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Programa do Curso

Curso de Evolução Estelar

 MÓDULO 1 - Conhecendo as Estrelas (1 de Dezembro/2010)

 Descrevendo o céu

1. A esfera celeste

2. Os sistemas de coordenadas celestes

 Para compreender as estrelas

1. As unidades de medida usadas na astronomia

 Números muito pequenos e números muito grandes

 Operações com potências de 10

Exponencial e Logaritmo (Para saber mais)

 Ângulos e medições angulares

 Unidades de distância, tempo e massa

 A escala de temperatura usada na Astrofísica

 Grandezas do movimento ondulatório

2. As forças fundamentais da natureza

 As forças que atuam na natureza

 A força gravitacional

 A força eletromagnética

 A força fraca
 A força forte

3. Órbitas

 As leis de Kepler

Elipse (Para saber mais)

 Massas estelares com a terceira lei de Kepler

4. A radiação eletromagnética

 Propriedades da luz

 A radiação emitida pelos corpos celestes

5. A equação de estado

 As propriedades do gás estelar

Teoria Cinética (Para saber mais)

6. A estrutura dos átomos

 A estrutura atômica: o átomo de Bohr

 Uma nova descrição da matéria: a mecânica quântica

 Léptons e quarks: os constituintes básicos de todo o universo

 Os níveis de energia de um átomo: excitação e desexcitação

Modelo de Bohr (Para saber mais)

 Ionização e plasma

 MÓDULO 2 - COMO MEDIMOS E CLASSIFICAMOS AS PROPRIEDADES DAS ESTRELAS (22 de


Março/2011)
 Distâncias estelares

Paralaxe (Para saber mais)

 As estrelas: brilho, luminosidade, magnitude, temperatura, raio

Sobre Magnitudes e Distancias (Para saber mais)

 Espectros estelares: classificação espectral

1. Uma história fascinante: os espectros e a espectroscopia

2. As leis da espectroscopia

Transferência radiativa (Para saber mais)

3. Os espectros estelares e a classificação espectral de Harvard

Sobre populações atômicas e... mais leis exponenciais (Para saber mais)

 Por que o diagrama Hertzsprung-Russell

 MÓDULO 3 - EVOLUÇÃO ESTELAR I: ANTES E DURANTE A SEQUÊNCIA PRINCIPAL


(03 de Maio/2011)

 O início: como as estrelas se formam

1. Como as estrelas se formam?

Formação Estelar : um processo muito complicado (Para saber mais)

2. O meio interestelar

3. O que são as anãs marrons


 Estrelas da sequência principal

1. Estrelas da sequência principal

Mais sobre a Sequência Principal (Para saber mais)

2. geração de energia: cadeia p-p e ciclo CNO

3. Ciclo Carbono - Nitrogênio completo

 Nosso Sol: a estrela mais importante

1. Nosso Sol

 MÓDULO 4 - EVOLUÇÃO ESTELAR II: APÓS A SEQUÊNCIA PRINCIPAL E O DESTINO FINAL


DAS ESTRELAS
(7 de Junho/2011)

 As estrelas gigantes e supergigantes

1. O processo Triplo-Alpha

 As estrelas variáveis

 As nebulosas planetárias

 Supernovas

 Estrelas anãs brancas

 Estrelas de nêutrons

 Buracos negros

Início de cada módulo Módulo Datas das Provas - 2011


01 Dezembro/2010 módulo I 18/03 a 21/03
22 Março/2011 módulo II 29/04 a 02/05
03 Maio/2011 módulo III 03/06 a 06/06
07 Junho/2011 módulo IV 22/07 a 25/07
A Esfera Celeste

O que será apresentado nesse curso é o resultado da aplicação do que


chamamos de método científico aplicado às estrelas : observamos alguma(s)
característica(s) e procuramos entender essas observações à
luz de leis da física . Entretanto , faz parte do método colocar-se à prova
dos colegas : não basta dizer que observou isso ou aquilo dessa maneira e
assim por diante . Tenho de explicar qual estrela observei e onde ela está
no céu , para que algum colega possa corroborar ou não minhas medidas
( enganos sempre são possíveis ! ) . E é esse o primeiro tópico : como mapear as
estrelas , como caracterizamos sua posição no céu noturno .

Note , como nossos antepassados , que quando olhamos para o céu noturno temos
a impressão imediata de que todos os objetos celestes estão muito afastados de
nós , fixos na escuridão do céu . Por esta razão , os astrônomos atuais supõem ,
para simplificar , que todos os objetos que brilham no céu noturno estão a uma
mesma distância , fixados na parte interna de uma grande esfera imaginária que
envolve a Terra e que chamamos de esfera celeste . E a Terra está situada no
centro dessa esfera celeste .

Façamos um parênteses : as estrelas que povoam o universo estão situadas em


um amplo intervalo de distâncias da Terra e , por exemplo , para sabermos a
quantidade de energia emitida por um corpo celeste precisamos conhecer a que
distância ele está de nós, o que torna este cálculo fundamental para a astrofísica .
As estrelas que conseguimos enxergar com nossos olhos estão situadas em um
intervalo de distâncias que vai de 4,2 anos-luz ( a estrela mais próxima de nós ,
Proxima Centauri , que tem o nome científico de V645 Cen ) até cerca de 1000 anos-luz . Em breve , falaremos dessas distâncias . Mas
você já deve saber que essas distâncias imensas nem se comparam com aquelas das outras galáxias , quasares , que estão a milhões
de anos-luz !

Felizmente, para observar um determinado astro não é necessário saber a sua distância mas somente a direção em que ele se
encontra ( e um telescópio ! ) . Isto é bom porque é muito mais difícil determinar as distâncias do que determinar a direção a estes
objetos.

Resumindo , o céu noturno visto por um observador sobre a superfície da Terra é a projeção sobre a esfera celeste de todos os objetos
celeste, sejam eles : planetas, cometas, estrelas, nebulosas, galáxias, etc.

Embora o conceito de esfera celeste possa parecer muito trivial ele é muito
importante para a astronomia. A esfera celeste é usada pelos astrônomos para
mapear os objetos celestes. É sobre ela que definimos os vários sistemas de
coordenadas astronômicos.

O Equador Celeste e os pólos Celestes

Imagine agora a Terra envolta pela esfera celeste. Vamos supor que o nosso
planeta é um globo transparente, com uma lâmpada no seu centro, e sobre a sua
superfície traçamos o equador terrestre. Ao acendermos a lâmpada no seu interior,
a linha que marca o equador terrestre lançará uma sombra, ou seja , será
projetada sobre a esfera celeste que a envolve.

O equador da Terra, projetado sobre a esfera celeste, é chamado de equador


celeste.
A extensão do eixo de rotação da Terra irá "perfurar" a esfera celeste em dois
pontos que chamamos de pólos celestes.

Obviamente, a projeção do pólo norte da Terra dá origem ao pólo celeste norte


enquanto que a projeção do pólo sul da Terra dá origem ao pólo celeste sul.

O Movimento diurno ( diário ) das Estrelas

Se você olhar para o céu noturno verá que as estrelas surgem no leste, se deslocam através do céu, e se põem no oeste. Esse é
exatamente o movimento que o Sol faz todos os dias. Você pode verificar isso observando o céu noturno por apenas 10 minutos : após
esse intervalo de tempo, uma estrela vista exatamente acima do horizonte a leste no início da cronometragem terá se levantado a
uma altura notável , enquanto que as estrelas próximas do horizonte a oeste terão abaixado mais ainda ou até mesmo desaparecido.

Do mesmo modo se você observar um conjunto de estrelas você verá essas estrelas surgindo como uma distribuição fixa no leste ,
moverem-se através do céu, e se porem no oeste. Em termos do nosso modelo do céu baseado na esfera celeste, explicamos o nascer
e ocaso das estrelas como resultado da rotação da esfera celeste em torno de nós , e na qual todas as estrelas estão fixadas .

Para os povos antigos era mais fácil de acreditar nessa rotação ( usando o senso comum , do que no fato de que a Terra se move.
Assim, eles atribuiam todo o movimento celeste, seja ele do Sol, da Lua, dos planetas ou das estrelas, a uma vasta esfera que
lentamente girava em torno do nosso planeta.

Hoje sabemos que é a rotação da Terra que faz o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas surgirem no leste e se moverem para oeste
através do céu. Não é a esfera celeste que gira mas sim o nosso planeta, a Terra.

Zênite, Nadir e o Meridiano do Observador


O zênite de um observador é o ponto, projetado sobre a esfera celeste, que está diretamente acima da cabeça do observador. Este
ponto é obtido ao se traçar uma reta que passa pelo centro da Terra, pelo observador e se prolonga até a esfera celeste.

O fio de prumo que é usado pelos trabalhadores da construção civil para verificar se uma parede está na vertical também serve para
determinar o zênite. Sabemos que todos os corpos são atraidos para o centro da Terra. O prumo também está sendo atraido e,
portanto, ele marca a direção para o centro do nosso planeta. Se prolongarmos a direção do fio de prumo para cima, na direção da
esfera celeste, teremos o zênite do observador.

O nadir é o ponto diametralmente oposto ao zênite.

Definimos como meridiano o grande círculo imaginário que traçamos na esfera celeste e que passa através do zênite do observador e
dos dois pólos celestes. Assim , cada local sobre a Terra tem um único meridiano que passa por ele .

Eclíptica

Durante o período de um ano o Sol traça uma trajetória aparente no céu em


relação às estrelas fixas (aparentemente fixas , na verdade , porque as distâncias
são tão grandes que não observamos seus movimentos ) .

A projeção dessa trajetória aparente do Sol em relação às estrelas sobre a esfera


celeste é um círculo que chamamos de eclíptica , ou ainda , podemos
definir a eclíptica como sendo o caminho aparente do Sol sobre a esfera celeste em
um ano .

Como o ano tem 365 1/4 dias e o círculo tem 360o , o Sol parece se mover ao
longo da eclíptica a uma taxa de, aproximadamente, 1o por dia.

No entanto, sabemos que o eixo de rotação da Terra é inclinado em um ângulo de


23,5o em relação à eclíptica ( inclinação esta responsável pelas estações do ano ) .

Consequentemente, a eclíptica está inclinada em um ângulo de 23,5o em relação ao equador celeste


devido à inclinação do eixo da Terra (lembre-se que o equador celeste é uma projeção do equador
terrestre sobre a esfera celeste).

A eclíptica é o plano do nosso Sistema Solar. Ela é o plano onde estão as órbitas dos planetas e planetas
anões. Eles pouco se afastam deste plano, com exceção do planeta Mercúrio e do planeta anão Plutão. O
mesmo não acontece com os cometas que, em geral possuem órbitas em torno do Sol bastante
afastadas do plano da eclíptica.
Os Sistemas de Coordenadas Astronômicas

Se olharmos para o céu em uma noite escura podemos ver a olho nú cerca de 3000 estrelas, alguns planetas (dependendo da época
do ano), eventualmente alguns meteoritos, três galáxias (uma se você estiver observando no hemisfério norte e duas se for um
observador do hemisfério sul) e , muito mais raramente , algum cometa ou supernova.

Digamos que você está observando o céu e, de repente algum objeto celeste, seja ele uma estrela muito brilhante ou com uma cor
característica, chama a sua atenção. Você observa o objeto e decide observá-lo novamente na noite seguinte. Como fazer para
encontrá-lo de novo?

Claro que você pode usar o velho processo de "procurar até achar". Tomara que você tenha sorte e encontre logo o objeto que procura
porque se não sua falta de sorte pode significar uma longa procura e, consequentemente, a perda de um tempo precioso de
observação. Uma maneira mais inteligente é tentar associar o objeto de seu interesse com outros objetos próximos. Mas, como fazer
isso? Não dá para lembrar a posição do objeto no qual você tem interesse dizendo que ele estava próximo a uma outra estrela "muito
bonita". Essa informação não seria útil para outros astrônomos porque o critério que você usou é bastante subjetivo.

Para evitar problemas desse tipo precisamos definir um conjunto de coordenadas, comum a todos os observadores, e capaz de
descrever com exatidão e de modo unívoco a posição deste objeto que chamou a sua atenção (quem sabe você acabou de observar a
explosão de uma estrela?).

No entanto, não é trivial definir um sistema de coordenadas com as características acima e isto faz parte do trabalho dos astrônomos
que são especializados em uma área da astronomia chamada "astronomia de posição".

Para mapear as posições dos corpos celestes com precisão os astrônomos desenvolveram vários sistemas de coordenadas que são
usados de acordo com o tipo de objeto que está sendo observado.

Para começar, vamos definir de modo geral o que chamamos de coordenada astronômica ou coordenada celeste : uma
coordenada astronômica é apenas um arco de um círculo , seja ele horizontal ou vertical, que traçamos na esfera celeste e que é
utilizado para definir a posição de algum objeto astronômico sobre esta esfera.

Volto a insistir que, de acordo com a nossa suposição, estamos considerando


que os astros se situam sobre a superfície interna da esfera celeste e a Terra
ocupa o seu centro. Isto quer dizer que os objetos celestes terão a sua
posição definida sobre uma esfera. As três coordenadas que definem um
ponto sobre a superfície de uma esfera são chamadas de coordenadas
esféricas. Elas são o raio r da esfera, e dois ângulos θ e φ. No caso da
astronomia, por considerarmos que todos os objetos celestes estão sobre a
superfície da esfera celeste e, portanto, à mesma distância da Terra, temos
que o raio r é o mesmo para todos os corpos celestes. Deste modo, bastam
as duas coordenadas angulares para definir de modo único a posição de um
astro sobre a esfera celeste ( lembre-se que a localização de um ponto na
superfície da Terra é determinada pela longitude e latitude ) .

Os Vários Sistemas de Coordenadas

Como dissemos anteriormente, a esfera celeste é uma esfera imaginária


onde estão projetados todos os objetos celestes vistos por um observador
situado na superfície da Terra. Obviamente o centro da esfera celeste é o
próprio centro da Terra. Sobre qualquer esfera podemos definir os chamados
grandes círculos ou seja, círculos que têm como centro o próprio centro da
esfera sobre a qual eles são traçados. Por exemplo, o equador da Terra é um
grande círculo, assim como todos os possíveis círculos que unem os pólos
também são grandes círculos. Esse conceito de "grandes círculos" será muito
útil para as definições que se seguem.

O que distingue os vários sistemas de coordenadas usados na astronomia é


o chamado plano fundamental de referência escolhido em cada um
deles. Esses planos fundamentais de referência são grandes círculos em
relação aos quais as coordenadas são definidas. Assim, se o plano fundamental é o horizonte , as coordenadas são chamadas de
coordenadas horizontais. Se o plano fundamental for o equador as coordenadas usadas são as coordenadas equatoriais e assim
por diante. Cada um desses sistemas é mais útil em algum caso específico de estudo na astronomia ou montagem de telescópios. No
caso das estrelas, que é o nosso assunto, o sistema de coordenadas mais utilizado é o sistema de coordenadas equatoriais cujo
plano fundamental de referência é o equador celeste.

As distâncias angulares medidas a partir do plano fundamental são calculadas, em todos os casos, ao longo de arcos de círculo
perpendiculares a ele. Estas distâncias certamente irão depender do sistema de coordenadas considerado. Cada uma delas é lida em
ângulos que variam entre +90o e -90o ( onde os pólos estão situados ) . Os pólos dos sistemas de coordenadas podem ser os pólos
celestes ( norte e sul ) , os pólos da eclíptica, o zênite e o nadir , ou então os pólos da nossa Galáxia, também chamados de pólos
galácticos.

Sistema de Coordenadas Equatoriais

Do mesmo modo que as longitudes e latitudes estabelecem localizações sobre a superfície da Terra, também foi criada uma rede
similar para designar localizações no espaço, sobre a esfera celeste.

De modo semelhante ao "sistema geográfico", os astrônomos criaram um sistema de coordenadas para os objetos celestes cujo plano
fundamental, ou seja, o plano em relação ao qual as coordenadas de um astro são definidas, é o equador celeste.

Este é o "sistema de coordenadas equatoriais" e as coordenadas definidas nele são chamadas de declinação (coordenada análoga
à latitude das coordenadas geográficas) e de ascensão reta (coordenada análoga à coordenada geográfica longitude).

coordenada abreviação símbolo

declinação dec δ
ascensão reta A.R. α

Para um observador situado sobre a superfície da Terra, as estrelas parecem girar a cada 23 horas e 56 minutos. Temos a impressão,
então, que o sistema de coordenadas equatoriais também gira com esta mesma taxa. No entanto, sabemos que é a Terra que está
girando e as estrelas permanecem fixas. Deste modo, o sistema de coordenadas equatoriais também permanece fixo e dizemos que a
ascensão reta e a declinação formam um sistema de coordenadas fixo para as estrelas (veremos mais tarde que a precessão da Terra
modifica estas coordenadas lentamente ao longo do tempo).

Tecnicamente, para definir ascensão reta e declinação dos corpos celestes precisamos usar os círculos horários, que são grandes
círculos que passam através dos polos celestes e cruzam perpendicularmente o equador celeste.
A Declinação

A declinação de uma estrela é a sua distância angular medida para o norte ( declinação positiva ) ou para o sul ( declinação negativa )
do equador celeste . É a medida análoga, como dissemos acima, à latitude sobre a Terra que é medida a partir do equador terrestre.
Ela é medida em graus , minutos e segundos . A medida é um arco do chamado círculo horário : o círculo máximo que passa
pelos pólos e pela posição desejada . Se o astro está sobre o equador celeste sua declinação é zero grau .

A Ascensão Reta

A ascensão reta é obtida pela projeção das linhas de longitude do sitema geográfico .
Longitude zero sobre a Terra é arbitrariamente designado como sendo dada pelo meridiano que passa pela cidade de Greenwich, na
Inglaterra.
Entretanto, a Terra gira em relação à esfera celeste. Evidentemente, do ponto de vista da Terra é a esfera celeste que está rodando.
Por conseguinte, um ponto sobre a esfera celeste deve ser escolhido para representar a longitude zero. Este ponto é chamado de
equinócio vernal.
Lembre-se:

o equinócio vernal é o ponto zero da ascensão reta.

A ascensão reta de um objeto celeste é o ângulo até o círculo horário deste objeto, medido na direção leste ao longo do equador
celeste a partir do equinócio vernal.
A ascensão reta também difere da longitude na sua unidade de medida. A ascensão reta é expressa não em graus mas em horas,
minutos e segundos . O intervalo de variação da ascensão reta é entre 0 e 24 horas . Como em 360 o existem 24 horas , cada hora
corresponde a 15o .
Usando Números muito Pequenos e Números muito Grandes

Leia o seguinte texto, em voz alta, e em menos de 30 segundos:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro aproximado de
100000000000 metros. E isso é muito pequeno se comparado com o tamanho da Galáxia
onde vivemos com seus incríveis 100000000000000000000 metros de diâmetro. No
entanto, ao lembrarmos que o Universo visível deve ter cerca de
100000000000000000000000000 metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos
estão incluídos no estudo da Astronomia. Daí pensamos que é melhor estudar biologia pois
a molécula do DNA tem apenas 0,0000001 metro, muito mais fácil de lidar. O problema é
que a astronomia não é uma profissão perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os
biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 0,000000001 metro e são
terrivelmente mortais. E se, por distração, um biólogo deixar um desses vírus cair no chão
do laboratório? Nunca mais irá encontrá-lo!....".

Difícil ler esses números, não é? Mais ainda, é muito difícil comparar imediatamente números com tantos zeros à direita ou à esquerda
da vírgula, ou seja, com tantas casas decimais.

Vamos melhorar então o texto para você, fazendo algumas modificações. Leia novamente, em voz alta e em menos de 30 segundos:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro aproximado de 100
bilhões de metros. E isso é muito pequeno se comparado com o tamanho da Galáxia onde
vivemos com seus incríveis 100 milhões de trilhões de metros de diâmetro. No entanto, ao
lembrarmos que o Universo visível deve ter cerca de 100 milhões de bilhões de bilhões de
metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos estão incluídos no estudo da
Astronomia. Daí pensamos que é melhor estudar biologia pois a molécula do DNA tem
apenas 1 décimo milionésimo do metro, muito mais fácil de lidar. O problema é que a
astronomia não é uma profissão perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os
biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 1 bilionésimo do metro e são
terrivelmente mortais. E se, por distração, um biólogo deixar um desses vírus cair no chão
do laboratório? Nunca mais irá encontrá-lo!...."

Melhorou um pouquinho, não? Entretanto ainda é difícil comparar os números descritos por palavras quando tratamos com valores tão
elevados, no caso da astronomia, ou tão pequenos, como ocorre com a biologia.

Para facilitar ainda mais a compreensão de textos como esses, os cientistas passaram a usar uma forma compacta para escrever
números muito grandes ou muito pequenos, a chamada notação científica ou notação exponencial.

A notação científica ajuda a evitar erros quando escrevemos números muito grandes ou muito pequenos e facilita a comparação
entre estes números.
Esta notação é muito usada nos artigos científicos uma vez que quantidades muito pequenas e muito grandes aparecem
frequentemente na Astronomia e na Física.

Como é a notação científica?

A notação científica nada mais é do que escrever qualquer número, pode ser muito grande ou muito pequeno, como se ele estivesse
multiplicado por uma potência de 10. Ou seja , todos os números podem ser multiplicados por um fator do tipo

10?

No caso de números muito grandes o expoente "?" será um número positivo

No caso de números muito pequenos o expoente "?" será um número negativo

Vejamos alguns exemplos:

Números muito grandes

1a regra:

Para escrever com a notação científica qualquer número seguido de muitos zeros basta contar o número de zeros que aparecem à
direita do último algarismo significativo e colocar este valor como expoente de 10.

Os números agora são lidos facilmente. Por exemplo, 1027 é lido como "dez elevado a 27" ou simplesmente "10 a 27".

É bom relembrar que 1 = 100 , pois todo número elevado a zero é igual a 1.

E se o número for, por exemplo, 17400 ?


Seguindo a regra anterior, escrevemos o número 17400 como 174 x 10 2. No entanto, podemos escrevê-lo de diversas outras formas
usando as potências de 10.

2a regra:

A notação científica pode separar um número em duas partes: uma fração decimal multiplicada por uma potência de 10.

Por exemplo, dado um número qualquer coloque a vírgula onde você desejar. O número de algarismos deixados no lado direito da
vírgula será o expoente de 10. Deste modo podemos escrever o número de muitas formas. Por exemplo:
Do mesmo modo, um número que já está escrito na notação científica pode ser alterado muito facilmente. Por exemplo, o número 174
x 102 pode ser escrito como 1,74 x 104. Para isto verificamos que agora passamos a ter dois algarismos no lado direito da vírgula (o
sete e o quatro) e, conseqüentemente, acrescentamos o valor "dois" ao expoente anterior de 10, que passa a ser quatro. O número
1,74 x 104 significa 1,74 vezes 10 elevado à quarta potência ou seja, 1,74 x 10 x 10 x 10 x 10 =17400.

Números muito pequenos

Para representar números muito pequenos a notação científica usa expoentes negativos.
Um sinal negativo no expoente de um número significa que o número é, na verdade, 1 dividido pelo valor que ele teria considerando-
se o expoente positivo.
Assim
10-2 = 1/102
10-28 = 1/1028

regra:
Para escrever um número muito pequeno usando a notação científica contamos o número de algarismos situados no lado direito da
vírgula, sejam eles zeros ou não. Este será o valor do expoente de 10 antecedido por um sinal negativo.
E para escrever um número qualquer? Por exemplo, o número 0,0000000478. Contando o número de algarismos à direita da vírgula
vemos que existem 10 algarismos. Podemos então escrever este número como 478 x 10 -10.

Podemos também escrever este número de várias outras formas colocando sua parte significativa (no exemplo acima, o número 478)
em uma forma fracionária. Para determinar o valor do expoente negativo, coloque uma vírgula imaginária no local que você desejar e
conte o número de algarismos que se encontram entre as duas vírgulas. Este será o expoente (negativo) de 10. Veja o exemplo a
seguir:

Temos duas outras regras também muito fáceis:

regra 1
se um número está escrito na notação científica cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a direita, o expoente de 10 aumenta
uma unidade.
regra 2
se um número está escrito na notação científica cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a esquerda, o expoente de 10
diminui uma unidade.

Comparando potências de 10

primeira regra:
Se os expoentes são positivos, o maior número será o que tiver o maior expoente.
1075 é menor do que 1076 (porque 75 é menor do que 76)

segunda regra:
Se os expoentes são negativos, o maior número será aquele com o menor valor numérico como expoente (sem considerar o sinal).
10-75 é maior do que 10-76 (o expoente negativo menor significa que o número tem menos "zeros" depois da vírgula, ou seja, ele está
mais "próximo" da unidade).

Voltemos agora, novamente, ao nosso texto inicial desta vez escrito com a notação científica:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro aproximado de 10 11
metros. E isto é muito pequeno se comparado com o tamanho da Galáxia onde vivemos
com seus incríveis 1020 metros de diâmetro. No entanto, ao lembrarmos que o Universo
visível deve ter cerca de 1026 metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos estão
incluídos no estudo da Astronomia. Daí pensamos que é melhor estudar biologia pois a
molécula do DNA tem apenas 10-7 metros, muito mais fácil de lidar. O problema é que a
astronomia não é uma profissão perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os
biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 10 -9 metros e são
terrivelmente mortais. E se, por uma distração, um biólogo deixa um destes vírus cair no
chão do laboratório? Nunca mais irá encontrá-lo!....".

Muito mais simples, não é? Com certeza você conseguiu lê-lo em menos de 30 segundos e teve muito mais facilidade em comparar os
tamanhos pois bastou comparar os expoentes de 10.
Exponencial e Logaritmo

1- Na notação científica apresentada utilizamos potências de 10 , ou seja ,

10x

onde 10 é a base e x é o expoente . Trata-se de um caso particular da operação de exponenciação pois , podemos utilizar outros
números como base ( mas não para a chamada notação científica!!).

Também de particular interesse para os físicos é o número irracional 2,718281828 ... , representado pela letra e . Expressões onde
aparece o fator

ea
onde a pode ser qualquer valor , são frequentes na física : decaimento radioativo , osciladores amortecidos , absorção de radiação
quando um feixe de luz atravessa um meio, etc. Esses efeitos são tão comuns que vale a pena ver como é o comportamento em um
gráfico da denominada função exponencial . Na figura seguinte , você verá isso . Note que os valores do expoente variam de 1 até 10 ,
mas no eixo vertical mostramos o valor de e-x . O primeiro gráfico é uma reta porquê qualquer número elevado a zer é igual a 1 . Em
seguida verá outras curvas , cada uma delas com o valor de x multiplicado por um número . Assim pode-se ver como essa função é
sensível ao expoente . Clique na figura e observe .
Nas aplicações em física , como na citada absorção de radiação por um meio , o valor do expoente depende das características desse
meio : suas densidade e temperatura , por exemplo .

2- Relacionados à exponenciação temos os logaritmos , que serão utilizados posteriormente para estabelecer uma escala para o brilho
das estrelas (magnitudes).

A definição geral de logaritmo é a seguinte :

log a b = x se ax = b , que lemos : o logaritmo de b na base a ( a > 0 e diferente de 1 ) é o número x , tal que ax= b. Um
exemplo bem simples :

log 100 =2 porquê 102 = 100

Outra vez , duas bases nos interessam : 10 e e . Normalmente , quando só utilizamos a notação log , está implícito que a base
utilizada é 10 ( logaritmo decimal ) . Se a base é e , chamamos de logaritmo natural e usamos o símbolo ln . Ou seja ,

ln b = y se ey = b .
Realizando Operações com Potências de 10

Agora que já recordamos como usar a notação científica veremos como ela, freqüentemente, simplifica os nossos cálculos.

multiplicação

Podemos multiplicar muito facilmente usando a notação de potências de 10 : quando um número com um expoente é multiplicado pelo
mesmo número com um expoente diferente o resultado é o mesmo número com um expoente dado pela soma dos dois expoentes
originais.
105 x 107 = 105+7 = 1012
53 x 57 = 53+7 = 510

divisão

Também podemos dividir muito facilmente usando a notação de potências de 10 : quando um número com um expoente é dividido
pelo mesmo número com um expoente diferente o resultado é o mesmo número com um expoente dado pela subtração dos dois
expoentes originais.
107 ÷ 105 = 107-5 = 102
57 ÷ 52 = 57-2 = 55

Mas lembre-se que podem ocorrer expoentes negativos:


105 ÷ 107 = 105-7 = 10-2
64 ÷ 69 = 64-9 = 6-5

soma e subtração

Para realizar soma ou subtração de números escritos na notação científica devemos, em primeiro lugar, colocá-los com o mesmo
expoente da potência de 10.
Por exemplo, para adicionar
3 x 105 + 4 x 104
precisamos modificar os dois números de forma que ambos fiquem ou multiplicados por 10 4 ou por 105. Aí sim podemos realizar a sua
soma.
3 x 105 + 4 x 104 = 30 x 104 + 4 x 104 = 34 x 104 = 3,4 x 105
3 x 105 + 4 x 104 = 3 x 105 + 0,4 x 105 = 3,4 x 105 = 34 x 104

Pergunta:

Por que não precisamos colocar parênteses nas operações acima?

potência de potência

Os astrônomos também realizam, freqüentemente, cálculos nos quais é necessário elevar a um dado expoente um número que já
possui um expoente . Para realizar este cálculo simplesmente multiplicamos os dois expoentes.

Assim, se queremos elevar 103 à quinta potência facilmente encontramos


(103)5 = 103 x 5 = 1015

Quando é que uma situação como a seguinte aparece? Queremos encontrar, por exemplo, 1000 5. Uma vez que 1000 = 103 teremos:
10005 = (103)5 = 103 x 5 = 1015

Pergunta:
35
10 é igual ou diferente de (103)5? Por quê?

Para saber mais


Ângulos e Medições Angulares

Os astrônomos usam ângulos e sistemas de medições angulares para representar as posições e tamanhos aparentes de objetos no
céu.

Ângulo plano

Um ângulo plano é a abertura formada por duas semi-retas que se encontram em um ponto.

Uma medida angular descreve exatamente a forma, ou tamanho, de um ângulo. A unidade básica de medida angular é o grau ,
designado pelo símbolo o.

Uma circunferência inteira é dividida em 360o e um ângulo reto mede 90o.

Os astrônomos usam medições angulares para descrever o tamanho aparente dos objetos celestes. Por exemplo, imagine-se olhando
para a Lua Cheia. O ângulo coberto pelo diâmetro da Lua é aproximadamente (1/2)o. Dizemos por conseguinte que o diâmetro
angular, ou tamanho angular, da Lua é de "meio grau". Alternativamente os astrônomos dizem que a Lua subtende um ângulo de
(1/2)o ou "meio grau".

Mantendo o braço estendido um adulto pode obter uma estimativa grosseira


de valores angulares usando partes de sua mão, como mostra a figura ao
lado. Por exemplo, ao fecharmos nossa mão com o braço estendido, o punho
cobre um ângulo de cerca de 10o. Se mantivermos a mão aberta na direção
do céu enquanto o braço está estendido, a ponta de seu dedo estará medindo
um ângulo com cerca de 1o de largura. Vários segmentos de nosso dedo
indicador, estendido no comprimento de um braço, podem ser similarmente
usados para estimar ângulos com alguns graus de abertura.

Para falar sobre ângulos menores subdividimos o grau em 60 minutos de


arco, ou abreviadamente 60'. Um minuto de arco é subdividido mais ainda em
60 segundos de arco ou abreviadamente 60".

Uma outra unidade usada para medidas de ângulos é o radiano, abreviado


como rd. Um ângulo é dado em radianos a partir da relação

θ = s/r

onde θ é o ângulo medido em radianos e s é o comprimento do arco


subtendido por esse ângulo sobre uma circunferência de raio r.
Por ser uma medida obtida a partir da razão entre dois comprimentos (o comprimento do arco e o raio) , o radiano é um número puro,
não tendo dimensão física.

Como o comprimento de uma circunferência de raio r é 2πr, vemos que uma circunferência completa subtende um ângulo de 2π
radianos (uma vez que o ângulo total em radianos será dado pelo comprimento total da circunferência dividido pelo seu raio ou seja,
2πr/r que é igual a 2π).

Vemos, portanto, que

grau minuto segundo radiano


grau 1 60 3600 1,745 x 10-2
-2
minuto 1,667 x 10 1 60 2,909 x 10-4
segundo 2,778 x 10-4 1,667 x 10-2 1 4,848 x 10-6
5
radiano 57,30 3438 2,063 x 10 1
Exercício
Podemos definir ângulos sobre superfícies curvas?

Ângulo sólido

O ângulo sólido é o análogo tridimensional de um ângulo ordinário( plano ) . Vimos que um ângulo plano é determinado quando duas
semi-retas se encontram em um vértice. No caso do ângulo sólido ele será determinado por uma figura tridimensional que tem sua
origem também em um ponto.

Podemos definir o ângulo sólido como sendo aquele que, visto do centro de uma esfera, inclui uma dada área sobre a superfície dessa
esfera.

A unidade de medida de um ângulo sólido é o esferorradiano, que é equivalente ao radiano elevado ao quadrado.
Ângulos sólidos também podem ser medidos em graus elevados ao quadrado.

Vamos ver como calculamos o ângulo sólido que um determinado objeto subtende em um ponto externo a ele e que chamaremos de
P. Para isso escolha um outro ponto de tal forma que o objeto esteja entre ele e o ponto P. A partir desse novo ponto faça a projeção
da área do objeto sobre o ponto P. Com isso você obteve um objeto tridimensional que possui um vértice no novo ponto escolhido e
que tem como base a área projetada na região onde está o ponto P. Imagine agora que uma esfera está passando pelo ponto P e que
a área do objeto projetada em P faz parte da superfície da esfera. Se você dividir a área dessa superfície projetada sobre a esfera
(contida dentro da figura que marca os limites mais externos do objeto) pela área total da esfera, que equivale a 4πr2, irá obter o que
chamamos de área fracionária.
Para obter o ângulo sólido que o objeto subtende no ponto P, em esferorradianos (ou radiano elevado ao quadrado), basta multiplicar
a área fracionária por 4π.
Para obter esse mesmo ângulo sólido em graus elevados ao quadrado, multiplique a área fracionária por 4 x 1802/π, que é equivalente
a 129600/π.

É claro que você já notou que para calcular o ângulo sólido que um objeto subtende em um ponto P qualquer basta calcular o tamanho
da área projetada pelo objeto sobre uma esfera que passa pelo ponto P e dividir esse valor pelo quadrado do raio dessa esfera.
Assim, o ângulo sólido é dado por

Ω = A/r2

onde Ω é o ângulo sólido visto por um objeto e A é a sua área projetada sobre a superfície de uma esfera de raio r.

É interessante notar que a forma da área projetada sobre a esfera não é importante para o cálculo do ângulo sólido. Essa projeção
pode ter qualquer forma. Se projeções diferentes definem o mesmo valor de área, sobre uma esfera com o mesmo valor de raio, o
ângulo sólido correspondente terá o mesmo valor.

1 esfera = 4 π esferorradianos = 12,57 esferorradianos


Unidades de Distância, Tempo e Massa

Para podermos comparar medidas em astrofísica precisamos estabelecer unidades que sirvam como padrão. Precisamos definir
unidades de distância, de tempo e de massa pois esses parâmetros nos acompanharão em todo o estudo das estrelas. As unidades de
distância serão utilizadas na designação do afastamento que as estrelas têm de nós. As unidades de tempo serão usadas na descrição
das idades estelares e as unidades de massa surgirão quando caracterizarmos as massas das estrelas.

Unidades de distância

Como as distâncias medidas em astronomia são escandalosamente grandes para os padrões terrestres, os astrônomos utilizam
algumas unidades características. Entre elas encontramos a unidade astronômica, o ano-luz e o parsec.

unidade astronômica

A unidade astronômica é definida como a distância média entre a Terra e o Sol. Sua abreviação é U.A. (sempre em letras
maiúsculas).

Uma unidade astronômica equivale a 149597870,691 km mas, em geral, consideramos o valor aproximado de 150 milhões de
quilômetros.

A unidade astronômica é mais usada quando tratamos de medidas de distância no interior do Sistema Solar. Tendo em vista o seu
"pequeno" valor ela não é usada para quantificar as distâncias até as estrelas .

ano-luz

Um ano-luz é a distância que a luz viaja em um ano , no vácuo. Sua abreviação é a.l..

Qual é o valor de um ano-luz?

Para obter este valor basta você calcular o número de segundos que existem em um ano e multiplicar o resultado pelo valor exato da
velocidade da luz no vácuo, que é 299792458 metros por segundo.

Um ano-luz equivale a 9460530000000 km, o que é, aproximadamente, 9500 bilhões de quilômetros!

Exercício
O valor exato do ano-luz é 9460528410545436,2688 metros ou 9460528410545,4362688
km. Usualmente escrevemos 9460530000000 km. Faça o cálculo desta distância,
multiplicando o número de segundos do ano pelo valor exato da velocidade da luz dado
acima. Eu posso quase apostar que o seu resultado não dará este valor! Por que?

Usando a notação científica podemos escrever que 1 ano-luz = 9,46053 x 1012 km.

Comumente aproximamos o resultado dizendo que um ano-luz é equivalente a 1013 km.

Também usamos sub-unidades do ano-luz tais como a hora-luz, o minuto-luz e o segundo-luz.

Uma hora-luz é a distância percorrida pela luz em uma hora. Ela corresponde a 1 079 252 820 km

Um minuto-luz é a distância percorrida pela luz em um minuto. Ele corresponde a 17 987 547 km.

Um segundo-luz é a distância percorrida pela luz em um segundo. Ele corresponde a 299 792 km.

Importante: o ano-luz e seus submúltiplos, hora-luz, minuto-luz e segundo-luz, são unidades de medida de distância e não de
tempo.

"Viajamos 250 anos-luz." certo


"Viajamos durante 250 anos-luz." ERRADO
Podemos agora ver porque a unidade astronômica não é utilizada para definir a distância às estrelas: uma unidade astronômica é
equivalente a, aproximadamente, 499 segundos-luz. Um feixe de luz leva aproximadamente 8,3 minutos para viajar uma unidade
astronomica. A unidade astronômica é uma medida muito pequena para representar distâncias estelares. Um ano-luz corresponde a
cerca de 63070 unidades astronômicas. A estrela mais próxima de nós (não considerando o Sol) está a uma distância de 4,2 anos-luz
ou seja 264894 unidades astronômicas.

As 26 estrelas mais próximas da Terra

estrela distância

Sol
~8,3 minutos-luz

Proxima Centauri 4,2 anos-luz

Alpha Centauri A 4,34 anos-luz

Alpha Centauri B 4,34 anos-luz

Barnard 6,0 anos-luz

Wolf 359 7,7 anos-luz

BD +36 2147 8,2 anos-luz

Luyten 726-8A 8,4 anos-luz

Luyten 726-8B 8,4 anos-luz

Sirius A 8,6 anos-luz

Sirius B 8,6 anos-luz

Ross 154 9,4 anos-luz

Ross 248 10,4 anos-luz

Epsilon Eridani 10,8 anos-luz

Ross 128 10,9 anos-luz

61 Cyg A 11,1 anos-luz

61 Cyg B 11,1 anos-luz

Epsilon Ind 11,2 anos-luz

BD +43 44 A 11,2 anos-luz

BD +43 44 B 11,2 anos-luz

Luyten 789-6 11,2 anos-luz

Procyon A 11,4 anos-luz

Procyon B 11,4 anos-luz

BD +59 1915 A 11,6 anos-luz

BD +59 1915 B 11,6 anos-luz

CoD -36 15693 11,7 anos-luz

parsec

Para medir distâncias às estrelas mais distantes os astrônomos usam, frequentemente, uma unidade de medida ainda maior do que o
ano-luz e que tem o nome de parsec. Sua abreviação é pc.

O parsec é definido como a distância na qual um objeto celeste, como por exemplo uma estrela, teria uma paralaxe de um segundo de
arco (mais tarde definiremos o que é paralaxe. No momento preocupe-se apenas com os valores numéricos definidos). O parsec
corresponde a 206265 unidades astronômicas e a 3,26 anos-luz. Isto significa que um
parsec = 3,085678 x 1013 km = 3,08 x 1018 cm.

Usamos bastante dois múltiplos do parsec:


1 kiloparsec = 1 kpc = 1000 parsecs = 103 pc
1 megaparsec = 1 Mpc = 1 milhão de parsecs = 106 pc

Resumindo os valores das três unidades dadas acima vemos que:

ano-luz parsec unidade astronômica

ano-luz = 1 0,3066 63239


parsec = 3,26 1 206265
8,3 minutos-luz
unidade astronômica = 4,848 x 10-6 1
ou 499 segundos-luz
Unidades de tempo

Em astrofísica não usamos unidades de tempo diferentes daquelas de uso comum. A idade de uma estrela é dada em anos.
Como já foi dito , é importante não considerar ano-luz como unidade de medida de tempo. Ano-luz é unidade de medida de distância!

Unidades de massa

As unidades de massa que usamos no nosso dia-a-dia são grama, quilograma e tonelada. No entanto teríamos que lidar com números
absurdamente grandes se as aplicássemos às estrelas.
Na astrofísica, em geral, tomamos como unidade padrão de massa a massa do Sol, que chamamos de massa solar. Uma massa solar
corresponde a Msol = 1,98 x 1030 quilogramas.
Sempre que nos referimos à massa de uma estrela dividimos o valor que ela possui pelo valor da massa solar. O resultado nos dá
quantas vezes a massa da estrela é superior, ou não, à massa do Sol. Assim, a estrela Betelgeuse, ou Alpha Orionis, tem uma massa
cerca de 20 vezes maior do que a do Sol ou seja Mbetelgeuse ~ 20 Msol.

É comum, quando falamos de propriedades solares, representar o Sol pelo seu símbolo .
Escrevemos então

para a luminosidade do Sol, para a massa do Sol, para o raio do Sol.

Note que em vários textos surgem relações do tipo que nos mostram a razão entre a massa

de uma estrela e a massa do Sol. Relações como estas também ocorrem para a luminosidade e raio.

Algumas unidades de comprimento importantes para a astrofísica

Como o próprio nome diz, astrofísica é o estudo dos fenômenos físicos que ocorrem nos astros. No estudo da astrofísica estelar
estaremos em constante contato com várias áreas da física tais como a física nuclear, a física de partículas elementares, a física
atômica, etc. Estas áreas da física descrevem os fenômenos que ocorrem no interior dos átomos e que são os responsáveis pelos
processos dinâmicos que ocorrem nas estrelas tal como a sua geração de energia e evolução.

Ao contrário do que ocorre com a astronomia, que está sempre envolvida com grandes distâncias, no caso da física que ocorre no
interior dos átomos, seja na sua parte mais externa onde estão os elétrons ou no interior do seu núcleo, as distâncias e tamanhos
envolvidos são muito pequenos para serem descritas pelas nossas grandezas usuais tais como o quilômetro, metro, centímetro ou
mesmo o milímetro.

Para descrever fenômenos que ocorrem no interior dos átomos usaremos as seguintes unidades :

micron

símbolo: µ
Corresponde a 10-6 de alguma grandeza física. Assim, 1 micrometro = 1 µm = 10 -6 metros.

nanometro
Com a abreviação nm, o nanometro é uma unidade de medida de grandezas muito pequenas.
São as seguintes as equivalências do nanometro:
1 nanometro = 10-9 metros
1 metro = 109 nanometros

Ångstrom

símbolo: Å
Esta é uma unidade usada para medidas de comprimentos de onda de radiação eletromagnética. Seu símbolo, Å, é uma homenagem
ao físico sueco Anders Jonas Ångstrom.
Um Ångstrom equivale a um centésimo milionésimo de um centímetro ou seja, 0,00000001 centímetros.
Com a notação científica este número tão pequeno pode ser escrito como 1 x 10-8 centímetros = 10-10 metros.
O Ångstrom é, realmente, uma unidade de medida bastante especial. Basta notarmos que uma folha de papel tem a espessura de,
aproximadamente, 1 000 000 de Ångstrons. Temos também que 10000 Ångstroms correspondem a 1 micron.
Temos também as seguintes equivalências:
1 Ångstrom = 0,10 nanometros = 0,10 nm = 10-1 nanometros
1 nanometro = 10 Ångstroms = 10 Å

femtometro

abreviação : fm
Corresponde a 10-15 de alguma grandeza física. Assim, 1 femtometro = 1 fm = 10-15 do metro

Os prefixos usados para as potências de 10

O sistema de unidades que usaremos em todo este texto é a forma internacional do sistema métrico que está em uso, conhecido pela
expressão francesa Système International ou simplesmente sistema SI. As grandezas físicas neste sistema são expressas pelas
unidades fundamentais metro, quilograma, segundo.

Prefixos de Potências de 10 (Sistema Internacional)

Múltiplo de 10 Potência Prefixo Símbolo

1000000000000000000000000 1024 iota Y


21
1000000000000000000000 10 zeta Z

1000000000000000000 1018 exa E


15
1000000000000000 10 peta P

1000000000000 1012 tera T


9
1000000000 10 giga G

1000000 106 mega M


3
1000 10 quilo k

100 102 hecto h


1
10 10 deca da

Prefixos de Potências de 10 (Sistema Internacional)

Múltiplo de 10 Potência Prefixo Símbolo

0,1 10-1 deci d


0,01 10-2 centi c

0,001 10-3 mili m

0,000001 10-6 micro µ

0,000000001 10-9 nano n

0,000000000001 10-12 pico p

0,000000000000001 10-15 femto f

0,000000000000000001 10-18 ato a


-21
0,000000000000000000001 10 zepto z

0,000000000000000000000001 10-24 iocto y

Relação (aproximada) entre potências de dez e escalas de distâncias e tamanhos

potência de 10 Medida correspondente


1025 1 bilhão de anos-luz
24
10 100 milhões de anos-luz
1023 10 milhões de anos-luz
22
10 1 milhão de anos-luz
1021 100 000 anos-luz
1020 10 000 anos-luz
19
10 1000 anos-luz
1018 100 anos-luz
1017 10 anos-luz
16
10 1 ano-luz
1015 1 trilhão de quilômetros
1014 100 bilhões de quilômetros
13
10 10 bilhões de quilômetros
1012 1 bilhão de quilômetros
1011 100 milhões de quilômetros
1010 10 milhões de quilômetros
109 1 milhão de quilômetros
108 100 000 quilômetros
7
10 10 000 quilômetros
106 1000 quilômetros
5
10 100 quilômetros
104 10 quilômetros
103 1 quilômetro
2
10 100 metros
101 10 metros
100 1 metro
-1
10 10 centímetros
10-2 1 centímetro
10-3 1 milímetro
-4
10 100 microns
10-5 10 microns
10-6 1 micron
-7
10 100 nanômetros (1000 Ångstroms)
10-8 10 nanômetros (100 Ångstroms)
-9
10 1 nanômetro (10 Ångstroms)
10-10 100 picômetros (1 Ångstrom)
10-11 10 picômetro
-12
10 1 picômetro
10-13 100 fermis
-14
10 10 fermis
10-15 1 fermi
10-16 0,1 fermis
10-17 0,01 fermis
10-18 0,001 fermis
A Escala de Temperatura Usada na Astrofísica

A escala termométrica de uso diário: a escala Celsius

Na nossa vida diária costumamos medir temperaturas usando a escala Celsius. Quando medimos a
febre de uma pessoa usando um termômetro clínico qualquer , expressamos o valor marcado em graus
Celsius e ao escrevê-lo o valor numérico deve vir acompanhado pelo símbolo oC.

Essa escala termométrica tem esse nome em homenagem ao físico sueco Anders Celsius (1701-1744)
que a propôs em 1742.

A escala de temperatura Celsius está baseada no comportamento da água. Sabemos que ela congela a
0o Celsius e entra em ebulição a 100o Celsius ao nível do mar. Baseado nesses valores Celsius propôs a
sua escala termométrica.

Uma escala de temperatura absoluta: a escala Kelvin

Para a física era importante definir uma escala termométrica que fosse independente das propriedades
de qualquer substância , o que não ocorre com a escala Celsius.

Por esse motivo os físicos adotaram para suas medidas científicas a escala Kelvin , que tem esse nome
em homenagem ao físico irlandês William Thomson (1824, Belfast, Irlanda; 1907, Netherhall, Ayrshire,
Escócia), mais conhecido como Lord Kelvin.

A unidade de temperatura da escala Kelvin é chamada de "Kelvin" e tem o símbolo K.

Note que o correto é dizer Kelvin e não "graus" Kelvin. Por exemplo, dizemos 50 graus Celsius mas não
dizemos 50 "graus" Kelvin e sim , 50 Kelvin.

Na escala de temperatura Kelvin a água congela a 273 Kelvin e entra em ebulição a 373 Kelvin.

A escala Kelvin relaciona-se com a escala Celsius da seguinte maneira:

escalas Celsius Kelvin


ponto de vapor
(é a temperatura na qual o vapor d'água e a 100,00oC 373,15 K
água líquida estão em equilíbrio, à pressão de uma atmosfera)
ponto de fusão do gelo
(é a temperatura na qual o gelo e a 0,00oC 273,15 K
água saturada com ar estão em equilíbrio, à pressão de uma atmosfera)

Note que as escalas termométricas Celsius e Kelvin mostram o mesmo intervalo de 100 divisões entre os valores de congelamento e
ebulição da água. Consequentemente elas apresentam o mesmo intervalo para um grau. Podemos então escrever uma equação que
transforma graus Celsius em Kelvin. A temperatura to C está relacionada com a temperatura T Kelvin pelas equações

t (o C) = T (K) - 273,15.
T (K) = t (o C) + 273,15.
O que é temperatura?

Sabemos que todas as substâncias são formadas por átomos. Essas pequeníssimas partículas estão constantemente em movimento.

A temperatura de um corpo é uma medida da agitação dos átomos que o constituem. Ela está diretamente relacionada com a
velocidade média dos átomos. Um corpo quente revela que seus átomos estão se movendo em altas velocidades enquanto que um
corpo frio mostra que seus átomos estão se movendo muito mais lentamente.

À medida que transferimos energia a um corpo ele aquece. Isso significa que essa energia está sendo absorvida pelos átomos do corpo
que reagem aumentando suas velocidades .

A escala Kelvin define um ponto bastante especial de temperatura, o chamado zero absoluto. Esse é o ponto de partida para a escala
Kelvin e corresponde a 0 K ou -273o C. Essa é a temperatura mais baixa que pode ser atingida, aquela na qual os átomos estão se
movendo do modo mais lento possível. É errado dizer que o zero absoluto é a temperatura na qual os átomos param seu movimento.
Embora esse movimento seja muito pequeno os átomos nunca param totalmente de se movimentar.

Um outro ponto importante é notar que, uma vez que é impossível algum objeto estar a uma temperatura mais baixa do que 0 K, não
existem temperaturas negativas na escala Kelvin.

Como já dissemos anteriormente, a astrofísica (assim como a física) mede temperaturas usando a escala termométrica Kelvin.
Grandezas do Movimento Ondulatório

A luz emitida pelas estrelas é parte daquilo que chamamos de radiação eletromagnética. Como veremos mais tarde, essa radiação
possui as características de uma onda e, para entendê-la precisamos definir algumas grandezas básicas do tipo de movimento
característico das ondas, o movimento ondulatório.
Caracterizamos uma onda, qualquer que seja a sua origem, pelo seu

 comprimento de onda: que é a distância entre os máximos de uma onda ;

e pela sua
 frequência: que é o número de máximos da onda que passam por segundo por um determinado ponto.
propriedade símbolo unidade de medida

frequência ν Hertz (Hz) = ciclos/segundo


centímetro (cm)
comprimento de onda λ ou Ångstroms (Å) = 10-8 cm
ou nanometros (nm) = 10-9 m = 10-7 cm = 10Å

A frequência ou o comprimento de onda juntamente com a amplitude caracterizam qualquer onda existente, seja
ela uma onda no mar, uma onda sonora ou uma onda eletromagnética. Algumas propriedades são comuns a todas as ondas
como, por exemplo, o fato de que todas elas transportam energia ( atenção : na física clássica a energia transportada por uma
onda depende de sua amplitude , mas na física quântica depende só da frequência ! ) . No entanto, veremos mais tarde que
outras propriedades farão a distinção entre os diversos tipos de onda que conhecemos na natureza. Por exemplo, as ondas
sonoras precisam de um meio para se propagar enquanto que as ondas eletromagnéticas são capazes de se propagar em
qualquer meio material e até mesmo no vácuo.
As Forças que Atuam na Natureza

As Leis de Newton para o movimento dos corpos

No nosso dia-a-dia sempre vemos em volta corpos em movimento. Observando o céu notamos que os corpos celestes também se
movem. Embora as estrelas pareçam estar fixas na esfera celeste , a Lua e os planetas demonstram muito evidentemente que os
objetos celestes se deslocam no espaço. E as mesmas leis que regem o movimento dos corpos sobre o nosso planeta também
conseguem descrever o movimento dos corpos celestes.

Estas leis básicas do movimento, na verdade apenas três leis, foram descobertas pelo físico inglês Isaac Newton.

Primeira Lei de Newton

Esta lei, também chamada de Lei da Inércia, nos fala sobre a ação que deve ser feita para manter um corpo em movimento.

"Um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme a menos que haja uma
influência externa, ou seja uma força, atuando sobre ele."

Assim, se não há nenhuma força agindo:

 um corpo em repouso permanecerá em repouso


 um corpo que se move continuará se movendo com a mesma velocidade e na mesma direção

Então , por que quando eu empurro um carro ele anda um pouco e para? Isto ocorre devido à presença de forças, também externas,
que atuam sobre o carro no sentido contrário ao seu movimento. Estas forças, chamadas de forças de atrito, são as responsáveis
pelo fato do carro parar. Se as forças de atrito não existissem, ao aplicarmos uma força sobre um corpo ele iniciaria um movimento
que duraria para sempre (felizmente para nós existe a força de atrito. Você consegue imaginar por que?).

Observações:

 veja que a primeira lei de Newton fala de "movimento retilíneo uniforme". A palavra "uniforme" chama a atenção para o fato
de que a velocidade do corpo é constante. A palavra "retilíneo" significa obviamente que o corpo não está realizando qualquer
curva uma vez que o corpo que segue uma trajetória curva está acelerado ( alguma força atua sobre ele ) .

 não confunda velocidade com aceleração. Aceleração é uma variação da velocidade de um corpo em um intervalo de tempo.
No entanto, esta variação que dá origem à aceleração tanto pode ser no "valor" da velocidade quanto na "direção" da
velocidade.

Segunda Lei de Newton

Esta lei estabelece uma relação entre os conceitos de força, massa e aceleração.
Estes três conceitos são fundamentais para a física:

 massa: é uma medida da inércia de um corpo. Ela está relacionada com a dificuldade que temos para colocar um corpo em
movimento. A massa de um corpo é representada pela letra m.

 força: é a influência externa sobre um corpo. Ela é representada pela letra F.

 aceleração: é uma variação no movimento. Esta variação pode ser de aumento ou diminuição na velocidade de um corpo
e/ou de mudança na direção de deslocamento do corpo. Ela é representada pela letra a.

Se considerarmos corpos que se movem com velocidades muito menores que a velocidade da luz, a massa do corpo é constante e a
segunda lei de Newton pode então ser escrita como:
F=ma
Observações:

 não confunda massa com peso. Massa é uma grandeza fundamental da física. Peso é a ação da gravidade sobre um corpo de
massa m. Deste modo, o peso de um corpo na Terra é dado pela massa que ele possui multiplicada pela aceleração da
gravidade existente na superfície do nosso planeta (se você quer saber qual seria o seu peso em vários planetas visite a
seção "jogos" do nosso site "Pequeno Cientista").

 o conceito de "força" não está associado apenas a algo externo a um corpo. Também existem forças atuando no interior de
todos os corpos.

Terceira Lei de Newton

Também é conhecida como Lei da Ação e Reação.

Quando um corpo A exerce uma força sobre um corpo B, o corpo B exercerá uma força
igual e em sentido oposto sobre o corpo A.

Se chamarmos de FAB a força que um corpo A exerce sobre um corpo B então a terceira lei de Newton nos assegura que o corpo B
exercerá uma força de mesmo valor e de sentido contrário sobre o corpo A, que representamos por -FBA.
O sinal negativo caracteriza o sentido contrário que esta força tem em relação à primeira força.
A Terceira Lei de Newton é então escrita como

FAB = - FBA
Esta terceira lei, na verdade, nos revela como é conservado o momentum de um corpo. Momentum (também chamado de
"momentum linear") é definido como o produto da massa do corpo pela sua velocidade.
É com base na Terceira Lei de Newton que explicamos porque um foguete consegue voar (tente imaginar como).

Exercício
Um burrinho, muito inteligente, recusa-se a puxar uma carroça e argumenta: "Com base na
Terceira Lei de Newton , ao esforço que eu fizer para deslocar a carroça corresponderá uma ação
igual e contrária. Deste modo, por mais que eu queira, o meu esforço sempre será anulado pois as
forças são iguais e em sentido contrário, o que dará um resultado nulo. Eu não vou puxar esta
&%$*#@ carroça de modo algum . Posso ser um burro malcriado mas não sou estúpido. Eu exijo a
presença de uma ONG para defender os meus direitos!" Uma autoridade que passava pelo local
gritou: "Além de não saber física tá perturbando a ordem! "Têje" preso!" e levou o burrinho para a
cadeia de segurança máxima. Afinal quem está com a razão?

As forças fundamentais da natureza

A partir das definições acima das três leis de Newton poderíamos facilmente ser levados a pensar que elas descrevem todos os
fenômenos que ocorrem na natureza envolvendo forças.
Isto não é verdade. As leis de Newton descrevem a ação das forças sobre os corpos de grande tamanho, os chamados corpos
macroscópicos. No entanto elas não nos dizem quais são as forças fundamentais, também chamadas de interações
fundamentais, que ocorrem em todas as escalas de tamanho do Universo, sejam elas microscópicas ou macroscópicas.

Quando estudamos o interior da matéria, os átomos e as moléculas, vemos fenômenos muito diferentes daqueles que acontecem no
nosso mundo diário. Para descrever estes fenômenos foi necessário introduzir diversos outros conceitos de forças na física.

Mas afinal, por que isso interessa à astronomia? Pelo simples fato de que todos estes fenômenos aparecem em processos físicos que
determinam a existência dos corpos celestes.

Sabemos que existem apenas 4 forças, ou interações, fundamentais na natureza. Todos os fenômenos físicos que ocorrem na natureza
são produzidos por estes quatro tipos de forças, ou interações, fundamentais e cada uma delas é descrita por uma teoria física. Elas
são:

INTERAÇÃO INTERAÇÃO INTERAÇÃO INTERAÇÃO


GRAVITACIONAL ELETROMAGNÉTICA FRACA FORTE

Ação a distância e campos

Para que haja uma interação entre corpos é preciso que cada um deles saiba o que está acontecendo, ou o que foi mudado, no outro.
É preciso que haja uma troca de informações entre eles. Por exemplo, um deles se move e, de algum modo, esta informação é levada
até o outro corpo que então rege a esta mudança de acordo com as leis físicas correspondentes. Antigamente os físicos pensavam que
esta transmissão da informação era instantânea. Isto quer dizer que a propagação da informação se dava com velocidade infinita. Este
era, basicamente, o conceito de ação à distância.
No entanto, a partir do fato de que existe uma velocidade máxima para os corpos materiais, que é a velocidade da luz, os cientistas
concluiram que esta informação não podia se propagar com velocidade infinita mas sim com esta velocidade máxima. Foi então
introduzido o conceito de campo.

O conceito de campo é muito fácil de ser entendido. Segundo a física atual todo corpo cria no espaço a sua volta uma perturbação que
é o campo gerado por alguma propriedade intrínseca que ele possui. Por exemplo, todo corpo que tem massa gera um campo
gravitacional a sua volta, todo corpo que tem carga elétrica cria um campo elétrico a sua volta, etc. É este campo que irá interagir com
o campo criado pelo outro corpo de modo que informações sejam trocadas entre eles.
O conceito de campo é fundamental para a física. O conceito de força, ou interação, está intimamente associado ao conceito de campo.
Todas as interações fundamentais se revelam por meio da ação dos campos, por elas gerados, sobre outros corpos.

Mas, como se dá a interação entre os campos? Para a física moderna um campo interage com outro por intermédio da troca de
partículas chamadas mediadores. Assim, duas partículas que possuem cargas elétricas criam campos a sua volta e estes campos
interagem por meio da troca de partículas mediadoras chamadas fótons.
Os conceitos de campo e de mediadores são duas conquistas fundamentais da física moderna.
A tabela abaixo mostra, esquematicamente, detalhes sobre estas forças e que serão logo explicados:

Força (ou interação)


Intensidade Teoria Mediador
fundamental

forte 10 cromodinâmica quântica gluon


-2
eletromagnética 10 eletrodinâmica fóton

fraca 10-13 flavordinâmica W± e Z0

gravitacional 10-42 geometrodinâmica graviton

É necessário explicar, um pouco, o conteúdo da tabela.

1. Intensidade:
Os valores acima atribuidos para as intensidade das forças não devem ser considerados de modo absoluto. Você verá valores
bastante diferentes em vários livros, em particular no que diz respeito à força fraca. O cálculo desta intensidade depende da
natureza da fonte e a que distância estamos fazendo a medição. O que é importante notar é a razão entre estas interações: a
força gravitacional é, de longe, a mais fraca entre todas, porém é a de maior alcance, sendo a responsável pela estabilidade
dinâmica de todo o Universo. Pelo seu destino mesmo .

2. Teoria:
Vemos na tabela que cada força é descrita por uma teoria física. Elas serão comentadas mais adiante.

3. Mediadores:
Já comentamos rapidamente que após a física ter abandonado o conceito de "ação-a-distância" foi introduzido o conceito de
"campo". Os físicos passaram a entender que cada partícula cria a sua volta uma perturbação, seu "campo", que é sentido
pelas outras partículas. Foi uma parte da física chamada "Teoria Quântica de Campos (TQC)" que introduziu o conceito de
"mediadores". Segundo a TQC cada uma das forças que existem na natureza é mediada pela troca de uma partícula chamada
de "mediador". Estes mediadores transmitem a força entre uma partícula e outra. Assim, a força gravitacional é mediada por
uma partícula chamada graviton. A força eletromagnética é mediada pelo fóton, a força forte pelos gluons e as forças fracas
pelas partículas W± e Z0, que são chamadas de bósons vetoriais intermediários.

A descrição que você verá a seguir sobre as forças que regem todos os fenômenos que ocorrem no Universo é muito elegante
mas, como você irá notar, ela complica ainda mais o estudo das interações entre as partículas. Por exemplo, antes
descrevíamos a interação entre dois prótons como sendo a interação entre duas partículas. Hoje, sabendo que os prótons são
partículas compostas por 3 quarks, vemos que a interação entre dois prótons, regida pelas interações fortes, é, na verdade,
uma interação entre 6 quarks que trocam gluons ( os mediadores deste tipo de interação ) , incessantemente durante todo o
processo. E é bom lembrar que existem 8 tipos de gluons. Como você pode ver, não existe simplicidade na maneira como a
física moderna descreve a matéria e suas interações.

Interação Gravitacional Interação Eletromagnética Interação Fraca Interação Forte


A Força Gravitacional

Ao observarmos o movimento dos corpos celestes vemos que eles não são objetos errantes que seguem trajetórias quaisquer no
espaço. Todos eles, sem exceção, percorrem órbitas bem determinadas obedecendo a leis gerais que são válidas em todo o Universo.
Isto é importante por nos indicar que os corpos celestes estão sob a ação de forças que os mantêm em suas órbitas. Melhor ainda,
sabemos que os objetos na Terra interagem e conhecemos as leis que regem essas interações. Observamos que ao usarmos a
primeira lei de Newton e aplicarmos uma força sobre um corpo qualquer, uma pedra por exemplo, atirando-a para cima ela retorna à
Terra. Por que isso acontece? Se a única força atuante sobre a pedra fosse o atrito com o ar que forma a nossa atmosfera, a pedra
diminuiria a sua velocidade até parar e permaneceria flutuando no ar. No entanto, isso não ocorre. A pedra volta para a superfície da
Terra. Uma situação tão simples quanto essa nos mostra que a Terra está exercendo algum tipo de força que atrai a pedra de volta
para ela. O mesmo tipo de interação deve ocorrer entre todos os corpos celestes e a ela damos o nome de interação gravitacional.

A descoberta da lei que nos mostra de que maneira os corpos celestes interagem foi feita por Isaac Newton. Aplicando uma ferramenta
matemática que ele havia recentemente desenvolvido, chamada fluctions e que hoje é conhecida como "cálculo diferencial", à órbita
da Lua em torno da Terra, Newton foi capaz de determinar que a força da gravidade deve depender do inverso do quadrado da
distância entre a Terra e a Lua.

Ao mesmo tempo , segundo a Terceira Lei de Newton, uma vez que a gravidade é uma força exercida por um corpo sobre outro ela
deve atuar de modo recíproco entre as duas massas envolvidas.

A Teoria da Gravitação de Isaac Newton

Newton deduziu então que:

"A força de atração gravitacional entre dois corpos de massas M e m é diretamente


proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da
distância que os separa".

Para transformar a proporcionalidade em igualdade Newton introduziu uma "constante de proporcionalidade" na sua equação. Esta
constante de proporcionalidade é a constante de gravitação de Newton, representada pela letra G e que tem o valor

G = 6,67 x 10-11 m3 seg-2 Kg-1

Desse modo , a lei da gravitação universal nos dá para a força de atração gravitacional entre a Terra e a Lua a expressão
onde G é a constante gravitacional, M é a massa da Terra, m é a massa da Lua, e d é a distância entre a Terra e a Lua.

Observações:

 a gravidade é a mais fraca entre todas as forças fundamentais.

 a gravidade é uma força de longo alcance. Veja, na equação acima, que não há qualquer limite para o valor de d, que é a
distância entre os corpos.

 a gravidade é uma força somente atrativa. Não existe repulsão gravitacional.

 a história de que Newton teria notado a existência da lei da gravitação a partir da queda de uma maçã é, quase certamente,
apócrifa.

É por causa dessas características que a gravidade domina várias áreas de estudo na astronomia. É a ação da força gravitacional que
determina as órbitas dos planetas, estrelas e galáxias, assim como os ciclos de vida das estrelas e a evolução do próprio Universo,
como veremos mais tarde.

A constante gravitacional da equação de Newton

A gravidade é uma força tão fraca que a constante G que aparece na equação da gravitação de Newton não podia ser medida na época
em que a equação foi proposta.

O primeiro a estimar o valor de G foi o astrônomo Nevil Maskelyne. Para fazer isto ele procurou usar duas massas bastante diferentes
de tal modo que a a força gravitacional entre elas pudesse ser medida. Nada melhor do que a massa de uma montanha e a de um
pedaço de chumbo preso a uma linha. Certamente a atração gravitacional entre estas duas massas provocaria uma deflexão na linha
que sustentava o chumbo. Em 1774, Maskelyne aproximou o seu peso de chumbo das encostas inclinadas do Monte Schiehallion, na
Escócia, e mediu a deflexão da linha ou seja, a ação gravitacional entre a montanha e o peso de chumbo. Como o monte Chiehallion
tinha uma forma muito regular, Maskelyne foi capaz de estimar sua massa e, como ele conhecia a massa do peso de chumbo, foi
possível então determinar o valor da constante gravitacional G.
No entanto, o físico inglês Henry Cavendish foi o primeiro a medir G no laboratório.

A ação da gravidade nas nossas vidas

E de que modo a ação da gravidade se apresenta na nossa vida? O simples fato de você permanecer de pé na superfície da Terra é
resultado da existência da força gravitacional. É a ação da gravidade da Terra que faz você permanecer sobre ela. É claro que você
tem até uma pequena liberdade pois consegue saltar na vertical mas logo é obrigado a retornar a sua superfície tão logo a Terra sinta
"saudades" de você e te traga de volta para pertinho dela.

E que outra ação da gravidade nos afeta diretamente? A ação gravitacional entre a Terra e a Lua é uma dessas ações. É ela que
produz o conhecido fenômeno das marés. Além disso, como a Lua é um satélite de grande massa, se comparado com os outros
satélites do Sistema Solar, a atração gravitacional entre ela e a Terra serve como elemento estabilizador da rotação do nosso planeta
em torno do seu eixo. No entanto, a Lua está se afastando da Terra e a mudança desta ação gravitacional, daqui a milhares de anos
provocará uma alteração no eixo de rotação da Terra. Esta mudança se refletirá sob a forma de fortes alterações climáticas no nosso
planeta.

A gravitação quântica

Já vimos que a teoria clássica da gravitação é descrita pela lei de Newton da Gravitação Universal. Sua generalização relativística
é a teoria da Gravitação de Einstein, também chamada de Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Na verdade, a interação
gravitacional seria melhor chamada de Geometrodinâmica, termo proposto pelo físico norte-americano John Wheeler, uma vez que a
relatividade geral geometriza a gravitação.

No entanto, como veremos em um dos próximos cursos à distância do ON, sobre Cosmologia, para descrever os estágios iniciais da
formação do Universo precisamos de uma teoria quântica da gravitação.

Até agora os físicos ainda não possuem uma teoria como essa, apesar dos enormes esforços desenvolvidos para isto. As dificuldades
para criar uma teoria quantizada para a gravitação têm sido muito grandes: a matemática envolvida é excepcionalmente sofisticada e
os conceitos físicos estão na fronteira do nosso conhecimento e imaginação.
A Força Eletromagnética

A interação eletromagnética, ou força eletromagnética, é aquela que ocorre quando corpos possuidores de cargas elétricas e/ou corpos
magnetizados interagem.
As interações eletromagnéticas são descritas por uma parte da física chamada eletrodinâmica. Esta é a teoria física que descreve os
fenômenos elétricos e magnéticos, ou seja todos os processos de interação que ocorrem entre corpos carregados que interagem por
meio de forças eletromagnéticas. A formulação clássica da Eletrodinâmica foi feita por James Clerk Maxwell.

Interação entre corpos carregados: a lei de Coulomb

Sabemos que os elétrons têm carga negativa enquanto que os prótons têm cargas positivas. Desta forma,
quando dois ou mais prótons, elétrons ou uma mistura destas partículas são colocadas próximas, sempre
ocorre um processo de interação eletromagnética.
A interação elétrica não ocorre apenas entre elétrons e prótons mas também entre dois ou mais corpos
quaisquer que possuam carga elétrica.

Já era conhecido que corpos possuidores do mesmo tipo de carga elétrica se repeliam enquanto que se as
cargas fossem diferentes eles se atraiam . Mas foi o físico francês Charles Augustin Coulomb que
conseguiu, a partir de experiências realizadas em seu laboratório, colocar estas observações sobre o
comportamento de corpos carregadas em uma forma matemática.
Segundo Coulomb, a força elétrica entre duas partículas carregadas é dada por

onde q e q' são as cargas elétricas dos dois corpos, d é a distância entre eles e k é uma constante (análoga à constante G que surge
quando estudamos a gravidade). Esta é a chamada lei de Coulomb.
Observe que, uma vez que as cargas elétricas podem ter sinais diferentes, a força calculada pode ser positiva ou negativa. Se ela for
positiva isso significa que os corpos têm cargas elétricas com o mesmo sinal e, portanto, se repelem. Se o sinal da força for negativo,
isso nos mostra que as cargas elétricas possuem sinais contrários e, portanto, os corpos carregados se atraem.
Olhe as duas expressões abaixo:

A da esquerda representa a interação gravitacional entre dois corpos de massa M e m. A da direita mostra a interação elétrica entre
dois corpos com cargas q e q'. Rapidamente notamos que estas equações possuem a mesma forma. No entanto, existem algumas
diferenças muito importantes entre elas:

 há somente um tipo de massa enquanto que existem dois tipos de carga elétrica - positiva e negativa - que se comportam de
maneiras opostas.

 a gravitação é puramente atrativa, mas a força elétrica pode ser ou atrativa ou repulsiva - cargas elétricas com o mesmo
sinal se repelem, cargas elétricas com sinais opostos se atraem.

 cargas que se movem produzem e respondem à força magnética. Ocorre que as forças elétrica e magnética são
manifestações diferentes de um mesmo fenômeno físico. Por esta razão os astrônomos e físicos falam de uma "força
eletromagnética".

Note também que a lei de Coulomb nos mostra que a interação elétrica é uma força que tem alcance infinito uma vez que nenhum
limite é estabelecido sobre o valor de d.

As equações de Maxwell

As interações eletromagnéticas, ou seja o conjunto de fenômenos que ocorrem com corpos que possuem
carga elétrica ou magnetismo, são regidas pelas chamadas equações de Maxwell.
James Clerk Maxwell foi um físico escocês que viveu de 1831 à 1879 e notou que todos os fenômenos
elétricos e magnéticos que ocorrem na natureza podem ser descritos por um conjunto de apenas quatro
equações!
As equações de Maxwell não são simples matemáticamente, exceto para os profissionais de ciências. Elas
estabelecem uma íntima relação entre os fenômenos elétricos e magnéticos, mostrando que estes não são
fenômenos isolados. Os fenômenos elétricos produzem os efeitos magnéticos e vice versa. É por esta
razão que os fenômenos elétricos e magnéticos passaram a ser tratados por uma única teoria chamada
eletromagnetismo.
Se você quer conhecer as equações de Maxwell, propostas por ele em 1865, clique no botão abaixo.

A luz como uma onda

Também foi Maxwell que mostrou que a radiação eletromagnética, ou seja a luz, se propaga como uma onda. A partir de
transformações matemáticas que ele realizou sobre as quatro equações do eletromagnetismo, Maxwell mostrou que elas se reduziam a
uma equação de propagação de uma fenômeno ondulatório. Desta forma, a luz se propaga no espaço como uma onda e é por este
motivo que a eletrodinâmica é o estudo das propriedades das ondas eletromagnéticas. A luz que recebemos das estrelas nada mais
é do que a radiação eletromagnética produzida por fenômenos físicos que ocorrem no seu interior e, posteriormente, emitida por elas.
Estas ondas eletromagnéticas se propagam no espaço interestelar e chegam até nós permitindo-nos ver os objetos celestes.

Também foi Maxwell que mostrou, a partir da obtenção da equação de propagação ondulatória da luz, que a velocidade desta
propagação, ou seja a velocidade da luz, no vácuo é

vluz = c = 300000 km/seg

Observação:

É um erro comum vermos escrito que a velocidade de propagação da luz é de 300000 quilômetros por segundo. Isto não é verdade.
Esta é a velocidade de propagação da luz no vácuo. Em um meio material a luz tem uma velocidade menor do que essa. Este
"detalhe" é importante porque a velocidade da luz no vácuo é a velocidade limite máxima para todos os corpos materiais, princípio
esse estabelecido pela Teoria da Relatividade Restrita de Einstein. Em um meio material a velocidade da luz pode ser inferior à sua
velocidade de propagação no vácuo.

Se você quer conhecer as equações de propagação ondulatória dos fenômenos eletromagnéticos, propostas por Maxwell em 1865,
clique no botão abaixo.

O alcance da força eletromagnética

Vimos anteriormente que a força eletromagnética é cerca de 1040 vezes maior do que a força da gravidade. Se ambas são forças de
longo alcance, então qual o motivo para a gravitação, e não o eletromagnetismo, dominar as interações entre os corpos celestes?
Porquê a maioria das regiões do espaço são eletricamente neutras e, portanto, não sentem a interação eletromagnética.

A diferença de intensidade entre as forças gravitacional e eletromagnética não é aparente por causa da natureza dual
(atrativa/repulsiva) dessa última. No entanto, no nosso dia-a-dia as forças que impedem você de cair no chão ou de sua cadeira, as
forças que são exercidas quando você empurra um objeto (fricção, etc.) são exemplos da força eletromagnética em ação ( elas são
responsáveis pela solidez dos corpos ) .

A eletrodinâmica quântica

A teoria clássica da eletrodinâmica, construída por Maxwell, já era consistente com a teoria da relatividade especial de Einstein.
No entanto, para aplicar estas equações aos fenômenos eletromagnéticos que ocorriam entre partículas elementares carregadas , foi
necessário construir uma nova teoria envolvendo a mecânica quântica. O "casamento" do eletromagnetismo com a mecânica quântica,
ou seja, a construção de uma "Eletrodinâmica Quântica", foi realizada por grandes nomes da física tais como Dirac, Feynman,
Tomonaga e Schwinger nos anos da década de 1940.

A eletrodinâmica quântica é uma das teorias mais bem construídas da física. Os equipamentos eletrônicos que você usa em sua casa
possuem circuitos integrados cuja construção se baseia na eletrodinâmica quântica. De fato , a precisão verificada entre os resultados
previstos teoricamente e aqueles obtidos no laboratório é fantástica !
A eletrodinâmica quântica nos diz que existe uma partícula que é a mediadora de todas as interações eletromagnéticas. Esta partícula
é o fóton : um processo de interação de partículas carregadas eletricamente significa uma troca incessante de fótons .
A descrição das interações eletromagnéticas sob qualquer ponto de vista é uma das áreas mais importantes para nós que gostamos de
astrofísica. Lembre-se que vemos as estrelas porque elas emitem radiação e esta radiação nada mais é do que fótons produzidos por
processos quânticos que ocorrem no interior da estrela.
A Força Fraca

A força fraca, também chamada de força nuclear fraca, é uma das forças que atua no interior do núcleo atômico. Vemos então,
surpreendentemente, que duas forças atuam no interior do núcleo atômico: a força nuclear forte e a força nuclear fraca.
Do mesmo modo que a força nuclear forte, a força fraca também é uma força de curto alcance. Ela atua somente em uma distancia de
cerca de 10-16 centímetros.
A força fraca tem , aproximadamente, 10-13 vezes da intensidade da força eletromagnética.

Para que serve então a força fraca?

Se a força nuclear forte é a responsável pela estabilidade do núcleo atômico, então para que serve a força nuclear fraca?

Existem fenômenos que ocorrem no interior do núcleo atômico que, embora também estejam relacionados com a estabilidade nuclear,
não podem ser explicados sem que postulemos a existência de uma outra força, com características bastante diferentes da força
nuclear forte.
Entre estes fenômenos nucleares que exigem a presença de um novo tipo de interação está a radioatividade e o decaimento de
partículas nucleares.

A radioatividade é parte integrante da nossa vida. Algum elementos químicos possuem a característica especial de emitir,
espontaneamente, partículas de altas energias. A este fenômeno damos o nome de radioatividade.
Um núcleo radioativo é instável porque ele contém ou prótons demais ou neutrons demais. Como conseqüência disso, este núcleo
ejeta espontaneamente partículas até se tonar estável. Ao fazer isto, este átomo pode se transformar em um outro elemento químico .
O processo é chamado de decaimento.

Alguns isótopos decaem rapidamente enquanto que outros o fazem muito lentamente. A tabela abaixo mostra a meia-vida de alguns
isótopos radioativos. Definimos meia-vida de um isótopo como o tempo necessário para que metade dos núcleos sofram decaimento.

meia-vida
isótopo radioativo original isótopo final estável
(em bilhões de anos)
Potássio (40K) 1,3 Argônio (40Ar)
Rubídio (87Ru) 47,0 Estrôncio (87Sr)
235
Urânio ( U) 0,7 Chumbo (207Pb)
Urânio (238U) 4,5 Chumbo (206Pb)

O estudo dos processos de decaimento radioativo são importantes para determinarmos a idade das rochas. Foram os geólogos, ao
datarem a idade de algumas rochas existentes na Terra, que mostraram aos astrônomos que seus cálculos sobre a idade das estrelas
estavam errados. Para corrigir isto os cientistas tiveram que procurar por novas formas de energia que podiam estar sendo produzidas
no interior delas. Foi então que eles descobriram que havia uma grande produção de energia por processos nucleares nas regiões mais
centrais das estrelas. Essa compreensão só foi atingida com a teoria da relatividade e da mecânica quântica .

A partir do desenvolvimento da tecnologia a radioatividade passou a fazer parte da nossa vida. Ela está associada à produção de
energia e até mesmo a procedimentos médicos usados hoje correntemente para o combate a doenças como o cancer.

As forças fracas também explicam os processos de decaimento nucleares de várias partículas elementares, tais como : o decaimento
beta nuclear, o decaimento do pion, do muon e de várias partículas "estranhas".
O que é o decaimento de uma partícula? É a sua transformação em outras partículas por processos espontâneos. Um exemplo desses
decaimentos é o do neutron , mostrado a seguir :
_
n —> p + e + νe
+ -

A partícula mais comum que interage somente por meio da força fraca é o neutrino, representada pelo símbolo grego ν.
Ouviremos mais sobre o neutrino quando falarmos sobre os processos de reações nucleares que ocorrem no interior das estrelas e
determinam a evolução estelar.
A teoria atual das forças fracas: a "Teoria Eletrofraca"

É interessante notar que a força fraca não era conhecida pela física clássica e que sua formulação como teoria é estritamente quântica.
Isto quer dizer que não existem fenômenos clássicos regidos pela força fraca. Somente fenômenos que ocorrem no interior do núcleo
atômico, ou seja no domínio da física quântica, são descritos pela interação fraca.

A primeira teoria das interações fracas foi apresentada por Fermi em 1933. Mais tarde ela foi aperfeiçoada por Lee, Yang, Feynman,
Gell-Mann e vários outros nos anos da década de 1950.
Com o desenvolvimento das pesquisas ficamos sabendo que a força fraca é apenas um aspecto de uma "força unificada" mais geral,
chamada "força eletrofraca", que combina as propriedades da força fraca e da força eletromagnética.

Essa teoria das interações eletrofracas é devida ao físico inglês Sheldon Glashow, ao físico norte-americano Steven Weinberg e ao
físico paquistanês Abdus Salam, que a propuseram nos anos de 1960. A nova teoria das interações fracas, que é chamada de
flavordinâmica por causa de uma das propriedades intrínsecas das partículas elementares, é também justamente conhecida como
Teoria de Glashow-Weinberg-Salam. Nesta teoria, as interações fraca e eletromagnética são apresentadas como manifestações
diferentes de uma única força, a força eletrofraca. Esta unificação entre a interação fraca e a interação eletromagnética reduz o
número de interações fundamentais existentes em épocas mais iniciais do Universo a apenas 3: interação gravitacional, interação
forte e interação eletrofraca.

A teoria eletrofraca introduz dois tipos de mediadores, aquelas partículas que são responsáveis pelo transporte de informações sobre
estas interações. Os mediadortes da interação eltrofraca são partículas pesadas, obtidas nos grandes aceleradores de partículas. Para
interações fracas que envolvem partículas carregadas, os mediadores são as partículas W+ e W-. Por serem mediadas por partículas
carregadas, estas interações também são conhecidas como correntes carregadas.
No caso de interações fracas que envolvem partículas sem carga, o mediador da interação é uma partícula sem carga, ou neutra,
chamada Z0. Por este motivo, estas interações são chamadas de correntes neutras. A partícula Z0 também é uma partícula muito
pesada.
A Força Forte

O que mantém o núcleo de um átomo unido? Lembre-se que o núcleo atômico é formado por prótons e neutrons. Os neutrons não
possuem carga elétrica mas os prótons são partículas dotadas de carga positiva. Deste modo, existe uma intensa força de repulsão
eletromagnética entre os prótons. Por que motivo, então, o núcleo de um átomo é estável?

Na verdade, os físicos notaram que a estabilidade nuclear é produzida pela presença de um novo tipo de interação entre partículas, a
força nuclear forte, também chamada de força nuclear, de interação nuclear ou de força forte. É esta interação que mantém o núcleo
atômico unido.

Observação:
Veja a importância da força nuclear. A estabilidade nuclear está associada à força forte. Se ela não existisse, os núcleos atômicos não
existiriam pois é ela que mantém o núcleo unido. Na ausência da força forte, a força dominante no núcleo seria a interação
eletromagnética. Como os prótons possuem a mesma carga positiva, eles sofreriam uma intensa repulsão que provocaria o seu rápido
afastamento impedindo que eles se aglutinassem para, juntamente com os neutrons, produzirem os núcleos. E, obviamente, se os
núcleos atômicos não existissem, os átomos não existiriam, nem as moléculas (que são formadas por átomos). Deste modo, os seres
humanos, que são formados por moléculas, também não existiriam. Pior ainda, se a força forte não existisse , a matéria que forma o
Universo tal como o conhecemos também não existiria , uma vez que até mesmo os prótons e os neutrons não conseguiriam se
formar. Lembre-se que os prótons e nêutrons são formados por quarks e a interação entre os quarks se dá por meio da força forte.

Se a força forte não existisse o Universo ainda poderia existir só que ele seria formado por um enorme conjunto de partículas que se
deslocariam através ele, eventualmente interagindo mas não produzindo as formas de matéria que hoje conhecemos.

Algumas características da força forte

A força forte possui características muito particulares.


Já vimos que para manter as partículas nucleares agregadas a força forte deve superar a tremenda repulsão que surge quando os
prótons positivamente carregados são "empacotados" no pequeno espaço do núcleo.

Embora a força nuclear seja a mais forte de todas as outras forças fundamentais, ela tem um alcance muito curto. Na verdade, a força
forte só é efetiva na escala das dimensões do núcleo atômico ou seja, seu alcance é de ~10 -13 centímetros.
Deste modo a força forte somente pode superar a repulsão elétrica quando os prótons estão suficientemente próximos para estarem
quase se "tocando".

Como os neutrons interagem com os prótons por meio da força forte, mas não têm carga elétrica, mais e mais neutrons são
necessários para "diluir" as forças repulsivas e manter os núcleos pesados juntos.

Podemos, então, dizer que as forças fortes são aquelas responsáveis pelos fenômenos que ocorrem a curta distância no interior do
núcleo atômico.
Os mediadores das interações fortes são os gluons. São estas partículas sem massa que transportam as informações entre os quarks.

Um próton, que é formado por três quarks com a configuração uud, na verdade é um sistema físico onde ocorre uma intensa troca de
gluons, continuamente , entre seus quarks constituintes . Vemos, portanto, que a estrutura da matéria nuclear é muito mais
complicada do que pensavamos anteriormente. Ao invés de estudarmos a interação entre dois prótons como sendo uma interação
entre duas partículas, vemos que , considerando seus quarks e gluons, a colisão entre dois prótons é um processo de interação entre 6
quarks e um número desconhecido de gluons.

Além disso, cabe notar que existem 8 tipos diferentes de gluons. A existência desses gluons é provada a partir de trabalhos teóricos
envolvendo uma parte da matemática conhecida como "teoria dos grupos". Por ser uma questão bastante técnica não mostraremos
como isso é provado mas, acredite! É verdade!

O trabalho pioneiro sobre as forças fortes foi realizado pelo físico japonês Yukawa em 1934 , mas até meados da década de 1970 não
havia, realmente, uma teoria capaz de explicar os fenômenos nucleares . Foi então que surgiu a cromodinâmica quântica, a teoria
que explica os fenômenos que ocorrem no interior do núcleo atômico.
As Órbitas dos Corpos Celestes

Johannes Kepler

 Johannes Kepler nasceu no dia 27 de dezembro de 1571 em Weil


(Wurttemberg), na Alemanha, e morreu no dia 15 de novembro de 1630
em Ratisbona.

 Kepler foi um dos mais importantes cientistas do seu tempo e pode-se


dizer que, sem os seus trabalhos, a física desenvolvida posteriormente
por Newton talvez não existisse.

 Kepler foi um grande matemático, embora, como era típico de sua época
, ele tenha sido bastante místico, interessado principalmente nas
relações numéricas entre os objetos do Universo. Ele descreveu a sua
busca da ciência como um desejo de conhecer a mente de Deus.

 Kepler foi para Praga trabalhar com Tycho Brahe e pode, assim, utilizar
os seus preciosos dados observacionais.

As leis de Kepler

Usando as observações de alta qualidade, sem precedente, de Tycho Brahe,


Kepler pode fazer cálculos altamente precisos das órbitas planetárias.

Embora Kepler pudesse explicar os resultados observacionais de Tycho Brahe se usasse órbitas circulares, era tanta a confiança que
ele tinha nos dados observacionais de Brahe que ele preferiu abandonar este conceito tão arraigado de órbita, modificando-o até
conseguir igualar à precisão obtida por Brahe.

Em 1609 Johanes Kepler publicou seu livro

Astronomia nova aitologetos

um vasto volume de quase 400 páginas, onde ele apresentava uma das maiores revoluções na astronomia. Neste livro Kepler revelou
ao mundo científico duas importantíssimas leis relacionadas com o movimento planetário: a lei das órbitas elípticas e a lei das áreas.
A chamada terceira lei do movimento planetário, a lei que relaciona o período orbital com as distâncias, foi publicada em outro livro de
Kepler, editado em 1619 com o título

Harmonices mundi

Resumindo, Kepler desenvolveu três regras matemáticas que eram capazes de descrever as órbitas dos planetas (definimos órbita
como sendo a trajetória que um corpo celeste descreve em torno de outro sob a influência da lei da gravidade só descoberta
posteriormente por Isaac Newton).

Segundo Kepler ,

 as órbitas dos planetas são elipses onde o Sol ocupa um dos focos
 os planetas percorrem áreas iguais da sua órbita em intervalos de tempos iguais
 o quadrado do período orbital é proporcional ao cubo das distâncias planetárias medidas a partir do Sol

Por período orbital queremos dizer a quantidade de tempo que um planeta gasta para descrever uma órbita completa em
torno do Sol. Matematicamente, chamando de P o período orbital e de a o semi-eixo maior da elípse escrevemos:

P2 = a3

onde P é medido em anos e a é medido em unidades astronômicas.

As conseqüências do trabalho de Kepler

É muito interessante verificar o que estas leis modificam na astronomia antiga.

A primeira lei de Kepler elimina as órbitas circulares que tinham sido aceitas durante
2000 anos.

A segunda lei de Kepler substitui a idéia de que os planetas se movem com velocidades
uniformes em suas órbitas pela observação empírica de que os planetas se movem mais
rapidamente quando estão mais próximos do Sol e mais lentamente quando estão mais
afastados.

A terceira lei de Kepler é precursora da Lei da Gravitação que seria desenvolvida por
Newton na parte final do século 17.

Além disso, as três leis de Kepler exigem que o Sol esteja no centro do Sistema Solar,
em contradição com a idéia geocêntrica de Aristóteles.

A astronomia muda para sempre com Kepler

Mais importante do que descrever órbitas ou posições de planetas, as leis de Kepler são na
verdade, conseqüências de princípios muito mais fundamentais. Quando as leis de Newton que
descrevem o movimento dos corpos e a gravitação, são aplicadas aos sistemas planetários as
leis de Kepler são consequências naturais . Deste modo, a astronomia e a física passaram a ser
ligadas para sempre.

Os trabalhos de Kepler iniciam uma nova era. A partir de Galileu, o uso dos telescópios tornou-se
uma necessidade cada vez maior na astronomia. Equipamentos cada vez mais poderosos
passaram a revelar os mais incríveis segredos guardados no universo. Com o uso dos telescópios
e com a fusão entre a astronomia e a física, a astronomia nunca mais seria a mesma.

Para saber mais


Elipse

A geometria é um ramo antigo e fascinante da matemática . Mas só a partir do século XVII adquiriu nova e poderosa roupagem
quando as figuras geométricas passaram a ser representadas por equações ( já vimos uma quando estudamos o movimento com
aceleração constante ! ) .
Em particular , interessa-nos aqui a figura geométrica conhecida como elipse : por definição trata-se da curva plana descrita por um
ponto que se desloca de modo que a soma das distâncias a dois pontos fixos de seu plano ( chamados de focos ) permanece constante
. Para representá-la por uma equação precisamos de um sistema de coordenadas . Os dois mais simples são : o sistema cartesiano ,
com dois eixos perpendiculares entre si ( os eixos x e y ) , e o sistema de coordenadas polares , constituído pela distancia do ponto
em questão até a origem ( r ) e o ângulo entre essa reta e o eixo horizontal ( Θ ) . Veja a figura ,

Pela definição temos ( a letra O designa a origem dos sistemas de coordenadas ) :

PF1 + PF2 = 2a . Percebe porquê ? E a é denominado sem-eixo maior assim como b é o semi-eixo menor .

Definimos a excentricidade da elipse como

e=1 é um círculo e e = 0 é uma reta . Certo ?

Mas vamos às equações : em coordenadas cartesianas , dizemos que todos os pontos sobre a curva , como P ( com coordenadas x e y
), satisfazem a relação

Mas essa equação se transforma em outra ao usarmos um pouco de trigonometria ,

x = r . cos Θ
y = r . sen Θ
Obtemos por substituição a equação para a elipse em coordenadas polares ( cada ponto sobre a elipse tem um par de coordenadas , r
e Θ) ,

e que é a equação que obtemos quando escrevemos e resolvemos a equação diferencial para um movimento planetário ( com uso da
força gravitacional na 2a lei de Newton ) . Assim , temos naturalmente a 1a lei de Kepler . As outras duas são consequências dessa
forma da equação de movimento .
Medindo massas estelares com a terceira lei de Kepler

Ao contrário do que possa parecer as leis de Kepler não se aplicam somente ao Sistema Solar. Elas são universais o que significa que,
a menos de algumas pequenas modificações, essas leis podem ser aplicadas a qualquer corpo celeste, incluindo-se obviamente as
estrelas.

Uma das mais importantes utilizações da terceira lei de Kepler é no cálculo das massas de estrelas que formam sistemas binários.

Estrelas Binárias

Pelo menos a metade das estrelas que vemos no céu não estão isoladas. Elas fazem parte de sistemas de estrelas ou seja, pequenos
grupos de estrelas que interagem gravitacionalmente. Esses conjuntos de estrelas são formados por duas, três e até mais estrelas, o
que nos leva a identificar esses sistemas como "sistemas estelares múltiplos". Já conhecemos até mesmo sistemas sextuplos de
estrelas!

Um dos sistemas estelares mais comuns é aquele formado por apenas duas estrelas e a esses damos o nome de "sistema binário" ou
"estrelas binárias".

Mas, afinal, como se comporta um sistema binário? Uma estrela gira em torno da outra? Nem sempre. Na verdade, para estudarmos
como se comporta um sistema binário de estrelas devemos entender o conceito de centro de massa.

Centro de Massa

Em um sistema binário as duas estrelas estão em órbita não uma em volta da outra mas sim as duas em torno de um centro comum
que é o chamado centro de massa do sistema. Esse centro de massa, que é um ponto, está localizado sobre a linha imaginária que
une as duas estrelas. A localização exata do centro de massa na verdade depende das massas das estrelas e só estará a meio caminho
das duas se suas massas forem iguais.

Existem várias possíveis localizações do centro de massa de um sistema binário de estrelas dependendo das massas das estrelas que
formam o par:

 uma das estrelas tem uma massa muitíssimo superior à da sua companheira
Neste caso o centro de massa do sistema binário estará localizado dentro do corpo da estrela maior, praticamente no seu
centro, sobre a linha imaginária que une os centros das estrelas. Podemos então dizer que, neste caso, uma estrela gira em
torno da outra. Isso é o que ocorre no Sistema Solar onde o centro de massa está localizado muito próximo ao centro do
próprio Sol.

 as duas estrelas possuem massas quase iguais

Neste caso o centro de massa estará localizado na linha imaginária que une os centros das duas estrelas, fora do corpo de
qualquer uma delas, ligeiramente mais próximo da estrela que tiver a maior massa.

 as duas estrelas possuem massas iguais


Neste caso o centro de massa estará na linha imaginária que une os centro das duas estrelas, fora do corpo de qualquer uma
delas, e equidistante delas.

Veja que as estrelas que formam um sistema binário giram em torno do centro de massa do sistema e não necessariamente uma
em torno da outra.

Modificando a terceira lei de Kepler

A terceira lei de Kepler nos diz que o tempo gasto por um planeta para realizar uma órbita completa em torno do Sol está relacionado
com sua distância ao Sol. Isso é expresso matematicamente como

P2 = a3

Foi Isaac Newton quem verificou que a terceira lei de Kepler podia ser generalizada de modo a ser aplicada a dois corpos quaisquer
que estão em órbita um em relação ao outro.

Segundo Newton se um corpo de massa m gira em torno de um corpo de massa M e eles seguem uma trajetória elíptica de semi-eixo
maior a com um período orbital P então

(m + M)P2 = a3

onde P é expresso em anos, a é expresso em unidades astronômicas, e m e M (que são as massas dos dois corpos em interação) são
medidas em relação à massa do Sol ou seja, em massas solares.

Esta relação é fundamental para a obtenção de massas estelares.

Como os astrônomos usam a terceira lei de Kepler modificada para medir massas estelares

Para medir as massas das estrelas de um sistema binário os astrônomos têm que em primeiro lugar determinar o seu movimento
orbital ou seja, verificar quantos anos elas levam para descrever uma órbita completa. Este intervalo de tempo pode ser de dezenas de
anos e ele é o valor de P na equação acima.

Em seguida os astrônomo medem o semi-eixo maior da órbita das estrelas, que chamamos de a na equação acima. Esses valores
serão substituidos na equação de Kepler modificada. Por exemplo, vamos supor que os astrônomos verificam que as estrelas de um
determinado sistema binário levam cerca de 10 anos para descrever uma órbita completa em torno do seu centro de massa. Isso nos
diz que seu período orbital, P, é de 10 anos. Em seguida eles verificam que o semi-eixo maior de sua órbita tem o comprimento de 6
unidades astronômicas ou seja, a é igual a 6. Sabendo que a equação de Kepler modificada

(m + M)P2 = a3

pode ser escrita como

temos, substituindo os valores do exemplo,

e então

m + M = 2,16 Msolares

Veremos mais tarde que outros parâmetros físicos estelares podem ser deduzidos a partir da dinâmica de sistemas binários junto a
outras técnicas de observação. Por exemplo, se em um sistema binário as estrelas eclipsam uma a outra (estamos falando das
chamadas " binárias eclipsantes") podemos obter informações sobre os diâmetros das estrelas que formam o par.
Luz: Onda ou Partícula?

De todos os sentidos que o corpo humano dispõe , a visão é, talvez, o mais importante. Sentimos medo do escuro justamente por que,
nessas condições, nossa visão é bastante prejudicada. Nossa audição é fraca, nosso olfato é fraco. Embora não tenhamos a visão
aguçada de um lince , nossos olhos podem nos comunicar o que está acontecendo ao nosso redor com muito mais eficácia do que
qualquer outro sentido.

Mas, por que vemos? Vemos porque existe luz. Vemos somente por que os objetos refletem parcialmente a luz incidente sobre eles. É
muito fácil comprovar isso. Um quarto permanece escuro durante a noite se não houver algum tipo de fonte luminosa para iluminá-lo.
Ao ligarmos uma lâmpada ele fica iluminado e todos os objetos que lá estão são percebidos por nossos olhos e registrados pelo nosso
cérebro.

A fonte natural mais importante de luz é o Sol. Ao longo de toda a nossa vida sentimos a diferença entre o dia e a noite, resultado de
termos ou não a preciosa iluminação fornecida pelo Sol. O que precisamos entender é que essa iluminação natural é produzida por
uma parte da energia radiante emitida pela nossa estrela mais próxima. Como provar que a luz é energia? É simples. Se você
permanece na parte iluminada pelo Sol em uma rua em pouquíssimo tempo sentirá na sua pele o aquecimento provocado pela
incidência dessa energia. Na parte não iluminada da rua você não sentirá isso.
Luz é energia, é radiação emitida pelo Sol. No entanto, como veremos mais tarde, a luz é apenas uma pequena parte da radiação
emitida pelo Sol, uma pequena parte de algo muito maior que recebe o nome de radiação eletromagnética.

Antes de discutirmos a radiação eletromagnética como um todo vamos falar um pouco sobre o que é a luz.

A luz é uma partícula

O que é exatamente a luz? Como ela é produzida? De que ela é feita? Nos últimos quatro séculos essas
perguntas atormentaram os cientistas. Uma das primeiras pistas importantes sobre o que era a luz surgiu
a partir de uma experiência muito simples realizada por Isaac Newton no final do século XVII. Nessa
época os cientistas, ou melhor os "filósofos naturais" pois ainda não havia sido inventada a palavra
"cientista", sabiam que um feixe de luz solar ao atravessar um prisma de vidro era separado em um
conjunto de cores semelhantes àquelas que eram observadas nos arco-íris. Essa banda com as cores do
arco-íris foi chamada de spectrum (palavra latina com o plural spectra) e que em português passou a
ser espectro.

Até aquela época os filósofos naturais acreditavam que a separação observada da luz branca em várias
bandas coloridas quando atravessava um prisma era devida à interferência do próprio prisma. Para eles o
prisma adicionava essas cores à luz branca.

Newton mudou essa interpretação. Ele sugeriu que a luz branca, na verdade, era uma mistura de todas as
cores e que essa separação em bandas coloridas não tinha qualquer relação com o prisma. Para provar isso ele passou um feixe de luz
solar em um prisma, obtendo o conhecido espectro colorido e em seguida passou esse espectro por um segundo prisma invertido em
relação ao primeiro. Como resultado ele encontrou que somente luz branca emergia do segundo prisma. Ficava claro que o segundo
prisma reunia as cores do arco-íris e formava novamente o feixe de luz solar original.
Isaac Newton também sugeriu que a luz era composta de pequeníssimas partículas indetectáveis ou seja, corpúsculos. Com isso ele
apresentou ao mundo científico a chamada teoria corpuscular da luz.

A luz é uma onda

Em meados do século XVII o astrônomo holandês Christian Huygens propôs


uma teoria que explicava a natureza da luz de um modo bem diferente
daquele apregoado por Newton. Para Huygens a luz se desloca no espaço sob
a forma de ondas e não como partículas. Ele apresentou a chamada teoria
ondulatória da luz.

Por volta de 1801 a comunidade científica ficou convencida de que a luz era
realmente uma onda graças às experiências realizadas pelo físico inglês
Thomas Young. Sua experiência era bem simples. Ele fez com que um feixe
de luz, após passar por um anteparo opaco onde haviam duas fendas
estreitas e paralelas, incidisse sobre uma superfície branca situada a alguma
distância dessas fendas. Se a luz fosse formada por partículas, idéia
defendida por Newton, os dois feixes de luz provenientes das duas fendas
formariam simplesmente imagens brilhantes das fendas sobre a superfície branca, como mostra a imagem
abaixo.
No entanto, não era isso que acontecia. Ao realizar sua experiência Young notou que na superfície branca do anteparo era formada
uma distribuição regular de bandas claras e escuras que se alternavam regularmente. Isso era exatamente o que se esperava
acontecer se a luz tivesse propriedades ondulatórias.

A descoberta da natureza ondulatória da luz trouxe consigo inúmeras perguntas difíceis de responder naquela época. O que formam as
ondas de luz? O conceito de ondas está associado a um processo de oscilação. No caso da luz, o que está oscilando? As respostas só
começaram a ser conhecidas com as descobertas que associaram a ciência da eletricidade com a ciência do magnetismo. Mais ainda,
foi preciso mostrar que essa associação incluia a luz.

A luz é algumas vezes onda e algumas vezes partícula!

A teoria quântica, desenvolvida no início do século XX, postula que a luz é composta de pequeníssimos pacotes de energia chamados
fótons.

As partículas de luz são os fótons. No entanto, isso não significa que o modelo ondulatório da luz tenha sido abandonado. Os dois
modelos, seja o do fóton ou o ondulatório, são igualmente úteis para explicar as propriedades físicas da luz tais como brilho, cor e
velocidade. É por essa razão que a física moderna hoje fala que a luz possui uma dualidade onda-partícula. Assim, os físicos hoje
podem escolher qual o modelo que melhor descreve um fenômeno particular. Por exemplo, a reflexão da luz em um espelho é mais
facilmente compreendida se imaginarmos fótons ou seja, partículas de luz, golpeando o espelho e retornando do mesmo modo que
uma bola retorna ao colidir com uma parede. Por outro lado, o modelo ondulatório explica bem mais facilmente a focalização de um
feixe luminoso por uma lente. O brilho ou intensidade da luz pode ser descrito de modo conveniente por ambos modelos. Tanto o
brilho como a intensidade medem a quantidade de energia transportada pela onda. Se imaginarmos a luz como fótons a intensidade é
proporcional ao número de fótons que se deslocam em uma dada direção. Se imaginarmos a luz como uma onda, a intensidade está
relacionada com a força da energia elétrica e magnética vibrantes da onda.
Afinal, o que é a luz?

Hoje sabemos que a luz é a parte visível da radiação eletromagnética que se propaga em qualquer meio e até mesmo no vácuo. Mas,
para chegar a essa compreensão, foram necessários muitos anos de pesquisas.

Várias experiências mostraram que uma carga elétrica é circundada por uma campo elétrico e que um objeto magnetizado é
circundado por um campo magnético. E no início do século XIX outras experiências demonstraram que uma carga elétrica que se
desloca produz um campo magnético e que o movimento em um campo magnético dá origem a um campo elétrico. Mesmo assim,
considerava-se naquela época que existiam duas ciências independentes: a ciência da eletricidade e a ciência do magnetismo.

Em meados do século XIX o físico e matemático escocês James Clerk Maxwell mostrou que todos os
fenômenos elétrico e magnéticos podiam ser descritos por um conjunto básico de apenas quatro
equações. Essas equações mostravam que a força elétrica e a força magnética eram apenas duas
manifestações diferentes de um único fenômeno físico que hoje conhecemos como eletromagnetismo.

Combinando suas equações, Maxwell mostrou que os campos elétrico e magnético propagavam-se através
do espaço sob a forma de ondas. O conjunto formado pelas ondas de campo elétrico e magnético que se
propagam acopladas no espaço passou a ser conhecido como onda eletromagnética. Ele também
verificou que as ondas eletromagnéticas se deslocavam no espaço a uma velocidade de 3 x 10 8 metros
por segundo, um valor semelhante àquele medido para a velocidade da luz. Dessa forma Maxwell mostrou
que as equações que descreviam o eletromagnetismo traziam dentro delas o conceito de luz.
Tendo em vista que a luz passava a ser entendida como um fenômeno que envolve os campos elétrico e magnético, ela passou a ser
considerada uma forma de radiação eletromagnética. Desse modo, hoje dizemos que, segundo os conceitos da teoria ondulatória, a
luz é uma forma de radiação criada por campos elétrico e magnético que oscilam perpendicularmente um ao outro à medida que se
propagam pelo espaço. No entanto, precisamos ter em mente que a luz visível é apenas uma pequena parte da radiação
eletromagnética. Faltava muito ainda para que os cientistas soubessem realmente o que era a radiação eletromagnética.

Os comprimentos de onda da luz visível são muito pequenos, aproximadamente do tamanho de uma bactéria. Por esse motivo eles
usualmente não são medidos em metros mas em bilionésimos de metros, uma unidade chamada nanometro e que é abreviada como
nm. O comprimento de onda da luz vermelha tem cerca de 7 x 10-7 metro ou seja 700 nanometros. A luz violeta por sua vez tem o
comprimento de onda de 4 x 10-7 metro ou 400 nanometro.

A tabela abaixo mostra os comprimentos de onda das cores primárias nas três unidades usadas para medí-los. A equivalência entre as
cores e os valores de comprimento de onda são apenas aproximados.

comprimento de onda
cor nanometro micrometro Ångstrom
(nm) (μm) (Å)
vermelho 700 0,70 7000
amarelo 580 0,58 5800
azul 48 0,48 4800
violeta 400 0,40 4000
A Radiação Emitida pelos Corpos Celestes

A luz como onda eletromagnética

Ao olharmos para as estrelas vemos que elas emitem luz. Esta luz nada mais é do que uma forma de radiação, parte da energia
produzida no seu interior, e que se propaga pelo espaço sob a forma sob a forma de uma onda. Dizemos então que a radiação
eletromagnética emitida pelas estrelas, assim como por qualquer outro corpo celeste, possui as características de uma onda que é
chamada de onda eletromagnética.

Já vimos que uma onda, qualquer que seja a sua origem, é caracterizada pelo seu comprimento de onda e pela sua frequência.

Uma propriedade característica das ondas eletromagnéticas é que elas são capazes de se propagar em qualquer meio material e até
mesmo no vácuo. Outros tipos de ondas, como por exemplo as ondas sonoras, não se propagam no vácuo .Precisam de um meio
material para fazê-lo.

A velocidade de propagação de uma onda eletromagnética é representada pela letra c e corresponde a


c = 2,99792458 x 108 m/seg ~ 3,00 x 108 m/seg no vácuo

Se máximos da onda passam por um determinado ponto a cada segundo (o que é a medida de sua freqüência), cada um deles
separados por cm (o que é a medida de seu comprimento de onda), então a velocidade de propagação da radiação eletromagnética
é dada por:

velocidade de propagação da radiação eletromagnética = c

c = ν x λ = frequência x comprimento de onda


Temos, então, que a freqüência e o comprimento de onda se relacionam pelas expressões:

ν = c/λ

ou

λ = c/ν

A radiação eletromagnética

Muitas experiências foram aos poucos revelando que, além da luz visível, a radiação eletromagnética era
formada por outras formas de radiação que nosso olhos não conseguiam perceber. Luz visível, ondas de
rádio, microondas, raios X, todas são formas diferentes da radiação eletromagnética. Cada uma delas
está definida em um intervalo de comprimentos de onda ou ou energia. Ao conjunto de todos os valores
possíveis de comprimentos de onda da radiação eletromagnética damos o nome de "espectro
eletromagnético".

A radiação ultravioleta

A radiação ultravioleta é uma importante parte do espectro eletromagnético


descoberta em 1801 pelo físico e químico alemão Johann Wilhelm Ritter
(1776-1810). Ao realizar experiências com elementos químicos que podiam
ser sensíveis a luz, Ritter notou que ao fazer brilhar um espectro de luz
solar sobre uma camada de cloreto de prata, a substância química escurecia
mais fortemente na região situada logo após a extremidade violeta do
espectro.

A radiação ultravioleta não difere fisicamente da luz visível , exceto pelo


valor de seu comprimento de onda que é mais curto do que o da luz visível.

A radiação ultravioleta é intensamente produzida pelo Sol. Quando


consideramos os efeitos que a radiação ultravioleta pode fazer sobre o corpo humano ou o meio
ambiente , nós a subdividimos em três partes:

classificação da radiação comprimento de


ultravioleta onda
UVC 100-280 nm
UVB 280-315 nm
UVA 315-400 nm

Essa classificação não possui muito uso na astronomia mas é importante para a nossa vida. A radiação
ultravioleta UVC é absorvida pelo ozônio da atmosfera da Terra. No entanto, a maior parte da radiação
ultravioleta UVA, assim como cerca de 10% da radiação UVB, alcançam a superfície da Terra e são muito
importantes no que diz respeito à saúde do ser humano. Embora pequenas quantidades de radiação
ultravioleta sejam essenciais para a produção de vitamina D pelo nosso organismo, uma superexposição
a ela pode resultar em sérios efeitos nocivos aos nossos olhos, pele e sistema imunológico.

Para estudos astronômicos dividimos a radiação ultravioleta em duas categorias:

classificação da radiação comprimento de


ultravioleta onda
ultravioleta próximo (near UV) 380-200 nm
ultravioleta longinqüo
200-10 nm
(extreme UV)

Curiosamente , alguns comprimentos de onda da radiação ultravioleta são chamados coloquialmente de


"luz negra", pois são invisíveis ao olho humano. Essas "luzes negras" são comumente usadas em festas.

Alguns animais, tais como pássaros, répteis e insetos (por exemplo, abelhas), conseguem ver no
ultravioleta próximo. Muitos pássaros têm desenhos em suas plumagens que são invisíveis nos
comprimentos de onda usuais da luz visível mas podem ser vistos com o uso da luz ultravioleta.
Também a urina de certos animais são mais fáceis de serem vistas usando-se a luz ultravioleta.

A radiação infravermelha

Por volta de 1800 o astrônomo alemão Wilhelm Friedrich Herschel (1738–


1822), mais conhecido como William Herschel por conta de sua
naturalização como cidadão britânico, descobriu a radiação infravermelha
em uma experiência com um prisma. Ele manteve um termômetro logo
após o final da região vermelha do espectro visível e notou que o aparelho
mostrava um aumento na temperatura. Isso indicava que, naquela região, o
termomêtro estava sendo exposto a uma forma invisível de energia.

Sabemos hoje que, embora nós humanos não possamos enxergar a


radiação infravermelha, alguns animais conseguem percebê-la. Ao contrário
do que é muitas vezes afirmado, as cobras não possuem olhos que "vêem"
no infravermelho. Elas conseguem perceber o calor emitido pelos corpos de
suas possíveis presas não com os olhos mas sim com dois receptores
sensíveis ao infravermelho, que estão localizados em buracos profundos
situados entre as narinas e os olhos. São esses sensores que permitem que
as cobras "vejam" ou melhor, sintam a presença do calor irradiado por outros animais. Esses detectores
são membranas sensíveis à radiação infravermelha e permitem que certos tipos de cobras possam
detectar presas cujos corpos estejam a temperaturas mais altas ou mais baixas do que o meio
circundante. Essa diferença de temperatura não precisa ser grande. Mesmo frações de grau já são
suficientes para que a cobra detecte a presença de uma "refeição".

A radiação infravermelha é comumente dividida nas seguintes categorias:


classificação da radiação comprimento de
infravermelha onda
infravermelho próximo (near
0,7–1,4 µm
IR)
infravermelho curto (short IR) 1,4–3 µm
infravermelho médio (ou
3–8 µm
intermediário) (mid IR)
infravermelho longo (long IR) 8–15 µm
infravermelho longinqüo (far
30µm-450µm
IR)

A radiação infravermelho próxima ou seja, radiação


infravermelha com comprimentos de onda bem próximos
àquele da região vermelha da luz visível, comporta-se de
modo bastante semelhante à luz visível. Ambas são
detectadas usando-se equipamentos eletrônicos
semelhantes . Por essa razão a região do infravermelho
próximo do espectro eletromagnético é quase sempre
incorporada como parte do espectro "óptico" ( ou visível )
, juntamente com o ultravioleta próximo. A maior parte
dos equipamentos científicos tais como os telescópios
ópticos são capazes de observar tanto na região visível
como no infravermelho próximo. Já a região que define o
infravermelho longinqüo se estende até os comprimentos
de onda submilimétricos e só pode ser observada por
telescópios colocados em grandes altitudes, tais como o
James Clerk Maxwell Telescope, no Mauna Kea
Observatory, Havaí, Estados Unidos. Esse é o maior telescópio submilimétrico do mundo, uma antena de
15 metros de diâmetro construída pelos Reino Unido, Canadá e Holanda.

Ondas rádio
Em 1888 o físico alemão Heinrich Rudolf Hertz (1857-1894), ao realizar
experiências com centelhas elétricas, produziu radiação eletromagnética com comprimento de
onda de alguns centímetros. Hoje essa radiação é conhecida como ondas radio.
Hertz realizou várias experiências e conseguiu provar que os sinais elétricos
poderiam se deslocar através da atmosfera. Isso já havia sido previsto por James Clerk Maxwell e
Michael Faraday e se tornou a base teórica sobre a qual ocorreu a invenção do radio.
Hertz também descobriu o efeito fotoelétrico, mais tarde explicado por Albert
Einstein ( mas aqui é necessário utilizar o conceito de fóton , no qual a energia só depende da
frequência da radiação . No conceito ondulatório , a energia depende da
amplitude da onda , e isso não explica o efeito fotoelétrico . Foi um dos
motivos para Einstein receber o prêmio Nobel de física ) . Ele notou que um
objeto com carga elétrica perde essa carga mais facilmente quando é
iluminado pela luz ultravioleta.

Raios X
O físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) foi o primeiro cientista a detectar e registrar a
existência de um novo tipo de radiação que, por ser totalmente desconhecida naquela época, recebeu o
nome de "raios X". Isso ocorreu no dia 8 de novembro de 1895.

Roentgen logo notou que os "raios X" possuiam propriedades únicas. Essa
radiação era capaz de penetrar no corpo humano e "fotografar" o que havia
abaixo da pele. Nessa época as pesquisas sobre o interior do corpo humano
eram realizadas de modo exclusivamente invasivo pois não se conhecia
nenhum meio que permitisse fotografar o interior do nosso corpo. No dia 22
de dezembro de 1895, Roentgen levou sua esposa Anna Bertha Roentgen
(1839-1919) até seu laboratório e fez uma fotografia em raios X de sua mão.
Pela primeira vez em todo o mundo foi obtida uma imagem do interior do
corpo humano sem a necessidade de abrí-lo (imagem ao lado). Roentgen
esperava que sua esposa ficasse agradavelmente surpresa com a novidade
mas a simples visão dos ossos de sua própria mão a aterrorizou, como se
isso fosse uma premonição de sua morte!

Logo após a publicação da descoberta dos raios X os médicos reconheceram


que muitas cirurgias explorativas não precisariam mais ser feitas graças ao
trabalho de Roentgen. No entanto, muitos se sentiram perturbados pelas
imagens do interior do corpo humano oferecidas pelos raios X e alguns até
mesmo afirmaram que a nova descoberta era capaz de obter imagens da alma humana!
A descoberta de Roentgen
também interessou profundamente o público leigo e, logo em seguida, as fotografias de raios X
passaram a ser atrações em vários circos europeus! Hoje sabemos os males que uma prolongada
exposição aos raios X pode provocar no nosso corpo mas, como isso não era conhecido naquela época,
o uso dos raios X como diversão espalhou-se. Mais tarde, algumas pessoas pagaram com sua saúde o
preço devido por essas exibições.
O impacto cultural da descoberta dos raios X foi tão grande que em menos
de 30 anos eles passaram a ser citados em importantes obras
literárias de James Joyce, Thomas Mann e Virginia Woolf.
Em 1901 Roentgen
recebeu o primeiro Prêmio Nobel concedido a um
físico pela sua descoberta dos raios X. Roentgen
se recusou a patentear sua descoberta deixando-a para uso de toda a
humanidade.

Raios gama

Os raios gama, que formam a parte mais energética do espectro


eletromagnético, foram descobertos pelo químico e físico francês Paul Ulrich
Villard (1860-1934) (imagem a esquerda) em 1900 quando ele estudava as
propriedades do urânio. Villard notou que esse material radioativo emitia
uma forma de energia que não conseguia ser desviada por campos elétricos
ou magnéticos. Ele supôs que se tratavam de partículas e não radiação.
Somente em 1910 é que o físico britânico William Henry Bragg mostrou que essa nova forma de energia
recém detectada era radiação e não partícula.

Em 1914 os físicos Ernest Rutherford (1871-1937) (imagem a direita) e Edward Andrade mostraram que
os raios gama eram uma forma de radiação eletromagnética e mediram seus comprimentos de ondas.
Eles verificaram que os comprimentos de onda dos raios gama eram semelhantes àqueles dos raios X, descobertos anteriormente, com
a característica de serem muito curtos , situando-se no intervalo 10-11 metro a 10-14 metro. Foi também Rutherford que criou o nome
"raios gama", além dos nomes de outras duas formas de radiação conhecidas naquela época, que foram chamadas por ele de "raios
alpha" e "raios beta". No entanto, ainda por um bom tempo, a verdadeira natureza dessas três formas de radiação permaneceria
desconhecida. Uma diferença fundamental é que, ao contrário da radiação gama, a radiação alpha (ou melhor, partícula alpha) e a
radiação beta não são formas de radiação eletromagnética.

Os raios gama têm sido de grande ajuda nos processos de esterilização de equipamento cirúrgico, e nos processos industriais de
destruição de bactérias em alimentos, em particular carnes e vegetais. Embora a exposição excessiva a raios gama provoque o
surgimento de cancer no corpo humano (com excessão do Hulk que prefere ficar verde, possivelmente de raiva!) eles são usados para
o tratamento de tecidos cancerosos. Os raios gama também são usados intensamente para o estabelecimento de diagnósticos em
medicina nuclear.

Hoje sabemos que, do mesmo modo que os raios X, os raios gama são uma forma de radiação eletromagnética. No entanto, os raios
gama têm uma energia mais elevada, e consequentemente um comprimento de onda mais curto do que os raios X. Observe que a
linha divisória entre essas duas formas de radiação eletromagnética não é claramente definida. Não existe diferença física entre raios
gama e raios X que possuem a mesma energia. Nesse caso eles são apenas nomes diferentes da mesma radiação eletromagnética. No
entanto, essas duas formas de radiação serão distinguidas pela forma como foram geradas. O raio gama é uma radiação
eletromagnética de alta-energia produzida por transições nucleares. O raio X é uma radiação eletromagnética de altas-energias
produzida por transições de energia provocadas por elétrons acelerados. Como certas transições de elétrons podem ter energia mais
alta do que certas transições nucleares, existe um intervalo de superposição entre as energias possíveis de raios X e raios gama. Essa
região é composta, ao mesmo tempo, por raios gama de baixas energias e raios X de altas energias.

O espectro eletromagnético completo

As diversas partes do espectro eletromagnético são:

intervalo comprimento de onda características


é a freqüência mais alta, o comprimento de onda
raios gama abaixo de 0,1 Å mais curto, a energia mais alta

raios X 0,1 Å - 100 Å


ultravioleta 100 Å -- 3000 Å
3000 Å a 10000 Å = 1 µm (1 é o único tipo de radiação eletromagnética que os
luz visível
micrometro ou micron) nossos olhos podem perceber.

infravermelho 1 µm - 1 mm
é a freqüência mais baixa, o comprimento de onda
ondas rádio acima de 1 mm mais longo, e a energia mais baixa.

Na imagem abaixo, passe o cursor do "mouse" sobre a representação da onda eletromagnética, na parte de baixo da figura, para ver
como o Universo aparece em cada região do espectro eletromagnético.

Uma divisão mais detalhada do espectro eletromagnético está em

Os corpos celestes emitem radiação eletromagnética de vários comprimentos de onda ao mesmo tempo. No entanto, nossos olhos só
conseguem perceber a parte do espectro que é chamada de luz visível. Hoje a astrofísica possui detectores especiais capazes de
observar todas as regiões do espectro eletromagnético e deste modo conseguimos ter uma descrição completa de toda a energia que
está sendo irradiada por um corpo celeste.

A radiação térmica e a energia térmica

Qualquer objeto com uma temperatura superior a zero Kelvin emite energia. Esta energia liberada é
conhecida como "radiação térmica". Para a astrofísica é mais comum nos referirmos a esta radiação
térmica como "radiação de corpo negro".

A relação entre a quantidade de energia emitida por um corpo, o comprimento de onda (ou freqüência)
desta radiação e a temperatura do corpo é uma equação conhecida como lei de Planck, em homenagem
ao físico alemão Max Planck que primeiro a descobriu. A lei de Planck é dada por:

E=hν

onde h = 6,63 x 10-34 Joule segundo é a constante de Planck. Assim, vemos que uma onda é
caracterizada pela sua energia E. E como = c/ temos que

E = hc/λ

Para um objeto aquecido a uma dada temperatura, T, a equação de Planck nos dá a quantidade de energia emitida em cada
comprimento de onda.
No entanto, em algumas regiões do espectro eletromagnético as ondas transportam uma energia muito baixa.

Por exemplo, a rádio do Ministério da Educação (rádio MEC) se anuncia como 98,8 FM. Isto significa que seus transmissores emitem
uma freqüência = 98,8 megahertzs = 98800000 ciclos/segundo. Deste modo, a onda eletromagnética transmitida pela rádio MEC tem
um comprimento de onda de cerca de = c/ = 300000000/98800000 = 3,0364 metros, medido entre os pontos máximos dos
campos elétrico e magnético da onda. A energia desta onda rádio é obtida fazendo-se E = h = 6,63 x 10-34 x 98800000 = 6,55 x 10-
26
Joules. Como um Joule de energia equivale a 107 ergs podemos escrever esse resultado como 6,55 x 10-19 ergs. Considerando que
um erg é aproximadamente a energia que uma mosca gasta ao decolar de uma parede, percebe-se que as ondas rádio não
transportam muita energia.

A tabela abaixo mostra os limites aproximados de comprimento de onda, freqüência e energia das várias regiões em que subdividimos
o espectro eletromagnético.

comprimento de onda freqüência energia


intervalo
(em metro) (em Hertz) (em Joule)
raios gama < 1 x 10-11 > 3 x 1019 > 2 x 10-14
raios X 1 x 10-11 a 1 x 10-8 3 x 1016 a 3 x 1019 2 x 10-17 a 2 x 10-14
-8 -7 14 16
ultravioleta 1 x 10 a 4 x 10 7,5 x 10 a 3 x 10 5 x 10-19 a 2 x 10-17
luz visível 4 x 10-7 a 7 x 10-7 4 x 1014 a 7,5 x 1014 3 x 10-19 a 5 x 10-19
infravermelho 7 x 10-7 a 1 x 10-3 3 x 1011 a 4 x 1014 2 x 10-22 a 3 x 10-19
-3 -1 9 11
microondas 1 x 10 a 1 x 10 3 x 10 a 3 x 10 2 x 10-24 a 2 x 10-22
ondas rádio > 1 x 10-1 < 3 x 109 < 2 x 10-24
A lei de Wien: uma relação entre comprimento de onda e temperatura

Verifica-se experimentalmente que, quanto maior é a temperatura de um objeto, mais energia ele emite ,
além de emitir a maior parte desta radiação em energias cada vez altas e nergia mais alta significa
radiação de comprimento de onda mais curto.
Todos os objetos emitem radiação em um amplo intervalo de comprimentos de onda. No entanto, existe
sempre um comprimento de onda característico, representado por max, no qual a emissão de energia é a
mais forte possível.

Em 1893 o físico alemão Wilhelm Wien descobriu uma relação simples entre a temperatura de um corpo
negro e o comprimento de onda máximo da energia que ele emite. Essa relação ficou conhecida como "lei
de Wien".
A lei de Wien estabelece que o comprimento de onda no qual um determinado corpo irradia mais
fortemente é inversamente proporcional à temperatura do corpo. Desse modo ficamos sabendo que
corpos mais quentes irradiam mais fortemente em comprimentos de onda mais curtos como
já descrito acima .
O comprimento de onda do máximo da curva é dado pela equação:

com o comprimento de onda em Ångstroms (Å) e temperatura em Kelvin (K). Na verdade o verdadeiro valor do numerador dessa
expressão é 2,898 x 107 K Å que usualmente arredondamos para 3 x 107 K Å.

Vamos treinar um pouco a mudança de unidades em uma equação. Eventualmente você pode deparar com a lei de Wien apresentando
o termo 3 x 106 no numerador da fração. Isso ocorre por que, nesse caso, o comprimento de onda está sendo dado na unidade de
nanometros e não Ångstrons. Lembre-se que 1 Å = 10-1 nm.
Como sabemos que um Å corresponde a 10-10 metro vemos que a lei de Wien também pode ser escrita como 3 x 10-3 metros ou seja
0,003 metro (ou 0,0029 metro se você não quiser usar essa aproximação).

Pela lei de Wien encontramos que um objeto muito frio, com uma temperatura de somente alguns Kelvin, emite principalmente na
região de microondas do espectro eletromagnético. Um objeto a temperatura ambiente , cerca de 295 Kelvin, emite a maior parte de
sua radiação na parte infravermelha do espectro eletromagnético. Um objeto com uma temperatura de alguns milhares de Kelvin
emite a maior parte de sua radiação como luz visível ou seja, radiação eletromagnética situada na região visível do espectro
eletromagnético. Por sua vez, um corpo com uma temperatura de alguns milhões de Kelvin emite a maior parte de sua radiação com
comprimentos de onda de raios X.

A tabela abaixo mostra alguns objetos astronômicos, suas temperaturas normais e os comprimentos de onda onde eles emitem a
maior parte de sua radiação ( nós e o bulbo entramos ali para comparação . Pode-se argumentar que também somos objetos
astronômicos ... ) .

Radiação Térmica de Objetos Astronômicos


temperatura
objeto máximo do comprimento de onda região espectral
(em Kelvins)
radiação de fundo cósmica 3 1 mm microonda (IR-Radio)
nuvem molecular 10 300 m infravermelho
ser humano 310 9,7 m infravermelho
bulbo de luz incandescente 3000 1 m - 10000 Å infravermelho / visível
Sol 6000 5000 Å visível
estrela quente 30000 1000 Å ultravioleta

gás inter-aglomerado 108 0,3 Å raios X

Você certamente já teve contato com a lei de Wien sem saber. Quando você acende um fogareiro o queimador inicialmente toma a cor
vermelha. No entanto, à medida que ele aquece, seu brilho passa para um alaranjado brilhante e eventualmente torna-se amarelo.
Esse efeito é explicado pela lei de Wien. A medida que um corpo é aquecido a cor da luz visível que ele emite desloca-se gradualmente
do vermelho para o laranja e em seguida para o amarelo. Desse modo podemos afirmar que que quando um corpo se torna mais
aquecido ele emite luz visível em comprimentos de onda cada vez mais curtos e, por conseguinte, cores cada vez mais amareladas.

Quando as temperaturas são suficientemente elevadas a luz visível emitida pelo corpo terá o aspecto de branco azulada. Isso não
significa que um corpo muito quente emite somente luz azul ou seja, nenhuma luz vermelha. Isso significa apenas que esse corpo está
emitindo mais luz azul no visível do que vermelha.

Exercício
Se o que foi dito acima está correto eu posso concluir que uma maçã, por ser vermelha, deve ser
mais quente do que um limão, que é verde. No entanto, quando eu toco nessas duas frutas não
sinto nenhuma diferença. Como podemos explicar isso?

Exercício
Os astrônomos mediram a temperatura do Sol e, usando a lei de Wien, determinaram que o
comprimento de onda no qual ele irradia mais fortemente corresponde à cor azul-esverdeado. No
entanto, o Sol parece ser amarelo esbranquiçado para nós. Como podemos explicar isso?

Ocorre, entretanto, que a lei de Wien não se aplica a todos os corpos mas sim a um determinado tipo de corpo com características
muito especiais que é chamado de corpo negro.

As leis da radiação

As propriedades médias ou globais que descrevem a interação da radiação eletromagnética com a matéria são sistematizadas em um
simples conjunto de regras que recebe o nome de leis da radiação.

Estas leis se aplicam quando o corpo radiante tem certas característica especiais que leva os físicos a classificá-lo como um corpo
negro.

Para os físicos, um corpo negro é aquele corpo capaz de absorver toda a radiação incidente sobre ele, sem refletir absolutamente
nada.

As experiências mostraram, entretanto, que quando um corpo negro é aquecido ele irradia de modo mais eficiente do que qualquer
outro tipo de objeto. Dizemos, portanto, que um corpo negro é tanto um excelente absorvedor como emissor de radiação.

Cuidado com o nome corpo negro: ele é usado para descrever um corpo que, por não refletir a luz incidente sobre ele e, a emitir , a
temperatura ambiente, radiação que predominantemente não pode ser percebida pelos olho humano, parece ser negro para um
observador. Portanto, um corpo negro não é necessariamente um objeto com superfície negra!

Uma outra característica dos corpos negros é que a radiação emitida por ele muda suavemente de um comprimento de onda para o
próximo. A imagem abaixo mostra o modo característico pelo qual a radiação de um corpo negro é emitida na região visível do
espectro eletromagnético. Veja que não há descontinuidades ou saltos ou marcas que caracterizem as transições entre os vários
comprimentos de onda.

Geralmente as condições de corpo negro se aplicam quando o corpo tem uma interação muito fraca com o meio ambiente que o
circunda, podendo então ser considerado estar em um estado de equilíbrio com o meio que o envolve.

Embora as estrelas não satisfaçam perfeitamente as condições necessárias para serem classificadas como "corpo negro", elas o fazem
com uma aproximação suficientemente boa. Esta é a razão pelo qual os astrofísicos consideram as estrelas como sendo,
aproximadamente, "corpos negros". Mas por que razão dizemos que as estrelas não são perfeitos corpos negros? As estrelas são
formadas por gases e, a não ser que estejam comprimidos em densidades muito altas, gases não são corpos negros.
Conseqüentemente, gases rarefeitos não obedecem à lei de Wien. Mais tarde veremos que o espaço existente entre as estrelas está
preenchido por um gás na maior parte das vezes bastante rarefeito e que é chamado de gás interestelar. Esses gases interestelares,
que formam as chamadas nuvens interestelares, somente podem irradiar fortemente em intervalos de comprimento de onda estreito
,como por exemplo, a parte vermelha do espectro visível ou a parte correspondente aos comprimentos de ondas milimétricas da região
radio do espectro eletromagnético. Nesse caso, a cor observada em uma nuvem interestelar é determinada mais pela sua composição
química do que pela sua temperatura.

Muito poucos objetos são corpos negros perfeitos mas muitos dos objetos que estudaremos nesse curso estão suficientemente
próximos a um corpo negro de modo que podemos considerá-los como tendo essa propriedade. A vantagem é que, nesse caso,
consideramos que ele obedece à lei de Wien e podemos usá-la sem medo de incorrer em grandes erros. Podemos considerar, como
uma razoável aproximação que o Sol, as estrelas e mesmo a Terra são corpos negros e, portanto, obedecem satisfatoriamente à lei de
Wien.

A lei da radiação de Planck

A principal lei que governa a radiação de corpo negro é a lei da radiação de Planck. Ela nos dá a intensidade da radiação emitida por
um corpo negro por unidade de área , em uma direção fixada (ângulo sólido), como uma função do comprimento de onda e para um
valor fixado da temperatura . E é expressa através da seguinte equação:

onde é o comprimento de onda da radiação, c é a velocidade da luz, h é a constante de Planck (h= 6,63 x 10 -34 Joule segundo), k é a
contante de Boltzmann (k = 1,38 x 10-23 Joule/Kelvin) e T é a temperatura do corpo negro associado a essa medida. A expressão E ( ,
T) nos diz que a energia emitida pelo corpo depende do comprimento de onda e da temperatura T. Em jargão matemático dizemos
então que E é função de e T. E note a função exponencial no denominador . Lembra-se ?

Os gráfico obtidos a partir da lei de Planck têm a forma característica mostrada abaixo.
As Propriedades do Gás Estelar

Estrelas são massas gasosas mantidas gravitacionalmente com uma forma quase-esférica e que apresentam produção própria de
energia.

A definição acima, além de não ser a mais precisa do que é uma estrela, pode nos levar a acreditar que todas as estrelas são formadas
pelo mesmo tipo de gás e que, portanto, basta estudar as propriedades de uma delas para sabermos tudo sobre todas. Não é verdade.
Embora todas as estrelas sejam formadas por gás nem todas são formadas pelo mesmo tipo de gás. Vejamos então algumas
propriedades do gás que forma as estrelas.

O estudo dos gases

Uma das áreas mais difíceis da física é o estudo da matéria em estado gasoso . Um pequeno volume de gás é constituido por milhões
de moléculas que interagem continuamente. Cada interação entre duas delas significa que uma das moléculas perde energia e a outra
ganha energia. Além disso os movimentos das moléculas em um gás são absolutamente aleatórios: as moléculas não seguem
trajetórias bem determinadas, mudando continuamente a direção e o sentido de seus movimentos. Isso faz com que o estudo das
propriedades de um gás ou seja, das propriedades das moléculas que o compõe, seja muito difícil. Na verdade esse estudo é, em
geral, feito de modo estatístico, com as chamadas distribuições de probabilidade, um assunto bastante complicado que, obviamente
não trataremos aqui.

Gás ideal ou perfeito

Para podermos discutir algumas propriedades mais simples de um gás é necessário fazer algumas suposições bastante simplificadoras.
Para isso os físicos "criaram" um gás fictício com propriedades bastante idealizadas, ou seja, um gás ideal . Um gás ideal ou perfeito
é um gás hipotético onde

 todas as suas partículas são idênticas


 todas as suas partículas têm volume zero
 todas as suas partículas não interagem ou seja, não existem forças intermoleculares
 todas as suas partículas sofrem colisões perfeitamente elásticas com as paredes do recipiente que contém o gás

Note que os gases reais não possuem propriedades exatamente iguais a essas. Entretanto o conjunto de propriedades de um gás ideal
frequentemente é uma aproximação bastante boa para descrever um gás real. Esta aproximação só não poderá ser feita quando
estivermos tratando com gases submetidos a altas pressões ou a baixas temperaturas , quando então as forças intermoleculares
desempenham um papel muito importante na determinação de suas propriedades.

A equação de estado de um gás

Para descrevermos o interior de uma estrela é necessário aplicar os conceitos aprendidos sobre o comportamento dos gases. Afinal,
estrelas são formadas por gases e estes estão limitados em volume, pressão e temperatura.

Todo gás pode ser descrito por algumas poucas propriedades básicas. Estas são a temperatura T, a pressão P e o volume V do gás. As
regras que definem como essas propriedades se relacionam foram determinadas a partir de experiências e datam do século XVIII e
início do século XIX. A essas variáveis básicas de um gás damos o nome de variáveis de estado
pois elas descrevem as propriedades e as condições físicas do gás, ou o estado do gás . Quando
estabelecemos uma relação entre duas ou mais variáveis de estado, sejam elas, temperatura,
pressão, volume ou energia interna (definida adiante), obtemos uma equação de estado que
como o nome diz descreve o estado da matéria sob um dado conjunto de condições físicas.

Existem algumas leis fundamentais que descrevem relações entre as variáveis de estado e são,
portanto, equações de estado. Essas leis nos mostram o comportamento dos gases em
determinadas condições físicas e levam o nome dos cientistas que as descobriram.

Essas leis são:

 Lei de Boyle-Mariotte
A lei de Boyle-Mariotte, descoberta em 1662 pelos físicos Robert Boyle e Edme Mariotte,
nos diz como se relacionam a pressão e o volume de um gás. Segundo ela

Para uma massa fixa de gás ideal mantido a uma temperatura fixa, o produto
da sua pressão pelo seu volume é sempre um valor constante.


Em termos matemáticos isso se escreve



onde
o P é a pressão do gás
o V é o volume ocupado pelo gás
o k é uma constante

Em termos mais simples, a lei de Boyle-Mariotte nos diz que se mantivermos invariável a massa e a temperatura de uma
determinada quantidade de gás, quando seu volume aumenta a pressão irá diminuir e vice-versa.

 Lei de Charles
Esta lei, descoberta em 1787 pelo físico Jacques Alexandre César Charles, relaciona o
volume e a temperatura de um gás. Ela nos diz que

A uma pressão constante, o volume de uma determinada massa de um gás


ideal aumenta ou diminui pelo mesmo fator que a sua temperatura aumenta
ou diminui.


Em termos matemáticos isso é escrito como



onde
o V é o volume ocupado pelo gás
o T é a temperatura do gás (medida em Kelvin)
o k é uma constante
Basicamente, essa lei nos diz que, mantendo a pressão de um gás constante, se a sua temperatura aumenta,
obrigatoriamente o seu volume também aumenta.

 Lei de Dalton
Esta lei foi descoberta em 1801 pelo químico John Dalton e também é chamada de "Lei
das Pressões Parciais". Ela nos diz que

A pressão total em uma mistura de gases é igual à soma individual das


pressões exercidas por cada um dos gases que fazem parte da mistura.


Matematicamente isso pode ser escrito como

 Ptotal = P1 + P2 + P3 + ...

onde
o Ptotal é a pressão total exercida pela mistura dos gases
o P1 é a pressão exercida isoladamente por um dos gases da mistura
o P2 é a pressão exercida isoladamente por outro gás da mistura
o e assim por diante ...

 Lei de Gay-Lussac
Esta lei, descoberta em 1802 pelo físico Joseph Louis Gay-Lussac, relaciona a pressão e
a temperatura de um gás. Ela nos diz que

A pressão de uma quantidade fixa de gás mantida em um volume fixo é


diretamente proporcional à sua temperatura em Kelvin.


Em termos matemáticos temos



onde
o P é a pressão do gás
o T é a temperatura do gás (medida em Kelvin)
o k é um valor constante

Em termos bem simples, se o volume de um gás é mantido fixo, ao aumentar sua temperatura sua pressão também irá aumentar.

A equação de um gás ideal

Você pode combinar as leis dos gases dadas acima. Para isso devemos supor um determinado gás em dois conjuntos diferentes de
condições físicas. Isso quer dizer que em um momento ele estará com pressão P1, volume V1 e temperatura T1, e em outro momento
ele apresentará uma pressão P2, volume V2 e temperatura T2. Em resumo, em um determinado momento o gás é representado pelo
conjunto (P1, V1, T1) e em outro pelo conjunto (P2, V2, T2).

Nestas condições a Lei de Boyle-Mariotte pode ser escrita como


P1V1 = P2V2

e a lei de Charles como:

e , por último , a lei de Gay-Lussac é :

Combinando as leis de Boyle e Charles dadas acima, obtemos a relação:

Vemos, portanto, que a expressão PV / T é sempre constante e então podemos escrever

PV = (constante) T

A "constante" que aparece na equação acima é proporcional ao número de moléculas que existem dentro do recipiente considerado.
Então

(constante) = kN

onde N é o número de moléculas do gás e k é uma constante que se determina experimentalmente.

Podemos então escrever a equação PV = (constante)T como

PV = NkT

onde

 P é a pressão do gás
 V é o volume ocupadp pelo gás
 N é o número de moléculas do gás
 k é a chamada constante de Boltzmann (k = 1,3807 x 10-23 Joule/Kelvin)
 T é a temperatura do gás (em Kelvin)

Podemos transformar a equação acima usando a chamada "lei de Avogadro". Para isso precisamos lembrar que definimos mol de uma
substância como a quantidade desta substância que contém o número de Avogadro de moléculas. O número de Avogadro é dado
por NA ~ 6,022 x 1023 e é definido como o número de átomos de carbono em 12 gramas de 12C. A massa de 1 mol de uma substância
é denominada massa molecular desta substância.

Temos então que se n é o número de moles de uma substância, o número de moléculas que ela possui é dado por

N = nNA
Deste modo, se chamarmos kNA = R, a equação acima pode ser escrita como

PV = NkT = nNAkT = nRT

onde

 P é a pressão do gás
 V é o volume do gás
 n é o número de moles do gás
 R é a chamada constante universal dos gases (R = 8,314 x 103 Joule/Kelvin)
 T é a temperatura do gás (em Kelvin)

Essas duas últimas expressões de PV são formulações equivalentes da chamada lei do gás ideal. Esta relação foi obtida em 1834 pelo
físico francês Émile Clayperon e resume o que chamamos de descrição macroscópica de um gás ideal .

Vimos que qualquer porção de um gás é formada por um número bastante grande de moléculas que se movem aleatoriamente. Se
uma molécula de gás está em movimento, ela possui uma energia cinética que é dada pela expressão

Ec = (1/2) mv2

onde

 m é a massa da molécula
 v é a velocidade da molécula

Se a quantidade de gás estudada é formada por N moléculas, podemos pensar que a energia cinética total de translação das N
moléculas ( também chamada de energia interna total do gás ) , é dada por

Ec-total = N(1/2) mv2

Mas isso não é correto porquê na verdade temos uma distribuição dos valores da velocidade entre as moléculas : algumas são lentas ,
outras rápidas , e todas sujeitas à mudanças frequentes em suas velocidades devido aos choques entre si . Aliás ,
a equação que nos permite conhecer o número de moléculas que tem determinado valor de velocidade é o que chamamos de função
de distribuição .

Sabemos que a temperatura de um gás está associada à energia cinética média de translação de suas moléculas. Assim

(1/2) m . <v2> = (3/2) kT

onde o termo <v2> significa que estamos considerando a média do quadrado das velocidades das moléculas do gás e não a velocidade
particular de cada molécula (o que seria intratável dado o enorme número de moléculas existente em qualquer porção de gás).

A física nos mostra que somente esta energia cinética de translação participa do cálculo da pressão que um gás exerce sobre as
paredes do recipiente que o contém. Temos então que

Ec = N(1/2) m . <v2> = (3/2) NkT = (3/2) nRT

Se considerarmos que a energia cinética total de translação das N moléculas de um gás é a própria energia interna total deste gás,
vemos que essa energia interna depende somente da temperatura do gás e não de seu volume ou da pressão ao qual está submetido.
Designando por U a energia interna do gás temos então

U = (3/2) nRT

Veja que estamos considerando que a energia interna do gás só inclui a energia cinética de translação. Se ela incluir outras formas de
energia ( enrgias de rotação , vibração , p. ex. ) , então a equação mostrada acima não é mais válida e a energia interna poderá
depender também da pressão e do volume.
Definimos um gás ideal ou perfeito como sendo aquele para o qual as duas relações abaixo
ocorrem simultaneamente

PV = nRT

U = U(T)

ou seja, a energia interna do sistema é função somente da temperatura.

O gás do interior de uma estrela

As equações que vimos acima nos mostram relações fundamentais entre as variáveis de estado P, T e V de um determinado gás.
Infelizmente (ou felizmente?), o gás que compõe o interior de uma estrela pode ser bastante mais complexo que isso pois até aqui só
usamos a física clássica ou Newtoniana.

Existem situações em que outros processos físicos também vão surgir no gás estelar complicando ainda mais sua descrição física. Por
exemplo, as partículas que compõem o gás estelar podem ter velocidades altíssimas e, neste caso, teremos que levar em consideração
as relações da física relativística. Os gases agora são gases relativísticos e teremos que usar novas equações para descrever o seu
comportamento geral. Além disso, em algumas estrelas as densidades são tão altas que os efeitos quânticos sâo importantes. Neste
caso estaremos tratando com a chamada " matéria degenerada". Mais ainda, um gás degenerado também podem ser relativístico! As
equações de estado mudam !

Completando, para estudar o interior das estrelas precisamos trabalhar com uma parte da física que é chamada de teoria cinética dos
gases e que trata os gases de forma global, como conjuntos de inúmeras partículas cujo comportamento é descrito pelas chamadas
distribuições gasosas. É ai que vão aparecer as distribuições de Maxwell-Boltzmann, de Fermi-Dirac, de Bose-Einstein, etc.

Como você pode ver pela pequena descrição dada acima, o estudo dos gases que formam o interior de uma estrela é extremamente
complicado, dependendo do tipo de estrela que estamos estudando. Certamente neste curso não iremos tratar com detalhes esses
gases pois isso exigiria uma matemática bastante sofisticada.

Para saber mais


Teoria Cinética

Vamos conhecer um pouco sobre a teoria cinética dos gases , que é a descrição do ponto de vista microscópico das propriedades do
gás , propriedades que resultam do comportamento coletivo de milhões e milhões de partículas contidas em cada centímetro cúbico .

O ponto de partida é considerar um pequeno cubo , de comprimento d , que contem N partículas idênticas . Veja a figura e note que
podemos definir os 3 eixos espaciais (x,y,z) ao longo dos lados do cubo . Estaremos lidando com velocidade de partículas . Relembro
que a velocidade é uma grandeza vetorial e que pode estar apontando em qualquer direção . E por ser um vetor , a velocidade pode
ser decomposta em três componentes , ao longo dos três eixos cartesianos escolhidos . Essas componentes são designadas por

vx , que é a projeção da velocidade ao longo do eixo x ;


vy , que é a projeção da velocidade ao longo do eixo y e
vz , que é a projeção da velocidade ao longo do eixo z .

As partículas estão em movimento aleatório e chocam contra as paredes do pequeno cubo . Não há direção preferencial : o que
acontece ao longo de um eixo , acontece nos outros , ou ainda , estamos interessados no comportamento médio de milhões de
partículas e esse comportamento médio é o mesmo em qualquer direção . Precisaremos de considerar tal fato mais adiante .

A primeira questão é : qual a pressão exercida contra as paredes do cubo ? O primeiro ponto a lembrar é que pressão ( P ) é a força
exercida sobre uma área , A , ou

Essa expressão nos diz que a força pode ser intensa , mas se aplicada sobre uma área suficientemente grande a pressão será pequena
.

Queremos achar uma expressãp para P que leve em consideração propriedades das partículas que constituem o gás . Para isso
faremos o seguinte :

- calcularemos a força exercida sobre uma das paredes do cubo pelo choque de uma partícula ;
- calcularemos então a força total exercida sobre a mesma parede por todas as partículas ;
- calculamos então a pressão usando a expressão anterior já que conhecemos A , a área da parede , que é d2 .

Continuando , vamos precisar de uma grandeza , fundamental em física , que é a chamada quantidade de movimento ou momento .
Aliás , na realidade temos dois momentos : o linear e o angular , ambos fundamentais porquê são grandezas que se conservam ( em
um conjunto de corpos isolados de forças externas , a soma dos momentos individuais é constante ou , os momentos individuais
podem variar mas o momento total não ) .

O momento linear , p , é definido como massa multiplicada pela velocidade , ou


Considerar a variação do momento é o mesmo que considerar a variação da velocidade , pois a massa não varia ( não estamos
considerando efeitos relativísticos ) . Precisamos dessa variação do momento porquê ela está relacionada à força e portanto à pressão
. Para ver isso , vamos manipular a 2a. lei de Newton e as definições de aceleração e de momento :

i. é , como consequência da aplicação de uma força temos no intervalo Δt uma variação no momento linear de uma corpo .

No caso do pequeno cubo que estamos examinando , imaginamos que as partículas se chocam contra as paredes do cubo e são
refletidas no sentido oposto da direção inicial . Há então uma variação no momento da partícula e isso significa que uma força é
exercida sobre a parede do nosso cubo .

Vamos considerar a velocidade ao longo de um eixo apenas , isto é , uma partícula com velocidade v , tem para a componente dessa
velocidade na direção z o valor Vz . Aplicando a lei de conservação do momento linear , mostra-se que

Δp = 2m . vz ( vz é a velocidade ao longo de um lado do cubo , z no caso)

e Δt , o intervalo entre dois choques da mesma partícula contra uma parede , é dado por

quero dizer aqui que : a partícula demora o intervalo de tempo d / vz para percorrer a distancia d , é refletida , e gasta outra vez
esse tempo até se chocar novamente . Por isso aparece o número 2 .

Substituimos as expressões para Δp e Δt na expressão para a força , dada acima , e obtemos

Mas tratei até agora do choque de uma partícula com velocidade v em uma certa direção . Precisamos mesmo é da força total , da
força exercida por todas as partículas e que tem velocidades diferentes nessa direção . Essa força total é a soma das forças individuais

A soma entre parenteses é representada pela letra grega sigma ( Σ para somatório ) e então

Se utilizo essa expressão na definição de pressão


onde A = d2

,onde V = d3 é o volume do nosso cubo ( na expressão para a força já tem um d no denominador ! ) .

Agora um artifício : multiplique e divida por N ( o número de partículas dentro do cubo ) . Lembre-se que N/N =1 !

onde usamos a definição de média aritmética dos quadrados da velocidades : somamos esses quadrados de todas as partículas e
dividimos essa soma pelo número de partículas . Essa média é representada por <v2> .

O fato da velocidade de uma partícula ser decomposta em três direções mutuamente perpendiculares permite escrever que o quadrado
da velocidade é a soma dos quadrados das componentes da velocidade . É uma generalização do teorema de Pitágoras , lembra-se ?
A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa . Para nos ajudar , considerar as três direções como
equivalentes significa que as médias dos quadrados das componentes tem o mesmo valor em qualquer das três direções . O que
resulta dessas considerações ? Vejamos

<v2> = <vx2> + <vy2> + <vz2>

Mas <vx2> = <vy2> = <vz2>

Combinando esses resultados podemos escrever que

Então

Com tudo isso ,

Era esse nosso objetivo inicial . Agora vamos combinar as descrições macroscópica e microscópica : você se lembra da equação de
estado para um gás ideal , PV = NkT ?

Pois bem , se substituimos PV nessa equação pela expressão fornecida pela teoria cinética obtemos

e finalmente
É a expressão já vista anteriormente e que justifica a interpretação da temperatura como medida da energia cinética média das
partículas que compõem o gás .

Na realidade , o gás estelar tem diversos tipos de átomos , íons , eletrons livres , etc . Aqui , vamos mostrar uma forma da equação de
estado usada com frequência em astrofísica .

Se temos vários vários componentes , usamos a lei de Dalton , já vista , e que nos diz que a pressão total é a soma das pressões
parciais . Note que , para cada componente com N partículas em um volume V , a equação de estado é

,onde n então é a densidade volumétrica , i. é, o número de partículas por unidade de volume .


Agora multiplico e divido o lado direito pela massa m de uma partícula e rearranjo a fórmula :

Mas nm é a densidade ( em quilos/m3 , por exemplo ) , Ρ . Então

Se temos diferentes tipos de partículas , a pressão total será

P = Σ Pi , onde cada Pi = ni.kT

P = nkT n = Σ ni
é a massa média de cada partícula do gás , calculada assim : somamos todas as massas e dividimos pelo número total de partículas .
A Estrutura Atômica: o Átomo "antigo" e o Átomo "moderno"

As leis da física para o que ocorre no interior da matéria, na região que designamos como nível microscópico ou nível atômico, são
muito diferentes daquelas que estamos acostumados a aplicar no nosso mundo macroscópico, aquele cujas escalas vão do milímetro
aos milhares e milhares de quilômetros. Os fenômenos que ocorrem no interior da matéria ou seja, no interior dos átomos, têm
aspectos muitíssimo particulares, característicos , surpreendentes e que chocam o senso comum .
Os blocos construtores básicos da matéria "normal", aquela que vemos espalhada por todo o Universo, são os átomos. Ao se reunirem
fisicamente , os átomos formam o que chamamos de moléculas.
Entretanto, veremos mais tarde que, embora a matéria "normal" seja composta de átomos e moléculas, a maioria da matéria que
existe no Universo não se apresenta desta forma. Ao invés disso, a maior parte da matéria no Universo está presente na forma de
plasma.

O modelo de Bohr para o átomo

Em nossa discussão das propriedades mais importantes da estrutura atômica e molecular empregaremos
um modelo muito simplificado para descrever o átomo, modelo esse proposto em 1915 pelo prêmio Nobel
dinamarquês Niels Bohr. Este modelo é chamado de "átomo planetário" ou "modelo de Bohr".
O modelo do átomo proposto por Bohr não é inteiramente correto nem representa a visão atual que os
físicos possuem sobre o interior da matéria. No entanto, ele tem vários aspectos que são
aproximadamente corretos, é mais fácil de ser entendido e é plenamente satisfatório para uma grande
parte da nossa discussão.

No modelo atômico proposto por Bohr partículas chamadas nêutrons e prótons ocupam uma região
central, densa, do átomo chamada núcleo atômico. Em torno deste núcleo outras partículas, os
elétrons, descrevem órbitas. A atração elétrica entre os prótons e os elétrons é um dos processos que dá
estabilidade ao átomo, mantendo-o unido.
Esta descrição se assemelha, em alguns aspectos, àquela que fazemos do nosso Sistema Solar, onde os planetas estão em órbita em
torno do Sol. No entanto, fazer uma analogia sem restrições entre o Sistema Solar e o átomo de Bohr não é correto , uma vez que os
planetas estão em órbitas que, aproximadamente, permanecem confinadas a um plano enquanto que, no caso de um átomo, as
órbitas dos elétrons não estão confinadas a nenhum plano. Existem outros aspectos, muito mais complexos, que anulam
completamente qualquer tentativa de analogia entre o Sistema Solar e o átomo de Bohr. Veremos mais tarde que os elétrons possuem
restrições muito maiores do que aquelas aplicadas aos planetas do Sistema Solar no que diz respeito às suas possíveis órbitas em
torno de um objeto central, que é o núcleo atômico no caso do átomo. Trataremos este aspecto mais tarde, quando falarmos sobre a
chamada "quantização dos níveis de energia". Além disso, está completamente errado sobre o ponto de vista da física moderna pensar
que o átomo é formado por diminutas "bolinhas" às quais damos os nomes de prótons, nêutrons e elétrons. Os novos conhecimentos
sobre o comportamento das partículas sub-atômicas impossibilita totalmente qualquer analogia desse tipo entre os constituintes
atômicos e os planetas do Sistema Solar.

O tamanho típico de um núcleo atômico é 10-13 centímetros com os elétrons descrevendo órbitas a uma distância (raio) de,
aproximadamente, 10-8 centímetros = 1 Ångstrom (1 Å). Isto quer dizer que o raio do núcleo é cerca de 100000 vezes menor do que o
raio do átomo inteiro. Este dado é importante para que você tenha a noção correta de como a matéria é "vazia".

Outro ponto importante é que para o estudo do interior da matéria consideraremos que é válido o princípio de que as partículas de um
determinado tipo são indistinguíveis. Com isto queremos dizer que um elétron é sempre igual a outro elétron. Não existem elétrons
gordos ou magros, novos ou velhos. Nessa nossa descrição aproximada, podemos considerar o elétron como sendo uma partícula
puntiforme, sem extensão espacial, cujas propriedades intrínsecas são as mesmas para todos eles, independentemente da situação
física em que ele se encontre.

constituintes
massa equivalência entre massa
do símbolo carga valor da carga
massas aproximada
átomo
1,6022 x 10-19
elétron e- -1 9,1093897 x 10-31 kg ---- 9,11 x 10-31 kg
Coulombs
~1836 vezes a
próton p+ +1 igual à do elétron 1,6726230 x 10-27 kg 1,67 x 10-27 kg
massa do elétron
núcleo
ligeiramente
nêutron n 0 ---- 1,6749286 x 10-27 kg 1,68 x 10-27 kg
maior que a do próton

Vemos pela tabela acima que a maior parte da massa dos átomos reside nos prótons e nêutrons que ocupam a região central mais
densa chamada núcleo atômico ou, simplesmente, núcleo.

Se os átomos são formados por partículas com cargas elétricas positiva (prótons) e negativas (elétrons) , qual é a sua carga total? Os
átomos têm carga positiva ou negativa? Na verdade os átomos são eletricamente neutros por que o número de elétrons, carregados
negativamente, que ele possui é exatamente igual ao número de prótons, carregados positivamente. Os nêutrons, por não possuírem
uma carga final, não participam nessa conta.

Mas, afinal, qual é a "missão" dos nêutrons no interior de um átomo? Experimentalmente verifica-se que o número de nêutrons é,
aproximadamente, igual ao número de prótons nos núcleos leves estáveis. No entanto, o número de nêutrons cresce rapidamente e é
cerca de 2 vezes maior do que o número de prótons nos núcleos estáveis mais pesados. É esse maior número de nêutrons que dá
estabilidade ao núcleo do átomo.

Os isótopos de um elemento

O número de prótons que constituem o núcleo de um determinado átomo é chamado de número atômico desse átomo e é
representado pela letra Z. Como sabemos que os átomos em geral permanecem neutros ou seja, não possuem carga elétrica
resultante, o número de prótons no núcleo tem que ser igual ao número de elétrons que estão em órbita em torno deste núcleo. Daí,
podemos dizer que o número atômico nos dá o número de prótons no núcleo de um determinado átomo bem como o número de
elétrons que orbitam em torno desse núcleo.

O número total de prótons e nêutrons que formam um determinado núcleo atômico é chamado de número de massa do átomo e é
representado pela letra A. Representando com a letra N o número de nêutrons, temos que o número de massa é dado por
A=Z+N

Uma notação compacta para os elementos químicos é ilustrada abaixo com o urânio:
Neste caso "235" é o número de massa A, "92" é o número atômico Z e "143" é o número de nêutrons N do elemento químico.
Chamamos de isótopo de um elemento aquele cujos átomos têm o mesmo número de prótons, e consequentemente o mesmo
número de elétrons, que o elemento original mas um número diferente de nêutrons. Ou ainda , os isótopos de um elemento têm o
mesmo número atômico mas diferem em seus números de massa. Um mesmo elemento químico pode ter vários isótopos, todos eles
diferindo apenas no número de nêutrons que constituem seus respectivos núcleos.
O hidrogênio, o elemento químico que existe em maior quantidade no Universo, possui isótopos com nomes característicos:

elemento isótopos

O símbolo representa o hidrogênio enquanto que os outros dois símbolos representam seus isótopos. O isótopo de massa 2 do

hidrogênio, , é chamado de deutério ou hidrogênio pesado enquanto que o isótopo de massa 3, , é chamado de trítio ou
trício. Observe que o núcleo do hidrogênio é formado por um próton apenas, o núcleo do deutério é formado por um próton e um
nêutron e o do trítio inclui um próton e dois nêutrons.

O estudo dos isótopos dos elementos químicos é importante para a astrofísica. Os processos nucleares que ocorrem no interior de uma
estrela produzem muitos isótopos seja por processos de enriquecimento dos núcleos dos átomos a partir da colisão com nêutrons ou
então por processos de decaimento de átomos pesados. Veremos mais sobre esse adiante ao descrevermos a evolução das estrelas .

A necessidade de um novo modelo para o átomo

Os cientistas que estudavam a estrutura do átomo no início do século XX descobriram algo muito interessante. As regras estabelecidas
pelo físico inglês Isaac Newton, e que eram capazes de descrever o comportamento dos corpos macroscópicos, não funcionavam na
escala atômica. A mecânica Newtoniana não pode corretamente descrever o comportamento de prótons, nêutrons, elétrons ou
átomos.

Niels Bohr, Max Planck, Wolfgang Pauli, Louis de Broglie, Erwin Schrödinger, Werner Heisemberg e outros grandes cientistas daquela
época começaram a desenvolver um novo conjunto de "leis" físicas que se aplicavam, bastante bem, ao mundo microscópico dos
átomos. Esta nova teoria foi chamada de "Mecânica Quântica".

Hoje, os físicos acreditam que a teoria correta que descreve o átomo se baseia na mecânica quântica, uma teoria matematicamente
sofisticada e que apresenta uma descrição muito mais precisa do átomo do que o modelo proposto por Bohr. O modelo do átomo de
Bohr é apenas uma aproximação à descrição feita pela mecânica quântica, mas com a virtude de ser muito mais simples. Foi , na
verdade , o primeiro modelo que explicava observações e medidas de laboratório .
Uma Nova Descrição da Matéria: a Mecânica Quântica

A estrutura de um átomo é muito mais complicada do que mostramos até agora. Como já dissemos anteriormente, o modelo atômico
de Bohr é apenas uma aproximação. Na verdade não temos, no interior da matéria, esse "aspecto planetário" descrito pelo modelo de
Bohr. As partículas atômicas seguem regras bastante particulares, muito diferentes daquelas a que estamos acostumados e que
aplicamos ao estudar o nosso Universo macroscópico.

No interior da matéria acontecem fenômenos que, vistos sob o ponto de vista da física clássica, poderiam sugerir "ficção científica".
Quando foi que você viu um carro, um ônibus, ou mesmo uma pessoa atravessar uma parede sem destruí-la? Nunca, e jamais verá
um fenômeno como esse porque ele é proibido pelas leis da física clássica. A isto damos o nome de barreira de potencial e dizemos
que corpos macroscópicos não podem penetrar em uma barreira de potencial. No entanto o domínio da física atômica e nuclear é tão
emocionante que fenômenos como este são permitidos. E, mais interessante, acontecem! As partículas que formam os átomos,
chamadas de partículas elementares, podem ultrapassar estas barreiras de potencial, podem "sumir" de um lugar e "aparecer" em
outro. Essas partículas elementares também podem, espontaneamente, se transformar em outras partículas. Isto jamais acontece no
nosso mundo macroscópico. Seria algo como se, de repente, um pão se transformasse em um biscoito, um bolo e um doce!

O que acontece no nosso mundo diário, no domínio da física clássica, quando dois carros colidem? Ficamos com dois carros amassados
e um grande prejuizo. No ambiente atômico, novas partículas, inteiramente diferentes, podem ser criadas a partir da colisão de duas
ou mais partículas. É algo como se dois carros colidissem e o resultado fosse um ônibus, um trem e uma bicicleta, algo impossível de
ser imaginado no nosso mundo macroscópico.

Estes fenômenos atômicos, por mais incríveis que pareçam, ocorrem nos laboratórios e a física clássica, aquela criada por Isaac
Newton e que já havia demonstrado grande poder na solução dos problemas do Universo em grande escala, mostrou-se impotente
perante eles. Para descrever, explicar e analisar os fenômenos que ocorriam no interior da matéria foi preciso criar a mecânica
quântica, uma sofisticada teoria física que permite aos cientistas compreender melhor o que ocorre no interior dos átomos.

As Regras da Mecânica Quântica

Não é trivial apresentar os princípios da mecânica quântica sem que surja uma avalanche de dúvidas. Suas regras são sofisticadas e
muitas vezes surpreendentes. No entanto, por mais estranhas que pareçam, elas funcionam muito bem e suas previsões são
facilmente demonstradas nos laboratórios. A mecânica quântica é a mais bem sucedida entre as teorias da física e hoje ela faz parte
do nosso dia-a-dia ( é a teoria mais precisa que temos ) .

Não nos aprofundaremos nos princípios da mecânica quântica. Ao invés disso , somente apresentaremos algumas noções bem
fundamentais que serão úteis mais tarde.

Estas são algumas regras da Mecânica Quântica:

 várias características físicas que ocorrem no nível atômico são quantizadas. Isto significa que elas podem ter somente certos
valores bem determinados, que chamamos de valores discretos. Por exemplo, as energias disponíveis para um átomo são
limitadas a valores bem específicos.

Para simplificar, vamos pensar de novo no modelo de Bohr para o átomo. As regras da mecânica quântica dizem que os
elétrons só têm permissão para percorrerem certas órbitas muito bem determinadas. Assim, em um átomo de hidrogênio, o
elétron no estado de energia mais baixa percorre uma órbita com um raio de cerca de 0,5 Å. A próxima órbita permitida para
o elétron tem um raio de cerca de 2 Å, e assim por diante. A mecânica quântica nos assegura que, neste caso do átomo de
hidrogênio, ou o elétron está na órbita de 0,5 Å ou está na órbita de 2 Å, etc. Ele nunca será encontrado em uma órbita
entre estes valores. Órbitas ou energias intermediárias, aquelas que poderiam estar situadas entre esses valores, não são
permitidas de modo algum!

 em um determinado instante, duas ou mais partículas absolutamente idênticas não podem ocupar
um mesmo estado particular de energia ou seja, o mesmo nível de energia de um átomo. Partículas
que ocupam um mesmo estado de energia em um átomo têm que diferir por alguma outra
propriedade intrínseca. De modo algum elas podem ser totalmente idênticas. Isto é chamado de
"Princípio de Exclusão de Pauli", em homenagem ao físico alemão Wolfgang Pauli que o descobriu.
Por exemplo, se voltarmos a usar o modelo de Bohr para representar o átomo, na primeira órbita
atômica permitida, aquela de energia mais baixa, somente podemos encontrar dois elétrons. Os dois
são elétrons mas eles diferem pelo fato de que um deles estará "girando" na direção dos ponteiros
do relógio e o outro estará "girando" na direção contrária aos ponteiros de um relógio. Mas cuidado
com esta analogia (!) pois ela não é correta. Na verdade o elétron não é uma "bolinha" que gira em
torno do seu eixo. A mecânica quântica nos mostra que o elétron possui certas propriedades que,
matematicamente, nos levam a pensar em rotação. No entanto, a "rotação" do elétron é muito mais
complicada do que a rotação de uma bolinha !
 os elétrons, assim como qualquer outra forma de matéria, exibem propriedades ondulatórias. Esses fenômenos ondulatórios
das partículas de matéria são caracterizados pela relação

λp=h


onde h é a constante de Planck dada por h = 6,63 x 10-34 Joules segundos e p é o momentum da partícula ou seja, o produto
de sua massa pela sua velocidade. O termo λ, chamado de comprimento de onda de de Broglie caracteriza o
comportamento ondulatório das partículas de matéria. É o comprimento de onda associado ao momemtum da partícula .

 a luz, os prótons, os elétrons e outras partículas exibem tanto o comportamento de uma onda como o de uma partícula. Por
exemplo, em alguns fenômenos o fóton (nome dado à partícula de "luz") se comporta como uma onda e obedece às leis da
óptica física enquanto que em outras experiências o seu comportamento é o de uma partícula , obedecendo às conhecidas
regras de colisões entre partículas. Como o fóton decide se vai se comportar como uma onda ou uma partícula é um dos
mistérios ainda não resolvidos pela física quântica. A este comportamento esquizofrênico da matéria, sendo às vezes onda e
às vezes partícula, damos o nome de "Dualidade Onda-Partícula" ( esquizofrênico para nós !!! ) .

 os fenômenos que ocorrem no interior da matéria são de natureza probabilística ao invés de determinística. Isto significa que,
mesmo sabendo tudo sobre um átomo não podemos prever exatamente o que ele vai fazer a seguir. As leis da física atômica
somente podem apresentar "probabilidades" para comportamentos específicos das partículas que formam a matéria. Este
comportamento é totalmente diferente daquele que estamos acostumados no mundo macroscópico.

A Tabela Períodica e a Mecânica Quântica


O que descrevemos acima como sendo as regras da
mecânica quântica pode parecer estranho mas é assim que a matéria se comporta.
A física moderna é realmente surpreendente. A mecânica
quântica, com suas estranhas quantizações e regras de exclusão, consegue explicar bastante bem os
fenômenos que ocorrem nos átomos. Muitos resultados de observações e experiências envolvendo o
interior da matéria, que até então eram inexplicáveis, foram
compreendidos com o auxílio da mecânica quântica. Por
exemplo, somente após a quantização dos níveis de energia
atômica e o aparecimento do Princípio de Exclusão de Pauli é
que conseguimos explicar o porque da existência da
chamada Tabela
Periódica dos
elementos químicos.

A tabela periódica
resume as
propriedades e a
distribuição dos elementos químicos existentes
na natureza e foi obtida pelo químico russo
Dimitri Ivanovich Mendeleev. A foto a esquerda
mostra Mendeleev ainda jovem. Suas primeiras
anotações sobre a tabela periódica, feitas em 17
de fevereiro de 1869, são mostradas na imagem
abaixo. A direita vemos Mendeleev trabalhando
em sua sala já no final de sua vida.

Na tabela periódica a cada elemento é designado um número atômico único. Os


elementos químicos são colocados nessa tabela em ordem crescente de seus números
atômicos. Com algumas poucas exceções, a seqüência mostrada na tabela periódica
também corresponde a uma ordenação crescente da massa média dos átomos dos
elementos. Podemos ver que o elemento mais leve, com número atômico 1, é o
hidrogênio.

Uma outra característica da tabela periódica é que todos os elementos que aparecem
em uma de suas colunas verticais têm as mesmas propriedades químicas. Por
exemplo, os elementos listados na coluna localizada mais à direita na tabela são todos
gases sob as condições de temperatura e pressão existentes na superfície da Terra e
têm muita dificuldade de reagir quimicamente com outros elementos. Eles são
chamados de gases nobres.

A tabela periódica mostra os 92 elementos que ocorrem naturalmente e muitos outros produzidos artificialmente em laboratórios. Até
a posição do urânio na tabela periódica encontramos os elementos naturais e a partir dele todos os elementos são artificiais. Todos
esses elementos mais pesados que o urânio são altamente radioativos , o que quer dizer que eles sofrem processos de decaimento em
elementos mais leves no curto intervalo de tempo em que sobrevivem após serem criados nos laboratórios ( são instáveis ) .
A tabela periódica dos elementos químicos está mostrada abaixo.

Como você pode notar na imagem mostrada acima, os elementos químicos são designados na tabela períodica por seus símbolos. Seus
nomes por extenso, seguidos pelo nome original entre parênteses, são dados a seguir:

nome do elemento químico número atômico símbolo nome do elemento químico número atômico símbolo
Hidrogênio Hélio
1 H 2 He
(hydrogenium) (helium)
Lítio Berílio
3 Li 4 Be
(lithium) (beryllium)
Boro Carbono
5 B 6 C
(boron) (carbonium)
Nitrogênio Oxigênio
7 N 8 O
(nitrogenium) (oxygenium)
Flúor Neônio
9 F 10 Ne
(fluor) (neon)
Sódio Magnésio
11 Na 12 Mg
(natrium) (magnesium)
Alumínio Silício
13 Al 14 Si
(aluminium) (silicium)
Fósforo Enxôfre
15 P 16 S
(phosphorus) (sulfur)
Cloro Argônio
17 Cl 18 A
(clorine) (argon)
Potássio Cálcio
19 K 20 Ca
(kalium) (calcium)
Escândio Titânio
21 Sc 22 Ti
(scandium) (titanium)
Vanádio Crômio
23 V 24 Cr
(vanadium) (chromium)
Manganês Ferro
25 Mn 26 Fe
(manganesium) (ferrum)
Cobalto Níquel
27 Co 28 Ni
(cobalt) (nickel)
Cobre Zinco
29 Cu 30 Zn
(cuprum) (zincum)
Gálio Germânio
31 Ga 32 Ge
(gallium) (germanium)
Arsênio Selênio
33 As 34 Se
(arsenicum) (selenium)
Bromo Criptônio
35 Br 36 Kr
(bromos) (kripton)
Rubídio Estrôncio
37 Rb 38 Sr
(rubidium) (strontium)
Ítrio Zircônio
39 Y 40 Zr
(yttrium) (zirconium)
Nióbio Molibdênio
41 Nb 42 Mo
(niobium) (molybdenum)
Tecnécio Rutênio
43 Tc 44 Ru
(technetium) (ruthenium)
Ródio Paládio
45 Rh 46 Pd
(rhodium) (palladium)
Prata Cádmio
47 Ag 48 Cd
(argentum) (cadmium)
Índio Estanho
49 In 50 Sn
(indium) (stannum)
Antimônio Telúrio
51 Sb 52 Te
(stibium) (tellurium)
Iodo Xenônio
53 I 54 Xe
(iodine) (xenon)
Césio Bário
55 Cs 56 Ba
(caesium) (barium)
Lantânio Cério
57 La 58 Ce
(lanthanum) (cerium)
Praseodímio Neodímio
59 Pr 60 Nd
(praseodymium) (neodymium)
Promécio Samário
61 Pm 62 Sm
(promethium) (samarium)
Európio Gadolínio
63 Eu 64 Gd
(europium) (gadolinium)
Térbio Disprósio
65 Tb 66 Dy
(terbium) (dysprosium)
Hólmio Érbio
67 Ho 68 Er
(holmium) (erbium)
Túlio Itérbio
69 Tm 70 Yb
(thulium) (ytterbium)
Lutécio Háfnio
71 Lu 72 Hf
(lutetium) (hafnium)
Tantálio Tungstênio
73 Ta 74 W
(tantalum) (wolframium)
Rênio Ósmio
75 Re 76 Os
(rhenium) (osmium)
Irídio Platina
77 Ir 78 Pt
(iridium) (platinum)
Ouro Mercúrio
79 Au 80 Hg
(aurum) (hydrargyrum)
Tálio Chumbo
81 Tl 82 Pb
(thallium) (plumbum)
Bismuto Polônio
83 Bi 84 Po
(bismuthum) (polonium)
Astato Radônio
85 At 86 Rn
(astatos) (radon)
Frâncio Rádio
87 Fr 88 Ra
(francium) (radium)
Actínio Tório
89 Ac 90 Th
(actinium) (thorium)
Protactínio Urânio
91 Pa 92 U
(protactinium) (uranium)
Neptúnio Plutônio
93 Np 94 Pu
(neptunium) (plutonium)
Amerício Cúrio
95 Am 96 Cm
(americium) (curium)
Berquélio Califórnio
97 Bk 98 Cf
(berkelium) (californium)
Einstênio Férmio
99 Es 100 Fm
(einsteinium) (fermium)
Mendelévio Nobélio
101 Md 102 No
(mendelevium) (nobelium)
Laurêncio Ruterfórdio
103 Lr 104 Rf
(lawrencium) (rutherfordium)
Dúbnio Seabórgio
105 Db 106 Sg
(dubnium) (seaborgium)
Bóhrio Hássio
107 Bh 108 Hs
(bohrium) (hassium)
Meitnério Darmstádio
109 Mt 110 Ds
(meitnerium) (darmstadtium)
Roentgenio
111 Rg (ununbium) 112 Uub
(roentgenium)
(ununtrium) 113 Uut (ununquadium) 114 Uuq
(ununpentium) 115 Uup (ununhexium) 116 Uuh
(ununseptium) 117 Uus (ununoctium) 118 Uuo

Dos 118 elementos químicos apresentados na tabela periódica, cerca de 20% não existem na natureza. Eles só foram obtidos
sinteticamente, em laboratórios muito especializados.

Em 1976 foi convencionado que os elementos situados além do número atômico 103 deveriam receber nomes numéricos sistemáticos
enquanto a prioridade da descoberta estivesse sendo examinada. De acordo com essa proposta, por exemplo, o elemento 104 deveria
ser chamado provisoriamente de "Unnilquadium" formado pelas palavras latinas un = 1, nil = 0, quad = 4, com a terminação -ium que
representa um metal. O símbolo provisório do elemento seria uma abreviação de três letras, nesse caso Unq.
dígito radical símbolo

0 nil n

1 un u

2 bi b

3 tri t

4 quad q

5 pent p

6 hex h

7 sept s

8 oct o

9 enn e

Exemplo:
elemento 114: un + un + quad + ium = ununquadium (Uuq)
elemento 115: un + un + pent + ium = ununpentium (Uup)
elemento 116: un + un + hex + ium = ununhexium (Uuh)

Quando a descoberta do elemento é confirmada por vários centros de pesquisa ele recebe um nome definitivo. Por exemplo, o
elemento 111 tinha o nome provisório "Unununio" e símbolo Uuu. Após a sua descoberta ter sido confirmada ele recebeu seu nome
atual, Roentgenium, com o símbolo Rg.

Note que todos os elementos que têm número atômico entre 112 a 118 , ou não são conhecidos ou sua existência ainda não foi
totalmente confirmada. Seus nomes são provisórios. Eles estão incluidos na tabela apenas para mostrar suas posições esperadas.

A "fabricação" desses elementos em laboratório é um processo extremamente complicado e constantemente polêmico. Muitas vezes
descobertas são anunciadas para serem posteriormente recusadas pela comunidade científica.
Os elementos 117 e 118 foram declarados descobertos em 1999 mas provou-se em 2002 que os resultados estavam errados.
Em janeiro de 2001 foi anunciada a descoberta do elemento "Ununhexium" (Uuh). Aguarda-se a confirmação desse resultado.
A descoberta dos elementos 113 e 115 foi anunciada no dia 1 de fevereiro de 2004 mas aguarda-se a sua confirmação por outros
centros de pesquisa.
Conhecer os elementos químicos é importante para o estudo da formação e evolução das estrelas. Mais tarde veremos que alguns
desses elementos desempenham papéis muito importantes nesses processos. Por exemplo, o elemento químico hidrogênio é o mais
abundante em todo o Universo e a maior parte de uma estrela é formada por átomos de hidrogênio. Os elementos pesados existentes
no Universo são formados ou na região mais central de uma estrela muito evoluída ou por processos que ocorrem durante e após a
sua explosão. A formação do elemento químico ferro no interior de uma estrela determina o estágio final de sua evolução química.

Às vezes não é fácil escolher o nome do novo "filho"

Muitas vezes a confusão permanece mesmo após a confirmação da existência do novo elemento. Por exemplo, o nome definitivo do
elemento 104 ficou em suspenso devido a uma disputa entre a International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), a organização
internacional que tem como uma de suas tarefas dar nomes aos novos elementos descobertos, e a American Chemical Society (ACS). A
IUPAC recomendava que o elemento 104 tivesse o nome Dubnium (com o símbolo Db) uma vez que sua descoberta havia sido feita
em 1964 no Joint Nuclear Research Institute, em Dubna, Rússia. No entanto, os norte-americanos discordavam, alegando que eles não
conseguiram reproduzir os resultados dos russos e que a verdadeira descoberta desse elemento foi feita posteriormente por eles,
norte-americanos. Desse modo, a ACS preferiu chamá-lo de Rutherfordium (com o símbolo Rf), em homenagem ao físico neozelandês
Lord Rutherford. Além disso os russos queriam dar a esse elemento o nome kurchatovium em homenagem ao físico Igor Kurchatov, o
pai da bomba atômica russa, o que os americanos não aceitavam de modo algum. Ao mesmo tempo os norte-americanos insistiam em
dar o nome de seaborgium ao elemento 106, em homenagem ao físico Glenn T. Seaborg, seu compatriota que ainda estava vivo, o
que não era aceito pela IUPAC. Haviam muitas outras confusões de nomes nessa época.

Somente em 1997 é que foi estabelecida uma certa concordância com os nomes que usamos na tabela acima, embora os norte-
americanos ainda insistam em usar o nome "hahnium" para o elemento 105 e não "dubnium". O elemento 106 ficou sendo chamado
de "seaborgium" embora Glen T. Seaborg, um dos maiores opositores ao nome "dubnio", ainda estivesse vivo (ele só morreu em
1999).
Léptons e Quarks: Os Constituintes Básicos de Todo o Universo

Vimos que, segundo o modelo de Bohr, os átomos são formados por elétrons que estão em órbita em torno de um núcleo que formado
por prótons e nêutrons. No entanto a mecânica quântica nos mostrou que o átomo é muito mais complexo do que isto. E a
continuação das pesquisas sobre o núcleo atômico nos revelou um segredo muito bem guardado: os prótons e nêutrons não são
partículas verdadeiramente elementares. isso quer dizer que tanto os prótons como os nêutrons são formados por partículas ainda
menores, estas sim , partículas fundamentais.

A Classificação das Partículas Fundamentais

As partículas realmente fundamentais, ou seja aquelas que não são formadas por nenhuma outra e a partir das quais todas as outras
partículas são formadas, são separadas em três grupos chamados coletivamente de léptons, quarks e mediadores.
Todas estas partículas fundamentais possuem antipartículas que também são consideradas fundamentais. A divisão delas nestes
grupos é feita de acordo com propriedades características que elas possuem.

Léptons

Os léptons são partículas fundamentais. Isso quer dizer que elas não são formadas por outras partículas.

Os léptons formam um conjunto de seis partículas às quais estão associadas seis antipartículas.

massa tempo de vida


nome do lépton carga
(em Mev/c2) (em segundos)

elétron -1 0,511003 infinito


primeira geração
neutrino do elétron 0 0 infinito

muon -1 105,659 2,197 x 10-6


segunda geração
neutrino do muon 0 0 infinito

tau -1 1784 3,3 x 10-13


terceira geração
neutrino do tau 0 0 infinito

Note que na tabela acima a carga das partículas é dada em unidades da carga do elétron. No entanto a massa não é dada na maneira
convencional, em gramas ou quilogramas. Você está prestes a conhecer mais uma novidade em termos de unidades de medida trazida
pela física. A massa é dada em unidades de MeV/c2, unidade muito usada pelos físicos de partículas elementares. Um MeV é
equivalente a 106 elétrons-volts (eV) ou seja, um milhão de elétrons-volt. O elétron-volt é uma unidade de energia e equivale a 1,602
x 10-19 Joules = 1,602 x 10-19 kg m2 s-2. A letra c representa a velocidade da luz, cerca de 300000 km/segundo. Deste modo, Mev/c2 =
1,782676 x 10-30 quilogramas. Para você saber o valor da massa de cada partícula citada na tabela usando a conhecida unidade
"quilograma" , basta multiplicar o seu valor apresentado pelo valor de 1 Mev/c 2 dado acima.

Quarks

Estas são partículas fundamentais da natureza que estão no núcleo do átomo. Acreditamos hoje que os quarks são a unidade
estrutural mais fundamental a partir da qual todas as partículas nucleares se formam.

Existem 6 tipos de quarks: up, down, strange, charm, bottom e top. Dizemos que essas propriedades do quark são os valores
possíveis para o flavor ("sabor") dos quarks conhecidos.

Note que na tabela abaixo damos também a carga elétrica dos quarks em termos da carga do elétron e as massas são dadas em
unidades MeV/c2. O termo massa "nú" significa o valor da massa do quark isolado, sem estar combinado com outros quarks enquanto
que a massa efetiva é aquela que o quark possui quando está formando bárions ou mésons (o significado destes termos está
explicado mais abaixo).

massa (especulativa)
tipo de quark
carga efetivo
(flavor) "nú"
em bárions em mésons

u +2/3 4,2
363 310
quarks leves d -1/3 7,5

s -1/3 150 538 483

c +2/3 1100 1500

quarks pesados b -1/3 4200 4700

t +2/3 >23000

Veja que, curiosamente, os quarks possuem carga elétrica fracionária!

Um próton é constituido por um quark down e dois quarks up. Dizemos então que o próton tem a estrutura uud.

Um nêutron é formado por um quark up e dois quarks down. Daí os nêutrons têm a estrutura udd.

Há uma grande surpresa nisto tudo. Embora estejam listados 6 tipos básicos de quarks, o Universo como o conhecemos hoje, ou seja ,
para o estado de energia atual, é formado simplesmente pelos quarks dos tipos u e d! As outras partículas, formadas por quarks dos
tipos s, c, b e t, só existiram no Universo mais primordial, quando a temperatura (e portanto a energia) era muito mais alta. Estas
partículas hoje só surgem em experiências realizadas nos grandes aceleradores de partículas que existem em laboratórios tais como o
CERN ( LHC ) , na Suiça, o FermiLab, nos Estados Unidos, ou o DESY, na Alemanha.

Mediadores

Veremos num próximo capítulo que existem partículas que são as mediadoras dos vários processos físicos que ocorrem no interior da
matéria. A elas damos o nome de mediadores. Elas também são partículas fundamentais e assumem um importante papel no estudo
das interações fundamentais, como veremos mais tarde.

Na tabela abaixo a massa é dada em MeV/c2, a carga é dada em unidades de carga do elétron e o tempo de vida em segundos. O
significado das forças citadas abaixo (forte, fraca, eltromagnética) será explicado em um próximo item.

mediador símbolo carga massa tempo de vida força

gluon g 0 0 infinito forte

fóton γ 0 0 infinito eletromagnética

W± ±1 81800 desconhecido fraca (carregada) eletrofraca


bósons vetoriais intermediários
Z0 0 92600 desconhecido fraca (neutra)

O "Bóson de Higgs"

Existe mais uma partícula fundamental, chamada bóson de Higgs, que foi prevista a partir de estudos teóricos. Ela não se enquadra
em nenhuma das classificações acima e é a única partícula fundamental que até hoje não foi obtida nos laboratórios de física de altas
energias ( sua descoberta em laboratório é uma das grandes expectativas , se não a maior , com a entrada em operação do LHC ! ) .

Classificação das partículas elementares nucleares

O núcleo atômico é muito mais complexo do que um simples aglomerado de prótons e neutrons. Aliás, damos o nome genérico de
nucleons aos prótons e nêutrons.

Experiências realizadas com raios cósmicos ( partículas que atingem a atmosfera terrestre vindas do espaço e provocam ,
por colisões , um "chuveiro" de outras partículas ) , e em laboratórios de altas energias mostraram a existência de muitas outras
partículas, algumas muito pesadas, no interior do núcleo atômico. A descoberta destas partículas é que conduziu os físicos a
acreditarem na existência dos quarks como os constituintes básicos das partículas nucleares. A estas partículas que estão no interior
do núcleo atômico damos o nome genérico de hádrons.

Logo os físicos viram que o número de hádrons aumentava cada vez mais. Uma quantidade enorme de partículas nucleares passaram
a ser conhecidas: pions, kaons, sigmas, eta, lambda, xis, deltas, etc.

Tendo em vistas propriedades comuns entre várias dessas partículas, os físicos as classificaram em duas famílias chamadas mésons e
bárions. Todos os mésons e bárions são formados por quarks embora de modos diferentes. Mésons e bárions são hádrons.

 Mésons
Esta é uma classe de partículas nucleares que são formadas por um par quark-antiquark. Os mésons são importantes para a
astrofísica em particular porque um deles, o méson π, é um dos constituintes dos raios cósmicos que incidem na atmosfera
superior da Terra. Os raios cósmicos são formados por núcleos pesados, prótons, elétrons e outras partículas que são
produzidas nas estrelas, lançadas ao espaço e aceleradas a energias altíssimas pelos campos magnéticos que permeiam o
espaço interestelar.
 Bárions
É a classe de partículas subatomicas na qual os prótons e nêutrons estão incluídos. Os bárions são formados por três
quarks e constituem o núcleo atômico, juntamente com os mésons. Podemos dizer que o corpo humano, formado por prótons
e neutrons, é constituido por matéria bariônica.

Os astrônomos acreditam que o Universo seja formado tanto por matéria bariônica como por matéria não bariônica. Toda a
matéria que existe no Universo visível é de natureza bariônica. No entanto, os astrônomos acreditam que uma grande parte
da matéria que forma o Universo não é visível. Esta matéria invisível é coletivamente chamada de matéria escura e
possivelmente é formada, em sua maior parte, por matéria não bariônica. Entender a natureza dessa matéria não bariônica,
parte importante da estrutura do nosso Universo, é uma das áreas bem atuais de pesquisa na área de Cosmologia.

Os Neutrinos

Vimos acima que os neutrinos são léptons e, portanto, são partículas fundamentais da natureza.

O neutrino é uma partícula sem carga elétrica, praticamente sem massa, e que é produzida em grande número em algumas reações
nucleares que ocorrem no interior das estrelas. Eles são muito difíceis de detectar uma vez que a maioria deles atravessa
completamente a Terra sem sofrer qualquer tipo de interação. Seu símbolo é a letra grega .

O Sol, assim como as outras estrelas, emite uma quantidade incrível de neutrinos e estes neutrinos incidem sobre o nosso planeta.
Neste momento, e em todos os momentos da sua vida, seu corpo está sendo atravessado continuamente por milhares de neutrinos
sem que você sinta qualquer efeito.
Um outro fato importante é que o neutrino é capaz de dar aos astrofísicos informações muito mais atuais sobre o interior profundo das
estrelas do que os fótons produzidos na mesma região. Por exemplo, um fóton produzido no interior do Sol leva cerca de 10 7 anos
para conseguir chegar à sua superfície e ser captado por um observador na Terra. Enquanto isso, um neutrino produzido no interior do
Sol leva apenas 2 segundos para escapar dele. Após sair do Sol (considerando que
o neutrino tem massa nula) ele levaria cerca de 8 minutos e 33 segundos para
atingir os detectores colocados na Terra. Se alguma coisa desse errado com a
fornalha nuclear que existe no interior do Sol e ele, por exemplo, não produzisse
mais fótons , levaríamos (grosseiramente) 107 anos para perceber mudanças
sensíveis na sua luminosidade. No entanto, estudando a emissão de neutrinos
solares, veríamos quase imediatamente que algo anormal deveria estar
acontecendo no interior do Sol se, de repente, não captassemos mais seus
neutrinos.

Quando uma estrela explode, no violento fenômeno que é a formação de uma


supernova, uma quantidade imensa de neutrinos é lançada ao espaço. A imagem
ao lado mostra o que os astrônomos chamam de "restos de supernova", a
nebulosa M1 também conhecida como "nebulosa do Caranguejo".

Além disso muitas outras fontes de altas energias que existem no Universo emitem
grandes quantidades de neutrinos.

O neutrino é tão importante que existe uma área da astrofísica, chamada


"astrofísica de neutrinos", cujo objetivo é estudar a sua participação nos
fenômenos que ocorrem nos corpos celestes.

Em resumo, quantas são e quais são as partículas elementares fundamentais que formam toda a matéria do Universo?

Abaixo listamos todas as partículas fundamentais conhecidas pela teoria da física de partículas elementares como os elementos
fundamentais da matéria em todas as suas formas. A teoria atual e mais geral que descreve a matéria como sendo formada por estas
partículas tem o nome de "Modelo Padrão da Física de Partículas Elementares".

elétron e-
+
anti-elétron e
muon µ-
anti-muon µ+
tau τ-
anti-tau τ+
neutrino do elétron νe
léptons
(TOTAL = 12 leptons) _
anti-neutrino do elétron
νe
neutrino do muon νµ
_
antineutrino do muon
νµ
neutrino do tau ντ
_
anti-neutrino do tau
ντ
quarks up u
(cada quark existem em três "cores" _
diferentes) anti-up
u
(TOTAL = 36 quarks) down d
_
anti-down
d
strange s
_
anti-strange
s
charm c
_
anti-charm
c
bottom b
_
anti-bottom
b
top t
_
anti-top
t
fóton
(mediador das interações γ
eletromagnéticas)
W+
mediadores
(mediadores das interações
(TOTAL = 12 mediadores) W-
eletrofracas)
Zo
gluons (8 tipos diferentes de
(mediadores das interações fortes) gluons)
bóson de Higgs

Temos então um total de 12 leptons, 36 quarks, 12 mediadores e uma partícula de Higgs, fazendo um total de 61 partículas
elementares fundamentais.
Os Níveis de Energia de um Átomo: Excitação e Desexcitação

Um dos aspectos básicos da mecânica quântica que está incorporado ao


modelo atual do átomo, e que o faz ser completamente diferente do modelo
planetário que tantas vezes é usado como analogia, é que a energia dos
elétrons no átomo de Bohr está restrita a certos valores discretos, muito bem
definidos, e somente estes valores são permitidos. Dizemos que a energia do
átomo é quantizada.

Isto significa que somente certas órbitas, com raios bem estabelecidos, podem
ser ocupadas pelos elétrons. As órbitas que poderiam estar situadas dentro
destes intervalos estabelecidos pela mecânica quântica simplesmente não
existem. A essas órbitas bem definidas e permitidas pela mecânica quântica
damos o nome de níveis de energia.

A figura ao lado mostra alguns níveis de energia quantizados, e portanto


permitidos, para o átomo de hidrogênio.

Estes níveis são designados por um número inteiro n que é chamado de


número quântico.

O estado (ou nível) de energia mais baixo é chamado de estado


fundamental. Os estados que apresentam, sucessivamente, mais energia do
que o estado fundamental são chamados de estados excitados e são
designados, segundo a ordem de afastamento a partir do núcleo atômico, como
primeiro estado excitado, segundo estado excitado, terceiro estado
excitado, etc.

As energias dos estados estacionários do átomo de hidrogênio são dadas por


uma expressão muito simples. Ela é:

E ( n ) = - 13,6 / n2 elétrons-volts , onde n = 1, 2, 3,...

onde n é o chamado número quântico. Nessa equação n=1 define o nível


fundamental e cada um dos outros valores possíveis de n (2, 3, 4, etc.)
definem os níveis excitados. Com essa simples conta podemos calcular os
níveis de energia possíveis de existir em um átomo de hidrogênio. Na fórmula
anterior , E ( n ) significa energia associada ao nível n .

Além de uma certa energia, chamada potencial de ionização, os elétrons que pertencem ao átomo não conseguem mais ficar ligados
ao núcleo. Eles passam a ser elétrons livres. A partir deste valor de energia os níveis de energia formam uma região que recebe o
nome de continuum. No caso do hidrogênio seu potencial de ionização ou seja, a energia necessária para destruir a ligação do elétron
no nível fundamental com o núcleo atômico, transformando-o em elétron livre, é de 13,6 elétrons-volt. Dizemos então que o
continuum do átomo de hidrogênio começa em 13,6 eV acima do estado fundamental. Nesse continuum a energia do elétron não é
mais quantizada : pode ter qualquer valor .

Excitação e desexcitação de um átomo

Os elétrons pertencentes a um átomo podem fazer transições entre as órbitas (níveis de energia) permitidas pela mecânica quântica
absorvendo ou emitindo exatamente a diferença de energia que existe entre estas órbitas.

Vejamos melhor como isto acontece. Vamos supor que um elétron está em uma órbita qualquer, entre aquelas permitidas pela
mecânica quântica, em torno de um núcleo. É claro que existem outras possíveis órbitas, ou níveis de energia, que este elétron pode
ocupar se ele tiver energia suficiente para isto. A diferença de energia entre cada uma destas várias órbitas possíveis e aquela onde
está efetivamente o elétron pode ser facilmente calculada. Vamos supor então que, por algum processo, por exemplo aquecimento,
transmitimos energia para este átomo. A energia total incidente, seja qual for a sua origem, é dada pela soma das mais diversas
quantidades de energia possuidas pelos fótons . Eventualmente um desses fótons pode possuir uma quantidade de energia
exatamente igual à diferença de energia que existe entre algum dos possíveis níveis atômicos deste átomo e o nível onde está um
elétron.

Quando esse pacote de energia externa incide sobre o elétron, ele poderá absorverá um dos fótons incidentes que o formam desde
que a energia desse fóton incidente corresponda exatamente à diferença de energia que existe entre um dos possíveis níveis de
energia atômicos e o nível de energia onde o elétron está. Ao absorver esta energia o elétron realiza um salto quântico para o nível
de energia mais alta que corresponde à sua nova energia total. Em termos mais técnicos, a diferença em energia entre esses níveis
corresponde exatamente a um comprimento de onda específico da radiação incidente.
Por exemplo, um elétron está no segundo nível quântico. Incidimos sobre ele radiação formada por vários fótons com energias
diferentes. Entre esses fótons temos um cuja energia corresponde à diferença de energia entre, por exemplo, o nível quântico 5 e o
nível 2 onde está o elétron. Nosso elétron absorve esse fóton e passa para o nível 5, ocupando agora um estado de maior excitação do
que aquele em que ele estava anteriormente.

Resumindo, quando o átomo encontra um fóton com uma determinada energia específica, correspondente a diferença de energia entre
níveis quânticos, o fóton será absorvido pelo átomo, e o elétron saltará do nível de energia mais baixa para o nível de energia mais
alta.
O elétron neste novo nível de energia está em um estado excitado. No entanto, todos os elétrons que estão em estados excitados
querem retornar a um nível de energia mais baixa. Para realizar isto o elétron libera um fóton, que transporta este excesso de energia,
e retorna para um nível de energia correspondente a uma excitação menor. A este processo de emissão de energia damos o nome de
desexcitação.

Resumindo, quando um elétron excitado cai de um nível de maior energia para um de menor energia ele emite um fóton cuja energia
é equivalente à diferença de energia entre estes dois níveis. Se o elétron excitado volta para o seu estado original, ele emite um fóton
que tem a mesma energia que a possuida pelo fóton que o excitou inicialmente.
A imagem a seguir mostra uma excitação atômica causada pela absorção de um fóton e uma desexcitação causada pela emissão de
outro fóton.

No entanto, as regras para que a excitação ou desexcitação ocorram são muito rígidas. Em cada caso o fóton absorvido ou emitido
possui uma energia que é exatamente igual à diferença de energia entre as duas órbitas atômicas envolvidas no processo. Como será
explicado melhor mais adiante, essa energia pode ser calculada dividindo o produto da constante de Planck e velocidade da luz, hc,
pelo comprimento de onda da radiação incidente. Assim, um átomo somente pode absorver ou emitir certos comprimentos de onda
discretos (ou, equivalentemente, freqüências ou energias). Podemos dizer, de modo equivalente, que somente certos fótons podem
ser absorvidos ou emitidos por um átomo.

Um outro ponto importante, que constantemente leva a interpretações erradas, é o fato de que quando dizemos que um elétron
passou de um nível quântico para outro contíguo somos, erroneamente, levados a supor que esta passagem é contínua. Ou , quando
dizemos que o elétron passou do nível 2 para o nível 3 podemos ser levados a imaginar que o elétron se deslocou, de modo contínuo,
por todo o intervalo de energias que fica entre os dois níveis citados. Isto não é verdade. Lembre-se que uma das regras da mecânica
quântica nos diz que não podem existir níveis intermediários entre dois níveis permitidos contíguos. Assim, quando dizemos que o
elétron passa do nível 2 para o 3, por exemplo, estamos dizendo que ele "desapareceu" do nível 2 e "reapareceu" no nível 3.
Misterioso, não é? Mas esta é a beleza da mecânica quântica.

Os níveis de energia do átomo de hidrogênio

O hidrogênio é o elemento químico que existe em maior quantidade no Universo. As estrelas são formadas, em sua maior parte, por
hidrogênio e este é o mais simples de todos os átomos: ele tem um elétron apenas, que gira em torno de um núcleo que também só
possui um único nucleon : um próton.
Pelas regras que vimos acima para a excitação e desexcitação de um elétron, ao absorver um fóton com uma determinada energia o
elétron saltará para uma órbita mais energética, mais afastada do núcleo. Neste estado excitado o elétron poderá emitir um fóton e
saltar para um nível de menor energia, um nível mais baixo, mais próximo ao núcleo. Estes processos dão origem às chamadas séries
do hidrogênio que nos mostram as possíveis transições que o elétron do átomo de hidrogênio pode fazer.
Estas transições do elétron dão origem às seguintes séries:

série ocorre uma transição de qualquer nível excitado para o nível


Lyman 1 (estado fundamental)
Balmer 2
Paschen 3
Brackett 4
Pfund 5

As séries mostradas acima são fundamentais para a astrofísica. Na verdade as séries do átomo de hidrogênio, que representam
transições entre níveis atômicos, nos dão informações sobre a composição química das estrelas , temperaturas , etc . , como veremos
mais tarde .

Para saber mais


Modelo de Bohr

- Para construir seu modelo para o átomo de hidrogênio , Bohr considerou a força elétrica entre um próton e um elétron e que esse
elétron girava em torno do próton em órbitas circulares . Associada ao movimento circular temos uma grandeza entre as mais
fundamentais da física , o já citado momento angular . É uma das grandezas sujeitas à lei de conservação. Designado pela letra L , o
momento angular é dado , no caso considerado , por

L = m v r , onde

m é a massa do elétron , v é sua velocidade orbital e r é o raio da órbita .

Essa grandeza é que foi quantizada , ou seja , só pode ter valores discretos . Bohr considerou que

onde h é a constante de Planck e n é um número inteiro : n = 1,2 ,3, ....

A partir disso as quantizações da energia e do raio da órbita são facilmente deduzidas , são consequência dessa condição . Ou ainda ,
em palavras : o elétron só pode estar em uma órbita tal que o momento angular seja múltiplo de h/2 ∏ .

- Se voltarmos à expressão que nos dá o valor da energia de um nível atômico no modelo de Bohr , notaremos que seu valor é
negativo . Trata-se de uma convenção adotada pelos físicos : energia negativa significa que o elétron está em um estado ligado ,
preso ao núcleo . Se tem energia positiva , então o elétron está livre , não está mais preso ao próton por causa da força elétrica .
Dizemos que está no continuum ( portanto , ocorreu uma ionização ) .

- Sabemos que a absorção de um fóton induz uma transição de um nível de menor energia para um outro com energia maior (
excitação ) e que o processo inverso ( desexcitação ) resulta na emissão de um fóton . E qual é a frequência ou comprimento de onda
desses fótons ? A expressão para a energia de um nível nos dá a resposta . Basta calcular a diferença de energia entre os níveis
envolvidos e utilizar a expressão de Planck que conecta energia e frequência do fóton . Como exemplo , consideremos a chamada
série de Balmer : ela é constituída pelas transições que envolvem o nível 2 ( o nível de partida ou de chegada ) e os de maior energia
que ele ( n = 3,4,5,.. ) . Examinemos a transição 2 -> 4 :

Δ E = E(4) - E(2) , que é igual a h.ν , ou

Relembramos que a letra grega delta é usada com frequência para designar uma diferença , um intervalo . Aqui , diferença de
energias . Mas antes , uma advertência : cuidado para não misturar unidades diversas . Na expressão dada para a energia dos níveis
de energia do átomo de hidrogênio foi utilizado o elétron-volt ( ev ) . Para calcular o comprimento de onda da radiação em centímetros
, devemos converter ev em erg . Continuando , resulta que ,

h.ν = 13,6 . 1,6 10-12


,
h.ν =

mas ,onde h= 6.6262.10-27 erg/s e c = 3,0 . 1010 cm/s.

Contas feitas , obtém-se λ = 4861,32 Å .

- Historicamente , os comprimentos de onda da série de Balmer eram já conhecidos no século XIX ( medidos em laboratório porque
trata-se de radiação visível ) , mas ninguém tinha uma explicação por faltar um modelo adequado para o átomo . A reprodução das
medidas de laboratório foi uma vitória fantástica para o modelo de Bohr .

- Um bom exercício : calcule outros comprimentos de onda da série de Balmer e descubra quais são as cores emitidas !
Ionização e Plasma

Já vimos que os átomos são eletricamente neutros uma vez que a carga total negativa fornecida pelos seus elétrons é exatamente
igual à carga positiva dada pelos prótons que formam o núcleo do átomo. Uma grande parte da "matéria normal" que encontramos em
torno de nós possui essa neutralidade da carga elétrica total I igual a zero ) .
Entretanto, particularmente quando existem fontes de energia disponíveis atuando próximas aos átomos e moléculas, eles podem
ganhar ou perder elétrons adquirindo, consequentemente, uma carga elétrica resultante ( diferente de zero ) . Estes processos são
chamados de ionização/recombinação e são extremamente importantes para a astrofísica.

O que é a ionização de um átomo?

A ionização é a perda de elétrons por um átomo. O processo de ionização pode ocorrer de várias formas, algumas delas até mesmo
presentes na nossa vida diária. Quando você passa um pente rapidamente no cabelo vê que ele se torna capaz de atrair pequenos
pedaços de papel e isto se deve ao processo de ionização que ocorreu por meio do atrito do pente com o seu cabelo. O mesmo ocorre
quando você anda sobre um carpete ou tapete e em seguida recebe um pequeno choque elétrico ao tentar abrir uma porta com
fechadura metálica.

A perda de elétrons converte um átomo neutro em um ion positivamente carregado. A adição de elétrons a um átomo neutro o
converte em um íon negativamente carregado. É fácil entender esta nomenclatura porque se um átomo perde elétrons, mas não
prótons, isto faz com que o número de prótons seja maior do que o número de elétrons . Consequentemente sua carga positiva total
fica maior do que a carga negativa total . Daí chamarmos o átomo que tem estas características de íon positivo.

No outro caso, quando um átomo ganha um elétron, mas não prótons, o seu número de elétrons fica maior do que o número de
prótons. Neste caso o átomo fica carregado negativamente ou seja, ele é um íon negativo.
Note que íon é o átomo que perdeu ou ganhou elétrons e que, portanto, tem carga elétrica total diferente de zero.

E para onde vão os elétrons arrancados dos átomos? Eles ficam sob a forma de elétrons livres até que, ao se aproximarem
suficientemente de algum átomo sejam capturados , permanecendo então em uma das órbitas permitidas pela mecânica quântica.

Na discussão subsequente, usaremos os termos ionização e ionizar no sentido de perda de elétrons com a consequente formação de
íons positivos.
Há uma notação padrão na astrofísica para os vários graus de ionização de um átomo. Como mostrado na tabela seguinte esta
notação usa números romanos crescentes para indicar os diferentes graus de ionização.

Notação para Graus de Ionização


sufixo ionização exemplos notação da química
I não ionizado (neutro) H I, He I H, He
II uma vez ionizado H II, He II H+, He+
III duplamente ionizado He III, O III He++, O++
... ... ... ...

XVI 15 vezes ionizado Fe XVI

... ... ... ...

Fica fácil entender esta notação ao percebermos que o número romano que acompanha o símbolo do elemento químico tem uma
unidade a mais do que o seu grau de ionização. Por exemplo, Fe XIV significa que o elemento ferro está ionizado (14 - 1) = 13
vezes.

Um outro ponto a notar é que o maior grau de ionização possível de um determinado átomo é dado pelo número de elétrons que ele
possui. Deste modo, o hidrogênio, que só tem um elétron, só pode ser ionizado uma vez, formando o H II.

No espaço entre as estrelas existem regiões onde o hidrogênio está ionizado. Estas são as "regiões HII", regiões do espaço interestelar
onde a radiação proveniente de estrelas vizinhas mantém completamente ionizado o hidrogênio local. O estudo das regiões H II é um
importantíssimo tema na astrofísica. Vemos abaixo uma dessas regiões HII, a nebulosa M16, também chamada de "nebulosa da
Águia".

Os processos de ionização são muito importantes para a astrofísica por estarem associados com a temperatura do gás . À medida que
fornecemos energia a um gás, sua temperatura aumenta. Os elétrons de cada elemento químico que o forma vão absorvendo esta
energia, passando para níveis cada vez mais excitados até que se transformam em elétrons livres. O gás passa então a ser formado
por átomos cada vez mais ionizados e por elétrons livres. Como somos capazes de determinar no laboratório qual a temperatura
correspondente a cada nível de ionização, ao constatarmos a presença destes átomos ionizados no espaço sabemos a temperatura dos
fenômenos locais.

O plasma

Se a maioria dos átomos ou moléculas em uma região está ionizada , o estado resultante da matéria corresponde a um gás que é
eletricamente neutro em uma escala global , mas composto microscopicamente de íons carregados positivamente e elétrons
(obviamente com carga negativa) que foram arrancados dos átomos quando os íons foram formados. Tal estado da matéria, formado
por íons e elétrons livres, é chamado de plasma.

A maior parte da matéria nas estrelas está na forma de um estado de plasma.


Dissemos anteriormente que o Universo é formado por "matéria normal" . Isso não deve ser entendido como matéria composta por
átomos e moléculas em estado neutro, não ionizados. Na realidade , os dados observacionais nos revelam que a forma mais
abundante de matéria no Universo não está na forma de átomos ou moléculas neutras mas, ao contrário, no estado de plasma, ou
seja átomos e moléculas ionizados.
Medindo as distâncias estelares

Os astrônomos possuem vários métodos para determinar a distância a uma estrela. Qual o método a ser utilizado irá depender de
quão longe a estrela está.

Para estrelas vizinhas o método usual é o chamado método da paralaxe. A paralaxe é uma mudança aparente na posição de um
objeto causado por uma mudança na posição do observador e pode ser facilmente demonstrada: estenda o seu braço e, usando
apenas um dos seus olhos, oculte um objeto com o seu dedo em riste. Se agora você muda o olho que está observando, verá que o
objeto não está mais oculto. Note também que quanto mais próximo o seu dedo estiver do seu rosto maior será o desvio aparente
do objeto ocultado. Assim, objetos mais próximos exibem mais paralaxe do que os objetos mais remotos, para uma mesma situação
do observador.
Para observar a paralaxe de uma estrela os astrônomos utilizam o movimento da Terra em torno do Sol. Eles observam a estrela e
cuidadosamente medem sua posição em relação às estrelas que estão no fundo do céu. Seis meses após isso a Terra se moveu para
o lado diametralmente oposto de sua órbita. Essa distância é conhecida pois ela representa duas vezes a distância entre o Sol e a
Terra ou seja, 2 unidades astronômicas. Agora os astrônomos fazem uma nova medida e verificam que a estrela parece estar em
uma posição ligeiramente diferente daquela medida seis meses antes. O valor dessa diferença dependerá somente da distância qu e a
estrela está de nós. Quanto mais próxima a estrela estiver de nós maior será essa diferença de posição medida. No entanto, note
que mesmo para as estrelas muito próximas a medida de paralaxe é extremamente pequena. Por esse motivo a paralaxe não é
medida em graus mas sim em frações de grau que têm o nome de "segundos de arco". Por exemplo, a estrela mais próxima de nós,
Proxima Centauri, tem uma paralaxe de apenas 0,77".

A paralaxe de uma estrela é a metade do valor do ângulo de deslocamento aparente da estrela. Baseados nessa definição a distâ ncia
a uma estrela é dada pelo inverso da paralaxe. Se medirmos a paralaxe em segundos de arco a distância será dada em parsecs.

d (em parsecs) = 1/θ (em segundos de arco)

A partir desta relação podemos concluir facilmente que se o ângulo é igual a 1" (um segundo de arco) a estrela estará a 1 parsec de
nós.
Para saber mais : paralaxes

1 - Lembre-se que se tivéssemos uma estrela situada a um 1 parsec , sua paralaxe seria de 1" ( um segundo de arco ) , isto é , 1/360 de
um arco de 1 grau . É , portanto , um ângulo extremamente pequeno e que serve como lembrete de que fazer medidas confiáveis pode
ser uma tarefa complexa . E como as estrelas estão situadas a enormes distancias , esse método é limitado : até meados dos anos 90
do século passado , somente umas 10000 estrelas tinham paralaxes medidas , e com variáveis graus de precisão . Os valores mais
confiáveis atingiam apenas um ãngulo de 0,05" , ou uma distância em torno de 20 pc . No final daquela década , o lançamento do
satélite Hipparcos , permitiu que medíssemos em torno de 118000 paralaxes ( até 0,001" ou 1000 pc ) . E o futuro ? A missão G aia da
Agência Espacial Européia que está planejada para os próximos anos pretende medir paralaxes até 0,00001 " !!!! As expectativas são
enormes no que diz respeito às consequências dessas medidas .
2 - E como medimos a paralaxe ? Ela é calculada utilizando quais grandezas ? Para isso , precisaremos de um pouco de geometria ,
trigonometria e de uma grandeza fundamental no projeto de sistemas óticos , a distancia focal . Distancia focal significa que os raios de
luz que incidem paralelamente ao eixo ótico da espelho ou da lente convergirão para um foco situado a determinada distancia atrás da
lente ( ou na frente do espelho ) .
Vamos agora rever a animação anterior , mas com a Terra substituida por um pequeno cilindro que representa nosso telescópio cuja
lente ou espelho tem uma distancia focal que designamos por f ( que por sua vez é o comprimento do cilindro ) . E aquela figura ou tela
de fundo agora é substituida pelas chamadas estrelas de fundo , ou estrelas fixas . Claro que não são realmente fixas , mas estão tão
afastadas que parecem estar imóveis , e é contra a imagem fixa dessas estrelas que mediremos a paralaxe de alguma estrela
suficientemente próxima . Mas , atenção : a figura está completamente fora de escala ! Para perceber esse problema , vejamos o caso de
nossa vizinha mais próxima , que tem uma paralaxe de 0".77 , ou seja , está situada a 1,3 parsecs de nós . Com os dados do módulo
anterior , essa distancia corresponde a 2,67 . 10 13 km ou 267000 unidades astronômicas . Volte à figura : para a escala correta o
comprimento d deveria ser 267000 vêzes maior que a distancia R ( raio da órbita terrestre ) !!!
Mas voltemos à animação : em uma data hipotética 31 de Janeiro fazemos a primeira observação que consiste na imagem da estrela
alvo e outras três de fundo ( em azul ) . A figura formada no plano focal do telescópio aparece e onde , para clareza , a est rela alvo está
no centro da imagem . Seis meses depois , apontamos o telescópio para as mesmas estrelas fixas : a imagem é a mesma a não ser pelo
deslocamento da estrela alvo de uma distancia a no plano focal . Esse deslocamento é a medida que fazemos , fruto da observação .
Observe em seguida a construção dos triângulos semelhantes ( em vermelho e verde ) e que nos permite calcular o valor da tangente do
ângulo 2Θ (a metade, Θ, é a paralaxe). Por definição, no pequeno triângulo vermelho

tangente de 2 Θ =

mas por triangulação , no triângulo verde

tangente de Θ =

Já foi mencionado que esse último número é muito pequeno porque R é muitíssimo menor que d . Quando isso ocorre o valor da
tangente de um ângulo é essencialmente o valor do próprio . Reunindo tudo isso ,

Resumindo : - das observações determinamos a ;


- utilizando esse a e mais a distancia focal da lente calculamos a paralaxe ;
- a paralaxe e raio da órbita terrestre nos fornecem a distancia .

Atenção sobre as unidades de ângulo e distancia : o valor da tangente de um ângulo é igual ao próprio ângulo quando usamos co mo
unidade de medida o radiano ( veja módulo 1 ) . Mas esses números são tão pequenos que por praticidade usa-se então o segundo de
arco ( " ) . Referindo-nos ainda ao módulo anterior podemos achar o fator de transformação entre 1 radiano e 1 " :

1 radiano = 206265 " . Isso implica em

Θ( medido em " ) =

Ou

Mas quanto vale então 1 parsec ? Para ter essa distancia o ângulo teta vale 1" ( por definição ) . Então ,

1 parsec = 206265 x R , ou seja , 3,18 x 1013 quilômetros .


Medindo as estrelas:
seu brilho, luminosidade, magnitude, temperatura e raio

A lei do Inverso do Quadrado da distância e o brilho aparente de uma estrela

Os físicos verificaram que existe uma lei relacionando a energia emitida por unidade de tempo por um objeto e o quadrado da
distância na qual o estamos observando. Essa lei é chamada de lei do inverso do quadrado da distância. Ela é conseqüência do
fato de que a radiação emitida por um corpo ou seja, sua energia, vai se espalhando uniformemente no espaço à medida que se afasta
da fonte. Isso faz com que haja um decréscimo no brilho do objeto à medida que a distância aumenta. Assim, observamos a radia ção
emitida por uma fonte distante como sendo mais fraca por que a maior parte dela foi espalhada em direções que não serão registra das
pelo observador.

Os astrônomos definem a energia emitida por unidade de tempo como sendo a luminosidade de um objeto, enquanto que a
quantidade de energia emitida por unidade de tempo e por unidade de área é definida como sendo o fluxo de energia de uma estrela.
Esse fluxo de energia que chega à Terra também é chamado de brilho aparente de uma estrela.

Por meio dessas definições somos capazes de medir o brilho aparente de um objeto ou seja, quão brilhante ele parece ser para nós.
Assim, o brilho aparente (fluxo) de uma estrela é a quantidade de energia que ela emite por unidade de área e por unidade de tempo
na direção do observador. A uma distância d de uma fonte luminosa a energia eletromagnética emitida por ela já se espalhou por toda
uma esfera de raio d. Essa esfera tem uma área superficial equivalente a 4 d2 e, portanto, o brilho aparente dessa fonte é dado por

B = L/4 d2

Mas, para que serve essa expressão? Existe um equipamento chamado fotômetro que é capaz de medir o brilho aparente de uma
estrela ou seja, o valor de B na expressão acima. Se você tem B e a distância d poderá facilmente calcular a luminosidade da estrela.
A luminosidade de um corpo celeste

Se somarmos a energia luminosa emitida, em todos os comprimentos de onda, por um dado objeto celeste vamos obter a energia total
radiante proveniente dele por unidade de tempo. A este valor total da energia por unidade de tempo damos o nome de luminosidade
do corpo celeste.

Para obter a luminosidade de uma estrela precisamos usar a chamada "lei de Stefan-Boltzmann". De acordo com essa lei se um
determinado corpo é aquecido a uma temperatura T, cada metro quadrado de sua superfície irradia em um segundo uma quantidade
de energia igual a

T4

A energia total que a estrela irradia por segundo ou seja, a sua luminosidade L, é obtida multiplicando-se a energia irradiada por metro
quadrado por segundo (σT4) pelo número de metros quadrados de sua área superficial. Supondo que a estrela é esférica sua área é
dada por 4 R2, onde R é seu raio. Assim a luminosidade é dada por:

onde L é a luminosidade, R é o raio da área visível do objeto e T é a temperatura medida em "Kelvins".

A letra σ representa a constante de Stephan-Boltzmann cujo valor é

σ = 5,67 x 10-8 W m-2 K-4

Aqui W é a unidade de potência chamada "watt" que é o mesmo que joule por segundo.

Vemos, portanto, que a luminosidade de um objeto depende, de uma maneira muito sensível, da temperatura e também da área de
superfície do objeto.

A magnitude aparente de uma estrela

O sistema de magnitudes que os astrônomos usam para representar o brilho das estrelas foi inventado na Grécia antiga pelo
astrônomo Hiparcos. Por volta do ano 150 a.C. Hiparcos mediu o brilho aparente das estrelas no céu noturno usando unidades qu e ele
chamou de magnitudes.

Hiparcos chamou as estrelas mais brilhantes de estrelas de primeira magnitude. Aquelas que tinham aproximadamente metade do
brilho dessas receberam a classificação de estrelas de segunda magnitude. Outras estrelas que tinham metade do brilho daquelas
classificadas como segunda magnitude foram chamadas de estrelas de terceira magnitude e assim por diante. Essa classificação
atingiu até a sexta magnitude, que englobava as estrelas mais fracas que podemos observar a olho nú.

Somente após a invenção do telescópio é que os astrônomos puderam estender a classificação criada por Hiparcos para as estrel as
mais fracas do que a sexta magnitude ou seja, aquelas que só podiam ser observadas com o auxílio de instrumentos astronômicos.

Essas magnitudes são adequadamente chamadas de magnitudes aparentes uma vez que elas descrevem quão brilhante um objeto
parece ser para um observador situado na Terra. Assim, a magnitude aparente de uma estrela é uma medida da quantidade de
energia emitida por ela e que chega até um detector situado na Terra, seja ele o nosso olho ou um detector eletrônico.

Note que a magnitude aparente de uma estrela depende da sua luminosidade e da sua distância até nós. Uma estrela pode parecer
fraca ou por que ela tem uma luminosidade pequena, e portanto não emite muita energia, ou porque ela está muito distante.
No século XIX foram desenvolvidas técnicas bem mais apuradas para medir a energia luminosa que era emitida por uma estrela e que
alcançava os nossos detectores. Os astrônomos procuraram então definir a escala de magnitudes de modo mais preciso. As
medições de brilho aparente realizadas mostraram que uma estrela de primeira magnitude é cerca de 100 vezes mais brilhante do que
uma estrela de sexta magnitude. Isso quer dizer que você teria que reunir 100 estrelas de magnitude aparente + 6 para obter a
mesma quantidade de energia luminosa emitida por uma única estrela de magnitude aparente + 1. Baseado nisso a escala de
magnitudes foi redefinida de modo que uma diferença de magnitude igual a 1 corresponde a um fator 2,512 de diferença na energia
luminosa emitida pelos objetos que estão sendo comparados. Por exemplo, uma diferença de magnitudes aparentes igual a 5

corresponde exatamente a um fator de 100 na quantidade de energia luminosa recebida pelos nossos detectores uma vez que 2,512 x
2,512 x 2,512 x 2,512 x 2,512 = (2,512)5 = 100.

Vemos, portanto, que 2 1/2 estrelas de terceira magnitude fornecem a mesma quantidade de energia que uma única estrela de
segunda magnitude.

A tabela abaixo nos dá exemplos do que representa a diferença de magnitude em função da razão entre os brilhos das estrelas. Por
exemplo, se duas estrelas têm uma diferença de magnitude aparente igual a 3 isso quer dizer que uma delas é 2,512 x 2,512 x 2,512
= 15,85 vezes mais brilhante que a outra.

Relacionando magnitudes com razões de brilho aparente


diferença em magnitude razão entre os brilhos
1 2,512 : 1
2 (2,512)2 = 6,31 : 1
3 (2,512)3 = 15,85 : 1
... ...
5
5 (2,512) = 100 : 1
10 (2,512)10 = 104 : 1
20 (2,512)20 = 108 : 1

Preste bastante atenção nisso:

As diferenças de magnitudes não correspondem a diferenças de brilhos e sim a razões entre brilhos.

Matemáticamente, a expressão da magnitude é dada como uma razão entre brilhos pela expressão

(b2/b1) = 100(m1 - m2)/5

ou então

m1 - m2 = 5 log (b2/b1)

Vamos ver isso com mais detalhes. Medimos o brilho de uma estrela de magnitude 1 e então o comparamos com o brilho de uma
estrela de magnitude 6. Poderíamos ser levados a pensar que a estrela de magnitude 6 é seis vezes menos brilhante que a de
magnitude 1 ou então que a diferença de brilho entre elas é dada pela diferença entre suas magnitudes, no caso 6-1=5. Isso está
completamente errado!

Uma estrela de magnitude 1 é 100 vezes mais brilhante do que uma estrela de magnitude 6. Assim, uma diferença de 5 magnitudes
(6-1=5) corresponde a uma razão de brilhos igual a 100. Quando dizemos que uma estrela é 5 magnitudes mais brilhante do que
outra estamos afirmando que ela é um fator 100 mais brilhante.

Cada diferença de magnitude corresponde a um fator de 2,512 em brilho. Assim, uma estrela de primeira magnitude é 2,512 mais
brilhante do que uma estrela de magnitude 2 e é 2,512 x 2,512 = 6,310 vezes mais brilhante do que uma estrela de magnitude 3, e
assim por diante.
Devemos notar também que o sistema de magnitudes aparentes foi definido de uma forma que pode confundir o estudante. Preste
bastante atenção:

A escala de magnitudes está "ao contrário"! Com isso queremos dizer que, em vez de magnitudes maiores indicarem estrelas
mais brilhantes, é o contrário que acontece.

Quanto menor o valor da magnitude aparente de uma estrela maior é o seu brilho.
Quanto maior o valor da magnitude aparente de uma estrela menor é o seu brilho.

As medições modernas mostraram que Hiparcos havia subestimado as magnitudes aparentes das estrelas mais brilhantes e
logo foi notado que as magnitudes aparentes associadas às estrelas mais brilhantes deveriam, em geral, ser representadas
por números negativos. Deste modo

Quanto mais negativo for o valor da magnitude aparente de uma estrela mais brilhante ela é.

A figura acima mostra a escala de magnitudes aparentes moderna. Note que as estrelas mais fracas que podemos ver através de u m
par de binóculos têm uma magnitude + 10 e as estrelas mais fracas que podem ser fotografadas em uma hora de exposição com um
grande telescópio são de magnitude + 25. Note também que quanto mais brilhante o objeto no céu mais negativo é o valor de sua
magnitude aparente. Um objeto com magnitude -5 é muito mais brilhante do que um objeto com magnitude +30 !

Por exemplo, vamos comparar o brilho aparente do planeta Vênus com a estrela Aldebaran. No seu maior brilho o planeta Vênus tem
uma magnitude aparente de -4,2. A estrela Aldebaran tem uma magnitude aparente de 0,8. A diferença de suas magnitudes é 0,8 - (-
4,2) = 5,0. Por conseguinte vemos que o planeta Vênus é 100 vezes mais brilhante para o nosso olho do que a estrela Aldebaran.

A magnitude absoluta de uma estrela

Os astrônomos também usam uma quantidade chamada magnitude absoluta para medir a luminosidade de uma estrela. Lembre-se
que as magnitudes aparentes nos dizem quão brilhante uma estrela parece ser aos olhos de um determinado observador. É fácil
entender isso se lembrarmos que uma mesma estrela parecerá brilhante se vista a pouca distância mas se tornará fraca se for
colocada a grande distância. Isto nos diz que a magnitude aparente de uma dada estrela depende também da sua distância ao
observador.
No entanto, precisamos saber quão brilhantes as estrelas realmente são. Para esse propósito os astrônomos inventaram uma medida
verdadeira do fluxo de energia de uma estrela, que é chamado de magnitude absoluta.

A magnitude absoluta de uma estrela é definida como a magnitude aparente que ela teria se
estivesse localizada a uma distância padrão de exatamente 10 parsecs da Terra.

Por exemplo, se o Sol fosse deslocado para uma distância de 10 parsecs da Terra ele teria uma magnitude aparente de + 4,8. Assim, a
magnitude absoluta do Sol é + 4,8.

As magnitudes absolutas das estrelas variam de cerca de - 10 para as estrelas mais brilhantes até + 15 para aquelas mais fracas. A
magnitude absoluta do Sol está aproximadamente no meio desse intervalo, o que nós dá a primeira pista de que o Sol é uma estr ela
média.

A tabela abaixo ilustra como a magnitude absoluta está relacionada com a luminosidade de uma estrela.

Relacionando Magnitude Absoluta com Luminosidade


Luminosidade aproximada
Magnitude Absoluta
(em unidades solares)
-5 10000
0 100
5 1
10 0,01

O módulo de distância

Usando a lei do inverso do quadrado da distância os astrônomos deduziram uma equação bem simples que reflete o caráter especi al
da escala de magnitudes. Essa equação relaciona a magnitude aparente de uma estrela, chamada de m, sua magnitude absoluta,
chamada M, e sua distância à Terra, chamada d, medida em parsecs. A equação é:

m - M = 5 log d - 5

É importante notar que se você conhece duas das três quantidades envolvidas nessa equação você pode calcular a terceira quant idade.
Assim, se você conhece, por exemplo, a magnitude aparente e a distância a uma estrela você pode obter sua magnitude absoluta.
Nesse caso o astrônomo poderia medir a magnitude aparente de uma estrela vizinha, encontrar a sua distância pelo método da
paralaxe e então calcular a sua magnitude absoluta.

Também podemos escrever a equação acima como

d = 10(m-M+5)/5
À quantidade m - M damos o nome de módulo de distância. Ela é uma medida da distância existente entre a estrela e a Terra.
Quanto maior o módulo de distância, maior é a distância entre a estrela e a Terra.

Módulos de distância
m-M distância (em parsecs)
0 10
1 16
2 25
3 40
4 63
5 100
10 1000
15 10000
20 100000

Temperatura

Para medir a temperatura de uma estrela aplicamos os conceitos já estudados no módulo anterior que envolvem a lei de Wien. Essa lei
é uma relação simples entre a temperatura de um corpo negro e o comprimento de onda máximo da energia que ele emite. A lei de
Wien estabelece que o comprimento de onda no qual um determinado corpo irradia mais fortemente é inversamente proporcional à
temperatura do corpo. Desse modo ficamos sabendo que corpos mais quentes irradiam mais fortemente em comprimentos de onda
mais curtos.

O comprimento de onda do máximo da curva é dado pela equação:

O termo λmax surge devido ao fato de que, embora todos os objetos emitam radiação em um amplo intervalo de comprimentos de
onda, existe sempre um comprimento de onda característico, representado por λ max, no qual a emissão de energia é a maior possível.
Como já dissemos a cor de uma estrela está diretamente relacionada com sua temperatura da superfície por intermédio da lei de
Wien. A intensidade da luz emitida por uma estrela fria tem seu pico em comprimentos de onda longos, fazendo a estrela parece r mais
vermelha. A curva de intensidade de uma estrela quente tem seu pico em comprimentos de onda mais curtos e, por essa razão, a
estrela parece mais azul. A intensidade máxima de uma estrela com temperatura intermediária, assim como o Sol, ocorre
aproximadamente no meio da região visível do espectro eletromagnético, o que dá à estrela uma cor amarelada.

Para medir com precisão as cores das estrelas, os astrônomos inventaram uma técnica chamada de fotometria. Essa técnica coloca
um equipamento sensível à luz, tal como um CCD, no foco de um telescópio e usa um conjunto padronizado de filtros coloridos. Os
filtros mais comumente usados são os chamados filtros UBV. Cada um dos três filtros UBV é transparente em uma das três largas
bandas de comprimentos de ondas: o ultravioleta (U), o azul (B) (inicial da palavra inglesa blue) e o amarelo central (V) (inicial da
palavra inglesa visual). A transparência do filtro V copia a sensitividade do olho humano.
Para fazer fotometria o astrônomo aponta um telescópio para uma estrela e mede a intensidade da luz estelar que passa através de
cada um desses filtros. Esse procedimento dá três medidas de magnitudes aparentes para a estrela, que são comumente designada s
pelas letras U, B e V. Quanto menor o número dessas medidas mais brilhante é a estrela nesse intervalo de comprimentos de ond a.

O astrônomo então compara a intensidade da luz estelar nos comprimentos de onda vizinhos subtraindo uma magnitude da outra pa ra
formar as combinações (B-V) e (U-B). A essas combinações damos o nome de índices de cor.

Um índice de cor nos diz quão mais brilhante ou mais fraca é uma estrela em uma banda de comprimento de onda do que em outra.
Por exemplo, o índice de cor (B-V) nos diz quão mais brilhante ou mais fraca uma estrela aparece através do filtro B do que através do
filtro V.

O índice de cor de uma estrela está diretamente relacionado com a sua temperatura da superfície. Se a estrela é muito quente, sua
radiação é mais intensa no ultravioleta, de comprimento de onda curto, o que faz a estrela brilhante através do filtro U, mais fraca
através do filtro B e muito mais fraca através do filtro V. Um exemplo de estrela desse tipo é Regulus.

No entanto, se a estrela é fria, a radiação emitida por ela tem seu pico em comprimentos de onda longos o que faz a estrela ser mais
brilhante através do filtro V, mais fraca através do filtro B e mais fraca ainda através do filtro U. Dois exemplos de estrel as desse tipo
são Aldebaran e Betelgeuse.

As magnitudes UBV e os índices de cor de algumas estrelas


Estrela U B V (B-V) (U-B) cor aparente
Bellatrix (γ Ori) o,55 1,42 1,64 -0,22 -0,87 azul
Regulus (α Leo) 0,88 1,24 1,35 -0,11 -0,36 azul-branco
Sirius (α CMa) -1,52 -1,46 -1,46 0,00 -0,06 azul-branco
Megrez (δ UMa) 3,46 3,39 3,31 +0,08 +0,07 branca
Altair (α Aql) 1,07 0,99 0,77 +0,22 +0,08 amarelo-branco
Sol -26,06 -26,16 -26,78 +0,62 +0,10 amarelo-branco
Aldebaran (α Tau) 4,29 2,39 0,85 +1,54 +1,90 alaranjado
Betelgeuse (α Ori) 4,41 2,35 0,50 +1,85 +2,06 vermelho
A figura mostrada abaixo dá a relação entre o índice de cor (B-V) de uma estrela e sua temperatura.

Se você conhece o índice de cor (B-V) da estrela você pode usar esse gráfico para encontrar sua temperatura da superfície. Por
exemplo, o índice de cor (B-V) do Sol é + 0,62, o que corresponde a uma temperatura da superfície de 5800 Kelvin.

No entanto devemos ter cuidado com essas medidas. Veremos mais tarde que existe no espaço interplanetário gás e poeira que fazem
com que estrelas distantes pareçam ser mais vermelhas do que realmente são. Os astrônomos têm que levar em conta esse
avermelhamento interestelar sempre que estiverem determinando a temperatura da superfície de uma estrela a partir de seus
índices de cor. Veremos também mais tarde que o espectro de uma estrela fornece uma medição mais direta da sua temperatura da
superfície. No entanto, é mais rápido e mais fácil observar as cores de uma estrela com um conjunto de filtros UBV do que obter seu
espectro com um espectrógrafo, o equipamento usado para isso.

Raio

Sabemos que dois objetos a mesma temperatura mas com diferentes tamanhos emitirão quantidades diferentes de energia: o maior
deles emitirá mais energia do que o menor. O mesmo ocorre com as estrelas. Se duas estrelas têm a mesma temperatura, a maior
delas emitirá mais energia e, consequentemente, terá uma luminosidade maior do que a outra estrela. Desse modo, se sabemos a
temperatura de uma estrela podemos inferir o seu tamanho a partir da quantidade de energia que ela irradia.
Usando a equação que nos dá a luminosidade de uma estrela podemos deduzir seu raio. Se temos sua luminosidade e temperatura
calculamos trivialmente o raio da estrela por meio da equação:
Para saber mais: sobre magnitudes e distancias

É fundamental compreender que a escala de magnitudes é definida ( em sua forma logaritmica ) por

m1 - m2 = 2,5 log

onde os índices 1 e 2 podem se referir a

- duas estrelas ;
- dois intervalos espectrais da mesma estrela , quando então temos o chamado índice de cor , e
- a mesma estrela situada em diferentes distancias .

Bem , é isso mesmo . Definimos magnitude absoluta como a magnitude que a estrela apresentaria se situada à distancia padrão
de 10 parsecs . Vamos buscar a relação com distancia . Lembramos que usa-se a letra M ( maiúscula ) para essa magnitude e
vamos então utilizar B para o brilho correspondente .

Então , se

, d a distancia real até essa estrela , conforme a definição acima

Se consideramos o índice 1 com referindo-se aos valores aparentes e o indice 2 aos valores absolutos ,

m - M = 2,5 log

Se substituimos nessa última equação as definições dadas acima de b e B , e utilizando propriedades da função logaritmica ela
se torna

m - M = 2,5 log

, ou

m - M = 5 log

, ou ainda

m - M = 5 log d - 5 , o já apresentado módulo de distancia .


Vejamos uma aplicação fundamental dessa expressão:

Determinar distancias estelares via paralaxes constitui o método mais preciso para tal . E podemos daí determinar as
magnitudes absolutas para diferentes tipos de estrelas ( que têm propriedades diferentes entre si : isso ficará mais claro depois
que estudarmos espectroscopia ) . Ou seja , calibramos uma relação na qual estrelas com certas características têm determinad o
valor de magnitude absoluta . E como usamos tal calibração ? Se uma estrela está suficientemente distante do Sol para que não
possamos utilizar o método direto da paralaxe , podemos seguir o caminho inverso : estimamos sua magnitude absoluta por
meio da espectroscopia e medimos sua magnitude aparente . E com essas duas quantidades obtemos seu módulo de distância e
portanto a própria distância !

Apresentamos então outra maneira de estimar distancias estelares , mas é crucial termos boas paralaxes para o maior número
possível de estrelas : existem outros métodos para estimar distancias no universo , mas a base de todas repousa no método das
paralaxes .
Uma história fascinante: os espectros e a espectroscopia

Em 1814 o alemão Joseph von Fraunhofer repetiu a experiência clássica feita no final dos
anos 1600 por Isaac Newton permitindo que um feixe de luz solar atravessasse um
prisma. A diferença na experiência de Fraunhofer estava no fato de que o espectro
resultante, que aparecia com as cores do arco-íris, era submetido a uma grande
ampliação.

Uma surpresa aguardava Fraunhofer. Ao ampliar a imagem obtida ele descobriu que o
espectro solar mostrava centenas de linhas escuras e finas. Fraunhofer contou mais de
600 linhas nesse espectro. Hoje, com equipamentos mais sofisticados, sabemos que o
número de linhas presentes no espectro da luz solar chega a mais de um milhão. A estas
linhas escuras e finas damos o nome de linhas espectrais.

Este é o espectro da luz solar obtido por Joseph von Fraunhofer. Note o incrível número
de linhas escuras que o riscam. Em particular Fraunhofer ficou impressionado com duas
linhas, bastante fortes, que apareciam no espectro da luz solar, batizando-as de "linhas
D".

Mas, qual a origem de todas essas linhas? Naquela época ainda não havia conhecimento físico suficiente para compreender por
que essas linhas escuras apareciam no espectro da luz solar. Ainda levaria quase meio século até que os químicos verificassem
que essas linhas espctrais também podiam ser produzidas nos laboratórios.
Os químicos, há muito tempo, sabiam que várias substâncias emitiam cores diferentes quando salpicadas em uma chama. Tais
experiências, chamadas de "testes de chama", eram muito comuns nos laboratórios da época. Elas eram realizadas com o
objetivo de identificar os chamados elementos químicos ou seja, as substâncias fundamentais que não podem ser divididas
em produtos químicos mais básicos.

No entanto havia um problema com este tipo de experiência. A chama


necessária para queimar a substância também emitia cor que se
misturava com a própria cor do elemento que estava sendo analisado.
Como se diz em ciência experimental, o resultado era contaminado pelo
equipamento.

Por volta de 1857 o químico alemão Robert Wilhelm Bunsen conseguiu


contornar este problema. Ele inventou um queimador a gás, conhecido
como "bico de Bunsen" (ao lado), que não emitia cor própria. Este
equipamento permitia que gás metano (CH4) fosse introduzido no
queimador através de uma entrada de gás. Uma válvula de controle de
gás regula a taxa na qual o metano entra no queimador. A taxa na qual
o ar entra no queimador é ajustada com um respiradouro de controle de
ar. O metano e o oxigênio são misturados no tubo do queimador e,
quando é feita a ignição, produzem uma chama.
Este equipamento, tão simples, foi fundamental para as pesquisas. O resultado final obtido com a sua utilização não estava
contaminado uma vez que sua chama não produzia qualquer cor capaz de se misturar com aquela produzida pela substância
salpicada sobre a chama. O equipamento inventado por Bunsen melhorou consideravelmente o estudo dos elementos químicos
naquela época e se tornou amplamente usado em "testes de chama".

Nesta mesma época o físico alemão Gustav Robert Kirchhoff (imagem à direita) sugeriu que a luz
proveniente das chamas coloridas poderia ser melhor estudada se ela fosse feita passar através
de um prisma.

Em 1859, Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff (Bunsen à direita e


Kirchhoff à esquerda) desenharam e construiram um aparelho que
iria revolucionar o estudo da astrofísica. Este equipamento, chamado
"espectroscópio" (imagem abaixo), era formado por um prisma e
várias lentes que ajudavam a ampliar e colocar em foco os espectros
obtidos a partir da queima de vários elementos químicos.
Os dois cientistas prontamente descobriram que os espectros obtidos
a partir destas chamas mostravam conjuntos de finas linhas
espectrais brilhantes traçadas contra um fundo escuro.
Mais tarde eles encontraram que cada elemento químico produz um
"desenho" único de linhas espectrais. Assim nasceu, em 1859, a técnica da análise espectral, a
identificação de substâncias químicas a partir do desenho característico das linhas espectrais que
a sua luz continha.

Com esta técnica, usando o espectroscópio mostrado acima, eles realizaram uma importantíssima descoberta:

"Cada elemento químico mostra um espectro com um arranjo único de linhas brilhantes"
Descobrindo novos elementos

Com a divulgação das descobertas de Bunsen e Kirchhoff muitos pesquisadores se lançaram à procura de novos
elementos químicos. Bunsen e Kirchhoff continuaram suas pesquisas registrando as linhas espectrais proeminentes de
todos os elementos então conhecidos. Após isso eles começaram a procurar novos elementos químicos através da
análise espectral. Logo eles descobriram outras linhas espectrais pertencentes aos espectros de amostras minerais.

Em 1860 Bunsen e Kirchhoff encontraram uma nova linha na parte azul do espectro de uma amostra de água mineral.
Eles conseguiram determinar que um elemento ainda desconhecido era o responsável pela criação dessa linha. A esse
elemento eles deram o nome de "césio", uma palavra proveniente do latim "caesium", que significa "azul-acinzentado".

No ano seguinte, eles descobriram uma nova linha na parte vermelha do espectro de uma amostra mineral. Isto os levou
a descobrir um novo elemento químico, o "rubídio", uma adaptação da palavra latina "rubidium", que significa
"vermelho".

Outros elementos continuavam a ser encontrados nas mais variadas amostras. Algumas descobertas levaram os
cientistas a interpretações erradas. Por exemplo, durante o eclipse solar de 1868 os astrônomos decidiram fazer a
análise espectral da luz proveniente da parte mais externa do Sol, aquela que fica exposta quando o disco da Lua
encobre o disco solar. Ao fazer isso eles encontraram uma nova linha espectral imediatamente atribuida a um novo
elemento químico, desconhecido na Terra, e que foi chamado de "hélio", palavra derivada do grego "helios" que significa
"sol".

Durante muito tempo os cientistas


pensaram que haviam descoberto um
elemento químico que não existia na Terra
o que, se fosse verdade, derrubaria a
hipótese que todos os elementos químicos
são encontrados na superfície do nosso
planeta. Somente em 1895 é que os
cientistas conseguiram obter o hélio nos
laboratórios terrestres, ao analisarem gases
obtidos a partir do urânio.
Algum tempo depois, mais um elemento
químico estranho foi encontrado quando os
astrônomos fizeram a análise espectral de
nuvens de gás e poeira que existem entre
as estrelas em certas regiões da nossa
Galáxia, regiões estas que são chamadas de
nebulosas. Ao lado mostramos a imagem
de uma dessas nebulosas, a nebulosa M17.
Foi em uma nebulosa semelhante a esta
que os astrônomos descobriram uma linha
espectral desconhecida que foi associada a
um novo elemento, não conhecido na Terra.
A este elemento foi dado o nome de
"nebulium". Mais tarde os astrônomos
mostraram que este elemento não existia e
que esta linha tinha origem a partir de um
processo atômico especial.
As leis da espectroscopia

Por volta dos anos de 1860, Kirchhoff e Bunsen já haviam realizado um número suficientemente grande de análises espectrais. O
conhecimento acumulado sobre as linhas espectrais já era suficiente a ponto de permitir que Kirchhoff formulasse três importantes
enunciados sobre espectros que hoje são chamados de leis de Kirchhoff.

um corpo opaco e quente, produz um espectro contínuo.


o corpo opaco e quente pode ser um sólido, um líquido ou um gás altamente
comprimido, e portanto denso.
1a lei
o espectro contínuo é um verdadeiro "arco-íris", um conjunto completo de cores
sem qualquer linha espectral traçada sobre ele.

um gás transparente, quente, produz um espectro onde uma série de linhas


espectrais brilhantes estão traçadas contra o fundo escuro.
a este espectro damos o nome de espectro de linhas de emissão.
2a lei
o número e as cores destas linhas depende de quais os elementos que estão
presentes no gás.

se colocamos um gás transparente e frio na frente de uma fonte de espectro


contínuo, o gás mais frio provoca o aparecimento de uma série de linhas escuras
riscadas entre as cores do espectro contínuo.
3a lei a este espectro damos o nome de espectro de linhas de absorção.
as cores e o número das linhas de absorção depende dos elementos presentes no
gás frio.

É muito importante notar que as linhas brilhantes que aparecem em um espectro de emissão ocorrem exatamente nos mesmos
comprimentos de onda que as linhas escuras no seu espectro de absorção. Dizendo de um modo mais físico,

As linhas absorvidas por um gás a partir de um espectro contínuo são as mesmas linhas
emitidas por este mesmo gás quando fornecemos energia a ele.
É a temperatura relativa entre a nuvem de gás e o seu fundo que determina qual o espectro que é observado. As linhas de
absorção são vistas se o fundo é mais quente do que o gás e as linhas de emissão são vistas se o fundo é mais frio do que o g ás.
Ambas podem ser usadas para determinar a composição química do gás.
Agora podemos voltar ao espectro da luz solar obtido inicialmente por Fraunhofer. Foi Kirchhoff que mostrou que as duas linha s
fortes que chamaram a atenção de Fraunhofer, e que ele chamou de linhas D, na verdade eram linhas produzidas pelo sódio na
região espectral com comprimento de onda correspondente à cor amarela.

A figura abaixo mostra, comparativamente, vários espectros. Inicialmente note que os comprimentos de onda mais curtos estão à
esquerda e eles crescem à medida que vamos para o lado direito. Isto quer dizer que na esquerda temos maiores freqüênciase,
portanto, maiores energias. De cima para baixo, a primeira imagem é o espectro contínuo emitido por um sólido aquecido. Em
seguida mostramos o espectro de absorção do Sol, onde apenas as linhas mais fortes são indicadas, juntamente com os elementos
que as produzem. Note que as linhas são traços escuros sobre um espectro contínuo. Mais tarde explicaremos por que razão o
espectro de uma estrela é dessa forma. Em seguida mostramos os espectros de emissão de diversos elementos tais como o sódio
(Na), hidrogênio (H), cálcio (Ca), mercúrio (Hg) e neônio (Ne). Muito importante é notar que as linhas de emissão que aparece m
nestes espectros se alinham perfeitamente com as linhas de absorção correspondentes que estão assinaladas no espectro de
absorção do Sol. Isto é uma prova de que as linhas de emissão e de absorção correspondentes têm o mesmo comprimento de
onda.
Tipos de espectros
Espectro contínuo

O espectro contínuo é mostrado na figura abaixo.

Espectro de emissão

A figura mostra como é formado um espectro de emissão.

Espectro de absorção
Este é o processo de formação de um espectro de absorção.

Olhando alguns espectros de absorção

Mostramos abaixo espectros com linhas de absorção de alguns elementos químicos. Este espectros foram obtidos por John Talbot a
partir da excitação de vários elementos químicos por meio de uma descarga elétrica .

Junto aos espectros, damos o nome do elemento químico que o forma, o símbolo internacionalmente usado para representá-lo, e o
número atômico do elemento.
O número atômico de um elemento nos informa o número de prótons que existem no núcleo dos átomos deste elemento. Como
os átomos no seu estado fundamental são eletricamente neutros, o número de prótons no núcleo atômico é igual ao número de
elétrons que giram em torno deste núcleo. Isto, obrigatoriamente, dá uma carga total igual a zero. Assim, podemos dizer que o
número atômico também nos dá o número de elétrons que giram em torno do núcleo do átomo do elemento correspondente.

Preste bastante atenção no desenho das linhas que aparecem sobre o fundo contínuo brilhante. Note como elas são diferentes. Isto
é fundamental para a astrofísica uma vez que, conseguindo obter o espectro de um corpo celeste, cabe ao cientista compará -lo
com os espectros já obtidos no laboratório para saber quais os elementos químicos que formam o objeto celeste.

Elemento Símbolo Número Atômico


Hidrogênio H 1

Hélio He 2

Litio Li 3

Carbono C 6

Nitrogênio N 7
Oxigênio O 8

Neônio Ne 10

Sódio Na 11

Magnésio Mg 12

Alumínio Al 13

Silício Si 14

Enxofre S 16

Argônio Ar 18
Cálcio Ca 20

Ferro Fe 26

Criptônio Kr 36

Estrôncio Sr 38

Xenônio Xe 54

Bário Ba 56

Você deve estar estranhando estas imagens. Dissemos anteriormente que o espectro de emissão se caracteriza por linhas
brilhantes sobre um fundo escuro enquanto que o espectro de absorção se apresenta como um conjunto de linhas escuras sobre
um fundo contínuo colorido. No entanto, as imagens acima parecem ser uma mistura disso: nós vemos linhas brilhantes sobre um
fundo contínuo colorido! O que estamos mostrando acima são espectros obtido por John Talbot a partir de um programa que lê um
arquivo que contém uma lista de comprimentos de onda de linhas de emissão e as simula sobre um fundo contínuo.

Podemos usar o trabalho de Talbot para visualizar os espectros de absorção ou emissão. Para você ver o espectro de linhas de
absorção desses elementos químicos para cada um dos espectros apresentados, observe o fundo colorido, que é o espectro
contínuo, e na posição de cada uma das linhas brilhantes que aparecem nele imagine uma linha preta. Este seria o espectro de
absorção de cada um destes elementos químicos.

Para ver o espectro de emissão basta você olhar para as imagens disponíveis acima e utilizar a lei de Kirchhoff que afirma que as
linhas de emissão e de absorção de um determinado elemento químico são as mesmas. Para cada um dos espectros, elimine o
fundo colorido, que é o espectro contínuo, e observe somente as linhas brilhantes que aparecem neles. Este seria o espectro de
emissão de cada um destes elementos químicos.
"Puxa, como é fácil fazer astrofísica! Eu quero uma moleza dessas!"

Bem, na verdade eu estou contando apenas uma pequena parte da história. Ao obter o espectro de um corpo celeste, o que você
vai ver não é algo tão bonito como o mostrado acima.

Os espectros que obtemos das estrelas, por exemplo, sofrem diversas alterações físicas tais como o deslocamento das linhas, o
seu alargamento, etc. Além disso, descobrir quais são os elementos presentes em um espectro não é tão trivial. Com exceção de
algumas linhas muito conhecidas, identificar quais são os elementos representados por todas as outras linhas em um espectro
exige do astrônomo uma certa habilidade, embora existam programas profissionais de redução de dados, tais como o IRAF, que
ajudam muito o pesquisador.
Transferência radiativa

Muito foi escrito sobre espectros de absorção , emissão , etc . Sempre de um ponto qualitativo . Mas ,
certamente podemos fazê-lo quantitativamente , e o título desse tópico é exatamente sobre isso
.Trata-se de entender como se comporta um feixe luminoso ao atravessar um meio com certas
características : temperatura , composição química , densidade , etc .

Em primeiro lugar devemos introduzir a grandeza fundamental na teoria do transporte radiativo : a


intensidade específica . Já escrevemos sobre luminosidade ( que corresponde à definição de potência
na Física) e fluxo , que é a energia que flui por unidade de tempo e por unidade de área . Acontece
que através dessa área temos infinitas direções , e intensidade específica da radiação é o fluxo em
uma direção escolhida . É uma grandeza que é conservada , isto é , se não há agentes que absorvem
ou emitem radiação no trajeto da feixe de luz , a intensidade específica do é constante ( lembremo-
nos que fluxo diminui com o quadrado da distancia , e para informação , esse fluxo é a soma da
intensidade específica de todos os feixes de radiação que cruzam essa área ) .

Vamos examinar o caso mais simples ( figura abaixo ) : um raio luminoso com intensidade específica
Io incinde perpendicularmente sobre uma lâmina de espessura d e que contém matéria com densidade
ρ. O problema é : após percorrer d, qual é o novo valor da intensidade específica I do raio ?
Fenomenologicamente já se sabia no século XIX de lei exponencial ( v. módulo 1 ) de decaimento : I
= Io.e- kρd ,
onde d é o comprimento da região onde está o material que absorve e k é o chamado coeficiente de
absorção do material . O produto kρd é denominado profundidade ótica do meio . Pelas propriedades
da função exponencial dizemos que , se a profundidade ótica é pequena ( valor próximo de zero ) o
meio é oticamente fino , ou I ≈ Io (≈ significa "aproximadamente igual a " ) . No caso oposto , se a
profundidade ótica é maior que um o meio é opaco , com I << Io(<< significa "muito menor que ") .
Sabia-se ainda que um meio tênue pode emitir radiação em certas circunstâncias ( existe nesse caso
um coeficiente de emissão, propriedade do meio e usualmente designado pela letra j ).

Monta-se então uma equação diferencial que contempla todas essas duas possibilidades : de
diminuição e/ou de incremento da intensidade específica do raio de luz :

Os termos dessa equação nos dizem que a variação na intensidade específica I quando o raio de luz
percorre a distancia Δx depende de dois termos : o primeiro é negativo , ou seja , a intensidade
específica diminuirá pelo efeito do coeficiente de absorção enquanto o segundo é positivo , pois a
intensidade aumenta devido ao coeficiente de emissão . O balanço entre os dois coeficientes (
propriedades do matreial ) é que dirá qual o efeito final .

A solução formal dessa equação diferencial é , na verdade , muito simples . Claro que foge ao objetivo
do curso sua dedução , mas podemos apresentá-la :

I = Io . e-Τ + S [ 1 - e-Τ ] ,

onde Τ = kρd e

, chamada de função fonte , é a razão entre os coeficientes de emissão e absorção do meio .

Podemos rearranjar os termos da solução na seguinte forma ( agrupando os termos que têm a
exponencial ) :

I = S + exp(-Τ) ( Io - S ) .
E analisemos essa expressão :

1 - Se o meio é suficientemente opaco ( Τ >> 1 ) e consequentemente e -Τ ~ 0 , podemos considerar


que I ~ S. Isso significa que a intensidade após atravessar um meio suficientemente opaco só
depende das propriedades do mesmo meio (representado pela função fonte) . A intensidade incidente
, na prática , foi absorvida ;

2 - Mesmo que o meio não seja tão opaco como no ítem anterior , pode acontecer que o coeficiente de
emissão seja praticamente nulo . Então a função fonte também é nula e resulta da primeira solução
que
I = Io exp ( - T ) , ou seja , observaremos absorção . A quantidade de absorção dependerá da
profundidade ótica ;

2 - Se não há matéria alguma a profundidade ótica é zero e em consequência exp(- T ) = 1 . Esse


valor substituido na última equação resulta em I ~ Io . Em outras palavras , mostramos
matematicamente que a intensidade específica não varia se não há material que emita ou absorva
radiação ;

3 - E quando a profundidade ótica é pequena ( T < 1 ) , mas não é nula ? O cálculo diferencial nos
fornece uma expressão aproximada para o valor de exp ( -T ) :

exp (-T) ~ 1 - T ( quanto menor o valor de T mais precisa é essa aproximação ) . Se substituimos
essa aproximação na fórmula acima temos ,

I = S + ( 1 - T ) ( Io - S ) ou

I = S + Io - S - T . Io + T . S , ou ainda

I = Io + T ( S - Io ) , isto é , pode haver absorção ( I < Io ) ou emissão ( I > Io ) . Isso


dependerá de que a função fonte seja menor ou maior que a intensidade específica incidente .

O que deve ficar claro é que as soluções possíveis da equação de transferência explicam toda a
fenomenologia de laboratório do século XIX ( leis de Kirchoff ) .

Observações importantes :

1 - A profundidade ótica é um conceito importante , mas deve-se ter sempre em mente que ela
depende de vários fatores : propriedades intrínsecas dos átomos e das moléculas , dos elétrons livres
, da temperatura , da densidade e distancia percorrida ;

2 - Se a solução formal da equação de transferência é simples para quem conhece um pouco de


cálculo diferencial , na " vida real " as coisas são bem complicadas . Para cada frequência ou
comprimento de onda temos de resolver uma equação de transferência , e embora tenhamos a
solução formal , para utilizá-la temos de conhecer a função fonte para cada uma dessas frequências ,
e isso complica enormemente a solução do problema : os coeficientes j e k são calculados via
mecânica quântica se estamos interessados em transições entre níveis de energia atômicos . Mas se o
problema envolve a interação entre elétrons livres e radiação , é um problema tanto do
eletromagnetismo clássico quanto de eletrodinâmica quântica , e por aí vamos . Comprimentos de
onda próximos podem ter funções fontes bem diferentes : exatamente por isso temos linhas
espectrais superpostas ao contínuo ! Esclarecemos : uma certa frequência não é absorvida pelos
átomos , mas o é pelos elétrons livres ( absorção no contínuo , dizemos ) , mas para outra frequência
muito próxima não é toda a verdade , pois continua ser absorvida pelos elétrons livres mas algum tipo
de átomo também a absorve . Temos dois processos de absorção de que alguma maneira se somam ,
o que dá um contraste com a freqência anterior .
Por último e para complicar , mais uma vez recordamos que precisamos da função fonte para calcular
a intensidade específica : está bem , mas para um tipo de interação partícula-radiação chamada de
espalhamento , a função fonte depende da própria intensidade específica ! Certo ? O problema
depende de sua solução !!!!!
Os espectros estelares e a classificação espectral de Harvard

O ano de 1869 é um marco na história do desenvolvimento da astronomia. Foi neste ano que surgiu uma das mais importantes
técnicas de observação astronômica, que revolucionou o estudo dos corpos celestes. Neste ano foi criada a espectroscopia
estelar.
Tudo começou quando um astrônomo italiano, o jesuita Angelo Secchi, acoplou ao seu telescópio
um espectroscópio e decidiu observar as estrelas. O resultado imediato foi a descoberta de que
várias estrelas mostravam linhas de absorção riscando seus espectros. Com base em suas
observações, Secchi foi o primeiro astrônomo a classificar os espectros estelares em tipos
espectrais, de acordo com a aparência que eles tinham. Seus resultados foram publicados no seu
livro "Le Stelle".

No entanto a classificação apresentada pelo jesuita Secchi era feita puramente em termo da
aparência do espectro pois a ciência do século XIX não sabia explicar como as linhas espectrais de
um elemento químico particular são afetadas pela temperatura e densidade do gás.

Mesmo assim, já havia um grande conhecimento acumulado sobre os espectros produzidos pelos
vários elementos químicos. As pesquisas de Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff tinham mostrado
que as linhas espectrais são causadas por produtos químicos. Assim, os astrônomos que
desenvolveram o campo pioneiro da espectroscopia estelar já sabiam que os espectros das
estrelas deviam conter importantes informações sobre sua composição química.

O que faz uma estrela ter um espectro com linhas?

A astrofísica considera que as estrela são, aproximadamente, "corpos negros". Conseqüentemente, seu espectro deve ser o de
um "corpo negro" ou seja, um espectro contínuo. Este espectro contínuo de radiação, ou continuum, é produzido nas
regiões mais profundas da atmosfera da estrela onde os gases são densos e quentes.

Então porque os astrônomos estavam observando linhas de absorção no espectro estelar?


Sabemos que, de acordo com a terceira lei de Kirchhoff, as linhas de absorção são observadas quando o espectro de um objeto
brilhante, quente, é visto após atravessar um gás frio. Como issso podia acontecer em uma "bola de gás"com temperaturas tão
altas?

O fato é que à medida que a radiação produzida pela estrela se move para fora dela obrigatoriamente ela terá que passar
através das camadas menos densas, e mais frias, da atmosfera superior da estrela. Nestas camadas, os átomos absorvem
radiação em comprimentos de onda específicos, produzindo, por conseguinte, as linhas espectrais de absorção que os
astrônomos observam.

Temos aqui exatamente o mesmo fenômeno já descrito ao falarmos sobre a formação de espectros com linhas de absorção:
uma fonte quente (o interior da estrela) emite um espectro contínuo e esta radiação é obrigada a passar por um gás de
temperatura mais baixa (a atmosfera da estrela), onde as linhas são formadas.

Os espectros estelares

Quando você é apresentado a um conjunto de espectros estelares, a primeira


sensação é que se trata de algo muito confuso. Alguns mostram as linhas de
Balmer do hidrogênio (H) de uma maneira proeminente. Outros espectros
exibem várias linhas de absorção de cálcio (Ca) e ferro (Fe). Outros ainda são
dominados por grandes características de absorção causadas por moléculas tais
como a do óxido de titânio (TiO).

Para lidar com esta diversidade, os astrônomos reuniram espectros de


aparência similar em classes espectrais.
Este trabalho pioneiro foi realizado, no início do século XX, por um grupo de
astrônomos sob a supervisão de Edward C. Pickering no Harvard College
Observatory. Foram eles que iniciaram um monumental projeto de examinar os
espectros já obtidos de milhares de estrelas.
O objetivo deles era desenvolver um sistema de classificação espectral no qual
todos os aspectos espectrais, e não somente as linhas de Balmer, variavam
suavemente de uma classe espectral para a próxima.
Uma grande parte deste trabalho foi realizada por Annie Jump Cannon (1863-1941) que, sozinha, classificou os espectros de
mais de 250000 estrelas.

A imagem acima mostra Anne Cannon (esquerda) ao lado de Henrietta Swan Leavitt, sua companheira de trabalho nas
classificações espectrais.
O projeto de classificação espectral de Pickering foi financiado por Henry Draper, um rico físico e astrônomo amador que, em
1872, foi o primeiro a fotografar as linhas de absorção estelares.

A classificação espectral de Harvard

O esquema de classificação desenvolvido pelos pesquisadores de Harvard baseava-se na intensidade de várias linhas de
absorção, especialmente as linhas de Balmer do átomo de hidrogênio.
A seqüência de espectros estelares na classificação de Harvard varia como:

O B A F G K M
Segundo esta seqüência espectral as estrelas classificadas como O têm as linhas de Balmer do hidrogênio fracas. Estrelas do
tipo A são as que apresentam as linhas de Balmer mais fortes. Nas estrelas classificadas como F as linhas de Balmer vão
diminuindo de intensidade. Esta variação de intensidade nas linhas de absorção ocorre para todos os elementos químicos de
maior abundância nas estrelas, distribuindo-se ao longo da classificação de O a M.
Além disso, a seqüência de O até M é também uma seqüência de cores, como mostramos abaixo.

classificação espectral cor


O azul a violeta
B branca a azul
A branca
F amarela a branca
G amarela
K laranja
M vermelha a laranja

A figura abaixo mostra o esquema básico de classificação estelar. O primeiro espectro corresponde a uma estrela quente, uma
estrela classifcada como tipo O. À medida que a temperatura da estrela vai diminuindo seu espectro vai mudando. Veja que as
linhas do hidrogênio vão aumentando de intensidade a partir do tipo O até chegar ao seu máximo nas estrelas do tipo A
quando então começam a diminuir de novo. Observe atentamente a figura e veja como o espectro muda à medida que vamos
das estrelas mais quentes (tipo O) para as mais frias (tipo M).
Subdividindo as classes espectrais

Com o aumento da quantidade e da qualidade das observações realizadas as classes espectrais apresentadas acima logo
passaram a incluir um número cada vez maior de estrelas. No entanto, uma análise mais detalhada mostrou que dentro de
uma determinada classe espectral os objetos ali classificados diferiam em alguns aspectos bastante nítidos. Consequentemente
eles podiam ser agrupados, dentro de cada classe espctral, se fosse elaborada uma classificação mais refinada.

Com base neste fato observacional os astrônomos dividiram cada classe espectral em subclasses que foram numeradas de 0 a
9.
Por exemplo, a classe espectral G passava a ter as subdivisões G0, G1, G2, G3, G4, G5, G6, G7, G8, G9.

Cada uma destas subclasses se caracteriza por mostrar intensidades ligeiramente diferentes de certas linhas de absorção
específicas.
Ficamos então com uma classificação bem mais detalhada das estrelas e, consequentemente, passou-se a ter uma maior
facilidade em reconhecer quais os objetos que possuem característica muito semelhantes.

Qual a informação que obtemos com o espectro das estrelas?

As variações nas intensidades das linhas de Balmer surgem a partir das colisões que excitam e ionizam os átomos. A
quantidade de colisões capaz de ionizar ou excitar um gás depende da temperatura existente no seu interior.
Deste modo, cada tipo espectral corresponde a um intervalo restrito de temperaturas da superfície das estrelas.

Só que não é suficiente analisar as linhas de Balmer. Dependendo da temperatura, outras linhas produzidas por outros
elementos também devem ser analizadas de um modo similar àquele das linhas de Balmer.

Você agora pode sentir a importância da espectroscopia estelar: a observação dos espectros estelares associada à
compreensão que hoje temos sobre os átomos fornece aos astrônomos informação sobre as condições físicas existentes nas
atmosferas das estrelas.

Alem disso, a análise de linhas espectrais baseada na teoria atômica também fornece informações sobre a abundância dos
elementos químicos nas estrelas. É desta forma que sabemos quais são os elementos que formam o nosso Sol.

Mas, cuidado!

É um erro comum acreditar que olhando para a cor de uma estrela podemos classificá-la. Não é bem assim. Na verdade a
classificação de uma estrela se dá a partir da análise do seu espectro. Estudando atentamente as linhas que nele aparecem os
astrônomos são capazes de determinar os elementos químicos que a formam, a sua temperatura da superfície e, então a sua
cor.
Abaixo mostramos uma coleção de espectros de estrelas e sua respectiva classificação espectral.
É dessa forma que o astrônomo recebe o espectro da estrela e, analisando esse traçado ele consegue determinar, por
comparação, a presença dos vários elementos químicos.

Aspectos gerais das classes espectrais estelares

classe temperatura principais exemplos de


espectral cor aproximada características estrelas
(K)

relativamente poucas linhas de absorção


linhas de hélio ionizado
azul 50000 - outras linhas de átomos altamente ionizados Naos (ζ Pup)
O
violeta 28000 as linhas do hidrogênio aparecem de modo muito Mintaka (δ Ori)
fraco

linhas do hélio neutro


azul 28000 - linhas do hidrogênio mais pronunciadas do que Rigel (β Ori)
B
branca 10000 nas estrelas tipo O Spica (α Vir)

linhas fortes do hidrogênio


também aparecem linhas magnésio, silício, ferro,
titânio, cálcio, e outros elementos ionizados uma
vez Sirius (α CMa)
A branca 10000-7500
Vega (α Lyr)
aparecem, de modo fraco, linhas de alguns metais
neutros

as linhas do hidrogênio são mais fracas do que


nas estrelas tipo A mas ainda são notáveis
linhas de metais uma vez ionizados estão
amarela presentes Canopus (α Car)
F 7500-6000
branca Procyon (α CMi)
também estão presentes linhas de outros metais
neutros

linhas de cálcio ionizado são o aspecto espectral


mais notável
várias linhas de metais neutros e ionizados estão
presentes Sol
G amarela 6000-5000
Capela (α Aur)
as linhas do hidrogênio são ainda mais fracas do
que nas estrelas F

linhas de metais neutros predominam Arcturus (α Boo)


K laranja 5000-3500
Aldebaran (α Tau)

vermelha fortes linhas de metais neutros e moléculas Betelgeuse (α Ori)


M 3500-2500
laranja Antares (α Sco)
Observando a figura abaixo você entenderá como a abundância dos elementos químicos, neutros ou ionizados, varia ao longo
da seqüência espectral de acordo com a temperatura.
Note que cada elemento está representado por uma curva que atinge um ponto máximo em uma determinada temperatura,
que corresponde a uma dada classe espectral. Isto significa que, para esta classe, as linhas deste elemento se destacam com
maior intensidade no espectro. Observe também que alguns elementos aparecem em várias formas, neutros e ionizados. Por
exemplo, o cálcio aparece como CaI e CaII, neutro e ionizado respectivamente. Note que as duas formas podem estar
presentes no mesmo tipo de estrela. O cálcio neutro e o ionizado aparecem nas estrelas tipo K e M sendo que o cálcio ionizad o
atinge seu máximo nas estrelas K enquanto que as linhas do cálcio neutro ainda são fracas. As linhas de cálcio neutro ficarão
mais fortes para os últimos tipos de estrelas M tais como as M7.
Para saber mais: sobre populações atômicas e... mais leis exponenciais

Escrevemos sobre tipos espectrais , diferentes graus de ionização , transições eletrônicas entre diferentes níveis de
energia e aí incluimos as ionizações , quando um ou mais el´trons são ejetados do átomo ou íon , etc . A questão
agora é : para uma quantidade especificada de um elemento químico , como sabemos quantos átomos estão nos
diferentes níveis de energia existentes ? Quantos estarão ionizados e quantos permanecem neutros ?
Exemplifiquemos com o mais simples , e mais abundante dos elementos , o hidrogênio . Se um conjunto desses
átomos está " quieto " , em nossa temperatura ambiente , protegido de fontes de calor , radiação , etc. , não
teremos transições e ionizações : o elétron de cada átomo estará no nível mais baixo de energia , o estado
fundamental , e lá ficará . Mas se aqueço ou irradio a amostra de átomos , devo me perguntar : se tenho o número
N de átomos em cada centímetro cúbico , quantos desses átomos terão ido para nível 3 de energia ? E para os
outros níveis ? Quantos terão sido ionizados , ou seja , quantos átomos neutros do H terão se desmembrado em um
próton e um elétron ? Em termos técnicos , como calculo as populações atômicas . A partir delas calculamos
coeficientes de absorção e de emissão , função fonte , profundidade ótica , e poderemos entender porque a linha
espectral é intensa ou não e tudo o mais ....

1 - Lei de Boltzmann : se a diferença de energia entre dois níveis atômicos , 1 e 2 para exemplificar , é ΔE , essa lei
nos diz que a razão entre as populações dos níveis considerados é fornecida pela expressão:

O sinal de igualdade não foi usado na equação porque seria necessário discorrer sobre outras características dos
níveis atômicos , mas o importante aqui é entender que a razão entre duas populações é uma lei exponencial e que
o valor do expoente depende da diferença de energia entre os níveis e da temperatura do ambiente : se a
temperatura é suficientemente baixa , o expoente torna-se mais negativo e a razão entre populações diminui , ou ,
N1>> N2 ( os átomos estarão então quase todos no nível fundamental ) ; se , ao contrário , vamos aumentando a
temperatura , o expoente torna-se menos negativo e a razão aumenta ou cresce o valor de N , a população do nível
superior ( e se a densidade do meio é baixa , a volta dos elétrons para os níveis inferiores nos dá as linhas de
emissão . Lembram-se de uma das leis de Kirchoff ? ) .

2 - Lei de Saha : o raciocínio de transição entre níveis pode ser estendido à ionização , quando a energia recebida
pelo elétron é suficiente para libertá-lo da atração exercida pelo núcleo . Parte dessa energia cedida ao elétron é o
potencial de ionização , ou o mínimo necessário para liberar o elétron. O restante da energia é transformada em
energia cinética , de movimento , do elétron agora livre . Em linguagem matemática , se o elétron recebe uma
energia E , podemos escrever
E = I + Ec , onde I é o potencial de ionização , diferente para cada átomo , e Ec é a energia cinética :

(v é a velocidade adquirida pelo elétron).

A aplicação da lei de Boltzmann ao sistema átomo neutro -> íon + elétron ,nos dá a equação de Saha que nos
permite calcular a razão entre os número de íons e de átomos neutros :

e como podemos ver , não é mais uma lei puramente exponencial mas ha´uma dependencia extra com a
temperatura e com a densidade de elétrons livres , Ne .
Essa equação foi fundamental na criação da Astrofísica , pois , através de sua aplicação cerca 90 anos atrás foi
possível entender os espectros estelares , isto é , foi estabelecida a sequência espectral de Harvard como uma
sequência em temperatura das estrelas . A última figura da seção anterior é uma adaptação direta de uma figura do
trabalho original .
O diagrama Hertzsprung - Russell

A astronomia é uma ciência bastante peculiar. Ao contrário da física, que pode realizar experiências em laboratórios, a
astronomia muitas vezes procura evidências indiretas que permitam aos cientistas conhecerem as propriedades dos astros. Entre
os vários processos deste tipo utilizados pelos astrônomos um dos mais bem estabelecidos é a compararação de certas
propriedades dos corpos celestes com o objetivo de verificar se existem correspondências entre elas. Processos como esse nos
permitem saber um pouco mais sobre as propriedades físicas dos objetos estudados.

Mas quais são as propriedades que caracterizam as estrelas? Não é preciso ser um astrônomo profissional para notar as grandes
diferenças que existem entre as estrelas. Observe a fotografia abaixo, obtida pelo Hubble Space Telescope, da NASA/ESA, e que
nos mostra a belíssima região da constelação Sagittarius. Observe as diferenças de cores entre as estrelas. Observe também as
diferenças de luminosidade e as diferenças em tamanho aparente. Por que as estrelas são diferentes?

À primeira vista poderiamos supor que essas diferenças fossem características das estrelas que pertencem à nossa Galáxia. Não
é verdade. A imagem seguinte, também obtida pelo Hubble Space Telescope, mostra uma região estelar da Grande Nuvem de
Magalhães, uma galáxia vizinha à nossa. Nela podemos distinguir estrelas completamente diferentes. Qual seria, então, a origem
dessa diferença?
Hoje sabemos que as estrelas são objetos muito distintos uns dos outros. Suas propriedades observacionais ou seja, a massa, a
luminosidade, o raio e a temperatura, nos revelam que podemos encontrar estrelas distribuidas nos seguintes intervalos:

10-1 Msol < Mestrela < 70 Msol


10-4 Lsol < Lestrela < 106 Lsol
10-2 Rsol < Restrela < 103 Rsol
103 K < Tsuperfície da estrela < 105 K
Nos limites acima não incluímos fenômenos tais como a explosão de estrelas, conhecidos como supernovas, e as estrelas de
nêutrons. Mesmo assim vemos que os intervalos de valores são surpreendentes. Só o intervalo de luminosidade nos mostra que
as estrelas variam em 10 10 ordens de magnitude!

Como exemplos destas incríveis diferenças, as duas imagens mostradas abaixo, obtidas pelo Hubble Space Telescope, revelam
duas estrelas extremas. Na primeira imagem vemos a estrela Gliese 623b, uma das menores estrelas conhecidas com uma
massa 10 vezes menor do que a do Sol e 60000 vezes mais fraca do que ele. Ela é apenas oito vezes mais brilhante do que a
Lua Cheia. A estrela Gliese 623b está localizada na constelação Hercules, a 25 anos-luz de nós.
A seguir vemos a imagem de um objeto inteiramente diferente de Gliese 623b. Aqui está a estrela Pistol, situada a 25000 anos-
luz de nós na constelação Sagittarius. Esta monstruosa estrela pode ter começado sua vida com cerca de 200 massas solares. A
nebulosidade que você vê em torno dela é matéria ejetada de sua superfície. Esta matéria equivale a várias vezes a massa do
Sol e se espalha pelo espaço interestelar por uma distância superior àquela que existe entre o nosso Sol e a estrela mais
próxima, Proxima Centauri. Hoje a estrela Pistol deve ter uma massa 100 vezes maior do que a massa do Sol.
Qual a razão das estrelas se apresentarem de modos tão diferentes? Para responder a isso, os astrônomos procuraram comparar
as propriedades das estrelas de modo a verificar se havia algum relacionamento entre elas.

Relacionando propriedades das estrelas

Em 1911 o astrônomo dinamarquês Ejnar Hertzsprung fez um gráfico relacionando a luminosidade de algumas estrelas
observadas com as temperaturas que elas apresentavam. Neste gráfico ficou claro que as estrelas não se distribuiam
uniformemente mas se agrupavam em regiões bem definidas.
Independentemente de Hertzsprung, o astrônomo norte-americano Henry Norris Russelll fez, em 1914, o mesmo tipo de trabalho
com um outro grupo de estrelas, obtendo o mesmo resultado.

A este tipo de gráfico relacionando a luminosidade de uma estrela com a sua temperatura damos o nome de diagrama
Hertzsprung-Russell ou, abreviadamente, diagrama H-R.
Mostramos abaixo o diagrama Hertzsprung-Russell, ou diagrama H-R.
Basta olhar para o diagrama H-R para notar que ele não é uniformemente povoado. Como já dissemos, as estrelas se dispõem,
preferencialmente, em certas regiões do diagrama.
A maioria das estrelas estão localizadas ao longo de uma faixa diagonal, encurvada, que domina o diagrama H-R. A esta região
damos o nome de seqüência principal. As estrelas que estão localizadas nesta região são chamadas de estrelas da
seqüência principal, denominação essa que usaremos muito durante o nosso curso.

Entretanto, existem outras regiões do diagrama H-R onde há uma grande concentração de estrelas. Estas regiões abrigam certos
tipos de estrelas que recebem a denominação de estrelas gigantes, estrelas supergigantes e estrelas anãs brancas.
Como compreender o diagrama H-R?

O diagrama H-R é um dos mais importantes recursos para o entendimento do processo de evolução de uma estrela. Vamos olhar
cuidadosamente para ele. Veja que no eixo inferior a temperatura está aumentando da direita para a esquerda. Ao mesmo
tempo o eixo vertical do diagrama mostra luminosidades que aumentam à medida que subimos ao longo dele, com todos os
valores mostrados como múltiplos da luminosidade do Sol (isto facilita a comparação das luminosidades).

Observe que as estrelas da seqüência principal aparecem de várias formas. Temos estrelas com temperaturas baixas, cerca de
3000 K (no canto inferior direito) e estrelas de altíssima temperatura, cerca de 25000 K (no canto superior direito). Vemos então
que as estrelas da seqüência principal podem ter as mais variadas temperaturas, e correspondentes luminosidades, como
mostrado pelo diagrama H-R.

No entanto, quando olhamos para os agrupamentos das estrelas anãs brancas, das estrelas gigantes ou das estrelas
supergigantes no diagrama H-R vemos que elas só são encontradas em intervalos muito mais restritos de temperatura e
luminosidade. Por exemplo, você não verá estrelas anãs brancas 1000 vezes mais luminosas que o Sol. Também não verá
estrelas gigantes com temperaturas da ordem de 25000 K.

As estrelas gigantes são estrelas mais frias do que o Sol, embora sejam muito maiores e mais brilhantes do que ele. As estrelas
anãs brancas são muito mais quentes do que o Sol, sendo portanto muito mais azuis do que ele. Ao mesmo tempo, as estrelas
anãs brancas são menos luminosas do que o Sol e muito pequenas, muito menores que ele.

Por estabelecer uma relação entre a temperatura e a luminosidade de uma estrela o diagrama H-R pode nos revelar a
luminosidade de um objeto que emite radiação térmica:

L ~ R2T4
Esta equação nos diz que a luminosidade observada de uma estrela é proporcional ao valor de seu raio elevado ao quadrado
multiplicado pelo valor de sua temperatura elevada à quarta potência. Além disso ela nos dá uma outra informação adicional. S e
conhecemos a luminosidade e a temperatura de uma estrela, o diagrama H-R nos fornece uma estimativa do seu raio, como
vemos abaixo.
Esquematicamente podemos ver que, em relação ao Sol, as estrelas se distribuem nas regiões mostradas abaixo.

O diagrama H-R e a evolução das estrelas

Uma vez que luminosidade, temperatura e raio são propriedades características de cada estrela, o diagrama H-R, por relacionar
estas propriedades, é um dos mais importantes auxiliares do astrônomo. O diagrama H-R está intimamente ligado ao processo
de evolução das estrelas. Ele nos mostra as mudanças que ocorrem à medida que a estrela evolue.

A maioria das estrelas que conhecemos ficam situadas na região que chamamos de seqüência principal. A razão para isto é muito
simples. As estrelas passam a maior parte de suas vidas realizando a transformação de hidrogênio em hélio através dos
processos nucleares que ocorrem no seu interior. A seqüência principal é a faixa que congrega todas as estrelas que est ão nesta
fase de suas vidas. Como este período é o mais longo na vida de uma estrela, é natural que encontremos a maior parte delas
localizadas nesta faixa.

Após alguns milhões de anos as estrelas começam a sofrer mudanças essenciais na sua estrutura interna. Essas mudanças se
apresentam como variações de tamanho, temperatura, e luminosidade. Quando isto acontece, as estrelas saem da seqüência
principal e começam a se deslocar ao longo do diagrama H-R.

Se você começou a se perguntar como é que as estrelas chegam na seqüência principal, isto é um bom sinal. Vamos ver como
isso acontece.
Classes de Luminosidade

Já vimos que a luminosidade de uma estrela é um parâmetro fundamental para a determinação da sua distância até nós, seu
raio e tempo de vida. Por esse motivo os astrônomos passaram a investigar as possíveis maneira de medir a luminosidade de
uma estrela.

No final dos anos 1800 a astrônoma norte-americana Antonia Maury, trabalhando em espectroscopia no Harvard College
Observatory, notou que as linhas de absorção presentes no espectro de algumas estrelas se mostravam extremamente estreitas
se comparadas com outras estrelas da mesma temperatura. No início dos anos 1900 o astrônomo dinamarquês Ejnar
Hertzsprung também notou estas linhas estreitas e percebeu que as estrelas luminosas tinhas linhas mais estreitas do que as
estrelas menos luminosas.

Foi estabelecido então que a largura das linhas de absorção no espectro de uma estrela dependia da densidade da própria
estrela: as linhas são mais largas em estrelas com altas densidades e mais estreitas em estrelas com baixas densidades.

No entanto, a densidade do gás de uma estrela está relacionado por sua vez com a sua luminosidade porque uma estrela de
grande diâmetro tem uma grande área superficial, o que a faz emitir mais luz e um grande volume, o que dá a ela uma
densidade mais baixa. Uma estrela de pequeno diâmetro, por outro lado, geralmente tem uma densidade mais alta porque o seu
gás está comprimeido em um volume menor. Esta estrela tende a ser menos luminosa porque sua área superficial é pequena e
assim emite menos luz.

Com base nesta relação entre largura da linha espectral e luminosidade, os astrônomos dividiram as estrelas em cinco classes de
luminosidade que são representadas por numerais romanos de I a V.

As estrelas classificadas como Classe V são as mais fracas e as que estão na Classe I são as mais brilhantes. A Classe I é
subdividida em duas Classe, a Ia e a Ib.
A tabela abaixo mostra a correspondência entre a classe e a luminosidade. Embora este esquema não seja muito preciso, ele
permite que os astrônomos obtenham uma indicação da luminosidade de uma estrela a partir do seu espectro.

Classes de Luminosidade
classe descrição exemplos de estrelas
Ia supergigantes Betelgeuse, Rigel
Ib supergigantes fracas Polaris
II gigantes brilhantes Mintaka
III gigantes ordinárias Arcturus
IV subgigantes Achernar
V seqüência principal Sol, Sirius

Frequentemente a classe de luminosidade de uma estrela é adicionada à sua classe espectral com o objetivo de se dar ao
astrônomo uma descrição mais completa de sua luminosidade. Por exemplo, nosso Sol é algumas vezes classificado como uma
estrela G2V enquanto que a gigante azul Rigel recebe a classificação de estrela B8Ia.

A classe de luminosidade é especialmente útil para indicar a diferença em luminosidade entre estrelas da seqüência principal e
estrelas gigantes que têm a mesma classe espectral. Por exemplo, podemos comparar a estrela da seqüência principal 40 Eridani
(K1 V), vizinha a nós e de baixa luminosidade, com a estrela gigante, altamente luminosa, Arcturus (K1 III).
A relação massa -luminosidade

Após anos de paciente observações de estrelas binárias os astrônomos conseguiram estabelecer as massas de diversas estrelas.
Esses dados acumulados ao longo dos anos permitiram que os astrônomos procurassem correlações da propriedade massa com
outras propriedades observacionais, fundamentais, apresentadas pelas estrelas.

Logo apareceu uma surpresa. Ao colocarem em um mesmo gráfico as massas e as luminosidades conhecidas de estrelas
pertencentes à seqüência principal do Diagrama H-R, os astrônomos notaram que havia uma correlação direta entre essas
propriedades.

Vamos estudar o gráfico abaixo. Ele mostra a distribuição obtida pelos astrônomos ao correlacionarem as massas e as
luminosidades das estrelas da seqüência principal. O que você repara imediatamente?

Veja que no eixo vertical estão as medidas de luminosidade (em função da luminosidade do Sol) enquanto que no eixo horizontal
estão as medidas de massa (também em função da massa do Sol). Cada um dos pontos azuis representa uma determinada
estrela para a qual foram obtidos os valores de massa e e luminosidade. Note que eles se distribuem quase que diagonalmente
neste gráfico.

O que isso quer dizer? Olhe para o eixo dos valores de massa. Repare que eles crescem à medida que vamos para a direita. Os
valores da luminosidade crescem à medida que vamos para cima. Então, uma estrela (um ponto azul do gráfico) que está na
parte mais alta do gráfico (à direita e em cima) terá uma luminosidade maior e uma massa maior do que aquela que está na
parte inferior do gráfico. Podemos então concluir que, ao longo do conjunto de pontos azuis (ou seja das estrelas), os valores
tanto da massa como da luminosidade crescem à medida que vamos da esquerda para a direita. Mais ainda, o gráfico nos mostra
que, para as estrelas da seqüência principal, existe uma correlação direta entre a sua massa e a sua luminosidade: quanto mai s
massa tem uma estrela maior será a sua luminosidade.
Esta relação super-importante entre massa e luminosidade ficou sendo conhecida como (óbvio!) relação massa-
luminosidade.

A relação massa-luminosidade nos mostra que a seqüência principal que aparece no diagrama H-R é uma progressão tanto em
massa como em luminosidade e temperatura da superfície. Deste modo

Conclusões obtidas a partir da relação massa-luminosidade


região do diagrama H-R massa características da estrela
canto superior esquerdo maior massa estrelas azuladas, brilhantes e quentes
canto inferior direito menor massa estrelas avermelhadas, frias e fracas

Obviamente, as estrelas da seqüência principal que possuem luminosidades e temperaturas intermediárias também terão massas
intermediárias.

A relação mass-luminosidade desempenhará um papel muito importante quando formos discutir a evolução das estrelas.
Como as Estrelas se formam?

Nada no Universo existe para sempre, talvez nem mesmo o próprio Universo.
Todas as estrelas que vemos hoje um dia se formaram, evoluem e posteriormente desaparecer. Muitas
já desapareceram sem que nem ao menos ficássemos sabendo. Inúmeras outras estrelas vão surgir.
Bem , "desaparecer" significa perder brilho e eventualmente não emitir mais radiação .

O início: o colapso gravitacional em uma nuvem molecular gigante

As estrelas se formam no interior de nuvens moleculares gigantes, densas e muito frias.

Estas estrelas recentemente formadas são muito difíceis de serem observadas devido à grande presença
de poeira interestelar nas regiões em que elas são geradas. É por esta razão que ainda temos dúvidas
sobre o processo real que leva à formação de uma estrela.

O início do processo de formação de uma estrela

A imagem ao lado mostra a nebulosa de reflexão NGC


1999 (o objeto brilhante abaixo e a esquerda do centro),
que contém a estela V380 Orionis, e está situada na
constelação Orion. O que podemos observar nessa
imagem? A área aí mostrada está localizada a cerca de 2
graus ao sul da nebulosa de Orion. Nesta região existe
uma gigantesca nuvem molecular, conhecida como "Orion
A", que continua gerando novas estrelas. Na parte
superior da imagem vemos um aglomerado formado por
estrelas jovens e brilhantes, o aglomerado L1641N, que
ilumina uma região formada por densos amontoados de
matéria escura. Nesta região estudos feitos na região
espectral do infravermelho revelaram a presença de mais
de 50 estrelas em formação.

A região mostrada nessa imagem é uma das mais


fascinantes que conhecemos para o estudo de formação
de estrelas. Ela é riquíssima, mostrando uma enorme
variedade de pequenas nebulosas de reflexão, objetos
Herbig-Haro e jatos estelares distribuidos por toda a
imagem na forma de várias manchas nebulosas.

Se existem regiões do meio interestelar que se


caracterizam por permitirem grande formação de
estrelas, quais são as condições físicas que as tornam tão
especiais?

Dissemos que uma nuvem molecular gigante colapsa e forma estrelas. Mas, porque ela colapsa?
Sabemos que, por algumas razões físicas externas a ela e que até hoje não são completamente
compreendidas, uma determinada região de uma nuvem molecular gigante em algum momento começa
a contrair sob a ação de sua própria gravidade.

Os astrofísicos acreditam que vários processos podem dar início a esta contração de parte da nuvem
molecular. Por exemplo:

duas nuvens moleculares colidem: neste caso, o processo de colisão faria com que, em certas
regiões, a densidade de partículas de gás aumentasse o suficiente para que a força da
gravidade entre elas iniciasse o processo de contração gravitacional. Lembre-se que a força da
gravidade varia com o inverso do quadrado da distância entre os objetos: quanto menor a
distância entre eles maior é a intensidade dessa força. Se as nuvens colidem, as partículas de
gás e poeira ficam mais próximas umas das outras e, portanto, a ação da força gravitacional
entre elas aumenta.
veremos mais tarde que os braços espirais da nossa Galáxia são percorridos por perturbações
chamadas ondas de densidade. Estas perturbações, ao passarem pelas regiões dos braços
espirais da Galáxia onde estão as nuvens moleculares gigantes, provocam a sua compressão.
Comprimindo o gás, a distância entre as partículas diminui, o que significa que a força de
atração gravitacional entre elas aumenta. Isto poderia ser o início do processo de contração
gravitacional de algumas partes destas nuvens.

a explosão de uma estrela ou seja, a formação de uma supernova, próximo a uma nuvem
molecular gigante. Quando uma estrela explode, uma quantidade enorme de gás é lançada no
espaço interestelar com altas velocidades. Se há uma nuvem molecular na região onde esta
explosão acontece, vemos um processo de colisão entre nuvens gasosas semelhante ao descrito
acima.

instabilidades gravitacionais/magnéticas nas regiões de maior densidade destas nuvens


poderiam dar início ao colapso de uma região de uma nuvem molecular gigante.

todos os processos descritos acima atuando juntos, com maior ou menor intensidade,
poderiam também dar início ao colapso de parte da nuvem molecular gigante.

Na verdade , as ações que fazem iniciar o processo de contração de uma parte de uma nuvem
molecular gigante ainda não são completamente compreendidas. Compreender a formação das
estrelas é muito mais difícil e desafiador que cmpreender a evolução dessas estrelas uma vez
formadas !
O que sabemos então é que, a partir de uma ação externa que atua sobre a nuvem molecular
gigante, suas regiões mais densas começam a se contrair sob a ação de sua própria gravidade.
Durante este processo, a região da nuvem molecular gigante que está contraindo não o faz de
modo inteiro, dando origem a um único objeto. Na verdade, após o início deste processo de
contração gravitacional, esta parte da nuvem molecular gigante que iniciou a contração
fragmenta-se em pequenas nuvens. Cada uma destas pequenas nuvens possue massa
suficiente para formar uma estrela. São estas pequenas nuvens que continuam a colapsar
formando os objetos que chamamos de protoestrelas. Esta também é a razão pela qual
sempre são formados grupos de estrelas e não estrelas isoladas.

Durante todo o processo de contração gravitacional de partes da nuvem molecular gigante há a


liberação de energia potencial gravitacional. Metade desta energia liberada aquece a nuvem
molecular enquanto que a outra metade da energia é irradiada para fora dela sob a forma de
radiação térmica.

As protoestrelas

O colapso inicial de parte de uma nuvem molecular gigante ocorre rapidamente durante um
período de cerca de 1000 anos.
Sabemos, a partir da segunda lei de Newton, que a força gravitacional entre duas partículas
com massa é inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas. Em forma
matemática escrevemos que

Fgravitacional ~1/ distância2


Consequentemente, na região central de uma protoestrela a ação da gravidade é muito maior
do que na periferia dela uma vez, que próximo ao seu centro, a distância entre as partículas é
muito menor, o que faz com que a força de atração gravitacional F que existe entre as
partículas do gás seja maior. Se a ação da gravidade é mais forte na região central da
protoestrela esta região contrai mais rapidamente. Em razão disso mais energia será liberada
na região central da protoestrela fazendo com que o centro se torne mais quente do que as
suas regiões mais externas.

Alem disso, à medida que a esfera gasosa contrai seu raio diminui, o que significa que as
partículas de gás ficam cada vez mais próximas. Com isso aumentam os processos de colisão
entre as partículas do gás, o que provoca o aumento de sua temperatura.

Uma equação básica da física de gases, a "lei do gás perfeito", nos diz que a pressão está
relacionada com a temperatura da seguinte forma:

PV = NRT
onde P é a pressão e T é a temperatura do gás. Por esta equação podemos ver que o aumento
da temperatura provoca o aumento da pressão interna na protoestrela.

Temos então duas forças atuando em sentidos contrários nesta esfera gasosa que está
contraindo: uma força de pressão interna que quer fazer o gás se expandir e uma força
gravitacional que continua a fazer a esfera se contrair, diminuindo o seu raio cada vez mais. Ou
, a força da gravidade leva ao encolhimento da nuvem e a pressão do gás resiste a essa
contração! São duas forças opostas competindo entre si !

Em algum momento a pressão exercida para fora pelas partículas do gás que forma a esfera
gasosa consegue equilibrar, aproximadamente, o puxão exercido para dentro pela força
gravitacional que procura comprimir cada vez mais o gás. A esta condição de equilíbrio damos o
nome de equilíbrio hidrostático.

O equilíbrio hidrostático é um princípio fundamental para a existência de uma estrela. Somente


quando ele é atingido é que podemos dizer que uma estrela foi formada. Definimos uma estrela
como sendo uma esfera gasosa, em equilíbrio hidrostático, capaz de produzir e liberar sua
própria energia.

A protoestrela ainda é muito fria. Sua baixa temperatura faz com que ela só emita no
infravermelho. No entanto, ela é muito grande e, portanto, tem uma alta luminosidade ficando
localizada no canto superior direito do diagrama H-R.

Ao mesmo tempo que a esfera gasosa contrai dando origem a uma protoestrela, um disco de
matéria é formado à sua volta. Este disco de
gás e poeira irá acompanhar a vida da estrela
durante muito tempo e acredita-se que ele seja
a origem dos sistemas planetários tais como o
Sistema Solar. A imagem ao lado mostra a
estrela HR 4976 com o seu proeminente disco.
Ela foi obtida por astrônomos da NASA usando o
telescópio de 10 metros do Keck Observatory. A
estrela HR4976 é uma estrela semelhante ao
Sol, com cerca de 10 milhões de anos de idade,
localizada na constelação Centaurus a 220
anos-luz da Terra. Ela já é uma estrela adulta
jovem e não uma protoestrela mas esta imagem
nos mostrar que a suposição de que ocorre a
formação de um disco em volta de uma
protoestrela é correta. O diâmetro aparente do
disco de poeira que está em torno desta estrela
é de 200 unidades astronômicas. Esta é uma
das mais claras evidências que temos hoje da
formação de um sistema planetário em torno de
uma estrela.

Os "Glóbulos Gasosos que Evaporam" (EEG)

Se uma parte de uma nuvem molecular gigante colapsa formando uma protoestrela que
continua a capturar matéria gasosa da nuvem, por que a estrela não aumenta a sua massa
cada vez mais, incorporando toda a matéria existente na nuvem original?

Este problema intrigou os astrofísicos durante muito tempo mas já é bem compreendido. A
imagem abaixo mostra uma imensa coluna de gás hidrogênio molecular e poeira que faz parte
da nebulosa Águia, também conhecida como M16. Localizada a cerca de 6500 anos-luz de nós,
na constelação Serpens, M16 é um verdadeiro "berçário" de estrelas, uma incubadora de
estrelas recém formadas.

Estas estrelas estão imersas nas estruturas parecidas com dedos localizadas no topo da
nebulosa. Cada uma destas estruturas é maior do que o nosso Sistema Solar inteiro!

Ocorre que estes imensos pilares estão sendo lentamente destruídos pela radiação ultravioleta
emitida pelas estrelas quentes vizinhas a eles (lembre-se que estas nuvens são nuvens
moleculares e a radiação ultravioleta destrói moléculas). A este processo de destruição do gás
da nuvem molecular por meio da radiação ultravioleta das estrelas damos o nome de
fotoevaporação.

À medida que isso ocorre pequenos glóbulos de gás bastante densos, chamados "EEG"
(Evaporating Gaseous Globules - Glóbulos Gasosos que Evaporam), e que estão imersos bem
dentro da nuvem, são revelados. Dentro de alguns desses EEGs estão estrelas "embriônicas".
Estas estrelas, ainda em formação, capturam de modo contínuo o gás da grande nuvem
molecular que as envolve, sempre aumentando suas massas. No entanto, quando os EEGs são
revelados, as estrelas que estão no seu interior param abruptamente de crescer uma vez que,
agora, ficaram separadas dos grandes "reservatórios" de gás da nuvem molecular. Esta é uma
das razões porque a massa das estrelas é limitada. Os próprios EEGs também não conseguem
sobreviver à fotoevaporação produzida pela radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes
vizinhas e também são evaporados. Como resultado, a estrela aparece.
A imagem em preto e branco abaixo revela melhor a presença dos EEGs na nebulosa M16.

Processos deste tipo ocorrem em todo o espaço. A imagem abaixo mostra o "berçário" estelar existente na nebulosa Trifid, também
conhecida como M20. A nebulosa Trifid está localizada a cerca de 9000 anos-luz de nós, na constelação Sagittarius. Esta imagem, obtida
pelo Hubble Space Telescope, mostra uma pequena parte da nuvem molecular densa que forma a nebulosa M20. Esta nuvem está a
cerca de 8 anos-luz da estrela central da nebulosa (localizada fora da imagem na parte de cima). A radiação proveniente desta estrela
está destruindo a nuvem molecular. O "dedo" que parece sair do topo da imagem é um claro exemplo de um EEG. A despeito da radiação
ultravioleta incidente, este EEG ainda sobrevive por ser formado por gás muito denso mas em alguns milhares de anos ele terá
evaporado e revelará a estrela que está no seu interior (eu sei que você está curioso com o feixe que se projeta desta região para o lado
esquerdo superior da imagem. Isto é um jato de matéria com um comprimento de 3/4 de ano-luz e que foi emitido por uma estrela
muito jovem que está "enterrada" dentro desta nuvem).

Os objetos Herbig-Haro

Já vimos que quando uma protoestrela se forma , permanece à sua volta um disco de poeira e gás. Este disco é formado à medida que
mais material da nebulosa que circunda a estrela é atraido gravitacionalmente por ela. A matéria deste disco gradualmente espirala na
direção da estrela, caindo continuamente sobre sua superfície, ainda em formação, e aumentando sua massa.

No entanto, parte dessa matéria que está sendo acrescentada à protoestrela também é lançada para fora dela sob a forma de jatos.
Estes jatos são perpendiculares ao disco de poeira e possuem direções opostas, se estendendo por milhares de anos-luz no espaço
interestelar.
Os jatos de matéria lançados pelas protoestrelas têm altas velocidades, próximas a 300 quilômetros por segundo, e mergulham na
nebulosa circundante produzindo fortes ondas de choque que aquecem o gás e o fazem brilhar.

A esses jatos de matéria brilhantes que se movem na nossa direção e que foram emitidos por protoestrelas jovens enterradas em
glóbulos de matéria escura damos o nome de objetos Herbig-Haro, em homenagem aos astrônomos George Herbig e Guillermo Haro,
que realizaram vários trabalhos precursores sobre estes jatos nos anos de 1950.

Vemos então que "objetos Herbig-Haro" podem ser formados quando uma estrela jovem lança jatos de matéria de volta no espaço
interestelar.
A imagem abaixo mostra três objetos Herbig-Haro.

Na parte superior esquerda vemos o objeto protoestelar chamado Herbig-Haro 30, ou HH30. A imagem
nos mostra o disco de poeira que cerca a estrela recentemente formada , mas visto de borda . A
protoestrela está escondida nas partes mais densas deste disco. Embora o jato de matéria emitido pela
protoestrela permaneça confinado a um estreito feixe, ele se estende por bilhões de quilômetros no
espaço. Esta protoestrela está localizada na constelação Taurus, a 450 anos-luz de nós.

Na parte superior direita vemos uma protoestrela situada a 1500 anos-luz de nós, na vizinhança da
constelação Orion. O jato emitido pela protoestrela ou seja, o objeto Herbig-Haro 34 (HH34), possui a
característica de não ter uma estrutura contínua. Ele é formado por amontoados de matéria. Acredita-se
que "bolhas" de gás quente estão sendo ejetadas pela protoestrela, como se fossem disparos de uma
metralhadora.

A imagem da parte de baixo mostra o objeto Herbig-Haro HH47 situado a 1500 anos-luz de nós, na
borda da nebulosa Gum. Este jato possui 4,8 trilhões de quilômetros de comprimento e a sua estrutura
complicada parece indicar que a estrela que o gera (escondida dentro da nuvem, próxima à borda
esquerda da imagem) está oscilando, possivelmente devido a perturbações causadas por uma estrela
companheira.

A imagem abaixo, obtida pelo Hubble Space telescope, nos mostra também um excelente exemplo de
objeto Herbig-Haro. Aqui vemos o objeto Herbig-Haro HH32 situado a cerca de 1000 anos-luz da Terra.
Os extensos jatos e ventos de alta velocidade emitidos pela estrela brilhante "limparam" recentemente a
poeira e os resíduos de gás que existiam na região central e que envolviam estas estrelas. Como
conseqüência a estrela jovem ficou inteiramente exposta, podendo ser observada diretamente.

O jato que vemos na parte superior da imagem (cor verde e branca), cujo ponto mais afastado está a
cerca de 200 unidades astronômicas da estrela que o originou, está apontando na nossa direção
enquanto que o jato oposto (de mesma cor) na parte de baixo está localizado no lado mais distante da
estrela e é muito mais fraco por causa de alguma poeira que ainda circunda a estrela.
Resumindo, para formar uma estrela como o Sol a parte da nuvem molecular gigante que colapsa deveria ter as seguintes
características:

R ~ 2 x 105 R sol
raio
(cerca de 10 vezes o raio atual do Sistema Solar)
massa da nuvem ~2 x 1030 quilogramas
temperatura T = 50 K
8
densidade ~10 partículas por centímetro cúbico
fonte de energia gravidade
tempo de colapso 1000 anos

Note que, por ter uma temperatura de apenas 50 K, esta nuvem não é visível e toda a sua radiação é emitida no infravermelho.
As estrelas pré-sequência principal

Na verdade, no início da vida de uma estrela não é atingido um estado de equilíbrio hidrostático perfeito
e sim um estágio de quase-equilíbrio. Quando um estado de quase-equilíbrio é estabelecido em uma
esfera gasosa, a contração gravitacional diminui bastante de intensidade mas não pára. A estrela
continua a contrair mas muito mais lentamente, e é ainda este processo de contração que fornece a
energia gravitacional capaz de gerar sua luminosidade.

Onde ficam estas estrelas no diagrama H-R? Durante toda esta fase a estrela fica localizada em uma
região acima da sequência principal do diagrama H-R. Elas estão evoluindo para se tornarem estrelas da
seqüência principal e, por isso, são classificadas como estrelas pré-sequência principal. O diagrama
abaixo mostra estrelas pré-seqüência principal que lentamente se aproximam da sequência principal do
diagrama H-R.

Com a contínua contração do gás as temperaturas na região central da estrela alcançam valores bastante altos. Com uma temperatura
central da ordem de 10 milhões de Kelvins as estrelas da pré-sequência principal já podem iniciar alguns processos de queima nuclear,
embora esta não seja, de modo algum, a principal fonte de energia da estrela. Uma temperatura desta ordem já permite que algu mas
reações de fusão nuclear ocorram envolvendo elementos mais leves como o deutério, o lítio, o berílio, etc. O lítio já sofre reações
nucleares quando a temperatura é de 3 x 10 6 K e o berílio quando ela atinge 4 x 106 K. Note, entretanto, que estas reações nucleares
cessam tão logo estes elementos tenham sido consumidos pois a temperatura interna da estrela ainda não é suficiente para iniciar a
queima nuclear que transforma o hidrogênio em hélio, reação esta que precisa de uma temperatura da ordem de 10 7 Kelvins.

É importante já ficar bem claro que as reações de fusão nuclear possuem uma forte dependência com a temperatura. Elas precisam que
a temperatura seja muito alta para que possam ocorrer. Isto faz com que as reações nucleares se concentrem fortemente na região mais
central da estrela. Ao contrário das reações nucleares, a contração gravitacional libera energia potencial gravitacional por todo o corpo da
estrela. Uma vez que as reações nucleares começaram na região central, a estrela tem agora que se reajustar para levar em con ta esta
nova fonte de energia.

Então, como é produzida a energia nas estrelas da pré-sequência principal? Estas estrelas ainda estão contraindo, embora muito
lentamente. Como conseqüência disso, a temperatura da sua região central vai aumentando gradativamente. O gás q ue está nesta
região vai se tornando bem mais aquecido do que aquele mais próximo à superfície. Forma-se então, nesta região central, bolhas de gás
muito aquecido que se deslocam na direção da superfície. São essas bolhas o principal processo de transporte de energia entre as
regiões mais centrais da estrela e a sua superfície. Este processo é chamado de convecção e é, em todos os aspectos, semelhante
àquele que vemos quando aquecemos uma panela de água.

Durante este estágio, as estrelas pré-seqüência principal passam por uma fase de grande atividade. Elas ainda estão cercadas por
material pertencente à nuvem inicial que colapsou. Este material forma um disco protoestelar em torno da estrela e grande parte deste
material espirala continuamente , caindo na superfície da estrela. Além disso, como estas estrelas têm a sua energia transportada do
interior mais profundo para a superfície por meio de bolhas de gás aquecido, elas ejetam muito material no espaço interestela r. Este
material é lançado para fora da estrela sob a forma de jatos de alta velocidade ou ventos muito fortes. As estrelas pré-sequência
principal com massa menor do que 2 massas solares são chamadas ou de estrelas T-Tauri . Aquelas com massa entre 2 e 8 massas
solares são chamadas de estrelas AeBe.

Claro que você notou que falamos de estrelas com massas menores do que 2 massas solares (T-Tauri e FU Orionis) e com massa entre 2
e 8 massas solares (AeBe). E o que ocorre com estrelas com massas maiores que 8 massas solares? Ocorre que não conseguimos
observar estrelas com massas maiores do que 8 massas solares em um estado pré-sequência principal. As estrelas com massa maior do
que 8 massas solares são formadas como qualquer outra, a partir da contração de uma parte de uma nuvem molecular gigante. Assim
como as estrelas de pequena massa, as estrelas com massas acima de 8 massas solares durante o seu estágio como proto-estrelas
permanecem algum tempo envoltas em uma grande quantidade de gás desta nuvem primordial. No entanto, as estrelas de grande
massa evoluem muito rapidamente (para os padrões de tempo da astronomia) e iniciam reações nucleares com o hidrogênio antes de
conseguirem eliminar o gás residual de seu processo de formação que ainda permanece à sua volta. Quando a pressão da radiação
gerada por elas expulsam essa cobertura de gás, essas estrelas já estão realizando a queima nuclear do hidrogênio e, portanto, já não
são mais proto-estrelas e sim estrelas da seqúência principal.

A imagem abaixo, obtida pelo Hubble Space Telescope, mostra a jovem estrela HK Tauri rodeada por um disco de poeira e gás, visto de
borda. A luz proveniente da estrela, que está escondida nele, ilumina as superfícies inferior e superior do disco, que tem o diâmetro de
210 unidades astronômicas. Para estudar estes sistemas disco + estrela, os astrônomos fazem simulações em computadores. Na imagem
da direita vemos uma simulação feita que se ajusta com a imagem obtida pelo Hubble Space Telescope. Segundo este modelo, o di sco
deve ter uma massa correspondente a 1/10 da massa de Júpiter e uma espessura menor do que 10% do seu raio.

Esta outra imagem mostra vários exemplos de estrelas da pré-seqüência principal com discos de poeira e gás claramente visíveis à sua
volta.
Uma estrela ao chegar à fase de pré-seqüência principal teria as seguintes características:

idade 10 milhões de anos


raio R ~1,33 Rsol
temperatura da região central Tregião central = 10000000 K
temperatura da superfície Tsuperfície = 4500 K
fonte de energia início do ciclo de reações nucleares com elementos leves
Formação Estelar : um processo muito complicado

- Qual o valor mínimo para a massa da nuvem molecular começar a contrair e formar estrelas
?

Não é exagero repetir que temos um problema complicado ainda em busca de respostas e compreensão
, mas podemos fazer raciocínios simples e com valores típicos para termos alguma luz sobre a questão .
Vamos supor que a nuvem original tem a forma esférica , com raio R e massa total M distribuida de
maneira homogênea , ou , a nuvem terá a mesma densidade em qualquer lugar . O valor dessa
densidade então será dado por

em qualquer ponto dentro de nossa nuvem .

Agora , imagine um átomo de hidrogênio na borda dessa nuvem . Ele está em movimento , portanto tem
uma energia cinética , mas está sujeito ao campo gravitacional da nuvem . Dizemos que ele tem uma
energia potencial gravitacional e que pode se transformar em outros tipos de energia . A soma das duas
energias nos fornece a energia total do nosso átomo de hidrogênio :

Com a convenção adotada de sinais , essa expressão nos informa que :

- se E > 0 , ou , se a energia cinética do átomo é maior que a energia potencial gravitacional , não há
contração . Mas ,
- se E < 0 , então a força gravitacional predominará e então haverá contração da nuvem ( nosso átomo
será puxado para o centro da nuvem ) .

Lembrando ( teoria cinética ) que há uma ligação entre a velocidade média dos átomos e temperatura ,

manipulamos a expressão anterior para a energia total do átomo :

E < 0 significa que


O lado esquerdo da penúltima expressão é chamado de raio de Jeans da nuvem , daí o índice J
utilizado : dizemos então que o raio da nuvem deve ser maior que o raio de Jeans da mesma nuvem
para que ocorra a contração gravitacional .

E qual a massa contida dentro do raio de Jeans ( massa de Jeans ) ? Ela é interpretada como a massa
mínima necessária para que ocorra a contração . Podemos calculá-la assim ,

Se utilizamos valores típicos para as nuvens , como T ~ 100 K e ρ ~ 10-22 g/cm3 , obtemos

Ou seja , a nuvem inicial vai se fragmentar em 1000 , 10000 estrelas de tipo solar . Uma nuvem isolada
, com massa igual à do Sol não colapsa por si só . É sempre uma massa muito maior que se fragmenta ,
e cada fragmento persiste então no colapso já iniciado .

E após o início do colapso ? Campos magnéticos interestelares atuarão . Mesmo uma nuvem que seja
esférica no início do colapso será "achatada" em forma de um disco : se o átomo segue uma trajetória
paralela à linha de campo magnético , não sofrerá o efeito da força desse campo . Se perpendicular , a
força será máxima , mudando a trajetória da partícula e o resultado é o achatamento da nuvem . E há
outras complicações que vão sendo adicionadas : a existência de turbulência , o momento angular que é
dissipado , e por aí vamos .
- Agora vamos pensar no intervalo de tempo em que ocorre o colapso do pedaço de nuvem
que dará origem a uma estrela :

vamos supor que a matéria está em queda livre ( até que a pressão do gás cresça e se contraponha a
essa queda livre , estabelecendo então o estado de equilíbrio hidrostático ) . Já dissemos que quando
ocorre a contração e portanto há uma variação na energia gravitacional ( porque o raio está diminuindo
) , metade dessa variação de energia é transformada em energia interna do gás ( a temperatura
aumenta ) e a outra metade é irradiada .
Se a luminosidade , L , é

então ,

ou

Essa expressão nos dá desde 100 milhões de anos para estrelas com 70% da massa do Sol até "apenas"
10000 anos para uma estrela com 15 massas solares .
O Meio Interestelar

As observações nos mostram que as estrelas na nossa Galáxia estão muito afastadas umas em relação
às outras. À região que existe entre as estrela damos o nome de espaço interestelar.

Durante muito tempo os astrônomos acreditaram que o espaço interestelar era completamente vazio e
transparente, totalmente desprovido de matéria, um vácuo perfeito.
Hoje sabemos que isso não é verdade. As observações feitas ao longo de todos estes anos nos
revelaram que o espaço interestelar contém matéria , embora de uma forma muito rarefeita. Chamamos
de matéria interestelar a matéria que "preenche" o espaço interestelar. A região onde se espalha a
matéria interestelar recebe o nome de meio interestelar. Note, entretanto, que diversos autores usam
indistintamente os termos meio interestelar e matéria interestelar para designar o que existe no espaço
interestelar.

Em muitos textos encontramos que a matéria interestelar é formada simplesmente por gás e poeira
interestelares. Na verdade o meio interestelar consiste de mais elementos do que apenas gás e poeira.
Ele é formado por:

gás hidrogênio neutro (H I)


gás hidrogênio ionizado (H II)
gás molecular (principalmente H2)
grãos de poeira
raios cósmicos
campos de radiação de várias freqüências
campos magnéticos
restos de supernovas

A matéria entre as estrelas constitui um meio extremamente difuso. Trata-se de um vácuo superior ,
em várias ordens de magnitude , àqueles criados nos melhores laboratórios do mundo.
Calculamos que o meio interestelar, como um todo, seja composto por cerca de 5 a 10 bilhões de M solar
de matéria que se apresenta na forma de gás e poeira. Isto corresponde a, aproximadamente, 5% da
massa de estrelas visíveis na nossa Galáxia.

A temperatura do meio interestelar pode variar, dependendo da presença ou não de fontes quentes
locais. Em algumas regiões o meio interestelar é muito frio, com uma temperatura de apenas alguns
Kelvins. No entanto, se houver uma estrela ou qualquer outra fonte de radiação nas vizinhanças, sua
temperatura pode chegar a milhares de Kelvins. Verifica-se que a temperatura média do meio
interestelar, em uma região escura, é cerca de 100 K.

A densidade do meio interestelar também é muito baixa sendo, em média, de 1 a 10 átomos por
centímetro cúbico.

O gás interestelar
Já vimos que o gás interestelar é bastante rarefeito. No entanto, 99% da matéria interestelar é
composta de gás. Destes 99% temos que, aproximadamente, 90% é formado por hidrogênio atômico ou
molecular, cerca de 9% é hélio e apenas 1% é formado por elementos mais pesados do que o hélio.

O gás hidrogênio neutro


O meio interestelar da nossa Galáxia é preenchido com uma distribuição muito difusa de gás hidrogênio
neutro. Este gás rarefeito tem uma densidade típica de cerca de 1 átomo por centímetro cúbico ou seja,
10-24 gramas por centímetro cúbico.

No entanto, o gás hidrogênio neutro não está distribuido uniformemente na Galáxia. Ele aparece mais
agrupado em algumas regiões, mais densas e frias, que os astrônomos chamam de "nuvens". Muitas
vezes estas nuvens têm a forma de filamentos.

Nestas nuvens o gás hidrogênio neutro está a uma temperatura típica de cerca de 100 K e sua
densidade fica entre 10 e 100 átomos por centímetro cúbico.

Circundando estas nuvens encontramos um meio com uma densidade ainda mais baixa, cerca de 0,1
átomos por centímetro cúbico.

Estas regiões são formadas por hidrogênio atômico e, por serem muito frias, os átomos do hidrogênio
não conseguem realizar transições com a emissão de radiação na região visível do espectro
eletromagnético. No entanto, o hidrogênio atômico é capaz de realizar uma emissão de radiação na
região rádio do espectro eletromagnético. Esta emissão é conhecida como radiação de 21
centímetros.

A radiação de 21 centímetros

Como vimos, o meio interestelar é muito frio. Esta baixa temperatura não é capaz de excitar as
transições quânticas na região óptica ou na região ultravioleta do espectro eletromagnético do átomo de
hidrogênio.

No entanto, podemos observar o gás formado por hidrogênio atômico graças a uma transição que ocorre
no comprimento de onda de 21 centímetros, já na região radio do espectro eletromagnético. Esta
transição é produzida a partir de uma súbita mudança na orientação relativa entre os spins (campos
magnéticos) do próton nuclear e do elétron que está em órbita em um átomo de hidrogênio.

Sabemos que o próton e o elétron são partículas que possuem carga elétrica. Devido à propriedade do
spin, que pode ser comparada a um movimento de rotação em torno de um eixo se fizermos uma
analogia com a física clássica, estas partículas criam pequenos campos magnéticos à sua volta.
Consequentemente, estes campos interagem e, como resultado, é criada uma pequena diferença de
energia entre os dois estados possíveis de spin: aquele em que os spins do próton e do elétron estão
alinhados versus aquele em que estes spins estão invertidos.

A diferença de energia que existe entre estes dois possíveis estados corresponde à energia de ondas
radio com comprimento de onda de 21 centímetros.
Mas, como esta radiação de 21 centímetros é observada? Ocorre que, eventualmente, átomos de
hidrogênio presentes nas nuvens de gás interestelar colidem. Isto ocorre, aproximadamente, uma vez a
cada 500 anos. Quando há uma colisão um dos átomos é excitado e passa a mostrar a configuração de
maior energia ou seja, aquela em que os spins do próton e do elétron estão alinhados.

O átomo irá permanecer neste estado excitado por um intervalo de tempo equivalente a 11 milhões de
anos quando então irá trocar o spin do elétron. Quando isto ocorre o próton e o elétron passam a ter
spins diferentes e o átomo volta para o estado de energia mais baixa emitindo um fóton com
comprimento de onda de 21 centímetros. Esta radiação está na região rádio do espectro
eletromagnético.

É por intermédio da detecção desta radiação de 21 centímetros, feita com o uso de radiotelescópios, que
podemos estudar as regiões frias do meio interestelar onde existem nuvens de gás hidrogênio atômico.

As regiões de hidrogênio ionizado: regiões H II


Existem regiões no espaço interestelar onde uma grande quantidade de matéria interestelar parece
envolver estrelas quentes e recém-formadas. Veremos mais tarde que esta matéria interestelar, em
geral, faz parte da nuvem molecular gigante que, ao contrair, gerou estas estrelas.
A energia liberada por estas estrelas jovens ioniza este gás circundante criando um dos objetos mais
espectaculares que podemos observar no espaço, as regiões de hidrogênio ionizado ou regiões H II.
Estas regiões H II formam as belíssimas nebulosas de emissão que detectamos espalhadas na nossa
Galáxia.

A nebulosa de Orion

A nebulosa de Orion é uma das mais espetaculares


nebulosas que podemos observar. A região onde ela
está é bastante complexa. Essa nebulosa de Orion é
apenas uma bolha luminosa dentro de um conjunto
de nuvens moleculares gigantes muito maior do que
ela. É também a nebulosa brilhante mais próxima de
nós, localizada a cerca de 1500 anos-luz. Sua
importância está no fato de que ela é um ativo campo
de formação de estrelas. Na nebulosa de Orion é
marcante a presença de quatro estrelas massivas, de
tipo espectral O e B, recentemente formadas nas
nuvens moleculares desta região. Estas quatro
estrelas formam o Trapezium da nebulosa de Orion.

Os fótons ultravioleta emitidos por estas 4 estrelas


massivas têm energia suficiente para arrancar os elétrons dos átomos de hidrogênio que formam o gás
da nebulosa , processo ao qual damos o nome de ionização.

A energia necessária para arrancar os elétrons de um átomo é chamada de energia de ionização. No


caso do hidrogênio, somente fótons com energia maior do que 13,6 eV ou seja, comprimento de onda
menor do que 912 Å, são capazes de fazer isto. Estes fótons estão na região espectral do ultravioleta.

Se um fóton com comprimento de onda equivalente a 912 Å incide sobre um átomo de hidrogênio o
elétron do átomo o absorve. A energia "extra" que foi fornecida ao elétron pelo fóton incidente se
transforma em energia cinética ou seja, energia de movimento, para este elétron. Consequentemente, o
elétron é "expulso" do átomo de hidrogênio e dizemos então que o átomo foi ionizado. Este elétron não
está mais associado a nenhum núcleo atômico sendo, portanto, um "elétron livre" que se desloca no gás
da nebulosa. A energia cinética desse elétron livre pode ter qualquer valor ( depende da energia do
fóton que o arrancou do átomo ) , mas esse valor mudará , pois as colisões que ocorrerão com outros
elétrons livres se encarregarão de redistribuir a energia cinética entre os elétrons .

No entanto, estes elétrons livres não permanecem necessariamente assim para sempre. Ocorrem
colisões também entre os elétrons e os íons no gás e, neste processo, os elétrons podem ser
recapturados , voltando então a estar ligados a um núcleo atômico. A este processo damos o nome de
recombinação.
Os elétrons se recombinam no nível superior no hidrogênio e hélio, um nível muito excitado.
Naturalmente eles irão emitir este excesso de energia procurando o nível fundamental ou seja, o nível
de energia mais baixa do átomo de hidrogênio. Os elétrons vão emitindo energia a medida que passam
por vários níveis de energias cada vez menores até atingir o nível fundamental . Dizemos então que os
elétrons "cascateiam" através de vários níveis de energia até o estado fundamental. Durante este
processo ele emite fótons correspondentes à diferença de energia entre os níveis pelos quais ele passa .
É desta maneira que são produzidas as linhas de emissão do H e He que observamos nos espectros
destas nebulosas.

Do mesmo modo, os elétrons de altas energias produzem as linhas de emissão do oxigênio, nitrogênio,
enxôfre e diversos outros elementos que aparecem no espectro destas nebulosas.
Como conseqüência deste processo surge o belíssimo aspecto das chamadas nebulosas de emissão. Os
fótons emitidos quando os elétrons "cascateiam" para o nível de menor energia dos átomos de
hidrogênio e hélio fazem o gás circundante fluorescer, produzindo um espectro de linhas de emissão.

A poeira interestelar

Como já dissemos, o meio interestelar também é composto por poeira. No entanto, a quantidade de
poeira interestelar é muito menor do que a quantidade de gás presente no espaço entre as estrelas.
Hoje sabemos que, aproximadamente, somente 1% da massa da matéria interestelar está na forma de
poeira o que nos mostra que existe apenas uma partícula de poeira para 10 12 átomos.

Mas, o que é a poeira interestelar? Esta poeira são pequeninos grãos, sem uma forma bem definida, que
têm, aproximadamente, o tamanho das partículas que compõem a fumaça de um cigarro.

As características físicas desta poeira interestelar variam um pouco dependendo do local onde ela se
encontra na nossa Galáxia. Entretanto, acredita-se que um grão de poeira típico tenha o diâmetro de 10 -
7
metros e seja composto por carbono com uma estrutura cristalina tipo grafite, misturado com silicatos
como, por exemplo, a olivina (MgSiO3).

Aproximadamente todos os elementos, tais como o carbono e o silício, existentes na matéria interestelar
estão ligados formando as partículas de poeira.

A poeira interestelar provoca dois importantes efeitos sobre a luminosidade dos objetos celestes. É a
poeira que espalha e obscurece os comprimentos de onda emitidos na região espectral onde as estrelas
emitem a maior parte de sua luz ou seja, na região visível. Estes dois efeitos são:

extinção interestelar: é o efeito pelo qual a presença da poeira entre o objeto celeste é o
observador enfraquece a luz provenientes destes objetos distantes.

avermelhamento interestelar: é o processo pelo qual a presença de poeira é capaz de


avermelhar as cores de um objeto celeste.

Como ocorre a extinção e o avermelhamento interestelar?

É um fato observacional que a poeira interestelar obscurece o plano da nossa Galáxia prejudicando a
visão que deveríamos ter dos corpos celestes que estão aí localizados. Ela provoca uma diminuição na
intensidade da luz observada fazendo com que tenhamos que realizar cálculos suplementares para
conhecer exatamente a luminosidade de um objeto cuja intensidade da radiação observada foi
enfraquecida devido à presença de poeira interestelar ao longo da linha de visada do observador.

Por que isso acontece? Sabemos que a radiação eletromagnética é formada por fótons que possuem as
mais diferentes freqüências. A luz que vemos ser emitida por uma estrela é, na verdade, apenas uma
parte desta radiação, aquela parte do espectro eletromagnético que corresponde à chamada região
visível. A radiação que pertence a esta janela visível é composta de fótons cujos comprimentos de onda
estão relacionados com cores, o que nos leva a falar de "luz azul", "luz amarela", "luz vermelha", etc.

Os grãos de poeira interestelares têm uma forma alongada, a forma de uma agulha, e tamanhos de
cerca de 1000 Å ou seja, 10-7 metros. Consequentemente, este é o valor aproximado do comprimento de
onda da radiação que os grãos interestelares conseguem espalhar do modo mais eficiente.

Ocorre que 10-7 metros é , aproximadamente, o comprimento de onda da luz ultravioleta. Assim, a luz
proveniente das estrelas incide sobre estes grãos interestelares e é absorvida ou espalhada por eles.
Como a luz vermelha não é absorvida ou espalhada de um modo tão eficiente quanto a luz ultravioleta
, resulta que a luz vermelha vai predominar para o observador . Essencialmente o que acontece é que
os grãos retiram parte das radiações ultravioleta e visível emitidas pela estrela e reemitem como
radiações vermelha e infravermelha . Dizemos que há um avermelhamento interestelar . O reforço para
a emissão no infravermelho é devido ao fato do grão ser aquecido pela radiação que absorveu . Como
exemplo , uma temperatura de 40 K significa que a emissão será forte nos comprimentos de onda
situados no intervalo entre 50 e 100 microns .

Embora a presença da poeira interestelar prejudique as observações, é exatamente estudando o modo


pelo qual ela espalha fótons do visível e do ultravioleta que podemos ficar sabendo alguma coisa sobre
as características físicas dos grãos que a forma.

Se a poeira interestelar é tão escassa , como é que ela consegue diminuir a intensidade luminosa dos
objetos celestes e até mesmo impedir que algumas regiões do céu sejam observadas? Isto só ocorre
devido à vastidão do espaço interestelar. A distância típica entre as estrelas é de 1 parsec e o tamanho
típico de uma estrela é de apenas 10-7 parsecs. Nestas distâncias enormes, as partículas de poeira se
acumulam lentamente provocando o obscurecimento que observamos. Por exemplo, entre a Terra e a
estrela mais próxima de nós (depois do Sol, é claro), alpha Centauri, está cerca de 1,33 parsecs de
espaço interestelar. Se colocassemos um cilindro com um metro quadrado de circunferência de base
entre nós e esta estrela, teríamos 1010 partículas de poeira no seu interior.

As nebulosas de reflexão

Em algumas regiões do meio interestelar a radiação proveniente de estrelas quentes é fortemente


espalhada pela poeira que está presente no local. Vemos então uma nebulosidade difusa com uma cor
azul bastante peculiar. A este tipo de nebulosidade damos o nome de nebulosa de reflexão.

A imagem ao lado mostra um dos mais


bonitos exemplos de uma nebulosa de
reflexão, aquela que existe em torno do
aglomerado estelar das Pleiades.

As Pleiades é um aglomerado aberto


composto por centenas de estrelas, e
situado bem próximo a nós, a cerca de
400 anos-luz, na direção da constelação
Taurus. Um pequeno grupo de suas
estrelas mais brilhantes destaca-se no
céu e foi reconhecido por várias
civilizações antigas.
O bonito halo azul que vemos em torno
do aglomerado estelar das Pleiades é
resultado da incidencia da luz proveniente
das estrelas B quentes sobre a poeira
interestelar que está nesta região. A
poeira que circunda o aglomerado das
Pleiades espalha a luz azul com mais eficiência do que a luz vermelha, que possui comprimentos de onda
maiores.

A imagem abaixo é um outro exemplo de nebulosa de reflexão. Esta nebulosa, NGC 1999, está na região
de Orion. Ela contém a estrela V380 Orionis e apresenta uma grande quantidade de poeira, distribuida
na forma de um triângulo que domina o centro da nebulosa.
As formas apresentadas pelas nebulosas de reflexão variam enormemente. A imagem abaixo, obtida pelo Hubble Space Telescope no s
mostra uma nebulosa de reflexão cuja forma lembra um fantasma (todo mundo já viu, em algum momento, um fantasma e, portanto,
sabe exatamente como eles são!). Esta é a nebulosa IC349, localizada no aglomerado das Pleiades, e iluminada pela estrela Merope (que
está fora da imagem na parte superior direita). A forma desta nebulosa é determinada pela grande proximidade entre ela e a estrela
Merope. A distância entre os dois objetos é de apenas 0,06 anos-luz, aproximadamente 3500 vezes a distância Terra-Sol. Esta nuvem
está se deslocando ao longo do aglomerado das Pleiades, aproximando-se de Merope com uma velocidade de 11 quilômetros por
segundo.
A imagem abaixo mostra a belíssima nebulosa de reflexão N30B, a "bolha dupla", que é observada na Grande Nuvem de Magalhães, uma
galáxia satélite da nossa. Esta nebulosa, situada a 160000 anos-luz da Terra, é uma região muito empoeirada, com a forma de um
amendoim e que circunda um aglomerado de estrelas jovens e quentes. A nebulosa N30B está dentro de uma nebulosidade ainda mai or
conhecida como DEM L106. Esta imagem, obtida pelo Hubble Space Telescope, nos mostra as cores branco-azuladas brilhantes das
estrelas quentes localizadas nessa região. A estrela muito brilhante no topo da imagem, a estrela supergigante Henize S22, il umina este
casulo de poeira dando origem à nebulosa de reflexão N30B. Esta estrela supergigante está a apenas 25 anos-luz da nebulosa N30B e,
vista a partir da nebulosa, esta estrela seria um objeto com um brilho 250 vezes maior do que aquele apresentado pelo planeta Vênus
para nós na Terra.

As nuvens escuras de poeira

Se olharmos para uma região do céu bastante estrelada, em uma noite bem escura, certamente iremos perceber regiões que parece m
apresentar uma completa ausência de estrelas. Usando um telescópio, mesmo que seja pequeno, estas regiões escuras, sem estrelas, se
tornam ainda mais evidentes. A imagem abaixo mostra a região de Sagittarius e nela podemos ver uma grande mancha negra à dire ita
de um aglomerado de estrelas azuis (NGC 6520). O que isso significa?
Estas regiões foram, durante muito tempo consideradas como sendo "regiões desprovidas de estrelas", verdadeiros "buracos no céu
estrelado".

No entanto, estas regiões do espaço interestelar são apenas locais onde há uma maior concentração de poeira. Hoje elas são
classificadas como nebulosas escuras. A nebulosa escura "Cabeça do Cavalo" mostrada abaixo, situada na região de Orion a 1500
anos-luz de distância, é um exemplo típico deste tipo de objeto.
No entanto, o nome usado para descrever estas regiões pode nos induzir ao erro. As nuvens escuras de poeira não são, embora o nome
sugira, formadas principalmente de poeira interestelar. Estas nuvens são iguais a qualquer outra região do meio interestelar no que diz
respeito à quantidade de gás. Elas são formadas principalmente por gás interestelar ao qual está adicionada uma presença
significativamente maior de poeira interestelar que, embora exista em uma quantidade anormal, não é o elemento dominante na nuvem.

Um interessante aspecto das regiões que apresentam grande concentração de poeira são os chamados glóbulos de Bok. Estas
pequenas nuvens de gás e poeira interestelares têm esse nome em homenagem ao astrônomo Bart Bok que as estudou intensamente.
Os glóbulos são pequenas nuvens escuras, formadas por gás e poeira interestelares que estão se condensando para formar estrel as. No
entanto, eventualmente estes glóbulos podem ser dissipados antes de formarem estrelas. Isto ocorre se eles estão localizados em um
meio ambiente hostil, onde a presença de estrelas muito próximas pode dissipá-los.

A imagem abaixo mostra glóbulos existentes na região de Centaurus, a 5900 anos-luz de distância, na nebulosa IC 2944. O maior desses
glóbulos escuros foi descoberto pelo astrônomo sul-africano A. C. Thackeray em 1950 e por este motivo tem o seu nome. Existem
evidências de que este grande glóbulo seja, na verdade, formado por duas nuvens, cada uma com mais de um ano-luz de largura, que
estão separadas mas superpostas. Estas nuvens combinadas contém material equivalente a cerca de 15 vezes a massa do Sol.

Podemos então classificar as nebulosas escuras, regiões onde há uma maior densidade de poeira, como:

As nebulosas escuras
densidade
temperatura massa raio
Número de átomos de hidrogênio
(em Kelvins) (em massas solares) (em parsecs)
por centímetro cúbico)
nuvem grande 120 1,8 x 104 20 20
nuvem intermediária 100 8 x 102 4 100
glóbulo grande 50 3 0,25 1,6 x 103
glóbulo pequeno 20 0,1 0,03 menor que 4 x 104
As Nuvens Moleculares

Existe uma categoria de nuvens escuras que por terem aspectos bem
característicos merecem um estudo separado. Estas são as nuvens
moleculares.
Como o próprio nome diz, as nuvens moleculares têm como elemento base
de sua formação a presença não do hidrogênio atômico mas sim do
hidrogênio molecular e muita poeira.
As nuvens moleculares são especiais por serem comparativamente mais
densas do que as nuvens escuras comuns. Nas nuvens moleculares temos
uma densidade dada por n H2 > 1000 moléculas por centímetro cúbico.

Além disso, as nuvens moleculares são muito frias. No seu interior mais
profundo a temperatura atinge apenas T ~ 10 a 20 K.

A imagem ao lado mostra a região de Orion onde podemos observar uma


enorme reunião de nuvens moleculares (você é capaz de localizar a
nebulosa Cabeça de Cavalo nesta imagem?)

Por que estas nuvens possuem moléculas e não átomos? Ocorre que as
moléculas só conseguem existir nas regiões mais densas e empoeiradas do
meio interestelar. Fora destas regiões a radiação ultravioleta emitida pelas
estrelas as dissociariam imediatamente. Dentro destas nuvens escuras as
moléculas estão protegidas contra este tipo de radiação. No entanto,
justamente por estarem nestas regiões muito frias e empoeiradas estas
moléculas não emitem nenhuma radiação na região visível do espectro
eletromagnético. Toda a radiação emitida por elas está na região rádio do
espectro. O estudo das moléculas interestelares é domínio quase exclusivo
da radioastronomia.

Como sabemos que estas nuvens possuem moléculas de


hidrogênio e não átomos deste elemento? Na verdade,
nós não detectamos o hidrogênio molecular diretamente.
O processo utilizado é inferir a existência do hidrogênio
molecular a partir da presença de outras moléculas mais
frequentes tais como a molécula CO.

Muitas moléculas já foram detectadas no interior das


nuvens moleculares incluindo NH3 (amônia), CO
(monóxido de carbono), H2O (água), etc. Além disso,
moléculas tão complexas como o álcool etílico (C 2H5OH)
e o ácido fórmico (HCOOH) também foram encontradas
nas nuvens moleculares da nossa Galáxia (isto não quer
dizer que haja uma fábrica de cachaça no interior da
nuvem molecular controlada por formigas cósmicas!). A
detecção e análise destas moléculas tornou-se um dos
assuntos excitantes de pesquisa pelas implicações que
ele pode trazer no que diz respeito ao entendimento de
como a vida surgiu na Terra e quais as possibilidades de
que ela tenha se desenvolvido fora do Sistema Solar.

Algumas moléculas encontradas nestas nuvens são tão


complexas e instáveis que ainda não conseguiram ser
sintetizadas em laboratórios terrestres.
É importante notar que a massa total do gás molecular existente nas nuvens moleculares é estimada ser
aproximadamente igual ou um pouco menor (~25%) do que a massa do gás H I presente nelas.

A nebulosa escura Cabeça do Cavalo, a imagem à direita obtida por David Malin do Anglo-Australian
Observatory, é uma incursão de uma faixa de poeira proveniente de uma nuvem molecular que cobre a
metade inferior da imagem e invade uma região de hidrogênio ionizado ( cor vermelha ) .

As nuvens moleculares gigantes

Existem nuvens moleculares que devido ao seu tamanho são chamadas de nuvens moleculares gigantes. Estas imensas nuvens,
ainda mais densas do que as nuvens moleculares comuns, chegam a ter um diâmetro de 150 anos-luz e uma massa de 106 Msolar.

Existem milhares de nuvens moleculares gigantes na nossa Galáxia. Elas estão situadas principalmente nos braços espirais e se
concentram mais na direção do centro da nossa Galáxia. Entre alguns famosos complexos de nuvens moleculares gigantes temos a
região de Orion e a região de Sagittarius, esta última próxima ao centro da nossa Galáxia. A figura abaixo mostra a disposição de
algumas destas nuvens moleculares nos braços espirais da nossa Galáxia.

Devido à baixíssima temperatura que existe no interior das nuvens moleculares gigantes, os grãos de
poeira interestelar que aí se encontram estão revestidos por uma camada de gelo de água. Ao que
parece é em torno destas partículas de poeira que os átomos se agrupam e formam as moléculas.
Dizemos então que as partículas de poeira servem como catalizadores no processo de formação de
moléculas.

As nuvens moleculares gigantes são importantíssimas uma vez que elas são o local de nascimento das
estrelas.

No interior mais profundo destas nuvens moleculares gigantes existem regiões um pouco mais quentes
(T ~ 100 K), com cerca de 2 a 3 anos-luz de diâmetro. Nestas regiões as densidades são muito altas
chegando a n ~ 107 a 109 moléculas por centímetro cúbico. Estas regiões são os locais onde começa o
processo de formação de estrelas.

Uma das regiões onde encontramos nuvens moleculares gigantes é na nebulosa M16, ou "nebulosa da
Águia", localizada na constelação Serpens. A espetacular imagem abaixo, obtida pelo Hubble Space
Telescope, nos mostra os famosos "pilares gasosos" de M16. Esta região de imensas nuvens
moleculares, situada a 6500 anos-luz de nós, é um local de intensa formação de estrelas.
Os radio-astrônomos detectaram imensas nuvens moleculares na região de Orion. O diagrama abaixo mostra a localização destas
nuvens.
Restos de supernovas

Veremos mais tarde que algumas estrelas, ao atingirem o final de sua evolução, explodem formando
uma supernova. Neste processo todo o gás que constitui a estrela é lançado no meio interestelar
enriquecendo-o com elementos mais pesados do que o hélio. Estes elementos foram formados no
interior da estrela durante a sua evolução. Quando a estrela explode seu gás é lançado no meio
interestelar e se expande nele com velocidade de vários quilômetros por segundo.

Mostramos a seguir algum restos de supernovas, nuvens de gás enriquecido por elementos pesados, que
foram detectadas em várias partes da nossa Galáxia.
A imagem abaixo mostra os restos de uma estrela que explodiu na nebulosa do Caranguejo, uma supernova conhecida desde o ano
1054.
Anãs Marrons

Vimos que o colapso gravitacional de uma nuvem molecular gigante, com uma região interior bastante
fria, leva à formação de um objeto gasoso esférico. Este objeto continua a contrair e à medida que isso
acontece seu interior aquece. A origem desse aquecimento é a liberação de energia potencial
gravitacional devido ao colapso gravitacional do gás que o forma. No início do processo de contração o
gás rapidamente irradia a maior parte dessa energia e isso faz com que o colapso gravitacional continue.
Com a continuidade do colapso o gás vai se tornando cada vez mais denso até que a partir de um certo
estágio o gás da região central da esfera gasosa já é suficientemente denso para aprisionar radiação.
Isso faz com que a densidade e a temperatura central da esfera gasosa que colapsa aumente de modo
dramático com o tempo, tornando mais lento o processo de contração da esfera gasosa. Apesar disso, o
processo de contração continua, ocasionando o contínuo aumento da temperatura central. Em um
determinado momento a região central desta proto-estrela já é suficientemente quente e densa para que
tenham início as reações nucleares de queima do hidrogênio. Está formada uma estrela. O gás e a
pressão de radiação gerada pelas reações de fusão termonuclear que ocorrem na sua região central
impedirão a continuação do colapso gravitacional. A estrela está em uma forma de equilíbrio que recebe
o nome de "equilíbrio hidrostático". Ela passará a maior parte de sua existência transformando
hidrogênio em hélio por meio de reações nucleares e será classificada como uma "estrela da seqüência
principal".

Mas, isso sempre ocorre dessa maneira? Toda vez que uma nuvem molecular gigante contrai o resultado
será um conjunto de estrelas? Não. Às vezes o processo falha e estrelas não são formadas.

Em primeiro lugar é preciso notar que uma nuvem molecular gigante não contrai como se fosse um
corpo único. Na verdade são partes dela que contraem e dão origem às estrelas. Pode acontecer que
uma dessas partes não possua suficiente matéria, gás e poeira interestelares, para dar origem a uma
esfera gasosa com condições de, mais tarde, atingir a temperatura necessária para realizar a queima
nuclear do hidrogênio e se transformar em uma estrela.

Vamos explicar melhor. Não é qualquer esfera gasosa que, por se contrair, dará origem a uma estrela.
Há um limite de massa que irá determinar o destino desta esfera gasosa em contração. Hoje sabemos
que se a massa de uma proto-estrela é menor do que 0,08 massas solares, ela não conseguirá dar início
às reações de fusão termonuclear com o hidrogênio. A região central de uma esfera gasosa com esta
massa jamais atingirá os 107 Kelvin de temperatura necessários para realizar essas reações com o
hidrogênio.

Ocorre que neste caso a contração gravitacional não consegue aquecer a pequena proto-estrela de modo
eficaz e antes que a temperatura na sua região central atinja o valor necessário para dar início às
reações nucleares com o hidrogênio, os elétrons que formam o seu gás se tornam tão fortemente
comprimidos que é formada uma pressão de degeneração de elétrons ( fenômeno quântico : a equação
de estado é diferente daquela dos gases perfeitos ) . Com isso não é possível mais realizar a contração
gravitacional da esfera gasosa e o resultado é um objeto que jamais será uma estrela. A esse objeto
damos o nome de "anã marrom".

Condições típicas na região central de uma anã marrom


densidade central ~ 10 a 103 g/ cm3
temperatura central < 3 x 106 K
pressão central ~105 Mbar
O que são então as anãs marrons?

Hoje definimos as anãs marrons como objetos sub-estelares que possuem uma massa abaixo daquela
necessária para manter reações de fusão nuclear com o hidrogênio na sua região central. A energia é
gerada no seu interior e levada à superfície por processos inteiramente convectivos e não nucleares.

As anãs marrons ocupam o intervalo de massa que existe entre os grandes planetas gigantes gasosos e
as estrelas de menor massa do diagrama H-R. Consideramos que um objeto é uma anã marrom se sua
massa é superior a 13 massas de Júpiter e menor do que 75-80 massas de Júpiter.

Alguns erros comuns ao falar de anãs marrons

Por serem objetos que não são planetas e também não são estrelas, é comum errarmos ao nos
referirmos às anãs marrons. Em primeiro lugar, é totalmente errado falar em "estrelas anãs marrons".
Como já explicamos, anãs marrons não são estrelas. Essa confusão se deve ao fato de existirem
"estrelas anãs brancas" (que estudaremos mais tarde). Como veremos, a matéria que forma as estrelas
anãs brancas está em um estágio tão degenerado que, gradualmente, a estrela vai esfriando, sua
luminosidade vai diminuindo e a estrela atinge um estágio no qual não emite mais calor ou luz. Neste
caso dizemos que a estrela anã branca se transformou em uma "anã negra" (mas não uma "estrela anã
negra"!). Uma "anã negra", de modo algum deve ser confundida com uma "anã marrom": o primeiro
nome se refere ao estágio final de uma estrela anã branca enquanto que o segundo se refere a um
objeto que, embora tenha a mesma origem que uma estrela, não conseguiu atingir este estágio.

Um outro erro comum é comparar anãs marrons com planetas: estes são objetos completamente
diferentes. Anãs marrons são formadas a partir do colapso gravitaional que ocorre em regiões de uma
nuvem molecular gigante. Ao contrário, os planetas são formados a partir de um processo de acréscimo
de material proveniente de um disco circunstelar ( que está em volta de uma estrela ) . É bom sempre
lembrar que, por definição, as anãs marrons são objetos com massa entre 13 Massas de Júpiter e 75-80
Massas de Júpiter (cerca de 8 porcento da massa do Sol).
As anãs marrons conhecidas

Não tem sido fácil detectar anãs marrons. Por serem objetos de luminosidade muito fraca somente
equipamentos sofisticados conseguem detectá-las. As anãs marrons liberam quantidades substanciais de
radiação infravermelha tanto como resultado de sua lenta contração gravitacional como também das
reações de fusão do deutério, que ocorrem em pequena escala. Quanto mais massa tem uma anã
marrom mais alta é sua temperatura da superfície, embora um valor típico seja da ordem de 1000 K. A
primeira anã marrom confirmada foi a Gliese 229B que mostramos na imagem abaixo. A esquerda
vemos sua imagem obtida pelo Observatório de Palomar (Estados Unidos) e a direita como ela foi vista
pelo Hubble Space Telescope (NASA/ESA).

A anã marrom mostrada acima está em órbita em torno da estrela Gliese 229, na constelação Lepus a
19 anos-luz de nós. Ela é o pequeno ponto branco que vemos quase no centro da imagem. Seu nome é
Gliese 229B e possui uma massa calculada entre 20 a 50 vezes a massa de Júpiter.

Abaixo vemos uma anã marrom jovem, a TWA-5 B, que pertence ao sistema TWA-5.
As Estrelas da Sequência Principal

Durante a sua fase como T-Tauri a estrela continua a contrair muito lentamente. Já vimos que o
processo de contração aumenta a temperatura da sua região central. Este aumento de temperatura será
o fator decisivo que irá mudar completamente a vida da estrela.
Após alguns milhões de anos a temperatura na região central da estrela atinge valores da ordem de 1,2
x 107 K. A física nuclear nos mostra que, nesta temperatura, reações nucleares envolvendo o hidrogênio
já podem ocorrer. A partir deste momento e até o fim de sua existência, a estrutura e a evolução de
uma estrela passa a ser regida pelas reações nucleares. Elas são, agora, a fonte principal de energia que
a estrela possui e, portanto, a principal responsável pela sua luminosidade.

Quando as reações nucleares envolvendo o hidrogênio ocorrem de modo contínuo e são a principal fonte
de energia de uma estrela dizemos que ela pertence à sequência principal ou ela é uma estrela da
sequência principal.

É importante notar que a estrela levará vários milhões de anos até conseguir se estabelecer na
seqüência principal. Para uma estrela como o Sol 10 milhões de anos passarão desde que a nuvem
molecular começou a colapsar até que inicie no seu interior a queima nuclear do hidrogênio, fazendo-o
ingressar na sequência principal do diagrama H-R.

Note, no diagrama H-R, que a seqüência principal não é uma linha diagonal traçada sobre ele. Na
verdade, a sequência principal é uma banda, uma faixa larga, disposta diagonalmente neste diagrama.
Quando uma estrela atinge a sequência principal ela não o faz em qualquer lugar mas sim na parte mais
baixa desta faixa. A esta região damos o nome de seqüência principal de idade zero uma vez que, ao
entrarem nesta região, as estrelas estão começando sua longa fase de permanência na seqüência
principal.

Olhando para o diagrama H-R sabemos que da extremidade superior esquerda até a extremidade
inferior direita da sequência principal a massa das estrelas varia de modo contínuo. Estrelas form adas
com grande massa estão situadas na parte superior da seqüência principal, estrelas formadas com
massas aproximadamente iguais à do nosso Sol estão próximas à sua região central enquanto que
estrelas de pequena massa encontram-se na parte inferior direita desta faixa do diagrama H-R. Em geral
consideramos que as estrelas com massa M < 3 M sol são estrelas de pequena massa. Aquelas com
massa no intervalo 3 Msol < M < 10 Msol são estrelas de massa intermediária. E então as estrelas com
massa M > 10 Msol são estrelas de grande massa. Mas é importante salientar que esses valores para
as massas são as massas iniciais , ou seja , as massas das estrelas quando começa a fusão do
hidrogênio . Há perda de massa durante a vida da estrela , e para as estrelas de maior massa isso leva
à diminuição substancial na massa estelar .

No entanto preste atenção ao seguinte fato:

A existência de estrelas de pequenas massas e de grandes massas distribuídas por


toda a sequência principal pode nos induzir a uma conclusão errada. As estrelas
não evoluem ao longo da sequência principal. Elas não se formam com pequena
massa e vão evoluindo ao longo da sequência principal até se tornarem estrelas de
grande massa. Quando uma estrela se forma, seja com grande massa ou pequena
massa, ela "entra" em um determinado local do diagrama H-R e permanece
neste mesmo lugar uma grande parte de sua vida. Somente muito mais tarde é
que a estrela deixará a sequência principal rumando para a região de estrelas
gigantes ou supergigantes.
As reações nucleares

Já vimos que o início das reações nucleares com o hidrogênio caracterizam a entrada da estrela na seqüência principal do diag rama H-R.
No entanto, existem dois tipos de reações nucleares: a fissão nuclear e a fusão nuclear.
Dizemos que ocorre uma fissão nuclear quando um núcleo atômico se divide em duas partes.

ZM
A
—> Z1M
A1
+ Z2M
A2

Para ocorrer fissão nuclear é preciso que estejam presentes núcleos de elementos pesados pois só eles têm condição de se dividir em
núcleos mais leves.
A fusão nuclear ocorre quando dois núcleos atômicos se combinam (ou se fundem) em um único núcleo.

Z1M
A1
+ Z2M
A2
—> ZMA
Qual destes dois processos acontece no interior das estrelas da seqüência principal? O processo de fusão nuclear. A presença de
hidrogênio, um átomo leve, só permite a realização do processo de fusão.

Reações nucleares no diagrama H-R

Após estudar as características de várias estrelas pertencentes à seqüência principal, os astrofísicos verificaram que os processos físicos
que ocorrem nos seus interiores podem diferir bastante.

Qual é essa diferença? Ocorre que algumas estrelas são formadas a partir de nuvens de gás interestelar já suficientemente con taminadas
por elementos químicos pesados tais como carbono, silício, etc. Outras são formadas por gás que, a menos de uma contaminação
desprezível por elementos pesados, é constituido predominantemente de hidrogênio.
É a diferença de massa e de composição química que irá determinar quais os processos de queima nuclear que ocorrerão no inte rior da
estrela. Para uma estrela da sequência principal o que ocorre é a transformação de quatro núcleos de hidrogênio em um núcleo de hélio
com emissão de radiação . Ao processo de queima nuclear que ocorre nas estrelas de pequena massa damos o nome de cadeia próton-
próton ou, simplesmente cadeia p-p.

Se a composição química de uma estrela contém elementos pesados e é uma estrela de grande massa , o processo nuclear que irá
dominar a produção de energia no seu interior é a reação nuclear do hidrogênio com o carbono, seguida pela produção de nitrogênio e
oxigênio e 4He. Este processo nuclear recebe o nome de ciclo CN, abreviação de ciclo carbono-nitrogênio. Mas o resultado líquido é
sempre o desaparecimento de 4 prótons ( núcleos de hidrogênio ) e a criação de um núcleo de He mais radiação .

A cadeia próton-próton ou cadeia p-p

Existem três possíveis caminhos, ou seja cadeias de reações, segundo as quais o processo de fusão do hidrogênio via cadeia p-p pode
ser realizado. Em geral estas três cadeias ocorrem simultaneamente no interior da estrela. Um destes caminhos, que chamamos de "ramo
I", é o que ocorre com maior probabilidade. Consequentemente, por ser mais importante, veremos o "ramo I" com mais detalhes.

p + p —> d + e+ + νe
p + d —> 3He + γ
3
He + 3He —> 4He + p + p
Existem alguns aspectos muito interessantes na realização da cadeia p-p. Vejamos alguns:

olhe para a seqüência acima da cadeia p-p. Note que para a realização do terceiro estágio da cadeia, a queima de dois átomos
de 3He, precisamos que as duas reações iniciais ocorram duas vezes. Na primeira vez elas produzirão um átomo de 3He e da
segunda vez mais um átomo deste tipo, necessários para a realização do passo seguinte. Isto significa que a estrela tem que
gastar 6 prótons para continuar a cadeia p-p.

note também que na terceira fase da cadeia p-p os dois átomos de 3He reagem produzindo um átomo de 4He e dois prótons.
Isto quer dizer que dois prótons são recuperados pela estrela. Como ela havia gasto 6 para produzir os dois átomos de 3He
vemos que, na verdade, apenas 4 átomos de hidrogênio são gastos em cada ramo I da cadeia p-p.

no centro de uma estrela como o Sol, que está realizando a cadeia p-p, o tempo que um átomo de hidrogênio (um próton) leva
para colidir com outro átomo de hidrogênio formando o dêuteron, d, da primeira fase desta reação, é da ordem de 10 10 anos. É
por este motivo, a primeira fase da cadeia p-p ser um processo tão lento, que o Sol ainda está brilhando. Se esta fase fosse
mais rápida o Sol já teria parado de queimar hidrogênio há muito tempo!

no entanto, o segundo estágio da cadeia p-p, o que ocorre entre o dêuteron (d) e o próton (p) produzindo o 3He, é muito rápido.
Um dêuteron no centro do Sol vive apenas 1 segundo antes de reagir com um próton.

os neutrinos, νe, que são produzidos no interior das estrelas escapam rapidamente delas. No caso do Sol, os neutrinos
produzidos na sua região central alcançam a sua superfície e saem dele para o meio interplanetário em apenas 2 segundos.

note que o resultado final da cadeia p-p é o 4He. Por que as reações nucleares não continuam? Elas param por que o 4He é um
elemento muito estável a uma temperatura de 10 7 Kelvins. Nesta temperatura os átomos de 4He não realizam reações
nucleares.

O ciclo carbono-nitrogênio ou ciclo CN

O ciclo carbono-nitrogênio é outro possível conjunto de reações nucleares que ocorrem no interior das estrelas da seqüência principal.
Quando a temperatura central de uma estrela alcança cerca de 2 x 10 7 Kelvins ela já possui temperatura suficientemente alta para dar
início a reações nucleares com o carbono.

Existem dois possíveis caminhos segundo os quais o ciclo C-N pode ser realizado. Mostramos abaixo o mais importante deles.
Veja alguns fatos interessantes sobre o ciclo C-N.

em primeiro lugar, porque este conjunto de reações do carbono é chamado de "ciclo" e as


reações nucleares de queima do hidrogênio são chamadas de "cadeia"? Veja que no caso da
queima do hidrogênio, a cadeia p-p, o conjunto de reações inicia com a reação entre dois
prótons e apresenta um produto final completamente diferente, o 4He. No caso da queima do
carbono, este elemento inicia a reação e também aparece como resultado final delas: o carbono
age como catalisador . Esta é a razão para chamarmos este conjunto de reações nucleares, que
é iniciado pelo carbono e produz carbono como elemento final, de "ciclo". No caso da queima do
hidrogênio o que acontece é uma "cadeia" de reações.

o ciclo C-N só acontece em estrelas que já possuem uma quantidade razoável de carbono no
seu interior! Isto quer dizer que a estrela foi formada a partir dos resíduos gasosos produzidos
pela explosão de uma outra estrela, uma supernova. Como veremos mais tarde, as estrelas
evoluem e produzem no seu interior elementos pesados. Quando elas explodem esses
elementos são lançados no meio interestelar e se ela estiver próxima ou dentro de uma nuvem
molecular gigante a onda de choque resultante desta explosão pode comprimir o gás
suficientemente de modo a dar origem a novas estrelas. Como o meio interestelar foi
contaminado pelos elementos pesados da estrela que explodiu, as novas estrelas terão estes
elementos químicos no seu interior.

note que tanto a cadeia p-p como o ciclo C-N produzem 4He como elemento final das reações.
Isto quer dizer que, sejam estrelas de grande massa ou não, o processo nuclear iniciado na
seqüência principal deixará como resíduo no interior da estrela um núcleo inerte de 4He.

veja também que, assim como na cadeia p-p, quatro prótons serão destruídos para dar origem
ao carbono e ao 4He final.

Note também que os dois processos nucleares, cadeia p-p e ciclo CN podem ocorrer simultaneamente
nas estrelas e, dependendo de sua massa, um deles se torna dominante. Por exemplo, para as estrelas
que estão no intervalo entre 1 e 3 massas solares, a fração de luminosidade produzida pela queima no
ciclo CN é de apenas alguns porcento para as estrelas com 1 M sol. No entanto, para uma estrela com 1,5
Msol, o ciclo CN já é responsável por 73% da energia no centro da estrela e por aproximadamente
metade da sua luminosidade total. Para uma estrela com 1,7 Msol, e também para aquelas com mais
massa, o ciclo CN claramente domina o processo de produção de energia.
Quanto tempo uma estrela permanece na sequência principal?

Como a seqüência principal é definida pelo início efetivo do processo de queima nuclear como o principal meio de geração de energia em
uma estrela , o tempo que ela permanece nesta região do diagrama H-R é consequência do processo nuclear que está ocorrendo no seu
interior.

Para as estrelas de pouca massa, aquelas cuja energia é produzida pela cadeia p-p, o tempo de permanência na seqüência principal
chega a bilhões de anos. Por exemplo, uma estrela com uma massa solar leva cerca de 10 bilhões de anos nesta região. Isto que r dizer
que as reações nucleares que estão ocorrendo no seu interior levarão 10 bilhões de anos para esgotar o hidrogênio contido nas regiões
onde ocorrem sua transformação em hélio.

O interior do Sol é dominado por reações nucleares produzidas segundo a cadeia p-p. Este processo permitiria que ele ainda brilhasse por
1011 anos. No entanto, novos fatos mudarão as condições físicas existentes no seu interior fazendo com que outros processos nucleares
se tornem dominantes.

O período de permanência na seqüência principal é tão longo por duas razões : a transmutação de hidrogênio em hélio não é tão
eficiente ! Em milhões de encontros entre núcleos , poucos produzem uma reação nuclear . E também existe muito combustível pa ra ser
gasto . Conseqüentemente, a fase de permanência na seqüência principal é a fase mais longa da vida de uma estrela.

No entanto, o tempo de permanência de uma estrela na seqüência principal depende de sua massa e de sua composição química.
Estrelas de grande massa, aquelas que estão localizadas na região do canto superior esquerdo do diagrama H-R, permanecem muito
menos tempo na seqüência principal do que as estrelas de pequena massa.

Estrelas da seqüência principal (por tipo espectral)


tipo massa luminosidade anos na
espectral (Msol = 1) (Lsol = 1) seqüência principal
O5 40 405000 1 x 106
B0 15 13000 1,1 x 107
A0 3,5 80 4,4 x 108
F0 1,7 6,4 3 x 109
G0 1,1 1,4 8 x 108
K0 0,8 0,46 17 x 109
M0 0,5 0,08 56 x 109

Estrelas da seqüência principal (por massa)


massa temperatura da luminosidade anos na
(Msol) superfície (Lsol) seqüência principal
25 35000 80000 3 x 106
15 30000 10000 1,5 x 107
3 11000 60 5,0 x 108
1,5 7000 5 3 x 109
1,0 6000 1 1,0 x 1010
0,75 5000 0,5 1,5 x 1010
0,50 4000 0,03 2,0 x 1011
As taxas de produção de energia nuclear de uma estrela na seqüência principal

Vimos que quando a estrela se estabiliza na seqüência principal do diagrama H-R são as reações
nucleares que dominam o processo de produção de energia em seu interior. A física nuclear nos mostra
que todas as reações nucleares são muito sensíveis à temperatura. Isto quer dizer que você só consegue
queimar hidrogênio em temperaturas de 10 7 K. Não adiante tentar com T = 106 K porque o hidrogênio
vai ficar "quentinho" mas não vai se transformar em hélio. Esta é a razão pela qual os alquimistas
fracassaram no seu intento de transformar metais em ouro!

A física nuclear nos diz que a taxa de produção de energia a partir da queima do hidrogênio, ou seja a
cadeia p-p, é dada por

ε ~ T4
No caso das estrelas de grande massa, ou seja, naquela onde o ciclo CN ocorre, a taxa de produção de
energia obtida a partir da queima do carbono é dada por

ε ~ T16

Preste a atenção nos expoentes. A produção de energia pela queima de carbono é muito mais sensível a
uma variação na temperatura da estrela do que a produção de energia pela queima do hidrogênio. Veja
que a taxa da queima de carbono varia com a 16 a potência da temperatura enquanto que a taxa do
hidrogênio varia apenas com a quarta potência da temperatura. Isto significa que uma pequena variação
de temperatura no interior de uma estrela de grande massa que realiza o ciclo CN terá conseqüências
muito mais impressionantes do que a mesma variação em uma estrela que está realizando a cadeia p-p.

O incrível processo de manutenção do equilíbrio de uma estrela

Se uma estrela permanece bilhões de anos queimando hidrogênio, praticamente mantendo a mesma
temperatura e luminosidade, isto é um forte indício de que ela possui uma grande estabilidade. No
entanto, é exatamente nesta época de sua evolução que a estrela permite que seja iniciado no seu
interior o processo mais eficaz de produção de energia que conhecemos ou seja, a queima nuclear.
Todos nós, de alguma forma, já vimos uma imagem mostrando o que é uma explosão nuclear, um
processo extremamente violento de liberação de energia. Então, como podemos explicar que estes
processos nucleares estejam ocorrendo no interior de uma estrela e, mesmo assim, ela permaneça
estável?

Ocorre que durante o período em que a estrela permanece na seqüência principal é estabelecido no seu
interior um processo de auto-regulação entre a taxa de produção de energia na sua região central, a
temperatura e a sua taxa de expansão. É esta auto-regulação que mantém a estrela estável.

Como ocorre esta auto-regulação?

a lei da radiação térmica estabelece uma relação entre a luminosidade da estrela, seu raio e
sua temperatura dada por L ~R2T4. É esta lei que nos mostra a quantidade de energia
(luminosidade) que está sendo emitida pela estrela. Esta luminosidade está sendo produzida
pelas reações nucleares que ocorrem no interior dela. Assim, a luminosidade nos informa qual
deve ser a taxa de produção de energia nuclear no interior da estrela.

no entanto, já vimos que as taxas das reações nucleares que ocorrem nas estrelas estão muito
fortemente vinculadas com a temperatura da sua região central. Sabemos que para estrelas de
pequena massa, a taxa de produção de energia é dada por ε ~T 4 e para as estrelas de grande
massa ε ~T16. Assim, a temperatura no centro da estrela tem que ser mantida, a menos de
pequenas variações, praticamente constante. Se esta taxa de produção de energia ficar abaixo
do valor crítico que permite uma reação nuclear ocorrer, a temperatura interna da estrela vai
diminuindo cada vez mais. Teoricamente, esta temperatura poderia atingir valores muito baixos
e, consequentemente, haveria uma interrupção nos processos nucleares que estão ocorrendo
no seu interior. Neste caso, a estrela simplesmente "apagaria".

mesmo ocorrendo reações nucleares no interior da estrela, o princípio básico do equilíbrio


hidrostático tem que ser mantido: o puxão exercido pela gravidade na direção do centro da
estrela, e que procura diminuir o seu volume, é equilibrado pela pressão, exercida para fora,
pelo gás aquecido pela radiação gerada pelas reações nucleares.

Na prática, como é que este sistema auto-regulador funciona? Sabemos que é o equilíbrio hidrostático
que dá estabilidade à estrela. Suponha agora que ele seja ligeiramente rompido. Vamos supor que, em
algum momento e por alguma razão, a estrela não consiga produzir a quantidade de energia necessária
para manter a sua luminosidade. Isto quer dizer que a taxa de produção de energia não é suficiente
para repor a quantidade de energia que está sendo lançada no espaço através da superfície da estrela.
Consequentemente a estrela começa a perder energia. A única forma que ela possui para repor esta
energia é por meio de energia gravitacional e esta só será conseguida se a estrela contrair um pouco.
Em resumo, se as reações nucleares que ocorrem no interior da estrela diminuem a estrela contrai.

No entanto, à medida que a estrela contrai, sua região central também contrai. Consequentemente esta
região central sofrerá um aumento de temperatura, o que implica num aumento na taxa de geração de
energia. Assim, a produção de energia aumenta bem como a pressão interna, até que o processo de
colapso gravitacional seja parado e a estrela se estabilize novamente em equilíbrio.
E se, por algum motivo, a estrela começa a produzir energia demais na sua região central? Neste caso,
este excesso de energia servirá para aquecer esta região central. Como conseqüência, a pressão interna
aumenta e maior oposição é feita à ação da gravidade. Se a pressão interna aumenta, a região central
se expande (aumenta o seu raio) e, por este motivo, esfria um pouco. Devido à sua forte relação com a
temperatura, a taxa de geração de energia nuclear vai diminuindo até que, mais uma vez, a estrela
volta a ficar em equilíbrio.

Ao longo de sua permanência na seqüência principal a estrela vai queimando seu hidrogênio e o
resultado desta reação é a produção contínua de um resíduo de hélio que vai se acumulando na sua
região central. Quando a estrela praticamente esgotou o hidrogênio da sua região central,
transformando-o em hélio, forma-se nesta região um caroço de hélio. No entanto, devido às condições
físicas existentes neste momento no interior dessas estrelas, este hélio não consegue iniciar reações
nucleares. Para queimar o hélio por processos nucleares é preciso uma temperatura da ordem de 10 8K (
cerca de 10 vezes aquela necessária para transformar o hidrogênio em hélio ) . Ocorre que as regiões
centrais das estrelas nessa fase de evolução não estão tão aquecidas e, portanto, não ocorrem
processos nucleares com o hélio no seu interior.

Chega um momento em que a pressão interna não consegue manter o equilíbrio da estrela, e ela
começa a contrair. Contraindo, ela aumenta a sua temperatura central até chegar ao valor de 10 8 K.
Neste momento a estrela está pronta para iniciar a queima de um novo elemento químico, o hélio.

O esgotamento do hidrogênio na região central da estrela com a formação do "caroço" de hélio assinala
o final da permanência da estrela na seqüência principal do diagrama H-R. A estrela agora já não é
jovem ( pelo contrário : o tempo de sequência principal é cerca de 80% a 90% de sua vida total ) e
começa a sair da seqüência principal mudando completamente a sua estrutura interna e suas condições
físicas.
Mais sobre a Sequência Principal

- Sobre a luminosidade das estrelas

As estrelas estão em equilíbrio hidrostático : não estão mais liberando energia gravitacional . A fonte existe sim , está lá , mas só que
por ora não há variação no raio da estrela . A fonte de energia agora é nuclear . Vamos ver algo mais a respeito .

Não importa qual o regime de transformação de hidrogênio em hélio ( cadeia p - p ou ciclo CN ) : ocorre o desaparecimento de 4 prótons
( núcleos dos átomos de hidrogênio ) e a criação de um núcleo de hélio . Acontece que se somarmos as massas de 4 prótons e
compararmos essa soma com a massa de um núcleo de hélio encontraremos uma discrepância : a massa do núcleo de hélio é menor .
De fato , ela é 0,7 % menor que a massa dos 4 prótons . Essa diferença de massa foi transformada em energia ( radiação ) de acordo
com a expressão derivada por Einstein , que é

Δm = 4 mp - mHe

ΔE = Δm . c2 , onde c é o símbolo para a velocidade da luz e

- Tempo de vida na Sequência Principal

Podemos estimar a duração desse período na vida de uma estrela usando a expressão anterior e resultados de modelos teóricos . As
reações nucleares só acontecem na região central de uma estrela porque as temperaturas são suficientemente altas para que elas
ocorram . Modelos teóricos prevêem que essa região central contém cerca de de 10% massa total da estrela ( mnúcleo~0,13 M). No
momento em que essa massa central é transformada em hélio , a estrutura da estrela começa a variar muito rapidamente ( em termos
astronômicos ) , e dizemos então que a estrela saiu da Sequência Principal . Em outras palavras , a mudança na estrutura este lar
significa variação na luminosidade e na temperatura da estrela ( e no raio , evidentemente ) : a posição da estrela no diagra ma HR muda
.

Mas , quanto dura esse período ? Vejamos ,

- 13 % da massa estelar ( ~0,1 M ) passaram por reações nucleares ;


- 7 % da massa anterior virou energia , ou E = 0,007 x 0,1 . M . c2 ;
- a energia emitida durante o tempo transcorrido na Sequência Principal , tSP , foi
E = L ( luminosidade ) . tSP

- então ,

Essa última expressão pode ser transformada utilizando unidades solares :

e ela nos dá valores como 10 bilhões de anos para uma massa solar e cerca de 10 milhões de anos para uma estrela com 15 massa s
solares .

- Modelos teóricos

No ítem anterior falamos a respeito de previsão de massa central através de modelos . Afinal , o que são eles , os modelos para a
estrutura interna de uma estrela ? São tabelas , nas quais listamos para posições escolhidas dentro da estrela ( partindo do centro em
direção à superfície ) , valores calculados para a temperatura do gás , a densidade , composição química , luminosidade e outras
variáveis de interesse .

Calculamos a estrutura de uma estrela definindo os parâmetros desejados : massa total , luminosidade e temperatura na superf ície ,
além de uma composição química . Consideramos a estrutura em equilíbrio hidrostático e com forma esférica . Essa esfera é dividida
em camadas ( como uma cebola ) e as condições físicas em cada camada ( pressão , temperatura , densidade , composição química )
serão calculadas pela resolução de um conjunto de equações ( que refletem as condições de equilibrio hidrostático , conservação da
massa , conservação da energia , transporte de energia , reações nucleares e outras ) . É um sistema de equações : não são
independentes entre si e esse sistema só é resolvido por métodos numéricos , via computadores . A estrutura final da estrela é válida
para um determinado instante na vida dessa estrela . Depois de um certo tempo , sua composição química muda o b astante para que
necessitemos de outro modelo para a estrutura : dizemos que a estrela evoluiu . Um modelo de evolução é uma sequência de cálculos de
estruturas . Com esses cálculos compreendemos hoje o que vemos nos diagramas HR , porque as estrelas se distribuem em
determinadas regiões nesse diagrama .

- Reações nucleares

Para que uma reação nuclear ocorra , os dois núcleos envolvidos devem se aproximar o suficiente para que a força forte atue . O raio de
ação dessa força é essencialmente o raio nuclear , da ordem de 10-13cm . Acontece que os núcleos são carregados positivamente e
portanto se repelem , e quanto mais se aproximam mais forte é essa força de repulsão ( força de Coulomb ) . Graficamente , os físicos
usam a figura abaixo para mostrar esse comportamento :

É um gráfico da variação da energia potencial entre os núcleos com a distância entre eles . Para distâncias menores que 10 -13 vemos
um "poço" : é a região onde atua a força forte . E os físicos usam mesmo a expressão "poço de potencial" : caiu no poço , acontece a
reação nuclear ! Mas para isso acontecer tem uma barreira a ser vencida , retratada pela "ladeira" para distâncias maiores que 10 -13cm :
o significado da "ladeira" é de que se os núcleos estão suficientemente afastados a força de repulsão é próxima de zero e à m edida que
se aproximam essa força de repulão cresce rapidamente criando a "encosta" . Atenção : vencer a barreira aqui não significa subir a
"ladeira" nesse gráfico . A partícula incidente tem uma certa energia cinética e se aproxima do outro núcleo . Ela é representada por uma
reta paralela ao eixo horizontal : se está acima da altura máxima da "ladeira" a reação ocorre . Caso contrário é refletida .

Frequentemente , diz-se " que a temperatura ( ou energia cinética ) tem de ser suficientemente alta para que ocorra a reação ". Há uma
armadilha aqui : a energia coulombiana entre dois prótons separados por 10-13cm é da ordem de 1 milhão de elétron-volt ou 1 Mev .
Agora temos um problema : temperaturas de 15 ou 20 milhões de Kelvin , temperaturas típicas no centro das estrelas que estão na
Sequência Principal , implicam em energias cinéticas da ordem de Kev ( mil elétron-volt) , mil vêzes menor que a de repulsão : a barreira
do gráfico não pode ser vencida , a não ser por um número insignificante de núcleos : a encosta é muito alta . Do ponto de vista clássico
não podemos existir , nosso universo não existe !

Somos salvos pela mecânica quântica : trata-se do "efeito túnel" ou tunelamento : quanticamente há uma probabilidade da partícula
incidente passar através a barreira , de "cavar um túnel" e "cair" no poço de potencial . É uma probabilidadde de acontecer , não
acontece sempre ! Mas acontece o suficiente para que o Universo seja o que conhecemos .

A probabilidade de penetrar a barreira obedece também a uma lei exponencial :


onde o expoente é , essencialmente , a razão entre a energia coulombiana de repulsão e a energia cinética . Nele temos o prod uto das
cargas dos dois núcleos envolvidos ( Ze é a carga nuclear , Z é o número atômico ) assim como a velocidade relativa entre os dois
núcleos : a medida que a última aumenta , o expoente diminui e a probabilidade de penetração também aumenta .
A cadeia próton - próton completa

Abaixo mostramos os três caminhos possíveis segundo os quais o processo de queima de hidrogênio e
produção de 4He pode ser realizado.

Note a probabilidade de ocorrência de cada um destes "ramos". Lembre-se que os três "ramos" ocorrem
simultâneamente, com a predominância do "ramo I".
Ciclo Carbono - Nitrogênio completo
Nossa Estrela mais Querida: o Sol

O Sol é apenas uma entre mais de 400 bilhões de estrelas que fazem parte da nossa Galáxia.
Suas principais características são:

propriedade valor solar


luminosidade Lsol = 4 x 1033 erg/seg
massa Msol = 1,98 x 1030 quilogramas
tamanho diâmetrosol = 1390000 quilômetros
densidade média < ρ > = 1,4 gramas/ centímetro cúbico
temperatura na superfície 5800 K
temperatura central 15600000 K
campo magnético < Bsol > = 1 gauss

O Sol é uma estrela normal, amarelada e de tipo espectral G2. Atualmente o Sol está localizado na sequência principal do diagrama H-R.

Na sua fase atual o Sol possui 75% de sua massa formada por hidrogênio e 25% de hélio. Mas , em termos de número de átomos ,
92,1% dele é formado por átomos de hidrogênio e 7,8% são átomos de hélio. Todos os outros elementos mais pesados do que o hélio,
que chamamos coletivamente de "metais" , representam apenas 0,1% da massa do Sol. No entanto, à medida que o hidrogênio vai
sendo convertido em hélio na sua região central pelos processos de fusão da cadeia p-p esta relação percentual vai lentamente mudando
ao longo do tempo.

Quanto ao seu tamanho, o Sol pertence aos 10% de estrelas de massa razoavelmente grande que pertencem à nossa Galáxia. Lembre -
se que existem muito mais estrelas de pequena massa do que de grande massa. As estrelas da nossa Galáxia têm, em geral, um
tamanho médio que é a metade da massa do Sol. No entanto, o Sol é uma estrela "ordinária" uma vez que existem muitas outras
similares a ele espalhadas pelas galáxias.

O Sol e o Sistema Solar

Sabemos que o Sol possui um séquito de planetas e satélites que giram em torno dele. Estes conjunto de objetos forma o Sistema Solar,
o único sistema planetário que mostra uma grande diversidade de componentes, tais como planetas rochosos, planetas gasosos,
cometas, asteróides, etc.

O Sol é o maior objeto de todo o Sistema Solar. Ele contém mais de 99,8% da massa total do sistema que o acompanha. A maior p arte
da massa restante está contida no planeta Júpiter. Devido a isso o centro de massa do Sistema Solar está localizado bem dentro do
Sol.

A rotação do Sol

O Sol não é um corpo rígido como a Terra. Por ter uma estrutura gasosa, o Sol não gira de maneira uniforme. A superfície do S ol na
região do equador roda uma vez a cada 25,4 dias. No entanto, próximo aos pólos, a rotação de sua superfície leva cerca de 36 dias. A
esta variação da velocidade de rotação damos o nome de rotação diferencial . No entanto, a região central do Sol gira como um corpo
sólido.
A estrutura do Sol
Fotosfera
A fotosfera é a superfície do Sol. Ela é a região que produz a luz que nós vemos. No entanto, a fotosfera é uma região muito pouco
profunda não tendo mais do que 500 quilômetros de largura (a profundidade ótica cresce rapidamente e o meio torna -se opaco para nós
) . Se a compararmos com a estrutura global do Sol podemos fazer uma analogia dizendo que a fotosfera é mais fina do que a casca de
uma cebola.

A temperatura na fotosfera varia de cerca de 5800 K no seu topo até 7500 K na sua base.
Esta região é onde o espectro de absorção solar é produzido. A fotosfera efetivamente é uma região de gás mais frio que envolve todo o
Sol. Ela absorve e reemite a radiação proveniente das regiões mais quentes que estão abaixo dela.

Manchas Solares

As manchas solares são regiões "mais frias" que se formam na fotosfera solar. Nestas regiões a
temperatura pode diminuir bastante, chegando a apenas 3800 K.

As manchas solares se revelam na superfície do Sol como regiões escuras, como se fossem "buracos" na
sua superfície. No entanto, elas só têm esta aparência escura por causa do contraste que fica
estabelecido, por causa da diferença de temperatura, entre elas e sua vizinhança bem mais quente.

As manchas solares podem ser de vários tamanhos. Algumas são muito pequenas e quase
imperceptíveis enquanto que outras podem ser muito grandes. Já foram detectadas manchas solares
com diâmetro de 50000 quilômetros.

Além disso, estudos sobre o campo magnético do Sol revelaram que as manchas solares são regiões de
intenso campo magnético. Em algumas delas registrou-se intensidades de campo magnético cerca de
1000 vezes maiores do que aquela normalmente detectada no Sol.
Os ciclos solares

As manchas solares estão quase sempre presentes no Sol. No entanto, sua contínua observação mostrou
aos astrônomos que existia um ciclo de 11 anos no processo de formação de manchas solares. Isto nos
diz que há uma variação cíclica na atividade solar.

O ciclo solar possui um máximo e um mínimo. Quando o Sol está passando pelo mínimo deste ciclo, o
mínimo solar, o número de manchas em sua superfície é praticamente zero. Após 5 anos e meio, o Sol
atinge o seu ponto máximo de atividade, o máximo solar, e na sua superfície podemos ver até mais de
100 manchas solares.

Um outro ponto importante sobre as manchas solares é que elas não surgem aleatoriamente em
qualquer ponto da superfície do Sol. Em geral elas aparecem primeiro nas latitudes médias do Sol, acima
e abaixo do seu equador. À medida que a atividade solar vai aumentando, estas bandas de manchas
solares vão se alargando e, de modo continuado, se movem na direção do equador solar.

Granulação

As imagens em alta resolução da superfície do Sol


mostram que ela não é suave. A superfície do Sol é
coberta por grânulos, pequenas estruturas com
aproximadamente 1000 quilômetros de diâmetro que
estão em toda parte exceto nas regiões onde existem
manchas solares.

Os grânulos nada mais são do que a parte superficial


de colunas de gás bastante profundas onde a energia
está sendo transportada pelo processo de convecção.
Por este processo, os gases fortemente aquecidos no
interior do Sol se expandem deslocando-se na direção
da superfície e, consequentemente, esfriando. Este gás
frio volta novamente para o interior profundo do Sol
onde é mais uma vez reaquecido de modo que o
processo se repete indefinidamente ( esse processo de carregar energia , por convecção , é o mesmo
processo que ocorre em uma panela em que a água está ferve ) .

As imagens dos grânulos mostra que eles são cercados por regiões mais escuras. A partir da obtenção
de espectros das regiões centrais dos grânulos verificou-se que estas regiões são algumas centenas de
Kelvins mais quentes do que as camadas mais escuras que os circundam.

Po outro lado, os grânulos, individualmente, duram muito pouco tempo, em média cerca de 20 minutos.
O gás que se desloca dentro destes grânulos chega a alcançar a velocidade de 7 quilômetros por
segundo, sendo, portanto, mais veloz do que o som no ar.

Cromosfera
A cromosfera é a região que está localizada acima da fotosfera. Sua espessura é de cerca de 10000 quilômetros e sua temp eratura varia
de 5000 K, próximo à fotosfera, até várias centenas de milhares de Kelvins no seu limite superior. Entretanto , atente para o fato de que
estes limites não são bem definidos e os valores citados acima, tanto para as espessuras destas camadas como para suas temperaturas,
podem variar bastante.

A cromosfera é muito menos densa do que a fotosfera. Isto faz com que ela somente seja visível durante os eclipses solares. N estas
ocasiões a cromosfera pode ser vista como um clarão rosa onde detectamos um espectro de linhas de emissão.

As áreas de granulação são delineadas por feixes de linhas do campo magnético da cromosfera. Este feixes formam uma estrutura tipo
rede sobre o Sol.
"Plages"

A cromosfera também mostra áreas brilhantes de alta atividade magnética chamada plages.
Os campos magnéticos são mais intensos nas "plages" e as temperaturas são mais altas do que nas regiões quiescentes que os
circundam.

Filamentos

Os filamentos são massas de gás, suspensas na cromosfera do Sol pelos campos magnéticos, e que são vistas como faixas escuras
riscando o disco solar.

Os filamentos são áreas mais frias, e portanto escuras, de material que fica suspenso acima da superfície pelos "loops" magnéticos.

As imagens abaixo mostram a evolução de um filamento solar em apenas um dia.


Proeminências

Existem, entretanto, filamentos que se projetam para fora do limbo do Sol. Quando um filamento aparece no limbo do Sol e é visto
contra o céu escuro nós o chamamos de proeminência.

As proeminências são enormes nuvens de plasma denso, relativamente frio que são lançadas e ficam susupensas na coroa fina e quente
do Sol. Algumas vezes estas proeminências podem escapar da atmosfera do Sol.
A imagem acima foi obtida pela sonda espacial Solar and Heliospheric Observatory (SOHO), um projeto conjunto NASA/ESA. O SOHO
está em órbita em torno do Sol a 1,5 milhões de quilômetros da Terra, onde as forças gravitacional da Terra e do Sol se equilibram. A
imagem nos mostra uma enorme proeminência, com a forma de uma alça, observada em 1999.

Medidas realizadas mostraram que a cromosfera superior tinha uma temperatura de cerca de 60000 Kelvins. Todos os aspectos vistos
nesta imagem acompanham a estrutura do campo magnético do Sol. As áreas mais quentes aparecem na imagem com uma cor quase
branca enquanto que as áreas vermelhas mais escuras indicam temperaturas mais frias.

Esta imagem obtida pelo SOHO mostra um par de proeminências com formas aproximadamente iguais que ocorreram em 11 de janeiro
de 1998. As temperaturas nestas regiões estavam entre 60000 a 80000 Kelvins.

Clicando nesta imagem você verá um pequeno filme mostrando uma proeminência que ocorreu no dia 4 de setembro de 1995.
As proeminências podem ser imensas em tamanho. Por exemplo, a proeminência mostrada abaixo, fotografada pelo SOHO em 24 de
julho de 1999, foi particularmente grande. Ela se estendia a partir da superfície do Sol por uma distância equivalente a mais de 35 vezes
o tamanho da Terra. Na imagem a Terra foi colocada para que pudessemos fazer uma comparação de tamanho entre o nosso planeta e a
proeminência solar.

Este tipo de proeminência, quando acontece na direção da Terra é capaz de afetar as comunicações, os sistemas de navegação e as
redes de potência energética, produzindo auroras visíveis no céu noturno em latitudes mais altas.

Além das proeminências também observamos a ejeção de material da cromosfera para dentro da coroa. Esta ejeção se dá por meio de
pequenas erupções que chamamos de espículas. Neste caso, o gás é lançado para cima, para dentro da coroa, ao longo das linhas de
campo magnético.

Coroa Solar
A coroa solar é a região do Sol que está situada acima da cromosfera. A coroa solar se estende para fora do Sol por uma distâ ncia
equivalente a vários raios solares.

A coroa é uma região altamente rarefeita, muito difusa, cuja densidade é de somente cerca de 10 átomos por centímetro cúbico.
Curiosamente, o gás da coroa solar possui uma temperatura bastante alta, atingindo cerca de 2000000 Kelvins! Consequentemente ,
este gás está quase completamente em um estado de plasma ou seja, é um gás formado por partículas carregadas, principalmente
prótons e elétrons.

A coroa é completamente permeada pelas fortes linhas do campo magnético do Sol.

"Streamers"

Nos locais onde as linhas de força magnéticas são fechadas, o campo magnético é suficientemente forte
para "aprisionar" o plasma solar e impedir que ele escape para o espaço.

O plasma se acumula nestas regiões e forma bonitas estruturas que recebem o nome de streamers. Os
"streamers" podem ser vistos durante os eclipses solares.
Assim, os "streamers" de gás são formados ao longo de linhas de campo fechadas e são soprados para fora pelo vento solar.

"Plumes"

Observações da superfície do Sol mostraram que, ao longo das linhas fechadas de campo magnético, são formadas estruturas gasosas
muito parecidas com "plumas" de gás. Estas emissões gasosas são sopradas para fora pelo vento solar.
Estas "plumas" de gás quente que se lançam da superfície para a atmosfera do Sol podem ser uma das
fontes do "vento solar".

Os cientistas agora querem compreender como é a relação entre o campo magnético solar e estas
"plumas". A imagem acima, feita na região espectral do ultravioleta pelo SOHO em 1996, mostra
"plumas" com a temperatura de 1 milhão de graus na região polar do Sol. Graças a esta imagem pela
primeira vez os cientistas tiveram a oportunidade de ver detalhadamente o desenvolvimento ao longo do
tempo das estruturas de "plumas" nas quais o vento solar é acelerado.

"Flares" Solares

Os "flares" solares são eventos explosivos que ocorrem sobre a superfície solar. Estes eventos se
caracterizam por produzir um intenso brilho em certas regiões da atmosfera solar, em raios x,
ultravioleta e luz visível, durante períodos de alguns minutos. Após este tempo, há uma diminuição de
intensidade que pode durar por um período de cerca de uma hora.

Os "flares" são propelidos pelas forças magnéticas, saindo da superfície do Sol para o espaço vizinho.

Os campos magnéticos que existem no Sol tendem a se comprimir mutuamente. Deste modo, eles
forçam o armazenamento de uma tremenda energia na atmosfera do Sol. Em algum momento, as linhas
dos campos magnéticos se fundem e se cancelam segundo um processo chamado "reconecção
magnética". Isto faz com que o plasma escape de modo violento do Sol.

Portanto, um "flare" solar, esta súbita, rápida e intensa variação de brilho em uma região do Sol, é
produzido quando a energia magnética que foi armazenada na atmosfera solar é repentinamente
liberada. Quando isto acontece uma grande quantidade de matéria é lançada no espaço com velocidade
que pode atingir milhões de quilômetros por hora.
A imagem acima, obtida pela estação espacial Skylab, da NASA, no dia 19 de dezembro de 1973 mostra
um dos mais espetaculares "flares" já registrados no Sol. Este "flare" propagou-se por mais de 588000
quilômetros da superfície do Sol. Esta imagem também nos mostra que as regiões polares do Sol se
destacam pela relativa ausência de granulação, apresentando uma coloração muito mais escura do que a
parte central do seu disco.

Durante um "flare", partículas de altas energias são ejetadas para dentro da coroa solar, aquecendo as
regiões onde eles ocorrem até temperaturas que excedem 5 milhões de Kelvins.

Um "flare" é um evento explosivo muito intenso. Um único "flare" pode liberar uma quantidade de
energia equivalente a 100 milhões de bombas de fusão de hidrogênio.

No dia 2 de maio de 1998, o Solar and Heliospheric Observatory, da NASA/ESA, detectou este "flare"
solar extremamente brilhante.

Buracos coronais

Os buracos coronais são regiões onde as partículas podem escapar do Sol sem serem detidas pelo
campo magnético.

Linhas de campo magnético abertas estão situadas acima dos buracos coronais, regiões onde um feixe
de partículas energéticas, o vento solar, flui para fora do Sol a velocidades de 300 a 800 quilômetros
por segundo.

As linhas de campo magnético em um buraco coronal, ao invés de retornar à superfície do Sol como
ocorre em outras regiões, se estendem para fora do Sol, entrando na região do vento solar. Os buracos
coronais podem ocorrer em qualquer parte do Sol embora eles surjam mais comumente em regiões
próximas aos pólos.

O esquema abaixo mostra o que são os buracos coronais.

Nesta outra imagem vemos um buraco coronal fotografado em raios X. A área escura no meio da imagem é o buraco coronal.

As partículas de altas energias que escapam pelos buracos coronais chegam na Terra 5 dias mais tarde, com uma velocidade de 70 0
quilômetros por segundo. Estas partículas formam as auroras e causam interferência nas comunicações.
Ejeções de Massa Coronal

Existe um equipamento de astronomia, o coronógrafo, que permite que os astrônomos criem um eclipse solar artificial. Este equipamento
permite que o brilhante disco solar seja coberto e, por conseguinte, a coroa solar possa ser estudada.

Foi este equipamento que permitiu que os astrônomos descobrissem a existência de um fenômeno nunca observado antes na Terra, mas
frequente na superfície do Sol.

Ocorre que, periodicamente, enormes nuvens de gás, com linhas de campo magnético "congeladas" nelas, são ejetadas da superfície do
Sol. Este processo de ejeção ocorre durante várias horas.
A estas nuvens gasosas ejetadas de modo violento da superfície do Sol, e que lançam uma enorme quantidade de matéria e partíc ulas
energéticas no vento solar, damos o nome de ejeções de massa coronal.

Algumas vezes as ejeções de massa coronal ocorrem associadas a "flares" ou proeminências, embora elas também possam ocorrer d e
modo isolado.

Esta imagem do SOHO mostra a queda de dois cometas no Sol seguida de uma proeminência e uma enorme ejeção de massa coronal.
Isto ocorreu entre os dias 1 e 2 de junho de 1998. Fique claro que não foi a queda dos cometas no Sol que provocou os outros dois
eventos. Clique sobre a imagem para ver o filme do SOHO.

O número de ejeções de massa coronal varia com o ciclo solar, indo de cerca de 1 vez por dia no mínimo
solar até 2 ou 3 vezes por dia no máximo solar. Ou ss ejeções de massa coronal se tornam mais e mais
frequentes à medida que o Sol de aproxima do máximo no seu ciclo.

Esta imagem de uma ejeção de massa coronal foi obtida


pelo SOHO no dia 18 de fevereiro de 2000 (copyright:
SOHO / NASA / ESA). As ejeções de massa coronal
são perigosas quando atingem a Terra, podendo causar
amplos prejuízos no nosso planeta. Elas podem
perturbar de modo bastante sério o meio ambiente da
Terra. A intensa radiação proveniente do Sol, que chega
ao nosso planeta somente 8 minutos após ter sido
liberada, pode alterar a atmosfera superior da Terra,
interrompendo as comunicações de longa distância. As
ondas de choque das ejeções de massa coronal
empurram partículas muito energéticas na direção da
Terra, podendo simplesmente destruir a eletrônica
existente nos satélites que estão em órbita em torno do
nosso planeta. Algumas destas partículas energéticas
chegam à Terra cerca de uma hora depois de ocorrer a
ejeção de massa coronal.

Em geral, a ejeção de massa coronal atinge a Terra


entre um a quatro dias após ter ocorrido a erupção inicial na superfície do Sol. Neste momento vemos
acontecer no nosso planeta fortes tempestades geomagnéticas, auroras e interrupções das redes de
distribuição de energia elétrica. Esta é uma das razões pelas quais os astrônomos tentam compreender
de que modo as ejeções de massa coronal acontecem com a esperança de um dia serem capazes de
prever a sua ocorrência. Quando for possível fazer essa previsão será possível tomar medidas de
precaução que minimizem os danos tais como desligar satélites artificiais que estão em órbita.

Resumo

Resumimos na figura abaixo alguns eventos que ocorrem na coroa solar.

Campo Magnético Solar


Acredita-se que o elemento produtor de toda a atividade que vemos na superfície do Sol seja o campo magnético solar.

A estrutura do campo magnético do Sol é muito complexa uma vez que suas linhas de campo são acopladas ao plasma solar e,
consequentemente, torcidas pela rotação diferencial que o Sol possui.

São as linhas do campo magnético solar que inibem o processo de convecção próximo à superfície e produzem as manchas solares.

São também as linhas de campo magnético que, ao sofrerem torção e se reconectarem, liberam uma enorme quantidade de energia que
aquece o gás que as circundam até temperaturas de milhões de graus criando os flares solares que observamos.

O ciclo solar, com duração de 11 anos, parece ser o período durante o qual há a torção das linhas de campo magnético e a reorganização
do campo magnético do Sol.

Abaixo vemos a comparação de duas imagens do Sol obtidas com quase dois anos de separação pelo SOHO. Nestas imagens podemos
observar como o nível de atividade solar aumentou de modo significante neste período. No ano 2000 o Sol atingiu o esperado máximo de
manchas solares. Na imagem podemos ver a coroa solar, com uma temperatura de cerca de 1,3 milhões de Kelvins, muitas manchas
solares, "flares" solares e ejeções de massa coronais, processos que ocorreram durante o máximo solar. Notamos também, na imagem
mais recente à direita, o aumento de atividade revelado pelas numerosas regiões ativas e o número e tamanho dos "loops" magné ticos
no Sol.
O Sol (estrutura completa)
As Estrelas Gigantes e Supergigantes

Já sabemos que quando a estrela está na seqüência principal do diagrama H-R, ocorre no seu interior a
queima nuclear do hidrogênio. Neste processo, 4 átomos de hidrogênio desaparecem para dar origem a
um único átomo de 4He. Isso faz com que, lentamente mas de modo contínuo, o hidrogênio que existe
na região central da estrela seja transformado em hélio. Deste modo, a estrela que tinha uma região
central composta por hidrogênio sofre uma transformação e, como conseqüência disso sua região central
cada vez mais passa a ser composta por hélio : cresce em seu interior um núcleo de hélio em
substituição ao antigo núcleo de hidrogênio. Esse processo é contínuo e em um dado momento de sua
evolução as estrelas da seqüência principal praticamente esgotam todo o hidrogênio de sua região
central.

Vamos considerar de novo o modo como ocorrem as reações nucleares com o hidrogênio no interior de
uma estrela ou seja, quatro átomos de hidrogênio reagem e dão origem a um único átomo de hélio.

A lei do gás perfeito nos diz que:

PV = NRT
onde N é o número de partículas contidas no gás. Vemos, portanto, que a pressão é proporcional ao
número de partículas existentes no gás. Isto quer dizer que à medida que as reações nucleares da
cadeia p-p estão ocorrendo no interior da estrela, o número de partículas está diminuindo na sua região
central (lembre-se que quatro átomos de hidrogênio se transformam em apenas um átomo de hélio). Se
o número N de partículas diminui, a equação do gás perfeito nos diz que a pressão nesta região (a
região central da estrela) também está diminuindo.

O resultado disso é que a região central da estrela já não consegue mais suportar a força exercida pela
gravidade e começa a encolher de modo contínuo.

Até este momento, a temperatura na região central da estrela é ainda baixa demais para que seja
possível iniciar processos nucleares de fusão do hélio. No entanto, a contração da região central da
estrela é lenta mas inexorável. Ela continua a ocorrer, e este processo de encolhimento libera energia
gravitacional além de aumentar a temperatura do gás . Nesta fase da evolução da estrela, as reações
nucleares que ainda ocorrem no seu interior somadas com a energia potencial gravitacional que está
sendo liberada devido à contração do núcleo da estrela, produzem uma quantidade de energia que
aumenta sua luminosidade total.

Este aumento na liberação de energia vence o puxão para dentro exercido pela força da gravidade e
empurra o envoltório da estrela para fora. Isto faz com que a atmosfera mais externa da estrela se
expanda. Nesta fase de sua evolução o núcleo da estrela se contrai e o seu envoltório se expande. A
temperatura da superfície da estrela diminui bastante mas, apesar disso, sua luminosidade aumenta
muito ( porque o raio aumenta ) .

Quando praticamente todo o hidrogênio foi transformado em hélio na região central da estrela tem início
uma nova fase de sua vida. O núcleo de hélio, que ainda não pode produzir energia por causa da
temperatura baixa, não consegue aguentar o envoltório gasoso à sua volta. A estrela começa a contrair
e energia potencial gravitacional é continuamente liberada. Esta é a única fonte de energia da estrela
neste momento de sua evolução.

As estrelas de todas as massas se comportam do mesmo modo durante sua fase na seqüência principal
do diagrama H-R. No entanto, sua evolução a partir da seqüência principal irá depender de sua massa.

Para podermos ter uma idéia melhor do comportamento das estrelas após sua longa existência na
seqüência principal vamos separá-las da seguinte maneira (note que os valores apresentados abaixo são
ligeiramente diferentes do que foi dito no capítulo sobre "seqüência principal". Eles nos permitirão
apresentar melhor nuances que existem no processo de evolução estelar):

estrelas de pequena massa : são estrelas cuja massa inicial está entre 0,7 < M < 2 M solares
estrelas de massa intermediária : são estrelas cuja massa inicial está entre 2 < M < 9 - 10
Msolares
estrelas de grande massa :neste grupo estão todas as estrelas com M > 10 Msolares .

A distinção entre as estrelas de pequena massa e as de massa intermediária está baseada na maneira
como ocorre a ignição nuclear do hélio em sua região central.

Algumas considerações podem ser feitas de modo geral para estrelas se considerarmos apenas a divisão
que separa as estrelas de pequena massa daquelas de massa intermediária e grande ou seja, o limite M
= 2 Msolares.

Se a estrela tem uma massa M < 2 M solares ela continua sua queima nuclear de hidrogênio e forma
lentamente, como conseqüência disso, um núcleo de hélio puro. Esse núcleo não queima por causa da
"baixa" temperatura que ele possui. No entanto, esse núcleo de hélio vai crescendo como conseqüência
da contínua queima nuclear do hidrogênio. Isso faz com que, em um dado momento, o núcleo da estrela
atinja o chamado limite de Schönberg-Chandrasekhar. Esse limite nos diz qual é a maior massa que o
núcleo de hélio da estrela pode ter de modo que a pressão do gás consiga resistir à ação da gravidade.
Esse limite estabelece que a massa máxima que o núcleo de uma estrela pode ter é cerca de 8 - 10% da
sua massa total. Quando este limite é ultrapassado o núcleo não consegue resistir mais e colapsa sob a
ação da gravidade ( a pressão gasosa não contrabalança mais o efeito da gravidade ) .
Conseqüentemente, a temperatura do núcleo aumenta até o ponto em que o hélio que o forma inicia as
reações nucleares chamadas "triplo-alpha".

Os estágios finais da evolução dessas estrelas com massa M < 2M solares depende muito do valor de sua
massa. Aquelas com massa próxima à do Sol irão evoluir e mais tarde se transformarão em estrelas
gigantes. No entanto, estrelas com massas muito menores que a do Sol terão destino completamente
diferente. Mais tarde veremos como essas estrelas irão de comportar.

E se a estrela tem uma M > 2 M solares? Neste caso, devido à compressão total da estrela, a temperatura
fora da região nuclear consegue se tornar bastante alta para fazer a ignição de uma fina concha de
hidrogênio residual que ainda existe em torno da região nuclear. A estrela tem de novo uma fonte de
luminosidade gerada por energia nuclear. À queima desta concha de hidrogênio que envolve a região
central da estrela damos o nome de "queima da concha de hidrogênio". Com essa nova fonte de energia
a estrela volta a se expandir.

Acontece agora um fato muito interessante. A estrela possui no seu interior regiões ainda muito
quentes. Em algumas delas a temperatura atinge 30000 Kelvins. Isto é suficiente para que bolhas de
gás muito quente se desloquem para a superfície da estrela, tal como vimos acontecer no caso das
estrelas pré-seqüência principal, as estrelas T-Tauri. Quando estes gases atingem a superfície da estrela,
sua luminosidade aumenta muito, mais de 1000 vezes. Mas a temperatura da sua superfície é de apenas
4000 Kelvins. A estrela agora é vermelha, muito luminosa e muito grande, podendo ter um diâmetro
mais de 200 vezes maior do que o seu diâmetro original. Ao final deste processo , pelo qual a estrela se
expande enormemente , aumentando sua luminosidade e esfriando, dizemos que foi criada uma estrela
gigante vermelha. Por que vermelha? Porque estrelas frias têm a cor vermelha. O vermelho é a região
espectral que corresponde a temperaturas de cerca de 3000 K.

As estrelas gigantes vermelhas são realmente imensas. A figura abaixo mostra comparativamente o
tamanho de uma estrela gigante vermelha e o nosso Sol.
A estranha região central de uma estrela gigante vermelha

Ocorre algo muito excepcional no interior de uma estrela gigante vermelha. À medida que sua região
central contrai a densidade neste local aumenta cada vez mais. No entanto, segundo um dos princípios
fundamentais da mecânica quântica, o Princípio da Exclusão de Pauli ( descoberto pelo físico alemão
Wolfgang Pauli ) , dois elétrons não podem ocupar simultâneamente estados idênticos de energia. Como
a região central da estrela gigante vermelha é muito densa, todos os estados de energia mais baixos já
estão ocupados. Dizemos então que a região central das estrelas gigantes vermelhas está em um estado
de degeneração do elétron , ou melhor, que a sua região central está em um estado degenerado e
que a matéria que lá se encontra é matéria degenerada.

Quando a matéria atinge um estado degenerado ela passa a mostrar características bastante peculiares.
Por exemplo, já vimos que na matéria degenerada os níveis de energia mais baixa estão todos
ocupados. Só restam disponíveis para os elétrons os estados de energia mais alta. Com isso, a região
central da estrela gigante vermelha, que é formada de matéria degenerada, resiste mais às
compressões. Além disso esta região exerce uma pressão, chamada de "pressão de degeneração do
elétron", sobre o envoltório da estrela. De modo bastante característico, a pressão de degeneração do
elétron tem uma diferença fundamental em relação à pressão produzida pela lei do gás ideal. Enquanto
que a pressão exercida por um gás ideal depende da temperatura segundo a lei PV = NRT, a pressão de
degeneração do elétron não depende da temperatura. Isto irá se revelar extremamente importante para
o futuro da estrela uma vez que a pressão de degeneração do elétron retira do mecanismo de equilíbrio
que regula a sua existência uma de suas importantes variáveis, a temperatura. Vimos anteriormente
como a taxa de produção de energia,a temperatura e a pressão se relacionavam de modo a manter a
estabilidade de uma estrela. A presença de matéria degenerada no centro de uma estrela faz com que o
núcleo degenerado não seja mais sensível às variações de temperatura e, como resultado, violentas
explosões ocorrerão nesta região.
O destino das estrelas gigantes vermelhas

Entretanto, não podemos falar de um processo único de evolução que transforma as estrela da
seqüência principal em estrelas gigantes vermelhas. Esse processo é fortemente dependente da massa
que ela tinha quando ainda estava na seqüência principal.
O diagrama H-R abaixo nos mostra que o caminho seguido por uma estrela ao se tornar uma gigante
vermelha depende de sua massa.
Para estudar melhor como se dá o processo de evolução das estrelas vamos separá-las segundo as
características finais de sua evolução.

se 0,08 Msol < M < 0,5 Msol


O limite de 0,08 Msol estabelece o destino de uma nuvem molecular em contração. Se a massa inicial da esfera gasosa resultante da
contração de uma nuvem molecular for inferior a 0,08 M sol ela jamais atingirá o estado de "estrela". O objeto formado, como já vimos, é
uma "anã marrom". Assim, o valor 0,08 M sol é o limite que determina quem será estrela e quem será uma anã marrom.

Ficamos então com o intervalo de massa inicial situado entre 0,08 M sol < M < 0,5 Msol. Neste caso ocorre queima de hidrogênio no centro
da estrela com a conseqüente formação de um núcleo de hélio. Esta região central de hélio se torna degenerada e não consegue atingir
temperatura suficiente para dar início a reações nucleares com o hélio. Como conseqüência, ela não se transforma em uma estrela
gigante. Seu estágio final de evolução é a formação de uma estrela anã branca com núcleo de hélio.

se 0,5 Msol < M < 1,0 Msol


Aqui, a contração muito lenta do núcleo continua e a temperatura central da estrela aumenta pouco. Sua superfície continua a expandir
e, neste caso, a estrela irá se transformar em uma estrela gigante vermelha. Devido à sua pequena massa, a luminosidade da estrela
é gerada pelo processo de convecção. Após ejetar a maior parte do seu envoltório as estrelas neste intervalo de massa se torn am anãs
brancas com núcleos de hélio ( mas sem passar pelo estágio de nebulosas planetárias)

se 1,0 Msol < M < 2 Msol


Nestas estrelas o núcleo contrai e aquece bastante. Como o núcleo é formado por gás degenerado ele não consegue expandir muito
embora haja um forte aumento da temperatura central. Quando essa temperatura na região central estrelas atinge T ~ 108 Kelvins, um
novo tipo de reação nuclear, desta vez envolvendo o hélio, irá ocorrer. Voltamos a lembrar que a temperatura tem que ser
suficientemente alta para que os núcleos de hélio superem a barreira elétrica repulsiva que existe entre eles (lembre-se que eles têm a
mesma carga elétrica) e possam se fundir. O resultado desta fusão é um novo elemento químico, o carbono.

A este processo nuclear que envolve o hélio damos o nome de processo triplo-alpha.

4
He + 4He + 4He —> 12C + γ (7,5 eV)

Vejamos algumas características do processo triplo-alpha:

esta reação nuclear envolve três núcleos de 4He. Isto nos mostra que estas reações só podem ocorrer no interior das estrelas
após a fase de reações nucleares da cadeia p-p ou do ciclo CN que produz estes elementos.

por que o nome triplo-alpha? Por que "triplo" é óbvio: são três núcleos de 4He que colidem para realizar a reação. O nome
"alpha" vem do fato de que os núcleos de hélio também são conhecidos como partículas alpha.

O processo triplo-alpha completo (tópico avançado)

O processo triplo-alpha é muito sensível às variações de temperatura. A taxa de produção de energia pelo processo é dada por:

ε3α ~ T40
Vejam que a taxa de produção de energia desse é enormemente maior do que aquelas apresentadas pela cadeia p-p ou pelo ciclo CN.
Como conseqüência desta sensibilidade à variação de temperatura, o processo triplo-alpha provoca uma violenta explosão no interior da
estrela. Cada reação triplo-alpha libera 7,5 eV. Isto faz com que a temperatura do núcleo aumente, que por sua vez aumenta
enormemente a taxa de produção nuclear (que depende da temperatura como T 40!) e que libera cada vez mais energia de 7,5 eV, que
aumenta ainda mais a temperatura do núcleo, que aumenta ainda mais a taxa de produção de energia, etc. Nesse começo do processo
triplo-alpha há uma violenta explosão no centro da estrela , dura algumas horas e é conhecido como "flash do hélio".

Embora seja uma explosão violenta, a estrela não é destruida. A explosão fica confinada à região nuclear e como conseqüência dela o
núcleo não é mais degenerado. E como a temperatura abaixa muito o processo triplo-alpha termina.

A partir dai, a estrela contrai até que a temperatura no seu centro, de novo, atinge 10 8 Kelvins. Mais uma vez tem início o processo
triplo-alpha no interior da estrela só que, desta vez, como um processo controlado, queimando hélio e o transformando em carbono.

Do mesmo modo como aconteceu com a transformação de hidrogênio em hélio, os resíduos da transformação de hélio ou seja, o
carbono, vão se acumulando na região central da estrela. Ela passa a ter, agora, um núcleo de carbono inerte pois o carbono só
consegue participar de reações nucleares quando a temperatura é de cerca de 10 9 ( 1 bilhão ) de Kelvins.

Quando a estrela esgota o seu conteúdo de hélio acontece tudo exatamente igual ao processo descrito anteriormente para a
transformação de hidrogênio em hélio. A estrela, com uma região central de carbono, evolui para uma estrela gigante. Devido ao seu
processo de expansão continua, a estrela não consegue manter o seu envoltório e o ejeta em sua maior parte no espaço. O desti no deste
tipo de estrela é o de se transformar em uma nebulosa planetária.

Este é o destino do nosso SOL:


daqui a 5 x 109 anos a superfície do Sol se expandirá até a órbita da Terra. Logo em seguida o Sol ejetará a
maior parte do seu envoltório gasoso, transformando-se em uma nebulosa planetária.

se 2 Msol < M < 10 Msol

Veja que o núcleo de uma estrela gigante vermelha é muito pequeno em comparação com as dimensões da própria estrela.
Uma estrela situada neste intervalo de massa também realiza a queima do hélio com a consequente formação de um núcleo de carb ono.
Só que, neste tipo de estrela, o núcleo continua a contrair e a aquecer. Em algum momento a temperatura da região central deverá
atingir a temperatura de T ~ 109 Kelvins. Esta temperatura já é suficiente para dar início a um novo conjunto de reações nucleares
envolvendo o carbono. Essa queima do carbono ocorre das seguintes maneiras:

12
C + 12C —> 24Mg
12
C + 12C —> 20Ne + α
12
C + α —> 16O

Já vimos que as estrelas deste grupo formam, após a queima do hélio, um núcleo de carbono. A taxa de produção de energia das
reações envolvendo carbono varia com a temperatura de uma maneira espantosa:

ε ~T120
Pelas mesmas razões citadas no caso anterior, o núcleo de carbono explode, um processo conhecido como "flash de carbono". No
entanto, ao contrário do caso anterior, muitas coisas podem acontecer neste momento: a energia liberada pelo "flash do carbono" é tão
grande que a estrela é destruída. A estrela explode formando uma supernova classificada como supernova tipo II.

Na verdade, os cientistas ainda não sabem com certeza qual é o destino de uma estrela cuja massa se encontra neste intervalo.

se M > 10 Msol
Este caso é mais complicado ainda! Estrelas com tanta massa evoluem ao longo de vários estágios de queima nuclear com a produção
residual de vários elementos químicos pesados.

Estas estrelas não passam por explosões violentas durante sua evolução mas sim no seu estágio final. Elas contraem, aquecendo
suavemente o núcleo até que uma reação particular começa. Quando este elemento é esgotado a contração gravitacional transfere a
queima nuclear para um anel em torno do novo núcleo. Uma outra contração do núcleo faz com que a temperatura nesta região aumente
e seja iniciado o próximo estágio de fusão nuclear. Detalhes deste processo dependem da massa da estrela. Se a estrela tem uma
massa entre 10 e 20 Msol a temperatura do núcleo sobe até um valor bastante alto, da ordem de T ~2 x 109 Kelvins. Isto é suficiente
para iniciar a queima do oxigênio e do neônio, formando silício, enxofre e magnésio.

16
O + 16O —> 28Si + α

16
O + 16O —> 32S

20
Ne + α —> 24Mg

No entanto, se a estrela tem uma massa maior do que 20 M sol a temperatura do núcleo alcança T ~3 x 10 9 Kelvins o que permite a
queima do silício.

28
Si + 28
Si —> 56
Ni

56
Ni —> 56
Co + e+ + ν

56
Co —> 56
Fe + e+ + ν
A cadeia termina quando o 56Fe é produzido.
No entanto, acontece algo muito importante durante estes processos nucleares. A partir de reações tais como

12
C + p —> 13
N + γ
13
N —> 13
C + e+ + ν
13
C + α —> 16
O + n

um número muito grande de nêutrons é produzido e liberado no interior da estrela. Estes nêutrons se combinam com vários átomos
formando isótopos pesados destes elementos. Acontece que os núcleos ricos em neutrons são instáveis e decaem para estados de
menor energia. O importante é entender que este é o processo de formacão dos elementos pesados que encontramos em todo o
Universo.

Todos os elementos pesados que existem no Universo foram fabricados no interior de alguma estrela
supergigante. Quando estas estrelas evoluem e explodem estes elementos são lançados no meio
interestelar, enriquecendo as nuvens de gás e poeira que dão origem à geração seguinte de estrelas. Nosso
corpo é formado por carbono, um elemento pesado que foi fabricado no interior de uma estrela. Existimos
porque, em algum momento, uma estrela nesta vizinhança explodiu e lançou este material pesado no gás
que, mais tarde, daria origem ao Sol e ao sistema planetário que o acompanha.

Devido à contínua queima de elementos nucleares , a estrutura interna destas estrelas é formada por conchas concêntricas de elementos
cada vez mais pesados, assemelhando-se a uma cebola.
Os destinos possíveis dessas estrelas supergigantes são : explodir sem deixar resíduos estelares ou
explodir deixando uma estrela de nêutrons ou por último colapsar formando buracos negros. Falaremos
destas estrelas de um modo mais detalhado quando estudarmos supernovas.

Esta imagem do Hubble Space Telescope mostra a estrela supergigante vermelha Betelgeuse, ou Alpha
Orionis, situada a cerca de 600 anos-luz de nós na constelação Orion. Pela primeira vez os astrônomos
obtiveram uma imagem direta da superfície de uma estrela diferente do Sol. Betelgeuse tem mais massa
e é 1000 vezes maior do que o Sol. Apesar disso ela é mais fria do que o Sol. Se Betelgeuse fosse
colocada no local onde hoje está o Sol, ela se estenderia até depois da órbita de Júpiter! Por ser uma
estrela supergigante vermelha com grande massa está se aproximando o momento em que a estrela
Betelgeuse se tornará uma supernova.

Veja em que região do diagrama H-R está situada a estrela Betelgeuse.


A imagem abaixo, obtida por David Malin do Anglo-Australian Observatory, nos mostra a supergigante
Antares, estrela mais brilhante da constelação Scorpius.

Antares é realmente uma das raras estrelas gigantescas que existem na nossa Galáxia. Ela passou a
maior parte de sua curta vida como uma estrela supergigante azul altamente luminosa. Se ela fosse
colocada no lugar atualmente ocupado pelo Sol, sua superfície engoliria a órbita da Terra. Ela está na
fase final de sua existência e dentro de algum tempo se transformará em uma supernova. No momento
Antares libera pequenas partículas sólidas, formadas por elementos pesados, no meio interstelar. São
estas partículas que refletem a luz que ela emite criando a nebulosa amarelada que é vista à sua volta.
A tabela abaixo mostra as reações nucleares e os estágios evolutivos que ocorrem em estrelas de grande massa. Escolhemos uma
estrela com massa equivalente a 25 vezes a massa do nosso Sol. Note que a duração de um processo de fusão é sempre mais curto que
o anterior : consequência da dependência da produção de energia com a temperatura !

temperatura mínima massa da estrela na


elemento que elementos que são
para ocorrer a reação seqüência principal densidade duração da
sofre a queima produzidos nesta
nuclear necessária para iniciar a (kg/m3) fusão
nuclear queima nuclear
(em Kelvins) fusão nuclear
H He 4 x 107 0,1 Msol 5 x 103 7 x 106 anos
He C, O 2 x 108 0,4 Msol 7 x 105 5 x 105 anos
8 8
C Ne, Na, Mg, O 6 x 10 4 Msol 2 x 10 600 anos
9 9
Ne O, Mg 1,2 x 10 ~ 8 Msol 4 x 10 1 ano
O Si, S, P 1,5 x 109 ~ 8 Msol 1010 ~ 0,5 ano
Si do Ni ao Fe 2,7 x 109 ~ 8 Msol 3 x 1010 ~ 1 dia
colapso do núcleo 5,4 x 109 3 x 1012 1/4 segundo
"bounce" do núcleo 2,3 x 1010 4 x 1015 milisegundos
9
explosão ~ 10 varia 10 segundos

(Quando falarmos sobre supernovas discutiremos o que significa o "bounce" em uma estrela gigante)

Algumas características importantes das estrelas gigantes vermelhas e supergigantes

As estrelas gigantes vermelhas, devido ao seu tamanho possuem um campo gravitacional muito fraco.
Nas suas camadas mais externas, por causa das baixas temperaturas existentes nestas regiões, podem
ser formados sementes de grãos de "poeira interestelar". Estes grãos posteriormente são "soprados"
para o meio interestelar pela pressão exercida pelos fótons que são produzidos na região central da
estrela. A esta pressão damos o nome de pressão de radiação.

Uma outra característica importante das estrelas gigantes vermelhas é a sua perda de massa. Já vimos
que as estrelas, até mesmo o nosso Sol, durante toda a sua vida perdem massa por intermédio de um
processo que chamamos de vento estelar. No caso do Sol esta perda de massa tem o nome de vento
solar.
Quando a estrela evolui
para fora da sequência
principal, tornando-se uma
estrela gigante vermelha, a
perda de massa aumenta
muito devido ao grande
tamanho e,
consequentemente, baixa
gravidade que elas
possuem. A perda de massa
é um fenômeno muito
importante na evolução das
estrelas .

Durante toda a sua


existência as estrelas
gigantes vermelhas perdem
muita massa devido aos
chamados pulsos térmicos
que ocorrem no seu
interior. Este pulsos
térmicos acontecem devido
à extrema sensitividade que
o processo triplo-alpha de queima do hélio tem em relação à temperatura. Como consequência destes
pulsos as estrelas gigantes vermelhas sofrem grandes aumentos na sua luminosidade e que são
acompanhados por fortes ejeções de massa.

As duas imagens apresentadas acima, obtidas por David Malin do Anglo-Australian Observatory, nos
mostram a estrela supergigante HD 65750 no centro da nebulosa de reflexão IC 2220. Esta
nebulosidade foi criada por partículas de silício que se condensaram a partir do material ejetado
rapidamente por esta estrela ( que tem uma taxa de perda de massa muito mais alta do que as estrelas
normais ) .

Nas estrelas gigantes , a ejeção da maior parte do seu envoltório gasoso ( devido aos pulsos térmicos e
baixa gravidade ) dá origem às nebulosas planetárias.
O processo Triplo-Alpha

Aqui estamos mostrando, em detalhes, como ocorre o processo triplo-alpha. Note que a instabilidade de alguns elementos é um fator
determinante na ocorrência deste processo.

A primeira reação mostrada acima, entre dois núcleos de 4He , produz um isótopo de berílio, o 8Berílio. No entanto, ele não é estável e
decai em dois núcleos de 4He em apenas 2,6 x 10-16 segundos. Esta é a razão de colocarmos uma dupla seta nesta reação.

Devido a esta instabilidade do berílio, o processo triplo-alpha só pode ser realizado quando há uma colisão quase que simultânea entre
três núcleos de 4He.
As Estrelas Variáveis

As estrelas, após deixarem a seqüência principal e ingressarem no ramo das estrelas gigantes não
permanecem paradas nesta região do diagrama H-R. A sua temperatura varia ao longo do tempo e
consequentemente elas ficam se movendo para a frente e para trás na região das gigantes. Por que isso
acontece?

Existe uma região no diagrama H-R que é conhecida como faixa de instabilidade. Quando uma estrela
cruza esta faixa de instabilidade, como o nome diz, ela fica instável e muda, de modo periódico, seu
tamanho e luminosidade.

Às estrelas que estão passando por este processo damos o nome de estrelas variáveis.

Mas, por que as estrelas pulsam ao cruzarem esta faixa de instabilidade? Isto ocorre devido à presença
de camadas absorvedoras de energia nos envoltórios mais externos destas estrelas. Estas camadas
absorvedoras são regiões onde o H e o He estão parcialmente ionizados. Elas se caracterizam por
absorverem energia quando são comprimidas e liberarem energia quando se expandem. Se estas
camadas estão próximas à superfície da estrela ela oscila.

Vejamos, com um pouco mais de detalhes, como isso acontece:

vamos supor que as camadas superficiais de uma estrela pulsante estão em expansão

as zonas de ionização da estrela, próximas à superfície, também se expandem

se estas zonas se expandem, elas liberam a energia que estava armazenada nelas

devido a esta liberação de energia, as camadas superficiais se expandem de um modo ainda


mais rápido

conseqüentemente, a superfície da estrela se expande rápido demais e ultrapassa sua posição


de equilíbrio

no entanto, a força da gravidade continua atuante e tenta impedir esta expansão. Em um


determinado momento a ação da força gravitacional detém a expansão e a superfície da estrela
começa a contrair

à medida que a superfície contrai as zonas de ionização são comprimidas. Consequentemente


elas absorvem energia.

no entanto, esta energia absorvida pelas zonas de ionização faz falta à estabilidade da estrela
uma vez que esta energia deveria ajudar a diminuir a taxa de contração. Devido à sua absorção
pela zona de ionização, isto não ocorre e a estrela contrai cada vez mais rapidamente.

em um dado momento as camadas mais externas da estrela superam a posição de equilíbrio.


Isto ocorre até o momento em que o aumento da pressão dentro da estrela, que se opõe à
contração, consegue parar a contração. Tem início, então, uma nova fase de expansão.

o processo descrito acima se repete continuamente.

Estas pulsações só afetam as camadas mais superficiais da estrela uma vez que seu centro é denso
demais para sentir este efeito.

Por que nem todas as estrelas pulsam?


Somente algumas estrelas, aquelas que se encontram na faixa de instabilidade, pulsam. Isto ocorre
porque estas estrelas são as únicas cujas zonas de ionização estão no lugar correto para que ocorra o
processo de pulsação.

Por exemplo, se a estrela é quente demais, não há pulsações por que as zonas de ionização estão
muito próximas à superfície, onde o gás é muito rarefeito. Por outro lado, se a estrela é fria demais
também não há pulsação porque as zonas de ionização estão situadas muito internamente na estrela e
não conseguem afetar o seu envoltório.

O período de pulsação

Quanto mais massa tem uma estrela na seqüência principal maior ela será quando evoluir para o ramo
das estrelas gigantes. Ao mesmo tempo, quanto maior a estrela, mais lentamente ela pulsa.
Assim o período de pulsação depende da massa que a estrela tem. Estrelas com grande massa e grande
raio pulsam com períodos maiores.

Durante o processo de evolução de uma estrela gigante, ela entrará e sairá da faixa de instabilidade
várias vezes. Cada vez que isto acontece ela se transforma em uma estrela variável. No entanto,
quanto maior a massa de uma estrela, ela irá cruzar a faixa de instabilidade em uma região de
luminosidade cada vez mais alta em comparação com as estrelas de pequena massa. Como a
luminosidade está associada com a massa, e o período de pulsação também está associado com a
massa, os astrônomos puderam deduzir uma importantíssima relação entre período e luminosidade, a
chamada relação período-luminosidade.

Alguns tipos de estrelas variáveis

Na figura abaixo mostramos onde as estrelas variáveis se localizam no diagrama H-R.


Existem muitos outros tipos de estrelas variáveis. Na verdade, as estrelas variáveis podem ser divididas
em três grupos:

estrelas binárias eclipsantes


estrelas variáveis pulsantes
estrelas variáveis eruptivas

Mostramos abaixo alguns tipos de variáveis pulsantes e variáveis eruptivas.

Estrelas variáveis pulsantes

Estrelas variáveis Cefeidas

Quando estas estrelas pulsam elas mudam o seu raio em cerca de 5% a 10% do valor que teriam em
equilíbrio.
Existem dois tipos de estrelas variáveis Cefeidas:

Cefeidas tipo I

Cefeidas tipo II

As estrelas variáveis Cefeidas do tipo I possuem uma composição química muito mais rica em termos de núcleos pesados.

As estrelas variáveis Cefeidas possuem períodos de variação entre 1 e 70 dias e, em geral, a amplitude de sua variação é de 0
magnitudes. No entanto, algumas estrelas variáveis Cefeidas do tipo II podem variar a sua magnitude de 4,3 a 3,4 em apenas
Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável Cefeida típica.
Estrelas variáveis RR Lyrae

Estas estrelas sofrem variações de intensidade luminosa em períodos mais curtos do que um dia. Em geral seu período de variabilidade
está entre 0,2 e 1,0 dia e a amplitude de variação fica entre 0,3 e 2,0 magnitudes.

As estrelas variáveis RR Lyrae são estrelas gigantes brancas, do tipo espectral A. Elas são mais velhas e têm mais massa do q ue as
estrelas variáveis Cefeidas.
As estrelas variáveis RR Lyrae são pouco compreendidas uma vez que não estão na faixa de instabilidade do diagrama H -R.

Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável RR Lyrae típica.

Estrelas variáveis de Longo Período ou variáveis Mira

Estas são estrelas gigantes vermelhas, muito frias, com temperatura da superfície da ordem de 3700 Kelvins. Elas variam com períodos
de meses ou anos, em geral entre 80 e 1000 dias. A amplitude de sua variação é de 2,5 a 5,0 magnitudes. Algumas delas ejetam
grandes quantidades de gás e poeira no espaço interestelar.

Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável Mira típica.

Estrelas variáveis RV Tauri

Estas são estrelas gigantes de tipo espectral entre G e K. Seus períodos variam de 40 a 220 dias.
Estrelas típicas desta categoria são as estrelas R Scuti, RV Tauri e SX Centauri.
Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável RV Tauri típica.
Estrelas variáveis eruptivas
tipo U Geminorum

As estrelas desta categoria apresentam rápidas erupções que, algumas vezes, aumentam a sua luminosidade em 5 magnitudes em
apenas uma noite.

Estrelas típicas desta categoria são as estrelas U Geminorum, SS Cygni, RU Pegasi e X Leonis.
Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável U Geminorum típica.

tipo R Coronae Borealis

Estas estrelas estão sujeitas a diminuições de luminosidades súbitas e irregulares.Elas são pobres em hidrogênio mas ricas em carbono.

Algumas estrelas típicas desta categoria são R Coronae, SU Tauri e RS Telescopii.


Este é o gráfico de variação de magnitude de uma estrela variável R Cononae Borealis típica.
As Nebulosas Planetárias

Já sabemos que quando o hélio fica esgotado na região central de uma estrela gigante vermelha, é formada uma nova região cent ral
desta vez constituida por carbono (C) e oxigênio (O). Poderíamos ser levados a pensar que, tal como vimos acontecer anteriormente
durante a transformação do hidrogêno em hélio, esta região central de C e O começaria a contrair de novo, aumentando a sua
temperatura até que fosse iniciada a queima nuclear destes dois elementos.

No entanto, algo completamente diferente e especial acontece com as estrelas gigantes vermelhas que
se originaram de estrelas da seqüência principal com massa até 3 massas solares. Apesar da contínua
contração gravitacional da região central destas estrelas gigantes vermelhas, as temperaturas centrais
nunca conseguirão alcançar valores suficientemente altos para iniciar a queima do carbono ou do
oxigênio. As conchas externas, de hélio e hidrogênio, que envolvem a região central continuam a queima
nuclear destes dois elementos ainda por algum tempo mas esta fonte de energia nuclear também se
esgota.

O que vai acontecer então? Já vimos que as estrelas gigantes vermelhas sofrem, em certa fase de sua
existência, vários pulsos térmicos devido à extrema sensitividade que o processo triplo-alpha de queima
nuclear do hélio possui em relação à temperatura. Ocorre que, durante a queima da concha de hélio, um
pulso térmico final provoca a ejeção de cerca de 10% da massa total da estrela. Isto significa que a
estrela gigante vermelha ejeta todo o seu envoltório externo, revelando suas regiões internas mais
quentes onde a temperatura pode ser superior a 100000 K. Está formada uma nebulosa planetária,
um dos mais belos objetos que podemos presenciar no espaço.

A nebulosa planetária é mais do que uma nuvem de gás ejetada por uma estrela que está na fase final
de sua evolução. Na verdade ela é o resultado da interação da concha de gás recentemente ejetada pela
estrela gigante vermelha com o gás que já havia sido ejetado por eventos anteriores (tais como os
processos de perda de massa que são muito freqüentes neste tipo de estrelas) e que se move mais
lentamente, com a luz ultravioleta que está sendo emitida pela estrela residual quente que sobreviveu a
este processo. Esta estrela residual quente é apenas a região central da estrela gigante vermelha
primordial. É esta radiação ultravioleta que aquece o gás e o faz fluorescer.

Algumas características das nebulosas planetárias

Hoje conhecemos cerca de 1000 nebulosas planetárias. Todas elas possuem estrelas centrais cujos raios
são, aproximadamente, equivalentes a 100 raios do Sol.

Você poderia questionar porque razão existem tão poucas nebulosas planetárias. Na verdade, a
observação de uma nebulosa planetária depende do tempo de vida da nebulosa visível. Tipicamente o
raio da concha de gás que é emitido pela estrela gigante vermelha ao criar uma nebulosa planetária é de
1/2 ano-luz, aproximadamente 107 raios solares. Este gás se expande pelo meio interestelar com uma
típica velocidade de expansão de 30 quilômetros por segundo. Assim, o intervalo de tempo que a concha
de gás de uma nebulosa planetária leva para ser incorporado ao meio interplanetário é de cerca de 5000
anos. Após 100000 anos não há mais qualquer vestígio da nebulosa planetária.

Com isso concluímos que as belíssimas imagens mostradas abaixo, obtidas pelo Hubble Space
Telescope, muito rapidamente deixarão de nos emocionar ao observarmos o espaço (é melhor você se
apressar e observá-las logo pois daqui a 100000 anos, quando você quiser vê-las, isto não será mais
possível!)

Precisamos, entretanto, ter muito cuidado com o termo "nebulosa planetária" pois ele pode nos induzir a
um grave erro.

Como vimos acima, as nebulosas planetárias não têm absolutamente qualquer relação com planetas.
Elas são conchas de gás lançadas no espaço por estrelas semelhantes ao nosso Sol quando estas se
aproximam do final de sua existência. Ao perder sua camada gasosa mais externa, a estrela expõe sua
região central quente. A forte radiação ultravioleta proveniente desta estrela residual faz o gás ejetado
fluorescer como uma nebulosa planetária.

Estes objetos foram chamados de "nebulosa planetárias" devido ao fato de que as formas arredondadas
que eles apresentavam quando observados em pequenos telescópios sugeriam a forma de planetas.
Mostramos abaixo um conjunto de imagens de nebulosas planetárias com o objetivo de que você
observe as diferentes formas que elas podem apresentar.
copyright: NASA e The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

Esta nebulosa planetária situada na constelação Aquila está a uma distância de 6500 anos-luz de nós,
cerca de 2000 parsecs. O diâmetro da nebulosa é de 24 segundos de arco, o que corresponde
aproximadamente a 0,8 anos-luz ou 600 vezes o diâmetro do nosso Sistema Solar.

As regiões mais azuis da imagem marcam a presença do gás mais quente da nebulosa. As regiões
laranja e vermelho mostram os locais onde os gases frios predominam. A temperatura da superfície da
estrela central remanescente é de impressionantes 140000 Kelvins!
copyright: R. Sahai (JPL) e colaboradores,
Hubble Heritage Team (STScI/AURA), NASA

A nebulosa planetária IC 418 está situada aproximadamente a 2000 anos-luz de nós e tem cerca de 0,3
anos-luz de diâmetro.

Esta imagem, obtida pelo Hubble Space Telescope, revela características muito particulares nesta
nebulosa como, por exemplo, a sua estranha textura até agora não bem compreendida.
A análise de suas particularidades indica que há apenas alguns milhões de anos neste local existia uma
estrela similar ao nosso Sol. E há apenas alguns milhares de anos ainda existia uma estrela gigante
vermelha. Foi então que teve início a transformação desta estrela gigante vermelha em nebulosa
planetária.

copyright: R. Sahai (JPL) e colaboradores, Hubble Heritage Team, ESA, NASA


Esta é a curiosa nebulosa planetária Mz3, também chamada de nebulosa Formiga. Um fato que intriga
os astrônomos é saber porque ela possui uma forma tão estranha! Por que ela não tem a forma de uma
esfera? Fatos observacionais mostram que o gás expelido pela parte central da estrela gigante vermelha
original está se propagando no espaço com a velocidade de 1000 quilômetro por segundo! Talvez este
possa ser o motivo pelo qual a nebulosa Mz3 possui uma forma tão peculiar.
A nebulosa Formiga possui um ano-luz de comprimento.

copyright: Arturo Gomez (CTIO/ NOAO), Hubble Heritage Team, NASA

Em 1985 o astrônomo Arturo Gomez, usando o Hubble Space Telescope, observou este estranho objeto
no céu. Localizado aproximadamente a 10000 anos-luz de nós, na constelação Sagittarius, este objeto
parece ser o início do processo de formação de uma nebulosa planetária. Ela seria uma nuvem de gás
emitida por uma estrela semelhante ao Sol logo depois que o seu hidrogênio foi transformado em hélio.
Daqui a alguns milhares de anos este objeto será uma nebulosa planetária.

Por causa de sua forma tão particular este objeto, que tem o comprimento de apenas uma fração de
ano-luz, recebeu o nome de "Hamburger do Gomez".
copyright: Hubble Heritage Team (AURA/ STScI/ NASA)

Qual foi a estrela responsável pela criação desta belíssima nebulosa planetária? Claro que a estrela bem
brilhante que está no seu centro, não é verdade? Errado! A estrela residual, o centro da estrela gigante
vermelha deixado para trás quando ela expeliu sua atmosfera, é a estrela fraca que aparece logo acima
da outra, no centro da nebulosa planetária NGC 3132.

Esta nuvem de gás brilhante foi produzida por uma estrela semelhante ao nosso Sol que evoluiu para o
ramo das gigantes e ejetou sua atmosfera no espaço.
Supernovas

Quando apresentamos a seqüência evolutiva das estrelas de grande massa ( acima de 10 M sol ) vimos os marcantes processos físicos que
podem ocorrer no seu interior.

As estrelas de grande massa apresentam após o estágio de queima nuclear do hélio várias seqüências de reações nucleares envolvendo
elementos pesados. Vimos que o processo de reação nuclear que realiza a transformação de um elemento químico em outro deixa como
resultado final um resíduo, um novo elemento mais pesado ainda e que vai aos poucos ocupando o centro da estrela. Assim, a contínua
queima destes elementos dá à estrela uma estrutura peculiar, uma série de conchas de elementos químicos pesados diferentes di spostos
em camadas, como se fosse a estrutura de uma cebola. Estes elementos vão queimando de modo seqüencial até que a queima do silício
e do enxofre deixam como resíduo o ferro. Deste modo é criada na estrela uma região central formada por ferro e por outros elementos
vizinhos a ele na tabela periódica .

Durante todo este processo evvolutivo a temperatura da estrela varia bastante , o que a faz se deslocar horizontalmente ao longo das
regiões superiores do diagrama H-R. Sucessivamente vão ocorrendo ignições nucleares dos diferentes elementos químicos que passam a
formar a região central da estrela. Também ocorre a ignição das sucessivas conchas concêntricas que envolvem a região nuclear e que
são formadas por elementos mais leves que aqueles que constituem o seu núcleo neste momento. Vemos portanto que a estrela pas sa
por transformações internas que a levam de supergigante vermelha a supergigante azul e vice-versa , e as reações nucleares diferentes
em diferentes conchas tornam essas estrelas muito instáveis ( pulsam , variam o brilho , etc ) .

No entanto, a duração da queima nuclear em cada novo estágio é progressivamente mais curta do que a anterior. O motivo disso é o
fato de que o número de reações que ocorre aumenta dramaticamente com a temperatura ( lembre-se dos expoentes de T ) . Por
exemplo, uma estrela com 20 Msol que passou cerca de 10 milhões de anos na seqüência principal, leva apenas 1 milhão de anos
queimando hélio segundo o processo triplo-alpha. A queima do seu carbono leva apenas 300 anos, a queima do oxigênio cerca de 2/3 de
um ano e a do silício apenas 2 dias!

Quando, como resultado da queima de outros elementos, a estrela passa a ter um núcleo de ferro, isto significa que está se ap roximando
o final de sua existência e esse fim é rápido , mesmo pelos nossos padrões ! Os átomos de ferro possuem o núcleo mais fortemente
ligado e, portanto, mais estável possível. Dizemos que o núcleo do átomo de ferro é "ponto de separação" entre os processos d e fusão e
os de fissão nuclar.

Ao formar um núcleo de ferro a estrela não consegue mais produzir energia na região central por meio de novos processos nucleares.
Isto não quer dizer que não ocorram mais reações nucleares no seu interior. Outras queimas nucleares, não envolvendo o ferro,
continuarão a ocorrer tendo em vista as temperaturas extremamente altas que existem nas regiões centrais das estrelas de grande
massa. E esse é o grande problema!

Estas reações suplementares, que continuam a ocorrer no interior da estrela, têm um efeito devastador sobre a sua estrutura e
equilíbrio.

Acontece que estas reações retiram energia da região central de uma estrela de grande massa. Esta região possui densidade e
temperatura muito altas. Devido a estas altas temperaturas, são produzidos muitos fótons de raios gama ou seja, de altíssima energia.
Este fótons têm energia suficiente para destruir os núcleos pesados que foram produzidos nos vários estágios de reações nucleares
anteriores. Por exemplo, a seguinte reação ocorre no interior de uma estrela supergigante:

γ + 56Fe —> 13 4He + 4 n


Este processo, chamado fotodesintegração, consegue destruir tudo aquilo que a estrela levou a vida toda para construir. Sua região
central será destruida uma vez que este processo remove a energia térmica que estava armazenada neste local e que fornecia a pressão
necessária para estabilizar a estrela.

O resultado disso é dramático. A região central da estrela sofre um colapso catastrófico. Esta região colapsa rapidamente, se m que este
processo possa ser detido, até alcançar o tamanho de cerca de 10 quilômetros e uma densidade da ordem de 200 milhões de toneladas
por centímetro cúbico!

Quando estas condições extremas são atingidas, os elétrons livres aí existentes reagem com os prótons e formam neutrons segundo o
processo abaixo:
p+ + e- —> n + νe
Isto é o pior que poderia acontecer com a estrela. Os neutrinos, ν e, escapam rapidamente da região central da estrela e isso significa que
esta região perde ainda mais energia e, consequentemente, seu colapso fica cada vez mais rápido. O colapso desta região central é tão
fantasticamente rápido que ela praticamente "se separa" do envoltório estelar.
Quando a região central colapsou até ter cerca de 10 quilômetros, ela endurece devido a um processo chamado degeneração de
nêutrons. No entanto, não só o núcleo mas toda a estrela está colapsando e isto quer dizer que o seu envoltório está caindo na direção
deste pequeno núcleo endurecido. Consequentemente, o material do envoltório da estrela irá "ricochetear" na superfície endure cida do
núcleo estelar, processo este que recebe o nome de "bounce". Após ter acontecido o "bounce", todo o material gasoso da estrela se
deslocará na direção da sua superfície como uma monstruosa "onda de choque".

A animação abaixo mostra os últimos momentos de uma estrela de grande massa. Uma vez que o núcleo da estrela, e m um determinado
momento, colapsa mais rapidamente do que o seu envoltório gasoso, o gás que circunda a estrela irá colidir com a região nucle ar e
"ricochetear" (o processo de "bounce").
À medida que esta onda de choque se desloca pelo interior da estrela ela arrasta o material estelar do
envoltório, comprimindo-o e aquecendo-o.

Como resultado disso ocorre a disrupção total da estrela, um processo rápido e extremamente violento
que libera cerca de 1053 ergs de energia sob a forma de neutrinos e 1051 ergs de energia sob as formas
de energia cinética e luminosa. A energia luminosa liberada subitamente em um processo explosivo
como este é aproximadamente igual à quantidade de energia que o Sol produzirá durante seus 10
bilhões de anos de existência!

temperatura mínima para ocorrer o processo densidade


sequência evolutiva duração do processo
(em Kelvins) (kg/m3)
colapso do núcleo 5,4 x 109 3 x 1012 1/4 segundo
10 15
"bounce" do núcleo 2,3 x 10 4 x 10 milisegundos
9
explosão ~ 10 varia 10 segundos

Está formada uma supernova, uma explosão de uma


estrela que pode por um curto período de tempo gerar
uma intensidade luminosa tão intensa que equivale à
soma das centenas de bilhões de estrelas que existem
na galáxia em que ela se formou.

A imagem ao lado, obtida por Håkon Dahle, nos permite


avaliar a intensidade desse fenômeno ao mostrar a
supernova SN 1998aq (o ponto azul brilhante) formada
na galáxia NGC 3982 em 1998. Note que a intensidade
luminosa da explosão é maior do que aquela
apresentada pela galáxia inteira!

Eventualmente a região central da estrela supergigante


pode sobreviver a este fenômeno violento. A esta
estrela residual, extremamente densa e pequena que
sobrevive ao fenômeno de criação de uma supernova,
damos o nome de estrela de neutrons.

Dois diferentes tipos de supernovas

O processo de criação de supernovas não é único assim como nem todas as supernovas são iguais. Na
verdade existem dois tipos de supernovas.

A formação de uma supernova pode ocorrer a partir de um processo de transferência de matéria entre
estrelas de um sistema binário. Se um desses sistemas tem como uma de suas componentes uma
estrela anã branca pode ocorrer que a estrela maior do par transfira uma quantidade significativa de
matéria para essa anã branca. A este processo damos o nome de "acréscimo de matéria". O processo de
acréscimo de matéria é simples de ser descrito (e difícil de ser entendido): a estrela maior libera matéria
que é atraída pela estrela anã branca. Esta matéria forma um disco em torno da estrela anã branca, o
chamado disco de acréscimo e a partir deste disco a matéria começa a "cair" na estrela anã branca.
Com isso, a estrela anã branca vai aumentando continuamente sua massa. Só que, como já vimos, uma
estrela anã branca não pode ter uma massa superior a 1,44 M sol, o conhecido limite de
Chandrasekhar. Quando exceder este limite de massa a anã branca colapsará produzindo uma
supernova tipo I.
Um outro tipo de supernova será criado a partir do colapso e destruição de uma estrela massiva e solitária . Esta será uma supernova
tipo II. A imagem da esquerda, obtida por Håkon Dahle, mostra uma supernova tipo Ia, SN 2001dn, uma estrela que explodiu na
galáxia NGC 662. A imagem da direita, também obtida por Håkon Dahle, mostra uma supernova tipo II, SN 2001cm, uma estrela que
explodiu na galáxia NGC 5965 em 2001.

Como você pode notar pelas imagens acima não há diferenças visuais entre supernovas tipo I e tipo II.
No entanto, as supernovas tipo I e tipo II podem ser distinguidas pelas suas curvas de luz e linhas de
emissão espectral.

Para estudar melhor o violento fenômeno de formação de uma supernova os astrônomos a observam
durante dias seguidos para obter o que eles chamam de curvas de luz. Nestes gráficos eles relacionam
a magnitude absoluta apresentada pela supernova com a seqüência de dias observados após ela ter
alcançado o brilho máximo.

Os dois gráficos abaixo nos mostram as curvas de luz típicas obtidas para os dois tipos de supernovas
que conhecemos. Observe que as supernovas do tipo I exibem um rápido declínio no seu brilho seguido
por um longo período de queda mais lenta da luminosidade. As supernovas do tipo II têm uma queda
rápida de brilho e, em seguida a um período de estabilidade de cerca de 100 dias, ocorrerá novo declínio
gradual de sua luminosidade. Geralmente as supernovas do tipo II são cerca de 2 magnitudes mais
fracas do que as supernovas do tipo I.
A ocorrência de supernovas na nossa Galáxia

O processo de explosão de uma estrela com a consequente formação de uma supernova não é algo que
observamos todo dia. Na nossa Galáxia temos a formação de uma supernova uma vez por século em
média. No entanto, este número pode não representar com precisão a ocorrência desse fenômeno.
Lembre-se que a presença de gás e poeira na nossa Galáxia impede que tenhamos uma visão completa
do seu conteúdo estelar. Pode ser que a maioria das supernovas formadas na nossa Galáxia estejam
fora da nossa visão, obscurecidas por poeira e/ou gás interestelar.

Existe, entretanto, a ocorrência bem documentada de 4 supernovas históricas na nossa Galáxia:

SN 1006 na constelação Centaurus no céu do hemisfério sul

SN 1054, a supernova Caranguejo, na constelação Taurus, registrada pelos chineses e


possivelmente pelos índios Anasazi nos Estados Unidos

SN 1572, a supernova Tycho, estudada em detalhes pelo astrônomo Tycho Brahe


SN 1604, a supernova Kepler, estudada por Johannes Kepler

A nebulosa do Caranguejo: uma supernova documentada

Nos registros antigos da civilização chinesa ( na época da dinastia Sung ) foi encontrada a seguinte declaração
do astrônomo imperial Yang Wei-T'e:

"Eu fiz o meu "kowtow". Eu observei o fenômeno de uma estrela visitante. Sua cor era ligeiramente
amarela, iridescente. Seguindo uma ordem do Imperador, eu respeitosamente faço a previsão de que a
estrela visitante não perturba Aldebaran. Isto indica que... o Império ganhará grande poder. Eu peço
guardar esta previsão no departamento de historiografia"

Isto aconteceu no "dia de Ch'ih Ch'iu na 5 a lua do primeiro ano do período Shih-huo". A data
correspondente no calendário atual é o dia 4 de julho de 1054. O astrólogo imperial (era astrólogo
mesmo naquela época) havia observado a explosão de uma estrela na constelação Taurus onde hoje
encontramos a nebulosa do Caranguejo , localizada a cerca de 6500 anos-luz de nós ou
aproximadamente 2000 parsecs. Seu tamanho angular é de 4 a 6 minutos de arco e seu tamanho linear
é de 7 a 10 anos-luz.

A supernova SN 1987A na Grande Nuvem de Magalhães

Em fevereiro de 1997 os astrônomos foram surpreendidos pelo surgimento de uma supernova próxima à
nebulosa Tarântula, na galáxia irregular Grande Nuvem de Magalhães . Esta galáxia, situada a cerca de
169000 anos-luz de nós, é uma das galáxias satélite da nossa própria Galáxia.

SN 1987A foi a primeira supernova "vizinha" a nós na era moderna e a mais próxima supernova desde
aquela vista por Kepler em 1606. Por ter sido a primeira supernova descoberta em 1987 ela foi chamada
de SN 1987A seguindo a convenção astronômica.

Inúmeras observações da SN 1987A foram e estão sendo realizadas pelos astrônomos do mundo inteiro.
Um importante fato no que diz respeito a esta supernova é que, pela primeira vez, os astrônomos possuiam dados e imagens da estrela
precursora da supernova ( a estrela que explodiu ). Esta foi a estrela Sanduleak -69 202, também conhecida como Sk -69 202,
registrada em um catálogo de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães pelo astrônomo N. Sanduleak. Situada a uma distância de
160000 anos-luz de nós a estrela Sk -69 202 tinha uma luminosidade de cerca de 100000 Lsol e massa estimada de cerca de 20 M sol.
As duas imagens acima, obtidas por David Malin no Anglo-Australian Observatory, mostram a região antes e depois da explosão desta
estrela.

A estrela Sk -69 202 era uma estrela supergigante B3I com uma temperatura atmosférica de T = 16000 K . Esta temperatura e tipo de
espectral mostram que a estrela Sk -69 202 era uma estrela supergigante azul .

Muitos dados importantes relativos à física básica que ocorre durante o processo de formação de uma supernova puderam ser obt idos
com o acontecimento da SN 1987A. Um deles foi a detecção de neutrinos produzidos pelo colapso da região central da estrela Sk -69
202. Dois imensos detectores de neutrinos, o Kamiokande no Japão e o IMB nos Estados Unidos, conseguiram detectar 20 neutrino s dos
1059 neutrinos que foram emitidos durante o colapso da região central da estrela.

Ao mesmo tempo, observações feitas na região de raios gama permitiram a detecção de núcleos pesados produzidos durante a expl osão
da supernova. Por exemplo, foram observados os seguintes processos:

56
Ni —> 56
Co + e+ + νe + γ (6 dias)
56
Co —> 56
Fe + e+ + νe + γ (79 dias)

O decaimento radioativo destes núcleos fornece a energia necessária para a expansão da concha gasosa da supernova.

A imagem abaixo, obtida por David Malin para o Anglo-Australian Observatory, mostra a SN 1987A dois meses antes de ter alcançado
seu brilho máximo. O Anglo-Australian Observatory possuia uma placa fotográfica desta região obtida dois anos antes desta estrela
explodir. A imagem ao lado mostra a superposição destes dois momentos. A estrela precursora, Sk -69 202, parece ter uma forma
peculiar porque sua imagem está misturada com a de outras estrelas que estão na mesma linha de visada.
Esa imagem do Hubble Space Telescope nos mostra de que modo observamos hoje a supernova SN 1987A.
As Estrelas Anãs Brancas

As belíssimas nebulosas planetárias que observamos no espaço não permanecerão deste modo para
sempre. Seu gás vai aos poucos sendo incorporado ao meio interestelar e, após um período de cerca de
5000 anos, a nebulosa planetária estará completamente dispersa no espaço. Mas, o que acontece com a
estrela residual, aquela estrela central que continuou a existir a despeito da grande ejeção de massa
feita pela estrela gigante vermelha primordial?

A estrela residual do processo de formação de uma nebulosa planetária possui uma luminosidade similar
àquela apresentada pelas estrelas gigantes vermelhas, L ~ 10 3 Lsol, e, portanto, fica localizada no canto
superior esquerdo do diagrama H-R.

No entanto, ao mesmo tempo em que o gás da nebulosa planetária vai se dispersando no meio
interestelar, a estrela central residual passa por vários processos, lentos mas inexoráveis, que a levam
ao final de sua existência como estrela. Já vimos que esta estrela possui uma região central composta
de matéria degenerada. Sua única região ainda não degenerada e que, portanto, ainda é capaz de
realizar reações nucleares, é uma fina concha de matéria que reveste esta região central.

À medida que as reações nucleares vão ocorrendo nesta concha o gás de elétrons livres da estrela fica
cada vez mais degenerado até que o material da concha praticamente se extingue. Neste momento a
estrela é completamente degenerada e toda a sua estrutura é suportada pela pressão de degeneração
dos elétrons. As reações nucleares que ocorriam na concha eram a única fonte de energia da estrela.
Vemos então que, à medida que os processos nucleares vão diminuindo a luminosidade da estrela
também diminui , a estrela definha à medida que esfria. Deste modo, toda estrela que é residual do
processo de formação de uma nebulosa planetária vai aos poucos perdendo a sua luminosidade até se
transformar numa estrela anã branca.

As propriedades das estrelas anãs brancas

Aproximadamente 10% das estrelas pertencentes à nossa Galáxia são estrelas anãs brancas. A imagem
abaixo, obtida pelo Hubble Space Telescope da NASA/ESA nos mostra, envoltas por círculos, um grande
número de estrelas anãs brancas descobertas no aglomerado globular M4. Este aglomerado é o mais
próximos da Terra, situado a uma distância de 7000 anos-luz de nós. É um aglomerado grande , com
mais de 100000 estrelas, predominantemente estrelas gigantes vermelhas. A imagem mostra 8 estrelas
anãs brancas das 75 que o Hubble Space Telescope detectou em uma pequena área de apenas 0,63
anos-luz de diâmetro. Acredita-se que este aglomerado possua cerca de 40000 estrelas anãs brancas.
Uma das mais famosas estrelas anãs brancas é a estrela Sirius B. O sistema estelar de Sirius está localizado a cerca de 8,6 anos-luz da
Terra. Este é um sistema binário que envolve a estrela mais brilhante do céu, Sirius A, uma estrela que possue duas vezes mais massa
do que o nosso Sol. Sua companheira é uma estrela anã branca, Sirius B, com uma temperatura superficial de cerca de 25000 K. A
estrela anã branca Sirius B tem uma massa igual à massa do Sol e seu diâmetro é apenas 90% do diâmetro da Terra! A gravidade sobre
a sua superfície é cerca de 400000 vezes superior àquela que sentimos no nosso planeta. Na imagem abaixo, obtida pelo Chan dra X-ray
Observatory, um dos mais bem sucedidos observatórios espacial lançados pela NASA, vemos Sirius B (a fonte mais brilhante ! ) e Sirius
A observadas em raios X. Quando observadas na região espectral do visível a luminosidade de Sirius A é 10000 vezes mais forte do que
a de Sirius B.
A tabela abaixo resume as propriedades mais gerais das estrelas anãs brancas até agora observadas.

Dados gerais sobre as estrelas anãs brancas


raio ~ 10-2RTerra
luminosidade baixa (L ~ 10-3Lsol)
temperatura da superfície Tsuperfície= 10000 K
0,1 Msol < Manã < 1 Msol
massa
(em média massa de 0,5 Msol)

Dois aspectos são muito importantes na tabela acima:

algumas estrelas muito pesadas que evoluem para nebulosas planetárias têm que ejetar bastante matéria no meio interestelar
para deixar uma estrela residual com apenas 1,0 massa solar .

como a estrela remanescente de uma nebulosa planetária tem uma luminosidade de 10 3Lsol e uma estrela anã branca tem uma
luminosidade de 10-3Lsol , vemos o grande caminho que ela percorre em termos de perda de luminosidade, ocasionado pelo
contínuo aumento da sua região central formada por matéria degenerada e diminuição da energia gerada pelas reações
nucleares .

O destino das estrelas anãs brancas

A estrela anã branca continua a esfriar mas este processo de esfriamento é lento. Ela levará bilhões de anos até irradiar para o espaço
toda a energia térmica que possui no seu interior e a razão deste longo tempo é o fato de que ela possui uma área superficial muito
pequena.
No diagrama H-R a estrela anã branca lentamente se moverá para baixo e para a direita à medida que esfria.

Quando o processo de esfriamento termina, a estrela anã branca não emite mais radiação na região espectral do visível.
Consequentemente, ela desaparece da nossa vista. A estrela agora é um objeto frio que vaga pelo espaço. A este objeto final, resultado
do desaquecimento de uma estrela anã branca, alguns astrônomos dão o nome de "anã negra".

As estrelas anãs brancas são muito pequenas. Ela têm, aproximadamente, o tamanho da Terra. No entanto, devido à sua matéria
estelar, este tipo de estrela possui uma densidade da ordem de 1 milhão de gramas por centímetro cúbico. Isto é equivalente a esmagar
um automóvel Volkswagen até que ele fique com um volume de um centímetro cúbico. Se você tirasse uma colher de chá de matéria de
uma estrela anã branca, esta quantidade tão pequena de matéria pesaria o equivalente a uma tonelada no nosso planeta.

Uma estrela descoberta por teóricos

Toda a teoria das estrelas anãs brancas foi desenvolvida pelo astrofísico indiano Subrahmanyan Chandrasekhar em
1931. Este jovem astrofísico apresentou o seu trabalho original na Royal Society em Londres, onde foi duramente
criticado pelo astrofísico Arthur Eddington, um dos maiores cientistas da época. Mais tarde provou-se que a teoria de
Chandrasekhar estava correta.
A mais importante descoberta de Chandrasekhar foi o fato de que nem todas as estrelas terminam a sua existência
como anãs brancas. Aquelas que mantém uma massa acima de um certo limite, que hoje é conhecido como o limite
de Chandrasekhar, não conseguem parar o colapso gravitacional.

A teoria desenvolvida por Chandrasekhar e que hoje sabemos ser correta nos diz que:

Se uma estrela central de uma nebulosa planetária tem massa menor do que 1,4 massas
solares ela evolui, tornando-se cada vez mais degenerada e finalmente se estabiliza como uma
estrela anã branca.

Uma surpresa: um sistema triplo com uma pulsar, uma estrela anã branca e um planeta!

A imagem abaixo mostra a pequena região marcada com um retângulo verde no aglomerado globular M4 ampliada no lado direi to pelo
Hubble Space Telescope. A seta assinala uma estrela anã branca que está em órbita em torno de um pulsar chamado PSR B1620 -26 (não
visível na imagem). Este sistema possui uma terceira componente cuja natureza, durante mais de uma década, intrigou os astrônomos.
O Hubble Space Telescope conseguiu revelar que este terceiro componente é um objeto com uma massa 2,5 vezes superior à do pla neta
Júpiter. Os astrônomos acreditam que se trata de um planeta que se formou junto com a estrela anã branca.
Uma surpresa: um sistema triplo com uma pulsar, uma estrela anã branca e um planeta!

A imagem abaixo mostra a pequena região marcada com um retângulo verde no aglomerado globular M4 ampliada no lado direito pel o
Hubble Space Telescope. A seta assinala uma estrela anã branca que está em órbita em torno de um pulsar chamado PSR B1620-26 (não
visível na imagem). Este sistema possui uma terceira componente cuja natureza, durante mais de uma década, intrigou os astrôn omos.
O Hubble Space Telescope conseguiu revelar que este terceiro componente é um objeto com uma massa 2,5 vezes superior à do planeta
Júpiter. Os astrônomos acreditam que se trata de um planeta que se formou junto com a estrela anã branca.
As Estrelas de Nêutrons

Sabemos que os átomos podem ser descritos,de um modo bastante aproximado como sendo formados por um núcleo, composto de
prótons e nêutrons, e em torno do qual giram elétrons. Isso não foi sempre assim. Somente em 1932 é que o físico inglês Chadwick
descobriu o nêutron. Antes disso, os astrofísicos acreditavam que a configuração mais densa, e estável, que podia ser obtida com a
matéria degenerada, era uma estrela anã branca. No entanto, tão logo o nêutron foi descoberto, dois astrofísicos, Fritz Zwick e Walter
Baade, propuseram em 1933 que deveriam existir configurações estelares formadas por matéria ainda mais densa do que os elétrons
degenerados das estrelas anãs brancas. Para eles poderiam existir estrelas de nêutrons.

Como estas estrelas seriam formadas? Ocorre que, segundo o limite de Chandrasekhar, se a estrela central de uma nebulosa
planetária tem massa maior do que 1,4 massas solares ela não consegue se estabilizar como uma estrela anã branca. Ao contrário, esta
estrela continua a contrair até que a matéria que a forma atinge a densidade de 2 x 10 10 quilogramas por metro cúbico. Quando isto
ocorre, os elétrons começam a reagir com prótons dando origem a nêutrons. A matéria estelar fica cada vez mais enriquecida de
nêutrons. A estrela continua a contrair e quando sua densidade alcança a densidade de 3 x 10 16 quilogramas por metro cúbico ela já está
composta por um gás de nêutrons degenerado. A estrela agora é uma típica estrela de nêutrons.

Podemos dizer então que

Se uma estrela central de uma nebulosa planetária tem massa maior do que 1,4 massas
solares ela evolui, tornando-se cada vez mais degenerada, e finalmente se estabiliza como
uma estrela de nêutrons.

É importante entender que uma estrela de nêutrons não é uma estrela anã branca que continuou a colapsar! Lembre-se que as estrelas
anãs brancas constituem o estado de equilíbrio de uma estrela central residual que se originou a partir da transformação de u ma estrela
gigante vermelha em uma nebulosa planetária. Uma estrela de nêutrons é formada por processo totalmente diferente.

As propriedades das estrelas de nêutrons

A tabela abaixo resume as propriedades mais gerais das estrelas de nêutrons até agora observadas.

Dados gerais sobre as estrelas de nêutrons


~10 quilômetros
raio
(~ 1/600 RTerra ou 10-5 Rsol)
densidade de 2 x 1016 a 2 x 1018 quilogramas por metro cúbico
entre 1,4 e 3 M sol
massa
(em média massa > 1/5 Msol)

Observe o valor assombroso da densidade de uma estrela de nêutrons. Uma colher de chá de matéria tirada da superfície de uma estrela
de nêutrons pesaria cerca de 100 milhões de toneladas na superfície da Terra!

A estrutura de uma estrela de nêutrons

Podemos ser levados a pensar que uma estrela de nêutrons é formada apenas por nêutrons. Isso não é correto. A física sugere que a
estrutura de uma estrela de nêutrons é algo bastante complexo e, até hoje os cientistas discordam em alguns detalhes.

Podemos dizer que uma estrela de nêutrons é formada por:

uma camada superficial:


56
esta região, uma camada rígida formada por Fe, tem uma densidade menor do que 10 9 quilogramas por metro cúbico.

uma crosta externa:


esta camada, que fica abaixo da camada superfícial, é também uma região sólida formada por núcleos pesados. Sua densidade
ρ é 1010 < ρ < 4,3 x 1014 quilogramas por metros cúbico.

uma crosta interna:


esta região, cuja densidade está entre 4,3 x 10 14 e 2 x 1017 quilogramas por metros cúbico, é formada por nêutrons livres uma
vez que quando a densidade da matéria atinge valores de 1014 quilogramas por metro cúbico os núcleos atômicos começam a se
dissociar e os nêutrons ficam livres.

o interior:
esta região, que está abaixo da crosta, atinge uma pressão bastante alta que força a matéria a se transformar em um estado
líquido formado por nêutrons, prótons e elétrons livres. Dizemos que, em regiões internas da estrela de nêutrons onde a
densidade é superior a 2 x 1017 quilogramas por metro cúbico, a estrela é formada por um líquido de nêutrons, embora ele
tenha também uma concentração pequena de elétrons e prótons. Um fato muito importante é que este líquido de nêutrons é um
líquido superfluido e supercondutor. Isto quer dizer que as partículas que o formam praticamente não têm fricção e ele é um
condutor quase perfeito de eletricidade.

o núcleo:
esta é a região mais central da estrela de nêutrons e, por esta razão, a mais difícil de ser entendida. Nesta região a densid ade
da matéria alcança o fantástico valor de 10 18 quilogramas por metro cúbico. Este é o domínio da física de partículas de altas
energias. Acredita-se que o núcleo das estrelas de nêutrons seja formado por quarks, um dos elementos mais fundamentais da
natureza que, como já vimos, forma as partículas nucleares.
O campo magnético de uma estrela de nêutrons

Uma das principais características de uma estrela de nêutrons é o fato de que elas possuem intensos campos magnéticos. Na sup erfície
da estrela esse campo pode atingir valores entre 10 10 gauss < B < 1013 gauss (Gauss é uma unidade de medida de campo magnético).
Para sentir como este campo é intenso, devemos lembrar que o nosso Sol possui um campo magnético de 1 gauss, exceto nas re giões de
manchas solares quando o valor do campo magnético pode ser maior do que vários milhares de gauss. Note também que o campo
magnético da nossa Galáxia é de 10 -6 gauss.

A rotação de uma estrela de nêutrons

As estrelas de nêutrons giram muito rapidamente, especialmente se elas foram produzidas a partir da
explosão de uma supernova. Trabalhos teóricos revelaram que as estrelas de nêutrons deveriam ter um
período mínimo de rotação de 1/2 milisegundo, o que é uma rotação muito rápida para um objeto deste
tamanho.

Estrelas de nêutrons: uma história quase esquecida até que...

A possibilidade de existirem estrelas tão densas e com propriedades tão estranhas foi considerada
inaceitável por muitos cientistas. Pode-se dizer que a teoria das estrelas de nêutrons não foi bem
recebida e praticamente ignorada até o ano de 1967. Nesse foi inaugurado na Inglaterra um novo
radiotelescópio. Durante o seu trabalho para a obtenção do título de doutor, Jocelyn Bell (imagem
abaixo), então aluna orientada por Anthony Hewish, detectou um estranho sinal rádio com um período
altamente regular. Este sinal se repetia, do mesmo modo, a cada 1,33730119 segundos!

Isto era algo impressionante. Nunca havia


sido detectado no espaço qualquer objeto
capaz de emitir pulsos tão regulares.
Ironicamente, os pesquisadores do grupo de
Hewish, do qual Jocelyn Bell fazia parte,
apelidaram o sinal de "Little Green Men"
("pequenos homens verdes") numa alusão à
possibilidade de que pudéssemos estar
recebendo sinais de uma civilização
alienígena.

Hewish e seus colaboradores, com exceção


de Jocelyn Bell, não levaram a sério esta
detecção periódica atribuindo-a a vários
outros fatores. No entanto, Jocelyn acreditou
que havia detectado algo interessante e
prosseguiu o seu trabalho. Algumas semanas
mais tarde mais três objetos emitindo
também sinais rádio incrivelmente regulares
foram detectados em outras regiões do
espaço. Isto mostrava que, ao contrário de "pequenos homens verdes", os astrônomos haviam
descoberto um novo e estranho objeto no espaço. A esses objetos foi dado o nome de "pulsing radio
sources", logo abreviado para pulsares.

Em 1969 astrônomos do Lick Observatory observaram opticamente, pela primeira vez, um pulsar
próximo à região central da nebulosa Caranguejo, com uma freqüência de 30 pulsos por segundo.
Sabendo que a nebulosa Caranguejo é resultado da explosão de uma estrela ou seja, é um resto de
supernova, os astrônomos começaram a investigar as propriedades deste pulsar e verificou-se que o
pulsar tinha as mesmas propriedades de uma estrela de nêutrons! Tanto os pulsares como as estrelas de
nêutrons têm tamanhos de aproximadamente 10 quilômetros, seu período de rotação é totalmente
compatível e seus campos magnéticos têm o mesmo valor. Finalmente podia-se dizer que as estrelas de
nêutrons realmente existiam e eram os pulsares.
Se as estrelas de nêutrons são o mesmo que os pulsares, o que está "pulsando" nelas?

Na verdade, o nome "pulsar" não é correto. A


emissão periódica de radiação feita por um
pulsar não é uma pulsação verdadeira, estando
associada com a rotação da estrela de
nêutron.

Veja só como issso ocorre. Já vimos que as


estrelas de nêutrons giram muito rápido e
possuem um campo magnético muito forte. A
física elementar nos diz que se um campo
magnético é submetido a uma rotação rápida
há a produção de um campo elétrico (este é o
princípio básico dos geradores de eletricidade
que usamos nos carros e em diversas outras
atividades da nossa vida diária). É isto então
que ocorre nas estrelas de nêutrons. Elas criam
um intenso campo elétrico à sua volta o qual
arranca partículas carregadas de sua superfície,
principalmente elétrons situados próximos aos
pólos da estrela. Estas partículas carregadas
são então aceleradas a altas velocidades. Mas
também sabemos que se uma partícula
carregada é acelerada ela emite energia na
forma de fótons. Estes fótons se deslocam na
mesma direção dos elétrons, saindo da estrela
de nêutrons ao longo dos pólos, em feixes
estreitos. Se o eixo magnético da estrela de
nêutrons (ou pulsar) está inclinado em relação
ao seu eixo de rotação vemos a radiação como
se fossem .... pulsos!

Na verdade, a emissão da radiação é contínua e


não verdadeiros pulsos. É a orientação deste
feixe de radiação em relação a nós,
observadores, que nos leva a percebê-los como
se fossem pulsos rádio.

Esta imagem mostrada ao lado nos revela de


que modo um pulsar "liga" e "desliga" sua
emissão de energia. Observe o ponto luminoso
na parte superior esquerda da primeira imagem
e que desaparece nas outras.
Hoje mais de 1300 pulsares já foram
observados.

As Magnetars

Existe um tipo especial de estrelas de nêutrons


que estão em rotação e possuem um campo
magnético extremamente intenso. Estas
estrelas de nêutrons super magnetizadas são
chamadas de magnetars.
Uma destas magnetars é a SGR 1900+14. Esta
estrela de nêutrons tem o mais forte campo
magnético conhecido em toda a nossa Galáxia! O seu campo magnético é aproximadamente 1 000 000
000 000 000 de vezes maior do que o campo magnético da Terra! Para que você possa imaginar o que
este valor significa saiba que se uma barra magnetizada com esta intensidade de campo magnético
fosse colocada na metade da distância entre a Terra e a Lua ela seria capaz de arrancar qualquer caneta
de metal que estivesse em seu bolso na Terra. O magnetar SGR 1900+14 emite poderosos lampejos de
raios gama.

Intensidades de Campos Magnéticos Típicos


Intensidade do campo magnético
Objeto
(em gauss)
campo magnético da Terra 0.6
barra de ferro magnetizada 100
os mais fortes campos magnéticos mantidos em laboratório 4 x 105
os mais fortes campos magnéticos feitos por cientistas
107
(duração de milisegundos)
campo magnético máximo em estrelas ordinárias 106
campos magnéticos típicos de pulsares radio 1012
14
magnetares 10 - 1015

Aqui estão alguns arquivos .WAV onde você poderá ouvir a modulação de áudio freqüência do ruido
radio gerado pelos pulsares. Todos estes registros foram obtidos pela antena de 92 metros do
radiotelescópio do National Radio Astronomy Observatory (NRAO), nos Estados Unidos.

pulsar PSR 0329+54: período de 0,71 segundos.


pulsar PSR 0950+08 : período de 0,253 segundos
pulsar PSR 0833 (Vela Pulsar): período de 0,089 segundos
Buracos Negros

Já vimos que estrelas cuja massa inicial é maior do que 10 massas solares ao alcançarem os estágios
finais de sua evolução passam por processos bastante violentos. A região central dessas estrelas
gigantes sofre um fortíssimo colapso gravitacional que irá levá-las a sofrerem uma enorme explosão.
Quando isso acontece essas estrelas gigantes lançam toda a sua matéria no espaço interestelar e podem
ser completamente destruidas ou deixar uma estrela residual, uma estrela compacta que é chamada de
estrela de nêutrons.

No entanto, se a estrela inicial é muito grande, pode ocorrer que


após a sua explosão o objeto residual deixado para trás ainda
tenha muita massa. Nesse caso pode acontecer que o colapso
gravitacional continue a agir nesse objeto residual de modo tão
intenso que a pressão da matéria ali existente não consiga
suportar esse esmagamento. Nesse caso a estrela residual
continua a colapsar, de modo contínuo, e termina formando aquilo
que os astrônomos chamam de buraco negro.

Formando buracos negros

Vamos supor que a estrela residual do processo de formação de


uma supernova tenha uma massa superior a 3 massas solares. Essa massa está bem acima do limite
superior estabelecido pelo físico indiano Chandrasekhar para as estrelas anãs brancas, que sabemos ser
de apenas 1,4 massas solares. Pode ser mostrado que a pressão de elétrons degenerados que
caracteriza uma estrela anã branca é incapaz de estabilizar um objeto como esse e impedir a
continuação de seu colapso gravitacional. Também vimos anteriormente que uma estrela anã branca não
é formada a partir de explosões de supernovas e sim a partir da formação de nebulosas planetárias.
Portanto esse objeto residual não pode ser uma estrela anã branca.

Por outro lado quando uma estrela gigante explode e forma uma supernova , se ela deixar para trás
uma estrela residual com massa superior a 1,4 massas solares teremos a formação de uma estrela de
nêutrons. A estrela de nêutrons é um objeto surpreendentemente compacto. Uma estrela de nêutrons
típica tem aproximadamente uma massa solar comprimida a densidades superiores à densidade nuclear
dentro de uma esfera que atinge no máximo 30 quilômetros de diâmetro. No entanto, a física nuclear
nos mostra que a pressão de degeneração de nêutrons que caracteriza a matéria de uma estrela de
nêutrons também não consegue impedir o colapso gravitacional continuado de um objeto com massa
superior a 3 massas solares , ou seja , há um limite superior de massa para a formação de uma estrela
de nêutrons.

Bem , se essa estrela residual com massa superior a 3 massas solares não pode ser uma estrela anã
branca nem uma estrela de nêutrons então o que ela é? Para entender melhor o que está acontecendo
precisamos verificar o conceito de velocidade de escape.

O conceito de velocidade de escape

A velocidade de escape é a velocidade que um corpo material precisa para escapar da ação do campo
gravitacional de um objeto.

Dado um corpo de massa M e raio R, a velocidade de escape V que um objeto material precisa atingir
para conseguir escapar do campo gravitacional desse corpo é dada por:

Nessa equação a massa M é dada em quilogramas, o raio R em metros, e a velocidade de escape V é


dada em metros por segundo. Isso faz com que a constante gravitacional, representada na equação pela
letra G, tenha o valor 6,67 x 10-11.
A equação apresentada acima nos mostra que, dada uma mesma massa, a velocidade de escape será
maior se o objeto tiver um raio menor. Isso ocorre porque a mesma massa colocada em um raio menor
cria uma força da gravidade maior e conseqüentemente os objetos materiais terão mais dificuldade de
escapar da sua superfície.

A tabela abaixo mostra a velocidade de escape para alguns componentes do Sistema Solar. Ela está
calculada em relação à gravidade exercida por cada um dos objetos citados.

velocidade de escape
Objeto do Sistema Solar
(km/seg)
Sol 617,50
Mercúrio 4,25
Vênus 10,36
Terra 11,186
Lua 2,40
Marte 5,02
Júpiter 59,56
Saturno 35,49
Urano 21,30
Netuno 23,50
Plutão 1,10

Com base na equação acima podemos calcular a velocidade de escape de um corpo colocado sobre a
superfície de uma estrela anã branca. Vamos supor uma estrela anã branca com uma massa equivalente
à do Sol. No entanto, o raio de uma estrela anã branca é cerca de 100 vezes menor do que o do Sol.
Isso faz com que a velocidade de escape de um corpo colocado sobre a superfície dessa estrela seja
muito maior do que se ele estivesse sobre o Sol. Como a velocidade de escape depende da raiz
quadrada do raio a velocidade de escape de um corpo sobre a superfície de uma estrela anã branca é
(raiz quadrada de 100) = 10 vezes maior que a do Sol. Assim a velocidade de escape na superfície de
uma estrela anã branca é cerca de 6000 quilômetros por segundo! Somente com essa velocidade um
corpo conseguiria superar o campo gravitacional da estrela anã branca e escapar para o espaço.

No caso de uma estrela de nêutrons os números são ainda mais fantásticos. Vamos supor uma estrela
de nêutrons com uma massa semelhante à do Sol mas com um raio que é cerca de 10 5 vezes menor do
que o dele. A raiz quadrada de 10 5 é aproximadamente 3 x 102 = 300. Isso quer dizer que a velocidade
de escape em uma estrela de nêutrons com essa massa seria 300 vezes maior do que aquela existente
no Sol. Assim, a velocidade de escape nessa estrela de nêutrons seria cerca de 180000 quilômetros por
segundo. Note que isso é mais da metade da velocidade da luz no vácuo!

Como a Teoria da Relatividade Restrita formulada por Einstein em 1905 nos afirma que nenhum corpo
material pode ter uma velocidade maior que a velocidade da luz , certamente essa pode ser considerada
a maior velocidade de escape possível. Assim, podemos escrever que

Note que nessa equação só entram duas quantidades físicas do corpo , ou seja, o raio e a massa.

Com essa equação podemos calcular o raio para o qual um determinado corpo não permitiria que nem
mesmo a luz pudesse escapar de sua superfície. Resolvendo a equação acima para o raio obtemos

Isso quer dizer que um corpo de massa M cujo raio é dado pela expressão acima não permitirá que
nada, nem mesmo a luz, saia de sua superfície. Como a Teoria da Relatividade Restrita proposta por
Einstein em 1905 postula que nenhum corpo material pode ter velocidade superior à da luz o raio acima
estabelece um limite físico para que um objeto colocado na superfície dessa estrela consiga ser
observado. Quando um objeto celeste com uma dada massa M atinge o valor de R dado pela equação
acima ele se transforma em um buraco negro.
Assim, usando valores numéricos você pode conferir que se pudéssemos comprimir um corpo celeste
com uma massa solar (o nosso Sol!) até ele atingir um raio de cerca de 3 quilômetros , esse corpo se
transformaria em um buraco negro. Nesse caso a estrela residual literalmente desaparece do Universo
observável uma vez que nem mesmo os fótons conseguem escapar do seu intenso campo gravitacional.
No entanto, é bom relembrar que o Sol jamais se transformará em um buraco negro, como já vimos
anteriormente.

Podemos dizer então que:

Se a estrela residual deixada para trás após a explosão de uma estrela gigante tem massa
maior do que 3,0 massas solares sua matéria não consegue evitar o continuo colapso
gravitacional. A estrela residual colapsará até formar uma singularidade no espaço-tempo a
que damos o nome de buraco negro.

Um pouco da história dos buracos negros

A possibilidade da existência
de um corpo celeste com uma
massa tão grande que nem
mesmo a luz pudesse escapar
de sua superfície foi descrita
pela primeira vez pelo clérigo
e geólogo inglês John Michell
no ano de 1783, em um
artigo enviado para a Royal
Society de Londres. Seu
trabalho certamente baseava-
se apenas na física
Newtoniana.

Em 1796 o matemático e
físico francês Pierre-Simon
Laplace desenvolveu a
mesma idéia. Ele a
apresentou na primeira e
segunda edição de seu livro
"Exposition du Systeme du
Monde". No entanto, a partir
da terceira edição essas
idéias foram retiradas do texto.

A partir de Laplace essas idéias foram praticamente abandonadas ao longo de todo o século XIX.
Lembre-se que nessa época os físicos acreditavam que a luz era uma onda, sem massa e portanto não
sentia a influencia do campo gravitacional.

Somente com o advento da Teoria da Gravitação de Einstein, proposta por ele em 1915, é que os
astrônomos passaram a considerar seriamente a possibilidade de existirem buracos negros. Foi Einstein
quem mostrou que o campo gravitacional pode influenciar a trajetória de um raio luminoso. Meses após
Einstein apresentar sua teoria da gravitação o físico alemão Karl Schwarzschild obteve a primeira
solução exata dessas equações de campo. Ele mostrou que para uma distribuição de massa puntiforme a
solução obtida se apresentava bastante peculiar quando, em unidades geométricas, r = 2m. A essa
região característica damos o nome de "raio de Schwarzschild". Esse resultado não foi bem entendido na
época e o próprio Scwarzschild achava que ele poderia não ter uma explicação física.

Em 1939 dois físicos norte-americanos, Robert Oppenheimer e H. Snyder, publicaram um trabalho onde
mostravam que um objeto esférico com grande massa poderia sofrer um colapso gravitacional
impossível de ser detido. Isso levaria à formação de uma singularidade no espaço-tempo. Tais objetos
foram durante algum tempo chamados de "estrelas congeladas" uma vez que eles mostraram nesse
trabalho que um observador situado a grande distância da "estrela" veria seu colapso gravitacional ir
diminuindo de velocidade rapidamente até que ele praticamente "parasse" ao atingir o chamado "raio de
Schwarzschild", quando então o objeto apresentaria um espectro cujas linhas estariam infinitamente
deslocadas para a região vermelha.

Muitos cientistas acreditavam que esses resultados não tinham validade física e eram devidos apenas à
alta simetria do problema abordado. Para eles os objetos realmente existentes no Universo, que não
possuem simetria esférica, colapsariam sem formar "estrelas congeladas". O estudo desses objetos
permaneceu sem interesse até o final dos anos da década de 1960.

Durante muito tempo esses possíveis objetos colapsantes receberam o nome genérico de "estrelas
congeladas" e de "estrelas escuras". Mais tarde, em 1969, o físico norte-americano John Wheeler criou o
termo "buraco negro". A partir dessa época, os objetos descritos por John Michell e Pierre Laplace,
totalmente baseados na física Newtoniana, passaram a ser chamados de "estrelas escuras" para
diferenciá-los dos buracos negros, objetos inteiramente baseados na física relativista.

Com a descoberta dos pulsares e sua consequente identificação como estrelas de nêutrons aumentou o
interesse pelos buracos negros. Os astrofísicos notaram que novos objetos poderiam ser criados pelo
colapso gravitacional de estrelas de grande massa. Mostrou-se que havia um limite superior de massa
para a formação das estrelas de nêutrons. Os objetos que ultrapassavam esse limite não podiam deter o
colapso gravitacional e inevitavelmente se transformavam em buracos negros.

O horizonte de eventos

O que acontece quando o "raio de Schwarzschild" é alcançado? Nesse caso a curvatura do espaço-tempo é tão grande que nem mesmo a
luz consegue escapar da superfície do objeto que está colapsando. Se a luz não escapa do objeto um observador situado distante desse
"raio" não conseguirá mais enxergar o objeto. Ele se transformou em um buraco negro. Este corpo celeste está agora envolto por um
contorno, uma "membrana" do espaço-tempo que impede que tenhamos qualquer informação sobre o que está ocorrendo no interior
dela. A esse contorno damos o nome de horizonte de eventos.
As propriedades de um buraco negro

Dissemos que não podemos ver o que ocorre além de um horizonte de eventos ou seja, não podemos enxergar o interior de um bura co
negro. Por esse motivo ficamos com um número bastante limitado de propriedades físicas que podemos associar a ele.

Essa característica de um buraco negro faz com que não tenha sentido perguntar de que é feito um buraco negro. Ele pode ser f eito de
qualquer coisa.

Existem, entretanto, algumas propriedades que podem ser mensuráveis ou que, por princípios de conservação, permanecem associadas
a um buraco negro.

Podemos medir a massa de um buraco negro porque a massa gera campo gravitacional. Na verdade, para o estudo de um buraco negr o
a massa é a propriedade importante e não o que o compõe.

O campo gravitacional gerado por um buraco negro não é diferente daquele gerado por qualquer outro corpo que tem a mesma mass a.
Por exemplo, embora saibamos que isso nunca vai acontecer, se o Sol se contraisse e se transformasse em um buraco negro com a
mesma massa que ele tem agora, a Terra continuaria a percorrer sua órbita exatamente como ela o faz agora, sem sentir qualque r
diferença ou alteração em seu curso.

Ao contrário do que é dito, os buracos negros não têm qualquer propriedade especial que dê a eles um campo gravitacional
extremamente forte.

Existem duas outras propriedades dos buracos negros que podem ser sentidas além do raio de Schwarzschild. São elas a carga el étrica e
o momento angular.

Um buraco negro pode se tornar elétricamente carregado se algum excesso de um dos dois tipos de carga conhecidas (positiva ou
negativa) cair no seu interior.

O momento angular é uma propriedade muito mais importante para a descrição dos buracos negros. Quase sempre a matéria tem algum
momento angular e, se ela se torna um buraco negro, esse momeno angular é mantido. Isso dará origem a um buraco negro em rota ção
que também é chamado de buraco negro de Kerr.

Um buraco negro em rotação não terá a forma esférica. A distância do seu centro ao horizonte de eventos é menor ao longo do eixo de
rotação do que ao longo da direção perpendicular a ele.
A imagem acima foi gerada por computadores e é uma concepção artística de um buraco negro em
rotação. O horizonte de eventos é a esfera negra no centro do desenho. O disco de gás que circunda o
buraco negro é representado pelos anéis brancos e azuis. Esse gás gira em torno do buraco negro em
velocidades diferentes. O material mais próximo ao buraco negro está a uma velocidade próxima à
velocidade da luz.

A radiação de Hawking

Em 1974 o físico inglês Stephen Hawking fez a previsão de que os buracos negros podiam irradiar.

Essa descoberta de Hawking já havia sido antecipada pelo físico Jacob Bekenstein quando estudava a
relação entre a gravidade e a termodinâmica. No entanto, foi Hawking quem mostrou que,
surpreendentemente, um buraco negro emite radiação de corpo negro.

Na verdade, podemos usar a lei de Wien, que como já vimos, relaciona a temperatura de um corpo com
o comprimento de onda no qual ele irradia mais fortemente, para estimar a temperatura de um buraco
negro. Hawking calculou que o comprimento de onda de emissão máxima é aproximadamente 16 vezes
o raio de Schwarzschild, Rs, do buraco negro. Esse resultado também foi encontrado por Bekenstein.

A lei de Wien estabelece que a temperatura de um objeto é inversamente proporcional ao comprimento


de onda da radiação que ele emite. Desse modo a temperatura de um buraco negro é igual a uma
constante dividida por Rs.

Para um buraco negro com massa solar isso equivale a cerca de 6 x 10 -8 Kelvin. Isso é uma temperatura
muito baixa, muito frio, mas de modo algum é o zero absoluto. Consequentemente, um buraco negro,
como qualquer outro corpo cuja temperatura não é o zero absoluto, emite energia na forma de ondas
eletromagnéticas. Essa energia agora é conhecida como radiação de Hawking.

Entretanto, para buracos negros com massa estelar a quantidade de radiação de Hawking emitida é
demasiadamente pequena para ser detectada pelos instrumentos hoje disponíveis. Não obstante, a
existência de tal radiação significa que os buracos negros não são verdadeiramente negros.

A radiação de Hawking é criada por processos físicos quânticos que permitem a energia escapar dos
buracos negros a despeito de sua intensa gravidade.

Tendo em vista que a única fonte de energia disponível a um buraco negro é a sua massa, à medida que
um buraco negro "brilha", embora muito fracamente, sua massa deve diminuir. Em outras palavras, os
buracos negros devem "evaporar".

Entretanto, o tempo necessário para um buraco negro de massa solar desaparecer por esse processo de
"evaporação" é muitíssimo longo. Nesse caso particular esse buraco negro levaria cerca de 10 67 anos
para desaparecer! Esse intervalo de tempo é imensamente longo - muitíssimo maior do que a idade do
Universo. No entanto essa descoberta nos mostra algo extremamente importante: até mesmo os
buracos negros evoluem e "morrem"

Observando buracos negros

Um objeto que não emite luz ou qualquer outra forma de radiação eletromagnética não é fácil de ser
observado. No entanto, da mesma forma que você pode "ver" o vento pelo seu efeito sobre as folhas e a
poeira, os astrônomos também são capazes de "ver" buracos negros pelos efeitos que eles produzem na
sua vizinhança.

Suponha que uma estrela de grande massa pertencente a um sistema binário explode como uma
supernova. Suponha também que sua região central possui uma massa de 10 massas solares, o que é
muito superior a 3 massas solares, o limite para a formação de uma estrela de nêutrons. Nesse caso
essa região central irá colapsar até a formação de um buraco negro. Nosso sistema binário, que antes
era formado por uma estrela gigante e uma estrela companheira agora é formado por um buraco negro,
resultante da explosão da estrela gigante, e a antiga companheira.

A intensa gravidade do buraco negro poderá começar a sugar matéria da estrela companheira na sua
direção. Essa matéria que "cai" na direção do buraco negro gira em torno dele e forma um disco de
acréscimo cuja borda interna está localizada um pouco fora do raio de Schwarzschild do buraco negro.
Nessa região, onde o disco gira a uma velocidade bem próxima da velocidade da luz, turbulência e
fricção aquecem o gás em rotação até a espantosa temperatura de 10 milhões de Kelvin. Isso faz com
que esse gás emita raios X e raios gama.

A animação acima (COPYRIGHT: NASA/CXC/A.Hobart) nos mostra toda a atividade que circunda um
buraco negro. A matéria que ultrapassa o "horizonte de eventos" do buraco negro não pode ser
observada. No entanto, o material restante do disco que continua girando em torno do buraco negro e
está localizado além dessa região sem retorno, que é o "horizonte de eventos", continua sendo
acelerada e aquece até atingir milhões de graus Celsius, o que faz com que ela emita raios X. No final da
animação o buraco negro é apresentado envolto em uma nuvem de gás e poeira que o impede de ser
observado na maioria dos comprimentos de onda, exceto em raios X.

Como o buraco negro está em um sistema binário , sua órbita em torno da estrela companheira faz com
que ele possa eventualmente ser eclipsado por ela. À medida que o buraco negro gira em torno da
estrela companheira o gás emissor de raios X pode desaparecer das nossas vistas pois ele é eclipsado
pela estrela companheira.

Se mantivermos um telescópio de raios X apontado continuamente para esse sistema binário


registraremos um sinal estacionário de raios X que desaparecerá durante os eclipses do buraco negro
feitos pela estrela companheira. Tal sinal poderia ser a assinatura da existência de um buraco negro.

Mas como podemos saber que essa fonte de raios X não é apenas uma estrela de nêutrons? Como essas
fontes de raios X são sistemas binários podemos medir as massas de seus participantes. Se detectamos
que existe gás emissor de raios X em torno de um corpo que não podemos ver mas calculamos que sua
massa excede 5 massas solares podemos, com bastante segurança, dizer que esse objeto invisível é um
buraco negro uma vez que as estrelas de nêutrons não podem ter uma massa tão grande.

Por exemplo, Cygnus X-1, a primeira fonte de raios X detectada na constelação Cygnus, consiste de uma
estrela supergigante e uma companheira invisível cuja massa é de , pelo menos , 6 massas solares. Não
conhecemos nenhum objeto astronômico que possa ter uma massa tão grande e ser invisível, exceto um
buraco negro.

Um candidato ainda melhor para buraco negro é AO620-00, um objeto emissor de raios X na
constelação Monoceros. A massa calculada da estrela invisível é de , mais ou menos , 16 massas
solares.
A animação mostrada acima (COPYRIGHT: NASA/CXC/M.Weiss) revela as diferenças existentes
entre os buracos negros supermassivos, os maiores do Universo, e outros buracos negros menores. Em
ambos os casos os buracos negros estão "engolindo" grandes quantidades de gás e poeira existente nos
discos que os circundam. Na primeira imagem vemos um buraco negro com uma massa entre 10
milhões e 100 milhões de massas solares. Nesse caso o buraco negro central está obscurecido por uma
espessa nuvem de gás e poeira que tem a forma de um torus (uma rosquinha). A segunda imagem
mostra o crescimento de um buraco negro bem maior, cuja massa é superior a 100 milhões de massas
solares. Nesse caso o buraco negro se apresenta circundado por um torus de poeira e gás muito menos
espesso.