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REBECA, LIA E RAQUEL


Gênesis 24; 29.1 a 30.26

Quando realmente incorporamos o ensino bíblico ao nosso coração e à nossa mente,


isso não apenas modela nosso comportamento em várias circunstâncias da vida, mas
nos dá uma nova forma de enxergar a vida, isto é, uma nova visão de mundo,
orientada pelo ensinamento bíblico e por nossa relação com Deus. Hoje estudaremos
duas histórias que ilustram bem esse fato.

Na primeira, veremos a influência da visão de mundo de Abraão, submetendo suas


escolhas ao governo providencial de Deus. Na segunda, veremos como Jacó,
orientado somente por suas preferências e opiniões, se meteu em uma rede de
pecados e impiedade. Veremos hoje a história de Rebeca, Lia e Raquel.

1 - A BÊNÇÃO DE REBECA (GN 24.1 -67)


Abraão, já avançado em dias, deu uma importante incumbência ao servo mais antigo
de sua casa, pessoa de sua total confiança: procurar, entre a parentela de Abraão,
uma esposa para Isaque (Gn 24.1-4).

Já diante da cidade de Ur, cidade natal de Abraão, o servo faz uma oração ao Senhor,
pedindo a sua direção no cumprimento dessa tarefa tão importante (v. 12- 14).
Quando Rebeca lhe deu água, bem como a todos os camelos, o servo de Abraão
começou a ficar desconfiado de que havia encontrado a pessoa certa para se casar
com Isaque (v. 15-21).

Enquanto ela dava água aos camelos, "o homem a observava, em silêncio, para saber
se teria o Senhor levado a bom termo a sua jornada ou não" (v. 21). O servo esperava
que a esposa de Isaque lhe fosse mostrada pela ação da providência de Deus.

Terminada a tarefa de Rebeca, o servo procura descobrir se ela cumpre o único


requisito indispensável da recomendação insistentemente feita por Abraão: ele
pergunta de quem ela era filha, tentando descobrir se ela era da parentela de Abraão.
Logo que houve a resposta, o servo se inclina e louva ao Senhor pela ação bondosa
de sua providência (v. 26,27).

O servo é recebido com alegria pela família de Rebeca e, na primeira oportunidade,


expõe detalhadamente o propósito de sua viagem. Tendo ouvido o longo relato feito
pelo servo de Abraão, Labão e Betuel respondem positivamente ao seu pedido,
permitindo que ele leve Rebeca para ser mulher de Isaque (v. 51). Rebeca, tendo a
oportunidade de manifestar sua vontade, aceitou ser a esposa de Isaque (v. 58).

Ela saiu da casa de sue pai de forma honrada e contando com a bênção de seus
familiares (v. 60). Isso significa que eles oram para que sua nova condição fosse feliz
e abençoada. Seu casamento com Isaque foi acompanhado da bênção do Senhor e
dos melhores desejos e esperanças de seus familiares, que, assim, deram testemunho
público da legitimidade da união matrimonial, a qual se realizaria em breve.

É oportuno observar que a bênção proferida pelos familiares de Rebeca tinha um


alcance maior do que eles mesmos podiam imaginar. Ela certamente seria a mãe de
milhares de milhares, em conformidade com a promessa feita pelo Senhor a Abraão
(Gn 12.2; 17.21), e seu mais nobre descendente, Jesus Cristo, é o Rei eterno que
possui a porta de seus inimigos.

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Ao final da viagem de volta, já se aproximando do acampamento de Abraão, Isaque


percebe a aproximação dos camelos e vai caminhando em direção a eles, ansioso por
ver sua noiva.

Rebeca, por sua vez, ao saber que o homem que se aproximava era Isaque, seu
noivo, cobriu o rosto com o véu, se preparando para o encontrar. Antes de tomar
Rebeca como sua esposa, Isaque ouviu toda a exposição feita pelo servo sobre sua
viagem e o modo como Rebeca foi encontrada e levada ao seu encontro (v. 66).

Mesmo sabendo que Rebeca era sua noiva; que, no momento de sua despedida, seus
familiares haviam dado testemunho público da legitimidade de seu casamento e orado
por ela; e que ele também, por sua vez, contava com a bênção de Abraão, ele ouviu o
relato do servo sobre a forma como Deus providencialmente conduziu os
acontecimentos de forma que, por fim, Rebeca fosse sua esposa.

Somente depois disso ele a levou para a tenda de sua mãe, que havia morrido, e
consumou o casamento (vs. 66,67). Comentando sobre este texto, Calvino diz que
Moisés "com estas palavras, distingue entre o modo legítimo do casamento e o
barbarismo".1

Diante de todo o relato do capítulo 24 de Gênesis, percebemos claramente que ela se


despediu de sua família com a dignidade de uma filha amada e foi recebida por seu
esposo com a dignidade de uma esposa amada. Não foi isso o que aconteceu com
suas noras, Lia e Raquel.

2 - LABÃO, LIA E RAQUEL (GN 29.1 -30)


A história de Lia e Raquel foi bem diferente. Tendo Jacó chegado à casa de Labão,
ficou ali, hospedado durante um mês, trabalhando. Ao final de um mês, Labão acha
justo pagar pelo trabalho prestado por seu sobrinho. O pedido de Jacó foi
surpreendente: "Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel" (29.18). Ele
propôs comprar a filha mais nova de Labão para ser sua esposa.

Esse momento revela não apenas o pensamento distorcido de Jacó a respeito do valor
de sua esposa, mas também a iniquidade de Labão, que, imediatamente, aceitou a
proposta de Jacó, prometendo dar-lhe sua filha em troca de sete anos de trabalho. Foi
uma barbaridade vergonhosa Labão entregar sua filha em troca dos serviços de seu
pretendente, tornando-a um objeto de barganha.

Além disso, é oportuno mencionar que a escolha de Jacó foi feita exclusivamente por
aquilo que ele via. O texto diz: "Lia tinha olhos baços, porém Raquel era formosa de
porte e de semblante" (v. 17).

Não sabemos ao certo o que o texto quer dizer com "olhos baços", mas, como esta
descrição é contrastada com a beleza de Raquel, podemos dizer com certeza que os
olhos baços faziam Lia ser menos bonita do que sua irmã. Não é pecado escolher a
mais bonita, mas esse não pode ser o único critério para a escolha de uma esposa ou
de um esposo.

Ao se permitir ser guiado pelos olhos, Jacó negligenciou as virtudes de Lia. É


importante salientar que, em nenhum momento, o texto apresenta Lia com menos
virtudes do que sua irmã, nem que fosse ímpia ou indigna de alguma forma. Apenas
nos é dito que Raquel era mais bonita do que ela e que Jacó se interessou por Raquel.

1
Calvino, The Book of Genesis. Banner of Truth, 1992, p. 29.

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Perceba as diferenças que já podem ser traçadas aqui entre a escolha e o casamento
de Rebeca e de Raquel:

a) a escolha de Rebeca envolveu o zelo de Abraão, a oração do servo e uma escolha


baseada no direcionamento dado por Deus em sua providência, enquanto a escolha
de Raquel foi baseada em sua beleza;

b) para convencer Betuel a dar sua filha em casamento a Isaque, o servo de Abraão
contou abertamente o objetivo de sua viagem, afirmando crer que a escolha de
Rebeca era dirigida pela providência de Deus, enquanto Jacó, para convencer Labão
a dar sua filha em casamento, fez uma proposta para comprá-la;

c) o servo de Abraão levou em conta a opinião da própria Rebeca (24.58), enquanto a


opinião de Raquel nem mesmo é mencionada.

Mas os erros não param por aí. Depois de sete anos de trabalho, quando Jacó
reivindicou que Raquel lhe fosse dada em casamento, Labão quebrou o acordo de
forma infame (29.21).

Labão deu um banquete, para o qual foram convidados todos os homens do lugar, e
no qual certamente houve abundância de comida e bebida. No momento de entregar
sua filha a Jacó, Labão trapaceou e entregou Lia.

Isso foi possível, primeiro, porque a noiva era entregue usando um véu, e, segundo,
porque o texto sugere que Jacó havia bebido muito (v. 25). A decisão infame de
vender sua filha mais nova, Labão acrescentou a infâmia de trapacear na venda.

No dia seguinte, ao perceber a fraude, Jacó foi defender seu "direito de consumidor".
A resposta de Labão foi que o costume era casar primeiro a filha mais velha, depois a
mais nova. No entanto, se esse era o costume, ele não poderia ter prometido entregar
Raquel, sabendo que a mais velha era Lia.

Em vez disso, se sua intenção, desde o início, fosse agir com honestidade a esse
respeito, ele deveria ter alertado Jacó quanto ao costume, para que ele voltasse seus
pensamentos para Lia ou mesmo desistisse de seus planos de casamento.

No entanto, os homens ímpios, quando resolvem colocar de lado a verdade, não têm
limite para suas transgressões e sempre têm pretextos prontos para tentar amenizar a
infâmia de sua conduta.

Labão havia agido injustamente com seu sobrinho ao aceitar sete anos de trabalho em
troca de uma filha e ao entregar a outra; ele havia agido injustamente com sua filha,
colocando- a à venda em troca de lucro; mas seu ato mais infame foi sua injustiça
cometida contra Lia, entregando-a a um homem que não tinha interesse nem amor por
ela. Mesmo assim, este homem ímpio tem coragem de defender sua conduta
afirmando que o costume era esse.

Mas o kit de impiedades não termina aí. Labão oferece a Jacó a oportunidade de
trabalhar mais sete anos em troca de Raquel. Isso nos leva a imaginar que, se tivesse
mais filhas, nada o impediria de vende-las também.

Aliás, deve ser observado que, desta vez, é ele mesmo quem faz a proposta a Jacó,
tomando a iniciativa de tratar sua filha como uma mercadoria.

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Ao fazer isso, ele não apenas induz seu sobrinho à poligamia (que nunca foi ensinada
por Deus), mas também propõe colocar suas filhas em uma relação matrimonial
pecaminosa.

Provavelmente ele não podia imaginar as graves consequências dessa proposta não
apenas para a vida matrimonial de Jacó e Lia, mas também a relação entre Lia e
Raquel como irmãs.

Aqui vemos mais uma diferença entre o casamento de Rebeca e o de Lia/Raquel:


Rebeca saiu de casa com a bênção de seus familiares, mas não há o registro de isso
ter acontecido com Lia e Raquel, que saíram de casa para se casar porque foram
vendidas por seu pai.

3 - A DIFÍCIL RELAÇÃO ENTRE LIA E RAQUEL (GN 29.3-30.26)


Jacó aceitou a proposta de Labão e, depois de mais sete anos de trabalho, se casou
com Raquel. Os problemas não demoraram a aparecer. Ele passou a desprezar Lia
por causa de Raquel (29.31).

Lia, por sua vez, se sentiu rejeitada (v. 32). No entanto, Lia era fecunda, enquanto
Raquel era estéril (v. 31). Lia teve quatro filhos (Ruben, Simeão, Levi e Judá). Isso fez
com que Raquel, mesmo sendo a preferida, tivesse ciúmes de sua irmã (30.1).

Vendo que era estéril e que sua irmã tinha filhos, Raquel toma a iniciativa de oferecer
a Jacó sua serva Bila para que ela lhe desse um filho, mostrando, assim, sua
disposição em usar todos os meios, sendo eles legítimos ou não, para impedir que a
atenção de Jacó se voltasse para Lia, a qual, aliás, era sua esposa legítima.

Como resultado da relação entre Jacó e Bila, nasceram dois filhos: Dã e Naftali. É
curioso que Raquel atribui o nascimento de Dã não à sua iniciativa pecaminosa, mas à
ação de Deus. Assim ela usa o filho de Bila para anunciar que Deus havia tomado
partido dela em sua rivalidade com sua irmã (30.6).

Isso fica ainda mais evidente no nascimento de Naftali, quando ela diz: "com grandes
lutas tenho competido com minha irmã e logrei prevalecer" (v. 8).

Em algum momento, Raquel passou a interpretar sua própria vida como uma luta
permanente contra sua irmã, como se Lia, afinal, fosse a causa de seus problemas
familiares, quando, na verdade, foi Lia quem se casou primeiro com Jacó e teve, mais
tarde, de suportar a dor de vê-lo tomar para si uma segunda esposa.

Vendo Lia que ela mesma havia parado de conceber, deu a Jacó sua serva Zilpa para
que ela lhe desse filhos, cometendo o mesmo erro de Raquel, sua irmã. Dessa relação
nasceram Gade e Aser (v. 9-13).

A hostilidade entre Lia e Raquel crescia a cada dia. A casa de Jacó se enchia de rixas
e contendas. As duas irmãs de tal forma se enfrentavam que uma não conseguia
sequer se dirigir de forma razoavelmente educada à outra.

Talvez um dos motivos pelos quais essa hostilidade tenha sido registrada na Escritura
seja para mostrar à posteridade os efeitos desastrosos da poligamia e da falta de
respeito no lar. Não há dúvida de que esse ambiente constante de contendas trouxe
grande dor e tormento a todos.

O caso das mandrágoras mostra que Lia e Raquel, além de viverem em constante
hostilidade, também tinham aprendido a comercializar seu matrimônio.

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Em troca das mandrágoras que Rúben havia levado para Lia, Raquel permitiu que ela
dormisse com Jacó naquela noite (30.14,15). Quando Jacó retornou do campo, Lia foi
bastante objetiva: "Esta noite me possuirás, pois eu te aluguei pelas mandrágoras de
meu filho" (v. 16).

Depois disso, Lia teve mais dois filhos, Issacar e Zebulom, e uma filha, Diná (v. 17-21).
No nascimento de Issacar, Lia se orgulha de que seu filho lhe tenha sido dado por
Deus como uma recompensa por ela ter violado seu próprio matrimônio, ao oferecer a
Jacó sua serva Zilpa para ser sua concubina e gerar filhos. Ela estava tão longe da
verdade que, em vez de se envergonhar da sua postura, chega a imaginar que houve
mérito nessa atitude.

"Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda" (v. 22). Certamente Deus
nunca havia se esquecido de Raquel porque sua memória não está sujeita ao
esquecimento. Essa é a forma usada pelo autor para mostrar que, chegado o
momento, Deus tirou de Raquel a dor de não possuir filhos biológicos e lhe deu um
filho. O efeito desse filho na vida de Raquel foi tão grande e tão positivo que ela
manifestou a esperança de que Deus lhe desse outro filho (v. 24).

Certo dia, Jacó começou a perceber que a insatisfação de Labão aumentava a cada
dia (31.2) e resolveu voltar para a terra de seus pais. Ao contrário do que aconteceu
por ocasião da saída de Rebeca, que saiu em paz e abençoada por seus familiares,
Jacó, Lia e Raquel saem fugidos da casa de Labão e são perseguidos por ele. Aliás,
antes da fuga, Raquel furtou os ídolos do lar que pertenciam a seu pai (v. 19). Assim
foi a saída de Lia e Raquel para a terra de Canaã.

CONCLUSÃO
Encontramos muitas diferenças entre as histórias dos encontros e dos casamentos de
Rebeca e Isaque, de Jacó, Lia e Raquel. Essas diferenças não foram causadas
apenas pela "força dos acontecimentos" ou pela impiedade desenfreada de Labão.

O que temos aqui não são apenas ações diferentes em circunstâncias diferentes, mas
vidas diferentes baseadas em visões de mundo diferentes.

Abraão, ao escolher uma esposa para Isaque, contou, desde o início, com a ação da
providência de Deus, que certamente aprovaria seu zelo em escolher para seu filho
uma esposa de sua própria família. Jacó, por outro lado, se orientou somente por sua
preferência e por sua disposição em fazer o que fosse preciso para realizar sua
própria vontade.

APLICAÇÃO
Você consegue perceber a grande diferença entre a escolha de Rebeca e seu
casamento com Isaque e a escolha de Raquel e o casamento de Lia e Raquel com
Jacó? Essa diferença, nos dois casos, foi apenas a soma de várias circunstâncias
diferentes ou é fruto de uma visão de mundo diferente? O que a providência de Deus
tem a ver com essa diferença?

AUTORES: VAGNER BARBOSA E FILIPE FONTES

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