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INTRODUÇÃO

Desde tempos imemoriais que existem atividades comerciais. Poderá dizer-se que o comércio nasceu quando duas pessoas descobriram que se trocassem entre si o que cada uma tinha a mais pelo que cada uma tinha a menos poderiam ambas ganhar. A troca, uma das componentes fundamentais da atividade comercial, é uma afirmação de inteligência, em que seres humanos decidem obter bens de que necessitam - ou que têm a vontade ou o desejo de possuir - não pela força, não pela coação, não pela intimidação, não pelo furto, mas através de comunicação e de negociação. Como se deve calcular, a História do Comércio confunde-se com a História da Humanidade, como se confunde com muitas outras realidades que fazem parte da vida quotidiana das pessoas. O comércio e a distribuição estão presentes em quase tudo: na paisagem, no povoamento, nas compras, na ocupação do tempo, no emprego, na economia.

Conceitos fundamentais

  • 1. NECESSIDADES, CONSUMO E PRODUÇÃO

Qualquer ser vivo, para sobreviver e prosperar, tem que satisfazer um conjunto de necessidades básicas. Os organismos estão dotados de mecanismos que emitem sinais de alerta automáticos - por exemplo, fome, sede ou sono -, que impelem à procura de formas de satisfação das necessidades - no mesmo registo, comer, beber ou dormir. Estes tipos de necessidades elementares, de natureza eminentemente fisiológica, são comuns a todos os seres vivos. Mas há outras categorias de necessidades mais elaboradas, que foram resultando do desenvolvimento das espécies, como, por exemplo, as de tipo afetivo. E, a nível superior, estão necessidades ainda mais complexas, exclusivamente humanas, como autoestima, realização pessoal, necessidade de aprender ou referências morais. Nos tempos primitivos, as necessidades básicas das pessoas eram satisfeitas de forma primária, utilizando aquilo que existe espontaneamente na natureza. Por exemplo, a fome era satisfeita ingerindo frutos, plantas ou animais, obtidos por colheita simples ou através da caça. A primeira grande conquista histórica da Humanidade foi a aquisição da capacidade de controlar e aperfeiçoar meios naturais de satisfação de algumas necessidades humanas básicas. Pela adoção de práticas de trabalho, como a agricultura e a pastorícia, a espécie humana passou a poder obter os alimentos de que necessitava com mais autonomia e menos incerteza. Com o início destas atividades pode legitimamente começar a falar-se de produção e de consumo como atos distintos e complementares. Produção pode definir- se como a atividade destinada à realização de produtos, isto é, meios de satisfação de necessidades; e consumo como o ato de utilização de produtos para satisfação de necessidades. Dito de outra forma, produção será criação de utilidade (um produto só faz sentido se for útil a alguém) e consumo será o uso dessa utilidade.

INTRODUÇÃO Desde tempos imemoriais que existem atividades comerciais. Poderá dizer-se que o comércio nasceu quando duas

1.1.

MERCADO

O aperfeiçoamento dos métodos de produção permitiu o aumento da produtividade, o que veio a resultar em excedentes produtivos, que são produtos que sobram depois de satisfeitas as necessidades dos seus produtores. A existência de excedentes de produção é uma condição necessária à possibilidade de realização de trocas e, por conseguinte, ao aparecimento de mercados. Com o tempo, tornou-se possível que a produção evoluísse de

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baseada na satisfação das necessidades próprias do produtor (subsistência) para centrada na satisfação de necessidades de outros (consumo), dando origem à especialização económica e à produção para o mercado. Em vez de se vender aquilo que sobrava do consumo próprio, passou a produzir-se para vender, obtendo-se com a venda meios de transação que depois servem para adquirir todos os outros bens que o próprio não produz mas de que tem necessidade. Com a evolução da especialização económica e da produtividade, os meios de transação obtidos na venda começaram a poder ser superiores àqueles que se despendiam nas compras, daqui resultando um benefício, que se pode acumular, investir ou despender em consumos menos essenciais. Assim se criou a oportunidade de produzir bens que já não se destinavam a suprir carências básicas mas a satisfazer necessidades de nível superior. Inicialmente as trocas eram feitas diretamente entre produtos. No entanto, a atribuição de valor, eminentemente subjetiva, dificultava as transações. Quantas maçãs valeria uma galinha ou quantos coelhos uma arma? Com o tempo, apareceram referências de valor, normalmente metais preciosos, sobretudo ouro, aceites por um número cada vez maior de pessoas, que facilitaram as transações. Com a generalização deste uso pode começar a falar-se de preços, que mais não são do que referências de valor relativo entre diferentes produtos. A evolução conduziu ao aparecimento da moeda, que é o meio de transação por excelência nos mercados modernos. Sem a moeda não teria sido possível o desenvolvimento dos mercados. Mercado é um conceito prolífico, cujos múltiplos significados se acomodam como as camadas de uma cebola. No seu sentido mais básico, é um lugar de comércio, um local onde compradores e vendedores se encontram e efetuam transações. Mas mercado pode também designar tanto o conjunto dos compradores de um produto como a quantidade ou o valor das vendas desse produto numa determinada região. Poderá igualmente entender- se o termo como a área geográfica na qual diversos concorrentes competem pelos mesmos clientes. Pode falar-se de mercado de um produto, de mercados de exportação ou de mercado bolsista. Ou então de mercado de trabalho, mercado imobiliário, mercado monetário ou mercado cambial. Apesar da profusão, há denominadores comuns em todas estas perspetivas. Um deles é a existência de oferta (quem tenha produtos para vender) e procura (quem queira comprar produtos). Outro denominador é o da realização de transações, o que pressupõe uma outra condição, que é a da existência de preços, isto é, que os que procuram e os que oferecem se entendam nos montantes das transações.

baseada na satisfação das necessidades próprias do produtor (subsistência) para centrada na satisfação de necessidades de
baseada na satisfação das necessidades próprias do produtor (subsistência) para centrada na satisfação de necessidades de

1.2.

COMÉRCIO

Com o mercado nasceu o comércio. A palavra "comércio", que deriva do termo latino commercium, significa, pela autoridade de um conceituado dicionário de Língua Portuguesa (Academia das Ciências de Lisboa, 2001), a "atividade que tem por objetivo a venda de bens ou serviços ou a sua compra para posterior revenda, depois de transformados ou não". Esta noção afigura-se limitada e redutora, correspondendo à ideia ultrapassada de que o comércio desempenha uma função intermediária menor, intercalada entre os polos de produção e consumo. Numa tentativa de definição mais atual e abrangente diremos que comércio é a atividade através da qual se realizam trocas de valor entre compradores (procura) e vendedores (oferta) e em que os preços das transações exprimem o ponto de equilíbrio entre o valor da oferta e o valor percebido da procura, segundo uma determinada referência monetária. O comércio é uma realidade heterogénea, na qual distintas entidades realizam funções diferentes. A clivagem mais significativa é a que separa o grosso do retalho.

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Comércio por grosso é "a atividade de compra e venda de bens novos ou usados, sem transformação que altere a identidade económica destes bens, efetuada a retalhistas, grossistas ou utilizadores e exercida em estabelecimentos comerciais ou de forma não sedentária nos locais previstos na lei" (DGCC, IAPMEI, 1999); Comércio a retalho é "a atividade de compra e venda de bens novos ou usados, sem transformação que altere a identidade económica destes bens, destinados ao consumidor final e exercida ou não em estabelecimento comercial" (DGCC, IAPMEI, 1999). O comércio por grosso tem um papel relevante tanto no comércio interno como no externo. No comércio internacional assume funções de importador e/ou exportador. A função exercida no comércio interno é a de grossista, que é "pessoa singular ou coletiva que, de forma habitual e profissional, exerce como atividade principal o comércio por grosso" (DGCC, IAPMEI, 1999).

• Comércio por grosso é "a atividade de compra e venda de bens novos ou usados,

1.3.1. Grossistas

Ao contrário do retalhista, cujo contacto com o consumidor final lhe granjeia um mais fácil reconhecimento, a atividade do grossista permanece menos visível e, como tal, suscita alguma incompreensão e desconfiança. No entanto, o comércio por grosso tem desempenhado ao longo dos tempos um papel de grande utilidade nos chamados circuitos de distribuição. Uma das utilidades principais, certamente contraintuitiva, porque na aparência o grossista é apenas um intermediário, é a da simplificação e de melhoria da eficiência de funcionamento do mercado. Para melhor compreendermos este ponto, o melhor é olharmos para um exemplo. Consideremos um mercado simples com 10 produtores e 100 retalhistas diferentes em que não existam grossistas. Em tal mercado, para que todos os produtores possam chegar aos consumidores através de todos os retalhistas, é preciso que se realizem transações entre todos os agentes económicos. Assim sendo o número total de transações necessárias será de 100x10=1.000. Imaginemos agora outro mercado, igualmente com 10 produtores e 100 retalhistas, mas em que existam também 2 grossistas. Os produtores neste caso vendem aos grossistas e estes aos retalhistas. Para os produtores a eficiência é maior no segundo caso: em vez de terem que transacionar pequenas quantidades com 100 clientes diferentes, passam a transacionar maiores quantidades com apenas 2, obtendo as economias correspondentes. Mas para os retalhistas é também benéfico: em vez de comprarem a 10 fornecedores diferentes, como no primeiro caso, compram apenas a 2. E se combinarmos os efeitos a montante e a jusante, a existência de 2 grossistas no

segundo caso faz com que a eficiência geral do mercado seja muito superior à do primeiro caso. Como vimos, naquela situação, em que não existiam grossistas, eram necessárias 1.000 transações para fazer o abastecimento de todos os produtos a todos os retalhistas. Com a presença dos grossistas no segundo caso, o número de transações para obter o mesmo efeito cai para 220 (2x10+2x100). Demonstra-se portanto que o comércio por grosso simplifica e aumenta a eficiência geral dos mercados, sendo naturalmente o seu papel tão mais relevante quanto mais disperso e fragmentado for o retalho. Mas a relevância do grossista abrange também outras áreas:

Armazena mercadorias, criando bolsas de segurança que atenuam os riscos de ruturas de abastecimento;

Transporta produtos, realizando uma função de distribuição física;

Loteia mercadorias, adaptando as quantidades às necessidades dos clientes 1 ;

Financia o retalho, através da concessão de crédito;

É um importante veículo de transmissão de informação entre produtores e retalhistas, nos dois sentidos.

1 Este papel, fundamental na era em que predominavam as mercadorias a granel, quase desapareceu com a generalização dos produtos embalados na produção.

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Apesar de todas estas funções de relevo, o comércio por grosso atravessa um período de declínio nos países mais desenvolvidos em quase todos os sectores. As principais causas são:

Apesar de todas estas funções de relevo, o comércio por grosso atravessa um período de declínio

Concentração do retalho, que tem provocado a diminuição do número de clientes potenciais e, ao mesmo tempo, tem conduzido à integração pelos grandes retalhistas das suas operações a montante; Concentração na produção que, conjugada com a do retalho, esmaga o grossista entre duas forças poderosas que tendem a relacionar-se diretamente; Novas tecnologias, que tornam a informação aberta; Modernos sistemas de logística, que tornaram estas funções dos grossistas menos necessárias. Face a estes desafios, os grossistas têm procurado responder de diversas formas:

Novos serviços, para diferenciar e melhorar a oferta; Mais dimensão, por aquisições e fusões, para obter economias de escala; Organização de cadeias voluntárias; Medidas para redução de custos. Apesar disso, muitos grossistas têm vindo a abandonar a atividade.

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1.3.2. Retalhistas Loja começou por ser a designação atribuída ao piso térreo de um edifício. No meio rural destinava-se sobretudo a dar guarida a animais domésticos, mas também servia como arrecadação. O nome foi depois adotado para os estabelecimentos comerciais, provavelmente devido ao facto de se situarem, por norma, em pisos térreos. Uma loja é então um local aberto ao público onde os consumidores podem adquirir certos tipos de produtos. Recentemente o conceito de loja tornou-se menos preciso e mais abrangente. Pode também ser aplicado a outros locais públicos para, por exemplo, prestação de serviços, como é o caso das intituladas lojas financeiras ou da Loja do Cidadão. Também é muitas vezes usado no ciberespaço para designar modalidades de retalho on-line (lojas virtuais). Contudo, o conceito central nos nossos dias continua a ser o do estabelecimento comercial físico que expõe determinadas categorias de produtos e aonde o consumidor se pode deslocar para fazer as suas compras. Os tipos e configurações de lojas são muito diversos e têm evoluindo ao longo do tempo, como veremos mais adiante. Mas retalho não é apenas lojas. Existem outras modalidades, como a venda ambulante, a venda domiciliária, a venda automática ou a venda a distância:

A venda ambulante caracteriza-se pelo facto do comerciante se deslocar com a mercadoria que vende aos locais (residências, quintas, aldeias), onde se encontram os clientes; A venda ao domicílio é uma "modalidade de venda a retalho em que o contrato é proposto e concluído

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pelo vendedor ou seus representantes, no domicílio do consumidor, no seu local de trabalho, no domicílio de outro consumidor ou em deslocações organizadas pelo vendedor fora do seu estabelecimento" (DGCC, IAPMEI, 1999); Venda automática é uma modalidade de retalho que se realiza "por meio de máquinas próprias, colocadas para o efeito em locais de acesso ao público" (DGCC, IAPMEI, 1999). Venda a distância é uma "modalidade de venda a retalho em que se oferece ao consumidor a possibilidade de encomendar pelo correio, telefone, Internet ou outro meio de comunicação à distância, os bens divulgados através de catálogos, revistas, televisão ou quaisquer outros meios gráficos ou audiovisuais" (DGCC, IAPMEI, 1999).

1.3.

DISTRIBUIÇÃO

Originalmente o conceito de distribuição confundia-se com distribuição física de mercadorias, ou seja: transporte de produtos entre uma origem (produção) e os locais onde se tornam acessíveis aos consumidores (pontos de venda), podendo incluir várias etapas e diversos intervenientes. Esta perspetiva, em que a distribuição é um canal de escoamento de produtos, está centrada na produção. É uma atuação de trás para a frente, denominada push (empurrar), que se caracteriza por pouco envolvimento de quem distribui, agente passivo do processo. Foi este o modus operandi predominante na era da escassez, na qual a procura latente não era completamente satisfeita pela oferta de produtos (Figura 1). Nas últimas décadas, nos países desenvolvidos, a era da escassez foi substituída pela da abundância (Figura 2), que se caracteriza pelo facto da maioria dos consumidores ter as suas principais necessidades integralmente satisfeitas e se assistir por isso a uma gradual saturação de consumo em muitas categorias de produtos básicos. Nestes mercados maduros, em que a oferta tende a exceder a procura, o centro de gravidade passa da primeira para a segunda. Agora quem manda é o consumidor, que não compra aquilo que há mas aquilo que quer, o que torna o push, em que os produtores colocam no comércio aquilo que produzem, insustentável. Exige-se outra prática, da frente para trás, designada pull (puxar), em que são os consumidores que determinam aquilo que deve ser produzido. A nova dinâmica do mercado constitui para o comércio um desafio e uma oportunidade. Um desafio de adaptação ao novo paradigma. Uma oportunidade para, aproveitando a sua posição intermédia, serem fatores de equilíbrio e, de certo modo, árbitros, entre produtores desorientados e consumidores exigentes mas isolados (Figura 3). A modernização do comércio é a resposta aos desafios e oportunidades e é nela que o conceito de distribuição começa a ter uma natureza diferente. No comércio tradicional, as diversas funções encontram-se quase sempre repartidas por diversos operadores, designadamente grossistas, que tomam a seu cargo a transferência de mercadorias entre a produção e os pontos de venda, e retalhistas, que se ocupam do interface com os consumidores. Desde há muito que os maiores retalhistas compram diretamente aos fabricantes, dispensando o grossista. Numa primeira fase, apesar de o retalhista poder ter muitas lojas, elas tendiam a funcionar de modo mais ou menos independente, com integração mínima. As compras eram feitas diretamente pelas lojas e as entregas, a cargo do produtor, eram também realizadas em cada ponto de venda. No estágio seguinte, os retalhistas centralizam as compras e integram a logística, com o objetivo de otimizar as operações e controlar a cadeia de abastecimento. É este modelo de gestão integrada de operações na cadeia de abastecimento que se designa por distribuição, na aceção moderna do termo. Apesar de se ter colocado o acento tónico na migração do retalho para montante, nalguns casos é o grossista que estende as suas atividades a jusante, de forma direta, pela abertura de lojas próprias, ou usando modalidades de integração de retalhistas independentes.

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1.4.

COMÉRCIO ORGANIZADO

O comércio é uma atividade em que o preço é um fator competitivo determinante e em que portanto as margens estão normalmente sob pressão, o que exige grande eficiência de processos, baixos custos operacionais e boa negociação na compra. A dimensão das grandes empresas, a par da integração de funções na cadeia de abastecimento, proporciona economias de escala, permite níveis superiores de eficiência operacional e aumenta o poder de negociação com os fornecedores. Tudo isto faculta grandes vantagens competitivas às grandes empresas distribuidoras sobre o pequeno comércio independente. Não surpreende por isso que o crescimento dos grandes distribuidores aconteça mais por conquista de vendas aos pequenos comerciantes do que por aumento do mercado. Muitos destes, não podendo competir com armas desiguais, optam por perder um pouco de autonomia em troca de participação em organizações que, agregando empresas formalmente independentes, obtêm em conjunto maior escala, maior poder de negociação e mais eficiência. Estas organizações assumem as formas de associação ou de integração. Na sua essência, o comércio associado é uma congregação de retalhistas independentes com a finalidade de, tendo conjuntamente maior poder negocial, obterem dos fornecedores preços mais baixos. As associações que recebem um mandato dos associados para executarem em seu nome certas funções designam-se por centrais de compras ou agrupamentos de compras. Nalguns casos tomam a forma de cooperativas, como é o caso da Grula 2 , primeira central de compras criada em Portugal. O comércio integrado, como o nome sugere, é uma forma mais completa, em que os membros se comprometem a respeitar e cumprir certas formas de atuação e orientações emanadas centralmente. Para além das compras e da logística, esta modalidade pode envolver uma insígnia comum, marcas próprias e serviços partilhados, designadamente marketing e sistemas de informação 3 . Estas organizações aparecem muitas vezes por iniciativa de grossistas sendo então designadas por cadeias voluntárias 4 . Com o tempo, os agrupamentos de compras começaram a aspirar a escalas ainda maiores e a agregar-se em super- centrais. Na Europa, foi-se estabelecendo uma hierarquia com vários níveis, que tem na base pequenas centrais locais, as quais se associam em agrupamentos de dimensão nacional, que, por sua vez, fazem parte de mega- centrais à escala europeia 5 .

  • 1.5. COOPETIÇÃO

A expansão da moderna empresa de distribuição foi feita por conquista, a dois níveis:

Por aumento de dimensão, desafiando a tradicional hegemonia dos produtores nos circuitos de distribuição; Por integração operacional, invadindo o território tradicional do grossista; Por capacidade competitiva, ameaçando o mercado dos retalhistas independentes. É claro que mudanças tão profundas na dinâmica e no equilíbrio dos mercados não se realizam sem divergências, tensões e, por vezes, conflitos:

  • 2 Constituída em 1971, a Grula veio recentemente a fundir-se com outras duas cooperativas de retalhistas (Torrental e Coopertorres), formando a GCT (Gestão de Comércio Total)

  • 3 Por vezes também se usa a expressão comércio integrado como sinónimo de distribuição, em que se verifica, não uma integração horizontal entre empresas independentes, mas uma integração vertical entre funções de retalho e de grosso.

  • 4 A maior cadeia voluntária europeia é a Spar, baseada na Alemanha.

  • 5 As principais super-centrais europeias são a European Marketing Distribution (EMD), criada em 1989, e a Associated Marketing Services (AMS).

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Os produtores tentaram defender a forma tradicional de fazer negócio usando, quer a força das suas marcas, quer as suas associações representativas; Os comerciantes independentes reagiram através das suas organizações representativas e também de modalidades de comércio associado e integrado. Numa luta capitaneada pelas associações comerciais, os pequenos comerciantes conseguiram obter dos decisores políticos alguns paliativos normativos destinados a atenuar o crescimento ameaçador da moderna distribuição. Os licenciamentos para novas aberturas de lojas tornaram-se mais condicionados e os horários de funcionamento mais limitados. Estas medidas porém não impediram o inevitável, dado que a opção final é dos consumidores e estes deixaram-se seduzir pela novidade, pela variedade e sobretudo pelos preços dos grandes espaços comerciais. Tal como os pequenos comerciantes, também os produtores mais pequenos e/ou menos preparados, sobretudo aqueles que não tinham bases de diferenciação sólidas ou marcas fortes, foram os mais afetados pelo avanço da distribuição moderna. Por outro lado, entre grandes produtores e grandes distribuidores foi-se estabelecendo um novo equilíbrio, que resulta de uma abordagem relacional mais inteligente que reconhece que os papéis são complementares na cadeia de valor. Na realidade, produtores e distribuidores dependem uns dos outros e ambos dependem, em última instância, dos consumidores, gerando-se assim entre as distintas entidades uma rede de interdependências relacionais. A existência de divergências, que sempre se manterão, porque nem os objetivos nem os interesses são coincidentes, não implica o não aproveitamento de convergências, em que a cooperação pode gerar ganhos tanto para produtores como para distribuidores. O potencial de cooperação existe sempre que a atuação conjugada permita criar mais valor do que a atuação separada. Duas grandes áreas de oportunidades se têm revelado:

1)

a oportunidade de tornar o ato de compra mais estimulante para o consumidor;

2) a oportunidade de eliminar fatores de ineficiência e custos desnecessários ao longo da cadeia de abastecimento. O relacionamento tende a evoluir para um misto de cooperação e competição, fenómeno a que Adam Brandenburger e Barry Nalebuff (1996), professores respetivamente das universidades de Harvard e de Yale, deram o nome de coopetição.

  • 1.6. SISTEMAS DE VENDAS

As atividades comerciais distinguem-se entre si pela utilização de diferentes metodologias de vendas. Uma primeira divisão pode estabelecer-se entre:

Comércio itinerante, que não possui ponto de venda fixo e se desloca até aos clientes; Comércio sedentário, que dispõe de espaços físicos fixos, acessíveis ao público; Comércio a distância, que não tem contacto direto com os clientes, fazendo as suas vendas através de um determinado médium.

• Os produtores tentaram defender a forma tradicional de fazer negócio usando, quer a força das
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O comércio itinerante inclui vendedores ambulantes e feirantes, os quais se estabelecem temporariamente em recintos de feiras. Pode ainda abranger a venda domiciliária, em que o comerciante se

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desloca a residências ou locais de trabalho a oferecer as suas mercadorias 6 . O comércio sedentário, cujo símbolo primeiro é a loja, também inclui quiosques e os postos de venda fixos nos mercados. Refere-se tanto a comércio retalhista como grossista. Neste último caso, o local de venda é designado armazém e o grossista muitas vezes chamado armazenista. O sistema fixo pode ser com assistência, em livre serviço ou de venda automática. No sistema de venda com assistência o cliente é atendido por vendedores, que são mediadores entre consumidor e produto. No comércio alimentar e nas grandes superfícies, alimentares e não alimentares, predomina o livre serviço, sistema em que as mercadorias estão expostas perante os clientes, com algumas indicações sumárias, permitindo ao cliente escolher sem qualquer assistência e transportar ele próprio os produtos até à caixa. A venda automática é realizada através de máquinas e utiliza-se sobretudo para produtos de pequena dimensão, preço baixo e compra impulsiva. O comércio a distância pode ser declinado de acordo com o meio de comunicação utilizado. As formas mais antigas são as do catálogo impresso ou da distribuição de folhetos de venda pelo correio. Mas abrange variadas outras formas, como a venda telefónica (televenda), a venda através da televisão (teleshopping) ou da imprensa e ainda, mais recentemente, a venda pela Internet. Qualquer que seja o meio utilizado, o comerciante não tem contacto direto com o cliente, usando sistemas de comunicação unidirecionais de marketing de massas para apresentar os produtos que vende e as condições em que o faz.

desloca a residências ou locais de trabalho a oferecer as suas mercadorias . O comércio sedentário,
desloca a residências ou locais de trabalho a oferecer as suas mercadorias . O comércio sedentário,

2. História do comércio

Identificar o momento exato em que se iniciou o comércio é praticamente impossível. Desde sempre existiram pequenas atividades comerciais. Historicamente pode-se afirmar que o comércio surgiu a partir dos processos de trocas na antiguidade, quando duas pessoas descobriram que poderiam trocar entre si o que uma tinha a mais e a outra a menos. A troca é portanto uma das principais componentes da atividade comercial. E a ideologia do comércio é justamente isso: trocar uma coisa por outra. Atualmente trocamos produtos e serviços por dinheiro. No mundo contemporâneo, o chamado “comércio eletrónico” permite-nos comprar em qualquer parte do mundo o que necessitamos sem sair de casa. No entanto na antiguidade o comércio era diferente. O sistema de trocas, que é considerado a primeira forma de comércio, era local. O que quer dizer que apenas as pessoas de uma determinada comunidade realizavam essas trocas. Cada família possuía uma determinada habilidade, (pesca, agricultura, pecuária ou outra), e através dela garantia o seu sustento. Deste modo acabavam por produzir mais do que necessitavam para consumir e aparece a necessidade da troca. Neste momento as fórmulas comerciais são ainda simples. No entanto é percetível que o comercio se desenvolve permitindo que as pessoas não sofram com o desperdício dos suas mercadorias e ainda obtenham outras, cultivadas ou criadas por famílias diferentes. Com o passar do tempo, os comércios começaram a tornar-se cada vez mais complexos. A expansão surge, e com ela, a necessidade de se determinar um valor específico para as coisas, um modelo de referência para dinamizar as trocas. E assim, nasce a moeda! É neste momento que surge uma nova fase do comércio: a fase do

desloca a residências ou locais de trabalho a oferecer as suas mercadorias . O comércio sedentário,

6 6 O sistema de venda a domicílio muitas vezes é organizado em extensas redes de vendedores, podendo assumir diferentes configurações, que passam por modalidades de assinatura (Círculo de Leitores), de reuniões de demonstração (Tupperware, Avon, Jafra) ou de venda multi- nível (Amway, Herbalife)

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desenvolvimento. Mas a moeda não foi o único fator de desenvolvimento. A invenção da escrita, da imprensa, da bússola, a descoberta de novas terras, o progresso da indústria, o aparecimento dos veículos, os próprios meios de comunicação, fez com que o comércio se desenvolvesse. Através de um aumento de produtos e da maior facilidade de circulação, as transações aumentaram. Evoluiu o comércio e, ao mesmo tempo, para disciplinar tais transações, foi-se formando lentamente, um conjunto de normas que, sistematizadas, constituem, hoje, um importante ramo do Direito: O Direito Empresarial. E o comércio continua a sua evolução até aos dias de hoje. Hoje já não trocamos entre vizinhos. O comércio é à escala mundial. Assim cabe-nos perceber que o Comércio Internacional é a troca de bens e serviços através de fronteiras ou territórios. Na maioria dos países, ele representa uma grande percentagem do PIB. O comércio internacional está presente em grande parte da história da humanidade, mas a sua importância económica, social e política tornou-se crescente nos últimos séculos. O avanço industrial, do transporte, a globalização, as corporações multinacionais, o outsourcing tiveram grande impacto no incremento deste comércio. O aumento do comércio internacional pode ser relacionado com o fenómeno da globalização.

  • 3. História do comércio internacional

O Estado nacional e a economia internacional moderna surgem ao mesmo tempo. Este é um processo político e económico através do qual (no caso da política) nasce o Estado absolutista e o mercantilismo (numa dimensão económica). Esta expansão comercial, (mercantilismo), cria condições para a criação de uma economia mundial tornando-se a base económica para o desenvolvimento do capitalismo industrial. O comércio internacional que até aqui era visto como uma economia marginal transforma-se atividade económica central no processo do desenvolvimento económico e motor de crescimento de importantes economias. Há muitos anos atras, as sociedades tradicionais de comerciantes estavam divididas em dois grandes grupos: os que atuavam no comércio de longa distância (transporte marítimo) e os que atuavam no mercado local. Os primeiros dependiam de uma rede de cidades e mercados onde era possível vender e comprar mercadorias. No entanto, a comercialização das mercadorias não seria possível sem a monetização da economia e criação de instituições com regras conhecidas como o direito empresarial. Estes foram os grandes bens sociais oferecidos pelos emergentes Estados nacionais que permitiram o desenvolvimento do comércio internacional. Com a Revolução Industrial deu-se um tremendo salto económico e nos 150 anos compreendidos entre a Revolução Industrial e a Primeira Guerra Mundial o mundo transformou-se ainda mais. Surgiu então uma economia que, embora dividida em Estados nacionais, se caracterizava por um elevado grau de integração.

1.2. Globalização

Este processo de globalização que se seguiu ao fim das guerras fez com que nenhum país do mundo fosse capaz de ignorar o seu papel na rede de relações comerciais internacionais. Mas afinal, o que é globalização? A globalização define-se como uma nova era na história da humanidade em que a interdependência e as fronteiras nacionais desapareceram. Acredita-se que a globalização é a continuidade do processo de crescimento das relações económicas internacionais em curso desde o século passado. Pode-se ainda afirmar que caracteriza um processo transformador da economia mundial contemporânea que funciona como um processo com ângulos de análise económicos, sociais e culturais.

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A globalização produtiva parte da crescente interligação dos mercados. O que tem provocado uma expansão do número de empresas que operam no mercado internacional. Contudo este mercado internacional cinge-se às regiões próximas ao país de origem. O aspeto mais frequentemente associado à ideia de globalização é o sistema financeiro. O grande fator positivo é a superação das barreiras anteriormente impostas ao movimento internacional dos capitais. O lado menos positivo é a maior exposição dos países aos riscos de movimentos especulativos em grande escala. Outra questão é a interligação de empresas localizadas em diferentes partes do mundo, transformando as empresas multinacionais e reduzindo a autonomia dos governos.

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