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UNIVERSIDADE PAULISTA

MARIA JACQUELINE CORREIA DOS SANTOS

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NOS CENTROS DE ATENÇÃO


PSICOSSOCIAL EM CONFORMIDADE COM OS ATUAIS
PRECEITOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA

SÃO PAULO
2017
1

MARIA JACQUELINE CORREIA DOS SANTOS

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NOS CENTROS DE ATENÇÃO


PSICOSSOCIAL EM CONFORMIDADE COM OS ATUAIS
PRECEITOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA

Trabalho de conclusão curso para


obtenção do título de especialista em
Saúde Mental para Equipes
Multiprofissionais apresentado à
Universidade Paulista – UNIP.

Orientadora: Profª. Ana Carolina


Schmidt de Oliveira.

SÃO PAULO
2017
2

MARIA JACQUELINE CORREIA DOS SANTOS

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NOS CENTROS DE ATENÇÃO


PSICOSSOCIAL EM CONFORMIDADE COM OS ATUAIS
PRECEITOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA

Trabalho de conclusão curso para


obtenção do título de especialista em
Saúde Mental para Equipes
Multiprofissionais apresentado à
Universidade Paulista – UNIP.

Aprovado em: ____/____/____

BANCA EXAMINADORA

_____________________________/_____/_____
Profª. Ana Carolina Schmidt de Oliveira
Universidade Paulista – UNIP

_____________________________/_____/_____
Prof. Hewdy Lobo Ribeiro
Universidade Paulista – UNIP
3

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus familiares, que dentro de suas possibilidades,
com carinho e disponibilidade interior, acreditaram e investiram em meu potencial,
ajudando a complementar esta formação acadêmica, que embora tenha sido uma
tarefa árdua, será um instrumento precioso para a construção de um mundo
realmente melhor, principalmente para os que me esperam.
4

AGRADECIMENTOS

Incondicionalmente, a Deus, que no meu íntimo, foi sempre a luz para as


ideias, inspirações, realizações teórico-reflexivas e práticas e que em momentos de
muita adversidade, foi minha força vital para que não desistisse desta jornada.

Aos meus familiares, pelos momentos de alegrias e dificuldades que


enfrentamos juntos. Pelos exemplos de caráter e honestidade que me deslumbram
até hoje. Por todos os anos, experiências, alegrias e realizações que o futuro nos
reserva.

Aos amigos pela grandiosa oportunidade de conviver e dividir experiências,


conquistas, felicidades e angústias nas etapas percorridas do período do curso.

A gratidão, virtude entre as virtudes, também frustra a quem a pratica, por ser
impossível alcançar a todos que a merecem. São tantos aqueles a quem neste
momento devo ser grata que é impossível a todos nominar. Rogo a Deus, que a
cada um estenda sua mão, permitindo que a harmonia que só ele pode dar seja a
minha mensagem de

Muito obrigada!
5

“Deficiente" é aquele que não consegue


modificar sua vida, aceitando as imposições de
outras pessoas ou da sociedade em que vive,
sem ter consciência de que é dono do seu
destino.
Mário Quintana
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RESUMO

A principal proposta da Reforma Psiquiátrica se traduz na gradativa substituição do


modelo hospitalocêntrico, por uma rede integrada compreendendo diversos serviços
assistenciais que são utilizados na inclusão social do portador de transtornos
psiquiátricos na sociedade, visando uma melhor qualidade de vida, prevenindo e
minimizando a cronicidade da doença. Contudo, com essa nova perspectiva houve
também a necessidade da equipe de Enfermagem adotar uma nova postura
terapêutica no tratamento do paciente psiquiátrico, visando à humanização destes
serviços, a autonomia, a independência, o autoconhecimento, o aumento da
capacidade de fazer escolhas, diminuindo assim o sofrimento do mesmo. Em face
dessa constatação, objetivou-se apresentar um breve retrospecto bibliográfico
recente do papel do enfermeiro na assistência prestada ao paciente psiquiátrico nos
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Para tanto, o presente estudo obedeceu
às diretrizes metodológicas para a realização de uma pesquisa bibliográfica, do tipo
descritiva, nas bases de dados LILACS e SCIELO, adotando um recorte temporal de
2006 a 2016. Os achados na literatura evidenciaram que nos estudos publicados
nos anos de 2006 a 2009 os enfermeiros encontraram obstáculos e desafios para
seguirem os preceitos da Reforma Psiquiátrica. Contudo, estudos mais recentes vêm
mostrando ações de Saúde Mental como o apoio matricial, as tecnologias relacionais
em saúde (acolhimento, vínculo, escuta, relacionamento terapêutico), a visita
domiciliária e a terapia comunitária, onde o enfoque aos pacientes portadores de
transtornos psiquiátricos deixou de ser biomédico, passando a ser de caráter
humanístico e social, direcionado à construção da cidadania. A intervenção da
equipe de Enfermagem nos CAPS tem caráter preventivo, sendo voltada para a
redução dos efeitos residuais do transtorno em longo prazo, através da implantação
de programas de Reabilitação que propõem ações junto à comunidade,
esclarecendo a importância da integração do paciente psiquiátrico na sociedade.

Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica; Reabilitação Psicossocial; Centro de


Atenção Psicossocial; Papel do Enfermeiro.
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RESUMO

The main proposal of the Psychiatric Reform is the gradual substitution of the
hospital-centered model, through an integrated network comprising several care
services that are used in the social inclusion of the patient with psychiatric disorders
in society, aiming at a better quality of life, preventing and minimizing the chronicity of
disease. However, with this new perspective, there was also a need for the Nursing
team to adopt a new therapeutic stance in the treatment of the psychiatric patient,
aiming at the humanization of these services, autonomy, independence, self-
knowledge, increased capacity to make choices, the suffering of it. In view of this
finding, the objective was to present a brief recent bibliographic review of the role of
nurses in the care provided to the psychiatric patient in the Psychosocial Care
Centers (CAPS). In order to do so, the present study obeyed the methodological
guidelines for conducting a descriptive bibliographic research in the LILACS and
SCIELO databases, adopting a temporal cut from 2006 to 2016. The findings in the
literature showed that in studies published in the years from 2006 to 2009 nurses
encountered obstacles and challenges to follow the precepts of the Psychiatric
Reform. However, more recent studies have shown Mental Health actions such as
matrix support, relational technologies in health (reception, bonding, listening,
therapeutic relationship), the home visit and community therapy, where the approach
to patients with psychiatric disorders has left to be biomedical, becoming humanistic
and social, directed to the construction of citizenship. The intervention of the Nursing
team in the CAPS has a preventive character, being focused on the reduction of
residual effects of the disorder in the long term, through the implementation of
Rehabilitation programs that propose actions to the community, clarifying the
importance of the integration of the psychiatric patient in society

Keywords: Psychiatric Reform; Psychosocial Rehabilitation; Psychosocial


Care Centers; Role of the Nurse.
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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 09

2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 12

2.1 Ojetivo Geral ....................................................................................................... 12

2.2 Objetivos Específicos .......................................................................................... 12

3 METODOLOGIA..................................................................................................... 13

4.REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................. 14

4.1 A História da Loucura e os Princípios da Reforma Psiquiátrica no Cenário


Nacional .................................................................................................................... 14

4.2 Reabilitação Psicossocial de Pacientes com Transtornos Mentais nos Centros de


Atenção Psicossocial ................................................................................................ 14

4.3 Retrospecto da Atuação do Enfermeiro nos Centros de Atenção Psicossocial....28

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 42

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 44
9

1 INTRODUÇÃO

A visão estereotipada de “loucura” na história da humanidade fez com que o


tratamento oferecido, em um passado não muito distante, se traduzisse em
exclusão, reclusão e asilamento em hospitais fechados. Os locais oferecidos aos
pacientes com transtorno mental tinham características marcantes quanto ao espaço
físico, como, por exemplo, a presença de grades, portas trancadas, cadeados,
espaços limitados, o que provocava um impacto significativo na assistência
(COUTO; ALBERTI, 2008).

Este modelo, denominado de Hospitalocêntrico tem como proposta a


hospitalização e asilamento a fim de garantir a segurança da ordem e da moral
pública (LUZIO; L'ABBATE, 2006). Com isso os indivíduos considerados “loucos”
foram excluídos do convívio social, sendo tratados em manicômios. Contudo, a
história revela situações de desrespeito, discriminações em diversos níveis,
preconceitos, maus tratos, abandono, isolamento e cronificação dos casos (VIDAL;
BANDEIRA; GONTIJO, 2008; DIMENSTEIN, 2009).

As evidências mostraram que a exclusão e o isolamento afastam o indivíduo


de seu convívio social, institucionalizando-o, destruindo assim os canais de
comunicação que o ajudaria a se reintegrar ao seu núcleo familiar e à sua
comunidade (DEVERA; COSTA-ROSA, 2007).

Tais evidências precipitaram um movimento a partir da década de 70, a nível


mundial, propondo os pressupostos da Luta Antimanicomial e uma Reforma
Psiquiátrica com o objetivo de demonstrar as inconveniências dos modelos da
Psiquiatria clássica, que tem como foco principal o tratamento da doença, longas
internações facilitando assim a cronicidade e a exclusão social dos pacientes
psiquiátricos (COUTO; ALBERTI, 2008; VASCONCELOS et al., 2013).

Na atualidade, muitos são os países que consideram a exclusão social do


paciente psiquiátrico como um tratamento inadequado. Dentre estes, encontra-se o
Brasil, que a partir da década de 80 consolidou o movimento da Reforma
Psiquiátrica Brasileira, que surge no cenário nacional criticando a assistência até
então oferecida e propondo novos modelos de assistência em Psiquiatria (HIRDES,
2009).
10

É oportuno lembrar que o ano de 1990 foi conclusivo para o estabelecimento


da Reforma Psiquiátrica Brasileira, com a publicação da Declaração de Caracas,
movimento no qual os países da América Latina, inclusive o Brasil, começariam a
promover a nova estrutura da assistência psiquiátrica, onde estariam revisando o
papel centralizador do hospital psiquiátrico, cujo foco central é a doença mental
(BERLINK; MAGTAZ; TEIXEIRA, 2008).

Os dois pilares do movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileira se


traduzem basicamente pela luta de uma mudança concreta nas precárias condições
dos milhares de internos encerrados nos pátios dos hospitais e pela busca de
alternativas à institucionalização como única resposta social ao paciente psiquiátrico
e à “loucura”, resposta está tradicionalmente atribuída aos hospitais e ambulatórios
psiquiátricos (FURTADO, 2006).

Nesse sentido, a principal proposta da Reforma Psiquiátrica, disciplinada


pela Lei 10.216/01, propôs a gradativa substituição do modelo hospitalocêntrico por
uma rede integrada compreendendo diversos serviços assistenciais de atenção
primária, sanitárias e sociais, como, por exemplo, os Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) (DIMENSTEIN, 2009; PAULON; VASCONCELOS, 2014).

Hoje no Brasil, esses serviços fazem o trabalho de inclusão social do


paciente psiquiátrico, visando uma melhor qualidade de vida aos mesmos, além de
atuarem na prevenção e na tentativa de minimizar a cronicidade da doença
(SCHEFFER; SILVA, 2014).

Desse modo, abandonando a institucionalização da “loucura” e passando a


enfocar a “Reabilitação Psicossocial”, os dispositivos e serviços disponíveis na área
de Saúde Mental têm-se mostrado efetivos em seus tratamentos, porque, além de
oferecerem acompanhamento clínico, possibilitam também, por meio de diversas
estratégias, a reinserção social, trabalho e lazer aos pacientes psiquiátricos,
fortalecendo os laços sociais (AZEVEDO et al., 2013). Contudo, com a criação
destes serviços em Saúde Mental, houve também a necessidade de a equipe de
Enfermagem adotar uma nova postura terapêutica, visando à humanização destes
serviços e a autonomia profissional. De um modo geral, as atividades
desempenhadas pelos enfermeiros são múltiplas, desde atividades administrativas
até intervenções terapêuticas realizadas na consulta de Enfermagem Psiquiátrica
(DIAS; SILVA, 2010).
11

Em face de tal constatação, surgiu o interesse e a motivação de revisar na


literatura a atuação do enfermeiro nos CAPS, em conformidade com os atuais
preceitos da Reforma Psiquiátrica, visto que esses pacientes devem ser assistidos,
assim demonstrando que a Enfermagem possui uma autonomia e responsabilidade
direta na Reabilitação e Reinserção dos Pacientes Psiquiátricos na Sociedade.

A exclusão social e os preconceitos vivenciados pelas pessoas que sofrem


de saúde mental despertaram o interesse por esta linha de investigação e
aprofundamento do conhecimento sobre essa temática. O processo da Reforma
Psiquiátrica proporcionou importantes avanços nesta área, porém observa-se que
ainda existem questões a serem discutidas e desenvolvidas.
12

2 OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral


Apresentar um breve retrospecto bibliográfico recente do papel do enfermeiro
na assistência prestada ao paciente psiquiátrico nos Centros de Atenção
Psicossocial.

2.2. Objetivos Específicos


 Descrever os princípios da Reforma Psiquiátrica que fundamentam a
Reabilitação Psicossocial;
 Elucidar através das publicações recentes o papel desempenhado pelo
enfermeiro no contexto da Reforma Psiquiátrica e seus desdobramentos.
13

3 METODOLOGIA

Os métodos e técnicas da pesquisa representam um instrumental


imprescindível para que seja possível alcançar os objetivos enunciados em uma
investigação. Nesse sentido, o presente estudo, quanto aos fins, se classifica como
pesquisa bibliográfico de natureza descritiva por viabilizar a descrição das
características de um determinado fenômeno, onde se procura descrever a realidade
de modo fidedigno (MARCONI; LAKATOS, 2012).
Assim, buscas informatizadas foram realizadas na Biblioteca Virtual em
Saúde – BVS que permite a localização simultânea nas bases de dados LILACS
(Literatura Latinoamericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) e
SCIELO (Scientific Electronic Library Online). De forma complementar acessou-se a
Base de Dados de Enfermagem (BDENF). Nas buscas realizadas foram utilizados
descritores com a seguinte orientação: Reforma Psiquiátrica, Reabilitação
Psicossocial, Transtorno Mental, Centro de Atenção Psicossocial e Papel do
Enfermeiro.
Nas buscas informatizadas nas bases de dados foram estabelecidos os
seguintes critérios de inclusão dos estudos: recorte temporal do período das
publicações, delimitando entre o período de 2006 a 2016, em razão de fornecer
informações atualizadas; textos redigidos no idioma português e contendo os
descritores eleitos no título ou no resumo; e indexados na íntegra nas bases de
dados selecionada.
Os critérios de exclusão dos estudos na seleção foram os seguintes:
resumos repetidos em mais de uma base de dados, selecionando-se em somente
uma delas; estudos redigidos nos idiomas inglês e espanhol; e demais tipos de
publicação, como, por exemplo, editoriais, comentários, reflexão e resumo de Anais
de Congressos.
Após a leitura seletiva dos artigos procedeu-se à leitura analítica dos textos
selecionados, com a finalidade de ordenar e sumarizar as informações neles
contidos, de forma, que estas possibilitassem a obtenção de respostas adequadas
ao estudo.
14

4 REVISÃO DE LITERATURA

As informações similares extraídas das publicações selecionadas no


levantamento bibliográfico foram agrupadas por tópicos, permitindo assim apresentar
uma resposta aos objetivos enunciados por meio das seguintes categorias
temáticas: A história da loucura e os princípios da Reforma Psiquiátrica no cenário
nacional; Reabilitação psicossocial de pacientes com transtornos mentais nos
centros de atenção psicossocial; e Retrospecto da atuação do enfermeiro nos
Centros de Atenção Psicossocial

4.1 A História da Loucura e os Princípios da Reforma Psiquiátrica no Cenário


Nacional

Como mencionado no início do estudo, o ser humano desde os primórdios da


civilização tem apresentado dificuldade em lidar com as diferenças e com as
dissonâncias do senso e convivência comum. No curso do desenvolvimento da vida,
ocorrem vivências conflitivas que marcam definitivamente o sujeito e a sua
experiência. Assim, na história da humanidade, o transtorno mental sempre foi visto
como um desvio de comportamento em relação a um padrão considerado como
“normal”, tanto pela sociedade em geral, quanto pela Ciência (SILVEIRA; BRAGA,
2006; DEVERA; COSTA-ROSA, 2007).

Na Idade Média, considerava-se a loucura uma forma de possessão


demoníaca, e a religião submetia os loucos a maus tratos, privações,
espancamentos, sendo que muitos chegavam à morte. Ao final das Cruzadas e com
a erradicação da Lepra os espaços destinados aos leprosos passaram a ser dos
pobres, vagabundos e também dos loucos. Simbolicamente, esta prática social se
traduziu em exclusão e reintegração espiritual, uma vez que tanto a pobreza quanto
a loucura eram entendidas como desígnios de Deus e os que aceitassem estes
desígnios estariam na verdade assumindo o seu fardo e, em troca, receberiam a tão
desejada purificação espiritual (FRAYZE-PEREIRA, 2006).

Foucault (2007), em sua obra intitulada “História da loucura”, elucida que na


Renascença a loucura era vivenciada em seu “estado livre”, solta pelas ruas da
cidade, sendo vista como uma ilusão. Quando os loucos causavam ameaça à
15

população, eram colocados em navios para uma viagem sem volta na “Nau dos
Loucos”. Na época, as embarcações transportavam os loucos de uma cidade para
outra e não permitiam o retorno para a sua cidade de origem.

Esta acepção se manteve até o início da Idade Clássica, quando os primeiros


hospitais são construídos. Porém, ainda no fim do Renascimento a loucura começa
a ser dominada pela razão, dando início a uma nova concepção para este
fenômeno. Segundo Machado (2006), a loucura torna-se uma das formas, um dos
momentos, uma das forças da razão. Assim, a relação entre loucura e razão ocorre
no Renascimento, porém, de modo conflituoso e ambíguo, implicando reciprocidade
e semelhança entre eles.

Na Idade Clássica a loucura passa a ser considerada como a ausência da


razão, ou seja, o seu oposto: a “desrazão”, que precisa ser dominada. Por essa
razão, tem-se a necessidade de dominação e controle, o que motivou a criação de
hospitais gerais, inaugurando assim a cultura de internação no mundo. Contudo,
inexistia tratamento ou intervenção médica de qualquer espécie para os
enclausurados, uma vez que o objetivo era somente segregar e reprimir a desrazão.
A atividade realizada nessas instituições era somente o trabalho, como forma de
castigo e compensação pela condição na qual os internados se encontravam
(MACHADO, 2006). Nesse momento histórico, o enclausuramento era destinado ao
louco, assim como a todos os cidadãos pobres, ociosos e desempregados; àqueles
que fossem considerados transgressores da moral vigente: os desatinados
(FOUCAULT, 2007).

No Século XVIII os hospitais enfrentam crises institucionais e a divisão do


espaço dos loucos com os que se afastavam da ordem moral da sociedade vigente
passa a ser questionada. A loucura passa a ter um caráter de estrutura psicológica,
caracterizada por uma desrazão. Os tratamentos para os loucos, nessa época, eram
as duchas ou os banhos, bem como os choques com o propósito de fazer com que
os loucos se acalmassem (CRUZ; OLIVEIRA, 2007).

Posteriormente, surge a Psiquiatria e apropriação da loucura por esta ciência


médica no Século XIX, caracterizando assim o início da medicalização da loucura.
Com isso, a “desrazão” da Idade Clássica perde espaço para o entendimento da
loucura como perda da natureza da sua verdade. Isto é, uma alienação, o meio
social afastando o ser humano de sua essência, de sua natureza. Como objeto da
16

Medicina a alienação faz surgir a “doença mental”, oficializando o campo da


Psiquiatria na sociedade moderna. Surgem então as chamadas casas de
internamento destinadas aos “alienados” (FOUCAULT, 2007).

Machado (2006) elucida que a Psiquiatria tem como objetivo a educação


moral dos loucos, em razão não possuir um conhecimento científico para o
fenômeno da loucura. Por essa razão, a intervenção terapêutica tinha como
finalidade a desalienação por meio da recuperação da moral perdida. E, a cura só
poderia ser alcançada pela liberdade — mesmo que limitada aos muros dos asilos.

Nos decorrer das décadas, a Psiquiatria como ciência médica foi evoluindo e
apropriando-se das instituições asilares e assumindo a responsabilidade sobre os
cuidados terapêuticos para com os “doentes mentais”. Foucault (2007) descreve
essas instituições como espaços onde permite-se que a liberdade do louco atue,
mas num espaço mais fechado, mais rígido, menos livre que aquele, sempre um
pouco indeciso, do internamento.

Como consequência a esta visão estereotipada de “loucura”, o tratamento


oferecido traduzia-se em um passado não muito distante em exclusão, reclusão e
asilamento em hospitais fechados. Os locais de tratamento tinham características
marcantes quanto ao espaço físico, como: presença de grades, portas trancadas,
cadeados, espaços limitados, o que provocava um impacto significativo na
assistência (COUTO; ALBERTI, 2008).

Este modelo, denominado de Hospitalocêntrico tem como proposta a


hospitalização e asilamento ao paciente a fim de garantir a segurança da ordem e da
moral pública (LUZIO; L'ABBATE, 2006).

Segundo Silveira e Braga (2006), a ideia que sustenta esse sistema é de


serem os loucos pessoas perigosas e inconvenientes que, em função de sua
"doença", não conseguem conviver de acordo com as normas sociais. Os autores
citam em seu estudo que, por mais que pareça estranho, a experiência com a
loucura nem sempre foi considerada algo negativo, muito menos uma doença. Ao
contrário, na Grécia antiga ela já foi considerada até mesmo um privilégio. Filósofos
como Sócrates e Platão ressaltaram a existência de uma forma de loucura
reconhecida como divina e, inclusive, utilizavam a mesma palavra (manikê) para
designar tanto o "divinatório" como o "delirante". Era através do delírio que alguns
privilegiados podiam ter acesso a verdades divinas. Isso não quer dizer que essas
17

pessoas fossem consideradas normais ou iguais, mas que eram portadoras de uma
desrazão, a qual, apesar de habitar a vizinhança do homem e do seu discurso,
precisava ser mantida numa distância, separando o sagrado das experiências
terrenas. No entanto, com o passar do tempo, a noção de loucura foi se
encaminhando em uma direção completamente oposta observada na Grécia antiga.

Com isso esses indivíduos considerados “loucos” foram excluídos do convívio


social, tratados em manicômios. A história revela que situações de desrespeito,
discriminações em diversos níveis, preconceitos e maus tratos, abandono,
isolamento e cronificação dos pacientes de modo geral, e, em especial, àqueles
internados em hospital psiquiátrico, têm sido, frequentemente, detectados e
contestados nas últimas décadas (DEVERA; COSTA-ROSA, 2006; VIDAL;
BANDEIRA; GONTIJO, 2008; DIMENSTEIN et al., 2009).

Segundo Zerbetto e Pereira (2006), essa abordagem tradicional ao paciente


com doença mental é decorrente da política de saúde mental, que se apresentou,
por muitas décadas, com ações direcionadas para o atendimento em manicômios,
através de confinamento, repressão moral e exclusão social, além da hegemonia
dos saberes e práticas centradas na figura do médico.

Vale aqui ressaltar os achados de um estudo realizado no Brasil, no início da


década de 90, por revelar que um terço dos pacientes internados nos hospitais
psiquiátricos são crônicos, residentes nesses locais, pois perderam completamente
os vínculos familiar e social. Além disso, sofreram violações dos direitos humanos e
de cidadania, o que reforça a necessidade da reversão desse modelo assistencial,
baseado na exclusão e no isolamento (BRESSAN; SCATENA, 2006).

Além deste estudo, muitos outros realizados na década de 90 obtiveram


evidências científicas de que a internação afasta o indivíduo de seu convívio social,
institucionalizando-o, destruindo assim os canais de comunicação que o ajudaria a
se reintegrar em sua família, emprego e com a comunidade (SOARES; TONAZIO,
2006; DEVERA; COSTA-ROSA, 2007).

Tais constatações precipitaram um movimento a partir da década de 70, a


nível mundial, propondo uma reforma psiquiátrica com o objetivo de demonstrar as
inconveniências dos modelos da psiquiatria clássica, que tinha como foco principal o
tratamento da doença, longas internações facilitando assim a cronicidade e a
exclusão social dos portadores de transtornos mentais (COUTO; ALBERTI, 2008).
18

Na atualidade, muitos são os países que consideram a exclusão social do


paciente com transtorno mental como um tratamento inadequado. Dentre estes,
encontra-se o Brasil, que a partir da década de 80 consolidou o movimento da
Reforma Psiquiátrica Brasileira, que surge no cenário nacional criticando a
assistência até então oferecida e propondo novos modelos de assistência em
Psiquiatria (HIRDES, 2009).

O ano de 1990 foi conclusivo para se estabelecer a Reforma Psiquiátrica


Brasileira, com a publicação da Declaração de Caracas, movimento no qual os
países da América Latina, inclusive o Brasil, começariam a promover a nova
estrutura da assistência psiquiátrica, onde estariam revisando o papel centralizador
do hospital psiquiátrico, que tinha como foco central a doença mental. Esse
movimento, por meio de práticas, leis e portarias ministeriais, introduz uma grande
modificação no atendimento aos pacientes: redireciona o antigo modelo da
assistência psiquiátrica, formula um cuidado especial com pacientes internados
antes por longos períodos e salienta a probabilidade de punição para a internação
sem a concessão do cliente, além de incluir esses cidadãos em programas extra-
hospitalares de atenção em Saúde Mental. De uma forma geral, recria-se o antigo
Modelo Biomédico criando condições e instituindo novas práticas terapêuticas,
intencionando incluir o usuário de Saúde Mental na sociedade e cultura (BERLINK
et al., 2008).

De acordo com Furtado (2006), dois dos pilares do movimento de reforma


psiquiátrica brasileira constituem-se da luta pela mudança concreta das precárias
condições dos milhares de internos encerrados nos pátios dos hospitais e da busca
de alternativas viáveis à institucionalização como única resposta social ao louco e à
loucura, resposta esta tradicionalmente atribuída aos hospitais e ambulatórios
psiquiátricos.

A principal proposta da Reforma Psiquiátrica, disciplinada pela Lei 10.216/01,


se traduz na gradativa substituição do modelo hospitalocêntrico por uma rede
integrada compreendendo diversos serviços assistenciais de atenção primária,
sanitária e sociais, como, por exemplo, ambulatórios, emergências psiquiátricas em
hospitais gerais, unidades de observação psiquiátrica em hospitais gerais, hospitais-
dia, hospitais-noite, centros de convivência, centros comunitários, centros de
atenção psicossocial, núcleo de atenção psicossocial, centros de residenciais de
19

cuidados intensivos, residências terapêuticas, lares abrigados, pensões públicas e


comunitárias, oficinas de atividades construtivas e similares (SILVEIRA; BRAGA,
2006; AREJANO, 2006; DIMENSTEIN et al., 2009).

Note-se que a Reforma Psiquiátrica corresponde a um processo que veio se


contrapor às criticas acerca das péssimas condições de vida dos pacientes
portadores de transtorno mental internados nos hospitais psiquiátricos (públicos e
privados), assim como às difíceis condições de trabalho dos profissionais da equipe
de saúde, negando assim o modelo segregador através da extinção progressiva dos
manicômios e a substituição destas instituições por uma rede de recursos
assistenciais extra-hospitalares, bem como a regulamentação da internação
psiquiátrica compulsória; e a proibição de se construir novos hospitais psiquiátricos
em todo território nacional, bem como do financiamento, pelo setor governamental,
para a abertura de novos leitos nos hospitais já existentes (FURTADO, 2006;
DEVERA; COSTA-ROSA, 2007).

A intenção é reduzir os leitos em hospitais psiquiatricos, reservando-os para


os casos que exigem internação e aos demais propõem-se a motivação para o
convívio familiar e, sobretudo a promoção da reabilitação social do individuo. Através
deste processo são excluídas antigas formulações consideradas como verdades na
sociedade tais como: o mito da periculosidade do “louco”, a ideia de que o
manicômio trata; a visão do doente mental, incapaz de qualquer tipo de ação sobre
si ou sobre seus bens; a crença enfim, que o paciente com transtorno mental só
pode produzir quando readquirir sua razão perdida (AMARANTE, 2007; LUZIO;
L'ABBATE, 2009).

A ideia de que saúde mental não é somente sinônimo de “louco”, abre a


perspectiva de se trabalhar um outro enfoque na sociedade, onde qualquer lugar é
válido para assistência a pacientes com transtorno mental, seja na comunidade, em
casa ou no próprio hospital (FURTADO, 2006; SOARES; TONAZIO, 2006; HIRDES,
2009).

Portanto, a Reforma Psiquiátrica traz a proposta de inclusão social da pessoa


com transtorno mental, o que significa uma nova política, a reorganização dos
serviços e um diferente processo de trabalho, que possibilita a formulação de um
novo modelo de assistência em saúde mental, no enfoque do Sistema Único de
Saúde, por meio das ações básicas de saúde (LUZIO; L´ABBATE, 2006).
20

Hoje no Brasil, existem novos serviços e dispositivos que fazem esse trabalho
de inclusão social do portador de transtorno mental, visando uma melhor qualidade
de vida dos mesmos, por meio da Reabilitação Psicossocial que será abordada no
capítulo seguinte.

4.2 Reabilitação Psicossocial de Pacientes com Transtornos Mentais nos


Centros de Atenção Psicossocial

Dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) relevam que


450 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de transtorno mental e
comportamental, apresentando ainda estimativas que esse número possa aumentar
em 15% até 2020 (CRUZ et al., 2016). No Brasil, 20% da população apresentam
transtornos mentais comuns e aproximadamente 3% sofrem de transtornos mentais
graves ou severos e mais de 12% necessitam de cuidados especializados em Saúde
Mental em algum momento da vida (VICENTE et al., 2013), em virtude de quadros
de depressão e ansiedade, uso de álcool ou drogas, presença de delírios e/ou
alucinações, quadros de agitação psicomotora e tentativas de suicídio
(MALGUALDE et al., 2013).

Cunha e Boarini (2011, p. 69) elucidam que na abordagem do transtorno


mental são muitas as dificuldades enfrentadas pelos pacientes e os seus familiares,
principalmente devido ao isolamento social, a saída da escola ou trabalho,
transtornos de relacionamentos com a família, os colegas e com a própria
comunidade. Os autores enfatizam que “o paciente portador de transtorno mental é
doente sobretudo por ser um excluído, um abandonado por todos, porque é uma
pessoa sem direitos em relação a quem se pode tudo”.

O isolamento encontra-se em áreas e experiências que são consideradas


como imprescindíveis, como, por exemplo, o lazer, o trabalho, a constituição de
grupos de referência, a exploração da cidade enquanto espaço de socialização,
entre outras. Assim sendo, os serviços de Saúde Mental passam a ser um espaço
estratégico na Reabilitação Psicossocial no cuidado a essa clientela, por serem
dispositivos que possuem no convívio entre os sujeitos uma de suas características
fundamentais. Representa, portanto, uma possibilidade de saída ou amenização dos
sofrimentos vivenciados pelos pacientes psiquiátricos, já que convida os familiares e
o paciente a enfrentarem o distúrbio mental sem estarem deslocados de relevantes
21

espaços sociais, ou seja, o espaço urbano, o lazer, a escola, o trabalho e o grupo


de iguais, entre outros (LIMA; BRÊDA; SANTOS, 2013; PAULA; GONÇALVES,
2013).

Embora seja considerada como árdua e complexa a tarefa cuidar de um


paciente com transtorno mental, os autores são unânimes ao afirmarem que o
distúrbio não deve levar necessariamente a um quadro de sofrimento generalizado,
sendo possível conviver e, muitas vezes, retardar o seu avanço, principalmente
quando o profissional tem ao alcance meios e recursos para oferecer orientação e
apoio ao paciente e também aos seus familiares, para que possam juntos
desenvolverem formas de enfrentamento das dificuldades e dos desafios impostos
pela doença e suas repercussões no cotidiano de todos os envolvidos, sobretudo o
isolamento social (ROCHA, 2008; LIPPINCOTT, 2009).

Dessa forma, os profissionais atuantes na área de Saúde Mental são


desafiados a se adequarem a um novo campo de conhecimento, e a (re)constuir
novas práticas de saúde, elegendo os novos serviços de tratamento (substitutivos)
como espaços práticos de cuidado, voltados ao processo saúde-doença mental do
usuário e de sua família (AZEVEDO et al., 2013; BESSA; WAIDMAN, 2013;
VICENTE et al., 2013).

Neste contexto, a fim de facilitar a compreensão sobre a atuação da equipe


multiprofissional na abordagem do paciente com transtorno mental nos serviços de
Saúde Mental, é oportuno lembrar que a partir da Reforma Psiquiátrica ocorrida na
década 90 defende-se a desospitalização, a fim de priorizar a reabilitação
psicossocial na atenção em Saúde Mental, disponibilizando assim aos usuários
diversos serviços com o intuito de construir uma rede de Atenção Psicossocial aos
pacientes em sofrimento psíquico, cujos resultados vem se mostrando efetivos em
seus tratamentos, porque, além de oferecerem acompanhamento clínico, oferecem
também reinserção social, trabalho e lazer (BERLINK et al., 2008; CORREIA et al.,
2011; CORDEIRO et al., 2012).

Dentre os serviços de Atenção à Saúde Mental disponíveis no contexto atual,


os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS´s) são considerados a principal
estratégia da Reforma Psiquiátrica brasileira, haja vista oferecerem práticas de
cuidado em Saúde Mental de alcance intersetorial, voltados para o atendimento
clínico e personalizado da pessoa em situações graves de sofrimento mental, em
22

regime de atenção diária, com o objetivo de substituírem a assistência ofertada nos


hospitais psiquiátricos (FINK et al., 2012; PAULA; GONÇALVES, 2013).

Os CAPS são classificados em CAPS I, CAPS II e CAPS III (definidos por


ordem crescente de porte/complexidade e abrangência populacional), os quais
cumprem a mesma função no atendimento à população. Além destes, há, ainda, os
CAPS Infantil (CAPSi) e os CAPS Álcool e Drogas (CAPSad), os quais se destinam,
respectivamente, ao atendimento de crianças e adolescentes e de pacientes com
transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas (LEAL;
ANTONI, 2013).

O Centro de Atenção Psicossocial corresponde a um serviço substitutivo que


oferece atividades terapêuticas e atendimento clínico em regime de atenção diária,
ou seja, o atendimento não se limita somente a consultas e obtenção de
medicamentos, evitando, dessa maneira, as internações em hospitais psiquiátricos.
Esse processo denomina-se Clínica Ampliada, que está sendo reorientada nas
práticas de atenção psicossocial, o que provoca mudanças nos modos tradicionais
de compreensão e de tratamento dos transtornos mentais (BERNARDI; KANAN,
2015).

A Portaria N. 336/2002 regulamenta em todo o território nacional os Centros


de Atenção Psicossocial, que disponibilizam aos pacientes em sofrimento psíquico
uma equipe multiprofissional que deve trabalhar com perspectiva a interdisciplinar,
sendo responsáveis pela unidade durante todo o seu período de funcionamento, o
que envolve a criação de uma ambiência terapêutica acolhedora. Estes podem se
constituir em cinco modalidades com diferenças em relação à ordem crescente de
porte/complexidade e abrangência populacional.

Especificamente o CAPS infantil foi regulamentado pela Portaria N. 336, no


de ano de 2002, visando a atenção à saúde mental infantil, por meio de um
atendimento com base em um projeto terapêutico singular e individualizado, ou seja,
um planejamento do processo terapêutico em que a criança ou adolescente e sua
família encontram-se envolvidos para a superação de suas dificuldades em razão da
sua condição de saúde mental. A partir deste documento, será estabelecimento o
tipo de abordagem: atendimentos intensivos (diários), semi-intensivo
(aproximadamente três vezes por semana), ou não intensivo (com periodicidade
semanal de atendimento). Com esta organização do serviço, espera-se promover a
23

saúde mental, dando atenção às demandas das relações diárias como sofrimento às
singularidades deste tipo de cuidado, estando articuladas com as redes de saúde,
redes sociais do território assim como as redes de outros setores (CUNHA;
BOARINI, 2011; LEAL; ANTONI, 2013).

O Ministério da Saúde (MS) estabelece que o atendimento no CAPS Infantil


se destina a crianças e adolescentes gravemente comprometidos psiquicamente,
isto é, os portadores de autismo, psicoses, neuroses graves e todos aqueles que,
por sua condição psíquica, estão impossibilitados de manter ou estabelecer laços
sociais (CUNHA; BOARINI, 2011).

Nos Centros de Atenção Psicossocial a assistência prestada pela equipe


multiprofissional compreende atividade individual, atividades em grupos, oficinas
terapêuticas, atividades esportivas e socioculturais, visitas domiciliares, atendimento
à família, desenvolvimento de ações intersetoriais e atividades comunitárias,
relacionando-as conforme o plano terapêutico proposto, cujo objetivo é responder às
necessidades físicas e emocionais apresentadas pelo paciente, uma vez que a
terapia não se restringe apenas a restauração do funcionamento anatomofisiológico,
mas também a promoção do crescimento e do desenvolvimento do paciente com
transtorno mental, preservando suas relações sociais, afetivas e psicológicas. A
efetivação da atenção, oferecida aos indivíduos em sofrimento psíquico ocorre por
meio do uso de ferramentas leves do cuidado, como, por exemplo, a escuta
qualificada, o acolhimento e o estabelecimento de vínculo com usuário e sua família
(CORDEIRO et al., 2012).

A finalidade terapêutica das abordagens adotadas pela equipe


multiprofissional, que prioriza a relação estabelecida entre serviço, usuários, família
e redes sociais, se refere à manutenção do estado de equilíbrio da condição de
saúde e da adaptação do indivíduo ao seu sofrimento psíquico. Desse modo, presta-
se assistência à pessoa como um todo, dentro do âmbito familiar, sendo os
profissionais responsáveis não só pela promoção da saúde mental, mas também na
prevenção das doenças, assim como pelo reconhecimento de problemas na área
mental e na dinâmica familiar, proporcionado um atendimento adequado e
encaminhamento, quando necessário. Portanto, as ações de saúde mental
configuram-se como de atenção primária, compreendendo prevenção/promoção e
tratamento dentro do limite de atuação e complexidade (RIBEIRO et al., 2010).
24

Na atualidade, no processo de reabilitação psicossocial a ênfase recai na


forma como o serviço funciona e não mais no tratamento como acontecia no
passado. Isso significa que não basta implementar uma série de técnicas,
formuladas por uma equipe e aplicadas sobre pacientes passivos, já que o mais
importante é a relação dos profissionais com os sujeitos atendidos. Nessa
perspectiva, os pacientes com transtorno mental não devem ser vistos como
“doentes” e a equipe deve interagir com os sujeitos para além de um perfil clínico
individual. Mais que as estratégias colocadas em prática em cada oficina, considera-
se fundamental que o clima geral do serviço deve sobressair (MACIEL, 2012).

Os achados na literatura evidenciam que a Reabilitação Psicossocial constitui


uma temática de grande importância na área de Saúde Mental, por ser um conjunto
de atividades que podem ser realizadas, visando melhorar a qualidade de vida dos
pacientes psiquiátricos, constituindo assim um processo no qual se busca ajudar
aqueles que apresentam limitações a restaurar o máximo possível de sua autonomia
para voltar suas funções na comunidade (SANTOS; SOUZA; OLIVEIRA, 2011; FINK
et al., 2012; TAVARES, 2012).

Como um processo de reconstrução da cidadania, a Reabilitação Psicossocial


prioriza a reconstrução da cidadania. Para tanto, propõe aos profissionais da equipe
de saúde que ofereçam recursos ao paciente em sofrimento psíquico para aumentar
as suas habilidades dentro da sua singularidade, visando à reinserção no contexto
social (SANTOS; SOUZA; OLIVEIRA, 2011).

Dentre as ações de saúde mental desenvolvidas pelos profissionais da equipe


multiprofissional se encontram: o apoio matricial, as tecnologias relacionais em
saúde (acolhimento, vínculo, escuta, relacionamento terapêutico), a visita
domiciliária e a terapia comunitária (CAVALCANTE et al., 2011). Note-se que a
assistência na área de Saúde Mental deve proporcionar autonomia e independência
ao paciente psiquiátrico, no intuito de minimizar as incapacidades, promover o
autocuidado, amenizar o sofrimento e potencializar as habilidades, no intuito de
garantir a adesão na Reabilitação Psicossocial para a Reintegração na Sociedade
(FINK et al., 2012).

Ao contrário do que acontecia há uma década, o enfoque aos pacientes


psiquiátricos deixou de ser biomédico, passando a ser de caráter humanístico e
social, direcionado à construção da cidadania. As atuais políticas públicas de saúde
25

oferecem programas de Reabilitação desenvolvidos em lares protegidos, casas e


ambulatórios. Nesses ambientes, os profissionais da equipe multiprofissional
promovem o trabalho reabilitativo, por meio da intervenção de atos cotidianos, para o
usuário se sentir sujeito ativo do trabalho. No mesmo sentido, a família também
entra nesse contexto como protagonista do processo de tratamento e Reabilitação e
o trabalho (inserção laborativa) como indicador do funcionamento social promovendo
um processo de articulação no campo dos interesses (SANTOS; SOUZA; OLIVEIRA,
2011).

As oficinas devem proporcionar a possibilidade de ligar as imagens com as


palavras, o corpo com a linguagem, relacionar os significantes entre si em um
discurso. Para tanto, trabalha-se com fotografia, dança, escrita, artes plásticas,
teatro, esporte, sempre valorizando as pequenas trocas simbólicas que o convívio
social incidental proporciona, como, por exemplo, nas refeições, passeios, jogos e
problemas do cotidiano (REIS, 2010).

Convém ressaltar que na abordagem do paciente com transtorno mental são


muitas as dificuldades enfrentadas por esses indivíduos e seus familiares,
principalmente devido ao isolamento social, a saída da escola ou uma escolarização
marcada por interrupções, repetições e transtornos de relacionamentos com os
colegas e com a própria comunidade. Este isolamento encontra-se em áreas e
experiências que são consideradas como imprescindíveis, como, por exemplo, o
lazer, o trabalho, a constituição de grupos de referência, a exploração da cidade
enquanto espaço de socialização, os primeiros encontros amorosos, entre outras.
Assim sendo, os serviços de Saúde Mental passam a ser um espaço estratégico na
reabilitação psicossocial no cuidado a essa clientela, por serem dispositivos que têm
no convívio entre sujeitos uma de suas características fundamentais. Representa,
portanto, uma possibilidade de saída ou atenuação dos sofrimentos decorrentes do
transtorno mental, já que convida a família, o adolescente a enfrentarem o distúrbio
mental sem estarem deslocados de importantes espaços sociais: o espaço urbano, o
lazer, a escola e o grupo de iguais, entre outros (MACIEL, 2012).

No atendimento inicial, além dos procedimentos de avaliações clínicas,


recomenda-se uma primeira aproximação com um espaço de convivência, o que
será uma novidade para muitos. Os usuários entram em contato com as atividades
já programadas do Centro, mas devem ser deixados livres para poderem expressar,
26

dentro de suas possibilidades, o que gostam, o que fazem ou faziam, ou o que


gostariam de fazer. Ou seja, o que em outros espaços terapêuticos podem ficar
como dado complementar a uma entrevista clínica, no trabalho de reabilitação com
pacientes com transtorno mental é importante que sua vida, seus hábitos, sua
cultura, seus conhecimentos, sejam incluídos em sua programação terapêutica. No
campo da reabilitação psicossocial, o profissional deve estar ciente de que somente
as técnicas clínicas não são dispositivos eficazes de tratamento. O reconhecimento
das preferências, dos desejos, das particularidades significa para o enfermeiro a
possibilidade de adentrar no universo tão singular do indivíduo em sofrimento
mental, com o qual irá operar por meio das atividades propostas nas oficinas, nos
grupos, nas atividades internas e externas à unidade. Este universo servirá de
dispositivo no tratamento por favorecer a criatividade e o lúdico no trabalho
desenvolvido (SILVA, 2009; MACIEL, 2012).

Note-se que o primeiro contato com o paciente portador de transtorno mental


se faz por meio do acolhimento, oferecido de diversas maneiras, de acordo com a
organização do serviço, no qual se busca compreender a situação de uma forma
mais abrangente possível, iniciando um vínculo terapêutico, fundamentado na
confiança. É construído, então, um projeto terapêutico para cada usuário,
considerando suas peculiaridades e apoiando-se na participação ativa da família
(TAVARES, 2012).

As oficinas realizadas, mesmo sendo coletivas, buscam um direcionamento


singular, de acordo com a história de cada paciente. Desse modo, possibilita-se a
expressão de questões subjetivas, assim como, facilitam-se as trocas simbólicas e
afetivas entre os participantes, por meio de um intercâmbio coletivo de experiências.
A intenção é impulsionar o indivíduo com transtorno mental em direção à construção
de laços sociais e de uma maior possibilidade do estabelecimento de um contrato
social. O resultado almejado é a diminuição do grave sofrimento psíquico, assim
como de uma melhor condução de suas vidas (MACIEL, 2012).

No contexto de cada oficina o paciente é motivado a desconstruir o papel de


doente e a ocupar o lugar de um sujeito comprometido com a construção coletiva de
parcerias e acordos a serem respeitados por todos. Por meio de estratégias
adequadas nas oficinas, cada participante se defronta com a possibilidade de tomar
uma posição a respeito de si mesmo e dos outros. Nesse sentido, algumas questões
27

trazidas pelos pacientes serão trabalhadas, como, por exemplo, em uma oficina que
trabalhe com a produção de histórias, com a linguagem escrita, com desenhos, com
a leitura, pode oferecer aos participantes um espaço de expressão, reflexão,
elaboração e troca interpessoal. E nesse momento poderão expressar a vivência
atual na família, na escola, no trabalho, quem está afastado, quem nunca
frequentou, quem interrompeu, entre outras situações. A leitura permite percorrer
novos caminhos, com novas formas de ver o mundo e de enfrentar as dificuldades,
além de ter o universo cultural enriquecido (SILVA, 2009; TAVARES, 2012).

Nas oficinas os usuários podem reconhecer aquilo que estão produzindo e


assim têm a oportunidade de saírem de uma situação de menos valia proporcionada
pelo adoecimento. É nessa perspectiva que os profissionais da equipe
multiprofissional vêm seguindo uma nova proposta de cuidar, assumindo os papeis
de organizadores, visando o indivíduo em sofrimento psíquico em sua integralidade,
bem como o ambiente em que vive e suas peculiaridades, propondo um plano
terapêutico único e particular, na tentativa de melhorar a qualidade de vida no
âmbito individual, familiar e social (BRASIL, 2009; REIS, 2010).

A assistência em Saúde Mental procura, assim, construir um novo modelo


terapêutico, fundamentando-se na ampliação da clínica e no enfoque ao sujeito
social. Isso significa o rompimento com as práticas de saúde tradicionais,
favorecendo a inclusão social do paciente em sofrimento psíquico, e excluindo a
redução do sujeito a sintomatologias, enfatizando a sua existência no corpo social
(DELFINI et al., 2009; FIORATI; SAEKI, 2012).

Para tanto, tem-se uma complexa rede de relações, ações e compreensões


envolvidas na produção do cuidado no espaço dos Centros de Atenção Psicossocial,
que assume o desafio de construir um cenário ativo, de múltiplos saberes e práticas
de encontro às necessidades e demandas, motivações, experiências e vivências, de
atores sociais, família, criança, adolescentes, profissionais, dentre outros
(CAMATTA; SCHNEIDER, 2009).

A partir do exposto, constata-se que na área da Saúde Mental são


observados alguns avanços, como, por exemplo, o oferecimento do apoio matricial,
das tecnologias relacionais em saúde (acolhimento, vínculo, escuta, relacionamento
terapêutico), a visita domiciliária e a terapia comunitária (CAVALCANTE et al., 2011;
WAIDMAN et al., 2012).
28

Em relação ao apoio matricial em Saúde Mental, tem o objetivo de promover a


interlocução entre os serviços especializados de saúde mental, como os Centros de
Atenção Psicossocial e a atenção primária, em uma atuação conjunta com as
unidades da Estratégia Saúde da Família. Destina-se, principalmente, à ampliação
do olhar sobre a clínica de forma articulada e singular, e à promoção da saúde e da
diversidade de ofertas terapêuticas, favorecendo a corresponsabilização entre as
equipes de apoio (especializadas e representadas por profissionais do Centro de
Atenção Psicossocial) e matriciais (equipes da Estratégia Saúde da Família – ESF),
com vistas à maior eficiência e eficácia das ações para a construção de um modelo
tecnoassistencial centrado no usuário. Por sua vez, o acolhimento pressupõe que o
encontro entre trabalhadores da equipe de saúde com os usuários seja marcado
pela disponibilidade em receber, escutar e tratar humanizadamente, levando em
conta suas necessidades e potencialidades, estabelecendo uma relação de
interesse, confiança e apoio mútuo (CAVALCANTE et al., 2011; SILVEIRA, 2012;
WAIDMAN et al., 2012).

Note-se que esse cuidado humanizado compreende uma atenção integral,


não se limitando às intervenções medicamentosas ou às técnicas de reabilitação.
Neste sentido, reconhece-se que tanto os pacientes como os seus familiares devem
ser considerados em suas singularidades e terem a disposição recursos que sejam
de seus domínios para expressarem-se, vivenciarem e elaborarem a experiência do
transtorno mental.

4.3 Retrospecto da Atuação do Enfermeiro nos Centros de Atenção


Psicossocial

Como visto anteriormente, os Centros de Atenção Psicossocial na atualidade


constituem uma alternativa para evitar internações psiquiátricas e um meio eficiente
de integrar os usuários em um ambiente social e cultural real. Trata-se, portanto, de
um local aberto, acolhedor, incorporado no espaço urbano onde o paciente e seus
familiares desenvolvem o seu cotidiano. Na perspectiva da Reforma Psiquiátrica a
equipe multiprofissional tem o objetivo de garantir o exercício dos direitos civis,
salvaguardar a dignidade da pessoa humana, a partir da reinserção dos usuários, do
acesso ao trabalho, lazer e fortalecimento dos laços familiares em seu próprio meio
comunitário (TAVARES, 2012).
29

Os CAPS visando atender a demanda contam em sua infraestrutura com


recursos físicos e humanos para realizar com eficiência as suas ações. Nesse
sentido, compreendem consultórios para atividades individuais (consultas, terapias,
entrevistas), sala para atividades grupais, espaço de convivência, oficinas, refeitório,
sanitários e área externa para oficinas e recreação e esportes. O objetivo é que o
espaço do prédio tenha aparência de uma casa fugindo do modelo estrutural de
hospital (SILVA et al., 2014).

Nos Centros de Atenção Psicossocial tem-se a prática do acolhimento


universal, no qual os pacientes portadores de transtornos mentais são recebidos de
modo a realizar o primeiro contato e na sequência são encaminhadas para o local de
resposta adequada à necessidade apresentada. Na Figura 1 são descritas as
principais intervenções direcionadas aos pacientes em sofrimento psíquico, cujo
trabalho desenvolvido tem como instrumento norteador o “Manual dos CAPS”, que
propõe a Clínica Ampliada, entendida no contexto como a expansão da assistência
desenvolvida para além da clínica tradicionalmente realizada na Psiquiatria em favor
da construção de ações coletivas e da produção de vida (TAÑO; MATSUKURA,
2014).

Figura 1 - Principais intervenções direcionadas aos usuários em intenso sofrimento


psíquico (TAÑO; MATSUKURA, 2014).
30

Segundo Nóbrega et al. (2015), os profissionais atuantes nos Centros de


Atenção Psicossocial vêm conquistando e consolidando espaço em programas que
atuam diretamente na comunidade. Priorizar o social em reabilitação psicossocial
implica sair de centros de reabilitação, de hospitais e de oficinas abrigadas para criar
espaços de intervenção na própria comunidade. Assim sendo, esses profissionais
intervêm sobre os problemas e as relações dos indivíduos na comunidade,
compreendendo o papel das atividades como relevante fator na emancipação e na
construção de histórias e contextos. Os autores chamam atenção para o fato de
indivíduos portadores de transtornos mentais apresentarem sérios prejuízos em seu
desempenho funcional, que corresponde à capacidade de realizar atividades de seu
cotidiano de modo satisfatório e apropriado para cada etapa de desenvolvimento.
Especificamente o papel desempenhado pelo enfermeiro na assistência
prestada ao paciente psiquiátrico nos Centros de Atenção Psicossocial, os
resultados do Quadro 1 demonstram as tendências apresentadas no período de
2006 a 2017.

Quadro 1 – Distribuição dos artigos selecionados nas bases de dados


SCIELO e LILACS de acordo com as variáveis pesquisadas. São Paulo, 2017.

Autoria Ano Periódico Resultados

Nascimento, Braga 2006 Cogitare Sete enfermeiros revelaram que na prática


Enfermagem assistencial a forma de organização do
atendimento fundamenta-se na queixa
clínica, ou seja, as ações de caráter
curativo são prioritárias, em virtude da
elevada demanda de usuários. Com
relação à saúde mental, as ações
desenvolvidas não apresentam estrutura
adequada ao atendimento da demanda,
sendo realizada de forma intuitiva, não
ocorrendo sistematização das ações.
Contudo, a educação em saúde é relatada
por alguns profissionais como instrumento
de trabalho.
31

Sousa, Ferreira 2006 Cogitare Os depoimentos das enfermeiras revelaram


Filho, Silva Enfermagem que a prática assistencial se restringe as
atividades de prescrição de medicamentos
psicotrópicos e o acompanhamento dos
pacientes, focando a doença, preservando
assim os aspectos da Psiquiatria
tradicional.
Silva, Silva, 2006 Revista Brasileira Os achados da pesquisa revelaram que o
Ferreira Filha, de Enfermagem processo de trabalho dos enfermeiros
Nóbrega, Barros, refere-se ao processo de “Assistir” (Cuidar/
Santos Fazer), que preserva os aspectos do
modelo tradicional, mas, inclui também
enfoques da Saúde Coletiva. Isso significa
que os enfermeiros não conseguem
identificar especificamente as ações de
saúde mental como sendo parte de seu
trabalho, por confundirem com as de saúde
coletiva. Contudo, desenvolvem atividades
através da "escuta", "agenda visitas" e
"conversa".
Lucchese, Oliveira, 2009 Caderno de A demanda de atendimento às pessoas
Conciani, Marcon Saúde Pública com sofrimento mental não integrava
projeto de intervenção individual ou
familiar; algumas ações eram realizadas
em uma concepção leiga de “doença
mental” e tratamento, e o recurso do
encaminhamento para a rede especializada
era acionado com bastante frequência,
apesar da precariedade desta. Das equipes
de saúde da família estudadas, apenas os
profissionais de uma equipe relataram
realizar sistematicamente a identificação e
acompanhamento medicamentoso de
pacientes psiquiátricos e família,
demonstrando um passo bastante tímido,
porém, relevante para a transformação da
prática e rompimento com o poder
hegemônico do modelo biomédico. Uma
parcela de profissionais revelou disposição
para responsabilizar-se perante a
prevenção, o acompanhamento e
tratamento da pessoa em sofrimento
psíquico.
32

Nascimento, Pítia 2010 Ciência, Cuidado Os enfermeiros adotaram como estratégia


e Saúde de atendimento a oficina terapêutica
corporal no processo de Reabilitação
Psicossocial, observando que as vivências
nas atividades expressivas corporais
possibilitaram a socialização por meio do
movimento, avançando para a melhora nas
habilidades manuais para execução de
outras oficinas, como, por exemplo,
comercialização e venda dos produtos, o
que propiciou o resgate do exercício da
cidadania.
Soares, Reinaldo 2010 Escola Anna A realização de oficinas educativas
Nery demonstrou a relevância, a essencialidade
e a eficácia dessa metodologia na
abordagem aos pacientes psiquiátricos, por
serem um espaço dialógico, construído
entre os participantes e os profissionais,
possibilita o desenvolvimento crítico-
reflexivo e a crescente expressão de
particularidades.
Amarante, Lepre, 2011 Texto Contexto Os enfermeiros mencionam realizar as
Gomes, Pereira, Enfermagem seguintes estratégias: atendimento em
15
Dutra grupo, acompanhamento, visita domiciliar,
atendimento à família, escuta, parcerias
com a comunidade, conversa, transmissão
de informações e auxílio na medicação.
Azevedo, Miranda 2011 Escola Anna Os enfermeiros realizam oficinas
Nery terapêuticas por serrem estratégias
importantes de ressocialização e inserção
individual e em grupos, na medida em que
propõem o trabalho, o agir e o pensar
coletivos, conferidos por uma lógica
inerente ao paradigma psicossocial.
Grandi, Waidman 2011 Ciência, Cuidado As famílias possuem dificuldades no
e Saúde convívio com o familiar psiquiátrico, dentre
elas a falta de habilidade no manejo das
crises. O CAPS é um serviço que ajuda na
melhora do paciente, pois antes de sua
frequência no serviço apresentava
comportamentos mais agressivos e os
relacionamentos eram mais complicados.
33

Santos, Souza, 2011 Revista Os enfermeiros oferecem o serviço de


Oliveira Eletrônica de medicação assistida, disponibilizado como
Enfermagem uma forma de acompanhamento contínuo
ao tratamento medicamentoso em saúde
mental; também realizam a visita
domiciliária por ser uma importante
tecnologia de trabalho que permite uma
interação contínua com o usuário, família e
comunidade e a realização de intervenções
mais coerentes com a realidade e
necessidades dos usuários, a partir de uma
relação de vínculo, escuta qualificada e
acolhimento.
Cavalcante, Pinto, 2012 Revista Brasileira Evidenciou-se que ações de saúde mental
Carvalho, Jorge, Promoção Saúde são desenvolvidas pelos enfermeiros, como
Freitas o apoio matricial, as tecnologias
relacionais, a visita domiciliária e a terapia
comunitária.
Fink, Borba, Mazza, 2012 Ciência, Cuidado A educação em saúde é promovida pelos
Chamma, Maftum e Saúde enfermeiros como uma estratégia que
busca o desenvolvimento de condições
para o autocuidado, a fim de facilitar o
desenvolvimento e fortalecimento de
competências que favoreçam o resgate da
cidadania e autonomia dos psiquiátricos,
pois quando a própria pessoa se julga
incapaz ou impotente diante da dinâmica
de sua vida, advém-lhe um estado de
inércia e diminuição de sua condição para
o enfrentamento das dificuldades vividas.
Maciel 2012 Dissertação de O trabalho na área de Saúde Mental
Mestrado determina a participação dos profissionais
no processo de Reabilitação, que
desempenham papéis importantes. A
Reabilitação Psicossocial deve pressupor
também certa reavaliação do lugar da
equipe na convivência com o outro, pois
quando se fala em laço social, comunidade,
vínculo aponta-se para um lugar no qual
diversas pessoas podem assumir o papel
de facilitador dentro dessa rede de
convívio.
34

Tavares 2012 Dissertação de Os profissionais atuantes em um Centro de


Mestrado Atenção Psicossocial nutrem a expectativa
de que os usuários tenham autonomia,
inserção social, melhora da relação
familiar. Esses desejos projetados são
compartilhados pelas famílias, que
buscaram o serviço em decorrência de
seus entes apresentarem dificuldade na
aprendizagem, comportamento agressivo,
inquietação, desobediência. As famílias
notam mudanças positivas no
comportamento do seu ente, e sente-se
apoiadas com a atividade de grupo.
Bessa, Waidman 2013 Texto Contexto A família tem sido vista como aliada no
Enfermagem processo de cuidado ao paciente
psiquiátrico, mas em determinadas
situações os profissionais precisam
oferecer-lhe condições de manter o núcleo
familiar saudável, cuidando da pessoa sem
que haja agravo à saúde desta e da família
como um todo.

Lima, Brêda, 2013 Revista Brasileira O acolhimento à família é apontado como


Albuquerque de Promoção dispositivo facilitador da Reabilitação do
Saúde Paciente Psiquiátrico, sendo considerada
uma parceira, de maneira a contribuir para
o sucesso terapêutico.

Paula, Gonçalves 2013 SMAD, Revista Os enfermeiros realizam oficinas


Eletrônica Saúde educativas como espaços para
Mental Álcool intervenções de Enfermagem, promoção de
Drogas saúde, correções do déficit de autocuidado
e Reabilitação Psicossocial do paciente
Psiquiátrico.

Vicente, Mariano, 2013 Rev. Gaúcha A compreensão dos familiares sobre o


Buriola, Paiano, Enfermagem tratamento do paciente psiquiátrico é
Waidman, Marcon essencial para aceitá-lo, e o profissional de
saúde precisa estar próximo à família,
dando-lhe suporte, esclarecendo dúvidas
relacionadas à doença, e apoiando-a para
que enfrente as dificuldades que
emergirem no cotidiano.
35

Melo-Dias, Rosa, 2014 Rev. Portuguesa Este ensaio teórico tem como finalidade
Pinto de Enfermagem propor o conceito de Atividade Ocupacional
Saúde Mental Terapêutica (AOT) em Enfermagem,
estabelecendo uma dinâmica particular
entre os seus três elementos nucleares:
enfermeiro-cliente atividade, bem como
com os seus domínios de utilização.
Sintetizam-se também algumas das
formulações teóricas que sustentam a
prática clínica de Enfermagem e alguns
modelos de compreensão das intervenções
no comportamento social.

Aguiar Jr, Oliveira, 2015 Rev. Pesquisa Relata-se a experiência da higiene pessoal
Araújo Cuidado como aspecto da intervenção clínica de um
Fundamental Centro de Atenção Psicossocial Infanto-
Juvenil. O estudo descritivo, do tipo relato
de experiência, foi organizado em dois
momentos: no primeiro criou-se oficina com
os responsáveis, composta por psicólogos,
equipes de enfermagem, farmacêuticos,
médicos e equipe de odontologia (os dois
últimos como convidados da unidade
básica de saúde); no segundo foram
identificados problemas/limitações, assim
como a necessidade da criação de
estratégias que sustentassem a
participação dos responsáveis nas oficinas.

Duarte, Lavorato 2016 SMAD Rev. A assistência de enfermagem deve


Neto, Rodrigues, Eletrônica Saúde visualizar de forma holística o ser humano,
Campos Mental Álcool visto que ainda há a visão da doença
Drogas mental como um processo exclusivamente
biológico, com tratamento baseado
somente em medicamentos e com o
isolamento social.

A análise dos estudos realizados entre os anos de 2006 a 2009 revela que
os profissionais de Enfermagem enfrentaram alguns obstáculos e desafios para
seguirem os preceitos da Reforma Psiquiátrica, por não realizarem medidas
36

estratégicas aos pacientes visando à autonomia, autoconhecimento, aumento da


capacidade de fazer escolhas e diminuir o sofrimento, uma vez que predominava na
época uma prática conservadora (NASCIMENTO; BRAGA, 2006; SILVA et al., 2006;
SOUSA; FERREIRA FILHO; SILVA, 2006; LUCCHESE et al., 2009).

Nesse sentido, menciona-se o papel do enfermeiro na perspectiva de


“assistir” (cuidar/ fazer), na qual são preservados os aspectos do modelo tradicional,
compreendendo basicamente a queixa clínica, ou seja, as ações de caráter curativo,
como, por exemplo, o acompanhamento medicamentoso dos pacientes psiquiátricos,
focando assim a doença e preservando os aspectos da Psiquiatria clássica
(NASCIMENTO; BRAGA, 2006; SILVA et al., 2006; LUCCHESE et al., 2009).

Dentre estes estudos, encontra-se o desenvolvido por Nascimento e Braga


(2006), cujos resultados revelaram que os profissionais na época enfrentavam
muitas dificuldades na abordagem das demandas de saúde mental da população
assistida, por desconhecerem os recursos da comunidade para atuarem em ações
preventivas. Os profissionais entrevistados mencionaram não utilizar na prática
assistencial uma escuta sensível e não possibilitavam o estabelecimento de um
relacionamento interpessoal com os pacientes, sendo a medicalização e o
encaminhamento as intervenções realizadas. A prática assistencial dos enfermeiros
não era condizente com os princípios da Reforma Psiquiátrica, haja vista priorizar a
doença e ações de caráter curativo em virtude da elevada demanda. Portanto,
relações abertas, flexíveis e democráticas, destacando, em especial, o
aconselhamento, o diálogo, as oficinas de expressão, o trabalho grupal, segundo os
princípios dos programas da atenção primária à saúde, não ocorria de modo
adequado9.

Outro estudo realizado por Sousa, Ferreira Filha e Silva (2006), cujo objetivo
foi analisar a práxis dos enfermeiros na Atenção à Saúde Mental, evidenciou a
ocorrência de exclusão, por restringirem as suas atividades à prescrição de
medicamentos psicotrópicos e o acompanhamento dos pacientes, focando a
doença, preservando assim os aspectos da Psiquiatria tradicional. Os profissionais
entrevistados não reconheciam a complexidade da assistência à saúde mental. Por
essa razão, o processo de trabalho não estava em conformidade com a
desinstitucionalização proposta pela Reforma Psiquiátrica. Na época o Programa
Saúde da Família ainda não provocava mudanças reais, na superação do modelo
37

sanitário predominante. Os princípios da Psiquiatra tradicional impedem que a


inclusão social do paciente psiquiátrico ocorra na atenção primária à saúde, o que
significa que a superação do modelo asilar e excludente é um desafio.

Os achados de uma pesquisa direcionada a investigar o trabalho de


enfermagem, com objetivo de compreender os limites e as possibilidades de
implementação de ações de saúde mental nos serviços da rede básica de saúde do
município de Cabedelo, Paraíba, na perspectiva da Reforma Psiquiátrica,
demonstraram que o processo de trabalho se fundamentava no processo de
“Assistir” (Cuidar/ Fazer), que preserva os aspectos do modelo tradicional, mas,
inclui também enfoques da Saúde Coletiva. Isso significa que os enfermeiros não
conseguiam identificar especificamente as ações de saúde mental como sendo parte
de seu trabalho, por confundirem com as de saúde coletiva. Contudo, desenvolviam
atividades por meio da "escuta", "agenda visitas" e "conversas" sobre violência,
alcoolismo e drogas (SILVA et al., 2006).

Os resultados de uma pesquisa direcionada a investigar a assistência à


saúde mental prestada pelas equipes de Saúde da Família, revelaram que somente
os profissionais de uma equipe mencionaram realizar sistematicamente a
identificação e o acompanhamento medicamentoso de pacientes psiquiátricos,
demonstrando assim um passo bastante tímido, porém, relevante para a
transformação da prática na área de Saúde Mental e rompimento com o poder
hegemônico do modelo biomédico. Uma parcela de profissionais revelou disposição
para responsabilizar-se perante a prevenção, o acompanhamento e tratamento da
pessoa em sofrimento psíquico. Contudo, constatou-se que as equipes de Saúde da
Família permaneciam à margem de toda a rede, não sabendo como lidarem com o
sujeito em sofrimento psíquico em sua base territorial, e quando se defrontavam com
pacientes com transtorno mental em crise recorriam ao hospital, em virtude da
dificuldade de acesso ou a ausência de referência contra referência com os Centros
de Atenção Psicossocial locais (LUCCHESE et al., 2009).

Os achados de outras pesquisas realizadas com enfermeiros revelaram que


a prática assistencial desses profissionais se encontrava centrada nos aspectos
biológicos. Contudo, mencionaram realizar também as seguintes estratégias:
atendimento em grupo, acompanhamento, visita domiciliar, atendimento à família,
escuta, parcerias com a comunidade, conversa, oferecer informações e auxiliar na
38

medicação. Assim sendo, mesmo não sendo planejadas pelos enfermeiros, são
desenvolvidas algumas estratégias junto às pessoas em sofrimento psíquico
(AMARANTE et al., 2011; FINK et al., 2012).

Estudos realizados por Cavalcante et al. (2012), Maciel (2012) e Tavares


(2012) evidenciaram que dentre as ações de saúde mental desenvolvidas pelos
profissionais de Enfermagem se encontravam: o apoio matricial, as tecnologias
relacionais em saúde (acolhimento, vínculo, escuta, relacionamento terapêutico), a
visita domiciliária e a terapia comunitária. Os pesquisadores constataram que o
cuidado em saúde mental ainda acontecia de forma esporádica por parte de alguns
trabalhadores. Todavia, ressaltam que já era possível observar alguns avanços em
relação aos princípios da Reforma Psiquiátrica e a Reabilitação Psicossocial.

Observa-se que nos estudos de Amarante et al. (2011), Cavalcante et al.


(2011) e Fink et al. (2012), os profissionais da equipe de Enfermagem, embora
seguissem os preceitos da Psiquiatria clássica, se apresentavam cientes de que a
assistência na área de Saúde Mental deve proporcionar autonomia e independência
ao paciente psiquiátrico, no intuito de minimizar as incapacidades, promover o
autocuidado, amenizar o sofrimento e potencializar as habilidades, no intuito de
garantir a adesão na Reabilitação Psicossocial para a reintegração na sociedade.

Ao contrário do que acontecia há uma década, o enfoque aos pacientes


psiquiátricos deixou de ser biomédico, passando a ser de caráter humanístico e
social, direcionado à construção da cidadania. As atuais políticas públicas de saúde
oferecem programas de Reabilitação desenvolvidos em lares protegidos, casas e
ambulatórios. Nesses ambientes, os profissionais da equipe multiprofissional
promovem o trabalho reabilitativo, por meio da intervenção de atos cotidianos, para o
usuário se sentir sujeito ativo do trabalho. No mesmo sentido, a família também
entra nesse contexto como protagonista do processo de tratamento e Reabilitação e
o trabalho (inserção laborativa) como indicador do funcionamento social promovendo
um processo de articulação no campo dos interesses (NASCIMENTO; PÍTIA, 2010;
SOARES; REINALDO, 2010; SANTOS; SOUZA, OLIVEIRA, 2011).

Fink et al. (2012) elucidam que os pacientes psiquiátricos devem ser


orientados e estimulados pelo enfermeiro a desenvolverem o autocuidado, já que
nos momentos de crise ou de vivência do curso crônico da doença podem não
conseguir focar a atenção para o seu cuidado, tornando-se dependentes dos
39

cuidados da equipe multiprofissional ou dos familiares. Por essa razão, considera-se


a educação em saúde como uma estratégia que busca o desenvolvimento de
condições para o autocuidado, cuja realização pode ocorrer mediante discussão e
fornecimento de informações referentes ao transtorno, tratamento e cuidados
pessoais, permitindo assim a expressão de sentimentos e de respeito à
subjetividade de cada um. De forma complementar, permite o aprofundamento das
discussões acerca da saúde e possibilita aos participantes a descoberta de
estratégias para o enfrentamento de dificuldades e a convivência mais harmônica
com sua condição de saúde.

Desse modo, na atenção à Saúde Mental a educação em saúde se traduz


em um trabalho desenvolvido pelo enfermeiro que atua sobre o conhecimento das
pessoas, para que elas desenvolvam juízo crítico e capacidade de intervenção sobre
sua vida (SOARES; REINALDO, 2010; FINK et al., 2012).

No âmbito da educação em saúde, as oficinas terapêuticas em saúde mental


vêm sendo realizadas pelo enfermeiro como encontro entre pessoas em tratamento,
seus acompanhantes e os profissionais de saúde, para promover a cidadania e
incentivar a convivência com os diferentes, por meio da inclusão pela atividade.
Essas intervenções de Enfermagem são momentos oportunos para a integração
entre os familiares, o paciente e a equipe de Enfermagem, além de ser um espaço
de promoção e prevenção da saúde (PAULA; GONÇALVES, 2013; VICENTE et al.,
2013).

No estudo conduzido por Paula e Gonçalves (2013), as oficinas educativas


fortaleceram a organização do trabalho da Enfermagem em equipe, incentivaram a
interação da equipe de Enfermagem com familiares/acompanhantes e pacientes,
denotando que esses momentos podem ser utilizados como encontro entre pessoas
em tratamento, seus acompanhantes e os profissionais de saúde, ao mesmo tempo
em que promovem cidadania e convivência com os diferentes, por meio da inclusão
pela atividade. Os enfermeiros estimulam os participantes a desenvolverem
atividades de forma autônoma e independente. Também promovem discussões e
reflexões que favoreceram não só a prática do cuidar de si, como também, o
trabalho em grupo, o respeito ao limite do outro e a elaboração de visão crítica em
relação ao autocuidado, à autoestima e aos hábitos de vida saudáveis.
40

As evidências obtidas em estudos científicos mostram que as oficinas


terapêuticas vêm favorecendo aos participantes a oportunidade, individual e grupal,
para trocarem experiências sobre a doença e seus sentimentos com o enfermeiro,
por meio de um clima de confiança e apoio, possibilitando assim a prevenção de
recaídas e complicações, estimulação da participação do paciente na experiência
que vivencia, da forma mais independente possível, ou seja, ajudando-o a se
preparar para a Reintegração Social (AZEVEDO; MIRANDA, 2011; PAULA;
GONÇALVES, 2013).

As oficinas também permitem abordar questões referentes à saúde integral,


em detrimento da condição psíquica, por meio de dinâmicas direcionadas à
sensibilização, possibilitando aos participantes agregar conhecimentos acerca das
temáticas, mas, igualmente, percebê-los enquanto sujeito biopsicossocial. São,
portanto, dispositivos de cuidado para uma interação social saudável, por
despertarem o desejo e a coragem para superação de dificuldades relacionadas ao
autocuidado, autoestima e interação social, fazendo os participantes sentirem que
suas individualidades eram reconhecidas e valorizadas (SOARES; REINALDO,
2010; AZEVEDO; MIRANDA, 2011; PAULA; GONÇALVES, 2013).

As oficinas terapêuticas no âmbito da Saúde Mental permitem a


possibilidade de projeção de conflitos internos e externos por meio de atividades
artísticas, com a valorização do potencial criativo, imaginativo e expressivo do
paciente, além do fortalecimento da autoestima e da autoconfiança, a troca de
saberes e a expressão da subjetividade (AZEVEDO; MIRANDA, 2011).

O serviço de medicação assistida é disponibilizado pelos enfermeiros como


um meio de acompanhamento contínuo ao tratamento medicamentoso em saúde
mental. Representa uma possibilidade para ensinar ao paciente esta parte do
tratamento, para que se tornem capazes de realizarem em casa (PAULA;
GONÇALVES, 2013).

O cuidar no âmbito dos serviços substitutivos se traduz em um desafio para


os enfermeiros, pois há troca de valores. Anteriormente não se tinha essa
preocupação em valorizar a subjetividade do indivíduo em sofrimento psíquico, em
vista disso, o profissional precisa ter um olhar diferenciado, privilegiando um cuidado
humanizado e individualizado (AMARANTE et al., 2011; PAULA; GONÇALVES,
2013).
41

Os resultados dos estudos mais recentes evidenciam que os enfermeiros


reconhecem a importância do seu papel no contexto da assistência psiquiátrica, por
buscarem uma atuação assertiva pautada não somente em aspectos administrativo-
burocráticos, já que o vínculo e o acolhimento constituem elementos necessários
para uma interação efetiva entre profissional e usuário. Convém ressaltar que esses
profissionais estabelecem um contato mais frequente com o paciente psiquiátrico,
sendo também quem realiza o diálogo com os atores sociais a fim de promover a
cidadania e autonomia (PAULA; GONÇALVES, 2013; MELO-DIAS; ROSA; PINTO,
2014; AGUIAR JR; OLIVEIRA; ARAÚJO, 2015; DUARTE et al., 2016).

A finalidade terapêutica das abordagens adotadas pelos enfermeiros nos


Centros de Atenção Psicossocial, que seguem os atuais preceitos da Reforma
Psiquiátrica, priorizam a relação estabelecida entre serviço, usuários, família e redes
sociais, se refere à manutenção do estado de equilíbrio da condição de saúde e da
adaptação do indivíduo ao seu sofrimento psíquico. Desse modo, presta assistência
ao paciente como um todo, dentro do âmbito familiar, sendo responsável não só pela
promoção da saúde mental, mas também na prevenção das doenças, assim como
pelo reconhecimento de problemas na área mental e na dinâmica familiar,
proporcionado um atendimento adequado e encaminhamento, quando necessário.
Portanto, as ações de saúde mental configuram-se como de atenção primária,
compreendendo prevenção e promoção e tratamento dentro do limite de atuação e
complexidade (LIMA; BRÊDA; SANTOS, 2013).

Na atualidade, no processo de Reabilitação Psicossocial prioriza-se a forma


como o serviço funciona e não mais o tratamento como acontecia no passado. Isso
significa que não basta implementar uma série de técnicas, formuladas por uma
equipe e aplicadas sobre pacientes passivos, já que o mais importante é a relação
dos profissionais com os sujeitos atendidos (AZEVEDO; MIRANDA, 2011; GRANDI;
WAIDMAN, 2011; )23, 24.

Nessa perspectiva, os pacientes psiquiátricos não devem ser vistos como


doentes e a equipe deve interagir com os mesmos para além de um perfil clínico
individual. Mais que as estratégias colocadas em prática em cada oficina, considera-
se fundamental que o clima geral do serviço deve sobressair, no intuito de oferecer
uma assistência integral e humanizada (SOARES; REINALDO, 2010; PAULA;
GONÇALVES et al., 2013; AGUIAR JR; OLIVEIRA; ARAÚJO, 2015).
42

5 CONCLUSÃO

A Reforma Psiquiátrica ocorrida na década 90 no Brasil defende a


desospitalização e prioriza a Reabilitação Psicossocial na atenção em Saúde Mental,
disponibilizando assim aos pacientes psiquiátricos diversos serviços com intuito de
construir uma rede de Atenção Psicossocial aos pacientes em sofrimento psíquico,
cujos resultados vêm se mostrando efetivos em seus tratamentos, porque, além de
oferecerem acompanhamento clínico, oferecem também Reinserção Social, trabalho
e lazer.

Contudo, os estudos realizados entre os anos de 2006 a 2009 revelam uma


série de desafios enfrentados pelos enfermeiros para se adaptarem aos preceitos da
Reforma Psiquiátrica, por seguirem os princípios da Psiquiatria clássica. Contudo,
pesquisas mais recentes evidenciam que a prática terapêutica desses profissionais,
no campo da Saúde Mental, vem focando a Reinserção Social dos pacientes em
sofrimento psíquico atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial, que por muito
tempo foram asilados, e ao mesmo tempo, incorporando os princípios da
humanização, o que se traduz na compreensão do ser humano na sua integralidade,
física, psíquica e social.

Observa-se que as dificuldades e os desafios impostos pela Reforma


Psiquiátrica estão sendo enfrentados pelos enfermeiros de modo positivo, por
estarem proporcionando autonomia e independência ao paciente psiquiátrico, no
intuito de minimizar as incapacidades, promover o autocuidado, amenizar o
sofrimento e potencializar as habilidades, no intuito de garantir a adesão na
Reabilitação Psicossocial para a Reintegração na Sociedade.

Nos serviços e dispositivos, como os Centros de Atenção Psicossocial, a


intenção da equipe é permitir o contato e o acolhimento do sofrimento psíquico,
apresentando respostas diferentes daquelas orientadas pelo modelo
hospitalocêntrico, que tem a doença como foco de intervenção. O desafio que se
coloca é romper com a visão tradicional da loucura e dispor uma prática clínica que
exige individualização do sujeito para que sua subjetividade seja considerada, que
poderá ser efetivada com sucesso, por meio de estratégias adequadas como, por
exemplo, o apoio matricial, as tecnologias relacionais em saúde (acolhimento,
vínculo, escuta, relacionamento terapêutico), a visita domiciliária e a terapia
43

comunitária, reafirmando assim a proposta da desinstitucionalização, construindo


assim novos caminhos possíveis para a prática do cuidado integral.

O ambiente comunitário é utilizado como intervenção terapêutica, no qual a


equipe de profissionais juntamente com os familiares influencia no desempenho dos
pacientes nas atividades diárias, enfatizando a interação social e grupal.

Os achados na literatura evidenciam que nos últimos anos importantes


mudanças estão sendo incorporadas na abordagem do paciente portador de
transtorno mental, sobretudo para a sua a integração na sociedade. Por essa razão,
os enfermeiros necessitam investir na sua qualificação profissional, por meio de
cursos de especialização na área de Saúde Mental. De modo semelhante, como
líderes da equipe de Enfermagem, precisam promover cursos de educação
continuada para o aperfeiçoamento dos seus colaboradores, a fim de garantir uma
assistência condizente com os princípios da Reforma Psiquiátrica.
44

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