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ANGOLA POPULAÇÃO E SOCIEDADE EDIÇÃO 2013
ANGOLA POPULAÇÃO E SOCIEDADE EDIÇÃO 2013
ANGOLA POPULAÇÃO E SOCIEDADE EDIÇÃO 2013
ANGOLA POPULAÇÃO E SOCIEDADE EDIÇÃO 2013

ANGOLA

POPULAÇÃO E SOCIEDADE

EDIÇÃO 2013

Director Geral

Camilo Ceita

Editor Instituto Nacional de Estatística Rua Ho-Chi-Min, Caixa Postal n.º 1215, Luanda – Angola Tel.: (+244) 938 217 557 www.ine.gov.ao

Controlo de Qualidade Camilo Ceita Ana Paula Machado

Design Gráfico e Revisão Blankcreative, Lda. www.blank.pt

Impressão INE – Divisão de Reprografia

Difusão INE – Divisão de Difusão

Copyright INE – Instituto Nacional de Estatística

Tiragem

1000

Preço

3.000 Kz

Para esclarecimentos e/ou informações adicionais sobre o conteúdo desta publicação, contactar:

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA

Departamento de Estatísticas Demográficas e Sociais Telefone (+244) 938 217 557 E-mail: margarida.lourenco@ine.gov.ao

Reprodução autorizada, excepto para fins comerciais, com indicação da fonte bibliográfica. © INE – Instituto Nacional de Estatísticas. Luanda, Angola – 2013

INQUÉRITO DE INDICADORES BÁSICOS DE BEM-ESTAR QUIBB – 2011 Relatório Analítico www.ine.gov.ao

INQUÉRITO DE INDICADORES BÁSICOS DE BEM-ESTAR

QUIBB – 2011

Relatório Analítico

www.ine.gov.ao

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

ÍNDICE

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QUIBB – 2011

Lista de Quadros

8

Lista de Gráficos

11

Prefácio

15

Resumo dos Principais Indicadores

16

Indicadores do SICA

18

Lista de Siglas

19

1. Introdução

21

2. Objectivos

23

2.1 Objectivo Geral

23

2.2 Objectivos Específicos

23

3. Notas Metodológicas

25

3.1 Âmbito Geográfico

25

3.2 População

25

3.3 Unidades Estatísticas

25

3.4 Amostra

25

3.5 Recolha de Dados

28

3.6 Características Observadas

28

4. Principais Conceitos e Definições

29

5. Resumo Executivo

31

5.1 População

31

5.2 Educação

31

5.3 Saúde

31

5.4 Habitação, Água e Saneamento Básico

32

5.5 Pobreza

33

5

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

6. Análise dos Principais Resultados

QUIBB – 2011

35

6.1

Características da População

35

6.1.1

Dinâmica e Distribuição da População

35

6.1.2

Estrutura Etária e Sexo

39

6.1.3

Índice de Masculinidade

41

6.1.4

Índices de Dependência Total

41

6.1.5

Índice de Envelhecimento

42

6.1.6

Índice de Sustentabilidade Potencial

43

6.1.7

Estado Civil

44

6.1.8

Migração

46

6.2

Educação

49

6.2.1

Nível de Escolaridade

49

6.2.2

Nível de Escolaridade Alcançado

49

6.2.3

Frequência Escolar

51

6.2.4

Taxa Líquida de Frequência do Ensino Primário

53

6.2.5

Taxa Líquida de Frequência do Ensino Secundário

55

6.2.6

Alfabetização

56

6.3

Saúde Geral

58

6.3.1

Deficiência

58

6.3.2

Morbilidade

59

6.3.3

Acesso aos Serviços de Saúde

60

6.3.4

Dificuldades no Acesso aos Serviços

62

6.4

Malária

63

6.4.1

Introdução

63

6.4.2

Uso de Redes Mosquiteiras

63

6.4.3

Uso de Redes Mosquiteiras entre as Crianças Menores de Cinco Anos

64

6.4.4

Prevalência e Tratamento da Malária

66

6.4.5

Prevalência e Tratamento da Malária em Crianças Menores de Cinco Anos

68

6.5

Saúde Materno-Infantil

72

6.5.1

Introdução

72

6.5.2

Fecundidade

72

6.5.3

Assistência Pré-Natal

73

6.5.4

Local do Parto

75

6.5.5

Assistência Durante o Parto

77

6.6. Saúde Infantil

80

6.6.1 Vacinação

80

6.6.2 Vitamina A

82

6

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

6.7

Características da Habitação e dos Agregados Familiares

83

6.7.1

Estrutura dos Agregados Familiares

83

6.7.2

Tamanho dos Agregados Familiares

84

6.7.3

Características da Habitação

86

6.7.4

Regime de Propriedade

86

6.7.5

Regime de Ocupação

87

6.7.6

Materiais Usados na Construção da Habitação

89

6.7.7

Sobrelotação

92

6.7.8

Acesso à Água

93

6.7.9

Tratamento da Água para Beber

95

6.7.10

Saneamento Básico

96

6.7.11

Energia para Iluminação

97

6.7.12

Energia para Cozinhar

99

6.7.13

Depósito de Lixo

100

6.7.14

Posse de Bens Duráveis

101

6.7.15

Posse de Equipamento de Informação e Comunicação

102

6.7.16

Acesso aos Serviços

105

6.8

Pobreza

106

6.8.1

Quintis Socioeconómicos ou de Pobreza

106

6.8.2

Refeições Diárias

107

6.8.3

Consumo Alimentar

110

Anexo

117

7

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

LISTA DE QUADROS

Quadro M1 – Tamanho da amostra e taxa de resposta por província e área de residência

26

6.1 Características da População

35

Quadro 6.1.1 Distribuição da população de 2008-2012 e taxa de crescimento

35

Quadro 6.1.2 Distribuição da população por província em Km²

36

Quadro 6.1.3 Distribuição dos principais grupos etários (1996-2001 e 2008-2011)

39

Quadro 6.1.4 Taxa de migração

46

6.2

Educação

49

Quadro 6.2.1 Taxa líquida de frequência do ensino primário, segundo o sexo

54

Quadro 6.2.2 Taxa líquida de frequência do ensino secundário, segundo o sexo

55

6.3 Saúde Geral

58

Quadro 6.3.1 Principais Doenças Transmissíveis 2008-2010

60

Quadro 6.3.2 População que esteve doente e fez consulta nos últimos 30 dias, segundo os locais das consultas

61

6.4

Malária

63

Quadro 6.4.1 População que dormiu debaixo de uma rede mosquiteira durante a noite anterior ao inquérito, segundo o tipo de rede Quadro 6.4.2 Crianças com 0-4 anos que dormiram debaixo de uma rede mosquiteira durante a noite anterior ao inquérito, segundo o tipo de rede Quadro 6.4.3 População que teve febre ou malária e fez consulta nos últimos 30 dias, segundo os antipalúdicos tomados Quadro 6.4.4 Crianças com 0-4 anos de idade que tiveram febre ou malária e fez consulta nos últimos 30 dias, segundo os antipalúdicos tomados

com 0-4 anos de idade que tiveram febre ou malária e fez consulta nos últimos 30
com 0-4 anos de idade que tiveram febre ou malária e fez consulta nos últimos 30
com 0-4 anos de idade que tiveram febre ou malária e fez consulta nos últimos 30

64

65

68

70

6.5 Saúde Materno Infantil

72

Quadro 6.5.1 Mulheres que receberam cuidados pré-natais durante a última gravidez

74

Quadro 6.5.2 Mulheres com 12-49 anos de idade com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, segundo o local do parto

76

Quadro 6.5.3

Mulheres com 12-49 anos de idade com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, segundo a assistência durante o parto

78

8

Angola

|

6.6 Saúde Infantil

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

80

Quadro 6.6.1 Calendário de vacinação recomendado em Angola

80

Quadro 6.6.2 Crianças com 0-4 anos de idade, vacinadas contra as doenças infantis

81

Quadro 6.6.3 Crianças com 6-59 meses de idade que tomaram vitamina A

82

6.7 Características da habitação e dos agregados familiares

83

Quadro 6.7.1 Características dos chefes dos agregados familiares, segundo o sexo

84

Quadro 6.7.2 Agregados familiares, segundo o tipo de regime de ocupação da habitação

88

Quadro 6.7.3 Agregados familiares, segundo o tipo de cobertura do tecto da habitação

90

Quadro 6.7.4 Agregados familiares, segundo tipo de material predominante no chão

91

Quadro 6.7.5 Agregados familiares, segundo o tipo de material predominante nas paredes

92

Quadro 6.7.6 População, segundo a principal fonte de abastecimento da água para beber

94

Quadro 6.7.7 População, segundo o tipo de instalações sanitárias na habitação

96

Quadro 6.7.8 Agregados familiares, segundo o principal tipo de iluminação

98

Quadro 6.7.9 Agregados familiares, segundo o principal combustível utilizado para cozinhar

100

Quadro 6.7.10 Agregados familiares, segundo a posse de meios de transportes

102

Quadro 6.7.11 Agregados familiares, segundo a posse de equipamento de lazer e comunicação

104

6.8

Pobreza

106

Quadro 6.8.1 Agregados familiares segundo o número de refeições diárias feitas no dia anterior Quadro 6.8.2 Distribuição de agregados familiares, segundo o consumo de alimentos Quadro.6.8.3 Distribuição de agregados familiares, segundo as despesas semanais

segundo o consumo de alimentos Quadro.6.8.3 Distribuição de agregados familiares, segundo as despesas semanais
segundo o consumo de alimentos Quadro.6.8.3 Distribuição de agregados familiares, segundo as despesas semanais

108

111

115

9

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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LISTA DE GRÁFICOS

6.1 Características da População

QUIBB – 2011

35

Gráfico 6.1.1 Distribuição da população, segundo o sexo e a idade

40

Gráfico 6.1.2 Idade mediana da população, segundo o sexo

41

Gráfico 6.1.3 Índice de dependência total

42

Gráfico 6.1.4 Índice de envelhecimento, segundo a província

43

Gráfico 6.1.5 Índice de sustentabilidade potencial, segundo a província

44

Gráfico 6.1.6 População com 12 ou mais anos de idade, segundo o estado civil e sexo

45

Gráfico 6.1.7 População com 12 ou mais anos de idade, segundo o estado civil e grupos etários

45

Gráfico 6.1.8 Taxa de migração, segundo a província

47

Gráfico 6.1.9 Taxa de migração, segundo a área de residência

48

6.2

Educação

49

Gráfico 6.2.1 População com 5 ou mais anos de idade, segundo o nível de ensino atingido Gráfico 6.2.2 População com 5 ou mais anos de idade, segundo a área de residência e o nível de ensino atingido Gráfico 6.2.3 Taxa de frequência escolar,segundo o sexo e a idade Gráfico 6.2.4 População com 18 ou mais anos de idade, segundo o nivel de ensino atingido Gráfico 6.2.5 Taxa de frequência do ensino primário, segundo o sexo Gráfico 6.2.6 População com 15 ou mais anos de idade que sabe ler e escrever, segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo a área de residência

segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo
segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo
segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo
segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo
segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo
segundo o sexo Gráfico 6.2.7 Taxa de alfabetização dos anos de 2001, 2008 e 2011, segundo

50

51

52

52

53

56

57

6.3 Saúde Geral

58

Gráfico 6.3.1 Agregados familiares com pessoas com alguma deficência, segundo a província

58

Gráfico 6.3.2 Prevalência de morbilidade,segundo o grupo etário

59

Gráfico 6.3.3 População que esteve doente nos últimos 30 dias, segundo o tipo de doença

60

11

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

 

Gráfico 6.3.4 População que esteve doente nos últimos 30 dias, segundo o local da consulta

62

Gráfico 6.3.5 População que fez consulta nos últimos 30 dias, segundo os problemas apresentados durante as consultas

62

6.4

Malária

63

Gráfico 6.4.1 Crianças com 0-4 anos que dormiram debaixo de uma rede mosquiteira tratada com insecticida

65

Gráfico 6.4.2 População que esteve doente nos últimos 30 dias, com febre ou malária

69

6.5

Saúde Materno-Infantil

72

Gráfico 6.5.1 Mulheres com 12-49 anos que já tiveram filhos, segundo o grupo de idade

73

Gráfico 6.5.2 Mulheres com 12-49 anos de idade com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, que fizeram 4 ou mais consultas pré-natais durante a última gravidez

75

Gráfico 6.5.3 Local do parto, segundo a idade das mulheres

77

Gráfico 6.5.4 Tipo de pessoal que presta cuidados pré-natais

79

6.7

Características da habitação e dos agregados familiares

83

Gráfico 6.7.1 Tamanho médio dos agregados familiares, segundo as províncias

85

Gráfico 6.7.2 Tamanho médio do agregado familiar, segundo o sexo do chefe do agregado

85

Gráfico 6.7.3 Agregados familiares por regime de propriedade da habitação, segundo a área de residência

86

Gráfico 6.7.4 Agregados familiares, segundo o regime de propriedade por província

87

Gráfico 6.7.5 Regime de ocupação, segundo o nível de escolaridade

89

Gráfico 6.7.6 Agregados familiares a viver em habitações sobrelotadas em áreas urbanas

93

Gráfico 6.7.7 População, segundo a principal fonte de abastecimento da água para beber

95

Gráfico 6.7.8 Agregados familiares, segundo o principal tipo de iluminação

99

Gráfico 6.7.9 Agregado familiares, segundo o local de depósito do lixo

101

Gráfico 6.7.10 Agregados familiares, segundo a posse de equipamento de lazer e comunicação

103

Gráfico 6.7.11 Acesso ao serviço mais próximo em menos de 40 minutos

105

12

Angola

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6.8 Pobreza

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

106

Gráfico 6.8.1 Quintil socioeconómico, segundo a área de residência

106

Gráfico 6.8.2 Agregados familiares segundo o número de refeições diárias feitas no dia anterior ao inquérito

109

Gráfico 6.8.3 Agregados familiares segundo o número de refeições diárias feitas no dia anterior ao inquérito

109

Gráfico 6.8.4 Agregados familiares que fazem 3 ou mais refeições, segundo a área de residência

110

Gráfico 6.8.5 Agregados familiares, segundo as despesas de consumo

112

Gráfico 6.8.6 Consumo de alimentos segundo o quintil socioeconómico

113

Gráfico 6.8.7 Tamanho dos agregados familiares, segundo o consumo de alimentos

113

Gráfico 6.8.8 Agregados familiares que não fizeram compras de produtos alimentares na semana anterior ao inquérito, segundo a área de residência

114

Gráfico 6.8.9 Gastos menores de 500 Kz em produtos alimentares, segundo o quintil socioeconómico

115

13

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

PREFÁCIO

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QUIBB – 2011

O

Inquérito sobre Indicadores Básicos de Bem-Estar (QUIBB) tem como finalidade a produção

de

informações básicas para o Governo, parceiros sociais, organizações não-governamentais e

outros utilizadores de informação estatística, para a formulação, seguimento e avaliação das po- líticas, programas e projectos implementados no âmbito do Programa de Combate à Pobreza e a medição dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

De forma a reduzir os recursos humanos e financeiros, o QUIBB foi integrado no Inquérito ao Em- prego em Angola (IEA) 2011, com o objectivo de actualizar alguns indicadores socioeconómicos do IBEP 2008-2009.

Os resultados do inquérito apresentam dados recolhidos a nível nacional, distribuídos por área de residência urbana e rural, de forma a cobrir as 18 províncias que compõem o território nacional.

15

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

RESUMO DOS PRINCIPAIS INDICADORES

Indicadores (%)

Nacional

Urbana

Rural

População

Índice de masculinidade

94

93

95

Índice de dependência total

1,01

0,95

1,09

Índice de rejuvenescimento

19

24,42

15,03

Índice de envelhecimento

0,05

0.04

0,07

Proporção de agregados chefiados por mulheres

19,6

23,6

14,6

Tamanho médio do agregado

5,3

5,3

5,2

Educação

Ensino geral

Taxa líquida de frequência do ensino primário (proporção de crianças de 6-11 anos de idade que frequentam o ensino primário)

79,0

84,6

72,2

Índice de desigualdade de género no ensino primário (F/M)

0,98

0,98

0,98

Taxa líquida de frequência do ensino secundário (proporção de crianças de 12-18 anos de idade que frequentam o ensino secundário)

28,0

43,7

8,2

Índice de desigualdade no género no ensino secundário (F/M)

0,93

0,97

0,54

Alfabetismo

Taxa de alfabetização na população com 15-24 anos de idade

68,6

85,3

47,1

Razão entre a taxa de alfabetização das mulheres e homens com 15-24 anos de idade

79,5

92,5

59,4

Saúde

Saúde geral

Deficiência

Proporção da população com alguma deficiência física ou mental

3,0

3,1

2,8

Malária

Proporção da população que dormiu debaixo de uma rede mosquiteira tratada com insecticida durante a noite anterior ao inquérito

24,4

27,1

21,1

Proporção de crianças com 0-4 anos de idade que dormiram debaixo de uma rede mosquiteira tratada com insecticida durante a noite anterior ao inquérito

30,3

35,7

23,8

Proporção de crianças com 0-4 anos de idade que dormiram debaixo de uma rede mosquiteira durante a noite anterior ao inquérito

38,0

40,7

34,4

Proporção de crianças com 0-4 anos de idade que estiveram doentes com febre nos últimos 30 dias e que tomaram antipalúdicos apropriados

64,8

68,9

58,6

16

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

Saúde materno-infantil

Proporção de mulheres com 12-49 anos de idade, com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, que fizeram 4 ou mais consultas pré-natais durante a última gravidez

57,0

71,2

41,4

Proporção de mulheres com 12-49 anos de idade, com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, atendidas por pessoal qualificado nas consultas pré- natais realizadas durante a última gravidez

84,1

93,3

73,9

Proporção de mulheres com 12-49 anos de idade, com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses, atendidas por pessoal qualificado durante o parto do seu último(a) filho(a)

56,9

75,7

35,2

Proporção de mulheres com 12-49 anos de idade, com filhos nascidos vivos nos últimos 12 meses cujo parto foi realizado numa unidade de saúde

50,9

74,0

25,2

Habitação

     

Proporção da população que vive na área urbana em habitações construídas com material não apropriado

 

72,2

 

Proporção da população que vive na área urbana em habitações sobrelotadas

 

27,7

 

Electricidade e uso de combustível sólido

Proporção da população com acesso a electricidade

35,5

60,6

4,2

Proporção de agregados familiares que utilizam combustível sólido para cozinhar

54,9

23,7

93,6

Conforto e bem-estar

     

Posse de equipamento de conforto e bem-estar

     

Proporção da população com acesso ao telefone da rede fixa

1,7

2,6

0,5

Proporção da população com acesso ao telefone da rede móvel

56,9

83,3

24,1

Proporção da população com acesso à internet

4,2

7,4

0,1

17

Angola

|

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

INDICADORES DO SICA

Indicadores SICA

 

Residência

Sexo

Intervalo de con- fiança de 95%

CV

Angola

       

Limite

Limite

Urbana

Rural

Homens

Mulheres

inferior

superior

Compromisso 5 (Educação Primária)

1. Atraso escolar no ensino primário

56,1

45,9

69,1

55,9

56,4

53,7

58,6

0,02

Compromissos 1 (Esperança de vida) e 9 (Competências familiares)

 

2. Proporção da população que esteve doente nos últimos 30 dias

12,9

12,9

12,9

11,5

14,1

12,2

13,6

0,03

Proporção da população que esteve

               

3. doente e fez consulta nos últimos 30 dias

10,8

12,2

9,2

9,9

11,8

10,3

11,4

0,03

Proporção da população que teve

               

4. febre ou malária nos últimos 30 dias e tomou antipalúdicos

64,2

71,1

55,1

67,0

62,2

61,0

67,5

0,03

Proporção de crianças com idade

               

5. inferior a 5 anos que dormiram de- baixo de uma rede mosquiteira

38,0

40,7

34,6

37,0

38,9

35,2

40,7

0,04

6. Proporção de agregados familiares que tratam a água para beber

37,9

55,6

15,9

37,5

38,3

35,8

40,0

0,03

7. Percentagem de uso de sanitário apropriado

72,8

91,7

49,3

NA

NA

70,7

74,9

0,02

Proporção de agregados familiares

               

8. que demoram 1 hora ou mais para transportar a água

5,2

3,2

7,8

NA

NA

4,3

6,1

0,09

Proporção de agregados familiares

               

9. que tratam de forma apropriada a água para beber

36,5

54,1

14,6

36,2

36,9

34,4

38,6

0,03

Proporção de agregados familiares

               

10. que fizeram pelo menos três refei- ções no dia anterior

39,4

51,5

24,3

37,2

41,6

0,03

11. Número de crianças com deficiência

1,3

1,5

1,0

1,4

1,1

1,0

1,5

0,1

Compromissos 8 (Prevenção e combate à violência contra a criança)

 

12. Trabalho infantil 10-17 anos

30,3

8,6

57,4

30,5

30,1

27,3

33,3

0,05

18

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

|

QUIBB – 2011

LISTA DE SIGLAS

CPN Cuidados Pré-Natais ECP Estratégia de Combate à Pobreza IBEP Inquérito sobre o Bem-Estar da População INE Instituto Nacional de Estatística MICS Inquérito de Indicadores Múltiplos (Multiple Indicator Cluster Survey) MINSA Ministério da Saúde ODM Objectivos de Desenvolvimento do Milénio OMS Organização Mundial de Saúde PAV Programa Alargado de Vacinação PNLCM Programa Nacional de Luta Contra a Malária QUIBB Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar REMTI Redes Mosquiteiras Tratadas com Insecticida SAS Selecção Aleatória Simples SC Secções Censitárias UFA Unidades Finais de Amostragem UPA Unidades Primárias de Amostragem USA Unidades Secundárias de Amostragem VAT Vacina Antitetânica

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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1. INTRODUÇÃO

QUIBB – 2011

O Instituto Nacional de Estatística (INE) realizou, durante o período de Agosto a Dezembro de

2011, o Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar (QUIBB). A operação foi financiada pelo Governo de Angola.

O QUIBB é um inquérito por amostragem de cobertura nacional, abrangendo as 18 províncias do

país, tanto nas áreas urbanas como nas rurais.

Os resultados foram apurados com base numa amostra de 8.640 agregados familiares e correspon-

de a um total de 44.311 pessoas entrevistadas.

Os resultados apresentados estão na sua maioria desagregados por área de residência, província, sexo, escolaridade e quintil socioeconómico.

Agradecemos a todos quantos contribuíram para a elaboração desta publicação, principalmente aos agregados familiares que responderam ao inquérito.

A todos os usuários, o INE coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

2.1 Objectivo Geral

2. OBJECTIVOS

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QUIBB – 2011

O

objectivo geral do QUIBB é fornecer ao Governo e à sociedade informação estatística através

de

indicadores sociodemográficos para a formulação de políticas, assim como para o acompanha-

mento e a avaliação dos programas implementados no âmbito do Desenvolvimento do Combate à Fome e da Redução da Pobreza e dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

2.2 Objectivos Específicos

O QUIBB tem como objectivos específicos:

Contribuir para a elaboração dos diversos programas sectoriais destinados a melhorar

o bem-estar da população, fornecendo os principais indicadores de bem-estar social;

Avaliar as mudanças relativamente ao bem-estar dos agregados familiares;

Permitir o seguimento e a avaliação das políticas, programas e projectos de combate

à fome e redução da pobreza, assim como o seguimento dos indicadores ODM;

Fornecer uma base de dados para investigação.

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

3. NOTAS METODOLÓGICAS

3.1 Âmbito Geográfico

O inquérito abrange todo o território nacional, integrando as 18 províncias, repartidas em áreas

urbanas e rurais.

3.2 População

A população em estudo era constituída por todos os agregados familiares que residem em habita-

ções não colectivas, tendo sido excluídos os agregados residentes em instituições colectivas (hotéis, prisões, hospitais, quartéis, etc.).

3.3 Unidades Estatísticas

A unidade estatística de selecção foi o agregado familiar. Foram observados dois tipos de unidade:

o agregado familiar e as pessoas pertencentes ao agregado familiar.

3.4 Amostra

Utilizando a base de amostragem do IBEP 1 2008–2009, foi entrevistado um total de 8.640 agregados familiares a nível nacional, distribuídos pelas 18 províncias e por área de residência (ur- bana e rural), conforme mostra o Quadro M1.

O QUIBB baseou-se numa amostra probabilística, de conglomerados, estratificada e multietápi-

ca. A estratificação foi feita por província (18 províncias) e por área de residência (urbana e rural). Para o seu desenho foram utilizadas duas ou três etapas de selecção.

A área urbana foi subdividida em dois estratos, o primeiro correspondendo aos bairros já divididos

em Secções Censitárias (SC) e o segundo aos bairros sem seccionamento, isto é, ainda não divi-

didos em Secções Censitárias (SC).

1 Inquérito Integrado sobre Bem-Estar da População.

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Para os bairros da área urbana divididos em SC, estas SC constituíram as Unidades Primárias de Amostragem (UPA) e os agregados familiares existentes no interior destas SC constituíram as Uni- dades Finais de Amostragem (UFA).

Na área urbana, os bairros não divididos em secções censitárias constituíram as Unidades Primá- rias de Amostragem (UPA), as SC existentes no interior destes bairros constituíram as Unidades Secundárias de Amostragem (USA) e os agregados familiares existentes no interior das SC cons- tituíram as Unidades Finais de Amostragem (UFA).

Na área rural, foram consideradas como UPA as aldeias e como UFA os agregados familiares.

Nas primeiras etapas, a selecção foi feita com probabilidade proporcional ao tamanho em termos do número de agregados familiares e, na última, foi sistemática simples.

Quadro M1 – Tamanho da amostra e taxa de resposta por província e área de residência

 
 

Agregados familiares

Agregados familiares

Taxa de resposta

 

seleccionados

 

entrevistados

Urbana

Rural

Total

Urbana

Rural

Total

Urbana

Rural

Total

Angola

5.256

3.465

8.721

5.192

3.448

8.640

98,8

99,5

99,1

Cabinda

324

182

506

324

176

500

100,0

96,7

98,8

Zaire

216

252

468

215

251

466

99,5

99,6

99,6

Uíge

228

273

501

228

273

501

100,0

100,0

100,0

Luanda

816

98

914

804

98

902

98,5

100,0

98,7

Cuanza Norte

300

175

475

296

175

471

98,7

100,0

99,2

Cuanza Sul

252

189

441

243

189

432

96,4

100,0

98,0

Malange

300

175

475

300

175

475

100,0

100,0

100,0

Lunda Norte

204

238

442

203

238

441

99,5

100,0

99,8

Benguela

336

126

462

336

126

462

100,0

100,0

100,0

Huambo

264

168

432

258

168

426

97,7

100,0

98,6

Bié

240

189

429

238

189

427

99,2

100,0

99,5

Moxico

228

210

438

215

202

417

94,3

96,2

95,2

Cuando Cubango

216

252

468

216

252

468

100,0

100,0

100,0

Namibe

288

168

456

283

168

451

98,3

100,0

98,9

Huíla

324

147

471

314

146

460

96,9

99,3

97,7

Cunene

192

231

423

192

231

423

100,0

100,0

100,0

Lunda Sul

312

126

438

312

126

438

100,0

100,0

100,0

Bengo

228

266

494

215

265

480

94,3

99,6

97,2

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Angola

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Angola | Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar | QUIBB – 2011 Instituto Nacional de Estatística

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Instituto Nacional de Estatística – Distribuição de Amostra por Comunas QUIBB – 2011

Bem-Estar | QUIBB – 2011 Instituto Nacional de Estatística – Distribuição de Amostra por Comunas QUIBB

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

3.5 Recolha de Dados

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QUIBB – 2011

A recolha de dados nos agregados seleccionados foi feita por entrevista directa e esteve a cargo de um inquiridor devidamente formado. O número de agregados entrevistados por um inquiridor na área urbana foi de 12 agregados (em cada secção) e na área rural foi de 7 agregados (em cada aldeia).

3.6 Características Observadas

O questionário único foi estruturado em 7 módulos:

Módulo A Informação sobre a Entrevista Módulo B Características Socioeconómicas Módulo C Educação e Formação Profissional Módulo D Emprego Módulo E Saúde Geral Módulo F Habitação e Bens do Agregado Familiar Módulo G Indicadores de Pobreza

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

4. PRINCIPAIS CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Agregado familiar: entende-se por agregado familiar uma pessoa ou um grupo de pessoas liga- das ou não por laços de parentesco que vivem habitualmente na mesma casa e cujas despesas são partilhadas, parcial ou totalmente. Em caso de poligamia, considera-se um agregado familiar cada uma das mulheres e seus filhos, se estas tiverem as suas despesas em separado.

Área rural: toda a parte do território nacional não incluída na classificação urbana. As aldeias são identificadas como área rural.

Área urbana: área constituída pelas cidades das capitais de província, sedes dos municípios e al- gumas vilas consideradas como cidades. Para além destas, foram também consideradas como área urbana as aglomerações com 2.000 ou mais habitantes e que possuem infra-estruturas básicas (escolas, estradas, postos médicos, etc.)

Habitação: entende-se por habitação todo e qualquer lugar construído ou adaptado para alojar pessoas, ou é utilizado para tal, ou está disponível para vir a ser utilizado como habitação, no caso das habitações vagas.

Membro do agregado familiar: indivíduo que habitualmente vive no agregado familiar, quer estivesse presente ou ausente na altura do inquérito.

Água canalizada: água que provém de uma torneira com ligação à rede pública no interior da habitação.

Cuidados pré-natais: programa de exame, avaliação, observação, tratamento e educação de mulheres grávidas para que a gestação, o parto e o nascimento se transformem num processo nor- mal e livre de perigo para mães e crianças.

Chafariz/fontanário: infra-estrutura que permite a utilização de água proveniente de uma tornei- ra pública ou de um chafariz destinado ao abastecimento de água à comunidade.

Furo com bomba: perfuração (profunda) feita no solo com uma sonda, em que a água sai por bombagem mecânica ou eléctrica.

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Angola

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QUIBB – 2011

Migração: movimento da população com o propósito de fixar a sua residência num lugar diferen- te do qual estava situada a sua residência anterior.

Migração interna: movimento da população de uma zona administrativa para outra (província) dentro do país, com mudança de residência. O saldo migratório representa a diferença entre o número de entradas e saídas.

Paralítico: indivíduo com paralisia em pelo menos um dos membros superiores ou inferiores.

Poço protegido: buraco feito à mão (ou com instrumento manual), normalmente menos pro- fundo que o furo com bomba, sempre coberto e onde se faz um muro protector interno com qualquer material de construção (tijolo, pedras, etc.), podendo a água ser retirada manualmente ou por meio mecânico.

Poço não protegido: buraco também feito à mão, sem qualquer protecção da qualidade da água.

Pobreza: refere-se a uma situação de baixos ou nenhum rendimento, falta de emprego, acesso limitado a serviços de saúde, baixo capital humano, habitação inadequada, malnutrição, falta de determinados bens e serviços, falta de capacidade de expressão de pontos de vista políticos ou crenças religiosas, etc. A pobreza define-se normalmente como a insuficiência de recursos para assegurar as condições básicas de subsistência e de bem-estar, segundo as normas da sociedade.

Quintil socioeconómico: corresponde à divisão da população em cinco partes iguais com base no seu consumo mensal, em que cada grupo representa 20% da população. Assim, o primeiro quintil corresponde aos 20% da população com o menor consumo e o quinto quintil representa os 20% da população com o maior consumo. Neste relatório são igualmente referidos como os 20% da população mais rica e os 20% da mais pobre.

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5. RESUMO EXECUTIVO

5.1 População

A disposição por sexo definida a partir da amostra do QUIBB aponta para uma população com-

posta por 48,4% de homens e 51,6% de mulheres, o que se traduz num índice de masculinidade de 0,94 ou seja, 94 homens para 100 mulheres.

A população encontra-se maioritariamente nas áreas urbanas (55,4%), enquanto que 44,6% da

população vive nas áreas rurais.

A análise da distribuição etária revela que a população angolana é jovem, com 54,2% da população

com idades dos 0 aos 17 anos. O tamanho médio dos agregados familiares é de 5 pessoas.

5.2 Educação

A nível nacional, 68,6% da população com 15 ou mais anos de idade sabe ler e escrever, e é favo-

rável aos homens, com 81,8%, enquanto as mulheres apontam para 56,6%. Analisando por área

de residência, 85,3% da população alfabetizada encontra-se na área urbana e 47,1% na área rural.

A taxa líquida de frequência no ensino primário corresponde à percentagem de crianças com 6-11

anos de idade, com 79,0% a nível nacional, com predominância na área urbana de 84,6% e 72,2% na área rural.

No ano lectivo de 2011 a taxa líquida de frequência do ensino secundário foi de 28% a nível nacio- nal, com uma diferença significativa na área urbana e rural de 43,7% contra 8,2%.

Quanto à formação profissional, observou-se que 16,5 % da população de 10 ou mais anos de ida- de a nível nacional frequentou ou está a frequentar um curso de formação profissional, com 25,5% na área urbana e 5,1% na área rural. Os dados indicam uma diferença significativa dos homens com 21,3% em relação às mulheres com 12,2%.

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Angola

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5.3 Saúde

Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

A malária é a principal causa de morte em Angola. O uso de redes mosquiteiras tratadas com

insecticida é uma medida preventiva que pode reduzir drasticamente a taxa de mortalidade por malária em crianças e grávidas. Os resultados do inquérito mostram que apenas 31,1% da popula-

ção dormiu debaixo da rede mosquiteira na noite anterior ao inquérito, e apenas 24,4% utilizaram

a rede mosquiteira tratada com insecticida (REMTI). Estima-se que 30,3% das crianças menores

de 5 anos de idade dormiram debaixo do mosquiteiro tratado com insecticida e 38% dormiram sob algum tipo de rede.

A proporção de mulheres com 12-49 anos de idade a nível nacional 57% efectuou 4 ou mais con-

sultas pré-natais, 71,2% na área urbana e 41,4% na área rural, e 84,1% tiveram cuidados pré-natais com pessoal qualificado (médicos, enfermeiras ou parteiras).

Em relação à assistência durante o parto, os resultados mostram que 56,9% das mulheres foram auxiliadas por pessoal qualificado, registando na área urbana 75,7% e 35,2% na rural. Quanto ao local do parto, 50,9% destas mulheres tiveram os filhos em unidades de saúde. A proporção de mulheres que, na área urbana, fizeram o parto nas unidades de saúde é cerca de 3 vezes superior à da área rural.

A nível nacional, nota-se que 85,9% das crianças com 6-59 meses tomaram vitamina A, não ha-

vendo diferenças significativas entre as áreas urbana e rural.

5.4 Habitação, Água e Saneamento Básico

A nível nacional cerca de 28% da população na área urbana vive em habitações sobrelotadas, onde

a média de divisões por habitação é de 3,4 sendo 1,5 a média de pessoas por divisão.

Estima-se que a nível nacional 15% da população dispõe de água canalizada para beber (26% na área urbana e 2% na rural).

Em Angola, 35% dos agregados familiares tem acesso à rede eléctrica, a área urbana apresenta a maior proporção com 60%, enquanto que na área rural a iluminação a petróleo destaca-se com 38%.

Em relação ao principal combustível utilizado para cozinhar, o gás apresenta a maior proporção com 43% a nível nacional. A nível urbano e rural as disparidades são significativas, sendo que na área urbana o principal combustível utilizado para cozinhar é o gás com 74% e na área rural é a le-

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Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

nha com 79%. O resultado mostra que 93% da população que reside na área rural utiliza combus- tível sólido, com consequências para a saúde e degradação do meio ambiente, devido à devastação das matas e florestas.

5.5 Pobreza

Os dados sobre indicadores de pobreza estão relacionados com as despesas do consumo alimentar (peixe, carne, verduras, óleo alimentar, fuba) e não alimentar (sabão ou detergente, vestuário) e mostram que 100% dos agregados declararam ter tido despesas de consumo.

A nível nacional, mais da metade (54%) dos agregados familiares fazem 2 refeições diárias. Nota- -se que na área urbana 49% dos agregados familiares fazem 3 refeições, enquanto que na rural 68% fazem apenas 2 refeições diárias.

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Angola

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QUIBB – 2011

6. ANÁLISE DOS PRINCIPAIS RESULTADOS

6.1 Características da População

Indicadores

Índice de masculinidade: 94%

• Taxa de crescimento: 3,25%

• Densidade da população: 13,1 hab/km 2

Índice de dependência total: 1,01%

Índice de envelhecimento: 0,05%

Índice de sustentabilidade total: 19,8%

• Taxa de migração: 10,8%

• Idade média da população: 15 anos

6.1.1 Dinâmica e Distribuição da População

Entre 2008 e 2011 a população de Angola passou de 16.367.880 para 17.992.033 de habitantes com uma taxa de crescimento de 3,23%. As estimativas para o ano de 2012 apontavam para uma popula- ção de 18.576.568 habitantes, sendo 8.999.074 do sexo masculino e 9.577.494 do sexo feminino.

Quadro 6.1.1 – Distribuição da população de 2008-2012 e taxa de crescimento

Ano

 

Total

 

Homens

 

Mulheres

Taxa de crescimento

2008

16

367 880

7

898 969

8

468 911

3,01

2009

16

888 858

8

158 550

8

730 308

3,18

2010

17

429 637

8

427 802

9

001 835

3,20

2011

17

992 033

8

707 868

9

284 165

3,23

2012

18

576 568

8

999 074

9

577 494

3,25

Fonte INE: Projecção da População 2009-2015

Os dados sobre as projecções da população 2009-2015 indicam que no ano de 2011 63% da po- pulação de Angola residia em apenas cinco províncias do país. Em primeiro lugar aparece a capital do país, Luanda, com 29%, e cerca de 34% na região Centro-Sul, nomeadamente Cuanza Sul (6,3%), Huíla (10,3%), Benguela (9,8%) e Huambo (7,6%). As províncias menos populosas encontram-se na região Norte.

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Angola

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QUIBB – 2011

Quadro 6.1.2 – Distribuição da população por província e por Km 2 (2011)

 

Distribuição da população por província e por Km 2

 

Província

População total

Distribuição

Área (km2)

Densidade demográfica

(hab/Km2)

Angola

17 992 033

100

1 246 700

14,4

Cabinda

394 620

2,2

7 270

54,3

Zaire

354 627

2,0

40 130

8,8

Uíge

945 196

5,3

58 698

16,1

Luanda

5 046 323

28,0

24 651

204,7

Cuanza Norte

330 979

1,8

24 190

13,7

Cuanza Sul

1 198 758

6,7

55 660

21,5

Malange

653 618

3,6

97 602

6,7

Lunda Norte

684 417

3,8

102 783

6,7

Benguela

1 726 057

9,6

31 788

54,3

Huambo

1 443 388

8,0

34 274

42,1

Bié

1 003 042

5,6

70 314

14,3

Moxico

493 019

2,7

223 023

2,2

Cuando Cubango

353 619

2,0

199 049

1,8

Namibe

324 673

1,8

58 137

5,6

Huíla

1 818 382

10,1

75 002

24,2

Cunene

570 918

3,2

89 342

6,4

Lunda Sul

342 063

1,9

45 649

7,5

Bengo

308 333

1,7

31 371

9,8

36

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Província

População total

Distribuição

Área (km2)

Densidade demográfica

(hab/Km2)

Angola

16 367 880

100

1 246 700

13,1

Cabinda

349 501

2,1

7 270

48,1

Zaire

306 123

1,9

40 130

7,6

Uíge

890 821

5,4

58 698

15,2

Luanda

4 749 423

29,0

24 651

192,7

Cuanza Norte

291 250

1,8

24 190

12,0

Cuanza Sul

1 036 518

6,3

55 660

18,6

Malange

598 098

3,7

97 602

6,1

Lunda Norte

604 977

3,7

102 783

5,9

Benguela

1 597 295

9,8

31 788

50,2

Huambo

1 239 777

7,6

34 274

36,2

Bié

901 120

5,5

70 314

12,8

Moxico

444 233

2,7

223 023

2,0

Cuando Cubango

306 215

1,9

199 049

1,5

Namibe

289 144

1,8

58 137

5,0

Huíla

1 683 568

10,3

75 002

22,4

Cunene

507 558

3,1

89 342

5,7

Lunda Sul

300 317

1,8

45 649

6,6

Bengo

271 942

1,7

31 371

8,7

Fonte INE: Projecção da População 2008-2009

37

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Projecção da População por Província – 2011

Cabinda 394 620 Zaire 354 627 Uige 945 196 Cuanza Luanda Norte Norte Luanda 684
Cabinda
394 620
Zaire
354 627
Uige
945 196
Cuanza
Luanda Norte
Norte
Luanda
684 417
330 979
Malanje
5 046 323
Bengo
653 618
308 333
Luanda Sul
342 063
Cuanza Sul
1 198 758
Bie
Benguela
Huambo
1 443 388
1 003 0442
1 726 057
Moxico
493 019
Huila
1 818 382
Namibe
Cuando
324 673
Cubango
Cunene
353 619
570 918
■ Capital
■ < 5 000 000 > 6 000 000
■ < 1 000 000
■ Outros

38

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

6.1.2 Estrutura Etária e Sexo

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QUIBB – 2011

O

estudo sobre a estrutura da população por sexo e grupos etários permite analisar as tendências

de

fecundidade, mortalidade e migrações.

A estrutura da população pode ser resumida em três grandes grupos etários: 0-14 anos (grupo dos

mais jovens), 15-64 anos (grupo dos potencialmente activos) e 65 ou mais anos (grupo dos idosos).

Quadro 6.1.3 – Distribuição dos principais grupos etários (1996-2001 e 2008-2011)

 

Ano

0 -14 anos

15 - 64 anos

65 ou mais anos

1996

– MICS I

50,2

48,7

1,3

2001

– MICS II

49,0

51,0

2,0

2008 – 2009 IBEP

47,7

49,7

2,5

2011

– QUIBB

47,8

49,7

2,5

A pirâmide etária mostra a estrutura da população por grupos etários, para homens e mulheres,

separadamente. Os grupos etários mais jovens encontram-se na parte inferior e na parte superior

encontram-se os grupos etários com mais idade. Assim, a pirâmide etária de Angola é caracteriza-

da por uma base muito larga e um estreitamento no topo, típica dos países em desenvolvimento,

reflectindo uma alta taxa de fecundidade (6,4 filhos), uma alta taxa de mortalidade (191,1%) e uma

baixa esperança de vida (42 anos).

A base da pirâmide é larga, mostrando que 47,8% da população pertence ao grupo etário dos 0-14

anos, 49,7% ao grupo etário com 15-64 anos e apenas 2,5% ao grupo dos idosos (65 anos ou mais). Cerca de 52% da população é do sexo feminino e 48% do sexo masculino.

39

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Gráfico 6.1.1 – Distribuição da população, segundo o sexo e a idade

Homens ■ ■ Mulheres 90 + 85-89 anos 80-84 anos 55-79 anos 70-74 anos 65-69
Homens ■
■ Mulheres
90 +
85-89 anos
80-84 anos
55-79 anos
70-74 anos
65-69 anos
60-64 anos
55-59 anos
50-54 anos
45-49 anos
40-44 anos
35-39 anos
30-34 anos
25-29 anos
20-24 anos
15-19 anos
10-14 anos
5-9 anos
0-4 anos
25
20
15
10
5
0
5
10
15
20
25 %

A distribuição da população mostra que no grupo etário mais jovem (0-14 anos) predominam os

homens, com 48,6% contra 47,1% para as mulheres. No grupo etário entre os 15-64 anos a ten- dência inverte-se e passam a predominar as mulheres, com 50,4% contra 49% para os homens.

A idade média da população angolana é de 20 anos. A idade mediana é de 15 anos, o que signifi-

ca que metade da população angolana tem idade igual ou inferior a 15 anos. A população que re- side na área rural é ligeiramente mais jovem do que a população que reside na área urbana, cuja mediana é de 15 anos na área rural contra os 16 anos na área urbana, não se registando diferenças entre homens e mulheres.

40

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Gráfico 6.1.2 – Idade mediana da população, segundo o sexo

Total Mulheres Homens 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 % Angola Urbana Rural
Total
Mulheres
Homens
0,0
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
%
Angola
Urbana
Rural

6.1.3 Índice de Masculinidade

Este indicador representa o número de homens por cada 100 mulheres. Segundo os dados, em Angola o índice de masculinidade é de 94 homens para cada 100 mulheres, o que significa que existe maior predominância das mulheres face aos homens (51,6% contra 48,4%).

6.1.4 Índices de Dependência Total

O índice de dependência total indica a relação entre a população com 0-14 anos (crianças) e ido-

sos (com 65 anos ou mais) e a população em idade activa (com 15-64 anos). Este índice permite- -nos ter uma percepção sobre o esforço que a sociedade exerce sobre a população activa. Assim, quanto maior for o índice de dependência, maior será o encargo sobre as pessoas em idade produ- tiva, o que implica por outro lado a necessidade de maiores investimentos em infra-estruturas so- ciais, escolares, hospitalares, etc.

O índice de dependência total é composto pelo índice de dependência das crianças e o índice de

dependência dos idosos. Em Angola, para cada 100 pessoas em idade activa existem 101 pessoas

em idade não activa, isto é, para cada pessoa dependente existe em média menos de 1 pessoa em idade activa.

41

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

A maioria dos dependentes são as crianças com menos de 15 anos de idade. Observa-se que o

índice de dependência é maior nas crianças (96%) em relação aos idosos (5%), como resultado das

elevadas taxas de fecundidade no país e uma baixa sobrevivência dos idosos.

Existe uma diferença considerável entre as taxas de dependência da área urbana e da área rural (102% contra 92%).

Gráfico 6.1.3 Índice de dependência total

Rural 7 Urbana 4 Angola 5 10,0 30,0 50,0 70,0 90,0 110,0 % Crianças Idoso
Rural
7
Urbana
4
Angola
5
10,0
30,0
50,0
70,0
90,0
110,0
%
Crianças
Idoso

6.1.5 Índice de Envelhecimento

Em Angola a proporção da população idosa é de 2,5%. O índice de envelhecimento reflecte este facto.

O índice de envelhecimento indica a relação entre a população idosa (65 anos ou mais) e a po-

pulação mais jovem (0-14 anos). Os resultados do QUIBB – 2011 apontam para um índice de envelhecimento de 5%, isto é, para cada 100 pessoas com 0-14 anos de idade em Angola, existem

apenas 5 idosos, reflectindo o predomínio da população jovem sobre a população idosa. O baixo índice de envelhecimento representa uma preocupação socioeconómica na avaliação das políticas sociais e de sustentabilidade.

O agravamento do não envelhecimento da população é quase comum em todas as províncias do

país. Os menores índices de envelhecimento foram registados na província de Luanda e do Nami- be com 3,1% e 3,9%, respectivamente.

42

Angola

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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar

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QUIBB – 2011

Gráfico 6.1.4 – Índice de envelhecimento, segundo a província

Bengo 8,5 Lunda Sul 4,2 Cunene 4,6 Huíla 6,4 Namibe 3,9 Cuando Cubango 5,3 Moxico
Bengo
8,5
Lunda Sul
4,2
Cunene
4,6
Huíla
6,4
Namibe
3,9
Cuando Cubango
5,3
Moxico
6,5
Bié
6,2
Huambo
7,4
Benguela
6,5
Lunda Sul
4,8
Malanje
6,1
Cuanza Sul
4,1
Cuanza Norte
8,1
Luanda
3,1
Uíge
5,5
Zaire
7,9
Cabinde
8,1
Angola
5,3
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
6.1.6 Índice de Sustentabilidade Potencial

%

O índice de sustentabilidade é a relação existente entre a população em idade activa (15-64 anos)

e a população idosa (65 anos ou mais). O índice de sustentabilidade é outro indicador que possi-

bilita a avaliação sobre o esforço que a população idosa exerce sobre a população em idade activa.

A nível nacional, o índice de sustentabilidade potencial é de 19,8 o que significa que em Angola há

19,8 pessoas em idade activa por cada pessoa com 65 anos ou mais. As províncias com maior índi- ce de sustentabilidade são as províncias de Luanda (38,5), Namibe (28,2) e Lunda Norte (22,5).

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Angola | Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar | QUIBB – 2011 Gráfico 6.1.5 –
Angola
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Inquérito de Indicadores Básicos de Bem-Estar
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QUIBB – 2011
Gráfico 6.1.5 – Índice de sustentabilidade potencial, segundo a província
Bengo
12,1
Lunda Sul
19,6
Cunene
20,1
Huíla
14,9
Namibe
28,2
Cuando Cubango
18,8
Moxico
14,6
Bié
14,8
Huambo
12,8
Benguela
16,7
Lunda Sul
22,5
Malanje
16,2
Cuanza Sul
22,1
Cuanza Norte