Vous êtes sur la page 1sur 7

1

A duração razoável do processo penal frente ao artigo 5ª, LVXXIII da

Constituição Federal

Anna Carmem Medeiros Cavalcanti1

A Emenda Constitucional 45 que inseriu na Lei Maior o inciso

LVXXIII ao artigo 5° garante que “a todos, no âmbito judicial e administrativo,

são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantem a

celeridade de sua tramitação.”

O Poder Reformador, desta maneira, preocupou-se com a

duração do processo de maneira tal a garantir constitucionalmente sua

celeridade, evitando uma duração irracional que, na grande maioria das vezes,

não traria qualquer benefício para aquele impulsionador do Poder Judiciário.

De fato, desde que nos tornamos um povo civilizado e regido

por Constituições que contêm em si direitos e garantias fundamentais aos

cidadãos, a efetivação da prestação jurisdicional tornou-se uma obrigação a

quem foi delegado o dever de solucionar os conflitos entre os membros da

sociedade.

Mas qual seria a duração razoável de um processo? E quais os

meios que garantem a celeridade de sua tramitação? Tais perguntas possuem

diferentes respostas quando feitas no âmbito civil, trabalhista e principalmente

penal.

1
Advogada. Aluna do III Curso de Especialização em Ciências Criminais do Centro Universitário de João
Pessoa - UNIPÊ
2

A duração razoável do processo é um princípio constitucional, e

diante de sua grandiosidade deve ser analisado primeiramente sob a ótica

constitucional e posteriormente levando em consideração a Teoria da

Tipicidade Conglobante de Zaffaroni que atesta, com muita sabedoria, que

aquilo que é legal em uma parte do sistema não pode ser considerado ilegal

em outra parte desse mesmo sistema, haja vista ele ser uno.

Há também outras questões não menos importantes acerca do

princípio da duração razoável do processo: sua titularidade e destinatários bem

como os critérios objetivos para sua aplicação em prol do direito; levando em

consideração sua subjetividade, já que a aplicação do princípio em comento

nos casos concretos pode não ser totalmente satisfatório. Na verdade ele

provavelmente não será exauriente, até porque uma definição mais rígida e

restrita pode, numa inversão total de valores, acabar por subvertê-lo. É um

conceito jurídico que pode, e deve, ser analisado à luz de cada caso concreto.

É certo, contudo, que a emenda 45 que trouxe expressamente o

princípio da duração razoável do processo foi um benefício à população

necessitada da efetiva prestação jurisdicional célere. Ela garantiu meios para o

Judiciário tornar-se mais ágil e fortalecido, o que é fundamental em uma

sociedade carente na efetivação dos direitos do cidadão.

A maior crítica feita ao Sistema Judiciário Brasileiro é quanto à

sua morosidade; com a conseqüente falta de eficiência, o que, na área criminal

traduz-se em impunidade. Já é antiga essa preocupação com a duração do

processo, tanto que a Convenção Européia para a Salvaguarda dos Direitos do

Homem e das Liberdades Fundamentais, subscrita em 04 de novembro de

1950, em Roma, dispõe, em seu art. 6°, I, que “toda pessoa tem direito a que
3

sua causa seja examinada eqüitativa e publicamente num prazo razoável por

um Tribunal independente e imparcial instituído por lei, que decidirá sobre seus

direitos e obrigações civis ou sobre o andamento de qualquer acusação em

matéria penal contra ela dirigida”.

No mesmo sentido, o Pacto de San José da Costa Rica, em seu

art. 8°, I, agora consagrado no art. 5°, LVXXIII da Carta Magna proclama ‘que

toda pessoa tem o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de

um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e

imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer

acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos

ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer natureza”.

Com o advento da Emenda Constitucional 45, o Brasil

incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o princípio da duração razoável do

processo. A importância da inclusão do dispositivo retro na Lei Maior é que a

razoável duração do mesmo passa a ser uma garantia fundamental, individual

e coletiva.

Contudo, como a maioria dos princípios constitucionais, a

previsão da razoável duração do processo (mesmo tendo atingido o status de

garantia fundamental) é envolto pela pragmaticidade - sendo seu próprio

conceito aberto e indefinido, com uma baixíssima aplicação prática devido à

sua falta de estrutura sintática completa. É uma norma programática, feita com

o intuito de traçar diretrizes ao legislador apenas.

Assim, para que a prestação jurisdicional seja eficaz e célere,

há a necessidade de um mecanismo que envolva todo o sistema: autores, réus,


4

advogados, juízes, promotores de justiça, serventuários e o próprio Estado

Executor na outorga de meios e estrutura adequada aos órgãos competentes.

De qualquer maneira, deve ainda o legislador, consciente da

impossibilidade prática de deixar a concretização de um princípio

exclusivamente nas mãos dos sujeitos processuais e auxiliares da justiça, fazer

grandes esforços para traduzir, legislativamente, a real aplicação deste

princípio.

Com o advento da Lei 9.0099/95 e a conseqüente criação dos

juizados especiais criminais em todo o território brasileiro, a aplicação do direito

penal aqui passou a seguir uma corrente minimalista, com a adoção de penas

alternativas como forma de sansão aos delitos de menor monta. Seu rito

sumário e caráter célere contribuíram com a tentativa de prestar os devidos

tributos ao princípio da duração razoável do processo, atingindo, assim, a

realização da justiça efetiva no caso concreto.

Em consonância com os ideais professados pelo princípio em

estudo, os Juizados Especiais Criminais possuem competência para julgar e

processar os crimes de menor potencial ofensivo, sendo estes os crimes com a

pena máxima colimada não superior a dois anos, e contravenções penais,

independentemente da pena colimada uma vez que “estas são por natureza de

menor potencial ofensivo. A pequena ofensividade das contravenções penais

não está nem na quantidade de pena e nem no processo penal adotado, mas

na sua natureza ontológica. Tanto é verdade que a maioria da doutrina define

as contravenções como ‘quase-crimes’” (BITTENCOURT, 1997).

Desta feita, a criação desses órgãos jurisdicionais é resultado

da aplicação de alguns preceitos de criminologia minimalista, concebidos


5

diante de um Direito Penal Mínimo e Políticas Criminais igualmente

minimalistas, já que o confinamento deve ser repensado tendo em vista a

falência do sistema carcerário, a baixa periculosidade dos indivíduos

envolvidos em tais questões e a morosidade judicial diante de um bem jurídico

tão importante: a liberdade.

A duração do processo penal, principalmente de um processo

tramitando nos Juizados Especiais Criminais deve ser razoável. Esta

razoabilidade deve estar no justo equilíbrio dos valores havidos entre as partes.

É o comedido, o moderado. Tal equilíbrio, aqui, não pode ser encontrado com o

rigor de uma lógica artificial, mas com o reconhecimento de que ambos os

valores tem sua validade; e que por diversas vezes uma solução sem

compromisso deve ser adotada. De acordo com tal pensamento, numa

moderníssima avaliação seria inaceitável a recusa aprioristica da possibilidade

de configurar-se a responsabilidade do Estado pelo dano decorrente da

morosidade da Justiça.

A razoabilidade do prazo deve estar ligada com a emergência

que toda pessoa tem de uma imediata ou breve certeza sobre sua situação

jurídica. O ideal, é claro, seria obedecer aos prazos previstos na própria lei,

mas é certo que existem inúmeros fatores influenciáveis com o condão de

dificultar a entrega da prestação jurisdicional nos prazos fixados. Nasce então a

dificuldade de fixar o que seria um prazo razoável para cada caso concreto.

Diante de tantas dificuldades é quase impossível concluir a

tarefa de se fixar uma regra absoluta e específica, determinante das violações

do direito a tutela jurisdicional dentro de um prazo razoável. A interpretação do

que seria um prazo razoável no âmbito do processo é centro de discussões


6

inclusive no Tribunal dos Direitos do Homem. Tanto o é que quando a lentidão

resultar em danos significativos à parte, restará (além dos meios usuais e

domésticos de solução) ainda aos jurisdicionados recorrer ao sistema

internacional de proteção aos direitos humanos, por meio a Comissão

Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e da Organização dos Estados

Americanos (OEA), tudo com base no art. 8° do Pacto de San José da Costa

Rica.

Em conclusão temos que dentre os princípios garantidores

fundamentais foi inserido no rol do art. 5° da Carta Magna através da Emenda

45, LVXXIII, que garante a razoável duração dos processos judiciais e

administrativos, também chamado de princípio da celeridade processual. O

objetivo de tal dispositivo é assegurar a todos os litigantes, no âmbito

administrativo ou judicial, uma solução concreta em prazo não excessivamente

longo, buscando imprimir maior qualidade, celeridade e consequentemente

eficácia na atividade jurisdicional do Estado.

Ser submetido a julgamento em um prazo não

excessivamente longo é direito de todo acusado. Ninguém pode ficar

indefinidamente à mercê do arbítrio estatal. As angústias e aflições oriundas de

um processo penal devem ser compensadas pela celeridade na prestação

jurisdicional do Estado, mesmo porque, ao final do processo o acusado poderá

vir a ser absolvido, restando-lhe apenas as lembranças cruéis impostas pelos

longos anos de espera.

Assim, não basta o legislador criar normas meramente

programáticas. A efetivação do direito se faz necessária através da

implementação de reformas processuais que agilizem o lento e burocrático


7

sistema judicial e administrativo brasileiro, e que passem a privilegiar a célere

solução dos conflitos postos à apreciação do Estado.

BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Francisco Fernandes de. Do prazo Razoável na Prestação


Jurisdicional. Disponível em: < http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?
co=15&rv=Direito>. Acesso em 14 de dezembro de 2007.

BITENCOURT, César Roberto. Tratado de Direito Penal: Parte Geral. São


Paulo: Saraiva, 1997, p. 60.

DE PIERI, Sueli Aparecida. “Princípio da Celeridade Processual”, in ALMEIDA,


Jorge Luiz (coord.). A Reforma do Poder Judiciário – uma abordagem sobre
a emenda constitucional 45/2003. Campinas, Millennium, 2006.

HOFFMAN, Paulo. Razoável Duração do Processo. São Paulo, Quartier


Latin, 2006.

LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Duração Razoável e Informatização do


Processo Judicial. Disponível em:
http://www.panoptica.org/maio_junto21007/N.8_016_Lucon.p.368-384.pdf>
Acesso em: 14 de dezembro de 2007.

NERY JUNIOR, Nelson Nery. Princípios do Processo Civil na Constituição


Federal. 7. ed., rev. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.

TORRES, Érico de Olievira Della. Juizados Especiais Criminais: dosimetria


e eficácia da transação penal. Disponível em:
http://www.direitonet.com.br/artigos/x/28/41/2841/ >. Acesso em 14 de
dezembro de 2007.

ZDANSKI, Claudinei. O princípio da razoável duração do processo e seus


reflexos no inquérito policial. Disponível em: <
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9271. Acesso em: 14 de dezembro
de 2007.