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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS RIO CLARO

MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS – RIO CLARO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA MOTRICIDADE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA MOTRICIDADE

EFEITOS DO TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA CAPACIDADE FUNCIONAL E SEUS COMPONENTES, EM IDOSAS: UM ESTUDO CONTROLADO RANDOMIZADO

LUIZA HERMINIA GALLO

Dissertação apresentada ao Instituto de Biociências do Câmpus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista, como requisito obrigatório para obtenção do título de Mestre em Ciências da Motricidade.

Outubro

212

LUIZA HERMINIA GALLO

EFEITOS DO TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA CAPACIDADE FUNCIONAL E SEUS COMPONENTES, EM IDOSAS: UM ESTUDO CONTROLADO RANDOMIZADO

Dissertação apresentada ao Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, para obtenção do título de mestre em Ciências da Motricidade.

ORIENTADOR: PROF. DR. SEBASTIÃO GOBBI

Rio Claro,

2012

301.435

Gallo, Luiza Herminia

G172ef

Efeitos do treinamento de flexibilidade na capacidade funcional e seus componentes, em idosas: um estudo controlado randomizado / Luiza Herminia Gallo. - Rio Claro :

[s.n.], 2012 60 f. : il., figs., gráfs., tabs., fots.

Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro Orientador: Sebastião Gobbi

1. Envelhecimento. 2. Exercício físico. 3. Amplitude de movimento articular. 4. Exercícios de alongamento muscular. 5. Aptidão física. I. Título.

Ficha Catalográfica elaborada pela STATI - Biblioteca da UNESP Campus de Rio Claro/SP

LUIZA HERMINIA GALLO

EFEITOS DO TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA CAPACIDADE FUNCIONAL E SEUS COMPONENTES, EM IDOSAS: UM ESTUDO CONTROLADO RANDOMIZADO

Dissertação apresentada ao Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, como requisito obrigatório para obtenção do título de Mestre em Ciências da Motricidade.

Comissão Examinadora

Prof. Dr. Sebastião Gobbi (orientador)

Prof. Dr. Paulo de Tarso Veras Farinatti

Profa. Dra. Anna Raquel Silveira Gomes

Rio Claro, 05 de outubro de 2012.

DEDICATÓRIA Aos meus pais e meu irmão, que me ensinaram a sonhar e a lutar por meus sonhos e me amaram e apoiaram incondicionalmente. Com amor e carinho me ajudaram a chegar até o final.

AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter iluminado meu caminho, por ter me feito forte e perseverante para superar os desafios. Aos meus pais e meu irmão, minha família, pelo amor, incentivo e apoio de sempre. É graças a vocês que me mantive em pé e confiante e hoje completo mais uma etapa da minha vida, mais um sonho realizado, mais uma conquista nossa! Muito obrigada por tudo, sempre, amo vocês!!! Ao professor, orientador e grande amigo Sebastião Gobbi, pelos sete anos de aprendizagem e oportunidades. Gobbi, obrigada por sempre acreditar e confiar em mim, por mostrar os melhores caminhos e por cuidar, tão gentilmente, de minha vida acadêmica. É graças a você que hoje amo o que faço e pretendo continuar! E à professora Lílian Gobbi, obrigada por ser a melhor coordenadora da Pós, amiga e exemplo de garra e caráter. Espero um dia conseguir me tornar metade dos excelentes profissionais e seres humanos que vocês são!!!

As minhas queridas idosas, que aceitaram participar do estudo e que, nesses dois anos de convivência, me permitiram ter uma pequena parte em suas vidas. Obrigada por toda confiança, amor e conhecimento transmitidos e por tornarem minhas manhãs mais alegres logo às sete horas. Se não fosse por vocês, nada disso seria possível! Ao professor Riani e todos os integrantes do Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE). Trabalhar com pessoas tão competentes e dedicadas, em um ambiente de amizade e cumplicidade é realmente um grande privilégio e aprendizado. Em especial, o “grupo da força”! Acima de um grupo de estudos com um tema em comum, acredito que conseguimos formar laços que não há distância capaz de desfazer! Espero tê-los sempre por perto, mesmo que não presencialmente! Muito obrigada pela amizade e confiança:

André, Raquel, Marilia, Alexandre, Claudinho, Marina e Flávio. Marilia e Xandão: são sete anos de conselhos, abraços, risos, lágrimas, torcida e vitórias. Sete anos de amizade! Não tenho palavras suficientes para agradecê-los! Amo muito vocês!

Aos estagiários do PROFIT que me auxiliaram todo esse tempo a ministrar as aulas e a todos meus amigos que souberam compreender minhas constantes ausências! A todos vocês, muito obrigada!

“Anything is possible with a little stretch of the imagination”

RESUMO

O treinamento da flexibilidade tem sido eficaz na melhora da amplitude de movimento

articular e ainda, tem promovido melhora nos padrões da marcha, agilidade e força muscular. Entretanto, tendo em vista o reduzido número de estudos controlados e aleatorizados investigando os efeitos do citado treinamento na capacidade funcional (CF) de idosos, e a grande disparidade metodológica adotada, os resultados ainda são contraditórios. Desta forma,

o objetivo deste estudo foi analisar os efeitos de um treinamento de flexibilidade na CF e seus componentes, em idosas viventes na comunidade. Para isso, foram selecionadas 31 mulheres idosas aleatoriamente distribuídas em dois grupos: a) Grupo Controle (GC, n=16), o qual realizou atividades artísticas e cognitivas; b) Grupo Treinamento (GT, n=15), o qual participou do treinamento composto por exercícios de alongamento, com três séries de 30 segundos, voltado para os principais grupos musculares. Ambos os grupos frequentaram a universidade três vezes na semana, durante oito semanas, com duração aproximada de uma hora por sessão. Para avaliação dos componentes da CF foi aplicada a bateria de testes motores da American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (AAHPERD) e o teste de subir escadas (TSE). A partir da somatória dos resultados dos testes

da AAHPERD foi calculado o índice de aptidão funcional geral (IAFG), o qual pode ser

classificado de muito fraco a muito bom. O flexímetro foi adotado para avaliação angular da flexibilidade e a contração voluntária máxima isométrica (CVM), dos membros inferiores, foi

avaliada pela extensão unilateral de joelho. O teste U Mann Whitney não apontou diferença entre os grupos para os valores do índice de aptidão funcional geral, porém o GT melhorou sua classificação pós-intervenção. Para os componentes da CF e TSE a ANOVA apontou interação significativa Grupo vs. Momento apenas para a flexibilidade, avaliada pelo teste de sentar e alcançar, e para os movimentos de extensão de ombro direito e flexão de quadril esquerdo. Não foi observada interação significativa para os valores de CVM. Pode-se concluir que oito semanas de treinamento da flexibilidade, com volume de 90 segundos de alongamento estático, são eficazes na melhora da flexibilidade do ombro, tronco e quadril, e

da classificação do IAFG, em idosas.

Palavras chaves: Amplitude de movimento articular. Exercícios de alongamento muscular. Envelhecimento. Aptidão Física

ABSTRACT The flexibility training has been effective in improving the joint range of motion and promoting better gait patterns, agility and muscle strength. However, due to the small number of controlled and randomized studies that have investigated such training effects on the functional capacity (FC) of the elderly, and the large disparity between methodologies, the results are still contradictories. Therefore, the purpose of this study was to analyze the effects of flexibility training on the FC and its components in community dwelling older women. Thirty one older women enrolled in the study and were randomly assigned into two groups: a) Control Group (CG, n = 16), which performed artistic and cognitive activities; b) Training Group (TG, n = 15), which underwent a training protocol composed by stretching exercises, with three sets of 30 seconds, for the major muscle groups. Both groups visited the university three times a week, for eight weeks, lasting about one hour per session. For the assessment of the FC components it was applied the American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (AAHPERD) motor tests battery and the stair climbing test (SCT). From the sum of the AAHPERD tests results it was calculated the global functional fitness index (GFFI), which can be rated from very poor to very good. The fleximeter was used to evaluate the angular flexibility and the isometric maximal voluntary contraction (MVC) of the lower limbs was assessed by a load cell during unilateral knee extension. The U Mann Whitney test did not pointed difference between the groups for general functional fitness index (GFFI) values. However, the TG improved its classification at post-intervention. Regarding the FC components and SCT the ANOVA showed significant Group vs. Moment interaction only for flexibility, when it was evaluated by the seat and reach test, and for the right shoulder extension and left hip flexion. It was not found significant interaction for the MVC values. It can be conclude that an eight-week flexibility training, with 90-second static stretching volume, is effective in improving the shoulder, trunk and hip flexibility, and the classification of GFFI, in older women.

Keywords: Joint range of motion. Muscle stretching exercises. Aging. Physical Fitness

LISTA DE TABELAS

Página

Tabela 1 Exemplo do cálculo do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG), baseado na somatória dos pontos percentis atribuídos a cada teste da bateria

23

Tabela 2 Classificação dos testes motores e do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) de acordo com os pontos percentis obtidos em cada teste da bateria

23

Tabela 3 - Características da amostra no momento pré-período experimental. Valores (em média e desvio padrão) de idade, peso, estatura, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade física para as participantes dos grupos treinamento (GT) e controle (GC)

32

Tabela 4 - Valores do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) e sua classificação nos momentos pré e pós período experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em mediana e amplitude (valores mínimo e máximo)

33

Tabela 5 - Valores dos componentes da capacidade funcional (média e desvio padrão), de ambos os grupos treinamento e controle (GT e GC, respectivamente) nos momentos pré e pós oito semanas de experimento

35

Tabela 6 - Valores do teste de resistência de força nos momentos pré e pós- período experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em mediana e amplitude (valores mínimo e máximo)

35

Tabela 7. Valores da contração voluntária máxima (CVM), nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em média e desvio padrão

36

Tabela 8. Valores angulares dos seis movimentos articulares avaliados no hemicorpo direito, nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GC e GT). Valores em média e desvio padrão

37

Tabela 9. Valores angulares dos seis movimentos articulares avaliados no hemicorpo esquerdo, nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GC e GT). Valores em média e desvio padrão

38

LISTA DE FIGURAS

Página

Figura 1- Comportamento da flexibilidade nas articulações envolvidas no teste de alcançar sentado, para homens e mulheres

14

Figura 2 - Fluxograma da aleatorização da amostra

20

Figura 3 - Alongamento para os músculos flexores do quadril e extensores do joelho

27

Figura 4 - Alongamento para os músculos extensores do quadril e flexores de joelhos

27

Figura 5 - Alongamento para os músculos extensores do quadril e flexores de joelhos

28

Figura 6 - Alongamento para os músculos flexores dorsais do tornozelo

28

Figura 7 Alongamento para os músculos flexores plantares do tornozelo

29

Figura 8 - Alongamento para os músculos flexores do ombro e do cotovelo

29

Figura 9 - Alongamento para os músculos extensores do cotovelo e ombro

30

Figura 10 - Alongamento para os músculos extensores do cotovelo e ombro

30

Figura 11- Classificação do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) do Grupo Treinamento (GT), nos momentos pré e pós-período experimental de oito semanas

33

Figura 12 - Classificação do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) do Grupo Controle (GC), nos momentos pré e pós-período experimental de oito semanas

33

Figura 13 - Ilustração gráfica do teste de flexibilidade

50

Figura 14 Marcações para o teste de coordenação

51

Figura 15 Ilustração gráfica do teste de coordenação

52

Figura 16 - Esquema demonstrativo do teste de agilidade e equilíbrio dinâmico da AAHPERD

53

Figura 17 - Esquema do teste de Resistência Aeróbia realizado em um percurso oval de 400 m em pista de atletismo

54

SUMÁRIO

Página

1. INTRODUÇÃO

 

10

2. OBJETIVOS

13

2.1. Geral

13

2.2. Específico

13

3. REVISÃO DA LITERATURA

14

3.1.

Flexibilidade,

exercícios

de

alongamento

e

o

processo

de

envelhecimento

 

14

3.2.

Treinamento da flexibilidade e capacidade funcional

 

16

4. MATERIAIS E MÉTODOS

 

20

4.1.

Amostra

20

4.2. Delineamento experimental

 

21

4.3. Protocolo de avaliação

22

 

4.3.1. Medidas antropométricas

22

4.3.2. Nível de atividade física

22

4.3.3. Componentes da capacidade funcional e mobilidade

 

22

4.3.4. Avaliação da contração muscular voluntária

 

24

4.3.5. Medidas angulares da flexibilidade

25

4.4.

Protocolo de intervenção

26

4.4.1.

Protocolo de treinamento da flexibilidade

 

26

4.4.2. Protocolo de atividades artísticas e cognitivas

31

4.5.

Análise estatística

31

5. RESULTADOS

 

32

6. DISCUSSÃO

39

7. CONCLUSÃO

44

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

45

9. ANEXOS

 

50

9.1. Anexo A Questionário Baecke Modificado para Idosos

 

50

9.2. Anexo B Bateria de testes da American Alliance for Health, Physical

Education, Recreation and Dance………………

 

52

 

9.2.1 Teste de Flexibilidade

52

9.2.2 Teste de Coordenação

52

9.2.3 Levantar-andar-sentar bilateral (Agilidade e equilíbrio dinâmico)

 

54

9.2.4 Teste de resistência de força de membros superiores

 

55

9.2.5 Teste de caminhar meia milha/ Habilidade de andar

55

10. APÊNDICES

 

57

10.1. Apêndice A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

 

57

10.2. Apêndice B Parecer do Comitê de Ética

 

59

10.3. Apêndice C - Exemplos de atividades empregadas no protocolo de

atividades artísticas e cognitivas

 

60

10

1. INTRODUÇÃO Dentre diversas modificações que ocorrem nos sistemas do corpo humano durante o processo de envelhecimento encontram-se as alterações no sistema neuromuscular e osteoarticular. Essas alterações podem acarretar na diminuição dos diferentes componentes da capacidade funcional, em especial, na força muscular e flexibilidade (HADDAD et al., 2012; SOUCIE et al., 2010). Estes componentes por sua vez, possuem importantes relações com a realização de atividades de vida diária (AVD) e, por consequência, com a manutenção da autonomia funcional e qualidade de vida do indivíduo idoso (FARINATTI, 2008; GOBBI et al., 2005). No Brasil, cerca de 3,2 milhões de idosos apresentam alguma dificuldade para a realização das AVD, dos quais, 63% são do sexo feminino (IBGE, 2008). De fato, baixos níveis de força muscular e flexibilidade nas articulações dos ombros, quadris e tornozelos estão associados ao aumento na dificuldade para desempenhar algumas atividades básicas, como pentear os cabelos e calçar-se, além de alterações negativas no controle postural e nos padrões de marcha (FAYAD et al., 2008; GERALDES et al., 2008; KANG e DINGWELL,

2008).

Neste contexto, a prática regular de atividade física para adultos idosos tem sido amplamente recomendada como forma de atenuar e/ou reverter os efeitos deletérios do envelhecimento em diferentes sistemas do organismo humano (NELSON et al., 2007). Dentre as inúmeras possibilidades de exercícios físicos, tem-se recomendado que rotinas de alongamento sejam incorporadas a programas de treinamento voltados para a população idosa no sentido de manter e/ou melhorar os níveis de flexibilidade (ACSM, 2009). Diferentes autores tem demonstrado que exercícios de alongamento promovem aumentos expressivos na amplitude de movimento articular por alterar as propriedades mecânicas e/ou neurais do sistema neuromuscular (GUISSARD e DUCHATEAU, 2006; KUBO et al., 2002). Dentre as alterações mecânicas, as alterações na viscoelasticidade da unidade músculo-tendão podem permitir o melhor reaproveitamento da energia elástica durante o ciclo de alongamento-encurtamento muscular, aumentando a capacidade de um determinado grupo muscular em realizar trabalho (GAJDOSIK et al., 2005a; KUBO et al., 2002). Assim, a melhor utilização da energia elástica durante atividades dinâmicas, associada ao aumento da amplitude de movimento articular podem facilitar atividades como subir escadas e sentar e levantar de uma cadeira, influenciando positivamente na realização das AVD (GAJDOSIK et al., 2005a). Neste sentido, além de promover ganhos na amplitude de movimento articular (FELAND et al., 2001; STANZIANO et al., 2009), o treinamento da flexibilidade também

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pode melhorar os parâmetros da marcha (CHRISTIANSEN et al., 2008; CRISTOPOLISK et al., 2009; KERRIGAN et al., 2003), a força muscular de adultos idosos (GAJDOSIK et al., 2005a; STANZIANO et al., 2009) e, consequentemente, a agilidade e habilidade de caminhar (GAJDOSIK et al., 2005a; STANZIANO et al., 2009). Stanziano et al. (2009) encontraram que 16 sessões de treinamento da flexibilidade composto por exercícios de facilitação neuroproprioceptiva promoveram melhora da flexibilidade do tronco, de membros superiores, inferiores, da resistência de força de membros superiores e inferiores e potência de força de membros inferiores. Ainda, os melhores resultados observados para os testes de agilidade e caminhada (melhora de 12% e 11% respectivamente) foram associados pelos autores ao aumento da amplitude de movimento e força muscular de membros inferiores, os quais podem ter permitido a realização dos testes de forma mais rápida. No entanto, resultados contraditórios têm sido relatados pelos diferentes estudos. Gajdosik et al. (2005a) demonstraram que oito semanas de treinamento da flexibilidade da articulação do tornozelo podem melhorar a agilidade de adultos idosos em 8%. Klein et al. (2002) por sua vez, encontraram que dez semanas deste tipo de treinamento foram eficazes no aumento da força muscular de quadril e tornozelo, mas nenhum resultado significativo foi encontrado para a mobilidade e equilíbrio. Por fim, Gallon et al. (2011) concluíram que oito semanas de treinamento específico de alongamento dos músculos isquiotibiais promoveram aumento expressivos (29%) na flexibilidade dos mesmos, entretanto, nenhuma alteração na produção de força muscular foi observada. Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2009) o reduzido número de estudos controlados e randomizados não permite indicar o tipo de alongamento (estático ou dinâmico) e a manipulação dos parâmetros de treinamento (duração e frequência) que sejam seguros e efetivos para a população idosa. Desta forma, os resultados contraditórios observados podem estar associados a diferenças na amostra estudada (idosos independentes, institucionalizados, com mobilidade articular limitada ou amostras compostas por ambos os gêneros) e/ou nas variáveis relacionadas ao treinamento, como o método de alongamento e o volume empregado. Outro ponto a ressaltar é o fato da maior parte dos estudos analisarem o efeito dos exercícios de alongamento em apenas uma articulação. Durante o envelhecimento a magnitude de redução da flexibilidade pode variar consideravelmente entre diferentes articulações. Soucie et al. (2010) tem reportado reduções relacionadas à idade de aproximadamente 2% para o movimento de flexão do ombro e 33% para a dorsiflexão do tornozelo. Para adequada realização das AVD bons níveis de flexibilidade nas diversas

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articulações são necessários, assim, é importante compreender o efeito de um treinamento de flexibilidade em múltiplas articulações nos diferentes componentes da capacidade funcional de idosos. Neste sentido, torna-se necessário investigar os efeitos de um treinamento da flexibilidade elaborado nas principais articulações do corpo, nos componentes da capacidade funcional e na funcionalidade global do indivíduo. Com base na literatura encontrada, hipotetiza-se que o treinamento empregado será eficaz na melhora da flexibilidade e da força muscular avaliadas, acarretando também em melhora de outros componentes da capacidade funcional e, consequentemente, do Índice de Aptidão Funcional Geral.

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2. OBJETIVOS 2.1. Geral Analisar os efeitos do treinamento de flexibilidade na capacidade funcional e seus componentes, em idosas viventes na comunidade.

2.2. Específicos Analisar o efeito de um treinamento de flexibilidade, elaborado de acordo com as recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (NELSON et al., 2007):

a) No Índice de Aptidão Funcional Geral;

b) Nos componentes da capacidade funcional: flexibilidade de tronco, coordenação, agilidade e equilíbrio dinâmico, resistência de força muscular e capacidade aeróbia;

c) Na contração muscular voluntária máxima de membros inferiores;

d) Na amplitude angular de movimento das articulações do ombro, quadril e tornozelo.

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3. REVISÃO DA LITERATURA 3.1. Flexibilidade, exercícios de alongamento e o processo de envelhecimento. A flexibilidade é definida como a máxima amplitude de movimento alcançada em uma ou mais articulações, dentro dos limites morfológicos, sem risco de lesão (GOBBI et al., 2005), e está diretamente envolvida na qualidade com a qual as AVD são realizadas (FAYAD et al., 2008; GERALDES et al., 2008; KANG e DINGWELL, 2008). O nível de flexibilidade de uma articulação é dependente tanto de fatores intrínsecos (relacionados a idade, gênero e estruturas do sistema músculo-esquelético) quanto de fatores extrínsecos (relacionados ao nível de atividade física do indivíduo e condições ambientais) (GOBBI et al., 2005; HOLLAND et al., 2002). Quando esta é avaliada por meio de testes lineares, como é o caso do teste de alcançar sentado, observa-se um rápido aumento em seus níveis até por volta dos 16 anos e, a partir dessa idade, a taxa de aumento desacelera até aproximadamente os 20 anos (homens) e 25 anos (mulheres), passando então a declinar. Tal declínio é menos acentuado para mulheres, o que justifica o fato delas ainda possuírem maiores valores absolutos de flexibilidade do que homens, mesmo em idades avançadas (GOBBI et al., 2005). A Figura 1 ilustra seu comportamento ao longo do ciclo vital para ambos os gêneros.

ao longo do c iclo vital para ambos os gêneros. Figura 1. Comportamento da flexibilidade nas

Figura 1. Comportamento da flexibilidade nas articulações envolvidas no teste de alcançar sentado, para homens e mulheres (GOBBI et al., 2005).

Entretanto, o declínio da flexibilidade parece não acontecer com a mesma magnitude para todas as articulações do corpo (DORIOT; WANG, 2006; SOUCIE et al., 2010).

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Recentemente, Soucie et al. (2010) compararam os efeitos da idade (diferentes faixas etárias) no nível de flexibilidade, avaliados por método angular, para ambos os sexos. Ao comparar as faixas etárias de 9-19 anos e 45-69 anos para o sexo feminino, os autores encontraram reduções significativas de: 18,5% na extensão e 3,0% na flexão do quadril, 33,0% na dorsiflexão e 1,4% na flexão plantar do tornozelo e 2,2% na flexão de ombro. Quando a comparação foi realizada entre sexo, para os movimentos de flexão plantar do tornozelo e de pronação e supinação do cotovelo, as mulheres demonstraram-se mais flexíveis que os homens em todas as faixas etárias avaliadas. Assim, independentemente da magnitude das alterações observadas para os diferentes movimentos articulares avaliados, as mulheres parecem manter maiores valores de flexibilidade em relação aos homens com o avançar da idade. Embora Soucie et al. (2010) não tenham avaliado os mecanismos envolvidos na redução da amplitude de movimento articular para ambos os sexos, as estruturas que compõem o sistema músculo esquelético associados ao componente neural que regulam a tolerância ao alongamento podem estar diretamente envolvidos. Com o passar do tempo as estruturas do sistema músculo-esquelético sofrem uma série de alterações morfofisiológicas que prejudicam sua funcionalidade, por exemplo, diminuição da massa e força muscular (ZHONG et al., 2007). Além da menor massa muscular, a musculatura de idosos tende a ser mais rígidas do que de jovens, fato que pode estar relacionado a viscoelasticidade dos tecidos conectivos (GAJDOSIK et al., 2005b). Há um aumento da concentração e modificação na disposição de fibras colágenas e elastina (aumento de formação de pontes cruzadas), diminuindo a elasticidade dos tecidos e tornando-os mais suscetíveis a lesão, principalmente tendões e ligamentos. Ao considerar que uma das funções do tendão é a transmissão da força gerada pelo músculo para o osso, as mudanças morfofisiológicas dessa estrutura podem resultar em menor eficiência na transmissão rápida da força muscular, o que pode afetar, por exemplo, a capacidade de re-estabelecer o equilíbrio após perturbação abrupta da postura (ACHOUR JUNIOR, 2010; FREEMONT; HOYLAND, 2007; PIJNAPPELS et al.,

2008).

Neste contexto, exercícios de alongamento têm sido altamente recomendados no sentido de manter e/ou melhorar os níveis de flexibilidade (ACSM, 2009). Conquanto ainda não haja consenso acerca dos mecanismos pelos quais o alongamento da musculatura promove maior extensibilidade muscular e consequente maior amplitude de movimento, uma das teorias mais frequentes é baseada em alterações das propriedades mecânicas dos tecidos (WEPPLER; MAGNUSSON, 2010). Os efeitos crônicos de programas de alongamento ainda precisam ser investigados (WEPPLER; MAGNUSSON, 2010).

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Estudos têm demonstrado que este tipo de exercício promove uma série de alterações estruturais nas propriedades mecânicas, as quais podem acarretar maior comprimento muscular

e consequente maior amplitude de movimento (MAGNUSSON, 1998; FOWLES et al, 2000).

Esta melhora pode estar associada à deformação nas propriedades viscoelástica da musculatura (KUBO et al., 2001; WEIR et al., 2005) e à diminuição da rigidez (KUBO et al., 2001), encontrados imediatamente após a realização do alongamento. Além das alterações morfofisiológicas associadas às estruturas do sistema músculo- esquelético, a flexibilidade também é influenciada pelos fatores neurais, como a redução da excitabilidade reflexa espinhal durante o alongamento (GUISSARD; DUCHATEAU, 2006). A adaptação músculo-tendínea decorrentes de exercícios de alongamento seguem o princípio de ativação de fusos musculares e Órgãos Tendíneos de Golgi, os quais são sensíveis às alterações no comprimento e velocidade e na tensão dos músculos, respectivamente. Os impulsos desses receptores provocam respostas reflexas, que por sua vez induzem adaptações nas unidades musculotendíneas, as quais são benéficas para o ganho da mobilidade articular (BAGRICHEVSKY, 2002; MAGNUSSON et al.,1996). Estudos realizados observaram que durante exercícios de alongamento ocorrem alterações mecânicas no músculo e nos tecidos adjacentes e, consequentemente, no padrão de intensidade e frequência da atividade reflexa proprioceptiva (ALTER, 1996; KRIVICKAS, 2001).

3.2. Treinamento da flexibilidade e capacidade funcional A capacidade funcional pode ser definida como a capacidade de realizar tarefas diárias com vigor, em alerta e sem fadiga excessiva (GARBER et al., 2011). Tal capacidade é operacionalizada por meio de um conjunto de componentes que incluem: aptidão

cardiorrespiratória, flexibilidade, composição corporal, equilíbrio, agilidade, tempo de reação

e força muscular (GARBER et al., 2011) . Estudos têm apontado que o treinamento da flexibilidade pode ser eficiente na manutenção ou aumento da amplitude de movimento articular e melhora no desempenho muscular (ALMEIDA et al., 2009). Especialmente na população idosa, este tipo de treinamento tem proporcionado aumento da amplitude de movimento das diversas articulações (CHRISTIANSEN et al., 2008; CRISTOPOLISK et al., 2009; STANZIANO et al., 2009; VAREJÃO et al., 2007). Entretanto, a diferença na magnitude do ganho encontrada parece estar relacionada à articulação e ao movimento avaliado, para uma mesma articulação. Observando os resultados presentes na literatura, verificou-se que 32 sessões de treinamento da flexibilidade, três vezes na semana, com três a cinco séries e com duração de

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no mínimo 10 segundos, durante 10 semanas, foram suficientes para promover melhora de 44% no movimento de extensão de ombro (OSTROW et al., 1992). Por outro lado, 16 sessões de alongamento de facilitação neuroproprioceptiva, duas vezes na semana, com 10 séries de quatro a cinco segundos, melhoraram a flexão de ombro e cotovelo em apenas 3,4% (STANZIANO et al., 2009). Gajdosik et al. (2005a) e Christiansen et al. (2008) encontraram ganho similar de 45% para os valores de dorsiflexão do tornozelo após um treinamento com volume de alongamento de 150 (10 séries com duração de 15 segundos) e 135 (três séries com duração de 45 segundos) segundos, respectivamente, enquanto Cristopoliski et al. (2009) obtiveram resultados 23% melhores para flexão plantar do tornozelo. Por outro lado, o ganho encontrado para os movimentos de flexão e extensão do quadril foi próximo, 28,6% (GALLON et al., 2011) e 26% (KERRIGAN et al., 2003; CRISTOPOLISKI, et al., 2009), respectivamente. Além de promover maiores resultados na amplitude de movimento articular, estudos têm demonstrado que o treinamento da flexibilidade pode ser eficaz na melhora dos parâmetros da marcha (CHRISTIANSEN et al., 2008; CRISTOPOLISK et al., 2009; KERRIGAN et al., 2003). Cristopolisk et al. (2009) promoveram treinamento de alongamento estático com quatro séries de 60 segundos (volume de 240 segundos), três vezes na semana, durante quatro semanas, e encontraram maior comprimento do passo e velocidade da marcha, e menor tempo de duplo suporte, após quatro semanas de treinamento com alongamento passivo. Os autores ainda observaram melhora da flexibilidade do quadril e tornozelo, as quais provavelmente influenciaram os resultados mostrados anteriormente. Christiansen et al. (2008) observaram que oito semanas de treinamento, duas vezes ao dia, foram suficientes para aumentar a velocidade da marcha em 0,07 m/s e a flexibilidade dos movimentos de extensão de quadril, flexão de joelho e dorsiflexão do tornozelo. Dentre as alterações encontradas, destaca-se a melhora da velocidade da marcha, uma vez que esta pode refletir a realização das atividades de vida diária do idoso (POTTER et al., 1995). Os testes comumente utilizados para avaliação da agilidade e mobilidade, como levantar-andar-sentar bilateral (ZAGO; GOBBI, 2003), levantar-andar-sentar em linha reta (RIKLI; JONES, 1999), caminhar meia milha (ZAGO; GOBBI, 2003), caminhar seis minutos (RIKLI; JONES, 1999), envolvem a tarefa de caminhar de forma rápida. Neste contexto, diversos estudos têm encontrado melhores resultados para o componente agilidade e para a habilidade de caminhar após um treinamento da flexibilidade (GAJDOSIK et al., 2005a; STANZIANO et al., 2009).

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Em adição, como discutido anteriormente, exercícios de alongamento promovem alterações mecânicas e estruturais que podem, por exemplo, melhorar o reaproveitamento da energia elástica durante o ciclo de alongamento-encurtamento muscular (redução na dissipação de energia na forma de calor), aumentando a capacidade de um determinado grupo muscular em realizar trabalho (KUBO et al., 2002). Com base nessas alterações, estudos têm apontado que o treinamento da flexibilidade pode melhorar os níveis de algumas expressões da força muscular, especialmente a resistência de força. Stanziano et al. (2009) encontraram melhores valores para resistência de força de membros superiores e inferiores (45,7% e 17,1% respectivamente) e potência muscular de membros inferiores (25,6%), após oito semanas de alongamento por facilitação neuroproprioceptiva, de múltiplas articulações (ombro, tronco, quadril e tornozelo). Gajdosik et al. (2005a) por sua vez, encontraram aumento também significativo para a força muscular isométrica avaliada na amplitude máxima de dorsiflexão do tornozelo (60,8%). Por outro lado, Gallon et al. (2011) não observaram melhoras estatisticamente significativas no pico de torque isocinético (concêntrico e excêntrico), após um período de treinamento. Pode-se observar que os resultados ainda são controversos. O Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2009) aponta que, apesar dos estudos realizados, ainda não há um consenso na literatura sobre os parâmetros do treinamento da flexibilidade para adultos idosos. Este fato deve-se principalmente à escassez de estudos com delineamentos experimentais que realizaram aleatorização da amostra ou que possuíam grupo controle. De fato, durante as buscas aos artigos que investigaram o efeito dos exercícios de alongamento na flexibilidade de idosos, apenas seis dos dezessete estudos encontrados possuíam amostras aleatorizadas e grupo controle que não realizavam atividades físicas sistematizadas (CHRISTIANSEN, 2008; CRISTOPOLISKI et al., 2009; FELAND et al., 2001; GAJDOSIK et al., 2005a; GALLON et al., 2011; STANZIANO et al., 2009). Ainda, apenas dois dentre os estudos encontrados realizaram treinamento para as principais articulações do corpo (tronco, quadril, membros superiores e inferiores) (GALLON et al., 2011; STANZIANO et al., 2009), a grande maioria tem investigado apenas as articulações do quadril e tornozelo. É importante ressaltar que muitos estudos sobre os efeitos do treinamento na capacidade funcional de idosos foram realizados com indivíduos institucionalizados (FELAND et al., 2001; GALLON et al., 2011; STANZIANO et al., 2009). Sabe-se que indivíduos ativos possuem maiores níveis de flexibilidade quando comparados a indivíduos inativos (SILVA; RABELO, 2006) e que idosos institucionalizados parecem ter menores níveis de capacidade funcional quando comparados aos que vivem de forma independente na

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comunidade (KRÓL-ZIELIŃSKA et al., 2011). Desta forma, torna-se importante a investigação dos efeitos deste treinamento em idosos cuja capacidade funcional não esteja demasiadamente comprometida.

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4. MATERIAIS E MÉTODOS 4.1. Amostra As participantes foram recrutadas por meio de convite verbal em locais públicos, em grupos de atividade física para idosos, divulgação em jornais, mídia televisiva e de rádio- difusão, ou por indicação pessoal de idosos que aceitaram participar do projeto. Os seguintes critérios de inclusão foram adotados: ser do sexo feminino; ter 60 anos ou mais de idade; não praticante de atividade física sistematizada duas ou mais vezes na semana, nos últimos seis meses; não apresentar contra-indicações de ordem mental, neurológica, muscular ou ósteoarticular que limitassem ou impossibilitassem a realização do protocolo de treinamento e avaliação; não possuir histórico de lesão no sistema musculoesquelético nos últimos seis meses. Seriam excluídas da amostra as participantes que faltassem em um dos momentos de avaliação (pré ou pós-período experimental), que obtivessem frequência nas sessões de treinamento inferior a 80% do total ou cinco faltas consecutivas. Inicialmente, 67 idosos atenderam o convite. Foram excluídas 35 pessoas que não atendiam aos seguintes critérios: a) três pessoas possuíam idade < 60 anos; b) cinco pessoas participavam regularmente de programas de atividade física; c) cinco pessoas eram do sexo masculino; d) seis pessoas possuíam limitações ósteoarticulares ou neuromusculares, as quais foram auto reportadas em anamnese realizada prévia ao estudo; e) 16 pessoas apontaram outras limitações para participar da atividade como: horário e local de realização; desinteresse pela atividade ao compreendê-la melhor; falta de companhia e motivos pessoais. Desta forma, 32 mulheres idosas viventes na comunidade foram selecionadas para participar do presente estudo. Uma participante não compareceu às avaliações iniciais e foi excluída da amostra. Depois de avaliadas inicialmente, 31 idosas foram aleatoriamente separadas em dois grupos: Grupos Controle (GC, n = 16) e Treinamento (GT, n = 15). Para aleatorização da amostra, as participantes foram divididas de acordo com uma tabela de números aleatórios. Ao longo do período experimental (oito semanas) foram excluídas da amostra: a) duas participantes do GC e uma do GT por não possuírem a frequência mínima exigida; b) uma participante do GC e uma do GT por não terem realizado as avaliações finais em função de lesão não relacionada à intervenção. Ainda, uma participante do GC realizou parte das avaliações finais, mas devido a uma queda e consequente dor muscular e articular após esta avaliação, não pode completar todos os testes propostos no presente estudo. A Figura 2 ilustra a divisão da amostra e o delineamento experimental do presente estudo.

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21 Figura 2. Fluxograma da aleatorização da amostra. * outros = fatores relacionados ao horário da

Figura 2. Fluxograma da aleatorização da amostra. *outros = fatores relacionados ao horário da atividade, transporte até o local, desinteresse no tipo de atividade, dentre outros. GC- Grupo Controle; GT Grupo Treinamento

Após receberem informações sobre o estudo para o qual foram convidadas, todas que aceitaram participar assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A). Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Biociências - Universidade Estadual Paulista, número de protocolo 0896 (Apêndice B).

4.2. Delineamento experimental Ambos os grupos frequentaram a universidade durante oito semanas, três vezes por semana, com duração aproximada de uma hora por sessão. O GC participou de atividades artísticas, cognitivas, que não demandavam qualquer tipo de exercício físico, enquanto o GT realizou o treinamento de flexibilidade. Em ambos os momentos (pré e pós-período experimental) as participantes compareceram ao laboratório por sete ocasiões. Nas duas primeiras visitas foram realizadas as avaliações antropométricas, avaliação angular da flexibilidade das diferentes articulações, dos componentes da capacidade funcional e da mobilidade. As cinco visitas subsequentes, separadas por intervalo de 24 horas, foram destinadas à familiarização (três dias) e avaliação (um dia) da curva força-tempo isométrica e do nível de atividade física (um dia). Vale ressaltar que as sessões de treinamento e de avaliações foram monitoradas por profissionais formados em Educação Física e com experiência prévia em programas de atividade física voltados para a população idosa. Em adição, o GC contou com a supervisão de uma profissional formada em Psicologia.

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4.3. Protocolos de avaliação

4.3.1. Medidas antropométricas

Para caracterização física da amostra, a massa corporal foi obtida em uma balança mecânica (Welmy Santa Bárbara d’Oeste/SP), com precisão de 0,1 kg. A estatura foi determinada em um estadiômetro afixado na parede, com precisão de 0,01m, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon et al. (1988). O índice de massa corporal foi determinado como a razão da massa corporal pela estatura ao quadrado (kg/m²).

4.3.2. Nível de atividade física

O Questionário Baecke Modificado para Idosos (Anexo A), validado para a população idosa por Voorrips et al. (1991), foi utilizado para avaliar e caracterizar a amostra quanto ao nível de atividade física, em três domínios específicos: tarefas domésticas, atividades

esportivas e atividades de lazer. Para cada tarefa doméstica é atribuída uma pontuação, levando em consideração a frequência semanal, número de cômodos e meio de transporte. As atividades esportivas e de lazer, são pontuadas de acordo com frequência semanal, duração diária, período total do ano e característica do exercício (sentado, com movimentos de mãos em pés; em pé com movimento de braços). O escore final é obtido a partir da soma da pontuação obtida nos três domínios (tarefas domésticas + atividades esportivas + atividades de lazer). Escores menores, nesse instrumento, representam um menor nível de atividade física realizada pelo participante.

4.3.3. Componentes da capacidade funcional e mobilidade

Para avaliar os componentes da capacidade funcional foi utilizada a bateria de testes motores para idosos, da American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (AAHPERD), que avalia seis componentes da capacidade funcional: flexibilidade, coordenação, agilidade e equilíbrio dinâmico, resistência de força de membros superiores e capacidade aeróbia. A partir dos valores obtidos em cada teste são atribuídos pontos percentis, de acordo com tabelas pré-estabelecidas (BENEDETTI et al., 2007; MAZO et al., 2010; ZAGO; GOBBI, 2003). Quando somados os escores de todos os testes obtém-se o Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG), o qual é uma importante medida adotada para verificar a funcionalidade global do participante. A Tabela 1 apresenta um exemplo do cálculo do IAFG. Utilizando os pontos percentis o participante pode ser classificado de “muito fraco” à “muito bom”, de forma individual para cada teste ou quanto ao IAFG, assim como demonstrado na Tabela 2.

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Tabela 1. Exemplo do cálculo do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG), baseado na somatória dos pontos percentis atribuídos a cada teste da bateria.

dos pontos pe rcentis atribuídos a cada teste da bateria. Fonte: Zago e Gobbi (2003) Tabela

Fonte: Zago e Gobbi (2003)

Tabela 2. Classificação dos testes motores e do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) de acordo com os pontos percentis obtidos em cada teste da bateria.

com os pontos perce ntis obtidos em cada teste da bateria. Fonte: Zago e Gobbi (2003)

Fonte: Zago e Gobbi (2003)

A descrição completa dos testes é apresentada no Anexo B. Em resumo, os componentes da capacidade funcional foram avaliados da seguinte forma: a) Flexibilidade o participante senta-se descalço sobre uma fita métrica fixa ao chão e, com os pés afastados, é instruído a flexionar o tronco a frente e alcançar a máxima amplitude, sem flexionar os joelhos. Adota-se o maior valor em centímetros das duas tentativas; b) Coordenação óculo manual com latas de refrigerante posicionadas de forma alternada na mesa, o participante é instruído a trocá-las de lugar, preenchendo os espaços vazios. O tempo é cronometrado e adota-se o menor valor obtido em segundos nas duas tentativas; c) Agilidade e equilíbrio dinâmico inicialmente sentado em uma cadeira com braços, o participante é instruído a levantar, contornar um cone posicionado na lateral, sentar-se novamente e contornar o outro cone, posicionado do outro lado da cadeira. Neste teste também é adotado o menor valor em segundos das duas tentativas; d) Resistência de força de membros superiores o participante senta-se em uma cadeira sem braços, e segurando um halter de 1,8 Kg (peso utilizado para mulheres), é instruído a realizar flexão do cotovelo. Deve-se anotar o máximo de repetições realizadas pelo participante em 30 segundos; e) Caminhar meia milha/Habilidade de andar o

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participante é instruído a caminhar meia milha (804,67 m), o mais rápido possível, sem correr.

O tempo é anotado em minutos e segundos, sendo ao final transformado para segundos. A

bateria possui alta confiabilidade e valores normativos propostos de acordo com a faixa etária

do idoso (BENEDETTI et al., 2007; MAZO et al., 2010; ZAGO; GOBBI, 2003).

Para avaliar especificamente a mobilidade, foi realizado o teste de subir escadas (TSE), parte de uma bateria de testes de atividades da vida diária elaborada e validada por Andreotti e Okuma (1999), especificamente para idosos. Para o TSE foi utilizada uma escada com corrimão, composta por 15 degraus (15 cm de altura e 28 cm de largura) e um cronômetro. Partindo da posição ortostática no início da escada, ao receber o comando do avaliador, a participante deve subir o mais rápido possível, podendo utilizar ou não o corrimão. O início da cronometragem foi realizado quando a participante colocou o pé no primeiro degrau. Foi permitida apenas uma tentativa, conforme normas pré-estabelecidas do teste.

4.3.4. Avaliação da contração muscular voluntária máxima O registro da curva força-tempo isométrica (Cf-t) dos músculos extensores do joelho foi realizado em uma cadeira conectada a um transdutor de força (modelo 5000 N TM , EMG

System do Brasil ® , São José dos Campos, SP, Brasil) durante um esforço isométrico máximo

de extensão unilateral do joelho dominante. A aquisição do sinal proveniente do transdutor de

força foi realizada por meio de um amplificador de sinais analógicos (modelo EMG 800C- USB, EMG System do Brasil ® , São José dos Campos, SP, Brasil) com frequência de amostragem de 2000 Hz. O sinal obtido pelo amplificador foi armazenado em disco rígido e analisado posteriormente off-line. Como primeiro procedimento, o sinal bruto do transdutor de força foi digitalmente filtrado por um filtro passa-baixa Butterworth de segunda-ordem, zero-lag e frequência de corte de 15 Hz. O início da produção de força muscular foi definido como o ponto no qual o valor de força muscular excedeu 7,5 N acima da linha de base (AAGAARD et al., 2002). A contração voluntária máxima (CVM) foi determinada como o mais alto valor registrado durante toda a avaliação. As participantes permaneceram sentadas no equipamento com o quadril e joelho fixos

na cadeira e posicionados a 90 graus. O centro articular do joelho foi alinhado com o eixo de

rotação do dinamômetro. O braço de alavanca do dinamômetro foi posicionado logo acima do maléolo lateral. Uma proteção no tornozelo foi utilizada para prevenir o desconforto causado pelo apoio do equipamento na pele durante a realização da contração máxima.

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Em ambos os momentos (pré e pós-período experimental), as idosas frequentaram o laboratório quatro dias consecutivos, sendo três dias para familiarização ao protocolo de avaliação (WALLERSTEIN et al., 2010) e um dia experimental, com intervalos de 24 horas entre as visitas. Durante a familiarização as idosas foram instruídas a realizar as CVM o mais rápido possível, sendo permitidas até seis tentativas por sessão de teste, com intervalo de recuperação de um minuto. No momento pré-avaliação da condição experimental, as avaliadas foram instruídas a realizar suas CVM “tão rápido quanto possível” por cinco segundos. Tão logo iniciado o esforço, as participantes foram encorajadas verbalmente a realizarem seus esforços máximos. Foram realizadas três medidas, com intervalo de um minuto entre elas (BROWN; WEIR, 2003). O maior valor de força muscular registrado entre as três tentativas, em ambos os momentos (pré e pós-período experimental), foi considerado como a CVM da participante, sendo utilizado para as comparações. As participantes foram orientadas a não realizar atividades físicas durante o período de avaliações. Todos os procedimentos foram realizados na mesma hora do dia para minimizar possíveis variações circadianas no comportamento da força muscular.

4.3.5. Medidas angulares da flexibilidade A flexibilidade foi avaliada por meio de flexímetro (Fleximeter® - Guarulhos/SP) com precisão de um grau, conforme protocolo descrito por Achour Junior (1997). A escolha dos movimentos articulares empregados na avaliação teve como base, a semelhança com os exercícios utilizados durante o protocolo de treinamento. Foram adotados seis movimentos articulares, a saber: flexão e extensão de ombros, flexão e extensão do quadril, dorsiflexão e flexão plantar do tornozelo. Com exceção dos últimos dois movimentos, todos os demais foram avaliados com as idosas deitadas em uma maca devido à maior facilidade de neutralizar os possíveis movimentos compensatórios. Cada movimento articular foi executado ativamente pelas participantes, três vezes, em ambos os hemicorpos, sem aquecimento prévio. Durante a realização das medidas, as idosas foram orientadas a permanecer na posição final até que o avaliador pudesse fazer a leitura. O maior valor obtido nas três medidas, em cada movimento articular, foi adotado como escore final (ACHOUR JUNIOR, 1997). Para evitar qualquer tipo de interferência durante as medidas, as articulações foram avaliadas de forma rotativa (uma primeira medida para todas as articulações descritas, seguida da segunda, e por fim da terceira), não sendo disponibilizadas para o avaliador responsável as medidas anteriormente obtidas.

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4.4. Protocolo de intervenção 4.4.1. Protocolo de treinamento da flexibilidade O protocolo de alongamento teve duração de oito semanas e consistiu em oito diferentes exercícios desenvolvidos para alongar grande parte dos grupamentos musculares. Todos os exercícios de alongamento foram realizados de forma ativa, ou seja, sem ajuda do avaliador, em ambos os hemicorpos. As participantes visitaram o local das atividades três vezes por semana, com duração aproximada de 40 minutos por sessão. Cada exercício foi realizado com três séries de 30 segundos, intervalados por 30 segundos entre séries. O volume de treinamento (frequência semanal, número de séries e duração do estímulo) está de acordo com as recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (NELSON et al., 2007). As idosas foram instruídas a realizá-los em sua amplitude máxima, até que fosse percebido o início da sensação de dor. Uma vez que as idosas eram destreinadas, e que poderiam encontrar certa dificuldade ao realizar as posturas no início do treinamento, foi realizada familiarização ao protocolo de exercícios no sentido de facilitar sua compreensão. Neste, as idosas foram instruídas a respeito da execução correta das posturas e identificar o limite máximo de alongamento em cada exercício (início da sensação de dor). A familiarização ocorreu na semana anterior ao início do período de treinamento, em três dias não consecutivos, com três séries de 15 segundos e intervalos de 30 segundos entre séries. Os exercícios de alongamento foram realizados alternando membros superiores e inferiores e são descritos e exemplificados a seguir. As fotos têm consentimento da participante para divulgação. Flexores do quadril e extensores do joelho: em pé, flexionar um dos joelhos, e trazer o calcanhar na direção do quadril (Figura 3).

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27 Figura 3. Alongamento para os músculos flexores do quadril e extensores do joelho Extensores do

Figura 3. Alongamento para os músculos flexores do quadril e extensores do joelho

Extensores do quadril e flexores de joelhos: a) sentadas com os joelhos estendidos, pernas afastadas na largura dos ombros, flexionar o tronco à frente (Figura 4); b) deitadas, apoiar um dos tornozelos sobre o joelho da perna contralateral e levar as duas penas nesta posição em direção ao peito (Figura 5).

penas nesta posição em direção ao peito (Figura 5). Figura 4. Alongamento para os músculos ex

Figura 4. Alongamento para os músculos extensores do quadril e flexores de joelhos

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28 Figura 5. Alongamento para os músculos extensores do quadril e flexores de joelhos Flexores dorsais

Figura 5. Alongamento para os músculos extensores do quadril e flexores de joelhos

Flexores dorsais do tornozelo: em pé, com joelhos levemente fletidos, realizar extensão de quadril e tentar encostar a região dorsal do pé no chão (Figura 6).

encostar a região dorsal do pé no chão (Figura 6). Figura 6. Alongamento para os músculos

Figura 6. Alongamento para os músculos flexores dorsais do tornozelo

Flexores plantares do tornozelo: em pé e localizadas próximas da parede, realizar extensão do quadril com uma das pernas e, com o calcanhar apoiado no chão e ambos os pés apontando para frente, flexionar o joelho da perna posicionada a frente (Figura

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29 Figura 7. Alongamento para os músculos flexores plantares do tornozelo Flexores do ombro e do

Figura 7. Alongamento para os músculos flexores plantares do tornozelo

Flexores do ombro e do cotovelo: em pé, realizar abdução horizontal do ombro e, com o braço apoiado na parede (palma da mão voltada para ela), realizar rotação do tronco (Figura 8).

ltada para ela), re alizar rotação do tronco (Figura 8). Figura 8. Alongamento para os músculos

Figura 8. Alongamento para os músculos flexores do ombro e do cotovelo

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Extensores do cotovelo e ombro: a) em pé, realizar flexão de ombro e cotovelo de um dos braços, e com a mão contralateral, empurrar o cotovelo deste para baixo (Figura 9); b) em pé, segurar em um espaldar de madeira fixo na parede, afastar-se de modo que os braços estejam estendidos e flexionar os joelhos (Figura 10).

estejam estendidos e f lexionar os joelhos (Figura 10). Figura 9. Alongamento para os músculos extensores

Figura 9. Alongamento para os músculos extensores do cotovelo e ombro

Alongamento para os músculos extensores do cotovelo e ombro Figura 10. Alongamento para os múscul os

Figura 10. Alongamento para os músculos extensores do cotovelo e ombro

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4.4.2. Protocolo de atividades artísticas e cognitivas

Com objetivo de minimizar possíveis efeitos provenientes do deslocamento do GT até o local da intervenção, o GC também frequentou a universidade três vezes por semana, durante oito semanas. Entretanto, as participantes do GC não realizaram qualquer tipo de exercício físico. Foram desenvolvidas atividades artísticas, culturais e cognitivas que possuíam caráter lúdico e de interação social. O protocolo foi composto por discussões temáticas, trabalhos artesanais, atividades envolvendo músicas e filmes, dinâmicas de grupo, dentre outras. Algumas atividades são exemplificadas no Apêndice C.

4.5. Análise estatística Para análise estatística, inicialmente, os dados foram tratados a partir de procedimentos descritivos (média e desvio padrão). A ANOVA One-way foi empregada para comparação das características (idade, peso, estatura, IMC e nível de atividade física) das participantes no momento inicial. Os dados de natureza paramétrica foram analisados por meio da ANOVA two-way (2x2) para medidas repetidas para comparação entre os grupos, GC e GT, e momentos de avaliação, pré e pós período experimental. O teste post hoc de Tukey foi empregado para a identificação das diferenças específicas nas variáveis quando a ANOVA apontou efeitos significativos. Quando os dados eram de natureza não paramétrica foram adotados o teste de U Mann Whitney para comparação intergrupos (GC e GT) e o teste de Wilcoxon para comparação intragrupo, nos dois momentos de avaliação (pré e pós período experimental). O nível de significância adotado foi de p < 0,05. Os procedimentos estatísticos foram realizados no programa Statistica TM , versão 5.0.

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5. RESULTADOS

As características das participantes de ambos os grupos no momento pré-treinamento

são apresentadas na Tabela 3. Foi observada diferença estatisticamente significativa entre os

grupos GT e GC apenas para a variável peso corporal (p = 0,03). Como não foi observada

diferença significativa entre o nível de atividade física das participantes, assume-se que o

processo empregado para aleatorização da amostra entre os grupos foi adequado.

Tabela 3. Características da amostra no momento pré-período experimental. Valores (em

média e desvio padrão) de idade, peso, estatura, índice de massa corporal (IMC) e nível de

atividade física para as participantes dos grupos treinamento (GT) e controle (GC).

 

GT (n = 13)

GC (n = 13)

F

P

Idade (anos)

 

69,9 ± 8,6

66,6 ± 6,0

1,25

0,275

Peso (kg)

64,6 ± 10,8

75,3 ± 13,1*

5,10

0,033

Estatura (m)

1,53 ± 0,07

1,58 ± 0,07

2,94

0,099

IMC (kg/m²)

27,6 ± 4,6

30,3 ± 5,6

1,88

0,183

Nível

de

atividade

física

2,5 ± 0,5

2,3 ± 0,6

0,51

0,482

(pontos)

* diferença significativa em relação ao grupo treinamento (GT)

Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas para os valores do

IAFG entre os grupos nos momentos pré (z = -0,35; p = 0,72) e pós (z = -1,17; p = 0,24)

período experimental. O teste de Wilcoxon apontou que ambos os grupos obtiveram valores

significativamente melhores no momento pós-período experimental, GT (z = -3,18; p < 0,01)

e GC (z = -2,75; p < 0,01). Na Tabela 4 são apresentados os valores do IAFG, a respectiva

classificação geral dos valores e a variação percentual do IAFG para os grupos GT e GC. A

classificação geral melhorou para o GT, que passou de “Regular” (200 a 299 pontos) para

“Bom” (300 a 399 pontos), enquanto o GC manteve-se classificado em “Regular”. Nas figuras

11 e 12 são apresentadas as classificações do IAFG dos grupos GT e GC, respectivamente.

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Tabela 4. Valores do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) e sua classificação nos

momentos pré e pós período experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em

mediana e amplitude (valores mínimo e máximo).

IAFG (pontos percentis)

 

GT (n = 13)

 

GC (n =12)

 

Mediana

Amplitude (min-max) 64 - 395

Classificação

Mediana

Amplitude (min-max) 30 439

Classificação

 

geral

geral

Pré

266

Regular

233,5

Regular

Pós

341*

147 - 433

Bom

281,5*

82 - 437

Regular

%

28,2%

20,6%

* = análise intragrupo - diferença significativa em relação ao momento pré-período experimental (p < 0,05); GT = Grupo Treinamento; GC = Grupo Controle; % = variação percentual da mediana; classificação de acordo com Zago e Gobbi (2003) e Benedetti et al. (2007).

acordo com Zago e Gobbi (2003) e Benedetti et al. (2007). Figura 11. Classificação do Índice

Figura 11. Classificação do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) do Grupo Treinamento (GT), nos momentos pré e pós-período experimental de oito semanas. Valores em percentual de ocorrências (%).

de oito semanas. Valores em percentual de ocorrências (%). Figura 12. Classificação do Índice de Aptidão

Figura 12. Classificação do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG) do Grupo Controle (GC), nos momentos pré e pós-período experimental de oito semanas. Valores em percentual de ocorrências (%).

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Para os componentes da capacidade funcional e mobilidade a ANOVA apontou interação Grupo vs. Momento significativa apenas para a flexibilidade de tronco, avaliada pelo teste de sentar e alcançar, (p<0,001; F=29,70). Embora não tenha sido observada interação significativa, foi observado efeito principal de Momento para os componentes coordenação (p<0,001; F=19,17) e agilidade (p<0,001; F=26,47). O teste post-hoc mostrou que o GT apresentou diferenças significativas para essas variáveis entre os momentos pré e pós-período experimental. Para os testes de caminhar meia milha/habilidade de andar e TSE não foi observada nenhuma alteração estatisticamente significativa. Os valores em média e desvio padrão dos testes são apresentados na Tabela 5. Para o componente resistência de força, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos momentos pré (z = -0,16; p = 0,87) e pós (z = -0,58; p = 0,57) período experimental. O teste de Wilcoxon apontou que ambos os grupos obtiveram valores significativamente melhores no momento pós-período experimental, GT (z = -2,39; p = 0,02) e GC (z = -2,40; p = 0,02). Na Tabela 6 são apresentados os valores de resistência de força de ambos os grupos.

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Tabela 5. Valores dos componentes da capacidade funcional (média e desvio padrão), de

ambos os grupos treinamento e controle (GT e GC, respectivamente) nos momentos pré e pós

oito semanas de experimento.

 

GT (n = 13)

GC (n = 12)

Efeitos ANOVA

F

P

Flexibilidade tronco (cm)

Grupo

2,19

0,153

Pré

52,1 ± 12,4 a

49,4 ± 9,1

Momento

30,42

<0,001

Pós

59,0 ± 9,9 ª ,b

49,5 ± 10,1

Grupo x Momento

29,70

<0,001

Coordenação (s)

Grupo

0,55

0,467

Pré

13,4 ± 3,9 a

11,8 ± 3,0

Momento

19,17

<0,001

Pós

10,9 ± 2,4 b

10,9 ± 2,2

Grupo x Momento

4,12

0,054

Agilidade (s)

Grupo

0,05

0,821

Pré

25,5 ± 4,8

24,7 ± 4,0

Momento

26,47

<0,001

Pós

23,5 ± 4,1 b

23,5 ± 3,1

Grupo x Momento

1,90

0,181

Teste de subir escadas (s)

Grupo

0,66

0,425

Pré

8,1 ± 3,2

7,4 ± 2,0

Momento

0,75

0,396

Pós

8,0 ± 2,7

7,1 ± 2,4

Grupo x Momento

0,12

0,727

Caminhar meia milha/habilidade de andar (s)

Grupo

0,03

0,870

Pré

554,5 ± 101,4

548,7 ± 83,3

Momento

1,09

0,308

Pós

532,6 ± 109,9

551,7 ± 111,5

Grupo x

1,89

0,182

 

Momento

a = diferença significativa em relação ao GC (p < 0,05); b = diferença significativa em relação ao momento pré- período experimental; GT = grupo treinamento; GC = grupo controle.

Tabela 6. Valores do teste de resistência de força nos momentos pré e pós-período

experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em mediana e amplitude (valores

mínimo e máximo).

Resistência de força (número de repetições)

 

GT (n = 13)

GC (n =12)

Mediana

Amplitude (min-max) 19 - 29

Mediana

Amplitude (min-max)

Pré

25

24

13 - 38

Pós

27*

23 - 34

27,5*

19 - 33

* = análise intragrupo - diferença significativa em relação ao momento pré-período experimental (p < 0,05); GT = Grupo Treinamento; GC = Grupo Controle.

36

Também não foram encontradas diferenças significativas para os valores da CVM entre os grupos, nos dois momentos de avaliação (p<0,01; F=0,95). Os resultados são exibidos na Tabela 7.

Tabela 7. Valores da contração voluntária máxima (CVM), nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GT e GC). Valores em média e desvio padrão.

CVM (N)

Efeitos

F

P

GT (n=13)

ANOVA

Pré

216,9 ± 51,2 221,0 ± 61,0

Grupo Tempo Grupo x Momento

1,85

0,186

Pós

0,28

0,599

 

<0,01

0,945

 

GC (n=13)

Pré

255,9 ± 87,8 259,0 ± 89,2

 

Pós

N = Newtons; GT = Grupo Treinamento; GC = Grupo Controle.

Os resultados angulares da flexibilidade, avaliados por meio do instrumento flexímetro, nos hemicorpos direito e esquerdo, em média e desvio padrão, são apresentados nas Tabelas 8 e 9, respectivamente. A ANOVA apontou interação Grupo vs. Momento significativa apenas para os movimentos de extensão de ombro direito (p=0,05; F=4,34) e flexão de quadril esquerdo (p=0,04; F=4,82). Embora não possa ser atribuído ao treinamento, foi observado efeito principal de Momento para os movimentos flexão de quadril direito (p=0,01; F=8,26), dorso flexão do tornozelo direito (p=0,0 1; F=8,98) e extensão de ombro esquerdo (p<0,001; F=13,79).

37

Tabela 8. Valores angulares dos seis movimentos articulares avaliados no hemicorpo direito,

nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GC e GT). Valores em

média e desvio padrão.

 

GT (n = 13)

GC (n = 13)

Efeitos ANOVA

F

P

Flexão de ombro direito (graus)

Grupo

0,38

0,543

Pré

137,6 ± 20,0

142,5 ± 24,9

Momento

2,28

0,144

Pós

144,4 ± 12,8

147,2 ± 14,9

Grupo x Momento

0,07

0,787

Extensão ombro direito (graus)

Grupo

0,14

0,713

Pré

39,3 ± 6,6

40,6 ± 7,4

Momento

6,39

0,018

Pós

44,1 ± 4,1ª ,b

41,1 ± 6,9

Grupo x Momento

4,34

0,048

Flexão quadril direito (graus)

Grupo

1,47

0,237

Pré

90,1 ± 12,6

86,0 ± 11,5

Momento

8,26

0,008

Pós

95,5 ± 8,8 b

90,8 ± 7,6

Grupo x Momento

0,04

0,847

Extensão quadril direito (graus)

Grupo

<0,01

0,985

Pré

42,2 ± 19,3

45,4 ± 15,3

Momento

2,30

0,142

Pós

49,5 ± 15,6

43,4 ± 21,6

Grupo x Momento

1,58

0,221

Dorso flexão tornozelo direito (graus)

Grupo

0,02

0,878

Pré

22,4 ± 7,3

22,1 ± 11,3

Momento

8,98

0,006

Pós

27,0 ± 5,2

28,1 ± 5,8

Grupo x Momento

0,15

0,699

Flexão plantar tornozelo direito (graus)

Grupo

0,24

0,627

Pré

9,8 ± 4,2

10,6 ± 4,5

Momento

0,36

0,553

Pós

10,7 ± 2,6

10,9 ± 2,4

Grupo x Momento

0,13

0,721

a = diferença significativa em relação ao GC (p < 0,05); b = diferença significativa em relação ao momento pré- período experimental; GT = grupo treinamento; GC = grupo controle.

38

Tabela 9. Valores angulares dos seis movimentos articulares avaliados no hemicorpo

esquerdo, nos momentos pré e pós-período experimental, para ambos os grupos (GC e GT).

Valores em média e desvio padrão.

 

GT (n = 13)

GC (n = 13)

Efeitos ANOVA

F

P

Flexão de ombro esquerdo (graus)

Grupo

1,60

0,218

Pré

135,5 ± 23,1

143,1 ± 17,8

Momento

1,30

0,266

Pós

139,6 ± 12,0

146,6 ± 16,1

Grupo x Momento

0,01

0,936

Extensão ombro esquerdo (graus)

Grupo

0,09

0,761

Pré

40,5 ± 6,7

41,2 ± 8,7

Momento

13,79

<0,001

Pós

46,2 ± 4,0 b

43,9 ± 8,7

Grupo x Momento

1,76

0,197

Flexão quadril esquerdo (graus)

Grupo

0,87

0,360

Pré

87,9 ± 15,1

89,7 ± 12,8

Momento

1,14

0,297

Pós

95,9 ± 7,7 ª ,b

86,9 ± 9,9

Grupo x Momento

4,82

0,038

Extensão quadril esquerdo (graus)

Grupo

0,58

0,455

Pré

46,5 ± 16,6

43,2 ± 14,2

Momento

4,11

0,054

Pós

52,5 ± 15,2

47,3 ± 16,2

Grupo x Momento

0,16

0,693

Dorso flexão tornozelo esquerdo (graus)

Grupo

0,27

0,610

Pré

24,2 ± 7,3

27,5 ± 9,6

Momento

2,62

0,119

Pós

28,2 ± 7,2

27,8 ± 7,5

Grupo x Momento

1,93

0,178

Flexão plantar tornozelo esquerdo (graus)

Grupo

0,09

0,769

Pré

8,6 ± 4,3

8,6 ± 3,0

Momento

2,06

0,164

Pós

9,5 ± 1,7

10,1 ± 3,0

Grupo x

0,11

0,749

 

Momento

a = diferença significativa em relação ao GC (p < 0,05); b = diferença significativa em relação ao momento pré- período experimental; GT = grupo treinamento; GC = grupo controle.

39

6. DISCUSSÃO

O objetivo do presente estudo foi analisar os efeitos do treinamento de flexibilidade na

capacidade funcional e seus componentes, em idosas. Oito semanas de treinamento da flexibilidade promoveram melhora da flexibilidade do tronco e quadril, de extensão de ombro direito e flexão de quadril esquerdo e da classificação geral do IAFG de mulheres idosas. O IAFG é uma importante ferramenta que apresenta, em termos gerais, o nível funcional geral do idoso (ZAGO; GOBBI, 2003). Ao final do período experimental o GT alterou a classificação do IAFG para “Bom”, enquanto o GC manteve-se classificado em

“Regular”. Pode-se observar que 54% dos participantes estavam classificados em “Bom” ou “Muito bom” no GT, enquanto no GC apenas 33% encontravam-se nessas classificações no momento pós-período experimental. Embora ambos os grupos, GT e GC, tenham apresentado resultados significativamente melhores no momento pós-período experimental, pode-se observar que o ganho percentual do GT foi maior quando comparado ao GC, 28% e 21%, respectivamente. Não foram encontrados estudos que observaram os efeitos do treinamento da flexibilidade de forma isolada no IAFG de idosos. Pauli et al. (2009) verificaram os efeitos de doze anos de treinamento generalizado, composto por vários exercícios (inclusive exercícios de alongamento), na aptidão funcional de idosos. Os autores encontraram melhora de 34% do IAFG e da classificação geral (passou de “Bom” para “Muito bom”) para o grupo que participou do treinamento, e piora tanto do índice (22%) quanto da classificação (passou de “Bom” para “Regular”) para o grupo controle. É importante verificar que o grupo controle adotado no estudo de Pauli et al. (2009) não participou de nenhum tipo de atividade sistematizada durante o período de 12 anos, enquanto no presente estudo o GC frequentou a universidade três vezes na semana, mas também não participou de nenhum tipo de exercício físico. Uma vez que o IAFG é dependente dos resultados encontrados em cada teste da bateria da AAHPERD, é importante compreender como cada um dos componentes se comportou após o período experimental.

A melhora da flexibilidade da articulação do tronco encontrada no presente estudo vai

ao encontro dos resultados encontrados pela literatura (RIDER; DALY, 1991; GALLON et al., 2011; STANZIANO et al., 2009). O GT apresentou melhora de 13% para a flexibilidade avaliada por meio do teste de alcançar sentado, após 24 sessões de alongamento estático ativo,

com volume de 90 segundos (três séries com duração de 30 segundos). Ganho similar foi demonstrado em estudo clássico de Rider e Daly (1991), após 30 sessões de alongamento estático ativo, com volume total de 30-50 segundos (três a cinco séries com duração de no

40

mínimo 10 segundos), na flexibilidade do tronco. Adotando o mesmo teste de alcançar sentado, os autores encontraram melhora de 15% nos valores de flexibilidade no momento pós-intervenção. Christiansen (2008) adotou treinamento com exercícios de alongamento estático ativo, duas vezes ao dia, sete dias da semana com volume de 135 segundos (três séries com duração de 45 segundos) e encontrou melhora de 11% para o movimento de flexão do quadril. Gallon et al. (2011) por sua vez, encontraram melhora de 29% no movimento de flexão do quadril após 24 sessões de alongamento estático passivo, com volume total de 240 segundos (quatro séries com duração de 60 segundos). Observando os resultados encontrados pelos diferentes estudos, parece haver uma relação entre o volume de treinamento adotado e o ganho nos níveis de flexibilidade. O volume de alongamento empregado no presente estudo está de acordo com as recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (GARBER et al., 2011), o qual preconiza que sejam realizadas de duas a quatro séries, com duração de 10 a 30 segundos de exercícios de alongamento estático (volume total variando de 20 a 120 segundos), de modo que o volume mínimo acumulado (resultante da manipulação de séries e tempo de duração) seja de 60 segundos por exercício. Procurando investigar o efeito de diferentes volumes de alongamento na flexibilidade de idosos, Feland et al. (2001) realizaram 30 sessões de alongamento passivo, com quatro séries e três diferentes durações 15, 30 e 60 segundos (volumes de 60, 120 e 240 segundos), na flexibilidade do joelho de idosos. Os autores encontraram melhores valores para os três grupos treinamento, quando comparados a um grupo controle inativo. Entretanto, o volume de alongamento de 240 segundos proporcionou ganho significativamente maior (29%) quando comparado aos outros dois volumes adotados, 60 segundos e 120 segundos (8% e 17%, respectivamente). Embora não tenham sido avaliados os mecanismos envolvidos no aumento da flexibilidade, aponta-se que um maior tempo sob tensão de alongamento seria necessário para superar as alterações fisiológicas que ocorrem no sistema muscular decorrente do processo de envelhecimento, como o aumento da tensão passiva e a maior deposição de colágeno (FELAND et al., 2001). De fato, Gajdosik et al. (2005b) demonstraram que mulheres idosas, em especial com encurtamento muscular, possuem maior tensão passiva e maior absorção da energia elástica quando comparadas a mulheres jovens, o que pode representar um aumento das propriedades viscoelásticas da unidade músculo-tendínea devido às alterações na deposição de colágeno no tecido conjuntivo. Além da melhora na flexibilidade do tronco, também foram encontrados melhores resultados para os movimentos de extensão do ombro e flexão do quadril, concordando com

41

os achados da literatura (CRISTOPOLISKI et al., 2009; GALLON et al., 2011). Embora não tenham sido encontrados estudos que analisaram a flexibilidade do movimento de extensão do ombro, o presente estudo encontrou melhora significativa de 11% após o período de treinamento. Já para a flexão de quadril, Gallon et al. (2011) encontraram melhora de 29% após 24 sessões de alongamento passivo, com volume de 240 segundos. Cristopoliski et al. (2009) realizaram 12 sessões de treinamento com alongamento passivo (volume de 240 segundos) e encontraram melhora estatisticamente significativas de 68% e 61% para a flexão de quadril uniarticular e biarticular, respectivamente, avaliado por meio do Thomas test. O presente estudo encontrou melhora de apenas 9% para a flexão de quadril após o período de treinamento. O baixo percentual de ganho encontrado para ambos os movimentos articulares e o fato de não terem sido encontradas diferenças estatisticamente significativas para os demais movimentos articulares avaliados no presente estudo, também podem estar relacionados ao menor volume de treinamento empregado quando comparado aos demais estudos. Não foram observadas diferenças significativas para o componente agilidade e os testes de caminhar meia milha e mobilidade. Estes resultados concordam com Klein et al. (2002) que, após 20 sessões de alongamento por facilitação neuroproprioceptiva (uma a três séries progressivas, 6 segundos de contração isométrica seguido de 20 segundos de alongamento), também não observaram melhora da agilidade. Por outro lado, estudos realizados com diferentes protocolos de treinamento têm demonstrado melhora de 8% (GAJDOSIK et al., 2005a), 12% (STANZIANO et al., 2009) e 14% (BATISTA et al., 2009) nos testes de agilidade e 7% (GAJDOSIK et al., 2005a) e 11% (STANZIANO et al., 2009) no teste de caminhada. Acredita-se que além da melhor amplitude de movimento articular do quadril, joelho e tornozelo (BATISTA et al., 2009; CHRISTIANSEN et al., 2008; CRISTOPOLISK et al., 2009), a melhora do componente agilidade está também relacionada aos maiores níveis de força muscular encontrados nos membros inferiores após o período de treinamento (BATISTA et al., 2009; STANZIANO et al., 2009), especialmente devido à alta relação existente entre a força muscular de membros inferiores e a velocidade da marcha e número de passos (RINGSBERG et al., 1999). Os efeitos crônicos da flexibilidade parecem se comportar de forma diferente, de acordo com a expressão de força muscular que está sendo investigada. No presente estudo não foram observadas diferenças significativas na produção de força isométrica máxima (CVM) de membros inferiores, entretanto, ambos os grupos, GT e GC, apresentaram melhores valores de resistência de força de membros superiores após o período experimental. Gallon et al. (2011) também não observaram alterações nos valores de pico de torque isocinético de

42

extensão e flexão do joelho (concêntrico e excêntrico), após um período de treinamento da flexibilidade. Batista et al. (2009) empregaram oito sessões de treinamento de alongamento estático ativo, com sete séries de 60 segundos (volume de 420 segundos) e não observaram melhora significativa no pico de torque isométrico de flexão e extensão do joelho. Entretanto, os autores encontraram resultados 11% e 10% maiores para o pico de torque (concêntrico e excêntrico) de flexão e extensão do joelho, respectivamente. Stanziano et al. (2009) observaram valores significativamente maiores para a resistência de força muscular de membros superiores (direito = 46% e esquerdo = 14%) e inferiores (17%), e na potência de força muscular de membros inferiores (26%). Gajdosik et al. (2005a) investigaram os efeitos de 24 sessões de treinamento com exercícios de alongamento estático ativo, com 10 séries de 15 segundos (150 segundos), nas propriedades elásticas passivas dos músculos da panturrilha e na mobilidade de idosas. Os autores encontraram melhora de 61% na força máxima passiva de dorsiflexão do tornozelo e 43% na força de resistência média. Essas alterações, associadas ao aumento da amplitude de movimento do tornozelo, proporcionaram aumento da energia elástica absorvida e retida. As alterações nas propriedades elásticas do sistema músculo-esquelético e consequente melhor reutilização da energia elástica, proporcionadas pelo treinamento da flexibilidade tem sido apontadas como as responsáveis pela melhora dos níveis de força muscular, em especial, os de resistência de força (BATISTA et al., 2009; GAJDOSIK et al., 2005a; STANZIANO et al.,

2009).

Não foram observadas melhoras significativas na flexibilidade e força muscular de membros inferiores, fato que pode ter influenciado nos resultados da agilidade, teste de caminhar e TSE e, consequentemente, nos valores do IAFG. Desta forma, parece ser necessário um volume de treinamento superior a 90 segundos para promover alterações significativas nas propriedades elásticas da unidade músculo-tendínea. Embora nenhum instrumento tenha sido aplicado para avaliar aspectos qualitativos, as participantes do GT relataram sentir-se melhor após o período de treinamento. Além da maior sensação de bem estar ao longo do dia, as participantes relataram melhor qualidade do sono, menos dores no corpo, maior facilidade para levantar-se do solo, subir degraus de ônibus e entrar e sair do carro. Ainda, o presente estudo procurou trabalhar aspectos cognitivos e sociais com o GC. Por meio de dinâmicas de grupo, houve maior sociabilização entre as participantes e desinibição de algumas que ao longo das atividades. As participantes relataram sentirem-se mais dispostas e alegres após as sessões do grupo, devido ao fato que as atividades, mesmo não envolvendo exercícios físicos, faziam-nas esquecer de problemas e

43

preocupar-se apenas com os objetivos da aula. De uma forma geral, observando o GT e GC pode-se perceber que a realização das atividades em grupos é benéfica por si só, principalmente devido à promoção do aspecto social, o qual muitos idosos perdem ao longo da vida. Pode-se especular que esta melhor sensação de bem estar também relatada pelas participantes e a mudança da rotina do GC podem ter relação com alguns resultados encontrados, como a melhora da resistência de força de membros superiores e dos valores do IAFG.

É importante ressaltar que após o término do período experimental adotado para o estudo (oito semanas), os grupos foram invertidos para proporcionar às idosas a oportunidade de participar de ambas as atividades propostas: física e cognitiva/social.

44

7. CONCLUSÃO Pode-se concluir que oito semanas de treinamento da flexibilidade, com volume de 90 segundos de alongamento estático, são eficazes na melhora da flexibilidade do ombro, tronco e quadril, e da classificação geral do Índice de Aptidão Funcional Geral de mulheres idosas. O presente estudo tem uma importante aplicação prática, tendo em vista que este tipo de treinamento é composto por exercícios de alongamento, os quais não necessitam de local ou materiais específicos para a prática e possuem fácil compreensão. Em adição, este treinamento pode atuar como um importante aliado na manutenção da independência funcional do idoso. Neste sentido, incentiva-se a implementação de um treinamento da flexibilidade em grupos de terceira idade e a inclusão de exercícios de alongamento em programas de atividade física voltados para esta população.

45

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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50

9. ANEXOS

9.1. Anexo A Questionário Baecke modificado para idosos

1) ATIVIDADES DOMÉSTICAS

A Sra./Sr. realiza algum trabalho doméstico leve? (tirar o pó, lavar louça, consertar roupas,

etc.).

0-

Nunca (ou menos de uma vez por mês)

1-

Às vezes (somente quando não há parceiro ou ajudante)

2-

Frequentemente (às vezes ajudado pelo parceiro ou ajudante)

3-

Sempre (sozinho ou com ajuda)

A

Sra./Sr. faz algum trabalho doméstico pesado? (lavar pisos e janelas, carregar sacos de lixo,

etc.).

0-

Nunca (ou menos de uma vez por mês)

1-

Às vezes (somente quando não há parceiro ou ajudante)

2-

Frequentemente (às vezes ajudado pelo parceiro ou ajudante)

3-

Sempre (sozinho ou com ajuda)

Para quantas pessoas a Sra. realiza trabalhos domésticos, incluindo a Sra. mesma? (Preencher 0 se a Sra. respondeu nunca nas questões 1 e 2).

Quantos cômodos a Sra. limpa, incluindo cozinha, quarto, garagem, porão, banheiro, sótão, etc.?

0-

Nunca realiza serviços domésticos

1-

Um a seis cômodos

2-

Sete a nove cômodos

3-

Dez ou mais cômodos

Se limpa cômodos, em quantos andares? (Preencher 0 se a Sra. respondeu nunca na questão

4).

O

Sra./Sr. cozinha ou ajuda no preparo?

0-

Nunca

1-

Às vezes (uma ou duas vezes por semana)

2-

Frequentemente (três a cinco vezes por semana)

3-

Sempre (mais que cinco vezes)

Quantos lances de escada a Sra. sobe por dia? (um lance de escada equivale a dez degraus)

0-

Nunca subo escadas

1-

Um a cinco lances

2-

Seis a dez lances

3-

Mais de dez lance

Se o Sr/Sra. vai a algum lugar em sua cidade, qual o tipo de transporte usado?

0-

Nunca sai

1-

Carro

2-Transporte público

51

4- Caminho

Quantas vezes a Sra./Sr. sai para fazer compras? 0- Nunca ou menos de uma vez por semana 1- Uma vez por semana 2- Duas a quatro vezes por semana 3- Todos os dias

Se a Sra./Sr sai para fazer compras, qual o tipo de transporte usado? 0 - Nunca sai 1- Carro 2- Transporte público 3- Bicicleta 4- Caminho

2) ATIVIDADES ESPORTIVAS

3) ATIVIDADES DE TEMPO LIVRE

A Sra./Sr. pratica esportes?

A Sra./Sr. pratica algum outro exercício físico?

Nome

Intensidade

(a)

Nome

Horas/semana

(b)

Intensidade

(a)

Períodos do ano

(c)

Horas/semana

(b)

 

Períodos do ano

(c)

52

9.2. Anexo B Bateria de testes da American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (OSNESS et al., 1991 citado por ZAGO; GOBBI, 2003).

9.2.1 Teste de Flexibilidade

Fixa-se uma fita métrica no solo. Perpendicularmente a marca de 63,5 cm fixa-se uma

fita adesiva com duas marcas equidistantes 15,2 cm do centro da fita métrica (Figura 13). O

participante descalço senta no solo com as pernas estendidas, os pés afastados 30,4 cm entre

si, os artelhos apontando para cima e os calcanhares centrados nas marcas feitas na fita

adesiva. O zero da fita métrica aponta para o participante.

Com as mãos posicionadas uma sobre a outra, o participante deve vagarosamente

desliza-las sobre a fita métrica tão distante quanto puder, permanecendo na posição final no

mínimo por 2 segundos. O avaliador segura os joelhos do participante para não permitir que

os mesmos flexionem. São oferecidas duas tentativas de prática, seguidas de duas tentativas

de teste. O resultado final é dado pela melhor das duas tentativas anotadas (maior resultado)

em centímetros. 15 cm 15 cm 63,5 cm
em centímetros.
15
cm
15
cm
63,5 cm

0 cm

Figura 13: Ilustração gráfica do teste de flexibilidade (GOBBI et al., 2005; adaptada de OSNESS et al.,1990).

9.2.2 Teste de Coordenação

O teste de coordenação avalia a eficiência neuromuscular de braços e mãos. Fixa-se

sobre uma tábua um pedaço de fita adesiva com 76,2 cm de comprimento. Sobre a fita são

feitas seis marcas, equidistantes entre si, com 12,7 cm, de modo que a primeira e última marca

estejam a 6,35 cm de distância das extremidades da fita. Sobre cada uma das sei marcas fixa-

se, perpendicularmente à fita, outro pedaço de fita adesiva com 7,6 cm de comprimento

(Figura 14).

A tábua é colocada sobre uma mesa e o participante senta de frente para a mesa e usa

sua mão dominante para realizar o teste. Se o participante for destro, coloca-se a primeira lata

de refrigerante na posição 1, a lata dois na posição 3 e, a lata três na posição 5. O participante

53

posiciona a mão direita na lata 1, com o polegar para cima, e cotovelo semi-flexionado. Ao sinal do avaliador, aciona-se um cronômetro e o participante deve virar a lata invertendo sua

base de apoio, de forma que a lata 1 seja colocada na posição 2; a lata 2 na posição 4 e; a lata

3 na posição 6. Sem perda de tempo, o avaliado, posiciona a mão de modo que o polegar

aponte para baixo, e retorna as latas em sua posição inicial (lata 1 na posição 1; lata 2 na posição 3; lata 3 na posição 5), completando assim um ciclo. Uma tentativa equivale à realização de dois ciclos, sem interrupções (Figura 15). O cronômetro é parado quando a lata

3 é colocada na posição 5, ao final do segundo ciclo. No caso do participante ser canhoto, o

mesmo procedimento é adotado, exceto que as latas são colocadas a partir da esquerda - lata 1 na posição 6, lata 2 na posição 4 e lata 3 na posição 2, e assim por diante. A cada participante são concedidas duas tentativas de prática, seguidas por outras duas válidas para avaliação,sendo estas últimas duas anotadas até décimos de segundo, e considerado como resultado final o menor dos tempos obtidos.

e considerado como resultado final o menor dos tempos obtidos. Figura 14. Marcações para o Teste

Figura 14. Marcações para o Teste de Coordenação

54

54 Figura 15: Ilustração gráfica do teste de coordenação (GOBBI et al ., 2005; adaptada de

Figura 15: Ilustração gráfica do teste de coordenação (GOBBI et al., 2005; adaptada de OSNESS et al.,1990).

9.2.3 Levantar-andar-sentar bilateral (Agilidade e equilíbrio dinâmico) O teste de levantar-andar-sentar bilateral avalia a agilidade e equilíbrio dinâmico por meio de mudanças de direção e posição do corpo. O participante inicia o teste sentado numa cadeira com os calcanhares apoiados no solo. Ao sinal de “prepara, vai” move-se para a direita e circunda um cone posicionado a 1,50 m para trás e 1,80 m para o lado da cadeira (Figura 16), retorna para a cadeira e senta-se. Imediatamente o participante levanta-se novamente, move-se para a esquerda e circunda o segundo cone, retornando para a cadeira e sentando-se novamente, completando assim um ciclo. Uma tentativa é composta pela realização de dois ciclos completos. Para certificar-se de que realmente o avaliado senta após retornar da volta ao redor do cone, este deve fazer uma leve elevação dos pés retirando-os do solo. São concedidas duas tentativas válidas para avaliação anotadas até décimos de segundos, e considerado como resultado final o menor dos tempos obtidos.

55

55 Figura 16: Esquema demonstrativo do teste de agilidade e equilíbrio dinâmico da AAHPERD (GOBBI et

Figura 16: Esquema demonstrativo do teste de agilidade e equilíbrio dinâmico da AAHPERD (GOBBI et al., 2005; adaptada de OSNESS et al.,1990).

9.2.4 Teste de resistência de força de membros superiores

Esse teste envolve a resistência de força da parte superior do corpo. São utilizados halteres pesando 1,8 kg para as mulheres e 3,6 kg para os homens. O participante senta em uma cadeira sem braços, apoiando as costas no encosto da cadeira, com o tronco ereto, olhando diretamente para frente e com a planta dos pés completamente apoiadas no solo. O braço dominante deve permanecer relaxado e estendido ao longo do corpo enquanto a mão não dominante apóia-se sobre a coxa. O primeiro avaliador posiciona-se ao lado do avaliado, colocando uma mão sobre o bíceps do mesmo e a outra suporta o halter que é colocado na mão dominante do participante. O halter deve estar paralelamente ao solo com uma de suas extremidades voltadas para frente. Ao sinal do segundo avaliador, responsável pelo cronômetro, o participante deve realizar o movimento de flexão de cotovelo o maior número de vezes no tempo de 30 segundos. Realiza-se uma flexão para familiarização ao teste e após um minuto de descanso realiza-se a tentativa válida. O teste é realizado uma vez e anota-se o número de repetições.

9.2.5 Teste de caminhar meia milha/ Habilidade de andar

Este teste reflete a habilidade de andar em indivíduos idosos. Como uma avaliação da capacidade aeróbia, sua validade é moderada, mas comparável com outros testes de andar/correr. O participante é orientado a caminhar (sem correr) 804,67 metros, numa pista de atletismo de 400 m, o mais rápido possível (Figura 17). O tempo gasto para realizar tal tarefa é anotado em minutos e segundos, e transformados para segundos; adotando este como resultado final.

56

56 Figura 17: Esquema do teste de Resistência Aeróbia realizado em um percurso oval de 400

Figura 17: Esquema do teste de Resistência Aeróbia realizado em um percurso oval de 400 m em pista de atletismo. (TAMELINI, 2002).

57

10. APÊNDICES 10.1. Apêndice A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Eu, Luiza Herminia Gallo, RG 44025973-3, aluna do Curso de Pós graduação pelo

programa de Ciências da Motricidade Humana, tendo como orientador o Prof. Dr. Sebastião

Gobbi, convido a Senhora para participar de uma pesquisa que será desenvolvida na UNESP de

Rio Claro como Dissertação de Mestrado, que objetiva analisar os efeitos de oito semanas do

treinamento de flexibilidade na capacidade funcional e seus componentes, em idosas. As

informações obtidas nessa pesquisa poderão proporcionar ações ligadas à saúde que poderão

melhorar a qualidade de vida dos idosos, além de serem úteis cientificamente e de ajuda para

todos.

A senhora poderá ser sorteada para participar: a) de oito semanas no Grupo de Convívio

Social, em que serão realizadas atividades artísticas e cognitivas, ou b) de oito semanas no Grupo

de Treinamento da flexibilidade, em que serão realizados exercícios de alongamento muscular.

Ambos os grupos realizarão avaliações motoras para medir, sua flexibilidade, coordenação,

agilidade, equilíbrio, força muscular e capacidade aeróbia adequados para sua idade, gastando

aproximadamente 1 hora do seu tempo em cada uma das ocasiões de avaliação. Tanto as

atividades do Grupo de Convívio Social quanto de Treinamento da Flexibilidade, serão

desenvolvidas durante oito semanas, 3 vezes por semana, 40 minutos por sessão.

Todos os procedimentos utilizados estão de acordo com os padrões e serão efetuados por

pessoas capacitadas. Os riscos de acidentes são mínimos e semelhantes a aqueles da sua vida

diária e a senhora será acompanhada e assistida durante toda a avaliação e treinamento. Todas as

informações coletadas serão mantidas em sigilo e serão divulgadas no meio científico, sem

qualquer identificação de sua pessoa.

A Senhora poderá tirar qualquer dúvida ou fazer qualquer reclamação em relação aos

procedimentos propostos pela pesquisa com o professor responsável ou com os outros membros

da equipe antes do inicio, durante ou após a realização estudo pessoalmente ou por telefone e

poderá desistir, a qualquer momento, sem qualquer penalização ou prejuízo para sua pessoa.

Título do Projeto: “Efeitos do treinamento de flexibilidade na capacidade funcional e seus

componentes, em idosas: um estudo randomicamente controlado

58

Pesquisadora Responsável: Luiza Herminia Gallo

Cargo/função: Professora Mestranda

Instituição: Departamento de Educação Física IB - UNESP Rio Claro

Endereço: Av. 24-A, nº 1515, Bela vista Rio Claro.

Dados para Contato: fone 3526-4312 e-mail: lu.herminia@gmail.com

Orientador: Sebastião Gobbi

Cargo/função: Professor Doutor

Instituição: Departamento de Educação Física IB - UNESP Rio Claro

Endereço: Av: 24-A, nº 1515, Bela vista Rio Claro

Dados para Contato: fone 3526-4349 e-mail: sgobbi@rc.unesp.br

Após ter tomado conhecimento dos procedimentos da pesquisa, aceito participar da

mesma, assinando o presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que está

confeccionado em duas vias, sendo que, uma delas ficará em meu poder e a outra com o

pesquisador responsável.

Nome do Participante:

 

,

Data de Nascimento

/

/

,

telefone

,

residente

a

,

Bairro

 

Rio Claro,

/

/2011.

Sebastião Gobbi

Participante

Orientador

Luiza Herminia Gallo Pesquisadora responsável

 

59

10.2. Apêndice B Parecer do Comitê de Ética

59 10.2. Apêndice B – Parecer do Comitê de Ética

60

10.3. Apêndice C - Exemplos de atividades empregadas no protocolo de atividades artísticas e cognitivas

Atividade: Trocando crachás Objetivo: Facilitar a memorização dos nomes e um melhor conhecimento entre os integrantes. Material: Crachás com os nomes dos integrantes. Procedimento: O coordenador distribui os crachás aos respectivos integrantes. Após algum tempo recolhem-se os crachás e cada um recebe um crachá que não deve ser o seu. Os integrantes devem passear pela sala a procura do integrante que possui o seu crachá para recebê-lo de volta. Neste momento, ambos devem aproveitar para uma pequena conversa informal, onde procurem conhecer algo novo sobre o outro integrante. Após todos terem retomado seus crachás, o grupo deve debater sobre as diferentes reações durante a experiência.

Atividade: Mímica Objetivo: Expressão corporal, imaginação, desinibição. Material: Cartões com nomes de objetos, animais, esportes, profissões. Procedimento: O coordenador escolhe um dos idosos para realizar a mímica. Este sorteia um dos cartões, lê qual deverá ser a mímica realizada e executa. Os outros participantes do grupo tem que adivinhar o que está sendo feito. Aquele que acertar torna-se o próximo a retirar o cartão. A brincadeira acaba quando todos os idosos participam, ao final dela, conta-se os pontos e comunica-se o grupo vencedor.

Atividade: Confecção de máscaras de carnaval e discussão sobre o tema Objetivo: Coordenação motora fina, relembrar momentos do passado, criatividade, senso crítico Material: Cartolina recortada no formato de máscaras de carnaval, canetas hidrocores, giz de cera, lápis colorido, purpurina, colas, tesouras, lantejoulas, palitos de churrasco, CD com músicas de carnaval Procedimento: Com as músicas de fundo cada participante é convidado a construir uma máscara com os materiais disponíveis na sala. Ao final da aula, quando as máscaras já estiverem prontas é realizado um debate sobre a diferença dos carnavais de antigamente e os atuais, temas como mudança de comportamento e músicas podem ser abordados.

Atividade: Qual é a música Objetivo: Memória musical, ritmo, descontração, espírito competitivo Material: Cds com músicas de diversas épocas, diversos ritmos e cantores Procedimento: O coordenador divide os idosos em dois grupos. A atividade consiste em uma competição entre os grupos, quem acerta mais músicas, e pode ser dividida em duas etapas:

1) O coordenador fornece uma palavra e o grupo deve cantar uma música que contenha esta palavra, dentro do tempo de um minuto. Caso o grupo não conheça nenhuma, passa-se a vez para o outro grupo. 2) O coordenador toca o pedaço de uma música e o grupo que levantar a mão primeiro deve continuar a cantá-la da parte em que foi parada. Caso o grupo erre a letra, passa- se a vez para o outro.