteve presente em seminários de Liz Greene (astróloga e psicóloga), Stanislav Grof
(psiquiatra), Richard Tarnas (astrólogo e psicólogo), Melaine Reinhart (astróloga), James Hillmann
(psicólogo), Rupert Sheldrake (bioquímico), Matthew Fox (teólogo), Steven Forrest (astrólogo) e
David Abram (antropólogo, ecologista e xamã) na Inglaterra e nos EUA. É fotógrafa amadora e
desde de 1980 é defensora da Transdisciplinaridade e vem estudando a fundo Terapias Vibracionais
e Transpessoais, Física Quântica-relativista, Cosmologia, Deep Ecumenism, Gaia Mouvement,
Simbologia, Mitologia, Xamanismo, Gnose, Taoísmo, Oráculos, Egito Antigo, Psicologia,
Alquimia, Cabala e Astrologia. Faz parte da Retrans (Rede Interdisciplinar) e da Artflor
(Associação de Terapeutas Florais). Em 2003 passou por uma experiência de coma e quase morte e
em 2004 voltou a fazer Tai T´chi Tchuan e T´chi Kun. Freqüentou os seminários de Psicologia
Analítica: Imagem e Psique - C.G.Jung- e o Curso de Extensão em Psicossomática, ambos
organizados pela dra. Marisa Muller, diretora da PROEX-PUCRS (Pró-Reitoria de Extensão da
PUC-RS), assim como participou de um grupo de estudo de Antroposofia. Em 2005 criou as velas
vibracionais de imagens. Em 2008 esteve em Paris onde fez um curso de aperfeiçoamento com a
professora de Radiestesia, Micheline Sauts.

Nina faz atendimentos atuando como terapeuta vibracional e transpessoal, enfatizando uma
reorganização vibratória, psíquica e espiritual de energias caóticas das dimensões inconscientes, que
atrapalham a presença de espírito e a conexão consciente e equilibrada com o núcleo do ser, e deste
com a realidade e o movimento da vida. Sua técnica é baseada nos princípios da física quântica. Faz
atendimentos de Radiestesia e Imagoterapia por telefone quer no país, quer no exterior.

219
GLOSSÁRIO

Campo: é o próprio espaço, o qual contém o conjunto de valores que uma grandeza física pode
assumir: velocidade, densidade, vetor do campo elétrico, força da gravidade.

Campos mórficos: gerados por sistemas organizados.

Coerência quântica nos sistemas biológicos: A hipótese apresentada por Frölich (1975) supõe que
se houver quantidade suficiente de energia metabólica há possibilidade de ocorrer coerência
quântica, ou seja, o estado quântico do sistema inteiro de partículas é a amplificação do estado de
cada de suas partículas (tal como acontece na superfluidez e supracondutividade, chamado também
de condensado Bose-Einstein).

Fóton: partícula, quantum de energia do campo eletromagnético.

Mácula: depressão da retina, situada no polo posterior do olho e onde a acuidade visual é máxima,
constituindo o foco da visão.

Molécula: do latim - moles (massa). Menor parte de um corpo que possa existir em estado livre sem
perder as propriedades da substância original.

Morfogenêse: forma; vir a ser.

Partícula elementar: pequena parte de matéria que contém os elementos que formam sua estrutura:
os elétrons, prótons e neutrons.

Perceptron: máquina de visão, segundo Verilio.


Estratégia de passagem de informações, que utiliza imagens eletrópticas em velocidade absoluta,
através de videografia, holografia e infografia. Chama de estratégia porque a simples exposição
visual de imagem de descobertas de armamentos mortíferos constitui uma arma de guerra, assim
como é também a exposição das imagens de satélite dos alvos a serem atingidos.

Pulsão: energia interna que puxa o sujeito a produzir uma ação para reduzir a tensão.

Radiestesia: radius - raio; asthesis – sensibilidade


Quântica: teoria relativa ao quantum. Quantum = quantidade
indivisível de energia eletromagnética.
A Radiestesia é uma técnica que utiliza o pêndulo para medir e corrigir as vibrações de pessoas,
objetos e do ambiente; tem ação a distância.

Ressonância: influência da transferência de informação de variáveis não locais.

Ressonância mórfica: transferência de informação; influência do semelhante sobre o semelhante,


através do espaço e do tempo.
Significado: acepção, palavra equivalente noutro idioma, a representação na linguagem do
significante, conceito, noção (o significante corresponde à forma).

220
Significante: significativo, parte tônica ou imagem acústica de uma ou mais fonema(s), provido de
significação.

Signo: Sinal
Entidade constituída pela combinação de um conceito, denominado significado e uma imagem
acústica, denominada significante.
Imagem acústica de um signo não é um som material da palavra e sim a impressão psíquica deste
som.
Semiologicamente  objeto, forma ou fenômeno que representa algo diferente de si mesmo.
Ex:cruz – cristianismo; vermelho – pare; pegada – passagem de alguém
signo motivado  ícones – tem significado motivado  símbolo – analogia

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Agradecimentos

Agradeço especialmente aos amigos que, em diferentes épocas da minha vida, me incentivaram a
perseverar na pesquisa da Imagoterapia: Micheline Sauts (minha mestra em radiestesia), Miguel
Carboni (osteopatia), Mercez Magrini (bioenergética), Eduardo Gomes (rolfing), Geraldo Lachini
(dança e coiffure), Solveigue Gonzales (coordenação do MARGS), Rochele Gelatti (osteopatia),
Roberta Jevoux (advogacia), Martha Vecchio (psicologia-ex-diretora da Unipaz-RS), Eduardo
Cezimbra (odontologia e diretoria do RETRANS - Rede Interdisciplinar), Luiz Augusto Seager
(física e matemática-UFSC), Marisa Campio Müller (psicologia), Estela Maturro (cura quântica);
como, também, o apoio do pessoal da Farmácia de Manipulaçao Energia Vital de Porto Alegre,
sobretudo de Daniela Moreira, Káthia Martins e Sônia Beatriz dos Santos. Daniela é farmacêutica e
homeopata; é a responsável técnica pelas minhas essências de Imagoterapia.

E sou muito grata a Rupert Sheldrake (PHD bioquímica-Cambridge-UK e filosofia-Harvard-USA)


que paciente e amorosamente recebeu-me em sua casa, nos arredores arborizados de Londres, para
conversarmos sobre energias e campos de forma.

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